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Numero do processo: 11080.735476/2018-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/09/2018
MULTA ISOLADA. MULTA POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. TEMA 736 STF.
É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.
Numero da decisão: 3101-002.901
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a multa aplicada por compensação não homologada. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-002.665, de 23 de julho de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.733285/2018-70, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Documento Assinado Digitalmente
Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Laura Baptista Borges, Dionisio Carvallhedo Barbosa (Relator), Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa e Marcos Roberto da Silva (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/09/2018 MULTA ISOLADA. MULTA POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. TEMA 736 STF. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.
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MULTA POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. TEMA 736 STF. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a multa aplicada por compensação não homologada. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-002.665, de 23 de julho de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.733285/2018-70, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Documento Assinado Digitalmente Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Laura Baptista Borges, Dionisio Carvallhedo Barbosa (Relator), Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa e Marcos Roberto da Silva (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF Fl. 76DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-002.901 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.735476/2018-76 2 nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Versa o presente processo sobre Notificação de Lançamento eletrônica de multa isolada contra o contribuinte em epígrafe, decorrente de compensações declaradas e não homologadas, multa essa aplicada com fundamento no art. 74, §17, da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores. Apresentada impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário exigido. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário no qual alega o descabimento da multa isolada, essencialmente com base na discussão de princípios constitucionais discutidos no Tema 736 de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, que, à época do recurso do contribuinte, ainda não havia tido o seu julgamento completado pelo STF. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual merece ser conhecido. DA INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA ISOLADA. TEMA 736 STF. Como relatado, trata-se de notificação de lançamento para a exigência de multa isolada, prevista no artigo 74, §17, da Lei n.º 9.430/1996. A penalidade foi aplicada em razão de compensações não homologadas. Cumpre ressaltar que, independentemente do reconhecimento ou não dos créditos pleiteados, a aplicabilidade da referida multa foi objeto de questionamento no Supremo Tribunal Federal – STF, na sistemática de Repercussão Geral (Tema 736), que já transitou em julgado. O leading case foi tratado nos autos do Recurso Extraordinário n.º 796.939/RS, de relatoria do Ministro Edson Fachin e vale a leitura da descrição para se verificar a relação com o julgamento desse processo administrativo: “Recurso extraordinário em que se discute, à luz do postulado da proporcionalidade e do art. 5º, XXXIV, a, da Constituição federal, a constitucionalidade dos §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei federal 9.430/1996, incluídos pela Lei federal 12.249/2010, que preveem a incidência de multa isolada no percentual de 50% sobre o valor objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou de declaração de compensação não homologada pela Receita Federal.” Fl. 77DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-002.901 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.735476/2018-76 3 Julgado o Recurso Extraordinário, firmou-se a seguinte tese: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.” Vale, ainda, a leitura do julgado: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. NEGATIVA DE HOMOLOGAÇÃO. MULTA ISOLADA. AUTOMATICIDADE. DIREITO DE PETIÇÃO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. BOA-FÉ. ART. 74, §17, DA LEI 9.430/96. 1. Fixação de tese jurídica para o Tema 736 da sistemática da repercussão geral: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. 2. O pedido de compensação tributária não se compatibiliza com a função teleológica repressora das multas tributárias, porquanto a automaticidade da sanção, sem quaisquer considerações de índole subjetiva acerca do animus do agente, representaria imputar ilicitude ao próprio exercício de um direito subjetivo público com guarida constitucional. 3. A matéria constitucional controvertida consiste em saber se é constitucional o art. 74, §§15 e 17, da Lei 9.430/96, em que se prevê multa ao contribuinte que tenha indeferido seu pedido administrativo de ressarcimento ou de homologação de compensação tributária declarada. 4. Verifica-se que o §15 do artigo precitado foi derrogado pela Lei 13.137/15; o que não impede seu conhecimento e análise em sede de Recurso Extraordinário considerando a dimensão dos interesses subjetivos discutidos em sede de controle difuso. 5. Por outro lado, o §17 do artigo 74 da lei impugnada também sofreu alteração legislativa, desde o reconhecimento da repercussão geral da questão pelo Plenário do STF. Nada obstante, verifica-se que o cerne da controvérsia persiste, uma vez que somente se alterou a base sobre a qual se calcula o valor da multa isolada, isto é, do valor do crédito objeto de declaração para o montante do débito. Nesse sentido, permanece a potencialidade de ofensa à Constituição da República no tocante ao direito de petição e ao princípio do devido processo legal. 6. Compreende-se uma falta de correlação entre a multa tributária e o pedido administrativo de compensação tributária, ainda que não homologado pela Administração Tributária, uma vez que este se traduz em legítimo exercício do direito de petição do contribuinte. Precedentes e Doutrina. 7. O art. 74, §17, da Lei 9.430/96, representa uma ofensa ao devido processo legal nas duas dimensões do princípio. No campo processual, não se observa no processo administrativo fiscal em exame uma garantia às partes em relação ao exercício de suas faculdades e poderes processuais. Na seara substancial, o dispositivo precitado não se mostra razoável na medida em que a legitimidade tributária é inobservada, visto a insatisfação simultânea do binômio eficiência e justiça fiscal por parte da estatalidade. 8. A aferição da correção material da conduta do contribuinte que busca à compensação tributária na via administrativa deve ser, necessariamente, mediada por um juízo concreto e fundamentado relativo à inobservância do princípio da boa-fé em sua dimensão objetiva. Somente a partir dessa avaliação motivada, é possível confirmar eventual abusividade no exercício do direito de petição, traduzível em ilicitude apta a gerar sanção tributária. 9. Recurso Fl. 78DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-002.901 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.735476/2018-76 4 extraordinário conhecido e negado provimento na medida em que inconstitucionais, tanto o já revogado § 15, quanto o atual § 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996, mantendo, assim, a decisão proferida pelo Tribunal a quo.” Ante o exposto, impõe-se o cumprimento do Tema 736 do STF no presente caso, observando, ainda, o que determina o artigo 98, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF n.º 1.634/2023): “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - Já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou” Entendo, portanto, que a penalidade aplicada deve ser cancelada. Ante o todo exposto, voto por conhecer e dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a multa aplicada por compensação não homologada. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a multa aplicada por compensação não homologada. Documento Assinado Digitalmente Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Fl. 79DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 19679.721491/2019-08
Data da sessão: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2013 a 31/08/2015
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. DEMONSTRAÇÃO DO
CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Somente podem ser restituídas contribuições, nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, quando comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado, mediante a exibição de todos os documentos hábeis a comprovar a regularidade e a exatidão dos valores requeridos a título de restituição.
PEDIDO DE CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. ANÁLISE DOS FATOS E CIRCUNSTÂNCIAS CONSTANTES DOS AUTOS. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO DO JULGADOR. DESNECESSIDADE. A valoração dos fatos e circunstâncias constantes dos autos deve ser realizada de forma livre por parte da autoridade julgadora, sendo que a conversão do
julgamento em diligências deve ser realizada apenas com o escopo de complementar ou de se obter esclarecimentos sobre as provas que já foram trazidas aos autos.
Numero da decisão: 2002-008.526
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: CARLOS EDUARDO AVILA CABRAL
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2013 a 31/08/2015 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. DEMONSTRAÇÃO DO CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. Somente podem ser restituídas contribuições, nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, quando comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado, mediante a exibição de todos os documentos hábeis a comprovar a regularidade e a exatidão dos valores requeridos a título de restituição. PEDIDO DE CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. ANÁLISE DOS FATOS E CIRCUNSTÂNCIAS CONSTANTES DOS AUTOS. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO DO JULGADOR. DESNECESSIDADE. A valoração dos fatos e circunstâncias constantes dos autos deve ser realizada de forma livre por parte da autoridade julgadora, sendo que a conversão do julgamento em diligências deve ser realizada apenas com o escopo de complementar ou de se obter esclarecimentos sobre as provas que já foram trazidas aos autos.
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REQUISITOS LEGAIS. DEMONSTRAÇÃO DO CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. Somente podem ser restituídas contribuições, nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, quando comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado, mediante a exibição de todos os documentos hábeis a comprovar a regularidade e a exatidão dos valores requeridos a título de restituição. PEDIDO DE CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. ANÁLISE DOS FATOS E CIRCUNSTÂNCIAS CONSTANTES DOS AUTOS. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO DO JULGADOR. DESNECESSIDADE. A valoração dos fatos e circunstâncias constantes dos autos deve ser realizada de forma livre por parte da autoridade julgadora, sendo que a conversão do julgamento em diligências deve ser realizada apenas com o escopo de complementar ou de se obter esclarecimentos sobre as provas que já foram trazidas aos autos. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. Sala de Sessões, em 4 de julho de 2024. Fl. 68323DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.526 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19679.721491/2019-08 2 Assinado Digitalmente CARLOS EDUARDO ÁVILA CABRAL – Relator Assinado Digitalmente MARCELO DE SOUZA SÁTELES – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores João Mauricio Vital, André Barros de Moura, Ricardo Chiavegatto de Lima, Carlos Eduardo Ávila Cabral, Henrique Perlatto Moura e Marcelo de Souza Sáteles (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de pedidos de restituição de contribuições sociais, realizadas por meio de diversos PER/DCOMP de fls. 02 a 525, tendo como fundamento a declaração de inconstitucionalidade do inciso IV, do artigo 22 da Lei nº 8.212/91. Os pedidos referem-se ao período compreendido entre as competências 04/2013 e 08/2015, da matriz e de diversas filiais da recorrente, e totalizam o valor de R$ 1.527.582,30 (um milhão, quinhentos e vinte e sete mil, quinhentos e oitenta e dois reais e trinta centavos). Registre- se que os pedidos estão relacionados na planilha de fls. 67.221 a 67.224. A Equipe Regional de Reconhecimento de Direito Creditório Previdenciário – Superintendência da Receita Federal do Brasil na 8ª Região Fiscal proferiu o Despacho Decisório (DD) nº 0142/2020, de fls. 67.220 a 67.230, por meio do qual foi indeferida a restituição pleiteada. Colha-se alguns trechos do decisório mencionado: 6. A empresa solicita a restituição de valores referente à contribuição de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal, referente a cooperativas de trabalho, em cumprimento ao art. 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei n 9.876/99, posteriormente suspensa pela Resolução do Senado Federal SF nº 10 de 30/03/2016. (...) 7. O Contribuinte foi intimado apresentar documentação para corroborar as informações prestadas nos PERDCOMPS e justificar as compensações em competências posteriores. 8. A análise verificou em algumas competências, discrepâncias entre os valores solicitados de restituição dos valores informados em como pagos a de cooperativa Fl. 68324DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.526 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19679.721491/2019-08 3 de trabalho nas GFIP originais, esses valores serão glosados nos valores a restituir, conforme tabela abaixo: Neste ponto a decisão apresenta planilha apontando divergência em algumas competências e referente a duas filiais. Segue a decisão: 9. Nos sistemas da Receita Federal do Brasil não constam GFIPs retificadoras excluindo a informação de Valor pago à Cooperativa de Trabalho, para os estabelecimentos 02.154.943/0017-61 e 02.154.943/0022-29, na competência 03/2014. A empresa foi questionada quanto a ausência de retificadora nos sistemas, na Intimação Fiscal 02, às fls. 67141 a 67152, no seu item 2. Como resposta, a empresa anexou GFIP dos estabelecimentos acima mencionados e Protocolo de envio de arquivos da Conectividade Social. O número de arquivo das GFIPS anexadas no processo tem como número de controle - NRA Ai9rfOS8im90000-9, às fls. 67206 a 67209, e o do número de controle do protocolo NRA CGwhAxD41ks00000, à fl. 67210, esses números não correspondem entre si. Por haver discrepância entre os números de arquivo informados nas GFIP e o número de arquivo no protocolo da Conectividade Social, não se pode atestar que os arquivos das GFIPs anexadas no processo foram efetivamente enviados. Sendo assim, essa competência nesses estabelecimentos acima citados, não será considerada. 10. As compensações não foram inteiramente justificadas pois o contribuinte alega que todos os valores de compensações derivam da desoneração da folha de pagamentos, conforme Resposta à Intimação, às fls. 67187 e 67188. Entretanto, esses valores são maiores que aos valores de 20% empresa correspondentes à desoneração. Sendo assim, os valores excedentes aos 20% empresa apurados na tabela II serão deduzidos dos pedidos de restituição por falta de liquidez e certeza pois podem já ter sido aproveitados nessas compensações. 11. A empresa utiliza o CNAE 4292-8/02. A partir de janeiro de 2014, a empresa passou a ser beneficiada com a desoneração da folha de pagamento, de acordo com o disposto no art.7º, VII a Lei 12.546/2011, que incluiu as empresas de construção de obras de infraestrutura, enquadradas nos grupos 421, 422, 429 e 431 da CNAE 2.0. No ano de 2013 a empresa não se beneficiaria da desoneração de folha de pagamento. O cálculo de valores de desoneração está detalhados em tabela anexa. 12. A análise considerou os valores de 20% de empresa correspondentes à desoneração, sobras de retenção informadas em GFIP para o ano de 2013 e utilizou como base a planilha de justificativas apresentada pela empresa, assim temos: Também aqui a decisão apresenta planilha apontando valores utilizados nas compensações que não foram devidamente justificados, para concluir da seguinte forma: 13. Tendo em vista o acima informado, resta concluir que a falta de liquidez e certeza do crédito pleiteado e o consequente indeferimento do pedido de restituição. Fl. 68325DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.526 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19679.721491/2019-08 4 DECISÃO No uso das atribuições do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, previstas no art. 6º, I, "b" da Lei nº 10.593/2002, com a redação dada pela Lei nº 11.457/2007, e na competência conferida pelo art. 117 do Decreto nº 7.574/2011, com redação dada pelo Decreto nº 8.853, de 22 de setembro de 2016, e, também, pelo art. 117 da IN RFB nº 1.717/2017, bem como na competência contida no art. 2º da Portaria nº 1.453, de 29 de setembro de 2016, INDEFIRO OS PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO PLEITEADOS, listados na PLANILHA I no valor de R$ 1.527.582,30 (Um milhão quinhentos e vinte e sete mil quinhentos e oitenta e dois reais e trinta centavos). O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls.67.248 a 67.253, fazendo juntar na oportunidade dois arquivos não pagináveis e sustentando que (parte extraída do relatório da DRJ): Dos fatos: 3.1. Consigna que, no exercício de seus objetivos, recolheria contribuições previdenciárias patronais, tendo verificado inúmeros recolhimentos realizados a maior, conforme PER/DCOMP’s descritos no Despacho Decisório. 3.2. Informa que, por meio do presente processo, teriam sido requeridas as restituições de valores recolhidos referentes à contribuição de 15% sobre o valor bruto das notas fiscais emitidas por cooperativas de trabalho, conforme preveria a Resolução do Senado Federal nº 10, de 30/03/2016, de competências compreendidas entre 04/2013 e 08/2015, no valor de R$ 1.527.582,30. 3.3. Menciona que, no exercício de suas atribuições, a Auditora Fiscal responsável pela análise dos PER/DCOMP’s, lhe teria intimado para apresentação de documentos, o que teria sido devidamente atendido. 3.4. Relata que, por meio do Despacho Decisório, os pedidos de restituição apresentados por ela teriam sido indeferidos. 3.5. Afirma que, em que pese a identificação pela Auditora Fiscal de supostos equívocos nos documentos correspondentes a valores requeridos em determinadas competências e a informação no relatório de que apenas essas competências seriam glosadas, sua conclusão teria sido pelo indeferimento total da restituição pleiteada, mesmo não tendo sido apontadas quaisquer irregularidades nos documentos que teriam corroborado a maior parte das competências envolvidas. 3.6. Para a impugnante, as conclusões fiscais não mereceriam prosperar, conforme demonstrado a seguir. Da alegação de incorreção do indeferimento total dos pedidos de restituição: 3.7. Registra que, conforme acentuado, os pedidos de restituição apresentados teriam sido indeferidos em razão de supostas inconsistências em PER/DCOMP’s Fl. 68326DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.526 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19679.721491/2019-08 5 referentes a 6 (seis) competências e sob pretenso argumento de que teria indevidamente considerada a desoneração da folha de pagamento na competência de 2013 para apuração de valores a serem restituídos, tendo a Auditora, diante disso, inadmitido quaisquer das restituições requeridas, mesmo que parcialmente. 3.8. Segundo a empresa, a análise realizada pela Auditora Fiscal teria pressuposto ausência de certeza e liquidez do crédito com base em discrepâncias encontradas em 6 (seis) GFIP’s, bem como que todos os valores requeridos se refeririam à desoneração da folha de pagamentos, o que lhe teria conduzido a um equívoco no indeferimento total da restituição e no cálculo dos valores em tese devidos por ela. 3.9. Assevera que o trabalho fiscal não poderia pressupor a ausência de certeza e liquidez de todos os PER/DCOMP’s apresentados, com base em supostos equívocos encontrados em uma ínfima minoria de documentos fiscais, os quais, nos termos da tabela apresentada no Despacho Decisório, representariam uma diferença apurada de R$ 13.471,14 em um universo de restituição pleiteada de R$ 1.527.582,30. 3.10. Entende que teria havido acentuado rigor, sendo que a própria Auditora, ao apontar as inconsistências verificadas em seu relatório, informaria que "... esses valores serão glosados nos valores a restituir...", de modo que sua conclusão pelo indeferimento total do pedido teria sido contraditória com tal colocação, haja vista a idoneidade dos documentos que teriam subsidiado o restante dos pedidos e a ausência de quaisquer inconsistências apontadas em relação aos mesmos. 3.11. No mesmo sentido, consigna que, no que tange à desoneração da folha, não obstante a Auditora ter reconhecido que "A partir de janeiro de 2014, a empresa passou a ser beneficiada com a desoneração da folha de pagamento...", a restituição pleiteada teria sido integralmente inadmitida, com base exclusivamente em suposta ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado, em que pese o equívoco ter sido apontado apenas na apuração referente a competência de 2013, quando em tese não se deveria ter sido aplicada a desoneração. 3.12. Por estas razões, requer a impugnante que seja revisto o procedimento fiscal, de modo a glosar apenas parcialmente a restituição pleiteada, de acordo com as inconsistências específicas em tese apontadas, bem como considerando os esclarecimentos que passaria a expor a seguir, em relação ao suposto valor não justificado. Da alegação de indevida desconsideração das retenções: 3.13. Explica, inicialmente, que os pedidos de restituição seriam realizados por meio de PER/DCOMP’s, os quais não lhe permitiriam individualizar valores ou inserir descrição clara acerca da composição das restituições requeridas, sendo preenchido, em um único campo, o valor total da restituição requerida em cada PER/DCOMP. 3.14. Menciona que, no caso, apesar da desoneração da folha não ser aplicável na competência de 2013, único argumento utilizado pela Auditora para o Fl. 68327DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.526 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19679.721491/2019-08 6 indeferimento, também teria utilizado saldos de Contribuições para o INSS retidas sobre notas fiscais de prestações de serviços e não compensadas em competências anteriores. 3.15. Registra, também, que a desoneração da folha que, conforme apontado pela Auditora, só seria cabível a partir das competências de 2014, teria sido de fato considerada por ela apenas a partir da competência 01/2014. 3.16. Faz referência, em seguida, à Planilha 1 – anexa, na qual estaria demonstrado o valor relativo às retenções desconsideradas pelo trabalho da Auditora Fiscal. 3.17. Segundo ela, o indeferimento total da restituição feriria de morte o seu direito de utilizar saldos credores de retenções de notas fiscais para pagamento das contribuições previdenciárias devidas. 3.18. Informa que as referidas retenções poderiam ser identificadas e comprovadas por meio da análise das Guias da Previdência Social ("GPS") com Código de Receita 2631 (Planilha 2 – anexa), bem como pelas Notas Fiscais e documentos apresentadas em atenção ao TDPF nº 08.1.80.00-2019-00171-4 (fls. 66.762/67.140). 3.19. Cita os artigos 30 e 30-A da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, que instituiu normas sobre restituição, compensação, ressarcimento e reembolso, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil. 3.20. E finaliza, afirmando que seria inequívoco e incontroverso o seu direito à compensação ou restituição dos valores referentes à retenção de contribuições previdenciárias, de modo que o Despacho Decisório mereceria reparo, para admitir a restituição requerida por ela, referente ao saldo das retenções sobre notas fiscais de serviços prestados, não compensado nas respectivas competências, desconsiderados pela Auditora Fiscal na apuração de valores não justificados de compensação. Dos pedidos: 3.21. Por todo o exposto, requer que o Despacho Decisório seja reformado para que sejam deferidos, ainda que parcialmente (excluindo apenas as competências e os CNPJ’s em que foram apontadas inconsistências), os Pedidos de Restituição apresentados, tendo em vista a certeza e liquidez dos créditos e, ainda, a idoneidade dos documentos apresentados. Constam, às fls. 67.256 a 67.260, termos de apensação, segundo os quais, em 08/09/2021, foram apensados ao presente os processos nºs 10183.742284/2021-09, 10730.738763/2021-79, 10735.729244/2021-70, 10940.726833/2021-71 e 11065.738852/2021- 78. Apesar de cada processo referir-se a uma das filiais da empresa, tanto a Equipe Regional de Reconhecimento de Direito Creditório Previdenciário, quanto a DRJ, julgaram os pedidos de restituição e a lide neste processo principal. Fl. 68328DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.526 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19679.721491/2019-08 7 A DRJ, por sua vez, indeferiu a manifestação de inconformidade lançando os seguintes fundamentos: 7.3. É de se destacar, aqui, que, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN), o direito à compensação do crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública pressupõe certeza e liquidez, sendo este extensivo, por analogia, aos créditos objeto de pedido de restituição. CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) (grifos nossos) 7.4. Cabe informar, ademais, que a verificação da liquidez e certeza do valor solicitado em restituição, depende, ainda, do exame das compensações realizadas em competências posteriores ao período objeto do pedido de restituição, uma vez que já pode ter havido a sua utilização pelo contribuinte. (...) 7.12. Cumpre esclarecer, no caso, que, ao contrário do que afirma a manifestante, o indeferimento das restituições pleiteadas por ela, no valor originário de R$ 1.527.582,30, relativas a competências de 04/2013 a 08/2015, que são objeto deste processo, não se deu apenas com base em inconsistências/discrepâncias encontradas em PER/DCOMP’s e GFIP’s referentes a 6 (seis) competências e em equívoco constatado referente à informação quanto à desoneração da folha de pagamento em 2013, merecendo destaque o seguinte fato, mencionado, pela fiscalização, no Despacho Decisório: que as compensações declaradas em GFIP em competências posteriores àquelas objeto de restituição não foram inteiramente justificadas pela empresa, estando os valores não justificados de compensação discriminados na Planilha II, de fls. 67.226 a 67.228, totalizando R$ 11.660.149,68. 7.13. Note-se que, havendo compensações posteriores ao período objeto do pedido de restituição, deveria ser comprovado que os créditos utilizados para essas compensações não foram os valores objeto do pedido de restituição, referentes à contribuição de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto das notas fiscais emitidas por cooperativas de trabalho, o que não foi feito, aqui, pelo contribuinte em questão. 7.14. Cabe salientar, no caso, que a empresa não logrou comprovar, por meio dos documentos juntados e/ou mencionados por ela na manifestação de inconformidade, quais sejam a Planilha1.RETENCAO.xlsx e a Planilha2.GPS.xlsx (anexados como arquivos não-pagináveis, conforme termo de fl. 67.254), e as cópias de Notas Fiscais, de fls. 66.762 a 67.140, a sua afirmação de que existiriam Fl. 68329DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.526 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19679.721491/2019-08 8 saldos de retenções sobre notas fiscais de serviços prestados, não compensados nas respectivas competências, que teriam sido incorretamente desconsiderados pela Auditora Fiscal na apuração de valores não justificados de compensação. (...) 7.18. É de se destacar, aqui, que apenas as planilhas apresentadas pela empresa, em sua manifestação de inconformidade, e os documentos que já haviam sido fornecidos por ela à fiscalização, não são hábeis e suficientes para demonstrar a liquidez e certeza do crédito, para comprovar que faz jus à restituição pleiteada, permanecendo, no caso, a situação relatada no Despacho Decisório de existência de compensações posteriores ao período objeto do pedido de restituição não justificadas. (...) 7.20. Deste modo, sendo realizada a apreciação dos argumentos e dos documentos apresentados pela empresa, em sua manifestação de inconformidade, e considerando o disposto na legislação supra mencionada, não há como se atender, aqui, o seu pedido no sentido de reforma do Despacho Decisório, e de deferimento do pedido de restituição, não restando comprovada, no caso, a certeza e a liquidez do crédito. Conclusão: 8. Ante o exposto, voto no sentido de considerar a MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE IMPROCEDENTE, mantendo o Despacho Decisório nº 0142/2020 – Equipe Regional de Reconhecimento de Direito Creditório Previdenciário – Superintendência da Receita Federal do Brasil na 8ª Região Fiscal, de fls. 67.220 a 67.230, que indeferiu o pedido de restituição de contribuições previdenciárias. Devidamente notificado, o contribuinte apresentou recurso voluntário em que aduz os mesmos apontamentos quando da apresentação da manifestação de inconformidade, sustentando que: a) “os pedidos de restituição apresentados foram indeferidos em razão de supostas inconsistências em PER/DCOMPs referentes a 6(seis) competências e sob o pretenso argumento de a recorrente ter indevidamente considerado a desoneração da folha de pagamento na competência de 2013 para apuração de valores a serem restituídos e que tais valores não teriam justificativas” (fl. 67.305); b) “o trabalho fiscal não pode pressupor a ausência de certeza e liquidez de todos os PER/DCOMPs apresentados, com base em supostos equívocos encontrados em uma ínfima minoria de documentos fiscais, os quais, nos termos da tabela apresentada no Despacho Decisório, representam uma diferença apurada de R$ 13.471,14 (treze mil, quatrocentos e setenta e um reais e quatorze centavos) em Fl. 68330DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.526 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19679.721491/2019-08 9 um universo de restituição pleiteada de R$ 1.527.582,30 (um milhão quinhentos e vinte e sete mil quinhentos e oitenta e dois reais e trinta centavos)” (fl. 67.305); c) a base da fundamentação estaria errada, pois teria considerado que não há direito à restituição de retenção que não esteja declarada em GFIP e que deveria estar declarada em nota fiscal, fatura ou recibo de prestação; d) teria havido um correlacionamento arbitrário e equivocado de duas contribuições de naturezas totalmente distintas, a do pedido de restituição e que teria sido objeto de compensação; e) o sistema PER/DCOMP não permitiria a individualização de valores ou a descrição quanto a composição das restituições; e f) a fiscalização teria ignorado por completo a documentação apresentada, em especial o esclarecimento da origem das compensações, quais sejam a desoneração da folha e a retenção de 11% por cessão de mão de obra. Requer, ao final, o seguinte: a) seja o processo convertido em diligência, com a finalidade de analisar corretamente os documentos e informações apresentados à fiscalização e, via de consequência, a certeza e liquidez dos pedidos de restituição e das compensações objeto do trabalho fiscal; b) Por efeito lógico, o provimento do presente Recurso Voluntário, com o consequente deferimento dos pedidos de restituição. Os autos, por força de decisão judicial liminar proferida em sede de mandado de segurança tombados sob o nº 1038705-30.2024.4.01.3400, em trâmite perante a 6ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, foram distribuídos e este relator e determinada que se procedesse a apreciação do feito administrativo tributário no prazo de 30 dias. É o relatório. VOTO Conselheiro CARLOS EDUARDO ÁVILA CABRAL, Relator ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. Verificado que os argumentos apresentados no recurso voluntário são, em essência, iguais aos argumentos aduzidos na impugnação, bem como que a decisão recorrida não merece Fl. 68331DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.526 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19679.721491/2019-08 10 reparo, com fundamento no art. 114, § 12, inciso I do RICARF, declaro minha concordância com os fundamentos da decisão recorrida, especialmente os pontos que a seguir destaco. O Código Tributário Nacional, em seu art. 170, define que a realização de compensações e, consequentemente, pedidos de restituição, somente serão autorizados mediante a comprovação da certeza e liquidez dos créditos tributários pagos a maior ou indevidamente. No caso em apreço os créditos objeto dos pedidos de restituição decorrem da inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal do inciso IV, do artigo 22 da Lei nº 8.212/91. Quanto ao direito a pleitear compensação/restituição de créditos decorrente da declaração de inconstitucionalidade apontada não há dúvidas. No entanto, quanto à certeza e liquidez, que definem o real montante a que tem direito o contribuinte, estas não restaram comprovadas. E foi exatamente neste ponto que a decisão da DRJ se fundamentou para julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Aduz a DRJ: 7.4. Cabe informar, ademais, que a verificação da liquidez e certeza do valor solicitado em restituição, depende, ainda, do exame das compensações realizadas em competências posteriores ao período objeto do pedido de restituição, uma vez que já pode ter havido a sua utilização pelo contribuinte. Analisando o recurso voluntário que hora se julga, verifica-se que o recorrente quer fazer crer que o indeferimento da restituição teria sido errado por dois pontos: (a) que as inconsistências apontadas pela Equipe Regional de Reconhecimento de Direito Creditório Previdenciário teriam sido ínfimas frente ao total do pedido; (b) e que teria havido a comprovação da origem dos créditos utilizados nas compensações uma vez que decorreriam da desoneração da folha e da retenção de 11% por cessão de mão de obra. Veja o que diz a DRJ: 7.12. Cumpre esclarecer, no caso, que, ao contrário do que afirma a manifestante, o indeferimento das restituições pleiteadas por ela, no valor originário de R$ 1.527.582,30, relativas a competências de 04/2013 a 08/2015, que são objeto deste processo, não se deu apenas com base em inconsistências/discrepâncias encontradas em PER/DCOMP’s e GFIP’s referentes a 6 (seis) competências e em equívoco constatado referente à informação quanto à desoneração da folha de pagamento em 2013, merecendo destaque o seguinte fato, mencionado, pela fiscalização, no Despacho Decisório: que as compensações declaradas em GFIP em competências posteriores àquelas objeto de restituição não foram inteiramente justificadas pela empresa, estando os valores não justificados de compensação discriminados na Planilha II, de fls. 67.226 a 67.228, totalizando R$ 11.660.149,68. 7.13. Note-se que, havendo compensações posteriores ao período objeto do pedido de restituição, deveria ser comprovado que os créditos utilizados para essas compensações não foram os valores objeto do pedido de restituição, referentes à Fl. 68332DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.526 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19679.721491/2019-08 11 contribuição de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto das notas fiscais emitidas por cooperativas de trabalho, o que não foi feito, aqui, pelo contribuinte em questão. 7.14. Cabe salientar, no caso, que a empresa não logrou comprovar, por meio dos documentos juntados e/ou mencionados por ela na manifestação de inconformidade, quais sejam a Planilha1.RETENCAO.xlsx e a Planilha2.GPS.xlsx (anexados como arquivos não-pagináveis, conforme termo de fl. 67.254), e as cópias de Notas Fiscais, de fls. 66.762 a 67.140, a sua afirmação de que existiriam saldos de retenções sobre notas fiscais de serviços prestados, não compensados nas respectivas competências, que teriam sido incorretamente desconsiderados pela Auditora Fiscal na apuração de valores não justificados de compensação. (...) 7.18. É de se destacar, aqui, que apenas as planilhas apresentadas pela empresa, em sua manifestação de inconformidade, e os documentos que já haviam sido fornecidos por ela à fiscalização, não são hábeis e suficientes para demonstrar a liquidez e certeza do crédito, para comprovar que faz jus à restituição pleiteada, permanecendo, no caso, a situação relatada no Despacho Decisório de existência de compensações posteriores ao período objeto do pedido de restituição não justificadas. (...) 7.20. Deste modo, sendo realizada a apreciação dos argumentos e dos documentos apresentados pela empresa, em sua manifestação de inconformidade, e considerando o disposto na legislação supra mencionada, não há como se atender, aqui, o seu pedido no sentido de reforma do Despacho Decisório, e de deferimento do pedido de restituição, não restando comprovada, no caso, a certeza e a liquidez do crédito. Conclusão: 8. Ante o exposto, voto no sentido de considerar a MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE IMPROCEDENTE, mantendo o Despacho Decisório nº 0142/2020 – Equipe Regional de Reconhecimento de Direito Creditório Previdenciário – Superintendência da Receita Federal do Brasil na 8ª Região Fiscal, de fls. 67.220 a 67.230, que indeferiu o pedido de restituição de contribuições previdenciárias. Diversos órgãos julgadores desta 2ª Seção têm se posicionado quanto à obrigatoriedade de demonstração e comprovação da certeza e liquidez do crédito que se busca restituir por parte do contribuinte. RESTITUIÇÃO DE RETENÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Somente podem ser restituídas contribuições, nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, quando comprovada a liquidez e certeza do creditório pleiteado, mediante a exibição de todos os documentos hábeis a Fl. 68333DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.526 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19679.721491/2019-08 12 comprovar a regularidade e a exatidão dos valores requeridos a título de restituição. (Processo nº 10320.721461/2018-98 / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Incumbe ao interessado a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas da composição e da existência do crédito que alega possuir. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, não pode ser reconhecido o direito creditório pleiteado. (...) (Processo nº 10320.723352/2017-24 / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. NECESSIDADE. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional. (...) (Processo nº 10435.722717/2013-82 / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) RESTITUIÇÃO DE RETENÇÃO. PROVA. FALTA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Os créditos do contribuinte sujeitam-se à comprovação da sua certeza e liquidez. A ausência de apresentação de parte da documentação solicitada compromete a apuração da exatidão dos valores envolvidos e constitui óbice ao deferimento do pedido. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. (...) (Processo nº 35582.004485/2007-76 / 5ª Turma Extraordinária) Assim, inegável que o indeferimento decorreu da não comprovação, apesar de ter sido dado várias oportunidades ao contribuinte, da certeza e liquidez dos créditos objeto dos pedidos de restituição, em especial a ausência de demonstração e prova da origem dos créditos utilizados em compensações, seja nas competências objeto dos autos, seja nas competências posteriores. Fl. 68334DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.526 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19679.721491/2019-08 13 Por tais razões entendo que o indeferimento da DRJ deve ser mantido. PEDIDO DE CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA Requer o recorrente a conversão do feito em diligência. Entende que tal medida seria necessária para a correta análise da documentação apresentada. Tal pleito não merece ser acolhido. Estabelece o artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, que a autoridade julgadora formará livremente sua convicção quando da apreciação da prova e poderá determinar as diligências que entender necessárias. Trata-se do princípio do livre convencimento motivado do julgador segundo o qual a valoração dos fatos e circunstâncias constantes dos autos deve ser realizada de forma livre. A realização de diligência não pode substituir o dever do sujeito passivo em fazer prova do direito alegado. Destaque-se que, ainda que o artigo 29 do Decreto nº 70.235/72 autorize a autoridade julgadora a determinar a realização de diligências que entender necessárias com a finalidade de complementar ou obter esclarecimentos sobre as provas que já foram trazidas aos autos, o fato é que o conjunto probatório constante do feito é por demais suficiente e permite que o julgador forme sua convicção sobre as matérias que estão em litígio. No caso, analisando as razões de decidir da DRJ, de fácil verificação que a análise da prova, apresentada pelo recorrente, foi devidamente realizada. Em diversas oportunidades o recorrente foi instado a comprovar a liquidez e certeza do crédito que se busca restituir, inclusive de que o crédito não teria sido utilizado para compensação em outras competências. Suficiente ver que o Despacho Decisório (DD) nº 0142/2020 – Equipe Regional de Reconhecimento de Direito Creditório Previdenciário – Superintendência da Receita Federal do Brasil na 8ª Região Fiscal, de fls. 67.220 a 67.230, apresenta análise, inclusive com planilha detalhada, em que constata a falta de liquidez e certeza do crédito decorrente ausência de demonstração da origem de créditos utilizado em compensações realizadas. Por sua vez a DRJ, adotando os mesmos fundamentos, esclarece a análise das provas. Por fim, cumpre esclarecer que o recorrente teve diversas oportunidades para esclarecer a origem dos créditos utilizados nas compensações, em especial nas competências até o dia da realização dos pedidos de restituição, e limitou-se a apresentar GFIPs juntamente com o recurso voluntário sem, no entanto, esclarecer as inconsistências apuradas pela Equipe Regional de Reconhecimento de Direito Creditório Previdenciário. Com isso, a conversão do feito em diligência não se mostra necessária, o que deve ser indeferido. Conclusão. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, nego-lhe provimento. Assinado Digitalmente CARLOS EDUARDO ÁVILA CABRAL Fl. 68335DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.526 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19679.721491/2019-08 14 Fl. 68336DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11080.732737/2017-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 16/07/2012, 17/07/2012
MULTA ISOLADA. MULTA POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. TEMA 736 STF.
É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.
Numero da decisão: 3101-002.822
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a multa aplicada por compensação não homologada. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-002.665, de 23 de julho de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.733285/2018-70, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Documento Assinado Digitalmente
Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Laura Baptista Borges, Dionisio Carvallhedo Barbosa (Relator), Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa e Marcos Roberto da Silva (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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MULTA POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. TEMA 736 STF. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a multa aplicada por compensação não homologada. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-002.665, de 23 de julho de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.733285/2018-70, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Documento Assinado Digitalmente Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Laura Baptista Borges, Dionisio Carvallhedo Barbosa (Relator), Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa e Marcos Roberto da Silva (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF Fl. 152DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-002.822 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.732737/2017-15 2 nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Versa o presente processo sobre Notificação de Lançamento eletrônica de multa isolada contra o contribuinte em epígrafe, decorrente de compensações declaradas e não homologadas, multa essa aplicada com fundamento no art. 74, §17, da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores. Apresentada impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário exigido. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário no qual alega o descabimento da multa isolada, essencialmente com base na discussão de princípios constitucionais discutidos no Tema 736 de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, que, à época do recurso do contribuinte, ainda não havia tido o seu julgamento completado pelo STF. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual merece ser conhecido. DA INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA ISOLADA. TEMA 736 STF. Como relatado, trata-se de notificação de lançamento para a exigência de multa isolada, prevista no artigo 74, §17, da Lei n.º 9.430/1996. A penalidade foi aplicada em razão de compensações não homologadas. Cumpre ressaltar que, independentemente do reconhecimento ou não dos créditos pleiteados, a aplicabilidade da referida multa foi objeto de questionamento no Supremo Tribunal Federal – STF, na sistemática de Repercussão Geral (Tema 736), que já transitou em julgado. O leading case foi tratado nos autos do Recurso Extraordinário n.º 796.939/RS, de relatoria do Ministro Edson Fachin e vale a leitura da descrição para se verificar a relação com o julgamento desse processo administrativo: “Recurso extraordinário em que se discute, à luz do postulado da proporcionalidade e do art. 5º, XXXIV, a, da Constituição federal, a constitucionalidade dos §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei federal 9.430/1996, incluídos pela Lei federal 12.249/2010, que preveem a incidência de multa isolada no percentual de 50% sobre o valor objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou de declaração de compensação não homologada pela Receita Federal.” Fl. 153DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-002.822 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.732737/2017-15 3 Julgado o Recurso Extraordinário, firmou-se a seguinte tese: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.” Vale, ainda, a leitura do julgado: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. NEGATIVA DE HOMOLOGAÇÃO. MULTA ISOLADA. AUTOMATICIDADE. DIREITO DE PETIÇÃO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. BOA-FÉ. ART. 74, §17, DA LEI 9.430/96. 1. Fixação de tese jurídica para o Tema 736 da sistemática da repercussão geral: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. 2. O pedido de compensação tributária não se compatibiliza com a função teleológica repressora das multas tributárias, porquanto a automaticidade da sanção, sem quaisquer considerações de índole subjetiva acerca do animus do agente, representaria imputar ilicitude ao próprio exercício de um direito subjetivo público com guarida constitucional. 3. A matéria constitucional controvertida consiste em saber se é constitucional o art. 74, §§15 e 17, da Lei 9.430/96, em que se prevê multa ao contribuinte que tenha indeferido seu pedido administrativo de ressarcimento ou de homologação de compensação tributária declarada. 4. Verifica-se que o §15 do artigo precitado foi derrogado pela Lei 13.137/15; o que não impede seu conhecimento e análise em sede de Recurso Extraordinário considerando a dimensão dos interesses subjetivos discutidos em sede de controle difuso. 5. Por outro lado, o §17 do artigo 74 da lei impugnada também sofreu alteração legislativa, desde o reconhecimento da repercussão geral da questão pelo Plenário do STF. Nada obstante, verifica-se que o cerne da controvérsia persiste, uma vez que somente se alterou a base sobre a qual se calcula o valor da multa isolada, isto é, do valor do crédito objeto de declaração para o montante do débito. Nesse sentido, permanece a potencialidade de ofensa à Constituição da República no tocante ao direito de petição e ao princípio do devido processo legal. 6. Compreende-se uma falta de correlação entre a multa tributária e o pedido administrativo de compensação tributária, ainda que não homologado pela Administração Tributária, uma vez que este se traduz em legítimo exercício do direito de petição do contribuinte. Precedentes e Doutrina. 7. O art. 74, §17, da Lei 9.430/96, representa uma ofensa ao devido processo legal nas duas dimensões do princípio. No campo processual, não se observa no processo administrativo fiscal em exame uma garantia às partes em relação ao exercício de suas faculdades e poderes processuais. Na seara substancial, o dispositivo precitado não se mostra razoável na medida em que a legitimidade tributária é inobservada, visto a insatisfação simultânea do binômio eficiência e justiça fiscal por parte da estatalidade. 8. A aferição da correção material da conduta do contribuinte que busca à compensação tributária na via administrativa deve ser, necessariamente, mediada por um juízo concreto e fundamentado relativo à inobservância do princípio da boa-fé em sua dimensão objetiva. Somente a partir dessa avaliação motivada, é possível confirmar eventual abusividade no exercício do direito de petição, traduzível em ilicitude apta a gerar sanção tributária. 9. Recurso Fl. 154DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-002.822 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.732737/2017-15 4 extraordinário conhecido e negado provimento na medida em que inconstitucionais, tanto o já revogado § 15, quanto o atual § 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996, mantendo, assim, a decisão proferida pelo Tribunal a quo.” Ante o exposto, impõe-se o cumprimento do Tema 736 do STF no presente caso, observando, ainda, o que determina o artigo 98, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF n.º 1.634/2023): “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - Já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou” Entendo, portanto, que a penalidade aplicada deve ser cancelada. Ante o todo exposto, voto por conhecer e dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a multa aplicada por compensação não homologada. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a multa aplicada por compensação não homologada. Documento Assinado Digitalmente Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Fl. 155DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 16511.720424/2011-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
TRIBUTAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Afasta-se a omissão de rendimentos apurada no lançamento quando os documentos trazidos aos autos ratificam os valores informados na Declaração de Ajuste Anual em exame.
Numero da decisão: 2401-011.952
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Guilherme Paes de Barros Geraldi, Elisa Santos Coelho Sarto e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 TRIBUTAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Afasta-se a omissão de rendimentos apurada no lançamento quando os documentos trazidos aos autos ratificam os valores informados na Declaração de Ajuste Anual em exame.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Afasta-se a omissão de rendimentos apurada no lançamento quando os documentos trazidos aos autos ratificam os valores informados na Declaração de Ajuste Anual em exame. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Guilherme Paes de Barros Geraldi, Elisa Santos Coelho Sarto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Fl. 79DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-011.952 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16511.720424/2011-25 2 RELATÓRIO Trata-se de Notificação de Lançamento (e-fls. 29/33) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2008 (e-fls. 24/28), no qual se apurou a Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica no valor de R$ 36.000,00 referente à fonte pagadora Pier Sushi Bar Ltda ME. A Impugnação (e-fls. 02/03) foi julgada Improcedente pela 22ª Turma da DRJ/SPO em decisão assim ementada (e-fls. 43/47): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2007 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. São tributáveis os rendimentos informados em Declaração de Imposto Retido na Fonte (DIRF), pela fonte pagadora, como pagos ao contribuinte e por ele omitidos na declaração de ajuste anual. Cientificado do acórdão de primeira instância em 21/08/2014 (e-fls. 50), o interessado interpôs Recurso Voluntário em 12/09/2014 (e-fls. 54/56) alegando, em apertada síntese, que não recebeu os rendimentos considerados omitidos no lançamento e que a autoridade fiscal se baseou unicamente na DIRF apresentada por Pier Sushi Bar Ltda ME. A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara 2ª Seção do CARF converteu o julgamento do Recurso Voluntário em diligência através da Resolução nº 2301-000.985 (e-fls. 61/62) para que a Unidade de Origem intimasse a empresa Pier Sushi Bar Ltda ME a informar os rendimentos tributáveis pagos ao contribuinte no ano calendário 2007. Cientificado da Informação Fiscal elaborada em atendimento à diligência, o sujeito passivo não se manifestou dentro do prazo concedido (e-fls. 64/66, 70/74). VOTO Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Extrai-se dos autos que a omissão de rendimentos em exame foi apurada com base nas informações registradas em DIRF pela empresa Pier Sushi Bar Ltda ME (e-fls. 31). O Colegiado a quo manteve o lançamento por entender que os elementos de prova acostados à Impugnação não eram hábeis a demonstrar a existência de erro na referida DIRF (e- fls. 45/46). Fl. 80DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-011.952 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16511.720424/2011-25 3 Para contrapor a decisão de primeira instância, o interessado apresentou Recurso Voluntário reiterando a alegação de que não recebeu os rendimentos considerados omitidos pela autoridade lançadora (e-fls. 55/56). Os autos foram encaminhados em diligência à Unidade de Origem para que a empresa Pier Sushi Bar Ltda ME prestasse esclarecimentos sobre os valores efetivamente pagos ao contribuinte no ano calendário 2007 (e-fls. 61/62). Em atendimento, foi elaborada Informação Fiscal da qual destaco os seguintes trechos (e-fls. 64/66): Primeiro ponto. Verificando-se a DIRF do ano-calendário 2007 da Empresa PIER SUSHI BAR LTDA, CNPJ 05.613.163/0001-63, constata-se que, a partir do nome do beneficiário, não há rendimentos de R$ 36.000,00 para o contribuinte GIANFRANCESCO MOTTI DROPA, mas sim à OSMAR JOSE DE FRANÇA, colocando, porém, na DIRF o CPF do primeiro ao invés deste último. [...] Segundo Ponto. OSMAR JOSÉ DE FRANÇA [...] apresentou a DIRPF 2008 com indicação do recebimento de R$ 36.000,00 da empresa PIER SUHI BAR LTDA, inclusive em situação de ausência de DIRF, o que é compatível com o erro presumivelmente ocorrido na DIRF. [...] Terceiro Ponto. A empresa PIER SUSHI BAR LTDA encontra-se INAPTA no cadastro CNPJ e tem a situação CANCELADA na Junta Comercial de Santa Catarina. Mesmo inapta, o Sr. JOSÉ OSMAR DE FRANÇA consta como representante da pessoa jurídica no cadastro CNPJ. Por outro lado, conforme consulta ao CNIS, não há registro de ter existido vínculo empregatício entre a empresa e o Sr. GIANFRANCESCO MOTTI DROPA, sendo o código de receita declarado em DIRF o de rendimento do trabalho assalariado, 0561. [...] Conclusão. Assim, o conjunto de fatos até aqui levantados sugerem que o rendimento de R$ 36.000,00 era destinado ao Sr. OSMAR JOSÉ FRANÇA, que ele o declarou em sua DIRPF 2008, e que não havia rendimentos declarados em DIRF a favor do contribuinte GIANFRANCESCO MOTTI DROPA, presumindo-se erro de indicação do número de CPF. Em vista do exposto, pode-se concluir que houve erro no CPF indicado na DIRF em que se baseou o presente lançamento, não merecendo prevalecer a omissão de rendimentos em litígio. Dessa forma, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 81DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-011.952 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16511.720424/2011-25 4 (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 82DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10972.720022/2016-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2011 a 31/12/2011
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE 75%.
A multa de 75% prevista no inciso I do artigo 44 da Lei 9.430/96 é aplicável nos casos de lançamento de ofício, independentemente da ocorrência de dolo do contribuinte e de quaisquer outras circunstâncias e efeitos da infração praticada.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2011 a 31/12/2011
ALEGAÇÕES. ÔNUS DA PROVA.
Por força dos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, cabe ao contribuinte, no momento da apresentação do Recurso Voluntário, trazer aos autos todos os motivos de fato e direito em que se fundamenta, pontos de discordância e as razões e provas que possuir, sendo necessária a reforma do acórdão para reconhecer as despesas pagas a pessoas físicas no tocante a aluguéis e auxílios para tratamento de saúde, trazidos na fase de impugnação.
AI. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Realizado o lançamento de modo a garantir ao contribuinte a perfeita compreensão da obrigação imposta, com a clara e precisa demonstração da ocorrência do fato gerador da multa aplicada, de modo que este possa exercer plenamente o seu direito de defesa, não se observa ofensa ao disposto no art. 142 do CTN
Numero da decisão: 2402-012.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário interposto, não se apreciando a matéria sem interesse recursal (grupo 35). Na parte conhecida, rejeitar a preliminar de nulidade nela suscitada e, no mérito, dar-lhe parcial provimento, reconhecendo que os aluguéis e despesas financeiras pagos às pessoas físicas deverão ser deduzidas da base de cálculo autuada
Sala de Sessões, em 6 de agosto de 2024.
Assinado Digitalmente
Marcus Gaudenzi de Faria – Relator
Assinado Digitalmente
Francisco Ibiapino Luz – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco Ibiapino Luz (Presidente), Marcus Gaudenzi de Faria (relator), Gregório Rechmann Junior, Rodrigo Duarte Firmino, Joao Ricardo Fahrion Nuske e Luciana Vilardi Vieira de Souza Mifano
Nome do relator: MARCUS GAUDENZI DE FARIA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2011 a 31/12/2011 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE 75%. A multa de 75% prevista no inciso I do artigo 44 da Lei 9.430/96 é aplicável nos casos de lançamento de ofício, independentemente da ocorrência de dolo do contribuinte e de quaisquer outras circunstâncias e efeitos da infração praticada. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2011 a 31/12/2011 ALEGAÇÕES. ÔNUS DA PROVA. Por força dos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, cabe ao contribuinte, no momento da apresentação do Recurso Voluntário, trazer aos autos todos os motivos de fato e direito em que se fundamenta, pontos de discordância e as razões e provas que possuir, sendo necessária a reforma do acórdão para reconhecer as despesas pagas a pessoas físicas no tocante a aluguéis e auxílios para tratamento de saúde, trazidos na fase de impugnação. AI. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Realizado o lançamento de modo a garantir ao contribuinte a perfeita compreensão da obrigação imposta, com a clara e precisa demonstração da ocorrência do fato gerador da multa aplicada, de modo que este possa exercer plenamente o seu direito de defesa, não se observa ofensa ao disposto no art. 142 do CTN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário interposto, não se apreciando a matéria sem interesse recursal (grupo 35). Na parte conhecida, rejeitar a preliminar de nulidade nela suscitada e, no mérito, dar-lhe parcial provimento, reconhecendo que os aluguéis e despesas financeiras pagos às pessoas físicas deverão ser deduzidas da base de cálculo autuada Sala de Sessões, em 6 de agosto de 2024. Assinado Digitalmente Marcus Gaudenzi de Faria – Relator Assinado Digitalmente Francisco Ibiapino Luz – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco Ibiapino Luz (Presidente), Marcus Gaudenzi de Faria (relator), Gregório Rechmann Junior, Rodrigo Duarte Firmino, Joao Ricardo Fahrion Nuske e Luciana Vilardi Vieira de Souza Mifano
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MULTA DE 75%. A multa de 75% prevista no inciso I do artigo 44 da Lei 9.430/96 é aplicável nos casos de lançamento de ofício, independentemente da ocorrência de dolo do contribuinte e de quaisquer outras circunstâncias e efeitos da infração praticada. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2011 a 31/12/2011 ALEGAÇÕES. ÔNUS DA PROVA. Por força dos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, cabe ao contribuinte, no momento da apresentação do Recurso Voluntário, trazer aos autos todos os motivos de fato e direito em que se fundamenta, pontos de discordância e as razões e provas que possuir, sendo necessária a reforma do acórdão para reconhecer as despesas pagas a pessoas físicas no tocante a aluguéis e auxílios para tratamento de saúde, trazidos na fase de impugnação. AI. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Realizado o lançamento de modo a garantir ao contribuinte a perfeita compreensão da obrigação imposta, com a clara e precisa demonstração da ocorrência do fato gerador da multa aplicada, de modo que este possa exercer plenamente o seu direito de defesa, não se observa ofensa ao disposto no art. 142 do CTN Fl. 282DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.798 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10972.720022/2016-21 2 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário interposto, não se apreciando a matéria sem interesse recursal (grupo 35). Na parte conhecida, rejeitar a preliminar de nulidade nela suscitada e, no mérito, dar- lhe parcial provimento, reconhecendo que os aluguéis e despesas financeiras pagos às pessoas físicas deverão ser deduzidas da base de cálculo autuada Sala de Sessões, em 6 de agosto de 2024. Assinado Digitalmente Marcus Gaudenzi de Faria – Relator Assinado Digitalmente Francisco Ibiapino Luz – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco Ibiapino Luz (Presidente), Marcus Gaudenzi de Faria (relator), Gregório Rechmann Junior, Rodrigo Duarte Firmino, Joao Ricardo Fahrion Nuske e Luciana Vilardi Vieira de Souza Mifano RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário (p. 266 a 275) interposto em face da decisão da 7ª TURMA/DRJ09 consubstanciada no Acórdão nº 109-012.160 (p. 234 a 247), que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo em relação ao crédito tributário abaixo especificado Do auto de infração Trata-se de Auto de Infração, com multa de 75%, lavrado para exigência de Contribuições Previdenciárias, referente às competências de 04/2011 a 12/2011, no montante de R$ 2.582.649,07, cujas bases de cálculo foram obtidas pela diferença apurada entre as informações prestadas à Secretaria do Tesouro Nacional – STN (Base FINBRA) e os valores declarados nas Guias de Recolhimentos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social -GFIP. Fl. 283DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.798 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10972.720022/2016-21 3 São objeto da autuação vinculadas ao processo as contribuições de responsabilidade da empresa (ente Município), descontadas de segurados empregados e contribuintes individuais e RAT/FAP. No curso do procedimento fiscal a autoridade lançadora encaminhou quatro intimações para prestação de esclarecimentos e juntada de informações e arquivos digitais de contabilidade e despesas públicas (Blocos K e L do Manad) a fim de cotejar tais informações com os dados da STF supramencionados e as declarações prestadas em GFIP. O encerramento do procedimento foi comunicado ao ora recorrente por meio do Ofício 13/2016, do qual o Município teve ciência em 29/04/2016 Da Impugnação Cientificado do auto de infração, o município apresentou impugnação tempestiva na qual aduziu que os dados declarados em GFIP para o exercício de 2011 estão corretos e que os presentes lançamentos são inválidos e não podem prosperar. 1) Despesas pagas à Pessoa Jurídica por Serviços de Consultoria não Passíveis de Tributação O município anexou em sua peça defensiva o quadro abaixo e assevera que sobre as despesas com serviços de consultoria, pagas a Pessoas Físicas, deve incidir Contribuições Previdenciárias, contudo, não devem incidir Contribuições Previdenciárias sobre despesas com serviços de consultoria pagas a Pessoas Jurídicas. Esclarece que as informações prestadas à STN (Secretaria do Tesouro Nacional) referentes a despesas de consultoria com pessoas físicas foram devidamente declaradas em GFIP e que as despesas de consultoria com pessoas jurídicas prestadas à STN (Secretaria do Tesouro Nacional) não foram declaradas em GFIP, por força do inciso I do art. 195 da CF e legislação de regência. Tendo em vista que não cabe ao beneficiário dos serviços prestados por pessoa jurídica recolher Contribuições Previdenciárias sobre os valores devidos por ela, o contribuinte conclui que a autoridade fiscal levou a efeito lançamentos de ofício indevidos que incidiram sobre o montante de R$ 49.500,00. Assim, o impugnante pede que os lançamentos que incidiram sobre despesas com serviços de consultoria prestados por pessoa jurídica sejam cancelados 2) Despesas pagas a Pessoas Física sem Incidência de Contribuição Previdenciária. O município cita a Portaria 163/2001, o art. 58, IX e o art. 147 da IN RFB n° 971/2009 e conclui que nem todas as despesas com pessoas físicas, sem vínculo empregatício (trabalhadores individuais ou avulsos), constituem-se em fatos geradores de Contribuição Previdenciária. Assevera que tais valores podem não corresponder a pagamentos em retribuição ao trabalho prestado, como por exemplo: pagamentos a pessoas físicas a título de locação de imóveis, máquinas, ferramentas e equipamentos sem o fornecimento de mão-de-obra. Por conseguinte, o contribuinte anexa quadro onde conclui que o montante de R$ 2.849.267,00, pago a pessoas físicas e referente a gastos com despesas de locação de bens, ajuda de custo para Fl. 284DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.798 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10972.720022/2016-21 4 tratamento de saúde, dentre outros, não pode ser considerado base de cálculo de Contribuições Previdenciárias: Cita o Decreto 3.048/1999 e a Portaria MPAS n° 1.135/2000 e informa que a autoridade fiscal, ao lançar as diferenças referentes a fretes prestados por pessoas físicas, conforme quadro abaixo, não considerou que, para efeitos legais, somente 20% dos valores pagos correspondem à efetiva prestação de serviços: Assim, solicitou a revisão dos lançamentos que incidiram sobre a base de cálculo de R$ 5.255.373,31, referente a despesas com pagamentos a pessoas físicas pela prestação de serviços de transportes e conclui que, para o ano de 2011, a base de cálculo de incidência da Contribuição Previdenciária referente aos pagamentos a contribuintes individuais e avulsos é de RS 3.617.109,66 (três milhões e seiscentos e dezessete mil, cento e nove reais e sessenta e seis centavos), valor este que estaria informado corretamente na GFIP. 3) Dos Valores Declarados em GFIP e dos Valores Referentes ao Regime Próprio de Previdência _ RPPS O contribuinte anexou em sua impugnação quadro onde conclui que os valores contabilizados junto ao município, que são devidos ao Regime Próprio da Previdência Social, totalizam o montante de R$ 17.269.619,61, segundo resta comprovado no anexo II, e não o valor de R$ 13.392.132,74, conforme o anexo V, apresentado pela Receita Federal, Destarte, conclui que o auto de infração deve ser reformado, pois a autoridade fiscal deduz dos valores lançados o total de R$ 13.392.132,74, a título pagamentos ao Regime de Previdência Própria, enquanto o correto a ser deduzido é o montante que perfaz a soma de R$ 17.269.619,61, conforme a escrituração contábil do município. Ao final, demonstrado que as informações referentes aos exercícios de 2011 foram corretamente transmitidas à Secretaria da Receita Federal do Brasil pelo município, o impugnante solicita o arquivamento do feito. 4) Da Multa de Ofício com Caráter Confiscatório O contribuinte cita jurisprudência do STF e, ao se reportar ao art. 150, IV da CF, afirma que a multa aplicada de 75% é inconstitucional e tem nítido caráter confiscatório. Assevera que a aplicação da multa de 75% não é automática e fere o princípio do não-confisco que está intimamente ligado aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, da capacidade contributiva, do mínimo vital e da pessoalidade. Conceitua e explica cada princípio, cita a doutrina e o art. 113, § 1°do CTN, e, conclui que no ordenamento jurídico pátrio os lançamentos da multa e do principal são igualmente obrigações tributárias. Assim, pede que a multa de ofício seja revista. Ao final, pede, “ipsis litteris”: a) Ante o exposto pede e espera o Impugnante que seja decretada a NULIDADE do procedimento fiscal ora impugnado, face a presença de vícios e irregularidades que tornam a presente exação incorreta e inexigível, tendo em vista que conforme os documentos que ora se junta, referente aos empenhos, os valores lançados na GFIP encontram-se corretos e de acordo com as diretrizes normativas. Fl. 285DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.798 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10972.720022/2016-21 5 b) Posto isto, caso não se entenda pela acatada NULIDADE do procedimento fiscal nos termos supramencionados, o que se admite apenas ad argumentandum, que seja julgada extinta a cobrança do credito em tela, em virtude da existência de MULTA CONFISCATÓRIA, o que contradiz o dispositivo constitucional do art. 150, IV, ou, ainda alternativamente, caso os Ilustres Julgadores não entendam pela r. nulidade do auto, que aos menos a combatida penalidade seja reduzida a patamares condizentes com os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. c) Requer, ainda, a produção de todos os meios de prova admitidos no processo administrativo, notadamente a juntada de novos documentos, eventual perícia contábil e outras que se fizerem necessárias VOTO Conselheiro Marcus Gaudenzi de Faria, Relator Tempestividade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos aspectos formais de apresentação, devendo, portanto ser conhecido. Preliminar de nulidade No Recurso Voluntário o município questiona a liquidez e certeza dos créditos constituídos, repisando argumentos de que os dados que deram suporte ao lançamento não permitiriam a defesa da ora recorrente. Considero importante revisitarmos o voto condutor da decisão de piso, onde o relator apresenta de forma precisa o rito do procedimento fiscal: Durante a fase investigatória, além do Termo de Início de Fiscalização a autoridade fiscal levou a efeito mais seis intimações, nas quais solicitou esclarecimentos e documentação probatória que embasasse as informações prestadas pelo contribuinte à Secretaria do Tesouro Nacional, em especial referentes a despesas com pagamentos a pessoas jurídicas, no caso, despesas com “Serviços de Consultoria” e com a “Cooperativa de Serviços Profissionais Autônomos – UNICON”, conforme Termo de Intimação Fiscal n° 001, às e-fls. 55 e 56, Termo de Intimação Fiscal n° 003, às . 66 e 67 e Termo de Intimação Fiscal n° 004. Fl. 286DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.798 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10972.720022/2016-21 6 Em suas respostas o município não logrou êxito em comprovar que os beneficiários dos pagamentos eram pessoas jurídicas, pois, às e-fls. 98 a 150, verifica-se que não houve o atendimento a contento das intimações. Em vez de o contribuinte apresentar a documentação probatória solicitada, disponibilizou apenas os arquivos contábeis, reservando-se a esclarecer ao fisco que sobre os serviços auferidos por pessoas jurídicas não incidem Contribuições Previdenciárias Ou seja, desde o início do procedimento de fiscalização, que se estendeu por 19 meses, o ente fora intimado a prestar esclarecimentos sobre as divergências entre os valores declarados de contribuições previdenciárias ao SisSTN/FINBRA, segregando despesas do RGPS e RPPS com base na diferença entre a massa total declarada e a massa salarial apurada e recolhimentos efetuados em favor do Regime Próprio do Município. Para tanto a autoridade lançadora apresenta, no relatório fiscal, de forma sequencial, as divergências, segregada para cada um dos órgãos vinculados ao município que foram objeto da autuação, por tipo de contribuinte e origem, e estas estão descritas nos itens 3.3 a 3.11 do relatório fiscal, com bases segregadas e detalhadamente apresentadas nos 9 quadros Anexos do documento Importa destacar que a fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando o contribuinte tem acesso a todas as informações necessárias à compreensão das razões que levaram à autuação, tendo apresentado impugnação e recurso voluntário em que combate todos os fundamentos do auto de infração O lançamento da multa foi levado a efeito em observância ao que determina a legislação, especialmente aquilo o que disposto no art. 142 do CTN, de modo que a recorrente teve plena e inequívoca ciência de todos os fundamentos de fato e direito que ensejaram a necessidade da constituição do crédito tributário. O relatório fiscal da infração supramencionado destaca não apenas o período de auditoria, que englobava desde janeiro de 2011 a dezembro de 2011, sendo que o lançamento ocorreu apenas a partir do mês de abril, em respeito ao prazo decadencial, bem como esclareceu a forma de cálculo da multa aplicada, de modo que fora garantindo à recorrente o pleno exercício de seu direito de defesa e ao contraditório. Assim reza o art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 287DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.798 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10972.720022/2016-21 7 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ademais, conforme fora devidamente concluído pelo v. acórdão de primeira instância, o contribuinte fora devidamente cientificado de todo o conteúdo e anexos do Auto de Infração Afastadas as preliminares suscitadas, cabe então discorrermos, na análise de mérito, se foi corretamente materializada em documentos hábeis a tese de defesa apresentada: Do mérito Trataremos dos pontos atacados e que foram rebatidos no acórdão recorrido, Contrato de Prestadores Pessoa Jurídica equivocadamente tributados: Na leitura dos apontamentos do Relatório Fiscal observa-se, no quadro 9, que, em relação ao elemento da Despesa 35 (serviços de Consultoria), somente fora objeto de tributação o contrato de R$ 52.000,00 mencionado pelo recorrente, não tendo sido objeto de lançamento o contrato no valor de 49.500,00 objeto de reclamação da recorrente, de sorte que nada resta a discutir, sendo descabido o reconhecimento do recurso quanto a este tema. Pagamentos efetuados a pessoas físicas indevidamente incluídos na base de cálculo. O julgador de piso, em sua análise, destacou o descabimento dos questionamentos trazidos acerca dos contratados para transporte, destacando que, na fase de lançamento, o procedimento fiscal já atentara para esta condição específica, que reduz a base de cálculo do transportador autônomo, conforme excerto que transcrevo; O impugnante assevera que a autoridade fiscal, ao lançar as diferenças referentes a fretes prestados por pessoas físicas não considerou que, para efeitos legais, somente 20% dos valores pagos correspondem à efetiva prestação de serviços. Assim, solicita a revisão dos lançamentos que incidiram sobre a base de cálculo de R$ 5.255.373,31, referente a despesas com pagamentos a pessoas físicas pela prestação de serviços de transportes. Conforme excerto de tela abaixo, constante dos itens 3.8 e 3.10 do Relatório da Atividade Fiscal, infere-se que a autoridade fiscal aplicou o coeficiente de 20% sobre os valores pagos pelo município a título de serviços de transportes, antes de efetuar os lançamentos de ofício de Contribuições Previdenciárias sobre as diferenças informadas à STN (base FIMBRA) não declaradas em GFIP: (grifei) Deste modo, não nos cabe conhecer do recurso no tópico referente ao grupo de despesas 33.90.35, uma vez que o lançamento efetuado pela autoridade lançadora se restringe exatamente ao pagamento admitido pela recorrente. Fl. 288DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.798 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10972.720022/2016-21 8 No tratamento dos contribuintes individuais apontados no grupo de despesa 33.90.36 ( outros serviços de terceiros – PF), o relator traz as seguintes considerações: No caso em questão, o argumento do impugnante de que não devem incidir Contribuições Previdenciárias sobre os pagamentos a pessoas físicas, dentre outros, a título de locação de imóveis, máquinas, ferramentas e equipamentos sem o fornecimento de mão-de-obra, está correto, contudo, desde que haja a efetiva comprovação. Como restou demonstrado nos autos que no curso do procedimento fiscal o município não comprovou que os pagamentos a pessoas físicas estavam fora do campo de incidência de Contribuições Previdenciárias, conclui-se que o presente pedido deve ser indeferido Neste ponto, com a devida análise dos documentos juntados na fase de impugnação pelo recorrente1, entendo necessário revisar em parte a decisão recorrida, para reconhecer e excluir da base de cálculo os valores referentes a : a) Contratos de locação de imóveis celebrados com pessoas físicas b) Pagamento de ajuda de custo para pacientes que se deslocam para tratamentos de saúde c) Auxílio para pagamento de conta de luz prevista em lei municipal Considero tais casos passiveis de validação, uma vez que as notas de empenho estão acompanhadas de documentos de suporte, tais como, de contrato de locação e os pagamentos a pacientes também dispõem de documentação de suporte (inclusive notas de prestadores de serviço que realizaram os exames), o que permite sua consideração, determinando a dedução da base imponível, conforme listagem abaixo Mês Valores a deduzir da base de cálculo (Grupo 36): abr/11 R$23.337,00 mai/11 R$13.541,50 jun/11 R$14.245,00 jul/11 R$31.911,00 ago/11 R$11.746,00 set/11 R$5.528,00 out/11 R$16.530,69 nov/11 R$18.447,00 dez/11 R$15.848,00 1 Listas de empenhos referentes ao intervalo abril de 2011 a dezembro de 2011, baseado nos empenhos e documentos de suporte juntados pelo recorrente. Fl. 289DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.798 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10972.720022/2016-21 9 Para os demais aspectos apontados, refutados no julgamento de primeira instancia, sem que informações supervenientes fossem trazidas à baila, e, estando as conclusões alcançadas pelo órgão julgador de primeira instância em consonância com o entendimento deste Relator, em atenção ao disposto no inc. I, § 12, do art. 144, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023 – RICARF, não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adoto os fundamentos da decisão recorrida, destacados a seguir: Valores devidos ao RGPS calculados a partir dos recolhimentos declarados pelo Ente ao Regime Próprio O contribuinte argumenta que os valores contabilizados junto ao município que são devidos ao Regime Próprio da Previdência Social totalizam o montante de R$ 17.269.619,61, e não o valor R$ 13.392.132,74, conforme se utilizou a autoridade fiscal para fazer os cálculos dos tributos lançados. Assim, pede para que o auto de infração seja reformado, deduzindo-se dos valores lançados o montante de R$ 17.269.619,61 ao invés R$ 13.392.132,74. Consoante se constata do Demonstrativo Previdenciário do Regime Próprio – Prefeitura Municipal de Conceição das Alagoas-MG /Exercício de 2011, extraído do site do Ministério da Previdência e Assistência Social e, segundo consta dos autos, os valores efetivamente recolhidos ao Regime Próprio da Previdência Social totalizam o montante de R$ 13.392.132,74. Logo, o montante de R$ 17.269.619,61, que consta formalmente da contabilidade do Município de Conceição da Alagoas não reflete a realidade e, portanto, não pode ser utilizado nos cálculos em questão. Tal situação foi esclarecida nos itens 3.5 e 3.10 do Relatório Fiscal Do exposto, conclui-se que o pedido do impugnante deve ser indeferido, não merecendo reparo os cálculos levados a efeito pela autoridade fiscal, tendo em vista que os valores efetivamente repassados ao RPPS pelo município, no ano de 2011, totalizam o montante de R$ 13.392.132,74 e não como quer o contribuinte, o montante escriturado de R$ R$ 17.269.619,61. Deste modo, descabida a alegação, não comprovada documentalmente, repisada pelo contribuinte, que a diferença apurada poderia se originar de débito com o Regime Próprio, posto que, na fase de contencioso, cabe ao recorrente apresentar a prova para a qual pleiteia análise. Caráter Confiscatório da Multa Aplicada Para efeitos de aplicação da multa de ofício de 75%, o impugnante requer a observância dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, pois em última instância estão intimamente ligados ao princípio do não-confisco, albergado pelo art. 150, IV da CF. Assim, pede que multa de ofício seja cancelada ou, subsidiariamente, reduzida a um patamar condizente com os princípios do não-confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade, dentre outros. Fl. 290DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.798 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10972.720022/2016-21 10 A multa de ofício de 75%, prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, não representa qualquer afronta à garantia constitucional do não-confisco ou ofensa aos princípios administrativos da razoabilidade ou da proporcionalidade. (grifei) Na verdade, essa previsão legal revela que o legislador se mostrou atento a sua finalidade, qual seja, a de desencorajar a prática de condutas ilícitas. Nesse sentido já se manifestou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região: “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE - EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL - DECADÊNCIA - COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS - LIMITAÇÃO - MULTA MORATÓRIA - TAXA SELIC. (...) 4 - A multa moratória fixada em 75% sobre o valor do débito não tem caráter confiscatório, atendendo às suas finalidades educativas e de repressão da conduta infratora. (Tribunal Regional Federal da 4ª Região; Embargos de Declaração na Apelação Cível nº 2003.70.11.001365-0; Órgão Julgador: Segunda Turma; Data da Decisão: 15/05/2007; Fonte: D.E. 30/05/2007; Relator: Antônio Albino Ramos de Oliveira) Ademais, a multa aplicada está prevista em lei válida e vigente, competindo à administração pública apenas o seu fiel cumprimento. Já os princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade devem ser observados pela administração pública quando da prática de atos discricionários e não quando da aplicação de penalidade, ato plenamente vinculado. Neste contexto, cumpre esclarecer que os princípios e garantias constitucionais aventados se dirigem ao Poder Legislativo que deve tomar em consideração tais preceitos quando da elaboração das leis, não cabendo ao órgão administrativo afastar a aplicação de norma legal, sob fundamento de inconstitucionalidade ou ilegalidade, conforme dispõe o artigo 26-A do Decreto 70.235, de 06/03/1972, abaixo transcrito: Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou Fl. 291DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.798 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10972.720022/2016-21 11 c) pareceres do Advogado-Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 10 de fevereiro de 1993. Neste diapasão é a Sumula CARF n°02 que determina que “No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. Portanto, conclui-se que o pedido para que a multa de ofício seja reduzida a patamares condizentes com os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade deve ser indeferido Conclusão Ante o exposto, afastadas as preliminares, conheço parcialmente do Recurso voluntário interposto para, na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento para deduzir da base de cálculo as despesas pagas às pessoas físicas referentes a aluguéis e auxílios financeiros (Grupo contábil 36). É como voto Assinado Digitalmente Marcus Gaudenzi de Faria Fl. 292DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10166.003498/2004-65
Data da sessão: Tue May 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 Ementa: PIS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE A TOTALIDADE DAS RECEITAS. ENTENDIMENTO INEQUÍVOCO DO E. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A base de cálculo da PIS corresponde à totalidade do faturamento, nos termos fixados pelas Leis Complementares n.ºs 7/70, devendo ser excluídas todas as outras receitas que não correspondam ao faturamento da empresa. A aplicação do entendimento inequívoco do e. Supremo Tribunal Federal manifestado nos RE’s n.ºs 357950, 390840, 358273 e 346084 é medida de rigor, nos termos do que dispõe o art. 1º do Decreto 2.346/97. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, além de amparar-se em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A limitação constitucional que veda a utilização de tributo com efeito de confisco não se refere às penalidades.
Numero da decisão: 3402-000.612
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª câmara / 2ª turma ordinária do segunda
SEÇÃO DE JULGAMENTO O, por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso, para excluir a tributação da entidade referente aos fatos geradores ocorridos após dezembro de 1999. Vencidos os Conselheiros Nayra Bastos Manatta e Julio César Alves Ramos que negavam provimento ao Recurso. Designado o Conselheiro Leonardo Siade Manzan para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: NAYRA BASTOS MANATTA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2014-10-10T17:13:05Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-10-10T17:13:05Z; Last-Modified: 2014-10-10T17:13:05Z; dcterms:modified: 2014-10-10T17:13:05Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:356368d2-e5e5-482e-b4e0-b0ba9cea5829; Last-Save-Date: 2014-10-10T17:13:05Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-10-10T17:13:05Z; meta:save-date: 2014-10-10T17:13:05Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-10-10T17:13:05Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-10-10T17:13:05Z; created: 2014-10-10T17:13:05Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 39; Creation-Date: 2014-10-10T17:13:05Z; pdf:charsPerPage: 2211; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2014-10-10T17:13:05Z | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.003498/200465 Recurso nº 127.605 Voluntário Acórdão nº 340200.612 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de maio de 2010 Matéria COFINS previdencia privada Recorrente SARAH PREVIDENCIA FUNDO DE PENSÃO DOS EMPREGADOS DAS PIONEIRAS SOCIAIS Recorrida DRJ em BRASILIA/DF Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 1999, 2000, 2001 Ementa: PIS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE A TOTALIDADE DAS RECEITAS. ENTENDIMENTO INEQUÍVOCO DO E. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A base de cálculo da PIS corresponde à totalidade do faturamento, nos termos fixados pelas Leis Complementares n.ºs 7/70, devendo ser excluídas todas as outras receitas que não correspondam ao faturamento da empresa. A aplicação do entendimento inequívoco do e. Supremo Tribunal Federal manifestado nos RE’s n.ºs 357950, 390840, 358273 e 346084 é medida de rigor, nos termos do que dispõe o art. 1º do Decreto 2.346/97. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, além de ampararse em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A limitação constitucional que veda a utilização de tributo com efeito de confisco não se refere às penalidades. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª câmara / 2ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, deuse provimento ao recurso, para excluir a Fl. 929DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 2 2 tributação da entidade referente aos fatos geradores ocorridos após dezembro de 1999. Vencidos os Conselheiros Nayra Bastos Manatta e Julio César Alves Ramos que negavam provimento ao Recurso. Designado o Conselheiro Leonardo Siade Manzan para redigir o voto vencedor. NAYRA BASTOS MANATTA Presidente e Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Julio Cesar Alves Ramos, Silvia de Brito Oliveira, Ali Zraik Junior, Leonardo Siade Manzano. Relatório Tratase de auto de infração objetivando a exigência da Cofins, anos calendários de 1999 a 2001, em decorrência de falta de recolhimento do tributo. Cientificada a contribuinte apresentou impugnação alegando: a) Sendo uma entidade de previdência privada, mera gestora de recursos de terceiros, não possui capacidade contributiva. A capacidade contributiva é dos participantes do Plano de Benefícios, pois são eles os verdadeiros titulares dos recursos garantidores das reservas técnicas, fundos e provisões; b) As EFPC não tem em suas contas títulos contábeis que possam ser denominados faturamento ou receita, tais expressões estão vinculadas à idéia de lucro, características de empresas mercantis, que não é o caso da autuada; c) Cita a LC 109/01, que no seu art. 69, § 1º afirma que sobre as contribuições previdenciárias destinadas ao custeio dos Planos de Benefícios das EFPC é vedada a incidência de qualquer tributo ou contribuição, o que bastaria para afastar a incidência da COFINS e do PIS; d) Cita o art. 150, IV da CF e trecho do acórdão do STF (ADI 2010 MC/DF, DJ 12.04.002) e argumenta que não sendo respeitada sua capacidade econômica é ilegal e inconstitucional arcar com a COFINS sobre o superávit oriundo da capitalização dos recursos garantidores dos compromissos perante os participantes; Fl. 930DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 3 3 e) O tributo exigido, alem de ultrapassar sua capacidade contributiva possui conotação de confisco; f) É vedada a exigência de qualquer tributo ou contribuição sobre o superávit das EFPC por LC; g) Discorre sobre a Lei 9718/98 e a decisão do STF que decidiu que no termos daquela legislação “receita bruta” limitase ao conceito de “faturamento”, assim entendido aquele que advenha de venda de mercadorias e/ou serviços e a as EFPC não possuem faturamento razão pela qual não pode se falar em exigência de PIS ou de COFINS; h) Discorre sobre a inconstitucionalidade da Lei nº 9718/98, e pede que se aplique a decisão do STF sobre a inconstitucionalidade desta legislação; i) As EFPC nunca atuaram como instituições financeiras, sendo para tanto proibidas pelo Conselho Monetário Nacional, razão pela qual é descabida a a menção feita de que as EFPC estão inseridas no art. 22, § 1º da Lei 8212/91, pois tal aplicativo trata de contribuições incidentes sobre o total das remunerações pagas; j) Impossibilidade de utilização da taxa Selic como juros de mora; k) Caráter confiscatório da multa. A DRJ em Brasília julgou procedente o lançamento. Cientificada em 12/07/2004 a contribuinte apresentou em 11/08/2004, recurso voluntário alegando as mesmas razões da inicial, acrescendo: I. A tese de imunidade tributaria das EFPC com base no art. 150, IV da CF foi derrotada no STF quando do julgamento do RE 202.700/DF. Entretanto, alguns aspectos devem ser levados em, consideração quanto à tributação destas entidades; II. Os fundos de pensão são regidos pelo art. 202 da CF, na redação conferida pela EC 20/98, que estabeleceu a desvinculação do contrato de trabalho e, principalmente, o regime financeiro de capitalização das contribuições e a natureza contratual dos benefícios concedidos pelos fundos de pensão (constituição de reservas que garantem o beneficio contratado); III. O citado artigo 202 da CF foi regulamentado pelas LC 108 e 109 de 2001. A primeira disciplina aspectos específicos dos Planos de Benefícios e da governança das EFPC patrocinadas pela Administração Publica Direta e Indireta. A segunda, regulamenta as bases gerais de todo o regime de Previdência Privada Complementar; IV. Sendo a contribuinte patrocinada por entidade privada, é regida apenas pela LC 109/2001, que determina, no seu art. 69, § 2º que “sobre a portabilidade de recursos de reservas técnicas, fundos e provisões entre planos de benefícios de entidades de previdência complementar, titulados pelo mesmo participante não incidem tributações e contribuições de qualquer natureza”, no seu § 1º estabelece que “sobre Fl. 931DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 4 4 as contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza”, o que mostra que não há incidência nem do PIS nem da COFINS, por expressa vedação legal. É o relatório. Voto Conselheiro NAYRA BASTOS MANATTA, Relator O recurso interposto encontrase revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. As entidades fechadas de previdência privada complementar estavam, na sistemática da LC 70/91, isentas da COFINS, pelo disposto no art. 11, parágrafo único: Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. Com a entrada em vigor da Lei nº 9718/98 as pessoas jurídicas de direito privado passaram a ser tributadas com base na receita bruta auferida, sendo irrelevante o tipo de atividade exercida e a classificação contábil de suas receitas. Prosseguindo na analise da Lei nº 9.718/98 é de se verificar que nos parágrafos 5º e 6º do art. 3º da citada lei, introduzidos pela MP 1807 de 1999 e suas reedições, tratase, especificamente das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212/91, quais sejam: bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas. Fl. 932DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 5 5 Para tais pessoas jurídicas, dentre as quais encontramse as entidades de previdência privadas fechadas e abertas, que é o caso da recorrente, são permitidas, alem das deduções comuns a todas as pessoas jurídicas, algumas outras. Art. 3º (...) (. . .) § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para fins da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. "§ 6o Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no parágrafo anterior, poderão excluir ou deduzir: I (. . .) II – (. . .) III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; § 7o As exclusões previstas nos incisos II a IV do parágrafo anterior restringemse aos rendimentos de aplicações financeiras que não excedam o total das provisões técnicas, constituídas na forma fixada pela Superintendência de Seguros Privados SUSEP. Ou seja, para fins de determinação da base de calculo da COFINS devida pelas instituições financeira e entidades equiparadas, a Lei nº 9718/98, em seu § 5º do art. 3º, determinou que se observassem as mesmas regras de exclusões e deduções previstas na legislação aplicável à Contribuição para o PIS/Pasep. Assim, as instituições financeiras e entidades assemelhadas, dentre as quais estão as entidades de previdência privada, devem observar, além das regras emanadas da Lei n. 9.718, de 1998, outras normas a elas específicas, previstas na Lei n. 9.701, de 1998 e na MP n. 2.113, de 2001, tendo em vista as características e peculiaridades das atividades que essas desenvolvem. Art. 1º Para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o inciso V do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, poderão efetuar as seguintes exclusões ou deduções da receita bruta operacional auferida no mês: Fl. 933DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 6 6 I reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como prejuízo, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; II valores correspondentes a diferenças positivas decorrentes de variações nos ativos objetos dos contratos, no caso de operações de "swap" ainda não liquidadas; Inciso revogado pela MP nº 1.807/99, art. 13 III – (. . .) IV – (. . .) V no caso de entidades de previdência privada abertas e fechadas, a parcela das contribuições destinada à constituição de provisões ou reservas técnicas; § 1º É vedada a dedução de prejuízos, de despesas incorridas na cessão de créditos e de qualquer despesa administrativa. Parágrafo alterado pela MP nº 1.807/99, art. 3º. § 2º Nas operações realizadas em mercados futuros, sujeitos a ajustes diários, a base de cálculo da contribuição para o PIS é o resultado positivo dos ajustes ocorridos no mês. Parágrafo revogado pela MP nº 1.807/99, art. 13. § 3º As exclusões e deduções previstas neste artigo restringemse a operações autorizadas às empresas ou entidades nele referidas, desde que realizadas dentro dos limites operacionais previstos na legislação pertinente. Assim, as provisões dedutíveis são aquelas de natureza técnica, próprias ou inerentes às atividades das entidades de previdência privada, fechada ou aberta. Em relação à base de cálculo da COFINS é vedada a dedução de qualquer despesa administrativa e de provisões, ressalvado as provisões e reservas técnicas. É o que estabelece a legislação de regência da matéria, a teor do inciso V, do art. 1º da Lei nº 9.701, de 1998, que prescreve como dedutíveis: V – no caso de entidades de previdência privada abertas e fechadas, a parcela das contribuições destinadas à constituição de provisões ou reservas técnicas. Logo, as provisões dedutíveis são aquelas de natureza técnica, próprias ou inerentes às atividades das entidades de previdência privada, fechada ou aberta. Com efeito, o que a legislação ampara na dedução da base de cálculo são as provisões técnicas das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável. Considerase como tais apenas as Reservas Matemáticas e as Reservas de Contingência, necessárias para garantir os compromissos atuariais dos planos de benefício. Fl. 934DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 7 7 O art. 40 da Lei n. 6353/77 determina que, “para garantia de todas as suas obrigações, as entidades fechadas constituirão reservas técnicas, fundos especiais e provisões em conformidade com os critérios fixados pelo órgão normativo do MPAS, além das reservas e fundos determinados em leis especiais”, acrescentando no parágrafo 1o que “as aplicações decorrentes do disposto neste artigo serão feitas conforme diretrizes estabelecidas pelo CMN”. Além disso, tendo em vista os fins dessas entidades, os art. 45 e 46 da Lei n. 6435 dispõem: “Art. 45 Admitirseá, no caso das reservas técnicas relativas a benefícios a conceder sob a forma de renda, que os fundos de garantia sejam mantidos em níveis não inferiores a 70% (setenta por cento) das correspondentes necessidades, se as patrocinadoras das entidades assumirem o compromisso de manter, em seus respectivos patrimônios, parcelas equivalentes às insuficiências observadas, de modo que sua cobertura possa, em qualquer época, ser realizada. Art. 46 Nas entidades fechadas o resultado do exercício, satisfeitas todas as exigências legais e regulamentares no que se refere aos benefícios, será destinado: a constituição de uma reserva de contingência de benefícios até o limite de 25% (vinte e cinco por cento) do valor da reserva matemática; e, havendo sobra, ao reajustamento de benefícios acima dos valores estipulados nos parágrafos 1º e 2º do artigo 42, liberando, se for o caso, parcial ou totalmente as patrocinadoras do compromisso previsto no parágrafo 3º do mesmo artigo.” A Lei Complementar n. 109 também tem disposições claras nos art.18 a 21, “in verbis”: “Art. 18 0 plano de custeio, com periodicidade mínima anual, estabelecerá o nível de contribuição necessário à constituição das reservas garantidoras de benefícios, fundos, provisões e à cobertura das demais despesas, em conformidade com os critérios fixados pelo órgão regulador e fiscalizador. Parágrafo 1° 0 regime financeiro de capitalização é obrigatório para os benefícios de pagamento em prestações que sejam programadas e continuadas. Parágrafo 2° Observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, o cálculo das reservas técnicas atenderá as peculiaridades de cada plano de benefícios e deverá estar expresso em nota técnica atuarial, de apresentação obrigatória, incluindo as hipóteses utilizadas, que deverão guardar relação com as características da massa e da atividade desenvolvida pelo patrocinador ou instituidor. Parágrafo 3° As reservas técnicas, provisões e fundos de cada plano de benefícios e os exigíveis a qualquer título deverão atender permanentemente à cobertura integral dos compromissos assumidos pelo plano de benefícios, ressalvadas excepcionalidades definidas pelo órgão regulador e fiscalizador. Fl. 935DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 8 8 Art. 19 As contribuições destinadas à constituição de reservas terão como finalidade prover o pagamento de benefícios de caráter previdenciário, observadas as especificidades previstas nesta Lei Complementar. Parágrafo único As contribuições referidas no caput classificamse em: I normais, aquelas destinadas ao custeio dos benefícios previstos no respectivo plano; e II extraordinárias, aquelas destinadas ao custeio de déficits, serviço passado e outras finalidades não incluídas na contribuição normal. Art. 20 0 resultado superavitário dos planos de benefícios das entidades fechadas, ao final do exercício, satisfeitas as exigências regulamentares relativas aos mencionados planos, será destinado à constituição de reserva de contingência, para garantia de benefícios, até o limite de vinte e cinco por cento do valor das reservas matemáticas. Parágrafo 1° Constituída a reserva de contingência, com os valores excedentes será constituída reserva especial para revisão do plano de benefícios. Parágrafo 2° A não utilização da reserva especial por três exercícios consecutivos determinará a revisão obrigatória do plano de benefícios da entidade. §3° Se a revisão do plano de benefícios implicar redução de contribuições, deverá ser levada em consideração a proporção existente entre as contribuições dos patrocinadores e dos participantes, inclusive dos assistidos. Art. 21 0 resultado deficitário nos planos ou nas entidades fechadas será equacionado por patrocinadores, participantes e assistidos, na proporção existente entre as suas contribuições, sem prejuízo de ação regressiva contra dirigentes ou terceiros que deram causa a dano ou prejuízo à entidade de previdência complementar. Parágrafo 1º O equacionamento referido no caput poderá ser feito, dentre outras formas, por meio do aumento do valor das contribuições, instituição de contribuição adicional ou redução do valor dos benefícios a conceder, observadas as normas estabelecidas pelo órgão regulador e fiscalizador. Parágrafo 2° A redução dos valores dos benefícios não se aplica aos assistidos, sendo cabível, nesse caso, a instituição de contribuição adicional para cobertura do acréscimo ocorrido em razão da revisão do plano. Parágrafo 3° Na hipótese de retorno à entidade dos recursos equivalentes ao déficit previsto no caput deste artigo, em conseqüência de apuração de responsabilidade mediante ação judicial ou administrativa, os respectivos valores deverão ser Fl. 936DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 9 9 aplicados necessariamente na redução proporcional das contribuições devidas ao plano ou em melhoria dos benefícios.” A Lei nº 6435/77, tratando especificamente das EFPP, no seus arts. 40 e 42 estabelece: Art. 40. Para garantia de todas as suas obrigações, as entidades fechadas constituirão reservas técnicas, fundos especiais e provisões em conformidade com os critérios fixados pelo órgão normativo do Ministério da Previdência e Assistência Social, além das reservas e fundos determinados em leis especiais. Art. 42. Deverão constar dos regulamentos dos planos de benefícios, das propostas de inscrição e dos certificados dos participantes das entidades fechadas, dispositivos que indiquem: I condições de admissão dos participantes de cada plano de benefício; II período de carência, quando exigido, para concessão de benefício; III normas de cálculo dos benefícios; IV sistema de revisão dos valores das contribuições e dos benefícios; V existência ou não, nos planos de benefícios de valor de resgate das contribuições saldadas dos participantes e, em caso afirmativo, a norma de cálculo quando estes se retirem dos planos, depois de cumpridas condições previamente fixadas e antes da aquisição do direito pleno aos benefícios; VI especificação de qualquer parcela destinada a fim diverso da garantia estabelecida pelo pagamento da contribuição; VII condição de perda da qualidade de participantes dos planos de benefícios; VIII informações que, a critério do órgão normativo, visem ao esclarecimento dos participantes dos planos. § 1º Para efeito de revisão dos valores dos benefícios, deverão as entidades observar as condições que forem estipuladas pelo órgão normativo do Ministério da Previdência e Assistência Social, baseadas nos índices de variação do valor nominal atualizado das Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional ORTN. § 2° Admitirseá cláusula de correção dos benefícios diversa da de ORTN, baseada em variação coletiva de salários, nas condições estabelecidas pelo órgão normativo do Ministério da Previdência e Assistência Social. § 3º Facultase às patrocinadoras das entidades fechadas a assunção da responsabilidade de encargos adicionais, referentes a benefícios concedidos, resultantes de ajustamentos em bases Fl. 937DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 10 10 superiores às previstas nos parágrafos anteriores, mediante o aumento do patrimônio liquido, resultante de doação, subvenção ou realização do capital necessário à cobertura da reserva correspondente, nas condições estabelecidas pelo órgão normativo do Ministério da Previdência e Assistência Social. § 4º Os administradores das patrocinadoras que não efetivarem regularmente as contribuições a que estiverem obrigadas, na forma dos regulamentos dos planos de benefícios, serão solidariamente responsáveis com os administradores das entidades fechadas, no caso de liquidação extrajudicial destas, a eles se aplicando, no que couber, as disposições do Capítulo IV desta Lei. § 5º Não será admitida a concessão de benefício sob a forma de renda vitalícia que, adicionada à aposentadoria concedida pela Previdência Social, exceda a média das remunerações sobre as quais incidirem as contribuições para a previdência privada nos 12 (doze) meses imediatamente anteriores à data da concessão, ressalvadas as hipóteses dos §§ 6º e 7º seguintes. (Redação dada pela Lei nº 6.462, de 09/11/77) § 6º Observada a vedação do parágrafo anterior, é permitida a fixação, a título complementar, de um percentual, desde que não supere a 25% (vinte e cinco por cento) do valor correspondente ao teto do salário de contribuição para a previdência social, a ser adicionado ao benefício concedido. (Redação dada pela Lei nº 6.462, de 09/11/77) § 7º No caso de perda parcial da remuneração recebida, será facultado ao participante manter o valor de sua contribuição, para assegurar a percepção dos benefícios dos níveis correspondentes àquela remuneração. § 8º Os pecúlios instituídos pelas entidades fechadas não poderão exceder ao equivalente a 40 (quarenta) vezes o teto do salário de contribuição para a Previdência Social, para cobertura da mesma pessoa, ressalvada a hipótese de morte por acidente do trabalho, em que o valor do pecúlio terá por limite a diferença entre o dobro desse valor máximo e o valor do pecúlio instituído pela Lei n. 6.367, de 19 de outubro de 1976. § 9º A todo participante será obrigatoriamente entregue, quando de sua inscrição, cópia do estatuto e do plano de benefícios, além de material explicativo que descreva, em linguagem simples e precisa, suas características. § 10 Se os planos de benefícios das entidades de previdência privada, vigentes à data da entrada em vigor desta Lei, previrem a concessão de complemento à aposentadoria da previdência social excedente do limite previsto nos §§ 5º e 6º, fica assegurada essa complementação aos participantes daqueles planos, nas condições vigentes, desde que tenham preenchido os requisitos necessários ao gozo do benefício, cujo direito poderá ser exercido a qualquer tempo. (Incluído pela Lei nº 6.462, de 09/11/77) Fl. 938DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 11 11 § 11 Os participantes que ainda não tenham implementado as condições a que se refere o parágrafo anterior farão jus, quando se aposentarem, àquela complementação, de acordo com as normas do plano a que estejam vinculados, mas proporcionalmente aos anos completos computados pela entidade de previdência privada até o início da vigência desta Lei. (Incluído pela Lei nº 6.462, de 09/11/77) Quanto à aplicação do disposto no artigo 69 da LC 109/01, deve se observar que o caput do citado artigo trata das contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar que são dedutíveis do imposto sobre a renda, não incidindo sobre tais contribuições, tributação de qualquer natureza. No caso, tais contribuições são aquelas devidas e pagas pelos participantes do Plano de Previdência Complementar, e a dedução à qual se refere o caput diz respeito ao imposto sobre a renda devido pelo participante e não o da entidade. O parágrafo 2º do citado artigo, trata de portabilidade de recursos de reservas técnicas, fundos e provisões entre planos de beneficiário de entidades de previdência complementar, sendo que se tal portabilidade se fizer entre planos titulados pelo mesmo participante não há incidência de tributo. Aqui não foi dito, em nenhum momento que todos os ingressos financeiros ocorridos nas entidades de previdência complementar, privadas, são isentos de tributação. O que está isento de tributação são as contribuições recebidas pelas entidades de seus participantes, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária e os aportes feitos entre duas entidades de recursos de reservas técnicas, fundos e provisões quando o beneficiário das duas entidades for o mesmo. Ou seja, apenas se as contribuições recebidas se destinarem ao custeio do plano de benefícios de natureza previdenciária estarão isentas de tributação. Se parte destas contribuições forem destinadas ao Programa Administrativo, Assistencial ou Financeiro devem sofrer tributação. Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. § 2o Sobre a portabilidade de recursos de reservas técnicas, fundos e provisões entre planos de benefícios de entidades de previdência complementar, titulados pelo mesmo participante, não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. A Superintendência de Seguros Privados – SUSEP, entidade que, consoante o art. 36 do DL 73/96, é a executora da política traçada pelo CNSP para as sociedades seguradoras e de previdência privada baixou a Resolução SUSEP nº 25/94 que no seu art. 12 define que a “Nota Tecnica Atuarial NTA é o documento elaborado pelo atuario que contem a descrição e o equacionamento técnico dos benefícios”. Fl. 939DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 12 12 A estrutura da planificação contábil das empresas de previdência privada segue o chamado modelo de “contabilidade por atividade” ou “contabilidade por centro de custos”, permitindo distinguir contabilmente cada atividade exercida e o seu resultado. Estas atividades são chamadas de programas na legislação do Sistema de Previdência Privada Complementar. A Portaria MPAS nº 4858/98 especifica regras sobre a contabilidade das EFPP, sendo que no item C do Anexo A encontrase a estrutura de Contas. As reservas técnicas são constituídas especificamente no programa de Previdência e recebem a numeração 2.3. “Estrutura de ContasPrograma de Origem 1.Ativo 1.1Disponível Investimento 1.2Realizável 1.2.1Programa Previdencial 1.2.2Programa Assistencial 1.2.3Programa Administrativo 1.2.4Programa de Investimentos 1.3Permanente Administrativo 2.Passivo 2.1Operacional 2.1.1Programa Previdencial 2.1.2Programa Assistencial 2.1.3Programa Administrativo 2.1.4Programa de Investimentos 2.2Contingencial 2.2.1Programa Previdencial 2.2.2Programa Assistencial 2.2.3Programa Administrativo 2.2.4Programa de Investimentos 2.3Reservas Técnicas Previdencial 2.4Fundos Fl. 940DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 13 13 2.4.1Programa Previdencial 2.4.2Programa Assistencial 2.4.3Programa Administrativo 2.4.4Programa de Investimentos 3.Programa Previdencial 3.1ReceitasPrevidencial 3.2DespesasPrevidencial 3.3Transferências InterprogramasPrevidencial 3.4Constituições LíquidasPrevidencial 3.5Atualização/Rev. dos Res. Exercícios AnterioresPrevidencial 3.6Destinação do Resultado do ExercícioPrevidencial 3.7Operações TransitóriasPrevidencial 4.Programa Assistencial 4.1ReceitasAssistencial 4.2DespesasAssistencial 4.3Transferências InterprogramasAssistencial 4.4Constituições LíquidasAssistencial 4.7Operações TransitóriasAssistencial 5 Programa Administrativo 5.1ReceitasAdministrativo 5.2DespesasAdministrativo 5.3Transferências InterprogramasAdministrativo 5.4Constituições LíquidasAdministrativo 5.7Operações TransitóriasAdministrativo 6 Programa de Investimentos 6.1ReceitasInvestimentos 6.2DespesasInvestimentos Fl. 941DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 14 14 6.3Transferências InterprogramasInvestimentos 6.4Constituições LíquidasInvestimentos 6.7Operações transitóriasInvestimentos 7.Encerramento do Exercício” Por sua vez são contas do item 2.3: “Código: 2.3.1.1.01 Conta : Benefícios do Plano Função: Registrar, de acordo com a Nota Técnica Atuarial, o valor atual dos benefícios a serem pagos pela Entidade aos participantes e beneficiários em gozo de benefício de prestação continuada (valor líquido, ou seja, avaliado excluindose as contribuições desses participantes e beneficiários). Funcionamento: Creditada: Pela constituição. Debitada: Pela reversão. Código: 2.3.1.1.02 Conta : ( ) Contribuições da Patrocinadora sobre os Benefícios Função: Registrar, de acordo com a Nota Técnica Atuarial, o valor atual das contribuições futuras, com prazo de vigência indeterminado, a receber das patrocinadoras, incidentes sobre os benefícios a serem pagos pela Entidade aos participantes e beneficiários em gozo de benefício de prestação continuada. O valor desta conta será nulo sempre que o plano de custeio vigente não prever contribuições da patrocinadora para financiar os benefícios já em fase de pagamento pelo plano. Funcionamento: Debitada: Pela constituição. Creditada: Pela reversão. Código: 2.3.1.1.03 Conta : ( ) Outras Contribuições da Geração Atual Fl. 942DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 15 15 Função: Registrar, de acordo com a Nota Técnica Atuarial, o valor atual das contribuições futuras com prazo de vigência indeterminado, a receber das patrocinadoras e dos integrantes da Geração Atual ainda não em gozo de benefício de prestação continuada, destinado a financiar benefícios já em fase de pagamento, excluídas tanto as contribuições já consideradas nas subContas 2.3.1.1.01 Benefício do Plano e 2.3.1.1.02 Contribuições das Patrocinadoras sobre Benefícios da Geração Atual, quanto as contribuições cujos recebimentos dependam do ingresso de novos participantes nos Planos (ou de novos empregados nas Patrocinadoras). O valor desta conta será nulo sempre que a constituição do valor atual dos benefícios, já em fase de pagamento pelo Plano, dependa tão somente de contribuições dos participantes e da patrocinadora incidentes sobre o valor dos benefícios ou não dependa mais de qualquer contribuição futura. Funcionamento: Debitada: Pela constituição. Creditada: Pela reversão. Código: 2.3.1.1.04 Conta : ( ) Outras Contribuições das Gerações Futuras Função: Registrar, de acordo com a Nota Técnica Atuarial, o valor atual das contribuições futuras, com prazo de vigência indeterminado, a receber das patrocinadoras e dos integrantes das Gerações Futuras, destinado a financiar benefícios já em fase de pagamento, incluídas tão somente as contribuições cujo recebimento dependa do ingresso de novos participantes nos Planos (ou de novos empregados nas patrocinadoras). O valor desta conta será nulo sempre que a constituição do valor dos benefícios, já em fase de pagamento pelo Plano, dependa tão somente de contribuições dos participantes e das patrocinadoras incidentes sobre o valor dos benefícios ou não dependa mais de qualquer contribuição futura. Funcionamento: Debitada: Pela constituição. Creditada: Pela reversão. Código: 2.3.1.2.01 Conta : Benefícios do Plano com a Geração Atual Fl. 943DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 16 16 Função: Registrar, de acordo com a Nota Técnica Atuarial e com o tipo de Plano (Contribuição Definida ou Benefício Definido), o seguinte: Contribuição Definida: a totalidade dos saldos efetivamente acumulados nas contas previdenciárias de participantes, que ainda não estejam em gozo de benefício de prestação continuada. Benefício Definido: o valor atual dos benefícios a serem concedidos aos integrantes da Geração Atual que ainda não estejam em gozo de benefício de prestação continuada, avaliado de acordo com a Nota Técnica Atuarial, líquido do valor atual das contribuições futuras por eles devidas quando do recebimento dos referidos benefícios. Compete ao atuário responsável, dentro da Avaliação Atuarial das Reservas Matemáticas, enquadrar os Benefícios do Plano como sendo do tipo Benefício Definido ou do tipo Contribuição Definida, podendo, considerando as características do Plano, enquadrar parte dos Benefícios como do tipo Benefício Definido ou parte como Contribuição Definida. Funcionamento: Creditada: Pela constituição Debitada: Pela reversão. Código: 2.3.1.2.02 Conta : ( ) Contribuições da Patrocinadora sobre os Benefícios da Geração Atual Função: Registrar de acordo com a Nota Técnica Atuarial, exclusivamente para os Planos de Benefício Definido, o valor atual das contribuições futuras, a receber das patrocinadoras, incidentes sobre os benefícios a serem pagos aos integrantes da Geração Atual quando estiverem em gozo de benefício de prestação continuada. Funcionamento: Debitada: Pela constituição. Creditada: Pela reversão. Código: 2.3.1.2.03 Conta : ( ) Outras Contribuições da Geração Atual Fl. 944DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 17 17 Função: Registrar de acordo com a Nota Técnica Atuarial, exclusivamente para os Planos de Benefício Definido, o valor atual das contribuições futuras, com prazo de vigência indeterminado, a serem realizadas pelas patrocinadoras e pelos integrantes da Geração Atual que ainda não estejam em gozo de benefício de prestação continuada, excluindose toda e qualquer contribuição cujo recebimento dependa do ingresso de novos participantes nesses Planos (ou de novos empregados nas patrocinadoras), bem como, as contribuições a serem recolhidas tanto pelos integrantes da Geração Atual durante o período de percepção do benefício, quanto pelas patrocinadoras sobre o valor dos benefícios a serem pagos a esses integrantes. Funcionamento: Debitada: Pela constituição. Creditada: Pela reversão. Código: 2.3.1.2.04 Conta : Benefícios do Plano com as Gerações Futuras Função: Registrar de acordo com a Nota Técnica Atuarial, exclusivamente para os Planos de Benefício Definido, o valor atual dos benefícios a serem concedidos aos integrantes das Gerações Futuras, líquido do valor atual das contribuições futuras por eles devidas quando do recebimento do benefício. Funcionamento: Creditada: Pela constituição. Debitada: Pela reversão. Código: 2.3.1.2.05 Conta : ( ) Contribuições da Patrocinadora sobre os Benefícios das Gerações Futuras Função: Registrar de acordo com a Nota Técnica Atuarial, exclusivamente para os Planos de Benefício Definido, o valor das contribuições futuras a receber das patrocinadoras, incidentes sobre os benefícios a serem pagos aos integrantes das Gerações Futuras quando estiverem em gozo de benefício de prestação continuada. Funcionamento: Debitada: Fl. 945DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 18 18 Pela constituição. Creditada: Pela reversão. Código: 2.3.1.2.06 Conta : ( ) Outras Contribuições das Gerações Futuras Função: Registrar de acordo com a Nota Técnica Atuarial, exclusivamente para os Planos de Benefício Definido, o valor atual das contribuições futuras, com prazo de vigência indeterminado, a serem realizadas pelas patrocinadoras e pelos integrantes das Gerações Futuras, incluindose tão somente as contribuições cujo recebimento dependa do ingresso de novos participantes nesses Planos (ou de novos empregados nas patrocinadoras) e que não se refiram tanto a contribuições a serem recolhidas pelos integrantes das Gerações Futuras, durante o período de percepção do benefício, quanto pelas patrocinadoras sobre o valor dos benefícios a serem pagos a esses integrantes. Funcionamento: Debitada: Pela constituição. Creditada: Pela reversão. Código: 2.3.1.3.01 Conta : ( ) Pelas Contribuições Especiais Vigentes Função: Registrar de acordo com a Nota Técnica Atuarial, o valor atual das contribuições especiais futuras já vigentes no mês a que se referirem os valores Contabilizados como Reserva a Amortizar. Funcionamento: Debitada: Pela constituição. Creditada: Pela reversão. Código: 2.3.1.3.02 Conta : Por Ajustes das Contribuições Especiais Vigentes Função: Registrar de acordo com a Nota Técnica Atuarial, a diferença entre o valor atual das novas contribuições especiais futuras, aprovadas de acordo com o Estatuto da Entidade e com Fl. 946DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 19 19 a legislação vigentes para vigorarem imediatamente, subsequentes aos que se referirem os valores Contabilizados como Reserva a Amortizar e o valor atual das contribuições especiais futuras já vigentes na data da avaliação atuarial. Funcionamento: Creditada: Pela constituição. Debitada: Pela reversão. Código: 2.3.2.1.01.01 Conta : Reserva de Contingência Função: Registrar o excedente patrimonial em relação aos compromissos totais, até o limite de 25% do total das Reservas Matemáticas. Funcionamento: Creditada: Pela transferência da Reserva de Contingência do Exercício Atual e/ou reclassificação da Reserva de Ajuste do Plano Exercício Anterior. Debitada: Pela reversão da reserva e/ou pela reclassificação para a Reserva de Ajuste do Plano Exercício Anterior. Código: 2.3.2.1.01.02 Conta : Reserva para Ajuste do Plano Função: Registrar o excedente patrimonial em relação aos compromissos totais no que superar os 25% do total das Reservas Matemáticas. Funcionamento: Creditada: Pela transferência da Reserva de Contingência de Exercício Atual e/ou reclassificação da Reserva de Contingência Exercício Anterior. Debitada: Pela reversão da reserva e/ou pela reclassificação para a Reserva de Contingência Exercício Anterior. Código: 2.3.2.1.01.03 Fl. 947DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 20 20 Conta : Fundo de Oscilação de Riscos Dec. 606/92 Função: Registrar o excedente patrimonial em relação aos compromissos totais, no que superar os 25% do total das Reservas Matemáticas. Funcionamento: Creditada: Pela Transferência de Reserva de Contingência do Exercício Atual e/ou reclassificação para a conta Reserva de Contingência – Exercício Anterior. Debitada: Pela reversão da reserva e/ou reclassificação para a conta Reserva de Contingência – Exercício Anterior. Código: 2.3.2.1.02 Conta : () Déficit Técnico Função: Registrar a insuficiência patrimonial em relação aos compromissos totais. Funcionamento: Debitada: Pela transferência do Déficit Técnico do exercício atual e/ou pela atualização monetária do saldo remanescente. Creditada: Pela reversão. Código: 2.3.2.2.01.01 Conta : Reserva de Contingência Função: Registrar o excedente patrimonial aos compromissos totais até o limite de 25% do total das Reservas Matemáticas, deduzindo o saldo já constituído até o exercício anterior, conforme conta contábil 2.3.2.1.01.01. Funcionamento: Creditada: Pela constituição. Debitada: Pela reversão e/ou transferência para Reserva de Contingência do Exercício Anterior. Código: 2.3.2.2.01.02 Fl. 948DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 21 21 Conta : Reserva para Ajuste do Plano Função: Registrar o excedente patrimonial em relação aos compromissos totais que superar 25% do total das Reservas Matemáticas, deduzindo os valores já Contabilizados em Reserva de Contingência Exercício Anterior, Reservas para Ajuste do Plano Exercício Anterior e Reserva de Contingência Exercício Atual. Funcionamento: Creditada: Pela constituição. Debitada: Pela reversão e/ou transferência para Reserva de Ajuste do Plano Exercício Anterior. Código: 2.3.2.2.01.03 Conta: Fundo de Oscilação de Riscos Decreto 606/92 Função: Registrar o excedente patrimonial em relação aos compromissos totais que superar 25% do total das Reservas Matemáticas, deduzindo os valores já contabilizados em Reserva de contingência Exercício Anterior. Funcionamento: Creditada: Pela Constituição. Debitada: Pela reversão e/ou transferência para Fundo de Oscilação de Riscos – Dec. 606/92 – Exercício Anterior. Código: 2.3.2.2.02 Conta : () Déficit Técnico Função: Registrar a insuficiência patrimonial no exercício atual em relação aos compromissos totais. Funcionamento: Debitada: Pela constituição. Creditada: Pela reversão e/ou transferência para Déficit Técnico do Exercício Anterior.” Fl. 949DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 22 22 Verificase, pois, que as a grande maioria dos registros contábeis admitidos como reserva técnica advém da contribuição dos beneficiários ou das mantenedoras, observados sempre as NTA e as chamadas reservas matemáticas e de contingência. Merece, ainda, tecermos alguns comentários acerca do que são as chamadas reservas matemáticas e as reservas de contingência. Como reservas matemáticas temos as Provisões Matemáticas de Benefícios a Conceder, Provisão Matemática de Benefícios Concedidos e a Provisão Matemática de Obrigações em Curso. A primeira, básica para todo plano, é constituída na medida em que são recebidos os pagamentos dos participantes, observadas as tabuas biométricas – índices estatísticos das probabilidades de vida e morte, de se tornar invalido, medidas por idade, e as tabuas financeiras – índices estatísticos das probabilidades de rendimento dos ativos em que são aplicados os recursos recebidos. No final de cada mês calculase o mínimo a ser destinado à provisão técnica, com base nas citadas tabuas, procedendose a escrituração contábil mediante debito na conta de resultado e a credito na conta de reserva técnica. A segunda é aquela correspondente ao evento que determina a obrigação de pagar o beneficio. E a terceira, é aquela constituída sempre que ocorre o evento que determina a obrigação de pagar o beneficio. A Provisão de Contingência de Benefícios, por sua vez, é aquela destinada à garantia de benefícios, até o limite de vinte e cinco por cento do valor das reservas ou provisões matemáticas. Vejamos, por fim, que as contas que podem ser excluídas da tributação são aquelas relativas às reservas técnicas (item 2.3). No que tange às demais receitas destinadas a quaisquer outros fins que não os acima mencionados, devem ser tributadas por expressa falta de previsão legal para se efetuar tal exclusão. Tais receitas são necessárias à manutenção da entidade, mas não ao pagamento dos benefícios, razão pela qual não podem ser excluídas da base de calculo, por não se caracterizarem como provisões ou reserva técnicas, fundos ou Programa Previdencial. A fiscalização, por sua vez, apurou o valor da COFINS devida considerando as receitas relativas aos diversos programas, registradas nas respectivas contas de resultado, as quais também foram segregadas por programas. Considerou também as deduções e exclusões previstas na legislação de vigência sobre a matéria, conforme constante da descrição dos fatos, fls. 05 a 08 e planilha de fls. 18. Segundo os documentos acima mencionados foram consideradas as exclusões previstas na legislação para as EPPF. Sendo que para o Programa Previdencial (item 3 do Plano de Contas já mencionado) foram excluídas todas as parcelas de receitas destinadas à constituição de reserva técnica (única passível de exclusão, como já se disse). Para isto excluiu se da base de calculo todas as receitas lançadas na conta 3.1.0.0.00.00 e depois adicionouse a transferência feita do programa previdencial para o programa administrativo (obtido através da conta 3.3.2.3.00.00). Fl. 950DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 23 23 No que tange às receitas financeiras, apenas aquelas destinadas ao Programa Previdencial podem ser excluídas da base de calculo. Aquelas referentes aos Programas Administrativos e Assistenciais devem ser tributadas. Para atingir tal fim excluiuse o total das receitas do programa de investimentos (conta 6.1.0.0.00.00) e adicionouse as transferências feitas para o Programa Assistencial (conta 6.3.2.2.00.00) e as feitas para o Programa Administrativo (conta 6.3.2.3.00.00), acrescendose receitas de alugueis, e rendimentos equiparados na carteira imobiliária, resultados positivos de reavaliação de investimentos imobiliários, ganhos/lucros na venda de investimentos imobiliários e rendimentos/ganhos não equiparados a aplicações financeiras. Também foram consideradas, a partir da entrada em vigor da LC 109/01, as parcelas relativas às: coresponsabilidade cedidas; parcelas de contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas e o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidade, no que tange à parcela referente aos planos assistenciais. Aqui vale dizer que os rendimentos de aplicações financeiras não podem ser considerados como excluídos da base de calculo da contribuição, por falta de previsão legal a amparar tal exclusão, devendo, portanto, serem tributados. Apenas os rendimentos financeiros derivados de aplicações destinadas à constituição de reserva técnica podem ser excluídos da base de cálculo da contribuição. Quanto às receitas decorrentes da carteira imobiliária, de acordo com as regras especificas que regem tais entidades as receitas decorrentes de carteira imobiliária não podem, em absoluto, constituírem reserva técnica, como restou anteriormente comprovado. No que diz respeito aos argumentos acerca da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98 é de se verificar que, no que diz respeito à apreciação de matéria versando sobre inconstitucionalidade de lei pela esfera administrativa, filiamonos à corrente doutrinaria que afirma a sua impossibilidade. O julgamento administrativo está estruturado como atividade de controle interno de atos praticados pela própria Administração, apenas no que concerne à legalidade e legitimidade destes atos, ou seja, se o procedimento adotado pela autoridade fiscal encontrase balizado pela lei e dentro dos limites nela estabelecidos. No exercício desta função cabe ao julgador administrativo proceder ao exame da norma jurídica, em toda sua extensão, limitando se, o alcance desta análise, aos elementos necessários e suficientes para a correta compreensão e aplicação do comando emanado da norma. O exame da validade ou não da norma face aos dispositivos constitucionais escapa do objetivo do processo administrativo fiscal, estando fora da sua competência. Themístocles Brandão Cavalcanti in “Curso de Direito Administrativo”, Livraria Freitas Bastos S.A, RJ, 2000, assim manifestase: “Os tribunais administrativos são órgãos jurisdicionais, por meio dos quais o poder executivo impõe à administração o respeito ao Direito. Os tribunais administrativos não transferem as suas atribuições às autoridades judiciais, são apenas uma das formas por meio das quais se exerce a autoridade administrativa. Fl. 951DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 24 24 Conciliamos, assim, os dois princípios: a autoridade administrativa decide soberanamente dentro da esfera administrativa. Contra estes, só existe o recurso judicial, limitado, entretanto, à apreciação da legalidade dos atos administrativos, verdade, como se acha, ao conhecimento da justiça, da oportunidade ou da conveniência que ditarem à administração pública a prática desses atos.” Segundo o ilustre mestre Hely Lopes Meireles, o processo administrativo está subordinado ao princípio da legalidade objetiva, que o rege: “O princípio da legalidade objetiva exige que o processo administrativo seja instaurado com base e para preservação da lei. Daí sustentar GIANNINI que o processo, como recurso administrativo, ao mesmo tempo que ampara o particular serve também ao interesse público na defesa da norma jurídica objetiva, visando manter o império da legalidade e da justiça no funcionamento da Administração. Todo processo administrativo há de embasarse, portanto, numa norma legal específica para apresentarse com legalidade objetiva, sob pena de invalidade.” Depreendese daí que, para estes juristas, a função do processo administrativo é conferir a validade e legalidade dos atos procedimentais praticados pela Administração, limitandose, portanto, aos limites da norma jurídica, na qual embasaramse os atos em análise. A apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exarceba a sua competência originária, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. O Estado brasileiro assentase sobre o tripé dos três Poderes, quais sejam: Executivo, Legislativo e Judiciário. No seu Título IV, a Carta Magna de 1988 trata da organização destes três Poderes, estabelecendo sua estrutura básica e as respectivas competências. No Capítulo III deste Título trata especialmente do Poder Judiciário, estabelecendo sua competência, que seria a de dizer o direito. Especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas observase que o legislador constitucional teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Atribui, o constituinte, esta competência exclusivamente ao Poder Judiciário, e, em particular ao Supremo Tribunal Federal, que se pronunciará de maneira definitiva sobre a constitucionalidade das leis. Tal foi o cuidado do legislador que, para que uma norma seja declarada inconstitucional com efeito erga homes é preciso que haja manifestação do órgão máximo do Judiciário – Supremo Tribunal Federal – que é quem dirá de forma definitiva a constitucionalidade ou não da norma em apreço. Ainda no Supremo Tribunal Federal, para que uma norma seja declarada, de maneira definitiva, inconstitucional, é preciso que seja apreciada pelo seu pleno, e não apenas por suas turmas comuns. Ou seja, garantese a manifestação da maioria absoluta dos Fl. 952DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 25 25 representantes do órgão Maximo do Poder Judiciário na analise da constitucionalidade das normas jurídicas, tal é a importância desta matéria. Toda esta preocupação por parte do legislador constituinte objetivou não permitir que a incoerência de se ter uma lei declarada inconstitucional por determinado Tribunal, e por outro não. Resguardouse, desta forma, a competência derradeira para manifestarse sobre a constitucionalidade das leis à instancia superior do Judiciário, qual seja, o Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos apreciassem a constitucionalidade de lei seria infringir disposto da própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder definida no texto constitucional. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, paginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerala inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Por ocasião da realização do 24º Simpósio Nacional de Direito Tributário, o ilustre professor, mais uma vez, manifestou acerca desta árdua questão afirmando que a autoridade administrativa tem o dever de aplicar a lei que não teve sua inconstitucionalidade declarada pelo STF, devendo, entretanto, deixar de aplicala, sob pena de responder pelos danos porventura daí decorrentes, apenas se a inconstitucionalidade da norma já tiver sido declarada pelo STF, em sede de controle concentrado, ou cuja vigência já houver sido suspensa pelo Senado Federal, em face de decisão definitiva em sede de controle difuso. Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Como da decisão definitiva proferida na esfera administrativa não pode o Estado recorrer ao Judiciário, uma vez ocorrida a situação retrocitada, estarseia dispensando o pagamento de tributo indevidamente, o que corresponde a crime de responsabilidade funcional, podendo o infrator responder pelos danos causados pelo seu ato. A impossibilidade de manifestação por parte deste Conselho acerca de inconstitucionalidade de norma jurídica já foi objeto de Sumula Vinculante nº 002. Em relação à aplicação da recente decisão do STF no que tange à inconstitucionalidade das alterações da base de calculo da COFINS e do PIS pela Lei nº 9718/98, no controle difuso da norma, para os demais contribuintes, adoto o posicionamento do Conselheiro Julio César Alves Ramos como minhas razões de decidir: Fl. 953DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 26 26 “Cumpre iniciar o seu exame pelo pleito do contribuinte para que seja imediatamente aplicada a decisão do pleno do Supremo Tribunal Federal, recentemente proferida e que, em ação individual, declarou a inconstitucionalidade das alterações promovidas pela Lei nº 9.718/98 na forma de apuração das contribuições ao PIS e à COFINS. Para tanto, porém, entendo carecerem de competência os órgãos administrativos encarregados da revisão do lançamento. É que como se sabe o inciso XXXV do artigo 5º da Carta Política da República estabeleceu o princípio da Unicidade de Jurisdição: “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de direito”. Com isso, o Poder Judiciário exerce o primado sobre o “dizer o direito” e suas decisões imperam sobre qualquer outra proferida por órgãos não jurisdicionais. Entretanto, integra, igualmente, o nosso ordenamento jurídico o princípio de que as decisões proferidas pelo Poder Judiciário, ainda que em última instância, apenas fazem coisa julgada entre as partes. Desse modo, mesmo quando o STF, no exercício do controle difuso da constitucionalidade dos atos legais editados, declare em sessão plena a inconstitucionalidade de uma lei, essa decisão produz efeitos apenas para aquele(s) que integrou(aram) a lide. A extensão dos efeitos de uma tal decisão, ainda segundo as regras emanadas da Carta Magna, depende de expedição de ato, de exclusiva competência do Poder Legislativo. Mais especificamente, Resolução do Senado Federal que suspenda a execução do ato declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (CF, art. 52, inciso X). Somente é desnecessária tal medida quando a ação que deu causa ao pronunciamento do STF for ação declaratória de constitucionalidade ou direta de inconstitucionalidade, nos ternos do art. 103 da Constituição Federal. No esteio desse entendimento, vale aqui a transcrição do art. 77 da Lei nº 9.430, de 30 de dezembro de 1996: Art. 77. Fica o Poder Executivo autorizado a disciplinar as hipóteses em que a administração tributária federal, relativamente aos créditos tributários baseados em dispositivo declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, possa: I absterse de constituílos; II retificar o seu valor ou declarálos extintos, de ofício, quando houverem sido constituídos anteriormente, ainda que inscritos em dívida ativa; III formular desistência de ações de execução fiscal já ajuizadas, bem como deixar de interpor recursos de decisões judiciais. Fl. 954DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 27 27 Com o objetivo aí previsto foi editado o Decreto nº 2.346, de 04/10/1997, cujos artigos 1º a 4º disciplinam a aplicação, em julgamentos administrativos, das decisões proferidas pelo Poder Judiciário. Confirase: Art. 1º As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto. § 1º Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão, dotada de eficácia ex tunc, produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial. § 2º O disposto no parágrafo anterior aplicase, igualmente, à lei ou ao ato normativo que tenha sua inconstitucionalidade proferida, incidentalmente, pelo Supremo Tribunal Federal, após a suspensão de sua execução pelo Senado Federal. § 3º O Presidente da República, mediante proposta de Ministro de Estado, dirigente de órgão integrante da Presidência da República ou do AdvogadoGeral da União, poderá autorizar a extensão dos efeitos jurídicos de decisão proferida em caso concreto. Art.1oA.Concedida cautelar em ação direta de inconstitucionalidade contra lei ou ato normativo federal, ficará também suspensa a aplicação dos atos normativos regulamentadores da disposição questionada. (Artigo incluído pelo Decreto nº 3.001, de 26.3.1999) Parágrafoúnico.Na hipótese do caput, relativamente a matéria tributária, aplicase o disposto no art. 151, inciso IV, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, às normas regulamentares e complementares. (Parágrafo incluído pelo Decreto nº 3.001, de 26.3.1999) Art. 2º Firmada jurisprudência pelos Tribunais Superiores, a AdvocaciaGeral da União expedirá súmula a respeito da matéria, cujo enunciado deve ser publicado no Diário Oficial da União, em conformidade com o disposto no art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. Art. 3º À vista das súmulas de que trata o artigo anterior, o AdvogadoGeral da União poderá dispensar a propositura de ações ou a interposição de recursos judiciais. Art. 4º Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Fl. 955DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 28 28 Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal Vêse que o disciplinamento do assunto é exaustivo. A hipótese ora em exame adequase à perfeição ao que dispõe o parágrafo 2º do art. 1º. Com efeito, a decisão do Supremo é definitiva e irrevogável, mas foi proferida em ação proposta por um contribuinte e não em ação declaratória de constitucionalidade ou direta de inconstitucionalidade. Ora, se assim o é, não existe permissivo para que os órgãos administrativos incumbidos do controle do ato administrativo de constituição do crédito tributário pelo lançamento, possam afastar o crédito legitimamente constituído por estender os efeitos da decisão particular, até que o Senado Federal promova, como lhe compete, tal extensão. Até lá, ainda que de forma redundante e ineficiente, cada contribuinte tem de se insurgir contra o ato já reconhecido como inconstitucional e obter decisão judicial favorável para que possa se beneficiar do entendimento do STF. Fiz questão de citar os artigos 2º e 3º do Decreto 2.346, embora os mesmos não se dirijam especificamente aos julgadores administrativos, para enfatizar que nem mesmo os demais servidores incumbidos da aplicação do direito podem deixar de aplicar a norma até que a Advocacia Geral da União faça publicar Súmula nesse sentido. Isto quer dizer que até lá, mesmo sabendo que irão inapelavelmente perder, caberá aos advogados da União promover a defesa judicial do crédito tributário. Por óbvio, não cabe cogitar de edição de Súmula Vinculante do próprio STF de que trata o art. 103A da CF. Por fim, e apenas como reforço, digase que não há no caso concreto, até pela proximidade da decisão que se quer já aplicar, qualquer pronunciamento fora do próprio STF, seja do Congresso Nacional, da Advocacia Geral da União, do Secretário da Receita Federal ou do Procurador Geral da União, o que afasta a aplicação do parágrafo único do art. 4º também acima transcrito. Fl. 956DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 29 29 É certo que o caminho adotado em nosso ordenamento jurídico (ou seja, a não vinculação imediata à decisão do STF) apenas acarreta o desperdício de recursos. Não obstante, se aplica ao caso o brocardo latino dura lex sed lex: descabendo ao servidor administrativo ( e a qualquer cidadão) deixar de cumprir a norma até que sua inconstitucionalidade produza efeitos para todos os contribuintes.” Ademais disto, entendo que para as EPP tal manifestação do STF não surte o mesmo efeito que para as demais pessoas jurídicas, pois que, para elas a tributação da COFINS foi equiparada à tributação do PIS que, já incidia sobre a receita operacional bruta, nos termos estabelecidos pela Lei nº 9701/98. Por sua vez, no que tange à exigência de juros de mora, é de se salientar que em devaneio algum pode ser acolhida tese qualquer que pretenda ler no dispositivo legal citado pela contribuinte, qual seja, o art. 161, §1°, do CTN, a determinação de que os juros tributários fixados devidamente em lei específica jamais podem ultrapassar a taxa de um por cento ao mês. Bem destaca, em sua oração subordinada adverbial condicional, tal norma que esta será a taxa “se a lei não dispuser de modo diverso (sic)”. Em nenhuma, absolutamente nenhuma, proposição normativa positivada em vigor há qualquer coisa de onde se possa extrair tal inferência. Ela é, simplesmente, tirada ex nihilo, ou seja, da própria mente de quem assim afirma, e de nada mais. E, devido a justamente isso, por mais brilhante a respeitável que seja a mente ou, rectius, o pensador, constitui mero subjetivismo. Como se trata de subjetivismo, configura algo totalmente arbitrário. Portanto, nada há de objetivo, no Direito vigorante, que tenha erigido tal vedação que possa vincular a observância por parte de outrem, ora a recorrente, pois ninguém está obrigado a acatar arbitrariedades alheias. Do contrário, a cláusula de que a lei pode estatuir em sentido diverso abre amplo leque de possibilidades, tanto para mais quanto para menos. A possibilidade de se legislar diversamente simplesmente traduz a viabilidade de que seja qualquer taxa, ou índice, que não um por cento. Não jaz ela jungida a nenhuma abertura de possibilidades menor que isto. De fato, qualquer e todos os índices numéricos diferentes de 1% constituem o algo “diverso ( índice ou taxa de juros)”. O diverso é tão somente a alteridade, eqüivalendo a afirmar: pode ser qualquer outro elemento do conjunto ( no caso, o de índices percentuais) que não aquele tomado como paradigma inicial, o mesmo. Não significa uma determinada parcela dos outros elementos do conjunto, a exemplo dos “menores que ( <)”, mas sim todos esses outros, ou seja, o conjunto total com exclusão de um único elemento ( aquele de que se deve guardar diversidade ou diferença, aqui o 1%). Logicamente, portanto, inexiste o limite para menos, como tampouco existe algum para mais. Por sua vez, como tal limite é ilógico, recai em arbitrariedade manifesta. Além disso, é justamente a exegese histórica que demonstra e comprova que os juros em discussão não podem restar jungidos à taxa de 1%, pois, consoante é consabido, tais juros ( os da taxa SELIC), além da remuneração própria do custo do dinheiro no tempo, ou seja, os juros stricto sensu, abarca a correção monetária correlata, pois é espécie de juros simples, e não de juros reais, de cuja definição ainda se prescinde em nosso ordenamento, segundo declarado pelo Colendo STF no julgamento do Adin 04/91. Ora, como esta, a correção monetária, desde a promulgação do CTN até período bem recente da nossa História, com raros Fl. 957DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 30 30 períodos de exceção, mantevese acima do 1%. Obviamente os juros também têm de estar aptos a ultrapassar tal percentual, e não inescapavelmente abaixo dele. Por tudo isso, impõese o resultado de que, havendo previsão legal do ente tributante autorizadora, os juros tributários podem ser superiores a 12% ao ano, não se podendo tresler o CTN como tão desassisadamente pretende a executada, conquanto disponha ele exatamente o contrário, de modo explícito. Outra não poderia ser a conclusão a que alçou Ricardo Lobo Torres acerca: “A critério do poder tributante os juros podem ser superiores a 1% ao mês, sem que contrastem com a lei de usura ou com o art. 192, §3°, da CF ( apud Comentários ao Código Tributário Nacional, Vol 2, coord. Ives Gandra da Silva Martins, São Paulo: Saraiva, 1998, pg. 349).” Mais divorciada ainda da realidade é a asserção de que não haveria previsão nem permissivo legal à cobrança do índice de juros em tela. Seus instrumentos legislativos veiculadores, notadamente no campo tributário, assim como o inaugural historicamente considerado, longe estão de não terem feições desta espécie. Eles são precisamente as leis 8981/95, 9069/95 ( a partir desta, havendo expressa referência à denominação “SELIC”), 9250/95, 9528/97 e 9779/99. Portanto, não apenas jaz a taxa em questão dentro da legalidade plena, como ainda isso certifica que há lei federal específica em sentido determinante da aplicação de taxa de juros em sentido diverso daquela a que se refere o CTN. Demais disso, o exame de tais leis bem demonstra outro distanciamento cabal da verdade pela recorrente. Decerto, a primeira das acima mencionadas – a Lei 8981/95 –, verbi gratia, em seu art. 84, I, já consignava expressamente que a taxa em tela seria equivalente à “taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna ( sic)”. Com isso, bem se desvela que há sim, indubitavelmente, indicação legal precisa de como se aufere e mensura tal taxa, a contrário do asseverado pela contribuinte. Significa, em outros termos, que ela traduz a taxa média do que o Tesouro Nacional necessita pagar para obter capital, vendendo títulos mobiliários federais no mercado interno. Claramente improcedente, pois, delineiase a pretensão da recorrente. Contudo, poderia ainda haver imprevisão legal específica que não traduziria ofensa à legalidade e à tipicidade. Decerto, no art. 25, I, dos ADCT, consagrou o legislador constituinte que as competências normativas atribuídas pela CF ao Congresso Nacional ( no caso as leis ordinárias) que houvessem sido objeto de delegação a órgão do Executivo poderiam quedar prorrogadas. Tal prorrogação ocorreu pelas sucessivas MPs editadas, na hipótese da competência normativa do CMN, consubstanciandose em definitivo nas Leis 7763/89, 7150/83, 9069/95. Com isso, as disposições de fórmulas do CMN sobre como se efetuar o cômputo dos índices de juros no caso da taxa SELIC mantêmse hoje com força de lei, à ausência de disposição parlamentar em contrário, mas antes nessa direção. Menor ainda é o azo de que a taxa de juros não pode ser cobrada por jazer sujeita às flutuações econômicas. Acaso a correção monetária, por definição, não é um índice variável sujeito a tais flutuações? Obviamente que sim. Entretanto, nem se há de sonhar que não possa ser cobrada, premiando os devedores renitentes, como é o caso da contribuinte. Mutatis mutandi idêntica lógica há de ser emprestada à taxa em questão, impondose a rejeição imediata de tal argumento da recorrente. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 31 31 Por fim, a alegação de que o BACEN venha a definir a aludida taxa maior reprimenda ainda merece. De fato, em primeiro lugar, tem de se destacar que as normas regulamentares para aferição desse índice matemático não decorrem do Banco Central, mas sim do CMN. A depois, impende considerar que o quanto regulamentado nesse âmbito, uma vez já definida ser a taxa a média mensal das captações dos títulos da dívida pública mobiliária federal interna, emergem como meras disposições técnicas, sendo bem por isso própria do campo do regulamento, e nunca de lei. Igual fenômeno ocorre com a apuração da correção monetária. Quais produtos ou serviços terão seus preços aferidos para tanto, qual o peso ou proporção que cada um deles terá no resultado final, que locais do país serão objeto da pesquisa, bem como que proporção terão na fórmula de cálculo, se é que terão, durante que período haverá essa aferição, com qual periodicidade, que método exponencial empregará a fórmula matemática, tudo isso, dentre outros elementos, é objeto exclusivo de disposição regulamentar infralegal, no cômputo da correção ou desvalorização monetária ( razão, aliás, pela qual diferentes institutos de pesquisa atingem resultados diversos, pois suas fórmulas são diferentes). Se assim se procede em relação à correção monetária, diverso não pode ser acerca dos juros, ressalvada a hipótese de percentual fixo. Por conseguinte, nada de ilegítimo ou reprimível há na aferição desenvolvida. Por derradeiro, a arguição de que o índice de juros utilizado seria remunertório, escapando ao caráter moratório, não apresenta qualquer coima que comprometa o montante cobrado. Com efeito, a distinção empreendida nas denominações atribuídas aos juros de serem eles remuneratórios, moratórios, compensatórios, inibitórios, retributivo, de gozo, de aprazamento ou qualquer outra não identifica nenhum elemento próprio de sua essência jurídica. Antes, correspondem a elementos extrínsecos à mesma, residentes na teleologia de sua cobrança. São, pois, fatores heterônimos à sua concepção jurídica, servindo tão somente ao seu discurso justificatório. São os juros frutos civis do capital, segundo é amplamente consabido. Originamse eles da produtividade e da rentabilidade potenciais do capital. Esse, o capital, é apto a gerar mais capital acaso utilizado a tanto. Por conta disso, o uso ou a retenção do capital de alguém por outrem, tolhe esse alguém de empregar seu capital, gerandolhe renda a ser incorporada ao seu patrimônio, ao passo que permite aquele outro que o retém a gerar para si os frutos correspondentes a esta parcela de capital. Em contrapartida, aquele que subtrai tal uso do capital de seu proprietário lídimo, retendoo consigo, ainda que seja por ato meramente contratual, jaz jungido a lhe transferir os rendimentos que este capital produz. Assim, são os frutos apenas desse capital que cristalizam a essência do juro. Tampouco se deve confundir os próprios juros com sua respectiva taxa. Essa somente traduz o índice matemático, geralmente expresso em percentual ou em mero valor acrescido e embutido na parcela do capital a restituir. Seria, pois, uma razão, um numerário, mesmo que consignado sob modos de cálculo diversos, enquanto os juros são o próprio quid que essa expressão matemática traduz, em termos de acréscimos potencializados ao capital. Os predicativos de moratório, remuneratório, compensatório, etc., a par da contigente variação doutrinária no manuseio da denominação, espelham a causa efficiens usada para embasar a obrigação do pagamento dos juros. Seriam o porquê de se dever pagálos. São, com isso, conforme acima antecipado, elementos estranhos à essência da coisa. Como são alienígenas à coisa, não podem ser empregados para sua definição. A sua vez, como são impróprios à sua definição, são absolutamente imprestáveis à sua identificação, podendo sim identificar a razão inspirante daquela obrigação de se dever os juros, mas não estes Fl. 959DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 32 32 propriamente ditos. O cerne de sua essência é o de serem frutos civis do capital, sendo, pois, este o componente que se revela como uma constante identificadora dos juros ubiquamente. Outro não é o entendimento consolidado na doutrina, a respeito da jaez dos juros, invariavelmente: “Os juros são os frutos civis, constituídos por coisas fungíveis, que representam o rendimento de uma obrigação de capital. São, por outras palavras, a compensação que o obrigado deve pela utilização temporária de certo capital, sendo o seu montante em regra previamente determinado como uma fracção do capital correspondente ao tempo da sua utilização (Antunes Varela. Das Obrigações em Geral. Vol I. 10a ed.. Coimbra: Almedina, 2000, pg. 870, com grifos do original).” Assim, pelo fato de que tanto nas hipóteses de serem devidos por ocasião da mora quanto nas de remuneração de empréstimos de capital ou ainda nas de recomposição de um dano, os juros conservam e mantém a mesma natureza identificadora. Pouco importa que sejam eles devidos para recompensar um capital imobilizado ou disponibilizado a outrem ou para compensar os frutos que aquele capital podia ter rendido ao seu dono se tivesse sido entregue no termo devido, pois conservam eles a mesma feição, sendo todos elementos congêneres, em relação a sua natureza, somente se modificando o fator teleológico do dever de seu pagamento, que não o integra evidentemente. Em virtude disso, no âmbito da tributação como o aqui divisado, a predicação “moratória” apenas identifica a causa obrigacional dos juros, mas não eles próprios. Eles conservamse com a idêntica natureza e feição dos assim chamados “juros remuneratórios” por impropriedade técnicolinguística. Em função disso, os juros aqui cobrados continuam a ser frutos ou rendimentos do capital, bem como o motivo que embasa sua cobrança remanesce sendo o moratório, apenas havendo emprego de índice, ou seja, expressão matemática quantificadora dos juros, em caráter flutuante, ao invés de fixo, o que não afronta nenhuma norma vigorante, antes faz cumprir várias, conforme acima elencadas. O índice matemático configura apenas a taxa dos juros, não o juro em si. Esse, como já demonstrado, constitui o rendimento do capital, ao passo que a taxa emerge unicamente como o elemento de quantificação da obrigação, cujo aspecto material remanesce sendo o de pagar os juros, vale dizer, os frutos civis do capital. Juros esses que apenas têm sua extensão (rectius montante, tratandose de obrigação pecuniária) determinada, ou determinável, pela taxa, mas não vem a ser ela, ou então sequer se poderia estar a cogitar da mensuração de uma coisa por outra, como ocorre aqui. Não se deve, nem se pode, pois, confundir e amalgamar os juros com a taxa dos juros. Bastante precisa nesse sentido é a preleção de Letácio Jansen, a propósito: “Na linguagem corrente, a taxa e os juros muitas vezes se confundem: dizse, por exemplo, que a taxa é periódica, de curto ou longo prazo, ou que é limitada, quando se quer dizer que os juros são periódicos, de curto ou longo prazo, ou que são limitados. Juridicamente, porém, não se devem confundir as noções de taxa e de juros. (Panorama dos Juros no Direito Brasileiro. Rio de Janeiro: Lúmen Júris, 2002, pg 31).” Fl. 960DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 33 33 Podese, pois, alcançar, enfim, o arremate, sem laivos de dúvidas, de que a taxa SELIC obedece a devida legalidade, não havendo inconstitucionalidade qualquer nela, à similitude da TRD, nesses aspectos levantados, de maneira a inocorrer vício que desautorize sua aplicação, sendo, pelo contrário, essa imperiosa, como necessidade de respeito aos preceitos legais vigentes disciplinadores da matéria. De idêntica forma já se manifestou, a propósito, a Subprocuradoria Geral da República, nos autos do R. Esp. 215881/PR: “Como se constata, o SELIC obedeceu ao princípio da legalidade e da anterioridade fundamentais à criação de qualquer imposto, taxa ou contribuição, tornandose exigível a partir de 1.1.1996. E, criado por lei e observada a sua anterioridade. O SELIC não é inconstitucional como se pretende no incidente. Tampouco o argumento de superação do percentual de juros instituído no CTN o torna inconstitucional, quando muito poderia ser uma ilegalidade, o que também não ocorre porque se admite a elevação desse percentual no próprio Código.” No mérito, portanto, mais do que incontendível troveja ser a total improcedência das alegações da recorrente, não se impondo outra alternativa além daquela de as refutar de pronto. Conforme determinação legal, adotase o percentual estabelecido na lei como juros de mora. Em sendo a atividade de fiscalização plenamente vinculada, não há outra medida que não seja a estrita obediência ao que dispõe a lei, nos termos do art. 142 do CTN: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional..” Cumpre, a esse passo, afastar também o argumento de que houve confisco, em virtude da aplicação, pela AuditoriaFiscal, da penalidade de 75% da contribuição. A limitação constitucional que veda a utilização de tributo com efeito de confisco não se refere às penalidades. E a penalidade de 75% da contribuição, para aquele que infringe norma legal tributária, não pode ser entendida como confisco. O não recolhimento da contribuição (base da autuação ora em comento) caracteriza uma infração à ordem jurídica. A inobservância da norma jurídica importa em sanção, aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é conseqüente. Ressaltese que em nosso sistema jurídico as leis gozam da presunção de constitucionalidade, sendo impróprio acusar de confiscatória a sanção em exame, quando é sabido que, nas limitações ao poder de tributar, o que a Constituição veda é a utilização de Fl. 961DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 34 34 tributo com efeito de confisco. Esta limitação não se aplica às sanções, que atingem tão somente os autores de infrações tributárias plenamente caraterizadas, e não a totalidade dos contribuintes. A seu turno, o Código Tributário Nacional autoriza o lançamento de ofício no inciso V do art. 149, litteris: Art. 149. O lançamento é efetivado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: ................................................. V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte. O artigo seguinte 150 citado ao término do inciso V acima transcrito, trata do lançamento por homologação. A não antecipação do pagamento, prevista no caput deste artigo, caracteriza a omissão prevista no inciso citado, o que autoriza o lançamento de ofício, com aplicação da multa de ofício. Quanto a alegada agressão a capacidade contributiva da autuada, deve ser ressaltado que o princípio constitucional da capacidade contributiva é dirigida ao legislador infraconstitucional, a quem compete observálo quando da fixação dos parâmetros de incidência, alíquota e base de cálculo. A competência da administração resumese em verificar o cumprimento das leis vigentes no ordenamento jurídico, exigindo o seu cumprimento quando violadas, como é o caso vertente. Assim sendo, estando a situação fática apresentada perfeitamente tipificada e enquadrada no art. 44, da Lei n.º 9.430/96, que a insere no campo das infrações tributárias, outro não poderia ser o procedimento da fiscalização, senão o de aplicar a penalidade a ela correspondente, definida e especificada na lei. Art. 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Diante do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. Sala das Sessões, em 25 de maio de 2010 NAYRA BASTOS MANATTA Fl. 962DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 35 35 Voto Vencedor Fui designado através do processo como relator “ad hoc” para confeccionar o voto vencedor do presente acórdão em razão de o relator originalmente designado para confeccionar o voto vencedor, Cons. Leonardo Siade Manzan, não mais integrar esta Câmara. Da sumula da r. decisão verificase que a d. Maioria deu provimento ao recurso, para excluir a tributação da entidade referente aos fatos geradores ocorridos após dezembro de 1999. Consoante relato realizado pela Ilustre Presidente desta Turma, Dra. Nayra Bastos Manatta, tratam os presentes autos da incidência da COFINS, ou nãoincidência, sobre as atividades desenvolvidas por Entidades de Previdência Privada. A contribuinte defende que não há base de cálculo suscetível à incidência da referida Contribuição, com base no art. 69, § 1º, da LC 109/01, que assim dispõe: Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Aduz, ainda, que deve ser aplicada a decisão do E. STF sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Contribuição levada a efeito pela Lei 9.718/98, por seu art. 3º, § 1º. Neste ponto que divergiu a d. maioria eis que a base de cálculo da Cofins à época era o faturamento mensal, que correspondia à venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, não incluindo, por conseguinte, nenhuma outra operação ou atividade não enquadradas neste conceito, sendo inconstitucional o alargamento da base de cálculo levado a efeito pela Lei n.º 9.718/98, conforme julgado pelo Colendo Supremo Tribunal Federal. A respeito desse tema, mister citar o voto condutor do RV 129637: “Em 29 de outubro de 1998 (DOU de 30/10/98) foi adotada a Medida Provisória nº 1.724, convertida, em 27 de novembro de 1998 (DOU de 28/11/98), na Lei nº 9.718, cujos artigos 2º e 3º pretenderam alterar a bases de cálculo da contribuição ao PIS para a totalidade das receitas. A ampliação da base de cálculo pretendida pela Lei nº 9.718 citada foi rejeitada pelo e. Supremo Tribunal Federal que, recentemente, por ocasião do julgamento dos Recursos Extraordinários nº 357950, 390840, 358273 e 346084, em 9 de novembro de 2005, declarou a inconstitucionalidade § 1º do artigo 3º, em razão de ofensa ao disposto no artigo 195, inciso I da Constituição Federal vigente, que determinava, à época da Fl. 963DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 36 36 edição da medida provisória e da lei em comento, fossem as contribuições sociais calculadas com base no faturamento, folha de salários ou lucro. Como se pode observar, a base de cálculo do PIS, conforme disposto na Constituição vigente à época da edição da lei não permitia a incidência sobre a totalidade das receitas. Somente com a promulgação da Emenda Constitucional nº 20, aprovada em sessão do Congresso Nacional, de 1º de dezembro de 1998 e publicada no DOU de 16/12/98, é que foi modificado o artigo 195, inciso I da CF/88, ampliando a competência para instituição de contribuições sociais sobre a totalidade das receitas. A exigência das referidas contribuições com base no valor da totalidade das receitas, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999 (90 dias contados da edição da Medida Provisória nº 1.724, com pretendida observância do princípio da anterioridade mitigada, inscrito no § 6º do artigo 195 da CF/88), ofendeu, portanto, o ordenamento jurídico do país, principalmente porque a vigência e a eficácia das leis estão subordinadas a uma condição prévia de existência e validade em nível jurídico. Receita e Faturamento têm conceitos jurídicos distintos, conforme já havia decidido o e. Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 150.7551, nos termos do voto do Relator Min. Sepúlveda Pertence, a seguir parcialmente transcrito: “Resta, nesse ponto, o argumento de maior peso, extraído do teor do art. 28 analisado: não se cuidaria nele de contribuição incidente sobre o faturamento – hipótese em que, por força do art. 195, I, se entendeu bastante a instituíla a lei ordinária mas, literalmente, de contribuição sobre a receita bruta, coisa diversa, que, por isso, só poderia legitimarse com base no art. 195, § 4º, CF, o qual, para a criação de outras fontes de financiamento da seguridade social, determinou a observância do art. 154, I, e, portanto, da exigência de lei complementar no último contida.”(original não grifado) No julgamento acima referido, o E. STF entendeu que não havia incompatibilidade no disposto pelo art. 28 da Lei nº 7.738/89 (Finsocial das empresas prestadoras de serviços) com o art. 195, I da CF/88 porque o conceito de receita no primeiro previsto, caso se adotasse o entendimento de que o referido conceito seria aquele definido nos termos do art. 22 do Decretolei nº 2.397/97, levaria à inevitável conclusão de que receita bruta seria apenas aquela estritamente decorrente do faturamento. Acompanhando o voto do Relator, o Min. Moreira Alves assim se pronunciou sobre a específica questão: (...) pareceme que, por via de interpretação, se possa tomar receita bruta, aqui, como a decorrente de faturamento... Fl. 964DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 37 37 (...) “Adotando essa interpretação restritiva de receita bruta – e afasto a objeção decorrente do art. 110 do Código Tributário Nacional, pois essa exegese equipara, no caso, a receita bruta à resultante do faturamento, e assim se amolda à Constituição que se refere a este acompanho, com a devida vênia, o eminente Ministro Sepúlveda Pertence”. No caso da Lei nº 9.718/98, ora sob censura, sequer havia possibilidade de se adotar uma tal interpretação restritiva, se considerado apenas o texto da lei, porque, de acordo com o disposto nos arts. 2º e 3º, andou mal o legislador no sentido de pretender equiparar ao faturamento a totalidade das receitas: exatamente o contrário do que a ele seria permitido, considerada a restrição do art. 195, I da CF/88: Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Somente com a nova redação do inciso I do art. 195 da CF, dada com a promulgação da EC nº 20 (DOU de 16.12.98), é que passou a ser possível a instituição de contribuição social sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica, sem a necessidade de observância do art. 154, I (lei complementar, etc.), aplicável por remissão expressa do § 4º do art. 195 da CF (competência residual) para os casos de fontes de custeio não previstas no inciso I. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF, proposta pelo Presidente da República, integrantes das Mesas do Senado e da Câmara dos Deputados da época ficou consignado que: (...) O D.L. nº 2.397/87, que alterou o DL nº 1.940/82, em seu artigo 22, já havia conceituado a receita bruta do artigo 1º, parágrafo 1º, do mencionado diploma legal como sendo a “receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços”, conceito este que coincide com o de faturamento, que, para fins fiscais, foi sempre entendido como o produto de todas as vendas...”(Revista Dialética de Direito Tributário, Ed. Dialética, 1997, pg. 84) Até a edição da malsinada Lei nº 9.718/98 (que estabeleceu a lógica: faturamento = receita bruta = total das receitas), o conceito receita bruta para fins de PIS e de Cofins foi sempre Fl. 965DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 38 38 correspondente ao de faturamento, opinião de consenso nos três poderes da república (a lógica anterior era: faturamento = receita bruta a ele correspondente). Por outro aspecto, a partir da nova competência outorgada pela Constituição Federal, para a instituição de tributo (as contribuições de financiamento da seguridade social são espécies do gênero tributo) seria necessária a edição de nova lei, sem o que restaria no mundo jurídico, apenas, uma competência outorgada ainda pendente de exercício. No caso específico, há que se considerar que a EC nº 20 foi aprovada em sessão do Congresso Nacional de 01.12.98, data posterior à de conversão da Medida Provisória nº 1.724 na Lei nº 9.718 (em 27.11.98). Leo Krakowiak lembra que ... “o Supremo Tribunal Federal, em várias oportunidades, já reconheceu que uma regra introduzida na Carta Magna por Emenda Constitucional não convalida vício anterior de inconstitucionalidade. Ao contrário, confirma a inconstitucionalidade do regime anterior ...” (“Grandes Questões Atuais do Direito Tributário” – “A Contribuição para o Finsocial, as Instituições Financeiras e as Empresas Prestadoras de Serviços, Ed. Dialética, 1997, pg. 152) O vício originário de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718 impossibilitou, portanto, a sua convalidação. Cumpre observar que a Constituição Federal de 1988 estabeleceu que a competência para apreciar a constitucionalidade das leis é do Supremo Tribunal Federal, cabendo aos órgãos administrativos aplicar o entendimento por ele firmado. Neste sentido dispõe o Decreto nº 2.346/97, nestes termos: “Art. 1º As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos os procedimentos estabelecidos neste Decreto”. Em razão desses fundamentos, s.m.j., a d. Maioria deu provimento ao recurso para ser excluídas da base de cálculo da COFINS todas as demais receitas que não sejam provenientes do faturamento, conforme entendimento firmado pelo STF, que, no caso em tela, correspondem às contribuições dos beneficiários do plano administrado pelo SARAH PREVIDÊNCIA e a rentabilidade auferida em aplicações financeiras, estas últimas por constituírem receitas financeiras. FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator “ad hoc” do voto vencedor. Fl. 966DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 340200.612 S2C2T2 Fl. 39 39 Fl. 967DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA
score : 1.0
Numero do processo: 10314.002219/2001-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 25 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon May 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Ano-calendário: 1995
IPI. DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO FALSA. MULTA REGULAMENTAR.
A mera existência de DI falsa constatada em inquérito policial em que não se imputou à contribuinte a responsabilidade por essa falsidade, sem que tenha havido comprovação da efetiva importação das mercadoria descritas nessa DI, tampouco a comprovação do ingresso dessas mercadorias no estoque da contribuinte, não oferece suporte fático para a aplicação da penalidade
prevista no art. 365, inc. I, do RIPI/82.
NOTA FISCAL. EMISSÃO SEM SAÍDA EFETIVA. INDÍCIOS. MULTA
REGULAMENTAR.
A exigência de multa regulamentar pela emissão de nota fiscal que não corresponda à saída efetiva do produto nela descrito do estabelecimento do emitente não pode fundamentar-se em fatos indiciários dessa infração, especialmente, quando há registro de exportação averbado do produto e a fiscalização não logra produzir provas capazes de descaracterizar tais registros, que indicam a saída do produto para exportação.
Recursos de Oficio Negado e Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-000.604
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) em negar provimento ao recurso de oficio; e II) em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Ano-calendário: 1995 IPI. DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO FALSA. MULTA REGULAMENTAR. A mera existência de DI falsa constatada em inquérito policial em que não se imputou à contribuinte a responsabilidade por essa falsidade, sem que tenha havido comprovação da efetiva importação das mercadoria descritas nessa DI, tampouco a comprovação do ingresso dessas mercadorias no estoque da contribuinte, não oferece suporte fático para a aplicação da penalidade prevista no art. 365, inc. I, do RIPI/82. NOTA FISCAL. EMISSÃO SEM SAÍDA EFETIVA. INDÍCIOS. MULTA REGULAMENTAR. A exigência de multa regulamentar pela emissão de nota fiscal que não corresponda à saída efetiva do produto nela descrito do estabelecimento do emitente não pode fundamentar-se em fatos indiciários dessa infração, especialmente, quando há registro de exportação averbado do produto e a fiscalização não logra produzir provas capazes de descaracterizar tais registros, que indicam a saída do produto para exportação. Recursos de Oficio Negado e Voluntário Provido.
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MULTA REGULAMENTAR. AUTO DE INFRAÇÃO, Recorrentes COMPANHIA BRASILEIRA DE BEBIDAS E DRJ EM RIBEIRÃO PRETO- SP FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Ano-calendário: 1995 IPI. DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO FALSA. MULTA REGULAMENTAR. A mera existência de DI falsa constatada em inquérito policial em que não se imputou à contribuinte a responsabilidade por essa falsidade, sem que tenha havido comprovação da efetiva importação das mercadoria descritas nessa DI, tampouco a comprovação do ingresso dessas mercadorias no estoque da contribuinte, não oferece suporte fático para a aplicação da penalidade prevista no art. 365, inc. I, do RIPI/82. NOTA FISCAL. EMISSÃO SEM SAÍDA EFETIVA. INDÍCIOS. MULTA REGULAMENTAR. A exigência de multa regulamentar pela emissão de nota fiscal que não corresponda à saída efetiva do produto nela descrito do estabelecimento do emitente não pode fundamentar-se em fatos indiciários dessa infração, especialmente, quando há registro de exportação averbado do produto e a fiscalização não logra produzir provas capazes de descaracterizar tais registros, que indicam a saída do produto para exportação. Recursos de Oficio Negado e Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) em negar provimento ao recurso de oficio; e II) em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora, Vlanatta - Presidente elatorafita Olivarã Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Ali Zraik Júnior, Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Leonardo Siade Manzan e Nayra Bastos Manatta. Relatório Contra a pessoa jurídica qualificada nestes autos foram lavrados autos de infração para formalizar a exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (112I) devido na importação, por ter a contribuinte, beneficiária do regime aduaneiro de drawbaek, na modalidade suspensão, descumprido o compromisso de exportar os produtos para cujo processo produtivo foram destinadas as importações. De acordo com o Relatório Fiscal constante das fls. 30 a 37, foram constatadas as seguintes irregularidades relacionadas aos atos concessórios: a) n° 18-94/039-6, às fls, 178 a 225 — no relatório de comprovação do dtawback, foram relacionados vinte e três registros de exportação cancelados, em virtude de não se ter efetivado o despacho de exportação no período de validade dos registros, evidenciando-se, pois, exportações que não ocorreram; b) n 18-941255-0, às fls. 249 a 272 — no relatório de comprovação do drawback, catorze registros de exportação foram relacionados em duplicidade; e) n" 0018-941000324-7, às fls, 281 a 303 — a exportação foi extemporânea, visto que a prorrogação de prazo pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) foi totalmente ilegal, pois o pedido de prorrogação foi protocolizado quase um ano após o vencimento do prazo, e, também, o registro de exportação n" 95/0802909 relacionado no relatório de comprovação é inexistente; d) ri° 0018-94/000477-4, às fls. 387 a 389 — constatou-se, na ação fiscal de que resultou o processo n° 13805,003084/95-63, a falsidade da única Decalaração de Importação (Dl) vinculada a esse aro concessório. Contudo, a exigência formalizada naquele processo refere-se apenas à multa prevista no art. 365, inc. I, do Decreto ri° 87.981, de 23 de dezembro de 1982 Regulamento do IPI (Ripi/82), cabendo aqui, uma vez que, de acordo com o relatório de comprovação, não houve nenhuma exportação, o lançamento do IPI que fora suspenso por ocasião da importação; e e) n°0018-95/000076-3, às fls. 395 a 397 — constatou-se que a Declaração de Importação n° 47.277, às fls. 398 a 402, foi considerada falsa, conforme relatório da Delegacia de Polícia Federal em Santos, incorrendo a contribuinte na infração cuja penalidade está prevista no art. 365, inc_ 1, do Ripi/82; e, como não comprovou as exportações, deve ser lançado o IPI correspondente à importação fraudulenta. 2 Processo n° 10314 002219/2001-52 S3-C4T2 Acórdão n ° 3402-00„604 Fl. 2 Quanto ao ato concessório referido no item "e" acima, foi lavrado o auto de infração das fls. 13 a 20, em virtude de se ter verificado que algumas notas fiscais de saída dos produtos exportados referem-se a placas de veículos sem registro no Renavam ou de veículos que não possuem capacidade para o transporte da carga discriminada na nota, inferindo a fiscalização que os produtos relacionados nessas notas fiscais não saíram efetivamente do estabelecimento da contribuinte, incorrendo-se na infração referida no art. 365, inc, II, do Ripi/82, e no descumprimento do compromisso de exportação, o que reclama o lançamento do IPI que fora suspenso na importação. Em face disso, relativamente aos atos concessórios n° 18-94/039-6, n° 18- 94/255-0 e n° 0018-94/000324-7, este último quanto às exportações extemporà'neas e as relativas às notas fiscais emitidas sem a saída dos produtos, foi formalizada a exigência do IPI e da multa de 75% (setenta e cinco por cento) aplicável nos lançamentos de oficio, além dos juros moratórios. Quanto à parte da exigência referente às duas DI falsas (subitens 2,4 e 2,5,2 do relatório fiscal), a multa foi qualificada, em virtude das fraudes constatadas, e, para a DI falsa relativa ao ato concessório n° 0018-95/000076-3 e as notas fiscais irregulares, foi aplicada penalidade pecuniária igual ao valor das mercadorias, conforme incs I e II do art, 365 do Ripi/82, respectivamente. Tendo em vista que, em virtude das diferentes matérias, são diversas as competências para julgamento, procedeu-se à separação da exigência tributária, conforme despacho à fl. 2.299 e termo de recepção de crédito tributário às fls. 2,300 a 2.302, permanecendo nestes autos apenas a exigência das multas capituladas no art. 365, incs. I e II, do Ripi/82 (auto de infração das fls. 24 a 29). Os autos de infração foram impugnados e a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto-SP (DRJ/RPO) julgou procedente em parte a exigência tributária que permaneceu neste processo, nos termos do Acórdão constante das fls, 2.438 a 2.446, para cancelar o lançamento da multa regulamentar referida no art. 365, inc, I, do supracitado Ripi/82, por ausência de prova da entrada das mercadorias supostamente importadas de forma fraudulenta ou irregular no estabelecimento da contribuinte. Dessa decisão a DRJ/RPO recorreu de oficio e a contribuinte interpôs o recurso voluntário das fls, 2.459 a 2.467 para alegar, em síntese, que: I — os veículos que transportaram a carga foram enviados pelo importador e, portanto, irregularidades relativas a esses veículos não podem ser atribuídas à exportadora; II — não se sabe nem mesmo se os veículos transportadores são do Brasil ou do país importador, o que demonstra a impropriedade da pesquisa efetuada no Renavam; III — uma vez que foi verificada a regularidade das exportações, não é lícita a presunção de que elas não ocorreram com base em mero levantamento de placas de veículos constantes das notas fiscais emitidas; e IV — não se pode privilegiar os dados obtidos no sistema Reinavam e desconsiderar as exportações registradas e averbadas no Siscomex, pois a presunção decorrente da inadequação dos veículos transportadores das cargas não pode excluir o valor brobatório dos registros de exportação correspondentes a cada nota fiscal questionada, :NO 3 Ao final, solicitou a recorrente a manutenção do cancelamento de parte da exigência tributária pela instância recorrida e o provimento do seu recurso para cancelar integralmente o auto de infração ou, subsidiariamente, de acordo com os arts, 474 e 475 do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 — Regulamento do IPI (Ripi/2002), a redução da penalidade imposta, tendo em vista sua inequívoca boa-fé, na situação relatada nestes autos. É o relatório. Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira, Relatora Os recursos, de oficio e voluntário, são tempestivos e tratam de matéria inserta na esfera de competência da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), por isso devem ser conhecidos. Quanto ao recurso de oficio, note-se que não se trata aqui de se comprovar a regular ou irregular importação das mercadorias, mas, sim, de se comprovar, a favor do Fisco, que a importação referida na DI n° 47,277 efetivamente ocorreu e as mercadorias nela descritas ingressaram no estabelecimento da recorrente, visto estar-se tratando de DI falsa em que não se confirmou a autenticidade da assinatura da autoridade fiscal nela aposta, conforme relatório da Delegacia de Polícia Federal "A" em Santos-SP, à fl, 58. Ora, não consta dos autos nenhuma prova de ingresso das mercadorias em questão no estabelecimento da recorrente e a autuação decorreu apenas da constatação oficial, mediante inquérito policial, de falsidade da DI, inquérito esse que sequer atribuiu responsabilidade à recorrente por essa falsidade. Assim, faltou à peça fiscal a necessária comprovação de que foi realizada a importação das mercadorias referidas na DI falsa e de que tais mercadorias teriam ingressado no estoque da contribuinte. Observe-se que, quanto à falsidade da DI, não há controvérsia. A própria recorrente a denunciou para informar que as mercadorias não entraram no seu estabelecimento e a fiscalização, ao acusar que a falsidade teria ocorrido com vista a dar aparência legal a uma importação clandestina, deveria ter angariado o suporte documental para comprovar a efetiva importação e o ingresso dos bens importados no estabelecimento da recorrente e, com isso, imprimir certeza a essa acusação, que, ao cabo, constitui mera presunção desprovida de autorização legal. Assim sendo, há que se negar provimento ao recurso de oficio. A matéria objeto do recurso voluntário diz respeito à imposição da penalidade igual ao valor comercial da mercadoria aos que emitirem nota fiscal, fora dos casos permitidos no regulamento, que não corresponda à saída efetiva do estabelecimento da emitente das mercadorias nela descritas. Na situação em exame, as notas fiscais foram emitidas para destinar à exportação produtos elaborados pela recorrente e, tendo a fiscalização verificado que os veículos indicados para o transporte das cargas não possuíam capacidade para acomodá-las, concluiu que tais produtos não saíram do estabelecimento emitente das notas fiscais, não obstante tenham-se confirmado os registros de exportação e sua averbação no Siscomex, conforme informação da unidade de origem fornecida em atenção à diligência determinada pela DRI/RPO. Processo n° 10314 002219/2001-52 Acórdão n O 3402-00,604 S3-C4T2 F1 3 Destarte, a fiscalização, diante de indícios de conduta inflacionária, ao invés de proceder a investigação minuciosa com vista a angariar elementos probatórios para imprimir certeza à acusação de que a recorrente incorrera na situação típica do art 365, inc. II, do Ripi/82, procedeu à autuação sem, ao menos, indicar fatos capazes de contestar a veracidade dos registros de exportação averbados. Sendo assim, o que se tem nos autos são indicativos da ocorrência da exportação e, portanto, da saída dos produtos do estabelecimento emitente das notas fiscais, e indícios de que tais produtos não foram transportados pelos veículos indicados nessas notas. Contudo, o Fisco não logrou provar a inocorrência das exportações, tampouco a permanência dos produtos no estoque do estabelecimento da recorrente. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de oficio e dar provimento ao recurso vOuntário. 5
score : 1.0
Numero do processo: 13818.000084/2004-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 30 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Apr 30 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 1999, 2000
SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA DE ETAPA DE VENDA. RESSARCIMENTO.
O ressarcimento ao consumidor final, pessoa jurídica, do PIS e da Cofins pago pelas refinarias de petróleo como contribuinte substituto, na hipótese de compra de combustíveis derivados de petróleo diretamente da distribuidora subordina-se à emissão de nota fiscal pela distribuidora com informação destacada da base de cálculo do valor a ser ressarcido.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 3402-000.586
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 1999, 2000 SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA DE ETAPA DE VENDA. RESSARCIMENTO. O ressarcimento ao consumidor final, pessoa jurídica, do PIS e da Cofins pago pelas refinarias de petróleo como contribuinte substituto, na hipótese de compra de combustíveis derivados de petróleo diretamente da distribuidora subordina-se à emissão de nota fiscal pela distribuidora com informação destacada da base de cálculo do valor a ser ressarcido. Recurso Negado.
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SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESTITUIÇÃO. Recorrente TRANSPORTADORA MARACÁ LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 1999, 2000 SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA DE ETAPA DE VENDA. RESSARCIMENTO. O ressarcimento ao consumidor final, pessoa jurídica, do PIS e da Cofins pago pelas refinarias de petróleo como contribuinte substituto, na hipótese de compra de combustíveis derivados de petróleo diretamente da distribuidora subordina-se à emissão de nota fiscal pela distribuidora com informação destacada da base de cálculo do valor a ser ressarcido. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. ayN.--)À‘S° .an a a - Presidenta ,Ç4 \ sj, Torá -rito Oliveira - ,e\latora 2 • EDITADO EM 20/05/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Ali Zraik Júnior, Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Leonardo Siade Manzan e Nayra Bastos Manatta. • Relatório A pessoa jurídica qualificada nos autos deste processo protocolizou, em 14 de julho de 2004, Declaração de Compensação de débitos com supostos créditos decorrentes do pagamento indevido de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e de contribuição para o Programa de Integração social (PIS) no período de julho de 1999 a julho de 2000. Da leitura das peças processuais, infere-se que o pleito está fundamentado na possibilidade de ressarcimento das referidas contribuições, na hipótese de aquisição, por consumidor final pessoa jurídica, de gasolina automotiva ou de óleo diesel diretamente da• distribuidora. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo André-SP indeferiu o pleito e não homologou as compensações, nos termos do Despacho Decisório das fls. 166 a 171. A contribuinte apresentou manifestação de inconfoimidade e a a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas-SP (DRJ/CPS) indeferiu a solicitação, conforme Acórdão das fls. 186 a 188, ensejando a interposição do recurso voluntário das fls. 194 a 199, para alegar, em síntese, que: I — a recorrente adquiriu combustível diretamente das distribuidoras, sem intermediação dos varejistas e, assim, em virtude da substituição tributária determinada pela - Lei n° 9.718, de 1998, que vigorou até julho de 2000, sofreu injustamente o ônus da contribuição para o PIS e da Cofins calculadas antecipadamente sobre uma etapa da venda que não se concretizou; II — o crédito decorrente do ressarcimento dessas contribuições foi compensado com PIS e Cofins vincendos e os levantamentos procedidos pela recorrente atenderam fielmente o que dispõe a legislação; III — de acordo com a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o prazo para restituição de indébito tributário é de dez anos da data da geração do crédito tributário; IV — a escrituração dos créditos do PIS e da Cofins é mera formalidade para fins contábeis, de fiscalização e de controle, por isso, não há prazo legal para se efetuar essa escrituração; e V — os créditos em questão não representam dívida passiva, nem são cobráveis da Fazenda Pública. Eles somente são compensáveis com futuros débitos. Ao final, solicitou a recorrente o provimento do seu recurso, "julgando pela improcedência do auto de infração", para exonerar a recorrente do pagamento do tributo ora cobrado, da multa, dos juros de mora e correção monetária. É o Relatório. IN4 2 Processo n° 13818.000084/2004-51 S3-C4T2 Acórdão n.° 3402-00.586 Fl. 202 Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira, Relatora O recurso é tempestivo e seu julgamento está inserto na esfera de competência da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Cari), devendo, pois, ser conhecido. Inicialmente, à vista do pedido da peça recursal, cumpre esclarecer que o presente processo não cuida da exigência de crédito tributário formalizado em auto de infração e a intimação para pagamento dos débitos constante da fl. 172 refere-se aos débitos confessados em Declaração de Compensação e em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), que são passíveis de exigência imediata, nos termos do art. 74, § 6°, da Lei n°9.430, de 1996, e do art. 5°, § 1 0, do Decreto-lei n°2.124, de 13 de junho de 1984. Com efeito, cuidam estes autos de compensações declaradas pela recorrente, com vista a extinguir crédito tributário relativo a PIS e Cotins apurados em junho de 2004. No exame da matéria, cumpre salientar que a Lei n° 9.718, de 1998, apenas atribuiu às refinarias de petróleo a condição de contribuintes substitutos para cobrar e recolher a contribuição para o PIS e a Cofins devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas de combustíveis derivados de petróleo e não fez referência nenhuma à restituição ou ressarcimento. Cabe então tecer algumas considerações sobre o instituto da substituição tributária, que, com efeito, trata-se de modalidade de responsabilidade pelo crédito tributário atribuída expressamente por lei, com fundamento no art. 128 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (CTN), a terceira pessoa vinculada ao fato gerador da obrigação tributária. No caso, atribuiu-se às refinarias de petróleo a responsabilidade pela cobrança e recolhimento do PIS e da Cofins que seriam devidos pelos distribuidores e comerciantes varejistas ao auferir receita com a venda de combustíveis derivados de petróleo, caracterizando o que, no jargão técnico, denomina-se "substituição progressiva" ou "para frente". A técnica escolhida pelo legislador para tal substituição foi a multiplicação da base de cálculo dessas contribuições, conforme art. 4 0, parágrafo único da Lei n° 9.718, de 1998, todavia, não se estabeleceu, na lei, nenhuma forma de se assegurar ao contribuinte substituto o ressarcimento, pelos contribuintes substituídos, do valor pago pelo substituto, tampouco foi previsto o ressarcimento pela Fazenda Pública ao contribuinte substituído, na hipótese de supressão de alguma etapa da venda. A possibilidade de ressarcimento, na hipótese de aquisição de gasolina automotiva ou de óleo diesel diretamente da distribuidora pelo consumidor final, ouse já, na hipótese em que não ocorre a venda ao comerciante varejista, foi prevista no art. 6° da Instrução Normativa (IN) SRF n° 006, de 29 de janeiro de 1999,2 com a redação dada pela IN SRF n° 24, de 25 de fevereiro de 1999, nos seguintes termos: O" 3 Art. 62Fica assegurado ao consumidor final, pessoa jurídica, o ressarcimento dos valores das contribuições referidas no artigo anterior, correspondentes à incidência na venda a varejo, na hipótese de aquisição de gasolina automotiva ou óleo diesel, diretamente à distribuidora. § 12 Para efeito do ressarcimento a que se refere este artigo, a distribuidora deverá informar, destacadamente, na nota fiscal de sua emissão, a base de cálculo do valor a ser ressarcido. §22 A base de cálculo de que trata o parágrafo anterior será determinada mediante a aplicação, sobre o preço de venda da refinaria, calculado na forma do parágrafo único do art. 2°, multiplicado por dois inteiros e dois décimos ou por um inteiro e oitenta e oito décimos, no caso de aquisição de gasolina automotiva ou de óleo diesel, respectivamente § 32 O valor de cada contribuição, a ser ressarcido, será obtido mediante aplicação da aliquota respectiva sobre a base de cálculo referida no parágrafo anterior. § 4°0 ressarcimento de que trata este artigo dar-se-á mediante compensação ou restituição, observadas as normas estabelecidas noInstrução Normativa SRF n°021, de 10 de março de 1997, vedada a aplicação do disposto nos arts. 7°a 14 desta Instrução Normativa. Note-se, pois, que o ressarcimento não previsto na lei foi instituído pela Administração Tributária e a técnica foi estabelecida mediante informação da base de cálculo do valor a ser ressarcido destacadamente na nota fiscal emitida pela distribuidora na venda direta ao consumidor final. Observe-se, por fim, que, uma vez observados os procedimentos previstos no art. 6° supratranscrito, a compensação ou a restituição dos valores passíveis de ressarcimento subordinam-se ao prazo qüinqüenal previsto no art. 168 do CTN, lembrando que a extinção do crédito tributário, inclusive na hipótese de tributo sujeito ao lançamento por homologação, ocorre na data do pagamento, conforme art. 3° da Lei Complementar n° 118, de 9 de fevereiro de 2005. Pelas ra 2 zões expostas, voto por negar provimento ao recurso. • :, to Oliveira 4
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Numero do processo: 10480.732548/2012-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 19 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2024
Numero da decisão: 3302-002.778
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Nome do relator: ANIELLO MIRANDA AUFIERO JUNIOR
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Ausentes os Conselheiros Mariel Orsi Gameiro e João José Schini Nortbiatto, por motivo justificado. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3302-002.772, de 19 de abril de 2024, prolatada no julgamento do processo 10480.732544/2012-84, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Aniello Miranda Aufiero Junior – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denise Madalena Green, José Renato Pereira de Deus, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Aniello Miranda Aufiero Junior (Presidente). Ausentes os Conselheiros Mariel Orsi Gameiro e João José Schini Nortbiatto, por motivo justificado. RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de Embargos de Declaração opostos contra acórdão que, por unanimidade de votos, não conheceu do recurso voluntário, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 84816DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-002.778 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.732548/2012-62 2 Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. A embargante sustenta que o acórdão padece dos seguintes vícios: 1. Omissão quanto à análise do direito ao crédito sobre o frete e armazenagem de combustíveis e dos serviços de representação comercial prestados por pessoas jurídicas; 2. Erro material quanto à informação de que a concomitância se referia à aquisição de álcool etílico hidratado combustível para revenda, ao passo que o Mandado de Segurança impetrado referia-se a álcool etílico anidro carburante. Nos termos do despacho de admissibilidade, os embargos foram admitidos para sanar a omissão nos seguintes termos: Com base nas razões acima expostas, admito os embargos de declaração opostos pelo contribuinte para que o colegiado realize a efetiva apreciação dos objetos das ações judiciais para se definir a real concomitância com a discussão administrativa. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: Os Embargos de Declaração são considerados tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, tomo conhecimento dos mesmos. Conforme mencionado anteriormente, o despacho de admissibilidade admitiu parcialmente os embargos de declaração para que o colegiado possa realizar a efetiva apreciação dos objetos das ações judiciais, a fim de definir a real concomitância com a discussão administrativa. Após analisar os autos, constato que a dúvida apontada pelo despacho de admissibilidade é plausível, uma vez que o processo carece de cópias do processo judicial ao qual se alega a identidade do objeto com o presente processo administrativo. Portanto, voto por admitir os embargos de declaração e determinar a conversão do presente julgamento em diligência. Nesse sentido, solicito que a autoridade de Fl. 84817DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-002.778 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.732548/2012-62 3 origem intime a contribuinte recorrente para que providencie a cópia integral da ação judicial nº 0019280-29.2008.4.05.8300 para inclusão nos autos. Assim que os documentos forem apresentados, o processo será remetido para a continuidade do julgamento Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de acolher os presentes embargos, para determinar a conversão do presente julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Aniello Miranda Aufiero Junior – Presidente Redator Fl. 84818DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto
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Numero do processo: 13811.003075/99-62
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2006
Ementa: PIS. SEMESTRALIDADE. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. RESOLUÇÃO N° 49 DO SENADO FEDERAL. O prazo para o sujeito passivo formular pedidos de restituição e de compensação de créditos de PIS decorrentes da aplicação da base de cálculo prevista no art. 6°, parágrafo único da Lei Complementar n° 7/70 é de 5 (cinco) anos, contados da Resolução n° 49 do Senado Federal, publicada no Diário Oficial, em 10/10/95. Inaplicabilidade do art. 3° da Lei Complementar n° 118/05.
COMPENSAÇÃO. Os indébitos oriundos de recolhimentos efetuados nos moldes dos Decretos-Leis nºs 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF, deverão ser calculados considerando que a base de cálculo do PIS, até a data em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida Provisória nº 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 204-01.548
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar à decadência e reconhecer a semestralidade até fev/96. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Nayra Bastos Manatta e Júlio César Alves Ramos quanto a decadência. Designado o Conselheiro Flávio de Sá Munhoz para redigir o voto vencedor
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-05T20:06:15Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-05T20:06:15Z; Last-Modified: 2009-08-05T20:06:15Z; dcterms:modified: 2009-08-05T20:06:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-05T20:06:15Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-05T20:06:15Z; meta:save-date: 2009-08-05T20:06:15Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-05T20:06:15Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-05T20:06:15Z; created: 2009-08-05T20:06:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2009-08-05T20:06:15Z; pdf:charsPerPage: 2076; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-05T20:06:15Z | Conteúdo => 21/ CC-MF Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes , ,Ns4212,^W.,' MF-SeQundo Conselho de Conelbul5nteso Publicado no Diário Ofkla; do li Processo n2 : 13811.003075/99-62 Recurso n2 : 134.540 %Mc* 412 Acórdão n2 : 204-01.548 Recorrente : DOW BRASIL NORDESTE LTDA. Recorrida : DRJ em São Paulo - SP PIS. SEMESTRALIDADE. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. RESOLUÇÃO N° 49 DO SENADO FEDERAL. O prazo para o sujeito passivo formular pedidos de restituição e de compensação de créditos de PIS decorrentes da aplicação da base de cálculo prevista no art. 6°, parágrafo único ct Z da Lei Complementar n° 7/70 é de 5 (cinco) anos, contados da " O Resolução n° 49 do Senado Federal, publicada no Diário) - U.1 o C3 Oficial, em 10/10/95. Inaplicabilidade do art. 3 0 da Lei O O Complementar n° 118/05. rág 9) COMPENSAÇÃO. Os indébitos oriundos de recolhimentosu) 3E ui O ce efetuados nos moldes dos Decretos-Leis ds 2.445/88 e • 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF, deverão ser Z C) calculados considerando que a base de cálculo do PIS, até a data O em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida iX Z7) Provisória n° 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto 11. 02 mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção • monetária. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por DOW BRASIL NORDESTE LTDA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar à decadência e reconhecer a semestralidade até fev/96. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Nayra Bastos Manatta e Júlio César Alves Ramos quanto a decadência. Designado o Conselheiro Flávio de Sá Munhoz para redigir o voto vencedor. Sala das Sessões, em 27 de julho de 2006. Henrique Pinheiro Torres Presidente - Flávio de Sá Munhoz Relator-Designado Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Rodrigo Bernardes de Carvalho, Júlio César Alves Ramos, Leonardo Siade Manzan e Adriene Maria de Miranda. • 1 . 2E. - Ministério da Fazenda 2il CC-MF NIF • SEGIJNOS) CO;'04SELHO COni RUM i Ez.) Fl. ';5115,n4 Segundo Conselho de Contribuint s CONFERE COM OnOWGIN/ 1Brasília, O 3 / Processo n2 : 13811.003075/99-62 Recurso n2 : 134.540 p40- Necy Batist dosos Reis Acórdão n2 : 204-01.548 Mal Siape 91806 Recorrente : DOW BRASIL NORDESTE LTDA. RELATÓRIO • Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o Relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento: Trata o presente processo de pedido de restituição, cumulado com pedido de compensação, formulado pelo contribuinte, acima identificado, protocolizado em 29/11/1999, no qual este pretende reaver valores recolhidos a título de contribuições para o PIS, no período de 01/1989 a 04/1996, apurados com base nos Decretos-Lei n's 2.445/1988 e 2.449/1988, declarados inconstitucionais. • 2. Mediante o Despacho Decisório de fls. 156 a 174, a autoridade competente da Delegacia da Receita Federal em São Paulo indeferiu o pleito, sob o fundamento de que já havia transcorrido o prazo prescricional (cinco anos), citando jurisprudência nesse sentido. 3. Inconformado com o indeferimento do seu pedido, o contribuinte ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 177 a 200,alegando: 3.1. Somente se pode aplicar os efeitos das decisões com base no Recurso Extraordinário 148.754/RJ entre as partes que figuraram na ação, assim, apenas quem fazia parte da ação é que questionou a inconstitucionalidade da lei, não podendo ser indistintamente aplicada a toda e qualquer pessoa que não fez parte da ação. É o que se denomina controle difuso de constitucionalidade. O efeito erga omnes só é alcançado através de R. Especial quando nos termos do artigo 52, inciso X da Constituição Federal, o Senado Federal utilizando suas atribuições suspende a execução da lei declarada inconstitucional para todas as pessoas sem distinção, fazendo-o mediante Resolução, tal como ocorreu em relação aos Decretos-Leis 2.445/1988 e 2.449/1988 através da publicação da Resolução 49 do Senado Federal em 10/10/1995, sendo que a prescrição só ocorreu em 10/10/2000, muito após o pleito da Requerente. Cita, nesse sentido, o Acórdão AGRESP 437834/PR. 3.2. Quanto ao prazo de recolhimento do PIS, a legislação superveniente tão somente modifica a data de pagamento ante a ocorrência do fato gerador, não modificando o • período da base de cálculo em relação ao fato gerador que é o sexto mês anterior ao fato gerador, nos moldes da Lei Complementar 7/1970. Reproduz o item 3.2 do Parecer Normativo CST n° 44/80. 3.2.1. Portanto, a base de cálculo do PIS é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. Cita trecho do voto-relator do Processo Administrativo n° 11080.011048/92-72 e Acórdão do AGRESP 508570/RS. 3.3. Quanto à decadência, o PIS é um tributo sujeito a lançamento por homologação. Assim, cabe apurar o montante devido e antecipar o seu recolhimento, para depois aguardar que o Fisco Federal o homologue no prazo de 5 (cinco) anos e, se expirado esse prazo sem homologação, considera-se extinto o crédito tributário, quando então começa a fluir o prazo previsto no artigo 168, 1, do CTN. Garante-se assim ao contribuinte mais cinco anos após a homologação para o exercício do direito de repetir o indébito tributário. Nesse sentido, cita o ensinamento do Mestre Hugo de Brito Machado e jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. 2 • .... cc_mF Ministério da Fazenda 5 r Fl. ,-.5,'f5a,':,n1.;W' Segundo Conselho de Contribuintes 'a4 da, Processo n2 : 13811.003075/99-62 dex-9' Recurso n2 : 134..540 Necy Batista dos Reis e Acórdão n2 : 204-01.548 Mat. Siap 91806 3.3.1. Os pagamentos efetuados a título de PIS nos moldes dos Decretos-Leis n° 2.445/1988 e 2.449/1988 declarados inconstitucionais, devem ser aqueles pagamentos ocorridos 10 anos anteriormente a data do pedido de restituição, face a correta interpretação dos artigos 165, I; 168, I; 150, § 4° e 156, VII, todos do CTN. 3.4. Por fim, requer que seja acolhida a Manifestação de Inconformidade. Acordaram os membros da 9' Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em indeferir a solicitação da contribuinte. A deliberação adotada recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1989 a 30/04/1996 Ementa: PIS - PRAZO DE PAGAMENTO - SEMESTRALIDADE. Legislação superveniente alterou o prazo de recolhimento do PIS, de maneira que a tese da semestralidade não procede. COMPENSAÇÃO —DECADÊNCIA O direito de pleitear a compensarão extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Solicitação Indeferida Não conformada com o entendimento proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, a contribuinte recorreu a este Conselho solicitando a reforma da decisão de primeira instância, para tanto, reedita os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. • 3 > 2.11CC-MF - Ministério da Fazenda i.monrecn.,..4 Fl. Segundo Conselho de Contribuintes P" • CONFERE COM O OIAGINAL Processo n2 : 13811.003075/99-62 Brasília, / / Recurso n2 : 134.540 Acórdão n2 : 204-01.548 Necy atist dos Reis Mat Siape 91806 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR HENRIQUE PINHEIRO TORRES Como relatado, trata-se de pedido de restituição e compensação dos valores recolhidos a título de PIS que a reclamante entende haver pagado a maior, no período compreendido entre janeiro de 1989 e abril de 1995. Por meio do Acórdão n° 06.314, de 22/12/2004, a 9' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo - SP indeferiu in totum o pedido da interessada. O cerne do litígio a ser aqui dirimido passa, primeiramente, pela questão do prazo para repetir eventuais indébitos dessa contribuição. A recorrente trás, dentre outras, à discussão a tese dos 5 mais 5, na qual a contagem do prazo extintivo do direito de repetição só se iniciaria após a homologação do pagamento antecipado e se exauriria após o transcurso dos 05 anos, contados dessa data. A meu sentir, não lhe assiste razão, pois essa tese, apesar de haver arrebanhado adeptos de peso, inclusive, no Superior Tribunal de Justiça, onde, por algum tempo prevaleceu, não se coaduna com as normas do Código Tributário Nacional, que disciplina a matéria, senão vejamos: O direito a repetição de indébito é assegurado aos contribuintes no artigo 165 do Código Tributário Nacional - CTN. Todavia, como todo e qualquer direito esse também tem prazo para ser exercido, in casu, 05 anos contados nos termos do artigo 168 do CTN, da seguinte forma: I. da data de extinção do crédito tributário nas hipóteses: a) de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; b) de erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; II. da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória nas hipóteses: a) de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Como visto, duas são as datas que servem de marco inicial para contagem do prazo extintivo do direito de repetir o indébito, a de extinção do crédito tributário e a do trânsito em julgado de decisão administrativa ou judicial. Nos casos em que houvesse resolução do Senado suspendendo a execução de lei declarada inconstitucional em controle difuso pelo STF, a jurisprudência dominante nos Conselhos de Contribuintes e, também, na Câmara Superior de Recursos Fiscais é no sentido de que o prazo para repetição de eventual indébito contava-se a /7 4 MF SEGUN::1;7:. . , . Ministerio da Fazenda CC-MF CONFERE coM o OR.ÍGINAL Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Brasília, jajj 0U2L_ -.- Processo n2. : 13811.003075/99-62 Recurso n2 : 134.540 4 548 Necy Batista os Reis Mal Siapg 9 I 806 Acórdão 112 : 20-01. partir da publicação do ato senatorial. Especificamente, para a hipótese de restituição de pagamentos efetuados a maior por força dos inconstitucionais Decretos-Leis n os 2.445/1988 e 2.449/1988, o marco inicial da contagem da prescrição, consoante a jurisprudência destes colegiados, é 10 de outubro de 1995, data de publicação da Resolução 49 do Senado da República. Quando se tratasse de repetição pertinente à norma declarada inconstitucional em controle concentrado, o termo inicial da prescrição seria deslocado para a data de publicação da decisão da ADIn que expurgou a norma viciada do Sistema Jurídico. Entretanto, com a edição da Lei Complementar n° 118, de 09/02/2005, cujo artigo 3° deu interpretação autêntica ao artigo 168, inciso I do Código Tributário Nacional, estabelecendo que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1 2 da Lei n° 5.172/1966, o único entendimento possível é o trazido na novel Lei Complementar. Esclareça-se, por oportuno, que em se tratando de norma expressamente interpretativa, deve ser obrigatoriamente aplicada aos casos não definitivamente julgados, por força do disposto no art. 106, 1, do CTN. Diante do exposto e considerando que os supostos indébitos referem-se a pagamentos efetuados entre outubro de 1989 e novembro de 1996 e que o pedido foi protocolado em 29 de novembro de 1999, é de reconhecer que os créditos relativos a pagamentos efetuados até 29 de novembro de 1994 foram alcançados pela prescrição. No que pertine à parte remanescente, entendo assistir razão à reclamante, pois, com a declaração da inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n os 2.445/1988 e 2.449/1988, voltou a viger a Lei Complementar n° 07/1970 e alterações válidas. Com isso, a base de cálculo da contribuição passou a ser novamente o faturamento do sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Essa matéria encontra-se apascentada tanto nos Conselhos de Contribuintes como na Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que dispensa maiores discussões sobre o tema. Em arrimo ao aqui exposto citam-se os Acórdãos ifs 101-87.950, n° 101-88.969, n° 202-15526 e n° 02.01.701. De todo o exposto, não há como negar que até 29 de fevereiro de 1996, a base de cálculo do PIS era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador dessa contribuição, sem correção monetária. A partir de março de 1996, quando passaram a viger as alterações introduzidas pela MP n° 1.212/95, suas reedições, e, posteriormente, a Lei n° 9.715/1998, a contribuição passou a ser calculada com base no faturamento do próprio mês. Como no caso em questão o pedido abrange pagamentos efetuados até outubro de 1995, é de reconhecer-se que o cálculo do indébito deve ser feito levando-se em conta a sistemática da semestralidade acima explicitada. Em resumo, reconhece-se a prescrição do direito de repetir suposto tributo pago a maior relativo a pagamentos efetuados até 29/11/1994, para os (pagamentos) remanescentes, admite-se o direito de a Recorrente calcular eventuais indébitos do PIS, considerando como base de cálculo o faturamento do sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Os valores a restituir devem ser corrigidos segundo os índices formadores dos coeficientes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR N° 08, de 27.06.97 até 31.12.1995, sendo que, a partir dessa data, passa a incidir, exclusivamente, juros 5 itV":5"Édu - Ministério da Fazenda ,s;v. J.o CC-MF CONFERE com ^(148iiiNTEs Fl. Segundo Conselho de Contribuintes O O dGiNAL.1/4-çfwn, Brasília; O Processo n2 : 13811.003075/99-62 #LX1 Recurso n2 : 134.540 -ecY Batista dos R e • Acórdão J : 204-01.548 Mal ShiN 91 Mó l& equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - Selic para títulos federais, acumulada mensalmente até o mês anterior ao da compensação ou restituição, e de 1%, relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Com essas considerações, dou provimento parcial ao recurso. Sala das Sessões, em 27 de julho de 2006. 4gt r .o -527; HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 e ÉV~M..47:-. toem,. 3i;e*Át te% 211 CC-MF Ministério da Fazenda Fl. \¥'..f5=-: Segundo Conselho de Contribuint sBrasilia, Processo n9 : 13811.003075/99-62 1 Neey Batista c("ífr7Re' Recurso n2 : 134.540 Mai Siage 9 1806 is AcOrdão 112 : 204-01348 VOTO DO CONSELHEIRO-DESIGNADO FLÁVIO DE SÁ MUNHOZ Tratam os presentes autos de pedido de restituição acompanhado de pedido de compensação, em decorrência de recolhimentos indevidos procedidos a título de Contribuição ao PIS. O pedido de restituição se refere aos pagamentos realizados pela contribuinte com base nos Decretos-Leis n's 2.445/88 e 2.449/88, cuja execução foi suspensa pela Resolução do Senado Federal n° 49/95, publicada no Diário Oficial em 10 de outubro de 1995. Portanto, a primeira questão a ser enfrentada é a da decadência do direito de o contribuinte pleitear a restituição e a compensação das parcelas de PIS recolhidas indevidamente com base nos Decretos-Leis nos 2.445/88 e 2.449/88. Os decretos-leis acima mencionados foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurào Extraordinário n° 148.754. Posteriormente, foi publicada, em 10/10/95, a Resolução do Seriado n° 49/95, suspendendo sua execução, ex tunc. Portanto, não há dúvida de que os recolhimentos efetuados com base na sistemática prevista nos decretos-leis foram indevidos, devendo ser restituídos os valores recolhidos a maior, apurados pela diferença em relação ao critério de cálculo definido pela Lei Complementar n° 7/70, inclusive com a defasagem na base de cálculo a que e denominou "semestralidade", de acordo com o disposto no seu art. 6°, parágrafo único. O prazo para requerer a restituição e a compensação de valores indevidamente recolhidos, tratando-se de direito decorrente de solução de situação conflituosa, somente se inicia com a declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal ou, no que interessa aos autos, com a publicação da Resolução do Senado Federal. É da lavra do ex-Conselheiro José Antonio Minatel, da 8 a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, voto precursor nos Conselhos de Contribuintes a respeito deste tema, a seguir parcialmente transcrito: O mesmo não se pode dizer quando o indébito é exteriorizado no contexto de solução jurídica conflituosa, uma vez que o direito de repetir o valor indevidamente pago só nasce para o sujeito passivo com a solução definitiva daquele conflito, sendo certo que ninguém poderá estar perdendo direito que não possa exercitá-lo. Aqui, está coerente a regra que fixa o prazo de decadência para pleitear a restituição ou compensação só a partir 'da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa, ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória' (art. 168, II, do CTN). Pela estreita similitude, o mesmo tratamento deve ser dispensado aos casos de solução jurídica com eficácia `erga omnes', como acontece na hipótese de edição de resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norma declarada inconstitucional ou na situação em que é editada Medida Provisória ou mesmo ato administrativo para reconhecer a impertinência de exação tributária anteriormente exigida. (Acórdão n° 108-05.791, sessão de 13/07/1999) Especificamente sobre a adoção da Resolução n° 49 como marco temporal para o início de contagem do prazo decadencial do PIS/Pasep, cabe destacar a decisão proferida pela 1 a 7 I 4NÁY,,; n tf • sEcume CNGELHO DE CCRILHNTES 2u CC-MF Ministério da Fazenda CONFERE coM O ORIGINAL Fl. X/n.;''.40. Segundo Conselho de Contribuintes Brasília, 03 O e ,01 Processo n2 : 13811.003075/99-62 Recurso n2 : 134.540 Necy Batista dos Reis Mai Siape 91 806 Acórdão n2 : 204-01.548 Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, nos termos do voto do Conselheiro Jorge Freire, assim ementada: PIS- DECADÊNCIA- SEMESTRALIDADE- BASE DE CÁLCULO- 1) A decadência do • direito de pleitear a compensação/restituição tem como prazo inicial, na hipótese dos autos, a data da publicação da Resolução do Senado que retira a eficácia da lei declarada inconstitucional (Resolução do Senado Federal n° 49, de 09/10/95, publicada em 10/10/95). Assim, a partir de tal data, conta-se 05 (cinco) anos até a data do protocolo do pedido (termo final). In casu, não ocorreu a decadência do direito postulado. 2) A base de cálculo do PIS, até a edição da MP 1.212/95, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador (Primeira Seção STJ REsp n°144.708 - RS - e CSRF). Aplica-se este entendimento, com base na LC 07/70, até os fatos geradores ocorridos até 29 de fevereiro de 1996, consoante dispõe o parágrafo único do art. 1° da IN S'RF n°06, de 19/01/2000. Recurso a que se dá provimento. (Acórdão n° 201-75380, sessão de 19/09/2001). No caso dos autos, o pedido de restituição, acompanhado de pedido de compensação, foi protocolado dentro do prazo"decadencial de cinco anos, contado da publicação da Resolução n° 49, do Senado Federal, em 10/10/1995. O prazo de decadência se aplica tanto ao direito de restituição quanto ao direito de compensação. Finalmente, de rigor observar que, .mesmo que se considere que o art. 3 0 da Lei • Complementar n° 118/05 confira interpretação autêntica ao art. 168, I do CTN (há doutrina no sentido de que o dispositivo enfeixa norma de natureza constitutiva), no sentido de considerar ocorrida a extinção do crédito tributário no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150 do CTN, para fins de início da contagem do prazo de decadência, ainda assim, inaplicável ao caso dos autos, tendo em vista seu enquadramento no inciso II do art. 168, do CTN. Com estas considerações, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário interposto, para reconhecer o direito de crédito da contribuinte em relação aos pedidos de restituição/compensação, apurado com base no faturamento do sexto mês anterior, corrigidos de acordo com os critérios da Norma de Execução COSIT/COSAR n° 8/97 e, após, taxa Selic, ressalvado o direito da administração de conferir a exatidão dos cálculos procedidos. É como voto. Sala das Sessões, em 27 de julho de 2006. FLÁVIO DE SÁ MUNHOZ 8 Page 1 _0026000.PDF Page 1 _0026100.PDF Page 1 _0026200.PDF Page 1 _0026300.PDF Page 1 _0026400.PDF Page 1 _0026500.PDF Page 1 _0026600.PDF Page 1
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