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Numero do processo: 11080.914070/2009-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ELEMENTOS DE PROVA.
A prova do direito de crédito do contribuinte, por força de lei, é a sua contabilidade comercial e fiscal, bem assim, os documentos que a suportam, não se prestando a tal desiderato exclusivamente as declarações entregues à RFB, ainda que retificadas, razão porque a ele incumbe a prova documental que respalda o direito de crédito vindicado, ex vi do art. 373 do Código de Processo Civil, não cabendo a invocação do princípio da verdade material, quando apenas o interessado pode produzir os elementos que amparam sua pretensão.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3401-004.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ELEMENTOS DE PROVA. A prova do direito de crédito do contribuinte, por força de lei, é a sua contabilidade comercial e fiscal, bem assim, os documentos que a suportam, não se prestando a tal desiderato exclusivamente as declarações entregues à RFB, ainda que retificadas, razão porque a ele incumbe a prova documental que respalda o direito de crédito vindicado, ex vi do art. 373 do Código de Processo Civil, não cabendo a invocação do princípio da verdade material, quando apenas o interessado pode produzir os elementos que amparam sua pretensão. Embargos acolhidos.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ELEMENTOS DE PROVA. A prova do direito de crédito do contribuinte, por força de lei, é a sua contabilidade comercial e fiscal, bem assim, os documentos que a suportam, não se prestando a tal desiderato exclusivamente as declarações entregues à RFB, ainda que retificadas, razão porque a ele incumbe a prova documental que respalda o direito de crédito vindicado, ex vi do art. 373 do Código de Processo Civil, não cabendo a invocação do princípio da verdade material, quando apenas o interessado pode produzir os elementos que amparam sua pretensão. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 40 70 /2 00 9- 67Fl. 90DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 00977.30919.051206.1.3.044024, cujo fundamento é a integral vinculação do crédito indicado em outro(s) débito(s) de titularidade do contribuinte. Em manifestação de inconformidade o contribuinte sustentou a efetiva existência do crédito utilizado, que, devidamente corrigido, seria suficiente à quitação do débito exigido; que promoveu a retificação da DCTF e DACON; e, que houve erro material no preenchimento das declarações. Foram juntados, na ocasião, planilha de atualização do indébito, PERDCOMP (original), DACON e DCTF retificados. A DRJ Porto Alegre/RS julgou o recurso improcedente ao argumento que não havia prova concreta nos autos que conferisse liquidez e certeza ao crédito postulado, para tanto não bastando apenas retificações de declarações desacompanhadas de outros elementos. O recurso voluntário apontou violação ao princípio da verdade material e aduziu a ocorrência de erro material, devidamente caracterizado. Citou doutrina e jurisprudência, em seu favor. A 1ª Turma Ordinária/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF/MF, através do Acórdão 3401001.610, de 02/09/2011, não conheceu do recurso, devido à perempção (perda de prazo processual). A unidade preparadora interpôs embargo de declaração, assinalando omissão, de sua parte, na juntada do competente Aviso de Recebimento – AR, de ciência postal, certificando a tempestividade da peça. Às efls. 88/89 consta o exame de admissibilidade recursal exigido pelo art. 65, § 2º do RICARF/15 (Portaria MF 343/15). É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Reexaminado o recurso voluntário, à luz do aclaratório interposto, confirmo o preenchimento dos requisitos para sua admissibilidade, visto que proposto dentro do trintídio legal, de modo que deve ser conhecido. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 11080.914070/200967 Acórdão n.º 3401004.345 S3C4T1 Fl. 11 3 Nesse diapasão, a questão dessa discussão, a meu ver, diz respeito a prova dos fatos alegados ou, melhor dizendo, à distribuição do ônus probatório correspondente, mais especificamente, a quem caberia a produção dos elementos probatórios do direito de crédito ora altercado. O contribuinte, em sua manifestação recursal, pugnou pela observância do princípio da verdade material, regente do processo administrativo fiscal, contudo, não se pode olvidar que é sua a atribuição de comprovar a existência do indébito alegado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil (CPC/15), utilizado subsidiariamente. Consoante aludido dispositivo, cabe ao autor o ônus de provar o fato constitutivo de seu direito, o que, nas hipóteses de pedido de restituição e/ou ressarcimento, incumbe ao sujeito passivo, que é seu titular, enquanto nos lançamentos para exigência de crédito tributário este encargo é responsabilidade do sujeito ativo, o Estado, representado pela Fazenda Nacional. Mesmo reconhecendo que o aludido princípio é verdadeiro dogma para o procedimento contencioso administrativo, tenho que encontra limite na própria lógica da produção probatória necessária à demonstração do direito invocado, não me parecendo coerente que a Administração Tributária, no caso, tenha que providenciar os elementos de prova que estão em poder do requerente. Também não me parece suficiente que ao administrado basta a invocação do seu direito, desacompanhado de qualquer documento que o ampare, para que dele possa usufruir e, havendo necessidade de instrução probatória, compita à administração pública providenciála com base no princípio da verdade material, mormente quando a mesma dependa de provas que estão justamente na esfera de disponibilidade do administrado requerente. A prova documental colacionada ao processo se limita às declarações retificadoras, que, a meu ver e por si só, não possuem o condão de deflagrar os efeitos desejados pelo contribuinte – demonstração de recolhimento a maior de tributo –, como acentuou a decisão recorrida. Em hipóteses como esta – divergência entre declarações (retificada x retificadora) –, apenas a contabilidade do contribuinte se sobrepõe às declarações firmadas, porquanto a legislação comercial e civil (e. g. art. 226 do Código Civil, art. 195 do Código Tributário Nacional e arts. 56 e ss da Lei nº 4.502/64) lhe conferem expressamente esta força probante, de modo que caberia sua apresentação, ainda que por amostra, para contraposição às declarações apresentadas, para checagem do que é realmente devido. Neste processo, não há um único elemento distinto das sobreditas declarações retificadoras, não vindo aos autos qualquer documento contábil ou fiscal que permita a aferição de seus dados, documentos estes, repitase, que apenas o contribuinte ora recorrente detém, cabendo acentuar que esta circunstância foi expressamente destacada na decisão recorrida: Fl. 92DF CARF MF 4 (...) Em que pese o alerta feito pelo colegiado a quo, o recurso voluntário não trouxe nenhum outro elemento, mas tãosomente um acórdão do TRF – 4ª Região. Repitase: a incumbência da prova cabe ao contribuinte, que não se desvencilhou de produzila, sendo insuficiente a referência às declarações, justamente porque as informações são díspares e não conduzem à conclusão defendida. De outra banda, vale aqui a inteligência do adágio jurídico consoante o qual alegar o direito e não provar é o mesmo que nada alegar (allegare sine probare et non allegare paria sunt). Quanto ao pretenso erro material, o recorrente menciona genericamente a sua ocorrência, divagando sobre seus efeitos, mas sequer indica onde teria ocorrido o equívoco de preenchimento, o que, por outro lado, seria de nenhuma valia, pois, como dito, desacompanhado dos elementos documentais que respaldariam a revisão pretendida. Em síntese, concluo que a decisão recorrida deve ser integralmente mantida pelos seus próprios e jurídicos fundamentos, não merecendo qualquer censura. Pelo exposto, acolho os embargos de declaração, com efeito infringente, para negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Fl. 93DF CARF MF Processo nº 11080.914070/200967 Acórdão n.º 3401004.345 S3C4T1 Fl. 12 5 Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.913307/2011-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 28/02/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-005.001
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 28/02/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 33 07 /2 01 1- 22 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13839.913307/201122 Acórdão n.º 3402005.001 S3C4T2 Fl. 0 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos da Contribuição para 61 PIS. De acordo com o Despacho Decisório denegatório do direito inicialmente pleiteado, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que em um trabalho de revisão de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e Cofins, constatouse que no período de dezembro de 2002 a março de 2004, foram aplicadas alíquotas vigentes à época, em desacordo com a Lei 10.485/02, art. 3º, § 2º, inciso I; que foi feito levantamento dos produtos constantes dos anexos I e II que foram indevidamente tributados e chegouse ao valor mensal, objeto do pedido de restituição e da declaração de compensação; que diante deste fato transmitiu em 14/11/2005, Pedido de Restituição, informando que em 30/09/2003, arrecadou indevidamente, a título de PIS/PASEP, por meio de darf no valor de R$19.398,03, a importância de 1.626,87; que transmitiu a Declaração de Compensação remetendo ao pedido de restituição e que o utilizaria para compensar débito de mesmo valor com vencimento. que por um lapso a DCTF do período não foi retificada, no entanto na DIPJ do período está declarada corretamente. Passa a discorrer sobre o direito creditório embasandoo em fundamentos jurídicos citando inclusive posicionamentos jurisprudenciais, para ao final requerer a homologação da compensação e que seja declarado sem efeito o despacho decisório. Sobreveio então o Acórdão 02058.289, da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. Ademais, alega que o Acórdão da DRJ padeceria de nulidade, devido à falta de apreciação de questões e provas relevantes para o deslinde da controvérsia. É o relatório. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13839.913307/201122 Acórdão n.º 3402005.001 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402004.996, de 21 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 13839.913300/201119, paradigma ao qual o presente processo vinculase. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402004.996: "Como se depreende do relato acima, ao se contrapor ao Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada, a Recorrente brada pela existência de indébitos decorrentes de pagamento indevido da Contribuição ao PIS. Aduz ter realizado um trabalho de revisão de procedimentos de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e de Cofins, constando que recolheu indevidamente as contribuições pois, com fundamento na Lei n. 10.485/02, artigo 3º, §2º, inciso I, a alíquota sobre os produtos constantes nos Anexos I e II deveria seria, mas tributouos à alíquota vigente à época, sendo assim levantou os produtos constantes dos referidos Anexos e que foram indevidamente tributados chegando ao valor mensal, objeto do pedido de restituição e da declaração de compensação referidos. Para corroborar suas alegações, a Recorrente apresenta, cópia da PER/DCOMP , Recibo de Entrega do Pedido de Restituição, da DCTF do período de apuração (fls 44), DACON (fls 46), DARF (fls 50), folhas do Razão Geral (fls 51), de antes e depois da revisão de procedimentos de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e de Cofins, bem como Demonstrativo elaborado com a pretensão de demonstrar supostos indébitos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior (fls 53). Outrossim, a própria Recorrente assume que, por uma lapso, deixou de efetuar a retificação da DCTF, muito embora tenha devidamente retificado a DIPJ, o DACON, tudo com registro em seu livro razão. Quando constatou seu erro, justamente pela não homologação das compensações, o prazo para a retificação já estava expirado. Pois bem, muito embora o DACON e a DIPJ sejam de fato simples declarações, incapazes de, sozinhas, salvaguardar o crédito pleiteado pela Recorrente sempre no intuito de demonstrar o erro em sua DCTF, que, como se sabe, tem efeito de confissão de dívida o livro razão é justamente um dos documentos fiscais/contábeis aptos para tanto, sendo presumidas verdadeiras as informações ali constantes, conforme os artigos Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13839.913307/201122 Acórdão n.º 3402005.001 S3C4T2 Fl. 0 4 417 e 419 do Novo Código do Processo Civil (NCPC) e o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99). Ocorre que, nos presente caso, a Recorrente apresentou unicamente duas folhas soltas do seu livro razão (fls 51 e 52). Ou seja, não é possível aferir a validade do documento, uma vez que o Decretolei 468/69, em seu artigo 5, §2º determina que "os Livros ou fichas do Diário deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação do órgão competente do Registro do Comércio." (...)1 Lembremos que Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de 1 Transcreveuse apenas o entendimento que prevaleceu no paradigma. Os fragmentos sobre a conversão em diligência, em que a relatora restou vencida, foram aqui omitidos, por irrelevantes, mas podem ser consultados em sua íntegra no acórdão paradigma. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13839.913307/201122 Acórdão n.º 3402005.001 S3C4T2 Fl. 0 5 débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 2 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à Contribuição ao PIS, decorrente de pagamentos indevidos. Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir totalmente do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon e da DIPJ, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, estabelece que: Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com 2 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13839.913307/201122 Acórdão n.º 3402005.001 S3C4T2 Fl. 0 6 observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou documentação suficiente que comprovasse o crédito alegado, já que as folhas soltas do livro razão carecem de legitimidade para tanto. Outrossim, a mera apresentação do demonstrativo interno da sociedade não é suficiente para comprovar a existência de alegado indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior, haja vista que se encontra desacompanhado de documentos que lhe dê suporte jurídico. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Foi justamente nesse sentido de decidiu o Acórdão recorrido, bem apreciando todas as provas trazidas aos autos, cotejandoas com o direito Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13839.913307/201122 Acórdão n.º 3402005.001 S3C4T2 Fl. 0 7 pleiteado pela Recorrente, não havendo, portanto, que se falar em nulidade da decisão a quo, como aventado na peça recursal. Afinal, ressaltese, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13839.913307/201122 Acórdão n.º 3402005.001 S3C4T2 Fl. 0 8 para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13839.913307/201122 Acórdão n.º 3402005.001 S3C4T2 Fl. 0 9 confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo plenamente comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Dispositivo Tendo em vista que essa turma de julgamento decidiu questão prejudicial ao pleito da Recorrente, no sentido de que não é cabível a diligência proposta por esta Relatora, não resta o que fazer nesse processo se não manter a não homologação das compensações pretendidas, pois não foram comprovados os créditos para fazer frente aos débitos nelas apontados. Ex positis, voto no sentido de negar provimento o recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 104DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.721379/2012-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora responda aos questionamentos constantes no presente voto. Após cumprimento da diligência, sobrestar o retorno do processo ao CARF até o julgamento do recurso voluntário relativo ao processo principal nº 16327.721631/2013-46.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora responda aos questionamentos constantes no presente voto. Após cumprimento da diligência, sobrestar o retorno do processo ao CARF até o julgamento do recurso voluntário relativo ao processo principal nº 16327.721631/201346. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 21 37 9/ 20 12 -9 4 Fl. 2249DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 2.250 ___________ Relatório Tratase de Recurso de Ofício e de Recurso Voluntário interpostos em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJO I), que, por meio do Acórdão 1260.808, de 25 de outubro de 2013, julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Trata o presente processo de autos de infração lavrados em 28/11/2012 no âmbito da Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo DEINF/SP, relativos aos anoscalendário de 2007 e 2008, por meio dos quais são exigidos do interessado acima identificado o imposto sobre a renda de pessoa jurídicaIRPJ no valor de R$ 7.514.086,31 (fls.643/652) e a contribuição social sobre o lucro líquidoCSLL no valor de R$ 4.069.881,99 (fls. 653/660), acrescidos de multa de ofício de 75% e de encargos moratórios. 2. Fundamentou a exação a glosa de despesas por falta de comprovação. Enquadramento legal: art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995. Arts. 247, 248, 249, I, 251, 277, 278, 299 e 300 do RIR/99. 3. Conforme Termo de Verificação de fls. 630/638, os valores glosados foram assim identificados: 3.1. Despesas com serviços prestados por terceiros e propaganda e publicidade. A fiscalização considerou que não restaram comprovados os serviços prestados por pessoas jurídicas cujos acionistas tinham vínculos empregatícios administrativos ou de direção com o interessado ou com seu grupo controlador. Pessoa Jurídica CNPJ Valores em 2007 (R$) Valores em 2008 (R$) Report Serviços Adminstrativos 08.268.114/000129 40.188,00 CAVI Serviços e Promoções em Vendas 08.347.459/000178 337.722,22 GAPC Consultores 05.514.675/000175 97.842,00 42.550,00 Teixeira de Carvalho Bruno Advocacia 02.775.181/000153 381.416,99 118.811,11 Lupo Advogados Associados 04.557.378/000141 3.333.799,00 1.144.003,00 Max Control Assessoria de Investimentos 56.342.439/000157 1.394.452,58 Max Control Eventos e Promoções 07.770.487/000130 495.379,53 Inovação Ass. e Consultoria Empresarial 04.632.970/000160 35.120,00 Focus Consultoria Financeira Ltda 04.566.041/000109 948.576,14 Infocus Administração Financeira 07.781.178/000166 245.000,00 Total 7.309.496,46 1.305.364,11 Fl. 2250DF CARF MF Processo nº 16327.721379/201294 Resolução nº 1401000.491 S1C4T1 Fl. 2.251 3 3.2. Demais comprovações do serviços prestados por terceiros. Com relação às demais comprovações dos serviços prestados por terceiros, os valores abaixo também não foram comprovados e, dessa forma, em 2008 não são dedutíveis para fins de apuração do Lucro Real e Base de Cálculo da CSLL: a) R$ 15.818.320,00 foi classificado como "outros pagamentos", na documentação entregue. Não foram apresentado (sic) os beneficiários desses pagamentos, bem como comprovantes de pagamentos e efetivação das prestações de serviços. Dessa forma, esse valor não pode ser considerado como despesas dedutíveis na apuração do Lucro Real; b) R$ 2.617.805,29 referentes a pagamentos cancelados cujos valores foram apresentados nas planilhas analíticas de despesas sem considerar esses cancelamentos ou insuficiência de comprovação, conforme discriminados abaixo: Beneficiário Valor ARTDRJ 334.593,98 White e Case 668.038,46 Pampacred 144.051,61 Cred Fácil 264.840,37 União Gaúcha 477.168,95 AAPE 63.180,37 ACASPP 665.931,55 Total 2.617.805,29 c) R$ 3.005.359,36 referentes a pagamentos feitos a MCF Serviços de Correspondente Bancário que não foram efetivamente comprovados. Foram apresentados somente cópias de contratos, recibos de pagamentos e cópia da tela do site da empresa na internet. 4. Em decorrência, foi lavrado o auto de infração de CSLL. Enquadramento legal à fl. 655. 5. Cientificado da exigência em 28.11.2012, o interessado apresentou em 27/12/2012 a impugnação de fls. 674/713, acompanhada dos documentos de fls. 714/853, alegando, em síntese, que: o lançamento é nulo, por carecer de liquidez e certeza; foram cometidos três equívocos: o montante de R$ 42.550,00 referese a despesas incorridas e deduzidas no anocalendário de 2010 e não no anocalendário de 2008; o procedimento fiscal demonstrou que foram realizados lançamentos em duplicidade, que resultaram no cancelamento dos valores referentes às empresas Pampacred (R$ 144.051,61) e ACASPP (R$ 665.931,55); em 11/09/2012, apresentou novos comprovantes que reduziriam estas diferenças, não consideradas pela fiscalização (R$ 20.740,26 e R$ 292.559,51); não foi observado que de acordo com o art. 4º da Instrução Normativa nº 810, de 2008, somente no período de maio a dezembro de 2008 devese apurar a CSLL mediante a utilização da alíquota de 15%; Fl. 2251DF CARF MF Processo nº 16327.721379/201294 Resolução nº 1401000.491 S1C4T1 Fl. 2.252 4 em consonância com as informações declaradas na DIPJ, no final do exercício de 2008, adotando as premissas fixadas pelo art. 4º da IN 810/2008, foi apurada base de cálculo de R$ 285.800.706,85, gerando uma alíquota efetiva de 11,5% que deveria ter sido utilizada no procedimento de ofício; as despesas são operacionais quando forem justificáveis do ponto de vista gerencial. Esse é o caso dos montantes despendidos com pagamento de serviços de consultoria, assessoria, propaganda e advogados, que são essenciais aos seus negócios; além das despesas glosadas serem indubitavelmente necessárias, normais e usuais à sua atividade, todos os beneficiários foram identificados e o efetivo pagamento foi cabalmente comprovado por meio dos documentos apresentados à fiscalização e novamente anexados à presente impugnação; quanto aos outros pagamentos e lançamentos em duplicidade, os valores relativos aos “ lançamentos em duplicidade” foram equivocadamente relacionados na planilha analítica mencionada; o valor de R$ 18.122.825,52 (R$ 15.818.320,00 + R$ 2.617.805,29 R$ 292.559,51 R$ 20.740,26) referese a pagamentos realizados à empresa Uranet Projetos e Sistemas Ltda (R$ 16.343.030,01) pela prestação de serviços de Call Center e à empresa TIVIT Terceirização de Tecnologia e Serviços S.A (R$ 1.778.933,93), pela prestação de serviços de processamento de dados envolvendo a captura e tratamento eletrônico das informações e transações realizadas com cartões; foi realizado pagamento de R$ 3.005.359,36 à MCF Serviços de Correspondente Bancário em razão de a prestadora de serviços ter intermediado cessão de créditos junto ao Banco Nordeste do Brasil S/A, conforme contrato de cessão de crédito firmado em 01/04/2008; não há qualquer impedimento legal para que o interessado, ao contratar serviços necessários ao desempenho de suas atividades, opte por empresas de propriedade de seus dirigentes; a contabilidade faz prova em favor do contribuinte, e não houve a comprovação da inveracidade dos seus registros contábeis pela fiscalização mas mera presunção; o Conselho de Contribuintes, em diversas manifestações, já deixou claro que o ônus de provar, em sede de processo administrativo tributário é sempre do Fisco, que não apresentou provas concretas das infrações que originaram a exigência de créditos de IRPJ e CSLL; não há previsão legal para a adição, na base de cálculo da CSLL, de despesas consideradas indedutíveis; a base de cálculo apurada pelo interessado no anocalendário de 2008 não reflete o montante real de IRPJ e CSLL devidos. Isso porque é fato notório que os lucros apurados não condiziam com a realidade das receitas efetivamente auferidas, ante a contabilização de receitas indevidas em seu resultado, que acarretou, inclusive, na intensiva fiscalização do Banco Central no ano de 2010; embora o ajuste tenha sido realizado em 2010, é certo que em 2008 as demonstrações financeiras possuíam receitas reconhecidas a maior e despesas reconhecidas a menor; tais inconsistências não puderam ser ajustadas em razão do início da fiscalização, fato esse que obstou a correção e retificação de suas declarações; Fl. 2252DF CARF MF Processo nº 16327.721379/201294 Resolução nº 1401000.491 S1C4T1 Fl. 2.253 5 pela estrita obediência ao princípio da verdade material, a fiscalização deveria ter levado em consideração esses fatos, evitandose a exigência indevida de IRPJ e CSLL; eventual manutenção das glosas das despesas terá o mesmo efeito da tipificação do exadministradores na prática de ilícito fiscal; a responsabilidade pelo recolhimento dos tributos deve ser atribuída aos seus diretores à época dos fatos não de forma supletiva, como prevê o art. 134 do Código Tributário Nacional, mas exclusiva, originária e pessoal, como estabelece o art.135, inciso III, do mesmo diploma legal; devese reconhecer a nulidade do lançamento por evidente equívoco na identificação do sujeito passivo; por absoluta ausência de previsão legal, não podem ser exigidos juros sobre a multa de ofício lançada. 6. Os autos do processo foram remetidos à DIFIS da DEINF/SP para a juntada dos documentos entregues pelo interessado em mídia (CD) durante o procedimento fiscal. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A 2ª Turma da DRJ/RJO I, por meio do Acórdão 1260.808, de 25 de outubro de 2013, julgou parcialmente procedente a impugnação, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 NULIDADE DO LANÇAMENTO. SUPOSTO ERRO NA QUANTIFICAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Eventual erro na quantificação da base de cálculo do crédito tributário atinente a determinada infração não constitui vício formal, mas sim erro material, que, em regra, se comprovado é sanável de ofício. Não sendo sanável, o erro material gera a improcedência do lançamento fiscal, e não a sua nulidade. CONTRIBUINTE. SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA.RESPONSABILIDADE PESSOAL AO AGENTE. DOLO ESPECÍFICO. O sujeito passivo da obrigação tributária é o contribuinte, por ter relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. A responsabilidade somente é pessoal dos diretores quando comprovado que as infrações imputadas decorram exclusivamente de dolo específico desses agentes. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, porquanto parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. Fl. 2253DF CARF MF Processo nº 16327.721379/201294 Resolução nº 1401000.491 S1C4T1 Fl. 2.254 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DESPESAS. INDEDUTIBILIDADE. São indedutíveis as despesas com prestação de serviços escrituradas e não lastreadas em documentação hábil e idônea que comprove sua efetividade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008 DESPESA NÃO COMPROVADA. REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO. A indedutibilidade da despesa por falta de comprovação de sua efetividade se estende à contribuição social sobre o lucro líquido, pois a dedução indevida da despesa afeta a apuração do resultado contábil e, por conseguinte, a base de cálculo da contribuição. CSLL. APURAÇÃO ANUAL. ALÍQUOTA VIGENTE EM 31/12/2008. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente. Em 31/12/2008, data da ocorrência do fato gerador da CSLL, para as pessoas jurídicas referidas nos incisos I a VII, IX e X do § 1º do art. 1º da Lei Complementar nº 105/2001 (instituições financeiras), estava vigente a alíquota de 15% (quinze por cento). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A DRJ exonerou parte do lançamento fiscal, por entender que a empresa comprovou a efetividade de parte dos serviços contratados, como se pode ver do trecho do voto da DRJ (efl. 2013 e 2017): 37. GAPC CONSULTORES LTDA, CNPJ 05.514.675/000172 (R$ 97.842,00, em 2007, e R$ 42.550,00, em 2008). 37.4. Como inexistem nos autos elementos que permitam concluir que nos anos de 2008 e 2010 foi contabilizada despesa no valor de R$ 42.550,00, em homenagem à máxima “in dúbio pro réu”, considero procedente a alegação do interessado. Desta forma, mantémse apenas a glosa de R$ 97.842,00. (...) 50. Em sua defesa, o interessado reconhece a inclusão indevida dos valores identificados como “lançamentos em duplicidade”. Alega que “De fato, o valor Fl. 2254DF CARF MF Processo nº 16327.721379/201294 Resolução nº 1401000.491 S1C4T1 Fl. 2.255 7 remanescente de R$ 18.122.825,52 (R$ 15.818.320,00 + R$ 2.617.805,29 R$ 292.559,51 R$ 20.740,26) referese a pagamentos que não haviam sido identificadas (sic) durante o processo de fiscalização, os quais foram realizados às seguintes empresas:”. Uranet Projetos e Sistemas Ltda R$ 16.343.030,01 TIVIT Terceirização de Tecnologia e Serviços R$ 1.778.933,93 Total R$ 18.121.963,94 51. Os documentos juntados às fls. 772/846 comprovam o montante R$ 18.121.963,94. Tratase de relatórios de pagamentos, notas fiscais de serviços e contratos. Diferente das demais prestações de serviço já analisadas, os documentos ora reportados permitem identificar com clareza o tipo de serviço prestado (telefonia e informática) e sua extensão. Em razão do valor exonerado ultrapassar o limite regimental, a DRJ interpôs Recurso de Ofício a este CARF. Cientificada da decisão de DRJ em 05/11/2013 ARECF efl. 2029 e insatisfeita com a decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário (efl. 2032 a 2094) em 04/12/2013, em que apresenta basicamente os mesmos argumentos trazidos na impugnação, alterados apenas para contraargumentar algumas questões levantadas pela DRJ. Um dos argumentos reforça o pedido de diligência constante na impugnação, para que seja analisada a incorreção na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Segundo a recorrente, a delegacia de piso se manteve silente quanto ao enfrentamento da matéria. O motivo para o não enfrentamento do pedido de diligência pode estar relacionado à apresentação complementar (data de 31/07/2013 efl. 2.144), à impugnação, de relatório elaborado com auxílio da empresa de auditoria PricewaterhouseCoopers Auditores Independentes S/A (PWC), preparado para fins de revisar alguns lançamentos contábeis e, por conseguinte, demonstrar o impacto direto nas bases de cálculo lançadas por meio do auto de infração constante neste processo administrativo fiscal. Como tal relatório somente foi apresentado após o prazo para impugnação (que havia sido protocolada na data de 27/12/2012), pode ser por este motivo que a DRJ não se manifestou sobre tal pedido de diligência. Os ajustes efetuados na contabilidade e nas DIPJs da recorrente também foram objeto de fiscalização pela RFB, que culminou com a lavratura de outro auto de infração, constante no processo administrativo nº 16327.721631/201346, que trata da glosa de exclusões efetuadas, segundo fiscalização, indevidamente pela empresa fiscalizada. Os referidos ajustes efetuados pela recorrente tiveram o propósito de retificar valores que supostamente aumentaram o resultado contábil e fiscal da empresa, por meio de condutas fraudulentas cometidas por alguns antigos administradores. Assim, segundo a recorrente, em parte do período alcançado por este auto de infração (ac 2008), a empresa não teria apurado lucro real, mas sim prejuízo fiscal. Desta forma, caso seja confirmada a necessidade do ajuste efetuado pela recorrente, o lançamento fiscal constante neste processo administrativo fiscal (nº 16327.721379/201294) pode ser alterado em razão do suposto prejuízo fiscal. Fl. 2255DF CARF MF Processo nº 16327.721379/201294 Resolução nº 1401000.491 S1C4T1 Fl. 2.256 8 Em análise do processo nº 16327.721631/201346, verifiquei que se encontra na Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Instituições Financeiras (DEINF), em procedimento de diligência fiscal proposta por esta mesma turma do CARF, conforme Resolução nº 1401000.420, de 10 de agosto de 2016. Na diligência, foi solicitado que se analise o relatório preparado pela auditoria e confirme os valores dos ajustes a serem efetuados no período de 2008 a 2010. Veja em trecho da Resolução constante no processo nº 16327.721631/201346 (efl. 1.602): Destarte, proponho a conversão do presente julgamento em diligência para que a autoridade fiscal, na unidade de origem, promova a efetiva verificação do relatório de reprocessamento apresentado com a impugnação (fls. 927 a 1042), bem como dos diversos documentos referentes a esse reprocessamento (listados no recurso às fls. 1301 e 1302), os quais foram apresentados durante o procedimento de fiscalização, para atestar a fidedignidade quantitativa dos ajustes realizados. A autoridade poderá requisitar os documentos que julgar necessário para formar a sua convicção. É recomendável que eventuais dúvidas acerca dos procedimentos empregados no reprocessamento sejam esclarecidas com um assistente técnico indicado pela empresa autuada. Na mesma resolução, constam os valores que foram objeto de exclusão no lucro real da outrora fiscalizada (efl. 1.570): As exclusões indevidas totalizaram os seguintes valores: R$ 489.470.637,03, no anocalendário de 2008; R$ 851.488.436,19, no anocalendário de 2009; e R$ 3.340.477.022,35, no anocalendário de 2010. A omissão de ganho de capital totalizou o valor de R$ 444.460,67, exclusivamente, no anocalendário de 2008. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o Relatório. VOTO Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972, devendo, pois, ser reconhecido. Como visto, há um processo (nº 16327.721631/201346) que pode influenciar no resultado deste processo administrativo fiscal, pois a apuração de eventual prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL pode ser utilizada para compensar parte do tributo constante neste processo. Antes disso, entendo que devo enfrentar a possibilidade ou não de apresentação de documentos após o prazo para impugnação. Fl. 2256DF CARF MF Processo nº 16327.721379/201294 Resolução nº 1401000.491 S1C4T1 Fl. 2.257 9 Como visto, a ora recorrente apresentou o relatório elaborado pela PricewaterhouseCoopers Auditores Independentes S/A em data posterior ao prazo para apresentação da impugnação. O § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, que regula o processo administrativo fiscal, estabelece que os documentos deverão ser juntados dentro do prazo para apresentação da impugnação. Porém, apresenta as seguintes exceções à regra: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) No caso concreto, percebo que a empresa não apresentou o referido relatório porque este não havia sido elaborado no momento da apresentação da impugnação. Mesmo assim, a ora recorrente já havia feito pedido de análise de eventuais créditos de IRPJ e de CSLL pagos a maior no anocalendário de 2008. Além disso, no processo nº 16327.721631/201346, em que se discute a possibilidade de retificação das DIPJs dos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010, esta turma do CARF decidiu pela baixa do processo em diligência para justamente serem analisados os ajustes efetuados pela empresa no período acima citado. Desta feita, proponho admitir o relatório anexado ao processo após o prazo da impugnação. Observo que tal admissão não requer indicar, neste momento, que os dados ali fornecidos foram reconhecidos por este relator como verdadeiros. Ultrapassado isto, tenho que admitir que este processo depende do julgamento do processo nº 16327.721631/201346, pois o resultado dele pode influenciar na apuração do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL referentes ao ano de 2008. O Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, estabelece regras sobre processos que dependem de julgamento de outros processos para serem concluídos, vejase: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; Fl. 2257DF CARF MF Processo nº 16327.721379/201294 Resolução nº 1401000.491 S1C4T1 Fl. 2.258 10 II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. (negritei) Assim, é de se aguardar o resultado do processo nº 16327.721631/201346 para se verificar a possibilidade de utilização de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL referentes ao ano de 2008. Entretanto, percebo que alguns pontos ainda não estão totalmente claros a ponto de solicitar apenas o sobrestamento deste processo. Desta forma, proponho que o processo seja baixado em diligência para que a unidade de origem forneça as seguintes informações e efetue o seguinte procedimento: 1) Intimar a recorrente para que se manifeste se efetivamente deseja que eventual prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL sejam utilizados para compensar os créditos lançados neste processo administrativo fiscal. 2) Verificar e indicar se a recorrente utilizou (ou solicitou a utilização) de eventual prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL em algum parcelamento da Receita Federal e/ou da Procuradoria da Fazenda Nacional, como Refis, por exemplo. 3) Terminada a diligência, favor intimar a empresa para que se manifeste sobre o teor de seu resultado, concedendo a ela prazo de 30 (trinta) dias para tanto. 4) Após isso, proponho o SOBRESTAMENTO do retorno deste processo administrativo ao CARF até o julgamento do recurso voluntário relativo ao processo administrativo nº 16327.721631/201346. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 2258DF CARF MF Processo nº 16327.721379/201294 Resolução nº 1401000.491 S1C4T1 Fl. 2.259 11 Fl. 2259DF CARF MF
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Numero do processo: 18050.006982/2009-60
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS.
Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
Numero da decisão: 9202-006.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10507.000734/2008-15, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, tratase de juros tributáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10507.000734/200815, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 69 82 /2 00 9- 60 Fl. 426DF CARF MF Processo nº 18050.006982/200960 Acórdão n.º 9202006.366 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10507.000734/200815. Tratase de recurso especial interposto pelo contribuinte contra decisão proferida pela turma a quo que concluiu pela incidência do imposto de renda sobre verbas recebidas à título de "Valores Indenizatórios de URV". No entendimento daquele colegiado, em que pese a classificação dada pela respectiva lei estadual, as verbas em questão possuem natureza remuneratória, pois visavam corrigir diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão das moedas Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV em 1994. Na mesma decisão também foi mantido o lançamento do imposto sobre os valores correspondentes aos juros de mora. Na peça recursal o Contribuinte argui serem as verbas recebidas indenizatórias nos exatos termos em que fixado pela lei estadual, cita como exemplo entendimento sedimentado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) quando da promulgação da sua Resolução nº 245 a qual reconheceu que o abono conferido aos magistrados da União em razão das diferenças de URV possuía natureza jurídica indenizatória. Subsidiariamente, defende a não incidência do IRPF sobre os juros de mora, pois referidos valores não representariam acréscimo patrimonial. Contrarrazões da Fazenda Nacional pugnando pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.361, de 29/01/2018, proferido no julgamento do processo 10507.000734/200815, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor dos votos proferidos naquela decisão (Acórdão 9202006.361): Fl. 427DF CARF MF Processo nº 18050.006982/200960 Acórdão n.º 9202006.366 CSRFT2 Fl. 4 3 Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e portanto deve ser conhecido. Conforme relatório, discutese nos autos a incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos em razão de lei estadual que previa pagamento de diferenças decorrentes de erro na conversão da moeda Cruzeiro Real para URV Unidade Real de Valor. Insatisfeito com a decisão a quo, o Contribuinte interpôs Recurso Especial objetivando o cancelamento do lançamento sob o fundamento de que citada verba tem caráter indenizatório. Subsidiariamente, caso seja negado provimento ao recurso neste aspecto, requer a exclusão dos juros moratórios da base de cálculo utilizada. Segundo argumentos apontados no Recurso, a verba em questão possui a mesma natureza do abono variável pago aos membros da Magistratura Federal e ao Ministério Público Federal. Nos termos da Resolução nº 245/2002 as verbas recebidas teriam natureza indenizatória e como tal estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Desta forma, aplicando o princípio da isonomia, a interpretação dada à legislação estadual deve ser igual aquela adotada para as leis federais nº 10.474/2002 e 10.477/2002. Pertinentes as considerações do Recorrente. Ao contrário do apontado no acórdão recorrido e do alegado em sede de contrarrazões não se pode afastar a aplicação do citado entendimento apenas pelo fato de a Resolução nº 245/2002 versar sobre valores recebidos por profissionais da União, afinal interpretandose sistematicamente as normas pertinentes, percebemos que o problema central da discussão natureza jurídica das verbas decorrentes de diferenças de URV também é tratado tanto na resolução quanto nas normas federais acima citadas. O jurista Marco Aurélio Greco ao se manifestar sobre a questão emitiu parecer didático, demonstrando que apesar de as normas federais regularem a forma de pagamento de "abono variável", esse é composto por valores de URV e como tal, adotandose a posição do STF, devem ser classificados como verbas indenizatórias. O professor ainda traçou um histórico demonstrando que toda a legislação estadual teve como pano de fundo o tratamento dado ao pagamento efetuado na esfera federal. Merece transcrição parte do parecer, haja vista a clareza na exposição dos fatos (grifos nossos): Em 2002, foi editada a Lei federal n. 10.474 cujo artigo 1° fixa o subsídio de Ministro do Supremo Tribunal Federal e cujo artigo 2° estabelece que o "abono variável" concedido pela Lei n. Fl. 428DF CARF MF Processo nº 18050.006982/200960 Acórdão n.º 9202006.366 CSRFT2 Fl. 5 4 9.655/98" passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo Magistrado, vigente à data daquela lei e a decorrente desta lei" (caput), "descontados todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados a qualquer título" (§ 1°). Ou seja, a diferença entre o que cada Magistrado recebia em 1998 e o que foi fixado pela Lei n. 10.474/2002. Aqui está o ponto! Fixouse o subsídio do Ministro do S.T.F. e a diferença entre este e a remuneração individualmente percebida, no lapso temporal previsto na lei, seria pago a título de abono variável. Meses após esta Lei, é editada pelo Supremo Tribunal Federal a Resolução n. 245/2002 cujo artigo 1°é explícito ao prever: "Artigo 1o É de natureza indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da lei 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal." Diante da clareza dessa previsão, encerrase a discussão quanto à natureza jurídica do abono variável: tem natureza indenizatória. Portanto; não está sujeito à incidência do imposto sobre a renda e o que foi retido deveria ser devolvido ao magistrado. (É o que estabelece a respeito o art. 3°, II da REs. N. 245/2002). A questão que remanesceu em aberto era no sentido de saber se o montante desse abono variável englobava ou não a "diferença de URV". Para os agentes públicos que já estavam recebendo essa diferença, por força de decisão judicial ou administrativa, obviamente que o abono não a englobava, pois era expressamente excluída de sua base de cálculo (§ 1° do art 2° da Lei n. 10.474/2002 e inciso I, do art. 2° da Resolução n. 245/2002 do S.T. F) Para os demais, a resposta a esta pergunta é simples: se a "diferença de URV" foi considerada quando da fixação do subsídio do Ministro do S.T.F. (art. 1° da Lei n. 10.474/2002), então, ela (dif. URV) está abrangida pelo valor do abono, pois este corresponde à diferença entre o subsídio e a remuneração individual. Em números: se o subsídio foi fixado em R$ 100,00 computando se a diferença de URV de R$ 10,00 e a remuneração individual era de R$ 70,00 então o abono (de R$ 30,00) englobava a diferença de URV, pois esta estava dentro dos R$100,00 que serviram de patamar para cálculo do abono. Mas, como saber se o subsídio fixado pela Lei n. 10.474/2002 levava em conta a" diferença de URV"? A resposta não está no texto da lei, mas na estrutura da remuneração de Ministro do S.T.F então vigente. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 18050.006982/200960 Acórdão n.º 9202006.366 CSRFT2 Fl. 6 5 À época da Mensagem enviada pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal com o projeto que se transformou na Lei n, 10.474/2002 vigorava a Resolução STF n. 195/2000 cujo artigo 1° previa: "Artigo 1° A remuneração do Ministro do Supremo Tribunal Federal será integrada das parcelas: R$ 454,53 (Lei 8.880/94) + R$ 1.008,83 (DL n. 2.371/87) + R$ 9.536,74 (Lei 8.448/92), num total de R$ 11.000,00." Ora, a "parcela da Lei n. 8.880/94" é exatamente a "diferença de URV"!! Portanto, ao se fixar na Lei n. 10.474/2002 o subsídio do Ministro que serviu de parâmetro para cálculo do abono variável, englobouse a "diferença de URV" extinguindo, com isto, eventuais pretensões neste sentido que ainda subsistissem. Aliás, isto foi expressamente apontado na Mensagem que encaminhou o projeto de lei que se transformou na Lei n. 10.474/2002: "A remuneração total da magistratura da União remanescerá composta unicamente de três parcelas (vencimento básico, gratificação e adicional de tempo de serviço). Não haverá possibilidade de incidir sobre esses valores quaisquer outros percentuais, tal como hoje está a correr, por exemplo, com os 11,98% relacionados com a conversão da URV." Podese concluir que, na fixação do subsídio e, portanto, na dimensão do abono variável, foi levada em conta a diferença de URV. Daí duas consequências: 1 quem recebeu o abono variável da Lei n. 10.474/2002 e não havia ganho por decisão administrativa ou judicial a diferença de URV estava a recebêla naquele momento embutida no abono. 2 Ao dizer que o abono da Lei n. 10.474/2002 tinha natureza jurídica indenizatória não sujeita a imposto sobre a renda, o Supremo Tribunal Federal estava a dizer que a "diferença de URV" até então não recebida e que veio a ser embutida no abono tem natureza indenizatória. A natureza indenizatória do abono variável da Lei n. 10.474/2002 e a intributabilidade dessa verba pelo imposto sobre a renda veio a ser reconhecida pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no Parecer n. 529/2003 e estendida também ao abono previsto pela Lei federal n. 10.477/2002 aplicável aos Procuradores da República pelo Parecer PGFN n. 923/2003 (ambos referidos na Nota COSIT n. 177/2008). No âmbito dos agentes públicos estaduais, a PGFN entendeu que a natureza da verba era remuneratória (e, portanto, tributada pelo I.R.), salvo no caso do Rio de Janeiro, pois havia lei estadual determinando a aplicação aos Procuradores do Estado do abono previsto na Lei n. 10.477/2002. Fl. 430DF CARF MF Processo nº 18050.006982/200960 Acórdão n.º 9202006.366 CSRFT2 Fl. 7 6 Em suma, como reconhecido pela própria PGFN os abonos variáveis previstos nas Leis n. 10.474/2002 e n. 10.477/2002 não são alcançados pela norma de incidência do imposto sobre a renda. E acrescenta: A Lei Complementar n. 20/2003 e a Lei n. 8.730/2003 do Estado da Bahia prevêem expressamente que os pagamentos nelas previstos dizem respeito às diferenças pela conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Notese que estas Leis: 1) São de setembro de 2003, portanto, depois da Lei federal n. 10.474/2002 que instituiu o abono que englobava a diferença de URV e da Resolução n. 245/2002 do Supremo Tribunal Federal que afirmou o caráter indenizatório desse abono; 2) Aplicamse aos que não haviam até então recebido a "diferença de URV" os quais, se estivessem no âmbito federal ou no Estado do Rio de Janeiro, a estariam recebendo embutida no abono e como verba de natureza indenizatória. O quadro aqui exposto mostra que os dispositivos das referidas leis do Estado da Bahia, ao preverem que as 36 parcelas em que foi dividido o pagamento da diferença de URV tinham natureza indenizatória, não veiculam preceitos despropositados à vista do contexto jurídico da época. Mais ainda, se em relação a idênticas funções exercidas no âmbito federal e do Estado do Rio de Janeiro admitiuse o caráter indenizatório por existir lei expressa determinando o pagamento de verba que englobe a URV, cumpre ser assegurado o mesmo tratamento ao Estado da Bahia, sob pena de violação ao artigo 150, II da CF/88. (GRECO, Marco Aurélio. Imposto Sobre a Renda: Valores Pagos a Agente Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV. Falta de Fundamento Jurídico Para a União Cobrar o Imposto. Revista Eletrônica de Direito do Estado (REDE), Salvador, Instituto Brasileiro de Direito Público, nº. 30, abril/maio/junho de 2012. Disponível na Internet: <http://www.direitodoestado.com/revista/REDE30ABRIL2012MARCO AURELIOGRECO.pdf>. Acesso em: 06 de junho de 2016) Portanto, se o entendimento adotado pelo STF, e também pela Procuradoria da Fazenda Nacional em seus pareceres, é no sentido de o abono variável recebido pelos magistrados federais e Ministério Público Federal ser verba indenizatória, e se tal abono também é composto por verba paga em razão da conversão da moeda da época em URV, forçoso concluir que essa mesma verba quando prevista pelas leis estaduais deve receber o mesmo tratamento. Entendimento diverso violaria o princípio constitucional da isonomia e a segurança jurídica. Para o professor Roque Antônio Carrazza para garantir a segurança jurídica na relação Fisco/contribuinte é mister que "a lei que descreve a açãotipo Fl. 431DF CARF MF Processo nº 18050.006982/200960 Acórdão n.º 9202006.366 CSRFT2 Fl. 8 7 tributária valha para todos igualmente, isto é, seja aplicada a seus destinatários (quer pelo Judiciário, quer pela Administração Fazendária) de acordo com o princípio da igualdade (art. 5º, I da CF)." Destaco ainda que o lançamento e acórdão recorrido ao afastarem o caráter indenizatório das verbas, sob o argumento de que essas serviram para repor "a atualização monetária dos salários do período considerado", reforçaram a tese de que os valores ora discutidos não podem ser tributados pelo imposto de renda. Isso porque é passível na doutrina e na jurisprudência dos tribunais que a correção monetária não representa acréscimo patrimonial, é na verdade mecanismo de recomposição da efetiva desvalorização da moeda, seu objetivo é preservar o poder aquisitivo original em relação à inflação, inflação essa que motivou toda a sistemática de aplicação da própria URV. O Ministro Marco Aurélio, relator do Recurso Extraordinário nº 565.089, onde se discute (em sede de Repercussão Geral) a indenização por falta de revisão anual em vencimentos dos servidores públicos de São Paulo, externa em seu voto o seguinte entendimento: O Supremo já assentou que “a correção monetária não se constitui em um plus, não é uma penalidade, mas mera reposição do valor real da moeda corroída pela inflação” – Agravo Regimental na Ação Cível Originária nº 404, da relatoria do Ministro Maurício Corrêa. Nos termos do art. 43 do CTN não se discute que o fato gerador do Imposto de Renda é a disponibilidade econômica ou jurídica de renda (produto do capital, do trabalho ou de ambos) ou proventos de qualquer natureza, entretanto o conceito de renda é limitado e não abrange valores que não representem acréscimo ao patrimônio do contribuinte, como é o caso dos autos. Portanto, sob todos os prismas analisados, não vejo como possível afastar a natureza indenizatória das verbas recebidas pelo Recorrente à titulo de "diferenças de URV", seja pela aplicação da Resolução nº 245 do STF, seja pelo fato de tal medida ter sido adotada no intuito de recompor seu patrimônio pela perda experimentada quando da conversação das moedas. Diante do exposto, no que tange a natureza da verba recebida, dou provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Do pedido subsidiário: Vencida quanto ao mérito haja vista a decisão da maioria do Colegiado, manifestome acerca do pedido subsidiário formulado pelo Recorrente, por meio do qual defende a não incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos a título de juros. Fl. 432DF CARF MF Processo nº 18050.006982/200960 Acórdão n.º 9202006.366 CSRFT2 Fl. 9 8 Segundo o entendimento do Recorrente, invariavelmente, os juros de mora possuem natureza indenizatória, pois sua função é a de recompor dano ao patrimônio do beneficiário que deixou de receber no tempo certo valor que lhe seria devido. Tratase de entendimento compartilhado pelos mais renomados juristas, valendo citar parte do artigo publicado pelo Professor Hugo de Brito Machado, na Revista Dialética de Direito Tributário nº 215 (p. 115/116): Não há dúvida quanto à natureza indenizatória dos juros de mora. A expressão juros moratórios, que é própria do Direito Civil, designa a indenização pelo atraso no pagamento da divida. O Código Civil de 1916 estabelecia que as perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, consistem nos juros de mora e custas, sem prejuízo das pena convencional. E o Código Civil vigente estabelece: "Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas e honorários de advogados, sem prejuízo da penas convencional. Parágrafo único: Provado que os juros de mora não cobrem o prejuízo, e não havendo pena convencional, pode o juiz concede ao credor indenização complementar." Com se vê, o legislador previu que o não recebimento nas datas correspondentes dos valores me dinheiro aos quais se tem direito implica prejuízo. (...) Não se trata de lucro cessante, nem de dano simplesmente moral, que evidentemente também podem ocorrer. Tratase de perda patrimonial efetiva, decorrente do não recebimento, nas datas correspondentes, dos valores aos quais tinha direito. Perda que o legislador presumiu e tratou como presunção absoluta que não admite prova em contrário, e cuja indenização com juros de mora independe de pedido do interessado. Ora, os valores recebidos a título de juros moratórios não estariam sujeitos ao imposto, afinal o conceito de renda e proventos propostos pela Constituição Federal exigem a ocorrência de um acréscimo patrimonial experimentado ao longo de um determinado período de tempo, o que conforme anteriormente exposto não ocorre no presente caso concreto. Em que pese concordar com os argumentos acima, entendo que a norma regimental prevista no art. 62 do RICARF me impede de deixar de aplicar o que determina o art. 16 da Lei 4.506/1964: “Art. 16. serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado tôdas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções Fl. 433DF CARF MF Processo nº 18050.006982/200960 Acórdão n.º 9202006.366 CSRFT2 Fl. 10 9 referidos no artigo 5º do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: (...) Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo.” (Grifamos) Destaco que o Supremo Tribunal Federal ainda não firmou sua posição em relação ao assunto, haja vista estar pendente de julgamento o Recurso Extraordinário nº 855.091, recebido sob o rito da Repercussão Geral sob o Tema 808 Incidência de imposto de renda sobre juros de mora recebidos por pessoa física, processo por meio do qual questionase a constitucionalidade dos dispositivos acima descrito. Vale mencionar que a maioria do colegiado, nos termos da jurisprudência em especial do RE1.227.133/RS, entende que apenas não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, tratase de juros tributáveis. Assim, diante do exposto, quanto à incidência de imposto de renda sobre os juros de mora, nego provimento ao recurso do Contribuinte. Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado. Com a devida vênia ao entendimento esposado pela Relatora quanto à natureza da verba em litígio, ouso discordar quanto à não incidência do IRPF pela natureza supostamente indenizatória das verbas recebidas, à luz da aplicação da Lei Complementar Estadual no. 20, de 2003, e da Resolução STF no. 245, de 2002. A propósito, reitero aqui considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: a) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Complementar Estadual 20, de 2003 Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de Fl. 434DF CARF MF Processo nº 18050.006982/200960 Acórdão n.º 9202006.366 CSRFT2 Fl. 11 10 natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 2° e 3° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003: Art. 2° As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de n° 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1° de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3° São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2° desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos membros do Ministério Público, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual. Assim, não se trata, aqui, de invasão de competência do STF pela União para declarar inconstitucional a referida Lei Complementar Estadual, mas, sim, interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida LC, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo, para se concluir pela sua tributação ou não pelo imposto sobre a renda. Chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas ao contribuinte pelo Ministério Público do Estado da Bahia não se destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 2° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. É incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em Fl. 435DF CARF MF Processo nº 18050.006982/200960 Acórdão n.º 9202006.366 CSRFT2 Fl. 12 11 decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. Por fim, de se reproduzir uma vez mais a jurisprudência do STJ, colacionada inclusive em um dos paradigmas trazidos pela recorrente (Acórdão 2801002.742), que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no auto de infração à efl. 06. b) Da Resolução n.° 245 do STF A recorrente traz à baila a Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2° da Lei n° 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de 2003, aplicarseia também aos membros do Ministério Público dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Veja se: “(...) Fl. 436DF CARF MF Processo nº 18050.006982/200960 Acórdão n.º 9202006.366 CSRFT2 Fl. 13 12 Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Fl. 437DF CARF MF Processo nº 18050.006982/200960 Acórdão n.º 9202006.366 CSRFT2 Fl. 14 13 Adicionalmente, caso se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação da PGFN, no sentido de se cingirem os efeitos da referida e dos despachos PGR e Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, o recorrente), vedados: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais de efl. 10, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dispositivos legais de efl. 06 que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei Complementar do Estado da Bahia no. 20, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. Assim, opinando pela natureza remuneratória das verbas recebidas sob análise, voto por negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. Em face ao exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 438DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13982.001260/2007-12
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 1002-000.115
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2005 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente MACROPAMPA DISTRIBUIDORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Julio Lima Souza Martins Presidente. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 12 60 /2 00 7- 12 Fl. 50DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 41 à 46) interposto contra o Acórdão n° 0715.561, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC (efls. 34 e 35), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta que declarou procedente o lançamento tributário, haja vista a constatação de atraso na entrega da DCTF e a inocorrência de denúncia espontânea. Os argumentos apresentados na Impugnação são reiterados em sede de Recurso Voluntário. Neste, a Contribuinte requer a declaração de total improcedência e inexigibilidade do crédito tributário consignado no auto de infração. Remetese aos termos da exordial defensiva, na qual requer seja considerado improcedente o procedimento fiscal de expedir auto de infração, pelo correio, sem prévio pedido de esclarecimento. Utiliza, também, como fundamento a inaplicabilidade da multa em face da denúncia espontânea, verbis: 5. Exatamente, por isso que o artigo 136 da Lei 5.172, de 25/10/66 dispõe que a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, e o artigo 138, citado tanto na IMPUGNAÇÃO inicial quanto neste recurso, do mesmo diploma, exclui expressamente tal responsabilidade ante a denúncia espontânea da infração, e, se for o caso do tributo devido, acrescido dos juros devidos, pelo correto ressarcimento ao fisco pelo atraso no pagamento do imposto devido com a entrega da declaração. 6. Ademais, não se pode olvidar que o próprio Código Tributário Nacional, não faz distinção entre infração a obrigação principal e obrigação acessória. Também, por seu turno, não delimita a exclusão da responsabilidade pela denúncia espontânea somente de infrações não conhecidas pela autoridade administrativa. Ora, pois, não cabe ao intérprete ou julgador da lei distinguir onde a lei não distingue. (...) 8. Ora, pois, no mesmo sentido por que razão o artigo 138 da Lei 5.172/66 em seu parágrafo único, dispõe que somente o início do procedimento administrativo relacionado à infração, anterior à iniciativa do sujeito passivo, coíbe a denúncia espontânea em seus efeitos??? Destarte, na hipótese da infração conhecida, porque o próprio CTN não as distingue, evidenciase, portanto, a conclusão de que se o contribuinte se antecipa a qualquer iniciativa do fisco, estará acobertado pelos efeitos d denúncia espontânea, consoante a regra explicitada pelo artigo 138, § único do C. T.N. (Lei 5172/66). (...) Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13982.001260/200712 Acórdão n.º 1002000.115 S1C0T2 Fl. 3 3 12. Concluise, portanto, que se o contribuinte promoveu a entrega da declaração, embora fora de prazo, mas sem que tenha havido qualquer ato da autoridade fiscal descaracterizando a espontaneidade do contribuinte, a multa de que trata o artigo 80, da Lei 8.981/95 é inaplicável. É o Relatório Voto 1. Do pedido prévio de esclarecimento Por primeiro, afasto de imediato a alegação de malferimento ao processo administrativo fiscal, por suposta violação ao dever do Fisco em expedir pedido prévio de esclarecimento. Cumpre registrar que o atraso na entrega da declaração é ostensivo, evidente por si só e, enquanto tal,. desnecessário qualquer procedimento fiscal prévio, tampouco qualquer pedido de esclarecimento endereçado à Contribuinte. Em assim sendo, o lançamento deve ser feito (e tal como o foi) mediante notificação assinada, conforme o art. 11 do Decreto 70.235/72,. inexistindo, por conseqüência, quaisquer das hipóteses de nulidade previstas no citado Decreto. Nestes termos, transcrevo o trecho do acórdão da DRJ: Quanto à prévia solicitação (do Fisco) de esclarecimentos para fins de lançamento tributário, de se dizer que não existe, no caso, tal obrigatoriedade na legislação citada pela Recorrente. Afasto, portanto, a suposta ilegalidade aventada. 2. Da denúncia espontânea Sustenta a Recorrente que a entrega da DCTF, embora a destempo, enseja a incidência do art. 138 do CTN. Advoga, portanto, que a penalidade imposta seria afastada pelo instituto da denúncia espontânea. Ademais, entende que não caberia a multa, haja vista sua suposta ilegalidade. Não vejo como acolher os pleitos da Recorrente, pois a decisão da DRJ apresenta estreita sintonia com a jurisprudência do CARF. Os indigitados argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoos desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 e em atenção ao disposto no §3º do art. 57, do RICARF: Em análise das questões apresentadas, constatase que não tem razão a contribuinte. É que a exclusão da responsabilidade prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional CTN não alcança o descumprimento de obrigações acessórias, tais como aquela que deu ensejo à autuação. Depreendese do dispositivo legal transcrito que o legislador está tratando de penalidade vinculada a tributo, prevendo uma situação em que a multa ex ofƒício não pode ser aplicada (artigo Fl. 52DF CARF MF 4 957 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 29/03/1999). Com efeito, o objetivo da denúncia espontânea, conforme explícita previsão legal, é afastar a responsabilidade por infração contida na composição do crédito tributário não pago. Quando o tributo não é pago em tempo hábil, gera um crédito com, pelo menos, os seguintes componentes: tributo, multa penalidade pecuniária e juros de mora. A denúncia espontânea afasta justamente a parte punitiva e mantém, com toda sua intensidade quantitativa, o tributo. O atraso na entrega da DCTF é considerado como sendo o descumprimento, no prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra de conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo, nem com as multas decorrentes por tal'procedimento. Pontuo, ainda, que tanto na instituição, quanto na aplicação da multa pelo não cumprimento da obrigação acessória, a base legal do lançamento consta no referido artigo 7º da Lei nº 10.426, de 2002, o qual criou uma regra específica de sanção para o descumprimento da obrigação relativa às declarações DIPJ, DCTF, DIRF e DACON. Destaco, também, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo cobrado. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, nasce um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). De arremate, em relação ao instituto da denúncia espontânea suscitado no Recurso Voluntário, fazse mister ressaltar que tal matéria também é respaldada por entendimento sumulado do CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Por fim, consigno que o caráter punitivo da reprimenda possui natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado da inobservância às regras formais. Eis que a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional. Conclusão Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13982.001260/200712 Acórdão n.º 1002000.115 S1C0T2 Fl. 4 5 Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13133.000273/2005-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2001
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
É cabível a imposição de penalidade quando da entrega extemporânea da DCTF, haja vista que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação instrumental, regulamentadas pelas Instruções Normativas 73/96 e 126/1998, têm supedâneo legal no Decreto-lei n.º 2.124, de 13/06/1984, com fundamento de validade no art. 34, § 5.º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, e, posteriormente, na MP 16, de 2001, convertida na Lei n.º 10.426/2002.
CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2).
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF n.º 49).
Numero da decisão: 1002-000.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2001 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega extemporânea da DCTF, haja vista que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação instrumental, regulamentadas pelas Instruções Normativas 73/96 e 126/1998, têm supedâneo legal no Decreto-lei n.º 2.124, de 13/06/1984, com fundamento de validade no art. 34, § 5.º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, e, posteriormente, na MP 16, de 2001, convertida na Lei n.º 10.426/2002. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF n.º 49).
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Normas Gerais de Direito Tributário. Recorrente DESPACHANTE VW LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega extemporânea da DCTF, haja vista que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação instrumental, regulamentadas pelas Instruções Normativas 73/96 e 126/1998, têm supedâneo legal no Decretolei n.º 2.124, de 13/06/1984, com fundamento de validade no art. 34, § 5.º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, e, posteriormente, na MP 16, de 2001, convertida na Lei n.º 10.426/2002. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF n.º 49). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 13 3. 00 02 73 /2 00 5- 11 Fl. 47DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (fls. 33/37) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (fls. 14/21), datada de 22/03/2007, consubstanciada no Acórdão n.º 0320.166, da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSA), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento efetivado pela fiscalização da administração fazendária decorrente da aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do 1.º, 2.º, 3.º e 4.º Trimestres do Ano Calendário 2001 (fl. 06), deixando de acolher a impugnação apresentada pela recorrente (fls. 01/05), tendo sido assim ementada a decisão vergastada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS AnoCalendário: 2001 ESPONTANEIDADE A entrega da DCTF intempestivamente, embora feito o recolhimento dos tributos devidos não caracteriza a espontaneidade prevista no Art. 138 do Código Tributário Nacional com o condão de enseja a dispensa da multa prevista na legislação de regência pela falta de entrega da declaração. INCONSTITUCIONALIDADE ou ILEGALIDADE DE NORMAS LEGAIS A instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF É cabível a exigência da multa pelo atraso na entrega da DCTF na forma em que foi consignada no auto de infração. Lançamento Procedente O auto de infração em espécie foi lavrado em 10/06/2005, na DRF Goiania, por Auditor Fiscal da Receita Federal, sumariando o seguinte contexto e enquadramento para aduzida infração à legislação tributária e respectivo demonstrativo do crédito tributário: Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13133.000273/200511 Acórdão n.º 1002000.082 S1C0T2 Fl. 44 3 Descrição dos fatos: A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa (...). Fundamentação: Art. 113, § 3.º e 160 da Lei n.º 5.172, de 26/10/66 (CTN); art. 4.º combinado com o art. 2.º da Instrução Normativa SRF n.º 73, de 1996; art. 6.º da Instrução Normativa SRF n.º 126, de 30/10/98 combinado com item I da Portaria MF n.º 118/84, art. 5.º do DL 2124/84 e art. 7.º da MP n.º 16/01 convertido na Lei n.º 10.426, de 24/04/2002. Demonstrativo: 1.º Trimestre/2001, Multa Mínima R$500,00 2.º Trimestre/2001, Multa Mínima R$500,00 3.º Trimestre/2001, Multa Mínima R$500,00 4.º Trimestre/2001, Multa Mínima R$500,00 A impugnação instaurou a fase litigiosa do procedimento, no entanto não foi acolhida pela DRJ. O recurso voluntário, inconformado com a decisão a quo, argumentou que o art. 138 do CTN, denúncia espontânea, deve ser aplicado para entrega extemporânea da DCTF, inclusive no Estado de origem existe obrigação instrumental que se entregue em atraso, mas antes de qualquer medida punitiva, enseja a aplicação da denúncia espontânea. Recorre, também, alegando que a multa é excessiva, além de sua capacidade contributiva. Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, a despeito de bastante reduzido, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo (fls. 32/33 e 38), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B do Regimento Interno, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. No juízo de mérito, não assiste razão a recorrente. É que não se discute nos autos a apresentação extemporânea da DCTF, nem se desincumbiu a recorrente de demonstrar fato impeditivo, modificativo ou extintivo de tal obrigação. Pretendeu, unicamente, atacar o valor da multa, que seria para além de sua capacidade contributiva e pleitear a aplicação da denúncia espontânea, sendo, porém, vedado a este Conselho apreciar questão de constitucionalidade, ou não, da legislação tributária que impôs a Fl. 49DF CARF MF 4 exigência e a multa correspondente, enquanto que a denúncia espontânea não se aplica no caso em tela estando sumulada a matéria no CARF. Citese, pela oportunidade, a Súmula CARF n.º 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." A referida súmula teve por suporte os seguintes paradigmas: Acórdão n.º 10194876, de 25/02/2005, Acórdão n.º 10321568, de 18/03/2004, Acórdão n.º 105 14586, de 11/08/2004, Acórdão n.º 10806035, de 14/03/2000, Acórdão n.º 10246146, de 15/10/2003, Acórdão n.º 20309298, de 05/11/2003, Acórdão n.º 20177691, de 16/06/2004, Acórdão n.º 20215674, de 06/07/2004, Acórdão n.º 20178180, de 27/01/2005, Acórdão n.º 20400115, de 17/05/2005. Por corolário lógico, não há que se admitir matéria que pretenda discutir constitucionalidade e limites constitucionais para os valores das multas fiscais, caso contrário, estaria sendo declarada uma inconstitucionalidade incidenter tantum da norma infraconstitucional que impôs a multa, o que é vedado no Regimento Interno do CARF (art. 62, Anexo II, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 2015), havendo que se respeitar, demais disto, o enunciado da Súmula CARF n.º 2, acima mencionado. Observese, igualmente, o disposto no art. 26A do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, com redação dada pela Lei n.º 11.941, de 2009, que enuncia o mesmo entendimento ao dispor que: "No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." Destaco, no que atine a denúncia espontânea, que este Conselho já possui enunciado sumular, nestes termos: "Súmula CARF n.º 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração." A mencionada súmula foi lavrada com base nos seguintes paradigmas: Acórdão n.º CSRF/0400.574, de 19/06/2007, Acórdão n.º 19200.096, de 06/10/2008, Acórdão n.º 19200.010, de 08/09/2008, Acórdão n.º 10709.410, de 30/05/2008, Acórdão n.º 10249.353, de 10/10/2008, Acórdão n.º 10196.625, de 07/03/2008, Acórdão n.º 107 09.330, de 06/03/2008, Acórdão n.º 10709.230, de 08/11/2007, Acórdão n.º 10516.674, de 14/09/2007, Acórdão n.º 10516.676, de 14/09/2007, Acórdão n.º 10516.489, de 23/05/2007, Acórdão n.º 10809.252, de 02/03/2007, Acórdão n.º 10195.964, de 25/01/2007, Acórdão n.º 10809.029, de 22/09/2006, Acórdão n.º 10194.871, de 25/02/2005. Importa acrescentar que a ninguém é permitido deixar de cumprir as normas legais alegando que não as conhece, consoante se extrai do art. 3.º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, constante do DecretoLei n.º 4.657, de 4 de setembro de 1942. Dito isto, cabe registrar que a IN SRF 126 exigia a entrega da DCTF em prazo certo, sob pena de aplicação de multa. Ponderese, pela oportunidade, que a referida norma tem como último suporte de validade o art. 34, § 5.º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, que enuncia: "Art. 34, § 5.º, Vigente o novo sistema tributário nacional, fica assegurada a Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13133.000273/200511 Acórdão n.º 1002000.082 S1C0T2 Fl. 45 5 aplicação da legislação anterior, no que não seja incompatível com ele e com a legislação referida nos § 3.º e § 4.º." Neste contexto, o fundamento de validade constante do auto de infração (Art. 113, § 3.º e 160 da Lei n.º 5.172, de 26/10/66 CTN; art. 4.º combinado com o art. 2.º da Instrução Normativa SRF n.º 73, de 1996; art. 6.º da Instrução Normativa SRF n.º 126, de 30/10/98 combinado com item I da Portaria MF n.º 118/84, art. 5.º do DL 2124/84 e art. 7.º da MP n.º 16/01 convertido na Lei n.º 10.426, de 24/04/2002) apresentase adequado e pertinente ao caso em comento. Deveras, a Instrução Normativa SRF n.º 126, de 30 de outubro de 1998, com fundamento de validade no art. 34, § 5.º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, combinado com o art. 5.º, caput e § 3.º, do Decretolei n.º 2.124, de 13 de junho de 1984, e com a Portaria MF n.º 118, de 28 de junho de 1984, trouxe o seguinte conjunto de enunciados: Art. 1.º Fica instituída a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. Art. 2.º A partir do anocalendário de 1999, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, trimestralmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz. § 1.º Para efeito do disposto nesta Instrução Normativa, serão considerados os trimestres encerrados, respectivamente, em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário. (...) Art. 6.º A falta de entrega da DCTF ou a sua entrega após os prazos referidos no art. 2.º, sujeitará a pessoa jurídica ao pagamento da multa (...). (...) § 2.º As multas de que trata este artigo serão exigidas de ofício. Constróise, a partir do texto acima transcrito, a norma jurídica instituidora do dever instrumental de entregar declaração, a instituidora da regramatriz sancionadora da violação deste dever instrumental e a instituidora da regramatriz da lavratura da autuação. Estas, em conjunto, atuando sistemicamente, regulam, de modo objetivo e transpessoal, as condutas intersubjetivas, via modal deôntico Obrigatório, no sentido de que, uma vez descumprida a obrigação de dar/entregar, a qual estava obrigado a contribuinte, impõese a autoridade lançadora o dever de constituir a relação jurídica que impõe a obrigação de pagar a multa. Se havia o dever jurídico de adimplir a obrigação de entregar a DCTF, no prazo estabelecido, descumprido o comando normativo, surge para a administração tributária o direito subjetivo de exigir o adimplemento da multa, sendo, em verdade, o agente competente obrigado a proceder com o lançamento, sob pena de violar a norma enunciada no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Se é verdade que a administração tributária não pode cobrar mais do que lhe é efetivamente devido, também não pode cobrar menos do que lhe é ordenado exigir em atividade vinculada e obrigatória de lançamento. No caso em comento, observo a atuação dentro dos padrões delineados pelo campo da legalidade. Fl. 51DF CARF MF 6 Somese a isto o fato de que a análise deve seguir o critério objetivo, não sendo necessário perquirir sobre a existência de eventuais prejuízos pela não entrega da declaração. A sanção quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado da inobservância das regras de cumprimento do dever instrumental. A responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do CTN. Destaco, outrossim, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, exsurge a possibilidade da constituição de um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). Isto porque, o art. 113 do CTN ao enunciar que “a obrigação tributária é principal ou acessória” estabeleceu que, para fins de cobrança, o direito de exigir o pagamento de tributo ou o direito de exigir o adimplemento em pecúnia do valor equivalente a multa imposta por descumprimento de dever instrumental devem ser tratados de igual maneira para todos os fins de exigibilidade. A importância do cumprimento do dever instrumental devese a necessidade de transportar para o mundo jurídico, via linguagem competente, elementos enriquecedores para que seja possível a instauração da pretensão tributária, principalmente facilitando o estabelecimento de “fatos jurídicos”, após o relato dos eventos em linguagem competente. Aliás, este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), analisando caso semelhante, já decidiu no mesmo sentido. Peço vênia para transcrever a ementa, verbo ad verbum: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 DCTF. ENTREGA EXTEMPORÂNEA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. MULTA PECUNIÁRIA. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia infração de natureza tributária, e sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo. (...) ÔNUS DA PROVA. Para elidir o fato constitutivo do direito do fisco, incumbe ao sujeito passivo o ônus probatório da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo. (CARF, Recurso Voluntário, Acórdão 1802001.539 2ª Turma Especial, Rel. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13133.000273/200511 Acórdão n.º 1002000.082 S1C0T2 Fl. 46 7 Conselheiro Nelso Kichel, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 06/02/2013) Valhome aqui, de igual modo, dos precedentes desta 2.ª Turma Extraordinária, desta Primeira Seção de Julgamentos do CARF, que nos Acórdãos ns. 1002000.006, 1002000.007, 1002000.009, 1002000.010, 1002000.011, 1002000.012, 1002000.013 e 1002000.016 seguiram a tese de que a entrega extemporânea da DCTF enseja a aplicação de multa. Destarte, o controle de legalidade do ato administrativo de lançamento, ora exercido por força da devolutividade recursal, aponta, em nossa análise, a correta aplicação do direito, não havendo reparos a serem efetivados. Por conseguinte, a recorrente não conseguiu se desincumbir do ônus probatório que lhe competia de demonstrar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da administração tributária de lhe exigir a entrega da declaração, a tempo e modo, sob pena de sanção. Demais disto, observo que o Superior Tribunal de Justiça possui precedente acerca da legalidade da exigibilidade da multa por descumprimento do dever instrumental de entregar declaração, vejase: TRIBUTÁRIO. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCTF. ARTIGO 11, §§ 1º e 3º, DO DECRETOLEI 1.968/82 (REDAÇÃO DADA PELO DECRETOLEI 2.065/83). 1. A multa pelo descumprimento do dever instrumental de entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF regese pelo disposto no § 3º, do artigo 11, do DecretoLei 1.968/82 (redação dada pelo DecretoLei 2.065/83), verbis: "Art. 11. A pessoa física ou jurídica é obrigada a informar à Secretaria da Receita Federal os rendimentos que, por si ou como representante de terceiros, pagar ou creditar no ano anterior, bem como o Imposto de Renda que tenha retido. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 1º A informação deve ser prestada nos prazos fixados e em formulário padronizado aprovado pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 2º Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma OTRN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 3º Se o formulário padronizado (§ 1º) for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 ORTN, ao mêscalendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 4º Apresentado o formulário, ou a informação, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento ex officio, ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo Fl. 53DF CARF MF 8 nesta fixado, as multas cabíveis serão reduzidas à metade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983)." 2. Deveras, o artigo 11, do DecretoLei 1.968/82, instituiu o dever instrumental do contribuinte (pessoa física ou jurídica) da entrega de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre os rendimentos pagos ou creditados no ano anterior e o imposto de renda porventura retido (caput). 3. As aludidas informações são prestadas por meio de formulário padronizado, sendo certo que a Instrução Normativa SRF nº 126/1998 instituiu a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF a ser apresentada pelas pessoas jurídicas. 4. O inadimplemento da obrigação de entrega da DCTF, no prazo estipulado, importa na aplicação de multa de 10 ORTN's (§ 3º, do artigo 11, do DL 1.968/82), independentemente da sanção prevista no § 2º (multa de 1 ORTN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas em cada DCTF). 5. Conseqüentemente, revelase escorreita a penalidade aplicada para cada declaração apresentada extemporaneamente. 6. Recurso especial desprovido. (REsp 1081395/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/06/2009, DJe 06/08/2009) Pela oportunidade, destaco que a Doutrina se posiciona no seguinte sentido acerca das infrações às normas instrumentais enunciadas na legislação, chegando a apontar a sua importância para a sistemática da administração tributária: Professor Paulo de Barros Carvalho1: O antecedente da regra sancionatória descreve fato ilícito qualificado pelo descumprimento de um dever estipulado no consequente da regramatriz de incidência. É a não prestação do objeto da relação jurídica. Essa conduta é tida como antijurídica, por transgredir o mandamento prescrito, e recebe um nome de ilícito ou infração tributária. Atrelada ao antecedente ou suposto da norma sancionadora está a relação deôntica, vinculando, abstratamente, o autor da conduta ilícita ao titular do direito violado. No caso das penalidades pecuniárias ou multas fiscais, o liame também é de natureza obrigacional, uma vez que tem substrato econômico, denominase relação jurídica sancionatória e o pagamento da quantia estabelecida é promovida a título de sanção. Professor Sacha Calmon Navarro2: Podemos, então, sem medo de errar, afirmar que a infração fiscal configurase pelo simples descumprimento dos deveres tributários de dar, fazer e não fazer, previstos na legislação. Esta a sua característica básica. (...) É preciso ver que a sanção, em Direito Tributário, cumpre relevante papel educativo. Noutras palavras, provoca na comunidade dos 1 CARVALHO, Paulo de Barros Curso de Direito Tributário, São Paulo: Saraiva, 1999, p. 465 e 466. 2 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2ª ed. Rio de Janeiro, Forense. 2001, p.29. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13133.000273/200511 Acórdão n.º 1002000.082 S1C0T2 Fl. 47 9 obrigados a necessidade de inteirarse dos deveres e direitos defluentes da lei fiscal, certo que o erro ou a ignorância possuem total desvalia como excludente de responsabilidade, ... Por fim, entendo que o dever instrumental é necessário ao controle das atividades estatais de arrecadação no livre mercado, perfectibilizando as exigências das leis tributárias, sendo o direito aplicado de igual modo para todos. A multa nasce a partir de uma conduta contrária à legislação tributária, conduta esta que pode ser evitada com uma boa governança tributária, logo é possível ficar livre da sanção fiscal, caso siga o caminho regulamentar, dirigindo sua atuação conforme a disciplina normativa correta e atuando com o dever de ofício que lhe impõe a lei. Vale dizer, o contribuinte só eventualmente é onerado pela multa e isto se deve as suas escolhas, a sua governança tributária, considerando que não há punição sem culpa, decorrente de um agir ou de uma omissão quando estava obrigado ao exercício de uma conduta e não a executou. Por isso, no caso em apreço, o controle de legalidade se apresenta correto. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ. Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário. No mérito, em negarlhe provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida e o crédito tributário lançado na forma constante do auto de infração. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 55DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.000475/00-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2000
LEI Nº 8.248, DE 1991. PREENCHIMENTO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO.
A contribuinte preencheu os requisitos da Lei n° 8.248, de 23 de outubro de 1991 e do Decreto n° 792, de 02 de abril de 1993, fazendo, portanto, jus ao ressarcimento de IPI.
Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-005.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza -Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2000 LEI Nº 8.248, DE 1991. PREENCHIMENTO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO. A contribuinte preencheu os requisitos da Lei n° 8.248, de 23 de outubro de 1991 e do Decreto n° 792, de 02 de abril de 1993, fazendo, portanto, jus ao ressarcimento de IPI. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza -Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud e Walker Araujo.
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PREENCHIMENTO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO. A contribuinte preencheu os requisitos da Lei n° 8.248, de 23 de outubro de 1991 e do Decreto n° 792, de 02 de abril de 1993, fazendo, portanto, jus ao ressarcimento de IPI. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud e Walker Araujo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 04 75 /0 0- 93 Fl. 741DF CARF MF 2 Tratase de retorno de diligência, por ser sintético, adotase o relatório da resolução: A contribuinte solicitou o ressarcimento de IPI (fl. 01), de 09/06/2000, no valor total de R$ 510.000,00, referente a insumos utilizados na fabricação de bens de informática e automação, com amparo no art. 4º da Lei nº 8.248, de 23 de outubro de 1991, no art. 1º, § único, do Decreto nº 792, de 2 de abril de 1993, e na Portaria Interministerial MF/MCT nº 273, de 1993, relativamente ao 1º trimestrecalendário de 2000. Pedidos de compensação às fls. 89/90, formalizados em 27/12/2001. A DRF em Sorocaba, mediante despacho decisório exarado em 30/12/2004 (fls. 185/197), indeferiu o pedido de ressarcimento com base na informação fiscal de fl. 184, em que restou constatado que a interessada não cumprira a obrigação prevista na legislação (Lei nº 8.248, de 23 de outubro de 1991, art. 11; Decreto nº 792, de 1993, art. 7º, § 2º), ficando sujeita às penalidades previstas (Lei nº 8.248, de 1991, art. 9º; Decreto nº 792, de 1993, art. 10), em face das informações repassadas pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) em pareceres técnicos (fls. 122/152 e 165/178); de acordo com o artigo 2º das Portarias Interministeriais nº 557 e 558 (fls. 68/69), de 14/12/1999, a concessão do incentivo da isenção deve ser tornada sem efeito em virtude da sobredita falta de cumprimento das condições normativas e, assim, considerada a saída tributada dos bens de informática com o afastamento da isenção, inexiste saldo credor a ser ressarcido. Cientificada somente em 09/10/2006, conforme AR nos autos, a postulante apresentou, em 1/10/2006, a manifestação de inconformidade de fls. 209/226, subscrita pelo respectivo procurador, Sr. José Roberto Tomicioli Pereira, qualificado no instrumento legal de fls. 241/242, alegando, em resumo, o seguinte: Houve a homologação tácita das compensações por decurso do prazo de 5 (cinco) anos do vencimento dos tributos compensados (14/09/2001), já que a intimação do teor do despacho decisório ocorreu apenas em 10/10/2006; O Parecer Técnico do MCT foi considerado pela autoridade fiscal como uma decisão final esse órgão, o que não era; sem contestar o Parecer Técnico, a interessada resolveu propor o parcelamento do saldo de investimentos não realizados, porém, em ofício datado de 08/04/2005, o órgão competente não acatou a proposta de quitação do saldo devedor; o referido ofício deve ser considerado nulo por flagrante infração ao disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, arts. 56 e 57; o MCT deixou de comunicar a Receita Federal sobre a pendência do “recurso” e deixou de esclarecer que a manifestante vem cumprindo o parcelamento proposto; há pedido de reconsideração em relação ao ofício (reproduzido na manifestação de inconformidade e com cópia às fls. 464/469), sem decisão final até o momento, cujas razões foram adotadas para caso idêntico pela Consultoria Jurídica do MCT; Fl. 742DF CARF MF Processo nº 13896.000475/0093 Acórdão n.º 3302005.204 S3C3T2 Fl. 3 3 Os fundamentos para o despacho decisório foram superados, primeiramente com a Lei nº 1.077 de dezembro de 2004, e depois com o Decreto nº 5.906, de 26 de setembro de 2006, devido à regulamentação do parcelamento do saldo de investimento em pesquisa e desenvolvimento (parcelamento do suposto débito em 48 meses e previsão de recurso contra decisão que indefere o parcelamento); além disso, teria ocorrido o adimplemento antecipado do parcelamento em setembro de 2006 (fls. 505/510); Por fim, o despacho decisório deve ser reformado para que sejam deferidos o ressarcimento e a compensação pleiteados, com o cancelamento de eventuais cartas de cobrança; ou, alternativamente, deve ser suspenso o trâmite do presente processo até ulterior manifestação do MCT/SEPIN, sob pena de nulidade do procedimento administrativo tendo em vista a pendência de recurso; subsidiariamente, deve ser aplicada a regra da homologação tácita em 5 anos prevista na Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 74; todos os meios de prova devem ser admitidos; há a suspensão da exigibilidade dos débitos em virtude da apresentação da manifestação de inconformidade, conforme a Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 11. A DRF em Sorocaba, mediante acórdão n° 1415.676, exarado em 30/12/2004 (fls. 588/595), indeferiu, por unanimidade de votos, o pedido de ressarcimento com base na informação fiscal de fl. 184, em que restou constatado que a interessada não cumprira a obrigação prevista na legislação (Lei nº 8.248, de 23 de outubro de 1991, art. 11; Decreto nº 792, de 1993, art. 7º, § 2º), ficando sujeita às penalidades previstas (Lei nº 8.248, de 1991, art. 9º; Decreto nº 792, de 1993, art. 10), em face das informações repassadas pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) em pareceres técnicos (fls. 122/152 e 165/178); de acordo com o artigo 2º das Portarias Interministeriais nº 557 e 558 (fls. 68/69), de 14/12/1999, a concessão do incentivo da isenção deve ser tornada sem efeito em virtude da sobredita falta de cumprimento das condições normativas e, assim, considerada a saída tributada dos bens de informática com o afastamento da isenção, inexiste saldo credor a ser ressarcido. Diante da decisão proferida, inconformada, a requerente interpôs recurso voluntário em 06 de junho de 2007, alegando em síntese, que deve ser reconhecido o Despacho Decisório DRF/SOROCABA/SAORT/Nº 005/2005 deve ser revisto e reconsiderado, conforme sumário abaixo: A autoridade fiscal decidiu com base no Parecer Técnico, sendo claro que o mesmo não era definitivo, final e conclusivo; O Despacho Decisório ignorou o fato de que o OFICIO/GAB/SEITEC Nº 218/2003, datado de 05 de dezembro de 2003, que encaminho o Parecer Técnico para a Manifestante, ofereceu à Manifestante a alternativa de contestar ou propor quitação do saldo devedor, inclusive com a possibilidade de parcelar o débito em 48 meses; a Manifestação elegeu Fl. 743DF CARF MF 4 apresentar uma proposta de quitação, a qual ainda aguarda manifestação do órgão competente; O decisão do MCT, conforme o OFÍCIO/GAB/SEPIN Nº 108/2005, de indeferir a proposta de quitação feita pela Manifestante, é nulo e destituído de eficácia, por infringir dispositivo da Lei nº 9.784/99 (Regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal), bem como o art. 4º da Lei 11.077/04, que concedeu às pessoas em situação idêntica à da Manifestante o direito a um parcelamento, que não poderia ser imotivado recusado, e que será objeto de apreciação em razão de recurso de pedido de reconsideração interposto nos termos dos artigos 56 e 57 da Lei 9.784/1999; A própria consultoria jurídica do MCT (Advocacia Geral da União) reconhece a ilegalidade do referido Oficio, conforme o PARECER CONJUR/MCTACF Nº 137/03 e 37/2005, que recomenda de forma expressa que “ (...) deve a SEPIN dirigir expediente à Secretaria da Receita Federal solicitando seja suspensa a aplicação da penalidade (...), bem como que a decisão deve ser revista, em relação “(...) a todos os casos que se encontrem em igual situação jurídica, oportunizandose aos interessados que possam formular o pedido de quitação, nos termos da legislação aplicável”. Além da falta de decisão final sobre o pedido de reconsideração (doc. 09 da Impugnação), o parcelamento foi totalmente quitado pela Manifestante, conforme documentos 11, 12 e 13, garantindo de vez o beneficio de isenção de IPI; e Além da recente total quitação do investimento em P&D, mais recentemente ainda foi regulamentado o parcelamento de contribuintes que estivesse em dívida pelo Decreto nº 5.906/2006, prevendo até mesmo recurso contra indeferimento de parcelamento, ou seja, jamais poderia se considerar que o benefício da isenção de IPI já teria ocorrido. Diante do exposto, a Recorrente pleiteia ao final de sua peça pelo reconhecimento e procedência da manifestação de inconformidade do presente recurso. O Relator, Gileno Gujão Barreto, converteu o feito em diligência, resolução nº 330200.039, para: Mediante o exposto, voto no sentido de converter o presente processo em diligência, para que as autoridades fiscais certifiquemse da conclusão do procedimento administrativo sobre o plano de pagamentos submetido ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Sobreveio informação fiscal, fls. 725 e seguintes, com posterior manifestação da contribuinte, fls. 731 e seguintes1. É o relatório. 1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 744DF CARF MF Processo nº 13896.000475/0093 Acórdão n.º 3302005.204 S3C3T2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade Tratase de matéria da competência deste colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, devem ser conhecidos. 2. Do mérito 2.1. Homologação tácita A Recorrente entende que em razão do lapso temporal houve a homologação tácita por parte da Receita Federal, ela argumenta que o pedido de ressarcimento foi realizado em 09.06.2000 e a intimação ocorreu em outubro de 2006. Em análise aos autos do processo administrativo, observase que há um pedido de ressarcimento, fls. 8, de IPI, referente ao 1º trimestre de 2000, no valor de R$ 510.000,00, realizado em 09.06.2000, posteriormente, a Recorrente, em 27 de dezembro de 2001, pediu a compensação do crédito a ser ressarcido, fls. 97. Não há que se falar em homologação tácita, pois a fiscalização antes tem o dever de apurar o crédito existente e a partir daí poder compensar com o que foi pleiteado. Quanto ao pedido de ressarcimento, não há como considerar que há uma homologação tácita pelo decurso de tempo, conferindo direito ao crédito. O período de decadência, em análise, seria para o contribuinte efetuar o pedido de ressarcimento, uma vez que o instituto da decadência apresentase como uma forma de estabilizar as relações jurídicas, pois ela se apresenta como uma forma extintiva do direito subjetivo. No caso, a contribuinte faz jus ao direito subjetivo de pleitear o crédito, que entende que possui. Por outro lado, o fisco faz jus ao direito subjetivo de lançar o crédito, que entende que não foi constituído. Portanto, a decadência vem fulminar o direito subjetivo. Quando se discorre sobre a análise de pedido de restituição, o direito subjetivo é da contribuinte e não do fisco. No que concerne ao pedido de compensação, o despacho decisório é de 22 de dezembro de 2004, fls. 204, e a intimação da Recorrente ocorreu em 07 de junho de 2006. Prevê a legislação o seguinte quanto à compensação: Lei nº 9.430, de 1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão Fl. 745DF CARF MF 6 informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) § 4° Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 5° O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (grifos não constam no original) O pedido de compensação para ser objeto da homologação tácita, ocorreu em 27.12.2001, cinco anos a partir daí, teria o prazo final 27.12.2006, sendo que a intimação do indeferimento ocorreu em junho de 2006, portanto, não transcorreu o prazo de 5 (cinco) anos para haver a suposta homologação tácita, o que se rejeita tal suscitação. Portanto, não se pode aplicar homologação tácita nem ao pedido de ressarcimento, nem ao pedido de compensação. 2.2. Do crédito pleiteado e atendimentos aos requisitos previstos A Recorrente esclarece que é uma empresa dedicada à manufatura de produtos eletroeletrônicos, com estabelecimento industrial situado no Município de Sorocaba, logo, ela se beneficia dos incentivos fiscais instituídos pela Lei n º 8.248/91 e alterações subsequentes. Ela explica que requereu e obteve a aprovação de Processo Produtivo Básico ("PPB") para diversos produtos, e durante os anos de 1997 até 2000, fabricou os produtos objeto dos PPBs, tendo devidamente cumprido com os requisitos e condições previstos na legislação. Entre os requisitos devidamente cumpridos pela Recorrente, cumpriu a empresa com a obrigação de investir o percentual de 5% de sua receita líquida em pesquisa e desenvolvimento de tecnologia ("P&D"). Não obstante, o Ministério de Ciência e Tecnologia, por razões que a Recorrente considera improcedentes, questionou e glosou os investimentos efetuados pela Recorrente durante os referidos anos, conforme o Parecer Técnico MCT/SEITEC/CGPI/DPD/142/2003 (doravante Parecer Técnico), posteriormente, ela descreve o trâmite do processo administrativo dentro do referido Ministério e afirma que cumpriu os requisitos necessários. Afirma que há um recurso administrativo e que a Lei nº 11.077/2004 expressamente previu a hipótese do parcelamento de saldos devedores de investimentos em P&D. O benefício fiscal em questão é regido pela Lei nº 8.248, de 1991, que faz as seguintes previsões: Fl. 746DF CARF MF Processo nº 13896.000475/0093 Acórdão n.º 3302005.204 S3C3T2 Fl. 5 7 Lei nº 8.248, de 1991 Art. 4o As empresas de desenvolvimento ou produção de bens e serviços de informática e automação que investirem em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação farão jus aos benefícios de que trata a Lei no 8.191, de 11 de junho de 1991. (Redação dada pela Lei nº 10.176, de 2001) (Regulamento) § 1o O Poder Executivo definirá a relação dos bens de que trata o § 1oC, respeitado o disposto no art. 16A desta Lei, a ser apresentada no prazo de trinta dias, contado da publicação desta Lei, com base em proposta conjunta dos Ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, da Ciência e Tecnologia e da Integração Nacional. § 1oA. O benefício de isenção estendese até 31 de dezembro de 2000 e, a partir dessa data, fica convertido em redução do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, observados os seguintes percentuais: (Parágrafo incluído pela Lei nº 10.176, de 11.1.2001) ) (...) Art. 11. Para fazer jus aos benefícios previstos nesta lei, as empresas que tenham como finalidade a produção de bens e serviços de informática deverão aplicar, anualmente, no mínimo 5% (cinco por cento) do seu faturamento bruto no mercado interno decorrente da comercialização de bens e serviços de informática (deduzidos os tributos correspondentes a tais comercializações), em atividades de pesquisas e desenvolvimento a serem realizadas no País, conforme projeto elaborado pelas próprias empresas. Parágrafo único. No mínimo 2% (dois por cento) do faturamento bruto mencionado no caput deste artigo deverão ser aplicados em convênio com centros ou institutos de pesquisa ou entidades brasileiras de ensino, oficiais ou reconhecidas. (grifos não constam no original) No caso em análise, o despacho decisório que indeferiu o crédito, o fez sob a seguinte fundamentação, fls. 193 e seguintes: 9 A restituição pleiteada pelo contribuinte está instruída com formulário da I.N. n° 21, de 10/03/1997 e protocoladas no ARF/BARUERI da DRF/OSASCO em 10/01/2000. Conforme dispõe os artigos 4 e 11 da Lei no 8.248, de 24 de outubro de 1991 e no Decreto n°792, de 02 de abril de 1993, a empresa tem isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, na saída de seus produtos, entretanto deixou de cumprir as exigências previstas na Lei n° 8.248, de 23 de outubro de 1991 e do Decreto n°792, de 02 de abril de 1993,conforme Parecer Técnico do Ministério da Ciência e Tecnologia. Fl. 747DF CARF MF 8 Assim, houve uma celeuma se a Recorrente havia ou não preenchido as condições para usufruir do benefício em questão, o que resultou na conversão do feito em diligência a fim de que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação informasse a respeito da situação da Recorrente. Nesse sentido, sobreveio a informação fiscal, fls. 725, com a seguinte informação: Para atendimento do quanto requerido foi expedido o Ofício nº 10/2015RFB/DRF/SOR/SEORT – AJBJ, de 03/03/2015, fls. 721/722, endereçado ao Secretário de Políticas de Informática do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, solicitando informações acerca do andamento do Processo MCT/SEPIN nº 01200.003907/200126 – Análise do relatório demonstrativo do cumprimento das obrigações decorrentes da fruição dos benefícios previstos na Lei nº 8.248, de 1991 – anobase de 2000, do contribuinte em epígrafe. Em resposta, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, por meio do expediente – Ofício nº 90/2015CGTE/SEPIN, de 16/04/2015, fls. 724, atestou a regularidade quanto ao cumprimento das obrigações decorrentes da fruição dos benefícios fiscais previstos na Lei nº 8.248/91 – anobase 2000, nos seguintes termos: “2. Nesse sentido informo que a empresa citada encontrase adimplente junto a SEPIN/MCTI quanto às obrigações estabelecidas na citada lei, no âmbito do Decreto nº 792, de 1993 até o ano base 2000”. (grifos não constam no original) O Decreto nº 792, de 1993, prevê o seguinte: Art. 1° São isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), até 29 de outubro de 1999, com fundamento no disposto no art. 1° da Lei n° 8.191, de 11 de junho de 1991, e no art. 4° da Lei n° 8.248, de 23 de outubro de 1991, os bens de informática e automação, com níveis de valor agregado local compatíveis com as características de cada produto, fabricados no País por empresas que cumpram as exigências estabelecidas nos arts. 2° ou 11 do último diploma legal, e os respectivos acessórios, sobressalentes e ferramentas que, em quantidade normal, acompanham aqueles bens. Parágrafo único. São asseguradas a manutenção e a utilização do crédito do IPI relativo a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem empregados na industrialização dos bens referidos no caput deste artigo, conforme previsto no art. 1°, § 2°, da Lei n° 8.191/91. (...) Art. 4° Para ter direito à fruição dos benefícios previstos nos artigos anteriores, a empresa produtora de bens e serviços de informática e automação deverá requerer ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT): I a concessão de incentivo de que trata o art. 1° para os bens de sua fabricação, justificando seu enquadramento nos critérios estabelecidos no art. 6°, § 1°; Fl. 748DF CARF MF Processo nº 13896.000475/0093 Acórdão n.º 3302005.204 S3C3T2 Fl. 6 9 II a sua habilitação para fruição do incentivo a que se refere o art. 2°, comprovando que atende às condições estabelecidas no art. 12; III a sua habilitação à captação de recursos decorrentes do incentivo previsto no art. 3°, comprovando sua condição de sociedade por ações que preencha os requisitos do art. 1° da Lei n° 8.248/91 e que tenha como atividade, única ou principal, a produção de bens e serviços de informática e automação nos termos do disposto no art. 12. Parágrafo único. Os requerimentos deverão ser elaborados em conformidade com as instruções baixadas pelo MCT. Art. 5° Comprovado o atendimento das condições a que se referem os incisos II e III do artigo anterior, será publicada no Diário Oficial da União portaria conjunta do MCT e Ministério da Fazenda (Minifaz) certificando a habilitação da empresa à fruição do incentivo referido no art. 2° ou à captação dos recursos incentivados previstos no art. 3°. (grifos não constam no oroginal) No caso, a contribuinte pleiteou ressarcimento do 1º trimestre de 2000 a ser compensado, o indeferimento ocorreu, pois se concluiu que ela não havia preenchido os requisitos Lei n° 8.248, de 23 de outubro de 1991 e do Decreto n° 792, de 02 de abril de 1993; ocorre que, com o resultado da diligência, o próprio Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação informou que a Recorrente encontrase adimplente junto a SEPIN/MCTI quanto às obrigações estabelecidas na citada lei, no âmbito do Decreto nº 792, de 1993 até o ano base 2000. Portanto, reconhecese o crédito pleiteado pela Recorrente por preenchimentos das condições, estabelecidas na legislação. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço o recurso voluntário e, no mérito, concedo provimento integral. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 749DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726769/2009-78
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. BOLSA DE ESTUDOS DEPENDENTES. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A destinação de bolsa de estudos aos DEPENDENTES do segurado empregado não se encontra dentre as exclusões do conceito de salário de contribuição do art. 28, § 9º da lei 8212/91.
Até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o art. 28, § 9º,tda Lei 8212/91 trazendo expressa referência aos dependentes do segurado, não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, independente do tipo de curso ofertado.
A legislação trabalhista não pode definir o conceito de remuneração para efeitos previdenciários, quando existe legislação específica que trata da matéria, definindo o seu conceito, o alcance dos valores fornecidos pela empresa, bem como especifica os limites para exclusão do conceito de salário de contribuição.
Numero da decisão: 9202-005.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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Recorrente OFICINA ADMINISTRAÇÃO DE CURSOS DIVERSOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. BOLSA DE ESTUDOS DEPENDENTES. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A destinação de bolsa de estudos aos DEPENDENTES do segurado empregado não se encontra dentre as exclusões do conceito de salário de contribuição do art. 28, § 9º da lei 8212/91. Até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o art. 28, § 9º,“t”da Lei 8212/91 trazendo expressa referência aos dependentes do segurado, não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, independente do tipo de curso ofertado. A legislação trabalhista não pode definir o conceito de remuneração para efeitos previdenciários, quando existe legislação específica que trata da matéria, definindo o seu conceito, o alcance dos valores fornecidos pela empresa, bem como especifica os limites para exclusão do conceito de salário de contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 67 69 /2 00 9- 78 Fl. 438DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 2403001.705, proferido pela 3ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.248.8633 (fl. 01), com valor consolidado de R$ 94.986,37, relativo às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social referente a parte da empresa incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados e contribuintes individuais, mais a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), no período de 01/2005 a 12/2005. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo do Débito – DD é de 01/2005 a 12/2006. O Contribuinte apresentou impugnação, porém, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, através do Acórdão nº 1528.098, julgou parcialmente procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal. Às fls. 163/194, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações feitas na impugnação. A 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 219/230, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10580.726769/200978 Acórdão n.º 9202005.506 CSRFT2 Fl. 10 3 Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONCESSÃO DE BOLSA DE ESTUDO A DEPENDENTES DE EMPREGADOS LEGISLAÇÃO À ÉPOCA DO FATO GERADOR SALÁRIO INDIRETO O saláriodecontribuição compreende a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho. Não integram o saláriodecontribuição apenas o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. À época do fato gerador, no período 01/2005 a 12/2006, incide contribuição social previdenciária nas bolsas de estudos concedidas a dependentes de empregados. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. O Relatório de CoResponsáveis é parte integrante do processo de lançamento e autuação e se destina a esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, a fim de subsidiarem futuras ações executórias de cobrança. Esse relatório não é suficiente para se atribuir responsabilidade pessoal. Recurso Voluntário Negado Fl. 440DF CARF MF 4 Às fls. 245/255, o Contribuinte apresentou Embargos de Declaração alegando obscuridade e omissão no acórdão embargado, além da aplicação da Súmula CARF 02. Contudo, às fls. 280/286, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento rejeitou os Embargos de Declaração. Às fls. 291/324, o Contribuinte interpôs Recurso Especial de divergência, alegando divergência jurisprudencial em relação natureza tributária da bolsa de estudos concedida aos dependentes dos empregados, pois o acórdão recorrido entendeu caracterizar salário indireto, havendo incidência de contribuição previdenciária sobre bolsa de estudos concedida; já o segundo acórdão paradigma afirmou que tais valores estariam amparados pela isenção tributária prescrita na Lei 8.212/91, art. 28, § 9º, alínea 't', com redação dada pela Lei 12.513/11. Aduz, também, da não subsunção do fato concreto à norma tributária apontada como infringida, de modo que sua apreciação não deve ser afastada por força da Súmula nº 2 do CARF, posto que não se está pretendendo ver reconhecida a inconstitucionalidade da norma tributária. Expôs que na primeira decisão paradigma restou evidenciado a inaplicabilidade da Súmula nº 2 em situações em que se discute a não incidência do tributo por ausência de subsunção do fato concreto à conduta constante do antecedente normativo que ensejaria a instauração da relação jurídica tributária. Afirmou que conforme definido no segundo acórdão paradigma, o legislador ordinário, quando editou a norma isentiva, visou atender o direito social à educação, e por isso, sobre as bolsas de estudo concedidas aos dependentes dos empregados também não incidiriam contribuições previdenciárias. Aduziu que no entendimento do segundo paradigma, reconheceuse que tais valores não correspondem a verbas remuneratórias, configurando, na verdade, incentivo para o trabalho, e não pelo trabalho, diferentemente do acórdão recorrido, que simplesmente tratou as bolsas concedidas aos dependentes como remuneração, sem se preocupar com a intenção do legislador, fazendo com que tais parcelas integrassem o salário de contribuição da recorrente. Às fls. 421/425, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à seguinte matéria: incidência de contribuição previdenciária sobre o valor pago a título de bolsas de estudo concedidas aos dependentes de empregados. A União apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial, às fls. 428/431, rebatendo, no mérito, os argumentos defendidos pelo Contribuinte, pugnando pela manutenção do Acórdão. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10580.726769/200978 Acórdão n.º 9202005.506 CSRFT2 Fl. 11 5 Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora. O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.248.8633 (fl. 01), com valor consolidado de R$ 94.986,37, relativo às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social referente a parte da empresa incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados e contribuintes individuais, mais a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), no período de 01/2005 a 12/2005. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo do Débito – DD é de 01/2005 a 12/2006. O Acórdão recorrido negou provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante a incidência de contribuição previdenciária sobre o valor pago a título de bolsas de estudo concedidas aos dependentes de empregados. Embora eu tenha esposado entendimento anterior pela impossibilidade de concessão de bolsa de estudo integral aos dependentes de empregados, agora como relatora da matéria e também após ouvir atentamente a pesquisa realizada pela Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri em outro julgamento, conselheira que também alterou seu entendimento anterior, me filio a ela, de modo mais extensivo, nos termos que segue: “Quanto ao mérito do recurso do contribuinte que discute a incidência de contribuição previdenciária sobre bolsas de estudo ofertadas aos dependentes dos empregados, alterando entendimento anterior, me posiciono do sentido de não estarmos diante de fato gerador do tributo. Isso porque tais vantagens não assumem caráter de remuneração sendo impossível classificálas como salário utilidade. Segundo afirma o jurista mineiro e Ministro do Tribunal Superior do Trabalho, Mauricio Godinho Delgado, na obra "Curso de Direito do Trabalho", 2ª ed., para caracterizar salário utilidade devem ser analisados três requisitos. O primeiro deles é o da "habitualidade do fornecimento", deve o fornecimento do bem ou serviço ser reiterado ao longo do contrato de trabalho, deve estar presente a idéia de ser uma prestação de repetição uniforme em certo contexto temporal. O segundo requisito é a presença do "caráter contraprestativo do fornecimento", defende que é necessário que a causa e objetivos envolvidos no fornecimento da utilidade sejam essencialmente contraprestativo, é preciso que a utilidade seja fornecida preponderantemente com o intuito retributivo, como um acréscimo de vantagens contraprestativas ofertadas ao empregado. Pela pertinência vale citar (p. 712): Nesse quadro, não terá caráter retributivo o fornecimento de bens ou serviços feito como instrumento para viabilização ou Fl. 442DF CARF MF 6 aperfeiçoamento da prestação laboral. É claro que não se trata, restritivamente, de essencialidade do fornecimento para que o serviço possa ocorrer; o que é importante, para ordem jurídica, é o aspecto funcional, prático, instrumental, da utilidade ofertada para o melhor funcionamento do serviço. A esse respeito, já existe clássica fórmula exposta pela doutrina com suporte no texto do velho art. 458, §2º da CLT: somente terá natureza salarial a utilidade fornecida pelo trabalho e não para o trabalho. E quanto ao fornecimento e provimento da educação referido Ministro ainda destaca que tratase de dever imposto à empresa pela própria Constituição Federal, e por tal razão o bem ou serviço ofertado não pode ser classificado como salário utilidade, vale citar (p. 715): O dever, como se sabe, é tutela de interesse de outrem imposta a alguém pela ordem jurídica. O dever não necessariamente favorece o sujeito passivo de uma relação jurídica direta (como a relação de emprego); neste sentido distinguese da simples obrigação contratual. Pode, assim, a conduta derivada da tutela de interesse de outrem reportarse a uma comunidade indiferenciadas de favorecidos. É o que se passa com as atividades educacionais, por exemplo. O empregador tem o dever de participar das atividades educacionais do país pelo menos o ensino fundamental (art. 205, 212, §5º, CF/88). Esse dever não se restringe a seus exclusivos empregados estendese aos filhos destes e até mesmo à comunidade, através da contribuição parafiscal chamada salárioeducação (art. 212, §5º, CF/88; DecretoLei n. 1.422/75). Há, pois, fixado em norma jurídica heterônoma do Estado (inclusive na Constituição) um dever jurídico das empresas com respeito ao ensino no país (pelo menos o ensino fundamental): ou esse dever concretizase em ações diretas perante sues próprios empregados e os filhos destes ou, na falta de tais ações diretas, ele se concretiza perante o conjunto societário, através do recolhimento do salário educação. Estáse, desse modo, perante um dever jurídico geral e não mera obrigação contratual. Quanto ao terceiro requisito "onerosidade unilateral", embora reconheça trata se de conduta técnicojuridico extremamente controvertida, o Ministro Delgado admite sua aplicação em casos específicos (p. 718): É claro que ocorrem, na prática juslaborativa, algumas poucas situações em que fica nítido o interesse real do obreiro em ingressar em certos programas ou atividades subsidiados pela empresa. Tratase de atividades ou programas cuja fruição é indubitavelmente vantajosa ao trabalhador e sua família, e cujo custo econômico para o empregado é claramente favorável, em decorrência do subsídio empresarial existente. Nestas situações, que afastam de modo patente a idéia de mera simulação trabalhista, não há por que negarlhe relevância ao terceiro requisito ora examinado. Aliás, a quase singularidade de tais situações é que certamente conduz a jurisprudência a valorizar o presente requisito apenas em alguns poucos casos concretos efetivamente convincentes. Observamos que no caso concreto sob qualquer prisma de análise não é possível classificar as bolsas de estudo concedidas aos dependentes dos empregados como prestação de caráter remuneratório. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10580.726769/200978 Acórdão n.º 9202005.506 CSRFT2 Fl. 12 7 (...) Vale citar que a Recorrente é uma associação de caráter educativo, técnico e cultural, que tem por finalidade exatamente o desenvolvimento de atividades relacionadas ao ensino em seus vários graus, especialmente o ensino superior. Assim, as bolsas em questão são ofertadas em cumprimento a exata finalidade da instituição educacional. Embora decorram do contrato de trabalho as mesmas não existem com a finalidade de remunerar o empregado pelo serviço efetivamente ou potencialmente prestado, tratase de prestação ofertada em cumprimento do dever constitucional de promover a educação e ainda, no caso, é obrigação decorrente de convenções coletivas de trabalho firmadas com as respectivas entidades de classe representantes das categorias o qual também possui força normativa por expressa disposição do art. 611 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT. Por força do art. Art. 110 do CTN a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal e com base nessa premissa o art. 195, I, alínea a da Constituição Federal deve ser interpretado utilizandose os conceitos construídos pelo Direito do Trabalho o qual, no entender desta Relatora, seria o ramo do direito competente para se manifestar sobre as relações e reflexos dos contratos de trabalho. Dispões o art. 195 da CF/88: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; ... Em contrapartida o art. 458, §2º, inciso II da Consolidação das Leis do Trabalho assim define o salário: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por fôrça do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. ... § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: ... Fl. 444DF CARF MF 8 II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; ... Ora, se os benefícios ofertados aos empregados na forma de educação são considerados pela CLT como verbas não salariais, não pode a fiscalização interpretar a norma tributária no sentido de classificar tais vantagens como "salário utilidade" dandolhes caráter remuneratório. Embora o art. 28, §9º, alínea 't' da Lei nº 8.212/91, somente após 2011 e em situações restritas, tenha admitido a exclusão de bolsas de estudos do conceito de salário de contribuição, o Superior Tribunal de Justiça bem antes havia pacificado seu entendimento pela exclusão de tais verbas do conceito de saláriodecontribuição. Vale citar recente decisão monocrática proferida pela Ministra Regina Helena Costa no Recurso Especial 1.634.880/RS (publicada em 11/11/2016), que negou seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional entendo que a decisão recorrida seguia a jurisprudência da Corte: Acerca da contribuição previdenciária, esta Corte adota o posicionamento segundo o qual não incide essa contribuição sobre os valores pagos a título de auxílioeducação. Nessa linha: PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. ART. 535, II, DO CPC. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA. SITUAÇÃO FÁTICA DIVERSA. POSSIBILIDADE. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. (...) 5. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. Portanto, existe interesse processual da empresa em obter a declaração do Poder Judiciário na hipótese de a Fazenda Nacional estar cobrando indevidamente tal tributo. 6. Recurso Especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte não provido e Recurso Especial da empresa provido. (REsp 1586940/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/05/2016, DJe 24/05/2016); PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10580.726769/200978 Acórdão n.º 9202005.506 CSRFT2 Fl. 13 9 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destinase a auxiliar o pagamento a título de mensalidades de nível superior e pósgraduação dos próprios empregados ou dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na exigência de devolução do auxílio. Precedentes:. (Resp. 784887/SC. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJ. 05.12.2005 REsp 324178/PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1330484/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/11/2010, DJe 01/12/2010) In casu, tendo o acórdão recorrido adotado entendimento pacificado nesta Corte, o Recurso Especial não merece prosperar pela incidência da Súmula 83/STJ. Isto posto, com fundamento no art. 557, caput, do Código de Processo Civil, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial. Adotando como fonte de direito o jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça, a qual melhor interpreta a amplitude da base de cálculo da contribuição previdenciária, concluo que as bolsas de estudos fornecidas pela instituição aos empregados e seus respectivos dependentes não possuem natureza remuneratória, seja em nível básico, médio ou superior, não se sujeitando, portanto, à incidência do tributo lançado.” Sem dúvida alguma Educação é uma obrigação Constitucional do Estado, que o faz de modo deficitário e ineficiente. Em havendo possibilidade de uma Empresa oferecer isso aos seus funcionários e dependentes, não é crível que seja tido como uma infração, ao contrário, deve ser observado como cumprimento de um dever social Constitucionalmente previsto. Pensar diferente teria um grande custo a sociedade, que seria o de desestimular as Empresas a concessão de determinado auxílio. Ainda mais factível quando a Empresa é de educação, permitindo ainda aos pais que tenham seus filhos por perto. Acompanhando assim seu desenvolvimento educacional, psicológico e social, atingindo claramente os objetivos da República, proteção ao indivíduo e a sua família, através da consecução dos elementos norteadores da Dignidade da Pessoa Humana. Fl. 446DF CARF MF 10 Defendo aqui meu posicionamento de que o Tribunal Administrativo deve ser útil à sociedade, motivo pelo qual deve se adequar a jurisprudência do Poder Judiciário, a fim de evitar a repetitiva judicialização de demandas (tão nefasta ao orçamento público), mesmo que não esteja adstrita (vinculada) a aplicação dela por força do regimento, uma vez que a jurisprudência citada não procede de repetitivo de controvérsia (STJ), nem de repercussão geral (STF). Saliento aqui, que não desconheço a previsão legal que restringe a concessão de bolsas de estudo, mas considerando o princípio da juridicidade, abarcado no Art. 2º da Lei 9784/99, que preleciona que o julgador no âmbito do Tribunal Administrativo deve atuar conforme a lei o Direito, sendo a Jurisprudência do STJ uma das fontes do Direito, aplicoa como razão de decidir. Ainda, esclareço que não se trata aqui de afastar a constitucionalidade da norma, mas sim de interpretar o ordenamento jurídico com base em uma das fontes do Direito previstas em Lei Específica do Processo Administrativo Federal, tomando a máxima de que “a Lei não prevê palavras inúteis”, a aplicação acima referida está permitida dentro do âmbito administrativo fiscal, vez que este está abarcado no Procedimento Administrativo Federal. E assim acredito que a melhor interpretação seja aquela dada pelo STJ na ementa que transcrita na citação acima, não devendo incidir Contribuição Previdenciária sobre as verbas decorrentes de bolsa de estudos concedidas ao empregado ou aos seus dependentes. Diante de todo o exposto, conheço e dou provimento ao recurso interposto pelo Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10580.726769/200978 Acórdão n.º 9202005.506 CSRFT2 Fl. 14 11 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada. Peço licença a ilustre conselheira Ana Paula Fernandes para divergir do seu entendimento quanto a exonerar o contribuinte de obrigação principal prevista em lei, bem como do alcance da lei 8212/91 em relação a concessão de bolsa de estudos fornecida aos dependentes. Recurso Especial do Contribuinte BOLSA AOS ESTUDO AOS DEPENDENTES DE EMPREGADOS Quanto a concessão de bolsa de estudos aos dependentes dos empregados não constituírem salário de contribuição, razão não confiro ao recorrente. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras, especificamente em relação a bolsas de estudo: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que Fl. 448DF CARF MF 12 não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) No caso, quanto a verba BOLSA DE ESTUDOS, nos termos em que foi concedida não constituir salário de contribuição, entendo que não restaram cumpridos os requisitos para que sua concessão não constituísse salário de contribuição. Conforme acima esclarecido, a legislação pertinente a contribuições previdenciárias possui legislação própria, tanto em relação a parte de custeio Lei 8212/91, como em relação a concessão de benefícios Lei 8213/91, ambas regulamentadas pelo Decreto 3048/99. Assim, não encontra amparo a exclusão dos valores pagos à título de bolsas de estudos em legislação diversa, quando existem pontos específicos sobre o tema na legislação previdenciária. O citado art. 458, §2º da Consolidação das Leis dos Trabalho CLT, realmente de encontrase previsto no relatório fiscal a concessão das bolsas: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. [...] § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) [...] II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) [...] Ou seja, embora o conceito de salário de contribuição possua correlação com o conceito de remuneração do art. 458 da CLT, o legislador ordinário optou por atribuirlhes limites diversos de exclusão, destacando no art. 28, §9º quais os limites para que a educação, seja na forma de bolsas ou auxílios, seja excluída do conceito de remuneração (salário de contribuição) para efeitos previdenciários. Para os que defendem que o art. 458, §2º foi editado posteriormente a lei 8212/91, o que autorizaria aplicação para definição do exclusão das verbas ali elencadas do conceito de salário de contribuição, entendo que razão não lhes assiste, pelas razões abaixo expostas: 1º) o custeio previdenciário é regido por legislação própria, sendo que mesmo após a alteração do art. 458, §2º da CLT pela lei 12.761/2012, não houve revogação expressa do art. 28, §9º, 't" da lei 8212/ 91, nem mesmo qualquer alteração para convergência irrestrita Fl. 449DF CARF MF Processo nº 10580.726769/200978 Acórdão n.º 9202005.506 CSRFT2 Fl. 15 13 dos conceitos de remuneração (salário de contribuição) para efeitos previdenciários e remuneração para efeitos trabalhistas; 2º) outro ponto que mostrase relevante é que em momento algum o próprio dispositivo da CLT determina o alcance irrestrito as bolsas concedidas aos dependentes dos empregados; 3º) por fim, o ponto que entendo mais forte para determinar que o legislador trata as questões de forma diversa, é a alteração do art. 28, § 9º,“t”da Lei 8212/91 pela Lei nº 12.513, de 2011. Apenas nessa lei de 2011, o legislador optou por incluir os dependentes do segurado, mas ainda o fez de forma restrita para efeitos da exclusão do conceito de salário de contribuição, pois define claramente que não é qualquer bolsa para aos dependentes, ou mesmo aos próprios empregados que se encontram excluídos da base de cálculo de contribuições previdenciárias. Esse fato corrobora o entendimento de que estamos diante de disciplinamentos distintos com regras específicas. Quisesse o legislador nesse momento que as bolsas de estudos de forma irrestrita estivessem excluídas do conceito, bastaria reproduzir o dispositivo da CLT, porém assim, não o fez. Apenas para esclarecer, colacionamos o referido dispositivo. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Ou seja, o legislador especificou não apenas que a dos dependentes referese apenas a educação básica, como limitou até mesmo para os empregados, que tipos de cursos podem ser fornecidos e o montantes. É de se concluir que, para efeitos previdenciários, até a edicação , não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, razão porque correto o lançamento em relação aos dependentes, independente do tipo de curso ofertado. Senão vejamos novamente, o disposto no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991: Vale destacar que não estamos falando de regra meramente interpretativa, ou mesmo legislação que deixou de considera infração determinada conduta, mas de alteração legislativa que excluiu da base de cálculo, ou mesmo do conceito de salário de contribuição Fl. 450DF CARF MF 14 determinado benefício. Dessa forma, sua aplicabilidade é restrita aos fatos geradores ocorridos após a sua publicação e dentro dos estritos limites da lei. Quanto a fundamentação de que não possuiria caráter remuneratório, transcrevendo inclusive julgados que indicariam seu caráter indenizatório, também não corroboro desse entendimento. Pelo contrário, o ganho foi direcionado ao segurado empregado da recorrente quando a empresa concedeu as BOLSAS DE ESTUDOS. O campo de incidência é delimitado pelo conceito de salário de contribuição, que destaca o conceito de remuneração em sua acepção mais ampla. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado à qualquer título. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado, de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Não se pode descartar o fato de que os valores pagos á título de BOLSA D ESTUDOS AOS DEPENDENTES, representam alguma espécie de ganho. Na verdade, dito benefício, está inseridos no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço executado. Também convém reproduzir a posição da professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e não salariais, enfatizando, de que forma, as utilidades fornecidas, tornamse ganhos, salários indiretos para os empregado. "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparamse a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial." Dessa forma, entendo descabida a argumentação de que as BOLSAS sejam fornecidas para o trabalho, cujo alcance está restrito a utilidades que estejam relacionadas Fl. 451DF CARF MF Processo nº 10580.726769/200978 Acórdão n.º 9202005.506 CSRFT2 Fl. 16 15 diretamente ao desempenho profissional, tais como equipamentos eletrônicos, uniformes, utilização de automóveis, telefones, dentre outros. Também não corroboro a argumentação de que não possua caráter remuneratório, pois não é considerada retribuição pelo trabalho prestado. Ora, não estamos falando de uma bolsa concedida a terceiros desvinculados de relação de trabalho com a empresa, mas de empregados, cuja concessão da bolsa, nada mais é do que um atrativo indireto de captura de profissionais, já que permite ao empregado dar ao seu dependente (filho) instrução em escola particular, que muitas vezes não poderia com o simples salário pago pela instituição. Não discordo do aspecto louvável que se poderia extrair de tal ação, mas a legislação tributária não comporta interpretação extensiva face atitudes altruísticas, salvo nos casos expressamente determinados em lei, em obediência, no caso concreto, ao art. 111 do CTN c//c com o art. 28, I e §9º. 't" da lei 8212/91. Portanto, estando no campo de incidência do conceito de remuneração (salário de contribuição) e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. No caso, quanto a verba BOLSA DE ESTUDOS DE DEPENDENTES, nos termos em que foi concedida não constituir salário de contribuição, entendo que não restaram cumpridos os requisitos para que sua concessão não constituísse salário de contribuição, razão pela qual NEGO PROVIMENTO AO RECURSO DO CONTRIBUINTE. Conclusão Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do Sujeito Passivo. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 452DF CARF MF
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Numero do processo: 18470.724868/2013-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva.
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Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva. . Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 1450.088 da 1ª Turma da DRJ/RPO, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débito inscrito em Dívida AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 48 68 /2 01 3- 51 Fl. 66DF CARF MF 2 Ativa da União, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo o voto: Voto A impugnação apresentada, em que comparece como signatário Dr. Alair Maquinez da Cruz, OAB/RJ 152.100, nomeado nos termos do mandato particular cujo instrumento achase acostado sob fls. 16/17, atende aos requisitos de admissibilidade. Por tempestiva, dela conheço. Inicialmente a manifestante solicita que o envio de intimações seja feito para o endereço do patrono da empresa. Tal pedido não pode ser acatado, pois, não há previsão legal para o que requer o contribuinte, isto é, que as intimações sejam enviadas em nome e para o endereço do advogado. Nos termos do PAF, art. 23, II, c/c § 4º, sem margem a dúvidas, as intimações por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (endereço postal, eletrônico ou de fax, fornecido à Secretaria da Receita Federal para fins cadastrais). As publicações por edital ou no Diário Oficial da União devem ser feitas apenas em nome da pessoa jurídica (sujeito ativo ou passivo da relação jurídicotributária). Processo administrativo fiscal não se confunde com processo civil. A legislação processual civil somente é usada subsidiariamente quando houver lacunas no estatuto processual tributário. Não é a hipótese. É, por essa razão, indeferido o pedido. Ainda em sede preliminar, suscita a manifestante nulidade do Termo de Indeferimento de sua opção ao Simples Nacional, em razão de não ter sido citado nominalmente. Alega que só tomou conhecimento do indeferimento por meio de consulta à internet, pois, não lhe fora enviada notificação por AR ou outra forma de notificação pessoal, via postal ou Edital. Não é bem assim. A Lei Complementar nº 123 de 2006, que instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, e estabeleceu normas gerais relativas ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dispõe, quanto à comunicação aos contribuintes relativamente à exclusão do sistema diferenciado, assim como, ao indeferimento à opção ao ingresso no referido sistema, oseguinte: Seção VIII Da Exclusão do Simples Nacional Fl. 67DF CARF MF Processo nº 18470.724868/201351 Acórdão n.º 1001000.218 S1C0T1 Fl. 3 3 Art. 28. A exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das empresas optantes. Parágrafo único. As regras previstas nesta seção e o modo de sua implementação serão regulamentados pelo Comitê Gestor. Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) § 6º Nas hipóteses de exclusão previstas no caput, a notificação: (Redação dada pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011 ) I será efetuada pelo ente federativo que promoveu a exclusão; e (Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011) II poderá ser feita por meio eletrônico, observada a regulamentação do CGSN. (Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011) § 8º A notificação de que trata o § 6º aplicase ao indeferimento da opção pelo Simples Nacional. (Redação dada pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011) Por seu turno, o Comitê Gestor do Simples Nacional ao regulamentar as disposições da LC 123 de 2006, dispôs o seguinte: Resolução CGSN nº 94 de 29/11/2011 Subseção III Do Resultado do Pedido de Opção Art. 13. O resultado do pedido de opção poderá ser consultado através do Portal do Simples Nacional. (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 16, caput) Art. 14. Na hipótese de ser indeferida a opção a que se refere o art. 6º, será expedido termo de indeferimento por autoridade fiscal integrante da estrutura administrativa do respectivo ente federado que decidiu o indeferimento, inclusive na hipótese de existência de débitos tributários. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 6º) Parágrafo único. Será dada ciência do termo a que se refere o caput à ME ou à EPP pelo ente federado que tenha indeferido a sua opção, segundo a sua respectiva legislação, observado o disposto no art. 110 (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, §§ 1º A e 6º; art. 29, § 8º) (...) Fl. 68DF CARF MF 4 Seção II Da Intimação Eletrônica Art. 110. A opção pelo Simples Nacional implica aceitação de sistema de comunicação eletrônica, a ser disponibilizado no Portal do Simples Nacional, destinado, dentre outras finalidades, a: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, §§ 1 º A a 1º D) I cientificar o sujeito passivo de quaisquer tipos de atos administrativos, incluídos os relativos ao indeferimento de opção, à exclusão do regime e a ações fiscais; II encaminhar notificações e intimações; e III expedir avisos em geral. § 1° Quando disponível, o sistema de comunicação eletrônica de que trata o caput observará o seguinte: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 1º B) I as comunicações serão feitas, por meio eletrônico, no Portal do Simples Nacional, dispensandose a sua publicação no Diário Oficial e o envio por via postal; II a comunicação feita na forma prevista no caput deste artigo será considerada pessoal para todos os efeitos legais; III a ciência por meio do sistema de que trata o caput deste artigo com utilização de certificação digital ou de código de acesso possuirá os requisitos de validade; IV considerarseá realizada a comunicação no dia em que o sujeito passivo efetivar a consulta eletrônica ao teor da comunicação; e V na hipótese do inciso IV, nos casos em que a consulta se dê em dia não útil, a comunicação será considerada como realizada no primeiro dia útil seguinte. (...) Lei Complementar 123 de 2006 Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º Para efeito de enquadramento no Simples Nacional, considerarseá microempresa ou empresa de pequeno porte aquela cuja receita bruta no anocalendário anterior ao da opção esteja compreendida dentro dos limites previstos no art. 3º desta Lei Complementar. § 1° A. A opção pelo Simples Nacional implica aceitação de sistema de comunicação eletrônica, destinado, dentre outras finalidades, a: (Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011) Fl. 69DF CARF MF Processo nº 18470.724868/201351 Acórdão n.º 1001000.218 S1C0T1 Fl. 4 5 I cientificar o sujeito passivo de quaisquer tipos de atos administrativos, incluídos os relativos ao indeferimento de opção, à exclusão do regime e a ações fiscais; (Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011) II encaminhar notificações e intimações; e (Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011) III expedir avisos em geral. (Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011) § 1° B. O sistema de comunicação eletrônica de que trata o § 1° A será regulamentado pelo CGSN, observandose o seguinte: (Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011) I as comunicações serão feitas, por meio eletrônico, em portal próprio, dispensandose a sua publicação no Diário Oficial e o envio por via postal; (Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011) II a comunicação feita na forma prevista no caput será considerada pessoal para todos os efeitos legais; (Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011) III a ciência por meio do sistema de que trata o § 1 º A com utilização de certificação digital ou de código de acesso possuirá os requisitos de validade; (Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011) IV considerarseá realizada a comunicação no dia em que o sujeito passivo efetivar a consulta eletrônica ao teor da comunicação; e (Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011) V na hipótese do inciso IV, nos casos em que a consulta se dê em dia não útil, a comunicação será considerada como realizada no primeiro dia útil seguinte. (Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011) Como se vê da legislação acima referida e de sua regulamentação, a opção pelo Simples Nacional implica, por parte do contribuinte, aceitação de sistema de comunicação eletrônica (Internet). Assim, pelos dispositivos retro transcritos a comunicação de indeferimento à opção ao Simples Nacional por meio eletrônico é perfeitamente válida e será considerada pessoal para todos os efeitos legais. Ademais disso, no tocante à nulidade de atos administrativos, o Decreto nº 70.235 de 1972, em seu art. 59, assim dispõe: Das Nulidades Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 70DF CARF MF 6 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Acrescenta o art. 60 do citado Decreto, que quaisquer irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 não importarão em nulidade, verbis: “Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” Ora, além de constar no TIOSN de fl.20, a descrição clara dos débitos motivadores do indeferimento e os dispositivos legais infringidos, o contribuinte afirma que tomou ciência do Termo de Indeferimento pela Internet.. Vêse, assim, que o TIOSN contém as condições necessárias para produzir o efeito que lhe compete, conforme determina o art. 23 do Decreto nº 70.235 de 1972. Portanto, não há como acatar o pedido de nulidade suscitado pelo contribuinte. No mérito, o contribuinte fundamenta sua manifestação em princípios constitucionais, argüindo a inconstitucionalidade do artigo 17, V, da Lei Complementar nº 123 de 2006 e das resoluções do Comitê Gestor do Simples Nacional. No tocante à argüição de ilegalidade/inconstitucionalidade das leis, tal questão já foi devidamente pacificada pelo CARF, mediante a Súmula nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto aos débitos motivadores do indeferimento da opção ao sistema simplificado o contribuinte nada alegou. Desse modo reputo como correto a emissão do Termo de Indeferimentocombatido. Quanto aos requerimentos do contribuinte não há como acatá los. Vejase. a) Requer a extinção de todo e qualquer débito eventualmente existente(!?), em seu nome, seja declarado extinto, tendo em vista a prescrição tributária (??). Ora, tal solicitação não pode ser encarada com a seriedade que o processo administrativo requer. Os débitos tratados nos autos e discriminados no Termo de Indeferimento encontramse dentro do prazo quinquenal , estabelecido no § 4º, do artigo 150, do CTN, portanto, não há que se falar em decadência e, muito menos, prescrição. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 18470.724868/201351 Acórdão n.º 1001000.218 S1C0T1 Fl. 5 7 b) Requer ainda que todos os débitos existentes em desfavor do ora requerente sejam recalculados (...), desconsiderando, portanto, a aplicação dos juros a razão da Taxa Selic. Em que pese não haver no presente processo crédito em litígio, a aplicação de juros com base na Taxa Selic foi objeto de súmula emitida pelo CARF, publicada no DOU de 23 de dezembro de 2010, Seção I, com o seguinte teor: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. c) Requer o envio de planilha demonstrativa clara e completa dos débitos eventualmente existentes em seu nome. Ora, o TIOSN de fl. 20, discrimina os débitos motivadores do indeferimento, com a especificação do código dos débitos, competência, valor original de cada débito, código da receita e a denominação do respectivo tributo. Portanto, a solicitação do contribuinte soa estéril e sem embasamento, ou seja, meramente protelatória. d) Requer que a decisão seja devidamente fundamentada. O Acórdão ora em execução fundamentouse nas disposições da Lei Complementar nº 123 de 2006, e na Resolução CGSN nº 94 de 2011, e suas alterações posteriores. e) Requer aplicação de efeito suspensivo aos débitos constantes da base de dados até o período de 12/2012, (...), e que se esse não for o entendimento que sejam os entes notificados dos termos desse recurso a fim de formalizarem a respectiva suspensão e débitos e pendências cadastrais até que haja o transito deste recurso. Em síntese, a manifestante pretende que o indeferimento da opção da empresa ao Simples só pode se dar depois da conclusão final do contraditório administrativo; em outras palavras, ou o TIOSN foi indevidamente editado e deve ser anulado, ou o efeito do indeferimento permanece suspenso até a conclusão do contraditório. No que tange à nulidade do TIOSN, já se confirmou ser improcedente, por ter sido emitido por pessoa competente e cercado de todas as garantias de contraditório e ampla defesa ao contribuinte. No que se refere à suspensão dos efeitos do TIOSN, ou seja, do indeferimento do ingresso da empresa no Simples, no presente caso, significaria que o impedimento só de daria depois da análise e decisão administrativa final no processo administrativo que identificou os débitos motivadores do indeferimento e que, ao suscitar a litigante essa questão na manifestação de Fl. 72DF CARF MF 8 inconformidade contra o indeferimento, este não teria efeitos e quaisquer ações em conseqüência da não aceitação de sua inclusão no Simples seriam nulas ou ineficazes. Contudo, a manifestação de inconformidade contra o TIOSN não tem efeito suspensivo no que tange aos procedimentos de exigência de livros fiscais e escrituração contábil e tampouco quanto à possibilidade de a fiscalização lavrar autos de infração de exigência de impostos e contribuições fora do Simples, entretanto, a efetividade do indeferimento só se dará depois de concluído o contraditório e alcançada decisão definitiva, porém, uma vez confirmada, seus efeitos serão conforme especificado no TIOSN, a partir de 01/01/2013. Assim, o eventual efeito suspensivo do indeferimento provocaria a suspensão de todas as conseqüências que naturalmente adviriam da não inclusão, até a decisão administrativa final. Isso inclui: a apuração do lucro por outro regime (que exigiria a escrituração de livros contábeis, caso a opção fosse pelo lucro real), o envio de declaração por outro regime, o pagamento de tributos por outro regime, etc. Nada disso poderia ser exigido do contribuinte, caso estivesse ele protegido pelo efeito suspensivo. Por outro lado, deve ser destacado que no instituto do efeito suspensivo existe a necessidade de previsão expressa na lei que criou esse recurso, ou seja, o efeito suspensivo não se presume, ele só existe quando o legislador manifesta a intenção de conferir esse efeito. É o que leciona Maria Sylvia Zanella DI PIETRO, em seu “Direito Administrativo, São Paulo: Atlas, 19ª ed., 2006, p. 697: O efeito suspensivo, como o próprio nome diz, suspende os efeitos do ato até a decisão do recurso; ele só existe quando a lei o preveja expressamente. Por outras palavras, no silêncio da lei, o recurso tem apenas efeito devolutivo. Esse princípio foi positivado na legislação do processo administrativo federal, através da Lei n° 9.784 , de 29/01/1999, que assim dispõe em seu artigo 61: Art. 61. Salvo disposição legal em contrário, o recurso não tem efeito suspensivo. (Grifouse) Parágrafo único. Havendo justo receio de prejuízo de difícil ou incerta reparação decorrente da execução, a autoridade recorrida ou a imediatamente superior poderá, de ofício ou a pedido, dar efeito suspensivo ao recurso. A única hipótese de suspensão é a prevista no artigo 151, do CTN, que, no entanto, é restrita à exigibilidade do crédito tributário: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: ......................................................................................................... .......................... Fl. 73DF CARF MF Processo nº 18470.724868/201351 Acórdão n.º 1001000.218 S1C0T1 Fl. 6 9 III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo (Grifouse); Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. O dispositivo é claro, e autoriza à conclusão de que ele não incide nas impugnações contra o ato de indeferimento ao ingresso no Simples Nacional, uma vez que esse procedimento não envolve cobrança de crédito tributário, mas sim o regime de tributação do contribuinte. Assim, podese afirmar que, pelo menos no CTN, o legislador não pretendeu conferir efeito suspensivo nos processos de indeferimento de opção ao Simples Nacional. Dessa forma, não há como dar guarida aos requerimentos do contribuinte. Por todo o exposto, e considerando que os débitos motivadores do indeferimento da opção ao Simples Nacional não foram regularizados, voto por indeferir a manifestação de inconformidade apresentada, e manter o Termo de Indeferimento de Opção ao Simples de fl. 20. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator A recorrente apresentou o recurso voluntário em 29/07/2014, 49 dias após ter sido notificada por AR (aviso de recebimento) , que deuse em 10/06/2014. o que contraria o art. 33, do Decreto 70.235/75, a seguir transcrito: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Portanto, o recurso é intempestivo e dele eu não conheço. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 74DF CARF MF 10 Fl. 75DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.720562/2013-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DAS PARTES NO JULGAMENTO. INOCORRÊNCIA.
O princípio da ampla defesa não é ofendido pela impossibilidade de acompanhamento, pelas partes, do julgamento de primeira instância. O contraditório e a ampla defesa são assegurados pelas legislação de regência do processo administrativo fiscal e controlados pelas instâncias superiores.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE QUOTAS NÃO NEGOCIADAS EM BOLSA. DOCUMENTO HÁBIL PARA APURAÇÃO.
O contrato de compra e venda de quotas da sociedade empresária, quando revestido das formalidades legais, é documento hábil para a apuração do ganho de capital ensejador do imposto sobre a renda da pessoa física.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO. FATO MODIFICATIVO DO DIREITO DO FISCO. NECESSIDADE DE PROVA. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
Os fatos modificativos do direito de crédito do Fisco, devidamente constituído pelo lançamento tributário, exigem provas a serem produzidas pelo sujeito passivo, e que devem acompanhar a impugnação ao lançamento.
Numero da decisão: 2201-003.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 16/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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AUSÊNCIA DAS PARTES NO JULGAMENTO. INOCORRÊNCIA. O princípio da ampla defesa não é ofendido pela impossibilidade de acompanhamento, pelas partes, do julgamento de primeira instância. O contraditório e a ampla defesa são assegurados pelas legislação de regência do processo administrativo fiscal e controlados pelas instâncias superiores. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE QUOTAS NÃO NEGOCIADAS EM BOLSA. DOCUMENTO HÁBIL PARA APURAÇÃO. O contrato de compra e venda de quotas da sociedade empresária, quando revestido das formalidades legais, é documento hábil para a apuração do ganho de capital ensejador do imposto sobre a renda da pessoa física. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO. FATO MODIFICATIVO DO DIREITO DO FISCO. NECESSIDADE DE PROVA. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Os fatos modificativos do direito de crédito do Fisco, devidamente constituído pelo lançamento tributário, exigem provas a serem produzidas pelo sujeito passivo, e que devem acompanhar a impugnação ao lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 05 62 /2 01 3- 30 Fl. 447DF CARF MF 2 EDITADO EM: 16/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra a decisão de primeiro grau que manteve o crédito tributário constituído por meio de auto de infração (folhas 366 do processo digitalizado), referente ao imposto sobre a renda da pessoa física decorrente do ganho de capital obtido pela alienação de quotas de capital não negociadas em bolsa de valores. Os motivos ensejadores do lançamento tributário se encontram no Termo de Constatação Fiscal (fls 356). Foi constituído um crédito tributário de R$ 98.891,40 referente ao imposto (R$ 34.502,75). juros de mora (R$ 12.634,52), e multa de ofício (R$ 51.754,13), atualizados até julho de 2013. O crédito constituído referese aos fatos geradores ocorridos em 2009 e se aperfeiçoou com a ciência pessoal do contribuinte em 13 de agosto de 2013 (AR fls. 375). Irresignado, o contribuinte apresenta, tempestivamente, impugnação ao lançamento (fls. 384), em 12 de setembro de 2013. A 6ª Turma da DRJ em Brasília/DF, em 27 de agosto de 2014, dá procedência parcial à impugnação apresentada, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão de Impugnação 03063.161 (fls 409). Tal decisão restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2010 PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. IMPOSTO DE RENDA. FATO GERADOR. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, de renda, do trabalho, da combinação de ambos, ou de proventos de qualquer natureza. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 15586.720562/201330 Acórdão n.º 2201003.959 S2C2T1 Fl. 448 3 Estão sujeitas à apuração de ganho de capital as alienações de participações societárias não negociadas em Bolsa de Valores, correspondente à diferença entre o valor de alienação e o valor de aquisição. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO A PRAZO. Quando o valor da alienação é recebido parceladamente, o ganho de capital é apurado como alienação à vista e o imposto deve ser pago de acordo com o recebimento das parcelas. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS COMUNS DECORRENTES DO REGIME DE CASAMENTO. Nas alienações de bens comuns, decorrentes do regime de casamento, o ganho de capital é apurado em relação ao bem como um todo e o imposto é recolhido em nome de cada cônjuge, na proporção de cinqüenta por cento para cada um, ou em nome de um deles, pela totalidade. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMPLES OMISSÃO. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" O acórdão cuja ementa reproduzimos, tem o seguinte relatório, que adoto por sua clareza e precisão (fls 410): "Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado, em 30/07/2013, o Auto de Infração de fls. 366 a 373, relativo ao IRPF do exercício 2010, anocalendário 2009, em que foi apurado um crédito tributário de R$ 98.891,40, decorrente do ganho de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em Bolsa de Valores, conforme descrito no Termo de Constatação e Encerramento de Ação Fiscal de fls. 356 a 365. O lucro referese à alienação de sua participação societária na pessoa jurídica Endovix Importação e Comércio de Materiais Hospitalares, tendo lhe sido tributado 50% do ganho, em virtude de a Contribuinte ser casada em regime de comunhão parcial de bens. A multa de ofício foi qualificada. O procedimento fiscal teve início em 11/05/2012, por meio do Termo de Início de Ação Fiscal de fls. 08 a 10, em que a Contribuinte foi cientificada que a fiscalização dispunha de documentos comprovando que sua participação societária na empresa Endovix Importação e Comércio de Materiais Hospitalares havia sido adquirida por R$ 5.000,00 e vendida por em março de 2009 pelo montante de R$ 465.059,26, de forma parcelada, sem, contudo, constar nos sistemas da Receita Federal do Brasil quaisquer pagamentos a título de ganho de Fl. 449DF CARF MF 4 capital. Solicitouse, ainda, a apresentação de esclarecimentos e documentos sobre tais fatos. A Interessada apresentou a resposta de fls. 13 a 17, alegando que a operação em questão não se trata de venda de participação societária, mas sim de resolução de sociedade em relação a sócio, ou seja, de sua retirada da sociedade. E que o sócio remanescente, ao invés de reduzir o capital da empresa, preferiu adquirir as quotas que eram suas. Sustenta que os balancetes patrimoniais de 2008 e 2009 atestam a existência de lucros acumulados e que foram distribuídos a ela quando de sua saída da sociedade. Ressalta que não se recorda dos valores tampouco detém os demonstrativos contábeis que os informam. Com isso, solicitou prorrogação do prazo com fins de obter a documentação faltante, que foi deferido por intermédio do Termo de Intimação Fiscal de fls. 18 a 19, de 11/06/2012. Em 09/07/2012, a Contribuinte juntou os esclarecimentos e documentos de fls. 22 a 34, afirmando haver recebido R$ 269.406,36 referente a lucros distribuídos, oriundos do ano calendário de 2008 e do primeiro trimestre de 2009, e que tais valores fazem parte do montante recebido quando de sua retirada da sociedade, R$ 465.059,26. Anexa cópia do balanço de 2008 e do balancete do primeiro trimestre de 2009 da empresa para corroborar suas alegações. Por meio do Termo de Diligência Fiscal lavrado em 13/05/2013 (fls. 77 a 78), o Sr. Antônio Marcos Pitanga, adquirente das quotas alienadas pela Contribuinte, e também sócio da pessoa jurídica Endovix Importação e Comércio de Materiais Hospitalares, foi intimado a apresentar documentos e esclarecimentos relativos à aquisição da participação societária da Interessada na referida empresa. Como resposta, em 24/05/2013, foram apresentados os esclarecimentos de fls. 80 a 83, juntamente com a documentação de fls. 84 a 120. O Sr. Antônio informa que a Contribuinte era apenas sócia de direito, sendo que o esposo dela, Tarcísio Figueiredo Giesen Nunes, era o sócio de fato, mas que, devido a problemas de cunho sóciopolíticoeconômico, não poderia participar de uma nova sociedade empresarial. Afirma como foram realizados os pagamentos e suas datas, e que os recursos utilizados foram provenientes da distribuição de lucros da empresa, que teve ele como único beneficiário, por se tratar do único sócio. Assevera que o dinheiro saiu diretamente da conta da empresa para a Sra. Bianca para evitar o “bandeamento desnecessário de recursos” da conta da empresa para sua conta bancária. Como provas de suas alegações, junta Contrato de Compra e Venda das quotas da sociedade, realizada entre ele e a Contribuinte, extratos bancários e alterações contratuais da sociedade. Informa que não foi repassado à alienante o valor constante do Contrato, devido à amortização de dívidas que a Contribuinte e o esposo dela haviam feito em nome da empresa Endovix. Em 13/05/2013 foram lavrados os Termos de Diligência Fiscal de fls. 121 a 125, em que foram solicitados à pessoa jurídica Fl. 450DF CARF MF Processo nº 15586.720562/201330 Acórdão n.º 2201003.959 S2C2T1 Fl. 449 5 Endovix Importação e Comércio de Materiais Hospitalares diversos documentos relacionados aos lucros acumulados e distribuídos em 2008 e 2009, tendo sido apresentados os documentos de fls. 131 a 349. Conforme Termo de Constatação e Encerramento Fiscal de fls. 356 a 365, de 09/08/2013, com base nos elementos contidos nos autos, a autoridade lançadora entendeu que houve omissão de rendimentos de ganho de capital, decorrente da alienação de 5.000 quotas da Contribuinte, relativas à empresa Endovix Importação e Comércio de Materiais Hospitalares, com custo de aquisição de R$ 5.000,00, integralizados em maio 2008. A venda ocorreu em março de 2009 pelo valor de R$ 465.059,26, não tendo sido acatada a alegação de que parte do valor de alienação se refere a distribuição de lucros à Contribuinte, por ausência de provas nesse sentido. Cientificada do lançamento em 13/08/2013 (Aviso de Recebimento de fls. 375), a Interessada apresentou, em 12/09/2013, a impugnação de fls. 384 a 402, em que alega o seguinte: a) no Termo de Constatação e Encerramento da Ação Fiscal consta que os eventos que motivaram a autuação basearamse em confissão sua, quando prestou esclarecimentos à Alfândega do Porto de VitóriaES relativos a sua situação patrimonial com vistas à habilitação no sistema Siscomex. Entretanto, a confissão de dívida não tem o condão de vincular o contribuinte se o fato gerador da exação não ocorreu. Cita decisão do STJ nesse sentido, e os arts. 113, § 1º , 114, 116 e 139, do CTN, e 150, I, da Constituição Federal; b) a confissão do contribuinte de que omitiu rendimentos tributáveis não exime a fiscalização de investigar a ocorrência e os contornos do fato jurídico tributário; c) a auditoria fiscal pretende fazer crer que em dez meses foi auferido um lucro de quase 1.000%, decorrente de um investimento de R$ 5.000,00, que teria dado um retorno de R$ 465.059,26. Não existe tal investimento. Ou se está diante de uma investigação fiscal falha ou de uma auditoria preocupada não com a verdade dos fatos, mas com a colheita de elementos probatórios para justificar as bases do lançamento; d) recebeu tãosomente R$ 236.711,74, que é a soma dos valores comprovados nos extratos bancários de fls. 91 (R$ 12.657,06), 92 (R$ 12.136,36), 95 (R$ 48.100,00) e 97 (R$ 48.100,00), acrescidos de R$ 20.000,00, R$ 49.539,66 e R$ 46.141,66, por ela assumidos como recebidos; e) jamais recebeu a importância de R$ 81.183,28, como sugere o Sr. Antônio Marcos Pitanga. Desafia o Fisco a apresentar provas em sentido contrário; f) jamais fez qualquer dívida com a empresa Endovix tampouco usufruiu de seus planos de saúde e de telefonia móvel, a dar Fl. 451DF CARF MF 6 ensejo a dedução dos valores que tinha a receber do Sr. Antônio. Na verdade, o que ocorreu foi que não recebeu as diferenças que foram denominadas como débitos descontados do montante a receber. Cita a declaração de fls. 87/90 para ratificar sua alegação e demonstrar que os sócios é que emprestaram dinheiro à pessoa jurídica, que se converteu em favor da sociedade, à guisa de aumento de capital; g) as quotas de capital da empresa Endovix foram adquiridas por no mínimo R$ 100.000,00, que foi o valor do empréstimo que seu cônjuge contraiu com o avô paterno dele para custear a referida operação. Requer a realização de diligência para apurar os fatos que comprovam essa alegação; h) a relação entre os sócios da Endovix era conflitante, razão pela qual a adoção de medidas unilaterais, tal como a distribuição de lucros acumulados apenas para o Sr. Antônio; i) não há que se falar que não foi beneficiária da distribuição dos lucros, no montante de R$ 221.548,14, haja vista o disposto no art. 2º da alteração contratual firmada em 17/03/2009. A resolução da sociedade em relação à Contribuinte sempre teve por base essa condição (distribuição dos lucros); j) como alguém, tendo direito a lucros a lhe serem distribuídos, trocariaos pelo mesmo valor em pecúnia, mas sujeitos à tributação; k) não cabimento da qualificação da multa, pelo fato de o caso não se amoldar às hipóteses previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Cita a Súmula CARF nº 14 que pacificou o entendimento no sentido de que a simples omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Aduz que, no caso em pauta, o Fisco não realizou essa comprovação. Diante do exposto, requer a improcedência do auto de infração ou que o valor da alienação seja redimensionado para R$ 236.711,74 e seja cancelada a multa qualificada. Solicita ainda a aceitação de juntada posterior de documentos e realização de diligência com os seguintes objetivos: a) concessão de prazo para entrega de extratos bancários e microfilmes de cheques de seu esposo para comprovar o valor da aquisição de suas quotas da sociedade; b) tomada de depoimento de seu esposo; e c) realização de perícia contábil na empresa Endovix para fins de verificação do real valor da aquisição de suas quotas. Por fim, requer que seja notificada de todos os atos praticados neste processo, assim como de seu envio ao órgão de julgamento, de sua distribuição ao julgador e da designação da data de julgamento, pleiteando, ainda, a realização de sustentação oral." Ciente da decisão que contrariou parcialmente seus interesses, em 22 de setembro de 2014 ( AR fls. 424), o Contribuinte apresenta recurso voluntário em 20 de outubro seguinte (fls. 426), do qual constam, em regra, os mesmos argumentos. Por sorteio eletrônico realizado em sessão pública, o presente processo foi para mim distribuído. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 15586.720562/201330 Acórdão n.º 2201003.959 S2C2T1 Fl. 450 7 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator. O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e por isso, passo a apreciálo na ordem de sua alegações, NULIDADE DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA: INDEFERIMENTO DE REQUERIMENTO DE PROVIDÊNCIAS TENDENTES A ASSEGURAR AMPLA DEFESA AO RECORRENTE. Alega a Recorrente a nulidade da decisão de piso por cerceamento do direito à ampla defesa, posto que seus pedidos para que houvesse a determinação de produção de provas necessárias a comprovação dos fatos alegados; para que lhe fosse informado a data de distribuição do feito e do julgamento não foram acatados. Tal omissão impediram a não só a comprovação de suas alegações como também a apresentação de memoriais e realização de sustentação oral. Não cabe razão à Recorrente. Não houve supressão do direito de defesa. Em que pese a opinião pessoal deste Conselheiro sobre a ausência das partes no julgamento de primeira instância, não verifico que tal prática ofenda qualquer princípio constitucional garantidor de direitos do administrado no curso do processo administrativo fiscal. Ao reverso do alegado, o princípio da ampla defesa e do contraditório é totalmente assegurado, e devidamente controlado pela instância superior, no curso de todo o processo administrativo. Tal afirmação encontra ampara no só na lei do processo administrativo fiscal (PAF), Decreto nº 70.235/72, como também no próprio regimento interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Mister recordar que a própria impugnação, representante de toda manifestação de inconformidade do contribuinte com o lançamento, instaura o contencioso e contém as provas necessárias a impedir, modificar ou extinguir o direito do Fisco ao crédito tributário constituído pelo lançamento controvertido. A partir da impugnação, expressão da insurgência do contribuinte, a todo novo pronunciamento do Fisco será dado ciência ao Contribuinte e oportunidade de nova manifestação, garantindo assim a dialética processual. Se por uma lado, seria desejável na opinião pessoal deste Conselheiro a presença do Contribuinte no julgamento de piso, também deveria ser possível a presença do Fisco, por meio de sua Procuradoria. A restrição, por óbvio, afeta ambos. Quanto ao pedido de que o julgador de piso "determinasse a produção de elementos probatórios indispensáveis à comprovação dos fatos por ela apresentados" (sic, fls. 428), não observo a nulidade arguída. Fl. 453DF CARF MF 8 A uma porque, se a comprovação referida no trecho reproduzida fosse referente aos fatos apresentados pelo Fisco, tal comprovação a posteriori não pode ser admitida em razão de expressa determinação do artigo 9º do Decreto nº 70.235/72 de que os autos de infração devem ser instruídos com todos elementos de prova do crédito constituído. A duas, pois se a pedido se referisse aos fatos alegados pela impugnante, não cabe a autoridade julgadora determinar que o contribuinte apresente provas de suas alegações. Diante do exposto, não se observa a nulidade arguída, ainda mais ao se recordar que as nulidades no processo administrativo tributário se encontram elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, e não foram observadas no caso concreto. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade. SIMPLES MANIFESTAÇÃO DE VONTADE, AINDA QUE CONSCIENTE, NÃO GERA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. Alega o Recorrente que o fato da Contribuinte ter confessado a ocorrência do fato gerador não tem o condão de criar a obrigação tributária. São seus argumentos (fls. 430): "Como anunciado em sede de impugnação administrativa, fazse mister destacar, antes de mais nada, que confissão de dívida não tem o condão de vincular contribuinte se o fato gerador da exação não se sucedeu, consoante inferese de aresto do então Tribunal Federal de Recursos (TFR) lavrado por Carlos Mário Velloso, secundado na sua diretriz por julgado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de autoria do ministro Luiz Fux (...) De ver está, portanto, que a despeito de aos olhos do auditor fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) que lavrou o auto de infração questionado a defendente "confessou" ter omitido rendimentos tributáveis, isso, por si só não isenta a fiscalização de executar satisfatoriamente seu trabalho investigativo sobre a ocorrência e os contornos do fato jurídico tributário" (destaques originais) Novamente não cabe razão ao Recorrente. Não foi a 'confissão de dívida' que embasou o lançamento tributário. Observo no Termo de Constatação Fiscal a menção ao contrato de alienação das quotas da sociedade como a prova da ocorrência do fato gerador e da determinação da base de cálculo do tributo devido. Recordemos (fls. 359): "A alteração contratual de transferência de quotas encontrase registrada na Junta Comercial do Estado do ES. Diligenciamos, então, tanto a empresa ENDOVIX como o sócio remanescente ANTONIO MARCOS PITANGA. ANTONIO MARCOS PITANGA reforçou que na qualidade de único sócio promoveu a distribuição de lucros da empresa ENDOVIX para ele mesmo com a finalidade de fazer face aos valores acordados com Bianca Ricco Bermudes no Contrato de Compra e Venda de Quotas da referida empresa (fls 80 a 83). A empresa ENDOVIX em sua resposta informou que apresentava os documentos contábeis que fazem prova do lucro distribuído em nome de cada Fl. 454DF CARF MF Processo nº 15586.720562/201330 Acórdão n.º 2201003.959 S2C2T1 Fl. 451 9 sócio (fls 121 a 349). Não há, dentre tais lançamentos, qualquer informação de distribuição de lucro em nome da fiscalizada. Assim, todas as provas nos autos atestam uma OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA DE QUOTAS efetivada mediante PAGAMENTO PARCELADO. E mais, a data do Contrato de Compra e Venda firmado é de 17/março/2009 e os pagamentos em sua maioria foram efetivados a posteriori, quando, na verdade, a contribuinte BIANCA RICCO BERMUDES nem era mais sócia da empresa ENDOVIX o que inviabilizaria a alegação de “distribuição de lucros” apresentada pela fiscalizada. Lucros são distribuídos aos sócios. Se na data dos recebimentos dos valores ela já não era mais sócia da empresa, o que de fato recebeu não foram os lucros, mas tão somente os pagamentos pela quotas que alienou." (destaques originais) A mera leitura do relatório fiscal espanca qualquer dúvida. O lançamento tributário consubstanciado no Auto de Infração lavrado se apóia em prova documental obtida durante o procedimento fiscalizatório instaurado, o que em tudo e por tudo, afasta a alegação recursal. Logo, nego provimento ao recurso nessa parte. OS EVENTOS SOBRE OS QUAIS ARRIMADA A AUTUAÇÃO FISCAL SE APRESENTAM INVEROSSÍMEIS A PONTO DE DESQUALIFICÁLA POR COMPLETO OU DE, NO MÍNIMO, RETIRARLHE A CREDIBILIDADE, DADA A PARCIALIDADE E TENDENCIOSIDADE COM QUE FORMALIZA FATOS EM PREJUÍZO DO CONTRIBUINTE E EM PROL DO ERÁRIO Consta do recurso (fls. 432): "A fiscalização e a instância de piso pretendem fazer crer que: a)em 10 (dez) meses8; b) investimento de R$ 5.000,00 (cinco mil reais); c) em Empresa de Pequeno Porte (EPP); d) fomentou retorno sobre o capital investido no valor de R$ 465.059,26 (quatrocentos e sessenta e cinco mil, cinquenta e nove reais e vinte e seis centavos); ou seja, e) de nada mais nada menos que 9.300% (nove mil e trezentos por cento); ou melhor, Com toda deferência possível, não existe um tal investimento, razão pela qual órgão de julgamento comprometido com a imparcialidade de suas decisões não pode fazer vista grossa a esse fato, quiçá para efeito de justificar a cobrança de tributo9. Fl. 455DF CARF MF 10 Destarte, ou se está diante de investigação fiscal falha, equivocada, ou de auditoria preocupada não com a verdade dos fatos (verdade material), mas com a colheita de elementos probatórios bastantes para (e tãosomente para) justificar, "pro forma", as bases do lançamento tributário, a fim de conferir ares de legitimidade aos interesses do fisco. O que se está a apontar ecoa ainda mais intensamente quando verificase que a autuação toma por base o recebimento, pela defendente, de R$ 465.059,26, desconsiderando que: (1)em verdade, ele percebeu tãosomente RS 236.711.74 (duzentos e trinta e seis mil, setecentos e onze reais e setenta e quatro centavos), que são a soma dos valores comprovados nos extratos de conta corrente bancária apostos nas folhas 101 (R$ 12.657,06), 102 (R$ 12.136,36), 105 (R$ 48.100,00) e 107 (R$ 48.100,00), acrescidos de R$ 20.000,00, 49.539,66 e de R$ 46.141,66, cujo recebimento pelo impugnante, a despeito de não comprovado10 e de encampado pelo Fisco a partir de declaração11 prestada por advogado cuja atuação nem sequer é acompanhada de instrumento de mandato outorgado por seu pretenso constituinte'2, ora se assume voluntariamente: (...)" Novamente se pode concordar com a argumentação da Recorrente. Como dito acima, o lançamento tributário encontrou seu suporte fático no contrato de compra e venda de quotas da empresa Endovix Importação e Comércio de Materiais Hospitalares acostado às folhas 87. Dele constam as partes, o objeto o preço e os prazos avençados, tudo utilizado pelo Fisco como fonte para determinação do crédito tributário decorrente do fato gerador de renda da pessoa física, ocorrido. Logo não se pode admitir as alegações da Recorrente quanto aos valores de apuração do ganho de capital serem inverossímeis. Ademais, também foram acostados aos autos os documentos relativos aos demais valores percebidos pela Recorrente e descontados dos valores entabulados no contrato de alienação das quotas da empresa Endovix (fls. 86 e seguintes). Assim, a discussão quanto aos valores efetivamente percebidos pela Recorrente, deve ocorrer no plano fático, restando o ônus da prova à parte que dela necessita. Como dito, soube o Fisco comprovar os valores que embasaram o lançamento. À recorrente não basta desafiar quem quer que seja para que comprove que ela recebeu, posto que isto como mencionado já ocorreu. A modificação do direito de crédito do Fisco, exige que o Contribuinte comprove suas alegações, pois como dito e repetido, os documentos acostados ao processo embasam o procedimento fiscal. Nada há no processo que comprove as alegações recursais. Recurso negado também nesta parte. Fl. 456DF CARF MF Processo nº 15586.720562/201330 Acórdão n.º 2201003.959 S2C2T1 Fl. 452 11 AS COTAS DE ENDOVIX IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO DE MATERIAL HOSPITALAR LTDAEPP NÃO FORAM ADQUIRIDAS POR R$ 5.000,00, MAS, NO MÍNIMO, POR R$ 100.000,00 (CEM MIL REAIS) São argumentos constantes do recurso (fls. 437): "Se a fiscalização houvesse se interessado em perquirir qual teria efetivamente sido o valor de aquisição das 5.000,00 (cinco mil) cotas de Endovix Importação e Comércio de Material Hospitalar LtdaEPP, cujo valor unitário DE FACE corresponde a R$ 1,00 (um real); ou mesmo desconfiado que o ganho de capital por ela proposto implicava a existência de um investimento absolutamente surreal, constataria que, longe de singelos R$ 5.000,00 (cinco mil reais), elas custaram, no mínimo. RS 100.000.00 (cem mil reais), que se trata do valor do empréstimo que o esposo da impugnante contraiu com seu avô paterno (Tarcicio Goncalves Nunes [CPF/MF 379.566.47720]) para custear as operações da encimada sociedade contemporaneamente ao seu ingresso em seu quadro societário. Tal valor, assim como diversos outros dos quais à impugnante não é dado recordar exatamente (haja vista o decurso de tempo embaçar a memória) foram direta e indiretamente10 integralmente aplicados em Endovix Importação e Comércio de Material Hospitalar LtdaEPP à guisa de condição à obtenção do status de sócio. Desse modo, não há falar em ganho de capital equivalente a R$ 460.059,26 in casu, motivo peio qual o lançamento posto em xeque se apresenta totalmente divorciado da realidade, a qual, inclusive e como bem o diz a declaração de folhas 90/93 não era "... tão ortodoxa quanto a letra fria do Contrato de Compra e Venda..." (folha 91). Em razão disso, fazse imprescindível baixar os autos em diligência, a fim de que: (...)" Novamente a Recorrente busca alterar o lançamento com base em argumentações sem nada comprovar, e pior, contra fatos comprovados por meio de documentos aptos a tal fim. Os valores de apuração do ganho de capital obtido pela Recorrente foram obtidos com base no contrato de compra e venda das quotas do capital social da empresa, por óbvio, documento apto, devidamente registrado e formalizado, para tal fim. Não se pode concordar que um negócio jurídico entabulado com terceiro, com finalidade de obter recursos pode sem nenhum tipo de prova servir para comprovar o custo de aquisição das quotas alienadas. Não pode, também, admitir que a Recorrente, praticamente dois anos após a autuação, peça para que se baixe o processo em diligência para que ela tenha prazo para produção de provas. Ora, sendo tal prova fundante de suas alegações, porque não se buscou Fl. 457DF CARF MF 12 produzilas para apresentação junto com a impugnação, ou no mínimo, no interregno entre a impugnação e o recurso voluntário? Quanto à perícia contábil requerida, mister realçar as disposições do Decreto nº 70.235/72, especificamente as do artigo 16, IV, sobre o tema. Não houve a devida formalização de tal pedido, nem em sede de impugnação, tampouco em grau recursal. Forçoso o indeferimento. Meras alegações não tem o condão de alterar o lançamento tributário. Fato modificativo do direito do autor, deve ser provado! Recurso negado nessa parte. Lucro reservado na sociedade Argumenta o Recorrente (fls.439): "O presente ponto deve ser precedido de esclarecimento de que, desde o início, a convivência e a relação entre os sócios de Endovix Importação e Comércio de Material Hospitalar Ltda EPP17 jamais foram amistosas. Muito pelo contrário, sempre se apresentou tumultuada e conflitante ao ponto, inclusive, de culminar não só na resolução da sociedade em relação ao d e f e nd en t e 1 8 mas d e imp l i c a r t ambém r u p t u r a d e relacionamento, inimizade, rancor e malquerença entre os antigos parceiros de negócio. Esse fator, aliás, explica os porquês quanto (a) à adoção de procedimentos contábeis unilateralmente determinados pelo sócio remanescente (Antonio Marcos Pitanga Gonçalves) em detrimento não só da verdade mas especialmente de Bianca Ricco Bermudes e de Tarcísio Figueiredo Giesen Nunes19: e quanto à (b) Inviabilidade de se tomar as declarações de folhas 90/93 ainda que guardassem pertinência à pessoa de Antonio Marcos Pitanga Gonçalves como prova boa e fiel dos eventos alegados pela fiscalização (com efeito, estáse a tratar de pessoa suspeita, nos termos exatos do inciso III do § 3o do artigo 405 da Lei Federal n. 5.869/197320). Com efeito, a resolução de Endovix Importação e Comércio de Material Hospitalar LtdaEPP em relação à peticionária tinha e sempre teve por base/condição (a) a distribuição dos lucros de RS 221.548.14 (duzentos e vinte e um mil, quinhentos e quarenta e oito reais e quatorze centavos) a ela pertencentes; e (b) o pagamento de importância arbitrada pelos sócios em conjunto com vista a fazer frente a lucros futuros que a sociedade auferiria com base no esforço financeiro e pessoal do defendente neste sentido, aliás, o instrumento de alteração contratual assinado aos 17/03/2009 cujo artigo 2o21 prescreve a forma como à época o contribuinte esperava receber pela resolução da empresa em relação a si22. Fl. 458DF CARF MF Processo nº 15586.720562/201330 Acórdão n.º 2201003.959 S2C2T1 Fl. 453 13 Não há falar, pois, em nãodistribuição de lucros ao contribuinte, tampouco na existência de débitos dele e/ou de sua esposa para com a sociedade ou sócio remanescente, especialmente a fim de justificar "deduções" promovidas em valores a receber. Nesta vereda, dos RS 465.059.26 (quatrocentos e sessenta e cinco mil, cinquenta e nove reais e vinte e seis centavos) estampados no documento de folhas 90/93, o peticionário efetivamente recebeu (e em parcelas[!]) RS 236.711.74 (duzentos e trinta e seis mil, setecentos e onze reais e setenta e quatro centavos), dos quais RS 221.548.14 (duzentos e vinte e um mil, quinhentos e quarenta e oito reais e quatorze centavos) correspondem aos lucros que lhe foram distribuídos, consoante participado ao Fisco durante o curso da auditoria fiscal (folhas 23/25 e 32/34)." (destaques originais) Sobre a questão da suposta distribuição de lucros, assim se pronunciou a autoridade lançadora (fls. 358) "Em seu novo atendimento (fls 22 a 34), a fiscalizada informou que o dinheiro recebido se tratava de distribuição de lucros e de resolução de sociedade e não de venda que quotas. Acrescentou ainda que apresentava balanços e balancetes para fazer prova de sua alegação. Registrese, todavia, que os documentos contábeis apresentados pela fiscalizada não fazem prova de tal afirmação, visto que não consta qualquer lançamento de distribuição de lucros. Por outro lado os documentos apresentados pela empresa ENDOVIX, no curso de diligência efetuada por esta fiscalização, demonstram que não há registro de distribuição de lucro em nome de BIANCA RICCO BERMUDES. Os lucros distribuídos estão todos lançados em nome de MARCOS ANTONIO PITANGA e tais lançamentos foram efetivados com data posterior à data de saída da fiscalizada do quadro societário da empresa. Ademais os balanços/balancetes apresentados pela autuada e levantados na data de sua saída da sociedade demonstram a existência de reserva de lucros de R$ 443.096,29. Tendo em vista que a autuada só era detentora de 50% do capital social da empresa não poderia ela ter recebido, sozinha, R$ 465.059,26 a título de distribuição de lucros." (destaques originais) Não obstante as alegações fiscais, especialmente quanto à escrituração contábil relativa ao tema, mister ressaltar o próprio contrato de alienação das quotas empresariais assevera em cláusula 1ª (fls. 87): Fl. 459DF CARF MF 14 Patente a avença entre as partes. O valor negociado contemplava todas os bens e direitos relativo à empresa negociada. Não cabe razão à Recorrente. Uma vez mais sua argumentação é desacompanhada de provas. Nego provimento ao recurso também nessa parte. CONCLUSÃO Diante do exposto e com base nos fundamentos apresentados, voto por rejeitar a preliminar de nulidade arguída e no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 460DF CARF MF Processo nº 15586.720562/201330 Acórdão n.º 2201003.959 S2C2T1 Fl. 454 15 Fl. 461DF CARF MF
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