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Numero do processo: 19515.002803/2006-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1302-000.142
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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score : 1.0
Numero do processo: 19647.004215/2005-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.188
Decisão: Acordam os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos,
CONVERTER o julgamento do presente recurso em DILIGÊNCIA, em face da conexão com o processo nº 19647.009690/200699, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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DILIGENCIA/CONEXÃO Recorrente TIM NORDESTE TELECOMUNICAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento do presente recurso em DILIGÊNCIA, em face da conexão com o processo nº 19647.009690/200699, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (documento assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes – Presidente (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 19647.004215/200545 Resolução nº 1301000.188 S1C3T1 Fl. 2 2 Relatório A interessada acima qualificada apresentou Declarações de Compensação – DCOMPs, por meio das quais compensou crédito de IRPJ com débitos de estimativas do imposto e da contribuição apuradas nos meses dos anos calendários 2001, 2002 e 2003. 0 crédito informado, no valor de R$ 3.817.930,83, seria decorrente de saldo negativo da contribuição apurado em 31/12/2000. 2. Em diligência realizada pela Delegacia da Receita Federal DRF no Recife (relatório de fls. 41/49), concluiuse pela existência de direito creditório no valor de R$1.964.937,15. Por meio do Despacho Decisório de fl. 50, a autoridade a quo, acatando os fundamentos expostos no relatório, homologou parcialmente as compensações, até o limite do crédito reconhecido. 3. A empresa TIM Nordeste S/A, CNPJ n° 01.009.686/000144, sucessora da TELPE CELULAR S/A, apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: a) que o reconhecimento a menor do direito creditório devese ao entendimento, expresso no auto de infração lavrado no processo n° 19647.009690/200699, de ser indedutivel a amortização do ágio e de ter havido exclusão indevida de valores também relacionados ao ágio; b) que a amortização do ágio e as exclusões realizadas pela empresa estão amparadas pela legislação, além de que o lançamento teria sido realizado após o prazo decadencial, e que a solução do litígio depende da decisão a ser proferida nos autos do processo n° 19647.009690/200699; c) que houve a denúncia espontânea da infração, pelo que se eximiria da aplicação da multa de mora, com arrimo no art. 138 do CTN; d) que a imputação proporcional de principal e multa é ilegal e e) que o despacho decisório decorre da revisão de oficio havida nos autos do processo n° 19647.009690/200699 e que teria havido, ao que infere, acréscimo no valor dos débitos, o que afrontaria os arts. 145, 146 e 149 do CTN. Ao final, requereu a reforma do despacho decisório, para que sejam homologados os débitos em sua integralidade. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/RECIFE), decidiu a matéria por meio do Acórdão 1128.996, de 26/02/2010 (fls. 173), julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade, tendo sido prolatada a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Anocalendário: 2000 Fl. 256DF CARF MF Processo nº 19647.004215/200545 Resolução nº 1301000.188 S1C3T1 Fl. 3 3 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. CRÉDITO RECONHECIDO PARCIALMENTE. COMPENSAÇÃO DOS DÉBITOS. LIMITE. Reconhecido parcialmente o direito credit6rio, homologase a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido. COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. INCIDÊNCIA DE JUROS E DE MULTA DE MORA. Na compensação espontânea efetuada pelo sujeito passivo, os débitos vencidos sofrerão a incidência de acréscimos legais (multa de mora e juros), na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. PROCEDIMENTO DE IMPUTAÇÃO. A compensação de tributo ou contribuição será acompanhada, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E 1NCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTANCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes Tara a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. É o relatório. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 19647.004215/200545 Resolução nº 1301000.188 S1C3T1 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Extraise do relatório que o presente processo administrativo tem como objeto a compensação do crédito decorrente de IRPJ com débitos de estimativas do imposto e da contribuição apurados em meses dos anoscalendário 2001, 2002 e 2003. 0 crédito informado, no valor de R$ 1.118.536,65, seria decorrente de saldo negativo da contribuição apurado em 31/12/2000. Na peça recursal, repetindo as argumentações iniciais, discorre a recorrente sobre os seguintes tópicos: I Vinculação deste processo ao processo n° 19647.009690/200699; II A denúncia espontânea afasta a imposição de qualquer tipo de multa; III Ilegalidade na imputação proporcional de principal e multa, e IV Indevida Revisão de Lançamento. Extraise dos autos, em primeiro plano, que em decorrência de ação fiscal de que foi alvo a contribuinte, efetuouse lançamento para exigirlhe crédito tributário, tendo sido formalizado o processo nº 19647.009690/200699. Motivou a lavratura do auto de infração, entre outras infrações, o irregular tratamento fiscal dado pela ora recorrente ao ágio havido sobre operações com empresas do mesmo grupo. O lançamento, no tocante às mencionadas infrações, foi mantido pela Delegacia de Julgamento de Recife (Acórdão nº 21.175, de 13 de dezembro de 2007), encontrandose, nesta data, conforme pesquisa no eprocesso pendente de julgamento por esta Corte Administrativa (2a.TO/4a. CAM/1a.SEJUL, distribuído ao Conselheiro Carlos Pelá). O fato é que refeitos os cálculos do lucro real e da base de cálculo da CSLL, com o expurgo dos reflexos advindos das infrações, apurouse saldo a pagar ou saldo negativo do imposto ou da contribuição inferior ao declarado em DIPJ, conforme demonstrado em relatório fiscal. Em decorrência as estimativas que deram supedâneo aos créditos declarados nas DCOMPs apresentadas foram parcialmente homologadas e os saldos remanescentes por se constituírem em confissão de dívidas perante a Fazenda Pública estão sendo cobrados a partir do presente processo administrativo. No entanto, ao meu ver, em que pese as argumentações da autoridade julgadora em primeira instância para manter parcialmente a homologação tendo em vista a carência de liquidez e certeza da totalidade dos créditos pleiteados em DCOMPs, entendo que a insuficiência do Saldo Negativo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Base de Cálculo da CSLL decorreu justamente pela glosa da amortização de despesa com ágio tratada no processo administrativo nº 19647.009690/200699, o que resultou na ausência de pagamentos das estimativas e conseqüente imputação proporcional dos juros e multa de mora. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 19647.004215/200545 Resolução nº 1301000.188 S1C3T1 Fl. 5 5 Neste passo, resta evidente que a análise de mérito tratado no presente processo depende do julgamento administrativo em definitivo do processo conexo (n° 19647.009690/200699), pois, os feitos administrativos se relacionam (composição do SNIRPJ e da Base de Cálculo da CSLL do AC/2003). O C.P.C, cuja disciplina é subsidiária ao PAF, define claramente a conexão, a continência e a identidade de ações, todas causas de prevenção de competência. Comparando se o presente processo com o processo n° 19647.009690/200699, observamse as mesmas partes envolvidas em ambos os processos, a mesma causa de pedir e o mesmo objeto (pedido). Entre os processos referidos há mais do que conexão, ou mesmo continência, há identidade de ações no âmbito administrativo. Portanto, o apensamento deste processo àquele outro já referido é medida que se impõe pela litispendência evidente. Entendese que a decisão quanto ao pedido de homologação de compensação formalizado nos presentes autos representa matéria dependente da decisão final administrativa a ser dada no outro processo de n° 19647.009690/200699. Finalizando e acolhendo as razões trazidas pela contribuinte em sede de recurso voluntário, qual seja: pendência de decisão administrativa final ao processo principal do auto de infração, conduzo meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para os fins de apensação do presente processo ao de n°. 19647.009690/200699 para julgamento em conjunto, por absoluta litispendência entre as matérias. Ao final ressalto que, neste caso, não há a necessidade de ciência ao contribuinte e à Fazenda Nacional para o prosseguimento do feito. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 259DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.900889/2008-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1302-000.174
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vicepresidente), Eduardo de Andrade, Paulo Roberto Cortez, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Márcio Rodrigo Frizzo. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/07/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13005.900889/200894 Resolução n.º 1302.174 S1C3T2 Fl. 159 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 1ª Turma da DRJ/RJ1, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO à manifestação de inconformidade, mantendo o Despacho Decisório nº 759964715, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Versa este processo sobre PER/DCOMP. A DRF/Santa Cruz do Sul, através do Despacho Decisório nº 759964715 (fl. 3), não homologou a compensação declarada nos PER/DCOMP que relaciona. O despacho decisório contém a seguinte fundamentação: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$8.050,37 Valor do crédito na DIPJ: R$0,00 O interessado, cientificado em 23/05/2008 (fl. 35), apresentou, em 11/06/2008, manifestação de inconformidade (fls. 1/2). Nesta peça, alega, em síntese, que houve erro no preenchimento da DIPJ, mas possui crédito, conforme DIPJ retificadora transmitida em 30/05/2008. À fl. 37, houve o encaminhamento para esta DRJ, em face da Portaria nº 2.132/2010. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, repisou as alegações expendidas na manifestação de inconformidade. Em síntese: os equívocos se deram no preenchimento das Per/Dcomp. Entende que deva ser cabível a retificação da DIPJ, porquanto impossível retificar o Per/Dcomp após o despacho decisório. Além disso, aduz que retificou a DIPJ/2006 em 30/05/20008, comprovando a existência do crédito, oriundo de IRRF. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/07/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13005.900889/200894 Resolução n.º 1302.174 S1C3T2 Fl. 160 3 retificou a DIPJ, reconhecendo os erros apontados e possui crédito, oriundos de retenção do IRRF no Unibanco. É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/07/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13005.900889/200894 Resolução n.º 1302.174 S1C3T2 Fl. 161 4 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Alega, inicialmente a recorrente, que os equívocos se deram no preenchimento das Per/Dcomp. Entende que deva ser cabível a retificação da DIPJ, porquanto impossível retificar o Per/Dcomp após o despacho decisório. Além disso, aduz que retificou a DIPJ/2006 em 30/05/20008, comprovando a existência do crédito, oriundo de IRRF. Quanto a esta alegação, resta sem qualquer procedência lógica, eis que o erro deve importar na retificação da declaração que o contém. Se os erros estão localizados na Per/Dcomp não há qualquer retificação na DIPJ que possa regularizálos. E se a retificação não é possível quanto ao Per/Dcomp, a solução devese dar mediante solicitação de cancelamento da declaração de compensação. Afirma, ainda, que retificou a DIPJ, reconhecendo os erros apontados e possui crédito, oriundos de retenção do IRRF no Unibanco. De acordo com o Despacho Decisório (eletrônico) o valor do saldo negativo indicado no Per/Dcomp é de R$8.050,37 (fl.03). Os valores de IRRF conforme o Informe de Rendimentos acostado são de R$11.311,78 (2º Trimestre) e de R$16.022,95 (4º Trimestre). Como a DIPJ retificada mantém o valor do imposto devido em ambos os trimestres, mas retifica os valores de IRRF (em valores coincidentes com o Informe de Rendimentos), temse que o saldo negativo é de R$3.021,47 no 2º trimestre e de R$7.724,99 no 4º trimestre, totalizando saldo negativo no anocalendário de R$10.746,46. Os valores de receita decorrente das aplicações também foram lançados no item 30 da Ficha 06 A (fls.30, R$ 73.497,83, e 32, R$106.819,67). Desta forma, em princípio, e confirmados os valores alegados, haveria saldo negativo hábil para ser utilizado em compensação, até este limite. A tabela abaixo expõe as comparações aqui suscitadas: Informe Unibanco/ IRRF/2º Trim Informe Unibanco/ IRRF /4º Trim Total Retido /Informe de Rendimentos IRRF/ DIPJ Retificada IR devido Saldo Negativo Saldo Negativo Per/Dcomp 6.058,13 5.253,65 11.311,78 11.311,84 8.290,37 (3.021,47) 10.332,02 5.690,93 16.022,95 16.022,95 8.297,96 (7.724,99) Total (10.746,46) (8.050,37) Todavia, o informe de rendimentos apresentado como prova do crédito, embora contenha caracteres que indicam se tratar de um fac símile enviado pela Instituição Financeira, apresentase bastante ilegível. Demais disso, a coluna que deveria ser intitulada “imposto retido” é intitulada “imposto compensável”, o que, embora não incorreto, representa uma impropriedade quanto à informação que deve ser prestada no documento. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/07/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13005.900889/200894 Resolução n.º 1302.174 S1C3T2 Fl. 162 5 Assim, de acordo com os documentos acostados e especialmente porque se trata de procedimento realizado por via eletrônica, entendo que devam ser recebidos como início de prova os informes de rendimento, bem como a DIPJ retificada. Todavia, para plena aceitação do direito creditório há de ser produzida prova cabal pelo sujeito passivo de que os rendimentos que integram sua DIPJ como decorrentes de aplicação financeira são exclusivamente aqueles declarados no informe de rendimentos, bem como de que a retenção foi efetivamente realizada, mediante apresentação de mais documentos que venham a atestar de forma inequívoca seu direito creditório (extratos bancários, livros contábeis, etc). Assim, voto para converter o julgamento em diligência, para que a Unidade Local da Receita Federal, mediante análise de informações constantes dos sistemas da RFB, dos documentos do sujeito passivo e da Instituição Financeira envolvida, constate a existência do direito creditório alegado, e, existindoo, manifestese sobre seu reconhecimento, bem como sobre as compensações pleiteadas. Sala das Sessões, 12 de junho de 2012. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 162DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/07/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10768.005718/2002-44
Data da sessão: Thu May 20 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1302-000.039
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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G MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO,. „.. .-. Processo n° 10768,005718/2002-44 Recurso n° 166,948 Resolução n° 1302-00.039 — 3" Câmara / 2" Turma Ordinária Data 20 de maio de 2010 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente ANCAR EMPREENDIMENTOS COMERCIAIS S/A Recorrida 3' TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ 1 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente WILSON F RNAND '',91 ',Ir ' ARÀES - Relatorn EDITADO EM: 1 2 Participaram es kresente julgamento, os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Guilherme Pallastri Gomes da Silva, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade, Irineu Bianchi e Marcos Rodrigues de Mello, 1 Relatório ANCAR EMPREENDIMENTOS COMERCIAIS S/A, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 3 a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária, também no Rio de Janeiro. Trata o processo de pedido de restituição de Imposto de Renda, relativo a saldo negativo do ano-calendário de 2000, cumulado com pedidos de compensação. Por meio do Despacho Decisório de fls. 329/336, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro, unidade administrativa que Primeiro Conselho de Contribuintes analisou os pedidos, reconheceu parcialmente o direito creditório, homologando as compensações pleiteadas até o limite desse reconhecimento. Diante do deferimento parcial dos pedidos formulados, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 77/85), momento em que ofereceu, em apertada síntese, os seguintes argumentos: - que o pedido de reconhecimento de direito creditório datava de 17/04/2002 e a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 22/05/2007, após cinco anos da protocolização do pedido; - que a autoridade teria cinco anos para homologar as compensações; - que as compensações teriam sido, então, homologadas tacitamente; - que os documentos acostados aos autos comprovariam o direito creditório alegado; - que ao longo do ano de 2001 teriam sido efetuadas diversas compensações; - que a única diferença entre os documentos apresentados para o ano calendário de 2000 e para o de 2001 seria a falta de informação, na DCTF, dos valores compensados (erro de fato no preenchimento da DCTF, posto que "os demais documentos, inclusive contábeis, indicam que o crédito existe". A 3" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, apreciando os argumentos expendidos pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão ri' 12- 15.556, de 17 de agosto de 2007, pela improcedência dos pedidos, conforme ementa a seguir transcrita, COMPENSAÇÃO Mantém-se o Despacho Decisório, se nâo apresentado elemento de prova que o modtfique. Inconformada, a contribuinte impetrou o recurso voluntário de fls, 479/492, por meio do qual renova os argumentos expendidos na peça impugnatória. É o Relatório.. )11,11111110 2 Processo n° 10768 005718/2002-44 S1-C3T2 Resoluçà'o o" 1302-00,039 F1 2 Voto Conselheiro Wilson Femandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de reconhecimento parcial de direito creditório, relativo aos anos- calendário de 2000 e 2001, cumulado com pedidos de compensação. Por meio do Despacho Decisório de fls. 329/336, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro (Derat/RJO), unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos, reconheceu parcialmente o direito creditório, homologando as compensações pleiteadas até o limite desse reconhecimento. O direito creditório pleiteado está representado por saldos negativos de IRPJ apurados nos anos-calendário de 2000 (R$ 77.516,63) e 2001 (R$ 83,518,29). A Derat/RJO, não identificando pagamento para as estimativas que compunham o saldo negativo do ano-calendário de 2001, nem registros em DCTF, reconheceu, apenas, o direito creditório representado pelo saldo negativo apurado no ano-calendário de 2000 (R$ 77.516,63). Apresentada Manifestação de Inconformidade, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro exarou decisão ratificando o deferimento parcial decretado pela Derat/RJO. Entendendo que o processo não se encontra em condições de ser julgado, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de domicilio da contribuinte proceda análise da documentação de fls. 39.3/447, em especial no que diz respeito à certeza, liquidez e disponibilidade dos direitos creditórios apontados nas páginas do Razão de fls, 405, 415, 41'7, 421, 423, 425, 427, 429, 431, 4.35, 437, 439, 441,443 e 447. Solicita-se elaboração de parecer conclusivo acerca das providências ora requeridas e ciência ao contribuinte do referido documento para, se for o caso, apresentação de razões complementares. WILSON ERNAND ARÁE Relator 3
score : 1.0
Numero do processo: 10845.004719/92-60
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 1997
Ementa: A falta de interesse da autuada na realização de diligência para análise de contra-prova, acarreta a prevalência do único parecer técnico existente nos autos, elaborado sobre amostra coletada.
NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO.
Numero da decisão: 301-28.489
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ
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MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CAMARA PROCESSO N° : 10845.004719/92.60 SESSÃO DE : 27 agosto de 1997 ACÓRDÃO N° : 301-28.489 RECURSO N° : 117.605 RECORRENTE : PROCTER & GAMBLE DO BRASIL & CIA LTDA RECORRIDA : DRESÃO PAULO/SP A falta de interesse da autuada na realização de diligência para análise de contra-prova, acarreta a prevalência do único parecer técnico existente nos autos, elaborado sobre amostra coletada. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasilia-DF, em 27 de agosto de 1997 MOACYR ELOY DE MEDEIROS Presidente MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ Relatora rit0C RADORIA .G :RAL DA FAZINDA MACIO' Ccortlenen,ntnGetal •-/ reprennteOle ExtvaludIclal Fanado I :acionei J0-1-- O OUT 1997 laxtritiA COR EZ ROft12 Ch7Er. rtocrawa Ga f azando Nacional Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ISALBERTO ZAVÃO LIMA, FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO, LEDA RUIZ DAMASCENO, LUIZ FELIPE GALVÃO CALHEIROS, MARIA HELENA DE ANDRADE (Suplente) e MÁRIO RODRIGUES MORENO. -- MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 117.605 ACÓRDÃO N° : 301-28.489 RECORRENTE : PROCTER & GAtvIBLE DO BRASIL & CIA LTDA RECORRIDA : DRESÃO PAULO/SP RELATOR(A) : MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ RELATÓRIO Retomando de diligência determinada pela Resolução n°301-1018, de fls. 84, restou certificado pela autoridade preparadora, às fls. 92, que, apesar de intimada e reintimada para assumir o ônus decorrente do envio da amostra e da elaboração do laudo pelo INT, a recorrente não se manifestou, impossibilitando a realização da diligência que visava dar ensejo à contra-prova. É o relatório. o 2 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CAMARA RECURSO N" : 117.605 ACÓRDÃO N° : 301-28.489 VOTO Trata-se de lançamento no qual se exigem as diferenças de tributos pertinentes à reclassificação tarifária feita do produto LP BASE, Solução de Silicone, para a posição 3823.90.9999. A recorrente, em impugnação ofertada, sustentou a improcedência do lançamento, face o produto ser essencialmente, um polímero, classificável na posição 3910.00.0500. O julgamento foi convertido em diligência, vez tratar-se de matéria técnica sobre a qual houve divergência a respeito do produto. O Laudo Labana afirmou que o produto LP-BASE poderia ser caracterizado como preparação das indústrias químicas, face ao alto percentual do composto etoxilado e a presença de enxofre; já os laudos trazidos aos autos pela recorrente, afirmaram ser o produto LP-BASE composto de 70% de óleo de silicone. Intimada a assumir os ônus da contra-prova, a ser feita na amostra coletada, agora pelo INT, como laboratório desempatador, a recorrente quedou-se inerte, não se manifestando nos autos, apesar de regularmente intimada por duas vezes. Tal fato impossibilitou a realização da contra-prova que, eventualmente, poderia comprovar as assertivas da recorrente e beneficiar-lhe no processo. Resta, então, nos autos, tão somente, o laudo do LABANA, feito sobre Oa amostra coletada do produto importado, e que deve prevalecer, para todos os efeitos. Assim, sendo, tendo em vista ter sido a decisão recorrida proferida com base em laudo técnico, realizado em amostra coletada do produto LP-BASE, que atestou ser ele uma preparação das indústrias químicas, deve o produto ser classificado na posição 3823.90.9999. Nega-se provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 27 de agosto de 1997 MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ -RELATORA 3 Page 1 _0016000.PDF Page 1 _0016100.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001743/2010-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1301-000.075
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Alberto Pinto Souza Junior Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 3160DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 16327.001743/201034 Resolução n.º 1301000.075 S1C3T1 Fl. 3.159 2 Relatório BANCO CACIQUE S/A, já devidamente qualificado nestes autos, inconformado com a decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL relativas aos anoscalendário de 2008 e 2009, formalizadas em razão da imputação das seguintes infrações: i) DESPESAS NÃO COMPROVADAS (R$ 1.116.123,35) – despesas de comissões (R$ 232.601,83) e desconto/convênio público (R$ 883.521,52); ii) DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS (R$ 36.474.165,71) – conta 8176300081 (serviços prestados – PJ Sociedade Ligada) – comissões pagas à CACIQUE PROMOTORA DE VENDAS (foi considerada desnecessária a despesa com a referida empresa na parte que se referia às comissões calculadas sobre serviços prestados por terceiros (R$ 455.927.071,34 X 8%); iii) AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO (R$ 14.346.070,14 em 31.12.2008 e R$ 57.384.280,45 em 31.12.2009) – abaixo, transcrição do relato feito em primeira instância acerca da referida infração. ... 4.1 Em 16/1/2007 foi constituída a empresa Marigane Participações Ltda. CNPJ 08.631.625/000163), com capital de R$ 1.000,00, tendo como sócios a pessoa física Sra. Diva Maria Batista Martins Ramalho (CPF 050.446.54817) e a pessoa jurídica S&A Serviços Empresariais Ltda. A seguir, em 7/3/2007, a Marigane é passada gratuitamente para o Banco Societê Generale Brasil S/A, com alteração da denominação social para Trancoso Participações Ltda., com registro na Junta Comercial em 12/3/2007 (fls. 124/131 do volume 1). 4.2 Em 25/2/2007 o Banco Societê Generale Brasil S/A firmou contrato de compra da totalidade do capital da empresa CACIPAR Comércio e Participações Ltda., no montante de R$ 850 milhões (fls. 144/189 do volume 1). Posteriormente, em 7/3/2007, o Banco Societê Generale Brasil S/A cedeu para a empresa Trancoso os direitos do contrato de compra da CACIPAR (fls. 191/192 do volume 1). 4.3 Em 30/11/2007, com protocolo e registro na Junta Comercial em 30/1/2008, o Banco Societê Generale Brasil S/A promoveu um aporte de R$ 930.523.599,00 no capital da Trancoso (fls. 555/561 do volume 3). Em seguida, a Trancoso efetua o pagamento pela aquisição da CACIPAR, registrando em sua contabilidade como custo do investimento o valor de R$ 317.809.235,11 e ágio de R$ 570.563.618,89. Ainda na mesma data, a Trancoso promove um aumento de capital na Cacipar, no valor de R$ 37.000.000,00, registrando o valor como custo do investimento. 4.4 O fundamento do ágio teria sido a rentabilidade futura, tendo como base o relatório de avaliação econômicofinanceira emitido pela empresa KPMG Corporate Finance Ltda. Fl. 3161DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 16327.001743/201034 Resolução n.º 1301000.075 S1C3T1 Fl. 3.160 3 4.5 Segundo a fiscalização a KPMG foi contratada em junho/2008 e procedeu a avaliação da CACIPAR na data base de 31/12/2007, posterior à data de pagamento do ágio (30/11/2007). O relatório foi entregue em 23/10/2008 (fls. 629/667 do volume 4). 4.6 Na assembléia geral extraordinária do interessado, em 31/10/2008, foram aprovados os protocolos de incorporações reversas das empresas CACIPAR e Trancoso. Informa a fiscalização que ata só foi protocolizada na junta comercial em 23/4/2009 (fls. 753/778 do volume 4), bem como o aumento de capital provocado pela incorporação, no valor de R$ 88.009.961,93, com emissão de 22.465 ações, não constam do livro de transferência de ações (fl. 669/690 do volume 4). 4.7 Em consequência da incorporação, o ágio pago pela Trancoso quando da aquisição da CACIPAR foi transferido para o interessado, que iniciou sua amortização sem adicionálo na apuração do IRPJ e da CSLL (fls. 806/821 do volume 5). 4.8 Como resultado das duas incorporações reversas, o Banco Societê Generale Brasil S/A passou a ser controlador direto do interessado e o ágio pago pela Trancoso na aquisição da CACIPAR foi transferido para o interessado. O único intuito das incorporações reversas foi de levar para o interessado (empresa investida) o ágio pago, que também foi reconhecido pelo Banco Societê Generale Brasil S/A, investidor de fato. 4.9 Assim, as amortizações do ágio vindo da Trancoso, que tinham como fundamento a rentabilidade futura da empresa CACIPAR, que por sua vez era a controladora do interessado, foram consideradas indedutíveis nas apurações do IRPJ e da CSLL. Destaca a decisão de primeira instância que, em virtude de compensações de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas, não foram apurados valores devidos relativamente ao anocalendário de 2009. Em sede de impugnação (fls. 1.643/1.703), a contribuinte argumentou: que, como atividade fundamental ao desenvolvimento de seu objeto social, firmava contratos com diversos prestadores de serviços objetivando a promoção e incremento de vendas de crédito (promotoras); que a prestação de serviços de promotoras de vendas, além da intermediação de negócios, abrangeria a recepção e encaminhamento de pedidos de empréstimos e de financiamentos, a análise de crédito e cadastro, a execução de serviços de cobrança e de processamento de dados das operações pactuadas; que, em 1985, teria sido criada a Cacique Promotora de Vendas Ltda. para prestar os serviços financeiros auxiliares, como os acima descritos, com o objetivo de expandir a participação em âmbito nacional; que a Cacique Promotora de Vendas Ltda., à época da fiscalização, mantinha mais de 750 empregados; que, além da questão operacional da formalização das operações de créditos, a ampla abrangência territorial imporia desafios, tais como, evitar o alto custo de manter agência em cada município e suprir deficiências técnicas típicas desse mercado de promoção de vendas e de correspondentes bancários; Fl. 3162DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 16327.001743/201034 Resolução n.º 1301000.075 S1C3T1 Fl. 3.161 4 que seria dentro deste contexto que a Cacique Promotora de Vendas Ltda. desempenharia outro papel fundamental: viabilizar a formalização e operações para as quais outras promotoras não possuiriam condições estruturais de cumprir; que a Cacique Promotora de Vendas Ltda. possuiria mais de cento e setenta e cinco filiais em todo o Brasil; que as etapas para concessão do crédito seriam desenvolvidas entre as promotoras e a Cacique Promotora de Vendas Ltda., ou mesmo isoladamente por esta, quando as promotoras se restringiriam a indicar o cliente; que, diferentemente do que ocorreria no caso da contratação das promotoras, em que haveria remuneração pelo serviço prestado baseada na produção de créditos gerados, os convênios públicos teriam por único objeto promover a oferta de créditos aos servidores da União, motivo pelo qual haveria previsão legal e regulamentar tãosomente de reposição de custos, e não remuneração; que, depois de verificadas as condições de atuar como consignatária perante servidores públicos, seria determinado o custo a ser ressarcido para cada operação de crédito; que o custo ressarcido aos órgãos públicos conveniados representaria despesa relacionada à atividade de oferta de créditos, sendo lançado a resultado conforme disponibilização do crédito a cada servidor; que na operação de aquisição da CACIPAR pela Trancoso teria sido verificado a geração de ágio fundamentado em rentabilidade futura, em função do estudo de avaliação realizado pelo Banco UBS Pactual; que, com a incorporação da CACIPAR e da Trancoso, teria registrado contabilmente o ágio reconhecido pela Trancoso, e, após incorporações, iniciou a dedução das despesas decorrentes da amortização do ágio contabilizado; que as despesas decorrentes de serviços prestados pela Cacique Promotora preencheria todos os requisitos exigidos pela legislação do IRPJ para qualificála como dedutível na apuração do lucro real; que durante a fiscalização teriam sido apresentados os contratos, notas fiscais, comprovantes de pagamentos e vinculação da comissão paga com os créditos gerados; que a remuneração seria paga tanto para as promotoras quanto para a Cacique Promotora, pelo fato de que ambas prestam serviços; que as promotoras fazem a intermediação de negócios e, na medida do possível, a análise prévia da documentação que sustentará os empréstimos, com posterior encaminhamento à Cacique Promotora; que a Cacique Promotora, além de captar clientes, realizaria os serviços administrativos relacionados à formalização da operação de crédito, tanto em relação a sua produção quanto a de terceiros; Fl. 3163DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 16327.001743/201034 Resolução n.º 1301000.075 S1C3T1 Fl. 3.162 5 que a constatação de identidade de objetos dos contratos de prestação de serviços firmados com as promotoras e com a Cacique Promotora não poderia sustentar a presunção de que os serviços não foram prestados, especialmente quando se verifica que a finalidade principal da contratação é a produção de créditos, isto é, a captação de clientela; que teria sido apresentada a documentação de suporte da despesa (contratos, notas fiscais e pagamentos), sem qualquer suspeição da sua idoneidade; enquanto que o Fisco não teria apresentado provas da não prestação dos serviços; que as despesas glosadas representariam receitas na Cacique Promotora e teriam sido submetidas às respectivas tributações no âmbito federal e municipal; que a carga tributária combinada suportada pela Cacique Promotora se aproximaria de 50% (IRPJ/CSLL = 34% + Pis/Cofins = 9,25% + ISS = 5% , totalizando 48,25%); que não haveria lógica nem propósito elisivo algum que autorizasse a presunção de que a despesa tivesse sido forjada ou duplicada, pois não teria havido prejuízo ao erário público; que, para reforçar a comprovação da efetividade da despesa incorrida, juntava declarações de promotoras confirmando que no "contrato de prestação de serviços CAP/CP aposentados/pensionistas do INSS", a documentação de pedidos de empréstimos ou financiamentos de crédito pessoal, cadastro e análise de crédito, em que atuaram como intermediadoras, teriam sido encaminhadas à filial da Cacique Promotora, para conferência e formalização dos créditos; que os valores pagos ou descontados para viabilizar os empréstimos concedidos teriam sido inseridos na regra geral de necessidade, usualidade e normalidade das despesas, para fins de dedução na apuração do lucro real; que considerar não comprovadas as despesas incorridas nos convênios firmados com órgãos públicos, significaria colocar em dúvida a própria higidez da administração pública na celebração dos convênios; que o ressarcimento de custos aos órgãos públicos apresentaria valores unitários reduzidos, como, por exemplo, R$ 2,00 por linha, R$ 95,00 mensais ou R$ 0,59 por linha; que a composição de mais de R$ 883 mil compreenderia centenas de milhares de lançamentos, bem como número equivalente de documentos e de cruzamentos de dados, motivo pelo qual protestava pela posterior juntada de documentos e a realização de diligência caso a Turma de julgamento entendesse necessário; que a diligência requerida seria necessária à comprovação dos valores registrados na conta "BCAC órgãos públicos", através da análise da composição da despesa pelo confronto do elevado número de documentos que a suportavam; que o ágio verificado na aquisição de empresa avaliada pelo método de equivalência patrimonial é registrado na contabilidade como um ativo e sua amortização é feita com o lançamento de despesas operacionais; Fl. 3164DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 16327.001743/201034 Resolução n.º 1301000.075 S1C3T1 Fl. 3.163 6 que tais despesas são dedutíveis para apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL se atendidos os requisitos do art. 386 do RIR/1999; que o critério de amortização dessas despesas e sua dedutibilidade para fins tributários dependerá do fundamento econômico para o pagamento dessa diferença; que no estudo realizado pelo Banco UBS Pactual, em fevereiro de 2007, o fundamento do ágio na aquisição da empresa CACIPAR teria sido a rentabilidade futura; que o estudo apresentado pela KPMG em outubro de 2008, adotando como data base 31 de dezembro de 2007, ratificava o estudo do Banco UBS Pactual; que não restariam dúvidas acerca do cumprimento do art. 385, §3°, do RIR/1999; que todas as operações (aquisição da Trancoso pelo Societê, cessão pelo Societê à Trancoso dos direitos oriundos do contrato de compra e venda, aumento de capital da Trancoso, aquisição da CACIPAR pela Trancoso e incorporações da CACIPAR e Trancoso pelo interessado) teriam sido registradas nos órgãos competentes e haviam sido realizadas nos limites da legislação; que atrasos nos registros não invalidam os atos praticados; que não havia qualquer norma que impedisse a realização das operações em análise; que pareceria claro que no acórdão 10323.290 do Conselho de Contribuintes denominouse "veiculo" a empresa criada apenas para possibilitar a realização das condições necessárias à dedução das despesas com a amortização do ágio, isto é, a criação de uma empresa "veiculo", em todos os casos, era a única forma de se viabilizar o aproveitamento fiscal do ágio gerado, sem que a adquirente, de fato, precisasse incorporar a adquirida; que não haveria similitude fática entre o caso narrado no mencionado acórdão e o presente caso; que, se não tivesse sido constituída a Trancoso, sendo a aquisição da CACIPAR realizada diretamente pelo Banco Societê, a despesa referente à amortização do ágio gerado nessa aquisição poderia ser deduzida pelo Banco Societê, bastando para isto que fosse realizada a incorporação da CACIPAR pelo Banco Societê; que a incorporação da CACIPAR pelo Banco Societê não alteraria a estrutura que se verificou após a incorporação, no final de 2008; que a criação da Trancoso deuse dentro do cenário de expansão do Banco Societê no segmento especifico de crédito consignado no Brasil, tendo sido conveniente para ele, naquele momento, contar com uma empresa de participações para deter diretamente a participação na CACIPAR; que o objetivo teria sido segregar as atividades do Banco Societê (com foco em banco de investimentos) daquelas do Banco Cacique (crédito consignado); Fl. 3165DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 16327.001743/201034 Resolução n.º 1301000.075 S1C3T1 Fl. 3.164 7 que não haveria previsão legal para adição da despesa com amortização do ágio na base de cálculo da CSLL; que os juros não poderiam incidir sobre a multa de oficio, por ausência de previsão legal; que o art. 13 da Lei nº 9.065/1995, que prevê a cobrança dos juros com base na taxa Selic, remete ao art. 84 da Lei 8.981/1995, o qual estabeleceria a cobrança dos acréscimos apenas sobre tributos; que a cobrança de juros de mora para atualização dos créditos tributários desrespeitaria o princípio constitucional da legalidade, previsto nos artigos 5°, II, e 37 da Constituição. A já citada 2a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, analisando o feito fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 12 38.034, de 29 de junho de 2011, pela procedência dos lançamentos. O referido julgado restou assim ementado: DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. O instituto da diligência não se presta para elaborar demonstrativos que deveriam ter sido preparados pelo contribuinte. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Cabe à instância seguinte admitir ou não a juntada de documentos após proferido o acórdão pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. As despesas para serem dedutíveis na apuração do lucro real devem estar comprovadas com documentos hábeis e idôneos. COMISSÕES SOBRE SERVIÇOS PRESTADOS. DEDUTIBILIDADE. Somente são dedutíveis as comissões sobre os serviços prestados se forem comprovadas as efetivas contrapartidas daquilo que foi contratado. INCORPORAÇÃO ÀS AVESSAS. EMPRESA CONTROLADA INCORPORANDO A EMPRESA VEÍCULO CONTROLADORA. ÁGIO DE SI PRÓPRIO NA INCORPORAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. O ágio se origina de uma contraposição de receita (para o vendedor) e custo (para o comprador). Os pressupostos do ágio são a aquisição de participação societária e o fundamento econômico. Na operação de incorporação às avessas, na qual o controlado incorpora a sua controladora (empresa veiculo), cujo controle acionário havia se originado de uma aquisição anterior, não se justifica a contabilização, por parte do incorporador, de ágio de si próprio, por faltar os pressupostos do ágio. A contabilização pelo incorporador deste valor chamado de ágio em conta de ativo, Fl. 3166DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 16327.001743/201034 Resolução n.º 1301000.075 S1C3T1 Fl. 3.165 8 configura uma duplicação do ágio já contabilizado pelo investidor original. Despesas, pela legislação tributária, são dispêndios necessários às atividades e à manutenção da empresa. São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. Estas despesas devem ser usuais ou normais nos tipos de transações, operações ou atividades da empresa. A posterior transferência desse valor denominado de ágio para conta de resultado, sob o titulo de amortização, configura uma despesa indedutível, por faltarlhe os pressupostos de ágio e despesa. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. O crédito tributário não pago integralmente no vencimento é acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo determinante. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de oficio também se submete à incidência dos juros nas situações de inadimplência. LANÇAMENTO REFLEXO. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, o decidido no lançamento matriz aplicase ao lançamento reflexo. Irresignado, o contribuinte apresentou o recurso de folhas 2.979/3.078, por meio do qual sustenta: DESPESAS DECORRENTES DE SERVIÇOS PRESTADOS PELA CACIQUE PROMOTORA que em nenhuma intimação houve qualquer tentativa por parte da Fiscalização de entender a razão pela qual a fórmula de cálculo da remuneração, em alguns casos, considerava valores gerados por outras promotoras de vendas; que o acórdão recorrido não aponta, de forma objetiva e inquestionável, a fundamentação que suportaria a glosa da despesa; que houve simples descarte de toda a explicação apresentada na impugnação, explicação essa que afasta qualquer dúvida em relação à efetiva prestação de serviços pela CACIQUE PROMOTORA; que, da análise do julgado (acórdão nº 10316.619) utilizado pela decisão recorrida para sustentar a manutenção do auto de infração, concluise que não há qualquer elemento de identidade com o presente caso; que obteve declarações de inúmeras promotoras de vendas por ela contratadas, confirmando que a CACIQUE PROMOTORA efetuava a análise, formalização e encaminhamento das operações que ela captava; que, além de apresentar toda a documentação possível (contratos, notas fiscais, pagamentos e escrituração contábil), que não foi contestada ou declarada irregular, se viu obrigado a efetuar diligências que caberiam ao Fisco; Fl. 3167DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 16327.001743/201034 Resolução n.º 1301000.075 S1C3T1 Fl. 3.166 9 que a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes se posicionou no sentido de que a glosa das despesas é legítima quando há a identificação, por parte da Fiscalização, de indícios graves, precisos, definidos e concordantes, apontando e convergindo num único sentido, que autoriza a presunção de que, efetivamente, não ocorreu a prestação dos serviços; que, se a Fiscalização tivesse dúvidas sobre a documentação de suporte dos gastos, antes de presumir a duplicação dos dispêndios, forçosa seria a conclusão de que essa duplicação teria que atender algum fim escuso, como seria, por exemplo, o caso de algum tipo de economia tributária, o que não foi o caso; que não deve ser esquecida a tarefa de diligência a diversos prestadores de serviços para obter declarações que confirmam a prestação de serviços, anexadas à impugnação. DESPESAS DECORRENTES DOS CONVÊNIOS COM ÓRGÃOS PÚBLICOS que o acórdão recorrido apresenta fundamentação superficial, desprovida do detalhamento e análise dos argumentos de defesa apresentados na impugnação; que os valores pagos ou descontados – a depender dos termos do convênio, a modalidade de ressarcimento varia – para viabilizar os empréstimos concedidos estão inseridos na regra geral de necessidade, usualidade e normalidade das despesas, para fins de dedução na apuração do lucro real; que é insubsistente o lançamento com base em suposto não enquadramento da despesa como “operacional”; que, no caso, não se trata de remuneração pela prestação de serviços de intermediação de negócios, mas, sim, de ressarcimento dos custos incorridos pelos órgãos públicos na execução dos convênios, conforme previsão legal e regulamentar a respeito da consignação em folha de pagamento de servidores públicos; que, para a formação de livre convicção e em atendimento ao princípio da verdade material, protestou, alternativamente, pela posterior juntada de documentos e a realização de diligência, caso a Turma Julgadora a quo entendesse necessário ao deslinde da questão. DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO que a Fiscalização, ao analisar a reestruturação societária, expressamente reconheceu a existência do ágio; que, pela análise da decisão recorrida, notase que a Turma Julgadora justificou a manutenção dos lançamentos com base em outros argumentos, que não foram, em nenhum momento, citados pela Fiscalização para fundamentar as autuações fiscais; que, no entendimento da Turma Julgadora, os pressupostos do ágio não teriam sido preenchidos, porquanto ela (i) não recebeu nenhuma participação societária nas Fl. 3168DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 16327.001743/201034 Resolução n.º 1301000.075 S1C3T1 Fl. 3.167 10 incorporações do CACIPAR e da TRANCOSO; e (ii) teria contabilizado o próprio ágio (ágio interno), o que seria vedado pela CVM; que as premissas que serviram de suporte para a conclusão da Turma Julgadora de primeiro grau (existência de “inchaço contábil fruto de abuso de direito” e “duplicação de ágio”) não foram, em nenhum momento, invocadas pela Fiscalização para fundamentar a glosa da despesa; que a apresentação pela Turma Julgadora de primeiro grau de novos argumentos para aperfeiçoar o lançamento realizado pela Fiscalização deve ser rechaçada; que a Turma Julgadora de primeiro grau ignorou a maioria dos argumentos expostos na peça impugnatória, violando, assim, o princípio da ampla defesa e do contraditório1; que a etapa preliminar da operação que resultou no surgimento do ágio (aquisição pela TRANCOSO das quotas da CACIPAR) é regida pelo caput e parágrafo 1º do art. 20 do Decretolei nº 1.598/77; que o direito à amortização do ágio está previsto no art. 386, inciso III, parágrafo 2º do RIR/99; que é totalmente equivocada a conclusão a que chegou a Turma Julgadora de primeiro grau, pois confundiu momentos distintos (o do surgimento do ágio e o correspondente ao direito de sua amortização), ignorando, dessa forma, os atos societários que efetivamente ocorreram; que, além de nunca ter sido cogitado pela Fiscalização a “existência de ágio interno”, a Turma Julgadora de primeiro grau concluiu de forma equivocada de que o ágio teria sido apurado com base na rentabilidade futura do próprio recorrente; que, considerandose que o patrimônio líquido representa a diferença entre o valor dos ativos e o dos passivos e que o patrimônio líquido da CACIPAR refletia justamente sua participação no recorrente (entre outros), por óbvio que o laudo de avaliação de sua rentabilidade futura teria que se referir, em última análise, à rentabilidade futura da investida, ou seja, do próprio recorrente e das demais controladas; que o nascimento do ágio decorreu de negócio celebrado entre Grupos Econômicos distintos; que o único motivo capaz de impedir o aproveitamento do ágio seria o descumprimento do disposto no parágrafo 2º do art. 386 do RIR/99, o que não ocorreu no presente caso; 1 A recorrente afirma que a autoridade julgadora de primeira instância não apreciou os seguintes argumentos: a) rentabilidade futura como fundamento do ágio cumprimento dos requisitos legais; b) legalidade das operações; c) inexistência de "sociedade veículo" aproveitamento do ágio independentemente da criação da TRANCOSO e existência de propósito negocial; e d) inexistência de previsão legal para a adição, na base de cálculo da CSLL, da despesa com ágio. Fl. 3169DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 16327.001743/201034 Resolução n.º 1301000.075 S1C3T1 Fl. 3.168 11 que, conforme se verifica da simples leitura dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, o ágio gerado na aquisição de investimentos será amortizado caso a adquirente incorpore a adquirida, ou a adquirida (CACIPAR/RECORRENTE) incorpore a adquirente (TRANCOSO); que o ágio nasceu em razão da compra e venda celebrada entre empresas diversas, pertencentes a Grupos econômicos distintos, o que por si só deixa evidente o equívoco cometido pela Turma Julgadora de primeiro grau ao falar em “ágio de si mesmo”; que não existem dois ágios, mas apenas um, que foi gerado em único momento, qual seja: a aquisição das quotas da CACIPAR pela TRANCOSO. A seguir, a recorrente renova argumentos expendidos na peça impugnatória que, segundo afirma, não foram apreciados pela Turma Julgadora de primeiro grau, quais sejam: i) rentabilidade futura como fundamento do ágio cumprimento dos requisitos legais; ii) legalidade das operações; iii) inexistência de "sociedade veículo" aproveitamento do ágio independentemente da criação da TRANCOSO e existência de propósito negocial; iv) inexistência de previsão legal para a adição, na base de cálculo da CSLL, da despesa com ágio; e v) ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. É o Relatório. Fl. 3170DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 16327.001743/201034 Resolução n.º 1301000.075 S1C3T1 Fl. 3.169 12 VOTO Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Por ocasião dos debates que antecederam o julgamento do presente processo, foi suscitado que, diante da alegação de que o Relatório produzido pela empresa KPMG Corporate Finance Ltda. (fls. 629/667) tomou por base o estudo de fls. 2.366/2.407, deveria ser oportunizado meios para que a Recorrente prestasse maiores esclarecimentos e apresentasse documentação complementar acerca dos elementos retratados nos referidos relatórios. Não oferecendo objeção a tal proposta, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de jurisdição da contribuinte (Delegacia da Receita Federal do Brasil de Instituições Financeiras em São Paulo – Deinf/SP) a intime a prestar as informações e a apresentar a documentação a seguir indicadas. i) apresente original e tradução, realizada por tradutor juramentado, do estudo aportado ao processo às fls. 2.366/2.407, elaborado por UBS PACTUAL; ii) apresente toda e qualquer documentação que possibilite aferir a data e os responsáveis pela elaboração do estudo de fls. 2.366/2.407; iii) esclareça o significado da expressão PROJECT HARLEY na capa do documento de fls. 2.366/2.407; iv) apresente toda e qualquer documentação capaz de demonstrar que o Relatório produzido pela empresa KPMG Corporate Finance Ltda. (fls. 629/667) tomou por base o estudo de fls. 2.366/2.407. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães – Relator Fl. 3171DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10283.001935/2006-31
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1401-000.001
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligencia, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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'• 1 , : . 1 -,7/, _ M OI NNI SSTEr 400 DAADF A ZI E N NI SDTA C R A .*- • ,,-;:.- TIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SE ç ÃO DE JULGAMENTO 4g:-'44404r Processo ia° 10283.001935/2006-31 Recurso n° 163.819 Resolução n° 1401-00.001 - 48 Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 11 de março de 2009 Matéria IRPI e OUTRO - ANOS-CALENDÁRIO: 2004,2005 Recorrente LABELPRESS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DA AMAZÔNIA LTDA Recorrida / ' TURMA/DRJ-BELÉM/PA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os mer • aros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em dil'g r y cia, nos termos do voto do relator. á / / kIJJ-Ç MARC* i ICIUS NEDER DE LIMA - Presidente .--- ./ i t, ' f , A -1,1\4-A-R-F • ni?Iti DE ' ENEZES - Relator EDITADO EM: O 9 JUI 2010 Participaram, da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Vinicius de Lima, Albertina Silva Santos de Lima, Hugo Correia Sotero, Marcos Shigueo Takata e Silvana Rescigno Guerra Barretto, Valmar Fonseca de Menezea e Carlos Alberto Gonçalves Nunes. 1 Processo n° 10283.001935/2006-31 SI-C4I2 Resolucilo n ° 1401-00A01 Fi 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual transcrevo a seguir: " Trata o processo de lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Programa de Integração Social - PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no montante de R$ L230.196,60. Fundamentou-se a imputação na apuração de omissão de receita nos anos- calendário de 2003 e 2004 (fls. 18 e 19). 2. A interessada foi cientificada dos autos de infração no dia 31 de março de 2006 (fl. 17), No dia 28 de abril de 2006 foi apresentada impugnação (Es. 247 a 250), cujo teor, em suma foi: MÉRITO. OMISSÃO DE RECEITA. 1) Requer a retificação dos valores lançados em decorrência da existência de recolhimentos pagos espontaneamente, conforme comprovantes anexados à peça impugnatória, A Delegacia de Julgamento proferiu decisão, nos termos da ementa adiante transcrita: " ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 LUCRO ARBITRADO. DEDUÇÃO, Os valores do IRPJ e da CSLL recolhidos espontaneamente e no prazo de vencimento das obrigações deve ser reconhecido e deduzido do IRPT e da CSLL apurados por meio do lucro arbitrado. Lançamento Improcedente" A decisão recorrida considerou improcedente o lançamento sob a seguinte alegação: "A fiscalização, muito embora tenha apurado a existência de DARF de recolhimento do IRPJ e da CSLL, simplesmente os ignorou sem declinar os motivos. Neste particular', sempre que o lucro do sujeito passivo é arbitrado, há que deduzir a parcela do imposto e da contribuição que foram recolhidos tempestivamente, independente do regime de tributação, tendo em vista que esse regime foi desconsiderado com o arbitramento do lucro. Este é o comando do artigo 540 do Decreto n° 3.000, de 1999: "Art. 540. Poderá ser deduzido do imposto apurado na !brim deste Subtítulo o imposto pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo, vedada qualquer eduçâo a título de incentivo fiscal (Lei n" 9,532, de 1997, art, 10)". 1" 2 Processo n" 10283.001935/2006-.31 SI-C411-2 Resolução n ° 1401-00.001 Fi 3 7. Em vista do exposto, os DARF cujos recolhimentos foram confirmados (fis, 357 a 362) serão deduzidos dos valores lançados até o limite do valor devido, conforme tabela a seguir; -)" Recorre-se de oficio ao Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, de acordo com o art. 34 do Dec. n,' 70_235, de 1972, com a redação dada pelo art. 64 da Lei ir° 9_532, de 10 de dezembro de 1997, c/c a Portaria MF n.° 375, de 07 de dezembro de 2001, em virtude de o crédito exonerado ultrapassar o limite de alçada. É o relatório. Voto Conselheiro VALMAR FONSECA D MENEZES, Relatar O recurso preenche as condições de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Verifico que não consta dos autos a manifestação explícita da Delegacia de origem sobre a alegada quitação dos valores objeto do lançamento guerreado. Necessário se faz que a autoridade fiscal ateste se os pagamentos constantes dos demonstrativos mencionados pela primeira instância não foram utilizados de outra forma pela contribuinte (a exemplo de retificação de DARF ou pedido de restituição) e que ateste, após realizar a correspondente imputação, que os valores recolhidos correspondem exatamente aos valores lançados. Não cabe à autoridade julgadora aferir imputação de recolhimentos e nem lhe é possível garantir que determinados valores não tenham sido já pleiteados pela contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para a verificação mencionada, pela autoridade preparadora_ É como voto. • 'PALMAR FO CA D 'MENEZES 3
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Numero do processo: 19515.000652/2004-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.193
Decisão: RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado) o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 43; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1452; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000652/200412 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1301000.193 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 13 de março de 2014 Assunto IRPJ. Recorrente JOTA ELE CONSTRUCOES CIVIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado) o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado), Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 00 65 2/ 20 04 -1 2 Fl. 5482DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ em Curitiba/PR. Depreendese do presente Processo Administrativo que em desfavor da ora recorrente foram lavrados autos de infração para formalização e exigência de crédito tributário relacionado ao IRPJ e seus reflexos, em relação aos anoscalendário 2007 a 2010. Ainda de acordo com o presente processo, o auto de infração de IRPJ (fls. 4.362/4.409) exige o recolhimento de R$ 2.731.122,42 de imposto e R$ 2.048.341,82 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais, sendo que o lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 4.282/4.361): i) Omissão de receitas de venda e serviços (item 7.1 do TVF): no período de 01/2010. Enquadramento legal no art. 3° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 278, 279 e 288 do RIR/1999. Multa de 75%; ii) Omissão de receitas por presunção legal. Falta de escrituração de pagamentos efetuados (item 10 do TVF): no período de 01/2007, 03/2007, 05/2007, 07/2007, 10/2007, 11/2007 12/2007, 01/2008 a 10/2008 e 12/2008. Enquadramento legal no art. 3° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 278, 279, 280, 281, inciso II e 288 do RIR/1999. Multa de 75%; iii) Custos, despesas operacionais e encargos. Despesas não necessárias (item 9 do TVF): nos períodos de 12/2007, 03/2008, 06/2008, 09/2008, 12/2008, 03/2009, 06/2009, 09/2009, 12/2009 e 12/2010. Enquadramento legal no art. 3° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 299 e 300 do RIR/1999. Multa de 75%; iv) Contratos a longo prazo. Apuração incorreta de custos (item 6 do TVF): nos períodos de 03/2008, 06/2008, 09/2008, 12/2008, 03/2009, 06/2009, 09/2009, 12/2009 e 12/2010. Enquadramento legal no art. 3° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 247, 248, 249, 251, 277, 278 e 407 do RIR/1999. Multa de 75% e 150%; v) Compra, venda, loteamento, incorporação e construção de imóveis. Determinação incorreta de custos (item 8 do TVF): no período de 12/2010. Enquadramento legal no art. 3° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 247, 248, 249 inciso I, 251, 277, 278, 410, 412 e 413 inciso IV do RIR/1999. Multa de 75%; vi) Inobservância do regime de escrituração. Redução indevida do lucro real causado por postergação de receitas (item 7.3 do TVF): nos períodos de 12/2007, 09/2008, 03/2009, 09/2009 e 12/2009. Enquadramento legal no art. 3° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 247, 248, 249 inciso II, 251, 273 e 274 do RIR/1999. Multa de 75%; vii) Inobservância do regime de escrituração. Redução indevida do lucro real causado por postergação de receitas. Empresas imobiliárias e/ou contratos de longo prazo (itens 7.1 e 7.2 do TVF): nos períodos de 09/2008, 12/2008, 09/2009, 12/2009 e 12/2010. Enquadramento legal no art. 3° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 247, 248, 249 inciso II, 251, 273, 274, 408, 410, 411, 412 e 413 do RIR/1999. Multa de 75%; viii) Distribuição disfarçada de lucros. Alienação de bem à pessoa ligada por valor notoriamente inferior ao de mercado (item 12.3 do TVF): no período de 10/2007. Enquadramento legal no art. 3° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 247, 249 inciso II, 251, 464 inciso I, 465, 466 e 467 inciso I do RIR/1999. Multa de 75%; ix) Distribuição disfarçada de lucros. Negócios em condições de favorecimento de pessoa ligada (itens 12.1 e 12.2 do TVF): nos períodos de 05/2008 e 12/2010. Fl. 5483DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 4 3 Enquadramento legal no art. 3° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 247, 249 inciso I, 251, 464 inciso VI, 465, 466 e 467 inciso V do RIR/1999. Multa de 75%; x) Adições não computadas na apuração do lucro real. Custo/despesa indedutível (item 11 do TVF): no período de 12/2008. Enquadramento legal no art. 3° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 247 e 249 inciso I do RIR/1999. Multa de 75%. O auto de infração de CSLL (fls. 4.410/4.457) exige o recolhimento de R$ 979.784,79 de contribuição e R$ 734.838,58 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. Foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 4.282/4.361): i) CSLL – falta de recolhimento da CSLL sobre receitas omitidas: nos períodos de 01/2007, 03/2007, 05/2007, 07/2007, 10/2007, 11/2007 12/2007, 01/2008 a 10/2008 e 12/2008. Enquadramento legal nos arts. 2° e §§ e 3° da Lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995; art. 2° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 1° da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996; artigo 28 da Lei nº 9.430 de 27/12/1996; artigo 37 da Lei nº 10.637 de 30/12/2002. Multa de 75%; ii) Custos/despesas operacionais/encargos. Determinação incorreta de custos: nos períodos de 03/2008, 06/2008, 09/2008, 12/2008, 03/2009, 06/2009, 09/2009, 12/2009 e 12/2010. Enquadramento legal nos arts. 2° e §§ e 3° da Lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995; arts. 2° e 19 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 1° da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996; artigo 28 da Lei nº 9.430 de 27/12/1996; artigo 37 da Lei nº 10.637 de 30/12/2002. Multa de 75% e 150%; iii) Custos/despesas operacionais/encargos. Custos/despesas operacionais/encargos não dedutíveis: nos períodos de 12/2007, 03/2008, 06/2008, 09/2008, 12/2008, 03/2009, 06/2009, 09/2009, 12/2009 e 12/2010. Enquadramento legal nos arts. 2° e §§ e 3° da Lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995; arts. 2° e 19 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 1° da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996; artigo 28 da Lei nº 9.430 de 27/12/1996; artigo 37 da Lei nº 10.637 de 30/12/2002. Multa de 75%; iv) Inobservância do regime de escrituração. Redução indevida do lucro líquido causada por postergação de receitas: nos períodos de 12/2007, 09/2008, 12/2008, 03/2009, 09/2009, 12/2009 e 12/2010. Enquadramento legal nos arts. 2° e §§ e 3° da Lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995; arts. 2° e 19 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 1° da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996; artigo 28 da Lei nº 9.430 de 27/12/1996; artigo 37 da Lei nº 10.637 de 30/12/2002. Multa de 75%; v) Lucro distribuído e lucro capitalizado. Distribuição disfarçada de lucros: nos períodos de 05/2008 e 12/2010. Enquadramento legal nos arts. 2° e §§ e 3° da Lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995; art. 2° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 1° da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996; artigo 28 da Lei nº 9.430 de 27/12/1996; artigo 37 da Lei nº 10.637 de 30/12/2002; art. 60 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Multa de 75%; O auto de infração da Cofins (fls. 4.458/4.469) exige o recolhimento de R$ 98.772,87 de contribuição e R$ 74.079,67 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. Foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 4.282/4.361): i) Incidência cumulativa padrão. Omissão de receitas sujeita à Cofins: nos períodos de 01/2007, 03/2007, 05/2007, 06/2007, 07/2007, 10/2007, 11/2007 12/2007, 01/2008 a 10/2008, 12/2008 e 01/2010. Enquadramento legal nos arts. 2°, 3° e 8° Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998; art. 1° da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991; art. 24, §2° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Multa de 75%. Fl. 5484DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 5 4 O auto de infração do PIS (fls. 4.470/4.482) exige o recolhimento de R$ 21.400,80 de contribuição e R$ 16.050,64 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. Foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 4.282/4.361): i) Incidência cumulativa padrão. Omissão de receitas sujeita ao PIS: nos períodos de 01/2007, 03/2007, 05/2007, 06/2007, 07/2007, 10/2007, 11/2007 12/2007, 01/2008 a 10/2008, 12/2008 e 01/2010. Enquadramento legal no art. 1° da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970; art. 2° inciso I, 8° inciso I e 9° da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998; nos arts. 2° e 3° da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998; art. 24, §2° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Multa de 75%. Devidamente notificada das imputações (fl. 4.485), a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 4.493/4.551), alegando o que se resume a seguir: a) Alega que o primeiro aspecto da impugnação diz respeito à suspeição da Sra. Lorete Berlanda, Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela condução da fiscalização e pela constituição do crédito tributário ora impugnado, com relação à empresa autuada Jota Ele Construções Civis Ltda; b) Ressalta que na data da lavratura dos autos de infração, qual seja, 20/07/2012, o MPF restou alterado, para que a responsabilidade pela sua execução passasse a ser do Auditor Fiscal Sr. Rafael Gardolinski Venson (cópia do MPF anexa, doc. n° 02), sendo tal situação, no mínimo, inusitada, pois ocorreu exatamente no dia em que o MPF foi encerrado com os lançamentos de ofício, cuja formalização se deu 09:19h; c) Entende que tal modificação, evidentemente, não tem o condão de retroagir, pois todo o trabalho de fiscalização foi conduzido pela Sra. Lorete Berlanda (não apenas neste caso, mas também nos processos nos 10945.721261/201111 e 10945.721263/201119, já impugnados e que decorrem do mesmo MPF), só dá sustentação à tese segundo a qual os lançamentos são nulos por força da suspeição da referida Auditora Fiscal; d) Afirma ser impossível entender a razão para a citada alteração, seja pelo momento em que ocorreu ou porque nada está escrito a respeito, embora o Termo de Verificação Fiscal tenha 80 páginas, o que sugere ser tentativa infrutífera de sanar a nulidade pela suspeição da Sra. Lorete Berlanda; e) Explica que teve sua sede transferida de Foz do Iguaçu (PR) para Curitiba (PR) em 25/11/2010, nos termos da Quadragésima Alteração Contratual (fls. 197198), mas que, inexplicavelmente, no MPF em questão, expedido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba (PR) em 01/03/2011 e onde já consta como domicílio da empresa o endereço de sua sede em Curitiba (PR), foram designados para realizar a ação fiscal Auditores Fiscais lotados na Delegacia da Receita Federal em Foz do Iguaçu (PR); f) Reclama que a fiscalização de empresa sediada em Curitiba (PR) se deu em Foz do Iguaçu (PR), mas nunca soube a justificativa para este fato, sendo a situação tão intrigante que, nos processos nos 10945.721261/201111 e 10945.721263/201119, decorrentes do encerramento parcial desta fiscalização, uma das impugnações teve que ser protocolada em Foz do Iguaçu (PR) e a outra em Curitiba (PR), ou seja, nada mais obscuro e injustificável; g) Acrescenta ser situação mais grave do que essa, que macula o procedimento fiscal e, consequentemente, inquina de nulidade o crédito tributário em apreço o fato de a Sra. Lorete Berlanda, Auditora Fiscal que comandou a fiscalização, jamais poderia ter atuado em caso envolvendo a impugnante, em razão de sua suspeição; h) Esclarece que a empresa Jota Ele Construções Civis Ltda. é sócia ostensiva da Sociedade em Conta de Participação SCP denominada CATARATAS JL SHOPPING, conforme contrato anexo (doc. n° 02). Fez parte desta SCP, desde o ano de 2005, a empresa Cataratas Incorporadora e Administradora de Fl. 5485DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 6 5 Shopping Centers S.A., CNPJ n° 02.065.080/000199, nos termos do contrato anexo (doc. n° 02), que tinha como uma de suas sócias exatamente a Sra. Lorete Berlanda, CPF n°524.562.50915. Fatos ocorridos em tal SCP foram, inclusive, investigados na ação fiscal que resultou nos lançamentos ora impugnados, conforme comprova, ilustrativamente, o Termo de Intimação Fiscal n° 08/2011 (fls. 216 218); i) Relata que, em razão da participação comum nesta sociedade, há longa data o Sr. João Luiz Felix (sócio majoritário da impugnante) e a Sra. Lorete Berlanda estabeleceram contato e participaram juntos de reuniões da empresa Cataratas Incorporadora e Administradora de Shopping Centers S.A., conforme ilustram as atas das assembleias ocorridas em 18/06/2002 e em 09/05/2008 (doc. n° 02); j) Destaca que, quando a questão da suspeição foi levada à apreciação do Sr. Delegado da Receita Federal em Foz do Iguaçu (PR), durante a ação fiscal, o indeferimento da pretensão da empresa partiu, entre outros, do seguinte pressuposto (fls. 1.070): “8. Ouvida a Auditora Fiscal Lorete Berlanda, respondeu que, no período de 1993 a 2008, teve ações do Cataratas Cia Shopping, o qual, em 2005, passou a ser sócio oculto da SCP Cataratas JL Shopping, e que alienou as suas ações para o Sr. João Luiz Felix, sócio da Jota Ele Construções Civis Ltda., em operação normal, sem qualquer tipo de desentendimento no negócio, que, por óbvio, não teria sido realizado se houvesse algum desacordo entre as partes. A Auditora Fiscal ainda informa que ela era somente uma entre outras 131 (cento e trinta e um) acionistas do Cataratas Cia Shopping que alienaram suas ações na mesma época e que nunca teve contato direto com o Sr. João Luiz Felix, nem pessoalmente e nem por telefone ou outro meio, e que todas as tratativas da alienação de suas ações foram realizadas por intermédio do contador do Cataratas Cia Shopping”; k) Alega que as atas das assembleias acima identificadas comprovam o contrário, de forma que a suspeição não pode ser novamente ignorada; l) Afirma que, após uma difícil negociação, a Sra. Lorete Berlanda alienou sua participação na referida SCP para o Sr. João Luiz Felix, sócio majoritário da impugnante. A Sra. Auditora Fiscal deixou o empreendimento em 06/11/2008, de acordo com o Termo de Transferência de Ações anexo (doc. n° 02), recebendo pelas ações vendidas a importância de R$ 27.862,80, em 13/11/2008, nos termos do documento de transferência bancária que também acompanha esta defesa (doc. n° 02); m) Considerando tais fatos, entende ser evidente a suspeição da Sra. Lorete Berlanda para realizar ação fiscal contra a Jota Ele Construções Civis Ltda., inclusive fora de seu domicílio tributário, que desde meados de 2010 é Curitiba (PR), nos termos dos artigos 18, 19 e 20 da Lei n° 9.784/99, além do art. 37 da CF; n) Conclui que a flagrante afronta ao princípio constitucional da impessoalidade é causa de suspeição da Auditora Fiscal Sra. Lorete Berlanda para comandar ação fiscal em face da impugnante, o que torna nulos os autos de infração em tela, lavrados por ela; o) Cita exemplo relacionado à exigência do anocalendário 2007, e questiona a justificativa para que de uma única ação fiscal resultem dois autos de infração (aquele do processo n° 10945.721263/201119 e este) relativamente a um único ano calendário. No anterior (processo n° 10945.721263/201119), as infrações apuradas estão relacionadas à glosa de custos nas obras por empreitada e à omissão de receitas (cuja soma perfaz R$ 7.317.741,47), ao passo que neste feito a fiscalização presumiu omissão de receitas, glosou despesas financeiras, antecipou receitas oferecidas à tributação em anoscalendário posteriores e considerou determinada operação como distribuição disfarçada de lucros (o valor somado destas infrações é de aproximadamente R$ 1.200.000,00). Tecnicamente, esta situação é inconcebível, inclusive por força do artigo 146 do CTN; p) Pugna pelo reconhecimento de nulidade/improcedência das exigências, pelo descumprimento desta regra pela fiscalização, Fl. 5486DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 7 6 conforme precedentes do CARF; q) Indaga se a autuação significa que a fiscalização reconhece a improcedência do primeiro auto de infração com relação ao anocalendário 2007, ou, considerando que já há autuação para o ano de 2007 (e nenhum fato novo ocorreu artigo 149 do CTN), o segundo lançamento é que estaria equivocado; reclama que nada foi escrito pela Sra. Lorete Berlanda com o objetivo de justificala; r) Sugere que a razão para esta omissão decorre do fato de que, do ponto de vista técnico e legal, a conduta da autoridade autuante é insustentável; s) Acrescenta outra situação que ao seu sentir também indica a clara inobservância ao princípio constitucional da impessoalidade por parte da Sra. Lorete Berlanda. Tratase da questão da glosa de custos, quando o fundamento utilizado pela fiscalização está relacionado à utilização do material na obra "a", embora esteja escriturado na obra "b". Explica que, às fls. 1.398 e 1.400, a autoridade lançadora identifica as glosas de custos de R$ 12.648,35 e de R$ 21.807,50, respectivamente, para a obra do "Fórum de Novo Hamburgo", relativamente ao fornecedor Recicabos Comercial Ltda, indicando como justificativa que o material foi utilizado na obra do "Tribunal de Contas de Pernambuco". No entanto, embora tenha diminuído o custo da obra do "Fórum de Novo Hamburgo", tais dispêndios não foram agregados ao custo da obra "Tribunal de Contas de Pernambuco". Quase a totalidade das despesas glosadas foram desprezadas pela fiscalização, como se elas não tivessem ocorrido. t) Afirma que tal assertiva só comporta uma exceção, explicitada no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 4.355, de forma que a fiscalização admitiu a transposição das despesas de uma obra para outra apenas quando tal situação teve como consequência o agravamento da situação da empresa (no caso, gerando um acréscimo de distribuição disfarçada de lucros de R$ 154.900,83). A diferença de critérios, para fatos idênticos, também denota o desrespeito à impessoalidade. A flagrante afronta ao princípio constitucional da impessoalidade é causa de suspeição da Auditora Fiscal Sra. Lorete Berlanda para comandar e/ou participar de ação fiscal em face da impugnante, o que torna nulos os autos de infração em tela, lavrados por ela; u) Argumenta que está havendo claro cerceamento do direito de defesa da empresa, pela omissão já, o que reclama a aplicação ao caso do artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72; v) Pede a declaração desta nulidade; A DECADÊNCIA PARCIAL DAS EXIGÊNCIAS DE PIS E DE COFINS w) Assevera que a COFINS e o PIS são contribuições sujeitas ao regime do chamado lançamento por homologação, pois cabe ao contribuinte a apuração da base de cálculo dos tributos e o recolhimento dos montantes devidos, independentemente da atuação de qualquer autoridade administrativa. O procedimento e os pagamentos efetuados são submetidos à autoridade fiscal, que deverá homologar ou não, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo obrigado. A homologação expressa para os tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação deve se dar no prazo de 5 (cinco) anos, a contar do fato gerador, que, no caso, ocorre em cada competência; x) Justifica que, nos meses autuados (especificamente com relação às competências 01/2007, 03/2007, 05/2007, 06/2007 e 07/2007) a empresa efetuou recolhimentos de PIS e de COFINS (cópias dos respectivos DARF anexas, doc. n° 03), sendo que a autoridade lançadora exige diferenças supostamente devidas. Ultrapassado o prazo de 5 (cinco) anos, sem ter sido lavrado lançamento de ofício pela autoridade administrativa, considerase homologada tacitamente a atividade exercida pelo contribuinte e extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN; y) Aduz que o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, implica na homologação tácita da atividade exercida pelo contribuinte e, em razão do instituto da decadência, previsto no artigo 156, inciso V, do CTN, extingue o crédito tributário. Os autos de infração em apreço envolvem diferenças de recolhimentos de PIS e de COFINS cujos fatos geradores ocorreram, entre outras, nas competências 01/2007, 03/2007, 05/2007, Fl. 5487DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 8 7 06/2007 e 07/2007, sendo que a empresa tomou ciência do lançamento em 01/08/2012. Conclui que as diferenças relativas às competências anteriores a 08/2007, ou seja, fatos geradores ocorridos entre 01/2007 e 07/2007, já estão decaídas e não podem prosperar, devendo ser excluídas dos lançamentos de ofício; A OMISSÃO DE RECEITA DA OBRA POR EMPREITADA DA UNIFESP z) Alega que o primeiro aspecto do lançamento (item 1 do auto de infração de IRPJ) diz respeito a uma pretensa omissão de receita de R$ 1.615.129,35, em 11/01/2010, relativamente à obra por empreitada realizada para a Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP; aa) Cita trecho do Termo de Verificação Fiscal, à fl. 4.314; bb) Esclarece que a importância de R$ 1.615.129,35 representa o somatório das notas fiscais de números 1.354, 1.656, 1.657, 1.659, 1.660, 1.661, 1.663, 1.664, 1.665, 1.666 e 1.667, a primeira emitida em 04/12/2008 e as demais em 04/05/2010, conforme consta no demonstrativo de fls. 4.264, devendose destacar que tal valor não foi recebido, seja no ano de 2010 ou de 2011 ou de 2012. A UNIFESP nunca pagou este crédito para a impugnante, ou seja, o valor de R$ 1.615.129,35 permanece em aberto. A fiscalização não discorda dessa assertiva. Tal fato é incontroverso, mas por entender que o encerramento da obra se deu em 11/01/2010, concluiu que a receita deveria ter sido oferecida à tributação na referida data; cc) Contesta tal premissa, pois não encontra sustentação na legislação que rege a matéria (artigo 409, incisos I e II, do RIR/99). Assevera que, com relação a contratos de empreitada firmados com órgãos governamentais, tal qual se verifica quanto ao contrato celebrado pela impugnante com a UNIFESP, o contribuinte pode diferir a tributação de receitas até o momento de seu efetivo recebimento, conforme a própria Instrução Normativa SRF n° 21/1979, que trata da matéria há longa data, em seu item 10; dd) Justifica que a UNIFESP não pagou para a impugnante o valor de R$ 1.615.129,35, ou seja, esta receita não foi recebida. Consequentemente, inexistia a obrigação da empresa de oferecer à tributação a importância de R$ 1.615.129,35, devendose concluir pela improcedência da omissão de receita apurada em 11/01/2010. A defesa da impugnante é corroborada pela pacífica jurisprudência do Egrégio CARF; ee) Requer sejam canceladas as exigências com relação à omissão de receita de R$ 1.615.129,35, apurada em 11/01/2010; A SUPOSTA FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS ff) Anota que, no item 2 do auto de infração, a autoridade lançadora utilizase da presunção de omissão de receita caracterizada pela não contabilização de despesas operacionais, indicando como fundamento da autuação, entre outros, o artigo 281, inciso II, do RIR/99. Os supostos fatos geradores dessa infração ocorreram entre 30/01/2007 e 26/12/2008 (fls. 4.364/4.366). Com relação aos fatos ocorridos no anocalendário 2007, para justificar a improcedência do lançamento a empresa invoca, novamente, as razões de defesa contidas no item 2 da impugnação, inclusive no que se refere ao cerceamento do direito de defesa. Por qual motivo esta infração não fez parte do primeiro lançamento (processo n° 10945.721263/201119?) Esta indagação não tem resposta, pois a fiscalização deixou de explicar o porquê de duas autuações distintas, para um único anocalendário, como decorrência de uma mesma ação fiscal, sem que nenhum fato novo tenha ocorrido entre ambas; gg) Recorre ao artigo 146 do CTN, que veda a alteração de critério jurídico para o lançamento, sendo exatamente isso que ocorreu, ao menos aparentemente (a falta de motivação da fiscalização não permite uma afirmação categórica a respeito do assunto). Ademais, as exigências reflexas de PIS e de COFINS para as competências até 07/2007 estão atingidas pela decadência; hh) Ressalta que, tal qual ocorreu na ação fiscal, que nos idos de 2007 e de 2008 a impugnante fez uma migração de sistema (nesse sentido, vide declaração anexa, prestada pela fornecedora do programa, empresa NL Informática Ltda., doc. n° 04), sendo que desde então algumas informações contábeis passaram a ter problema. Esses erros estão sendo corrigidos a custo de muitos investimentos (materiais e humanos) e ao final deste trabalho as obrigações estarão adequadamente baixadas. Com a comprovação do erro, os lançamentos (principal e reflexos) não podem prosperar, pois inexiste passivo fictício. A presunção de omissão de receita é inaplicável ao caso, conforme decisão do Fl. 5488DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 9 8 CARF; ii) Pugna pelo reconhecimento de improcedência do item 2 do auto de infração de IRPJ e de seus reflexos; A INDEVIDA GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS jj) Reclama que houve a glosa de despesas financeiras relativas a empréstimos bancários tomados, sob a justificativa de que parte desses valores foi repassada aos sócios, sem a cobrança de encargos, o que caracterizaria a desnecessidade dos respectivos custos para a pessoa jurídica. Pois bem, quanto à improcedência da infração do anocalendário 2007, no valor de R$ 133.331,96, a impugnante novamente se socorre das razões de defesa contidas no item 2 da impugnação. Nunca é demais indagar: Por que esta despesa não foi glosada no primeiro lançamento (processo n° 10945.721263/201119)? Inexiste resposta para esta pergunta, já que a fiscalização deixou de explicar o motivo pelo qual lavrou duas autuações distintas, para um único anocalendário, como decorrência de uma mesma ação fiscal, sem que nenhum fato novo tenha ocorrido entre ambas; kk) Cita o artigo 146 do CTN, que veda a alteração de critério jurídico para o lançamento, sendo exatamente isso que, aparentemente, ocorreu no caso. Ademais, na planilha de fls. 4.111 4.141 a fiscalização, inseriu, equivocadamente, empréstimos efetuados pela impugnante para a empresa API SPE 08 Planejamento e Desenvolvimento de Empreendimentos Imobiliários Ltda (que não é sua sócia e, portanto, tal situação não se amolda ao suporte fático descrito para a infração), nos seguintes valores e datas: R$ 100.000,00, em 18/01/2010 (débito); R$ 800.000,00, em 19/01/2010 (débito); R$ 350.000,00, em 25/01/2010 (débito); R$ 100.000,00, em 29/01/2010 (débito); R$ 170.000,00, em 01/02/2010 (débito); R$ 186.000,00, em 19/02/2010 (débito); R$ 245.000,00, em 22/02/2010 (débito); R$ 49.000,00, em 23/02/2010 (débito); R$ 100.000,00, em 26/02/2010 (débito); R$ 100.000,00, em 02/03/2010 (débito); R$ 60.000,00, em 05/03/2010 (débito); R$ 50.000,00, em 08/03/2010 (débito); R$ 66.000,00, em 09/03/2010 (débito); R$ 200.000,00, em 18/03/2010 (débito); R$ 50.000,00, em 19/03/2010 (débito); R$ 200.000,00, em 22/03/2010 (débito); R$ 2.900.000,00, em 29/03/2010 (débito); ll) Explica que a comprovação quanto ao beneficiário destes recursos está no Livro Razão, conta 1.2.1.02.0009 AbyaraAPI SPE 08 Planej. Desenv. e Imob Ltda., cujo extrato segue anexo (doc. n° 05), sendo que a liquidação destes empréstimos se deu em 31/03/2010 (fls. 4.135). As despesas relativas a estes mútuos, que estão identificadas às fls. 4.134 4.135, não podem ser glosadas, pois não se tratam de mera liberalidade da pessoa jurídica para com seus sócios, como equivocadamente descreveu e entendeu a autoridade fiscal; mm) Reclama pelo cancelamento dos débitos relativos a esta infração; A INDEVIDA GLOSA DE CUSTOS DE OBRAS POR EMPREITADA nn) Descreve que a fiscalização promoveu a glosa de custos de obras por empreitada, para os anoscalendário 2008, 2009 e 2010, conforme demonstrativo de fls. 4.295 (item 4 do auto de infração de IRPJ). As obras em questão são assim identificadas: "Fórum de Novo Hamburgo", "UNIFESP", "Tribunal de Contas de Pernambuco", "Hospital Infantil Campo Largo", "Hotel das Cataratas" e "Abyara (SPE 8) e “Digidata". Dentre os motivos suscitados pela fiscalização para as glosas estão: "material não aplicado na obra", "data da nota fiscal posterior ao encerramento da obra", "endereço do fornecedor incompatível com o local da obra" e "local de entrega do material é diferente do local da obra"; oo) Destaca que nenhuma despesa glosada tem como justificativa eventual documento inidôneo e também não se questiona a materialidade dos custos, ou seja, a efetiva aquisição dos materiais/serviços e os respectivos pagamentos. Cita passagens do Termo de Verificação Fiscal (fls. 4.291, 4.295 e 4.355); pp) Enfatiza que, se tais dispêndios não podem compor o custo das obras identificadas pela fiscalização, eles representam, indubitavelmente, custo de outras obras ou Fl. 5489DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 10 9 despesas operacionais da empresa, as quais, por consequência, são dedutíveis do resultado da pessoa jurídica como um todo (para utilizar a expressão da autoridade autuante). Em termos de base de cálculo do IRPJ e da CSLL, o custo referirse às obras "a" ou "b", salvo melhor juízo, não tem repercussão. Com o objetivo de novamente ilustrar tal colocação, às fls. 1.398 e 1.400 a autoridade lançadora identifica as glosas de custos de R$ 12.648,35 e de R$ 21.807,50, respectivamente, para a obra do "Fórum de Novo Hamburgo"", relativamente ao fornecedor Recicabos Comercial Ltda., indicando como justificativa que o material foi utilizado na obra da "Tribunal de Contas de Pernambuco". No entanto, embora tenha diminuído o custo da obra do "Fórum de Novo Hamburgo", a fiscalização não agregou tal dispêndio ao custo da obra "Tribunal de Contas de Pernambuco"; qq) Reclama que quase a totalidade das despesas glosadas foram desprezadas pela fiscalização; e que tal assertiva só comporta uma exceção, explicitada no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 4.355 (acima transcrito), qual seja, quando a transposição das despesas de uma obra para outra tem como resultado o agravamento da situação da empresa (no caso, gerando um acréscimo de distribuição disfarçada de lucros de R$ 154.900,83); rr) Entende que as contradições da autoridade lançadora são insustentáveis, já que o critério não pode ser adotado apenas quando há acréscimo do valor da infração, prejudicando a empresa. Fatos idênticos reclamam tratamento equânime e, ainda, em caso de dúvida, a interpretação tem que ser favorável ao contribuinte, conforme determina o artigo 112 do CTN; ss) Com base no art. 299 do RIR/99, afirma que todas as despesas glosadas de obras, sem exceção, são necessárias, usuais ou normais e foram efetivamente pagas pela empresa. Insiste que em nenhum momento a autoridade lançadora fez menção a eventual inidoneidade dos documentos ou à efetividade dos custos; tt) Cita doutrina, acerca da dedutibilidade das despesas operacionais; uu) Reitera que todas as despesas, por serem necessárias, normais ou usuais e terem sido efetivamente pagas, devem, obrigatoriamente, entrar no cômputo da apuração do resultado da empresa (seja em razão da obra "a", "b", "c", etc, quer no ano de 2007, 2008, 2009, 2010 e assim por diante), de modo que também nesta parte os lançamentos não reúnem condições para prosperar; vv) Acrescenta que a fiscalização promoveu diversas glosas presumindo que os materiais não foram aplicados, mormente pelo fato de que os fornecedores estariam distantes das obras. Ora, se os materiais não foram aplicados nas obras identificadas pela autoridade lançadora, evidentemente restaram utilizados em outras obras patrocinadas pela impugnante (a fiscalização adotou este posicionamento apenas quando o resultado foi mais gravoso para a empresa item 12.1 do Termo de Verificação Fiscal, fls. 4.355, excerto acima transcrito e isso, por óbvio, não pode ser admitido); ww) Assevera que tal presunção é inaceitável, pois cabe ao Fisco o ônus da prova quanto ao fato alegado, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC e art. 9° do PAF. As conclusões a que chegou a autoridade lançadora têm suporte apenas em presunções pessoais dela. Os fatos em voga, no mínimo, envolvem circunstâncias bastante duvidosas, o que reclama a aplicação ao caso da regra do artigo 112, inciso II, do Código Tributário Nacional – CTN; xx) Conclui que, pela ausência de prova da infração imputada à empresa ou, ainda, em razão das circunstâncias bastante duvidosas quanto à natureza ou às circunstâncias materiais dos fatos, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos, não podem prevalecer as glosas de custos motivadas pela presunção de que os materiais não foram aplicados nas obras identificadas pela fiscalização, de modo que os lançamentos não podem subsistir; "Fórum de Novo Hamburgo" yy) Descreve que, para esta obra, as razões suscitadas pela fiscalização para promover a glosa de custos de R$ 1.442.915,45, relativamente ao ano calendário 2008, são material não aplicado na obra, custo não comprovado, endereço do Fl. 5490DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 11 10 fornecedor incompatível com a localização da obra, local da entrega do material é diferente do local da obra e data da nota fiscal posterior ao encerramento da obra, conforme consta na planilha às fls. 1.39 1.416; zz) Explica que, diferentemente, no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 4.297, a autoridade lançadora asseverou que "Para o anocalendário de 2008, os custos atribuídos a esta obra estão sendo glosados porque a obra foi concluída em fevereiro de 2006". Em razão das informações contraditórias da fiscalização a defesa da impugnante fica prejudicada, de forma muito evidente, situação que recomenda o reconhecimento de nulidade das exigências, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72; aaa) Junta as notas fiscais que não teriam sido apresentadas à fiscalização (doc. n° 06), sendo que isso se repetirá para as demais obras. Além disso, acaso, supostamente, o motivo para as glosas esteja relacionado a materiais não aplicados ou a documento com data posterior ao encerramento da obra, os fundamentos da defesa já estão acima delineados, no sentido de que se as despesas não podem compor o custo desta obra, elas representam, indubitavelmente, custo de outras obras (várias delas identificadas pela fiscalização) ou despesas operacionais e, portanto, são dedutíveis do resultado da pessoa jurídica como um todo. Além disso, a fiscalização não pode presumir a infração, sendo que a não utilização dos materiais nesta obra não restou provada. O fato de o fornecedor ter endereço incompatível com a localização da obra (segundo a autoridade fiscal), também não pode justificar a glosa; bbb) Pede que sejam restabelecidas as despesas dedutíveis de R$ 1.442.915,45, relativamente ao anocalendário 2008; "UNIFESP" ccc) Descreve que a glosa decorre, segundo a fiscalização, de material não aplicado na obra, de custo não comprovado, de endereço do fornecedor incompatível com a localização da obra, do local da entrega do material ser diferente do local da obra ou da data da nota fiscal ser posterior ao encerramento da obra (planilha às fls. 444 518); ddd) Para as situações em que a glosa decorre, presumidamente, do fato de que os materiais não foram aplicados, reitera que se as despesas não podem compor o custo desta obra, elas representam custo de outras obras ou despesas operacionais e, portanto, são dedutíveis do resultado da pessoa jurídica como um todo. Além disso, a fiscalização não pode presumir a infração, sendo que a não utilização dos materiais nesta obra não restou provada; eee) Argumenta que o fato de o fornecedor ter endereço incompatível com a localização da obra (segundo a agente fiscal), também não pode justificar a glosa. As notas fiscais supostamente não apresentadas para a fiscalização e que serviram de fundamento para a glosa de despesas seguem anexas, juntamente com referida planilha (doc. n° 07); fff) Especificamente quanto à empresa Gerdau Aços Longos S.A. (nota fiscal n° 229.319, no valor de R$ 80.309,95), esclarece que muitas vezes as mercadorias foram adquiridas em determinadas épocas para aproveitar condições de negócio e assim elas eram entregues no estabelecimento da impugnante em Cascavel (PR), onde aguardavam determinado período até que fossem encaminhadas para as respectivas obras. Consequentemente, as glosas de custos desta obra também são improcedentes; "Tribunal de Contas de Pernambuco" ggg) Descreve que a glosa de custos referese aos anoscalendário 2008 e 2009 (diferentemente do que consta no Termo de Verificação Fiscal, onde foi citado, indevidamente, o anocalendário 2010) e a planilha elaborada pela fiscalização está nas fls. 1.080 1.101. Os motivos aduzidos pela fiscalização para efetivar as glosas são material não aplicado na obra, custo não comprovado, endereço do fornecedor incompatível com a localização da obra, local da entrega do material é diferente do local da obra, data da nota fiscal posterior ao encerramento da obra ou nota fiscal lançada em duplicidade; hhh) Anexa, além da planilha, as notas fiscais das despesas glosadas, que não teriam sido apresentadas à fiscalização (doc. n° 08). Quanto às situações em que a glosa decorre, presumidamente, do fato de que os materiais não foram aplicados ou as notas fiscais têm data posterior ao encerramento da obra, argumenta que, se as Fl. 5491DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 12 11 despesas não podem compor o custo desta obra, elas representam custo de outras obras ou despesas operacionais e, portanto, são dedutíveis do resultado da pessoa jurídica como um todo; iii) Entende que a fiscalização não pode presumir a infração, sendo que a não utilização dos materiais nesta obra não restou provada. O fato de o fornecedor ter endereço incompatível com a localização da obra (no entendimento da fiscalização), também não pode justificar a glosa. Tais despesas não geraram nenhuma redução indevida de tributos a pagar. Portanto, também neste caso o trabalho da autoridade fiscal não pode prevalecer; "Hospital Infantil Campo Largo" jjj. Descreve que a glosa de custos para esta obra está assim justificada: material não aplicado na obra, custo não comprovado, endereço do fornecedor incompatível com a localização da obra, local da entrega do material é diferente do local da obra, data da nota fiscal posterior ao encerramento da obra ou nota fiscal lançada em duplicidade; kkk) Afirma que as notas fiscais alegadamente não apresentadas à fiscalização acompanham esta impugnação como doc. n° 09. Como neste ponto também há glosas que decorrem, presumidamente, do fato de que os materiais não foram aplicados, cumpre insistir que se as despesas não podem compor o custo desta obra, elas representam custo de outras obras ou despesas operacionais e, portanto, são dedutíveis do resultado da pessoa jurídica como um todo. Além disso, a fiscalização não pode presumir a infração, sendo que a não utilização dos materiais nesta obra não restou provada. O fato de o fornecedor ter endereço incompatível com a localização da obra (no entendimento da fiscalização), também não pode justificar a glosa. Merecem ser restabelecidas, portanto, as despesas glosadas; "Hotel das Cataratas" lll) Descreve que além dos motivos já citados anteriormente, a fiscalização citou "custo não comprovado com documento hábil. Isso deve significar, presumidamente, que as notas fiscais não foram apresentadas. Na dúvida, juntamente com a citada planilha, seguem anexas as tais notas fiscais (doc. n° 10); mmm) Especificamente com relação às empresas Siderúrgica Norte Brasil S.A. (notas fiscais nos 15.698, 18.577 e 20.732, nos valores de R$ 83.095,43, de R$ 84.032,83 e de R$ 75.978,77, respectivamente) e Gerdau Aços Longos S.A. (nota fiscal n° 246.239, no valor de R$ 75.150,28), esclarece que muitas vezes as mercadorias foram adquiridas em determinadas épocas para aproveitar condições de negócio e assim elas eram entregues no estabelecimento da impugnante em Cascavel (PR), onde aguardavam determinado período até que fossem encaminhadas para as respectivas obras. E, uma vez mais, para as situações em que a glosa decorre, presumidamente, do fato de que os materiais não foram aplicados, cumpre reiterar que se as despesas não podem compor o custo desta obra, elas representam custo de outras obras ou despesas operacionais e, portanto, são dedutíveis do resultado da pessoa jurídica como um todo. Além disso, a fiscalização não pode presumir a infração, sendo que a não utilização do materiais nesta obra não restou provada. O fato de o fornecedor ter endereço incompatível com a localização da obra (no entendimento da fiscalização), também não pode justificar a glosa; nnn) Demonstra, assim, a improcedência destas glosas de custos; "Abyara API SPE 08" ooo) Descreve que a fiscalização procedeu a glosa de despesas no montante de R$ 166.578,29, relativamente ao anocalendário 2010, pelo fato de que o material não teria sido aplicado nesta obra ou porque o local da entrega do material é diferente do local da obra (planilha às fls. 4.3194.320); ppp) Insiste que, se as despesas não podem compor o custo desta obra, elas representam, indubitavelmente, custo de outras obras ou despesas operacionais (nos termos do artigo 299 do RIR/99) e, portanto, são dedutíveis do resultado da pessoa jurídica como um todo. Além disso, a fiscalização não pode presumir a infração, sendo que a não utilização dos Fl. 5492DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 13 12 materiais nesta obra não restou provada. O fato de o fornecedor ter endereço incompatível com a localização da obra (no entendimento da fiscalização), também não pode justificar a glosa; qqq) Conclui que a impugnante não deduziu custos de forma indevida ou que o trabalho da autoridade fiscal está integralmente incorreto e contraditório, de modo que os autos de infração são improcedentes; O EQUÍVOCO DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À APURAÇÃO DE RECEITAS DE IMÓVEIS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS rrr) Relata que, no item 6 do auto de infração do IRPJ, a autoridade lançadora informa que a empresa reduziu indevidamente o Lucro Real em virtude de postergação no reconhecimento de receitas tributáveis, resultando no não recolhimento do imposto de renda, conforme tópico 7.3 do Termo de Verificação Fiscal; sss) Cita trecho do TVF à fl. 4.334, e explica que a exigência recai sobre os anoscalendário 2007, 2008 e 2009, devendose destacar que todos os valores foram oferecidos à tributação em períodos de apuração posteriores, na medida dos respectivos recebimentos, sendo tal fato incontroverso; ttt) Defende que, para o ano de 2007, pela alteração de critério jurídico da autoridade lançadora entre o primeiro lançamento (processo n° 10945.721263/201119) e este, o reconhecimento de improcedência da exigência é medida que se impõe, por força do artigo 146 do CTN e em razão dos argumentos já delineados nos tópicos antecedentes. Além disso, embora a autoridade lançadora afirme que o procedimento adotado pela impugnante (de tributar as receitas em apreço pelo regime de caixa) não tenha respaldo legal, deixou de indicar em qual norma está fundamentado o seu posicionamento, malferindo, novamente, os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa; uuu) Sustenta que não há amparo legal para o lançamento, pois a empresa agiu de acordo com a regra prevista no artigo 413 do RIR/99, sendo que a lei não faz nenhuma distinção quanto a imóveis próprios ou adquiridos de terceiros e não cabe ao intérprete fazêla. Nos casos de venda de imóveis a prazo, as receitas podem ser reconhecidas na medida dos recebimentos, ou seja, pelo regime de caixa, exatamente da forma como agiu a impugnante, seguindo os parâmetros do artigo 413 do RIR/99. vvv) O entendimento levado a efeito pela autoridade fiscal carece de respaldo legal, o que reclama o cancelamento das exigências referentes a esta infração; A INEXISTÊNCIA DE INEXATIDÃO QUANTO AO RECONHECIMENTO DAS RECEITAS DE OBRAS POR EMPREITADAS www) Anota que também são improcedentes os lançamentos com relação à suposta inexatidão no reconhecimento das receitas de obras por empreitadas (item 7 do auto de infração do IRPJ), no caso, UNIFESP (R$ 665.077,54, ano calendário 2010) e Hotel das Cataratas (R$ 2.117.224,52 30/ 09/2008, R$ 3.532.589,60 31/ 12/2008, R$ 2.153.277,68 30/09/2009 e R$ 801.959,09 31/12/2009). Neste ponto, com relação à obra da UNIFESP, o trabalho da autoridade fiscal consistiu em antecipar, para o ano calendário 2010, receitas oferecidas à tributação pela empresa no anocalendário 2011, conforme se verifica às fls. 4.314. Já no que se refere à obra do Hotel das Cataratas, a fiscalização, embora tenha se manifestado, expressamente, no sentido de que concordava com a sistemática de custo orçado adotada pela impugnante, que encontra previsão na própria Instrução Normativa SRF n° 21/79, item 5, na prática acabou utilizando, sem permissão legal para tanto, outro critério, qual seja, recalculou as receitas de cada período de apuração com base em medições efetuadas, antecipando, assim, a tributação de valores que foram espontaneamente incluídos na base de cálculo dos respectivos tributos, no devido tempo, de acordo com a legislação de regência; xxx) Cita trechos do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 4.287 4.290 e 4.331 4.333; yyy) Reclama que, no que se refere à obra do Hotel das Cataratas, a fiscalização, diferentemente do que afirmou às fls. 4.290, não acatou a sistemática de custo orçado adotada pela impugnante; zzz) Cita o item 5 da Instrução Normativa SRF n° 21/79, e alega que a adoção de um dos critérios estabelecidos no inciso I ou no inciso II, do item 5, da referida Instrução Normativa é OPÇÃO DA PESSOA JURÍDICA e não da fiscalização. A autoridade lançadora asseverou, inclusive, que estava de acordo com a Fl. 5493DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 14 13 sistemática adotada pela impugnante, consistente na emissão das notas com base na execução da obra e no reconhecimento das receitas de acordo com a percentagem que o custo incorrido no períodobase representa sobre o custo total orçado, mas aceitou tal critério apenas para a obra da UNIFESP. Afirma que a agente autuante não tem o poder de alterar o critério pelo qual optou a pessoa jurídica, pois a legislação não lhe dá esta liberdade, conforme o artigo 851 do RIR/99; aaaa) Reforça que a apuração de eventual inexatidão quanto ao reconhecimento de receitas deve respeitar a opção dada ao contribuinte pelo item 5 da Instrução Normativa SRF n° 21/79, e foi nesse sentido, inclusive, que se lavrou o lançamento quanto à obra da UNIFESP (embora ele também esteja equivocado, por outros fundamentos, que estarão adiante especificados); bbbb) Sustenta que a forma de tributação adotada pela empresa não pode ser modificada pela fiscalização, como está ocorrendo neste feito com a obra do Hotel das Cataratas, de acordo com precedente citado do CARF; cccc) Conclui que resta justificado o reconhecimento de improcedência do lançamento relativamente ao item 7 do auto de infração do IRPJ (e também de seus reflexos), no que se refere ao Hotel das Cataratas (R$ 2.117.224,52 30/09/2008, R$ 3.532.589,60 31/12/2008, R$ 2.153.277,68 30/09/2009 e R$ 801.959,09 31/12/2009); dddd) Ainda quanto ao Hotel das Cataratas, ressalta que a obra, cujo início ocorreu no ano de 2008, só foi encerrada em março de 2011, o que se comprova com os aditivos contratuais firmados entre a proprietária do hotel e a impugnante (cópias anexas, doc. n° 11). No segundo aditivo contratual, pactuado em 01/03/2009, está consignado, quanto ao prazo para conclusão dos serviços, o seguinte: “Em razão da inclusão e contratação dos serviços acima descritos, o prazo para a conclusão dos serviços será dividida pelos itens ficando da seguinte forma: Item 1 Data limite para conclusão dos serviços caracterizados no item 1 será o dia 30 de SETEMBRO DE 2010; Item 2 — Data limite para conclusão dos serviços caracterizados no item 2 será o dia 31 de JANEIRO DE 2010; Item 3 Data limite para conclusão dos serviços caracterizados no item 3, 4 e 5 será o dia 31 de MARÇO DE 2011”; eeee) Esclarece que, em razão deste fato e seguindo o critério de emitir as notas com base na execução da obra e de reconhecer as receitas de acordo com a percentagem que o custo incorrido no períodobase representa sobre o custo total orçado, conforme lhe permite a Instrução Normativa SRF n° 21/1979, a impugnante ofereceu à tributação, no anocalendário 2011, relativamente ao Hotel das Cataratas, o valor de R$ 6.940.272.7411. Isso porque também teve despesas com esta obra no ano de 2011, além do que recebeu créditos em 2011. Na planilha anexa (doc. n° 11), cuja elaboração seguiu as regras da Instrução Normativa SRF n° 21/79, estão expressos, entre outras informações, os custos incorridos, o custo orçado, a receita do períodobase e o resultado computável na determinação do lucro líquido; ffff) Entende que agiu corretamente, seguindo à risca as orientações da Instrução Normativa SRF n° 21/1979, devendose concluir, pois, que o trabalho da autoridade lançadora, além de não encontrar respaldo legal, está equivocado e não pode ser aceito, inclusive pela falta de observância aos termos do Parecer Normativo COSIT n° 02, de 28/08/1996, na medida em que, sob a forma de retenção na fonte, a empresa pagou o imposto de renda devido; gggg) Cita precedentes do CARF e conclui que os autos de infração são improcedentes; hhhh) Segue argumentando que, no que se refere à UNIFESP, a fiscalização adotou outro critério, qual seja, antecipou a tributação da receita de R$ 665.077,54 do anocalendário 2011 para o ano de 2010, época em que, no seu entendimento, a obra foi encerrada, desconsiderando o imbróglio quanto à continuidade das obras ou a existência de créditos pendentes de recebimento, ambos os fatos narrados por ela própria; iiii) Afirma que tal posicionamento não merece acolhimento, já que a obra teve diversos percalços (conforme evidenciam as manifestações anexas, emanadas do Fl. 5494DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 15 14 Departamento de Engenharia e Infra Estrutura da Universidade em 24/09/2009 e em 23/07/2009, da Advocacia Geral da União em 25/08/2009 e em 29/07/2009 e do Procurador Chefe da UNIFESP em 24/08/2009, além de aditivos contratuais firmados em 28/07/2009 e em 27/07/2007, doc. n° 12), sendo incontroverso que o instrumento de rescisão contratual enviado pela UNIFESP para a impugnante data de 06/11/2009; jjjj) Ressalta que a obra não foi concluída e a UNIFESP, inclusive, deixou de pagar para a impugnante o valor de R$ 1.615.129,35 (considerado como omissão de receita pela fiscalização, cuja defesa está no tópico 4 desta petição). E mais, ainda que se considere correto o critério utilizado pela autoridade lançadora, com a antecipação das receitas para a data de encerramento da obra (por força da rescisão contratual), hipótese admitida apenas para fins de argumentação, ainda assim o trabalho fiscal é falho. Isso porque o instrumento de rescisão contratual é expresso no sentido de que houve o encerramento da obra no anocalendário 2009 (o Ofício Reitoria n° 583/2009, fls. 433 434 é de 06/11/2009) mas, ainda assim, a receita declarada pela empresa no ano calendário 2011, no valor de R$ 665.077,54, foi tributada no anocalendário 2010 (fls. 4.370), quando, seguindo a premissa adotada, a tributação deveria ocorrer no anocalendário 2009; kkkk) Assim, entende que o valor de R$ 665.077,54 deve ser excluído da base de cálculo do lançamento relativo ao anocalendário 2010; llll) Conclui que inexistiu redução indevida do lucro real pela inexatidão na apuração das receitas de obras por empreitadas ou que o trabalho da autoridade autuante carece de respaldo legal, está falho, incorreto e contraditório, de modo que os autos de infração não podem prosperar, inclusive pela inobservância ao contido no Parecer Normativo COSIT n° 02/96; A QUESTÃO DA ALEGADA DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS – OUTRAS IMPROPRIEDADES DO LANÇAMENTO mmmm) Transcreve o item 12.3 do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 4.357 4.359, referente ao item 8 do auto de infração do IRPJ, e chama a atenção para mais um equívoco da fiscalização, que comparou o tamanho dos imóveis permutados utilizando a área privativa de um e a área do total do outro; nnnn) Justifica que, nos termos do contrato de fls. 3.789 3.791, é fácil perceber que o imóvel de Cascavel (PR) tem área privativa de 382,64 m2 e área total de 547,61 m2, enquanto o imóvel de Curitiba (PR) possui área privativa de 380.04 m2 e área total de 602,476 m2. Portanto, as áreas dos imóveis são muito semelhantes e inexiste a disparidade destacada pela Sra. Lorete Berlanda; oooo) Destaca que todos os erros e/ou contradições da autoridade lançadora trazem prejuízo para a empresa, no mínimo, com relação à verdade dos fatos. Invoca as razões de defesa contidas no tópico 2 da impugnação. Nunca é demais indagar: Por que esta distribuição disfarçada de lucro não foi apurada no primeiro lançamento, que também envolveu o ano de 2007 (processo n° 10945.721263/201119)? Inexiste resposta para esta pergunta, já que a fiscalização deixou de explicar o motivo pelo qual lavrou duas autuações distintas, para um único anocalendário, como decorrência de uma mesma ação fiscal, sem que nenhum fato novo tenha ocorrido entre ambas; pppp) Cita o artigo 146 do CTN, que veda a alteração de critério jurídico para o lançamento, sendo exatamente isso que ocorreu no caso. Tal motivo já basta para o cancelamento desta exigência. Ressalta que por alguma razão que a impugnante desconhece, a autoridade lançadora deixou de incluir no demonstrativo de fls. 4.358, relativo às alienações de apartamentos do Edifício Porto Gênova, os seguintes negócios (cópias dos contratos estão anexas, doc. n° 13); qqqq) Pondera que, se é para seguir o critério mais favorável à empresa, como afirmou a fiscalização, devese adotar o valor de R$ 700.000,00 como preço de alienação, ao invés de R$ 930.000,00, sendo que, por força do artigo 112 do CTN, na dúvida, a interpretação deve sempre beneficiar o contribuinte, mormente em casos como este; rrrr) Declara que não houve a tal distribuição disfarçada de lucros, sendo o lançamento improcedente ou, ao menos, a base de cálculo da exigência deve ser reduzida para R$ 9.721,28 (R$ 700.000,00 R$ 690.278,72); Fl. 5495DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 16 15 ssss) Ainda com relação à distribuição disfarçada de lucros, cita trecho do Termo de Verificação Fiscal (fls. 4.355); tttt) Insiste na necessidade de observância de um único critério, ou seja, se despesas escrituradas em outras obras serviram de fundamento para aumentar a distribuição disfarçada de lucros apurada no item 9 do auto de infração de IRPJ, também deve haver a alocação ou o devido aproveitamento de despesas glosadas na obra da UNIFESP, mas que se referem à obra do Tribunal de Contas de Pernambuco (este é apenas um exemplo, pois as glosas de uma obra devem ser inseridas como despesa de outra obra), conforme exaustivamente defendido no item 7 da impugnação; uuuu) Pugna pelo cancelamento das exigências; A AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA DE 150% vvvv) Alega que a multa qualificada está prevista no § 1o, do artigo 44, da Lei n° 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 11.488/2007, e destaca que os artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 tratam das figuras da sonegação, da fraude e do conluio; wwww) Cita trecho do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 4.298, e conclui que a fiscalização sequer tentou enquadrar a conduta da empresa nos tipos previstos nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei n° 4.502/64, tal qual prevê o § 1o, do artigo 44, da Lei n° 9.430/96. Reclama que a premissa adotada (postergação de receitas) não está relacionada à conclusão que autorizaria a exasperação da penalidade (indevida escrituração de custos). De acordo com o § 1o, do artigo 44, da Lei n° 9.430/96, a multa de ofício qualificada só tem cabimento se restar caracterizada a prática das infrações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64 (sonegação, fraude ou conluio). E isso, efetivamente, não ocorreu no caso em tela, tanto que a fiscalização sequer tentou enquadrar a conduta da empresa nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio; xxxx) Assevera ser evidente que a conduta da impugnante não se amolda conceitos de sonegação, fraude ou conluio, conforme definição dada pelos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64; yyyy) Destaca que se os custos glosados não são dedutíveis para determinadas obras, conforme concluiu a fiscalização, representam, nos termos do artigo 299 do RIR/99, já transcrito, despesas operacionais da empresa ou referemse a despesas de outras obras e nessa situação, de alguma forma, devem entrar no cômputo da apuração do resultado da impugnante. Conseqüentemente, tais despesas não geraram nenhuma redução indevida de tributos a pagar. A própria autoridade lançadora asseverou que as glosas estavam relacionadas às obras e não aos custos da empresa como um todo. As despesas, sem exceção, são dedutíveis do resultado da empresa e nenhuma nota fiscal referente aos custos glosados é inidônea. As glosas decorrem de diferenças de critérios interpretativos entre a contribuinte e a fiscalização, mas, obviamente, não envolvem dolo da empresa, que jamais pretendeu sonegar, fraudar ou agir em conluio. Não se está diante de nota calçada, de nota fria, de recursos bancários movimentados em conta bancária de interposta pessoa, onde a sonegação, a fraude ou o conluio estão claramente presentes. A impugnante continua entendendo que são improcedentes as glosas de despesas promovidas pela fiscalização, em razão dos motivos especificados no item 7 da defesa; zzzz) Acrescenta que, nos termos do artigo 44, § 1o, da Lei n° 9.430/96, a multa de 150% só é exigível nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A sonegação, a fraude e o conluio não se presumem e devem ser provados pela fiscalização. No caso, é inaceitável a exasperação da penalidade, pois não há prova de nenhuma conduta dolosa da empresa. Resta cristalino, pois, o desacerto com relação à aplicação da multa de 150%; aaaaa) Cita decisões do CARF; bbbbb) Alega ser plenamente aplicável ao caso o Enunciado de Súmula n° 14 do CARF, segundo o qual: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." Os fatos em tela, no mínimo, geram fundada dúvida quanto às conclusões a que chegou a autoridade fiscal, nos termos do artigo 112, incisos II e IV, do CTN; ccccc) Diante do exposto, pugna, inicialmente, pela decretação da nulidade dos Fl. 5496DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 17 16 lançamentos em apreço (IRPJ e reflexos), em razão da: a) suspeição da Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil, Sra. Lorete Berlanda; b) ocorrência de cerceamento do direito de defesa; e c) flagrante alteração dos critérios jurídicos adotados neste feito em comparação com o que se verifica no processo n° 10945,721263/201119 (item 2 da impugnação); ddddd) Reclama pelo reconhecimento da decadência das exigências de PIS e de COFINS para os fatos geradores ocorridos até a competência 07/2007 (item 3 da impugnação); eeeee) Quanto ao mérito, requer seja reconhecida a improcedência dos autos de infração (IRPJ e reflexos), pois inexistiu omissão de receita de obras por empreitada (item 4 da impugnação), é inaplicável ao caso a presunção de omissão de receita caracterizada pela não contabilização de despesas operacionais (item 5 da impugnação), não ocorreu a dedução indevida de despesas financeiras (item 6 da impugnação) e nem de custos de obras por empreitada (item 7 da impugnação), não houve redução indevida do lucro real com relação a imóveis adquiridos de terceiros (item 8 da impugnação) e nem tampouco no que se refere a receitas de obras por empreitada (item 9 da impugnação), além do que, finalmente, não procede a acusação de distribuição disfarçada de lucros (item 10 da impugnação); fffff) Pede, ainda, o afastamento da aplicação da multa qualificada de 150%, pois os fatos em apreço não se enquadram em nenhuma das regras dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 (item 11 da impugnação); ggggg) Protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas necessárias para o deslinde da questão; Às fls. 1065/1068, consta petição protocolada pelo contribuinte em 06/03/2012, endereçado ao Delegado da DRF/Foz do Iguaçu, pela qual pugna pelo imediato encerramento da ação fiscal, seja em razão do domicílio fiscal da empresa, que desde 25/11/2010 é Curitiba (PR), seja pela suspeição da Sra. Lorete Berlanda, AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela fiscalização. Apresenta razões em teor similar à arguição de suspeição contida na impugnação. O pleito foi indeferido, conforme Informação Fiscal de fls. 1069/1072, pelas seguintes razões: a) a autoridade outorgante do MPFF 0910100.2011.001899 é o Superintendente da Receita Federal da 9ª Região Fiscal, nos termos da Portaria RFB n° 11.371/07, art. 6o, §4°; b) o procedimento de fiscalização na interessada, sob execução de Auditores Fiscais lotados na DRF/Foz do Iguaçu, encontra previsão na Portaria RFB n° 11.371/07 e atende a critérios de melhor aproveitamento da mão de obra fiscal na 9ª Região Fiscal; c) não foram apresentados elementos que caracterizem ou indiquem suspeição da Auditora Fiscal Lorete Berlanda, nos termos do art. Lei n° 9.784/99; d) não foram apresentados elementos que indiquem ter havido qualquer conduta abusiva ou improbidade por parte dos Auditores Fiscais responsáveis pela fiscalização; e) não foram apresentados elementos que apontem a ocorrência de falha ou prejuízo na instrução processual; f) fiscalizações em andamento não são encerradas em razão de arguição de suspeição das autoridades fiscais responsáveis pelo procedimento, mas redistribuídas, caso se verifique a ocorrência de prejuízo ao sujeito passivo ou à instrução processual, o que não ocorreu no presente caso; g) sem a existência de motivos relevantes, haveria prejuízos indevidos à Administração Fiscal caso se procedesse a substituição da Auditora Fiscal no estágio atual da fiscalização. A 2ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, nos termos do acórdão e voto de folhas 5.208 – 5.318, julgou o lançamento parcialmente procedente, para os fins de afastar a preliminar de suspeição, reconhecer a decadência do PIS e Cofins dos fatos geradores anteriores a 01/08/2007, e, no mérito, julgar procedentes em parte os lançamentos, para reduzir Fl. 5497DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 18 17 a exigência de IRPJ para R$ 2.483.956,30, reduzir a exigência de CSLL para R$ 908.519,02, reduzir a exigência de PIS para R$ 19.292,18, e reduzir a exigência da Cofins para R$ 89.040,84, todos com respectivas multas e juros de mora. Como mencionado acima, afastouse a preliminar de nulidade seja pelo fato de a fiscalização ter sido conduzida por DRF de jurisdição diversa da do domicílio do contribuinte, seja pela suposta suspeição da auditora fiscal, citando nesse propósito o teor da Súmula CARF nº 27. Especificamente quanto à alegada suspeição, reputou a decisão recorrida, em resumo, que o servidor deve declararse impedido por motivo de interesse direto, participação processual ou litígio com o interessado, ou suspeito, em caso de amizade ou inimizade notória, consoante artigo 18, do Decreto nº 70.235/72 e caberia, portanto, à recorrente, trazer prova de existência de uma dessas hipóteses de impedimento ou suspeição, o que não ocorreu, já que o mero fato de a servidora ter tido participação societária na Cataratas Incorporadora e Administradora de Shopping Centers S.A não configura qualquer vício que a impedisse de atuar na ação fiscal. Também como já adiantado acatouse a preliminar de decadência do PIS e Cofins dos fatos geradores anteriores a 01/08/2007, eis que na ausência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial iniciouse a partir da data do fato gerador (§ 4º do art. 150 do CTN) e se a ciência dos autos de infração deuse em 01/08/2012, conforme AR de fl. 4.485, impunhase o reconhecimento da decadência do PIS e da Cofins com fatos geradores anteriores a 01/08/2007, esclarecendo, todavia, que com relação ao IRPJ e à CSLL, não há exigência decaída, já que em 2007 a apuração do lucro foi anual. Quanto ao mérito, dividiuse o enfretamento de acordo com as imputações, iniciandose pela Glosa de custos em contratos a longo prazo. Itens 4 a 6 do TVF. Anos calendários 2008, 2009 e 2010, esclarecendo que analisavase neste tópico as glosas de custos nas obras por empreitada, correspondente ao item 6 do TVF e que as demais são apreciadas na sequência. Esclareceuse que a mesma infração foi apurada pela fiscalização, relativamente aos anos calendários 2006 e 2007, que são objeto do processo administrativo n° 10945.721263/201119. No propósito de enfrentamento das imputações e argumentos de defesa já relatados acima, esclareceu a decisão recorrida que a questão central dessa discussão é a assertiva de que determinado custo ou despesa somente pode ser deduzido na apuração do lucro real se a correspondente receita fizer parte da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, sendo essa conclusão, além de ser evidente, extraída da legislação comercial, mais precisamente do art. 187, § 1° da Lei n° 6.404/76. Reputouse assim, que se a empresa contabiliza certo custo em determinado centro de custo, o qual, por sua vez, está associado à determinada obra, é lícito concluir que esse dispêndio foi gasto com vistas ao recebimento de receita correspondente àquele serviço. Assim, constatadas as condições de dedutibilidade do custo/despesa, e verificado que a correspondente receita foi oferecida à tributação, a escrituração está regular. Por outro lado, se determinado custo foi contabilizado na conta associada a certa obra, mas na verdade foi utilizada em obra diversa, o fisco está autorizado a glosálo, porque já não há mais certeza do oferecimento à tributação da correspondente receita e que diante de uma contabilidade Fl. 5498DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 19 18 complexa, com múltiplas contas de receitas, custos e despesas, como é o caso do contribuinte, foge do razoável exigir que a fiscalização descubra o correto centro de custo, obrigação esta que deve ser atribuída à fiscalizada. Com estas premissas estabelecidas, passou a decisão recorrida a apreciar cada glosa efetivada, fazendoo nos termos abaixo reproduzidos: [...]Construção do Fórum Novo Hamburgo/RS [...]52. Analisandose as provas trazidas pela impugnante, concluise que não há reparos a fazer nas glosas. 53. Para essa obra, que teve por objeto a execução da construção do prédio destinado ao Foro da Comarca de Novo Hamburgo/RS, houve glosas para os anos calendários de 2006 a 2008, sendo que as relativas aos dois primeiros anos estão sendo discutidas no processo n° 10945.721263/201119. As glosas de 2008 são as relacionadas nas planilhas de fls. 1395/1416, com dados das notas fiscais e motivos da glosa, totalizando R$ 1.410.078,24. 54. A auditoria foi feita com base em informações prestadas pelo cliente, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, a partir do ofício expedido pela fiscalização, n° 20/2011 (fls. 1664/1665). Na resposta, foi encaminhado o Ofício n° 293/2011DIR/DESPESA do TJ/RS (fl. 1.394), em que foram constatados os seguintes fatos: a) as últimas notas fiscais emitidas para a obra datam de janeiro/2006 (NF n°s 669 a 670, 671 e 674); b) em 23/02/2006, foi lavrado o termo de recebimento provisório, já que após a vistoria da obra foram constatadas algumas pendências; c) em 24/08/2006, foi lavrado o Termo de recebimento definitivo. Diante disso, a autoridade fiscal glosou todos os custos escriturados em 2008, já que a obra foi concluída em fevereiro de 2006. 55. Na impugnação, o contribuinte alega que sua defesa teria sido prejudicada por suposta contradição incorrida pela fiscalização, que apontou, na planilha de fls. 1395/1416, determinados motivos (material não aplicado na obra, custo não comprovado, endereço do fornecedor incompatível com a localização da obra, local da entrega do material diferente do local da obra, data da nota fiscal posterior ao encerramento da obra), e, no TVF, justificou as glosas porque a obra foi concluída em fevereiro de 2006. 56. A reclamação não procede, todavia. Não há qualquer incompatibilidade nas explicações dadas pela auditora fiscal, até porque determinados motivos não excluem outros quando cumulativos, como é o caso. Além disso, na referida planilha elaborada pela fiscalização, além dos motivos apontados pela interessada, temse que, em todas as glosas, consta também a de número “6”, correspondente a “data da nota fiscal posterior ao encerramento da obra”. Ademais, mesmo no TVF, no mesmo tópico referente à glosa de custos da Construção do Fórum Novo Hamburgo/RS, há expressas menções àqueles demais motivos, quando a autuante justifica a qualificação da multa, às fls. 4297/4298. Ela relata que a empresa adota a prática de postergar as receitas para períodos futuros para que os resultados sejam anulados mediante artifícios dolosos, como a escrituração tardia de custos de obras já concluídas, em centro de custo diverso. Um exemplo mencionado foi com as notas fiscais de fls. 1417/1663 em cujos versos havia carimbos de recebimento de mercadoria na obra de incorporação do Edifício Porto Genova, localizado na Avenida Visconde de Guarapuava, nº 4629 Batel – Curitiba/PR, que foram rasurados e substituídos por outros, referenciando a obra de Novo Hamburgo. 57. Às fls. 4692 e seguintes, a impugnante juntou cópia de notas fiscais que não teriam sido apresentadas durante a fiscalização. Verificase que, na planilha de fls. 1395/1416, Fl. 5499DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 20 19 a autoridade fiscal descreveu observações para uma série de notas fiscais glosadas, indicando “nota fiscal ou outro documento hábil para comprovação do custo não foi apresentado”. O fato relevante é que, para estas notas, assim como ocorreu para todas as demais, as glosas também foram motivadas pelo critério da data (posterior ao encerramento da obra), conforme já explicado, situação esta que resta confirmada pelas datas dos documentos anexados, todas posteriores a fevereiro de 2006. Sendo assim, as provas juntadas não servem para afastar as glosas. 58. Finalmente, quanto ao argumento de que se as despesas não podem compor o custo desta obra, elas representariam custo de outras obras ou despesas operacionais, que seriam dedutíveis do resultado da pessoa jurídica como um todo, conforme já explanado anteriormente, cabe ao contribuinte comprovar o oferecimento à tributação das receitas associadas aos custos glosados, o que não foi cumprido. UNIFESP [...]60. Analisandose as provas trazidas pela impugnante, concluise que não há reparos a fazer nas glosas. 61. Para essa obra, que teve por objeto o fornecimento de material e mão de obra para execução de obras de construção do Edifício de Pesquisas II, houve glosas para os anos calendários de 2006 a 2010, sendo que as dos dois primeiros anos são discutidas no processo n° 10945.721263/201119. As glosas são as relacionadas nas planilhas de fls. 444/519, com dados das notas fiscais e motivos da glosa, totalizando R$ 1.255.773,69. 62. As informações foram fornecidas pela Universidade Federal de São Paulo, em resposta às intimações EQMAC números 11/2011 e 24/2011, pelas quais foram solicitados os boletins de medição do material aplicado na obra, e a data da conclusão da obra. A fiscalização apurou que, em 16.11.2009 a empresa Jota Ele Construções Civis Ltda., mediante o Ofício Reitoria n. 583/09 (fls. 433/434) tomou ciência da notificação para o encerramento dos trabalhos no imóvel e retirada dos materiais, equipamentos e pessoal contratado pela construtora, tendo em vista a expiração do prazo final e a falta de conclusão do objeto contratado. Consta ainda que, em 11/01/2010, mediante o Ofício n. 003/2010, à fl. 435, a empresa foi novamente notificada pela UNIFESP para, num prazo de 03 dias a contar daquela data, efetuar a retirada dos restantes dos materiais/equipamentos presentes no local. A partir destes fatos, a fiscalização concluiu que o término da obra deuse em 11/01/2010. 63. O contribuinte foi intimado a comprovar todos os custos escriturados nas contas “561010011 Fretes e Carretos”, “561010009 Materiais Aplicados” e “561010010 – Serviços de Terceiros”. Na auditoria, a auditora fiscal identificou 535 notas fiscais, totalizando R$ 1.219.290,52 de custo lançado somente nas contas de “Material Aplicado” e “Serviços de Terceiros”, emitidas posteriormente ao encerramento da obra, e com várias outras irregularidades que, em linhas gerais, tratavase de escrituração de custos que não guardavam nenhuma relação com a obra para a qual foram atribuídos. 64. Na impugnação, a litigante insiste na tese de que, quanto às despesas utilizadas em outras obras, elas representariam custo ou despesas operacionais, dedutíveis do resultado da pessoa jurídica como um todo. Tal argumento somente é aceitável se o contribuinte comprovar a tributação das respectivas receitas, conforme já explicado. 65. Rejeito também as alegações de falta de prova da não utilização dos materiais na obra, que resultaria em presunção de infração, ou que o fato de o fornecedor ter endereço incompatível com a localização da obra não poderia justificar a glosa. É que a Fl. 5500DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 21 20 fiscalização produziu provas robustas que comprovaram que determinados custos não tinham qualquer relação com as obras a eles atribuídas. Os exemplos citados no TVF são fartos: [...]66. A impugnante juntou as notas fiscais não apresentadas à fiscalização, às fls. 4763 e seguintes, e explica que, especificamente quanto à empresa Gerdau Aços Longos S.A. (nota fiscal n° 229.319, no valor de R$ 80.309,95), muitas vezes as mercadorias foram adquiridas em determinadas épocas para aproveitar condições de negócio e assim elas eram entregues no estabelecimento da impugnante em Cascavel, onde aguardavam determinado período até que fossem encaminhadas para as respectivas obras. 67. No entanto, não há como acolher essas provas. Verificase, na planilha de fls. 444/519, que todas as notas fiscais com indicação “Nota fiscal ou outro documento hábil para comprovação do custo não foi apresentado”, também foram glosadas pelo motivo 6, ou seja, “data da nota fiscal posterior ao encerramento da obra”, de forma que a apresentação do documento fiscal não é suficiente para afastar a glosa. Isso inclui a nota fiscal emitida pela Gerdau Aços Longos, que foi emitida em 29/01/2010 (fl. 4763). Tribunal de Contas de Pernambuco [...]69. Analisandose as provas trazidas pela impugnante, concluise que as glosas merecem reparos. 70. Para essa obra, que teve por objeto a construção do novo prédio sede do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco, houve glosas para os anos calendários de 2006 a 2010, sendo que as dos dois primeiros anos são discutidas no processo n° 10945.721263/2011 19. As glosas são as relacionadas nas planilhas de fls. 1080/1101, com dados das notas fiscais e motivos da glosa, totalizando R$ 723.902,29. 71. As informações foram fornecidas pelo Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco, em resposta ao Ofício nº 09/2011 da EQMAC/DRF/FOZ, pela qual foram solicitados os boletins de medição do material aplicado na obra e planilhas de orçamento de quantitativos e preços unitários. O contribuinte foi intimado a comprovar todos os custos escriturados nas contas “599070001 – Material Bruto”, “599070002 – Material de Acabamento” e “599070003 – Fretes e Carretos”. 72. A fiscalização considerou, com base em informações e documentos apresentados pelo contratante, que a conclusão da obra deuse no final de 2008. Conforme a Comunicação Interna de fls. 1078/1079, a trigésima quinta e última medição da obra (relacionada a NF n° 1326, de 22/12/2008) referese a materiais e serviços executados no período de abril de 2008 a agosto de 2008, período em que a empresa ainda apresentava funcionários de seus quadros na referida obra. Consta também que a quitação destes serviços apenas no mês de dezembro de 2008 foi motivada pela existência de desconformidades na obra. Além disso, em 23/04/2009 foi publicado no Diário Oficial do Estado o décimo termo aditivo ao contrato TC n° 114/2005 (relativo a esta obra), prorrogando o prazo de vigência por mais 06 (seis) meses (período de 13/01/2009 a 12/07/2009), com a justificativa de correções na execução contratual que impediram a formalização do Termo de recebimento Definitivo pelo TCE/PE, cópia à fl. 1.102. 73. Na impugnação, a litigante insiste na tese de que, quanto às despesas utilizadas em outras obras, elas representariam custo ou despesas operacionais, dedutíveis do Fl. 5501DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 22 21 resultado da pessoa jurídica como um todo. Tal argumento somente é aceitável se o contribuinte comprovar a tributação das respectivas receitas, conforme já explicado. 74. A impugnante anexou cópias de notas fiscais das despesas glosadas, que não teriam sido apresentadas à fiscalização, às fls. 4919 e seguintes. Dessa feita, a apresentação do documento torna viável a análise da dedutibilidade, nos casos em que a glosa deuse somente pela falta de apresentação à fiscalização. Por outro lado, verificase que boa parte das notas fiscais apresentadas na impugnação foi glosada por falta de apresentação de documentação acrescida de outros motivos, todos considerados procedentes por esta instância julgadora, o que torna despicienda a apreciação do documento. Temse a seguir a relação das notas fiscais apresentadas, cuja glosa deuse somente pela falta de apresentação, com o resultado da análise por esta instância julgadora: [...]75. Observase, portanto, que nenhuma glosa pôde ser afastada, já que as notas fiscais referemse, ou a serviços prestados em outras obras, ou a fornecedor com endereço incompatível com a localização do Tribunal de Contas de Pernambuco. 76. Rejeito também as alegações de falta de prova da não utilização dos materiais na obra, que resultaria em presunção de infração, ou que o fato de o fornecedor ter endereço incompatível com a localização da obra não poderia justificar a glosa. É que a fiscalização produziu provas robustas que comprovaram que determinados custos não tinham qualquer relação com as obras a eles atribuídas. Foi constatado que grande parte das notas fiscais glosadas para esta obra referiamse a material aplicado na obra de incorporação do Edifício Porto Genova, construída na Avenida Visconde de Guarapuava, nº. 4629, Batel, Curitiba – PR. Tais dados constam no corpo da nota fiscal, no campo “Dados Adicionais ou Informações complementares”, e no verso da nota fiscal com carimbo com a descrição “Porto Genova” e ateste de recebimento. Hospital Infantil de Campo Largo [...]78. Analisandose as provas trazidas pela impugnante, concluise que as glosas merecem reparos. 79. Para essa obra, que teve por objeto a construção do Hospital Regional Infantil no município de Campo Largo, houve glosas para os anos calendários de 2006 a 2009, sendo que as dos dois primeiros anos são discutidas no processo n° 10945.721263/201119. As glosas são as relacionadas nas planilhas de fls. 1673/1744, com dados das notas fiscais e motivos da glosa, totalizando R$ 1.389.199,75. 80. As informações foram fornecidas pela Secretaria de Estado de Obras Públicas do Governo do Estado do Paraná, em resposta ao Ofício nº 22/2011 da EQMAC/DRF/FOZ, pela qual foram solicitados os boletins de medição do material aplicado na obra. O contribuinte foi intimado a comprovar todos os custos escriturados nas contas “711060001 – Serviços de Terceiros – Pessoa Jurídica”, “701070002 – Material de Acabamento” e “711070001 – Material Bruto” e “711070003 – Fretes e Carretos”. 81. Na impugnação, a litigante insiste na tese de que, quanto às despesas utilizadas em outras obras, elas representariam custo ou despesas operacionais, dedutíveis do resultado da pessoa jurídica como um todo. Tal argumento somente é aceitável se o contribuinte comprovar a tributação das respectivas receitas, conforme já explicado. Fl. 5502DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 23 22 82. A impugnante anexou cópias de notas fiscais das despesas glosadas, que não teriam sido apresentadas à fiscalização, às fls. 4950 e seguintes. Dessa feita, a apresentação do documento torna viável a análise da dedutibilidade, nos casos em que a glosa deuse somente pela falta de apresentação à fiscalização. Por outro lado, verificase que boa parte das notas fiscais apresentadas na impugnação foi glosada por falta de apresentação de documentação acrescida de outros motivos, todos considerados procedentes por esta instância julgadora, o que torna despicienda a apreciação do documento. Temse a seguir a relação das notas fiscais apresentadas, cuja glosa deuse somente pela falta de apresentação, com o resultado da análise por esta instância julgadora. 83. Ressalto que, para analisar as notas fiscais juntadas, não senti necessidade de baixar o processo em diligência para pedir colaboração da fiscalização, como havia procedido no processo n° 10945.721263/201119. A fim de afastar eventual reclamo de mudança de critério, justifico que, analisandose os resultados daquela diligência, percebese que as conclusões da autoridade fiscal foram extraídas de informações contidas nas próprias notas fiscais. Sendo assim, e levando em conta que as obras envolvidas nos dois processos são as mesmas, apenas diferindo nos anos calendários fiscalizados, o que fez com que houvesse repetição de fornecedores, considereime apto a apreciar os documentos fiscais. [...]84. Algumas notas fiscais contêm informações que indicam terem sido destinadas às obras do Tribunal de Contas de Pernambuco e da Abyara, como as receitas dessas obras foram oferecidas à tributação, já que são objeto dos presentes lançamentos, entendo que os custos são dedutíveis. Nas demais provas aceitas, não foi observada nenhuma situação de indedutibilidade. Acato, portanto, quatorze notas fiscais, que totalizam R$ 90.004,47, cujas glosas são afastadas, sendo R$ 19.588,48 do primeiro trimestre de 2008, R$ 68.687,99 do segundo trimestre de 2008 e R$ 1.728,00 do terceiro trimestre de 2008. Ao final do presente acórdão demonstramse os valores mantidos nesta decisão. 85. Rejeito também as alegações de falta de prova da não utilização dos materiais na obra, que resultaria em presunção de infração, ou que o fato de o fornecedor ter endereço incompatível com a localização da obra não poderia justificar a glosa. O mesmo critério foi utilizado pela fiscalização nas demais obras, de forma que a reiteração dessa conduta pelo contribuinte somente reforça a conclusão de que os custos glosados não foram aplicados na obra do Hospital de Campo Largo. Hotel das Cataratas [...]87. Analisandose as provas trazidas pela impugnante, concluise que as glosas merecem reparos. 88. Para essa obra, que teve por objeto a reforma do Hotel das Cataratas, houve glosas para os anos calendários de 2008 a 2010. As glosas são as relacionadas nas planilhas de fls. 2481/1496, com dados das notas fiscais e motivos da glosa, totalizando R$ 2.175.652,41. 89. A fiscalização requisitou planilhas de medição, cópias das notas fiscais e demais documentos, junto à empresa contratante da obra de reforma do Hotel das Cataratas, Orient Express Hotels S.A. Foi apurado que os últimos pagamentos relativos à obra de reforma do Hotel das Cataratas ocorreram em outubro de 2010 (fl. 3190). No item 2 da Intimação n° 07/2012, a Jota Ele foi intimada a apresentar todas as notas fiscais de custos, escrituradas nas contas "811060001 Serviços de Terceiros Pessoa Jurídica", "811070001 Material Bruto", "811070002 Material de Acabamento" e "811070003 Fretes e Carretos", alocados na obra de empreitada do hotel das Cataratas, referentes aos anoscalendário de 2008 a 2010. Fl. 5503DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 24 23 90. Na impugnação, a litigante insiste na tese de que, quanto às despesas utilizadas em outras obras, elas representariam custo ou despesas operacionais, dedutíveis do resultado da pessoa jurídica como um todo. Tal argumento somente é aceitável se o contribuinte comprovar a tributação das respectivas receitas, conforme já explicado. 91. A impugnante juntou as notas fiscais não apresentadas à fiscalização, às fls. 5093 e seguintes, e explica que, especificamente com relação às empresas Siderúrgica Norte Brasil S.A. (notas fiscais nos 15.698, 18.577 e 20.732, nos valores de R$ 83.095,43, de R$ 84.032,83 e de R$ 75.978,77, respectivamente) e Gerdau Aços Longos S.A. (nota fiscal n° 246.239, no valor de R$ 75.150,28), muitas vezes as mercadorias foram adquiridas em determinadas épocas para aproveitar condições de negócio e assim elas eram entregues no estabelecimento da impugnante em Cascavel (PR), onde aguardavam determinado período até que fossem encaminhadas para as respectivas obras. 92. Com relação às três notas fiscais mencionadas, emitidas pela Siderúrgica Norte Brasil S.A. e Gerdau Aços Longos S.A, verificase que, em todas elas, a glosa foi motivada pelo fato de o material não constar na planilha de medição, de forma que a explicação dada não convence. Para os demais documentos, sua apresentação torna viável a análise da dedutibilidade, nos casos em que a glosa deuse somente pela falta de apresentação à fiscalização. Por outro lado, verificase que boa parte das notas fiscais apresentadas na impugnação foi glosada por falta de apresentação de documentação acrescida de outros motivos, todos considerados procedentes por esta instância julgadora, o que torna despicienda a apreciação do documento. Temse a seguir a relação das notas fiscais apresentadas, cuja glosa deuse somente pela falta de apresentação, com o resultado da análise por esta instância julgadora. 93. Uma nota fiscal contém informações que indicam ter sido destinada às obras do Tribunal de Contas de Pernambuco. Como as receitas dessas obras foram oferecidas à tributação, já que são objeto dos presentes lançamentos, entendo que o custo é dedutível. Nas demais provas aceitas, não foi observada nenhuma situação de indedutibilidade. Acato, portanto, treze notas fiscais, que totalizam R$ 54.602,89, cujas glosas são afastadas, sendo R$ 4.248,00 do quarto trimestre de 2008, R$ 2.048,96 do primeiro trimestre de 2009, R$ 31.866,69 do segundo trimestre de 2009, R$ 6.781,77 do terceiro trimestre de 2009, R$ 3.165,00 do segundo trimestre de 2010 e R$ 6.492,47 do quarto trimestre de 2010. Ao final do presente acórdão demonstramse os valores mantidos nesta decisão. 94. Rejeito também as alegações de falta de prova da não utilização dos materiais na obra, que resultaria em presunção de infração, ou que o fato de o fornecedor ter endereço incompatível com a localização da obra não poderia justificar a glosa. O mesmo critério foi utilizado pela fiscalização nas demais obras, de forma que a reiteração dessa conduta pelo contribuinte somente reforça a conclusão de que os custos glosados não foram aplicados na obra do Hotel das Cataratas. Abyara [...]96. Analisandose as provas trazidas pela impugnante, concluise que as glosas não merecem reparos. 97. Para essa obra, que teve por objeto construção de empreendimento imobiliário denominado Botânica, conforme contrato de fls. 4231/4261, houve glosas para o ano calendário de 2010. As glosas são as relacionadas nas planilhas de fls. 4229/4230, com dados das notas fiscais e motivos da glosa, totalizando R$ 166.578,29. Fl. 5504DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 25 24 98. Pela Intimação n° 16/2002, item 3, a Jota Ele foi intimada a apresentar os documentos que embasaram os registros contábeis discriminados no anexo II daquela intimação (amostra), relacionados aos valores atribuídos à conta de custos "336010002 Custos Abyara". Da análise das notas fiscais apresentadas, a fiscalização apurou que os custos eram de materiais aplicados em outras obras da empresa ou na construção da residência do sócio. 99. Na impugnação, a litigante insiste na tese de que, quanto às despesas utilizadas em outras obras, elas representariam custo ou despesas operacionais, dedutíveis do resultado da pessoa jurídica como um todo. Tal argumento somente é aceitável se o contribuinte comprovar a tributação das respectivas receitas, conforme já explicado. 100. Rejeito também as alegações de falta de prova da não utilização dos materiais na obra, que resultaria em presunção de infração, ou que o fato de o fornecedor ter endereço incompatível com a localização da obra não poderia justificar a glosa. O mesmo critério foi utilizado pela fiscalização nas demais obras, de forma que a reiteração dessa conduta pelo contribuinte somente reforça a conclusão de que os custos glosados não foram aplicados na obra do Hotel das Cataratas. [...]O tópico seguinte enfrentado pela decisão recorrida relacionouse à imputação de “Redução indevida do lucro real. Contrato Unifesp. Item 7.1 do TVF. Ano calendário 2010”, e assim se manifestou o aresto impugnado: [...]103. No presente tópico, analiso a infração de redução indevida do lucro real, contida no item 7.1 do TVF. A irregularidade foi identificada a partir da análise da escrituração das receitas decorrentes de contrato de empreitada firmado entre a fiscalizada e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A fiscalização apurou inexatidões quanto ao período de apuração de escrituração dessas receitas, situação esta que autoriza o lançamento, caso haja redução indevida do lucro real, nos termos do art. 273 do RIR/99: [...]104. O tratamento tributário dos contratos de empreitada, com duração superior a um ano, é disciplinado no art. 407 do RIR/99, que determina que, para efeito do cálculo dos resultados, em cada período de apuração, as receitas serão computadas mediante aplicação de percentual sobre o preço total. Essa percentagem pode ser fixada segundo dois critérios: i) relação entre os custos incorridos no período e o custo total; ii) pelo progresso físico, com base em laudo técnico especializado. [...]106. A fiscalização observou que a empresa Jota Ele, no que toca à emissão de notas fiscais, adota o critério da medição, que leva em conta o progresso físico da obra. Por outro lado, para o reconhecimento de receitas, o contribuinte adota o critério da proporção de custos, ou seja, a relação entre o custo incorrido e o custo orçado. Essa divergência foi acatada pela fiscalização, diante da inexistência de vedação legal. Contabilmente, a emissão de cada nota fiscal era registrada por lançamentos do seguinte tipo: Débito – Clientes (conta do ativo) Crédito – Receitas Diferidas de Obras por Empreitadas – REF Resultado de Exercícios Futuros (conta patrimonial) 107. E o reconhecimento das receitas era contabilizado mediante o seguinte tipo de lançamento: Fl. 5505DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 26 25 Débito – Receitas Diferidas de Obras por Empreitadas – REF Resultado de Exercícios Futuros (conta patrimonial) Crédito – Receitas de Obras por Empreitadas (conta de resultado) 108. A inexatidão detectada, que provocou redução indevida do lucro real no período 2010, consistiu no fato de que parte das receitas foram escrituradas em anos calendários posteriores ao encerramento das obras, o que caracteriza inobservância ao regime de competência no reconhecimento das receitas. 109. A irregularidade foi constatada no contrato de empreitada por preço global, às fls. 408/432, firmado em 27/08/2004, com a Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, para construção do edifício acadêmico II, situado na Rua Pedro de Toledo, nº. 663/669/975, Vila Clementino, São Paulo. O valor global contratado foi de R$ 18.950.503,14, com previsão de reajuste das parcelas de serviços contratadas e ainda não executadas após 12 meses da assinatura do contrato, com base no INCC – Índice Nacional da Construção Civil. Em 06/12/2004 foi acrescentado um aditivo com disposição do prazo de execução para o máximo de 18 meses a contar de 20 de janeiro de 2005. 110. Pelos termos de intimação EQMAC nº 11/2011 e 24/2011, às fls. 405/407, a auditora fiscal solicitou à Universidade Federal de São Paulo que apresentasse os boletins de medição que continham informações do material aplicado na obra, a partir do anocalendário de 2006 até sua conclusão e informasse a data da conclusão da execução do Edifício Acadêmico II, apresentando cópia do Termo de Recebimento final. 111. A partir das informações prestadas pelo contratante, a fiscalização apurou que, em 16/11/2009, a empresa Jota Ele Construções Civis Ltda, mediante o Ofício Reitoria n° 583/09 (fls. 433/434), tomou ciência da notificação para o encerramento dos trabalhos no imóvel e retirada dos materiais, equipamentos e pessoal contratado pela construtora, tendo em vista a expiração do prazo final e a falta de conclusão do objeto contratado. Analisandose o documento mencionado, verificase que se tratou de comunicação de rescisão contratual, dada nos seguintes termos: [...]113. Diante dessas provas, a fiscalização concluiu que a obra foi dada por encerrada pela UNIFESP em janeiro de 2010, que o contrato foi rescindido, e que as notas fiscais emitidas pela empresa a partir desta data referiamse a medições que ficaram pendentes. Corrobora essa constatação a empresa ter atribuído, no anocalendário de 2009, um custo de R$ 968.132,78 e não ter feito nenhuma medição, ou pelo menos, não ter emitido nenhuma nota fiscal no ano de 2009, conforme planilha de fls. 442/443. 114. Apesar de o encerramento ter ocorrido em janeiro de 2010, a fiscalizada manteve saldo de R$ 2.280.206,89 na conta de Receitas Diferidas, pertencente ao grupo do passivo, conforme fl. 2480 e o razão correspondente às notas fiscais emitidas em 2010. Restou verificado que, do total de Receitas Diferidas desta obra encerrada em 2010, somente o valor de R$ 665.077,54 foi reconhecido como receita no ano de 2011, conforme balancete de fl. 4266. 115. Em face dessas constatações, não havia outra alternativa à fiscalização, senão considerar como inexatidão o valor R$ 665.077,54, a título de receitas reconhecidas indevidamente no ano calendário de 2011, e adicionálo ao resultado tributável do ano calendário de 2010, na forma de ajuste. Quanto ao saldo resultante da diferença das notas Fl. 5506DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 27 26 fiscais emitidas e a receita reconhecida (R$ 2.280.206,89 – 665.077,54 = R$ 1.615.129,35), a Jota Ele anulouo mediante baixa de saldo por não recebimento das notas fiscais, conforme extrato do razão da conta receitas diferidas, à fl. 4264. Logo, como tais receitas não transitaram por conta de resultado, restou configurada a omissão de receitas. 116. Na impugnação, a litigante alega que: i) a obra teve diversos percalços, conforme manifestações do Departamento de Engenharia e Infra Estrutura da Universidade em 24/09/2009 e em 23/07/2009, da Advocacia Geral da União em 25/08/2009 e em 29/07/2009 e do ProcuradorChefe da UNIFESP em 24/08/2009, além de aditivos contratuais firmados em 28/07/2009 e em 27/07/2007 (fls. 5147/5163); ii) é incontroverso que o instrumento de rescisão contratual enviado pela UNIFESP para a impugnante data de 06/11/2009; iii) a obra não foi concluída e a UNIFESP, inclusive, deixou de pagar para a impugnante o valor de R$ 1.615.129,35, valor este considerado como omissão de receita pela fiscalização; iv) se o encerramento da obra deuse no anocalendário 2009, a tributação deveria ocorrer naquele ano e não em 2010. 117. Os três primeiros argumentos levantados são impertinentes. De acordo com o art. 273 do RIR/99, acima transcrito, a infração resta caracterizada diante de inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, sempre que se provoque redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. Ora, foi exatamente o que ocorreu no caso, já que a empresa reconheceu R$ 665.077,54, a título de receitas, indevidamente em 2011, resultando em redução indevida do lucro real no período em que houve o auferimento do rendimento, sendo totalmente irrelevantes os eventuais percalços contratuais sofridos pela fiscalizada na execução da obra. 118. Quanto ao quarto argumento, apesar de a comunicação da rescisão da obrar ter ocorrido no final de 2009, a fiscalização considerou que o encerramento da obra ocorreu em janeiro de 2010, em função do mediante o Ofício n. 003/2010, pelo qual a empresa foi notificada providenciar a retirada dos restantes dos materiais e equipamentos, que data de 11/01/2010. Além disso, ainda que se entenda que o encerramento tivesse ocorrido em 2009, a circunstância de a fiscalização ter apurado a infração para o ano de 2010 foi favorável ao contribuinte, de sorte que, quanto a esta reclamação, falta o requisito do interesse processual no pedido, que, a rigor, sequer mereceria ser conhecido. 119. Por todo o exposto, julgo corretas as exigências de IRPJ decorrentes da redução indevida, cujos fundamentos se estendem às exigências da CSLL, já que são oriundas dos mesmos fatos. [...]O item seguinte enfrentado pela decisão recorrida referiuse à imputação de “Omissão de receitas de vendas e serviços. Contrato Unifesp. Item 7.1 do TVF. Ano calendário 2010”, manifestandose em termos que se reproduz dada a pertinência: [...]121. A análise do caso revela que os argumentos da impugnante são insubsistentes. 122. A omissão de receitas decorreu do contrato firmado entre a Jota Ele e a Unifesp, já explicado no item anterior. Foi apurado que o saldo da diferença das notas fiscais emitidas (R$ 2.280.206,89) e a receita reconhecida (R$ 2.280.206,89), que resultou em R$ 1.615.129,35, foi anulado pela empresa mediante baixa de saldo por não recebimento das notas fiscais, conforme extrato do razão da conta receitas diferidas, à fl. 4264, em que constam os seguintes lançamentos contábeis datados de 31/01/2011: Fl. 5507DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 28 27 • Débito – Receitas Diferidas (conta n° 241010014) Crédito – Unifesp (conta n° 112040004) ..................................R$ 140.032,13 Histórico: Vlr Baixa p/Nao Recebimento da NF.1354de 04/12/2008 – Que ora Regularizamos • Débito – Receitas Diferidas (conta n° 241010014) Crédito – Unifesp (conta n° 112040004) ...............................R$ 1.475.097,22 Histórico: Vlr Baixa p/ Nao Pagto das NFs. 1656/1657/1659/1660/1661/1663/1664/1665/1666/1667 123. Assim procedendo, a empresa anulou o lançamento contábil anterior, quando da emissão da correspondente nota fiscal, conforme explicado no item anterior, em que havia: Débito de Clientes, contra Crédito de REF. Ocorre que essa não é a forma correta de contabilizar a suposta perda no recebimento do crédito. 124. Na impugnação, o contribuinte alega que, em caso de contratos de empreitada firmados com órgãos governamentais, podese diferir a tributação de receitas até o momento de seu efetivo recebimento, conforme artigo 409, incisos I e II, do RIR/99, e Instrução Normativa SRF n° 21/1979, item 10. Na realidade, não são as receitas que podem ser diferidas, mas o lucro dessas receitas não recebidas, conforme os dispositivos citados: [...]125. Além disso, as parcelas do lucro diferidas devem ser controladas no Lalur, tanto no momento da exclusão, quanto no período de realização deste lucro (recebimento da receita), de acordo com os sucessivos preceitos da IN SRF n° 21/1979: [...]126. No caso, não consta, nos autos, que a fiscalizada tenha efetuado tais controles. Na realidade, os lançamentos escriturados pela empresa não possuem respaldo nas regras contábeis. Uma vez emitida a nota fiscal, o contribuinte reconhece que auferiu receitas, de forma que, não sendo caso de nota fiscal cancelada, esses rendimentos devem ser tributados, sendo que, na situação concreta, o máximo que a legislação permite é o diferimento do lucro da parcela dessas receitas que ainda não tenham sido recebidas. Não há diferimento de receitas, mas sim de lucros. Ainda assim, os lançamentos contábeis feitos pelo contribuinte, na prática, não caracterizam diferimento de receitas, mas uma verdadeira anulação delas, já que somente desfizeram os lançamentos originais, quando da emissão das notas. 127. Oportuno registrar que o contribuinte é reincidente na prática de “cancelar” receitas, conforme relatou a auditor fiscal, à fl. 4330, que assim se pronunciou acerca de outra obra, que não foi objeto de lançamento, talvez pelo transcurso da decadência: [...]128. Quando o contribuinte sofre perdas no recebimento de créditos junto a seus clientes, a legislação autoriza a dedução, sob a forma de despesa, a qual, para ser dedutível, deve atender aos requisitos previstos no art. 340 do RIR/99, em função da natureza da dívida, da situação do devedor, do valor do crédito, da existência de garantias e do tempo de vencimento: [...]129. Ademais, o contribuinte, ao alegar que não recebeu os valores correspondentes às referidas notas fiscais por ele emitidas, sugere que estaria em litígio com o Unifesp, o que demandaria processo judicial contra o contratante. No caso, eventual ação judicial de autoria da Jota Ele contra a Unifesp, levando em consideração a presença de autarquia federal, conforme contrato à fl. 408, deveria ser proposta na Justiça Federal do foro da sede do órgão público, nos termos do art. 100, IV, “a” e “b” do CPC; ou então, caso se entenda que o litígio fosse contra a União, o foro competente seria o do domicílio do autor, o Fl. 5508DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 29 28 do lugar do fato, ou no Distrito Federal, de acordo com a regra do art. 109, §2° da Constituição Federal. Entretanto, em pesquisa efetuada nos sites do TRF1, TRF3 e TRF4, não foi encontrada nenhuma ação judicial tendo como autor a Jota Ele, CNPJ 77.591.402/000132, e como réu a Unifesp. Tal constatação enfraquece a tese sustentada pela impugnante, de que teria sofrido perda no recebimento do crédito, sobretudo quando se verifica que ela sequer cogitou de explicar de que forma teria agido para recuperar o alegado prejuízo. Não se concebe que, diante de uma suposta inadimplência de R$ 1.615.129,35, o credor não tenha, no mínimo, protestado pelo recebimento de seu crédito. [...]131. Por todo o exposto, julgo corretos os lançamentos de IRPJ decorrentes da omissão de receitas, cujos fundamentos se estendem às exigências do PIS, Cofins e CSLL, já que são oriundas dos mesmos fatos. Redução indevida do lucro real. Obra de reforma do Hotel Cataratas. Item 7.2 do TVF. Anos calendários 2008 e 2009. [...]133. O exame da matéria indica que as exigências são procedentes. 134. No presente tópico, analisase a infração de redução indevida do lucro real contida no item 7.2 do TVF. A irregularidade foi constatada em auditoria do contrato de prestação de serviço firmado em 02/06/2008, às fls. 2847/2896, com a empresa Orient Express Hotels Brasil S/A (OEHB) para a reforma do Anexo 2 do Hotel das Cataratas, localizado no Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu/PR. Foi estabelecido o valor de R$ 8.650.000,00 para a reforma dos 77 apartamentos, sendo 70% referente a material e 30% a mão de obra, com preço fixo e não reajustável, e prazo para conclusão em 30/12/2008. 135. A autoridade fiscal constatou que, no período de 2008 a 2010, as notas fiscais emitidas pela fiscalizada para as obras de reforma no Hotel das Cataratas totalizam R$ 34.600.785,54, e as receitas escrituradas para fins de tributação, no mesmo período, correspondiam a R$ 27.943.446,99, resultando, portanto, ao final de 2010, um saldo de R$ 6.657.338,67 de receitas diferidas escrituradas na conta “2.4.101.0060 – Hotel das Cataratas” do grupo de Resultado de Exercícios Futuros, conforme cópia do balancete à fl. 2833. 136. Diante da elevada discrepância entre o preço contratado (R$ 8.650.000,00) e o valor total das notas fiscais emitidas (R$ 34.600.785,66), e da emissão de notas em períodos posteriores ao previsto inicialmente, a empresa foi intimada a prestar esclarecimentos, pelo Termo de Intimação Fiscal nº 14/2011, de 28/09/2011, às fls. 226/ 238. A auditora fiscal relata que o contribuinte apresentou documentos denominados Autorização de Fornecimento (AF), que discriminavam os serviços e os valores autorizados pela contratante OEHB, mas não informavam o prazo de execução e não tinha o efeito de aditivos contratuais. Também foram apresentados mapas de apropriação de receitas referentes aos serviços de reforma do hotel (fls. 2906/ 2907), em que se observa que o valor contratado, inicialmente em R$ 8,5 milhões, em junho/2008, passou a R$ 34 milhões em dezembro/2010. 137. A partir de dados obtidos de diligências na empresa contratante, Orient Express Hotel Brasil S/A, a fiscalização apurou que outras partes do hotel (Prédio Principal, Anexo 1, Churrascaria e Piscina, Ar Condicionado e Prédio Ala Norte) foram reformadas, por meio de aditivos ao contrato original, com ajustes no valor global, bem como no prazo de execução e que o referido contrato teria sido estendido para mais de doze meses, o que configuraria um contrato de longo prazo. Fl. 5509DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 30 29 138. Foi verificado na contabilidade do contribuinte que o total de custos alocados nesta obra, desde o seu início até final de 2010, foi de R$ 24.889.657,08 (fl. 2846), sendo que R$ 2.175.652,41 foram glosados pela fiscalização, conforme já analisado no item anterior. Os custos comprovados para o total da obra, portanto, resultou em R$ 22.714.004,67, valor este que contrasta com os custos orçados de R$ 30.773.912,68, utilizados nos cálculos que determinaram as receitas tributáveis em cada períodobase. 139. Diante dessas divergências, o contribuinte foi intimado, pela Intimação nº 18/2012, a comprovar o custo orçado, mediante a apresentação da relação detalhada das quantidades e dos valores unitários dos custos de cada material e mão de obra previstos em cada etapa e item do objeto do contrato dessa obra. A partir do orçamento apresentado, às fls. 3138/3181, a autuante constatou absoluta incoerência e incompatibilidade nos valores que o compõe, assim classificadas: a) discrepância dos custos unitários para os mesmos itens (mesmo produto, inclusive modelo) nas diferentes áreas do hotel; b) valor dos itens orçados substancialmente acima dos custos efetivos; c) valor do custo orçado acima do preço cobrado do contratante, conforme análise das planilhas de medição apresentadas pelo contratante em procedimento de circularização. 140. Para dar sustentação às discrepâncias dos custos unitários, a autoridade fiscal detectou grande variação nos valores que compõe o orçamento, tomados como exemplo: “bacia com caixa acoplada branca” (vaso sanitário); “ducha higiênica acabamento cromado” (modelo Belle Epoque tradicional); “cuba de embutir oval branco”, “chuveiro cromado” e “misturador monocomando cromado” (misturador lavatório bica média Belle Epoque tradicional), com o seguinte detalhamento: • bacia com caixa acoplada branca: os itens variam de R$ 173,60 a R$ 1.172,43, sendo que esses materiais foram adquiridos no inicio da obra, em 21/07/2008, pelo valor de R$ 302,27; • cuba de embutir oval branco: itens variando entre R$ 86,67 a R$ 160,32, sendo que foram adquiridos por R$ 18,65; • ducha higiênica acabamento cromado: itens variando entre R$ 55,04 a R$ 325,88, sendo que foram adquiridos por R$ 144,37; • misturador monocomando cromado: itens variando entre R$ 60,55 a R$ 766,83, sendo que foram adquiridos por R$ 375,45; • chuveiro cromado: itens variando entre R$ 20,18 a R$ 571,53. 141. Para justificar que houve “Valor dos itens orçados substancialmente acima dos custos efetivos”, a fiscalização observou que, em muitas situações, o valor orçado supera em até 900% o custo efetivo utilizado, mesmo em se tratando de valores unitários aplicados para um mesmo produto e modelo. No TVF, são descritas constatações dessa natureza na reforma do Anexo II e na área da piscina e churrasqueira. Quanto ao critério “Valor do custo orçado acima do preço cobrado para a contratante”, a fiscalização elaborou planilhas demonstrando tal assertiva. O “custo orçado” foi apresentado pelo contribuinte e os “preços cobrados da contratante” foram extraídos das planilhas de medição, apresentadas pela empresa Orient Express Hotels S.A., as quais contém as informações do total previsto e aplicado em cada medição para a emissão das notas fiscais e os respectivos pagamentos. 142. Por reiteradas vezes, o contribuinte foi intimado a apresentar a comprovação dos custos que, segundo ele próprio, estariam pendentes, conforme item 2 da Intimação nº 18/2012 (fls. 292/304), item 03 da intimação nº 20/2012 (fls. 395/399) e item 1 da Intimação nº 22/2012 (fls; 401/402). Não houve resposta para as duas primeiras tentativas. Na terceira, a fiscalizada declarou que: “Em relação ao Item 01 Conforme já informado anteriormente a Obra do Hotel das Cataratas foi concluída em Março/2011. No ano de 2011 ainda houve aplicação de R$ 503.974,72 de custo com mão de Obra e materiais de Fl. 5510DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 31 30 acabamento, relacionados na Planilha de Orçamento Geral da Obra, já entregues a fiscalização". 143. Diante dessa resposta nada esclarecedora, e das constatações realizadas, a fiscalização concluiu que o orçamento apresentado foi elaborado com a finalidade de justificar a distorção existente entre as notas fiscais emitidas para a obra e a receita reconhecida para fins tributários, possibilitando a prática da postergação de receitas. Tanto assim que no ano em que a obra foi concluída, permaneceu um saldo de Receitas diferidas de R$ 6.657.338,67, montante este que representa a diferença de notas fiscais já emitidas para a obra e o valor de receitas reconhecidas para fins tributários. 144. Com a rejeição do custo orçado, a fiscalização procedeu a um novo critério de reconhecimento de receitas. Convém repisar que, de acordo com o art. 407 do RIR/99 e Instrução Normativa SRF n° 21, de 13 de março de 1979, já comentados, as receitas poderão ser computadas mediante aplicação de percentual sobre o preço total. Essa percentagem pode ser fixada segundo dois critérios: i) relação entre os custos incorridos no período e o custo total estimado; ii) pelo progresso físico, com base em laudo técnico especializado. 145. A autuante abandonou o primeiro critério, que havia sido adotado pela fiscalizada, e utilizou o segundo, recalculando as receitas de cada período de apuração com base nas medições efetuadas pela própria Jota Ele, com os seguintes ajustes: a) a distribuição de 30% de mão de obra e 70% de material, descrita no corpo na nota fiscal, foi efetuada somente para fins de apuração do ISS e INSS que devem sofrer retenção sobre a parcela correspondente à mão de obra; b) as notas fiscais relativas a “adiantamentos” ou “entrada”, emitidas no início de cada etapa, não foram consideradas na apuração, assim como as notas fiscais relativas à liberação contratual também não foram consideradas, pois estes valores estão inseridos nas planilhas de medição; c) para as notas fiscais emitidas correspondentes a serviços extras, para as quais não há planilha de medição, até porque como o próprio diz são “extras”, foi considerado o valor total da nota, tendo em vista que também não sofreram retenção, pois estão fora do contrato. Estas notas foram computadas no período de apuração em que foram emitidas. 146. Foram elaborados demonstrativos de apuração das receitas com base na medição, relativos aos anos de 2008 a 2010, às fls. 2836/2841, conforme consolidação a seguir. A fiscalização ajustou o lucro líquido do período, mediante adições e exclusões aos resultados tributáveis dos períodos de apuração compreendidos de janeiro de 2008 a dezembro de 2010, de forma que as receitas diferidas, na nova apuração efetuada pela fiscalização, foram tratadas como redução indevida do lucro. 147. Na peça impugnatória, a reclamante defende que a adoção de um dos critérios estabelecidos no inciso I ou no inciso II do item 5 da Instrução Normativa SRF n° 21/79 seria opção da pessoa jurídica e não da fiscalização. Argumenta que a fiscalização declarou que estava de acordo com a sistemática adotada pelo contribuinte, mas acabou aceitando tal critério apenas para a obra da Unifesp. Alega que a agente autuante não teria o poder de alterar o critério escolhido pela pessoa jurídica, pois a legislação não lhe daria esta liberdade, conforme o artigo 851 do RIR/99. 148. São infundadas as reclamações. É certo que o art. 407 do RIR/99 e Instrução Normativa SRF n° 21/1979, oferecem duas opções ao contribuinte, conforme já comentado. No caso, no que se refere ao reconhecimento de receitas, a Jota Ele optou pelo critério da proporção de custos (relação entre o custo incorrido e o custo orçado). Entretanto, é Fl. 5511DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 32 31 razoável afirmar que o fisco não está obrigado a aceitar procedimento adotado pelo contribuinte que, comprovadamente, foi elaborado utilizando valores de custos inconsistentes e que resultou em reconhecimento de receitas nitidamente inferiores ao total de notas fiscais por ele emitidas. A possibilidade de escolha por um dos dois critérios não foi posta à disposição do contribuinte para eleger o método que redunde na menor receita auferida, considerando todos os períodos de duração da obra. A opção oferecida serve para a empresa distribuir o reconhecimento de receitas da forma que melhor lhe convenha, ao longo dos períodos, mas é evidente que, ao final da obra, o total de receitas reconhecidas deve ser o mesmo, qualquer que seja o critério. 149. Entendo também que não seria razoável exigir que a fiscalização insistisse no critério eleito pela empresa, baseado na relação entre custos incorridos e custo orçado, eis que este último era desconhecido da autoridade fiscal. Na auditoria foi possível constatar que o custo orçado era irreal, pela presença de uma série de inconsistências, já descritas anteriormente. Mas entendo que não seria possível obter qual seria o valor adequado da estimativa de custo da obra, pela complexidade de itens, pela falta de informações e pela ausência de colaboração por parte do contribuinte. Assim, entendo que agiu corretamente a autoridade fiscal, ao apurar o reconhecimento de receitas pelo método da medição, que, aliás, foi adotado pela empresa para emissão de notas fiscais. 150. Quanto à aceitação do critério para a obra da Unifesp, não há qualquer contradição, já que naquela obra não se verificou a mesma discrepância observada aqui. A propósito da alegada inobservância da regra estabelecida pelo art. 851 do RIR/99, temse que o dispositivo não incide no caso, já que cuida de matéria específica, relativa a tributação de juros dissimulados. 151. A litigante acrescenta que a obra só foi encerrada em março de 2011, conforme aditivos contratuais anexados, e que, em razão deste fato e seguindo os critérios permitidos pela Instrução Normativa SRF n° 21/1979, ofereceu à tributação, no anocalendário 2011, o valor de R$ 6.940.272.7411. Explica que teve despesas com esta obra no ano de 2011, e recebeu créditos em 2011. E que, em planilha anexada, estão expressos os custos incorridos, o custo orçado, a receita do períodobase e o resultado computável na determinação do lucro líquido. 152. A justificativa não convence. A fiscalização descreve, no TFV, à fl. 4327, que as notas emitidas em 2011 referemse à liberação de garantia contratual, ou seja, quando efetuadas as medições desde o início da obra, na emissão da nota fiscal era descontado dez por cento do valor da medição a título de garantia contratual, a qual somente era liberada na conclusão de cada etapa. E concluiu, com base nas informações obtidas da contratante, que as eventuais pendências referiamse a “retrabalho” e ajustes necessários para melhorar o desempenho da instalação do ar condicionado. 153. Por todo o exposto, julgo corretas as exigências de IRPJ, assim como as de CSLL, já que decorrem dos mesmos fatos. [...]O próximo tópico enfrentado pela decisão recorrida foi relativo à glosa de “Redução indevida do lucro real. Outros bens de terceiros. Item 7.3 do TVF. Anos calendários 2008 e 2009”, manifestandose em termos que merecem reprise: 155. A análise do caso revela que o lançamento não procede. Fl. 5512DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 33 32 156. No presente tópico, analisase a infração de redução indevida do lucroreal contida no item 7.3 do TVF. A irregularidade foi constatada em auditoria empreendida sobre receitas de venda de bens adquiridos de terceiros. 157. Foi constatado que a empresa contabiliza em dois grupos de contas de estoques: “Terrenos a Comercializar” e “Imóveis Usados Adquiridos de Terceiros”, imóveis recebidos em permuta na alienação de unidades de incorporação imobiliária ou em dação em pagamento. A fiscalização apurou que as receitas referentes às vendas desses imóveis eram reconhecidas pelo regime de caixa, e que seus custos eram atualizados no momento da venda. Assim, o contribuinte foi intimado, pela Intimação nº 09/2012, às fls. 273/274, a se pronunciar a respeito. 158. Na resposta, à fl. 275/276, a fiscalizada declarou que: “em relação aos imóveis de terceiros, são reconhecidas as receitas no momento do pagamento de cada parcela, seu custo foi atualizado na mesma proporção da correção de cada contrato, havendo um reflexo de variação monetária ativa na demonstração do resultado de cada período, ou seja, gerando uma receita financeira”. 159. A autoridade fiscal entendeu que a prática adotada pelo contribuinte não tem respaldo legal, sob a justificativa de que os imóveis não eram objeto de obra de incorporação da empresa, mas imóveis adquiridos de terceiros, os quais devem ter suas receitas reconhecidas no momento da venda. Assim, a autuante procedeu ao recálculo do resultado tributável em cada período de apuração com base no regime de competência e elaborou a planilha intitulada “Apuração do resultado da revenda de imóveis adquiridos de terceiros pelo regime de competência e ajustes em cada período de apuração”, às fls. 3820/3821. Os ajustes foram adicionados ou excluídos ao resultado tributável em cada período base correspondente, conforme a tabela a seguir: [...]160. Na peça de defesa, a impugnante questiona o fato de a fiscalização ter efetuado lançamentos em dois processos distintos para o mesmo ano calendário de 2007, o que configuraria alteração de critério jurídico, vedado pelo art. 146 do CTN. No entanto, entendo que a existência de um segundo processo administrativo exigindose tributos de período já lançado em processo anterior não significa que o fisco altera o critério jurídico, nos termos tratados pelo art. 146 do CTN, abaixo copiado: [...]161. Dado que os atos administrativos são pautados pelo princípio da legalidade, por critério jurídico há que se compreender como determinada posição assumida pela autoridade administrativa passível de ser alterada de forma razoável, e autorizada pelo próprio ordenamento jurídico. Nesse sentido, segundo a melhor doutrina, uma primeira possibilidade de mudança de critério jurídico ocorre no âmbito da interpretação de determinada norma jurídica, quando a autoridade administrativa decide abandonar um entendimento e passa a adotar outro. Ou ainda, quando a própria lei confere ao aplicador da norma a faculdade de escolha de um entre vários elementos de fato na apuração do tributo devido. São essas as ideias apresentadas por Hugo de Brito MACHADO, em sua obra Comentários ao Código Tributário Nacional, vol III. São Paulo: Atlas, 2005, p. 125: [...]162. Assim entendido, não há que se cogitar que a autoridade fiscal tenha mudado qualquer critério jurídico ao encerrar o processo n° 10945.721263/201119 e iniciar o presente. O que sucedeu foi a identificação de novas infrações, praticadas no ano calendário 2007, que não haviam sido detectadas no desenrolar do primeiro processo. A fiscalização não alterou nenhum critério, seja de direito, seja de fato, até porque a matéria fática apurada nesses novos lançamentos, bem como as normas jurídicas Fl. 5513DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 34 33 aplicáveis, sequer foram apreciadas no processo anterior. Além disso, ambos os autos de infração foram lavrados no mesmo procedimento fiscal, sob o mesmo MPF, o qual somente foi encerrado com a constituição do segundo lançamento. Sendo assim, nem seria o caso de eventual invocação ao art. 906 do RIR/99, que prescreve a autorização do Delegado, eis que não se trata de reexame de período já fiscalizado, mas de simples prosseguimento da ação fiscal que continuava pendente. 163. Prosseguindo em sua defesa, o contribuinte indica que, embora a autoridade lançadora afirme que o procedimento adotado pela impugnante (de tributar as receitas em apreço pelo regime de caixa) não tenha respaldo legal, deixou de indicar em qual norma está fundamentado o seu posicionamento. Sustenta que não há amparo legal para o lançamento, pois a empresa agiu de acordo com a regra prevista no artigo 413 do RIR/99, sendo que a lei não faz nenhuma distinção quanto a imóveis próprios ou adquiridos de terceiros e não cabe ao intérprete fazêla. 164. Nessa controvérsia, entendo que a razão está do lado do contribuinte. O dispositivo que rege a matéria é o art. 413, que, de fato, não estabelece nenhuma restrição ou condicionamento quanto ao tipo de imóvel. Esse artigo deve ser lido em conjunto com os demais que compõem a seção X do RIR/99, que regulamenta a tributação do IRPJ sobre as atividades imobiliárias. O próprio título já indica que a disciplina não é restrita a imóveis incorporados: “Compra e Venda, Loteamento, Incorporação e Construção de Imóveis Determinação do Custo”. O art. 410 define regra de escrituração contábil, que alcança expressamente os imóveis adquiridos para venda. Assim, visto em seu conjunto, não se pode afirmar que os dispositivos legais incidam apenas para os casos de incorporação. [...]168. Por todo o exposto, entendo que deve ser cancelado o lançamento do presente item. No final do voto demonstramse os valores mantidos neste acórdão. Na sequência, a decisão recorrida manifestouse acerca da “Glosa de custos. Apartamentos edifício Country Ville. Item 8 do TVF. Ano calendário 2010” e “Glosa de despesas financeiras não necessárias. Item 9 do TVF. Anos calendários 2007 a 2010”, fazendo o nos seguintes termos: [...]169. No presente tópico, analisase a infração de glosa de custos contida no item 8 do TVF. A irregularidade foi constatada em auditoria empreendida sobre receitas de venda de apartamentos do edifício Country Ville. 170. Apesar de não constar impugnação específica para este item, convém mencionar que a glosa é procedente. 171. Foi verificado que, em 2006 a fiscalizada adquiriu, pelo valor unitário de R$ 85.998,00, os apartamentos nº 301, 702, 1001 e 1002 do edifício Country Ville, construído pela Jota Ele, de Mohamad Majeid Bachir Fawakhir, que era proprietário desses imóveis, em face da permuta efetuada com o terreno no qual foi construído o edifício. A fiscalização constatou que esses apartamentos, indevidamente, voltaram a compor os mapas de rateio da obra de incorporação do Edifício Country Ville, e receberam o tratamento tributário de reconhecimento de receitas e custos pelo regime de caixa como se fossem da obra de incorporação. 172. A autoridade fiscal relata que, em 04/04/2006, a empresa deu entrada no estoque, no grupo de “Imóveis usados adquiridos de Terceiros”, pelo valor unitário de R$ Fl. 5514DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 35 34 85.998,00, conforme balancete do grupo de contas, à fl 4269, e manteve o registro em estoque até o ano de 2010, quando deu baixa do estoque de 02 unidades, entre elas o apartamento nº 1002. Para a baixa do estoque dessa unidade, foi efetuado um lançamento, em 28/02/2010, a débito da conta de custos “331010013 – Outros Bens de Terceiros” e a crédito da conta de estoques “113010211 – Apto 1002 – Ed C.Villec198,22”, no valor de R$ 85.998,00, conforme cópia do diário, à fl. 4267. 173. A autoridade detectou, no entanto, que a alienação do apto 1002 havia ocorrido em 10/10/2008, pelo valor de R$ 200.000,00, sendo que o registro contábil da operação deuse da mesma forma dos imóveis de incorporação, ou seja, a débito de conta do ativo de promitentes compradores de imóveis, e a crédito de conta de receitas diferidas para venda imóveis, no valor de 200.000,00. À medida que a empresa recebia as parcelas das vendas deste imóvel, apropriava, juntamente com os recebimentos de outras unidades do mesmo edifício, a receita e os custos proporcionalmente às parcelas recebidas. Assim procedendo, a empresa apropriou as receitas e os custos correspondentes pelo regime de caixa, no valor de R$ 119.946,01 (custo corrigido), pro rata. 174. Assim se o custo do imóvel já havia sido apropriado ao resultado, a autoridade fiscal concluiu que foi indevida a nova atribuição do custo R$ 85.998,00, ao resultado de 2010, o que motivou a glosa. Glosa de despesas financeiras não necessárias. Item 9 do TVF. Anos calendários 2007 a 2010. [...]176. São insubsistentes as alegações do contribuinte. 177. No presente tópico, analisase a infração de glosa de despesas financeiras não necessárias, contida no item 9 do TVF. A irregularidade foi constatada em auditoria empreendida sobre despesas financeiras correspondentes a juros pagos sobre empréstimos e financiamentos tomados de diversas instituições financeiras por meio de contas garantidas e operações de vendor e compror, bem como despesas financeiras correspondentes aos valores de IOF incidentes sobre tais operações. 178. A fiscalização constatou que parte desses valores tomados das instituições financeiras foi repassada às pessoas físicas do quadro societário da empresa fiscalizada, sem a cobrança de quaisquer encargos financeiros (juros ativos). Desse modo, a autoridade fiscal concluiu que essa parte dos encargos financeiros (juros passivos + IOF) decorrentes dos empréstimos tomados e repassados aos sócios, pessoas físicas, não poderia ser deduzida da apuração do lucro real, uma vez que tais repasses configuraramse mera liberalidade da pessoa jurídica. 179. Restou verificado que os repasses aos sócios eram contabilizados em contas do ativo, referentes a empréstimos, com movimentação nos anos calendários de 2007, 2008, 2009 e 2010, conforme razão de fls. 3838/3845. 180. Pelo Termo de Intimação nº 26/2011, às fls. 256/258, a fiscalizada foi intimada a esclarecer as operações e apresentar os contratos de empréstimos efetuados aos sócios. Na resposta, à fl. 259, o contribuinte declarou que não foram firmados contratos escritos e nem verbais em relação a tais lançamentos contábeis. A propósito, na mesma ação fiscal foi lavrado auto de infração contra a Jota Ele, no processo n° 10945.721.058/201145, Fl. 5515DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 36 35 com exigências de IOF incidente sobre esses empréstimos a sócios. Essa autuação não foi impugnada, tendo a fiscalizada solicitado o parcelamento do débito fiscal para pagamento. 181. Os valores das despesas com encargos financeiros decorrentes dos referidos empréstimos e financiamentos foram contabilizados nas contas “343010002 – Juros Passivos”, “343010006 Despesas com Financiamento”, e “343010007 Despesas c/ I.O.F.”, às fls. 4038/4110. A fiscalização elaborou a planilha de fls 4111/4141, demonstrando a apuração dos valores das despesas financeiras não necessárias e, portanto, indedutíveis na determinação do lucro real. A tabela a seguir resume os valores, por período de apuração: [...]182. Considero que a autoridade fiscal, ao glosar as referidas despesas, agiu de acordo com o que dispõe a legislação tributária, no que diz respeito às deduções de despesas. O ordenamento somente autoriza a dedutibilidade das despesas quando presentes os requisitos da usualidade, normalidade e necessidade, sendo esta entendida como aquelas que a empresa delas não pode dispensar, para fins de manutenção de suas atividades produtoras, consoante a dicção do art. 299 do RIR/99: [...]183. No caso presente, concordo com a conclusão da autoridade fiscal, que entendeu que a empresa agiu sob mera liberalidade ao contratar os empréstimos e repassálos aos sócios. Tanto assim que ela deixou de cobrar qualquer encargo, e sequer se preocupou em firmar contratos, o que mostra que não havia qualquer interesse seu a ser resguardado. Ora, se o contribuinte portouse de forma desinteressada, é porque os empréstimos em nada influenciavam na manutenção de suas atividades produtoras, o que descaracteriza a necessidade da despesa, tornandoa indedutível. 184. Na impugnação, o contribuinte repete a reclamação já feita a respeito da existência de duplo processo administrativo exigindo tributos de 2007, alegação esta já analisada e afastada em itens precedentes. 185. A litigante contesta a base de cálculo apurada pela fiscalização, alegando que foram inseridos empréstimos efetuados para a empresa API SPE 08 Planejamento e Desenvolvimento de Empreendimentos Imobiliários Ltda. Justifica que tal pessoa jurídica não é sua sócia, de forma que tal situação não se amoldaria ao suporte fático descrito para a infração. Conclui que as despesas relativas a estes mútuos não poderiam ser glosadas, pois não seriam mera liberalidade da pessoa jurídica para com seus sócios. 186. O pleito não merece acolhimento. A impugnante, ao argumentar que a autoridade fiscal efetuou a glosa por concluir que os dispêndios eram mera liberalidade da empresa para com seus sócios, enfatiza a última parte desse fundamento, ou seja, que os beneficiários eram os sócios. No entanto, a verdadeira ratio dessa motivação repousa na expressão “mera liberalidade”, justamente porque ela traduz a não observância do requisito da necessidade da despesa, estabelecido no art. 299 do RIR/99. Ou seja, a fiscalização glosou a despesa, não porque os empréstimos foram destinados aos sócios, mas sim porque a pessoa jurídica agiu com mera liberalidade. Dessa feita, caberia à interessada afastar tal assertiva, isto é, comprovar que não agiu daquela forma, o que equivaleria a provar a necessidade da despesa. No entanto, nesse aspecto, o contribuinte não se pronunciou, preferindo apenas demonstrar que parte dos mútuos não se destinou a sócios. [...]188. Por todo o exposto, julgo corretas as exigências IRPJ, assim como as de CSLL, já que são oriundas dos mesmos fatos. [...]O próximo item enfrentado pela decisão recorrida versou as imputações relativas à “Omissão de receitas por falta de escrituração de pagamentos efetuados. Item 10 do Fl. 5516DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 37 36 TVF. Anos calendários 2007 e 2008” e “Falta de adição de despesa indedutível ao lucro real. Item 11 do TVF. Ano calendário 2008”, confirase: [...]190. Novamente, não procedem os argumentos formulados na defesa. 191. No presente tópico, analisase a infração de omissão de receitas por falta de escrituração de pagamentos efetuados, contida no item 10 do TVF. A irregularidade foi constatada em auditoria empreendida sobre contas do passivo, relativas a fornecedores. 192. A fiscalização constatou, para os anos calendários de 2007 e 2008, a ocorrência de ausência de escrituração de pagamentos efetuados e manutenção, no passivo, das respectivas obrigações já pagas. Foram analisados, por amostragem, os custos de algumas obras por empreitada executadas pela fiscalizada, com seleção de registros contábeis de aquisições de materiais e serviços. Inicialmente, a autoridade fiscal partiu de uma relação de aquisições de materiais da empresa LAG Materiais de Construção Ltda, cujos valores das notas fiscais, que totalizaram R$ 76.062,10, foram contabilizadas como compras efetuadas a prazo, creditandose na conta de passivo “211010001 – Fornecedores Diversos”, mas que apresentavam recibos de pagamento como se tivessem sido pagos à vista, em dinheiro, conforme fls.2113/2120. Como os registros desses pagamentos não foram localizados na contabilidade, a fiscalização intimou o contribuinte, pelo Termo de Intimação nº 012/2012, às fls. 277/278, para prestar esclarecimentos. Na resposta, à fl. 286, a empresa afirmou que “as notas fiscais foram devidamente pagas, no entanto, por motivo de inconsistência do sistema, não integrou na contabilidade”. 193. A partir disso, a fiscalização buscou encontrar outras aquisições na mesma condição, e identificou outras 78 notas fiscais emitidas pela LAG Materiais de Construção Ltda, conforme relação de fls. 4167/4169, emitidas entre 2007 e 2008, totalizando R$ 1.059.084,74. E mais 12 notas fiscais emitidas pela empresa Gerdau S/A, conforme relação de fls 4150/4166, também emitidas nos mesmos períodos, perfazendo R$ 521.753,01. Similarmente, as obrigações permaneceram sem liquidação no passivo, na conta “211010001 – Fornecedores Diversos”, até pelo menos 31/12/2010, data final do período fiscalizado. 194. Intimada a esclarecer, pelos Termos de Intimação nº 18/2012 (fl. 292) e 20/2012 (fls. 395/399), o contribuinte respondeu, à fl. 400, que “conforme já relatado, no período ocorreu um erro em nosso sistema”. 195. Conforme exposto, verificase que a situação encaixase perfeitamente ao disposto no art. 281, inciso II do RIR/99, que atribui, à falta de escrituração de pagamentos efetuados, a presunção de omissão de receitas: [...]197. Na impugnação, o contribuinte repete a reclamação já feita a respeito da existência de duplo processo administrativo exigindo tributos de 2007, alegação esta já analisada e afastada em itens precedentes. 198. A seguir, ela explica que a omissão da escrituração dos pagamentos foi fruto de uma migração de sistema, conforme declaração anexada, prestada pela fornecedora do programa, e que, ao final deste trabalho, as obrigações estariam adequadamente baixadas. [...]199. Conforme indica a própria decisão citada, o afastamento da exigência somente seria possível em caso de erro de escrituração. Ocorre que não há prova suficiente a demonstrar que a omissão da escrituração dos pagamentos foi provocada por erro, já que o documento juntado à fl. 4636 é somente uma declaração prestada pelo fornecedor do serviço (NL Informativa), noticiando que “a empresa Jota Ele Construções Civis Ltda, nossa cliente, fez a atualização da versão de seu sistema nos anos de 2007 e 2008”. Tal documento somente tem aptidão para Fl. 5517DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 38 37 provar o que nele está escrito, ou seja, que houve a migração, fato este que não leva à conclusão de que houve erro contábil na escrituração. 200. Pelo exposto, julgo correta a apuração desta infração. Falta de adição de despesa indedutível ao lucro real. Item 11 do TVF. Ano calendário 2008. 201. No presente tópico, analisase a infração de Falta de adição de despesa indedutível ao lucro real, contida no item 11 do TVF. A irregularidade foi constatada em auditoria empreendida sobre despesas operacionais relativos aos pagamentos de multas por infrações fiscais e administrativas. 202. Apesar de não constar impugnação específica para este item, convém mencionar que a exigência é procedente. 203. A fiscalização constatou que, na apuração do resultado do 4º trimestre de 2008, o contribuinte computou como despesas dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL os valores referentes ao recolhimento de juros e multas sobre o PIS e a COFINS lançados de ofício no auto de infração do processo administrativo nº 10945.002633/200810. 204. Os valores das referidas multas recolhidas foram contabilizados a débito na conta analítica “343010009 JUROS E MULTAS”, cujo extrato do Razão referente ao 4º trimestre de 2008 foi anexado às fls. 4172/4175. Verificouse que a empresa contabilizou, na mesma data de 26/12/2008, uma série de lançamentos relativos a pagamentos de multa e juros, correspondentes a períodos autuados entre 2004 e 2007, totalizando R$ 190.892,60. 205. A fim de separar os pagamentos de juros, que são dedutíveis, dos de multa (indedutíveis), a fiscalização elaborou a planilha de fl. 4176, na qual coteja os valores relacionados acima com os valores lançados de ofício no processo administrativo fiscal nº 10945.002.633/200810 e os valores constantes no sistema “Sief Processo”. Concluiuse que R$ 110.767,53 referemse a multas e R$ 80.135,08 são de juros. Assim, o valor de R$ 110.757,52, contabilizadas no mês de dezembro de 2008, foi adicionado ao lucro líquido do 4º Trimestre de 2008 para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, por ser considerada despesa indedutível. [...]207. Vêse, portanto, que, quanto à multa por infrações fiscais, a regra é a indedutibilidade, e, por exceção, admitese a dedução das multas de natureza compensatórias e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. Na doutrina de Celso Antônio Bandeira de Mello, as multas ressarcitórias, reparatórias ou compensatórias são as que “visam a ressarcir a Administração de algum prejuízo que a ação ou inação do administrado lhe causou” (Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 811). É lícito, portanto, concluir que, no âmbito Tributário, são dedutíveis as multas de caráter compensatório, que incluem a multa de mora pelo recolhimento do tributo fora do prazo legal ou as decorrentes de entrega de declaração fora do prazo. 208. Hiromi Higuchi, em seu livro Imposto de Renda das Empresas, São Paulo: Atlas, 2002, p. 292/293, adota essa mesma exegese, citando exemplos de multas por infrações fiscais dedutíveis (juros de mora de 1% ao mês e a multa moratória de 10% ou 20% aplicável aos recolhimentos espontâneos de tributos fora do prazo e conforme o tempo de atraso) e indedutíveis (multa de 75% ou 150% lançada em decorrência de fiscalização), com base no Fl. 5518DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 39 38 Parecer Normativo PN n° 61/79. [...]209. No que tange às multas impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo, resultam elas de obrigações acessórias tidas como não indispensáveis ao lançamento normal do tributo, nos termos da legislação aplicável. É esse o conceito dado pela própria RFB, na resposta às perguntas 36 e 38 do questionário Perguntas e Respostas – Pessoa Jurídica, Título IRPJ Lucro Operacional, disponível no site da RFB, que exemplifica com a multa aplicada à pessoa jurídica que deixa de fornecer, ou fornece com inexatidão, o comprovante de pagamentos com retenção na fonte, aos beneficiários, no prazo legal: [...]210. Concluise, portanto, que as multas sobre o PIS e a COFINS são indedutíveis, já que decorreram de lançamento de ofício, em auto de infração discutido no processo administrativo nº 10945.002633/200810. [...]Quanto ao item relativo à imputação de “Distribuição disfarçada de lucros. Negócios com sócio e com pessoa ligada. Itens 12.1, 12.2 e 12.3 do TVF. Anos calendários 2007, 2008 e 2010”, assim se manifestou a decisão recorrida: [...]213. São corretos os lançamentos. 214. No presente tópico, analisase a infração de Distribuição disfarçada de lucros, contida nos itens 12.1, 12.2 e 12.3 do TVF. A irregularidade foi constatada em auditoria empreendida sobre três operações imobiliárias, sendo que, em duas delas, envolveuse o sócio da empresa, e, na outra, ocorreu com pessoa ligada. 215. Na primeira operação analisada, a fiscalização apurou que a Jota Ele construiu para seu sóciogerente, Sr. João Luiz Felix, uma residência de 1.150,56 m², na rua Estácio de Sá, 980, Condomínio Residencial Golden Garden, em Cascavel/PR, conforme Alvará de Construção, de 26/08/2009, e Certificado de Conclusão de Obras, de 02/09/2010, emitidos pela Prefeitura Municipal de Cascavel/PR, às fls. 3787/3788. 216. O valor atribuído como receita para essa obra foi de R$ 1.100.000,00, conforme lançamento a crédito na conta de Receita “316010002 – Serviços Prestados – Filial Cascavel/PR” e a débito da conta de ativo realizável a longo prazo – créditos com sócios “121020006 – João Luiz Félix”. Entretanto, o custo atribuído para a obra foi de R$ 1.265.703,07, conforme escriturado na conta “336010006 – Custo de Serviços Prestados – ilial Cascavel”. 217. A autoridade fiscal levou em conta que nem todo custo dessa obra foi escriturado, pois, conforme já demonstrado nas infrações em que foram efetuadas glosas de custos, foram verificadas notas fiscais de materiais e serviços destinados à construção dessa residência e que foram indevidamente atribuídas a outras obras. A relação dessas notas fiscais foi anexada às fls. 4273/4274, e totalizam R$ 154.900,83, valores estes que foram adicionados ao custo escriturado, de R$ 1.265.703,07, resultando em R$ 1.420.603,90 de custo ajustado. 218. Para fins de determinação do valor atribuído ao negócio efetuado com o sócio, a fiscalização avaliouo pelo preço de custo, na falta de dados mais concretos, e considerando que tal valor representaria o mínimo que a empresa contrataria com terceiros. Assim, em razão do lucro considerado disfarçadamente distribuído, foi adicionado lucro líquido do período 2010 a diferença entre o valor do custo de construção da residência do sócio (R$ 1.420.603,90) e a receita atribuída para esta mesma obra (R$ 1.100.000,00), que resulta em R$ 320.603,90. Fl. 5519DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 40 39 219. A segunda operação analisada também teve a participação do sócio administrador da empresa, Sr. João Luiz Felix, que, em 30/10/2007, permutou o apto nº 1401 do Edifício Golden Park, de 382,64 m², situado em Cascavel, pelo apto nº 300 do Edifício Porto Genova, de 602,47 m², situado no bairro Batel, em Curitiba/PR. Foi apurado que o valor atribuído à transação no contrato particular de compromisso de permuta entre os apartamentos foi de R$ 750.000,00, sem previsão de torna, conforme fls. 3789/3791. No entanto, o valor da transação registrado na contabilidade para essa operação foi de R$ 690.278.72, conforme lançamentos extraídos do livro Diário. Em 01/11/2007, foi registrada na contabilidade a entrada em estoque do imóvel de Cascavel (apto 1401 do Edifício Golden Park) e atribuído para esse imóvel o valor do custo do imóvel dado em permuta (apto 300, do Edifício Porto Gênova), que constava no estoque pelo valor de R$ 690.278,71. 220. Em suma, a Jota Ele fez uma permuta sem torna de um apartamento usado, de 382 m², situado em Cascavel, por um apartamento novo e de área muito maior, de 602,47 m², situado no bairro Batel, sabidamente um dos bairros mais nobres de Curitiba. A fim de comprovar que o valor pelo qual o apto n° 300 do Edifício Gênova foi alienado ao sócio era incompatível com o mercado, a fiscalização levantou os seguintes preços praticados, a partir de dados dos registros contábeis relacionados às alienações dos apartamentos da obra de incorporação daquele edifício: [...]221. Diante disso, a fiscalização avaliou que o valor da transação correspondia ao menor preço apurado, ou seja, R$ 930.000,00. Desse valor foi deduzido o valor do custo do imóvel dado em permuta, de R$ 690.278.72, obtendose a diferença de R$ 239.721,28, que foi adicionado ao lucro real de 2007, a título de distribuição disfarçada de lucro. 222. A terceira operação analisada envolveu Sra. Astrogilda Barreiros Felix, mãe do sócio/administrador da empresa, Sr. João Luiz Felix, conforme cadastro de fl. 3815, sendo, portanto, uma pessoa ligada à pessoa jurídica, conforme dispõe o inciso III do art. 456 do RIR/99. Foi verificado que o imóvel situado à rua Comendador Araújo, 430, apto. 50, em Curitiba/PR, foi adquirido pela Jota Ele em 01/12/2007, pelo valor de R$ 60.000,00, por dação em pagamento da venda de um imóvel do empreendimento edifício Way Point. Esse apartamento foi vendido em 19/05/2008 para a Sra. Astrogilda Barreiros Felix, pelo valor de R$ 30.000,00, conforme contrato de compra e venda às fls. 3817/3819 e lançamentos contábeis efetuados na mesma data, identificados pela fiscalização. 223. Restou comprovado, portanto, que a fiscalizada alienou o apartamento após menos de seis meses da sua aquisição pelo preço correspondente à metade do seu valor de custo, em condição que lhe é evidentemente desfavorável e em atitude atentatória à integridade de seu patrimônio. Assim, para determinação do valor do negócio entre a Jota Ele e a mãe do sócio, a fiscalização considerou o mesmo valor da aquisição do apartamento (R$ 60.000,00), que corresponderia ao preço mínimo de venda caso a negociação se desse com terceiros. Logo, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL do período de apuração do 2º trimestre do ano de 2008, foi adicionado ao lucro líquido o valor de R$ 30.000,00, correspondente à diferença entre o valor do custo de aquisição do apartamento e o valor da receita atribuída na sua alienação para a pessoa ligada (R$ 30.000,00), em razão do lucro considerado disfarçadamente distribuído. 227. Na impugnação, o contribuinte repete a reclamação já feita a respeito da existência de duplo processo administrativo exigindo tributos de 2007, alegação esta já analisada e afastada em itens precedentes. Fl. 5520DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 41 40 228. O contribuinte argumenta que a fiscalização equivocouse ao comparar as dimensões dos apartamentos de Cascavel e de Curitiba, que teria confundido área útil com área total, de modo que as áreas dos imóveis seriam semelhantes a ponto de inexistir a disparidade de preços. No entanto, a explicação não convence, já que as divergências foram apuradas, não com base nas áreas dos imóveis, mas a partir de valores de apartamentos situados no mesmo edifício em Curitiba. 229. A seguir, a impugnante anexa tabela outros três valores de transação de apartamentos do Edifício Porto Gênova, que não foram considerados pela fiscalização e pede que seja atribuído o valor de R$ 700.000,00, que é inferior ao apurado pela autuante (R$ 930.000,00). No entanto, há que se levar em conta que a permuta deuse na data de 30/10/2007, e talvez por isso mesmo, a fiscalização tenha levantado valores de alienação ocorridos entre 2006 a 2008. A transação indicada pelo contribuinte data de 08/12/2005, de forma que não reflete, com precisão, o valor de mercado à época da operação em comento. 230. Pelo exposto, mantenho as exigências. [...]No mais, mantevese a multa qualificada, de sorte que na pare dispositiva do acórdão constouse que afastavase a preliminar de suspeição, reconheciase a decadência do PIS e Cofins dos fatos geradores anteriores a 01/08/2007, e, no mérito, julgavase procedentes em parte os lançamentos, para reduzir a exigência de IRPJ para R$ 2.483.956,30, reduzir a exigência de CSLL para R$ 908.519,02, reduzir a exigência de PIS para R$ 19.292,18, e reduzir a exigência da Cofins para R$ 89.040,84, todos com respectivas multas e juros de mora. A contribuinte foi cientificada da decisão relatada acima e apresentou Recurso Voluntário, reiterando os argumentos quanto à suspeição da autoridade lançadora, insistindo ainda, que o lançamento aqui discutido violou a regra contida nos artigo 146 e 149 do CTN, eis que de um procedimento de fiscalização sobreveio a lavratura de dois autos de infração distintos, ou seja, além do processo ora apreciado foi lavrado o de nº 10945.721263/201119, no qual as infrações apuradas se relacionaram à glosa se custos nas obras por empreitada e à omissão de receitas, enquanto no presente processo a Fiscalização presumiu receitas omitidas, glosou despesas financeiras e considerou ter havido distribuição disfarçada de lucros. Quanto ao mérito, passou a apresentar as justificativas, já relatadas, para cada item das imputações fiscais, para ao fim pugnar por provimento do seu recurso. É o relatório. Fl. 5521DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 42 41 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Tal como descrito no relatório acima circunstanciado, cuidase na espécie de autos de infração de IRPJ e reflexos, relativos aos anoscalendário 2007 a 2010. Por ocasião da mesma ação fiscal foram lavrados autos de infração dos mesmos tributos para os anos calendários 2006 e 2007 processo administrativo n° 10945.721263/201119. Resumidamente, as imputações e constatações fiscais levaram às seguintes infrações: Omissão de receitas de vendas de serviços – AC 2010; Presunção de omissão de receitas pela falta de escrituração de pagamentos efetuados – AC 2007 e 2008; Glosa de despesas financeiras não necessárias à atividade operacional – AC 2007 a 2010; Dedução indevida de custos nas obras por empreitada – AC 2009 e 2010; Apropriação incorreta de custos na apuração da receita obtida na venda de imóveis – AC 2010; Redução indevida do lucro real decorrente de inexatidão na apuração das receitas, relativamente a imóveis adquiridos de terceiros – AC 2007 a 2009; Redução indevida do lucro real decorrente de inexatidão na apuração das receitas de obras por empreitadas – AC 2008 a 2010; Distribuição disfarçada de lucros pela alienação de bem a pessoa ligada por valor notoriamente inferior ao de mercado – AC 2007; Distribuição disfarçada de lucro – pagamento feito à pessoa ligada – AC 2008 e 2010; Falta de adição ao LALUR de despesas com multas por infrações fiscais – AC 2008. A decisão recorrida, relatada minudentemente acima, cuidou de julgar as infrações parcialmente procedentes para os fins de atestar a decadência das contribuições relativas ao PIS e à COFINS, com fatos geradores ocorridos até 07/2007, reduzir o valor das despesas glosadas, para o Hospital Infantil de Campo Largo, ao Hotel das Cataratas e cancelar os lançamentos relativos ao item 7.3 do TVF, que diziam respeito à inexatidão na apuração de receitas. Fl. 5522DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000652/200412 Resolução nº 1301000.193 S1C3T1 Fl. 43 42 O contribuinte por ocasião da impugnação juntou cópia de várias notas fiscais com o fim de comprovar vários dos custos glosados. Levando em conta que esta instância julgadora não dispõe de outras informações para atestar a comprovação desses custos, tal qual foi feito no processo administrativo n° 10945.721263/201119, proponho o encaminhamento dos autos à DRF/Foz de Iguaçu no Estado do Paraná, a fim de que a fiscalização examine toda a documentação juntada na impugnação, referente aos custos glosados por motivo de falta de apresentação de nota fiscal original e custo não comprovado, e se pronuncie acerca da procedência ou não do correspondente custo elaborando como no outro processo planilha explicativa. Ao final da diligência, dêse ciência ao contribuinte, com abertura de prazo para manifestação sobre a diligência. Após as providências solicitadas, retornese o processo a esta Turma Julgadora. Sala das Sessões, em 13 de março de 2014 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 5523DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 42 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0221.09446.1VQX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR em 21/04/2014 10:19:00. Documento autenticado digitalmente por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR em 21/04/2014. Documento assinado digitalmente por: WILSON FERNANDES GUIMARAES em 24/04/2014 e EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR em 21/04/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 12/02/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP12.0221.09446.1VQX Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: BF7EB8D76529948C962647608466E61F473DFFB7 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10945.721137/2012-37. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 11128.731732/2013-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2008
INFRAÇÃO ADUANEIRA. DANO. DESNECESSIDADE.
Salvo disposição legal em contrário, a infração aduaneira independe da demonstração de dano.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF nº 11.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 3401-009.909
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Carolina Machado Freire Martins. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronaldo Souza Dias. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-009.906, de 27 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10711.723448/2013-65, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luís Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: Oswaldo Gonçalves de Castro Neto
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Carolina Machado Freire Martins. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronaldo Souza Dias. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-009.906, de 27 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10711.723448/2013-65, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luís Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente).
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DANO. DESNECESSIDADE. Salvo disposição legal em contrário, a infração aduaneira independe da demonstração de dano. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Carolina Machado Freire Martins. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronaldo Souza Dias. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-009.906, de 27 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10711.723448/2013-65, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luís Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 73 17 32 /2 01 3- 58 Fl. 189DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-009.909 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.731732/2013-58 Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de auto de infração por informação extemporânea sobre carga transportada, ex vi artigo 107, inciso III, alínea ‘e’ do Decreto-Lei 37/66. Para tanto narra o auto de infração que a Recorrente vinculou os HBL(s) ao Manifesto. Intimada, a Recorrente apresentou Impugnação em que alega, em síntese: Desconsolidou as cargas no SISCARGA no tempo e na forma legal; Não houve dano à fiscalização; A responsabilidade deve ser afastada pela Denúncia Espontânea; A infração passou a ser aplicável apenas após 1° de abril de 2009; Está sendo punida duas vezes pelo mesmo fato: inclusão de HBL no MBL. A DRJ manteve o lançamento em acórdão com o seguinte fundamento, em síntese: Não há nulidade no lançamento ou cerceamento do direito de defesa uma vez que este descreve todos os fatos e direito aplicável; Ademais, a nulidade pleiteada está focada em fatos anteriores ao lançamento; “Expirado o prazo previsto para prestação das informações, restou configurado, em detrimento do controle aduaneiro, o desrespeito à obrigação de prestar tempestivamente as informações sobre carga, que devem ser verdadeiras e corretas”; A aplicação de penalidades em âmbito aduaneiro independe da intenção do agente; A denúncia espontânea não afasta a infração em voga; Salvo Precedentes Vinculantes por força de Lei, decisões administrativas e judiciais não vinculam a Autoridade Administrativa; A Autoridade Administrativa não é competente para se pronunciar sobre matéria constitucional; “Em face da existência nos autos de provas suficientes para o julgamento do processo torna-se prescindível a realização de diligência ou perícia” Fl. 190DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-009.909 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.731732/2013-58 “Regra de interpretação do artigo 112, CTN, somente se aplica em caso de dúvida, o que não existe no caso dos autos, pois clara a norma em exigir que as informações sejam prestadas de forma regular no prazo para que não se estimule o cumprimento apenas do prazo”; A intimação no âmbito do PAF é realizada no domicílio do contribuinte. Irresignada, a Recorrente busca guarida neste Conselho argumentando o seguinte: Prescrição intercorrente; Afastamento da Responsabilidade por denúncia espontânea; Violação ao princípio da isonomia e ao não confisco; Inexistência de dano à fiscalização. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: 1 No que pese o sempre bem lançado voto do Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, peço vênia para discordar da aplicabilidade da prescrição intercorrente ao caso, mesmo restando claro que o relator reserva a incidência do instituto apenas ao procedimento administrativo, não ao processo administrativo fiscal. Preliminarmente observe-se que a própria Lei n° 9.873/99 dispõe, em seu art. 5°, que o prazo de prescrição intercorrente nela consignado não se aplica “aos processos e procedimentos de natureza tributária”: Art.1 o Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado. (...) Art.5 o O disposto nesta Lei não se aplica às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária. (...) Na sequencia este e outros pontos da controvérsia serão examinados. 1 Deixa-se de transcrever as declarações de voto apresentadas, que podem ser consultadas no acórdão paradigma desta decisão. Fl. 191DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-009.909 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.731732/2013-58 A matéria no âmbito deste tribunal fiscal encontra-se amplamente pacificada no sentido contrário à tese da aplicabilidade da prescrição intercorrente, sendo inclusive objeto de súmula (Súmula CARF nº 11), que, por força da Portaria MF nº 277/18, vincula toda a administração tributária federal, incluindo, por óbvio, o próprio julgamento administrativo fiscal, conforme abaixo: Portaria MF nº 277, de 07 de junho de 2018; DOU de 08/06/18 Atribui a súmulas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF efeito vinculante em relação à administração tributária federal. O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições previstas no art. 87, parágrafo único, incisos I e II da Constituição Federal, e tendo em vista o disposto no art. 75 do Anexo II a Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, resolve: Art. 1º Fica atribuído às súmulas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, relacionadas no Anexo Único desta Portaria, efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. (...) Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 103-21113, de 05/12/2002 Acórdão nº 104-19410, de 12/06/2003 Acórdão nº 104-19980, de 13/05/2004 Acórdão nº 105-15025, de 13/04/2005 Acórdão nº 107-07733, de 11/08/2004 Acórdão nº 202-07929, de 22/08/1995 Acórdão nº 203-02815, de 23/10/1996 Acórdão nº 203-04404, de 11/05/1998 Acórdão nº 201-73615, de 24/02/2000 Acórdão nº 201-76985, de 11/06/2003 (...) Na verdade, as súmulas do CARF, quaisquer que sejam, são de observância obrigatória para todo o julgamento no CARF, conforme disciplina o Regimento Interno da Casa: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. O caso aqui em exame ajusta-se ao enunciado da súmula, pois se trata de processo administrativo fiscal, isto é, regido pelo Decreto 70.235/72. Tal decreto, que fora recepcionado pela CF/88 com força de lei, dispõe sobre processos fiscais de forma abrangente, incluindo contenciosos vinculados à exigência de créditos tributários, sejam originários de lançamento de tributos ou de aplicação de multas isoladas, no domínio da tributação interna ou do comércio exterior; ou, ainda, vinculados às medidas de controle, inclusive aduaneiro, de interesse do Fisco. Na verdade, “processo administrativo fiscal” é um nome de um rito e é identificado pelas regras do Decreto nº 70.235/72. Fl. 192DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-009.909 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.731732/2013-58 Apenas para exemplificar, o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72 incide nas mais diversas lides administrativas decorrentes da legislação de natureza tributária ou fiscal, como nos casos decorrentes de não-homologação de compensação, verbis: Lei nº 9.430/76 Art. 74 (...) § 9 o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7 o , apresentar manifestação de inconformidade contra a não-homologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9 o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (...) gn. Constata-se tal abrangência no próprio Regulamento Aduaneiro, Decreto nº 6.759/09, que determina a aplicação do rito estabelecido no Decreto nº 70.235/72. até mesmo no caso de direitos antidumping: Art. 788. O cumprimento das obrigações resultantes da aplicação dos direitos antidumping e dos direitos compensatórios, sejam definitivos ou provisórios, será condição para a introdução no comércio do País de produtos objeto de dumping ou de subsídios(Lei nº 9.019, de 1995, art. 7º, caput). §1 o Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil a cobrança e, se for o caso, a restituição dos direitos antidumping e compensatórios, provisórios ou definitivos, quando se tratar de valor em dinheiro (Lei nº 9.019, de 1995, art. 7º, §1º). §2 o Os direitos antidumping e os direitos compensatórios são devidos na data do registro da declaração de importação (Lei nº 9.019, de 1995, art. 7º, §2º,com a redação dada pela Lei n o 10.833, de 2003, art. 79). §3 o A exigência de ofício de direitos antidumping ou de direitos compensatórios e decorrentes acréscimos moratórios e penalidades será formalizada em auto de infração lavrado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, observado o disposto no Decreto n o 70.235, de 1972, e o prazo de cinco anos, contados da data de registro da declaração de importação (Lei nº 9.019, de 1995, art. 7º, §5º,com a redação dada pela Lei n o 10.833, de 2003, art. 79). Observe-se que o crédito decorrente de direito antidumping incontroversamente é crédito não tributário, mas, o processo de sua constituição e exigência segue ainda as regras do processo administrativo fiscal, i.e., o rito do Decreto nº 70.235/72. Assim, entende-se que a Súmula nº 11 do CARF é argumento bastante para rejeitar a tese da prescrição intercorrente no caso em exame, pois o uso da expressão “processo administrativo fiscal” na legislação federal tem por referência um rito estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72. Fl. 193DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-009.909 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.731732/2013-58 Adicionalmente aponta-se que a decisão do e. STJ no REsp 1113959/RJ, de 15/12/09, firmou a jurisprudência daquela Corte no sentido de não reconhecer a prescrição intercorrente em sede de processo administrativo fiscal: 3. O recurso administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário, enquanto perdurar o contencioso administrativo, nos termos do art. 151, III do CTN, desde o lançamento (efetuado concomitantemente com auto de infração), momento em que não se cogita do prazo decadencial, até seu julgamento ou a revisão ex officio, sendo certo que somente a partir da notificação do resultado do recurso ou da sua revisão, tem início a contagem do prazo prescricional, afastando-se a incidência de prescrição intercorrente em sede de processo administrativo fiscal, pela ausência de previsão normativa específica. (gn) Desde a decisão do e. STJ no REsp 1113959/RJ, parte da ementa acima citada, aquela corte vem uniformemente e de forma estável mantendo o mesmo entendimento, prestigiando o princípio da segurança jurídica, considerando a inaplicabilidade da tese da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal em razão da suspensão da exigibilidade do crédito tributário ou, de modo amplo, da obrigação: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. INSTAURAÇÃO DE PROCESSO ADMINISTRATIVO EX OFFICIO. SUSPENSÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 151, III, E 174 DO CTN. 1. O acórdão recorrido consignou: "O apelante alega que o lapso prescricional restou suspenso, em razão de processo administrativo; que o fato de o processo administrativo ter iniciado por iniciativa da Administração não tem o condão de descaracterizar a suspensão prevista no artigo 151, III, do Código Tributário Nacional; que o processo administrativo somente se encerrou em 09/02/2010, sendo certo que não se pode falar em prescrição, porque a execução fiscal foi ajuizada no ano de 2011. Pugna pelo provimento do recurso, para que seja afastada a prescrição. A questão se limita a definir se o processo administrativo, instaurado, de ofício, pela Administração, tem o condão de suspender o prazo prescricional. (...) Assim, é inequívoco que o processo administrativo instaurado pelo próprio apelante não suspendeu o prazo prescricional" (fls. 347-348, e-STJ). 2. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial 1.113.959/RJ, submetido ao rito do art. 543-C do CPC, firmou o entendimento de que "o recurso administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário, enquanto perdurar o contencioso administrativo, nos termos do art. 151, III do CTN, desde o lançamento (efetuado concomitantemente com auto de infração), momento em que não se cogita do prazo decadencial, até seu julgamento ou a revisão ex officio, sendo certo que somente a partir da notificação do resultado do recurso ou da sua revisão, tem início a contagem do prazo prescricional, afastando-se a incidência da prescrição intercorrente em sede de processo administrativo fiscal, pela ausência de previsão normativa específica" (REsp 1.113.959/RJ, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe de 11/03/2010). 3. O acórdão recorrido não está em dissonância com a jurisprudência do STJ. 4. Recurso Especial provido. (REsp 1769896/MG, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/11/2018, DJe 17/12/2018) (gn) Fl. 194DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-009.909 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.731732/2013-58 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO RECORRIDO QUE NÃO SOLVEU A LIDE À LUZ DOS DISPOSITIVOS DITOS POR VIOLADOS. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO OCORRÊNCIA DE PRESCRIÇÃO ADMINISTRATIVA INTERCORRENTE. SUSPENSÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL DE CINCO ANOS ATÉ A DECISÃO DEFINITIVA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA. AGRAVO INTERNO DA EMPRESA A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. É admitido o prequestionamento como requisito de admissibilidade para a abertura da instância especial não só na forma explícita, mas, também, implícita, o que não dispensa, nos dois casos, o necessário debate acerca da matéria controvertida, fato que não ocorreu. 2. No caso, verifica-se que inexistiu o prequestionamento da matéria relativa aos arts. 4o., 6o. e 140 do Código Fux, 4o. da LINDB, 1o. do Decreto 20.910/1932 e 1o., § 1o. da Lei 9.873/1999, de modo que não consta no acórdão recorrido qualquer menção a respeito de sua disciplina normativa, tampouco foram opostos Embargos de Declaração para tal fim. 3. Com efeito, o prequestionamento implícito é admitido para conhecimento do Recurso Especial apenas no casos em que demonstrada, inequivocamente, a apreciação da tese à luz da legislação federal indicada, o que, como visto, não ocorreu na espécie. 4. Outrossim, a conclusão levada a efeito pelo acórdão recorrido se alinha com a jurisprudência desta Corte Superior, segundo a qual o recurso administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário, enquanto perdurar o contencioso administrativo, nos termos do art. 151, III do CTN, desde o lançamento (efetuado concomitantemente com auto de infração), momento em que não se cogita do prazo decadencial, até seu julgamento ou a revisão ex officio, sendo certo que somente a partir da notificação do resultado do recurso ou da sua revisão, tem início a contagem do prazo prescricional, afastando-se a incidência prescrição intercorrente em sede de processo administrativo fiscal, pela ausência de previsão normativa específica (REsp. 1.113.959/RJ, Rel. Min. LUIZ FUX, DJe 11.3.2010). 5. É inadmissível o Recurso Especial que se fundamenta na existência de divergência jurisprudencial, mas se limita, para a demonstração da similitude fático-jurídica, à mera transcrição de ementas e de trechos de votos, assim como tampouco indica qual preceito legal fora interpretado de modo dissentâneo. Hipótese de incidência, por extensão, da Súmula 284/STF. 6. Agravo Interno da Empresa a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1489571/SP, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/10/2019, DJe 18/11/2019) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3 DO STJ. DEPÓSITO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. PRESCRIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Fl. 195DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-009.909 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.731732/2013-58 1. No julgamento do Recurso Especial n. 1.113.959/RJ, submetido ao rito do art. 543-C do Código de Processo Civil de 1973, sob a relatoria do Exmo. Ministro Luiz Fux, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que: "[...] o recurso administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário, enquanto perdurar o contencioso administrativo, nos termos do art. 151, III do CTN, desde o lançamento (efetuado concomitantemente com auto de infração), sendo certo que somente a partir da notificação do resultado do recurso ou da sua revisão, tem início a contagem do prazo prescricional, afastando-se a incidência da prescrição intercorrente em sede de processo administrativo fiscal, pela ausência de previsão normativa específica." 2. Mesmo tendo sido constituído o crédito tributário pelo depósito, a existência do contencioso administrativo suspendeu a exigibilidade do crédito até sua decisão final, que ocorreu em 19/7/2004, conforme consignado no acórdão recorrido, não havendo que se falar em prescrição da execução ajuizada em 2008, dentro do lapso do art. 174 do CTN. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1304866/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/10/2018, DJe 30/10/2018) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ICMS. RENOVAÇÃO DE TERMO DE ACORDO CONCESSIVO DE BENEFÍCIO FISCAL. ANÁLISE DE LEI LOCAL. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 280/STF. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DATA DE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. PRETENSÃO DE REEXAME DE PROVA. SÚMULA N. 7 DO STJ. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. I - Na hipótese dos autos, a parte autora objetiva a renovação de termo de acordo que lhe garante o benefício da redução da base de cálculo do ICMS. Assim, não se amolda à matéria cuja repercussão geral foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário n. 851.421/DF, Tema n. 817, no qual se discute: "Possibilidade de os Estados e o Distrito Federal, mediante consenso alcançado no CONFAZ, perdoar dívidas tributárias surgidas em decorrência do gozo de benefícios fiscais, implementados no âmbito da chamada guerra fiscal do ICMS, reconhecidos como inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal". II - O exame de normas de caráter local (Lei Estadual n. 13.025/2000) é inviável em recurso especial, em face da vedação prevista no enunciado n. 280 da Súmula do STF, segundo a qual "por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário", aplicável por analogia. III - No julgamento do Recurso Especial n. 1.113.959/RJ, submetido ao rito do art. 543-C do Código de Processo Civil de 1973, sob a relatoria do Exmo. Ministro Luiz Fux, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que: "[...] o recurso administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário, enquanto perdurar o contencioso administrativo, nos termos do art. 151, III do CTN, desde o lançamento (efetuado concomitantemente com auto de infração), momento em que não se cogita do prazo decadencial, até seu julgamento ou a revisão ex officio, sendo certo que somente a partir da notificação do resultado do recurso ou da sua revisão, tem Fl. 196DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-009.909 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.731732/2013-58 início a contagem do prazo prescricional, afastando-se a incidência da prescrição intercorrente em sede de processo administrativo fiscal, pela ausência de previsão normativa específica." IV - Todavia, analisar eventual ofensa ao art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional demandaria, necessariamente, o revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos, uma vez que não ficou consignado, no acórdão regional recorrido, se a lavratura do auto de infração se deu durante a tramitação do processo administrativo de renovação do termo de acordo ou em momento anterior. V - Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp 936.761/CE, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/11/2017, DJe 22/11/2017) TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. MULTA DO ART. 23, § 2º DA LEI 4.131/62. ARGÜIÇÃO DE PRESCRIÇÃO ADMINISTRATIVA INTERCORRENTE. NÃO OCORRÊNCIA. TERMO INICIAL. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ARTIGO 174, DO CTN. 1. Mandado de segurança, com pedido liminar, em face de ato do Delegado Regional no Rio de Janeiro da Divisão de Câmbio e do Diretor da Área Externa do Banco Central do Brasil, objetivando que as autoridades coatoras se abstivessem de inscrever o nome da impetrante no Cadastro da Dívida Ativa, ou praticar qualquer ato de cobrança no que se refere à exação da multa a ela imposta no montante de 983.333,01 UFIRs, com fundamento no § 2º do art. 23 da Lei 4.131/62. 2. Infração decorrente do fechamento de quatro contratos de câmbio, por intermédio do Banco Bradesco, com indícios de fraude, apurados e autuados pelo Banco Central do Brasil. 3. O requisito do prequestionamento é indispensável, por isso que inviável a apreciação, em sede de recurso especial, de matéria sobre a qual não se pronunciou o Tribunal de origem, incidindo, in casu sobre os arts. 107 e 109 do CP, 4º da LICC, 21 da lei 7.492/86, 287, II da Lei 6.404/76, 1º e 3º da Lei 6.838/80, 213, II, alínea "a" do Estatuto dos Servidores Públicos, 28 da Lei 8.884/94 e 44 da Lei 4.595/64, o óbice das Súmulas 282 e 356 do STF. 4. A insurgência especial, que se funda na verificação do enquadramento da recorrente na figura de corretor oficial ou instituição financeira, para o fim de aplicação da penalidade disposta no art. 23, § 2º da Lei 4.131/62, importa sindicar matéria fático-probatória, o que é vedado, em sede de recurso especial, ante o óbice inserto na Súmula 7/STJ. 5. É que o reexame do contexto fático-probatório deduzido nos autos é vedado às Cortes Superiores posto não atuarem como terceira instância revisora ou tribunal de apelação reiterada, a teor do verbete da Súmula 7 deste Superior Tribunal de Justiça ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"). Precedentes: AgRg no REsp 715.083/AL, DJU 31.08.06; e REsp 729.521/RJ, DJU 08.05.06). 6. In casu, o Tribunal de origem consignou: "1. Aplicação de multa fiscal, em razão da infração tipificada no § 2º do artigo 23 da Lei 4.131/1962, consistente na 'declaração de falsa identidade no formulário que, em número de vias e segundo o modelo determinado Superintendência da Moeda e do Crédito, será Fl. 197DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-009.909 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.731732/2013-58 exigido em cada operação, assinado pelo cliente e visado pelo estabelecimento bancário e pelo corredor que nela intervirem'. 2. A ação incriminada é imputável ao estabelecimento bancário, ao corretor e ao cliente, punível com multa equivalente ao triplo do valor da operação para cada um dos co-partícipes. Respondem os dois primeiros pela identidade do cliente, assim como pela correta classificação das informações prestadas, segundo normas fixadas pela SUMOC, que foi substituída pelo Conselho Monetário Nacional." 7. O recurso administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário, enquanto perdurar o contencioso administrativo, nos termos do art. 151, III do CTN, desde o lançamento (efetuado concomitantemente com auto de infração), momento em que não se cogita do prazo decadencial, até seu julgamento ou a revisão ex officio, sendo certo que somente a partir da notificação do resultado do recurso ou da sua revisão, tem início a contagem do prazo prescricional, afastando-se a incidência prescrição intercorrente em sede de processo administrativo fiscal, pela ausência de previsão normativa específica. 8. A natureza tributária do crédito, reconhecida na sentença e no acórdão recorrido, advém da Lei 4.131/62, que estabelece procedimentos para a fiscalização das operações cambiais no mercado de taxa livre, utilizado na tributação da renda obtida nas diferenças cambiais positivas - ganho de capital. 9. A multa fiscal subsume-se aos prazos de prescrição estabelecidos pelo direito tributário, restando inaplicável o art. 114, I do Código Penal, pois a sua natureza jurídica não está ligada ao crime. 10. In casu, os fatos que originaram a multa fiscal vinculada a nenhum ilícito penal, nos termos do art. 23, § 2º da Lei 4.131/62, ocorreram em 1978, a instauração do processo administrativo para apurar o evento se deu em 23.04.80 e a notificação da penalização fiscal sucedeu-se em 26.11.90, recorrendo a empresa, administrativamente, em 14.01.91. Entretanto, considerando-se que, no lapso temporal que permeia o lançamento e a solução administrativa não corre o prazo prescricional, ficando suspensa a exigibilidade do crédito até a notificação da decisão administrativa, ocorrida em 07.08.96, exsurge, inequivocamente, a inocorrência da prescrição, porquanto a empresa recorrente, impetrou o mandado de segurança em 25.11.96, suprindo a necessidade da ação fiscal. 11. A título de argumento obiter dictum impõe-se esclarecer: a) é que em princípio a norma encerraria técnica de natureza de fiscalização cambial. Entretanto, essa informação também é utilizada para fins de verificação de ganhos de capital por parte das contratantes brasileiras (imposto de renda na fonte), decorrente da diferença positiva do câmbio. Tanto a sentença, quanto o acórdão recorrido reconheceram natureza tributária à multa, merce de que a Lei 4.131/62 conta com diversos dispositivos tributários, motivo pelo qual baseei o voto nessa premissa; b) tratando-se de multa tributária, conforme o entendimento já exposto no voto, não se poderia aduzir à prescrição intercorrente, pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário, porquanto não há como se prescrever algo que não se pode executar, sendo certo que o PAF (Decreto 70.235/72) nunca aventou a possibilidade de prescrição intercorrente; e c) ad argumentandum tantum, ainda que se pretenda considerar a multa com a natureza administrativa, também haveria um vácuo legislativo, uma vez que somente com o advento da Lei 9.873 de 23.11.99 foi prevista a prescrição do processo administrativo, no mesmo sentido do art. 4º do Decreto 20.910/32, o que impediria a fluência do lapso prescricional. Fl. 198DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-009.909 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.731732/2013-58 12. Recurso especial desprovido. (REsp 840.111/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/06/2009, DJe 01/07/2009) RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PENDÊNCIA DE RECURSO ADMINISTRATIVO. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA PARTE, DESPROVIDO. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia" (Súmula 284/STF). 3. A discussão acerca de haver a Certidão da Dívida Ativa - CDA preenchido todos os requisitos previstos no art. 2º, § 5º, da Lei de Execuções Fiscais, além de gozar de presunção de legitimidade, esbarra no óbice da Súmula 7/STJ. 4. O Código Tributário Nacional estabelece três fases acerca da fruição dos prazos prescricional e decadencial referentes aos créditos tributários. A primeira fase estende-se até a notificação do auto de infração ou do lançamento ao sujeito passivo - período em que há o decurso do prazo decadencial (art. 173 do CTN); a segunda fase flui dessa notificação até a decisão final no processo administrativo - em tal período encontra-se suspensa a exigibilidade do crédito tributário (art. 151, III, do CTN) e, por conseguinte, não há o transcurso do prazo decadencial, nem do prescricional; por fim, na terceira fase, com a decisão final do processo administrativo, constitui-se definitivamente o crédito tributário, dando-se início ao prazo prescricional de cinco (5) anos para que a Fazenda Pública proceda à devida cobrança, segundo o que dispõe o art. 174 do CTN, a saber: "A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data da sua constituição definitiva." Precedentes. 5. Enquanto há pendência de recurso administrativo, não correm os prazos prescricional e decadencial. Somente a partir da data em que o contribuinte é notificado do resultado do recurso é que tem início a contagem do prazo de prescrição previsto no art. 174 do CTN. Destarte, não há falar em prescrição intercorrente em sede de processo administrativo fiscal. 6. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido. (REsp 718.139/SP, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/03/2008, DJe 23/04/2008) RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. PRAZO PRESCRICIONAL. PENDÊNCIA DE RECURSO ADMINISTRATIVO. CITAÇÃO POR EDITAL. INTERRUPÇÃO. POSSIBILIDADE. RECURSO PROVIDO. RETORNO DOS AUTOS AO JUÍZO DE ORIGEM. Fl. 199DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3401-009.909 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.731732/2013-58 1. O Código Tributário Nacional estabelece três fases acerca da fruição dos prazos prescricional e decadencial referentes aos créditos tributários. A primeira fase estende-se até a notificação do auto de infração ou do lançamento ao sujeito passivo - período em que há o decurso do prazo decadencial (art. 173 do CTN); a segunda fase flui dessa notificação até a decisão final no processo administrativo - em tal período encontra-se suspensa a exigibilidade do crédito tributário (art. 151, III, do CTN) e, por conseguinte, não há o transcurso do prazo decadencial, nem do prescricional; por fim, na terceira fase, com a decisão final do processo administrativo, constitui-se definitivamente o crédito tributário, dando-se início ao prazo prescricional de cinco (5) anos para que a Fazenda Pública proceda à devida cobrança, conforme o que dispõe o art. 174 do CTN, a saber: "A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data da sua constituição definitiva." Precedentes. 2. Enquanto há pendência de recurso administrativo, não correm os prazos prescricional e decadencial. Somente a partir da data em que o contribuinte é notificado do resultado do recurso é que tem início a contagem do prazo de prescrição previsto no art. 174 do CTN. Destarte, não há falar em prescrição intercorrente em sede de processo administrativo fiscal. 3. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento pacificado no sentido de que a citação editalícia, em sede de execução fiscal, também tem o condão de interromper a prescrição intercorrente. Isso, porque o Código Tributário Nacional e a Lei de Execuções Fiscais (art. 8º, III) permitem essa modalidade de ato processual, de maneira que, se não encontrado o devedor, após diversas tentativas frustradas, a citação deve ser realizada por meio de edital, interrompendo-se, assim, o lapso prescricional. 4. Definitivamente constituído o crédito tributário, inicia-se o prazo prescricional para sua cobrança, ou seja, o Fisco possui o lapso temporal de cinco anos para o ajuizamento da execução fiscal e, após, para a citação válida do executado, consoante previsto no art. 174 do CTN. 5. Na hipótese dos autos, o lançamento ocorreu dentro do prazo de cinco anos em relação aos fatos geradores questionados, não decorrendo, pois, o prazo decadencial previsto no art. 173 do CTN. Em seguida, a contribuinte foi notificada do auto de infração, impugnando o lançamento do crédito tributário. Após, foi proferida decisão administrativa às fls. 73/75, e, posteriormente, acórdão pelo Tribunal Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 82/84 e 89/92), tendo sido a contribuinte notificada da decisão em 9 de agosto de 1999 (fl. 94). A partir dessa data, então, o crédito tributário foi definitivamente constituído, iniciando-se, portanto, a contagem do prazo prescricional previsto no art. 174 do CTN. Por sua vez, a execução fiscal foi ajuizada em 24 de janeiro de 2001 e a citação da empresa por edital ocorreu em 23 de outubro de 2003 (fl. 245). Assim, não se implementou a prescrição. 6. Recurso especial provido, determinando-se o retorno dos autos ao Juízo de origem. (REsp 784.353/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/03/2008, DJe 24/04/2008) O fundamento do entendimento do Tribunal da Cidadania, i.e., a ratio decidendi nas decisões uniformemente exaradas, conforme demonstrado na pequena amostra acima, encontra-se na disciplina restritiva que o art. 151, inciso III, do CTN impõe à exigibilidade do crédito tributário (“Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito Fl. 200DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3401-009.909 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.731732/2013-58 tributário: (...) III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo (...)”). Por exemplo, a eminente Ministra Denise Arruda sintetiza em seus julgados (e.g. REsp 784.353/RS) o percurso pelo qual passa o crédito tributário, do lançamento inicial até sua constituição definitiva, para concluir pela impossibilidade de prescrição intercorrente no âmbito administrativo fiscal: 1. O Código Tributário Nacional estabelece três fases acerca da fruição dos prazos prescricional e decadencial referentes aos créditos tributários. A primeira fase estende-se até a notificação do auto de infração ou do lançamento ao sujeito passivo - período em que há o decurso do prazo decadencial (art. 173 do CTN); a segunda fase flui dessa notificação até a decisão final no processo administrativo - em tal período encontra-se suspensa a exigibilidade do crédito tributário (art. 151, III, do CTN) e, por conseguinte, não há o transcurso do prazo decadencial, nem do prescricional; por fim, na terceira fase, com a decisão final do processo administrativo, constitui-se definitivamente o crédito tributário, dando-se início ao prazo prescricional de cinco (5) anos para que a Fazenda Pública proceda à devida cobrança, conforme o que dispõe o art. 174 do CTN, a saber: "A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data da sua constituição definitiva." Precedentes. 2. Enquanto há pendência de recurso administrativo, não correm os prazos prescricional e decadencial. Somente a partir da data em que o contribuinte é notificado do resultado do recurso é que tem início a contagem do prazo de prescrição previsto no art. 174 do CTN. Destarte, não há falar em prescrição intercorrente em sede de processo administrativo fiscal. (REsp 784.353/RS) A lógica adotada, na verdade, é a mesma considerada, quando das decisões consideradas como precedentes para a expedição da Súmula CARF nº 11. Os acórdãos qualificados como precedentes quando da expedição da súmula são os seguintes: (1) Acórdão nº 103-21113, de 05/12/2002; (2) Acórdão nº 104-19410, de 12/06/2003; (3) Acórdão nº 104-19980, de 13/05/2004; (4) Acórdão nº 105-15025, de 13/04/2005; (5) Acórdão nº 107-07733, de 11/08/2004; (6) Acórdão nº 202-07929, de 22/08/1995; (7) Acórdão nº 203-02815, de 23/10/1996; (8) Acórdão nº 203-04404, de 11/05/1998; (9) Acórdão nº 201-73615, de 24/02/2000; e (10) Acórdão nº 201-76985, de 11/06/2003. Na sequencia, o resumo da fundamentação de cada precedente citado demonstra que a ratio decidendi gravita sempre em torno da suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 151, III, CTN): 1 103-21.113 EMENTA PRELIMINAR DE PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Em prestígio ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, bem assim à isonomia na relação jurídico-tributária não é admissivel a prescrição intercorrente no Processo Administrativo Fiscal. Havendo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não ocorre a prescrição. O prazo prescricional começa a fluir a partir da constituição definitiva da crédito tributário, que ocorre quando não cabe recurso ou ainda pelo transcurso do prazo. 2 104-19.410 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — PRELIMINAR — PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE - No Processo Administrativo Fiscal, Fl. 201DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3401-009.909 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.731732/2013-58 não se configura a prescrição intercorrente. Se o crédito está suspenso nos termos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional, não há de se falar em prescrição. O prazo prescricional conta-se da constituição definitiva do crédito tributário, e esta só ocorre quando não cabe recurso ou pelo transcurso do prazo. No voto, o Relator argumenta em síntese que: Com efeito, constituído o crédito tributário passa a fluir, em princípio, prazo prescricional, que fica em suspenso, até que sejam decididos os recursos administrativos. Há julgados no sentido de que instaurada a lide com a apresentação de impugnação, não correm prazos prescricionais, até decisão da mesma. A verdade é que não se admite a prescrição intercorrente no Processo Administrativo Fiscal. A suspensão da exigência de cobrança imediata do crédito, nos termos do art. 151, inciso III do CTN, não permite que se alegre prescrição e mais, não há qualquer prejuízo a ser indicado. A apreciação da lide tributária na via administrativa, como forma de ser exercido o controle da legalidade é argumento a afastar a alegação de prescrição intercorrente. 3 104-19.980 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE - Em decorrência do devido processo legal e do princípio da isonomia na relação jurídico- tributária, não é admissível a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Dando-se a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não há que se argüir. No voto, o Relator argumenta em síntese que: Ademais, em decorrência do devido processo legal e do princípio da isonomia na relação jurídico-tributária, não é admissível a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Isto porque, havendo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não ocorre a prescrição. Impõe-se observar que a própria interposição da peça defensória suspende a exigibilidade do crédito tributário, não sendo plausível, portanto, a argüição de prescrição intercorrente. 4 105-15.025 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE - Não ocorre a prescrição intercorrente quando houver a interposição de impugnação no prazo legal - A impugnação e o recurso suspendem a exigibilidade do crédito tributário - Desta forma, não ocorre a prescrição, mesmo que entre a impugnação e o recurso e as respectivas decisões, haja um prazo superior a 5 (cinco) anos. No voto, o Relator argumenta em síntese que: É pacifico o entendimento — administrativo e judicial — que enquanto não julgado o lançamento em caráter definitivo, não transcorre nenhum prazo de caducidade, pelo que afasto de pronto a suposta prescrição intercorrente. 5 107-07.733 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE - LEI N.°9.873/99 - INAPLICABILIDADE. A jurisprudência do e. Conselho de Contribuintes entende que não se tem como admitir a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Ademais, a Lei n° 9.873/99, utilizada Fl. 202DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3401-009.909 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.731732/2013-58 como argumento pela Recorrente, explicitamente, dispõe, em seu art. 5°, que o prazo de prescrição intercorrente nela consignado não se aplica aos processos administrativos fiscais. No voto, o Relator argumenta em síntese que: A alegação preliminar de prescrição é descabida, não só porque não se tem admitido a chamada prescrição intercorrente no âmbito do processo administrativo (do que, particularmente e em algumas situações, discordo), como, também, porque a lei utilizada pela Recorrente — Lei n.° 9873/99 - como supedâneo para a sua pretensão é taxativa ao dizer que suas disposições não se aplicam à matéria tributária: "Art. 5º O disposto nesta Lei não se aplica às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária". 6 201-73.615 EMENTA: Não existe prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal, uma vez constituído o crédito tributários dentro do iter legal. No voto, o Relator argumenta em síntese que: De outra banda, já assentado nesta Câmara que não existe prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal federal à míngua de legislação que regre a matéria nos termos do que existe hoje no direito penal. E o próprio lançamento ora guerreado, é um bom exemplo de que tal instituto seria penoso à Fazenda, uma vez que, como na hipótese versada nos autos, houve, via Lei n° 8.022/90, uma transferência de competência do ITR, passando sua administração, cobrança e lançamento do INCRA para a Receita Federal. Face a tal, até que a máquina burocrática desses órgãos pudesse implementar a citada legislação, houve demanda de tempo, tempo este que não poderia fulminar o direito subjetivo dos entes públicos de cobrar os tributos que lhe são devidos, mormente quando já devidamente constituídos como no presente caso. Assim, afasto a alegação de prescrição intercorrente. 7 201-76.985 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Nos termos do que dispõe o art. 174 do Código Tributário Nacional, a ação para a cobrança do crédito tributário prescreve após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de constituição definitiva do crédito tributário. Neste sentido, estando suspensa a exigibilidade do crédito em decorrência da interposição tempestiva de impugnação, não há que se falar em prescrição intercorrente. No voto, o Relator argumenta em síntese que: A outra alegação da recorrente diz respeito à prescrição intercorrente. Diz ela que tendo tomado ciência do auto de infração em 28 de junho de 1996 e ciência do julgamento de primeira instância somente em 25 de abril de 2002, transcorreram os cinco anos previstos no art. 174, c/c art. 150, § 4º do CTN. Discordo de tal entendimento. Para que ocorra a prescrição é necessário que o Fisco possa agir. Ora, uma vez apresentada impugnação à exigência, esta ficou suspensa nos termos do art. 151, III, do CTN como se vê da transcrição, a seguir: 8 202-07.929 Fl. 203DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3401-009.909 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.731732/2013-58 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE - Inadmissível em face da inocorrência comprovada de omissão das autoridades preparadoras, conforme reiterada jurisprudência deste e dos demais Conselhos. No voto, o Relator argumenta em síntese que: No que diz respeito à preliminar da ocorrência da prescrição intercorrente, perfilando a reiterada jurisprudência deste e dos demais Conselhos, entendo-a inadmissível, especialmente em face da não-comprovação da omissão da autoridade administrativa, invocando dita jurisprudência, entre outras decisões, a do Acórdão n° 202-03.600. 9 203-02.815 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE - Inadmissível em face da inocorrência comprovada de omissão das autoridades preparadoras, conforme reiterada jurisprudência deste e dos demais Conselhos. No voto, o Relator argumenta em síntese que: Preliminarmente, seguindo a já reiterada jurisprudência deste e dos demais Conselhos, entendo como inadmissível a alegação de ocorrência da prescrição intercorrente, especialmente em face da não-comprovação da omissão da autoridade administrativa. 10 203-04.404 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE - INOCORRÊNCIA. Estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário, em decorrência de impugnação ao lançamento fiscal, inocorre, até o trânsito em julgado administrativo, a fluência de prazo prescricional No voto, o Relator argumenta em síntese que: Todavia, segundo a inteligência da súmula n° 153, do extinto Tribunal de Recursos — TER, não se inicia fluência de prazo prescricional, entre a data da lavratura de Auto de Infração e o trânsito em julgado administrativo, em face do crédito tributário encontrar-se suspenso. Da análise dos acórdãos qualificados como precedentes, citados expressamente com a expedição da Súmula CARF nº 11, constata-se que a ratio decidendi para afastar a aplicação da prescrição intercorrente do processo administrativo fiscal, em nenhum caso pautou-se na natureza da matéria discutida, sendo irrelevante para decidir a preliminar, se se tratava de tributos internos ou incidente no comércio exterior, se o processo originava-se de auto de infração ou notificação de lançamento, se procedia de aplicação de multa ou de lançamento de tributo, se o ponto de partida era aplicação de multa isolada ou constituição de tributo com multa de ofício, se a causa determinante do contencioso residia em violação de obrigação acessória ou principal, nem se cogitara de distinção entre matéria aduaneira ou tributária. Em uma palavra, a matéria não importou, mas o rito, que tem por sua vez a suspensão da exigibilidade da obrigação enquanto durar o contencioso. Nesta linha de entendimento, o pleno do CARF aprovou o enunciado da Súmula 11 para fins de aplicação em todo o CARF, inclusive na seção dotada de competência para julgamento de questões aduaneiras, pois, como se observou, o que importou em cada um dos precedentes, onde a preliminar de prescrição intercorrente fora apreciada, Fl. 204DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 3401-009.909 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.731732/2013-58 foi a suspensão da exigibilidade da obrigação, sem ter relevância a natureza jurídica da obrigação. A propósito, a Nota Técnica SEI nº 15067/2021/ME traz um histórico detalhado de todo o procedimento adotado, da qual se extrai alguns excertos: (...) 5. Não obstante a previsão regimental de observância obrigatória das Súmulas dos antigos Conselhos pelos membros do CARF, o Pleno e as Turmas da CSRF foram convocados, por meio da Portaria CARF nº 97, de 24/11/2009, para que, no período de 08/12/2009 a 10/12/2009, procedessem à análise e votação de enunciados de novas súmulas CARF, bem como votassem, de forma global e nominal, a consolidação e renumeração das súmulas dos extintos Conselhos de Contribuintes. 6. Registre-se que no Anexo II, da Portaria CARF nº 97, constam os enunciados das súmulas dos antigos Conselhos de Contribuintes, submetidos à aprovação consolidada por parte do Pleno da CSRF, o que foi levado a cabo na sessão de 08/12/2009. 7. Na sequência da realização do Pleno, em 21/12/2009, foi publicada a Portaria CARF nº 106, que além de divulgar os novos enunciados de súmulas aprovados, consolidou e renumerou os enunciados dos antigos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes como Súmulas CARF, conforme fora aprovado na sessão do Pleno da CSRF, realizada em 08/12/2009. 8. Desta forma, resta claro que a conversão das súmulas dos antigos Conselhos de Contribuintes para súmulas CARF ocorreu mediante aprovação do Pleno da CSRF, conforme o rito regimental previsto no § 1º, do art. 72, do primeiro Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 2009, Anexo II), vigente à época e reiterado no atual RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 (art. 72, do Anexo II). (gn) (...) O ponto crucial para estabelecimento da súmula é que o prazo prescricional efetivamente se inicia quando esgotados os recursos na esfera administrativa, isto é, com a definitividade da decisão administrativa. Em outros termos, a suspensão da exigibilidade do crédito nos termos do art. 151, inciso III, do CTN, é o princípio segundo o qual não se aplica a prescrição intercorrente no âmbito do processo administrativo fiscal, consubstanciando a ratio decidendi dos precedentes. O caso que ora se examina refere-se à aplicação de penalidade nos termos do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decreto-Lei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03. O rito seguido para constituição da multa e de sua exigência fora o do Processo Administrativo Fiscal, estabelecido no Decreto nº 70.235/72, por disposição expressa do próprio Regulamento Aduaneiro, Decreto 6.759/2009, verbis: Art. 768. A determinação e a exigência dos créditos tributários decorrentes de infração às normas deste Decreto serão apuradas mediante processo administrativo fiscal, na forma do Decreto nº 70.235, de 1972 (Decreto-Lei nº 822, de 5 de setembro de 1969, art. 2º; e Lei nº 10.336, de 2001, art. 13, parágrafo único). § 1º O disposto no caput aplica-se inclusive à multa referida no § 1º do art. 689. § 2º O procedimento referido no § 2º do art. 570 poderá ser aplicado ainda a outros casos, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 205DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 3401-009.909 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.731732/2013-58 Observe-se que o art. 2º do Decreto-Lei nº 822, de 5 de setembro de 1969, a base legal citada no art. 768 do RA, é o mesmo fundamento invocado (“O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando das atribuições que lhe confere o artigo 81, item III, da Constituição e tendo em vista o disposto no artigo 2° do Decreto-Lei n. 822, de 5 de setembro de 1969, decreta ...) quando da instituição das normas regentes do processo administrativo fiscal (Decreto nº 70.235/72): Decreto-Lei nº 822, de 5 de setembro de 1969 Art 2º O Poder Executivo regulará o processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários federais, penalidades, empréstimos compulsórios e o de consulta. Por sua vez, o Decreto nº 70.235/72, de fato, disciplina não apenas o procedimento para exigência de crédito tributário stricto sensu (tributos com multa e juros) mas também a pura aplicação de penalidade: Art. 9 o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Assim, no caso em exame, a exigibilidade do crédito correspondente à multa aplicada restou suspensa por força do art. 151, III, CTN, em razão dos recursos administrativos – impugnação e recurso voluntário - interpostos pelo contribuinte. Daí se conclui que o principio motivador (a ratio decidendi) da Súmula 11 está presente neste caso específico, sendo sua aplicação inafastável. Por outro ângulo, ad argumentandum tantum, a Lei n° 9.873/99, único argumento invocado pela Recorrente a favor de sua tese, dispõe, em seu art. 5°, que o prazo de prescrição intercorrente nela consignado não se aplica “aos processos e procedimentos de natureza tributária”: Art.1 o Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado. (...) Art.5 o O disposto nesta Lei não se aplica às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária. (...) Aqui a expressão “processos e procedimentos de natureza tributária” não comporta interpretação restritiva no sentido de reduzi-la a processos de exigência de créditos decorrentes de tributos stricto sensu. A expressão ao incluir procedimentos ampliou para a fase anterior ao litígio a disciplina do artigo 5º da Lei nº 9.873/99, porque resulta da combinação dos artigos 7 e 14 do Decreto nº 70.235/72 que a fase litigiosa do procedimento começa com a impugnação da exigência: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I - o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II - a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; Fl. 206DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 3401-009.909 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.731732/2013-58 III - o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. (...) Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Qualquer exigência, não necessariamente referente a tributo, durante a fase não litigiosa decorrente das normas de fiscalização poderia redundar em processo administrativo fiscal, desde que um auto de infração fosse lavrado e, na sequencia, impugnado. Portanto, quando a lei registra “processos e procedimentos de natureza tributária”, não denota apenas processos de exigência de tributos, o que se corrobora com o uso da expressão “de natureza tributária”, ao invés de simplesmente “tributários”. Em interpretação teleológica pode–se razoavelmente concluir que “processos e procedimentos de natureza tributária” inclui processos tipicamente de exigência de tributos e consectários legais, mas também aqueles vinculados ao controle exercido pela administração tributária, seja em casos aduaneiro ou de fiscalização interna. No sentido aqui defendido, o procedimento/processo de aplicação e exigência de multa aduaneira é um processo de natureza tributária, daí ser naturalmente aplicável o rito utilizado do Decreto nº 70.235/72, e daí não se aplicar a prescrição intercorrente por força da própria Lei nº 9.873/99. Além disso tudo, quando o Regulamento Aduaneiro refere-se a crédito tributário abrange sistematicamente o crédito decorrente de penalidade, por exemplo: Art.766. A exigência de crédito tributário apurado em procedimento posterior à apresentação do termo de responsabilidade, em decorrência de aplicação de penalidade ou de ajuste no cálculo de tributo devido, será formalizada em auto de infração, lavrado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, observado o disposto no Decreto n o 70.235, de 1972. Por este exemplo, constata-se que o sentido de crédito tributário abrange crédito decorrente de aplicação de penalidade, e sua constituição e exigência segue o PAF (D. 70.235/72), conforme o já citado art. 768 do RA (“A determinação e a exigência dos créditos tributários decorrentes de infração às normas deste Decreto serão apuradas mediante processo administrativo fiscal, na forma do Decreto nº 70.235, de 1972”). No Regulamento Aduaneiro constitui infração “deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil”. Tal hipótese de infração, tipificada no DL 37/66, constante do Regulamento Aduaneiro, entendeu a Autoridade Fiscal cometida. Art. 728. Aplicam-se ainda as seguintes multas (Decreto-Lei nº 37, de 1966, art. 107, incisos I a VI, VII, alínea “a” e “c” a “g”, VIII, IX, X, alíneas “a” e “b”, e XI, com a redação dada pela Lei n o 10.833, de 2003, art. 77): (...) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga; e Fl. 207DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 3401-009.909 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.731732/2013-58 Portanto, o processo de aplicação e exigência desta multa segue o Decreto nº 70.235/72 e sobre ele não incide o §1º do art. 1º da Lei nº 9.873/99. Por outro ponto de vista, e ainda para argumentar, pesquisa nas decisões do CARF permite concluir que todas as turmas, inclusive esta, e todos os conselheiros desta turma vêm aplicando de forma uniforme a Súmula CARF nº 11 a multas aduaneiras. A Lei nº 9.873/99, que veio estabelecer a prescrição intercorrente no domínio da Administração Pública Federal, direta e indireta – conta com mais de 20 anos e nunca foi óbice para a sua aplicação. E o caso em exame não possui qualquer particularidade que motive a existência de formulação de distinguishing, termo que doravante será aqui traduzido como distinção. O presente caso não é exatamente o melhor exemplo para a aplicação da teoria dos precedentes. Em primeiro lugar, não se trata aqui de seguir um precedente, ou não segui-lo mediante distinção, porque nesse caso se trata de linha de precedentes sintetizada em um enunciado de súmula, expedida por uma Autoridade legítima, e que, portanto, tem forca normativa por si só, nos termos do art. 100, inciso I, do CTN: CTN Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...) Quando se alude a uma autoridade legítima estamos nos referindo ao pleno do CARF, que expediu a súmula e, ainda, ao Ministro da Fazenda, que lhe deu eficácia normativa, vinculante de toda a Administração Pública Federal (Portaria MF 277/18: “Art. 1º Fica atribuído às súmulas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, relacionadas no Anexo Único desta Portaria, efeito vinculante em relação à administração tributária federal”). Nesta linha de entendimento, o que se discute não é simplesmente fazer distinção em precedente, mas reinterpretar uma norma complementar para excepcionar um caso específico de sua incidência. Em segundo lugar, observe-se que o inciso V, §1º do art. 489 do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, encontra-se devidamente respeitado no caso presente, uma vez que o fundamento determinante da linha de precedentes e da própria súmula, dela originada, é como visto a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, na forma do art. 151, III, do CTN, que no caso incidiu. Art. 489. São elementos essenciais da sentença: (...) § 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: (...) V - se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; Fl. 208DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 3401-009.909 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.731732/2013-58 O caso em julgamento, portanto, se ajusta ao fundamento determinante da súmula., entendendo-se por esta expressão do Codex processual o princípio motivador da súmula, ou a ratio decidendi dos precedentes. Em terceiro lugar, a pretensão de excluir da incidência da Súmula CARF nº 11 as multas de controle aduaneiro dificilmente pode ser alcançada pela via estreita da técnica da distinção. Na verdade, a distinção para se legitimar como tal submete-se a condicionamentos incontornáveis, pois, dele deve resultar um princípio modificado (fundamento determinante da súmula) em virtude de atributos factuais próprios do caso em análise. Neste sentido, a distinção é motivada quando um caso concreto e específico se apresenta com características factuais inéditas a que a regra anterior não abrangeria, por tal razão deve ser estreitada para não incidir no caso presente. Porém, a regra modificada – quando se trata de distinção! - deve continuar aplicável aos casos anteriormente tratados. Sem tais condicionamentos, a pretensão não poderá ser qualificada como distinção (distinguishing) mas superação (overruling) do precedente (ou da súmula). De qualquer forma, quem pretende afastar a incidência da súmula, assume o ônus argumentativo de demonstrar a existência da distinção ou da superação, na forma do inciso VI, do §1º do art. 489 do CPC: Art. 489. São elementos essenciais da sentença: (...) § 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: (...) VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. (...) Entende-se que a superação (overruling), ao contrário da distinção (distinguishing), não seria instrumento disponível às turmas do CARF, mas ao seu pleno, porque a primeira implicaria “revogação” da súmula, ao passo que na segunda hipótese há apenas um estreitamento do campo de incidência do seu fundamento determinante. A doutrina analisa as situações: Para que se compreenda o instituto, é preciso perceber que o entendimento novo não tem por objeto a exata questão de direito de que trata o posicionamento núcleo do precedente judicial, mas nela influencia, pois reduz as hipóteses fáticas de sua incidência. No overruling, por outro lado, a alteração é da própria ratio decidendi, que é superada, construindo-se uma nova norma jurisprudencial, para substituí-la. (…) O overriding não implica a substituição da norma contida no precedente, entretanto, um novo posicionamento restringe sua incidência.(…) Há aproximação, porém não identidade; trata-se de técnicas distintas. Verifica-se que, ao passo que no distinguishing, uma questão de fato impede a incidência da norma, no overriding é uma questão de direito (no caso, um novo posicionamento) que restringe o suporte fático. Ou seja, no primeiro são os fatos materialmente relevantes do novo caso concreto que afastam o precedente, por não terem sido considerados quando da sua formação, enquanto que, no segundo, o afastamento é decorrente de um novo entendimento; portanto, de um elemento externo à relação jurídica discutida. (gn) Fl. 209DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 3401-009.909 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.731732/2013-58 DIDIER JR., Fredie; BRAGA, Paula S.; OLIVEIRA, Rafael A. Curso de direito processual civil: teoria da prova, direito probatório, ações probatórias, decisão, precedente, coisa julgada e antecipação dos efeitos da tutela. 10ª ed. Salvador: JusPODIVM, 2015. v.2, p. 507. Na verdade, nada há de factualmente novo no caso em tela que suscite distinção, lembrando que a ratio decidendi dos precedentes, ou o fundamento determinante da súmula, é a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Por outro lado, a invocação de um novo entendimento a respeito do direito aplicável ao caso situaria a pretensão no campo da superação (overriding ou overruling). Assim, de qualquer ângulo que se analise, alcança-se a conclusão pela rejeição da aplicação da prescrição intercorrente ao caso, e, portanto, pela negativa de provimento ao recurso voluntário. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Fl. 210DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 35464.001490/2007-73
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Exercício: 1995, 2006
VÍCIO MATERIAL. NULIDADE
O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos
requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-000.299
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, no mérito, por maioria de votos em
dar provimento ao recurso para se declarar nulidade por vicio material. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari.
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 1995, 2006 VÍCIO MATERIAL. NULIDADE O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, no mérito, por maioria de votos em dar provimento ao recurso para se declarar nulidade por vicio material. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto. Ausente o Conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 168DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/02/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO Assinado digitalmente em 10/02/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 11/02/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 2 Relatório Conforme folha 20 do Relatório Fiscal, a empresa deixou de prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, infringindo assim artigo 32, inciso III, da Lei n". 8212/91, combinado com o artigo 225. III, do Regulamento da Previdência Social. Em síntese, a empresa deixou de apresentar a relação de cooperados beneficiados com o Programa de Incentivo ao Incremento de Produtividade, conforme contrato assinado com a Incentive House S.A. O Relatório da Aplicação da Multa informa que a mesma foi aplicada com base na alínea "b", inciso II, do art. 283, do Decreto 3.048/99, atualizada pela Portaria n.° 342, de 16/08/2006, no valor da multa de R$ 11.569,42 (onze mil e quinhentos e sessenta e nove reais e quarenta e dois centavos). Conforme este relatório e a consulta ao extrato do devedor (fls.22) não ocorreram circunstâncias agravantes ou atenuantes. DA IMPUGNAÇÃO A impugnante contestou a autuação através do instrumento de fls. 29/39, alegando que a cobrança é de toda indevida, conforme abaixo transcrito: Que houve diversas renovações no prazo de cumprimento do Mandado de Procedimento Fiscal e que muitas vezes eles eram enviados após a data de expiração acarretando a nulidade de todos os atos praticados; Que inexiste a remuneração afirmada pela fiscalização em suposição no sentido de que valores pagos a Incentive House S/A foram revertidos em remuneração aos cooperados; Que a suposição arbitrária e equivocada não pode ser aproveitada para que se exija do contribuinte tributos, ou mesmo multas em função da ausência de informações não disponibilizadas; Que não se pode atribuir Responsabilidade aos Sócios; Que ocorreu divergência entre o CPF indicado aos coresponsáveis e os respectivos; Citou os artigos 134 e 135 do CTN os quais regulam a responsabilidade de terceiros para efeitos tributários e alega que os sócios da impugnante jamais poderiam ter sido apontados como responsáveis dos débitos, por patente ofensa aos artigos citados do Código Tributário Nacional; Requereu que seja declarado improcedente o AI Auto de Infração; e E que seja excluída a responsabilidade tributária dos sócios sobre tais débitos, haja vista que não haveria qualquer fundamento legal que justificasse a imputação de responsabilidade aos mesmos. Fl. 169DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/02/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO Assinado digitalmente em 10/02/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 11/02/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 35464.001490/200773 Acórdão n.º 240300.299 S2C4T3 Fl. 154 3 DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Analisadas as alegações, a 13ª Turma da DRJ/SP OI, mediante o Acórdão 16 14.376, concluiu pela procedência do lançamento conforme folhas 75. DO RECURSO Irresignada com a decisão daquela Delegacia de Julgamento, a empresa interpôs recurso de folhas 92 a 149, onde reiterou as alegações anteriores e requereu que ante do o exposto e por tudo mais que dos autos consta, aguardase provimento do presente Recurso, para que seja reformada a r. decisão de 1ª instância, ora recorrida, declarandose improcedente o Auto de Infração n° 37.081.7843, e insubsistente o débito nele constante. Finalizando, requereu que todas as publicações sejam realizadas, exclusivamente em nome de Alvaro Trevisioli, inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, Secção São Paulo, sob o n° 108.491, com escritório na Avenida Paulista n°352, conjunto 55, Bairro Bela Vista, na Capital do Estado de São Paulo, Cep: 01310905. É o relatório. Fl. 170DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/02/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO Assinado digitalmente em 10/02/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 11/02/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 4 Voto Conselheiro Ivacir Júlio De Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme folha 152, o recurso é tempestivo. Portanto, dele tomo conhecimento. EM PRELIMINAR Dos Mandados de Procedimento Fiscais MPFs. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF foi instituído pelo Decreto n°3.969 de 15/10/2001. Na base do corpo do documento MPF emitido à época, se observa que : “ 4. Este Mandado de Procedimento Fiscal é assinado eletronicamente conforme previsto no art. 7°, parágrafo 5°, da Portaria MPS/SRP n° 3.031, de 16 de dezembro de 2005.” Assim, de plano, é relevante notar, às fls. 80, que a instância “a quo” fundamentou seus argumentos na dicção da Instrução Normativa MPS/SRP n° 3 de 14/07/2005, publicada no DOU de 15/07/2005: “A instrução Normativa MPS/SRP n° 3 de 14/07/2005, publicada no DOU de 15/07/2005, trata, especificamente, do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF em seus arts.573 a 590. O art. 586 desta Instrução Normativa esclarece que, a qualquer tempo, pode o sujeito passivo verificar a autenticidade do MPF, inclusive durante a ação fiscal. Esta mesma orientação encontrase expressa no campo "OBSERVAÇÕES" do MPF: Art. 586. A autenticidade do MPF poderá ser verificada pelo sujeito passivo, a qualquer tempo, sem prejuízo do inicio do procedimento fiscal, mediante consulta: I ao endereço eletrônico da Previdência Social, com a utilização do código de acesso à Internet referido no MN': H à autoridade emissora, pelos meios indicados no MPF; III em qualquer UARP. • Parágrafo único. Na hipótese do inciso I do capta, a confirmação poderá ser feita durante a ação fiscal. Portanto, em caso de dúvidas quanto ao MPF, bastaria ao sujeito passivo consultálo.” Fl. 171DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/02/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO Assinado digitalmente em 10/02/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 11/02/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 35464.001490/200773 Acórdão n.º 240300.299 S2C4T3 Fl. 155 5 Desse modo, A DRJ o fez de forma desatualizada tendo em vista que, conforme instruído no item 4 no corpo do próprio MPF, vigia na ocasião a Portaria MPS/SRP de n° 3.031, datada de 16/12/2005. Portanto, posterior. PORTARIA MPS/SRP N° 3.031, DE 16 DE DEZEMBRO DE 2005 DOU DE 22/12/2005 “Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos aos tributos federais previdenciários serão executados por Auditores Fiscais da Previdência Social (AFPS) habilitados e instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal MPF. (...) 4º O MPF será emitido na forma dos modelos constantes nos Anexos I a VIII, do qual será dada ciência ao sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, por ocasião do início do procedimento fiscal.” Aduz que será dada ciência ao sujeito passivo, nos termos do artigo 23 do Decreto n° 70.235/72 e ali se preceitua que haverá de se proceder a intimação com a ciência do intimado : “ DECRETO Nº 70.235, DE 06 DE MARÇO DE 1972 DOU DE 07/03/1972 ALTERADO (...) Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; (...) Fl. 172DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/02/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO Assinado digitalmente em 10/02/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 11/02/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 6 a) quinze dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449, DE 3 DE DEZEMBRO DE 2008 – DOU DE 4/12/2008) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea “a”; ou (Redação dada pela MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449, DE 3 DE DEZEMBRO DE 2008 – DOU DE 4/12/2008) (...) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6º As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005. ” INTIMAÇÃO Segundo Pedro Nunes em sua obra Dicionário de Tecnologia Jurídica, 13ª Ed. , pg. 647 : “Intimação é o ato judicial de caráter impositivo pelo qual se dá ciência, às partes....” Às folhas 06 a 14, se observam expedidos 09 ( nove) MPS durante a ação fiscal. A saber pela ordem: 1° expedido eletronicamente em 04/01/2006, expirado em 04/05/2006, tempestivamente cientificado em 11/01/2006; 2° expedido eletronicamente em 27/04/2006, expirado em 26/07/2006, intempestivamente cientificado em 01/08/2006 ; 3° expedido eletronicamente em 23/06/2006, expirado em 31/07/2006, intempestivamente cientificado na mesma data anterior, 01/08/2006 ; 4° expedido eletronicamente em 31/07/2006, expirado em 29/09/2006, intempestivamente cientificado na mesma data anterior , 01/08/2006; 5° expedido em 29/09/2006, expirado em 08/01/2007, cientificado na mesma data da expiração, em 08/01/2007; 6° expedido em 28/11/2006, expirado em 30/11/2006, cientificado na mesma data anterior, 08/01/2007, intempestivamente; Fl. 173DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/02/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO Assinado digitalmente em 10/02/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 11/02/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 35464.001490/200773 Acórdão n.º 240300.299 S2C4T3 Fl. 156 7 7° expedido em 30/11/2006, expirado em 20/12/2006, cientificado na mesma data anterior, 08/01/2007, intempestivamente; 8° expedido em 20/12/2006, expirado em 18/02/2007, cientificado na mesma data anterior , 08/01/2007; e 9° expedido em 16/02/2007, expirado em 31/03/2007, cientificado em 05/03/2007. Como se observa pela seqüência, os MPFs foram tempestivamente expedidos entretanto, a exceção do 1°, intempestivamente cientificados tendo a autoridade fiscal o feito em lotes de data única. O fato de ter sido emitido eletronicamente os MPFs e disponibilizado no site do Ministério da Previdência Social – MPS não tem o condão de consubstanciar uma intimação. Intimação requer ato formal de entrega e recebimento efetivado no momento da ciência pela aposição das assinaturas acompanhado da informação da data da ocorrência. Desse modo, considerando o determinado na Portaria MPS/SRP N° 3.031, de 16 de dezembro de 2005 DOU DE 22/12/2005 , artigo 4°, é lícito inferir ter ocorrido vício formal na expedição/cientificação dos MPFs posto que se descumpriu o ali preceituado : “ (...) 4º O MPF será emitido na forma dos modelos constantes nos Anexos I a VIII, do qual será dada ciência ao sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, por ocasião do início do procedimento fiscal.” E ainda o artigo 23 , I, “b” do Decreto 70/235/72 : “ § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; (...) a) quinze dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449, DE 3 DE DEZEMBRO DE 2008 – DOU DE 4/12/2008) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea “a”; ou (Redação dada pela MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449, DE 3 DE DEZEMBRO DE 2008 – DOU DE 4/12/2008 ” SOBRE OS PRAZOS PARA PRORROGAÇÃO DO MPF Fl. 174DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/02/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO Assinado digitalmente em 10/02/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 11/02/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 8 Conforme nos artigos 12° ao 16, parágrafo único Portaria MPS/SRP n° 3.031, de 16 de dezembro de 2005: “ Art. 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o art. 12 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observados, a cada ato o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. § 1º A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7º, inciso VIII. § 2º Na hipótese do § 1º deste artigo, o servidor responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo IX. Art. 14. Os prazos a que se referem os arts. 12 e 13 serão contínuos, excluindose da sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, nos termos do art. 5º do Decreto nº 70.235, de 1972. Parágrafo único. A contagem do prazo do MPFE farseá a partir da data do início do procedimento fiscal. DA EXTINÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Art. 15. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13. Art. 16. A hipótese de que trata o inciso II do art. 15 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Parágrafo Único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo servidor responsável pela execução do Mandado extinto. ” Conforme as instruções, após cada prorrogação deveria ter sido emitido o anexo IX: Fl. 175DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/02/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO Assinado digitalmente em 10/02/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 11/02/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 35464.001490/200773 Acórdão n.º 240300.299 S2C4T3 Fl. 157 9 “ § 2º Na hipótese do § 1º deste artigo, o servidor responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo IX.” ANEXO IX “ MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL MPS SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA – SRP INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO DE MPF CONTRIBUINTE/RESPONSÁVEL CNPJ / CPF: NOME EMPRESARIAL / NOME: ENDEREÇO: MUNICÍPIO: UF: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Nº _____________________ EMISSÃO: ___ de _________ de _____. PRORROGAÇÃO: DATA : ___ de _________ de _____. VALIDADE: ___ de _________ de _____. DATA : ___ de _________ de _____. VALIDADE: ___ de _________ de _____. ..................... ..................... Fl. 176DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/02/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO Assinado digitalmente em 10/02/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 11/02/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 10 DATA : ___ de _________ de _____. VALIDADE: ___ de _________ de _____. AUDITORFISCAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL MATRÍCULA OBSERVAÇÕES 1. Em caso de dúvida, o contribuinte/responsável poderá entrar em contato com: Chefe de Equipe de Fiscalização:_________________________________________ Telefone: _________________ Chefe de Fiscalização: _________________________________________________ Telefone:__________________ Endereço: ______________________________________________________________________________________ 2. CÓDIGO DO PROCEDIMENTO FISCAL: __________________________________ A autenticidade deste Demonstrativo poderá ser verificada pelo sujeito passivo mediante consulta ao site do Ministério da Previdência Social – MPS (www.previdencia.gov.br) na Internet, opção: Empregador / Mais Serviços / Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), com a utilização do código acima, ou então em qualquer Unidade de Atendimento da Secretaria da Receita Previdenciária, ou mesmo pelo telefone acima. Desse modo, não tendo sido produzido o documento ANEXO IX, exigível, se consolida o vício formal na expedição das prorrogações do MPFs ora em questão. DA MOTIVAÇÃO E DA VERDADE MATERIAL O sucinto Relatório Fiscal de folha 20, abaixo transcrito na íntegra, informa que: “A empresa deixou de apresentar a relação de cooperados beneficiados com o Programa de 1ncentivo ao Incremento de Produtividade conforme contrato assinado com a Incentive House S A. CNPJ 00.416.126/0001 41, solicitada por escrito em Fl. 177DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/02/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO Assinado digitalmente em 10/02/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 11/02/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 35464.001490/200773 Acórdão n.º 240300.299 S2C4T3 Fl. 158 11 Termo de Intimação para apresentação de Documentos TIAD infringindo assim, o art. 32, Inciso III, da Lei 8.212/91” Aduz que de fato as folhas 15 a 17 contêm Termos de Intimação Para Apresentação de Documentos – TIADs solicitando o 1°, em 11/01/2007, apresentação de contratos da prestação de serviços celebrados com terceiros e o 2°, em 30/01/2007, requerendo relação de cooperados beneficiados pelo Incentive House. Entretanto, não há nada informado sobre ter sido atendida a intimação para apresentação dos contratos bem como sobre o conteúdo desses. Relevante registrar que o Auditor Fiscal não se preocupou em colacionar cópia do contrato a que faz referência o que caracterizaria, desta forma, o pacto. Uma vez exibido o pactuado contratualmente, poderia se apontar a cláusula alusiva da obrigação de se produzir tal solicitada listagem, os beneficiados e, ainda , demonstrar efetivamente a realização dos pagamentos eventualmente realizados face a efetivos lançamentos contábeis. Do exposto se observa precária e subjetiva a caracterização na medida em que carece de materialidade implicando vício que deu margem a empresa alegar que inexiste a listagem e a suposta remuneração afirmada pela fiscalização. A Lei 5.172, Código Tributário Nacional – CTN, artigo 142 contém previsão da obrigatoriedade de se demonstrar claramente a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente e determinar a matéria tributável : ( ... ) “ Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Exortando o Acórdão, de n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008,da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes se demonstra configurado o vício material quando há equívocos na construção do lançamento contrariando o exigido no artigo 142 do CTN: “ O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 Fl. 178DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/02/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO Assinado digitalmente em 10/02/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 11/02/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 12 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes)” Assim, muito embora se possa ter um entendimento de que o vício formal observado quando das expedições/cientificação dos Mandados de Procedimentos Fiscais possa não ter trazido prejuízo para a empresa e, por isso, sanável, o mesmo não se pode dizer quanto ao vício material demonstrado. A ocorrência da falta de materialidade imotivou o lançamento acarretando cerceamento de defesa. Conduzido por esta dinâmica resta nulo o lançamento. Desse modo, por economia processual deixo de enfrentar demais alegações da recorrente. CONCLUSÃO Diante de tudo que foi exposto, voto por conhecer do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO declarando a nulidade do auto de infração por vício material. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 179DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/02/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO Assinado digitalmente em 10/02/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 11/02/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI
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