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Numero do processo: 15374.966356/2009-83
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Data do fato gerador: 31/05/2006
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS.
Nos termos da legislação de regência, é cabível a restituição de estimativa e o consequente emprego em compensação devidamente declarada, desde que o recolhimento seja comprovadamente indevido, providência a cargo da unidade de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil.
Numero da decisão: 1103-000.738
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, apenas para afastar o fundamento do despacho decisório que levou ao indeferimento da compensação e devolver os autos à DRF de origem para a verificação do valor e disponibilidade do crédito pleiteado, retomando-se, do início, o rito processual do Decreto 70.235/72, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS. Nos termos da legislação de regência, é cabível a restituição de estimativa e o consequente emprego em compensação devidamente declarada, desde que o recolhimento seja comprovadamente indevido, providência a cargo da unidade de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, apenas para afastar o fundamento do despacho decisório que levou ao indeferimento da compensação e devolver os autos à DRF de origem para a verificação do valor e disponibilidade do crédito pleiteado, retomandose, do início, o rito processual do Decreto 70.235/72, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Cristiane Silva Costa, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.966356/200983 Acórdão n.º 110300.738 S1C1T3 Fl. 91 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP (fls.02/06), transmitido em 06/07/07, por meio do qual se declarou compensação de estimativa de IRPJ, relativa a maio/2007, no valor de R$75.172.522,87. O direito creditório adviria de estimativa de IRPJ, no valor original de R$66.091.544,64, decorrente de recolhimento supostamente indevido em 31/05/06, no montante de R$548.153.751,29. A análise foi realizada de maneira eletrônica, tendo o despacho decisório (fl.08), cientificado ao contribuinte em 21/10/09 (fl.07), o seguinte teor: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. ..... Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada.” Houve apresentação de manifestação de inconformidade de fls.10/20, indeferida pela Sexta Turma da DRJ – Rio de Janeiro I (RJ), conforme decisão que recebeu a seguinte ementa (fls.50/61): COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. IN SRF N° 600/2005. Na vigência da IN SRF n° 600/2005, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do tributo devido ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período. Devidamente cientificado da decisão em 31/05/2010 (fl.67), o contribuinte tempestivamente apresentou recurso voluntário em 16/06/2010 (fls.68/86), valendose das seguintes razões: a) os artigos 2º, 4º e 11 da Instrução Normativa SRF nº 900/08 aplicarseiam retroativamente, sob pena de se contrariar o disposto no art.105 do Código Tributário Nacional (CTN); b) não obstante a transmissão do PER/DCOMP em 2007, a apreciação pela unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil ocorrera após a entrada em vigor da IN SRF nº 900/08; Fl. 103DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.966356/200983 Acórdão n.º 110300.738 S1C1T3 Fl. 92 3 c) a respeito do crédito, a autoridade fazendária não teria oposto qualquer objeção; d) a restrição imposta pelo art.10 da IN SRF nº 600/05, de apenas permitir o emprego do pagamento indevido a título de estimativa na dedução do tributo apurado ao final do ano calendário ou na composição do saldo negativo, seria ilegal à vista do art.66 da Lei nº 8.383/91, art.39 da Lei nº 9.250/95 e art.74 da Lei nº 9.430/96. Violaria o “...princípio da hierarquia das normas posto que a lei, enquanto fonte primária da ordem jurídica, teve seu âmbito normativo mitigado em função das disposições inovadoras da instrução normativa em tela, ato de inquestionável hierarquia inferior, porquanto originário da função regulamentar do Executivo, e não da função legislativa, esta sim que detém legitimidade e competência para inovar no mundo jurídico”, como entende o Supremo Tribunal Federal; e) o despacho decisório que não homologou a compensação deveria ser anulado, por ser frontalmente contrário à lei; f) as únicas limitações ao direito à compensação seriam aquelas estampadas no site da Secretaria da Receita Federal do Brasil: “(...) o débito que já tenha sido encaminhado PGFN para inscrição em Dívida Ativa da União; o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela SRF; o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; o débito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional com crédito de terceiro; o débito e o crédito que não se refiram aos tributos e contribuições administrados pela SRF; o saldo a restituir apurado na DIRPF; o crédito que não seja passível de restituição ou de ressarcimento; o crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional reconhecido por decisão judicial que ainda não tenha transitado em julgado; o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; o valor informado pelo sujeito passivo em Declaração de Compensação apresentada à SRF, a título de crédito para com a Fazenda Nacional, que não tenha sido reconhecido pela autoridade competente da SRF, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de terceiros. Esta vedação não se aplica ao débito consolidados no âmbito do Refis ou do parcelamento a ele alternativo, bem assim aos pedidos de compensação formalizados perante a SRF até 07 de abril de 2000; e Fl. 104DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.966356/200983 Acórdão n.º 110300.738 S1C1T3 Fl. 93 4 outras hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição.” g) apenas com a Medida Provisória nº 449, vigente a partir de 04/12/08, a compensação realizada pelo contribuinte passara a ser vedada, entendimento contemplado em decisão do Tribunal Regional da 4ª Região. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se toma conhecimento. A principal questão a ser equacionada no caso concreto diz respeito à possibilidade de pagamento indevido de estimativa ser empregado na compensação de estimativa apurada no anocalendário subsequente. Na sistemática de apuração do lucro real anual, com a realização de antecipações mensais (estimativas), o recolhimento das antecipações repercute na apuração ao final do anocalendário, seja para reduzir o valor do tributo devido ou para compor saldo negativo. No caso concreto, é até possível que a estimativa de IRPJ, recolhida em 2006, tenha contribuído para a apuração de eventual saldo negativo ao final daquele anocalendário, de forma que se poderia considerálo como a origem do direito creditório pleiteado, ainda que, reconheçase, com repercussões na atualização monetária. Em suma, fixada a premissa de preenchimento equivocado do PER/DCOMP, evitarseia a necessidade de renovação do pleito. Entretanto, da leitura da impugnação e do recurso voluntário, não há o mínimo indício a apontar para suposto cometimento de erro por parte do contribuinte, que, ao revés, reitera a sua pretensão de restituição e a efetivação da compensação conforme PER/DCOMP, de forma que deve ser apreciado como apresentado ao Fisco federal. É o que se passa a fazer. A restituição de valores pagos indevidamente tem assento no Código Tributário Nacional (CTN): Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no §4º do artigo 162, nos seguintes casos: Fl. 105DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.966356/200983 Acórdão n.º 110300.738 S1C1T3 Fl. 94 5 I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Em nível infralegal, especificamente a respeito da controvérsia, a Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/05, era clara ao expor o entendimento da Administração tributária federal, contrário à possibilidade de restituição direta de estimativas, mas tão somente do eventual saldo negativo apurado ao final do anocalendário. Vejamos: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (destaquei) Entretanto, com a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/08, tal restrição, vinculada ao aproveitamento dos recolhimentos das estimativas apenas ao final do período de apuração anual, deixou de existir, restando apenas o comando relacionado à retenção indevida ou a maior de IRPJ ou de CSLL, conforme redação do seu artigo 11: Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Da leitura da decisão a quo, notase que o embate deuse exatamente quanto à produção dos efeitos desta alteração de entendimento. Para o voto vencido, o art.11 da IN RFB nº 900/08 “...foi, antes de tudo, um ato de recondução da Administração Pública à legalidade” e, por “...ser de caráter eminentemente interpretativo, não há como negar que ela se aplica a ato ou fato pretérito em qualquer caso”. De acordo com o voto vencedor, por sua vez, não se poderia falar em retroatividade e caráter interpretativo da norma, vez que “...a compensação instrumentalizada pela PER/DCOMP em apreço não estava pendente ao tempo do despacho decisório” e “...pelo simples fato de que a IN nº 900/2008, em momento algum, afirma estar interpretando qualquer dispositivo da IN revogada”. A propósito, posteriormente ao acórdão recorrido, precisamente em 05/12/2011, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil resolveu por luzes sobre a discussão. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.966356/200983 Acórdão n.º 110300.738 S1C1T3 Fl. 95 6 Por meio da Solução de Consulta Interna nº 19, expedida pela Coordenação Geral de Tributação, definiuse que a alteração de entendimento veiculada com a IN RFB nº 900/08 é aplicável aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009, quando pendentes de decisão administrativa. Tal Solução de Consulta recebeu a seguinte ementa: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Após discorrer sobre as duas correntes de interpretação, inclusive no âmbito deste Conselho, a Secretaria da Receita Federal do Brasil expôs o caráter interpretativo dos dispositivos das IN SRF nº 600/2005 e IN RFB nº 900/2008, outrora reproduzidos. In verbis: “(...) Existem, na doutrina e jurisprudência, duas correntes sobre o tratamento da estimativa paga a maior ou indevidamente. Segundo a primeira, o valor pago a esse título é passível de restituição, considerandose as regras aplicáveis ao regime opcional de pagamento, e, em decorrência dessa opção, a possibilidade de os pagamentos efetuados se caracterizarem como indevidos fica diferida para o ajuste anual. Em outras palavras, o pagamento a maior ou indevido de estimativas não poderá ser compensado ou restituído, via PER/DCOMP, mas poderá ser integralmente deduzido na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Isto Fl. 107DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.966356/200983 Acórdão n.º 110300.738 S1C1T3 Fl. 96 7 porque o valor pago, enquanto se caracterizar apenas como pagamento por estimativa, não tem a natureza de indébito, que daria direito à restituição. E não havendo direito à restituição, não se aplica o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que autoriza a utilização do crédito passível de restituição para compensação. Dessa forma, ainda que o contribuinte efetue pagamento estimado em determinado mês superior ao que estava obrigado por lei, a diferença não se caracteriza como tributo indevido, passível de restituição, uma vez que essa apuração só é possível mediante comparação com o lucro real anual. 9.1 Esse entendimento foi adotado pelas IN SRF nºs 460, de 2004, e 600, de 2005, conforme apontado no item 7 deste ato, tendo vigorado no período de vigência das referidas instruções normativas, compreendido entre 29 de outubro de 2004 e 31 de dezembro de 2008, e está consubstanciado no Acórdão nº 101 96044 do Primeiro Conselho de Contribuintes. 10. Para a segunda corrente, o débito por estimativa tem fato gerador definido, base de cálculo e prazo de vencimento estabelecidos pela legislação, de forma que o pagamento que superar o valor devido no período, apurado de acordo com a legislação de regência (art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996), configura, sim, pagamento indevido, passível de restituição ou compensação de imediato. Nesse sentido, transcrevese a ementa do Acórdão nº 110100.330, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO.ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. (Acórdão CARF nº 110100.330, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção Sessão de 9 de julho de 2010) 10.1 A RFB aderiu a essa segunda corrente a partir da edição da IN RFB nº 900, de 2008. ..... 10.3 O contribuinte pode, por questões de praticidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas se preferir solicitar restituição ou compensar o indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário, poderá fazêlo, pois a Lei Fl. 108DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.966356/200983 Acórdão n.º 110300.738 S1C1T3 Fl. 97 8 nº 9.430, de 1996, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, referese àquelas recolhidas em conformidade com o caput de seu art. 2º. Nesse último caso, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve deduzir apenas as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. 11. Quanto à natureza jurídica das instruções normativas, são atos que têm por função complementar e normatizar a legislação tributária, enquadrandose no art. 100, inciso I do CTN. Têm, também, esses atos, natureza interpretativa, explicitando o sentido e alcance dos atos legais. Nessa acepção, embora se enquadre na categoria de atos normativos, não possuem natureza de ato constitutivo, uma vez que não se revestem do poder de criar, modificar ou extinguir relações jurídico tributárias, em razão, precisamente, de seu caráter meramente interpretativo. 12. Muitas vezes é difícil distinguir nos atos normativos a função complementar da função interpretativa. Em matéria de compensação tributária, o § 14 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, incluído pela Lei nº 11.051, de 2004, estabeleceu que a Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação (função complementar, de natureza procedimental). 12.1 Contudo, no presente caso, os arts. 10 das IN SRF nº 460, de 2004, e SRF nº 600, de 2005, e o art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, têm nítido caráter interpretativo, pois visam dar o entendimento da administração tributária acerca das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do IRPJ ou da CSLL. 13. Assim, em face do caráter interpretativo do art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, é de se responder à primeira questão da seguinte maneira: a alteração de entendimento constante do art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. ..... 15. Como dito, somente as estimativas devidas na forma da Lei nº 9.430, de 1996, são necessariamente computadas como dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito a partir da data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual desses tributos. ..... Fl. 109DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.966356/200983 Acórdão n.º 110300.738 S1C1T3 Fl. 98 9 19. Diante do exposto, solucionase a presente consulta interna respondendo à interessada que: a) o art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa; b) caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005; c) a nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa” No caso concreto, notase que quando da apreciação do PER/DCOMP já estava em vigor a IN RFB nº 900/08. Da leitura do art.2º da Lei nº 9.430/96, verificase que a dedução dos pagamentos de estimativas é possibilitada para os realizados em consonância com o regramento legalmente estabelecido, de forma que os valores eventualmente recolhidos a maior a rigor não poderiam ser deduzidos na apuração anual. Se o contribuinte assim procede, inexiste lesão ao Fisco, pois a formação do suposto indébito transferese a momento futuro, em se tratando das estimativas relativas até o mês de novembro. Caso contrário, se opta pela repetição, o ordenamento jurídico alberga tal possibilidade pois não há como deixar de considerálos como indevidos. Uma vez comprovado ter sido indevido o recolhimento da estimativa, ainda que parcial, e estando disponível, por exemplo, para compensação, à luz do disposto no art.165, I, do CTN, e do art.74 da Lei nº 9.430/96, é cabível a repetição, sob pena de enriquecimento ilícito do Estado. Como visto, tal interpretação foi fixada pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, mesmo na hipótese de as ditas antecipações terem sido recolhidas e os PER/DCOMP, protocolizados na vigência da IN SRF nº 600/05. Nesse ponto, não pode prevalecer o acórdão recorrido. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.966356/200983 Acórdão n.º 110300.738 S1C1T3 Fl. 99 10 Tal conclusão, porém, não pode levar, automaticamente, ao reconhecimento do indébito, vez que a liquidez e certeza do crédito apontado não foram apreciadas nas instâncias inferiores. Significa, apenas, que a premissa por elas adotada não pode representar óbice ao deferimento da restituição/compensação. Percebese que a unidade de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil procedeu à uma análise superficial, a partir da definição de um critério objetivo estabelecido a priori, como comumente adotado em procedimentos fiscais de malhas pessoa jurídica e física, com o único e legítimo intuito de agilizar a apreciação dos pedidos a ela submetidos. Assim, identificado o direito creditório a lastrear a compensação declarada como oriundo de recolhimento de estimativa, a Administração considerou tal razão como suficiente ao indeferimento do pleito, não tendo avançado em investigação outra. O fato de inexistir informação sobre a disponibilidade do valor do recolhimento que o contribuinte afirma ser indevido não permite, como se entendeu no voto vencido constante do acórdão recorrido, concluir que teria sido aproveitado somente na compensação ora declarada. Os autos carecem de prova a respeito. Também não há se falar em risco assumido com a análise eletrônica, que, no final das contas, não contemplou pronunciamento sobre a certeza e liquidez do crédito. Tais requisitos não se presumem do silêncio, até mesmo porque se constituem em condição inarredável à caracterização de um pagamento como indevido, passível de restituição/compensação. O CTN, ao tratar das modalidades de extinção de créditos tributários, estabeleceu a necessidade de a compensação apenas poder ser realizada com créditos líquidos e certos, inclusive com a vedação, quando se opta pela via judicial, de ser concedida antes do trânsito em julgado da respectiva decisão que a tenha autorizado. Este é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por meio do enunciado nº 212, da súmula de sua jurisprudência predominante, que tem a seguinte redação atual: “A compensação de créditos tributários não pode ser deferida em ação cautelar ou por medida liminar cautelar ou antecipatória”. Portanto, inevitável é a verificação da existência e disponibilidade do crédito pretendido, como aliás recentemente já se decidiu no âmbito deste Conselho: RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito Fl. 111DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.966356/200983 Acórdão n.º 110300.738 S1C1T3 Fl. 100 11 de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. (1ª SJ, 1ª Turma Especial, Acórdão nº 180100.867, de 01/02/2012, Rel. Cons. Ana de Barros Fernandes) Por detalhar, com sugestões de providências a serem adotadas quando da análise do crédito, cabe reproduzir a conclusão de tal acórdão: “Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade do pedido de restituição/compensação cujo objeto é o pagamento de estimativas em valor indevido, ou a maior do que o devido, impõe, pois, o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em face da sua contabilidade, registros no Sapli, outros pedidos de restituição/compensação com origem no mesmo crédito, vinculação a outros processos administrativos fiscais, formação do saldo negativo ao final do anocalendário etc.” Caso a Secretaria da Receita Federal do Brasil entenda não estarem presentes os requisitos da certeza e liquidez do crédito apontado pelo contribuinte e, consequentemente, novamente deixe de homologar a compensação nos termos declarados, devese facultar ao contribuinte a apresentação de manifestação de inconformidade contra tal decisão, conforme previsto no art.74 da Lei nº 9.430/96. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, apenas para afastar o fundamento do despacho decisório que levou ao indeferimento da compensação e devolver os autos à DRF de origem para a verificação do valor e disponibilidade do crédito pleiteado, retomandose, do início, o rito processual do Decreto 70.235/72. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 112DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10830.006648/2007-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF
Ano-Calendário: 2004
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DECISÃO OU ACORDO JUDICIAL
Comprovada a homologação judicial do acordo entre as partes, os valores pagos a título de pensão judicial são dedutíveis, para fins do imposto de renda da pessoa física, mas apenas nos limites dos valores efetivamente comprovados e desde que dentro do que foi definido judicialmente.
Numero da decisão: 2101-001.747
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, para admitir a dedução a título de pensão alimentícia, apenas no valor de R$ 51.680,00.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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PENSÃO ALIMENTÍCIA. DECISÃO OU ACORDO JUDICIAL Comprovada a homologação judicial do acordo entre as partes, os valores pagos a título de pensão judicial são dedutíveis, para fins do imposto de renda da pessoa física, mas apenas nos limites dos valores efetivamente comprovados e desde que dentro do que foi definido judicialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para admitir a dedução a título de pensão alimentícia, apenas no valor de R$ 51.680,00. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage Relatório Fl. 173DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA 2 Tratase de recurso voluntário (fls. 102/103) interposto em 07 de outubro de 2009 contra o acórdão de fls. 96/98, do qual o Recorrente teve ciência em 17 de setembro de 2009 (fl. 101), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento de fls. 35/37, lavrado em 23 de julho de 2007, em decorrência da não comprovação do pagamento de pensão judicial bem como de glosa de Imposto de Renda Retido na Fonte, verificados no ano calendário de 2004. O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 Ementa: PENSÃO JUDICIAL DEDUÇÃO COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. A dedução a titulo de pensão alimentícia só é admissível quando restar demonstrado o efetivo pagamento. A demonstração de que a obrigação de prestar alimentos é decorrente de decisão judicial, por si só, não é suficiente para possibilitar a dedução. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE GLOSA. Restando comprovada a retenção do imposto de renda retido na fonte, deve ser restabelecida a compensação pleiteada da declaração de ajuste. Lançamento Procedente em Parte Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 96/98), onde carreia aos autos comprovantes de pagamentos à título de pensão alimentícia. Ao final, pugnou pelo cancelamento do débito fiscal reclamado. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 159, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Em litígio, tãosomente, a glosa da pensão alimentícia paga aos filhos do autuado, Francisco Ubiratan Ferreira de Campos e Paula Maria Ferreira de Campos, no valor de R$ 79.290,23. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA Processo nº 10830.006648/200755 Acórdão n.º 2101001747 S2C1T1 Fl. 2 3 Em relação à dedutibilidade da pensão judicial, assim dispõe o caput do art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/99): Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). Destarte, da análise dos autos, observase que o acordo homologado judicialmente corresponde a 8,5 salários mínimos mensais para cada filho. Portanto, os valores a serem considerados para efeito de dedução da base de cálculo do imposto, estão demonstrados no seguinte quadro: APURAÇÃO DO LIMITE DEDUTÍVEL DA PENSÃO ALIMENTÍCIA Período Salário Mínimo Fundamento Legal Nº de SM Total Total Período Janeiro/2004 240,00 Lei nº 10.699/03 8,5 2.040,00 Fevereiro/2004 240,00 Lei nº 10.699/03 8,5 2.040,00 Março/2004 240,00 Lei nº 10.699/03 8,5 2.040,00 Abril/2004 240,00 Lei nº 10.699/03 8,5 2.040,00 TOTAL 8.160,00 Maio/04 260,00 Lei nº 10.888/04 8,5 2.210,00 Junho/04 260,00 Lei nº 10.888/04 8,5 2.210,00 Julho/04 260,00 Lei nº 10.888/04 8,5 2.210,00 Agosto/04 260,00 Lei nº 10.888/04 8,5 2.210,00 Setembro/04 260,00 Lei nº 10.888/04 8,5 2.210,00 Outubro/04 260,00 Lei nº 10.888/04 8,5 2.210,00 Novembro/04 260,00 Lei nº 10.888/04 8,5 2.210,00 Dezembro/04 260,00 Lei nº 10.888/04 8,5 2.210,00 TOTAL 17.680,00 TOTAL / LIMITE POR CADA FILHO 25.840,00 TOTAL GERAL PENSÃO ALIMENTÍCIA ( 25.840,00 X 2) 51.680,00 Constatase que o valor deduzido na DIRPF do contribuinte foi de R$ 79.290,23, ocasionando uma dedução indevida de R$ 27.610,23. Considerando que foram carreados aos autos documentos probatórios do pagamento da pensão alimentícia deve ser restabelecido o valor dedutível, observandose, entretanto, os limites estabelecidos pelo instrumento judicial competente (fls. 113/121). Em casos análogos assim tem julgado este Conselho: ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DECISÃO OU ACORDO JUDICIAL. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA 4 Comprovada a homologação judicial do acordo entre as partes, os valores pagos a título de pensão judicial são dedutíveis, para fins de imposto de renda da pessoa física, mas apenas nos limites dos valores efetivamente comprovados e desde que dentro do que foi definido judicialmente. Recurso parcialmente provido. (Acórdão 180101.785 – 1ª Turma Especial). Esclareçase que no voluntário o recorrente informa que “os pagamentos efetuados a Vivian Azevedo Marques de Campos, CPF nº 036.816.03944 foram utilizados para pagamento de instrução efetuado a Sociedade Universitária Gama Filho, CNPJ nº 33.809.609/0001.65”. Ora, compulsandose os autos não há quaisquer referências que comprovem o vínculo de Vivian Azevedo Marques de Campos com o contribuinte, capaz de proporcionar dedução na base de cálculo do imposto de renda. Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para admitir a dedução à título de pensão alimentícia apenas no valor de R$ 51.680,00. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 176DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.721222/2010-91
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2803-000.115
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de solicitar à autoridade preparadora que junte aos autos o Recurso Voluntário interposto em face do
presente processo, desentranhando o documento juntado às fls. 226 dos autos digitais, referente aos auto do processo n. 10680.721225/201025 . Caso a peça correta não seja localizada nos
arquivos da autoridade preparadora ou da unidade de arquivo responsável, que seja a contribuinte intimada para no prazo de 10(dez) dias juntar a via com comprovação de protocolo do recurso voluntário. Retornando os autos para julgamento.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de solicitar à autoridade preparadora que junte aos autos o Recurso Voluntário interposto em face do presente processo, desentranhando o documento juntado às fls. 226 dos autos digitais, referente aos auto do processo n. 10680.721225/201025 . Caso a peça correta não seja localizada nos arquivos da autoridade preparadora ou da unidade de arquivo responsável, que seja a contribuinte intimada para no prazo de 10(dez) dias juntar a via com comprovação de protocolo do recurso voluntário. Retornando os autos para julgamento. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Osmar Pereira Costa, Natanael Vieira Dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.721222/201091 Resolução n.º 2803000.115 S2TE03 Fl. 238 2 Relatório O presente processo tem como objeto a decisão da DRJ(fls. 101 e seguintes), que manteve o crédito tributário oriundo da aplicação de contribuições previdenciárias patronais e destinadas terceiras entidades incidentes sobre rendimentos em benefício dos empregados da Recorrente a título de pagamento de alimentação in natura sem inscrição ao Programa de Alimentação do Trabalhador (mediante pagamento de restaurantes, reembolso de recibos e cestas básicas), remunerações pagas e/ou creditadas a segurados contribuintes individuais que prestaram serviços de transporte rodoviário autônomo de carga à empresa, conforme recibos de pagamento apresentados, apuradas junto A escrituração contábil e não declaradas em GFIP, sobre as quais foram apuradas contribuições para o Serviço Social do Transporte — SEST e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte — SENAT; remunerações pagas e/ou creditadas a segurados empregados lançadas em folha de pagamento e não declaradas em GFIP. O período de 01/01/2006 a 31/12/2006. A ciência do auto de infração inaugural foi em 08/06/2010 (fls. 01). Atentese que desde a impugnação, apenas foram contestados os créditos tributários lançados com base pagamentos em benefício dos empregados da Recorrente a título de pagamento de alimentação in natura sem inscrição ao Programa de Alimentação do Trabalhador. Apesar de constar registro da interposição do Recurso Voluntário às fls. 236 dos autos digitais, conforme despacho de 18.11.2011, o documento juntado às fls. 226 dos autos digitais, ele se refere a outro processo, o de n. 10680.721225/201025 . Esse é o relatório. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.721222/201091 Resolução n.º 2803000.115 S2TE03 Fl. 239 3 Voto Em razão de haver nos autos clara menção ao Recurso Voluntário contra a decisão objeto do presente processo, a sua apreciação é impossibilitada pela sua incorreta e não anexação aos autos digitais. Isso posto, voto por converter o julgamento em diligência, no sentido de solicitar à autoridade preparadora que junte aos autos o Recurso Voluntário interposto em face do presente processo, desentranhando o documento juntado às fls. 226 dos autos digitais, referente aos auto do processo n. 10680.721225/201025 . Caso a peça correta não seja localizada nos arquivos da autoridade preparadora ou da unidade de arquivo responsável, que seja a contribuinte intimada para no prazo de 10(dez) dias juntar a via com comprovação de protocolo do recurso voluntário. Retornando os autos para julgamento. Sala de Sessões, 11 de julho de 2012. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 239DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10865.720258/2007-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2003
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE APP. PARECER TÉCNICO DE AVALIAÇÃO DO IMÓVEL. ÁREA MAJORADA EM RELAÇÃO À DECLARADA PELO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO DA ÁREA DECLARADA DA APP POR PARTE DA AUTORIDADE LANÇADORA. AUSÊNCIA DE PROVA ROBUSTA NOS AUTOS A JUSTIFICAR O RECONHECIMENTO DE ERRO DE FATO.
Não se deve debater o pedido recursal de majoração da área de preservação permanente APP, a uma porque tal área não foi objeto de alteração pelo lançamento, o que impede, como regra, qualquer discussão a respeito no contencioso fiscal, que fica adstrito às controvérsias inauguradas a partir das alterações perpetradas pela fiscalização; a duas porque não há uma prova robusta nos autos que comprove um erro de fato na declaração do ITR
(DIAT/DIAC) auditada, o que poderia justificar a alteração das áreas declaradas nesta instância administrativa, pois não se pode considerar um mero parecer técnico para avaliação patrimonial de bens imóveis rurais, como se viu nestes autos, que não tem plantas, coordenadas, georreferenciamento etc., como um laudo descritivo de um imóvel rural.
PARECER TÉCNICO DE AVALIAÇÃO DA ÁREA RURAL SUBSCRITO POR PROFISSIONAL COMPETENTE. DEFINIÇÃO DO VTN. MEIO HÁBIL A CONTRADITAR O VALOR DO SIPT.
Parece razoável considerar o valor do VTN apresentado no parecer técnico trazido pelo recorrente, que se encontra inclusive em linha com o valor utilizado pela fiscalização (SIPT), até porque o parecer foi subscrito por profissional competente e tende a apreciar as especificidades do imóvel auditado, o que não ocorre com o SIPT, que se assemelha a uma planta geral de valores.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2102-002.177
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para diminuir o Valor da Terra Nua Tributável (campo 18 fl. 3), base de cálculo do lançamento, de R$ 41.560.933,25 para R$ 39.997.107,57. Vencida a Conselheira
Núbia Matos Moura que negava provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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PARECER TÉCNICO DE AVALIAÇÃO DO IMÓVEL. ÁREA MAJORADA EM RELAÇÃO À DECLARADA PELO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO DA ÁREA DECLARADA DA APP POR PARTE DA AUTORIDADE LANÇADORA. AUSÊNCIA DE PROVA ROBUSTA NOS AUTOS A JUSTIFICAR O RECONHECIMENTO DE ERRO DE FATO. Não se deve debater o pedido recursal de majoração da área de preservação permanente APP, a uma porque tal área não foi objeto de alteração pelo lançamento, o que impede, como regra, qualquer discussão a respeito no contencioso fiscal, que fica adstrito às controvérsias inauguradas a partir das alterações perpetradas pela fiscalização; a duas porque não há uma prova robusta nos autos que comprove um erro de fato na declaração do ITR (DIAT/DIAC) auditada, o que poderia justificar a alteração das áreas declaradas nesta instância administrativa, pois não se pode considerar um mero parecer técnico para avaliação patrimonial de bens imóveis rurais, como se viu nestes autos, que não tem plantas, coordenadas, georreferenciamento etc., como um laudo descritivo de um imóvel rural. PARECER TÉCNICO DE AVALIAÇÃO DA ÁREA RURAL SUBSCRITO POR PROFISSIONAL COMPETENTE. DEFINIÇÃO DO VTN. MEIO HÁBIL A CONTRADITAR O VALOR DO SIPT. Parece razoável considerar o valor do VTN apresentado no parecer técnico trazido pelo recorrente, que se encontra inclusive em linha com o valor utilizado pela fiscalização (SIPT), até porque o parecer foi subscrito por profissional competente e tende a apreciar as especificidades do imóvel auditado, o que não ocorre com o SIPT, que se assemelha a uma planta geral de valores. Recurso provido em parte. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para diminuir o Valor da Terra Nua Tributável (campo 18 fl. 3), base de cálculo do lançamento, de R$ 41.560.933,25 para R$ 39.997.107,57. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 19/07/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte USINA AÇUCAREIRA ESTER S/A, CNPJ/MF nº 60.892.098/000160, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 03/12/2007, auto de infração, decorrente da revisão da DITRexercício 2003 do imóvel FAZENDA DO FUNIL GLEBA C, código NIRF 3.835.0548. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 112.111,39 MULTA DE OFÍCIO R$ 84.083,54 Ao contribuinte foi imputada uma reavaliação do valor do VTN de R$ 17.923.440,00 para R$ 44.746.913,46, com a motivação que segue: Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, quando apresentou laudo Fl. 146DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10865.720258/200794 Acórdão n.º 210202.177 S2C1T2 Fl. 2 3 técnico, confeccionado com a metodologia do método comparativo direto de dados de mercado, do qual os seguintes dados e informações são extraídos (fls. 37 a 89): § área de preservação permanente de 1.650,0 hectares, sem registro da existência de área de reserva legal; § lavoura de cana de açúcar de 4.717,35 hectares, em janeiro de 2003, conforme informações do proprietário (fl. 50); § preço de mercado de R$ 71.000.000,00 (terra nua+APP+benfeitorias civis + cultura de cana) e valor da terra nua de R$ 33.000.000,00 no resumo da avaliação. No corpo do laudo, consta um valor da terra nua de R$ 33.577.215,00, valor das terras APP 6.521.865,00, valor das benfeitorias (edificações e plantações) de R$ 31.571.575,00 e um valor total da propriedade de R$ 71.670.655,00 (fl. 51); § considerando a inexistência de ofertas de imóveis semelhantes ao avaliando, não foi possível colher elementos comparativos suficientes, devendo o laudo ser enquadrado como parecer técnico. Houve a colheita de 04 eventos amostrais, obtidos junto às imobiliárias ABC e PISA; § “Para obtenção do valor unitário de terras no local foi feita uma pesquisa de mercado, por meio da qual realizouse um tratamento dos dados e valores, resultando no preço unitário básico de R$ 10.245,00/ha para área de terra nua, com data base de Jan /2008. Os valores retroagidos foram obtido com base na tabela 1. e 2. do IEA, resultando no preço unitário, básico de R$ 5.766,18/ha para área de terra nua, e R$ 3.964,66/ha para área de preservação permanente, com data base de Jan/2003”1 (fl. 56 – transcrição do Laudo). A 1ª Turma da DRJ/CGE, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0418.099, de 10 de julho de 2009. A decisão acima afastou o laudo técnico com a seguinte fundamentação (fl. 99): (...) Nestes Autos, não foi apresentado Laudo Técnico de Avaliação que atendesse as condições elencadas pela norma da ABNT, não havendo o que ser revisto no valor atribuído ao imóvel no lançamento. Há de ser respeitado o disposto no item 9.2.15, alínea "b", que dispõe que, para enquadramento nos graus de fundamentação II e III, é obrigatório que o Laudo contenha, "no mínimo, cinco dados de mercado efetivamente utilizados". Os dados de mercado coletados (no mínimo cinco) devem, ainda, se referir a imóveis localizados no município do imóvel avaliando, na data do fato gerador do ITR (1° de janeiro de 2003). 1 Utilizaramse as tabelas do IEA Instituto de Economia Agrícola para a Região Metropolitana de Campinas. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Ademais, o item 9.2.3.1 da NBR 146533 assevera que no caso de a maioria dos dados coletados se referir a opiniões (Conforme se verifica no Parecer, à f. 52, tratase de "aferição de valores atuais" em que foram consultados vários profissionais do mercado imobiliário da região”), ficará caracterizado o Grau de Fundamentação I. É o caso de se reconhecer a incidência do item 9.1.2 da NBR 146533, que estipula que o laudo que não atende os requisitos mínimos deve ser considerado parecer técnico. Não há como, em sede de julgamento, acatarse levantamento precário, inapto a alterar o valor atribuído no lançamento. (...) O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 11/08/2009. Irresignado, interpôs recurso voluntário em 08/09/2009. No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. apresentou laudo técnico confeccionado de acordo com a Norma ABNT 146533, no qual se apurou um valor de terra nua de R$ 33.577.215,00, não havendo qualquer justificativa para a decisão recorrida rejeitar o laudo apresentado; II. o laudo acima aferiu uma área de APP de 1.645,0 hectares, diferente dos 531,6 hectares considerados pelo fisco, tendo havido, na espécie, a informação equivocada da APP na DITR, pois na época não havia um estudo técnico como o agora feito. Indo mais além, o laudo especificou corretamente o valor das benfeitorias e das culturas plantadas, o que influencia o valor da terra nua, com valores discrepantes daqueles considerados pelo fisco; III. “Portanto deve o lançamento impugnado ser devidamente revisado e retificado de forma a considerar todas as informações constantes do laudo técnico em anexo, especialmente os valores das benfeitorias. culturas e terra nua, bem como ainda a área de preservação permanente — APP a fim de que o lançamento suplementar corresponda à realidade, de forma a atender os princípios da legalidade, capacidade contributiva, verdade real e às disposições da Lei Federal n° 9.396/1996” (fl. 119 – excerto do recurso voluntário – grifos do original); IV. é desnecessária a apresentação do ADA para as APP e áreas de utilização limitada, como se pode ver pelo art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393/96, não se exigindo prévia comprovação. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Fl. 148DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10865.720258/200794 Acórdão n.º 210202.177 S2C1T2 Fl. 3 5 Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 11/08/2009, terçafeira, e interpôs o recurso voluntário em 08/09/2009, dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 10/09/2009, quintafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Antes de tudo aqui não se apreciará a irresignação no tocante à majoração da área de preservação permanente – APP, a uma porque tal área não foi objeto de alteração pelo lançamento, o que impede, como regra, qualquer discussão a respeito no contencioso fiscal, que fica adstrito às controvérsias inauguradas a partir das alterações perpetradas pela fiscalização; a duas porque não há uma prova robusta nos autos que viesse a comprovar um erro de fato na declaração do ITR (DIAT/DIAC) auditada, o que poderia justificar a alteração das áreas declaradas nesta instância administrativa, pois não se pode considerar um mero parecer técnico para avaliação patrimonial de bens imóveis rurais, como se viu nestes autos, que não tem plantas, coordenadas, georreferenciamento etc., como um laudo descritivo de um imóvel rural, este sim um instrumento que descreve a geografia do imóvel e hábil para comprovar eventual erro de fato nas áreas declaradas. Assim, rejeitase toda a irresignação no tocante à APP trazida pelo recorrente, restringindose somente à discussão inaugurada pelo lançamento, qual seja, o valor da terra nua. Apreciando os valores considerados no lançamento, vêse que a autoridade lançadora considerou um valor do VTN de R$ 5.991,74/hectare (R$ 44.746.913,49 dividido pela área total de 7.468,1 hectares – fl. 3). O recorrente, por seu turno, considerou um VTN de R$ 5.766,18/hectare para a área diversa da APP e R$ 3.964,66/hectare para a área de APP. Como a base de cálculo do ITR é o VTN tributável, este que exclui as avaliações das áreas de preservação permanente e utilização limitada (reserva legal e outras), como se pode ver pelo quadro de fl. 3, é irrelevante o valor das áreas de APP (e de utilização limitada) para cálculo do ITR. Tanto assim o é que se o imóvel auditado for tomado inteiramente por áreas de preservação permanente e utilização limitada, temos a área tributável igual a zero, o que também zera a base de cálculo do ITR. Indo mais além, parece razoável considerar o valor do VTN de 5.766,18/hectare para as áreas sujeitas à tributação do ITR, como apresentado no Parecer técnico trazido pelo recorrente, que se encontra inclusive em linha com o valor utilizado pela fiscalização (SIPT), até porque o parecer foi subscrito por profissional competente e tende a apreciar as especificidades do imóvel auditado, o que não ocorre com o SIPT, que se assemelha a uma planta geral de valores. Aqui, registrese, a legislação do ITR não obriga a apresentação de um laudo técnico de avaliação com fundamentação II, até porque se pode não conseguir coletar as amostras para tanto. O documento trazido pelo então impugnante, quando o experto informou que se tratava de um parecer e não de um laudo técnico, pelo fato de não se ter conseguido a quantidade de amostra mínima para a fundamentação exigida, não pode ser desconsiderado, pois, como já dito, avaliou com maior proximidade o imóvel, com informações de imobiliárias (2) e com dados do IEA, Instituto reconhecido por sua expertise nas coisas do campo. Na linha acima, considerando o VTN de 5.766,18/hectare para uma área tributável de 6.936,5 hectares, esta como informado pelo recorrente na declaração de ITR Fl. 149DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 auditada, temse um VTN tributável de R$ 39.997.107,57, que deve ser o Valor da Terra Nua Tributável, base de cálculo do ITR. Por fim, são irrelevantes as considerações do recorrente sobre os valores das benfeitorias e das culturas (cana de açúcar), pois acima se considerou o VTN/hectare trazido no Parecer técnico pelo recorrente, implicando que a diferença do VTN, aqui e no laudo, decorreu apenas do afastamento da discussão da majoração da APP. Ante o exposto, voto no sentido de DAR parcial provimento ao recurso para diminuir o Valor da Terra Nua Tributável (campo 18 – fl. 3), base de cálculo do lançamento, de R$ 41.560.933,25 para R$ 39.997.107,57. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 150DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 11040.720079/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2004
Ementa:
ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação
do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-001.538
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora EDITADO EM: 16/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Margareth Valentini, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em exercício). Fl. 229DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 Relatório DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado Notificação de Lançamento (fls. 01/02) para exigir crédito tributário de ITR, exercício 2004, no montante de R$92.177,44, incluído multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 31/10/2007. Conforme se depreende do Demonstrativo de Apuração de ITR (fls.03) que acompanhou o auto de infração, foi glosada integralmente a área de preservação permanente de 940,0ha, relativo a um imóvel cuja área total é 1.453,70ha. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, o lançamento está assim justificado: (fls.02): Área de Preservação Permanente não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da Área declarada a titulo de preservação permanente no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal: ART 10 PAR 1 E INC II E AL "A" L 9393/96 Complemento da Descrição dos Fatos: As áreas declaradas como nãotributáveis devem ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), devendo ser protocolizado no IBAMA ou em órgãos ambientais estaduais delegados por meio de convênio no prazo de ate 6 (seis) meses, contado a partir do termino do prazo fixado para entrega da declaração. Iniciada a fiscalização o contribuinte foi intimado através do Termo de Intimação Fiscal de fls.05/06 a apresentar, relativo ao exercício 2004: Cópia do Ato Declaratório Ambiental ADA requerido junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis Ibama. Laudo técnico emitido por profissional habilitado, caso exista Área de preservação permanente de que trata o art. 2o da Lei 4.771 de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal), acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica ART registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia Crea, identificando o imóvel rural através de memorial descritivo de acordo com o artigo 9o do Decreto 4.449 de 30 de outubro de 2002. Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em Área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3o da Lei 4.771/65 (Código Florestal), acompanhado do ato do poder público que assim a declarou. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11040.720079/200713 Acórdão n.º 220101.538 S2C2T1 Fl. 2 3 Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. A falta de apresentação do laudo de avaliação ensejara o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB. Em resposta, após solicitação de algumas prorrogações (fls.12/17), o contribuinte apresentou: Anexo A (fls.19/21) – Correspondência enviada ao Procurador Geral do Ibama, sobre a validade do decreto que cria Estação Ecológica do Itaim e correspondência do Ministério do Meio Ambiente, indeferindo a implantação de lavoura de arroz inundada. Anexo B (fls.22/27) – Jurisprudência relativa a desnecessidade do ADA. Anexo I (fls.28/37) – Escritura do Imóvel. Anexo II (fls.38/47) – Mapa de medição georreferenciada. Anexo III (fls.48/51) – cópia do Decreto o 963, de 21 de julho de 1986, Cria a Estação Ecológica do Taim. Anexo IV (fls.52/65) – Declaração da Secretária Municipal relativa ao valor do Hectare no Município e Declaração de avaliação do imóvel, emitida por diversos corretores. Anexo V (fls.66/65) – Laudo Técnico de Utilização e Avaliação do Imóvel, referente ao exercício de 2004, acompanhado da respectiva ART (fls.69/100) e Laudo Técnico (fls.101/170), acompanhado da ART (fls.169) no qual consta: • Levantamento Topográfico Planimétrico do Imóvel (fls.101/106); • Levantamento Fotográfico do Imóvel (fls.107/116); • Conclusões (fls.117/118); • Mapas do Imóvel com a Área da Reserva Ecológica do Taim (fls.119/128) • Documentos Agência da Lagoa Mirim, PelotasRS (fls.129/168). DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, fls.173/,183 e documentos de fls. 186/188, cujos principais argumentos estão resumidos pelo relatório do Acórdão de primeira instância, o qual adoto, nesta parte: Em síntese, alega que o lançamento é nulo, por não estar amparado em Lei. Alega que a Área foi declarada indevidamente como de utilização limitada, mas se trata de Área de Fl. 231DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 preservação permanente, comprovada por laudo técnico, no montante de 907,9 ha. Afirma que o que importa é a existência da Área e sua preservação e não a apresentação de ADA ao IBAMA. Argumenta que a Área de preservação permanente é isenta pelo simples efeito da Lei (Código Florestal), não estando sujeita a nenhuma formalidade adicional. Aduz que o § 7° do art. 10 da Lei n° 9.393/96 estipula que as Áreas declaradas não estão sujeitas A comprovação prévia por parte do contribuinte. Defende que a Área deve ser aceita em obediência ao principio da verdade material. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar a matéria, os Membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/CGE n° 0418.636 de 18 de setembro de 2009, fls.196/202, em decisão assim ementada: “ÁREA DE RESERVA LEGAL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. Por exigência de Lei, para ser considerada isenta, a área de reserva legal deve estar averbada na Matricula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis e ser reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado dentro do prazo estipulado. O ADA é igualmente exigido para a comprovação das áreas de preservação permanente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado da decisão da DRJ em 05/11/2009 (“AR” fls. 205), o interessado apresentou na data de 26/11/2009, o Recurso Voluntário Tempestivo de fls. 208/222, utilizandose dos mesmos fatos e fundamentos legais da peça impugnatória. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 224 (última). É o relatório. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11040.720079/200713 Acórdão n.º 220101.538 S2C2T1 Fl. 3 5 A matéria em discussão cingese a falta de protocolização do ADA no IBAMA. Durante o procedimento fiscalizatório, foram apresentados diversos documentos e laudos que determinavam o VTN do imóvel e suas áreas. No que se refere ao VTN declarado, referente ao qual foi pedido a comprovação, os Laudos apresentados foram acolhidos e não foi efetuado lançamento neste ponto. A área de preservação Permanente Declarada não foi acolhida pela falta de apresentação do ADA, conforme expressamente determinado no Complemento da Descrição dos Fatos do Auto de Infração, assim motivado: “As áreas declaradas como nãotributáveis devem ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA)...” O principal fundamento da decisão de primeira instância para julgar procedente o lançamento também foi a falta do ADA. Conforme se verifica da conclusão do voto condutor que restou assim consignada: “Nos presentes Autos, não foi juntado ADA tempestivo para o Exercício do lançamento. Por estas razões, não 11á como acatar a área de preservação permanente pretendida pelo impugnante.” A efetiva discussão acerca da materialidade da área, ou seja, o registro da área de reserva legal e/ou da comprovação da área de preservação permanente, não foi questionada, após o contribuinte ter atendido o Termo de Intimação Fiscal e apresentado vasta documentação, essa sequer foi analisada na Descrição do lançamento ou no Acórdão recorrido. Como é do conhecimento dos Nobres Conselheiros desse Colegiado, discordo do entendimento de que para exclusão das áreas de reserva legal e preservação permanente seja imprescindível a apresentação tempestiva do ADA, sendo esse mais um elemento do prova a pretensão do contribuinte. Analisando a legislação concluo que a finalidade precípua do ADA foi a instituição de uma Taxa de Vistoria que deve ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, não tendo portanto o condão de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou regular procedimentos de apuração do ITR. A obrigatoriedade do ADA está prevista no art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, que deu nova redação ao artigo 17O da Lei nº 6.938/81, in verbis: “Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. [...] Fl. 233DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” Da leitura em conjunto dos dispositivos legais acima, verificase que o § 1º instituiu a obrigatoriedade apenas para situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, ou seja, depende do reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público. Por outro lado, a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorre diretamente da lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, não pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”. Assim, a apresentação tempestiva do ADA não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam os art.2º e 16 da Lei n.4.771/65 da base de cálculo do ITR, que dispõem, ex legis: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. (...) Fl. 234DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11040.720079/200713 Acórdão n.º 220101.538 S2C2T1 Fl. 4 7 Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (...) §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) A lei, portanto define, objetivamente, a área de preservação permanente e de reserva legal, independente de qualquer determinação do poder público. Assim, tendo sido o lançamento baseado exclusivamente na falta de apresentação do ADA, sem que a materialidade da área glosada fosse questionada e estando a Área de Preservação Permanente declarada, largamente comprovada através de Laudos Técnicos, entendo que não deve prosperar o lançamento. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora Fl. 235DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. Brasília/DF, 16/03/2012 / __________(assinado digitalmente)_____________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ / Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 236DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10860.905006/2009-45
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/12/2007
INTEMPESTIVIDADE DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
Recurso Voluntário de acórdão da DRJ embasado em Manifestação de Inconformidade Intempestiva não deve ser conhecido.
Numero da decisão: 3803-004.101
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
[assinado digitalmente]
Alexandre Kern - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. Recurso Voluntário de acórdão da DRJ embasado em Manifestação de Inconformidade Intempestiva não deve ser conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de PER/DCOMP que buscou compensar créditos alegadamente pagos indevidamente de COFINS do período de apuração outubro/2006 com débitos de IPI do período de apuração novembro/2007 no valor de R$ 51.878,58. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 50 06 /2 00 9- 45 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/ 03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Através de Despacho Decisório Eletrônico recebido em 19/10/2009, a DRF em Taubaté/SP não homologou o PER/DCOMP pois “Foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos créditos informados no Per/DCOMP” Irresignada a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 02/12/2009, onde resumidamente alega que: a. o crédito é oriundo da exclusão do ICMS da base de calculo da COFINS b. a base de cálculo da COFINS é o faturamento, ou seja, o produto da venda de mercadorias e da prestação de serviços. c. o ICMS não se amolda ao conceito de faturamento, sendo inconstitucional a incidência de contribuição sobre esse tributo. d. a matéria em questão que se refere a exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, se encontra em repercussão geral, no STF. Ao final pede que seu PER/DCOMP seja homologado. A contribuinte protocolou pedido de desistência da ação administrativa, porem o fez com numeração estranha ao processo. A receita federal a intimou para corrigir a numeração indicada para assim proceder. Não obteve resposta da contribuinte, razão pela qual o processo teve sua continuidade. A DRJ em Campinas/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Em seu acórdão atenta para a correção da inclusão do ICMS na base de calculo das contribuições sociais. Destaca que a lei 9.718/98, norma que regulava a COFINS na época, não previa a exclusão do ICMS da base de cálculo. Anexa a sumula 94 do STJ, e lembra que o recurso extraordinário nº 240.7852/MG não foi julgado, portanto, afasta sua aplicação. Atesta a falta de provas anexadas para a comprovação do valor pago a maior. Inconformado o sujeito passivo protocolou recurso voluntário onde afirma que o conceito de faturamento e receita possui natureza constitucional e não pode ser modificado por legislação infraconstitucional. Fundamenta seu argumento anexando parte de voto proferido pelo Exmo. Min. do STF, Marco Aurélio Melo, e afirma que o valor correspondente ao ICMS não tem natureza de faturamento ou receita. Ao final pede que seja reconhecido seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo, porem dele não tomo conhecimento. Discorrendo sobre a contagem de prazo no âmbito do processo administrativo fiscal, o artigo 5º do Decreto 70.235/72 (PAF) estabelece: Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/ 03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10860.905006/200945 Acórdão n.º 3803004.101 S3TE03 Fl. 11 3 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Quanto ao prazo para apresentação da Manifestação de Inconformidade o § 9o do artigo 74 da Lei 9.430/96, combinado com o § 7o do mesmo dispositivo legal estabelece o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do ato que não homologou a compensação. Em analise dos autos verificamos que o contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 19/10/2009 (Fls. 50), considerando que o dia 19/10/2009 foi uma segundafeira, a contagem do prazo iniciouse na terçafeira dia 20/10/2009 e findouse na quartafeira dia 18/11/2009, somente em 02/12/2009 (Fls. 08) a manifestação de inconformidade foi protocolizada. Não identificamos a existência de feriados ou falta de expediente na repartição, tão pouco a recorrente defende a tempestividade em seu recurso, o que seria natural em ocorrendo situações excepcionais como motivos de força maior, greve e outros eventos. Entendemos que errou a DRJ em Campinas/SP ao atestar a tempestividade da Manifestação de Inconformidade e manifestarse sobre as questões de mérito sem ao menos justificar a sua certificação de tempestividade. Verificamos, ainda, que o contribuinte em sua manifestação de inconformidade assim escreve: “Em 20.10.2009, a ora Peticionaria foi notificada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil sobre o teor da decisão exarada pela autoridade fiscal que indeferiu o pedido de restituição formulado pela empresa, não homologando também o pedidos de compensações realizados no mesmo procedimento fiscal, conforme dados descrito a seguir:” Ora, o próprio sujeito passivo reconhece a data da notificação do despacho decisório, apesar de um dia depois do efetivo recebimento, o que em nada altera o entendimento a respeito da intempestividade da sua manifestação de inconformidade. Pelo exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário. João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/ 03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10725.720125/2010-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 01/02/2008
MULTA POR AUSÊNCIA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. REPETRO. ALTERAÇÃO PARA ADMISSÃO TEMPORÁRIA PARA APERFEIÇOAMENTO ATIVO DEFERIDA. LICENÇA DE IMPORTAÇÃO NÃO EXIGIDA PREVIAMENTE. INCERTEZA. PENALIDADE CANCELADA.
Deferida a mudança de regime aduaneiro especial, que passou do REPETRO para o de admissão temporária para aperfeiçoamento ativo sem que tenha sido exigida previamente Licença de Importação, diante da incerteza quanto à exigência desta descabe aplicar a multa equivalente a trinta por cento do valor aduaneiro, estabelecida para a hipótese de importação de mercadoria sem a referida Licença.
REPETRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. MUDANÇA DE REGIME ESPECIAL. MULTA POR DECLARAÇÃO INEXATA
A mudança de regime especial de Repetro para Admissão Temporária não configura importação para que seja necessário se enquadrar a condição de material usado, pelo beneficiário do regime na respectiva declaração de importação de transferência de regime.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário não conhecido em parte e provido na parte conhecida.
Numero da decisão: 3401-002.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis e Odassi Guerzoni Filho. Designada a Conselheira Ângela Sartori para o voto vencedor. E por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício.
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente
EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator
ÂNGELA SARTORI Relatora-Designada para o Recurso Voluntário
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Adriana Oliveira de Ribeiro (Suplente), Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 01/02/2008 MULTA POR AUSÊNCIA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. REPETRO. ALTERAÇÃO PARA ADMISSÃO TEMPORÁRIA PARA APERFEIÇOAMENTO ATIVO DEFERIDA. LICENÇA DE IMPORTAÇÃO NÃO EXIGIDA PREVIAMENTE. INCERTEZA. PENALIDADE CANCELADA. Deferida a mudança de regime aduaneiro especial, que passou do REPETRO para o de admissão temporária para aperfeiçoamento ativo sem que tenha sido exigida previamente Licença de Importação, diante da incerteza quanto à exigência desta descabe aplicar a multa equivalente a trinta por cento do valor aduaneiro, estabelecida para a hipótese de importação de mercadoria sem a referida Licença. REPETRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. MUDANÇA DE REGIME ESPECIAL. MULTA POR DECLARAÇÃO INEXATA A mudança de regime especial de Repetro para Admissão Temporária não configura importação para que seja necessário se enquadrar a condição de material usado, pelo beneficiário do regime na respectiva declaração de importação de transferência de regime. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário não conhecido em parte e provido na parte conhecida.
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MULTAS POR IMPORTAÇÃO DESAMPARADA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO E POR PRESTAÇÃO INEXATA DE INFORMAÇÃO NA. Recorrentes DRJ FLORIANÓPOLISSC NOBLE DO BRASIL LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/02/2008 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF nº 2, de 2009, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, como a alegação de ofensa ao princípio do nãoconfisco. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 01/02/2008 MULTA POR AUSÊNCIA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. REPETRO. ALTERAÇÃO PARA ADMISSÃO TEMPORÁRIA PARA APERFEIÇOAMENTO ATIVO DEFERIDA. LICENÇA DE IMPORTAÇÃO NÃO EXIGIDA PREVIAMENTE. INCERTEZA. PENALIDADE CANCELADA. Deferida a mudança de regime aduaneiro especial, que passou do REPETRO para o de admissão temporária para aperfeiçoamento ativo sem que tenha sido exigida previamente Licença de Importação, diante da incerteza quanto à exigência desta descabe aplicar a multa equivalente a trinta por cento do valor aduaneiro, estabelecida para a hipótese de importação de mercadoria sem a referida Licença. REPETRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. MUDANÇA DE REGIME ESPECIAL. MULTA POR DECLARAÇÃO INEXATA A mudança de regime especial de Repetro para Admissão Temporária não configura importação para que seja necessário se enquadrar a condição de “material usado”, pelo beneficiário do regime na respectiva declaração de importação de transferência de regime. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 01 25 /2 01 0- 18 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10725.720125/201018 Acórdão n.º 3401002.094 S3C4T1 Fl. 273 2 Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário não conhecido em parte e provido na parte conhecida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis e Odassi Guerzoni Filho. Designada a Conselheira Ângela Sartori para o voto vencedor. E por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício. JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS – Relator ÂNGELA SARTORI – RelatoraDesignada para o Recurso Voluntário Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Adriana Oliveira de Ribeiro (Suplente), Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório O processo trata de auto de infração relativo a duas multas: a primeira, por importação desamparada de Licença de Importação (controle administrativo sobre a importação de navio sonda usado), no valor de R$ 40.086.152,91, equivalente a 30% (trinta por cento) do valor aduaneiro, nos termos do art. 169, I, “b”, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003; e a segunda, por omissão de informação de natureza essencial ao desenvolvimento do controle aduaneiro apropriado para a operação (mais especificamente, controle administrativo pelo Secex, tudo segundo a autuação), no valor de R$ 1.336.205,09, equivalente a 1% do valor aduaneiro, estabelecida no art. 84, I, da Medida Provisória nº 2.158, de 24/08/2001, combinado com os arts. 69, § 1º, e 81 da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, mantida pela primeira instância, à unanimidade. A 2ª Turma cancelou a primeira penalidade. Por maioria deu provimento parcial à impugnação, em decisão submetida a recurso de ofício. Por bem resumir o que consta dos autos até então, reproduzo o relatório da primeira instância: Observase dos autos que a interessada, por meio do registro da Declaração de Importação (DI) 08/01754709 (fls. 19 a 21), solicitou e obteve o direito de desembaraçar o navio sonda "Noble Roger Eason", de bandeira liberiana, construido em 1963 e reconstruido em 1977, no regime aduaneiro especial de Fl. 273DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10725.720125/201018 Acórdão n.º 3401002.094 S3C4T1 Fl. 274 3 admissão temporária para seu próprio reparo, a ser realizado no estaleiro MaudJurong, sob a proteção do contrato de serviço "C041010/08", nos termos da IN SRF 285/2003, art. 4°, inciso X, c/c o inciso XX e § 4°, item II, alínea "a". A autoridade lançadora, após relatar os fatos, salienta que, em função da data do registro da DI, a legislação aplicável à operação sob exame é a constante na Portaria Secex 36, de 04.12.2007; para tanto, esclarece que o art. 7° define as importações dispensadas de licenciamento e o art. 9°, inciso II, alínea "e", prescreve o tratamento dispensado a bem usado, a exceção do disposto no art. 35, § 2°, que regula a admissão temporária de recipientes, embalagens, envoltórios e afins, e que o art. 37, "ao determinar que o exame de produção nacional dos usados em admissão temporária, matéria insita ao licenciamento, só devesse ser realizado na hipótese de nacionalização dos mesmos", evidencia a compulsoriedade do licenciamento para importação de bens usados, ainda que sob a égide de regime aduaneiro especial. Cita, como fundamento da autuação, a resposta dada ao questionamento 11, colhido do sitio da internet do MDIC, o item 9 da Nota RFB/Coana/Cotac/Direa 2010/000124 e, por fim, os itens 1, 2a e 3 do ADN Cosit 16, de 07.05.1999, concluindo, por conseguinte, pela obrigatoriedade de licenciamento não automático para a importação sob apreço. Por entender ser indispensável a prévia emissão de licença de importação (LI) na operação sobre apreço, aliado ao fato de a contribuinte haver omitido a condição do navio sonda "Noble Roger Eason", ao não informar na DI que o bem era usado, conforme se depreende da sigla N/I (NãoInformado) existente no campo "CONDIÇÃO" da ficha "MERCADORIA" telas do Siscomex juntadas As fls. 73/74, e também por entender que referida informação é essencial ao controle aduaneiro apropriado, a fiscalização concluiu que a beneficiária do regime descumpriu obrigação acessória prevista no art. 69, § 1° da Lei 10.833/2003, combinado com o art. 84 da MP 2.15735/2001, corroborado pelos arts. 1°, 2° e 4° da Portaria Interministerial 291/1996 e pelo art. 4° da IN/SRF 680/2006; e, bem assim, ao não providenciar LI, afrontou ao disposto no art. 169, I, "h" e § 6° do DecretoLei 37/1966, regulamentado pelo art. 633, II, "a" do Decreto 4.543/2002 (RA/02), razão pela qual foram impostas as multas acima referenciadas. Inconformada com os lançamentos, a autuada apresentou impugnação As fls. 81 a 106, instruída com os documentos de fls. 107 a 177, para, em síntese, alegar que: (i) não procede a autuação, pois sequer houve importação de mercadoria usada ou prestação de informação incorreta A RFB capaz de ensejar a imposição das multas inerentes ao controle aduaneiro das importações; (ii) em algumas situações é beneficiária do regime de admissão temporária no âmbito do Repetro, relativamente à importação de sondas para exploração de poços de petróleo, de propriedade de Fl. 274DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10725.720125/201018 Acórdão n.º 3401002.094 S3C4T1 Fl. 275 4 empresa estrangeiras do grupo econômico do qual faz parte, e em outras, referidas sondas são admitidas no Pais ou transferidas de outros regimes aduaneiros especiais para o regime de admissão temporária para aperfeiçoamento do ativo, para serem submetidas a processo de beneficiamento ou reparos em estaleiros brasileiros, como na hipótese dos autos; (iii) o navio sonda foi inicialmente importado em 1992 pelo regime de admissão temporária para um período de 5 anos, momento em que foi requerida e emitida LI, em 1997 o referido regime foi prorrogado por 10 anos, no entanto, em 2002 o navio foi transferido para o regime do Repetro (DI 02/03803072), extinto em 2004 (RE 04/0024609 001), sendo que nesse mesmo ano foi novamente importado sob o aquele regime (DI 04/12869327), ocasião em que, por se tratar de importação formal após reexportação e não simples transferência entre regimes aduaneiros especiais, ocorridas em território brasileiro, obteve nova LI (04/18741228), entretanto, em virtude de sinistro ocorrido na embarcação (incêndio) em 2007, suas atividades foram interrompidas a fim de submetêla a reparo em estaleiro brasileiro, ocasião em que foi realizada em 2008 sua transferência do regime Repetro para o de admissão temporária para aperfeiçoamento do ativo, mediante registro da DI 08/01754709, sem que fosse necessário realizar sua exportação e, respectivamente, nova importação, conforme dispõe a IN SRF 121/2002; (iv) o fato de ter deixado, quando do registro da DI 08/0175470 9, de assinalar a condição "material usado" no Siscomex deveu se exclusivamente a erro de preenchimento dos respectivos campos e não qualquer intenção de apresentar informação equivocada ou conduzir a fiscalização a erro, não podendo ensejar a aplicação de vultosas multas; (v) depois de devidamente reparado o navio sonda foi novamente transferido para o regime do Repetro (DI 08/1348329), conforme "Documento de Transferência de Regime Aduaneiro — DTR", emitido em 01.09.2008, permanecendo nesse regime até os dias atuais; (vi) não pode prevalecer o auto de infração, uma vez que, além de carecer de fundamento jurídico, a conduta da autuada é válida, legal e imbuida de boafé; (vii) diferentemente do que ocorre na hipótese de despacho para consumo, a legislação não impõe a observância das exigências legais e regulamentares que regem as transferências entre regimes aduaneiros especiais; (viii) do disposto nos arts. 3° e 40 da IN/SRF 121, de 11.01.2002, depreendese que, para a transferência entre regimes aduaneiros, a legislação não exige outros documentos que não o DTR e a nova DI para o despacho aduaneiro de admissão no novo regime, por conseguinte, não existe qualquer menção quanto à necessidade de obtenção de LI, não obstante o bem, Fl. 275DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10725.720125/201018 Acórdão n.º 3401002.094 S3C4T1 Fl. 276 5 ainda que novo na data da importação, ser considerado material usado; (ix) a emissão de nova DI, para operacionalizar a transferência de regime, não transforma a referida operação em uma importação comum, ainda mais que a legislação aplicável sequer promove uma equiparação ou impõe a aplicação das normas que regem as importações, por se tratar de procedimento distinto que possui regras próprias à serem cumpridas; (x) a transferência entre regimes especiais não configura importação estrito senso, não pode a fiscalização pretender, por conseguinte, aplicar a multa de 30% do valor do bem, prevista no art. 633, II, "a" do Decreto 4.543/2002, que se destina as infrações administrativas de controle das importações, tanto mais que inexiste regra expressa exigindo LI na transferência entre regimes, como se faz, por exemplo, no despacho para consumo; (xi) a Portaria Secex 36/2007 prevê, no seu art. 7°, que a regra geral é de que "as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento", logo, sua exigência é regra excepcional aplicável quando a natureza do bem importado justifique o controle de sua entrada e permanência no Pais; (xii) no caso em tela, além de não se tratar de importação, mas de transferência de regime, a exigência de LI se apresenta desarrazoada e contraria à lógica estipulada na legislação de regência, especialmente se considerarmos que o navio sonda havia sido importado pela segunda vez em 2004, acompanhado de LI, e que aqui permaneceu sendo usado sob o regime de admissão temporária do Repetro; (xiii) a prova definitiva de que a exigência de LI só é possível por ocasião da importação estrito senso e não quando da transferência de regime reside no próprio texto da norma invocada pela fiscalização para justificar a aplicação da multa, pois o art. 35 da Portaria Secex 36/2007 dispõe que "a importação de mercadorias usadas está sujeita a licenciamento não automático, previamente ao embarque dos bens no exterior", ainda mais que na hipótese dos autos não ocorreu o embarque de bens no exterior, uma vez que se encontram no Pais, sendo usados no regime em que foram admitidos; (xiv) o § único, inciso II do próprio art. 7° da Portaria Secex 36/2007, vigente à época da transferência de regime, dispensa de forma expressa, o licenciamento de importações realizadas sob o regime de admissão temporária, inclusive de bens amparados pelo Repetro; (xv) depois do acidente ocorrido em 2007 o navio sonda foi admitido no regime de admissão temporária para aperfeiçoamento do ativo, previsto no art. 4°, X da IN/SRF 285/2003, estando, portanto, dispensado de licenciamento nos exatos termos do art. 7°, § único, II da Portaria Secex 36/2007; Fl. 276DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10725.720125/201018 Acórdão n.º 3401002.094 S3C4T1 Fl. 277 6 (xvi) na admissão temporária o licenciamento é exigido apenas na importação de bens sujeitos à prévia manifestação de outros órgãos da administração pública e por ocasião do despacho para consumo dos bens importados temporariamente, conforme dispõe o art. 311 do Decreto 4.543/2002, mas tal não foi o caso; (xvii) por se tratar de material usado, o art. 35 da Portaria Secex 36/2007 não exclui a dispensa de licenciamento referida no art. 7°, § único, inciso II da referida norma; (xviii) a Portaria Decex 8/1991, que define as limitações para a importação de material, dispõe expressamente, em seu art. 25, item "b", que os requisitos e procedimentos relativos à autorização e licenciamento para a importação de materiais usados não se aplicam a importações realizadas ao amparo do regime de admissão temporária, sendo que a LI é exigida somente na hipótese de nacionalização do bem admitido, conforme dispõe seu art. 22; (xix) o art. 39, § 10 da Portaria Secex 36/2007, dispensa o exame de produção nacional relativamente às "importações de bens usados sob o regime de admissão temporária", cuja análise referente aos aspectos que tratam da inexistência de produção nacional sera realizada somente na hipótese de nacionalização; (xx) é evidente que eventual emissão de LI pelo sistema, exclusivamente, pelo fato de ser assinalada a condição de material usado no campo próprio do Siscomex, tem função meramente formal, não servindo para controla e/ou limitar a entrada de mercadorias estrangeiras no Pais; (xxi) o não registro eletrônico da condição de "bem usado" constitui simples irregularidade, não tendo a eficácia lesiva que se pretendeu atribuir ao controle administrativo, uma vez que inexiste elemento que evidencie a ocorrência de prejuízo proteção do comércio nacional e à ordem interna; (xxii) a boafé está evidenciada pelo fato de as informações lançadas na DI reproduzirem com exatidão àquelas relativas ao bem, o que poderia ter sido claramente identificado pela própria autoridade aduaneira, independentemente do seu registro no Siscomex; (xxiii) por se tratar de transferência de bem entre regimes aduaneiros, é evidente que o bem não poderia ser novo, pois já estava sendo usado ao menos durante o período concedido no regime anterior; (xxiv) decisões do Superior Tribunal de Justiça e dos Tribunais Regionais Federais corroborar seus argumentos no sentido de que meras irregularidades formais no preenchimento de documentos e guias, sem que esteja configurado o dolo ou máfé, não são capazes de ensejar o pagamento de multas (STJ — 2' Turma — Agravo regimental no Recurso Especial 2000/00968838 — DJ 18.03.2002, p. 204), (TRF3a Regido — Fl. 277DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10725.720125/201018 Acórdão n.º 3401002.094 S3C4T1 Fl. 278 7 AC 95030963257 — DJF3 de 17.09.2008), (TRF5 — AC 200305000160262 — DJ de 19.03.2004, p. 612); (xxv) a multa pela suposta prestação de informação incorreta somente é cabível quando da existência de dolo especifico em fraudar o controle aduaneiro; (xxvi) é incabível a pretensão do fisco em aplicar vultosas penalidades diante do fato de que toda documentação que instruiu o despacho de admissão no regime evidencia que o navio sonda tratase de um bem usado; (xxvii) a multa aplicada se afigura descabida e em flagrante desacordo com os princípios constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade, ainda mais que a falta de registro eletrônico do bem como sendo usado e a ausência de licença de importação não causou dano ao erário ou ao controle administrativo; (xxviii) é abusiva a autuação, posto que as penalidades decorrentes, seja pela ausência de LI na admissão temporária do navio, seja pela alegada omissão de informações, revelamse claramente ofensivas também aos princípios constitucionais do não confisco e da capacidade contributiva, ainda mais que a pretensa inobservância de obrigações acessórias, embora não tenham causado qualquer prejuízo ao erário ou embaraço ao controle aduaneiro, acabou por impor penalidades que, cominadas, superam a cifra de quarenta milhões de reais, evidenciando seu efeito confiscatório, em contradição ao previsto no art. 150, inciso IV da CF/88; (xxix) ao aplicar as multas por prestação de informação incorreta e por falta de LI, sendo que esta seria supostamente concedida acaso o campo "usado" tivesse sido marcado, o auto de infração violou principio universal do direito infracional que expressa que um único fato não pode ocasionar dupla punição, posto que contraria ao principio do ne bis in idem; (xxx) deve ser cancelada a multa por não apresentação de licença de importação em razão do principio do in dúbio pro reo. Do exposto, requer seja acolhida a presente impugnação, declarando a improcedência do auto de infração, com a conseqüente cancelamento das multas nele aplicadas, bem assim, protesta por toda prova em direito admitido. Ao dar provimento parcial à impugnação para exonerar a multa por ausência de LI, a DRJ considerou que a autuada solicitou e obteve o direito de transferir o navio sonda "Noble Roger Eason" do regime de admissão temporária de bens destinados às atividades de pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e gàs natural (Repetro) para o de admissão temporária para aperfeiçoamento ativo, sem que tenha sido exigida previamente a Licença de Importação. Quanto à multa no valor de 1% do valor aduaneiro, o acórdão recorrido a manteve levando em conta que essa esta penalidade “deve ser aplicada àquele importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que prestar de forma inexata informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do Fl. 278DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10725.720125/201018 Acórdão n.º 3401002.094 S3C4T1 Fl. 279 8 procedimento de controle aduaneiro apropriado.” Reportandose ao art. 69, § 2º, da da Lei nº 10.833/2003, e à IN SRF nº 680, de 2006, considerou que o ANEXO ÚNICO dessa Portaria determina seja informado se o material é usado, enquanto a DI 08/01754709 omitiu tal informação. No mais, o Colegiado da DRJ rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento, por não se configurar hipótese expressa no art. 59 do Decreto nº 70.235/72; em relação às alegações atinentes a supostas ofensas aos princípios da legalidade, da razoabilidade e da proporcionalidade assentou a incapacidade dos julgadores administrativos para negar efetividade à legislação em vigor, e ao final não conheceu de alegações envolvendo inconstitucionalidade por constituir matéria da competência exclusiva do Judiciário. No Recurso Voluntário, tempestivo, a contribuinte insiste no cancelamento, também, da multa por omissão da informação de que o navio sonda era usado, refutando o acórdão recorrido em relação a esse ponto e repisando alegações da Impugnação no sentido de que se tratou de erro formal, inexistindo dolo; a multa é confiscatória, cabendo, se mantida e penalidade, reduzila a “patamares razoáveis e proporcionais à infração supostamente cometida”. Também trata na peça recursal da multa por ausência de LI, defendendo que seja mantida a parte do acórdão da DRJ que a exonerou. A Procuradoria da Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões em relação ao Recurso de Ofício. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Vencido RECURSO DE OFÍCIO O voto vencido considerou prepoderante o art. 9º, II, “e” da Portaria Secex 36, de 22/11/2007 – segundo o qual material sujeito está sujeito ao licenciamnto não automático , em detrimento do art. 7º, parágrafo único, II, desse mesmo ato administrativo – pelo qual é dispensado apresentação de LI na hipótese de bens amparados pelo Repetro , resolvendo o conflito aparente com adoção do critério da especialidade (tratase especificamente de bem usado). Também considerou que a Portaria Secex 10, de 25/05/2010, não trouxe alteração substancial em relação à Portaria Secex 36, de 22/11/2007, e, de qualquer forma, reputou necessária diligência frente à Secex ou à RFB, visando saber se haveria exigência de LI caso a empresa tivesse informado que a mercadoria era usada. Apesar de essa interpretação, vencida, não ser desarrazoada, me parece melhor a do voto vencedor, que levou em conta o seguinte: a autuada solicitou e obteve o direito de transferir o navio sonda "Noble Roger Eason" do regime de admissão temporária de bens destinados às atividades de pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e gàs natural (Repetro) para o de admissão temporária para fins de beneficiamento, montagem, renovação, recondicionamento, acondicionamento ou Fl. 279DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10725.720125/201018 Acórdão n.º 3401002.094 S3C4T1 Fl. 280 9 reacondionamento, a fim de reparála no estaleiro MaudJurong, conforme contrato de serviços "C041010/08", em conformidade com o disposto no art. 4º, caput, inciso X, c/c o inciso XX e § 40, item II, alínea "a" da IN SRF 285/2003; o Decreto 4.543/2002, no Capitulo IV, do Titulo I do Livro IV, notadamente no art. 334 – Regulamento Aduaneiro de 2002 (RA/2002) , ao disciplinar a matéria, confirma o disposto na IN acima mencionada, enquanto o seu art. 414 enuncia que ao Repetro se aplica, no que couber, as normas previstas para o regime aduaneiro especial de admissão temporária; o § 1° do art. 311 do RA/2002 informa que a concessão do regime especial de admissão temporária poderá ser condicionada à obtenção de Licença de Importação (LI); se a LI era determinante para a concessão do regime especial de admissão temporária e esta não foi apresentada por ocasião da sua concessão, então a questão está relacionada ao ato administrativo que o concedeu e, até que referida concessão seja invalidada ou modificada, sua presunção de legitimidade permanece, o que leva à conclusão de que a autoridade competente para conceder o regime o fez por entender ser prescindível, à época da concessão, a apresentação de LI; ao impor a multa por ausência de LI, em procedimento de revisão aduaneira, a autoridade fiscal revisora adentra campo reservado ao titular da unidade da SRF responsável pelo despacho aduaneiro que concedeu o regime, e o auto de infração, nos termos em que lavrado, representa a invalidação da concessão e aplicação do regime concedido; merece atenção o disposto no art. 7°, parágrafo único, inciso II e, no art. 9°, inciso II, alínea "e", ambos da Portaria Secex 36, de 22.11.2007 o primeiro dispensando a apresentação de LI para bens amparados no Repetro, e o segundo sujeitando à LI (licenciamento não automático) material usado; apesar de o sitio do MDIC na internet citado à fl. 03 do relatório de fiscalização (fl. 09 dos autos) – informar que a Secex orientava que os materiais usados, ainda que internado sob regime aduaneiro especial, estavam sujeitos a LI, não havia tal disciplinamento na legislação de regência por ocasião da concessão do regime em comento; a ausência de disposição legal precisa, em face da falta de dispositivo que estabelecesse a exigência de LI para os casos em que as operações se enquadrassem simultaneamente na condição de "dispensa" e "nãodispensa" dessa, só foi sanada com a publicação da Portaria Secex 10, de 25/05/2010 (menciona o § 2° do art. 8° desta Portaria); o art. 633, II, “a”, do RA/2002, dispositivo legal que amparou a penalidade por ausência de RLI, se refere aos desembaraços “no regime comum de importação”, o que não contempla as circunstâncias narradas na autuação; o regime comum de importação é aquele destinado à nacionalização de mercadorias importadas a titulo definitivo, mediante despacho para consumo, enquanto o caso sob exame trata do ingresso no território aduaneiro de bem amparado pelo Repetro, aplicado mediante a utilização de tratamento aduaneiro inerente ao regime aduaneiro especial de admissão temporária. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10725.720125/201018 Acórdão n.º 3401002.094 S3C4T1 Fl. 281 10 Na situação em tela, por um lado é certo que a contribuinte teve deferida a mudança de regime aduaneiro especial, que passou do REPETRO para o de admissão temporária para aperfeiçoamento ativo sem que tenha sido exigida previamente Licença de Importação. Por outro, desde o início parece haver incerteza quanto à exigência da LI, já que o novo regimento aduaneiro especial foi deferido sem sua exigência. Embora não considere que o lançamento usurpado a competência da autoridade administrativa aduaneira que analisou a mudança de regime, considero que o mais razoável seria essa autoridade ter exigido a LI, sob pena de indeferimento do pleito. Em vez da penalidade equivalente a trinta por cento do valor aduaneiro, extremamente gravosa e aplicada apesar de uma primeira decisão favorável à contribuinte, o indeferimento é a medida que devia ter sido adotada. Diante da incerteza que existia, na época do registro da DI 08/01754709, quanto à exigência de DI, cabe aplicar a interpretação mais favorável à contribuinte, nos termos do art. 112, I, do CTN, negandose provimento à remessa de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço, exceto no que alega que a multa igual a de 1% (um por cento) do valor aduaneiro seria confiscatória. Como se sabe, a arguição de suposta ofensa a princípios constitucionais, como o do nãoconfisco, não pode ser analisada aqui porque somente o Judiciário é competente para julgálas, a teor do que dispõe a Constituição Federal, nos seus arts. 97 e 102, I, “a”, III e §§ 1º e 2º deste último. Neste sentido, inclusive, a Súmula CARF nº 2, de 21/12/2009, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Quanto à tempestividade, verificoa por meio da fls. 228 com intimação do acórdão da DRJ assinado digitalmente pela autoridade administrativa em 26/08/2011, uma sextafeira, e 235 com carimbo eletrônico do protocolo de recebimento da peça recursal em 26/09/2011. Doravante cuido do mérito do Voluntário, interpretando que o acórdão recorrido também não merece reforma no que manteve a penalidade um por cento do valor aduaneiro, aplicada com base no art. 84 da Medida Provisória n° 2.158 35, de 24 de agosto de 2001, e o art. 69 da Lei nº 10.833, de 2003 A descrição constante dos Dados Complementares (ver fl. 21, onde consta o ano de 1963 como o de construção do navio sonda) não supre a obrigatoriedade de o contribuinte informar, no campo 40, I, do ANEXO ÚNICO (INFORMAÇÕES A SEREM PRESTADAS PELO IMPORTADOR) da IN SRF nº 680, de 2006, que o bem era usado. A informação no campo próprio da DI é importante ao controle aduaneiro, independentemente da descrição detalhada referida. Referida Portaria tem amparo legal no art. 69, § 2º, da Lei nº 10.833/2003, com a seguinte dicção: Fl. 281DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10725.720125/201018 Acórdão n.º 3401002.094 S3C4T1 Fl. 282 11 Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1o A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2o As informações referidas no § 1o, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador/exportador; adquirente (comprador)/fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque. O art. art. 84, I, da Medida Provisória nº 2.158, de 24/08/2001, por sua vez, dispõe: Art.84.Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: Iclassificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou IIquantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. §1oO valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. §2oA aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista noart. 44 da Lei no9.430, de 1996, e de outras Fl. 282DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10725.720125/201018 Acórdão n.º 3401002.094 S3C4T1 Fl. 283 12 penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. A aplicação da penalidade em comento independe de dolo ou máfé, possuindo caráter objetivo. Basta que tenha havido erro na classificação considerada pelo contribuinte, ou que declaração exigida pela Receita Federal do Brasil tenha sido omitida ou fornecida de modo inexato. Daí a manutenção desta penalidade, que visa proteger o controle aduaneiro. A corroborar a interpretação ora adotada, os seguintes acórdãos: Multa de 1% do Valor Aduaneiro. A infração capitulada no art. 84 da Medida Provisória n° 2.158 35, de agosto de 2001, inserese no plano da responsabilidade objetiva, não reclamando, portanto, para sua caracterização, a presença de intuito doloso ou máfé por parte do sujeito passivo. Demonstrado o erro de classificação, impõese a aplicação da multa. (Processo nº 11128.001728/200217, Recurso nº 137.523 Embargos, Matéria II/CLASSIFICAÇÃO FISCAL, Acórdão n° 30335.361, Sessão de 21 de maio de 2008, Relator Cons. LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO) MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA A multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, deve ser aplicada sempre que for apurada a classificação incorreta da mercadoria importada, observados os limites impostos pela legislação de regência. (Processo n° 12466.005190/200233 Recurso n° 131.721 Voluntário Matéria II / CLASSIFICAÇÃO FISCAL Acórdão n° 30134.068 Sessão de 16 de outubro de 2007, Relator Cons. José Luiz Novo Rossari) CONCLUSÕES Pelo exposto, nego provimento ao Recuro de Ofício e, no tocante ao Voluntário, não o conheço em relação à alegação de suposto caráter confiscatória da multa e também nego provimento na parte conhecida. Emanuel Carlos Dantas de Assis Voto Vencedor Conselheira Ângela Sartori, designada relatora para o Recurso Voluntário: Fl. 283DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10725.720125/201018 Acórdão n.º 3401002.094 S3C4T1 Fl. 284 13 O tipo infracional discutido no caso em tela seria a prestação de informação/incorreta ou inexata à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, sendo que a suposta incorreção seria a não marcação expressa da condição de usado do bem na DI. Entendo que a autuação não pode ser mantida porque (i) não houve prestação de informação incorreta ou inexata e (ii) mesmo que se apontasse a não marcação da condição de bem usado como informação incorreta, esta não se caracterizaria como necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, tendo em vista que se tratava de mudança de regime, ou seja, de REPETRO para Admissão Temporária e não importação definitiva ou importação em regime especial. Neste contexto, importante é a INSRF 680/2006 (anexo único) que prevê a necessidade de assinalar a condição de que a mercadoria se trata de “material usado” na DI em caso de importação e importação em regime especial. No entanto depreendese que tal norma não é aplicável no presente caso, pois tratase de mudança de regime qual seja, de Repetro para Admissão Temporária. A INSRF 680/2006 é clara: “Disciplina o despacho aduaneiro de importação” e não a alteração de regime especial, de mercadoria já importada e internada no país, como é o caso, portanto o fato típico que é a importação para aplicação da norma não ocorreu. Ademais, o fato de a Recorrente ter deixado de assinalar a condição “material usado” na Declaração de Importação n° 08/01754709 de transferência de um regime para outro, não caracteriza informação incorreta ou inexata porque (i) na DI de transferência de regime especial, constava o ano em que o bem foi fabricado e reconstruído (1963 e 1977) (ii) o ingresso no Regime de Admissão Temporária se deu mediante transferência do Regime do REPETRO, sob o qual a “Noble Roger Eason” se encontrava amparada, e em uso dentro do país, desde 2004 sendo fato notório para a própria Receita Federal que o bem era usado. Com efeito, tal informação não se configurava como necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, tendo em vista que se tratava de mera transferência entre regimes aduaneiros de admissão temporária, inclusive com menção ao regime aduaneiro anterior, e principalmente porque o licenciamento era dispensável nestes casos, ainda que se tratasse de bem usado. Por todo exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. Ângela Sartori Fl. 284DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10725.720125/201018 Acórdão n.º 3401002.094 S3C4T1 Fl. 285 14 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10665.902602/2009-80
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-001.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre a existência do direito crédito reivindicado no PERDCOMP e sobre a homologação das compensações pleiteadas, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
______________________________________
Carmen Ferreira Saraiva Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
______________________________________
Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jaci de Assis Junior, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
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COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre a existência do direito crédito reivindicado no PERDCOMP e sobre a homologação das compensações pleiteadas, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ______________________________________ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 26 02 /2 00 9- 80 Fl. 34DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 2 Carmen Ferreira Saraiva – Presidente em exercício (assinado digitalmente) ______________________________________ Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jaci de Assis Junior, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Trata o presente processo de PERDCOMP eletrônico (fls. 10/15), transmitido em 31/07/2006, pelo qual pretende a interessada a compensação de débito de estimativa de IRPJ de janeiro/2006, no valor de R$ 414,59, com direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ apurada no mês de junho de 2005 (recolhimento em julho/2005), baixado para tratamento manual neste processo. Pelo Despacho Decisório Eletrônico de fl. 02 a compensação pleiteada foi não homologada, ao fundamento de que a pessoa jurídica somente poderia utilizar o valor pago indevidamente ou a maior a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ/CSLL devido ou para compor o saldo negativo porventura apurado. Na manifestação de inconformidade apresentada (fl. 01) a interessada alegou: ...Como se observa os impostos IRPJ e CSLL, referentes ao ano de 2005, foram pagos tempestivamente, não restando saldo a recolher. Com a edição dos atos decisórios acima a Secretaria da Receita Federal do Brasil está instituindo um compulsório sem amparo legal e sem previsão para devolução ou compensação dos mesmos. Em exame das declarações de compensação, verificase que as multas ora requeridas já foram cobradas e deduzidas dos impostos recolhidos a maior, acrescidas dos respectivos juros de mora. ... Apreciando o litígio a DRJ em Belo Horizonte/MG indeferiu o pleito ao argumento de que o art. 10 da IN SRF 600/2005 determina que os recolhimentos indevidos ou a maior de estimativa de IRPJ ou de CSLL somente podem ser utilizados ao final do período de apuração como dedução do devido a título de imposto ou contribuição, ou para composição do saldo negativo porventura apurado e que o art. 30 do mesmo diploma estabelece que o tributo ou contribuição objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Cientificada, em 24/08/2011, do acórdão da DRJ em Belo Horizonte/MG, a interessada apresentou, em 23/09/2011, o recurso voluntário de fls., apontando que a vedação contida no artigo 10 da IN SRF n º 600/2005 teria deixado de existir com a edição da IN SRF n º 900, de 2008. Alega que a compensação teria sido realizada sobre um pagamento indevido ou Fl. 35DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10665.902602/200980 Acórdão n.º 1801001.006 S1TE01 Fl. 3 3 a maior que não causaria prejuízo ao Fisco. Além disso, haveria dificuldades para apresentação de declaração retificadora para composição de saldo negativo de IRPJ e de CSLL para posterior compensação. Acrescenta que haveria previsão de retroatividade de lei mais benigna. Ao final pugna pelo provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Relator. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A primeira questão que se coloca para análise nestes autos referese à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL no curso do anocalendário gerando um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Tal questão já foi dirimida nesta Turma de julgamento, como se verifica dos trechos abaixo reproduzidos, extraídos do Acórdão 180100.486, de relatoria da Ilustre Conselheira Maria de Lourdes Ramirez: “... Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa Fl. 36DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 4 jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação Fl. 37DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10665.902602/200980 Acórdão n.º 1801001.006 S1TE01 Fl. 4 5 mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. É verdade que, pela Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 2008, se procurou acrescentar novas restrições à compensação, por meio da inserção dos incisos VII a IX, ao § 3° do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, dentre elas a compensação de indébitos de estimativas. Seria essa a redação: Art. 29. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...).....(...) (...).(...) § 3º (...)....(...)....(...) (...) VII os débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); VIII os débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 1988; e IX os débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL apurados na forma do art. 2º. (...) § 12. (...) Fl. 38DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 6 (...) Entretanto, na conversão da referida MP 449, de 2008, na Lei no. 11.941, de 2009, não se manteve a alteração acima: Lei n°. 11.941, de 27 de maio de 2009 (fruto da conversão da MP 449/2008): Art. 30. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...) (...) § 12. (...) (...) Portanto, não foi da vontade do legislador vedar a compensação de indébitos de estimativas de IRPJ e de CSLL. É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10665.902602/200980 Acórdão n.º 1801001.006 S1TE01 Fl. 5 7 §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ ou da CSLL – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, uma vez que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluise que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 8 Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10665.902602/200980 Acórdão n.º 1801001.006 S1TE01 Fl. 6 9 § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, Fl. 42DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 10 desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzi los por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de Fl. 43DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10665.902602/200980 Acórdão n.º 1801001.006 S1TE01 Fl. 7 11 janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. ...” No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar e pagar as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL do anocalendário 2005. E existe a possibilidade de a contribuinte ter operado com erro no cálculo e pagamento das estimativas mensais de IRPJ e de CSLL do anocalendário 2005. Imperioso, entretanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito pleiteado e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ/CSLL devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) ______________________________________ Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira – Relator Fl. 44DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 12 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
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Numero do processo: 16636.000525/2010-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009
RESTITUIÇÃO DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
As contribuições sociais não recolhidas até a data de seu vencimento ficam sujeitas aos acréscimos legais determinados pela legislação. Incabível a restituição de acréscimos legais quando não há previsão legal para a sua exclusão dos valores retidos da quota do Fundo de Participação dos Municípios.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009 RESTITUIÇÃO DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. As contribuições sociais não recolhidas até a data de seu vencimento ficam sujeitas aos acréscimos legais determinados pela legislação. Incabível a restituição de acréscimos legais quando não há previsão legal para a sua exclusão dos valores retidos da quota do Fundo de Participação dos Municípios. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
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INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. As contribuições sociais não recolhidas até a data de seu vencimento ficam sujeitas aos acréscimos legais determinados pela legislação. Incabível a restituição de acréscimos legais quando não há previsão legal para a sua exclusão dos valores retidos da quota do Fundo de Participação dos Municípios. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 63 6. 00 05 25 /2 01 0- 99 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16636.000525/201099 Acórdão n.º 2402003.412 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de pedido de restituição dos encargos legais incidentes sobre a contribuição previdenciária relativa ao 13° salário de 2009, cujo pagamento deuse com a retenção de quota do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), após a data de vencimento da obrigação. O pedido foi indeferido mediante o DESPACHO DECISÓRIO (DD) DRF/PEL nº 424/2010, de 13/09/2010 (fls. 14/16), de acordo com os seguintes fundamentos: “[...] 6. Dispõe o art. 35 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n° 11.941/2009, que os débitos com a União, decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a tiítulo de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) 8. Por outro lado, o Decreto nº 3.048/1999, ao tratar dos encargos legais pelo recolhimento em atraso das contribuições sociais de previdência, dispõe que os juros de mora e a multa de mora são aplicados em caráter irrevogável. 9. No caso em tela, o contribuinte optou por quitar a contribuição previdenciária relativa ao 13° salário de 2009, cujo valor originário era de R$44.569,95, mediante retenção de quota do Fundo de Participação dos Municípios FPM, no repasse de 08/jan/2010. Por inconsistências dos sistemas, a retenção para quitação da referida contribuição somente foi efetuada em 10/fev/2010, o que gerou uma diferença de encargos legais na ordem de R$5.147,84 (cinco mil, cento e quarenta e sete reais e oitenta e quatro centavos), conforme cálculos ás fls. 11/12 e abaixo demonstrado: (...) 10. É de se observar, no entanto, que o contribuinte, mesmo ciente da não retenção de quota do FPM para quitação das citadas contribuições em jan/2010, não tomou a iniciativa de promover o seu recolhimento, assumindo, assim, o ônus pelos correspondentes encargos legais decorrentes do atraso no pagamento. 11. Nesse sentido, o Código Tributário Nacional CTN, dispõe que o crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros e multa de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, além de tais encargos decorrerem de expressa disposição legal, constituindo ato vinculado, não Fl. 43DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 cabendo à autoridade administrativa aplicálos segundo critérios subjetivos. [...]” Cientificado da decisão, em 22/09/2010 (fl. 18), o requerente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 19/20), alegando, em síntese: 1. as providências adotadas pelo Município são as legalmente previstas, ou seja, em 20 de Dezembro de 2009 foi elaborada pelo setor responsável a folha de pagamento referente ao 13° salário/2009, cujo desconto previdenciário é efetuado pelo próprio Ente ou mediante oficio para a previdência informando valor e autorizando o desconto no Fundo de Participação dos Municípios (FPM); 2. aduz que tendo o Município optado em quitar a contribuição previdenciária relativa ao 13° salário de 2009, mediante retenção de quota do Fundo de Participação dos Municípios, repasse Janeiro de 2010, entendeu por quitado o débito. Porém, por inconsistência do próprio sistema da Receita Federal do Brasil, a referida retenção deu se no mês seguinte, com o ônus de mora injustificadamente atribuído ao ente Municipal, como se a inadimplência fosse ocasionada por sua culpa ou as suas expensas; 3. entende que no momento em que informou o valor devido e a fonte pagadora ou origem dos recursos, a obrigação está satisfeita, se em momento seguinte, a parte credora abdica do direito de locupletarse, seja de forma voluntária ou involuntariamente por questões técnicas, não há como transferir responsabilidades, o procedimento adotado é ilegal é imoral e injusto; 4. ao final, requer seja recebida a manifestação, declarada procedente, e reconhecido ao Ente Municipal o direito de manifestações ulteriores, caso forem necessárias na legitima defesa de seus interesses. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Porto Alegre/RS – por meio do Acórdão no 1036.815 da 7a Turma da DRJ/POA (fls. 26/29) – considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão que indeferiu o pedido de restituição. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela improcedência de sua Manifestação de Inconformidade. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Pelotas/RS informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16636.000525/201099 Acórdão n.º 2402003.412 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo (fls. 427 e 432) e não há óbice ao seu conhecimento. No presente processo, a Recorrente solicita a restituição dos encargos legais sobre a contribuição previdenciária relativa ao 13° salário de 2009. Verificase que a Recorrente optou por quitar a contribuição previdenciária relativa ao 13° salário de 2009, mediante retenção de quota do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), no repasse de 08/01/2010, arcando com os acréscimos legais devidos. Contudo, a retenção para quitação da referida contribuição ocorreu em 10/02/2010, ensejando a aplicação dos encargos legais devidos até esta data. Nesse contexto deve ser ressaltado que a multa e os juros incidentes sobre as contribuições em atraso são fixados por lei ordinária, a qual expressamente declara o seu caráter irrelevável, ou seja, há imposição legal de ordem pública para a sua aplicação, independentemente do motivo que ensejou a demora do pagamento. Esclarecemos que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois não há qualquer disposição legal ou normativa que autorize a autoridade administrativa a expurgar os acréscimos legais retidos do FPM, e a cobrança de juros de mora e de multa de mora estava prevista em lei específica da previdência social, art. 35 da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao princípio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade na cobrança de juros e de multa de mora, estando os valores descritos no lançamento fiscal, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária, eis que o art. 35 da Lei 8.212/1991 dispõe que as contribuições sociais não recolhidas à época própria ficavam sujeitas aos juros e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Isso está em consonância com o próprio art. 161, § 1°, do CTN, pois havendo legislação especifica dispondo de modo diverso, abrese a possibilidade de que seja aplicada outra taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa utilizada é a SELIC. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (g.n.) O disposto no art. 161 do CTN não estabelece norma geral em matéria de legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei de igual status, não havendo necessidade de lei complementar. Dessa forma, não pode ser acatado o requerimento formulado pela Recorrente. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação da decisão de primeira instância, eis que o Despacho Decisório (DD) e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 16707.002573/2009-05
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE NEGADA.
Não se reconhece a nulidade do auto de infração quando verificados os requisitos do artigo 10, III do Decreto n. 70.235/72 e a observância do devido processo legal, ampla defesa e contraditório.
IRPJ E CSLL. COMPROVAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS EM EXERCÍCIOS ANTERIORES.
À falta de escrituração do LALUR e de comprovação de apuração de prejuízos fiscais, não há o dever de ofício da autoridade administrativa de sua recomposição.
IRPJ E CSLL. SAÍDAS DE MERCADORIAS. SIMPLES REMESSA. NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO.
As operações de saída de mercadorias que não se consubstanciam em venda, não compõem os valores de receita, desde que a sua materialidade seja comprovada.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREVALÊNCIA DO DECRETO 70.235/72 SOBRE A LEI 9784/99
Não há obrigação do julgamento do processo administrativo no prazo de trinta dias, afastando-se a Lei 9.784, artigos 48 c/c 49, devendo o Decreto n. 70.235/72, artigo 27, prevalecer.
Numero da decisão: 1801-000.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. A Conselheira Ana de Barros Fernandes acompanhou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Fernandes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MAGDA AZARIO KANAAN POLANCZYK
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE NEGADA. Não se reconhece a nulidade do auto de infração quando verificados os requisitos do artigo 10, III do Decreto n. 70.235/72 e a observância do devido processo legal, ampla defesa e contraditório. IRPJ E CSLL. COMPROVAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS EM EXERCÍCIOS ANTERIORES. À falta de escrituração do LALUR e de comprovação de apuração de prejuízos fiscais, não há o dever de ofício da autoridade administrativa de sua recomposição. IRPJ E CSLL. SAÍDAS DE MERCADORIAS. SIMPLES REMESSA. NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. As operações de saída de mercadorias que não se consubstanciam em venda, não compõem os valores de receita, desde que a sua materialidade seja comprovada. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREVALÊNCIA DO DECRETO 70.235/72 SOBRE A LEI 9784/99 Não há obrigação do julgamento do processo administrativo no prazo de trinta dias, afastando-se a Lei 9.784, artigos 48 c/c 49, devendo o Decreto n. 70.235/72, artigo 27, prevalecer.
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PRELIMINAR DE NULIDADE NEGADA. Não se reconhece a nulidade do auto de infração quando verificados os requisitos do artigo 10, III do Decreto n. 70.235/72 e a observância do devido processo legal, ampla defesa e contraditório. IRPJ E CSLL. COMPROVAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS EM EXERCÍCIOS ANTERIORES. À falta de escrituração do LALUR e de comprovação de apuração de prejuízos fiscais, não há o dever de ofício da autoridade administrativa de sua recomposição. IRPJ E CSLL. SAÍDAS DE MERCADORIAS. SIMPLES REMESSA. NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. As operações de saída de mercadorias que não se consubstanciam em venda, não compõem os valores de receita, desde que a sua materialidade seja comprovada. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREVALÊNCIA DO DECRETO 70.235/72 SOBRE A LEI 9784/99 Não há obrigação do julgamento do processo administrativo no prazo de trinta dias, afastandose a Lei 9.784, artigos 48 c/c 49, devendo o Decreto n. 70.235/72, artigo 27, prevalecer. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 25 73 /2 00 9- 05 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. A Conselheira Ana de Barros Fernandes acompanhou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo – Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Fernandes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Tratase de auto de infração lavrado para a exigência de IRPJ e CSLL, no valor total de R$ 948.270,43, incluídos multa de oficio e juros de mora, por insuficiência de recolhimento do IRPJ, apurado por meio do confronto entre os dados escriturados e aqueles informados na DIPJ, relativo ao anocalendário de 2006, com os valores declarados/pagos registrados nos sistemas da Secretaria da Receita Federal. A Recorrente foi intimada a apresentar justificativa e reconheceu as divergências nas informações, informando a respectiva retificação, juntando cópias de DIPJ e DCTF. Posteriormente, foram apresentados os Livros Diário e Razão, enquanto que os Livros de Inventário e de Apuração do Lucro Real — LALUR não entregou sob a alegação de que foram extraviados. Em relação aos talões de notas fiscais referentes ao anocalendário de 2006, afirmou que tais documentos teriam sido extraviados, em face de fortes chuvas que caíram no município de Caicó/RN (fl. 63), sem fazer prova de sua alegação (fls. 66/67). Analisados os livros apresentados, constatouse divergências entre as receitas contabilizadas no Diário/Razão e no Controle de Movimento Econômico Tributário (MOVECO), da Secretaria Estadual de Tributação do Estado do Rio Grande do Norte, com os valores informados na DIPJ, sem que a Recorrente lograsse comprovar referidas divergências. Em vista do recolhimento do IRPJ a menor informado na linha 12A, item 18, da DIPJ, bem como na DCTF, elaborouse Demonstrativo de Recomposição do Lucro Real (fls. 15/24), de conformidade com os Demonstrativos Comparativos de Entradas, de Saídas e de Custos das Mercadorias Vendidas, consignados em sua DIPJ do anocalendário de 2006, em confronto com os balancetes, Razão, Diário, RAICMS e o Controle do Movimento EconômicoTributário (MOVECO). Em sede de impugnação, a Recorrente alegou, em síntese: i.nulidade do auto de infração pois nos Demonstrativos de Recomposição do Lucro Real (fls. 15/18) e da Contribuição Social (fls. 36/39), teriam sido omitidas, respectivamente, as compensações de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativa da CSLL, cujo motivo não teriam sido descrito nem capitulado nos autos de infração; ii. que a não apresentação do LALUR não autoriza, por si só, a expedição de lançamento fiscal, devendo a recomposição ser feita de oficio, levando em Fl. 372DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 16707.002573/200905 Acórdão n.º 1801000.878 S1TE01 Fl. 4 3 consideração os saldos de prejuízos fiscais a compensar ; iii. o cotejo entre a escrituração fiscal Livro de Apuração do ICMS e a DIPJ não teria considerado os valores tais como Notas Fiscais de Simples Remessa ou Remessa em Bonificação; iv. que a jurisprudência do CARF é unânime no sentido de considerar que nem todo o faturamento, por movimentação de mercadorias e serviços, constitui base tributável dos tributos administrados pela Receita Federal; v. que o valor declarado a menor, mas escriturado corretamente, implica retificação de oficio da DIPJ pelo Fisco; vi. que a posição do Poder Judiciário é no sentido de que há o direito de retificação do lançamento fiscal, inclusive na fase de execução forçada, ou seja, após a lavratura do auto de infração, inscrição do débito em dívida ativa; vii. que a retificação de ofício do lançamento já foi homologada pela DRJ do Recife, que previu a retificação até mesmo na fase de revisão interna, em consonância com a IN SRF n.° 482, de 2004 por erro no preenchimento da declaração; viii. nulidade do ato administrativo, por prevalência das declarações sobre as escriturações regulares; ix. fora requerida a retificação do auto de infração, o registro da descrição do fato e capitulação das exclusões dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativo das recomposições do IRPJ/CSLL, a recepção das bases de cálculo do IRPJ/CSLL, a consideração das escriturações fiscal e contábil, codificações, registros etc., a teor da fiscalização estadual no períodobase de2006, diligência fiscal, e que o julgamento atendesse ao disposto no art. 27 do Decreto n.° 70.235, de 1972, art. 48 da Lei n.° 9.784, de 1999 e EC n.° 45, de 2004. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE), pelo Acórdão 1131.667 julgou improcedente a impugnação apresentada, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 SAÍDAS DE MERCADORIAS. SIMPLES REMESSA. VENDAS DE MERCADORIAS. NÃO INCLUSÃO. As saídas às quais não correspondem vendas de mercadorias não podem ser incluídas nos valores de receita auferidos pela pessoa jurídica. No entanto, a realidade de tais operações deve ser comprovada, quando requerido pela autoridade administrativa competente, sob pena de não serem assim consideradas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. 0 entendimento adotado para o lançamento matriz se estende aos lançamentos reflexos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 PRELIMINAR DE NULIDADE. Não se cogita da nulidade do auto de infração quando, além de formalmente perfeito, for induvidosa a competência da Fl. 373DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 autoridade autuante, bem como em nada malferido o direito de defesa do contribuinte. PEDIDOS DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Desnecessários os pedidos de perícia quando os autos já trouxerem todos os elementos necessários à convicção do julgador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido De acordo com a decisão ora recorrida, inexistente a nulidade do lançamento, não havendo cerceamento de defesa, pois teria sido consignado nos autos que a autoridade autuante constatou que valores declarados na DIPJ eram inferiores aqueles escriturados pela impugnante, além de consignados os dispositivos regulamentares com fundamento nos quais se procedeu à exigência. Ainda, constou da autuação demonstrativos intitulados "Recomposição do Lucro Real (fls. 15/18 e 36/39), que demonstraria inequivocamente que os tributos exigidos foram calculados com base nas diferenças de lucro liquido do período, estimadas a partir do cotejo entre os valores informados na DIPJ com as informações registradas no RAICMS. No mérito, afirmouse que da análise das cópias do RAICMS anexadas aos autos (fls.105/143), constatouse que as operações as quais não correspondem débitos do imposto estadual foram identificadas pelos códigos (CFOP) 5.904 (remessa de mercadoria para venda fora do estabelecimento, inclusive por meio de veiculo mesmo Estado), 6.904 (remessa de mercadoria para venda fora do estabelecimento, inclusive por meio de veiculo – outros Estados da Federação) e 5.910 (remessa de mercadoria a titulo de bonificação, doação ou brinde mesmo Estado), que não poderiam compor os valores de receita. Não obstante, a ora Recorrente, devidamente intimada a apresentar as notas fiscais relativas ao período base fiscalizado, comprobatórias das operações referidas, não logrou apresentálas sob o argumento de que as mesmas teriam sido danificadas, em virtude de fortes chuvas que teriam caído no município de Caicó/RN. Isto porque o Boletim de Ocorrência de fl. 67, somente foi lavrado após a ciência do Termo de Intimação, com base no qual se requereu a entrega das notas fiscais mencionadas (fl. 65). No que tange à utilização das informações coletadas junto ao Fisco estadual, afirmouse que as informações obtidas junto â SEFAZ/RN apenas serviram de indicio do cometimento da infração, pois os valores que serviram de base autuação foram confrontados com os dados informados na DIPJ, conforme preconizam os arts. 276 e 527, III, do Decreto n.3.000/99 (RIR/99), art. 90 do DecretoLei n.1.598, de 1977 e o art. 45 da Lei n. 8.981, de 1995. Sobre a necessidade de retificação de oficio da DIPJ, afirmouse que à fiscalização apenas competia proceder ao lançamento de oficio para cobrar os valores não recolhidos, acompanhados de multa e juros, pois esta é a única conduta permitida por lei. Quanto à aplicação do art. 27 do Decreto n.° 70.235/1972, este foi alterado pelo art. 67 da Lei n.° 9.532, de 1997, de sorte que os processos não são mais julgados no Fl. 374DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 16707.002573/200905 Acórdão n.º 1801000.878 S1TE01 Fl. 5 5 prazo de trinta dias, mas na ordem e nos prazos estabelecidos em ato do Secretário da Receita Federal, observada a prioridade de que trata o caput do mesmo artigo. Finalmente, considerandose que as questões abordadas nos autos são meramente jurídicas, sem que haja a necessidade de dilação probatória, indeferiuse o pedido de realização de diligência, nos termos do art. 18 do Decreto n.° 70.235, de 1972. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou o argumento de nulidade da autuação, por supressão de instância administrativa e cerceamento do direito de defesa, na medida em que a decisão recorrida afirmou que não houve prejuízos fiscais no curso do ano calendário 2006, ao passo que houve prejuízos nos quatro últimos exercícios anteriores a 2006. Sobre a falta de apresentação do LALUR, para a apuração dos prejuízos fiscais compensados na DIPJ/2006, seria hipótese que, por si só, não autoriza expedição de lançamento fiscal por presunção, pois a recomposição deveria ser feita de oficio, levando em consideração eventuais saldos de prejuízo fiscal a compensar. Repisa o argumento segundo o qual nem todo o faturamento, por movimentação de mercadorias e serviços, de maneira que valores relativos ao CFOP 5.904 (remessa de mercadoria para venda fora do estabelecimento, inclusive por meio de veiculo mesmo Estado), 6.904 (remessa de mercadoria para venda fora do estabelecimento, inclusive por meio de veiculo – outros Estados da Federação) e 5.910 (remessa de mercadoria a titulo de bonificação, doação ou brinde mesmo Estado), não poderiam compor os valores de receita. Aduziu que no período fiscalizado, conforme provas acostadas aos s autos, a única impropriedade detectada pela fiscalização estadual foi de R$ 1.177,29, no anocalendário 2003, pela auditoria estadual, que teria atestado a veracidade dos registros fiscais e contábeis, especialmente os valores excluídas à tributação do ICMS, registrados em "outras saídas", de sorte que os registros fiscais catalogados aos códigos de Notas Fiscais de Simples Remessa código fiscal 5.904; Remessa em Bonificação código 5.910; Devolução de vendas 1.410, Remessa para Revenda 5.904, Remessa de Mercadoria para Demonstração 5.912, etc.,"presumemse verdadeiros" até prova em contrário. Reafirmou o argumento de que o valor declarado a menor, porém escriturado corretamente implicaria em retificação de oficio da DIPJ pelo fisco. Os dados do MOVECO, por si só, não prevaleceriam sobre as escriturações contábil e fiscal e seria prova emprestada de valor relativo, que não veicularia a devida composição — valores contábeis, base de cálculo do ICMS, "outras saídas não especificadas", não sendo possível seu aproveitamento para efeito de cotejo entre a Receita Bruta de vendas e/ou serviços declarada ao fisco federal DIPJ/DCTF, e estadual MOVECO. Conclui que o ato nulo, mesmo que não prejudicial ao erário, deve ser anulado pela própria administração tributária, pelo fato de ferir o principio da legalidade, conforme Súmula 473 do STF. Finalmente, novamente alega que a Administração pública federal, direta e indireta, estaria obrigada a dar resposta aos contribuintes nos processos, consoante o estatuído no artigo 48 e 49 da Lei n. 9.784/99, no prazo de 30 dias. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Redatora designada O recurso cumpriu as formalidades necessárias, por essa razão, dele se tomou conhecimento. Quanto à alegação de nulidade do auto de infração não assiste razão a empresa porque não se descumpre o artigo 10, III do Decreto n. 70.235/72, de sorte que comprovado que o devido processo legal, ampla defesa e contraditório foram respeitados. Sobre o tópico relativo à desconsideração dos prejuízos fiscais incorridos pela recorrente em exercícios anteriores a 2006, consta dos autos que foi intimada mais de uma vez a apresentar o LALUR, sem que cumprisse a requisição da fiscalização. Contudo, embora afirme que a fiscalização deveria recompor os supostos prejuízos fiscais, suportados não se sustenta, uma vez que a legislação de regência Lei n º 9.065/1995, art. 15, parágrafo único, § 1o do art. 510 do RIR/99 determina que o LALUR é de escrituração obrigatória, sendo condição necessária para exercício do direito à compensação de prejuízos fiscais. Quanto ao mérito, o mesmo tanto se pode dizer, não assistindo razão à Recorrente em relação ao argumento de que houve o cômputo indevido de valores na base de cálculo, que não poderiam ser reputados como receita, passíveis de incidência de IRPJ, pois não fez a comprovação necessária da efetividade das referidas operações. Destarte, embora afirme que a apresentação do Livro Fiscal abrangendo as escriturações fiscais dos registros de entrada saída e apuração do ICMS e documentos correlatos, que teriam sido homologados pelo Fisco Estadual, a Recorrente não apresentou as respectivas notas fiscais, que são consideradas as provas suficientes para a comprovação das alegações em tela. Nesse sentido, encontra fundamento a decisão do juízo administrativo a quo em rechaçar a escusa apresentada para a não entrega das notas fiscais, por força do que dispõe o §10 do art. 264 do RIR/99, além de que o Boletim de Ocorrência de fl. 67, somente foi lavrado após a ciência do Termo de Intimação, com base no qual se requereu a entrega das notas fiscais mencionadas Ademais, encontrase nos autos a prova de que os tributos foram calculados com base nas diferenças de lucro líquido do período, estimadas a partir do cotejo entre os valores informados na DIPJ com as informações registradas no RAICMS. Outrossim, não há também qualquer impeditivo de que a Fazenda Nacional utilize informações e documentos que foram apresentados à Fazenda Estadual, por força dos arts. 276 e 527, III, do Decreto n.3.000/99 (RIR/99) Sobre o suposto dever de retificação de ofício de ofício, ratificase, da mesma forma, a decisão de primeira instância administrativa, pois se está diante de hipótese que não se subsume à hipótese, uma vez que não se trata de mero erro formal, pois houve recolhimento a Fl. 376DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 16707.002573/200905 Acórdão n.º 1801000.878 S1TE01 Fl. 6 7 menor da obrigação tributária, de maneira que incide sobre a hipótese o art.142 do CTN, de poderdever administrativo de lançamento de ofício. Com relação ao prazo para julgamento a Lei 9.784, artigos 48 c/c 49, tratase de norma geral para os processos administrativos federais, sendo que a legislação específica, o Decreto n. 70.235/72, artigo 27, deve prevalecer. Por todo o exposto, a Relatora negou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 377DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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