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Numero do processo: 13888.903108/2009-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: DCOMP ELETRÔNICA DE PAGAMENTO A MAIOR OU
INDEVIDO.
Período de Apuração: 01.01.2003 a 31.01.2003.
Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis,
da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda
Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade
administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária,
conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 3403-001.214
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: DCOMP ELETRÔNICA DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. Período de Apuração: 01.01.2003 a 31.01.2003. Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: DCOMP ELETRÔNICA DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. Período de Apuração: 01.01.2003 a 31.01.2003. Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator . Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Winderley Morais Pereira, Liduina Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Fl. 58DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário que visa modificar a decisão que manteve o indeferimento de aproveitamento de crédito tributário decorrente de pagamento a maior ou indevido com débito de COFINS, relativo ao período de apuração de 01.01.2003 a 31.01.2003. O suposto crédito que se pretende ver compensado seria decorrente de procedimento fiscal que teria incluído à base de cálculo receitas distintas do faturamento, vez que, a empresa estaria submetida ao regime cumulativo, impondo recolhimento superior ao devido. Diz a recorrente que o seu direito ao crédito decorre da decisão do Supremo Tribunal Federal que julgou inconstitucional a norma do parágrafo primeiro do artigo terceiro da Lei n° 9.718, de 28 de novembro de 1998, que alterou a base de cálculo das contribuições para a COFINS e o PIS. Encontram anexada aos autos cópia do Despacho Decisório que indeferiu o pleito e Declarações de compensações – DCOMP e Pedido de Ressarcimento e Compensação. O julgado de piso rechaçou o pleito sob os argumentos: que a decisão do STF em recurso extraordinário não possui efeito erga omnes; a base de cálculo das contribuições para a COFINS e o PIS a partir de fevereiro de 1999 é o somatório de todas as receitas auferidas pela empresa, permitida apenas as exclusões previstas em Lei; e, ausência de prova da existência do crédito. Na fase recursal a Interessada reprisa os argumentos tecidos em sua peça de Inconformidade, trazendo à colação os mesmos documentos juntados inicialmente. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de conhecimento. A Recorrente visa compensar crédito com débito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, aduzindo, para tanto, que está submetida à sistemática prevista pela Lei n° 9.718/96, regime cumulativo, cujo pagamento a maior decorreu da inclusão à base de cálculo de outras receitas distintas do faturamento pela fiscalização. Da simples leitura da peça recursal se tem a certeza que a controvérsia gira em torno da inconstitucionalidade do parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, matéria julgada pelo Supremo Tribunal Federal, que declarou inconstitucional a norma daquele parágrafo. No caso sub examine a matéria é de fato, precisase identificar a origem do crédito que se pretende ver restituído ou compensado. O relato da peça de Inconformidade, Fl. 59DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13888.903108/200914 Acórdão n.º 3403001.214 S3C4T3 Fl. 2 3 bem como, as razões recursais são de uma clareza impar, informa que o direito é oriundo da inclusão à base de cálculo de receita diferente do faturamento da empresa pó imposição de procedimento fiscal, isso encontra bem delineado. Precisase, ter certeza que esse fato ocorreu, para tanto, impõe não só a demonstração de que tenha ocorrido, mas se faça a comprovação por meio de documentos hábeis. Se decorre de procedimento fiscal, a prova pode ser inferida através da cópia do documento oriundo da fiscalização. No entanto, compulsando os autos não se vislumbra qualquer documento nesse sentido. Além do que, também, inexiste uma linha sequer mencionando o número do processo administrativo onde teria ocorrido à imposição fiscal, bem como, a prova de que o pagamento dessa exigência tivesse acontecido. De modo que, se há uma afirmativa do contribuinte de que possui o direito a restituição/compensação de um determinado crédito e, do outro lado a negativa da Administração de que não teve êxito em saber a origem do crédito que se pretende, impõe, no caso deste caderno, aquele que deseja ser restituído o ônus de provar. Portanto, assiste razão a Administração Fazendária, para o sucesso do pedido fazse necessário que esse venha devidamente instruído com os documentos capazes por si só de comprovar o direito que se pretende. É de toda sabença que o fato deve ser provado, e, a regra do ônus de provar é do interessado. Cabe ao julgador valorizar e apreciar as provas dos autos no sentido de formar seu convencimento. Assim, a meu sentir, bastava a cópia do documento de onde pudesse extrair a certeza em relação ao argumento aduzido pela recorrente, sem o qual, tenho como mera presunção da existência do direito do crédito tributário. O direito consagrado pelo dispositivo do art. 170 do Código Tributário Nacional exigese que apure previamente, por via administrativa ou judicial, a liquidez e certeza do crédito tributário, a Fazenda Nacional não pode dispensar esse exame. Segundo a doutrina, o crédito das pessoas físicas e jurídicas se revela um direito oponível contra a Fazenda Pública, é como ensina Plínio Gustavo Prado Garcia: “A imputação de crédito de pessoa física ou de pessoa jurídica diante do fisco, para fins de compensação tributária, é um direito de seu titular oponível contra a Fazenda Pública, no contexto do exercício de um direito potestativo. Não tem o Poder Público o direito de reter parcelas do patrimônio alheio, sem justa causa. Inexiste justa causa nas hipóteses de recebimento de crédito indevido ou maior do que o devido, ou de tributo ilegal ou inconstitucional”. (Compensação e Imputação de Crédito, em Revista Dialética de Direito Tributário nº 41, 1999, p.64). Entretanto, inexistindo prova cabal da existência do crédito, não pode o fisco realizar o encontro do crédito do contribuinte e o débito que se pretende extinguir. Em sendo assim, não vislumbro a possibilidade de acudir o pleito. Fl. 60DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Diante do exposto, conheço do recurso e nego provimento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 61DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 13896.004445/2008-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Deve-se reconhecer as deduções de despesas médicas, quando comprovadas mediante a apresentação de recibos firmados por profissionais competentes e legalmente habilitados, mormente, quando não existem nos autos indícios de que tais recibos sejam inidôneos.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4 Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010)
JUROS DE MORA. APLICAÇÃO.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 5 Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010)
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2102-001.538
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PARCIAL provimento ao recurso, para restabelecer a dedução de despesa médica, no valor de R$ 9.430,00. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Amaury Maciel, OAB-SP N°
212.481.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Deve-se reconhecer as deduções de despesas médicas, quando comprovadas mediante a apresentação de recibos firmados por profissionais competentes e legalmente habilitados, mormente, quando não existem nos autos indícios de que tais recibos sejam inidôneos. JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4 Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 5 Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Recurso Voluntário Provido em Parte.
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COMPROVAÇÃO. Devese reconhecer as deduções de despesas médicas, quando comprovadas mediante a apresentação de recibos firmados por profissionais competentes e legalmente habilitados, mormente, quando não existem nos autos indícios de que tais recibos sejam inidôneos. JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4 Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 5 Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, para restabelecer a dedução de despesa médica, no valor de R$ 9.430,00. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Amaury Maciel, OABSP N° 212.481. Fl. 184DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13896.004445/200839 Acórdão n.º 210201.538 S2C1T2 Fl. 103 2 Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 07/10/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra MOREVI ARAUJO REGO foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 21/26, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2005, exercício 2006, no valor total de R$ 22.376,94, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/10/2008. As infrações apuradas pela autoridade fiscal foram dedução indevida de previdência privada e dedução indevida de despesas médicas, nos valores de R$ 9.488,88 e R$ 32.933,68, respectivamente. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/20, onde contesta apenas a dedução de despesas médicas, relativa à odontóloga Sabrina Radvany Florez Couy, no valor de R$ 9.430,00 e a cobrança dos juros de mora. A autoridade julgadora de primeira instância julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/SPOII nº 1745.809, de 04/11/2010, fls.47/51. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 07/01/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 56, o contribuinte apresentou, em 01/02/2011, recurso voluntário, fls. 58/71, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Os serviços odontológicos prestados pela dentista Sabrina Radvany Florez Coury estão devidamente atestados e comprovados nos autos e a decisão recorrida somente não reconheceu a dedução por não constar do recibo o endereço da profissional. Para que não paire dúvidas sobre legitimidade da despesa, juntase aos autos declaração firmada pela profissional, atestando os serviços prestados no curso do anocalendário de 2006. Fl. 185DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13896.004445/200839 Acórdão n.º 210201.538 S2C1T2 Fl. 104 3 A prova do pagamento somente é exigida na falta dos recibos ou quando estes não cumprem as exigências prescritas na lei, o que não é o caso. A Declaração de Ajuste Anual demonstra que o contribuinte teve a sua disposição recursos financeiros no montante total de R$ 506.809,85, ou seja, teve disponibilidade financeira suficiente para dar cobertura a todas as despesas efetuadas. Os juros de mora calculados com base na taxa Selic são inconstitucionais. Enquanto não for regulamentado o parágrafo único do art. 27 do Decreto nº 70.235, de 1972, incluído por força do disposto na Lei nº 9.532, de 1997, não há que se falar em imputar os juros moratórios no período compreendido entre a data da interposição da impugnação até a decisão final da lide instalada. É o Relatório. Fl. 186DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13896.004445/200839 Acórdão n.º 210201.538 S2C1T2 Fl. 105 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De pronto, devese observar que na impugnação, assim como no recurso, o contribuinte reconhece a infração de dedução indevida de previdência privada, assim como parte da infração de dedução indevida de despesas médicas, sendo certo que sua contestação se restringe tãosomente no que se refere às despesas médicas relativas à odontóloga Sabrina Radvany Florez Couy, no valor de R$ 9.430,00 e à cobrança dos juros de mora. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que consta da Notificação de Lançamento, fls. 23, a glosa da despesa médica relativa à dentista acima referida se deu em razão de o contribuinte ter deixado de apresentar os respectivos comprovantes. Ocorre que, quando da apresentação da impugnação o contribuinte juntou aos autos recibos, fls. 27, firmados pela profissional, que atestam o recebimento da importância de R$ 9.430,00, referente a serviços odontológicos prestados. Por seu turno, a decisão recorrida não reconheceu a referida despesa médica, sob a seguinte fundamentação: Em análise aos recibos trazidos aos autos, constatase que os mesmos não contemplam todas as especificações e indicações exigidas no inciso III do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/95, eis que não trazem o endereço da profissional emissora. Não tendo sido carreado aos autos nenhuma prova do efetivo pagamento ou mesmo da prestação dos serviços odontológicos, entendo não estar devidamente comprovada a ocorrência das despesas odontológicas, devendo ser mantida a glosa integral efetuada pela fiscalização. Ora, o fato de o recibo apresentado não possuir o endereço da profissional, por si só, não é suficiente para o não acolhimento da dedução de despesas médicas. Aliás, tal falta foi suprimida pelo contribuinte quando da apresentação do recurso, com a juntada da declaração, fls. 87, firmada pela profissional, onde a mesma confirma o recebimento das quantias especificadas nos recibos e fornece o seu endereço. Por outro lado, temse que, em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente e legalmente habilitado. Somente quando existe dúvida quanto à idoneidade do documento, a autoridade fiscal solicita provas da efetividade do pagamento e também da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais. Fl. 187DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13896.004445/200839 Acórdão n.º 210201.538 S2C1T2 Fl. 106 5 Entretanto, no presente caso não existem nos autos indícios de inidoneidade dos documentos apresentados pelo contribuinte. E mais, a autoridade fiscal procedeu à glosa por falta de apresentação dos recibos, sendo certo que não consta dos autos que o contribuinte tenha sido, durante o procedimento fiscal, intimado a fazer a comprovação do efetivo pagamento e da efetiva prestação dos serviços. Destacase, ainda, que as demais glosas de despesas médicas efetivadas pela autoridade fiscal, contra as quais o contribuinte não se insurgiu, se deram em razão de dedução de despesas médicas realizadas com o cônjuge do contribuinte, que apresentou Declaração de Ajuste Simplificada e com pessoa nãodependente. Vêse, portanto, que tais motivações não colocam em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pelo contribuinte. Nessa conformidade, devese restabelecer a dedução de despesas médicas, no valor de R$ 9.430,00, correspondente às despesas incorridas com a profissional Sabrina Radvany Florez Couy. Quanto aos juros Selic, a matéria já foi pacificada neste colegiado, conforme Súmulas nºs 4 e 5, que cristaliza o entendimento de que é legítima a sua aplicação, ainda que o crédito tributário esteja com sua exigibilidade suspensa: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso, para restabelecer a dedução de despesa médica, no valor de R$ 9.430,00. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 188DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 15504.003919/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de Apuração: 08/1996 a 12/1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2301-002.381
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte CONSTRUTORA REMO LTDA, contra decisão que julgou procedente o lançamento fiscal, por contribuições sociais destinadas a Seguridade Social e não recolhidas, no período de 08/1996 a 12/1999. 2. Consta do relatório fiscal (ff. 27 a 32) que o lançamento de crédito refere se às contribuições previdenciárias previstas na legislação pertinente, referente ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT) e às contribuições relativas ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), incidentes sobre os valores pagos aos empregados da recorrente, valores estes levantados por meio de aferição indireta baseado em remunerações contidas em recibos de pagamento que não constam de suas folhas de pagamento e de seus registros contábeis. 3. Tendo em vista que a empresa estava desobrigada ao recolhimento das contribuições previstas no art. 22, inc. II da Lei nº 8.212/91, por força de Mandado de Segurança (MS) nº 1999.38.00.0245838, e da contribuição ao SEBRAE por determinação do MS de nº 2000.38.00.0014072, o crédito previdenciário foi originariamente constituído com o objetivo de prevenir a decadência ficando com exigibilidade suspensa até a decisão final no âmbito do judiciário. 4. O acórdão recorrido restou ementado nos termos que se transcreve: “CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA SAT/BENEFÍCIO INCAPACIDADE LABORATIVA – SEBRAE AÇÃO JUDICIAL – NÃO CONHECIMENTO – MULTA E JUROS. CO RESPONSÁVEIS. É de dez anos o prazo para a Seguridade Social apurar e constituir seus crédito, conforme estabelece o art. 45 da Lei 8.212/91. É devida a contribuição previdenciária prevista no art. 22, inciso II, da Lei nº 8.212/91 para o Seguro de Acidente do Trabalho – SAT até 06/97 e, após esta data, para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa. A discussão judicial da contribuição par o SEBRAE afasta o conhecimento da matéria em sede administrativa, nos termos do art. 126, § 3º da Lei nº 8.213/91, c/c o art. 307 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Incidem multa e juros moratórios sobre as contribuições sociais em atraso arrecadadas pelo INSS, posto que são de caráter irreleváveis, nos termos dos artigos 34 e 35 da Lei nº 8.212/91. Somente a pessoa jurídica foi notificada no pólo passivo do presente crédito previdenciário, as pessoas físicas qualificadas na notificação referemse aos representantes legais da empresa. LANÇAMENTO PROCEDENTE” 5. Inconformada, a recorrente apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese o seguinte: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 15504.003919/200817 Acórdão n.º 2301002.381 S2C3T1 Fl. 2 3 a) que tomou conhecimento do lançamento em 06/06/2005, referente às competências 08/1996 a 13/1999, portanto, seja declarada a decadência; b) sobrestamento do feito, em virtude de ação judicial pendente de julgamento, se caso houver êxito, o lançamento objeto do presente recurso será automaticamente anulado (proc. n. 2003.38.00.0293941); c) é incontroverso que a atividade preponderante da recorrente está ligada a eletricidade, que o suposto risco eletricidade deixou de ser considerado pelo INSS, para efeito de aposentadoria especial; d) que sendo indevido o principal, não há que se falar em seus consectários tampouco em multa e juros; e) exclusão dos coresponsáveis, aduz a recorrente que, por força dos artigos 2º, e 10º, do Decreto nº 3.708, de 10 de janeiro de 1919, aplicável à época dos supostos fatos geradores, não há responsabilidade pessoal dos sócios gerentes, sendo necessário suas imediatas exclusões. 6. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a esta Câmara para apreciação do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. 1. O presente recurso não atende aos pressupostos de admissibilidade. 2. O lançamento em análise foi originariamente efetuado para prevenir a decadência, uma vez que houve sentença proferida no MS n. 1999.38.00.0245838 (ff. 229 a 238) e decisão liminar concedida no MS n. 2000.38.00.0014072 (ff. 59 e 60), ambos referentes às exações em apreço. 3. Da mesma forma foi juntado aos autos (ff. 294 a 299) o extrato de andamento processual relativo à ação anulatória ajuizada pela recorrente (proc. n. 2003.38.00.0293941), em que essa pede a anulação do lançamento efetuado juntamente com a autuação em análise. 4. A sociedade recorrente, nas suas razões, acaba por confessar a submissão da matéria do presente recurso ao conhecimento jurisdicional quando expõe: “[...] a NFLD ora atacada é acessória à NFLD 35.187.9730. Essa última encontrase em discussão judicial. Caso a Defendente obtenha êxito final perante a Justiça Federal, será desconstituída a aferição indireta. [...] Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Como já frisado, A SENTENÇA FAVORÁVEL À ORA RECORRENTE FOI PROFERIDA EM 12/07/2005. Os autos em regular tramitação. Logo, será consequência natural a insubsistência da NFLD 35.187.9749, aqui recorrida. Com efeito, a ação anulatória citada pretende obter a anulação judicial da NFLD 35.187.9730. Já houve decisão favorávela aqui recorrente em primeira instância. Se houver êxito final naquela demanda judicial, automaticamente, cai por terra a NFLD 35.187.9749 objeto do presente recurso administrativo total. Aplicável, in casu,o artigo 307 do Regulamento da Previdência Social: “Art. 307. A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto”. Diante da ligação entre as duas NFLDs, imprescindível o sobrestamento do presente feito, até que o Egrégio Poder Judiciário aprecie, EM DECISÃO FINAL, o mérito da ação de anulação de débito fiscal já referida. Frisese, em primeira instância (cópia da sentença anexa), a ora Recorrente sagrouse vencedora” (f. 341). 5. A própria recorrente, então, com base nesses argumentos de relação umbilical entre as notificações 35.187.9749 e 35.187.9730 admite a submissão da matéria ao Poder Judiciário. Inclusive, cita o artigo do RPS que cuida da renuncia ao direito de recorrer quando se tratar de matéria afeta ao Judiciário. 6. O artigo 307 do Regulamento da Previdência Social, teve redação dada pelo Decreto nº 6.722, de 2008: Art. 307. A propositura pelo beneficiário de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. 7. Esses elementos comprovam que houve a opção de discutir a questão pela via judicial, o que afasta a competência deste Colegiado administrativo. 8. A Lei de Execuções Fiscais, Lei n. 6.830/80, no seu art. 38, parágrafo único, prevê a renúncia ao recurso administrativo quando o contribuinte houver ajuizado ação para discutir judicialmente a dívida ativa. Essa norma já teve a sua constitucionalidade confirmada pelo Supremo Tribunal Federal, verbis: “CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. RECURSO ADMINISTRATIVO DESTINADO À DISCUSSÃO DA VALIDADE DE DÍVIDA ATIVA DA Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 15504.003919/200817 Acórdão n.º 2301002.381 S2C3T1 Fl. 3 5 FAZENDA PÚBLICA. PREJUDICIALIDADE EM RAZÃO DO AJUIZAMENTO DE AÇÃO QUE TAMBÉM TENHA POR OBJETIVO DISCUTIR A VALIDADE DO MESMO CRÉDITO. ART. 38, PAR. ÚN., DA LEI 6.830/1980. O direito constitucional de petição e o princípio da legalidade não implicam a necessidade de esgotamento da via administrativa para discussão judicial da validade de crédito inscrito em Dívida Ativa da Fazenda Pública. É constitucional o art. 38, par. ún., da Lei 6.830/1980 (Lei da Execução Fiscal LEF), que dispõe que "a propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo [ações destinadas à discussão judicial da validade de crédito inscrito em dívida ativa] importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Recurso extraordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento." (RE 233582, Rel. Min. Marco Aurélio, Red. p/ Acórdão Min. Joaquim Barbosa, Tribunal Pleno, julgado em 16/08/2007, DJe088 DIVULG 1505 2008 PUBLIC 16052008 EMENT VOL0231905 PP 01031) 9. Nesse mesmo sentido é a jurisprudência do CARF: “PROCESSO ADMINISTRATIVO. Não se conhece do recurso quando o contribuinte optou pela via judicial. Art. 38, parágrafo único, da Lei 6.830/80. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO”. (Terceiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 30237391. Processo 12466001380200281. Data 22/03/2006) 10. A Súmula nº 01 do CARF também assevera que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual: Súmula CARF nº 1:Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. 11. É impossível, dessa forma, adentrar no mérito recursal, ante a renuncia da via administrativa. 12. Entendo, assim, ser impossível se adentrar nas questões de mérito, uma vez que estão submetidas ao Poder Judiciário (procs. ns. 2003.38.00.0293941, 1999.38.00.0245838 e 2000.38.00.0014072). Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 CONCLUSÃO 13. Dado o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário, nos termos alinhavados acima. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 6DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10073.000912/2003-32
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 30/04/1996, 31/05/1996, 30/06/1996, 31/07/1996,
31/08/1996, 30/09/1996, 31/12/1996
PIS DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO CÓDIG0 TRIBUTÁRIO
NACIONAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 8.
Editada a súmula vinculante nº 8 pelo egrégio Supremo Tribunal Federal,
consoante a qual é inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91, o prazo
aplicável à Fazenda para providenciar a constituição do crédito tributário
passa a ser 05 (cinco) cinco anos, nos moldes do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3403-001.266
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA
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APLICAÇÃO DO CÓDIG0 TRIBUTÁRIO NACIONAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. Editada a súmula vinculante nº 8 pelo egrégio Supremo Tribunal Federal, consoante a qual é inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91, o prazo aplicável à Fazenda para providenciar a constituição do crédito tributário passa a ser 05 (cinco) cinco anos, nos moldes do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente Liduína Maria Alves Macambira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Ivan Allegretti, Raquel Motta Brandão Minatel e .Adriana Oliveira e Ribeiro. Fl. 145DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o sujeito passivo identificado nos autos para exigência da Contribuição para o PIS no valor de R$ 4.945,30, multa de ofício de R$ 3.708,94 e juros de mora de R$ 7.275,27, totalizando um crédito tributário de R$ 15.929,51, em virtude de falta de recolhimento da contribuição nos períodos de abril a setembro e dezembro de 1996. Cientificada do lançamento em 23/12/2003, a recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese, que teria ocorrida a decadência e que a multa de ofício em seu entender tem caráter confiscatório. A 4ª Turma da DRJ/RJOII, no Acórdão nº 1313.285, de 15 de agosto de 2006, fls.129/132, julgou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/1996, 31/05/1996, 30/06/1996, 31/07/1996, 31/08/1996, 30/09/1996, 31/12/1996 DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a constituição de créditos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep é de 10 (dez) anos, iniciandose no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA. CARÁTER CONFISCATORIO. A vedação , ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo a autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.Cientificada da decisão em 10/08/2010, fls. 59, recorrente interpôs Recurso Voluntário em 19/08/2010, fls.60/61, requerendo o reconhecimento do crédito pleiteado e as respectivas compensações dele decorrente à luz dos argumentos, parcialmente, transcritos a seguir: Cientificada da decisão em 08/12/2006, fls. 135, a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 08/01/2007, fls. 136/141, alegando em síntese que os débitos foram atingidos pela decadência, devendo o crédito tributário ser extinto, nos termos do art. 156, V do CTN. É o relatório. Voto Conselheira Liduína Maria Alves Macambira, Relatora O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A recorrente no recurso voluntário volta a reclamar pelo reconhecimento da decadência do direito de constituição do crédito tributário para os períodos de apuração de abril a setembro e dezembro de 1996, uma vez que a ciência do lançamento ocorreu em 23/12/2003, Fl. 146DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10073.000912/200332 Acórdão n.º 340301.266 S3C4T3 Fl. 146 3 não podendo alcançar operações ocorridas anteriormente ao mês de dezembro de 1998, portanto há mais de 05 (cinco) anos da ocorrência dos fatos geradores. Com razão a recorrente. A questão do prazo decadencial para constituição das contribuições destinadas a financiar a seguridade social foi disciplinada pelo artigo 45 da Lei n° 8.212, de 1991, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social. O referido dispositivo legal estabelece in verbis: Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10( dez) anos contados: 1 do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; 'II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. Parágrafo único. A Seguridade Social nunca perde o direito de apurar e constituir créditos provenientes de importâncias descontadas dos segurados ou de terceiros ou decorrentes da prática de crimes previstos na alínea "j" do art. 95 desta lei. O Supremo Tribunal Federal, ao enfrentar a altercação envolvendo o prazo decenal estatuído na Lei nº 8.212/91, pacificou sua posição jurisprudencial editando a súmula vinculante nº 8, cujo verbete se reproduz: “são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Sendo assim, com a edição da súmula vinculante nº 8 pelo egrégio Supremo Tribunal Federal, consoante a qual é inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91, o prazo aplicável à Fazenda para providenciar a constituição do crédito tributário passa a ser 05 (cinco) cinco anos, nos moldes do Código Tributário Nacional – CTN. Ante o exposto, voto para dar provimento ao recurso, considerando o credito tributário extinto nos termos do art. 156, V do CTN. Liduína Maria Alves Macambira Fl. 147DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 4 Fl. 148DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13116.001867/2003-88
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1999
ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. AVERBAÇÃO ATÉ O MOMENTO ANTERIOR AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. NECESSIDADE.
O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada
à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis CRI é uma providência
que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária
da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Ainda, enquanto o contribuinte estiver espontâneo em face da autoridade fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de
intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar no CRI a área de reserva legal, podendo fruir da isenção tributária. Porém, iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes do início da ação fiscal.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.409
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo e Gonçalo Bonet Allage, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o
Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: Gustavo Lian Hadad
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1999 ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. AVERBAÇÃO ATÉ O MOMENTO ANTERIOR AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. NECESSIDADE. O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis CRI é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Ainda, enquanto o contribuinte estiver espontâneo em face da autoridade fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar no CRI a área de reserva legal, podendo fruir da isenção tributária. Porém, iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes do início da ação fiscal. Recurso especial provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo e Gonçalo Bonet Allage, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos.
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NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. AVERBAÇÃO ATÉ O MOMENTO ANTERIOR AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. NECESSIDADE. O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis CRI é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Ainda, enquanto o contribuinte estiver espontâneo em face da autoridade fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar no CRI a área de reserva legal, podendo fruir da isenção tributária. Porém, iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes do início da ação fiscal. Fl. 186DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 07/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo e Gonçalo Bonet Allage, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. Elias Sampaio Freire – PresidenteSubstituto Gustavo Lian Haddad – Relator Giovanni Christian Nunes Campos – Redator Designado EDITADO EM: 12/04/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire (PresidenteSubstituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo (Conselheiro Convocado). Fl. 187DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 07/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13116.001867/200388 Acórdão n.º 920201.409 CSRFT2 Fl. 2 3 Relatório Em face de Gustavo Balduino de Sena Santa Cruz foi lavrado o auto de infração de fls. 04/06, objetivando a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 1999, tendo sido apurada a infração de falta de recolhimento do referido imposto em decorrência de glosa dos valores declarados como área de reserva legal e utilização de pastagens do imóvel Fazenda Encosta pela contribuinte. A Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 30334.785, que se encontra às fls. 128/138 e cuja ementa é a seguinte: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR. Exercício: 1999 Ementa: ITR/1999. AUTO DE INFRAÇÃO POR GLOSA DA ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL. Para fins de isenção do ITR, as áreas de reserva legal não estão sujeitas à prévia comprovação por parte do declarante, conforme dispõe o art. 10, parágrafo 7 0, da Lei n.° 9.393/96. Comprovada habilmente, mediante declaração, laudo técnico com ART e averbação no registro de imóveis, mesmo a destempo, a existência de parte dessas áreas da propriedade na época do fato gerador, elas devem ser admitidas como isentas. ÁREA DECLARADA DE PASTAGENS Comprovantes de aquisição de vacinas e composição do rebanho existente em 1998 foram anexados ao processo. Considerouse no cálculo o índice de lotação mínimo de animais previstos para a zona de pecuária. Recurso Voluntário Provido” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer as áreas de 189,6ha de reserva legal e de 560,7ha de pastagens. Intimada pessoalmente do acórdão em 18/04/2008 (fls. 139) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 143/153, pleiteando a reforma do v. acórdão recorrido sustentando a violação de dispositivo legal que determina a necessidade de averbação da área de utilização limitada no órgão de registro competente anteriormente ao fato gerador. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 187, de 15/05/2008 (fls. 155/156). Fl. 188DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 07/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte deixou de apresentou suas contrarazões. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A matéria em discussão é a necessidade ou não de averbação de reserva legal em momento anterior à ocorrência do fato gerador para se fazer juz à exclusão da base de cálculo do ITR. Inicialmente, em relação à necessidade de averbação ou não da área de reserva legal na matrícula do imóvel transcrevo, a seguir, voto do I. Conselheiro Gonçalo Bonet Allage no processo 13984.000688/200485, cujas razões adoto como fundamento do presente voto, in verbis: “Inicio a análise do recurso pela questão da área de utilização limitada, cuja glosa decorre da falta de averbação à margem da matrícula do imóvel. Pois bem, o artigo 10 da Lei n° 9.393/96 tem a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1°. Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da base de cálculo do ITR. Fl. 189DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 07/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13116.001867/200388 Acórdão n.º 920201.409 CSRFT2 Fl. 3 5 A chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal, atualmente com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, da seguinte forma: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1°. O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2°. A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3°. Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4°. A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: Fl. 190DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 07/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5°. O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6°. Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7°. O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8°. A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9°. A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. Fl. 191DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 07/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13116.001867/200388 Acórdão n.º 920201.409 CSRFT2 Fl. 4 7 § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. A necessidade ou não de averbação da referida área no cartório de registro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Este julgador, inclusive, chegou a votar no sentido de que, comprovada a existência da área de reserva legal de alguma forma, inexistia o dever de averbála à margem da matrícula do imóvel. Contudo, após profundos debates, principalmente no âmbito da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção, da qual faço parte, alterei meu posicionamento para, no caso, dar razão à Fazenda Nacional, entendendo que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é, como regra geral, condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado. Atualmente, a infringência a tal mandamento, inclusive, dá ensejo à aplicação de multas pecuniárias, conforme determina o artigo 55 do Decreto n° 6.514/2008 O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental, o que não ocorre no caso em apreço, pois inexiste averbação da área de reserva legal informada na DITR, nem Fl. 192DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 07/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 tampouco há compromisso firmado pelo sujeito passivo com órgão do poder público no sentido de preservar respectiva área, adequadamente delimitada (esclareço que, sob minha ótica, esta providência pode suprir, em determinadas situações, não verificadas neste feito, a necessidade de averbação).” No presente caso, ao examinar a documentação trazida aos autos, qual seja a cópia da matrícula do imóvel de fls. 66 e o laudo de fls. 54/63, identificase a efetiva constituição e averbação (em 10/03/2004) de uma reserva legal de 189,6ha no imóvel em questão. Essa área de reserva legal foi, inclusive, reconhecida como averbada e existente pelo v. acórdão recorrido, in verbis: “Foi anexada e faz parte integrante do processo ora em reproche, a "Certidão de Inteiro Teor", expedida pelo Cartório de Registro de Imóveis de Divinópolis — GO (fls. 66/67), onde consta a Averbação (AV09253) a margem do registro do imóvel objeto do auto de infração (Matricula n° 034, Registro n° 04) com uma área de 189,6 ha como de RESERVA LEGAL (fls. 67), mesmo tendo sido efetivada a destempo, entretanto, deverá ser admitida essa área isenta da propriedade.” Tenho para mim que com a averbação na matrícula do imóvel das áreas de reserva legal, ainda que posteriormente ao momento eleito como aspecto temporal da hipótese de incidência do ITR, devem elas ser excluída da base de cálculo do tributo. Referido entendimento decorre do disposto no artigo 10º, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/96, modificado pela Medida Provisória nº 2.16667/2001, segundo o qual basta a declaração do contribuinte quanto à existência de área de exclusão, para fins de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade. No presente caso, tendo havido a contestação da existência dessa área pela autoridade fiscal, a averbação da reserva legal na matrícula (fls. 66), mesmo após a ocorrência do fato gerador, faz prova suficiente de sua existência. Destarte, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. Gustavo Lian Haddad Fl. 193DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 07/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13116.001867/200388 Acórdão n.º 920201.409 CSRFT2 Fl. 5 9 Voto Vencedor Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Designado A controvérsia se resume a decidir quanto à pertinência da averbação tempestiva da área de reserva legal à margem do registro imobiliário do imóvel rural, como condição para fruição de exclusão de tal área da incidência do ITR. Especificamente, a reserva legal é a área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas (art. 1º, § 2º, III, do Código Florestal), sendo certo que o Código Florestal, no art. 16, especifica os percentuais mínimos da propriedade rural que deve ser afetada à reserva legal, nas diversas regiões do país, determinando, ainda, que tal reserva seja averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel (art. 16, § 8º, do Código Florestal). Inicialmente, farseá um breve apanhado jurisprudencial sobre a necessidade, ou não, da averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel. Primeiramente, apreciase a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, intérprete máximo da lei federal brasileira. Começase pelo REsp 1.125.632/PR, da Primeira Turma, sessão de 20/08/2009, relator o Ministro Benedito Gonçalves, unânime, onde há um razoável apanhado da jurisprudência dessa Superior Corte. Eis a ementa desse julgado: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE AVERBAÇÃO OU DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. INCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL ANTE A AUSÊNCIA DE AVERBAÇÃO. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. O art. 2º do Código Florestal prevê que as áreas de preservação permanente assim o são por simples disposição legal, independente de qualquer ato do Poder Executivo ou do proprietário para sua caracterização. Assim, há óbice legal à incidência do tributo sobre áreas de preservação permanente, sendo inexigível a prévia comprovação da averbação destas na matrícula do imóvel ou a existência de ato declaratório do IBAMA (o qual, no presente caso, ocorreu em 24/11/2003). Fl. 194DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 07/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 3. Ademais, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmouse no sentido de que "o Imposto Territorial Rural ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/1996, permite a exclusão da sua base de cálculo de área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA" (REsp 665.123/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007). 4. Ao contrario da área de preservação permanente, para a área de reserva legal a legislação traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal. Assim, somente com a averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel é que se poderia saber, com certeza, qual parte do imóvel deveria receber a proteção do art. 16, § 8º, do Código Florestal, o que não aconteceu no caso em análise. 5. Recurso especial parcialmente provido, para anular o acórdão recorrido e restabelecer a sentença de Primeiro Grau de fls. 139145, inclusive quanto aos ônus sucumbenciais. (grifouse) Acima se exigiu a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel como condição para fruição da redução do ITR. Porém, a mesma Primeira Turma do STJ julgou o Resp nº 1.060.886/PR, na sessão de 1º/12/2009, relator o Ministro Luiz Fux, quando asseverou que a falta de averbação da reserva legal na matrícula do imóvel ou a averbação a destempo, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção no âmbito do ITR, em votação unânime, ou seja, em manifesto confronto com o REsp 1.125.632/PR, também unânime, que determinou a obrigatoriedade da averbação da reserva legal no cartório de registro de imóvel para fruição do benefício no âmbito do ITR, ressaltando que a decisão de dezembro de 2009 não faz qualquer menção à decisão pretérita da mesma Turma. Para tanto, vejase o excerto da ementa do Resp nº 1.060.886/PR, verbis: Consectariamente, decidiu com acerto o acórdão a quo ao firmar entendimento no sentido de que "A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Reconhecese o direito à subtração do limite mínimo de 20% da área do imóvel, estabelecido pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965, relativo à área de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averbação, que não é fato constitutivo, mas meramente declaratório, já havia a proteção legal sobre tal área". Já no âmbito da Segunda Turma do STJ, no tocante à averbação cartorária da área de reserva legal, recentemente se firmou uma posição pela necessidade da averbação como condição para fruição da benesse no âmbito do ITR, como se pode ver no Recurso Especial nº 1.027.051 – SC (STJ, 2011 C), sessão de 07/04/2011, por maioria (relator vencido), com a seguinte ementa no votovista do Ministro Castro Meira: Fl. 195DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 07/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13116.001867/200388 Acórdão n.º 920201.409 CSRFT2 Fl. 6 11 TRIBUTÁRIO. AMBIENTAL. ITR. ISENÇÃO. LEIS 8.971/91 E 9.393/96. RESERVA LEGAL FLORESTAL. AVERBAÇÃO. NECESSIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. O Código Florestal exige a aprovação dos órgãos ambientais quanto à localização da reserva legal, bem como a sua averbação no registro de imóveis. A imprescindibilidade da averbação justificase não apenas para facilitar o controle do Poder Público, mas também em razão do caráter propter rem da obrigação de manter a reserva legal que, em regra, não se altera nos casos de transmissão, desmembramento ou de retificação da área. 2. O imposto territorial rural ITR possui inequívoco propósito extrafiscal, sendo utilizado para combater o latifúndio improdutivo e para incentivar e proporcionar a utilização racional dos recursos naturais e a preservação do meio ambiente. Caracterizase, portanto, como um imposto que auxilia o Estado no disciplinamento da propriedade rural, tendo como norte a função social da propriedade. 3. Os incentivos fiscais assumem considerável relevância na consecução dos objetivos constitucionais, o que implica reconhecer, sob a ótica da proteção ao meio ambiente, que a interpretação da norma instituidora da isenção tributária não pode se afastar dos valores e princípios veiculados na Constituição e na legislação ambiental. 4. Apesar de o art. 111 do CTN consignar que se interpreta literalmente a norma que outorga isenção, isso não significa que seja vedada a utilização dos critérios teleológico, histórico e sistemático. O hermetismo do ordenamento jurídico não prescinde da atuação do intérprete, cumprindolhe buscar uma identidade lógicojurídica do deverser. Assim, é impossível conferir à lei uma aplicação em descompasso com o sistema normativo no qual esteja inserida. 5. Quando as Leis nºs 8.171/91 e 9.393/96 isentam o tributo referente à área de reserva legal prevista na Lei nº 4.771/65, significa que apenas se sujeitam à exclusão do crédito tributário as áreas que estiverem em consonância com a legislação de proteção ao meio ambiente, visto que não é possível conferir um benefício fiscal àqueles que descumpriram a própria lei que serve de base para a isenção. Entender o contrário seria desconsiderar o modelo de proteção ambiental contemplado no Texto Maior, bem assim o princípio cooperativo insculpido no art. 225 da CF. 6. A previsão contida no § 7º do art. 10 da Lei n. 9.393/96, segundo a qual o contribuinte não precisa comprovar a regularidade das deduções efetuadas em decorrência da isenção, apenas disciplina a forma de constituição do crédito tributário, que se dá por meio do autolançamento, em nada interferindo quanto à exclusão do crédito tributário, ou seja, sobre os requisitos para obtenção do benefício fiscal. Fl. 196DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 07/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 7. Recurso especial provido. (grifouse) Claramente se vê que a Segunda Turma do STJ, com supedâneo no caráter extrafiscal do ITR, albergou a necessidade da averbação cartorária da área de reserva legal, como condição para fruição de benesse no âmbito do ITR. Observese que se trata de Acórdão em que a Turma debateu a matéria com profundidade, como se comprova pela existência de voto vencido. Por tudo, no tocante à averbação cartorária da área de reserva legal, a Segunda Turma do STJ asseverou sua necessidade, não havendo ainda concordância no âmbito da Primeira Turma. Porém, se há dúvidas no âmbito da jurisprudência do STJ sobre a presente controvérsia, como se vê pelas decisões conflitantes no âmbito da Primeira Turma do STJ, tal situação não é amainada pelo que ocorre no âmbito da jurisprudência administrativa, como abaixo se demonstrará. A jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, competente para apreciar as controvérsias no seio do ITR até março de 2009, era oscilante no tocante à averbação cartorária da área de reserva legal. Abaixo, breve apanhado da jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, para exercícios posteriores ao ITRexercício 2001 (que pode ser aplicada desde o exercício 1997, pois a legislação que passou a obrigar a averbação de tal área remonta à Lei nº 7.803/89), em decisões prolatadas no ano de 2008, trazendo também algumas informações sobre a exigência de Ato Declaratório Ambiental ADA, já que, em regra, debatese a exigência do ADA e da averbação cartorária para deferimento da fruição da benesse tributária no tocante à área de reserva legal: 1. exigência de averbação da área de reserva legal somente a partir do Decreto nº 4.382/2002 (Regulamento do ITR) – Acórdão nº 301 34459, sessão de 20/05/2008, unânime; 2. área de reserva legal reconhecida a partir de documentos outros, privilegiando a busca da verdade material – Acórdão nº 30134475, sessão de 20/05/1998, unânime; Acórdão nº 30239586, sessão de 19/06/2008, por maioria; Acórdão nº 39100031, sessão de 21/10/2008, por maioria (acatando também laudo técnico para comprovar a existência de área de preservação permanente); 3. Ausência de averbação cartorária da reserva legal, por si só, não afasta a benesse legal – Acórdão nº 30335421, sessão de 19/06/2008, por maioria; Acórdão nº 30335734, sessão de 16/10/2008, por maioria; 4. área de reserva legal averbada e ADA extemporâneo reconhecida para reduzir o ITR devido – Acórdão nº 30134686, sessão de 13/08/2008, unânime (também com laudo técnico); Acórdão nº 30134632, sessão de 10/08/2008, unânime; 5. área de reserva legal averbada extemporaneamente reconhecida para reduzir o ITR devido – Acórdão nº 30134788, sessão de 15/10/2008, por voto de qualidade (os vencidos exigiam o ADA para os exercícios posteriores a 2001); 6. comprovação da área de utilização limitada (reserva legal) a depender do ADA e da averbação cartorária tempestivos – Acórdão nº 302 39244, sessão de 29/01/2008, por maioria; Acórdão nº 30239866, Fl. 197DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 07/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13116.001867/200388 Acórdão n.º 920201.409 CSRFT2 Fl. 7 13 sessão de 15/08/2008, por voto de qualidade; Acórdão nº 30335538, sessão de 13/08/2008, por voto de qualidade; Acórdão nº 30335645, sessão de 11/09/2008, por voto de qualidade; Acórdão nº 39300083, sessão de 19/11/2008, por voto de qualidade. Tentando fazer um resumo dos posicionamentos acima sobre a averbação da área de reserva legal, temse: § averbação após a publicação do Decreto nº 4.382/2002 (1ª Câmara); reconhecimento da área por laudos técnicos (1ª, 2ª, 3ª Câmaras e 3ª TE); averbação cartorária e ADA intempestivo (1ª Câmara); averbação cartorária intempestiva (1ª Câmara); averbação e ADA tempestivos (2ª, 3ª e 3ª TE); Da jurisprudência acima, claramente não se extrai qualquer posição consolidada no tocante à averbação cartorária para a área de reserva legal (há precedentes de todas as Câmaras ordinárias com reconhecimento da área de reserva legal a partir de laudos técnicos), sendo certo que as posições mais formais, com exigência do ADA e da averbação tempestivos para a área de reserva legal são tomadas, em regra, por voto de qualidade (vide item 6, acima), a demonstrar a profundidade da controvérsia. Longe de tecer quaisquer críticas à jurisprudência do Terceiro Conselhos de Contribuintes, aqui se reconhece a funda controvérsia no tocante à necessidade da averbação cartorária da reserva legal para reconhecimento dos benefícios isentivos no âmbito do ITR, ressaltando que o próprio Superior Tribunal de Justiça tem também vacilado na solução dessa controvérsia, como se viu acima, com a Primeira Turma dessa Superior Corte prolatando decisões divergentes, por unanimidade, em um mesmo semestre, sem qualquer ressalva à posição pretérita (apesar da matéria aparentemente ter sido pacificada na Segunda Turma, como já visto neste artigo). Sem apoio na jurisprudência, quer do Terceiro Conselho de Contribuintes, quer do Superior Tribunal de Justiça, passase a definir um posicionamento sobre a controvérsia referente à averbação da área de reserva legal. Da área tributável para fins do ITR se excluem as áreas de preservação permanente e de reserva legal, de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas ambientais, comprovadamente imprestáveis para os fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental e, mais recentemente, cobertas por florestas nativas e alagadas por reservatórios hidrelétricos, como se pode ver no art. 10, § 1º, II, “a” a “f”, da Lei nº 9.393/96. Claramente vêse que as áreas de interesse ambiental ou imprestáveis para os fins do setor primário estão excluídas da incidência do ITR, sendo certo que esse imposto somente incide sobre as áreas aproveitáveis, geradoras de renda agrícola, pecuária e extrativista. O nó górdio aqui é definir quais os requisitos que devem ser implementados para que uma área seja considerada de reserva legal para fins de fruição da exclusão da tributação do ITR. Fl. 198DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 07/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Partindo do princípio que o ITR incide sobre a área tributável da propriedade (área total do imóvel menos as áreas de preservação permanente e de utilização limitada1), geradora de renda agrícola, pecuária ou extrativista, parece claro que o contribuinte somente pode se beneficiar do favor legal tributário se de fato existir essas áreas de utilização limitada, ou seja, caso as áreas de reserva legal ou de preservação permanente estejam sendo utilizadas indevidamente em atividades agrícolas, extrativistas ou pecuárias diretas, afastarseia a isenção legal. De outra banda, existindo tais áreas, o contribuinte pode se beneficiar do favor legal, cumpridos os requisitos formais, que se verá a seguir. Assim, para a fruição de isenção tributária, pode a lei exigir o cumprimento de requisitos formais, além dos substanciais (no caso vertente, a existência das próprias áreas ambientalmente protegidas). Como exemplo de requisito isentivo de ordem formal, o art. 4º, V, da Lei nº 8.661/1993 determina que o contribuinte detentor de um Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial PDTI pode ter um crédito de 50% do IRRF incidente sobre as remessas para o exterior, a título de royalties, de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstas em contratos de transferência de tecnologia, desde que averbados nos termos do Código de Propriedade Industrial, ou seja, não basta ter um contrato de transferência de tecnologia firmado com uma empresa estrangeira, mas se deve averbálo no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI, como manda o art. 230 do Código de Propriedade Industrial (Lei nº 9.279/96), para fruição do benefício legal. Agora, passase a verificar a existência de requisitos formais para fruição do benefício no âmbito do ITR para área de reserva legal. Em relação à área de reserva legal, assim versa o art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96, verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I Omissis; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; A Lei tributária assevera que a área de reserva legal, prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65), pode ser excluída da área tributável. Já no art. 16 da Lei nº 4.771/65 definemse os percentuais de cobertura florestal a título de reserva legal que devem ser preservados nas diferentes regiões do país e determina que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área. A questão que logo se aventa é sobre a obrigatoriedade de averbação da reserva legal para fruição do benefício no âmbito do ITR, já que a Lei nº 9.393/96 assevera a exclusão da área de reserva legal, porém remetendoa ao Código Florestal, não havendo, 1 As áreas de utilização limitada são as áreas de reserva legal, de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas ou imprestáveis para fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental, de RPPN, cobertas por floresta nativa e alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas. Fl. 199DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 07/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13116.001867/200388 Acórdão n.º 920201.409 CSRFT2 Fl. 8 15 especificamente, uma obrigação de averbação cartorária da área de reserva legal na Lei tributária. Quanto à obrigatoriedade da averbação da área de reserva legal, em sentido lato, parece que não há qualquer dúvida, pois inclusive há norma editada pelo Poder Executivo, com supedâneo na Lei nº 9.605/98 (Lei dos crimes ambientais), que considera tal comportamento uma infração administrativa, com aplicação de multas pecuniárias, conforme o art. 55 do Decreto nº 6.514/2008, sendo certo que o Poder Judiciário vem ratificando a obrigatoriedade da averbação da reserva legal, como se pode ver no REsp 927.979 – MG, julgado pela Primeira Turma em 31/05/2007, relator o Ministro Francisco Falcão, unânime, assim ementado: DIREITO AMBIENTAL. ARTS. 16 E 44 DA LEI Nº 4.771/65. MATRÍCULA DO IMÓVEL. AVERBAÇÃO DE ÁREA DE RESERVA FLORESTAL.NECESSIDADE. I A questão controvertida referese à interpretação dos arts. 16 e 44 da Lei n. 4.771/65 (Código Florestal), uma vez que, pela exegese firmada pelo aresto recorrido, os novos proprietários de imóveis rurais foram dispensados de averbar reserva legal florestal na matrícula do imóvel. II "Essa legislação, ao determinar a separação de parte das propriedades rurais para constituição da reserva florestal legal, resultou de uma feliz e necessária consciência ecológica que vem tomando corpo na sociedade em razão dos efeitos dos desastres naturais ocorridos ao longo do tempo, resultado da degradação do meio ambiente efetuada sem limites pelo homem. Tais conseqüências nefastas, paulatinamente, levam à conscientização de que os recursos naturais devem ser utilizados com equilíbrio e preservados em intenção da boa qualidade de vida das gerações vindouras" (RMS nº 18.301/MG, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 03/10/2005). III Inviável o afastamento da averbação preconizada pelos artigos 16 e 44 da Lei nº 4.771/65 (Código Florestal), sob pena de esvaziamento do conteúdo da Lei. A averbação da reserva legal, à margem da inscrição da matrícula da propriedade, é conseqüência imediata do preceito normativo e está colocada entre as medidas necessárias à proteção do meio ambiente, previstas tanto no Código Florestal como na Legislação extravagante. IV Recurso Especial provido. (grifouse) Na linha acima, não se pode deixar de fazer uma leitura combinada das Leis nº 9.393/96 e 4.771/65, devendo ser reconhecido que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal transcende em muito o direito tributário, sendo uma medida de garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, para as atuais e futuras gerações, conforme insculpido no art. 225 da Constituição Federal, sendo, inclusive, a defesa do meio ambiente um dos princípios da ordem econômica. E aqui não se diga que, por se tratar de isenção tributária, estarseia obrigado a fazer uma interpretação literal, na forma do art. 111, II, do Código Tributário Nacional, sem qualquer observação da teleologia visada pelo legislador. Não obstante a interpretação restritiva, nada impede a busca da concretização das finalidades Fl. 200DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 07/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 previstas pelo legislador, como se pode ver no precedente do Supremo Tribunal Federal, abaixo transcrito: EMENTA: CONSTITUCIONAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 149, § 2º, I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. EXTENSÃO DA IMUNIDADE À CPMF INCIDENTE SOBRE MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS RELATIVAS A RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO ESTRITA DA NORMA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DESPROVIDO. I O art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal é claro ao limitar a imunidade apenas às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico incidentes sobre as receitas decorrentes de exportação. II Em se tratando de imunidade tributária a interpretação há de ser restritiva, atentando sempre para o escopo pretendido pelo legislador. III A CPMF não foi contemplada pela referida imunidade, porquanto a sua hipótese de incidência – movimentações financeiras – não se confunde com as receitas. IV Recurso extraordinário desprovido. (STF; RE 566259; Relator(a): Min. Ricardo Lewandowski; Tribunal Pleno; julgado em 12/08/2010; Repercussão Geral Mérito; DJe179: 24092010) – Destacouse. Ora se averbação da reserva legal chega a ser objeto de multa pecuniária administrativa específica, parece desarrazoado deferir o benefício tributário sem o cumprimento dessa medida, quando a própria Lei nº 9.393/96 defere a exclusão da área de reserva legal, prevista no Código Florestal, ou seja, parece que com as condicionantes da legislação ambiental. A interpretação acima está alicerçada no entendimento de que o ITR é um imposto de feição essencialmente extrafiscal, tendo pouco valor o aspecto fiscal, arrecadatório. Aqui, tratando da coexistência da fiscalidade e da extrafiscalidade nas normas tributárias, assevera Paulo de Barros Carvalho2: Há tributos que se prestam, admiravelmente, para a introdução de expedientes extrafiscais. Outros, no entanto, inclinamse mais ao setor da fiscalidade. Não existe, porém, entidade tributária que se possa dizer pura, no sentido de realizar tãosó a fiscalidade, ou, unicamente, a extrafiscalidade. Os dois objetivos convivem, harmônicos, na mesma figura impositiva, sendo apenas lícito verificar que, por vezes, um predomina sobre o outro. No dizer de José Marcos Domingues Oliveira3 (1999, p. 37) a “Tributação extrafiscal é aquela orientada para fins outros que não a captação de dinheiro para o Erário, tais como a redistribuição da renda e da terra, a defesa da indústria nacional, a orientação dos investimentos para setores produtivos ou mais adequados ao interesse público, a promoção do 2 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário – Linguagem e Método. 2ª ed., São Paulo: Noeses, p. 241. 3 OLIVEIRA, José Marcos Domingues de. Direito Tributário e Meio Ambiente: proporcionalidade, tipicidade aberta, afetação de receita. 2ª ed. (rev. e amp.), Rio de Janeiro: Renovar, 1999, p. 37. Fl. 201DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 07/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13116.001867/200388 Acórdão n.º 920201.409 CSRFT2 Fl. 9 17 desenvolvimento regional ou setorial etc.”, sendo certo que é do conhecimento geral que o ITR é um imposto marcantemente extrafiscal, desde sua instituição, primeiramente tentando atingir os fins da reforma agrária e gravando de forma mais vertical os latifúndios improdutivos, como se viu com o Estatuto da Terra (Lei nº 4.504/64) e com as alterações perpetradas pela Lei nº 6.746/79 nesse Estatuto, e, posteriormente, notadamente com a Lei nº 9.393/96 (e suas alterações posteriores, como a Lei nº 11.428/2006), avultou a extrafiscalidade do ITR no tocante à preservação das áreas de interesse ambiental, já que tais áreas não compõem as áreas objeto da incidência do imposto, bem como a progressividade a depender do binômio área total do imóvel/grau de utilização. Apenas para se ter uma idéia da irrelevância do aspecto fiscal, arrecadatório, do ITR, no ano de 2009, as receitas administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil atingiram 682.983 bilhões de reais, e, desse montante, a arrecadação do ITR atingiu a mísera quantia de 480 milhões de reais, ou seja, 0,07% do total arrecadado4, isso no país que é o quinto maior em extensão do planeta, a indicar que, a despeito das enormes áreas rurais do Brasil, a questão arrecadatória é marginal, secundária. De outra banda, o aspecto extrafiscal do ITR é cristalino, e diversos pontos dessa extrafiscalidade podem ser anotados, a saber: imunidade da pequena gleba familiar, a favorecer a fixação do homem no campo; progressividade das alíquotas, como se vê no anexo da Lei nº 9.393/96, no qual uma propriedade com o mesmo grau de utilização do imóvel rural, pode variar a alíquota de 1% a 20%, a depender do porte da propriedade, tudo a agravar mais fortemente as propriedades de maior porte, favorecendo os minifúndios e propriedades de pequeno porte; tributação mais favorecida dos imóveis rurais com maior grau de utilização das atividades do setor primário, a privilegiar um mais racional uso da terra; exclusão da área de tributável das partes do imóvel que detém interesse ecológico (áreas de preservação permanente e de reserva legal; de interesse ecológico declaradas pelos órgãos ambientais; imprestáveis para a atividade primária e declaradas de interesse ecológico pelo órgão ambiental competente; de servidão florestal ou ambiental; e cobertas por florestas nativas), destacando a preservação do meio ambiente. Em um cenário dessa natureza, devese privilegiar toda a interpretação que potencialize os aspectos extrafiscais do ITR e, dentre esses, avulta a relevância das áreas de proteção ambiental, sendo que a averbação cartorária da área de reserva legal é um importante requisito para a conservação da área protegida, para as atuais e futuras gerações, devendo ser rechaçada qualquer interpretação que enfraqueça o aspecto extrafiscal do ITR, como aquela que arrosta a necessidade da averbação cartorária da área de reserva legal, pelo simples fato de não haver um comando literal na Lei nº 9.393/96 para o mister. Ora, o art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige 4 Esses dados da arrecadação federal podem ser acessados no site da internet da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no endereço: http://www.receita.fazenda.gov.br/Publico/arre/2009/Analisemensaldez09.pdf. Fl. 202DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 07/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, obrigação propter rem, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Insistese que afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. O entendimento acima, no tocante à necessidade de averbação cartorária da área de reserva legal, já foi adotado pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, como se viu no Acórdão nº 9202001.348, sessão de 09 de fevereiro de 2011, por maioria, que restou assim ementado: (...) ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Entretanto, apesar de obrigatória a averbação cartorária da área de reserva legal, aqui não me filio àqueles que exigem obrigatoriamente a averbação em momento prévio ao fato gerador, de maneira peremptória, já que, havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou por atos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, especificamente se anterior ao início do procedimento fiscal pela autoridade tributária, não me parece razoável arrostar o benefício tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua (re)composição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei Fl. 203DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 07/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13116.001867/200388 Acórdão n.º 920201.409 CSRFT2 Fl. 10 19 tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção do ITR. Devese, porém, definir um termo final de quando poderia ser implementada a averbação cartorária da área de reserva legal, para fruição da exclusão da área tributável do ITR, pois não se pode deixar ao alvedrio do contribuinte implementar a averbação da área, sob pena de vulnerar a cogência da obrigação, pois o contribuinte poderia, simplesmente, aguardar o início do procedimento fiscal para fazêla, hipótese que jamais pode se concretizar, já que a quantidade de imóveis de um país continental como o Brasil é imensa, não sendo razoável imaginar que a autoridade tributária tenha condições de auditar todos os imóveis rurais do país. Dessa forma, enquanto o contribuinte estiver espontâneo em face da autoridade fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar no CRI a área de reserva legal, podendo fruir dos incentivos tributários. Porém, iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes do início do procedimento fiscal. Com as considerações acima, entendo que a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é condição imperativa para exclusão dela da incidência do ITR, devendo ser procedida antes do início do procedimento fiscal, o que não restou comprovado nestes autos, devendo, por conseqüência, ser provido o recurso do procurador neste ponto. Fl. 204DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 07/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10650.001996/2006-73
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social —
COFINS e o Programa de Integração Social PIS/PASEP.
Período de Apuração: 01.01.2003 a 31.12.2004.
Ementa: SOBRAS. DEDUÇÃO. BASE DE ÁLCULO.
As cooperativas podem deduzir da base de cálculo das contribuições sociais
as sobras até o limite destinado à formação dos fundos, de reserva e FATES,
com base nos atos cooperativos, nos termos estatuidos no art. 1 2, § 22 da Lei
n2 10.676/2003.
Ementa: OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. EXCLUSÃO DA BASE
DE CÁLCULO. DO PIS E DA COFINS — LEI N° 9.656198.
Legislação permite a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFTNS das
pessoas jurídicas de direito privado, cooperativas, que operam planos de
assistência á. saúde, o valor referente As indenizações correspondentes aos
eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas
a titulo de transferência de responsabilidades.
Ementa: RECEITAS FINANCEIRAS. EXCLUSÃO. BASE DE CALCULO.
As receitas oriundas de aplicação financeira das cooperativas decorrente de
sobra de caixa não estão sujeitas à tributação das contribuições para o PIS e a
COFINS, por estarem submetidas ao regime cumulativo.
Ementa: EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO RESSARCIMENTO
DE INTERCÂMBIO. CO-RESPONSABILIDADE CEDIDA.
TRANSFERÊNCIA DE RESPONSABILIDADE.
A legislação vigente autoriza a exclusão da base de cálculo: coresponsabilidades
cedidas, as provisões técnicas e as indenizações
correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das
importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades, o que engloba valores pagos A. rede conveniada como médicos (honorários),
hospitais, clínicas e laboratórios.
Numero da decisão: 3403-001.289
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo das contribuições os seguintes
valores: 1) as sobras até o limite destinado à formação dos fundos de reserva e FATES; 2) as
receitas financeiras; 3) as co-responsabilidades cedidas; 4) as provisões técnicas; e 5) a
totalidade dos eventos ocorridos e pagos, líquidos das importâncias recebidas a titulo de
transferência de responsabilidade. Sustentou pela recorrente a Dra. Leticia Fernandes de
Barros. OAB/MG n2 79.652.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS e o Programa de Integração Social PIS/PASEP. Período de Apuração: 01.01.2003 a 31.12.2004. Ementa: SOBRAS. DEDUÇÃO. BASE DE ÁLCULO. As cooperativas podem deduzir da base de cálculo das contribuições sociais as sobras até o limite destinado à formação dos fundos, de reserva e FATES, com base nos atos cooperativos, nos termos estatuidos no art. 1 2, § 22 da Lei n2 10.676/2003. Ementa: OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. DO PIS E DA COFINS — LEI N° 9.656198. Legislação permite a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFTNS das pessoas jurídicas de direito privado, cooperativas, que operam planos de assistência á. saúde, o valor referente As indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades. Ementa: RECEITAS FINANCEIRAS. EXCLUSÃO. BASE DE CALCULO. As receitas oriundas de aplicação financeira das cooperativas decorrente de sobra de caixa não estão sujeitas à tributação das contribuições para o PIS e a COFINS, por estarem submetidas ao regime cumulativo. Ementa: EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO RESSARCIMENTO DE INTERCÂMBIO. CO-RESPONSABILIDADE CEDIDA. TRANSFERÊNCIA DE RESPONSABILIDADE. A legislação vigente autoriza a exclusão da base de cálculo: coresponsabilidades cedidas, as provisões técnicas e as indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades, o que engloba valores pagos A. rede conveniada como médicos (honorários), hospitais, clínicas e laboratórios.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2012-02-02T11:17:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 9; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2012-02-02T11:17:49Z; Last-Modified: 2012-02-02T11:17:49Z; dcterms:modified: 2012-02-02T11:17:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:35980b06-c97b-4b43-a6a0-4d0c9a296711; Last-Save-Date: 2012-02-02T11:17:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2012-02-02T11:17:49Z; meta:save-date: 2012-02-02T11:17:49Z; pdf:encrypted: false; modified: 2012-02-02T11:17:49Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2012-02-02T11:17:49Z; created: 2012-02-02T11:17:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2012-02-02T11:17:49Z; pdf:charsPerPage: 2319; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2012-02-02T11:17:49Z | Conteúdo => • OF 'CA RF N/11 7 H. 1 S3-C4T3 Fl. I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Proce, n' 10650.001996/200 -73 ReczIrst) n° 248.448 Voluntário Acórdão n° 3403-001.289 — 4' Camara / 3' Turma Ordinária Sessão de 09 de novembro de 2011 Matéria COFINS/PIS Recorrente UNIMED UBERABA COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS e o Programa de Integração Social PIS/PASEP. Período de Apuração: 01.01.2003 a 31.12.2004. Ementa: SOBRAS. DEDUÇÃO. BASE DE ÁLCULO. As cooperativas podem deduzir da base de cálculo das contribuições sociais as sobras até o limite destinado à formação dos fundos, de reserva e FATES, com base nos atos cooperativos, nos termos estatuidos no art. 1 2, § 22 da Lei n2 10.676/2003. Ementa: OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. DO PIS E DA COFINS — LEI N° 9.656198. Legislação permite a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFTNS das pessoas jurídicas de direito privado, cooperativas, que operam planos de assistência á. saúde, o valor referente As indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades. Ementa: RECEITAS FINANCEIRAS. EXCLUSÃO. BASE DE CALCULO. As receitas oriundas de aplicação financeira das cooperativas decorrente de sobra de caixa não estão sujeitas à tributação das contribuições para o PIS e a COFINS, por estarem submetidas ao regime cumulativo. Ementa: EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO RESSARCIMENTO DE INTERCÂMBIO. CO-RESPONSABILIDADE CEDIDA. TRANSFERÊNCIA DE RESPONSABILIDADE. A legislação vigente autoriza a exclusão da base de cálculo: co- responsabilidades cedidas, as provisões técnicas e as indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades, o que Document() assinado d:gilaVente conforme iv1P n" 2.200-2 de 241CF,f2001 Autenhcmio c-iglialmente ern 04i01/2012 '•;or DOMINGOS DI: SA FILi 10, f3Onc6o (.1';;; cm 06/01/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULM, Asci c6o dig;tolmer;te cm 04/01/2612 por L'OM!NOOSI)E. SA F:LHO Impresso em 19/002012 por NADIA LEONOR FERREIRA LIMA DF CARF MF Fl. 2 engloba valores pagos A. rede conveniada como médicos (honorários), hospitais, clínicas e laboratórios. Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo das contribuições os seguintes valores: 1) as sobras até o limite destinado à formação dos fundos de reserva e FATES; 2) as receitas financeiras; 3) as co-responsabilidades cedidas; 4) as provisões técnicas; e 5) a totalidade dos eventos ocorridos e pagos, líquidos das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidade. Sustentou pela recorrente a Dra. Leticia Fernandes de Barros. OAB/MG n 2 79.652. Antonio Carlos Atulim - Presidente Domingos de Sá Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Liduina Maria Alves Macambira, Robson Jose Bayerl, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Rdatório Trata-se de recurso ordinário interposto em face do acórdão prolatado pela DRJ em Juiz Fora/MG, que concluiu por manter o crédito tributário constituído por meio de Auto de Infração referente à COFINS, incidente sobre os valores recebidos a titulo de operadora de plano de assistência à saúde. Sustenta a Recorrente por tratar-se de uma sociedade cooperativa não há incidência da referida contribuição sobre a integralidade das entradas de recursos financeiros provenientes dos recebimentos do plano de saúde, incidindo somente sobre a taxa de adm in i stração. Articula que a exigência de tributação de contribuições contra sociedade cooperativa de serviços medicos incidindo sobre a integralidade das entradas dos recursos financeiros contraria a legislação aplicável ao sistema cooperativo. Document() assinado (,IijitaImente conforme riA!' 2 700-2 d3 24=2001 Autenticado digitalmente OM 0410', /2012 por DOMiNGOS GO SA IL! O, Assinado (1igitalmen1e em 06/01 12012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinc,da dIg;triImcnIe. em 04101/2 6 12 por E)0MiNGOS DE SA FILHO 2 Impresso cm 19101/2012 par NADIA LEONOR FERREIRA LIMA DF • CAREW H. 3 Processo n° 10650.001996/2006-73 S3-C4T3 Acórdão n.° 3403-001.289 Fl. 2 Em breve síntese sustenta: Nulidade do Acórdão — por ser genérico para análise de duas impugnações e dois autos de infrações, COFINS e PIS/PASEP; Nulidade dos autos de infração — ilegalidade da descaracterização da recorrente como sociedade cooperativa; Negativa de análise da questão relativa A suposta preclusdo administrativa com os mandados de segurança — números 2000.38.02.001.872-0 e 2000.38.02.000.582-9; Natureza jurídica societária — a nrio incidência tributária sobre o ato cooperativo; Delimitação da não incidência; Das sobras dedução da base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS, conforme autorizado pela Lei n. 10.676/2003; Receitas financeiras; Exclusões na base de cálculo do PIS e COF INS concedidas As sociedades que operam planos de saúde — consoante regência da Lei n. 9.656/98; Constituições de provisões técnicas e co-responsabilidades cedidas; Transferência de respórisabilidades. o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Trata-se de recurso voluntário tempestivo e atende os demais pressupostos necessários, motivo pelo qual tomo conhecimento. Em preliminar aduz a recorrente a nulidade do r. acórdão por ter enfrentado em conjunto débitos lançados em auto de infração distintos, razão pela qual foram apresentados três recursos, um se reportando a cada contribuição, COFINS e PIS, e outro referente As duas contribuições em conjunto. A nulidade s6 justifica quando resta patente o prejuízo, em que pesem as razões do inconformismo, não subsistem em face ao julgado. 0 fato de ter deixado de segregar os tributos em decorrência de suas particularidades, para melhor análise, não vislumbro no que restou assentado no r. acórdão confusão capaz de causar o prejuízo alegado. A meu sentir, não vejo violação aos princípios constitucionais norteadores do devido processo legal. Tanto é verdade que possibilitou a recorrente em brilhantes razões aduzir todo o seu inconformismo de modo pleno. Assim, rejeito a preliminar de nulidade do acórdão recorrido. A segunda preliminar arguida trata de nulidade em relação descaracterização da recorrente da condição de sociedade cooperativa. A alegação encontra-se sustentada em suposta descaracterização pelo simples fato dos autos de infrações abrangerem a totalidade das receitas, sem segregar, de acordo com o entendimento da recorrente as provenientes dos atos cooperados. O lançamento deu-se por força da norma do parágrafo primeiro do artigo terceiro da Lei n. 9.718/98, que disciplina: Docuinento a:rsinado IIaImente col iformo,%1P n 2.2J-2 e 24iO3í2001 Autenticado digitaImenie err: 04/01/2f)12 por DOMINGOS DL SA FiLi IO, Assinziclo JLhnere em CPIO1I2O12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, ASSi:lado digitoimcntr: em 04:0 -1120".2 per DOMINGOS DE- SA FILHO Impress° em 10/01/20 1 2 por NI'1)1A LEONOR FERREIRA I 3 s DV . CARr MF Fl. 4 — Entende-se por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificageio contábil adotada para as receitas". 0 fato do julgador de piso manter o lançamento de acordo com o seu convencimento jamais pode ser entendido como ofensa, exige-se, que o julgamento seja realizado sob o Angulo clo direito. No caso concreto, o julgamento deu-se dentro dos paramentos da legislaçi5o de regência, cujo entendimento exposto é de que A incidência das contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas, penso que esse fato não configura descaracterizaciIo da recorrente da qualidade de sociedade cooperativa, pois se trata de um posicionamento vinculado diretamente ao convencimento do julgador, mesmo que seja equivocado. Ademais, essa preliminar termina se confundindo com o mérito, pois por regra legal se sabe da não incidência tributária sobre os atos cooperados, o que será aquilatada ao tempo certo. Assim, impõe-se rejeitar a preliminar. Da negativa de análise sob a suposta preclusdo administrativa em decorrência da via judicial. A propositura pelo Contribuinte de ação judicial com o mesmo objeto do Processo Administrativo Fiscal de exigência de credito tributário implica em renúncia da discussão na esfera administrativa, tornando-se nela definitiva, matéria que se encontra pacificada neste Conselho, como se extrai da Súmula n°1. "Súmula CARF n° 1: Importa renúncia as instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de Kilo judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". A regra é A. prevalência da decisão judicial em relação ao administrativo, mesmo quando se trata de matéria declarada inconstitucional pelo STF, caso submetido ao crivo do judiciário, essa submissão importar ern renúncia da via administrativa. Instituto já amplamente discutido e atualmente pacificado neste Egrégio Conselho apresenta diversos precedentes que corroboram o entendimento aqui demonstrado. Vejamos: "NORMAS PROCESSUAIS - PROCESSO JUDICIAL CONCOMITANTE COM 0 PROCESSO ADMINISTRATIVO - Havendo concomitância entre o processo judicial e o administrativo sobre a mesma matéria, não haverá decisão administrativa quanto ao mérito da questão, que será decidida na esfera judicial. Recurso não conhecido, quanto à matéria objeto de Kilo judicial. RECURSO 117324, 2° Conselho de Contribuintes, 3° Camara, julgado em 17/10/2001". Document() assina ia digita.lmer,te con:oune 2,200-2 de 24/09/2001 Autenticado digitalmene em 04/0112012 por DOMINGOS DC SA FIL1 IO, Assinado dipitalmenle ern G6/0112C12 por AN1ONIO CARLOS ATULIM, AssIrc2,do rkidain-iente em 04101/2012 por DOM GOS DE SA .̀.11_1-10 4 Impresso em 19/01/2012 por NADIA LEONOR FERREIRA LIMA DF CARE NW FL 5 Processo n° 10650.001996/2006-73 83-C4T3 Acórdão n.° 3403-001.289 Fl. 3 A própria Constituição da República Federativa do Brasil, em seu artigo 5°, inciso XXXV, ao consagrar o principio da unidade de jurisdição, torna inócua a decisão administrativa que verse sobre matéria idêntica à judicialmente em discussão, vez que sempre prevalecerá esta última que possui o condão da definitividade e o efeito de coisa julgada. Por ser incabível a discussão da mesma matéria em instâncias diversas, havendo invariavelmente que, como já dito, prevalecer a decisão soberana emanada do Poder Judiciário, descabe sua discussão na esfera administrativa. Em sendo assim, é imprescindível examinar se a matéria que está sendo discutida na esfera judicial é a mesma em sede administrativa. Confesso que em relação à concomitância, bastava que a matéria submetida ao judiciário tratasse do mesmo tema, entretanto, passei a observar certa sutileza quanto identidade de objeto entre os feitos administrativos e o processo judicial que afasta essa conclusão. No caso concreto, parte do rol das matérias é distinta daquelas tratadas nos Mandados de Segurança. A matéria submetida ao judiciário é especifica, tratam-se do próprio ato cooperado, neste caderno os assuntos se refere A nulidade do Acórdão por ter abordado duas impugnações ao mesmo tempo, COFINS e PIS/PASEP; ilegalidade da descaracterização da recorrente como sociedade cooperativa; dedução da base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS, conforme autorizado pela Lei n. 10.676/2003; receitas financeiras; exclusões na base de cálculo do PIS e COFINS concedidas às sociedades que operam pianos de saúde — consoante regência da Lei n. 9.656/98; constituições de provisões técnicas e corresponsabilidades cedidas; transferência de responsabilidades. Concluo pela inexistência de identidade absoluta em parte da matéria submetida na ação judicial e a do processo administrativo, reconheço a necessidade de apreciação da matéria no seio deste Conselho. Em sendo assim, deixo de apreciar a natureza jurídica societária em razão de que essa encontra diretamente vinculada a não incidência tributária sobre o ato cooperativo e a delimitação da não incidência, e, estas se encontram submetidas A apreciação do judiciário. Desse modo, afasto a presunção de renúncia em relação ao processo administrativo para apreciar com exceção daquelas matérias submetidas ao crivo do Poder Judiciário, com estas considerações passo a examinar o mérito. Assim, cinge-se a controvérsia apresentada neste caderno à dedução das sobras da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, conforme autorizado pela Lei n. 10.676/2003, receitas financeiras, exclusões na base de cálculo do PIS e COFINS concedidas As sociedades que operam planos de saúde, consoante regência da Lei n. 9.656/98, constituições de provisões técnicas, co-responsabilidades cedidas e transferência de responsabilidades. Exclusão da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, à luz da Lei n. 10.676/2003. Domnento assinado digitalmene confor me MR n' 2.2(10-2 de 24/03/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 po; - DUM:NGOS DL SA F I LI IO, As.sinadt.; digitalmente cm 06101/2012 por ANTONIO CARLOS Al ULIM, Assinado d;gitrArr;; -mto cm 04/01/2012 por DOMINGOS DC SA FILHO 5 Impresso cm 1171/01/2012 per NADIA LEONOR FMRFIRA 1.1k1A D V CARE: Mt' FL 6 O inconformismo sustentado se refere A exclusão das sobras na base de cálculo das contribuições, na sua integralidade, por decorrer da própria natureza jurídica e não representarem acréscimo patrimonial, mas meros reembolsos aos cooperados das despesas incorridas na prestação de serviços. Sendo assim, as sobras se caracterizam como resultado da prática de atos cooperativos. 1•N'esse passo, a decisão recorrida deu contorno jurídico acertado ao caso na parte em que reconheceu in abstrato o direito A dedução limitada ao valor destinado A constituição dos fundos de reserva e FATES. Contudo, deve ser reformada na parte em que negou o direito aquela dedução in concreto em razão da falta de segregação entre atos cooperados e atos não cooperados. Isto porque é possível efetuar o cálculo dos valores destinados aos fundos, apenas com base nos atos cooperativos, nos termos estatuidos no art. 1 2, § 22 du Lei n2 10.676/2003, para em seguida efetuar-se a dedução das bases de cálculo utilizadas nas autuações. Das Receitas Financeiras incluídas na base de cálculo das contribuições. As operações financeiras das cooperativas decorrentes de sobra de caixa que produzem renda não estão sujeitas a tributação, PIS e CORNS. Embora a Jurisprudência entender como especulação financeira, motivo pelo qual é considerado fenômeno autônomo, não pode ser confundida com atos negociais específicos e com finalidade de fomentar transações comerciais em regime de solidariedade, como são os atos cooperativos. Tal posição segundo a jurisprudência dos tribunais, principalmente, do STJ, que já pacificou o entendimento de que as receitas financeiras, no caso das cooperativas de créditos não configuram ato cooperativo, em razão de envolver tanto a captação de recursos, quanto A realização de empréstimos efetuados aos cooperados, bem como a própria movimentação financeira. Portanto, cabe examinar se as receitas financeiras devem ou não ser incluidas A base de cálculo das contribuições. As receitas financeiras, diversamente da cooperativa de crédito, as demais cooperativas praticam esses atos eventualmente. Como se sabe as cooperativas de prestação de serviços médicos está submetido ao regime cumulativo, portanto, a incidência das contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS deve incidir somente em relação ao faturamento, isto é, a receita de contraprestação dos serviços médicos, que se resume nas prestações recebidas dos usuários do plano de saúde. As cooperativas estão submetidas ao regime cumulativo de que trata a Lei n. 9.718/8. Como é de conhecimento geral a amplitude dada ao conceito de faturamento pelo parágrafo primeiro do art. 3 0 da Lei n° 9.718/98 foi declarada inconstitucional. Deste modo, as pessoas jurídicas não enquadradas no regime não cumulativo permanecem sujeitas As normas da legislação vigente anteriormente, Lei n. 9.718/98. Com o evento da edição da Lei 9.718/98, a base de cálculo foi alargada para alcançar a totalidade das receitas, porém, o Supremo Tribunal Federal declarou D ocu inconstitucional p disposto pardgrafo.primeiro„c19, art. 3° da mencionada lei que promoveu o Autenticado diqitatniene cio 04/01/2012 por DOMINGOS U::: SA HMO. tzsinaclo r1;0 .,:rnr:ute, um 06/0112012 por ANTONIO CARLOS AT LJUM, ASS;i -,Eido diOr;lioontu em 04/0112012 por DOM:NGOS BF. SA FIFi0 Impresso cm 19/0112012 por NADIA LFONOR FERRFIRA UMA 6 DF CARI H. 7 Processo n° 10650.001996/2006-73 S3-C4T3 Acórdão n.° 3403-001.289 Fl. 4 alargamento da base de cálculo das contribuições, embora haja entendimento que a extensão erga omnes s6 alcança as partes diretamente vinculadas no processo judicial enquanto não for editada Resolução pelo Senado Federal. Entendo tratar-se de receita que não guarda qualquer vinculo com o conceito de faturamento. Poitanto, só compõe a base de cálculo para a determinação da contribuição As receitas provenientes dos ingressos de receitas da contra prestação dos pianos de saúde. Assim sendo, deve ser afastado da base de cálculo o valor das receitas distinto do conceito de faturamento. Acolho os argumentos da recorrente para afastar da base de cálculo as receitas provenientes das aplicações financeiras. DAS EXCLUSÕES NA BASE DE CALCULO DO PIS E DA COFINS CONCEDIDAS AS OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE — LEI N. 9.656/98. Não há dúvida de que as cooperativas podem adotar qualquer gênero de serviço, operação ou atividade, conforme dispõe o art. 5 ° da Lei n.5.764/71. certo que as cooperativas de serviços médicos desenvolvem a mesma atividade das operadoras de plano de assistência à saúde, tanto é verdade que se submetem as normas regulamentadoras do setor, a Lei número 9.656/98. A meu ver a atividade desenvolvida pela cooperativa de trabalho médico, assim como, as empresas Operadoras de Plano de Saúde não cooperativas são idênticas, em sínteses ambas são operadoras de plano de saúde, tanto é verdade que elas estão submetidas as normatização ditas pela ANS. 0 artigo 10 da Lei número 9.656/98, assim disciplina: "Art." 1" — Submetem-se às disposições desta Lei as pessoas jurídicas de direito privado que operam planos de assistência saúde, sem prejuízo do cumprimento da legislação especifica que rege a sua atividade, adotando-se, para fins de aplicação das normas aqui estabelecidas, as seguintes definições. I — Plano Privado de Assistência á Saúde: prestação continuada de serviços ou cobertura de custos assistenciais a prego pré ou pós-estabelecido, por prazo indeterminado, com a finalidade de garantir, sem limite financeiro, a assistência à saúde, pela faculdade de acesso e atendimento por profissionais ou serviços de saúde, livremente escolhidos, integrantes ou não de rede credenciada, contratada ou referenciada, visando a assistência médica, hospitalar e odontológica, a ser paga integral ou parcialmente as expensas da operadora contratada, mediante reembolso ou pagamento direto ao prestador, por conta e ordem do consumidor. — Operadora de Plano de Assistência à saúde: pessoa jurídica constituída sob a modalidade de sociedade civil ou comercial, cooperativa, ou entidade de autogestão, que opere produto, serviço ou contrato de que trata o inciso I deste artigo; §2° — Incluem-se na abrangência desta Lei as cooperativas que Documento as;;inc , o digitalmente conforoperenr osprodutoswieque tratam inciso 1 e o § 1" deste artigo, Autenticado digitalniente ern 04/01/20121,or DOMINGOS DL SA FILI10, Assinado digitalmente em 06/01/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assoado dlgitoimen;o cm 04:31/2012 por DOMINGOS DE SA F1110 Impresso em 10/01/2012 por NADIA ( FONOR FFRREIRA L;MA DE CARE: N'i 1 7 Fl. g bem assim as entidades ou empresas que mantém sistemas de assistência à saúde, pela modalidade de autogestão ou de administração". Consta do manual ANS - Agência Nacional de Saúde Suplementar, anexo, capitulo I — Normas Gérilis, 7.2.5, que os eventos/sinistros conhecidos ou avisados devem ser apropriados a despesas, vejamos: "Os Eventos/Sinistros Conhecidos ou Avisados devem ser apropriados a despesa, considerando-se a data de apresentação ' da conta médica, do aviso pelos prestadores ou do Aviso de Beneficiários identificados — ABI, pelo seu valor integral, no primeiro momento da identificação da ocorrência da despesa médica, independente da existência de qualquer mecanismo, processo ou sistema de intermediagdo da transmissão, direta ou indiretamente por meio de terceiros, ou da análise preliminar das despesas médicas". 0 tratamento contábil como se extrai do texto acima é o mesmo para as pessoas jurídicas de direito privado que operam planos de assistência à saúde. Da leitura do estatuto da recorrente extrai-se a confirmação de que a mesma pratica administração de plano de saúde, assim sendo, efetua pagamento por conta e ordem de terceiro, portanto, se enquadra no disposto do art. 1°, I, da Lei n° 9.656/98. Tenho como certa aplicação das disposições da Lei número 9.718, de 27 de novembro de 1998, combinado com o art. 1°, inciso I, da Lei n° 9.656/98. Art. 3° - ‘sS' 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência a saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória no 2.158-35, de 2001). I - co-responsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória no 2.158-35, de 2001). II - a parcela das contraprestações pecuniárias destinadas a constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória no 2.158-35, de 2001). III - o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória no 2.158- 35, de 2001). Nessa linha, ao contrário do que afirmou a decisão de primeiro grau, o exame dos demonstrativos das deduções da receita bruta (fls. 33, 34 e 38 , revela que a fiscalização não concedeu nenhuma dedução prevista nos incisos I e III do § 92 da Lei n2 9.718/98, mas apenas e tão-somente a dedução relativa à provisão de risco que tem previsão legal no inciso II do §92 da Lei n2 9.718/98. A leitura do relatório fiscal demonstra que a fiscalização levantou a receita bruta, tal como definida no art. 3 2, § 1 2 da Lei n2 9.718/98 e em seguida concedeu as deduções Docsops,ign,adas nos, demonstrativos ,citados Cont9do, em tais demonstrativos constou apenas a Autenticado digitalmente em 04101/2012 pot- Dour:cos DL SA FILHO, Assinado cm 05'01/2012 por ANTONIO CARI OS ATULIM, Assinado SI 2dnioie r:;:n 04/0Y 12012 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 Impresso em 19/0112012 por NADIA LEONOR FERREIRA LIMA DV CARP MI= 1'1. 9 Processo n° 10650.001996/2006-73 83-C4T3 Acórdão n.° 3403-001.289 FL 5 dedução de uma das provisões previstas no inciso II e não constou nenhuma das deduções previstas nos incisos I e III do § 92 da referida lei. Em sendo assim, A vista das disposições, impõe reconhecer que as cooperativas de serviços médicos têm direito de ajustar a base de cálculo das contribuições por força de disposicdó legal, tratamento esse semelhante As empresas operadoras de plano de saúde, por se tratar de atividade idêntica. Não há como deixar de reconhecer que os recursos financeiros transitam pelo caixa da sociedade, no entanto, são repassados aos médicos associados (honorários), as redes convcniadas (hospitais), e demais serviços assistenciais de apoio prestados aos consumidores. Além do que, os tribunais federais regionais vêm reconhecendo o direito das cooperativas excluirem da base de cálculo as despesas operacionais, isto 6, os custos inerentes a prestação de serviços, conhecidos como indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos. TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. DEDUÇÕES. COOPERATIVA. UNIMED. ART 3°, ,sç 9°, INCISO III, DA LEI N 9718/98. ( ..)3. Dentre as exclusões permitidas para as operadoras de planos de saúde, encontram-se os custos que a impugnante pretendeu deduzir, pois se pode considerar como sendo indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, os valores correspondentes aos pagamentos registrados nas contas descritas, que se referem a despesas operacionais ou custos decorrentes do cumprimento dos contratos de prestação de serviços médicos contratados pela UNIMED com seus usuários. 4. Sentença mantida. (Tribunal Regional Federal da 4a Regido. Segunda Turma. Processo: 2006.71.02.000202-1/RS. Relator: Juiza Vcinia Hack de Almeida. Publicação: DJe 14/05/2009) "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRATO DE SEGURO SAÚDE. ISS. BI-TRIBUTAÇÃO.I - Nas operações decorrentes de contrato de seguro-saúde, o ISS não deve ser tributado com base no valor bruto entregue à empresa que intermedeia a transação, mas sim pela comissão, ou seja, pela receita auferida sobre a diferença entre o valor recebido pelo contratante e o que é repassado para os terceiros, efetivamente prestadores dos serviços. Precedente: EDcl no REsp n° 227.293/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, DJ de 19.9.2005. (..)(Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial n.° 1002704/DF, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, Rel. p/ Acórdão Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 12/08/2008, DJe 15/09/2008) "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRATO DE SEGURO SAÚDE. ISS. BI-TRIBUTAÇÃO. I - Nas operações decorrentes de contrato de seguro-saúde, o 1SS não deve ser tributado com base no valor bruto entregue à empresa que Documento assinado digitalmente comz.; n 2.200 2 d3 24/00L001 Autenticado digitalmen1e em 041 0112012 po DOMINGOS DL: SA FILHO, /\;•.sinpcIo cl;i!0!:TIEMR-,' em 00/01/20 2 por ANTONIO CARLOS ATUL'M,Asinado digitalmente ern 04 1 01/2012 por DOW1GOS DE SA FILHO Impresso ern 19/01/2012 por NADIA lEONOR FETMEIRA I IMA Dr CA id IMF FL 10 intermedeia a transação, mas sim pela comissão, ou seja, pela receita auferida sobre a diferença entre o valor recebido pelo contratante e o que é repassado para os terceiros, efetivamente prestadores dos serviços. Precedente: EDcl no REsp n° 227.293/R.A Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, DJ de 19.9.2005. (..)(Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial n.° 1002704/DF, Rel. Ministro JOSE DELGADO, Rel. p/ Acórdão Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado ern 12/08/2008, Ilk 15/09/2008) Assim, independentemente da discussão em relação ato cooperado, matéria essa submetida ao crivo do Poder Judiciário, impõe reconhecer o direito das cooperativas de trabalho médico na qualidade de operadora de plano de saúde excluir os eventos/sinistros conhecidos ou avisados, efetivamente pagos, apropriados a despesas da base de cálculo das contribuições sociais, in casu do PIS e da COFINS, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidade, com arrimo na norma do inciso III, - § 9° do art. 3 ° da Lei n°9.718/98. CO-RESPONSABILIDADE CEDIDA E TRANSFERÊNCIA DE RESPONSABILIDADES - INTERCÂMBIO. O sistema identificado como "Unimed" se tornou símbolo de assistência de saúde suplementar em todo o pals, fruto da unido de um grupo de médicos aglutinados por meio de cooperativa, cada uma delas com sua personalidade jurídica. Com o objetivo de estender essa malha de assistência médica aos usuários, estabeleceu-se entre as diversas cooperativas de serviços médicos, coordenados por uma central, o intercâmbio nacional. Isso implica dizer que o usuário da Unimed de Vitória-ES pode ser atendido por um médico cooperado e uma unidade hospitalar conveniada de uma das Unimed de qualquer Estado da Federação. Sendo certo que, o valor do custo do atendimento sera repassado a Unimed que efetuou o atendimento, bem como, a rede hospitalar e todos os serviços complementares. Entre tantas modalidades de serviços prestadas de uma Unimed a outra do sistema, inclui a co-responsabilidade cedida, eventos ocorridos, transferência de responsabilidade e outras denominações, em síntese, encontram abarcadas pelo intercâmbio entre as Unimed. A toda evidência que cada uma, Unimed, é responsável pelo ressarcimento dos custos do atendimento do consumidor que contratou o plano de saúde, viabilizando o acesso aos serviços médicos, clínicos, hospitalares e laboratoriais, etc. Desse modo, a receita obtida com a contratação do plano de saúde é repassada a outra operadora por meio de ressarcimento, o que implica, assim, reconhecer o direito da exclusão dos valores repassados da base de cálculo das contribuições. Conclusão. Desse modo, impõe-se amoldar a incidência ao que determina a lei, excluindo-se da base de calculo: as co-responsabilidades cedidas, as provisões técnicas e as Docuihr.:"to cvtfo, ti m r ri" de Autenticado digitalmente em 04/0112012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Ast;im-,:do clioltni;nte, cm 06/01/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assimxio dioft)!Ir.wte em 04/0112012 per DOM!NGOS DE SA HLI K) Impress° .orn 197'01,2012 mc NAflIA LEONOR FERREIRA LIMA lo Dr CARP MF Processo n° 10650.001996/2006-73 83-G1T3 Acórdão n.° 3403-001.289 Fl. 6 indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades, o que engloba valores pagos à rede conveniada como médicos (honorários), hospitais, clinicas e laboratórios. Ante ao exposto, ndo conheço da matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário, e na parte conhecida dou provimento parcial para reconhecer o direito da recorrente de excluir da base de cálculo os seguintes valores: 1) as sobras até o limite destinado formaylo dos fundos de reserva e FATES; 2) as receitas financeiras; 3) as co-responsabilidades „ cedidas; 4) as provisões técnicas; e 5) a totalidade dos eventos ocorridos e pagos, líquidos das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidade. COMO voto. Domingos de Sá Filho Document() assinado di amerie cook n MP r 2.200-2 de 24f002C)1 Autei iticado digilalmente em 171/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILI 10, Assinado e;n 00/01/2012 por ANTC)N10 CARLOS ARUM, Assinado di9ik.im'Ln1e em 04101/2012 por DOMINGOS DL SA FILHO 11 Impresso cm 19/01/2012 por NADIA LEONOR FE!ZREIRA I IMA
score : 1.0
Numero do processo: 13802.001272/95-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1992, 1993
OMISSÃO DE RECEITAS. ÔNUS DA PROVA. PROVA INDIRETA.
DIRF.
Incumbe ao fisco o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito, e ao contribuinte o de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo daquele direito. É válido o lançamento fiscal efetuado somente com base nas informações prestadas por terceiros em DIRF (prova indireta), presumindo-se
verdadeiras as informações ali constantes, salvo prova em contrário. Entretanto, indispensável a juntada aos autos da cópia dos extratos
da DIRF, ou das telas dos sistemas de controle da RFB que confirmem os valores apontados na autuação.
Numero da decisão: 1102-000.632
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar e, no mérito, DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 1992, 1993 OMISSÃO DE RECEITAS. ÔNUS DA PROVA. PROVA INDIRETA. DIRF. Incumbe ao fisco o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito, e ao contribuinte o de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo daquele direito. É válido o lançamento fiscal efetuado somente com base nas informações prestadas por terceiros em DIRF (prova indireta), presumindo-se verdadeiras as informações ali constantes, salvo prova em contrário. Entretanto, indispensável a juntada aos autos da cópia dos extratos da DIRF, ou das telas dos sistemas de controle da RFB que confirmem os valores apontados na autuação.
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Recorrente TUBO MASTER DISTRIBUIDORA DE AÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1992, 1993 OMISSÃO DE RECEITAS. ÔNUS DA PROVA. PROVA INDIRETA. DIRF. Incumbe ao fisco o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito, e ao contribuinte o de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo daquele direito. É válido o lançamento fiscal efetuado somente com base nas informações prestadas por terceiros em DIRF (prova indireta), presumindose verdadeiras as informações ali constantes, salvo prova em contrário. Entretanto, indispensável a juntada aos autos da cópia dos extratos da DIRF, ou das telas dos sistemas de controle da RFB que confirmem os valores apontados na autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar e, no mérito, DAR provimento ao recurso. Documento assinado digitalmente. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 12/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIR Processo nº 13802.001272/9578 Acórdão n.º 110200.632 S1C1T2 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, Leonardo de Andrade Couto, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira e Marcos Vinicius Barros Ottoni. Relatório Tratase de retorno da Resolução 11020023, determinada por esta Turma na sessão de 11/11/2010, cuja leitura faço em sessão. Em síntese, o recurso versa sobre a exigência relativa à omissão de receitas financeiras, feita com base em informações supostamente constantes de Declarações do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – DIRF, que teriam sido apresentadas por administradoras de fundos de investimentos, revelando que a interessada, nos anoscalendário 92 e 93, teria auferido rendimentos produzidas por aplicações financeiras. A recorrente desde a impugnação demandou a nulidade do feito por ausência de provas e por cerceamento ao direito de defesa, ante a inexistência das DIRF nos autos, e, com relação a uma das instituições financeiras mencionadas pela fiscalização, alegou sequer ter sido dela correntista em algum momento. Uma vez que “transcritas” pela fiscalização todas as informações relevantes das DIRF supostamente apresentadas à Receita Federal pelas instituições em questão, identificando precisamente o nome e CNPJ da administradoras do fundo de investimentos, a natureza do rendimento, e os valores das receitas em cada um dos meses em questão, a Turma, no julgamento realizado em novembro de 2010, afastou o cerceamento do direito de defesa, por entender que todos os elementos necessários estavam disponíveis desde o início do contencioso para que a recorrente pudesse exercer o seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Contudo, tendo em vista a ausência nos autos da peça principal de prova da acusação fiscal, ou seja, os extratos das DIRF que teriam sido apresentados pelas instituições financeiras em questão, decidiuse pela conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade administrativa juntasse aos autos as cópias dos mencionados extratos. Em despacho de fls. 192, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária – DERAT/SP informou não mais possuir as declarações DIRF em papel, por já terem sido destruídas, e que o que poderia estar disponível, estaria em sistemas de controle da RFB. Um segundo despacho assinala que, em pesquisa aos sistemas informatizados PROFISC e Portal DIRF, bem como ao arquivo da DITEC, não foram localizadas as cópias solicitadas. Após ciência ao interessado da diligência efetuada, retornaram os autos ao CARF para julgamento. É o relatório. Voto Fl. 219DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 12/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIR Processo nº 13802.001272/9578 Acórdão n.º 110200.632 S1C1T2 Fl. 3 3 Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Demanda a recorrente que o auto de infração seja declarado nulo, por cerceamento ao direito de defesa. Nos termos da legislação que rege o processo administrativo fiscal (Decreto nº 70.235/72), art. 59, inciso II, as decisões proferidas com preterição do direito de defesa são causa de nulidade. Resta verificar se no caso concreto isto de fato ocorreu. O auto de infração do IRPJ, fls. 5154, no campo “descrição dos fatos”, qualifica a infração como omissão de receitas financeiras (receitas não contabilizadas), e faz referência ao Termo de Verificação nº 02, anexo às fls. 3842, no qual constam a descrição pormenorizada da infração apontada, os procedimentos adotados pela fiscalização com relação ao fato (confronto entre a DIRF e a escrituração comercial da recorrente, e intimação feita à recorrente), e, ainda, um demonstrativo indicando a fonte pagadora dos rendimentos por nome e CNPJ, a natureza do rendimento (e.g., Fundo de Aplicação Financeira – FAF –código 2103, ou Operação de Longo Prazo –código 8053), e os valores informados pelas instituições financeiras em cada um dos meses em questão, informações estas que, segundo a fiscalização, foram extraídas diretamente das DIRF apresentadas à repartição fiscal pelas pessoas juridicas administradoras de fundos de investimentos ali relacionadas. O enquadramento legal, por sua vez, corresponde à infração apontada. Para que seja configurado o cerceamento de defesa, necessário se faz que ocorra efetivo prejuízo para a defesa da parte. Não há qualquer indicativo de que a recorrente não tenha compreendido os fatos que lhe foram imputados, pelo contrário, tanto os compreendeu que inclusive elaborou, às fls. 169170, uma tabela sintetizando os valores apontados pela fiscalização que constavam no demonstrativo de fls. 39 elaborado pelo fisco, o qual, de resto, já apontava com precisão os fatos irregulares que deram causa ao lançamento. Portanto, nenhum prejuízo à defesa da recorrente pode ser alegado em razão da não apresentação das DIRF, mesmo porque todas as informações que constam da peça acusatória foram delas mesmo extraídas, e estavam disponíveis desde o início do contencioso para que a recorrente pudesse exercer o seu direito à ampla defesa e ao contraditório, tanto na primeira quanto na segunda instância. Afastadas as preliminares, passo ao mérito. O lançamento fiscal, conforme relatado, está amparado em confronto de informações prestadas por terceiros, constantes das DIRF por elas apresentadas, e nos valores registrados pela recorrente em sua contabilidade e informados à Secretaria da Receita Federal. Não se pode desconhecer o valor probante que tem as informações que constam em DIRF. As informações prestadas por terceiros na DIRF fazem prova contra os declarantes, de modo que eles se responsabilizam pelas informações prestadas e são cobrados pelos valores de imposto na fonte indicado na Declaração. Assim, a prova do auferimento de receitas financeiras pela recorrente foi coletada em documento produzido por terceiros desinteressados no litígio em questão. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 12/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIR Processo nº 13802.001272/9578 Acórdão n.º 110200.632 S1C1T2 Fl. 4 4 É evidente que as DIRF não constituem prova conclusiva do auferimento das referidas receitas, pois as mesmas podem conter erros. Neste sentido, em muitos casos é mesmo prudente a confirmação dos dados por outros meios, tomandose a DIRF apenas como ponto de partida para as investigações. No caso concreto, contudo, talvez por tratarse de instituições financeiras, e não de um tomador de serviços, e também pelo fato de serem três as instituições financeiras declarantes, e não apenas uma, com certeza fica reduzida ao mínimo a probabilidade de eventual equívoco, o que reforça o seu valor probante no caso concreto. Ainda assim, as mesmas estão sujeitas, por óbvio, à contraprova, não havendo qualquer restrição a que a recorrente apresente evidências de que os valores ali constantes não correspondem à realidade. Consta às fls. 38, e a recorrente confirma, que a fiscalizada foi intimada a informar, para efeitos de verificação fiscal, os valores correspondentes às receitas financeiras auferidas pela sociedade nos anoscalendário de 1992 e 1993, bem como consta também, e a recorrente confirma às fls. 169, que passaramse 82 dias sem que houvesse uma resposta. Assim, constatando a fiscalização que nem as respectivas declarações de rendimentos apresentadas à repartição fiscal, e nem tampouco os livros de escrituração comercial mantidos pela empresa refletiam o registro de quaisquer receitas financeiras nos anoscalendário objeto de verificação, procedeu ela à lavratura dos autos de infração ora em litígio. A defesa da recorrente, conforme se depreende dos autos, concentrouse apenas nas questões de falta de provas e de cerceamento do direito de defesa por ausência das DIRF nos autos. Em nenhum momento apresentou algum elemento que pudesse sugerir que os valores das receitas financeiras auferidas seriam outros, que não os apontados pela fiscalização, mas apenas referiu que os mesmos seriam suspeitos e aleatórios, uma vez que carentes de comprovação. Disse também que jamais teve conta ou movimentação bancária no Banco do Estado de São Paulo, o Banespa S/A, hoje Santander Banespa S/A, e que somente não foi juntada prova sobre isso porque o banco ainda não respondeu à correspondência já solicitada pela recorrente. Quanto aos bancos Bradesco e Unibanco, por outro lado, não ofereceu qualquer manifestação, o que permitiria ao menos presumir, por confronto com a alegação relativa ao Banespa, que deles seria correntista. Verificandose a tabela elaborada pela própria recorrente às fls. 169170, na qual sintetiza os valores apontados pela fiscalização como constantes das DIRF apresentadas pelos bancos Banespa, Bradesco, e Unibanco, percebese que em apenas um mês houve informação de receitas financeiras atribuídas ao Banespa, e em valor não muito representativo frente aos demais. Já as outras dezessete informações mensais de rendimentos, que abarcam também os valores mais significativos, são oriundas dos bancos Bradesco e Unibanco. Assim, considerandose que a recorrente era correntista destes bancos, não haveria de ter maiores dificuldades em obter destes a eventual comprovação de que não teria auferido receitas financeiras naqueles montantes apontados pela fiscalização. Do exposto, concluise que a defesa da recorrente não apresenta consistência, e que os indícios efetivamente apontam no sentido de que ela teria auferido as receitas que lhe são imputadas. Isto, naturalmente, caso constassem dos autos as cópias dos extratos das questionadas DIRF. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 12/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIR Processo nº 13802.001272/9578 Acórdão n.º 110200.632 S1C1T2 Fl. 5 5 Ou seja, muito embora o lançamento fiscal esteja apoiado somente em uma prova indireta do ilícito (no caso, as DIRF), pelo conjunto dos indícios, aliado à inconsistência da defesa, seria perfeitamente possível a manutenção do feito. Entretanto, sem a juntada aos autos sequer da prova indireta em que se baseia o lançamento, forçoso reconhecer que se está diante de alegação sem provas, sendo cediço que compete ao fisco, em primeira mão, o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito. No mesmo sentido, os seguintes precedentes: “IRPJ E REFLEXOS — OMISSÃO DE RECEITA — GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS AUSÊNCIA DE PROVAS. A partir do momento que a Fiscalização não realiza prova, que era de seu ônus, não há que se admitir a caracterização de omissão de receitas ou a glosa de custos, de despesas operacionais e encargos. Como salienta a jurisprudência desse e. Conselho de Contribuintes, ‘O lançamento, em se tratando de uma atividade plenamente vinculada (Código Tributário Nacional, arts. 3° e 142), requer prova segura da ocorrência do fato gerador do tributo. Cumpre à fiscalização realizar as inspeções necessárias à obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário’.” (Acórdão nº 107 07.496, relator Octavio Campos Fischer, sessão de 28 de janeiro de 2004) “OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FALTA DE ELEMENTO ESSENCIAL NOS AUTOS PARA PERFEITA QUANTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. A ausência nos autos da DIRF Declaração de Imposto Retido na Fonte com fulcro na qual foi apurada a diferença entre o informado à RF como pago ao autuado e o montante por declarado é causa da exclusão de tal quantia da base de cálculo do imposto suplementar lançado.” (Acórdão nº 19600.077, relatora Valéria Pestana Marques, sessão de 03 de dezembro de 2008) Pelo exposto, afasto a preliminar e, no mérito, dou provimento ao recurso voluntário. É como voto. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 222DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 12/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIR
score : 1.0
Numero do processo: 19647.006171/2004-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
Ementa:
MATÉRIA NÃO ABORDADA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Não pode ser conhecida, por preclusa, a matéria não contestada
expressamente na fase impugnatória e que, por conseqüência, não foi objeto de exame pela autoridade julgadora de primeira instância.
PAGAMENTOS PELO SIMPLES. DEMONSTRAÇÃO DO CRÉDITO.
INEXISTÊNCIA.
Cabe à defesa demonstrar, detalhadamente, a existência de possível crédito
originado de pagamentos pelo sistema Simples, aproveitável na compensação do IRPJ e da CSLL, cuja autuação ocorreu fora dessa sistemática.
Numero da decisão: 1202-000.614
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das matérias que deixaram de ser contestadas em primeira instância e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: MATÉRIA NÃO ABORDADA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Não pode ser conhecida, por preclusa, a matéria não contestada expressamente na fase impugnatória e que, por conseqüência, não foi objeto de exame pela autoridade julgadora de primeira instância. PAGAMENTOS PELO SIMPLES. DEMONSTRAÇÃO DO CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Cabe à defesa demonstrar, detalhadamente, a existência de possível crédito originado de pagamentos pelo sistema Simples, aproveitável na compensação do IRPJ e da CSLL, cuja autuação ocorreu fora dessa sistemática.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: MATÉRIA NÃO ABORDADA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Não pode ser conhecida, por preclusa, a matéria não contestada expressamente na fase impugnatória e que, por conseqüência, não foi objeto de exame pela autoridade julgadora de primeira instância. PAGAMENTOS PELO SIMPLES. DEMONSTRAÇÃO DO CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Cabe à defesa demonstrar, detalhadamente, a existência de possível crédito originado de pagamentos pelo sistema Simples, aproveitável na compensação do IRPJ e da CSLL, cuja autuação ocorreu fora dessa sistemática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das matérias que deixaram de ser contestadas em primeira instância e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Relator. Fl. 1257DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19647.006171/200415 Acórdão n.º 1202000.614 S1C2T2 Fl. 1.258 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner. Relatório Contra a empresa acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração para exigência do Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ (no presente processo) e da Contribuição Social sobre o Lucro LiquidoCSLL (processo 19647.006132/200418apensado ao presente),referente aos anoscalendário de 1999 a 2003, acrescidos da multa de ofício, no percentual de 75%, e dos juros de mora, pela taxa Selic, totalizando o valor de R$ 195.847,06, fls. 04 a 34. Por bem descrever os fatos ocorridos, passo a transcrever parte do relatório do Acórdão nº 1120.337 da DRJ/Recife, de fls. 909 a 917: “No Termo de Verificação Fiscal (fls. 37 a 47), o autuante descreve detalhadamente todas as informações concernentes ao procedimento fiscal e relata as apurações efetuadas nesta auditoria que passamos a resumir abaixo: (i) Histórico A ação fiscal iniciouse em 05/02/2004 com a solicitação da apresentação dos livros fiscais e contábeis nos anos calendário 1999 a 2003, bem como outros documentos pertinentes a ação fiscal. Não foram apresentados os livros Caixa e de Registro de Inventario dos anoscalendário de 1999 a 2001. (ii) A Exclusão do Simples Os livros citados não foram apresentados após as intimações de 05/02/2004, 27/02/2004 e 04/03/2004, e então, a fiscalização compareceu em 15/03/2004 a empresa responsável pela escrituração da fiscalizada, a ENAC — Assessoria Contábil Ltda., tendo constatado que tais livros não haviam sido escriturados. Neste período a empresa era optante pelo SIMPLES e a falta de apresentação dos Livros Caixa e de Registro de Inventário até 15/03/2004 caracterizou situação descrita no art. 195, inciso II, do RIR/99, sendo motivo suficiente para a exclusão do regime simplificado. Desta maneira, foi expedido o Ato Declaratório Executivo n.° 18, publicado no D.O.U. de 24/03/2004, excluindo a empresa com efeitos retroativos a janeiro de 1999. Em 26/04/2004, a contribuinte apresenta os Livros Caixa referente ao período 1999 a 2001 com autenticação da Junta Comercial de 20/04/2004, o que confirma que estes não foram escriturados no período em que a empresa esteve no SIMPLES (janeiro de 1999 a dezembro de 2001). Uma vez excluída do regime simplificado e sem possuir escrituração contábil que possibilitasse a apuração pelo lucro real, restou a empresa fiscalizada a forma de Fl. 1258DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19647.006171/200415 Acórdão n.º 1202000.614 S1C2T2 Fl. 1.259 3 tributação pelo lucro arbitrado, conforme disposto no art. 530, inciso III. [O lucro foi arbitrado nos anos de 1999 a 2001] Os valores para o arbitramento foram obtidos das vendas escrituradas no Livro de Registro e Apuração de ICMS. A contribuinte efetuou pagamentos no código 6106, que foram considerados indevidos pela fiscalização e não foram considerados na apuração do auto de infração. (iii) A Tributação no Ano Calendário 2002 Em relação ao ano calendário 2002 a empresa apresentou quatro declarações todas pelo lucro presumido e foram apresentadas as DCTF's dos quatro trimestres. Entretanto, a empresa deixou de incluir nas bases de cálculo dos tributos e contribuições os valores das receitas financeiras obtidas com descontos e juros de aplicações financeiras escrituradas no Livro Razão. (iv) A Tributação no Ano Calendário 2003. Relativamente ao ano calendário 2003, foram apresentadas as DCTFs nos quatro trimestres, com opção pelo lucro presumido. Novamente, a empresa deixou de incluir nas bases de cálculo dos tributos e contribuições os valores das receitas financeiras obtidas com descontos e juros de aplicações financeiras. Em decorrência das infrações constatadas foram lavrados Autos de Infração do IRPJ pelo lucro arbitrado, nos anos de 1999 a 2001 e pelo lucro presumido, nos anos de 2002 e 2003, com base em duas infrações: a) insuficiência de recolhimento do IRPJ e CSLL, nos anos calendário 1999 a 2001, em decorrência do arbitramento dos lucros e b) divergência entre os valores da base de cálculo nos anos calendário 2002 e 2003, em virtude da não inclusão dos valores das receitas financeiras e das receitas obtidas com descontos. No mesmos termos do IRPJ, também foram lavrados dois Autos de Infração em relação à CSLL, que se encontra no processo 19647.006132/200418, apensado ao presente processo. Apresentada a impugnação, fls. 381/382, a empresa contesta unicamente o fato de que, no período em que houve o arbitramento, de 1999 a 2001, teria havido pagamentos pelo Simples em montante superior ao lançado pela fiscalização, concluindo por haver ainda um crédito de R$ 20.505,78. Assim, mesmo com a exclusão do Simples, a empresa comprovaria a existência de créditos suficientes para quitação dos débitos apurados no arbitramento, não se justificando o lançamento mediante o Auto de Infração. Na sequência, foi prolatado o Acórdão nº 1120.337 da DRJ/Recife, de fls. 909 a 917, mantendo parcialmente os valores exigidos nas autuações, cujo ementário abaixo se reproduz: PAGAMENTOS EFETUADOS A TITULO DE SIMPLES. IRPJ. CSLL. Quando da exigência de oficio do IRPJ e da CSLL devem ser considerados os recolhimentos proporcionais relativos aos tributos efetuados para os mesmos períodos de apuração pela sistemática unificaria do Simples. MATÉRIA NÃO CONTESTADA – NÃO INCLUSÃO DOS VALORES DAS RECEITAS FINANCEIRAS E DAS RECEITAS Fl. 1259DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19647.006171/200415 Acórdão n.º 1202000.614 S1C2T2 Fl. 1.260 4 OBTIDAS COM DESCONTOS NA BASE DE CÁLCULO DO LUCRO PRESUMIDO. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. Lançamento Procedente em Parte Os principais fundamentos utilizados no voto condutor do acórdão recorrido, podem ser assim resumidos: i) a exigência do IRPJ e da CSLL dos anos calendário 2002 e 2003, em virtude da não inclusão dos valores das receitas financeiras e das obtidas com descontos, a contribuinte não efetuou qualquer alegação especifica deixando assim de exercer seu direito de defesa e concordando tacitamente com as apurações das infrações. ii) a Coordenação Geral de Tributação, respondendo a indagações efetuadas pela Coordenação Geral de Fiscalização, informa no item 12 da Solução de Consulta Interna n° 12/2006, que devem ser deduzidos, dos valores do IRPJ e da CSLL lançados, aquelas parcelas recolhidas a título de Simples. iii) não sendo o Simples um tributo, mas uma forma unificada de pagamento de impostos e contribuições, que mantêm identidade com as parcelas correspondentes, deve ser reconhecido o direito à contribuinte, em face da exclusão do Simples, de serem deduzidos os valores do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS, que se encontram incluídos nos recolhimentos efetuados espontaneamente sob o código 6106 (Simples), relativos aos anos de 1999 a 2001. Irresignada, a contribuinte apresentou seu recurso voluntário a este colegiado, mediante arrazoado, de fls. 922 a 929, apresentando as seguintes alegações, em síntese: i) inicialmente, repete a argumentação apresentada na peça impugnatória de que, mesmo com a exclusão do Simples, a empresa comprovaria a existência de créditos originados de pagamentos pelo Simples suficientes para quitação dos débitos apurados no arbitramento pela fiscalização, relativamente aos anos de 1999 a 2001. Na sequência, apresenta as seguintes alegações, não trazidas na peça impugnatória: a) o fato de existir o crédito mencionado no item anterior, seria suficiente para amortizar os valores lançados do IRPJ e da CSLL, relativo aos anos de 2002 e 2003; b) protesta pela exclusão retroativa da empresa do SIMPLES, o que violaria o art. 5°, XXVI da Carta Magna, que dispõe sobre direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; c) aduz que a não escrituração de livros fiscais é descumprimento de obrigações acessórias (CTN, art. 113, §I°). Cumprida a obrigação de pagar os tributos, não seria possível efetuar o lançamento decorrente apenas pelo descumprimento de meras obrigações acessórias. Fl. 1260DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19647.006171/200415 Acórdão n.º 1202000.614 S1C2T2 Fl. 1.261 5 d) alega não ser verdadeira a informação do acórdão recorrido de que a defesa não teria se defendido no tópico relativo a receitas financeiras e receitas obtidas com descontos na base de cálculo do lucro presumido. Ao contrário, a recorrente teria impugnado, expressa e implicitamente, todos os fundamentos dos Autos de Infração. Requer sejam reunidos os processos nºs 19647.006.171/200415 e 19647.006.131/200465, dada a identidade da matéria versada (conexão), com o objetivo de unificar os respectivos julgamentos. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso é tempestivo e nos termos da lei. Dele tomo conhecimento. Inicialmente, cabe esclarecer à defesa, que no momento não mais cabe a juntada do presente processo, de nº 19647.006.171/200415 (IRPJ), com o processo de nº 19647.006.131/200465 (PIS e Cofins), pela existência de conexão. Isso se deve porque o último processo citado já foi julgado na 3ª Seção deste CARF, em 09/12/2010, onde foi proferido o Acórdão nº 3101000579. conforme consulta ao sítio do CARF na internet. Assim, por impossibilidade, é de se indeferir o pedido formulado. Na sequência, cumpre registrar, que na peça impugnatória, de fls. 381/382, a recorrente contestou unicamente o fato de que, no período em que houve o arbitramento do lucro, de 1999 a 2001, teria havido pagamentos pelo Simples em montante superior ao lançado pela fiscalização, segundo transcrição de parte de seu arrazoado, fls. 382: “Como se verifica mesmo com a exclusão do simples, a empresa comprova a existência de créditos suficientes para quitação dos débitos apurados no arbitramento, não justificando o auto de infração.”. Além disso, verifico que ao longo das suas considerações na peça impugnatória, a impugnante relaciona os pagamentos efetuados pela sistemática do Simples e os confronta com os valores arbitrados e lançados pela fiscalização, nos anos de 1999 a 2001, concluindo por haver um crédito a seu favor, deixando de se pronunciar a respeito das infrações apuradas nos anos de 2002 e 2003. O Acórdão recorrido, em seu voto, enfrentou essa questão, decidindo, ao final, por aproveitar as parcelas correspondentes do IRPJ e da CSLL recolhidas pela sistemática do Simples, o que reduziu os valores do IRPJ e da CSLL exigidos na autuação, nos anos de 1999 a 2001. Entretanto, em seus cálculos, de fls. 914 a 916, não apurou créditos a favor da autuada, como se verá na sequência e considerou definitivas as matérias não expressamente contestadas, relativo a não inclusão dos valores das receitas financeiras e das obtidas com descontos, na base de cálculo do lucro presumido, nos anos de 2002 e 2003, que também não foram trazidas a debate nessa fase recursal. Já a recorrente, em sua peça recursal, resolveu inovar. Vem agora protestar pela exclusão retroativa da empresa do SIMPLES e argumentar que a não escrituração de livros fiscais não poderia acarretar os lançamentos efetuados pela fiscalização. Fl. 1261DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19647.006171/200415 Acórdão n.º 1202000.614 S1C2T2 Fl. 1.262 6 O que se verifica é que, em seu recurso, a recorrente trouxe matérias novas, diferentes daquelas constantes da impugnação. As matérias referentes à exclusão retroativa do SIMPLES e a não escrituração de livros fiscais não foram abordadas na peça impugnatória e, por conseqüência, não foi enfrentada pela turma julgadora de primeira instância. Assim, o nãoquestionamento a respeito dessas matérias, na peça impugnatória, implica na preclusão do recorrente trazer o assunto a debate, na fase recursal, por se tratar de matéria nova não enfrentada pela primeira instância, nos termos do art. 16, III c/c art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (grifei) Nesse mesmo sentido, vinha decidindo o antigo Conselho de Contribuintes, conforme ementa do Acórdão nº 10323579, sessão de 18/09/2008, que abaixo se transcreve: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – PRECLUSÃO – Matéria não questionada em primeira instância, quando se inaugura a fase litigiosa do procedimento fiscal, e somente suscitada nas razões do recurso constitui matéria preclusa e como tal não se conhece. Assim, entendo que não deve ser conhecida das matérias que deixaram de ser contestadas na fase impugnatória. Quanto ao pedido efetuado pela defesa, ao querer se aproveitar de um pretenso crédito alegando pagamento a maior do Simples, confrontado com os valores lançados pela fiscalização por ocasião do arbitramento do IRPJ e da CSLL, nos anos de 1999 a 2001, cumpre dizer à defesa que esse crédito inexiste. A recorrente, em sua peça recursal, limitouse a transcrever os pagamentos efetuados pelo Simples e os valores do IRPJ e CSLL devidos sem, contudo, indicar onde estariam os erros de cálculo porventura efetuados no acórdão recorrido. O exame do voto condutor do Acórdão da DRJ demonstra que foram considerados todos os pagamentos efetuados pela sistemática do Simples ao longo dos anos de 1999 a 2001, estando correto o aproveitamento do IRPJ e CSLL segundo o percentual correspondente a cada pagamento, de acordo com os demonstrativos, de fls. 913 a 916, descabendo qualquer reparo a fazer. A esse respeito, somente a título de esclarecimento, cumpre dizer que uma das hipóteses prováveis da recorrente ter encontrado um pretenso crédito, foi o fato de não ter excluído dos seus cálculos, a parcela relativa ao INSS embutida nos pagamentos do Simples, o que fez emergir um pretenso crédito que não se refere ao IRPJ ou à CSLL, que não é passível de compensação com os valores exigidos na autuação desses tributos, nos anos de 2002 e 2003, como pretende a defesa. Fl. 1262DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19647.006171/200415 Acórdão n.º 1202000.614 S1C2T2 Fl. 1.263 7 Face ao exposto, voto para que não seja conhecida das matérias que deixaram de ser contestadas em primeira instância, por preclusão e, no mérito, que seja negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 1263DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 18050.000062/2007-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/06/1974 a 31/07/2004
DECADÊNCIA. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS.
LEI 8.212/91. RELATÓRIO DE CORESPEONSÁVEIS E VÍNCULOS
COMUNICAÇÃO DE ACIDENTE DO TRABALHO – CAT. AUSÊNCIA
DE COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO PREVIDENCIÁRIO. INSUFICIÊNCIA
DE PROVAS.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e se destinam a subsidiar futuras ações executórias de cobrança. Esses relatórios não são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal.
Constitui descumprimento de obrigação acessória deixar a empresa de comunicar a ocorrência de acidente de trabalho ao Órgão Previdenciário, em época própria.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.269
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do cálculo da multa, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os fatos que a ensejaram até a competência
11/2000, anteriores a 12/2000, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nas preliminares, para deixar claro que o rol de coresponsáveis
é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos
do voto do(a) Relator(a); c) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/06/1974 a 31/07/2004 DECADÊNCIA. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS. LEI 8.212/91. RELATÓRIO DE CORESPEONSÁVEIS E VÍNCULOS COMUNICAÇÃO DE ACIDENTE DO TRABALHO – CAT. AUSÊNCIA DE COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO PREVIDENCIÁRIO. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e se destinam a subsidiar futuras ações executórias de cobrança. Esses relatórios não são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal. Constitui descumprimento de obrigação acessória deixar a empresa de comunicar a ocorrência de acidente de trabalho ao Órgão Previdenciário, em época própria. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1658; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 147 1 146 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18050.000062/200776 Recurso nº 259.534 Voluntário Acórdão nº 2301002.269 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de agosto de 2011 Matéria Auto de Infração: Obrigações Acessóraias em Geral Recorrente BRASKEM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/06/1974 a 31/07/2004 DECADÊNCIA. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS. LEI 8.212/91. RELATÓRIO DE CORESPEONSÁVEIS E VÍNCULOS COMUNICAÇÃO DE ACIDENTE DO TRABALHO – CAT. AUSÊNCIA DE COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO PREVIDENCIÁRIO. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e se destinam a subsidiar futuras ações executórias de cobrança. Esses relatórios não são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal. Constitui descumprimento de obrigação acessória deixar a empresa de comunicar a ocorrência de acidente de trabalho ao Órgão Previdenciário, em época própria. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do cálculo da multa, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os fatos que a ensejaram até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nas preliminares, para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do(a) Relator(a); c) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 18050.000062/200776 Acórdão n.º 2301002.269 S2C3T1 Fl. 148 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa BRASKEM S/A em face da decisão que julgou procedente lançamento lavrado contra a empresa “por ter deixado de comunicar acidente de trabalho ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato”. (f.103) 2. Conforme narrado no relatório fiscal, o auto de infração em questão é substituto do AI 35.419.6600: “1.1. Em 2001, a Odebrecht, em parceria com o grupo Mariani, adquiriu o controle da COPENE – Companhia Petroquímica do Nordeste S.A. e iniciou o processo de integração de suas empresas para formar a BRASKEM S.A. Entre outras incorporações, a TRIKEM S.A. CNPJ: 13.558.226/000154, foi incorporada pela BRASKEM, com Protocolos e Justificações de Incorporação aprovados na ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 15.01.2004, sob registro JUCEB n.º 96495542, protocolo 04/0344584, em 22/01/2004; 1.2. Mediante Mandado de Procedimento Fiscal – MPF 09098125 de 29/10/2003, a fiscal notificante realizou fiscalização na TRIKEM S.A., CNPJ 13.558.226/000154; 1.3. Na fiscalização supra citada lavrouse o AI 35.419.6600 no CNPJ 13.558.226/000154 da TRIKEM S.A., em 28/04/2004, referente ao código de fundamentação legal – CFL 53; 1.4. Em 11/05/2005 foi emitida a Decisãonotificação (DN) n.º 04.401.4/0193/2005, julgando nulo, por ocorrência de vício insanável, o auto de infração supra mencionado, fundamentado no art. 132 do Código Tributário Nacional (CTN – Lei n.º 5.172, de 15/10/1966) e no art. 780 da Instrução Normativa INSS/DC n.º 100, de 18/12/2003, vigentes à época da lavratura, considerando que os referidos artigos dispõem que na sucessão por incorporação o auto de infração deve ser lavrado em nome da empresa sucessora; 1.5. O presente auto de infração substitui o AI 34.419.6600, nos termos do art. 331 da Orientação Interna MPS/SRP n.º 11 de 12/08/2005, considerandose os elementos anexados na defesa do auto de infração substituído” (f. 8) 3. A decisão vergastada restou ementada nos termos que ora transcrevo abaixo: “AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. COMUNICAÇÃO DE ACIDENTE DE TRABALHO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar, a empresa, de comunicar acidente de trabalho ao Instituto Nacional do Seguro Social até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência. AUTUAÇÃO PROCEDENTE” (f. 103) Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 4. Em sede de recurso voluntário, o contribuinte aduziu, em síntese, o que segue: a) a impossibilidade de inclusão do nome de seus dirigentes na lavratura de eventual CDA para cobrança do suposto débito exigido; b) o recurso apresentado deve ser processado independentemente da apresentação de qualquer garantia, tal qual o depósito recursal; c) incompetência do INSS para fiscalizar fatos ocorridos fora de sua circunscrição; d) que jamais deixou de prestar ao INSS qualquer espécie de informação ou esclarecimento durante toda a fiscalização, sendo que somente não conseguiu apresentar os documentos objeto da autuação, pois não teve tempo hábil; e) muitos dos acidentes e das supostas alterações nos exames de saúde relacionados no presente lançamento não podem ser considerados como acidentes do trabalho ou doenças ocupacionais; f) por fim, requer a aplicação do art. 291 do Decreto n.º 3048/91, com a consequente redução da multa aplicada em 50% (cinquenta por cento), conforme estabelecido no inciso V, do art. 292, do mesmo diploma legal. 5. Devidamente cientificado do recurso apresentado pela empresa, o fisco limitouse a encaminhar os autos à apreciação deste Conselho. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 18050.000062/200776 Acórdão n.º 2301002.269 S2C3T1 Fl. 149 5 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. No que se refere à exigibilidade do depósito recursal, cumpre ressaltar que a garantia de instância para admissibilidade de recurso administrativo foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº. 1976, resultando na edição da súmula vinculante nº 21. 2. Consta da redação da súmula que “É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévio de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.”. Dessa forma, não sendo mais exigível o depósito recursal, conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DAS PRELIMINARES DA DECADÊNCIA 3. Preliminarmente, é importante que seja feita a análise da decadência, de ofício, tendo em vista que parte do crédito tributário constituído já se encontra decaído, segundo o prazo quinquenal previsto no Código Tributário Nacional. 4. Sobre essa questão, cumpre dizer que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: “Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 5. Os efeitos da Súmula Vinculante estão previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 6. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 7. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. 8. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência, prevista no Código Tributário Nacional – CTN, se aplica ao caso concreto. 9. Compulsando os autos, depreendese do Relatório Fiscal que o presente auto de infração foi lavrado em substituição ao AI – 35.419.6600, tendo em vista que os Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 18050.000062/200776 Acórdão n.º 2301002.269 S2C3T1 Fl. 150 7 créditos apurados nas ações fiscais MPF 09098125 – Trikem S/A e MPF 09096649 – OPP Química S/A, foram tornados nulos por erro na identificação do sujeito passivo. 10. Dessa forma, tendo em vista que o contribuinte tomou ciência do novo procedimento fiscalizatório em 31/05/2006 (f.01), referente ao período compreendido entre 01/06/1974 a 31/07/2004 (ff. 04/07), ficam alcançados pela decadência quinquenal os valores relativos às competências 06/1974 a 11/2000, nos termos do art. 173, I, do CTN. Restando, entretanto, mantidas as competências 12/2000 a 07/2004. 11. Assim, como ainda há débito remanescente, passo a examinar as demais questões recursais. DA INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS DIRIGENTES APONTADOS NO ANEXO “CORESP” 12. O contribuinte pugna pela não inclusão “do nome de seus responsáveis legais na lavratura de eventual CDA para cobrança do suposto débito exigido (...) antes de comprovada quaisquer das condutas previstas nos arts. 134 e 135 do CTN”. 13. E, no meu sentir, tem razão a empresa recorrente. É que, uma vez arrolados os diretores na lista anexa, o documento terá como escopo a garantia de inclusão das pessoas nele indicadas no polo passivo da obrigação tributária numa futura execução fiscal. Portanto não se trata de uma simples lista de todas as pessoas físicas, na qualidade de diretores, como defendido pela Fazenda. 14. Além do aspecto formal, a questão também deve ser analisada sob a perspectiva dos efeitos práticos e imediatos na vida dos contribuintes. E o prejuízo é patente, pois com o exaurimento do contencioso administrativo, o débito lançado será de pronto inscrito no CADIN, em nome do autuado e também de todos os coresponsáveis listados na relação anexa a NFLD, sem que haja uma única oportunidade concreta de defesa. 15. Não é demais falar que no caso da pessoa jurídica, ela é quase sempre a responsável pelas suas obrigações tributárias, pois, além de ser o sujeito da relação jurídica tributária, tem também, na maioria das vezes, o dever legal de pagar o tributo. 16. Contudo, a lei prevê que, como exceção à regra geral, quando houver inadimplemento da pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos pode ser transferida para seus diretores, gerentes ou responsáveis, sob determinadas condições. 17. Nesse sentido, dispõe o inciso III do artigo 135, do Código Tributário Nacional que: “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – (...) II – (...) III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 18. Desta forma, diante do referido comando, a responsabilidade só poderá ser transferida para a pessoa do sóciogerente responsável ou para o representante legal capaz. Além disso, somente poderá acontecer quando houver prova que praticaram qualquer um dos atos irregulares descritos no caput do artigo. 19. Encerrado o processo administrativo com a confirmação da procedência da dívida e não havendo pagamento, será emitida a Certidão da Dívida Ativa, que fundamentará a execução fiscal. Nela deve constar o nome do responsável pelo pagamento e, caso se tenha apurado alguma irregularidade capaz de imputar aos diretores ou ao representante legal a responsabilidade pelo pagamento, deverá conter a respectiva indicação, posto que nossos tribunais somente aceitam a citação dos coresponsáveis cujos nomes estejam mencionados na CDA, e apenas nessa hipótese poderá constar o nome do coresponsável. 20. Isso porque partese do pressuposto de que, como a CDA tem presunção de certeza e liquidez, estando o nome do diretor ou do representante nela incluído, presumirse á, da mesma forma, que houve uma apuração de responsabilidade no processo administrativo, que garantiu o direito de defesa do incluído. 21. No entanto, no âmbito das execuções fiscais de contribuições previdenciárias, até a revogação do art. 13, da Lei n. 8.620/93, o chamamento dos co responsáveis ocorria de imediato, independentemente de restarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa ou da prova da prática de algum dos atos previstos no art. 135 do CTN. 22. Nesse aspecto, o Superior Tribunal de Justiça tem farta jurisprudência determinando que se o nome do coresponsável estiver inscrito na CDA, tal fato é suficiente para a sua sujeição passiva solidária, cabendo ao coresponsável apenas via embargos à execução (cuja oposição é imprescindível a garantia do juízo), fazer contraprova à sua condição de sujeito passivo, inclusive com a inversão do ônus da prova para pessoa do sócio ou do diretor arrolado na Certidão. 23. Nesse sentido colhese a seguinte decisão ementada: “PROCESSUAL CIVIL – AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO – SÚMULA 211/STJ – NÃOALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535 DO CPC – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA – REDIRECIONAMENTO CONTRA SÓCIO CUJO NOME CONSTA NA CDA – POSSIBILIDADE. 1. Descumprido o necessário e indispensável exame dos artigos pelo acórdão recorrido, apto a viabilizar a pretensão recursal da recorrente, a despeito da oposição dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 211/STJ. 2. A Primeira Seção, no julgamento dos EREsp 702.232/RS, de relatoria do Min. Castro Meira, assentou que, se a execução fiscal foi promovida contra a pessoa jurídica e o sóciogerente ou se a execução foi ajuizada apenas contra a pessoa jurídica, mas o nome do sócio consta da CDA, compete ao sócio o ônus da prova de demonstrar que não incorreu em nenhuma das hipóteses previstas no mencionado art. 135 do CTN, em face da presunção juris tantum de liquidez e certeza da referida certidão. 3. Na hipótese dos autos, a Certidão de Dívida Ativa, conforme verificado pelo Tribunal de origem, incluiu o sócio como corresponsável tributário, cabendo à executada o ônus de provar os requisitos do art. 135 do CTN. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 18050.000062/200776 Acórdão n.º 2301002.269 S2C3T1 Fl. 151 9 Agravo regimental improvido.” (AgRg nos EDcl no Ag 1162734/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/11/2009, DJe 17/11/2009) 24. Ressaltese ainda, que mesmo depois da publicação da Lei 11.941/09, que revogou o art. 13 da Lei 8.620/93, que permitia a responsabilização solidária do coresponsável independentemente da prática de qualquer fato previsto no art. 135 do CTN, o próprio STJ já sinaliza em recentes julgados, que muito embora tenha havido a revogação do dispositivo acima mencionado, ainda assim constando o nome na CDA é cabível a sua inclusão no polo passivo da execução fiscal até que seja feita prova em contrário. 25. Resta claro o prejuízo para as pessoas arroladas como responsáveis com a sua inclusão na relação anexa ao presente lançamento, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art. 135 do CTN, pois a relação servirá de base para uma futura inscrição do débito em dívida ativa. 26. Feitas essas considerações, acato esta preliminar a fim de afastar a co responsabilidade dos diretores listados no CORESP. No entanto, voto por manter a lista nominal apenas como uma relação meramente indicativa de representantes legais já que posteriormente servirá de consulta para a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, cabendo a ressalva de que esses nomes não poderão ser inscritos imediatamente em dívida ativa tão somente com base nesta lista. DA COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAR 27. Alega o contribuinte que o lançamento deve ser anulado tendo em vista que “no caso, estáse pretendendo cobrar multa sobre documentos supostamente irregulares referentes a outros estabelecimentos da ora requerente e cobrar contribuições decorrentes de obrigações tributárias contraídas por outros estabelecimentos da ora requerente, situados, inclusive, em outras unidades da federação”. (f. 123) 28. Ocorre que a determinação contida no Decreto n.º 70.235/72, de que o auto de infração será lavrado no local da verificação da falta, possui referência com a jurisdição e, consequentemente, com a competência da autoridade fiscalizadora. 29. Nesse sentido o CARF editou a Súmula n.º 6, na qual se encontra disposto que “é legitima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte”. 30. Dessa forma, entendo que não há que se falar em nulidade do lançamento com base no local de lavratura do lançamento fiscal. DO LANÇAMENTO 30. Conforme narra o relatório fiscal, a empresa foi autuada “por deixar (...) de comunicar acidente de trabalho ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato” e por não informar “mediante Comunicação de Acidente de Trabalho – CAT, os agravamentos de doença ocupacional reconhecidos pelo serviço médico da empresa, conforme Relatórios Anuais do Programa de Controle Médico da Saúde Ocupacional de 1999 a 2002 dos estabelecimentos Fl. 9DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 PVC/BA – CNPJ: 13.558.226/000154, PVC/SP – CNPJ: 3.558.226/000669, PVC/AL – CNPJ: 3.558.226/001398, CS/BA – CNPJ: 13.558.226/002440.” (f. 9) 31. E na busca de reverter o lançamento de crédito, o recorrente teceu as seguintes considerações: “O PERMANETE AUXÍLIO À FISCALIZAÇÃO Diverso do alegado na autuação, a empresa autuada jamais deixou de prestar ao INSS qualquer espécie de informação ou esclarecimento, durante toda a extensa fiscalização. (...) Prova disto é que foram objeto de análise no decorrer da ação fiscal milhares de guias/GPS, milhares notas fiscais, entre outros. (...) O TEMPO NECESSÁRIO PARA A ENTREGA DOS DOCUMENTOS Os documentos cuja apresentação se constitui no objeto da presente autuação, dizem respeito a alguns dos diversos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD recebidos pela empresa que solicitavam milhares de diferentes documentos. Dentre esse vasto rol de documentos exigidos, a empresa deixou de apresentar tão somente aqueles em relação aos quais não teve tempo hábil. (...) A DESNECESSÁRIA EMISSÃO DAS CAT (...) ...muitos dos acidentes e das supostas alterações nos exames de saúde relacionados no presente auto de infração não podem ser considerados como acidentes do trabalho ou doença ocupacional.” (f.f. 127/131) 32. Com base no exposto acima, passo a análise de cada um dos pontos trazidos pela empresa: “O Permanente Auxílio à Fiscalização” 33. Alega a recorrente que não deixou de prestas qualquer informação ou esclarecimento relacionadas à fiscalização ao contrário do alegado pela autoridade administrativa quando da constituição do lançamento. 34. Ocorre que, conforme a peça introdutória, o presente processo trata somente da falta de comunicação de acidente de trabalho, não tendo sido o contribuinte autuado, nesses autos, pela ausência de apresentação de documentos requeridos. 35. Assim, entendo que não houve prejuízo ao contribuinte com relação a esse ponto. “O Tempo Necessário para a Entrega dos Documentos” Fl. 10DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 18050.000062/200776 Acórdão n.º 2301002.269 S2C3T1 Fl. 152 11 35. Insurgese a empresa contra o falta de tempo hábil para a apresentação da documentação solicitada. 36. Porém, compulsando os autos, verificase pela data de emissão do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, f. 31, que o contribuinte teve mais de quatro meses para a cumprir o requerimento feito pelo fisco. 37. Isso porque a recorrente recebeu o TIAD no dia 20/01/2006 e o lançamento do débito se deu somente em 31/05/2006. Dessa forma, não há que se falar em falta de tempo para apresentação de documentos. “A Desnecessária Emissão das CAT” 38. Aduz o contribuinte que “muitos dos acidentes e das supostas alterações nos exames de saúde relacionados no presente auto de infração não podem ser considerados como acidentes do trabalho ou doenças ocupacionais”. (f. 129) 39. Contudo, no meu sentir, a infração apontada pelo fisco está devidamente comprovada, conforme os quadros de sinopse de alteração nos resultados dos exames devido a causas ocupacionais carreadas no relatório fiscal (ff. 8/17). 40. Ainda em consonância com a peça introdutória, é possível verificar a ocorrência do descumprimento de obrigação acessória: “Assim, de acordo com o PCMSO, os resultados alterados/anormais dos exames realizados indicam agravos à saúde dos trabalhadores em função dos agentes nocivos que estão expostos no ambiente de trabalho=doença. Sendo verificada exposição excessiva a determinado risco, o trabalhador deve ser afastado do local de trabalho, ou do risco, até que seja normalizado o indicador biológico de exposição, e medidas de controle nos ambientes de trabalho tenham sido adotadas. Sendo constatada a ocorrência ou o agravamento de doenças profissionais, ou sendo verificadas alterações que revelem qualquer tipo de disfunção de órgão ou sistema biológico, caberá ao médico coordenador do PCMSO: a) solicitar à empresa a emissão da CAT – Comunicação de Acidente de Trabalho; b) indicar, quando necessário, o afastamento do trabalhador da exposição ao risco, ou do trabalho; c) encaminhar o trabalhador à Previdência Social, para estabelecimento de nexo causal, avaliação de incapacidade e definição de conduta previdenciária em relação ao trabalho; d) orientar o empregador quanto à necessidade de adoção de medidas de controle no ambiente de trabalho. Assim, resumidamente: 1999 2000 2001 2002 Bahia 50 14 13 86 Alagoas 119 119 147 São Paulo 49 62 31 (...) fazem parte deste auto de infração 690 casos de vigilância ocupacional (alterações relacionadas com as exposição ocupacional) ou doença ocupacional, reconhecidas nos Relatórios de Exames Alterados, parte integrante do PCMSO, que não tiveram suas CATs elaboradas e entregues ao INSS. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 (...) Além destes, aparecem discriminados mais 09 casos no anexo I e 08 casos no anexo II, perfazendo um total de 707 casos de CATs não emitidas.” 41. Portanto, a motivação para a lavratura do Auto de Infração está de acordo com o art. 22 da Lei 8.213/91: “Art. 22. A empresa deverá comunicar o acidente do trabalho à Previdência Social até o 1º (primeiro) dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato, à autoridade competente, sob pena de multa variável entre o limite mínimo e o limite máximo do saláriodecontribuição, sucessivamente aumentada nas reincidências, aplicada e cobrada pela Previdência Social.” 42. Por fim, ressalto que a dinâmica dos autos revelam que a falta de comunicação de acidentes de trabalho e dos agravamentos de doença ocupacional reconhecidos pelo serviço médico da empresa está patente e configuram o descumprimento da legislação previdenciária. 43. Além disso, não obstante o bom arrazoado trazido pela empresa, a recorrente não traz aos autos qualquer documentação capaz de desconstituir o lançamento. CONCLUSÃO 44. Ante ao exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, decotando do lançamento as competências 06/1974 a 11/2000 e afastando a coresponsabilidade dos diretores listados no CORESP. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 12DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 19615.000252/2005-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 4° trimestre de 2002; e 1°, 3° e 4° trimestres de 2003
DIF-PAPEL IMUNE. MULTA. PROBIÇÃO DE REFORMATIO IN PEJUS.
Atualmente, o atraso da entrega da DIF-Papel Imune enseja a aplicação da multa prevista na Lei n° 11.495/2009. Se no caso concreto, a Fazenda contesta a interpretação dada pelo acórdão recorrido ao dispositivo que anteriormente previa a penalidade em questão, que ela mesma originava multa mais elevada do que a estabelecida na nova lei, deve-se negar provimento ao recurso especial da Fazenda, a fim de que se mantenha o acórdão recorrido, e não se aplique a nova lei, sob pena de se ferir o princípio que veda a reformatio in pajus.
Numero da decisão: 9303-001.670
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 4° trimestre de 2002; e 1°, 3° e 4° trimestres de 2003 DIF PAPEL IMUNE. MULTA. PROBIÇÃO DE REFORMATIO IN PEJUS. Atualmente, o atraso da entrega da DIFPapel Imune enseja a aplicação da multa prevista na Lei n° 11.495/2009. Se no caso concreto, a Fazenda contesta a interpretação dada pelo acórdão recorrido ao dispositivo que anteriormente previa a penalidade em questão, que ela mesma originava multa mais elevada do que a estabelecida na nova lei, devese negar provimento ao recurso especial da Fazenda, a fim de que se mantenha o acórdão recorrido, e não se aplique a nova lei, sob pena de se ferir o princípio que veda a reformatio in pejus. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19615.000252/200551 Acórdão n.º 9303001.670 CSRFT3 Fl. 2 2 Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto, Otacílio Dantas Cartaxo e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com fundamento em divergência jurisprudencial. Lavrouse auto de infração contra o contribuinte, para a cobrança de multa pela apresentação intempestiva da DIF Papel Imune. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 32/42 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou procedente o lançamento (fls. 59/64), nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/01/2003, 30/04/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004 MULTA REGULAMENTAR. APRESENTAÇÃO DA DECLARAÇÃO ESPECIAL DE INFORMAÇÕES RELATIVAS AO CONTROLE DE PAPEL IMUNE. A falta ou atraso na apresentação da DIFPapel Imune, enseja a imposição da multa prevista no artigo 57 da MP n2 2.15835, de 2001. INCONSTITUCIONALIDADE DE ATOS LEGAIS. A instância administrativa não dispõe de competência legal para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis, pois essa atribuição é reservada exclusivamente ao Poder Judiciário pela atual Constituição Federal. O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 69/82). A antiga Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes deu parcial provimento ao recurso do contribuinte. Eis a ementa do julgado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19615.000252/200551 Acórdão n.º 9303001.670 CSRFT3 Fl. 3 3 Data do fato gerador: 31/01/2003, 30/04/2003, 31/10/2003, 30101/2004, 30/04;2004, 30/07/2004 MULTA REGULAMENTAR. DIE PAPEL IMUNE A falta e/ ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo – DIF Papel Imune, pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator à multa regulamentar nos termos da legislação tributário vigente. PENALIDADE. LEI TRIBUTÁRIA. INTERPRETAÇÃO Em face da duplicidade de interpretação de lei tributária, aplica se aquela que comine penalidade menos onerosa ao sujeito passivo. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA Súmula N" 2. O Segundo Conselho de Contribuintes não e competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Recurso provido em parte. A Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial, com fundamento em violação à legislação tributária. Alegou que: “A norma, apesar de clara e objetiva, foi interpretada, data venha, de modo equivocado pela Câmara a quo. Decidiu aquela Corte, que o valor da multa imposto no lançamento deveria ser limitado ate R$ 15,000,00 (quinze mil reais), conforme o número de meses compreendidos pela declaração, pois não foi pretensão do legislador estabelecer multa desproporcional. Com o devido respeito, a tese não se sustenta. O objetivo da norma é claro. Visa a estipular uma pena com capacidade de se protrair no tempo, enquanto estiver perdurando os efeitos de um ato que fora cometido e perfectibilizado instantaneamente. Isso porque, estamos falando de uni ato consumado instantaneamente (no momento em que a declaração deveria ter sido entregue), mas cujos efeitos maléficos para a fiscalização perduram até que seja sanada a omissão. Este, portanto, constitui o motivo pelo qual a norma em comento estipulou pena capaz de se protrair igualmente no tempo. Nada mais justo e equivalente. A multa tratada, ainda é bem dizer, embora seja devida por atraso na entrega de declaração, não é propriamente moratória, mas punitiva stricto sensu (...) As multas punitivas stricto sensu são verdadeiras penalidades, que devem ser mensuradas conforme a gravidade do ilícito que Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19615.000252/200551 Acórdão n.º 9303001.670 CSRFT3 Fl. 4 4 visam a coibir. Neste sentido, também não há nenhum empecilho a que seu valor ultrapasse o do tributo eventualmente envolvido, até porque nem sempre há débitos tributários envolvidos em ilícitos tributários. O art. 44 da Lei n° 9.430/96 demonstra claramente que as multas punitivas podem ultrapassar o valor do débito eventualmente envolvido, dependendo da gravidade do ilícito. Tais espécies de gravame não precisam ter como valor máximo o do débito envolvido, não só porque nem sempre há tal débito, mas principalmente porque seu pressuposto e um ilícito, sem ligação direta com o recolhimento de tributo. Com isso, na verdade nem seria técnico que tal multa fosse cobrada com base no valor do tributo.” Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente especificou os dispositivos legais que reputa violados: artigos 57 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, e 112 do Código Tributário Nacional. Entendeuse, no acórdão recorrido, pela aplicação, da multa no valor total de R$ 90.000,00, sendo R$ 15.000,00 (já que o contribuinte não é optante do Simples) por cada trimestre apurado (4° trimestre de 2002; e 1°, 3° e 4° trimestres de 2004). Refutouse o entendimento, defendido no recurso em análise, de que a multa deve continuar correndo, a cada mês calendário, enquanto não tenha sido objeto de apuração pelo Fisco, aumentandose o valor conforme o avanço dos meses em atraso. Sucede que, em 2009, sobreveio a Lei n° 11.945, resultado da conversão da Medida Provisória n° 451/2008, para tratar da matéria no seguintes termos: Art. 1o Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19615.000252/200551 Acórdão n.º 9303001.670 CSRFT3 Fl. 5 5 § 1o A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2o O disposto no § 1o deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2o do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2o do art. 2o e no § 15 do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8o da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3o Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4o O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5o Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4o deste artigo será reduzida à metade. Diante de tal fato, é de se questionar: sendo o recurso da Fazenda, e tendo em vista que a nova lei estabelece um tratamento mai brando, em relação à penalidade discutida, esta deve ser aplicada, ou deve preponderar o artigo 57 da Medida Provisória n° 2158 35/2001? A matéria já foi enfrentada em sessão recente de julgamento por esta Turma. Entendeuse, e adoto aqui o mesmo entendimento, que a aplicação da nova lei, em face do recurso interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, violaria o princípio que proíbe a reformatio in pejus. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19615.000252/200551 Acórdão n.º 9303001.670 CSRFT3 Fl. 6 6 Com efeito, comparandose a interpretação dada pelo acórdão recorrido ao artigo 57, inciso I, da Medida Provisória n° 2.15835/2001, em que se limitou a multa a R$ 15.000,00, com o regramento inaugurado pela Lei n° 11945/2009, que estabelece o valor da multa em R$ 5.000,00, para optantes pelo Simples, vêse que a aplicação dessa nova lei diminuiria mais ainda o valor da multa. Diante disso, é que, tendo em vista tratarse de recurso da Fazenda, e diante das circunstâncias excepcionais do caso que, nego provimento ao recurso, a fim de que seja mantida a decisão recorrida, em todos os seus termos. Sala das Sessões, em 04 de outubro de 2011 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 6DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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