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Numero do processo: 15983.000052/2006-31
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL NORMA
PROCESSUAL NÃO CONHECIMENTO Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de
ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº. 1).
APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174 DE 2001 E LEI COMPLEMENTAR 105 DE 2001 POSSIBILIDADE ART 144, § 1º Pode ser aplicada, de forma retroativa, ao lançamento, a legislação que tenha
instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza
omissão de rendimentos a existência de valores creditados em
conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do
contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais.
PROVAS A simples alegação em razões defensórias, por si só, é irrelevante como elemento de prova, necessitando para tanto seja acompanhada de documentação hábil e idônea para tanto.
JUROS TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
(Súmula CARF nº 4).
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária
(Súmula CARF nº 2).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-001.091
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso no tocante a requisição das informações bancárias, tendo em vista a opção pela via judicial e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL NORMA PROCESSUAL NÃO CONHECIMENTO Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº. 1). APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174 DE 2001 E LEI COMPLEMENTAR 105 DE 2001 POSSIBILIDADE ART 144, § 1º Pode ser aplicada, de forma retroativa, ao lançamento, a legislação que tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. PROVAS A simples alegação em razões defensórias, por si só, é irrelevante como elemento de prova, necessitando para tanto seja acompanhada de documentação hábil e idônea para tanto. JUROS TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso negado.
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APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174 DE 2001 E LEI COMPLEMENTAR 105 DE 2001 POSSIBILIDADE ART 144, § 1º Pode ser aplicada, de forma retroativa, ao lançamento, a legislação que tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. PROVAS A simples alegação em razões defensórias, por si só, é irrelevante como elemento de prova, necessitando para tanto seja acompanhada de documentação hábil e idônea para tanto. JUROS TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Fl. 571DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 09/05/2011 por NELSON MALLMANN, 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso no tocante a requisição das informações bancárias, tendo em vista a opção pela via judicial e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Ewan Teles Aguiar, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 572DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 09/05/2011 por NELSON MALLMANN, 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15983.000052/200631 Acórdão n.º 220201.091 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, JORGE DOS SANTOS, foi lavrado o presente auto de infração de fls. 04/11, para cobrança de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física Exercícios de 2002, 2003 e 2004, anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, no valor de R$ 810.020,96 ( oitocentos e dez mil, vinte reais e noventa e seis centavos), acrescidos de multa de oficio de 75% e juros de mora, calculados de acordo com a legislação pertinente. A autuação decorreu de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo, tendo sido constatada a infração de OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA, APÓS REGULAR INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. Cabe registrar que segundo o Termo de Verificação Fiscal de fls. 12: 1. Em 01.10.2004 através do Mandado de Procedimento Fiscal n°081060000268 2 foi expedido o Termo de Inicio de Fiscalização datado de 13.10.2004 recepcionado por via postal em 18.10.2004 através de Aviso de Recebimento, tendo sido o fiscalizado instado a, no prazo de 20 (vinte) dias, apresentar os extratos das contas bancárias que traduzem a movimentação financeira realizada no correr dos anos calendários de 2.000 a 2003 junto aos Bancos Bradesco S/A, nau S/A, Nossa Caixa S/A, Banespa S/A e Banco Schahim S/AI , bem como comprovar, por documentação hábil e idônea, a origem dos recursos internados nestas contas, 2. Em 13.10.2004 foi protocolizada resposta do contribuinte na qual consta solicitação de prorrogação de prazo para a apresentação dos documentos solicitados, 3. A ausência de manifestação do fiscalizado e/ou procurador motivou a lavratura em 29.11.2004 do Termo de Intimação, recebido em 02.12.2004 por via postal, para reiterar as solicitações objeto do Termo de Inicio de Fiscalização, dando mais 05 (cinco) dias para o atendimento e alertandoo de que a negativa não justificada na exibição dos elementos solicitados, permitiria o acesso às informações relacionadas com operações e serviços das instituições financeiras, nos termos previsto do inciso VII do artigo 3° do Decreto 3724/2001, 4. Não havendo atendimento no prazo previsto e por ser o acesso às informações sobre movimentação financeira do fiscalizado indispensável à continuidade do procedimento, o Sr. Delegado da Receita Federal, por solicitação desta fiscalização, emitiu em 23.12.2004, nos termos do artigo 6° da Lei Complementar n° 105/2001, regulamentado pelo Decreto n°3724/2001, Requisições de Movimentação Financeira (RMF) de n°s. 00062 0, 000639, 000647, 000655 e 000663. As requisições foram recepcionadas respectivamente pelo Banco Bradesco S/A, Fl. 573DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 09/05/2011 por NELSON MALLMANN, 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Banespa S/A, Itau S/A, Banco Schahim S/A e Banco Nossa Caixa S/A em 23.12.2004. As instituições encaminharam os extratos e demais informações em papel e disquete, sendo que apenas o Banco Banespa S/A não encaminhou em meio magnético, 5. Em 17.01.2005 foi concedida liminar nos autos do Mandado de Segurança n°2005.61.04.0000034, informada a esta Delegacia da Receita Federal através de ofício datado de 18.01.2005 da 4a Vara Federal em Santos. Como citado no item anterior as requisições já haviam sido encaminhadas às instituições financeira também já respondidas, com exceção do Banco Itati S/A (respondida em 28.01.2005). As informações foram lacradas e entregues à Chefia da Fiscalização até o trânsito em julgado, razão pela qual a ação fiscal foi encerrada sem exame, 6. Em 18.06.2005, como a decisão judicial não mais subsistiu, novo MPF foi expedido (n° 088810600 2005 00199 0). Na data de 06.07.2005, encaminhei por via postal, novo Termo de Início de Fiscalização, solicitando a apresentação de documentos hábeis que comprovassem a movimentação financeira feita pelo fiscalizado constante de 206 (duzentos e seis) folhas anexas ao Termo, recebido em 11.07.2005. Nesse Anexo procedi à computação dos créditos/depósitos ocorridos no período fiscalizado, os estornos de depósitos/créditos e cheques devolvidos, excluindo lançamentos tais como tarifas, cheques pagos ou compensados, cpmf, taxas e transferências entre contas, Segundo a Descrição dos Fatos de fls. 5, o contribuinte, regularmente intimado a apresentar justificativa sobre a origem de depósitos especificados, omitiuse quanto aos depósitos listados às fls. 15/93, com as exclusão dos comprovados e devoluções. Cientificado em 23/02/2006, fls. 04 e 98, o contribuinte apresenta impugnação à exigência tributária em 23/03/2006, às fls. 467/498, de onde se extraem os seguintes argumentos, em resumo: a) A base de cálculo considerada pela Fiscalização não condiz com a realidade financeira do impugnante, isto é, o total dos valores lançados a crédito junto às instituições financeiras não correspondem integralmente a receitas auferidas, mas sim, e principalmente, a adiantamento de valores para fins de pagamento de despesas ou, ainda, simples trânsito em caixa para a restituição a terceiros. b) O impugnante realizava à época dos fatos, de maneira habitual, pagamentos direcionados ao Detran para fins de regularização documental de veículos automotores, tal como comprovam as declarações anexadas, as quais foram fornecidas à Fiscalização. As contas correntes eram utilizadas para a prestação de serviços e despachante policial, sendo que o agente devidamente habilitado era o Sr. Eduardo Henrique Pereira Duarte. c) Há casos em que proprietários de veículos levantam quantia em espécie por meio de contrato de financiamento,—sendo que para tanto há a entrega como garantia de um veículo. O intermediário do negócio (recebendo apenas uma comissão) Fl. 574DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 09/05/2011 por NELSON MALLMANN, 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15983.000052/200631 Acórdão n.º 220201.091 S2C2T2 Fl. 3 5 aproxima as duas partes e recebe em sua conta corrente o valor pago pela instituição financeira objeto do contrato bancário. d) Solicita todos os meios de prova admitidos no Direito, inclusive a prova oral. e) Os extratos bancários, por si só, não autorizam a presunção de omissão de receita, não servindo assim de meio idôneo para a apuração de crédito tributário; f) As movimentações bancárias não são suficientes para comprovar ó ingresso de riqueza, podendo, em última análise, apenas representar presunção simples ou indícios. g)O tributo incide sobreo lucro auferido, não sobre a receita bruta. Protesta, ainda na impugnação de fls. 480/496: "Analisandose os fundamentos e os documentos anexados ao processo administrativo, observase que a Fiscalização deixou de observar diversos focos de apreciação que beneficiariam o contribuinte, vejamos alguns exemplos: foram equivocadamente considerados como receita efetivamente auferida todos os valores de cheques depositados, mesmo que não tivessem sido efetivamente creditados à favor do impugnante, tal como aqueles popularmente denominados "sem fundos" (vide expressão: "DEVOL. CHEQUE DEPOSITADO'), não se considerou, ainda, as várias reapresentações de cheques devolvidos, ou seja, há valores que estão sendo sopesados em duplicidade, em flagrante prejuízo ao impugnante; é permitida a transferência de valores entre contas correntes da mesma pessoa física sem se aventar a possibilidade da consideração de omissão de receita (vide fls. 25/26, por exemplo); o acréscimo a toda remuneração que seja resultante da Incidência da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira CPMF não é hipótese de incidência do IRPF; no caso de recebimento de aluguéis, são dedutíveis as seguintes verbas o valor dos impostos, taxas e emolumentos incidentes sobre o bem que produzir o rendimento; o aluguel pago pela locação de imóvel sublocado as despesas pagas para cobrança ou recebimento do rendimento e as despesas de condomínio). É indiscutível que a própria Fiscalização deu acolhimento à tese ora sustentada, tendo em vista que realizou, por mera liberalidade, a exclusão de diversos valores quando da apuração do crédito tributário, isto mediante a simples comprovação dos eventos concretos, entretanto, podendo se avaliar aprova produzida de maneira global, na medida em que o contexto é imutável, preferiu a Sra. Auditora lavrar a autuação. Fl. 575DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 09/05/2011 por NELSON MALLMANN, 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Ora, retomando o que já foi linhas atrás comentado, era preciso que a verdade real viesse à tona, isto é, a própria Fiscalização podia, ou deveria, diligenciar no sentido de se averiguar dos "focos de análise" da questão de maneira absoluta, inclusive diligenciando junto às instituições financeiras afim de que fossem avaliados profundamente os depósitos bancários realizados, os cheques utilizados, além dos eventuais vínculos existentes entre os títulos e os depósitos (devoluções e reapresentações, por exemplo). Apenas para a alargar a crítica, sempre construtiva, avaliese que estas diligências são totalmente tortuosas ao impugmante, haja vista que as taxas bancárias para o alcance de informações pelos particulares inviabilizam de maneira absoluta a tomada de quaisquer providências. Consoante informações contidas no texto do referido MPF (Mandado de Procedimento Fiscal) a autoridade fiscal esclareceu que implementou tal espécie de procedimento fiscalizatório para constituir créail5 7e.Wr.e hirde "IRPF" (imPo7siiide Renda de Pessoa Física) do período de apuração correspondentes. Por este turno, a Fiscalização e admite expressamente que o MPF fora motivado e instaurado em razão da utilização por parte da Secretaria da Receita Federal das informações dos valores de movimentação financeira prestadas pelos bancos para identificaçãodoscontribuintesda CPMF,noY termos do art.11,520, da Lei n5_' 9.311/96 Com efeito, de posse das informações relativas aos valores de movimentação financeira para efeito de identificação dos contribuintes da CPMF (art. 11, §2°, da Lei n° 9.311/96), a Autoridade as utilizou no presente MPF para instaurar o respectivo procedimento e pretender constituir crédito tributário do IRPF, como de fato aconteceu. Entretanto, é importante ressaltar que tal conduta de utilização dessas — informações sigilosas era expressamente vedada pela norma contida noart. 11, ¢' 3°, da Lei n° 9.311/96, que esteve em vigor até 09/01/2001 quando foi modificada pela Lei no 10.174. Inobstante isto, o MPF sob exame, utilizando as informações financeiras, passou a solicitar que o impugnante apresentasse "os extratos bancários" e a respectiva apresentação° de documentação hábil, a origem dos recursos depositados / creditados nas contas bancárias". Todavia, o recorrente não cumpriu tal solicitação de apresentação de extratos bancários de movimentação financeira, em razão de: I) entender que o procedimento fiscalizatório fora instaurado irregularmente desde sua origem, na medida que teve por base para sua instauração a utilização de informações da CPMF dos respectivos exercícios, objetivando constituição de crédito do IRPF, quando lhe era vedado tal conduta pelo art. 11, 53 0, da Lei no 9.311/96 por considerar tal utilização quebra de sigilo não autorizado; Fl. 576DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 09/05/2011 por NELSON MALLMANN, 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15983.000052/200631 Acórdão n.º 220201.091 S2C2T2 Fl. 4 7 II) o art. 1° da Lei n° 10.174/2001 que deu nova redação ao art. 11 da Lei no 9.311/96, passou a permitir à Receita Federal utilizar as informações da CPMF para instaurar ou dar origem ao MPF apenas dos atos ou fatos ocorridos a partir da sua entrada em vigor (09/01/2001), pois consoante o princípio da irretroatividade das leis, a Lei no 10.174 não poderia retroagir para interferir na causa, que é um ato ou fato ocorrido no passado; II1) em qualquer procedimento está resguardado o direito constitucional da não autoincriminação (CF, art. 50, LXIII); a expressão 'sigilo de dados' hospeda a espécie 'sigilo bancário' cuja preservação e privacidade está expressamente assegurada pela Constituição Federal de 1988no art. 50, X e XII, razão pela qual o impugnante não se sente obrigado a entregar extratos bancários que revelem sua privacidade. Em verdade, foi promovida a quebra do sigilo de que se trata de maneira administrativa, mediante a simples Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) dirigida às instituições financeiras, as quais prestaram todas as informações solicitadas. No particular, como o procedimento de fiscalização (MPF) foi irregularmente instaurado, por ter como origem a utilização de informações da CPMF, ou seja, ocasião que era vedado ao Fisco Lançar mão de tais dados (art. 11, § 3°, da Lei n° 9.311196), e tendo em vista que o MPF irregularmente instaurado e em abuso de poder não pode determinar a quebra de sigilo bancário administrativamente, requereuse judicialmente e foi concedida, a concessão de liminar para determinar que a autoridade impetrada se abstivesse de executar qualquer providência para efetivar Mandado de Procedimento Fiscal n° 0810600 2004 00268 2, inclusive as que tivessem por escopo obter junto aos acima relacionados os extratos bancários e valores individualizados de débito e crédito efetuados nos exercícios mencionados no MPF. A questão permanece sub judice, encontrandose atualmente em sede3i Recurso de Apelação, na qual se sustenta a ameaça e o justo receio que tinha o então impetrante de ter seu sigilo bancário quebrado por determinação da autoridade impetrada no curso de procedimento fiscalizatório (MPF) irregularmente instaurado, porque originado da utilização das informações da CPMF, as quais eram vedadas pelo art. 11, § 3°, da Lei n° 9.311/96 para instaurar talprocedimento. É importante ressaltar que a Lei n° 9.311/96 apenas autorizava a utilização dessas informações acobertadas pelo sigilo bancário por parte da Secretaria da Receita Federal para que promovesse a fiscalização e arrecadação da CPMF, e por outro lado vedava explicitamente a sua utilização sob qualquer pretexto nos procedimentos tendentes a constituir crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos que não fosse a própria CPMF, nos termos do art. 11, § 3°, da Lei n°9.311/96, como se observa: Fl. 577DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 09/05/2011 por NELSON MALLMANN, 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 "Art. 11. §3° A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicada à matéria, o sigilo das informações prestadas, vedada sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos." Logo, a inteligência do dispositivo normativo contido no art. 11, § 3°, da Lei n. 9.311/96 evidencia a toda prova que o legislador erigiu um enunciado especialmente dirigido às autoridades administrativas da Secretaria da Receita Federal para que resguardassem "o sigilo das informações prestadas" a ela pelos bancos para que pudesse levar a cabo a fiscalização e arrecadação da CPMF. Ademais, não estando completamente satisfeito com tal enunciado de caráter genérico e diante da tentação que tais dados poderiam suscitar no espírito das autoridades administrativas, O próprio legislador explicitou na parte final do referido dispositivo uma expressa proibição a que estariam submetidas as autoridades administrativas, no sentido de impedir a utilização dessas informações da CPMF em quaisquer procedimentos que tivessem por escopo a "constituição de crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos". Por esta perspectiva, conclui se facilmente que o art. 11, § 3°, da Lei n° 9.311/96 torna ilegal e irregular o MPF (Mandado de Procedimento Fiscal) instaurado com base nas informações dos valores globais prestados em razão da CPMF, como no caso sob estudo, porque: I) existe claro assentamento para que a Receita Federal resguarde o sigilo das informações que lhe foram prestadas em razão da CPMF, e se guardar sigilo implica em não revelar algo, por obvio que não estaria guardando sigilo também quem pretendesse utilizar a informação contra o próprio contribuinte; II) existe claro enunciado proibitivo endereçado à Secretaria da Receita Federal (SRF) vedando a utilização das informações que lhe foram prestadas em razão da CPMF em quaisquer procedimentos que tivessem por escopo a "constituição de crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos". Analisando a questão da competência através do prisma legal, BILAC PINTO, então Ministro STF, ensinou que: "O indivíduo que age como órgão do Estado, pode fazer apenas aquilo que a ordem legal o autorize a fazer. Doponto de vistada técnica legal,_poriantopérfluo estatuir proibições para um órgâo do Estado. Basta não autorizalo. Se o indivíduo age sem a autorização da ordem legal ele não está mais agindo como órgão do Estado. Seu ato é ilegal pela simples razão de que não está apoiado por nenhuma autorização legal. Não é necessário que o ato seja proibido por norma legal é necessário proibir a um órgão a prática de certos atos quando se deseja restringir uma anterior autorização." Assim, como havia uma norma expressaLimitando a competência Legal da Secretaria da Receita Federal para não Fl. 578DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 09/05/2011 por NELSON MALLMANN, 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15983.000052/200631 Acórdão n.º 220201.091 S2C2T2 Fl. 5 9 utilizar as informações da CPMF em quaisquer procedimentos que tivessem por escopo a "constituição de crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos", então, a instauração do MPF com base nas informações da CPMF espelha abuso de poder em virtude da ausência de competência para fazêlo, violando o art. 50, LIII, da CF188, e por isso quando se promoveu a instauração do MPF, fezse irregularmente. Por outro Lado, nem se alegue, na tentativa de convalidar a irregular instauração de MPF com base nas informações prestadas à SRF em razão da CPMF do período, que o art. 1° da Lei no lo. 174, de 09 de janeiro de 2001, ao dar nova redação ao art. 11, § 3°, da Lei n° 9.311/96, passou a permitir a instauração de MPF e utilização de tais • informações para a constituição de crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos dos exercícios lançados no MPF como efetivamente foi realizado no caso em exame, na medida que ainda persiste no nosso ordenamento jurídico os princípios da irretroatividade das leis e do tempus regit actum. A Lei n° 10.174/2001 assim regula a matéria: "Art. 1° O art. 11 da Lei n° 9.311, de 24 de outubro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: Art. 11. § 3° A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. Art. 2° Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Desta forma, com base na análise do art. 1° da Lei n° lo. 174, de 09 de 10 janeiro de 2001, verificase tratar de norma que entrou em vigor em 09/01/2001, passando a autorizar a SRF somente a partir de então à utilização das informações sigilosas da CPMF para constituição de crédito de outras contribuições e impostos, ao passo que até o dia 08/01/2001 estava em pleno vigor o art. 11, 53°, da Lei n°9.311/96 que expressamente proibia a utilização das informações da CPMF sob qualquer pretexto instituir mecanismos que pretendessem a constituição de crédito de outras contribuições e impostos. Logo, tal como o caso dos autos, tendo oMPF sido instaurado com base nas informações da CPMF, fica evidente que o referido Mandado de Procedimento Fiscalizató rio foi irregularmente instaurado, uma vez que contraria o princípio da Fl. 579DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 09/05/2011 por NELSON MALLMANN, 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 irretroatividade das leis e o do tempus regit actum (os atos são regidos pela lei do seu tempo). Todavia,ainda . assim.fossem situações especialíssimas onde o STF tem admitido que a lei nova possa regular as conseqüências dos fatos ocorridos na vigênCiada lei anterior, mas nessas situações o STF tem exigido que a lei nova faça declaração expressa neste sentido. A regra geral é a da irretroatividade das leis, para que estejam resguardados o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada (artigo 5°, XXXVI da Constituição Federal e artigo 6° da Lei de1nfr6duçãoao Código Civil). Noentanto, para que "a lei nova possa regular as conseqüências dos fatos ocorridos na vigência da lei anterior"... "é preciso que na lei se leia declaração expressa nesse sentido", logo como "no caso dos autos não se lê... previsão de sua aplicação a situações pretéritas". "A regra, portanto, é a não retrooperância da lei". Portanto, como no caso em exame, não se pode emprestar efeito retrooperante ao art. 10 da Lei no 10.174, de 09 de janeiro de 2001, sob pena de violação do art. 50, XXXVI e XL da CF188, art. 6° da LICC e ao art. 105 do CTN, ficando claro que o Mandado de Procedimento Fiscalizatório (MPF) em exame foi irregularmente instaurado (art. 11, 53°, da Lei n° 9.311/96), razão pela qual no curso deste MPF irregularmente instaurado não era lícito, nem admissivel, que a autoridade fiscal determinasse a quebra de sigilo bancário administrativamente (CF, art. 5°, LVI). (.) Todavia, se já não fossem suficientes os argumentos supra, cabe ainda ressaltar que a quebra do sigilo bancário por decisão exclusiva da administração, independente de autorização judicial, não se coaduna com os princípios da separação dos poderes e indelezabilidade de atribuições consubstanciados no art. 2°; art. 60, 4°, Iff, c/c a inteligência do art. 68 da CF/88. (.) Assim, se, conforme a Súmula 182 do TFR, a simples existência do depósito não conduz à presunção de disponibilidade econômica, então, é dispensável a quebra do sigilo bancário mediante decisão da administração, Pois tal medida extrema não implicaria absolutamente em autuação, pois ainda pendente de comprovação pela_ autoridade administrativa do nexo causal entre o depósito e o fato que represente omissão de rendimentos. Quanto aos juros aplicados, o Código Tributário Nacional estabelece, em seu artigo 161, que o crédito tributário não pago no vencimento é acrescido de juros de mora à taxa de 1% (um por cento) ao mês..." A DRJBelém ao apreciar as razões do contribuinte, julgou o lançamento procedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 580DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 09/05/2011 por NELSON MALLMANN, 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15983.000052/200631 Acórdão n.º 220201.091 S2C2T2 Fl. 6 11 Anocalendário: 2001, 2002, 2003 Ementa: Omissão. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Lançamento Procedente Insatisfeito, o contribuinte interpõe recurso voluntário ao Conselho onde reitera fundamentalmente as principais razões da impugnação, reiterando os seguintes pontos: que o total dos valores lançados a crédito junto às instituições financeiras não correspondem integralmente a receitas auferidas, mas sim, e principalmente, a adiantamento de valores para fins pagamento de despesas ou, ainda, simples trânsito em caixa para restituição a terceiros.; não se pode dar tratamento de receita aos valores recebidos título de adiantamento para pagamento de despesas ou apenas transitaram no caixa para serem— posteriormente entregues a terceira pessoa; A existência de indícios ou presunções não podem dar lastro ao crédito tributário, Indica que teriam ocorrido equívocos do tipo foram equivocadamente considerados como receita efetivamente auferida todos os valores depositados, mesmo que não tivessem sido efetivamente creditados à favor do recorrente, tal como aqueles popularmente denominados "sem fundos" (vide as várias expressões: DEVOL. CHEQUE DEPOSITADO"); • não se considerou, ainda, as várias reapresentações de cheques devolvidos, ou seja, há valores que estão sendo sopesados em duplicidade, em flagrante prejuízo ao impugnante; • é permitida a transferência de valores entre contas correntes da mesma pessoa física sem se aventar a possibilidade da consideração de omissão de receita (vide fls. 25/26, por exemplo); • o acréscimo a toda remuneração que seja resultante da Incidência da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira CPMF não é hipótese de incidência do IRPF; • no caso de recebimento de aluguéis, são dedutíveis as seguintes verbas (o valor dos impostos, taxas e emolumentos incidentes sobre o bem que produzir o rendimento; o aluguel pago pela locação de imóvel sublocado; as despesas pagas para cobrança ou —recebimento do rendimento e as despesas_de_condomínio). Questiona a irretroatividade da lei; Fl. 581DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 09/05/2011 por NELSON MALLMANN, 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Questiona a quebra do sigilo bancário pela MPF, tendo requerido requerido se judicialmente, e foi concedida, a concessão de liminar para determinar que a autoridade impetrada se abstivesse de executar qualquer providência para efetivar o Mandado de Procedimento Fiscal n° 0810600 2004 00268 2, inclusive as que tivessem por escopo obter junto aos acima relacionados os extratos bancários e valores individualizados de débito e crédito efetuados nos exercícios mencionados no MPF Questiona a taxa de juros superior a 1%. É o relatório. Fl. 582DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 09/05/2011 por NELSON MALLMANN, 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15983.000052/200631 Acórdão n.º 220201.091 S2C2T2 Fl. 7 13 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Requisição das Informações Financeiras Segundo o termo de verificação fiscal em 17.01.2005 foi concedida liminar nos autos do Mandado de Segurança n°2005.61.04.0000034, informada a Delegacia da Receita Federal através de ofício datado de 18.01.2005 da 4a Vara Federal em Santos, contra a requisição de movimentação financeira. Em 18.06.2005, como a decisão judicial não mais subsistiu, novo MPF foi expedido (n° 088810600 2005 00199 0), dandose continuidade ao procedimento fiscal, usandose as informações bancárias. Razão pela qual encontrase este Conselho impedido de proceder ao seu exame da parte do recurso que toca a requisição das informações financeiras Sobre esse ponto aplico a súmula a seguir: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.( Súmula CARF nº 1). O litigante não pode discutir a mesma matéria em processo judicial e em administrativo. Havendo coincidência de objetos nos dois processos, devese trancar a via administrativa. Em nosso sistema de direito, prevalece a solução dada ao litígio pela via judicial. A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, tornando definitiva nesse âmbito a exigência do crédito tributário em litígio. Registrese por pertinente, que no caso concreto, mandado de segurança impetrado contra ato de Delegado da Receita Federal em Santos SP, com o objetivo de suspender o Mandado de Procedimento Fiscal nº 0810600.2004.002682, abstendose a autoridade coatora de requisitar, promover ou executar a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, que tenha por finalidade a quebra do sigilo bancário do impetrante, mormente em relação à obtenção de extratos bancários e valores individualizados de débito e crédito, relativos aos exercícios de 2000 a 2003, bem como lavrar auto de infração baseado nas informações e dados contidos no aludido procedimento fiscal. O r. Juízo a quo julgou improcedente o pedido, denegando a segurança. Fl. 583DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 09/05/2011 por NELSON MALLMANN, 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 Posteriormente o recorrente, apelou, sustentando, em síntese, que o MPF foi instaurado irregularmente, uma vez que teve como origem a utilização de informações da CPMF, conduta que, na ocasião, era vedada ao Fisco; que a quebra do sigilo bancário, prevista pela Lei Complementar nº 105/01, pela Lei nº 10.174/01 e pelo Decreto 3.724/2001, é inconstitucional, posto que contraria princípios expressos na Carta Magna. A Sexta Turma negou provimento à apelação. Diante do exposto, voto por não conhecer o recurso no que toca a irregular requisição de informações financeira, tendo em vista a opção pela via judicial Da Preliminar de Nulidade por Irretroatividade/Ilegalidade dos Procedimentos Formula a contribuinte preliminar de nulidade alegando que a autoridade administrativa promoveu ato ilegal no seus atos administrativos, eivando de vício de nulidade o auto de infração. Ocorre que, nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja anulado, os vícios capazes de anular o processo são os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declarados se importarem em prejuízo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. O contribuinte parece se mostrar inconformado com a aplicação retroativa da Lei Complementar 105/2001 e da Lei 10.174/2001. Entendeu que ao proceder com base em tais instrumentos legais o Fisco acabou por obter provas de origem ilícita. Não procede tal argumento. O parágrafo 1º do art. 144 do CTN permite a aplicação de legislação posterior à ocorrência do fato gerador, que tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização e ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas. Desta forma é notória a possibilidade de aplicação dos mencionados instrumentos legais de forma retroativa, uma vez que, tão somente, ampliam os poderes de investigação do Fisco. O STJ já manifestou o seu entendimento neste sentido no RESP 529818/PR e no ERESP 726778/PR. De igual modo o CARF já consolidou a posição sobre a suposta irretroatividade: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (Súmula CARF No. 35). É de se negar provimento a essa parte do recurso. Da Presunção baseada em Depósitos Bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Fl. 584DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 09/05/2011 por NELSON MALLMANN, 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15983.000052/200631 Acórdão n.º 220201.091 S2C2T2 Fl. 8 15 Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). Das Alegações do Recorrente. Argumenta o recorrente que a movimentação bancária seria proveniente de atividade que desempenhava na época, entretanto as suas alegações são apresentadas sem qualquer prova ou evidência que permita descaracterizar o lançamento. Ao apreciar as razões do contribuinte assim se pronunciou a autoridade julgadora: Portanto, verificada a ocorrência da hipótese descrita em lei, qual seja, de que o contribuinte recebeu depósitos e eximiuse de comprovar, depósito por depósito, mediante documentação hábil Fl. 585DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 09/05/2011 por NELSON MALLMANN, 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 e idônea, a sua origem, fato descrito no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, correta é a autuação. A justificativa para cada depósito deve ser acompanhada de provas a cargo do contribuinte. As alegações apresentadas na Impugnação (O impugnante realizava à época dos fatos, de maneira habitual, pagamentos direcionados ao Detran para fins de regularização documental de veículos automotores, tal como comprovam as declarações anexadas, as quais foram fornecidas à Fiscalização. As contas correntes eram utilizadas para a prestação de serviços e despachante policial, sendo que o agente devidamente habilitado era o Sr, Eduardo Henrique Pereira Duarte.) carecem de elementos probatórios. Observar que as devoluções de cheques especificadas nos extratos foram excluídas, conforme especificado no Demonstrativo de fls. 94/95, e os depósitos comprovadamente relacionados com a atividade do Impugnante foram também excluídos, conforme Demonstrativo de fls. 96. Qualquer alegação efetuada para justificar cada depósito deve ser comprovada documentalmente e individualizadamente, conforme prescreve a art. 42 da Lei 9.430/96. E tal comprovação não ocorreu. No caso concreto, caberia a recorrente demonstrar, individualizadamente, a origem de cada um dos depósitos que está sendo questionada. De nada adianta indicar, genericamente, que o recorrente alegar que o que movimentava em sua contas eram recursos de natureza muito distinta a rendimentos, se não forem apresentadas provas que correlacionem esses fatos com os depósitos objeto do lançamento. Da Inconstitucionalidade das Normas No referente a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, que determinariam a aplicação de multas e juros de natureza confiscatória, acompanho a posição sumulada pelo CARF de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Cabe esclarecer o contribuinte que a falta de recolhimento do tributo ou declaração inexata, apurada em lançamento de ofício, enseja o lançamento da multa de 75%, prevista no art. 44, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não podendo a autoridade lançadora deixar de aplicála ou reduzir seu percentual ao seu livre arbítrio.Nestes termos, como a multa de ofício está prevista em disposições literais de lei e como as instâncias julgadoras não podem negar validade a estas disposições, não se pode aqui acatar a alegação da contribuinte. É de se manter, assim, a penalidade de 75%. Da Inaplicabilidade da Selic como Taxa de Juros Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic, como juros de mora, aplicável o conteúdo da Súmula CARF nº 4: Fl. 586DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 09/05/2011 por NELSON MALLMANN, 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15983.000052/200631 Acórdão n.º 220201.091 S2C2T2 Fl. 9 17 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Assim, é de se negar provimento também nessa parte. Ante ao exposto, não conhecer do recurso no tocante a requisição das informações bancárias, tendo em vista a opção pela via judicial e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 587DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 09/05/2011 por NELSON MALLMANN, 08/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10166.002348/2009-49
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/03/2005
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO DEMONSTRADA.
Recurso baseado na falsa premissa de que não houve pagamento antecipado inviabiliza a demonstração de divergência de interpretação quanto ao critério de definição do termo inicial de contagem do prazo decadencial.
Numero da decisão: 9202-009.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/03/2005 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO DEMONSTRADA. Recurso baseado na falsa premissa de que não houve pagamento antecipado inviabiliza a demonstração de divergência de interpretação quanto ao critério de definição do termo inicial de contagem do prazo decadencial.
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CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO DEMONSTRADA. Recurso baseado na falsa premissa de que não houve pagamento antecipado inviabiliza a demonstração de divergência de interpretação quanto ao critério de definição do termo inicial de contagem do prazo decadencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Relatório Cuida-se de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2302-003.641, proferido na Sessão de 11 de fevereiro de 2015, que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, conforme dispositivo e ementas a seguir reproduzidos. Dispositivo: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir do lançamento as competências até 06/2000, inclusive, pela homologação tácita do crédito tributário, na forma do disposto pelo artigo 150§ 4º, do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 23 48 /2 00 9- 49 Fl. 814DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-009.314 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10166.002348/2009-49 Código Tributário Nacional e para excluir do lançamento a verba "alimentação in natura" em função do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011. Ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/03/2005 DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Aplica-se o art. 150, §4º do CTN se verificado que o lançamento refere-se a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO SEM PAT. IN NATURA. Não constitui fato gerador de contribuição previdenciária o fornecimento de alimentação sem inscrição da empresa no PAT. Principalmente quando seu fornecimento se dá in natura. O recurso visa rediscutir a seguinte matéria: decadência – consideração da antecipação de pagamento por competência. Em exame preliminar de admissibilidade, o Presidente da Câmara de origem deu seguimento ao apelo. Em suas razões recursais a Fazenda Nacional aduz, em síntese, que o pressuposto primordial para a aplicação da regra de decadência constante do artigo 150, §4º, do CTN, é o pagamento antecipado parcial do tributo exigido; que diante da inexistência de qualquer pagamento, o prazo decadencial para a cobrança dos tributos sujeitos a lançamento por homologação é aquele constante do artigo 173, I, do CTN; que, no caso, muito embora não tenha ocorrido a antecipação do pagamento da exigência tributária em todas as competências objeto de lançamento, o acórdão objurgado aplicou indistintamente à espécie o artigo 150, § 4º, do CTN, para o efeito de declarar a decadência dos períodos de apuração compreendidos até 06/2000; que não se operou lançamento por homologação em relação a todos os períodos de apuração objeto do lançamento, afinal o contribuinte não antecipou o pagamento do tributo com referência a todas as competências; que, conforme se depreende do Relatório de Documentos Apresentados- RDA, houve antecipação de pagamento em relação algumas competências nele discriminadas; que a título de exemplo, assinala-se que não houve pagamento para as competências de 01/2000 a 04/2000; aplicando-se ao lançamento de ofício em questão o disposto no art. 173, inciso I do CTN; que, ao contrário do que foi reconhecido pela Turma a quo, o contribuinte não efetuou a antecipação de pagamento das contribuições lançadas em relação a todas as competências consideradas decaídas; que na decisão recorrida priorizou-se a aplicação apenas do artigo 150, § 4º, do CTN, em detrimento do disposto no artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal, muito embora se afigure possível a aplicação concomitante desses dois dispositivos; que se aplica cada dispositivo à situação à qual se subsume; que o cerne da questão debatida reside na análise da existência de pagamento antecipado de parte das contribuições previdenciárias exigidas, cujo reconhecimento tem a aptidão de atrair a incidência do art. 150, § 4º, do CTN; que em não havendo tal antecipação de pagamento, a aplicação do art. 173, inciso I, do CTN é impositiva; que para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora colimados, Fl. 815DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-009.314 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10166.002348/2009-49 afigura-se óbvia a necessidade de verificar-se se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos e/ou outras competências; A contribuinte não apresentou Contrarrazões. È o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, Relator. O recurso foi interposto tempestivamente. Quanto aos demais pressupostos de admissibilidade, especialmente a demonstração da divergência, examino detidamente a questão a partir de um breve resumo dos fatos. O lançamento que inaugurou o presente processo é a NFLD nº 35.722.782-4, que se refere a diferenças de contribuição previdenciária correspondente à parcela dos empregados, incidente sobre alimentação in natura fornecida pela empresa, e pagamento feitos indiretamente, a título de gorjetas e reclamações trabalhistas, durante o período fiscalizado, cujos valores apurados constam especificamente dos levantamentos NDG e STA, conforme o anexo “DAD – Discriminativo Analítico de Débito (e-fls. 223 a 263) cujo fato gerador foi assim descrito no Relatório Fiscal. 59. O fato gerador das contribuições previdenciárias ora exigidas são os valores da parcela in natura fornecida pela empresa a seus empregados em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT do Ministério do Trabalho e Emprego — MTE e aferidos indiretamente conforme dispõe a legislação previdenciária; os valores pagos ou devidos pela empresa aos segurados, a titulo de taxa de serviços e valores pagos por meio de recibos avulsos relativos a reclamações trabalhistas. Da mesma ação fiscal resultaram outros lançamento, conforme informado no Relatório Fiscal (e-fls. 05 a 56). Pois bem, a partir desse resumo, verifica-se de plano que a Fazenda Nacional sustenta seu recurso em falsa premissa, a de que, para certos períodos não teria havido pagamento antecipado. A Fazenda Nacional cita como fonte dessa informação o anexo “RDA – Relatório de Documentos Apresentados” (e-fls. 321 a 353), onde, de fato, verifica-se que, em certos períodos não conta a apresentação de comprovantes de pagamentos. Ocorre que, esse relatório está dividido em itens (denominados “levantamentos”), cada um referindo-se a certos tipos de documentos, assim descritos: AU1 – Auton/Cont. indiv.. N Decl GFIP (Tipo de Documento CRED), FP – Folha de Pagamento ant. GFIP, FP2 – Folha Pag/Decl GFIP e GPS - GPS apresentadas, e a Fazenda Nacional baseia sua informação apenas no primeiro tipo de documento AU1. Todavia, examinando as GPS apresentadas (e-fls. 341 a 354) verifica-se ali pagamentos referentes a todos os períodos objeto do lançamento. Se é assim, não se pode afirmar que há diferença de interpretação entre os julgados recorrido e paradigma, mas diferenças nas circunstâncias fáticas de cada processo, que levaram a conclusões distintas, não restando demonstrada, portanto, a divergência de interpretação. Ante o exposto, não conheço do Recurso Especial da Procuradoria. Fl. 816DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-009.314 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10166.002348/2009-49 (documento assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 817DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 37321.000150/2007-85
Data da sessão: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1998 a 30/06/1998 DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-000.391
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda m Junior e Edgar Silva Vidal acompanharam o relator somente nas conclusões. Entenderam que se aplicava o artigo 150, §4°
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1998 a 30/06/1998 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida DRP/SÃO JOSÉ DOS CAMPOS/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1998 a 30/06/1998 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Iz ACORDAM os membros da 3' Câmara / P Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda mJunior e Edgar Silva Vidal .• • aram o relator somente nas conclusões. Entenderam que se aplicava o artigo 150, §4° . 1 11'D JULIO C :Ir GOMES Presid-yr '‘LIVEIRA ( ' elator Participaram do julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira, Darnião Cordeiro de Moraes, Marcelo Oliveira, Edgar Silva Vidal (Suplente), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Jtmior e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). 2 Processo n° 37321.000150/2007-85 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.391 Fl. 212 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), São José dos Campos / SP, fls. 0151 a 0159, que julgou procedente o lançamento gerado por descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 029 a 039, o lançamento refere-se a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados, correspondentes a contribuição dos segurados, da empresa e a contribuição para o financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT). Ainda segundo o RF, os valores da base de cálculo foram obtidos em notas fiscais de prestação de serviço mediante cessão de mão de obra, devido o sujeito passivo não ter apresentado a documentação para a elisão da responsabilidade solidária. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos da NFLD. Em 31/07/2006 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 001. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 063 a 085, acompanhada de anexos. A DRP analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0164 a 0189, acompanhado de anexos. Os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 0199. É o relatório. 3 Voto Conselheiro MARCELO OLIVEIRA, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões preliminares DAS QUESTÕES PRELIMINARES Preliminarmente, devemos verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante n° 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 50 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário ". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal, a Simula de n ° 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la. Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n ° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CIN. A decadência decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4°, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 4 Processo n° 37321.00015Q/2007-85 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.391 Fl. 213 I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Por não haver recolhimentos a homologar, a regra relativa à decadência - que deve ser aplicada ao caso - encontra-se no art. 173, I: o direito de constituir o crédito extingue- se em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. No lançamento, a ciência do sujeito passivo ocorreu em 07/2006 e o período do lançamento refere-se a fatos geradores ocorridos nas competências 05/1998 a 06/1998. Logo, todas as competências devem ser excluídas do presente lançamento. Por todo o exposto, acato a preliminar ora examinada, restando prejudicado o exame de mérito. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto pelo provimento do recurso. Sala das Sessi,, 02 d junho de 2009 'iÁ".111111:it: OLIVEIRA - Relator 5
score : 1.0
Numero do processo: 13896.003341/2008-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 09 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Oct 04 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2004
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO NECESSÁRIA.
Recibos emitidos em desacordo com a legislação não comprovam o pagamento de despesas médicas.
Numero da decisão: 2301-009.556
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Maurício Dalri Timm do Valle - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada), Fernanda Melo Leal, Flavia Lilian Selmer Dias, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
Nome do relator: Maurício Dalri Timm do VAlle
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DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO NECESSÁRIA. Recibos emitidos em desacordo com a legislação não comprovam o pagamento de despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente (documento assinado digitalmente) Maurício Dalri Timm do Valle - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada), Fernanda Melo Leal, Flavia Lilian Selmer Dias, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 72 e 73) em que o recorrente sustenta, em síntese: a) Ao fazer os tratamentos, o contribuinte procurou sempre exigir os recibos e comprovantes necessários; AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 33 41 /2 00 8- 15 Fl. 77DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-009.556 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.003341/2008-15 b) Não houve preocupação quanto ao endereço das profissionais de saúde, pois houve a especificação de seus números de CPF. Não se sabe porque a Dra. Fabiane não especificou seu endereço nos recibos. Não haveria problema se a própria fiscalização foi capaz de localizar as citadas profissionais; c) A intimação de 07/08/2008 não foi recebida pelo contribuinte; d) Não pode opinar sobre eventuais declarações a menor ou a maior, pois não lhe cabe a confirmação ou fiscalização; e e) Não tentou burlar a fiscalização, tendo no máximo cometido erros ao elaborar suas declarações. Ao final, formula pedidos nos seguintes termos: “Sendo assim, peço reavaliarem a decisão do Acórdão uma vez que não fiz nenhuma tentativa de burlar os dados para esta entidade. Posso cometer erros como casos do recibo da Clínica Araguai e boleto Unimed pois não sou contador”. A presente questão diz respeito a Notificação de Lançamento nº 2004/608400052983095 (fls. 3-9), relativa Imposto de Renda de Pessoa Física, em face de Delfim Gonçalves (CPF nº 634.511.238-00), referente a fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2004. Foram glosadas deduções nos montantes de R$ 3.186,00 (três mil cento e oitenta e seis reais), R$ 51.669,18 (cinquenta e um mil seiscentos e sessenta e nove reais e dezoito centavos) e R$ 1.998,00 (mil novecentos e noventa e oito reais), a título de despesas com dependentes, tratamentos médicos e educação, respectivamente. Com isso, o imposto a restituir passou de R$ 16.896,16 (dezesseis mil oitocentos e noventa e seus mil reais e dezesseis centavos) para R$ 1.065,29 (mil e sessenta e cinco reais e vinte e nove centavos), conforme fls. 8 e 9. A notificação do contribuinte aconteceu em 07/08/2008 (fl. 62). Na descrição dos fatos que deram origem ao lançamento, menciona o Relatório Fiscal (fls. 5-7): Dedução Indevida de Dependente Conforme disposto no art. 73 do Decreto n.º 3.000/99 - RIR/99, todas as deduções pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas A comprovação ou justificação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu A Intimação, até a presente data. Em decorrência do não atendimento da referida Intimação, foi glosado o valor de R$ *********3.816,00, deduzido indevidamente a título de Dependentes, por falta de comprovação. Enquadramento Legal: Art.8.º, inciso II, alínea 'c', e 35 da Lei n.' 9.250/95; arts. 1.º , 2.º e 15 da Lei n. 10.451/2002; arts. 73 e 83, e 841,inciso II, do Decreto n.º 3.000/99 RIR/99 e art. 38 da Instrução Normativa SRF n.' 15/2001. Dedução Indevida de Despesas Médicas Fl. 78DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-009.556 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.003341/2008-15 Conforme disposto no art. 73 do Decreto n.º 3.000/99 - RIR/99, todas as deduções pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas A comprovação ou justificação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu A Intimação até a presente data. Em decorrência do não atendimento A Intimação, foi glosado o valor de R$ ********51.669,18, deduzido indevidamente a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação. Enquadramento Legal: Art.8.º , inciso II, alinea 'a', §§ 2. * e 3. * , da Lei n. ° 9.250/95; arts. 73, 80 e 841, inciso II do Decreto n.º 3.000/99 - RIR/99 e arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n.º 15/2001. Dedução Indevida de Despesas com Instrução Conforme disposto no art. 73 do Decreto n. 3.000/99 - RIR/99, todas as deduções pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas A comprovação ou justificação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu a Intimação até a presente data. Em decorrência do não atendimento da referida Intimação, foi glosado o valor de R$ *********1.998,00 deduzido indevidamente a título de Despesas com Instrução, por falta de comprovação. Enquadramento Legal: Art. 8.° , inciso II, alínea 'b', e § 3.' da Lei n' 9.250/95; arts. 1.º, 2.º e 15 da Lei n.º 10.451/2002 arts. 73, 81 e 83, inciso II do Decreto n.º 3.000/99 - RIR/99. O contribuinte apresentou impugnação (fls. 2) alegando que: a) Pagou por tratamentos odontológicos para sua família, bem como por educação de sua filha; b) Nunca recebeu nenhuma intimação para apresentar documentos ou recibos de suas despesas; e c) Apresenta nesse ato cópias de recibos médicos, de instituições de ensino e demais documentos. A impugnação veio acompanhada dos seguintes documentos: i) Certidões de casamento e nascimento (fls. 10 e 11); ii) Contrato de Prestação de Serviços Educacionais (fls. 12-18); iii) Recibos e comprovantes de pagamento à Associação Dossiê de Educação e Cultura (fls. 19-35); iv) Extrato de conta corrente do Centro Educacional Objetivo (fls. 36 e 37); v) Notificação extrajudicial (fl. 38); vi) Recibos de Rezende Advogados Associados (fls. 38-41); vii) Comprovantes de pagamento (fls. 42-47); viii) Recibos referentes a tratamentos médicos e da Clínica Araguaia (fls. 48-53); xi) Faturas da Unimed – Paulista (fls. 54-56); x) Documentos para pagamentos (fls. 57-60); e xi) Documentos pessoais (fl. 61). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II/SP (DRJ), por meio do Acórdão nº 17-42.413, de 13 de julho de 2010 (fls. 65-69), deu parcial Fl. 79DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-009.556 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.003341/2008-15 provimento à impugnação, mantendo a exigência fiscal em parte, conforme o entendimento resumido na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2004 DEPENDENTES. Devem ser restabelecidas as deduções referentes à esposa, mãe e filha relacionadas como dependentes, quando tal condição foi comprovada por documentação idônea. DEDUÇÃO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Restabelece -se a dedução de despesa como instrução quando comprovada limitando-a ao valor individual fixado na legislação. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Restabelece-se a parte da dedução das despesas médicas efetivamente comprovada pelo impugnante. Recibos emitidos em desacordo com a legislação não comprovam o pagamento de despesas médicas. Impugnação Procedente em Parte Outros Valores Controlados É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Maurício Dalri Timm do Valle, Relator. Conhecimento A intimação do Acórdão se deu em 13 de agosto de 2010 (fl. 71), e o protocolo do recurso voluntário ocorreu em 10 de setembro de 2010 (fl. 72 e 73). A contagem do prazo deve ser realizada nos termos do art. 5º do Decreto n. 70.235, de 6 de março de 1972. O recurso, portanto, é tempestivo, e dele conheço integralmente. Mérito Das despesas médicas. Entende o contribuinte que são indevidas as glosas efetuadas quanto às despesas com tratamentos odontológicos. Isso porque os dados constantes dos recibos apresentados seriam suficientes para identificar as operações realizados. Sobre esse ponto, assim se manifestou a decisão recorrida: Quanto aos recibos emitidos pelas profissionais odontólogas Fabiane Gonzalez Piazza (R$ 35.300,00, declarou R$ 30.300,00 na DIRPF) e Tatiana Correia Boja (R$ 15.000,00, declarou R$ 20.000,00 na DIRPF), fls. 41/45: em nenhum dos recibos consta o endereço das profissionais, contrariando o disposto no inciso III, § 2°, art. 8° da Lei n° 9.250, de 1995. Outro fato a ser destacado é que não consta o número do registro no órgão profissional (CRO) de Tatiana Boja, e falta o número do CPF da cirurgiã-dentista Fabiane Piazza. Além do mais, a descrição do serviço prestado é muito genérica (tratamento odontológico), para recibos de valores tão elevados, não contendo qualquer outra informação sobre quais teriam sido os tratamentos realizados. Adicionalmente, Fl. 80DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-009.556 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.003341/2008-15 pesquisando o sistema interno da Receita Federal, constatamos que Tatiana entregou a DIRPF/2004 informando rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas muito inferiores aos recibos emitidos, e Fabiane entregou a declaração de isento no exercício em questão. Por todos os motivos acima expostos e, considerando que nada mais foi trazido aos autos (laudo, raio-X, odontograma, prova do pagamento) será mantida a glosa efetuada. Dois recibos emitidos pela Clinica Araguaia SC Ltda, um no valor de R$ 81,64 e outro de R$ 125,00, no montante de R$ 206,64 (fl. 41) será restabelecido. O outro documento também emitido pela Clínica, juntado à fl. 46, apenas discrimina o tratamento referente ao recibo anteriormente mencionado de R$ 125,00. Dois boletos bancários emitidos pela Unimed Paulistana (fls. 47/49), em nome da filha, Gabriela Castelano Gonçalves, no valor de R$ 123,58, que também será aceito. Um outro boleto, juntado à fl. 48, refere-se ao ano-calendário diverso (2004) do que trata a notificação de lançamento, motivo pelo qual não será aceito. Quatro boletos, esses emitidos pela Clam Ass. Médica SC Ltda, CNPJ 05.273.702/0001-62 (fls. 50/53), em nome de Zeli Ricordi C. Gonçalves, cônjuge, no montante de R$ 719,08, serão aceitos. De acordo com o art. 8º, da Lei nº 9.250/1995: Art.8° — A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: [...] II — das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2° O disposto na alínea a do inciso II: [...] II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Note-se dos documentos reputados como insuficientes para a comprovação das despesas (fls. 41-45) realmente constam anotações de CPF ou carimbo com o número de CRO da Dra Fabiane Gonzalez Pizza e da Dra. Tatiana Correia Boja. No entanto, em nenhum dos recibos verifica-se o endereço dessas profissionais. Vale lembrar que a falta de dados suficientes da documentação comprobatória não pode ser suprida por declaração do próprio contribuinte, sendo que devem ser apresentados documentos hábeis e idôneos para tanto. Ainda, os ditos tratamentos odontológicos não foram especificados de nenhuma forma. Fl. 81DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-009.556 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.003341/2008-15 Dessa forma, entendo que não foram suficientemente comprovadas as despesas de acordo com a legislação aplicável, motivo pela qual devem ser mantidas as glosas de acordo com a decisão recorrida. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento formalizado por meio da Notificação de Lançamento nº 2004/608400052983095, nos moldes do Acórdão proferido pela DRJ (documento assinado digitalmente) Maurício Dalri Timm do Valle Fl. 82DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 18471.000663/2008-17
Data da sessão: Fri Jun 11 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira cuja origem , o titular, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS
Tributa-se o ganho de capital, considerado como a diferença positiva, entre o valor de alienação dos bens ou direitos e o respectivo custo de aquisição.
Numero da decisão: 2402-010.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja recalculado o imposto devido sobre o ganho de capital apurado na venda do imóvel discriminado no voto da relatora, considerando-se o valor do custo de aquisição constante da escritura de compra e venda de fls. 301 a 304, caso o valor atualizado, na data de alienação, não ultrapasse o valor considerado pela fiscalização.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Henrique Dias Lima, Gregorio Rechmann Junior, Francisco Ibiapino Luz, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Marcio Augusto Sekeff Sallem, Ana Claudia Borges de Oliveira e Denny Medeiros da Silveira (Presidente).
Nome do relator: Renata Toratti Cassini
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira cuja origem , o titular, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS Tributa-se o ganho de capital, considerado como a diferença positiva, entre o valor de alienação dos bens ou direitos e o respectivo custo de aquisição.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja recalculado o imposto devido sobre o ganho de capital apurado na venda do imóvel discriminado no voto da relatora, considerando-se o valor do custo de aquisição constante da escritura de compra e venda de fls. 301 a 304, caso o valor atualizado, na data de alienação, não ultrapasse o valor considerado pela fiscalização. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Henrique Dias Lima, Gregorio Rechmann Junior, Francisco Ibiapino Luz, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Marcio Augusto Sekeff Sallem, Ana Claudia Borges de Oliveira e Denny Medeiros da Silveira (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-07-24T16:32:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-07-24T16:32:24Z; Last-Modified: 2021-07-24T16:32:24Z; dcterms:modified: 2021-07-24T16:32:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-07-24T16:32:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-07-24T16:32:24Z; meta:save-date: 2021-07-24T16:32:24Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-07-24T16:32:24Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-07-24T16:32:24Z; created: 2021-07-24T16:32:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2021-07-24T16:32:24Z; pdf:charsPerPage: 1955; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-07-24T16:32:24Z | Conteúdo => S2-C4T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 18471.000663/2008-17 Recurso Voluntário Acórdão nº 2402-010.077 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de junho de 2021 Recorrente JOÃO BATISTA DOS SANTOS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira cuja origem , o titular, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS Tributa-se o ganho de capital, considerado como a diferença positiva, entre o valor de alienação dos bens ou direitos e o respectivo custo de aquisição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja recalculado o imposto devido sobre o ganho de capital apurado na venda do imóvel discriminado no voto da relatora, considerando-se o valor do custo de aquisição constante da escritura de compra e venda de fls. 301 a 304, caso o valor atualizado, na data de alienação, não ultrapasse o valor considerado pela fiscalização. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Henrique Dias Lima, Gregorio Rechmann Junior, Francisco Ibiapino Luz, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Marcio Augusto Sekeff Sallem, Ana Claudia Borges de Oliveira e Denny Medeiros da Silveira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 06 63 /2 00 8- 17 Fl. 310DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-010.077 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000663/2008-17 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em face da decisão da 7ª Turma da DRJ/RJ1 que julgou improcedente impugnação apresentada pelo contribuinte e manteve crédito tributário de IRPF do exercícios de 2003 a 2007, anos-calendário 2002 a 2006, no valor total de R$ 46.850,73, incluídos multa proporcional e juros de mora, em decorrência da apuração das seguintes infrações: a) omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada e FAPI; b) ganhos de capital na alienação de bens e direitos – falta de recolhimento do imposto sobre ganhos de capital; c) dedução da base de cálculo pleiteada indevidamente (ajuste anual) – dedução indevida de despesa com instrução; d) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, nos valores de R$ 15.000,00 (31/12/2004) e R$ 19.500,00 (31/05/2005); e e) omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica – Decisão da Justiça Federal. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação tempestiva, que foi julgada improcedente pela DRJ/RJ1, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO FEDERAL. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ALTERAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO - IMPOSSIBILIDADE A infração apurada não pode ter sua fundamentação legal alterada no julgamento administrativo, sendo necessário a efetivação de nova autuação. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS Tributa-se o ganho de capital, considerado como a diferença positiva, entre o valor de alienação dos bens ou direitos e o respectivo custo de aquisição. Valores venais para efeito de cobrança do IPTU não podem substituir os valores efetivamente pagos constantes das escrituras de compra e venda dos imóveis. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS OMITIDOS. TRATAMENTO FISCAL. Os rendimentos tributáveis comprovadamente omitidos na declaração de ajuste, detectados em procedimentos de ofício, serão adicionados à base de cálculo declarada para efeito de apuração do imposto devido. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Fl. 311DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-010.077 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000663/2008-17 No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o Imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. As importâncias pagas a pessoas físicas pelas entidades de previdência privada, sob a forma de resgate, ficam sujeitas à incidência do Imposto de Renda na fonte, devendo ser submetidas ao ajuste anual a ser efetuado por meio da declaração de rendimentos. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESA COM INSTRUÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Havendo dúvidas quanto à regularidade das deduções, cabe ao contribuinte o ônus da prova. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificado dessa decisão aos 26/12/11 (fls. 420), o contribuinte interpôs recurso voluntário aos 23/01/12 (fls. 421 ss.), reprodução de sua impugnação apresentada em primeira instância de julgamento. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini, Relatora. O recurso é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele conheço. Conforme relatado, trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela 7ª Tuma da DRJ/RJ1 que julgou improcedente impugnação apresentada pelo contribuinte e manteve crédito tributário de IRPF do exercícios de 2003 a 2007, anos-calendário 2002 a 2006, em decorrência da apuração das infrações de omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada e FAPI, ganhos de capital na alienação de bem imóvel, dedução indevida de despesa com instrução, omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada nos valores de R$ 15.000,00 no ano-calendário de 2004 e de R$ 19.500,00 no ano-calendário de 2005 e omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Em seu recurso voluntário, o contribuinte alega que o depósito de R$ 15.000,00 tem origem na venda de um terreno localizado no número 251 da quadra 12 da Vila Assunção, Camobi, Santa Maria – RS. Para demonstrar esse fato, apresentou a Escritura Pública de compra e venda de nº 7793, lavrada aos 22 de dezembro de 2004, no Serviço Notarial e Registral de Camobi (fls. 297, repetida a fls. 54) Em relação aos fundamentos da autoridade lançadora para não aceitar esse documento como prova da origem do depósito em questão, diz que já ratificou a informação no sentido de que se há divergência de valores entre o depósito e o que consta da escritura, esse fato “não passa de um engano do despachante que fez a lavratura, engano que não foi observado no momento da assinatura”, e que em relação ao fato do pagamento ter sido realizado posteriormente à lavratura, diferentemente da informação constante da escritura de que o valor do imóvel naquela data já houvera sido integralmente quitado, afirma que esse fato se deu por Fl. 312DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-010.077 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000663/2008-17 “razões específicas” que podem ser “facilmente esclarecidas pela Declaração do adquirente do imóvel”, que se prontificou a comprovar a origem e legalidade do valor em questão. Acrescenta, por fim, que a data do depósito simultânea à data da lavratura da escritura não pode ser desconsiderada e entendida como mera coincidência, nem pode ser descartada a declaração do comprador do imóvel, pois são provas irrefutáveis que elucidam a questão e seu não reconhecimento lhe causaria dano irreparável. Sobre a origem do depósito de R$ 19.500,00, o recorrente “afirma e ratifica sua informação” no sentido de que o valor é proveniente da venda de um terreno localizado no Lote 137, do quarteirão "E", do loteamento denominado "Parque Residencial Santa Lúcia", distrito de Camobi, Santa Maria-RS, o que comprova a Escritura Pública da nº 7.826, lavrada aos 21 de janeiro de 2005, no Serviço Notarial e Registral de Camobí (fls. 299, repetida a fls. 247 e 260). Alega que também nesse caso, se a escritura e o depósito possuem valores divergentes, esse fato igualmente decorreu de um erro com relação ao valor, ocorrido por ocasião da lavratura da escritura, e o comprador do imóvel poderá confirmar a venda do terreno e a forma de pagamento, no valor de R$ 19.500,00, realizada aos 21/01/2005. Afirma, mais uma vez, que a simultaneidade entre a data do depósito e da lavratura da escritura não pode ser tido como mera coincidência e que o não reconhecimento da verossimilhança importaria em dano irreparável ao contribuinte. Por fim, com relação ao ganho de capital na alienação do terreno localizado no Parque Residencial Ilha de santa Catarina, lote 09, quadra 03, Florianópolis/SC aos 29/04/2005 pelo valor de R$ 80.000,00, anexa aos autos com o recurso voluntário a escritura de compra e venda por meio da qual formalizou a aquisição do imóvel no ano de 1987, da qual consta o valor pelo qual o imóvel foi adquirido, razão pela qual afirma que “apesar de acreditar que não houve ganho de capital referente a transação do mencionado imóvel, com a juntada da Escritura, espera que esse órgão possa apurar a questão com exatidão”. Pois bem. Inicialmente, anote-se que o recorrente impugna apenas parte da decisão recorrida, no que diz respeito às infrações de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada (depósitos nos valores de R$ 15.000,00 do ano-calendário de 2004 e de R$ 19.500,00 do ano-calendário de 2005) e falta de recolhimento de imposto de renda da pessoa física decorrente de ganho de capital na alienação de bem imóvel aos 29/04/2005, pelo valor de R$ 80.000,00. No que diz respeito à demais infrações objeto do auto de infração e que foram mantidas pela decisão recorrida, o recorrente não se manifestou em seu recurso, que, por essa razão, tornou-se matéria preclusa, não mais sujeita a apreciação nesta esfera administrativa de julgamento. Passo, então, à análise dos argumentos do recorrente quanto à matéria impugnada. Depósitos bancários de origem não comprovada Como mencionado, o recorrente, em seu recurso, afirma que ambos os depósitos têm origem, cada um deles, na venda de um terreno distinto: o de R$ 15.000,00, do terreno localizado no número 251 da quadra 12 da Vila Assunção, Camobi, Santa Maria – RS, e o depósito de R$ 19.500,00, do terreno localizado no Lote 137, do quarteirão "E", do loteamento denominado "Parque Residencial Santa Lúcia", distrito de Camobi, Santa Maria-RS. Para a Fl. 313DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-010.077 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000663/2008-17 comprovação desses fatos, anexa aos autos as escrituras de compra de venda de ambos os imóveis, de nº 7793, lavrada aos 22 de dezembro de 2004, e de nº 7.826, lavrada aos 21 de janeiro de 2005, respectivamente. Ocorre que da escritura de compra e venda nº 7793, lavrada ao 22 de dezembro de 2004, que pretensamente comprovaria a origem do depósito no valor de R$ 15.000,00, datado de 29/12/2004, consta que o valor de venda o imóvel é de R$ 10.000,00, e que já teria sido integralmente pago ao vendedor na data da lavratura daquele documento, qual seja 22/12/2004 (fls. 297). Da escritura pública de compra e venda de nº 7.826, lavrada aos 21 de janeiro de 2005, por sua vez, que comprovaria a origem do depósito no valor de R$ 19.500,00, efetivado também aos 21/01/2005, consta que o imóvel foi vendido pelo valor de R$ 10.000,00, já integralmente recebido pelo comprador antes daquele ato (fls. 299). O recorrente procura justificar essas divergências (no primeiro caso, de datas e valor, e no segundo, de valor) ao argumento de essas divergências “não passa[riam] de um engano do despachante que fez a lavratura [das escrituras], engano que não foi observado no momento da assinatura”. Acrescenta que a coincidência de datas do depósito e da lavratura da escritura não pode ser tida como mera coincidência, mas sim como prova cabal da origem do depósito. Com todo o respeito, não me parece crível que erros relativos ao valor de venda, especialmente “para menos”, passassem despercebidos quando da lavratura de escrituras públicas de compra e venda de imóveis, especialmente em casos como o presente, em que os valores também são declarados já integralmente quitados e o vendedor, em ambas as escrituras, dá aos respectivos compradores a mais ampla, geral e irrevogável quitação. De todo modo, ainda que assim não fosse, importa anotar que a escritura pública goza de fé pública, que pode ser infirmada por prova em contrário, mas não por meras alegações e declarações. Seja como for, a declaração apresentada pelo recorrente, do sr. Zolnei Vicente Bortoluzzi, comprador do imóvel objeto da Escritura Pública de compra e venda de nº 7793 (fls. 305), faz menção a uma venda de terreno no valor de R$ 16.500,00, o que diverge do valor do depósito (R$ 15.000,00) e do valor constante da escritura (R$ 10.000,00). Portanto, não contribui para demonstrar a origem do depósito, como pretende o recorrente. Assim, não há como acatar os seus argumentos. Ganho de Capital – Falta de Recolhimento do Imposto O recorrente foi autuado pela falta de recolhimento do imposto incidente sobre o ganho de capital referente à alienação, no valor de R$ 80.000,00, aos 29/04/2005, do terreno localizado no Parque Residencial Ilha de Santa Catarina, lote 09, quadra 03, Florianópolis –SC (escritura de compra e venda de fls. 115/116). Relata a autoridade fiscal que o recorrente não apresentou a escritura de compra e venda do imóvel, conforme solicitado no termo de intimação fiscal de fls. 128, motivo pelo qual o custo de aquisição utilizado para cálculo do imposto não pago foi o valor informado na DAA/2006, de R$ 11.103,55. Esclarece, ainda, no termo de verificação fiscal a fls. 183, que o cálculo considerou a redução prevista de 20% para imóveis adquiridos antes de 1988, conforme previsto no art. 139 do RIR/99, e no art. 18 da Lei nº 7.713/88, uma vez que consta da mesma Fl. 314DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-010.077 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000663/2008-17 declaração de ajuste do recorrente que o imóvel foi adquirido em 1985. Desse modo, o valor do imposto sobre o ganho de capital apurado resultou em R$ 8267,57. Ocorre que em seu recurso voluntário, o recorrente anexou a escritura de compra e venda por meio da qual se deu a aquisição do imóvel, que, na realidade, ocorreu no ano de 1987, e da qual consta o valor pelo qual o imóvel foi adquirido. Desse modo, alega que “apesar de acreditar que não houve ganho de capital referente a transação do mencionado imóvel, com a juntada da Escritura, espera que esse órgão possa apurar a questão com exatidão”. Como já decidido recentemente neste colegiado, ...entendo que não há óbice à apreciação dos elementos de prova extemporaneamente trazidos aos autos, vez que no processo administrativo fiscal deve prevalecer a verdade material, a primazia da realidade, em face do formalismo processual, mitigando-se assim a preclusão prevista no art. 16, § 4º do Decreto n. 70.235/1972, além das hipóteses que menciona. (Acórdão nº 2402007.832, rel. cons. Luís Henrique Dias Lima, j. 29/11/19) Assim, a prova apresentada deve ser aceita para fins de que seja refeito o cálculo do imposto devido sobre o ganho de capital apurado na venda do imóvel utilizando-se o valor custo de aquisição constante da escritura de compra e venda de fls. 301/304. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido dar provimento parcial ao recurso voluntário apenas para que seja determinado o recálculo do imposto devido sobre o ganho de capital apurado na venda do imóvel utilizando-se o valor custo de aquisição constante da escritura de compra e venda de fls. 301/304, caso o valor assim atualizado não ultrapasse o valor considerado pela fiscalização no lançamento. (documento assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Fl. 315DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11330.001388/2007-25
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIOES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 01/09/1998
Ementa: DECADÊNCIA,
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante if 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n°8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN,
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado,
Numero da decisão: 2301-001.414
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ªTurma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relatar.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : CONTRIBUIOES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/09/1998 Ementa: DECADÊNCIA, O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante if 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n°8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN, Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado,
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MINISTÉRIO DA FAZENDA • ,.':,.. ~-1» ." ,"':'.W22,•!" CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS =,_:- j Çz:-.._ Tri-,>41 1!. .?" SEGUNDA SEÇÃO DE. JULGAMENTO Processo n" 11.330.001388/2007-25 Recurso n" 269.565 Voluntário Acórdão n" 2301-01.414 — 3" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 29 de abril de 2010 Matéria DECADÊNCIA Recorrente SIND DOS EMPREG EM ESTAB BANCARIOS DO MUNICIPIO DO RJ Recorrida FAZENDA NACIONAL AssuNTo: CONTRIBUIOES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/09/1998 Ementa: DECADÊNCIA, O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante if 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n°8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN, Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros da 3" Câmara / I" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relatar.. No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 8.3, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressalta-se que no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a competência de ocorrência ci' fa .erador mais recente do lançamento.. A data de 20/12 corresponde ao décimo terii- j ',rà.1 ri JULIO CESAR VEIRA GOMES — Presidente e Relator Participaraã do presente julgamento, os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Edgar Silva Vidal (suplente), Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). 1 Relatório Adotou-se no julgamento do presente recurso o procedimento previsto na Portaria CAIU n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos Dessa forma, a solução que foi adotada no julgamento cio recurso-padrão, abaixo discriminado, foi aplicada a este recurso e a todos os demais repetitivos, conforme divulgado através da pauta de julgamento: No julgamento dos itens 59 (recurso-padrão) e 60 a 104 (demais recursos repetitivos) _será adotado o pi ocedimento previsto na Poi tarja GARE n° 8.3, de 24/09/2009 DOU de 29/09/2009, tendo como idéntica questão de direito a aplicação da Súmula Vinca/ante n° 08 do STF, de 12/06/2008. 59 - Recurso 264191 Tipo. RI" Processo: 11330. 000468/2007- 63 Recorrente. INPM. SÃ INDUSTRIAS OUIMICAS Recorrida. MU NO RIO DE JANEIRO I - RJ Matéria. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCÚ RIA por unanimidade de votos, em dm provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a) O julgamento do recurso-padrão acima resultou o Acórdão n" 2301-01A06. É o relatório Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA COMES, Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso. Confrontando-se a data da ciência do lançamento, 20/08/2007, com os relatórios preparados pela fiscalização, contata-se que todo o período objeto do lançamento está integralmente alcançado pela decadência, independentemente da regra aplicável, artigo 173, 1 ou artigo 150, §4° do CTN; motivo pelo qual adoto a decisão proferida no recurso- padrão, conforme relatório acima.. Assim, voto pelo provimento do recurso. É COMO voto.. Sala das Sões b il 29 de abril de 2010..t1 JULIO C SAR , IEIRA GOMES - Relator 5\ 2
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Numero do processo: 35464.004398/2005-01
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCLÁRIAS
Data do fato gerador: 01/07/1996
Ementa: DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-001.218
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressalta-se que no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a competência de ocorrência do fato gerador mais recente do lançamento. A data de 20/12 correspondente ao décimo terceiro salário.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
1.0 = *:*
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCLÁRIAS Data do fato gerador: 01/07/1996 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
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score : 1.0
Numero do processo: 35437.000663/2004-11
Data da sessão: Wed Jun 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 30/11/2004
ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.- ISENÇÃO -
REQUISITOS LEGAIS - DESCUMPRIMENTO - ATO CANCELATORIO
Terá a isenção cancelada a entidade que descumprir os requisitos para usufruir da isenção das contribuições sociais A ausência do CEAS representa descumprimento ao inciso II do art. 55 da Lei n° 8.212/91. Não cabe recurso contra a decisão que cancelar a isenção pela ausência de CEAS
O direito adquirido mencionado no § 1° do art. 55 da Lei n° 8.212/1991 refere-se unicamente ao direito da entidade isenta antes da referida lei continuaria a usufruir da isenção independente de novo pedido. Não há direito adquirido que dispense a entidade de cumprir os requisitos legais para
o gozo de isenção, conforme já decidido pelo Supremo Tribunal Federal.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2402-000.868
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 30/11/2004 ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.- ISENÇÃO - REQUISITOS LEGAIS - DESCUMPRIMENTO - ATO CANCELATORIO Terá a isenção cancelada a entidade que descumprir os requisitos para usufruir da isenção das contribuições sociais A ausência do CEAS representa descumprimento ao inciso II do art. 55 da Lei n° 8.212/91. Não cabe recurso contra a decisão que cancelar a isenção pela ausência de CEAS O direito adquirido mencionado no § 1° do art. 55 da Lei n° 8.212/1991 refere-se unicamente ao direito da entidade isenta antes da referida lei continuaria a usufruir da isenção independente de novo pedido. Não há direito adquirido que dispense a entidade de cumprir os requisitos legais para o gozo de isenção, conforme já decidido pelo Supremo Tribunal Federal. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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Não cabe recurso contra a decisão que cancelar a isenção pela ausência de CEAS O direito adquirido mencionado no § 1° do art. 55 da Lei n° 8.212/1991 refere-se unicamente ao direito da entidade isenta antes da referida lei continuaria a usufruir da isenção independente de novo pedido. Não há direito adquirido que dispense a entidade de cumprir os requisitos legais para `\\ o gozo de isenção, conforme já decidido pelo Supremo Tribunal Federal. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Lta Câmara / 2a Turma Ordinária da Segui» Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos terinb do voto da Relatora. ,_) V • • - a OrIVEIRA - Presidente MARIA BANDEIRA — Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado e Ronaldo de Lima Macedo. • 2 Processo n° 35437.000663/2004-11 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.868 Fl. 2.665 Relatório Trata-se de recurso interposto contra Ato Cancelatório de isenção de contribuições previdenci ári as. . A auditoria fiscal realizou procedimento na Entidade a fim de verificar o cumprimento dos requisitos para a continuidade do usufruto da isenção, do qual resultou o Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 1/2) e Relatório Complementar da Auditoria Fiscal (fls. 3/30) onde apresenta os fatos que se seguem. A Entidade teria descumprido o Inciso II, do art. 55, da Lei n° 8.212/1991 que trata da obrigatoriedade de ser portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social — CNAS, renovado a cada três anos. A auditoria fiscal informa que a recorrente possui certificado cuja validade estava assegurada para o período de 01/01/1998 a 31/12/2000. Ocorre que o pedido de renovação de tal certificado ocorreu intempestivamente, em 24/07/2002, o qual estaria aguardando análise. Como o Decreto 2.536/1998, § 3°, art. 30 determina que a validade do certificado contará da data do termo final do certificado anterior, desde que a renovação seja solicitada tempestivamente, a auditoria fiscal considerou que a partir de 01/01/2001, a Entidade deixou de ser portadora do CEAS. Foi considerado que a Entidade não cumpriu o inciso III, do art. 55, da Lei n° 8.212/1991, que trata da obrigatoriedade de promoção de assistência social beneficente. Segundo a auditoria fiscal houve irregularidades nas concessões de bolsas de estudo, o que levou à elaboração de Representação Administrativa encaminhada ao CNAS. A Entidade teria também descumprido o inciso IV Ao art. 55 da Lei n° 8.212/1991 que trata da não remuneração e concessão de vantagem a qualquer título aos -,diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores. 1 1 fçuA Entidade é mantenedora de dois estabelecimentos de ensino, os quais não 7 possuem personalidade jurídica própria, não possuem CNN e nem escrituração contábil 1 bij individualizada, razão pela qual, conclui-se que não existe a figura de mantenedora e mantidas. Os membros da Diretoria, relacionados pela auditoria fiscal, são ou foram empregados registrados no único CNPJ da Entidade, figuram na única folha de pagamento e recebem remuneração paga pelo única fonte pagadora. ‘ , Os cargos ocupados pelos membros da Diretoria como segurados emprega e pelos quais são remunerados possuem atribuição semelhante àquela que devem desenvolve) sem remuneração ou vantagem como membros da Diretoria. --\\ 3 A auditoria fiscal salienta que é admissivel que membros da Diretoria exerçam cargos como empregados da Entidade para exercerem funções distintas daquelas que exercem como membros da Diretoria, como, por exemplo, o cargo de professor. Assim, as atribuições de Presidente da Entidade se confundiriam com as atribuições de Secretário (remunerada), de Vice Presidentes com as de Diretores (remunerada), de 1° Tesoureiro com Gerente Administrativo (remunerada). Além disso, o Regimento Escolar dos dois colégios prevêem que, salvo os serviços de Secretaria e outros de natureza técnica e didática pedagógica, os demais serviços administrativos, tais como tesouraria, contabilidade, pessoal, limpeza, conservação, vigilância e outros serão de competência da Entidade Mantenedora. A auditoria fiscal observou que o Presidente da Entidade está registrado como segurado empregado na função de Secretário, sendo informado em GFLP — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social o Código Brasileiro de ocupação — CB0 n° 32.190, correspondente a "Outros Secretários". Entretanto, outra empregada com a mesma classificação recebe salário bem menor que o pago ao Presidente da Entidade. Vários netos do Presidente da Entidade teriam recebido bolsas integrais, o que foi considerado um beneficio indireto. Um dos diretores, utilizando-se da prerrogativa de admitir, nomear e substituir funcionários contratou sua filha para exercer cargo de Diretora do Colégio Ayres de Moura. O Tesoureiro da Entidade, registrado como Gerente Administrativo, constituiu empresa e passou a ocupar o lugar da cantina escolar, dentro do estabelecimento sede da Entidade, onde funciona o Colégio Olavo Bilac. Para tanto, alugou o espaço destinado à cantina escolar pelo valor de R$ 100,00 (cem reais), figurando no contrato de locação como locador e locatário. Então, passou a fornecer lanches para em tomo de 2.000 alunos, bem como refeições a empregados da entidade. Ai) A Entidade passou a fazer pagamentos pelos serviços da cantina mediante- emissão de simples recibos, ao invés de Nota Fiscal de prestação de serviços. l Outra vantagem indireta considerada pela fiscalização, foi o fato de o Tesoureiro da Entidade haver contratado sua esposa para executar trabalhos de decoração no estabelecimento da Entidade, sendo que não foi encontrado no Cadastro Nacional de Informações Sociais — CNISA a inscrição da mesma como contribuinte individual, o que comprovaria sua atividade de decoradora. Três irmãs, membros da Diretoria, usufruíram vantagem consubstanciada no patrocínio, por parte da Entidade, de várias atividades desenvolvidas por uma sobrinha, portadora de Síndrome de Down, o qual foi contabilizado como aulas de funcionários pagos pela Entidade ou como donativos. A auditoria fiscal informa que não há qualquer outro caso semelhante, seja, somente esta criança recebeu estes benefícios. . 4 Processo n°35437.000663/2004-li S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.868 Fl. 2.666 A Entidade teria descumprido, também, o Inciso V, do art. 55, da Lei n° 8.212/1991, o qual determina que se aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais. A verificação desse inciso ficou prejudicada em razão da contabilidade praticada pela Entidade quando da confecção dos Livros Diário e demais Demonstrações Contábeis obrigatória não ter seguido as normas contábeis e legais instituídas pelo Conselho Federal de Contabilidade. Durante o período de 1994 a 2003, a Entidade não contabilizou corretamente os fatos contábeis, receitas e despesas, prejudicando a análise da auditoria. A auditoria fiscal elenca todas as irregularidades apuradas na escrituração contábil da Entidade Por essa razão, a auditoria fiscal sugeriu a revisão do ato que concedeu isenção, a partir de 01/1994. A Entidade apresentou defesa (fls. 587/597 — Vol II) e a análise da mesma resultou na Decisão Notificação de Informação Fiscal de Cancelamento de Isenção n° 21.437.4/001/2005 (fls. 616/626— Vol II) que considerou a Informação Fiscal Procedente. Na seqüência foi emitido Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 001/2005 (fls. 628 — Vol II) cancelando a isenção a partir de 01/01/1994, pelo descumprimento dos incisos II a V, do art. 55, da Lei n°821211991. A Entidade apresentou recurso tempestivo (fls. 6361665 — Vol III) onde alega que goza de imunidade tributária e que possui direito adquirido à mesma. Considera necessário lei complementar para regular a matéria e que não é o caso da Lei n° 8.212/1991 que é típica lei ordinária. Aduz a inconstitucionalidade formal do Decreto n° 2.536/1998. Alega que os dirigentes não recebem remuneração, uma vez que os sócios são arregimentados entre os próprios professores e funcionários das escolas mantidas e, nestas condições, recebem seus salários. Quanto a remuneração, adicionais, participação nos lucros, não são recebidos na condição de dirigentes. Entende que o equívoco da fiscalização ocorreu porque tanto nas escolas como na direção da Entidade existem nomes comum como secretário. Afirma que a Entidade possui o CEAS, bastando verificar no site do CNAS a. sua vigência. Alega que um neto de dirigente gozou de bolsa de estudos porque seu paCê - efetivamente carente. 5 Quanto à criança com Síndrome de Down que recebeu auxílio para pagamento de despesas de educação, afirma que a mesma é filha de uma servente e não neta de dirigente. Tece considerações a respeito de infrações e afirma que a auditoria fiscal teria que indicar o nexus entre a conduta do infrator e o efeito que provocou, bem como que dolo e culpa não se presumem. Argumenta que existe contabilidade regular na recorrente e por seus Livros Razão Analítico e Diário, confirmam-se as aplicações integrais dos eventuais resultados operacionais nas atividades sociais. Quanto ao aluguel da cantina, considerando o inexpressivo valor de R$ 100,00 por mês, o mesmo se justifica pelo não funcionamento no recesso escolar, além do fato do inquilino haver reformado totalmente o lugar. A SRP apresenta contrarrazões (fls. 2627/2663 — Vol X) pela manutençãcS ato cancelatório. É o relatório. 6 Processo n° 35437.000663/2004-11 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.868 Fl. 2.667 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente apresenta como argumento, a alegação de que possuiria imunidade tributária garantida por direito adquirido. Sobre o tema, teço algumas considerações. A concessão de isenção de contribuições previdenciárias teve inicio com a Lei n° 3.577, de 04/07/1959 e abrangia as entidades de fins filantrópicos, reconhecidas como de utilidade pública, cujos membros de suas diretorias não percebessem remuneração; Posteriormente, com a edição do Decreto-Lei n° 1.572 de 01/0911977 que revogou a Lei n° 3.577/1959, ficou resguardado o direito à isenção das entidades que tinham sido reconhecidas como de utilidade pública pelo Governo Federal até a data de publicação do citado Decreto-Lei e que fossem portadoras do certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado; Ressalte-se que as entidades filantrópicas criadas após a publicação do Decreto-Lei n° 1.572 de 01/09/1977 não puderam fazer jus à isenção por falta de amparo legal; Em 1988, a Constituição Federal veio disciplinar sobre a isenção de contribuições previdenciárias em seu art. 195, § 7 0, dispOndo que serão isentas de tais contribuições as entidades beneficentes de assistência social que atendam às condições estabelecidas em lei; A lei que estabeleceu as condições para que uma entidade fosse isenta das contribuições previdenciárias foi a Lei n° 8.212/91 que dispôs em seu art. 55 os requisitos para o beneficio; Portanto, a entidade que, em 10 de setembro de 1977, data da vigência do Decreto-Lei n° 1.572, detinha Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, era reconhecida como de Utilidade Pública Federal, encontrava-se em gozo de isenção e cujos diretores não -- vpercebiam remuneração, nos termos da Lei n° 3.577, de 04 de julho de 1959, teve garantido o / ' direito à isenção até 31/10/1991, independente de qualquer outro requisito. A partir dai, para ajj manutenção da isenção passou a ser obrigada a observar os requisitos do art. 55 da Lei n?/ 8.212/91. - A própria Lei n° 8.212/91 reconhece esse direito adquirido no § 1° do artido 155, cuja interpretação foi objeto do Parecer CJ/MPS n° 2.901/2002 que dispôs o seguinte: 11, "Os atos cancelató rios eventualmente feitos pelo INSS com besse única e exclusivamente no fato de entidade isenta antes dg_ . is\ n.° 8.212, de 1991, não ter requerido novamente a isençaoN,_\J -.\afrontam o 5S. 1° do art. 55, e devem ser de pronto revistos. 'nv 7 Ante o exposto, conclui-se que, administrativamente, a melhor interpretação para o § 1° do art. 55 da Lei n.° 8112, de 1991, é aquela que garante às entidades isentas pela Lei n.° 3.577, de 1959, que continuaram a usufruir o beneficio após o Decreto-Lei n.° 1.572, de 1977, o direito de não precisarem requerer novamente a isenção ao INSS devendo contudo se adequar a todos os requisitos da nova legislação, ficando sujeita a fiscalização posterior. Também se faz necessários que o INSS revise todos os cancelamentos de isenções que contrariem este Parecer." (g.n.) A Lei Maior estabelece no 195, § 7° que farão jus à isenção as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Tais exigências foram definidas na Lei n° 8.212/91 em seu artigo 55 e devem ser cumpridas. Nesse sentido, também não é possível acatar a alegação de que o como a isenção concedida pelo § 7° do art. 195 da Constituição Federal se trata, na verdade, de imunidade, estaria a sua regularização adstrita à formula prevista pelo art. 146, inciso II da Carta Magna, segundo a qual caberia a lei complementar regular as limitações ao poder de tributar. Para corroborar o entendimento de que os requisitos a serem cumpridos pelas entidades beneficentes de assistência social são os estabelecidos pela Lei n° 8.212/91, artigo 55, transcrevo trecho extraído do voto do Ministro do STF Moreira Alves no julgamento do Mandado de Injunção n° 2321RJ impetrado em razão da mora em que se encontrava o Congresso Nacional em cumprir a obrigação de legislar decorrente do art. 195, 7° da Constituição Federal: "Sucede, porém, que, no caso, o parágrafo 7° do art. 195 não • concedeu o direito de imunidade às entidades beneficentes de assistência social, direito esse que apenas não pudesse ser• exercido por falta de regulamentação, mas somente lhes outorgou a expectativa de, se vierem a atender as exigências a ser estabelecidas em lei, farão nascer, para si, o direito em causa, o que implica dizer que esse direito não nasce apenas do preenchimento da hipótese de incidência contida na norma constitucional, mas, depende, ainda, das exigências fixadas pela lei ordinária, como resulta claramente do disposto no referido parágrafo r." Portanto, não há que se falar em direito adquiro à imunidade, independente do cumprimento ou não dos requisitos estabelecidos na Lei n° 8.212/1991. A recorrente alega a inconstitucionalidade do Decreto n° 2.536/1998. Tal alegação não é pertinente ao caso. O referido diploma legal disciplina todo o procedimento para que uma Entidade seja considerada beneficente de assistência social, fato que ocorre pela emissão do CEAS pelo então CNAS. O Ato Cancelatório de isenção não teve por base os dispositivos do referido decreto e foi emitido, dentre outros, pelo descumprimento do inciso II, da Lei n° 8.212/1991. Dos requisitos para a obtenção da isenção,-têm-se os dispostos nos incisos I e II do art. 55 da Lei n° 8.212/91, segundo os quais a _entidade deve ser _reconhecida com-6"-de utilidade pública federal e estadual ou municipal, bem como ser portadora do registro 'e CEAS. 8 Processo n° 35437.000663/2004-11 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.868 Fl. 1668 Os requisitos acima citados não dependem de qualquer análise da auditoria fiscal, pois se consubstanciam no simples fato da entidade ser ou não possuidora de certificações que são fornecidas por órgãos distintos da então Secretaria da Receita Previdenciária. Os demais requisitos, dispostos nos incisos III, IV e V do mesmo artigo, ao contrário, demandam a análise e conclusões por parte da auditoria fiscal. Assim, o Decreto n° 3.048/1999 que regulamenta a Lei n° 8.212/91 estabeleceu expressamente no § 9° do art. 206 que não cabe recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social contra decisão que cancelar a isenção com fundamento nos incisos I, II e III do caput do mesmo artigo, que correspondem aos requisitos constantes nos incisos I e II do art. 55 da lei n° 8.212/91, in verbis: Art.206. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 201, 202 e 204 a pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: 1- seja reconhecida como de utilidade pública federal; II - seja reconhecida como de utilidade pública pelo respectivo Estado, Distrito Federal ou Município onde se encontre a sua sede; III - seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; IV - promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; V - aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando, anualmente, relatório circunstanciado de suas atividades ao Instituto Nacional do Seguro Social; e VI - não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, \ instituidores, benfeitores, ou equivalentes, remuneração, i )vantagens ou beneficios, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes são atribuídas pelo respectivo estatuto social. VII - esteja em situação regular em relação às contribuições sociais. (.) 92 Não cabe recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social da decisão que cancelar a isenção com fundamento nos incisos I, II e III do caput. (g.n) Por essa razão, as alegações da recorrente a respeito do cancelamento descumprimento do Inciso II, do art. 55, da Lei n° 8.212/1991, não serão conhecidas. . 9 Quanto à remuneração e concessão de vantagens a dirigentes, as alegações apresentadas não são suficientes a afastar o que a auditoria fiscal demonstrou fartamente. Os membros da diretoria da entidade eram remunerados por cargos nas escolas, cujas atividades se confundiam com as funções exercidas na entidade. Assevere-se que o Regimento Escolar dos dois colégios prevêem que, salvo os serviços de Secretaria e outros de natureza técnica e didática pedagógica, os demais serviços administrativos, tais como tesouraria, contabilidade, pessoal, limpeza, conservação, vigilância e outros serão de competência da Entidade Mantenedora. Além disso, foram observados fornecimentos de vantagens indiretas contrariando o que dispõe o inciso IV do art. 55 da Lei n° 8.212/91 que é claro ao dispor sobre a impossibilidade de percepção ou usufruto de vantagens ou beneficios a qualquer título; O que a auditoria fiscal apurou foi que diversos netos do Presidente da Entidade teriam recebido bolsas integrais, o que foi considerado um beneficio indireto. • Um Diretor, utilizando-se da prerrogativa de admitir, nomear e substituir funcionários contratou sua filha para exercer cargo de Diretora do Colégio Ayres de Moura. O Tesoureiro da Entidade, registrado como Gerente Administrativo, constituiu empresa e passou a explorar a cantina do Colégio Olavo Bilac, onde alugou o espaço por módicos R$ 100,00 (cem reais), recebendo da entidade pagamentos por fornecimento de refeições a empregados mediante emissão de simples recibos, quando deveria ter emitido Notas Fiscais de prestação de serviços. Outra vantagem indireta considerada pela fiscalização, foi o fato de o Tesoureiro da Entidade haver contratado sua esposa para executar trabalhos de decoração no estabelecimento da Entidade, sendo que não foi encontrado no Cadastro Nacional de Informações Sociais — CNISA a inscrição da mesma como contribuinte individual, o que comprovaria sua atividade de decoradora. Três irmãs, membros da Diretoria, usufruíram vantagem consubstanciada no patrocínio, por parte da Entidade, de várias atividades desenvolvidas por uma sobrinha, portadora de Síndrome de Down, o qual foi contabilizado como aulas de funcionários pagos pela Entidade ou como donativos. A auditoria fiscal informa que não há qualquer outro caso semelhante, ou seja, somente esta criança recebeu estes beneficios. Por essas razões, entendo que a Entidade descumpriu o inciso IV do art. 55 da Lei n° 8.212/1991. Quanto ao descumprimento do Inciso V, do mesmo artigo, que trata da obrigatoriedade de aplicar o eventual resultado operacional nos objetivos institucionais da Entidade. Para a verificação do cumprimento do citado requisito, é imprescindível a • análise da contabilidade que deve_estar escriturada de acordo com as técnicas contábeis. •n,.\ In casu, a auditoria fiscal verificou uma série de irregularidades s'\\., contabilidade da Entidade, as quais estão minuciosamente elencadas no Relatório Fiscal, o leva à ausência de credibilidade da mesma para a apuração do cumprimento do requisito. lo Processo n° 35437.000663/2004-11 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.868 Fl. 2.669 Diante da situação verificada, é necessário que se teçam algumas considerações a respeito; Em 1988, a Constituição Federal veio disciplinar sobre a isenção de contribuições previdenciárias em seu art. 195, § 7°, dispondo que serão isentas de tais contribuições as entidades beneficentes de assistência social que atendam às condições estabelecidas em lei; A lei que estabeleceu as condições para que uma entidade fosse isenta das contribuições previdenciárias foi a Lei n° 8.212/91 que dispôs em seu art. 55 os requisitos para o beneficio; Nessa esteira, a assistência social a ser prestada pelas entidades beneficentes para o gozo de isenção das contribuições à Seguridade Social deve revestir-se da própria relação jurídica de assistência social que ocorre entre o Estado e o assistido. Fora deste contexto não é possível dizer que houve o efetivo exercício de assistência social para fins de gozo da isenção prevista no artigo 195, §7°, da Constituição Federal; • Assevere-se que quando a Constituição desejou conferir vantagens somente às pessoas jurídicas denominadas de "entidades beneficentes de assistência social', por meio da concessão de um favor fiscal, o objetivo não era de perder receitas, mas prestar serviços, os de assistência social, e em decorrência do caráter altruísta desses serviços, pois não há contrapartida do assistido, a Carta Magna entendeu por restringir os destinatários da isenção, para que a mesma fosse efetivamente revertida em favor de desassistidos e não representasse um plus para essas entidades ou que fossem beneficiadas pessoas não carentes. A explanação acima tem por objetivo demonstrar que a isenção fiscal concedida às entidades beneficentes de assistência social se consubstancia em um favor fiscal que está condicionado ao cumprimento dos requisitos estabelecidos em lei. Caso não reste comprovado que a entidade cumpre todos os requisitos para merecer a isenção, o Estado poderá cancelar tal favor a qualquer tempo; A isenção é um favor destinado às entidades que efetivamente comprovem a realização de assistência social beneficente nos termos da lei. Nesse sentido, o ônus da prova é da entidade em demonstrar que é merecedora de continuar usufruindo a isenção, o que ocorre mediante a apresentação de uma escritura contábil regular. Dessa mesma forma manifestou-se a Divisão de Consultoria Técnica dà Procuradoria na NOTA TÉCNICA PG/CGC/DCT/N° 521/99: 07. De nossa parte, a rigor quase nada temos a acrescentar. São, sem dúvida alguma, claros os termos do art. 55 da Lei n° 8.212/91, que determina sejam atendidas cumulativamente todas as exigências ali elencadas, para o fim de ser concedida isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, cabendo à entidade interessada o ônus da prova, e, ao INSS a fiscalização k de seu fiel cumprimento (art. 33 c/c art. 55 da Lei n°8.212/91). \ V\ k,Ü I Assim sendo, entendo que agiu corretamente a então a SRP ao emitir o Atõ Cancelatório da isenção, sob tal fundamento. 11 Quanto ao descumprimento do inciso III, do art. 55, da Lei n° 8.212/1991, a entidade não apresentou qualquer irresignação a respeito. No que tange às alegações de inconstitucionalidade da Lei n° 8.212/1991, não cabe tratar de tal assunto nesta esfera administrativa. Pelo principio da legalidade, não cabe ao julgador na instância administrativa de julgamento afastar a aplicação de dispositivo legal vigente sob o argumento de que o mesmo seria inconstitucional ou afrontaria lei hierarquicamente superior. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 9 de junho de 2010 A A '4 BANDEI - Relatora • \ 12 •
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Numero do processo: 10980.007965/2007-75
Data da sessão: Wed Jun 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco)
anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2402-000.885
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso, devido à decadência das contribuições apuradas, nos termo do voto do relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LOURENÇO FERREIRA DO PRADO
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SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os memb ia 4 ' Câmara / 2a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unani s • ade de votos em dar provimento ao recurso, devido à decadência das contribuições ad. s, • s termo do voto do relator. fr AR e. O OLIVEIRA - Presidente LOURENÇO FEãEIRA DO PRADO — Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado e Ronaldo de Lima Macedo. • Relatório Trata-se de crédito tributário constituído em face de INSTITUTO AMBIENTAL DO PARANÁ, por meio de NFLD, consubstanciada na cobrança de contribuições sociais parte do empregado e empregador, incidentes sobre a remuneração de segurados contribuintes obrigatórios do Regime de Previdência Social na condição de servidores ocupantes de cargos em comissão declarados como de livre nomeação e exoneração. O lançamento compreende o período de 01 de 1996 a 12 de 1998, tendo o contribuinte sido cientificado do lançamento em 29.12.2006 (fls. 77). Mantida a integralidade da notificação pela r. Decisão Notificação (fls. 150;161), foi interposto recurso voluntário por meio do qual, sustenta o contribuinte: I. a decadência do direito de o fisco efetuar o lançamento com arrimo no art. 150, 5S' 40 do CTIV; 2. que os servidores cuja remuneração fora utilizada como base de cálculo das contribuições objeto da NFLD estavam sujeitos a regime de previdência próprios, vinculados, no caso ao Instituto de Previdência do Estado do Paraná — IPE; e 3. que o servidor ocupante de cargo comissionado não pode ser considerado como segurado empregado, por estarem ausentes os elementos característicos da relação de emprego. Processado o recurso sem .contrarrazões da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Consel - e É o relatório. 2 Processo n° 10980.007965/2007-75 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.885 Fl. 188 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator Tempestivo o recurso e presentes os seus requisitos de admissibilidade, dele conheço. Inicialmente, quanto à preliminar aventada, há de se levar em consideração, que o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, em observância aquilo que disposto no artigo 146, III, "b", da Constituição Federal, à unanimidade de votos, negou provimento aos Recursos Extraordinários n° 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, os quais concediam à Previdência Social o prazo de 10 (dez) anos para a constituição de seus créditos. • Na mesma assentada, inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, o STF editou a Súmula Vinculante de n ° 8, cujo teor é o seguinte: Súmula Vinculante n° 8 "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Dessa forma, em observância ao que disposto no artigo 103-A e parágrafos da Constituição Federal, inseridos pela Emenda Constitucional n° 45/2004, as súmulas vinculantes, por serem de observância e aplicação obrigatória pelos entes da administração pública direta e indireta, devem ser aplicadas por este Eg. Conselho de Contribuintes, in verbis: "Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na foi ma estabelecida em lei. Logo, inaplicável o prazo de 10 (dez) anos para a aferição da decadência rie âmbito das contribuições previdenciárias, resta necessário, para a solução da demanda, ali aplicação das normas legais relativas à decadência e constantes no Código Tributário Nacional, I a saber, dentre os artigos 150, § 40 ou 173, I, diante da verificação, caso a caso, se tenha ou não havido dolo, fraude, simulação ou o recolhimento de parte dos valores das contribuições sociais objeto da NFLD, conforme mansa e pacifica orientação desta Eg. Câmara. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, motivo pelo qual, em regra, devem observar o previsto no art. 150, § 4° do CTN. Dessa forma, verificado o pagamento antecipado, observar-se-á a regra de extinção inscrita no art. 156, inciso VII do CTN, que condiciona o acerto do lançamento efetuado pelo contribuinte a ulterior homologação por parte de , 3 Ao revés, caso não exista pagamento ou mesmo a parcialidade deste, não há o que ser homologado, motivo que enseja a incidência do disposto no art. 173, inciso I do CTN, hipótese na qual o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. - No caso dos autos, seja pela regra preceituada no art. 173, I, do CTN ou do art. 150, §4°, como sustentado pelo recorrente, o lançamento encontra-se decadente, motivo pelo qual, a preliminar ora sob análise deve ser acatada no sentido de que seja anulada a totalidade do lançamento já que a constituição do crédito tributário deu-se quando já transcorridos mais de 06 (seis anos) da data da ocorrência dos fatos geradores. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para reconhecer a decadência da totalidade das competências que compõem a presente NFLD, declarando extinto o crédito tributário. É como voto. Sala das Sessões, em 9 de junho de 2010 N Lell • NÇO FERREIRA DO PRADO - Relator • 4 4'•-•t4 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 10980.007965/2007-75 Recurso n°: 158.758 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3 0 do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2402-00.885. Brasília, de julho de 2010 li ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara • Ciente, com a observação abaixo: [ Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10680.007562/2007-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 2002, 2003
DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. APLICAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) “conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”(artigo 173, I do CTN); e da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este se dá (artigo 150, § 4º, do CTN). Por força do art. 62-A do anexo II do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.624
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões trazidas no recurso voluntário.
Nome do relator: Maria Helena Cotta Cardozo
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2002, 2003 DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. APLICAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) “conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”(artigo 173, I do CTN); e da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este se dá (artigo 150, § 4º, do CTN). Por força do art. 62-A do anexo II do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF Recurso especial provido.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002, 2003 DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. APLICAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) “contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”(artigo 173, I do CTN); e da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este se dá (artigo 150, § 4º, do CTN). Por força do art. 62A do anexo II do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 75 62 /2 00 7- 19 Fl. 910DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1020.09591.LO2Z. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões trazidas no recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora EDITADO EM: 13/05/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata o presente processo, de Auto de Infração em que se exige, juntamente com multa de ofício e juros de mora, Imposto de Renda Retido na Fonte sobre diversas rubricas, relativamente a períodos de apuração de janeiro de 2002 a dezembro de 2003. Em sessão plenária de 02/12/2009, foi julgado o Recurso Voluntário 165.399, prolatandose o Acórdão 220200.365, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002, 2003 DECADÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. 0 pagamento efetuado a titulo de rendimentos está sujeito incidência do imposto de renda na fonte, cuja apuração e retenção devem ser realizadas na data do pagamento (fato gerador). A incidência tem característica de tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa e amoldase à sistemática de lançamento denominado por homologação, onde a contagem do prazo decadencial deslocase da regra geral do artigo 173 do Código Tributário Nacional, para encontrar respaldo no § 40 do artigo Fl. 911DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1020.09591.LO2Z. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10680.007562/200719 Acórdão n.º 9202002.624 CSRFT2 Fl. 11 3 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. DIFERENÇAS APURADAS ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E PAGOS OU COMPENSADOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Legitimo o lançamento de oficio de imposto de renda retido e não recolhido apurado pelo confronto entre os valores registrados na contabilidade e os efetivamente pagos ou compensados, não confessados pelo contribuinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003 DECLARAÇÃO RETIFICADORA ENTREGA APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. EFEITOS. A declaração retificadora entregue após o inicio do procedimento de oficio não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de oficio, pois a espontaneidade do sujeito passivo é excluída com o a instauração da ação fiscal. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE PELA FONTE PAGADORA. Somente é cabível a exigência da multa qualificada prevista no artigo 44, II, da Lei n" 9.430, de 1996, quando o sujeito passivo tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. A falta de comprovação do recolhimento do imposto de renda retido na fonte e/ou alegação de desconhecimento da apresentação de DCTF's retificadoras, pela fonte pagadora, sem a utilização de documentos inid6neos, caracteriza simples falta de recolhimento de imposto de renda que foi retido na fonte, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos da legislação tributária. Multa de oficio desqualificada. Argüição de decadência acolhida. Recurso parcialmente provido” A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, tendo em vista a desqualificação da multa de oficio, acolher a argüição de decadência para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao período de 03/02/2002 a 25/06/2002. Vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragdo Calomino Astorga (Relatora) e Antonio Lopo Martinez. No mérito, por maioria de votos, DAR Fl. 912DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1020.09591.LO2Z. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 provimento PARCIAL ao recurso para excluir a base de cálculo da exigência os valores de R$ 7.165,39 e R$ 10,63, correspondentes aos fatos geradores de 31/10/2003 e 29/07/2002, respectivamente, e desqualificar a multa de lançamento de oficio, reduzindoa ao percentual de 75%, nos termos do voto da Redatora designada. Vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Relatora) e Antonio Lopo Martinez, que davam provimento parcial ao recurso, somente, para excluir da base de cálculo da exigência os valores de R$ 7.165,39, R$1.155,00 e R$ 10,63, correspondentes aos fatos geradores de 31/10/2003, 25/02/2002 e 29/07/2002, respectivamente. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Heloisa Guarita Souza.” Cientificada o acórdão em 30/08/2011 (fls. 421), a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial de fls. a 425 a 470, com fundamento no art. 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a desqualificação da multa e os respectivos desdobramentos relativamente à decadência. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, admitindose a rediscussão apenas da decadência, conforme o Despacho 220000.829, de 25/11/2011 (fls. 471 a 476). O seguimento parcial foi confirmado pelo Despacho 920200.829, de 25/11/2011 (fls. 477). No Recurso Especial, relativamente à questão da decadência, a Fazenda Nacional argumenta, em síntese: o art. 150, § 4º, do CTN, foi aplicado, com a devida vênia, de forma equivocada pelo Câmara a quo;: com base neste dispositivo, poderseia chegar, de modo precipitado, à conclusão de que a decadência teria alcançado os fatos geradores ocorridos antes de julho de 2002, pois decorridos 05 anos do fato gerador, nos termos do art. 150, §4° do CTN, considerando que o contribuinte foi notificado 02/07/2007; contudo, adotandose o cuidado necessário ao perfeito entendimento da legislação tributária, tornase imprescindível atentar para o que dispõe o art. 149, V, CTN; no caso em tela, está claro que o art. 150 do CTN foi contrariado, já que não houve recolhimento do tributo devido; de fato, como afirmado anteriormente, o responsável tributário, embora tenha declarado o contrário, deixou de efetuar os recolhimentos do imposto de renda na fonte; portanto, cabível é a aplicação do art. 149, V do CTN, motivo pelo qual foi efetuado o lançamento de oficio pela autoridade administrativa; ora, se inexato o pagamento antecipado, negase a homologação e operase o lançamento de oficio (CTN 149, V); se omisso na antecipação do pagamento, nada há passível de homologação e a exigência se formalizará por ato de oficio da administração (CTN 149, V); sendo lançamento de oficio, para fins de contagem de prazo decadencial não se aplica o art. 150, § 4°, CTN e sim, o art. 173, I; Fl. 913DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1020.09591.LO2Z. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10680.007562/200719 Acórdão n.º 9202002.624 CSRFT2 Fl. 12 5 como se vê, não há que se falar em homologação do art. 150 do CTN no prazo de cinco anos contados do fato gerador; ao contrário, sob o amparo do art. 149, V, a Administração poderá exercer o direito de lançar de oficio, enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública na forma do art. 173 do CTN; o Col. Superior Tribunal de Justiça, pela Primeira Seção, ao interpretar a combinação entre os dispositivos do art. 150, §4º e 173, I, do CTN, pacificou o entendimento, no julgamento de matéria objeto de recursos repetitivos, entendendo que, não se verificando recolhimento de exação e montante a homologar, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação segue a disciplina normativa do art. 173 do CTN (cita doutrina e jurisprudência nesse sentido); logo, a matéria abordada já fora decidida pelo STJ em sede de recurso especial, tendo a mens legis o fim de pacificar a tese, de maneira que, realizado o julgamento pelo STF ou STJ, os demais recursos devem ter o mesmo destino daquele que foi destacado para julgamento, e é norma que há de ser observada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do art. 543C do CPC; na esteira dessa evolução jurisprudencial e legislativa, o art. 62A do RICARF, acrescentado pela Portaria MF 586/2010, impõe aos órgãos julgadores do CARF a aplicação do mesmo entendimento adotado pelo STF e STJ, respectivamente, nos julgamentos sob o regime da repercussão geral e dos recursos repetitivos; em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 03/02/2002 a 25/06/2002, os quais não foram objeto de pagamentos pelo sujeito passivo, o Fisco poderia ter efetuado o lançamento durante o ano 2002; desse modo, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado corresponde a 1° de janeiro de 2003, tal como previsto no art. 173, I, do CTN, findandose o prazo decadencial em 31/12/2007; como a notificação do sujeito passivo acerca do auto de infração deuse em 02/07/2007, não há que se cogitar de decadência para esse período. Ao final , a Fazenda Nacional pede o conhecimento e provimento do recurso. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento parcial em 10/02/2012 (AR de fls. 502), o Contribuinte ofereceu, em 27/02/2012, as ContraRazões de fls. 503 a 506, contendo os seguintes argumentos, em síntese: o imposto de renda retido na fonte, inclusive este incidente sobre os rendimentos do trabalho assalariado, é previsto, atualmente, no artigo 620 do RIR/99, é tributo sujeito ao regime do chamado lançamento por homologação, já que cabe à fonte pagadora a apuração da base de cálculo do imposto e o recolhimento do montante devido, a título de antecipação ou em caráter definitivo, submetendo, posteriormente, esse procedimento à autoridade administrativa, que deverá homologar ou não, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo obrigado; a homologação expressa, para os tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, deve se dar no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; Fl. 914DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1020.09591.LO2Z. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 ultrapassado esse prazo, sem ter sido lavrado lançamento de oficio pela autoridade administrativa, considerase homologada tacitamente a atividade exercida pelo contribuinte e extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN; o decurso do prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, implica na homologação tácita da atividade exercida pelo contribuinte e, em razão do instituto da decadência, previsto no artigo 156, inciso V, do CTN, extingue o crédito tributário, e neste sentido já decidiu o CARF (cita jurisprudência). Ao final, o Contribuinte pede que se negue provimento ao recurso. Fl. 915DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1020.09591.LO2Z. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10680.007562/200719 Acórdão n.º 9202002.624 CSRFT2 Fl. 13 7 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O presente Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, é tempestivo e, na parte em que lhe foi dado seguimento – decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento de IRRF – atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de Auto de Infração em que se exige, juntamente com multa de ofício e juros de mora, Imposto de Renda Retido na Fonte sobre: Rendimento do Trabalho Assalariado (código 0561); Rendimentos do Trabalho sem Vínculo Empregatício (código 0588); Aluguéis e Royalties Pagos a Pessoa Física (código 1708); Serviços Prestados por Pessoa Jurídica (código 3208). Assim, a autuação diz respeito ao IRRF abrangendo diversos períodos, de janeiro de 2002 a dezembro de 2003. No acórdão recorrido, aplicandose o art. 150, § 4º, do CTN, considerouse que havia se operado a decadência, relativamente aos períodos de apuração de 03/02/2002 a 25/06/2002. A ciência do Auto de Infração ocorreu em 03/07/2007 (fls. 235/236). A matéria já está pacificada no âmbito deste Conselho que, por imposição do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, deve aderir à tese esposada pelo STJ no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou Fl. 916DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1020.09591.LO2Z. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos o lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, nos casos em que há pagamento antecipado, ainda que parcial, o termo inicial é a data do fato gerador, na forma do § 4º do art. 150 do CTN, a saber: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade Fl. 917DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1020.09591.LO2Z. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10680.007562/200719 Acórdão n.º 9202002.624 CSRFT2 Fl. 14 9 administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado este prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se co0mprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Por outro lado, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, o dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I, do art. 173 do CTN: Art. 173 — O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; No caso dos autos, tratase de diversas rubricas de IRRF e diversos períodos de apuração, de janeiro de 2002 a dezembro de 2003. Conforme se pode constatar pelos demonstrativos de fls. 122 a 125, em alguns desses períodos efetivamente não foi efetuado pagamento antecipado. Assim, aplicandose o art. 173, inciso I, do CTN, em relação aos períodos de apuração ocorridos em 2002, que não foram objeto de pagamentos pelo sujeito passivo, o Fisco poderia ter efetuado o lançamento durante o próprio ano de 2002. Destarte, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde a 1° de janeiro de 2003, findandose o prazo decadencial em 31/12/2007. Como o Contribuinte foi cientificado da autuação em 03/07/2007 (fls. 235/236), não há que se falar em decadência para esses períodos. Diante do exposto, DOU provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para: relativamente aos períodos de apuração de 03/02/2002 a 25/06/2002 (cuja decadência fora reconhecida no acórdão recorrido), afastar a decadência nos casos em que não houve pagamento, conforme os Demonstrativos de fls. 122 a 125; determinar o retorno dos autos à Câmara de Origem, para exame do mérito quanto aos períodos cuja decadência é ora afastada. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 918DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1020.09591.LO2Z. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 Fl. 919DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1020.09591.LO2Z. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por AFONSO ANTONIO DA SILVA em 14/05/2013 13:03:18. Documento autenticado digitalmente por AFONSO ANTONIO DA SILVA em 14/05/2013. Documento assinado digitalmente por: OTACILIO DANTAS CARTAXO em 16/05/2013 e MARIA HELENA COTTA CARDOZO em 15/05/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 09/10/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.1020.09591.LO2Z Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 0BE378EDBBDBFF63783915B1E1544E9BF900B8B8 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10680.007562/2007-19. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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