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Numero do processo: 13971.002423/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/03/2003
CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. CRITÉRIO CUB.
A não apresentação da escrituração contábil consubstancia-se
motivo justo, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta segundo o critério do Custo Unitário Básico, da base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mão de obra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica, cabendo ao sujeito
passivo o ônus da prova em contrário.
REVISÃO DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não se configura como revisão de lançamento a ação fiscalizatória tendente a
apurar fatos geradores não informados em LDC e em GFIP, mas, sim,
lançamento de ofício, nos termos previstos no inciso IV do art. 149 do CTN.
Na formalização de LDC, o sujeito passivo assume integral responsabilidade
pela correcção dos fatos geradores confessados, restando ressalvado o direito
do fisco de apurar eventuais omissões não incluídas no citado documento
declaratório, ainda que relativas ao mesmo período.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL.
CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula
Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008,
reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.
Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontramse
atingidos
pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela
fiscalização.
PERICIA. INDEFERIMENTO.
É facultado à autoridade julgadora de primeira instância indeferir as perícias
que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. CONSTITUCIONALIDADE.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União
decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da
Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-000.860
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, conceder
provimento parcial quanto à preliminar de decadência, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Thiago d’Avila Melo Fernandes divergiram, pois entenderam que se aplicava o artigo 150, §4° do CTN. Quanto à parcela não decadente, por unanimidade de votos, foi negado provimento ao recurso.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/03/2003 CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. CRITÉRIO CUB. A não apresentação da escrituração contábil consubstancia-se motivo justo, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta segundo o critério do Custo Unitário Básico, da base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mão de obra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. REVISÃO DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura como revisão de lançamento a ação fiscalizatória tendente a apurar fatos geradores não informados em LDC e em GFIP, mas, sim, lançamento de ofício, nos termos previstos no inciso IV do art. 149 do CTN. Na formalização de LDC, o sujeito passivo assume integral responsabilidade pela correcção dos fatos geradores confessados, restando ressalvado o direito do fisco de apurar eventuais omissões não incluídas no citado documento declaratório, ainda que relativas ao mesmo período. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. PERICIA. INDEFERIMENTO. É facultado à autoridade julgadora de primeira instância indeferir as perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. CONSTITUCIONALIDADE. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/03/2003 CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. CRITÉRIO CUB. A não apresentação da escrituração contábil consubstanciase motivo justo, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta segundo o critério do Custo Unitário Básico, da base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mão de obra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. REVISÃO DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura como revisão de lançamento a ação fiscalizatória tendente a apurar fatos geradores não informados em LDC e em GFIP, mas, sim, lançamento de ofício, nos termos previstos no inciso IV do art. 149 do CTN. Na formalização de LDC, o sujeito passivo assume integral responsabilidade pela correcção dos fatos geradores confessados, restando ressalvado o direito do fisco de apurar eventuais omissões não incluídas no citado documento declaratório, ainda que relativas ao mesmo período. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. PERICIA. INDEFERIMENTO. É facultado à autoridade julgadora de primeira instância indeferir as perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 2 TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. CONSTITUCIONALIDADE. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, conceder provimento parcial quanto à preliminar de decadência, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Thiago d’Avila Melo Fernandes divergiram, pois entenderam que se aplicava o artigo 150, §4° do CTN. Quanto à parcela não decadente, por unanimidade de votos, foi negado provimento ao recurso. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice Presidente de Turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Thiago d’Avila Melo Fernandes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 13971.002423/200711 Acórdão n.º 230200.860 S2C3T2 Fl. 874 3 Relatório Período de apuração MPF : Março/1997 a Janeiro/2005. Período de apuração do débito: 01/07/1997 a 31/03/2003. Data da lavratura da NFLD : 28/03/2005. Data da Ciência da NFLD: 28/03/2005. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrada em desfavor do Recorrente em referência, tendo por objeto contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre a remuneração da mão de obra de obra parcial de construção civil, denominada Residencial Imbassahy, matrícula CEI n° 20.024.07237/70, apurada por aferição indireta com base no Custo Unitário Básico – CUB, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 17/23 e anexos. Relata o auditor fiscal notificante que os salários de contribuição da obra em questão foram apurados utilizando os preceitos instituídos pela Instrução Normativa INSS/DC 100/2003, a qual especifica critérios para o enquadramento de obras de construção civil, utilizandose como parâmetros a destinação do imóvel, o número de quartos, o número de pavimentos e o padrão da obra, tendo como objetivo enquadrar a edificação no Custo Unitário Básico CUB, para obtenção por aferição da remuneração da mão de obra empregada na construção e, por consequência, a contribuição social devida decorrente desta remuneração. Destaca a autoridade lançadora que foram solicitados, mediante TIAD a fl. 14, diversos documentos, entre os quais, os livros contábeis relativos ao período 03/1997 a 01/2005, os quais deveriam estar disponibilizados a partir de 14/02/2005. Aduz que, no curso da ação fiscal, a empresa apresentou apenas os Livros Contábeis, Diário e Razão, relativos aos exercícios de 1997 e 1998, motivo que ensejou a lavratura, na mesma ação fiscal, do Auto de Infração nº 35.635.0231. Acrescenta que não foi, igualmente, disponibilizada pela empresa, a documentação completa para análise da remuneração envolvida na obra. Para o período com contabilidade (1997 a 1998), não foi apresentada a maior parte dos documentos de suporte dos lançamentos contábeis relativos à obra em questão. Da mesma forma para o período sem contabilidade (1999 a 2003), a empresa apresentou apenas alguns poucos documentos que não refletiam as atividades necessárias para o andamento da construção, registrando o auditor a ausência de documentos relativos à movimentação e utilização de diversos materiais e mão de obra que são de aplicação e consumo obrigatórios nas obras executada pela empresa, tais como execução das fundações, consumo de areia, ferro, brita, madeira, cimento, tijolos, aquisição de aberturas tais como portas, janelas, pisos, azulejos, louças, materiais hidráulicos e elétricos, bem como materiais de acabamentos diversos tais como elevadores, tintas, luminárias, ferragens, entre outros. Informa o auditor notificante que, da análise dos livros contábeis apresentados (1997 e 1998), constatouse que a remuneração relativa à obra em questão não foi Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 4 devidamente registrada em conta de classificação contábil 1.1.10.08.009. Cita que os valores relativos aos proventos dos empregados, bem como custos trabalhistas e previdenciários, tais como o FGTS e encargo patronal do INSS, não foram devidamente contabilizados nesta conta, no período 06/1997 a 07/1998. Os itens citados são parte do custo de construção e por consequência deveriam ter sido lançados junto com os demais itens que compõem esses custos, como materiais de construção, materiais de consumo, pagamentos de taxas de serviço, serviços de terceiros etc. Constatou ainda a autoridade fiscal que a contabilidade (Diário de 1998), passou a registrar estes valores somente a partir de 08/1998, fato que estaria a demonstrar que a contabilidade apresentada para o período 1997 a 1998 não se mostrava representativa da realidade e não refletiria a real remuneração dos empregados a serviço da empresa. A ausência de documentos de suporte da contabilidade, a falta de documentos relativos à obra, no período sem contabilidade, a ausência de registro de remuneração e encargos em títulos próprios da contabilidade para o período apresentado e a não apresentação da contabilidade para o período 1999 a 2004 motivou o agente fiscal a apurar os salários de contribuição da obra por aferição indireta, com fulcro nas disposições inscritas no art. 487 da Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18/12/2003. Relata o auditor que foram considerados e deduzidos da aferição os salários de contribuição inclusos em parcelamentos efetuados anteriormente ao presente lançamento pela empresa junto ao INSS relativo a obra em questão, bem como os salários de contribuição que constam de Folha de Pagamento da empresa e da GFIP, não objeto de parcelamento espontâneo pela empresa e que constam da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD n° 35.635.0193, lavrada na mesma ação fiscal, relativas a obra em questão, para o período 02/2000 a 13/2000 e 10/2001 a 03/2003. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 32/49. A Seção de Análise de Defesas e Recursos da Delegacia da Receita Previdenciária em Blumenau/SC baixou o feito em diligência, para que fossem esclarecidos pontos controversos no lançamento, conforme Despacho a fl. 775. Informação fiscal a fl. 777. Promovida a ciência da referida Informação Fiscal ao sujeito passivo, este se manifestou a fls. 785/789. A Delegacia da Receita Previdenciária em Blumenau/SC lavrou Decisão Notificação (DN), a fls. 782/802, julgando procedente a Notificação Fiscal e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 30 de dezembro de 2005, conforme Aviso de Recebimento – AR, a fl. 804. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 805/823, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 13971.002423/200711 Acórdão n.º 230200.860 S2C3T2 Fl. 875 5 • Que a autoridade lançadora parece não ter levado em consideração os débitos já constituídos em desfavor do Recorrente, sob o mesmo fato gerador, eis que sequer mencionou os ditos débitos na presente NFLD. Aduz que o auditor fiscal deveria ter feito o confronto analítico entre o débito ora lançado e o crédito previdenciário já constituído mediante as LDC n° 35.802.9910 e NFLD n° 35.635.0193), sob pena de contaminar o crédito apurado por falta de liquidez, certeza e exigibilidade. • Que o indeferimento da perícia solicitada pela autoridade julgadora primária contamina a decisão de primeira instância, a qual deve ser declarada nula. • Que a presente NFLD referese ao mesmo fato gerador já apurado na NFLD n° 35.635.0193. Aduz que nesta NFLD as contribuições devidas foram apuradas diretamente enquanto naquela as contribuições foram apuradas indiretamente. Afirma que a utilização de dois critérios de apuração das contribuições devidas consiste de dupla exigência tributária. • Que o arbitramento deve ter a sua utilização reservada somente para os casos excepcionais, após ficar demonstrada a impossibilidade de se obter as informações de forma convencional, ou seja, com base nos registros oferecidos pelo contribuinte ou constantes em sua contabilidade. • Decadência parcial das obrigações tributárias que integram o lançamento; • Inadmissibilidade da utilização da Taxa Selic, eis que não foi instituída por lei. Ao fim, requer que o presente recurso seja recebido e julgado procedente. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 30/12/2005, sextafeira, iniciandose pois o decurso do prazo recursal na segundafeira seguinte, digase, 02/01/2006. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 30 de janeiro de 2006, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Estando cumpridos os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 13971.002423/200711 Acórdão n.º 230200.860 S2C3T2 Fl. 876 7 O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Nessa condição, tendo sido o lançamento realizado em 28 de março de 2005, este apenas alcançaria os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/1999, inclusive, excluído os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano. Pelo exposto, encontramse atingidas pela fluência do prazo decadencial todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 1999, caducando, por conseguinte, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário a elas correspondente. Rogase atenção ao fato de que o reconhecimento da decadência parcial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário não inquina de vício todo o processo. A declaração de caducidade acima aduzida apenas tem o condão de extirpar do lançamento tributário tão somente as parcelas atingidas pelo citado instituto de direito tributário uma vez que a ocorrência deste constituise causa extintiva do crédito tributário, nos termos do art. 156, V, in fine, do CTN, e não hipótese de nulidade do lançamento tributário. Dessarte, o crédito tributário relativo às competências atingidas pela decadência encontrase extinto, e não nulo, sendo por aquele motivo, e não por este, excluído do presente lançamento. 2.2. DO INDEFERIMENTO DE PERICIA O Recorrente focaliza ainda sua inconformidade no fato de não ser deferida a produção de prova pericial requerida na impugnação, fato que, ao seu sentir, contaminaria a decisão de primeira instância, a qual deveria ser declarada nula. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 8 Os artigos 15, 16 e 18 do Decreto nº 70.235/72, sob cuja égide ocorreram os fatos ora em apreciação, estipulam que a impugnação tem que ser formalizada com os documentos em que se fundamentar a defesa do impugnante, devendo mencionar o correspondente instrumento de bloqueio, as perícias pretendidas, expostos obrigatoriamente os motivos que as justifiquem, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito indicado, sob pena de o pedido de perícia ser tido como não formulado. DECRETO nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) Impende observar, que os efeitos fixados no §1º do art. 16 do precitado decreto não se sujeitam ao jugo da discricionariedade da autoridade fazendária. Eles decorrem ex lege, não tendo o legislador infraconstitucional facultado alternativas. Ocorre que, ao fixar as regras básicas para a impugnação administrativa, o citado decreto outorga à autoridade julgadora de primeira instância a faculdade de indeferir as perícias requeridas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Assim, mesmo que sejam atendidos os requisitos essenciais previstos na norma positiva acima desfiada, é facultado à autoridade julgadora de primeira instância indeferir as perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis. DECRETO nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 13971.002423/200711 Acórdão n.º 230200.860 S2C3T2 Fl. 877 9 Nesse contexto, conforme expressamente consignado no item 33 da Decisão ora desafiada, a fl. 800, o órgão julgador a quo entendeu ser prescindível a perícia requerida, não cabendo a este Colegiado sindicar os elementos de sua convicção. 3. DO MÉRITO Em razão do provimento relativo à decadência parcial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário de que trata o presente processo, nos termos do item 2.1. supra, apenas será objeto de apreciação por este colegiado as matérias de fato e de direito referentes aos fatos geradores ainda não alcançados pelo decurso do prazo decadencial acima referido. Dessarte, o exame do mérito se cingirá aos fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro de 1999, inclusive. Em relação aos demais, consideraremos ter havido perda do interesse processual, razão pela qual não serão mais objeto de deliberação. Cumpre assentar igualmente que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DO ARBITRAMENTO. Alega o Recorrente que o arbitramento deve ter a sua utilização reservada somente para os casos excepcionais, após ficar demonstrada a impossibilidade de se obter as informações de forma convencional, ou seja, com base nos registros oferecidos pelo contribuinte ou constantes em sua contabilidade. A rogativa acima postada não merece florescer. Muito embora corretas se mostrem as alegações desfiadas pelo Recorrente, os fatos apontados pela fiscalização em seu Relatório Fiscal a fls. 17/23 apontam exatamente no sentido da ocorrência real das situações excepcionais apontadas pelo contribuinte como autorizadoras da condução do levantamento da base de cálculo por arbitramento. Senão vejamos: Cita a Autoridade Lançadora, ipsis litteris: 5 Dos motivos da aferição indireta 5.1 A auditoria na construção civil é realizada com base na escrituração contábil da empresa e na documentação relativa à obra. Desta forma, foi solicitado pela fiscalização, conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, de 02/02/2005, em anexo, diversos documentos, entre os quais, os livros contábeis relativos ao período 03/1997 a 01/2005, a saber o Livro Diário e o Livro Razão para exame. Os mesmos deveriam estar a disposição desta fiscalização a partir de 14/02/2005. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 10 Durante o curso da ação fiscal, a empresa apresentou apenas os Livros Contábeis, Diário e Razão, relativos aos exercícios de 1997 e 1998, motivo que ensejou a lavratura do Auto de Infração nº. 35.635.0231, nesta ação fiscal. 5.2 Não foi também disponibilizada pela empresa, para exame pela fiscalização, a documentação completa para analise da remuneração envolvida na obra. Para o período com contabilidade (1997 a 1998), não foram apresentados a maior parte dos documentos de suporte dos lançamentos contábeis relativos a obra em questão. Da mesma forma para o período sem contabilidade (1999 a 2003), a empresa apresentou apenas alguns poucos documentos que não refletem as atividades necessárias para o andamento da construção, onde notouse claramente a ausência de documentos relativos a movimentação e utilização de diversos materiais e mão de obra que são de aplicação e consumo obrigatórios nas obras executada pela empresa, tais como execução das fundações, consumo de areia, ferro, brita, madeira, cimento, tijolos, aquisição de aberturas tais como portas, janelas, pisos, azulejos, louças, materiais hidráulicos e elétricos, bem como materiais de acabamentos diversos tais como elevadores, tintas, luminárias, ferragens, entre outros. 5.3 Da análise dos livros contábeis apresentados (1997 e 1998), constatouse que a remuneração relativa à obra em questão não foi devidamente registrada em conta de estoques, classificação contábil 1.1.10.08.009. Os valores relativos aos proventos dos empregados, bem como custos trabalhistas e previdenciários tais como o FGTS e encargo patronal do INSS não foram devidamente contabilizados nesta conta, no período 06/1997 a 07/1998. Os itens citados são parte do custo de construção e por consequência deve ser lançado junto com os demais itens que compõem estes custos, como materiais de construção, materiais de consumo, pagamentos de taxas de serviço, serviços de terceiros etc. Constatouse que a contabilidade (Diário de 1998), passou a registrar estes valores somente a partir de 08/1998. Tal fato demonstra que a contabilidade apresentada para o período 1997 a 1998 não espelha a realidade e não reflete a real remuneração dos empregados a serviço da empresa. 5.4 Conforme demonstrado no item anterior, onde constatouse a ausência de documentos de suporte da contabilidade, a ausência de documentos relativos a obra, no período sem contabilidade, a ausência de registro de remuneração e encargos em títulos próprios da contabilidade para o período apresentado e a não apresentação da contabilidade para o período 1999 a 2004, foi necessário apurar os salários de contribuição da obra por aferição indireta, tendo em vista o que dispõe a Instrução Normativa 100, no Artigo 487: No plano infraconstitucional, a matéria relativa à apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias foi confiada à Lei nº 8.212/91, a qual dispõe em seu art. 33 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das Fl. 10DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 13971.002423/200711 Acórdão n.º 230200.860 S2C3T2 Fl. 878 11 contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) §4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Esmiuçando a matéria em realce, a Instrução Normativa INSS/DC nº 100/2003, inserida no conceito de “Legislação Tributária” adotado pelo codex, conferiu o detalhamento dos procedimentos fiscais a serem conduzidos pela fiscalização, assim dispondo em seu art. 487, verbis: Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18 de dezembro de 2003 Art. 486. A obra ou o serviço de construção civil, de responsabilidade de pessoa jurídica, deverá ser auditada com base na escrituração contábil, observado o disposto nos arts. 433 e 435, e na documentação relativa à obra ou ao serviço. Parágrafo único. Os livros Diário e Razão, com os lançamentos relativos à obra, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 12 Art. 487. A base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mão de obra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil será aferida indiretamente, com fundamento nos §§ 3º, 4° e 6° do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, quando ocorrer uma das seguintes situações: I – quando a empresa estiver desobrigada da apresentação de escrituração contábil; II – quando não houver apresentação de escrituração contábil no prazo fixado no § 6º do art. 65; III quando a contabilidade não espelhar a realidade econômicofinanceira da empresa por omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento ou do lucro; IV – quando houver sonegação ou recusa, pelo responsável, de apresentação de qualquer documento ou informação de interesse do INSS; (grifos nossos) V – quando os documentos ou informações de interesse do INSS forem apresentados de forma deficiente. (grifos nossos) §1º Nas situações previstas no caput , a base de cálculo aferida indiretamente será obtida: I mediante a aplicação dos percentuais previstos nos arts. 441, 619 e 623, sobre o valor da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços ou sobre o valor total do contrato de empreitada ou de subempreitada; II– pela aferição do valor da mão de obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão em relação à obra de responsabilidade da empresa, nas edificações prediais; (grifos nossos) III por outra forma julgada apropriada, com base em contratos, informações prestadas aos contratantes em licitação, publicações especializadas ou em outros elementos vinculados à obra, quando não for possível a aplicação dos procedimentos previstos nos incisos I e II. §2° Na contratação de serviços mediante cessão de mão de obra ou empreitada total ou parcial, até janeiro de 1999, aplicarseá a responsabilidade solidária, na forma da Seção III do Capítulo X do Título II, em relação às contribuições incidentes sobre a base de cálculo apurada na forma deste artigo, deduzidas as contribuições já recolhidas, se existirem. §3° Na contratação de empreitada total a partir de fevereiro de 1999, não tendo o contratante usado da faculdade da retenção prevista no art. 200, aplicarseá a responsabilidade solidária em relação às contribuições incidentes sobre a base de cálculo apurada na forma deste artigo, deduzidas as contribuições já recolhidas, se existirem. O Caso em espécie invoca o tratamento arquitetado nos artigos 449 a 469 da já citada IN INSS/DC nº 100/2003, os quais, pela sua relevância para o deslinde da controvérsia, tomamos a liberdade de reproduzilos adiante: Fl. 12DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 13971.002423/200711 Acórdão n.º 230200.860 S2C3T2 Fl. 879 13 Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18 de dezembro de 2003 Art. 449. Para a apuração do valor da mão de obra empregada na execução de obra de construção civil, em se tratando de edificação, serão utilizadas as tabelas do Custo Unitário Básico (CUB), divulgadas mensalmente na Internet ou na imprensa de circulação regular, pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil (SINDUSCON). (grifos nossos) § 1º Custo Unitário Básico (CUB) é a parte do custo por metro quadrado da construção do projetopadrão considerado, calculado pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil de acordo com a Norma Técnica n° 12.721, de 1993, e a Emenda n° 1, de 1999, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), e é utilizado para a avaliação dos custos de construção das edificações. § 2° Serão utilizadas as tabelas do CUB publicadas no mês da apresentação da DISO, referentes ao CUB obtido para o mês anterior. § 3° Em relação à obra de construção civil, consideramse devidas as contribuições indiretamente aferidas e exigidas: I na competência de emissão do ARO; II na competência da emissão das notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços, quando a aferição indireta se der com base nestes documentos; III em qualquer competência no prazo de vigência do Mandado de Procedimento Fiscal, quando a apuração se der em AuditoriaFiscal de obra para a qual não houve a emissão do ARO. § 4° Serão utilizadas as tabelas do CUB divulgadas pelo SINDUSCON: I da localidade da obra ou, inexistindo estas; II – da unidade da Federação onde se situa a obra; III de outra localidade ou de unidade da Federação que apresente características semelhantes às da localidade da obra, caso inexistam as tabelas previstas nos incisos I e II deste parágrafo, a critério da Chefia de Divisão/Serviço de Receita Previdenciária da GerênciaExecutiva circunscricionante da obra. § 5° Para obras executadas fora da circunscrição da Gerência Executiva do estabelecimento centralizador da empresa construtora, serão utilizadas as tabelas divulgadas pelo SINDUSCON ao qual o município a que pertence a obra esteja vinculado ou, inexistindo estas, as tabelas de CUB previstas no inciso II do § 4º deste artigo. Subseção II Do Enquadramento Art. 450. O enquadramento da obra de construção civil, em se tratando de edificação, será realizado de ofício, pelo INSS, de acordo com a destinação do imóvel, a área privativa, o número de pavimentos, o número de quartos da unidade autônoma, o Fl. 13DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 14 padrão e o tipo da obra, e tem por finalidade encontrar o CUB aplicável à obra e definir o procedimento de cálculo a ser adotado. §1° O enquadramento será único por projeto, ressalvado o disposto no § 3° do art. 451 e no § 3º deste artigo. §2° O projeto que servir de base para o enquadramento será considerado integralmente, não podendo ser fracionado para alterar o resultado do enquadramento. §3º No caso de fracionamento do projeto conforme disposto nos §§ 1º e 2º do art. 30, o enquadramento deverá ser efetuado em relação a cada bloco, a cada casa geminada ou a cada unidade residencial que tenha matrícula própria. Art. 451. O enquadramento da obra levará em conta as seguintes tabelas: I TABELA RESIDENCIAL, para os imóveis que se destinam a: a) residência unifamiliar; b) edifício residencial; c) hotel, motel, SPA e hospital. II TABELA COMERCIAL ANDARES LIVRES, para os imóveis que se destinam a: a) teatro, cinema, danceteria ou casa de espetáculos; b) supermercado ou hipermercado; c) templo religioso; d) prédio de garagens; e) posto de gasolina, com ou sem escritório, e com instalações para lanchonete, restaurante, loja de conveniência, serviço de lava rápido, serviço de alinhamento e balanceamento de rodas, entre outras; f) demais salas comerciais ou lojas com área livre acima de cem metros quadrados, sem paredes divisórias de alvenaria. III TABELA COMERCIAL SALAS E LOJAS, para os imóveis que se destinam a: a) escritório ou consultório; b) shopping Center; c) lanchonete ou restaurante; d) dependências de clube recreativo; e) escola; f) demais salas comerciais ou lojas com área livre até cem metros quadrados, sem paredes divisórias de alvenaria. IV TABELA DE GALPÃO INDUSTRIAL, para os imóveis que se destinam a: a) indústria; b) oficina mecânica; c) posto de gasolina, com ou sem escritório, e sem nenhuma das instalações especificadas na alínea "e" do inciso II; d) pavilhão para feiras, eventos ou exposições; e) depósito fechado; f) telheiro; g) silo, tanque ou reservatório; Fl. 14DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 13971.002423/200711 Acórdão n.º 230200.860 S2C3T2 Fl. 880 15 h) barracão; i) hangar; j) ginásio de esportes e estádio de futebol; l) estacionamento térreo; m) estábulo. V TABELA DE CASA POPULAR, para os imóveis que se destinam a: a) casa popular, definida no inciso XXV do art. 427; b) conjunto habitacional popular, definido no inciso XXVI do art. 427. §1° Quando no mesmo projeto constarem áreas com as características das obras mencionadas nas tabelas dos incisos I, II ou III do caput, efetuarseá o enquadramento conforme a área preponderante, sendo que, se houver coincidência de áreas, a tabela residencial prevalecerá sobre a tabela comercial salas e lojas, que, por sua vez, prevalecerá sobre a tabela comercial andares livres. §2° No caso de projeto que contenha unidades residenciais e área comercial, quando a área das unidades residenciais for coincidente ou preponderante, efetuarseá o enquadramento da obra como edifício residencial, sendo que o enquadramento subsequente nas tabelas 2Q ou 3Q será efetuado em função do número de quartos da parte residencial. §3° Havendo no mesmo projeto construções com as características mencionadas nas tabelas previstas nos incisos I, II ou III do caput e construções com as características das tabelas previstas nos incisos IV ou V do caput, deverão ser feitos enquadramentos distintos, na respectiva tabela, sendo que as obras referidas nas tabelas dos incisos IV ou V do caput serão consideradas, para efeito de cálculo, como acréscimo das obras mencionadas nas tabelas dos incisos I, II ou III do caput, observado o disposto no § 1º deste artigo. §4º A obra que envolva acréscimo de área que tenha destinação distinta da construção já existente e regularizada, será enquadrada conforme a destinação do acréscimo constante no projeto, observandose o disposto no art. 475. . §5° O enquadramento de obra não prevista nas tabelas dos incisos I a V do caput deverá ser feito com aquela que mais se aproxime de suas características, seja pela destinação do imóvel ou por sua semelhança com as construções constantes do rol das mencionadas tabelas. §6º Se o SINDUSCON da localidade da obra não divulgar as tabelas do CUB para edificação comercial, casa popular ou para galpão industrial, deverá ser observado o disposto nos incisos II ou III do § 4º do art. 449. Art. 452. O enquadramento conforme o número de pavimentos da edificação será efetuado de acordo com as seguintes faixas: I H1, para obra com apenas um pavimento; II H4, para obra com dois a quatro pavimentos; Fl. 15DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 16 III H8, para obra com cinco a oito pavimentos; IV H12, para obra com nove a doze pavimentos; V H16, para obra com treze a dezesseis pavimentos; VI H20, para obra com mais de dezesseis pavimentos. §1° Inexistindo os valores do CUB para H16 ou H20, serão utilizados os valores para H12. §2° Caso não sejam publicados os valores do CUB para H1, serão utilizados os valores da faixa imediatamente superior. §3º No caso de edificações classificadas como mistas, que tenham áreas residenciais e comerciais, o enquadramento quanto ao número de pavimentos efetuarseá da seguinte forma: I quando edificadas em um mesmo bloco, será o resultante da soma dos pavimentos de toda a obra. II quando edificadas em blocos distintos: a) prevalecendo uma das tabelas do art. 451, o número de pavimentos será o da edificação comercial ou residencial, conforme seja a prevalência; b) no caso de coincidência de áreas, o número de pavimentos corresponderá ao da edificação de maior número de pavimentos. Art. 453. O enquadramento conforme a quantidade de quartos da unidade autônoma do edifício residencial, excluído o quarto de empregada, será efetuado da seguinte forma: I 2Q, para edifício residencial composto de unidades com um ou dois quartos; II 3Q, para edifício residencial composto de unidades com três ou mais quartos. §1° Havendo no mesmo edifício apartamentos com dois e três quartos, o enquadramento será o correspondente ao de maior número de unidades, enquadrandose em 2Q quando houver coincidência, excluída a unidade do zelador e os boxes ou garagens. §2° A edificação classificada como residência unifamiliar, na Tabela Residencial prevista no inciso I do art. 451, será enquadrada na forma do caput deste artigo e a edificação destinada a hotel, motel, SPA ou hospital será enquadrada como 3Q. Art. 454. O enquadramento no padrão da construção será efetuado em função da área média, definida no inciso XVII do art. 427, da seguinte forma: I no caso de edificações enquadradas na tabela residencial e na tabela comercial salas e lojas: a) padrão baixo, para área média com até cem metros quadrados; b) padrão normal, para área média com mais de cem metros quadrados e até duzentos e cinquenta metros quadrados; c) padrão alto, para área média com mais de duzentos e cinquenta metros quadrados. II no caso de edificações enquadradas na tabela comercial andares livres: Fl. 16DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 13971.002423/200711 Acórdão n.º 230200.860 S2C3T2 Fl. 881 17 a) padrão baixo, para área média de até cem metros quadrados; b) padrão normal, para área média com mais de cem metros quadrados e até quinhentos metros quadrados; c) padrão alto, para área média acima de quinhentos metros quadrados. §1° O enquadramento, previsto neste artigo, será efetuado de ofício pelo INSS unicamente em função da área média, independentemente do material utilizado. §2° O enquadramento de hotel, motel, SPA e hospital nos padrões alto, normal e baixo sujeitase à regra geral prevista no caput, sendo que na determinação da área média, considerarse á o número de unidades igual a um, ou seja, a área média será igual à própria área construída. §3° Para enquadramento de hotel, motel, SPA e hospital nos padrões alto, normal ou baixo, considerase a área média igual à própria área construída, observandose, quanto ao número de pavimentos, o enquadramento previsto no art. 452. §4° No caso de edificações que tenham áreas residenciais e comerciais, o enquadramento no padrão baixo, normal ou alto efetuarseá da seguinte forma: I prevalecendo uma das tabelas do art. 451, o enquadramento observará a área média residencial ou comercial, conforme seja a prevalência; II no caso de coincidência das áreas, adotarseá a área média do enquadramento mais vantajoso ao sujeito passivo. §5º Prevalecendo, no enquadramento previsto no § 4º deste artigo, a Tabela Residencial, o enquadramento subsequente nas tabelas 2Q ou 3Q será efetuado em função do número de quartos das unidades que compõem a parte residencial, excluídos a unidade do zelador e os boxes ou garagens. §6° O edifício de garagens será sempre considerado de padrão baixo, independentemente da área média. Art. 455. Quanto ao tipo, as edificações serão enquadradas da seguinte forma: I tipo onze, alvenaria; II tipo doze, madeira ou mista, se ocorrer uma ou mais das seguintes circunstâncias: a) pelo menos cinquenta por cento das paredes externas forem de madeira ou de metal; b) a estrutura for de metal; c) a estrutura for préfabricada ou prémoldada. §1° A classificação no tipo doze levará em conta unicamente o material das paredes externas ou da estrutura, independentemente do utilizado na cobertura, no alicerce, no piso ou na repartição interna. §2° Se o projeto e o memorial aprovados pelo órgão municipal não permitirem identificar qual material foi utilizado na estrutura ou nas paredes externas, a classificação será feita no tipo onze. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 18 §3° Para classificação no tipo doze, deverão ser apresentadas as notas fiscais de aquisição da madeira, da estrutura de metal ou da estrutura préfabricada ou prémoldada, ou outro documento que comprove ser a obra de madeira ou mista. §4° A utilização de lajes prémoldadas ou préfabricadas não será considerada para efeito do enquadramento no tipo doze. §5° Toda obra que não se enquadrar no tipo doze será necessariamente enquadrada no tipo onze, mesmo que empregue significativamente outro material que não alvenaria, como por exemplo: plástico, vidro, isopor, fibra de vidro, policarbonato e outros materiais sintéticos. Subseção III Do Cálculo da Remuneração da Mão de Obra e das Contribuições Devidas Art. 456. O Custo Global da Obra (CGO) será calculado pelo sistema informatizado do INSS, a partir do enquadramento da obra conforme procedimentos descritos nos arts. 450 a 455, mediante a multiplicação do CUB correspondente ao tipo da obra pela sua área total, submetida, quando for o caso, à aplicação de redutores, conforme previsto no art. 463. Art. 457. Para apuração da Remuneração da Mão de obra Total (RMT) despendida na obra, o sistema informatizado do INSS fará o escalonamento previsto na tabela abaixo, aplicando os percentuais tabelados sobre o produto obtido mediante a multiplicação do CUB correspondente ao tipo da obra pela área construída, na proporção do escalonamento, e somando os resultados obtidos: Faixas de área para cálculo Tipo 11 (alvenaria) Tipo 12 (madeira/mista) Nos primeiros 100 m2 4% 2% Acima de 100 m2 e até 200 m2 8% 5% Acima de 200 m2 e até 300 m2 14% 11% Acima de 300 m2 20% 15% Parágrafo único. No caso de conjunto habitacional popular definido no inciso XXVI do art. 427, utilizarseá, independentemente da área construída: I para obra em alvenaria (Tipo 11), o percentual de doze por cento; II para obra madeira ou mista (Tipo 12), o percentual de sete por cento. Art. 458. Havendo mais de uma edificação no mesmo projeto, aplicarseá o escalonamento da tabela prevista no art. 457 uma única vez para a área total do projeto, submetida, quando for o caso, à aplicação dos redutores previstos no art. 463, e não por Fl. 18DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 13971.002423/200711 Acórdão n.º 230200.860 S2C3T2 Fl. 882 19 edificação isoladamente, independentemente do padrão da unidade, ressalvado o disposto no § 3º do art. 450. Art. 459. Havendo recolhimento de contribuição relativa à obra, a remuneração correspondente a este recolhimento será convertida em área regularizada pelo sistema informatizado do INSS, que dividirá o valor desta remuneração pela Remuneração da Mão de obra Total (RMT), definida no art. 457, calculada a partir do CUB vigente na competência do recolhimento efetuado, e multiplicará o quociente assim obtido pela área total da obra, submetida, quando for o caso, à aplicação dos redutores previstos no art. 463. Art. 460. A remuneração relativa à mão de obra própria, inclusive ao décimo terceiro salário, cujas correspondentes contribuições foram recolhidas com vinculação inequívoca à obra, será convertida em área regularizada, na forma prevista no art. 459, considerandose: I até dezembro de 1998, a remuneração correspondente às contribuições recolhidas mediante documento de arrecadação identificado com a matrícula CEI da obra, com o endereço da obra e o nome do responsável; II a partir de janeiro de 1999, a remuneração constante em GFIP específica para a matrícula CEI, com comprovante de entrega, desde que comprovado o recolhimento das contribuições correspondentes; III a remuneração correspondente às contribuições recolhidas mediante documento de arrecadação identificado com a matrícula CEI da obra, não sendo exigida a comprovação de apresentação de GFIP, quando se tratar de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa física. Parágrafo único. Revogado Art. 461. A remuneração relativa à mão de obra terceirizada, inclusive ao décimo terceiro salário, cujas correspondentes contribuições recolhidas tenham vinculação inequívoca à obra, será convertida em área regularizada, na forma prevista no art. 459, considerandose: I até janeiro de 1999, a remuneração correspondente às contribuições recolhidas em documento de arrecadação identificado com o CNPJ do prestador, com o endereço da obra, e que traga, no campo "observações", a identificação da matrícula CEI e o número da nota fiscal ou da fatura de prestação de serviços; II a partir de fevereiro de 1999 até setembro de 2002: a) a remuneração declarada em GFIP específica identificada com a matrícula CEI no campo "inscrição tomador CNPJ/CEI", com comprovante de entrega, emitida por empreiteira contratada diretamente pelo responsável pela obra, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos com base nas Fl. 19DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 20 notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidos pela empreiteira; b) a remuneração declarada em GFIP específica para a obra, cujo comprovante de entrega tenha sido emitido pela subempreiteira contratada, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidos pela empreiteira ou subempreiteira. c) o valor retido com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidos pela empreiteira ou subempreiteira contratada, quando não tenha sido apresentada a GFIP da contratada, conforme previsto na alíneas “a” e “b” deste inciso, observado o disposto no § 2º. III a partir de outubro de 2002, somente serão convertidas em área regularizada as remunerações declaradas em GFIP específica para a obra, com comprovante de entrega, emitidas pelo empreiteiro ou pelo subempreiteiro, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos correspondentes. §1º Nas obras de pessoa física, poderão ser aproveitadas as remunerações de empresas contratadas, da seguinte forma: I – no caso de cooperativa de trabalho, a resultante da divisão da contribuição dos segurados cooperados que trabalharam na obra por zero vírgula trezentos e sessenta e oito, tomandose como base: a) de janeiro de 1999 a março de 2003, as contribuições individuais correspondentes a vinte por cento do saláriode contribuição de cada um, efetivamente recolhidas pelos segurados cooperados, desde que estes tenham sido informados na GFIP específica para a obra emitida pela cooperativa; b) a partir de abril de 2003, as contribuições individuais descontadas dos segurados cooperados correspondentes a vinte por cento do saláriodecontribuição de cada um, efetivamente recolhidas pela cooperativa, desde que estes segurados tenham sido informados na GFIP específica para a obra emitida pela cooperativa. II – no caso de empreiteira ou subempreiteira, a remuneração declarada em GFIP específica para a obra, desde que comprovado o recolhimento integral das contribuições constantes dessa GFIP. §2º Para fins do previsto na alínea “c” do inciso II do caput, o valor da retenção será dividido por zero vírgula trezentos e sessenta e oito para apuração do valor correspondente à remuneração que será convertida em área pelos parâmetros definidos neste Título. §3º A remuneração relativa a período decadencial não poderá ser aproveitada para fins da dedução prevista neste artigo. Art. 462. Será, ainda, convertida em área regularizada a remuneração: I contido em NFLD ou LDC, relativos à obra, quer seja apurado com base em folha de pagamento ou resultante de eventual lançamento de débito por responsabilidade solidária; II obtida com o resultado da divisão do valor da contribuição recolhida pelo contratante, incidente sobre o valor pago a Fl. 20DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 13971.002423/200711 Acórdão n.º 230200.860 S2C3T2 Fl. 883 21 cooperativa de trabalho, cuja nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços esteja vinculado inequivocamente à obra, por zero vírgula trezentos e sessenta e oito; III correspondente a cinco por cento do valor da nota fiscal ou fatura de aquisição de concreto usinado, de massa asfáltica ou de argamassa usinada, utilizados inequivocamente na obra, independentemente de apresentação do comprovante de recolhimento das contribuições sociais. Parágrafo único. O disposto no inciso III do caput não se aplica à argamassa em pó adquirida para preparo na obra. Art. 463. Será aplicado redutor de cinquenta por cento para áreas cobertas e de setenta e cinco por cento para áreas descobertas, desde que constatado que as mesmas integram a área total da edificação, definida no inciso XVIII do art. 427, nas obras listadas a seguir: I quintal; II playground; III quadra esportiva ou poliesportiva; IV garagem e pilotis; V quiosque; VI área destinada à churrasqueira; VII jardim; VIII piscina préfabricada de fibra; IX telheiro; X estacionamento térreo; XI terraço sem paredes externas e divisórias internas; XII varanda; XIII área coberta junto às bombas e área descoberta destinada à circulação ou ao estacionamento de veículos nos postos de gasolina. § 1° Compete exclusivamente ao INSS a aplicação de percentuais de redução e a verificação das áreas reais de construção, as quais serão apuradas com base nas informações prestadas na DISO, confrontadas com as áreas discriminadas no projeto arquitetônico aprovado pelo órgão municipal. § 2° A redução será aplicada também às obras que envolvam acréscimo de área já regularizada. § 3° Não havendo discriminação das áreas passíveis de redução, no projeto arquitetônico, o cálculo será efetuado pela área total, sem utilização de redutores. § 4° Jardins, quintais e playgrounds sobre terreno natural não são considerados área construída e não deverão ser incluídos no cálculo da remuneração. § 5° A redução prevista neste artigo servirá apenas para o cálculo da remuneração por aferição, devendo constar na CND para fins de averbação a área total da edificação indicada no habitese, certidão da prefeitura municipal, planta ou projeto aprovados, termo de recebimento da obra, quando contratada Fl. 21DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 22 com a Administração Pública, ou em outro documento oficial expedido por órgão competente e não a área reduzida. Art. 464. A conversão, em área regularizada, da remuneração correspondente às contribuições vinculadas à obra, observará a legislação vigente na competência do recolhimento. Parágrafo único. Para conversão em metros quadrados da remuneração correspondente aos recolhimentos efetuados no período anterior à vigência da Instrução Normativa INSS/DC n° 69, de 10 de maio de 2002, no caso de obra de responsabilidade de pessoa jurídica, deverão ser aplicadas as regras estabelecidas na Ordem de Serviço INSS/DAF n° 161, de 22 maio de 1997. Art. 465. A área regularizada, apurada de acordo com os arts. 460 a 462, será deduzida da área construída e, havendo diferença de área a regularizar, esta será dividida pela área total, submetida, quando for o caso, à aplicação de redutores, previstos no art. 463, e multiplicada pela RMT, definida no art. 457, calculada com base no CUB vigente na data do cálculo, obtendose, assim, a remuneração relativa a área a regularizar em relação a qual serão exigidas as contribuições sociais previdenciárias e as destinadas a outras entidades e fundos. Parágrafo único. Constatada a inexistência de recolhimento de contribuições relativas a remuneração despendida na execução da obra, a remuneração será obtida pela multiplicação da área construída pelo valor do CUB vigente na data do cálculo, aplicandose os percentuais especificados no art. 457. Art. 466. Para apuração das contribuições sociais devidas, serão aplicadas sobre a remuneração obtida na forma do art. 465 as alíquotas definidas para a empresa, utilizandose a alíquota mínima de oito por cento para a contribuição dos segurados empregados, sem limite, desconsiderandose qualquer redução relativa à incidência de CPMF. Art. 467. Não se aplica o disposto nesta Seção à remuneração paga, devida ou creditada aos segurados não vinculados à obra ou cuja função não integre o cálculo do CUB, ainda que conste de GFIP específica para a obra. Art. 468. A remuneração da mão de obra relacionada aos serviços constantes no Anexo XV, que não integram o CUB, ainda que tenha ocorrido a retenção, não poderá ser aproveitada no cálculo por aferição indireta da mão de obra com base no CUB. Art. 469. Quando a nota fiscal, a fatura ou o recibo de prestação de serviços forem emitidos na competência seguinte à da prestação dos serviços, será considerada na regularização da obra, a remuneração contida na GFIP correspondente à competência da efetiva prestação de serviços, desde que haja vinculação inequívoca entre as informações prestadas na GFIP e o faturamento dos serviços. Fl. 22DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 13971.002423/200711 Acórdão n.º 230200.860 S2C3T2 Fl. 884 23 Da análise das normas insculpidas na legislação suso transcrita, avaliadas em conjunto com as razões aduzidas pelo auditor fiscal, constatase estarem presentes os requisitos legais autorizadores da apuração da base de cálculo das contribuições sociais em realce, mediante cálculo da mão de obra empregada proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, não logrando produzir o Recorrente, no finalismo do seu ônus legal, prova em sentido contrário capaz de ilidir o Salário de Contribuição apurado na forma prevista na legislação previdenciária. 3.2. DOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO DO MONTANTE DEVIDO Pondera ainda o Recorrente que a presente NFLD referese ao mesmo fato gerador já apurado na NFLD n° 35.635.0193 e que, nesta, as contribuições devidas foram coletadas diretamente enquanto que, naquela, as contribuições foram apuradas indiretamente. Afirma que a utilização de dois critérios de apuração das contribuições devidas consiste de dupla exigência tributária. O apelo do Recorrente não procede. De plano compete esclarecer que o caso vertente não configura hipótese de revisão do lançamento que deu origem à NFLD nº 35.635.0193, como acredita o Recorrente, mas, sim, lançamento de ofício com fundamento no inciso IV do art. 149 do CTN c.c. art. 32, IV da Lei nº 8.212/91 e art. 225, IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, em razão da omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias nas GFIP correspondentes. Código Tributário Nacional CTN Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) §2º A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do Fl. 23DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 24 crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; Não se mostra despiciendo destacar que, a contar da competência 01/1999, a empresa é obrigada a declarar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias em que ela figura como parte na relação tributária. Conforme já salientado anteriormente, é prerrogativa dos Auditores Fiscais do Fisco Federal o exame da contabilidade das empresas, ficando estas obrigadas a prestarem todos os esclarecimentos e informações solicitados. A apuração da base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mão de obra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica deve ser realizada com base na escrituração contábil da empresa e na documentação relativa à obra ou aos serviços de construção civil realizados, como assim determina o art. 486 da IN INSS/DC nº 100/2003. Ocorre que, apesar de formalmente intimada a tanto, a empresa não apresentou a escrituração contábil referente aos exercícios de 1999 a 2004, omissão essa que motivou a apuração do Salário de Contribuição da obra em destaque mediante aferição indireta, mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, como assim autorizam os §§ 3º e 4º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Salientese que as diretivas enunciadas no art. 33 da Lei nº 8.212/91 não conflitam com as disposições encartadas no art. 487 da IN INSS/DC nº 100/2003, as quais determinam que a base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mão de obra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil seja aferida indiretamente, quando não houver apresentação de escrituração contábil no prazo fixado na legislação, conforme se configura o caso aqui vertido. De outro eito, não se pode igualmente olvidar que, nos termos do §7º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, o crédito tributário de titularidade da seguridade social é constituído por meio de notificação de débito, auto de infração, confissão ou documento declaratório de valores devidos e não recolhidos apresentado pelo contribuinte. Fl. 24DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 13971.002423/200711 Acórdão n.º 230200.860 S2C3T2 Fl. 885 25 Nessa perspectiva, os fatos geradores declarados em GFIP, por já constituírem um instrumento legal de confissão de dívida, e, nessa condição, meio hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário nele representado, por questões meramente administrativas, visando à agilização na realização financeira do crédito tributário em prol da Fazenda Pública, foram levantados em apartado, através da NFLD nº 35.635.0193. Diante desse quadro, sendo o montante global das contribuições devidas no período fiscalizado apurado mediante aferição indireta, conforme determinação legal, é mister que, desse montante, seja subtraído aquele lançado mediante a NFLD nº 35.635.0193, como assim procedeu, corretamente, a fiscalização. O procedimento assim conduzido pela Autoridade Lançadora não configura qualquer irregularidade. Ao contrário, encontra previsão expressa na legislação tributária, conforme se depreende das disposições inscritas nos artigos 457 e 462 da Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18 de dezembro de 2003. Conforme detalhadamente demonstrado, a aritmética operada pelo auditor do fisco previdenciário não representa, ao contrário do que aponta a matemática que inspira o Recorrente, qualquer duplicidade de exigência tributária, mas, sim, uma única, rateada, no entanto, em duas partes complementares. 3.3. DA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO Argumenta o Recorrente que a autoridade lançadora parece não ter levado em consideração os débitos já constituídos em seu desfavor, incidentes sob o mesmo fato gerador, eis que sequer mencionou os ditos débitos na presente NFLD. Aduz que o auditor fiscal deveria ter feito o confronto analítico entre o débito ora lançado e o crédito previdenciário já constituído mediante as LDC n° 35.802.9910 e NFLD n° 35.635.0193, sob pena de contaminar o crédito apurado por falta de liquidez, certeza e exigibilidade. O clamor acima alardeado não merece ouvidos. Conforme já exaustivamente iluminado, a não apresentação da escrituração contábil consubstanciouse motivo justo, suficiente e determinante para a apuração da base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mão de obra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica por aferição indireta, a qual foi levada a efeito segundo o critério talhado na legislação tributária vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. Tivesse a empresa adimplido eficazmente as obrigações tributárias a ela impostas pela lei, a sindicância do Salário de Contribuição ora em tela teria sido realizada com base na contabilidade e nas GFIP do Recorrente, situação tal que dispensaria a execução de toda a miríade de operações atinentes à aferição indireta a que se viu obrigada a Autoridade Lançadora no cumprimento do seu dever de ofício. Nesse panorama, a conduta infracional perpetrada pelo Recorrente culminou por frustrar os objetivos da lei e, como consequência, prejudicou a atuação ágil e eficiente dos Fl. 25DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 26 agentes do fisco, que se viram impelidos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores em realce. Para não permitir que tórpidos venham a se valer da própria torpeza, mediante a intercalação artificial de embaraços e percalços no curso regular dos procedimentos fiscais, a lei, de forma expressa, promoveu a inversão do ônus probante nas situações em que o iter procedimental da fiscalização tenha que ser desviado por culpa ou dolo do sujeito passivo. É exatamente o que ocorre no caso da apuração da base de cálculo de contribuições previdenciárias, nas hipóteses em que o agente do fisco tenha que se valer do expediente da aferição indireta para apurar a matéria tributável, em razão de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou de sua apresentação deficiente; de falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil, ou, ainda, nos casos em que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, dentre outras. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) §4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente Fl. 26DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 13971.002423/200711 Acórdão n.º 230200.860 S2C3T2 Fl. 886 27 pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Nessas situações, os agentes do fisco, adotando critérios próprios pautados na legislação ou na razoabilidade, tem que proceder à aferição indireta do montante devido, recaindo sobre os ombros do obrigado omisso, não a obrigação, mas, sim, o ônus da prova em contrário. No caso presente, promovida a apuração indireta com a utilização do critério de aferição fixado legislativamente, vem aos autos o Recorrente alegar que “... não parece ter levado em consideração os demais débitos já constituídos em desfavor da Impugnante sob o mesmo fato gerador, por não ter sequer Mencionado ditos débitos em sua NFLD. Por conta disso, o fiscal deveria ter feito o confronto analítico entre o débito lançado e o crédito previdenciário já constituído (LCD n° 35.802.9910 e NFLD n° 35.635.0193), sob pena de contaminar o crédito apurado por falta de liquidez, certeza e exigibilidade”. Ora, promovida a aferição indireta em razão da omissão do sujeito passivo, cabe a este o ônus da prova em contrário, e não ao fisco. A Autoridade Lançadora, amparada pela presunção de veracidade e legitimidade dos atos administrativos, como assim se qualifica o lançamento tributário, assevera de forma expressa, tanto no Relatório Fiscal a fls. 17/23, quanto na Informação Fiscal a fl. 777, haverem sido considerados na apuração no vertente crédito tributário não somente o crédito tributário constituído mediante a NFLD nº 35.635.0193, como, também, aquele decorrente do parcelamento atrelado à LDC 35.802.9910. Apresentou, ainda, o fisco, em seu Relatório Fiscal e anexos, como elemento de suas alegações, as demais notificações produzidas no curso da fiscalização, a memória de cálculo da aferição indireta, a relação dos Salários de Contribuição em cada competência para conversão em área regularizada e consequente dedução da aferição bem como os documentos fiscais de origem, assim como o correspondente Aviso de Regularização de Obra. O Recorrente teve a oportunidade, em diversas vezes, de contradizer os números apurados pelo fisco, na realização do ônus que lhe foi imposto pela lei. Assim não o fez, limitandose a deduzir e contrapor alegações vazias, desprovidas de esteio em indício de prova material, não logrando assim desincumbirse do encargo que lhe pesava e se lhe mostrava contrário. Optou, a seu risco, por exortar asserções ao vento, as quais se mostraram insuficientes para elidir o lançamento tributário em exame. Fl. 27DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 28 3.4. DA TAXA SELIC. Pondera em defesa o Recorrente ser inaplicável a taxa SELIC como juros moratórios sobre débitos tributários, eis que não foi instituída por lei formal. As alegações acima postadas não merecem o albergue pretendido. De plano, cumpre trazer à baila que os juros representam a remuneração do capital investido. Esmiuçando o conceito, juros representam o rendimento que o detentor do capital aufere em troca da colocação de um quantitativo à disposição de uma outra pessoa/entidade. Iluminese que um investidor poderia empregar seu patrimônio financeiro em uma atividade econômica qualquer que lhe rendesse lucro. Pode, todavia, essa pessoa abdicar de seu capital, ofertandoo a outra pessoa, mediante a cobrança de uma taxa de remuneração, compensatória pela perda da oportunidade de produzir lucro, na forma da hipótese anterior. A taxa de juros figura, então, como o quantum relativo que o titular do capital exige do tomador deste, num horizonte temporal, pela utilização do montante tomado. Nesse quadro, o índice nominal da taxa pode ser fixado unilateralmente pelo capitalista, ou, em comum acordo com aquele que se apodera da riqueza por empréstimo. É importante ressaltar que, em qualquer caso, a fixação da taxa de juros prescinde da edição de lei formal, como assim acredita piamente o Recorrente, até porque tal exigência culminaria por emperrar a atividade financeira do país – extremamente dinâmica em sua natureza , paralizandoo. Isso porque cada investidor, banco ou demais instituições financeiras possuem seus critérios próprios para o computo dos juros na atividade financeira, os quais são extremamente influenciados pelo mercado, pela oferta e procura de capital, pela taxa de crescimento da economia, pelo risco da inadimplência, etc., o que gera uma saudável concorrência entre os detentores do livre numerário. Diante desse panorama mostrase evidente que a exigência de lei stricto sensu a que se refere o CTN, não é para a fixação do percentual da taxa de juros (este flui ao sabor das correntes do mercado), mas, sim, para a indicação de qual a taxa de juros que será utilizada na remuneração do capital de titularidade da Fazenda, ainda nos cofres do sujeito passivo. Tal requisito, na espécie, foi de fato adimplido, senão vejamos: A Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários, nas cores desenhadas em seu art. 146, III, ‘b’, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Fl. 28DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 13971.002423/200711 Acórdão n.º 230200.860 S2C3T2 Fl. 887 29 Imerso nessa ordem constitucional, ao tratar do crédito tributário, já no âmbito infraconstitucional, o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN, topograficamente inserido no Capítulo que versa sobre a Extinção do Crédito Tributário, estabeleceu que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis: Código Tributário Nacional Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifos nossos) §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (grifos nossos) §2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Salientese que o percentual enunciado no parágrafo primeiro acima transcrito será o aplicável se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que a lei de custeio da seguridade social disciplinou inteiramente a matéria relativa aos acessórios financeiros do crédito previdenciário em constituição e de forma distinta, devendo esta ser observada em detrimento do percentual previsto no §1º do art. 161 do CTN. Nesse sentido já se manifestou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região ao proferir, ipsis litteris: “Na esfera infraconstitucional, o Código Tributário Nacional, norma de caráter complementar, não proíbe a capitalização de juros nem limita a sua cobrança ao patamar de 1% ao mês. pois o art. 161, §1º desse diploma legal prevê que essa taxa de juros somente será aplicada se a lei não dispuser de modo contrário. Assim, não tendo o Código Tributário Nacional determinado a necessidade de lei complementar, pode a lei ordinária fixar taxas de juros diversas daquela prevista no citado art. 161, §1º do CTN, donde se conclui que a incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por forca de instrumento legislativo próprio (lei ordinária) sem importar qualquer afronta à Constituição Federal” (TRF 4ª Região, Apelação Cível 200471100006514, Rel. Álvaro Eduardo Junqueira; 1ª Turma; DJ de 15/06/2005, p. 552). Com efeito, as contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social estão sujeitas não só à incidência de multa moratória, como também de juros computados segundo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do art. 34 da Lei nº 8.212/91 que, pela sua importância ao deslinde da questão, o transcrevemos a seguir, com a redação vigente à época da lavratura do presente débito. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Fl. 29DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 30 Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (redação dada pela Lei nº 9.528/97) (grifos nossos) A matéria relativa à incidência da taxa SELIC já foi bater à porta da Suprema Corte de Justiça, que firmou jurisprudência no sentido de sua legalidade, consoante ressai do julgado a seguir ementado: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. JUROS MORA TÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO. 1. O artigo 161 do CTN estipulou que os créditos não pagos no vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa de 1%, ressalvando, expressamente, em seu parágrafo primeiro, a possibilidade de sua regulamentação por lei extravagante, o que ocorre no caso dos créditos tributários, em que a Lei 9.065/95 prevê a cobrança de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais (art. 13). 2. Diante dai previsão legal e considerando que a mora é calculada de acordo com a legislação vigente à época de sua apuração, nenhuma ilegalidade há na aplicação da Taxa SELIC sobre os débitos tributários recolhidos a destempo, ou que foram objeto de parcelamento administrativo. 3. Também , há de se considerar que os contribuintes têm postulado a utilização da Taxa SELIC na compensação e repetição dos indébitos tributários de que são credores. Assim, reconhecida a legalidade da incidência da Taxa SELIC em favor dos contribuintes, do mesmo modo deve ser aplicada na cobrança do crédito fiscal diante do princípio da isonomia. 4. Embargos de divergência a que se dá provimento. STJ EREsp nº 396.554/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI; 1ª SEÇÃO; DJ 13/09/2004; p. 167. Em reforço a tal assertiva jurisdicional, iluminese o Enunciado da Súmula nº 03 do Segundo Conselho de Contribuintes, vazado nos seguintes termos: SÚMULA CARF nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. A propósito, repisese que, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pela Lei nº 8.212/91 plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Fl. 30DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 13971.002423/200711 Acórdão n.º 230200.860 S2C3T2 Fl. 888 31 Atentese que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessarte, se nos afigura correta a incidência de juros moratórios à taxa SELIC, haja vista terem sido aplicados em conformidade com o comando imperativo fixado no art. 34 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 161 caput e §1º do CTN, em afinada harmonia com o ordenamento jurídico. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluídos todos os lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos na competência novembro de 1999 e nas competências anteriores a esta, bem como aqueles referentes ao 13º salário desse mesmo ano. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 31DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11060.000794/2009-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Como o auditor fiscal foi
legitimado para constituir o crédito tributário mediante lançamento, não há nulidade por falta de prorrogação do MPF que é mero instrumento de controle da Administração.
DECADÊNCIA. Aplica-se o artigo 173, inciso I, do CTN quando a
autoridade não toma conhecimento da atividade exercida pelo contribuinte (omissão completa) ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL INSS ANO-CALENDÁRIO
DE 2004 No Sistema Integrado de Pagamento de Impostos
e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, a base de cálculo da Contribuição para a Seguridade Social INSS é a receita bruta da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3º da Lei nº 9317/1996.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. ANO-CALENDÁRIO: 2005, 2006 Quando
não houver escrituração regular do Diário e Razão que permita a
apuração do lucro real, tem-se o arbitramento do lucro.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A falta de declaração ou a prestação
de declaração inexata por três anos-calendários seguidos, autorizam o agravamento da multa.
Numero da decisão: 1202-000.517
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Nereida de Miranda Finamore Horta
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DECADÊNCIA. Aplicase o artigo 173, inciso I, do CTN quando a autoridade não toma conhecimento da atividade exercida pelo contribuinte (omissão completa) ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação. CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL INSS ANO CALENDÁRIO DE 2004 No Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, a base de cálculo da Contribuição para a Seguridade Social INSS é a receita bruta da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3º da Lei nº 9317/1996. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ANOCALENDÁRIO: 2005, 2006 Quando não houver escrituração regular do Diário e Razão que permita a apuração do lucro real, temse o arbitramento do lucro. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A falta de declaração ou a prestação de declaração inexata por três anoscalendários seguidos, autorizam o agravamento da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO 2 Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Jorge Celso Freire da Silva, Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratamse os autos de Recurso Voluntário apresentado pela empresa NERI FERREIRA LOPES ME em razão da sua exclusão do SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, consoante Ato Declaratório Executivo AD ExtraSIVEX N 005/2009, datado de 30 de março de 2009 (fls. 45), com efeitos a partir de 1° de janeiro de 2005. O lançamento foi feito com base no montante excedente de receitas auferidas, com fundamento nos artigos 9º, I; 14, I, e 15, IV e § 3º da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e artigos 20, I, 23, I, e 24,VI, da Instrução Normativa do SRF n° 608/2006. A empresa foi cientificada dessa exclusão em 17 de abril de 2009 (AR fls 46). No lançamento, para o anocalendário de 2004, procedeuse ao recálculo dos montantes devidos na sistemática do SIMPLES adicionandose as receitas que não foram declaradas, resultando em exigência de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, contribuição ao PIS e COFINS). Para os anos calendários de 2005 e 2006, foi calculado o IRPJ e reflexos com base no lucro arbitrado. Foram acrescidos também (i) o valor de multa de 150% (art. 44, inc. I, §1°, da Lei n° 9.430, de 1996) uma vez que a empresa omitiu receitas de sua atividade de forma sistemática nos anos calendário de 2004 a 2006, caracterizandose, assim, a sonegação, como definido no artigo 71 da Lei n°4.502, de 1964; e (ii) os juros calculados com base na taxa SELIC. A empresa foi cientificada do lançamento em 26 de junho de 2009, apresentando sua Impugnação tempestivamente. RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO ( fls. 574/578) A exclusão da sistemática do SIMPLES e a lavratura dos autos de infração devese, em síntese, aos seguintes fatos: na revisão das declarações de rendimentos da pessoa física do contribuinte Neri Ferreira Lopes, CPF 300.750.17091, verificouse, no cruzamento com a declarações de informações econômicofiscais (DIPJ) de Tanac S.A. CNPJ 91.359.711/000102, que foram pagos rendimentos ao autuado como remetente de insumos/mercadorias (fls. 492/504). intimado a apresentar os documentos relativos às receitas declaradas, o contribuinte apresentou 57 talões de notas fiscais de produtor e vários outros documentos (contratos, planilhas, de fls. 103/189), onde se constatou a omissão de rendimentos, para sua comprovação, foi feita circularização junto à sociedade Tanac S. A. com a solicitação de documentos comprobatórios de aquisição de produtos rurais (fls. 50/55); Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO Processo nº 11060.000794/200960 Acórdão n.º 120200.517 S1C2T2 Fl. 2 3 a Tanac S. A. apresentou os documentos solicitados (de fls. 56/96 e 240/430); da análise desses documentos (contratos de compra e venda — fls.124/146) ficou claro que o contribuinte adquire matos de acácia de terceiros e os revende, mantendo atividade que o equipara à pessoa jurídica (arts. 150, 541 e 542, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999). o total comercializado com a Tanac S/A foi de R$ 1.106.881,13, no ano calendário de 2004; R$ 1.539.585,65, no anocalendário de 2005, e R$ 1.122.261,08, no ano calendário de 2006; em consulta ao Sistema CNPJ da Receita Federal (fls. 505/507), constatou se que o contribuinte é responsável pela Firma Individual Neri Ferreira Lopes ME — CNPJ 93.153.955/000160, CNAE 0210107 —extração de Madeira em Florestas Plantadas, com início das atividades em 3/11/1989. Nesse momento, iniciouse a fiscalização de Neri Ferreira Lopes ME, cujo sócio administrador é Neri Ferreira Lopes. Constatouse também que é também sócio administrador da sociedade Neri Ferreira Lopes & Cia Ltda. — CNPJ 04.766.455/000110 (fl. 508); o contribuinte, na condição de microempresa, optou pelo Simples e submeteu à tal sistemática as seguintes receitas brutas: R$ 39.540,02, R$ 55.198,30 e R$50.787,93 nos anoscalendário de 2004 a 2006 (DIPJ fls. 509/562). Em razão da equiparação da atividade da pessoa física à pessoa jurídica, os valores comercializados com a sociedade Tanac S. A. também foram adicionados à receita bruta da firma individual; somandose os valores omitidos aos valores declarados, constatase que a firma individual Neri Ferreira Lopes ME auferiu, nos anoscalendários de 2004 e 2005, receita bruta superior aos limites de R$120.000,00 para microempresa, estabelecidos no art. 2°, inc. I, da Lei n°9.317, de 1996, e superior ao limite de R$ 240.000,00 no anocalendário de 2006, previsto no mesmo artigo com a redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005, relativamente ao anocalendário de 2006; como a receita bruta excedia o limite estipulado para as microempresas foi formalizada a exclusão da sistemática do Simples com efeitos a partir de 1° de janeiro de 2005, conforme Ato Declaratório Executivo já citado; a empresa, assim, foi intimada a apresentar a escrituração contábil dos anos calendário de 2005 e 2006 (fls. 431/32), elaborada de acordo com as leis comerciais e fiscais, o que não foi atendido, portanto, ficou configurada a hipótese de arbitramento do lucro prevista no artigo 47, III, da Lei n° 8.981, de 1995; os lançamentos foram efetuados com base nas informações dos adquirentes das mercadorias que enviaram as planilhas e comprovantes das transações (fls. 240/230), pois as informações prestadas pelo contribuinte foram precárias e as diferenças não foram devidamente justificadas (intimações fls. 200/232 e 448/470); os valores recolhidos pela sistemática do SIMPLES (fls. 488/491) foram descontados dos valores apurados com base no lucro arbitrado. IMPUGNAÇÃO Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO 4 A impugnante alega o seguinte: nulidade do Auto de Infração pela decadência, em relação aos fatos geradores referentes aos meses de janeiro a junho de 2004, uma vez que recebeu a notificação dos autos de infração em 10 de julho de 2009, após transcorridos 5 anos, consoante previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. CTN; nulidade do Auto de Infração pela extrapolação do prazo para conclusão dos trabalhos de fiscalização, segundo os artigos 12 e 13 da Portaria RFB n° 4.066, de 2007; no cálculo do lucro arbitrado não foram desconsiderados todos os custos de beneficiamento da madeira e de transporte; não cabe o lucro arbitrado pois apresentou os contratos de compra de florestas nos anoscalendários de 2004 a 2006, demonstrando todos os pagamentos efetuados; para a regularização da contabilidade, na intimação, não ficou claro que deveria apresentar o desmembramento das contas de forma diária com o objetivo de identificar o lucro líquido pelo lucro real. a contabilidade foi dada como imprestável por ser resumida e mensal, sem que fossem apontadas deficiências e situações que não permitiram visualizar o lucro líquido pelo método do lucro real; o Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, bem como a doutrina, tem entendido que não cabe o arbitramento do lucro em face da apresentação dos talonários fiscais, os quais permitem facilmente identificar a sua movimentação financeira; foi dado apenas o prazo de cinco dias para apresentar a escrituração de acordo com o disposto na legislação, ou seja, com lançamentos individualizados e diários. Tal prazo não se apresenta razoável frente à jurisprudência que é no sentido de que o arbitramento é medida extrema, por isso o prazo para a regularização deve ser razoável e suficiente para o seu atendimento; a base de cálculo da Contribuição para a Seguridade Social — INSS — é a folha de pagamento dos funcionários e prólabore da direção, conforme determina o artigo 22 da Lei n° 8.212, de 1991, sendo completamente equivocada a atuação do fisco em efetuar a autuação com base no faturamento da pessoa jurídica, devendo ser cancelado, por isso, o auto de infração correspondente; o agravamento da multa de ofício é indevida, uma vez que os valores apurados pelo fisco foram em sua grande totalidade obtidos dos talonários de produtor rural apresentados pela empresa. Não houve a comprovação do dolo ou fraude para justificar a multa qualificada. A apresentação de declaração inexata, por si só, não comporta a imputação de evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio para fins de aplicação da referida multa, conforme decisões do Conselho de Contribuintes; a transmissão de dados à Receita Federal sempre foi feita pelo contador contratado, que tinha plenamente o comando do exercício de sua profissão, logo, não era supervisionado pela empresa; a autoridade lançadora viu somente o que lhe interessava, fazendo vistas grossas em relação às despesas. As despesas com a compra de acácia comprovamse Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO Processo nº 11060.000794/200960 Acórdão n.º 120200.517 S1C2T2 Fl. 3 5 perfeitamente com contratos de compra e venda apresentados ao fisco e totalizam R$ 810.000,00, em 2004; R$ 786.800,00, em 2005, e R$ 163.000,00, em 2006. A apresentação desses contratos afasta qualquer hipótese de arbitramento do lucro; ao final requer: a) o reconhecimento da nulidade dos autos de infração; b) a decretação da decadência em relação aos meses de janeiro a junho de 2004; c) a improcedência dos lançamentos por não ser cabível o arbitramento do lucro; d) a improcedência do lançamento pela impossibilidade de escriturar os livro contábeis dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006 em um prazo de 5 dias; e) caso não forem aceitas as razões anteriores, que se julgue improcedente o lançamento do INSS, uma vez que a base de cálculo utilizada foi o faturamento da empresa; e, f) seja reduzida a multa de ofício para 75%. A DRJ, em seu Acórdão nº 1811.298, não acolheu as preliminares e julgou procedente o lançamento, conforme segue: em relação ao Ato de Exclusão do SIMPLES: como a empresa foi cientificada em 17 de abril de 2009, e apresentou manifestação de inconformidade em 26 de junho de 2009,(AR fls 694), portanto fora do prazo estipulado pelo artigo 15 do Decreto nº 70.235/1972, Nessas circunstâncias, não foi instaurada a fase litigiosa do processo e acarreta a preclusão processual, o que impede o julgador de conhecer as razões da defesa. Assim sendo, não reconhece a manifestação de inconformidade. Acrescentou que, na discussão do tópico seguinte, ficaria claro o motivo da a exclusão do SIMPLES. em relação ao Auto de Infração: as preliminares de decadência: Entende que se aplica o artigo 173, I, do CTN, pois o procedimento adotado pelo contribuinte de não declarar a maior parte de suas receitas, nos anoscalendários de 2004 a 2006, configura o claro propósito de não pagar os tributos devidos e retardar o conhecimento pela autoridade tributária, portanto, o dolo. Ainda, configurase sonegação o fato da omissão da receita ser exercida de forma contínua. Como no mês de janeiro, o fato gerador ocorreu em 31/1/2004, sendo o recolhimento em 11/2/2004, o prazo decadencial se inicia em 1º de janeiro de 2005 e termina em 31 de dezembro de 2009. as preliminares: de nulidade do Auto de Infração: a) Não vislumbra nenhum motivo para nulidade dos Autos de Infração, segundo o disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN ou artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972, pois: foram lavrados dentro do procedimento administrativo de fiscalização pela autoridade administrativa competente; foi identificado sujeito passivo, fato gerador; foi determinada matéria tributável e o montante do tributo foi calculado, suas penalidades e as disposições legais infringidas; a empresa foi devidamente cientificada do Auto de Infração e do pagamento ou exigência de impugnação em 30 dias.F Fl. 5DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO 6 Não ocorreram as hipóteses do artigo 59 do mesmo Decreto, relacionados à incompetência do agente e ao cerceamento de defesa; b) Extrapolação do prazo para a conclusão dos trabalhos: O descumprimento dos prazos previstos nos artigos 12 e 13 da Portaria RFB nº 4066/2007 não afeta a validade do Auto, tendo em vista que a Portaria é mero controle interno do planejamento das atividades e da execução dos procedimentos fiscais, o que não afasta o disposto no artigo 7º do Decreto nº 70.235/1972. No mérito: Do agravamento da multa de ofício: Esclarecido que a empresa incorreu em prática de sonegação fiscal, aplicase o agravamento da multa. Do arbitramento do lucro: Com a exclusão do SIMPLES, fica a empresa sujeita à tributação aplicável às demais pessoas jurídicas (artigo 16 da Lei º 9317/1996). Pela qualidade das informações que tinha, a autoridade lançadora optou corretamente pelo lucro arbitrado. Em relação ao arbitramento do lucro, a recorrente alega que não foram consideradas as despesas e custos de R$786.800,00 e R$163.000,00, todavia, a autoridade lançadora considerou R$1.441.684,69 e R$1.060.436,31 (receita bruta de R$1.594.783,95 e R$ 1.173.049,01 x 90,4%) e apenas os valores de R$153.099,26 e R$112.612,70 como valor tributável pelo percentual de arbitramento do lucro de 9,60%. Da sistemática do SIMPLES e da base de cálculo da contribuição para a Seguridade Social – INSS: constam nos Autos, o cálculo da contribuição para o INSS somente para o anocalendário de 2004. Na sistemática do SIMPLES, a base de cálculo é a receita bruta e, não, a folha de pagamento e prólabore. Nos termos do artigo 3º da Lei nº 9317/1996, a opção pelo SIMPLES implica em pagamento unificado de IRPJ, contribuição ao PIS, COFINS, IPI e das contribuições para a Seguridade Social (Lei Complementar nº 84/1996; artigos 22 e 22A da Lei nº 8212/1991; artigo 25 da Lei nº 8870/1994) Para os anoscalendários de 2005 e 2006, como a exclusão ocorreu a partir da 1º de janeiro de 2005, a contribuição ao INSS fica sujeita ao artigo 22 da Lei nº 8212/1991. Cientificada em 9 de outubro de 2009, apresentou recurso tempestivo em 9 de novembro do mesmo ano, reiterando os argumentos apresentados em sua Impugnação, com exceção às preliminares de nulidade do Auto de Infração É o relatório. Voto Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta O recurso é tempestivo e cumpre quesitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO Processo nº 11060.000794/200960 Acórdão n.º 120200.517 S1C2T2 Fl. 4 7 Tratamse os Autos de exigência de tributos com base na sistemática do SIMPLES, para o anocalendário de 2004 (incluindo a contribuição ao INSS) e, para os anos calendários de 2005 e 2006, de exigência do IRPJ e seus reflexos (CSLL, na contribuição ao PIS, e na COFINS), sobre lucro arbitrado devido à constatação de não tributação de receitas auferidas, através de circularização com os adquirentes de seus produtos. A exigência dos tributos foi acrescida de multa de 150% e juros calculados com base na taxa SELIC. Importante esclarecer que, para o anocalendário de 2004, a autoridade lançadora procedeu ao cálculo dos tributos com base na sistemática do SIMPLES acrescendo as receitas não declaradas aos valores constantes na declaração apresentada. Para os anos calendários de 2005 e 2006, a autoridade efetuou o cálculo pelo regime de lucro arbitrado, utilizando percentual de 9,60% sobre o total da receita bruta declarada e não declarada. Preliminar de decadência Em preliminar, a recorrente requer que o lançamento referente ao ano calendário de 2004 seja considerado nulo porque o Auto de Infração foi cientificado em 10 de julho de 2008, portanto, já havia decaído o direito de lançar. De forma contrária, a DRJ entendeu que se aplica o disposto no artigo 173, I, do CTN, uma vez que a recorrente não declarou a maior parte de suas receitas, reiteradamente, durante os anoscalendários de 2004 a 2006, portanto, configurouse o dolo. Desse modo, concluiu a DRJ que o prazo se inicia em 1º de janeiro de 2005 e termina em 31 de dezembro de 2009, como a seguir fica demonstrado: Competência Fato Gerador Decadência Data Final de constituição do Crédito Tributário Janeiro/2004 31/1/2004 31/1/2009 10/7/2004 Fevereiro/2004 29/2/2004 27/2/2009 10/7/2004 Março/2004 31/3/2004 30/3/2004 10/7/2004 Abril/204 30/4/2004 29/4/2004 10/7/2004 Maio/2004 31/5/2004 30/5/2004 10/7/2004 Junho/2004 30/6/2004 29/6/2004 10/7/2004 Segundo o referido artigo, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Fl. 7DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO 8 Quando fica constatada a fraude, dolo ou simulação, o dies a quo do prazo se desloca do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, inciso I, do CTN). A constatação da sonegação e intuito de fraude se deu no momento em que a contribuinte agiu, reiteradamente, de forma a ocultar ou se fazer desconhecer o fato gerador, e a autoridade, de fato, não poderia ter tomado conhecimento da atividade exercida pela contribuinte (omissão completa). Desse modo, concordo com a contagem a partir de 1º de janeiro de 2005 e término em 31 de dezembro de 2009. O auto de infração foi lavrado em 10 de julho de 2009, referente a receitas de vendas dos seus produtos que não foram registradas em contas de resultado durante o ano calendário de 2004. À luz do artigo 173, I, do CTN, a autoridade administrativa, ao deflagrar o procedimento de fiscalização, efetivamente analisou o que o sujeito passivo fez para apurar a base de cálculo do IRPJ e seus reflexos e constatou o intuito de fraude, dolo, sonegação, portanto o prazo de contagem se inicia em 1º da janeiro de 2005 e termina em dezembro de 2009, portanto, não conheço da decadência do IRPJ e reflexos, conforme Súmula do Supremo Tribunal Federal nº 8. Diante do exposto, rejeito a preliminar de decadência e mantenho o Auto de Infração lavrado. Extrapolação do prazo para conclusão dos trabalhos Alega a recorrente que, como a fiscalização teve início em 26 de fevereiro de 2008, através do MPF 1010300.2008.00103.1, seu prazo para concluir os trabalhos se expirou em 26 de junho de 2008, isto é, 120 dias após seu início. Em 23 de junho de 2009, a autoridade lançadora encerrou o procedimento fiscal sob n°. 10103002009000659 momento em que lavrou o Auto de Infração contestado nesta impugnação. Não houve ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil prorrogando o prazo fiscalizatório, por mais 60 dias, conforme determina a Portaria RFB n°4.066/2007, nos artigos 12 e 13, que é o prazo máximo para cada prorrogação. Os artigos 12 e 13 da Portaria RFB n°. 4.066/2007, dispõem que: “Art. 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência.” O artigo 15 da mesma Portaria diz sobre a extinção do Mandado de Procedimentos Fiscal o seguinte: “Art. 15. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13.” Fl. 8DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO Processo nº 11060.000794/200960 Acórdão n.º 120200.517 S1C2T2 Fl. 5 9 O termo de encerramento se deu em 23 de junho de 2009 com a lavratura do auto de infração, do MPF iniciado em 26/02/2008, o fiscal dá por encerrada a ação fiscal com a ciência do auto de infração. O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF é um instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência e objetiva informar o sujeito passivo que seu nome foi selecionado para verificações fiscais e que o agente fiscal indicado é apto e foi selecionado para executar a ação fiscal. Questões relacionadas à prorrogação do MPF, não invalidam os trabalhos desenvolvidos pela fiscalização, tendo em vista que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada e se foi verificada situação descrita em lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Como o auditor fiscal foi legitimado para constituir o crédito tributário mediante lançamento, não há nulidade por falta de prorrogação do MPF que é mero instrumento de controle da Administração. Em relação ao assunto, temos os seguintes Acórdãos: 10249346/2008, 105 16397/2007, 10615155/2005, 20214692/2003, 20214693/2003, 20309129/2003, 203 09768/2004, e 30334941/2007. Assim, rejeito também esta preliminar. Mérito No mérito, questiona o Lucro Arbitrado, sua apuração e cálculo. O arbitramento do lucro se deu com base no artigo 47, II, da Lei nº 8981/1995, transcrito no artigo 530 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3000/1999 RIR/99, in verbis: "Art. 47 O Lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: ..... III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único;” A recorrente alega que a fiscalização não lhe deu tempo para refazer sua contabilidade. Tal afirmação não prospera, uma vez que o Termo de Intimação Inicial é datado de 26 de fevereiro de 2008 e o procedimento de fiscalização se findou em 23 de junho de 2009. Em fevereiro de 2009, a recorrente foi intimada a explicar as diferenças entre as receitas de vendas a determinado cliente em confronto com a planilha fornecida pelo mesmo cliente. Em 7 de abril de 2009, a recorrente responde, pedindo desculpas pela demora, e explica que na planilha fornecida pelo cliente havia números de Notas Fiscais iguais e valores diferentes e pede que seja verificado. A fiscalização procedeu a análise da planilha, após, foram reenviadas à recorrente que respondeu em 19 de maio de 2009 dizendo, em resumo, que não conhece das Fl. 9DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO 10 Notas Fiscais que não constam de lista que enviou à fiscalização em resposta à intimação. Em 23 de junho de 2009, encerrouse a fiscalização. Pelos fatos narrados, é descabida a alegação da recorrente e à fiscalização não restou alternativa senão aplicar a legislação que rege a matéria, devidamente capitulada no enquadramento legal, e arbitrar o lucro da empresa. O arbitramento, como visto, não foi opção, mas a única alternativa possível de apuração do lucro dada a falta de documentos e da escrituração nos termos do artigo 47 supra transcrito. Quanto à não consideração dos custos incorridos, a fiscalização seguiu os ditames do artigo 531 do RIR/99. O lucro arbitrado foi apurado com base no lucro presumido, utilizandose o percentual de 9,60%, correspondente à atividade da empresa. A contabilidade não foi considerada para a apuração do lucro real porque as informações eram muito precárias e muito diferentes em comparação com as receitas obtidas com os clientes. Também aqui não tem razão a recorrente. Constatado que houve ocultação das receitas auferidas com determinados clientes, cabia à autoridade fiscal recompor a base de cálculo. Base de cálculo da Contribuição para Seguridade Social é a folha de pagamento dos funcionários e não o faturamento da empresa A recorrente alega que a Contribuição para a Seguridade Social — INSS — foi lançada equivocadamente tomandose como base o seu faturamento, o que implicaria no cancelamento do auto de infração. Conforme os Autos, só foi feito lançamento da referida contribuição em relação ao anocalendário de 2004, tendo em vista que a apuração foi feita com base na sistemática do SIMPLES. Nessa sistemática, a base de cálculo da referida contribuição é a receita bruta e não a folha de pagamento dos funcionários e o prólabore dos diretores, como alega a recorrente. Nos termos do artigo 3° da Lei n° 9.317, de 1996, a opção pela sistemática do SIMPLES, implica no pagamento unificado do IRPJ; da Contribuição para o PIS/PASEP; CSLL; (d) COFINS; (e) IPI e (f) da Contribuições para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que tratam a Lei Complementar n 2 84,de 18 de janeiro de 1996, os arts. 22 e 22A da Lei n2 8.212, de 24 de julho de 1991 e o art. 25 da Lei n2 8.870, de 15 de abril de 1994. O valor devido, determinado mediante a aplicação sobre a receita bruta dos percentuais previstos no artigo 5° da referida Lei n° 9.317, de 1996, correspondente aos tributos acima enumerados, e são rateado na forma do disposto no artigo 23 dessa mesma Lei. Assim, deve ser mantido o lançamento referente à contribuição ao INSS para o anocalendário de 2004. Multa agravada por infração qualificada – 150% A recorrente não concorda com a aplicação da multa qualificada, no percentual de 150%, argumentando que a declaração inexata não enseja qualificação para multa. Cita várias decisões do Conselho do Contribuintes nesse sentido, Acórdãos 101 94189/2003, 10321835/2005 e 10706369/2001. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO Processo nº 11060.000794/200960 Acórdão n.º 120200.517 S1C2T2 Fl. 6 11 A recorrente também não explicou as diferenças entre suas receitas de vendas e as apontadas pelos adquirentes de seu produtos, o que ensejou esse Auto e também a sua exclusão da sistemática do SIMPLES. A autoridade lançadora constatou que há receita não declarada, as quais foram incluídas no cálculo do lucro arbitrado para os anoscalendários de 2005 e 2006, e na apuração com base na sistemática do SIMPLES no ano de 2004. Consoante a Súmula nº 14 do CARF: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo” É certo que temos decidido no sentido de que a simples existência de omissão de receitas não resulta em não termos multa qualificada automaticamente. Para a aplicação da multa qualificada é preciso que seja comprovado o evidente o intuito de fraude, justificando a exasperação da penalidade para 150%, o que não ficou evidenciado nesses autos. Para a qualificação da multa, é necessário que haja sonegação, fraude ou conluio, consoante o artigo 44, parágrafo 1º, da Lei n° 9.430, de 1996, com a nova redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, a seguir transcrito: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)” Em face do exposto, a multa agravada deve ser mantida uma vez que houve a intenção de ocultar, tendo em vista que a empresa, reiteradamente, preencheu incorretamente as declarações enviadas à SRF durante todo os anoscalendários de 2004 a 2006. Desse modo, impediu que a fiscalização conhecesse os valores de receitas que foram adicionados no lançamento apenas. Diante do exposto, rejeito as preliminares de nulidade e nego provimento parcial ao Recurso Voluntário, mantendo o lançamento. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora Fl. 11DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO 12 Fl. 12DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO
score : 1.0
Numero do processo: 35464.002424/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2006 a 30/03/2006
COMPENSAÇÃO FALTA DE PREVISÃO LEGAL
Não há previsão legal para que se aceite a compensação ou restituição, sobre os valores devidos à Previdência Social, de créditos oriundos de títulos da Dívida Externa Brasileira.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-001.861
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Edgar Silva Vidal, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 64DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A 2 Relatório Tratase de pedido de compensação ou de pagamento de débitos junto ao INSS, utilizandose de créditos que a empresa acima identificada afirma possuir com a União, representados por cártulas. A Secretaria da Receita Previdenciária indeferiu o pleito, salientando que não há previsão legal que ampare a pretensão da requerente. Inconformada com o indeferimento, a interessada apresentou recurso alegando, em síntese, o que se segue. Esclarece que, tendo débito referente ao período de apuração de março de 2007, efetuou a compensação descriminada no requerimento administrativo de número 35464.002424/200711. Informa que é possuidora de títulos da Dívida Pública, que foram atualizados com base nos laudos paridade ouro, o que confere liquidez ao referido título e representa um crédito da autora contra a União de valor superior ao débito ora apontado. Entende que a decisão do Serviço de Orientação da Arrecadação Previdenciária deve ser reformada, pois não analisou a permissão contida na Lei 9.430/96 e Decreto 2.138/97 e não se atentou para o fato de que, ao pagar juros no título antigo em 1965, a União abriu mão da prescrição e reconheceu a validade do título. Ressalta que os títulos da recorrente são da Dívida Externa Brasileira e não são reguladas pelas leis citadas no despacho de indeferimento e argumenta que a interpretação das leis leva ao entendimento de que é permitida a utilização dos Títulos da Dívida Pública para compensação de tributos. Discorre sobre a legislação e os conceitos de restituição e compensação, acrescentando que a impossibilidade de compensar apenas para o contribuinte fere o princípio da moralidade administrativa, posto que o portador de um título da vida pública deve pagar os tributos que incidam sobre suas atividades, enquanto o poder público lhe nega o direito de receber o que lhe é devido. Requer que seja suspensa a exigibilidade do crédito enquanto não for homologada a compensação referida. Em contrarazões, a Secretaria da Receita Federal do Brasil manteve o indeferimento do pleito. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 35464.002424/200711 Acórdão n.º 230101.861 S2C3T1 Fl. 7.8 3 Voto Conselheiro Bernadete De Oliveira Barros, Relator A requerente solicita que sejam compensados créditos oriundos da Dívida Pública Federal com os valores devidos à Previdência Social. Contudo, vale esclarecer que a compensação requerida não encontra amparo legal. O Código Tributário Nacional – CTN, em seu art. 170, remeteu à lei a função de estipular as condições para que seja autorizada a compensação de créditos líquidos e certos, o que, entendo, foi feito com muita propriedade pelo legislador ordinário. De fato, a Lei 8.212/91, em seu art. 89, estipulou as condições em que poderá haver a compensação, ou seja: Art.89.Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido § 1ºAdmitirseá apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. §2ºSomente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 desta Lei. § 3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência.na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido Assim, a compensação e restituição dos créditos atinentes aos Títulos da Dívida Pública que a recorrente afirma possuir não se encontram nas hipóteses previstas no art. 89 da Lei n.º 8.212/91. Ademais, o § 1º do art. 66 da Lei 8.383/91 assim determina: Art. 66. Os casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes. Fl. 66DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A 4 § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie.(grifei). E, como no presente caso não houve recolhimento ou pagamento indevido de contribuições previdenciárias, não há que se falar em compensação ou restituição. Portanto, a Fazenda Pública, conforme dizeres do CTN, apenas pode compensar suas dívidas e créditos quando a lei autorizar. E a lei 8.212/91 não autoriza a compensação requerida. E como o ato praticado pela administração pública é vinculado, o seu agente só pode agir em conformidade com o que a lei determina. E considerando que não é facultado ao administrador público eximirse de aplicar a lei, a autoridade administrativa, ao indeferir o pedido formulado pela recorrente, agiu em conformidade com os ditames legais, em obediência ao princípio da legalidade, e em observância ao contido no art. 2º da Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. É oportuno trazer a lume o ensinamento do ilustre Wladimir Novaes Martinez que, ao comentar o art. 89 supra, assim se manifestou: “A compensação farseá por espécie de contribuição. Quem recolhe seguro acidentes do trabalho com taxa errada, a maior, deverá deduzir o excesso na própria contribuição destinada às prestações infortunística, e não na parte patronal da empresa. “ (MARTINEZ, Wladimir Novaes. Comentários à lei básica da previdência social – Tomo I: Plano de custeio. 4. ed. São Paulo: LTr, 2003, páginas 758/759) Assim, reiterase, a compensação requerida pela empresa não possue amparo legal, como também não há nenhuma decisão definitiva a amparála. A recorrente solicita que seja suspensa a exigibilidade do crédito enquanto não for homologada a compensação referida. Contudo, o processo administrativo fiscal ora sob análise se originou de um pedido de compensação e restituição, e não pela lavratura de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. A recorrente deve requerer a suspensão da exigibilidade do crédito nos autos que discute o lançamento, e não no processo administrativo que discute o direito à compensação. Portanto, a pretensão da recorrente restou prejudicada. Nesse sentido, CONSIDERANDO que não existe previsão legal que ampare a pretensão da recorrente. CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta Voto no sentido de CONHECER do recurso, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Fl. 67DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 35464.002424/200711 Acórdão n.º 230101.861 S2C3T1 Fl. 8.8 5 Sala das Sessões, em 11 de fevereiro de 2011 Bernadete De Oliveira Barros – Relatora Fl. 68DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 11330.000852/2007-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/07/2003
Ementa:CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. RELATÓRIO
FISCAL MOTIVADO.
O lançamento foi realizado com base em documentação da própria
recorrente, conforme relatório fiscal.
O relatório indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos bem como a forma para se apurar o quantum devido Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao notificado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento. Desse modo, não assiste razão à recorrente de que houve omissão na motivação do lançamento.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.094
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 31/07/2003 Ementa:CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. RELATÓRIO FISCAL MOTIVADO. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, conforme relatório fiscal. O relatório indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos bem como a forma para se apurar o quantum devido Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao notificado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento. Desse modo, não assiste razão à recorrente de que houve omissão na motivação do lançamento. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Recurso Voluntário Negado.
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INOCORRÊNCIA. RELATÓRIO FISCAL MOTIVADO. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, conforme relatório fiscal. O relatório indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos bem como a forma para se apurar o quantum devido Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao notificado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento. Desse modo, não assiste razão à recorrente de que houve omissão na motivação do lançamento. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o julgado. Fl. 210DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriana Sato. Fl. 211DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.000852/200766 Acórdão n.º 230201.094 S2C3T2 Fl. 195 3 Relatório A presente NFLD referese às contribuições destinadas aos Terceiros, abrangendo as competências fevereiro a julho de 2003. Estão sendo cobradas as contribuições para as seguintes entidades: SESC(1,5%), SENAC(1,00%) e SEBRAE(0,6%), conforme relatório fiscal às fls. 14 e 15. Inconformada com a notificação, foi apresentada defesa pela autuada conforme fls. 27 a 42. Foi comandada diligência fiscal, fl. 122, para complementação do relatório fiscal. Houve elaboração de relatório aditivo, fl. 134. Reaberto o prazo para impugnação, a recorrente manifestouse às fls. 141 a 150. Decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, fls. 165 a 172, manteve o lançamento em sua integralidade. Não concordando com a decisão a quo, a autuada interpôs recurso voluntário, fls. 178 a 190. Alega em síntese: a) São inconstitucionais as contribuições destinadas ao Sesc, Senac e Sebrae; b) As empresas prestadoras de serviços não são empresas comerciais; c) Há vício de motivação no lançamento, não foram explicitados os valores cobrados; d) Deve ser reconhecida a nulidade do lançamento. Não foram apresentadas contrarazões. É o relato suficiente. Fl. 212DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 191. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Quanto ao argumento de que a NFLD deve ser declarada nula; não lhe confiro razão. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, conforme relatório fiscal às fls. 14 a 15; o relatório indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos às fls. 07; a forma para se apurar o quantum devido, por competência, encontrase às fls. 04 a 05. Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao notificado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento. Desse modo, não assiste razão à recorrente de que houve omissão na motivação do lançamento. A motivação é simples, e restou cabalmente demonstrada no relatório fiscal: a sociedade empresária não recolheu a integralidade dos valores destinados aos Terceiros. A planilha à fl. 16 indica precisamente a origem das diferenças. Os recolhimentos efetuados pela autuada não foram suficientes para cobrir os valores devidos aos Terceiros nas competências fevereiro a julho de 2003. Assim, a presente NFLD não foi lavrada apenas com base em presunções, a fiscalização demonstrou, por meio de documentos elaborados pela própria recorrente, a veracidade do argumento da existência dos fatos geradores. Em relação às contribuições destinadas ao Sebrae as mesmas são devidas estando perfeitamente compatíveis com o ordenamento jurídico vigente, não sendo necessária lei complementar para sua instituição. Apenas para ilustrar, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) Fl. 213DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.000852/200766 Acórdão n.º 230201.094 S2C3T2 Fl. 196 5 Na mesma linha é o pensamento do STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Desse modo, não procede o argumento da recorrente de que as contribuições destinadas ao SEBRAE somente podem ser exigidas de microempresas e de empresas de pequeno porte, ou somente de empresas comerciais. Nesse sentido é o entendimento pacificado pelo Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas Fl. 214DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. As contribuições destinadas ao Sesc e ao Senac podem ser exigidas de prestadoras de serviços, estando compatíveis com o ordenamento jurídico, conforme fls. 08 a 10. Ao contrário do afirmado pela recorrente, o Fisco não possui obrigação de apreciar inconstitucionalidade. Não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do 2º Conselho de Contribuintes não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Súmula N ° 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 215DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 36478.000151/2003-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 31/10/2002 a 31/05/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO
Estando comprovado nos autos por documentos idôneos os valores a serem restituídos, esses devem ser deferidos, independentemente da entrega, pelo empregador, das respectivas GFIPs.
Numero da decisão: 2301-001.876
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Adriano González Silvério
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Adriano Gonzales Silvério Redator designado. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Leôncio Nobre de Medeiros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 60DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, 03/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de pedido de restituição no qual a requerente alega que sofreu retenção da contribuição previdenciária concomitantemente por dois empregadores (Axelrud Arquitetura & Assessoria S/C Ltda AAA e Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS) no período de outubro de 2002 a maio de 2003, sendo que já contribuía pelo teto do salário de contribuição na primeira empresa (Axelrud Arquitetura & Assessoria S/C Ltda). A requerente apresentou como documentação cópias da anotações em Carteira de Trabalho, contrato de trabalho por prazo determinado com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, termos aditivos a esse contrato, declaração da empresa Axelrud na qual arrola os valores descontados da requerente, declaração da mencionada Universidade Federal também com o rol dos valores descontados, comprovantes de rendimentos e holerites. Por meio do despacho de fl. 4142 a autoridade tributária entendeu que “o processo encontrase instruído de acordo com as normas vigentes, contendo elementos suficientes para comprovar o direito a restituição total conforme discriminativo abaixo, PORÉM, a restituição ficará condicionada a apresentação das GFIPs, correspondente a empregadora UFRGS, CNPJ 92.969856/000198”. Ato seguinte, a aludida autoridade expediu o Ofício de fls 4344 para a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, para que fosse encaminhada as respectivas GFIPs, regularizando assim a situação. A Universidade não respondeu ao Ofício e a autoridade administrativa indeferiu o pleito de restituição. A requerente apresentou recurso alegando que em contato com a UFRGS estaria providenciaria a regularização das GFIPs, bem como anexou nova declaração daquela Universidade com valores que foram descontados da ora recorrente, mas que pro equívoco não haviam sido informados em GFIP. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério Da análise documental não restam dúvidas de que a recorrente sofreu a retenção a maior. Inclusive a autoridade fiscal a quo entendeu que o pedido de restituição está bem instruído e com todos os elementos comprobatórios do direito à restituição total do quantum pleiteado. O fato de a fonte pagadora não ter apresentado as GFIPs não pode ser óbice ao direito de restituição da recorrente a qual, desincubiuse do seu ônus de comprovar detidamente os valores a que faz jus. Fl. 61DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, 03/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36478.000151/200350 Acórdão n.º 230101.876 S2C3T1 Fl. 55 3 A autoridade fiscal, ciente de que a UFRGS, mesmo após ter sido intimada via ofício, não apresentou corretamente as GFIPs pertinentes deveria ter iniciado ação fiscal com vistas a aplicar a penalidade cabível, por descumprimento de obrigação acessória. A permanecer o status quo o Poder Público estará locupletandose de forma ilícita, pois está comprovado o direito à restituição. Ao Estado compete arrecadar apenas aquilo que lhe é de direito e nada mais, sob pena de ruptura com os princípios mais basilares do nosso ordenamento jurídico. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER o recurso voluntário, para no mérito DARLHE PROVIMENTO, devendo ser restituídos os valores pleiteados pela recorrente. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 62DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, 03/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10909.000830/2007-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:2011
DENÚNCIA ESPONTÂNEA O
instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. (Acórdão: CSRF/0104.920).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.450
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - auto eletrônico (exceto glosa de comp.prej./LI)
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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AUTO ELETRÔNICO Recorrente PREMIUM CONSTRUTORA E INCORPORADORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 DENÚNCIA ESPONTÂNEA O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. (Acórdão: CSRF/0104.920). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 13/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10909.000830/200741 Acórdão n.º 140200.450 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório PREMIUM CONSTRUTORA E INCORPORADORA LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Versa o presente processo sobre Auto de Infração, por meio do qual exigese a importância de R$ 5.000,00 a título de Multa por atraso na entrega da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias – Dimob, referente ao anocalendário de 2006. Inconformada, a autuada interpôs impugnação na qual alega que: Tentamos transmitir a Dimob a partir das 11h30 do dia 28/02/2007, assim que ficou munida de todos os dados pertinentes; Somente conseguimos transmitir a declaração no dia 1º de março; Não achamos justa a referida notificação de lançamento, uma vez que o problema de congestionamento do site, principalmente nos últimos dias dos prazos finais não nos compete; Neste mesmo dia houve liberação de outro programa da Receita Federal (DIRPF) o que causou o aumento excessivo do fluxo de dados, impossibilitando a transmissão. A decisão recorrida está assim fundamentada: Em análise do arguido, constatase que não assiste razão à impugnante. É que não há provas de que houve impedimento à entrega tempestiva das Dimob. Ademais, a legislação possibilita que a declaração seja entregue no prazo de cerca de 60 dias do término do período anual, prazo razoável para que os contribuintes cumpram a obrigação com a devida antecedência, possibilitandolhes superarem eventuais problemas surgidos para a entrega das declarações, no prazo legal. Evidentemente se o atraso tivesse sido causado por problemas técnicos ocorridos no próprio sistema da Receita Federal, haveria de ser prorrogado o prazo de entrega, como ocorreu certa vez, por meio do Ato Declaratório Executivo SRF nº 24, de 08.04.2005, que tem a seguinte redação (grifei): O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005, tendo em vista o disposto na Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, e considerando os problemas técnicos ocorridos, em 15 de fevereiro de 2005, nos sistemas eletrônicos desenvolvidos pelo Serviço Federal de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 13/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10909.000830/200741 Acórdão n.º 140200.450 S1C4T2 Fl. 0 3 Processamento de Dados (Serpro) para a recepção e transmissão de declarações, declara: Artigo único. As Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) relativas ao 4º trimestre de 2004, que tenham sido transmitidas nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro de 2005, serão consideradas entregues no dia 15 de fevereiro de 2005. Todavia, para o caso em concreto, não consta que ato desta natureza tenha sido emitido. A autoridade administrativa não pode deixar de aplicar a penalidade prevista na legislação ao seu próprio arbítrio. É que o crédito tributário regularmente constituído só pode ser excluído, nos casos previstos em lei, sob pena de responsabilidade funcional (CTN, art. 141). Ante todo o exposto, manifestome pela improcedência da impugnação. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual repisa as alegações da peça impugnatória quanto ao congestionamento do “sistema da RFB” de transmissão de declarações, alega, ainda estar amparado pelo instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN), pois transmitiu a declaração no dia 1/3/2007. Ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 13/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10909.000830/200741 Acórdão n.º 140200.450 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. O contribuinte reafirma que não foi possível transmitir a DIMOB na tarde do último dia do prazo (28/2/2007). Contudo, tal qual asseverou a decisão recorrida não há registro de problemas dessa natureza pela RFB, relativamente à DIMOB em questão. Ademais o contribuinte não apresenta qualquer prova de sua alegação, seja tela do sistema, seja registro junto à própria RFB da impossibilidade de apresentação na tarde do dia 28/2/2007. Entendo pois, que os fundamentos da decisão de 1a. instancia não merecem reparos nessa parte. Também não assiste razão ao recorrente quando pleiteia os benefícios da denúncia espontânea no presente caso, por se tratar de obrigação acessória, puramente formal, de entrega de declaração. Já é entendimento assente, tanto na doutrina quanto na jurisprudência, que as responsabilidades autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência de um fato gerador, não estão alcançadas pela denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A figura da denúncia espontânea, contemplada no artigo 138 da Lei n° 5.172/66 – Código Tributário Nacional – argüida pelo recorrente, é inaplicável, porque juridicamente só é possível haver denúncia espontânea de fato desconhecido pela autoridade, o que não é o caso do atraso na entrega da DIMOB, bem como de outras declaralões, que se torna ostensivo com o decurso do prazo fixado para a entrega tempestiva da mesma. Apresentar a declaração de rendimentos é uma obrigação para aqueles que se enquadram nos parâmetros legais e deve ser realizada no prazo fixado pela lei. Por ser uma “obrigação de fazer”, necessariamente, tem que ter prazo certo para seu cumprimento e, se for o caso, por seu desrespeito, uma penalidade pecuniária. A causa da multa está no atraso do cumprimento da obrigação, não na entrega da declaração, que tanto pode ser espontânea como por intimação, em qualquer dos dois casos a infração ao dispositivo legal já aconteceu e cabível é, tanto num quanto noutro, a cobrança da multa. Enfim, o fato de a declaração ter sido apresentada espontaneamente não implica na exclusão da penalidade, conforme entendimento pacífico da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, a exemplo dos julgados abaixo, cuja ementa transcrevese: “IRPF – MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A apresentação da declaração de ajuste anual do imposto de renda fora do prazo legal, sujeita o contribuinte à multa por atraso no valor de R$165,74, quando este seja superior a 1% do imposto devido. DENÚNCIA ESPONTÂNEA O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 13/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10909.000830/200741 Acórdão n.º 140200.450 S1C4T2 Fl. 0 5 do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. Recurso improvido.” Acórdão: CSRF/0104.920 “IRPF – MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS – A partir do exercício de 1995, a entrega extemporânea da declaração de rendimentos sujeitase à aplicação da multa prevista no artigo 88 da Lei 8.981/1995. DENÚNCIA ESPONTÂNEA – O instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, não alcança o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória.” Acórdão: CSRF/0103.721” Diante do exposto nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 13/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 14485.000259/2007-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 28/02/2006
AUTO DE INFRAÇÃO: CONTABILIZAÇÃO DE FATOS GERADORES EM TÍTULOS IMPRÓPRIOS. INFRAÇÃO.
Ao contabilizar os fatos geradores de contribuições previdenciárias em contas impróprias, a empresa incorre em infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória.
INFRAÇÃO. APURAÇÃO DE PERÍODO DECADENTE E NÃO DECADENTE. PENALIDADE FIXA NÃO VINCULADA AO NÚMERO DE INFRAÇÕES.
Para as autuações em que não há alteração do valor da penalidade em função do número de infrações verificadas, o fato de haver ocorrências em períodos alcançados pela decadência não torna o lançamento improcedente, desde que haja infração detectada em período em que o fisco ainda poderia aplicar a multa.
CARACTERIZAÇÃO DE REINCIDÊNCIA. TERMO DE VERIFICAÇÃO DE ANTECEDENTES DE INFRAÇÃO. DOCUMENTO HÁBIL.
O Termo de Verificação de Antecedentes de Infração é documento hábil a caracterizar a reincidência no cometimento de infrações, não havendo necessidade de se acostar aos autos cópia das lavraturas anteriores, a menos que haja dúvida fundada quanto à veracidade do aludido Termo.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1997 a 28/02/2006
CITAÇÃO DA CONDUTA INFRACIONAL, DO DISPOSITIVO LEGAL
INFRINGIDO E DA CAPITULAÇÃO LEGAL DA MULTA APLICADA.
FALTA DE MOTIVAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA.
Não se detecta afronta ao Princípio da Motivação na confecção de Auto de Infração, quando o fisco narra com precisão a conduta infracional, o dispositivo infringido e a capitulação legal da multa aplicada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.714
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos rejeitar as preliminares suscitadas; e II) por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que afastava o agravamento da multa.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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INFRAÇÃO. Ao contabilizar os fatos geradores de contribuições previdenciárias em contas impróprias, a empresa incorre em infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. INFRAÇÃO. APURAÇÃO DE PERÍODO DECADENTE E NÃO DECADENTE. PENALIDADE FIXA NÃO VINCULADA AO NÚMERO DE INFRAÇÕES. Para as autuações em que não há alteração do valor da penalidade em função do número de infrações verificadas, o fato de haver ocorrências em períodos alcançados pela decadência não torna o lançamento improcedente, desde que haja infração detectada em período em que o fisco ainda poderia aplicar a multa. CARACTERIZAÇÃO DE REINCIDÊNCIA. TERMO DE VERIFICAÇÃO DE ANTECEDENTES DE INFRAÇÃO. DOCUMENTO HÁBIL. O Termo de Verificação de Antecedentes de Infração é documento hábil a caracterizar a reincidência no cometimento de infrações, não havendo necessidade de se acostar aos autos cópia das lavraturas anteriores, a menos que haja dúvida fundada quanto à veracidade do aludido Termo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1997 a 28/02/2006 CITAÇÃO DA CONDUTA INFRACIONAL, DO DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO E DA CAPITULAÇÃO LEGAL DA MULTA APLICADA. FALTA DE MOTIVAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Não se detecta afronta ao Princípio da Motivação na confecção de Auto de Infração, quando o fisco narra com precisão a conduta infracional, o dispositivo infringido e a capitulação legal da multa aplicada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos rejeitar as preliminares suscitadas; e II) por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que afastava o agravamento da multa. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 14485.000259/200744 Acórdão n.º 240101.714 S2C4T1 Fl. 165 3 Relatório Tratase de recurso voluntário, fls. 122/134, interposto pela empresa acima identificada contra decisão da DRJ São Paulo I, fls. 107/119, que declarou procedente em parte o Auto de Infração n. 37.111.7160, posteriormente cadastrado sob o número de processo constante no cabeçalho. A lavratura em questão diz respeito a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória que, nos termos do Relatório Fiscal da Infração, fl. 21, decorreu da conduta da empresa de deixar de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. De acordo com o citado Relatório: a) nos exercícios de 1997 e 1998, a contabilização da verba Reclamatória Trabalhista foi efetuada em competências posteriores aos pagamentos efetivamente realizados, ou seja, a contabilização foi efetuada indevidamente no último dia de cada exercício no título contábil 5.1.1.1.1.09.0003 Reclamações e Processos Trabalhistas, apesar de os pagamentos terem sido efetuados durante os exercícios; b) a contabilização de pagamentos efetuados a prestadores foi realizada em várias contas contábeis conjuntamente sem apresentarem discriminação entre pessoas jurídicas e pessoas físicas contribuintes individuais; c) a partir de 1999, com a mudança contábil, os históricos dos lançamentos foram efetuados de maneira que se tornou impossível a identificação dos pagamentos, sendo que a maioria dos lançamentos não relacionava o nome do prestador e trazia informações genéricas da prestação do serviço; d) a partir de 2003, a empresa utilizou a conta Transferências de Numerários 91111090 para contabilizar várias renegociações de dívidas, muitas vezes sem identificação do prestador de serviço, outras sem identificação da prestação de serviço em si; e) não foi possível identificar valores pagos a empregados em forma de bolsa de estudo fornecidas a dependentes destes, pois a contabilização foi efetuada de formar globalizada, isto é, os valores pagos a empregados e dependentes e outras bolsas foram contabilizados nas mesmas contas contábeis de n.° 41108202, 59111020 e 59113020, todas intituladas Bolsas Especiais; f) não foram lançados mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de contribuições previdenciárias — abono especial, tendo sido sua contabilização efetuada nas contas de Encargos 4.1.1.02.105 Encargos Professores; g) não foram lançados mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de contribuições previdenciárias — indenização por tempo de serviço, tendo sido sua contabilização efetuada nas contas 41202105 Encargos Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 Técnico Educac. Operação, 41202205 Encargos, 41202305 Encargos, 41202405 Encargos, 42102000 Encargos, 42102105 Encargos Técnico Educac.Apoio, 42102205 Encargos Técnico Hospitalar; h) a empresa contabilizou, em conta contábil única, verbas e valores que considerou incidentes e não incidentes de contribuição previdenciária. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fl. 22, por sua vez, informa que a multa aplicada para esta infração foi de R$ 23.902,42 (vinte e três mil e novecentos e dois reais e quarenta e dois centavos), e que a entidade incorreu em reincidência genérica para as competências 08/2000 a 03/2003, tendo em vista que consta no Sistema Informatizado da Previdência Social o AI n. 32.383.5376 de 18/12/1997, com código de fundamentação legal 38, liquidado em 30/04/1998, conforme Termo de Verificação de Antecedentes de Infração, que se encontra anexado. Em seu recurso a empresa, em apertada síntese, alegou que: a) inexiste no Relatório Fiscal dispositivo que preveja o fato gerador da multa presente no AI, o que representa afronta ao Princípio da Motivação; b) as falhas apontadas referemse ao período de 1997 a 1999, o qual já fora alcançado pela decadência; c) para que esta reincidência fosse caracterizada efetivamente pela fiscalização, o Auditor Fiscal deveria juntar aos autos cópia do AI n.° 32.373.5376, de 18/12/1997; Por fim, pede a reforma da decisão da DRJ, com consequente cancelamento do AI. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 14485.000259/200744 Acórdão n.º 240101.714 S2C4T1 Fl. 166 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A ausência de motivação do lançamento por falta de citação do dispositivo legal prevendo o fato gerador da multa é tese que não merece ser acatada. A citação da norma infringida na folha do rosto do AI, fl. 01, não deixa dúvida que o sujeito passivo desatendeu aos comandos insertos no art. 32, II, da Lei n. 8.212/1991, combinado com o art. 225, II, e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/1999. Assim, não encontro fundamento nessa preliminar. Quanto à documentação solicitada corresponder a período alcançado pela decadência, também é alegação que não devo acolher. Vejo que realmente há falhas contábeis relativas a fatos geradores ocorridos a mais de cinco anos da ciência do AI, todavia, os autos demonstram também a ocorrência de lançamentos incorretos no período que vai até o exercício de 2003. Considerando que a ciência da lavratura deuse em 31/07/2007, para os erros relativos ao exercício de 2003, não há o que se falar em transcurso prazo decadencial de cinco anos previsto no CTN, o que faz cair por terra o argumento recursal, haja vista que para esse tipo de autuação a multa é fixa para cada ação fiscal, não se alterando com a quantidade de ocorrências verificadas, bastando apenas uma falha contábil vinculada a fatos geradores de contribuição, para que se justifique a aplicação da penalidade. No presente AI houve agravamento da penalidade em razão de reincidência e, nesse aspecto, não posso deixar de dar razão ao Fisco. Nos termos do RPS, art. 290, V, a reincidência caracterizase pela prática de nova infração a dispositivo da legislação previdenciária dentro de cinco anos da data em que transitar em julgado a decisão administrativa condenatória, da revelia ou do pagamento relativos à autuação anterior. No caso sob testilha foi constatado mediante o Termo de Verificação de Antecedentes de Infração, fl. 23, a existência do AI n. 32.283.5376, com decisão administrativa transitada em julgado em 30/04/1998. Diante desse cenário, tendo as infrações do presente AI ocorrido em período que vai até 2003, é inquestionável a caracterização da reincidência. Não vejo como desconsiderar as provas trazidas pelo fisco quanto à reincidência, haja vista que os dados lançados no Termo de Verificação de Antecedentes de Infração foram extraídos do sistema informatizado da Administração Tributária, não tendo o sujeito passivo apresentado qualquer elemento que pudesse infirmar a veracidade dos dados apresentados pelo Fisco. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 Diante do exposto, voto por conhecer do recurso, por afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, pelo desprovimento do mesmo. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000307/2009-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/10/2007
ALIMENTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. AUSÊNCIA. INCIDÊNCIA DE
CONTRIBUIÇÕES.
Integra o salário de contribuição o valor da alimentação fornecida por empresa sem o devido registro no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-001.824
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva, que dava provimento.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/10/2007 ALIMENTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. AUSÊNCIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Integra o salário de contribuição o valor da alimentação fornecida por empresa sem o devido registro no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Recurso Voluntário Negado
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INSCRIÇÃO NO PAT. AUSÊNCIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Integra o salário de contribuição o valor da alimentação fornecida por empresa sem o devido registro no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva, que dava provimento. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Jhonatas Ribeiro da Silva e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 398DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Relatório Tratase de recurso voluntário, fls. 396/403, interposto pela empresa acima contra decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), fls. 389/393, que declarou procedente o Auto de Infração n. 37.205.3319. O crédito em questão, com data de consolidação em 22/06/2009, assumiu o montante de R$ 128.171,11 (cento e vinte e oito mil, cento e setenta e um reais e onze centavos). O lançamento em questão contempla a contribuição destinada aos terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC, SEBRAE) incidentes sobre valores apurados na verificação fiscal dos documentos da empresa Hospital São Paulo Araraquara Ltda., CNPJ 43. 952.050/000181, sucedida pela Unimed de Araraquara Cooperativa de Trabalho Médico, em 29/01/2008,por incorporação. De acordo com o relato do Fisco, fls. 278/281, os fatos geradores de contribuição foram os fornecimentos de cestas básicas e refeições aos segurados empregados, sem que a empresa estivesse inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. A empresa apresentou impugnação, fls. 317/324, cujas razões não foram acatadas pela DRJ, fato que provocou a interposição de recurso voluntário, no qual, em apertada síntese, alegase que é pacífico na jurisprudência que o pagamento in natura do auxílio alimentação, com o objetivo de proporcionar aumento na produtividade e eficiência funcional, não sofre incidência da pretendida contribuição previdenciária, haja vista que a alimentação (refeição/cestas básicas) fornecida pela requerente não tem caráter salarial, sendo irrelevante o fato de estar ou não inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT. É o relatório. Fl. 399DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 18088.000307/200908 Acórdão n.º 240101.824 S2C4T1 Fl. 407 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A única questão trazida a julgamento é jurídica, haja vista que a recorrente não se contrapôs a afirmação do fisco de que forneceu as cestas básicas e as refeições aos seus empregados sem que estivesse inscrita no PAT. Alega a empresa que, independentemente de adesão ao programa, não há o que se falar em incidência de contribuições sobre as referidas verbas, uma vez que as mesmas não tem natureza de salário. Cabenos trazer à colação o que dispõe o § 9.° do art. 28 da Lei n. 8.212/1991: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n°6.321, de 14 de abril de 1976; (...) Observese do dispositivo transcrito que a previsão de isenção de contribuição sobre a alimentação fornecida aos empregados condiciona a desoneração a dois requisitos: que a alimentação seja fornecida “in natura” e que a sua disponibilização esteja em conformidade com as normas do PAT. Consultando a legislação específica que trata do PAT, pude verificar que é obrigatória a inscrição no mesmo para que as empresas possam gozar de suas benesses. É que se pode concluir da leitura do Decreto n. 05, de 14/01/1991: Art. 1º A pessoa jurídica poderá deduzir, do Imposto de Renda devido, valor equivalente à aplicação da alíquota cabível do Imposto de Renda sobre a soma das despesas de custeio realizadas, no períodobase, em programas de alimentação do trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social (MTPS), nos termos deste regulamento. (...) Fl. 400DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 § 4º Para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social a apresentação de documento hábil a ser definido em portaria dos ministros do Trabalho e Previdência Social, da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde. Já a Portaria Interministerial n. 05, de 30/11/1999, dispõe: Art. 3. A adesão ao PAT poderá ser efetuada a qualquer tempo e, uma vez realizada, terá validade por prazo indeterminado, podendo ser cancelada por iniciativa da beneficiária ou pelo Ministério do Trabalho e Emprego, em razão da execução inadequada do Programa. Parágrafo único. Excepcionalmente, para o ano 2000, a validade mencionada no caput deste Artigo será retroativa a 1o de janeiro para as empresas que aderirem ao PAT até 31 de março do mesmo ano. Assim, não tendo a recorrente efetuado a sua adesão ao PAT, houve evidente descumprimento da norma inserta na alínea “c” do § 9. do art. 28 da Lei n. 8.212/1991, haja vista que o fornecimento de alimentação foi efetuado em desacordo com a legislação do PAT, pelo que devem incidir contribuições sobre tais verbas. A alegação de que independentemente de inscrição no PAT não haveria tributação previdenciária quer, de forma oblíqua, declarar a invalidade de dispositivo da Lei n. 8.212/1991, o que não pode ser acatado, sob pena da Autoridade Fiscal ficar sujeita à responsabilização funcional. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso e pela negativa de provimento do mesmo. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 401DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
score : 1.0
Numero do processo: 13558.002359/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006
INTEMPESTIVIDADE.
A apresentação do recurso voluntário depois de transcorrido o prazo de trinta dias previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72 resulta no não conhecimento da peça da defesa.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2301-002.229
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Mauro Jose Silva
1.0 = *:*
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score : 1.0
Numero do processo: 36624.014326/2006-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/04/2001 a 31/10/2005
MPF. VÍCIO FORMAL. INOCORRÊNCIA
A ciência do sujeito passivo na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito após a expiração do Mandado de Procedimento Fiscal, não acarreta a nulidade do lançamento.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2001 a 31/10/2005
PREMIAÇÃO. PROGRAMA DE INCENTIVO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
A verba paga pela empresa a segurados obrigatórios do RGPS, por
intermédio de programa de incentivo, tem natureza jurídica de gratificação, sendo portanto fato gerador de contribuições previdenciárias.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. GRATIFICAÇÃO. HABITUALIDADE.
O conceito jurídico de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91 em momento algum vincula a natureza jurídica das parcelas integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias à habitualidade de seu recebimento. Sendo a natureza da verba auferida qualificada juridicamente como gratificação de desempenho, basta para a sua sujeição à tributação previdenciária o seu mero recebimento pelo segurado
obrigatório do RGPS, mesmo que tal pagamento tenha ocorrido uma única vez no histórico funcional do beneficiário.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA DE MORA. GRADAÇÃO.
A sistemática da gradação da multa de mora acarreta que, quanto mais tempo o obrigado tributário retiver o tributo devido, não o recolhendo aos cofres públicos, mais grave se revela a infração à obrigação tributária principal Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal que entenderam aplicar-se o art. 150, parágrafo 4º do CTN quanto a preliminar de extinção do crédito.
Numero da decisão: 2302-000.924
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal que entenderam aplicar-se o art. 150, parágrafo 4º do CTN quanto a preliminar de extinção do crédito.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2001 a 31/10/2005 MPF. VÍCIO FORMAL. INOCORRÊNCIA A ciência do sujeito passivo na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito após a expiração do Mandado de Procedimento Fiscal, não acarreta a nulidade do lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2001 a 31/10/2005 PREMIAÇÃO. PROGRAMA DE INCENTIVO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A verba paga pela empresa a segurados obrigatórios do RGPS, por intermédio de programa de incentivo, tem natureza jurídica de gratificação, sendo portanto fato gerador de contribuições previdenciárias. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. GRATIFICAÇÃO. HABITUALIDADE. O conceito jurídico de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91 em momento algum vincula a natureza jurídica das parcelas integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias à habitualidade de seu recebimento. Sendo a natureza da verba auferida qualificada juridicamente como gratificação de desempenho, basta para a sua sujeição à tributação previdenciária o seu mero recebimento pelo segurado obrigatório do RGPS, mesmo que tal pagamento tenha ocorrido uma única vez no histórico funcional do beneficiário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA DE MORA. GRADAÇÃO. A sistemática da gradação da multa de mora acarreta que, quanto mais tempo o obrigado tributário retiver o tributo devido, não o recolhendo aos cofres públicos, mais grave se revela a infração à obrigação tributária principal Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal que entenderam aplicar-se o art. 150, parágrafo 4º do CTN quanto a preliminar de extinção do crédito.
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VÍCIO FORMAL. INOCORRÊNCIA A ciência do sujeito passivo na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito após a expiração do Mandado de Procedimento Fiscal, não acarreta a nulidade do lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2001 a 31/10/2005 PREMIAÇÃO. PROGRAMA DE INCENTIVO. SALÁRIO DE CONTRI BUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A verba paga pela empresa a segurados obrigatórios do RGPS, por intermédio de programa de incentivo, tem natureza jurídica de gratificação, sendo portanto fato gerador de contribuições previdenciárias. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. GRATIFICAÇÃO. HABITUALIDADE. O conceito jurídico de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91 em momento algum vincula a natureza jurídica das parcelas integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias à habitualidade de seu recebimento. Sendo a natureza da verba auferida qualificada juridicamente como gratificação de desempenho, basta para a sua sujeição à tributação previdenciária o seu mero recebimento pelo segurado obrigatório do RGPS, mesmo que tal pagamento tenha ocorrido uma única vez no histórico funcional do beneficiário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA DE MORA. GRADAÇÃO. A sistemática da gradação da multa de mora acarreta que, quanto mais tempo o obrigado tributário retiver o tributo devido, não o recolhendo aos cofres públicos, mais grave se revela a infração à obrigação tributária principal Fl. 286DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 cometida, de molde que mais gravosa será a penalidade a ser imputada. Tal gradação não encontra óbices no ordenamento jurídico pátrio, de maneira que, para ser de observância obrigatória, exigese tão somente que seja instituída mediante lei stricto sensu, como assim o fez o art. 35 da Lei nº 8.212/91. RFFP. CABIMENTO. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária definidos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal que entenderam aplicarse o art. 150, parágrafo 4º do CTN quanto a preliminar de extinção do crédito. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Edgar Silva Vidal. Fl. 287DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014326/200628 Acórdão n.º 230200.924 S2C3T2 Fl. 283 3 Relatório Período de apuração MPF : 01/01/1996 a 31/12/2005 Período de apuração do débito: 01/04/2001 a 31/10/2005 Data da lavratura da NFLD : 31/10/2006 Data da Ciência da NFLD: 03/11/2006 Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD compreendendo contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social e a outras entidades e fundos, correspondentes à parte patronal, incidentes sobre os valores pagos aos segurados obrigatórios do RGPS mediante Cartão de Premiação denominados "Premium Card" e "Flexcard", emitidos pela empresa “Incentive House S/A”, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 26/28. Relata o auditor fiscal notificante que os fatos geradores que deram origem ao presente crédito tributário foram apurados com base nos valores nominais das notas fiscais de serviços e ou faturas de serviços, emitidas pela Empresa Incentive House S/A, CNPJ 00.416.126/000141, apresentadas pelo sujeito passivo, os quais foram confrontados com os lançamentos contábeis do período de 01/2001 a 12/2005. Tais dispêndios foram registrados na contabilidade da Notificada na Conta/Rubrica Serviços de Pessoa Jurídica, havendo sido adotadas como competência tributária as datas dos lançamentos das notas fiscais nos livros Diário. Discorre, outrossim, que a empresa concede aos empregados e contribuintes individuais uma premiação, com produtos destinados a ações motivacionais e programa de estímulo ao aumento de produtividade, a estreitar relacionamentos, e/ou divulgar marcas do Cliente junto ao seu público alvo, conforme definição do Contrato de Prestação de Serviços, assinado em 14/04/2004. Esclarece o auditor fiscal notificante que as alíquotas relativas às contribuições dos segurados foram aplicadas de acordo com a faixa salarial que eles se enquadram. Por derradeiro, informa a Autoridade Lançadora que empresa notificada não informou os fatos geradores em apreço nas correspondentes Guias de Recolhimento do FGTS e Informação à Previdência Social, nas quais não houveram sido, igualmente, declarados os beneficiários das premiações em tela. Aduz que tal irregularidade deu ensejo à Auto de Infração nº 37.014.3582, bem como a correspondente Representação Fiscal para Fins Penais, eis que tal conduta configura, em tese, o crime de sonegação de contribuições previdenciárias previsto no artigo 337A, inciso I, do Código Penal, com redação dada pela Lei 9.983, de 14/07/2000. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Notificado apresentou impugnação a fls. 48/68. Fl. 288DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 A Delegacia da Receita Previdenciária em São Paulo/Oeste lavrou Decisão Notificação (DN), a fls. 195/203, julgando procedente a Notificação Fiscal e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 04 de junho de 2007, conforme Aviso de Recebimento – AR, a fl. 207. Inconformada com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 214/247, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que os pagamentos por intermédio do cartão constituemse premiações não habituais que visam exclusivamente a premiar o bom desempenho da atividade de cada colaborador e, por esta razão, não são salários. Aduz que o cartão de premiação visa ao aumento da produtividade, sendo concedido pelo desempenho do beneficiário individual e que não são habituais, pois depende da atividade de cada colaborador, concluindo que, nestas condições, não haveria incidência de contribuição ao INSS; • Que a Notificação só foi postada em 01/11/2006, após o prazo de execução do Mandado de Procedimento Fiscal com termo final estabelecido para 31/10/2006 e, em decorrência da intempestividade, todas as Notificações e Autuações seriam nulas; • Que o relatório fiscal não esclarece o porquê de os pagamentos em realce serem considerados como salário, nem expõe o fundamento legal para o referido enquadramento, deixando de apresentar todos os elementos essenciais à exata descrição da infração, o que implicaria cerceamento de defesa e nulidade da Notificação; • Que foram atingidas pela decadência, nos termos do art. 150 do CTN, as competências relativas aos meses de 04/2001 a 10/2001, considerando que a Notificação foi enviada em 01/11/2006. • Que inexiste prova da habitualidade dos valores recebidos pelos beneficiários à titulo de cartão premiação. • Que não merece prevalecer a multa gradativa do valor supostamente devido relativo à contribuição não recolhida, determinando percentuais menores para o caso da ora recorrente não apresentar defesa ou não recorrer da presente autuação. • Que a multa aplicada viola os direitos fundamentais inscritos no art. 5º LVI e LV da Constituição, requerendo a redução do valor aplicado; • Que é inadmissível a representação criminal antes da decisão final do processo administrativo, tendo em vista que este possibilita ao contribuinte o exercício do contraditório e da ampla defesa e a instauração penal consubstanciase em uma ameaça ao contribuinte. Ao fim, requer o Recorrente a declaração de decadência parcial das obrigações tributárias lançadas, a improcedência da NFLD em julgo, bem como a redução da multa aplicada. Fl. 289DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014326/200628 Acórdão n.º 230200.924 S2C3T2 Fl. 284 5 Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 290DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 04/06/2007, segundafeira, iniciandose pois o decurso do prazo recursal na terçafeira seguinte, digase, 05/06/2007. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 03 de julho do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso. Dele conheço. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES 2.1. DA COBERTURA DO MPF. Alega o Recorrente que a NFLD em tela somente foi postada em 01/11/2006, após o prazo de execução do Mandado de Procedimento Fiscal com termo final estabelecido para 31/10/2006 e, em decorrência da intempestividade, todas as Notificações e Autuações seriam nulas. Não procedem as alegações ora clamadas. Publicado com o escopo de estabelecer normas gerais sobre o planejamento das atividades da administração previdenciária em matéria fiscal, o Decreto n° 3.969, de 15 de outubro de 2001, determinou que os procedimentos fiscais relativos aos tributos federais previdenciários deverão ser instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), o qual extinguirseá pela conclusão do procedimento fiscal correspondente, registrado em termo próprio, ou, alternativamente, pelo decurso do seu prazo de validade, consideradas as prorrogações ocorridas. Nessa perspectiva, a ação fiscal, para ser qualificada como regular, necessita ser conduzida sob a cobertura de MPF válido, aqui incluídas suas prorrogações, desde a sua deflagração até o seu encerramento, devendo o auditor fiscal, nesse interregno, emitir todos os documentos fiscais atávicos ao seu ofício que importem numa conduta a ser praticada pelo Fiscalizado, tais como Notificações Fiscais e autos de infração. O texto do art. 142 do CTN informa que o Lançamento Tributário constitui se atividade privativa da autoridade administrativa fiscal, e circunscrevese à verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, à identificação do sujeito passivo e, sendo caso, à propositura de aplicação da penalidade cabível. Código Tributário Nacional CTN Fl. 291DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014326/200628 Acórdão n.º 230200.924 S2C3T2 Fl. 285 7 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Deflui das tintas do citado art. 142 que o ato jurídico consubstanciado na ciência do contribuinte encontrase fora da atividade do lançamento, deste não fazendo parte constitutiva. Configurase tal ato de ciência, todavia, requisito de eficácia do lançamento, para que este possa produzir todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos, máxime em relação ao notificado, de molde a se lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa. A data de constituição do crédito tributário, seja por NFLD, seja mediante Auto de Infração, não pode ser interpretada portanto como o dia de ciência ao contribuinte, mas, sim, o da lavratura do lançamento estampado ostensivamente na folha de rosto do documento respectivo. Nesse quadro, a lavratura formal da Notificação Fiscal ou do Auto de Infração, executada pela autoridade administrativa competente, constituise o verdadeiro requisito de existência do ato jurídico em realce, figurando a ciência do contribuinte mero requisito de eficácia, não pode esta ser interpretada como ato integrante do procedimento administrativo do lançamento. Assim, não estando inserida no iter procedimental do lançamento, a ciência da Notificação Fiscal pelo sujeito passivo ocorrida após a expiração do prazo constante do Mandado de Procedimento Fiscal não figura, de modo algum, como causa de nulidade do lançamento tributário em questão, eis que este houve por formalizado, e assim constituído o crédito tributário, sob o manto de cobertura do MPF. De molde a espancar qualquer dúvida, a Câmara Superior do Conselho de Recursos da Previdência Social publicou a Resolução MPS/CRPS nº 1/2006, a qual fez editar o Enunciado nº 25 dispondo que a notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do MPF não implica nulidade do lançamento. RESOLUÇÃO MPS/CRPS N. 1, de 23 de fevereiro de 2006. Edita o enunciado nº 25 do Conselho de Recursos da Previdência Social. A CÂMARA SUPERIOR do Conselho de Recursos da Previdência Social especializada em matéria de custeio, no uso da competência que lhe é atribuída pelo artigo 303, parágrafo 1 , inciso IV, do Decreto n. 3048/99, na redação do Decreto n. 4.729, de 09 de junho de 2003, publicado no Diário Oficial da União de 10 de junho de 2003, tendo em vista o disposto no artigo 61, Parágrafos 1 e 2 e artigo 63, Parágrafo 5 , Inciso I da Portaria MPS n. 88/2004 Regimento Interno do CRPS – e Fl. 292DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 cumprindo deliberação do Conselho Pleno em reunião realizada no dia 23 de Fevereiro de 2006, resolve: Editar o seguinte enunciado: Enunciado nº 25 A notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF – não acarreta nulidade do lançamento. 2.2. DA DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 293DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014326/200628 Acórdão n.º 230200.924 S2C3T2 Fl. 286 9 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Nessa condição, tendo sido o lançamento realizado em 31 de outubro de 2006, este apenas alcançaria os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2000, inclusive, excluído os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano. Considerando que a vertente Notificação Fiscal opera o lançamento de contribuições previdenciárias referentes às competências abril/2001 a outubro/2005, não demanda áurea mestria concluir que a obrigação tributária principal em julgo não se houve ainda por finada pela algozaria do instituto da decadência tributária. Vencidas as preliminares, passamos a análise do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre inicialmente assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DA NATUREZA REMUNERATÓRIA DAS PREMIAÇÃOES. Alega o Recorrente que os pagamentos por intermédio do cartão constituem se premiações não habituais que visam exclusivamente a premiar o bom desempenho da atividade de cada colaborador e, por esta razão, não são salários. Aduz que o cartão de premiação visa ao aumento da produtividade, sendo concedido pelo desempenho do beneficiário individual e que não são habituais, pois depende da atividade de cada colaborador, concluindo que, nestas condições, não haveria incidência de contribuição ao INSS; Tal rogativa não merece acolhida por este Colegiado. A vexata quaestio sobre a qual se funda a lide em debate reside na subsunção ou não dos valores pagos mediante cartão premiação ao conceito legal de Salário de Contribuição, para os fins exclusivos de incidência de contribuições previdenciárias. Fl. 294DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei n.º 5.452 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) § 2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) § 3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) § 3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) Fl. 295DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014326/200628 Acórdão n.º 230200.924 S2C3T2 Fl. 287 11 § 4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de cohabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, o caráter de constância somente se verifica na eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustamnas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: Fl. 296DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. Citese, exemplificativamente, a definição jurídica do Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Fl. 297DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014326/200628 Acórdão n.º 230200.924 S2C3T2 Fl. 288 13 Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesse cenário, a vista dos ensinamentos colhidos na melhor doutrina trabalhista, avulta compreenderemse no hodierno conceito de remuneração os três componentes do gênero, especificados nos moldes que se vos seguem: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; Fl. 298DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) O abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção Fl. 299DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014326/200628 Acórdão n.º 230200.924 S2C3T2 Fl. 289 15 estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é Fl. 300DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido § 9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Contextualizado nesses termos o quadro jurídiconormativo aplicável ao casoespécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que as verbas auferidas pelos segurados obrigatórios que prestam serviços à Recorrente, mediante Cartões de Premiação denominados "Premium Card" e "Flexcard", subsumemse no conceito de “salário de Contribuição” assentado no caput do art. 28 da Lei nº 8.212/91, não estando acobertados por nenhuma das hipóteses de não incidência destacadas no §9º desse mesmo dispositivo legal, razão pela qual integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 3.1.1. DA NATUREZA JURÍDICA DAS PREMIAÇÕES Destaca o Recorrente que as verbas pagas aos seus empregados mediante Cartões de Premiação denominados "Premium Card" e "Flexcard" constituemse ganhos eventuais, não integrando o conceito de Salário de Contribuição por força das disposições inscritas no art. 28, §9º, ‘e’, 7 da Lei nº 8.212/91. Tal argumentação é totalmente descabida. Na hipótese sub oculi, não é exigida áurea mestria para perceber que tais pagamentos ostentam natureza jurídica de gratificação. Da pena de Plá Rodriguez, citado por Mascaro Nascimento, grafouse singular conceito de gratificações como as “somas em dinheiro de tipo variável, outorgadas voluntariamente pelo patrão aos seus empregados, a título de prêmio ou incentivo, para lograr a maior dedicação e perseverança destes. Mostrase valioso relembrar, no que pertine à natureza de liberalidade das gratificações, as palavras de Cabanellas: “provado ou comprovado o caráter habitual, geral, invariável e periódico da gratificação, esta perde a sua voluntariedade característica, para se converter em obrigatória; então, deixa de ser liberalidade para se transformar em direito exigível pelo trabalhador e inescusável pelo empregador” (Guillermo Cabanellas de Torres, Compendio de Derecho Laboral, Bibliográfica Omeba, Buenos Aires, 1968) É exatamente o que ocorre no caso concreto sobre o qual ora nos debruçamos. As verbas em destaque não se consubstanciam em ganhos eventuais, mas, sim, numa contraprestação remuneratória auferida pelos empregados que hajam alcançado as metas estabelecidas pela empresa, conforme declarado expressamente pelo Recorrente a fl. 231, in verbis: “... os referidos prêmios dependem do fato de o beneficiário ter atingido ou não as metas estabelecidas no plano de incentivo, ao contrário do que ocorre com sua remuneração habitual que será Fl. 301DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014326/200628 Acórdão n.º 230200.924 S2C3T2 Fl. 290 17 devida, enquanto perdurar o seu contrato de trabalho, independentemente de seu desempenho profissional.” Atingindo o colaborador as metas, este se titulariza no direito subjetivo à gratificação, podendo esta ser exigida inclusive judicialmente. O que é isso senão uma gratificação de desempenho ? Por tudo o quanto foi ora discutido, avulta que o benefício auferido pelos beneficiários das premiações oferecidas pelo Recorrente, dada a sua natureza jurídica de gratificação e por não constar expressamente no rol numerus clausus de hipóteses de não incidência tributária, constituise parcela integrante do Salário de contribuição dos segurados, estando sujeito, por decorrência legal vinculante, à incidência de contribuições sociais previdenciárias. 3.2. DA MOTIVAÇÃO Alega o Recorrente que o relatório fiscal não esclarece o porquê de os pagamentos em realce serem considerados como salário, nem expõe o fundamento legal para o referido enquadramento, deixando de apresentar todos os elementos essenciais à exata descrição da infração, o que implicaria cerceamento de defesa e nulidade da Notificação; Tal rogativa não reúne os requisitos necessários para prosperar. Avulta das alegações ora clamadas a necessidade de os relatórios fiscais serem emitidos também em Braille, para que todos, indistintamente, aproveitandose da sensibilidade epicrítica, possam ter acesso aos seus fundamentos. O item 2.1. do Relatório Fiscal, a fl. 26, destaca que os valores consolidados na NFLD em litígio referemse a remuneração de empregados pagas por meio de cartão de premiação. Na mesma esteira, o item 2.1.2 informa que Constituem fatos geradores dos tributos ora lançados, os valores pagos aos segurados empregados por meio do cartão de premiação, denominado "Premium Card" e "Flexcard", com produtos destinados a ações motivacionais e programa de estímulo ao aumento de produtividade, conforme cópias de notas fiscais em anexo. Os "programas visam a aumentar a produtividade, estreitar relacionamentos, e/ou divulgar marcas do Cliente junto ao seu público alvo", conforme definição do Contrato de Prestação de Serviços, assinado em 14/04/2004, que segue em anexo. Revela ainda que os fatos geradores foram apurados com base nos valores nominais das notas fiscais de serviços e ou faturas de serviços, emitidas pela Empresa Incentive House S/A — CNPJ 00.416.126/000141, apresentadas pelo sujeito passivo, os quais foram confrontados com os lançamentos contábeis do período de 01/2001 a 12/2005. Esses gastos foram registrados na contabilidade da Notificada na Conta/Rubrica Serviços de Pessoa Jurídica. Fl. 302DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 Na sequência, o anexo do Relatório Fiscal a fl. 34/35 elenca todos os beneficiários das premiações em realce, seus respectivos CPF e NIT, bem como os valores por eles auferidos em cada competência. Na mesma toada, cita o Relatório Fiscal que a empresa não informou esses fatos geradores em GFIP, tampouco os beneficiários da gratificação em apreço. De outro eito, o relatório FLD FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, a fls. 14/17, descreve pormenorizadamente toda a fundamentação legal que oferece esteio jurídico ao lançamento ora em julgo, cabendo ressaltar que no tópico reservado aos fundamentos legais das rubricas encontramse destacadas toda a base legal instituidora das contribuições sociais ora lançadas. Como se observa, razão não assiste ao Recorrente eis que os relatórios que integram a NFLD em estudo não ostentam qualquer obscuridade ou dúvida quanto à hipótese de incidência dos tributos objeto deste lançamento. 3.3. DA HABITUALIDADE DO PAGAMENTO. Pondera o Recorrente inexistirem provas da habitualidade dos valores recebidos pelos beneficiários à titulo de cartão premiação. Razão não lhe assiste. O conceito jurídico de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91 em momento algum vincula a natureza jurídica das parcelas integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias à habitualidade de seu recebimento. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5º; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 303DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014326/200628 Acórdão n.º 230200.924 S2C3T2 Fl. 291 19 Conforme já destacado nos tópicos precedentes, sendo a natureza da verba ora em apreço qualificada juridicamente como gratificação de desempenho, basta para a sua sujeição à tributação previdenciária o seu mero recebimento pelo segurado obrigatório do RGPS, mesmo que tal pagamento tenha ocorrido uma única vez no histórico funcional do beneficiário. O anexo do Relatório Fiscal, a fls. 39/93, elenca todos os beneficiários das premiações em debate, seus respectivos CPF e NIT, bem como os valores por eles auferidos em cada competência, além de outras informações pertinentes ao caso sub examine. A veracidade das informações contidas no suso citado anexo poderia ter sido sindicada e contestada pelo Recorrente mas não o foi , motivo pelo qual, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, devese lhe emprestar presunção iuris tantum de legalidade e veracidade. 3.4. DA GRADAÇÃO DA MULTA DE MORA. Exorta o Recorrente que não mereceria prevalecer a multa gradativa do valor supostamente devido relativo à contribuição não recolhida, determinando percentuais menores para o caso do Recorrente não apresentar defesa ou não recorrer da presente autuação. À suplica acima pautada não se reserva melhor sorte que as demais. De plano, cabe esclarecer que, em momento algum, a Constituição Federal vedou o emprego do mecanismo de gradação da multa de mora em razão da gravidade do atraso no recolhimento do tributo devido. A sistemática da gradação acima aludida acarreta que, quanto mais tempo o obrigado tributário retiver o tributo devido, não o recolhendo aos cofres públicos, mais grave se revela a infração à obrigação tributária principal cometida, de molde que mais gravosa será a penalidade a ser imputada. Tal gradação não encontra óbices no ordenamento jurídico pátrio, de maneira que, para ser de observância obrigatória, exigese tão somente que seja instituída mediante lei stricto sensu, como assim o fez o art. 35 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (grifos nossos) Fl. 304DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 20 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser Fl. 305DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014326/200628 Acórdão n.º 230200.924 S2C3T2 Fl. 292 21 utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Conforme já aventado alhures, estando os agentes fiscais inteiramente vinculados aos ditames da à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Reiterese que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. 3.5. DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Sustenta o Recorrente que a multa aplicada viola os direitos fundamentais inscritos no art. 5º LVI e LV da Constituição, requerendo a redução do valor aplicado. O presente apelo não pode ter o seguimento pretendido. Os princípios constitucionais destacados pelo Recorrente representam garantias asseguradas aos litigantes, nos processos judiciais ou administrativos, ao contraditório e à ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, sendo inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos. Conforme destacado nos tópicos precedentes, verificamos que a NFLD em relevo foi lavrada em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência dos fatos geradores da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, de forma discriminada por estabelecimento, levantamento e competência, as bases de cálculo da exação, as destinações de cada tributo, as alíquotas aplicáveis em cada caso, os montantes apurados, bem como as diferenças a serem recolhidas. O Relatório Fiscal expôs todos os elementos que motivaram a lavratura da vertente NFLD e o Relatório Fundamentos Legais do Débito encerrou todos os dispositivos legais amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF e TEAF, dentre outros, havendo Fl. 306DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 22 sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao Notificado. A ação se encontra amparada por Mandado de Procedimento Fiscal válido, a fl. 20, havendo sido os fatos geradores que compõem o presente lançamento apurado a partir de documentos apresentados pelo próprio Recorrente, deste exigidos mediante termos próprios de intimação a fls. 21/23. Dessarte, não vislumbramos pois qualquer vício ou violação aos princípios constitucionais iluminados pelo Recorrente na formalização do débito a amparar as suas alegações. 3.6. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Alega ainda ser inadmissível a representação criminal antes da decisão final do processo administrativo, tendo em vista que este possibilita ao sujeito passivo o exercício do contraditório e da ampla defesa e a instauração penal consubstanciarseia em uma ameaça ao contribuinte. O clamor acima postado não merece abrigo. O art. 66 do Decretolei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941 leis das contravenções penais – qualifica como “Omissão de Comunicação de Crime” o comportamento perpetrado por servidor público consistente na não comunicação à autoridade competente de conduta que represente, em tese, crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública. DECRETOLEI Nº 3.688 DE 3 DE OUTUBRO DE 1941 OMISSÃO DE COMUNICAÇÃO DE CRIME Art. 66. Deixar de comunicar à autoridade competente: I crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública, desde que a ação penal não dependa de representação; II crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício da medicina ou de outra profissão sanitária, desde que a ação penal não dependa de representação e a comunicação não exponha o cliente a procedimento criminal: Pena multa. Calcando nas mesmas teclas, o art. 16 da Lei nº 8.137/90, a qual define os crimes contra a ordem tributária, estatui que qualquer pessoa, aqui incluídos, por óbvio, os agentes públicos, poderá provocar a iniciativa do Ministério Público nos crimes descritos nessa lei, fornecendolhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Fl. 307DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014326/200628 Acórdão n.º 230200.924 S2C3T2 Fl. 293 23 Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990 Art. 16. Qualquer pessoa poderá provocar a iniciativa do Ministério Público, nos crimes descritos nesta lei, fornecendo lhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Parágrafo único. Nos crimes previstos nesta Lei, cometidos em quadrilha ou coautoria, o coautor ou partícipe que através de confissão espontânea revelar à autoridade policial ou judicial toda a trama delituosa terá a sua pena reduzida de um a dois terços. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.080, de 19.7.1995) Nessa perspectiva, revelase a Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP mera peça processual de informações, coletadas no curso da ação fiscal, a ser elaborada pelo agente público sempre que se deparar com conduta que represente, em tese, crime contra a ordem tributária, devendo conter, dentre outros elementos, exposição minuciosa do fato e os elementos caracterizadores do ilícito; indícios de prova material do ilícito ou qualquer outro documento sob suspeição que tenha sido apreendido no curso da ação fiscal; cópia autenticada do auto de infração e de termos fiscais lavrados; termos lavrados de depoimentos, declarações, perícias e outras informações obtidas de terceiros, utilizados para fundamentar a constituição do crédito tributário ou a apreensão de bens sujeitos à pena de perdimento; a qualificação completa das pessoas físicas responsáveis; a qualificação completa da pessoa ou das pessoas físicas a quem se atribua a prática do delito, mesmo que o fiscalizado seja pessoa jurídica; A identificação completa, se for o caso, da pessoa jurídica autuada, cópia dos contratos sociais e suas alterações, ou dos estatutos e atas das assembleias; qualificação completa das pessoas que possam ser arroladas como testemunhas; cópia das declarações de rendimentos, relativas ao período em que se apurou ilícito, da pessoa ou das pessoas físicas representadas e da pessoa jurídica envolvida, no caso de crime contra a ordem tributária; etc. No âmbito da legislação previdenciária, o art. 616 da IN SRP nº 3/2005 impõe ao auditor fiscal o dever funcional de formalizar a RFFP sempre que este, no exercício de suas atribuições institucionais, tiver conhecimento da ocorrência de comportamento omissivo ou comissivo que configure, em tese, crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, bem como qualquer contravenção penal. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 616. Por disposição expressa no art. 66 do DecretoLei nº 3.688, de 1941 (Lei de Contravenções Penais), o AFPS formalizará RFFP sempre que, no exercício de suas funções internas ou externas, tiver conhecimento da ocorrência, em tese, de:(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça; II contravenção penal. Parágrafo único. Considerase, nos termos do DecretoLei nº 3.914, de 1941 (Lei de Introdução ao Código Penal e à Lei de Contravenções Penais): Fl. 308DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 24 I crime, a infração penal a que a lei comina pena de reclusão ou de detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa; II contravenção, a infração penal a que a lei comina isoladamente pena de prisão simples ou de multa, ou ambas, alternativa ou cumulativamente. Art. 617. São crimes de ação penal pública, dentre outros, os previstos nos arts. 15 e 16 da Lei nº 7.802, de 1989, alterada pela Lei nº 9.974, de 2000, nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 8.137, de 1990, nos arts. 54 a 56, 60 e 61 da Lei nº 9.605, de 1998, e os a seguir relacionados, previstos no DecretoLei nº 2.848, de 1940 (Código Penal):(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I homicídio culposo simples ou qualificado, com previsão nos §§ 3º e 4º do art. 121; II exposição ao risco, com previsão no art. 132; III a apropriação indébita previdenciária, com previsão no art. 168A; IV o estelionato, com previsão no art. 171; V a falsificação de selo ou de sinal público, com previsão no art. 296; VI a falsificação de documento público, com previsão no art. 297; VII a falsificação de documento particular, com previsão no art. 298; VIII a falsidade ideológica, com previsão no art. 299; IX o uso de documento falso, com previsão no art. 304; X a supressão de documento, com previsão no art. 305; XI a falsa identidade, com previsão nos arts. 307 e 308; XII o extravio, a sonegação ou a inutilização de livro ou documento, com previsão no art. 314; XIII o emprego irregular de verbas ou rendas públicas, com previsão no art. 315; XIV a prevaricação, com previsão no art. 319; XV a violência arbitrária, com previsão no art. 322; XVI a resistência, com previsão no art. 329; XVII a desobediência, com previsão no art. 330; XVIII o desacato, com previsão no art. 331; XIX a corrupção ativa, com previsão no art. 333; XX a inutilização de edital ou de sinal, com previsão no art. 336; XXI a subtração ou a inutilização de livro ou de documento, com previsão no art. 337; XXII a sonegação de contribuição social previdenciária, com previsão no art. 337A. Art. 618. São contravenções penais, entre outras:(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I recusar dados sobre a própria identidade ou qualificação, com previsão no art. 68 do Decretolei nº 3.688, de 1941 (Lei das Contravenções Penais); Fl. 309DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014326/200628 Acórdão n.º 230200.924 S2C3T2 Fl. 294 25 II deixar de cumprir normas de higiene e segurança do trabalho, com previsão no § 2º do art. 19 da Lei nº 8.213, de 1991. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, apreciando pedido de concessão de liminar postulado na ADIn nº 1.571, proclamou que o art. 83 da Lei 9.430/96 não estipulou uma condição de procedibilidade da ação penal por delito tributário. Consignou o STF que tal dispositivo dirigiuse apenas a atos da administração fazendária, prevendo o momento em que a notitia criminis acerca de delitos contra a ordem tributária, descritos nos arts. 1º e 2º da Lei 8.137/90 deveriam ser encaminhada ao Ministério Público. (Informativo STF n. 64, 1728 mar. 97, p. 1 e 4). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 83. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária definidos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. (grifos nossos) Parágrafo único. As disposições contidas no caput do art. 34 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, aplicamse aos processos administrativos e aos inquéritos e processos em curso, desde que não recebida a denúncia pelo juiz. Ao contrário do tipo penal previsto no art. 2º, I, da Lei 8.137/90, consoante clássica diferenciação, pertence à categoria denominada delito formal, isto é, descreve o resultado naturalístico (supressão de pagamento de tributo) mas não o exige para a consumação formal do delito, os delitos previstos no art. 1º da Lei 8.137/90 são qualificados como crimes materiais, havendo a necessidade de se aguardar a decisão administrativa, para somente então poder ser intentada a ação penal. Dessarte, não havendo Notificação Fiscal ou Auto de Infração válido e/ou definitivo, não se pode dar, em tese, por caracterizado o crime, nem sequer excogitar sua materialidade, pois o artigo 142 do CTN estatui ser competência privativa da autoridade administrativa a constituição do crédito tributário pelo lançamento; Por outro lado, o artigo 5º, inciso LV, da CF, garante, ademais, a todo e qualquer contribuinte o direito de impugnar o lançamento tributário; Ademais, o art. 34 da Lei 9.249/95 concede ao sujeito passivo a alternativa de pagar o tributo devido e seus acessórios antes da denuncia, para ver extinta a punibilidade dos crimes descritos nos artigos 1º e 2º da Lei n. 8.137/90; Nesse contexto, o Pretório Excelso, por maioria, acolheu e aprovou proposta de edição da Súmula Vinculante nº 24, com o seguinte teor: “Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no artigo 1º, inciso I, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo”. Diante desse quadro, constituise dever funcional do auditor fiscal a elaboração, ainda no curso da ação fiscal, da Representação Fiscal para Fins Penais, sempre que, no exercício de suas atribuições institucionais, tiver conhecimento da ocorrência de comportamento omissivo ou comissivo que configure, em tese, crime de ação penal pública Fl. 310DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 26 que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, bem como qualquer contravenção penal. A representação acima referida, instruída com os elementos de prova e demais informações pertinentes, constituirseá de autos apartados e permanecerá sobrestada no âmbito da administração tributária até decisão definitiva na esfera administrativa que paute pela procedência total ou parcial do lançamento, quando, então, poderá ser encaminhada ao órgão do Ministério Público, para a devida instauração da persecução penal. Cumpre ressaltar, por relevante, que a prestação da RFFP ao Ministério Público não consubstanciase em hipótese de quebra de sigilo fiscal, conforme se depreende dos termos insculpidos no art. 198, §3º, I do CTN: Código Tributário Nacional CTN Art. 198. Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades. (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) § 3o Não é vedada a divulgação de informações relativas a: (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) I – representações fiscais para fins penais; (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Assim esculpido o arcabouço legislativo/jurisprudencial, podemos afirmar inexistir qualquer irregularidade da formalização da RFFP em destaque, eis que o seu encaminhamento ao Ministério Público somente se dará após o Trânsito em Julgado administrativo da NFLD em julgo, mesmo assim, na estrita hipótese da procedência total ou parcial do lançamento levado a efeito pela Autoridade Lançadora. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 311DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014326/200628 Acórdão n.º 230200.924 S2C3T2 Fl. 295 27 Fl. 312DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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