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Numero do processo: 19311.000469/2010-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2007
LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.
SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Nos termos da Súmula n°. 04 do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.
MULTA. EDIÇÃO DA LEI 11.941/09. RETROATIVIDADE BENIGNA. LIMITAÇÃO AO PATAMAR DE 20% EM CONFORMIDADE COM O ART. 61 DA LEI 9.430/96. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTE DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. Conforme já restou decidido pela Eg. Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Eg. Conselho, a limitação ao patamar de 20%, previsto pelo art. 61 da Lei 9.430/96, não se aplica ao lançamento de contribuições previdenciárias devidas. Ressalva do entendimento pessoal do Relator.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Nos termos da Súmula n°. 04 do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. MULTA. EDIÇÃO DA LEI 11.941/09. RETROATIVIDADE BENIGNA. LIMITAÇÃO AO PATAMAR DE 20% EM CONFORMIDADE COM O ART. 61 DA LEI 9.430/96. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTE DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. Conforme já restou decidido pela Eg. Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Eg. Conselho, a limitação ao patamar de 20%, previsto pelo art. 61 da Lei 9.430/96, não se aplica ao lançamento de contribuições previdenciárias devidas. Ressalva do entendimento pessoal do Relator. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 04 69 /2 01 0- 43 Fl. 594DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 31/10/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 31/10/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19311.000469/201043 Acórdão n.º 2401002.984 S2C4T1 Fl. 594 3 Relatório Tratase de Recursos Voluntários interposto por VITROTEC VIDROS DE SEGURANÇA LTDA, em face do acórdão que mantive o AI 37.266.3486 : lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte da empresa e destinadas ao GILRAT incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados, conforme informações prestadas em folha de pagamentos e GFIP. Consta do relatório fiscal que na verificação da documentação apresentada, especialmente as folhas de pagamento, Guias da Previdência Social e Guias de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social GFIP, verificouse que a empresa recolheu integralmente as contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento nas competências 01/2006 a 07/2006, passando a recolher somente as contribuições relativas a segurados nas competências de 08/2006 a 10/2006, tendo a partir da competência 11/2006 até a competência 13/2007 também recolhido ao INSS além da contribuição de segurados o valor de R$5.000,00 (cinco mil reais) mensais. Foram considerados como fatos geradores lançados no presente processo: 1. "DE" (Diferença Contribuição a Cargo da Empresa — não declarada em GFIP) multa de mora de 24% competências 08/2006 a 10/2006); 2. "DEI" (Diferença Contribuição a Cargo da Empresa não declarada em GFIP) multa de ofício de 75% competências 03/2006 a 07/2006; 3. "DF" (Diferença Contribuição RAT não declarada em GFIP) multa de 24% competências 08/2006 a 10/2006; 4. "DF1" (Diferença Contribuição RAT não declarada em GFIP) multa de ofício de 75% competências 03/2006 a 07/2006; 5. "FL" (Folha de Pagamento não declarada em GFIP) multa de mora de 24% competências 08/2006 a 12/2006; 01/2007 a 08/2007; 6. "FL1" (Folha de Pagamento não declarada em GFIP) multa de ofício de 75% competências 13/2006 e 13/2007; Em virtude da empresa não ter apresentado informações em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal, na forma do Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD, embora intimada, conforme já informado no item 4, a multa de ofício de 75%, foi agravada em 50%, de acordo como contido na MP 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009. O lançamento compreende as competências de 03/2006 a 13/2007, tendo sido o contribuinte cientificado em 14/09/2010. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 31/10/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 4 O contribuinte impugnou o lançamento, na oportunidade tendo reconhecido os erros apontados pela fiscalização, todavia, justificandoos como mero erro material humano, situação que não enseja dolo ao não pagamento das contribuições e, portanto, o seu lançamento. O acórdão de primeira instância manteve a integralidade do lançamento. Em seu recurso sustenta que em razão da demissão do exfuncionário João Evangelista Lins, ao verificar que havia cometido uma falha de não ter lançado o valor de seu salário nas competências 03/2006 a 09/2007, a impugnante determinou que fossem retificados os valores da folha de salário de seus cerca de 200 funcionários para o fim de ser acrescido o salário do mesmo. Acresce que, mesmo diante das correções, novamente ocorreu um equívoco por parte da funcionária encarregada dessas retificações, que ao invés de retificar os valores somando o salário do Sr. João Evangelista Lins aos dos demais funcionários, lamentavelmente lançou apenas o valor referente ao salário do citado exfuncionário, vale dizer, cometeu o equívoco de não somar os valores aos dos salários dos outros funcionários. Defende que cobrança da contribuição previdenciárias sobre a folha de salários, mediante a aplicação da alíquota de 20% é inconstitucional, da mesma forma que a cobrança das contribuições destinadas ao GILRAT. Argui que a remuneração paga aos empresários, trabalhadores autônomos e avulsos não é alcançada pela incidência das contribuições da empresa, pois, vale dizer, que o conceito de folha de salário compreende, obviamente, somente os empregados, que mantêm relação de emprego, não abrangendo os autônomos, avulsos e dirigentes empresariais, o que também não se coaduna com o art. 195 da CF/88. Por fim, aponta que a multa de ofício aplicada no percentual de 112,5% é confiscatória e requer a aplicação ao caso da limitação de 20% em conformidade com o que determinou a Lei 11.941/09 bem como o reconhecimento da ilegalidade da SELIC, Processado os recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 31/10/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19311.000469/201043 Acórdão n.º 2401002.984 S2C4T1 Fl. 595 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, merece conhecimento. Sem preliminares. MÉRITO. Em realidade, como se depreende da leitura do item 1 do relatório fiscal de fls. 62 a 69, o presente auto foi lavrado para a "cobrança de contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos empregados da empresa em retribuição aos serviços prestados'". Desta feita, o presente lançamento decorre, tão somente, de não terem sido recolhidas as contribuições previdenciárias previstas nos incisos I e II do art. 22 da Lei n° 8.212/91, calculadas sobre os valores despendidos pela empresa a título de remuneração de seus empregados, não tendo ele, portanto, relação alguma com a falha atinente à retificação das GFIP do período de 03/2006 a 08/2007. Além disso, da impugnação interposta, a recorrente deixa de impugnar expressamente o lançamento, mas ao contrário, justifica erros de preenchimento nos documentos, atribuindoos mero erro de seus funcionários (falha humana), o que não caracterizaria o seu dolo em deixar de recolher os valores sobre as verbas devidas, de modo que o lançamento é, pois, incontroverso. Ademais, o recurso voluntário traz longa argumentação acerca da inconstitucionalidade da cobrança da contribuição previdenciárias sobre a folha de salários, mediante a aplicação da alíquota de 20%, da cobrança das contribuições destinadas ao GILRAT e aos empresários e trabalhadores avulsos e autônomos. Todavia, tenho tais irresignações não podem ser analisadas por este Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente as contribuições, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Da mesma forma verifico que a alegação relativa a violação do princípio do nãoconfisco pela aplicação das multas de ofício, inclusive com a agravante adotada pelo Fisco, também o foram trazidos em sede de recurso sob a alegação da inconstitucionalidade de sua aplicação, sem que a recorrente se insurgisse quanto aos fundamentos que vieram a dar ensejo ao agravamento. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: Fl. 598DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 31/10/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 6 “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Por fim, a insurgência acerca da aplicação da taxa SELIC também não merece amparo. A sua aplicação, enquanto juros moratórios e multa aplicadas sobre as contribuições objeto do lançamento, foi efetivada com supedâneo em previsão legal consubstanciada no art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo reestabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Tal discussão, inclusive, já tendo sido objeto de várias deliberações neste Conselho, resultou no enunciado da Súmula n°. 04 do CARF, confirase: ”Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ” Por fim, quanto ao pedido formulado no sentido da limitação da multa ao patamar de 20%, ressalto que possuo entendimento pessoal no sentido de sua possibilidade. Todavia, tendo em vista as decisões já tomadas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Eg. Conselho sobre o assunto em sentido contrário ao pretendido pela recorrente, sucumbo ao seu entendimento, adotandoo no caso em concreto Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 31/10/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por IGOR ARAUJO SOARES
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000258/2008-91
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2007,2008
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL.
A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1803-002.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ricardo Diefenthaeler e Carmen Ferreira Saraiva que negavam provimento em relação à dedução da base de cálculo do valor da receita constante na DIPJ. Designado o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes para redigir o voto vencedor. Ausente justificadamente o Conselheiro Henrique Heiji Erbano.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Redator Designado
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2007,2008 NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ricardo Diefenthaeler e Carmen Ferreira Saraiva que negavam provimento em relação à dedução da base de cálculo do valor da receita constante na DIPJ. Designado o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes para redigir o voto vencedor. Ausente justificadamente o Conselheiro Henrique Heiji Erbano. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Redator Designado Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
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DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 02 58 /2 00 8- 91 Fl. 725DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000258/200891 Acórdão n.º 1803002.320 S1TE03 Fl. 450 2 A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ricardo Diefenthaeler e Carmen Ferreira Saraiva que negavam provimento em relação à dedução da base de cálculo do valor da receita constante na DIPJ. Designado o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes para redigir o voto vencedor. Ausente justificadamente o Conselheiro Henrique Heiji Erbano. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Redator Designado Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 165173 com a exigência do crédito tributário no valor de R$23.624,47, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada, apurado no regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), referente ano calendário de 2004, em conformidade com o Termo de Constatação Fiscal, fls. 154164. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000258/200891 Acórdão n.º 1803002.320 S1TE03 Fl. 451 3 O lançamento fundamentase nas infrações que se seguem: Item 1 – Omissão de receitas de depósitos bancários não escriturados, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores creditados na contacorrente nº 09445 0 da agência nº 3432 do Banco Banerj S/A, fls. 3538, na contacorrente nº 60.6146 da agência nº 10758 do Bradesco S/A, fls. 106112, na contacorrente nº 045726 da agência nº 6138 do Banco Itaú S/A, fls. 4652, na contacorrente nº 0082335940 da agência nº 00247 do Banco Santander S/A, fls. 5791, e na contacorrente nº 0671240 da agência nº 1609do Banco HSBC S/A, fls.96105. Em relação a esses valores a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nas operações bancárias mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, de acordo com os extratos bancários apresentados pelas instituições financeiras, em atendimento às Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. 4043, 5455 e 9394 e as informações constantes na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), do anocalendário de 2004, fls. 0623. Item 2 – Insuficiência de recolhimento decorrente da aplicação incorreta da alíquota incidente sobre a receita bruta, conforme dados informados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples) do anocalendário de 2004, fls. 0623. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, § 2º do art. 2º, alínea “a” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998 e art. 186, art. 188 e art. 199 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 174182 com a exigência do crédito tributário no valor de R$23.624,47 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: alínea “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, parágrafo único do art. 1º da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, bem como o inciso I do art. 2º, art. 3º e art. 9º da Medida Provisória nº 1.249, de 14 de dezembro de 1995, § 2º do art. 2º, alínea “b” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998. II – O Auto de Infração às fls. 183191 com a exigência do crédito tributário no valor de R$44.606,64 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, bem como o § 2º do art. 2º, alínea “c” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000258/200891 Acórdão n.º 1803002.320 S1TE03 Fl. 452 4 IV – O Auto de Infração às fls. 192200 com a exigência do crédito tributário no valor de R$89.213,49 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, § 2º do art. 2º, alínea “d” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998. V O Auto de Infração às fls. 201207 com a exigência do crédito tributário no valor de R$146.120,11 a título de Contribuição para a Seguridade Social (INSS), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 2º do art. 2º, alínea “f” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998. Cientificada, a Recorrente apresenta as impugnações em face dos Autos de Infração de IRPJ, PIS, CSLL, Cofins e PIS, fls. 244658, com as alegações abaixo sintetizadas. Tece esclarecimentos sobre a ação fiscal e sobre a Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998, a Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 e suscita que: DO RESPEITO AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE CONSTANTE DE NOSSA CONSTITUIÇÃO FEDERAL Em Direito Tributário inexistem as chamadas presunções absolutas, "juris et de jure". Isso é o que demonstram os mais recentes estudos dessa matéria. O sistema brasileiro de direito tributário é regido por dois princípios fundamentais plasmados na Constituição Federal, de forma implícita e explicitados por lei complementar, em nível de forma geral. São os princípios de estrita legalidade e da tipicidade fechada, que deságuam na reserva absoluta da lei formal tributária. É o que se concluiu em reunião plenária do VI Simpósio Nacional de Direito Tributário, como se segue: "O direito tributário consagra ambas as reservas, entendendo se por reserva formal da lei o fato de ser indispensável ato legislativo (art. 46/II até VI da CF.) como veículo para instituir ou alterar tributo, e como reserva absoluta o fato de competir à lei a descrição de todos os elementos do tipo tributário (tipo cerrado)." Em nossa Constituição Federal, artigo 5º ("Dos Direitos e Garantias Individuais"), temos, dentre outros, o seguinte princípio: "NINGUÉM SERÁ OBRIGADO A FAZER OU DEIXAR DE FAZER ALGUMA COISA SENÃO EM VIRTUDE DE LEI." Esse princípio da legalidade visa combater o poder arbitrário [...]. Só a lei pode criar obrigação para o indivíduo, porque ela é apenas expressão da vontade geral. [...] E também no Capítulo "Do Sistema Tributário Nacional", contido em nossa Constituição Federal, esse princípio da legalidade foi introduzido [pelo art. 146 da Constituição Federal]. [...] Fl. 728DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000258/200891 Acórdão n.º 1803002.320 S1TE03 Fl. 453 5 DA INADMISSIBILIDADE DA PRESUNÇÃO DE QUE DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEJAM CONSIDERADOS COMO OMISSÃO DE RECEITA [...] A chamada omissão de receita decorrente de movimentação bancária sempre foi examinada com bastante cautela: porque deduzir dê meros depósitos bancários cujas origens podem ser mais variadas não significa dizer que houve aumento de renda, ganho real de capital, ou seja, que um agente público teve rendimentos, cuja existência omitiu, sendo à toda evidência, mera presunção. É evidente que o fato de ter o contribuinte depósitos em sua contacorrente bancária poderia ad argumentandumdar ensejo à apuração pelo fisco, mas o que não se pode admitir é que tal fato, por si só, seja bastante para constituir o crédito tributário, por se presumir tratarse de rendimentos sem a efetiva comprovação. Na esfera tributária houve alteração do estabelecido no DecretoLei n° 2.471/88, com a entrada em vigor da Lei n° 9.430, de 27.12.96. O art. 42 da aludida norma estabeleceu a presunção juris tantum de caracterização de omissão de receita ou de rendimento ou depósito bancário em relação ao qual o contribuinte não comprove a origem dos recursos através de documentação hábil e idônea. [...] Por essa nova sistemática legal operouse uma significativa mudança no tratamento tributário concernente à movimentação bancária dos contribuintes de imposto de renda, invertendose, com isto, o ônus da prova, visto que ó titular da conta bancária passou a ter o ônus de provar que valores creditados em suas contas correntesbancárias não se referem a receitas omitidas, sob pena de sujeitarem à autuação do fisco por acréscimo patrimonial a descoberto. Portanto, para que o depósito bancário se transforme em renda tributável, é necessário que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida [...]. Terá que ficar comprovado o nexo de causalidade entre o depósito e o fato que represente omissão de rendimentos. No procedimento fiscal tributário para haver a autuação, com base em depósito bancário, nos termos do artigo 42, da Lei n° 9.430/96, como já dito alhures, não basta a simples presunção legal de que os depósitos constituem renda tributável, é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. O lançamento assim constituído só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre o depósito e o fato que represente omissão de rendimentos. Assim, o depósito bancário, mesmo após o advento da Lei n° 9.430/96, não constituise, por si só, fato gerador da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, pois é necessária a prova cabal e robusta de que ele foi utilizado como renda consumida. Isto porque, a posse de numerário alheio, como por exemplo, descaracteriza a respectiva presunção de disponibilidade econômica. Para ser tributada pelo imposto sobre renda, a disponibilidade econômica deve ser adquirida pelo contribuinte, não se cogitando, sob o prisma legal, a sua incidência se houver apenas a potencialidade de se adquirir a respectiva disponibilidade, ou se ela pertence a terceiros. [...] Nem todo o ingresso financeiro Fl. 729DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000258/200891 Acórdão n.º 1803002.320 S1TE03 Fl. 454 6 constituise em acréscimo patrimonial, sendo necessário se verificar cada caso concreto. [...] Pois bem, no caso da improbidade administrativa há que se fazer um divisor entre a presunção de omissão de receita na área tributária e a presunção de enriquecimento ilícito defendida por alguns doutrinadores e aplicada por inúmeras Comissões Disciplinares de Inquérito. Na primeira situação legal, presunção de omissão de receita, basta para o fisco a aparência de "sinais exteriores de riqueza" que o procedimento tributário é instaurado para que o contribuinte demonstre que a investigação é improcedente ou são compatíveis com os seus rendimentos os respectivos "sinais". [...] Assim, o correto, na esfera tributária, o respeito à discricionariedade ampla do fisco em promover a devida investigação, podendo partir da premissa de uma presunção de variação patrimonial a descoberto através dos "sinais exteriores de riqueza", no direito administrativo tal presunção, vinculada a depósitos bancários não é absoluta, pois não há a inversão do ônus da prova neste ramo do direito, visto que nesta situação jurídica a Administração Pública deverá provar que o agente público enriqueceuse, com o aumento do seu patrimônio, de forma ilícita decorrente do exercício do seu cargo, emprego ou função pública. [...] Assim sendo, prevalece a ficção legal da hipótese do enriquecimento injusto nas disposições estabelecidas nos artigos 884 e seguintes do Código Civil, que claramente condicionam a restituição de valores recebidos indevidamente desde que eles sejam correlatos ao empobrecimento de outrem. [...] Portanto, também pela dicção do art. 110, do CTN, a presunção contida no art. 42, da Lei n° 9.430/96 não pode alterar o conceito de renda ou de provento para neles incluir depósitos bancários. Pode, quando muito, autorizar a tributação de tais depósitos por presunção, desde que verificado caso a caso, bem como se ocorreu a renda consumida. Conseqüentemente, o CTN não autoriza que lei tributária amplie o conceito de renda e que este conceito ampliado seja aplicado em matéria vinculada ao direito administrativo. [...] Ora, por tudo o que até aqui restou exposto, embora considerando que a autoridade fiscal autuante teve o devido cuidado de proceder ao levantamento de toda a movimentação bancária de depósitos que restaram não escriturados pela presente Impugnante, para a ora Impugnante resulta o claro entendimento de que a simples verificação da existência de somatório de depósitos bancários em montante superior às receitas declaradas não pode constituir prova suficiente para caracterizar e quantificar a omissão de receita. Para o ora Impugnante, a prova de uma infração á partir de presunção simples demanda que o conjunto de indícios trazidos pela fiscalização permita ao julgador alcançar a certeza necessária para o seu convencimento, afastando possibilidades contrárias, mesmo que improváveis. E essa simples presunção, que se embase em depósitos bancários, faz com que remanesça dúvida razoável da improcedência da exação e, dessa forma faz com que o julgador não possa decidir contra o acusado, neste caso, contra a ora Impugnante. O Sr. AuditorFiscal, à vista da falta de contabilização do movimento bancário e, desta forma, diante de uma insegurança quanto à fidelidade da escrita, deveria ter, no mínimo, adotado o correto procedimento de arbitrar os lucros e não Fl. 730DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000258/200891 Acórdão n.º 1803002.320 S1TE03 Fl. 455 7 de tributar todo o movimento bancário, inclusive sem reduzir da movimentação financeira, apurada nas contas bancárias do contribuinte, ora Impugnante, que corresponderam à importância total de R$1.427.275,26, o montante de R$304.283,00, valor este que constou como receita corretamente constatada e declarada na DIPJ 2005 (anobase de 2004), ou seja, valor este que já restou totalmente tributado. Está havendo, no mínimo, uma inconteste bitributação. [...] DA INADMISSIBILIDADE DE MULTAS ELEVADAS EM DESRESPEITO AO PRINCÍPIO TRIBUTÁRIO DE VEDAÇÃO AO CONFISCO O inciso IV, do art. 150 da Constituição Federal veda expressamente a instituição de tributos com efeito de confisco. Esse princípio constitucional interpretado em sintonia com a garantia inserta no inc. XXII, do art. 5º da CF/88, atinente ao direito de propriedade. Na seara do direito tributário a vedação encontrase no plano econômico, impedindo que resulte em expropriação do objeto ou que tenha sobre ele efeito gravoso sem a devida e justa reparação legal. No confisco o campo de imposição perspassa o balizamento constitucional, supera os limites possíveis de tributação da riqueza e adentra indevidamente no patrimônio do contribuinte. É justamente no sentido de evitar tal fenômeno que o legislador originário inseriu no corpo da Constituição Federal á vedação ao confisco como forma de coibir a sanha arrecadatória, em sintonia com a proibição de excesso [...]. A propriedade privada é essencialmente intangível e a forma de sua perda apenas se opera plenamente com base no devido processo legal de desapropriação, evidentemente, ajoujado à utilidade pública oü interesse social, atrelados a prévia e justa indenização em dinheiro, conforme preconiza o inc. XXIV, do art. 5º, da CF/88. Adentrar no patrimônio do cidadão por meio de exação ou multa confiscatória e que não atenda a razoabibilidade, proporcionalidade e capacidade contributiva é expediente repelido pelo ordenamento jurídico pátrio. [...] A questão que se propõe é perquirir se a vedação ao confisco atingiria apenas o tributo ou se estenderia seu manto às multas fiscais. De plano afirmase que o primado constitucional também atinge e impõe limites objetivos subjetivos as multas fiscais. O estabelecimento de multas fiscais não pode induzir a violação ao princípio do não confisco, plasmado na Carta Maior. A relação de adequação deve ter como limite objetivo a restrição constitucional de gerar confisco. [...] Portanto, a vedação ao confisco se aplica inquestionavelmente ao caso das multas fiscais. É evidente que a sua constatação será possível mediante análise do caso concreto. Ainda que a multa tenha como finalidade impor um gravame ao contribuinte pelo descumprimento de um dever legal, essa prerrogativa administrativa fiscal não pode extrapolar limites que afrontem as garantias dispostas no inc. XXII da Magna Carta. [...] Observese que a questão atinente ao efeito confiscatório guarda estreita relação com o princípio da capacidade contributiva e da proporcionalidade, porquanto, sua imposição em patamares elevados e irracionais gerará a impossibilidade ou grande dificuldade de desembolso pecuniário por parte do contribuinte, afetando ainda a proporcionalidade que deve permear toda a atuação fazendária. Fl. 731DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000258/200891 Acórdão n.º 1803002.320 S1TE03 Fl. 456 8 É importante ressaltar que o direito de tributar não deve ser entendido como o direito de destruir [...]. A racionalidade que deve revestir toda a atuação fiscal abarca, sem qualquer dúvida, a necessidade de respeito ao primado da vedação ao confisco não apenas para os tributos mas também para as multas fiscais. [...] DO RESPEITO À LEGALIDADE E À SEGURANÇA JURÍDICA Vimos que a concepção de um Estado de Direito atribui à lei a função de principal instrumento da justiça material; mas a essa mesma concepção é ainda inerente a idéia de que a lei deve garantir, na maior extensão possível, a segurança jurídica ou certeza do Direito. [...] Ora, o Direito Tributário é de todos os ramos do Direito aquele em que a segurança jurídica assume a sua maior intensidade possível e é por isso que nele o princípio da legalidade se configura como uma RESERVA ABSOLUTA DE LEI FORMAL. Precisamente, o conceito der "proteção da confiança" assume no Direito Tributário uma larga projeção. E é por essa legalidade e segurança jurídica, constitucionalmente asseguradas por nossa Lei maior, que discordamos da forma como está se tentando imputar à ora Impugnante numa irregularidade tributária cuja constatação parte de uma presunção tributária, sem a inconteste certeza e liquidez. [...] OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SUBMETESE AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE As penalidades / multas têm que ter a sua definição constante de lei, em respeito ao princípio da legalidade inscrito em nossa Lei Maior. A obrigação principal (pagamento do imposto e penalidades pecuniárias), assim como as obrigações acessórias, decorre da legislação tributária e tem por objeto o cumprimento de uma prestação positiva ou negativa que não se refira ao pagamento do tributo ou penalidade. Como regra tributária, se a lei confere ao sujeito ativo da obrigação tributária (no presente processo, a UNIÃO FEDERAL) tantos meios e poderes para assegurar o cumprimento da legislação tributária, objetivando o rigoroso e pontual pagamento do tributo e penalidades ou a prática ou omissão de ato previsto também na lei, possui, também, em contrapartida, o sujeito passivo da obrigação tributária (a ora Impugnante, no caso em questão) instrumentos e condições para que lhe seja assegurado o direito de só cumprir rigorosamente as obrigações que estão previstas1 em lei, a fim de não ser constrangido pela arbitrariedade ou abuso de poder por parte do sujeito ativo. Tudo porque a relação que deve existir entre o sujeito ativo e o sujeito passivo da obrigação tributária é uma relação de direito e não uma relação de poder. E é através do chamado contencioso administrativotributário, que o processo visa estabelecer regras que irão disciplinar as controvérsias que surgirem entre o sujeito ativo e o sujeito passivo da obrigação tributária a respeito da imposição, arrecadação, fiscalização e cobrança de tributos, em geral, tudo para que seja cumprido exatamente o que está previsto na lei tributária. E é na busca dessa legalidade tributária cerrada e não extensiva, por interpretação, que a ora Impugnante vem reiterar que discorda, ao menos parcialmente, da exigência que o Sr. AuditorFiscal Autuante está lhe imputando. [...] Fl. 732DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000258/200891 Acórdão n.º 1803002.320 S1TE03 Fl. 457 9 Se observarmos que a letra fria da lei visa punir os infratores propriamente ditos, ou seja, aqueles que propositadamente e costumeiramente se eximem de cumprir as obrigações principais e acessórias, com vistas à diminuição do montante dos débitos a pagar, isso não é o justo, no caso da empresa ora Impugnante, como pretende cobrar o Sr. AuditorFiscal Autuante. [...] DO NOSSO DIREITO [...] Em que pese o bom senso do Sr. AuditorFiscal Autuante, com certeza, não só a Impugnante, mas especialmente toda a sociedade [...] estarão mais protegidos da voracidade e frieza da Fiscalização, já que todos são, ou podem ser, o alvo de cobranças descabidas e/ou muitíssimo elevadas. A intenção maior deve ser repor um provável prejuízo do Estado, e não afundar ou, melhor dizendo, inviabilizar o negócio, pois este gera empregos. A Impugnante confia em V.Sa. e espera, ansiosamente, que seja efetuada uma escala de comparação tem relação direta com um efetivo e real prejuízo incorrido para os Cofres Públicos Federais. Tudo porque há sempre que ser avaliado, caso a caso, em concreto, a real natureza I econômicofinanceira que justificaria uma possível cobrança de tributos e aplicação de elevada penalidade (multa de 150%), como se faz necessário na situação da oral Impugnante, já que, por simples presunção, está sendo considerada como receita toda a movimentação financeira apurada, o que não pode. [...] O principal é o que se tem em mente; é a chamada intenção, como um propósito de descumprir a legislação, e esta, V.Sas, podem estar certos, não tivemos, não temos e não teremos. [...] Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Considerando tudo o que restou exposto no presente instrumento, podese observar a comprovada improcedência, no mínimo, parcial do Auto de Infração [...], que restou lavrado por reflexo, tendo se originado do MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL de n° 0719000/00629/07, lavrado em 30/04/08, pela DRF RIO DE JANEIRO, do MINISTÉRIO DA FAZENDA, [...] em face da indevida consideração do total da movimentação financeira como receita bruta tributável, sem qualquer redução, nem da receita já tributada, bem como da aplicabilidade da elevada multa de 150%, a qual, incontestemente, fere o princípio constitucional tributário da vedação ao confisco, princípio este que abrange os tributos propriamente ditos e as suas correspondentes multas. Bem, após o exame das razões de fato e de direito expostas no presente expediente, onde está, nos termos da legislação, demonstrada a parcial nulidade, ilegalidade e impropriedade do Auto de Infração [...], tãosomente com base na movimentação financeira, o qual restou gerado como reflexo pelo MPF de n.° 0719000/00629/07, lavrado em 30/04/2008, a ora IMPUGNANTE, [...] tem certeza de que V.Sa. DEFERIRÁ A PRESENTE IMPUGNAÇÃO, PARCIALMENTE, e tãosomente para resguardar, em definitivo, o direito por princípio de JUSTIÇA. Fl. 733DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000258/200891 Acórdão n.º 1803002.320 S1TE03 Fl. 458 10 Está registrado como ementa do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1228.637, de 24.02.2010, fls. 659670: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. As alegações desprovidas de prova não produzem efeito em sede de processo administrativo fiscal. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS OU DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada autoriza a presunção de omissão de receitas. RECEITAS DE ATIVIDADE. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria não expressamente impugnada se consolida na esfera administrativa. MULTA DE OFÍCIO. SETENTA E CINCO POR CENTO. Decorre de mandamento expresso de lei a aplicação da multa de 75% (setenta e cinco por cento) em casos de lançamento de ofício. MULTA QUALIFICADA. Mantémse o agravamento da multa se resultar evidente a intenção de reduzir os tributos devidos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLLSIMPLES. PISSIMPLES. COFINS SIMPLES. INSSSIMPLES. Inexistindo matéria específica, de fato ou de direito a ser examinada, aplicase às exigências reflexas o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, por força da relação de causa e efeito que os vincula Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 09.05.2011, fl. 681, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 06.06.2011, fls. 682702, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Acrescenta que: Fl. 734DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000258/200891 Acórdão n.º 1803002.320 S1TE03 Fl. 459 11 Tece esclarecimentos sobre a ação fiscal e sobre a Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998, a Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 e suscita que: DO RESPEITO AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE CONSTANTE DE NOSSA CONSTITUIÇÃO FEDERAL Em Direito Tributário inexistem as chamadas presunções absolutas, "juris et de jure". Isso é o que demonstram os mais recentes estudos dessa matéria. O sistema brasileiro de direito tributário é regido por dois princípios fundamentais plasmados na Constituição Federal, de forma implícita e explicitados por lei complementar, em nível de forma geral. São os princípios de estrita legalidade e da tipicidade fechada, que deságuam na reserva absoluta da lei formal tributária. É o que se concluiu em reunião plenária do VI Simpósio Nacional de Direito Tributário, como se segue: "O direito tributário consagra ambas as reservas, entendendo se por reserva formal da lei o fato de ser indispensável ato legislativo (art. 46/II até VI da CF.) como veículo para instituir ou alterar tributo, e como reserva absoluta o fato de competir à lei a descrição de todos os elementos do tipo tributário (tipo cerrado)." Em nossa Constituição Federal, artigo 5º ("Dos Direitos e Garantias Individuais"), temos, dentre outros, o seguinte princípio: "NINGUÉM SERÁ OBRIGADO A FAZER OU DEIXAR DE FAZER ALGUMA COISA SENÃO EM VIRTUDE DE LEI." Esse princípio da legalidade visa combater o poder arbitrário [...]. Só a lei pode criar obrigação para o indivíduo, porque ela é apenas expressão da vontade geral. [...] E também no Capítulo "Do Sistema Tributário Nacional", contido em nossa Constituição Federal, esse princípio da legalidade foi introduzido [pelo art. 146 da Constituição Federal]. [...] DA INADMISSIBILIDADE DA PRESUNÇÃO DE QUE DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEJAM CONSIDERADOS COMO OMISSÃO DE RECEITA [...] A chamada omissão de receita decorrente de movimentação bancária sempre foi examinada com bastante cautela: porque deduzir dê meros depósitos bancários cujas origens podem ser mais variadas não significa dizer que houve aumento de renda, ganho real de capital, ou seja, que um agente público teve rendimentos, cuja existência omitiu, sendo à toda evidência, mera presunção. É evidente que o fato de ter o contribuinte depósitos em sua contacorrente bancária poderia ad argumentandumdar ensejo à apuração pelo fisco, mas o que não se pode admitir é que tal fato, por si só, seja bastante para constituir o crédito tributário, por se presumir tratarse de rendimentos sem a efetiva comprovação. Na esfera tributária houve alteração do estabelecido no DecretoLei n° 2.471/88, com a entrada em vigor da Lei n° 9.430, de 27.12.96. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000258/200891 Acórdão n.º 1803002.320 S1TE03 Fl. 460 12 O art. 42 da aludida norma estabeleceu a presunção juris tantum de caracterização de omissão de receita ou de rendimento ou depósito bancário em relação ao qual o contribuinte não comprove a origem dos recursos através de documentação hábil e idônea. [...] Por essa nova sistemática legal operouse uma significativa mudança no tratamento tributário concernente à movimentação bancária dos contribuintes de imposto de renda, invertendose, com isto, o ônus da prova, visto que ó titular da conta bancária passou a ter o ônus de provar que valores creditados em suas contas correntesbancárias não se referem a receitas omitidas, sob pena de sujeitarem à autuação do fisco por acréscimo patrimonial a descoberto. Portanto, para que o depósito bancário se transforme em renda tributável, é necessário que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida [...]. Terá que ficar comprovado o nexo de causalidade entre o depósito e o fato que represente omissão de rendimentos. No procedimento fiscal tributário para haver a autuação, com base em depósito bancário, nos termos do artigo 42, da Lei n° 9.430/96, como já dito alhures, não basta a simples presunção legal de que os depósitos constituem renda tributável, é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. O lançamento assim constituído só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre o depósito e o fato que represente omissão de rendimentos. Assim, o depósito bancário, mesmo após o advento da Lei n° 9.430/96, não constituise, por si só, fato gerador da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, pois é necessária a prova cabal e robusta de que ele foi utilizado como renda consumida. Isto porque, a posse de numerário alheio, como por exemplo, descaracteriza a respectiva presunção de disponibilidade econômica. Para ser tributada pelo imposto sobre renda, a disponibilidade econômica deve ser adquirida pelo contribuinte, não se cogitando, sob o prisma legal, a sua incidência se houver apenas a potencialidade de se adquirir a respectiva disponibilidade, ou se ela pertence a terceiros. [...] Nem todo o ingresso financeiro constituise em acréscimo patrimonial, sendo necessário se verificar cada caso concreto. [...] Pois bem, no caso da improbidade administrativa há que se fazer um divisor entre a presunção de omissão de receita na área tributária e a presunção de enriquecimento ilícito defendida por alguns doutrinadores e aplicada por inúmeras Comissões Disciplinares de Inquérito. Na primeira situação legal, presunção de omissão de receita, basta para o fisco a aparência de "sinais exteriores de riqueza" que o procedimento tributário é instaurado para que o contribuinte demonstre que a investigação é improcedente ou são compatíveis com os seus rendimentos os respectivos "sinais". [...] Assim, o correto, na esfera tributária, o respeito à discricionariedade ampla do fisco em promover a devida investigação, podendo partir da premissa de uma presunção de variação patrimonial a descoberto através dos "sinais exteriores de riqueza", no direito administrativo tal presunção, vinculada a depósitos bancários não é absoluta, pois não há a inversão do ônus da prova neste ramo do direito, visto Fl. 736DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000258/200891 Acórdão n.º 1803002.320 S1TE03 Fl. 461 13 que nesta situação jurídica a Administração Pública deverá provar que o agente público enriqueceuse, com o aumento do seu patrimônio, de forma ilícita decorrente do exercício do seu cargo, emprego ou função pública. [...] Assim sendo, prevalece a ficção legal da hipótese do enriquecimento injusto nas disposições estabelecidas nos artigos 884 e seguintes do Código Civil, que claramente condicionam a restituição de valores recebidos indevidamente desde que eles sejam correlatos ao empobrecimento de outrem. [...] Portanto, também pela dicção do art. 110, do CTN, a presunção contida no art. 42, da Lei n° 9.430/96 não pode alterar o conceito de renda ou de provento para neles incluir depósitos bancários. Pode, quando muito, autorizar a tributação de tais depósitos por presunção, desde que verificado caso a caso, bem como se ocorreu a renda consumida. Conseqüentemente, o CTN não autoriza que lei tributária amplie o conceito de renda e que este conceito ampliado seja aplicado em matéria vinculada ao direito administrativo. [...] Ora, por tudo o que até aqui restou exposto, embora considerando que a autoridade fiscal autuante teve o devido cuidado de proceder ao levantamento de toda a movimentação bancária de depósitos que restaram não escriturados pela presente Impugnante, para a ora Impugnante resulta o claro entendimento de que a simples verificação da existência de somatório de depósitos bancários em montante superior às receitas declaradas não pode constituir prova suficiente para caracterizar e quantificar a omissão de receita. Para o ora Recorrente, a prova de uma infração á partir de presunção simples demanda que o conjunto de indícios trazidos pela fiscalização permita ao julgador alcançar a certeza necessária para o seu convencimento, afastando possibilidades contrárias, mesmo que improváveis. E essa simples presunção, que se embase em depósitos bancários, faz com que remanesça dúvida razoável da improcedência da exação e, dessa forma/ faz com que o julgador não possa decidir contra o acusado, neste caso, contra a ora Recorrente. O Sr. AuditorFiscal, à vista da falta de contabilização do movimento bancário e, desta forma, diante de uma insegurança quanto à fidelidade da escrita, deveria ter, no mínimo, adotado o correto procedimento de arbitrar os lucros e não de tributar todo o movimento bancário, inclusive sem reduzir da movimentação financeira, apurada nas contas bancárias do contribuinte, ora Impugnante, que corresponderam à importância total de R$1.427.275,26, o montante de R$304.283,00, valor este que constou como receita corretamente constatada e declarada na DIPJ 2005 (anobase de 2004), ou seja, valor este que já restou totalmente tributado. Está havendo, no mínimo, uma inconteste bitributação. [...] DA INADMISSIBILIDADE DE MULTAS ELEVADAS EM DESRESPEITO AO PRINCÍPIO TRIBUTÁRIO DE VEDAÇÃO AO CONFISCO O inciso IV, do art. 150 da Constituição Federal veda expressamente a instituição de tributos com efeito de confisco. Esse princípio constitucional interpretado em sintonia com a garantia inserta no inc. XXII, do art. 5º da CF/88, atinente ao direito de propriedade. Na seara do direito tributário a vedação encontrase no plano econômico, impedindo que resulte em expropriação do objeto ou que tenha sobre ele efeito gravoso sem a devida e justa reparação legal. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000258/200891 Acórdão n.º 1803002.320 S1TE03 Fl. 462 14 No confisco o campo de imposição perspassa o balizamento constitucional, supera os limites possíveis de tributação da riqueza e adentra indevidamente no patrimônio do contribuinte. É justamente no sentido de evitar tal fenômeno que o legislador originário inseriu no corpo da Constituição Federal á vedação ao confisco como forma de coibir a sanha arrecadatória, em sintonia com a proibição de excesso [...]. A propriedade privada é essencialmente intangível e a forma de sua perda apenas se opera plenamente com base no devido processo legal de desapropriação, evidentemente, ajoujado à utilidade pública oü interesse social, atrelados a prévia e justa indenização em dinheiro, conforme preconiza o inc. XXIV, do art. 5º, da CF/88. Adentrar no patrimônio do cidadão por meio de exação ou multa confiscatória e que não atenda a razoabibilidade, proporcionalidade e capacidade contributiva é expediente repelido pelo ordenamento jurídico pátrio. [...] A questão que se propõe é perquirir se a vedação ao confisco atingiria apenas o tributo ou se estenderia seu manto às multas fiscais. De plano afirmase que o primado constitucional também atinge e impõe limites objetivos subjetivos as multas fiscais. O estabelecimento de multas fiscais não pode induzir a violação ao princípio do não confisco, plasmado na Carta Maior. A relação de adequação deve ter como limite objetivo a restrição constitucional de gerar confisco. [...] Portanto, a vedação ao confisco se aplica inquestionavelmente ao caso das multas fiscais. É evidente que a sua constatação será possível mediante análise do caso concreto. Ainda que a multa tenha como finalidade impor um gravame ao contribuinte pelo descumprimento de um dever legal, essa prerrogativa administrativa fiscal não pode extrapolar limites que afrontem as garantias dispostas no inc. XXII da Magna Carta. [...] Observese que a questão atinente ao efeito confiscatório guarda estreita relação com o princípio da capacidade contributiva e da proporcionalidade, porquanto, sua imposição em patamares elevados e irracionais gerará a impossibilidade ou grande dificuldade de desembolso pecuniário por parte do contribuinte, afetando ainda a proporcionalidade que deve permear toda a atuação fazendária. É importante ressaltar que o direito de tributar não deve ser entendido como o direito de destruir [...]. A racionalidade que deve revestir toda a atuação fiscal abarca, sem qualquer dúvida, a necessidade de respeito ao primado da vedação ao confisco não apenas para os tributos mas também para as multas fiscais. [...] DO RESPEITO À LEGALIDADE E À SEGURANÇA JURÍDICA Vimos que a concepção de um Estado de Direito atribui à lei a função de principal instrumento da justiça material; mas a essa mesma concepção é ainda inerente a idéia de que a lei deve garantir, na maior extensão possível, a segurança jurídica ou certeza do Direito. [...] Ora, o Direito Tributário é de todos os ramos do Direito aquele em que a segurança jurídica assume a sua maior intensidade possível e é por isso que nele o princípio da legalidade se configura como uma RESERVA ABSOLUTA DE LEI FORMAL. Precisamente, o conceito der "proteção da confiança" assume no Direito Tributário uma larga projeção. E é por essa legalidade e segurança jurídica, constitucionalmente asseguradas por nossa Lei maior, que discordamos da forma como está se tentando imputar à ora Fl. 738DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000258/200891 Acórdão n.º 1803002.320 S1TE03 Fl. 463 15 Impugnante numa irregularidade tributária cuja constatação parte de uma presunção tributária, sem a inconteste certeza e liquidez. [...] OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SUBMETESE AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE As penalidades / multas têm que ter a sua definição constante de lei, em respeito ao princípio da legalidade inscrito em nossa Lei Maior. A obrigação principal (pagamento do imposto e penalidades pecuniárias), assim como as obrigações acessórias, decorre da legislação tributária e tem por objeto o cumprimento de uma prestação positiva ou negativa que não se refira ao pagamento do tributo ou penalidade. Como regra tributária, se a lei confere ao sujeito ativo da obrigação tributária (no presente processo, a UNIÃO FEDERAL) tantos meios e poderes para assegurar o cumprimento da legislação tributária, objetivando o rigoroso e pontual pagamento do tributo e penalidades ou a prática ou omissão de ato previsto também na lei, possui, também, em contrapartida, o sujeito passivo da obrigação tributária (a ora Impugnante, no caso em questão) instrumentos e condições para que lhe seja assegurado o direito de só cumprir rigorosamente as obrigações que estão previstas1 em lei, a fim de não ser constrangido pela arbitrariedade ou abuso de poder por parte do sujeito ativo. Tudo porque a relação que deve existir entre o sujeito ativo e o sujeito passivo da obrigação tributária é uma relação de direito e não uma relação de poder. E é através do chamado contencioso administrativotributário, que o processo visa estabelecer regras que irão disciplinar as controvérsias que surgirem entre o sujeito ativo e o sujeito passivo da obrigação tributária a respeito da imposição, arrecadação, fiscalização e cobrança de tributos, em geral, tudo para que seja cumprido exatamente o que está previsto na lei tributária. E é na busca dessa legalidade tributária cerrada e não extensiva, por interpretação, que a ora Impugnante vem reiterar que discorda, ao menos parcialmente, da exigência que o Sr. AuditorFiscal Autuante está lhe imputando. [...] Se observarmos que a letra fria da lei visa punir os infratores propriamente ditos, ou seja, aqueles que propositadamente e costumeiramente se eximem de cumprir as obrigações principais e acessórias, com vistas à diminuição do montante dos débitos a pagar, isso não é o justo, no caso da empresa ora Impugnante, como pretende cobrar o Sr. AuditorFiscal Autuante. [...] DO NOSSO DIREITO [...] Em que pese o bom senso do Sr. AuditorFiscal Autuante, com certeza, não só a Impugnante, mas especialmente toda a sociedade [...] estarão mais protegidos da voracidade e frieza da Fiscalização, já que todos são, ou podem ser, o alvo de cobranças descabidas e/ou muitíssimo elevadas. A intenção maior deve ser repor um provável prejuízo do Estado, e não afundar ou, melhor dizendo, inviabilizar o negócio, pois este gera empregos. A Recorrente confia em V.Sa. e espera, ansiosamente, que seja efetuada uma escala de comparação tem relação direta com um efetivo e real prejuízo incorrido para os Cofres Públicos Federais. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000258/200891 Acórdão n.º 1803002.320 S1TE03 Fl. 464 16 Tudo porque há sempre que ser avaliado, caso a caso, em concreto, a real natureza I econômicofinanceira que justificaria uma possível cobrança de tributos e aplicação de elevada penalidade (multa de 150%), como se faz necessário na situação da ora Recorrente, já que, por simples presunção, está sendo considerada como receita toda a movimentação financeira apurada, o que não pode. [...] O principal é o que se tem em mente; é a chamada intenção, como um propósito de descumprir a legislação, e esta, V.Sas, podem estar certos, não tivemos, não temos e não teremos. [...] Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Considerando tudo o que restou exposto no presente instrumento, podese observar a comprovada improcedência, no mínimo, parcial do Auto de Infração [...], que restou lavrado por reflexo, tendo se originado do MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL de n° 0719000/00629/07, lavrado em 30/04/08, pela DRF RIO DE JANEIRO, do MINISTÉRIO DA FAZENDA, [...] em face da indevida consideração do total da movimentação financeira como receita bruta tributável, sem qualquer redução, nem da receita já tributada, bem como da aplicabilidade da elevada multa de 150%, a qual, incontestemente, fere o princípio constitucional tributário da vedação ao confisco, princípio este que abrange os tributos propriamente ditos e as suas correspondentes multas. Bem, após o exame das razões de fato e de direito expostas no presente expediente, onde está, nos termos da legislação, demonstrada a parcial nulidade, ilegalidade e impropriedade do Auto de Infração [...], tãosomente com base na movimentação financeira, o qual restou gerado como reflexo pelo MPF de n.° 0719000/00629/07, lavrado em 30/04/2008, a ora RECORRENTE, [...] tem certeza de que V.Sa. DEFERIRÁ O PRESENTE RECURSO VOLUNTÁRIO, ao menos de forma PARCIAL, e tãosomente para resguardar, em definitivo, o direito por princípio de JUSTIÇA. Em relação ao sobrestamento do julgamento do presente processo, vale esclarecer que a Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, revogou os §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Tendo em vista a edição desse ato normativo, não há que se falar em sobrestamento do julgamento do processo referente à matéria (art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001) que está em repercussão geral no Supremo Tribunal Federal (STF), tema de nº 225, sem trânsito em julgado (art. 543B do Código de Processo Civil CPC) 1. Assim, o julgamento do presente processo deve prosseguir, em conformidade com as normas do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. 1 Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=2689108&numero Processo=601314&classeProcesso=RE&numeroTema=225>. Acesso em 16 ago. 2014. Fl. 740DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000258/200891 Acórdão n.º 1803002.320 S1TE03 Fl. 465 17 É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes2. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais3. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 3 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 741DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000258/200891 Acórdão n.º 1803002.320 S1TE03 Fl. 466 18 a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos4. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 5 Desse modo, não tem validade jurídica a alegação da Recorrente. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional6. Assim, os Autos de Infração, fls. 16517317 e o Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1228.637, de 24.02.2010, fls. 659670, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pelas defendentes, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente diz que o crédito tributário deveria ter sido constituído pelo regime do lucro arbitrado. A autoridade fiscal verificando que a pessoa jurídica deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido, conforme o caso, deve adotar regime de tributação com base no lucro arbitrado trimestral válido para todo ano calendário, sendo conhecida ou não a receita bruta, de acordo com as determinações legais. Este regime aplicase no caso de a pessoa jurídica não mantiver a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou a escrituração revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou optar indevidamente 4 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. 5 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 6 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000258/200891 Acórdão n.º 1803002.320 S1TE03 Fl. 467 19 pela tributação com base no lucro presumido ou deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro proveniente do exterior7. Está registrado no Termo de Constatação Fiscal, fls. 154 164, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: No presente caso não tem cabimento constituir o crédito tributário pelo regime do lucro arbitrado, porque há escrituração regular A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas com base em depósitos bancários. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a 7 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º e art. 47 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15, art. 16 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º, art. 25, art. 26 e art. 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Súmula CARF nº 59. Fl. 743DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000258/200891 Acórdão n.º 1803002.320 S1TE03 Fl. 468 20 que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Fica sujeita a todas as presunções de omissão de receitas existentes na legislação tributária a pessoa jurídica optante pelo Simples. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. É determinado pela aplicação do percentual correspondente ao valor acumulado mensalmente da receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Abrange o IRPJ, Pis, CSLL, Cofins, INSS e IPI, se for estabelecimento industrial. Está dispensada de escrituração comercial desde que mantenha o Livro Caixa, no qual deve estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, o Livro de Registro de Inventário, no qual deve constar registrados os estoques existentes no término de cada anocalendário, bem como todos os documentos e demais papéis que serviram de base para sua a escrituração8. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Positivada em uma norma com os atributos de ser abstrata, geral, imperativa e impessoal, há presunção de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que afasta a obrigatoriedade de a Fazenda Pública comprovar a relação de causalidade entre o fato e o ilícito tributário. Cabe à pessoa jurídica o ônus de provar a veracidade de fatos registrados na sua escrituração de modo a desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida. Assim, se o ônus da prova, por presunção legal, é da Recorrente, cabe a ela comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. É determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que deve ser analisado de forma individual, observando que os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. A sua titularidade, via de regra, pertence à pessoa jurídica indicada nos dados cadastrais. Podem ser excluídos, mediante demonstração inequívoca, os créditos decorrentes de transferências de outras contas do própria 8 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 2º e art. 5º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 744DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000258/200891 Acórdão n.º 1803002.320 S1TE03 Fl. 469 21 pessoa jurídica, de mútuos destinados a fins econômicos, de cheques objeto de devolução e de resgates de aplicações financeiras. Assim, é regular o procedimento de fiscalização que, após a análise da sua escrituração, examina os documentos referentes à sua movimentação financeira para verificar a compatibilidade entre as informações. Ademais, a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 dispensa o Erário de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes, em conformidade com as Súmulas CARF nºs 26 e 30. Constatada a disparidade a pessoa jurídica é intimado a demonstrar a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito. Os valores, em relação aos quais não foram evidenciadas as origens, presumem receitas omitidas, o que dispensa a autoridade administrativa de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada9. Em relação à possibilidade jurídica de obtenção dos dados bancários pela autoridade tributária da RFB temse que no caso em que há processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso o agente fiscal pode examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que tais exames sejam considerados indispensáveis. É certo que o resultado dos exames, as informações e os documentos devem ser conservados em sigilo10. Prevalece o entendimento de que o sigilo bancário, fundado constitucionalmente no direito à privacidade11, não se reveste de caráter absoluto, possibilitando a lei o seu afastamento em determinadas hipóteses. Não há que se confundir quebra de sigilo bancário com solicitação de informações cadastrais lastreada em processo administrativo fiscal regularmente instaurado e subscrita por autoridade administrativa competente. Ressaltese que o exame dos dados financeiros afigurase como medida necessária e não afeta esfera de privacidade da pessoa jurídica, mormente quando há previsão legal permissiva expressa e esta se destina a identificar a materialidade do ilícito tributário. Além disso esses dados devem ser mantidos em sigilo pela autoridade fiscal. Assim, não há que se falar em obtenção de prova por meio ilícito. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. 9 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 2º, art. 5º e art. 18 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e Súmulas CARF nºs 06, 30, 32 e 61. 10 Fundamentação legal: art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 e janeiro de 2001. 11 Fundamentação Legal: incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000258/200891 Acórdão n.º 1803002.320 S1TE03 Fl. 470 22 Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. O lançamento fundamentase na omissão de receitas de depósitos bancários não escriturados, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores creditados na contacorrente nº 094450 da agência nº 3432 do Banco Banerj S/A, fls. 3538, na conta corrente nº 60.6146 da agência nº 10758 do Bradesco S/A, fls. 106112, na contacorrente nº 045726 da agência nº 6138 do Banco Itaú S/A, fls. 4652, na contacorrente nº 0082335940 da agência nº 00247 do Banco Santander S/A, fls. 5791, e na contacorrente nº 0671240 da agência nº 1609do Banco HSBC S/A, fls.96105. Em relação a esses valores a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nas operações bancárias mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, de acordo com os extratos bancários apresentados pelas instituições financeiras, em atendimento às Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. 4043, 5455 e 9394 e as informações constantes na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), do anocalendário de 2004, fls. 0623. Cabe ressaltar que a Recorrente não registrou contabilmente a movimentação financeira ocorrida durante o anocalendário de 2004. Os valores considerados como base de cálculo para fins de apuração dos tributos estão individualizados no Demonstrativo, fl. 210, em conformidade com a Tabela 1. Tabela 1 – Demonstrativo dos valores omitidos no anoscalendário de 2004 Mês (A) Valores DSPJ R$ (B) Valores Omissão Receita R$ (C) Janeiro 21.370,00 99.265,74 Fevereiro 25.857,50 54.511,22 Março 25.400,00 130.644,49 Abril 24.867,50 120.432,43 Maio 21.357,50 86.595,26 Junho 22.510,00 74.333,59 Julho 19.737,50 95.152,64 Agosto 27.027,50 109.422,78 Setembro 32.537,50 92.655,90 Outubro 23.140,50 96.522,66 Novembro 31.500,00 142.758,37 Dezembro 28.283,00 95.411,97 Está registrado no Termo de Constatação Fiscal, fls. 154164, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Fl. 746DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000258/200891 Acórdão n.º 1803002.320 S1TE03 Fl. 471 23 Conforme Termos de Intimação de fls. 21 a 22 e 106 a 116, o contribuinte foi intimado a: COMPROVAR, por escrito, com documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, A ORIGEM DOS VALORES depositados na conta do Banco Banerj Ag. 3432 conta n° 094450, Banco Bradesco Ag. 10758 conta n° 60.6146 e Banco Itaú Ag. 6138 conta n° 045726, Banco Santander Ag. 00247 conta n° 0082335940 e Banco HSBC Ag. 1609 conta n° 0671240, durante o período de 01012004 a 31122004, conforme extratos bancários da empresa descrito abaixo e demonstrado na planilha anexa ao presente termo, BEM COMO O SEU OFERECIMENTO TOTAL OU PARCIAL A TÍTULO DE RECEITA OPERACIONAL OU OUTRAS RECEITAS declarada pela empresa na DIPJ do ano calendário 2004. [...] Apesar dos Termos de Intimação lavrados em 02/04/2007, 24/04/2007, 22/05/2007, 20/06/2007, 23/07/2007, 02/08/2007, 11/08/2007, 03/10/2007, 30/11/2007, 28/12/2007 e 25/02/2008 o contribuinte não logrou êxito em respondê los, nem tão pouco, justificar e ou comprovar a origem dos recursos demonstrados acima. Na lavratura dos Termos de Intimação datado de 02/08/2007, 11/08/2007 e 03/10/2007, o contribuinte foi devidamente cientificado sobre as conseqüências da não comprovação dos valores depositados, a saber: "o não atendimento à presente Intimação acarretará na lavratura de Auto de Infração de IRPJ e seus reflexos, considerandose os valores depositados como OMISSÃO DE RECEITAS, conforme estabelecido no RIR 99". [...] A omissão de receita foi determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que foi analisado de forma individual, procedimento que foi rigorosamente observado pelas autoridades fiscais, de modo que cada valor creditado em conta de depósito ou de investimento mantida junto às instituições financeiras, a Recorrente titular foi regularmente intimada não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional qualificada. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária, penalidade que tem como fonte a lei, é imposta em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Fl. 747DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000258/200891 Acórdão n.º 1803002.320 S1TE03 Fl. 472 24 Temse que a multa de ofício proporcional pode ser reduzida nos seguintes percentuais, se o sujeito passivo, uma vez notificado, efetuar o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos lançados de ofício: – 50% (cinquenta por cento), se efetuar o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; – 40% (quarenta por cento), se requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; – 30% (trinta por cento), se efetuar o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância; e – 20% (vinte por cento), se requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância12. Houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito e a Recorrente não efetuou o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos lançados de ofício até a notificação da decisão administrativa de primeira instância, de modo que tem cabimento a aplicação da multa de ofício proporcional. No presente caso, não se verifica a máfé, a omissão dolosa, o ajuste doloso tampouco a simulação ou falsificação de documentos. Houve tãosomente a comprovação, de plano, da conduta culposa do agente, que é a falta cometida contra um dever, por ação ou omissão, de forma a evidenciar a inobservância de diligência que deveria ser observada quando da prática de um ato a que se está obrigado. A aplicação da multa de ofício proporcional qualificada não se justifica tão somente pela falta de registro contábil da movimentação financeira, ou seja, dos valores creditados na contacorrente nº 094450 da agência nº 3432 do Banco Banerj S/A, fls. 3538, na contacorrente nº 60.6146 da agência nº 10758 do Bradesco S/A, fls. 106112, na conta corrente nº 045726 da agência nº 6138 do Banco Itaú S/A, fls. 4652, na contacorrente nº 0082335940 da agência nº 00247 do Banco Santander S/A, fls. 5791, e na contacorrente nº 0671240 da agência nº 1609do Banco HSBC S/A, fls. 96105, conforme o Termo de Constatação Fiscal, fls. 154164: Está registrado no Termo de Constatação Fiscal, fls. 154164, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: A presente ação fiscal iniciouse com base na representação do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, solicitando avaliar a oportunidade e a conveniência para possível ação fiscal em empresas que praticaram venda, a particulares, de veículos novos adquiridos por locadoras e transportadoras , de modo direto das concessionárias, com benefícios fiscais, para suposta composição de frota. Segundo o Ministério Público Federal, o contribuinte adquiriu 48 (quarenta e oito) veículos no ano de 2004. 12 Fundamentação legal: art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 14 de julho de 2007 e art. 6º Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991 com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000258/200891 Acórdão n.º 1803002.320 S1TE03 Fl. 473 25 A denúncia foi encaminhada ao DIPAC que analisou a declaração da empresa junto com o dossiê de dados Internos da Receita Federal do Brasil e programou para o ano calendário de 2004 a operação movimentação financeira por verificar incompatibilidade entre a receita declarada e a movimentação financeira. Tendo em vista que: 1) O contribuinte não registrou contabilmente a movimentação financeira ocorrida durante o anocalendário de 2004 nas seguintes instituições financeiras: Banco Banerj Ag. 3432 conta n° 094450, Banco Bradesco Ag.10758 conta n° 60.6146 e Banco Itaú Ag. 6138 conta n° 045726, Banco Santander Ag. 00247 conta n° 0082335940 e Banco HSBC Ag. 1609 conta n° 0671240; 2) O contribuinte não logrou êxito em responder, nem tão pouco, justificar e ou comprovar a origem dos recursos descritos nos Termos de Intimação lavrados em 02/04/2007, 24/04/2007, 22/05/2007, 20/06/2007, 23/07/2007, 02/08/2007, 11/08/2007, 03/10/2007, 30/11/2007, 28/12/2007 e 25/02/2008. Observese que a representação do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro teve por escopo a simples avaliação da “oportunidade e a conveniência para possível ação fiscal em empresas que praticaram venda, a particulares, de veículos novos adquiridos por locadoras e transportadoras”. Esses fatos não são suficientes para exigir a multa de ofício qualificada, pois, “a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”, nos termos do enunciado da Súmula CARF nº 14. No presente caso, deve se reduzir para 75% o percentual da multa de ofício proporcional aplicada. A conclusão oferecida pela defendente subsiste nesse particular. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso13. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Em relação ao argumento de que agiu de boafé, cabe esclarecer que “a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato” 14. A afirmação suscitada pela defendente, por essa razão, não é pertinente. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade15. 13 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 14 Fundamentação legal: art. 136 do Código Tributário Nacional. 15 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 749DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000258/200891 Acórdão n.º 1803002.320 S1TE03 Fl. 474 26 Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 16. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para reduzir para 75% o percentual da multa de ofício proporcional aplicada. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 16 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 750DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000258/200891 Acórdão n.º 1803002.320 S1TE03 Fl. 475 27 Voto Vencedor Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Redator Designado O Colegiado, por maioria, além de acompanhar o voto da Relatora, decidiu, ainda, deduzir as receitas declaradas da base de cálculo dos depósitos bancários de origem não comprovada. Discutiuse, em sessão, que não existiria base legal para que se efetuasse a subtração de valores que eventualmente constem da respectiva Declaração de Ajuste Anual, sem a necessária correlação com as quantias depositadas. Prevaleceu, porém, o entendimento de que se trata de conclusão estritamente lógica: somente se pode conceber a existência da presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada, se fundamentada, ela, no pressuposto inarredável de que todas as receitas, declaradas ou não, tenham sido objeto de depósito. Já nos idos de 1978, a antiga Instância Especial era do mesmo entendimento, conforme segue (Imposto de Renda – Jurisprudência Decisões de Instância Administrativa Especial nº 5. São Paulo: Resenha Tributária, 1979. p. 1.075): Assim, a presunção de que todos os depósitos bancários inexplicados refletem rendas auferidas, só nos parece válida acaso admitida a recíproca, isto é, de que todos os rendimentos líquidos auferidos foram objeto de depósito, salvo prova em contrário. Tratase, também, de conclusão de ordem prática, sustentada no que ordinariamente acontece: não faz qualquer sentido pressupor que as receitas declaradas não tenham transitado pela conta Bancos, enquanto as receitas omitidas o tenham. O procedimento usual é, justamente, o contrário. Não nos parece, também, que, em face da atividade exercida pela Recorrente, de “aluguel de automóveis” (fls. 4 e 217), sejam comuns transações em espécie, de onde se poderiam originar receitas declaradas. É de se observar, por outro lado, que, na esmagadora maioria dos casos, a fiscalização efetua espontaneamente essa dedução, motivo pelo qual se estaria diante de uma “prática reiteradamente observada pelas autoridades administrativas”, fundamentada no art. 100, inciso III, do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966). Assim, agir diferentemente dessa prática reiterada, neste processo, significaria, em última análise, dar tratamento não isonômico à Recorrente relativamente à vasta maioria de contribuintes fiscalizados. Vejase que a ação fiscal em análise – como todas as voltadas ao mesmo desiderato foi programada em razão da detecção de “movimentação financeira incompatível com a receita declarada pela empresa” (fls. 30 e 222). Ou seja, fosse aquela movimentação financeira compatível com a receita declarada pela empresa e, por certo, não teria havido referida programação. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000258/200891 Acórdão n.º 1803002.320 S1TE03 Fl. 476 28 Dou provimento, em parte, ao Recurso para, além de desqualificar a multa de ofício aplicada, deduzir as receitas declaradas da base de cálculo dos depósitos bancários de origem não comprovada. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 752DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10715.722295/2011-37
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2011
MULTA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DO EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas após o desembaraço da mercadoria e antes do início de qualquer atividade de fiscalização, relativamente ao dever de se informarem, no Siscomex, os dados referentes aos embarques anteriormente declarados em Declarações de Exportação. Inaplicáveis quaisquer das exceções previstas na legislação.
Numero da decisão: 3803-006.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2011 MULTA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DO EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas após o desembaraço da mercadoria e antes do início de qualquer atividade de fiscalização, relativamente ao dever de se informarem, no Siscomex, os dados referentes aos embarques anteriormente declarados em Declarações de Exportação. Inaplicáveis quaisquer das exceções previstas na legislação.
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INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DO EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas após o desembaraço da mercadoria e antes do início de qualquer atividade de fiscalização, relativamente ao dever de se informarem, no Siscomex, os dados referentes aos embarques anteriormente declarados em Declarações de Exportação. Inaplicáveis quaisquer das exceções previstas na legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 72 22 95 /2 01 1- 37 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.722295/201137 Acórdão n.º 3803006.271 S3TE03 Fl. 164 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Florianópolis/SC que julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo contribuinte, esta manejada em oposição ao auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário referente à multa regulamentar no valor de R$ 5.000,00, decorrente da prestação intempestiva de informações relativas a um embarque aéreo realizado no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Consta do auto de infração que o contribuinte registrara no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) os dados de embarque de exportação fora do prazo legal de 7 (sete) dias, infração essa sujeita a multa, nos termos do art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei n ° 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n ° 10.833, de 2003. De acordo com o autuante, a obrigação do transportador encontrase estabelecida no art. 37 do mesmo Decretolei, com observância do prazo estipulado no § 2º do art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994, com a redação dada pelo parágrafo único do art. 1º da Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 2010. Ainda de acordo com o agente fiscal, o referido prazo deveria ser observado pelo transportador por veículo, cada um identificado pelo respectivo voo, em que se transportaram as cargas amparadas pelas Declarações de Exportação (DE). Cientificado do auto de infração, o contribuinte apresentou Impugnação e requereu o cancelamento do auto de infração, alegando (i) erro na tipificação do auto de infração, (ii) houve embarques informados de forma tempestiva, (iii) ausência de prova da intempestividade, (iv) prova imperfeita em razão de indisponibilidades do Siscomex, (v) inexistência de embaraço à fiscalização, (vi) violação da finalidade do ato administrativo, (vii) violação à proporcionalidade e à razoabilidade e (viii) caráter confiscatório da multa. A DRJ Florianópolis/SC julgou improcedente a Impugnação, tendo o acórdão sido ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário:2011 RESPONSABILIDADE OBJETIVA. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA E OBRIGATÓRIA. O registro dos dados de embarque no Siscomex após o prazo estabelecido pela legislação de regência constitui infração objetiva cominada com a multa de cinco mil reais por viagem cujos dados de embarque foram registrados intempestivamente, em face de expressa determinação legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 164DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.722295/201137 Acórdão n.º 3803006.271 S3TE03 Fl. 165 3 Quanto às demais alegações do contribuinte, a Delegacia de Julgamento afastouas, ora por falta de comprovação, ora em razão da necessária observância do princípio da legalidade por parte da Administração Pública, cuja atividade é vinculada e obrigatória. Cientificado da decisão em 04/01/2013, o contribuinte interpôs, no dia 25 do mesmo mês, Recurso Voluntário e reiterou seu pedido de cancelamento total do auto de infração, repisando os argumentos de defesa apresentados na Impugnação, sendo acrescentadas as seguintes alegações: a) necessidade de afastamento da penalidade com base na denúncia espontânea; b) inobservância dos arts. 63 e 65 da Lei nº 5.025, de 1966, que impõem à autoridade fiscal o dever de orientar o transportador quanto à realização de exportações. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de decisões administrativas, inclusive de acórdãos do CARF, versando sobre a matéria controvertida nos autos, e de ofício do Serpro, datado de 11/11/2011, informando sobre as indisponibilidades ocorridas no sistema Siscomex durante o ano 2004. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre auto de infração lavrado em decorrência da prestação intempestiva de informações relativas a embarque de mercadorias para o exterior, transportadas por via aérea, durante o ano de 2011. Em relação às alegações do Recorrente que coincidem com aquelas formuladas na primeira instância, reafirmo o que foi dito pelo julgador de piso quanto à ausência de comprovação dos fatos apontados e à necessidade de observância, pela Administração Pública, cuja atividade é vinculada, do princípio da legalidade em matéria tributária. No que se refere aos argumentos e elementos de prova trazidos apenas em grau de recurso, devese destacar que o ofício do Serpro é relativo às indisponibilidades ocorridas no sistema Siscomex durante o ano 2004, enquanto que os fatos autuados ocorreram em 2009, e os dispositivos da Lei nº 5.025, de 1966, nada trazem que possa comprometer o lançamento de ofício. Contudo, um dos argumentos trazidos pelo Recorrente no recurso mostrase cabível no presente julgamento. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.722295/201137 Acórdão n.º 3803006.271 S3TE03 Fl. 166 4 Tratase da aplicação da denúncia espontânea, considerando que as informações registradas intempestivamente pelo Recorrente ocorreram antes de qualquer medida da fiscalização relacionada à alegada infração. Eis o teor do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento." (grifei) Constatase do § 2º supra que a denúncia espontânea regida pelo DecretoLei nº 37, de 1966, exclui a aplicação de penalidades tanto de natureza tributária quanto de natureza administrativa, havendo exceção em relação à penalidade aplicada na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento, o que não corresponde ao elemento fático deste processo, qual seja, atraso do registro no Siscomex de informações relativas a embarques de mercadorias informadas em Declarações de Exportação (DE). A denúncia espontânea encontrase disciplinada no art. 138 do CTN da seguinte forma: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Com base no art. 138 do CTN, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem decidido1 que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 1 AgRg no REsp 1279038, 2ª T., j. 2/2/2012; AgRg no AREsp 11340, 2ª T., j. 13/9/2011; REsp 1129202, 2ª T., j. 17/6/2010; etc. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.722295/201137 Acórdão n.º 3803006.271 S3TE03 Fl. 167 5 Nesse mesmo sentido, temse a súmula nº 49 do CARF que estipula que “[a] denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Os acórdãos paradigmas que ensejaram a aprovação da súmula referemse às declarações do imposto de renda (DIRPF e DIPJ), de retenção na fonte (DIRF) e DCTF. Consoante tais entendimentos, a denúncia espontânea do art. 138 do CTN alcança apenas as obrigações principais e não as acessórias. Contudo, no presente caso, temse uma regra expressa específica determinando que a denúncia espontânea abrange as multas administrativas (§ 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966), disposição legal essa válida e vigente a reclamar por sua observância por parte da Administração Pública. Tal regra encontrase inserida no corpo da mesma lei (DecretoLei nº 37, de 1966) que estipula a multa administrativa sob comento, o que corrobora com a conclusão de que se aplica à inobservância da obrigação acessória destes autos. Conforme consta da descrição dos fatos no auto de infração, a ação fiscal iniciarase após as datas dos voos, ou seja, após o desembaraço das mercadorias e, também, após o registro no Siscomex dos dados de embarque pelo transportador, registro esse efetuado, portanto, antes de qualquer procedimento da fiscalização tendente a apurar a infração, o que torna, a princípio, o fato sob exame consentâneo com a previsão normativa supra reproduzida. Registrese que o referido § 2º inexistia originariamente no art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, vindo a ser incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, para abranger apenas as penalidades de natureza tributária. Com o advento da Medida Provisória nº 497, de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 2010 (art. 40, que alterou o art. 32, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966), passouse a prever a aplicação da denúncia espontânea às multas administrativas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias. Mostrase evidente a intenção do legislador de estimular o cumprimento espontâneo da obrigação acessória por parte do contribuinte ou responsável, adotando o entendimento que vem sendo difundido nos tribunais inferiores e na doutrina de que o instituto da denúncia espontânea alcança, sim, as obrigações acessórias. Por se tratar de matéria relativa a responsabilidade infracional, a inovação promovida em 2010 pela Medida Provisória nº 497 aplicase a fatos pretéritos, por força do contido no art. 106, inciso II, alínea “b”, do CTN, em que se estipula que a lei se aplica retroativamente ao ato não definitivamente julgado, quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo. Não se pode perder de vista que a atuação da Administração Pública é vinculada e obrigatória, sob pensa de responsabilidade funcional do agente, não podendo ela agir em desconformidade com o sistema jurídico. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.722295/201137 Acórdão n.º 3803006.271 S3TE03 Fl. 168 6 O Tribunal Regional Federal da 4ª Região entende que “a exclusão da multa fiscal aplicase tanto ao descumprimento de obrigação principal como de obrigação acessória, visto que o art. 138 do CTN não faz qualquer alusão à natureza da infração” 2. Conforme apontou o Relator Desembargador na aludida decisão, o descumprimento de obrigação acessória constitui infração à legislação tributária, podendo ensejar a aplicação de multa prevista em lei, sendo do interesse da Administração tributária o seu cumprimento por parte dos contribuintes e responsáveis. De acordo com a ressalva do mesmo art. 138 do CTN, ao destacar a expressão “se for o caso”, a denúncia espontânea não se restringe às obrigações principais, pois a referida expressão evidencia que nem sempre o cumprimento da obrigação tributária acarreta o pagamento de tributo. A expressão “se for o caso” explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). 3 A súmula CARF nº 49, no meu entendimento, não estará sendo inobservada com a adoção desse entendimento, pois, tendo em vista o teor dos acórdãos paradigmas que a orientaram, a sua disciplina abrange as declarações periódicas a que os contribuintes se encontram obrigados a apresentar, seja em razão de sua condição de sujeito passivo ou de responsável, para repassar à Administração tributária as informações necessárias à análise do cumprimento da obrigação tributária principal. Além disso, a previsão legal específica (§ 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966) diferencia este caso dos demais, não se vislumbrando possibilidade de inobservância do imperativo legal. Contudo, necessário se torna analisar, uma por uma, as exceções impostas pela legislação tributária relativamente à aplicação da denúncia espontânea, a saber: a) não se considera espontânea a denúncia apresentada no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria (§ 1º, alínea “a”, do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966); b) não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração (§ 1º, alínea “b”, do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966); c) não se considera espontânea a denúncia relativamente a penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento (§ 2º do art. 102 do Decreto lei nº 37, de 1966); 2 AC 2001.70.00.0268477/PR, 1ª T., excerto do voto do Rel. Des. Fed. Wellington Mendes de Almeira, j. 17/10/2002. 3 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2006, p. 451. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.722295/201137 Acórdão n.º 3803006.271 S3TE03 Fl. 169 7 d) não se considera espontânea a denúncia depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior (§ 3º do art. 612 do Decreto nº 4.543, de 2002 – Regulamento Aduaneiro). Considerando que as informações foram prestadas intempestivamente pelo Recorrente mas antes de qualquer atividade da fiscalização e vários dias depois das datas dos voos em que as mercadorias exportadas foram transportadas, temse que nenhuma das exceções acima referenciadas se aplica ao presente caso. No caso sob análise, no momento da prestação de informações pelo transportador, as Declarações de Exportação já haviam sido apresentadas, restringindose a obrigação acessória aos registros dos embarques no Siscomex, medida essa de controle meramente administrativo, o que em nada afeta o cumprimento das obrigações tributárias principais. Nesse contexto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso para cancelar a multa aplicada. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 169DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10935.003393/2009-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/08/2008
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91.
Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias.
AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO PROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO.
Impõe-se a manutenção da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Autuação Fiscal, pertinente ao descumprimento da obrigação principal, declarada procedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se vislumbra na hipótese vertente.
PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO COTA PATRONAL. REQUISITOS. NECESSIDADE ATO DECLARATÓRIO.
Somente fará jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias a contribuinte - entidade beneficente de assistência social - que cumprir, cumulativamente, os requisitos inscritos na legislação de regência vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, especialmente o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, devendo, igualmente, requerer aludido benefício mediante emissão de Ato Declaratório.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2007 a 31/08/2008 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO PROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõe-se a manutenção da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Autuação Fiscal, pertinente ao descumprimento da obrigação principal, declarada procedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se vislumbra na hipótese vertente. PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO COTA PATRONAL. REQUISITOS. NECESSIDADE ATO DECLARATÓRIO. Somente fará jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias a contribuinte - entidade beneficente de assistência social - que cumprir, cumulativamente, os requisitos inscritos na legislação de regência vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, especialmente o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, devendo, igualmente, requerer aludido benefício mediante emissão de Ato Declaratório. Recurso Voluntário Negado.
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AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO PROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõese a manutenção da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Autuação Fiscal, pertinente ao descumprimento da obrigação principal, declarada procedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se vislumbra na hipótese vertente. PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO COTA PATRONAL. REQUISITOS. NECESSIDADE ATO DECLARATÓRIO. Somente fará jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias a contribuinte entidade beneficente de assistência social que cumprir, cumulativamente, os requisitos inscritos na legislação de regência vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, especialmente o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, devendo, igualmente, requerer aludido benefício mediante emissão de Ato Declaratório. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 33 93 /2 00 9- 62 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE Processo nº 10935.003393/200962 Acórdão n.º 2401003.612 S2C4T1 Fl. 166 3 Relatório ASSOCIAÇÃO DE PAIS E AMIGOS DOS EXCEPCIONAIS DE GUARANIAÇU, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 7a Turma da DRJ em Curitiba/PR, Acórdão nº 0634.186/2011, às fls. 63/70, que julgou procedente a autuação fiscal lavrada contra a empresa, nos termos do artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, por ter apresentado GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciária, em relação ao período de 03/2007 a 08/2008, conforme Relatório Fiscal, às fls. 06/07. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 13/05/2009, nos moldes do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor consignado na folha de rosto da autuação, com base nos artigos 284, inciso II, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c artigo 32, § 5º, da Lei nº 8.212/91. De conformidade com o Relatório Fiscal, a contribuinte ao informar as contribuições devidas em GFIP, o fazia equivocadamente utilizando o código FPAS 639, relativo de entidades filantrópicas que fazem jus ao benefício da isenção da cota patronal, nos termos do artigo 55 da Lei n° 8.212/91, deixando, assim, de consignar as contribuições sociais devidas pela autuada ao INSS, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, cuja obrigação principal fora apurada nos autos do processo n° 10935.003391/200973 – Auto de Infração n° 37.213.4726. Com mais especificidade, o crédito previdenciário ora exigido fora lançado em decorrência da perda da isenção da cota da patronal da contribuinte, a partir de 21/03/2007, tendo em vista o descumprimento dos requisitos de referido benefício fiscal, estipulado no inciso II, do artigo 55, da Lei nº 8.212/91, devidamente examinado nos autos de processo administrativo próprio, onde fora emitido Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 15/2008/SAORT/DRF/CASCAVEL/PR. Informa, ainda, o fiscal autuante, que a perda da isenção da contribuinte se deu com a perda da validade do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social sem que a entidade tenha protocolado novo pedido de renovação antes do fim de seu prazo de validade, em 20/03/2007. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 84/89, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, suscita a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, inciso IV, do Código Tributário Nacional, diante da decisão judicial exarada nos autos da ação declaratória n° 2005.70.05.0016532, em trâmite inicialmente perante a 2a Vara Federal de Cascavel/PR, onde fora reconhecido o direito da entidade ora Fl. 167DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE 4 recorrente à imunidade tributária das contribuições relativas à quota patronal, mantendose suspensa a exigibilidade do crédito tributário eventualmente lançado a esse título. No mesmo sentido, pretende seja reconhecida a suspensão da exigibilidade da exigência fiscal, com fulcro no artigo 151, inciso III, do Códex Tributário, em face da interposição de impugnação e, posteriormente, recurso voluntário, objeto de análise nesta oportunidade. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, aduzindo que teve reconhecida sua imunidade das contribuições previdenciárias nos autos da ação declaratória retromencionada, com decisão confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4a Região, transitada em julgado, tendo em vista o não conhecimento dos recursos especial e extraordinário opostos pela Fazenda Nacional, consoante se verifica dos documentos trazidos à colação. Em defesa de sua pretensão, pretende, ainda, seja reformada a decisão recorrida, alegando que o ato cancelatório de isenção de contribuições sociais n° 15/2008 em vista dos efeitos da MP 446/2008, que deferiu os pedidos de renovação pendentes de análise à época de seu advento (07/11/2008), tendo o CEBAS da contribuinte sido renovado por mais 03 anos. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto e Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE Processo nº 10935.003393/200962 Acórdão n.º 2401003.612 S2C4T1 Fl. 167 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR DE SUSPENSÃO DA EXIGÊNCIA FISCAL Preliminarmente, pretende a contribuinte seja determinada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, com base no artigo 151, incisos III e IV, do Código Tributário Nacional, tendo em vista decisão judicial exarada nos autos de ação declaratória movida pela recorrente, onde fora assegurada a imunidade das contribuições previdenciárias, bem como diante da interposição de reclamação administrativa, ou melhor, impugnação e, posteriormente, recurso voluntário. De início, convém frisar que aludidas argumentações sequer merecem ser conhecidas, porquanto atingidas pela preclusão, uma vez não ofertadas em sede de impugnação. É o que se extrai do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, como segue: “ Decreto nº 70.235/72 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” A jurisprudência administrativa não discrepa desse entendimento, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1991 a 30/09/1995 PIS. APRESENTAÇÃO DE ALEGAÇÕES E PROVAS DOCUMENTAIS APÓS PRAZO RECURSAL. PRECLUSÃO. As alegações e provas documentais devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, salvo nos casos expressamente admitidos em lei. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento das provas e argumentos apresentados somente na fase recursal. [...] (Primeira Câmara do Segundo Conselho, Recurso nº 149.545, Acórdão nº 20181255, Sessão de 03/07/2008) “PROCESSO ADMINISTRATISVO FISCAL PRECLUSÃO Escoado o prazo previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, operase a preclusão do direito da parte para reclamar direito não argüido na impugnação, consolidando se a situação jurídica consubstanciada na decisão de primeira instância, não sendo cabível, na fase recursal de Fl. 169DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE 6 julgamento, rediscutir ou, menos ainda, redirecionar a discussão sobre aspectos já pacificados, mesmo porque tal impedimento ainda se faria presente no duplo grau de jurisdição, que deve ser observado no contencioso administrativo tributário. Recurso não conhecido nesta parte. COFINS CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Constatada, em procedimento de fiscalização, a falta de cumprimento da obrigação tributária, seja principal ou acessória, obrigase o agente fiscal a constituir o crédito tributário pelo lançamento, no uso da competência que lhe é privativa, vinculada e obrigatória. JUROS DE MORA O artigo 161 do CTN autoriza, expressamente, a cobrança de juros de mora à taxa superior a 1% (um por cento) ao mês calendário, se a lei assim o dispuser. TAXA SELIC Correta a cobrança da Taxa Referencial do Sistema de Liquidação e de Custódia SELIC como juros de mora, a partir de 01/01/1997, para débitos com fatos geradores até 31/12/1994, não pagos no vencimento da respectiva obrigação. Recurso a que se nega provimento.” (Terceira Câmara do Segundo Conselho, Recurso nº 111.167, Acórdão nº 20307328, Sessão de 23/05/2001) (grifamos) Dessa forma, salvo nos casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não merece conhecimento a matéria aventada em sede de recurso voluntário ou posteriormente, que não tenha sido objeto de contestação na impugnação, considerando tacitamente confessada pela contribuinte a parte do lançamento não contestada, operando a constituição definitiva do crédito tributário com relação a esses levantamentos, mormente em razão de não se instaurar o contencioso administrativo para tais questões. Registrese, que a própria fiscalização ao notificar o contribuinte do Auto de Infração tem o cuidado de informar, mediante o anexo “Instruções para o Contribuinte – IPC”, que a defesa poderá ser parcial ou total, considerando confessada a matéria que não fora objeto de contestação. Não bastasse isso, somente por amor ao debate, ainda que fosse viável processualmente adentrar a referidas alegações, não teriam o condão de rechaçar a pretensão fiscal. A uma porque, a discussão quanto à suspensão da exigibilidade do crédito tributário nesta instância administrativa é absolutamente inócua, tendo em vista não estar em fase de execução, ou seja, de cobrança, sendo óbvia e literal do próprio dispositivo legal os efeitos da interposição de reclamação administrativa, inexistindo razão para se decidir/declarar o que a lei estabelece e a administração vem observando na hipótese dos autos. A duas porque, relativamente à decisão levada a efeito nos autos da ação declaratória n° 2005.70.05.0016532, não produz efeitos no caso vertente. Isto porque, extrai se da parte dispositiva da sentença, de fls. 150/159, corroborada pelo Acórdão do TRF, às fls. 115/137, que o objeto da demanda da contribuinte naquele processo era a extinção dos créditos tributários inscritos sob os n°s 31.883.2615, 31.883.2623 e 31.883.2739, além do reconhecimento da imunidade da cota patronal em relação ao período de 01/1991 a 03/1994, pretérito ao destes autos, bem como a restituição de pretensos indébitos. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE Processo nº 10935.003393/200962 Acórdão n.º 2401003.612 S2C4T1 Fl. 168 7 Ressaltou, ainda, a nobre julgadora nos autos do processo judicial que quanto aos fatos geradores ocorridos a partir de julho de 1995, o INSS reconheceu o direito à imunidade (art. 195, § 7°, CF), nos termos do art. 55 da Lei n° 8.212/91, confirmando que a decisão judicial lastro do pleito da contribuinte não abarca o período objeto do presente lançamento, não se prestando, assim, a amparar o seu requerimento. Aliás, fora exatamente o direito à imunidade que havia sido conferido pelo INSS à contribuinte a partir de julho de 1995 que foi cassado, a partir de 21/03/2007, mediante emissão do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 15/2008/SAORT/DRF/CASCAVEL/PR, por conta do descumprimento dos requisitos de referido benefício fiscal, estipulado no inciso II, do artigo 55, da Lei nº 8.212/91, como restou devidamente demonstrado no Relatório Fiscal. Partindo dessas premissas, as argumentações da contribuinte em relação a este tema, além de terem sido atingidas pela preclusão, ainda que pertinentes e oportunas, ad argumentandum tantum, igualmente, não seria capaz de macular o lançamento fiscal. MÉRITO Em suas razões de recurso, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a integralidade da exigência fiscal em comento, suscitando deter imunidade/isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 195, § 7o, da Constituição Federal, c/c artigo 55 da Lei nº 8.212/91, notadamente quando sempre cumpriu os requisitos para concessão e manutenção de referido benefício, a começar pelo CEBAS, detentora no período fiscalizado, estando o procedimento fiscal apoiado em arbitrariedade sem qualquer fundamento legal. A corroborar esse entendimento, acrescenta que a Medida Provisória nº 446/2008 assegurou a todas as entidades beneficentes a isenção dos tributos em referência, independentemente de decisão exarada pelo CNAS, sobretudo por ter contemplado que os pedidos de renovação do CEBAS foram automaticamente deferidos. Em que pesem as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em seu recurso voluntário, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que a decisão recorrida encontrase incensurável, devendo ser mantida em sua plenitude. Observase, que a recorrente em momento algum se insurge contra as contribuições previdenciárias ora lançadas, se limitando a defender que possui imunidade da cota patronal. Destarte, o artigo 195, § 7º da Constituição Federal, ao conceder o direito à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, assim prescreveu: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] Fl. 171DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE 8 § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.” Como se verifica, o dispositivo constitucional encimado é por demais enfático ao determinar que somente terá direito à isenção em epígrafe as entidades que atenderem as exigências definidas em lei. Ou seja, a CF deixou a cargo do legislador ordinário estipular as regras para concessão de tal benefício, a sua regulamentação. Por sua vez, o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, veio aclarar referida matéria, estabelecendo que somente fará jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, a contribuinte/entidade que cumprir, cumulativamente, todos os requisitos ali elencados, senão vejamos: “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido.” Na hipótese vertente, conforme se extrai dos elementos que instruem o processo, especialmente Relatório Fiscal e Decisão recorrida, a contribuinte em momento algum logrou comprovar ser efetivamente entidade isenta, cumpridora de todos os requisitos para tanto, inobstante as inúmeras alegações nesse sentido. Ao contrário, como se infere do bojo da decisão de primeira instância, a contribuinte não obteve êxito em sua empreitada no sentido de demonstrar que requereu o reconhecimento da isenção em epígrafe, na forma que exige a legislação previdenciária, especialmente o artigo 208 do Decreto n° 3.048/99, então vigente, não havendo que se falar na pretensa imunidade argüida pela autuada. Constatase, ainda, que os pressupostos do benefício fiscal sob análise estabelecidos na norma legal supratranscrita, devem ser observados cumulativamente, razão pela qual o fato de a contribuinte deter o CEBAS para o período sob análise, na forma que Fl. 172DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE Processo nº 10935.003393/200962 Acórdão n.º 2401003.612 S2C4T1 Fl. 169 9 sustenta, por conta dos eventuais pedidos e/ou renovações ou mesmo em face da edição da MP n° 446/2008, não tem o condão de rechaçar a pretensão fiscal, uma vez não comprovado o cumprimento dos demais requisitos. Aliás, com a finalidade de afastar qualquer dúvida quanto à matéria, impende registrar que a autoridade previdenciária competente emitiu o Ato Cancelatório 15/2008/SAORT/DRF/CASCAVEL/PR, cancelando, a partir de 21/03/2007, a isenção da contribuinte, diante da inobservância do inciso II, do artigo 55, da Lei nº 8.212/91, não tendo a recorrente solicitado novo Ato Declaratório de Isenção posteriormente, de maneira a fazer jus à imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, nos termos do § 1°, do dispositivo legal retro. Em suma, a legislação vigente à época dos fatos geradores (03/2007 a 08/2008) exigia, para fins de fruição do benefício fiscal sob análise, além da observância aos requisitos inseridos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, que a contribuinte requeresse ao INSS o direito à isenção, o que, se acolhido, dava ensejo à emissão de Ato Declaratório de Isenção. In casu, uma vez cancelada a imunidade da contribuinte, a partir de 21/03/2007, com a emissão do Ato Cancelatório, quando a recorrente comprovasse novamente todos os pressupostos necessários àquele favor fiscal, deveria ter solicitado ao Fisco previdenciário o direito de usufruílo, mediante Ato Declaratório. Assim não o tendo feito, não há como se acolher seu requerimento. A título de esclarecimento, somente após a edição da Lei n° 12.101/2009 é que a entidade portadora do CEBAS e cumpridora dos demais requisitos da isenção, passa a gozála automaticamente, sendo desnecessário pedido formal junto ao Fisco. Mas não é o que se verifica no caso dos autos, onde o período sob análise é anterior à aludida lei. Dessa forma, não há se falar em irregularidade e/ou ilegalidade no procedimento adotado pela autoridade lançadora ao promover o lançamento, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância aos dispositivos legais que regulamentam a matéria. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, porquanto incapazes de ensejar a reforma da decisão recorrida e/ou macular o crédito previdenciário ora exigido, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente debatidas/rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento na forma ali decidida, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE 10 Por todo o exposto, estando o Acórdão recorrido em consonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE
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Numero do processo: 10660.725604/2010-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
TERMO DE INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÕES. NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL NÃO CONFIGURADA.
De acordo com a Portaria RFB n° 11.371/2007, o Mandado de Procedimento Fiscal é emitido exclusivamente de forma eletrônica e a ciência do sujeito passivo se dá por meio da internet através do código de acesso informado no termo de início do procedimento fiscal. Deste modo, cabia à Recorrente acessar as informações relativas à fiscalização, por meio do código de acesso disponibilizado pela Secretaria da Receita Federal, não podendo alegar desconhecimento sobre os atos fiscalizatórios, tampouco nulidade do procedimento.
PRINCÍPIO DA BUSCA PELA VERDADE REAL. CERCEAMENTO À AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. PRODUÇÃO DE PROVAS PELO CONTRIBUINTE.
O CARF preza pelo princípio da busca da verdade real, no entanto, tal princípio não supre a inércia do contribuinte em produzir provas em prol do alegado na impugnação.
FORÇA MAIOR NÃO DEMONSTRADA.
Em respeito ao princípio da verdade material, não se afasta a possibilidade de juntada de provas após a impugnação que venham a auxiliar no julgamento do processo. Entretanto, essa possibilidade é admitida, excepcionalmente, quando ocorre uma das hipóteses previstas no artigo 16, parágrafo 4° do Decreto n° 70.235/72. Conforme a previsão legal, o motivo de força maior deve restar devidamente demonstrado pelo contribuinte que se socorre de tal hipótese, o que não ocorreu no caso.
AUSÊNCIA DE DISCRIMINAÇÃO DE VALORES AFASTADA.
Nos anexos do relatório fiscal se encontram discriminados os valores considerados pela autoridade fiscal para formalizar a autuação, as situações que deram causa à incidência da contribuição previdenciária bem como a explicação detalhada dos motivos que levaram a fiscalização a autuar a Recorrente.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AGENTES POLÍTICOS. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de inconstitucionalidade ou ilegalidade, salvo nos casos previstos no art. 103-A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF.
A contribuição exigida com base na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei n° 8.212/1991 não foi convalidada pela EC n° 20/1998. Somente com a edição da Lei n° 10.887/2004 a contribuição previdenciária incidente sobre os subsídios dos detentores de mandato eletivo passou a ser validamente exigida.
VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA.
Quando a fiscalização não observa na sua atividade os elementos intrínsecos do lançamento (no caso, a fundamentação para o lançamento), ela certamente estará infringindo a disposição legal pertinente, importando na existência de um vício material.
RECÁLCULO DAS MULTAS. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE.
Tendo-se em conta a alteração da legislação que trata das multas previdenciárias, deve-se analisar a situação específica de cada caso e optar pela penalidade que seja mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para declarar a nulidade por vício material do levantamento relativo ao segurado Plínio Domingues e, com relação a multa, sendo mais favorável ao recorrente, que seja aplicada a multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, vigente à época, limitada a 75%; vencida nesta parte a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes,Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Luciana de Souza Espindola Reis e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 TERMO DE INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÕES. NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL NÃO CONFIGURADA. De acordo com a Portaria RFB n° 11.371/2007, o Mandado de Procedimento Fiscal é emitido exclusivamente de forma eletrônica e a ciência do sujeito passivo se dá por meio da internet através do código de acesso informado no termo de início do procedimento fiscal. Deste modo, cabia à Recorrente acessar as informações relativas à fiscalização, por meio do código de acesso disponibilizado pela Secretaria da Receita Federal, não podendo alegar desconhecimento sobre os atos fiscalizatórios, tampouco nulidade do procedimento. PRINCÍPIO DA BUSCA PELA VERDADE REAL. CERCEAMENTO À AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. PRODUÇÃO DE PROVAS PELO CONTRIBUINTE. O CARF preza pelo princípio da busca da verdade real, no entanto, tal princípio não supre a inércia do contribuinte em produzir provas em prol do alegado na impugnação. FORÇA MAIOR NÃO DEMONSTRADA. Em respeito ao princípio da verdade material, não se afasta a possibilidade de juntada de provas após a impugnação que venham a auxiliar no julgamento do processo. Entretanto, essa possibilidade é admitida, excepcionalmente, quando ocorre uma das hipóteses previstas no artigo 16, parágrafo 4° do Decreto n° 70.235/72. Conforme a previsão legal, o motivo de força maior deve restar devidamente demonstrado pelo contribuinte que se socorre de tal hipótese, o que não ocorreu no caso. AUSÊNCIA DE DISCRIMINAÇÃO DE VALORES AFASTADA. Nos anexos do relatório fiscal se encontram discriminados os valores considerados pela autoridade fiscal para formalizar a autuação, as situações que deram causa à incidência da contribuição previdenciária bem como a explicação detalhada dos motivos que levaram a fiscalização a autuar a Recorrente. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AGENTES POLÍTICOS. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de inconstitucionalidade ou ilegalidade, salvo nos casos previstos no art. 103-A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF. A contribuição exigida com base na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei n° 8.212/1991 não foi convalidada pela EC n° 20/1998. Somente com a edição da Lei n° 10.887/2004 a contribuição previdenciária incidente sobre os subsídios dos detentores de mandato eletivo passou a ser validamente exigida. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. Quando a fiscalização não observa na sua atividade os elementos intrínsecos do lançamento (no caso, a fundamentação para o lançamento), ela certamente estará infringindo a disposição legal pertinente, importando na existência de um vício material. RECÁLCULO DAS MULTAS. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. Tendo-se em conta a alteração da legislação que trata das multas previdenciárias, deve-se analisar a situação específica de cada caso e optar pela penalidade que seja mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para declarar a nulidade por vício material do levantamento relativo ao segurado Plínio Domingues e, com relação a multa, sendo mais favorável ao recorrente, que seja aplicada a multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, vigente à época, limitada a 75%; vencida nesta parte a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis. Julio César Vieira Gomes - Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes,Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Luciana de Souza Espindola Reis e Lourenço Ferreira do Prado.
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PRORROGAÇÕES. NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL NÃO CONFIGURADA. De acordo com a Portaria RFB n° 11.371/2007, o Mandado de Procedimento Fiscal é emitido exclusivamente de forma eletrônica e a ciência do sujeito passivo se dá por meio da internet através do código de acesso informado no termo de início do procedimento fiscal. Deste modo, cabia à Recorrente acessar as informações relativas à fiscalização, por meio do código de acesso disponibilizado pela Secretaria da Receita Federal, não podendo alegar desconhecimento sobre os atos fiscalizatórios, tampouco nulidade do procedimento. PRINCÍPIO DA BUSCA PELA VERDADE REAL. CERCEAMENTO À AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. PRODUÇÃO DE PROVAS PELO CONTRIBUINTE. O CARF preza pelo princípio da busca da verdade real, no entanto, tal princípio não supre a inércia do contribuinte em produzir provas em prol do alegado na impugnação. FORÇA MAIOR NÃO DEMONSTRADA. Em respeito ao princípio da verdade material, não se afasta a possibilidade de juntada de provas após a impugnação que venham a auxiliar no julgamento do processo. Entretanto, essa possibilidade é admitida, excepcionalmente, quando ocorre uma das hipóteses previstas no artigo 16, parágrafo 4° do Decreto n° 70.235/72. Conforme a previsão legal, o motivo de força maior deve restar devidamente demonstrado pelo contribuinte que se socorre de tal hipótese, o que não ocorreu no caso. AUSÊNCIA DE DISCRIMINAÇÃO DE VALORES AFASTADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 56 04 /2 01 0- 22 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 Nos anexos do relatório fiscal se encontram discriminados os valores considerados pela autoridade fiscal para formalizar a autuação, as situações que deram causa à incidência da contribuição previdenciária bem como a explicação detalhada dos motivos que levaram a fiscalização a autuar a Recorrente. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AGENTES POLÍTICOS. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de inconstitucionalidade ou ilegalidade, salvo nos casos previstos no art. 103A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF. A contribuição exigida com base na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei n° 8.212/1991 não foi convalidada pela EC n° 20/1998. Somente com a edição da Lei n° 10.887/2004 a contribuição previdenciária incidente sobre os subsídios dos detentores de mandato eletivo passou a ser validamente exigida. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. Quando a fiscalização não observa na sua atividade os elementos intrínsecos do lançamento (no caso, a fundamentação para o lançamento), ela certamente estará infringindo a disposição legal pertinente, importando na existência de um vício material. RECÁLCULO DAS MULTAS. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. Tendose em conta a alteração da legislação que trata das multas previdenciárias, devese analisar a situação específica de cada caso e optar pela penalidade que seja mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para declarar a nulidade por vício material do levantamento relativo ao segurado Plínio Domingues e, com relação a multa, sendo mais favorável ao recorrente, que seja aplicada a multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, vigente à época, limitada a 75%; vencida nesta parte a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues – Relator Fl. 124DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10660.725604/201022 Acórdão n.º 2402004.100 S2C4T2 Fl. 3 3 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes,Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Luciana de Souza Espindola Reis e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 Relatório Tratase de Auto de Infração (DEBCAD n° 37.264.4708) correspondente às contribuições previdenciárias descontadas dos segurados, que incidiram sobre as folhas de pagamento da remuneração paga pela empresa a todos os segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 01/2007 a 12/2007, não retidas em época própria sobre (i) o segurado empregado Plínio Domingues, contratado por prazo determinado, no período de 08/2007 a 12/2007, para o cargo de officeboy; e (ii) as remunerações dos contribuintes individuais não informadas em GFIP, no período de 01/2007 a 08/2007. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora manteve o crédito previdenciário exigido no Auto de Infração (fls. 75/83). A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 88/102) argumentando em síntese: (i) a nulidade do procedimento fiscal em razão da ausência de termo de início da fiscalização e de suas prorrogações devidamente formalizados pela autoridade fiscal; (ii) a ofensa ao princípio da busca da verdade real, tendo em vista o indeferimento da juntada de documentos após a impugnação; (iii) cerceamento de defesa, uma vez que foi indeferida a juntada de documentos mesmo com a alegação de motivo de força maior; (iv) a desoneração da retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias devidas sobre os contribuintes individuais, haja vista se tratarem de prestadores de serviços, não havendo responsabilidade da Recorrente pelo seu recolhimento, pois tratase de responsabilidade subsidiária e não solidária; (v) a ausência de discriminação dos valores lançados pela fiscalização; e (vi) a inconstitucionalidade da tributação sobre a remuneração paga a agentes políticos. É o relatório. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10660.725604/201022 Acórdão n.º 2402004.100 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Da suposta nulidade da autuação Alega a Recorrente, preliminarmente, a nulidade do procedimento fiscal. Segundo o contribuinte, de acordo com o artigo 7° do Decreto n° 70.235/72, o procedimento de fiscalização tem início com o primeiro ato de ofício, formalizado pela autoridade fiscal, a fim de cientificar o contribuinte do início da fiscalização. Contudo, de acordo com a Recorrente, a fiscalização que culminou no presente processo não atendeu ao disposto na legislação, pois não haveria termo que autoriza o início da fiscalização, tampouco os termos de prorrogação. No entanto, verificase que consta, às fls. 177 do PAF n° 10660.725599/201058, em apenso, o Mandado de Procedimento Fiscal consubstanciado sob o n° 0610600.2010.000379 devidamente formalizado pela autoridade fiscal a fim de dar início ao procedimento fiscal instaurado, o termo de início de procedimento fiscal, às fls. 20 do presente processo, inclusive com recebimento pessoal pela Recorrente, conforme consta do referido documento, bem como o termo de encerramento da fiscalização, às fls. 28, cientificando a Recorrente quanto a lavratura dos 4 Autos de Infração, sendo um deles o correspondente ao presente processo e os demais que constam em apenso. Ressaltase que, de acordo com o artigo 4º da Portaria RFB n° 11.371/2007, o Mandado de Procedimento Fiscal é emitido exclusivamente de forma eletrônica e a ciência do sujeito passivo se dá por meio da internet através do código de acesso informado no termo de início do procedimento fiscal. No Termo de Intimação Fiscal n° 01 (fls. 19) e no Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls. 20), consta o código de acesso 14854977, conforme determina a Portaria RFB n° 11.371/2007. Deste modo, cabia à Recorrente acessar as informações relativas à fiscalização, por meio do código de acesso disponibilizado pela Secretaria da Receita Federal, não podendo alegar desconhecimento sobre os atos fiscalizatórios, tampouco nulidade do procedimento. No tocante aos termos de prorrogação, verificase que no Mandado de Procedimento Fiscal, anexo às fls. 177 do PAF n° 10660.725599/201058, em apenso, constam as prorrogações ocorridas na fiscalização, informações que foram disponibilizadas à Recorrente por meio eletrônico. Portanto, não assiste razão à Recorrente no tocante a nulidade do procedimento fiscal, vez que a mesma foi cientificada dos atos da fiscalização durante o seu curso. Da suposta violação aos princípios da busca pela verdade real e da ampla defesa e contraditório Fl. 127DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 6 Também sustenta a Recorrente a ofensa ao princípio da busca pela verdade real, bem como o cerceamento de defesa haja vista o indeferimento da juntada de documentos, após a impugnação, que comprovam as suas alegações. De acordo com a Recorrente, o artigo 16, parágrafo 4°, do Decreto n° 70.235/72, possibilita a juntada de documentos após a apresentação da impugnação, quando há motivo de força maior, o que, segundo argumenta, justificaria a juntada dos documentos após a impugnação porque “a juntada de documentação com volume grande de folhas é característica de força maior” (fls. 94). Pois bem. Como é sabido, em regra, a prova documental deve ser produzida juntamente com a impugnação, precluindo o direito do contribuinte produzila em momento posterior. Contudo, em respeito ao princípio da verdade material, não se afasta a possibilidade de juntada de provas após a impugnação que venham a auxiliar no julgamento do processo. Entretanto, essa possibilidade é admitida, excepcionalmente, quando ocorre uma das hipóteses previstas no artigo 16, parágrafo 4° do Decreto n° 70.235/72. Entre as referidas hipóteses, consta o motivo de força maior, citado pela Recorrente. No entanto, conforme a previsão legal, o motivo de força maior deve restar devidamente demonstrado pelo contribuinte que se socorre de tal hipótese. Vejase: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (...)” Verificase que a Recorrente somente alegou o motivo de força maior, consubstanciado pelo grande volume de folhas (conforme consta na sua impugnação seriam mais de 2.000 folhas – fls. 67), sem ao menos demonstrar, por amostragem, a documentação que potencialmente poderia ser apresentada. Aliás, devese registrar que, compulsando o presente processo, verificase que, com a impugnação, a Recorrente juntou tão somente os documentos de representação, ou seja, não juntou documentos que sustentam o alegado em sua impugnação. Este CARF preza pelo princípio da busca da verdade real, no entanto, tal princípio não supre a inércia do contribuinte em produzir provas em prol do alegado na impugnação. Vejase: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As diligências não se prestam à produção de prova que toca à parte produzir. PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10660.725604/201022 Acórdão n.º 2402004.100 S2C4T2 Fl. 5 7 FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROCA DOCUMENTA. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que, regularmente intimado, tenha deixado de apresentar as provas dos créditos alegados”. (CARF, 4ª Câmara, Relator Alexandre Kern, Acórdão n° 3403002.809, Publicação 19/03/2014) – destacouse Ainda neste sentido, sustenta a Recorrente que, sem ter conhecimento sobre o tempo necessário para o encerramento da fiscalização, não saberia o momento certo para iniciar a fase contenciosa tributária. Todavia, não deve prosperar tal alegação, pois com a intimação da lavratura dos autos de infração a Recorrente tomou conhecimento sobre a possibilidade de efetuar o pagamento do crédito tributário ou apresentar impugnação em 30 dias, opção esta que instaura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal. E foi o que fez a Recorrente, pois apresentou tempestivamente impugnação ao auto de infração, não prosperando a sua alegação de desconhecimento sobre o momento certo de iniciar a fase contenciosa do processo fiscal. Portanto, sem razão a Recorrente, haja vista que restou precluso o seu direito de produzir provas, nos termos do artigo 16, parágrafo 4° do Decreto n° 70.235/72, bem como porque não restou devidamente demonstrado o alegado motivo de força maior, não prosperando suas alegações de ofensa ao princípio da verdade real e de cerceamento de defesa. Da contribuição não recolhida sobre os valores pagos aos contribuintes individuais No mérito, a Recorrente alega que os contribuintes individuais são prestadores de serviços e sustenta a sua responsabilidade subsidiária, devendo a fiscalização provar que o contribuinte de direito não efetuou o pagamento das contribuições previdenciárias, para só então responsabilizar a Recorrente. Todavia, conforme previsão legal, é obrigação da empresa que remunera o contribuinte individual o recolhimento da contribuição previdenciária. Vejase: Lei n° 8.212/91 “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços;” Lei n° 10.666/03 “Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 20 (vinte) do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia”. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 8 Verificase, portanto, que não há nesta relação a figura do responsável tributário solidário ou subsidiário, como sustenta a Recorrente, vez que a obrigação tributária exigida pela autoridade fiscal corresponde à parte da empresa que remunera o contribuinte individual, e à contribuição do contribuinte individual, mas que é de responsabilidade da empresa reter e recolher, no caso, a Recorrente. A obrigação tributária apurada pela fiscalização decorre de previsão legal e não de responsabilidade subsidiária ou solidária, como faz crer a Recorrente. Ademais, a Recorrente não sustentou qualquer situação fática diversa da considerada pela fiscalização, ou desenvolveu argumentos que respaldem a sua alegação. Sendo assim, deve ser afastado o argumento da Recorrente no tocante à sua responsabilidade subsidiária sobre os recolhimentos das contribuições previdenciárias sobre a remuneração paga a contribuintes individuais, vez que é obrigação da empresa o recolhimento da contribuição previdenciária nos termos do artigo 22, II da Lei 8.212/91 e artigo 4º da Lei 10.666/03. Da suposta ausência de discriminação dos valores autuados Sustenta ainda a Recorrente que o agente fiscal deixou de discriminar os valores levados à tributação, e os motivos pelos quais entende que há incidência de contribuição previdenciária, o que fere seu direito de defesa. Analisando o processo, verificase que às fls. 35/38 constam os anexos do relatório fiscal em que se encontram discriminados os valores considerados pela autoridade fiscal para formalizar a autuação, as situações que deram causa à incidência da contribuição previdenciária, bem como, no relatório fiscal (fls. 31/34), a explicação detalhada dos motivos que levaram a fiscalização a autuar a Recorrente. Está claro pela análise do processo que a autuação versa sobre as contribuições previdenciárias descontadas dos segurados que incidiram sobre as folhas de pagamento da remuneração paga pela empresa a todos os segurados empregados e contribuintes individuais, não retidas em época própria, sobre o segurado empregado Plínio Domingues e as remunerações dos contribuintes individuais não informadas em GFIP. Pois bem. Observase pelas planilhas anexas ao relatório fiscal que a autoridade fiscal relacionou os valores da folha de pagamento e declarados em GFIP e, a partir do levantamento geral, elaborou planilhas distintas por obrigação tributária, quais sejam, a apuração das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos ao segurado Plínio Domingues, considerado pela fiscalização como segurado empregado (fls. 35) e as remunerações pagas aos contribuintes individuais e não declaradas em GFIP (fls. 36/38). Portanto, deve ser afastado o argumento da Recorrente no tocante à ausência de discriminação de valores tributados. Da suposta inconstitucionalidade quanto à incidência de contribuição sobre o subsídio político Por fim, sustenta a Recorrente que, como havia sido declarada a inconstitucionalidade do artigo 12, I, alínea “h” da Lei n° 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal, e a Lei n° 10.887/2004 incluiu na alínea “j” a mesma redação da alínea declarada inconstitucional, tal instrumento legislativo superveniente não legaliza situação pretérita inconstitucional. Por esta razão, defende a impossibilidade da tributação do subsídio político. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10660.725604/201022 Acórdão n.º 2402004.100 S2C4T2 Fl. 6 9 Todavia, o CARF não é órgão competente para afastar a aplicação da lei com base na sua suposta inconstitucionalidade ou ilegalidade, com exceção dos casos previstos no art. 103A da CF/88 e no art. 62, parágrafo único do Regimento Interno do CARF. Neste contexto, vale destacar que a administração pública está vinculada à lei, e não compete a um julgador administrativo dizer se uma lei que determina o pagamento de um tributo é inconstitucional ou ilegal. Em tempo, devese recordar que o procedimento administrativo existe não para discutir a inconstitucionalidade ou ilegalidade de algum tributo, o qual deve ser feito exclusivamente perante a esfera judicial, mas sim eventuais irregularidades que tenham sido cometidas pelo agente fazendário no momento da fiscalização, as quais, todavia, não foram demonstradas pela Recorrente quanto ao ponto específico. Em que pese o exposto acima, apenas a título de esclarecimento convém destacar que, ainda que o CARF pudesse analisar a inconstitucionalidade e ilegalidade da lei questionada pelo contribuinte, o argumento da Recorrente não deve prosperar. A exigência da contribuição previdenciária sobre subsídios políticos fundada sobre o artigo 12, I, alínea “h” da Lei n° 8.212/91 foi declarada inconstitucional pelo STF (Plenário, unânime, RE 351.717/PR, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ 21/11/2003). Com isso, o Senado Federal editou a Resolução 26, de 21/06/2005, suspendendo a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei n° 8.212/1991. A inconstitucionalidade da contribuição previdenciária sobre a remuneração paga a agentes políticos se deu porque os mesmos não se enquadravam no conceito de trabalhador da antiga redação do artigo 195, II, da Constituição Federal, bem como por se tratar de nova fonte de custeio da seguridade social. Com a edição da EC n° 20/1998, foi alterada a redação do artigo 195, II, da Constituição Federal, ampliando o rol de contribuintes da exação, permitindo a incidência da contribuição previdenciária sobre agentes políticos. Entretanto, o referido dispositivo legal declarado inconstitucional não pode ser convalidado por Emenda Constitucional que lhe é superveniente. Assim, a contribuição exigida com base na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei n° 8.212/1991 não foi convalidada pela EC n° 20/1998. Somente com a edição da Lei n° 10.887/2004 a contribuição previdenciária incidente sobre os subsídios dos detentores de mandato eletivo passou a ser validamente exigida. Portanto, não são exigíveis as contribuições previdenciárias que incidiram sobre os subsídios dos agentes políticos no período anterior a 18/09/2004, data em que passou a viger a Lei 10.887/2004. No caso em exame, considerando que se tratam de contribuições previdenciárias apuradas entre 01/01/2007 a 31/12/2007, a contribuição previdenciária dos agentes políticos é exigível, posto que já vigente a Lei n° 10.887/2004. Sem razão, portanto, a Recorrente. Da nulidade da autuação quanto à exigência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos ao prestador de serviços Sr. Plínio Domingues Fl. 131DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 10 Muito embora esta questão não tenha sido alegada pela parte, é mister reconhecer que o auto de infração é nulo em relação a uma das matérias autuadas. Um dos fatos que motivou os lançamentos do presente processo foram as remunerações pagas ao Sr. Plínio Domingues contratado por prazo determinado, no período de 08/2007 a 12/2007, para o cargo de officeboy. Tais lançamentos foram constituídos por presunção de vínculo empregatício pela fiscalização, haja vista o contrato de prestação de serviços anexo às fls. 75/76 do PAF n° 10660.725599/201058, em apenso, e os valores pagos ao funcionário citados no relatório fiscal às fls. 22 e 35. Pois bem. Após analisar o trabalho realizado pela fiscalização nos presentes autos concluo que a autoridade fiscal não elencou as razões que a levaram a entender que o Sr. Plínio Domingues deve ser qualificado como empregado da Recorrente. Ao realizar o lançamento a Autoridade Fiscal teria, obrigatoriamente, que ter demonstrado de maneira clara e exaustiva os requisitos caracterizadores da relação de emprego que justificariam o lançamento das contribuições previdenciárias do referido funcionário como segurados empregado. Neste caso, no entanto, a fiscalização se limitou a mencionar que as contribuições apuradas no presente auto incidiram sobre as remunerações pagas ao Sr. Plínio (fls. 32), sem demonstrar as suas razões para a tributação na qualidade de empregado (poderia ter entendido que se tratava de um contribuinte individual, tal como os demais casos sobre os quais incidiu o lançamento). Quando a fiscalização não observa na sua atividade os elementos intrínsecos do lançamento (no caso, a fundamentação para o lançamento), ela certamente estará infringindo a disposição legal pertinente, importando na existência de um vício material. Nesse sentido, leciona Leandro Paulsen1: “Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei.” Vejase, assim, que a ocorrência do vício material está diretamente ligada com a deformidade do conteúdo do lançamento, que acaba por exigir indevidamente tributos do sujeito passivo, em ofensa, inclusive, ao princípio da legalidade, situação inaceitável nas relações do fisco com o contribuinte. Assim, como o equívoco incorrido pela autoridade tributária alterou substancialmente os elementos do lançamento, ocasionando a exigência de um tributo apurado utilizando critérios diferentes daqueles que seriam corretos, deve ser anulado, por vício material, o lançamento dos valores relativos ao Sr. Plínio Domingues qualificado pela fiscalização como segurado empregado. Em se tratando de vício material, o novo lançamento a ser eventualmente realizado para sanar os vícios existentes no lançamento anterior acabará alterando seus elementos substanciais, o que resultará na cobrança de um tributo diferente, ou em valor diferente, ou apurado por critérios diferentes, ou de outro sujeito passivo, assim por diante, situações que não podem se valer do prazo decadencial previsto no art. 173, inc. II, do CTN. Versando sobre os efeitos resultantes das alterações promovidas pelo lançamento superveniente, este CARF assim se posicionou: 1 Paulsen, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Editora: ESMAFE, 2010. p. 1194. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10660.725604/201022 Acórdão n.º 2402004.100 S2C4T2 Fl. 7 11 “ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL E NO CÁLCULO DO MONTANTE DEVIDO. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A matéria tributável e o cálculo do montante devido constitui elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A adoção de métodos que resultem em base de cálculo incerta e duvidosa constitui ofensa aos elementos substanciais do lançamento, motivo pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material”. (CARF, 4ª Câmara, 2ª Turma, Relator Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Acórdão n° 240202.029, Sessão de 28/09/2011) Assim, o lançamento relativo ao Sr. Plínio Domingues qualificado pela fiscalização como segurado empregado deve ser anulado por vício material. Da retroatividade benigna das multas Muito embora essa questão também não tenha sido levantada pela Recorrente, constatase, pelo quadro comparativo apresentado às fls. 33, que foi aplicada em parte das competências a penalidade prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, multa de ofício de 75%, e em outras as penalidades trazidas pelos arts. 32, § 5º e 35 da Lei nº 8.212/91, antes da alteração promovida pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Contudo, o cálculo da multa realizado pelo fiscal está totalmente equivocado, haja vista que utiliza como parâmetro não só a penalidade por descumprimento de obrigação principal, como também a penalidade por descumprimento de obrigação acessória para aferir qual seria a penalidade mais benéfica a ser aplicada. Em relação ao descumprimento de obrigação principal, a penalidade anteriormente prevista, que variava de acordo com a fase processual do lançamento, conforme a redação revogada do art. 35 da Lei nº 8.212/19912, passou a ser regulamentada pelo art. 44, da Lei nº 9.430/963, que prevê multa de 75%, e que foi utilizada pela autoridade fiscal na autuação. Quanto ao descumprimento de obrigação acessória, na sistemática anterior, a infração relativa à omissão de fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a 100% da contribuição não declarada, ficando a penalidade limitada a um teto calculado em 2“Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (...)” 3“Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007)” Fl. 133DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 12 função do número de segurados da empresa, conforme o extinto § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/19914. Pois bem. Analisando as sanções aplicadas no presente caso à luz das alterações levadas a efeito pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, verificase, através do quadro comparativo da multa aplicada (fls. 33), que a autoridade tributária equivocouse em suas premissas, adotando como valor que seria devido antes do advento da MP nº 449/2008 os valores relativos ao descumprimento da obrigação principal e acessória (o que denominou de “AI68” e “AI69”), e como valor que seria devido após o advento da MP apenas o valor da multa decorrente do descumprimento da obrigação principal. Contudo, a autoridade administrativa deveria comparar separadamente as multas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, ou seja, contrapondo o cálculo feito com base no antigo art. 32 da Lei nº 8.212/1991 com o atual art. 32A desta mesma lei, vez que ambos versam sobre como proceder nas suas respectivas épocas nos casos de penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Destarte, verificase que a autoridade fiscal não pode considerar a multa por descumprimento de obrigações acessórias para fins de comparação com uma multa devida pelo não recolhimento do tributo, sob pena de negativa de vigência ao art. 106 do CTN. A incorreta forma de comparação de multas aplicadas pela fiscalização nos presentes autos acarretou na aplicação da penalidade atual para o descumprimento da obrigação principal, como sendo a menos severa à Recorrente. Sendo assim, para que seja dado o efetivo cumprimento à retroatividade benigna de que trata o art. 106, inc. II, “c”, do CTN, é mister que a multa aplicada nas competências mencionadas pelo fiscal na coluna “Total Atual”, constante da tabela de fls. 33, seja recalculada, a fim de que seja imposta a penalidade mais benéfica ao contribuinte, qual seja, a prevista no art. 35, II, alínea “c” da Lei nº 8.212/91, visto que, até o presente momento, a multa não atingiria o patamar de 75% previsto no art. 44, da Lei nº 9.430/96. Ademais, em que pese a multa prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91 (antes da alteração promovida pela Lei nº 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei nº 9.430/96 limitase ao percentual de 75% do valor principal, deve esta ser aplicada caso a multa prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91 (antes da alteração promovida pela Lei nº 11.941/2009) supere o seu patamar. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, determinando: (i) a anulação, por vício material, dos lançamentos relativos ao prestador de serviços Sr. Plínio Domingues, qualificado pela fiscalização como segurado empregado; e (ii) o recálculo da multa imposta nos termos da fundamentação acima, aplicandose a multa prevista no art. 35, II, alínea “c” da Lei nº 8.212/91. Caso a multa prevista 4“§ 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior”. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10660.725604/201022 Acórdão n.º 2402004.100 S2C4T2 Fl. 8 13 no art. 35, II, alínea “c” da Lei nº 8.212/91 (antes da alteração promovida pela Lei nº 11.941/2009) supere o patamar de 75%, deve ser aplicada a multa prevista pelo art. 44 da Lei nº 9.430/96. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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Numero do processo: 10166.727035/2011-11
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO
A impugnação instaura o contencioso administrativo. Fatos não expressamente impugnados são incontroversos, sendo albergados pela coisa julgada administrativa. Não atacados os fundamentos da autuação, não demonstrado vícios no lançamento, este deve ser integralmente mantido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.584
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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PRECLUSÃO A impugnação instaura o contencioso administrativo. Fatos não expressamente impugnados são incontroversos, sendo albergados pela coisa julgada administrativa. Não atacados os fundamentos da autuação, não demonstrado vícios no lançamento, este deve ser integralmente mantido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 70 35 /2 01 1- 11 Fl. 1951DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.727035/201111 Acórdão n.º 2803003.584 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 1952DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.727035/201111 Acórdão n.º 2803003.584 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a contribuições devidas em razão de comercialização da produção rural pessoas físicas. DEBCAD 37.345.6247. O r. acórdão – fls 1880 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Relativo ao processo em epígrafe foram lavrados os autos de infração nos 51.008.1851, 51.008.1860, 51.008.1878 e 51.008.1835, os quais, em apertada síntese, destacam que a recorrente deixou de preparar folhas de pagamento de salário em desacordo com os padrões e normas estabelecidas; ausência de lançamento discriminado em títulos próprios de sua contabilidade; deixou de arrecadar, mediante desconto de remunerações, as contribuições devidas por segurados que lhe prestaram serviço; apresentação de GFIP com incorreções ou omissões. · A recorrente apresentou defesa, destacando que os lançamentos se revestem de ilegalidades; os autos de infração não foram confeccionados em conformidade com as exigências legais; observância ao programa de alimentação do trabalhador; pagamento de vale transporte em conformidade com o estabelecido na convenção coletiva de trabalho da categoria e que o pagamento em espécie não incide contribuição previdenciária; recolhimento de todas as obrigações devidas, mesmo que não consignadas na GFIP; que não é possível promover o pagamento do acréscimo de férias antes da data base. · As fls. 775 os il. julgadores informaram que não houve defesa relativa ao Autos de Infração nos 51.008.1835, 51.008.1851, 51.008.186¬0 e 51.008.1878, no entanto, conforme se observa na cópia da impugnação em anexo a recorrente refutou todos os argumentos lançados. · Por fim, na remota hipótese de não serem acatada as teses acima alinhavadas, o que se admite apenas por amor ao debate, devese levar em consideração, no julgamento, o dispositivo contido na Lei 11.941/2009, o qual determina que deve ser aplicado o dispositivo mais benéfico ao contribuinte quanto à aplicação da multa pela não declaração em GFIP e não recolhimento das contribuições previdenciárias, portanto, deve ser revisado o Auto de Infração na busca do maior benefício ao ora impugnante. Fl. 1953DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.727035/201111 Acórdão n.º 2803003.584 S2TE03 Fl. 5 4 · Requer seja recebido o presente Recurso Voluntário para reformar o acórdão impugnado, conforme fundamentação apresentada. É o relatório. Fl. 1954DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.727035/201111 Acórdão n.º 2803003.584 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O recurso apresentado, como descrito no relatório, que me permito não reproduzir a fim de evitar tautologias, não se refere ao tributo sub examine, atraindo a aplicabilidade do art. 17 do decreto 70.235/72. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Acrescentese que na defesa apresentada igualmente não foi discutido o mérito da autuação. Vejamos excerto da ementa do r. acórdão. CONTRIBUIÇÕES COM SUBROGAÇÃO COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL PESSOAS FÍSICAS. Considerase como nãoimpugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Nessa mesma linha, em outro auto lavrado na mesma ação fiscal, julgado por esta Turma. PEÇA RECURSAL QUE ALEGA SITUAÇÕES INEXISTENTES NO LANÇAMENTO. DIVÓRCIO IDEOLÓGICO. LANÇAMENTO CLARO, PRECISO E OBJETIVO. LASTREADO EM FARTO CONJUNTO PROBATÓRIO. EXISTENTE NOS AUTOS. LANÇAMENTOS ESCLARECIDOS COM RELATÓRIOS E PLANILHAS DESCRITIVAS. NULIDADE FORMAL. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DE MULTA BENÉFICA. VERIFICAÇÃO NO MOMENTO DO PAGAMENTO, PARCELAMENTO OU EXECUÇÃO. Recurso Voluntário Provido em Parte.Processo 10166.727033/201122, sessão de 14 de julho de 2014 Dessa feita, tenho que a recorrente não trouxe fatos a desconstituir a r. decisão, que deve ser mantida em sua inteireza. Fl. 1955DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.727035/201111 Acórdão n.º 2803003.584 S2TE03 Fl. 7 6 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 1956DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720026/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
IRPJ/CSLL. UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO TRANSFERIDO. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO INDEVIDA.
1. O direito à contabilização do ágio não pode ser confundido com o direito à sua amortização.
2. Em regra, o ágio efetivamente pago - em operação entre empresas não ligadas e calcadas em laudo que comprove a expectativa de rentabilidade futura - deve compor o custo do investimento, sendo dedutível somente no momento da alienação de tal investimento (inteligência do art. 426 do RIR/99).
3. A exceção trazida pelo caput do art. 386, e seu inciso III, pressupõe uma efetiva reestruturação societária na qual a investidora absorve parcela do patrimônio da investida, ou vice-versa (§6º, II). A operacionalização de tal reestruturação de forma artificial, calcada em operações meramente formais e com fins unicamente tributários mediante utilização de empresas veículo, não possui o condão de alterar a verdade dos fatos, de modo a transformar o que deveria ser contabilizado como custo do investimento em amortização de ágio.
3. A amortização do ágio oriundo de operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificiais e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal.
4. Nesse cenário, o ágio artificialmente transferido não pode ser utilizado para redução da base de cálculo de tributos.
5. A utilização de sociedade veículo, de curta duração, constitui prova da artificialidade daquela sociedade e das operações nas quais ela tomou parte, notadamente, no caso concreto, a transferência do ágio ao real investidor para fins de amortização.
IRPJ/CSLL. AQUISIÇÃO DAS PRÓPRIAS AÇÕES. PAGAMENTO DE MAIS VALIA. CONTABILIZAÇÃO EM CONTAS PATRIMONAIS. RESULTADO DO EXERCÍCIO INALTERADO. UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO. GERAÇÃO ARTIFICIAL DE ÁGIO. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO ARTIFICIAL. IMPOSSIBILIDADE.
1. A Lei das S/A - LSA veda, em regra, a negociação com as próprias ações. Comprovada que operações formalizadas como aquisição de investimento, com posterior cisão parcial e incorporação, na verdade dissimulavam aquisição das próprias ações, deve o Fisco apurar os tributos devidos de acordo com os fatos efetivamente ocorridos.
2. O pagamento de mais valia em aquisição das próprias ações não pode alterar o resultado do período, devendo ser contabilizado diretamente em contas patrimoniais, ou seja, sem transitar pelo resultado.
3. O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificiais e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal.
4. Nesse cenário, o ágio artificialmente gerado não pode ser utilizado para redução da base de cálculo de tributos.
5. A utilização de sociedade veículo, de curta duração, constitui prova da artificialidade daquela sociedade e das operações nas quais ela tomou parte, notadamente a geração e a transferência do ágio.
LUCRO REAL. ÁGIO INTERNO. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO. INCORPORAÇÃO REVERSA. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL.
A circunstância de a operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico somada a falta de propósito negocial ou societário da operação dentro do seu contexto, analisado o caso específico, impedem os efeitos tributários da operação desejados pelo contribuinte.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE.
Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos e não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para o percentual de 150% depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não houve dolo por parte do contribuinte, logo incabível a aplicação da multa qualificada.
IRPJ. ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA.
A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Precedentes.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
AUTOS REFLEXOS. CSLL.
O decidido quanto ao IRPJ aplica-se à tributação dele decorrente.
Recurso Voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 1402-001.460
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a argüição de decadência. Vencido o Conselheiro Carlos Pelá (Relator). No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a qualificação da multa de ofício aplicada junto com o tributo e a multa isolada. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá (Relator), Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez que davam provimento em maior extensão para cancelar a exigência, exceto aquela referente ao denominado ágio interno, sendo que o Conselheiro Carlos Pelá (Relator) também foi vencido na parte em que votou pela não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto foram vencidos em relação à multa isolada. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor em relação à decadência, glosa de despesas com ágio e à exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá Relator
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Redator do voto vencedor
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 IRPJ/CSLL. UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO TRANSFERIDO. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO INDEVIDA. 1. O direito à contabilização do ágio não pode ser confundido com o direito à sua amortização. 2. Em regra, o ágio efetivamente pago - em operação entre empresas não ligadas e calcadas em laudo que comprove a expectativa de rentabilidade futura - deve compor o custo do investimento, sendo dedutível somente no momento da alienação de tal investimento (inteligência do art. 426 do RIR/99). 3. A exceção trazida pelo caput do art. 386, e seu inciso III, pressupõe uma efetiva reestruturação societária na qual a investidora absorve parcela do patrimônio da investida, ou vice-versa (§6º, II). A operacionalização de tal reestruturação de forma artificial, calcada em operações meramente formais e com fins unicamente tributários mediante utilização de empresas veículo, não possui o condão de alterar a verdade dos fatos, de modo a transformar o que deveria ser contabilizado como custo do investimento em amortização de ágio. 3. A amortização do ágio oriundo de operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificiais e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. 4. Nesse cenário, o ágio artificialmente transferido não pode ser utilizado para redução da base de cálculo de tributos. 5. A utilização de sociedade veículo, de curta duração, constitui prova da artificialidade daquela sociedade e das operações nas quais ela tomou parte, notadamente, no caso concreto, a transferência do ágio ao real investidor para fins de amortização. IRPJ/CSLL. AQUISIÇÃO DAS PRÓPRIAS AÇÕES. PAGAMENTO DE MAIS VALIA. CONTABILIZAÇÃO EM CONTAS PATRIMONAIS. RESULTADO DO EXERCÍCIO INALTERADO. UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO. GERAÇÃO ARTIFICIAL DE ÁGIO. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO ARTIFICIAL. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei das S/A - LSA veda, em regra, a negociação com as próprias ações. Comprovada que operações formalizadas como aquisição de investimento, com posterior cisão parcial e incorporação, na verdade dissimulavam aquisição das próprias ações, deve o Fisco apurar os tributos devidos de acordo com os fatos efetivamente ocorridos. 2. O pagamento de mais valia em aquisição das próprias ações não pode alterar o resultado do período, devendo ser contabilizado diretamente em contas patrimoniais, ou seja, sem transitar pelo resultado. 3. O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificiais e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. 4. Nesse cenário, o ágio artificialmente gerado não pode ser utilizado para redução da base de cálculo de tributos. 5. A utilização de sociedade veículo, de curta duração, constitui prova da artificialidade daquela sociedade e das operações nas quais ela tomou parte, notadamente a geração e a transferência do ágio. LUCRO REAL. ÁGIO INTERNO. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO. INCORPORAÇÃO REVERSA. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. A circunstância de a operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico somada a falta de propósito negocial ou societário da operação dentro do seu contexto, analisado o caso específico, impedem os efeitos tributários da operação desejados pelo contribuinte. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos e não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para o percentual de 150% depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não houve dolo por parte do contribuinte, logo incabível a aplicação da multa qualificada. IRPJ. ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Precedentes. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. AUTOS REFLEXOS. CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplica-se à tributação dele decorrente. Recurso Voluntário parcialmente provido.
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Recorrida 4ª Turma da DRJ/SP1 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. FORMAÇÃO DE ÁGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Somente pode se falar em contagem do prazo decadencial após a data de ocorrência dos fatos geradores, não importando a data contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. O art. 113, § 1º, do CTN aduz que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador” e o papel de Fisco de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do Estatuto Processual, nada mais é do que o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente. Não é papel do Fisco auditar as demonstrações contábeis dos contribuintes a fim de averiguar sua correição à luz dos princípios e normas que norteiam as ciências contábeis. A preocupação do Fisco deve ser sempre o reflexo tributário de determinados fatos, os quais, em inúmeras ocasiões, advém dos registros contábeis. Ressaltese o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê que seja efetuado o lançamento “também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário.” O prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 26 /2 01 1- 13 Fl. 8214DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.215 2 IRPJ/CSLL. UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO TRANSFERIDO. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO INDEVIDA. 1. O direito à contabilização do ágio não pode ser confundido com o direito à sua amortização. 2. Em regra, o ágio efetivamente pago em operação entre empresas não ligadas e calcadas em laudo que comprove a expectativa de rentabilidade futura deve compor o custo do investimento, sendo dedutível somente no momento da alienação de tal investimento (inteligência do art. 426 do RIR/99). 3. A exceção trazida pelo caput do art. 386, e seu inciso III, pressupõe uma efetiva reestruturação societária na qual a investidora absorve parcela do patrimônio da investida, ou viceversa (§6º, II). A operacionalização de tal reestruturação de forma artificial, calcada em operações meramente formais e com fins unicamente tributários mediante utilização de “empresas veículo”, não possui o condão de alterar a verdade dos fatos, de modo a transformar o que deveria ser contabilizado como custo do investimento em amortização de ágio. 3. A amortização do ágio oriundo de operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificiais e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. 4. Nesse cenário, o ágio artificialmente transferido não pode ser utilizado para redução da base de cálculo de tributos. 5. A utilização de sociedade veículo, de curta duração, constitui prova da artificialidade daquela sociedade e das operações nas quais ela tomou parte, notadamente, no caso concreto, a transferência do ágio ao real investidor para fins de amortização. IRPJ/CSLL. AQUISIÇÃO DAS PRÓPRIAS AÇÕES. PAGAMENTO DE MAIS VALIA. CONTABILIZAÇÃO EM CONTAS PATRIMONAIS. RESULTADO DO EXERCÍCIO INALTERADO. UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO. GERAÇÃO ARTIFICIAL DE ÁGIO. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO ARTIFICIAL. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei das S/A LSA veda, em regra, a negociação com as próprias ações. Comprovada que operações formalizadas como aquisição de investimento, com posterior cisão parcial e incorporação, na verdade dissimulavam aquisição das próprias ações, deve o Fisco apurar os tributos devidos de acordo com os fatos efetivamente ocorridos. 2. O pagamento de mais valia em aquisição das próprias ações não pode alterar o resultado do período, devendo ser contabilizado diretamente em contas patrimoniais, ou seja, sem transitar pelo resultado. 3. O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificiais e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. Fl. 8215DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.216 3 4. Nesse cenário, o ágio artificialmente gerado não pode ser utilizado para redução da base de cálculo de tributos. 5. A utilização de sociedade veículo, de curta duração, constitui prova da artificialidade daquela sociedade e das operações nas quais ela tomou parte, notadamente a geração e a transferência do ágio. LUCRO REAL. ÁGIO INTERNO. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO. INCORPORAÇÃO REVERSA. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. A circunstância de a operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico somada a falta de propósito negocial ou societário da operação dentro do seu contexto, analisado o caso específico, impedem os efeitos tributários da operação desejados pelo contribuinte. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos e não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para o percentual de 150% depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não houve dolo por parte do contribuinte, logo incabível a aplicação da multa qualificada. IRPJ. ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Precedentes. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. AUTOS REFLEXOS. CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente. Recurso Voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 8216DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.217 4 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a argüição de decadência. Vencido o Conselheiro Carlos Pelá (Relator). No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a qualificação da multa de ofício aplicada junto com o tributo e a multa isolada. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá (Relator), Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez que davam provimento em maior extensão para cancelar a exigência, exceto aquela referente ao denominado ágio interno, sendo que o Conselheiro Carlos Pelá (Relator) também foi vencido na parte em que votou pela não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto foram vencidos em relação à multa isolada. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor em relação à decadência, glosa de despesas com ágio e à exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá – Relator (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Redator do voto vencedor Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá. Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de auto de infração de IRPJ e CSLL, anoscalendário 2005 a 2009, cumulados com juros, multa de ofício qualificada (150%) e multa isolada, apurados em decorrência (i) da glosa de exclusão indevida na apuração do Lucro Real, referente à amortização de ágio nesses anoscalendário, (ii) da compensação indevida de prejuízo fiscal e base negativa, no anocalendário de 2007, e (iii) da falta de recolhimento de estimativas nos anoscalendário de 2006 a 2009 (fls. 7481/7530). A compensação indevida de prejuízo fiscal e base negativa, no ano calendário de 2007, e a multa isolada são decorrentes da glosa de exclusão oriunda de despesa Fl. 8217DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.218 5 de amortização de ágio que acabou por afetar as bases de cálculos sobre as quais são apuradas as antecipações obrigatórias do IRPJ e da CSLL e as compensações fiscais. A capitulação legal da aplicação da multa qualificada se fez pelo acolhimento do disposto nos art. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, combinados com o art. 44, §1º, da Lei 9.430/1996, em razão do evidente intuito de fraude. As autuações são fruto de um extenso trabalho de investigação por parte das autoridades fiscais, no qual foram analisadas diversas operações societárias realizadas pela autuada e empresas do grupo do qual ela faz parte (Grupo Bunge), ao longo de muitos anos, no contexto de suas atividades normais. A reorganização societária do Grupo Bunge pode ser subdividida em cinco operações societárias distintas, que culminaram com o registro de cinco ágios distintos, posteriormente transferidos, em razão de novos eventos societários, para a empresa autuada, que passou a amortizálos. A fiscalização se insurgiu contra a formação dos ágios apurados em tais operações, bem como contra suas respectivas amortizações, sustentando a ocorrência de vícios que invalidariam os procedimentos adotados, tais como a falta de propósito negocial e a indevida utilização de “empresa veículo”. O quadro a seguir resume os totais anuais das glosas de amortização de ágio, por operação: Conta 2005 2006 2007 2008 2009 Amortização de Ágio BIC 22.424.597,66 22.424.597,64 22.424.597,64 22.424.597,64 22.424.597,64 Amortização de Ágio Bunge Brasil (OP) 27.256.142,50 21.804.913,92 21.804.913,92 21.804.913,92 21.804.913,92 Amortização Ágio/Deságio Bunge I de Participações 28.665.610,32 28.665.610,32 28.665.610,32 28.665.610,32 28.665.610,32 Amortização Ágio/Deságio Cajati Participações 17.374.010,16 17.374.010,16 17.374.010,16 17.374.010,16 17.374.010,16 Amortização Ágio/Deságio Andely Holding 4.993.647,60 4.993.647,60 4.993.647,60 4.993.647,60 4.993.647,60 Totais 100.714.008,24 95.262.779,64 95.262.779,64 95.262.779,64 95.262.779,64 Eis os totais de ágios apurados e lançados por operação: Conta TOTAL Amortização de Ágio BIC 112.122.988,22 Fl. 8218DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.219 6 Amortiz. Ágio Bunge Brasil (OP) 114.475.798,18 Amortiz. Ágio/Deságio Bunge I de Participações 143.328.051,60 Amortiz. Ágio/Deságio Cajati Participações 86.870.050,80 Amortiz. Ágio/Deságio Andely Holding 24.968.238,00 TOTAL 481.765.126,80 DA OPERAÇÃO Para melhor compreensão dos fatos, passo a detalhar, em ordem cronológica, cada uma das cinco operações societárias que culminaram com o registro dos cinco ágios amortizados pela Recorrente e glosados pela fiscalização. 1) ÁGIO ANDELY: R$ 49.936.475,94 Em 07/01/2000, a ANDELY HOLDING LTDA (ANDELY) foi constituída pelos sócios Maria Cristina Cescon Avedisan (99%) e José Roberto de Camargo Opice (1%), advogados, com um capital de R$ 100,00. Em 26/03/2000, a BUNGE FOODS LIMITED, empresa do Grupo da Recorrente situada no exterior, adquiriu as quotas da empresa ANDELY, que havia sido constituída meses antes. Em 12/04/2000, a BUNGE FOODS LIMITED subscreveu e integralizou R$ 145.192.000,00, a título de capital social da ANDELY, conforme contrato de câmbio nº 00/002635, de 05/04/00, de R$ 70.200.000,00, e de nº 00/002697, de 07/04/00, de R$ 74.992.000,00. Com esses recursos, no mesmo dia 12/04/2000, a ANDELY adquiriu o controle acionário da MANAH S.A. (MANAH), empresa do ramo de fertilizantes. Foi divulgado um comunicado para o mercado (fato relevante) noticiando a aprovação do aumento de capital na empresa MANAH, no valor de R$ 140.000.000,00, baseado exclusivamente nas cotações de mercado das ações preferenciais, acrescido de ágio. A ANDELY subscreveu e integralizou esse aumento, pagando o correspondente ágio na subscrição das ações da MANAH. O ágio, no valor de R$ 49.985.798,70, foi devidamente registrado na contabilidade da ANDELY e teve como fundamento a expectativa de rentabilidade futura. Em 31/08/2000, a MANAH incorporou a ANDELY, fato também divulgado por meio de “fato relevante”, operação que ensejou o início das amortizações do ágio apurado. Mais adiante, a MANAH teve sua razão social alterada para BUNGUE FERTILIZANTES S.A. (BF), ora Recorrente. Fl. 8219DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.220 7 A DIPJ da ANDELY, de 01/01/2000 a 31/08/2000, mostra que: (i) tinha participação de 21,23% no capital total da MANAH; (ii) não há informações sobre contas caixa ou bancos; (iii) só há saldos, no ativo, de créditos com pessoas ligadas, participações em coligadas e ágio em investimentos; (iv) não há informações de despesas com remunerações, salários ou encargos sociais. Considerando isso, em dezembro de 2011, ao analisar as operações, a autoridade administrativa responsável pelo lançamento concluiu que a ANDELY serviu apenas como empresa veículo para o investimento e o ágio na MANAH., para após a incorporação reversa possibilitar a dedução do ágio na incorporadora. 2) ÁGIO BIPART: R$ 286.656.101,71 Tratase, em sua maior parte, de ágio apurado originalmente pela empresa SERRANA S.A. (atual BUNGE BRASIL S.A. – BB), no ano de 2001. Na época, a Serrana adquiriu pelo valor de mercado as ações da BUNGE FERTILIZANTES (BF) e da BUNGE ALIMENTOS (BAL) que estavam em poder de acionistas minoritários pagandoos com ações próprias. Foi operada a chamada “substituição de ações” que culminou no fechamento de capital da BF e da BAL. No final da operação, a BB (Serrana) tornouse uma empresa de capital aberto, controlando a BF e a BAL que deixaram de ter suas ações negociadas em bolsa. O ágio apurado pela BB referente especificamente ao fechamento de capital da BF (R$ 215.298.004,62) era baseado em expectativa de rentabilidade futura e ficou registrado na contabilidade da BB. Foi então que, em 29/05/2002, a BB, constituiu a subsidiária integral BUNGE I DE PARTICIPAÇÕES S.A. (BIPART), com capital subscrito e integralizado de R$ 10.000,00. Em 15/08/2002, a BB subscreveu e integralizou o capital da BIPART (em R$ 763.787.298,49) mediante a conferência de seu investimento na BF, nos valores de R$ BUNGE FOODS LIMITED ANDELY ÁGIO ANDELY BUNGE FOODS LIMITED ANDELY (ÁGIO) MANAH BUNGE FOODS LIMITED MANAH BF (ÁGIO) BUNGE FOODS LIMIETD ANDELY (ÁGIO) MANAH MANAH 26/03/00 12/04/00 31/08/00 31/08/00 TERCEIROS Fl. 8220DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.221 8 504.690.724,35 e R$ 259.096.574,14, respectivamente. Portanto, a BIPART passou a controlar diretamente a BF, detendo todos os seus ativos, inclusive o ágio acima referido. Além desse ágio, a integralização do capital da BIPART pela BB implicou na transferência de dois outros ágios então detidos pela BB, os quais eram referentes a aquisições, feitas junto a terceiros, das empresas IAP S.A e FERTISUL S.A. Tais ágios somavam R$ 71.358.098,09 e também possuíam como fundamento a expectativa de rentabilidade futura. Em 29/08/2002, a BF incorporou a BIPART, aumentando seu PL (reserva de capital) no valor do ágio (R$ 259.106.574,14), com aumento de capital para R$ 518.310.000,00. Esse fato deu ensejo à amortização dos ágios registrados. Toda a operação foi divulgada ao mercado por meio de “fatos relevantes”. Diante disso, a Fiscalização concluiu que a BIPART configurou uma empresa veículo, cuja finalidade era possibilitar que o ágio originalmente registrado na BB fosse deduzido pela BF, após a incorporação da empresa veículo BIPART. 3) ÁGIO CAJATI: R$ 170.844.432,64 Em 28/04/2003, Maria Cristina Cescon Avedissian e Marcos Rafael Flesch, advogados, constituíram a DIJON PARTICIPAÇÕES LTDA (DIJON), com capital de R$ 100,00, divididos em 100 quotas (ela com 99 e ele com 1). Em 24/10/2003, Maria Cristina cedeu suas 99 quotas para a COMPANHIA PAULISTA DE FERROS LIGAS (CPFL, empresa controlada pela Companhia Vale do Rio Doce VALE), que, por sua vez, subscreveu e integralizou o aumento de capital da DIJON com ações da FERTILIZANTES FOSFATADOS S.A. (FOSFÉRTIL). O capital da DIJON passou a ser de R$ 66.259.900,00. Ainda no mesmo dia 24/10/2003, a CPFL alienou 66.259.899 quotas representativas do capital da DIJON para a BF. A operação foi amplamente divulgada, inclusive, por meio de “fato relevante” publicado pela VALE. BB (ÁGIO BF) BB BF BF BIPART ÁGIO BIPART BB BIPART (ÁGIO BF e outros) BF BB BF (ÁGIO) BB BIPART BF BB (ÁGIO BF) BF BB adquire as ações dos minoritários da BF com ágio. 29/05/02 15/08/02 29/08/02 29/08/02 19/12/01 19/12/01 MERCADO Fl. 8221DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.222 9 Após a compra das ações pela BF, a denominação da DIJON foi alterada para CAJATI PARTICIPAÇÕES LTDA. (CAJATI). Nessa operação, a BF registrou o pagamento de ágio, referente ao investimento adquirido na CAJATI, com fundamento em expectativa de rentabilidade futura. A CAJATI tinha seu patrimônio composto por investimento em outra empresa do ramo de fertilizantes, a FOSFÉRTIL, cuja aquisição era de interesse da Recorrente. O ágio registrado pela CAJATI tinha como fundamento a expectativa de rentabilidade futura da FOSFÉRTIL. Em 30/04/2004, a BF incorporou a CAJATI. Como as ações da FOSFÉRTIL eram o único ativo permanente da CAJATI, a Fiscalização concluiu que a única função da CAJATI foi a de servir como empresa veículo, para possibilitar a dedução do ágio na BF. O principal indício que fundamentou as conclusões da autoridade fiscal foi o fato de a CPFL ter integralizado um aumento de capital na DIJON (CAJATI), no mesmo dia em que foi formalizado o contrato de compra e venda das quotas desta empresa, com a participação que detinha na FOSFÉRTIL. Outro indício foi a divulgação, pela VALE, de “fato relevante” no qual estava registrado que a VALE vendeu, por meio de sua subsidiária CPFL, as ações da FOSFÉRTIL para a BF por R$ 240 milhões. Além disso, a Fiscalização acrescenta que a CAJATI: (i) não tinha empregados, nem qualquer registro de remuneração, ordenados, salários ou encargos sociais; (ii) só traz resultados de equivalência patrimonial; (iii) não tinha qualquer atividade empresarial geradora de receitas; (iv) não trazia informação de ágio registrada em sua DIPJ. 4) ÁGIO BPART: R$ 389.373.463,92 BF DIJON ÁGIO CAJATI BF (ÁGIO) DIJON CAJATI BF (ÁGIO) CAJATI FOSFÉRTIL BF (ÁGIO) FOSFÉRTIL BF (ÁGIO) CAJATI FOSFÉRTIL 24/10/03 FOSFÉRTIL FOSFÉRTIL 24/10/03 24/10/03 30/04/04 30/04/04 TERCEIROS CPFL Fl. 8222DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.223 10 Em 14/05/2004, a BUNGE PARTICIPAÇÕES LTDA. (BPART) foi constituída pela BUNGE BIC HOLDINGS BV (99,99%) e pela BUNGE INVESTIMENTOS E CONSULTORIA LTDA. (BIC) (0,01%), com capital de R$ 10.000,00, para comprar as ações da BB. Por meio de OPA (Oferta Pública Ações), operação amplamente divulgada no mercado, em 27/09/2004, a BPART adquiriu a totalidade das ações ordinárias e preferenciais da BB que estavam em circulação no mercado, com pagamento de ágio no valor de R$ 389.373.463,92, baseado na expectativa de rentabilidade futura daquela empresa. Os recursos utilizados pela BPART para a aquisição do investimento eram provenientes de financiamentos de longo prazo, a saber contratos de prépagamento de exportação firmados junto a outra empresa do grupo, sua subsidiária integral no exterior, BUNGE TRADE LTD., no total de R$ 849.617.000,00 (US$ 280.000.000,00). Conforme atesta a Fiscalização no TVF, tais contratos foram devidamente registrados no Banco Central do Brasil e as exportações efetivas foram implementadas por outra empresa do grupo (a BAL). Em 31/10/2005, ocorreram as seguintes operações: 1) A BB incorporou a BPART, fato que deu ensejo à amortização do ágio; 2) A BB incorporou a BIC; 3) A BF incorporou a BB; 4) Cisão parcial da BF, com versão de patrimônio para a Bunge Alimentos Participações Ltda. (BALPART), seguida de incorporação desta pela BAL, através do que apenas o ágio pertinente à BF ficou nela, e o ágio relativo à BAL passou para esta. Diante disso, a fiscalização concluiu que a BPART foi constituída só para permitir o registro do ágio na compra das ações da BB que estavam em circulação para, na seqüência, ser incorporada pela BB, que seria incorporada pela BF, ocorrendo todas essas incorporações/cisão no mesmo dia. Assim, a única função da BPART foi a de servir como empresa veículo para o investimento e o ágio de modo a possibilitar a dedução desse ágio na BF. Acrescentese que, em julho de 2005, houve uma fusão entre a BUNGE BRASIL HOLDINGS BV e a BUNGE BIC HOLDINGS BV, tendo sido a segunda dissolvida. Todas as ações de ambas as companhias eram detidas pela BUNGE COOPERATIEF UA. Por fim, acerca dos contratos de prépagamento de exportação, também vale dizer que, conforme o TVF, o pagamento do principal se deu via exportação, e dos juros, via exportação ou câmbio. Até a data da incorporação da BPART pela BB, em 31/10/2005, foram liquidados US$ 93.000.000,00 de principal e US$ 37.024.166,67 de juros, sendo que todas as liquidações e pagamentos de juros ocorreram em outubro de 2005, no mesmo mês das incorporações. Após as incorporações/cisão de 31/10/2005, o montante do saldo a pagar (US$ 187.000.000,00) foi segregado entre a BF (US$ 80.400.000,00) e a BALPART (US$ 106.600.000,00), sendo que esta veio a ser incorporada, em 28/02/2006, pela BAL. A parcela do ágio incorporada pela BAL foi objeto de fiscalização pela DRJ/Blumenau – MPF 09.2.04.002010000292. Fl. 8223DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.224 11 5) ÁGIO BIC: R$ 400.439.243,50 A BIC, desde 29/12/2003, tinha como sócios BUNGE BIC HOLDINGS BV e BUNGE COOPERATIEF UA, ambas da Holanda. A BUNGE INVESTIMENTOS LTDA. (BI) foi constituída em 15/09/2004, com capital de R$ 10.000,00, tendo como sócias a BUNGE BIC HOLDINS BV, com 99,99% das quotas e a BIC, com 0,01%, sendo a primeira uma controlada integral da BUNGE COOPERATIEF UA, que, por sua vez, era controlada integral da BUNGE LIMITED, a controladora do grupo. A BUNGE COOPERATIEF UA detinha 100% das quotas da BUNGE BRASIL HOLDINGS BV e da BUNGE BIC HOLDINGS BV. A BUNGE BIC HOLDINGS BV controlava a BI e a BIC, que detinha 18,06% das ações da BB. Em 06/12/2004, a BI comprou de sua controladora BUNGE BIC HOLDINGS BV a BIC, dando como pagamento uma nota promissória – no valor de US$ 332.617.465,00 (R$ 904.253.840,35). BUNGE BIC HOLDINGS BV BUNGE COOPERATIEF ÁGIO BPART BF BB BPART BIC BUNGE LIMITED BUNGE COOPERATIEF BF BB BPART (ÁGIO) BIC BUNGE LIMITED BUNGE BRASIL HOLDINGS BUNGE COOPERATIEF BF BB (ÁGIO) BIC BUNGE LIMITED BUNGE BIC HOLDINGS BV BUNGE BRASIL HOLDINGS BUNGE COOPERATIEF BF (ÁGIO) BUNGE LIMITED BUNGE COOPERATIEF BF BB (ÁGIO) BPART BIC BUNGE LIMITED BUNGE BRASIL HOLDINGS 14/05/04 27/09/04 31/10/05 31/10/05 31/10/05 MERCADO Fl. 8224DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.225 12 Nessa operação, a BI registrou pagamento de ágio no valor de R$ 400.439.243,50, fundamentado na rentabilidade futura da BB – empresa na qual a BIC detinha 18,06% de participação acionária. Em 31/10/2005, ocorreram as seguinte operações: 1) A BIC incorporou a BI; 2) A BB incorporou a BIC; 3) A BF incorporou a BB. 4) Cisão parcial da BF, com versão de patrimônio para a BALPART, seguida de incorporação desta pela BAL, através do que apenas o ágio pertinente à BF ficou nela, e o ágio relativo à BAL passou para esta. Após isso, a BF, ora Recorrente, começou a deduzir, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, a amortização do ágio pago pela BI na compra das ações da BIC. Considerando isso, em dezembro de 2011, ao analisar as operações, a autoridade administrativa responsável pelo lançamento concluiu que a “única função da BI foi a de gerar artificialmente um ágio a partir de uma aquisição ficta ocorrida dentro do próprio grupo Bunge”, para após a incorporações reversas, ser amortizado nas empresas operativas do grupo. Por fim, acrescentese, como já dito, que, em julho de 2005, houve uma fusão entre a BUNGE BRASIL HOLDINGS BV e a BUNGE BIC HOLDINGS BV, tendo sido a segunda dissolvida. Todas as ações de ambas as companhias eram detidas pela BUNGE COOPERATIEF UA. Fl. 8225DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.226 13 BUNGE LIMITED BIC BUNGE BIC HOLDINGS BV BUNGE COOPERATIF BB BI ÁGIO BIC BUNGE LIMITED BI (ÁGIO) BUNGE BIC HOLDINGS BV BUNGE COOPERATIF BIC BB BUNGE LIMITED BI (ÁGIO) BUNGE BRASIL HOLDINGS BUNGE COOPERATIF BIC BB BUNGE LIMITED BIC (ÁGIO) BUNGE BRASIL HOLDINGS BUNGE COOPERATIF BF BF BF BB BF 15/09/04 06/12/04 31/10/05 31/10/05 BUNGE LIM ITED BIC (ÁG IO) BUNGE BRASIL HOLDINGS BUNGE COOPERATIF BB BF BUNGE LIM ITED BB (ÁGIO) BUNGE BRASIL HOLDINGS BUNGE COOPERATIF BF BUNGE LIM ITED BF (ÁGIO) BUNGE BRASIL HOLDINGS BUNGE COOPERATIF 31/10/05 31/10/05 31/10/05 Fl. 8226DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.227 14 BUNGE BIC HOLDINGS BV BUNGE COOPERATIEF BF (Ágio ANDELY, BPART e CAJATI) BB BPART BIC BUNGE LIMITED 14/05/04 BUNGE TRADE LTD BAL BUNGE BRASIL HOLDINGS BV BUNGE BIC HOLDINGS BV BUNGE COOPERATIEF BF (Ágio ANDELY, BPART e CAJATI) BB BPART BIC BUNGE LIMITED 15/09/04 Constitui BI BUNGE TRADE LTD BAL BUNGE BRASIL HOLDINGS BV BUNGE BIC HOLDINGS BV BUNGE COOPERATIEF BF (Ágio ANDELY, BPART e CAJATI) BB BPART (ÁGIO BPART) BIC BUNGE LIMITED 27/09/04 – Fechamento de capital BB BUNGE TRADE LTD BAL BUNGE BRASIL HOLDINGS BV BI BIMERCADO ORGANOGRAMA – Operações sucessivas BPART e BIC Fl. 8227DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.228 15 Em resumo, após descrever as operações praticadas, acima resumidas, a fiscalização glosou as amortizações fiscais, questionando, de um modo geral, os seguintes pontos, em sua maior parte comum a todas as operações: A incorporação reversa consta no art. 264 da Lei das S.A., mas pode ser realizada abusivamente ou como negócio indireto, em fraude à lei societária e tributária; Citando Marco Aurélio Greco, alega que a criação de uma pessoa jurídica tem que ter algum propósito negocial, não podendo ser efêmera. Sustenta ainda, que empresas veículo não tem a finalidade típica das empresas, tal como prevê o Código Civil; ainda citando o referido jurista, alega que o ágio somente deve ser proveniente de operações praticadas com terceiros; é inválida a transferência de ágios por meio de operações societárias praticadas dentro do grupo, implementadas por meio de “empresa veículo”; a utilização de empresa veículo revela a total falta de propósito negocial e inexistência de fundamento econômico das transformações societárias praticadas; Não houve causa econômica outra, além da economia fiscal, para a criação dessas empresas. Tanto é assim, que logo após cumprirem sua função foram extintas por incorporação. Não há, portanto, a presença de um dos elementos essenciais intrínsecos ao BUNGE BIC HOLDINGS BV BUNGE COOPERATIEF BF (Ágio ANDELY, BPART e CAJATI) BB BPART (ÁGIO BPART) BIC BUNGE LIMITED 06/12/04 – BI compra BIC BUNGE TRADE LTD BAL BUNGE BRASIL HOLDINGS BV BI (ÁGIO BIC) BUNGE BRASIL HOLDINGS BUNGE COOPERATIEF BF (Ágio ANDELY, BPART e CAJATI) BB BPART (ÁGIO BPART) BIC BUNGE LIMITED 31/10/05 ANTES BAL BI (ÁGIO BIC) Movimentos de 31/10/05: 1) BIC incorpora BI 2) BB incorpora BIC 3) BB incorpora BPART 4) BF incorpora BB Obs: Em 07/2005, a Bunge Brasil Holdings BV incorpora a Bunge BIC Holdings BV . Obs: As operações envolvendo a BAL, BALPART e Bunge Trade Ltd. depois de 31/10/05 não estão ilustradas. BUNGE COOPERATIEF BUNGE LIMITED BUNGE BRASIL HOLDINGS BF Ágio ANDELY Ágio BIPART Ágio CAJATI Ágio BPART Ágio BIC BF Ágio ANDELY Ágio BIPART Ágio CAJATI Ágio BPART Ágio BIC 31/10/05 DEPOIS BAL BUNGE TRADE LTD Fl. 8228DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.229 16 negócio jurídico: a vontade, o ânimo das partes de exercer uma determinada atividade econômica. As operações de reestruturação em tela se afastam de uma reorganização natural no momento em que foram constituídas empresas, totalmente subordinadas ao grupo, com administradores comuns, localizadas no mesmo endereço, com contador comum, sem empregados, todas tendo como única função real transferir ágio para possibilitar sua dedução. Portanto, foi utilizada via indireta (constituição de empresas veículo) com o único objetivo de contornar a restrição da legislação tributária para buscar o benefício fiscal. As provas mostram que a principal conduta foi a de impedir, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador, excluir ou modificar suas características essenciais, de modo a reduzir as bases de cálculos do IRPJ e da CSLL, tendo como consequência a falta de pagamento dos referidos tributos, em montantes proporcionais ao ágio amortizado, transferido para a BF através de empresas veículo criadas exclusivamente para esse fim, além da criação artificial de um ágio a partir de negociação ficta entre empresas totalmente subordinadas (ágio veiculado pela BI), nos moldes do art. 72 da Lei nº. 4.502/64 (fraude). Os agentes deixaram patente que a intenção foi a de impedir a ocorrência do fato gerador e a de excluir ou modificar suas características essenciais, tudo para tentar livrar a fiscalizada do IRPJ e da CSLL, como se infere, em suma, dos seguintes elementos: a) constituição e utilização de pessoas jurídicas como "empresas veículo" que não tiveram outra finalidade se não a de transportar o ágio para possibilitar a amortização após incorporações; b) o grupo criou um ágio de mais de R$ 400 milhões ao "adquirir" um investimento que já era seu (caso da BI); c) essas empresas nunca tiveram empregados e tiveram sede no mesmo endereço, na Av. Maria Coelho Aguiar, n.ºº 215, Bloco D, 5º andar, o mesmo da fiscalizada; d) as empresas foram extintas por incorporações, após terem cumprido sua função; e) todas as pessoas jurídicas envolvidas eram subordinadas ao Grupo Bunge, que controlou todo o processo; f) Roberto Correia Sampaio era contador da CAJATI, BIPART, BPART, ANDELY, BB e BF; g) todas as pessoas jurídicas possuíam representantes legais ou administradores que eram diretores de empresas do Grupo Bunge; h) as empresas domiciliadas no exterior foram todas representadas pela mesma procuradora, a sra. Hildegard Gutz Horta, que muitas vezes também constou como representante/diretora das empresas veículo; i) ela, além de procuradora de empresas do Grupo Bunge domiciliadas no exterior, tais como a Bunge Limited, Bunge Cooperatief UA, Bunge Brasil Holdings BV, Bunge BIC Holdings BV, Serrana Holdings Limited e Bunge Foods Limited, controladoras das Fl. 8229DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.230 17 sociedades do grupo no Brasil, foi diretora da BIC, da BI e também da BPART; foi secretária das AGE da BB e da BF realizadas em 31/10/2005, além de secretariar outras AGE/O de sociedades do grupo; j) Nas DIPJ AC 2007, AC 2008 e AC 2009, apesar de haver local próprio para registrar a amortização de ágio (Fichas 6A linhas 38, 43 e 47, respectivamente), a BF registrou essas amortizações, indevidamente, em outras despesas financeiras, em clara tentativa de dificultar a constatação dessas amortizações. Isso vale também para as amortizações da CAJATI, BIPART e ANDELY; k) a BPART contratou câmbio (tomada de recursos) em mais de US$ 280.000.000,00 (R$ 849.617.000,00) com todos os contratos de câmbio assinados por funcionários da BF; l) a BPART contratou câmbio (remessas para o exterior) para pagar juros de cerca de US$ 37.000.000,00 com todos os contratos assinados por funcionários da BF; m) registros no Siscomex e correspondências enviadas por instituição financeira referentes à operação BPART foram destinados à BF e endereçadas a funcionários dela; n) integralização das quotas da CAJATI com as ações da FOSFÉRTIL e venda das quotas no mesmo dia, restando claro que se tratou de compra de ações pela BF. Por tudo isso, concluiu a Fiscalização que a arquitetura do esquema que se desenhou, apesar de aparente legalidade com a formalização e com o registro de atos em órgãos apropriados deve ser vista como causa planejada para turvar a visão do Fisco, impedindoo de ter conhecimento da redução indevida das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a contribuinte apresentou impugnação (fls.7533/7616), sustentando, em síntese: (i) decadência; (ii) dedutibilidade das despesas com amortização com ágio, registrado em diversas empresas do Grupo Bunge; (iii) impossibilidade de aplicar multa qualificada; (iv) impossibilidade de aplicação concomitante de multa de ofício e multa isolada; e, (v) impossibilidade de incidência de juros sobre a multa. Para provar os fatos expostos pleiteia a realização de diligência. DA DECISÃO DA DRJ Em 22/06/2012, acordaram os membros da 4ª Turma de Julgamento da DRJ/SP1, indeferir as preliminares de diligência e de decadência; e, no mérito, negar provimento à impugnação, mantendo os lançamentos de IRPJ e CSLL (fls. 7977/8024), nos termos da ementa a seguir reproduzida: Fl. 8230DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.231 18 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2005, 2006, 2007, 2008, 2009 DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. O pedido de realização de diligência é indeferido, tanto por estar em desacordo com os requisitos legais, quanto por ser desnecessária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN. Em relação às operações que geraram os ágios, há que se dizer que a decadência não se dá em relação a atos societários, mas, sim, em relação ao direito de lançar o crédito tributário. Não tendo havido a declaração prévia do débito e nem o pagamento parcial ou recolhimento a menor de tributo sobre a matéria em discussão, há que se concluir que o respectivo pagamento antecipado não foi efetuado, situação em que se aplica o prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN, mesmo sem a eventual constatação de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte. Como a data do primeiro fato gerador afetado pela dedução do ágio foi 31/12/2005 (lucro real anual), o início do prazo decadencial deuse em 1º de janeiro de 2007, de forma que, em 12/12/2011, data do lançamento, não havia ainda transcorrido o prazo decadencial. Preliminar indeferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 GLOSAS. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS. Não são dedutíveis as amortizações de ágios apurados por meio operações societárias que revelam a prática de artifícios dolosos evidenciados pelo “planejamento tributário” efetuado por meio da utilização de pessoas jurídicas criadas para esse fim e que não se caracterizam como sociedades empresárias. MULTAS ISOLADAS. ESTIMATIVAS. Mantémse a multa aplicada, dada expressa previsão na legislação vigente. MULTAS DE OFÍCIO QUALIFICADAS. Justificam as multas de 150% a reincidência no procedimento e a prática de artifícios dolosos evidenciados pelo “planejamento tributário” efetuado por meio de pessoas jurídicas criadas para esse fim e que não se caracterizam como sociedades empresárias. JUROS SOBRE MULTAS. Não conheço do argumento a respeito de ilegalidade de futura aplicação de juros sobre a multa, pois tais juros não fazem parte do litígio, visto que não constam do Auto de Infração. AUTOS REFLEXOS. CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 8231DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.232 19 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a autuada apresentou recurso voluntário (fls. 8038/8135), repisando os argumentos de sua peça impugnatória e acrescentando novos, os quais são, essencialmente: 1) os fatos geradores de 2005 foram alcançados pela decadência (art. 150, § 4º, do CTN), sendo que não cabe a imputação de dolo ou fraude, pois, além de válidas, as operações foram feitas às claras, divulgadas ao mercado e com conhecimento do BACEN e da CVM; 2) além disso, uma vez que o prazo decadencial no presente caso deve ser contado a partir da operação societária que deu origem ao registro inicial do ágio, decaiu o direito do fisco questionar as operações que geraram os ágios, pois os fatos se deram há mais de cinco anos (mais de dez, em alguns casos). Lembrado que, a fiscalização não contesta a quantificação das deduções, mas, sim, a validade do ato, para fins fiscais; como as primeiras amortizações foram deduzidas há mais de cinco anos, a unicidade de efeitos desses atos não permite que as amortizações dos últimos cinco anos sejam invalidadas; 3) o regime jurídico aplicável (i) não admite a dedução das amortizações do ágio, nos termos dos arts. 20 e 25 do Decretolei nº. 1598, mas (ii) admite a dedução, nos casos dos arts. 7º e 8º da Lei nº. 9532, que configuram vantagem fiscal criada para favorecer o ágio nas privatizações; 4) a decomposição do custo em valor do PL e ágio ou deságio é obrigatória, assim como a amortização de deságios, sendo facultativa apenas a amortização de ágios; 5) o princípio da legalidade e a regra de que o intérprete não pode distinguir onde a lei não distingue são suficientes para afastar as objeções à dedução das amortizações quando se reúnem investidora e investida, por meio de fusão, incorporação ou cisão; 6) no presente caso, a fiscalização justificou a glosa no simples fato de que foram utilizadas empresas veículo nas operações em que os ágios foram apurados, o que não tem qualquer fundamento. 7) não basta identificar uma empresa de curta duração ou uma empresa veículo na reorganização societária para que se considere a amortização do ágio apurado como inválida. É preciso analisar o contexto geral da operação. 8) não cabe questionar a utilização de empresa veículo na hipótese em que o contribuinte pode atingir idêntico objetivo com a incorporação direta. Nessa linha, cita a jurisprudência do CARF nos casos Tele Norte (AC 1301000711), Editora Ática (AC 101 97027) e Santander (AC 1402 00802). 9) o voto condutor do acórdão recorrido invoca a “Lei de Gérson” e o princípio da solidariedade para questionar a amortização fiscal dos ágios em questão, o que demonstra a existência de préconcepções distorcidas sobre os enunciados dos artigos 7º e 8º da Lei 9532. O regime fiscal de amortização do ágio decorre diretamente da lei e as autoridades julgadoras não podem partir da préconcepção de que todos os contribuintes agem de forma Fl. 8232DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.233 20 ilícita. Os eventuais abusos devem ser combatidos caso a caso e não por meio de generalizações. Além disso, no direito constitucional brasileiro outros princípios como o da legalidade, da proteção à propriedade privada, da vedação ao confisco e segurança jurídica impedem que o intérprete confira voz ativa ao princípio da solidariedade. 10) a lógica que informa o art. 7º da Lei nº. 9532 parece ter sido ignorada pela DRJ/SPO. Ao adquirir o investimento, a investidora remunerou os vendedores por lucros futuros, devidamente projetados por meio de laudo de avaliação (v.g. fluxo de caixa descontado). Esses lucros futuros, se efetivamente auferidos, serão submetidos ao IRPJ e à CSLL. Porém, há de se reconhecer que, para a sociedade investidora, não há acréscimo patrimonial enquanto ela estiver apenas recuperando o custo de aquisição do investimento, o que inclui o valor pago a título de ágio. Por isso, como não há acréscimo patrimonial efetivo, a legislação tributária determina que essa parcela do custo de aquisição (ágio) seja amortizada em consonância com a perspectiva de rentabilidade futura. Com base nisso, é fácil constatar que o MEP é a justificativa que embasa a impossibilidade de amortização fiscal do ágio enquanto ainda não tiver sido realizada a operação de incorporação, fusão ou cisão entre as pessoas jurídicas envolvidas. É certo que o MEP consegue captar reflexos positivos do lucro da investida na investidora. Porém, considerando que esses reflexos positivos não são tributados pelo IRPJ e pela CSLL, não haveria porque permitir a dedução fiscal do ágio que originou as receitas de equivalência patrimonial. Por outro lado, com a incorporação, fusão ou cisão, os lucros provenientes das atividades empresariais desenvolvidas pela empresa sucedida ainda não representam um resultado positivo efetivo para a sucessora, tendo em vista que ela pagou um preço superior ao valor do patrimonial para que tivesse direito aos referidos lucros. Assim, dito de outro modo, os lucros futuros passarão a ser tributados na empresa sucessora e, caso não seja admitida a amortização dos dispêndios anteriormente efetuados a título de ágio (parte do custo de aquisição),contra as receitas que os fundamentaram (rentabilidade futura), procederseá à tributação de uma não renda. Por tudo isso, acertadamente a lei tributária determina que, a partir do momento em que há a reunião entre as pessoas jurídicas, o ágio poderá ser amortizado no lapso temporal de projeção dos resultados. Assim é que, a rigor, essa amortização não configura favor ou benefício fiscal, posto que a lei pressupõe que com a incorporação, fusão ou cisão, o empreendimento lucrativo passará a compor o resultado da sucessora. Nessa lógica, a empresa sucessora não tem qualquer ganho até que recupere o ágio que pagou e por isso, ainda que a amortização do ágio tenha surgido para fomentar o “Programa Nacional de Desestatização do Governo Federal”, não se pode negar que, sob os pontos de vista lógico e teleológico, o tratamento tributário conferido pelos artigos 7º e 8º da Lei 9532 está absolutamente condizente com o aspecto material da hipótese de incidência do imposto de renda, sendo incabível falar em benefício fiscal. Explica as operações, da seguinte forma: Fl. 8233DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.234 21 ANDELY O fato de que a ANDELY era empresa integrante do Grupo Bunge e que teve curta duração não tem o condão de invalidar a apuração do ágio verificado ou sua amortização. O ágio em questão decorre de operação efetiva e real de aquisição societária realizada entre partes independentes, integrantes de grupos econômicos distintos (Bunge e MANAH), tendo havido o efetivo pagamento do preço, fatos incontroversos e reconhecidos no TVF. A Bunge Foods efetivamente aumentou o capital da ANDELY em R$ 145.192.100,00 para possibilitar a aquisição de controle da empresa MANAH., o que afasta a alegação de uso indevido da empresa veículo, de ausência de propósito negocial e/ou substância econômica. O recebimento do aporte de capital para fins de pagamento do preço de aquisição já é um elemento que demonstra substância econômica para a sociedade investidora. No presente caso, a criação da ANDELY, com sua posterior incorporação reversa, acabava por evitar complicações operacionais. A MANAH como grande empresa do ramo de fertilizantes tinha contratos, inscrições, registros, entre outras formalidades inerentes ao seu funcionamento, de forma que o seu desaparecimento por incorporação (caso fosse ela a incorporada) acabaria trazendo inúmeros transtornos e trabalhos burocráticos, que poderiam ser evitadas com a incorporação reversa. Os mesmos transtornos ocorreriam caso a Bunge Foods não tivesse constituído a ANDELY, pois, nesta hipótese, seria ela a empresa que passaria por enormes transtornos burocráticos. Assim, uma forma conveniente e válida de evitar tais inconvenientes era implementar a operação por meio da constituição da ANDELY para adquirir o investimento, com sua posterior incorporação pela MANAH. Além disso, a amortização fiscal do ágio poderia ser obtida por outros caminhos, independente da utilização da empresa ANDELY. Em vez de constituir a ANDELY, a Bunge Foods poderia ter utilizado qualquer empresa operacional do Grupo Bunge para fazer a aquisição da MANAH. Na prática, esse expediente só não foi utilizado para evitar problemas com questões societárias, principalmente envolvendo acionistas minoritários, pois conforme consta dos “fatos relevantes” divulgados em 12/04/2000 pela Serrana S.A, a MANAH seria mantida na condição de companhia aberta (vide fl. 61 do TVF). Como já demonstrado, em situações como esta, a jurisprudência reconhece que a utilização de “empresa veículo” não invalida o aproveitamento do ágio. De outro giro, não procedem as alegações fiscais no sentido de que a utilização da incorporação reversa seria indício de abuso, pois a incorporação da controladora por controlada é ato jurídico regular, sendo que o art. 8º da Lei n.º 9532 dá o mesmo tratamento para os dois formatos de incorporação. A legalidade desse tipo de incorporação foi reconhecida pelo STJ (RESP 946707RS, de 25/8/2009, 2ª Turma) ao não conhecer recurso contra decisão do TRF da 4ª Região que a proclamara (apelação cível nº. 2004.71.10.0039659/RS, de 22/8/2006 2ª Turma). Mais importante foi a conclusão daquele caso, em que o tribunal julgou ter havido simulação porque a pessoa jurídica não tinha existência real, representada por equipamentos e outros Fl. 8234DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.235 22 meios de produção, tendo considerado que a verdadeira incorporadora era a que foi dada por incorporada, porque esta detinha todos os fatores de produção. No caso destes autos, a incorporadora MANAH era a empresa operacional, que detinha todos os requisitos materiais para incorporar a ANDELY, de modo que a incorporação praticada não merece censura, o mesmo valendo para as demais incorporações reversas. Portanto, uma vez que a aquisição foi negociada entre partes independentes e baseada em expectativa de rentabilidade, de modo que, após a reunião dos patrimônios, há direito à amortização fiscal do ágio, ainda que tenha ocorrido incorporação reversa ou que tenham sido utilizadas empresas de curta duração, pois tais expedientes não são vedados, exceto para fins ilícitos, o que não é o caso. Cumpridas as condições da Lei n.º 9532 é inquestionável o direito à amortização fiscal do ágio, de tal sorte que as demais operações não prejudicam esse direito. BIPART Os ágios da BIPART são decorrentes de: (i) operação de substituição de ações da BF pela BB, com o consequente fechamento de capital da BF, (ii) aquisições feitas junta a terceiros das empresas IAP S.A e FERTISUL S.A. Tais ágios estavam registrados na BB e foram transferidos à BIPART, a qual, posteriormente, foi incorporada pela BF, dando ensejo às amortizações glosadas. O fisco não questiona a origem dos ágios, os quais são decorrentes de aquisições realizadas junto a terceiros ou seu fundamento econômico. Assim, tal como nos demais casos, a glosa é decorrente unicamente da utilização da BIPART como “empresa veículo” na estrutura, o que não pode ser admitido. Os atos tiveram a finalidade principal de fechar o capital da BAL e da BF, concentrando na BB a condição de "holding" brasileira da qual acionistas dispersos passaram a participar. Essa estrutura visava simplificar a gestão das empresas operativas, concentrando numa "holding" as decisões que até então dependiam dos acionistas, facilitando não só a administração de cada unidade como alcançando ganhos de diversas espécies. As ações foram adquiridas a valor de mercado (donde o ágio), sob supervisão da CVM. A operação apresentou a vantagem de se poder participar de uma pessoa jurídica que concentrou as duas grandes empresas operativas. Assim, não se pode cogitar de "fabricação" de ágio, com a finalidade de obter vantagem fiscal. Havia, no grupo, duas companhias abertas, com mais de um terço do seu capital no mercado, tendo sido o objetivo primário fechar o capital das duas e concentrar a condição de companhia aberta numa única controladora integral. Fl. 8235DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.236 23 Para isso, foram consideradas razões de gestão e problemas com minoritários, cumprindo imposições legais, de modo que uma vantagem que antes era só da controladora (Bunge Ltd., através das suas controladas no exterior) passou a ser compartilhada pelos acionistas de ambas. Isto quanto à formação do ágio. Já a sua amortização decorreu da Lei n.º 9532, ou seja, a amortização passaria a ser dedutível a partir da incorporação da adquirente por aquela cujas ações foram adquiridas e a cujos lucros o ágio se referia, ou viceversa. A adquirente tinha diversos caminhos para efetuar a dedução fiscal, cabendo destacar que é nessa consequência que reside o escopo da lei e a própria razão de ser dos arts. 7º e 8º da Lei n.º 9532, que é permitir a dedução da amortização de ágio incorrido na aquisição de alguma participação societária, desde que se reúnam as duas pessoas jurídicas envolvidas, ou seja, a adquirente e aquela cuja participação societária foi adquirida. E para isso, a norma abre amplas vias (fusão, incorporação, cisão, da controlada pela controladora, desta por aquela). Assim, sob o ponto de vista fiscal, a dedução da amortização do ágio poderia ser conseguida por múltiplos caminhos, como por exemplo: 1 pura e simples incorporação das duas companhias adquiridas, pela adquirente; 2 – cisão total da adquirente, com incorporação de parcelas do seu patrimônio pelas duas adquiridas; 3 – fusão das três numa quarta; 4 – incorporação da adquirente e de uma das adquiridas pela outra, qualquer delas. A opção pela criação da BIPART e por sua imediata incorporação foi um meio de atender a objetivos não tributários, mormente: 1 – segregar o ágio relativo à BF, separadamente do ágio pertinente à BAL; 2 emparelhar a amortização do ágio com a respectiva geração de lucros, que corresponde à "mens legis", atendendo, portanto, não só à letra, mas também ao espírito da lei; 3 – não desfazer os efeitos benéficos obtidos com a centralização do controle direto das duas companhias operativas em uma "holding" no Brasil, permitindo que os acionistas das duas continuassem a participar dos resultados de ambas, e não mais apenas do seu investimento original, sem desfazer as vantagens de gestão das empresas operativas, pois se a BB tivesse incorporado as duas empresas operativas, ou se tivesse sido cindida para verter parcelas patrimoniais para estas, haveria o indesejável retorno à situação anterior, em que cada empresa ficaria sob o controle indireto da Bunge Ltd., e teria acionistas minoritários dispersos, situação em que o objetivo extra fiscal, isto é, o propósito negocial da operação não seria atingido. Portanto, o caminho que mais se justificava para exercer o direito de deduzir fiscalmente as amortizações do ágio, com o resguardo dos objetivos empresariais dos atos Fl. 8236DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.237 24 praticados, e com a manutenção da condição de companhia aberta numa única pessoa jurídica, foi o que efetivamente se realizou. Ademais, é necessário não confundir a BIPART com o conceito de empresa veículo, que se refere ao artifício de colocar uma empresa no lugar de outra para obter a aplicação de uma determinada vantagem fiscal à qual esta outra não faz jus. Neste caso, isso não ocorreu, sendo utilizada a BIPART pelas razões descritas, sendo o efeito fiscal obtido o mesmo a que a BF teria direito se adotasse outras estruturações. Notese que a BB registrou o ágio relativo à BF no respectivo ativo diferido, por meio da BIPART, sendo o respectivo efeito fiscal o mesmo que haveria se tivesse incorporado a BF, ou se tivesse sido cindida e seu acervo incorporado na BF. Repitase: a incorporação da BF pela BB, ou viceversa, contrariaria o objetivo empresarial (mas não fiscal) da reorganização, pois se retornaria à posição em que se pretendia terminar, ou seja, de participação direta dos acionistas do mercado no capital da BF. Houve, pois, um propósito negocial ao lado do resultado fiscal derivado da reorganização efetuada. A BIPART viabilizou a consecução desse objetivo e representou uma sociedade de propósito específico, para o qual não eram necessários empregados, nem a realização de outros negócios desconectados com a sua razão de existir, nem sendo necessária longa existência. Quanto à acusação de que a incorporação reversa teria sido utilizada como instrumento de abuso, apenas para obter vantagem fiscal, já foi comentado que tal alegação não merece prosperar, eis que em situações como a dos autos, em que a incorporadora tem estrutura negocial para implementar a operação, a jurisprudência reconhece a validade da operação. CAJATI Esse ágio decorre de operação real e efetiva de aquisição de participação societária, realizada entre partes independentes, integrantes de grupos econômicos distintos (Bunge e VALE), com efetivo pagamento de preço. Não houve qualquer questionamento quanto a respeito do valor do ágio e tampouco sobre seu fundamento econômico. Com efeito, estão presentes todas as condições que dão ensejo à amortização fiscal do ágio, na forma da Lei n.º 9532, ainda que tenha sido utilizada empresa de curta duração. O único questionamento da fiscalização diz respeito ao papel da Cajati na operação. No entanto, não há vedação à utilização de empresa de curta duração, salvo quando, por meio deles, se pretende um fim ilícito, o que não é o caso. Vale registrar que a DIJON, cuja denominação social foi posteriormente alterada para CAJATI, foi constituída pela CPFL, que integralizou sua participação no capital social com as ações da FOSFÉRTIL. Portanto, a “empresa veículo” foi constituída por terceiros. Fl. 8237DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.238 25 Em seguida, a CPFL vendeu sua participação societária na CAJATI para a Recorrente por preço superior ao valor patrimonial, com o consequente registro do ágio baseado na expectativa de rentabilidade futura; e, posteriormente, a CAJATI foi incorporada pela Recorrente, o que deu início a amortização fiscal do ágio. Portanto, como se vê, a Recorrente poderia claramente ter adquirido as ações da FOSFÉRTIL para então incorporala. Ou seja, sob o ponto de vista estritamente fiscal, a dedução da amortização do ágio poderia ser conseguida por outros caminhos, independente da utilização de empresa veículo. Logo, a CAJATI é irrelevante para a amortização do ágio. Por trás dessas operações tidas como inválidas e abusivas pelo fisco, há efetiva operação de aquisição de participação societária entre partes independentes, e na qual o ágio foi baseado em expectativa de rentabilidade futura. A reorganização teve propósito negocial a par do resultado fiscal. A CAJATI foi sociedade de propósito específico, para o qual não eram necessários empregados, nem a realização de outros negócios desconectados com a sua razão de existir, nem longa existência. Destarte, não merece acolhida a afirmação da DRJ/SPO no sentido de que teria havido uma operação de “casa e descasa”. Nesse tipo de operação uma das partes entra com quotas ou ações da empresa que será vendida e a outra parte entra com o dinheiro, mediante o aporte de recursos financeiros, via aumento de capital. Passo seguinte, as partes de “divorciam” mediante operação de cisão, sendo que cada qual leva consigo o ativo da outra parte (i.e. a empresa fica com o dinheiro e a outra com a participação societária). Com efeito, no presente caso, o pagamento de R$ 240.000.000,00 foi feito diretamente para a CPFL, como consta na página 57 do TVF, e não integralizado na Cajati. BPART Também aqui houve efetiva aquisição de participação societária, para fechar o capital da BB, operação com finalidade empresarial inquestionável. Não há qualquer controvérsia quanto ao valor do ágio e seu fundamento. Destaquese que: 1 – a opção pela constituição da BPART decorreu de decisão gerencial, que não alterou o regime de amortização dos ágios, que poderiam ter sido apurados por outras empresas do grupo, como a BF e a BAL, por exemplo; 2 ao final das incorporações, o resultado fiscal seria o mesmo, pois houve a reunião das empresas na BB e depois ocorreu apenas a segregação das atividades entre BF e BAL. Tratouse de sociedade de propósito específico, para o qual não eram necessários empregados, nem a realização de outros negócios desconectados com a sua razão de existir, nem que tivesse longa existência. Por trás dessa sociedade de propósito específico está uma operação de fechamento de capital amplamente divulgada, não tendo havido burla de qualquer norma. Fl. 8238DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.239 26 Por fim, notese que as conclusões acima não se alteram pelo fato de os recursos financeiros provenientes da compra das ações da BB terem sido obtidos por meio de contratos de prépagamentos de exportações, contraídos com empresa do grupo no exterior. Ao contrário, o fato revela a efetiva aquisição e pagamento do preço das ações da BB junto aos minoritários. Além disso, tais contratos tornam inquestionável a existência de efetivo pagamento do preço, o que serve para lastrear com mais força o ágio apurado. A contratação de prépagamentos de exportação por uma empresa de um grupo (BPART) e a realização das exportações por outra, do mesmo grupo (BAL) não significa qualquer ilegalidade, sendo prática regular e amplamente difundida no mercado o "repasse" de obrigações vinculadas a prépagamentos de exportação. O fato é normal e depois as empresas envolvidas efetuam os acertos financeiros. É o que se chama de "contratos de performance". Ocorre no mercado em geral, mas é muito comum entre empresas de um mesmo grupo. Tanto que o Siscomex e o BACEN admitem o cadastro conjunto de empresas do mesmo grupo para tais fins. Foi o que ocorreu neste caso. A BAL assumiu a obrigação da BPART de exportar, e depois ocorreram os acertos financeiros necessários entre elas. Mas, ainda que houvesse alguma irregularidade nesses acertos efetuados dentro do grupo, isso não invalidaria a OPA da BB, pois os respectivos recursos destinaramse aos minoritários, confirmando a operação que gerou o ágio. Até porque, em última análise, uma vez confirmada a compra das ações junto aos minoritários e a apuração do respectivo ágio, a origem dos recursos financeiros utilizados é questão de ordem privada, que não altera o direito à amortização do ágio. BIC Esta operação foi implementada no mesmo contexto de fechamento do capital da BB. Também não há questionamento do ágio ou de seu fundamento econômico. No presente caso, o fisco faz algumas considerações a respeito de uma nota promissória, a qual teria sido emitida no momento da concretização da operação de venda realizada. Mas o próprio fisco reconheceu que houve a sua quitação, listando as operações que deram ensejo a tal baixa. Portanto, está provada a quitação da promissória emitida, confirmando a efetividade da operação. O fato de aquisição ter sido feita com recursos provenientes de nota promissória não afeta a transação. O art. 7º da Lei 6404 prevê que “o capital social poderá ser formado por contribuições em dinheiro ou qualquer espécie de bens suscetíveis de avaliação em dinheiro”. Ademais, a nota promissória é título de crédito reconhecido pelo direito, plenamente endossável para terceiros pela sociedade, o que demonstra que esse título é plenamente negociável e executável, sendo instrumento regular para a quitação de obrigações. Fl. 8239DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.240 27 Em adição às razões já expostas, notese que a legislação não veda a apuração de ágio dentro do grupo. Inexistindo norma que impeça a apuração de ágio em aquisição efetuada dentro do grupo, não pode a fiscalização pretender vedar a prática, glosando suas amortizações, pois toda obrigação tributária é regida pelo princípio da legalidade. A operação realizouse com valores próximos aos de mercado, tendo a venda sido informada ao BACEN, que concedeulhe registro, conforme documentação (cópias anexas à impugnação docs. 09 a 15). A legislação tributária não exige que a aquisição seja feita junto a terceiros. Do ponto de vista tributário, (i) o investidor sempre deverá desdobrar o custo de aquisição, registrando o respectivo ágio, mesmo em se tratando de partes relacionadas; e (ii) não há qualquer restrição ao lançamento do ágio interno e sua contabilização, o que importa é investigar, casoacaso, se a operação é simulada. Em suma, não havendo norma impedindo a aquisição intragrupo, e tendo sido ela validada pelo Bacen, o fisco não pode questionar a operação, o ágio e suas amortizações. Quanto a esse último aspecto, a validade da apuração e da amortização do ágio em questão foi afirmada por juristas como José Luiz Bulhões Pedreira e Alberto Xavier, em pareceres específicos sobre o tema (fl. 7905/7937). INCORPORAÇÃO REVERSA. É operação legal, reconhecida como válida pela jurisprudência em casos como este, nos quais a controlada que incorpora a controladora, é empresa dotada de substância econômica. EMPRESA VEÍCULO. Essa terminologia não é adequada ao caso, vez que as operações foram dotadas de propósito negocial e não visaram praticar ato ilícito ou burlar alguma vedação legal. Nesse contexto, a utilização das empresas ANDELY, BPART, CAJATI, BIPART, e BI apenas viabilizou a consecução de objetivos negociais válidos, por meio de sociedades de propósito específico, para o qual não eram necessários empregados, nem a realização de outros negócios desconectados com a sua razão de existir, nem sua longa existência. A tese da fiscalização de que essas empresas não se prestariam para a transferência dos ágios, já foi ignorada pela jurisprudência. PROPÓSITO NEGOCIAL. As aquisições de empresas junto a terceiros foram realizadas com o intuito de expandir os negócios do grupo no mercado nacional. Já, em virtude da estratégia do grupo de fechar o capital de empresas, foram efetuadas aquisições de ações de minoritários. Assim, restou demonstrado que as operações foram todas realizadas com objetivos negociais específicos, no contexto da estratégia do grupo no Brasil. Fl. 8240DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.241 28 O GRUPO BUNGE NO CONTROLE DE TODAS AS OPERAÇÕES. Se vista sob a ótica das empresas que o fisco reputa como "veículos", isso teria algum sentido, eis que tais sociedades eram ou passaram a ser integrantes do grupo. Contudo, analisando os fatos de forma ampla, a alegação carece de pertinência, pois a maior parte dos ágios advém de compras de participações societárias efetuadas junto a terceiros, para expandir negócios (MANAH, FOSFÉRTIL, IAP e FERTISUL), ou para fechar o capital da BF, num primeiro momento, e da BB, depois. ABUSO DE DIREITO OU FRAUDE À LEI. Não cabe alegar abuso de direito ou fraude à lei, pois são situações que precisariam ter sido mais detalhadas, pois não há especificação ou comprovação do tipo de abuso. A lei define abuso no exercício de direito se há manifesto excesso ao fim social ou econômico, ou aos bons costumes ou à boafé (art. 187 do Código Civil). Por outro lado, não há abuso se há o regular exercício de um direito (art. 186). No caso, os atos jurídicos foram regulares, sem excesso, dentro das suas finalidades jurídicas, inexistindo manifesto excesso aos bons costumes e à boafé. Não se pode cogitar de fraude à lei, que se caracteriza pelo cumprimento da literalidade de uma norma, descumprindo o seu espírito (isto é, o seu real conteúdo), pois só há fraude à lei em situações nas quais o direito não permite realizar um ato ou negócio, caso em que se tem que driblálo por meio de um artifício. Já foi demonstrado que ocorreu o contrário, neste caso, pois as operações foram realizadas em contexto de operações normais. Foi comprovado que não só a letra, mas o espírito das regras que regulam a formação e a amortização fiscal de ágios foram cumpridos, o que afasta a hipótese de fraude à lei. A QUESTÃO DA SIMULAÇÃO A fiscalização não chega a dizer que houve tal vício. Contudo, é importante ressaltar que não há simulação, pois, nas operações questionadas pela fiscalização: (i) as pessoas envolvidas fizeram o que queriam fazer; (ii) as pessoas envolvidas não fizeram nada proibido; (iii) as pessoas envolvidas submeteramse à disciplina jurídica dos atos que praticaram; (iv) as pessoas jurídicas não se comportaram de modo inadequado com a função jurídica dos atos que praticaram; (v) os efeitos dos atos praticados foram mantidos sem alteração e sem desfazimento; (vi) não existe qualquer indício de simulação que poderia ser aplicável à situação em que esses atos foram praticados; pelo contrário, existem indícios de que não houve simulação, atestando a veracidade do que foi praticado. OPONIBILIDADE DE ATOS LÍCITOS AO FISCO. Não cabe dizer que, pelas suas circunstâncias, os efeitos da reorganização societária não são oponíveis ao fisco, pois as relações jurídicas tributárias são submetidas ao princípio da legalidade. Fl. 8241DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.242 29 Tanto quanto os contribuintes sujeitamse “ex lege” às obrigações tributárias, o fisco e as relações jurídico tributárias não pairam acima da lei, de modo que um ato lícito e eficaz no plano do direito privado é eficaz para produzir efeitos fiscais. Qualquer alegação de inoponibilidade ao fisco, de atos lícitos, só poderia ter alguma validade, ao menos teórica, se houvesse no Brasil uma norma geral antielisão em vigor (além de dever ser válida constitucionalmente), o que não ocorre. ERRO DE PREENCHIMENTO DE DIPJ. As DIPJ dos AC 2007 a 2009 mostram as amortizações de ágio em linhas referentes a "outras despesas financeiras" e não nas linhas específicas, de ágios. Esse entendimento se deve ao fato de que, conforme as instruções de preenchimento da DIPJ, as linhas específicas para a amortização de ágio contêm observação de que tais valores deveriam ser adicionados ao lucro líquido. Por essa razão concluiuse que nessas linhas deveriam constar apenas as amortizações de ágios não dedutíveis (antes das operações que justificam a aplicação do regime previsto na Lei n.º 9532/97). Como esse não era o caso dos ágios em tela, que eram dedutíveis nos termos da legislação, seus valores foram lançados em "outras despesas financeiras". Não se trata de esconder os ágios do fisco, mas de interpretação das orientações dos manuais da DIPJ, que pode ter resultado em equívoco no preenchimento da DIPJ, mas nunca justificaria a acusação de fraude, principalmente em vista dos demais fatos. Se tivesse intenção de burlar o fisco, não divulgaria fatos, tentaria encobrir a operação e jamais registraria em "Fato Relevante" a existência de vantagem fiscal de amortização de ágios. Portanto, o preenchimento das DIPJ de 2007 a 2009 como descrito, por si só, não justifica a multa de 150%, de modo que se os atos forem ineficazes para produzir o resultado de economia fiscal pretendido, o que se admite para argumentar, cabe a pena de 75%, pois o agravamento da pena importaria equiparar uma infração fiscal amplamente conhecida do mercado, facilmente detectável pela fiscalização, às infrações mais graves, em que seu responsável surrupia dados necessários ao conhecimento da fraude. MULTA QUALIFICADA. O art. 72 da Lei n.º 4502 traz hipótese em que o contribuinte dolosamente modifica as características essenciais do fato gerador, o que pressupõe a ocorrência do fato gerador seguida de modificações naquelas características, introduzidas pelo contribuinte para se safar da obrigação já existente, o que não ocorreu, quer por não ter havido dolo, quer porque não introduziu qualquer modificação em qualquer fato, gerador ou não de obrigação tributária. Ao contrário, os atos praticados estão conservados em suas formas documental e escritural reveladoras de suas efetivas substâncias jurídicas, tais como ocorreram. Fl. 8242DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.243 30 Assim, inexiste, no caso, o intuito doloso, que é prérequisito para a multa de 150%, pois: 1) o art. 44 da Lei n.º 9430 reserva essa penalidade apenas aos casos de ilegalidades cometidas com intuito fraudulento, remetendo aos art. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4502, ou seja, essa multa só cabe se houver intuito fraudulento, evidenciado pela subsunção do fato a um dos tipos infracionais descritos nesses dispositivos; 2) os arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4502 referemse exclusivamente a situações em que o dolo esteja presente, pois os dois primeiros referemse à "ação ou omissão dolosa" e o terceiro a "ajuste doloso"; portanto, a caracterização do componente doloso é fundamental para aplicar essa multa, o que não ocorreu, no caso; 3) dolo é um estado de espírito que se manifesta por atos ou omissões externas; em outras palavras, o dolo existe como ato de vontade, representado pela vontade de infringir a lei e pela vontade de fazelo fraudulentamente, de modo que não existe dolo não intencional; 4) afasta a caracterização do dolo se as pessoas atuam sem malícia, sem ocultação de elemento relevante e sem indução de terceiros a erro, sendo certo que, neste caso, nada foi escondido ao fisco, que não foi induzido a erro e não teve obstáculo ao pleno conhecimento dos fatos, tudo tendo sido declarado tal como ocorreu. Várias operações envolveram empresas de capital aberto, razão pela qual foram divulgados "Fatos Relevantes" (aquisições da MANAH, da FOSFÉRTIL, e fechamento do capital da BF e depois da BB), citando detalhes das operações, suas razões e até a vantagem fiscal das amortizações de ágio, em alguns. A apuração e a amortização de ágios constaram em notas explicativas dos balanços, como por exemplo, no caso dos balanços de 2003/2004, em cujas notas constam informações sobre o ágio da CAJATI. Nas notas do balanço de 2004/2005, houve divulgação da reestruturação de outubro de 2005, ocorrida após o fechamento do capital da BB. A alteração da prática contábil referente aos ágios registrados consta em notas do balanço de 2005/2006 e em nota do balanço 2006/2007. A CVM e o BACEN concederam registro e validaram as operações. No campo da elisão e da evasão fiscal, a doutrina e a jurisprudência têm levado em conta, para afastar a multa mais onerosa, a ausência de norma legal prescritora dos limites no exercício do direito à planificação fiscal (após dez anos da promulgação do parágrafo único do art. 116 do CTN), assim como têm considerado as mudanças no entendimento jurisprudencial e as controvérsias entre juristas especializados. O planejamento tributário é um direito de quem ainda não adentrou na situação configuradora de alguma obrigação tributária, mas não há norma que regule o eventual abuso no exercício desse direito, que seria uma norma geral antielisão ou antiabuso, o que autoriza o seu exercício. Assim, há que distinguir entre situações em que o direito aplicável esteja incontroverso, das situações em que haja disputas doutrinárias, em que jurisprudência não esteja firmada ou em que a jurisprudência foi alterada. Fl. 8243DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.244 31 Diz o art. 136 do CTN, que "salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato". O art. 112 do CTN impõe interpretação mais favorável para a aplicação de penalidades quando houver dúvida quanto à capitulação legal do fato, à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos, à autoria, imputabilidade ou punibilidade, à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Portanto, nos planejamentos tributários imperfeitos por qualquer motivo, se o art. 112 não chega a conduzir ao total cancelamento de lançamentos, certamente impede a aplicação da multa mais alta, em sintonia com o art. 136. Assim, a equiparação deste aos casos dolosos importaria aplicar a mesma sanção a distintas transgressões, quebrando a necessária proporcionalidade da pena. O art. 44 da Lei n.º 9430 reportase aos art. 71 a 73 da Lei n.º 4502, que estão inseridas no contexto dos arts. 67 e 68, que, por suas vezes, requerem que o julgador distinga as situações, partindo da menor graduação da penalidade. As circunstâncias agravantes ou qualificativas necessitam de prova e não são de livre eleição do julgador, já que as agravantes estão no parágrafo 1º e as qualificativas no parágrafo 2º (ambos do art. 68), sendo que as últimas são exatamente as dos arts. 71 a 73, de modo que a distinção entre situações não dolosas e dolosas vem na própria estrutura da disciplina legal das multas e da sua graduação. A jurisprudência administrativa afasta a multa qualificada se o litígio é referente a questões de direito e à sua aplicação, como neste caso, em que se quer saber qual o tratamento que a lei preconiza às situações em tela, estando tudo devidamente comprovado e escriturado. Note se: a fiscalização conheceu os fatos por meio das contabilidades das pessoas jurídicas envolvidas, o que exclui a intenção dolosa. Em matéria de direito penal e de direito penal tributário, cabe aplicar, para graduar a penalidade, o conceito de erro de proibição, que se dá quando o autor do ilícito supõe estar agindo dentro da lei. Portanto, a multa qualificada pressupõe inequívoca ciência da ilicitude pelo agente e intuito de fraudar a lei através de ato que sabe ser ilícito, o que está muito distante das situações em que haja mero erro de conduta, por erro de direito, ou em que a invalidade do planejamento praticado derive de outras falhas não dolosas. No caso, a autuada acreditou e continua a acreditar que suas ações foram legítimas, chegando a tal crença após orientação de dois renomados tributaristas e após submeter as operações a auditoria independente de reputação indiscutível, que validou seus balanços. Isto é, não pretendia fraudar a lei e não agiu com dolo, de modo que não merece a punição extrema que a lei reserva para os casos em que existam circunstâncias agravantes ou qualificativas. Fl. 8244DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.245 32 Enfim, a inaplicabilidade de multa agravada a planejamentos tributários equivocados, mas não dolosos, não é só um critério de justiça, mas decorrência das normas. MULTA ISOLADA DE 50%. O direito penal não aceita a possibilidade de duas penas para um mesmo fato, conforme argumentos de praxe, além de que a imposição fere o preceito básico de que a infração mais grave absorve a secundária. Além disso, do ponto de vista tributário, não cabe falar em multa sobre estimativas não recolhidas se não havia tributo a pagar no encerramento do período. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Não cabe cobrar juros de mora sobre a multa de ofício, pois a lei prescreve juros de mora sobre multas isoladas, nos moldes do art. 61, "caput" e parágrafo 3º, da Lei nº. 9430/96, tratando os parágrafos 1º e 2º do cálculo das multas sem sua incidência. Como multas não possuem natureza jurídica de tributo ou contribuição, não cabe aplicar tal artigo, que previu a incidência desses juros só sobre o principal. Além disso, o parágrafo único do art. 43 da Lei nº. 9430/96 determinou a incidência desses juros sobre a multa isolada. CONTRARRAZÕES DA FAZENDA NACIONAL A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 8149/8212) sustentando, primeiramente, a inexistência de decadência, já que o direito de a Fazenda fiscalizar os procedimentos relativos à criação de um ágio a ser amortizado não se submete ao prazo decadencial tributário. Isso porque, conforme entende, o pagamento de um ágio na aquisição de uma participação societária não é fato gerador de nenhum tributo federal. E o prazo decadencial só deve ser aplicado à atividade tributante do Estado, quando ocorrido o fato gerador. Portanto, em resumo, não havendo fato gerador, não haverá prazo decadencial a ser contado. Cita o entendimento jurisprudencial acerca da possibilidade de a Administração Tributária revisar os prejuízos fiscais utilizados pelos contribuintes para reduzir sua tributação futura para sustentar que o prazo decadencial para o lançamento deve ser contado a partir do tributo apurado pelo sujeito passivo, não do registro da rubrica que será utilizada no futuro como benefício fiscal. Ademais, afirma que o ágio configura benefício fiscal a favor do contribuinte. Assim, registros escriturais sem substrato econômico não podem ensejar o nascimento do ágio, conforme corroboram o Ofício Circular CVM/SNC/SEP nº 01/2007 e o item 50 da Orientação Técnica OCPC 02/2008 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Ao final, sustenta, a (i) manutenção da multa qualificada; (ii) a possibilidade de ser aplicada de forma concomitante a multa de ofício e a multa isolada; e, (iii) a possibilidade de incidência de juros sobre a multa. Fl. 8245DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.246 33 Especificamente sobre cada operação, sustenta: ANDELY O verdadeiro objetivo da contribuinte foi o de tornar a despesa com a amortização do ágio em uma despesa dedutível, o que não ocorreria se a contribuinte tivesse adquirido diretamente a participação na MANAH. O ágio formado na operação de compra e venda da participação societária também poderia surgir no caso de uma aquisição direta da MANAH, entretanto, se a operação fosse direta, a despesa correspondente ao ágio não seria considerada dedutível no momento da sua amortização contábil, já que não existe nenhuma norma legal que autorize a dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL nessa situação. Portanto, fica evidente que a criação da ANDELY serviu apenas como instrumento para possibilitar a dedutibilidade da despesa referente ao ágio amortizado. A alienação da participação societária para ANDELY ocorreu logo após (3 meses) a abertura desta empresa e pouco mais de quatro meses após a aquisição da participação societária da MANAH a ANDELY foi incorporada. A ANDELY não desempenhou, durante o período em que existiu, nenhuma atividade empresarial – no sentido de promover a circulação de bens e serviços, nos termos do art. 966 do Código Civil. O seu capital social era de R$ 100,00 e permaneceu nesse montante até a data da aquisição da MANAH. Com isso, verificase a ausência de atividade empresarial e de lastro econômico da ANDELY para participar de qualquer negócio de aquisição de participação societária. A contribuinte não respondeu qual o propósito negocial na criação de uma empresa que não desempenha atividade empresarial, qual o propósito de uma empresa negociar a aquisição de participação societária em outra empresa, quando não tem condições financeiras de honrar o compromisso ou por qual motivo o grupo empresarial preferiu aportar capital, no montante de R$ 145.192.000,00, em uma empresa que seria extinta logo depois. BIPART A BIPART não foi incluída em nenhum negócio relativo a aquisição de investimento, ela apenas recebeu ativos que já pertenciam ao Grupo Bunge e que continham o registro de um ágio. Implica dizer que a BB não adquiriu a participação na BIPART com o pagamento de um ágio, ela apenas transferiu um ágio que já estava registrado em sua contabilidade. Nesse contexto, forçoso admitir que esta operação não configurou uma aquisição de investimentos com pagamento de ágio e entre partes independentes. Entender que o ágio pago em uma operação pode ser livremente transferido entre empresas do mesmo grupo, para ser deduzido onde o grupo econômico julgar mais vantajoso, significa deturpar e distorcer a finalidade da norma. Além da ausência de aquisição de investimento, a indedutibilidade do ágio deve ser reconhecida em virtude da falta de propósito negocial na constituição e utilização da BIPART, pois, o que se verificou, foi que os ativos do Grupo Bunge apenas circularam internamente, entre empresas que integravam o grupo empresarial. Fl. 8246DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.247 34 Portanto, a criação da BIPART serviu apenas como instrumento para possibilitar a dedutibilidade da despesa referente ao ágio amortizado, sem qualquer propósito negocial. CAJATI O laudo de avaliação que atestaria a rentabilidade futura da CAJATI foi elaborado em 29/01/2004, posteriormente à data da operação; ou seja, não há laudo prévio que ateste o fundamento econômico do ágio pago com base na rentabilidade futura da CAJATI. Assim, se efetivamente foi pago ágio na permuta, o seu fundamento encontrase em quaisquer outras razões econômicas, mas não na rentabilidade futura da CAJATI. Repisa as mesmas ponderações feitas na operação envolvendo a ANDELY para concluir que a criação da CAJATI serviu apenas como instrumento para possibilitar a dedutibilidade da despesa referente ao ágio amortizado, sem qualquer propósito negocial. BPART Repisa as mesmas ponderações feitas na operação envolvendo a ANDELY para concluir que não havia propósito negocial na constituição e utilização da BPART. BIC Tratase de típica operação de “ágio interno”. Não houve nenhuma aquisição das ações, pois as empresas que participaram da operação já pertenciam ao Grupo Bunge, não se tratando de um negócio realizado entre partes independentes em ambiente de livre mercado. Além disso, inexiste propósito negocial e substrato econômico na operação. A justificativa para a operação era uma pretensão do Grupo Bunge de fechamento de capital da BB. Contudo, esse fato não pode ser aceito como explicação para o pagamento de um ágio. Diante das justificativas apresentadas pela recorrente, indagase: a razão negocial apresentada implica alguma causa econômica que possa dar origem a um ágio? É adequada a cobrança de um ágio na “aquisição” de ações de empresa pertencente ao mesmo grupo empresarial? Vislumbrase possível que a razão econômica do ágio, por rentabilidade futura, em operações intragrupo visando o fechamento de capital de uma empresa? O ágio deve implicar a expectativa de retorno econômico. Insistir em sentido contrário implica o surgimento de um ágio meramente artificial, irreal. As razões eleitas pelo Grupo Bunge, para a alienação das participações que detinha na BIC, não apresentam qualquer propósito negocial típico dessa rubrica econômico contábil. Dessa forma, de acordo com as informações prestadas pela própria contribuinte, não existem fundamentos hábeis a justificar o surgimento do ágio registrado na BI. O ágio registrado na BI nunca teve como propósito negocial a rentabilidade futura da BB. Não houve aquisição de investimento e circulação de riquezas novas. O ágio importa a previsão de ganho futuro pelo adquirente, não um acerto contábil entre partes ligadas visando gozar de um benefício fiscal que não é devido. Fl. 8247DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.248 35 É o Relatório. Fl. 8248DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.249 36 Voto Vencido Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. Para logo, importa registrar que não foram tecidas, pela autoridade fiscal autuante, considerações a respeito do valor dos ágios, seus fundamentos econômicos e laudos elaborados para justificar sua fundamentação, conforme se verifica do Termo de Verificação Fiscal às fls. 7372/7466. Além disso, a análise das decisões e recursos permite concluir que não há discussão sobre fatos e tampouco sobre a legislação que rege a matéria. Tratase, com isso, de verificar se existem provas ou indícios que demonstrem a artificialidade da operação analisada, suficientes a afastar a respectiva amortização de ágio. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Inicialmente, no que tange à alegação de preclusão da possibilidade do Fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao ágio, cabe tecer algumas considerações. Conforme Relatório Fiscal, as operações analisadas ocorreram nas seguintes datas: 1) ANDELY – Em 12/04/2000 a ANDELY adquiriu o controle da MANAH, com pagamento e registro do ágio. Em 31/08/2000 a MANAH incorporou a ANDELYy, operação que deu ensejo à amortização do ágio. 2) BIPART – Em 2001 ocorreram as operações que culminaram com o registro do ágio na contabilidade da BB. Em 29/08/2002 a BF incorporou a BIPART, operação que deu ensejo à amortização do ágio. 3) CAJATI – Em 24/10/2003 a BF comprou as ações da DIJON (CAJATI) com pagamento e registro de ágio. Em 30/04/2004 a BF incorporou a CAJATI, operação que deu ensejo à amortização do ágio. 4) BPART – Em 27/09/2004 a BPART adquiriu as ações da BB com pagamento e registro de ágio. Em 31/10/2005 a BB incorporou a BPART e a BF incorporou a BB, operação que deu ensejo à amortização do ágio. 5) BIC – Em 06/12/2004 a BI adquiriu as ações da BIC com pagamento e registro de ágio. Em 31/10/2005 a BIC incorporou a BI, a BB incorporou a BIC e a BF incorporou a BB, operação que deu ensejo à amortização do ágio. Fl. 8249DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.250 37 A ciência dos autos de infração ocorreu em 12/12/2011. Posto isso, a controvérsia preliminar destes autos cingese em saber qual a data inicial para contagem do prazo decadencial do ágio, se (i) na data em que ocorre a aquisição de participação societária, (ii) na data da incorporação que permite legalmente o início da amortização do ágio, ou (iii) na data em que cada parcela é amortizada. Mais do que isso, consiste em saber se os atos societários perpetrados pela contribuinte cujos valores foram contabilizados a mais de cinco anos podem ser revistos, ainda que causem reflexos na contabilidade atual. No mais, afastada a pretensão fiscal que justificaria a aplicação do prazo do artigo 173, inciso I do CTN – objeto de avaliação em item específico deste voto onde restarão afastadas as alegações de fraude e dolo no presente caso , parece claro que ao caso aplicase o artigo 150, § 4º do CTN. Como se sabe, os tributos sujeitos ao lançamento por declaração impõe ao fisco a necessidade de ulterior homologação do lançamento, como atividade exercida pelo sujeito passivo. Por conta disso, quando o contribuinte efetua pagamento antecipado, como ocorreu no caso dos autos, contase o dies a quo do prazo quinquenal à partir da ocorrência do fato gerador. Pois bem. O artigo 114 do CTN estabelece como fato gerador da obrigação principal "a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência." Logo, está claro que para a ocorrência do fato gerador da obrigação é necessário: (i) a situação de fato e (ii) a norma aplicável ao fato. Sobre o conceito de fato gerador diversos doutrinadores já se debruçaram e apresentaram suas críticas. Paulo de Barros Carvalho assevera que esse termo é acompanhado de enorme vício de linguagem já que alude, em um só tempo, a duas realidades distintas, quais sejam: (i) a descrição legislativa do fato que faz nascer a relação jurídico tributária e (ii) o próprio acontecimento relatado no antecedente da norma individual e concreta do ato de aplicação. Assim, essa expressão pode parecer, em princípio, um obstáculo de ordem semântica, mas não deve, contudo, dificultar nossa análise. É necessário, apenas, ter em mente que, em virtude da nossa legislação, o "fato gerador" deve ser encarado como o momento em que ocorre a subsunção do fato à norma. Nessa linha de raciocínio, o artigo 116 do CTN define quando se considera ocorrido o fato gerador. Vejamos: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Fl. 8250DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.251 38 A situação de fato é aquela concretizada no nível das realidades materiais, também chamada de "mundo fenomênico". Essa situação de fato, se relatada no antecedente de uma norma individual e concreta, fará irromper o vínculo abstrato que o legislador estipulou na consequencia (efeitos), podendo ser então chamada de situação jurídica. Com relação a este dispositivo em específico, o citado doutrinador Paulo de Barros Carvalho tece algumas considerações que confio serem pertinentes à nossa análise. Dessa forma, passo a transcrever: Da forma como prescreveu (o art. 116), parece até admitir que existam conjunturas de fato, disciplinadas pelo direito, mas que, mesmo assim, não podem ser consideradas situações jurídicas. É de ciência certa a afirmação de que uma circunstância de fato, prevista em norma do direito positivo, será sempre um fato jurídico, quer em sentido lasso, quer em acepção estrita, pois consiste num acontecimento, em virtude do qual as relações de direito nascem e se extinguem, no conceito de Clóvis Beviláqua. E não nos deparamos, ainda, com a discordância de qualquer autor, no que repita a esse ensinamento. Sobre ele há absoluta unanimidade. (pg. 271, Curso de Direito Tributário, 13. ed. rev e atual. São Paulo: Saraiva,2000.) Pretendeuse demonstrar com a passagem transcrita que, tanto a situação do inciso I do art.116, quanto a do inciso II constituem situações jurídicas tecnicamente falando, pois inexistem conjunturas de fato disciplinadas pelo direito que não possam ser consideradas situações jurídicas. Com efeito, podemos assinalar que o fato gerador do ágio, tratandose de situação jurídica, considerarseá ocorrido, desde o momento em que esteja definitivamente constituído, nos termos de direito aplicável. Noutras palavras, acerca da subsunção do conceito de fato ao conceito de norma é possível dizer que houve a subsunção, quando o fato (fato jurídico tributário) guardar absoluta identidade com o desenho normativo da hipótese (hipótese tributária, construção de linguagem prescritiva geral e abstrata). Passo então a analisar os desenhos normativos aplicáveis à hipótese. A primeira observação a ser feita é de que os ágios e deságios fazem parte do regramento do sistema de avaliação de investimentos permanentes em pessoas jurídicas controladas e coligadas, que se denomina “método da equivalência patrimonial” (MEP), instituído no ordenamento jurídico brasileiro com a Lei nº. 6404/1976. Muito embora esse método tenha surgido com a lei societária, essa lei limitouse a determinar os casos em que ele é obrigatório e não há nela uma só palavra relativa a ágio ou deságio no MEP. Ágio e deságio são entes que surgiram expressa e especificadamente no ordenamento pelas leis fiscais, precisamente, com o advento do Decretolei nº. 1598/1977, nos art. 20 e seguintes. Fl. 8251DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.252 39 Nesta toada, vejamos como o Decretolei nº. 1598/1977 regulamenta o assunto: Art. 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. Parágrafo 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. Parágrafo 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Parágrafo 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras ‘a’ e ‘b’ do parágrafo 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Assim é que, face a mandatória redação do art. 20 (“deverá, por ocasião da aquisição”) quando o investimento for sujeito obrigatoriamente ao MEP, no momento da sua aquisição também é obrigatório o desdobramento do respectivo custo. Posteriormente, em virtude do art. 8º, letra “a”, da Lei nº. 9532/1997, o mesmo desdobramento se torna obrigatório para os investimentos não sujeitos ao MEP, nos casos de pessoas jurídicas que passem por processos de reorganização societária previstos nessa lei, senão vejamos: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decretolei n. 1598, de 26 de dezembro de 1997: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea ‘a’ do parágrafo 2º do art. 20 do Decretolei n. 1598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea ‘c’ do parágrafo 2º do art. 20 do Decretolei n. 1589, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea ‘b’ do parágrafo 2º do art. 20 do Decreto lei n. 1598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; Fl. 8252DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.253 40 IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea ‘b’ do parágrafo 2º do art. 20 do Decretolei n. 1598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos calendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. Parágrafo 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. Parágrafo 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. Parágrafo 3º O valor registrado na forma do inciso II do ‘caput’: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. Parágrafo 4º Na hipótese da alínea ‘b’ do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. Parágrafo 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Sendo assim, o desdobramento do custo de aquisição em valor de equivalência patrimonial e ágio ou deságio não é uma conveniência do contribuinte, já que a lei expressamente o obriga a proceder à separação entre o custo avaliado por equivalência e o ágio ou deságio. Ora, entendo com isso, estarmos diante da precisa subsunção do fato à norma. Tanto na participação societária (no caso de empresas obrigadas ao MEP), quanto na ocorrência dos eventos de incorporação, fusão ou cisão (no caso de empresas não obrigadas ao MEP) verificase uma situação de fato que se subsume a uma norma jurídica tributária posta. Fl. 8253DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.254 41 Ambas as situações estão relatadas no antecedente de uma norma individual e concreta, e, portanto, desde o momento em que estejam definitivamente constituídas considera se ocorrido o fato gerador. Forçoso concluir que o fato gerador (entendido como subsunção do fato à norma) do ágio ou deságio para empresas obrigadas ao MEP ocorre no momento em que definitivamente concluída a aquisição de participação societária, quando nasce legalmente a obrigação de se desdobrar o preço pago. É nessa situação em que o fato (aquisição de participação societária) subsume a norma do art. 20 e produz efeitos, obrigando o contribuinte a contabilizar o ágio ou deságio e seu fundamento econômico. Na data em que a aquisição de participação societária de fato ocorre quando consignada a tradição das mesmas é que nasce o ágio a ser registrado contabilmente. Lembrando que o contribuinte poderá tornarse obrigado ao MEP em razão da própria aquisição de participação societária. Nesses casos, se na data da aquisição de participação societária a empresa tornarse obrigada pela legislação vigente a registrar o investimento adquirido pelo MEP, estará consequentemente obrigada a desdobrar o preço pago, e, assim, diante do fato gerador do ágio ou deságio. Na mesma linha de raciocínio, o fato gerador (entendido como subsunção do fato à norma) do ágio ou deságio para empresas até então não obrigadas ao MEP ocorre no momento em que definitivamente concluídos os eventos de incorporação, fusão ou cisão, quando nasce legalmente a obrigação de registrar o ágio ou deságio apurado e o seu fundamento. A propósito, cabe lembrar, aqui, que o ágio ou deságio nada mais é que a diferença entre o valor pago e patrimônio líquido adquirido, portanto, efeito oriundo do desdobramento do pagamento realizado. Daí porque sua origem está intrinsecamente relacionada à ocorrência da situação de fato que, em virtude de norma jurídica tributária, obrigue o contribuinte a desdobrar contabilmente o pagamento realizado. O ágio existe no momento em que sua contabilização tornase obrigatória por força de lei, seja em razão de aquisição de investimento, seja em razão dos eventos de incorporação, fusão ou cisão. Há mais uma observação relevante a ser feita, apontada em estudos por Ricardo Mariz de Oliveira que, no mais das vezes, é simplesmente ignorada por alguns intérpretes ou aplicadores da lei: a finalidade legal do desdobramento do custo de aquisição, com a determinação de ágio ou deságio. A disposição mandatória das leis supracitadas tem como finalidade o desdobramento do preço pago para apuração de ágio ou deságio, tanto porque algumas espécies de ágio podem ser amortizadas fiscalmente, senão porque a amortização de deságio é sujeita à tributação. Logo, se estamos diante de uma norma jurídico tributária que impõe obrigação principal, quando se trata de deságio, o conteúdo da norma representa uma imposição tributável. Fl. 8254DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.255 42 Ou seja, é nesse momento que o Fisco deve avaliar se a contabilização do ágio ou deságio está correta, de forma a exigir ou não, dependendo do caso, a cobrança do imposto sobre a base tributável. Assim, tanto o valor apurado de ágio ou deságio como a natureza do ágio registrado na contabilidade devem ser avaliados no momento em que verificada a situação de fato que imponha a incidência dos dispositivos legais supramencionados e o consequente desdobramento do preço pago. A relação jurídico tributária de crédito, no caso do ágio, está sujeita à homologação pelo Fisco desde o momento em que o contribuinte desdobra o preço pago. Nesse passo, nem se alegue que o fato gerador do ágio ocorre com a sua amortização. Ora, a ocorrência do ágio elemento contábil nada tem a ver com a possibilidade de amortização do mesmo. A concessão de vantagens fiscais, quando se trata de determinados tipos de ágio, não pode ser encarada como finalidade da norma que institui decomposição mandatória do preço pago. A possibilidade de estarmos diante de base tributável é que justifica a necessidade de decomposição do preço pago. Mesmo porque, como a própria norma dispõe, o contribuinte "poderá" amortizar o ágio pago cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n°. 1.598/1977 e "deverá" amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do Decretolei n.º 1.598/1977. Não se deve perder de vista que a homologação compreende toda atividade realizada pelo contribuinte em substituição à autoridade fiscal, desde o procedimento de apuração de débitos e créditos tributários até seu pagamento. O lançamento por homologação é algo mais amplo do que a simples apuração pelo contribuinte do valor por ele devido a título de determinado tributo ou mesmo o seu pagamento. O contribuinte tem o dever de prestar informações e enviar declarações referentes a tributos apurados, justamente para que o fisco possa revisar posteriormente essa atividade. Portanto, em contrapartida, a revisão posterior do lançamento não se limita ao valor do tributo apurado como devido e à exigência de eventuais diferenças apuradas, devendo abranger também o conjunto de informações prestadas pelo sujeito passivo ou por qualquer terceiro legalmente obrigado. Prova disso é que o resultado pode ser deficitário, nulo ou superavitário e, ainda assim, as autoridades fiscais têm o dever de avaliar a apuração levada a cabo pelo contribuinte. Esse entendimento, aliás, harmonizase com aquele sempre adotado pela CSRF, segundo o qual: O que o CTN homologa é o procedimento, a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo. Se o citado § 4º do art. 150 homologasse apenas o pagamento teria dito “homologado o pagamento” e não “homologado o lançamento”, como diz o texto do citado parágrafo do art. 150 da lei complementar. Fl. 8255DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.256 43 (Acórdão 910100.169 da 1ª Turma da CSRF, no DOU de 15/06/2009). Voltando ao caso concreto, verificamos que a Recorrente era empresa obrigada ao MEP nos anocalendário de 2000 a 2005, em virtude das operações de aquisição de participação societária ocorridas, por força do que dispunha o art. 248 da Lei nº. 6404/1976. Vejamos a redação do artigo há época: Art. 248. No balanço patrimonial da companhia, os investimentos relevantes (artigo 247, parágrafo único) em sociedades coligadas sobre cuja administração tenha influência, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital social, e em sociedades controladas, serão avaliados pelo valor de patrimônio líquido, de acordo com as seguintes normas: I o valor do patrimônio líquido da coligada ou da controlada será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação levantado, com observância das normas desta Lei, na mesma data, ou até 60 (sessenta) dias, no máximo, antes da data do balanço da companhia; no valor de patrimônio líquido não serão computados os resultados não realizados decorrentes de negócios com a companhia, ou com outras sociedades coligadas à companhia, ou por ela controladas; II o valor do investimento será determinado mediante a aplicação, sobre o valor de patrimônio líquido referido no número anterior, da porcentagem de participação no capital da coligada ou controlada; III a diferença entre o valor do investimento, de acordo com o número II, e o custo de aquisição corrigido monetariamente; somente será registrada como resultado do exercício: a) se decorrer de lucro ou prejuízo apurado na coligada ou controlada; b) se corresponder, comprovadamente, a ganhos ou perdas efetivos; c) no caso de companhia aberta, com observância das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários. § 1º Para efeito de determinar a relevância do investimento, nos casos deste artigo, serão computados como parte do custo de aquisição os saldos de créditos da companhia contra as coligadas e controladas. § 2º A sociedade coligada, sempre que solicitada pela companhia, deverá elaborar e fornecer o balanço ou balancete de verificação previsto no número I. Ou seja, no momento em que (i) a ANDELY adquiriu as ações da MANAH, (ii) a Serrana (BB) adquiriu as ações da BF, (iii) a BF adquiriu as ações da DIJON (CAJATI), (iv) a BPART adquiriu as ações da BB, e (v) a BI adquiriu as ações da BIC, tais empresas viramse legalmente obrigadas a registrar as participações adquiridas pelo MEP e, por suas vezes, obrigadas a desdobrar os preços pagos. Portanto, forçoso concluir que o ágio pago em tais operações nasceu na data em que ocorreram as aquisições de participação societária com pagamento de ágio. Fl. 8256DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.257 44 É de se convir que a partir dessa data os fatos passaram ao conhecimento da autoridade fiscal e a partir desse momento já era possível proceder ao lançamento ou questionamento acerca da fundamentação do ágio registrado. Em resumo, não poderiam ser questionados os atos praticados no ano calendário 2000 a 2005, já que decorridos mais de 5 anos entre o surgimento do ágio e a ciência dos autos de infração (12/12/2011). Outrossim, e por consequência de ser assim, o entendimento jurisprudencial deste Conselho é no sentido de que a adição de valores futuros tidos como indedutíveis a períodos passados e alcançados pela decadência não pode ser admitida, já que se equipara a lançar valores naquele período. Vejamos algumas decisões nesse sentido: DECADÊNCIA ALTERAÇÃO DO SALDO DE PREJUÍZO GLOSA NO APROVEITAMENTO A contagem do prazo legal de decadência para que o fisco altere o valor do saldo de prejuízo fiscal deve ter início no período em que o prejuízo fiscal foi apurado e não o período em que o prejuízo fiscal foi aproveitado na compensação com lucro líquido. DECADÊNCIA CONTAGEM DE PRAZO REALIZAÇÃO MÍNIMA DO LUCRO INFLACIONÁRIO APLICAÇÃO DA SUMULA N. 10 O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. Na íntegra: (...) No que diz respeito à glosa do prejuízo fiscal, sustentou a recorrente que o prejuízo foi efetivamente apurado a maior em decorrência de erro no cálculo do seu valor em 1997, em função de ter sido a ele adicionado também o montante do prejuízo não operacional, adição essa que a recorrente reconhece ser vedada pelo disposto no artigo 511 do Regulamento do Imposto de Renda. Ocorre que essa adição não poderia ser questionada pela fiscalização em função do decurso do prazo decadencial. Com efeito, o valor do prejuízo fiscal, compensado a maior nos anos calendário de 2001 e 2002, foi apurado no ano calendário de 1997. Como o auto de infração foi lavrado em 07 de dezembro de 2005, já teria ocorrido a decadência do direito de o fisco revisar os valores em questão. (...) Tenho para mim que a razão está com a recorrente. Isso porque, a meu ver, a decadência é algo que atinge todo o conjunto de informações que compuseram a atividade do lançamento efetuado em determinado período e que consta nos livros e documentos que integram a escrituração fiscal da empresa. O período atingido pela decadência, portanto, toma imutáveis os lançamentos feitos nos livros fiscais, não podendo ser mais alterados, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. (...) Essa questão, aliás, não é nova na jurisprudência administrativa. Vários precedentes já foram apreciados e o entendimento desta Corte é no sentido sustentado pela recorrente. Assim, é firme a orientação jurisprudencial que a contagem do prazo decadencial deve ter início na data em que Fl. 8257DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.258 45 o prejuízo é apurado A partir dessa data, tem o fisco cinco anos para verificar os critérios utilizados na quantificação do valor do prejuízo e questionar a forma como ele foi apurado Passado esse prazo, o fisco não pode mais glosar o valor compensado. (Acórdão 10809.621, Relator João Francisco Bianco, DOU em 07.11.2008). RECURSO EX OFFICIO — DECADÊNCIA — EFEITOS — O alcance das regras de decadência previstas no CTN, não só obsta o direito de o Fisco constituir o crédito tributário de período já precluso, como também, o de alterar informações e valores registrados em livros contábeis e fiscais, já alcançados pela homologação tácita. Homologado o crédito, por já estar extinto o direito de lançar pelo decurso de prazo previsto no CITY; homologada está toda a atividade praticada pelo contribuinte, vale dizer, todo o conjunto de informações contábeis e fiscais que a orientaram.(Acórdão 10196.265, Relator Paulo Roberto Cortez, DOU em 06/03/2008). DECADÊNCIA AJUSTES NO PASSADO COM REPERCUSSÃO FUTURA DECADÊNCIA Glosar no presente os efeitos decorrentes de valores formados no passado só é possível se a objeção do fisco não comportar juízo de valor quanto ao fato verificado em período já atingido pela decadência. (Acórdão 10707.819, Relator designado Natanael Martins, DOU em 01.04.2005). IRPF REVISÃO DO PREJUÍZO FISCAL COMPENSAÇÃO A Fazenda Nacional tem o prazo de cinco anos para rever o prejuízo fiscal apurado e adequadamente declarado. Incabível a glosa da compensação do prejuízo que, oportunamente, não foi revisto pela autoridade competente. Preliminar acatada.(Acórdão 10246.305, Relatora Maria Goretti de Bulhões Carvalho, DOU em 10/09/2004). IRPF ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA CUSTO DE AQUISIÇÃO O custo de aquisição de participação societária alienada, constante da declaração anual de ajuste do exercício de 1992, tempestivamente apresentada, não é passível de contestação, presente a decadência, prevalecendo, se maior, sobre outro que venha a ser apurado pelo fisco. Na íntegra: (...)Tratase de lançamento de ofício do imposto de renda de pessoa física fundado em ganho de capital em alienação de participações societárias ocorridas em 1995, cuJa tributação foi diferida para as datas dos efetivos recebimentos dos valores, fls. 03. (...)No que respeita a custo de aquisição, presente a decadência, a fiscalização não poderia questionar valores de mercado constantes da DIRPF/92, como ressaltado pela autoridade recorrida. (Acórdão 10418.701, Relator Roberto William Gonçalves, DOU em 03/09/2002). Fl. 8258DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.259 46 CSLL BASE NEGATIVA AJUSTES NO PASSADO COM REPERCUSÃO FUTURA DECADÊNCIA Adicionar valores tidos como indedutíveis em um determinado período, provocando a diminuição do saldo de base negativa, embora resultando em efeitos futuros, na prática, equivale a efetuar um lançamento de ofício naquele período já atingido pela decadência. Vedação. Na íntegra: (...) No caso presente, o auto de infração foi lavrado em 24/06/99; portanto, em princípio, o último período passível de ser alcançado por lançamento de ofício seria o períodobase encerrado em 31/05/1994. Embora as exigências refiramse a fatos geradores a partir de outubro de 1994, tiveram origem em despesas indedutíveis de empresa incorporada, relatadas pelo fisco como falta de adição à base de cálculo da CSLL nos meses de fevereiro a novembro de 1993 de depósitos judiciais da COFINS, nos termos do art. 8º da Lei nº 8.541/92. A redução indevida, ou falta de adição ao lucro líquido, no dizer do fisco, não originou exigências tributárias nos períodos em que ocorridas, por ter a empresa, até setembro de 1994, saldo anterior de bases negativas da CSLL que foram aproveitadas de ofício. Sobre esse tema fatos que nascem ou se formam em um período e repercutem em períodos subseqüentes já expressei minha opinião em voto que proferi nesta Câmara que deu origem ao Acórdão 10706061. Lá como aqui, é preciso terse presente que adicionar valores tidos como indedutíveis em um determinado período, provocando a diminuição do saldo de base negativa, embora resultando em efeitos futuros, na prática, equivale a efetuar um lançamento de ofício naquele período já atingido pela decadência. Com efeito, a redução do resultado negativo de um período, ou o aumento do resultado positivo, pela adição de despesa, se vinculada à formação de juízo sobre a dedutibilidade ou não do dispêndio apropriado, inserindose, portanto, no campo do lançamento de ofício. (Acórdão 10706.572, Relator Luiz Martins Valero, DOU em 21/06/2002) DECADÊNCIA — ALTERAÇÃO DO SALDO DE PREJUÍZO — GLOSA NO APROVEITAMENTO — Existindo erro na apuração do prejuízo fiscal, o prazo legal da abrangência da decadência deve considerar o período em que o prejuízo fiscal foi apurado e não o período em que o prejuízo fiscal foi aproveitado na compensação com lucro líquido.(Acórdão 108 06.921, Relator José Henrique Longo, em 17/04/2002). DECADÊNCIA – IRPJ – PREJUÍZOS FISCAIS – GLOSA DE DESPESAS O direito de a Fazenda Pública constituir exigências tributárias relativas ao imposto de renda das pessoas jurídicas, extinguese após cinco anos da ocorrência do fato gerador, de acordo com o parágrafo 4º do artigo 150 do CTN. A glosa de despesas, ainda que implique apenas em redução de prejuízos fiscais, por comportar juízo de dedutibilidade, não Fl. 8259DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.260 47 provada a existência de fraude ou simulação, está impedida pelo decurso do prazo decadencial referido. Na íntegra: (...)Como já acenado, em todas as hipóteses acima consideradas há um elemento uniforme, qual seja, temse um fato pretérito que se integra aos resultados apurados nos exercícios seguintes. Vale dizer, a repercussão atual tem origem e representa a continuação dos fatos verificados no passado. Portanto, tais fatos devem ser examinados sob duas perspectivas: no passado, no tocante à formação; no futuro, no que tange às repercussões ficais decorrentes da efetiva apropriação. O trabalho fiscal, nesses casos, pode examinar a formação pretérita do fato, mas não deve extrair e atribuir repercussão fiscal aos exercícios já protegidos pela decadência. O possível ajuste na formação desse fato, neste contexto, deve repercutir no exercício subseqüente, vale dizer, no momento da sua efetiva apropriação. Há, assim, um perfeito equilíbrio, pois o lançamento de ofício não invade exercício já atingido pela preclusão administrativa, como também o fato não repercute no futuro com uma formação distorcida. (...) Essas premissas, como não poderia ser diferente, devem nortear o exame da compensação do prejuízo fiscal. Todavia, neste particular, é preciso terse presente que reduzir o valor do prejuízo apurado, mediante a impugnação de valores apropriados ao resultado do período de sua formação, na prática, equivale a efetuar um lançamento de ofício naquele exercício. Com efeito, a redução do prejuízo fiscal de um período, se vinculada à formação de juízo sobre a dedutibilidade ou não de um dispêndio lá apropriado, ou sobre a falta de tributação de uma receita ou ganho havido no período da sua formação, inserese, portanto, no campo do lançamento de ofício. (...) Submisso às premissas colocadas e para reforçar a coerência necessária, diferente seria o tratamento quando o fisco recalcular lucro inflacionário em períodos já atingidos pela decadência, constatando, em função da ação fiscal, que o contribuinte teria realizado valores menores que o mínimo exigido nesses períodos. Ocorrendo essa hipótese entendemos que deve o fisco considerar como se realizado fosse o mínimo exigido para esse período, evitandose assim a transferência da tributação suplementar não mais possível para períodos posteriores ainda não atingidos pela decadência. Ainda nesse ponto, mas agora analisando os reflexos na recomposição do lucro real dos períodos afetados pelo recalculo do lucro inflacionário passível de diferimento, tendo em vista as premissas já referidas, não podem ser aceitas as glosas efetuadas pela fiscalização no valor excluído do lucro real, a título de lucro inflacionário diferido, nos anos de 1991 e 1º semestre de 1992. Reduzir aquelas exclusões implicam na redução dos prejuízos fiscais apurados pela empresa naqueles períodos (=lançar, como visto), o que não é mais possível face ao decurso do prazo decadencial. (Acórdão nº : 10706.061, Relator Luiz Martins Valero, DOU em 28/03/2001) Fl. 8260DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.261 48 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS EXERCÍCIOS DE 1989 E 1990 Incabível a glosa da compensação de prejuízo com o lucro real obtido em determinado exercício, quando o referido prejuízo, apurado na demonstração do lucro real, não tiver sido objeto de revisão por parte da autoridade lançadora no prazo decadencial. Recurso provido.(Acórdão 10318.623, Relator Cândido Rodrigues Neuber, em 14/05/1997). Como bem se percebe de alguns julgados transcritos, esse entendimento também vem sendo aplicado, no âmbito, por exemplo, das compensações de bases negativas de IRPJ e CSLL, quando se torna necessário saber se o fisco pode efetuar ajustes nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL relativas a períodos passados (atingidos pela decadência), mas que repercutem nos créditos pleiteados pelos contribuintes em períodos futuros (ainda não decaídos). Com todo respeito às opiniões divergentes, é incabível dizer que a contagem do prazo decadencial para constituição do crédito tributário ocorre com a compensação do saldo negativo (e não com a sua apuração), ou com a amortização do ágio (e não com a sua apuração). Isso porque, tratamse de efeitos futuros continuados de ato pretérito. Não pode o Fisco alterar informações e valores da contabilidade já alcançados pela homologação tácita. A essa altura, vale registrar, que, não se quer, com as considerações precedentes, afirmar que as despesas com amortização de ágio não afetam o resultado da pessoa jurídica em determinado período, nem tampouco sustentar que o fisco não poderá questionálas futuramente em caso de irregularidade. A diferença é que, nesse caso, a fiscalização apenas poderá questionar as irregularidades relativas à própria parcela da amortização do ágio. É necessário que se faça uma distinção entre as hipóteses de erro de cálculo e juízo de valor. É dizer, noutras palavras, que o fisco poderia questionar os ágios formados há mais de cinco anos da lavratura do auto de infração, mas desde que isso não implique exercer juízo de valor sobre ele. Nesta linha, considerase lícito, às autoridades fiscais, questionar a exatidão dos valores, a observância do prazo mínimo, eventual alteração das quotas de amortização (amortização não linear), entre outras questões inerentes à contrapartida da amortização do ágio. Por outro lado, não são considerados lícitos questionamentos relacionados ao fundamento econômico do ágio, a existência de pagamento em dinheiro ou fluxo financeiro, o uso de empresa veículo, a transferência do ágio, a regularidade do laudo de avaliação ou quaisquer outros aspectos relacionados à própria formação do ágio, para além do prazo de cinco anos, sob pena de preclusão e ofensa à segurança jurídica. Em vista disso, não pode o Fisco, a pretexto de aferir a correção do valor das quotas de amortização deduzidas nos últimos cinco anos, analisar a validade das operações societárias ocorridas entre 2000 e 2005 para tentar invalidar seus efeitos jurídicos e suas conseqüências fiscais. Fl. 8261DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.262 49 Sobre esse ponto, vale trazer à colação trechos do voto da relatora Albertina Silva Santos de Lima e da declaração de voto do Conselheiro Marcos Takata no Acórdão nº. 10709.545, de 12/11/2008, da 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, afirmando que, se a questão for de erro, não há decadência, mas se o ponto questionado pelo fisco for decorrente de juízo de valor, há decadência: Voto (...) O fisco pode questionar fatos ocorridos no passado cujos efeitos fiscais se dão no futuro, pois o tempo não pode transformar em verdadeiro o que não era real, nem tampouco desfazer o que consolidou, desde que a readequação dos fatos situados em períodos já decaídos não decorra de juízo de valor. É o caso da formação de ágio maior por erro de cálculo, cujos efeitos fiscais somente se verifiquem no futuro, na sua amortização ou na utilização como custo na baixa. Parte do ágio formado na subscrição do aumento de capital em REFRESCOS, em 1995, utilizado em 2000, como custo na integralização de capital na CORRETORA, decorre de erro no cálculo do percentual de participação da investidora no capital da investida, é perfeitamente legal o questionamento fiscal feito no ano de 2005. (...) Assim, tratandose de mero erro de cálculo, não tem fundamento a alegação da contribuinte de que seu equívoco equivaleria a reavaliação espontânea. (...) Sobre a discussão relativa ao valor do ágio reconhecido pela fiscalização no valor de R$ 1.636,65, em que a fiscalização entendeu haver falta de previsão legal para dedução do lucro real do ágio na subscrição de ações, entendo que neste caso, há juízo de valor a ser discutido. Assim, concluo que em relação a essa parcela ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Nacional lançar o crédito tributário. Declaração de Voto (...) De outra parte, quanto ao ágio "gerado" no aumento de capital da REFRESCOS promovida pela VONPARMAX.XI, também endosso o entendimento da Relatora. Sucede que só há tal ágio quando ocorre variação no percentual de participação societária: se o acionista ou sócio deixa de subscrever o aumento de capital na parte que tinha direito (de preferência), gerase ganho de capital por variação no percentual de sua participação societária, caso o outro acionista ou sócio (ou mesmo terceiro) subscreva o aumento de capital (que deixou de ser subscrito pelo acionista ou sócio que tinha o direito de preferência) por valor superior ao patrimonial. Tal ágio, indevidamente registrado pela VONPARMAXXI, constitui, a meu ver, erro de cálculo, e não juízo de valor equivocado. Por isso, acompanho o entendimento da Relatora: não se há de cogitar de decadência sobre fatos que geram efeitos no futuro, se se tratar de mero erro de cálculo (e não de erro de juízo de valor). Ainda a esse propósito, é necessário fazer constar que, a CSRF, ao enfrentar a problemática da contagem do prazo decadencial de base negativa de CSLL (Acórdão 401 05.873), muito embora tenha decidido que entre a formação da base de cálculo negativa e seu aproveitamento poderá transcorrer mais de cinco anos, sem que se possa alegar decadência do Fl. 8262DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.263 50 direito de constituir o crédito tributário, deixou consignado que assim seria, pois a fiscalização, na ocasião, não efetuou qualquer juízo de valor no tocante à formação do saldo de base de cálculo negativa, restringindose a refazer o histórico dos valores declarados pelo contribuinte e os cálculos inerentes à apuração do saldo a compensar nos anos seguintes. De mais a mais, cabe destacar que vozes autorizadas da doutrina, defendem esse entendimento. Neste sentido, transcrevo as lições de Humberto Ávila: Tendo havido decadência, as operações societárias que alteraram a situação patrimonial da Consulente, e que foram praticadas há mais de cinco anos, não podem ser alteradas, por terem, pela incidência da regra geral, adquirido a qualidade de imutabilidade. Não se alegue, contra esse entendimento, que apenas os fatos geradores de cada ano podem ser alcançados pela decadência, mas não as operações societárias que influíram na sua composição e que foram reconhecidas há mais de cinco anos. Tal entendimento, ademais de confundir fato gerador do imposto de renda (acréscimo patrimonial em determinado período) com os elementos utilizados na sua verificação (rendimentos auferidos em determinado período), ainda desconsidera o fato que o lançamento abrange informações e deve ser lavrado quando a autoridade fiscal estiver em desacordo com o seu conteúdo. (...) Como a consulente efetuou todas as operações societárias geradoras do ágio no exercício de 2004, bem como começou a deduzir as despesas de amortização do ágio a partir de dezembro desse mesmo ano, impactando a base de cálculo do tributo devido neste próprio exercício, não há incerteza alguma de que foi neste mesmo exercício em que a sua situação patrimonial e seu lucro começaram a ser afetados. (...) Todas as considerações anteriores demonstram a ocorrência de decadência e a consequente proibição de as autoridades fiscais reverem as operações societárias modificativas da situação patrimonial da Consulente ocorridas há mais de cinco anos. O poder das autoridades fiscais cingese aos valores deduzidos como despesas de amortização do ágio, que correspondem ao valor do ágio reconhecido na contabilidade da Consulente no exercício de 2004, mas não ao seu próprio reconhecimento, este já abrangido pela estabilidade jurídica decorrente da aplicação das regras de decadência. (“Ágio com Fundamento em Rentabilidade Futura. Empresas do Mesmo Grupo. Aquisição Mediante Conferência em Ações. Direito à Amortização. Licitude Formal e Material do Planejamento Tributário.” Revista Dialética de Direito Tributário n. 205. São Paulo: Dialética, 2012, p. 169). No caso vertente, é inquestionável que a glosa fiscal decorre de juízo de valor sobre as operações societárias que implicaram a apuração dos ágios em pauta. Reforçase com isso o entendimento que adoto para decidir que não é possível retroagir no tempo para, após cinco anos, alterar os lançamentos contábeis do sujeito passivo. Fl. 8263DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.264 51 Por fim, não é demais ressaltar, que ao disciplinar o procedimento de amortização, as Leis nº 9.532/1997 e 9.178/1998, não estabeleceram qualquer regra demarcando os limites temporais em relação aos quais o Fisco poderia retroceder no tempo, para verificar se o contribuinte efetivamente faz jus à amortização do ágio. Entretanto, a omissão não deve ser entendida como apta a permitir que o Fisco retroceda livremente a períodos remotos, com o objetivo de desconstituir despesas com amortização de ágio que entende indevidas. Pelo contrário, a legislação tributária estabelece que o Fisco dispõe de cinco anos a contar do fato gerador para homologar, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo contribuinte. Posto isso, voto no sentido de acatar a preliminar de decadência levantada pela Recorrente para entender que não poderiam ser questionadas as operações societárias praticadas nos anoscalendário de 2000 a 2005, afastando, por via de conseqüência, todos os valores lançados nos autos de infração em análise. DECADÊNCIA – ANOCALENDÁRIO 2005 A despeito do quanto exposto, considerando esta colenda turma que a contagem do prazo decadencial para constituição do crédito tributário ocorre com a amortização de cada parcela do ágio (e não com a sua apuração), ainda assim, é de se convir que existem períodos autuados alcançados pela decadência. Em primeiro lugar, ao contrário do que afirmou a decisão recorrida, existe nos autos registro de pagamento antecipado de IRPJ e CSLL por parte da Recorrente no ano calendário de 2005. Em 2005, a Recorrente quitou estimativas de IPRJ e CSLL apuradas no mês de novembro, nos valores de R$ 2.072.350,49 e R$ 688.961,84, respectivamente. A estimativa de IRPJ está devidamente informada na Ficha 11, Linha 12 (fl. 2530), bem como na Ficha 12A, Linha 17 (fl. 2531), ao passo que a estimativa de CSLL consta da Ficha 16, Linha 11 (fl. 2532), bem como da Ficha 17, Linha 52 (fl. 2533). A estimativa de IRPJ no valor de R$ 2.072.350,49 foi extinta por meio de compensação, ao passo que a estimativa de CSLL no valor de R$ 688.961,84 foi quitada da seguinte forma: (i) pagamento de R$ 424.238,19; e (ii) compensação de R$ 264.723,65, conforme documentos anexados pela Recorrente ao recurso voluntário (fls. 8138/8142). Posto isso, havendo pagamento antecipado e afastada a hipótese de dolo e fraude – como se verá em item específico deste voto –, aplicase ao caso o prazo de cinco anos de que trata o art. 150, § 4º do CTN, conforme entendimento firmado pelo Egrégio STJ no REsp nº 973.733SC, julgado em sede de recurso repetitivo (Art. 543C do CPC), tornandose, dessa forma, decisão vinculante àquelas proferidas por este Conselho, por força do que dispõe o art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09. No presente caso, portanto, o prazo decadencial para exigência do IRPJ e da CSLL relativos ao anocalendário de 2005 teve início em 31/12/2005, data da ocorrência dos respectivos fatos geradores, e a ciência dos autos de infração só aconteceu em 12/12/2011, de Fl. 8264DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.265 52 modo que decaiu o direito do Fisco de exigir qualquer suposta diferença relacionada ao ano calendário de 2005. DO MÉRITO Analiso o mérito da lide, para eventual hipótese de que a maioria dos presentes venha a divergir do voto em sede preliminar. ANDELY Concordo com a Recorrente no sentido de que a utilização de empresa veículo, por si só, não é capaz de indicar qualquer irregularidade na constituição do ágio, pois em inúmeras situações se verifica a necessidade da criação de uma empresa veículo que viabilize as reorganizações e operações. Aqui, o ágio em questão decorre de operação efetiva e real de aquisição de participação societária, realizada entre partes independentes, integrantes de grupos econômicos distintos (Bunge e MANAH), tendo havido o efetivo pagamento do preço, fatos incontroversos e reconhecidos no relatório fiscal. A Bunge Foods Limited efetivamente aumentou o capital da ANDELY em R$ 145.192.100,00 para possibilitar a aquisição de controle da empresa MANAH, o que afasta a alegação de ausência de substância econômica. Além disso, conforme informado pela Recorrente, a criação da ANDELY, com sua posterior incorporação reversa, acabava por evitar complicações operacionais. A MANAH como grande empresa do ramo de fertilizantes tinha contratos, inscrições, registros, entre outras formalidades inerentes ao seu funcionamento, de forma que o seu desaparecimento por incorporação (caso fosse ela a incorporada) acabaria trazendo inúmeros transtornos e trabalhos burocráticos, que poderiam ser evitadas com a incorporação reversa. Os mesmos transtornos ocorreriam caso a Bunge Foods não tivesse constituído a ANDELY, pois, nesta hipótese, seria ela a empresa que passaria por enormes transtornos burocráticos. Assim, uma forma conveniente e válida de evitar tais aspectos indesejados era implementar a operação por meio da constituição da ANDELY para adquirir o investimento, com sua posterior incorporação pela MANAH. Por todas essas razões, no contexto da operação analisada, a utilização da ANDELY na estrutura não representa conduta que possa ser enquadrada como sem motivação negocial, sem causa aparente ou de qualquer forma simulatória. Para que exista a simulação relativa é necessário que, em virtude de um conluio das partes, se simule um ato aparente para enganar terceiro e que sob essa aparência se dissimule outro correspondente à vontade real das partes. Nessa linha, está claro que aqui não se vê nenhum ato dissimulado que pretendesse enganar o fisco. A Recorrente diante de um ágio legítimo, utilizouse da estrutura societária que mais lhe apreciava, conforme opções oferecidas pelo nosso ordenamento jurídico. Prova disso é que a amortização fiscal do ágio poderia ser obtida por outros caminhos, independente Fl. 8265DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.266 53 da utilização da ANDELY. A Bunge Foods Limited poderia, por exemplo, ter utilizado qualquer empresa operacional do grupo para adquirir a MANAH. Nesse diapasão, é necessário distinguir, de uma vez por todas, as análises que devem ser feitas na verificação da legitimidade dos ágios amortizados pelos contribuintes em geral. O ponto primordial de atenção e análise diz respeito à sua formação. O segundo ponto, de relevância secundária, diz respeito ao caminho escolhido para efetuar/tornar possível a sua dedução fiscal. Em análises como estas, para efeitos de verificação da legitimidade do ágio pago, o que interessa, especialmente, é a formação do ágio. Significa que deve ter ocorrido o evento societário de alienação e efetivo pagamento do preço, em operação que envolva partes independentes, lastreadas em expectativa real de rentabilidade futura. Uma vez diante de tais requisitos, é claro que o ágio pago possuirá fundamento e poderá ser amortizado. Agora, o segundo ponto, não deve interferir na análise da legitimidade do ágio registrado. Ou seja; as operações subsequentes que permitirão ao contribuinte amortizar o ágio registrado, desde que se tratem de operações lícitas e legalmente previstas pelo nosso ordenamento jurídico, não tem o condão de descontituir a natureza de um ágio legítimo. Considerando isso, uma vez que a aquisição foi negociada entre partes independentes e baseada em expectativa de rentabilidade futura, após a reunião dos patrimônios, há direito à amortização fiscal do ágio, ainda que tenha ocorrido incorporação reversa ou que tenha sido utilizada empresa veículo. Ademais, a incorporação reversa (pessoa jurídica controladora é incorporada por sua controlada) é ato jurídico tipificado pelo direito brasileiro (art. 264, §4 da Lei 6404) e o art. 8 da Lei 9532/97 dá o mesmo tratamento para os dois formatos de incorporação. Dessa forma, sob qualquer prisma, a existência do ágio aqui é indiscutível, pois não se trata da hipótese de ágio interno ou que de qualquer forma possua vício na sua formação. A utilização da ANDELY como empresa veículo não foi determinante para a formação do ágio e para o seu aproveitamento. A empresa veículo era desnecessária à obtenção do ágio e para sua dedução após incorporação, já que o mesmo resultado direito à amotização fiscal do ágio poderia ter sido atingido por outros meios. Tais verificações, por si só, demonstram que a utilização da empresa veículo foi uma opção da Recorrente, levada a efeito por questões operacionais e societárias, sem a geração de qualquer vantagem fiscal indevida. Sublinhese, para que não pairem dúvidas, que aqui, não houve a geração de vantagem fiscal indevida, pois a não há qualquer vício na formação do ágio que decorre de operação efetiva e real de aquisição de participação societária, realizada entre partes independentes, integrantes de grupos econômicos distintos (Bunge e MANAH), tendo havido o efetivo pagamento do preço. Impedir operações estruturadas dessa forma, seria impor aos contribuintes que adotem sempre as operações mais onerosas e burocráticas, o que não merece qualquer respaldo, por ausência de sustentação jurídica. Fl. 8266DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.267 54 É sabido por todos que, na prática, é de certa forma comum que as empresas constituam uma nova empresa com a finalidade exclusiva de adquirir um investimento e isso é uma opção que deve ser respeitada, desde que realizada para fins lícitos e sem qualquer simulação. Lembrese que os efeitos buscados pela Recorrente eram os efeitos próprios dos atos praticados (adquirir a participação de terceiros na MANAH com ágio por meio da ANDELY e depois promover a incorporação desta por aquela) e não de atos eventualmente dissimulados. A vontade da Recorrente era efetivamente constituir a ANDELY, ainda que não tivesse a intenção de perpetuar a empresa e isso não torna a motivação/causa de sua consituição menos verdadeira. Ainda é lícito no nosso ordenamento jurídico agir motivado pelas normas permissivas do Estado que possibilitem a economia de gastos e impostos, já que o fim último dos empresários é maximizar os lucros. O entendimento de que o contribuinte pode se reorganizar desde que não seja exclusivamente para reduzir carga tributária deve ser aplicado com as devidas ressalvas. Não seria lícito se a alienação do investimento fosse simulada de qualquer forma apenas para gerar o ágio e possibilitar a redução da carga fiscal, mas não se pode dizer, que diante de real alienação do investimento e de ágio perfeitamente formado que a Recorrente não possa valer se da opção fiscal menos custosa para efetuar a dedução fiscal do ágio, sendo obrigada, para tanto, a adquirir o investimento diretamente por qualquer empresa operacional de seu grupo. Repitase, não houve simulação na formação do ágio, pois esse seria gerado fosse a aquisição feita pela ANDELY ou por qualquer outra empresa operacional do Grupo Bunge. A opção legal de fazer a aquisição por meio da ANDELY, de forma a possibilitar a transferência do ágio para a Recorrente (MANAH BF) foi possibilitada por expressa previsão legal do art. 8o. da Lei n. 9532/97. Por fim, cabe lembrar, no intuito de frisar novamente que merece resalvas a interpretação fiscal de que o direito de livre organização dos contribuincafofo10tes está limitado a motivações extrafiscais, que o conceito de propósito negocial e empresa veículo não constam das nossa leis e não tem qualquer relação, ao menos em princípio, com a amortização fiscal do ágio. Com efeito, não basta identificar uma empresa de curta duração na reorganização societária para que se considere a amortização do ágio como inválida, mormente quando, no contexto geral da operação, como in casu, houve real aquisição de participação societária, realizada entre partes independentes, com o efetivo pagamento do preço. BIPART Os ágios da BIPART foram originalmente apurados e registrados pela empresa BB (na época Serrana) e são decorrentes da: (i) aquisição das ações da BF e da BAL que estavam em poder dos acionistas minoritários no mercado, com o consequente fechamento de capital da BF e da BAL, (ii) aquisições feitas junta a terceiros das empresas IAP S.A e FERTISUL S.A. Os atos praticados tiveram a finalidade principal de fechar o capital da BAL e da BF, concentrando na BB a condição de "holding" brasileira da qual acionistas dispersos Fl. 8267DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.268 55 passaram a participar. O caminho escolhido para a concretização destes atos levou em consideração questões de gestão e problemas com minoritários. Sendo assim, é de se convir que não há qualquer problema na formação desses ágios que também são decorrentes de operações reais e efetivas de aquisição de participação societária, realizada entre partes independentes (BB e mercado/terceiros), com efetivo pagamento de preço. Não por outra razão, aqui, tal como no caso da ANDELY, a glosa fiscal decorrente unicamente da utilização da BIPART como “empresa veículo” na estrutura adotada pelo grupo para possibilitar a amortização dos ágios, o que não pode ser admitido. Ora, não há qualquer impedimento à utilização da BIPART como empresa veículo, uma vez que o efeito fiscal obtido com o caminho escolhido foi o mesmo a que a Recorrente teria direito se adotasse outras estruturações, como, por exemplo, (i) com a pura e simples incorporação das duas companhias adquiridas (BF e BAL), pela adquirente (BB); (ii) com a cisão total da adquirente (BB), com incorporação de parcelas do seu patrimônio pelas duas adquiridas (BF e BAL); (iii) com a fusão das três numa quarta; e (iv) com a incorporação da adquirente e de uma das adquiridas pela outra, qualquer delas. A opção pela criação da BIPART e por sua imediata incorporação foi apenas um meio de atender a objetivos não tributários, mormente: (i) a segregação do ágio relativo à BF do ágio relativo à BAL; (ii) o emparelhamento da amortização do ágio com a respectiva geração de lucros; e, principalmente, (iii) não desfazer os efeitos benéficos obtidos com a centralização do controle direto das duas companhias operativas em uma "holding" (BB) no Brasil, permitindo que os acionistas das duas continuassem a participar dos resultados de ambas, e não mais apenas do seu investimento original, sem desfazer as vantagens de gestão das empresas operativas, pois se a BB tivesse incorporado as duas empresas operativas, ou se tivesse sido cindida para verter parcelas patrimoniais para estas, haveria o indesejável retorno à situação anterior, em que cada empresa ficaria sob o controle indireto da Bunge Limited., e teria acionistas minoritários dispersos, situação em que o propósito negocial da operação não seria atingido. Portanto, a Recorrente adotou o caminho que mais se justificava para exercer o direito de deduzir fiscalmente as amortizações do ágio, com o resguardo dos objetivos empresariais dos atos praticados e com a manutenção da condição de companhia aberta numa única pessoa jurídica (BB). Logo, a estrutura adotada se justifica, sendo irrelevante que para alcançar seus objetivos o grupo tenha se socorrido da utilização da BIPART como empresa veículo. Valem aqui as mesmas razões expostas acima, no tópico relativo ao ágio ANDELY, no sentido de que (i) não basta identificar uma empresa de curta duração na reorganização societária para que se considere a amortização do ágio como inválida, mormente quando, no contexto geral da operação, houve real aquisição de participação societária, realizada entre partes independentes, com o efetivo pagamento do preço; (ii) a incorporação reversa é permitida no nosso ordenamento jurídico, (iii) não houve simulação, dissimulação ou a obtenção de qualquer vantagem fiscal indevida (já que o ágio poderia ser obtido de outras formas); (iv) os contriibuintes não estão obrigados a escolher o caminho mais oneroso dentre as opções fiscais que lhe são postas pelo ordenamento. Fl. 8268DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.269 56 CAJATI Aqui também não há qualquer questionamento quanto ao valor do ágio, seu fundamento econômico ou acerca do laudo de avaliação, como quis fazer crer a Fazenda Nacional. O relatório fiscal limitase a reclamar sobre a utilização da CAJATI (DIJON) como empresa veículo na estrutura. Contudo, como já foi dito, a utilização de empresa veículo, por si só, não é capaz de indicar qualquer irregularidade na constituição do ágio, já que, em inúmeras situações se verifica a necessidade da criação de uma empresa veículo que viabilize as reorganizações e operações. Vale lembrar, que esse ágio também é decorrente de operação real e efetiva de aquisição de participação societária, realizada entre partes independentes, integrantes de grupos econômicos distintos (Bunge e VALE), com efetivo pagamento de preço. Além disso, também aqui, sob o ponto de vista estritamente fiscal, a dedução da amortização do ágio poderia ter sido conseguida por outros caminhos, independente da utilização de empresa veículo. A Recorrente poderia, por exemplo, ter adquirido diretamente a FOSFÉRTIL para então incorporála. Por tudo isso e pelo quanto exposto nas linhas acima, também aqui, não prosperam as alegações fiscais. BPART A BPART foi constituída com o fim específico de adquirir as ações da BB em circulação no mercado. Assim foi que, por meio de OPA, a BPART adquiriu a totalidade das ações ordinárias e preferenciais da BB, com pagamento de ágio, baseado na expectativa de rentabilidade futura da BB. Nesse cenário, as autoridades fiscais não questionam o valor do ágio e tampouco seu fundamento econômico, mas, tão somente, a utilização da BPART como empresa veículo na estrutura. Em vista disso, vale repetir, mais uma vez, que a utilização de empresa veículo, por si só, não é capaz de indicar qualquer irregularidade na constituição do ágio. No mais, esse ágio também é decorrente de operação real e efetiva de aquisição de participação societária, realizada entre partes independentes (BPART e terceiros/mercado), com efetivo pagamento de preço. Lembrando que, a aquisição das ações da BB no mercado também poderia ter sido realizada por qualquer empresa do grupo, como a BF e a BAL, por exemplo. Nesses casos, a dedução da amortização do ágio também teria sido possível, já que houve a reunião dessas empresas na BB e, em momento posterior, a segregação das atividades entre BF e BAL. Finalmente, notese que as conclusões acima não se alteram pelo fato de os recursos financeiros provenientes da compra das ações da BB terem sido obtidos por meio de contratos de prépagamentos de exportações, contraídos com empresa do grupo no exterior. Fl. 8269DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.270 57 Pelo contrário, o fato revela a efetiva aquisição e pagamento do preço das ações da BB junto aos minoritários. Ressaltese que cabem aqui, novamente, todas as razões já expostas nos tópicos das operações analisadas acima. BIC Esta operação foi implementada no mesmo contexto de fechamento do capital da BB. Também não há questionamento do ágio ou de seu fundamento econômico. Questionase apenas a utilização da BI como empresa veículo na estrutura e a criação de ágio interno, obtido em operação realizada intra grupo. O fisco faz algumas considerações a respeito de uma nota promissória, a qual teria sido emitida no momento da concretização da operação de venda da BIC para a BI. Contudo, o próprio fisco reconheceu que houve a sua quitação, comprovando o efetivo pagamento do preço na operação. Não vejo problema, portanto, no fato de a aquisição ter sido realizada com recursos provenientes de nota promissória. Todavia, no que toca à formação de ágio interno na operação, merece razão o fisco. Para que se considere efetivamente ocorrido o evento causador do ágio ou deságio é imprescindível a existência de substrato econômico e propósito negocial. Ainda que o propósito negocial seja a própria redução da carga tributária, como já esclarecemos acima, a operação deve estar apta a ser considerada efetiva, sendo necessário, dentro outros elementos, o dispêndio econômico ou patrimonial por parte do adquirente e o ganho econômico ou patrimonial do alienante. Sem essa troca de riquezas não há que se falar em alienação. Com efeito, no caso concreto, não vislumbro o ganho que possa ter sido auferido pelas partes com as operações realizadas, que refletem apenas a troca de participações societárias entre o mesmo grupo econômico. O preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Por essa razão, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. É necessário ter me mente que, do ponto de vista contábil, também não é possível reconhecer uma maisvalia de um investimento quando originado de transação dos sócios com eles mesmos, haja vista a ausência de substância econômica na operação e de não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as duas companhias. O ágio aqui, vale dizer, é distinto dos ágios formados nas operações analisadas acima nas quais houve real aquisição de participação societária, realizada entre partes independentes, com o efetivo pagamento do preço. Fl. 8270DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.271 58 Nesse caso, houve um vício na formação do ágio que expurgoulhe a legitimidade desde o princípio da operação. É que o ágio aqui foi gerado internamente, entre partes relacionadas, sem que fosse possível falar em troca de riquezas ou alienação. E isso, principalmente, porque não houve qualquer causa que justificasse as alterações meramente formais de titularidade patrimonial. Por oportuno, vale trazer à colação as conclusões dos professores Jorge Vieira da Costa Junior e Eliseu Martins, na obra “A incorporação reversa com ágio gerado internamente: Consequências da elisão fiscal sobre a contabilidade”. O surgimento do ágio em operações de combinação de negócios, realizadas dentro de um mesmo grupo societário, não tem sentido econômico. A Contabilidade, sabiamente, expurga essa informação ao considerar o grupo societário uma entidade única, quando reporta suas demonstrações consolidadas. O correto, contabilmente, é fazer o mesmo nas demonstrações individuais também. Entretanto, o respaldo em legislação tributária para o fenômeno – ágio gerado internamente – dá sentido econômico à operação. Há de fato riqueza sendo gerada pelo grupo societário nesses arranjos só que, no caso, está sendo transferida do Estado para o grupo via renúncia fiscal. É bem verdade que referido respaldo legal concorre, ainda que indiretamente, para o retrocesso do estágio avançado de desenvolvimento em que se encontra a Contabilidade Brasileira. A bem da verdade, pavimenta um caminho tortuoso: o fomento à indústria do ágio. Nesse sentido, também vale citar o entendimento irretocável da CVM, emitido no OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007: OFÍCIOCIRCULAR/CVM/SNC/SEP nº 01/2007 (...). 20.1.7 “Ágio” gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de “ágio”. Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, Fl. 8271DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.272 59 geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”. Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. Corroborando o exposto, recentemente, em 25/11/2010, o Conselho Federal de Contabilidade aprovou a NBC TG 04 – Ativo Intangível, que tem por base o Pronunciamento Técnico CPC 04 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, no qual foi definido o tratamento contábil de ativos intangíveis (no subgrupo Ativo Intangível, introduzido pela Lei nº 11.638/07) e determinado que o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo: “Ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente 48. O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo. 49. Em alguns casos incorrese em gastos para gerar benefícios econômicos futuros, mas que não resultam na criação de ativo intangível que se enquadre nos critérios de reconhecimento estabelecidos no presente Pronunciamento. Esses gastos costumam ser descritos como contribuições para o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente, o qual não é reconhecido como ativo porque não é um recurso identificável (ou seja, não é separável nem advém de direitos contratuais ou outros direitos legais) controlado pela entidade que pode ser mensurado com confiabilidade ao custo. 50. As diferenças entre valor de mercado da entidade e o valor contábil de seu patrimônio líquido, a qualquer momento, podem incluir uma série de fatores que afetam o valor da entidade. No entanto, essas diferenças não representam o custo dos ativos intangíveis controlados pela entidade.” Por tudo isso, conforme tenho afirmado, para efeitos de verificação da legitimidade do ágio pago, interessanos, especialmente, a sua formação, sendo imprescindível a verificação do evento societário de alienação e o efetivo pagamento do preço, em operação que envolva partes independentes, lastreadas em expectativa real de rentabilidade futura. A essa altura, no entanto, é importante abrir um parêntese para destacar, aprofundandonos no tema, que existem hipóteses em que mesmo o ágio interno, formado dentro de um mesmo grupo societário, poderá ser considerado válido. É a hipótese, por Fl. 8272DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.273 60 exemplo, de negócios realizados entre partes relacionadas, nas quais se verifica, cumulativamente, (i) o efetivo desembolso de capital por uma delas e, não apenas a transferência de titularidade da empresa que após manobras societárias retorna para os mesmos acionistas; e (ii) uma efetividade econômica ou algum significado econômico na operação que lhe deu causa. Portanto, para fins jurídicotributários, é necessário distinguir ágios internos reais (efetivos ou com causa) dos chamados “ágios em si mesmo”, que são ágios internos “criados” artificialmente (ou sem causa). A ressalva merece espaço para que fique claro que as operações devem ser analisadas sempre individualmente, conforme seu caso específico. O julgador não pode partir da préconcepção de que todos as operações intra grupo são ilícitas, de que que todas as empresas de curta duração estão envolvidas em um contexto simulatório, etc. Eventuais abusos devem ser combatidos caso a caso e não por meio de conceitos rígidos (sequer positivados) e generalizações. Atendonos ao caso concreto, temos que na operação analisada ocorreu o efetivo desembolso de capital, mas não há qualquer significado econômico que lhe justifique. A operação tal como delineada se mostra típica combinação de negócios realizada sem propósito negocial, objetando exclusivamente a criação/amortização de ágio gerado internamente – entre empresas do mesmo grupo econômico – mediante a utilização de empresa veículo. A BI foi constituída em 15/09/2004 para adquirir as ações da BIC e logo em seguida (31/10/2005) ser incorporada pela BIC. A situação jurídica, do ponto de vista dos acionistas da BIC, permaneceu inalterada após o fim da operação. Isso porque, em resumo, em 31/10/2005, após todas as manobras societárias, as ações da BIC retornaram para o controle direto dos mesmos acionistas pessoas jurídicas. Nesta toada, não importa, para a análise específica desse ágio, o contexto de fechamento de capital da BB, que a BIC tenha sido incorporada pela BB e que a Recorrente tenha incorporado a BB, pois nenhum desses atos tem relação direta que justifique a constituição da BI. Notese que, no intervalo de tempo em que a BI existiu (aproximadamente um ano), nenhuma nova gestão foi implementada, sendo certo que os sócios pessoas jurídicas (Bunge Cooperatif e Bunge Brasil Holdings) continuaram controlando indiretamente a BIC. A situação fática da BIC não se altera com as operações realizadas, já que ela continua submetida ao mesmo controle acionário, tendo apenas se beneficiado de um falso acréscimo contábil no valor de suas ações, decorrentes de uma reavaliação com base em seus próprios ativos. Conforme doutrina do professor Marco Aurélio Grecco, alterações formais de titularidade patrimonial ou de atribuição de direitos e deveres que, em última análise, não causam alterações substanciais na pessoa jurídica e patrimonialmente no grupo econômico, devem ser analisadas com atenção. Analisando com cuidado os fatos descritos e os elementos de prova constantes dos autos, substancialmente a plena e mesma identidade dos sócios envolvidos Fl. 8273DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.274 61 (Bunge Cooperatif e Bunge Brasil Holdings), notase a ausência de qualquer propósito negocial ou societário na operação realizada, restando caracterizada a utilização da BI como mera "empresa veículo" para criação do ágio, tudo com o escopo de redução do lucro real. Não havia nenhum motivo autônomo que justificasse a realização de cada uma das etapas da operação (Constituição da BI, aquisição pela BI das ações da BIC e incorporação da BI pela BIC). Por isso, é razoável concluir que não há efetividade nem significado econômicos na geração desse ágio interno, “criado” em operações concatenadas para evadirse da tributação, sob o manto da formalidade. Por tudo isso, ainda que as operações tenham formalmente observado a legislação fiscal e societária, examinando o conjunto de etapas da operação, constatase (i) a ausência de substrato ou propósito negocial nas operações realizadas, e (ii) a falta de autonomia entre as partes envolvidas, suficientes para desconfigurar ágio em referência. MULTA QUALIFICADA A Lei nº. 9.430/96 determina a qualificação da multa proporcional de ofício, majorandoa de 75% para 150%, nas hipóteses em que a conduta evasiva do contribuinte tenha sido imbuída de sonegação e/ou fraude, remetendo às configurações hipotéticas de ambas as figuras definidas na Lei nº 4.502/64. Os respectivos textos são os seguintes: Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Lei nº 4.502/64 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fl. 8274DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.275 62 Como se percebe, o conluio não chega a ser uma terceira hipótese qualificadora autônoma. Para sua configuração como qualificadora, é necessário, portanto, que haja sonegação e/ou fraude orquestradas por meio de ajuste doloso entre duas ou mais pessoas (físicas ou jurídicas). Assim, a qualificação da multa proporcional de ofício deve ser feita apenas quando a autoridade fiscal identificar e comprovar a ocorrência de sonegação e/ou fraude. E apenas pode ser considerado sonegação ou fraude, para essa finalidade, aquilo que esteja conforme o preceito estabelecido pelos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64. Portanto, a partir das características textuais das definições empreendidas pelos artigos 71 e 72, para fins de qualificação da multa proporcional de ofício, temos que a sonegação e a fraude são condutas (ação ou omissão) dolosas. Com isso, para qualificar a multa proporcional de ofício, a autoridade fiscal deve identificar e comprovar a ocorrência da conduta dolosa do sujeito passivo, ou seja, o ânimo (vontade ou intenção) do agente de prejudicar ou fraudar, a conduta (ação ou omissão) intencional perniciosa. Noutra palavras, exigese convicção, por meio de um conjunto probatório suficiente, de que o sujeito passivo agiu de máfé e cometeu a conduta dolosa de sonegação e/ou fraude. Por essa razão, é que distinguir entre a elisão (protegida pelo ordenamento) e a evasão (por ele repelida) tem se mostrado tarefa árdua, que tem suscitado controvérsias nos debates doutrinários e nos julgamentos deste Conselho. É que, conforme já foi dito por diversos autores, levar em conta tão somente elemento subjetivo do autor (vontade, ânimo, intenção) para distinguir a evasão da elisão não é suficiente, motivo pelo qual tanto se critica a redação dos dispositivos em comento. Ora, numa e noutra situação (evasão e elisão), o intuito do autor é o mesmo: não pagar tributo, pagálo a menor ou em data mais afastada, de sorte que a diferença deverá ser buscada noutro elemento. Por tudo isso também, é que a doutrina e a jurisprudência deste Conselho sempre reconheceram que a prova da fraude pode ser indiciária (e quase sempre o é), composta por uma soma de indícios convergentes para a conclusão da existência dessa falsidade. Daí a necessidade deste Conselho, como órgão de julgamento dotado de quadros técnicos e de alguma forma orientador da conduta da administração e dos contribuintes, se esforçar no sentido de procurar estabelecer/sistematizar outros elementos/indícios para a distinção entre elisão e evasão fiscal, de modo a reduzir a níveis toleráveis o grau de subjetivismo que por certo sempre existirá no enfrentamento do tema. A experiência estrangeira revela que o estabelecimento de referidos parâmetros, ao mesmo tempo em que não "engessa" a qualificação dos fatos na medida em que não define a priori se determinado tipo de negócio é legítimo ou não para fins fiscais , confere certa racionalização no exame dos casos futuros pelo órgão julgador, mesmo que seja para rever ou aprofundar determinado parâmetro anteriormente fixado pelo mesmo órgão. Fl. 8275DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.276 63 Feitas essas considerações, tendo em vista a necessidade de prova cabal do cometimento do ilícito fiscal que envolva sonegação e/ou fraude, como condição para a qualificação da multa de ofício, e, como não há forma de adentrar à psique de quem praticou os atos para aferir com exatidão a existência de tal intenção, mister se faz examinar a exteriorização dos atos para verificar se houve coerência entre as formas de direito privado adotadas e aquilo que efetivamente se praticou e se as partes assumiram todas as conseqüências e ônus, de toda sorte (jurídico, fiscais, operacionais, negociais, etc.) da forma jurídica adotada. Ao longo dos anos, tornouse possível identificar alguns exemplos de elementos/indícios levados em conta pela jurisprudência deste Conselho na determinação da licitude de planejamentos tributários. Podemos citar: a) a natureza dos meios utilizados para sua consecução: na fraude, atuam meios ilícitos (falsidade, adulteração de documentos, etc) e, na elisão, os meios são lícitos. Portanto, o primeiro ponto a ser observado é sempre a licitude dos atos praticados. Os atos praticados devem ser lícitos, possíveis e não vedados pelo ordenamento; b) como conseqüência disso, exigese: a não caracterização de simulação. Os atos praticados devem ser reais e não simulados. Lembrando que, como simulação, entendem se todas as hipóteses em que existe uma divergência entre a vontade real, efetiva, e a vontade declarada por quem pratica o ato. c) o momento da utilização dos meios: Anterioridade ao fato gerador. Temse constatado uma diferença temporal entre a elisão e a evasão. Por essa razão, devese verificar se os atos foram praticados antes ou depois da materialização da hipótese de incidência prevista hipoteticamente em lei. Nesse passo, se o ato ou negócio jurídico foi praticado antes da ocorrência do respectivo fato gerador, podese estar diante de uma elisão fiscal, porém se praticado posteriormente estará constatada uma evasão fiscal. Essa diferenciação baseada na cronologia busca consagrar a licitude da elisão com base na falta de corporificação do fato gerador da obrigação tributária, já que esta, de acordo com o art. 113, § 1º do CTN, surge, somente, com a ocorrência daquele. Portanto, a elisão seria não entrar na relação fiscal e evasão seria dela sair. Como requisitos para a caracterização de simulação, também podemos citar alguns elementos/indícios levados em consideração: a) a existência de propósito negocial; ou seja, a existência de outras razões econômicas, negociais, patrimoniais ou de outra ordem, para justificar os atos praticados; b) a publicidade das ocorrências; c) a proximidade de datas entre fatos sucessivos ou a inexplicada diferenciação de valores entre eles; d) a ocorrência de operações dentro do mesmo grupo econômico, ou entre pessoas ligadas por algum vínculo de associação; e) a motivação para simular; Fl. 8276DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.277 64 f) o retorno a situação original, mediante o desfazimento do negócio jurídico simulado ou a neutralização de seus efeitos através de outros atos ou negócios simultâneos ou subseqüentes. Não se cuida, com isso, de tributar o ato segundo o resultado econômico por ele perpetrado, no moldes da teoria da interpretação econômica incompatível com o princípio da legalidade, eis que, como já foi dito, o contribuinte tem o direito de, dentre duas ou mais alternativas juridicamente viáveis para atingir determinado objetivo econômico ou de outra natureza, adotar aquela que seja menos onerosa do ponto de vista fiscal. Entretanto, ao escolher uma alternativa, ainda que motivado pelo objetivo de redução da carga tributária, deve o contribuinte assumir todas as conseqüências e ônus dela decorrentes e deve haver coerência jurídica, no âmbito do direito privado, entre a forma adotada e sua implementação prática, mesmo que referida forma não esteja sendo adotada para o seu fim típico ou tradicional, caracterizando o negócio jurídico indireto, plenamente viável em nosso ordenamento. Apenas as operações do contribuinte que mascarem determinada transação econômica e jurídica, ocultando, por formas artificiosas, a realidade, configuram operações simuladas. Considerando isso, a qualificação da multa de ofício, só tem sido permitida, pela jurisprudência desse Conselho, quando efetivamente se verificam procedimentos fraudulentos que envolvam adulteração de documentos comprobatórios (notas fiscais, contratos, escrituras públicas, dentre outros), notas fiscais calçadas, notas fiscais frias, notas fiscais paralelas, notas fiscais fornecidas a título gracioso, contabilidade paralela (Caixa 2), conta bancária fictícia, falsidade ideológica, declarações falsas ou errôneas (quando apresentadas reiteradamente), interposição de pessoas (laranjas), etc. Com a devida vênia dos que pensam em contrário, a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de despesas, receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas/rendimentos na DIPJ ou Declaração de Ajuste Anual; a falta de comprovação da efetividade de uma transação comercial e/ou de um ato; a inclusão e/ou falta de inclusão de algum valor, bem ou direito na Declaração de Bens ou Direitos; não evidenciam, por si só, o evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430/96. A celebração de negócio jurídico válido, cuja escolha decorre da autonomia da vontade e livre iniciativa do particular, implicando a ausência de subsunção do fato à norma tributária, acarretando o enquadramento à norma tributária que prescreva exigências menos onerosas ou assegurando benefícios fiscais, é perfeitamente lícita e não susceptível de desconsideração pela autoridade administrativa. Dessa maneira, havendo preferência por certa forma, é inaceitável que esta seja ignorada pela simples razão de seu resultado econômico vir a ser semelhante ao de outra forma, diferenciadamente tributada. Mesmo porque, como bem lembrou a doutrina de Luiz Regis Prado, há pouco tempo, prevalecia o entendimento de que a adoção de formas lícitas era suficiente a garantir a economia tributária visada com a seqüência de atos, independente do seu tempo ou ausência de qualquer propósito negocial. Assim, no passado, ao pesquisar a jurisprudência vacilante e a doutrina divergente, os contribuintes poderiam entender que agiam licitamente. Fl. 8277DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.278 65 Ora, no caso presente, a Recorrente acreditou, e continua a acreditar, que suas ações foram lícitas. Analisando os dispositivos do art. 20 da Lei nº. 1598/77, art. 7º e 8º da Lei nº. 9.532/97 não é possível identificar vedação expressa aos procedimentos adotados pela Recorrente. Além disso, no caso presente, todos os atos foram praticados antes da materialização da hipótese de incidência prevista hipoteticamente em lei. Não há registros de documentos falsos, inidôneos, fraudes em registros contábeis ou de qualquer natureza. Pelo contrário, todos os atos societários foram registrados nos órgãos competentes (CVM e Bacen), assim como na escrituração contábil e fiscal da Recorrente. Várias operações envolveram empresas de capital aberto, razão pela qual foram divulgados “fatos relevantes” (aquisições da MANAH, da FOSFÉRTIL e o fechamento de capital da BF e depois da BB), citando detalhes das operações, suas razões e, por vezes, até a vantagem fiscal das amortizações de ágio. Destarte, a apuração e a amortização dos ágios constaram em notas explicativas dos balanços, como por exemplo, (i) no caso dos balanços de 2003/2004, em cujas notas constam informações sobre o ágio da CAJATI; e (ii) nas notas do balanço de 2004/2005, na qual foi divulgada a reestruturação de outubro de 2005, ocorrida após o fechamento do capital da BB. A alteração da prática contábil referente aos ágios registrados consta em notas do balanço de 2005/2006 e em nota do balanço 2006/2007. Embora parte das operações tenha sido realizadas dentro do Grupo Bunge e exista uma proximidade de datas, tais indícios, confrontados com os fatos de que: todas as operações praticadas pela Recorrente foram dotadas de publicidade; não houve apresentação ao Fisco de elemento inexato, documento inidôneo ou fraudulento, declarações falsas ou errôneas; não houve omissão de qualquer natureza; não foi comprovada simulação (o que sequer foi alegado pelas autoridades autuantes); e que, por fim, os atos praticados, isoladamente considerados, são válidos; demonstram que, na verdade, estamos diante de erro de interpretação da lei, não devendo ser aplicada a multa qualificada. A fraude à lei não pode ser confundida com erro de interpretação da lei, haja vista que, na fraude a lei, o ato em si é ilícito tendo em vista que o ordenamento jurídico proíbe sua prática. Portanto, aqui, a falta ou insuficiência de pagamento de IRPJ e CSLL é decorrente da prática de atos dentro dos limites legais, não podendo, portanto, ser tida como uma fraude. Ademais, o fato de constar por diversas vezes nos “fatos relevantes”, balanços e “Protocolos de Justificação” que as operações também objetivavam a obtenção de benefício fiscal gerado pela amortização do ágio, só corrobora o fato de que a Recorrente sempre foi transparente e coerente em suas atitudes. Registrese também, que o fato de a Recorrente ter informado as amortizações de ágio em linhas referentes a “outras despesas” e não nas linhas específicas de Fl. 8278DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.279 66 ágios, não evidencia intuito de fraude e, quando muito, caracteriza motivo de lançamento de multa simples sem qualificação. Se tivesse a intenção de fraudar o fisco, a Recorrente não teria divulgado amplamente os fatos e a existência de vantagem fiscal de amortização de ágios. Assim, me parece claro que o erro no preenchimento das declarações decorre de uma interpretação equivocada das normas que instruíam o preenchimento da DIPJ. Por oportuno, vale notar que esse é o entendimento que vem sendo adotado por esse Conselho em casos de planejamento tributário: SIMULAÇÃO. A subscrição de novas ações de uma sociedade anônima, com a sua integralização em dinheiro e registro de ágio, para subseqüente retirada da sociedade da sócia originária, com resgate das ações para guarda e posterior cancelamento caracteriza simulação de venda da participação societária. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MULTA. No planejamento tributário, quando identificada a convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios, não há corno ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. (Acórdão nº. 140100.155). MULTA QUALIFICADA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – INEXISTÊNCIA – IMPROCEDÊNCIA – Nos chamados “planejamentos tributários”, constituídos de atos devidamente registrados, feitos às claras e cumpridas todas as obrigações acessórias, quando é dado ao fisco conhecer, sem dificuldade alguma, toda a extensão dos negócios engendrados, não cabe a qualificação da penalidade, quando não provada presença de alguma das figuras delituosas. (Acórdão nº 10709.169) Por tudo isso, entendo que a multa de lançamento de ofício qualificada, decorrente do art. 44, § 1º, da Lei n°. 9.430, de 1996, aplicada, muitas vezes, de forma generalizada pelas autoridades lançadoras, deve obedecer toda cautela possível e ser aplicada, tão somente, nos casos em que ficar nitidamente caracterizado o evidente intuito de fraude. E, uma vez que, no caso dos autos, não se percebe, por parte do contribuinte, a prática de ato doloso para a configuração do ilícito fiscal, estou convencido de que a qualificação da multa de ofício foi exacerbada, devendo ser excluída. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO A Recorrente sustenta, ainda, a improcedência da cobrança de juros de mora sobre a multa. A exigência para tal cobrança, conforme manifestação da Fazenda Nacional através do parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG nº. 28, de 02/04/98, está no art. 61, § 3º da Lei nº. 9.430/96, que assim estabelece: Fl. 8279DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.280 67 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Pela simples leitura do texto acima, resta claro que o mesmo está apenas permitindo que os débitos com a União Federal decorrentes de tributos e contribuições não pagos nos vencimentos sejam acrescidos de multa de mora, e que aqueles mesmos débitos (e não a multa) sofram também a incidência de juros de mora. Corrobora com o entendimento que o art. 61 da Lei nº. 9.430/96 prevê a cobrança de juros exclusivamente sobre o valor dos tributos e contribuições o art. 43 da mesma Lei nº. 9.430/96, ao dispor: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ora, se a expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” constante no “caput” do art. 61 da Lei nº. 9.430/96 incluísse também a multa de ofício, não haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do art. 43 acima reproduzido, uma vez que a incidência de juros sobre a multa de ofício lançada isoladamente nos termos do “caput” do artigo já decorreria diretamente do art. 61. Desse modo, resta claro que somente existe previsão legal para a cobrança de juros sobre a multa no caso da multa lançada isoladamente, o que não e o caso do recurso em análise. Outra discussão que se tem em relação ao tema de cobrança de juros sobre a multa é que a legitimidade para a sua cobrança estaria no próprio Código Tributário Nacional, na medida em que o art. 113 do CTN estabeleceria o procedimento de cobrança e o regime jurídico das multas ao mesmo adotado para os tributos. Tal entendimento, todavia, não merece prosperar, senão vejamos. O art. 113 do CTN estabelece: Fl. 8280DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.281 68 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Pela simples leitura do caput do artigo acima reproduzido, verificase que a obrigação tributária pode ser principal (de pagar tributo ou penalidade pecuniária) ou acessória (de fazer), sendo que a obrigação acessória “pelo simples fato da sua inobservância, converte se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.”, nos termos do parágrafo 3º do referido art. 113. Desse modo, a penalidade pecuniária que se converte em obrigação principal é exatamente aquela que decorre da inobservância da obrigação acessória. E é somente sobre essa penalidade (descumprimento de obrigação acessória), que por si só consubstancia (ou se converteu em) obrigação principal, que se não paga integralmente no seu vencimento podem incidir os juros de mora, conforme previsto no art. 43 da Lei nº. 9.430/96. No caso em questão, é preciso salientar mais uma vez que a multa de ofício lançada não se refere ao descumprimento de obrigação acessória, mas sim de multa exigida pelo descumprimento da obrigação principal de pagar tributo. Poderia, por fim se argumentar aqui que o art. 161 do CTN legitimaria a cobrança dos juros sobre a multa de tributo não pago no vencimento. Pareceme também que nesse artigo não traz tal permissão, senão vejamos. Dispõe o art. 161do CTN, “in verbis”: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Pelo texto legal acima transcrito verificase que se a penalidade incidente pelo não pagamento da obrigação principal já estivesse incluída no “crédito” sobre o qual incidem os juros de mora previstos no art. 161 do CTN, seria desnecessária a ressalva final constante do referido dispositivo no sentido de que essa incidência de juros se dá “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. Ao analisar a matéria esse E. Conselho vem se manifestando pela impossibilidade da cobrança de juros sobre a multa, conforme se verifica das decisões abaixo reproduzidas: Fl. 8281DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.282 69 (...) JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte. (1º Conselho de Contribuintes / 1ª. Câmara / ACÓRDÃO 10196.601 em 06.03.2008) (...) JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO Por não se tratar da hipótese de penalidade aplicada na forma isolada, a multa de ofício não integra o principal e sobre ela não incidem os juros de mora. (Acórdão 10323566, Relator Leonardo de Andrade Couto, Data da Sessão:17/09/2008) (...). INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. (Acórdão 10196523, Relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Data da Sessão 23/01/2008) (...) JUROS SOBRE MULTA A SELIC incide tão somente sobre débitos de tributos e contribuições, não sobre penalidade, que deve seguir a regra de juros contida no artigo 161 do CTN. (Lei 9.430/96, art. 61 c/c art. 3º do CTN). (Acórdão 10516774, Relator José Clóvis Alves, Data da Sessão: 08/11/2007) (...). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO – INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada.(...). (Acórdão 10196008, Relator Paulo Roberto Cortez, Data da Sessão: 01/03/2007) Nesse mesmo sentido, também foi a manifestação da CSRF ao analisar e decidir sobre a matéria, conforme se verifica do acórdão abaixo reproduzido: ATUALIZAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. FATOS GERADORES A PARTIR DE 1°/01/97. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de oficio aplicada.(Acórdão CSRF/0203.133, Relator Henrique Pinheiro Torres, Data da Sessão: 06/05/2008) Desse modo, entendo que, nesse ponto, assiste razão à Recorrente. MULTA ISOLADA Finalmente, cabe analisar a questão referente à cumulação da multa de ofício com as multas isoladas. Fl. 8282DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.283 70 Este Conselho tem reiteradamente decidido pela impossibilidade de cobrança de multa isolada sobre débitos de estimativa de IRPJ (e CSLL), uma vez que estes débitos não são definitivos, não havendo, portanto, que se falar em atraso de seu recolhimento ou mora do contribuinte. As antecipações realizadas durante o anocalendário, são apenas valores estimados, provisórios, sem caráter definitivo, cuja notória precariedade perdura até o final do correspondente período de apuração. Em se tratando de apuração anual, é somente em 31 de dezembro, que efetivamente ocorre o fato gerador do IRPJ (e da CSLL), tornando a dívida destes tributos líquida e certa, somente a partir deste lapso temporal. Tributo, na acepção que lhe é dada no direito positivo (art. 3° do CTN), pressupõe a existência de obrigação jurídica tributária que não se confunde com valor calculado de forma estimada e provisória sobre ingressos da pessoa jurídica. Noutras palavras, o valor pago a título de estimativa não tem natureza de tributo, mas, sim, de prestações antecipadas. Diante disso, após o encerramento do período, o balanço final (de dezembro) é que balizará a pertinência do exigido sob a forma de estimativa, pois esse acumula todos os meses do próprio anocalendário. Nesse momento, ocorre juridicamente o fato gerador do tributo e podese conhecer o valor devido pelo contribuinte. Se não há tributo devido, não haverá base de cálculo para se apurar o valor da penalidade. Não há porque se obrigar o contribuinte a antecipar o que não é devido e forçálo a pedir restituição posteriormente. Daí concluir que o balanço final é prova suficiente para afastar a multa isolada por falta de recolhimento da estimativa. Citese a esse respeito entendimento firmado no âmbito administrativo pela CSRF do antigo Conselho de Contribuintes, Acórdão CSRF/0105.875, proferido em 23/06/2008, da Relatoria do exConselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima: MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 preceitua que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo nãorecolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem Fl. 8283DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.284 71 dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. CONCLUSÃO Por tudo quanto exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para, em virtude do acolhimento da preliminar decadência do direito do Fisco de questionar as operações societárias praticadas nos anoscalendário de 2000 a 2005, afastando, por via de conseqüência, todos os valores lançados. Caso vencido, encaminho meu voto para, preliminarmente, reconhecer a decadência do direito do fisco de revisar os lançamentos do anocalendário de 2005; e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para: (i) manter a glosa do ágio apurado na operação da BIC e suas respectivas amortizações, (ii) afastar a glosa do ágio apurado na operação da ANDELY, BIPART, CAJATI e BPART, bem como suas respectivas amortizações, (iii) afastar a multa qualificada, (iv) afastar a incidência dos juros sobre a multa de mora, e (v) afastar as multas isoladas. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 8284DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.285 72 Voto Vencedor Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Redator designado. Com a devida vênia, discordo do relator quanto ao acatamento da preliminar de decadência. No mérito, discordo também de suas conclusões quanto aos itens: (ii) afastar a glosa do ágio apurado na operação da ANDELY, BIPART, CAJATI e BPART, bem como suas respectivas amortizações, (iv) afastar a incidência dos juros sobre a multa de mora, e (v) afastar as multas isoladas. Passo a discorrer sobre cada um dos temas objeto de discordância, exceto quanto ao afastamento da incidência das multas isoladas em razão de meu posicionamento ser vencido nesta Turma. NÃO OCORRÊNCIA DECADÊNCIA RELATIVA A FATOS PASSADOS COM REPERCUSSÕES FUTURAS NO CRÉDITO TRIBUTÁRIO O tema é pacífico neste Colegiado. Entendese que, para início da contagem do prazo decadencial, devese ater à data de ocorrência dos fatos geradores, e não à data de contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. Até mesmo porque o art. 113, § 1º, do CTN aduz que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador” e o papel de Fisco de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do Estatuto Processual, nada mais é do que o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente. Portanto, o lançamento, dado seu caráter constitutivo do crédito tributário, mas declaratório da obrigação, somente pode ser realizado após a ocorrência do fato gerador e, consequentemente, o surgimento da obrigação tributária. Não é papel do Fisco auditar as demonstrações contábeis dos contribuinte a fim de averiguar sua correição à luz dos princípios e normas que norteiam as ciências contábeis. A preocupação do Fisco deve ser sempre o reflexo tributário de determinados fatos, os quais, em inúmeras ocasiões, advêm dos registros contábeis. Ressaltese o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê que seja efetuado o lançamento “também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário.” Se, por hipótese, o contribuinte mantivesse o ágio em seu ativo e não o amortizasse, não teria ocorrido o fato gerador, e, na ausência de infração à legislação tributária, não há que se falar em lançamento, pois mesmo nos casos em que do lançamento não resulte exigência de crédito tributário, a constatação de infração à legislação tributária é condição sine qua non para formalização do lançamento. Com efeito, o prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador, iniciandose sua contagem conforme estatuído no art. 150, § 4º, do CTN, ou após o Fl. 8285DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.286 73 primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. Ante o exposto, no que tange à formação do ágio em períodos já alcançados pela preclusão, voto por afastar a arguição de decadência. DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO Entende o I. Relator que a utilização de empresas veículos, por si só, não é suficiente para determinar os efeitos fiscais de determinada operação. Embora concorde que não se pode determinar a existência de patologia fiscal simplesmente pela utilização de empresas veículos, no caso concreto, não me resta qualquer sombra de dúvida que as operações, da forma como foram arquitetadas, visaram a driblar a legislação de regência, buscando posicionar a Recorrente artificialmente perante as normas que permitem a amortização do ágio em operações societárias. Não se pode confundir o direito a contabilização do ágio com as condições para amortização em termos fiscais. Vejamos, com base no Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), a legislação que rege a matéria: Amortização do Ágio ou Deságio Art.391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº1.730, de 1979, art. 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426). [grifo nosso] Avaliado pelo Valor de Patrimônio Líquido Art.426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei nº1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): Ivalor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; IIágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; IIIprovisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior. [grifos nossos] Constatase, assim, que, em regra geral, o ágio deverá ser ativado e utilizado como custo somente no momento da alienação do investimento, obviamente se essa vier a ocorrer, o que, frisese, não há qualquer notícia de que tais alienações tenham ocorrido no caso concreto. Fl. 8286DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.287 74 Nesse sentido, compulsando os autos, percebese claramente que os investimentos realizados, e adquiridos com ágio, comporiam o ativo da Recorrente, provavelmente, por tempo indeterminado, haja vista a continuidade das operações antes realizadas pelas investidas em novas empresas, segregadas de acordo com o ramo de atividade a que se dedicavam e, ao que tudo indica, ainda se dedicam, com exceção da hipótese de fechamento de capital. A artificialidade da operação foi justamente buscar o contorno de tais normas imperativas, que impunham a ativação do ágio, buscando posicionar a Recorrente diante de normas de contorno, quais sejam, o art. 386, III, e seu § 6º, II, do RIR/99, transcritas a seguir, mediante operações societárias meramente com fins fiscais: Art.386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): [...] III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; [...] §6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): [...] II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. [grifos nossos] Isso porque o fato de a formação do ágio ter cumprido os requisitos legais estabelecidos, em especial aqueles em que essa turma firmou entendimento necessários (o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; a realização das operações originais entre partes não ligadas; seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura), não possui o condão de permitir que a regra geral seja desrespeitada, qual seja, o ágio deverá compor o custo do investimento para fins de apuração de ganho de capital em eventual alienação (inteligência do art. 391 c/c art. 426, II, ambos do RIR/99). Nessa senda, para que o ágio com fundamento em rentabilidade futura possa compor o resultado do período, o regulamento do imposto de renda impõe ou a alienação do investimento – nesse caso, na forma de custo de aquisição , ou mediante amortização, desde que haja incorporação, fusão ou cisão entre investidora e investida (art. 386, caput e inciso III), ainda que de forma reversa (art. 386, § 6º, II). A artificialidade da operação está, justamente, no passo intermediário utilizado pela Recorrente a fim de que o ágio, que deveria compor o custo do investimento, que talvez nunca seja alienado, pudesse ser amortizado: a criação de empresas veículos, a fim de que pudesse ser realizada uma operação de reestruturação com incorporação reversa permitindo, no entender da Recorrente, o início da amortização dos valores de ágio. Deuse, assim, a denominada “transferência de ágio”. Fl. 8287DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.288 75 Com efeito, mostrase falacioso o argumento de que o ágio seria amortizado de qualquer modo, pois, conforme já repisado, os investimentos mantiveramse inerte na real adquirente (Recorrente), e, as operações a que diziam respeito os investimentos, permaneceram segregadas nas empresas operacionais, o que inviabilizaria por completo qualquer forma de transferência do ágio para o resultado fiscal (com a ressalva feita quanto à operação de fechamento de capital). Não há dúvida que a pessoa jurídica que, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, absorver patrimônio de outra pessoa jurídica que dela detenha participação societária adquirida com ágio, cujo fundamento seja a rentabilidade futura, poderá amortizálo nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração, pois assim possibilita o art. 386 do RIR/99. De igual forma, não se pode olvidar que o contribuinte tem o direito de estruturar o seu negócio de maneira que melhor lhe convém, com vistas à redução de custos e despesas, inclusive à redução dos tributos, sem que isso implique, necessariamente, qualquer ilegalidade. Entretanto, o que não se admite atualmente é que os atos e negócios praticados se baseiem numa aparente legalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial, para disfarçar o real objetivo da operação, quando unicamente almeje reduzir o pagamento de tributos. Nesse sentido, colacionamse a seguir os ensinamentos de Marco Aurélio Greco1: ... a pergunta que se põe é: admitida a existência do direito de o contribuinte organizar a sua vida, este direito pode ser utilizado sem quaisquer restrições? Ou seja, tal direito é ilimitado? Todo e qualquer “planejamento” é admissível? Minha resposta é negativa. (pág. 190) Ou seja, cumpre analisar o tema do planejamento tributário não apenas sob a ótica das formas jurídicas admissíveis, mas também sob o ângulo da sua utilização concreta, do seu funcionamento e dos resultados que geram à luz dos valores básicos de igualdade, solidariedade social e justiça. (pág. 202) [...] com o advento do Código Civil de 2002 a questão ficou solucionada, pois seu artigo 187 é expresso ao prever que o abuso de direito configura ato ilícito: Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. (pág. 206) No Brasil, entendo que esta possibilidade de recusa de tutela ao ato abusivo (mesmo antes do Código Civil de 2002) encontra base no ordenamento positivo, por decorrer dos princípios consagrados na Constituição de 1988 e da natureza da figura. 1 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 198208. Fl. 8288DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.289 76 Porém, a atitude do Fisco no sentido de desqualificar e requalificar os negócios privados somente poderá ocorrer se puder demonstrar de forma inequívoca que o ato foi abusivo porque sua única ou principal finalidade foi conduzir a um menor pagamento de imposto. Esta conclusão resulta da conjugação dos vários princípios acima expostos e de uma mudança de postura na concepção do fenômeno tributário que não deve mais ser visto como simples agressão ao patrimônio individual, mas como instrumento ligado ao princípio da solidariedade social. (pág. 208) Em suma, não há dúvida de que o contribuinte tem o direito, encartado na Constituição Federal, de organizar sua vida da maneira que melhor julgar. Porém, o exercício deste direito supõe a existência de causas reais que levem a tal atitude. A autoorganização com a finalidade predominante de pagar menos imposto configura abuso de direito, além de poder configurar algum outro tipo de patologia do negócio jurídico, como, por exemplo, a fraude à lei. (pág. 228) Notase, assim, que o direito ao planejamento tributário não pode ser absoluto, há que haver uma conformação entre a existência do direito e o modo como se exerceu esse direito, sob pena de incorrerse em abuso de direito. Ricardo Lobo Torres, a esse respeito, esclarece que “a proibição da elisão abusiva no campo tributário nada mais é que a especificação do princípio geral, jurídico e moral, da vedação do abuso de direito”.2 A tributação, historicamente, sempre contou com a rejeição do povo. Esse o motivo em função do qual foi fixada, em 1215, a limitação à tributação pela lei. Na Inglaterra de então, os barões e os religiosos procuraram conter o arbítrio do Rei, fixando que não haveria tributação sem lei que a estabelecesse. Mais adiante, a Constituição NorteAmericana de 1787 e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 reprisaram a limitação. Essa perspectiva, entretanto, sofreu alteração ao longo do tempo. Hoje, a tributação não é mais uma concessão da sociedade em favor do Estado, mas um instrumento da sociedade que tem por finalidade manter uma máquina pública estruturada em favor da própria sociedade. Esse é o sentido do dever fundamental do indivíduo de recolher os tributos devidos. Confirase, a respeito, o pensamento de Klaus Tipke (“Justiça Fiscal e Princípio da Capacidade Contributiva”, Douglas Yamashita, São Paulo, Malheiros, 2002, pág. 13): O dever de pagar impostos é um dever fundamental. O imposto não é meramente um sacrifício, mas sim uma contribuição necessária para que o Estado possa cumprir suas tarefas no interesse do proveitoso convívio de todos os cidadãos. O Direito tributário de um Estado de Direito não é Direito técnico de conteúdo qualquer, mas ramo jurídico orientado por valores. O direito Tributário afeta não só a relação cidadão/Estado, mas também a relação dos cidadãos uns com os outros. É um direito da coletividade. 2 LOBO TORRES, Ricardo. Planejamento Tributário. Elisão abusiva e evasão fiscal. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012, p. 20. Fl. 8289DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.290 77 A Constituição Federal de 1988 caminhou no sentido defendido por Tipke, quando afirma no seu art. 1º que a República Federativa do Brasil constituise em Estado Democrático de Direito e estipula como seus fundamentos a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político. A atividade produtiva deve cumprir o seu papel social de importância ao desenvolvimento do país e de fonte de manutenção dos membros da sociedade, mas sem que se sobreponha à cidadania e a dignidade humana. O art. 3º da Constituição estipula como objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, a garantia do desenvolvimento nacional, a erradicação da pobreza e a marginalização e a redução das desigualdades sociais e regionais e a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Para o atingimento desses objetivos é de suma importância os recursos oriundos da tributação, daí que não se pode admitir o planejamento tributário lastreado exclusivamente na liberdade negocial e no respeito às formas, mas com mascaramento dos atos e negócios praticados para disfarçar o real objetivo da operação, unicamente para se esquivar do pagamento dos tributos. O pagamento de tributos é a contrapartida à proteção estatal que cada cidadão aspira. Ele tem muita importância para a coletividade e, por isso, pode ser exigido. Não se pode ter uma fixação por direitos, sob o aspecto individualista, esquecendose dos deveres, que também são importantes e que cada cidadão deve cumprir em função da posição que ocupa na sociedade. Cabível assentar, também, que a orientação constitucional e jurisprudencial antes referida não representa novidade em termos internacionais. Nos Estados Unidos da América, meca do capitalismo e do liberalismo, a Suprema Corte, ao apreciar o caso Gregory v. Helvering, já em 1935, reconheceu o direito de planejamento do contribuinte, mas afastou a licitude de operações societárias nas quais presente choque entre a realidade e o artifício formal. Daquele julgado, que tratou de pretensa operação societária isenta do imposto de renda, colhese o seguinte excerto da decisão (“Interpretação Econômica do Direito Tributário: o caso Gregory v. Helvering e as doutrinas do propósito negocial (business purpose) e da substância sobre a forma (substance over form)”, Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy, Revista Fórum de Direito Tributário, Belo Horizonte, nº 43, págs. 55 a 62): Nessas circunstâncias, os fatos falam por eles mesmos e permitem apenas uma única interpretação. O único empreendimento, embora conduzido nos termos do item “b” da seção 112, fora de fato uma forma elaborada e errônea de transposição simulada como reorganização societária, e nada mais. A regra que exclui de consideração o motivo da elisão fiscal não guarda pertinência com a situação presente, porquanto a transação em sua essência não é alcançada pela intenção pura da lei. Sustentarse de outro modo seria uma exaltação do artifício em desfavor da realidade, bem como retirar da previsão legal em questão qualquer propósito sério. É mantido o julgamento de segunda instância. Fl. 8290DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.291 78 Marco Aurélio Greco assevera ainda que “nem tudo o que é lícito é o honesto” e que o “o ordenamento jurídico não se resume à legalidade; ele contempla também mecanismos em última análise de neutralização de esperteza”, fazendo parte daquilo que Tércio Sampaio Ferraz Júnior denomina de regras de calibração do ordenamento. Ou seja, os textos legais dão as peças do sistema jurídico, mas para que funcionem coordenadamente precisam ser calibradas, ajustadas. 3 (grifo nosso) Sobre o tema, Ricardo Lobo Torres conclui que No direito tributário o mais importante para a Administração é requalificar o ato abusivo, sem anulálo em suas consequências no plano das relações comerciais ou trabalhistas.[...] Na elisão, afinal de contas, ocorre um abuso na subsunção do fato à norma tributária; como lembra Paul Kirchhof, a elisão é sempre uma subsunção malograda [...] Cabe à Administração Tributária, conseguintemente, corrigir a subsunção malograda, requalificando o fato de acordo com a interpretação correta da regra de incidência. 4 Discorrendo sobre o tema planejamento tributário, Greco assim se manifesta: Recordando: na primeira fase, predomina a liberdade do contribuinte de agir antes do fato gerador e mediante atos lícitos, salvo simulação; na segunda fase do ainda predomina a liberdade de agir antes do fato gerador e mediante atos lícitos, porém nela o planejamento é contaminado não apenas pela simulação, mas também pelas outras patologias do negócio jurídico, como o abuso de direito e a fraude à lei. Na terceira fase, acrescentase um outro ingrediente que é o princípio da capacidade contributiva que – por ser um princípio constitucional tributário – acaba por eliminar o predomínio da liberdade, para temperála com a solidariedade social inerente à capacidade contributiva. 5 (grifo nosso) Salienta ainda o doutrinador que a capacidade contributiva é uma norma programática “possuindo caráter positivo em todos os momentos da atividade de concreção dos preceitos constitucionais: legislação, execução e jurisdição. É a afirmação de que a eficácia jurídica alcança os intérpretes e aplicadores do Direito e não apenas o legislador” 6. (grifo nosso) Acrescenta ainda que se trata de instrumentos de controle do abuso de direito, fraude à lei e outras patologias dos negócios jurídicos, uma vez que negariam a eficácia de regramentos constitucionais.7 3 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 231. 4 LOBO TORRES, Ricardo. Planejamento Tributário. Elisão abusiva e evasão fiscal. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012, p. 25. 5 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 319. 6 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 343. 7 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 344. Fl. 8291DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.292 79 O Supremo Tribunal Federal já vêm se manifestando nesse sentido, como é possível observar no voto do Ministro Carlos Velloso no julgamento do RE nº 227.8321 DJ de 28.06.2002), cujo excerto transcrevese a seguir: [...] a interpretação puramente literal e isolada do §3º do art. 155 da Constituição Federal levaria ao absurdo, conforme linhas atrás registramos, de ficarem excepcionadas do princípio inscrito no art. 195, caput, da mesma Carta – “a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei...” – empresas de grande porte, as empresas de mineração, as distribuidoras de derivados de petróleo, as distribuidoras de eletricidade e as que executam serviços de telecomunicações – o que não se coaduna com o sistema da Constituição, e ofensiva, tal modo de interpretar isoladamente o § 3º do art. 155, a princípios constitucionais outros, como o da igualdade (C.F., artigo 5º e artigo 150, II) e da capacidade contributiva. A respeito da colisão entre liberdade de iniciativa e solidariedade, Greco, em excepcional análise sobre o tema, conclui: [...] quando se diz que é preciso tributar segundo a capacidade contributiva, também é preciso ponderar não ser adequado transformar a capacidade contributiva num valor absoluto que atropele a legalidade e a tipicidade. [...] Minha concepção ideológica é de que sempre haverá de ponderar os dois conjuntos de valores; ou seja, para mim o ponto de partida é o de que ambos devem estar sentados à mesa para dialogar. Vale dizer, não é a rigor um “ponto” de partida, mas uma “dualidade” de partida. Não há caso que não envolva dois tipos de valores. Isso está escrito com todas as letras no artigo 3º, I, da Constituição de 1988 – quando formula os objetivos do Estado brasileiro – ao estabelecer que um deles é o de construir uma sociedade livre, justa e solidária. Formulação linguística muito feliz, pois coloca numa ponta a liberdade (típica do Estado de Direito) e, na outra ponta, a solidariedade (típica do Estado Social) e entre elas a justiça que resultará da ponderação das duas. Ou seja, só vamos ter justiça se e quando houver ponderação entre os valores liberdade e solidariedade. 8 (grifo nosso) Portanto, o procedimento adotado pela autoridade fiscal encontrase em total sintonia com os princípios da legalidade e da livre iniciativa, encontrando eco não só na doutrina, mas também na jurisprudência, inclusive do Pretório Excelso. Também não há que se falar em desconsideração da personalidade jurídica ou de atos jurídicos. O que houve, na prática, foi uma requalificação dos atos realizados pelo contribuinte, prática adotada como regra de calibração do sistema (conforme Tércio Sampaio Ferraz Júnior), ou de “neutralização de esperteza”, nas palavras de Marco Aurélio Greco. No caso concreto, ressaltam aos olhos o posicionamento artificial da Recorrente em face das leis de regência de cunhos societário e fiscal. 8 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 5354. Fl. 8292DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.293 80 A estrutura negocial montada pela Recorrente caracteriza o que a doutrina denomina de “operação estruturada em sequência”. Greco9 trata o tema com a maestria peculiar: Operação Estruturada em Sequência Sob esta denominação estão as step transactions, vale dizer, aquelas sequências de etapas em que cada uma corresponde a um tipo de ato ou deliberação societária ou negocial encadeado com o subsequente para obter determinado efeito fiscal mais vantajoso. Neste caso, cada etapa só tem sentido se existir a que lhe antecede e se for deflagrada a que lhe sucede. Uma operação estruturada indica a existência de um objetivo único, predeterminado à realização de todo o conjunto. E mais, indica a existência de uma causa jurídica única que informa todo o conjunto. Neste casos, cumpre examinar se há motivos autônomos, ou não, pois se estes inexistirem, o fato a ser enquadrado é o conjunto e não cada uma das etapas. (p. 462) Uso de Sociedades [...] o elemento relevante quando estamos perante uma pessoa jurídica não é apenas a sua existência formal (no registro competente etc.); tão importante ou até mais – em matéria tributária – é a identificação do empreendimento que justifica sua existência. A criação de uma pessoa jurídica tem sentido na medida em que corresponda à vestimenta jurídica de determinado empreendimento econômico ou profissional. A ideia de empresa é o núcleo a ser perquirido. (vide a importância que o Código Civil dá à noção de empresa – artigos 966 e segs.). (p. 468/469) Conduit companies A primeira situação a observar é das chamadas conduit companies (empresasveículos ou de passagem) em que uma pessoa jurídica é criadas apenas para servir como canal de passagem de um patrimônio ou de dinheiro sem que tenha efetivamente outra função dentro do contexto. (p. 470) Deslocamento da Base Tributável Outro aspecto a ser considerado é o do deslocamento da base tributável para sociedades que se encontrem em situação tributariamente mais favorável. O deslocamento de base tributária para outra pessoa jurídica que se encontra em regime tributário comparativamente mais vantajoso é elemento que merece especial atenção; aliás, já foi objeto de exame pelo antigo Tribunal Federal de Recursos ao ensejo da mencionada Apelação Cível nº 115.478RS (julgada em 18.02.87, Rel. Min. Américo Luz). Neste processo, além de 9 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 462476. Fl. 8293DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.294 81 outras considerações, encontrase no relatório do acórdão o seguinte aspecto: “O que existiu foi na realidade transferência de receita representada pela diferença de preços nas transações entre a autora e as demais empresas, pois a receita que não se realizou foi realizada pelas demais empresas, ainda que sob regime de determinação diferente.” Este é o ponto a considerar, pois – dependendo das circunstâncias do caso concreto – pode configurar fraude à lei tributária. (p. 475/476) (grifos nossos) Salientase que sem a utilização das denominadas “empresas veículo” não haveria amortização do ágio, pois tais valores deveriam compor o custo do investimento, conforme já abordado. Nesse contexto, é de pouco relevo se as “empresas veículos” efetivamente operavam, ou se suas existências foram efêmeras. O importante para a caracterização como conduit company foi a efemeridade de suas participações no negócio, em si. Em curto lapso, simplesmente por sua interposição em negócio jurídico, foi capaz de causar efeitos tributários, não em si mesma, mas na pessoa jurídica que efetivamente ocupava um dos polos da operação negocial perpetrada. Conforme se observa, os pontos destacados por Greco ressaltam aos olhos no caso concreto, pois as operações perpetradas pela Recorrente foram estruturadas em sequência, sem qualquer propósito negocial que não seja a mera economia tributária. Ou seja, utilizouse de sociedades de passagem a fim de que a mais valia na aquisição de ações contabilizada como ágio e que deveria compor o custo do investimento para fins de apuração de ganho de capital , após imediata incorporação reversa entre investida e investidora (empresa veículo), se transformasse em despesa dedutível na Recorrente mediante transferência do ágio a ser amortizado. Por esses motivos, nego provimento ao recurso quanto a amortização dos ágios mediante utilização de empresas veículo. Especificamente em relação ao denominado “ágio BPART”, em que se visou ao fechamento do capital da Recorrente, convém tecer comentários complementares. De acordo com o caput do art. 30 da LSA, a regra geral é que “A companhia não poderá negociar com as próprias ações”. Caberia a análise quanto à exceção contida na alínea "b", do parágrafo 1°, do artigo 30 da LSA10 a fim de verificar se o valor envolvido na operação superaria o montante de lucros e reservas da Recorrente, o que viabilizaria a aquisição das próprias ações, sem contudo, alterar seus efeitos contábeis, conforme se demonstrará a seguir. Na operação analisada, entendo que se tornou evidente que ao final, de fato, a Recorrente adquiriu suas próprias ações. Para tanto, utilizouse de BPART como empresa 10 Art. 30. A companhia não poderá negociar com as próprias ações. § 1º Nessa proibição não se compreendem: [...] b) a aquisição, para permanência em tesouraria ou cancelamento, desde que até o valor do saldo de lucros ou reservas, exceto a legal, e sem diminuição do capital social, ou por doação; [...] Fl. 8294DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.295 82 veículo na aquisição de tais ações. A consequência contábil de tal interposição foi possibilitar que a “mais valia” na aquisição das ações fosse contabilizada por BPART como ágio. Ato contínuo, BPART foi incorporada pela Recorrente. A consequência fiscal da última operação foi possibilitar à Recorrente a amortização de tal ágio, reduzindo as bases de cálculo de IRPJ e CSLL. É importante ressaltar que não está se afirmando que o Grupo Bunge não poderia adquirir as ações de uma das empresas do conglomerado, mas sim que o modo como a operação foi estruturada acabou por configurar a aquisição das próprias ações, com repercussão também no âmbito fiscal. Analisamse ainda os efeitos de tal operação nos resultados da Recorrente. Ao adquirir suas próprias ações as pessoas jurídicas devem adotar tratamento contábil específico e determinado. Caso as operações fossem corretamente contabilizadas a aquisição das próprias ações deveria ser registrada em conta retificadora do patrimônio líquido – ações em tesouraria, e não como ágio. O processo de aquisição das próprias ações não está sujeito ao mesmo regramento do ágio quando há o pagamento de mais valia em tal operação. O Manual de Contabilidade Societária da FIPECAFI11 explicita: a) a aquisição de ações de emissão própria é uma transação de capital da companhia com seus sócios, não devendo afetar o resultado; b) a operação de compra de ações pela própria companhia é como se fosse uma devolução de patrimônio líquido, motivo pelo qual a conta que as registra (devedora, com título de “Ações em Tesouraria”) deve ser apresentada como conta redutora do patrimônio (conforme artigo 182, parágrafo 5º, da Lei 6.404 de 1976); e c) as ações adquiridas devem ser contabilizadas na conta de ações em tesouraria por seu custo de aquisição, ou seja, pelo preço pago ao detentor das referidas ações.” (grifos do original) Por conseguinte, sob o aspecto tributário, caso a aquisição das ações da Recorrente não tivesse sido tratada como aquisição de investimento, mas sim como aquisição das próprias ações, não haveria efeitos sobre seus resultados, uma vez que o tratamento contábil dado às aquisições das próprias ações influenciaria tão somente contas patrimoniais. Logo, além da vedação a negociação com as próprias ações (art. 30 da LSA), podese concluir que também o aspecto tributário levou a Recorrente a estruturar a operação de aquisição de suas próprias ações de modo artificial, burlando não só a legislação societária, mas ferindo de morte também princípios norteadores de nosso arcabouço jurídico, em especial, o princípio da capacidade contributiva. Em resumo: analisandose o cenário, constatase que a Recorrente desejava adquirir ações de sua própria emissão em poder de terceiros. Contudo, o art. 30 da LSA veda, em regra, que a companhia negocie com as próprias ações. Por meio de operações sucessivas, mediante utilização de empresa veículo (BPART), a Recorrente, ao final de todas as etapas, passou a deter suas próprias ações. Cumpre ressaltar que a detecção de desrespeito à legislação societária, pura e simplesmente, não é objeto do trabalho da RFB. Contudo, quando tal conduta 11 Manual de Contabilidade Societária – São Paulo – Editora Atlas – 2010 – Item 20.6 – Ações em Tesouraria (folhas 803 a 805). Fl. 8295DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.296 83 passa a gerar reflexos tributários, não se pode olvidar que a autoridade fiscal não só pode, mas deve, a teor do disposto no art. 142 do Estatuto Tributário, apurar o crédito tributário eventualmente recolhido a menor. Frisese: não houve aquisição de investimentos, mas sim aquisição das próprias ações. Como consequência, a mais valia na aquisição sequer poderia afetar o resultado da Recorrente. Observase que, no caso em exame, sem a utilização de empresa veículo, não haveria a criação do ágio, pois os efeitos contábeis da operação seriam retratados diretamente no patrimônio líquido da Recorrente, conforme já abordado. De igual forma, tornarseia evidente a infringência à legislação societária relativa à aquisição das próprias ações. É de pouco relevo se BPART efetivamente operava, ou se sua existência foi efêmera. O importante para a caracterização como conduit company foi a efemeridade de sua participação no negócio, em si. Em curto lapso, simplesmente por sua interposição em negócio jurídico, foi capaz de causar efeitos tributários, não em si mesma, mas na pessoa jurídica que efetivamente ocupava um dos polos da operação negocial perpetrada, qual seja, a Recorrente. E, frisese, o papel da conduit company serviu, no caso concreto, a uma só vez, para fraudar a legislação societária e diminuir a carga tributária da Recorrente, verdadeira adquirente de suas próprias ações. Além de tais causas, não houve comprovação de outro papel por parte de BPART. Por fim, é imperioso esclarecer que a autuação baseiase exclusivamente nos passos intermediários da reorganização societária e dos seus efeitos tributários. Não se contestam, pois, os demais aspectos da reorganização, bem como suas consequências em outras searas. Tecidas as observações pertinentes, peço vênia a Marco Aurélio Greco para tomar como minhas suas conclusões, que muito se encaixam no fechamento do meu entendimento sobre o caso, em especial o conflito entre livre iniciativa e solidariedade: Minha concepção ideológica é de que sempre haverá de ponderar os dois conjuntos de valores; ou seja, para mim o ponto de partida é o de que ambos devem estar sentados à mesa para dialogar. Vale dizer, não é a rigor um “ponto” de partida, mas uma “dualidade” de partida. Não há caso que não envolva dois tipos de valores. Isso está escrito com todas as letras no artigo 3º, I, da Constituição de 1988 – quando formula os objetivos do Estado brasileiro – ao estabelecer que um deles é o de construir uma sociedade livre, justa e solidária. Formulação linguística muito feliz, pois coloca numa ponta a liberdade (típica do Estado de Direito) e, na outra ponta, a solidariedade (típica do Estado Social) e entre elas a justiça que resultará da ponderação das duas. Ou seja, só vamos ter justiça se e quando houver ponderação entre os valores liberdade e solidariedade. 12 Entendo que, pelas conclusões já expostas, não se pode acatar as deduções a título de ágio realizadas pela Recorrente. Isso posto, a dedução de tal ágio não pode prevalecer, mantendose, nesse ponto, a decisão recorrida. DA INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO 12 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 5354. Fl. 8296DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.297 84 Por fim, alegou a Recorrente que a cobrança de juros sobre a multa de ofício seria ilegal. O R. Relator votou por dar provimento ao recurso. Divirjo de seu posicionamento. Observase, inicialmente, que a questão tem sido objeto intenso debate pela Câmara Superior, haja vista que, num lapso de poucos meses, ocorreram votações em sentidos opostos, ambos decididos por maioria apertada de votos, como se verifica dos acórdãos n° 910100539, de 11/03/2010, e n° 910100.722, de 08/11/2010. Abstraindose de argumentos finalísticos, como o enriquecimento ilícito do Estado, os quais fogem à alçada deste tribunal administrativo, conforme determina a Súmula CARF n° 2, expõese os fundamentos considerados suficientes para justificar a cobrança nos presentes autos, com espelho no acórdão n° 910100539, de 11/03/2010, de lavra da Conselheira Viviane Vidal Wagner. O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Fl. 8297DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.298 85 Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago''" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, , compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses Fl. 8298DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.299 86 tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). §1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). §3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Fl. 8299DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.300 87 Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n.) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos: Fl. 8300DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720026/201113 Acórdão n.º 1402001.460 S1C4T2 Fl. 8.301 88 Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No que se refere ao período de 01/01/1995 a 31/12/1996, sustentam alguns que o Parecer MF/SRF/Cosit nº 28/98 teria deixado claro não ser exigível a incidência de juros sobre a multa de ofício tendo em vista as disposições do inciso I, do art. 84, da Lei nº 8.981/95. O mencionado Parecer, ainda que conclua pela incidência dos juros sobre a multa de ofício para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, de fato manifestase nos termos dessa tese. Entretanto, constatase que o referido Ato Administrativo não levou em consideração a alteração legislativa trazida pela MP nº 1.110, de 30/08/95, que acrescentou o § 8º ao art. 84, da Lei 8.981/95, e que estendeu os efeitos do disposto no caput aos demais créditos da Fazenda Nacional cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Isso posto, voto por manter a exigência de juros moratórios sobre a multa de ofício lançada. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Redator Designado Fl. 8301DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10925.901459/2012-04
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 14 59 /2 01 2- 04 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.901459/201204 Acórdão n.º 3801004.254 S3TE01 Fl. 49 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.901459/201204 Acórdão n.º 3801004.254 S3TE01 Fl. 50 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de Declaração de Compensação – PER/Dcomp nº 41369.61324.181209.1.3.043707, por meio da qual a contribuinte, acima identificada, intenta compensar débito próprio com crédito relativo a pagamento indevido ou efetuado a maior a título de Contribuição para o PIS não cumulativa, com apuração em 31/05/2007. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRF pela não homologação da compensação (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendo o com base na constatação da inexistência do crédito informado, pois o valor do “DARF discriminado no PER/DCOMP” havia sido “integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada com a não homologação de sua compensação, a contribuinte manifestouse alegando: que retificou o Dacon do período para efetuar a inclusão de todos os créditos a que tinha direito, anteriormente não declarados; que no ajuste entre débitos e créditos verificou que efetuara pagamentos a maior da contribuição; e que para, recuperar tal valor, protocolou pedido de restituição e, posteriormente, utilizou o crédito em compensação de débitos próprios. Assim, defende que o crédito utilizado na Dcomp em debate pode ser confirmado no Dacon retificador do período e que não se justifica sua não homologação sob a alegação de falta de crédito, considerando que não foi analisado o pedido de restituição referente ao Darf pago a maior e, tampouco, o Dacon retificador que demonstra os valores de débitos e créditos. Requer o acolhimento da manifestação de inconformidade e homologação da compensação.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o argumento de que o recolhimento alegado como origem do crédito estava alocado para a quitação de débito confessado e que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passa a ter o pretendido crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei: Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário repisando, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade. É o Relatório. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.901459/201204 Acórdão n.º 3801004.254 S3TE01 Fl. 51 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração do PIS e da Cofins não cumulativos que teriam sido pagos a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DACON. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A recorrente alega que o crédito em debate teve origem na correta constituição de créditos de PIS e Cofins autorizados pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, os quais a Recorrente havia constituído apenas parcialmente na Dacon original, que retificou a Dacon do período para a inclusão dos créditos e que não retificou as DCTFs por julgar o Dacon o documento demonstrativo suficiente para este fim. De fato, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, não havendo norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico, devendo ser consideradas as declarações apresentadas como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro no preenchimento da DACON original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.901459/201204 Acórdão n.º 3801004.254 S3TE01 Fl. 52 5 No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF ou na DACON situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10670.721050/2012-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
NULIDADE. INOBSERVÂNCIA DOS PRAZOS DE CONTINUIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. Evidenciada a regularidade das intimações e termos de continuidade do procedimento fiscal, bem como das prorrogações de prazo de conclusão do Mandado de Procedimento Fiscal, não há prejuízo à validade do lançamento.
OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS NÃO ESCRITURADAS. DEMONSTRAÇÃO INSUFICIENTE. Irregularidades formais em contratos de mútuo entre pessoas jurídicas ligadas não são suficientes para descaracterizar as operações alegadas. A apresentação de notas fiscais evidenciando o fornecimento futuro de produtos, motivadores dos adiantamentos de recursos recebidos no período fiscalizado, fragiliza a presunção fiscal de que as vendas teriam ocorrido no período autuado, se outras evidências não são reunidas pela autoridade lançadora para reforçar a acusação fiscal.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITURAÇÃO. Afastada a acusação de omissão de receitas superiores a 90% das receitas do período fiscalizado, e ausentes outras evidências de imprestabilidade da escrituração comercial e fiscal, não se justifica o arbitramento dos lucros, e a exigência dos tributos incidentes sobre o lucro é por inteiro cancelada, na medida em que não é possível aperfeiçoá-la, em julgamento, para manter apenas os créditos tributários que seriam devidos na sistemática do lucro real anual. AFASTAMENTO DO REGIME CUMULATIVO PARA APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE O FATURAMENTO. Ante a improcedência do arbitramento dos lucros, as contribuições sobre o faturamento calculadas no regime cumulativo, em razão daquela sistemática de tributação do lucro, são integralmente canceladas, na medida em que não é possível aperfeiçoá-las, em julgamento, para manter apenas os créditos tributários que seriam devidos no regime não-cumulativo.
Numero da decisão: 1101-001.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em: 1) por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto por Carvovale Indústria e Comércio de Produtos Agroindustriais e Florestais Ltda; e 2) relativamente ao recurso voluntário de Abele Travaglia: 2.1) por unanimidade de votos, REJEITAR as argüições de nulidade do lançamento; e 2.2) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir integralmente as exigências de IRPJ, CSLL, COFINS e Contribuição ao PIS e a responsabilidade tributária imputada ao recorrente, divergindo o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão, que mantinha as exigências de COFINS e Contribuição ao PIS, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni, José Sérgio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 NULIDADE. INOBSERVÂNCIA DOS PRAZOS DE CONTINUIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. Evidenciada a regularidade das intimações e termos de continuidade do procedimento fiscal, bem como das prorrogações de prazo de conclusão do Mandado de Procedimento Fiscal, não há prejuízo à validade do lançamento. OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS NÃO ESCRITURADAS. DEMONSTRAÇÃO INSUFICIENTE. Irregularidades formais em contratos de mútuo entre pessoas jurídicas ligadas não são suficientes para descaracterizar as operações alegadas. A apresentação de notas fiscais evidenciando o fornecimento futuro de produtos, motivadores dos adiantamentos de recursos recebidos no período fiscalizado, fragiliza a presunção fiscal de que as vendas teriam ocorrido no período autuado, se outras evidências não são reunidas pela autoridade lançadora para reforçar a acusação fiscal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITURAÇÃO. Afastada a acusação de omissão de receitas superiores a 90% das receitas do período fiscalizado, e ausentes outras evidências de imprestabilidade da escrituração comercial e fiscal, não se justifica o arbitramento dos lucros, e a exigência dos tributos incidentes sobre o lucro é por inteiro cancelada, na medida em que não é possível aperfeiçoá-la, em julgamento, para manter apenas os créditos tributários que seriam devidos na sistemática do lucro real anual. AFASTAMENTO DO REGIME CUMULATIVO PARA APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE O FATURAMENTO. Ante a improcedência do arbitramento dos lucros, as contribuições sobre o faturamento calculadas no regime cumulativo, em razão daquela sistemática de tributação do lucro, são integralmente canceladas, na medida em que não é possível aperfeiçoá-las, em julgamento, para manter apenas os créditos tributários que seriam devidos no regime não-cumulativo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em: 1) por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto por Carvovale Indústria e Comércio de Produtos Agroindustriais e Florestais Ltda; e 2) relativamente ao recurso voluntário de Abele Travaglia: 2.1) por unanimidade de votos, REJEITAR as argüições de nulidade do lançamento; e 2.2) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir integralmente as exigências de IRPJ, CSLL, COFINS e Contribuição ao PIS e a responsabilidade tributária imputada ao recorrente, divergindo o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão, que mantinha as exigências de COFINS e Contribuição ao PIS, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni, José Sérgio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre e Antônio Lisboa Cardoso.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2394; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10670.721050/201237 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101001.149 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de julho de 2014 Matéria IRPJ e Reflexos Omissão de Receitas Arbitramento Recorrente CARVOVALE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS AGROINDUSTRIAIS E FLORESTAIS LTDA (Responsável tributário: Abele Travaglia) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPÇÃO. Não se conhece de recurso voluntário apresentado pelo devedor principal após o decurso do prazo especificado no art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Todavia, são apreciadas as idênticas razões expressas em recurso voluntário tempestivamente interposto por responsável solidário pelo crédito tributário, mas apenas na parte em que lhe foi atribuída responsabilidade, restando definitivamente constituídos os créditos tributários lançados exclusivamente em face da pessoa jurídica. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 NULIDADE. INOBSERVÂNCIA DOS PRAZOS DE CONTINUIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. Evidenciada a regularidade das intimações e termos de continuidade do procedimento fiscal, bem como das prorrogações de prazo de conclusão do Mandado de Procedimento Fiscal, não há prejuízo à validade do lançamento. OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS NÃO ESCRITURADAS. DEMONSTRAÇÃO INSUFICIENTE. Irregularidades formais em contratos de mútuo entre pessoas jurídicas ligadas não são suficientes para descaracterizar as operações alegadas. A apresentação de notas fiscais evidenciando o fornecimento futuro de produtos, motivadores dos adiantamentos de recursos recebidos no período fiscalizado, fragiliza a presunção fiscal de que as vendas teriam ocorrido no período autuado, se outras evidências não são reunidas pela autoridade lançadora para reforçar a acusação fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 10 50 /2 01 2- 37 Fl. 8061DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.721050/201237 Acórdão n.º 1101001.149 S1C1T1 Fl. 3 2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITURAÇÃO. Afastada a acusação de omissão de receitas superiores a 90% das receitas do período fiscalizado, e ausentes outras evidências de imprestabilidade da escrituração comercial e fiscal, não se justifica o arbitramento dos lucros, e a exigência dos tributos incidentes sobre o lucro é por inteiro cancelada, na medida em que não é possível aperfeiçoála, em julgamento, para manter apenas os créditos tributários que seriam devidos na sistemática do lucro real anual. AFASTAMENTO DO REGIME CUMULATIVO PARA APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE O FATURAMENTO. Ante a improcedência do arbitramento dos lucros, as contribuições sobre o faturamento calculadas no regime cumulativo, em razão daquela sistemática de tributação do lucro, são integralmente canceladas, na medida em que não é possível aperfeiçoálas, em julgamento, para manter apenas os créditos tributários que seriam devidos no regime não cumulativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em: 1) por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto por Carvovale Indústria e Comércio de Produtos Agroindustriais e Florestais Ltda; e 2) relativamente ao recurso voluntário de Abele Travaglia: 2.1) por unanimidade de votos, REJEITAR as argüições de nulidade do lançamento; e 2.2) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir integralmente as exigências de IRPJ, CSLL, COFINS e Contribuição ao PIS e a responsabilidade tributária imputada ao recorrente, divergindo o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão, que mantinha as exigências de COFINS e Contribuição ao PIS, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni, José Sérgio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 8062DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.721050/201237 Acórdão n.º 1101001.149 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório CARVOVALE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS AGROINDUSTRIAIS E FLORESTAIS LTDA e responsável tributário Abele Travaglia, já qualificados nos autos, recorrem de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora/MG que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 30 e 31/07/2012, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 4.781.858,37. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 74/119 a autoridade lançadora inicialmente descreve as diversas intimações que, apesar das prorrogações concedidas, não foram atendidas; discorre sobre as alterações do quadro social; e relata a opção pelo lucro real anual no anocalendário 2008, as DCTF apresentadas sem informação de qualquer débito, e a inexistência de pagamentos no período. Na seqüência, no capítulo referente ao arbitramento dos lucros, observa que os Livros Diário do período fiscalizado somente foram autenticados no curso do procedimento fiscal. Aborda, então, a comprovação exigida para os depósitos bancários verificados ao longo do anocalendário 2008, em valores significativamente superiores às receitas escrituradas/declaradas, bem como os esclarecimentos requeridos acerca de diversos pagamentos não escriturados pela contribuinte, de passivos contabilizados a título de mútuos não financeiros, e da evolução crescente dos créditos com pessoas ligadas. Em resposta, dentre outras alegações, a contribuinte vinculou depósitos a recebimentos de clientes relativos a anos anteriores e informou que a maior parte dos recebimentos, no montante de R$ 9.384.641,23, referemse a adiantamentos recebidos para custeio de projetos florestais, reflorestamento de florestas de eucalipto, a serem faturados aos clientes na época da exploração, sendo R$ 9.325.273,00 provenientes de Rotavi Industrial Ltda ROTAVI, escriturados a título de empréstimo, mas dissociados de qualquer documentação de suporte. Apenas pequena parte dos pagamentos foram comprovados, assim como foram prestados esclarecimentos acerca das relações mantidas com ROTAVI, inclusive quanto ao erro na classificação dos créditos como de pessoas ligadas. A autoridade fiscal faz diversas considerações a respeito dos esclarecimentos prestados pela contribuinte, observando que os vultosos saldos a título de MÚTUO NÃO FINANCEIRO contabilizados no passivo exigível a longo prazo foram zerados em 2009, reportandose a operações com Italmagnésio Nordeste S/A, e consignando que ROTAVI foi admitida como sócia da autuada em alteração contratual registrada depois do início do procedimento fiscal. Aborda, ainda, as relações entre ROTAVI e a autuada, as alterações societárias da primeira, as filiais que ela possui com a expressão “Carvovale” na denominação das fazendas, e a participação dos responsáveis de ambas no quadro social de Trablin Trading Brasileira Ligas e Inoculantes S/A TRABLIN. Informa que, dando continuidade ao procedimento fiscal, exigiu a apresentação de documentos hábeis e idôneos que comprovassem as operações antes alegadas, bem como justificassem operações que restaram sem qualquer esclarecimento, inclusive identificando beneficiário e causa de pagamentos, assim como demonstrando a quitação do Fl. 8063DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.721050/201237 Acórdão n.º 1101001.149 S1C1T1 Fl. 5 4 passivo de R$ 46.662.305,76 zerado ao longo do anocalendário 2009. A contribuinte, porém, limitouse a apresentar demonstrativos para parte dos valores questionados, sem qualquer documentação de suporte. Apresentou cópia de contrato de adiantamento de recursos financeiros por conta de produção, firmado com Rotavi Componentes Automotivos Ltda, sem indicação de CNPJ, reconhecimento de firma ou testemunhas, associado a demonstrativos de valores recebidos. Quanto aos pagamentos, disse referirse a despesas/custos futuros, e no que tange a pagamentos especificados em borderôs, nada apresentou. A autoridade fiscal também intimou ROTAVI a demonstrar a aquisição das quotas da autuada originalmente detidas por Abele Travaglia, sendo apresentado contrato de cessão de débito e transferência de direitos e obrigações, sem registro, envolvendo débitos do cedente (Abele Travaglia) com outras pessoas jurídicas e com a cessionária (ROTAVI). Frente a tais circunstâncias, a autoridade lançadora destacou que: 1) os créditos bancários (R$ 10.510.403,096) foram muito superiores às receitas de vendas e de serviços escrituradas (R$ 832.279,84); 2) a contribuinte não apresentou quaisquer documentos para comprovar a origem dos depósitos correspondentes às parcelas de R$ 59.368,23 e R$ 293.482,32; 3) o contrato destinado a comprovar depósitos no valor total de R$ 9.325.273,00 está datado de 14/01/2004, não foi registrado em cartório, não tem reconhecimento de firmas, não apresenta CNPJ da outra contratante e a razão social indicada está errada; 4) há indícios veementes que houve um relacionamento bastante estreito entre o fiscalizado e a ROTAVI INDUSTRIAL LTDA, antes da admissão da ROTAVI no quadro societário do fiscalizado, até porque este explora florestas de eucalipto e antes produzia carvão vegetal, importante insumo na atividade de ROTAVI (produção de ferroligas); 5) vários lançamentos contábeis foram vinculados a Italmagnésio Nordeste S/A, a qual apresenta relações com ROTAVI, que inclusive teria incorporado suas atividades posteriormente; 6) a dívida do fiscalizado com ROTAVI chegou a R$ 40 milhões, sendo inverossímel a existência de empréstimos neste montante; e 7) a autenticação do Livro Diário e a alteração do quadro social da autuada ocorreram depois do início do procedimento fiscal. Concluiu, assim, que não foi comprovada a origem dos depósitos bancários em razão das deficiências do contrato apresentado e da anormalidade das operações. Acrescentou que a contribuinte não escriturou receitas de venda de carvão, muito embora vários históricos com esta referência tenham sido localizados em contas transitórias ou vinculadas a pessoas ligadas, apesar de apresentarem histórico “PAGTO CARVÃO”, PGTO TÍTULO CARVÃO” e “TÍTULO CARVÃO”. Destacou, ainda, que os depósitos bancários justificados pelo contrato com ROTAVI foram contabilizados a crédito de conta transitória de transferência, sendo esta debitada em contrapartida a “TÍTULOS A RECEBER – CONTROLADAS E COLIGADAS”, conta submetida a diversas movimentações até que os valores fossem alocados como passivos com controladas/coligadas. Especificou os créditos bancários considerados receitas efetivamente auferidas, observou que a omissão de receitas representou 92,08% das receitas em 2008, destacou que não foram apresentados documentos comprobatórios de pagamentos no total de R$ 2.281.013,33, e enunciou os arts. 1179 a 1194 do Código Civil, além do art. 264 do RIR/99, para justificar o arbitramento dos lucros, com fundamento no art. 530, incisos I, II, alínea “b”, e III, do RIR/99. A receita bruta para fins de arbitramento dos lucros e cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS foi apurada a partir dos valores escriturados como receitas de vendas e Fl. 8064DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.721050/201237 Acórdão n.º 1101001.149 S1C1T1 Fl. 6 5 serviços, bem como das receitas presumidamente omitidas a partir dos indícios de que os créditos bancários provenientes de recursos transferidos pela ROTAVI INDUSTRIAL LTDA e TRABLIN TRADING BRASILEIRA DE LIGAS E INOCULANTES S/A foram provenientes de operações de vendas. Provavelmente de carvão vegetal. Além disso, excluídos os depósitos bancários vinculados a operações com essas duas pessoas jurídicas, aqueles que superaram as receitas declaradas também foram classificados como receitas omitidas. A Fiscalização aplicou multa qualificada, no percentual de 150%, em razão da prática de sonegação, fraude e conluio, dado: 1) a apresentação de DIPJ com informações falsas e de DCTF fraudulentas, 2) a omissão da grande maioria das receitas e a falta de recolhimento de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS sobre elas incidentes; e 3) a simulação de origem dos créditos bancários em conluio com ROTAVI. A aplicação da multa qualificada teve em conta os créditos tributários resultantes das receitas omitidas. A autoridade lançadora também exigiu IRRF sobre os pagamentos no total de R$ 2.281.013,33, acerca dos quais a contribuinte, intimada, não identificou o beneficiário e/ou a causa. Em relação aos créditos tributários daí decorrentes aplicou multa de 75%. Por fim, imputou responsabilidade tributária a Abele Travaglia, administrador da sociedade no anocalendário 2008 e responsável pela escrituração contábil e pelas declarações apresentadas. Fundamentou a acusação nos artigos 121, inciso II, 124, inciso I e 135, inciso III, todos do CTN, e limitoua aos créditos tributários lançados com multa de ofício qualificada, porque caracterizada sonegação fiscal, fraude e conluio, que implicam na responsabilidade tributária pessoal e em sujeição passiva solidária, nos termos da legislação vigente. As impugnações foram assim relatadas na decisão recorrida: O responsável pelo crédito tributário constituído, Sr. Abele Travaglia, apresentou impugnação em separado da empresa autuada, valendose de seu direito de defesa conferido constitucionalmente. Não obstante isso, exceto pelo fato do responsável solidário questionar a sujeição passiva solidária a ele atribuída, os termos, expressões, argumentos e pedidos contidos nas razões de defesa apresentados pelo sujeito passivo solidário, Sr. Abele Travaglia, e pela empresa autuada, CARVOVALE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS AGROINDUSTRIAIS E FLORESTAIS LTDA., guardam identidade de conteúdo e de forma entre si, ou seja, são idênticos. Disso resulta que a análise a ser feita servirá, ao mesmo tempo, para ambas as impugnações apresentadas. Devidamente cientificados, assim argumentaram: preliminarmente, suscita a nulidade do procedimento fiscal, uma vez que não restaram obedecidos os prazos dispostos no art. 7º do Decreto n.º 70.235/72; no mérito: a) aduz não haver qualquer omissão de receita, posto que os valores indicados pelo i. Auditor Fiscal representam meros ingressos, tal como demonstrado por meio de contratos de adiantamento firmados entre a empresa Carvovale e seus clientes; b) prossegue dizendo que, em razão da inexistência de omissão de receita, não há que se falar em fraude, sonegação ou conluio, bem como na suposta ausência ou insuficiência no recolhimento de tributos, já que nenhum valor é devido. Por conseguinte, entende não haver tributo algum a pagar; Fl. 8065DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.721050/201237 Acórdão n.º 1101001.149 S1C1T1 Fl. 7 6 c) ad argumentandum tantum, alega que mesmo que se entendesse a existência de supostos créditos tributários, não seria possível o arbitramento realizado, uma vez que o i. Auditor Fiscal tomou pleno conhecimento, durante a ação de fiscalização, dos documentos que comprovam os ingressos realizados. Assim, o referido arbitramento há de ser desconsiderado uma vez que plenamente conhecida a receita da empresa Carvovale. Por esta razão, ainda que houvesse imposto a pagar, o montante devido não corresponde ao valor apontado no presente auto; d) suscita ainda que o percentual de 150% referente à multa aplicada não pode prosperar, tendo em vista que tal percentual não é cabível nas hipóteses de arbitramento, sendo tal multa insubsistente e desproporcional; e) por fim, protesta contra a aplicação da Taxa Selic como índice de juros de mora. Acrescentese a isso o fato do Sr. Abele Travaglia, em sua peça de defesa, também aduzir não se encontrarem presentes os requisitos legais para a responsabilização do sócioadministrador. A seguir, arrazoam de forma mais aprofundada sobre todas as alegações anteriormente expostas, solicitando, ao fim, a anulação do auto de infração, bem como o afastamento da multa imputada ou a sua correspondente redução. Protestam ainda provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente pela juntada de novos documentos, e solicita a concessão do prazo de 5 dias para a juntada da procuração original. Regularizada a representação processual dos impugnantes (fls. 7809/7834), a Turma Julgadora rejeitou os argumentos de defesa aduzindo que: · O decurso do prazo previsto no art. 7o, inciso I, §2o do Decreto nº 70.235/72 enseja apensa a reaquisição da espontaneidade e não afeta a validade do lançamento, mormente tendo em conta sua formalização por autoridade competente, a clareza e precisão dos fatos descritos e a regularidade do enquadramento legal, conferindose o prazo legal para defesa dos acusados; · A prova documental deve ser apresentada por ocasião da impugnação, e a prova pericial deve ser justificada, com indicação de perito. · Nos casos de sonegação fiscal, fraude/simulação e conluio é patente a dificuldade de se encontrar prova direta sobre os atos/negócios praticados, ganhando relevo os indícios e provas indiretas carreadas aos autos. Destacando a recusa, reiterada, da contribuinte em apresentar documentação comprobatória dos pagamentos realizados e a utilização de artifícios para ocultar do conhecimento da autoridade tributária a sua verdadeira Receita Bruta/Movimentação Financeira, e reproduzindo excertos da acusação fiscal, concluiu demonstrado que os créditos bancários provenientes de recursos transferidos pela ROTAVI INDUSTRIAL LTDA. e TRABLIN TRADING BRASILEIRA DE LIGAS E INOCULANTES S/A foram provenientes de vendas, e afirmou correto o arbitramento dos lucros; · Confirmada a omissão de receitas, correta também se mostra a aplicação da multa qualificada, na medida em que as operações realizadas entre a empresa fiscalizada, as empresas ROTAVI INDUSTRIAL LTDA, TRABLIN TRADING BRASILEIRA DE LIGAS E INOCULANTES S/A e ITALMAGNÉSIO NORDESTE S/A, e os senhores Abele Travaglia e Sidênio Joaquim Ferreira Costa (respectivos sócios/representantes das empresas), confirmam, de forma inconteste, a fraude/simulação levada a efeito e a prática de conluio entre eles, tudo com o intuito de sonegar tributos. Fl. 8066DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.721050/201237 Acórdão n.º 1101001.149 S1C1T1 Fl. 8 7 · Todos esses fatos apontam para uma única conclusão possível: o dolo da contribuinte em sonegar (art. 71, I, da Lei nº 4.502/64) os referidos tributos e contribuições federais. Não há outra explicação razoável para tal. Teria sido por mero esquecimento que a empresa deixou de escriturar a sua movimentação financeira; que apresentou suas declarações com omissão de receita (DIPJ/2009) ou mesmo com valores zerados (DCTFs), não informando ao Fisco federal os valores dos tributos e contribuições efetivamente devidos no ano fiscalizado (2008). E quanto a não apresentação da documentação exigida pela legislação comercial e fiscal? Será que não se tinha conhecimento dos fatos? Qualquer pessoa com um mínimo de bomsenso não acreditaria nisso. · Tendo em conta o conceito de dolo, a importância das declarações entregues ao Fisco e excluída a possibilidade de erro, a documentação carreada aos autos e os fatos relatados comprovam o dolo e a fraude cometidos quando do lançamento por homologação do tributo, isto é, quando o contribuinte, tendo o dever legal de prestar informações acerca dos fatos geradores ocorridos e antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, omitiu fatos e sonegou tributos. · Abele Travaglia esteve sob o comando da empresa durante todo o período fiscalizado, ou seja, tinha plena consciência dos atos/fatos praticados, nestes inclusos a fraude/simulação praticada, a sonegação fiscal e o conluio evidenciado. Assim, mais que indícios, o trabalho fiscal está a demonstrar claramente que, na verdade, a pessoa jurídica autuada foi utilizada pelo Sr. Abele Travaglia para realizar negócios de seu interesse, relegando àqueles a responsabilidade pelo pagamento dos tributos e contribuições devidos e não pagos. Demonstrado, portanto, o interesse comum, a sujeição passiva solidária deve ser mantida em sua integralidade. · A taxa SELIC tem previsão legal para sua aplicabilidade. A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 13/05/2013 (fl. 7881/7882) e em 13/06/2013 a autoridade administrativa local lavrou termo de perempção (fl. 7885), verificandose a interposição de recurso voluntário na mesma data (fls. 7884/7926). Aponta preliminarmente a nulidade do procedimento fiscal em razão de a autoridade não ter observado, por mais de uma vez, o prazo de 60 (sessenta) dias para sua continuidade, o que também torna nulo o lançamento. Ademais, a autoridade fiscal também não teria observado o prazo consignado pelo art. 11, inciso I da Portaria RFB nº 3014/11, deixando de lavrar termo de continuidade do procedimento fiscal antes de transcorridos 120 (cento e vinte) dias do início da fiscalização. Citou julgados administrativos acerca da nulidade do lançamento em razão de vícios no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. No mérito, defende a inocorrência de fraude e de omissão de receitas, argumentando que todas as informações prestadas condizem com os atos e procedimentos efetivamente adotados pela empresa. Classifica os valores recebidos como adiantamentos por conta de futuras vendas de carvão vegetal, oriundo de projetos florestais, inclusive no plantio e desenvolvimento de mudas de eucalipto, descreve o processo de obtenção de carvão vegetal para afirmar a necessidade de um tempo mínimo de 5 (cinco) anos para a finalização e possibilidade de venda do produto final, e conclui que por meio dos créditos recebidos a Recorrente pôde financiar todo o processo produtivo do carvão, remetendoo, após concluído, para o financiador da produção, destacando que o contrato de adiantamento foi firmado em Fl. 8067DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.721050/201237 Acórdão n.º 1101001.149 S1C1T1 Fl. 9 8 2004, de modo que apenas a partir de 2009 o produto estaria apto a venda. E, neste sentido, reportase a notas fiscais de venda de carvão para ROTAVI a partir de 2010. Argumenta que Rotavi era a maior destinatária da produção, o que justificaria os adiantamentos, e reportase à compatibilidade entre a receita omitida (R$ 9.678.123,25) e o adiantamento acordado (R$ 10.000.000,00). Entende que os indícios, valorizados pela autoridade julgadora de 1a instância ante a dificuldade de se obter prova direta em caso de fraude, não podem se sobrepor às provas da defesa, pois na verdade aquela dificuldade decorre do fato de inexistirem as provas, já que não houve fraude. Aponta, ainda, a compatibilidade das variações de seu Passivo Exigível a Longo Prazo com os gastos realizados com florestamento e reflorestamento em 2008, com vistas à produção de carvão vegetal. Defende a regularidade das declarações prestadas, na medida em que até 2010 não lhe era possível vender a produção, centrandose suas atividades na produção e maturação do carvão vegetal. Opõese, também, à acusação de conluio, afirmando a regularidade do contrato de adiantamento e reportandose novamente às vendas promovidas em 2010. Discorda do arbitramento dos lucros, na medida em que não houve omissão de receitas, restando descaracterizada a alegada imprestabilidade de sua escrituração. Invoca o art. 148 do CTN, cita doutrina, destaca que apresentou à Fiscalização seus arquivos contábeis e defende o cancelamento integral da exigência, reportandose a julgados administrativos contrários ao arbitramento dos lucros com base em simples alegação de irregularidades. Ainda, caso se entenda que algum valor seria devido, diz que a penalidade no percentual de 150% é exorbitante, e reafirma que inexiste sonegação, fraude ou conluio que a justifique. Transcreve ementas de julgados administrativos em favor de seu entendimento, destaca que a acusação está calcada em indícios, e afirma o efeito confiscatório da penalidade, bem como a ofensa ao princípio da proporcionalidade, na forma de doutrina que cita. Faz referências a manifestações do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça e destaca que a multa imposta equivale a 42,684% do total da cobrança ora imputada. Por fim, questiona a utilização da taxa SELIC no cálculo de juros de mora. O responsável tributário Abele Travaglia foi cientificado da decisão de primeira instância em 27/05/2013 (fls. 7883/7884) e apresentou recurso voluntário tempestivamente em 25/06/2013 (fls. 7965/8022), no qual preliminarmente se opõe à responsabilização, observando que o patrimônio dos sócios e acionistas não se comunica com o da sociedade, de modo que a incidência daquela somente se verifica em hipóteses excepcionais, como previsto no art. 135 CTN, relativamente a atos ilícitos, distintos do fato jurídico tributário e ocorridos em momento antecedente à efetivação do evento tributário, consoante doutrina que cita. Transcreve jurisprudência administrativa exigindo a comprovação de dolo do agente. Conclui que para que haja a incidência da norma de responsabilidade é imperiosa a presença do executor material, partícipe ou mandante da infração que resultou na prática do fato jurídico tributário, cita manifestações da Procuradoria da Fazenda Nacional, do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal acerca do tema, acrescentando que deixar de pagar determinado tributo não é considerado como dolo específico, necessário para a caracterização da responsabilidade tributária. Discorre sobre a caracterização de excesso de poder, infração de lei e infração ao contrato social ou estatuto, discorda da responsabilização em razão de qualquer ato Fl. 8068DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.721050/201237 Acórdão n.º 1101001.149 S1C1T1 Fl. 10 9 contrário à lei, sob pena de não subsistir separação patrimonial e autonomia da personalidade jurídica, transcreve outros excertos doutrinários e cita jurisprudência acerca da necessidade da prova do ato ilícito e doloso, cabendo este ônus, exclusivamente ao credor público. Acrescenta que na hipótese de infração ao contrato social ou estatuto o administrador responde pessoalmente pelos débitos advindos da prática ilícita. No caso presente, assevera que exercia cargo de diretoria à época dos fatos geradores, mas não há presença de dolo para justificar a responsabilização, quer do responsável, quer da empresa autuada, na medida em que não houve omissão de receitas. De toda sorte, ainda que assim não fosse, sua responsabilização somente seria possível de comprovada sua atuação dolosa, sob pena de ofensa aos princípios do nãoconfisco e da propriedade. Observa que as receitas efetivamente auferidas pela empresa foram consignadas em sua declaração, inexistindo qualquer infração à lei ou estatuto social. Afirma temerária a inclusão do Recorrente como responsável na autuação sem que, ao menos, exista um único documento que demonstre que o Recorrente teria concorrido com o suposto ato doloso alegado pelo i. agente fiscal, nos termos do art. 135, III do CTN. Diz que o ônus da prova é do Fisco, e discorda da decisão recorrida por entender que o dolo não pode ser presumido. Entende necessárias provas que evidenciem não só a prática do agente, como sua intenção em atingir determinado ilícito, o que não ocorre no caso em tela. Complementa que esta prova não seria possível ante sua inequívoca boafé, e diz ser absurda a inferência de que, em razão de sua gerência, tinha ciência das infrações apuradas, porque dissociada de qualquer prova. Pede, assim, sua exclusão da autuação e, na seqüência, reproduz os mesmos argumentos da contribuinte autuada no sentido da nulidade do procedimento fiscal, da ausência de fraude, da inexistência de tributos a pagar, da inexistência de conluio, da impossibilidade de arbitramento, da insubsistência da multa e da impossibilidade de utilização da taxa SELIC como índice de juros de mora. O despacho de fl. 8060 encaminha os autos a este Conselho observando que o recurso voluntário interposto pela autuada é intempestivo, e o recurso voluntário interposto pelo responsável é tempestivo. Fl. 8069DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.721050/201237 Acórdão n.º 1101001.149 S1C1T1 Fl. 11 10 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O recurso voluntário apresentado por Carvovale Indústria e Comércio de Produtos Agroindustriais e Florestais Ltda não reúne os requisitos legais para ser admitido. Consoante relatado, em 13/05/2013 a pessoa jurídica foi cientificada, por via postal, da decisão de 1a instância. Todavia, seu recurso voluntário, embora elaborado em 11/06/2013, somente foi apresentado na DRF/Montes Claros em 13/06/2013. O Decreto nº 70.235/72 estabelece que o prazo para recurso voluntário é de 30 dias, contados da ciência da decisão de 1ª instância (art. 33), devendose ter em conta que, a teor do seu art. 5º, parágrafo único, os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Evidenciada a ciência em 13/05/2013 (segundafeira), o prazo para recurso voluntário tem sua contagem iniciada em 14/05/2013 (terçafeira) e finda em 12/06/2013 (quartafeira). Contudo, como visto, a peça de defesa somente foi apresentada em 13/06/2013. Dispõe o art. 35 do Decreto nº 70.235/72 que o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. É certo que a intimação dos sujeitos passivos indicados na autuação somente foi concluída em 27/05/2013, quando cientificado, por via postal, o responsável Abele Travaglia. Contudo, não se cogita, aqui, da prorrogação do termo inicial da contagem previsto no art. 241, inciso III do Código de Processo Civil, na medida em que os arts. 14 e 33 do Decreto nº 70.235/72 estabelecem o prazo para apresentação de impugnação e recurso voluntário unicamente a partir da data em que feita a intimação. Neste sentido, também, é a interpretação exteriorizada pela Secretaria da Receita Federal por meio da Portaria RFB nº 2284/2010: Art. 3º Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. Parágrafo único. Na hipótese do caput, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que tiver sido cientificado do lançamento. Todavia, restando intempestivo o recurso voluntário, a ausência de tal requisito de admissibilidade impede que o litígio se instaure, o que torna o órgão julgador incompetente para apreciar o mérito das alegações veiculadas naquela petição. O presente voto, portanto, é no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto por Carvovale Indústria e Comércio de Produtos Agroindustriais e Florestais Ltda em razão de sua intempestividade. De outro lado, Abele Travaglia somente foi cientificado da decisão de 1a instância em 27/05/2013, de modo que seu recurso voluntário, apresentado em 25/06/2013, é Fl. 8070DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.721050/201237 Acórdão n.º 1101001.149 S1C1T1 Fl. 12 11 tempestivo. Observese, porém, que a responsabilidade tributária a ele atribuída foi limitada aos créditos tributários lançados com multa de ofício qualificada, não alcançando, portanto, as exigências a título de IRRF decorrente de pagamentos a beneficiários não identificados e sem causa, no valor total de R$ 2.586.829,64. Deste modo, nenhuma alegação apresentada por Abele Travaglia pode afetar aquela parcela do lançamento, que assim resta definitivamente constituída, na esfera administrativa. Por sua vez, considerando que Abele Travaglia discute não só a responsabilidade que lhe foi imputada, mas também aspectos formais e o mérito do lançamento, iniciase a análise pelas argüições preliminares de nulidade do lançamento. Inicialmente o recorrente diz que o lançamento seria nulo porque a autoridade fiscal não teria observado, por mais de uma vez, o prazo de 60 (sessenta) dias para sua continuidade. Contudo, como já dito pela autoridade julgadora de 1a instância, o mencionado prazo, previsto no art. 7o, §1o do Decreto nº 70.235/72, diz respeito ao período no qual o sujeito passivo está com sua espontaneidade excluída, impedindo que eventuais infrações sejam denunciadas com vistas à exclusão da penalidade aplicável. Esgotado o prazo sem que outro termo por escrito seja lavrado para comunicação da continuidade dos trabalhos, o sujeito passivo readquire a espontaneidade e pode praticar atos que impeçam a aplicação de penalidades. Mas, se assim não age, como no presente caso, inexiste qualquer impedimento ao lançamento, ou prejuízo à sua validade. E, quanto ao decurso do prazo de 120 (cento e vinte) dias previsto no art. 11, inciso I da Portaria RFB nº 3014/2011, verificase no sítio da Receita Federal na Internet (http://www.receita.fazenda.gov.br/aplicacoes/atpae/mpf/default.asp), a partir do código de acesso fornecido à contribuinte no início do procedimento fiscal (fls. 278/280), que o Mandado de Procedimento Fiscal nº 06.1.08.002011000156 emitido em 20/01/2011, com termo final de execução inicialmente fixado em 20/05/2011, foi sucessivamente prorrogado até 19/07/2011, 17/09/2011, 13/01/2012, 11/05/2012 e 06/09/2012, mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade emitente, nos termos do art. 9o da Portaria RFB nº 3.014/2011. De toda sorte, a autoridade lançadora demonstra, no Termo de Verificação Fiscal, que lavrou intimações e termos de continuidade do procedimento fiscal em 07/02/2011, 10/03/2011, 22/03/2011, 06/04/2011, 09/05/2011, 29/06/2011, 29/07/2011, 23/09/2011, 17/11/2011, 10/01/2012, 05/03/2012 e 25/04/2012, concluindo o procedimento fiscal em 31/07/2012. Não se confirmam, portanto, as irregularidades aventadas pelo recorrente, razão pela qual devem ser REJEITADAS as argüições de nulidade do lançamento. Passando ao mérito, a autoridade lançadora entendeu que a contribuinte fiscalizada não comprovou a quase totalidade dos depósitos bancários verificados em seu favor no anocalendário 2008, e por esta razão, além de presumir que receitas foram omitidas, agregou elementos para afirmar que a maior parte destas omissões decorreriam de receitas de vendas, fato que, associado à falta de comprovação de pagamentos no mesmo período, motivou o arbitramento dos lucros e a qualificação da penalidade, além da imputação de responsabilidade tributária ao recorrente e exigência de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados e sem causa. Analisando o procedimento fiscal acerca dos depósitos bancários no montante de R$ 9.325.573,00, vinculados a operações com ROTAVI e TRABLIN, vêse que a contribuinte apresentou os extratos das quatro contas bancárias mantidas no anocalendário Fl. 8071DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.721050/201237 Acórdão n.º 1101001.149 S1C1T1 Fl. 13 12 2008 (fls. 281 e 531/649), e a partir dos créditos ali consignados, a autoridade fiscal constatou que eles eram significativamente superiores às receitas escrituradas/declaradas referentes ao anocalendário 2008, fato demonstrado à contribuinte por meio de planilhas acompanhadas de intimação para comprovação da origem dos créditos (fls. 676/723). Observando os acréscimos significativos no passivo exigível a longo prazo, requereu também prova dos contratos e demais documentos que suportassem todas as obrigações contraídas em 2008, os pagamentos realizados em 2008 e os saldos contábeis existentes em 31/dez/2007 e 31/dez/2008, além de detalhamentos acerca da relação societária mantida com TRABLIN e ROTAVI, suas credoras, e informações quanto aos saldos do passivo exigível ao longo prazo ao final dos anos calendário 2004 a 2010. Na resposta de fls. 727/1528, dentre outros esclarecimentos, a contribuinte disse que os recebimentos excedentes às receitas auferidas e/ou recebidas no anocalendário 2008, no montante de R$ 9.384.641,23, referiase a Adiantamentos recebidos para custeio de Projetos Florestais (Reflorestamento de Florestas de Eucalipto) a serem faturados aos respectivos Clientes há época de sua exploração. Quanto às relações com TRABLIN e ROTAVI, informou que não havia relação societária no período fiscalizado, mas apenas relações comerciais, em razão de parceria no Plantio e Manutenção de Projetos de Reflorestamento de Eucaliptos, que motivaram adiantamentos por ROTAVI, e por TRABLIN por ordem de ROTAVI, para seu custeio, com posterior compensação em futuro faturamento. A autoridade lançadora exigiu comprovação, por meio de contratos e/ou outros documentos, dos empréstimos contraídos com ROTAVI, bem como da baixa do exigível a longo prazo em 2009. A contribuinte requereu prorrogação de prazo, e por não observar o prazo concedido, foi reintimada (fls. 1554/1570). Na resposta de fls. 1577/1599, a contribuinte apresenta cópia do Contrato de Adiantamento de Recursos Financeiros por Conta de Produção, firmando entre a empresa Rotavi Ltda e Carvovale Ltda, no qual a Rotavi assume o Custeio dos Projetos Florestais administrados pela Carvovale. Entende que com este documento teria comprovado a origem dos valores recebidos no exercício de 2008 no montante de R$ 9.348.641,23 relativo a adiantamentos recebidos para custeio de Projetos Florestais (Reflorestamento de Florestas de Eucalipto). Acrescenta que o montante de R$ 2.073.357,00 foi transferido pela empresa Trablin para a empresa Carvovale por conta e ordem da empresa Rotavi Ltda, uma vez que estas empresas mantém entre si operações estritamente comerciais. Finaliza reiterando que quando da exploração dos respectivos projetos, os valores até então adiantados pela Rotavi Ltda serão compensados com os Valores Faturados pelo contribuinte à época. A cópia do Contrato de Adiantamento de Recursos Financeiros por Conta de Produção está juntada às fls. 1580/1582 e por meio dele ROTAVI, embora denominada Rotavi Componentes Automotivos Ltda, representada por Sidenio Joaquim Ferreira Costa e com sede em São Paulo/SP, abre crédito anual de até R$ 10 milhões em favor de Carvovale Produtora de Carvão Ltda, representada por Abele Travaglia. O crédito é concedido a título de adiantamentos por conta de futuras vendas de carvão vegetal, oriundo de seus projetos florestais, inclusive no plantio e desenvolvimento de mudas de eucaliptos, e seria disponibilizado nas contas bancárias indicadas pela beneficiária, a medida da necessidade de caixa. O adiantamento é pactuado pelo prazo compreendido entre a data de início de plantio até a data da respectiva exploração, considerando o período usual desta cultura, a qual, de acordo com a expectativa das partes ocorrerá entre os anos de 2.004 até o ano de 2.010, iniciados a partir da assinatura do contrato, podendo ser prorrogado por igual período, se assim desejarem as partes. A amortização se efetivaria em parcelas mensais, com a entrega de Fl. 8072DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.721050/201237 Acórdão n.º 1101001.149 S1C1T1 Fl. 14 13 parte da produção de carvão vegetal da contribuinte, com previsão inicial para o primeiro semestre do ano de 2.010. As partes deliberariam mensalmente a quantidade de carvão a ser entregue, conforme o volume de produção da contribuinte. O contrato é assinado pelos representantes das contratantes e por duas testemunhas identificadas pelo nome e registros perante o C.P.F. e o R.G.. Às fls. 1584/1587 a contribuinte individualiza os créditos bancários que teriam sido promovidos diretamente por ROTAVI ou por intermédio de TRABLIN. A autoridade lançadora consigna que o contrato assinado em 14/01/2004: 1) não foi registrado em Cartório e não apresenta reconhecimento de firmas; e 2) não apresenta o CNPJ do primeiro contratante, e o designa como Rotavi Componentes Automotivos Ltda, muito embora sua razão social tenha sido alterada para Rotavi Industrial Ltda em 29/10/2003. Frente a este contexto, e ante as demais evidências reunidas no sentido de que havia um relacionamento bastante estreito entre o fiscalizado e a ROTAVI INDUSTRIAL LTDA, antes da admissão da ROTAVI no quadro societário do fiscalizado, a autoridade lançadora entende inverossímel que uma empresa tenha concedido empréstimos tão vultosos baseados em contrato com as características destacadas, os quais chegaram a superar R$ 40 milhões em 2008. Destacando a demora na autenticação dos Livros Diários do anocalendário 2008, bem como o atraso na apresentação da escrituração contábil digital relativamente aos anoscalendário 2009 e 2010, o agente fiscal conclui que o fiscalizado não comprovou a origem dos créditos bancários nos termos solicitados. Vêse, do exposto, que a autoridade lançadora negou validade ao contrato de adiantamento apresentado em razão das deficiências formais apontadas (falta de registro e reconhecimento de firmas, falta de indicação do CNPJ de Rotavi Industrial Ltda e referência à sua razão social antiga) e do volume de recursos emprestados. Ao final, acrescenta que após o início da fiscalização, a ROTAVI registrou alteração contratual por meio da qual transformou os supostos créditos com o fiscalizado em participação societária, fato interpretado como uma nítida tentativa de tentar “esquentar” as alegadas operações de empréstimos. Ocorre que as deficiências formais antes referidas não se prestam a invalidar o contrato de adiantamento. Especialmente porque as partes são ligadas – como acusa a Fiscalização com sólidos indícios –, nenhum relevo tem a falta de indicação do CNPJ ou o uso da razão social antiga da pessoa jurídica, bem como não é anormal as contratações se verificarem sem o reconhecimento de firmas e sem registro, formalidades que se prestam a garantir a eficácia do contrato perante terceiros, conforme art. 127, I, da Lei nº 6.015/73, e o artigo 221 do Código Civil, a seguir transcritos: Art. 127. No Registro de Títulos e Documentos será feita a transcrição: I – dos instrumentos particulares, para a prova das obrigações convencionais de qualquer valor. [...] Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. (grifou se) Fl. 8073DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.721050/201237 Acórdão n.º 1101001.149 S1C1T1 Fl. 15 14 Assim, cumpriria à autoridade fiscal apurar a efetividade das operações, ou seja, verificar se os recursos adiantados se prestaram à implementação dos projetos florestais destinados à produção de carvão vegetal para futura venda à cedente dos recursos, se as vendas deste produto se confirmaram no futuro, se o credor contabilizou os direitos em face da Fiscalizada, e porque os empréstimos não foram liquidados em razão dos direitos constituídos com tais vendas, mas sim convertidos em participação societária de ROTAVI na fiscalizada, de onde se supõe o aumento de seu capital social. Relevante seria, também, avaliar se ROTAVI foi a efetiva depositária dos recursos, mas este fato restou inconteste na medida em que, para afirmar que os depósitos representavam recebimentos decorrentes de vendas de carvão, a autoridade fiscal implicitamente admitiu ROTAVI como adquirente destes produtos e, portanto, a depositante dos recursos, ou ao menos ordenadora dos depósitos. Observese, porém, que se o contrato de adiantamento representasse, apenas, um mútuo financeiro a prazo certo, sem especificação de pagamento mediante entrega da produção gerada com a aplicação dos recursos mutuados, os depósitos bancários teriam sua origem comprovada com a demonstração do fluxo financeiro entre as parte contratantes e do reconhecimento contábil dos efeitos do mútuo, quais sejam, contabilização de obrigações pela mutuaria e de direitos pela mutuante. Como, no presente caso, uma finalidade específica está agregada ao mútuo, outros aspectos podem ser verificados, mas no plano financeiro a comprovação da origem dos depósitos pouco diferencia daquela exigível no mútuo simples. Por certo a contribuinte, em conluio com ROTAVI, poderiam ter simulado a operação de mútuo para justificar a entrada de recursos financeiros que, em verdade, corresponderiam à venda de carvão no período fiscalizado. Todavia, para presumir esta infração, a autoridade lançadora reúne os seguintes indícios: 1) inexistência de vendas de carvão do período; 2) grande demanda de carvão vegetal, em tese, nas atividades desenvolvidas por Rotavi Industrial Ltda e pela empresa associada Italmagnésio Nordeste S/A; 3) existência de lançamentos contábeis com a palavra “carvão” em seu histórico, os quais: 3.1) totalizam R$ 2.060.578,10; 3.2) envolvem créditos a receber de operações com coligadas controladas; e 3.3) foram escriturados de modo a dificultar a identificação dos fatos efetivamente ocorridos, tramitando por uma conta transitória de transferência, seguindo para contas representativas de títulos a receber de controladas/coligadas e depois sendo alocados no passivo representativo do mútuo. Ocorre que também não é crível que vendas correspondentes a quase R$ 10 milhões não deixem qualquer rastro material de sua ocorrência. A autoridade fiscal nada diz acerca do imobilizado da fiscalizada (o qual, segundo a DIPJ de fls. 1679/1706, contempla terrenos no valor de R$ 7.919.883,20, equipamentos de R$ 1.809.484,93 e outras imobilizações que evoluíram de R$ 1.870.190,19 para R$ 3.929.232,45, e assim poderiam abrigar investimentos para a produção futura de carvão vegetal), de seus empregados (que segundo a mesma DIPJ evoluíram de 143 para 212 no período fiscalizado), dos custos e despesas por ela escriturados e, na oportunidade em que direcionou o procedimento fiscal contra ROTAVI, apenas questionou a forma de aquisição, por esta, das quotas da fiscalizada até então detidas pelo recorrente Abele Travaglia. Não perquiriu dos registros contábeis daquela empresa acerca dos adiantamentos promovidos, dos fornecimentos daí resultantes, ou do volume de carvão adquirido para desenvolvimento de suas atividades. Destaquese que o procedimento fiscal foi desenvolvido entre 07/02/2011 e 14/06/2012, período em que já estaria finalizada a produção prometida e, por conseqüência, concluídos os fornecimentos de carvão vinculados aos adiantamentos concedidos à fiscalizada. Fl. 8074DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.721050/201237 Acórdão n.º 1101001.149 S1C1T1 Fl. 16 15 A inexistência de investigação fiscal neste sentido impede qualquer oposição à demonstração, por ocasião da impugnação, dos fornecimentos de carvão feitos à ROTAVI a partir de 2010, expressos nas seguintes notas fiscais (fls. 6340/6918): Filial: 01.538.372/003154 Data NF Valor M3 Data NF Valor M3 Data NF Valor M3 24/11/2010 1 7.920,00 99 14/12/2010 5 7.920,00 99 31/12/2010 9 7.920,00 99 25/11/2010 2 7.920,00 99 14/12/2010 6 7.920,00 99 31/12/2010 10 7.920,00 99 29/11/2010 3 7.920,00 99 14/12/2010 7 7.920,00 99 Subtotal 79.200,00 990 14/12/2010 4 7.920,00 99 31/12/2010 8 7.920,00 99 Filial: 01.538.372/003073 Data NF Valor M3 Data NF Valor M3 Data NF Valor M3 3/11/2010 1 15.840,00 198 26/11/2010 14 15.840,00 198 11/12/2010 27 7.920,00 99 5/11/2010 2 7.920,00 99 26/11/2010 15 15.840,00 198 16/12/2010 28 7.920,00 99 6/11/2010 3 15.840,00 198 30/11/2010 16 15.840,00 198 16/12/2010 29 7.920,00 99 7/11/2010 4 15.840,00 198 3/12/2010 17 7.920,00 99 20/12/2010 31 7.920,00 99 7/11/2010 5 7.920,00 99 3/12/2010 18 7.920,00 99 24/12/2010 32 15.840,00 198 12/11/2010 6 7.920,00 99 4/12/2010 19 7.920,00 99 26/12/2010 33 7.920,00 99 13/11/2010 7 7.920,00 99 4/12/2010 20 7.920,00 99 26/12/2010 34 7.920,00 99 13/11/2010 8 7.920,00 99 10/12/2010 21 7.920,00 99 26/12/2010 35 7.920,00 99 16/11/2010 9 7.920,00 99 11/12/2010 22 7.920,00 99 27/12/2010 36 7.920,00 99 17/11/2010 10 15.840,00 198 11/12/2010 23 7.920,00 99 28/12/2010 37 7.920,00 99 17/11/2010 11 7.920,00 99 11/12/2010 24 7.920,00 99 31/12/2010 38 7.920,00 99 17/11/2010 12 7.920,00 99 11/12/2010 25 7.920,00 99 31/12/2010 39 7.920,00 99 26/11/2010 13 15.840,00 198 11/12/2010 26 7.920,00 99 Subtotal 372.240,00 4.653 Filial: 01.538.372/002344 Data NF Valor M3 Data NF Valor M3 Data NF Valor M3 4/11/2010 1 7.920,00 99 4/11/2010 3 7.920,00 99 12/11/2010 5 7.920,00 99 4/11/2010 2 7.920,00 99 11/11/2010 4 7.920,00 99 22/11/2010 6 7.920,00 99 Subtotal 47.520,00 594 Filial: 01.538.372/001887 Data NF Valor M3 Data NF Valor M3 Data NF Valor M3 11/10/2010 81 7.920,00 99 12/11/2010 114 7.920,00 99 11/12/2010 141 7.920,00 99 11/10/2010 82 7.920,00 99 12/11/2010 115 7.920,00 99 11/12/2010 142 7.920,00 99 11/10/2010 83 7.920,00 99 13/11/2010 116 7.920,00 99 12/12/2010 143 7.920,00 99 20/10/2010 85 7.920,00 99 13/11/2010 117 7.920,00 99 13/12/2010 144 7.920,00 99 21/10/2010 86 7.920,00 99 20/11/2010 118 7.920,00 99 13/12/2010 146 7.920,00 99 21/10/2010 87 7.920,00 99 20/11/2010 119 7.920,00 99 13/12/2010 147 7.920,00 99 26/10/2010 91 7.920,00 99 20/11/2010 120 7.920,00 99 26/12/2010 148 7.920,00 99 27/10/2010 95 7.920,00 99 22/11/2010 121 7.920,00 99 26/12/2010 149 7.920,00 99 4/11/2010 104 7.920,00 99 2/12/2010 130 7.920,00 99 26/12/2010 150 7.920,00 99 4/11/2010 105 7.920,00 99 2/12/2010 131 7.920,00 99 26/12/2010 151 7.920,00 99 4/11/2010 107 7.920,00 99 3/12/2010 132 7.920,00 99 27/12/2010 152 7.920,00 99 5/11/2010 108 7.920,00 99 3/12/2010 133 7.920,00 99 27/12/2010 153 7.920,00 99 5/11/2010 109 7.920,00 99 4/12/2010 134 7.920,00 99 27/12/2010 154 7.920,00 99 11/11/2010 111 7.920,00 99 4/12/2010 135 7.920,00 99 27/12/2010 155 7.920,00 99 12/11/2010 112 7.920,00 99 11/12/2010 140 7.920,00 99 Subtotal 348.480,00 4.356 Fl. 8075DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.721050/201237 Acórdão n.º 1101001.149 S1C1T1 Fl. 17 16 Filial : 01.538.372/001887 Data NF Valor M3 Data NF Valor M3 Data NF Valor M3 10/8/2010 3 7.920,00 99 10/8/2010 4 7.920,00 99 Subtotal 15.840,00 198 Filial: 01.538.372/001704 Data NF Valor M3 Data NF Valor M3 Data NF Valor M3 13/8/2010 1 15.840,00 198 29/10/2010 43 15.840,00 198 4/12/2010 65 7.920,00 99 14/8/2010 2 15.840,00 198 8/11/2010 48 15.840,00 198 15/12/2010 67 15.840,00 198 18/8/2010 3 15.840,00 198 8/11/2010 49 15.840,00 198 15/12/2010 69 15.840,00 198 19/8/2010 4 15.840,00 198 14/11/2010 50 15.840,00 198 20/12/2010 72 15.840,00 198 20/8/2010 5 15.840,00 198 15/11/2010 51 7.920,00 99 21/12/2010 73 7.920,00 99 26/8/2010 6 15.840,00 198 21/11/2010 52 15.840,00 198 21/12/2010 74 7.920,00 99 26/8/2010 7 15.840,00 198 22/11/2010 53 7.920,00 99 21/12/2010 75 7.920,00 99 31/8/2010 8 52,00 1 23/11/2010 54 7.920,00 99 30/12/2010 76 7.920,00 99 4/9/2010 9 15.840,00 198 23/11/2010 55 7.920,00 99 30/12/2010 77 15.840,00 198 9/9/2010 10 15.840,00 198 30/11/2010 59 600,00 8 30/12/2010 78 15.840,00 198 27/9/2010 25 15.840,00 198 4/12/2010 60 15.840,00 198 3/1/2011 79 15.840,00 198 27/9/2010 26 15.840,00 198 4/12/2010 61 15.840,00 198 3/1/2011 80 7.920,00 99 16/10/2010 36 15.840,00 198 4/12/2010 63 15.840,00 198 Subtotal 515.452,00 6.443 19/10/2010 37 15.840,00 198 4/12/2010 64 7.920,00 99 Filial: 01.538.372/001615 Data NF Valor M3 Data NF Valor M3 Data NF Valor M3 3/8/2010 2 15.840,00 198 25/9/2010 36 15.840,00 198 23/11/2010 69 15.840,00 198 6/8/2010 4 15.840,00 198 25/9/2010 37 15.840,00 198 30/11/2010 76 1.920,00 24 7/8/2010 5 15.840,00 198 4/10/2010 38 15.840,00 198 4/12/2010 77 15.840,00 198 7/8/2010 6 15.840,00 198 4/10/2010 39 15.840,00 198 4/12/2010 79 7.920,00 99 8/8/2010 7 15.840,00 198 9/10/2010 44 15.840,00 198 4/12/2010 80 7.920,00 99 11/8/2010 8 15.840,00 198 16/10/2010 45 15.840,00 198 6/12/2010 81 15.840,00 198 14/8/2010 9 15.840,00 198 28/10/2010 57 15.840,00 198 21/12/2010 84 15.840,00 198 19/8/2010 10 15.840,00 198 3/11/2010 61 15.840,00 198 21/12/2010 85 7.920,00 99 24/8/2010 11 15.840,00 198 8/11/2010 63 15.840,00 198 21/12/2010 86 7.920,00 99 3/9/2010 12 15.840,00 198 9/11/2010 64 15.840,00 198 22/12/2010 87 7.920,00 99 8/9/2010 14 15.840,00 198 14/11/2010 65 15.840,00 198 24/12/2010 88 7.920,00 99 9/9/2010 15 15.840,00 198 22/11/2010 66 7.920,00 99 29/12/2010 89 15.840,00 198 15/9/2010 27 15.840,00 198 23/11/2010 67 7.920,00 99 30/12/2010 90 7.920,00 99 18/9/2010 29 15.840,00 198 23/11/2010 68 7.920,00 99 Subtotal 556.320,00 6.954 Filial: 01.538.372/001534 Data NF Valor M3 Data NF Valor M3 Data NF Valor M3 7/8/2010 3 7.920,00 99 8/9/2010 12 7.920,00 99 30/10/2010 20 7.920,00 99 7/8/2010 4 7.920,00 99 15/9/2010 14 7.920,00 99 1/11/2010 21 7.920,00 99 9/8/2010 5 7.920,00 99 1/10/2010 15 7.920,00 99 13/11/2010 22 7.920,00 99 16/8/2010 7 7.920,00 99 1/10/2010 16 7.920,00 99 13/11/2010 23 7.920,00 99 17/8/2010 8 7.920,00 99 1/10/2010 17 7.920,00 99 24/11/2010 25 7.920,00 99 6/9/2010 10 7.920,00 99 14/10/2010 18 7.920,00 99 30/12/2010 26 7.920,00 99 6/9/2010 11 7.920,00 99 14/10/2010 19 7.920,00 99 30/12/2010 27 7.920,00 99 Subtotal 166.320,00 2.079 Fl. 8076DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.721050/201237 Acórdão n.º 1101001.149 S1C1T1 Fl. 18 17 Filial: 01.538.372/001453 Data NF Valor M3 Data NF Valor M3 Data NF Valor M3 10/8/2010 15 7.920,00 99 23/10/2010 41 7.920,00 99 2/12/2010 49 7.920,00 99 10/8/2010 16 7.920,00 99 5/11/2010 43 7.920,00 99 2/12/2010 50 7.920,00 99 25/8/2010 19 7.920,00 99 7/11/2010 44 7.920,00 99 11/12/2010 54 7.920,00 99 25/8/2010 20 7.920,00 99 16/11/2010 45 7.920,00 99 11/12/2010 55 7.920,00 99 9/10/2010 38 7.920,00 99 17/11/2010 46 7.920,00 99 11/12/2010 56 7.920,00 99 22/10/2010 39 7.920,00 99 17/11/2010 47 7.920,00 99 11/12/2010 57 7.920,00 99 22/10/2010 40 7.920,00 99 1/12/2010 48 7.920,00 99 28/12/2010 58 7.920,00 99 Subtotal 166.320,00 2.079 Filial: 01.538.372/001372 Data NF Valor M3 Data NF Valor M3 Data NF Valor M3 12/8/2010 1 15.840,00 198 28/9/2010 66 15.840,00 198 17/11/2010 117 15.840,00 198 15/8/2010 2 15.840,00 198 28/9/2010 67 15.840,00 198 23/11/2010 118 15.840,00 198 15/8/2010 3 15.840,00 198 29/9/2010 69 15.840,00 198 24/11/2010 119 15.840,00 198 16/8/2010 4 15.840,00 198 1/10/2010 70 15.840,00 198 24/11/2010 120 7.920,00 99 16/8/2010 5 15.840,00 198 1/10/2010 71 15.840,00 198 25/11/2010 121 7.920,00 99 16/8/2010 6 15.840,00 198 4/10/2010 72 15.840,00 198 25/11/2010 122 15.840,00 198 17/8/2010 7 15.840,00 198 4/10/2010 73 15.840,00 198 25/11/2010 123 7.920,00 99 17/8/2010 8 15.840,00 198 5/10/2010 74 15.840,00 198 25/11/2010 124 7.920,00 99 18/8/2010 9 15.840,00 198 6/10/2010 75 15.840,00 198 26/11/2010 125 15.840,00 198 20/8/2010 10 15.840,00 198 6/10/2010 76 15.840,00 198 26/11/2010 127 15.840,00 198 23/8/2010 11 15.840,00 198 7/10/2010 77 15.840,00 198 26/11/2010 128 15.840,00 198 23/8/2010 12 15.840,00 198 7/10/2010 78 15.840,00 198 26/11/2010 129 7.920,00 99 23/8/2010 13 15.840,00 198 7/10/2010 79 15.840,00 198 30/11/2010 130 15.840,00 198 27/8/2010 14 15.840,00 198 7/10/2010 80 15.840,00 198 30/11/2010 131 4.216,00 53 27/8/2010 15 15.840,00 198 11/10/2010 81 15.840,00 198 8/12/2010 132 15.840,00 198 28/8/2010 16 15.840,00 198 11/10/2010 82 15.840,00 198 8/12/2010 133 15.840,00 198 28/8/2010 17 15.840,00 198 13/10/2010 83 15.840,00 198 9/12/2010 134 15.840,00 198 28/8/2010 18 15.840,00 198 14/10/2010 84 15.840,00 198 9/12/2010 135 7.920,00 99 28/8/2010 19 15.840,00 198 15/10/2010 85 15.840,00 198 10/12/2010 139 7.920,00 99 30/8/2010 20 15.840,00 198 15/10/2010 86 15.840,00 198 10/12/2010 140 7.920,00 99 4/9/2010 21 15.840,00 198 18/10/2010 87 15.840,00 198 10/12/2010 141 7.920,00 99 4/9/2010 22 15.840,00 198 21/10/2010 88 7.920,00 99 11/12/2010 142 7.920,00 99 4/9/2010 23 15.840,00 198 21/10/2010 89 7.920,00 99 12/12/2010 143 7.920,00 99 5/9/2010 24 15.840,00 198 22/10/2010 90 7.920,00 99 13/12/2010 144 7.920,00 99 6/9/2010 25 15.840,00 198 22/10/2010 91 7.920,00 99 13/12/2010 145 7.920,00 99 6/9/2010 26 15.840,00 198 23/10/2010 92 7.920,00 99 13/12/2010 146 7.920,00 99 11/9/2010 27 15.840,00 198 23/10/2010 93 15.840,00 198 14/12/2010 148 7.920,00 99 12/9/2010 28 15.840,00 198 25/10/2010 94 15.840,00 198 14/12/2010 149 7.920,00 99 12/9/2010 29 15.840,00 198 26/10/2010 95 15.840,00 198 14/12/2010 150 7.920,00 99 13/9/2010 30 15.840,00 198 26/10/2010 96 15.840,00 198 22/12/2010 153 15.840,00 198 13/9/2010 31 15.840,00 198 30/10/2010 102 15.840,00 198 22/12/2010 154 7.920,00 99 14/9/2010 32 15.840,00 198 31/10/2010 103 15.840,00 198 23/12/2010 155 7.920,00 99 15/9/2010 34 15.840,00 198 1/11/2010 104 15.840,00 198 23/12/2010 156 7.920,00 99 17/9/2010 38 15.840,00 198 1/11/2010 105 15.840,00 198 25/12/2010 157 7.920,00 99 17/9/2010 39 15.840,00 198 2/11/2010 106 15.840,00 198 25/12/2010 158 7.920,00 99 18/9/2010 47 15.840,00 198 7/11/2010 107 15.840,00 198 26/12/2010 159 7.920,00 99 18/9/2010 48 15.840,00 198 7/11/2010 108 15.840,00 198 27/12/2010 160 7.920,00 99 23/9/2010 54 15.840,00 198 9/11/2010 109 15.840,00 198 27/12/2010 161 7.920,00 99 Fl. 8077DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.721050/201237 Acórdão n.º 1101001.149 S1C1T1 Fl. 19 18 Filial: 01.538.372/001372 Data NF Valor M3 Data NF Valor M3 Data NF Valor M3 23/9/2010 55 15.840,00 198 9/11/2010 110 15.840,00 198 31/12/2010 163 7.920,00 99 24/9/2010 57 15.840,00 198 13/11/2010 111 15.840,00 198 31/12/2010 164 7.920,00 99 24/9/2010 58 15.840,00 198 13/11/2010 112 15.840,00 198 Subtotal 1.794.136,00 22.427 24/9/2010 59 15.840,00 198 14/11/2010 113 15.840,00 198 26/9/2010 63 15.840,00 198 14/11/2010 114 15.840,00 198 27/9/2010 64 15.840,00 198 16/11/2010 115 15.840,00 198 28/9/2010 65 15.840,00 198 17/11/2010 116 15.840,00 198 Filial: 01.538.372/001291 Data NF Valor M3 Data NF Valor M3 Data NF Valor M3 23/7/2010 1 3.600,00 45 3/9/2010 56 7.920,00 99 28/10/2010 106 7.920,00 99 23/7/2010 2 7.920,00 99 4/9/2010 57 7.920,00 99 29/10/2010 109 7.920,00 99 26/7/2010 5 7.920,00 99 6/9/2010 58 7.920,00 99 30/10/2010 110 7.920,00 99 26/7/2010 6 7.920,00 99 10/9/2010 60 7.920,00 99 1/11/2010 111 7.920,00 99 26/7/2010 7 7.920,00 99 11/9/2010 61 7.920,00 99 4/11/2010 112 7.920,00 99 27/7/2010 8 7.920,00 99 11/9/2010 62 7.920,00 99 5/11/2010 113 7.920,00 99 28/7/2010 9 7.920,00 99 11/9/2010 63 7.920,00 99 5/11/2010 114 7.920,00 99 28/7/2010 10 7.920,00 99 14/9/2010 65 7.920,00 99 6/11/2010 115 7.920,00 99 29/7/2010 11 7.920,00 99 15/9/2010 66 7.920,00 99 8/11/2010 116 7.920,00 99 30/7/2010 12 7.920,00 99 16/9/2010 67 7.920,00 99 9/11/2010 117 7.920,00 99 30/7/2010 13 7.920,00 99 17/9/2010 68 7.920,00 99 10/11/2010 118 7.920,00 99 2/8/2010 14 7.920,00 99 18/9/2010 69 7.920,00 99 11/11/2010 120 7.920,00 99 2/8/2010 15 7.920,00 99 20/9/2010 70 7.920,00 99 12/11/2010 121 7.920,00 99 4/8/2010 16 7.920,00 99 21/9/2010 72 7.920,00 99 13/11/2010 122 7.920,00 99 4/8/2010 17 7.920,00 99 22/9/2010 73 7.920,00 99 26/11/2010 125 7.920,00 99 5/8/2010 19 7.920,00 99 22/9/2010 74 7.920,00 99 26/11/2010 126 7.920,00 99 5/8/2010 20 7.920,00 99 23/9/2010 75 7.920,00 99 26/11/2010 127 7.920,00 99 6/8/2010 21 7.920,00 99 24/9/2010 76 7.920,00 99 26/11/2010 128 7.920,00 99 6/8/2010 22 7.920,00 99 24/9/2010 77 7.920,00 99 1/12/2010 129 7.920,00 99 11/8/2010 26 7.920,00 99 24/9/2010 78 7.920,00 99 3/12/2010 130 7.920,00 99 11/8/2010 27 7.920,00 99 28/9/2010 79 7.920,00 99 4/12/2010 131 7.920,00 99 12/8/2010 28 7.920,00 99 29/9/2010 80 7.920,00 99 4/12/2010 132 7.920,00 99 12/8/2010 29 7.920,00 99 30/9/2010 81 7.920,00 99 4/12/2010 133 7.920,00 99 13/8/2010 30 7.920,00 99 30/9/2010 82 7.920,00 99 6/12/2010 134 7.920,00 99 13/8/2010 31 7.920,00 99 4/10/2010 83 7.920,00 99 6/12/2010 135 7.920,00 99 13/8/2010 32 7.920,00 99 4/10/2010 85 7.920,00 99 6/12/2010 136 7.920,00 99 14/8/2010 34 7.920,00 99 5/10/2010 86 7.920,00 99 6/12/2010 137 7.920,00 99 18/8/2010 35 7.920,00 99 6/10/2010 87 7.920,00 99 7/12/2010 138 7.920,00 99 18/8/2010 36 7.920,00 99 6/10/2010 88 7.920,00 99 9/12/2010 139 7.920,00 99 19/8/2010 37 7.920,00 99 8/10/2010 89 7.920,00 99 10/12/2010 140 7.920,00 99 19/8/2010 38 7.920,00 99 8/10/2010 90 7.920,00 99 10/12/2010 141 7.920,00 99 21/8/2010 39 7.920,00 99 11/10/2010 91 7.920,00 99 11/12/2010 142 7.920,00 99 23/8/2010 40 7.920,00 99 11/10/2010 92 7.920,00 99 14/12/2010 143 7.920,00 99 24/8/2010 41 7.920,00 99 11/10/2010 93 7.920,00 99 16/12/2010 144 7.920,00 99 25/8/2010 42 7.920,00 99 16/10/2010 94 7.920,00 99 17/12/2010 145 7.920,00 99 25/8/2010 43 7.920,00 99 18/10/2010 95 7.920,00 99 20/12/2010 146 7.920,00 99 27/8/2010 45 7.920,00 99 19/10/2010 96 7.920,00 99 20/12/2010 147 7.920,00 99 27/8/2010 46 7.920,00 99 19/10/2010 97 7.920,00 99 22/12/2010 148 7.920,00 99 28/8/2010 47 7.920,00 99 20/10/2010 98 7.920,00 99 22/12/2010 149 7.920,00 99 Fl. 8078DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.721050/201237 Acórdão n.º 1101001.149 S1C1T1 Fl. 20 19 Filial: 01.538.372/001291 Data NF Valor M3 Data NF Valor M3 Data NF Valor M3 30/8/2010 48 7.920,00 99 21/10/2010 99 7.920,00 99 24/12/2010 150 7.920,00 99 31/8/2010 50 7.920,00 99 22/10/2010 100 7.920,00 99 24/12/2010 151 7.920,00 99 31/8/2010 51 7.920,00 99 22/10/2010 101 7.920,00 99 27/12/2010 152 7.920,00 99 1/9/2010 52 7.920,00 99 22/10/2010 102 7.920,00 99 28/12/2010 153 7.920,00 99 1/9/2010 53 7.920,00 99 26/10/2010 103 7.920,00 99 28/12/2010 154 7.920,00 99 2/9/2010 54 7.920,00 99 26/10/2010 104 7.920,00 99 29/12/2010 155 7.920,00 99 3/9/2010 55 7.920,00 99 27/10/2010 105 7.920,00 99 Subtotal 1.080.720,00 13.509 Total 5.142.548,00 64.282 Ressaltese que, em acesso ao site http://www.nfe.fazenda.gov.br/ portal/consulta, foi confirmada a autenticidade, por amostragem, das referidas notas fiscais. E, além destas notas relacionadas, outras de natureza complementar foram apresentadas, mas deixaram de ser discriminadas em razão da baixa expressividade de seu valor. Frente a tais circunstâncias, não se pode afastar a possibilidade de a contribuinte ter recebido adiantamentos, a partir de 2004, de até R$ 10 milhões ao ano, com vistas à formação de florestas de eucalipto para fornecimento de carvão vegetal à ROTAVI a partir de 2010, na medida em que, considerando apenas o 2o semestre de 2010, demonstrou ter fornecido àquela empresa 64.282 m3 de carvão vegetal, pelo valor de R$ 5.142.548,00. De outro lado, os indícios em contrário reunidos pela Fiscalização não são suficientes para autorizar a presunção de que houve venda de carvão no anocalendário 2008 porque: 1) as deficiência formais no contrato de adiantamento não se prestam a retirar sua eficácia entre as partes contratantes, especialmente tendo em conta que elas são pessoas jurídicas ligadas, como se empenha a Fiscalização em demonstrar; 2) a ausência de receita de vendas de carvão no ano calendário 2008 somente poderia ser considerada anormal se a contribuinte dispusesse de produtos a serem vendidos ou, ao menos, florestas de eucalipto em época de corte; 3) a indicação da palavra “carvão” nos históricos contábeis evidencia que os recebimentos estavam vinculados a este produto, mas não permitem identificar que seria por sua venda imediata ou futura. Por tais razões, e considerando que a autoridade lançadora não se opôs à identificação de ROTAVI como depositante ou ordenadora dos créditos bancários que totalizaram R$ 9.325.573,00 no anocalendário 2008, restando incomprovada a acusação fiscal de que estes valores corresponderiam a receitas de vendas omitidas no período fiscalizado, aquela parcela deve ser excluída das bases tributáveis que ensejaram os lançamentos aqui formalizados. Além da omissão de receitas imputada à contribuinte em razão dos depósitos bancários vinculados às operações com ROTAVI, a autoridade lançadora também presumiu omissão receitas em razão de outros depósitos bancários acerca dos quais a contribuinte não logrou provar sua origem. De fato, desde a intimação de fls. 1535/1550 a autoridade fiscal apontou que a contribuinte deixou de apresentar qualquer justificativa para parte dos depósitos bancários no montante de R$ 59.368,23. Posteriormente, ao justificar os depósitos decorrentes de vendas Fl. 8079DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.721050/201237 Acórdão n.º 1101001.149 S1C1T1 Fl. 21 20 realizadas e/ou recebidas no anocalendário fiscalizado (fls. 1577/1599), a contribuinte reconhece que aquela parcela foi recebida de terceiros, mas não foi possível identificar a origem, uma vez que tratase na sua maioria, de devolução de Adiantamentos para despesas com viagens de funcionários. Além disso, durante o procedimento fiscal a contribuinte vinculou depósitos no montante de R$ 293.482,32 ao recebimento de vendas escrituradas em períodos anteriores. Todavia, a vinculação foi feita apenas mediante a apresentação de planilhas, e na intimação de 23/09/2011 a autoridade fiscal exigiu a apresentação de documentos hábeis e idôneos que comprovem de forma inequívoca que os créditos especificados no demonstrativo apresentado pelo contribuinte, ocorridos em 2008, foram efetivamente provenientes de receitas auferidas em anos anteriores, de forma individualizada. Ressaltou, ainda, que devem ser especificados os documentos correspondentes a cada crédito tributário. Depois de reintimada, a contribuinte, na resposta de 16/12/2011, mais uma vez, apresentou apenas o demonstrativo daqueles valores, sem juntar qualquer prova da natureza que pretendeu atribuirlhes (fls. 1577/1599). Em tais circunstâncias, o art. 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza a presunção de omissão de receitas em razão de o titular, intimado, não comprovar a origem dos depósitos bancários. O recorrente, por sua vez, centra sua defesa na legitimidade dos depósitos recebidos a título de adiantamentos por conta de futuras vendas de carvão vegetal, oriundo de projetos florestais, inclusive no plantio e desenvolvimento de mudas de eucalipto, e nada diz acerca destas outras infrações. Menciona que a receita omitida total (R$ 9.678.123,25) seria compatível com o adiantamento acordado com ROTAVI (R$ 10.000.000,00), mas, como visto, no curso do procedimento fiscal, apenas os depósitos de R$ 9.325.573,00 foram vinculados aos mencionados adiantamentos, e nenhuma prova complementar foi trazida em defesa para justificar esta abordagem genérica. Assim, subsiste a infração descrita como omissão de receitas caracterizada por créditos bancários cuja origem dos recursos utilizados não foi comprovada, NÃO PROVENIENTES da ROTAVI INDUSTRIAL LTDA e da TRABLING TRADING BRASILEIRA DE LIGAS E INOCULANTES S/A. Desta base tributável resultaram exigências de IRPJ e CSLL mediante arbitramento dos lucros, bem como lançamentos de COFINS e de Contribuição ao PIS em regime cumulativo. Para justificar o arbitramento dos lucros, a autoridade fiscal inicialmente destaca que a contribuinte tardou em apresentar os Livros Diário referentes ao período fiscalizado, alegando estar providenciando sua autenticação, muito embora tenha apresentado sua escrituração digital, analisada durante o procedimento fiscal. Na seqüência, depois de extensa abordagem acerca dos depósitos bancários e pagamentos não comprovados no curso da fiscalização, bem como das relações comerciais e societárias mantidas entre as empresas antes referidas e dos demais vínculos entre elas verificados, a autoridade fiscal conclui pela omissão de receitas, em sua maior parte correspondente a vendas subtraídas da tributação mediante fraude e conluio, para então destacar que a omissão representou 92,08% das receitas em 2008, bem como que não foram apresentados documentos comprobatórios dos pagamentos realizados no valor total de R$ 2.281.013,33, e assim invocar o disposto no art. 264 do RIR/99 e afirmar demonstrado que o fiscalizado adotou malabarismos contábeis com o intuito de ocultar os fatos efetivamente ocorridos, como a grande maioria das receitas de vendas. Resulta, daí, a conclusão de que a escrituração apresentada pelo contribuinte não obedeceu ao disposto nas leis comerciais e fiscais e contém vícios, erros e deficiências que a tornam imprestável para determinar o lucro real, nos termos do art. 530, inciso I e II, alínea “b” do Fl. 8080DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.721050/201237 Acórdão n.º 1101001.149 S1C1T1 Fl. 22 21 RIR/99. O fiscal autuante acrescenta, ainda, que a falta de apresentação dos documentos comprobatórios de pagamentos, que reitera totalizar R$ 2.281.013,33, enseja o arbitramento dos lucros na forma do art. 530, III do RIR/99. Afastada a imputação de omissão de receitas a partir dos depósitos vinculados a operações com ROTAVI e TRABLIN, no valor total de R$ 9.325.573,00, deixa de existir o prejuízo à determinação do lucro real que, nos termos do art. 530, II, alínea “b” do RIR/99, enseja o arbitramento dos lucros. Não há dúvida, diante do antes exposto, que este fundamento legal foi adotado por se vislumbrar a imprestabilidade da escrituração comercial e fiscal na qual há omissão de receitas equivalente a 92,08% do total apurado. Remanescendo apenas as omissões resultantes dos depósitos reunidos sob os totais de R$ 59.368,23 e R$ 293.482,32, e tendo em conta que a contribuinte escriturou receitas de R$ 832.279,84, não é possível fundamentar o arbitramento dos lucros naquele dispositivo legal. Acrescentese, ainda, que os pagamentos cujo beneficiário e/ou causa não foram comprovados pela contribuinte, dissociados de uma análise acerca da repercussão de seus efeitos na apuração do lucro real, também não justificariam o arbitramento com base na mencionada alínea “b” do inciso II do art. 530 do RIR/99. A autoridade fiscal também invocou os incisos I e III do art. 530 do RIR/99 para justificar o arbitramento dos lucros. O inciso I autoriza este procedimento quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal. Já o inciso III trata da hipótese em que o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527. De plano deve ser excluída a possibilidade de arbitramento com base no inciso III do art. 530 do RIR/99, mormente tendo em conta que a Fiscalização a ele se reporta com destaque à falta de apresentação de documentos da escrituração comercial e fiscal, e no contexto da falta de comprovação do beneficiário e da causa dos pagamentos questionados durante o procedimento fiscal. Ocorre que referida hipótese de arbitramento circunscrevese aos casos em que há total omissão na entrega de livros ou de documentos da escrituração comercial e fiscal. Aqui, os livros foram apresentados, inclusive a correspondente escrituração digital, e a omissão recai sobre parte dos documentos de suporte. Quanto ao arbitramento com base no inciso I do art. 530 do RIR/99, não há qualquer vício especificamente apontado na elaboração de demonstrações financeiras, e já se observou que a omissão de receitas remanescente não mais representa o volume que justificaria a afirmativa de que a escrituração não atende às exigências formais das leis comerciais e fiscais. Restaria, então, avaliar a repercussão dos pagamentos não comprovados na escrituração comercial e fiscal. Todavia, o procedimento fiscal prendeuse, apenas, a questionar o destino dado aos pagamentos indicados nos extratos bancários, deixando de estabelecer aquela repercussão, ao mesmo para averiguar se eles estavam, ou não, escriturados. É certo que o sujeito passivo deve manter a guarda dos documentos de suporte de sua escrituração, bem como escriturar todas as mutações patrimoniais verificadas. Todavia, a acusação de falta de apresentação dos documentos que justificam débitos bancários, embora tenha conseqüências específicas no âmbito da incidência do imposto de renda na fonte, não autoriza pressupor, em julgamento, que os débitos bancários não foram escriturados ou que poderiam repercutir de forma significativa na escrituração do período, especialmente tendo em Fl. 8081DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.721050/201237 Acórdão n.º 1101001.149 S1C1T1 Fl. 23 22 conta as evidências de que a fiscalizada recebeu adiantamentos de cerca de R$ 40 milhões de reais para, em princípio, destinálos à formação de florestas de eucalipto e produção de carvão vegetal, e os pagamentos postos em dúvida totalizaram R$ 2.281.013,33. À míngua de maior aprofundamento das análises fiscais acerca da repercussão destes débitos bancários na apuração do lucro tributável – mormente tendo em conta que a omissão de 92,08% das receitas do período já era motivo suficiente para a Fiscalização concluir pelo arbitramento dos lucros – não é possível, agora, apenas com base na falta de comprovação do beneficiário e causa dos pagamentos questionados a partir de extratos bancários, afirmar que a escrituração do período não foi mantida na forma das leis comerciais e fiscais. Por tais razões, embora mantida parcialmente a imputação de omissão de receitas, não podem subsistir as exigências de IRPJ e CSLL calculadas segundo as regras do lucro arbitrado, assim como não é possível, sem inovação, ajustálas à sistemática de tributação original do sujeito passivo (lucro real), mediante alteração da periodicidade e verificação da repercussão na apuração original de eventuais prejuízos/bases negativos ou do cálculo do adicional de IRPJ. Quanto às exigências de COFINS e de Contribuição ao PIS, formalizadas no regime cumulativo consoante determina o art. 8o da Lei nº 10.637/2002 e o art. 10 da Lei nº 10.833/2003 relativamente às pessoas jurídicas que se submetem à sistemática do lucro arbitrado, observase nas DCTF apresentadas que nada havia sido declarado a título daquelas contribuições (fls. 1707/1759), circunstância que, associada à escrituração da contribuinte que revela a acumulação de créditos na forma dos arts. 3o das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 (fls. 1760/1818), permite concluir que a contribuinte sujeitavase ao regime nãocumulativo. Assim, tendo em conta, também aqui, a impossibilidade de inovação para alterar a fundamentação legal da exigência, as exigências de COFINS e Contribuição ao PIS, porque formalizadas no regime cumulativo, devem ser integralmente canceladas, embora subsistindo parte da presunção de omissão de receitas. Não subsistindo créditos tributários exigíveis em razão dos fatos que motivaram a atribuição de responsabilidade tributária a Abele Travaglia, desnecessário se faz apreciar seus questionamentos acerca da qualificação da penalidade e do enquadramento legal adotado para sua responsabilização, a qual, por decorrência, deve ser afastada. Assim, no que tange ao crédito tributário imputado ao responsável Abele Travaglia, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para excluir integralmente as exigências de IRPJ, CSLL, COFINS e Contribuição ao PIS. Diante do todo o exposto, concluise que: · Não deve ser conhecido o recurso de Carvovale Indústria e Comércio de Produtos Agroindustriais e Florestais Ltda, em razão de sua intempestividade, do que resulta a definitividade, no âmbito administrativo, das exigências a título de IRRF; e · Deve ser conhecido o recurso de Abele Travaglia para REJEITAR as preliminares de nulidade do lançamento, mas DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir integralmente as exigências de Fl. 8082DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.721050/201237 Acórdão n.º 1101001.149 S1C1T1 Fl. 24 23 IRPJ, CSLL, COFINS e Contribuição ao PIS, e por conseqüência a responsabilidade tributária que lhe foi imputada. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 8083DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 11634.000364/2008-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 29/08/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - OMISSÃO EM GFIP - PREVIDENCIÁRIO - CIENTIFICAÇÃO POR EDITAL. AUSÊNCIA DE RECURSO TEMPESTIVO - NÃO CONHECIMENTO
É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarrazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente, conforme descrito no art. 56 do Decreto 70.235/1972.
Não tendo sido o recurso interposto dentro do prazo normativo, e não tendo o recorrente apresentado motivos por não tê-lo feito as razões apresentadas não devem ser conhecidas.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-003.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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AUSÊNCIA DE RECURSO TEMPESTIVO NÃO CONHECIMENTO É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarrazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente, conforme descrito no art. 56 do Decreto 70.235/1972. Não tendo sido o recurso interposto dentro do prazo normativo, e não tendo o recorrente apresentado motivos por não têlo feito as razões apresentadas não devem ser conhecidas. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 03 64 /2 00 8- 15 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11634.000364/200815 Acórdão n.º 2401003.358 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente AI de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.082.5926, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 11 e seguintes, nas competências 11/2003, 01/2004, 03/2004, 06/2004 a 12/2004, 01/2005 a 12/2005, 03/2006, 06/2006 e de 01/2007 a 12/2007, o contribuinte não informou nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constantes em folhas de pagamentos, conforme demonstrado no ANEXO I DIFERENÇAS APURADAS ENTRE FOLHAS DE PAGAMENTO X GFIP. 4. Além disso, o contribuinte mesmo tendo sido excluído do SIMPLES a partir de 01/2002, apresentou as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP's, como sendo OPTANTE pelo mesmo (código 2), não declarando assim, as contribuições patronais devidas. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 29/08/2008, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 05/09/2008. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 39 a 54. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 70 a 75. ASSUNTO: OBRIGAÇõEs ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2007 AI 37.082.5934 APRESENTAR A GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração a dispositivo legal. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. IRRETROATIVIDADE. ATO DECLARATÓRIO. O ato de exclusão do Simples possui natureza declaratória atestando que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde determinada data passada, efeito esse que não guarda nenhuma relação com o princípio da irreiroatividade, que se aplica a litígios envolvendo confrontos entre vigência da lei e data dos fatos. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 • TAXA SELIC No presente caso, não há incidência da Selic sobre a multa pelo descumprimento de uma obrigação acessória. CONFISCO A vedação constitucional à utilização de tributo com efeito de confisco é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA. APLICAÇÃO DE NOVA SISTEMÁTICA. Por ocasião do pagamento do débito, a multa prevista no art. 32, § 5°, da Lei 8.212, de 1991, deverá ser comparada com os termos da MP 499, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009 (DOU28/05/2009) para aplicação da norma mais benéfica ao contribuinte. Impugnação Improcedente Foi anexado aos autos cópia do Edital/Sacat n. 113/2009, de 14/12/2009, dando ciência o contribuinte dos acórdãos proferidos pela DRJ, considerando ter sido infrutífera a tentativa de ciência pela via posta no endereço indicado no cadastro CNPJ, fl. 79. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 94 a 110, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, quais sejam: 1. Que em 28/08/2008 a empresa foi intimada para providenciar apresentação de documentos. Em 29/0812008 lavrouse o presente AI, intimando o contribuinte em 04/09/2008 acerca da penalidade. Foi lançado o valor de R$1.075.919,90, razão porque o contribuinte se insurge contra a autuação, solicitando o cancelamento do AI. 2. Preliminar Alega ausência de requisitos de eficácia e validade. Diz que inexistem a descrição da infração, a origem dos valores imputados, a fundamentação da infração e a penalidade. Que tais omissões afrontam os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. 3. Requer que seja declarada a nulidade do AI. Erro escusável Diz que houve erro escusável quando do recolhimentó tributário o que poderia ser regularizado caso houvesse razoabilidade por parte do Fisco. Bastaria que o Fisco notificasse a empresa que esta prestaria os esclarecimentos e regulamentaria seus recolhimentos. 4. Mas o Fisco partiu direto para a autuação, não tendo havido má fé por parte da empresa no recolhimento dos tributos devidos. Tal fato poderá ser confirmado quando da oitiva de testemunhas arroladas nesta impugnação. 5. Desse modo, a penalidade não pode ser aplicada à impugnante, pois esta não deixou de prestar informações ao Fisco, tendoas prestado de forma supostamente irregular, não havendo qualquer norma que consubstancie a autuação. 6. . Deve ser desconsiderada a penalidade, haja vista a ocorrência de erro escusável quando do suposto recolhimento irregular do tributo. 7. Decadência Que por força do art. 173 do CTN encontrase decaído o direito do Fisco cobrar qualquer valor relativo ao período de 12/2002. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11634.000364/200815 Acórdão n.º 2401003.358 S2C4T1 Fl. 4 5 8. Irretroatividade da norma tributária Que o Fisco autuou a empresa em relação ao período de 12/2002 a 12/2007. Que o Fisco diz que a exclusão do contribuinte se deu em 01/01/2002 e que a impugnante só foi notificada da exclusão em 02/08/2004. 9. Portanto, não pode ser imputado à impugnaste recolhimentos irregulares anteriores a essa data, pois qualquer norma que estabeleça a retroatividade é ilegal e inconstitucional. Requer que sejam excluídos dos autos os valores cobrados em data anterior à notificação acerca da sua exclusão do Simples, ou seja, valores anteriores a 02/08/2004. 10. Taxa Selic Diz que se faz necessária a exclusão da taxa Selic como fator de correção monetária e juros moratórios, aplicandose tãosomente a correção monetária pela variação da UFIR e os juros moratórios de 1% ao mês, na forma do art. 171 do CTN. 11. Penalidade com efeito confiscatório Diz o contribuinte que a penalidade aplicada tem caráter confiscatório. 12. Que existe outra multa que resulta num bis in idem. Que a penalidade aplica atinge o principio da proporcionalidade. Que a imposição de multa acima de 30% configura medida confiscatória e é inconstitucional, extrapolando os limites da proporcionalidade e razoabilidade. 13. A multa deve ser adequada aos limites razoáveis e proporcionais sob pena de afronta ao princípio da capacidade contributiva e da proibição do confisco. Não sendo excluídas as penalidades requer sejam considerados os cálculos apresentados no preâmbulo deste tópico. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto intempestivamente. De acordo com o Edital/Sacat n. 113/2009, de 14/12/2009, considerouse a ciência do recorrente em 14/12/2009, fl. 79. Assim, considerandose que o prazo para interposição do recurso era de 30 dias, contados a partir da desafixação do referido edital, ou seja, o prazo venceria em 28 de janeiro de 2010, conforme fl. 80. A notificada interpôs o recurso no dia 06 de maio de 2010, conforme carimbo do protocolo no próprio recurso, fl. 94, portanto fora do prazo normativo. Assim, dispõe o art. 305, § 1º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999: Dos Recursos Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento daquele Conselho. § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação alterada pelo Decreto nº 4.729/03) Contudo, considerando a data da lavratura do Auto de infração de obrigação principal a norma que rege a matéria é o Decreto 70.235/1972, que dispõe em seu artigo 56 acerca do prazo para interposição de recurso. Art. 54. O julgamento compete: III Em instância única, ao Coordenador do Sistema de Tributação, quanto às consultas relativas aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal e formuladas: (...) Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. (grifo nosso) Apenas para esclarecimento, o Edital/Sacat n. 25/2010, afixado em 26/03/2010, fls. 89, apenas dá ciência ao contribuinte do termo de “trânsito em Julgado” dos processos ali arrolados, considerando a ausência de recurso voluntário. Assim, dessa ciência não competiria ao recorrente apresentar o recurso, mas, tão somente comprovar têlo feito de forma tempestiva, o que de forma alguma restou demonstrado, pelo que se extrai da leitura do recurso interposto. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11634.000364/200815 Acórdão n.º 2401003.358 S2C4T1 Fl. 5 7 Em sendo intempestivo o recurso, e não tendo sido demonstrado nos autos nenhum fato que impedisse o requerente de interpor recurso na data estabelecida, julgo por não conhecer do mesmo. CONCLUSÃO Voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso, em virtude da intempestividade do mesmo. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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