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Numero do processo: 10640.001557/2004-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2000
ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96. DESNECESSIDADE DE QUE AVERBAÇÃO SEJA ANTERIOR AO FATO GERADOR.
Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), mas
não há exigência legal para que ela ocorra em momento anterior à ocorrência do fato gerador.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.403
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Elias Sampaio Freire, que dava provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo, que entendem, no presente caso, ser desnecessária a averbação.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Gustavo Lian Hadad
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DESNECESSIDADE DE QUE AVERBAÇÃO SEJA ANTERIOR AO FATO GERADOR. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), mas não há exigência legal para que ela ocorra em momento anterior à ocorrência do fato gerador. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Elias Sampaio Freire, que dava provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo, que entendem, no presente caso, ser desnecessária a averbação. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire – PresidenteSubstituto Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 27/04/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire (PresidenteSubstituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo (Conselheiro Convocado). Relatório Em face da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária EMBRAPA foi lavrado o auto de infração de fls. 03/05, objetivando a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 2000, tendo sido apurada a infração de falta de recolhimento do referido imposto em decorrência de glosa dos valores declarados como área de reserva legal do imóvel Estação Experimental de Coronel Pacheco pela contribuinte. A Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 30134.109, que se encontra às fls. 81/91 e cuja ementa é a seguinte: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2000 Ementa: ATO DECLARÁTORIO AMBIENTAL ADA. A recusa de sua aceitação, por intempestividade, em face do prazo previsto da IN SRF n° 43 ou 67/97, não tem amparo legal. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. FATO GERADOR DO ITR/99. A obrigatoriedade de averbação, nos termos do parágrafo 8° do art. 16 da Lei 4.771/65 (Código Florestal), tem a finalidade de resguardar, distinta do aspecto tributário: a segurança ambiental, a conservação do estado das áreas na hipótese de transmissão de qualquer título, para que se confirme, civil e penalmente, a responsabilidade futura de terceiros eventuais adquirentes do imóvel, a qualquer título, mediante a assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental competente. A exigência da averbação como précondição para.o gozo de isenção do ITR não encontra amparo na Lei ambiental. O § 7° do art. 10 da Lei n° 9.939/96 determina literalmente a não obrigatoriedade de prévia comprovação da declaração por Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.001557/200418 Acórdão n.º 920201.403 CSRFT2 Fl. 2 3 parte do declarante, ficando, todavia, responsável pelo pagamento do imposto correspondente, acrescido de juros e multa, previstos nesta Lei, caso fique comprovado posteriormente que sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por unanimidade, deu provimento ao recurso voluntário. Intimada pessoalmente do acórdão em 14/01/2008 (fls. 93) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 95/105, em que aponta divergência entre o v. acórdão constante nos presentes autos e o acórdão nº 30236.585, no tocante à necessidade de prévia averbação da área de reserva legal, no órgão de registro competente, em data anterior ao fato gerador. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 1509.135520, de 28/10/2008 (fls. 116/118). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte apresentou suas contrarazões de fls. 122/136. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso, inicialmente, se o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. Tratase de lançamento de ITR supostamente devido relativamente à área declarada como de reserva legal em decorrência da ausência de averbação da referida área na matrícula do imóvel em momento anterior à ocorrência do fato gerador. O acórdão recorrido (Acórdão nº 30134.109), exarado pela C. 1ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, concluiu que a falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel não constitui óbice para seu reconhecimento e conseqüente exclusão dessa área da composição da base de cálculo do ITR. Visando à rediscussão da matéria a recorrente indicou como paradigma para demonstrar a divergência de interpretação o Acórdão nº 30236.585. O acórdão citado como paradigma pela recorrente claramente analisa situação em que a falta de averbação da área de reserva legal constitui óbice para a exclusão da referida área da composição da base de cálculo do tributo, como se comprova pelo exame da ementa abaixo transcrita: "IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 ÁREA DE RESERVA LEGAL. A área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusão tributada e aproveitável do imóvel rural quando devidamente averbada à margem da inscrição de matricula do referido imóvel, junto ao Registro de Imóveis competente, em data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos da legislação pertinente. Nos casos de "posse", o Termo de Compromisso de Averbação e Preservação de Florestas, celebrado com órgão ambiental estadual, substitui a averbação daquela área, nos termos supraindicados, sujeitandose, contudo, ao mesmo limite temporal da referida averbação. (...) NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO PELO VOTO DE QUALIDADE." Entendo, assim, caracterizada a divergência de interpretação em relação ao entendimento consagrado no acórdão paradigma, razão pela qual conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. No mérito, entendo que não assiste razão à Recorrente. Inicialmente, em relação à necessidade de averbação ou não da área de reserva legal na matrícula do imóvel transcrevo, a seguir, voto do I. Conselheiro Gonçalo Bonet Allage no processo 13984.000688/200485, cujas razões adoto como fundamento do presente voto, in verbis: “Inicio a análise do recurso pela questão da área de utilização limitada, cuja glosa decorre da falta de averbação à margem da matrícula do imóvel. Pois bem, o artigo 10 da Lei n° 9.393/96 tem a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1°. Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.001557/200418 Acórdão n.º 920201.403 CSRFT2 Fl. 3 5 Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da base de cálculo do ITR. A chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal, atualmente com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, da seguinte forma: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1°. O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2°. A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3°. Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4°. A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5°. O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6°. Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7°. O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8°. A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.001557/200418 Acórdão n.º 920201.403 CSRFT2 Fl. 4 7 § 9°. A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. A necessidade ou não de averbação da referida área no cartório de registro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Este julgador, inclusive, chegou a votar no sentido de que, comprovada a existência da área de reserva legal de alguma forma, inexistia o dever de averbála à margem da matrícula do imóvel. Contudo, após profundos debates, principalmente no âmbito da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção, da qual faço parte, alterei meu posicionamento para, no caso, dar razão à Fazenda Nacional, entendendo que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é, como regra geral, condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado. Atualmente, a infringência a tal mandamento, inclusive, dá ensejo à aplicação de multas pecuniárias, conforme determina o artigo 55 do Decreto n° 6.514/2008 O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental, o que não ocorre no caso em apreço, pois inexiste averbação da área de reserva legal informada na DITR, nem tampouco há compromisso firmado pelo sujeito passivo com órgão do poder público no sentido de preservar respectiva área, adequadamente delimitada (esclareço que, sob minha ótica, esta providência pode suprir, em determinadas situações, não verificadas neste feito, a necessidade de averbação).” No presente caso, ao examinar a documentação trazida aos autos, quais sejam o ADA e a cópia da matrícula do imóvel de fls. 15 e 16, identificase a efetiva constituição e averbação (em 28/09/2001), de uma área de reserva legal de 252ha no imóvel em questão, sendo que tais documentos não foram, em momento algum, impugnados ou questionados pela autoridade fiscal, tendo havido apenas não aceitação da averbação por ter ocorrida após o fato gerador. Essa área de reserva legal foi, inclusive, reconhecida como existente pelo v. acórdão recorrido, in verbis: “Inicialmente, registrese a existência relativamente à propriedade sob exame do Ato Declaratório Ambiental 23/01/00, protocolado junto ao IBAMA, que registra a existência de 252,0 ha. de área de reserva legal (fl. 15), bem assim a sua averbação no registro imobiliário em 28/09/01 (fl. 16), não sendo impugnada a informação contida nesses documentos.” Tenho para mim que com a averbação na matrícula do imóvel das áreas de reserva legal, ainda que posteriormente ao momento eleito como aspecto temporal da hipótese de incidência do ITR, essa área deve ser excluída da base de cálculo do tributo. Referido entendimento decorre do disposto no artigo 10º, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/96, modificado pela Medida Provisória nº 2.16667/2001, segundo o qual basta a declaração do contribuinte quanto à existência de área de exclusão, para fins de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade. No presente caso, tendo havido a contestação da existência dessa área pela autoridade fiscal, a averbação da reserva legal na matrícula (fls. 15/16), mesmo após a ocorrência do fato gerador, faz prova suficiente de sua existência. Destarte, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO Gustavo Lian Haddad Fl. 8DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.001557/200418 Acórdão n.º 920201.403 CSRFT2 Fl. 5 9 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10855.000185/2001-44
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2000
SIMPLES. ATO DECLARATÓRIO. EXCLUSÃO. NULIDADE.
É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. (Súmula CARF nº 22)
Numero da decisão: 9101-001.057
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso do Procurador.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
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ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2000 SIMPLES. ATO DECLARATÓRIO. EXCLUSÃO. NULIDADE. É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. (Súmula CARF nº 22) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso do Procurador. (documento assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Karen Jureidini Dias, Viviane Vidal Wagner, Antônio Carlos Guidoni Filho, Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffman (Vice Presidente). Fl. 279DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 08/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10855.000185/200144 Acórdão n.º 910101.057 CSRFT1 Fl. 264 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 238/241), com fundamento no art. 5º, inciso I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998 contra o Acórdão nº 302 37.978 (fls. 227/233), de 25/08/2006, proferido pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. Por bem descrever a situação fática, transcrevo o relatório do Acórdão DRJ/POR nº 6.232, de 17 de setembro de 2004, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto: “A contribuinte acima qualificada, mediante Ato Declaratório n° 410.418 de emissão do Sr. Delegado da Receita Federal em Sorocaba (il. 41), em 02/10/2000, foi excluída a partir de 01/11/2000 do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) a partir de 01/11/2000, ao qual havia anteriormente optado, na forma da Lei n° 9.317, de 05/12/1996 e alterações posteriores, por pendências da empresa e/ou sócios com a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Insurgindose contra a referida exclusão, a impugnante apresentou Solicitação de Revisão da Vedação/Exclusão à Opção pelo Simples (SRS) junto àquela Delegacia que se manifestou pela improcedência do citado pleito ao argumento de que a contribuinte não apresentou comprovação de regularidade junto à PGFN (fl. 43verso). Inconformada, ingressou a interessada, em tempo hábil, com a impugnação de fls. 01/05, por meio de sua representante legal, Maristela Hess Borzacchini, na qual esclarece a razão das pendências na PGFN. Segundo a contribuinte, no exercício de 1993 foram recolhidos, através de estimativa mensal, o imposto de renda e a contribuição social, e, por ocasião do fechamento do balanço e posterior entrega da declaração de rendimentos, veriflcou se prejuízo o que gerou um crédito da empresa com a Receita Federal de 1.004,31 Ufir e de modo semelhante ocorreu no exercício seguinte um crédito de 1,533,26 Ufir. No ano seguinte, quando da entrega da DIRPJ/1995, bem assim da DCTF, não havia campo nestes documentos que permitissem inserir as compensações efetuadas, mas apenas débitos apurados no exercício. Esta seria a origem dos débitos que deveriam ser compensados e que, no entanto, recebeu em 10/05/1999 os Darf's de cobrança destes débitos, o que culminou o processo de compensação de n° 10855.001223/9973, cuja inicial do pedido de compensação encontrase anexo. Acrescentou a impugnante que, em virtude da demora em analisar o referido processo, os débitos foram para a divida ativa na PGFN, sem decisão sobre o pedido formulado, e, em razão da irregularidade cadastral, não foi possível a emissão de certidão negativa de débitos. Por último, solicitou a suspensão da exclusão do Simples, suspensão dos débitos com a PGFN até que seja julgado o processo de compensação, orientação Fl. 280DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 08/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10855.000185/200144 Acórdão n.º 910101.057 CSRFT1 Fl. 265 3 para um bom andamento da causa e baixa dos débitos na PGFN quando verificada a inexistência dos mesmos. Diante das alegações da contribuinte, este processo foi encaminhado ao órgão de origem (DRF/Sorocaba), por meio do despacho de II. 84, com a solicitação para que se manifestasse sobre as alegações, juntasse cópia da decisão proferida no processo 10855.001223/9973 c intimasse a contribuinte apresentar certidão negativa de débitos ou positiva com efeito de negativa, tendo sido cumpridas as solicitações conforme documentos juntados às fls. 86/114.” Nos termos do acórdão acima referido, o pleito foi indeferido em julgamento de primeira instância, restando a decisão assim ementada: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microen2presas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples. Anocalendário: 2000 Ementa: SIMPLES EXCLUSÃO. DÉBITO EM DIVIDA ATIVA. As pessoas jurídicas que têm débitos inscritos em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que não comprovem estar com a exigibilidade suspensa, estão vedadas de optar pelo Simples. Solicitação Indeferida" Regularmente cientificada da decisão de primeira instância, em 10/11/2004, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário ao então Terceiro Conselho de Contribuintes, mantendo as argumentações apresentadas em sua impugnação e ressaltando que: a) foi demonstrado não haver débitos a serem inscritos na Dívida Ativa da União (em razão de haver créditos compensatórios), e os que figuram no referido Cadastro deveriam estar com sua exigibilidade suspensa, em razão do processo administrativo pendente de análise; b) a própria decisão recorrida reconhece que a empresa possuía os créditos originais; c) a Certidão Negativa de Débitos requerida no Termo de Intimação nº 314/2004 foi apresentada no prazo; d) em momento algum deixou de cumprir os prazos, protocolar sua defesa ou de dar respostas a qualquer tipo de solicitação e/ou intimação; e) que foi constrangida na Justiça, por meio de ação de execução, a pagar, então, duplamente, uma divida indevida, não se observando o direito à compensação dos créditos; f) esteve amparada pelo Código Tributário Nacional, que prevê a suspensão da exigibilidade dos débitos até a decisão da questão, e tal direito não foi observado; e g) não obteve da PGFN a suspensão da exigibilidade de seus débitos nos termos do citado Código, mesmo a PGFN reconhecendo a existência do processo nº 10855.001223/9973. Fl. 281DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 08/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10855.000185/200144 Acórdão n.º 910101.057 CSRFT1 Fl. 266 4 A E. Segunda Câmara do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes acatou as argumentações da defesa e proferiu o Acórdão nº 30337.978, que em decisão não unânime, restou assim ementado: “Assunto Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Anocalendário: 2000 Ementa: EXCLUSÃO POR DÉBITO JUNTO A PGFN. A exclusão do Simples por motivo de débito perante a Fazenda Nacional deve ser subsidiada por prova de que tais débitos estejam inscritos na Divida Ativa, sem suspensão de sua exigibilidade (art. 9º, inciso XV, da Lei n° 9317/96). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” A Fazenda Nacional em seu recurso especial requer a reforma do acórdão recorrido, alegando contrariedade à legislação tributária, com a argumentação de que a interessada não demonstrou a sua regularidade fiscal junto à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, no momento da exclusão do SIMPLES. O Despacho de admissibilidade de fls. 242/244 deu seguimento ao Recurso Especial, tendo o contribuinte apresentado suas contrarrazões às fls. 252/257. É o relatório. Voto Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Em princípio, a questão a ser apreciada por este Colegiado estaria limitada em saber se o contribuinte não mantinha regularidade fiscal perante a Procuradoria da Fazenda Nacional, conforme constou do Ato Declaratório Executivo que o excluiu do sistema SIMPLES de recolhimento dos tributos federais. No entanto, é necessário consignar preambularmente que o presente processo está inquinado de imperfeições, quais sejam: a) o Ato Declaratório de exclusão (fls. 41) consigna que a exclusão se deu pelo seguinte motivo: “Pendências da Empresa e/ou Sócios junto a PGFN” sem, contudo, juntar qualquer informação (relatório, planilha, listagem de sistema, etc.) que permitisse a necessária identificação da natureza dos débitos existentes em nome da Contribuinte ou de seus sócios; Fl. 282DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 08/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10855.000185/200144 Acórdão n.º 910101.057 CSRFT1 Fl. 267 5 b) a Contribuinte vem sustentando desde a fase impugnatória que possui processo com pedido compensação não transitado de forma definitiva. Quanto aos pedidos de compensação (ingressados em 1999 e só apreciados em 2001), a defesa registra que pelo Despacho Decisório nº 477/2001, de 26/06/2001, a autoridade competente reconheceu o direito creditório e determinou o cancelamento dos débitos constantes do Aviso de Cobrança nº 99164335, decisão esta proferida no processo de nº 10855.001223/9973, já arquivado. Verificandose os autos, podese constatar que esta questão só foi apreciada em sua inteireza, por ocasião do julgamento pela Câmara a quo. O voto condutor da decisão de primeira instância é muito breve quanto à apreciação da dívida junto à PGFN e não trata adequadamente as alegadas compensações. Limitouse a acatar a manifestação da autoridade preparadora de que referidos débitos foram quitados em 24/03/2004 e 13/07/2004 e, portanto, uma vez existentes por ocasião da expedição do Ato Declaratório, impediriam a Contribuinte de permanecer no regime. Ademais, conforme consta dos autos e não adequadamente apreciado, relativamente a estes mesmos débitos já estava em curso ação judicial de execução, cujo constrangimento levou a Contribuinte a quitar sua dívida, como única forma de fazer cessar a cobrança dos valores já objeto de compensação. A extinção dos créditos via pagamento não representou a confissão de dívida por parte da Contribuinte, mas tão somente única forma de evitar a expropriação de seus bens. Esse aspecto não foi, sequer, analisado pela autoridade de primeira instância, porém, perfeitamente analisado e considerado pela decisão recorrida. A Fazenda Nacional aduz em seu recurso que a teor do art. 9º, inciso XV, da Lei nº 9.317/96, não pode optar pelo mencionado programa simplificado de tributação a pessoa jurídica que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa. O art. 9º da Lei nº 9.317/96, com a redação dada pela Lei nº 9.779/99, estabelece, verbis: "Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XV que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (...) Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darsea: I por opção. 11 obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9º; (...)” Fl. 283DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 08/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10855.000185/200144 Acórdão n.º 910101.057 CSRFT1 Fl. 268 6 Acrescenta que o Ato Declaratório de Exclusão expressou a situação da contribuinte no momento de sua expedição e, portanto, plenamente válido e legitimo. Em que pesem as razões apresentadas pela Recorrente, com elas não é possível concordar. A simples leitura do dispositivo legal retro permite concluir que, é imprescindível verificar se não há débitos cuja exigibilidade esteja suspensa ou, em homenagem a busca da verdade material, que deveriam estar suspensos. Deve ser reconhecida a nulidade do Ato Declaratório que não indica quais são os débitos justificadores da exclusão da sistemática do SIMPLES ou que, uma existindo débitos em aberto, não verifica a possibilidade dos mesmos estarem com a exigibilidade suspensa, nos termos do Código Tributário. Neste sentido, entendo que não merece qualquer reparo a decisão a quo que concluiu por não reconhecer os efeitos do Ato Declaratório de Exclusão, uma vez que, ao longo do processo, foram consideradas apenas as informações coletadas isoladamente nos sistemas informatizados, em detrimento dos aspectos essenciais da questão. Por fim, devese consignar que o entendimento sumulado por este Tribunal é de que é nulo o Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES que se limite a indicar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem identificar a natureza dos débitos inscritos ou, se os mesmos encontramse com sua exigibilidade suspensa. Neste sentido, é o Enunciado nº 22 da Súmula CARF: “Simples – Ato Declaratório Exclusão É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa.” Neste mesmo entendimento, colacionase decisões já proferidas por esta Câmara Superior de Recursos Fiscais: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2000 SIMPLES. EXCLUSÃO Conforme disposto na Súmula n° 2 do Terceiro Conselho de Contribuintes, "é nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa". Processo nulo ab initio.” (ACÓRDÃO 40306.065, sessão de 08 de setembro de 2008) “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E Fl. 284DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 08/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10855.000185/200144 Acórdão n.º 910101.057 CSRFT1 Fl. 269 7 DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Tendo o contribuinte comprovado a suspensão da exigibilidade dos débitos, não há que se falar em exclusão do Simples, nos termos dos incisos XV e XVI do art. 90 da Lei n° 9.317/96. Recurso Especial do Procurador Negado (ACÓRDÃO 40306.176, sessão de 30 de outubro de 2008) Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso da Fazenda Nacional e, quanto ao mérito, NEGOlhe provimento, nos termos da Súmula CARF nº 22. É como voto. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Relator Fl. 285DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 08/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000054/2008-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Anocalendário:
1998
PIS PRAZO
DECADENCIAL SÚMULA
VINCULANTE STF Nº 08 05
ANOS CONTADOS DA DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO
GERADOR.
Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, decisão
que é objeto de súmula vinculante do STF, cabe a aplicação da regra de
decadência prevista no CTN, qual seja, da ocorrência da decadência após
decorridos 05 anos da data do fato gerador do tributo.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3302-001.187
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Presente ao julgamento o Dr.
Marcelo Cavalcanti de Albuquerque de Freitas e Castro – OAB/RJ 129.036.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1998 PIS PRAZO DECADENCIAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08 05 ANOS CONTADOS DA DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, decisão que é objeto de súmula vinculante do STF, cabe a aplicação da regra de decadência prevista no CTN, qual seja, da ocorrência da decadência após decorridos 05 anos da data do fato gerador do tributo. Recurso de Ofício Negado.
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Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, decisão que é objeto de súmula vinculante do STF, cabe a aplicação da regra de decadência prevista no CTN, qual seja, da ocorrência da decadência após decorridos 05 anos da data do fato gerador do tributo. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Presente ao julgamento o Dr. Marcelo Cavalcanti de Albuquerque de Freitas e Castro – OAB/RJ 129.036. Walber José da Silva Presidente. Fabiola Cassiano Keramidas Relatora. EDITADO EM: 07/10/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas (Relatora), Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 311DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório 1. Tratase de Auto de Infração (fls. 167/174) lavrado para o fim de constituir crédito de PIS, relativo às competências de janeiro a dezembro de 1998, cuja ciência foi dada à contribuinte em 18/01/2008. 2. Segundo consta no Termo de Verificação Fiscal os valores de PIS devidos pela contribuinte no período de janeiro/98 a dezembro/98, teriam sido objeto de compensações nos autos do Processo Administrativo nº 10768.011126/200181. Ainda segundo a autoridade autuante, os créditos utilizados derivam de “indébito” cuja existência foi objeto de Consulta Fiscal apresentada pela contribuinte em 2001. a contribuinte apresentou uma Consulta Fiscal à Receita Federal buscando confirmação sobre seu entendimento a respeito de um indébito tributário a que faria jus, e que seria derivado de pagamentos a maior e/ou indevidos, efetuados em períodos diversos (de 1996 a 1999). 3. A Consulta Fiscal era objeto do Processo Administrativo nº 10768.011094/200113 e a resposta proferida pela Receita Federal, por meio da Solução de Consulta SRRF/7 ª RF/DISIT nº 272, de 29/10/2001, foi no sentido de que tais pagamentos não foram feitos a maior. Ou seja, a contribuinte não tinha direito aos valores que considerava como um “indébito tributário”. 4. De acordo com o entendimento do agente fiscal, antes de exarada a resposta à referida Consulta Fiscal, a contribuinte utilizou os valores que acreditava terem sido recolhidos indevidamente, e os utilizou para quitar, dentre outros débitos, parte do PIS devido nas competências do anocalendário de 1998. 5. Estas compensações foram informadas diretamente nas fichas de apuração do PIS da DIPJ/99 (fls. 35/46). As linhas 15 (de “Compensação/Pagamento indevido ou a maior”), de cada ficha de apuração mensal do PIS, indicaram os valores que foram utilizados, pela Recorrente, para quitar parte do PIS devido naquele mês. O restante do débito mensal de PIS era objeto de pagamento, via DARF. 6. Importa notar, ainda, que nas DCTF’s dos respectivos períodos os valores/débitos que foram objeto da compensação não foram declarados. O PIS declaradamente devido em cada mês, na DCTF, referiase apenas aos valores pagos via DARF. 7. Desta forma, o presente processo referese ao auto de infração, que foi lavrado pela autoridade administrativa para constituição do débito que foi objeto das referidas compensações, mas que não havia sido declarado em DCTF. Segundo entendimento apresentado pela autoridade fiscal no Termo de Verificação Fiscal (fls. 165/166), o lançamento ora sob análise foi efetuado sob o seguinte fundamento, verbis: “Tendo em vista que o crédito tributário referente às parcelas não recolhidas da contribuição para o PIS, sob alegação de compensação, não se encontra constituído, por não ter sido declarado na DCTF, fazse necessário efetuar o lançamento correspondente;” 8. Ou seja, no entender do agente fiscal, porque o contribuinte não declarou nas respectivas DCTF’s os valores de PIS que submeteu à compensação, os mesmos Fl. 312DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 18471.000054/200850 Acórdão n.º 330201.187 S3C3T2 Fl. 2 3 não estariam constituídos, e este foi o objetivo do lançamento – muito embora, além de constituir, o lançamento também estabeleceu a cobrança dos valores, então sob análise no processo de compensação. 9. Cientificada da autuação a contribuinte apresentou sua Impugnação (fls. 179/189), alegando em síntese que: (i) O crédito tributário objeto do auto de infração está extinto, em razão da ocorrência da decadência, pois o lançamento referese a competências de janeiro a dezembro de 1998 e a ciência foi dada ao contribuinte em 18/01/2008, muito tempo depois de transcorridos os 05 anos a que o Fisco tem direito para promover o lançamento de tributos (conforme jurisprudência administrativa e judicial); (ii) Também no mérito não merece prosperar o lançamento, pois a compensação efetuada não utilizou créditos relacionados ao processo de consulta da Recorrente, mencionado no TVF, mas sim de um processo judicial (mandado de segurança nº 88.00251820) em que foi reconhecido seu direito ao indébito tributário de PIS, derivado de pagamentos reconhecidamente indevidos, pois efetuados com base nos DecretosLei nº 2.445/88 e 2.449/88 – ou seja, a interpretação dos fatos, realizada pela autoridade fiscal para promover o lançamento, foi equivocada, pois considerou processo de compensação que não se refere aos créditos lançados no auto de infração objeto dos autos, mas sim a outra compensação; (iii) Referidos créditos, por sua vez, foram reconhecidos administrativamente em outro processo de compensação (processo nº 10768.017546/2000 09), bem como a respectiva atualização monetária segue o que foi determinado nos autos da ação declaratória nº 2002.61.00.0227284. O crédito foi reconhecido naqueles autos e a compensação foi homologada, o que, portanto, extingue – também por esta razão – o crédito tributário ora lançado e cobrado; (iv) Finalmente, alega que ainda que todos seus argumentos sejam superados deve ser afastada a aplicação da penalidade, pois o tributo foi devidamente declarado em DIPJ e recolhida aos cofres públicos. 10. Diante da confusão entre os processos de compensação mencionados pelo agente fiscal no TVF e aquele referido pela contribuinte em sua Impugnação – como sendo o processo de compensação que quitou o débito de PIS objeto dos autos – a Delegacia de Julgamento determinou a baixa dos autos para diligência, visando esclarecer esta questão (fls. 264/265). A dúvida que se pretendeu sanar foi apresentada pela Delegacia nos seguintes termos, verbis: “Sendo assim, fazse também necessário que, na diligência a ser realizada, seja verificado se o crédito que o contribuinte alega possuir, para fins da compensação dos débitos do PIS dos PA 01/98 a 12/98 (cf. planilhas de fls. 148/150), já se encontra, porventura, sendo compensado naquele processo n° Fl. 313DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 10768.017546/0009 ou, eventualmente, em outros processos administrativos de compensação.” 11. A diligência permitiu a juntada aos autos documentação (fls. 266/274) que comprova que nos autos do processo de compensação nº 10768.017546/0009 – referido pela contribuinte em sua Impugnação, decidiuse que o direito creditório da contribuinte, oriundo do processo judicial nº 88.00251820/RJ, era suficiente para a compensação, dentre outras, dos débitos do PIS do período de janeiro a dezembro de 1998. O termo de encerramento da diligência (fls. 274) conclui que, diante da documentação em questão, deixou de existir motivo para o auto de infração objeto destes autos, verbis: “Assim sendo, e tendo em vista o parecer DIMCO DERATRJO N 2 07, anexado ao presente despacho, que reconhece o direito creditório outrora denegado e propõe a homologação das compensações com o próprio PIS, no período de maio de 1997 a setembro de 2000, entendo, salvo melhor juízo, que deixa de existir o motivo de existência da autuação. Assim sendo, e tendo em vista o parecer DIMCO DERATRJO N 2 07, anexado ao presente despacho, que reconhece o direito creditório outrora denegado e propõe a homologação das compensações com o próprio PIS, no período de maio de 1997 a setembro de 2000, entendo, salvo melhor juízo, que deixa de existir o motivo de existência da autuação.” (destaquei) 12. Ou seja, o processo administrativo de compensação citado pelo agente fiscal em seu TVF, não se referia aos valores objeto do lançamento sob análise. Destes valores tratava um outro processo de compensação, com créditos de outra origem (indébito derivado dos Decretos Lei nº 2.445/88 e 2.449/88), e não aqueles que foram objeto da Consulta Fiscal, como equivocadamente havia interpretado o agente fiscal autuante. 13. A DRJ ao analisar a impugnação (fls. 278/281) reconheceu a decadência do tributo objeto do auto de infração, conforme Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, e cancelou o lançamento, exonerando o crédito tributário. A decisão restou assim ementada: “SÚMULA VINCULANTE. EFEITOS SOBRE A ADMINISTRAÇÃO DIRETA. A súmula vinculante editada pelo STF obriga a Administração Direta à adoção do entendimento nela fixado, a partir de sua publicação no órgão de imprensa oficial. PIS/Pasep. DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91 por meio de súmula vinculante, cabe a aplicação da rega de decadência prevista no CTN. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado.” 14. A DRJ recorreu de ofício, nos termos do que determina o artigo 34 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 314DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 18471.000054/200850 Acórdão n.º 330201.187 S3C3T2 Fl. 3 5 15. Vieramme, então, os autos para decidir. 16. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora Tratase de Recurso de Ofício, que atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Importa destacar que neste processo administrativo discutese, exclusivamente, a procedência do auto de infração lavrado pela fiscalização para constituição de crédito tributário de PIS, relativo aos meses de janeiro a dezembro de 1998. A compensação efetuada para quitação do referido débito, sua legalidade e a adequação do procedimento, bem como a existência ou não de crédito suficiente para extinção do crédito tributário foi objeto de outro processo administrativo. Não obstante, há nestes autos um Termo de Encerramento de Diligência (fls. 274), no qual se reconhece que a compensação efetuada foi homologada e, por conseguinte, não haveria razão para manutenção do lançamento ora sob análise – que foi efetuado apenas para constituir o crédito tributário que foi objeto da compensação em tela. Entendo, contudo, que é desnecessário adentrar ao mérito da manutenção ou não do crédito tributário ora sob análise, pois me parece que a controvérsia pode (e deve) ser sanada pela simples análise da questão preliminar da decadência. Claro está que o auto de infração em referência pretende constituir, e exigir, crédito tributário de PIS referente aos fatos geradores de janeiro a dezembro de 1998. Entretanto, sua ciência foi dada à contribuinte em 18/01/2008. Independente de qualquer outro assunto que esteja sendo tratado no presente processo é indiscutível que o auto de infração não pode subsistir, pois o crédito tributário já se encontrava extinto pela decadência (art. 156, V do CTN), na data em que o lançamento sob análise foi efetuado pela autoridade fiscal. É de conhecimento geral que o Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao analisar os Recursos Extraordinários nº 556.664, 559.882 e 559.943, declarou e reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, o que culminou na edição da Súmula vinculante nº 8, in verbis: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” A simples edição da citada súmula já é suficiente para o cancelamento total do presente auto de infração. Não apenas em razão de ser uma orientação vinculante, mas em virtude de reconhecer a total inconstitucionalidade do dispositivo legal que pretendia majorar em mais cinco anos o prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir tributos. Fl. 315DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Desta forma, não há meios de se manter a exigência, uma vez que o fato gerador ocorreu antes de 05 anos da lavratura do auto de infração. É de se reconhecer a extinção do tributo, por ocorrência da decadência, e determinar a manutenção do cancelamento integral do lançamento. Desta forma, por todo o exposto, julgo IMPROCEDENTE o Recurso de Ofício e mantenho a decisão da DRJ, de cancelamento integral do lançamento. FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 316DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 35301.002669/2007-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NECESSÁRIA VINCULAÇÃO A DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO.
No presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicilio tributário do contribuinte.
As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.434
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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CSRF-T2 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 35301.002669/2007-19 Recurso n° 249.256 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-01.434 — 2 Turma Sessão de 12 de abril de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MI MONTREAL INFORMÁTICA LTDA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NECESSÁRIA VINCULAÇÃO A DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. No presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicilio tributário do contribuinte. As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalencia sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. EDITADO EM: 26/04/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire (Presidente-Substituto), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo (Conselheiro Convocado). 1 Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n° 205- 00.659, proferido pela antiga Quinta Camara do 2° CC em 03/06/2008 (fls. 822/831), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de contrariedade a. Camara Superior de Recursos Fiscais (fls. 836/853), nos termos do art. 7 0, inciso I c/c art. 15, ambos do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007. O acórdão recorrido, por maioria de votos, acatou a preliminar de domicilio tributário para anulação do lançamento. Segue abaixo sua ementa: DOMICILIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. Prevalece o direito à eleição do domicilio tributário que somente pode ser recusado nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal no domicilio eleito. Processo Anulado." A recorrente afirma que o acórdão proferido merece ser reformado, pois contraria a legislação tributária de regência da matéria, precisamente, o art. 127, §2° do CTN; arts. 9°, §2°, 11, 59, 60 e 61, todos do Decreto n° 70.235/72; e, ainda, arts. 2°, IX e 22, da Lei n° 9.784/99. No seu entender contraria também a prova dos autos, no ponto em que interpreta equivocadamente a decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 2a Região. Explica que não há fundamento jurídico que respalde a decretação de nulidade do auto de infração sob a argumentação de que a autoridade fiscal não demonstrou os motivos que ensejaram a recusa do domicilio fiscal eleito pelo sujeito passivo, ou ainda, que a decisão final do TRF determina a anulação dos autos praticados pela fiscalização no domicilio escolhido para realização dos trabalhos fiscais. Entende que a decisão recorrida, ao anular o presente procedimento fiscal diante de decisão do TRF que declarou que o domicilio fiscal da pessoa jurídica era aquele constante da alteração do contrato social, partiu de premissa equivocada, pois atribuiu ao acórdão em comento um efeito constitutivo de anulação que ele não tem. Desse modo, violou o • teor da decisão judicial, prova coligida nos autos. Em seguida, aduz que, se foram confirmadas as razões para a desconsideração do domicilio eleito pela contribuinte, ao anular a autuação a decisão atacada afronta o art. 127, §2° do CTN. Pondera que, A. luz do regramento legal pertinente, não subsiste motivo para a anulação da autuação, afinal os procedimentos de fiscalização são válidos mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicilio tributário do sujeito passivo. In casu, o auto de infração foi lavrado por servidor competente, muito embora este não fosse lotado no suposto domicilio fiscal da contribuinte. Nesse contexto, o acórdão recorrido viola o art. 9°, §2° do PAF. Alega que, da leitura detida do auto de infração, bem como do Relatório Fiscal e demais termos que acompanham o procedimento fiscal, conclui-se que tudo está em plena confoi midade com o que estabelece os arts. 10, 11, 59, 60 e 61 do Decreto n°70235/72 e a Lei n°8212/91. Processo n° 35301.002669/2007-19 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-01.434 Fl. 2 Em sua opinião, a descrição pormenorizada dos fatos e dos fundamentos legais que sustentam a autuação estão precisamente explicitados nos termos do procedimento fiscal. Assim, todos os elementos essenciais ao ato praticado estão presentes, não restando evidenciada situação de prejuízo ao direito de defesa a ensejar a decretação de nulidade do processo. Sustenta que o contribuinte em momento algum demonstrou de forma concreta e efetiva o prejuízo advindo da desconsideração do domicilio tributário. Na verdade, teria demonstrado ter pleno conhecimento da origem da autuação, tanto que rebate de forma bem minuciosa o débito. Cita jurisprudência da CSRF segundo a qual, se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito, mostra-se incabível a declaração de nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas. Ao final, requer seja dado provimento ao recurso. Nos termos da Informação e Decisão de fls. 855/861, negou-se seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. As fls. 865/871, a PGFN interpôs agravo em face da Decisão acima descrita. Nos termos do Despacho n° 2401-132/2009 (fls. 873/875), que reexaminou a admissibilidade do recurso interposto, deu-se seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. 0 contribuinte ofereceu contra-razões às fls. 881/911. Inicialmente afirma que, nos termos do art. 70, §3° do Regimento Interno, o Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional não deve ser admitido, uma vez que o acórdão recorrido apreciou matéria preliminar de nulidade do lançamento, decidindo por anular a decisão de primeira instância, bem como todo o procedimento fiscal. Não deve ser admitido também porque as provas dos autos comprovam a nulidade de todo o procedimento fiscal, viciado desde sua origem. Entende que a legislação tributária estabelece que a recusa ao domicilio deve ser justificada, o que não ocorreu no presente caso. Ressalta que o domicilio da empresa, desde 1995, é sua sede em Rio das Flores. A declaração judicial citada pela recorrente, que confirma tal fato, produz reflexos em relação a uma fiscalização levada a efeito em local diverso do declarado. Explica que se a Fiscalização, embora ciente do local correto a fiscalizar, optou por efetivar o ato fiscal fora do domicilio da empresa e, se ela, empresa, não está obrigada a apresentá-los em local diverso do seu centralizador, não há como se aplicar a aferição indireta. Eis o vicio da fiscalização, em sua opinião. Ressalta que não foi demonstrado qualquer empecilho para a ocorrência fiscal, tanto assim que outros Órgãos Municipais, Estaduais e Federais procedem nonplmentc 3 às suas fiscalizações. A empresa apontou o equivoco dos fiscais e indicou o endereço correto para a diligência fiscal, informação desprezada pelo Fisco. Assim, não se justifica a recusa do domicilio fiscal da recorrida. Pondera que o cerceamento de defesa se deu pela ausência de acompanhamento da ação fiscal por técnico habilitado, com a prestação de informações e apresentação de documentos necessários a conferencia da regularidade fiscal da empresa. Ao final, requer que não seja admitido o Recurso Especial interposto pela Unido e, caso assim não entenda, que seja negado provimento ao mesmo, mantendo-se a decisão que anulou o lançamento em tela. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Saliente-se que, não obstante o aludido recurso não encontrar previsão no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Portaria Ministerial MF no. 256, de 22 de junho de 2009, em suas disposições transitórias, prevê que os recursos com base no inciso I do art. 7° e do art. 9° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior A. 1° de julho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Por seu turno o inciso I do art. 7° do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade a lei. 0 recurso é tempestivo e examinando-se o recurso especial apresentado verifica-se que ele demonstrou, fundamentadamente, em que a decisão recorrida seria contrária lei, no-entendimento da Fazenda Nacional, consoante o disposto no inciso I do artigo 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Para melhor elucidação da controvérsia, transcrevo trecho do relato contido no Acórdão da Apelação Cível n.° 2003.51.01.022430-0 da Sétima Turma do Tribunal Regional Federal da 2 Região, de relatoria do desembargador Sergio Schwaitzer: Trata-se de recurso de apelaçdo interposto por MI MONTREAL INORMÁTICA LTDA em ataque a sentença proferida pelo MM Juizo da 19a Vara Federal desta Cidade, nos autos de ação sob procedimento ordinário movida pela ora Apelante em face do INSS. A espécie foi sumariada pelo ilustre sentenciante nos seguintes termos: "MI. MONTREAL INFORMATICA LTDA, qualificada na inicial, ajuiza a presente ação em face do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, objetivando a declaração de Processo n°35301.002669/2007-19 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-01.434 Fl. 3 que o domicilio fiscal da autora é o local de sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares, n° 4 — Rio da Flores — RI Postula, ainda, seja determinado que seus requerimentos sejam recebidos e processados pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização de Volta Redonda, ao qual o Município de Rio das Flores está vinculado, e, ainda, que todos os atos administrativos praticados pelo réu sejam provenientes da referida Gerência Regional de Volta Redonda. Como causa de pedir, alega que tem sua sede fixada na Rua Capitão Soares, no 4, no Município de Rio das Flores, conforme consta de seu Contrato Social, que foi devidamente registrado. Portanto, este é o seu domicilio fiscal, nos exatos termos do disposto no art. 127, do Código Tributário Nacional, e está ele submetido à fiscalização pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização de Volta Redonda. Entretanto, o Réu insiste em fiscalizá - la na sua filial, situada na Rua Sao José, n° 90, no Centro do Rio de Janeiro. Sustenta a ilegalidade da atuação do réu, que discricionariamente, elegeu filial para efetuar fiscalização impedindo-lhe de realizar seus atos administrativos na Gerência Regional de Volta Redonda, obstando, inclusive, o protocolo dos requerimentos de certid5es. Dai o pedido. (.) Ademais, há de se salientar que transitou em julgado a seguinte decisão judicial: "dou provimento ao recurso para, reformando a sentença, julgar procedente o pedido e declarar como domicilio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares no 04, Centro, Município de Rio das Flores — RJ.", assim ementada: "ADMINISTRATIVO — ALTERAÇÃO DE SEDE - DOMICILIO TRIBUTAIO — RECUSA PELA ADMINISTRAÇÃO - ART. 127, § 2°, DO CTN. I — Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verifica-se que, a princípio, a eleição de domicilio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado, tern-se como domicilio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. II— A autonomia que a pessoa jurídica possui para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede, não se confunde com o exercício da faculdade de eleição do seu domicilio tributário. 0 § 2° do art. 127 do CTN permite que a autoridade administrativo recuse domicilio fiscal apenas quando este tenha sido fixado por eleição, e não em virtude de mudança de sede promovida por conta de alteração de contrato social da empresa. III — Recurso provido." Como se vê, no presente caso há decisão judicial com transito em julgado que define o domicilio tributário do contribuinte. 5 As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas. Portanto, o tratamento a ser conferido na esfera administrativa ha de se vincular ao conteúdo da decisão judicial transitada em julgado cuja conseqüência é sua imperatividade e imutabilidade da resposta jurisdicional. Acerca do tema, assim nos ensina o eminente jurista Luiz Fux em sua obra "Curso de Direito Processual Civil", Ed. Forense, 2001, p. 694/695, da qual se extrai o seguinte excerto: "A imutabilidade da decisão é fator de equilíbrio social na medida ern que os contendores obtêm a última e decisiva palavra do Judiciário acerca do conflito intersubjetivo e a sua imperatividade da decisão completa o ciclo necessário de atributos que permitem ao juiz conjurar a controvérsia pela necessária obediência ao que foi decidido." A decisão judicial faz lei entre as partes, a ser aplicada ao caso concreto, não cabendo a este Colegiado dar-lhe outro entendimento diferente daquele expresso, sob pena de desobediência à determinação judicial. Neste sentido: "PREVIDENCIÁ RIO — CUSTEIO — NFLD — DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL - DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. Havendo decisão judicial que determina o domicilio tributário do contribuinte, deve ser esse o domicilio a ser considerado pela autoridade fiscal, salvo se comprovado obstrução ou justificativa para desconsiderá-lo, desde que devidamente justificado. A simples alegação de confronto das informações de GFIP com a verificação fisica não é suficiente para desconsiderar domicilio determinado pela justiça, se não comprovada obstrução. Processo Anulado" (Acórdão CARF n° 2401-01.604, Relatora: conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira) Pelo e p. to, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Elias S ampaio Freire 6
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Numero do processo: 10320.002218/2005-52
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/10/2000 a 30/06/2004
CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA. COMBUSTÍVEIS.
As aquisições de combustíveis e energia elétrica estão excluídas do cálculo
do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, uma vez que tal insumo não é
considerado produto intermediário à luz da legislação do IPI. Súmula CARF
nº 19.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N° 9.363/1996. BASE DECÁLCULO.
AÇÃO DIRETA SOBRE O PRODUTO.
Geram o direito ao crédito, além dos bens que se integram ao produto final
(matériasprimas
e produtos intermediários, "stricto senso", e material de
embalagem), apenas aqueles que sofram alterações, tais como o desgaste, o
dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação
diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou, viceversa,
proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização,
desde que não devam ser incluídos no ativo permanente.
Numero da decisão: 3403-001.250
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA
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ENERGIA ELÉTRICA. COMBUSTÍVEIS. As aquisições de combustíveis e energia elétrica estão excluídas do cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, uma vez que tal insumo não é considerado produto intermediário à luz da legislação do IPI. Súmula CARF nº 19. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N° 9.363/1996. BASE DE CÁLCULO. AÇÃO DIRETA SOBRE O PRODUTO. Geram o direito ao crédito, além dos bens que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, "stricto senso", e material de embalagem), apenas aqueles que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou, viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam ser incluídos no ativo permanente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente. Liduína Maria Alves Macambira Relatora. Fl. 1314DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel. Ausente o Conselheiro Domingos de Sá Filho. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo relatório da decisão recorrida, fls. 1271/:1272: Trata o presente processo de Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento de crédito presumido de IPI, no montante de R$284.848,71, referente ao período que vai do 4º Trimestre de 2000 ao 2º Trimestre de 2004. A unidade de origem, em procedimento fiscal tendente à verificação da exatidão do crédito apurado pela contribuinte, concluiu (Relatório Fiscal de fls. 1132/1136): "Foi verificado no Receitanet que o contribuinte (...) não optou por apurar os créditos aqui analisados nos moldes da Lei n° 10.276/2001, originária da conversão da MP n° 2.2021/2001, permanecendo a apuração segundo os ditames da Lei nº9.363/96. Como conseqüência da opção acima descrita, o contribuinte deixa de receber créditos incidentes sobre: •Energia Elétrica e combustíveis utilizados no processo industrial; e • Prestação de Serviços decorrentes de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja contribuinte do IPI. Considerando que o contribuinte apura seus resultados pelo Lucro Real, está obrigado a apurar o PIS (a partir de 01.12.2002) e a COFINS (a partir de 01.02.2004) de forma não cumulativa, passa a não ter direito sobre o crédito aqui pleiteado, conforme condições estabelecidas pelo art. 14 da Lei n° 10.833/2003, regulamentado pelo art. 32 da IN SRF n° 313/2003 (...). (...) anexamos às fls. 1107/1116, planilhas onde detalhamos os insumos sobre os quais não concedemos créditos, por tratarse de insumos importados ou não se enquadrarem nos termos do Parecer CST n° 65/79, ou seja que não se incorporam aos produtos fabricados nem são consumidos no processo de industrialização através de contato físico com os produtos fabricados. " Tomando em conta o referido relatório fiscal, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Luís expediu o despacho decisório de fls. 1247/1253 reconhecendo parcialmente o pedido de ressarcimento, na importância de R$ 89.949,38. Fl. 1315DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10320.002218/200552 Acórdão n.º 3403001.250 S3C4T3 Fl. 1.315 3 Cientificada em 22/09/2009 (fl. 1254). a contribuinte apresentou, em 15/10/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 1256/1265, da qual consta: a) Consoante explícito no despacho decisório atacado, foi negado à requerente o direito ao crédito presumido do IPI sobre energia elétrica e combustíveis consumidos em seu processo de industrialização. Analisado o memorial de cálculo confeccionado pela fiscalização, o qual embasou a edição do ato impugnado, percebese que também foram excluídos da base de cálculo do benefício em lide produtos intermediários e peças de reposição do maquinário da requerente que se desgastam fisicamente no decorrer do processo produtivo, como rolamentos, correias, molas etc. b) O entendimento da fiscalização, entretanto, não se sustenta diante da análise da própria Lei n° 9.363/96, que estabeleceu o benefício fiscal com o expresso objetivo de ressarcir os produtores/exportadores dos custos decorrentes da incidência do PIS e da Cofins sobre matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. c) Importante consignar que as atuais normativas que balizam a cobrança do PIS e da Cofins, às quais se sujeita a requerente, expressamente admitem a possibilidade de creditamento das referidas contribuições incidentes sobre a aquisição de combustíveis, lubrificantes e energia elétrica, utilizados pelo contribuinte em sua produção. Desta forma, como a apuração do crédito presumido do IPI obedecerá às normas que regem a incidência do PIS e da Cofins e estas, atualmente, inserem combustíveis e energia elétrica no rol dos insumos que geram o crédito nãocumulativo, não.há sentido em se interpretar diferentemente a Lei n° 9.363/96, diante da referida evolução legislativa. d) Enquanto os materiais de uso e consumo são designados ou destinados à utilização que não está jungida diretamente ao processo produtivo, os insumos prestamse justamente à fruição e absorção ainda que parcial na industrialização. A requerente, neste ponto, entende que os produtos cujo crédito foi glosado enquadramse no conceito de insumos, uma vez que utilizados diretamente no processo industrial. Assim, os produtos intermediários sofrem desgaste no processo de produção ou prestação de serviços. Refere doutrina. : e) Inferese, pois, que a energia elétrica, combustíveis, lubrificantes e demais produtos intermediários glosados inserem se no conceito de insumo previsto na Lei n° 9.363/96, manifestandose, em conseqüência, ilícita a restrição ao direito creditório. Cita julgados administrativos e jurisprudência. Em face de tais alegações, requer a reforma do despacho decisório proferido pela unidade de origem "na parte em que procedeu à glosa da energia elétrica, dos combustíveis, lubrificantes e peças de reposição utilizadas na fabricação do produto exportado". Fl. 1316DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 4 A 3ª Turma da DRJ/BEL, mediante Acórdão nº 0116.100, de 26 de janeiro de 2010, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A decisão foi assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2000 a 30/06/2004 DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 30/06/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N° 9.363/1996. BASE DE CÁLCULO. AÇÃO DIRETA SOBRE O PRODUTO. Geram o direito ao crédito, além dos bens que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, "stricto senso", e material de embalagem), apenas aqueles que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou, viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam ser incluídos no ativo permanente. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N° 10.276/2001. BASE DE CÁLCULO. ENERGIA ELÉTRICA. A Lei n° 10.276, de 2001, introduziu, alternativamente ao disposto na Lei n° 9.363, de 1996, permissivo para que a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias viesse a calcular o valor do crédito presumido do IPI utilizandose de base de cálculo formada pela soma não só dos custos com aquisição de matérias primas, produtos intermediários e matérias de embalagem, mas também dos gastos com energia elétrica e combustíveis, observados requisitos específicos. Cientificada da decisão recorrida em 14/04/2010, fls. 1278, a recorrente interpôs recurso voluntário em 20/04/2010, fls. 1279/1290, repisando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Pede a reforma da decisão recorrida É o relatório. Fl. 1317DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10320.002218/200552 Acórdão n.º 3403001.250 S3C4T3 Fl. 1.316 5 Voto Conselheira Liduína Maria Alves Macambira, Relatora O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991,cabe registrar que adoto o entendimento esposado pela autoridade julgadora a quo sobre os efeitos da decisões judiciais e administrativas sobre o caso em exame. No tocante ao direito creditório, a decisão recorrida dividiuse em duas etapas: matéria não impugnada e glosa de lubrificantes, peças de reposição e demais produtos. No que diz respeito a parte da matéria não impugnada, permanece o entendimento esposado na decisão recorrida. Não merecendo qualquer reparo. Assim, como já relatado, versa o presente processo de ressarcimento de IPI de crédito presumido. Passase a analisar o direito de a recorrente apurar o crédito presumido de IPI sobre as aquisições de energia elétrica, dos combustíveis, lubrificantes e peças de reposição utilizadas na fabricação do produto exportado. Sobre o direito a crédito presumido aplicase os dispositivos legais transcritos a seguir: Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, verbis: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 1318DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 6 para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. (...) Combustíveis e Energia Elétrica No tocante às aquisições de combustíveis e de energia elétrica, incide a Súmula CARF nº 19, na consolidação efetuada por meio da Portaria CARF nº 106, de 21 de dezembro de 2009, in verbis: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Tratandose de matéria sumulada, deve ser aplicado obrigatoriamente o entendimento consolidado no âmbito administrativo, em razão de disposição regimental. Assim, mantémse a exclusão das aquisições desses insumos uma vez que não são considerados produtos intermediários à luz da legislação do IPI. Esse é o entendimento a ser adotado, em razão de não ter a recorrente feita a opção pelo cálculo facultado pela Lei nº 10.276, de 2001. Lubrificantes e peças de reposição e demais Produtos Transcrevo trecho do voto condutor da decisão recorrida que bem demonstrou que, para efeito de apuração de crédito presumido, a legislação que trata sobre matéria específica quais insumos podem ser incluídos na base de cálculo: Alega a interessada que a totalidade dos insumos que adquire prestase à fruição e absorção ainda que parcial na industrialização, bem como que os produtos intermediários sofrem desgaste no processo de produção, motivo pelo qual devem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido. No que concerne ao tema, impende consignar que a legislação que rege a matéria, para o efeito de cálculo do crédito presumido, não se refere a insumos genericamente utilizados na produção, mas especificamente á matériaprima, ao produto intermediário e ao material de embalagem (os quais são também insumos). Logo, para que a aquisição de tais produtos gere o direito ao crédito presumido, estes terão que se enquadrar em algum daqueles insumos citados. (...) A propósito, o Parecer Normativo CST n° 65/1979 esclarece que, dos insumos consumidos ou utilizados na produção, nem todos são matériasprimas ou produtos intermediários, de acordo com a legislação do IPI. Ainda, para que se possa admitir o crédito em questão, não basta que tenha havido incidência do PIS/PASEP e da Cofins sobre os insumos adquiridos pelo contribuinte: haverá que restar demonstrado que esses insumos integraram o produto final ou foram consumidos ou se desgastaram em contato físico direto com estes mesmos produtos. Fl. 1319DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10320.002218/200552 Acórdão n.º 3403001.250 S3C4T3 Fl. 1.317 7 Em face destas premissas, constatase, no caso concreto, a exatidão da glosa que alcançou peças de reposição (que em face de suas funções dizem respeito a partes, peças ou engrenagens mecânicas de máquinas que se encontram incorporados à instalação industrial) e lubrificantes (que correspondem a bens empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos), para os quais se faz irrelevante que se desgastem ou se consumam no processo fabril, conforme já elucidado acima. Como se vê, não há previsão legal para a inclusão na base de cálculo do crédito presumido dos valores correspondentes às aquisições de peças de reposição e lubrificantes. Correto o entendimento da autoridade julgadora de primeira de instância em acompanhar o procedimento de apuração da unidade preparadora. Considerando o trecho do voto da decisão recorrida, o exame dos autos e a legislação sobre a matéria sub examine, vêse que não podem ser acolhidos os argumentos da recorrente. Sendo assim, minha compreensão sobre esse item é o mesmo da decisão recorrida, portanto, não cabe ser reformada. Quantos aos “outros produtos” deveria a recorrente ter carreado aos autos as provas dos fatos que alega. É assim porque, em primeiro lugar, o ônus de provar fato constitutivo do direito creditório incumbe ao contribuinte que alega ter. O ônus da prova em nosso ordenamento jurídico é regulado pelo art. 333, I, do Código de Processo Civil. Em segundo lugar, o momento apropriado para se desincumbir de tal ônus é quando da interposição da manifestação de inconformidade, arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Trago à colação ensinamento do doutrinador Humberto Teodoro Júnior, apresentado em julgado anterior sobre a comprovação dos fatos alegados como condicionante de sua existência: Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 2 Não tendo a recorrente comprovado o direito alegado, assim deve prevalecer a decisão adotada pela autoridade julgadora a quo. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Liduína Maria Alves Macambira 2 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 1320DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 8 Fl. 1321DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA
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Numero do processo: 10120.000572/99-07
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1998
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE. NÃO DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. ACÓRDÃOS PARADIGMAS QUE NÃO APRESENTAM IDENTIDADE FÁTICA COM A HIPÓTESE DOS AUTOS.
Não deve ser conhecido o recurso especial do contribuinte se, para a comprovação da divergência jurisprudencial alegada, o recorrente apresenta julgados que não apresentam similitude fática com o caso a ser analisado.
EFEIROS INFRINGENTES. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
O deferimento dos embargos de declaração, pode ter, em alguns casos, efeitos infringentes, no sentido de determinar a modificação do julgamento anteriormente realizado (Acórdão CSRF/0104.539).
Ao ocorrer a contradição entre a razão de decidir e os fatos constantes do processo, devem ser acolhidos os Embargos de Declaração e devem ser dados os efeitos infringentes.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.818
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer
parcialmente do recurso. Vencido o Conselheiro Elias Sampaio Freire que não conhecia e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Junior
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NÃO DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. ACÓRDÃOS PARADIGMAS QUE NÃO APRESENTAM IDENTIDADE FÁTICA COM A HIPÓTESE DOS AUTOS. Não deve ser conhecido o recurso especial do contribuinte se, para a comprovação da divergência jurisprudencial alegada, o recorrente apresenta julgados que não apresentam similitude fática com o caso a ser analisado. EFEIROS INFRINGENTES. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. O deferimento dos embargos de declaração, pode ter, em alguns casos, efeitos infringentes, no sentido de determinar a modificação do julgamento anteriormente realizado (Acórdão CSRF/0104.539). Ao ocorrer a contradição entre a razão de decidir e os fatos constantes do processo, devem ser acolhidos os Embargos de Declaração e devem ser dados os efeitos infringentes. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso. Vencido o Conselheiro Elias Sampaio Freire que não conhecia e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM: 31/10/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em 26 de janeiro de 2006, a então Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em análise de Embargos da Fazenda Nacional, proferiu acórdão n° 10421.323 [fls.372 – 400], que, por unanimidade de votos, acolheu os Embargos de Declaração para esclarecer as contradições verificadas no acórdão nº10416.594[fls.331 – 345]. No mérito dos embargos, pelo voto de qualidade, retificou a decisão do citado acórdão para rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso do Contribuinte. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Verificada a existência de omissão, dúvida ou contradição no julgado é de se acolher os Embargos de Declaração apresentados pela Fazenda Nacional. INSTRUMENTO PARTICULAR DE CESSÃO DE DIREITOS SOBRE IMÓVEIS CONTRATO PARTICULAR A assinatura de contrato particular de cessão de direitos sobre bens imóveis, dados em pagamento por serviços prestados, é suficiente para que se considere ocorrido o fato gerador do imposto de renda sobre os rendimentos auferidos. INCONSTITUCIONALIDADE — ILEGALIDADE PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo legislativo gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade, até decisão em contrário do Poder Judiciário. HONORÁRIOS ADVOCATICIOS RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS EM BENS/CESSÃO DE DIREITOS MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO Os rendimentos recebidos de pessoas físicas, em contraprestação de serviços sem vinculo empregatício, quando representados por bens imóveis, serão tributados no ano do respectivo recebimento pelo valor que tiverem na data de sua percepção. Para fins tributários a Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10120.000572/9907 Acórdão n.º 920201.818 CSRFT2 Fl. 2 3 data da assinatura do Instrumento Particular de Cessão de Direitos com Promessa de Escritura, formalizado em caráter irrevogável e irretratável, é hábil para caracterizar a data da percepção do rendimento, pois é este momento que caracteriza que o beneficiário de fato tem o dever de disponibilizar estes bens em seu patrimônio. ESPÓLIO APURAÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS – SUCESSOR A QUALQUER TITULO E O CÔNJUGE MEEIRO – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA O sucessor a qualquer titulo e o cônjuge meeiro são responsáveis pelos tributos devidos pelo de cuias até a data da partilha, limitada a responsabilidade ao montante do quinhão ou da meação. Cabível, nestes casos, tão:somente o acréscimo dos juros de mora. MEIOS DE PROVA A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva, com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador (CPC, art. 131 e 332 e Decreto n2. 70.235, de 1972, art. 29). Embargos acolhidos. Decisão retificada. Preliminares rejeitadas. Recurso negado. Contra a decisão dos Embargos da Fazenda Nacional, o Contribuinte interpôs também Embargos de Declaração que teve sua análise e negativa, exaradas pelo Despacho nº104276/2007 [fls. 428 – 443]. Ciente do não provimento do seu Embargos de Declaração, o Contribuinte protocolizou Recurso Especial [fls.459 – 476] com fulcro no art. 7º, II, do Regimento Interno à época. Argumenta o Recorrente que: (i) os Embargos da Fazenda Nacional contra o acórdão nº10416.594 é inadmissível, uma vez que a única hipótese onde os embargos poderão ter efeitos modificativos, são aquelas em que restar demonstrado erro material, porém, segundo o Contribuinte, ocorre que no recurso da Fazenda Nacional sequer se cogitou erro material. (ii) a Contribuinte alega também que o Contrato utilizado pelo Fisco para incidência tributária não é valido, já que o mesmo não preenche os requisitos previstos no art. 135 do Código Civil. Para demonstrar a divergência jurisprudencial do caso, a Contribuinte apresenta como paradigmas os seguintes acordãos: Divergência (a) admissibilidade de embargos de declaração com natureza infringente [Acórdão nº20209.854] Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 NORMAS PROCESSUAIS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO I Os embargos de declaração serão opostos, por qualquer urna das pessoas previstas em lei, dentro de 5 dias contados da ciência do acórdão e não há oportunidade de resposta à parte contraria (art. 24, RISCC).II Os EDcl não se prestam a responder questionário ou consulta formulados por parte (STJ, l' T., EDcL 11.8470AM, rel. Min. Milton Luiz Pereira, v. 6 12.1993, DJU 21.2.1994, p. 2118). III – Inexistindo na decisão embargada omissão a ser suprida nem dúvida, obscuridade ou contradição a serem aclaradas, rejeitamse os embargos de declaração. Afiguramse manifestadamente incabíveis os embargos de declaração à modificação da substância do julgado embargado. Admissão, excepcionalmente, a infringência do decisum quando se tratar de equivoco material e o ordenamento jurídico não contemplar outro recurso para a correção do erro fático perpetrado, o que não é o caso impossível via embargos declaratórios, o reexame de matéria de direito já decidida, ou estranha ao acórdão embargado. (STJ, EDeI. 13845 rel. Min. César Rocha, j. 29.6.1992, DJU 31.8.1992, p. 13632). Embargos de, declaração não conhecidos por inobservância de pressupostos de admissibilidade. [Acórdão nº10515.858] RERRATIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. Por meio dos embargos declaratórios impetrados pelo interessado, constatouse obscuridade na minuta do voto condutor juntado aos autos, quanto às razões de decidir referentes ao Acórdão 303 30.055. Rejeitados os demais argumentos referentes à pretensão de efeitos infringentes aos embargos. As discordâncias quanto à decisão de mérito não devem prosperar por meio de embargos declaratórios, devendo ser formuladas por meio de Recurso Especial à CSRF se presentes os requisitos previstos no regimento Interno. Apresentada a minuta que retifica a omissão apontada para explicitar as razões do Acórdão proferido em 08/11/2001. EMBARGOS PARCIALMENTE PROVIDOS. (b) Validade de contrato particular não subscrito por testemunhas e sem registro em cartório [Acórdão nº10515.858] CONTRATOS O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na disposição e administração livre de seus bens, sem a assinatura de duas testemunhas e sem a transcrição no registro público, não tem efeito contra terceiros. (CC Arts. 135/1067). Os contratos entre pessoas jurídicas submetidas ao lucro real, para serem válidos em relação ao fisco devem, além de atender a legislação civil, serem É escriturados, ou seja os lançamentos contábeis devem a eles se referirem e caso haja alteração ou modificação precisam também constar da escrita fiscal. [Acórdão nº10246.369] Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10120.000572/9907 Acórdão n.º 920201.818 CSRFT2 Fl. 3 5 NORMAS PROCESSUAIS PROVA CONTRATO DE MÚTUO Para que o mútuo seja aceito como prova da origem das aplicações efetuadas deve o contrato revestirse dos requisitos previstos no artigo 135 do Código Civil, bem assim, ter comprovação da efetiva entrega, do valor objeto do acordo, ao mutuário. Recurso negado. Requer o Contribuinte o provimento do seu recurso para afastar a admissibilidade dos Embargos de Declaração promovido pela Fazenda Nacional, mantendose, em consequência, o acórdão nº10419.594 ou, se assim não entender a Câmara Superior, que conheça a invalidade do contrato fls. 17/19 como meio de prova da infração de omissão de rendimentos, já que o mesmo não preenche os requisitos previstos no art. 135 do Código Civil. Em 24 de novembro de 2008 a então Presidente da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em análise de admissibilidade, proferiu Despacho nº104 538 [fls.563 – 565] negando seguimento ao recurso interposto pelo Sujeito passivo, por entender ser intempestivo. Não conformado com o Despacho nº104538 o Contribuinte impetrou um mandado de segurança, com pedido de liminar na 16º Vara Federal Seção Judiciária do Distrito Federal, contra atos do Delegado da Receita Federal do Brasil em Goiânia (1º autoridade impetrada) e do Presidente da 4º Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (2° autoridade impetrada), com o objetivo de que fosse acolhido e admitido o seu recurso especial administrativo. A liminar foi deferida para declarar a nulidade da intimação feita, e, consequentemente, afastar a intempestividade da interposição do Especial. Em 21 de maio de 2010, o Juízo da 16ª Vara Federal da Seção Judiciária do DF proferiu sentença que concedeu a segurança para confirmar a liminar concedida [fls. 636 637]. Assim, afastada a intempestividade – um dos pressupostos de admissibilidade do Especial , o referido Recurso Especial foi remetido ao i. Presidente da Câmara recorrida para exame de admissibilidade. Em 13 de julho de 2010, foi proferido Despacho n. 220200.156 [fls. 639/640] que, em síntese, analisou uma das matérias objeto da divergência suscitadas pelo Contribuinte, tendo, nessa parte, dado seguimento ao recurso especial interposto. Devidamente intimada, a i. Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões [fls. 645653] que pugna pela manutenção do julgado recorrido. Incluído o processo na pauta de julgamento, a CSRF entendeu – por meio de Despacho n. [fls. 00] – que os autos deveriam ser remetidos ao i. Presidente da Câmara a quo para que realizasse o exame de admissibilidade: Assim, afastada a intempestividade – um dos pressupostos de admissibilidade do Especial , deve o referido Recurso Especial Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 ser remetido ao i. Presidente da Câmara recorrida para que, por meio de despacho fundamentado, admitia ou negue o seguimento à peça recursal, tendo em vista a divergência suscitada, sob pena de supressão de instância e ante ausência de manifestação quanto ao referido pressuposto de admissibilidade. Ato contínuo, foi proferido Despacho n. 220200.156 [fls. 639/640] que, em síntese, analisou uma das matérias objeto da divergência suscitadas pelo Contribuinte, tendo, nessa parte, dado seguimento ao recurso especial interposto. Devidamente intimada, a i. Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões [fls. 645653] que pugna pela manutenção do julgado recorrido. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10120.000572/9907 Acórdão n.º 920201.818 CSRFT2 Fl. 4 7 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator 1 CONHECIMENTO O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 147 de 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda. Foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado, devendo, porém, ser analisada a divergência alegada, para efeito do cumprimento do disposto no artigo 7°, inciso II, daquele Regimento. Como relatado acima, tratase de Especial em face de decisão colegiada proferida pela então Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes que, em análise de Embargos da Fazenda Nacional, proferiu acórdão n° 10421.323 [fls.372 – 400], que, por unanimidade de votos, acolheu os Embargos de Declaração para esclarecer as contradições verificadas no acórdão nº10416.594 [fls.331 – 345]. No mérito dos embargos, pelo voto de qualidade, retificou a decisão do citado acórdão para rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso do Contribuinte. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Verificada a existência de omissão, dúvida ou contradição no julgado é de se acolher os Embargos de Declaração apresentados pela Fazenda Nacional. INSTRUMENTO PARTICULAR DE CESSÃO DE DIREITOS SOBRE IMÓVEIS CONTRATO PARTICULAR A assinatura de contrato particular de cessão de direitos sobre bens imóveis, dados em pagamento por serviços prestados, é suficiente para que se considere ocorrido o fato gerador do imposto de renda sobre os rendimentos auferidos. INCONSTITUCIONALIDADE — ILEGALIDADE PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo legislativo gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade, até decisão em contrário do Poder Judiciário.HONORÁRIOS ADVOCATICIOS RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS EM BENS/CESSÃO DE DIREITOS MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO Os rendimentos recebidos de pessoas físicas, em contraprestação de serviços sem vinculo empregatício, quando representados por bens imóveis, serão tributados no ano do respectivo recebimento pelo valor que tiverem na data de sua percepção. Para fins tributários a data da assinatura do Instrumento Particular de Cessão de Direitos com Promessa de Escritura, formalizado em caráter irrevogável e irretratável, é hábil para caracterizar a data da percepção do rendimento, pois é este momento que caracteriza que o beneficiário de fato tem o dever de disponibilizar estes bens em seu patrimônio. ESPÓLIO APURAÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS – Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 SUCESSOR A QUALQUER TITULO E O CÔNJUGE MEEIRO – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA O sucessor a qualquer titulo e o cônjuge meeiro são responsáveis pelos tributos devidos pelo de cuias até a data da partilha, limitada a responsabilidade ao montante do quinhão ou da meação. Cabível, nestes casos, tão:somente o acréscimo dos juros de mora. MEIOS DE PROVA A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva, com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador (CPC, art. 131 e 332 e Decreto n2. 70.235, de 1972, art. 29). Embargos acolhidos. Decisão retificada. Preliminares rejeitadas. Recurso negado. Argumenta a Recorrente que: (i) os Embargos da Fazenda Nacional contra o acórdão nº10416.594 é inadmissível, uma vez que a única hipótese onde os embargos poderão ter efeitos modificativos, são aquelas em que restar demonstrado erro material, porém, segundo o Contribuinte, ocorre que no recurso da Fazenda Nacional sequer se cogitou erro material. (ii) a Contribuinte alega também que o Contrato utilizado pelo Fisco para incidência tributária não é valido, já que o mesmo não preenche os requisitos previstos no art. 135 do Código Civil. Para demonstrar a divergência jurisprudencial do caso, a Contribuinte apresenta como paradigmas os seguintes acordãos: Divergência (a) admissibilidade de embargos de declaração com natureza infringente [Acórdão nº20209.854] NORMAS PROCESSUAIS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO I Os embargos de declaração serão opostos, por qualquer urna das pessoas previstas em lei, dentro de 5 dias contados da ciência do acórdão e não há oportunidade de resposta à parte contraria (art. 24, RISCC).II Os EDcl não se prestam a responder questionário ou consulta formulados por parte (STJ, l' T., EDcL 11.8470AM, rel. Min. Milton Luiz Pereira, v. 6 12.1993, DJU 21.2.1994, p. 2118). III – Inexistindo na decisão embargada omissão a ser suprida nem dúvida, obscuridade ou contradição a serem aclaradas, rejeitamse os embargos de declaração. Afiguramse manifestadamente incabíveis os embargos de declaração à modificação da substância do julgado embargado. Admissão, excepcionalmente, a infringência do decisum quando se tratar de equivoco material e o ordenamento jurídico não contemplar outro recurso para a correção do erro fático perpetrado, o Fl. 8DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10120.000572/9907 Acórdão n.º 920201.818 CSRFT2 Fl. 5 9 que não é o caso impossível via embargos declaratórios, o reexame de matéria de direito já decidida, ou estranha ao acórdão embargado. (STJ, EDeI. 13845 rel. Min. César Rocha, j. 29.6.1992, DJU 31.8.1992, p. 13632). Embargos de, declaração não conhecidos por inobservância de pressupostos de admissibilidade. [Acórdão nº10515.858] RERRATIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. Por meio dos embargos declaratórios impetrados pelo interessado, constatouse obscuridade na minuta do voto condutor juntado aos autos, quanto às razões de decidir referentes ao Acórdão 303 30.055. Rejeitados os demais argumentos referentes à pretensão de efeitos infringentes aos embargos. As discordâncias quanto à decisão de mérito não devem prosperar por meio de embargos declaratórios, devendo ser formuladas por meio de Recurso Especial à CSRF se presentes os requisitos previstos no regimento Interno. Apresentada a minuta que retifica a omissão apontada para explicitar as razões do Acórdão proferido em 08/11/2001. EMBARGOS PARCIALMENTE PROVIDOS. (b) Validade de contrato particular não subscrito por testemunhas e sem registro em cartório [Acórdão nº10515.858] CONTRATOS O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na disposição e administração livre de seus bens, sem a assinatura de duas testemunhas e sem a transcrição no registro público, não tem efeito contra terceiros. (CC Arts. 135/1067). Os contratos entre pessoas jurídicas submetidas ao lucro real, para serem válidos em relação ao fisco devem, além de atender a legislação civil, serem É escriturados, ou seja os lançamentos contábeis devem a eles se referirem e caso haja alteração ou modificação precisam também constar da escrita fiscal. [Acórdão nº10246.369] NORMAS PROCESSUAIS PROVA CONTRATO DE MÚTUO Para que o mútuo seja aceito como prova da origem das aplicações efetuadas deve o contrato revestirse dos requisitos previstos no artigo 135 do Código Civil, bem assim, ter comprovação da efetiva entrega, do valor objeto do acordo, ao mutuário. Recurso negado.EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Verificada a existência de omissão, dúvida ou contradição no julgado é de se acolher os Embargos de Declaração apresentados pela Fazenda Nacional. INSTRUMENTO PARTICULAR DE CESSÃO DE DIREITOS SOBRE IMÓVEIS CONTRATO PARTICULAR A assinatura de contrato particular de cessão de direitos sobre bens imóveis, dados em pagamento por serviços prestados, é Fl. 9DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 10 suficiente para que se considere ocorrido o fato gerador do imposto de renda sobre os rendimentos auferidos. INCONSTITUCIONALIDADE — ILEGALIDADE PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo legislativo gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade, até decisão em contrário do Poder Judiciário.HONORÁRIOS ADVOCATICIOS RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS EM BENS/CESSÃO DE DIREITOS MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO Os rendimentos recebidos de pessoas físicas, em contraprestação de serviços sem vinculo empregatício, quando representados por bens imóveis, serão tributados no ano do respectivo recebimento pelo valor que tiverem na data de sua percepção. Para fins tributários a data da assinatura do Instrumento Particular de Cessão de Direitos com Promessa de Escritura, formalizado em caráter irrevogável e irretratável, é hábil para caracterizar a data da percepção do rendimento, pois é este momento que caracteriza que o beneficiário de fato tem o dever de disponibilizar estes bens em seu patrimônio. ESPÓLIO APURAÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS – SUCESSOR A QUALQUER TITULO E O CÔNJUGE MEEIRO – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA O sucessor a qualquer titulo e o cônjuge meeiro são responsáveis pelos tributos devidos pelo de cuias até a data da partilha, limitada a responsabilidade ao montante do quinhão ou da meação. Cabível, nestes casos, tão:somente o acréscimo dos juros de mora. MEIOS DE PROVA A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva, com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador (CPC, art. 131 e 332 e Decreto n2. 70.235, de 1972, art. 29). Embargos acolhidos. Decisão retificada. Preliminares rejeitadas. Recurso negado. Afirma a Contribuinte que existe erronia na referida decisão, pois a única hipótese onde os embargos poderiam ter efeitos modificativos, seriam aquelas em que restar demonstrado erro material, fato jurídico esse não suscitado pela Fazenda Nacional. Além disso, o Contribuinte alega também que o Contrato utilizado pelo Fisco para incidência tributária não é valido, já que o mesmo não preenche os requisitos previstos no art. 135 do Código Civil. Para demonstrar a divergência jurisprudencial do caso, o Contribuinte apresenta como paradigma os acórdãos nº 20209.854, e nº10515.858, prolatados pelo então Segundo Conselho de Contribuintes. Não obstante os argumentos apresentados pela Contribuinte, entendo que o Especial interposto deverá ser conhecido apenas quanto à primeira matéria suscitada, qual seja, admissibilidade de embargos de declaração com natureza infringente. Tal entendimento está consentâneo àquele já manifestado por esta Turma da CSRF, em 08 de fevereiro, quando Fl. 10DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10120.000572/9907 Acórdão n.º 920201.818 CSRFT2 Fl. 6 11 do julgamento do Especial interposto pelo Sr. Sérgio de Araújo de Resende – filho da contribuinte, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICAIRPF. Exercício: 1995. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE. NÃO DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. ACÓRDÃOS PARADIGMAS QUE NÃO APRESENTAM IDENTIDADE FÁTICA COM A HIPÓTESE DOS AUTOS. Não deve ser conhecido o recurso especial do contribuinte se, para a comprovação da divergência jurisprudencial alegada, o recorrente apresenta julgados que não apresentam similitude fática com o caso a ser analisado. Ressaltese que naquela sessão de julgamento esta Turma da CSRF acompanhou, por unanimidade, o voto prolatado pela Conselheira Susy Gomes Hoffmann em matéria semelhante a tratada nestes autos, conforme se testifica abaixo: [...] Contudo, não preenche os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que, bem analisados os acórdãos trazidos pelo contribuinte como paradigmas da alegada divergência jurisprudencial, é de se concluir que esta não restou efetivamente caracterizada. Com efeito, o contribuinte, em seu recurso especial, no ponto que deve ser analisado aqui, qual seja a questão referente à validade de contrato particular não subscrito por testemunhas e sem registro em cartório, como fundamento do lançamento tributário, não logrou demonstrar o dissídio jurisprudencial. O recorrente trouxe à tona acórdãos que revelam situações fáticas e questões de direito diversas da existente nos presentes autos. No acórdão recorrido, entendeuse que o instrumento particular de cessão de direitos sobre imóveis, no qual se encontra assinatura da respectiva parte, revelase suficiente à constatação de ocorrência do fato gerador. A tese do recorrente é, em síntese, no sentido de que se o contrato particular não preenche os requisitos estabelecidos no artigo 135 do Código Civil de 1916, vigente à época, não poderia sustentar a autuação fiscal. Nos acórdãos apresentados, no entanto, não se tem a mesma discussão. De fato, os acórdãos de n° 10515.858 e 10246.369 referemse à situação em que o contribuinte apresentou como prova em seu favor contratos de mútuo, os quais, no entanto, não foram aceitos. Em ambos os casos, os contratos apresentados não puderam fazer prova em prol do contribuinte, por não Fl. 11DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 12 preencherem os requisitos de validade perante terceiros, segundo disposição do Código Civil de 1916. A situação fática, destarte, desses acórdãos paradigmas, não se identificam com a situação fática do acórdão recorrido, em que se atestou a possibilidade de comprovação da ocorrência do fato gerador por intermédio de contrato particular firmado próprio contribuinte (pai do contribuinte autuado, ora recorrente). Vejase as ementas dos julgados dos acórdãos apontados como paradigmas, no ponto que nos interessa: Acórdão 10515.858. CONTRATOS O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na disposição e administração livre de seus bens, sem a assinatura de duas testemunhas e sem a transcrição no registro público, não tem efeito contra terceiros (CC Arts. 135/1067). Os contratos entre pessoas jurídicas submetidas ao lucro real, para serem válidos em relação ao fisco devem, além de atender a legislação civil, serem escriturados, ou seja os lançamentos contábeis devem a eles se referirem e caso haja alteração ou modificação precisam também constar da escrita fiscal. CONTRAPOSIÇÃO DE PROVAS – Tendo o fisco comprovado através da DIRF e dos extratos bancários que o rendimento pertence à pessoa jurídica, tal fato não pode ser desfeito por contrato particular que se refere a outros contratos não juntados aos autos e que possui cláusula condicional para determinar o beneficiário do rendimento. Recurso de ofício negado. Recurso voluntário parcialmente provido. ACÓRDÃO 10246.369. NORMAS PROCESSUAIS.PROVACONTRATO DE MÚTUO. Para que o mútuo seja aceito como prova da origem das aplicações efetuadas deve o contrato revestirse dos requisitos previstos no artigo 135 do Código Civil, bem assim, ter comprovação da efetiva entrega, do valor objeto do acórdão, ao mutuário. Recurso negado. Por outro lado, o acórdão n° 20172.572, do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, outrossim, não enseja a configuração da divergência jurisprudencial suscitada. Com efeito, além de versar, o processo, sobre outro imposto, o respectivo acórdão, proferido no ano 1999, findou por negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, tendo em vista que este não logrou desincumbirse do seu ônus probatório em discussão referente à sujeição passiva do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10120.000572/9907 Acórdão n.º 920201.818 CSRFT2 Fl. 7 13 Deste modo, os acórdãos cotejados não apresentam qualquer similitude fática. Assim também o acórdão de n° 10242.592, cujo caso concreto também é completamente diverso do constante nos presentes autos. Nele não se discute a validade de contrato que não preenche os requisitos estabelecidos no artigo 135 do Código Civil de 1916. Cuidase apenas de discutir, no acórdão em questão, sobre o ônus probatório da ocorrência do fato gerador do IRPF. Eis a ementa do julgado: IRPF.FATO GERADOR DO IMPOSTO – O fato gerador do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica e, por determinação legal, ele é considerado devido no momento da percepção dos rendimentos e ganhos de capital. Nos termos do art. 142 do C.T.N a prova da existência do fato gerador é da autoridade fiscal, a ausência dessa implica cancelamento da exigência tributária decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto. GANHO DE CAPITAÇ – A integralização de capital de pessoa jurídica mediante incorporação de imóvel, configura alienação. Demonstrado que houve ganho de capital na respectiva operação o imposto é devido. ARBITRAMENTO – Para que se possa arbitrar o valor de custo e alienação de imóvel, cabe a autoridade lançadora a prova de que as informações do contribuinte e as certidões públicas não merecem fé. Recurso parcialmente provido. Desta forma , por todo o exposto, não há como se admitir a análise do mérito do recurso do contribuinte, tendo em vista que este não conseguiu comprovar a respectiva hipótese de cabimento: a divergência jurisprudencial alegada. Assim, não conheço do recurso especial do contribuinte. 1 ADMISSIBILIDADE DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO COM NATUREZA INFRINGENTE Argumenta a Recorrente que: os Embargos da Fazenda Nacional contra o acórdão nº10416.594 são inadmissíveis, uma vez que a única hipótese onde os embargos poderão ter efeitos modificativos, são aquelas em que restar demonstrado erro material, porém, segundo o Contribuinte, ocorre que no recurso da Fazenda Nacional sequer se cogitou erro material. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 14 O então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, vigente à época do julgamento dos embargos de declaração opostos pela i. PFN acórdão n° 104 21.323 [fls.372 – 400] , em seu art. 57, previa o seguinte: Dos Embargos de Declaração Art. 57. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a Câmara. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos por Conselheiro da Câmara, pelo Procurador da Fazenda Nacional, por Presidente da Turma de Julgamento de primeira instância, pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou pelo recorrente, mediante petição fundamentada, dirigida ao Presidente da Câmara, no prazo de cinco dias contados da ciência do acórdão. Da leitura do dispositivo regimental depreendese que as funções dos embargos de declaração, por sua vez, são afastar do acórdão qualquer omissão necessária para a solução da lide, não permitir a obscuridade por acaso identificada e extinguir qualquer contradição entre premissa argumentada e conclusão. Por sua vez, o art. 535 do Código de Processo Civil, , dispõe que: "cabem embargos de declaração quando: I houver, na sentença ou no acórdão, obscuridade ou contradição; II for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse o juiz ou o tribunal". Em comentário a esse último dispositivo legal, o doutrinador Luis Guilherme Aidar Bondioli, citando outros renomados processualistas, ainda menciona os "erros evidentes" sanáveis pela via dos embargos e os raríssimos erros de julgamento embargáveis. Transcrevemse, por oportunos, os seguintes trechos de sua obra doutrinária: "Existem diversas categorias de erro. O erro material não chega a ser uma anomalia do juízo, mas sim de sua expressão (supra, n. 23). O chamado error in procedendo é um vício de atividade, uma desatenção do juiz para com as disposições do ordenamento jurídico que regulam o processo e o seu modo de atuar na condução do feito. É o caso, por exemplo, das sentenças extra ou ultra petita (CPC, art. 460) ou do acórdão que se pronuncia sobre pretensão não devolvida pela apelação (CPC, art. 515). (...) Como é cediço, a lei não prevê dentre as hipóteses de cabimento dos embargos declaratórios a sanação de erro material. Muitas espécies de errores in procedendo também não são contempladas pelo art. 535 do Código de Processo Civil (p. ex., sentença extra ou ultra petita). E nenhum erro de julgamento é arrolado dentre os defeitos dos pronunciamentos judiciais sanáveis via embargos de declaração. Todavia, a celeridade, segurança, adequação e efetividade dos embargos declaratórios para a sanação de imperfeições existentes nas decisões judiciais fez com que a jurisprudência estendesse o mecanismo para outras situações além das previstas no Código de Processo Civil. Como conseqüência disso, todo erro material passou a ser corrigível por meio de embargos de declaração (supra, n. 23). E Fl. 14DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10120.000572/9907 Acórdão n.º 920201.818 CSRFT2 Fl. 8 15 determinados errores in judicando e errores in procedendo não abarcados pelo art. 535 do Código de Processo Civil, em condições especialíssimas, passaram também a contar com os embargos declaratórios para a sua extirpação do ato decisório. (...) Sentenças ultra ou extra petita têm sido corrigidas pela via dos embargos declaratórios, por se consubstanciarem em erros evidentes. Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda elogia essa iniciativa: 'a lei não se refere à decisão fora do que se tinha de decidir, mas seria absurdo que se pudesse recorrer com embargos de declaração tendo sido omissivo o julgado, e não se pudessem opor embargos de declaração contra a decisão que, devendo aterse a x, decidiu x e y'. Devem ser abertas as portas, ainda, para a correção em sede de embargos de acórdãos proferidos em dissonância com a regra tantum devolutum quantum appellatum (CPC, art. 515), por tratarse igualmente de manifesto equívoco." (Embargos de Declaração, Coleção Theotônio Negrão / coordenação José Roberto Ferreira Gouvêa, São Paulo: Saraiva, 2005, pp. 141 a 142, 144, e 151 a 152)” Nessa linha de entendimento, o Egrégio STJ tem admitido o uso de embargos de declaração com efeitos infringentes, em caráter excepcional, para a correção de premissa equivocada, com base em erro de fato, sobre a qual tenha se fundado o acórdão embargado, quando tal for decisivo para o resultado do julgamento: RECURSO ESPECIAL PROCESSUAL CIVIL AÇÃO DE INDENIZAÇÃO DANOS MORAIS E MATERIAIS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EXISTÊNCIA DE OMISSÃO ERRO DE FATO EFEITOS INFRINGENTES DOS EMBARGOS POSSIBILIDADE, NA ESPÉCIE RECURSO NÃO CONHECIDO. I É admitido o uso de embargos de declaração com efeitos infringentes, em caráter excepcional, para a correção de premissa equivocada, com base em erro de fato, sobre a qual tenha se fundado o acórdão embargado, quando tal for decisivo para o resultado do julgamento. II In casu, o acórdão dos embargos de declaração manifestou se no sentido da existência de omissão e de erro de fato do v. acórdão embargado, autorizando, pois, o efeito modificativo do recurso. II Recurso especial não conhecido. (REsp 795093/RN, Rel. Ministro MASSAMI UYEDA, QUARTA TURMA, julgado em 21/06/2007, DJ 06/08/2007, p. 505) AGRAVO REGIMENTAL. EMBARGOS DECLARATÓRIOS COM EFEITOS INFRINGENTES. CABIMENTO. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA INTIMAÇÃO DA PARTE EMBARGADA. PREJUÍZO NÃO CONFIGURADO. PREVENÇÃO. ARGÜIÇÃO ATÉ O INÍCIO DO JULGAMENTO DO RECURSO. ART. 71 DO RISTJ. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 16 1. A atribuição de efeitos modificativos aos embargos de declaração, a despeito de sua excepcionalidade, é medida perfeitamente cabível nas situações em que, sanada a omissão, contradição ou obscuridade, a alteração do julgado surja como conseqüência natural da correção ali efetuada. 2. Nos termos do § 4.° do art. 71 do RISTJ, a prevenção pode ser decretada de ofício pelo relator ou provocada pelas partes ou pelo Ministério Público até o início do julgamento do recurso. 3. A prevenção estabelecida no regimento interno dos tribunais não gera nulidade absoluta, apenas relativa, restando convalidada se não argüida tempestivamente. 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg nos EDcl nos EDcl no Ag 1156920/SP, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, QUARTA TURMA, julgado em 14/09/2010, DJe 21/09/2010) Igualmente tem sido a jurisprudência na Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO JULGAMENTO EXTRA PETITA. A doutrina e também a assentada jurisprudência dos tribunais superiores têm alargado, com parcimônia, a estreita via desse recurso, de modo a permitir que se corrijam outros erros de procedimento que não se encontrem enclausurados no quarteto: omissão, contradição, dúvida e obscuridade quando não exista no sistema legal outro recurso que permita a correção do erro cometido no julgado. Devese reformar o acórdão embargado no sentido de escoimar o julgamento de matéria não devolvida ao Colegiado (julgamento extra petita), e restabelecer o acórdão da instância a quo que fixou o termo inicial da contagem do prazo de decadência do PIS como sendo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado. (Acórdão n.º CSRF/0203.778, relator: Conselheiro Henrique Pinheiro Torres) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA – Na apreciação de recurso especial de divergência a Câmara deve cingirse à matéria de direito em litígio e de eventuais preliminares. Inadmissível o aperfeiçoamento ou inovação do lançamento, ainda que estes não importem em agravamento da exigência, mas caracterizam mudança de critérios jurídicos do lançamento. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA – GANHO DE CAPITAL – ARBITRAMENTO DO VALOR DE VENDA – O arbitramento do valor de venda de imóvel, pela desconsideração do valor informado na escritura pública de compra e venda só é admissível mediante procedimento regular em que o fisco faça Fl. 16DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10120.000572/9907 Acórdão n.º 920201.818 CSRFT2 Fl. 9 17 prova da aptidão do valor por ele atribuído à operação. Recurso especial provido. Decisão Por unanimidade de votos, ACOLHER os Embargos Declaratórios para retificar a decisão do Acórdão de nº CSRF/0102.728, de 12/07/1999, para DAR provimento ao Recurso do Contribuinte, e considerar prejudicado os Embargos Declaratórios da DRF/BSB, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Acórdão CSRF/0104.535, relator: Conselheiro Cândido Rodrigues Neuber) Segundo consta do julgado recorrido, à primeira vista, houve motivação – ressaltese que não se avalia aqui o mérito da alegação para o acolhimento dos embargos de declaração opostos pela PFN: […]Como foi visto no relatório a matéria em discussão referese aos Embargos Declaratórios, apresentados pelo representante da Fazenda Nacional, nesta Quarta Câmara, assentado no argumento da existência de contradição no julgado, buscando amparo legal no artigo 27 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria n2. 55, do Ministro de Estado da Fazenda, de 16 de março de 1998. Notase, que os Embargos interpostos pelo representante da Fazenda Nacional estão assentados no fato de que os Conselheiros membros desta Quarta Câmara, por unanimidade de votos, decidiram dar provimento ao recurso sob o argumento de que a imprecisão na determinação do momento da ocorrência do fato gerador, aliada às distorções na determinação da base de cálculo, compromete a constituição do crédito tributário por afronta ao art. 142 do CTN. Dessa forma, entendo que a divergência suscita não deve ser acolhida, pois têmse admitido o uso de embargos de declaração com efeitos infringentes, em caráter excepcional, conforme os argumentos acima colacionados. Diante disso, voto por CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO ESPECIAL interposto (admissibilidade de embargos de declaração com natureza infringente) e, no mérito, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Contribuinte. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 17DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 18 Fl. 18DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 10980.001437/2006-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF
Exercício: 2002, 2003
Ementa:. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Não deve ser conhecido Recurso Especial de divergência que não comprove, demonstre decisão que deu à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.701
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não
conhecer do recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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Recorrente PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL Interessado SAUL CHERVONAGURA TROSMAN Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 2002, 2003 Ementa:. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não deve ser conhecido Recurso Especial de divergência que não comprove, demonstre decisão que deu à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos, (Conselheiro Convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Marcelo Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10980.001437/200621 Acórdão n.º 920201.701 CSRFT2 Fl. 305 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, fls. 0228, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, contra Acórdão, fls. 0207, que por pelo voto de qualidade, rejeitar a decadência e, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para reduzir a multa para 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão, com destaque para a parte contra a qual o recurso foi interposto: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997 a Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão com base nos valores depositados em Conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA Incabível a aplicação da multa qualificada na hipótese de incidência do imposto com base em presunção. A imputação de conduta dolosa não pode estar vinculada a tributação decorrente de presunção de ocorrência de fato gerador. DECADÊNCIA O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, na medida em que os rendimentos forem percebidos, cabendo ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o que caracteriza a modalidade de lançamento por homologação cujo fato gerador, por complexo, completasse em 31 de dezembro de cada anocalendário. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por SAUL CHERVONAGURA TROSMAN. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, REJEITAR a decadência do lançamento alegada quanto ao mês de janeiro de 2001. Vencidos os Conselheiros José Carlos da Matta Rivitti (Relator), Sueli Efigênia Mendes de Britto, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Gonçalo Bonet Allage e, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa para 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designado como redator do voto vencedor quanto a decadência o Conselheiro Luiz Antonio de Paula. Em seu recurso especial a nobre Procuradoria alega que: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 1. Tratase de típico caso de dolo reiterado, caracterizado pela prática do mesmo ilícito por anoscalendário sucessivos; 2. Nesse sentido, analisando caso concreto similar, já decidiu pela manutenção da multa qualificada imposta ao contribuinte a colenda Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no âmbito do Acórdão 101 95.282, paradigma ora suscitado para demonstrar a divergência de interpretação dada à lei tributária; 3. “OMISSÃO DE RECEITAS — DEPÓSITOS BANCÁRIOS — Caracterizamse omissão de receita ou de rendimento, os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA A prática reiterada de omissão de receitas caracteriza a conduta dolosa, justificando a penalidade agravada. 4. O acórdão paradigma acima evidenciado foi claro, em caso análogo ao presente, em manter a multa de 150%, por aplicação do art. 44, II, da Lei n.° 9.430/96, uma vez constatado o evidente intuito de fraude, em hipótese, igualmente, de omissão reiterada de receitas / rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada (prática sucessiva por mais de um anocalendário); 5. Como visto, restou cristalina a atividade ilícita do autuado, observada a partir da conduta reiterada, sistemática, de omitir rendimentos durante anos calendário sucessivos, apuração que tomou por base significativos valores depositados em conta bancária, para os quais o titular, regularmente intimado, não comprovou a respectiva origem; 6. Ante o exposto, a União (Fazenda Nacional) requer seja conhecido e provido o presente recurso. Por despacho, fls. 0383, 279 deuse seguimento parcial ao recurso especial. O Contribuinte apresentou suas contra razões, fls. 0296, argumentando, em síntese, que: 1. O único e exclusivo fundamento do Sr. Auditor Fiscal para o lançamento da multa qualificada foi o apontado descompasso entre a renda declarada pelo Contribuinte e os montantes apontados pela Fiscalização como omitidos; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10980.001437/200621 Acórdão n.º 920201.701 CSRFT2 Fl. 306 5 2. Em nenhum momento até agora, Sr. Conselheiro, cogitouse na possibilidade da conduta reiterada do Contribuinte (que no caso concreto nem mesmo se caracteriza, pois foram apenas dois os exercícios autuados) ser causa para a qualificação da multa pela caracterização do evidente intuito de fraude; 3. Assim, preliminarmente, requerse o reconhecimento de que a Fazenda Nacional está inovando nos seus argumentos, trazendo à baila linha de apreciação dos fatos estranha aos autos. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Quanto ao conhecimento da matéria, devido ao recurso ser por divergência, devemos analisar as razões de decidir presentes no Acórdão recorrido e no paradigma apresentado pela nobre Procuradoria. No voto do Acórdão constam suas razões de decidir: “A multa de ofício qualificada encontrase disciplinada no artigo 44, II, da Lei n° 9.430/96, sendo cabível, por conseguinte, quando ficar evidente a intenção do contribuinte em omitir fatos da autoridade fazendária, com o intuito de impedir o conhecimento, por parte desta, da existência de recursos tributáveis, ocasionando, assim, a ocultação do fato gerador e a conseqüente ausência de recolhimento do imposto de renda. A simples ausência de registro de rendimentos na Declaração de Ajuste Anual não é fato idôneo para comprovar, precisamente, intuito fraudulento do contribuinte. A interpretação mais coerente do artigo 44, inciso II da Lei n° 9430/1996 não nos permite outra conclusão: ... Do confronto entre os valores declarados pelo contribuinte com os depósitos bancários de origem não comprovada em suas contas, é gritante a desproporção entre um valor e outro, indícios de sinais exteriores de riqueza, caracterizados pela realização de gastos incompatíveis com a renda declarada, porém trazida a tona por simples presunção. ... Sendo assim, afasto a incidência de multa qualificada, nos termos da fundamentação supra. Assim, a qualificação da multa no acórdão recorrido ocorreu pela, em tese, vontade do sujeito passivo em omitir, esconder fatos do Fisco. Já a Procuradoria traz paradigmas referentes a qualificação da multa devido a reiterada existência de depósitos sem comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados nessas operações. Portanto, pela simples leitura das razões do Acórdão recorrido e da Procuradoria, fica claro que não há a necessária divergência para conhecimento do recurso especial. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10980.001437/200621 Acórdão n.º 920201.701 CSRFT2 Fl. 307 7 CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em não conhecer do recurso especial, pela razões expostas no voto. Marcelo Oliveira Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.720505/2010-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 29/03/2010
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ARTIGO 33, § 2.º E 3 º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO
283, II, “j” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OBRIGAÇÃO
PRINCIPAL NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA
DE PREVISÃO LEGAL PARA APLICAÇÃO DA MULTA.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do artigo 33, § 2.º e 3º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
Ao deixar de apresentar documentos relacionados a registros contábeis, incorreu a empresa em inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 29/03/2010
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA FALTA
DE RELATÓRIOS NO CDR NÃO COMPROVAÇÃO DO ALEGADO.
Conforme destacado pela autoridade julgadora, a empresa não trouxe aos autos o CD_R para demonstrar a falta de relatórios, nem tampouco fez qualquer solicitação a Delegacia da Receita nete sentido.
AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SEGURADOS EMPREGADOS AFERIÇÃO INDIRETA NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES.
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal.
Ao deixar de contabilizar documentos e movimentação financeira, provocou a empresa o descrédito de sua contabilidade, passando a presumir a utilização de pagamentos extra folha, cabendo a parte contrária a apresentação de provas para desconstituir o lançamento.
TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA
Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.089
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 29/03/2010 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ARTIGO 33, § 2.º E 3 º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, “j” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA APLICAÇÃO DA MULTA. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 33, § 2.º e 3º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. Ao deixar de apresentar documentos relacionados a registros contábeis, incorreu a empresa em inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/03/2010 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA FALTA DE RELATÓRIOS NO CDR NÃO COMPROVAÇÃO DO ALEGADO. Conforme destacado pela autoridade julgadora, a empresa não trouxe aos autos o CD_R para demonstrar a falta de relatórios, nem tampouco fez qualquer solicitação a Delegacia da Receita nete sentido. AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SEGURADOS EMPREGADOS AFERIÇÃO INDIRETA NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal. Ao deixar de contabilizar documentos e movimentação financeira, provocou a empresa o descrédito de sua contabilidade, passando a presumir a utilização de pagamentos extra folha, cabendo a parte contrária a apresentação de provas para desconstituir o lançamento. TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2158; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.720505/201035 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 240102.089 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de outubro de 2010 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente AGROECUÁRIA VALE DO ARAGUAIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 29/03/2010 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ARTIGO 33, § 2.º E 3 º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, “j” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA APLICAÇÃO DA MULTA. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 33, § 2.º e 3 º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. Ao deixar de apresentar documentos relacionados a registros contábeis, incorreu a empresa em inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/03/2010 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA FALTA DE RELATÓRIOS NO CDR NÃO COMPROVAÇÃO DO ALEGADO. Conforme destacado pela autoridade julgadora, a empresa não trouxe aos autos o CD_R para demonstrar a falta de relatórios, nem tampouco fez qualquer solicitação a Delegacia da Receita nete sentido. AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SEGURADOS EMPREGADOS AFERIÇÃO INDIRETA NULIDADE DA AUTUAÇÃO Fl. 11313DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal. Ao deixar de contabilizar documentos e movimentação financeira, provocou a empresa o descrédito de sua contabilidade, passando a presumir a utilização de pagamentos extra folha, cabendo a parte contrária a apresentação de provas para desconstituir o lançamento. TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Igor Araujo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 11314DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.720505/201035 Acórdão n.º 240102.089 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório O presente Auto de Infração de obrigação acessória, lavrado sob n. 37.249.0484, originado em virtude do descumprimento do art. 33, §2º da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, ao deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições previstas na lei 8.212/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme dispositivo legal infringido. No caso concreto, conforme descrito no relatório fiscal, fl. 6 a 15: A ação fiscal foi expedida em decorrência de denúncia do Ministério Público do Trabalho – Procuradoria Regional do Trabalho da 18a Região, em virtude da instauração de inquérito civil para apuração de pagamento “por fora” a segurados empregados, verificados em Reclamatórias Trabalhistas movidas por segurados empregados contra o contribuinte. Nessa Ação Civil, a pedido do Ministério Público, foi expedido mandado de Busca e apreensão, no qual foram apreendidos 510 cadernos com anotações de remunerações dos segurados empregados. Diante das informações constantes nesses cadernos apreendidos e de informações coletadas no inquérito civil (anexo II), o MPT concluiu pela prática de “caixa 2” ou pagamento “por fora”, configurando contabilidade paralela, nos termos do Relatório Circunstanciado de Encerramento do inquérito. Considerando a denúncia do MPT, foram solicitadas a esse Órgão, oficialmente, cópias dos cadernos apreendidos e da Ação Civil Pública. Durante o procedimento fiscal, foram cotejadas essas informações com os valores constantes em folha de pagamento e em GFIP apresentadas pela empresa à fiscalização. Dessa análise, verificouse que o contribuinte somente declarou os valores de jornada normal de trabalho dos segurados empregados, que, em sua maioria, correspondia ao salário mínimo, sem, entretanto, incluir os valores pagos a títulos de horas extras e ganhos habituais constantes nos cadernos apreendidos. Diante da evidência de que os valores de remuneração da folha de pagamento e da GFIP não demonstravam a verdade real, foram apuradas as diferenças entre os valores constantes em folha de pagamento e GFIP e nos cadernos apreendidos, como também aqueles valores totais de remunerações de segurados que só foram registradas nos cadernos apreendidos, fatos geradores esses discriminados nos anexos XVI e XVII. Ainda, durante a ação fiscal, foi também constatado que a empresa não recolheu contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga aos contribuintes individuais discriminados no anexo X, sendo que o anexo XI demonstra o valor pago a esses contribuintes individuais, elaborado a partir dos registros contábeis, fornecidos pela empresa em arquivo MANAD. Os documentos comprobatórios desses pagamentos, fornecidos pela empresa, encontramse no anexo VII. Fl. 11315DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Foi verificado também que a empresa deixou de incluir em folha de pagamento e GFIP a remuneração paga a segurados empregados, que, durante o período fiscalizado, lhe prestaram serviços, conforme informações cadastrais constantes no anexo XII, extraídos do arquivo digital Manad. Com esses dados, foi verificado que os segurados, discriminados no anexo XIII, não apareciam em todas as competências, tendo a empresa sido intimada a apresentar as folhas complementares de pagamentos desses segurados, contudo não as apresentou. Verificadas as rescisões de contrato de trabalho fornecidas pela empresa, não constava desligamento desses empregados. Diante disso, procedeuse à aferição indireta da remuneração desses empregados, considerando como remuneração recebida, na competência faltante, o valor recebido em folha de pagamento da competência anterior ou o salário mínimo da época, conforme anexo XIV. Para os segurados cujo valor da remuneração não se pode aferir pela competência anterior, por falta de folha de pagamento ou GFIP, a remuneração foi aferida pelos valores declarados nas DIRFs dos anoscalendários de 2005 e 2006, conforme anexo XV. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 29/03/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 05/04/2010. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 11276 a 11289. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, fls. 11291 a 11295. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 11299 a 11310, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, porém estabelecendo que a autoridade julgadora não julgou todos os argumentos trazidos, cerceando o direito de defesa. 1. –que não foram apreciadas na decisão de primeira instância as preliminares de nulidade suscitadas o que importa cerceamento do direito de defesa. 2. A autoridade fiscal, por ser da carreira fazendária deixou de decidir com isenção. 3. A defesa apresentada pautouse apenas em questão de direito, entretanto a decisão alega a falta de prova, mas a presunção de veracidade do ato administrativo não autoriza a inobservância das regras de tributação e do lançamento tributário. A autoridade deveria em sua réplica se opor aos argumentos da autuada, caracterizando vício de consentimento. 4. Preliminarmente, o auto de infração é ato incompleto, insuficiente para produzir os efeitos jurídicos de onerosidade ao contribuinte; 5. que, apesar de mencionados como anexo, faltaram os relatórios DAD, RDA, RADA, DAL e Vínculos, bem como o relatório de anexos descritos no CDR; 6. não há especificação concisa e precisa dos fatos geradores, bem como falta a tipificação do fato gerador do mês e ano de competência, nem descrição do fato econômico que deu causa a lavratura, nem tipificação do fato gerador. Fl. 11316DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.720505/201035 Acórdão n.º 240102.089 S2C4T1 Fl. 3 5 7. –a menção dos anexos não supre a essência do auto acima, pois os 3 que vieram são genéricos. 8. O auto levou em consideração dado levantados em inquérito judicial, assim o ato fiscal ficou contaminado com dados e conclusões levantados por autoridade que não tem competência para agir em nome da fazenda pública. A atividade do lançamento é indelegável. 9. Inexiste o fato gerador do tributo questionado, portanto sem fato gerador não há obrigação tributária, tal afirmativa decorre da disposição do CTN. Nada mais existe além da suposição de fatos geradores, são meros indícios que geraram conclusões precipitadas 10. Impossível é o agente público, de forma subjetiva ou isoladamente criar um novo fato gerador do tributo fundado apena em indícios, não superando as fases da investigação da materialidade tributária. 11. A fases do Processo Tributário foram atropeladas ou preteridas ao não cumprir a diligência fiscal completamente, pois o lançamento buscou a suposta materialidade tributária apenas em dados supostamente existente em outro processo. 12. faz inserção de comentários ao relatório fiscal, como: deixou o autuante de apurar as diferenças de imposto suplementar; pode ocorrer que algum funcionário favorecido não tenha o seu nome na GFIP; se alguma remuneração não constava da base de cálculo da Guia, caberia o questionamento à autuada; que a autuada não recebeu nenhuma reclamação para se sanar eventuais defeitos de gravação; se houve alguma omissão no percurso da fiscalização e a autuada não foi questionada, por certo houve um erro de procedimento, tal fato é imputado ao trabalho fiscal fora do ambiente da autuada; 13. o anexo XI se confunde com o anexo X, e o anexo VII não foi dado a conhecimento da autuada, assim houve cerceamento de defesa; 14. que a documentação apreendida não conclui se tratar de “pagamento por fora”, e que as reclamatórias trabalhistas favorecem os empregados e levam as empresas a empregar menos; 15. que os documentos apreendidos são insuficientes para constituir fato gerador das obrigações previdenciárias, e se amparam em indícios; 16. que os anexos II, III, VIII não foram dados a conhecimento da autuada, caracterizando cerceamento de defesa; solicita que tais anexos sejam desconsiderados ou dados a conhecimento da autuada; 17. que a Representação Fiscal tratase de ato de opressão perante a empresa; 18. que a fundamentação legal não foi dada a conhecimento da autuada, bem como os relatórios mencionados em anexo não foram dados a conhecimento da autuada, alías são tantos relatórios que um se confunde com outro; 19. que uma mídia digital não constitui elemento de prova, pois ainda não chegamos a essa evolução processual; Fl. 11317DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 20. requer a nulidade do AI, bem como a insubsistência dos seus efeitos, inicialmente pelas preliminares, e se estas foram superadas sejam admitidas as razões de mérito para desconstituir o lançamento. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 11318DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.720505/201035 Acórdão n.º 240102.089 S2C4T1 Fl. 4 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 11311. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: DA NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Com relação a alegação de que a autoridade julgadora, não apreciou devidamente o feito, ignorando os argumentos de nulidade apresentados, ressalto que a Decisão Notificação enfrentou as alegações, sendo desnecessário apreciar uma a uma, quando afastadas as alegações em conjunto. O fato de não ter a autoridade julgadora acatado as alegações do impugnante, de forma alguma, descreve a nulidade da decisão, quando se identifica a apreciação dos fatos e questões de direito suscitadas. NULIDADE PELA FALTA DOS RELATÓRIOS ANEXOS AO AUTO DE INFRAÇÃO Assim como já mencionado pela autoridade julgadora, não apresentou o recorrente, elementos de prova de que os relatórios fiscais não constavam do CDR entregue e autenticado no momento da entrega. Em havendo cerceamento do direito de defesa, pela não entrega de documentos que compõem o auto de infração, competiria a empresa autuada, demonstrar, ou mesmo apresentar dito CDR perante a autoridade da DRFB no intuito de que, em demonstrando a alegada falta, mas não apenas alegar. Dessa forma, não há como acatar a nulidade pretendida de cerceamento do direito de defesa. NÃO DISCRIMINAÇÃO CORRETA DOS FATOS GERADORES Alegando ainda nulidade, argumenta o recorrente que a falta de motivação para apuração do fatos geradores, sendo que a empresa alega que não realizava qualquer pagamento por fora, mantendose regular perante a previdência social, também é ineficaz para refutar o lançamento. Entendeu o recorrente que o auditor pautouse em considerações de inquérito judicial que não demonstra a realidade contaminandose em documentos que não os pertinentes ao processo administrativo. Quanto as ditas alegações, em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, conforme alegado pela recorrente. Destacase como passos necessários a realização do procedimento: Fl. 11319DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Ø autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; Ø intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária, inclusive solicitando esclarecimentos sobre diversos pontos apurados durante o procedimento quanto a não contabilização de valores. Ø autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida indicação dos motivos que ensejaram a autuação, valendose de documentos externos e conclusões de autoridades incompetentes para apurar o crédito tributário, entendo que razão não assiste ao recorrente. Apesar de o procedimento tomar por base denúncia do Ministério Público do Trabalho, é relevante o fato que a constatação de que os documentos e registros efetuados pela empresa não demonstravam a totalidade dos fatos geradores deuse por documentos apreendidos na própria empresa, ou seja, não foram pautados em considerações de terceiros. Quanto a isso nada falou o recorrente para desconstituir as provas apresentadas, alegando tão somente que não passam de indícios incapazes de demonstrar a ocorrência do fato gerador. Observamos que o relatório fiscal da infração, associado ao demais relatórios que compõem o AI demonstram com detalhes as competências e o fatos geradores apurados, tendo o relatório fiscal detalhado de forma satisfatória todos os motivos que levaram a autoridade fiscal a valerse da aferição para apuração dos valores devidos. Assim, primeiramente descreveu a autoridade as irregularidades quanto ao pagamento de valores por fora da folha, conforme descrito em reclamatórias trabalhistas e documentos apurados pelo MPT, e que foram repassados para autoridade fiscal apreciar. Ao contrário do entendimento do recorrente, a falta de contabilização de valores, e a identificação de outros meio de pagamento de salários cadernetas, levaram a autoridade fiscal, a considerar parâmetros para que se apure a mão de obra, capaz de refletir o movimento real da empresa. Neste caso, perfeitamente aceitável não apenas a aferição, como também entendo plenamente cabível a inversão do ônus da prova. Notese que não se trata de contabilização de valores pela empresa, que acabaram desconstituídos pela autoridade fiscal. Pelo contrário, a autoridade fiscal constatou diversas omissões contábeis da empresa, solicitando esclarecimentos, contudo, simplesmente apresentou a empresa defesa e recurso, sem demonstrar com elementos probatórios suas alegações. Entendo que competiria a empresa demonstrar que efetivamente registrava todos o valores pagos por meio das cadernetas, mas apenas promoveu alegações, sem qualquer elemento de prova. Oras, o registro contábil dos fatos da empresa, é que servirá como meio hábil a comprovar o fiel cumprimento da legislação previdenciária. Não se trata aqui de mera Fl. 11320DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.720505/201035 Acórdão n.º 240102.089 S2C4T1 Fl. 5 9 obrigação acessória, posto que o desrespeito a contabilização de todos os fato geradores, é quelevou ao descrédito de todo o procedimento da empresa. Assim, por ser a atividade do auditor vinculada e havendo indícios de ausência de contabilização de mão de obra, compete a autoridade fiscal, lançar o que entende devido, é claro que dentro de parâmetros descritos pelas normas da previdência social. Assim, prescreve o artigo 33, §§ 1°c 6° da Lei n°8.212/1991: " Art. 33. (.) § I° É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei n°11.941, de 2009). § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova, em contrário." (grifei). Simplesmente alegar, sem demonstrar a ausência de pagamentos, ou mesmo que os mesmos foram devidamente registrados e recolhidos não é suficiente para refutar o lançamento. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, ou a auência de contabilização do movimento real da empresa, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito DO MÉRITO As questões alusivas ao mérito, trazidas pelo recorrente possuem pertinência direta com a preliminar de nulidade apreciada, visto tratarse de alegação de impropriedade na aferição executada. Fl. 11321DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autode infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. Conforme prevê o art. 33, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado a exibir os livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art.33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9/07/2001) (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. Assim, a exigência da fiscalização não foi desmedida, pois a solicitação foi realizada no prazo estabelecido na legislação. A AuditoraFiscal agiu de acordo com a norma aplicável, e não poderia deixar de fazêlo, uma vez que sua atividade é vinculada. Desse modo, a recorrente praticou a infração, pois a não contabilização de pagamentos, ou mesmo registros “por fora”acarreta a responsabilidade do infrator pela penalidade prevista na legislação previdenciária. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é de conhecimento, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 11322DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.720505/201035 Acórdão n.º 240102.089 S2C4T1 Fl. 6 11 § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Conforme descrito no art. 96 do CTN, a legislação engloba não apenas as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos, mas também as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal, indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista na Lei n ° 8.212/1991. Considerando que a autoridade fiscal, teve acesso a diversos documentos pertinentes ao pagamento de remuneração de segurados empregados, pagamento estes, que embora não estejam descrito na contabilidade em sua totalidade, constituem salário de contribuição e por conseguinte base de cálculo de contribuições previdenciárias, entendo correto procedimento fiscal descrito, que apurou outra bases além das reconhecidas pela empresa em sua GFIP. Notese que mesmo depois de ter suas alegações de impugnação sido afastadas, não fez o recorrente, qualquer prova do alegado, trazendo qualquer novo documento para demonstrar as ditas inconsistências, mas tão somente Assim, entendo que a fiscalização seguiu o trâmite correto, sendo que as alegações da recorrente em sua totalidade foram incapazes de desconstituir o lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar as preliminares de nulidade e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 11323DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10640.003324/2009-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO PRESUMIDA DE RENDIMENTOS.
Presume-se a existência de renda omitida em montante igual aos depósitos e créditos bancários de origem não comprovada, cuja titularidade seja da pessoa fiscalizada.
IMPUGNAÇÃO E RECURSO DESTITUÍDOS DE PROVAS.
A impugnação e recurso deverão ser instruídos com os documentos que fundamentem as alegações do interessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.761
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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OMISSÃO PRESUMIDA DE RENDIMENTOS. Presumese a existência de renda omitida em montante igual aos depósitos e créditos bancários de origem não comprovada, cuja titularidade seja da pessoa fiscalizada. IMPUGNAÇÃO E RECURSO DESTITUÍDOS DE PROVAS. A impugnação e recurso deverão ser instruídos com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 04/02/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Fl. 522DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.003324/200964 Acórdão n.º 210201.761 S2C1T2 Fl. 491 2 Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 466 a 469 da instância a quo, in verbis: Trata o presente processo do Auto de Infração de fls.02/07, lavrado pela Fiscalização em 02/10/2009, contra o contribuinte retro identificado, que resultou na cobrança do crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, referente ao exercício financeiro de 2007, no montante de R$ 1.225.535,75, sendo R$ 608.055,45 de imposto de renda, R$ 456.041,58 de multa proporcional (passível de redução), e R$ 161.438,72 de juros de mora calculados até 30/09/2009. O lançamento efetuado decorreu da apuração pela autoridade revisora de omissão de rendimentos, ocorrida durante o anocalendário de 2006, na importância de R$ 2.226.426,07, caracterizada por valores creditados em contas/correntes mantidas pelo interessado nas instituições financeiras Banco Brasileiro de Descontos S/A (BRADESCO), Banco Mercantil do Brasil S/A e Banco do Brasil S/A, cuja origem dos recursos utilizados nessas operações não foi comprovada mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, tudo conforme expresso no item “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” de fls.04/05 – parte integrante do Auto de Infração contestado – e Relatório Fiscal de fls.08/11. Às fls.212/218, o contribuinte, por meio de seu bastante procurador nomeado pelo instrumento de fls.23 insurgese contra o lançamento efetuado, apresentando seus argumentos que, em apertada síntese, são os seguintes: 1) Exerce as atividades econômicas de sócioadministrador e majoritário da empresa Laticínios Madre de Deus de Minas Ltda e também de produtor rural e os valores movimentados em suas contas/correntes tinham como origem as atividades acima citadas; 2) “A exigência fiscal tem por fundamento legal o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 que, por ser lei ordinária, não é instrumento hábil para definição de fato gerador, o citado dispositivo tão somente autoriza a presunção de ocorrência do fato gerador”; 3) “Os depósitos bancários, por si só, não constituem fatos geradores do IRPF, configuram tão somente um indício, cabendo ao Fisco comprovar que os depósitos representam omissão de rendimentos”; 4) A produção da empresa é praticamente toda destinada ao Estado do Rio de Janeiro, “local onde se concentram os depósitos bancários”, tendo solicitado de alguns clientes que firmassem declaração informando em qual conta bancária efetuavam os pagamentos das notas fiscais referentes ás aquisições dos produtos do Laticínios Madre de Deus de Minas Ltda, em anexo; 5) A sua atividade rural pode ser provada com a inscrição no cadastro de contribuintes da SEF/MG e notas fiscais de venda de produção, em anexo; 6) “Depósito bancário não constitui disponibilidade econômica ou jurídica uma vez não constituir renda e nem proventos”; 7) “Ocorreu foi um erro na Declaração de Ajuste Anual, na qual não foi declarada a informação atinente à atividade rural, como já informado a autoridade lançadora”. Para corroborar seus argumentos, o interessado cita textos da lavra dos ilustres juristas Alfredo Augusto Becker e Paulo Ayres Barreto, bem como transcreve ementas de Acórdãos exarados pela Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.003324/200964 Acórdão n.º 210201.761 S2C1T2 Fl. 492 3 Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, não acatou as preliminares argüidas e no mérito, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente e provas apresentadas foram insuficientes, no seu entender, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE ATOS LEGAIS. INCOMPETÊNCIA DOS ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS. Os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de apreciar matéria de ordem constitucional, por extrapolar os limites de sua competência. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Com a edição da Lei n.º 9.430/96, a partir de 01/01/1997 passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito do impugnante fazêlo em outro momento processual. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 474 a 482, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação, requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: I. DA DECISÃO RECORRIDA. Da leitura do relatório condutor do voto concluise, com segurança, que as provas apresentadas não foram sequer analisadas, deixando, assim, de ser cumprida a legislação que rege a matéria. A confusão do relator fica evidenciada Fl. 524DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.003324/200964 Acórdão n.º 210201.761 S2C1T2 Fl. 493 4 quando este referese a determinada alegação de inconstitucionalidade feita pela Impugnante, o que não corresponde aos fatos, já que em momento algum da defesa foi alegada qualquer violação de princípios constitucionais. Além disso, ao contrário do afirmado, as provas anexadas provam sim a origem dos depósitos. Aliás, a decisão deixou, inclusive, de aplicar corretamente a legislação, in casu o § 5°, art. 43, Lei 9.4301/96; II. DO DIREITO. No lançamento ora hostilizado, conforme as provas juntadas, não ocorreu a hipótese do fato gerador definido para o IRPF como o exigido_ Os valores movimentados tem como origem o faturamento da pessoa jurídica, e o IRPF incidente sobre a produção rural tem legislação própria, e que não observada pela autoridade lançadora. Que a exigência fiscal tem por fundamento legal o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 que por ser lei ordinária não é instrumento hábil para definição de fato gerador. III. DA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. Como afirmado alhures, a Recorrente não só alegou a origem dos valores depósitos, mas por meio de documentos hábeis e idôneos comprovou que a movimentação financeira nas contas correntes mantidas pelo Recorrente nos Bancos do Brasil, Mercantil do Brasil e Bradesco teve como origem o movimento de produtor rural e que os depósitos efetuados no Bradesco tem por origem pagamentos à pessoa jurídica Laticínios Madre de Deus de Minas Ltda. por fornecimento de mercadoria, ocorrendo na hipótese recursos pertencentes a terceiros. IV. DO FATO NOVO. A Delegacia da Receita Federal remeteu para a Receita estadual cópia do relatório fiscal, cópia dos extratos bancários, bem como cópia da impugnação apresentada. Assim procedendo, enviando documentos para que a Receita Estadual verificasse a ocorrência da regularidade fiscal da pessoa jurídica quanto ao imposto estadual sobre operações com mercadorias, resta provado que a própria Receita Federal admitiu ser os valores movimentados oriundos da comercialização dos produtos de fabricação da pessoa jurídica e assim sujeitos ao imposto estadual ICMS. Atendendo a política fiscal do Estado de Minas Gerais, de reduzir o contencioso fiscal, foi ofertado ao ora Recorrente a oportunidade de fazer denúncia espontânea, evitando assim, a imposição de penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Diante dos fatos apresentados, sem outra alternativa, foi efetuada a denúncia espontânea conforme documentos anexos. Os documentos nesta oportunidade anexados deixaram de ser apresentados quando da impugnação em razão de suas emissões posteriores, o que justifica a juntada nesta oportunidade. Em virtude da remessa de cópia dos documentos para o Fisco Estadual, com razão entendeu o Recorrente que a Receita Federal após comprovar a origem dos valores movimentados determinaria o arquivamento do presente processo. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.003324/200964 Acórdão n.º 210201.761 S2C1T2 Fl. 494 5 DA DECISÃO RECORRIDA Discordo da análise feita pelo recorrente da decisão recorrida. Não houve a citada confusão ao ser incluída a questão da inconstitucionalidade, pois, ela é decorrente da alegação do recorrente conforme indicado no item 2) do resumo da impugnação apresentada. no relatório do próprio Acórdão DRJ, fl. 467. Já quando o recorrente diz que a autoridade deixou de aplicar corretamente a legislação, in casu o § 5°, art. 43, Lei 9.4301/96, entendo que quer se referir ao parágrafo do art. 42, já que o artigo 43 desse diploma legal não mostra esse parágrafo. Assim sendo, mais uma vez, discordo. Feita análise dos documentos apresentados, a autoridade recorrida, proferiu o seu julgamento entendendo que as provas apresentadas eram insuficientes. Importante ressaltar que na autuação, adotouse o critério legal e normativo de apuração do tributo e que é certo que o contribuinte tem a prerrogativa de elaborar seu recurso na forma que entender adequada, em face de seu direito de ampla defesa, garantido inclusive na Constituição Federal de 1988. Todavia, é cediço no Superior Tribunal de Justiça, STJ, que a autoridade julgadora não fica obrigada a manifestarse sobre todas as alegações do recorrente, nem a aterse aos fundamentos indicados por ele ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, fato que ocorreu no presente caso. Concluo que não merece prosperar alegações de vícios na decisão recorrida que possam sugerir qualquer preterição do direito de defesa do recorrido ou sua nulidade. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Auditados os extratos bancários, a autoridade compilou todos os créditos bancários e intimou por 3 (três) vezes a contribuinte a comproválos, fls. 19, 148 e 166 considerados de origem não comprovada, para os quais a contribuinte poderia comproválos, contudo, não o fez insistindo na tese que se tratam de movimento da Fazenda de sua propriedade, que por erro deixou de constar em sua Declaração de Ajuste Anual e movimentação financeira da pessoa jurídica Laticínios Madre de Deus de Minas. Ressalto que a fiscalização envidou esforços para investigar e consubstanciar essa alegação da origem dos depósitos, como se vê nas intimações citadas e resumida no Relatório Fiscal, fl. 8/9: O contribuinte foi intimado, através de termo lavrado em 15/06/2009, a comprovar mediante apresentação de documentação hábil, a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, conforme relacionado em planilha anexa ao termo. Neste termo é informado ao interessado que a Declaração de Produtor Rural não foi apresentada conforme consta de sua resposta anteriormente encaminhada e que os depósitos efetuados em suas contascorrentes, decorrentes da atividade da pessoa Jurídica Laticínios Madre de Deus de Minas, deverão ser comprovados mediante apresentação de cópias autenticadas dos livros Diário e Razão, onde estejam escrituradas estas operações, bem como toda a documentação comprobatória (fls. a ). Em resposta ao termo supra citado, o contribuinte informou que: 1. Foi solicitada ao Bradesco a identificação dos depósitos e solicita prazo "razoável" para atendimento A intimação; Fl. 526DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.003324/200964 Acórdão n.º 210201.761 S2C1T2 Fl. 495 6 2. A pessoa Jurídica Laticínios Madre de Deus de Minas apurava seus impostos e contribuições pelo Lucro Presumido e não possuía escrituração contábil, assim não possui os livros Diário e Razão; 3. Encaminha Declaração de Produtor Rural. No Termo de Intimação Fiscal n° 03, recebido pelo fiscalizado em 10/08/2009, conforme Aviso de RecebimentoAR, é ratificada a solicitação de comprovação dos depósitos bancários e é informado ao contribuinte que, para comprovação dos créditos efetuados em sua contacorrente decorrentes da atividade da pessoa Jurídica Laticínios Madre de Deus de Minas, é necessária a apresentação de cópias autenticadas do Livro Caixa ou apresentação do próprio livro, e, neste caso, as cópias seriam tiradas na Delegacia da Receita Federal em Juiz de Fora (fls. a ). Em 30/09/2009 o contribuinte apresentou planilha emitida pelo Banco Bradesco, com discriminação da Agência/Cidade de origem doa depósitos, porém sem identificação do depositante. Apresentou também, nesta data, cópia de fax emitido pelo Serviço de Inspeção Federal da Secretaria de Defesa Agropecuária, onde consta o destino dos produtos industrializados pela empresa Laticínios Madre de Deus de Minas. O contribuinte nada apresentou a respeito dos depósitos efetuados no Banco do Brasil e no Banco Mercantil do Brasil SA. Em sua resposta de fls. , o fiscalizado alegou que os valores movimentados em suas contas bancárias eram provenientes da produção de fazenda de sua propriedade e das vendas efetuadas pela pessoa Jurídica Laticínios Madre de Deus de Minas. Até a presente data o contribuinte somente apresentou alegações e não comprovou a origem de qualquer depósito em suas contascorrentes. Nem mesmo a contabilidade da empresa deu suporte ao interessado para identificação dos depósitos efetuados. Importante observar que o contribuinte em nenhum momento não atacou as omissões de forma individual, demonstrando de forma inequívoca, quaisquer valores que tenham sido transportados equivocadamente ou erros de cálculo. Ora, sem a apresentação de documentos sem a mínima capacidade de um batimento individualizado dos depósitos não há como terse provas suficientes para socorrer o contribuinte. Esclareço que o art. 42 da Lei nº 9.430/96 obriga o contribuinte a comprovar a origem dos depósitos bancários, de forma individualizada, sob pena deles serem presumidos como rendimentos omitidos. Da análise dos documentos apresentados pelo recorrente em nenhum momento deste processo foi feito. Destaco as planilha de fls. 185 a 202, apresentadas pelo próprio contribuinte, onde se vê que quase a totalidade dos depósitos indicados consta como NÃO IDENTIFICADO. O que podemos compreender destes autos é que o recorrente concentrou suas razões em questões de direito já superadas por súmulas deste Conselho. Acerca da alegação que o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 que por ser lei ordinária não é instrumento hábil para definição de fato gerador, aproveito o que diz a Súmula CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 Fl. 527DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.003324/200964 Acórdão n.º 210201.761 S2C1T2 Fl. 496 7 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Logo, a tese defendida pelo contribuinte, no que diz respeito à matéria já sumulada, não pode prosperar. Verificase que a contribuinte contestou, contudo, não apresentou qualquer documento ou sequer indicou quaisquer valores que tenham sido transportados equivocadamente ou erros de cálculo. Assim, constatadas as irregularidades descritas nos autos de infração, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias e não tendo a contribuinte apresentado qualquer prova ou argumento capaz de elidir o que lhe foi imputado, devem ser mantidas as exigências lançadas. FATO NOVO Nesse item, o recorrente alega e apresenta documentação dizendo que a denúncia espontânea junto ao fisco estadual de créditos tributários, no mesmo período, da pessoa jurídica Laticínios Madre de Deus de Minas, comprovaria a origem dos depósitos determinando o arquivamento do processo. Por oportuno, cabe aqui transcrever o disposto no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (alterado pelas Leis nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993, e nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997), arts. 16, III, e 17, que disciplina o processo administrativo fiscal: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (grifei) Em citação contida na obra de Miranda, Darcy Arruda e outros, CPC nos Tribunais, Editora Jurídica Brasileira Ltda., 1995, v. V, p. 3.768, ao comentar o art. 302 do CPC, o qual trata da necessidade de o réu “manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial”, salienta o Prof. J. J. Calmon de Passos: Se o fato narrado pelo autor não é impugnado especificamente pelo réu e de modo preciso, este fato, presumido verdadeiro, deixa de ser objeto de prova, visto como só os fatos controvertidos reclamam prova. (Comentários ao Código de Processo Civil, Forense, v. III, n.º 151, p. 275). É imperioso ressaltar que, no que diz respeito ao ônus da prova na relação processual tributária, a idéia de onus probandi não significa, propriamente, a obrigação, no sentido da existência de dever jurídico de provar, tratandose antes de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível se obter o êxito na causa. Sob esta perspectiva, a pretensão da Fazenda deve estar fundada na ocorrência do fato gerador, cujos elementos configuradores se supõem presentes e comprovados, atestando a identidade de sua matéria fática com o tipo legal. Se um desses elementos se ressentir de certeza, ante o contraste da impugnação, incumbe à Fazenda, o ônus de comprovar a sua existência. Da mesma forma, o sujeito passivo, não tem a obrigação de produzir as provas, tão só incumbelhe o ônus. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.003324/200964 Acórdão n.º 210201.761 S2C1T2 Fl. 497 8 Contudo, à medida que ele se omite na produção de provas contrárias às que ampararam a exigência fiscal, compromete suas possibilidades de defesa. Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco no momento correto, que nesse caso da origem dos depósitos, era durante a fiscalização, quando a autoridade fiscal teria condições de atestar essa alegação. Contudo, conforme já narrado acima, mesmo tendo sido intimado, as provas contábeis não foram apresentadas. Entendo que não se justifica dizer que somente agora é possível a apresentação dessas provas, já que os fatos geradores, quais sejam os depósitos bancários, se tivessem origem nas pessoas jurídicas ou atividade rural, teriam suporte em outros tipos de documentos como, p.ex., cheques, notas fiscais e registros fiscais e contábeis de forma coincidente com os valores considerados na autuação. Contudo, isso não foi apresentado. De outro lado, a planilha constante dessa autodenúncia apresentada ao fisco estadual de fl. 485, nesse momento processual, por si só, não tem condições de se contrapor ao lançamento efetivado de forma a desconstituílo. Tampouco podese inferir que seriam as mesmas receitas. Concluo assim que a impugnante apresentou alegações acerca de vícios que estariam presentes na autuação, contudo, da análise dessas alegações, verificase que nada de concreto foi realmente apresentado ou comprovado. Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10380.003655/2005-89
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/07/2002 a 31/10/2004
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO PARA
INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. ART. 33 DO DECRETO
70.235/72. INTEMPESTIVIDADE.
O recurso voluntário é o recurso cabível contra a decisão de Primeira
Instância, proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, sendo
de 30 (trinta) dias o prazo para a sua interposição, contados do dia seguinte
da data da notificação do contribuinte, assinalada no Aviso de Recebimento.
RECURSO DE OFÍCIO. APURAÇÃO DO FATURAMENTO A PARTIR
DE INFORMAÇÃO DO ICMS. OPERAÇÕES QUE NÃO CONFIGURAM
VENDA DE MERCADORIAS E DE SERVIÇOS.
Verificado em diligência fiscal que foram equivocadamente computados
como faturamento os valores de notas fiscais que não representam a venda de
bens e serviços, mas que apenas amparavam a mera remessa e o trânsito de
mercadoria, correta a exclusão destes valores da base de cálculo, visto que
não configuram receita.
Recurso voluntário não conhecido e recurso de ofício não provido.
Numero da decisão: 3403-001.301
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
tomar conhecimento do recurso voluntário por intempestivo e negar provimento ao recurso de
ofício
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. ART. 33 DO DECRETO 70.235/72. INTEMPESTIVIDADE. O recurso voluntário é o recurso cabível contra a decisão de Primeira Instância, proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, sendo de 30 (trinta) dias o prazo para a sua interposição, contados do dia seguinte da data da notificação do contribuinte, assinalada no Aviso de Recebimento. RECURSO DE OFÍCIO. APURAÇÃO DO FATURAMENTO A PARTIR DE INFORMAÇÃO DO ICMS. OPERAÇÕES QUE NÃO CONFIGURAM VENDA DE MERCADORIAS E DE SERVIÇOS. Verificado em diligência fiscal que foram equivocadamente computados como faturamento os valores de notas fiscais que não representam a venda de bens e serviços, mas que apenas amparavam a mera remessa e o trânsito de mercadoria, correta a exclusão destes valores da base de cálculo, visto que não configuram receita. Recurso voluntário não conhecido e recurso de ofício não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso voluntário por intempestivo e negar provimento ao recurso de ofício. Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para a exigência de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins em relação a fatos geradores ocorridos no período de 31/07/2002 a 31/10/2004 (fls. 06/13). O contribuinte apresentou impugnação (fls. 212/224) alegando que a Fiscalização simplesmente somou os valores constantes nas Guias Mensais de Informação do ICMS (GIM), sem atentar para o fato de que boa parte destes valores não corresponderiam à receita, pois referiamse a movimentações de mera remessa e retorno de mercadorias por conta de terceiros. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza/CE (DRJ), por meio do Acórdão nº 0812.695, de 18 de janeiro de 2008 (fls. 524/536), julgo procedente em parte a autuação, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002, 2003, 2004 Diferença apurada entre os valores declarados e os escriturados (Verificações Obrigatórias). Mantémse em parte a exigência decorrente das diferenças verificadas entre os valores da Cofins declarados e os escriturados, quando os elementos de fato ou de direito apresentados pelo contribuinte forem suficientes para infirmar parcialmente os valores lançados pela Fiscalização. Diligência: Anocalendário: 2004 Tendo em vista que a Fiscalização no anocalendário de 2004 utilizou os dados totais das saídas de mercadorias e/ou serviços registrados pelo contribuinte nas Guias de Informação Mensal do ICMS GIMs, sem excluir os valores que não corresponderiam as vendas efetivas, recompõese, com base no resultado da diligência procedida, a base de cálculo da Cofins, excluindose dos valores originalmente lançados aqueles que não dizem respeito à receita bruta. Lançamento Procedente em Parte Assim, fundada no resultado da diligência fiscal, a DRJ concluiu pelo cancelamento parcial do Auto de Infração, reduzindo as bases de cálculo em relação aos períodos de janeiro a outubro de 2004 (planilha de fl. 535/536). Em razão do valor da desoneração, o acórdão da DRJ cuidou de interpor recurso de ofício. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.003655/200589 Acórdão n.º 3403001.301 S3C4T3 Fl. 2 3 O contribuinte, por sua vez, interpôs recurso voluntário (fls. 547/568) reiterando os mesmos fundamentos da sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator. 1. O recurso voluntário. O recurso voluntário foi protocolado pelo contribuinte depois de esgotado o prazo de 30 (trinta) dias para sua interposição. Por força de disposição expressa do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, o início do prazo começa da “ciência da decisão”, ou seja, da notificação válida do contribuinte. Neste caso, a notificação foi promovida por meio do envio de carta com aviso de recebimento, de modo que aconteceu na data indicada no Aviso de Recebimento, começandose a contar o prazo no dia seguinte. O contribuinte foi notificado em 22/04/2008 (fl. 546) e apenas protocolou seu recurso no dia 02/06/2008 (fl. 547), ou seja, muito tempo depois de esgotado o prazo para a interposição do recurso (cujo dies ad quem foi 22/05/2008). Não se pode, portanto, tomar conhecimento do recurso voluntário do contribuinte. 2. O recurso de ofício. A decisão da DRJ exonerou o contribuinte de valor superior ao teto previsto na Portaria MF nº 3/2008 para a dispensa do recurso de ofício, de modo que é de rigor o seu conhecimento. Isto fica evidente na própria planilha constante do voto condutor do acórdão na DRJ (fl. 535). O cancelamento parcial da exigência é fundamentado no acórdão da DRJ em dois parágrafos, os quais se transcreve abaixo: 7.2.4 Relevandose, pois, os argumentos trazidos pela defesa, o processo foi submetido à diligência, conforme Resolução DRJ/FORT/CE n° 664, de 17/08/2005 (V. II, fls. 487/491), por meio da qual solicitouse da autoridade Preparadora que realizasse o referido procedimento junto ao contribuinte a fim de dirimir a dúvida quanto a tais alegações, requerendose inclusive a elaboração de despacho circunstanciado evidenciando os reais valores das bases de cálculo a serem utilizadas para a apuração da Cofins; 7.2.5 Ao proceder a diligência requerida, o servidor competente designado, constatou serem pertinentes as alegações da impugnante, uma vez que, na verdade, parte significativa dos valores que integraram a base de calculo Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 original não deveriam compôla, pois se tratavam de simples remessas ou saídas de outras naturezas que não se caracterizavam como vendas. Assim, elaborou Relatório próprio, no qual fez constar os valores efetivos das vendas ou receita bruta retratada no demonstrativo abaixo: (…) O inteiro teor da diligência fiscal se encontra às fls. 494/496, nos seguintes termos: 3. Tendo em vista a anexação dos elementos da escrita fiscal da diligenciada pertinente ao ano de 2004 (cópias do Livro de Apuração do ICMS e das Notas Fiscais de Saída), somente agora na fase de impugnação nos foi possível procedermos A analise de tais elementos, no caso, atender ao determinado na diligência, ou seja, identificar se as operações de saída de mercadorias são caracterizadas como venda/faturamento ou se simples remessas de mercadorias, devendo neste caso serem excluídas da composição da base de cálculo dessa contribuição; 4. Da análise realizada na GIEF Guia Anual de Informações Econômico Fiscais relativa ao ano de 2004 apresentada pelo contribuinte A Secretaria de Fazenda do Estado do Ceara, e que foi encaminhada a esta DRF pelo órgão estadual através do Oficio CATRI n° 0407/2007, concluímos que os valores das saídas de mercadorias da diligenciada, no ano de 2004, segundo os Códigos Fiscais de Operações e Prestações (CFOP), referemse quase que totalmente a operações de simples remessas, não se constituindo, portanto, em venda ou faturamento; 5. Assim, pôdese constatar que os valores das saídas de mercadorias constantes do Livro de Apuração do ICMS no ano de 2004, apresentado pelo c6ntribuinte na impugnação (cópia de fls. 291/319) guardam estreita correlação com aqueles informados na aludida GIEF; (…) 9. Por fim, em consonância com os fatos trazidos na pega impugnatória e para dar cumprimento a determinação da DRJ/FOR, elaboramos, a partir dos registros do mencionado Livro de Apuração do ICMS, demonstrativo indicando os novos valores da Receita Brutamensal da autuada (base de calculo da contribuição) relativo ao Anocalendário de 2004, conforme consta em anexo. Percebese que a diligência fiscal foi categórica em concluir que os valores tomados pela Fiscalização em relação ao anobase 2004 não correspondiam à receita de venda de mercadorias, promovendo assim o levantamento da efetiva base de cálculo da contribuição e, então, sugerindo a exclusão de tudo que excedesse a este valores. Voto, por isso, por negar provimento ao recurso de ofício. Ivan Allegretti Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.003655/200589 Acórdão n.º 3403001.301 S3C4T3 Fl. 3 5 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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