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Numero do processo: 10580.723163/2011-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008
SIGILO BANCÁRIO. AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
De acordo com decisão tomada pelo STF em sede de repercussão geral, é legítimo o acesso da autoridade fiscal aos dados bancários do contribuinte sem autorização judicial.
CESSÃO DE PRECATÓRIO. RECEBIMENTO COMPROVADO. POSTERIOR REDUÇÃO DO SEU VALOR. FATO GERADOR. INALTERABILIDADE.
Comprovado que o contribuinte fez cessão parcial de direitos representados por precatório judicial e que recebeu por ela, apurando, assim, ganho tributável, a posterior redução do valor do precatório em função de Ação Rescisória não é suficiente para afastar a ocorrência do fato gerador tributário, máxime quando não comprovado que este fato teve o condão de desfazer o negócio entabulado.
CESSÃO DE PRECATÓRIO. ESCRITURA PARTICULAR. TESTEMUNHAS.
Se a operação de cessão parcial de direitos representados por precatório judicial e o respectivo pagamento em bens está comprovada através de escritura particular de compra e venda formalizada com a assinatura de testemunhas e apresentada à fiscalização pelo próprio contribuinte, a mera alegação de que os bens foram adquiridos com pagamento em moeda desacompanhada de qualquer comprovação não é suficiente para lançar dúvida sobre a higidez do lançamento realizado pela autoridade fiscal.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO SEU CONSUMO. INEXISTÊNCIA. ENUNCIADO Nº 61 DA SÚMULA CARF. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A legislação tributária federal autoriza que depósitos bancários sem origem comprovada sejam caracterizados, por presunção, como omissão de renda ou rendimento independente da comprovação de seu consumo pelo beneficiário.
Havendo, entretanto, depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, esses valores devem ser excluídos da base tributável, conforme determina o enunciado nº 61 da Súmula de jurisprudência deste CARF, de observância obrigatória pelos membros do colegiado.
Numero da decisão: 2201-003.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 26/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. De acordo com decisão tomada pelo STF em sede de repercussão geral, é legítimo o acesso da autoridade fiscal aos dados bancários do contribuinte sem autorização judicial. CESSÃO DE PRECATÓRIO. RECEBIMENTO COMPROVADO. POSTERIOR REDUÇÃO DO SEU VALOR. FATO GERADOR. INALTERABILIDADE. Comprovado que o contribuinte fez cessão parcial de direitos representados por precatório judicial e que recebeu por ela, apurando, assim, ganho tributável, a posterior redução do valor do precatório em função de Ação Rescisória não é suficiente para afastar a ocorrência do fato gerador tributário, máxime quando não comprovado que este fato teve o condão de desfazer o negócio entabulado. CESSÃO DE PRECATÓRIO. ESCRITURA PARTICULAR. TESTEMUNHAS. Se a operação de cessão parcial de direitos representados por precatório judicial e o respectivo pagamento em bens está comprovada através de escritura particular de compra e venda formalizada com a assinatura de testemunhas e apresentada à fiscalização pelo próprio contribuinte, a mera alegação de que os bens foram adquiridos com pagamento em moeda desacompanhada de qualquer comprovação não é suficiente para lançar dúvida sobre a higidez do lançamento realizado pela autoridade fiscal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO SEU CONSUMO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 31 63 /2 01 1- 03 Fl. 693DF CARF MF 2 INEXISTÊNCIA. ENUNCIADO Nº 61 DA SÚMULA CARF. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A legislação tributária federal autoriza que depósitos bancários sem origem comprovada sejam caracterizados, por presunção, como omissão de renda ou rendimento independente da comprovação de seu consumo pelo beneficiário. Havendo, entretanto, depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, esses valores devem ser excluídos da base tributável, conforme determina o enunciado nº 61 da Súmula de jurisprudência deste CARF, de observância obrigatória pelos membros do colegiado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 26/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 664/688) apresentado em face do Acórdão nº 0956.180 (fls. 643/651), da 4ª Turma da DRJ/JFA, que negou provimento à impugnação (fls. 593/609) do sujeito passivo ao auto de infração (fls. 14/28) pelo qual se exige crédito tributário relativo a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF e acréscimos legais, tendo por base de cálculo ganho de capital na cessão de direitos representados por precatórios judiciais e depósitos bancários de origem não comprovada. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 3/13), o contribuinte teria adquirido em 1993, por contrato de venda e cessão de direitos hereditários, direitos hereditários relativos a Ação Ordinária de Indenização, processo nº 251/87, contra o Departamento de Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10580.723163/201103 Acórdão n.º 2201003.905 S2C2T1 Fl. 694 3 Estradas e Rodagens da Bahia DERBA e o Estado da Bahia, decorrente da desapropriação de bens do espólio. Após habilitarse nos autos, foi admitido como sucessor da parte, para promover o prosseguimento da execução já defendendo direito próprio, o que fez ajuizando ação de execução definitiva de sentença, o que deu origem ao Precatório nº 800.572/1998. A partir de 1999, o contribuinte efetuou cessões parciais deste crédito representado por precatório transferindoos por escrituras públicas sem que constassem nestas os valores recebidos pelas cessões efetuadas e sem que tenha também recolhido imposto de renda sobre eventual ganho de capital. A partir de documentos apresentados pelo fiscalizado, verificouse que este firmou, em 11/12/2006, duas escrituras públicas de cessão parcial de crédito representado por precatório, com valor de face de R$ 25.000.000,00, com o Sr. Gervásio Meneses de Oliveira, recebendo como pagamento os seguintes bens (cláusula 04 do contrato de promessa de compra e venda de bens móveis e semoventes fls. 101/104): todas as benfeitorias agregadas ao imóvel rural fazenda Flamboyant, que foram declaradas pelo Sr. Gervásio em 2007 por R$ 500.000,00; semoventes no valor de R$ 2.000.000,00; bens móveis e veículos sem indicação de valor; uma lancha pelo valor de R$ 300.000,00; total do contrato: R$ 2.300.000,00. A fiscalização considerou como valor desta operação R$ 2.800.000,00. Também foi dado como forma de pagamento, no valor de R$ 1.000.000,00, a fazenda Flamboyant (documento 4). Pelos documentos 6 a 9, a fiscalização teria constatado cessões parciais de crédito realizadas no anocalendário 2006 com a Sociedade Mantenedora de Educação Superior da Bahia S/C Ltda (SOMESB) através de escrituras firmadas em 17/05/2006. No Instrumento Particular de Cessão de Crédito Oriundo de Título da Dívida Pública do Estado da Bahia, firmado em 16/05/2006, foi fixado o valor de R$ 18.500.000,00 pela cessão. Em diligência junto à SOMESB, a fiscalização identificou os pagamentos que estão nas fls. 8/9 do processo, totalizando R$ 732.600,00 em 2006 e R$ 685.590,00 em 2007. Segundo consta na fl. 10 do processo, nesta última operação a fiscalização considerou como valor de alienação o constante do Instrumento Particular de Cessão de Crédito, R$ 18.500.000,00 (fls. 139/147). Com a finalidade de identificar o custo de aquisição, teria sido solicitada a comprovação do valor pago aos herdeiros do espólio. Em resposta, o fiscalizado teria esclarecido o que segue: Fl. 695DF CARF MF 4 "... assim sendo, uma vez que não houve o efetivo pagamento dos precatórios pelo Estado da Bahia, não foi superada a condicionante para pagamento, motivo pelo qual ainda não houve o efetivo pagamento do preço ajustado pela cessão dos direitos da ação que originou os precatórios" "...foi feito um adiantamento em dinheiro por este contribuinte a Adenildes, sob forma de manutenção em alimentos e outras utilidades no valor correspondente a 21.450 TLJP, sendo este valor até a presente data efetivamente pago." Segundo a fiscalização, como o contribuinte não comprovou qualquer pagamento, foi considerado custo zero. Para fins de apuração do imposto de renda sobre ganho de capital, foram considerados apenas os valores efetivamente pagos pela SOMESB e o valor da operação com o Sr. Gervásio Meneses de Oliveira, conforme descrito anteriormente. O contribuinte teria deixado de comprovar a origem de depósitos bancários feitos em sua conta corrente no Banco do Brasil, de cuja movimentação foram extraídos os valores recebidos pela SOMESB, bem como transferências de mesma titularidade, cheques devolvidos, estornos e resgates de aplicações financeiras e poupança. O demonstrativo desses depósitos está a fls. 12/13, e totalizam R$ 179.118,45 em 2006 e R$ 1.240.039,54 em 2007. A ciência do auto de infração ocorreu em 31/03/2011 (fl. 15) e foi apresentada impugnação, que deu origem ao Acórdão nº 0956.180 (fls. 643/651), da 4ª Turma da DRJ/JFA, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007, 2008 GANHOS DE CAPITAL. OMISSÃO NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. CESSÃO DE DIREITO. PRECATÓRIO. Restou caracterizada a ocorrência de ganhos de capital em face de cessão realizada pelo sujeito passivo de direito à indenização em precatório. O fato de ação rescisória determinar que se fizesse novo dimensionamento da indenização expressa em precatório não modifica os fatos geradores ocorridos. Não demonstrou o impugnante que não recebeu pagamentos, na forma de bens, em parte dos direitos cedidos, uma vez que os documentos colacionados não lhe dão amparo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Com a edição da Lei n.º 9.430/96, a partir de 01/01/1997, passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento Fl. 696DF CARF MF Processo nº 10580.723163/201103 Acórdão n.º 2201003.905 S2C2T1 Fl. 695 5 mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica deixe de comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência dessa decisão ocorreu em 26/01/2015 (fl. 657) e o recurso voluntário foi tempestivamente postado nos correios em 25/02/2015, conforme atesta o documento de fls. 662/663. Em suas razões de recorrer, o sujeito passivo alega, em síntese, que : 1. O lançamento é nulo, já que a autoridade fiscal quebrou o sigilo bancário do contribuinte sem autorização judicial. 2. O lançamento é improcedente tendo em vista a inexistência do bem sobre o qual foi apurado o ganho, uma vez que o Estado da Bahia intentou ação rescisória em prejuízo ao julgado que originou o precatório, obtendo parcial provimento no Tribunal de Justiça da Bahia e, posteriormente, total provimento no STJ, que anulou o precatório de que o impugnante era detentor. 3. Também é improcedente o lançamento sobre a cessão supostamente feita ao Sr. Gervásio, tendo em vista que o recorrente nada teria recebido por ela, uma vez que as terras, semoventes e bens móveis, que a fiscalização considera como obtidos em pagamento por essa cessão, foram, na verdade, adquiridos mediante pagamento, até porque eles sequer pertenceriam ao cessionário. 4. A fiscalização não teria provado que recebeu esses bens em pagamento pela cessão de crédito e o cedente não os declarou em sua DIRPF. 5. Depósitos bancários não caracterizam disponibilidade de renda e proventos, de forma que não podem justificar o lançamento efetuado. Seria necessária a efetiva comprovação de que a renda foi consumida. Com base no exposto, pede que o recurso seja considerado procedente e o lançamento fiscal seja anulado. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira DIONE JESABEL WASILEWSKI Relatora O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Preliminar nulidade sigilo bancário Fl. 697DF CARF MF 6 O recorrente alega que o lançamento é nulo porque a autoridade fiscal quebrou seu sigilo bancário sem autorização judicial. Ocorre, porém, que essa matéria já se encontra pacificada e o entendimento adotado é contrário às suas alegações. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal STF reconheceu a repercussão geral do tema, afetandoo a julgamento nos termos do art. 543B do Código de Processo Civil de 1973. Julgando a matéria, o pleno do STF fixou as seguintes teses: "O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal." "A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN." De acordo com o §2º do art. 62 do Regimento Interno deste Conselho, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF na sistemática do art. 543B do CPC/1973 devem ser obrigatoriamente reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Sendo assim, afasto a preliminar de nulidade do auto de infração, considerando regular o procedimento fiscal no que diz respeito ao acesso às informações bancárias do recorrente. Mérito Ao atacar o auto de infração quanto ao mérito, alega a improcedência do lançamento tendo em vista a inexistência do bem sobre o qual foi apurado o ganho, uma vez que o Estado da Bahia intentou ação rescisória em prejuízo ao julgado que originou o precatório, obtendo provimento no STJ, que teria anulado o precatório de que o impugnante era detentor. Quanto a essa matéria, o fato gerador do imposto de renda é o ganho obtido na alienação de bens ou direitos, e não a sua existência. Na hipótese em análise, restou comprovado que o contribuinte fez a cessão dos direitos e recebeu por eles, fato suficiente para configurar o ganho tributável. A decisão colacionada ao processo evidencia que o STJ determinou que o valor da indenização seja recalculado, uma vez que deveria ter por base a área efetivamente ocupada pelo poder público e também considerar a realidade de preços praticada pelo mercado imobiliário (fl. 675). O contribuinte não traz qualquer comprovação de que os negócios realizados tenham sido desfeitos com a devolução do valor pago, fatos que poderiam trazer alguma dúvida sobre a higidez do lançamento. Quanto a esse aspecto, ressalto que não há qualquer comprovação de que o negócio tenha sido realizado de forma condicional. Assim, o negócio foi perfeito e acabado e o contribuinte auferiu ganho com ele. Fl. 698DF CARF MF Processo nº 10580.723163/201103 Acórdão n.º 2201003.905 S2C2T1 Fl. 696 7 Por outro lado, com base apenas no seu conteúdo, não é possível presumir que a decisão do STJ tenha tido qualquer reflexo sobre os negócios realizados pelo recorrente, uma vez que é inerente a eles a transmissão do risco, o que justifica sua realização com deságio. Portanto, não vejo razões pelas quais a decisão colacionada possa infirmar aquilo que foi suficientemente demonstrado pelo auto de infração. O recorrente também considera improcedente o lançamento sobre a cessão supostamente feita ao Sr. Gervásio, alegando que nada teria recebido por ela, uma vez que as terras, semoventes e bens móveis, que a fiscalização considera obtidos em pagamento por essa cessão, teriam sido, na verdade, adquiridos mediante pagamento, até porque eles sequer pertenceriam ao cessionário. Prossegue afirmando que a fiscalização não teria provado o recebimento desses bens em pagamento pela cessão de crédito e que o cedente não os declarou em sua DIRPF. Quanto a essas alegações, a fiscalização juntou ao processo como documento 3 (fls. 100/104), Contrato de Promessa de Compra e Venda de Bens Móveis e Semoventes, que teria sido fornecido pelo próprio fiscalizado (TVF, fl. 4) e que foi firmado por ele e pelo Sr. Gervásio Menezes de Oliveira, assinado por testemunhas, registrado no 12º ofício de Notas de Salvador/BA. Segundo a cláusula 04, pelos bens que foram transferidos ao fiscalizado, o pagamento seria feito nos seguintes moldes: Como pagamento, o COMPRADOR cederá em nome de GERVÁSIO MENEZES DE OLIVEIRA, parte de seu crédito representado pelo Precatório de nº 800.572/98, no valor nominal de R$ 49.000.000,00 (quarenta e nove milhões de reais), o VENDEDOR se compromete a ceder outros bens a fim de completar esses valores. Um contrato com essas características é tão merecedor de fé, que o Código de Processo Civil, em seu o art. 784, III, o lista como título executivo extrajudicial. A cessão realizada em pagamento está comprovada pela escritura juntada a fls. 136/137. Contra esses documentos, suficientes para fazer prova do que foi alegado pela fiscalização, o recorrente apresenta argumentos destituídos de qualquer comprovação, já que não demonstra como se deu o pagamento que alega ter realizado e também não comprova de quem adquiriu os bens, já que afirma jamais terem pertencido ao cessionário. Por outro lado, embora afirme que tenha adquirido os bens, passa a alegar que nunca os declarou, como se isso fosse prova de que não lhe pertencem. Ou seja, apresenta argumentos contraditórios e sem qualquer comprovação. Por essas razões, não identifico qualquer verossimilhança em suas alegações em relação à cessão realizada para o Sr. Gervásio Menezes de Oliveira. Fl. 699DF CARF MF 8 Por fim, o recorrente alega que depósitos bancários não caracterizam disponibilidade de renda e proventos, de forma que não podem justificar o lançamento efetuado. Segundo defende, seria necessária a efetiva comprovação de que a renda foi consumida. Com essa linha de argumentação, está o recorrente batendose contra o texto expresso de lei, que dispensa a autoridade fiscal de realizar a comprovação de consumo da renda, ao estabelecer a seguinte presunção legal: Lei nº 9.430, de 1996 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será Fl. 700DF CARF MF Processo nº 10580.723163/201103 Acórdão n.º 2201003.905 S2C2T1 Fl. 697 9 imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Pela literalidade desse texto, a existência de depósitos bancários sem comprovação de origem pelo beneficiário permitem a presunção de que houve omissão de renda e rendimentos. Essa matéria já foi objeto de diversos enunciados da Súmula CARF. Dentre elas, destacase por sua pertinência com o caso em análise: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. De acordo com o art. 72 do Regimento Interno deste órgão colegiado, as decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstancias em súmula de observância obrigatória pelos seus membros. Por outro lado, o art. 45 do mesmo regimento determina que perderá o mandato o conselheiro que deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF. Para a perfeita inteligência do conteúdo do enunciado nº 61 da Súmula, transcrevo parte do Acórdão nº 2102.00.252, um daqueles que lhe serviram de paradigma: No caso da pessoa física, a Lei acima simplesmente assevera que não devem ser considerados como rendimentos omitidos os depósitos abaixo de R$ 12.000,00, desde que seu somatório não exceda R$ 80.000,00, dentro do anocalendário. Inegavelmente, tratase de uma benesse legal que exclui um conjunto definido de depósitos bancários da presunção legal, devendo tal benesse ser reconhecida em qualquer instância, sempre que houver depósitos dentro de tais limites, já que a lei os considera não passíveis de incidência na presunção em foco. Obviamente, ainda que haja depósitos de origem não comprovada de valor superior a R$ 12.000,00 no anocalendário, aqueles de valores inferiores a este limite citado e cujo somatório não excedam R$ 80.000,00 devem ser excluídos da tributação, remanescendo apenas a omissão de rendimentos dos depósitos que excedam R$ 12.000,00. A Lei não excluiu da benesse o contribuinte que tem depósitos dentro dos limites acima e que detém também depósitos de maiores valores. Caso assim se procedesse, como exemplo, um contribuinte que tivesse 80 depósitos de R$ 1.000,00 nada precisaria comprovar; de outra banda, outro contribuinte que tivesse 80 depósitos de R$ 1.000,00 e um depósito de R$ 12.001,00 estaria obrigado a comprovar todos os Fl. 701DF CARF MF 10 depósitos. Não há razoabilidade nesta última interpretação. Este último contribuinte deve ser obrigado a comprovar, apenas, a origem do depósito de R$ 12.001,00, sendolhe deferido a benesse legal em relação aos demais. A benesse em destaque deve ser interpretada objetivamente, ou seja, sempre que houver depósitos dentro dos limites legais, deve ser deferida. Não pode prevalecer uma interpretação subjetiva, na qual a existência de outros depósitos acima de R$ 12.000,00 teria o condão de arrostar a benesse legal, já que a Lei assim não previu, o que terminaria por criar situações antiisonômicas, como explicitado acima. A Lei, simplesmente, afastou da presunção um conjunto determinado de depósitos bancários, como já dito, devendo ser aplicada aos depósitos que estejam dentro dos limites definidos por ela. Ante o acima exposto, devemse excluir os montantes de RS 68.942,30 e R$ 31.853,20 da base de cálculo do lançamento, nos anoscalendário 2000 e 2002, respectivamente, que representam os depósitos de valor abaixo de R$ 12.000,00, cujo somatório não excede R$ 80.000,00, em cada anocalendário. No caso em análise, pelos demonstrativos de fls. 12/13, vêse que, nos anos calendário 2006 e 2007, foram considerados depósitos bancários de valor inferior a R$ 12.000,00, cujo somatório não ultrapassa R$ 80.000,00. Em 2006 esses depósitos somam R$ 42.558,45 e em 2007 R$ 4.773,00. Com base nisso, por aplicação do enunciado nº 61 da Súmula CARF, deve ser dado parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, para determinar a exclusão da base de cálculo relativa aos depósitos bancários de origem não comprovada, dos depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, rejeitando a preliminar de nulidade, no mérito, darlhe parcial provimento para determinar a exclusão da base de cálculo relativa aos depósitos bancários de origem não comprovada, dos depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário. DIONE JESABEL WASILEWSKI Relatora Fl. 702DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720403/2013-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRONUNCIAMENTO SOBRE ARGUMENTO DA PARTE. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. FORMAÇÃO DO CONVENCIMENTO DO JULGADOR. DESNECESSIDADE DE ANÁLISE DE TODOS OS ARGUMENTOS TRAZIDOS PELAS PARTES.
Não ocorre omissão quando o vício apontado não se refere a fundamento legal adicional sobre o qual a turma não se pronunciou, mas a simples argumento de convencimento que pudesse levar o julgador à conclusão distinta.
Não há omissão quando os elementos, argumentos, documentos e, por fim, racional que foram analisados no acórdão se mostram suficientes para o convencimento dos julgadores.
Numero da decisão: 1201-001.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não acolher os embargos opostos.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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AUSÊNCIA DE PRONUNCIAMENTO SOBRE ARGUMENTO DA PARTE. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. FORMAÇÃO DO CONVENCIMENTO DO JULGADOR. DESNECESSIDADE DE ANÁLISE DE TODOS OS ARGUMENTOS TRAZIDOS PELAS PARTES. Não ocorre omissão quando o vício apontado não se refere a fundamento legal adicional sobre o qual a turma não se pronunciou, mas a simples argumento de convencimento que pudesse levar o julgador à conclusão distinta. Não há omissão quando os elementos, argumentos, documentos e, por fim, racional que foram analisados no acórdão se mostram suficientes para o convencimento dos julgadores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não acolher os embargos opostos. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 04 03 /2 01 3- 59 Fl. 2009DF CARF MF 2 Luis Fabiano Alves Penteado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratamse de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO (fls. 1963) em que a PGFN, ora Embargante, alega OMISSÃO no Acórdão nº 1201001.438 proferido por esta 1ªTO/2ªCam/1ªSeção do CARF, que restou assim ementado: Assunto: Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 ÁGIO FUNDAMENTADO EM EXPECTATIVA DE RESULTADOS FUTUROS. DEDUTIBILIDADE DA AMORTIZAÇÃO. A legislação que permite a dedução da amortização do ágio em determinadas circunstâncias e desde que preenchidos determinados requisitos é norma indutora de comportamento do contribuinte. Não havendo ocorrência de fraude ou simulação e tendo sido verdadeiras e legitimas as operações perpetradas, inclusive, com a ocorrência do efetivo pagamento do preço, a dedução do ágio é possível, ainda que o benefício fiscal seja o principal ou mesmo o único elemento motivador. Uma vez demonstrado o devido propósito negocial e substância econômica na realização de reorganizações societárias, a dedução da amortização do ágio tornase ainda mais justificada. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. A utilização da chamada "empresa veículo" não guarda qualquer ilegalidade ou abuso em si, sendo necessária a identificação de outros elementos como a fraude ou simulação para que a glosa da dedução do ágio se justifique. Na hipótese em que presentes para o contribuinte, outras opções de movimentação societária que resultariam no mesmo efeito tributário que é a dedução do ágio, a eventual utilização de Fl. 2010DF CARF MF Processo nº 16327.720403/201359 Acórdão n.º 1201001.839 S1C2T1 Fl. 3 3 empresa veículo configura simples decisão de negócios que não prejudica o benefício fiscal. LAUDO DE AVALIAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Indevida a glosa do aproveitamento do ágio sob fundamento de intempestividade do laudo de avaliação vez que sequer existia previsão legal acerca da obrigatoriedade do laudo à época dos fatos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido quanto ao IRPJ aplicase à CSLL dele decorrente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 03/09/2008 RENDIMENTOS RESULTANTES DE APLICAÇÃO FINANCEIRA INCIDÊNCIADO IRRF Está sujeito ao IRRF o rendimento produzido por aplicação financeira de renda fixa. Segundo a Embargante, houve omissão quanto ao tema "Ausência da confusão patrimonial entre investidora e investidas", conforme trecho dos Embargos que abaixo transcrevo: "Ocorre, entretanto, que o texto do voto do ilustre Relator careceu da manifestação sobre ponto de relevância ímpar para o deslinde da matéria, qual seja: a “Ausência da confusão patrimonial entre investidora e investidas”. Ressaltese que esta Procuradoria dedicou item próprio de suas Contrarrazões ao Recurso Voluntário a esta temática (fls. 13 a 20 das CRRV da PGFN), bem como exteriorizou, em sede de Sustentação Oral, a necessidade de manifestação expressa sobre esse tema, de importância ímpar na solução do litígio. Para além de qualquer preciosismo, a expressa manifestação sobre essa matéria se mostra fundamental, mormente quando, ao presente caso, devese aplicar interpretação restritiva do artigo 7º da Lei nº 9.532/1997, o qual exige para a dedução do ágio que a confusão patrimonial conte com o real adquirente da participação societária." Fl. 2011DF CARF MF 4 Para ratificar seu entendimento, a Embargante traz jurisprudência deste Conselho sobre o mencionado tema sobre o qual o acórdão teria restado omisso. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Tendo os pressupostos para admissibilidade dos embargos já sido avaliados no despacho de admissibilidade, passo diretamente à análise dos vícios apontados. Em apertada síntese, os presentes embargos se referem à eventual omissão do acórdão embargado acerca do tema "Ausência da confusão patrimonial entre investidora e investidas", que fora levantado pela PGFN em sede Contrarrazões ao Recurso Voluntário, conforme trecho abaixo transcrito: " Assim, NÃO BASTA a uma empresa, ou grupo econômico, adquirir uma participação societária para que o ágio pago seja reconhecido como dedutível. Se assim fosse, a Lei nº 9.532/1997 não teria razão de existir. Bastaria o DecretoLei nº 1.598/1977 prever que todo o ágio pago com base na rentabilidade futura seria dedutível. No entanto, como será visto, não é o que a legislação impõe. Para ser dedutível, o ágio deve cumprir determinados requisitos legais. Dentre esses requisitos, além do documento que ateste o seu fundamento econômico (aspecto a ser analisado no tópico seguinte), há a necessária presunção de perda do investimento adquirido. Por certo, da leitura do artigo 386 do RIR/99, o qual repete o conteúdo dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, observase que a dedutibilidade da amortização de um ágio decorre do encontro num mesmo patrimônio da participação societária adquirida com ágio com esse mesmo ágio. Ou seja, quando há um encontro do adquirente com o investimento adquirido. Portanto, em face dessa confusão patrimonial entre investidora e investida, a legislação admite que o contribuinte considere perdido o seu capital investido com ágio e, assim, deduza a despesa que teve com o pagamento da “mais valia”. O artigo 386 assim prevê: Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado Fl. 2012DF CARF MF Processo nº 16327.720403/201359 Acórdão n.º 1201001.839 S1C2T1 Fl. 4 5 segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): omissis III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (...) (grifo nosso) Todavia, para que haja esse encontro num mesmo patrimônio do ágio com o investimento que lhe deu origem, é imprescindível que haja o encontro entre o investidor e a real empresa adquirida. Isso porque, só assim podese considerar perdido o investimento realizado. Tal constatação é obtida em face da seguinte expressão utilizada pela legislação: “na qual detenha participação societária ADQUIRIDA com ágio”. Vêse que o verbo adquirir é utilizado pela norma em seu sentido econômico, ou seja, decorrente de uma espécie de compra e venda, oriundo de um sacrifício patrimonial. Portanto, a Lei nº 9.532/1997 estabelece que a dedução do ágio somente é autorizada quando a pessoa jurídica ADQUIRIDA for incorporada ou incorporar a sua controladora." Primeiramente, entendo que os embargos declaratórios são cabíveis quando houver, na sentença ou acórdão, obscuridade, contradição ou quando for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse o colegiado deste Conselho. Conforme jurisprudência já pacificada neste Conselho, os julgadores não estão obrigados a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes, mas tão somente aqueles que sejam necessários e suficientes para fundamentar o seu convencimento. Acredito que este é o caso dos autos. Conforme se pode notar da leitura do acórdão ora embargado, esta turma avaliou diversos aspectos da operação colocada sob análise para ao fim, entender pela correção da dedução do ágio pela Recorrente e respectivo cancelamento desta parcela do lançamento. Os aspectos avaliados foram: i) conceito de propósito negocial e impossibilidade de tributação de mera expectativa de lucro; ii) existência efetiva de propósito negocial e substância econômica no caso concreto; iii) possibilidade de utilização de empresa veículo; Fl. 2013DF CARF MF 6 iv) efetiva avaliação de expectativa de rentabilidade futura; v) envolvimento de partes não relacionadas e vi) efetivo pagamento do preço. Da análise de todos os pontos acima relacionados, este Turma entendeu que a Contribuinte atendeu todos os requisitos previstos na legislação tributária, em especial os arts. 385 e 386 do RIR/99 de forma a legitimar a tomada da dedução do ágio, conforme trecho do acórdão embargado que abaixo transcrevo: " Desta forma, temos que o conjunto probatório apresentado pelo recorrente é capaz de fundamentar devidamente o ágio, através da expectativa de rentabilidade futura. Todos os documentos trazidos apresentam validade técnica e formal a ponto de conferirem fundamentação robusta e completamente apta a ensejar o gozo do benefício fiscal, qual seja, a amortização do ágio. Com o ágio perfeitamente comprovado e advindo de aquisição de participação efetiva, com o pagamento do preço, a dedução da amortização é possível e necessária, nos termos do que dispõem o arts. 385 e 386 do RIR/99." O que a PGFN traz em seus embargos declaratórios é suposta omissão decorrente da ausência de apreciação da questão relacionada à tese de "Ausência de Confusão Patrimonial". Digo tese, pois, entendo que se trata exatamente disso uma tese ou racional através do qual entende a PGFN que a Contribuinte não preencheu os requisitos legais para dedução do ágio. Não se trata de fundamento legal adicional sobre o qual a turma não se pronunciou, mas de elemento de convencimento que pudesse levar o julgador à conclusão de que não foram atendidos todos os requisitos legais para dedução do ágio. Contudo, os julgadores desta turma já entenderam que todos os requisitos legais foram preenchidos e por isso a dedução do ágio se justifica. Em outras palavras, os elementos, argumentos, documentos e, por fim, racional que foram analisados no acórdão embargado se mostraram suficientes para o convencimento dos julgadores e conclusão do acórdão. Desta sorte, entendo que o acórdão embargado não apresenta a omissão alegada pela PGFN, ora Embargante. Conclusão Diante do exposto, NÃO ACOLHO os Embargos de Declaração apresentados. Fl. 2014DF CARF MF Processo nº 16327.720403/201359 Acórdão n.º 1201001.839 S1C2T1 Fl. 5 7 É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 2015DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721362/2012-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
ANÁLISE DE TEMPESTIVIDADE. MAIS DE UMA DATA DE INTIMAÇÃO CONSTANTE DOS AUTOS. PRESUNÇÃO DE BOA-FÉ DO CONTRIBUINTE.
Tendo em vista que há, nos autos, duas datas de intimação do acórdão recorrido, não se pode vislumbrar a má-fé por parte do contribuinte, pois este pode ter sido induzido a erro pelo termo de ciência por decurso de prazo emitido pelo sistema eletrônico.
Com efeito, a confiabilidade das informações prestadas por meio eletrônico é essencial à preservação da boa-fé e da confiança do contribuinte, bem como à observância dos princípios da eficiência da Administração e da segurança jurídica.
Numero da decisão: 2201-003.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos de declaração propostos.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 09/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos de declaração propostos. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. EDITADO EM: 09/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007, 2008, 2009 ANÁLISE DE TEMPESTIVIDADE. MAIS DE UMA DATA DE INTIMAÇÃO CONSTANTE DOS AUTOS. PRESUNÇÃO DE BOAFÉ DO CONTRIBUINTE. Tendo em vista que há, nos autos, duas datas de intimação do acórdão recorrido, não se pode vislumbrar a máfé por parte do contribuinte, pois este pode ter sido induzido a erro pelo termo de ciência por decurso de prazo emitido pelo sistema eletrônico. Com efeito, a confiabilidade das informações prestadas por meio eletrônico é essencial à preservação da boafé e da confiança do contribuinte, bem como à observância dos princípios da eficiência da Administração e da segurança jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos de declaração propostos. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 13 62 /2 01 2- 37 Fl. 513DF CARF MF Processo nº 16327.721362/201237 Acórdão n.º 2201003.676 S2C2T1 Fl. 514 2 EDITADO EM: 09/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Tratamse de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, fls. 495/508, em face do acórdão nº 2201002.766 (fls. 478/493), que deu provimento em parte ao recurso voluntário do contribuinte para excluir do lançamento os valores de: a) Em 31/12/2007, R$ 1.068.606,00 exclusão parcial da multa isolada lançada (R$ 534.303,00 oriundos da tributação de rendimentos pagos ao Sr. Marcelo Blay e R$ 534.303,00 da tributação de rendimentos pagos ao Sr. João Batista Videira Martins); b) Em 31/12/2008, R$ 136.331,25 exclusão parcial da multa isolada lançada (R$ 136.331,25 oriundos da tributação de rendimentos pagos ao Sr. Osvaldo Ribeiro dos Santos). Em despacho de admissibilidade (fls. 510/512), o Presidente da 1ª TO/Segunda Câmara/Segunda Seção acolheu em parte os presentes Embargos Declaratórios, submetendoos ao Colegiado para sanar a omissão no tocante à tempestividade do Recurso Voluntário acima aludido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim O recurso preenche aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Aduz a embargante que o Recurso Voluntário foi apresentado extemporaneamente pelo contribuinte, sob o argumento que o autuado foi intimado do acórdão de primeira instância quando da abertura do documento (01/07/2013), e não em 16/07/2013 (decurso do prazo de ciência), como considerado na decisão embargada. Desta forma, tendo o recurso sido protocolado em 15/08/2013, este seria intempestivo, não preenchendo, portanto, os pressupostos processuais de validade. Analisando os autos, observei que consta à fl. 248 o termo de abertura de documento, certificando que “o contribuinte tomou conhecimento dos documentos Fl. 514DF CARF MF Processo nº 16327.721362/201237 Acórdão n.º 2201003.676 S2C2T1 Fl. 515 3 relacionados abaixo (Intimação de Resultado de Julgamento / Acórdão de Impugnação), na data 01/07/2013 17:48h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinete (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações”. Por sua vez, na fl. 249, consta o termo de ciência por decurso de prazo, no qual está registrado que “foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados abaixo (Intimação de Resultado de Julgamento / Acórdão de Impugnação), por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal”. Desse modo, consta como data de ciência por decurso de prazo, 16/07/2013. Neste diapasão, há nos autos duas datas de intimação, que, caso seja levado em consideração a primeira (01/07/2013), o recurso do contribuinte estaria intempestivo, por outro lado, tomando como data de intimação o decurso do prazo de ciência, o recurso seria tempestivo, não havendo qualquer vício a ser declarado por meio dos presentes embargos declaratórios. Com efeito, a confiabilidade das informações prestadas por meio eletrônico é essencial à preservação da boafé e da confiança do advogado, bem como à observância dos princípios da eficiência da Administração e da segurança jurídica. Vale salientar, que não vislumbro máfé por parte do contribuinte, pois este pode ter sido induzido a erro pelo termo de ciência por decurso de prazo (fl. 249), como foi o relator do acórdão ora impugnado, assim como o Procurador da Fazenda Nacional subscritor da contrarrazões, que não impugnou a tempestividade do recurso. Nesta esteira, o equívoco nas informações processuais prestadas, a meu ver, configura justa causa, que autoriza, nos termos do art. 223, §2º, do NCPC, a prática posterior do ato processual, sem prejuízo à parte. Ademais, ad argumentandum tantum, cabe ressaltar que o princípio do informalismo procedimental rege o processo administrativo. Nas palavras de José dos Santos Carvalho Filho (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 26ª ed. São Paulo: Atlas, p. 980), “o princípio do informalismo procedimental significa que, no silêncio da lei ou de ato regulamentares, não há para o administrador a obrigação de adotar excessivo rigor na tramitação dos processos administrativos, tal como ocorre, por exemplo, nos processos judiciais. Ao administrador caberá seguir um procedimento que seja adequado ao objeto específico a que se destinar o processo”. É claro que, no presente caso, não há omissão legislativa, pois o processo administrativo fiscal é regido pelo Decreto nº 70.235/72, o qual prevê, entre outros atos processuais, o meio pelo qual são realizadas as intimações, bem como o prazo do recurso voluntário. Desta forma, poderiase levantar que, no caso em tela, não caberia a aplicação do referido princípio da informalidade, já que não há vácuo legislativo. No entanto, o procedimento administrativo fiscal, além da finalidade de constituir o crédito tributário, tem como norte principal o interesse público primário, qual seja, o interesse da coletividade, que sempre deve prevalecer. Assim, considerar, no caso em apreço, o recurso do contribuinte extemporâneo, é colocar o interesse público secundário (patrimonial) Fl. 515DF CARF MF Processo nº 16327.721362/201237 Acórdão n.º 2201003.676 S2C2T1 Fl. 516 4 acima do primário, uma vez que se estará privilegiando a formalidade em detrimento do direito material. Ressaltese que, esta Turma decidiu que o Fisco se equivocou ao incluir no lançamento determinados valores, que não deveriam ter sido tributados, determinando, ao final, a exclusão destes do lançamento. Desse modo, se o próprio CARF já reconheceu a ilegalidade da constituição do crédito, não vejo razão plausível para manter um crédito reconhecidamente indevido, se predendo apenas em questões formais. Devese considerar, ainda, o prejuízo que a União poderá suportar, caso seja reconhecida a intempestividade do recurso, tornando definitiva a decisão de 1ª instância e, consequentemente, o crédito tributário constituído, pois o contribuinte provavelmente recorrerá à instância judicial para reconhecer a ilegalidade do lançamento, resultando, em caso de êxito (sendo grande a possibilidade), na condenação da Fazenda Nacional nos ônus sucumbenciais. Por fim, merece ressaltar a decisão recente proferida pelo STF, no Mandado de Segurança nº 25.097/DF, que afastou a decadência, mesmo tendo sido impetrado em data posterior ao prazo de 120 dias, analisando o mérito do mandamus, em nome da segurança jurídica. Confiram a ementa do referido julgado. Mandado de Segurança. 2. Ato do TCU. Suposta cumulação indevida de proventos. Suspensão dos pagamentos. 3. Decadência. Verificação de impetração do mandamus em data posterior ao prazo de 120 dias da ciência do ato impugnado. Superação. Medida liminar concedida há mais de doze anos. Preservação da segurança jurídica. Precedentes do STF. 4. Cumulação de proventos e pensões. Cargos públicos inacumuláveis em atividade. Regimes civil e militar. Concessão anterior à Emenda Constitucional 20/1998. Possibilidade. Precedentes. 5. Segurança concedida. STF. 2ª Turma. MS 25097/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 28/3/2017 (Info 859) Neste diapasão, se o STF relativizou o prazo decadencial do Mandado de Segurança, prestigiando a segurança jurídica, tenho que, no presente caso, pelas razões acima expostas, este princípio, também, deve sobressair em detrimento à formalidade processual. Destarte, considero tempestivo o recurso voluntário apresentado pelo contribuinte, razão pela qual deve ser mantido o acórdão ora embargado. Isto posto, VOTO por conhecer e REJEITAR os embargos de declaração apresentados, mantendo o acórdão recorrido nos exatos termos lançados. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 516DF CARF MF Processo nº 16327.721362/201237 Acórdão n.º 2201003.676 S2C2T1 Fl. 517 5 Fl. 517DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35348.000212/2007-25
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta junte aos autos informações para o período compreendido entre outubro de 2000 e maio de 2001, sobre os valores declarados em GFIP sobre contribuições previdenciárias patronais referentes a segurados empregados e contribuições devidas a terceiros, bem como os respectivos pagamentos realizados para tais fatos geradores/competências. Após, abra prazo para manifestação do sujeito passivo quanto às informações apresentadas, com posterior retorno ao relator para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta junte aos autos informações para o período compreendido entre outubro de 2000 e maio de 2001, sobre os valores declarados em GFIP sobre contribuições previdenciárias patronais referentes a segurados empregados e contribuições devidas a terceiros, bem como os respectivos pagamentos realizados para tais fatos geradores/competências. Após, abra prazo para manifestação do sujeito passivo quanto às informações apresentadas, com posterior retorno ao relator para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta junte aos autos informações para o período compreendido entre outubro de 2000 e maio de 2001, sobre os valores declarados em GFIP sobre contribuições previdenciárias patronais referentes a segurados empregados e contribuições devidas a terceiros, bem como os respectivos pagamentos realizados para tais fatos geradores/competências. Após, abra prazo para manifestação do sujeito passivo quanto às informações apresentadas, com posterior retorno ao relator para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 20600.495, prolatado pela 6a Câmara do então 2o Conselho de Contribuintes na sessão plenária de 15 de fevereiro de 2008 (efls. 736 a 750). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 53 48 .0 00 21 2/ 20 07 -2 5 Fl. 948DF CARF MF Processo nº 35348.000212/200725 Resolução nº 9202000.116 CSRFT2 Fl. 949 2 Ali, por maioria de votos, negouse provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2000 a 31/08/2005 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALE TRANSPORTE DECADÊNCIA DECENAL. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO. 1 Decadência decenal, aplicação do art. 45 da Lei n° 8212/91.nos termos do art. 49 do Regimento Interno deste Conselho é vedado ao Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, sem que tenham sido assim declaradas pelos órgãos competentes. A matéria encontrase sumulada, de acordo com a Súmula n° 2 do 2° Conselho de Contribuintes. Preliminar rejeita. 2 É devida contribuição previdenciária sobre parcela paga a título de ValeTransporte se não forem observadas as disposições da lei n° 7.418/85 e do Decreto n° 95.427/87, de acordo com a norma contida no § 9° do art. 28 da Lei n° 8212/91. Recurso Voluntário Negado. Decisão: I) por maioria de votos em rejeitar a preliminar de decadência. Vencidos os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. II) por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso. Enviados os autos à contribuinte para ciência, ocorrida em 14/05/2008 (efl. 758), esta apresenta, em 28/06/08 (efl. 760), Recurso Especial (efls.760 a 794 e anexos), com fulcro no art. art. 7o inciso II e artigo 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 147, de 25 de junho de 2007, então em vigor quando da propositura do pleito recursal. Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido pela 1a. Turma desta Câmara Superior, através do Acórdão CSRF 0105.575, prolatado em 05/12/2005 e, ainda, em relação ao decidido pela 8a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 10809.467, prolatado em 27 de outubro de 2009, de ementas e decisões a seguir transcritas (os dois primeiros paradigmas citados foram adotados para fins de caracterização de divergência, a partir da previsão regimental vigente). Acórdão CSRF 0105.575 CSL – DECADÊNCIA – ART. 45 DA LEI Nº 8212/91 – INAPLICABILIDADE – Por força do Art. 146, III, b, da Constituição Federal e considerando a natureza tributária das contribuições, a decadência para lançamento de CSL deve ser apurada conforme o estabelecido no Art. 150, § 4o, do CTN, com a contagem do prazo de 5 (cinco) anos a partir do fato gerador. Recurso especial negado. Fl. 949DF CARF MF Processo nº 35348.000212/200725 Resolução nº 9202000.116 CSRFT2 Fl. 950 3 Decisão: por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber, Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antonio Gadelha Dias que deram provimento ao recurso. Acórdão CSRF 10809.467 TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, a decadência do direito de constituir o crédito tributário se rege pelo artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, isto é, o prazo para esse efeito será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA O prazo de decadência das contribuições de seguridade social é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme previsto no art. 150, § 4º, do CTN, que é lei complementar de normas gerais, não se lhes aplicando o art. 45 da Lei nº 8.212/91. CSLL – APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO – PROVISÃO – TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA Os lançamentos contábeis efetuados com tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa caracterizamse como provisões e assim devem ser adicionados na determinação da base de cálculo da CSLL, em observância à vedação veiculada pelo art. 13 da Lei n° 9.249/95. Preliminar de decadência acolhida. Recurso negado. Decisão: por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência para o ano de 1997. Vencidos os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Arnaud da Silva (Suplente Convocado) e Mário Sérgio Fernandes Barroso e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O Conselheiro Cândido Rodrigues Neuber acompanhou o relator pelas suas conclusões. Em linhas gerais, argumenta a contribuinte em sua demanda quanto à decadência que, em razão da patente divergência jurisprudencial acerca da aplicação do artigo 45, da Lei no 8.212, de 24 de junho de 1991, o presente recurso deva ser admitido, para que prevaleçam os argumentos contidos nos acórdãos paradigmas, aplicandose o art. 150, §4o. do CTN e declarandose a decadência das supostas diferenças exigidas em relação ao período de 10/2000 a 05/2001, citando julgados do STF e do STJ, bem como oriundos do então Conselho de Contribuintes, que sustentariam seu posicionamento. Requer, assim, seja o Recurso conhecido e provido, a fim de reformar o acórdão proferido pela Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, declarandose a decadência das supostas diferenças exigidas em relação ao período de 10/2000 a 05/2001. O recurso foi regularmente admitido, consoante despacho de admissibilidade de efls. 933/934. Fl. 950DF CARF MF Processo nº 35348.000212/200725 Resolução nº 9202000.116 CSRFT2 Fl. 951 4 Cientificada a Fazenda Nacional, esta apresenta contrarrazões de efls. 938 a 945, onde alega, em síntese: a) que a União (Fazenda Nacional) entende aplicável , na situação sob análise o art. 173, I do CTN em detrimento do art. 150 §4o. do mesmo diploma, o que resultará na manutenção de várias competências objeto da autuação; b) que caberia ao contribuinte instruir sua defesa com toda a documentação pertinente, demonstrando que efetuou pagamentos que não foram considerados pelo Fisco ou ate mesmo que deveriam ser abatidos da presente autuação, o que não ocorreu na presente hipótese. Com efeito, não há nos autos, quaisquer documentos que comprovem terem sido antecipados, ainda que parcialmente, os valores objeto da presente autuação, relembrando que tal ônus recai sobre o contribuinte. Partindose dessa premissa, constatase que a contribuinte não efetuou qualquer recolhimento antecipado na presente hipótese, citando a Fazenda Nacional a necessidade de aplicação pelo decidido pelo STJ no âmbito do REsp 973.733/SC, julgado na forma prevista pelo art. 543C do CPC então em vigor, a partir da previsão regimental contida no art. 62A do então RICARF; c) Conclui que, no caso em análise, cumpre observar que não há nenhuma indicação acerca do pagamento parcial de contribuição previdenciária no período autuado, comprovação que caberia à contribuinte, razão pela qual aplicase ao caso o disposto no art. 173, I, do CTN. Assim, considerando que a ciência do auto de infração deuse em 19/06/2006, é descabido cogitarse de decadência do crédito tributário referente as competências posteriores a 12/2000 a 08/2005. Requer, assim, que seja dado parcial provimento ao Recurso Especial de divergência interposto pela contribuinte para reconhecer a aplicação do prazo qüinqüenal de decadência com a aplicação do termo inicial com esteio no art. 173, I, do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, assim, dele conheço. Passo à análise de mérito. De se notar, para fins do deslinde da questão, a vinculação deste CARF às decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, quando submetidas ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, a partir do disposto no art. 62, §2o. do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho em vigor, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015: RICARF Fl. 951DF CARF MF Processo nº 35348.000212/200725 Resolução nº 9202000.116 CSRFT2 Fl. 952 5 Art. 62. (...) (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, ainda que se admita que a questão relativa à contagem do prazo decadencial é bastante tormentosa (daí a adoção de diversas interpretações relativas à matéria no âmbito deste Conselho), de se reconhecer que o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, recentemente pacificou, sob a sistemática de recursos repetitivos, o entendimento no sentido de que a regra do art. 150, §4o, do CTN só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, I nos demais casos. Reproduzse, a seguir, a ementa do Recurso Especial nº 973.733/SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, repitase devidamente submetido à sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil, sendo, assim, referido decisum, repitase, de observância obrigatória neste CARF, a partir do disposto no art. 62, §2o. do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho em vigor, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reza a decisão : PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, Fl. 952DF CARF MF Processo nº 35348.000212/200725 Resolução nº 9202000.116 CSRFT2 Fl. 953 6 entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Desta forma, ao adentrar o mérito da questão, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733/SC supra, no sentido de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, I, nos demais casos. No caso em questão, em se tratando de lançamento decorrente do fato da empresa ter efetuado desconto em folha de pagamento de seus segurados nas localidades de Rio Verde e Carambeí, referente a rubrica VALETRANSPORTE, em percentual inferior aos 6% previstos na legislação. Verificase, a propósito, que houve desconto em percentual diverso, ainda que inferior ao referido, para todas as competências objeto de lançamento, conforme se depreende de relatórios de efls. 110 a 116. Assim, foram objeto de lançamento somente as diferenças não descontadas. Todavia, em que pese o procedimento acima garantir que não se realizou a tributação de parcela não disponibilizada aos segurados como remuneração, não há, nos autos, informações sobre pagamentos realizados sobre os valores declarados em GFIP sobre contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre folha, segurados empregados e contribuições devidas a terceiros, para as competências de 10/2000 a 05/2001, informação fundamental para fins de aplicação ou do art. 150, §4o. do CTN ou do art. 173, I do CTN, para fins de contagem do prazo decadencial, a partir da existência ou não de pagamentos antecipados. Fl. 953DF CARF MF Processo nº 35348.000212/200725 Resolução nº 9202000.116 CSRFT2 Fl. 954 7 Desta forma, voto por converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta junte aos autos informações para o período compreendido entre 10/2000 e 05/2001, sobre os valores declarados em GFIP sobre contribuições previdenciárias patronais referentes a segurados empregados e contribuições devidas a terceiros, bem como os respectivos pagamentos realizados para tais fatos geradores/competências. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 954DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.901858/2011-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-001.033
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão nº 1456.777 da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que indeferira o Pedido de Ressarcimento de IPI e, por conseguinte, não homologara as compensações declaradas. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu preliminarmente a nulidade, por generalidade, do despacho decisório e, no mérito, invocou o princípio da verdade material e pleiteou o reconhecimento da não incidência da taxa Selic e multas sobre os débitos que restaram não compensados. Anteriormente, o contribuinte havia impetrado Mandado de Segurança, tendo obtido decisão liminar, em que se determinou que os pedidos de ressarcimento por ele RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 01 85 8/ 20 11 -8 5 Fl. 518DF CARF MF Processo nº 13851.901858/201185 Resolução nº 3201001.033 S3C2T1 Fl. 470 2 formulados fossem examinados “no prazo improrrogável de 30 (trinta) dias, a contar da intimação [da] decisão, sob as penas da lei.” A par da liminar, o contribuinte foi intimado a apresentar livros, documentos e arquivos digitais em 20 dias, tendo a Fiscalização verificado que os arquivos digitais apresentados continham milhares de ocorrências de erros, sendo que, em função dessas incorreções e do prazo exíguo para a prolação da decisão, o pedido foi indeferido. A decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse embasar o ressarcimento e na existência de previsão legal para a aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. Quanto à alegação do contribuinte acerca do caráter confiscatório da multa de ofício, o julgador a quo argumentou que a vedação ao confisco prevista na Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar as penalidades nos moldes da legislação que as instituiu. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito postulado e pedindo, alternativamente, a realização de diligência para as apurações cabíveis. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.025, de 29/08/2017, proferido no julgamento do processo 13851.901697/201120, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.025): A compensação tributária pode ser requerida pelo contribuinte que possua crédito líquido e certo contra a Fazenda. Nesse sentido é a literalidade do artigo 170 do CTN1. A administração, no prazo de 30 dias para análise que lhe foi concedido pelo Poder Judiciário, no âmbito do Mandado de Segurança impetrado pela recorrente, intimou a empresa a apresentar arquivos e documentos que já deviam estar disponíveis. O artigo 11 da Lei 8.218/912 prescreve o dever dos contribuinte de disponibilizar os dados. 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 2 Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 13851.901858/201185 Resolução nº 3201001.033 S3C2T1 Fl. 471 3 A responsabilidade do serviço público é muito grande quando defere restituição/ressarcimento ao contribuinte, pois se trata de transferir recursos da sociedade para o particular. Somente a materialidade provada, líquida e certa autoriza um ato administrativo com essa envergadura de responsabilidade. No presente caso, não existiam condições para tanto. Com efeito, o arquivo próprio para tais tipos de análises, que detalha as notas fiscais, não foi oferecido à administração, posto que aquele apresentado possuía tantos erros que não poderia validamente ser fundamento da restituição/ressarcimento. O Relatório Fiscal aponta milhares e milhares de erros no arquivo digital apresentado, erros inclusive de “IPI inválido”[...]. Resumese: ANO QUANTIDADE DENOMINAÇÃO DA INCONSISTÊNCIA 2005 7667 Já existe um participante com esta identificação 2005 12 Inconsistência de IPI 2005 6 Inconsistência de Valor 2005 441 IPI Inválido 2005 3 NCM Inválida ou Inexistente 2008 9125 Já existe um participante com esta identificação 2008 186 Inconsistência de ICMS 2008 78 Inconsistência de IPI 2008 18 Inconsistência de Valor 2008 566 IPI Inválido 2008 4 NCM Inválida ou Inexistente 2009 9400 Já existe um participante com esta identificação ANO QUANTIDADE DENOMINAÇÃO DA INCONSISTÊNCIA 2009 109 Inconsistência de ICMS 2009 44 Inconsistência de IPI 2009 1 Inconsistência de Valor 2009 494 IPI Inválido 2009 3 NCM Inválida ou Inexistente 2010 8875 Já existe um participante com esta identificação 2010 17 Inconsistência de ICMS 2010 1207 Inconsistência de IPI 2010 310 Inconsistência de Valor 2010 13114 IPI Inválido 2010 1 NCM Inválida ou Inexistente Não se configura, portanto, a materialidade do crédito pretendido. Fl. 520DF CARF MF Processo nº 13851.901858/201185 Resolução nº 3201001.033 S3C2T1 Fl. 472 4 Logo, mais que lícito e fundamentado o indeferimento da compensação. A recorrente poderia, no longo prazo que decorreu desde o indeferimento do Despacho Decisório até hoje, esclarecer as divergências, oferecer outro arquivo, apontar planilhas com, ao menos, parte do crédito devido, indicar a origem material de seu direito, mas não é o que aconteceu. Poderia e deveria, porque o ônus de provar o crédito é seu art. 333 do Código Civil3. Até hoje, entretanto, mantémse na tentativa de obter um deferimento sumário, sem análise de mérito do crédito. A obrigação de esclarecimento do contribuinte é positivada, ainda, artigo 4º da Lei 9.784/99: Art. 4º São deveres do administrado perante a Administração, sem prejuízo de outros previstos em ato normativo: I expor os fatos conforme a verdade; II proceder com lealdade, urbanidade e boafé; III não agir de modo temerário; IV prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos Como pedido alternativo, a recorrente pede a conversão do julgamento em diligência. Em regra, a diligência somente é cabível quando se verifique o esforço da recorrente em esclarecer a materialidade dos fatos. Embora não se verifique inovação probatória na Impugnação e no Recurso Voluntário, que ensejasse a constatação desse esforço, o fato é que, nos casos de Pedido de Ressarcimento de IPI, o próprio programa gerador do pedido exige extensas informações, detalhadas, sobre o crédito. Essas informações indicam a existência de créditos, mas que ainda não foram auditados. Não houve oportunidade de correção dos arquivos digitais, primeiro, pelo prazo de análise imposto pelo Poder Judiciário, e em segundo lugar porque, em regra, essa correção não tem como ser feita nas instâncias julgadoras. À vista de todo o exposto, a comprovação das informações prestadas já no pedido, deve ser oportunizada, por meio dos arquivos digitais corrigidos e outros elementos que o Fisco entender necessários. Pelo exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a Delegacia da Receita Federal promova auditoria nas informações já prestadas no pedido de ressarcimento, proferindo Despacho conclusivo quanto ao direito pretendido. Destaquese que, assim como ocorreu no acórdão paradigma, neste processo também se verificaram inconsistências nos arquivos digitais apresentados pelo contribuinte para demonstrar o crédito pleiteado. 3 Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. Fl. 521DF CARF MF Processo nº 13851.901858/201185 Resolução nº 3201001.033 S3C2T1 Fl. 473 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora analise a existência do crédito postulado, procedendose à auditoria das informações já prestadas no Pedido de Ressarcimento, valendo se dos dados presentes nos arquivos digitais devidamente corrigidos e em outros elementos que entender necessários, proferindose despacho conclusivo quanto ao direito pretendido. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 522DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721935/2015-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
IRPJ. LUCRO REAL. Os resultados na alienação de bens do ativo permanente serão classificados como ganhos ou perdas de capital e computados na determinação do lucro real. A permuta entre empresas coligadas deve ser feita a valor de mercado. SIMULAÇÃO. A alegação de mero equívoco ao interpretar a legislação de regência, não pode prosperar tendo em vista uma série de atos absolutamente fora da rotina de qualquer pessoa jurídica (como sucessivas alterações de pactos social, feitas e desfeitas segundo uma coreografia previamente acertada). Tratam-se de operações complexas e sistêmicas, que efetivamente foram pensadas e programadas, não decorrendo, tão somente, de mero equívoco na interpretação da legislação, mas sim de dolo do agente ao tentar dissimular as verdadeiras operações.
CSLL. LUCRO REAL. Reflexo da Exigência do IRPJ. Os resultados na alienação de bens do ativo permanente serão classificados como ganhos ou perdas de capital e computados na determinação do lucro real. A permuta entre empresas coligadas deve ser feita a valor de mercado. SIMULAÇÃO. A alegação de mero equívoco ao interpretar a legislação de regência, não pode prosperar tendo em vista uma série de atos absolutamente fora da rotina de qualquer pessoa jurídica (como sucessivas alterações de pactos social, feitas e desfeitas segundo uma coreografia previamente acertada). Tratam-se de operações complexas e sistêmicas, que efetivamente foram pensadas e programadas, não decorrendo, tão somente, de mero equívoco na interpretação da legislação, mas sim de dolo do agente ao tentar dissimular as verdadeiras operações. As considerações feitas com respeito ao IRPJ são plenamente aplicáveis à CSLL, em face da vinculação existente entre ambas exigências.
Numero da decisão: 1401-002.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não acolher a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e José Roberto Adelino da Silva. Fará declaração de voto a Conselheira Livia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Pesidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 IRPJ. LUCRO REAL. Os resultados na alienação de bens do ativo permanente serão classificados como ganhos ou perdas de capital e computados na determinação do lucro real. A permuta entre empresas coligadas deve ser feita a valor de mercado. SIMULAÇÃO. A alegação de mero equívoco ao interpretar a legislação de regência, não pode prosperar tendo em vista uma série de atos absolutamente fora da rotina de qualquer pessoa jurídica (como sucessivas alterações de pactos social, feitas e desfeitas segundo uma coreografia previamente acertada). Tratam-se de operações complexas e sistêmicas, que efetivamente foram pensadas e programadas, não decorrendo, tão somente, de mero equívoco na interpretação da legislação, mas sim de dolo do agente ao tentar dissimular as verdadeiras operações. CSLL. LUCRO REAL. Reflexo da Exigência do IRPJ. Os resultados na alienação de bens do ativo permanente serão classificados como ganhos ou perdas de capital e computados na determinação do lucro real. A permuta entre empresas coligadas deve ser feita a valor de mercado. SIMULAÇÃO. A alegação de mero equívoco ao interpretar a legislação de regência, não pode prosperar tendo em vista uma série de atos absolutamente fora da rotina de qualquer pessoa jurídica (como sucessivas alterações de pactos social, feitas e desfeitas segundo uma coreografia previamente acertada). Tratam-se de operações complexas e sistêmicas, que efetivamente foram pensadas e programadas, não decorrendo, tão somente, de mero equívoco na interpretação da legislação, mas sim de dolo do agente ao tentar dissimular as verdadeiras operações. As considerações feitas com respeito ao IRPJ são plenamente aplicáveis à CSLL, em face da vinculação existente entre ambas exigências.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não acolher a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e José Roberto Adelino da Silva. Fará declaração de voto a Conselheira Livia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Pesidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva.
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LUCRO REAL. Os resultados na alienação de bens do ativo permanente serão classificados como ganhos ou perdas de capital e computados na determinação do lucro real. A permuta entre empresas coligadas deve ser feita a valor de mercado. SIMULAÇÃO. A alegação de mero “equívoco ao interpretar a legislação de regência”, não pode prosperar tendo em vista uma série de atos absolutamente fora da rotina de qualquer pessoa jurídica (como sucessivas alterações de pactos social, feitas e desfeitas segundo uma coreografia previamente acertada). Tratamse de operações complexas e sistêmicas, que efetivamente foram pensadas e programadas, não decorrendo, tão somente, de mero equívoco na interpretação da legislação, mas sim de dolo do agente ao tentar dissimular as verdadeiras operações. CSLL. LUCRO REAL. Reflexo da Exigência do IRPJ. Os resultados na alienação de bens do ativo permanente serão classificados como ganhos ou perdas de capital e computados na determinação do lucro real. A permuta entre empresas coligadas deve ser feita a valor de mercado. SIMULAÇÃO. A alegação de mero “equívoco ao interpretar a legislação de regência”, não pode prosperar tendo em vista uma série de atos absolutamente fora da rotina de qualquer pessoa jurídica (como sucessivas alterações de pactos social, feitas e desfeitas segundo uma coreografia previamente acertada). Tratamse de operações complexas e sistêmicas, que efetivamente foram pensadas e programadas, não decorrendo, tão somente, de mero equívoco na interpretação da legislação, mas sim de dolo do agente ao tentar dissimular as verdadeiras operações. As considerações feitas com respeito ao IRPJ são plenamente aplicáveis à CSLL, em face da vinculação existente entre ambas exigências. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 19 35 /2 01 5- 24 Fl. 2621DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não acolher a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e José Roberto Adelino da Silva. Fará declaração de voto a Conselheira Livia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePesidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Belo Horizonte (MG), que manteve o crédito tributário decorrente do auto de infração lavrado em decorrência de supostas infrações à legislação tributária, referente ao ano calendário de 2011, por meio dos quais são exigidos do recorrente acima identificado, o Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, tendo total do crédito consolidado no valor de R$ 82.559.844,26 acrescido de multa e juros moratórios, conforme descrição nas tabelas abaixo: IRPJ 19.761.819,58 Juros de Mora 8.380.987,68 Multa 29.642.729,37 Valor do Crédito Apurado 57.785.536,63 CSLL 8.472.455,67 Juros de Mora 3.593.168,45 Fl. 2622DF CARF MF Processo nº 11516.721935/201524 Acórdão n.º 1401002.038 S1C4T1 Fl. 2.662 3 Multa 12.708.683,51 Valor do Crédito Apurado 24.774.307,63 2. Notase que o TVFTermo de Verificação Fiscal, às fls. 680/696, informa que o procedimento fiscal junto ao sujeito passivo acima identificado, restringiuse à verificação da regularidade fiscal pertinente à infração da legislação tributária de ganho na alienação de ativos não oferecidos à tributação, alienação/baixa de bens do ativo permanente – (apuração incorreta de resultados da CSLL); 3. Conforme consta no TVF, além das exigências formalizadas em face da recorrente, fezse necessário para melhor apuramento de controle fiscal, coletar informações/documentos junto a terceiros das seguintes empresas: VOS Construtora e Incorporadora Ltda, EMBRAED SETAI Participações Ltda e da EMBRAED Empresa Brasileira de Edificações Ltda (fls. 681 /683); 4. Segundo informações constantes no TVF, no mês de janeiro de 2008 formalizouse um Instrumento Particular de Permuta de Imóvel por área a ser construída, entre as empresas Vila do Farol ora recorrente, e a EMBRAED, cabendo a esta, implementação do empreendimento denominado "Complexo Turístico Praia dos Amores Resort". Por conter irregularidades, a construção projetada foi embargada, o que culminou no ajuizamento da ACP de nº 2009.72.08.0036634, em trâmite na 2ª VF e JEF Previdenciário de ItajaíSC, tendo inclusive, em momento anterior, ajuizada ação similar pelo MPF em face da recorrente. 5. Já em 2010, foi celebrado outro Instrumento particular de contrato de Parceria para Construção e Incorporação de Edifícios Residenciais entre as mesmas empresas acimas identificadas, acrescendo as empresas VOS Construtora e Incorporadora LTDA e a EMBRAED Setai, ultimouse dessa forma, à constituição da sociedade denominada EMBRAED SETAI EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS SPE LTDA. 6. Ao compulsar dos autos, conforme documentos anexados e descrição relatada no TVF, registrouse diversas alterações significativas nesta sociedade, que resultou na transferência de diversos ativos. Consta ainda, que em 29/12/2010 a pessoa jurídica Vila do Farol retirouse da sociedade formada, que cedeu sua participação para a Embraed, recebendo como contraprestação, as quotas que a Embraed possuía na VOS Construtora e Incorporadora Ltda. Nessa linha, conforme procedimento fiscalizatório, concluiuse que de acordo com as verificações realizadas, o aludido termo de Instrumento de distrato, não foi apresentado à fiscalização ou então, não existiu no mundo jurídico. 7. Ainda em relação ao contrato de parceria pactuado em maio de 2010, tem se que foi apresentado dois documentos diferentes relativos ao distrato ocorrido, o que merece destaque a transcrição em parte do TFV: (...) Advieram, no curso das investigações, 2 (dois) documentos distintos a propósito de evidenciar a rescisão. Um apresentado pela própria Vila do Farol, com imagem às fls. 114, que ostenta como emissão e recebimento a data 07 de dezembro de 2010. Outro, apresentado pela Embraed (fls. 475), que consigna como emissão 23 de novembro de 2010 e recebimento 24/11/2010. Fl. 2623DF CARF MF 4 Ademais, dispositivos do aludido instrumento, a exemplo dos subitens 6.2 a 6.4, relacionados ao intitulado “Complexo Balneário”, permaneceram em vigor após essas datas, consoante evidenciam informações/documentos coligidos da Embraed Setai (fls. 23 a 33). Assim, no afã de demonstrar negócio simulado, incorrem em diversas incongruências, típicas de estruturações ardilosas, que objetivam dissimular fato/negócio jurídico. Sob a estruturação concebida, acima retratada, o que se efetivou, ao final, foi à alienação de diversos ativos não circulantes por parte da empresa ora sob fiscalização (Vila do Farol) e diversos imóveis do estoque, por parte da Embraed, sem qualquer ônus no que concerne a exações federais. Não obstante, uma análise um pouco mais acurada não deixa margem para dúvidas. A estruturação concebida, acima delineada, até dispensa maiores comentários, uma vez que praticamente escancara o negócio dissimulado. (fls. 687/688). 8. De acordo com a Autoridade Fiscal, a mensuração dos bens integralizados pelo custo registrado revelouse absolutamente desarrazoada, notadamente, em face do valor de mercado ser muito superior. Noutro giro, o Instrumento particular de Contrato de parceria para a Construção e incorporação de Edifícios Residenciais e outras Avenças em (19/05/2010) apresentado, estabeleceu previamente todo o rito de retirada da sociedade, com opção de permanecer com os bens integralizados, o que na prática, revelouse como um negócio dissimulado. 9. Cientificado da autuação em 30/06/2015 (fls. 698), o interessado apresentou a primeira impugnação referente ao IRPJ em 09/07/2015 (fls. 702/730), na qual alegou, em síntese, que ocorreu uma permuta sem torna, das unidades imobiliárias (entrega dos bens imóveis que compunham o “Complexo Balneário” [Terrenos e o Hotel Recanto das Águas] à EMBRAED; e em troca, e sem torna, a entrega de 49 apartamentos com garagens pela EMBRAED à recorrente]. Demonstra que não houve dissimulação, na medida em que a autoridade fiscal se equivocou ao identificar o verdadeiro negócio jurídico, e dessa forma, classificou genericamente a conduta da recorrente como fraude prevista na Lei 4.502/64. Alega ilegitimidade passiva na medida em que o eventual ganho de capital deve ser imputado à empresa VOS (controlada), por tratarse de bens pertencentes ao seu patrimônio. Afirma que o fato de EMBRAED subscrever quotas do capital da sociedade VOS e, em seguida, constituir usufruto destas quotas em favor de diretor da mesma – VOS, não constituiria ilegalidade. E a segunda impugnação referente à CSLL em 29/07/2015 (fls. 1021 /1010), na qual alegou as mesmas razões de direito da primeira impugnação. 10. Nos termos da decisão recorrida, a permuta realizada não ofereceu elementos de clareza que caracterizasse efetivamente a ocorrência de transferências de ativos. E assevera que, “para se valer das benesses da IN nº 107, de 1988, deveria a interessada haverse desincumbido da obrigação estipulada nos subitens 1.2 e 1.3 da referida norma”. A saber: 1.2 As operações de permuta a preço de mercado deverão estar apoiadas em laudo de avaliação dos imóveis permutados, feito por três peritos, ou por entidade ou empresa especializada, desvinculados dos interesses dos contratantes, com a indicação dos critérios de avaliação e dos elementos de comparação adotados e instruído com os documentos relativos aos bens avaliados. Fl. 2624DF CARF MF Processo nº 11516.721935/201524 Acórdão n.º 1401002.038 S1C4T1 Fl. 2.663 5 1.3 As operações de permuta de unidades imobiliárias, realizadas entre pessoas jurídicas coligadas, controladoras e controladas, sob controle comum ou associadas por qualquer forma, ou entre a pessoa jurídica e seu sócio, administrador ou titular, ou com o cônjuge ou parente até o terceiro grau, inclusive afim dessas pessoas físicas, serão sempre realizadas tomandose por base o valor de mercado das unidades permutadas e exigindose laudo de avaliação, nas condições estabelecidas no subitem anterior sob pena de arbitramento do valor dos bens pela autoridade fiscal (Fls.2.536). 11. Nesse passo, nos termos da decisão recorrida a recorrente obteve 30% do capital da EMBRAED até 22 de dezembro de 2010, sendo ambas, sociedades empresárias coligadas. E sobre tal alegação de ocorrência de permuta sem torna, o entendimento da turma é que ao verificar os autos, existiu referência tão somente à participação societária recíproca e não à alienação de bens do ativo imobilizado. Afirmando dessa forma, que “a alienação deveria ter sido ajustada a preço de mercado, assim atestado por “laudo de avaliação dos imóveis permutados, feito por três peritos, ou por entidade ou empresa especializada”; porém, o assim dito “laudo” de fls. 116 a 118 limitase, como bem alerta o Autor do feito, a copiar “os valores registrados na escrita comercial”, ou seja, apresenta seu custo histórico e não o valor de mercado. Desta forma, não se acha comprovado que a operação se houvesse adequado ao que determinam os incisos 1.1 e 1.2 da IN nº 107, de 1988 e, portanto, a ela não se aplica o disposto no item 2.1.1. da mesma IN”. (Fls.2.536) 12. Inferese dos autos pelo julgamento do acordão ora recorrido, que de acordo com a autoridade fiscal, o contribuinte alienou bens do seu ativo não circulante, tendo recebido como contrapartida os imóveis integralizados pela empresa EMBRAED no capital social da VOS Construtora e Incorporadora LTDA. 13. A despeito da alegação pela recorrente de vício na mensuração da base de cálculo do imposto lançado, o entendimento da 4ª Turma no julgamento do acordão de nº 0267684, foi no sentido de que “caberia à interessada demonstrar que este valor médio adotado não seria consentâneo com a realidade, o que não foi feito. Notese que a interessada contrapõe alguns preços praticados pela sociedade VOS; porém, examinandose os respectivos documentos, verificase que nenhum deles corresponde a um negócio concluído durante o ano calendário de 2010”. (fls.2.537). 14. Conforme a decisão recorrida, a conduta da recorrente foi intencional para camuflar alienação de seu ativo imobilizado, trazendo flagrantes elementos que ensejaram na identificação de resultados tributários diferentes daqueles previstos nas situações jurídicas apresentadas dos atos negociais praticados, o que justifica, diante do evidente intuito de fraude, a correta aplicação da multa qualificada. 15. Salienta a decisão que toda fundamentação utilizada em referência ao IRPJ, são aplicáveis também, no presente caso, à CSLL. Sustentando ao final, que as doutrinas e jurisprudenciais colacionadas pelo contribuinte em sede de impugnação, não gozam do status de legislação tributária, conforme preconiza os arts. 96 a 100 do CTN. Fl. 2625DF CARF MF 6 16. O Acórdão ora Recorrido (0267.684 4ª Turma da DRJ/BHE) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2011 LUCRO REAL Os resultados na alienação de bens do ativo permanente serão classificados como ganhos ou perdas de capital e computados na determinação do lucro real. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. 17. Mesmo diante dos fundamentos do referido Acórdão, tendo sido intimado da referida decisão em 18/04/2016 (fls.2.543/2.581), o contribuinte apresenta Recurso Voluntário em 16/05/2016 (fls. 2.545/2.581), no qual além de reiterar os argumentos aduzidos em sede de impugnação, apresentou as seguintes razões: i) Preliminarmente: nulidade da decisão recorrida por constar na ementa do acordão decisão referente tão somente ao IRPJ, na medida em que a recorrente apresentou 02(duas impugnações), uma em relação ao IRPJ e a outra à CSLL, ferindo dessa forma, o direito a ampla defesa; ii) Alega a inexistência de dissimulação, pois a autoridade fiscal levou em conta apenas a parcela dos fatos, ignorando que desde 2007 (início das tratativas) a EMBRAED e a Recorrente formalizaram o propósito de realizar negócio jurídico, pretendendo construir empreendimento imobiliário em terrenos pertencentes à própria recorrente. Informa ainda, que o fato do contrato de parceria celebrado ter sido embargado e objeto da ACP, só confirma o propósito negocial e o substrato econômico da avença, no sentido de construção de empreendimento imobiliário. Conforme transcrição da afirmação in verbis: (...) “A Recorrente realizou investimento na SPE, como parte de um esforço conjunto de afastar os inegáveis prejuízos que decorriam da rescisão do contrato entabulado em 21/01/2008, ampliandose, ademais, o negocio inicialmente concebido. E este negócio não foi adiante porque uma das partes envolvidas (EMBRAED), insistiu na manutenção do projeto que já não havia se revelado viável sob o ponto de vista legal. (...) devese olhar para a integralidade dos fatos (desde o nascedouro do negocio jurídico concebido entre a Recorrente e EMBRAED, e não apenas para uma parcela dos eventos). “ (Fls 2.556) (...) “Deveras, é ululante que no novo contrato de parceria celebrado em 19/05/2010 não se pretendeu prosseguir com o projeto que havia se revelado inviável. O que se deu foi justamente o inverso, eis que, como a parte de um esforço Fl. 2626DF CARF MF Processo nº 11516.721935/201524 Acórdão n.º 1401002.038 S1C4T1 Fl. 2.664 7 conjunto de afastar os inegáveis prejuízos que decorriam da rescisão do contrato entabulado em 21/01/2008, celebrouse nova avença cujo objetivo era justamente suplantar os óbices decorrentes das aludidas ações civis públicas, seja empreendendo todos os esforços pela obtenção de uma solução nestas ações, bem concebendo projeto que possuísse plena viabilidade junto às autoridades competentes, em todas as esferas do Poder Público.” (Fls.2.557) iii) Alega que, o contrato de parceria celebrado passou pelo crivo do MPF e do Poder Judiciário, ao qual reconheceu a sua higidez, ao passo que deferiu a substituição do polo passivo nas ACP: “A SPE, bem como todas as empresas que celebram o contrato de parceria, mantémse ativas, e como se isso não bastasse, a Recorrente e a SPE requereram a exclusão daquela do polo passivo da Ação civil pública 2009.72.08.0036634, incluindose esta, pois os imóveis objetos dessa ação foram integralizados no capital da SPE, em razão do referido contrato de parceria. E, após a anuência do MPE, aquele juízo deferiu a substituição da recorrente pela SPE, o que também se deu na Ação civil pública 2005.72.08.0014438” (fls.2.558). iv) Frisa que o fato de o "Hotel Recanto das águas" ter sido cedido em comodato à sociedade Infinity Blue Hotel Ltda., não infirma o substrato econômico do contrato de parceria celebrado em 2010. Acrescenta: "Sem prejuízo disso, eventual diminuta atividade econômica da SPE não pode, evidentemente, ser apontada como elemento probante da simulação que está imputando à Recorrente. Isso porque a constituição, a natureza e o volume da atividade econômica de toda e qualquer empresa decorre e sofre variações em razão de inúmeros fatores, dentre os quais se insere as decisões tomadas por aqueles que estão à frente da empresa (que neste caso, sequer é a Recorrente)." (fls 2.559). v) Por esse motivo, informa que as partes sempre trataram a operação com o propósito negocial e substrato econômico, não podendo a fiscalização descaracterizálo, por meio da simples indicação de alguns fatos interpretados de modo isolado; vi) Fundamenta que o raciocínio implementado pela fiscalização não procede, quando atribui efeito jurídico diverso daquele assinalado pelos art. 109 e 110 do CTN. Quando em verdade argumenta, que a legislação pátria Fl. 2627DF CARF MF 8 (art. 1.055 do CC/02), "não impõe às sociedades limitadas o dever de realizar avaliação, pretendendo apurar o valor de mercado, dos bens que serão integralizados no capital social. Os sócios podem livremente pactuar sobre o valor desses bens, não havendo vedação legal para que seja adotado o valor contábil dos bens, inclusive obtido por meio de avaliação, conforme realizado pela Recorrente e pela EMBRAED.”; vii) Aduz que o fato das participações societárias possuírem valores contábeis distintos tampouco caracteriza ganho ou perda de capital. Isso porque, cada parte entrega na permuta sem torno apenas o ativo que lhe pertence, aos quais se atribui valor equivalente. Com isso, o seu argumento encontra respaldo no Parecer Normativo COSIT de nº 09 de 04/09/2014 da Secretaria da Receita Federal, de que por ser uma permuta de unidade imobiliárias, não dá ensejo à tributação do IRPJ e da CSLL, in verbis: “Pela ratio legis da norma complementar, não há resultado a tributar no lucro real porque o valor contábil do imóvel que entra é igual ao valor do imóvel que sai, fazendo com que os lançamentos venham a se anular em termos de resultado. Daí a razão do tratamento dado à permuta sem pagamento de torna no âmbito da apuração do IRPJ pelo lucro real". vii) Reitera que não há ganho de capital na permuta realizada de participação societária, pois se verifica a ausência de aquisição de renda pelos permutantes. Logo, "ausente o preço, é evidente que não há aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica de renda, pois as partes apenas trocaram ativos que estimaram como equivalentes, não havendo que se falar, portanto, em riqueza nova. Ocorrerá a aquisição de renda quando cada uma das partes alienarem as participações societárias que foram objeto de simples permuta, quando incidirá o IRPJ e a CSLL”. Por esse motivo, a autoridade fiscal estaria impedida de tributar o ganho de capital supostamente de corrente dessa permuta; viii) Afirma também, que a permuta realizada não enseja aquisição de renda, o que afasta o ganho de capital, pois de acordo com a IN 107/88, a permuta sem pagamento de torna, realizada entre pessoas jurídicas não terá resultado a apuração do IRPJ. Que os elementos trazidos aos autos, revelam que as operações realizadas foram àquelas efetivamente pretendidas pelas partes, não demonstrando dessa forma, nenhum comportamento que ensejasse na simulação ou dissimulação do negócio jurídico. Isso porque, o que se demostrou foi que a celebração do contrato de parceria não acarretou a subtração do imposto, apenas se efetivou a permuta pelo valor contábil dos bens; ix) Refuta a alegação contida no Acordão recorrido de que “(...) a interessada deteve 30% do capital da EMBRAED até 22/12/2010", quando na verdade, deteve 30% do capital social da SPE e não da EMBRAED, afastando o argumento de que não são sociedades coligadas. Em razão disso, conforme Fl. 2628DF CARF MF Processo nº 11516.721935/201524 Acórdão n.º 1401002.038 S1C4T1 Fl. 2.665 9 preceitua o item 2.1 da I.N de nº 107/88, é admissível, portanto, a permuta sem torna pelo valor contábil dos bens; x) Alega ilegitimidade passiva na medida em que o eventual ganho de capital deve ser imputado à empresa VOS (controlada), por tratarse de bens pertencentes ao seu patrimônio, afastando o posicionamento adotado pelo acordão recorrido. Transcrevendo nesse mesmo sentido, o entendimento do CARF no julgamento do Recurso de nº 149.392 Acordão de nº 10809.227, a saber: "Configura erro na identificação do sujeito passivo, quando o fisco não lavra o auto de infração na empresa onde foram efetuados os aportes financeiros e para qual foi dirigido o ganho econômico, quando ela permanece ativa após os fatos considerados simulados e controlada pela pessoa física beneficiada, direta ou indiretamente, pela não tributação do ganho de capital na alienação de participação societária." xi) Sustenta que o auto de infração lavrado, mensurou a base de cálculo do IRPJ supostamente devido de maneira indireta, utilizandose da técnica de arbitramento, o que não se levou em consideração a particularidade de cada venda realizada (por ex. prazo, existência de imóveis em troca [permuta], etc.). Há vício, portanto, na mensuração da base de cálculo do imposto lançado no auto de infração relacionado ao contrato de compra e venda de imóveis celebrados pela EMBRAED no ano de 2010 (edifícios "Alexandria" e "Renaissance"); xii) Impugna a imposição da multa qualificada em 150%, por entender que houve ausência dos fatos alegados às normas utilizadas pela autoridade fiscal, na medida em que não restou comprovado a intenção da recorrente em fraudar o fisco, tampouco demostrada a sua conduta dolosa em sonegar tributos ou omitir informações nas atividades que desempenhava; xiii) Requereu o provimento do presente recurso voluntário interposto, para anular o Acordão recorrido conforme razões expostas, declarando improcedente o auto de infração lavrado, reconhecendo a inocorrência da tributação do IRPJ e CSLL em virtude da permuta realizada de unidades imobiliárias; xiv) Ou subsidiariamente, (a) a anulação do auto de infração para reconhecer a ilegitimidade da recorrente em figurar como sujeito passivo; (b) a anulação do auto de infração para reconhecer o vício insanável na mensuração da base de calculo ou reduzir a base de cálculo, determinandose que seja apurada; (c) Requereu ao final, a redução das multas ao patamar ordinário de 75%. 18. É o relatório do essencial. Fl. 2629DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. Ao compulsar os autos e comparar as razões de Impugnação e ora apresentadas em sede de Recurso Voluntário posso constatar que, à exceção da preliminar de nulidade do julgamento de primeira instância em razão da suposta não apreciação da impugnação relativa à CSLL, o presente recurso tão somente repete as argumentações trazidas na impugnação. Assim, passo a analisar an initio a preliminar de nulidade suscitada. Defende o contribuinte a nulidade da decisão recorrida por constar na ementa do acordão decisão referente tão somente ao IRPJ, na medida em que a recorrente apresentou 02 (duas impugnações), uma em relação ao IRPJ e a outra à CSLL, ferindo dessa forma, o direito a ampla defesa. Entendo não assistir razão ao Recorrente. Como é possível constatar, a cobrança da CSLL é conseqüência da exigência do IRPJ, possuindo o mesmo fato gerador e mesmo contexto fático. Tanto assim, que as impugnações apresentadas pelo Recorrente são praticamente idênticas. Em que pese a ementa não se refira à CSLL, não entendo ser esse um vício suscetível de nulidade. A ementa consiste em breve apresentação do conteúdo do acórdão e, por isso, deve ser feita de forma clara e concisa. Por meio dela sabese de imediato a matéria relacionada na decisão do Tribunal. Tratase do resumo, do sumário do acórdão. De acordo com o artigo 563, do Código de Processo Civil, "todo acórdão conterá ementa". E o acórdão recorrido cumpriu essa exigência. O fato de a ementa estar mais ou menos detalhada, por si só, não tem o condão de inquinar de nulidade a decisão. Isto porque, não se pode confundir a ementa com o dispositivo ou com a fundamentação de uma decisão, por exemplo. O fato é que, a decisão recorrida foi bem clara e no seu dispositivo tratou da CSLL , isto porque, como muito bem delineado as considerações feitas com respeito ao IRPJ são plenamente aplicáveis à CSLL, em face da vinculação existente entre ambas exigências. Por outro lado, não verifico nenhum prejuízo ou desrespeito ao princípio da ampla defesa na medida em que, a decisão recorrida foi clara e compreensível, e o ora Recorrente foi capaz de contra ela se insurgir de forma detalhada e demonstrando compreensão do tema em debate. Assim, diante do exposto, não acolho a preliminar suscitada pelo Recorrente. Fl. 2630DF CARF MF Processo nº 11516.721935/201524 Acórdão n.º 1401002.038 S1C4T1 Fl. 2.666 11 No que se refere às demais razões aduzidas em recurso, como acima relatado, são meras repetições das razões apresentadas em sede de impugnação, as quais foram detalhadamente apreciadas pelo julgador a quo. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). Da análise do presente processo, entendo ser plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que, além da preliminar de suscitada já analisada, o Recurso do contribuinte em nada inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida, senão vejamos: Voto A peça de defesa foi apresentada a tempo e nos moldes prescritos pelo Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, com suas alterações, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, podendo ser apreciada. Reza o artigo 31 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, matriz legal do artigo 418 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto sobre a Renda): Art 31 Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na Fl. 2631DF CARF MF 12 alienação, inclusive por desapropriação (§ 4º), na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente. Convém inicialmente apontar os marcos milionários das operações que embasaram as exações em tela, recordando que não existe qualquer discrepância entre Fisco e contribuinte com respeito aos fatos em si. Em 21 de janeiro de 2008, a interessada e a sociedade empresária EMBRAED EMPRESA BRASILEIRA DE EDIFICAÇÕES LTDA. (EMBRAED), CNPJ nº 78.530.375/0001 50, firmaram “Instrumento particular de permuta por área a ser construída no local”, pelo qual a interessada se comprometia a ceder área de 88 mil m² para que EMBRAED nela construísse três edifícios com 72 unidades habitacionais ao todo, um terço das quais – e das respectivas vagas de garagem – caberia à ora impugnante (fls. 92 a 99). Em 30 de setembro de 2009, o carpet federal ingressou com ação civil pública com vistas a embargar a referida construção (fl. 983), obtendo liminar em 10 de dezembro do mesmo ano (fl. 983); notese que, anteriormente, ação similar já havia sido impetrada em face da interessada. Em 10 de maio de 2010, constituiuse a sociedade EMBRAED LA MARTINA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS SPE LTDA. (SPE), cujos únicos sócios eram EMBRAED, com 700 quotas, e RTDR PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ nº 09.222.901/000100, com 300 quotas, a R$ 1,00 cada. Oportuna esclarecer que ambas eram administradas pela pessoa natural de ROGÉRIO ROSA, CPF nº 180.280.39987 (fls. 260 a 269), falecido em 17 de novembro de 2013 (fl.352). Em 19 de maio de 2010, firmouse o “contrato de parceria” de fls. 100 a 113 e 458 a 471, o qual apresentava, (a) de um lado (a.1) a interessada e (a.2) VOS CONSTRUTORA E INCORPORADORA LTDA., CNPJ nº 04.696.521/000186, ambas administradas por VILMAR DE OLIVEIRA SCHÜRMANN, CPF nº 002.287.10987; e (b) de outro lado, (b.1) EMBRAED e (b.2) SPE. No mencionado contrato, depois de as partes reconhecerem a inviabilidade da avença anterior, ficou acertado que a interessada entregaria área de 800 mil m², denominada “Complexo Balneário” (onde se encontra o hotel Recanto das Águas), e receberia um terço das quotas da SPE, aqui considerada “sociedade a ser constituída”. Por seu turno, EMBRAED e SPE assumiam o ônus da “construção de empreendimentos imobiliários e exploração de complexo de hotelaria e turismo” na referida área, declarando ter pleno conhecimento das já mencionadas ações judiciais e assumindo seu polo passivo. “A título de garantia”, EMBRAED comprometiase a subscrever quotas do capital da VOS e a integralizar o respectivo valor pela entrega de 49 apartamentos e respectivas vagas de garagem. Assinalese que tanto a interessada quanto VOS detinham o direito exclusivo de, até 19 de maio de 2011, rescindir o contrato ad nutum, podendo neste caso: (a) permanecer com os 49 apartamentos; ou (b) receber de volta os imóveis do “Complexo Balneário” – caso em que a Fl. 2632DF CARF MF Processo nº 11516.721935/201524 Acórdão n.º 1401002.038 S1C4T1 Fl. 2.667 13 parcela do capital de VOS subscrita por EMBRAED retornaria à propriedade da interessada. Consta do instrumento de contrato (fls. 103 e 104): II. – [...] em 20 de setembro de 2007, entre "VILA DO FAROL", como "Primeira Permutante" e "EMBRAED", como "Segunda Permutante", celebrouse um "Instrumento Particular de Permuta de Imóvel por Área a ser Construída no Local", tendo por objeto a implementação, por esta última, numa área de aproximadamente 88.000 m2 (oitenta e oito mil metros quadrados), ou seja, em uma parcela da área total, do aqui denominado "Complexo Balneário", de um empreendimento imobiliário, "constituído de três (3) torres de 12(doze) pavimentos de unidades habitacionais/hospedagem, contendo duas (2) unidades por pavimento e três (3) pavimentos de embasamento que servirão como área de apoio, convivência, lazer e garagens, totalizando aproximadamente 35.136,00 m2. (trinta e cinco mil, cento e trinta e seis metros quadrados)" denominado "COMPLEXO TURISTICO RESORT PRAIA DOS AMORES RESORT", na forma da Lei nº 4.591/64, autorizado pela Lei Municipal nº 2.483/2005, tudo conforme consta do respectivo instrumento. III. Que, entretanto, as partes contratantes, desde então, encontraram grandes dificuldades, inclusive quanto à viabilidade econômica e de ordem prática, inclusive na implantação de acessos ao pretendido empreendimento, especialmente em decorrência das limitações da área do imóvel em que se propunha realizalo. IV. Que, diante disso, resolveram, as partes integrantes daquele contrato "VILA DO FAROL" e "EMBRAED" , agora com o envolvimento da "VOS" e da "SPE", ampliar consideravelmente a abrangência, o porte e até o objeto de exploração do mencionado empreendimento, passando a compreender a totalidade dos imóveis acima descritos e denominados "Complexo Balneário". 1. DO OBJETO DESTE CONTRATO 1.1. Constitui objeto deste contrato, a conjunção de esforços e propósitos das partes contratantes para a construção de empreendimentos imobiliários e exploração de complexo de hotelaria e turismo, no "Complexo Balneário" como descrito no considerando I, acima de propriedade da "VILA DO FAROL". [...] 3.3. A "VILA DO FAROL", "VOS" e seus sócios não terão que fazer qualquer outro aporte de recursos na implementação total dos empreendimentos imobiliários, que constitui objeto deste contrato, sendo a ela garantido, até a conclusão plena do mesmo, a participação acima estabelecida de trinta por cento (30%). Fl. 2633DF CARF MF 14 [...] 5.1. Fica reservado à "VOS" e/ou "VILA DO FAROL" o direito de rescindir o presente instrumento de contrato, se assim julgarem conveniente, pelos seguintes motivos: [...] b) se não houver pleno acordo com relação ao projeto dos empreendimentos a serem executados, a ser elaborado pela "EMBRAED" e submetido à analise e aprovação da "VOS" e/ou "VILA DO FAROL", até 20/09/2010, para manifestação destas, quanto a sua aceitação nos noventa (90) dias que se seguirem, ou seja, até 10/12/2010. Em 30 de setembro de 2010, a interessada e EMBRAED subscreveram o documento de fls. 341 e 342, que menciona um “Instrumento particular de permuta por área a ser construída no local” supostamente datado de 20 de setembro de 2007 (e não de 21 de janeiro de 2008, data do documento de fls. 92 a 99). Em 11 de outubro de 2010, ocorreu aumento de capital de VOS, com admissão de EMBRAED, que subscreveu 21.263.995 quotas, integralizadas pela entrega de 49 apartamentos (fls. 174 a 269); estas quotas foram gravadas com cláusula de usufruto em favor de VILMAR DE OLIVEIRA SCHURMANN, pelo prazo de um ano (fl. 221). No mesmo dia, a interessada foi admitida no quadro societário de SPE, com 15 milhões de quotas a R$ 1,00 cada, integralizadas com a entrega do Complexo Balneário (fls. 270 a 282). Em 29 de novembro de 2010, a interessada e SPE requereram a exclusão da primeira do polo passivo das ações civis públicas (fl. 987). Em 7 de dezembro de 2010, rescindiuse o contrato de parceria, com base na cláusula 5.1, “b”, do contrato de maio do mesmo ano; em razão disso, efetuouse a transferência definitiva de 49 apartamentos (fl. 114). Em 10 de dezembro de 2010, EMBRAED retirouse da sociedade VOS, dando “plena geral mútua e irretratável quitação de todos os seus haveres, para nada mais e em tempo algum reclamar, em juízo ou fora dele, seja a que título for” (fls. 294 a 305). Em 22 de dezembro de 2010, a interessada se afastou de SPE, dando “plena geral definitiva e irrevogável quitação, para nada mais e em tempo algum reclamar, em juízo ou fora dele, seja a que título for” (fls. 294 a 305). Como visto, o autor do feito considerou que toda esta operação visava a mascarar alienação de bens da interessada e efetuou os necessários lançamentos de ofício em desfavor da interessada, tendo por base a alienação dos bens mencionados no Termo de Verificação Fiscal. Tentando demonstrar a lisura de seu comportamento, a interessada alega que a segunda avença teria sido por ela Fl. 2634DF CARF MF Processo nº 11516.721935/201524 Acórdão n.º 1401002.038 S1C4T1 Fl. 2.668 15 denunciada (com base na cláusula 5.1 “b” da mesma) em razão de EMBRAED haver insistido “em manter o mesmo projeto por ela concebido em 2008”, “que já não havia se revelado viável sob o ponto de vista legal”. A impugnante, porém, não apresenta quaisquer provas de que sua parceira houvesse, em algum momento, expressado a vontade de retomar o projeto dantes abortado, muito embora o acordo de 2010 preveja que este direito de rescisão dependeria de EMBRAED elaborar e submeter à “análise e aprovação da ‘VOS’ e/ou ‘VILA DO FAROL’, até 20/09/2010” seu “projeto dos empreendimentos a serem executados”. Ou seja, em tese, deveria haver um documento, recebido pela interessada até 20 de setembro de 2010 e por ela rejeitado, capaz de comprovar um dissenso de ordem tal que justificasse o desfazimento do negócio; mas, nos presentes autos, não há quaisquer vestígios de um documento desta natureza. Mesmo assim, a interessada alega: Ora, não se tergiversa que, desde 2007 com início das tratativas , culminandose com o contrato de permuta celebrado em 21/1/2008, a EMBRAED e a Impugnante formalizaram, o propósito de realizar negócio pretendendo construir empreendimento imobiliário em terrenos pertencentes à Impugnante. [...] Afastase, portanto, a alegada dissimulação, eis que todos os procedimentos adotados, além de legítimos, possuem um nítido propósito tendo em vista que o negócio, insistese, teve início em 2007. Ora, a se dar crédito a tais assertivas, a interessada alega que aquele “negócio”, cujas “tratativas” teriam início em 2007 e que foi consubstanciado no instrumento de 2008, seria o mesmo que viria a constituir o objeto da avença de maio de 2010, ora em exame; ou seja, em 2010, a interessada e EMBRAED teriam concordado em prosseguir em um projeto que, de antemão, sabiam vedado por decisão judicial. Tal avença, porém, justamente por consistir no “mesmo projeto [...] concebido [pela EMBRAED] em 2008”, viria a ser rescindida pela impugnante, muito embora ela, desde o início (segundo suas próprias palavras) estivesse ciente de sua natureza e dos óbices à sua execução. Reduzindose este argumento à sua essência, vêse que nele a interessada afirma (a) que, numa operação desta envergadura, duas pessoas jurídicas de peso acordaram fazer algo que, expressa e inequivocamente, sabiam de antemão proibido; e (b) que tal acordo foi desfeito em razão desta mesma proibição. Ou seja, odiscurso da interessada, cuja conclusão nega as próprias premissas, não tem a mínima coerência interna. No esforço de dar tintas de normalidade a estas estranhas operações, a interessada justifica sua exigência de que EMBRAED lhe prestasse garantia do negócio dizendose “parte lesada no primeiro contrato”. Ora, a expressão “parte lesada” Fl. 2635DF CARF MF 16 implica que ela se sentiu prejudicada por EMBRAED (muito embora, curiosamente, não dimensione tal prejuízo nem especifique sua natureza); em assim sucedendo, como se explica que ela reiterasse a avença inicial, com a mesma pessoa jurídica que a haveria lesado? Mudando o curso da argumentação, logo adiante ela atribui esta lesão às tantas vezes referidas ações civis públicas; portanto, inteiramente despropositado exigir – e obter – de EMBRAED garantias por algo que ela, afinal, não poderia garantir, qual seja, o êxito em tais ações. Assinalese, por fim, que a interessada não se obrigou ao aporte de qualquer outro recurso (cláusula 3.3). Dito de outra forma, desnecessário assegurar um negócio que, se desfeito, poderia, ao alvedrio da interessada, retornar ao statu quo ante. Este pacto colocase à margem da usualidade por todos estes aspectos e por outros mais, como: (a) o fato de EMBRAED subscrever quotas do capital da sociedade VOS e, em seguida, constituir usufruto destas quotas em favor de diretor da mesma VOS; (b) a assunção, por SPE, “de todo o passivo decorrente de Ação Pública que afeta imóveis integralizados”; e (c) a nítida prevalência da interessada e de sua controlada VOS, as únicas capazes de romper unilateralmente o acordo. O Autor do feito ressalta que SPE não exerceu qualquer atividade, prestandose a ser uma simples “empresa veículo”, como o comprova sua contabilidade, que se resume aos “eventos da subscrição e integralização de capital” e a mais dois lançamentos de valores irrisórios (fls. 388 a 397). Em resposta, a interessada alega que isso se deveria à “precoce rescisão” do acordo de maio de 2010. Ora, suas palavras apenas confirmam a tese da autoridade lançadora: a sociedade SPE nasceu expessamente para dar viabilidade ao pacto de maio de 2010 e, uma vez rescindido este último, ela teria perdido sua razão de ser, não sendo excessivo recordar que os dois sócios originais de SPE não integralizaram suas quotas. A interessada alega que “a SPE, bem como todas as empresas que celebraram o contrato de parceria, mantêmse ativas”, aludindo às sucessivas modificações de seu pacto social. Entretanto, isto apenas poderia demonstrar que, formalmente, SPE perdurou no tempo, não que tenha efetivamente exercido verdadeira atividade empresarial. Cabe recordar que ela não explora comercialmente o Hotel Recanto das Águas, embora este haja passado à sua propriedade, havendoo cedido em comodato à sociedade INFINITY BLUE HOTEL LTDA. – ou seja, a SPE permanece inerte desde então, demonstrando não ter vida própria. De passagem, a interessada alega que o pacto de maio de 2010 teria sido referendado pelo Ministério Público Federal e pelo Poder Judiciário. Porém, a ausência de reparos ao negócio feito não indica que qualquer um destes entes o haja submetido a uma auditoria e referendado sob o aspecto tributário, algo que compete exclusivamente ao Fisco federal. A alusão às Leis 11.638, de 28 de dezembro de 2007, e 11.941, de 27 de maio de 2009, é totalmente ociosa, pois tais diplomas legais não se aplicam à matéria em exame. A interessada minimiza as inconsistências de sua contabilidade, considerandoas meros equívocos e afirmando que não teria Fl. 2636DF CARF MF Processo nº 11516.721935/201524 Acórdão n.º 1401002.038 S1C4T1 Fl. 2.669 17 havido “aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica de renda” naquilo a que denomina uma simples troca de ativos equivalentes. Entretanto, o que se constata é uma alienação de ativo imobilizado, camuflada pelos efêmeros investimentos recíprocos ora em exame, aos quais faltou o “animus manendi” que caracteriza as verdadeiras participações em sociedades de responsabilidade limitada: notese que, entre as subscrições simultâneas e o afastamento dos sócios recémadmitidos, transcorreram escassos 57 dias, no caso de EMBRAED, e 72 dias, no caso da interessada, ou seja, pouco mais de dois meses, em média. A interessada se adianta e impugna uma inexistente revisão deste lançamento e que, por tal motivo, não precisa ser examinada. Teoriza que, no caso presente, teria ocorrido “uma permuta, sem torna, de unidades imobiliárias” e invoca a dicção do item 2.1.1 da Instrução Normativa (IN) nº 107, de 14 de julho de 1988. Entretanto, esta tese não merece acolhida, pois entendese por permuta imobiliária somente [...] o contrato em que as partes (permutantes) trocam ou cambiam entre si imóveis de suas propriedades, obrigandose a transferir para o outro, reciprocamente, o domínio de um bem imóvel (ou mais). Fonte: http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaFisica/DOI/Perguntas/ Permuta.html (consulta feita em 14 de março de 2016, às 11h40) Ou seja, para que houvesse uma permuta, ela deve ser assim caracterizada desde o princípio, numa transação feita às claras e não em um acerto inteiramente atípico, que principia por um contrato de objeto indefinido, passa por uma efêmera participação cruzada de capitais e se desfaz sem deixar vestígios – salvo pela transferência de ativos. Ademais, para se valer das benesses da IN nº 107, de 1988, deveria a interessada haverse desincumbido da obrigação estipulada nos subitens 1.2 e 1.3 da referida norma, quais sejam: [...] 1.2 As operações de permuta a preço de mercado deverão estar apoiadas em laudo de avaliação dos imóveis permutados, feito por três peritos, ou por entidade ou empresa especializada, desvinculados dos interesses dos contratantes, com a indicação dos critérios de avaliação e dos elementos de comparação adotados e instruído com os documentos relativos aos bens avaliados. 1.3 As operações de permuta de unidades imobiliárias, realizadas entre pessoas jurídicas coligadas, controladoras e controladas, sob controle comum ou associadas por qualquer forma, ou entre a pessoa jurídica e seu sócio, administrador ou titular, ou com o cônjuge ou parente até o terceiro grau, inclusive afim dessas pessoas físicas, serão sempre realizadas tomandose por base o valor de mercado das unidades permutadas e exigindose laudo de avaliação, nas condições Fl. 2637DF CARF MF 18 estabelecidas no subitem anterior sob pena de arbitramento do valor dos bens pela autoridade fiscal. Ora, a interessada deteve 30% do capital de EMBRAED até 22 de dezembro de 2010; logo, ambas eram sociedades empresárias coligadas, a teor dos parágrafos 1o e 5o do artigo 243 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicável a todas as pessoas jurídicas por força do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: Art. 243. [...]. § 1o São coligadas as sociedades nas quais a investidora tenha influência significativa. [...] § 5o É presumida influência significativa quando a investidora for titular de 20% (vinte por cento) ou mais do capital votante da investida, sem controlála. Por conseguinte, a alienação deveria ter sido ajustada a preço de mercado, assim atestado por “laudo de avaliação dos imóveis permutados, feito por três peritos, ou por entidade ou empresa especializada”; porém, o assim dito “laudo” de fls. 116 a 118 limitase, como bem alerta o Autor do feito, a copiar “os valores registrados na escrita comercial”, ou seja, apresenta seu custo histórico e não o valor de mercado. Desta forma, não se acha comprovado que a operação se houvesse adequado ao que determinam os incisos 1.1 e 1.2 da IN nº 107, de 1988 e, portanto, a ela não se aplica o disposto no item 2.1.1. da mesma IN. Por oportuno, advirtase que o Parecer Normativo COSIT nº 9, de 4 de setembro de 2014, cuida do “tratamento tributário da permuta de imóveis por parte das pessoas jurídicas que exerçam atividades imobiliárias e apuram o imposto sobre a renda com base no lucro presumido” o que não é o caso vertente. A impugnante distorce as palavras do Autor do feito, afirmando que ele haveria reconhecido que houvera uma permuta imobiliária sem torna, quando, na realidade, sob este aspecto, ele só faz referência à participação societária recíproca, não à alienação de bens do ativo imobilizado. A seguir, a interessada alega sua “ilegitimidade passiva”, dizendo que “eventual ganho de capital [...] somente pode ser imputado à empresa VOS, visto tratarse de bens pertencentes ao seu patrimônio e não ao da Impugnante”, uma assertiva flagrantemente inconsistente, à vista do preâmbulo do instrumento de contrato firmado em maio de 2010 (fl. 101): CONSIDERANDO, I. Que a "VILA DO FAROL", é atualmente proprietária de um conjunto imobiliário, doravante designado com "Complexo Balneário", situado na chamada Praia dos Amores, em Balneário Camboriú/SC, onde está edificado e funciona o Hotel Recanto das Águas Resort & SPA, com todas as suas dependências e instalações, integrado também pelos seguintes imóveis [...]. Fl. 2638DF CARF MF Processo nº 11516.721935/201524 Acórdão n.º 1401002.038 S1C4T1 Fl. 2.670 19 Uma vez que o fato gerador dos lançamentos em tela foi a alienação deste mencionado “Complexo Balneário”, de propriedade da interessada, este argumento não pode ser acolhido. Pelo mesmo motivo, incabível a compensação do presente crédito tributário com “tributos pagos pela VOS” na venda de apartamentos, pois não se confundem as pessoas jurídicas da interessada e de sua controlada. Logo, inexiste “bis in idem”. A interessada alega “vício na mensuração da base de cálculo”, afirmando que o “valor destes imóveis [...] deve ser o valor efetivo da venda destes bens pela VOS (e não o valor médio adotado pela autoridade fiscal)”, que não refletiria a “desproporção de preços” e as “particularidades de cada venda”. A este respeito, cabe apenas observar que a virtude capital da média aritmética é, justamente, fazer tabula rasa de tais particularidades, por ser uma grandeza única e representativa do universo de eventos de que ela foi obtida, abstraídas as peculiaridades de cada um destes eventos. Para contestar este parâmetro, caberia à interessada demonstrar que este valor médio adotado não seria consentâneo com a realidade, o que não foi feito. Notese que a interessada contrapõe alguns preços praticados pela sociedade VOS; porém, examinandose os respectivos documentos, verificase que nenhum deles corresponde a um negócio concluído durante o anocalendário de 2010 e, portanto, não poderiam se contrapor aos dados coligidos pelo autor do feito – frisandose que o documento de fls. 2.294 a 2.290 tem por objeto a venda de casas e não de apartamentos (fls. 2.195 a 2.441). O terceiro argumento brandido pela interessada diz respeito ao fato de o Autor do feito não se haver dado conta de que alguns apartamentos teriam dimensões diferentes dos demais: Basta examinar os contratos juntados pela autoridade fiscal para observar que o imóvel representado pelo apartamento 501 do edifício "Alexandria" tem área privativa de 502,2672 m² (fl. 523), enquanto que todos os imóveis objeto da negociação possuem área privativa de 217,2600 m2. Por sua vez, o apto 3101 do edifício "Renaissance" tem área privativa de 301,2500 m² (doc. 11), ao passo que os envolvidos na operação têm 268,6200 m² de área privativa (exceto dois, que possuem área menor, de 238,5600 m²). Antes de tudo, cumpre assinalar que, segundo o documento de fls. 2.192, juntado pela impugnante, o apartamento de nº 3101 do edifício “Renaissance” mede não 301,24 m², mas 313,25 m², como consta da impugnação. Isto feito, patenteiase que, para dar acolhida aos argumentos da interessada, bastaria refazer os cálculos levandose em consideração as referidas metragens, adotandose a conhecida fórmula da média aritmética ponderada, onde x corresponde ao preço e p à área de cada apartamento: Fl. 2639DF CARF MF 20 Entretanto, caso isto fosse feito, o preço médio dos apartamentos de cada dos edifícios aumentaria, como se pode verificar na tabela seguinte: (tabela no acórdão recorrido) À mera inspeção, constatase que as médias ponderadas ultrapassam os valores adotados pelo Autor do feito; portanto, o argumento da interessada não pode ser acolhido, pois implicaria agravar o lançamento em sede de julgamento administrativo, com conseqüente supressão de instância. No que tange à multa qualificada, cabe, antes de tudo, relembrar que a própria interessada parece admitir a simulação de negócio, pois escreve (fl. 1.002): É dizer, reconhecida a dissimulação tal como sustentado pela autoridade fiscal [...] é evidente que o "negócio jurídico verdadeiro" é uma permuta de bens imóveis (ou seja, a troca dos apartamentos de propriedade da EMBRAED, pelo "Complexo Balneário" de propriedade da Impugnante). Afirma ela que “a autoridade fiscal classificou genericamente a conduta da Impugnante nos tipos previstos na Lei 4.502/64”; porém, lêse no auto de infração: A multa de ofício qualificada aplicável ao caso em tela está prevista no artigo 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, e tem como pressuposto para sua aplicação a existência de “evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964”. Ora, este é precisamente o texto do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] Fl. 2640DF CARF MF Processo nº 11516.721935/201524 Acórdão n.º 1401002.038 S1C4T1 Fl. 2.671 21 § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Não pairam dúvidas sobre a sequência de atos executados pela interessada com o propósito de camuflar a alienação de seu ativo imobilizado com as cores de negócio diverso – atos estes perfeitamente descritos no Termo de Verificação Fiscal, sem contestação pela impugnante. Esta alega haver incidido em mero “equívoco ao interpretar a legislação de regência”, algo que equivale à confissão de haver praticado tais atos e com tal propósito, mas sem se dar conta das implicações jurídico tributárias daquilo que fazia. Ora, não como atribuir à simples negligência, imprudência ou imperícia uma série de atos absolutamente fora da rotina de qualquer pessoa jurídica (como sucessivas alterações de pactos social, feitas e desfeitas segundo uma coreografia previamente acertada): algo de tal complexidade só pode ser atribuído ao dolo do agente. Logo, correta a aplicação da multa qualificada. As considerações feitas com respeito ao IRPJ são plenamente aplicáveis à CSLL, em face da vinculação existente entre ambas exigências. Por fim, cabe salientar que a jurisprudência e a doutrina apresentadas pela interessada não gozam do status de legislação tributária, nos termos dos artigos 96 a 100 do CTN. Em assim sucedendo, encaminho meu voto por considerar improcedente a impugnação ora em exame. AGOSTINHO RIBEIRO MENDES, relator (assinado digitalmente) Da análise da decisão recorrida é possível verificar que, ao passo em que a Recorrente não trouxe nada novo, a decisão analisou detalhadamente toda a argumentação do contribuinte, fundamentando de forma consistente a manutenção do lançamento, posição com a qual me coaduno. Ao meu ver não restam dúvidas que no caso concreto o real objetivo do contribuinte foi promover uma verdadeira venda de ativos, que devem ser tributadas com o respectivo ganho de capital. As alegações do contribuinte de permuta por bens de mesmo valor não se sustentam diante de todo o contexto fático. Ademais, não há como afastar a realidade de que as permutantes possuíam uma relação de coligação, seja em razão de participação societária, seja em razão da grande influência exercida, ao ponto de se firmar compromisso contratual em que a contribuinte não investiria nada, poderia rescindir no momento que quisesse e, ainda teria como garantia as cotas de capital social de sua sócia. Tudo isso fundado em suposto prejuízo Fl. 2641DF CARF MF 22 causado por outro negócio firmado entre as empresas, prejuízo este que não foi demonstrado, comprovado ou quantificado. Outrossim, em que pese pessoalmente em regra me posicione de forma extremamente favorável ao reconhecimento da legalidade da realização de atos e operações societárias em respeito à liberdade negocial assegurada pela constituição federal, o fato é que no presente caso estou absolutamente convencido que os atos e negócios foram verdadeiramente simulados. Constatouse a existência de instrumentos distintos para a mesma operação, negócios sem causa, operações de permuta em valores destoantes da realidade, operações de casa e separa em lapsos temporais curtíssimos, utilização de empresa veículo,entre outros. Por sua vez, a alegação de mero “equívoco ao interpretar a legislação de regência”, não pode prosperar tendo em vista uma série de atos absolutamente fora da rotina de qualquer pessoa jurídica (como sucessivas alterações de pactos social, feitas e desfeitas segundo uma coreografia previamente acertada). Tratamse de operações complexas e sistêmicas, que efetivamente foram pensadas e programadas, não decorrendo, tão somente, de mero equívoco na interpretação da legislação. Assim, pelas razões expostas, voto pelo não acolhimento da preliminar de nulidade e proponho a confirmação e adoção da decisão recorrida, e conseqüente não provimento do Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Declaração de Voto Conselheira Livia De Carli Germano No presente processo divergi do ilustre Conselheiro Relator no mérito, por basicamente duas razões. Primeiramente, entendo que houve equívoco quanto à base legal da autuação. O Termo de Verificação Fiscal menciona a Instrução Normativa 107/1988 para concluir que a operação de permuta necessariamente deveria ter sido feita a valor de mercado já que as empresas eram ligadas. Não obstante, ao estabelecer o enquadramento legal no auto de infração, são mencionados apenas o art. 3° da Lei n° 9.249/95 e os artigos 247, 248, 249, inciso II, 251 e 418 do RIR/99, dispositivos que ou tratam genericamente da apuração de Fl. 2642DF CARF MF Processo nº 11516.721935/201524 Acórdão n.º 1401002.038 S1C4T1 Fl. 2.672 23 receitas pelos contribuintes ou dispõem sobre o tratamento dos resultados obtidos na alienação de bens. Pesquisando a legislação sobre a matéria, não localizei qualquer dispositivo legal leiase LEI que estabeleça que uma permuta de bens entre pessoas ligadas deva ser feita a valor de mercado. Ora, é sabido que, nos termos do artigo 5o, II, da Constituição, é necessário lei para obrigar alguém a fazer ou deixar de fazer algo. E mais, na seara tributária, e especialmente voltado à Administração, o artigo 150, II da Constituição traz uma das principais limitações do poder de tributar que é a vedação da exigência e da majoração de tributo sem lei que o estabeleça. Diante disso, fico a questionar se os contribuintes de fato estão vinculados a tal disposição constante exclusivamente da IN 107/1988. No caso, se fosse para descaracterizar a permuta e entender que houve alienação de ativos operações completamente diferentes, é bom ressaltar seria necessário mais do que mencionar a IN 107/1988 e os dispositivos genéricos referidos no auto de infração. Isso porque, neste caso, a autuação deveria estar baseada em regra que efetivamente determinasse que a alienação deva ser feita (ou pelo menos deva ser tratada para fins fiscais como tendo sido feita) a valor de mercado, a exemplo do artigo 60 do DecretoLei 1.598/1977 (recepcionado pela Constituição de 1988 com força de lei e reproduzido no artigo 464 do RIR/99). A segunda questão diz respeito à forma como a fiscalização interpretou a operação para extrair a conclusão de que as operações ocorreram "à margem da usualidade" e que, por isso, deveriam ser tratadas como negócio simulado. No caso, não obstante a empresa tenha explicado o contexto da operação e a fiscalização aparentemente o tenha compreendido, a autuação não considera o filme mas apenas a foto quando, por exemplo, conclui que a autuada nada investiu. Aparentemente as operações ocorreram, de fato, à margem da usualidade, mas isso não em virtude de atos voluntários das partes nem em função exclusivamente de repercussões fiscais. Tratase de operação em que houve investimento financeiro inicial, depois as obras foram paralisadas em virtude de decisão judicial em sede de ação civil pública e então houve a reformulação do negócio, ou seja, o contexto está longe de ser o de uma simples permuta isolada de ativos entre partes relacionadas e, por isso mesmo, a operação não pode ser assim tratada. Assim, no caso, se efetivamente fosse levado em conta todo o cenário, até poderia permanecer a conclusão de que a operação está à margem da usualidade, mas isso não necessariamente leva à conclusão de que se trata de negócio simulado, muito menos fraude. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 2643DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.720706/2009-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
PAF - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO.
Atendidos os pressupostos de admissibilidade regimentalmente estabelecidos, o Recurso Especial deve ser conhecido, sendo que as razões de recurso somente são apreciadas quando do julgamento do mérito.
VTN-VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SIPT-SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA.
Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel.
Numero da decisão: 9202-005.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 PAF PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Atendidos os pressupostos de admissibilidade regimentalmente estabelecidos, o Recurso Especial deve ser conhecido, sendo que as razões de recurso somente são apreciadas quando do julgamento do mérito. VTNVALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SIPTSISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotandose o valor médio das DITR do município, sem levarse em conta a aptidão agrícola do imóvel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 07 06 /2 00 9- 01 Fl. 392DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo, de exigência do ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2005, tendo em vista o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua. Em sessão plenária de 17/04/2013, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão 2202002.284 (fls. 320 a 326), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua – VTN declarado pela Recorrente, nos termos do voto do Relator." O processo foi encaminhado à Fazenda Nacional em 28/06/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 327). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a ciência presumida do Procurador ocorreu em 28/07/2013 e, em 31/07/2013, foi interposto o Recurso Especial de fls. 328 a 337 (Despacho de Encaminhamento de fls. 338), com fundamento no 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. O recurso visa rediscutir o arbitramento do VTN com base no SIPT – Sistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR de outros contribuintes. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho s/n de 23/10/2015 (fls. 339 a 342). Em seu apelo a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos: Fl. 393DF CARF MF Processo nº 13971.720706/200901 Acórdão n.º 9202005.615 CSRFT2 Fl. 393 3 a Lei nº 9.393, de 1996, em seu art. 14, previu a criação de um sistema de preços de terras a ser instituído pela Secretaria da Receita Federal; a Portaria SRF nº 447, de 2002, regulamentando o Sistema de Preços de Terras, veio instituir: "Art. 1º Fica aprovado o Sistema de Preços de Terras (SIPT) em atendimento ao disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, que tem como objetivo fornecer informações relativas a valores de terras para o cálculo e lançamento do Imposto Territorial Rural (ITR). Art. 2º O acesso ao SIPT darseá por intermédio da Rede Serpro, somente a usuário devidamente habilitado, que será feito mediante identificação, fornecimento de senha e especificação do nível de acesso autorizado, segundo as rotinas e modelos constantes na Portaria SRF nº 782, de 20 de junho de 1997. Parágrafo único. A definição e a classificação dos perfis de usuários, os critérios para a sua habilitação e as transações autorizadas para cada perfil, relativos ao controle de acesso lógico do SIPT, serão estabelecidos em ato da Coordenação Geral de Fiscalização (Cofis). Art. 3º A alimentação do SIPT com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores de terra nua da base de declarações do ITR, será efetuada pela Cofis e pelas Superintendências Regionais da Receita Federal. Art. 4º A CoordenaçãoGeral de Tecnologia e Segurança da Informação providenciará a implantação do SIPT até 15 de abril de 2002." assim, temse como procedimento para o lançamento do ITR a utilização dos valores indicados no Sistema de Preços de Preços de Terras da SRF, nos moldes estabelecidos na Portaria retro transcrita, não havendo qualquer ilegalidade na utilização dessa rotina administrativa; desse modo, plenamente legítima a conduta da autoridade fiscal ao considerar para definição do Valor de Terra Nua o valor médio das declarações do ITR; destarte, não assiste razão ao contribuinte, de modo que em nada deve ser alterado o auto de infração impugnado; as tabelas de valores indicados no SIPT servem como referencial para amparar o trabalho de malha das declarações de ITR e somente são utilizados pela fiscalização se o contribuinte não lograr comprovar que o valor declarado de seu imóvel corresponde ao valor efetivo na data do fato gerador; é certo também que o valor apurado pela fiscalização pode ser questionado, mediante Laudo Técnico de Avaliação, revestido de rigor científico suficiente a firmar a convicção da autoridade, devendo estar presentes os requisitos mínimos exigidos pela da Fl. 394DF CARF MF 4 Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, no caso, conforme salientado pela decisão de fls. 185, pela norma NBR 146533; ocorre que, consoante restou devidamente constatado pela fiscalização e ratificado pela decisão de primeira instância, o contribuinte não se incumbiu adequadamente desse mister; com efeito, referido laudo foi analisado no voto condutor da decisão de primeira instância que formou convicção de que não cabe ser ele aceito, senão vejamos: “25. Na questão do VTN, o procedimento da fiscalização é que, quando da análise das DITR se verificar que o valor atribuído ao imóvel está aquém dos valores médios informados nas declarações da região, bem como dos valores constantes da tabela SIPT, o Fisco deve intimar o declarante a comprovar a origem dos valores declarados e a forma de cálculo utilizada. Para tal, o documento eficaz que possibilita essa comprovação é o laudo técnico, elaborado em atenção às normas constantes da ABNT, órgão orientador e controlador dos trabalhos de profissionais da área, e que demonstre as fontes de pesquisa idôneas, as amostras que contenham informações de negociações concretas, com dados similares ao do imóvel avaliando, entre outros. 26. Como já tratado, o VTN havia sido alterado em virtude de o laudo encaminhado não tratar da avaliação, mas da distribuição das áreas do imóvel. 27. Com a impugnação, novamente, não foi trazido laudo de avaliação. Apenas se discordou do arbitramento, da utilização do valor constante do SIPT, sendo alegado não informação do valor por hectare e que o mesmo é exagerado, entre outros. 28. Quanto à discordância dos valores do SIPT é importante esclarecer que a tabela de valores deste sistema é uma das ferramentas utilizadas pela auditoria como critério interno, como referência, para conferência dos dados declarados. É alimentada com informações de órgãos ligados à questão da terra, bem como pelos valores médios das declarações constantes da base de dados da Secretaria da Receita Federal SRF. 29. Há de ser frisado, ainda, que a utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, encontra amparo na legislação já citada, Lei no 9.393/1996, art. 14. 30. Embora conste da legislação, na impugnação foi questionada sua aplicabilidade, a falta de publicação dos métodos de cálculo, do valor por hectare, entre outros. 31. Quanto à falta de publicidade, apesar de a alegação não ser pertinente, haja vista que não há obrigatoriedade de publicidade dos parâmetros de malha fiscal, há de ser esclarecido que os métodos de apuração de valores são de competência das secretarias de agricultura dos estados e municípios, que fornecem os valores para a SRF. Ou seja, a Receita, por determinação legal, apenas utiliza as informações desses órgãos para alimentar o SIPT. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 13971.720706/200901 Acórdão n.º 9202005.615 CSRFT2 Fl. 394 5 32. Por outro lado, o que importa à contribuinte não é conhecer os valores constantes do SIPT ou da média de valores declarados, mas, apresentar provas da origem da avaliação de seu imóvel, de forma que justifique o valor declarado, que poderá ser aceito, mesmo sendo aquém dos valores do SIPT, desde que embasados em documentos idôneos e convincentes. 33. Além disso, contrariamente ao reclamado, o VTN por hectare foi, sim, informado pelo Fisco. Na própria intimação inicial consta os valores dos diversos tipos de terras para o município do imóvel, sendo improcedente este questionamento. 34. Assim, tendo em vista a ausência de laudo técnico eficaz de avaliação não há como atender ao pleito da interessada. 35. Isto posto, e considerando tudo mais que dos autos consta, voto pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário consubstanciado na Notificação de Lançamento, devendo prosseguir a cobrança, inclusive com as atualizações legais, e procedidas as demais providências cabíveis.”(fl. 88/89) é evidente que o laudo apresentado revelase imprestável para contraditar o valor do SIPT apurado corretamente pela fiscalização; diante de todo o exposto, merece reforma o acórdão recorrido e deve prevalecer o valor arbitrado da terra nua. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e provimento do recurso, reformandose o acórdão recorrido e mantendose o VTN conforme atribuído pela fiscalização. Cientificada em 24/11/2015 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 369), a Contribuinte ofereceu, em 08/12/2015, as Contrarrazões de fls. 371 a 386, contendo os seguintes argumentos: Ausência de demonstração da divergência a Fazenda Nacional indicou apenas um paradigma para comprovar a suposta divergência; ademais, o paradigma indicado, Acórdão n° 210201.664, versa sobre a possibilidade de arbitramento do VTN com base no sistema SIPT quando o contribuinte não apresenta laudo comprovando o VTN declarado; o acórdão recorrido, por sua vez, não trata dessa questão; no caso do acórdão recorrido, é incontroverso que o SIPT pode ser utilizado em determinados casos, porém o arbitramento deve ser apurado com base em levantamentos realizados pelas Secretarias Municipais e Estaduais e não com base na média dos valores informados nas DITRs para o mesmo Município; assim, no caso do acórdão recorrido, o VTN arbitrado com base no SIPT não poderia ser mantido, já que apurado de maneira contrária ao que previa a legislação específica (art. 14 da Lei n° 9.393, de 1996, e art. 12, da Lei n° 8.629, de 1993); Fl. 396DF CARF MF 6 desta forma, o Recurso Especial não pode sequer ser conhecido, pois não cumpriu requisito indispensável à sua admissibilidade, qual seja, a demonstração da alegada divergência. Ausência de razões recursais específicas no Recurso Especial a Fazenda Nacional limitouse a reproduzir argumentos genéricos, sem a devida exposição das razões que poderiam justificar a reforma do acórdão recorrido; os argumentos utilizados no Recurso Especial estão dissociados da matéria debatida no caso em tela: enquanto no acórdão recorrido concluiuse que o VTN extraído do SIPT não poderia ser utilizado, pois se referia à média das DITRs apresentadas para o mesmo município, e não ao VTN médio por aptidão agrícola (que era o previsto pela legislação vigente), a Fazenda Nacional alegou que a Contribuinte não apresentou laudo de avaliação para comprovar o VTN declarado; é incontroverso no acórdão recorrido que o SIPT pode ser utilizado em determinados casos, porém a Fazenda Nacional, ao fundamentar seu recurso, limitouse a tratar da necessidade de laudo, sem contestar, em momento algum, a conclusão do acórdão, no sentido de que o VTN informado pelo SIPT havia sido apurado de forma contrária à legislação (deve ser apurado com base na aptidão agrícola do imóvel e não com base na média dos valores informados nas DITRs para o mesmo município); como é cediço, é pressuposto indispensável, a qualquer recurso a exposição de razões que possam contrariar os fundamentos adotados pela decisão recorrida, como prevê o art. 541 do CPC (utilizado subsidiariamente nos processos administrativos), portanto devese concluir pelo não conhecimento do Recurso Especial. Razões insuficientes a atacar os fundamentos do acórdão recorrido existe, ainda, outro óbice ao conhecimento do Recurso Especial, qual seja, suas razões recursais não atacaram fundamentos que são suficientes para a manutenção do acórdão recorrido; o recurso não pode ser admitido quando a decisão recorrida é assentada em mais de um fundamento suficiente e a impugnação não abrange todos eles; também por este motivo, o recurso não pode ser conhecido, ante a falta de impugnação de fundamentos suficientes do acórdão recorrido; Ausência de cotejo analítico para ser admitido um recurso especial, é indispensável que a parte recorrente efetue a demonstração analítica da alegada divergência jurisprudencial (art. 67, § 6o, do antigo Regimento Interno do CARF), isto é, cabe à parte "a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido"; a Fazenda Nacional, todavia, deixou de atender a esse requisito, pois como se observa em seu recurso, ela não demonstrou a existência de similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma, tampouco que os dois julgados tratariam de questão idêntica; o que se nota é que a Fazenda Nacional se limitou a "pinçar" pequeno trecho do paradigma, que trata do arbitramento do VTN com base no sistema SIPT, e o utilizou Fl. 397DF CARF MF Processo nº 13971.720706/200901 Acórdão n.º 9202005.615 CSRFT2 Fl. 395 7 como se o paradigma tivesse de fato analisado e julgado aquela questão de maneira contrária ao que foi decidido pelo acórdão recorrido, o que não ocorreu; aliás, percebese que, apesar de fazer parte do voto, o trecho mencionado pela Fazenda Nacional era, na verdade, um resumo feito pelo relator sobre o procedimento adotado pela fiscalização naquele caso, ou seja, ele não estava emitindo nenhum juízo sobre a questão, nem a julgando, mas apenas relatando, é evidente que isso não poderia servir para o cotejo analítico; a Fazenda Nacional não realizou o indispensável cotejo analítico, o que seria de todo modo impossível, já que o acórdão recorrido e o paradigma trataram de questões diferentes e julgaram, efetivamente, matérias diferentes; assim, o Recurso Especial da Fazenda Nacional não pode sequer ser conhecido, eis que não houve demonstração de divergência; Ausência de prequestionamento conforme se depreende do antigo RICARF (art.67, §3º), "O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais"; como se vê, para que o Recurso Especial pudesse ser conhecido, o acórdão deveria ter se pronunciado sobre a aplicação, ou não, das normas apontadas pela Fazenda Nacional (por exemplo, Portaria SRF nº 447/2002), mas isso não ocorreu, e não tendo havido manifestação no acórdão recorrido sobre as normas apontadas pela Fazenda Nacional como supostamente violadas, não pode a CSRF conhecer da questão; portanto, como não houve o necessário prequestionamento do tema, concluise que o Recurso Especial não poderia ser conhecido; Impossibilidade de arbitramento do VTN com base no valor médio das DITRs conforme exposto no acórdão recorrido, no caso em questão, o VTN extraído do SIPT referiase à média das DITRs apresentadas para o mesmo município, e não ao VTN médio por aptidão agrícola; ocorre que o § 1o do art. 14 da Lei n° 9.393, de 1996, prevê que as informações sobre os preços de terra devem considerar o disposto no § 1o, II, do art. 12 da Lei n° 8.629, de 1993, e os levantamento realizados pelas Secretarias Municipais e Estaduais de Agricultura; no caso em questão, o VTN foi apurado com base no VTN médio das DITRs entregues para o município em questão, ou seja, o VTN informado pelo SIPT não poderia ser levado em consideração, pois foi apurado de maneira contrária ao que previa a legislação específica do caso; logo, inclusive por força do art. 14 da Lei n° 9.393, de1996 (utilizado pela Fazenda Nacional em seu Recurso Especial), é que não pode prevalecer o VTN extraído do SIPT no caso em análise; Fl. 398DF CARF MF 8 nesse sentido, inclusive, é o entendimento do CARF (cita jurisprudência). Ônus do Fisco de comprovar a incorreção da DITR ao contrário do que alegou a Fazenda Nacional em seu Recurso Especial, a Contribuinte não estaria obrigada a comprovar, via laudo, o VTN que declarou; muito pelo contrário, é o Fisco que tem o dever de comprovar a existência de erro na declaração de ITR, caso assim entenda; a necessidade de prova da ocorrência do fato gerador é exigência do art. 142 do CTN, segundo o qual "Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador (...)" (grifado); a legislação de regência, inclusive a Lei n° 9.393, de1996 (art. 10, § 7o), é explícita ao dispor que é do Fisco o ônus de comprovar que a declaração de ITR apresentada não é verdadeira (cita jurisprudência); o Fisco deveria ter comprovado, já por ocasião da Notificação Fiscal, que não seriam verdadeiras as informações declaradas pela empresa quanto ao VTN, do contrário não restaria comprovada a suposta ocorrência do fato gerador do ITR exigido. A declaração de ITR não depende de comprovação a declaração de ITR independe de comprovação (cita jurisprudência); o art. 14 da Lei n° 9.393/96 diz que cabe lançamento de ofício quando as informações declaradas são "inexatas, incorretas ou fraudulentas", logo, para autuar o Contribuinte, o Fisco deve necessariamente constatar e comprovar que as informações constantes na DITR são "inexatas, incorretas ou fraudulentas"; ademais, o art. 14 da Lei n° 9.393, de 1996, prevê que a Receita Federal, para realizar o lançamento de ofício, deve efetivamente fiscalizar o contribuinte e, no caso da Contribuinte, não houve nenhuma fiscalização efetiva, nenhum agente do Fisco sequer visitou o imóvel objeto da Notificação Fiscal, como se disse, o Fisco se restringiu a insistir que a Contribuinte assumisse o ônus da prova, o que é claramente vedado pela legislação; logo, percebese que não merecem prosperar os argumentos da Fazenda Nacional, eis que a Contribuinte não estava obrigada a comprovar, via laudo, o VTN declarado; Demais fundamentos que atestam a improcedência da Notificação Fiscal caso se entenda pela procedência das alegações da Fazenda Nacional (o que se considera apenas para fim de argumentação), seria necessário atentar aos demais fundamentos expostos pela empresa ao longo do processo, que aniquilam por completo a Notificação Fiscal expedida (ou, quando menos, a reduzem substancialmente); tais fundamentos podem ser assim resumidos: (a) o imóvel em questão é inteiramente ocupado por floresta nativa (176.6 ha), área de preservação permanente (151 ha) e área de reserva legal (81.8 ha), conforme comprova o Laudo Técnico de Avaliação juntado aos autos (fls. 2338); desse modo, em Fl. 399DF CARF MF Processo nº 13971.720706/200901 Acórdão n.º 9202005.615 CSRFT2 Fl. 396 9 atenção ao disposto no art. 10, §1°, II, "a", "d" e "e", da Lei n° 9.393/96 (que considera área não tributável pelo ITR, dentre outras, aquelas de preservação permanente, de reserva legal e coberta por florestas nativas), é necessário concluir que não há qualquer valor de ITR a ser pago pela empresa (a empresa tem, na verdade, um crédito, visto que pagou ITR indevidamente em relação a este imóvel); (b) a Notificação Fiscal é nula pois não identificou a matéria tributável como determina o art. 142 do CTN (o que terminou por violar inclusive os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa art. 5o, LIV e LV da CF eis que a empresa não pôde se defender adequadamente por não saber ao certo como foi apurado o ITR supostamente devido), considerandose que: (b.1) o Fisco arbitrou o VTN com base no Sistema de Preços de Terra; no entanto, a contribuinte não tem acesso ao SIPT (o acesso é restrito a servidores da Receita Federal, como admitiu o próprio acórdão recorrido), de modo que não tem a menor condição de conhecer as informações nele armazenadas; desta forma, a Notificação acabou fazendo com que fosse absolutamente impossível, para a empresa, conferir e, consequentemente, contestar os critérios adotados no arbitramento; (b.2) o Fisco nem tentou sanar o vício (insanável) decorrente da falta de acesso da contribuinte ao SIPT; afinal, a Notificação Fiscal não informou que valor por hectare atribuiu ao imóvel, e nem se o valor arbitrado seria previsto pelo SIPT como sendo aplicável a todo o Estado de Santa Catarina, à cidade em que se encontra o imóvel ou a uma região específica; (b.3) muito embora o Fisco tenha afirmado que a base de cálculo do ITR foi arbitrada, não informou os critérios que foram utilizados na realização do arbitramento; diante disso, a Contribuinte não poderia avaliar o procedimento e as bases adotadas pelo Fisco no arbitramento; e (b.4) a rigor, o Fisco não indicou nem mesmo a base de cálculo em si; a Notificação apontou apenas o VTN já calculado, não tendo informado qual seria e como foi apurado o valor por hectare arbitrado para o imóvel (ao contrário do que alegou a União em seu Recurso, os valores por hectare não foram informados na Notificação; o que lá constou foram valores por hectare referentes ao ano calendário de 2004, sendo que a notificação diz respeito a 2006); (c) o Fisco apresentou extrato do SIPT (com o VTN arbitrado) apenas em fase avançada do processo, quando já havia sido apresentado recurso para o CARF, o que configura claro cerceamento de defesa para a contribuinte, já que ela havia apresentado Impugnação e Recurso com base na Notificação Fiscal (que não havia apresentado o tal extrato); de qualquer modo, o extrato não demonstrou como havia sido calculado o VTN em questão, e como havia sido apurada a base de cálculo do tributo; ademais, o campo "origem da informação", no extrato, estava em branco, ou seja, a informação mais importante para solução da lide permaneceu sem resposta, o que apenas destacou ainda mais a nulidade da Notificação Fiscal; (d) a fiscalização sustentou que a Contribunte não teria comprovado o VTN informado em sua declaração de ITR, mas nunca defendeu que seriam falsas ou improcedentes as informações declaradas pela empresa; (e) não havia justificativa legal para o arbitramento do VTN, eis que a Notificação não apontou nenhuma razão para que as declarações, esclarecimentos e documentos da Recorrida fossem considerados omissos ou como nãomerecedores de fé (como exige o art. 148 do CTN para que seja possível o arbitramento); ademais, ainda que o Fisco pudesse arbitrar o VTN no presente caso (o que se considera somente para argumentar), consoante exposto acima, o valor registrado no SIPT não poderia ter sido utilizado sem que Fl. 400DF CARF MF 10 houvesse efetiva fiscalização do imóvel da Recorrida, o que em nenhum momento ocorreu (cita jurisprudência); (f) o VTN arbitrado seguramente não é compatível com as características e particularidades do imóvel da Contribuinte, que, além de se localizar na área rural de uma pequena cidade do interior de Santa Catarina, apresenta uma série de restrições ao seu efetivo aproveitamento, como restou comprovado nos autos (o imóvel da Contribuinte é inteiramente formado por floresta nativa, área de preservação permanente e área de reserva legal); assim, fica claro que o VTN constante no SIPT não poderia ser aplicado ao imóvel da Contribuinte, já que este efetivamente apresenta características que o diferenciam dos demais imóveis usados como parâmetro por tal sistema, que não têm tais limitações à exploração; (g) foram simultaneamente expedidas três Notificações contra a Contribuinte, abrangendo os exercícios de 2004, 2005 e 2006 (Notificações Fiscais nºs 09204/00110/2009, 09204/00112/2009 e 09204/00115/2009, respectivamente), e, em todas elas, foram apontados os mesmos motivos para a autuação da empresa; apesar disso, há uma flagrante incongruência entre o VTN arbitrado para o exercício de 2006 (R$ 872.026,09) e aquele arbitrado para o ano de 2004 (R$ 327.520,00); o VTN arbitrado para 2005 (R$ 841.276,06) ainda é diferente dos demais; analisandose as citadas Notificações Fiscais, percebese que o VTN de 2006 corresponde a quase 270% do VTN de 2004; resta evidente que os critérios adotados pela fiscalização estão incorretos, afinal, não é razoável admitirse que o imóvel em questão, localizado no interior de um pequeno município catarinense, tenha sofrido valorização de quase 170% em tão pouco tempo; isso apenas ressalta que o VTN correto é aquele declarado e não o apontado pela fiscalização; (h) o art. 153, § 4o, I, da CF, permite que o ITR seja progressivo unicamente para "desestimular a manutenção de propriedades improdutivas"; todavia, a Lei n°9.393, de1996, adotou critérios de progressividade não previstos na CF, como a área total do imóvel (que não exerce influência nenhuma na verificação da produtividade ou não do imóvel, eis que o art. 10, § 1o, VI, da Lei n° 9.393/96 determina que a produtividade se define pela relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável não a total); portanto, a progressividade de alíquotas não poderia ser aplicada; e (i) a multa aplicada (correspondente a 75% do imposto supostamente devido) contraria o princípio da vedação de confisco (art. 150, IV, da CF) e se mostra desproporcional à suposta infração, atentando contra os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade (art. 5o, LIV, da CF), além de subtrair abusivamente o patrimônio da contribuinte, o que não permite o art. 5o, XXII, da CF. Ao final, a Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial e, no mérito, que lhe seja negado provimento. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 13971.720706/200901 Acórdão n.º 9202005.615 CSRFT2 Fl. 397 11 Em sede de Contrarrazões, oferecidas tempestivamente, a Contribuinte apresenta inúmeros argumentos, inclusive alguns deles estranhos ao objeto do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Ora, como a denominação está a evidenciar, as Contrarrazões constituem remédio processual apto apenas a possibilitar à parte adversa oferecer razões contrárias às razões do Recorrente, portanto de modo algum podem ser utilizadas como instrumento a alçar à Instância Especial temas ou argumentos estranhos à matéria recursal. Assim, conheço parcialmente das Contrarrazões, apenas na parte em que trata da admissibilidade do Recurso Especial e, no mérito, dos argumentos que tenham conexão com a matéria recursal. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte pede o não conhecimento do apelo, argumentando, em síntese, que: a) foi indicado apenas um paradigma, e este não trata da questão tratada no acórdão recorrido; b) ausência de razões recursais específicas; c) o recurso não ataca todos os fundamentos do acórdão recorrido; d) ausência de cotejo analítico; e e) ausência de prequestionamento. Quanto ao item "a", esclareçase que, para cada matéria suscitada, o Recorrente pode indicar até dois paradigmas, de sorte que o fato de a Fazenda Nacional haver indicado um único paradigma de forma alguma inviabiliza o conhecimento do apelo. No mais, os acórdãos recorrido e paradigma tratam do mesmo tema, qual seja, o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua com base no SIPT Sistema Integrado de Preços de Terras, sendo que em ambos foi utilizado o VTN médio das DITR do Município, sem considerarse a aptidão agrícola. No caso do acórdão recorrido, tal sistemática não foi aceita, enquanto que no acórdão paradigma esse procedimento foi aceito sem qualquer ressalva, restando clara a divergência jursprudencial. Relativamente ao item "b", esclareçase que, demonstrada a divergência jurisprudencial, as razões recursais serão tratadas quando da análise do mérito do apelo. Apenas para argumentar, a Fazenda Nacional parte da premissa de que é válido o arbitramento do VTN com base na média das DITR do Município, sem considerarse a aptidão agrícola, e assim fundamenta sua peça recursal. Nesse passo, qualquer eventual impropriedade relativa a tais argumentos não macula o conhecimento do recurso e sim deve ser tratada quando do julgamento do mérito. No que tange ao item "c", o fundamento do acórdão recorrido é no sentido de que o arbitramento com base no SIPT somente é válido se levar em conta a aptidão agrícola. A Fazenda Nacional, por sua vez, entende que o arbitramento com base na média das DITR do Município está correto, fundamentando seu posicionamento com a legislação que entende aplicável, de sorte que não se vislumbra que outros fundamentos do acórdão recorrido a Fazenda Nacional poderia ter negligenciado. Fl. 402DF CARF MF 12 Em relação ao item "d", o cotejo analítico está claro às fls. 04 do Recurso Especial, sendo irrelevante que o trecho do paradigma faça parte do relatório e não do voto. O cotejo não deixa dúvida no sentido de que, tal como no acórdão recorrido, no paradigma utilizouse o VTN relativo à média das DITR, o que foi aceito, tanto assim que se negou provimento ao Recurso Voluntário. Finalmente, quanto ao item "e", esclareçase que a exigência de prequestionamento é direcionada apenas ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, conforme evidencia o dispositivo regimental colacionado pela própria Contribuinte: "O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais". Assim, a Fazenda Nacional não está obrigada a demonstrar prequestionamento, embora no presente caso, ao contrário do que assevera a Contribuinte, o tenha feito em várias passagens do apelo, em que pontuou a decisão vazada no acórdão recorrido, sendo que a ementa do julgado guerreado, que especifica exatamente a matéria tratada, encontrase transcrita logo no início da peça recursal. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e passo a analisarlhe o mérito. Tratase de ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2005 e a matéria em litígio diz respeito à validade do arbitramento do VTN Valor da Terra Nua tendo por base o SIPT Sistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. No caso do acórdão recorrido, foi promovido o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua com base no SIPT Sistema Integrado de Preços de Terras, com base no valor médio das DITR do Município de Rio dos Cedros/SC, fixado em R$ 2.054,90/ha (efls. 312), sem levarse em conta a aptidão agrícola, razão pela qual foi dado provimento ao Recurso Voluntário, restabelecendose o VTN declarado pelo Contribuinte (R$ 268,68/ha). A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que o arbitramento seja restabelecido. No que tange ao arbitramento do VTN, assim dispõe o art. 14, § 1º, da Lei nº 9.396, de 1996: "Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios." (grifei) E o art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, ao tempo da edição da Lei nº 9.393, de 1996, tinha a seguinte redação: Fl. 403DF CARF MF Processo nº 13971.720706/200901 Acórdão n.º 9202005.615 CSRFT2 Fl. 398 13 "Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacitação potencial da terra; c) dimensão do imóvel." (grifei) Com as alterações da Medida Provisória nº 2.18.356, de 2001, a redação do art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, passou a ser a seguinte: "Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias." (grifei) Destarte, verificase que, no caso em tela, uma vez que foi adotado o valor médio das DITR do município do imóvel, não foi atendida a determinação legal, no sentido de considerarse a aptidão agrícola, de sorte que o arbitramento não pode ser mantido. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, seguindo a jurisprudência do CARF, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 404DF CARF MF 14 Fl. 405DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.721289/2013-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
JUROS DE NOTAS DO TESOURO NACIONAL - ISENÇÃO
A isenção dirigida aos juros produzidos por Notas do Tesouro Nacional (NTN), prevista no artigo 4° da Lei n° 10.179/01, não se aplica às da série A, subsérie 6 - NTN-A6.
Numero da decisão: 1401-002.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 12 89 /2 01 3- 84 Fl. 493DF CARF MF 2 Relatório Em relação às peças iniciais do presente feito, sirvome do relatório da autoridade a quo: O auto de infração de fls. 0213, exige do contribuinte já identificado, R$5.199.220,18 a título de imposto de renda pessoa jurídica, acrescido de multa de ofício à razão de 75% e juros moratórios, totalizando até 12/2013, crédito tributário no importe de R$11.213.360,58. 2. A infração que lhe foi imputada referese à exclusão indevida, nos anos calendário de 2008 e 2009, quando da apuração do Lucro Real, da parcela de juros recebidos de NTN subsérie A6, de sua titularidade. A autoridade fiscal comprovou que na apuração do Lucro Real do ano de 2008, foi indevidamente excluído na ficha 09B, linha 50 o valor de R$10.555.713,80 e, no ano de 2009, na ficha 09B, linha 49, a exclusão foi no importe de R$10.241.166,93. 3. O lançamento tem como suporte legal o artigo 111, inciso II da Lei nº 5.172, de 1966, o artigo 3º da Lei nº 9.249, de 1995, os artigos 247, 250 e 777 do RIR de 1999, o artigo 7º do Decreto nº 3.540, de 2000 e o artigo 1º da Lei nº 10.179 de 2001. 4. Cientificada, pessoalmente em 17/12/2013, apresentou em 16/01/2014 a impugnação de fls. 307327, onde alega: que possui 231.000 Notas do Tesouro Nacional (NTN) da subsérie A6, de n° 960100, com vencimento em 15/04/2014, emitidas pela Portaria do Secretário do Tesouro Nacional 532/00 (Doc. 02); que tais NTNA6 foram emitidas para troca por Front Loaded Interest Reduction Bond with Capitalization CBond, da Dívida Externa Brasileira, nos termos do inciso I do art. 3º da Medida Provisória n° 1.97484, de 27 de setembro de 2000 (objeto de várias reedições até ser convalidado pelo inciso I do artigo 3º da Lei n° 10.179/01); que entende que os juros produzidos por tais títulos são isentos do IRPJ nos termos do artigo 4º da mesma Lei n° 10.279/01, bem como artigo 250 do Decreto 3.000/99, razão pela qual excluiu de sua apuração do IRPJ os juros produzidos pelas NTNA6 durante os anoscalendário de 2008 e 2009, no montante de R$ 10.555.713,80 e R$ 10.241.166,93, respectivamente; que, a autoridade fiscal entende que a exclusão realizada foi indevida, uma vez que, na leitura do fisco, a isenção disposta no artigo 4o da Lei n° 10.179/01 estenderseia, de forma restritiva, apenas às NTN da subsérie Al (NTNA1), objeto de permuta pelos chamados "Brazil Investments Bonds BIB", consoante inciso III, artigo 1, da mesma Lei n° 10.179/01 e artigo 111, II do Código Tributário Nacional; defende a autoridade fiscal que o Decreto 3.540/00 definiu as características dos Títulos da Dívida Pública Mobiliária Federal do Brasil e em seu artigo 7 estabeleceu as características de todas as NTN emitidas com a finalidade de sanar a dívida externa brasileira; destaca a autoridade fiscal que o referido artigo 7° é claro ao distinguir a destinação/vinculação de cada uma das NTNA, sendo que as NTNA1 devem Fl. 494DF CARF MF Processo nº 16327.721289/201384 Acórdão n.º 1401002.062 S1C4T1 Fl. 494 3 ser utilizadas nas operações de troca por "Brazil Invesiments Bonds BIB" e as NTNA6 por "Front Loaded Interest Reduction Bond with Capitalization CBonds"; e mais, sustenta que as NTNA6 têm características diferentes da NTNA1 em termos de prazo e condições de pagamento, bem como taxa de juros, e tais NTN são originadas de CBonds e não de BIB, não fariam jus à isenção fiscal. Atacando as conclusões da autoridade fiscal, argumenta no sentido de que: Lei n° 10.179/01 trata da emissão de novos títulos da dívida pública interna, para troca por outros títulos já existentes, dentre eles títulos da dívida externa e que, no presente caso, o que se analisa é a emissão de NTNA6 para troca por CBonds, títulos da divida externa brasileira emitidos na década de noventa com base no Plano Brady; defende que os juros produzidos pelas NTN da subsérie A6, objeto de conversão de CBonds, são isentos do IRPJ, nos termos do artigo 4o da Lei n° 10.179/01, interpretado pelo artigo 250 do Decreto 3.000/99 e que a autoridade fiscal restringiu a isenção do IRPJ unicamente às NTN da subsérie Al, objeto de troca por títulos da divida externa brasileira emitidos em 1988, os chamados BIB; afirma que a Lei n° 10.179/01, em seu artigo 4o, ao dispor sobre o tratamento tributário dos títulos da divida pública nela previstos, esclarece que " são isentos do Imposto sobre a Renda os juros produzidos pelas NTN emitidas na forma do inciso III do art. 1º desta Lei, bem como os referentes aos bônus emitidos pelo Banco Central do Brasil para os fins previstos no art. 8? do DecretoLei n° 1.312, de 15 de fevereiro de 1974, com a redação dada pelo DecretoLei n° 2.105, de 24 de janeiro de 1984." (grifos nossos); sustenta que a Lei reconhece a isenção de IRPJ sobre os juros produzidos por pelo menos dois tipos de títulos: as NTNA1, tratadas no artigo 1º, III da Lei n° 10.179/01; bem como referentes aos bônus emitidos pelo Banco Central do Brasil para os fins previstos no art. 8º do DecretoLei n° 1.312, de 15 de fevereiro de 1974, com a redação dada pelo DecretoLei n° 2.105, de 24 de janeiro de 1984; alega que a isenção do IRPJ não se estende, unicamente, às NTNA1, mas também a algo mais, que compreende precisamente as NTNA6 objeto de troca por CBonds, que são Bônus da Dívida Externa Brasileira isentos do IRPJ, pois foram emitidos pelo Banco Central do Brasil para os fins previstos no art. 8º do DecretoLei n° 1.312, de 15 de fevereiro de 1974, com a redação dada pelo DecretoLei n° 2.105, de 24 de janeiro de 1984; afirma discordar da leitura restritiva dada ao artigo 4º da Lei n° 10.179/01, na medida em que, não apenas desconsidera parte do texto legal como também desconsidera integralmente sua evolução e integração sistemática no ordenamento jurídico e tributário pátrio; sustenta ser necessária a análise do contexto em que se insere a referida isenção, na medida em que a aplicação do sentido literal do dispositivo legal pretendido pela autuante visa conferir um tratamento restritivo não pretendido pelo legislador aos juros produzidos pelas NTN da subsérie A6, objeto de conversão de CBonds, posto que, esses títulos são Bônus da Dívida Externa Fl. 495DF CARF MF 4 Brasileira isentos do IRPJ, emitidos pelo Banco Central do Brasil para os fins previstos no art. 8º do DecretoLei n° 1.312, de 15 de fevereiro de 1974, conforme expresso pela norma isentiva; e mais, que a interpretação literal prevista do art. 111 do Código Tributário Nacional visa apenas evitar extensão analógica da renúncia fiscal a outros casos não desejados pelo legislador. Na seqüência, faz transcrições doutrinárias e elabora todo um histórico sobre a origem das NTN na tentativa de justificar a isenção pretendida, defendendo a aplicabilidade da Lei nº 7.777/89 e dos Decretos Lei 1.215/72, 1.312/74 e 2.105/84, para defender que houve apenas um único e indivisível negócio jurídico de renegociação da dívida externa brasileira com os credores externos, por ocasião do Plano Brady e que essa nova dívida foi representada pela emissão de 6 bônus cada um com características próprias. Conclui afirmando que os CBonds, parte do Plano Brady, são isentos do imposto de renda nos termos da legislação aplicável, sendo tal legislação a mesma que suporta a isenção do imposto de renda aplicável aos BIB. Prossegue afirmando que: a Lei n° 10.179/01 dispõe sobre os títulos da dívida pública de responsabilidade do Tesouro Nacional, consolidando a legislação em vigor sobre a matéria e que o artigo 1º de referida Lei, trata da emissão de títulos da dívida pública pelo Tesouro Nacional, dentre outros as NTN, para: (i) troca por Bônus da Dívida Externa Brasileira, de emissão do Tesouro Nacional, que foram objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, por meio do "Brazil Investment Bond Exchange Agreement", de 22 de setembro de 1988 (inciso IH do artigo 1); ou seja, troca por BIB, bem como; (ii) troca por títulos emitidos em decorrência de acordos de reestruturação da dívida externa brasileira, a exclusivo critério do Ministro de Estado da Fazenda (inciso IV do artigo 1), ou seja, troca por Bradv Bonds. Esclarece, ainda, que, tal Lei trata da emissão de NTN (inciso III, artigo 2), nas formas dispostas nos artigos 3º e 5º, com as características a serem regulamentadas pelo Poder Executivo. O Decreto 3.540/00, cujo teor foi ajustado posteriormente pelo Decreto 3.859/01, estabeleceu, em seu artigo 7º: (i) a emissão de: NTNA1 para troca por BIB Bonds objeto do inciso III do artigo 1º, Lei n° 10.179/01, bem como (ii) a emissão de NTNA2 a NTNA8 para troca por títulos emitidos em decorrência do Plano Brady, objeto do inciso IV do artigo 1 da mesma Lei n°, sendo que os CBonds são objeto de conversão em NTNA6. Por fim adita que, em seus artigos 4º e 6º, a Lei n° 10.179/01 estabelece o tratamento tributário próprio dos títulos por ela criados, neste caso específico as NTN. O artigo 4º da Lei n° 10.179/01 dispõe que "são isentos do Imposto sobre a Renda": "os juros produzidos pelas NTN emitidas na forma do inciso III do art. 1º desta Lei,""BEM COMO""os referentes aos bônus emitidos pelo Banco Central do Brasil para os fins previstos no art. 5º do DecretoLei n° 1312, de 15 de fevereiro de 1974, com a redação dada pelo DecretoLei n° 2.105, de 24 de janeiro de 1984." (grifos nossos) Destaca com bastante veemência, a locução "bem como" presente no texto legal, pois entende que a autoridade fiscal teria deixado de considerar, para Fl. 496DF CARF MF Processo nº 16327.721289/201384 Acórdão n.º 1401002.062 S1C4T1 Fl. 495 5 fins de aplicação da isenção fiscal ao caso concreto, todo o texto da Lei que vem após tal locução "bem como", ela inclusive. Entende que o texto legal atribui a isenção fiscal a dois tipos de títulos criados pela Lei: a NTNA1, bem como um segundo tipo, referente aos Brady Bonds. Sustenta que, seguindo a tradição da legislação anterior, a Lei n° 10.179/01 manteve e reiterou a isenção histórica concedida tanto: (i) aos BIB bem como (ii) aos Brady Bonds, dentre os quais os CBonds. Afirma que ao dispor sobre a emissão de títulos, neste caso a NTN, a Lei manteve em seu artigo 4º a isenção dos juros sobre as NTN (os títulos) objeto de conversão de BIB, bem como sobre os títulos (as NTN) referentes aos Brady Bonds. Defende que a hipótese de isenção das NTNs referentes aos Brady Bonds está abrangida pela norma e rechaça qualquer alegação de que a interpretação do texto legal deve ser restritiva por força do artigo 111 do Código Tributário Nacional. Transcreve doutrina sobre interpretação. Ressalta que o Presidente da República, ao consolidar o artigo 4º da Medida Provisória 1.76364/99, no artigo 250 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99, corroborou essa mesma interpretação do texto legal (a Medida Provisória foi reeditada e convalidada sucessivamente resultando na conversão em Lei n° 10.179/01): Observa que apenas o artigo 250 do Decreto 3.000/99 dá aos contribuintes orientações para a apuração do IRPJ nesta hipótese específica (os artigos 704, IV e 777, V, do Decreto aplicamse ao imposto de renda na fonte). Alerta que tanto os BIB como os Brady Bonds consistem em "Bônus da Divida Externa Brasileira" e que, ambos ainda consistem em Bônus ativamente negociados pelo Banco Central para os fins previstos nos citados DecretosLeis, para reestruturação da dívida externa do setor público. Por isso, ambos são isentos do IRPJ. Assim também as NTN decorrentes da conversão de ambos são isentas do IRPJ. É o que diz o Decreto Essa foi a interpretação da Lei publicada pelo Poder Executivo no em 26 março de 1999 e tal Decreto "regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza" Tal interpretação conformase precisamente com o histórico da norma isentiva e contempla uma leitura completa de seu texto e contexto. Logo, a interpretação do Decreto deve ser aplicada pela fiscalização, arrecadação e administração tributárias, inclusive no julgamento desta Impugnação. Nesses termos, requer que seja observado o disposto no artigo 250 do Decreto 3.000/99 e que reconhecido seu direito de excluir do lucro líquido, para apuração do lucro real, nos anos calendário de 2008 e 2009, os juros produzidos pelas NTNA6 emitidas para troca por Bônus da Dívida Externa Brasileira, os denominados CBonds. Tais CBonds, conforme já esclarecemos, sempre fizeram jus à isenção tributária em razão de serem bônus emitidos por negociação ativa do Banco Central do Brasil para os fins previstos no art. 8o do DecretoLei n° 1.312, de 15 de fevereiro de 1974, com a redação dada pelo DecretoLei n° 2.105, de 24 de janeiro de 1984. Fl. 497DF CARF MF 6 Insiste que o artigo 250 do Decreto 3.000/99 aplicase especificamente a este caso e "regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza" A interpretação dada por esse Decreto ao artigo 4º da Lei n° 10.179/01 contempla uma leitura completa de seu texto, coesa a seu contexto, e portanto plenamente legal, válida e vigente. Sustenta ter seguido o quanto determina o artigo 250 do Decreto 3.000/99 e excluiu da apuração do IRPJ os juros produzidos pelas NTN objeto de conversão de Bônus da Dívida Externa, neste caso os CBonds. Por outro lado, a autoridade fiscal, compreendeu que os juros da NTNA6, objeto de conversão de CBonds, não seriam passíveis de exclusão do lucro líquido, mas apenas os juros das NTNA1, objeto de conversão de BIB. Data máxima vénia, tal interpretação vai muito além do texto e da orientação fornecida pelo artigo 250 do Decreto 3.000/99. Pede que seja aplicado o disposto no artigo 2º da Lei n° 9.784/99, que no inciso XIII veda a aplicação retroativa de nova interpretação à norma. Diz que a nova interpretação aplicada pela autoridade fiscal não pode prevalecer, pois está sendo utilizada para exigir o pagamento de tributo sobre fato gerador pretérito. A nova interpretação está sendo aplicada retroativamente. Mais uma vez faz uso de manifestação doutrinária. Alega que, a interpretação de uma determinada lei, quando assegure direitos aos administrados, há de ser respeitada. É expressa a garantia legal da irretroatividade da nova interpretação, restando precluso o direito de a Administração aplicála a fatos pretéritos. Esta proteção, aliás, é assegurada nos processos administrativos relativos à exigência de crédito tributário. Assim, caso não sejam acatadas suas razões de mérito, requerse que reconheça a necessidade de cancelamento integral do lançamento fiscal por força do artigo 2, XIII da Lei n° 9.7847/99 ou, na inesperada hipótese de a autoridade fiscal manter o lançamento fiscal, requer, ao menos, que sejam cancelados os juros e a multa de oficio, previstos no artigo 100, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Volta a mencionar que o conteúdo da norma só deve ser aplicado aos fatos futuros e não retroativamente. Afirma não ser cabível o cômputo e a cobrança de juros de mora sobre a multa de 75% (multa de ofício), em razão da ausência de respaldo legal para assim agir, que viria a colidir com a orientação fixada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Sustenta ser prática da fiscalização federal cobrar juros sobre multa de oficio, sob a luz mortiça do Parecer MF n°. 28, de 02.04.1998, emitido pela Coordenação Geral do Sistema de Tributário (COSIT), cuja conclusão deixa exposto que: "O referido Parecer conclui, com base no disposto nos arts. 29 e 30 da Medida Provisória n. 1.62131, de 13.1.98, no art. 84 da Lei n. 8.981/95 e no art. 13 da Lei n. Fl. 498DF CARF MF Processo nº 16327.721289/201384 Acórdão n.º 1401002.062 S1C4T1 Fl. 496 7 9.065/95, que as multas de oficio, associadas a fatos geradores ocorridos até 21.12.94,que não tenham sido objeto de parcelamento requerido até 31.8.95, estão sujeitas à incidência de juros de mora, se recolhidas em atraso. Conclui, igualmente, com apoio no art. 61 e seu parágrafo 3o, da Lei n. 9.430/96, que, com relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1.1.97, incidirão juros moratórios sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições inclusive, pois, relativos às multas de oficio não pagas nos respectivos vencimentos." Salienta que tal interpretação é equivocada, porquanto o art. 61 da Lei n° n°. 9.430/96 trata da possibilidade de cobrança de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, não havendo qualquer menção às multas de oficio, que sabidamente não são espécie tributária (vide definição prevista pelo art. 3º do Código Tributário Nacional). Exatamente por isso o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) tem julgado essa questão em favor do contribuinte, excluindo a cobrança de juros de mora sobre as multas de oficio. Transcreve ementas. Conclui que além de não haver qualquer fundamento legal para escorar o procedimento equivocado adotado pela fiscalização federal, o próprio órgão administrativo de julgamento apresenta jurisprudência firme, ratificada por sua instância superior, no sentido da completa impossibilidade de cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio aplicada. Ao final, requer: (i) O acolhimento e o provimento integral de sua impugnação para cancelar inteiramente o lançamento fiscal. (ii) Requer subsidiariamente que se afaste a aplicação de encargos de juros de mora e multa de ofício, por força do artigo 100 do Código Tributário Nacional (iii) Requer subsidiariamente que se afaste a aplicação de juros sobre a multa de ofício. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 402415) negou provimento à impugnação nos seguintes termos da ementa abaixo reproduzida: ISENÇÃO JUROS PRODUZIDOS POR TÍTULOS PÚBLICOS. Fl. 499DF CARF MF 8 A isenção prevista no art. 4º da Lei nº 10.179, de 2001, aplicase exclusivamente aos juros produzidos pelas Notas do Tesouro Nacional NTN (subsérie A1) emitidas na troca de Bônus da Dívida Externa Brasileira, objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, por meio do “Brazil Investment Bond Exchange Agreement”. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2008, 31/12/2009 NOTAS DO TESOURO NACIONAL. TÍTULO ESPECÍFICO. JUROS. GOZO DE ISENÇÃO. EXCLUSÃO DO LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO. A legislação tributária que preveja isenção deve ser interpretada literalmente, conforme determinação expressa do Código Tributário Nacional. EXCLUSÃO DE PENALIDADES A exclusão da imposição de penalidades, da cobrança de juros de mora e da atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo só é possível quando cumprido um dos requisitos do artigo 100 do CTN. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O interessado apresentou recurso voluntário tempestivo às fls. 423 a 445, em que apresenta os mesmos pedidos formulados na impugnação (a dispensa de multa e juros não consta expressamente no final do recurso como na reclamação inicial, mas consta do corpo do recurso) com as mesmas razões de direito (reiteradas, em boa medida, de forma literal). É o relatório. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Inicio o voto pelo tema principal, ou seja, pela análise da isenção pleiteada sobre os juros decorrentes das notas do tesouro nacional (NTN) da série A, subsérie 1. Isenção de juros Esse assunto já foi enfrentado por este colegiado no Acórdão nº 110100.756, de 03 de julho de 2012, conforme ementa abaixo: JUROS DE NOTAS DO TESOURO NACIONAL. ISENÇÃO. A isenção dirigida aos juros produzidos por Notas do Tesouro Nacional (NTN), prevista no artigo 4° da Lei n° 10.179/01, aplicase apenas as da série A, subsérie 1 NTN A1. Fl. 500DF CARF MF Processo nº 16327.721289/201384 Acórdão n.º 1401002.062 S1C4T1 Fl. 497 9 O julgado dizia respeito à tributação dos juros das NTN A3, diferentemente do presente que trata da NTN A6. No entanto, a ementa não se restringiu a asseverar que a isenção não alcança a subsérie A6. Pelo contrário, do universo das NTN, aduziu que o benefício legal somente alcançaria a série específica A1 e o voto condutor seguiu esse caminho: Para esgotada análise da controvérsia, analisemos, separadamente, cada uma das razões recursais. (i) Da isenção dos juros produzidos pelas NTN — A3 Em primeiro lugar, argui o contribuinte que, ao contrário do entendimento fazendáirio, a isenção prescrita pelo artigo 250 do Decreto n° 3.000/99 também se aplicaria aos juros produzidos pelas Notas do Tesouro Nacional da série A, subsérie A3 ("ATTN — A3"), e não apenas eis Notas do Tesouro Nacional da série A, subsérie A1 ("NTN — A1'). A recorrente excluiu de seu lucro liquido, apurado no ano calendário de 2007, todos os juros derivados de NTN — A3, fulcro no permissivo regulamentar acima mencionado. 0 Fisco, porém, vislumbrou, acertadamente, que tais rendimentos deveriam, sim, compor o resultado tributável, sujeito et incidência do IRPJ O artigo 250, parágrafo único, alínea"c", do Decreto n° 3.000/99 vige com a seguinte conformação: "Art. 250. Na determinação do lucro real, poderão ser excluídos do lucro liquido do período de apuração (DecretoLei n. 21.598, de 1977, art. 62 §32): (...) Parágrafo único. Também poderão ser excluídos: (...) c)os juros produzidos pelos Bônus do Tesouro NacionalBTN e pelas Notas do Tesouro NacionalNT1V, emitidos para troca voluntária por Bónus da Divida Externa Brasileira, objeto de permuta por divida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, bem assim os referentes aos Bônus emitidos pelo Banco Central do Brasil, para os fins previstos no art. 82do DecretoLei n. 21.312, de 15 de fevereiro de 1974, com a redação dada pelo DecretoLei n 22.105, de 24 de janeiro de 1984 (Lei n27.777, de 19 de junho de 1989, arts. 72 e 82, e Medida Provisória n21.76364, de 11 de marco de 1999, art. 42);(..)" (g.n.) A leitura do dispositivo permite perceber que a isenção comentada abrange os juros produzidos por NT1V, "emitidos para troca voluntária por Bônus da Divida Externa Brasileira, objeto de permuta por divida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil". Nem todas as NTN passíveis de substituição por bônus da divida externa pátria Fl. 501DF CARF MF 10 gozam, no entanto, dessa benesse. Em verdade, o artigo em comento serve a regulamentar, particularmente, a isenção originalmente prescrita pelo artigo 4° da Medida Provisória n°1.76364/99, in verbis: "Art. 4° São isentos do Imposto sobre a Renda os juros produzidos pelas NTN emitidas na forma do inciso III do art. 1º desta Medida Provisória, bem como os referentes aos Bônus emitidos pelo Banco Central do Brasil para os fins previstos no art. edo DecretoLei d1.312, de 15 de fevereiro de 1974, com a redação dada pelo DecretoLei d2.105, de 24 de janeiro de 1984." 0 artigo 1°, inciso III, daquela Medida Provisória apresentava, por sua vez, a seguinte feição: "Art.1° Fica o Poder Executivo autorizado a emitir títulos da divida pública, de responsabilidade do Tesouro Nacional, com a finalidade de: (...) III troca por Bônus da Divida Externa Brasileira, de emissão do Tesouro Nacional, que foram objeto de permuta por divida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, por meio do "Brazil Investment Bond Exchange Agreement", de 22 de setembro de 1988: Claro está que o tratamento isentivo se aplica, exclusivamente, a NTN voltadas a troca por Bônus da Divida Externa Brasileira, de emissão do Tesouro Nacional, objeto de permuta por divida externa do setor público, por meio do "Brazil Investment Bond Exchange Agreement". Isso significa, então,que dito regime cuida, apenas, das NTN — Al, e não da NIX — A3, conforme discriminação do artigo 7°„‘F § 1°e 3°, do Decreto n° 3.540/00: "Art. 7º A NTNA, a ser utilizada nas operações de troca por "Brazil Investment BondsBIB", de acordo com o inciso III do art. Pda Medida Provisória n'1.974 80/2000, e pelos demaistítulosemitidos em decorrência de acordos de reestruturação da divida externa brasileira, e para fins de substituição das Notas do Tesouro Nacional Série L — NTNL, existentes junto ao Banco Central do Brasil, até o limite da obrigação decorrente do "MultiYear Deposit Facility Agreement — MYDFA", conforme disposto no art. 6'cla Medida Provisória n °1.98019, de 1° de junho de 2000,será emitida em dez subséries distintas: NTNA1 , NTNA2, NTNA3, NTNA4, NTNA5, NTNA6, NTNA7, NTNA8, NTNA9 ,e NTNA10. (...) §1º A NTNA, a ser utilizada nas operações de troca por "Brazil Investment BondsBIB", terá as seguintes características: (...) NTNA3, a ser utilizada nas operações de troca por "Par Bond", terá as seguintes características: (...)"E de se ressalvar que a Medida Provisória n° 1.763 64/99, depois de sucessivas reedições, foi convertida na Lei n° 10.179/01. Esta, de todo modo, reproduziu fielmente as normas do instrumento provisório, naquilo que pertine a lide. Fl. 502DF CARF MF Processo nº 16327.721289/201384 Acórdão n.º 1401002.062 S1C4T1 Fl. 498 11 Inexistem dúvidas,portanto, de que a leitura perpetrada pela recorrente não se sustém. A isenção concedida aos juros provenientes das NTN — A se restringe aqueles derivados os títulos da subsérie A1, não alcançando as da subsérie A3. Mister recordar, aliás, que a isenção não pode ser interpretada de forma analógica ou extensiva. Sua exegese, ao contrário, deve ser, obrigatoriamente, literal, forte no artigo 111, inciso II, do Código Tributário Nacional: "Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II outorga de isenção;" Correta, portanto, a autuação. No mesmo sentido, encontramos atos da Secretaria da Receita Federal, como a Nota técnica COSIT n° 5/2006: Não resta dúvida de que, pelo texto legal, são isentos somente os juros produzidos pelas NTN emitidas para troca por Bônus da Dívida Externa Brasileira, de emissão do Tesouro Nacional, que foram objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, por meiodo "Brazil Investment Bond Exchange Agreement", de 1988. Da análise dos dispositivos supracitados, concluise que a NTN que possui tratamento tributário especial é a NTNA1, emitida nas operações de troca por “Brazil Investment Bonds” e que nenhum outro título da dívida pública possui isenção de imposto de renda sobre os juros produzidos. (grifos acrescidos) No mesmo sentido há duas soluções de consulta. A primeira referese à Solução de Consulta 8RF nº 298, de 02 de setembro de 2008: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL ISENÇÃO Juros Produzidos por Títulos Públicos. A isenção prevista no art. 4º da Lei nº 10.179, de 2001, mesmo aplicando se ao imposto de renda incidente sobre os juros produzidos pelas Notas do Tesouro Nacional NTN (subsérie A1) emitidas na troca de Bônus da Dívida Externa Brasileira, objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, por meio do "Brazil Investment Bond Exchange Agreement" e pelos Bônus emitidos pelo Banco Central do Brasil para obter créditos no exterior destinados ao financiamento compensatório de desequilíbrio de balanço de pagamentos ou a promover a formação de reservas internacionais em moeda estrangeira, não se aplica à CSLL, devido à ausência de previsão legal. Dispositivos Legais: Arts. 111, II, e 176 da Lei nº Fl. 503DF CARF MF 12 5.172, de 25.10.1966 (CTN); arts. 1º e 2º da Lei nº 7.689, de 15.12.1988; e art. 39 da Instrução Normativa SRF nº 390, de 30.01.2004. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ ISENÇÃO Juros Produzidos por Títulos Públicos. A isenção prevista no art. 4º da Lei nº 10.179, de 2001, aplicase exclusivamente aos juros produzidos pelas Notas do Tesouro Nacional NTN (subsérie A1) emitidas na troca de Bônus da Dívida Externa Brasileira, objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, por meio do "Brazil Investment Bond Exchange Agreement" e pelos Bônus emitidos pelo Banco Central do Brasil para obter créditos no exterior destinados ao financiamento compensatório de desequilíbrio de balanço de pagamentos ou a promover a formação de reservas internacionais em moeda estrangeira. Sendo assim, nos termos do precitado dispositivo legal, na determinação do lucro real, não podem ser excluídos do lucro líquido os juros produzidos por qualquer outro título da dívida pública, ainda que denominado "bônus" e emitido pelo Banco Central do Brasil. Dispositivos Legais: Arts. 111, II, e 176 da Lei nº 5.172, de 25.10.1966 (CTN); art. 4º da Lei nº 10.179, de 6.02.2001; art. 250, parágrafo único, "c", do Decreto nº 3.000, de 26.03.1999 (republicado em 17.06.1999); e art. 7º, § 1º, do Decreto nº 3.859, de 4.07.2001. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF ISENÇÃO Juros Produzidos por Títulos Públicos. A isenção prevista no art. 4º da Lei nº 10.179, de 2001, aplicase exclusivamente aos juros produzidos pelas Notas do Tesouro Nacional NTN (subsérie A1) emitidas na troca de Bônus da Dívida Externa Brasileira, objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, por meio do "Brazil Investment Bond Exchange Agreement" e pelos Bônus emitidos pelo Banco Central do Brasil para obter créditos no exterior destinados ao financiamento compensatório de desequilíbrio de balanço de pagamentos ou a promover a formação de reservas internacionais em moeda estrangeira. Sendo assim, estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda na Fonte os juros produzidos por qualquer outro título da dívida pública, ainda que denominado "bônus" e emitido pelo Banco Central do Brasil. Dispositivos Legais: Arts. 111, II, e 176 da Lei nº 5.172, de 25.10.1966 (CTN); art. 4º da Lei nº 10.179, de 6.02.2001; art. 777, V, do Decreto nº 3.000, de 26.03.1999 (republicado em 17.06.1999); e art. 7º, § 1º, do Decreto nº 3.859, de 4.07.2001. A segunda é da Sétima Região Fiscal: JUROS DE NOTAS DO TESOURO NACIONAL – ISENÇÃO – RESTRIÇÕES – A isenção dirigida aos juros produzidos por NTN, prevista no art. 4º da Lei nº 10.179, de 6 de fevereiro de 2001, aplicase apenas às Notas do Tesouro Nacional, série A, subsérie 1 – NTNA1. Dispositivos Legais: CF, art. 153, § 2º, I; CTN, art. 111, II; Lei nº 10.179/2001, arts. 1º a 4º; MP 2.096 88/00, arts. 1º a 4º; Decreto nº 3.540/00, arts. 6º e 7º. Processo Fl. 504DF CARF MF Processo nº 16327.721289/201384 Acórdão n.º 1401002.062 S1C4T1 Fl. 499 13 de Consulta nº 37/01. Órgão: SRRF/7ª RF. Publicação DOU: 22.06.2001. Todos os atos interpretativos da RFB e do CARF são uníssonos a afirmar que a isenção alcança apenas as NTN A1. Todavia, passamos a analisar diretamente os dispositivos normativos envolvidos. A isenção está prevista no art. 4º da Lei 10.179/01, abaixo reproduzido: Art. 4o São isentos do Imposto sobre a Renda os juros produzidos pelas NTN emitidas na forma do inciso III do art. 1o desta Lei, bem como os referentes aos bônus emitidos pelo Banco Central do Brasil para os fins previstos no art. 8o do DecretoLei no 1.312, de 15 de fevereiro de 1974, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.105, de 24 de janeiro de 1984. Também merece reprodução o inciso III do art. 1o : Art. 1o Fica o Poder Executivo autorizado a emitir títulos da dívida pública, de responsabilidade do Tesouro Nacional, com a finalidade de: (...) III troca por Bônus da Dívida Externa Brasileira, de emissão do Tesouro Nacional, que foram objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, por meio do "Brazil Investment Bond Exchange Agreement", de 22 de setembro de 1988; Pois bem, as NTN são regulamentados desde 2001, pelo Decreto nº 3.859/01, do qual vale reproduzir os seguintes dispositivos: Art. 6o As Notas do Tesouro Nacional NTN poderão ser emitidas em dez séries distintas: NTN Série A NTNA; NTN Série B NTNB; NTN Série C NTNC; NTN Série D NTND; NTN Série F NTNF; NTN Série H NTNH; NTN Série I NTNI; NTN Série M NTNM; NTN Série P NTNP; e NTN Série R, Subsérie 2 NTNR2. Art. 7o A NTNA, a ser utilizada nas operações de troca por "Brazil Investment Bonds BIB", de acordo com o inciso III do art. 1o da Lei no 10.179, de 2001, e pelos demais títulos emitidos em decorrência de acordos de reestruturação da dívida externa brasileira, e para fins de substituição das Notas do Tesouro Nacional Série L NTNL, existentes junto ao Banco Central do Brasil, até o limite da obrigação decorrente do "MultiYear Deposit Facility Agreement MYDFA", conforme disposto no art. 6o da Medida Provisória no 2.17934, de 28 de junho de 2001, será emitida em nove subséries distintas: NTNA1, NTN A3, NTNA4, NTNA5, NTNA6, NTNA7, NTNA8, NTNA9 e NTN A10. Fl. 505DF CARF MF 14 § 1o A NTNA1, a ser utilizada nas operações de troca por "Brazil Investment Bonds BIB", terá as seguintes características: (...) § 5º A NTNA6, a ser utilizada nas operações de troca por "Front Loaded Interest Reduction Bond With Capitalization C Bond", terá as seguintes características: Notese que a NTNA1 é destinada a troca pelo "Brazil Investment Bond", que define o alcance da isenção legal (pelo menos na primeira parte do dispositivo), enquanto a NTNA tem destinação distinta, qual seja, a troca por "Front Loaded Interest Reduction Bond With Capitalization CBond". O recorrente, porém, aduz ainda o alcance da regra isentiva pela segunda parte, qual seja, "bônus emitidos pelo Banco Central do Brasil para os fins previstos no art. 8o do DecretoLei no 1.312, de 15 de fevereiro de 1974, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.105, de 24 de janeiro de 1984". Passamos, pois, a reproduzir o dispositivo: Art. 8º O Poder Executivo fica autorizado a contratar ou dar a garantia do Tesouro Nacional a créditos obtidos no exterior junto a entidades oficiais ou privadas destinados ao financiamento compensatório de desequilíbrio de balanço de pagamentos ou a promover a formação de adequadas reservas internacionais em moeda estrangeira, observado o limite até o dobro do valor médio das exportações brasileiras realizadas nos últimos (3) três anos anteriores à contratação do financiamento. O CBond, objeto da troca por NTNA6, corresponde a um bônus de emissão do governo brasileiro por ocasião do acordo de negociação da dívida externa em 15/04/1994 (vide <http://www.bcb.gov.br/htms/infecon/finpub/cap6p.pdf>). Não possui, pois, a finalidade específica do art. 8º acima citado e nem sequer é exclusivo para substituir títulos dessa natureza. Desse modo, os juros advindos de NTNA6 não estão abarcados pela norma isentiva do art. 4º, da Lei nº 10.179/01. Juros sobre multa No tocante aos juros sobre multa de ofício, entendo que se trata de tema de âmbito da fase não contenciosa, uma vez que não é objeto do lançamento, mas sim da atividade de cobrança, a qual não está submetida ao crivo deste colegiado. Por isso, dele não tomaria conhecimento. Essa, porém, não tem sido a posição adotada por este colegiado que previamente tem decidido conhecer a questão. Assim, passo a enfrentála. De início, vale reproduzir acórdão em que também se conheceu do assunto, no qual foram considerados devidos os juros: Fl. 506DF CARF MF Processo nº 16327.721289/201384 Acórdão n.º 1401002.062 S1C4T1 Fl. 500 15 Número do Recurso: 155344 Câmara: PRIMEIRA CÂMARA Número do Processo: 10845.000196/9534 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ E OUTRO Recorrente: PRÓPRIA S.A. ADMINISTRAÇÃO E IMÓVEIS (SUCEDIDA POR BRASCOR S.A. IMÓVEIS E PORTICIPAÇÕES) Recorrida/Interessado: 2ª TURMA/DRJSALVADOR/BA Data da Sessão: 25/05/2007 00:00:00 Relator: Sandra Maria Faroni Decisão: Acórdão 10196177 Resultado: DPPU DAR PROVIMENTO PARCIAL POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Inteiro Teor do Acórdão Ementa: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora. Em se tratando de tributos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31/12/1994, sobre a multa por lançamento de ofício incidem, a partir de 1º de janeiro de 1997, juros de mora calculados segundo a Selic. Assim tem se inclinado a jurisprudência deste Conselho e com ela me alinho. Dois artigos da Lei n° 9.430/96 conduzemme a essa posição e abaixo os transcrevo: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (...) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do Fl. 507DF CARF MF 16 prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. É importante notar que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, para todas as situações, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos. Tal dispositivo, combinado com o art. 43 (onde se prevê a multa isolada ou acompanhada de tributo) e seu parágrafo único, levanos à conclusão de que os juros de mora devem incidir sobre a multa de ofício, após o seu vencimento. Dispensa de juros e multa Por fim, o recorrente pede a supressão de multa e juros com base no parágrafo único, art. 100, do CTN. Esse dispositivo possui a seguinte redação: Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. A dispensa, portanto, exige a atenção a alguma das hipóteses previstas no artigo, que são as seguintes: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Não há, porém, qualquer norma complementar, como prevista acima, que contemple, ainda que transitoriamente, a pretensão do recorrente. Fl. 508DF CARF MF Processo nº 16327.721289/201384 Acórdão n.º 1401002.062 S1C4T1 Fl. 501 17 Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 509DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.945006/2013-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011
DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DO FUNDAMENTO JURÍDICO PARA ANÁLISE DE MÉRITO. NECESSIDADE DE REANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO AO REEXAME DO DESPACHO DECISÓRIO.
Superado o fundamento jurídico que inviabilizava a análise do mérito do pedido de ressarcimento e da declaração de compensação antes de decisão em processo administrativo, devem os autos retornar à unidade de origem para que se proceda o reexame do despacho decisório, com a verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo e regular contencioso administrativo, em caso de não homologação total.
INTIMAÇÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELEITO. DEFINIÇÃO LEGAL.
Para fins de intimação em processo administrativo fiscal, o domicílio tributário eleito a que se refere o art. 23, II, e § 4º, II, do Decreto nº 70.235/1972, é o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado.
Impossibilidade de nulidade da ciência regular realizada nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Inteligência da Súmula CARF nº 9: "válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário".
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-003.043
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que se reexamine o despacho decisório com a análise de mérito do pedido.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DO FUNDAMENTO JURÍDICO PARA ANÁLISE DE MÉRITO. NECESSIDADE DE REANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO AO REEXAME DO DESPACHO DECISÓRIO. Superado o fundamento jurídico que inviabilizava a análise do mérito do pedido de ressarcimento e da declaração de compensação antes de decisão em processo administrativo, devem os autos retornar à unidade de origem para que se proceda o reexame do despacho decisório, com a verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo e regular contencioso administrativo, em caso de não homologação total. INTIMAÇÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELEITO. DEFINIÇÃO LEGAL. Para fins de intimação em processo administrativo fiscal, o domicílio tributário eleito a que se refere o art. 23, II, e § 4º, II, do Decreto nº 70.235/1972, é o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado. Impossibilidade de nulidade da ciência regular realizada nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Inteligência da Súmula CARF nº 9: "válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Recurso Voluntário Provido em Parte
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DO FUNDAMENTO JURÍDICO PARA ANÁLISE DE MÉRITO. NECESSIDADE DE REANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO AO REEXAME DO DESPACHO DECISÓRIO. Superado o fundamento jurídico que inviabilizava a análise do mérito do pedido de ressarcimento e da declaração de compensação antes de decisão em processo administrativo, devem os autos retornar à unidade de origem para que se proceda o reexame do despacho decisório, com a verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, concedendose ao sujeito passivo direito a novo e regular contencioso administrativo, em caso de não homologação total. INTIMAÇÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELEITO. DEFINIÇÃO LEGAL. Para fins de intimação em processo administrativo fiscal, o domicílio tributário eleito a que se refere o art. 23, II, e § 4º, II, do Decreto nº 70.235/1972, é o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado. Impossibilidade de nulidade da ciência regular realizada nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Inteligência da Súmula CARF nº 9: "válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 50 06 /2 01 3- 26 Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10880.945006/201326 Acórdão n.º 3201003.043 S3C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que se reexamine o despacho decisório com a análise de mérito do pedido. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório SARAIVA S/A LIVREIROS EDITORES transmitiu Pedido de Ressarcimento da contribuição não cumulativa (Cofins/PIS), vinculado a Declarações de Compensação. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Ressarcimento e considerando não declaradas as compensações a ele vinculadas sob o fundamento de que o valor a ressarcir se encontrava sujeito a desdobramentos de ação judicial intentada pelo contribuinte. Cientificado do despacho decisório, o contribuinte apresentou Recurso Administrativo, contestando a decisão de se considerarem não declaradas as compensações, e Manifestação de Inconformidade, esta para protestar contra o indeferimento do Pedido de Ressarcimento, tendo sido ambos os recursos recebidos como Manifestação de Inconformidade por força de liminar em mandado de segurança. Em sua defesa, o contribuinte alegou que somente apurava créditos no mercado interno vinculados a receitas não tributadas, por se tratar a sua atividade de venda de livros sujeita à alíquota zero, e que o objeto da ação judicial por ele impetrada se referia à base de cálculo do débito e não à origem do crédito. Arguiu o contribuinte que a autoridade tributária violara frontalmente o princípio da legalidade ao considerar não declaradas as compensações, em franco desacordo com o art. 74, § 12, da Lei n° 9.430/1996 e o art. 97 do CTN, uma vez que o crédito pleiteado não decorria de decisão de judicial, mas de artigo expresso de lei. Argumentou, ainda, que, ao considerar não declaradas as compensações, a autoridade administrativa excluíra a possibilidade de defesa por manifestação de inconformidade, levando à cobrança dos débitos compensados antes de finda a discussão administrativa acerca do pedido de ressarcimento, o que implicava cerceamento do direito de defesa, uma vez que, de acordo com o art. 151, II, do CTN, o recurso administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário. Aludiu, ainda, que não se sustentava a justificativa da autoridade administrativa fundada no art. 32, §§ 3° e 4°, da IN RFB n° 1.300/2012, pois instrução Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10880.945006/201326 Acórdão n.º 3201003.043 S3C2T1 Fl. 4 3 normativa não podia inovar, prevendo hipótese de compensação não declarada inexistente no § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, em flagrante violação ao princípio da legalidade. Nos termos do Acórdão nº 16066.610, foram julgados improcedentes a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Administrativo apresentados, tendo sido afastada a preliminar de nulidade do despacho decisório e confirmado o teor do despacho decisório, em razão da vedação ao ressarcimento de crédito passível de alteração por decisão judicial. Em seu recurso voluntário, o Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a impossibilidade do resultado da ação judicial influenciar o valor do crédito decorrente das vendas internas sujeitas à alíquota zero, uma vez que estas não entram na apuração da base de cálculo da Contribuição. Informa o Recorrente que a Ação Declaratória havia transitado em julgado, confirmando que seu resultado não implicava qualquer influência no pedido de compensação ou descumprimento ao disposto no art. 170A do CTN, configurandose, portanto, indevidas as decisões administrativas precedentes. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201003.041, de 26/07/2017, proferido no julgamento do processo nº 10880.945004/201337, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.041): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Antes de prosseguir urge ressaltar os eventos nas esferas administrativa e judicial que interessam à lide: a. A Unidade de origem (Derat/SP) não analisou o mérito do pedido de ressarcimento e da compensação declarada, sob o fundamento da existência de ação judicial em curso cujo resultado influenciaria a base de cálculo do crédito pleiteado. A DRJ manteve integralmente o despacho decisório. b. Nos autos não constam elementos que permitam aferir a higidez do crédito pleiteado quanto à sua origem, qualidade e grandeza. c. As Ações Declaratórias transitaram em julgado, em 25/04/2014 (para o Cofins) e 24/06/2014 (para o PIS), no âmbito do STJ, em decorrência do pedido de desistência de Recurso Especial interposto Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10880.945006/201326 Acórdão n.º 3201003.043 S3C2T1 Fl. 5 4 pela empresa, em data anterior à da sessão de julgamento na DRJ (12/03/2015). As situações enumeradas exigem o enfrentamento das seguintes questões: 1. Há concomitância entre os processos administrativo e judicial? 2. Na hipótese de se afastar a concomitância, resta passível a alteração dos valores dos créditos pleiteados em razão do resultado da ação judicial? 3. O trânsito em julgado da ação judicial faz restabelecer a análise do mérito do pedido de ressarcimento e da declaração de compensação? Não se suscitou nos autos a concomitância pela autoridade fiscal, tampouco em sede de julgamento na DRJ. A recorrente nada menciona em suas peças, embora defende argumentos quanto à inexistência de qualquer influência de resultado da ação judicial sobre os créditos pleiteados administrativamente. Compulsando os autos as partes não juntaram as peças processuais, em especial petição inicial, sentença e acórdãos. Há tão somente extrato de consulta processual no TRF/3ª Região e Certidão do STJ. Pesquisa realizada na página da internet do TRF/3ª Região extraise do relatório e ementa da Apelação Cível nº 1182842 ACSP, na Ação Declaratória nº 2004.61.00.0067824 o que segue: RELATÓRIO Tratase de apelação em ação declaratória em que busca assegurar o direito para não se submeter à majoração da base de cálculo da COFINS sobre a totalidade de receitas, prevista na MP 135/03, convertida na Lei 10833/03, pois violou norma constitucional expressa no art. 195, I “b” da CF e violação ao art. 110 do CTN e na forma do art. 151, II do CTN, pretende efetuar depósitos judiciais. A ação foi ajuizada em 11/03/04. O valor da causa é de R$ 30.000,00. O MM. Juiz “a quo” julgou improcedente, considerando que não houve ofensa à Constituição a alteração da base de cálculo da COFINS, sendo que pode ser utilizada medida provisória e que o texto constitucional também não exigia Lei Complementar e que não há ofensa ao art. 246 da Constituição Federal e portanto, não há nenhum vício formal na Lei 10833/03. Determinou que após o trânsito em julgado da sentença, convertam se em renda da União Federal os depósitos efetuados durante a tramitação do processo. EMENTA TRIBUTÁRIO. AÇÃO DECLARATÓRIA. COFINS. LEI 10833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. LEGITIMIDADE DA TRIBUTAÇÃO. ALTERAÇÕES. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS NÃO VIOLADOS. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL POR DESCUMPRIMENTO DO ARTIGO 246 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10880.945006/201326 Acórdão n.º 3201003.043 S3C2T1 Fl. 6 5 I A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) foi instituída pela Lei Complementar nº 70, de 31 de dezembro de 1991, com fundamento na Constituição Federal, em seu artigo 195, inciso I e tem como objetivo o custeio das atividades da área de saúde, previdência e assistência social, conforme dispunham seus artigos 1º e 2º. II Com o advento da lei 10.833, de 29 de Dezembro de 2003, e atualmente pela Lei 10.865, de 30 de abril de 2004, a contribuição à COFINS passou a ser nãocumulativa. Esse princípio, em relação às contribuições, foi reforçado pela Emenda Constitucional n° 42/03. III A Constituição Federal, após as Emendas Constitucionais n°s 20, 33 e 42, consignou claramente o campo de incidência das contribuições, inclusive com a possibilidade de serem instituídas alíquotas e/ou bases de cálculos distintas, para determinados segmentos. Portanto, autorizou tratamentos não isonômicos, diante de um discrímen a ser ditado por lei, consagrando em benefício, nesta última emenda, a nãocumulatividade para as contribuições. IV A nãocumulatividade é mera técnica de tributação que não se confunde com a sistemática de cálculo do tributo, porquanto, depois de efetuadas as compensações devidas (débito/crédito) pelo contribuinte terseá a base de cálculo, para a apuração do quantum devido. Consignese, por fim, que, para as hipóteses de IPI e ICMS, o legislador constituinte deixou traçados, fixando os limites objetivos de sua ocorrência, os critérios para que se implementasse a não cumulatividade, dadas as características desses tributos, enquanto para a COFINS a lei é que deve se incumbir dessa tarefa. V Não se configurou a afronta ao disposto no artigo 246 da Constituição Federal, pois não houve regulamentação de artigo, nem inovação, criandose nova figura tributária, haja vista que a previsão expressa da contribuição à COFINS no corpo do Texto Constitucional, por si só autoriza eventuais alterações nos critérios de suas exigências, feitas por lei ordinária, não havendo óbices que suas iniciativas se dêem por meio de Medida Provisória, desde que observado o princípio da anterioridade nonagesimal. VI– Apelação da autora improvida. Quanto ao PIS, Apelação Cível nº 000253690.2003.4.03.6100/SP ACSP, na Ação Declaratória nº 2003.61.00.0025369/SP, relatório e ementa se assemelham à ação que versa sobre a Cofins: RELATÓRIO Tratase de ação de procedimento ordinário em que Saraiva S/A Livreiros Editores pretende: a) a declaração de inexistência de relação jurídica no tocante ao recolhimento da contribuição ao PIS, sobre a totalidade de receitas, nos termos da Lei nº 10.637/02; b) assegurar o direito de recolher a referida contribuição sobre o faturamento (receita bruta de venda de mercadorias, mercadorias e serviços ou prestação de serviços). A sentença julgou improcedente o pedido, condenando a autora ao pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios, fixados em R$ 2.000,00 (dois mil reais). Em apelação, a autora reiterou o pedido formulado na petição inicial. Com contrarrazões, os autos foram remetidos a este e. Tribunal. EMENTA Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10880.945006/201326 Acórdão n.º 3201003.043 S3C2T1 Fl. 7 6 TRIBUTÁRIO PIS LEI Nº 10.637/02 CONSTITUCIONALIDADE. 1. As contribuições sociais encontramse regidas pelos princípios da solidariedade e universalidade, previstos nos arts. 194, I, II, V, e 195 da Constituição Federal e impõe o reconhecimento de que o seu financiamento deve darse por todas as empresas. 2. As contribuições de seguridade social, previstas nos incisos I, II e III do caput do art. 195 da Constituição Federal, não necessitam, para instituição ou modificação, de lei complementar, bastando para tanto ato normativo com força de lei ordinária. 3. Viabilidade da utilização de medida provisória para instituir tributos e contribuições sociais, bem assim a possibilidade de reedição para prorrogar os efeitos da anterior ou anteriores. 4. A lei pode autorizar exclusões de determinados valores para fins de apuração da base de cálculo do tributo, e, da mesma forma, vedar deduções para a mesma finalidade, levando em conta o momento político e a política fiscal adotada. 5. A alteração do conceito de faturamento, bem como a majoração da alíquota do PIS prevista na MP 66/02, não implicou na regulamentação do disposto no art. 195, inciso I, da CF, com redação dada pela EC 20/98, razão pela qual não constituíram violação à regra do artigo 246 da CF. 6. Não há falarse em violação ao princípio da anterioridade nonagesimal, porquanto expressamente previsto na MP nº 66/02 o prazo de noventa dias para a produção de seus efeitos. 7. Apelação improvida. Os excertos transcritos permitem constatar que os objetos das ações que versaram sobre o PIS e a Cofins foram delimitados pela "majoração da base de cálculo da Contribuição sobre a totalidade das receitas". Cumpre também apontar que a recorrente não logrou êxito na ação declaratória na decisão de primeiro grau e na apelação, em sede de Tribunal Federal. No processo administrativo a recorrente pleiteou ressarcimento do saldo credor remanescente do desconto de débitos da Contribuição ao final do trimestre. Suscita que o crédito referese exclusivamente às vendas de livros no mercado interno, que por força do inciso II do art. 28, da Lei nº 10.865/2004, tem incidência à alíquota é zero. Evidenciase, portanto, que as ações judicial e administrativa têm objeto distintos, o que afasta a concomitância. Ademais, o entendimento doutrinário é no sentido de que se caracteriza a identidade de ações quando se verificam as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir, o que não se tem presente no caso dos autos, bastando para a conclusão a existência de pedidos distintos. Destarte, entendo inexistente a concomitância. Pois bem; afastada a concomitância, mister verificar se de algum modo é passível de alteração os valores dos créditos pleiteados em razão do resultado da ação judicial. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10880.945006/201326 Acórdão n.º 3201003.043 S3C2T1 Fl. 8 7 As partes divergem quanto ao entendimento, o que demanda analisar seus argumentos. O despacho decisório está assentado no fundamento de que o saldo credor passível de ressarcimento é resultado direto do tipo de receita a que estiver vinculado, no caso à receita não tributada no mercado interno. Vejase alguns excertos da decisão: 10. Ademais, referida instrução normativa e as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 dispõem que os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins passíveis de ressarcimento e/ou compensação, são aqueles remanescentes do desconto de débitos dessas contribuições em um mês de apuração. 11. Assim, o crédito passível de ressarcimento depende das receitas auferidas que servirão de base de cálculo para realização do referido cotejamento entre créditos e débitos, mais ainda, as receitas auferidas são necessárias para definir a proporção de créditos vinculados a Receita Tributada no Mercado Interno, Receita Não Tributada no Mercado interno e/ou Receita de Exportação. 12. Não é demais lembrar que somente o saldo de crédito vinculado a Receita Não Tributada no Mercado interno (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c art. 16, inciso II da Lei nº 11.116/2005) ou Receita de Exportação (art. 5º, §§2º e 3º da Lei nº 10.637/2002; art 6º, §§2º e 3º da Lei nº 10.833/2003) são passíveis de ressarcimento. 13. Logo, a apuração dos créditos e, em especial, sua parcela ressarcível é resultado não apenas da composição de várias despesas/custos, mas, também, da receita a que estiverem vinculadas. 14. Diante do exposto, existindo discussão judicial sobre assuntos que poderão alterar o valor a ser ressarcido, deve ser indeferido o Pedido de Ressarcimento eletrônico (...) O julgamento na DRJ trilhou no mesmo entendimento, decidindo ao final pela improcedência da manifestação de inconformidade. Alguns excertos: 30. Assinalese inicialmente que, de acordo com o art. 28, caput e § 2°, II, da IN RFB n° 900/2008, em vigor à época da transmissão do pedido de ressarcimento, os créditos não utilizados acumulados ao final de cada trimestre poderiam ser objeto de pedido de ressarcimento, cabendo ao sujeito passivo efetuálo “pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação”. O grifo é meu. 31. No caso em estudo, verificase que o valor pleiteado no pedido de ressarcimento está em perfeita conformidade com essa regra (...) 32. Como se pode observar, o valor solicitado (...) corresponde ao saldo remanescente dos créditos apurados nos meses de (...), já descontada parte dos débitos de Cofins relativos a esse período. 33. Donde se conclui, sem contestação possível, que o valor do débito afeta o do crédito. Isso porque o crédito suscetível de ressarcimento é apenas o saldo remanescente do desconto de parte dos débitos apurados no trimestre. É por isso que a IN RFB n° 900/2008, no trecho já citado, se refere expressamente ao saldo credor remanescente “líquido das utilizações por desconto ou compensação”. 34. Tratase, portanto, da própria lógica do regime não cumulativo da Cofins, convindo deixar claro que em nada a afeta a circunstância de a Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10880.945006/201326 Acórdão n.º 3201003.043 S3C2T1 Fl. 9 8 empresa apurar ou não apenas créditos vinculados à receita não tributada no mercado interno. 35. Assim, dada a natureza da matéria discutida na ação declaratória citada, então ainda em andamento, é evidente que sua decisão final poderia alterar o valor dos débitos de Cofins apurados no trimestre em exame e, conseqüentemente, o saldo de crédito passível de ressarcimento. A recorrente, de sua parte, sustenta que os créditos objeto do pedido de ressarcimento são resultantes da venda de livros no mercado interno, operação sobre a qual a Contribuição incide à alíquota zero, e, portanto, não integram sua base de cálculo, de modo que não guardam nenhuma relação com a discussão judicial. Excertos de suas peças: Inicialmente necessário destacar que a Requerente somente apura seus créditos com base na receita não tributada no mercado interno (Alíquota Zero Cofins), motivo pelo qual patente o equívoco da autoridade fiscal no tocante à classificação do crédito requerido pela contribuinte com suposta proporção na apuração das receitas x créditos. (...) Assim sendo, a manutenção integral do crédito relacionado à receita da venda de livros, a qual é tributada no mercado interno a alíquota zero do PiS e da Cofins é um direito da empresa ora manifestante amparado totalmente na legislação vigente. Diante deste quadro, é patente o equivoco levado a cabo pela autoridade fiscal no tocante a classificação do tipo de crédito utilizado pela contribuinte em seu pedido de ressarcimento e por consequência em sua declaração de compensação considerada indevidamente como não declarada. Entendo que o crédito pleiteado é passível de alteração pela base de cálculo do PIS e Cofins, ou em outras palavras, a dimensão da receita pode afetar o valor do crédito. O valor do saldo credor da Contribuição para o PIS ou Cofins nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c art. 16 da Lei nº 11.116/200 e art. 28, caput e § 2°, II, da IN RFB n° 900/2008, atual inciso II, art. 27, da IN RFB 1.300/2012, somente pode ser ressarcido ou compensado, no encerramento do trimestrecalendário, após a dedução do débito da própria contribuição. Os dispositivos legais: Lei 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0% (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Lei nº 11.116/2005 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10880.945006/201326 Acórdão n.º 3201003.043 S3C2T1 Fl. 10 9 II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. IN RFB nº 900/2008 Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente após o encerramento do trimestrecalendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: (...) II às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0% (zero) ou nãoincidência. (...) Art. 28. O pedido de ressarcimento a que se refere o art. 27 será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração em meio papel acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. (...) II ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação. IN RFB nº 1.300/2012: Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas Contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente depois do encerramento do trimestrecalendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: (...) II às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1557, de 31 de março de 2015) Da interpretação dos dispositivos resulta que o procedimento passa primeiro pela etapa de deduzir o saldo credor do débito apurado da Contribuição no período, o que implica afirmar que se o valor do débito estiver sob discussão judicial, em especial em relação à dimensão/extensão de sua base de cálculo, é lógico deduzir que o valor saldo credor apurado estará passível de alteração em razão do resultado da ação judicial. Relevante destacar que a alegação da recorrente de que a totalidade de seu crédito é decorrente de vendas de livros, cuja alíquota do PIS e da Cofins é zero, o que significa tratarse, exclusivamente, de receita não tributada no mercado interno, o que a faz concluir pela total desvinculação entre as bases de cálculo deste crédito e do débito que se discutia judicialmente, não se encontra comprovado nos autos. Inexistem documentos (notas fiscais e registro contábeis) que apontam a natureza do crédito a ponto de atestar a veracidade da Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10880.945006/201326 Acórdão n.º 3201003.043 S3C2T1 Fl. 11 10 alegação. Importa anotar também que a autoridade fiscal encarregada do despacho decisório não analisou seu mérito. Assim, encontro razões para afirmar a alterabilidade dos créditos pleiteados em razão do resultado da ação judicial, ainda que afastada anteriormente a concomitância. Por fim, a análise do trânsito em julgado da ação judicial. É inconteste o resultado da Ação Declaratória em que se buscava provimento para afastar o alargamento da base de cálculo da Contribuição, qual seja, não houve êxito por parte do contribuinte. O trânsito em julgado ocorreu em 25/04/2014, portanto, antes do julgamento da manifestação de inconformidade e do recurso administrativo na Delegacia de Julgamento que, contudo, manteve a decisão no despacho da Derat/SP sob o argumento que à época do pedido de ressarcimento e declaração de compensação a Ação não gozava de tal efeito. Cabe então enfrentar a seguinte matéria: acaso afastados os fundamentos da Derat e DRJ para negar o pedido de ressarcimento e considerar não declarada a DCOMP, sustentamse os argumentos da recorrente? Repisase que não houve enfrentamento do mérito do PER/DCOMP; também, não constam dos autos conjunto probatório da certeza dos créditos alegados. O direito ao ressarcimento e à compensação encontramse disciplinados nas legislações a seguir: CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) (grifei) 41. Ora, no caso vertente, como ficou visto, havia uma ação declaratória em andamento cuja decisão final poderia, indiscutivelmente, vir a alterar o valor dos débitos de Cofins apurados no trimestre em exame e, conseqüentemente, o saldo de crédito passível de ressarcimento. Tal saldo, portanto, precisamente pela falta de trânsito em julgado, carecia dos requisitos de liquidez e certeza exigidos pelo art. 170 do CTN. 42. Assim, não há dúvida de que se trata de crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado, expressão genérica que abrange qualquer crédito cujo valor possa ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo judicial. 43. De modo que, ao considerar não declaradas as compensações vinculadas ao direito creditório objeto do pedido de ressarcimento, a Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10880.945006/201326 Acórdão n.º 3201003.043 S3C2T1 Fl. 12 11 autoridade tributária apenas se ateve à letra da lei, mais precisamente ao disposto no art. 74, § 12, da lei n° 9.430/96, acima transcrito. Entendo que a vedação ao pedido de ressarcimento de que trata os §§ 3º e 4º do art. 32 da IN RFB nº 1.300/2012, cuja vigência é posterior à data do protocolo do PER/DCOMP, fundamento legal do despacho decisório já não se sustentava no julgamento da manifestação de inconformidade à vista da decisão transitado em julgado da ação declaratória. Essa vedação ao ressarcimento deve ser interpretada à luz da mesma vedação à compensação, que se encontra em disposição de Lei art. 170A do CTN que ao meu sentir diz tãosó que enquanto houver pendência de ação judicial discutindo tributo, não se concederá ou se analisará a compensação acerca de aproveitamento de crédito desse mesmo tributo. Mutatis mutandis, ocorrido o trânsito em julgado da ação que se discuti o tributo, para o qual se pleiteia o aproveitamento de crédito, permitida estará a compensação. O mesmo se aplica ao ressarcimento. A autoridade julgadora a quo fundamentou a manutenção do despacho decisório para considerar não declarada a compensação na alínea "d", inciso II, do § 12, do art. 74 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 ) (...) II em que o crédito: (...) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004 ) Inconteste que o fundamento para tal decisão encontravase superado por ocasião do acórdão da DRJ. Outra deveria ser a decisão recorrida. De outra banda, a recorrente não colacionou documentos que apontam para a natureza dos créditos que alega tratarse de venda de livros no mercado interno, à alíquota zero do PIS e da COFINS. Assim, conquanto o trânsito em julgado implica a análise do mérito o encontro de contas entre débitos e, no caso, o saldo credor apurado nos termos da legislação processo não se encontra maduro para decisão por este Conselho. Por derradeiro, a recorrente pede que "visando a facilitar o controle das intimações dos atos processuais, doravante, requer que as intimações sejam publicadas EXCLUSIVAMENTE em nome de Júlio Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10880.945006/201326 Acórdão n.º 3201003.043 S3C2T1 Fl. 13 12 César Goulart Lanes, inscrito na OAB/SP n.° 285.224, devidamente constituído nos autos, sob pena de nulidade." Impende registrar que o disposto no art. 23 do Decreto no 70.235/1972, que regula o processo de determinação e exigência de crédito tributário estabelece: “Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)” Para fins de intimação em processo administrativo fiscal, o “domicílio tributário eleito” a que se refere o art. 23, II do Decreto no 70.235/1972, não é aquele no qual o contribuinte pede, em um dado processo, para ser cientificado (por exemplo, no escritório de um advogado), mas, como esclarece o § 4º do mesmo artigo, “o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais , à administração tributária”, e “o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado”. De ressaltar que a intimação realizada nos termos acima é legítima e encontrase pacificada com a Súmula CARF nº 9, cujo enunciado dispõe ser "válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Conclusão O atual estágio do processo indica a possibilidade de existência de um direito creditório não analisado pela unidade de origem da DRF, fundada tãosó na alterabilidade do valor do crédito pleiteado em razão de ação judicial, não concomitante ao presente processo, que se encontra definitivamente julgada. Destarte, por não restar nenhum óbice à análise do direito creditório pleiteado, não efetuado no âmbito do despacho decisório, entendo por determinar o retorno do presente processo à unidade de jurisdição administrativa da recorrente para que se proceda análise do mérito do pedido de ressarcimento e da declaração de compensação, mediante a apresentação pelo contribuinte dos documentos pertinentes. Após seja dado ciência para que o interessado exerça, se assim o quiser, o contraditório. Portanto, VOTO para DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para determinar o retorno dos autos à Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10880.945006/201326 Acórdão n.º 3201003.043 S3C2T1 Fl. 14 13 unidade de origem para que REEXAMINE O DESPACHO DECISÓRIO com a análise de mérito do pedido, a verificação dos documentos acostados e outros que julgar necessários, mediante regular intimação ao contribuinte, instaurandose novo contencioso administrativo, na hipótese de inconformidade da recorrente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que REEXAMINE O DESPACHO DECISÓRIO, com a análise de mérito do pedido, a verificação dos documentos acostados e outros que julgar necessários, mediante regular intimação ao contribuinte, instaurandose novo contencioso administrativo, na hipótese de inconformidade do Recorrente. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 312DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.722274/2009-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 9303-005.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificar o Acórdão nº, 9303-004.654, de 15/02/2017, com efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. Ausente, momentaneamente, a conselheira Érika Costa Camargos Autran.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, reratificar o Acórdão nº, 9303004.654, de 15/02/2017, com efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. Ausente, momentaneamente, a conselheira Érika Costa Camargos Autran. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 22 74 /2 00 9- 54 Fl. 1015DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 9303004.654, 15/02/2017, proferido pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PIS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, aditivo dispersante e serviços de remoção de resíduos industriais. FRETE. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS. Os serviços de transporte suportados pelo adquirente de bens, quando estes se qualifiquem como insumos nos termos da legislação de regência, somente geram direito ao crédito de modo indireto, mediante incorporação ao custo do bem adquirido. Recurso Especial do Procurador provido em parte Alega a Embargante que a decisão apresenta uma contradição, a saber: assentou que “...se o produto se enquadrar no conceito de insumo, sendo, de conseguinte, necessário à produção do contribuinte, o gasto com o seu transporte deverá ser incorporado ao custo do produtos transportados (...). Portanto, se o frete foi pago no transporte de produtos que sejam insumos (...)o valor assim despendido deve ser incorporado ao custo dos produtos transportados (...)", e a conclusão do voto, que findou por negar direito a tomada de créditos sobre o frete pago na aquisição de ácido sulfúrico, considerado como insumo pelo próprio relator. O exame de admissibilidade dos embargos encontrase às fls. 1011/1014. É o Relatório. Voto Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 10280.722274/200954 Acórdão n.º 9303005.589 CSRFT3 Fl. 1.016 3 Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Com efeito, o acórdão embargado incorreu numa contradição, o que autoriza o manejo dos aclaratórios, em conformidade com o que dispõe o art. 65 do Anexo II do atual RICARF/2015. Notese que, muito embora tenhamos afirmado que os serviços de transporte suportados pelo adquirente somente geram direito ao crédito de modo indireto, mediante incorporação ao custo do bem adquirido, somente quando estes se qualifiquem como insumos, nos termos da legislação de regência (ver Solução de Consulta Cosit nº 99048, de 20 de março de 2017), não nos atentamos para o fato de que o frete pago pela Embargante se destinava unicamente ao transporte do ácido sulfúrico, o que poderia ter sido deduzido até mesmo das peculiaridades deste produto. Outra seria a solução se o frete fosse pago para o transporte de mais de um produto, uns qualificados como insumos, outros, não, hipótese em que deveria haver uma divisão proporcional do custo pelos produtos transportados. Não é o caso, porém. Ante o exposto, conheço e acolho os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para conferir à Embargante o direito ao crédito sobre o frete pago na aquisição de ácido sulfúrico. A ementa do acórdão embargado passa a ser a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PIS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, aditivo dispersante e serviços de remoção de resíduos industriais. FRETE. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS. Os serviços de transporte suportados pelo adquirente de bens, quando estes se qualifiquem como insumos nos termos da legislação de regência, somente geram direito ao crédito de modo indireto, mediante incorporação ao custo do bem adquirido. No caso julgado, o frete pago para transporte do ácido sulfúrico gera direito ao crédito de PIS no regime não cumulativo. Recurso Especial do Procurador negado. É como voto. Fl. 1017DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1018DF CARF MF
score : 1.0
