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Numero do processo: 10380.006989/2005-12
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001
Decadência.
Nos termos das decisões proferidas pelo STJ em matéria de repercussão geral, na ausência de declaração em DCTF e/ou pagamento antecipado do tributo, o prazo decadencial rege-se pelas regras do artigo 173, I do CTN e inicia-se a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Ajustes do Lucro Líquido. Falta de Adição. Lucro Inflacionário.
Declarado a menor o valor do lucro inflacionário realizado, que deveria ter sido adicionado ao lucro líquido do período-base, para apuração do lucro real, subsiste o lançamento decorrente.
Numero da decisão: 1801-000.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
______________________________________
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
______________________________________
Maria de Lourdes Ramirez Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jaci de Assis Junior, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: MAGDA AZARIO KANAAN POLANCZYK
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 Decadência. Nos termos das decisões proferidas pelo STJ em matéria de repercussão geral, na ausência de declaração em DCTF e/ou pagamento antecipado do tributo, o prazo decadencial rege-se pelas regras do artigo 173, I do CTN e inicia-se a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ajustes do Lucro Líquido. Falta de Adição. Lucro Inflacionário. Declarado a menor o valor do lucro inflacionário realizado, que deveria ter sido adicionado ao lucro líquido do período-base, para apuração do lucro real, subsiste o lançamento decorrente.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 DECADÊNCIA. Nos termos das decisões proferidas pelo STJ em matéria de repercussão geral, na ausência de declaração em DCTF e/ou pagamento antecipado do tributo, o prazo decadencial regese pelas regras do artigo 173, I do CTN e iniciase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. AJUSTES DO LUCRO LÍQUIDO. FALTA DE ADIÇÃO. LUCRO INFLACIONÁRIO. Declarado a menor o valor do lucro inflacionário realizado, que deveria ter sido adicionado ao lucro líquido do períodobase, para apuração do lucro real, subsiste o lançamento decorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 69 89 /2 00 5- 12 Fl. 517DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jaci de Assis Junior, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra JM ADMINISTRAÇÃO COMERCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 07.877.392/000110, com exigência de crédito tributário no valor total de R$949.934,77, composto pelas parcelas de Imposto (IRPJ), juros de mora, multa proporcional tendo em conta irregularidades apuradas nos anoscalendário de 2000 e 2001 (fls. 02 e ss.). O auto de infração teve origem em revisão de Declaração de Informações EconômicoFiscais da PJ – DIPJ que foi apresentada pelo contribuinte nos termos do artigo 835 do RIR (Regulamento do Imposto sobre a Renda), tendo sido constatada: 1) a “ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real apurado na DIPJ, do lucro inflacionário realizado sem observância do percentual de realização mínima previsto na legislação de regência” – “Adições não computadas na apuração do Lucro real Lucro inflacionário realizado – realização mínima”, relativamente aos quatro trimestres dos anoscalendário 2000 e 2001. 2) a insuficiência de recolhimento e/ou declaração em DCTF do IRPJ apurado em DIPJ, relativamente aos quatro trimestres do anocalendário 2000 Consta à fl. 21 informação de que a defesa apresentada em setembro do ano de 2004, incluindose aos autos cópia da mesma, e apresentada a fls. 22 et seq., em 14/09/2004 (datada de 13 de setembro de 2004) referese ao processo n. 10380010.144/200351 que cuida do anocalendário de 1999. Cientificada da exigência, em 24/08/2005 (AR fl.72), apresentou a interessada, em 23/09/2005 a impugnação de fls. 7378. Em sua defesa aduziu estar amparada pela legislação em apreço, notadamente a Lei 8.200/1991, requerendo a nulidade do auto de infração e multa conseqüente. Junta documentos até fls. 254. Alega, principalmente, que a base de cálculo adotada para determinação das diferenças apontadas decorre de diferença de correção monetária (IPC x BTNF) decorrente da Lei 8.200/91, que teria sido contabilizada pela empresa subscritora em face da aplicação da sistemática de equivalência patrimonial, não havendo qualquer incidência de tributos sobre esses efeitos que resultam da equivalência reconhecida. Às fls.258 até 291, junta em datas posteriores à data da impugnação, informação de que houve solicitação de revisão de ofício de lançamento à Secretaria da Receita Federal (02/10/2006). Em março de 2007 houve pedido de revisão de lançamento por erro de fato. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.006989/200512 Acórdão n.º 1801000.826 S1TE01 Fl. 518 3 A 3ª Turma da DRJ de Fortaleza, em 20 de junho de 2008, proferiu o acórdão número 0813.505, e, por maioria de votos julgou procedente o auto de infração. Notificada da decisão, em 29/07/2008, apresentou a interessada, em 26/08/2008 o recurso voluntário de fls. 431 e ss. Alega, em sua defesa, a decadência do Fisco em constituir o crédito tributário exigido no auto de infração e afirma que a decisão de primeira instância foi desmotivada por não ter perseguido a verdade material ao deixar de apreciar os fatos apresentados após a impugnação e por ter deixado de rever o lançamento tributário embora diante das provas incontestes de erro de fato no preenchimento da DIRPJ do exercício de 1992. No mérito reproduz as argüições de defesa suscitadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Redatora Designada. Tendo em vista que a Conselheira relatora responsável pelos presentes autos, Magda Azario Kanaan Polanczyk, renunciou ao mandato de conselheira sem entregar este acórdão formalizado, fui designada para este fim, consoante despacho de fls. 516. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. 1 Preliminar 1.1 DECADÊNCIA Afastase de plano a argüição de decadência. Tratase de auto de infração para exigência de IRPJ decorrente de ajustes no lucro líquido e alterações na apuração do lucro real dos anoscalendário 2000 e 2001. No anocalendário 2000 a recorrente optou pela apuração de seus resultados com base no lucro real trimestral e apurou IRPJ devido em todos os trimestres do referido anocalendário. Entretanto, não declarou os valores devidos em DCTF, tanto que a segunda infração apurada e exigida no auto de infração referese, justamente, à falta de declaração em DCTF dos valores de IRPJ apurados na DIPJ. Tampouco demonstrou nos autos que efetuou o pagamento dos valores devidos a esse título. Assim o prazo decadencial regese pelas regras do artigo 173, inciso I do CTN, sendo o dies a quo do prazo, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme vem decidindo o STJ em matéria de repercussão geral. Em relação ao 1º trimestre, o lançamento poderia ter sido efetuado no próprio ano de 2000 e o primeiro dia do exercício seguinte recai em 1º de janeiro de 2001 – dies a quo – vencendose o prazo Fl. 519DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 decadencial de cinco anos em 31/12/2005. Tendo em conta que o lançamento foi cientificado à interessada em 24/08/2005 (AR fl.72), não se verifica a decadência. Se não houve a decadência do direito do Fisco para exigir tributo em relação a fatos geradores ocorridos em 2000 muito menos se verificaria a decadência em relação ao fato gerador ocorrido no ano anocalendário 2001, razão pela qual afasto a argüição suscitada. 1.2 AUSÊNCIA DE LITÍGIO. A recorrente não se defendeu contra a infração atinente ao item “2” do auto de infração – falta de declaração em DCTF dos valores apurados em DIPJ a título de IRPJ referente aos quatro trimestres do anocalendário de 2000, razão pela qual em relação à essa matéria não há litígio a ser apreciado. 1.3 AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Não tem guarida a alegação. A decisão da DRJ em Fortaleza está fundamentada em extenso arrazoado e a motivação do indeferimento das alegações de defesa claramente descrita no voto condutor do acórdão. Preliminar rejeitada. 1.4 RAZÕES DE DEFESA E DOCUMENTOS APRESENTADOS APÓS O PRAZO LEGAL. PRECLUSÃO. Em estrita observância aos ditames expressos nos artigos 15 e 16 do Decreto n º 70.235, de 1972 – PAF – deixo de tomar conhecimento das razões de defesa e documentos nelas insertos, apresentadas nos “aditamos” protocolizados em 02/10/2006, 26/09/2006, 27/09/2006 e 01/03/2007 (fls. 258/291), por terse operado a preclusão. 2 Mérito. No mérito não há reparo algum a ser efetuado na decisão de primeira instância não merecendo reforma A empresa contribuinte optou pela apuração de seus resultados de acordo com as regras do lucro real. A fazenda verificou que houve adições não computadas na apuração do lucro real – Lucro inflacionário realizado realização mínima como se depreende do auto de infração e legislação correspondente. A empresa contribuinte alegou que o efeito IPC x BTNF, reconhecido via equivalência e gerado na empresa Companhia Ceará Têxtil foi de Cr$913.468.972,00 no entanto não logrou comprovar o alegado. Em respeito ao quanto dispõe os artigos 15 e 16 do Decreto n º 70.235, de 1972, os documentos extemporâneos juntados aos autos não podem ser conhecidos Notese que a decisão da DRJ de Fortaleza ora atacada reproduz os tópicos 7.; 7.1 e 7.2 da IN RF125/1991 (e Dec. 332/1991, art.32) os quais expressamente regulamentam o registro da equivalência patrimonial vedando os efeitos fiscais de registros de correção da conta de investimento pela diferença entre a variação do IPC e do BTNF (fls.426). Se a legislação assim dispõe expressamente e, moto contínuo, não faz prova a recorrente do que alega, nem afasta a legislação tributária em apreço, a empresa contribuinte deve ao Fisco o crédito tributário exigido no auto de infração. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.006989/200512 Acórdão n.º 1801000.826 S1TE01 Fl. 519 5 O pedido de revisão de ofício consubstanciado pela defesa não pode ser apreciado nesta esfera de julgamento por incompetência regimental. Tal pleito deve ser dirigido à autoridade competente do órgão de origem da recorrente. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Redatora Designada Fl. 521DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13433.000315/2003-60
Data da sessão: Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1997
DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO — PDV — DECADÊNCIA AFASTADA.
O início da contagem do prazo de decadência para pleitear a restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda sobre os montantes pagos como incentivo pela adesão a Programas de Desligamento Voluntário - PDV, começa a fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecido, pela administração tributária, o direito de pleitear a restituição. No momento em
que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31/12/1998, que foi publicada no Diário Oficial da União que circulou no dia 06/01/1999, são tempestivos os pedidos protocolizados até 06/01/2004.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.266
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso e determinar o retorno dos autos à Unidade Local da RFB para que aprecie as demais questões relacionadas ao pleito. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto que dava provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1997 DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO — PDV — DECADÊNCIA AFASTADA. O início da contagem do prazo de decadência para pleitear a restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda sobre os montantes pagos como incentivo pela adesão a Programas de Desligamento Voluntário - PDV, começa a fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecido, pela administração tributária, o direito de pleitear a restituição. No momento em que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31/12/1998, que foi publicada no Diário Oficial da União que circulou no dia 06/01/1999, são tempestivos os pedidos protocolizados até 06/01/2004. Recurso especial negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso e determinar o retorno dos autos à Unidade Local da RFB para que aprecie as demais questões relacionadas ao pleito. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto que dava provimento ao recurso.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-10-14T19:48:26Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-10-14T19:48:26Z; Last-Modified: 2009-10-14T19:48:26Z; dcterms:modified: 2009-10-14T19:48:26Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-10-14T19:48:26Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-10-14T19:48:26Z; meta:save-date: 2009-10-14T19:48:26Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-10-14T19:48:26Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-10-14T19:48:26Z; created: 2009-10-14T19:48:26Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2009-10-14T19:48:26Z; pdf:charsPerPage: 1405; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-10-14T19:48:26Z | Conteúdo => CSRF-T2 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS on,J4ifieS' Processo n° 13433.000315/2003-60 Recurso n° 153.985 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-00.266 — 2a Turma Sessão de 22 setembro de 2009 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JOUBERT DE GÓIS CARVALHO Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1997 DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO — PDV — DECADÊNCIA AFASTADA. O início da contagem do prazo de decadência para pleitear a restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda sobre os montantes pagos como incentivo pela adesão a Programas de Desligamento Voluntário - PDV, começa a fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecido, pela administração tributária, o direito de pleitear a restituição. No momento em que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31/12/1998, que foi publicada no Diário Oficial da União que circulou no dia 06/01/1999, são tempestivos os pedidos protocolizados até 06/01/2004. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso e determinar o retorno dos autos à Unidade Local da RFB para que aprecie as demais questões relacionadas ao pleito. Vencido o Conselheiro Carlos AlbertoA, Freitas Barreto que dava provimento ao recurso. up4,-•nn„„. CARLOS ALBER 1 ITAS B • ' TO - Presidente 1110 mi> MOISÉS GIACOMEL NUNES DA SILVA - Relator EDITADO EM: a 8 SEI 2009 Participaram da sessao de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gustavo Lian Haddad (convocado), Julio Cesar Vieira Gomes, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, temporariamente, o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes. Relatório Trata-se de processo que tem por objeto pedido de restituição de valor de Imposto de Renda Retido na Fonte, correspondente ao exercício de 1997, sobre verbas trabalhistas que, em tese, foram pagas em face de implantação de Programa de Demissão Voluntária - PDV. O pedido de restituição foi protocolizado em 18 de junho de 2003, sendo que a decisão recorrida, por unanimidade de votos, afastou a decadência e determinou o retorno dos autos à origem para exame do mérito. Intimada da decisão, a Fazenda Nacional ingressou com recurso especial sustentando que a interpretação correta em relação ao inciso I do artigo 168 do CTN, é no sentido de que o prazo decadencial para requerer a restituição é de cinco anos, contados da data do pagamento indevido. Admitido o recurso, o contribuinte não apresentou as contra-razões. É o relatório. Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria 147 de 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda. Foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Assim, conheço do recurso e passo ao exame do mérito. 2 Processo n° 13433.000315/2003-60 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.266 Fl. 2 Partindo do conceito legal de tributo, de que trata o artigo 3° do CTN, como sendo "toda a prestação de natureza pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada", tem-se que editada norma pela Administração exigindo tributo cabe ao particular, independentemente de sua vontade ou concordância, satisfazer a exigência tributária. Mesmo nas hipóteses em que a norma que exige o tributo esteja em desconformidade com o texto constitucional, cabe ao sujeito passivo a . obrigação de satisfazer o pagamento, pois os atos editados pelo poder público, dté elecisão ei 4ntrário, gozam de presunção de legalidade. Nesta linha, mesmo diante das hipóteses de exigência indevida de tributo, cabe ao sujeito passivo efetuar o pagamento até que se verifique uma das seguintes hipóteses: Decisão do Supremo Tribunal Federal, em controle concentrado de constitucionalidade, declarando a inconstitucionalidade da norma que instituiu o tributo; Resolução do Senado Federal editada nos termos do artigo 52, X, da CF, suspendendo a execução, no todo ou em parte, da norma declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal e; A Administração Pública, através de ato competente, reconhece que o tributo cobrado é indevido. No caso do PDV, a SRF editou a Instrução Normativa 165/98, datada de 31 de dezembro de 1998, e publicada no D.O.U. em 06/01/99, reconhecendo a não incidência de imposto de renda sobre as parcelas pagas por adesão a Programa de Demissão Voluntária. Publicada a instrução normativa, nasceu em favor do contribuinte o direito subjetivo de se dirigir à Administração para requerer a restituição do valor pago indevidamente. Neste sentido destaco o seguinte precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais: IRRF — RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO PAGO (RETIDO) INDEVIDAMENTE — PRAZO — DECADÊNCIA — INOCORRÊNCIA — PARECER COSIT N" 4/99 — O imposto de renda retido na fonte é tributo sujeito ao lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, nos termos do caput do artigo 150 do CTN, por delegação da legislação fiscal, promove aquela atividade da autoridade administrativa de lançamento (art. 142 do C7N). Assim, o contribuinte, por delegação legal, irá verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, identificar o sujeito passivo, calcular o tributo devido e, sendo o caso, aplicar a penalidade cabível. Além do lançamento, para consumaçã o daquela hipótese prevista no artigo 150 do CIN, é necessário o recolhimento do débito pelo contribuinte sem prévio exame das autoridades administrativas. Havendo o lançamento e pagamento antecipado pelo contribuinte, ato homologatório este que consuma a extinção do crédito tributário (art. 156, VII, do C7N). Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito se extingue com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4 0, do CTN), a chamada homologação tácita. Ademais, o Parecer COSIT n° 4/99 concede 3 o prazo de 5 anos para restituição do tributo pago indevidamente contado a partir do ato administrativo que reconhece, no âmbito administrativo fiscal, o indébito tributário, in casu, a Instrução Normativa n° 165 de 31.12.98. O contribuinte, portanto, segundo o Parecer, poderá requerer a restituição do indébito do imposto de renda incidente sobre verbas percebidas por adesão à PDV até dezembro de 2003, razão pela qual não há que se falar em decurso do prazo no requerimento do Recorrente feito em 2000. A Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu, em questão semelhante, que 'em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisdo proferida inter partes em processo que reconhece a inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributário. ' (Acórdão CSRF/01-03.239). Ao efetuar retenções na fonte e incluir as parcelas do PDV na base de cálculo anual do tributo, tanto a fonte pagadora quanto o sujeito passivo agiram sob a presunção de ser legítima a exação. Mais, seguiram orientações expressas da administração tributária, sob pena de serem autuados. Entretanto, reconhecido pelo Superior Tribunal de Justiça e, posteriormente, por ato da administração pública, que as parcelas recebidas como incentivo ao desligamento voluntário estão fora do campo de incidência do imposto de renda, surge para o contribuinte o direito ao não recolhimento do tributo, como também a repetição aos valores recolhidos indevidamente. No meu sentir, desta forma, se homenageiam princípios basilares do direito como o da moralidade, isonomia, boa fé, lealdade, vedação do enriquecimento sem causa e o da segurança jurídica. Do contrário, estar-se-ia disseminando a desconfiança na lei e na Administração Tributária que orientou o contribuinte e a fonte pagadora ao cumprimento de exigência tributária desprovida de fundamento legal para tanto. Por outro lado, o lançamento é ato administrativo vinculado à lei. Nesta, encontram-se todos os elementos que compõem a obrigação tributária. O controle da legalidade, a ser efetuado pela própria Administração ou pelo Poder Judiciário, é imperativo de ordem pública. Constatada a ilegalidade da cobrança do tributo, a Administração tem o poder/dever de anular o lançamento e restituir o pagamento indevido. Em síntese, no momento em que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31/12/98 (DOU de 06/01/99) tem-se que os pedidos protocolizados até 06/01/2004 são tempestivos, pois a decadência somente se efetivou em 07 de janeiro de 2004. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional e determino o retorno dos autos à DRF para exame do mérito. É o voto. Moises iacomelli unes da Silva - Relator 4
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Numero do processo: 19515.001956/2004-99
Data da sessão: Wed May 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF se perfaz em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECUPERAÇÃO DA ESPONTANEIDADE. A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplica-se retroativamente, alcançando os atos praticados pelo contribuinte no decurso desse prazo. O pagamento do tributo deve ser acrescido de juros e multa de mora. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada
pelo sujeito passivo.
ÔNUS DA PROVA.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova
da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TITULARIDADE.
Somente se aplica o disposto no § 5° do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996,
quando comprovado de forma cabal que os valores creditados pertencem a
terceiros.
MULTA QUALIFICADA.
Para a qualificação da multa de ofício deve restar comprovado nos autos a
ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme definido na lei.
Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-00.056
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos desqualificar a multa; por maioria de votos acolher a preliminar de decadência relativa ao ano calendário de 1998, vencida a Relatora. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA. No mérito, por unanimidade de votos, considerar espontâneas as Declaração de Ajuste Anual Retificadoras e, nesta conformidade, considerar como recurso o valor de R$ 158.691,24 em janeiro de 2001.
Nome do relator: NÚBIA MATOS MOURA
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECUPERAÇÃO DA ESPONTANEIDADE. A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos praticados pelo contribuinte no decurso desse prazo. O pagamento do tributo deve ser acrescido de juros e multa de mora. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 2 2 rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TITULARIDADE. Somente se aplica o disposto no § 5° do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, quando comprovado de forma cabal que os valores creditados pertencem a terceiros. MULTA QUALIFICADA. Para a qualificação da multa de ofício deve restar comprovado nos autos a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme definido na lei. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos desqualificar a multa; por maioria de votos acolher a preliminar de decadência relativa ao ano calendário de 1998, vencida a Relatora. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA. No mérito, por unanimidade de votos, considerar espontâneas as Declaração de Ajuste Anual Retificadoras e, nesta conformidade, considerar como recurso o valor de R$ 158.691,24 em janeiro de 2001. (assinado digitalmente) IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Presidente (assinado digitalmente) NÚBIA MATOS MOURA Relatora (assinado digitalmente) MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA – Redator Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Eduardo Tadeu Farah, José Raimundo Tosta Santos, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Silvana Mancini Karam e Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 3 3 Relatório STELLA KUPERMAN, já qualificada nos autos, inconformada com a decisão de primeiro grau, prolatada pelos Membros da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP II, mediante Acórdão DRJ/SPOII n° 11.709, de 24/02/2005, fls. 1803/1826, recorre a este Conselho de Contribuintes pleiteando a sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário, fls. 1834/1839. Mediante Auto de Infração, fls. 05/16, formalizouse exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, no valor total de R$1.738.491,49, incluindo multa de ofício qualificada e juros de mora, estes últimos calculados até 31/08/2004. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Termo de Constatação e Conclusão Fiscal, fls. 1670/1716, foram omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada, nos anoscalendário de 1998 a 2000 e acréscimo patrimonial a descoberto, nos anoscalendário de 2001 e 2002. No Termo de Constatação e Conclusão Fiscal a autoridade fiscal justifica a qualificação da multa de ofício, valendo destacar os seguintes trechos: A contribuinte, a partir do ano calendário 1998, ao não apresentar declaração IRPF e levandose em consideração a quantidade e os valores dos depósitos bancários, que demonstram de forma inequívoca que a mesma estaria sujeita a entrega da declaração IRPF, permite a conclusão desta fiscalização de que tal procedimento teve como finalidade suprimir ou reduzir o imposto de renda, mediante a omissão de informação às autoridades fazendárias na ocultação do fato gerador do tributo e, em conseqüência a sonegação fiscal. A intenção, o dolo do agente, a manipulação do fato gerador, com o objetivo de reduzir ou suprimir tributo de forma não permitida em lei, ou seja de forma evasiva, é fraude. Ressaltese que tal procedimento teve continuidade nos anos calendários 1999 e 2000, mesmo considerando que a contribuinte tenha apresentado as respectivas declarações IRPF, visto que os valores dos rendimentos declarados (R$23.532,71 e R$30.000,00) ficaram muito aquém dos valores dos depósitos bancários efetuados em suas contas correntes do BCN (R$194.956,61 e R$383.576,96). Para o anocalendário de 2000 e 2001, tendo ocorrido dispêndios altíssimos na construção do imóvel sido à Alameda Sião (R$873.030,68 e R$458.662,35, respectivamente), inclusive em valores superiores aos depósitos bancários na conta corrente 3.345 do BCN (R$134.402,02 e R$128.809,28), a contribuinte chegou a apresentar declaração retificadora, constando o recebimento de doação do valor de R$220.000,00 de seu sogro (Sr. Rubens Bolorino), na tentativa de encobrir omissão de rendimentos e assim tentar justificar pelo menos em parte os Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 4 4 custos da obra. Tal tentativa foi reconsiderada através de nova declaração retificadora e com esclarecimentos, após devidamente intimada a comprovar a doação, de que a mesma não teria ocorrido e que foi um “equívoco”. A partir desta nova declaração retificadora (16/05/03) surge um fato novo, o seu marido, Rubens Maurício Bolorino, teria auferido rendimentos (lucros distribuídos) na sociedade da qual era sócio quotista. As declarações da contribuinte e a declaração de Rubens Maurício Bolorino (que a movimentação dos depósitos bancários em conta corrente da contribuinte tiveram como origem rendimentos que auferiu da empresa da qual seria sócio cotista), não podem ser acatadas em virtude de que nenhuma documentação hábil e idônea foi apresentada para fins de comprovação. Cientificada do lançamento, em 27/09/2004, Aviso de Recebimento – AR, fls. 1727, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 1728/1763, que se encontra assim resumida no Acórdão recorrido: I DAS PRELIMINARES Do Descabimento da Multa Qualificada 4.1 Conforme inciso II do art. 957 do Decreto 3.000/1999, a multa qualificada de 150% só poderá ser aplicada de ofício, com a constatação de existência de evidente intuito de fraude; ou seja, deverá restar comprovado pelo fisco que o contribuinte agiu com dolo. 4.2 As justificativas da fiscalização para aplicação da multa qualificada carecem de comprovações solistas, constituindose muito mais em ilações de agentes fiscais. 4.3 À luz da legislação citada é incoerente classificarse um levantamento alicerçado em presunção de omissão de receitas como evidente intuito de fraude. (...) A fiscalização não logrou comprovar o dolo por parte da impugnante. A existência de omissão de receitas neste Auto de Infração é um processo meramente dedutivo e não conclusivo, pelo que descabe a aplicação da multa qualificada. DA DECADÊNCIA Lançamento de Ofício – Anocalendário 1999 4.6 Uma vez que 1) o fato gerador do IRPF é mensal, consoante Lei º 7.713/1988; 2) nos termos do parágrafo 1º do art. 150 do CTN, a contribuinte efetuou o pagamento do imposto regularmente declarado, extinguindo o crédito, sob condição resolutória; 3) a revisão do lançamento apenas ocorreu com a lavratura do Auto de Infração em setembro/2004; concluise que estão prescritos os lançamentos efetuados referentes aos fatos geradores ocorridos nos meses de jan/99, fev/99, mar/99, abr/99, mai/99, jun/99, jul/99 e ago/99. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 5 5 (...) Lançamento de Ofício – Anocalendário 1998 4.8 A contribuinte não estava sujeita a apresentação da Declaração IRPF relativa ao anocalendário 1998, exercício 1999, conforme Manual de Declaração de Ajuste Anual. 4.9 Dessa forma e nos termos do art. 150 e §§ do CTN, o período de janeiro/1998 a dezembro/1998 encontrase abrangido pela decadência. 4.10 O art. 173 do CTN é genérico. Sendo assim, só é aplicável apenas quando o fato não se enquadrar nas normas específicas contidas no art. 150. 4.11 Não resta qualquer dúvida que, pelas suas características, o IRPF enquadrase no conceito de lançamento por homologação, sujeitandose, portanto, às regras do art. 150 do CTN. 4.12 Ainda que houvesse questionamento pela falta de entrega da declaração do anocalendário 1998, mesmo assim esta não se prosperaria, uma vez que o art. 173 não contempla essa exceção. 4.13 Assim, através dos argumentos e jurisprudência já elencados, manifestase pela total nulidade do lançamento de ofício realizado. II DO MÉRITO Da Nulidade da Autuação Baseada nas Informações Referentes aos Depósitos Bancários – Erro de Fato 4.14 A apuração realizada pela fiscalização contém vícios insanáveis e portanto deve ser considerada nula. 4.15 Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, com as alterações da Lei nº 9.481/1997 e 10.637/2002, a fiscalização procedeu à soma algébrica dos valores depositados em contas correntes em nome da declarante, mês a mês. Entretanto, em momento algum, efetuou quaisquer questionamentos acerca do destino do numerário. 4.16 A fiscalização considerou que valores depositados em determinado mês do anocalendário, não têm qualquer relação com os valores depositados em mês posterior. Não basta apenas considerar o saldo de um mês para o posterior, se a fiscalização não logra comprovar que as saídas foram realizadas para fins diversos das entradas dos meses posteriores. 4.17 A Pessoa Física não está sujeita a escrituração; portanto, os rendimentos já tributados em um determinado mês pela fiscalização, devem ser considerados nas tributações de meses posteriores dentro de um mesmo anocalendário. 4.18 Um levantamento que não considera o que já foi tributado em um mês para os meses posteriores, acaba por tributar o Fl. 5DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 6 6 mesmo resultado diversas vezes, tornando o levantamento nulo por erro de fato. Da Nulidade da Autuação Baseada Nas Informações Referentes aos Depósitos Bancários – Vício na Origem 4.19 A ação fiscal na verdade realizou o levantamento de informações relativas ao período de janeiro/1998 a dezembro/2000 através das disposições contidas na Lei nº 10.174, de 2001 e na Lei Complementar 105, de 2001. 4.20 Dessa forma, a fiscalização aplicou ao arrepio da Lei nº 10.174/01 uma irretroatividade incabível, uma vez que não autorizada pelo referido diploma legal. Com isso, acabou por ferir a segurança jurídica, quer pela materialidade do direito, quer pela especificidade do tributo, em clara desobediência ao art. 144, § 2º, do CTN; crivando o lançamento de ofício de vício em sua própria origem. 4.21 Sobre o assunto, reproduz o voto vencedor referente ao Acórdão 10419.227 do Conselheiro João Luis de Souza Pereira do Primeiro Conselho de Contribuintes. Da Nulidade da Autuação Baseada nas Informações Referentes aos Depósitos Bancários – Erro na Identificação do Titular da Conta de Depósito 4.22 A fiscalização deixou de levar em consideração a declaração do exmarido da impugnante, na qual o mesmo assume a titularidade dos depósitos bancários existentes em nome da autuada, então sua esposa. Acréscimo Patrimonial a Descoberto 4.23 Em 31/07/2003, utilizandose do favor fiscal contido na Lei nº 10.684/03, a impugnante efetivou sua opção pelo PAES – Parcelamento Especial. 4.24 Dada a especificidade da norma em pauta, ela se sobrepõe a quaisquer outras genéricas; de modo que a mesma precisa ser considerada nos levantamentos fiscais, sob pena de incorrerse em erros de apuração; o que efetivamente ocorreu. 4.25 O apartamento nº 2.073 do edifício Hyde Park considerado como adquirido pelos auditores pelo valor de R$30.000,00, no anocalendário 2001, não se baseia em fatos. É mais um erro cometido nesta autuação, visto que pela documentação do imóvel verificase a forma correta da transação imobiliária bem como o seu valor real. 4.26 Com relação ao veículo, o demonstrativo de Fluxo de Caixa não contempla como recurso a alienação do referido veículo. 4.27 Assim, por totalmente inválido o levantamento efetuado pela fiscalização, o mesmo deverá ser considerado nulo, ficando a critério da autoridade julgadora baixar o processo em diligência para a correta apuração dos valores. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 7 7 (...) A DRJ São Paulo/SP II julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento e os fundamentos da decisão recorrida estão consubstanciados nas seguintes ementas: PRELIMINAR. DECADÊNCIA Tratandose de lançamento ex officio, a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é a contida no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciando se o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não se discriminando situações de dolo, fraude ou simulação, pelo simples motivo de que o art. 173 não contempla essas discriminações. Ainda que se entendesse tratarse de tributo sujeito ao lançamento por homologação, presente o dolo, aplicase a regra geral do art. 173, inciso I, do CTN. SUJEITO PASSIVO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. O sujeito passivo da obrigação principal é a contribuinte que tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o respectivo fato gerador. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Sujeitase à tributação a variação patrimonial apurada, não justificada por rendimentos declarados/comprovados, por caracterizar omissão de rendimentos. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade lançadora. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em contas de depósito mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. RETROATIVIDADE. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processo de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. MULTA QUALIFICADA. Configurado o dolo, impõese ao infrator a aplicação da multa qualificada prevista na legislação de regência. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 8 8 Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 22/08/2006, fls. 1829, a contribuinte apresentou, em 21/09/2006, Recurso Voluntário, fls. 1834/1839, trazendo as alegações a seguir resumidas: Decadência – Os fatos geradores ocorridos no anocalendário 1998 e nos meses de janeiro a agosto de 1999 encontramse alcançados pela decadência na data do lançamento. Multa qualificada – Não houve dolo na conduta da contribuinte, que jamais tencionou lesar o Fisco. Suas Declarações de Ajuste Anual – DAA eram elaboradas pelo contabilista de seu exmarido, sem sua conferência, dado que não possui habilitação técnica para tanto. Depósitos bancários – As contascorrentes nºs. 22450 e 35703 do BCN eram movimentadas nos anoscalendário 1998 e 1999 pela empresa Zander, da qual seu ex marido era sócio. Acréscimo Patrimonial – Para o anocalendário 2002 a recorrente utilizouse do Parcelamento Especial Paes. O apartamento do Edifício Hyde Park foi adquirido por doação, com cláusula de usufruto para Rubens Bolorino, logo, por desinformação, a recorrente entendeu não ter sobre o mesmo a posse, tampouco a propriedade, mesmo porque a aquisição deste foi feita como reposição de bem, pela venda do imóvel situado na Rua Medeiros de Albuquerque, 453. A nota fiscal do veículo marca Ford, modelo F150 XLT Super Cab foi emitida em nome de seu exesposo. O apartamento 122 do Edifício Barão de Limeira foi transmitido para a contribuinte em condomínio com suas três irmãs, face o falecimento de seu pai. A DAA retificadora, anocalendário 2002, apresentada em 16/10/2002, data da ciência do Termo de Início de Fiscalização, teve por objetivo a inclusão de rendimentos. Prova disto que, quando da apreensão, realizada no endereço da empresa Word Comercial do Brasil Ltda, das notas fiscais que a contribuinte vinha juntando desde o início da construção de sua casa, justamente para que ao final fosse incluído em sua DAA, porém a fiscalização imputou à contribuinte a conduta de omissão de rendimentos, sem ter encerrado o ano calendário. É o Relatório. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 9 9 Voto Vencido Conselheira NÚBIA MATOS MOURA, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. O crédito tributário exigido no Auto de Infração referese aos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 1998 a 2002 e em sua defesa a recorrente traz a preliminar de decadência. Ocorre que o lançamento foi exigido com multa de ofício qualificada, cuja aplicação também foi contestada pela defesa. Assim, considerando que a manutenção ou não da multa qualificada interfere na contagem do prazo decadencial, analisarseá, de pronto, a aplicação da multa qualificada para, em seguida, proceder ao exame das alegações relativas à decadência trazidas pela recorrente. Como se sabe para a qualificação da multa de ofício a autoridade fiscal deve comprovar que o contribuinte incorreu nas hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 19641 . Exigese que reste demonstrado o propósito deliberado de modificar a característica essencial do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. Inaplicável, portanto, a multa qualificada nos casos de presunção simples de omissão de rendimentos/receitas ou mesmo quando se tratar de omissão de rendimentos/receitas de fato. No presente caso, a autuação utilizou de presunção legal para concluir pela omissão de rendimentos (acréscimo patrimonial a descoberto e depósitos bancários de origem 1 Lei n° 9.430, de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidade administrativas ou criminais cabíveis. Lei nº 4.502, de 1964 Art. 71 – Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 – Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no artigo 71 e 72. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 10 10 não comprovada), de modo que fica ainda mais distante a caracterização do dolo. A presunção legal autoriza que se conclua pela omissão de rendimentos e não pelo “evidente intuito de fraude”. Para o lançamento com a multa qualificada, a autoridade fiscalizadora deve provar outros fatos além daqueles que são requisitos da presunção legal, o que não ocorreu no presente caso. O fato de a contribuinte se encontrar omissa quanto à entrega da Declaração de Ajuste Anual DAA, relativamente ao anocalendário 1998, de ter movimentação bancária expressiva não compatível com os valores declarados e até mesmo a falta de declaração da existência de bens em suas DAA não são fatos suficientes para justificar a qualificação da multa de ofício. Vale destacar que tal matéria já foi pacificada neste Conselho de Contribuintes, que editou súmula, aplicável ao caso, que cristaliza o entendimento de que a simples apuração de omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício: Súmula 1ºCC nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Nessa conformidade, deve o percentual da multa de ofício ser reduzido para 75%. No que se refere à decadência, oportuno que se observe o Parecer PGFN/CAT/nº 1617/2008, aprovado pelo Ministro da Fazenda em 18/08/2008, que estabelece orientações a serem observadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB e pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN, em face da edição pelo Supremo Tribunal Federal – STF da Súmula Vinculante nº 8. O Parecer acima referido versa sobre a decadência e a prescrição das contribuições previdenciárias, contudo, suas conclusões, que se encontram a seguir transcritas, importam para o exame que se pretende: 49.Lembrando que nem toda a Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980, cuida somente de créditos tributários, e que, portanto, para efeitos daquela norma devese atentar à especificidade dos créditos, as observações aqui elencadas promovem síntese pontual, da forma que segue: a)A Súmula Vinculante nº 8 não admite leitura que suscite interpretação restritiva, no sentido de não se aplicar efetivamente o prazo de decadência previsto no Código Tributário Nacional; é o regime de prazos do CTN que deve prevalecer, em desfavor de quaisquer outras orientações normativas, a exemplo das regras fulminadas; b) apresentada a declaração pelo contribuinte (GFIP ou DCTF, conforme o tributo) não há necessidade de lançamento pelo fisco Fl. 10DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 11 11 do valor declarado, podendo ser lançado apenas a eventual diferença a maior não declarada (lançamento suplementar); c) na hipótese do subitem anterior, caso o Fisco tenha optado por lançar de ofício, por meio de NFLD, as diferenças declaradas e não pagas em sua totalidade, aplicase o prazo decadencial dos arts. 150, § 4º, ou 173 do CTN, conforme tenha havido antecipação de pagamento parcial ou não, respectivamente; o prazo prescricional, ainda, e por sua vez, contase da constituição definitiva do crédito tributário; d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art.. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN; f) para fins de cômputo do prazo de decadência, todas as vezes que comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação deve se aplicar o modelo do inciso I, do art. 173, do CTN; g) Para fins de cômputo do prazo de prescrição, nas declarações entregues antes do vencimento do prazo para pagamento devese contar o prazo prescricional justamente a partir do dia seguinte ao dia do vencimento da obrigação; quando a entrega se faz após o vencimento do prazo para pagamento, o prazo prescricional é contado a partir do dia seguinte ao da entrega da declaração; h) A súmula em apreço, em princípio, qualificaria interpretação literal: todo o art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, estaria alcançado pela inconstitucionalidade. Porém, por tratarse de matéria do mais amplo alcance público, o intérprete deve buscar resposta conciliatória, que não menoscabe expectativas de alcance de benefícios; principalmente, e do ponto de vista mais analítico, devese observar que há excertos do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, que não seriam substancialmente alcançados pela decisão do Supremo Tribunal Federal. A principal conclusão exarada no Parecer acima citado é que o disposto na Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), no que se refere aos prazos decadenciais e prescricionais aplicase às contribuições previdenciárias. Via de conseqüência, podese deduzir que as conclusões do Parecer aplicamse ao Imposto de Renda Pessoa Física, assim como aos demais tributos. Pois muito bem. É pacífico, com o advento das Leis nºs 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e 8.134, de 27 de dezembro de 1990, que o Imposto sobre a Renda Pessoa Física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação, dado que se atribui ao contribuinte o dever de antecipar o pagamento. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 12 12 Deste modo, considerandose as orientações contidas no Parecer PGFN/CAT/nº1617/2008, há de se concluir que o prazo decadencial do Imposto sobre a Renda Pessoa Física deve ser contado da seguinte forma: (i) ocorrido o pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN; (ii) não ocorrendo o pagamento antecipado ou se comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação devese aplicar o disposto no inciso I do art. 173, do CTN; Cumpre, ainda, esclarecer que o imposto de Renda Pessoa Física, embora apurado mensalmente, se sujeita ao ajuste anual, e em assim sendo sua apuração somente se faz ao final do exercício, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual. Tratase, pois, de fato gerador complexivo anual. No presente caso, a multa de ofício qualificada foi afastada, dado que não restaram comprovadas nos autos as hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Entretanto, verificase que a contribuinte deixou de apresentar a DAA, referente ao anocalendário de 1998, exercício de 1999, de modo que não ocorreu a antecipação do pagamento. Isto posto, a contagem do prazo decadencial deve ser feita nos termos em que determinado no inciso I do art. 173 do CTN. Ou seja, para proceder ao lançamento referente à omissão de rendimentos ocorrida no anocalendário de 1998, o Fisco deveria esperar a entrega da Declaração de Ajuste correspondente, cujo prazo final para apresentála se deu em 30/04/1999. Portanto, o lançamento só poderia ter sido efetuado a partir de 30/04/1999, sendo 01/01/2000 o termo inicial do prazo decadencial, primeiro dia do exercício seguinte ao que o Auto de Infração poderia ter sido lavrado, e 31/12/2004 o termo final. Como a ciência ao Auto de Infração ocorreu em 27/09/2004, fls. 1727, não há que se falar, no presente caso, em decadência do direito de lançar crédito tributário relativos aos fatos geradores ocorridos durante o anocalendário de 1998. No que se refere aos fatos geradores do anocalendário de 1999, exercício 2000, para o qual a contribuinte apresentou sua DAA tempestivamente, fls. 17/19, apurando saldo de imposto a pagar, verificase a ocorrência da antecipação do pagamento, de modo que se deve aplicar, para a contagem do prazo decadencial, o previsto no § 4º do art. 150 do CTN. Como já mencionado, o fato gerador do imposto de renda pessoa física é complexivo anual, de sorte que os fatos geradores ocorridos durante o anocalendário de 1999 somente se completaram em 31/12/1999, data a ser considerada para fins de contagem do prazo decadencial, que se encerrou em 31/12/2004, não se verificando, portanto, mais uma vez, a decadência do lançamento. Afastadas as questões preliminares, devese examinar, de pronto, como preliminar de mérito, a espontaneidade da contribuinte no que tange à apresentação das Declarações de Ajuste Anual – DAA, retificadoras, relativas ao anocalendário de 2001, exercício 2002, fls. 24/28, apresentadas em 16/10/2002 e 16/05/2003. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 13 13 Dos autos constatase que a ciência ao Termo de Início de Ação Fiscal, fls. 36/37, se deu mediante Aviso de Recebimento – AR, fls. 38, em 16/10/2002, portanto, na mesma data em que a contribuinte apresentou a primeira DAA retificadora. No Termo de Constatação e Conclusão Fiscal, fls. 1670/1716, a autoridade lançadora afirma que a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos prestou informação de que não poderia precisar a hora exata da entrega da correspondência (Termo de Início de Ação Fiscal), porém, a empresa esclareceu, fls. 294, que o carteiro sai para seu distrito (área de distribuição) por volta das 8:00 horas e retorna lá pelas 16:30 horas. Assim, a autoridade fiscal concluiu que quando da apresentação das DAA retificadoras a contribuinte já se encontrava com sua espontaneidade excluída, dado que a entrega da primeira DAA retificadora se deu às 17:10 hs. Dos esclarecimentos prestados pelos Correios não se pode garantir, com absoluta certeza, que a entrega do Termo de Início de Ação Fiscal à contribuinte tenha se dado antes das 17:10 hs, de modo que, na dúvida, devese concluir pela espontaneidade da contribuinte quando da apresentação da DAA retificadora. Ademais, oportuno se faz observar o que estabelece o art. 138 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN) e o art. 7o do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, abaixo transcritos: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de Fiscalização, relacionados com a infração. Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Da leitura dos textos legais acima transcritos depreendese que os atos referidos nos incisos I e II do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 1972, que iniciam o Fl. 13DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 14 14 procedimento fiscal, têm validade por 60 dias e que, caso este prazo não tenha sido prorrogado em razão da prática de qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, a espontaneidade do sujeito passivo restabelecese no 61º dia. Estando a espontaneidade restabelecida, caso não tenha sido praticado nenhum ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, não terá havido prorrogação do prazo inicialmente previsto de sessenta dias e, em conseqüência, fica descaracterizado o início do procedimento fiscal. Restabelecida a espontaneidade, os atos praticados pelo sujeito passivo são considerados espontâneos, com efeitos ex tunc. O pagamento do tributo porventura devido deverá ser acompanhado apenas dos acréscimos moratórios previstos na legislação (multa e juros de mora), ficando excluída a aplicação da multa de ofício. No presente caso, no período compreendido entre a ciência do Termo de Início de Ação Fiscal, 16/10/2002, e a conclusão do procedimento fiscal, em 27/09/2004 (ciência do Auto de Infração) sucederamse vários Termos, quais sejam: Termos de Reintimação, Termos de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal e Termos de Constatação e Intimação Fiscal, dos quais a contribuinte foi cientificada nas seguintes datas: 06/01/2003 – fls. 94, 13/02/2003 – fls. 97, 03/04/2003 – fls. 99, 22/04/2003 – fls. 130, 17/07/2003 – fls. 204, 24/07/2003 – fls. 207, 19/09/2003 – fls. 240, 29/09/2003 – fls. 242, 11/12/2003 – fls. 252, 01/03/2004 – fls. 254, 27/04/2004 – fls. 258, 30/06/2004 – fls. 280 e 23/08/2004 – fls. 282. Verificase, portanto, que durante o procedimento fiscal a contribuinte foi cientificada inúmeras vezes da continuidade dos trabalhos fiscais, mediante ciência de Termos, conforme acima especificado, entretanto, no período compreendido entre as datas da ciência do Termo de Início de Ação Fiscal e do Auto de Infração, por várias vezes transcorreram mais de 60 dias entre um termo e outro, de modo que se propiciou à contribuinte a recuperação de sua espontaneidade. Nestes termos, as DAA retificadoras, ano calendário 2001, exercício 2002, apresentadas pela contribuinte, devem ser acatadas como espontâneas. Na primeira declaração retificadora a contribuinte alterou seus rendimentos tributáveis de R$25.400,00 para R$298.125,39 e consignou doação recebida de Rubens Bolorino, no valor de R$220.000,00. Já na segunda retificadora a referida doação foi excluída e os rendimentos tributáveis foram alterados de R$298.125,39 para R$184.091,24. Sabese que a declaração retificadora substitui integralmente a anteriormente apresentada, assim, devem prevalecer as informações contidas na última DAA retificadora. Vale destacar que quando da apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, demonstrativo, fls. 471/472, a autoridade fiscal assim procedeu, no que se refere aos rendimentos declarados, conforme Termo de Constatação e Conclusão Fiscal, fls. 1709: a2 – Do valor dos rendimentos declarados espontaneamente no ano de 2001 (doc. fls. 22/24) no montante de R$25.400,00 ,a parcela de R$8.691,24 foi considerada como rendimento recebido de PJ (HB HOTÉIS), alocandose mensalmente os valores constantes da DIRF da HB HOTÉIS, e a parcela remanescente de R$16.708,76 será considerada como Fl. 14DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 15 15 rendimento recebido de pessoa física, sendo alocado o referido valor no mês de janeiro por ser mais benéfico para a contribuinte. Aplicandose o mesmo procedimento adotado pela autoridade fiscal, quando do levantamento do acréscimo patrimonial, devese acrescentar como recurso para o mês de janeiro de 2001 o valor de R$158.691,24, correspondente à diferença entre R$184.091,24 e R$25.400,00. Dando continuidade ao exame da infração de omissão de rendimentos detectada por acréscimo patrimonial a descoberto, passase à análise das demais argüições trazidas pela defesa. Afirma a contribuinte que o apartamento do Edifício Hyde Park foi adquirido por doação, com cláusula de usufruto para Rubens Bolorino, logo, por desinformação, a recorrente entendeu não ter sobre o mesmo a posse, tampouco a propriedade, mesmo porque a aquisição deste foi feita como reposição de bem, pela venda do imóvel situado na Rua Medeiros de Albuquerque, 453. De fato, a escritura pública de aquisição do apartamento do Edifício Hyde Park, fls. 161/162, menciona o usufruto vitalício do imóvel para Rubens Bolorino e Maria Alexandrina Bolorino, entretanto, também menciona que a contribuinte e seu excônjuge, pagaram pela aquisição do referido imóvel a quantia de R$30.000,00. Quanto à alegação de que o imóvel teria sido adquirido para reposição de bem alienado (Rua Medeiros de Albuquerque, 453), cumpre esclarecer que a contribuinte não juntou aos autos cópias de documentos relativos à alienação mencionada, tampouco, constam de suas DAA, referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, fls. 17/35, a propriedade de tal imóvel, muito menos sua alienação. No que tange ao veículo marca Ford, modelo F150 XLT Super Cab, cumpre esclarecer que o fato de a nota de fiscal de aquisição ter sido emitida em nome de seu ex cônjuge não altera o levantamento efetuado pela autoridade fiscal, dado que quando da apuração do acréscimo patrimonial a descoberto foram considerados como recursos os rendimentos do exesposo. Com relação ao apartamento 122 do Edifício Barão de Limeira, que a contribuinte afirma ter recebido de herança juntamente com suas irmãs, vale destacar que a autoridade fiscal não incluiu no levantamento do acréscimo patrimonial a descoberto, fls. 471/472, tal aquisição. Nessa conformidade, deve ser mantida em parte a infração de omissão de rendimentos detectada por acréscimo patrimonial a descoberto, para considerar como recurso no mês de janeiro de 2001 a quantia de R$158.691,24, oferecida à tributação na DAA/2002 retificadora. Quanto à alegação da contribuinte de que apresentou Pedido de Parcelamento Especial – Paes relativamente ao anocalendário 2001, exercício 2002, cumpre esclarecer que tal matéria não é de competência deste Conselho de Contribuintes, de modo que para obter esclarecimentos a contribuinte deve dirigirse ao Centro de Atendimento ao Contribuinte – CAC mais próximo de seu endereço. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 16 16 No que tange à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, a contribuinte afirma que os valores que transitaram em suas contascorrentes, mantidas junto ao BCN nºs. 22450 e 35703, pertenciam à pessoa jurídica Zander, da qual seu exmarido era sócio. Como é sabido, a partir da vigência da Lei nº 9.430, de 1996, ficou determinado que se considerasse, por presunção legal, como omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. A afirmação de que os recursos movimentados nas contascorrentes da contribuinte pertenciam à pessoa jurídica, da qual seu exmarido é sócio, não é suficiente para atender o disposto no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. É inaceitável a simples declaração desacompanhada de documentos comprobatórios. É bem verdade que durante o procedimento fiscal a contribuinte apresentou declaração firmada por seu exesposo, fls. 201, que confirma as alegações da contribuinte. Entretanto, a declaração firmada pelo exmarido da contribuinte, desacompanhada de documentação comprobatória do alegado, não é suficiente para elidir a responsabilidade da recorrente pelos depósitos efetivados em suas contascorrentes, salvo se houvesse comprovação de que os valores ali movimentados de fato pertencessem à referida empresa, da qual seu exmarido é sócio. Importante ressaltar, ainda, que o parágrafo 5º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzido pelo art. 58 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, somente admite a mudança da sujeição passiva para pessoa não titular da conta bancária quando devidamente provado que os valores creditados pertencem a terceiro. § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. Assim, a simples declaração do exmarido da contribuinte não basta para que se desloque a titularidade das contascorrentes examinadas para a pessoa jurídica, da qual seu exmarido é sócio, de sorte que deve prosperar a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, nos moldes em que consubstanciado no lançamento. Ante o exposto, voto por desqualificar a multa de ofício, afastar a decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para, com relação à infração de omissão de rendimentos detectada por acréscimo patrimonial a descoberto, considerar a quantia de R$158.691,24, como recurso no mês de janeiro de 2001. (assinado digitalmente) NÚBIA MATOS MOURA Fl. 16DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 17 17 Voto Vencedor Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva Apesar do julgamento ter sido realizado na sessão de maio de 2009, somente em 30 de agosto de 2011 foi disponibilizado no sistema que eu fizesse o voto vencedor em relação à decadência quanto ao anocalendário de 1998. No que diz respeito aos demais aspectos o colegiado acompanhou o valor da ilustre relatora. No que diz respeito à desqualificação da multa, além dos precisos fundamentos constantes do voto da relatora, aproveito a ocasião para destacar que na exigência de crédito tributário constituído a partir de depósitos bancários de origem não comprovada não se pode falar em omissão qualificada do contribuinte com a finalidade de sonegar, ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador, pois ao efetuar transação financeira dáse o oposto, isto é, possibilita, conforme artigo 5° da Lei Complementar n° 105, de 2001, e arts. 1°, 2°, §§ 2° e 3°, do Decreto n° 4.489, de 2002, que seja encaminhado à Fiscalização informações acerca de todos os recursos que movimentou. Em relação à movimentação financeira é preciso que se tenha presente as normas contidas nos dispositivos legais anteriormente citados, os quais seguem transcritos: Lei Complementar n° 105, de 2001. .... Art. 5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. Decreto nº 4.545, de 2002. Art. 1º As instituições financeiras, assim consideradas ou equiparadas nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 1º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, devem prestar à Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda informações sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços, sem prejuízo do disposto no art. 6º da referida Lei Complementar. Art. 2º As informações de que trata este Decreto, referentes às operações financeiras descritas no § 1º do art. 5º da Lei Complementar nº 105, de 2001, serão prestadas, continuamente, em arquivos digitais, de acordo com as especificações definidas pela Secretaria da Receita Federal, e restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e com os montantes globais mensalmente movimentados, relativos a cada usuário, vedada a inserção de qualquer elemento que Fl. 17DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 18 18 permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos efetuados. .... § 2º As instituições financeiras deverão conservar todos os documentos contábeis e fiscais, relacionados com as operações informadas, enquanto perdurar o direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários delas decorrentes. § 3º A identificação dos titulares das operações ou dos usuários dos serviços será efetuada pelo número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e pelo número ou qualquer outro elemento de identificação existente na instituição financeira. Se por força das disposições legais antes referidas, mais precisamente o art. 2°, § 3°, do Decreto n° 4.489, de 2002, as informações são continuamente, em arquivos digitais, prestados à Secretaria da Receita Federal, identificando cada uma das operações realizadas por seus respectivos titulares, não se pode falar em sonegação ou omissão com o intuito de ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador. Se estivéssemos no campo do direito penal estaria configurada situação de crime impossível, pois em fazendo aplicação financeira não tem o contribuinte como impedir o conhecimento desta por parte da fiscalização. Da decadência: Se meus registros não me traem, em 06 de fevereiro de 1905, em Conferência sobre COISA JULGADA, na Universidade de Bolonha, Chiovenda iniciou sua exposição dizendo que nada mais havia a ser dito sobre o tema que não fosse repetição de tudo quanto já havia sido falado e escrito. O tempo, senhor da verdade, mostrou que o ilustre processualista estava errado. Nos cem anos seguintes rios de tinta foram gastos acerca do tema que hoje ainda inquieta os processualistas. Em Ciclo de Palestras realizado neste mês, na Universidade do Rio Grande do Sul, fui testemunha que o tema Coisa Julgada continua inquietando os processualistas. A título de exemplo, sito apenas dois aspectos, quais sejam: a) a nova teoria da relativização da coisa julgada; e b) a coisa julgada nas ações coletivas (o tratamento dado no atual projeto de Código de Processo Civil). Faço tal registro porque em relação à decadência há incontáveis controvérsias e que, com certeza, não serão solucionadas em curto espaço de tempo. O Colegiado reconheceu a decadência, em relação ao anocalendário de 1998, pelos fundamentos que declinarei posteriormente. Todavia, por se tratar de norma processual, registro que após a sessão de julgamento deste feito e antes que o processo fosse encaminhado para que eu fizesse o voto vencedor, foi acrescido ao Regimento Interno do CARF o artigo 62A que estabelece que os Conselheiros, em seus julgados, são obrigados a observarem as decisões proferidas, em sede de recursos repetitivos, pelo STF e STF, sendo que o primeiro, na sessão de 12.08.2009, por meio do RESP 973733/SCSC, proferiu decisão contendo os seguintes pontos: O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o Fl. 18DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 19 19 mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC:REsp 973733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 12.08.2009, DJe 18.09.2009). Nesse segmento, o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed.Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, Documento: 574862 Inteiro Teor do Acórdão Site certificado DJe: 21/02/2011 Página 1 de 30. Se correta a interpretação de que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, no caso de fato gerador verificado em 31 de dezembro de 1998, temse o início do prazo em 01 de janeiro de 1999, razão pela qual, na data do lançamento, especificada no relatório, o crédito tributário, em relação ao ano de 1998, já se encontrava extinto pela decadência. Por tais fundamentos, na linha do artigo 62A do Regimento Interno do CARF e do que foi decidido no Recurso Especial nº 973733/SC, submetido ao rito do artigo 542C, do CPC, não há como deixar de afastar a decadência em relação ao anocalendário de 1998. Por oportuno, para evitar embargos, destaco que é somente em relação ao anocalendário de 1998, pois o fato gerador, no caso de depósito bancário de origem não comprovada, em relação às pessoas físicas, concretizase em 31 de dezembro de cada ano. Por força do artigo 62A, não tinha como deixar de declinar os fundamentos da decisão do STJ, mas, ao meu sentir, para que se compreenda o instituto da decadência como uma das formas de extinção do crédito tributário fazse necessário entender a constituição deste. Não se pode falar em extinção do crédito tributário sem compreender sua constituição. A constituição do crédito tributário está prevista no Livro Segundo, Título III, Capítulo II, do Código Tributário Nacional, cujo artigo 142 prevê, “in verbis:” Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, Fl. 19DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 20 20 identificar o sujeito passivo e sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível2. Embora o art. 142 do CTN atribua privativamente à autoridade administrativa a prerrogativa de constituir o crédito tributário pelo lançamento, o art. 150 previu o lançamento por homologação, que ocorre em relação aos tributos cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de realizar os atos necessários para apurar o montante devido e realizar o pagamento, sem prévio exame da fiscalização. O lançamento por homologação se concretiza no momento em que o sujeito passivo: a) identifica a ocorrência do fato gerador; b) determina a matéria tributável e c) calcula o montante do tributo devido, com obrigação de realizar o pagamento. Existindo sujeito passivo, matéria tributável, identificação da regramatriz de incidência tributária e cálculo do tributo devido, temse os elementos essenciais do lançamento. O pagamento do tributo devido não integra a essência do lançamento. O crédito tributário, resultante do lançamento por homologação, existirá ainda que o tributo não for pago. O pagamento é ato jurídico que ocorre num segundo momento para extinguir o que foi constituído em momento anterior. O pagamento, no caso concreto, pode ser comparado com a sentença proferida na ação de resolução contratual que extingue o contrato celebrado entre as partes. Extinto contrato, as obrigações decorrentes do liame jurídico existente entre os contratantes desaparecem com a sentença resolutória3. Em relação aos tributos dáse o mesmo, efetuado o pagamento, extinguese o crédito tributário. Quando se fala em constituição e extinção do crédito tributário é preciso identificar o momento da sua constituição e o momento da sua extinção. a) No momento da constituição do crédito tributário, no lançamento por homologação, o sujeito passivo apura a ocorrência do fato gerador, a matéria tributável e calcula o valor do imposto devido. b) No momento da extinção do crédito tributário temse o pagamento do tributo correspondente. Nos casos de lançamento por homologação, este se consuma quando o sujeito passivo apura a ocorrência do fato gerador, identifica a matéria tributável e calcula o valor devido, com obrigação de realizar o pagamento, independentemente de intimação do sujeito ativo. O pagamento é mera causa de extinção do crédito tributário. Só se extingue o que existe. Primeiro o crédito tributário precisa ser constituído para depois, num segundo momento, por meio de causa externa, caracterizada pelo pagamento, ser extinto4. 2 O CTN prevê três modalidades de lançamentos que se distinguem pela medida da participação do sujeito passivo. (i) O lançamento de ofício, no qual toda a atividade é desenvolvida pela autoridade fiscal. (ii) O lançamento por declaração, no qual o sujeito passivo apresenta uma declaração contendo as informações sobre a matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação, que fica a cargo da autoridade fiscal definir o montante devido e notificar o sujeito passivo para efetuar o pagamento. E por fim, (iii) o lançamento por homologação, no qual o contribuinte desenvolve toda a atividade apuratória do valor do tributo devido e realiza o pagamento, ficando a cargo da autoridade fiscal a posterior verificação dessa atividade e, se for o caso, sua respectiva homologação. 3 A sentença decorrente da ação de resolução contratual tem eficácia constitutiva negativa. Ver artigo 475 do Código Civil. 4 Além do pagamento, há outras causas de extinção do crédito tributário previstas no artigo 156 do CTN. Entretanto, interessanos, neste momento, apenas o pagamento. Fl. 20DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 21 21 Se o contribuinte, por exemplo, apresentar Declaração de Ajuste Anual com imposto a pagar, tal fato se constitui lançamento por homologação. Apresentada Declaração de Ajuste Anual, no caso de pessoa física5, ou DCTF, no caso de pessoa jurídica, e apurado o montante do imposto devido, o lançamento, independentemente de pagamento, está perfeito. Se o pagamento não for realizado, não se fará novo lançamento, pois o crédito tributário já está constituído. Em tais casos, cabe à Procuradoria da Fazenda Nacional intimar o contribuinte para realizar o pagamento, sob pena de inscrição em dívida ativa e execução.6. Verificada a existência de evento qualificado pela norma de exigência tributária, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação7, cabe ao sujeito passivo apurar a matéria tributável, o montante do tributo devido e o responsável pelo pagamento, no caso o próprio sujeito passivo. O pagamento do imposto devido é algo que se encontra fora do lançamento. É causa de extinção daquilo que foi validamente constituído. A homologação feita pela autoridade fiscal diz respeito à atividade realizada pelo contribuinte para apurar o montante devido. Não se pode confundir homologação do lançamento, com o pagamento do crédito. O que se homologa é o lançamento e não o pagamento feito pelo sujeito passivo. O fato de haver ou não pagamento não altera a tipicidade do lançamento. Para confirmar que a assertiva de que a incidência da norma que prevê o lançamento por homologação não está condicionada a necessidade de pagamento prévio, basta citar a hipótese de o contribuinte, que embora cumpra o dever legal de apurar o quantum debeatur, conclui que não há nada a ser pago, como ocorre, por exemplo, na compensação de prejuízos fiscais, e nas hipóteses de isenção e imunidade. Nesse contexto, se o contribuinte, por exemplo, estiver sob o abrigo de uma imunidade ou isenção de IPI, onde não ocorre nenhum pagamento, tendo em vista que o 5 Encerrado o anocalendário, a pessoa física, apura os rendimentos e as despesas dedutíveis e calcula o valor do imposto devido, informando tal fato à Receita Federal por meio da Declaração de Ajuste Anual. Ao apresentar a Declaração de Ajuste Anual, com imposto a pagar ou a restituir, o lançamento se consuma, tanto isto é verdadeiro que a fiscalização, para exigir o tributo não necessita lavrar auto de infração, bastando encaminhar as informações prestadas pelo contribuinte para que a Procuradoria da Fazenda Nacional proceda a inscrição em divida ativa, com posterior execução. 6 Ver artigos 47 e 74, §§ 7° e 8° da Lei n° 9.430, de 1996. Art. 47. A pessoa física ou jurídica submetida à ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, os tributos e contribuições já declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo. (Redação dada ao artigo pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997, DOU 11.12.1997, conversão da Medida Provisória nº 1.602, de 14.11.1997, DOU 17.11.1997). Art. 74.... § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003, DOU 30.12.2003 Ed. Extra). § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003, DOU 30.12.2003 Ed. Extra). 7 São exemplos de tributos sujeitos a lançamentos por homologação os rendimentos decorrentes de ganho de capital na alienação de bens; rendimentos provenientes de aplicação financeiras, pagamentos de lucros e juros a não residentes no país etc. Fl. 21DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 22 22 imposto sequer é destacado em nota fiscal, tal fato (a inexistência de pagamento) não impede que o fisco homologue expressamente a atividade à qual o sujeito passivo está obrigado por lei (como a emissão de notas fiscais, classificação fiscal dos produtos, escrituração de livros e apuração do tributo devido, se for o caso); ou então que, na ausência de homologação expressa, se opere a homologação tácita pelo decurso do prazo previsto no § 4º do art. 150, do CTN. Igualmente existe atividade a ser homologada nas hipóteses de verificação de prejuízo fiscal, quando não é apurado IRPJ e CSLL devidos, por ausência de lucro tributável. No caso do imposto de renda pessoa física, o sujeito passivo, ao término de cada anocalendário, apresenta Declaração de Ajuste Anual. Nos casos em que o contribuinte não apurar nenhum imposto a pagar, mesmo assim a Fiscalização irá homologar sua declaração. Isto, conforme já afirmei, demonstra que o que se homologa é a atividade praticada pelo sujeito passivo e não eventual pagamento realizado8. O pagamento, volto a repetir, é causa de extinção do tributo decorrente da atividade correspondente ao lançamento por homologação praticado pelo contribuinte. Quer o sujeito passivo tenha apurado ou não imposto a pagar; quer o contribuinte tenha pago ou não o tributo que eventualmente tenha apurado, o prazo decadencial para o lançamento em face de eventuais omissões sempre terá como marco a data da ocorrência do fato gerador. Neste ponto, tenho que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que somente admite a contagem do prazo decadencial pelo artigo 150, § 4°, do CTN nos casos em que houver pagamento antecipado, merece ser revista, pois tal tese não apresenta solução para as situações em que o contribuinte faz o lançamento e apura prejuízo, para ser compensado no período seguinte, como ocorre na atividade agrícola. A jurisprudência da citada Corte também não resolve, de forma adequada, os casos em que a pessoa física apresenta Declaração de Ajuste Anual, sem imposto a pagar ou com direito a restituição. Na linha das razões de decidir até aqui expostos, são dignos de destaque os fundamentos do ilustre Conselheiro Nelson Mallmann, extraído do acórdão n° 10420.071: (...) Como, também, refuto o argumento daqueles que entendem que só pode haver homologação se houver pagamento e, por conseqüência, como o lançamento efetuado pelo fisco decorre da falta de recolhimento de imposto de renda, o procedimento fiscal não estaria no campo da homologação, deslocandose para a modalidade de lançamento de ofício, sujeito sempre à regra geral de decadência do art. 173 do CTN. É fantasioso. Em primeiro lugar, porque não é isto que está escrito no caput do art. 150 do CTN, cujo comando não pode ser sepultado na vala da conveniência interpretativa, porque, queiram ou não, o citado artigo define com todas as letras que “o lançamento por homologação (...) operase pelo ato em que a 8 ZUUDI SAKAKIHARA, ao comentar sobre o objeto da homologação, assim se posiciona: “Cumpre recordar, porém, que o objeto da homologação é a atividade do sujeito passivo no sentido de determinar e quantificar a prestação tributária. Assim, não será alcançada pelos efeitos da homologação, expressa ou ficta, a operação que não foi concluída nesse procedimento. Isso pode ocorrer em relação àqueles tributos, cuja apuração, para fins de antecipação do pagamento, abrange inúmeras operações, cada uma das quais constituem, por si, fato gerador do imposto, como no caso do ICMS e do IPI, por exemplo”. In “Código Tributário Nacional”, coordenador Vladimir Passos de Freitas,ed. RT, p. 150. Fl. 22DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 23 23 referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.” O que é passível de ser ou não homologado é a atividade exercida pelo sujeito passivo, em todos os seus contornos legais, dos quais sobressaem os efeitos tributários. Limitar a atividade de homologação exclusivamente à quantia paga significa reduzir a atividade da Administração Tributária a um nada, ou a um procedimento de obviedade absoluta, visto que toda quantia ingressada deveria ser homologada e, a contrário sensu, não homologando o que não está pago. Em segundo lugar, mesmo que assim não fosse, é certo que a avaliação da suficiência de uma quantia recolhida implica, inexoravelmente, no exame de todos os fatos sujeitos à tributação, ou seja, o procedimento da autoridade administrativa tendente à homologação fica condicionado ao “ conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, na linguagem do próprio CTN. Fazse necessário lembrar, que a homologação do conjunto de atos praticados pelo sujeito passivo não é atividade estranha a fiscalização federal. Ora, quando o sujeito passivo apresenta declaração com prejuízo fiscal num exercício e a fiscalização reconhece esse resultado para reduzir matéria a ser lançada em período subseqüente, ou no mesmo períodobase, ou na área do IPI, com a apuração de saldo credor num determinado período de apuração, o que traduz inexistência de obrigação a cargo do sujeito passivo. Ao admitir tanto a redução na matéria lançada como a compensação de saldos em períodos subseqüentes, estará a fiscalização homologando aquele resultado, mesmo sem pagamento. (....) I.a) Do aspecto temporal do fato gerador: Os fatos geradores das obrigações tributárias são classificados como instantâneos ou complexivos. O fato gerador instantâneo, como o próprio nome revela, dá nascimento à obrigação tributária pela ocorrência de um acontecimento, sendo este suficiente por si só (imposto de renda na fonte, ganho de capital na alienação de bens, rendimentos decorrentes de aplicações no mercado financeiro etc). Em contraposição, os fatos geradores complexivos são aqueles que se completam após o transcurso de um determinado período de tempo e abrangem um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Este conjunto de fatos se corporifica, depois de determinado lapso temporal, em um fato imponível. Exemplo clássico de tributo que se enquadra nesta classificação de fato gerador complexivo é o imposto de renda da pessoa física, apurado no ajuste anual. O fato gerador da obrigação tributária é o marco inicial do prazo decadencial. Diferença, todavia, deve ser observada em relação aos fatos geradores instantâneos, em que o marco inicial do prazo decadencial se dá na data do evento jurídico eleito pelo legislador e os Fl. 23DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 24 24 fatos geradores complexivos, nos quais o evento que interessa à exigência da obrigação tributária só se consuma em determinada data, como se fosse a linha de chegada de uma maratona. No decorrer do percurso temse inúmeros passos, mas para efeito de vitória só é considerado um único passo, qual seja, o passo dado pelo maratonista que primeiro atingir a linha de chegada. I.b) Das modalidade de lançamento: O Código Tributário Nacional, nos artigos 147, 149 e 150 prevê, respectivamente, o lançamento por declaração, o lançamento de ofício e o lançamento por homologação. O lançamento por declaração dáse quando a lei atribui ao sujeito passivo ou a terceiro a obrigação de prestar informações para que o sujeito ativo, com base nas informações prestadas pelo contribuinte, apure o montante do imposto devido. Temos como exemplo de lançamento por declaração a sistemática de pagamento do Imposto de Renda do exercício de 1993, em que os contribuintes preenchiam a Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física, mas não efetuavam apuração ou recolhimento do imposto devido. Para pagamento do tributo, os sujeitos passivos aguardavam o recebimento de Notificação de Lançamento, em que constava o valor do débito calculado pela autoridade administrativa. Caracteriza, também, lançamento por declaração o mecanismo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR empregado até 1996, no qual o proprietário informava a extensão de sua propriedade e a produção nela obtida em formulário (declaração) especialmente destinado a este fim, de maneira que a Receita Federal, com base nestes dados, promovia a emissão da Notificação de Lançamento. No lançamento por homologação o sujeito passivo é quem verifica a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determina a matéria tributável e calcula o montante do tributo devido. Neste caso, a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Exemplos de lançamentos por homologação são o Imposto de Renda na Fonte, o Imposto de Renda proveniente ganho obtido na alienação de bens, o atual Imposto de Renda Pessoa Física etc. O lançamento de ofício ocorre na hipótese de haver uma omissão ou inexatidão do contribuinte em relação às atividades que deveria cumprir, de maneira que a autoridade efetuará o lançamento, via de regra, com a aplicação de penalidade administrativa. Cabe ressaltar que não há tributo cujo regime de lançamento seja o “de ofício”, originalmente. O lançamento de ofício é efetuado de forma residual em relação a tributos cujo regime é o “por declaração” ou “por homologação” e em que tenha havido irregularidade no mecanismo de apuração ou recolhimento por parte do contribuinte, demandando a intervenção da autoridade administrativa no sentido de efetuar um lançamento “complementar” em relação ao período de apuração. Em síntese, considerando que o imposto de renda encontrase entre os tributos cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever apurar o montante devido e antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, dito tributo, como já referido anteriormente, amoldase à sistemática de lançamento por homologação, onde a contagem do Fl. 24DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 25 25 prazo decadencial, salvo os casos de dolo, fraude e simulação9, encontra respaldo no § 4º do artigo 150, do CTN, hipótese na qual os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Diante do caso dos autos, quando do lançamento, a exigência do crédito tributário em relação ao anocalendário de 1998 já havia sido atingida pela decadência. Pelo exposto, voto no sentido DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para acrescer ao voto da relatora o reconhecimento da decadência em relação ao anocalendário de 1998. É o voto. (assinado digitalmente) MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA 9 Nos casos de dolo, fraude e simulação a data do fato gerador deixa de ser o marco inicial da decadência e passa a prevalecer a regra do artigo 173, I, do CTN, isto é, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetivado. Nesta linha segue doutrina de Luciano Amaro: “A segunda questão diz respeito à ressalva dos casos de dolo, fraude ou simulação.... Em estudo anterior, concluímos que a solução é aplicar a regra do artigo 173, I. Essa solução não é boa, mas continuamos não vendo outra, de lege lata. A possibilidade de o lançamento poder ser feito a qualquer tempo é repelida pela interpretação sistemática do Código Tributário Nacional (art. 156, V, 173, 174, 195, parágrafo único). Tomar de empréstimo prazo do direito privado também não é solução feliz, pois a aplicação supletiva de outra regra deve, em primeiro lugar, ser buscada dentro do próprio subsistema normativo, vale dizer, dentro do Código. Aplicar o prazo geral (5 anos, do art. 173) contado após a descoberta da prática dolosa, fraudulenta ou simulada igualmente não satisfaz, por protrair indefinitivamente o início do lapso temporal. Assim, resta aplicar o prazo de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido feito. Melhor seria não ter criado a ressalva. (AMARO, Luciano, citado por Leandro Paulsen, in, Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Ed. Livraria do Advogado, 6ª. Edição. Porto Alegre, 2004. p. 1010). Na mesma linha dos fundamentos anteriormente expostos segue a doutrina de Sacha Calmon Navaro Coelho, para quem “em ocorrendo fraude, ou simulação, devidamente comprovados pela Fazenda Pública, imputáveis ao sujeito passivo, da obrigação tributária do imposto sujeito a ‘lançamento por homologação’, a data do fato gerador deixa de ser o dia inicial da decadência. Prevalece o dies a quo do art. 173, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetivado.” (In. Liminares e Depósitos Antes do Lançamento por Homologação – Decadência e Prescrição, 2ª. ed. Dialética, 2002, p. 16). Fl. 25DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 26 26 Fl. 26DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 11128.005392/2005-04
Data da sessão: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO- lI
Data do fato gerador: 01/11/2004
EXTRAVIO DE CARGA. FASE DE ARMAZENAMENTO. VISTORIA
ADUANEIRA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSÁVEL.
DEPOSITÁRIO.
Apurado pela Comissão de Vistoria que o extravio do container, onde se encontrava acondicionada as mercadorias estrangeiras importadas, ocorreu na fase de armazenamento, sob custódia do depositário, este será o responsável
pelos tributos devidos na operação de importação.
MOVIMENTAÇÃO DE CONTAINER. GUIA FALSA AUTORIZAÇÃO
INDEVIDA. CASO FORTUITO OU DE FORÇA MAIOR.
INEXISTÊNCIA. CULPA POR NEGLIGÊNCIA. CARACTERIZADA.
O caso fortuito ou de força maior é o fato inevitável, cujos efeitos são irresistíveis ou imprevisíveis.
O fato de o preposto do depositário, sem a adoção das cautelas necessárias, ter autorizado a entrega de container a terceiro não autorizado a transportá-lo, com base em guia grosseiramente falsificada, configura negligência, circunstância que lhe retira o atributo de caso fortuito ou de força maior.
Em face da natureza objetiva da responsabilidade tributária, caracterizado o nexo de imputação entre o evento danoso e o prejuízo à Fazenda Nacional, decorrente do extravio de mercadoria importada ocorrido na fase de armazenamento, o depositário é quem responde pela totalidade dos tributos e
multa devidos, independentemente da existência de culpa ou dolo.
MERCADORIA ESTRANGEIRA. EXTRAVIO NO ARMAZENAMENTO
RESPONSÁVEL PELA MULTA REGULAMENTAR. O DEPOSITÁRIO.
O depositário responde pela multa regulamentar, prevista no artigo 106, II, "d", do Decreto-lei n° 37, de 1966, quantificada em 50% (ciquenta por cento) do valor do imposto sobre a importação-(II), quando o extravio da mercadoria estrangeira importada ocorre na fase de armazenamento sob sua
custódia.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.551
Decisão: Acordam os membros do Colegiado por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: José Fernandes Do Nascimento
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Turma Ordinária Sessão de 17 de novembro de 2009 Matéria Vistoria Aduaneira - Recorrente - -LIBRA T-ERMINAIS S/A. Recorrida DAI-Florianópolis/SC ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO- lI Data do fato gerador: 01/11/2004 EXTRAVIO DE CARGA. FASE DE ARMAZENAMENTO. VISTORIA ADUANEIRA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSÁVEL. DEPOSITÁRIO. Apurado pela Comissão de Vistoria que o extravio do container, onde se encontrava acondicionada as mercadorias estrangeiras importadas, ocorreu na fase de armazenamento, sob custódia do depositário, este será o responsável pelos tributos devidos na operação de importação. MOVIMENTAÇÃO DE CONTAINER. GUIA FALSA AUTORIZAÇÃO INDEVIDA. CASO FORTUITO OU DE FORÇA MAIOR. INEXISTÊNCIA. CULPA POR NEGLIGÊNCIA. CARACTERIZADA. O caso fortuito ou de força maior é o fato inevitável, cujos efeitos são irresistíveis ou imprevisíveis. O fato de o preposto do depositário, sem a adoção das cautelas necessárias, ter autorizado a entrega de container a terceiro não autorizado a transportá-lo, com base em guia grosseiramente falsificada, configura negligência, circunstância que lhe retira o atributo de caso fortuito ou de força maior. Em face da natureza objetiva da responsabilidade tributária, caracterizado o nexo de imputação entre o evento danoso e o prejuízo à Fazenda Nacional, decorrente do extravio de mercadoria importada ocorrido na fase de armazenamento, o depositário é quem responde pela totalidade dos tributos e multa devidos, independentemente da existência de culpa ou dolo. MERCADORIA ESTRANGEIRA. EXTRAVIO NO ARMAZENAMENTO RESPONSÁVEL PELA MULTA REGULAMENTAR. O DEPOSITÁRIO. O depositário responde pela multa regulamentar, prevista no artigo 106, II, "d", do Decreto-lei n° 37, de 1966, quantificada em 50% (çiquenta por cento) do valor do imposto sobre a importação-0D, quando o xtravio da • t mercadoria estrangeira importada ocorre na fase de armazenamento sob sua custódia. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ar it ... • • Guerra de Castro - Presidente .,/ - - io• • - - 4 % • aseimento - Relator EDITADO EM: 26/11/2009 Participaram do pn.. ente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Beatriz Veríssimo de Sena, Nilton Luiz Bartoli, Celso Lopes Pereira Neto e Nanci Gama. Relatório Trata-se lançamento de crédito tributário formalizado por meio da Auto de Infração de fls. 01/06, no qual foram constituídos os seguintes tributos e penalidades: Impostos de Importação e sobre Produtos Industrializados, das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins e das respectivas multas de oficio, além da multa regulamentar sobre o Imposto de Importação, aplicável nos casos de extravio de mercadorias, e da multa por infração administrativa ao controle das importações, aplicável nos casos de importação desamparada de Licença de Importação (LI). Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do referido Auto de Infração informa a autoridade fiscal autuante que; a) deu entrada no Porto de Santos, no dia 31/10/2004, o container FSCU 562.787-8, sendo transportado pelo navio Mol Wisdom e amparado pelo Conhecimento Marítimo n° M0LU209087224-A (fl. 21); b) a referida unidade de carga for descarregado para Terminal 37 da recorrente, no dia 01/11/2004, permanecendo sob sua custódia até a entrega indevida, ocorrida no dia, a terceiros não autorizados, portadores de Guia de Movimentação de Container — Importa .* (GMCI) falsa (fl. 23), emitida em nome do Terminal Integral, para onde deveria ser movimentada a referida unidade de carga, para fins de desembaraço da mercadoria nele contida; c) a liberação/entrega indevida se deu por omissão/negligência do operador portuário e sem obediência às normas de procedimento previstas na legislação aduaneira; e 2 Processo n° 11128.005392/2005-04 83-C1T2 Andra° n.°3102-00351 Fl. 196 d) imputou a responsabilidade pelos tributos devidos à recorrente pelo fato de que a dita unidade de carga estava sob sua custódia no momento da entrega irregular e por ter assumido compromisso, mediante assinatura de Termo de Responsabilidade, pelos tributos e demais encargos devidos decorrentes de extravio, avaria ou acréscimo de mercadorias sob sua custódia. Em 05/11/2004, por meio da correspondência de fl. 37, a pessoa jurídica Integral — Transporte e Agenciamento Marítimo Ltda., destinatário final da carga, comunicou a recorrente que o referido container havia sido retirado indevidamente das dependências do seu terminal, mediante a apresentação de GMCI falsa. Em 11/11/2004 foi consignado no Boletim Ocorrência de fl. 40 que o Sr. Marco Antônio Lopes, preposto do Operador Portuário (fl. 33) exibiu às autoridades policiais da Delegacia-de- Polícia do Porto de Santos, que em seguida apreeiideitf os seguintes documentos relacionados com o delito de furto aqui narrado: a original da GMCI, a cópia da folha de descarga e as cópias dos conhecimentos Tais fatos só chegaram ao conhecimento da fiscalização aduaneira da Alfa'ndega do Porto de Santos, em 28/06/2005, quando o importador das mercadorias acondicionadas no referido container apresentou o pedido de vistoria aduaneira de fl. 14. Está registrado no Termo de Constatação de Ocorrência de fls. 30/33 que, em 13/07/2005, foi realizada nas dependências da referida Alfândega uma reunião entre as partes interessadas, para que apresentassem documentos e se manifestassem sobre o ocorrido. No referido Termo de Constatação de Ocorrência está consignado que a responsabilidade pelo extravio/furto da mercadoria, discriminada no Demonstrativo de Apuração de Avarias ou Faltas de Mercadorias Estrangeiras (DAAI) de fl. 34, era do depositário transitório/operador portuário Libra Terminais, ora recorrente. Com base nesses elementos, foi lavrado o citado Auto de Infração, para exigir da recorrente os tributos e penalidades devidos em decorrência do extravio/hirto da mercadoria importada. A recorrente foi cientificada do referido lançamento em 19/09/2005 (fl. 50v). Inconformada, em 19/10/2005, apresentou na Unidade de origem a peça impugnatória de fls.51/77, cujas alegações foram assim resumidas no relatório encartado no Acórdão recorrido: "(..) nos termos de impugnação em que foi argüida nulidade calcada no fato de que os procedimentos fiscais destinados a apurar a ocorrência de que se trata foram adotados a destempo, uma vez que na data em que o fisco tomou conhecimento da falta, mediante a apresentação, pelo importador do pedido de vistoria aduaneira, a mercadoria já se encontrava abandonada e sujeita ao perdimento, o que afasta a caracterização de seu extravio. No mérito, argumenta que os contratos para movimentação de cargas na área portuária são regidos por normas de direito privado, sem a participação do poder público e que, portanto, C......„7,__ não sendo a União pane nessa contratação, a requerente não -- , • o \ , \-l' lhe deve qualquer prestação. Sua responsabilidade contratual foi firmada perante o importador, exclusivamente. Alega que, não tendo sido as mercadorias submetidas a despacho aduaneiro, não houve a ocorrência do fato gerador dos tributos incidentes sobre a importação; que não tendo sido levadas a perdimento as mercadorias não eram propriedade da União; que essas mercadorias encontravam-se sob regime de trânsito aduaneiro: que os dados informados na GMCI tida por falsificada eram do conhecimento exclusivo da depositária de destino da carga, razão pela qual não se lhe pode imputar a responsabilidade sobre falta decorrente da emissão de documentário inidâneo. Menciona as regras referentes aos procedimentos de descarga e transferência para recintos alfandegados, instituídas conforme a Comunicação de Serviço GAB 29/1996, segundo as quais o operador do recinto atfandegado de destino é quem informa as cargas que devem ser transferidas para suas dependências através de solicitação formulada eletronicamente junto ao sistema DT-E, o qual processará automaticamente e retransmitirá as respectivas autorizações de entrega ao operador portuário responsável pelas operações de carga e descarga do navio correspondente, e também à Codesp (..). Nessa orientação procedimental sedimenta seu argumento de que somente o operador portuário de destino tinha conhecimento suficiente para emitir a GMCI que, mesmo falsa, continha todos os elementos necessários à sua validade Diante da sinalização de que o desaparecimento do contêiner em questão não traduz simples extravio, porém revela a ocorrência de roubo, praticado por quadrilha que, há muito, atua no Porto de Santos, tem por caracterizada excludente de responsabilidade, em face da ocorrência de caso fortuito ou de força maior. Na seqüência, protesta contra a exigência de juros morará rios com base na taxa selic, bem como contra as exigências das multas por falta de Licença de Importação e de oficio aplicadas em concomitância com a multa regulamentar proporcional ao Imposto de Importação exigido". Na sessão de 05 de setembro de 2008, a Primeira Turma da DRJ — Florianópolis/SC proferiu o Acórdão n° 07-13.895 (fls. 136/141), em que, por unanimidade, julgou procedente em parte o presente lançamento, cuja ementa segue transcrita: "Assunto: Imposto sobre a Importação - Data do fato gerador 01/11/2004 ROUBO DE CARGA. DEPOSITÁRIO. VISTORIA ADUANEIRA. IPL PIS/PASEP. COFINS. PENALIDADES. Nos casos de extravio de mercadoria, o depositário responde pelos tributos devidos, em relação às mercadorias que se encontravam sob sua custódia. Processo n° 11128.005392/2005-04 53-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.551 Fl. 197 Os contratos particulares não podem ser opostos à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Aplica-se a multa prevista no artigo 106 do Decreto-lei n°37, de 1966, quantí ficado em 50% do valor do imposto de importação exigível em razão do extravio de mercadorias. Incabível a exigência das multas de oficio aplicadas, posto que o responsável tributário somente pode cumprir sua obrigação de pagar os tributos incidentes sobre o extravio de mercadoria depois dos procedimentos de oficio afetos à atividade fiscal, tendentes a apurar a falta, calcular o montante dos tributos devidos e designar o sujeito passivo da obrigação em causa. Trata-se de situação em que o responsável jamais poderá efetuar referido pagamento automaticamente, sem a intervenção-de — oficio do agente fiscal. Sua obrigação de pagar nasce com o lançamento de oficio, sem o qual nada por ele seria devido. Igualmente incabível a exigência da multa por infração administrativa ao controle das importações, consubstanciado na falta de licença de importação, bastando para sua exclusão o fato de que o responsável tributário não tem a obrigação de licenciar a importação. Lançamento Procedente em Pane Em 07/10/2008, a recorrente tomou ciência do referido Acórdão (fl. 142v). Inconformada, em 06/11/2008, protocolou na Unidade de origem o recurso de fls. 145/162, em síntese, com as seguintes alegações: 1) em sede de preliminar: reitera os pedidos de nulidade do Auto de Infração por vicio formal, assim como o pedido de instauração de "incidente de falsidade documental". Alega que houve cerceamento do direito de defesa, pois solicitou realização de perícia na peça impugnatório e o Turma julgadora do Acórdão não se pronunciou a respeito; 2) no mérito: apresenta os seguintes argumentos: a) quem emite as GMCI é o recinto alfandegado de destino final da carga, no caso, a EADI Integral S/A. Entregou o referido container contra exibição de GMCI original, cujos características e dados nela inseridos era de conhecimento exclusivo da citada EADI. Ademais, estava obrigada a fazer tal entrega; b) a questão se inclui dentre o chamado princípio da ocorrência de "caso fortuito ou força maio?'; c) não ficou caracterizada a hipótese do respectivo fato gerador, posto que não houve o registro da Declaração de Importação (Dl) no Siscomex; d) o fato gerador do IPI é o respectivo desembaraço aduaneiro, o que não restou caracterizado no caso em análise; e e) a multa regulamentar, prevista no art. 106, III, "d", do Decreto-Lei n° 37, de 1966, é incabível por dois motivos: a recorrente não foi responsável pelo roubo e não há exigência de multa por falta de mercadoria quanto o II é exigido integralmente; O os juros de mora só podem ser exigidos após a decisão final administrativa, revestindo-se ainda mais flagrante a ilegalidade na medida em que são computados pela taxa Selic; g) devolve para apreciação deste Colegiado as provas/diligências requeridas na impugnação vestibular, que foram sumariamente indeferidas no Acórdão recorrido. Pede, em especial, a conversão do feito em diligência, a fim de que sejam respondidos os quesitos apresentados. Protesta, ainda, pela formulação de quesitos suplementares; e h) requer, ao final, o acolhimento das preliminares suscitadas e, quanto ao mérito, caso aquelas sejam superadas, seja dado integral provimento ao presente recurso, em face da orientação contida no § 3° do art. 59 do PAR É o relatório. Voto Conselheiro José Femandes do Nascimento, Relator O presente recurso é tempestivo, contém matéria de competência desta E. Turma da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Trata-se de lançamento de crédito tributário decorrente do extravio/furto de mercadoria estrangeira importada, cuja apuração foi realizada em procedimento de vistoria aduaneira levada a cabo no armazém alfandegado administrado pela recorrente, conforme relatado nos documentos de fls. 33/39. Em decorrência do fato do extravio das mencionada mercadorias estrangeiras importadas ter ocorrido no momento em que elas se encontravam na custódia do depositário/ recorrente, a Comissão de Vistoria Aduaneira concluiu que a responsabilidade pelos tributos devidos seria da referido depositário e lavrou o presente Auto de Infração no nome dela. A DRJ de Florianópolis/SC, por sua vez, considerou o citado lançamento parcialmente procedente, entendendo incabíveis (i) a exigência das multas de oficio de 75% (setenta e cinco por cento), aplicadas sobre o valor dos tributos lançados, com o argumento de que a obrigação de pagar os tributos devidos, no caso em tela, só nasce após formalização do lançamento de oficio; e (ii) a multa por infração administrativa ao controle das importações, com a alegação de que o responsável tributário não teria a obrigação de licenciar a importação da mercadoria extraviada. Por outro lado, entendeu a DRJ recorrida que, nos casos de extravio de mercadoria estrangeira importada, o depositário responde pelo (i) tributos devidos, incidentes sobre às mercadorias que se encontravam sob sua custódia, assim como, pala multa prevista no artigo 106, inciso II, "d", do Decreto-lei n° 37, de 1966, quantificada em 50% do valor do imposto de importação, exigível em razão da falta de mercadorias. . Processo e I 1128.005392/2005-04 53-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.551 Fl. 198 A recorrente não se conformou exoneração parcial do crédito tributário lançado e recorreu da parte que lhe foi desforável, que será o foco da presente análise. DAS PRELIMINARES Na peça recursal em apreço suscita a interessada algumas preliminares que passo a apreciar. Da nulidade por vicio formal do Auto de Infração. Pleiteia a recorrente a nulidade do presente Auto de Infração por vicio formal, entretanto, não informa qual o vício formal que o inquinaria. Na verdade, as irregularidades apontadas pela recorrente diz respeito a questão mérito (exigência de recolhimento dos tributos, não aplicação das _disposições do- Acordo dó Váloração Aduaneira, caso fortuito ou de força maior e assim vai), que serão analisadas a seguir. Logo, no que tange a este ponto em particular, não vejo como prosperar o seu intento. Do incidente de falsidade documental. Pretende ainda a recorrente a instauração de um incidente de falsidade documental, tendo como referência a GMCI falsa que foi utilizada para retirar o container do armazém por ela administrado. No direito positivo, o referido incidente processual está previsto no art. 390 do CPC. Trata-se de medida judicial prevista no âmbito do processo civil, em que pode ser parte a pessoa contra quem foi produzido um documento cuja idoneidade possa ser posta em dúvida. • Evidentemente, não é caso em apreço. Nos presentes autos não há dúvida quanto a falsidade da referenciada GMCI, aliás, em relação a este fato, a própria recorrente, inclusive, reconhece em vários trechos de seu recurso o vício apontado. Por tais razões, no presente caso, entendo prescindível tal incidente. Do cerceamento do direito de defesa. Em sede de preliminar, alega ainda a recorrente que houve cerceamento do direito de defesa no julgamento de primeiro grau, pois as preliminares aduzidas na peça impugnatório não foram apreciadas pela Turma julgadora a quot Com a devida vênia, não posso concordar com o alegado. Analisando o teor • do voto proferido no julgado recorrido, verifico que as preliminares suscitadas na peça inaugural foram bem analisadas, porém, rejeitadas pelo Relator. Da conversão do feito em diligência. e • 7 Por fim, embora colocado topograficamente no item que aborda as questões de mérito, pela sua natureza, o pedido de conversão do feito em diligência, a fim de que sejam respondido os quesitos formulados, será aqui apreciada como questão preliminar. Entretanto, neste ponto, também não assiste razão a recorrente. Ao meu sentir, quase todos os quesitos formulados já se encontram respondidos nos autos e os demais que não têm resposta, entendo, em consonância com o disposto no art. 18 do PAF, serem desnecessários, para o deslinde da presente controvérsia, os esclarecimentos pretendidos. Assim, superadas todas as preliminares apresentas, passo a análise do mérito. DO MÉRITO No mérito, o cerne da presente contenda se resume nas seguintes questões: (i) a presença de excludente de responsabilidade pelos tributos e multa mantidos no julgado recorrido; (ii) a inocorrência do fato gerador do II e do 1PI; e (iii) a ilegalidade da cobrança da multa regulamentar e dos juros moratórios. Da excludente de responsabilidade pelos tributos e multa devidos. Neste ponto, alega a recorrente que entregou o referido container a pessoa não autorizada porque foi induzida a erro diante da exibição de uma GMCI falsa que continha todas as características topográficas de uma guia verdadeira e, além disso, os dados nela inseridos eram do exclusivo conhecimento da EADI Integral, destinatária final da carga e responsável pela sua emissão. Como não era CrIlitente da _referida Guia, não poderia ser responsabilizada _ pela sua falsificação e, por conseguinte, pelo roubo das mercadorias importadas, pois se trata de caso fortuito ou de força maior, que a exime da responsabilidade pelos tributos e multa devidos. Antes de me posicionar sobre o alegado, entendo necessário um rápida digressão sobre o instituto da responsabilidade civil, em especial, com enfoque para as excludentes de responsabilidade ligadas aos nexos de imputação e de causalidade. É importante esclarecer que a forma de incidência dessas excludentes variam conforme o tipo de responsabilidade, isto é, se se refere a responsabilidade subjetiva ou objetiva. Quando a responsabilidade é subjetiva, as eximentes de responsabilidade podem estar ligadas tanto à inexistência de nexo imputação, quanto de nexo de causalidade. Sendo o primeiro isentante da culpa e o segundo excludente da causalidade. No que concerne a , responsabilidade objetiva, só há que se falar em excludentes de causalidade. Em relação as excludentes da causalidade e, por conseguinte, da responsabilidade, a boa doutrina aponta três categorias de fatos, a saber: o fato de terceiro o fato do lesado e o caso fortuito ou de força maior (em sentido estrito). Face as característica do caso em tela, só será analisado o último dos fatos. Caso fortuito ou de força maior em sentido estrito. , ' O caso fo aiortuito ou de força maior em sentido amplo engloba também o fato do lesado e de terceW 1 .iDK' \ .29e Processo n°11128.005392/2005-04 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.551 Fl. 199 O caso fortuito ou de força maior (em sentido estrito) é aquele que inclui os fatos da natureza (tempestades, terremotos etc.) e as ações humanas não individualizadas (greves, assaltos etc.) causadores de dano. Pela peculiaridade do caso em tela, os últimos fatos é que serão o foco da presente explanação. No direito positivo, a definição/caracterização do que seja caso fortuito ou de força maior é encontrada no parágrafo único do art. 393 do Código Civil, de 2002, a seguir transcrito: "Art. 393. O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizado. Parágrafo único. O caso fortuito ou de força maior verifica-se no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar Ou- — — impedir". (Grifo não original) — O significado do preceito legal em destaque foi explicitado pelo Prof. Fernando Noronha2 com a seguinte dicção, in verbis: "(..) Efetivamente, a expressão fato necessário, cujos efeitos não eram possível evitar ou impedir' só ganha sentido quando o fato que causa os danos for necessário, porque sempre aconteceria, independentemente da atividade da pessoa (o que significa que terá de ser um fato externo), e quando, além disso, os seus efeitos não pudessem ser evitados (com o que o legislador parece ter querido referir os fatos imprevisíveis), ou não houvesse como impedi-los (com o que parece ter-se querido aludir nos fatos irresistíveis)". (Grifes originais) Dessarte, tendo como referencial doutrinário, as lições do citado Professor, pode-se afirmar que, além da inevitabilidade, o caso fortuito ou de força maior deverá ainda reunir três outras características ou requisitos: a irresistibilidade, a imprevisibilidade e a externalidade. O fato irresistivel seria aquele que a força do indicado responsável não poderia impedir o dano, enquanto que o fato imprevisível seria aquele que até poderia ter impedido o dano, se fosse possível prever a sua ocorrência, mas que não podendo ser previsto, não haveria como evitar. Por sua vez, o fato externo é aquele não ligado à atividade desenvolvida pelo indigitado responsável e que ocorrerá independentemente dela (atividade). Exposta as noções jurídicas básicas e gerais a respeito da figura jurídica do caso fortuito ou de força maior, tem-se agora as condições teóricas básicas para aquilatar a sua aplicação ao caso em apreço. Para tanto, é importante, previamente, analisar quais as ações que se incluem entre as causalidades adequadas para concretização do extravio do referido container e, em decorrência, da mercadoria estrangeira nele acondicionada, assim como quem são os indigitados responsáveis pelo dano causado. ° NORONHA, Fernando. Direito das obrigações. 2.. São Paulo: Saraiva, 2007, v. 1, p. 632-3. 9 Com base nos elementos colacionadas aos autos, é possível vislumbrar dois fatos que, em conjunto, contribuíram decisivamente para retirada do citado container do terminal alfandegado administrado pela recorrente e o seu consequente sumiço. Um deles foi a apresentação da GMCI falsa, para fins de autorização da movimentação da mencionada unidade de carga para o terminal de destino final, a EADI Integral Santos, sem indicação do indigitado responsável. O outro foi a entrega indevida do referido container a terceiro não autorizado a transportá-lo até o terminal de destino final, ato este da responsabilidade de um preposto do depositário, ora recorrente. Dessa forma, verifica-se que o primeiro e o segundo dos fatos foram praticados por pessoas distintas, mas que, no conjunto, contribuíram para o extravio do container custodiado pela recorrente, fato que causou, ao final, provocou danos aos proprietários da mercadoria e à Fazenda Nacional. Ademais, cotejando as propriedades dos referidos fatos com as características do caso fortuito ou de força maior, anteriormente apresentadas, concluo que nenhum dos dois fatos preenchem os requisitos do referida excludente de causalidade. Na verdade, trata-se de evento danoso resultante de pluralidade de causas e responsáveis, denominada pela doutrina especializada como causalidade concorrente do tipo causalidade concorrente propriamente dita (ou co-causalidade ou concausalidade), assim definida pelo Prof. Fernando Noroxilia3: "Temos causalidade concorrente propriamente dita quando há dois ou mais fatos independentes, nenhum com potencialidade para causar o dano verificado, ou todo este, mas que somados acabam causando-o. Xis fatos são independentes quando nenhum deles está ligado ao outro, ou a algum dos outros, em termos tais que possa ser considerado consequência adequada destes". Nesta hipótese as pessoas que tiveram contribuído para o dano acontecido, na totalidade deste, são consideradas co-autoras já que sem a atuação de cada uma o evento danoso não teria acontecido. Assim, se todas causaram o dano, todas estarão obrigadas a indenizar, ficando qualquer um responsável pela totalidade da indenização, conforme será demonstrado a seguir. Foi o que aconteceu no presente caso, pois sem a falsificação da guia a autorização de entrega do container não se efetivaria e, por conseguinte, sem a autorização de remoção do container, o evento danoso (o extravio da mercadoria) também não ocorreria. Em outras palavras, nenhum dos fatos, isoladamente, tinha potencialidade para causar o evento danoso. Dessa forma, está caracterizado o concurso entre o fato do falsário (a apresentação da guia de remoção falsa) e o fato do preposto do depositário (a expedição da autorização de retirada do container) como sendo, conjuntamente, a causalidade adequada para a concretização do extravio da mercadoria. Como do referido evento danoso (extravio das mercadorias) causou prejuízo patrimonial ao proprietário das mercadorias (valor das mercadorias extraviadas) e à Fazenda Nacional (valor dos tributos devidos na operação de importação das referidas mercadorias), resta saber quem será o responsável pela reparação dos referidos prejuízos. / • • 3 NORONHA, Fernando. Direito das obrigações. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2007, v. 1, p. 653. 1 Processo n°11128.005392/2005-04 83-C1T2 Acórdão n.° 3102-00351 Fl. 200 No âmbito da responsabilidade civil, a resposta para essa questão está no direito positivo. Refiro-me ao art. 942, caput, in fine, do Código Civil de 2002, a seguir transcrito: An. 942. Os bens do responsável pela ofensa ou violação do direito de outrem ficam sujeitos à reparação do dano causado; e, se a ofensa tiver mais de um autor, todos responderão solidariamente pela reparação".(Gryo não original) No que concerne à responsabilidade tributária, com vista à indenização da Fazenda Nacional pelos tributos devidos na operação, há previsão legal específica atribuindo ao depositário responsabilidade no caso de extravio de mercadorias sob sua custódia, conforme previsto no inciso II do art. 32 do Decreto-lei n° 37, de e 1966, incluído pelo Decreto-Lei n' 2.472, de 01/09/1988, a seguir transcrito: "Ar: . 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo Decreto-Lei n 2.472, de 01/09/1988) 11—o depositário, assim considerada qualquer pessoa incubida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro". (Grifos não originais) No caso, como se trata de mercadoria extraviada, o responsável pelo crédito tributário será aquela pessoa indicada pela autoridade aduaneira, seja no procedimento de conferência final de manifesto ou de vistoria aduaneira (caso em tela), conforme estabelece o parágrafo único do art. 60 do Decreto-lei, a seguir transcrito: "Art.60 - Considerar-se-á, para efeitos fiscais; 1 - dano ou avaria - qualquer prejuízo que sofrer a mercadoria ou seu envoltório; II- extravio - toda e qualquer falta de mercadoria. Parágrafo único. O dano ou avaria e o extravio serão apurados em processo, na forma e condições que prescrever o regulamento, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor dos tributos que, em conseqüência, deixarem de ser recolhidos". (Grifos não originais) Ressalto ainda que a responsabilidade tributária independe da intenção do agente ou do responsável, conforme dispõe o art. 137 do CTN, a seguir transcrito: "Art. 136 - Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato". No mesmo sentido, dispõe o 2° do art. 94 do Decreto-lei n° 37, de 1966. Logo, por ter natureza objetiva, a responsabilidade pelo crédito tributário objeto da presente autuação depende apenas da existência do nexo de causalidade entre o fato do responsá,vel e fato danoso. _ - _ - - - Entretanto, no presente caso, o fato de o preposto da recorrente ter sido induzido, ainda que sem dolo, por documento falso a autorizar a entrega do container a terceiro não autorizado a transportá-lo ao terminal de destino, sem as cautelas que o caso exigia, por si só, configura a sua negligência e, portanto, a sua co-autoria para a efetivação do multicitado evento danoso. Entretanto, embora irrelevante para o caso em apreço, salta aos olhos o procedimento negligente e, portanto, culposo do preposto da recorrente no caso em tela. A guia apresentada foi grosseiramente adulterada. Dela não constavam os dados da unidade de carga a ser transportada (impressos no documento, como na guia original), e a numeração do formulário não seguia a ordem normalmente estabelecida, conforme pode ser observado cotejando-a com a guia verdadeira. Se para um leigo, que não lida com tais documentos no dia- a-dia, foi fácil perceber tais detalhes, para um profissional de um terminal de cart as do porte da recorrente é injustificável tal falha e demonstra a fragilidade das medidas de controle adotadas. Dessa forma, ante a inexistência da excludente de causalidade suscitada (caso fortuito ou força maior), deve ser mantida a responsabilidade da recorrente pelos tributos e multa lançados no presente procedimento fiscal. Da inocorrêneia do fato gerador do II e do Não tem consistência também o argumento de que o extravio de mercadoria não constitui fato gerador dos tributos incidentes sobre a importação, a saber: o II e IPI. Com a devida vênia, equivoca-se a recorrente quando afirma que o fato gerador do II seria apenas o registro da Declaração de Importação (DI) no Siscomex, conforme determina o art. 73, I, do Regulamento Aduaneiro (Decreto n°4.543, de 2002). Na verdade este Modalidade de fato geradiõt aplica-se apenas ao despacho aduaneiro do regime comum de - importação, denominado de despacho para consumo. Na hipótese de mercadoria estrangeira extraviada, o fato gerador do II está previsto no § 2° do art. 1° do Decreto-lei n°37, de 1966, a seguir transcrito: "Artl° - O Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional. (Redação dada pelo Decreto-Lei n° 2.472, de 01/09/1988) § 2°- Para efeito de ocorrência do fato gerador, considerar-se-á entrada no Território Nacional a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira". (Parágrafo único renumerado para § 2° pelo Decreto-Lei n°2.472, de 01/09/1988) Trata-se entrada presumida, cuja apuração pela autoridade aduaneira, tipifica a ocorrência do fato gerador, sujeitando as mercadorias extraviadas aos tributos vigorantes na data do lançamento do respectivo credito tributário, conforme dispõe o art. 23 do Decreto-lei n° 37, de 1966, a seguir reproduzido: "Art. 23 - Quando se tratar de mercadoria despachada para consumo, considera-se ocorrido o fato gerador na data do registro, na repartição aduaneira, da declaração a que se refere •o artigo 44. C... Processo n° 11128.005392/2005-04 53-C11-2 Acórdão n.° 3102-00351 Fl. 201 Parágrafo único. No caso do parágrafo único do artigo 1°, a mercadoria ficará sujeita aos tributos vigorantes na data em que autoridade aduaneira apurar a falta ou dela tiver conhecimento". No que tange ao 1PI, ha também regramento próprio definindo o desembaraço aduaneiro presumido, como sendo o fato gerador desse imposto, na hipótese de extravio de mercadoria estrangeira importada, refiro-me ao § 3° do art. 2° da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, com o acréscimo da nova redação do artigo 80 da Lei n° 10.833, de 2003, a seguir reproduzido: Art. 80. O art. 2° da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, passa a vigorar acrescido do § 3°, com a seguinte redação: • (•••) § 30 Para efeito do disposto no inciso!, considerar-se-á ocorrido o respectivo desembaraço aduaneiro da mercadoria que constar como tendo sido importada e cujo extravio ou avaria venham a ser apurados pela autoridade fiscal, inclusive na hipótese de mercadoria sob regime suspensivo de tributação. Da ilegalidade da cobrança da multa regulamentar e dos juros morató rios. Não assiste razão a recorrente também neste ponto, haja vista que há fundamento legal para cobrança da referida multa e dos juros moratários. Senão vejamos. O artigo 106, II, "d", do Decreto-lei n° 37, de 1966, prevê expressamente a incidência da multa de 50% (cinquenta por cento) do valor do II incidente sobre a mercadoria extraviada, fato que ficou sobejamente demonstrado nos presentes autos. • Por sua vez, a cobrança de juros moratórios, calculados com base na taxa Selic, tem previsão expressa em preceito legal vigente, no caso, o art. 84 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1985, com as alterações posteriores. • ; de de todo exposto, conheço do presente recurso, rejeito as preliminares --- suscitadas e, n. mérito, neto-lhe provimento. •P.% :1 ente d'17 13
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001277/2004-49
Data da sessão: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IRPJ
Exercício: 2002
Ementa: PERC - DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE
FISCAL. Para obtenção de beneficio fiscal, o artigo 60 da Lei 9.069/95 prevê a demonstração da regularidade no cumprimento de obrigações tributárias em face da Fazenda Nacional. Em homenagem à decidibilidade e ao princípio da
segurança jurídica, o momento da aferição de regularidade deve se dar na
data da opção do beneficio, entretanto, caso' tal marco seja deslocado pela
autoridade administrativa para o momento do exame do PERC, da mesma
forma também seria cabível o deslocamento desse marco pelo contribuinte,
que se daria pela regularização procedida enquanto não esgotada a discussão
administrativa sobre o direito ao beneficio fiscal.
Numero da decisão: 1803-000.145
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se impedida a Conselheira Selene Ferreira de Moraes.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Benedicto Celso Benício Júnior
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Processo nO Recurso n° Acórdão nO Sessão" de Matéria Recorrente Recorrida SI-TE03 FI. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 16327.001277/2004-49 160.197 Voluntário 1803-00.145 - 3a Turma Especial 25 de agosto de 2009 IRPJ - Ex.: 2002 ALFA CORRETORA DE CÂMBIO E VALORES MOBILIÁRIOS S.A. sa TURMÁ/DRJ-SÃO PAULO/SP I Assunto: IRPJ Exercício: 2002 Ementa: PERC - DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Para obtenção de beneficio fiscal, o artigo 60 da Lei 9.069/95 prevê a demonstração da regularidade no cumprimento de obrigações tributárias em face da Fazenda Nacional. Em homenagem à decidibilidade e ao princípio da segurança jurídica, o momento da aferição de regularidade deve se dar na data da opção do beneficio, entretanto, caso' tal marco seja deslocado pela autoridade administrativa para o momento do exame do PERC, da mesma forma também seria cabível o deslocamento desse marco pelo contribuinte, que se daria pela regularização procedida enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao beneficio fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso., nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se impedida a Conselheira Selene Ferreira de Moraes. ~mtfi::O~AA1s --Pr~;-. BENEDICTO CE SO~ ' ÍCIO JÚNIOR - Relator 2009 Processo nO 16327.001277/2004-49 Acórdão n.o 1803-00.145 Participaram, da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Walter Adolfo Maresch, Benedicto Celso BenÍcio Júnior, Luciano Inocêncio dos Santos, José Sérgio Gomes (Suplente Convocado) e LavÍnia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (Vice-Presidente). Relatório Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais - PERC, relativo ao ano calendário de 2001, exercício de 2002, formulado em 23/09/2004, pela contribuinte. No "Formulário - PERC MANUAL", o pedido foi assim motivado: "Não houve ordem de emissão para o FINAM e o contribuinte consta do sistema IRPJOEIF" (fls. 158). Conforme dados constantes da ficha 29 - Aplicações em Incentivos Fiscais, da DIPJ/2002, a contribuinte destinou parcela do imposto de renda recolhido equivalente a R$ 32.661,96 para aplicação no FINAM. Em despacho decisório de 27/03/2006 (fls. 243/246), foi indeferido o pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais relativo ao IRPJ/2002, nos seguintes termos: "8- Antes de apreciar o pleito do interessado quanto ao seu mérito convém verificar, em caráter preliminar, se o mesmo poderia usufruir o incentivo fiscal em questão, considerando o que dispõe a legislação que rege a matéria. Nesse intuito foram consultados o CADIN e os registros de regularidade mantidos pela SRF, PGFN, INSS e CEF/FGTS (fls. 234/242). 9- A aludida consulta indica que no momento o interessado: - não dispõe do Certificado de Regularidade do FGTS, nem está em condições de obtê-lo (fi. 242); - está em situação irregular junto à PGFN (fls. 240/241),. - está com a CND mais recente emitida pela SRF vencida desde 30/03/2005. (fls. 236) e em situação irregular junto a este órgão (fls. 237;239),. - impedindo- o de apresentar a comprovação atualizada da quitação de tributos e contribuições federais, com o que ficam materializadas as vedações previstas na legislação transcrita: (...) Diante do exposto, ... DECIDO INDEFERiR o pedido de revisão de ordem de emissão adicional de incentivos fiscais relativo ao IRPJ/2002, formulado pelo interessado, em decorrência da vedação legal estabelecida: pelo art. 60 da Lei n° 9.069/95; e pela alínea "c';; art. 27 da Lei n° 8.036/90". A empresa apresentou manifestação de inconformidade, protocolizada em 04/05/2006 (fls. 250/256), alegando em síntese o seguinte: Processo nO 16327.001277/2004-49 Acórdão n.o 1803-00145 S1-TE03 f1.3 a) A análise teleológica e sistêmica da legislação impõe a necessidade de verificação das pendências existentes à época da opção pelo incentivo fiscal em comento, e não em qualquer momento, ou melhor, no momento em que mais interessar a Administração Tributária como vem sistematicamente ocorrendo. b) A legislação que trata da concessão dos incentivos ficais prevê a necessidade de regularidade fiscal do optante, mas não especifica qual o exato momento em que deve ser verificada essa regularidade, dando ensejo à Administração Tributária esquivar-se da análise do pedido por vários anos, até que haja alguma suposta irregularidade para que possa, sumariamente, indeferir um direito conferido legalmente ao contribuinte. c) A utilização de débitos surgidos em momentos posteriores aos da opção pelo beneficio fiscal pretendido, não obstante essa condição não esteja prevista na legislação, fere o princípio da moralidade administrativa. d) A Recorrente junta nesta Manifestação as cópias do Certificado de Regularidade com validade de 21/02/2006 a 22/03/2006 e do extrato de ocorrências sobre a Consulta de Impedimentos à Certificação de Regularidade datado de 04/04/2006, onde fica cabalmente comprovado que o empregador, não possuía quaisquer impedimentos junto ao FGTS quando prolatada a decisão ora recorrida. e) Processo n° 16327.002563/2002-60: refere-se ao auto de infração lavrado com a exigibilidade suspensa por força de medida liminar concedida nos autos dos mandados de segurança nO2000.61.00.035483-2 e 98.004081-1, ainda pendentes de decisão final pelo Poder Judiciário. f) Processo nO 16327.002562/2002-15: refere-se ao auto de infração lavrado com a exigibilidade suspensa por força de medida liminar concedida nos autos do mandado de segurança n° 98.004081-1, ainda pendente de decisão final pelo Poder Judiciário. g) Processo n° 16327.003996/2002-32: refere-se ao suposto saldo devedor de PIS dos meses de janeiro a maio de 1994, sendo que em face das justificativas apresentadas através de correspondência datada de 29/03/2006, os mencionados valores já não cçmstarp mais como pendentes. h) Processo n° 16327.500635/2004-00: refere-se à contribuição do PIS dos meses de janeiro, fevereiro e março de 1999, declarados em DCTF com a exigibilidade suspensa por força de liminar concedida no mandado de segurança n° 97.0062113-8, ainda pendente de decisão judicial final junto ao poder judiciário. Acrescente-se que o mencionado processo administrativo foi inscrito indevidamente em Dívida Ativa da União, sendo a inscrição posteriormente cancelada. i) Processo nO 16327.001817/2005-75: refere-se a transferência dos supostos débitos de CSL, código 2030, dos meses de janeiro de 1993 a junho de 1994, declarados com a exigibilidade suspensa face a existência de decisão judicial transitada em julgado favorável ao contribuinte. Tais valores foram objeto de carta de cobrança questionada junto ao Poder Judiciário através do mandado de segurança nO2006.-61.00.008880-0 ainda pendente de decisão final. 3 ~ Processo nO 16327.001277/2004-49 Acórdão n.o 1803-00145 SI-TE03 FI., j) O débito em cobrança no sistema SIEF foi integralmente recolhido, ocorre que o recolhimento foi efetuado com o CNPJ de outro contribuinte cuja regularização já foi efetuada através de Redarf. k) Um dos débitos enviados à PGFN encontra-se com a exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 inciso II do CTN, situação estajá consignada no cadastro da PFN. 1) Em relação aos 4 débitos de PIS e Cofins a Recorrente informa que protocolou pedido de cancelamento da inscrição nos termos da Portaria Conjunta SRF/PGFN nO001/99, que ainda encontra-se pendente de julgamento. m) Quanto ao débito de Finsocial, a Recorrente aJUIZOU,em 28/0912005, mandado de segurança sob o n° 2005.61.00.21885-5, ainda em tramitação junto ao Poder Judiciário, para, em síntese, desconstituir os valores cobrados no processo administrativo nO 13805.002397/92-61, pois o mencionado tributo já está sendo discutido nos autos da . ação declaratória nO92.0019878-3 e medida cautelar n° 91.0738699-0, cuja decisão foi parcialmente favorável ao contribuinte no sentido de.ficar compelido ao recolhimento do Finsocial apenas à alíquota de 0,5% e não 2%, como consta no processo administrativo. Ainda que o processo tenha sido encaminhado à Dívida Ativa em 29/10/2005, certo é que o mesmo deveria estar com a sua exigibilidade suspensa por força da decisão parcialmente favorável à Recorrente proferida na ação declaratória nO 92.0019878-3 e medida cautelar nO91.0738699-0. n) Seja pela existência de processo cadastrado no sistema PROFISC ainda pendente de julgamento, seja pela existência de inscrições indevidas enviadas à PFN cujas análises encontram-se pendentes junto à Receita Federal, à época dos fatos (ano-calendário 2001) não havia crédito tributário exigível. Ao analisar as razões do PERC apresentado pela contribuinte, a ga Turma da DRJ/SPO I, INDEFERIU. a solicitação com lastro nos seguintes fundamentos: "(..)Enjim, assim podemos sintetizar as considerações anteriormente tecidas: A teor do art. 60, a autoridade administrativa deve efetuar uma análise da situação flScal no momento em vai conceder ou reconhecer o beneficio. Logo, se constatar a existência de algum débito no momento da concessão, independentemente da data de seu fato gerador, está impedida de reconhecer o beneficio. Tal poder-dever decorre de expressa disposição legal, não conjigurando ofensa aoprincípio da moralidade administrativa. Identificamos apenas dois momentos em que autoridade administrqtiva pode conceder' o. beneficio: o momento em que ocorre o processamento eletrônico de dados (emissão do "Extrato das aplicações em incentivos fiscais" pela Secretaria da Receita Federal), e o da análise do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais - PERC. A apreciação da manifestação de inconformidade pela DRJ não pode ser entendida como um novo momento de concessão do beneficio. Se assim fosse, seria necessária nova Processo nO 16327.001277/2004-49 Acórdão n.o 1803-00145 verificação da regularidade fiscal do contribuinte no momento em que foi apreciada a manifestação do contribuinte. o despacho decisório deve ser mantido se o contribuinte não lograr comprovar sua regularidade na data em que foi proferido, demonstrando cabalmente eventual equívoco da autoridade administrativa. Não há previsão legal expressa que possibilite à autoridade administrativa a concessão de prazo para regularização, na hipótese de existência de irregularidade fiscal. " Sl.TE03 F1.5 Com base nas premissas citadas, a turma de julgamento analisou o caso concreto da contribuintes e ponderou que à época do despacho decisória existiam as seguintes pendências que inviabilizavam o reconhecimento do beneficio vinculado ao incentivo fiscal pleiteado: "11.1.Do Certificado de Regularidade do FGTS Do Certificado de Regularidade do FGTS No tocante ao FGTS, a Manifestante anexou copzas do Certificado de Regularidade com validade de 21102/2006 a 22/03/2006 (fls. 267) e do extrato de ocorrências sobre a Consulta de Impedimentos à Certificação de Regularidade datado de 04/04/2006 (fls. 268). A autoridade administrativa constatou, por meio do extrato de fls. 242 que as informações disponíveis em 27/03/2006 não eram suficientes para a comprovação automática da regularidade do empregador perante o FGTS. Por outro lado, não consta dos autos CND válida na data do despacho decisório. Isto quer dizer que no interregno entre 22/03/2006 e 05/04/2006 - data de início da validade do Certificado de Regularidade de fls. 269, a contribuinte pode ter regularizado eventual pendência apontada pela Caixa Econômica Federal. Tal regularização pode ter ocorrido antes ou depois da data do despacho decisório. Assim, enquanto a contribuinte não instruir sua manifestação de inconformidade com a documentação hábil e idônea a comprovar sua regularidade fiscal perante o FGTS na data em que foi proferido o despacho decisório, não há como expedir a 'ordem de emissão adicional de incentivos fiscais, sob pena de ofensa ào art. 60 da Lei n° 9.069/1995. (...) 11.2. Dos débitos em cobrança na SRF 11.2.1. Processo nO16327.002563/2002-60 Alega a Manifestante que o crédito tributário referente a este processo, encontra-se com sua exigibilidade suspensa por força Processo n° 16327.001277/2004-49 Acórdão n" 1803-00145 de medida liminar concedida nos autos dos mandados de segurança nO 2000.61.00.035483-2 e 98.004081-1, ainda pendentes de decisão final pelo Poder Judiciário. O referido crédito tributário continua com sua exigibilidade suspensa nos termos do art. 151, incisos IVe Vdo CTN. Ao analisarmos a certidão relativa ao mandado de segurança nO 98.004081-1 (fls. 271/272), anexada pela contribuinte constatamos justamente o contrário, visto que a contribuinte desistiuparcialmente da ação, e já houvejulgamento em relação àparte que continuou em litígio, in verbis: "00. às fls. 330 e 340/341 petições das impetrantes manifestando parcial desistência do recurso e requerendo sua homologação, com base no art. 11, da MP n° 38, de 15/05/2002 e, ainda, renuncia exclusivamente em relação à pretensão de deduzir a despesa relativa ao pagamento da CSLL da sua própria base de cálculo; (..) CERTIFICA, que os autos foram julgados em 17/09/2003, onde: "... A Turma , por unanimidade, não conheceu da apelação e deu provimento à remessa oficial, nos termos do voto da Relatora... " Ao analisarmos a certidão relativa ao mandado de segurança n° 2000.61.00.035483-2 (fls. 273/274), constatamos que a liminar concedidapelo Juiz da 10a Vara Cível de São Paulo foi cassada em 08/02/2001 por decisão do TRF-3a Região, tendo sido autorizado depósito judicial, conforme trecho a seguir transcn'to: "oo.deferimento do pedido de concessão de liminar, em 18/09/2000, para suspender a exigibilidade dos créditos tributários, relativos aos anos-base 1997 e 1998, que vierem a ser constituídos em razão do não recolhimentopelos impetrantes da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido à alíquota superior a 8% (oito por cento), até final decisão ou ulterior determinação deste Juízo; prolação de R. decisão, em 21/03/2001, autorizando o depósito, para ofim dos disposto no art. 151, inciso IL do CTN, desde que integral e em dinheiro, facultada à Administração Tributária a verificação da sua regularidade;juntada aos autos, em 03/04/2001, de cópia da R. Decisão, proferida em 08/02/2001, nos autos do Agravo de Instrumento n° 2000.03.00.055295-0 interposto pela União Federal, pela qual decidiu o Egrégio Tribunal Regional Federal da 3a Região conceder efeito suspensivo ao recurso, em face da decisão que deferiu a liminar;... " De acordo com estas informações, é improcedente a alegação da Manifestante, visto que na data do despacho decisório a exigibilidade do crédito tributário não estava suspensa por decisão judicial (sentença reformada por acórdão e liminar cassada), nem consta dos autos comprovantes de depósito efetuados nos termos da decisão prolatada nos autos do MS nO 2000.61.00.035483-2. S1-TE03 Fl..6 Processo nO 16327.001277/2004-49 Acórdão n.O 1-803-00145 11.2.2. Processo n° 16327. 002562/2002-15 Alega a Manifestante que o crédito tributário referente a este processo, encontra-se com sua exigibilidade suspensa por força de decisão proferida nos autos do MS n° 98.004081-1, conforme atesta a cópia da Certidão de Objeto e Pé (fls. 271/272 e 286/287). Conforme certidão transcrita no item - anterior, a sentença concessiva da segurança foi reformada por julgamento do Tribunal Regional Federal- 3a Região, em 17/09/2003 (acórdão publicado em 08/10/2003), e os embargos de declaração não suspendem a exigibilidade do crédito tributário. Logo, é improcedente a alegação da Manifestante, visto que a exigibilidade do crédito tributário não estava suspensa na data do despacho decisório. (...) 11.2.5. Processo n° 16327.001817/2005-75 Alega a Manifestante que o crédito tributário referente a este processo foi objeto de carta de cobrança questionada junto ao Poder Judiciário através do mandado de segurança n° 2006.61.00.008880-0, ainda pendente de decisão final. Conforme extrato do SINCOR anexado a fls. 412, o processo foi enviado para inscrição em Dívida Ativa em 24/0612006. Por outro lado, conforme cópia da petição inicial anexada aos autos, a ação judicial apenas foi interposta em 20/04/2006, posteriormente à data do despacho decisório. Logo, a Manifestante não logrou comprovar que a exigibilidade do crédito tributário estivesse suspensa na data do despachp decisório. 11.3.Das inscrições em Dívida Ativa da União No âmbito da PGFN constam 6 inscrições em cobrança - ativas ajuizadas processos administrativos de números 13805.002395/92-35, 16327.501159/2004-36, 16327.501160/2004-61, 16327.50130112004-45, 16327.501302/2004-90, 13805.002397/92-61 (fls. 240/241). (...) Quanto às irregularidades junto à PGFN, conforme ja esclarecido anteriormente, os débitos inscritos em dívida ativa são de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional, cabendo a ela se manifestar a seu respeito. No entanto, a existência de inscrições em cobrança no sistema eletrônico de "Informações de Apoio para Emissão de Certidão ", impede o reconhecimento da regularidade fiscal da contribuinte para efeito de concessão de beneficio fiscal. Sl-TE03 Fl.7 Processo nO 16327.001277/2004-49 Acórdão n.o 1803-00145 Por sua vez, a contribuinte anexou documentação que deve ser apreciada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, que é o órgão competente para alterar a situação dos processos inscritos em Dívida Ativa da União. Assim, enquanto a contribuinte não instruir sua manifestação de inconformidade com documentação hábil e idônea a comprovar que a Procuradoria da Fazenda Nacional reconheceu que na data em que foi proferido o despacho decisório os débitos estavam com sua exigibilidade suspensa, não há como expedir a ordem de emissão adicional de incentivos fiscais, sob pena de ofensa ao art. 60 da Lei nO9.069/1995." SI-TE03 Fl.-g Cientificada do teor da decisão relativa a esse despacho decisório em 15.05.2007, a contribuinte apresentou recurso ao CARF, no qual em resumo ponderou que a condição de regularidade fiscal para fins de reconhecimento do beneficio fiscal, deve tomar .como marco jurídico e temporal o momento de opção pelo FINAM, o qual se deu quando da entrega da DIPJ 2002 em 28/06/2002. No entendimento da contribuinte a adoção deste marco se justifica pelo fato de a opção pelo referido incentivo estar atrelada apenas ao período de apuração para o qual se destinou parcela do IRPJ, não se justificando, portanto, que a condição de regularidade fiscal exigida pelo art. 60 da Lei nO9.069/95 fique vinculada a eventos posteriores à destinação do imposto por meio da declaração de rendimentos. É a síntese do essencial. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, conheço. Trata o presente processo do indeferimento do pleito de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais - PERC, referente ao ano-calendário de 2001 e que foi indeferido pela autoridade administrativa do domicílio fiscal da interessada, com base no artigo 60 da Lei n° 9.069/1995, pela indicação de existência de irregularidade fiscal em nome do sujeito passivo, decisão esta ratificada pela autoridade julgadora de primeira instância. Insurge-se o sujeito passivo contra decisão de indeferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais - PERC, pela não comprovação da regularidade fiscal, com base no dísposto no artigo 60 da lei nO9.069/1995, verbis: "Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e. contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa fisica ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. " Processo n° 16327.001277/2004-49 Acórdão n.o 1803-00145 Sl-TE03 Fl.9 Para a solução da lide faz-se necessário identificar qual o momento em que o sujeito passivo deveria provar sua regularidade fiscal com o fito de aproveitar o beneficio fiscal para o qual fez a opção, sob pena de impossibilitar ao sujeito passivo efetuar a prova de tal regularidade. Em homenagem à decidibilidade e ao princIpIO da segurança jurídica, o momento da aferiç~o de regularidade deve se dar na data da ópção do beneficio. Destarte, com vistas ao deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica onde se deu a opção pelo incentivo. Logo, mostra-se ilegal o indeferimento de PERC em razão de débitos posteriores ao exerCÍcio da opção pela aplicação nos Fundos de Investimento, que no presente casos deu-se 28/06/2002. Entender de forma diferente, por exemplo na data do processamento da declaração ou na data em que a autoridade administrativa proceda ao exame do pedido, impossibilitaria a defesa do sujeito passivo, pois a cada momento poderiam surgir novos débitos, numa ciranda de impossível controle. O sentido da lei não é impedir que o contribuinte em débito usufrua o beneficio fiscal, mas sim, condicionar seu gozo à quitação do débito. Dessa forma, a comprovação da regularidade fiscal, visando o deferimento do PERC, deve recair sobre aqueles débitos existentes na data da entrega da declaração, o que poderá ser feito em qualquer fase do processo. Débitos surgidos posteriormente à data da entrega da declaração não influenciarão o pleito daquele ano-calendário, podendo influenciar a concessão do beneficio em anos calendários subseqüentes. Inúmeras são as decisões do extinto Conselho de Contribuintes neste sentido: ACÓRDÃO 195-00.096 Órgão: 1a Conselho de Contribuintes /5a. Turma Especial IRPJ - EX: 2002 Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ EXERCÍCIO: 2002 Ementa: INCENTIVOS FISCAIS - "PERC" - COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL A comprovação da regularidade fiscal deve se reportar à data da opção do beneficio, pelo contribuinte, com a entrega da declaração de rendimentos. Comprovada a regularidade fiscal ou não logrando a administração tributária' 'compróvar .irregUlàridades que se . reportem ao momento da opção pelo beneficio, deve ser deferida a apreciação do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais - PERe. Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para determinar o exame do PERe. JOSÉ CLÓVIS AL VES - Presidente da Câmara. Processo nO 16327.001277/2004-49 Acórdão n.o 1803-00145 Publicado no DOU em: 09.03.2009 Relator: LUCIANO INOCÊNCIO DOS SANTOS Recorrente: BANESTADO CORRETORA DE VALORES MOBILIARIOS S/A Recorrida: 8C! TURMAlDRJ-SÃO PAULO/SP 1 (Data da Decisão: 09.12.2008 09.03.2009) ACÓRDÃO 105-17.344 Órgão: 10 Conselho de Contribuintes /5a. Câmara IRPJ- EX: 2000 PERC - REGULARIDADE FISCAL - MOMENTO DA VERIFICAÇÃO - Descabe o indeferimento do PERC quando a alegada irregularidade fiscal não é contemporânea, mas posterior à opção pelo beneficio fiscal. Recurso provido para que seja apreciado o PERCo Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. JOSÉ CLÓVIS ALVES - PRESIDENTE. Publicado no DOU em: 09.03.2009 Relator: JOSÉ CARLOS PASSUELLO Recorrente: NACIONAL INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. Recorrida: 3C! TURMAlDRJ-FORTALEZA/CE (Data da Decisão: 13.11.2008 09.03.2009) ACÓRDÃO 101-96.945 .Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica -IRPJ Ano-calendário: 2001 Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica -IRPJ Ano-calendário 2000 - INCENTIVOS FISCAIS - PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC - MOMENTO DE COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE. O momento em que deve ser comprovada a regularidade fiscal, pelo sujeito passivo, com vistas ao gozo do beneficio fiscal, é a data da apresentação da DIRP 1, na qual foi manifestada a opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos correspondentes. SI-TE03 FI. 1'0 I~ Processo nO 16327.001277/2004-49 Acórdão n.o 1803-00145 Recurso Provido. Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso; Antonio Praga - Presidente. Publicado no DOU em: 11.12.2008 Relator: Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho Recorrente: BANCO ITAÚ HOLDING FINANCEIRA S.A. Recorrida: 10" TURMAlDRJ-SÃO PAULO/SP I (Data da Decisão: 19.09.2008 11.12.2008) SI-TE03 F1. 11 Assim, entendo que deve ser considerado como marco temporal da condição de regularidade fiscal a data de entrega da DrPI 2002 (28/06/2002). Eentretanto, caso tal marco seja deslocado pela autoridade administrativa para o momento do exame do PERC, da mesma forma também seria cabível o deslocamento desse marco pelo contribuinte, que se daria pela regularização procedida enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao beneficio fiscal. Logo, não sendo possível ao contribuinte demonstrar sua situação de regularidade fiscal na data da entrega da declaração, é entendimento consonante neste conselho de que essa condição pode ser demonstrada em qualquer momento do processo administrativo, até seu derradeiro julgamento. Todavia, no presente caso, em nenhum momento logrou o contribuinte comprovar com êxito sua situação de regularidade fiscal, sempre havendo alguma restrição pendente para qual se fazia necessária demonstrar a suspensão de exigibilidade e cujos documentos para tanto não se encontravam nos autos. Diante do exposto, NEGO provimento ao recurso. 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011
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Numero do processo: 14041.000293/2004-95
Data da sessão: Mon May 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon May 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF
Exercício: 2003
IRPF - RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS
INTERNACIONAIS.
Somente faz jus à isenção prevista no inciso II, do artigo 5°, da
Lei n° 4.506/1964, o funcionário internacional dos quadros de
Agência Especializada da ONU, com vínculo estatutário e não
apenas contratual, sendo que tal beneficio não aproveita os
técnicos brasileiros, residentes no Brasil e aqui contratados, seja
por hora, por tarefa ou com vínculo contratual permanente.
Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Recurso Especial Negado.
Numero da decisão: 9304-00.119
Decisão: ACORDAM os membros da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allagi
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Somente faz jus à isenção prevista no inciso II, do artigo 5°, da Lei n° 4.506/1964, o funcionário internacional dos quadros de Agência Especializada da ONU, com vínculo estatutário e não apenas contratual, sendo que tal beneficio não aproveita os técnicos brasileiros, residentes no Brasil e aqui contratados, seja por hora, por tarefa ou com vínculo contratual permanente. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso Especial Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membre. da Quarta Tu a da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NE lAR provimento fo recurso especial. (Ir CARLOS ALBERTO I BE FREITAS BA' ETO - Presidente ", 4 GONÇALO BONET • L • GE—Relato Formalizado em: a 4 SEI 2009 Processo n° 14041.000293/2004-95 CSRF/T04 Acórdão n.° 9304-00.119 Fls. 251 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Gonçalo Bonet Allage, Ana Neyle Olímpio Holanda, Gustavo Lian Haddad, Antonio Carlos Guidoni Filho e Carlos Alberto de Freitas Barreto. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Relatório Em face de Ricardo Sebastião Lourenço foi lavrado o auto de infração de fls. 90-98, para a exigência de imposto de renda pessoa física, exercício 2003, em razão da omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior. Além da multa de oficio de 75%, a autoridade fiscal também lançou a multa isolada de 75%, pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão. A 3' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) manteve integralmente o crédito tributário. Por sua vez, a Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão n° 106-16.274, que se encontra às fls. 186-196, cuja ementa é a seguinte: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. REMUNERAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. ORGANISMO INTERNACIONAL - Está sujeita a tributação do Imposto de Renda a remuneração auferida junto a Organismo Internacional relativa a prestação de serviço contratado em território nacional, uma vez não preenchida a condição de funcionário órgão. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA CONCOMITANTE — É de ser afastada a aplicação de multa isolada concomitantemente com multa de oficio tendo ambas a mesma base de cálculo. Recurso Voluntário Provido em Parte. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir da exigência a multa isolada em concomitância com a multa de oficio. Intimado do acórdão em 30/05/2007 (fls. 201), o contribuinte interpôs recurso especial de divergência às fls. 206-213, no qual alegou, em apertada síntese, que: a. O acórdão recorrido negou vigência aos tratados internacionais vigentes, divergindo dos acórdãos n' s 104-20.317, 106-14.176 e de diversos julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais; b. O entendimento adotado nos acórdãos paradi tie a deu correta e incensurável interpretação às normas aplicáveis à matéria; de 2 I Processo n° 14041.000293/2004-95 CSRF/T04 Acórdão n.° 9304-00.119 Fls. 252 c. A Justiça do Trabalho já definiu a questão, assegurando os direitos aos funcionários de Organismos Internacionais. Por intermédio do Despacho n° DDC106153229_178 (fls. 230 -232), o recurso restou admitido, sendo que a Fazenda Nacional, quando intimada, apresentou contra-razões às fls. 235-247, pugnando, fundamentalmente, pela improcedência da pretensão da contribuinte. É o Relatório. Voto Conselheiro GONÇALO BONET ALLAGE, Relator O recurso especial do contribuinte cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, para excluir da exigência a multa isolada em concomitância com a multa de oficio. A matéria que chega à apreciação deste Colegiado envolve a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, como decorrência da prestação de serviços profissionais a Organismo Internacional (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura - UNESCO). O recorrente sustentou, sob vários enfoques, que os rendimentos em apreço não estão sujeitos à incidência do imposto de renda pessoa fisica. Segundo penso, o ponto central da questão em análise reside na caracterização ou não do beneficiário desses rendimentos como "funcionário" internacional da agência especializada. Tal linha de raciocínio decorre da interpretação do artigo 5°, inciso II e § único, da Lei n° 4.506/64 (matriz legal do artigo 22, do RIR199), combinado com cláusulas da "Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas", promulgada pelo Decreto n° 52.288, de 24/07/1963. As citadas regras estabelecem que: Art. 5 0. Estão isentos do imposto os rendimentos do trabalho auferidos por: 1- Servidores diplomáticos de governos estrangeiros; II- Servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte e aos quais se tenha obrigado, por tratado ou convênio, a conceder isenção; III - Servidor não brasileiro de embaixada, consulado e repartições W oficiais de outros países no Brasil, desde que no país de sua 3 Processo n° 14041.000293/2004-95 CSRF/T04 Acórdão n.° 9304-00.119 As. 253 nacionalidade seja assegurado igual tratamento a brasileiros que ali exerçam idênticas funções. Parágrafo único - As pessoas referidas nos itens II e III deste artigo serão contribuintes como residentes no estrangeiro em relação a outros rendimentos produzidos no país. DISPOSITIVOS DA CONVENÇÃO: ARTIGO 6° FUNCIONÁRIOS 18° Seção Cada agência especializada especificará as categorias dos funcionários nos quais se aplicarão os dispositivos deste artigo e do artigo 8 0. Comunicá-las aos Governos de todos os países partes nesta Convenção, quanto a essa agência, e ao Secretário Geral das Nações Unidas. Dos nomes dos funcionários incluídos nessas categorias periodicamente se dará conhecimento aos Governos acima mencionados. 19° Seção Os funcionários das agências especializadas: (.) b) gozarão de isenções de impostos, quanto aos salários e vencimentos, a eles pagos pelas agências especializadas e em condições idênticas às de que gozam os funcionários das Nações Unidas; (.) 22" Seção Os privilégios e imunidades são concedidos aos funcionários apenas no interêsse das agências especializadas, e não para beneficio pessoal dos próprios indivíduos. Cada agência especializada terá o direito e o dever de renunciar à imunidade de qualquer funcionário em qualquer caso em que, em sua opinião, a imunidade impeça o andamento da justiça e possa ser dispensada sem prejuízo para os interêsses da agência especializada. Pois bem, é de se salientar que, embora tenha havido certa oscilação na jurisprudência do Conselho de Contribuintes sobre a matéria, prevalece, há algum tempo, entendimento que dá guarida à exigência fiscal e ao acórdão recorrido. Segundo o posicionamento atual da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a remuneração advinda de contratos firmados por nacionais junto a organismos internacionais não está abrangida pelo instituto da isenção fiscal, sendo exatamente esta a situação dos autos. Tenho como aplicável a este feito a atual jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, demonstrada, ilustrativamente, através das ementas dos seguintes acórdãos:& 4 1 Processo n° 14041.000293/2004-95 CSRF/T04 Acórdão n.° 9304-00.119 Fls. 254 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. REMUNERAÇÃO AUFERIDA POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD. TRIBUTAÇÃO — São detentores de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária os funcionários de organismos internacionais com os quais o Brasil mantém acordo, em especial, da Organização das Nações Unidas e da Organização dos Estados Americanos, situações não extensivas aos prestadores de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento — PNUD, contratados em território nacional. Neste caso, por faltar-lhes a condição de funcionário, a remuneração advinda em face de tais contratos não está abrangida pelo instituto da isenção fiscal. Recurso especial provido. (CSRF, Quarta Turma, acórdão CSRF n° 04-00.209, Relator Conselheiro José Ribamar Barros Penha, julgado em 14/03/2006) IRPF - PNUD - ISENÇÃO - A isenção de imposto sobre rendimentos pagos pelo PNUD ONU é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu Secretário-Geral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. Recurso especial provido. (CSRF, Quarta Turma, acórdão CSRF n° 04-00.194, Relator Conselheiro Romeu Bueno de Camargo, julgado em 14/03/2006) PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD - TRIBUTAÇÃO — São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento — PNUD, quando recebidos por nacionais contratados no País, por faltar-lhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária. Recurso provido. (CSRF, Quarta Turma, acórdão CSRF n° 04-00.080, Relatora Conselheira Leila Maria Scherrer Leitão, julgado em 22/09/2005) Por bem elucidar a matéria adoto como razões de decidir as considerações feitas pela Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, no voto proferido no acórdão n° 104-22.100, de 06/12/2006, as quais passo a transcrever: No que tange ao inciso II, este menciona genericamente os 'servidores de organismos internacionais ', nada esclarecendo sobre o seu domicílio, o que conduz a uma conclusão precipitada de que dito dispositivo incluiria os domiciliados no Brasil. Entretanto, o parágrafo único do artigo em foco faz cair por terra tal interpretação, quando e determina que, relativamente aos demais rendimentos produzidos no 5 Processo n° 14041.000293/2004-95 CSRF/T04 Acórdão n.° 9304-00.119 Fls. 255 Brasil, os servidores citados no inciso II são contribuintes como residentes no estrangeiro. Ora, não haveria qualquer sentido em determinar-se que um cidadão brasileiro, domiciliado no Pais, tributasse rendimentos como sendo residente no exterior, donde se conclui que o inciso II, ao contrário do que à primeira vista pareceria, também não abrange os domiciliados no Brasil. Fica assim demonstrado que o art. 5° da Lei n° 4.506, de 1964, acima transcrito, não contempla a situação da contribuinte — brasileira residente no Brasil —, conforme endereço por ela mesma fornecido no recurso «is. 102). Ainda que o dispositivo legal ora analisado pudesse ser aplicado a um nacional residente no Pais — o que se admite apenas para argumentar — ele é claro ao remeter a isenção concedida a servidores de organismos internacionais ao respectivo tratado ou convênio. E nem poderia ser diferente, já que, conforme o art. 98 do Código Tributário Nacional, "os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha", portanto as Convenções que regulam a matéria poderiam efetivamente dispor de modo diverso da legislação pátria. (.) De plano, verifica-se que a isenção de impostos sobre salários e emolumentos é dirigida a funcionários das Agências Especializadas da ONU e encontra-se no bojo de diversas outras vantagens, a saber: facilidades imigratórias e de registro de estrangeiros, inclusive para sua família, privilégios cambiais equivalentes aos funcionários de categoria comparável de missões diplomáticas; facilidades de repatriação idênticas às dos funcionários de categoria comparável das missões diplomáticos, em tempo de crise internacional; e liberdade de importação de mobiliário e bens de uso pessoal, quando da primeira instalação no pais interessado. Embora a Convenção em tela utilize a expressão genérica funcionários, a simples leitura do conjunto de privilégios nela elencados permite concluir que o termo não abrange o funcionário brasileiro, residente no Brasil e aqui recrutado. Isso porque não haveria qualquer sentido em conceder-se a um brasileiro residente no Pais, beneficios tais como facilidades imigratórias e de registro de estrangeiros, privilégios cambiais, facilidades de repatriação e liberdade de importação de mobiliário e bens de uso pessoal quando da primeira instalação no Pais. Assim, fica claro que as vantagens e isenções — inclusive do imposto sobre salários e emolumentos — relacionadas no artigo 6° da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da ONU não são dirigidas aos brasileiros residentes no Brasil, restando perquirir-se sobre que categorias de funcionários seriam beneficiárias de tais facilidades. A resposta se encontra no próprio artigo 6°, 18° Seção, que a seguir se recorda: 'ARTIGO 6° 6 1 Processo n° 14041.000293/2004-95 CSRF/T04 Acórdão n.° 9304-00.119 Fls. 256 FUNCIONÁRIOS 18° Seção Cada agência especializada especificará as categorias dos funcionários nos quais se aplicarão os dispositivos deste artigo e do artigo 8°. Comunicá-las aos Governos de todos os países partes nesta Convenção, quanto a essa agência, e ao Secretário Geral das Nações Unidas. Dos nomes dos funcionários incluídos nessas categorias periodicamente se dará conhecimento aos Governos acima mencionados.' A exigência de tal formalidade, aliada ao conjunto de beneficios de que se cuida, não deixa dúvidas de que o funcionário a que se refere o artigo 6° da Convenção das Agências Especializadas da ONU — e que no inciso II, do art. 5°, da Lei n°4.506, de 1964, é chamado de servidor — é o funcionário internacional, integrante dos quadros da Agência Especializada da ONU com vinculo estatutário, e não apenas contratual. Portanto, não fazem jus às facilidades, privilégios e imunidades relacionados no artigo 6° da Convenção das Agências Especializadas da ONU os técnicos contratados, seja por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. (.) Assim, conclui-se que o artigo 6° da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da ONU, bem como o artigo V da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, embora não abordem expressamente a questão da residência, harmonizam-se perfeitamente com o inciso II, do art. 5°, da Lei n° 4.506, de 1964 (transcrito no início deste voto), já que ambas as Convenções inserem a isenção do imposto de renda em um conjunto de vantagens que somente se compatibiliza com beneficiários não residentes no Brasil. Com efeito, conjugando-se esses três comandos legais (o dispositivo da Lei n° 4.506, de 1964, e os artigos das duas Convenções), conclui-se que os servidores/funcionários neles mencionados são aqueles funcionários internacionais, em relação aos quais é perfeitamente cabível a tributação de outros rendimentos produzidos no País como de residentes no estrangeiro, bem como a concessão de facilidades imigratórias, de registro de estrangeiros, cambiais, de repatriação e de importação de mobiliário/bens de uso pessoal quando da primeira instalação no Brasil. Afinal, esses funcionários integram categorias de staff dentro do Organismo Internacional, que tem a sua sede no exterior, daí a justificativa para esse tratamento diferenciado. (.) Quanto aos técnicos brasileiros, residentes no Brasil e aqui recrutados, não há qualquer fundamento legal, filosófico ou mesmo lógico para que usufruam das mesmas vantagens relacionadas no artigo 6° da Convenção das Agências Especializadas da ONU (ou no artigo V da Convenção da ONU), muito menos para que seja pinçado, dentre os diversos benefícios, o da isenção de imposto sobre salários e g emolumentos, com o escopo de aplicar-se este — e somente este — a 7 Processo n° 14041.000293/2004-95 CSRF/T04 Acórdão n.° 9304-00.119 Fls. 257 ditos técnicos. Tal procedimento estaria referendando a criação — à margem da legislação — de uma categoria de funcionários das Agências Especializadas da ONU não enquadrável em nenhuma das existentes, a saber, os 'técnicos residentes no Brasil isentos de imposto de renda', o que de forma alguma pode ser admitido. (.) Como se pode constatar, a doutrina mais abalizada, acima colacionada, não só reconhece a existência, dentro da ONU, de dois grupos distintos — funcionários internacionais e técnicos a serviço do Organismo — como identifica o conjunto de beneficios com que cada um dos grupos é contemplado, deixando patente que a isenção de impostos sobre salários e emolumentos não figura dentre os privilégios e imunidades concedidos aos técnicos a serviço da ONU que não sejam funcionários internacionais. Estou de acordo com o posicionamento defendido pela Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, pois somente faz jus à isenção prevista no inciso II, do artigo 5°, da Lei n° 4.506/1964, o funcionário internacional dos quadros de Agência Especializada da ONU, com vínculo estatutário e não apenas contratual, sendo que tal beneficio não aproveita os técnicos brasileiros, residentes no Brasil e aqui contratados, seja por hora, por tarefa ou com vínculo contratual permanente. Considerando que o sujeito passivo não faz parte do quadro funcional próprio e estatutário de organismo internacional, é de se concluir que os rendimentos em apreço estão sujeitos à incidência do imposto de renda, via cara leão e, depois, mediante inclusão na declaração de ajuste anual. Devo ressaltar, ainda, que no inicio do mês de março de 2009, a Primeira Turma do Egrégio Superior Tribunal de Justiça- STJ apreciou a matéria e concluiu exatamente como o acórdão recorrido. Extraio do sítio www.stj.jus.br a seguinte notícia (o respectivo acórdão ainda não está disponível): IR. CONSULTOR. ONU PNUD. A Turma, ao prosseguir o julgamento, entendeu, por maioria, que, no caso, incide imposto de renda sobre os rendimentos percebidos pelo recorrido, consultor contratado para prestar serviços ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), visto que não faz jus à isenção concedida aos funcionários da ONU (prevista no art. V, Seção 18, b, da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, aprovada pelo Dec. Legislativo n. 4/1948 e ratificada pelo Dec. de Promulgação n. 27.784/1950). O recorrido não pode ser classificado como funcionário internacional, pois foi contratado sob o ônus do Governo brasileiro e não pela própria organização internacional (com situação jurídica estatutária). O PNUD não é uma agência especializada da ONU, mas sim um programa, o que afasta a aplicação do art. V, b, do Acordo Básico de Assistência Técnica com a ONU, suas Agências Especializadas e a AIEA (promulgado pelo Dec. n. 59.308/1966), anotado que, em regra, os técnicos contratados pela Organização não gozam da aludida isenção (art. VI, Seção 22, da retrocitada convenção). REsp 1.031.259-DF, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 3/3/2009. 8 Processo n° 14041.000293/2004-95 CSRF/T04 Acórdão n.° 9304-00.119 Fls. 258 Nessa ordem de juízos e aderindo ao posicionamento da jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, entendo que a decisão recorrida merece ser confirmada. Voto, portanto, no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. Sala das Sessões, em 4 de maio de 2009. On" 1 GONÇALO BON ALLAGE 9
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Numero do processo: 10680.007836/2006-81
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS E DE ALUGUÉIS. A base de cálculo da Cofins é o faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços. Consequentemente, as receitas que não se amoldem a esse conceito não integram a base de cálculo da contribuição. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO OU DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. COFINS. ISENÇÃO. São isentas da Cofins as receitas relativas às atividades próprias das instituições de educação ou de assistência social, sem fins lucrativos, que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-001.250
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Ricardo Rosa votou pelas conclusões.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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RECEITAS FINANCEIRAS E DE ALUGUÉIS. A base de cálculo da Cofins é o faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços. Consequentemente, as receitas que não se amoldem a esse conceito não integram a base de cálculo da contribuição. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO OU DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. COFINS. ISENÇÃO. São isentas da Cofins as receitas relativas às atividades próprias das instituições de educação ou de assistência social, sem fins lucrativos, que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Ricardo Rosa votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Almeida Filho, Winderley Pereira, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Lavrouse contra o contribuinte identificado o Auto de Infração de fls. 04/10, relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, totalizando um crédito tributário de R$ 1.999.042,97, incluindo multa de ofício e juros moratórios, correspondente aos períodos especificados em fls. 05. A autuação ocorreu em virtude de falta de recolhimento da Cofins. O enquadramento legal encontrase citado em fls. 05/06. Segundo consta do Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 11/17, a Associação não declarou em DCTF e nem fez recolhimentos da contribuição referente ao período de apuração de janeiro 2002 a dezembro de 2002. Com isso a Fiscalização procedeu ao levantamento dos valores devidos da Cofins, em conseqüência das receitas recebidas em caráter de contraprestação pelos serviços prestados e produtos vendidos, apurados com base nos registros contábeis e planilhas por ela apresentados em resposta às intimações fiscais. Cientificado em 24/07/06 (fls. 04), o interessado apresentou, em 22/08/2006, impugnação ao lançamento, conforme arrazoado de fls. 168/264, acompanhado dos documentos de fls. 269/401, com as suas razões de defesa, assim resumidas: DAS QUESTÕES PRELIMINARES O Auditor Fiscal incorreu em grave erro. O primeiro, em tentar definir o alcance da lei. O segundo, ao utilizarse de ato normativo expedido por autoridade administrativa para estabelecer campo de incidência da norma tributária. Apenas à lei, e não ao ato infralegal, está reservado interferir na liberdade dos contribuintes, bem como imporlhes deveres, exigindolhes um fazer concreto, um suportar ou um omitir. As instruções normativas constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente de sua estrita observância ao limites impostos pelas leis, tratados, convenções internacionais, ou decretos presidenciais, de que devem constituir normas complementares. Não se revelam, por isso mesmo, aptas a definir a situação necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária. A Medida provisória nº 2.1583501 ao estatuir a isenção da Cofins às receitas oriundas das atividades próprias das instituições de educação e de assistência social, o fez sem a delimitação pretendida pelo Auditor Fiscal. Notese que o referido diploma normativo em momento algum define a extensão das atividades compreendidas como próprias, como pretende equivocadamente a IN SRF 247/02. E não o fez porque Fl. 542DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10680.007836/200681 Acórdão n.º 310201.250 S3C1T2 Fl. 531 3 atividades próprias são todas aquelas pertencentes ao sujeito, de modo particular e natural, e que estão diretamente relacionadas com os seus objetivos institucionais, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. E outro não pode ser o entendimento da expressão “próprias” utilizada pelo legislador, uma vez que o referido inciso X, do art. 14 da MP) 2.15835/01 manda observar o contido no art. 13 do mesmo diploma legal. Nesse artigo, temos o alcance da norma de isenção que abarca as “instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997”. Sendo assim, os rendimentos auferidos por tais entidades, em razão da locação de imóveis, aplicações financeiras ou mesmo da prestação de serviços, uma vez consubstanciados recursos instituídos e vertidos à consecução dessas finalidades essenciais, constituem meios eficazes para o desempenho de suas atividades e, por conseguinte, jamais poderão ser excluídos do universo isencional. A subsunção, como fenômeno lógico, só se opera entre iguais. Esse é o pano de fundo que gostaríamos de delinear, para que se analise especificamente o conteúdo e alcance da norma contida no art. 12 da Lei nº 9.532/97, assim como no art. 14 do CTN. O princípio da irretroatividade da lei tributária é instrumento necessário para a manutenção da segurança nas relações jurídicas, o que permite a estabilidade dos direitos subjetivos. A lei que cria ou aumenta um tributo não pode alcançar fatos ocorridos em época anterior à sua entrada em vigor. Mesmo que se admita que a Instrução Normativa SRF nº 247/2002 seja o instrumento válido para descrever a hipótese de incidência tributária, quanto ao aspecto relativo à extensão do conceito de “atividades próprias”, a mesma somente teve vigência a partir de sua publicação (DOU 26/11/2002). Logo, jamais poderia alcançar fatos pretéritos. Em assim sendo, não deve prevalecer a constituição do crédito tributário relativo à Cofins, atribuídas incidentemente sobre as receitas geradas pela impugnante no período de janeiro de 2000 a dezembro de 2001, em face da irretroatividade da norma tributária (IN SRF 247/2002, e subsidiariamente em decorrência ao princípio da anterioridade especial ou anterioridade nonagesimal, o qual prevê que as contribuições sociais que financiarão a seguridade social somente poderão ser exigidas depois de decorridos noventa dias da data da publicação da norma que as houver instituído ou modificado (art. 195, § 6º da Constituição de 1988). A Associação Propagadora Esdeva é instituição de educação e assistência social sem fins lucrativos, declarada de Utilidade Pública Federal pelo Decreto nº 1.264, de 25 de junho de 1962, publicado no DOU em 31 de julho de 1962. Além disso, possui Fl. 543DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 registro e certificado do Conselho Nacional de Assistência Social, declaração de Utilidade Pública Estadual, Utilidade Pública Municipal, certificados dos Conselhos Municipais de Assistência Social, fornecidos pelos diversos Municípios onde sua presença é referendada por suas filiais e outros títulos. Estes certificados e títulos que comprovam a situação da impugnante, relativo ao período abrangido pela fiscalização, encontramse anexo ao presente. Tais certificados e títulos revelam, além do caráter beneficente, o reconhecimento do trabalho de educação e assistência social desenvolvido pela impugnante, sem finalidade lucrativa, de forma benemerente, em face da incapacidade do Estado de suprir a demanda existente. É importante ressaltar que esse trabalho não advém de uma estratégia operacional em se ver livre da exação tributária, mas sim de uma natureza vocacional exercida há mais de cem anos, confirmada em seu Estatuto Social, cujos atos constitutivos datam de 19 de março de 1895, com registros efetuados em 21 de março de 1903. Além da própria vocação institucional, a impugnante realiza atividade de assistência social sem fins lucrativos, de forma benemerente, por que assim regula e determina seus atos constitutivos, já que é essa, em essência e prática, a sua atividade operacional. A assistência social é assim entendida: Política de natureza pública com o objetivo de universalização de direitos sociais fundamentais, desenvolvida através de ações realizadas no âmbito da educação, saúde, trabalho, lazer, seguridade social, visando salvaguardar provimento e amparo à família, à maternidade, à infância, à adolescência, à velhice, bem como aos portadores de necessidades especiais, cujos atores se encontram em situação de vulnerabilidade social, sem condições de autoprovimento dos direitos ora elencados. Dessa forma, as ações desenvolvidas pelo impugnante, no âmbito da educação, saúde, lazer, trabalho, etc., desde que direcionadas ao atendimento dos hipossuficientes, conforme descritos no art. 203 da CF/88, são a mais clara e patente realização da política de assistência social, vinculada à ordem social, conforme preconiza José Afonso da Silva. Várias das ações desenvolvidas pela impugnante no âmbito da Educação vinculamse à Assistência Social pelo fato de estarem direcionadas aos hipossuficientes, conforme demonstrado em seu Relatório de Atividades (Doc. 5). Além disso, as ações benemerentes desenvolvidas pela impugnante não se limitam ao campo exclusivo da Educação. Ultrapassam esses liames atingindo políticas próprias do setor, tais como: programas de atenção ao idoso; programas de amparo à saúde; programas de integração ao mercado de trabalho e qualificação profissional; programas de proteção à família e à maternidade; etc.. Se o próprio Conselho Nacional de Assistência Social, em exercício de competência exclusiva, reconhece (Doc 3) que a impugnante é uma Entidade Beneficente de Assistência Social, Fl. 544DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10680.007836/200681 Acórdão n.º 310201.250 S3C1T2 Fl. 532 5 falece ao Auditor Fiscal a competência para afirmar que “é de se questionar se a entidade, efetivamente, sendo instituição de educação, pode ser considerada como entidade beneficente de assistência social”. Dessa forma, por ferir o princípio da legalidade na lavratura do Auto de Infração, colocando a impugnante na vala comum da incidência tributária, desconsiderando sua natureza de entidade beneficente de assistência social, assim reconhecida pelo Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS em exercício de competência exclusiva, deve a autoridade julgadora tornar nulo o auto de infração. Levandose em conta a receita bruta da impugnante apresentada em suas demonstrações contábeis e capitaneada pelo Auditor Fiscal no Auto de Infração, as gratuidades concedidas ao público alvo da assistência social representaram 27,01% do total dessa receita apurada no exercício de 2002. Dessa forma, fica patente que a impugnante é, efetivamente, uma entidade de assistência social, cujas ações encontramse validadas no seu Relatório de Atividades (Doc. 5) e nas diversas titulações e certificações recebidas. A impugnante, por praticar a assistência social de forma vocacional (Estatuto Social) e efetiva (Relatório de Atividades), com ações corroboradas pelos órgãos públicos controladores da política de assistência social (certificados e certidões), cumpre um dos principais requisitos para que possa ser amparada pelo manto da imunidade tributária, tanto no que tange aos impostos quanto no que diz respeito às contribuições sociais. A entidade beneficente de assistência social assim como a impugnante desde que atendidos os requisitos do art. 14 do CTN, tem o inafastável direito de não ser tributado por meio de contribuições Sociais para a Seguridade Social. O artigo 14 do CTN dá plena eficácia e total aplicabilidade ao artigo 195, § 7º da Constituição Federal. Os atos administrativos não podem exigir cumprimento de outros requisitos que não os apontados no artigo 14 supramencionado para o pleno desfrute da imunidade em comento. A impugnante faz jus à imunidade tributária prevista no art. 195, § 7º da Constituição Federal, pois, é entidade beneficente de assistência social (conforme reconhecido pelo Auditor Fiscal) e cumpriu os requisitos estatuídos no artigo 14 do Código Tributário Nacional, uma vez que não distribuiu qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas; aplicou integralmente, no país, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; manteve ao registro de suas receita se despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão, não havendo quaisquer irregularidades apontadas pela fiscalização. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 É evidente que dentre os requisitos necessários à manutenção da imunidade figura a ausência de finalidade lucrativa. No entanto, se a instituição não deva ter lucro como fim, não lhe é vedado à realização de gestão em busca de resultados positivos denominado como superávit. O que lhe é reclamado é a aplicação desse superávit em suas finalidades, dado sua ausência de capacidade contributiva, em função do múnus publico assumido. Certo é que a realização de atividade remunerada voltada para a manutenção das finalidades estatutárias da entidade beneficente de assistência social não se confunde com a hipótese de incidência definida para o fato imponível da Cofins, apresentado pelo Auditor Fiscal. A posição doutrinária, inequívoca, é no sentido de que realizar atividades econômicas no intuito de geração de rendas para aplicação nos objetivos institucionais não retira da instituição a garantia da imunidade, sendo, isto sim, um pressuposto assegurador de que a organização será bem gerida e continuará a manter os seus propósitos enobrecedores, realizando políticas públicas em complemento do Estado, devido à sua inoperância e impossibilidade. Não há dúvidas de que em nosso ordenamento jurídico afiguramse espécies normativas distintas: imunidade de impostos (art. 150, VI “c”, da CF) e imunidade de contribuições sociais (art. 195, º 7º, da CF). No primeiro dispositivo exigese que a instituição de assistência social não detenha finalidade lucrativa; no segundo impõese que a entidade seja beneficente. Entidade beneficente não possui finalidade lucrativa, mas, além disso, é aquela que dedica suas atividades, ainda que parcialmente, ao atendimento gratuito dos necessitados. Para a imunidade de impostos, basta tratarse de entidade sem fins lucrativos, mas, para ter jus à imunidade tributária das contribuições relativas à seguridade social, é preciso mais. É necessário que, além disso, a entidade colabore com o Estado no campo da assistência social, atendendo gratuitamente uma parcela de carentes ou de necessitados. Daí, a importância do contexto de ações de assistência social realizadas pela impugnante, devidamente comprovadas e atestadas pelos órgãos públicos, o que só robustece as alegações aqui apresentadas quanto ao direito e gozo da mesma ao universo da imunidade tributária para impostos e contribuições sociais. Ao estabelecer os parâmetros de aplicação do Auto de Infração, o auditor Fiscal justifica a inclusão da impugnante no rol das entidades sujeitas ao pagamento da Cofins pó interpretação do Princípio da Universalidade no financiamento da seguridade social. Se a impugnante realiza diversas ações de assistência social beneficiando inúmeras pessoas em situações de vulnerabilidade, cujos recursos originamse de suas receitas, todas de caráter estatutário e lícito, não participa ela também como custeadora da política em razão do princípio da solidariedade financeira de financiamento da seguridade social? Fl. 546DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10680.007836/200681 Acórdão n.º 310201.250 S3C1T2 Fl. 533 7 Pela leitura do art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de junho de 1991, verificase que o legislador ordinário concedeu o benefício da isenção, para as entidades beneficentes de assistência social (“coincidentemente” os mesmos destinatários da imunidade albergada pelo art. 195, § 7º da Constituição de 1988), relativamente às contribuições discriminadas nos arts. 22 e 23 da própria Lei nº 8.212/91. Art. 23. As contribuições a cargo da empresa provenientes do faturamento e do lucro, destinadas à Seguridade Social, além do disposto no art. 21, são calculadas mediante a aplicação das seguintes alíquotas: I 2% (dois por cento) sobre sua receita bruta estabelecida segundo o disposto no § 1º do art. 1º do Decretolei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, com a redação dada pelo art. 22, do Decretolei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, e alterações posteriores;(Esta alíquota deixou de ser cobrada, a partir de 01.4.92 pelas alterações dos arts. 1º, 2º e 9º da Lei Complementar nº 70, de 30.12.91) II 10% (dez por cento) sobre o lucro líquido do períodobase, antes da provisão para o Imposto de Renda, ajustado na forma do art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990. O inciso I diz respeito ao FINSOCIAL, que foi substituída pela Cofins, criada pela Lei Complementar 70/1991, conforme determinam os seus arts. 9º e 13. Vejam: Art. 9° A contribuição social sobre o faturamento de que trata esta lei complementar não extingue as atuais fontes de custeio da Seguridade Social, salvo a prevista no art. 23, inciso I, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual deixará de ser cobrada a partir da data em que for exigível a contribuição ora instituída. Art. 13. Esta lei complementar entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do mês seguinte aos noventa dias posteriores, àquela publicação, mantidos, até essa data, o DecretoLei n° 1.940, de 25 de maio de 1982 e alterações posteriores, a alíquota fixada no art. 11 da Lei n° 8.114, de 12 de dezembro de 1990. Portanto, a isenção prevista no art. 55, da Lei º 8212/91 abarca a Cofins. A própria Medida Provisória nº 2.15835/01, utilizada pela fiscalização para dar fundamento à autuação fiscal, corrobora o aqui exposto ao dispor: Art.17.Aplicamse às entidades filantrópicas e beneficentes de assistência social, para efeito de pagamento da contribuição para o PIS/PASEP na forma do art. 13 e de gozo da isenção da COFINS, o disposto no art. 55 da Lei no 8.212, de 1991. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 Assim, na qualidade de entidade beneficente de assistência social, está a impugnante, também, albergada pela isenção da Cofins concedida pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91. Mesmo antes de existir o Instituto da Imunidade Tributária no ordenamento constitucional brasileiro, a impugnante já praticava ações de benemerência – desde 1903. Falece ao Auditor Fiscal capacidade para alterar situações jurídicas concretas. Ou seja, faltalhe capacidade para retirar da impugnante as características próprias das Associações, incluindo neste rol as Organizações religiosas, com todas as suas atividades específicas de funcionamento. Julgamos imperioso asseverar que a impugnante, conforme já demonstrado, é, sem dubitações, uma Instituição de Educação e assistência Social sem Fins Lucrativos e benemerente, que exerce entre outras atividades, a realização das obras apostólicas da Congregação do Verbo Divino, em perfeita consonância com seus Estatutos Constitutivos e o ordenamento jurídico pátrio. Sendo assim, é forçoso concluir que qualquer receita realizada pela impugnante, cuja aplicação do recurso gerado se dê nos moldes estatutários, foge às interpretações sugeridas pelo Auditor Fiscal. O entendimento absorvido pelo Auditor Fiscal carece de validade, já que se baseia numa instrução normativa (SRF nº 247, de 21/11/2002). Tal IN, além de extrapolar os liames de sua competência, fere o princípio da irretroatividade das leis, conforme esposado anteriormente. Se a previsão legal citada pelo Auditor Fiscal, ainda que inadvertidamente utilizandose de parâmetros isencionais, ao invés do instituto da imunidade tributária, reconhece o direito das entidades beneficentes de assistência social (impugnante) ao não recolhimento da Cofins, em relação às receitas oriundas das atividades próprias das entidades, fica também vedado ao Agente Fiscal promover o lançamento do crédito tributário visto que as receitas que serviram de base ao lançamento integram as atividades próprias da impugnante. As receitas supostamente tributáveis da impugnante, são as mesmas que constam de seu Estatuto Social (art. 11) e que compõem o seu patrimônio (Art. 10). Dessa forma, o Auditor Fiscal, ao promover o lançamento do crédito tributário oriundo da Cofins, incidente sobre as receitas próprias da impugnante, além de estar em desacordo com o princípio da legalidade, ofende a norma prevista nos artigos 109 e 110 do CTN. Conforme podemos depreender desse item e dos demais entendimentos esposados acerca do Instituto da Imunidade Tributária, a natureza jurídica da impugnante não é assim compreendida em face da norma imunitória, mas sim o contrário. A norma imunitória existe em função da natureza jurídica das entidades beneficentes de assistência social, assim como a impugnante. A impugnante, na consecução dos seus objetivos, não exerce qualquer atividade que implique na constituição da base de Fl. 548DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10680.007836/200681 Acórdão n.º 310201.250 S3C1T2 Fl. 534 9 cálculo do tributo exigido. A venda de mercadorias e/ou serviços pressupõe uma atividade mercantil, com o intuito de obtenção de lucros, de remuneração de capital investido, de fins lucrativos, incompatível com atividade de assistência social beneficente, reconhecidamente realizada pela impugnante. As entidades sem fins lucrativos são instituições com propósitos específicos de provocar mudanças sociais; as contribuições, doações e subvenções se constituem, normalmente, nas principais fontes de recursos financeiros, econômicos e materiais; o patrimônio pertence à entidade como um todo, não cabendo aos seus membros ou mantenedores quaisquer parcelas de participação econômica no mesmo; o superávit não é a sua razão de ser, mas um meio necessário para garantir a continuidade e o cumprimento de seus propósitos institucionais. São características reveladoras da ausência de fins lucrativos, cujo resultado final se reverte em prol da sociedade, numa típica conduta estatal. São agentes de mudança humana. Seu produto é um paciente curado, uma criança que aprende, um jovem que se transforma em um adulto com respeito próprio, isto é, toda uma transformação de vida, materializando o conceito de cidadania proposto no artigo 6º da Carta Magna. Além das ponderações apresentadas, o Auditor insere, indevidamente, no rol das supostas receitas tributáveis os valores recebidos a título de locação de bens patrimoniais no montante de R$ 1.423.623,47, gerando dentro do auto de infração um crédito no valor total de R$ 103.783,18. Na locação de bens não há qualquer prestação de serviço, tampouco venda de mercadoria. A receita oriunda do aluguel de bens configura nítida e insofismável hipótese de nãoincidência. No que se refere aos juros de mora, cabe lembrar que a jurisprudência tem reconhecido a inaplicabilidade da Taxa Selic aos créditos tributários, uma vez que essa taxa não foi criada por lei para fins tributários. Ou seja, a Selic é instrumento hábil para o mercado financeiro, mas não para matéria tributária. CONCLUSÃO a) É equivocada a interpretação apresentada pelo Auditor Fiscal ao restringir o âmbito de incidência da norma tributária isencional, se assim não o fez o legislador. Ademais, nulas são as normas complementares que invadem campo sob reserva da lei, uma vez só podem irradiar efeitos no âmbito interno das repartições; b) Receitas das atividades próprias são todas as receitas que têm como titular (recebedor) a entidade e que se destinem à manutenção de suas atividades. Assim, desinteressa a denominação ou a classificação contábil das receitas: todos os recursos recebidos propiciam o custeio das suas atividades essenciais; Fl. 549DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 c) O legislador ordinário deixa claro a vinculação das receitas com as finalidades essenciais e com os objetivos estatutários instituídos pelas próprias entidades, conforme se verifica da norma contida no art. 12 da Lei nº 9.532/97; d) Para a aplicação da lei, o intérprete deve se valer do conteúdo de todas as normas postas no ordenamento jurídico e busque amoldar o fato àquela norma que melhor sentido e alcance tenha, numa justa aplicação do Direito. Nesse sentido, as normas contidas nos dispositivos dos art. 12 da Lei nº 9.532/97 e art. 14 do CTN possuem conteúdo necessário e suficiente para dar respaldo à regra isencional; e) Os princípios da irretroatividade e da anterioridade nonagesimal alcançam os atos administrativos. Logo, devem ser aplicados ao caso em tela; f) A impugnante é instituição de educação e assistência social sem fins lucrativos, declarada de utilidade pública federal pelo Decreto º 1.264, de 25 de junho de 1962, publicado no DOU, de 31 de julho de 1962. Possui registro e certificado do Conselho Nacional de Assistência social, declaração de utilidade Pública Estadual, Utilidade Pública Municipal, certificados dos Conselhos Municipais de Assistência Social; g) Esses certificados e títulos revelam, além do caráter beneficente da impugnante, o reconhecimento do trabalho de educação e assistência social desenvolvido pela mesma sem a finalidade lucrativa, de forma benemerente, em face da incapacidade do Estado em suprir a demanda existente. Dada a sua natureza vocacional, essas atividades são exercidas há mais de cem anos, confirmada em seu Estatuto Social, cujos atos constitutivos datam de 19 de março desde 1895; h) Realizou, de forma efetiva, assistência social no período sob contenda (2002), conforme atestam as informações contidas nos relatórios encaminhados ao Conselho Nacional de Assistência Social, base para a renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, sendo que os valores despendidos, em gratuidades, comportam gastos com assistência educacional e social em montantes superiores a R$ 7 milhões, conforme Demonstrações Financeiras auditadas; i) As ações de assistência social desenvolvidas pela impugnante estão em perfeita consonância com a universalidade financeira prevista no financiamento da Seguridade Social; j) Cumpriu com os requisitos estatuídos no art. 14 do CTN, uma vez que não distribuiu qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas; aplicou integralmente, no país, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; manteve o registro de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão; k) Logo, a recorrente faz jus à imunidade tributária estatuída no art. 195, § 7º, da Constituição Federal, pois, comprovou que é entidade beneficente de Assistência Social, reconhecida pelos órgãos públicos controladores da política de assistência social, e cumpriu os requisitos necessários para o amparo da norma Fl. 550DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10680.007836/200681 Acórdão n.º 310201.250 S3C1T2 Fl. 535 11 imunizante, o que lhe assegura o direito de não recolher a Cofins; l) A imunidade tributária de entidade beneficente de assistência social, assim como a impugnante, tem natureza subjetiva orientada pela aplicação dos recursos nos fins institucionais, e não objetiva como compreendida pelo Auditor Fiscal; m) A imunidade subjetiva é referendada pela liberdade de associação, instituto próprio do Direito Privado, protegida pela ordem constitucional e pelas normas gerais de Direito Tributário; n) Conquanto desnecessário, uma vez que o art. 24 do CTN exaure o rol de exigências invocadas pela CF para a fruição da imunidade tributária, a impugnante cumpriu, ainda, e de forma suplementar, as exigências contidas no art. 55 da Lei nº 8.212/91, que trata dos requisitos para a “isenção” das contribuições para a seguridade social. Portanto, subsidiariamente faz jus à isenção da Cofins contida no art. 55 da Lei nº 8.212/91; o) O Auditor Fiscal, ao promover o lançamento do crédito tributário oriundo da Cofins, incidente sobre as receitas próprias, além de estar em desacordo com o princípio da legalidade, ofende a norma prevista nos arts. 109 e 110 do CTN; p) As receitas auferidas pela impugnante guardam estrita correlação com os seus objetivos sociais e estatutários, estando, portanto, inseridas dentro do universo de receitas próprias; q) A simples presença no texto constitucional da imunidade para as entidades beneficentes já mostra ser desígnio constitucional claro que elas obtenham rendas, empreguem seu patrimônio e desempenhem serviços, tendo em vista esses objetivos, que, por sua vez, irão suportar, custear financeiramente aquelas finalidades realizadoras de valores constitucionalmente prestigiados; r) Se a Constituição quer que as entidades voltemse para a educação e assistência social e ainda quer que elas tenham rendas, é óbvio que quer também que elas tenham tido receitas e, anteriormente, tenham prestado serviços (que geram tais rendas). O serviço gera renda, que – deduzidas as despesas – se converte em recurso, a ser aplicado nos objetivos institucionais (é isso que deseja a Constituição); s) A impugnante não exerce qualquer atividade que implique na constituição da base de cálculo do tributo exigido, pois, falta lhe capacidade de disponibilização de riqueza (ausência de capacidade contributiva); t) Os juros Selic não podem ser aplicados ao caso em tela, uma vez que não foi criada por lei para fins tributários. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 12 Requer o cancelamento da exigência da Cofins. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. A atividade administrativa, sendo plenamente vinculada, não comporta apreciação discricionária no tocante aos atos que integram a legislação tributária. Lançamento Procedente. Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta a esta Terceira Seção. Analiso separadamente os pontos sobre os quais cabe a este colegiado se manifestar. 1 Base de Cálculo Inicialmente, enfrento as alegações atinentes à incidência da contribuição litigiosa sobre receitas financeiras e sobre receitas de aluguéis diversos, dissociadas da atividade operacional do sujeito passivo, em princípio tributáveis, nos termos do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 19981. Ocorre que, como é cediço, o Plenário do Pretório Excelso, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 346.08462, concluiu que tal dispositivo viola o art. 195 da Constituição Federal e o art. 110 do Código Tributário Nacional, na medida em que incluía nas 1 Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. 2 Ministro Marco Aurélio, julgado em 09/11/2005. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10680.007836/200681 Acórdão n.º 310201.250 S3C1T2 Fl. 536 13 fontes de custeio seguridade social fonte não prevista na naquela Carta Política e ampliava o conceito de faturamento. Vejase sua ementa: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Nesse aspecto, faço minhas as considerações do Min. Marco Aurélio de Mello acerca do descompasso entre o dispositivo que daria base para a tributação objeto do litígio e os artigos 195 da Constituição Federal de 1988, na versão que vigia anteriormente à Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Até porque, após votação de questão de ordem nos autos do RE 585235, foi reconhecida a repercussão geral sobre a matéria, tornando obrigatória a aplicação desse entendimento por parte deste Colegiado, ex vi do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Dentro desse contorno, só seria possível fazer incidir a contribuição nos moldes do que dispunha o art. 2º da Lei Complementar 70, de 1991, que fixou: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Assim, afasto a incidência da Cofins sobre as receitas financeiras e sobre receitas de aluguéis diversos, descritas nos demonstrativos às fls. 19 a 25. 2 Limites ao Tratamento Diferenciado Antes de enfrentar os argumentos relativos ao cabimento ou não da isenção objeto do presente processo, julgo prudente esclarecer que a autuação está fundamentada na Fl. 553DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 14 acusação de que as receitas auferidas pelo sujeito passivo não fariam jus ao benefício previsto no art. 14, X da Medida Provisória nº 2.15835, de 20013, que reproduz o texto da Medida Provisória nº 18586, de 1999. Tal dispositivo, como é possível extrair da sua redação, fixa, essencialmente, duas condições: uma de natureza subjetiva, qual seja, o sujeito passivo se enquadrar em um dos incisos do art. 13 da mesma medida provisória; e uma de natureza objetiva, a receita auferida se enquadrar no conceito de “relativa à atividade própria”. Assim, sendo certo que não está em litígio o enquadramento ou não da recorrente nos incisos do art. 13, o litígio se concentra, de fato, na definição do cumprimento ou não dos requisitos de ordem objetiva. Com efeito, é extreme de dúvidas que a recorrente é entidade educacional sem fins lucrativos, detentora de registro no CNAS. Essa informação, aliás, é extraída do próprio relatório fiscal4. Importa registrar, ainda, que, por força de acórdão proferido nos autos do Mandado de Segurança 8867DF, o Superior Tribunal de Justiça reconheceu a condição de imune à recorrente5 O debate, nessa linha, está concentrado na acusação de que parte das receitas auferidas não faria jus à isenção prevista no inciso X do art. 14 da Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001 em face de não se enquadrarem no conceito de “relativa à atividade própria”. Aduzse, nessa linha, que deveria ser aplicada a regulamentação do § 2º do art. 47 da IN SRF nº 247, de 2002: § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Embora tenha defendido, quando do julgamento de recurso diverso, a higidez da aplicação dessa norma administrativa, entendo que, no presente recurso, não se pode limitar a aplicação do benefício às receitas de cunho não contraprestacional. No presente julgamento, penso, estáse diante de questão idêntica à que foi alvo do acórdão nº 310200.930, de 1º de março de 2011, de relatoria do i. Conselheiro Ricardo Rosa, julgado por unanimidade com o voto deste conselheiro. Naquele recurso, assim como no presente, estava claramente delineada a hipótese de imunidade subjetiva prevista no § 7º do art. 195 da Constituição Federal de 19886, autorizando que os estatutos da entidade demarquem o conceito de receita originária da 3 Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. 4 Vide Termo de Verificação Fiscal de fls. 11/17. 5 Cópia às fls. 310 e seguintes. 6 § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10680.007836/200681 Acórdão n.º 310201.250 S3C1T2 Fl. 537 15 atividade própria. Se assim não fosse, estarseia criando restrições à implementação daquele benefício que, como indica a doutrina, limita o próprio exercício da competência para tributar7. Também não se pode olvidar que a pacífica jurisprudência do Pretório Excelso referendou que a busca pelo alcance da norma imunizante deve se pautar em uma interpretação ampliativa, que privilegie o aspecto teleológico da imunidade8. Não é outro o espírito da Súmula 724: AINDA QUANDO ALUGADO A TERCEIROS, PERMANECE IMUNE AO IPTU O IMÓVEL PERTENCENTE A QUALQUER DAS ENTIDADES REFERIDAS PELO ART. 150, VI, "C", DA CONSTITUIÇÃO, DESDE QUE O VALOR DOS ALUGUÉIS SEJA APLICADO NAS ATIVIDADES ESSENCIAIS DE TAIS ENTIDADES. Assim, sendo certo que, nos termos do art. 2º de seus estatutos, dentre outras atividades, a entidade dedicase à educação e que, nos termos do art. 11 desses mesmos estatutos, uma das fontes de financiamento de suas atividades seria a retribuição por serviços prestados9, não há como deixar de considerar que as receitas advindas de matrículas, mensalidades, venda de uniformes, material didático, etc. estejam dissociadas de suas atividades e que, consequentemente, esteja fora do alcance do benefício instituído pelo art. 14, X da Medida Provisória nº 2.15835. 3 Conclusão Com essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 10 de novembro de 2011 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro 7 Vide Chiesa, Clélio. A Competência Tributária do Estado Brasileiro. São Paulo, 2002, Max Limonad. 8 Vide Súmula 724, RE 190.7614 e RE 524.615AgR, todos do STF. 9 Doc. às fls 90 e seguintes. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004145/2003-69
Data da sessão: Wed Dec 02 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Dec 02 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IMPE
Exercício: 1999
RECURSO VOLUNTÁRIO - INTEMPESTIVIDADE - Não se conhece de
recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2202-000.329
Decisão: Acordam os membros do Colegiada por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiada por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator. N so T'Prysidente (1). / Pitilt t orno Lop Ma inez - e ator EDITADO EM: 12 1,Tç 20!2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Heloísa Guarita de Souza, Mana Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, João Carlos Cassuli Junior (Suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, Justiticadamente, o Conselheiro Pedro Anan Júnior. Relatório Em desfavor do contribuinte, ALCIDES BERNARDT, foi lavrado auto de infração (fls. 325 a 348) referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Fisica do ano-calendário 1998, no qual foi apurado o crédito tributário de R$ 773.901,69, nele compreendido imposto, multa de oficio e juros de mora, em decorrência da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. Tempestivamente, o interessado, por interMédio de seu representante, apresenta a impugnação da exigência às fls. 353 a 366. Suas alegações estão, em síntese, a seg,uir descritas. Da inexigibilidízde de comprovação da movimentação bancária do impugnante ocorrida no ano-calendário 1998 Á legislação tributária, ao tratar da declaração de ajuste anual do imposto de renda das pessoas Tísicas, prevê exigência de guarda e manutenção, apenas e tão somente dos documentos comprobatórios de deduções e abatimentos. Nenhuma obrigatoriedade existe quanto à consentação de documentos que pudessem comprovar a movimentação bancária do impugnante no uno de 1998. Muito pelo contrário, vigoravam à época - como, até hoje, vigoram -os incisos X e XII do art. 5 0 da Constituição Federal, cláusulas Pétreas que asseguram as pessoas o direito da intimidade e do sigilo de dados, inclusive os que dizem respeito às contas bancárias por elas 171011ildaS. o sigilo bancário e financeiro, constituindo nriniféstacão direito à intimidade, não admite ruptura sem a prévia anuência do Podei-Judiciário, inexiste no caso. Fica, pois, caracterizada Mallif2SÉO afronta ao art. 5°, incisos X e ___Constituição,—dela—dero~ o que o mandado de procedimento fiscal, que deu origem ao Termo de Verificação Fiscal e à lavratura do auto de infração, valeu-se de meio ilícito, pois a investigação baseou-se em elementos que não poderiam ter sido utilizados, sequer pocleriam ter sido acossados. Os extratos bancários que demonstram a movimentação financeira, quando manipulados sem respaldo judicial, constituem documentos de forma ilícita e, portanto, todos os atos a ele subseqhentes estão maculados por vicio insanável, devendo ser declarada a nulidade. De acordo com a legislação em vigor, o fato gerador do imposto sobre a renda, é a aquisição da disponibilidade económica ou jurídica ... de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos e ainda, de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior (CU, art. 43). • 2 Processo n" 195 15.004145/2003-69 52-C2112 Acórdão o." 2202-00.329 Fl. 2 Dentro desta perspectiva, haverá de ser reconhecido que depósitos bancários, assim como movimentações bancárias, não significam, de forma alguma, aquisição de disponibilidade económica. Inúmeros julgados do Conselho de Contribuintes confirmam que depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda. No âmbito do Poder Judiciário, a questão há muito está pacificada, confirme bem espelha o até hoje prevalecente enunciado nO 182 das Súmulas do extinto Tribunal Federal de Recursos. O Termo de Verificação Fiscal relacionou contas correntes mantidos pelo impugnante em instituições financeiras diversas. Entretanto, tais contas não refletem quaisquer anormalidades, tendo sido objeto dos necessários registros constantes da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda relativamente ao ano de 1998. Em 25 de maio de 2007, os membros da 2' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Santa Maria, proferiram o Acórdão, que julgou procedente o lançamento, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - 'BRE,' Ano-calendário: 1998 NULIDADE.. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões. proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CONSTITUCIONALTDADE. A autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre a constitucional idade ou legalidade de leis. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. Iniciado o procedimento de fiscalização, a autoridade fiscal pode, por expressa autorização legal, solicitar informações e documentos relativos a operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 01/01/1997, os valores depositados em instituições financeiras, de origem não comprovada pelo contribuinte, passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos Lançamento Procedente. Devidamente cientificado acerca do teor do supracitado Acórdão, em 12/11/2007, conforme AR de fls. 387-verso, o contribuinte, se mostrando irresignado, protocolou, em 18/12/2007, o Recurso Voluntário, de fls. 390/412, reiterando as razões da sua impugnação, às quais já foram devidamente explicitadas anteriormente no presente relatório. É o relatório. • 3 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Do exame dos autos verifica-se que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com a preclusão do prazo para interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A decisão de Primeira Instância foi encaminhada ao contribuinte, via correio, tendo sido recebido em 12/11/2007 conforme atesta o Aviso de Recebimento de fls.387-verso. A peça recursal, somente, foi protocolada 18/12/2007, conforme atesta documento de fls.390, portanto, fora do prazo fatal. Caberia ao suplicante adotar medidas necessárias ao fiel cumprimento das normas legais, observando o prazo fatal para interpor a peça recursal. Nestes termos, posiciono-me no sentido de não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. É o 7évoto. j f,) TONIO LOP O M RT1NL , 4 I
score : 1.0
Numero do processo: 13062.000280/2005-96
Data da sessão: Fri May 22 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
O instituto da dedincia espontânea não aproveita àquele que incide em mora com a obrigação acessória de entregar as suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, portanto é devida a multa. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.332
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira (Relator). Designado para redigir o voto o Conselheiro Corintho Oliveira Machado.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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Recorrida DRJ-SANTA MARIA/RS ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da dedincia espontânea não aproveita àquele que incide em mora com a obrigação acessória de entregar as suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, portanto é devida a multa. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira (Relator). Designado para redigir o voto o Conselheiro Corintho Oliveira Machado. M 'rcia fiele PriaTrajanoamorim - Presidente11-é-A1Ü-. )7 (.(24- roti- Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando, Relatório O contribuinte, ora recorrente, foi intimado da aplicação de multa por atraso na apresentação de DCTFs com a aplicação de multa proporcional para o período de apuração de 01/10/2002 a 31/12/2002. Em sua impugnação o recorrente alega que deve ser aplicada a excludente da penalidade prevista no art. 138 do CTN por ter ocorrido no presente caso a denúncia espontânea. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 MULTA POR ATRASONA ENTREGA DE DCTF, O contribuinte que entrega a DCTF, mesmo que espontaneamente, após o prazo, fica sujeito ao pagamento da multa correspondente. O instituto da denúncia espontânea não se aplica às penalidades decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias. Lançamento procedente, O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes e firi designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Conselheiro para atuar como relator no julgamento deste processo, na forma da Portaria n° 41, de 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclusão em pauta para julgamento deste recurso É o Relatório. 2 Processo n° 13062 000280/2005-96 S3-C1T2 Acórdão n 3102-00332 19 61 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, Relatar O recurso é tempestivo e os requisitos recursais foram atendidos, portanto conheço do mesmo. Pessoalmente, entendo que a entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF, espontaneamente, ou seja, antes do início de qualquer procedimento fiscal que vise exigir do contribuinte o cumprimento da mencionada obrigação acessória, configura a exclusão da responsabilidade prevista no art, 138 do Código Tributário Nacional, contudo, curvo-me à jurisprudência pacificada do Superior Tribunal de Justiça, da Câmara Superior de Recursos Fiscais e desta Egrégia Câmara, que não reconhecem esta exclusão. Observo, entretanto, um novo argumento, que margeia as jurisprudências citadas, e merece ser analisado, pois, acredito, reduz a multa aplicada pela fiscalização. Senão vejamos: A multa proporcional deve ser afastada por incidência do comando descrito no artigo 138 do Código Tributário Nacional, cujo texto transcrevo: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração, Parágrafo único., Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração., A multa foi aplicada na forma descrita no artigo 7' da Lei n° 10.426/02, verbis:. Art. 7" O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de hnposto de Renda Retido na Fonte - DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não- apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal - SRF, e sujeitar-se-á às seguintes multas.' (Redação dada pela Lei n' 11.051, de 2004J 3 1- de 2%(dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de .falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3; II - de 2%(dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na D1RF; ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3"; III - de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas,. III - de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3' deste artigo; (Redação dada pela Lei n°11051, de 2004) IV - de R$ 20,00 (vinte reais) para cada gripo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas, (Incluído pela Lei n°11.051, de 2004). § I' Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I e 11 do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não-apresentação, da lavratura do auto de infração, § 1° Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, 11 e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente ,fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não-apresentação, da lavratura do auto de infração, (Redação dada pela Lei n°11,051, de 2004), § 2° Observado o disposto no § 3", as multas serão reduzidas,' 1- à metade, quando a declaração _for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio,. 11 - a 75%(setenta e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimaçâo § 3°A multa mínima a ser aplicada será de; 1 - R$ 200,00 (duzentos reais), tratando-se de pessoa fisica, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei n" 9,317, de 5 de dezembro de 1996; 11 - R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos,. § 4° Considerar-se-á não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria da j Receita Federal, 4 Processo n° 13062 000280/2005-96 S3-CIT2 Acórdão n ° 3102-00332 Fl 62 áç 5 0 Na hipótese do 4", o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de 10(dez) dias, contados da ciência da intimação, e sujeitar-se-á à multa prevista no inciso Ido caput, observado o disposto nos §§ 1"a 3" Como já dito acima, a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça desautoriza este argumento para afastar a multa pelo atraso na entrega da DCTF, entretanto, nenhuma decisão que conheço trata da quantificação da referida multa e da incidência do comando acima transcrito sobre esta quantificação. Sempre defendi que a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória não poderia ser feita por percentual do tributo ou de qualquer outro valor a que esta estivesse relacionada, por gerar distorções enormes e injustificáveis, ferindo diversos princípios constitucionais, Não entrarei no debate da matéria constitucional, por ser vedado este na via estreita do processo administrativo fiscal. Porém entendo que este debate constitucional é desnecessário, pois o mencionado artigo 138 já afasta a possibilidade de aplicação da multa mencionada, na forma aplicada pela fiscalização no presente feito. Isto porque a multa foi calculada como percentual dos créditos tributários apurados nos respectivos períodos relacionados no auto de infração, ou seja, foi atribuída responsabilidade ao contribuinte e, logo, aplicada a respectiva multa por mora de sua obrigação, tendo por base de cálculo o tributo (pago ou não) devido no período. Se o contribuinte cumpriu os requisitos previstos para a denúncia espontânea ou se cumpriu regularmente a obrigação principal, estabelece a legislação que nenhuma multa de mora lhe deve ser cobrada. Entretanto, se interpretarmos que é possível aplicar, nestas mesmas hipóteses, a multa prevista no artigo no art. 7 0 da Lei n° 10A26, de 24/04/2002 estaríamos criando um novo caminho para exigir novamente a multa de mora da obrigação principal, que foi afastada pela denúncia espontânea ou pelo recolhimento regular do tributo. Em verdade, as duas multas se misturam, sendo impossível separar uma da outra' e ambas devem ser afastadas em obediência ao disposto no artigo 1.38 do CTN. O instituto da denúncia espontânea visa impedir a punição indevida do contribuinte de boa fé, que tendo observado seu equívoco na apuração do tributo devido, corrige de forma eficaz tal equívoco ou se arrepende, também de forma eficaz, do procedimento errado que adotou. Assim, não deve tal contribuinte pagar a multa punitiva por seu atraso. Ora, a legislação tributária federal e a jurisprudência reforçada pela recente Súmula n° 360 1 do STJ, afirmam (na minha opinião, de forma equivocada, inconstitucional e ilegal) que a DCTF, documento eletrônico que formaliza a apuração pelo contribuinte do quantum tributável no período, deve ser considerada como confissão do débito e afasta a própria denúncia espontânea. k Súmula ir 360 do ST!: "O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo." Logo, caso tenha declarado o tributo devido na DCTF, o contribuinte perde o direito de usar sua prerrogativa prevista no artigo 138 do CTN, segundo este entendimento. Se, entretanto, deixar de apresentar a DCTF no prazo legal e pagar o tributo antes de sua apresentação, terá direito à denúncia espontânea, já que não haveria a confissão (neste sentido, é interessante e reveladora a inclusão do qualificativo "regularmente" no texto da referida Súmula n° 360). Contudo, ao fixar uma multa proporcional ao valor do "montante dos tributos e contribuições informados" pelo atraso na entrega da DCTF, a legislação cria uma nova multa punitiva, que resvala o disposto do CTN, dando um "jeitinho" para aplicar uma multa que o sistema jurídico tributário não aceita como devida. O contribuinte, ao invés de ter o afastamento completo da multa, teria na realidade somente um desconto, posto que a multa pelo atraso da DCTF será menor que aquela aplicável pelo atraso no pagamento do imposto. Isto é inaceitável! Acrescente-se a isto, a clara violação ao principio da razoabilidade 2, pois leva à punição de uma mesma infração, praticada pelo mesmo contribuinte, pelos mesmos motivos, com valores totalmente distintos. Vejamos o exemplo: Um contribuinte deixa de apresentar as quatro DCTFs trimestrais em um determinado ano, por imperícia de seu contador ou por decisão de seu administrador, ou por qualquer motivo, e vem a ser autuado pelo atraso nesta apresentação. Este mesmo contribuinte informou tributos e contribuições no total de R$ 1 0 .000. 00 0,00 em determinado período de apuração e R$ 100,000,00, R$ 150.000,00 e zero nos seguintes, logo, estando sujeito à multa máxima, pagaria R$ 200,000,00, R$ 2.000,00, R$ 3.000,00 e R$ 500,00, tudo pela mesmíssima infração. É evidente que não é possível tal procedimento. A punição da prática adotada pelo contribuinte não pode variar em razão de um fator que nada tem com esta mesma prática, com o eventual dano sofrido pela administração ou com o eventual beneficio usufruído pelo infrator. Não se argumente aqui que o dano/beneficio é o não recolhimento dos valores devidos à União Federal, já que, conforme verificamos acima, o recolhimento dos tributos não depende ou está vinculado necessariamente à apresentação da DCTF, logo, mesmo não tendo apresentado a DCTF, o contribuinte pode ter pago integral e regularmente os tributos devidos. A multa em questão somente é possível de se aplicar, se for fixada num valor fixo. Sua aplicação por percentual dos tributos é, repita-se, claramente violadora do principio da razoabilidade, que deve ser observado, por força do disposto no artigo segundo da Lei n° 9,784/99. Também fere eqüidade, a aplicação da multa acima, quando se aplica ao mesmo exemplo acima, mas a contribuintes distintos. Ou seja, na hipótese de termos, dois contribuintes distintos, que tem a mesma capacidade contributiva (ou seja, com o mesmo patrimônio e receitas anuais), deixaram de entregar a DCTF no prazo legal pelos mesmos motivos, contudo tiveram no período faturamentos distintos e, portanto, montantes a recolher de tributos e contribuições distintas. 2 Não se argumente a impossibilidade de aplicação do princípio da razoabilidade, pois há lei específica determinando sua aplicação ao processo administrativo, qual seja, a Lei tf 9874, de 29 de janeiro de 1999, em seu artigo 2', que por seu artigo primeiro é considerada norma básica a todo procedimento administrativo Processo n° 13062000280/2005-96 S3-C1T2 Acórdão n 3/02-00332 Fl 63 Deste modo, imaginemos dois contribuintes com o mesmo faturamento anual, que deixaram de apresentar a DCTF do primeiro trimestre de um determinado ano, sendo que um tinha naquele trimestre R$ 10.000.000,00 a recolher de tributos e contribuições e o outro, R$ 100.000,00, logo, estando ambos sujeitos à multa máxima, o primeiro pagaria R$ 200.000,00, e o segundo somente, R$ 2.000,00. Parece-me evidente o tratamento desigual injustificável. Ressalto ainda que a aplicação da multa proporcional porque esta fere a capacidade contributiva, quando ignora o referencial ofensivo para a aplicação da multa e utiliza critério que desconsidera a real situação financeira do contribuinte, já que o alto recolhimento de tributo num determinado período não significa um alto resultado ou uma alta capacidade contributiva nos demais períodos. Por fim, viola também a legalidade estrita, posto que a legislação ordinária não pode criar novas incidências sobre os mesmos fatos geradores de tributos já existentes e ao fazer a multa incidir sobre os créditos tributários apurados no período, a Lei n° 10.426/02 indiretamente está novamente tributando os seus respectivos fatos geradores ou criando um adicional a estes tributos; dentre outros. Outro argumento que merece análise para afastar a incidência da multa é o comando legal do parágrafo terceiro do artigo 113, verbis: Art, 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 3" A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Como o termo final para o cálculo da multa proporcional é o inadimplemento da obrigação acessória pelo contribuinte (com atraso), logo a aplicação da multa de mora fica afastada, pois, neste caso, não existe mais a pretensa inobservância da obrigação. Melhor explicando, como a multa foi, no presente caso, aplicada depois de sanada a inobservância, ou seja, após a efetiva apresentação da DCTF, no momento da lavratura do auto de infração não havia a inobservância da norma legal, pois a obrigação acessória havia sido adimplida, sendo impossível a aplicação de multa. A multa somente poderia ser aplicada antes da apresentação e a redução prevista no parágrafo segundo, inciso 1 do artigo do artigo 7° da Lei n° 10.426 é de observância obrigatória em todos os casos. Por todo o exposto acima, conheço do recurso e dou-lhe provimento para iafastar a aplicação da multa por atraso na entrega das DCTFs pelo contribuinte, calculadas sobre o crédito o montante dos tributos e contribuições informados nas mesmas. É como voto. GuLk-.2 VÁ)- Marcelo Ribeiro Nogueira G(..114v0 7 Corintho Ohi achado Voto Vencedor Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Redator Designado Sem embargo das razões ofertadas pela recorrente e das considerações tecidas pelo L Conselheiro Relator, o Colegiada firmou entendimento em contrário, no que pertine aos fundamentos para a imputação de MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS, chegando à conclusão de que não assiste razão à recorrente, no seu pedido de acolhimento do apelo voluntário e irresignação contra o indigitado lançamento. DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA Embora ciente de que o e, Segundo Conselho de Contribuintes, noutros tempos, albergava a tese defendida pela recorrente, a tendência atual deste Conselho, e sufragada pela colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais, é no sentido de que o instituto da denúncia espontânea não aproveita àquele que incide em mora com a obrigação acessória de entregar as suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, Assim é que compartilho do entendimento atual desta egrégia Casa, que se pode ilustrar com os arestos que seguem inter plures: DCTF - DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MULTA DE MORA. Havendo o contribuinte apresentado DCTF fora do prazo, mesmo antes de iniciado qualquer procedimento fiscal, há de incidir multa pelo atraso. Recurso de divergência a que se nega provimento (Ac, CSRF/02-01 092 Rei Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva) DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA - DENÚNCIA ESPONTÂNEA A multa por atraso na entrega de DCTF tem fundamento em ato com força de lei, não violando, portanto, os princípios da tipicidade e da legalidade; por tratar a DCTF de ato puramente formal e de obrigação acessória sem relação direta com a ocorrência do fato gerador, o atraso na sua entrega não encontra guarida no instituto da exclusão da responsabilidade pela denúncia espontânea NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE (Acórdão 302-36536 Rei, LUIS ANTONIO FLORA) No vinco do quanto exposto, entendo correto o lançamento lavrado pela autoridade fiscal, bem como o quanto decidido pelo órgão julgador de primeira instância. Voto por DESRRO/VER o recurso voluntário, 8
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Numero do processo: 13855.000241/2001-39
Data da sessão: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
Ementa: COFINS. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. EXAME DE MATÉRIA CONSITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE. O prazo de decadência da Contribuição destinada ao Financiamento da Seguridade Social – COFINS é de dez anos, conforme previsto pelo artigo 45 da Lei n° 8.212/91. Ao julgador administrativo é defeso o exame de matéria constitucional, nos termos do que dispõe o artigo 22A Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes.
NORMAS PROCESSUAIS – Intempestividade Efeitos. Não se conhece do recurso especial interposto após transcorrido o prazo quinzenal, contado da data da ciência do despacho que rejeitou os embargos declaratórios apresentados pelo sujeito passivo contra a decisão a quo.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: CSRF/02-02.633
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim e Maria Teresa Martinez Lopes que negaram provimento ao recurso.
Nome do relator: Flávio de Sá Munhoz
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COFINS. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. EXAME DE MATÉRIA CONSITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE. 0 prazo de decadência da Contribuição destinada ao Financiamento da Seguridade Social — COFINS é de dez anos, conforme previsto pelo artigo 45 da Lei n° 8.212/91. Ao julgador administrativo é defeso o exame de matéria constitucional, nos termos do que dispõe o artigo 22A Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. NORMAS PROCESSUAIS — Intempestividade Efeitos. Não se conhece do recurso especial interposto após transcorrido o prazo quinzenal, contado da data da ciência do despacho que rejeitou os embargos declaratórios apresentados pelo sujeito passivo contra a decisão a quo. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim e Maria Teresa Martinez Lopes que negaram provimento ao recurso. 4K D Processo n.° 13855.000241/2001-39 Acórdão n.° CSRF/02-02.633 CSRF/T02 Fls. 2 MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS Presidente FLAVIO DE SA MUNHOZ Relator FORMALIZADO EM: I 0 JUL 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros. JOSEFA MARIA COELHO MARQUES, GILENO GURJA0 BARRETO, ANTONIO ANTONIO BEZERRA NETO, DALTON CÉSAR CORDEIRO DE MIRANDA, HENRIQUE PINHEIRO TORRES e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR Processo n.° 13855.000241/2001-39 Acórdão n.° CSRF/02-02.633 CSRF/T02 Fls. 3 Relatório Trata-se de recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, contra o Acórdão n° 201-77.360, proferido pela Primeira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, com fundamento no art. 32, inciso I do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. 0 processo foi instaurado a partir da lavratura de auto de infração contra a interessada em decorrência de suposto recolhimento a menor de Cofins, nos períodos de apuração compreendidos entre Agosto de 1993 e Junho de 2000. Apesar de não haver data de recebimento do auto de infração, há declaração de recurso do recebimento do auto, datada de março de 2001. A decisão recorrida deu parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte, acolhendo a preliminar de decadência, em relação aos fatos geradores anteriores a cinco anos da data da lavratura do auto de infração, aplicando a regra do art. 150, § 4 0, que estabelece que o prazo decadencial para a constituição do credito tributário é de cinco anos, nos termos da ementa a seguir transcrita: COFINS. DECADÊNCIA. Nos termos do art. 146, inciso III, "b", da Constituição Federal, cabe a Lei Complementar estabelecer normas sobre decadência. Sendo assim, não prevalece o prazo previsto no art. 45 da Lei le 8.212/91, devendo ser aplicadas a Cofins as regras do CTN (Lei n" 5.172/66). A Fazenda Nacional, não se conformando com a decisão proferida pela c. Primeira Camara, interpôs recurso especial, no qual sustenta que o prazo decadencial aplicável Cofins é o disposto no art. 45 da Lei n° 8.212/91, pelo fato de a decisão recorrida, ao deixar de aplicá-la ao caso concreto dos autos, declarou a inconstitucionalidade do referido dispositivo. Conclui, assim, que não poderia a decisão recorrida afastar a incidência do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, diante do principio da presunção da constitucionalidade das leis, corolário da supremacia que é deferida à Constituição, como vértice do ordenamento jurídico. Alega, ainda, que tal decisão, portanto, caso seja mantida, terá sido proferida pela e. Câmara a quo mediante usurpação de competência do Supremo Tribunal Federal. Por fim, a Fazenda Nacional sustenta a constitucionalidade do mencionado dispositivo legal e sua aplicabilidade ao lançamento tributário em análise. A d. Presidente da Primeira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, por meio do Despacho n° 201-195 (fls. 498 a 500), recebeu o "recurso interposto pelo procurador da Fazenda Nacional 'As fls. 484/496 quanto a questão da decadência dos tributos lançados por homologação", tendo em vista que "estão presentes os requisitos para interposição do recurso especial: a decisão não foi unânime (art. 32, I); o recurso é tempestivo (art. 33); e, a contrariedade a lei está demonstrada na exposição apresentada pelo ilustre Representante da Fazenda (art. 33, § 1°)". A Interessada foi intimada, em 26 de Julho de 2004, do Acórdão proferido pela Primeira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes e do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, e informada do prazo de 15 (quinze) dias para a apresentação de contra- razões (fl. 513), por via postal com aviso de recebimento (fl. 514). Processo n.° 13855.000241/2001-39 Acórdão n.° CSRF/02-02.633 CSRF/T02 Eis. 4 Em 02/8/04, tempestivamente, opôs Embargos de Declaração, para fins de sanar suposta obscuridade, quanto a revogação absoluta da LC n° 70/91 pela Lei no 9.718/98. Na mesma data, apresentou contra-razões ao recurso Especial da Fazenda Nacional (fls. 529 a 538), sustentando, em breve síntese, o acerto da decisão recorrida. Os Embargos foram rejeitados, nos termos do Despacho 301 (fls. 548), cientificado a Recorrente em 14/3/05. Em 30/3/05, a Recorrente interpôs Recurso Especial (fls. 561 a 568), visando a refonna da decisão recorrida, na parte mantida. Remetidos os autos a Primeira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, foi certificada a intempestividade do Recurso Especial interposto pela Recorrente. Assim, não atendidos os requisitos básicos para admissibilidade e processamento, foi negado seguimento ao Recurso Especial da Recorrente. Após, os autos foram encaminhados para julgamento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, por esta Eg. Segunda Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais. E o Relatório. Processo n.° 13855.000241/2001-39 Acórdâo n.° CSRF/02-02.633 CSRF/T02 Fls. 5 Voto Conselheiro FLAVIO DE SA MUNHOZ, Relator 0 Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte não foi admitido pela d. Presidente da Primeira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, tendo em vista que ele não preenchia as condições de admissibilidade, por ter sido apresentado após o transcurso do prazo legal. Tendo em vista que contra o despacho que negou seguimento ao seu recurso especial, não cabe interposição de agravo, nos termos do que estabelece o art. 9 0, § 2°, inciso I do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, a referida decisão se tornou definitiva em relação ao recurso do sujeito passivo. Por seu turno, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional reúne as condições de admissibilidade; dele tomo conhecimento. A decisão recorrida, proferida pela c. Primeira Camara do E. Segundo Conselho de Contribuintes, não alcançou a unanimidade de votos e o recurso, tempestivamente interposto, foi fundamentado em suposta contrariedade a. lei, nos termos do art. 32, inciso I do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 55/98. A questão a ser enfrentada no julgamento do presente recurso se restringe verificação do prazo para a realização do lançamento de oficio aplicável a Cofins. A Fazenda Nacional sustenta nas razões de seu recurso que o prazo de decadência para o lançamento de Cofins é de dez anos, com fundamento no art. 45 da Lei n° 8.212/91. A Lei n° 8.212/91 se aplica as contribuições devidas à seguridade social, previstas no art. 195, inciso I da CF/88. A Cofins está abrangida no rol das contribuições sociais mencionadas no referido dispositivo constitucional. Confira-se a redação dos artigos 45 e 11 da Lei n° 8.212/91: "Art. 45. 0 direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: I — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; "Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: Parágrafo ÚlliCO. Constituem contribuiçães sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; b) dos empregados domésticos; Processo n.° 13855.000241/2001-39 Acórdão n.° CSRF/02-02.633 CSRF/T02 Fls. 6 c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu salário-de- contribuição; d) as das empresas, incidentes sobre o faturamento e lucro; Observa-se absoluta identidade entre as contribuições sociais definidas no art. 11 da Lei n°8.212/91 e as previstas no art. 195, Ida CF/88, este último assim redigido: "Art.195. A seguridade social sera .financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I- do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a ‘folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer titulo, a pessoa física que lhe preste serviço, mesnio sem vinculo empregaticio; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro" A Cofins foi recepcionada pela CF/88 pelo dispositivo legal acima transcrito e se encontra incluída na outorga de competência nele inserida, diferentemente do que ocorre em relação ao PIS, que foi recepcionado pelo art. 239 do Ato das Disposições Gerais, confome decidiu o Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE 150.164-1, cujo voto do relator, Ministro limar Galvdo, está assim redigido: "Por outro lado, a existência de ducts contribuições sobre o faturamento esta prevista na própria Carta (art. 195, I e 239) [referindo-se ao Finsocial e ao PIS], motivo singelo, mas bastante, não apenas para que não se possa falar em inconstitucionalidade, mas também para infirmar a ilação de que a contribuição do artigo 239 satisfa: a previsão do art. 195, I, no que toca a contribuição calculada sobre o faturamento". Assim, para o reconhecimento da decadência da Cofins, seria necessário o confronto das disposições do art. 45 da Lei n° 8.212/91 com as disposições do art. 150, § 4° do CTN, o que é defeso ao julgador administrativo, a teor do disposto na Portaria MF n° 103/2002 e art. 22A do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, por envolver exame de constitucionalidade de normas em decorrência da aplicação do principio da hierarquia. Este confronto teria que ser feito nos termos do que estabelece o art. 146, inciso III, alínea "h" da Constituição Federal, ou seja, teria que ser apreciada a constitucionalidade do art. 45 da Lei IV 8.212/91. Corn efeito, o controle de legalidade do ato administrativo, atribuído pelo art. 2° da Lei n° 9.784/99, somente pode ser exercido no âmbito dos Conselhos de Contribuintes para afastar a aplicação de determinada lei ao caso concreto se este, em razão da melhor interpretação da lei, não se subsumir à hipótese nela descrita. Processo n.° 13855.000241/2001-39 Acórdão n.° CSRF/02-02.633 CSRF/T02 Fls. 7 Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda. Sala das Sessões, em 23 de abril de 2007 M/PFLAVIO DE SA MUNHOZ
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