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Numero do processo: 14479.000425/2007-91
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/1998 a 30/11/1998
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2402-000.115
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, pois declarou-se a decadência das contribuições apuradas.
Nome do relator: Marcelo Oliveira
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1998 a 30/11/1998 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os . •ros • 4a Câmara / 28 Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unan• . id. le de vo es, em dar provimento ao recurso, pois declarou- //se a decadência das contrib • õ - : a ! r; . as. / CELO OLIVEIRA i Presidente e Relator 1 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Ana Maria Bandeira, Lourenço 1 Ferreira do Prado, Leôncio Nobre de Medeiros (Suplente), Edgar Silva Vidal (Suplente) e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente o Conselheiro Rogério de Lellis Pinto. 1 1 Processo n° 14479.000425/2007-91 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.115 Fl. 188 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), São Paulo — Norte / SP, fls. 0105 a 0112, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 022 a 024, o lançamento refere-se a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados, correspondentes a contribuição da empresa, a contribuição para o financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT). Ainda segundo o RF, os valores da base de cálculo foram obtidos em notas fiscais de prestação de serviços, devido à recorrente não ter se elidido da responsabilidade solidária, conforme determina a legislação. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos da NFLD. Em 27/12/2005 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 001. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 028 a 054, acompanhada de anexos. A DRP analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0115 a 0144, acompanhado de anexos. Posteriormente, a DRP enviou o processo ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. 2 Processo n° 14479.000425/2007-91 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.115 Fl. 189 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Preliminarmente, devemos verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante n° 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 50 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal, a Súmula de n ° 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la. Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN). A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN. A decadência decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4°, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). 3 Processo n° 14479.000425/2007-91 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.115 Fl. 190 O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 4°, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. sç 1° - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. sç 2' - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3 0 - Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuraçào do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4' - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. 4 Processo n° 14479.000425/2007-91 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.115 Fl. 191 Ocorre que, no caso em questão, o lançamento foi efetuado em 12/2005, data da ciência, e os fatos geradores ocorreram entre as competências 06/1998 a 11/1998, portanto irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, haja vista que a decadência há de ser declarada por qualquer das regras existentes. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito DAR-LHE PROVIMENTO, face a aplicação d. • - cadência qüinqüenal. Sala - es de agosto de 2009 /das S /'-m 1 : b i r R e OLIVEIRA — Relator • 5
score : 1.0
Numero do processo: 11831.002763/2001-18
Data da sessão: Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE — IRRF
Ano-calendário: 1989
ILL - RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS POR SOCIEDADE ANÔNIMA - DECADÊNCIA.
O marco inicial do prazo decadencial de cinco anos para os pedidos de restituição do imposto de renda retido na fonte sobre o lucro líquido, pago por sociedades anônimas, se dá em 19.11.1996, data de publicação da Resolução do Senado Federal n° 82.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.253
Decisão: Acordam os membros do colegiado,1por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos à Unidade local da RFB para que aprecie as demais questões relacionadas ao pleito. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto
Freitas Barreto que dava provimento ao recurso.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allagi
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE — IRRF Ano-calendário: 1989 ILL - RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS POR SOCIEDADE ANÔNIMA - DECADÊNCIA. O marco inicial do prazo decadencial de cinco anos para os pedidos de restituição do imposto de renda retido na fonte sobre o lucro líquido, pago por sociedades anônimas, se dá em 19.11.1996, data de publicação da Resolução do Senado Federal n° 82. Recurso especial negado.
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CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 11831.002763/2001-18 Recurso n° 156.181 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-00.253 — 2 Turma Sessão de 22 de setembro de 2009 Matéria IRF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SPAL INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS S.A. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE — IRRF Ano-calendário: 1989 ILL - RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS POR SOCIEDADE ANÔNIMA - DECADÊNCIA. O marco inicial do prazo decadencial de cinco anos para os pedidos de restituição do imposto de renda retido na fonte sobre o lucro líquido, pago por sociedades anônimas, se dá em 19.11.1996, data de publicação da Resolução do Senado Federal n° 82. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,1 por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial e determinar o retorno d s autos à Unidade local da RFB para que aprecie as demais questões relacionadas ao pleito. llencido o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto que dava provimento ao rei rso. I , d CARLOS ALBER @kr ITAS B RRETO — Presidente --.. /,,,•; ',M1 retfl. -' 3r --) -` Á GONÇALO BONET A LAGE — elator EDITADO EM: a e -SEI 2009 1 , Processo n° 11831.002763/2001-18 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.253 Fl. 140 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gustavo Lian Haddad (convocado), Julio Cesar Vieira Gomes, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, temporariamente, do conselheiro Damião Cordeiro de Moraes (convocado). Relatório A Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário n° 156.181, interposto pela contribuinte Spal Indústria Brasileira de Bebidas S.A., proferiu o acórdão n° 106-17.013, que se encontra às fls. 102-105, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte — IRRF Exercício: 1990 ILL — DECADÊNCIA — SOCIEDADE ANÔNIMA — TERMO INICIAL. No caso de sociedade anônimas, o prazo inicial para contagem do prazo decadencial de restituição do ILL deve ser a data da publicação da Resolução n° 82 do Senado Federal, que se deu em 19.11.1996. Decadência afastada. A decisão recorrida, por maioria de votos, afastou a decadência do direito do contribuinte de pedir a restituição do imposto de renda na fonte incidente sobre o lucro NUido, previsto no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, relativamente a pagamento efetivado em 30/04/1990, cujo pedido fora protocolizado em 06/11/2001, determinando o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem para o enfrentamento das demais questões de mérito, vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga e Sérgio Galvão Ferreira Garcia (Suplente Convocado), que negaram provimento ao recurso. Intimada deste acórdão em 03/11/2008 (fls. 109), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 110-120, onde defendeu, em apertada síntese, que: a) O acórdão recorrido acolheu o entendimento de que o prazo de 5 anos para pleitear a restituição/compensação dos valores indevidamente pagos por sociedades anônimas a título de ILL tem como termo inicial a data de publicação da Resolução do Senado Federal n° 82/96, ou seja, o dia 19/11/1996; b) Por sua vez, a 2' Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, no acórdão n° 302-35.782, assentou o posicionamento de que o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário (artigo 168, inciso I, ,2 2 Processo n° 11831.002763/2001-18 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.253 Fl. 141 do CTN), ocorrido com o pagamento do tributo, sendo que o reconhecimento da inconstitucionalidade da exação (naquele caso, a edição da Medida Provisória n° 1.110/95) não significaria determinação para restituição ou compensação tributária, mas, apenas, ordem de não constituição do crédito tributário; c) Merece ser adotado o entendimento exarado no paradigma; d) O termo inicial do prazo para a apresentação do pedido de restituição de tributos indevidos é a data da extinção do crédito tributário, que se dá de acordo com alguma das modalidades taxativamente elencadas pelo artigo 156 do CTN, e não da data da declaração de inconstitucionalidade da norma de incidência, ou do reconhecimento pela Administração que o tributo era indevido; e) A declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal ou a Resolução do Senado Federal ou a Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal não tornaram o tributo indevido. Ele já o era antes disso; f) Os contribuintes que não ajuizaram ações com o objetivo de alcançar ordem judicial declarando a inconstitucionalidade da lei tributária devem suportar o ônus da inércia; g) A Lei Complementar n° 118/2005 não inova em nenhum momento, sendo, a ela, plenamente aplicável o disposto no artigo 106, inciso I, do CTN; h) O entendimento da Fazenda Nacional encontra-se consubstanciado no Parecer PGFN/CAT n° 1.538/99 e no AD SRF n° 96, de 26/11/1999; i) Extinto o tributo pelo pagamento, ainda que indevido, cabe ao sujeito passivo requerer a sua restituição no prazo de cinco anos, contados da data do pagamento indevido, nos termos dos artigos 165, inciso I e 168, inciso I, ambos do CTN, independentemente de a suposta ilegitimidade da cobrança do tributo ser ou não reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal ou pela Administração Pública. Admitido o recurso por meio do Despacho n° DEF10616181 463 (fls. 121- 122), a contribuinte foi cientificada e, devidamente representada, apresentou contra-razões às fls. 126-137, onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido. É o Relatório. 3 1 Processo n° 11831.002763/2001-18 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.253 Fl. 142 Voto Conselheiro GONÇALO BONET ALLAGE, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, afastou a decadência do direito do contribuinte de pedir a restituição do ILL, determinando o retorno dos autos à DRF de origem para o enfrentarnento das demais questões de mérito. A insurgência da Fazenda Nacional cinge-se à questão da decadência, sendo que o pagamento do imposto de renda retido na fonte sobre o lucro líquido foi efetuado' pela interessada entre 30/04/1990, enquanto o protocolo do pedido de restituição ocorreu em 06 de novembro de 2001. O imposto de renda na fonte incidente sobre o lucro liquido — ILL, previsto no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, era tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, pois cabia ao contribuinte verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, identificar o sujeito passivo, calcular e recolher o tributo devido, independentemente de qualquer iniciativa da autoridade administrativa, que apenas homologaria, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo obrigado. A regra geral relativa ao prazo decadencial para pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação resulta da interpretação dos artigos 150 ' § 4 0 ' 165, inciso I e 168, inciso I, todos do Código Tributário Nacional - CTN, os quais estão assim dispostos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (.) § 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja 4 Processo n° 11831.002763/2001-18 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.253 Fl. 143 qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do art. 162, nos seguintes casos: I — cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I — nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário. Da conjugação desses dispositivos legais conclui-se que, como regra, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o contribuinte tem 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para requerer a restituição de exação indevidamente recolhida. , Ocorre, que para algumas hipóteses excepcionais, a jurisprudência, inclusive advinda da Câmara Superior de Recursos Fiscais, tem admitido um novo início de prazo decadencial, que não se confunde com o fato gerador da obrigação tributária. Tal posicionamento tem fundamento, principalmente, nos princípios constitucionais da legalidade, da moralidade e da proibição do enriquecimento sem causa. Dentre as exceções consignadas pela jurisprudência, relevante destacar a declaração de inconstitucionalidade de norma tributária proferida pelo Supremo Tribunal Federal — STF, a expedição de Resolução do Senado Federal, prevista no artigo 52, inciso X, da Carta Fundamental ou, ainda, o reconhecimento, por parte do poder tributante, de que uma exigência tributária é indevida. Pelo entendimento prevalente no âmbito do Conselho de Contribuintes, a data em que ocorrer alguma dessas situações representa o dies a quo do prazo para que o contribuinte pleiteie a restituição de tributo indevidamente recolhido. Com o objetivo de ilustrar essa afirmação, trago à colação as ementas dos seguintes acórdãos proferidos por esta Câmara Superior de Recursos Fiscais: IRRF-ILL. DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TERMO INICIAL - A contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição / compensação de tributo pago indevidamente, por declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, inicia-se na data do trânsito em julgado da declaração de inconstitucionalidade, em controle concentrado de constitucionalidade, ou a publicação da Resolução do Senado Federal, caso a declaração de inconstitucionalidade tenha-se dado em controle difuso de constitucionalidade, ou, ainda, na data da publicação de ato administrativo que estenda os efeitos da inconstitucionalidade a outros beneficiários. Recurso especial negado. 6# nn 5 1 Processo n° 11831.002763/2001-18 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.253 Fl. 144 (CSRF, Quarta Turma, Acórdão CSRF/04-00.205, Relator Conselheiro José Ribamar Barros Penha, julgado em 14/03/2006) DECADÊNCIA — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — TERMO INICIAL — Em caso de conflito quanto à legalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. Recurso especial provido. (CSRF, Quarta Turma, Acórdão CSRF/04-00.047, Relator Conselheiro Wilfrido Augusto Marques, julgado em 08/05/2005) A restituição pretendida pela empresa está relacionada ao imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido, previsto no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, nos seguintes termos: Art. 35. O sócio-quotista, o acionista ou titular de empresa individual ficará sujeito ao imposto de renda na fonte, à alíquota de 8% (oito por cento), calculada com base no lucro líquido apurado pelas pessoas jurídicas na data do encerramento do período base. No julgamento do Recurso Extraordinário n° 172.058-1/SC, o Egrégio Supremo Tribunal Federal — STF reconheceu a inconstitucionalidade do artigo 35 da Lei n° 7.713/88, especificamente no que se refere à expressão "o acionista". Para conferir efeito erga omnes à decisão do STF, suspendendo a execução artigo 35 da Lei n° 7.713/88, no que diz respeito à expressão "o acionista", o Senado Federal fez publicar a Resolução n° 82, em 19/11/1996. Assim, restou reconhecida a inconstitucionalidade da exigência do ILL para as sociedades por ações, tal qual a interessada. Perfilhando o posicionamento dominante no âmbito deste Colegiado e diante do fato de que a recorrente é sociedade por ações, entendo que o dia 19/11/96 — data de publicação da Resolução do Senado Federal n° 82 — marca o início do prazo decadencial ipara a busca da devolução dos valores recolhidos a título de imposto de renda na fonte sobre o lucro liquido para as sociedades por ações. Considerando que o pedido de restituição da interessada foi efetuado em 06/11/2001 (fls. 01), há que se concluir que a decadência não atingiu o direito creditório, pleiteado. 6 Processo n° 11831.002763/2001-18 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.253 Fl. 145 Segundo penso, o acórdão recorrido deve ser confirmado. Destaco, ainda, que o artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional, não justifica a aplicação retroativa do artigo 3° da Lei Complementar n° 118/2005, pois tal norma, evidentemente, não tem caráter interpretativo. Tenho como aplicável ao caso o princípio constitucional da irretroatividade das leis, previsto no artigo 150, inciso III, alínea "a", da Carta da República. O artigo 3° da Lei Complementar n° 118/2005 só pode ser aplicado para fatos ocorridos a partir de 09/06/2005, o que não é o caso dos autos. O próprio STJ, quando apreciou a questão, concluiu que "(.) 4. A Seção de Direito Público, no julgamento dos EREsp n. 327.043/DF, em 27.4.2005, afastou a aplicação do art. 3° da LC n. 118/2005 às ações ajuizadas até o término da vacatio legis de 120 dias." (Primeira Seção, EREsp n° 489.703/MG, Relator Ministro João Otávio de Noronha, DJU de 10/10/2005, p. 211). Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Gonçalo Bonet A lage - Relator 7
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Numero do processo: 10380.016770/2001-90
Data da sessão: Wed Nov 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Nov 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: 01/09/1989 a 30/09/1991
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI - 0 juizo
sobre inconstitucionalidade da legislação tributária é de competência exclusiva do Poder Judiciário.
SÚMULA Nº 02
0 Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária."
Numero da decisão: 1801-000.125
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso, preliminarmente, por concomitância de processo judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: Rogério Garcia Peres
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10380.016770/2001-90 Recurso n° 157.775 Voluntário Acórdão n° 1801-00.125 — la Turma Especial Sessão de 04 de novembro de 2009 Matéria Normas de Administração Tributária Recorrente C.ROLIM ACESSÓRIOS LTDA Recorrida 3a TURMA/DRJ-FORTALEZA/CE ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/09/1989 a 30/09/1991 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI - 0 juizo sobre inconstitucionalidade da legislação tributária é de competência exclusiva do Poder Judiciário. SÚMULA N" 02 0 Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, preliminarmente, por concomitância de processo judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ANA DE BARROS FERNANDES - Presidente. IO GARCIA PERES - Relator zv EDITADO EM: .2 BOUT 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Suplente Convocado), Marcos Antônio Pires (Suplente Convocado), Rogério Garcia Peres, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Cheryl Bent o . Relatório Com a finalidade de privilegiar o principio da celeridade processual adoto o relatório proferido pela 3a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza - CE: "Contra o Sujeito Passivo acima identificado foi lavrado Auto de Infração da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, fls. 09/12, para formalização e cobrança do crédito Tributário nele estipulado no valor total de R$ 1.915,76, incluindo acréscimos legais. O lançamento teve origem na Auditoria Interna da Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF relativa ao primeiro trimestre de 1997, onde foi constatada: FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA, conforme Anexo Ia — "Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Informados na DCTF" e Anexo III - "Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar". Enquadramento Legal: Artigos 1° e 3', alínea "b", da Lei Complementar n" 07/70; art. 83, inciso III, da Lei n" 8.981/95; art. I", da Lei n" 9.249/95; arts. 2° e inciso I e parágrafo 3°, 5°, e 8", inciso I, da Medida Provisória (MP) 11" 1.495/96- 11 e reedições; art. 2° e inciso I e ,sç 1°, e arts. 3°, 5°, e 8", inciso I, da MP n°1.546/96 e reedições; art. 2" e inciso I e § I", e arts. 3°, 5°, 6°c 8", inciso I, da MP n°1.623/97-27 e reedições. MULTA VINCULADA - Enquadramento Legal: Artigo 160, da Lei n" 5.172/66; art. 1", da Lei n° 9.249/95; art. 44 e inciso I e ssç 1", inciso I, da Lei n°9.430/96. JUROS DE MORA - Enquadramento Legal: Artigo 161, sç 1", da Lei n" 5.172/66; art. 43, parágrafo único e art. 61, ,sç 3", da Lei n" 9.430/96. Inconformado com a exigência da qual tomou ciência em 07/12/2001, por meio de Aviso de Recebimento (fls. 08), o contribuinte apresentou impugnação em 21/12/2001 (fls. 01), afirmando que ingressou com Mandado de Segurança (processo n°97.0001016-3), pleiteando a compensação das quantias pagas indevidamente a titulo de PIS, com exações da mesma espécie, conforme documentação anexa its fls. 03/07". Ao analisar a Manifestação de Inconformidade o lançamento foi julgado parcialmente procedente nos seguintes termos: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Processo n° 10380.016770/2001-90 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00.125 Fl. 2 Ano-calendário: 1997 AÇA-0 JUDICIAL. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. A concessão de medida liminar em mandado de segurança ou ação cautelar suspende a exigibilidade do crédito tributário, não ficando, entretanto, a Unido Federal impedida de constitui-lo pelo lançamento de oficio afim de prevenir a decadência, sendo neste caso inaplicável multa de lançamento de oficio. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tendo em conta a nova redação dada pelo art. 25 da Lei 11.051, de 2004, ao art. 18 da Lei 10.833, de 2003, em combinação com o art. 106, inciso II, alínea "c", do CTIV, cancela-se a multa de oficio aplicada. Lançamento Procedente em Parte" Inconformada com a decisão acima, o Recorrente, interpôs recurso voluntário (fls. 26 a 39), alegando que o processo n° 97.0001016-3 já possui sentença transitada em julgado reiterando os fundamentos de sua peça impugnat6ria,. Os foram encaminhados a esta Sessão para julgamento do Recurso Voluntário. o relatório. Voto Conselheiro ROGÉRIO GARCIA PERES, Relator 0 recurso é tempestivo e dele conheço. Preliminarmente, o cerne da discussão está no reconhecimento do direito da Recorrente utilizar-se de crédito de PIS decorrente dos Decretos-Lei 2.445/88 e n° 2.449/88, que também é objeto de ação judicial. Os Tribunais Administrativos vinculados ao Poder Executivo não tem atribuição para apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declarar-lhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratar-se de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Compete a esses órgãos administrativos tão-somente o controle de legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo acha-se reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da inconstitucionalidade e/ou invalidade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo desse Poder. 0 brgdo Administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa competência. Este entendimento encontra eco na jurisprudência deste Conselho: "Ementa: 0 direito de pleitear restituição de tributo ou contribuição pago a maior ou indevidamente extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2007 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI - juizo sobre inconstitucionalidade da legislação tributária é de competência exclusiva do Poder Judiciário. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. INCABÍVEL. Na apuração da base de cálculo da Cofins é incabível a exclusão do ICMS pago pela contribuinte, o qual integra a receita bruta. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2007 Processo n° 10380.016770/2001-90 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00.125 Fl. 3 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI - juizo sobre inconstitucionalidade da lezislacilo tributária é de competência exclusiva do Poder Judiciário. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. INCABÍVEL. Na apuração da base de cálculo da Cofins é incabível a exclusão do ICMS pogo pela contribuinte, o qual integra a receita bruta. Recurso negado". (Recurso n" 152968 - TERCEIRA CÂMARA — Processo Administrativo le 10830.001135/2007-58 — Data da Sessão: 02/12/2008 — Relator: Gilson Macedo Rosenburg Filho — 2° Conselho de Contribuintes — os grifos e negritos não constam do original) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário PERiODO DE APURA CÃO: 01/02/1999 a 30/06/1999 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O juizo sobre inconstitucionalidade da legisla cão tributária é de competência exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Especial do Sujeito Passivo Negado. (Recurso n" 201-125411 - SEGUNDA TURMA — Processo Administrativo le 19515.000699/2003-97 — Data da Sessão: 30/06/2008 — Relator: Antônio José Praga de Souza — Camara Superior de Recursos Fiscais — os grifos e negritos não constam do original) A matéria pertinente a este caso já foi, inclusive, objeto de Súmula pelo Primeiro Conselho de Contribuinte, in verbis: "SÚMULA N" 02 O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária." Pelas razões explanadas, preliminarmente NEGO provimento ao Recurso Voluntário. ROGER ERES - Relator 5
score : 1.0
Numero do processo: 10680.000466/2004-99
Data da sessão: Mon May 11 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PRAZO DECADENCIAL. Declarada a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, pelo Supremo Tribunal Federal (súmula vinculante n° 8 - DOU de 20 de junho de 2008), cancela-se o lançamento no qual não foi observado o prazo qüinqüenal previsto no Código Tributário Nacional.
CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA. Importa renuncia às instâncias
administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, ainda que por intermédio de substituto processual, como indicado na Súmula 1ª do Primeiro Conselho de Contribuintes.
Numero da decisão: 9101-000.105
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento aos recursos da Fazenda Nacional e do Contribuinte, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho
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CSRF-T1 Fl. 1 ". /..R,,, ,. ‘ • i-,...‘'.'".••.--/-7 MINISTERIO DA FAZENDA ‘,.. toeá ,. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10680.00046612004-99 Recurso n° 101-141.669 Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão n° 9101-00.105 - P Turma Sessão de 11 de maio de 2009 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAULL Recorrentes FAZENDA NACIONAL E FUNDAÇÃO AÇOM1NAS DE SEGURIDADE - - SOCIAL-AÇOS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PRAZO DECADENCIAL. Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, pelo Supremo Tribunal Federal (súmula vinculante n° 8 - DOU de 20 de junho de 2008), cancela-se o lançamento no qual não foi observado o prazo qüinqüenal previsto no Código Tributário Nacional. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA. Importa renuncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, ainda que por intermédio de substituto processual, como indicado na Súmula P do Primeiro Conselho de Contribuintes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, . or unanimidade de votos, negar provimento aos recursos da Fazenda Nacion e do Contri Pi a inte, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. I ‘ CARLOS ALBERT* 11 AS B • • ' Th - Presidente. 1-1:k-••1----------;----""- ALE RE ANDRAD LIMA D4 FONTE FILHO - Relator. EDITADO EM: frioa 7,0/0 XA1 Particip , do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Marcos Vinicius Neder de Lima, José Carlos Passuello, Antonio Praga, Karem Jureidini Dias, Adriana Gomes Rego, Antonio Carlos Guidoni Filho, Nelson Loss° Filho, Valmir Sandri e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. i .• Relatório Em face do Acórdão n° 101-95.251, proferido pela Egrégia Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a Fazenda Nacional, através de seu representante, apresentou o Recurso Especial de fls. 417/428, devidamente admitido pelo ilustre Presidente daquela Câmara, pretendendo a reforma da decisão, com fundamento no art. 7°, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A contribuinte FUNDAÇÃO AÇONBNAS DE SEGURIDADE SOCIAL — AÇOS, por sua vez, apresentou o Recurso de Divergência de fls. 460/492, devidamente admitido pelo ilustre Presidente daquela Câmara, pretendendo a reforma da decisão, com fundamento no art. 70,11 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Para tanto, apresentou como paradigma os acórdãos 302-37.913 e 103-120.030. Em 19.01.2004, a contribuinte foi cientificada do auto de infração de fls. - 489/532, r+or meie do qual foi constituído crédito tributário de CSLE, no valor de R$ 32.053.636,79, já incluídos juros e multa de oficio de 75%, relativo aos anos-calendário 1995 a 1997 e 1999 a 2001. O lançamento tem origem na falta de recolhimento da contribuição sobre o lucro líquido no período fiscalizado. A Prirneira Câmara deste Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio da decisão recorrida de fis.403/414, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de oficio, mantendo-se a exoneração do lançamento da multa de oficio e, quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência em relação aos anos 1995 a 1997Õ, no mérito, por unanimidade,- negou provimento ao recurso, em, razão _ da concomitância de processo judicial discutindo a matéria sob exame. Em seu Recurso, a Fazenda Nacional afirmou que a decisão recorrida, ao julgar a decadência parcial do crédito tributário, contrariou o disposto no art. 45 da Lei n° 8.212/91, que prevê o prazo decadencial de 10 anos para a constituição de crédito tributário das contribuições sociais. Afirmou que não cabe à esfera administrativa afastar a aplicação de norma vigente, sendo a apreciação da constitucionalidade das leis matéria restrita à análise do poder judiciário, conforme Regimento Interno do Conselho de Contribuintes. Acrescentou que, conforme jurisprudência do STJ e STF, afastar a aplicação de lei significa declarar a sua inconstitucionalidade. Afirmou que, segundo o art. 77 da Lei n° 9.430/96, o Poder Executivo não está autorizado a dispensar tributo enquanto o STF não tenha declarado a inconstitucionalidade da norma que baseia a sua cobrança. • Defendeu a legalidade e a constitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, sob o argumento de que o CD admite a edição de norma específica sobre a decadência, inexistindo qualquer conflito entre a referida norma, de natureza especial, e o disposto no art. 150 do CTN. Por fim, alegou que o prazo constante na Lei n° 8.212/91 refere-se ao lançamento das contribuições destinadas à seguridade social, independentemente do sujeito ativo da obrigação (INSS ou Receita Federal do Brasil). 2 Processo n°10680.000466/2004-99 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.105 Fl. 2 A contribuinte apresentou contra-razões ao recurso, às fls. 432/445 Rui suas razões, preliminarmente; suscitou o não conhecimento do recurso, sob o fundamento de que ao desconsiderar o prazo decadencial constante no CTN estaria afastando a sua aplicação em virtude de inconstitucionalidade de lei, o que é vedado à esfera administrativa. No mérito, afirmou que a posição majoritária do STJ e do Conselho de Contribuintes defende a aplicação do prazo decadencial de 5 anos constante no Cri aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Por fim, afirmou que a Constituição Federal reserva à Lei Complementar a competência para dispor sobre decadência em matéria tributária, de modo que não deve prevalecer o prazo constante no art. 45 da Lei n° 8.212/91. A decisão recorrida não declarou a inconstitucionalidade do referido dispositivo, mas tão somente aplicou o prazo constante no CTN, destacando que a Lei n° 8.212/91 não se aplicaria ao presente caso. A contribuinte, em seu recurso, afirmou que a decisão recorrida não se manifestou sobre o mérito do lançamento, sob o fundamento de que a questão encontra-se sob exame perante o judiciário. No entanto, afirmou que a contribuinte não é parte no processo judicial que discute a matéria sob exame, mas a Associação da qual faz parte, razão pela qual requereu o retomo dos autos ao Conselho de Contribuintes para apreciação do mérito. No mérito, afirmou que, por se tratar de entidade fechada de previdência privada, entidade sem fins lucrativos, não estaria sujeita à tributação pela CSLL, pela ausência de base de cálculo. Nesse sentido, o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 17/90 reconheceu que a contribuição instituída pela Lei n° 7.689188 não será devida pelas entidades sem fins lucrativos. Afirmou que a nova redação do § 1° do art. 22 da Lei n° 8.212/91, determinando que sejam as entidades fechadas de previdência privada tributadas pela CSLL, ofendeu o principio da isonoinia, não podendo ser dispensado tratamento fiscal equivalente em relação às entidades abertas, em razão destas auferirem lucro. Por fim, afirmou que, caso persista a cobrança da CSLL sobre as receitas da contribuinte, seja aplicada a aliquota de 8% para os anos de 1996 a 1999, em conformidade com o art. 19 da Lei n°9.249/95. A Fazenda Nacional apresentou contra-razões ao recurso, às fls. 511/522 Em suas razões, afirmou que no momento da lavratura do auto de infração havia, em favor da contribuinte, medida judicial suspendendo a exigibilidade do crédito. No entanto, tal fato não impede a lavratura do auto de infração, com a finalidade de prevenir a decadência, mas tão somente da realização de medidas executérias. Por fim, afirmou que, diante da discussão judicial da matéria sob exame, deve ser declarado definitivo o lançamento. Ademais, não cabe à esfera administrativa se pronunciar em relação à legalidade ou constitucionalidade da cobrança da CSLL. É o Relatório. 3 Voto Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho Os recursos da Fazenda Nacional e da contribuinte preenchem os requisitos de admissibilidade, razão de seu conhecimento. Com relação ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, a questão posta à apreciação cinge-se ao prazo decadencial aplicável à constituição de créditos tributários referentes às contribuições sociais destinadas à seguridade social. Não obstante a Lei n° 8 212/91 prever prazo decadencial de dez anos para a constituição de crédito tributário relativo às contribuições sociais, a Constituição Federal de 1988, em seu art. 146, RI, "b", reserva à Lei Complementar dispor sobre a decadência em matéria tributária, nos seguintes termos: Art. 146. Cabe à lei complementar: N - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Em decwrência, -tendo em vista a natureza tributária das contribuições sociais, aplica-se a esses tributos o prazo decadencial constante no Código Tributário Nacional, recebido como Lei Complementar pela Constituição Federal de 1988, e não aquele prazo constante no art. 45 da Lei n° 8.212/91. Corroborando com esse entendimento, os ministros do STF decidiram, por unanimidade, declarar a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991, editando a Súmula vinculante n° 8, nos seguintes termos: Súmula Vinculante n°8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" A CSLL é tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, de modo que o prazo decadencial para a constituição dos respectivos créditos tributários é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, cujo teor é o seguinte: "Art. 150 — O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato ent que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa". Parágrafo quarto — Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos a contar da oçorrência do fato gerador; 4 Processo n° 10680.000466/2004-99 CSRF-T1 Aceras n.° 9101-00.105 Fl. 3 expirando esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação". Em decorrência, considerando o lapso temporal superior a cinco anos entre a data dos fatos geradores ocorridos até 1997 e a lavratura do presente lançamento, ocorrida em 19.01.2004, entendo que, à época, já havia decaído o direito da Fazenda em proceder ao lançamento do crédito tributário correspondente. Com relação ao recurso da contribuinte, a questão em análise é sobre a concomitância do processo judicial e administrativo, quando a ação judicial não for impetrada diretamente pela contribuinte, mas por associação da qual o contribuinte faz parte. No presente caso, a contribuinte é associada da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar --ABRÃPP, a qual impetrou mandado de segurança coletivo contra o Delegado da Receita Federal em Belo Horizonte, distribuído à 3' Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, sob o n°2001.38.00.042867-7, pleiteando o direito de seus associados não serem tributados pela CSLL. Nos autos do referido mandado de segurança, foi concedida medida liminar no sentido de obstar a cobrança da CSLL, relativa aos fatos geradores anteriores a 2002, das filiadas da ABRAPP pelo Delegado da Receita Federal. A medida liminar foi confirmada na sentença proferida em 24.05.2002. O mandado de segurança encontra-se pendente de julgamento perante o TRF da P Região, sob o n°2001.38.00.042867-7. De acordo com o art. 5°, LXX da Constituição Federal, o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados. Trata-se, portanto, de substituto processual, onde a associação age em defesa de direito líquido e certo de associados, de modo que os efeitos da ação aproveita a todos. Observe-se que a decisão proferida nos autos do mandado de segurança refere-se exatamente à cobrança de crédito tributário de CSLL relativa a fatos geradores anteriores a 2002 de entidades fechadas de previdência complementar, de modo que, por força da decisão proferida nos autos do mandado de segurança, foi cancelada a cobrança da multa de oficio correspondente. Como os efeitos da ação judicial em questão impedirão a exigência do crédito tributário, entendo que resta de fato caracterizada a concomitância. Importa renúncia M instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, ainda que por intermédio de substituto processual, como indicado na Súmula P do Primeiro Conselho de Contribuintes. Isto posto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso interposto pela Fazenda Nacional e ao recurso especial interposto pela contribuinte, mantendo- se a decisão recorrida em todos os termos. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho - Relator
score : 1.0
Numero do processo: 10950.006259/2008-44
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO. O prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, no caso de dolo, fraude ou simulação, é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, o que ocasiona, no regime do Lucro Real Trimestral, em que os impostos e contribuições referentes aos meses e trimestres até novembro podem ser lançados no mesmo ano calendário, que o prazo seja contado a partir do primeiro dia do ano seguinte. RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS. CONTABILIZAÇÃO DE DESPESA FICTÍCIA. DOLO. A declaração de apenas parte ou nada das receitas auferidas e a dedução de despesa fictícia, que reduziram o seu lucro tributável durante os três anos-calendário examinados, são suficientes para evidenciar a intenção dolosa de simulação ou ocultação, num propósito deliberado de subtrair, no todo ou em parte a obrigação tributária. ESCRITURAÇÃO. DOCUMENTOS HÁBEIS. CONDIÇÃO. Somente faz prova a favor do contribuinte a escrituração mantida com observância das disposições legais e se comprovados por documentos hábeis os fatos nela registrados. DOLO. MULTA QUALIFICADA. Aplica se multa qualificada à exigência de impostos e contribuições sonegados estando caracterizado o dolo. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.929
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO. O prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, no caso de dolo, fraude ou simulação, é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, o que ocasiona, no regime do Lucro Real Trimestral, em que os impostos e contribuições referentes aos meses e trimestres até novembro podem ser lançados no mesmo ano calendário, que o prazo seja contado a partir do primeiro dia do ano seguinte. RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS. CONTABILIZAÇÃO DE DESPESA FICTÍCIA. DOLO. A declaração de apenas parte ou nada das receitas auferidas e a dedução de despesa fictícia, que reduziram o seu lucro tributável durante os três anos-calendário examinados, são suficientes para evidenciar a intenção dolosa de simulação ou ocultação, num propósito deliberado de subtrair, no todo ou em parte a obrigação tributária. ESCRITURAÇÃO. DOCUMENTOS HÁBEIS. CONDIÇÃO. Somente faz prova a favor do contribuinte a escrituração mantida com observância das disposições legais e se comprovados por documentos hábeis os fatos nela registrados. DOLO. MULTA QUALIFICADA. Aplica se multa qualificada à exigência de impostos e contribuições sonegados estando caracterizado o dolo. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado.
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Matéria AUTO DE INFRAÇÃO IRPJ E REFLEXOS Recorrente COMERCIAL DE BEBIDAS VIRGINIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO. O prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, no caso de dolo, fraude ou simulação, é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, o que ocasiona, no regime do Lucro Real Trimestral, em que os impostos e contribuições referentes aos meses e trimestres até novembro podem ser lançados no mesmo ano calendário, que o prazo seja contado a partir do primeiro dia do ano seguinte. RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS. CONTABILIZAÇÃO DE DESPESA FICTÍCIA. DOLO. A declaração de apenas parte ou nada das receitas auferidas e a dedução de despesa fictícia, que reduziram o seu lucro tributável durante os três anoscalendário examinados, são suficientes para evidenciar a intenção dolosa de simulação ou ocultação, num propósito deliberado de subtrair, no todo ou em parte a obrigação tributária. ESCRITURAÇÃO. DOCUMENTOS HÁBEIS. CONDIÇÃO. Somente faz prova a favor do contribuinte a escrituração mantida com observância das disposições legais e se comprovados por documentos hábeis os fatos nela registrados. DOLO. MULTA QUALIFICADA. Aplica se multa qualificada à exigência de impostos e contribuições sonegados estando caracterizado o dolo. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Fl. 2209DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10950.006259/200844 Acórdão n.º 140200.929 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório COMERCIAL DE BEBIDAS VIRGINIA LTDA recorre a este Conselho contra o acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal, em primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Trata o processo dos autos de infração relativos aos anoscalendário 2003, 2004 e 2005, na sistemática do lucro real trimestral, que foi a opção da contribuinte: a. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, fls. 830/847, no valor de R$ 952.758,42, devido resultados não declarados, conforme detalhado no Termo de Verificação da Ação Fiscal, em 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005, com base nos arts. 249, 250 e 926 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999); b. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, fls. 848/856, no valor de R$ 364.413,00, devido às mesmas infrações e períodos de apuração; base legal no art. 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996; art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 37 da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002; c. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, fls. 860/870, no valor de R$ 162.169,51, relativa às mesmas infrações, no regime cumulativo nos períodos de apuração mensais de 01/2003 a 01/2004, com base nos arts. 2º, II e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002; Fl. 2210DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10950.006259/200844 Acórdão n.º 140200.929 S1C4T2 Fl. 0 3 d. contribuição ao Programa de Integração Social – PIS, fls. 871/878, relativa às mesmas infrações, nos períodos de apuração mensais de 01 a 04/2003, com base, com base nos arts. 1º, 3º da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970, arts. 2º, I, “a” e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51, do Decreto nº 4.524, de de 2002; e. Sobre os impostos e contribuições devidos apurados com base nos depósitos bancários de origem não justificada exigese multa de ofício de 150% do art. 44, I Ida Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e juros de mora segundo o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996. 2. Às fls. 821/829, no Termo de Verificação Ação Fiscal TVF, estão descritos os procedimentos de fiscalização e a autuação. 3. Cientificada do TVF e do auto de infração em 17/11/2008, a interessada, interpôs a impugnação tempestiva de fls. 882/959, acompanhada dos documentos de fls. 961/2005. 4. Argui preliminarmente a decadência dos lançamentos por homologação relativos aos períodos de 01 a 10/2003, com base no art. 150 do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, instrumento legal que rege a questão consoante determina o art. 146, III, “b” da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF de 1988. 5. Disserta sobre ser prerrogativa da autoridade fazendária constituir o lançamento de ofício e que o auto lançamento pelo contribuinte deve ser homologado no prazo máximo estipulado pela Lei para que a autoridade não perca o direito material, tornandoo “caduco” pela fluência tácita do prazo de homologação do auto lançamento efetuado sob tal condição resolutória. 6. Que, no caso, o dies a quo decadencial de 5 (cinco) anos para a constituição definitiva de parte do crédito tributário começou a fluir, sem interrupção ou suspensão, com o surgimento do fato gerador; cita autores e jurisprudência nesse sentido; que o Fisco tinha a obrigação de homologálo tempestivamente, mas “a resolutoriedade que permeou o ato praticado de per se não é ad infinitum perpetuandose no tempo, devendo ter sido perfectibilizado” no citado prazo máximo. 7. Que, tendo transcorrido in albis mais de 5 (cinco) anos para o Fisco exercer o seu direito potestativo de lançamento, ocorreu a decadência qüinqüenal na forma do art. 150, § 4º do CTN, pois a ciência dos autos só foi dada ao contribuinte em 17/11/2008. 8. Que, se o legislador não previu rupturas no instituto da caducidade, que quando se tratar de situação mais gravosa, a hermenêutica aplicável é a que mais favorece o sujeito passivo; transcreve jurisprudência e cita autores nesse sentido. 9. Advoga a inexistência de dolo, fraude ou simulação, pois a própria autoridade administrativa deixou claro que a contribuinte incorreu em erro quando do preenchimento das respectivas DIPJ, uma vez que ficou comprovado que os valores se achavam correta e regularmente contabilizados; e transcreve trecho do Termo de Verificação Ação Fiscal que descreve tal fato, caracterizando “divergência” entre os valores apurados contabilmente e os declarados, logo, sendo a contabilidade capaz de demonstrar os valores corretos, isso por si só acaba por afastar a intenção de subtrair valores; também transcreve jurisprudência no sentido de que a há necessidade de comprovação do dolo e que a legislação que determina a aplicação da multa qualificada deve ser interpretada restritivamente; aduz que para a existência Fl. 2211DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10950.006259/200844 Acórdão n.º 140200.929 S1C4T2 Fl. 0 4 de dolo é imperativo que se verifique primeiro a fraude, já que esta é decorrente daquela. 10. Afirma que acabou por praticar todos os atos contábeis em base aos fatos ocorridos, sem excluir nenhum no sentido de ensejar o retardamento ou mesmo o impedimento da ocorrência do fato gerador, mesmo porque não é pela entrega da declarações ou falta dela que o fato ocorrerá, mas sim pela conduta tipificada na norma; portanto, o contribuinte adimpliu o seu dever instrumental e tanto a escrituração contábil como a fiscal se achavam correta e adequadamente processadas, o que foi reconhecido pela fiscalização. 11. No mérito, após descrever que atua na comercialização, revendendo bebidas, e que declarou pelo lucro real e recolheu PIS e Cofins no regime da não cumulatividade até o advento da tributação monofásica, advoga que: a sua escrituração/contabilidade é regular abrangendo todos os fatos contábeis; que cumpriu as obrigações acessórias de apresentação das Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e das Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF; que foi incabível a glosa das despesas contabilizadas a título de serviços de corretagem efetivamente prestados pela Fênix Distribuidora e pagos, cuja irregularidade não foi comprovada pela fiscalização; invoca os princípios da razoabilidade e do devido processo legal; reclama de multa qualificada indevidamente; argumenta que o ônus da prova é da fiscalização que não comprovou, baseandose na mera presunção; reclama contra o arrolamento de bens de que foi objeto e que o valor do lançamento é totalmente indevido. 12. Sobre ser a sua escrituração/contabilidade regular abrangendo todos os fatos contábeis e dessa forma evidenciando todos os fatos ocorridos no decorrer do período examinado, invoca a descrição dos fatos pela fiscalização. 13. Lembra que apresentou as DIPJ e DCTF dos períodos examinados; afirma que pela manifestação do agente fazendário, fica a impressão de que foram apresentadas com incorreções, diante dos elementos assentados tanto nos livros contábeis quanto nos fiscais, mas é inegável que a autuada cumpriu tempestivamente essas obrigações, inclusive no que tange às declarações retificadoras. 14. Reclama que é incabível a glosa das despesas contabilizadas a título de serviços de corretagem efetivamente prestados pela Fênix Distribuidora e pagos, cuja irregularidade não foi comprovada pela fiscalização, porque simplesmente baseada na análise e poder discriminatório fiscal, sem nexo com a atividade ou com a qualidade dos documentos, que concluiu que tais despesas não eram necessárias à atividade da autuada; afirma que essa mera suposição é insuficiente, faltando prova do fato que respalde a glosa, por parte da fiscalização; aduz que essas despesas eram necessárias como prova o teor do contrato celebrado entre a autuada e a prestadora Fênix, e transcreve trechos do mesmo; que a jurisprudência que transcreve apóia sua tese, dado que os valores glosados foram efetivamente incorridos pela autuada, tendo sido efetivamente pagos, conforme documentos que apresentou à fiscalização e que acosta com a impugnação; que por se tratar de serviços de venda, é inequívoca a necessidade de tal serviço, dada a atividade de comercialização de bebidas da impugnante; discorda que não tenha apresentado qualquer documento fiscal e que os recibos não demonstram quais serviços foram executados, a qualificação dos profissionais envolvidos nem a necessidade dos serviços, ou outros elementos de convicção, pois, conforme jurisprudência, para a identificação da causa de comissões “não é necessário que os recibos descrevam individualmente cada negócio agenciado, cada pedido, cada contrato, o que foi vendido, a quem e por quanto, assunto para longos relatórios e não para recibos” e na verdade, os recibos Fl. 2212DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10950.006259/200844 Acórdão n.º 140200.929 S1C4T2 Fl. 0 5 apresentam claramente o objeto, inclusive mencionam o respectivo contrato de prestação de serviços, demonstram a necessidade, a usualidade e normalidade de tais serviços, inclusive pelo seu pagamento e pela assunção de valores por parte da respectiva contratada, Fênix; aduz que a lei não proíbe uma empresa de contratar outra, desde que o objeto da contratação não seja ilícito; que graças às vendas realizadas pela Fênix, foi possível à autuada ter a receita tributável que teve; que glosar a despesa de corretagem, agenciamento de vendas, sob o pretexto de que é desnecessária e não usual é banir uma profissão milenar; que o contrato com a Fênix tem respaldo na Lei do Representante Comercial e que o mero erro gramatical de constar representante comercial em vez de corretagem é insensato, importando a sua natureza jurídica; que o conjunto de provas permite afirmar que os serviços foram contratados, existiram, são normais e necessários, sendo insuficientes as divergências entre os valores contabilizados pela autuada e aqueles contabilizados pela contratada que a fiscalização apontou para justificar a glosa da totalidade dos valores. 15. Invoca os princípios da razoabilidade e do devido processo legal, explicando que o primeiro exige proporcionalidade, justiça e adequação nos meios utilizados pelo Poder Público, não podendo ser confundido com um dos critérios utilizados na sua aplicação, que é a proporcionalidade; portanto, o que se exige da Administração é coerência lógica nas medidas administrativas e legislativas, assim como na aplicação de medidas restritivas e sancionadora; e transcreve jurisprudência. 16. Reclama que a multa foi indevidamente qualificada; explica que apura e recolhe tributos apurados mensalmente, por homologação, sem o prévio exame da autoridade administrativa, em que há a antecipação do crédito sob condição resolutória ; po risso, não se lhe aplica o art. 173, do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, mas o art. 150, § 4º, isto é, decai o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito de ofício depois de decorridos 5 (cinco) anos do fato gerado; assevere que, tendo sido a constituição do crédito em 13/11/2008, encaminhado à contribuinte somente em 17/11/2008, parte do lançamento foi atingido pela decadência; aduz que a conduta da litigante não se coaduna com os requisitos imprescindíveis dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, para que ocorra a qualificação da multa de 75% para 150%, pois a fiscalização apontou apenas declarações do sujeito passivo divergentes dos dados escriturados na contabilidade e livros fiscais, o que não pode ser qualificado como sonegação, não houve impedimento ou retardamento do fato gerador tal como definido nos arts. 144 e 116 do CTN; alega que contabilidade e livros fiscais estavam regulares e tudo que houve foi “um erro de transcrição de valores da contabilidade diretamente para a declaração de Imposto de Renda.”, portanto “a conduta do sujeito passivo, até de inocência”; tampouco fraude pois a contabilidade estava correta, nem subtração ou omissão de valores ficando afastada a má fé e tampouco embaraço à fiscalização, pois cumpriu todas as exigências fiscais; protesta contra a conclusão acerca de conduta dolosa pela divergência entre as declarações e a contabilidade, por se tratar de mero erro, e da imputação de ter declarado incorretamente despesas inexistentes e não necessárias. 17. Argumenta que o ônus da prova é da fiscalização que não apresentou provas materiais das infrações imputadas, baseandose na mera presunção, que entre outras praticas tributárias, como “ficções legais, pautas fiscais, arbitramentos tributários, substituições subseqüentes e outros expediente, quando utilizados desnecessariamente, operando verdadeiro “atalho” ao dever de investigação, avilta o primado da verdade material e. muitas vezes, sequer satisfazem a verdade formal”; e invoca que “in dúbio pro reo”. Fl. 2213DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10950.006259/200844 Acórdão n.º 140200.929 S1C4T2 Fl. 0 6 18. Reclama contra o arrolamento de bens de que foi objeto, em relação ao qual afirma que não lhe foi oportunizado o direito de ampla defesa e livre contraditório, mas que, uma vez impugnada a autuação e suspensa a exigência fiscal, também fica afastado o ato da autoridade fiscal quanto ao arrolamento de bens. 19. Finaliza afirmando que o valor do lançamento é totalmente indevido, por estar revestido de vício que seguramente implicará na sua nulidade, pois fundado em meros elementos indiciários, sem levar em conta outras informações e dados para então oferecer ao contribuinte a cominação imposta; que o crédito tributário é incerto, inseguro e inexigível, não havendo como identificar uma infração com segurança; que se considerado o art. 112 do CTN, a medida será julgada totalmente improcedente. 20. Pede que se acate a decadência do crédito relativo a 01 a 10/2003; o reconhecimento dos documentos relativos às despesas glosadas revertendoa; desqualificar a multa de 150%, pela ausência de dolo ou fraude e por ter atendido as solicitações fiscais; desconstituir o arrolamento de bens; julgar o lançamento improcedente. Foram também formalizados o processo nº 10950.006260/200879 – Representação Fiscal para Fins Penais, e o de nº 10950.006263/200811 – Arrolamento de Bens. A decisão recorrida está assim ementada: DECADÊNCIA. DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO. O prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, no caso de dolo, fraude ou simulação, é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, o que ocasiona, no regime do Lucro Real Trimestral, em que os impostos e contribuições referentes aos meses e trimestres até novembro podem ser lançados no mesmo ano calendário, que o prazo seja contado a partir do primeiro dia do ano seguinte. RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS. CONTABILIZAÇÃO DE DESPESA FICTÍCIA. DOLO. A declaração de apenas parte ou nada das receitas auferidas e a dedução de despesa fictícia, que reduziram o seu lucro tributável durante os três anoscalendário examinados, são suficientes para evidenciar a intenção dolosa de simulação ou ocultação, num propósito deliberado de subtrair, no todo ou em parte a obrigação tributária. DOLO. MULTA QUALIFICADA. Aplica se multa qualificada à exigência de impostos e contribuições sonegados estando caracterizado o dolo. ESCRITURAÇÃO. DOCUMENTOS HÁBEIS. CONDIÇÃO. Somente faz prova a favor do contribuinte a escrituração mantida com observância das disposições legais e se comprovados por documentos hábeis os fatos nela registrados. DESPESAS. COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO E NECESSIDADE. Não foi comprovada a alegação de que despesas de “Outros Serviços” eram essenciais às operações da autuada nem que tais serviços foram efetivamente prestados. LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. DIPJ. RETIFICADORAS, SOB FISCALIZAÇÃO. Não elidem o lançamento fiscal declarações de débitos retificadoras apresentadas sob procedimento fiscal. Impugnação Improcedente. Fl. 2214DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10950.006259/200844 Acórdão n.º 140200.929 S1C4T2 Fl. 0 7 Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 21/5/2010, no qual contesta em parte as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento, nos seguintes termos (verbis): IV. DO PEDIDO Diante do exposto, requer seja conhecido e provido e presente recurso, para que o Acórdão proferido pela Delegacia Da Receita Federal de Julgamento de Curitiba seja reformado em parte, acatando as pretensões aduzidas pelo recorrente, no sentido de que: a) tendo em vista que o fato apontado pelo Senhor Fiscal não importa, absolutamente, numa infração, não pelo menos da forma proposta, e em não havendo infração, não há razão nenhuma no prevalecimento de uma imposição de penalidade, porquanto se deu o devido cumprimento das obrigações acessória e principal; b) em que pese os objetivos demonstrados pelo Senhor Fiscal autuante quanto ao trabalho realizado, e por todo exposto, a conclusão óbvia do não prevalecimento da ação fiscal, como proposta, é incontestável, tornando evidente a sua nulidade, e sob qualquer ótica que se analise o auto, constatarseá o total descabimento da ação fazendária; c) que, o trabalho de levantamento fiscal não levou em consideração que a DIPJ apresentada sob a forma de retificadora acabou por contemplar valores correta e regularmente contabilizados pelo estabelecimento recorrente, estando evidente tratarse de impropriedades quando da sua transcrição, das peças contábeis, diretamente para a respectiva DIPJ; d) ainda, que o trabalho de fiscalização não levou em consideração que a DIPJ apresentada sob a forma de retificadora acabou por contemplar valores a título de receitas, porquanto os demais valores já haviam sido declarados correta e regularmente na respectiva DIPJ anteriormente apresentada pelo sujeito passivo, verificando com isso, que a retificadora não contemplou todos os valores, mas apenas aqueles relativos à receita, conforme remete o levantamento elaborado às fls. 09 do presente Acórdão. Destarte, a recorrente vem postular à esse Egrégio Conselho, que sejam acolhidas as razões arguidas preliminarmente, e por conseguinte, fazer coisa julgada formal, e, cumulativamente, reconhecendo o instituto da decadência conforme alegado pelo sujeito passivo, no que pertine aos valores constituídos relativos aos meses de janeiro a novembro de 2003, eis que os valores das despesas foram correta e regularmente contabilizadas, e daí incluídas na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, sem qualquer impropriedade, ou mesmo, omissão de valores. Caso sejam vencidas tais arguições, que seja julgado, no mérito: a) que seja desqualificada a conduta de dolo, fraude ou simulação imputada ao sujeito passivo, em vista de que não houve divergência de valores apurados pelo senhor fiscal, relativamente aqueles contabilizados pelo estabelecimento recorrente; b) que seja processada a adequação da multa, de forma a descaracterizar aquela apurada em base a 150,0% (cento e cinqüenta por cento), eis que o sujeito passivo acabou por não incorrer na ausência do cumprimento do dever instrumental, conforme evidenciado no próprio trabalho realizado, porquanto, os valores Fl. 2215DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10950.006259/200844 Acórdão n.º 140200.929 S1C4T2 Fl. 0 8 apurados pelo senhor fiscal quando da realização da auditoria, revestem naqueles contabilizados pelo estabelecimento recorrente, de forma a não se vislumbra qualquer divergência de valores entre aqueles levantados pelo senhor fiscal e aqueles apresentados contabilmente pelo sujeito passivo; c) uma vez reconhecido o instituto da decadência quanto aos valores relativos aos meses de janeiro a novembro de 2003, da forma como levantada pelo recorrente; uma vez reconhecida a necessidade de adequação da multa aplicada, para o percentual de 75,0% (setenta e cinco por cento), que seja reconhecida a aplicação da renúncia de defesa e/ou recurso às demais matérias constitutivas de crédito tributário, nos termos da petição protocolada em 01.03.2010, e assim, cabendo ao sujeito passivo extinguir referido valor na forma e prazo recepcionados pela Lei n 11941/2009. No dia 13/6/2011 o contribuinte ingressou com pedido de desistência parcial do recurso nos seguintes termos: (...) Fl. 2216DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10950.006259/200844 Acórdão n.º 140200.929 S1C4T2 Fl. 0 9 (...) É o relatório. Fl. 2217DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10950.006259/200844 Acórdão n.º 140200.929 S1C4T2 Fl. 0 10 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Tratase de exigência em face de auditoria do lucro real, tendo a fiscalização apurado omissão de receitas, bem como glosado despesas consideradas indedutíveis. Alem disso, foi qualificada a multa de oficio em face das declarações de imposto de renda com valores de receitas sistematicamente informados a menor. Conforme relatado, o contribuinte desistiu de parte do litígio para aderir ao parcelamento especial. Dentre outras matérias reitera a contestação da multa qualificada no percentual de 150%. Pois bem, vejamos os fundamentos da decisão recorrida, da lavra da ilustre julgadora Eva Maria Los, que manteve integralmente as exigências: 1 Preliminar. 1.1 DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO FISCAL RELATIVO A 01 A 10/2003. 21. A autuação foi lavrada no lucro real trimestral, conforme opção da empresa, onde o lançamento é por homologação, iniciandose a contagem do prazo decadencial na data do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, caso em que a contagem passa a se iniciar em conformidade com o art. 173, I do CTN, isto é no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 22. A autuação se refere aos fatos geradores trimestrais desde 31/03/2003, no caso do IRPJ e da CSLL, e mensais iniciandose em 31/01/2003, no caso das autuações de PIS e Cofins, tendo sido os autos cientificados à empresa em 17/11/2008. 23. Todos esses lançamentos são reconhecidos como sendo por homologação, entendimento acatado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda – CCMF): (...) 24. Para as infrações com ausência de dolo, o de 5 (cinco) anos que se completou em 17/11/2008, teria início em 17/11/2003, portanto estariam atingidos pela decadência os fatos geradores trimestrais de 31/03/2003, 30/06/2003 e 30/09/2003, e os fatos geradores mensais de 01 a 10/2003. 25. Porém, se comprovado dolo, fraude ou simulação, e podendo ser o lançamento relativo aos citados trimestres e aos meses de 01 a 11/2003 efetuados no mesmo ano de 2003, a contagem se inicia em 01/01/2004, que é Fl. 2218DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10950.006259/200844 Acórdão n.º 140200.929 S1C4T2 Fl. 0 11 o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, completandose em 31/12/2008, portanto, nenhum dos fatos geradores da autuação teria sido atingida pela decadência. 26. Uma vez esclarecida essa questão, cabe avaliar a existência ou não de dolo, fraude ou simulação nas infrações autuadas. 1.1.1 Dolo, fraude ou simulação nas infrações autuadas. 27. Consta do Termo de Verificação Ação Fiscal que se exige multa de ofício de 150%, do art. 957, II, aplicável quando há dolo, fraude ou simulação, sobre os impostos e contribuições, porque a empresa, nos três anos examinados, declarou valores incorretos e não verdadeiros, aliado ao fato de haver deduzido valor elevado de despesas inexistentes (6,97% da receita bruta), contabilizadas como “Outros Serviços”, com vistas a reduzir os impostos e contribuições devidos. 28. A litigante assevera que se trata o seu caso de mera falta de pagamento ou inexatidão de declaração, que justificam apenas a multa de ofício de 75%. 29. Porém, temse que, tendo declarado pelo lucro real trimestral, declarou originalmente os seguintes valores de lucro e de receitas, respectivamente bases de cálculo do IRPJ e CSLL e das contribuições incidentes sobre o faturamento; intimada, retificou essas declarações já sob fiscalização, fazendo constar valores muito mais elevados, correspondentes aos da escrituração e que havia omitido; mas também se constatou a dedução indevida de despesas fictícias conforme demonstrado a seguir, e todos esses fatos conduziram á identificação de elevado valor de lucros que não foram declarados: Receita declarada (*) Lucro Real Declarado (*) Receita declarad sob fiscalização Lucro Real declarado sob fiscalização Receita Omitida (contabilidade x declaração original) Despesa indevida mente deduzida Lucro a tributar apurado 1º tr 2003 1.610.405,76 (4.839,38) 2.590.663,72 53.710,31 980.257,96 241.969,24 295.679,55 2º tr 2003 1.716.417,41 (12.096,56) 2.990.197,84 425.763,63 1.273.780,43 291.846,72 717.610,35 3º tr 2003 2.013.160,34 (11.508,15) 3.204.857,35 (2.068,97) 1.191.697,01 244.281,68 242.212,71 4º tr 2003 2.251.081,34 (5.672,51) 4.336.310,72 210.186,12 2.085.229,38 259.641,34 469.827,46 1º tr 2004 0,00 0,00 3.181.609,15 (88.966,68) 3.181.609,15 254.237,87 165.271,19 2º tr 2004 0,00 0,00 3.968.044,75 (834,29) 3.968.044,75 258.543,85 257.709,56 3º tr 2004 0,00 0,00 5.640.013,71 (1.276,66) 5.640.013,71 241.171,38 239.894,72 4º tr 2004 0,00 0,00 7.318.941,47 58.210,44 7.318.941,47 321.328,29 379.538,73 1º tr 2005 6.432.250,61 244.908,73 6.432.250,61 228.908,67 0,00 288.199,33 517.108,00 2º tr 2005 92.590,88 92.590,88 6.443.751,18 92.590,88 6.351.160,30 278.020,94 370.611,82 3º tr 2005 827.826,54 82.826,54 6.876.113,80 82.826,54 6.048.287,26 294.475,89 377.302,43 4º tr 2005 207.066,67 207.066,67 10.342.848,74 207.066,67 10.135.782,07 386.213,19 593.279,86 Total 15.150.799,55 593.276,22 63.325.603,04 1.266.116,66 48.174.803,49 3.359.929,72 (*) Valores declarados espontaneamente, dado que as retificadoras foram entregues sob fiscalização, depois de intimada a empresa Originais: DIPJ 2004/2003, fls. 471/539; DIPJ 2005/2004 fls. 640/741; DIPJ 2006/2005, fls. 771/801 Retificadoras: DIPJ 2004/2003, fls. 401/470; DIPJ 2005/2004 fls. 540/639; DIPJ 2006/2005, fls. 742/770 Fl. 2219DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10950.006259/200844 Acórdão n.º 140200.929 S1C4T2 Fl. 0 12 30. A fiscalização examinou a despesa contabilizada na conta “Outros Serviços” e questionou sua validade; tratamse de valores que a litigante transferiu para a empresa Fênix, conforme os comprovantes bancários de fls. 97/382 e 1.173/2.005. 31. A Fênix Distribuidora Ltda é empresa que atua também no ramo de distribuição de bebidas e se evidenciou sua estreita ligação com a autuada. 32. A contribuinte foi intimada a demonstrar que os serviços efetivamente foram prestados pela Fênix e eram normais, usuais e necessários às suas atividades; com essa finalidade, a litigante apresentou somente Recibos emitidos pela Fênix e os comprovantes de depósitos, que não demonstram que serviços teriam sido prestados e se o foram efetivamente, nem a essencialidade dos mesmos às operações da autuada; não constam notas fiscais de prestação de serviços da Fênix e esta apresentou declarações no Simples em que a receita é menor que a alegada despesa que a litigante escriturou, declarou exclusivamente receita não decorrente de prestação de serviços, ou seja, seriam revendas de mercadorias, declarou estoques de mercadorias e número de funcionários variando de 42 a 66 pessoas, fls. 2.015/2.016; no contrato que a Virgínia alega ter sido firmado entre ambas e que é citado nos Recibos da Fênix como “Instrumento Particular de Contrato de Prestação de Serviços entre Pessoas Jurídicas, firmado em 13/02/1998, com pagamento através de transferência eletrônica (Itaú Bankline) do Banco Itaú S/A” e do qual transcreveu excertos à fl. 905, na impugnação, consta que a autuada teria contratado a Fênix para efetuar corretagem de vendas dos produtos comercializados pela Virgínia, que a Fênix utilizaria pessoal próprio e que a Virgínia colocaria veículos, acessórios e demais utilidades à disposição da Fênix, mas arcaria com as despesas destes, e pagaria à Fênix 3% do total de vendas, medidos a partir dos pedidos entregues pela Fênix à Virgínia – desse teor do contrato se conclui que a Virgínia teria criado a Fênix para que essa contratasse e remunerasse funcionários enquanto declarava e recolhia pelo Simples em cujo percentual favorecido estão incluída a contribuição ao INSS, e estes funcionários trabalhavam à disposição da Virgínia, que, com isso, declarando pelo lucro real, reduzia seu resultado tributável, porque aumentava suas despesas mediante dedução de alegados serviços prestados pela Fênix; dessa forma, economizava nos impostos incidentes tanto sobre o lucro e sobre o faturamento e ainda nos recolhimentos do INSS. 33. Ainda outros fatos confirmaram que nenhum serviço foi prestado pela Fênix à Virgínia, muito menos serviços essenciais à operação da autuada o que é demonstrado em detalhe no tópico 2.1 GLOSA DA DESPESA “ OUTROS SERVIÇOS” , deste voto. 34. O que a documentação acostada comprovou foi a transferência de recursos pela Virgínia para a Fênix, nada mais; e que foram indevidas, não se constituem em despesas e que a Fênix foi intencionalmente criada com a intenção da contribuinte de pagar menos que o devido, ocultando o fato de que sua receita bruta era maior que a que declarava: em 2004, declarou 0 (zero!) receitas, assim como o prejuízo que declarava era na realidade lucro; tais infrações foram continuadas; a contribuinte reiteradamente, durante os Fl. 2220DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10950.006259/200844 Acórdão n.º 140200.929 S1C4T2 Fl. 0 13 três anoscalendário examinados incorreu nas infrações que lhe foram imputadas. 35. Por definição, as sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. 36. A sonegação se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, ou retardar uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de sonegação seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, onde, utilizandose de subterfúgios, escamoteiase ocorrência do fato gerador ou retardase o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária; ou seja, o dolo é elemento específico da sonegação, que a diferenciam da mera falta de pagamento do tributo ou da simples omissão de rendimentos na declaração de ajuste, seja ela pelos mais variados motivos que se aleguem. 37. No presente caso, a empresa, intencionalmente, declarou apenas parte ou nada das receitas auferidas e constituiu a Fênix com o objetivo de criar despesa fictícia que reduzia o seu lucro tributável, enquanto reduzia o INSS que devia sobre a folha de pagamento dos funcionários, tudo isso, visando ocultar do fisco a ocorrência dos fatos geradores, receita bruta auferida e lucro auferido. 38. Por todo o exposto, concluise ser correta a conclusão fiscal ao identificar dolo nas ações da contribuinte. 39. Em havendo dolo, nenhum dos períodos de apuração do anocalendário 2003 foi atingido pela decadência. 40. Por pertinente, transcrevese jurisprudência administrativa: (...) 2 Mérito. 2.1 GLOSA DA DESPESA “ OUTROS SERVIÇOS”. 41. Já se descreveu no tópico “1.1.1 Dolo, fraude ou simulação nas infrações autuadas”, o porquê de ter sido essa despesa glosada. 42. Voltase à questão com maiores detalhes. 43. Não consta do processo o contrato social da Virgínia, mas no CNPJ consta o CNAEF 46354402 – Comércio atacadista de cerveja, chope e refrigerante, e às fls. 808/819, na 24ª Alteração Contratual de 30/06/2007, consta que o objeto social é “Comércio Atacadista de bebidas” e na 25ª, de 20/11/2007, que passa a ser “Comércio atacadista e varejista de bebidas e de equipamentos de informática e componentes eletrônicos”; o domicílio fiscal informado nas DIPJ entregues e constante do CNPJ é o de fl. 2.012, Av. Mauá, 2.498, Zona 9, Maringá/PR, CEP 87050020, tel. 443027300 e 30273001, sendo o responsável pelo preenchimento Reinaldo Sérgio Marques Fl. 2221DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10950.006259/200844 Acórdão n.º 140200.929 S1C4T2 Fl. 0 14 CPF 493.204.0894; no sítio da empresa, fl. 2.014, consta que é o maior distribuidor AmBev do Paraná, sendo exclusiva em Maringá e mais 60 municípios, e que alterou esse endereço. 44. A Fênix Distribuidora Ltda, CNPJ 02.338.645/000164 foi fundada em 1998, tendo como sócia responsável desde a fundação Nuria Nanete Buosi, pertencente à mesma família proprietária da Virgínia e também sócia desta com 10% de participação no capital, desde 08/2004; o outro sócio é Reinaldo Sérgio Marques CPF 493.204.0894, contador tanto da Fênix como da Virgínia e responsável pelo preenchimento das declarações de ambas; o domicílio fiscal segundo relatado no “Termo de Verificação Ação Fiscal” é ao lado do da Virgínia, sendo que no CNPJ consta como Av. Mauá, 2478, Zona 9, Maringá/PR, CEP 87050020; não consta do processo o contrato social, mas o CNAEF é 4723700 – Comércio varejista de bebidas; sempre declarou pelo Simples, sendo de se destacar que empresa prestadora de serviços de corretagem ou de representação comercial não pode ingressar nessa sistemática (art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996; no período examinado, além de as receitas que declarou terem sido em valores bem inferiores aos dos alegados serviços que a autuada declarou como despesas, fls. 823/824, suas receitas foram declaradas como “não decorrente de prestação de serviços” e nenhuma receita de prestação de serviços foi declarada, constando inclusive compras realizadas e estoques de mercadorias, fls. 2.015/2.016; também nenhuma nota fiscal de prestação de serviços foi emitida pela Fênix, o que desmente a alegação da impugnante de que Fênix lhe prestaria serviços de corretagem de vendas de seus produtos, ou de representação comercial; adicionalmente, o valor repassado à Fênix nos 3 (três) anoscalendário examinados representou (48.174.803,49 / 3.359.929,72) = 6,97% da receita, portanto muito mais do que se a Fênix recebesse a alegada corretagem de 3% sobre a totalidade das receitas; desses elementos, segundo o teor das declarações entregues e segundo seu CNAEF, a atuação da Fênix teria sido na revenda a varejo de bebidas, sendo lógico que, nesse caso, compraria e revenderia os produtos dos quais a Virgínia é revendedora atacadista, não havendo porque esta última lhe repassar valores; o lógico seria a Fênix comprovar pagamento efetuados à Virgínia. 45. A Virgínia foi intimada a comprovar a efetividade e necessidade da despesa contabilizada como “Outros Serviços”, a apresentar contratos de prestação de serviços, a discriminar quais eram os serviços prestados e a documentar sua resposta, fls. 4/6, 10/11; em resposta, fls. 14 e 67/96 está o Razão das transferências eletrônicas de recursos à Fênix e fls. 97/382 e 1.173/2.005, os Recibos referentes a “Serviços Prestados” já descritos e comprovantes de transferências bancárias; não apresentou notas fiscais de prestação de serviços da Fênix e como já mencionado, esta não declarou prestação de serviços, mas revenda de mercadoria e também o valor total de receitas que declarou é bem inferior aos valores contabilizados conforme demonstra a fiscalização às fls. 823/824. 46. Resulta que não foram comprovadas pela autuada as despesas de “Outros Serviços” que alega que teriam sido prestados pela empresa Fênix ou que tais serviços eram essenciais às operações da autuada, e “pagos” mediante transferências comprovadas de recursos, contra simples Recibos da Fênix e Fl. 2222DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10950.006259/200844 Acórdão n.º 140200.929 S1C4T2 Fl. 0 15 alegado contrato de serviços de corretagem prestados pela Fênix com os 44 a 66 funcionários próprios, utilizando veículos da Virgínia. 47. Por todo o exposto, correta a glosa de despesa que se revela fictícia, o que confirma a sonegação de impostos e contribuições e a imputação de dolo à autuada. 2.2 PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. 48. A empresa foi autuada relativamente a resultados (lucros) não declarados apurados considerandose o lucro real que a empresa apresentou nas declarações retificadoras que apresentou sob fiscalização, depois de intimada, e que correspondiam aos valores contidos na escrituração contábil e fiscal, acrescidos do valor da despesa com “Outros Serviços”, glosada. 49. A autuação não se baseou em presunção legal. 50. Os arts. 923 e 924 do RIR de 1999, (Decertolei nº 1.598, de 1977, que embasou a autuação) determinam que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados porém se comprovados por documentos hábeis, que é justamente o problema da autuada não há documentos hábeis a comprovar a despesa “Outros Serviços” escriturada. 51. A contribuinte foi intimada a provar que as despesas contabilizadas de “Outros Serviços” foram efetivamente prestados e eram necessários às operações da Virgínia, já que usuais e pagas elas foram. 52. Não sendo comprovadas como efetuadas nem como necessárias, cabe à fiscalização glosálas, o que foi feito, e tendo se revelada usual a prática, contribuiu para caracterização do dolo por parte da contribuinte. 53. O ônus de provar que as despesas contabilizadas procedem é da contribuinte, que não logrou fazêlo. 2.3 CONTABILIDADE. LIVROS FISCAIS. DIPJ. DCTF. 54. Argumenta a seu favor que a sua escrituração/contabilidade estava regular abrangendo todos os fatos contábeis; que cumpriu as obrigações acessórias de apresentar as DIPJ e as DCTF. 55. A fiscalização constatou que as DIPJ apontavam receitas zero ou em valores menores que as constantes da escrituração e livros contábeis; depois de intimada, a contribuinte retificou tais declarações fazendo constar os valores contábeis, que foram utilizados na autuação, portanto, procede a alegação quanto à escrituração, mas não quanto à regularidade na entrega das declarações, claramente fazendo constar valores inferiores aos devidos. 56. Deve ser esclarecido que declarações retificadoras entregues sob fiscalização, portanto não espontâneas, não elidem o lançamento fiscal. 57. No caso das DCTF, relacionadas às fls. 18/25, também não declaravam os débitos corretos. 58. Tudo isso leva apenas à conclusão que descaberia aplicar a penalidade de aumento de metade do percentual da multa de ofício aplicada (denominado Fl. 2223DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10950.006259/200844 Acórdão n.º 140200.929 S1C4T2 Fl. 0 16 agravamento), como de fato não foi feito, aplicandose apenas a multa qualificada descrita a seguir. 2.4 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. 150%. 59. Argumenta que a conduta da litigante não se coaduna com os requisitos imprescindíveis dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, para que ocorra a qualificação da multa de 75% para 150%, pois a fiscalização apontou divergência das declarações com a escrituração contábil e fiscal, o que não pode ser qualificado como sonegação; que essa escrituração estava regular, houve mero “um erro de transcrição de valores da contabilidade diretamente para a declaração de Imposto de Renda.”, portanto “a conduta do sujeito passivo, até de inocência”; que tampouco houve embaraço à fiscalização. 60. Enganase a litigante. 61. Nos tópicos “1.1.1 Dolo, fraude ou simulação nas infrações autuadas” e 2.1 GLOSA DA DESPESA “OUTROS SERVIÇOS”, analisaramse detalhadamente os fatos que ensejaram a presente autuação, concluindose pela evidência de escrituração e dedução de despesa fictícia e de intenção dolosa pela contribuinte. 62. Por isso, procedente o apenamento com a multa qualificada de 150%. 2.5 PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. 63. A autuação pautouse pelo cumprimento dos procedimentos administrativos pertinentes como emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF) nº 0910500/00003/2007, intimação do início de fiscalização, concessão de prazos e prorrogações para atendimento a intimações e defesa na forma de impugnação. 64. Também a base legal da autuação, arts. 249, 250 e 926 do RIR, de 1999, cuja matriz legal é instrumento de há muito editado e que vem sendo aplicado sem que tenha sido objeto de declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não foram questionadas e muito menos declaradas, DecretoLei nº 1.598, de 23 de dezembro de 1977. 65. Também não se vislumbra excesso por parte da fiscalização, na aplicação da lei. 2.6 VALOR DO LANÇAMENTO É INDEVIDO. 66. A afirmativa de que o valor do lançamento é totalmente indevido, por estar revestido de vício que seguramente implicará na sua nulidade, pois fundado em meros elementos indiciários, sem levar em conta outras informações e dados para então oferecer ao contribuinte a cominação imposta, não restou respaldada por documentos diferentes dos que a litigante já havia apresentado à fiscalização, que são os Recibos e comprovantes de transferências de valores à Fênix, já comentados, descabendo repetir as conclusões a que se chegou. (...) Fl. 2224DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10950.006259/200844 Acórdão n.º 140200.929 S1C4T2 Fl. 0 17 CONCLUSÃO Aos fundamentos acima transcritos, que peço vênia para adotar como razões de decidir, entendo que nada mais cabe ser acrescentando. Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 2225DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O
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Numero do processo: 13896.003680/2002-06
Data da sessão: Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991
ILL - SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA - RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS - DECADÊNCIA.
O marco inicial do prazo decadencial de cinco anos para os pedidos de restituição do imposto de renda retido na fonte sobre o lucro liquido, pago por sociedades por quotas de responsabilidade limitada, se dá em 25.07.1997, data de publicação da Instrução Normativa SRF n° 63.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.225
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos à Unidade local da RFB para que aprecie as demais questões relacionadas ao pleito. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto que negava provimento ao recurso.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allagi
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 1989, 1990, 1991 ILL - SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA - RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS - DECADÊNCIA. O marco inicial do prazo decadencial de cinco anos para os pedidos de restituição do imposto de renda retido na fonte sobre o lucro liquido, pago por sociedades por quotas de responsabilidade limitada,' se dá em 25.07.1997, data de publicação da Instrução Normativa SRF n° 63. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos à Uni. :de local da RFB para que aprecie as demais questões relacionadas ao pleite . Vencido o ' onselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto que negava provimento ao recurso. t„ CARLOS ALBERT* t TAS BA ETO — Presidente t.;14,01 GONÇALO BONET AL AGE — R; lator EDITADO EM: 28 SET 2009 Processo n° 13896.003680/2002-06 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.225 F1.398 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gustavo Lian Haddad (convocado), Julio Cesar Vieira Gomes, Moisés Giacornelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário n° 149.761, interposto pela contribuinte Polimix Concreto Ltda., proferiu o acórdão n° 104-21.749, que se encontra às fls. 299-307, cuja ementa é a seguinte: ILL — SOCIEDADE POR QUOTAS — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — DECADÊNCIA — Considerando-se como termo inicial de contagem do prazo decadencial do direito de pleitear restituição de ILL, pago por sociedade por quota de responsabilidade limitada, a data da publicação da Resolução n° 82, do Senado Federal (19/11/1996) ou a data do pagamento do tributo, em qualquer hipótese, é intempestivo o pedido formalizado em 23/07/2002 referente a pagamentos feitos antes de junho de 1995. Recurso negado. A decisão recorrida, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário interposto pela empresa, vencidos os Conselheiros Nelson Mallmann, Heloísa Guarita Souza e Gustavo Lian Haddad, que afastavam a decadência do direito da contribuinte de pedir a restituição do imposto de renda na fonte incidente sobre o lucro líquido, previsto no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, relativamente a pagamentos efetivados entre 30/04/1990 e 30/12/1992 e cujo pedido fora protocolizado em 23/07/2002. A interessada opôs embargos de declaração às fls. 309-312, os quais restaram rejeitados através da manifestação de fls. 315-317. Na seqüência, a contribuinte interpôs recurso especial de divergência às fls. 319-332, acompanhado dos documentos de fls. 333-366, buscando, em apertada síntese, que se aplique ao caso o entendimento segundo o qual o início do prazo decadencial para o pedido de restituição do indébito ocorreu em 25/07/2002, com a publicação da Instrução Normativa SRF n° 63, de 24/07/1997. Assim, deve ser afastada a decadência e reconhecido o direito creditório pleiteado. Admitido o recurso por meio do Despacho n° 104-162/2008 (fls. 368-369), adotando-se como paradigma o acórdão n° 106-15.410, a Fazenda Nacional foi cientificada e apresentou contra-razões às fls. 389-394, onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido. É o Relatório.g 2 Processo n° 13896.003680/2002-06 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.225 Fl. 399 Voto Conselheiro GONÇALO BONET ALLAGE, Relator O Recurso Especial do contribuinte cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário interposto pela contribuinte. A insurgência da empresa está relacionada à questão da decadência, sendo que os pagamentos do imposto de renda retido na fonte sobre o lucro liquido foram efetuados entre 30/04/1990 e 30/12/1992, enquanto o protocolo do pedido de restituição ocorreu em 23 de julho de 2002. O ILL, previsto no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, era tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, pois cabia ao contribuinte verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, identificar o sujeito passivo, calcular e recolher o tributo devido, independentemente de qualquer iniciativa da autoridade administrativa, que apenas homologaria, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo obrigado. A regra geral relativa ao prazo decadencial para pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação resulta da interpretação dos artigos 150, § 40, 165, inciso I e 168, inciso I, todos do Código Tributário Nacional — CTN, os quais estão assim dispostos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto 1 aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (.) § 40. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, Seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 40 do art. 162, nos seguintes casos: I — cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou 3 Processo n° 13896.003680/2002-06 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.225 H. 400 da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I — nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário. Da conjugação desses dispositivos legais conclui-se que, como regra, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o contribuinte tem 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para requerer a restituição de exação indevidamente recolhida. Ocorre, que para algumas hipóteses excepcionais, a jurisprudência, inclusive advinda da Câmara Superior de Recursos Fiscais, tem admitido um novo início de prazo decadencial, que não se confunde com o fato gerador da obrigação tributária. Tal posicionamento tem fundamento, principalmente, nos princípios constitucionais da legalidade, da moralidade e da proibição do enriquecimento sem causa. Dentre as exceções consignadas pela jurisprudência, relevante destacar a declaração de inconstitucionalidade de norma tributária proferida pelo Supremo Tribunal Federal — STF, a expedição de Resolução do Senado Federal, prevista no artigo 52, inciso X, da Carta Fundamental ou, ainda, o reconhecimento, por parte do poder tributante, de que uma exigência tributária é indevida. Pelo entendimento prevalente no âmbito do Conselho de Contribuintes, a data em que ocorrer alguma dessas situações representa o dies a quo do prazo para que o contribuinte pleiteie a restituição de tributo indevidamente recolhido. Com o objetivo de ilustrar essa afirmação, trago à colação as ementas dos seguintes acórdãos proferidos por esta Câmara Superior de Recursos Fiscais: IRRF-ILL. DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TERMO INICIAL - A contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição / compensação de tributo pago indevidamente, por declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, inicia-se na data do trânsito em julgado da declaração de inconstitucionalidade, em controle concentrado de constitucionalidade, ou a publicação da Resolução do Senado Federal, caso a declaração de inconstitucionalidade tenha-se dado em controle difuso de constitucionalidade, ou, ainda, na data da publicação de ato administrativo que estenda os efeitos da inconstitucionalidade a outros beneficiários. Recurso especial negado. (CSRF, Quarta Turma, Acórdão CSRF/04-00.205, Relator Conselheiro José Ribamar Barros Penha, julgado em 14/03/2006) DECADÊNCIA — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — TERMO INICIAL — Em caso de conflito quanto à legalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial A/hl PP, 'em , 4 Processo n° 13896.003680/2002-06 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.225 Fl. 401 do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. Recurso especial provido. (CSRF, Quarta Turma, Acórdão CSRF/04-00.047, Relator Conselheiro Wilfrido Augusto Marques, julgado em 08/05/2005) A restituição pretendida pela empresa está relacionada ao imposto de renda na fonte sobre o lucro liquido, previsto no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, nos seguintes termos: Art. 35. O sócio-quotista, o acionista ou titular de empresa individual ficará sujeito ao imposto de renda na fonte, à alíquota de 8% (oito por cento), calculada com base no lucro líquido apurado pelas pessoas jurídicas na data do encerramento do período base. No julgamento do Recurso Extraordinário n° 172.058-1/SC, o Egrégio STF reconheceu a inconstitucionalidade do artigo 35 da Lei n° 7.713/88, especificamente no que se refere à expressão "o acionista". Este acórdão gerou efeitos inter partes. Para conferir efeito erga omnes à decisão do Supremo Tribunal Federal, suspendendo a execução artigo 35 da Lei n° 7.713/88, no que diz respeito à expressão "o acionista", o Senado Federal fez publicar a Resolução n° 82, em 19/11/1996. Assim, restou reconhecida a inconstitucionalidade da exigência do ILL para as sociedades por ações. Para as demais empresas, que não as sociedades por ações, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa n° 63, em 24/07/1997, em cujo artigo 1° está expresso que: Art. 1°. Fica vedada a constituição de créditos da Fazenda Nacional, relativamente ao imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido, de que trata o art. 35 da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, em relação às sociedades por ações. Parágrafo único: O disposto neste artigo se aplica às demais sociedades nos casos que o contrato social, na data i do encerramento do período base de apuração, não previa a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado. gr s , Processo n° 13896.003680/2002-06 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.225 Fl. 402 Portanto, a Instrução Normativa n° 63/97 reconheceu o caráter indevido da exigência do ILL para as sociedades por quotas de responsabilidade limitada, entre outras, desde que o contrato social, na data do encerramento do período-base de apuração, não previsse a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado. Perfilhando o posicionamento dominante no âmbito deste Colegiado e diante do fato de que a interessada é sociedade por cotas de responsabilidade limitada, entendo que o dia 25/07/97 — data de publicação da IN SRF n° 63 — marca o início do prazo decadencial para a busca da devolução dos valores recolhidos a título de imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido, pois é nesse momento que a Administração Tributária reconhece o caráter indevido do ILL para as demais empresas, que não as sociedades por ações. Considerando que o pedido de restituição em apreço foi efetuado em 23/07/2002 (fls. 01), há que se concluir que a decadência não atingiu o direito creditório pleiteado. Segundo penso, o acórdão recorrido deve ser reformado. Destaco, ainda, que o artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional, não justifica a aplicação retroativa do artigo 3° da Lei Complementar n° 118/2005, pois tal norma, evidentemente, não tem caráter interpretativo. Tenho como aplicável ao caso o princípio constitucional da irretroatividade das leis, previsto no artigo 150, inciso III, alínea "a", da Carta da República. O artigo 3° da Lei Complementar n° 118/2005 só pode ser aplicado para fatos ocorridos a partir de 09/06/2005, o que não é o caso dos autos. O próprio STJ, quando apreciou a questão, concluiu que "(..) 4. A Seção de Direito Público, no julgamento dos EREsp n. 327.043/DF, em 27.4.2005, afastou a aplicação do art. 3° da LC n. 118/2005 às ações ajuizadas até o término da vacatio legis de 120 dias." (Primeira Seção, EREsp n° 489.7031MG, Relator Ministro João Otávio de Noronha, DJTJ de 10/10/2005, p. 211). Embora se esteja afastando a decadência e provendo o recurso, nessa parte, não é possível analisar o mérito do pedido de restituição da contribuinte, sob pena de supressão de instância. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da empresa, para os fins de afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à repartição de origem para apreciação das demais razões de mérito. ;4411IPP:' ..-0' Gonçalo Bonet A age - Relator 6
score : 1.0
Numero do processo: 10980.009273/2005-08
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2008
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2003
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários
Federais - DCTF pelas pessoas jurídicas obrigadas, quando
intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 302-40.061
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF pelas pessoas jurídicas obrigadas, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Ricardo Paulo Rosa e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional Maria Cecilia Barbosa. ., . Processo n° 10980.009273/2005-08 AcórcIdo n.° 302-40.061 CC03/CO2 Fls. 38 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata-se de auto-de-infração lavrado contra o contribuinte acima qualificado, referente a multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF para o 1" trimestre de 2003. A multa totaliza a importância de R$200,00. Intimada, a empresa apresentou defesa tempestiva, requerendo a aplicação do tratamento conferido às pessoas jurídicas consideradas Microempresas ou Empresas de Pequeno Porte. Alternativamente, alega inatividade no período e requer o tratamento de empresa dispensada de entrega da DCTF. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/CTA n° 17.442, de 27/03/2008, fls. 14/17: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendârio: 2003 OBRIGATORIEDADE. APRESENTACÃO.DCTF. ATIVIDADE COMPROVADA. A pessoa jurídica que realizar qualquer atividade operacional, não- operacional, financeira ou patrimonial está obrigada a apresentar DCTF a partir do trimestre em que praticá-las. it Lançamento Procedente. Às fls. 20 o contribuinte foi intimado da decisão supra, motivo pelo qual apresenta Recurso Voluntário d fls. 21/34, tendo sido dado, então, seguimento ao mesmo. É o relatório. 2 Sala das Sessões, em 1 de dezembro de 2008 LUCIANO LOPE MEIDA MOR ES - Relator • .11 •-.1t • Processo n° 10980.009273/2005-08 Acórdão n.° 302-40.061 CC03/CO2 Fls. 39 Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator 0 recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Discute-se a multa por entrega intempestiva de DCTF. As argumentações elencadas pela recorrente não suportam a alteração da decisão recorrida, a qual está bem fundamentada, jurídica e documentalmente, a saber: A recorrente não comprovou estar no SIMPLES, enquanto a RFB comprovou o A recorrente não comprovou a inatividade, enquanto a RFB comprovou o contrário. 0 simples fato de não entregar a tempo a DCTF já configura infração legislação tributária, ensejando, de pronto, a aplicação da penalidade cabível. A obrigação acessória relativa à entrega da DCTF decorre de lei, a qual estabelece prazo para sua realização. Salvo a ocorrência de caso fortuito ou força maior, não comprovado nos autos, não há que se falar em denúncia espontânea. Ressalte-se que em nenhum momento a recorrente se insurge quanto ao atraso, pelo contrário, o confirma. De acordo com os ten-nos do § 4°, art. 11 do Decreto-lei 2.065/83, bem como entendimento do Superior Tribunal de Justiça "a multa é devida mesmo no caso de entrega a destempo antes de qualquer procedimento de oficio. Trata-se, portanto, de disposição expressa de ato legal, a qual não pode deixar de ser aplicada, uma vez que é principio assente na doutrina pátria de que os órgãos administrativos não podem negar aplicação a leis regularmente emanadas do Poder competente, que gozam de presungão natural de constitucionalidade, presunção esta que só pode ser afastada pelo Poder Judiciário". Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argumentos. contrário. 3
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Numero do processo: 14479.000426/2007-36
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1998
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2402-000.109
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, pois declarou-se a decadência das contribuições apuradas.
Nome do relator: Marcelo Oliveira
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Recorrente FBS CONSTRUÇÃO CIVIL E PAVIMENTAÇÃO LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA - SRP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1998 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Câmara / 2a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimida, - de votos, em dar provimento ao recurso, pois declarou- se a decadência das contribuiçi - a.urac. s. 1 • EIRA 1 , / 1 Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Leôncio Nobre de Medeiros (Suplente), Edgar Silva Vidal (Suplente) e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente o Conselheiro Rogério de Lellis Pinto. 1 Processo n° 14479.000426/2007-36 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.109 Fl. 180 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), São Paulo — Norte / SP, fls. 098 a 0105, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 022 a 024, o lançamento refere-se a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados, correspondentes a contribuição da empresa, a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT). Ainda segundo o RF, os valores da base de cálculo foram obtidos em notas fiscais de prestação de serviços, devido à recorrente não ter se elidido da responsabilidade solidária, conforme determina a legislação. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos da NFLD. Em 27/12/2005 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 001. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 029 a 055, acompanhada de anexos. A DRP analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0108 a 0137, acompanhado de anexos. Posteriormente, a DRP enviou o processo ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. 2 • Processo n° 14479.000426/2007-36 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.109 Fl. 181 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Preliminarmente, devemos verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n°8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante n° 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal, a Súmula de n° 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la. Art. I03-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN). A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN. A decadência decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art 150, § 40, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). 3 Processo n° 14479.000426/2007-36 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.109 Fl. 182 O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificaçã o, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 4°, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § I' - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2° - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3' - Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4° - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas Para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. 4 Processo n° 14479.000426/2007-36 S2 -C4T2 Acórdão n.° 2402-00.109 Fl. 183 Ocorre que, no caso em questão, o lançamento foi efetuado em 12/2005, data da ciência, e os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/1998 a 02/1998, portanto irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, haja vista que a decadência há de ser declarada por qualquer das regras existentes. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito DAR-LHE PROVIMENTO, face a aplicação da decadência qüinqüenal. , Sala das7. I - : de agosto 40 Mt:01, e OLIVEIRA - Relator de 2009 , I' 5
score : 1.0
Numero do processo: 13976.000935/2002-81
Data da sessão: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZA DOS — IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE 1P1. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. 0 valor referente ao beneficiamento dos insumos efetuado por terceiros, com suspensão do imposto na remessa e no
retorno ao encomendante, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido, uma vez que se trata de aquisição de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem.
IPI. RESSARCIMENTO. SELIC - A correção monetária dos valores
pleiteados a titulo de ressarcimento do IPI visa apenas restabelecer o valor real do incentivo fiscal. Entretanto, a atualização do ressarcimento não pode se dar pela variação da Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic, que tem natureza de juros e alcança patamares muito superiores à inflação efetivamente verificada no período, e que se adotada no caso causaria a concessão de um "plus", que só é possível por expressa previsão legal.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: CSRF/02-03.542
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Dalton César Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martinez Lopez, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan e Manoel Coelho Arruda Junior que negavam provimento ao recurso. Redesignado para redigir o voto vencedor o Conselheira Antonio Praga.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZA DOS — IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE 1P1. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. 0 valor referente ao beneficiamento dos insumos efetuado por terceiros, com suspensão do imposto na remessa e no retorno ao encomendante, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido, uma vez que se trata de aquisição de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem. IPI. RESSARCIMENTO. SELIC - A correção monetária dos valores pleiteados a titulo de ressarcimento do IPI visa apenas restabelecer o valor real do incentivo fiscal. Entretanto, a atualização do ressarcimento não pode se dar pela variação da Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic, que tem natureza de juros e alcança patamares muito superiores à inflação efetivamente verificada no período, e que se adotada no caso causaria a concessão de um "plus", que só é possível por expressa previsão legal. Recurso Especial do Procurador Provido.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZA DOS — IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE 1P1. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. 0 valor referente ao beneficiamento dos insurnos efetuado por terceiros, com suspensão do imposto na remessa e no retorno ao encomendante, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido, uma vez que se trata de aquisição de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem. IPI. RESSARCIMENTO. SELIC - A correção monetária dos valores pleiteados a titulo de ressarcimento do IPI visa apenas restabelecer o valor real do incentivo fiscal. Entretanto, a atualização do ressarcimento não pode se dar pela variação da Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic, que tem natureza de juros e alcança patamares muito superiores à inflação efetivamente verificada no período, e que se adotada no caso causaria a concessão de um "plus", que só é possível por expressa previsão legal. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Dalton César Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martinez Lopez, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan e Manoel Coelho Arruda Junior que negavam provimento ao recurso. Redesignado para redigir o voto vencedor o Conselheira Antonio Praga. Processo n° 13976.000935/2002-81 Acórdão n.' 02 -03.542 CSIZIVI'02 l'Is. 398 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martinez Lopez, Antonio Carlos Atulim, Gileno Gurjdo Barreto, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Manoel Coelho Arruda Junior e Antonio Praga. Ausentes justificadamente e momentaneamente os Conselheiros Julio César Vieira Gomes e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório CERAMARTE LTDA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, apresentou Pedido de Ressarcimento de crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, instituído pela Medida Provisória n° 725/1995 e alterações, convertida na Lei n° 9.363/1996, em relação ao período de 01/04/2002 a 30/06/2002, conforme Petição Inicial, As fls. 01/02 e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao Segundo Conselho de Contribuintes contra Decisão da DRJ em Porto Alegre/RS, consubstanciada no Acórdão no 7.027/2005, As fls. 294/302, que manteve o Despacho Decisório, As fls. 234/237, o qual deferiu parcialmente o Pedido em referência, a Egrégia 3' Camara, em 27/06/2006, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão n°203-11.021, sintetizados na seguinte ementa: "IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N° 9.363/96. ENERGIA ELÉTRICA E GLP. EXCLUSÃO. Incluem-se entre os in.s . untos pant fins de crédito do IPI os produtos não compreendidos entre os hens do ativo permanente que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos, desgastados ou alterados no processo de industrialização, em Angelo de Kilo direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele. Produtos outros, não classificados como ins umos segundo o Parecer Normativo CST n° 65/79, incluindo a energia elétrica e o GLP empregados como forgo motriz e/ou fonte de calor, que não são consumidos diretamente ent contato com o produto em elaboração, não podem ser considerados C01170 matéria-prima ou produto intermediário para os fins do cálculo do crédito presumido estabelecido pela Lei n° 9.363/96. ENERGIA ELÉTRICA E GAS LIQUEFEITO DE PETRÓLEO (GLP). RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO RELATIVO AO PIS/COFINS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qua se destina a matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos exportados pelo encomendante agrega-se ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do Processo IV 13976.000935/2002-81 Acórdão n.° 02-03.542 CS R Ff1 . 02 Hs. 399 . crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COF1NS previsto lia Lei n°9.363/96. TAXA SELIC. Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos terms do art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95, a partir de 01/01/96, sendo o ressarcimento uma espécie do género restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recurso Fiscais no Acórdão CSRF/02-0.708, de 04/06/98, além do que, tendo o Decreto n°2.138/97 tratado de restituição o ressarcimento da 17e5771a maneira, a referida Taxa incidirá, também, sobre o ressarcimento. Recurso provido en? parte." Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 361/369, corn arrimo no artigo 5°, inciso I, do então Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 55/1998, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Insurge-se contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado evidência de provas constantes dos autos, bem como a legislação que regulamenta a matéria (Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI), mais precisamente o artigo 1°, cupid, da Lei n° 9.363/96. Assevera que o ressarcimento de crédito presumido de IPI, na condição de incentivo a exportação, concedido por mera liberalidade do Estado, não pode ser interpretado extensivamente, cabendo ao legislador "delinear os contornos desse incentivo", sob pena de ofensa ao principio de legalidade. Contrapõe-se ao decisum guerreado, aduzindo para tanto que o artigo 1° da Lei n° 9.363/96 incluiu na base de cálculo de referido beneficio fiscal tão somente as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, não contemplando os serviços de beneficiamento prestado por terceiros. Sustenta que o beneficiamento de couro, em que pese tratar-se de industrialização por terceiros, é hipótese de prestação de serviço e não de aquisição de matéria- prima, na forma que entendeu a Câmara recorrida. Alega que ao prevalecer o Acórdão recorrido, estar-se-ia computando os gastos gerais na fabricação como se matéria-prima fossem, não se cogitando em aquisição de matéria- prima, malferindo o disposto no artigo 1°, caput, da Lei n° 9.363/96, extrapolando o alcance da hipótese prevista em lei. Infere que a Lei n° 10.276/2001, a qual permitiu a inclusão dos serviços prestados concernentes à industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido de IPI, não tem natureza interpretativa de forma a acobertar pedidos formulados antes de sua vigência, não havendo que se falar em aplicação do artigo 106, inciso I, do CTN. Argumenta, ainda, que o Acórdão atacado contrariou evidência de prova, eis que não restou comprovado, mediante documentação hábil e idônea, que os produtos indicados pela contribuinte foram, efetivamente, remetidos As empresas terceirizadas, e bem assim que o produto beneficiado fora industrializado pelo exportador. Processo n° 13976.000935/2002-81 AcOrdao n.° 02-03.542 CSRF/T02 Fls. 400 dfr Opõe-se ao Acórdão recorrido, alegando ter contrariado os preceitos contidos no artigo 39, § 4°, da Lei no 9.250/95, o qual contempla tão somente a atualização, sob a forma de juros, das importâncias a compensar ou a restituir decorrentes de pagamento a maior ou indevido, o que não se vislumbra no caso vertente, crédito presumido de IPI. Defende haver grande diferença entre o indébito tributário e o instituto do ressarcimento, uma vez que no primeiro caso inexiste suporte fatico que sustente a pretensão fiscal, ou seja, inexistiu o fato gerador do tributo recolhido. Por sua vez, no ressarcimento, o fato gerador escritural ocorreu, sendo mera liberalidade do Estado permitir que referidos valores sejam compensados com outros tributos administrados pela SRF. Aduz que a diferenciação entre o ressarcimento e a restituição encontra arrimo na própria legislação de regência, mais precisamente no Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto n° 2.637/1998, em seus artigos 168 e 190, os quais oferecem tratamentos distintos para os dois institutos. Nesse sentido, sustenta ser equivocado atribuir ao ressarcimento os efeitos da repetição de indébito, notadamente a atualização monetária, com sustentáculo no principio da isonomia, sob pena de ferir outro principio da administração pública, o da legalidade, tendo em vista inexistir previsão legal ao pleito da contribuinte. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 3 0 Camara do 2° Conselho, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido, ao incluir a industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido de IPI, corrigida pela Taxa Selic, contrariou, a priori, os preceitos contidos no comando legal que impõe interpretação literal e restritiva no caso de renúncia fiscal, conforme Despacho n°203-210, as fls. 373. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contra-razões, às fls. 379/393, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção, trazendo à. colação jurisprudência administrativa a respeito da matéria, oferecendo guarida à sua pretensão. E o Relatório. 4 Processo n° 13976.000935/2002-81 Acórdão n.° 02-03.542 Voto Vencido Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 3' Câmara do 2° Conselho a contrariedade a lei suscitada, conheço do Recurso Especial e passo A. análise das razões recursais. Pretende a Fazenda Nacional a reforma do Acórdão recorrido, o qual deu provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, determinando a inclusão dos valores utilizados na industrialização por encomenda na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI, sob o argumento de que o entendimento levado a efeito pela Câmara recorrida afronta de forma flagrante o disposto no artigo 1°, capuz, da Lei n° 9.363/96, bem como o principio da legalidade, impondo a interpretação restritiva da legislação que regulamenta a matéria, sobretudo quando referido beneficio fiscal, na condição de incentivo â. exportação, é concedido por mera liberalidade do Estado. A fazer prevalecer seu entendimento, infere que o artigo 1° da Lei n° 9.363/96 incluiu na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI exclusivamente as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, o que não se vislumbra na hipótese vertente (serviços de beneficiamento prestado por terceiros). Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, conclui-se que o Acórdão recorrido apresenta-se incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Antes mesmo de se adentrar às questões controvertidas a propósito da matéria, cumpre trazer à baila a legislação tributária que instituiu o ressarcimento do crédito presumido do IPI, notadamente a Medida Provisória n° 725 e reedições, convertida na Lei n° 9.363/96„ in verbis: "Lei n°9.363/1996 Art. 1° A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrialiazados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares Vs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. 0 disposto neste artigo aplica-se, inclusive, nos' casos de venda a empresa comercial exportadora com o Jim especifico de exportação para o exterior. Art. 2° A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias- primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no 5 Processo n 13976.000935/2002-81 Acórdão ri.° 02 -03.542 artigo anterior, do percentual correspondente a relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. 1...] " Conforme se extrai das normas legais retromencionadas, o beneficio fiscal em comento tem o escopo de desonerar as exportações brasileiras de produtos manufaturados, a partir do crédito presumido do Imposto Sobre Produtos Industrializados — IPI, como ressarcimento das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), incidentes sobre os insumos adquiridos para aplicação na industrialização de produtos nacionais destinados ao mercado externo, corno muito bem sedimentado no bojo do voto vencido constante do Acórdão recorrido. A teor dessa conclusão, somente a titulo de reflexão, cumpre inferir que o simples fato de o fisco, acompanhado por alguns dignos julgadores administrativos, não entender estarem incluídas na base de cálculo do crédito presumido de IPI, os valores concernentes aos serviços de beneficiamento do insumo executados por terceiros e sob encomenda, além de coarctar os ditames da Lei no 9.363/1996, fere mortalmente o fim precipuo de beneficio fiscal sub examine, explicitado acima. Na hipótese dos autos, tratando-se de bene ficiamento de matéria-prima destinada à fabricação de mercadorias destinadas ao exterior, o exame da matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações em relação ao procedimento adotado na aquisição da matéria-prima, indispensáveis ao deslinde da controvérsia, citando a titulo exemplificativo a indústria calçadista, a qual reflete muito bem o processo produtivo em comento. Como é do conhecimento daqueles que lidam com referido tema, em virtude da quantidade e dos valores mais acessíveis, o exportador adquire o couro praticamente em uma única época do ano ("safra"), como matéria-prima inacabada (couro semi acabado ou "wet blue"), vindo a estocá-la. Na medida em que os pedidos são concretizados, o exportador encaminha o couro semi acabado para beneficiamento executado por terceiros e sob encomenda. Observe-se, que a conduta da contribuinte obedece principio de economia na produção do bem a ser exportado, visando o maior faturamento da empresa com a diminuição de custos na produção. Ora, antes de efetuado o pedido, a empresa exportadora não tern conhecimento de qual será a demanda, tanto em relação à quantidade quanto as cores dos calçados a serem exportados. Dessa forma, além da economia em adquirir grande quantidade de couro de uma só vez, a conduta da contribuinte encontra sustentáculo, ainda, na própria lógica comercial, ou seja, adquire o produto (couro) semi acabado e entrega para o beneficiamento somente quando houver necessidade, observando a quantidade e as especificações (especialmente cores) a serem adotadas por ocasião da exportação. Diante desse raciocínio, é de fácil conclusão que somente poderá ser admitida como matéria-prima propriamente dita o couro acabado, após o respectivo beneficiamento, que deverá obrigatoriamente ser considerado como custo na aquisição da matéria-prima. Verifica-se, que o couro inacabado, denominado de "wet blue", isoladamente, não oferece condições de industrialização do produto final a ser exportado, qual seja, 6 Processo n° 13976.000935/2002-81 Acórdão ri.° 02-03.542 calçado. Nesse sentido, não pode ser considerado como efetiva matéria-prima. A rigor, o beneficiamento (operação industrial) procedido por terceiros ou sob encomenda é condição essencial à caracterização da matéria-prima em comento, couro acabado. Assim, nada mais justo/correto que os custos do beneficiamento do couro inacabado serem incluidos na base de cálculo do crédito presumido do IPI, ainda que procedido por terceiros. Impende esclarecer, ainda, que na hipótese de o exportador adquirir a matéria- prima já submetida a processo de beneficiamento (couro acabado), o valor total de referida aquisição seria admitido para cálculo do crédito presumido de IPI, inclusive a importância relativa a mão-de-obra utilizada nessa operação industrial. Destarte, a não ser no aspecto comercial da empresa como já relatado acima, no entendimento deste conselheiro, inexiste diferença entre a aquisição do couro acabado (efetiva matéria-prima) ou o "wet blue" a ser submetido a posterior processo de beneficiamento. Em ambos os casos, o custo do beneficiamento do couro inacabado será suportado pelo exportador, devendo referida importância ser agregada ao valor final da aquisição da matéria-prima — couro acabado. Mais a mais, somente a titulo elucidativo, constata-se que a operação de industrialização (beneficiamento) sob responsabilidade de terceiros sofre incidência da COFINS e do PIS, o justifica ainda mais o acolhimento do pleito da contribuinte, eis que o beneficio fiscal em comento tern como fim precipuo justamente a desoneração de referidos tributos na exportação de produtos nacionais. Nessa toada, é de se admitir o valor relativo aos serviços de beneficiamento da matéria-prima executados por terceiros na base de cálculo do crédito presumido de IPI. Aliás, essa Colenda Câmara Superior já se manifestou por diversas vezes a respeito do tema, oferecendo proteção ao pleito da contribuinte, conforme se extrai dos Acórdãos com suas ementas abaixo transcritas: "L4 INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA — A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos exportados pelo encomendante agrega-se ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto na Lei n°9.363/96. " (2' Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais — Acórdão n° CRSF/02-02.175 — Sessão de 23/01/2006) "IPI — CRÉDITO PRESUMIDO — INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Os custos referentes à matéria prima beneficiada por terceiros e utilizada no produto final exportado deve ser incluído na base de cálculo do incentivo criado pela Lei n° 9.363/96. Recurso negado." (2' Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais — Acórdão n° CRSF/02-01.857 — Sessão de 11/04/2005) DA CORRECÃO PELA TAXA SELIC 7 Processo ti° 13976.000935/2002-81 Acórdão n.° 02 -03.542 Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pugna a Procuradoria pela reforma do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas malferiram os ditames contidos na legislação de regência, bem como o principio da legalidade, eis que inexiste previsão legal para correção pela Taxa Selic em se tratando de pedido de ressarcimento, o qual não pode ser confundido com restituição/repetição de indébito, sendo, igualmente, equivocada a utilização do principio da isonomia para acolhimento da pretensão da contribuinte. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pela recorrente, seu insurgimento, mais urna vez, não é capaz de determinar a reforma do Acórdão guerreado, o qual deverá ser mantido pelos seus próprios fundamentos. Com efeito, a Constituição Federal, em seu artigo 5°, cupid, consagrou o Principio da Isonomia, nos seguintes termos: "Art 5° Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pais a inviolabilidade do direito a vida, à liberdade, à igualdade, segurança e a propriedade, nos termos seguintes: [..] " Por seu turno, o artigo 2°, da Lei n° 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, impôs a esta a observância ao principio da moralidade, dentre outros, como segue: "Art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." Consoante se infere dos dispositivos constitucional e legal encimados, os princípios contemplados em nosso ordenamento jurídico, dentre eles o da isonomia e moralidade, são de observância obrigatória tanto para a Administração como para os administrados. Assim, data maxima vênia, afirmar que a aplicação do principio da isonomia ao presente caso é um verdadeiro equivoco, é rasgar nossa Carta Magna, uma vez que referida determinação decorre do seu próprio bojo. Em outra via, o principio da moralidade, igualmente, é de observância obrigatória à hipótese vertente, na medida em que o contribuinte, que suporta toda carga tributária, possa usufruir da mesma correção monetária utilizada em favor do fisco, quando da inobservância do cumprimento de suas obrigações tributárias. Mais a mais, da mesma forma que inexiste previsão legal especifica para a utilização da Taxa Selic no ressarcimento do crédito de IPI, não se tern conhecimento de dispositivo legal que a proíba, não se cogitando em contrariedade à lei como pretende fazer crer a recorrente. Não bastasse isso, o que por si só seria capaz de rechaçar a pretensão da Fazenda Nacional, o legislador sabiamente permitiu fosse levado a efeito a analogia na aplicação da lei, justamente para preencher lacunas eventualmente existentes na legislação. É o que se extrai do artigo 108, do CTN, in verbis: 8 Processo n" 13976.000935/2002-81 Acórdfto n." 02-03.542 "Art.108 - Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivanzente, na ordem indicada: I - a analogia; - os princípios gerais de direito tributário; III - os princípios gerais de direito público; IV- a eqüidade." (grifamos) Somente a titulo elucidativo, corroborando o entendimento suscitado acima, constata-se que o principio da isonomia novamente se faz presente no inciso IV (eqüidade) supratranscrito, que, igualmente, deverá ser utilizado na hipótese de haver lacuna na lei, como aqui se vislumbra. Dessa forma, seja com amparo nos princípios da isonomia ou moralidade, bem como na analogia, o artigo 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95, abaixo transcrito, pode e deve ser admitido como esteio ao emprego da Taxa Selic nos valores ressarcidos decorrentes do crédito presumido do IPI: Art.39 - A compensação de que trata o art. 66 da Lei 1708.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei n°9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada cOill o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subsequentes. 1.. .1 4 0 - A partir de 1° de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIG para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de I% relativamente ao mês eni que estiver sendo efetuada." (grifamos) A corroborar o entendimento constante do Acórdão recorrido, cumpre esclarecer que o Decreto n° 2.138/1997, ao dispor sobre a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo, tratou restituição e ressarcimento da mesma forma. Nesse contexto, é de se admitir que ressarcimento é espécie do género restituição, impondo seja mantido o Acórdão recorrido. Alias, essa Colenda Camara Superior já se manifestou por diversas vezes a respeito do tema, oferecendo proteção ao pleito da contribuinte, conforme se extrai dos Acórdãos com suas ementas abaixo transcritas: "IPI .CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS MEDIANTE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI . BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. 0 incentivo corresponde a um crédito que presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas 9 Processo n° 13976.000935/2002-81 Acórdão n.° 02-03.542 CSRFT1 . 02 l'Is. 406 contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cube ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. SELIC. Devida a atualização monetária, a partir da data de protocolização do pedido de ressarcimento, com a utilização da lava referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, acumulada mensalmente, até o nzés anterior ao pagamento e de I% no mês do pagamento. Recurso especial negado." (2a Turma da CSRF — Acórdão n° CSRF/02- 02.464, Sessão de 16/10/2006) (grifamos) — CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO — TAXA SELIC - NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, § 4 0 da Lei n° 9.250/95, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Ccimara Superior de Recurso Fiscais no Acórdão CSRF/02-0.708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto n° 2.138/97 tratado restituição o ressarcimento da mesma maneira, a referida Taxa incidirá, também, sobre o ressarcimento." (2 Turma da CSRF — Acórdão n° CSRF/02-02.203, Sessão de 25/01/2006) "IPI — RESSARCIMENTO ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA - Cabe a atualização monetária dos ressarcimentos de créditos de IPI pela aplicação da taxa SELIC, ent atendimento ao principio da isonomia, du eqüidade e da repulsa ao enriquecimento sem causa. Recurso negado." (23 Turma da CSRF — Acórdão n° CSRF/02-01.774, Sessão de 24/01/2005) Nessa linha de raciocínio, é o entendimento manso e pacifico do Superior Tribunal de Justiça, determinando a correção monetária do ressarcimento do crédito presumido de IPI pela Taxa Selic, conforme fazem certo os julgados com suas ementas abaixo transcritas: "TRIBUTÁRIO. JPJ. CRÉDITOS ESCRITURAIS. AQUISIÇÃO DE INS UMOS ISENTOS OU TRIBUTADOS A ALIQUOTA ZERO. PRESCRIÇÃO. ENERGIA ELÉTRICA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA EM CARÁTER EXCEPCIONAL. ILEGÍTIMA OPOSIÇÃO DO FISCO. INCIDÊNCIA ATÉ O TRÂNSITO EM JULGADO, JÁ QUE APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS NA ÉPOCA PRÓPRIA FOI IMPEDIDO PELO FISCO. JUROS. SELIC. LEGALIDADE. PRECEDENTES. b..] 3. A jurisprudência do STJ e do STF é no sentido de ser indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI, relativos lo Processo IV 13976.000935/2002-81 Acórdão ri.° 02-03.542 operações de compra de matérias-primas e ins umos empregados na fabricação de produto isento ou beneficiado coin aliquota zero. Todavia, é devida a correct-10 monetária de tais créditos quando o seu aproveitamento, pelo contribuinte, sofre demora em virtude resistência oposta por ilekitimo ato administrativo ou normativo do Fisco. .t forma de se evitar o enriquecimento sem causa e de dar inteRral cumprimento ao principio da não-cumulatividade. Precedentes do STJ e do STF. Nesse sentido os precedentes da 1" Seção: ERESP 468.926/SC, Mill. Teor! Albino Zavascki, DJ DE 13.04.2005; AgRg nos ERESP 396330/SC, Min. João Ottivio de Noronha, DJ de 08.06.2005; ERESP 613977/RS, Min. José Delgado, DJ de 09.11.2005; ERESP 419559/RS, Mill. Humberto Martins, DJ de 23.08.2006 e ERESP 495953/PR, Min. Denise Arruda, DJ de 23.10.2006. 4. A orientação prevalente no âmbito da la Seção quanto aos juros pode ser sintetizada da seguinte forma: (a) antes do advento da Lei 9.250/95, incidia a correção monetária desde o pagamento indevido até a restituição ou compensação ('Súmula 162/81.1), acrescida de juros de mora a partir do transito cm julgado (Stimula 188/S Ti,), nos termos do art. 167, parágrafo único, do CTN; (b) após a edição da Lei 9.250/95, aplica-se a taxa SELIC desde o recolhimento indevido, ou, se for o caso, a partir de 1°.01.1996, não podendo ser cumulada, porém, coin qualquer outro índice, seja de atualização monetária, seja de juros, porque a SELIC inclui, a um só tempo, o índice de inflação do período e a taxa de juros real. 5. Recurso especial que se nega provimento." (Recurso Especial n° 677.445 — RS — I" Turma do STJ, Julgamento em 06/02/2007, Acórdão publicado em 22/02/2007 - Unânime) (grifainos) "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ARTIGO 535 DO CPC. OMISSÃO. NÃO-OCORRÊNCIA. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. TESE RECURSAL. FALTA. PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/ST1 IPI. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA ISENTA, NÃO TRIBUTADA OU SUJEITA A AL1QUOTA ZERO. CRÉDITO. PRESCRIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SEL1C. TERMO INICIAL. SÚMULA 83/SE!. 1.1 5. No caso especifico de correção monetária dos créditos escriturais de IPI decorrentes da aquisição de il1SUMOS e matéria-prima utilizados na fabricação de produtos sujeitos a aliquota zero, isentos ou mião tributados, a atualização dos valores deve incidir desde a data em que poderiam ter sido aproveitados até o transito em julgado da ação, haja vista que, após este momento, não haverá mais resistência do Fisco, o que os torna disponíveis ao aproveitamento imediato pela empresa. Precedente: EREsp 468.926/SC, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJU de 02.05.05. 6. Os indices a serem utilizados para atualização de valores, em casos análogos (compensação ou restituição,), são o IPC, no período de março/90 a janeiro/91, o INPC, de fevereiro/91 a dezembro/91, a UFIR, de janeiro/92 a 31.12.95, e, a partir de 1°.01.96, exclusivamente a taxa SELIC. Processo ri 0 13976.000935/2002-81 Acórdão 11 . 0 02-03.542 7. Recurso especial provido em parte." (Recurso E.special no 738.070 — PR — 2' Turma do STJ, Julgamento em 18/04/2006, Acórdão publicado em 28/04/2006 - Unânime) (grifamos) Observe-se, que referida atualização monetária, com base na taxa Se lic, objetiva, igualmente, evitar a corrosão, ainda que em parte, dos valores a serem ressarcidos, em decorrência do lapso temporal entre o pedido e o deferimento da pretensão do contribuinte que, em muitos casos, é bastante dilatado, evitando que o contribuinte suporte o ônus da morosidade administrativa no julgamento de seu pedido. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 3° Camara do 2° Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIA , DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. di ILI. deletit RYC RDO — RIO-UE MAGALHÃES DE OLIVEIRA 12 Processo n° 13976.000935/2002-81 AcOrdao n.° 02-03.542 Voto Vencedor Conselheiro ANTONIO PRAGA - Redator Designado. Tendo em vista que a Conselheira Jose Maria Coelho Marques - redatora designada originalmente - deixou de compor o CARF, passo ao voto que exprime a decisão aprovada pelo colegiado, no julgamento deste processo. Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A argumentação expendida no Especial é procedente. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA Acerca dessa matéria, sigo a jurisprudência atual desta Turma, no sentido de desconsiderar da base de cálculo do crédito presumido de IPI, os valores agregados correspondentes ao beneficiamento/acabamento e elaborações efetuados por terceiros, por absoluta falta de previsão legal. Para tanto, adoto os fundamentos e a conclusão do Conselheiro Antonio Bezerra Neto, relator original no Acórdão n° CSRF/02-02.776, de 03 de julho de 2007: "A contenda prende-se a existência ou não de previsão legal que suporte a inclusão concedida pelo Acórdão recorrido em relação aos valores dos insumos adquiridos pelo contribuinte, COM os respectivos custos de seus beneficiamentos realizados externamente aos estabelecimentos da empresa para posteriores reaproveitamentos pela mesma, na base de cálculo do crédito presumido de 0 ponto central da análise pode ser colocado da seguinte forma: somente a matéria-prima e o produto intermediário comprados diretamente pelo contribuinte é que configuraria insumo para efeito de consideração na base de cálculo do crédito presumido de IPI, ou também assim poderiam ser considerados os produtos beneficiados e elaborados por terceiros coin material fornecido pela empresa, transitados com suspensão do IPI A Lei 17. 0 9.363, de 1996, que introduziu o beneficio em tela, previu, em seu art. 1°, que o crédito presumido de IPI, como ressarchnento das contribuições para o PIS e para a COFINS sejam incidentes "sobre as respectivas aquisições, no mercado inferno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo" (g.n.). Art. 1°A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratain as Leis Complementares n' 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.(g.n.) 13 Processo n" 13976.000935/2002-81 Acórddo n.° 02 -03.542 Em razão dos termos em que vazada a aludida norma, qualquer interpretação que se lhe empreste não deve afastar-se das seguintes premissas: por primeiro, que os ins 111770S utilizados no côniputo do beneficio devam ser adquiridos, ou seja, comprados de outro estabelecimento, resultando de uma operação comercial de compra e venda mercantil,' segundo, que sejam efetivamente utilizados Il(1 produção de produtos exportados, no estabelecimento adquirente; terceiro, como se trata de direito excepto, não comporta interpretcição ampliativa, pois os beneficios tributários devem ser interpretados restritivamente, já que envolvem renúncia de receitas públicas. Da necessidade de aquisição dos insUMOS Em relação à primeira das premissas, na operação realizada pela contribuinte não ha qualquer aquisição de matéria-prima, vez que já pertencia ao estabelecimento encomendante no momento do envio paru industrialização por encomenda. A aquisição du matéria-prima se deu, portanto, em momento anterior a remessa para industrialização. O custo do beneficiamento realizado por terceiro deve ser contabilizado como "Gastos Gerais de Fabricação", não como incremento do valor da matéria-prima, não podendo ser incluído no cálculo do crédito presumido. O montante despendido por tal pagamento não deve entrar no cômputo do beneficio, mesmo porque operação de envio e retorno se dá coin suspensão do IN, conforme sublinhado na Nola MF/SRF/COSIT/COTIP/D1PEX n.° 312, de 3 de agosto c/c 1998. Normalmente se argumenta que se o contribuinte houvesse adquirido de fornecedores o couro beneficiado/acabado, e os itens elaborados que emprega na montagem de calçados, então poderia enquadrar os valores aos mesmos correspondentes no dimensionamento (artigo 2 0 da Lei 9363/96) do crédito presumido de 1PI? Vê-se que se levanta unia hipótese contrafactual, o que só pela natureza do argumento já se vê que não é um fato. Mas, ValllOS conceder um crédito a essa hipótese. Sim, nessa hipótese o pleiteante teria direito ao crédito, pois nesse caso a situação se amoldaria aos precisos termos da norma, como aliás deve ocorrer COM qualquer direito excepto: estar-se-ia adquirindo efetivamante matéria-prima ou uni produto intermediário, para efeito de se compor a base de cálculo do crédito presumido do IPI. Aliás, a tentativa de coerência buscada naquela hipótese contra/actual levantada, abriria brecha a uma outra incoerência, qual seja: Por que o legislador, seguindo o mesmo raciocínio, e COM muito motor razão, não optaria também por conceder esse crédito relativo ao beneficiamento quando efetuado pelo próprio industrializador, e não por terceiro? Por que o legislador iria privilegiar a terceirização em detrimento da industrialização pelo próprio exportador, em unia mesma situação? Não concedeu, por questão de coerência, pois não se está a tratar de aquisicdo cie matéria prima ou produto intermediário, mas de simples 14 Process() n° 13976.000935/2002-81 Ac.6rd -go n.° 02-03.542 custo do beneficiamento que deve ser contabilizado como "Gastos Gerais de Fabricação". Com efeito, tratar-se-ia de situação no mínimo incongruente, para não dizer injusta, retirando a racionalidade das disposições legais que compõem o arcabouço normativo do IN. Ora, "Onde há a mesma razão, ha de se aplicar o mesmo direito", diz o brocardo romano, assim, se não é possível incluir na base de cálculo do beneficio, os custos com beneficiamentos realizados pelo próprio industrial exportador, não devem ser incluídos aqueles incorridos nos beneficiamentos realizados na industrialização por encomenda, nos mesmos produtos. Do Direito Excepto No tocante à última das premissas inicialmente delineadas, pois que. quanto à segunda, não há dissenso, importa destacar que há uma certa tendência a construção de exegeses que resultam, as mais das vezes, de considerações outras que não a propriamente jurídica, tal como as de natureza meramente económica, tão costunzeiramente encontráveis no dia-a-dia do julgador. preciso evidenciar que não cabe ao intérprete a tarefa de legislar, de modo que o sentido da norma não se pode afastar dos termos em que pos uivada, pena de, invadindo seara alheia, fugir de sua competência. A interpretação econômica do fato gerador serve de auxilio interpretação, mas não pode ser fundamento para negar validade interpretação jurídica consagrada aos conceitos tributários. Admitir que a industrialização por encomenda seja considerada na base de cálculo do crédito presumido é alargar o rol dos contribuintes beneficiados pela "terceirização" do processo produtivo e estender o beneficio a empresas que tem processo produtivo parcial, sem qualquer previsão legal, que, a principio, dirigiu o crédito apenas aos industriais com processo integrado, excluindo vários outros setores da economia que realizam exportações, por exemplo, de produtos não tributados. Ademais, sublinhe-se novamente, que se tratando de normas onde o Estado abre mão de determinada receita tributária, a interpretação não admite alargamentos do texto legal. É nesse sentido o escólio de Carlos Maximiliano (In Hermenêutica e Aplicação do Direito, 12", Forense, Rio de Janeiro, 1992, p. 333/334): "0 rigor é maior em se tratando de disposição excepcional, de isenções ou abrandamentos de ónus em proveito de indivíduos ou corporações. Não se presume o intuito de abri mão de direitos inerentes a autoridade supremo. A outorga deve ser feita em termos claros, irretorquíveis; ficar privada até a evidência, e se não estender além das hipóteses figuradas no texto; jamais sera inferida de fatos que não indiquem irresistivelmente a existência da concessão ou de um contrato que a envolva. No caso, não tem cabimento o brocardo célebre; na dúvida, se decide contra as isenções totais ou parciais, e favor do fisco; ou, melhor, presume-se não haver o Estado aberto mão de sua autoridade para exigir tributos". 15 CSR171'02 Fls. 412 Processo n° 13976.000935/2002-81 AcOrdao n.° 02 -03.542 Vê-se que a boa hermenêutica, baseada nos proficuos ensinamentos de Carlos Maximilian°, ensina que a norma que veicula renúncia fiscal há de ser entendida de forma restrita. Argumento Empírico — Lei n° 10.276/2001 Por último, e quem sabe o mais importante, se o cômputo dos valores dos serviços de industrialização por encomenda estivessem incluídos na base de cálculo do beneficio previsto pela Lei n° 9.363/96, não haveria razão para que o legislador expressamente viesse a prever esta alternativa, em lei posterior. Vejamos cony) dispôs o art. 1° da Lei n.° 10.276, de 2001, in verbis: "Art. P Alternativamente ao disposto na Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e expor/adora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados conto ressarcimento relativo ás contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 12 A base de cálculo do crédito presumido sera o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I - de aquisição de insumos, correspondentes a matérias-primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II - correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o el7C0111elldUllle seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto" (grifei). Costuma ser encontradip nos textos que discorreu, sobre Hermenêutica Jurídica a afirmação de que "a lei não contém palm,ras inúteis'', a qual, segundo se diz, Ve177 a ser principio basilar da disciplina. E dizer, as palavras devem ser compreendidas como tendo, ao menos, alguma eficácia. Não se presumem, na lei, palavras inúteis (Carlos Maximilian°, Hernienêutica e aplicação do direito, 8a. ed., Freitas Bastos, 1965, p. 262). Ora, in casu, fosse verdadeira a afirmação de que os valores correspondentes ao serviço de beneficiamento, na industrialização por encomenda, deveriam ser incluídos no cômputo do crédito presumido de que trata a Lei n.° 9.363, de 1996, não haveria razão para que o legislador inequivocamente inserisse tal hipótese na Lei n.° 10.267, de 2001, permitindo o seu acréscimo juntamente com o custo de outros insUMOS (energia elétrica e combustíveis). Note-se, por importante, que a aplicação do novel regramenlo, conforme disciplinado na Lei n.° 10.267, de 2001, se dó alternativamente ao estabelecido na Lei 17. 0 9.363, de 1996, quando da determinação do crédito presumido. 16 CSRIIF02 Fls. 413 \/ Processo n° 13976.000935/2002-81 Ac6rclao n.° 02-03.542 Nesse aspecto, é importante notar que uma lei nova sempre inova o ordenamento jurídico, apresentando algo novo e destinado à vigência apenas a partir da sua entrada eni vigor, mas também projetando lufes sobre o passado, no sentido de que identifica um comando novo e distinto do comando que vigorava anteriormente a ela, ajudando assim a melhor compreender e interpretar as duas. Observar, finalmente, que o uso do método alternativo para o cálculo do beneficio, tent, como contrapartida à inclusão de novos valores na base de cálculo (aquisição de energia elétrica e combustíveis, e serviços de industrialização por encomenda), a definição de um fator multiplicativo menor: de 0,0537 (5,37% da base de cálculo, na Lei le 9.363/96) para 0,0365 (3,65% da base de cálculo, na Lei /I ° 10.276/2001). Portanto, não se pode argumentar que a Lei n° 10.276/2001 seja "expressamente interpretativa", nos termos do art. 106, I, do CTN. Por todo o exposto, voto no sentido de que sejam desconsiderados du base de cálculo do crédito presumido de IN, os valores agregados correspondentes ao beneficiantento/acabamento e elaborações referidas anteriormente, para efeitos de operar-se o ressarcimento/compensação pleiteado nesses autos. " Dessa forma, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos custos de beneficiamentos realizados externamente aos estabelecimentos da empresa no cômputo da base de cálculo do crédito presumido do IPI. RESSARCIMENTO — ATULIZACAO PELA TAXA SELIC Trata-se de analisar o cabimento ou não da atualização monetária do Ressarcimento de IPI pela incidência da taxa Selic a partir do protocolo do pedido De fato, o ressarcimento não se equipara à restituição, os institutos não se confundem e não mantém relação de gênero e espécie. De acordo com o art. 165 do CTN, tem direito A. restituição o sujeito passivo que pagou tributo indevido. Já o ressarcimento é uma forma de incentivo fiscal concedido ao sujeito passivo, para manter em sua escrita fiscal créditos do IPI relativos a determinados bens, produtos ou operações, para utilização mediante compensação na própria escrita fiscal com os débitos escriturados ou, de forma residual, para serem ressarcidos em espécie (NOTA MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG n° 165). A lei estabelece que apenas nos casos de compensação ou restituição de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior haverá a incidência de juros equivalentes a Taxa Selic a partir de 1° de janeiro de 1996. Em se tratando de ressarcimento, não existe previsão legal especifica para essa incidência. Em relação à correção monetária dos valores pleiteados a titulo de ressarcimento do IPI, é pacifico o entendimento neste Colegiado de que essa atualização visa apenas restabelecer o valor real do incentivo fiscal, para evitar o enriquecimento sem causa que sua efetivação em valor nominal adviria à Fazenda Nacional. Entretanto, a atualização do ressarcimento não pode se dar pela variação da Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic, que tem natureza de juros e alcança patamares muito superiores A. inflação efetivamente verificada no período, e que 17 CSRFF02 l'Is. 414 /■_./- Processo if 13976.000935/2002-81 Acórdao n. ° 02 -03.542 se adotada no caso causaria a concessão de um "plus", que só é possível por expressa previsão legal. No processo administrativo o julgador restringe-se à lei, pela sua competência estritamente vinculada. Se impossibilitado de adotar a Selic como índice de atualização monetária, não pode fixar outro índice, sem que haja previsão legal para tanto. Logo, indefiro a utilização da taxa Selic como índice de correção monetária no ressarcimento pleiteado. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional . Antonio Praga — Red tor esignado.
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Numero do processo: 16095.000460/2007-41
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
DECADÊNCIA
A decadência é questão de ordem pública e deve ser examinada de ofício, ainda que não argumentada pelo Recorrente, o que não é o caso ora examinado.
Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08, declarando inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decreto-lei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar.
Diante de tal declaração do STF, para efeitos de decadência ficam valendo as regras dos artigos 150, § 4° e 173, I do CTN.
No caso em tela, como há de se considerar o Recorrente como Contribuinte Geral, ou seja, que de uma certa forma ou de outra contribui mensalmente, ou seja, antecipa nesta exação, há de ser aplicada o artigo 150, § 4°, para excluir do lançamento as contribuições desde 09.2002.
INCONSTITUCIONALIDADE
O CARF não tem competência para distribuir, porcessar e julgar matéria de inconstitucionalidade de lei, cabendo ao Judiciário tal competência, razão assaz para justificar a não declaração desta natureza, cuja foi persseguida pela Recorrente no presente remédio recursal.
MULTA
A multa aplicada hodiernamente, considerando a retroatividade benigna estampada no artigo 106, II do CTN e a novel legislação que alterou a Lei 8.212 de 1991, a Lei 11.941 de 2009, neste caso a mais benefica é do Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, deve ser respeitada se melhor para o contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 09/2002, anteriores a 10/2002, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA Presidente
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Wilson Antônio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 DECADÊNCIA A decadência é questão de ordem pública e deve ser examinada de ofício, ainda que não argumentada pelo Recorrente, o que não é o caso ora examinado. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08, declarando inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decreto-lei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Diante de tal declaração do STF, para efeitos de decadência ficam valendo as regras dos artigos 150, § 4° e 173, I do CTN. No caso em tela, como há de se considerar o Recorrente como Contribuinte Geral, ou seja, que de uma certa forma ou de outra contribui mensalmente, ou seja, antecipa nesta exação, há de ser aplicada o artigo 150, § 4°, para excluir do lançamento as contribuições desde 09.2002. INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não tem competência para distribuir, porcessar e julgar matéria de inconstitucionalidade de lei, cabendo ao Judiciário tal competência, razão assaz para justificar a não declaração desta natureza, cuja foi persseguida pela Recorrente no presente remédio recursal. MULTA A multa aplicada hodiernamente, considerando a retroatividade benigna estampada no artigo 106, II do CTN e a novel legislação que alterou a Lei 8.212 de 1991, a Lei 11.941 de 2009, neste caso a mais benefica é do Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, deve ser respeitada se melhor para o contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08, declarando inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Diante de tal declaração do STF, para efeitos de decadência ficam valendo as regras dos artigos 150, § 4° e 173, I do CTN. No caso em tela, como há de se considerar o Recorrente como Contribuinte Geral, ou seja, que de uma certa forma ou de outra contribui mensalmente, ou seja, antecipa nesta exação, há de ser aplicada o artigo 150, § 4°, para excluir do lançamento as contribuições desde 09.2002. INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não tem competência para distribuir, porcessar e julgar matéria de inconstitucionalidade de lei, cabendo ao Judiciário tal competência, razão assaz para justificar a não declaração desta natureza, cuja foi persseguida pela Recorrente no presente remédio recursal. MULTA A multa aplicada hodiernamente, considerando a retroatividade benigna estampada no artigo 106, II do CTN e a novel legislação que alterou a Lei AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 04 60 /2 00 7- 41 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVE IRA 2 8.212 de 1991, a Lei 11.941 de 2009, neste caso a mais benefica é do Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, deve ser respeitada se melhor para o contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 09/2002, anteriores a 10/2002, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA – Presidente (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Wilson Antônio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 16095.000460/200741 Acórdão n.º 2301003.112 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de crédito lançado contra a Recorrente, relativo ao período de 05/2000 a 03/2005, compreendendo as contribuições da empresa (cota patronal), contribuições relativas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e contribuições destinadas a terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE). As diferenças de contribuições devidas referemse ao estabelecimento CNPJ 33.022.369/000740 e foram apuradas do confronto das folhas de pagamento com os valores declarados em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço Informações à Previdência SocialGFIP, sendo discriminadas as diferenças encontradas. 0 Levantamento FPD —"Folha de Pagamento Diferença" foi apurado considerando as importâncias pagas a segurados empregados a titulo de salários, saldo de salários, férias e abono de férias, 13° salário pago na rescisão, deduzidas as cotas de salário maternidade. Notificada apresentou tempestivamente a sua impugnação, cuja qual foi julgada parcialmente procedente, quanto a decadência aplicandoselhe o artigo 173, I do CTN para fins de contagem. Em 19 de agosto de 2008 foi notificada da decisão e no dia 18 de setembro do mesmo ano interpôs o presente Recurso Voluntário com as seguintes alegações: i) decadência; ii) inconstitucionalidade da contribuição das empresas para finaciamento dos benfícios em razão da incapaciade laborativa; iii) Institucionalidade do Salário Educação; iv) que não pode ser contribuinte do INCRA, pois não se enquadra como sujeito passivo; v) multa confiscatória e taxa SELIC inconstitucional . Eis o relato. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVE IRA 4 Voto Conselheiro Wilson Antônio de Souza Côrrea Relator Consta nos autos às fls. 133 que a Recorrente foi notificada no dia 19 de agosto de 2008, uma segundafeira e interpôs o presente Recurso Voluntário, numa quintafeira do dia 18 de setembro de 2008, exatos 30 dias após a ciência, de acordo com a legislação, sendo, portanto, tempestivo. DECADÊNCIA Argumenta a Recorrente a aplicação do artigo 150, § 4° do CTN, o que lhe assiste razão. A decadência é questão de ordem pública e deve ser examinada de ofício, ainda que não argumentada pelo Recorrente, o que não é o caso ora examinado. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. ‘In verbis’: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: Fl. 398DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 16095.000460/200741 Acórdão n.º 2301003.112 S2C3T1 Fl. 4 5 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Assim, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Desta forma, cedo à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08 para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional artigo 150, § 4°, já que considero que os valores lançados foram objeto de recolhimento previdenciário, ainda que parcial e ou incompleto, mas o fato é que a Recorrente de alguma forma antecipou, nesta rubrica, parte da contribuição previdenciária. Diante disto, urge dizer que se encontram atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência novembro de 1999, inclusive esta. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVE IRA 6 Assim, da aplicação da decadência no prazo de cinco anos, assiste razão a Recorrente, aplicandoselhe ao caso o artigo 150, §4° do CTN, conforme requerido, porque, houve antecipação do recolhimento e, assim, deve excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 09/2002, anteriores a 10/2002. INCONSTITUCIONALIDADES: RAT – SALÁRIO EDUCAÇÃO – SELIC Esta Corte administrativa, como todas as demais, inclusive judicial, exceto o Supremo Tribunal Federal, não têm competência para distribuir, analisar e julgar processos e ou matérias que tratam de inconstitucionalidade de lei. Devese ater o Recorrente ao entendimento anotado no Parecer CJ 771/97 que: “O guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito”. De forma que, ainda que seja uma vírgula mal distribuída num parágrafo da lei anatematizada pelo Recorrente, o caminho a postular inconstitucionalidade e perquirir direitos é o Pretório Excelsior, e não esta via. Mais ainda, há de destacar que a atividade administrativa encontrase com vinculo ao que determina a lei, como dito por muitos, ‘as ações do gestor público é escravizada pela lei’. Neste sentido, peço vênia para juntar escólio do perleúdo jurista Alexandre de Moraes (curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: O tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” E, de mais a mais, observase que o o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 256, de 22/06/2009, veda aos Conselheiros de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Assim, das questões de inconstitucionalidade levantadas pela Recorrente, deverá ela procurar o manto da Justiça para ter a decisão, pois extrapola da competência desta Côrte. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 16095.000460/200741 Acórdão n.º 2301003.112 S2C3T1 Fl. 5 7 MULTA Insurge a Recorrente contra a multa aplicada, alegando confisco, agressão a Carta Maior e outros quejandos, o que não lhe assite razão. Em verdade a alegação de confisco é por demais exagerada uma vez que, etimologicamente o termo de origem latina implica em tomada de bem de uma pessoa sem a compensação justa, por parte do governo, contrariando flagrantemente a Carta Maior, que tem como um de seus pilares democrático a defesa à propriedade. Mas, por outro lado, e é bem verdade que não podemos virar as costas para a retroatividade da lei que trata o artigo 106, II do Código Tributário Nacional dado a alteração substancial trazida pela Lei n 11.941 de 27.05.2009. E, no caso em tela, conforme acima exosto, da retroatividade temse que possível em razão de a lei a aplicar está retroagindo, não para constituir obrigação, mas para beneficiar ao contribuinte, no caso o Reocrrente, e, por isto, devese aplicar a lei que mais o benficia, que é a do artigo Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11 de 2008. CONCLUSÃO Diante do exposto, como o presente remédio recursal acode todos os pressupostos de admissibilidade, dele conheço, para, no mérito julgarlhe PARCIALMENTE PROCEDENTE para aplicar a decadência estampada no artigo 150, § 4° do CTN, lançamento as contribuições apuradas até a competência 09/2002, anteriores a 10/2002, e, quanto a multa, face a retroatividade benigna da lei que tratta o artigo 106, II do CTN, aplicarlhe a multa do artigo 61 da Lei 9.430 de 1996.E, das demais matérias argumentadas, mormente quanto a inconstitucionalidade, julgarlhes improcedentes, uma vez que exacerba a competência da Casa. É o voto. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa – Relator Fl. 401DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVE IRA
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