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4610707 #
Numero do processo: 10314.001458/2001-95
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Período de apuração: 30/12/1996 a 20/08/1999 IMUNIDADE TRIBUTARIA. PAPEL. PERIÓDICOS. A imunidade tributária prevista na alínea "d" do inciso VI, do art. 150 da Constituição Federal, abrange os livros, jornais e periódicos, que de uma forma geral veiculem informações, orientações e esclarecimentos de interesse público, interesse este incluindo-se o das categorias econômicas ou profissionais, ainda que acompanhados de anúncios. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 303-35.124
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Luis Carlos Maia Cerqueira (Suplente), Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator, Heroldes Bahr Neto e Celso Lopes Pereira Neto, que negaram provimento. Designado para redigir o voto o Conselheiro Davi Machado Evangelista (Suplente).
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro

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4611363 #
Numero do processo: 10920.000826/2005-63
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 17 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Apr 17 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2005, 2006 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL COMPENSAÇÃO - Para que se acolha pedido de compensação, deve o crédito da empresa apresentar as necessárias condições de liquidez e certeza que o validem. Credito que deixou de ser homologado diante do instituto da prescrição não é hábil a integrar processos de compensação de débitos fiscais da empresa. Recurso conhecido e improvido.
Numero da decisão: 105-16.972
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos para modificar a decisão contida na Resolução nº 105-01.369 de 04.03.2008 “de CONVERTER em diligência” para NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: José Carlos Passuello

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Credito que deixou de ser homologado diante do instituto da prescrição não é hábil a integrar processos de compensação de débitos fiscais da empresa. Recurso conhecido e improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos para modificar a decisão contida na Resolução n° 105-01.369 de 04.03.2008 "de CONVERTER em diligência" pafi NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integra , presente julgado. ' Presidente Processo n.° 10920.000826/20 Acórdão n.° 105-17.972 CCO2,'CO 1 Fls. JOSÉ RLOS PASSUELLO Relator Formalizado em: 1 5 MAI 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: WILSON FERNANDES GUIMARÃES, IRINEU BIANCHI, LEONARDO HENRIQUE M. DE OLIVEIRA, WALDIR VEIGA ROCHA e ALEXANDRE ANTÔNIO ALICMIN TEI EI Ausente, momentaneamente o Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO. " o CCO2/C01 Fls. 3 A G e, Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por WHIRLPOOL S/A, sucessora de Empresa Brasileira de Compressores s/a — EMBRACO., em 19.09.2006 (Fls. 87 a 99), contra a decisão prolatada pela 4a Turma da DRJ em Florianópolis, SC, da qual foi cientificada em 21.08.2006 (fls. 86), que lhe foi contrária e consubstanciada no Acórdão n° 8.296/2006, assim ementado: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2005 Ementa: COMPENSAÇÃO NÃO-DECLARADA. IMPOSSIBILIDADE DE RECURSO AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL - Nos casos de compensação tida por não-declarada, não cabe recurso do contribuinte junto ao contencioso administrativo fiscal (Delegacias de Julgamento e Conselhos de Contribuintes). DELEGACIAS DE JULGAMENTO. VINCULAÇÃ 0 DOS JULGADORES AOS ATOS ADMINISTRATIVOS DA SRF - Os julgadores que compõem as Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento devem observar, em seus julgados, o entendimento da Secretaria da Receita Federal expresso em atos normativos. Rest/Ress. Indeferido — Comp. não declarada" Na sessão de 04 de março de 2008 esta 5' Camara optou por retirar o processo de pauta para averiguações acerca do trâmite do processo n° 10920.003927/2003-24, conexo ao presente. Naquela ocasião elaborei detalhado despacho relatando o conteúdo e detalhes do processo, que por economia processual deixo de reproduzir aqui, limitando-me h proceder sua leitura para lembrança dos meus pares, visando o julgamento a ser agora proferido. Pesquisando, constatei que o processo n° 10920.003927/2003-24, com o qual o presente processo tem conexão, já tramitou por esta 5' Camara, quando, na sessão de 26.04.2007 foi julgado o recurso voluntário autuado sob n° 154103, cuja decisão produziu o acórdão n° 105-16.439, com características sumariadas no sitio dos Conselhos: Número do Recurso: 154103 Câmara: QUINTA CÂMARA Número do Processo:10920.003927/2003-24 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: CONTRIBUIÇÃO SOCIAULL Recorrente: EMPRESA BRASILEIRA DE COMPRESSORES S.A. - EMBRACO Recorrida/Interessado: 4a TURMA/DRJ-FLORIANÓPOLIS/SC Data da Sessão: 26104/2007 00:00:00 Relator: Luís Alberto Bacelar Vidal Decisão: Acórdão 105-16439 Resultado: NPM - NEGADO ROVIMENTO POR MAIOR! Processo n.° 10920.000826/2005-63 Acórdão n.° 105-17.972 Processo n.° 10920.000826/2005-63 Acórdão n.° 105-17.972 CCO2/C0 Fls. 4 )1(:) Texto da Decisão: Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Roberto Bekierman (Suplente Convocado). Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ - EXERCÍCIO: 1998RESTITUIÇÃO - COMPENSAÇÃO - DECADENCIA - 0 direito de pleitear a restituição compensação extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Dessa forma, não foi homologado o credito tributário Id solicitado e que teve seu pedido de compensação formalizado no presente processo. A questão se resume à possibilidade de aproveitamento em processo de compensação de crédito tributário cujo direito não foi homologado. Como se vê, entendi ser possível proceder ao julgamento, invocando os princípios da celeridade e economia processuais. Assim se apresenta proces o para julgamento. o relatório. o /442-ar JOSÉ ARLpS PASSUELLO Processo n.° 10920.000826/2005-63 Acórdão n.° 105-17.972 CCO2/C01 Fls. 5 Voto Conselheiro JOSÉ CARLOS PASSUELLO, Relator 0 recurso já foi conhecido e deve ter seu julgamento retomado. A questão a ser dirimida é simples. No processo n° 10920.003927/2003-24 a empresa buscou habilitação para um crédito tributário, mas não logrou êxito nesse mister, já que este Colegiado entendeu que seu pedido era eficaz diante dos efeitos da prescrição. Se o crédito não mereceu homologação, melhor esclarecendo, não foi considerado hábil, liquido ou certo, sua compensação corn débitos fiscais não pode ser confirmada, urna vez que carece da liquidez e certeza indispensáveis ao seu aproveitamento e sua validade jurídica. Assim, não tendo sido homologado o crédito utilizado nas compensações pleiteadas nesse processo, é de não acolher tais compensações, restando em aberto, portanto passíveis de prosseguimento na cobrança as parcelas que, por não estarem extintas pela compensação que restou não acolhida, remanescem como débitos e, por força de sua declaração pode prosseguir a cobrança. Esclareço que não se trata de simples afirmativa de que devam as compensações ser consideradas como não declaradas, mas também porque não ficou confirmada a validade, liquidez e certeza do crédito que a empresa pleiteou para proceder às compensações pleiteadas no processo. Assim, diante do que consta do processo, voto por entender que a decisão prolatada na Resolução no 105-01.369, de 04.03.2008, "de CONVERTER em diligência" para "NEGAR provimento ao reorso" o Sala das erin 17 de abril de 2008.

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4617436 #
Numero do processo: 10730.003892/2005-22
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Entrega espontânea e a destempo. O instituto denúncia espontânea (CTN, art. 138) não alberga a prática de ato puramente formal do cumprimento extemporâneo de obrigação tributária acessória. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 303-35.597
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: Tarásio Campelo Borges

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Numero do processo: 10783.003815/92-16
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2006
Ementa: TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. Dada a intima relação de causa e efeito entre eles existente, se aplica ao lançamento reflexo, no que couber, o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal. Publicado no D.O.U. nº 128 de 06/07/06.
Numero da decisão: 103-22.463
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso ex officio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Paulo Jacinto do Nascimento

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Acórdão nº 103-22.463; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2016-05-11T17:47:57Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Acórdão nº 103-22.463; xmpMM:DocumentID: uuid:ed272d85-24df-4ee8-b207-7598a474e56e; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: Acórdão nº 103-22.463; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; ModDate--Text: ; dc:subject: ; meta:creation-date: 2016-05-11T17:47:57Z; created: 2016-05-11T17:47:57Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; Creation-Date: 2016-05-11T17:47:57Z; pdf:charsPerPage: 1024; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:custom:ModDate--Text: ; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2016-05-11T17:47:57Z | Conteúdo => Processo nO Recurso nO Matéria Recorrente Intessado(a) Sessão de Acórdão n° MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 10783.003815/92-16 : 138.493 - EX OFFIC/O : PIS/DEDUÇÃO - Ex(s): 1987. :1a TURMA/DRJ-JUIZ DE FORA/MG : EMPRESAS REUNIDAS BSM SOTREL LTDA.(ERBS) : 25 de maio de 2006 : 103-22.463 TRIBUTA~O REFLEXA. PIS. Dada a intima relação de causa e efeito entre eles existente, se aplica ao lançamento reflexo, no que couber, o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interpostos por EMPRESAS REUNIDAS BSM - SOTREL LTDA. (ERBS). ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso ex officio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ~ --. ~~.~ ~~~? ~SIDENTE~ A:/J PAULO JACINiCôO ASCIMENTO RELATOR FORMALIZADO EM: 2 3 JUN 2006 Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: ALOYSIO JOSÉ PERCíNIO DA SILVA, MÁRCIO MACHADO CALDEIRA, FLÁVIO FRANCO CORREA, ALEXANDRE BARBOSA JAGUARIBE, LEONARDO DE ANDRAD1~'ÇOUTO e ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO . W 138.493*MSR*20/06/06 1 Processo nO Acórdão nO Recurso nO Recorrente MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 10783.003815/92-16 : 103-22.463 : 138.493 - EX OFFICIO : 18 TURMA/DRJ-JUIZ DE FORA/MG R E L AT Ó R 10 C O M P L E M E N T A R E V O T O Conselheiro PAULO JACINTO DO NASCIMENTO, Relator \ 2 , 25 de maio de 2006. NASCIMENTC}J\ , I 'I ' - 138.493*MSR*20/06/06 Assim, nego provimento ao recurso de ofício para adequar o lançamento ao decidido no processo principal. Sendo o lançamento decorrente do Processo n° 10783.003813/92-82, deve ser julgado nos mesmos moldes, aplicando-se-Ihe o que ali ficou decidido, na conformidade do anexo acórdão de nO103-22.443, dado o caráter reflexo da exigência em causa. Anulada a decisão que julgou o processo principal, contra a nova decisão proferida são manejados recursos de ofício e voluntário que, por preencherem os requisitos de admissibilidade, merecem ser conhecidos. "" 00000001 00000002

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Numero do processo: 10183.006003/2005-22
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ÀREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. As áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA, além da averbação tempestiva da área de utilização limitada/reserva legal à margem da matrícula do imóvel. VTN Deve ser mantido o VTN apurado pela fiscalização quando não apresentado Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel rural avaliado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 302-39.233
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Luciano Lopes de Almeida Moraes, relator e Marcelo Ribeiro Nogueira que davam provimento parcial. Designado para redigir o acórdão o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: Luciano Lopes de Almeida Moraes

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AREA DE RESERVA LEGAL. AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO. DAS AREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. As áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA, além da averbação tempestiva da área de utilização limitada/reserva legal A margem da matricula do imóvel. VTN Deve ser mantido o VTN apurado pela fiscalização quando não apresentado Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel rural avaliado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Luciano Lopes de Almeida Moraes, relator e Marcelo Ribeiro Nogueira que davam provimento parcial. Designado para redigir o acórdão o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. 1 • Processo n° 10183.006003/2005-22 Ac6rao n.° 302-39.233 CC03/CO2 Fls. 161 ROSA RIA DE JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO Preside xercicio RICA3 0 1 ROSA — Redator Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Mércia Helena Trajano D'Amorim e Maria Regina Godinho de Carvalho (Suplente). Ausentes os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes An -nando e Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional Maria Cecilia Barbosa. • 2 Processo ri° 10183.006003/2005-22 Acórdão n.° 302-39.233 CC03/CO2 Fls. 162 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo do Auto de Infração/Anexos, fls. 01/09, através do qual se exige, do interessado, o Imposto Territorial Rural — ITR, relativo ao exercício de 2001, no valor original de R$ 2.828.667,60, acrescido de juros moratórios e multa de oficio, incidente sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Canaã do Xingu", com NIRF — Número do Imóvel na Receita Federal — 0.554.256-1, localizado no município de Querência/MT. De acordo coin a descrição dos fatos e enquaclramento legal de fls. 06/07, foram glosadas as áreas de Preservação Permanente e de Utilizaçcio Limitada informadas na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial — DITR (DIAC/DIAT), em virtude do não cumprimento dos requisitos estabelecidos na lei para sua exclusão da incidência do imposto. As aliei-ações no cálculo do imposto estão demonstradas a.fl. 02. As glosas efetuadas culminarcun coin a redução do grau de utilização c/c 90,2% para 10,1%, com a conseqüente alteração da aliquota aplicável do imposto, de 0,45% para 20,00%, conforme a tabela mencionada no art. 11 da Lei n° 9.393/96. Conseqüentemente, a área tributável sofreu atunento de 4.733,9 ha para 41.382,0 ha, com substituição do VTN informado na DITR pelo constante no SIPT. 0 interessado apresentou impugnação tempestivamente, fls. 36/53, em resumo, esboça, seus argumentos como segue abaixo: A autuação é relativa ao ITR, do exercício de 2001, apurado pela fiscalização da SRF, em virtude de não ter cumprido os requisitos previstos na legislação para comprovar as áreas de preservação permanente e utilização limitada declaradas, do imóvel rural denominado Fazenda Canaã do Xingu. Em 2000 informou 11C1 DITR, 36.105,6 ha c/c utilização limitada e 542,5 ha de preservação permanente. Em atendimento a intimação da SRF para apresentai- documentos hábeis e idóneos para comprovar as áreas isentas do imóvel anexou cópia da Certidão do Cartório de Registro de Imóveis, coin averbação da área de 31.457,7116 ha, averbação AV 03/4.443 c/c 02/08/2002, Declaração do ADA, emitido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, coin data de 01.03.2005, protocolo n° 5200024093-4, onde foram declarados 31.457,70 ha de reserva legal e 542,50 ha de preservação permanente, totalizando 32.000,20 ha como área de interesse ambiental, cópia da DITR/2001 e recibo cle entrega. t Processo n° 10183.006003/2005-22 Acórdão n.° 302-39.233 CC03/CO2 FIs. 163 0 art. 17 da IN-SRG n° 073/00 determina que para fins de apuração do ITR, as áreas de utilização limitada sejam reconhecidas mediante ato do lbanza, ou órgão delegado através de convênio; e que o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da Declaração do ITR para protocolizar o requerimento do ato citado junto ao Ibama. Caso não seja tal documento providenciado ou se este não for reconhecido pelo citado instituto, a SRF efetuará o lançamento suplementai-, recalculando o ITR devido. Embora apresentando toda documentação exigida, foi lavrado o Auto de Infração, cm virtude do ADA não ter sido protocolizado no prazo de seis meses contados da data de entrega da DITR, conforme estabelece a IN-SRF n° 67/97. A Instrução Normativa pertinente á matéria extrapolou as normas estabelecidas em lei para reconhecimento da reserva legal e de preservação permanente como áreas isentas. Transcreveu o art. 10 da Lei n° 9.393/96. Omissis. A exigência de declaração cio órgão competente para .fins de reconhecimento da área não tributável aplica-se apenas enz relação às áreas de interesse ecológico para proteção de ecossistemas e áreas comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola. Transcreveu, ainda, as MP's n° 1.956-50, de 26.05.00, reeditada pela MP n° 2.166-67 de 24.08.01, a qual acresceu o ,sç 7° ao art. 10 da Lei n° 9.393/96. Omissis. A Lei n° 9.393/96 não faz qualquer exigência C111 relação a declaração de qualquer órgão para fins de reconhecimento das áreas de preservação permanente e da reserva legal, vindo o parágrafo sétimo apenas esclarecer a não exigência do referido ato. A falta da ADA ou a sua apresentação intempestiva poderia caracterizar, quando muito, mero descumprimento de obrigação acessória, sujeito à aplicação de multa, mas nunca em fundamento para glosar as áreas isentas do imóvel. A área de preservação permanente não está mais sujeita á prévia comprovação mediante Ato Declaratório Ambiental, como disposto no art. 3° da MP 2.166/2001, que alterou o art. 10 da Lei 9.393/96, cuja aplicação a fato pretérito à sua edição encontra respaldo 110 art. 106, "c" do CTN. Transcreveu várias ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes para justificar a não obrigatoriedade do Ato Declaratório Ambiental para comprovar as áreas de preservação permanente e utilização limitada. As decisões do Conselho de Contribuintes, ratificadas pelos tribunais superiores (STJ), são unânimes em z confirmar que é descabida a cobrança de Imposto Suplementar pela glosa da preservação permanente e de utilização limitada/ área de reserva legal em função da não apresentação do ADA. Processo n° 10183.006003/2005-22 Acórdão n.° 302-39.233 CC03/CO2 Fls. 164 As fotos do satélite, c't época do fato gerador, comprovam ainda mais a existência das reservas existentes na propriedade. Por áltinzo requer, cancelamento e arquivamento do processo, por inocorrência do fato gerador, capaz de sustentar a cobrança cio ITR pretendido. Acompanharam a impugnação os documentos de fls. 54/77, constando entre outros, cópia de Procuração, matricula do imóvel, Requerimento do Ato Declaratório Ambiental — ADA, Laudo Técnico de Utilização e Avaliação de Imóvel Rural. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande/MS indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/CGE de n.° 10.302, de 15/09/2006, fls. 98/112, assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 Ementa: ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. É necessário que o contribuinte protocolize o ADA no Mama ou em órgãos ambientais estaduais delegados por meio de convênio, no prazo de até 06 (seis) meses, contado a partir do término cio prazo fixado para a entrega da declaração, para que as áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada possam ser excluídas da incidência de ITR. MULTA DE OFICIO — JUROS — TAXA SELIC A obrigatoriedade da aplicação da multa de oficio, nos casos de informação inexata na declaração, e os acréscimos do imposto coin juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC decorrem de lei. VALOR DA TERRA NUA 0 valor da terra ¡ma, apurado pela fiscalização, em procedimento de oficio nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração, quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem z reconhecer valor menor. Lançamento Procedente. As fls. 116 o contribuinte foi intimado da decisão supra, motivo pelo qual apresenta Recurso Voluntário e arrolamento de bens de fls. 119/150, tendo sido dado, então, seguimento ao mesmo. o relatório. Processo n° 10183.006003/2005-22 • Acórdilo n.° 302-39.233 CC03/CO2 Fls. 165 • b. Voto Vencido Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator 0 recurso é tempestivo e dele torno conhecimento. Das Areas de preservação permanente e reserva legal No que se refere as ditas areas de utilização limitada, o § 7° do artigo 10 da Lei no 9.393/96, modificado pela Medida Provisória 2.166-67/2001, passou a dispor que mera declaração do contribuinte basta para comprovar a existência das áreas de preservação permanente e de reserva legal: 7° A declaração para finz de isenção do ITR relativa 21s áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, ,sç 1", deste artigo, não está sujeita a prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, coin juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. As referidas alíneas assim dispõem: Art. 10. A apura cão e o pagamento do ITR sei-ão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n" 4.771, de 15 de setembro de 1965, coin a redação dada pela Lei n" 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqiiicola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal. • Processo n° 10183.006003/2005-22 Ac6rdao n.° 302-39.233 CCOICO2 Fls. 166 A falta de apresentação de ADA para comprovar a existência de Area de reserva legal e preservação permanente não pode ser óbice ao aproveitamento, pelo contribuinte, da isenção do ITR. Não é a simples apresentação tempestiva de ADA e averbação na matricula do imóvel que configura a existência ou não da Area de reserva legal e preservação permanente. Feita a declaração pelo Contribuinte, esta vale até prova em contrário, o que não foi realizado. Este é o entendimento do Conselho de Contribuintes: Relator: Marciel Eder Costa Recurso: 130.434 Acórdão: 303-32492 ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ADA. A declaração do recorrente, para .fins de isenção do ITR, relativa área de preservação permanente, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, conforme dispõe o art. 10, parágrafo 1°, da Lei n." 9.393/96, .ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ITR. RESERVA LEGAL A falta de averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não 6, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR. DADO PROVIMENTO AO RECURSO para descartar a exigência da apresentação da ADA, bem como da averbação da RESERVA LEGAL para fins de isenção do ITR. A Camara Superior de Recursos Fiscais, ao votar no recurso n.° 301-127.373 este mesmo terna em 22/05/2006, assim também entendeu, como vemos no voto do Relator, Ilustre Conselheiro Nilton Luiz Bartoli: Neste particular, desnecessária uma maior análise das alegações do contribuinte, merecendo ser mantido o v. Acórdão recorrido, uma vez que basta a declaração do contribuinte quanto ás áreas de Utilização Limitada (reserva legal) e de Preservação Permanente, para que o mesmo possa aproveitar-se do beneficio legal destinado a referidas áreas. Do VTN Como o contribuinte não apresentou laudo técnico suportando novo Valor da Terra Nua para o ano em debate, não há como reverter a glosa sobre este tópico, devendo-se manter o valor lançado. • .• Processo n° 10183.006003/2005-22 Acórdão n.° 302-39.233 CC03/CO2 Fls. 167 Em face do exposto, dou parcial provimento ao recurso interposto, para fins de afastar a glosa das areas de preservação permanente e reserva legal, prejudicados os demais argumentos. Sala das Sessões, em 29 • janeiro de 2008 l. LUCIANO LOPES D V L r DA MORAE — Relator • 8 Processo n° 10183.006003/2005-22 r • Acórdiio n.° 302-39.233 CC03/CO2 Fls. 168 Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Redator Designado A exemplo do que tern ocorrido em outros processos submetidos à decisão deste colegiado, o que se discute no presente feito não é a existência ou não das referidas áreas de reserva legal e de preservação permanente, mas a obrigatoriedade da utilização dos documentos exigidos em lei para a concessão da isenção, em contraposição à adminissibilidade de outros meios de prova capazes de comprovar a existência das áreas preservacionistas. O Código Tributário Nacional assim refere-se à responsabilidade de fazer prova para concessão da isenção de tributos: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. (grifei) ,sç' 1 - Tratando-se de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. ,sç 2 - O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicando-se, quando cabível, o disposto no artigo 155. Por outro lado, o artigo 147 do mesmo diploma legal previu as situações em que o lançamento seria efetuado sem a necessidade de que a fiscalização obtivesse, pelos seus próprios meios, as infonnações especificadas no artigo 142. Art. 142 - Compete privativamente it autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Art. 147 - O lançamento é efetuado C0171 base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta a autoridade administrativa iqformações sobre matéria de fato, indispensáveis c't sua efetivação. § 1 - A retificação da declaração por iniciativa cio próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissivel mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Processo n° 10183.006003/2005-22 Accirclüo n.° 302-39.233 CC03/CO2 Fls. 169 § 2 - Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de oficio pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. No mesmo sentido e corn a mesma finalidade, o artigo 150 estabeleceu as regras que norteariam o lançamento realizado por homologação. Art. 150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ssç 1 - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançament0. § 2 - Não influem .sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores a homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando a extinção total ou parcial do crédito. ssç 3 - Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração cio saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. Os dispositivos legais acima transcritos estão inseridos em um contexto de normas de nível hierárquico superior que consolida o conjunto de regras formadoras de urn Sistema regulador da relação do Estado corn o particular, no que concerne à administração tributária. Trata-se do Sistema Tributário Nacional sobre o qual dispõe o Código Tributário Nacional. Desnecessário dizer que tal Sistema se propõe garantir o melhor desempenho da máquina estatal com o menor custo social, tanto no que tange à imposição de tributos, quanto a manutenção do aparato estatal necessário à efetivação da receita. Foi com vistas à simplificação da estrutura necessária a fiscalização/arrecadação de tributos que o Código previu as hipóteses em que o sujeito passivo prestaria "6 autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação [do lançamento] (art. 147) " e/ou que o mesmo devesse "antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa (art 150).", modalidades de pagamento/lançamento que, hodiernamente, compreende quase que a totalidade dos tributos administrados pela União. exatamente neste conceito que está inserido o Imposto Territorial Rural. Trata-se da combinação das modalidades previstas nos artigos 147 e 150 do CTN, amplamente utilizada, que atribui ao sujeito passivo a obrigação de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa e de prestar as informações necessárias à efetivação do lançamento, reconhecidos, respectivamente, como lançamento por homologação e por declaração. Foi, sem dúvida, com base nesses preceitos legais que o legislador atribui ao contribuinte a responsabilidade prevista nos artigos 8 0 e 10° da Lei 9.393/96, verbis: Processo n° 10183.006003/2005-22 Accialao n.° 302-39.233 CC03/CO2 Fls. 170 Art. 8" 0 contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR - DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § I" 0 contribuinte declarará, no DIA T, o Valor da Terra Nua - VTN correspondente ao imóvel. § 2" 0 VTN refletirá o prep de mercado de terras, apurado em 1" de janeiro do ano a que se referir o DIA 1', e será considerado auto- avaliação da terra nua a prep de mercado. § 3" 0 contribuinte cujo imóvel se enquadre nas hipóteses estabelecidas nos arts. 2" e 3" fica dispensado da apresentação do DIAT. Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributciria, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. Contudo, a sistemática por meio da qual se processa o lançamento/pagamento dos tributos nestas modalidades, não dispensa o contribuinte de fazer prova "do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão [da isenção] (art.I79)", nos casos de pedido de isenção. Corn efeito, mais do que o dever geral de colaboração, a isenção de caráter especial, impõe ao beneficiário ônus de provar o preenchimento das condições para fruição desse tratamento diferenciado. Veja-se a lição de Alberto Xavier (Do lançamento: teoria geral do ato, cio procedimento e do processo tributário. Rio de Janeiro. Forense, 1998, 2' ed. p. 151) Mas a intervenção do particular contribuinte na instrução cio procedimento nem sempre constitui objeto de um dever jurídico: é o que sucede nos casos de presunção legal relativa e de exigência de meios de prova necessária, que o contribuinte deva prestar. Depara- se-nos aqui uni verdadeiro ônus da prova que recai sobre o contribuinte e que assume a natureza de um ônus material, que o sujeita às conseqüências desfavoráveis resultantes da falta de prova, exercendo deste modo os seus efeitos no terreno probatório, ao invés do que sucedia C0171 o já referido clever geral de colaboração. (os destaques não constam do original) Tal exigência traria importante prejuízo ás relações entre o particular e o Estado, na medida em que o primeiro estaria impedido de desonerar-se em relação à fração de seu território beneficiada pela lei isencional, sem a prévia comprovação do preenchimento das condições e dos requisitos previstos sem lei. Foi adequada e oportuna a inclusão do parágrafo 7° ao artigo 10 retrocitados. Ele garante ao particular o direito A fruição da isenção relativa As áreas de reserva legal e de preservação permanente sem que haja a necessidade da comprovação prévia .• Processo n° 10183.006003/2005-22 Acórdão n.° 302-39.233 CC03/CO2 Fls. 171 do preenchimento das condições e requisitos para sua concessão, em consonância corn toda a sistemática idealizada para os tributos por homologação/por declaração. Não há dúvida de que é essa a inteligência do parágrafo 7° do artigo 10 da Lei 9393/96. Sugerir que, ao contrário disso, estaria o comando contido no parágrafo 7° afastando a competência da fiscalização de proceder A intimação do contribuinte para apresentação dos documentos exigidos em lei para comprovação do preenchimento das condições para concessão do beneficio é uma agressão a toda a lógica que alicerça as relações fisco-contribuinte definida no Código Tributário Nacional como a sistemática de funcionamento do Sistema Tributário Nacional, em prejuízo de toda a sociedade. Sendo a modalidade de lançamento do ITR por homologação, ela está sujeita a posterior confirmação pela autoridade fiscal, como de fato consta expressamente no caput do artigo 10 da Lei 9.393/96. No artigo 14 da mesma Lei encontra-se a previsão de lançamento de oficio da diferença de tributos nos casos em que as informações prestadas pelo contribuinte sejam inexatas, incorretas ou fraudulentas, conforme dados apurados em procedimento de fiscalização. Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá a determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos c/c fiscalização. 0 Decreto 70.235/72 e alterações posteriores, que regula Procedimento Administrativo Fiscal, assim refere-se ao inicio do procedimento fiscal: Art. 7• 0• 0 procedimento fiscal tem inicio com: I - o primeiro ato de oficio, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; - a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III - começo do despacho aduaneiro c/c mercadoria importada. Não há nenhum dispositivo legal que estabeleça alguma distinção entre as diversas modalidades de procedimento fiscal, capaz de atribuir-lhes eficácia relativa no que diz respeito A obtenção de provas ou a competência para exigir do particular a sua apresentação. 0 procedimento fiscal no qual devem ser apuradas as inexatidões referidas no caput do artigo 14 é aquele que se inicia com o primeiro ato de oficio do qual é dado ciência ao sujeito passivo, sendo inconcebível que se afaste a competência da fiscalização de praticar o ato que dá inicio ao procedimento que lhe compete executar ou que se restrinjam os meios de prova capazes comprovar as irregularidades apuradas, especialmente quando estes meios estiverem expressamente estipulados na legislação de regência do Imposto, como é o caso. •" Processo n° 10183.006003/2005-22 Acórdão n.° 302-39.233 CC03, CO2 Fls. 172 Está mais do que claro que a o parágrafo 7' apenas dispensa a prévia apresentação dos documentos definidos em lei, no caso o ADA, como necessários a fruição da isenção do Imposto. Inarreddvel é a competência da fiscalização para solicitá-los posteriormente, dentro do prazo decadencial, com vistas ao lançamento de oficio da diferença apurada. 0 presente lançamento diz respeito ao exercício de 2001. Há que se observar, neste ponto, que, no caso do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, o fato gerador ocorre dentro do ano de exercício. Significa dizer que, se o Imposto refere-se ao exercício de 2001, seu fato gerador está situado dentro do mesmo ano de 2001, ao contrário do que ocorre, por exemplo, na declaração de ajuste anual do imposto de renda pessoa física. Portanto, a DITR sub examine refere-se ao exercício de 2001, tendo o fato gerador do Imposto ocorrido no dia primeiro de janeiro daquele mesmo ano, conforme previsto no artigo 1° da Lei 9.393/96. Art. 1" 0 Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1"de janeiro de cada ano. Tal consideração é de importância capital no que concerne aos efeitos do disposto do artigo 105 do Código Tributário Nacional na solução da presente lide. Art. 105 - A legislação tributária aplica-se imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido inicio, mas não esteja completa nos termos do artigo 116. Até a entrada em vigor da Lei 10.165/ 2000, a exoneração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, em decorrência da existência de áreas de preservação permanente e de reserva legal estava vinculada às exigências contidas na legislação então vigente, que não especificava o Ato Declaratório Ambiental — ADA como documento indispensável à fruição da isenção. "Art. 17-0. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução cio valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n' 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei n° 10.165, de 2000) ,sç P-A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(lncluido pela Lei n° 10.165, de 2000) ,sç 1 2 A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redaoão dada pela Lei n° 10.165, de 2000)" (grifei) Até então, vigeu ao longo de quase todo o ano de 2000 a redação introduzida pela Lei 9.960/00, que continha o seguinte teor: Processo n° 10183.006003/2005-22 Acórdão n. ° 302-39.233 CC03/CO2 Fls. 173 "Art. 17-0. Os proprietários rurais, que se beneficiarem coin redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao lbaina 10% (dez por cento) do valor auferido como redução do referido Imposto, a titulo de prep público pela prestação de serviços técnicos de vistoria." (AC) "sç l A utiliza cão do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é opcional." (A C) (grifei) Embora isso e, em que pese o cálculo do Imposto leve em consideração fatos ocorridos no ano anterior, por força do artigo 1° da Lei 9.393/96 e do artigo 105 do Código Tributário Nacional, supracitados, aplica-se a lei nova imediatamente aos fatos geradores futuros, afastando, com isso, as alegações de falta de previsão legal contidas na peça recursal, já que, é incontroverso, na data de ocorrência do fato gerador vigia a Lei 10.165/2000 que passou a exigir a apresentação do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR. Desta forma, considerando-se que não eram as instruções normativas da Secretaria da Receita Federal que impunham ao contribuinte a utilização do ADA, permito-me evitar no presente feito discutir sua adequação à legislação vigente à época. 0 que se impõe é decidir quanto à obrigatoriedade de apresentação do ADA frente à existência de outros documentos que não deixam dúvidas quanto à exatidão das declarações prestadas pelo contribuinte em relação as dimensões das áreas de preservação. Neste ponto, não vislumbro qualquer razão para que esse colegiado afaste a aplicação de uma lei vigente à época da ocorrência do fato gerador. Salvo melhor entendimento, falece competência a esse tribunal administrativo para afastar a aplicação da norma em vigor, sob qualquer pretexto. Com efeito, o próprio Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes delimita o universo no qual os integrantes deste colegiado devem apoiar suas decisões, ao excluir da sua competência o controle da constitucionalidade das leis. Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inCOnstitticionalidade. Ainda que entenda sejam esses argumentos suficientes e definitivos para solução do presente feito, não será demasiado tecerem-se algumas considerações quanto a obrigatoriedade de apresentação do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR. Advoga a recorrente em seu recurso (página 102): "Sendo assim, para efeito de ITR, a produtividade do imóvel rural é avaliada. Se o Contribuinte possui de fato e comprovadamente em sua propriedade áreas de reserva florestal e de preservação permanente, não pode área integrar a área tributável para efeito de ITR, pois esta área é e sempre foi respeitada para a garantia do ecossistema e, sobretudo, para a garantia da sobrevivência das espécies, dentro das quais a humana, além da preservação das nascentes e dos cursos d 'água". Processo n° 1 0 183.006003/2005 -22 AcOrcliio n.° 302-39.233 CC03/CO2 Fls. 174 Trata-se da denominada função extra-fiscal do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, com a qual se lhe atribui finalidade mais ampla, superando a meramente arrecadatória, com vistas a utilização da propriedade particular em beneficio da coletividade. exatamente esta a razão de desonerarem-se do pagamento do Imposto as áreas de reserva legal e de preservação permanente, entre outras. A Lei 6.938/81 estabelece obrigações acessórias não somente para contribuinte do ITR, mas para as demais pessoas fisicas ou jurídicas que se destinam a atividades capazes de interferir nas condições do meio. Art. 17. Fica instituído, sob a administração do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis - IBAMA: (Redação dada pela Lei n° 7.804, de 1989) I - omissis II - Cadastro Técnico Federal de Atividades Potencialmente Poluidoras ou Utilizadoras de Recursos Ambientais, para registro obrigatório de pessoas físicas ou jurídicas que se dedicam a atividades potencialmente poluidoras e/ou c't extração, produção, transporte e comercialização de produtos potencialmente perigosos ao meio ambiente, assim como de produtos e subprodutos da fintna e flora. (Incluído pela Lei n° 7.804, de 1989) Art. I7-B. Fica instituída a Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental — TCFA, cujo fato gerador é o exercício regular do poder de policia conferido ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — IBAMA para controle e fiscalização das atividades potencialmente poluidoras e utilizadoras de recursos naturais." (Redação dada pela Lei n° 10.165, de 2000) Art. 17-C. É sujeito passivo da TCFA todo aquele que exerça as atividades constantes do Anexo VIII desta Lei.(Redação dada pela Lei n° 10.165, de 2000) § 1 0 0 sujeito passivo da TCFA é obrigado a entregar até o dia 31 de março de cada ano relatório das atividades exercidas no ano anterior, cujo modelo será definido pelo IBAMA, para o fim de colaborar com os procedimentos de controle e fiscalização.(Redação dada pela Lei n° 10.165, de 2000) ,sç 2' Os recursos arrecadados com a TCFA terão utiliza cão restrita em atividades de controle e fiscalização ambiental. (Incluído pela Lei n° 11.284, de 2006) Art. 17-0. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n' 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei n° 10.165, de 2000) § IR-A. A Taxa cie Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluido pela Lei n° 10.165, de 2000) Processo n° 10183.006003/2005-22 Acórdão n.° 302-39.233 CC03/CO2 Fls. 175 syçs IA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei n° 10.165, de 2000) O Decreto n° 4.382, de 19 de setembro de 2002 (Regulamento do ITR), assim dispõe: "Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel excluidas as áreas: I - de preservação permanente; II — de reserva legal; 4° - O IBAMA realizará vistoria por anzostragem nos imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos previstos no ,sç' 3" e, caso os dados constantes no Ato não coincidam coin os efetivamente levantados por seus técnicos, estes lavrarão, de oficio, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado ?1 Secretaria da Receita Federal, que apurará o ITR efetivamente devido e efetuará, de oficio, o lançamento da diferença de imposto coin os acréscimos legais cabíveis". 0 que se observa é a consolidação de todo um arcabouço legislativo destinado ao controle da utilização dos recursos naturais, com vistas ao financiamento e viabilização da fiscalização de seu uso. Olhando sob este prisma, não me parece nem urn pouco absurda a exigência de que o contribuinte seja obrigado a prestar informações ao órgão ambiental competente, com vistas à manutenção de um banco de dados, colaborando com a fiscalização do emprego da terra e demais recursos naturais e com financiamento da fiscalização correspondente. Outra questão que exige manifestação deste colegiado, diz respeito apresentação extemporânea do ADA. Neste caso, conforme bem afirma a recorrente, não havia, como não há até hoje, prazo definido em lei para sua apresentação. a Instrução Normativa ri° 73, de 18 de julho de 2000, vigente a época da ocorrência do fato gerador, que determinava esse prazo. Art. 17. Para fins de apuração do ITR, as areas de interesse ambiental de preservação permanente ou de• utilização limitada serão reconhecidas mediante • ato do IBAMA, ou órgão delegado por convênio, observado o seguinte: I — as áreas de reserva legal, para fins c/c obtenção do ato declaratário do IBAMA, deverdo estar averbadas ci margem da inscrição da matricula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei n°4.771, de 1965; — o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; e Processo n° 10183.006003/2005-22 Acórdao n.° 302-39.233 CC03/CO2 Fls. 176 III — se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for reconhecido pelo IBAMA, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar, recalculando o ITR devido. Vejamos o que determina o Código Tributário Nacional no que diz respeito ao fato gerador das obrigações principais e acessórias: Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente a sua ocorrência. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obriga cão principal. (o original não está grifado). Não resta a menor dúvida de que o Código estabelece importante distinção quanto ao instrumento legislativo hábil a definir situações geradoras de obrigações principais e acessórias. Apenas para as primeiras o legislador estabeleceu a reserva legal. Disso decorre que nada obsta A. Receita Federal do Brasil definir, por meio de norma regulamentar, prazo ou outras obrigações de cunho acessório, corn vistas A melhor administração do Imposto. Por outro lado, assim especifica o Código em relação As conseqüências do descumprimento das obrigações acessórias: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § I" A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tent por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária extingue-se juntamente coin o crédito dela decorrente. § 2" A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalifação dos tributos. 3° A obrigação acessória, pelo simples fido da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniário. (grifei) Ou seja, descumprida a obrigação acessória, sem, por Obvio, que isso tenha implicado a falta de comprovação do cumprimento da obrigação principal, cabe a aplicação da penalidade pecuniária, mas não decorre disto a conversão desta em obrigação principal no que concerne ao pagamento dos tributos devidos. Até dado momento, é possível a apresentação dos documentos exigidos em lei corno necessários a comprovação do direito à isenção, cabendo, até este ponto, exclusivamente a aplicação de da penalidade pecuniária devida pelo descumprimento da obrigação acessória. Dito momento está especificado no Decreto 70.235/72 e alterações posteriores. Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; Processo n° 10183.006003/2005-22 • Acórdão n.° 302-39.233 CC03/CO2 Fls. 177 - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1. 0 da Lei n.° 8.748/93) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os 1710tiVOS que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificagão profissional de seu perito; (Redação dada pelo art. 1.0 da Lei n.° 8.748/93) § 1. 0. Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Acrescido pelo art. 1.0 da Lei n.° 8.748/93) § 2.0. É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de oficio ou a requerimento do ofendido, mandar riscá- las. (Acrescido pelo art. 1. 0 da Lei n.° 8.748/93) § 1'. Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Acrescido pelo art. 1.0 da Lei n.° 8.748/93) § 4.: A prova documental será apresentada na impugnação, prechiindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro moment o processual, a MellOS que: (grifei) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de forca maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/97) § 5.: A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/97) § V'. Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/97) (grifei) Pode o contribuinte apresentar os meios de prova de que disponha até a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento a menos que constate-se uma das ocorrências previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do § 40 do artigo 16, situação em que poderá fazê-lo mesmo depois de proferida a decisão de primeira instância. Resta decidir se o ADA apresentado a destempo é documento hábil a comprovar a verdade material no que diz respeito as condições em que se encontrava a propriedade anos antes da sua formalização. Processo n° 10183.006003/2005-22 Acórdão n.° 302-39.233 CC03/CO2 Fls. 178 Essa conclusão remete a urna questão de fundo, que tem sido objeto de discussão no âmbito do poder judiciário, qual seja, as disposições contidas no Código Florestal (Lei 4.771/65 e alterações posteriores) no que diz respeito às áreas de preservação permanente e de reserva legal têm caráter constitutivo ou meramente declaratório? No Pretório Excelso, o terna foi debatido do Mandado de Segurança n° 22688- 9/PB (Tribunal Pleno, relatado pelo Ministro Moreira Alves, DJ de 28/04/2000) em que se discutia os efeitos da constituição de reserva legal sobre o cálculo da produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária. Vejamos as ponderações feitas pelo Ministro Marco Aurelio: A teor do disposto no ,sç 2" do artigo 16 da Lei n" 4.771, de 15 de setembro de 1965, tem-se a obrigatoriedade de observar-se, deixando- se de explorá-la, área c/c no mínimo vinte cento da propriedade, não sendo permitido o corte raso. Indaga-se: o fato de não haver sido averbada a citada área a margem da inscrição da matricula do imóvel, no cartório competente, afasta a procedência da defesa apontada pelos Impetrantes? A resposta pode ser colhida fazendo-se outra pergunta: a omissão do proprietário descaracteriza a citada reserva legal? A resposta 6, desenganadamente, negativa. Incumbia ao INCRA subtrair, quando da elaboração do laudo atinente a exploração do imóvel, vinte por cento deste. Assilll é porquanto a formalidade prevista no ,sç 2" do artigo 16 - averbaçcio da reserva legal na matricula do imóvel - não se mostra essencial, ou seja, indispensável a ter-se como configurada a reserva legal. Ao contrário do que ocon-e, por exemplo, na transmissão da propriedade, quando o registro da escritura de compra e venda afigura-se essencial ao fenômeno, a averbação citada não sendo formalidade que não modifica a substancia cia matéria. Vinga, de qualquer maneira, o entendimento de que, tenha havido, ou não, a averbação citada, vinte por cento da propriedade não podem sei- objeto de exploração. Em sentido oposto, acompanhando o Relator, ponderou o Ministro Sepialveda Pertence, em voto-vista: A questão, portanto, é saber, a despeito c/c não averbada se a área correspondente a reserva legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade nos termos cio art. 6°, cupid, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista o disposto no art.. 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária. Diz o art 10: Art. 10. Para efeito cio que dispõe esta lei, consideram-se não aproveitáveis: IV - as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa a conservação dos recursos naturais e a preservação do meio ambiente. Processo n° 10183.006003/2005-22 6 Acórdão n.° 302-39.233 CC03/CO2 Fls. 179 Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas ciliares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. A reserva legal não é ulna abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe imp-5e. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional ci diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer titulo ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2° do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a reserva legal. (os destaques não constam do original) Ao meu ver, o que precisa ser esclarecido é se a restrição administrativa imposta pela designação de áreas de preservação permanente e de reserva legal nas propriedades rurais e a conseqüente finalidade social para a qual foram criadas estão definitivamente instituidas e efetivamente destinadas pela Lei 4.771/65, ou se dependem de providência posterior no sentido de sua demarcação e reconhecimento pelo órgão ambiental. No que diz respeito as áreas de preservação permanente, creio não haver razão para supô-las definitivamente constituídas e destinadas pelo só efeito da Lei 4.771/65, já que tratam-se de áreas de características pre-estabelecidas, que podem existir ou não dentro de um determinado território, não sendo, portanto, conseqüência imediata da decretação legal de sua existência. Quanto às áreas de reserva legal, temos que a Lei 4.771/65 estabeleceu a obrigatoriedade de sua manutenção, impondo urna restrição administrativa de conseqüência imediata. Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação especifica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a titulo de reserva legal, no ndnimo: (Redação dada pela Medida Provisória n° 2.166-67, de 2001) (Regulamento) Processo 11° 10183.006003/2005-22 Acórdilo n.° 302-39.233 CC03/CO2 F Is. 180 I - oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória n° 2.166-67, de 2001) II - trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazónia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7') deste artigo; (Incluído pela Medida Provisória n°2.166 -67, de 2001) III - vinte por cento, na propriedade rural situada em circa de .floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do Pais; e (Incluído pela Medida Provisória n° 2.166-67, de 2001) IV - vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do Pais. [Incluído pela Medida Provisória n°2.166-67, de 2001) Essas circunstâncias poderiam dar margem à interpretação de que a Lei 4.771/65 constituiu, de per si, urna limitação administrativa de, no mínimo, vinte por cento de toda a propriedade territorial rural destinada 6. manutenção das floretas e outras formas de vegetação nativa, justificando sua exclusão automática da base de cálculo do ITR. Não é esse o entendimento que prevalece, contudo, depois de examinadas as especificações subseqüentes contidas no próprio artigo 16 da Lei. Art. 16 omissis § 4" A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: (Incluído pela Medida Provisória n°2.166-67, de 2001) I - o piano de bacia hidrográfica; (Incluído pela Medida Provisória n° 2.166-67, de 2001) II - o plano diretor municipal; (Incluído pela Medida Provisória n° 2.166-67, de 2001) III - o zoneainento ecológico-econômico; (Incluído pela Medida Provisória n°2.166-67, de 2001) IV - outras categorias de zoneamento ambiental; e (Incluído pela Medida Provisória n°2.166-67, de 2001) V - a proximidade com outra Reserva Legal, Area de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. (Incluído pela Medida Provisória n° 2.166-67, de 2001) § 5" omissis I - 0111iSSiS omissis Processo n° 10183.006003/2005-22 • • Acórdão n.° 302-39.233 CC03/CO2 Fls. 181 § 6" Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas ã vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em C011VerSC10 de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: (Incluído pela Medida Provisória n°2.166-67, de 2001) I - oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória n° 2.166-67, de 2001) II - cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do Pais; e (Incluído pela Medida Provisória n° 2.166-67, de 2001) III - vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "h" e "c" do inciso 1 do § 2 2 cio art. 1'. (Incluído pela Medida Provisória n° 2.166-67, de 2001) (os grifos não constam do original). 0 que se verifica é que nem o percentual mínimo de vinte por cento do território é absoluto, nem sua demarcação e destinação estão garantidas sem a interferência do órgão ambiental competente, nos termos da Lei. Isso afasta em definitivo a possibilidade de que se considere que a Lei 4.771/65 como de efeito constitutivo e da ditas reservas legais, ainda menos, como suficiente para o alcance dos resultados por ela perseguidos no que diz respeito à preservação ambiental, não adequado, em conseqüência, exclui-las da base de cálculo do ITR antes de tomadas as providências definidas por lei como necessárias a sua efetiva demarcação e destinação. Resta ainda trazer uma importante consideração no que diz respeito A utilização do ADA a destempo para a concessão do beneficio fiscal pretendido. Trago novamente a exame as determinações legais contidas no Código Tributário Nacional em relação A concessão da isenção. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. (grifei) ,sç 1" Tratando-se de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2' 0 despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicando-se, quando cabível, o disposto no artigo 155. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de oficio, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrando-se o crédito acrescido de juros de mora: (grifei) Processo n° 1 0 183.006003/2005-22 • r. AcOrchlo n.° 302-39.233 CC0.3CO2 Fls. 182 I - com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em beneficio daquele; - sent inzposição de penalidade, nos demais casos. Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito a cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. Aplicando-se o artigo 155 ao processo de concessão de isenção, corno reza o parágrafo 2° do artigo 176, tern-se que ela, a isenção, será revogada de oficio sempre que for apurado que o beneficiado não cumpria os requisitos para a concessão do favor. Sem a obtenção do ADA urn requisito definido por lei para a concessão da isenção e não cumprindo ele suas finalidades quando obtido a destempo, considero que a contribuinte não cumpria os requisitos para a concessão da isenção ao tempo em que efetivou a declaração do ITR revisada pela fiscalização. No que diz respeito ao VTN arbitrado pela fiscalização, acompanho o entendimento do i. Conselheiro Relator do voto vencido. Como o contribuinte não apresentou laudo técnico suportando novo Valor da Terra Nua para o ano em debate, não há como reverter a glosa sobre este tópico, devendo-se manter o valor lançado. Ent face do exposto, dou parcial provimento ao recurso interposto, para fins de afastar a glosa das áreas de preservação permanente e reserva legal, prejudicados os demais argumentos. Ante o exposto, considerando que o direito à isenção deve ser provado pelo contribuinte, cabendo a fiscalização revogá-lo em procedimento de revisão do auto-lançamento procedido pelo mesmo sempre que se constate que ele não preenchia ou deixou de preencher as condições para concessão e, ainda, que a obtenção extemporânea do ADA não faz prova em relação a fatos pretéritos e que o contribuinte não apresentou laudo técnico para contestação do valor arbitrado pela fiscaliz Ao, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. Sala das Sessoe 29 de janeiro de 2008 RICARDO ULt IA - Redator Designado 23

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Numero do processo: 13839.004921/2006-34
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 17 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Dec 17 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 Ementa: NUL1DADE DO LANÇAMENTO - INOCORRÊNCIA -MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - O MPF constitui-se em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE DO LANÇAMENTO - Rejeita-se preliminar de nulidade do lançamento quando não configurado vicio ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE DO LANÇAMENTO - EXTRATOS BANCÁRIOS - PROVAS ILÍCITAS -DESVIO DE PODER - Os extratos bancários regularmente requisitados pela autoridade administrativa, com fundamento no artigo 11 da Lei Complementar n° 105/01, artigo 38 da Lei n° 4.595/64 e artigo 8o da Lei n° 7.021/90, não podem ser taxados como provas obtidas de forma ilícita e nem com desvio de poder. OMISSÃO DE RECEITAS - FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS - A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42 da Lei n° 9.430 de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. IRPJ - CSL - LUCRO ARBITRADO - FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA - OMISSÃO DE RECEITAS DE VULTOSA QUANTIA - LANÇAMENTOS CONTÁBEIS IRREGULARES - A falta de escrituração de vultosa movimentação financeira pela fiscalizada e da comprovação da origem de depósitos bancários, além de contabilização irregular, com vícios, deficiências e erros, impossibilita a apuração do lucro real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável. IRPJ - CSL - APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO - ARBITRAMENTO DEDUÇÃO DOS VALORES LANÇADOS A TÍTULO DE PIS E COFINS - Incabível no regime do lucro arbitrado a dedução dos valores lançados a título de PIS, COFINS e Juros de Mora, pois o percentual para a determinação do lucro arbitrado incide sobre a receita bruta conhecida, não havendo previsão para a exclusão de qualquer valor de despesa. IRPJ - CSL - APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E CSL -ARBITRAMENTO - RECEITA BRUTA CONHECIDA - A base de cálculo do Lucro Arbitrado pelo Fisco em lançamento no auto de infração é a receita bruta conhecida, composta pela receita bruta declarada pela autuada somada à omissão de receitas apurada por presunção legal contida no art. 42 da Lei n° 9.430/96, depósitos bancários de origem não justificada. MULTA DE OFÍCIO - APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA - A conduta da contribuinte de omitir receitas durante períodos consecutivos, proveniente de depósitos bancários de origem não comprovada, além da prática sistemática de escriturar a menor o valor real das notas fiscais de venda de mercadorias, não informando a totalidade de suas receitas nas declarações de rendimentos entregues ao Fisco, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa qualificada pela ocorrência de fraude prevista no art. 72 da Lei n° 4.502/1964. MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA - A falta de recolhimento da CSL e do IRPJ calculado por estimativa, sujeita a contribuinte à imposição da multa prevista no art. 44 § 1º inciso IV da Lei n° 9.430/96. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO APÓS O SEU VENCIMENTO - Incidem juros de mora sobre a multa de ofício após o seu vencimento, previsão legal contida nos art. 43 e 61 da Lei n° 9.430/96. PIS - COFINS - DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO -DEDUÇÃO DO ICMS - Incabível, por ausência de previsão legal, a dedução do ICMS na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS, mormente quando não restar comprovado nos autos o recolhimento do referido tributo. CSL - PIS - COFINS - LANÇAMENTOS DECORRENTES - O decidido no julgamento do lançamento principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada nos dele decorrentes, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 108-09.782
Decisão: ACORDAM os Membros da OITAVA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares. Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros José Carlos Teixeira da Fonseca, Irineu Bianchi, Cândido Rodrigues Neuber e Karem Juredini Dias que excluíam a multa isolada, nos termos do relatório e voto do relator que a integram o presente julgado.
Nome do relator: Nelson Lósso Filho

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Numero do processo: 14474.000042/2007-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2001 DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4° do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2402-000.504
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recuo, nas preliminares, para excluir, devido a regra decadencial prevista no § 4°, Art. 150, do CTN todas as contribuições apuradas, nos termos do voto da relatora. Votaram pelas conclusões Conselheiros Rogério de Lellis Pinto e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA

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Nos termos do art. I03-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / 2. Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recuo, nas preliminares, para excluir, devido a regra decadencial prevista no § 4°, Art. 150, do C odas as contribuições apuradas, nos termos do voto da relatora. Votaram pelas con us os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. <Á', NI OLIVEIRA - Presidente 1.9 ?.. : 13 ‘ It IRA—Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Lourenço Peneira do Prado, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Convocado) e Núbia Moreira Barros Ma77a (Suplente). 11 I I • 2 Processo n° 14474.000042/2007-63 32-C4112 Acórdão n.° 2402-00304 Ft 200 Relatório Trata-se de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, à destinada ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, as destinadas a terceiros (Salário-Educação, SESC, SENAC, SEBRAE e INCRA). Segundo o Relatório Fiscal (fls. 62/65), os fatos geradores das contribuições são os valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais, os quais foram declarados em GF1P — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social pela notificada. A notificada apresentou defesa (fls. 94/104) onde alega que estaria impugnado parcialmente a notificação relativamente às competências anteriores a 07/2001. Argúi que houve cerceamento de defesa, pelo fato da notificação não descrever o dispositivo de lei infringido e adequado para tipificar a conduta supostamente indevida do contribuinte. Considera que houve decadência dos fatos geradores anteriores à 14/08/2001 pela regra prevista no art. 150, § 4° do CTN. Alega que caso não seja acatada a preliminar de decadência pelo citado dispositivo, a mesma deve ser acatada com fundamento no art. 173, inciso I, do CTN, que abrangeria as contribuições anteriores a 01/01/2001. Protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas e informa que as competências não impugnadas, quais sejam, de 08/2001 a 08/2006, estariam em processo de parcelamento. Pela Decisão-Notificação n°14.401.4/0781/2006 (fls. 127/139), o lançamento foi considerado procedente. A notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 146/152) onde mantêm as argumentações já apresentadas em defesa. O lançamento foi desmembrado e a parte não impugnada foi retirada do presente lançamento, restando, portanto, as competências de 01/1999 a 07/2001. O recurso teve seguimento sem o depósito recursal por força de limi Mandado de Segurança. É o relatório. 3 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. O contribuinte apresenta preliminar de decadência que deve ser acatada. O lançamento em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei n° 8.212/1991. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários n° 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante n° 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Wnculante 8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5 0 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103-A, capar, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional n°45/2004. in verbis: "Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n) Da leitura do dispositivo constitucional, pode-se concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Da análise do caso concreto, verifica-se que o lançamento em tela, após o desmembramento ocorrido, refere-se a período compreendido entre 01/1999 a 07/2001 e foi efetuado em 03/10/2006, data da intimação do sujeito passivo. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173 ai\ n o transcrito: "Art173 - O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 4 Processo n°14474000042/2007-63 52-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.504 E. 201 / - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único - O direito a que se refere este artigo extingue- se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 40 o seguinte: "Art150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade - - administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 40 - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplica-se o prazo previsto no § 4° do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplica-se o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4°, DO CTN. ,,,,,1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tri é, em regra, o do art. 173, I, do CM, segundo o qual 'o direito a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue- a 's \ 5 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação —que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio ecame da autoridade administrativa' e 'opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4° do art. 150 do CTIV. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do C77V. 4.Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.758/SP, l a Seção, Rd Min. Temi Albino Z,avascki, D.1 de 10.4.2006) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. I. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 40, do C7'N), que é de cinco anos. 2. Somente quando Mio há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do C7N. Onassis. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR I° Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) No caso em tela, verifica-se no Relatório de Documentos Apresentados que a recorrente efetuou recolhimentos parciais, ficando caracterizada a antecipado de pagamento. Nesse sentido, aplica-se o art. 150, parágrafo 4°, do CIN, para considerar que estariam abrangidos pela decadência os créditos correspondentes aos fatos geradores ocorridos até 09/2001, inclusive. Como o que resta como objeto do recurso são as contribuições lançad 07/2001, reconhece-se que ocorreu a decadência total do lançamento remanescente. 6 Processo n° 14474.000042/2007-63 52-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.504 Fl. 202 Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR-LHE PROVIMENTO para reconhecer que ocorreu a decadência da totalidade do lançamento remanescente após o desmembramento. Sala das Sessões, em 22 de fevereiro de 2010 ov I A MARIA BANDE - Relatora 7 . MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 14474.000042/2007-63 Recurso n°: 147.471 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portada Ministerial n° 256, de .22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2402-00.504 B . • ilia, 2 de abril de 2010 I -1 EMAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ 1 Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional

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4616432 #
Numero do processo: 10209.000729/2005-16
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon May 19 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 22/09/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA ALADI. TRIANGULAÇÃO COMERCIAL COM PAÍS NÃO SIGNATÁRIO. Produto exportado pela Venezuela e comercializado através de país não integrante da ALADI. A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria, acompanhado das respectivas faturas bem assim das faturas do país interveniente, supre as informações que deveriam constar de declaração juramentada a ser apresentada à autoridade aduaneira, como previsto no Regime Geral de origem da ALADI. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 302-39.455
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado. O Conselheiro Luís Carlos Maia Cerqueira (Suplente) declarou-se impedido.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro

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Numero do processo: 10070.000318/00-85
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2002
Ementa: DECADÊNCIA - O prazo qüinqüenal para a restituição do tributo pago indevidamente, somente começa a fluir após a extinção do crédito tributário ou, a partir do ato que concede ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição. IRPF - PROGRAMA DE DESLIGAMENTO INCENTIVADO - Os valores pagos por pessoa jurídica a seus empregados a título de incentivo à adesão a Programas de Desligamento Voluntário, não se sujeitam à tributação do imposto de renda, por constituírem-se rendimentos de natureza indenizatória. Recurso provido.
Numero da decisão: 102-45.405
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Naury Fragoso Tanaka, Maria Beatriz Andrade de Carvalho e Antonio de Freitas Dutra.
Nome do relator: Valmir Sandri

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MARIA BEATRIZ SILVA RAMOS DA FONSECA Recorrida : DR.! em FORTALEZA - CE Sessão de : 22 DE FEVEREIRO DE 2002 Acórdão n°. :102-45.405 DECADÊNCIA — O prazo qüinqüenal para a restituição do tributo pago indevidamente, somente começa a fluir após a extinção do crédito tributário ou, a partir do ato que concede ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição. IRPF — PROGRAMA DE DESLIGAMENTO INCENTIVADO — Os valores pagos por pessoa jurídica a seus empregados a título de incentivo à adesão a Programas de Desligamento Voluntário, não se sujeitam à tributação do imposto de renda, por constituírem-se rendimentos de natureza indenizatória. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MARIA BEATRIZ SILVA RAMO § DA FONSECA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Naury Fragoso Tanaka, Maria Beatriz Andrade de Carvalho e Antonio de Freitas Dutra ANTONIO D FREITAS DUTRA PRESIDENTE - —14111ANDRI RELATOR FORMALIZADO EM: 2 2 m AR 2002 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros AMAURY MACIEL, LEONARDO MUSSI DA SILVA, LUIZ FERNANDO OLIVEIRA DE MORAES e LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA (SUPLENTE CONVOCADO). Ausente, justificadamente, a Conselheira MARIA GORETTI DE BULHÕES CARVALHO. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA • Processo n°. 10070000318100-85 Acórdão n° 102-45405 Recurso n° 127.724 Recorrente MARIA BEATRIZ SILVA RAMOS DA FONSECA RELATÓRIO Trata o presente recurso do inconformismo da contribuinte, contra decisão da autoridade julgadora de primeira instância, que indeferiu o pedido de restituição de Imposto de Renda na Fonte, relativo ao ano-calendário de 1992 — exercício de 1993, para que fossem excluídos da tributação os valores recebidos a título de adesão a Programa de Demissão Voluntária O contribuinte ingressou com seu pedido de retificação da declaração de rendimentos em 16 de março de 2000 (fls. 01/02), para que fossem excluídos da tributação os valores recebidos a título de PDV Posteriormente (fl. 21), a autoridade administrativa indeferiu seu pleito, por entender que o Direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (Art.. 168, I do CTN) Intimada da decisão administrativa, tempestivamente impugna o feito (fls.. 24/31) À vista de sua impugnação, a autoridade julgadora de primeira instância indeferiu seu pleito (fls. 39/46), sob a alegação de que o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA k PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES`?e,'• P SEGUNDA CÂMARA Processo n° 10070.000318/00-85 Acórdão n° 102-45 405 inconformada com a decisão da autoridade julgadora de primeira instância, tempestivamente, recorre para esse E Conselho de Contribuintes, aduzindo suas razões as fls. 49/56 É o Relatório 3 -- MINISTÉRIO DA FAZENDA:;.>. :44; • 9' ; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • g SEGUNDA CÂMARA Processo n° 10070 000318/00-85 Acórdão n° 102-45,405 VOTO Conselheiro VALMIR SANDRI, Relator O recurso é tempestivo Dele, portanto, tomo conhecimento não havendo preliminar a ser analisada No mérito, o que se discute no presente processo é a extinção do direito do contribuinte de pedir a restituição do indébito tributário, ou seja, o marco inicial para a contagem do prazo decadencial para que ele exerça esse direito, de vez que a exigência do tributo incidente sobre as verbas recebidas a título de incentivo a Programas de Demissão Voluntária, ou ainda, a título de incentivo a Programas de Aposentadoria Incentivada, já o foi afastado pelo Poder Judiciário, e posteriormente, pela própria Secretaria da Receita Federal, através da INSRF n 165, de 31 12 98, e pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no Pareceres ns PGFN/CRJ n 03, de 07 01 99 e 95, de 26.11 99. Logo, a questão cinge-se tão somente na extinção do direito do contribuinte de pedir a restituição do indébito tributário, ou seja, quando começa a fluir o prazo decadencial de 5 anos, previsto no artigo 168 do Código Tributário Nacional. A essa indagação, me filio a corrente adotada por aqueles que entendem que o prazo para que o contribuinte ingresse com o pedido de restituição de pagamentos indevidos ou a maior que o devido só começa a fluir, a partir da homologação expressa pela autoridade administrativa do crédito tributário, ou da homologação tácita, pois, não ocorrendo a atividade administrativa em homologar o pagamento prévio efetuado pelo sujeito passivo, por ficção, considera-se 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA - PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -==- SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10070.000318100-85 Acórdão n°. : 102-45.405 homologado o procedimento de lançamento após cinco anos da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, e a partir daí, definitivamente extinto o crédito tributário, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação (art. 150, § 4, do CTN). Dessa forma, a extinção do direito do contribuinte de pedir a restituição do indébito tributário, previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional, só começa a fluir após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da homologação expressa ou tácita do crédito tributário. De outra forma, o prazo decadencial só começa a fluir a partir do momento em que o contribuinte possa exercer o seu direito, que se exterioriza a partir do momento em que o Poder Judiciário afasta a norma por considerá-la inconstitucional ou a partir do ato da própria administração que concede ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição. Nesse sentido, é oportuno transcrever a ementa do Acórdão n 108- 05.791, em que foi relator o ilustre conselheiro José Antonio Minatel: "RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO — CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA — INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN: O prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é sempre de 5 (cinco) anos, distinguindo-se o início de sua contagem em razão da forma em que se exterioriza o indébito. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou compensação tem início a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário) Todavia, se o indébito se exterioriza no contexto de solução jurídica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência só pode ter início com a decisão definitiva da controvérsia, como acontece nas soluções jurídicas ordenadas com eficácia "erga omnes", pela edição de resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norma declarada inconstitucional, ou na situação em que é editada Medida Provisória ou mesmo ato administrativo para reconhecer a impertinência de exação tributária anteriormente exigida." 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA '9 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES k SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10070.000318/00-85 Acórdão n°, : 102-45.405 Nesse mesmo sentido a própria Secretaria da Receita Federal, através do Parecer COSIT n. 04, de 28.01.99, reconheceu o direito do contribuinte ã restituição do tributo pago indevidamente, quando entendeu que: "Somente são passíveis de restituição os valores recolhidos indevidamente que não tiverem sido alcançados pelo prazo decadencial de 5 (cinco) anos, contados a partir da data do ato que concede ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição" Portanto, se o órgão competente — Secretaria da Receita Federal — reconheceu o direito do contribuinte à restituição de tributos pagos indevidamente sobre as verbas recebidas a título de incentivo a Adesão Voluntária, através da INSRF n. 165, de 31.12.98, não resta qualquer dúvida que o termo inicial da decadência para a repetição do indébito só começou a fluir a partir daquela data, quando seu direito passou a ser exercitável À vista de todo o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso, para reconhecer o direito do contribuinte à restituição do imposto de renda, recolhido indevidamente sobre a indenização recebida a título de Incentivo a Programas de Demissão Voluntária. Sala das Sessões - DF, em 22 de fevereiro de 2002 _ = SANDRI 6 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1

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4611457 #
Numero do processo: 10980.003334/2006-04
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri May 30 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IRPJ — OMISSÃO DE RECEITAS — PROVAS — Caracteriza a ocorrência de omissão de receitas, correspondente ao valor das vendas parceladas repassado por administradora de cartão de crédito, o fato de a interessada limitar-se a alegar, mas não logra comprovar que a receita correspondente já havia sido anteriormente oferecida à tributação. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE — CSLL — PIS — COFINS — INSS Em se tratando de exigência fundamentada na irregularidade apurada em procedimento fiscal realizado na área do IRPJ, o decidido naquele lançamento é aplicável, no que couber, aos lançamentos consequentes na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. JUROS MORATÓRIOS — TAXA SELIC Súmula 1° CC n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Aplicável a multa qualificada de 150% quando caracterizado que a interessada agiu de maneira dolosa para eximir-se do pagamento dos tributos e contribuições devidos. JUROS MORATÓRIOS — TAXA SELIC Súmula 1° CC n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 101-96.774
Decisão: ACORDAM os membros da lª Câmara / lª Turma Ordinária do PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Ausente justificadamente o Conselheiro Valmir Sandri.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: José Ricardo da Silva

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TRIBUTAÇÃO DECORRENTE — CSLL — PIS — COFINS — INSS Em se tratando de exigência fundamentada na irregularidade apurada em procedimento fiscal realizado na área do IRPJ, o decidido naquele lançamento é aplicável, no que couber, aos lançamentos conseqüentes na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. JUROS MORATÓRIOS — TAXA SELIC Súmula 1° CC n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplencia, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Aplicável a multa qualificada de 150% quando caracterizado que a interessada agiu de maneira dolosa para eximir-se do pagamento dos tributos e contribuições devidos. JUROS MORATDRIOS — TAXA SELIC Súmula 1° CC n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Antônio Presidente José Ri ACORDAM os membros da la Camara / la Turma Ordinária do PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Ausente justificadamente o Conselheiro Valmir Sandri. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Antônio Praga (Presidente), Sandra Maria Faroni, Aloysio José Percinio da Silva, Caio Marcos Cândido, José Ricardo da Silva (Relator), Valmir Sandri, João Carlos de Lima Junior e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Vice-Presidente). Relatório EDILSON FAUSTO DE SOUZA, já qualificado nos presentes autos, interpõe recurso voluntário a este Colegiado (fls. 247/267), contra o Acórdão n° 12.150, de 14/09/2006 (fls. 229/237), proferido pela colenda 2a Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba - PR, que julgou procedente o lançamento consubstanciado nos autos de infração de IRPJ, fls. 139; PIS, fls. 145; CSLL, fls. 151; COFINS, fls. 157; e INSS, fls. 163. A exigência fiscal foi constituída em decorrência da constatação de omissão de receitas, apurada na movimentação financeira informada pela Cia. Brasileira de Meio de Pagamento (Visanet), conforme descrito no Termo de Verificação e Encerramento de Fiscalização (fls. 127/128): • ano-calendário de 2003 —janeiro R$ 73.401,38 • ano-calendário de 2003 —JevereiroR$ 70.116,07 • ano-calendário de 2003— março R$ 65.812,33 • ano-calendário de 2003— abril R$ 63.885,71 • ano-calendário de 2003 — maio R$ 65.246,91 • ano-calendário de 2003 —junho R$ 46.990,16 • ano-calendário de 2003 —julho R$ 46.872,76 2 Processo n° 10980.003334/2006-04 SI-C1T1 Acórdão IL° 101-96.774 Fl. 2 • ano-calendário de 2003 — agosto R$ 49.216,35 • ano-calendário de 2003 — setembroR$ 51.018,66 • ano-calendário de 2003 — outubro R$ 44.253,79 • ano-calendário de 2003 — novembro R$ 29 .248, 63 • ano-calendário de 2003 — dezembro R$ 32.674,33 0 auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica - SIMPLES (fls. 136/141), foi lavrado com multa de lançamento de oficio de 150%, prevista no art. 44, II, da Lei n° 9.430/96, c/c art. 19 da Lei n° 9.317/96, além dos acréscimos legais, tendo o lançamento fiscal sido fundamentado no art. 24 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, arts. 2°, § 2°, 3 0, § 1 0, 50, 70, § g, 1 0, e 18 da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, art. 3 0 da Lei n° 9.732, de 11 de dezembro de 1998, e arts. 186, 188 e 199 do RIR/99. Encontra-se apensado aos autos o processo n° 10980.003337/2006-30, relativo à Representação Fiscal para Fins Penais. Irresignada, a contribuinte apresentou tempestiva impugnação de fls. 207/222, instruída com os documentos de fls. 223/227, cujo teor é sintetizado a seguir: Argúi que comercializava aparelhos celulares da operadora Vivo — Global Telecom ate dezembro/2002, quando teve encerrado o contrato de distribuição; que, quando em atividade, por orientação dessa operadora, adotava uma agressiva política comercial, concedendo descontos promocionais, bônus, brindes e longos prazos de financiamento dos aparelhos celulares. Aduz que, mesmo após o encerramento do contrato de distribuição, continuou a receber as parcelas das vendas a prazo realizadas ao longo do exercício anterior, que já se encontravam tributadas por haver adotado o regime de competência; que a correta leitura dos extratos fornecidos pela empresa de cartão de crédito demonstra que os depósitos realizados ao longo do ano-calendário de 2003 resultam de vendas efetuadas em 2002; que é incabível a prova exigida pela autoridade fiscal, da inexistência de receitas ao longo do ano-calendário de 2003, pois trata-se de produção de prova negativa, vedada no ordenamento jurídico brasileiro. Assevera que cabe ao agente fiscal provar que os valores depositados em conta corrente correspondem de fato a novas receitas, pois é indispensável a correlação entre a movimentação bancária e a demonstração efetiva de que os referidos ingressos constituem disponibilidade de renda ou provento; que é inadmissível que a Simples presunção de que os depósitos efetuados pela Empresa Brasileira de Cartões de Créditos sejam receitas omitidas; cita julgados do Conselho de Contribuintes. 3 Contesta a aplicação da multa de oficio de 150%, porquanto o art. 44, II, da Lei no 9.430, de 1996, dispõe somente ser aplicável nos casos de evidente intuito de fraude (art. 72 da Lei n° 4.502, de 1964); que é patente a inexistência da intenção de impedir ou retardar o nascimento da obrigação Tributária, pois a autoridade fiscal deveria obrigatoriamente ter antes verificado a veracidade da alegação de haver contabilizado a operação de venda no exercício de competência, e que as diversas decisões administrativas trazidas à baila demonstram claramente que a matéria não é pacifica. Aduz que a existência de dolo não restou comprovada no presente caso, pois se existisse ela não se prontificaria, como fez, a apresentar todos os documentos e informações solicitados pela fiscalização; que a fraude não pode ser presumida e que são reiteradas as decisões do Conselho de Contribuintes, assim com de diversas DRJ, de considerar inaplicável a multa de 150% quando ela não estiver patentemente comprovada; que a multa aplicada tem caráter con fiscatório e que poderia até ser plausível nos anos em que o pais enfrentou altíssimos indices inflacionários, mas nos dias atuais não há respaldo razoável que a justifique. Argüi que após a edição do novo Código Civil, art. 406, os juros não podem ultrapassar o percentual de 12% ao ano também em relação aos tributos. A Colenda Turma de Julgamento de primeira instáncia decidiu pela manutenção da exigência tributária, conforme acórdão citado, cuja ementa tem a seguinte redação: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. Caracteriza a ocorrência de omissão de receitas, correspondente ao valor das vendas parceladas repassado por administradora de cartão de crédito, o fato de a interessada limitar-se a alegar, mas não logra comprovar que a receita correspondente já havia sido anteriormente oferecida it tributação. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. Aplicável a multa qualificada de 150% quando caracterizado que a interessada agiu de maneira dolosa ao fazer falsa 4 Processo no 10980.00333412006-04 SI -C1T1 Acórdão n.° 101-96.774 Fl. 3 declaração de inatividade, para eximir-se do pagamento dos tributos e contribuições devidos no regime do Simples. JUROS DE MORA. TAXA SELIG. Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora equivalentes ir taxa referencial do Selic para títulos federais. Lançamento Procedente Ciente da decisão de primeira instância em 03/10/2006 (fls. 244), e com ela não se conformando, a contribuinte recorre a este Colegiado por meio do recurso voluntário apresentado em 01/11/2006 (fls. 247), onde apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: a) que o procedimento fiscal está errado, pois a empresa que prestou as informações não se constitui em instituição financeira bancária e tão pouco demonstra a ocorrência de depósitos em conta corrente da recorrente, os valores indicados pela empresa Cia. Brasileira de Meio de Pagamento (Visanet); b) que a fiscalização não logrou provar que foram depositados em conta corrente os valores informados pela citada empresa administradora de cartões de crédito; c) que a pretensão fiscal em fazer constituir uma presunção legal de receitas os valores informados, com fundamentos nos art. 42 da Lei 9430/96, encontra-se de todo equivocado, pois não foram demonstrados os extratos bancários com a ocorrência de depósitos realizados na conta corrente bancária da recorrente; d) que, carente de presunção legal, desautorizada encontra-se a autoridade autuante, que deixou de lograr prova em relação As alegações de omissão de receita; e) que o Fisco não logrou produzir prova de irregularidade nas operações comerciais da recorrente, não apontou qualquer inconsistência nos documentos apresentados, não constatou sonegação de livros ou documentos, nem tampouco qualquer recusa de acesso aos documentos, não desqualificou a escrita contábil e não demonstrou haver qualquer indicio de fraude ou falsificação de documentos; O que os lançamentos estão assentados exclusivamente em presunção de que as operações realizadas com a citada empresa administradora de cartões de crédito constitui-se em receitas relativas ao exercício de 2003, presunção esta desautorizada pela norma legal, pois o art. 42 da Lei 9430/96, permite somente a presunção legal para depósitos bancários cuja origem é desconhecida. Todas as demais ocorrências não s 5 contempladas pela citada legislação, imputa ao sujeito ativo o dever de prova-las; g) que, ao contrário do que afirma a decisão recorrida, a contribuinte demonstrou detalhadamente na impugnação a indicação da correta leitura dos documentos trazidos aos autos, como também prova de que os valores indicados nos extratos da empresa administradora de cartões de crédito efetivamente dizem respeito a vendas parceladas no exercício de 2002, recebidas em 2003, fato este que ainda poderá ser confirmado junto a própria empresa administradora de cartões de crédito; h) que foi devidamente demonstrado na impugnação que houve encerramento do contrato de distribuição de aparelhos celulares com a operadora de telefonia móvel ern dezembro de 2002, tempo em que a recorrente cessou suas atividades, remanescendo os direitos creditórios de vendas a prazo, realizadas em 2002, no entanto, liquidadas em 2003, sendo os recursos resultantes destinados à liquidação de saldos devedores junto A. fornecedora; i) que, por óbvio, resulta a não contabilização dos valores como receita ao longo de 2003, pois referidos valores já foram contabilizados em 2002. Existem provas inequívocas de que os referidos valores referem-se a vendas do exercícios de 2002, e foram tributadas naquela oportunidade; j) que é incabível a multa qualificada de 150%, pois sequer existe omissão, tampouco existe fraude presumida; k) que é incabível a aplicação de juros de mora sobre a multa de oficio; que é ilegal a cobrança dos juros moratórios com base na taxa SELIC. E o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo da Silva, Relator 0 recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como visto do relatório, trata-se de exigência fiscal constituída no regime Simples, tendo em vista a apuração de omissão de receitas decorrente de créditos bancários realizados pela empresa Companhia Brasileira de Meios de Pagamento (Visanet). Referidos créditos a recorrente deixou de comprovar, apesar de intimada para tanto. No próprio Termo de Verificação Fiscal (fls. 127/129) consta que a recorrente apresentou declaração de inatividade no ano-calendário de 2003 (DIPJ - 2004 — Inatividade, fls. 09/11), sendo que os livros contábeis apresentados A. fiscalização não registram nenhuma operação com cartão de crédito naquele período. Diante disso, foi emitida a Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira-RMF n°09.1.01.00-2005-00328-1 6 Processo n° 10980.003334/2006-04 Si-C1T1 Acórdão n.°101-96.774 Fl. 4 (fl. 16) para a administradora de cartão de crédito Companhia Brasileira de Meios de Pagamento (Visanet). Após o recebimento das informações por parte da Visanet (fls. 18/76), a autoridade autuante elaborou o demonstrativo de fls. 73/124, tendo intimado a contribuinte a se manifestar a respeito, ou seja, comprovar a origem dos valores creditados no ano-calendário de 2003, no montante de R$ 638.737,08, cuja resposta resumiu-se no seguinte: "As vendas de mercadorias via cartão Visanet do ano de 2003, referem-se as antecipações de recebimentos realizados no ano de 2002; e que esses valores eram destinados a pagamentos de empréstimos e das faturas de duplicatas da empresa GLOBAL VIVO". Diante da falta de comprovação documental do alegado, a fiscalização lavrou o auto de infração. Registre-se que, para desconstituir a acusação fiscal, é indispensável a apresentação de provas concretas, quais sejam, cópia das notas fiscal de venda emitidas durante o ano-calendário de 2002, nelas identificando as condições das vendas a prazo, cujas parcelas devem ser obrigatória e individualizadamente correlacionadas com os créditos efetuados pela Visanet (fls. 18/71), além da comprovação do oferecimento a tributação das notas fiscais emitidas em 2002. Cabe ressaltar que o lançamento fundamentou-se em informação prestada pela administradora do cartão de crédito Visanet, onde foram colhidos elementos probatórios que deram suporte ao procedimento fiscal, sendo que a recorrente, apesar de intimada, não logrou comprovar que os valores recebidos já haviam sido anteriormente oferecidos a. tributação. Nessas condições, em razão da falta de comprovação de que referidas importâncias recebidas no ano-calendário de 2003 já haviam sido oferecidos à tributação, não ha como acolher o pleito da recorrente, devendo ser mantida a omissão de receitas. MULTA QUALIFICADA Insurge-se a recorrente contra a aplicação da multa qualificada prevista no prevista no art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, in verbis: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502 de 30 de ••• 7 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § § 2°. Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, el intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente. 0 art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, prescreve que o percentual de 150% deve ser aplicado "nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964", ou seja, o intuito de fraude foi ai aludido em seu sentido amplo, devendo para seu entendimento serem observadas as definições dos indigitados dispositivos da Lei n°4.502, de 1964, in verbis: "Art. 71 - Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendciria: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação Tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; H - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação Tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação Tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no artigo 71 e 72." 0 art. 71, I, desse diploma legal definiu que "sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendaria da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstancias materiais"; o inciso II refere-se às condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação Tributária principal ou o crédito tributário correspondente. A Lei n° 4.729, de 14 de julho de 1965, em seu art. 1 0, I, explicitou melhor esse conceito ao dispor que constitui crime de sonegação fiscal prestar declaração falsa ou omitir, total ou parcialmente, informação que deva ser produzida a agentes da pessoa jurídica de direito público interno, com a intenção de eximir-se, total ou parcialmente, do pagamento de tributos, taxas e quaisquer adicionais devidos por lei. It 8 Processo n° 10980.003334/2006-04 Si-CITI Acórdão n.° 101-96.774 Fl. 5 A autoridade fiscal entendeu que a contribuinte agiu de maneira dolosa ao apresentar falsa declaração de inatividade para o ano-calendário de 2003, procurando eximir-se do pagamento dos impostos e contribuições devidos no regime do Simples; de acordo com os artigos citados, tal prática constitui crime contra a ordem Tributária, possibilitando a aplicação da multa de oficio qualificada. Outrossim, conforme exposto pela decisão recorrida, o fato de a contribuinte ter apresentado todos os documentos e informações solicitados pela fiscalização não serve como atenuante no caso da aplicação da penalidade de 150%, pois, conforme previsto no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, a falta de atendimento, no prazo marcado, a. intimação para prestar esclarecimentos acarretaria o agravamento da multa de oficio para 225%. Assim, sou pela manutenção da multa de oficio qualificada de 150% sobre o imposto apurado. LANÇAMENTOS DECORRENTES Em se tratando de exigência fundamentada na irregularidade apurada em procedimento fiscal realizado na area do IRPJ, o decidido naquele lançamento é aplicável, no que couber, aos lançamentos conseqüentes na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC Com relação aos juros moratórios exigidos com base na taxa SELIC, referida matéria foi objeto de súmula (Súmula n° 04 do 1° CC), conforme publicação no DOU, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, conforme abaixo: Súmula 1° CC no 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. JUROS MORATÓRIOS — TAXA SELIC Com relação aos juros moratórios exigidos com base na taxa SELIC, também foi objeto de súmula (Súmula n° 04 do 1° CC), conforme publicação no DOU, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, conforme abaixo: Súmula I° CC n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de A\/ 9 inadimplência, 6 taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. CONCLUSÃO Pelas razões expostas voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, quanto ao mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 30 maio de 2008 10

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