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Numero do processo: 10675.002278/2007-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/07/2002
PIS E COFINS. DECADÊNCIA. PRAZO.
Existindo pagamentos antecipados, o prazo de decadência do PIS/Pasep é de
cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2004
DILIGÊNCIA E PERÍCIA. NEGATIVA. CERCEAMENTO DE DEFESA.
INOCORRÊNCIA.
É incabível a realização de diligência ou perícia para responder a quesitos de
natureza legal, cujo conhecimento seja elementar ou que se refiram a prova
passível de produção unilateral pelo contribuinte.
SOCIEDADES COOPERATIVAS. PIS/PASEP E COFINS. ATOS NÃO
COOPERATIVOS. FATURAMENTO. APURAÇÃO E INCIDÊNCIA
TRIBUTÁRIA. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA E NÃO EM
JULGADO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. EFEITOS.
Em relação às matérias discutidas em ações judiciais não transitadas em
julgado, ocorre a renúncia às instâncias administrativas, não cabendo sua
discussão no âmbito de processo administrativo. Em relação às já decididas
em decisão transitada em julgado, descabe sua rediscussão na esfera
administrativa, aplicandose
os termos da decisão judicial.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2004
BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA.A base cálculo da contribuição é o faturamento, que corresponde à receita
bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa
jurídica, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei.
BASE DE CÁLCULO. ERRO NA APURAÇÃO.
Corrigese
o erro demonstrado na apuração da base de cálculo da
contribuição em relação a um período específico.
OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS.
As deduções especificamente destinadas às operadoras de plano de
assistência à saúde não autorizam a exclusão dos custos decorrentes do
atendimento a seus usuários, como despesas hospitalares, honorários
médicos, custos com exames, etc., para fins de apuração da base de cálculo
da contribuição.
INTERCÂMBIO A PAGAR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO.
Os valores do intercâmbio a pagar devem ser excluídos da base de cálculo
das contribuições a partir de dezembro de 2001, por terem o mesmo
tratamento contábil, nas operações entre cooperativas, das
corresponsabilidades cedidas.
BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS.
É incabível a incidência da contribuição sobre as receitas financeiras, por não
se enquadrarem no conceito de faturamento, à vista da inconstitucionalidade
declarada pelo Supremo Tribunal Federal da majoração da base de cálculo
efetuada pela Lei no 9.718, de 1998.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2004
BASE DE CÁLCULO. ERRO NA APURAÇÃO.
Corrigese
o erro demonstrado na apuração da base de cálculo da
contribuição em relação a um período específico.
BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA.
A base cálculo da contribuição é o faturamento, que corresponde à receita
bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa
jurídica, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei.
OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS.
As deduções especificamente destinadas às operadoras de plano de
assistência à saúde não autorizam a exclusão dos custos decorrentes do
atendimento a seus usuários, como despesas hospitalares, honorários
médicos, custos com exames, etc., para fins de apuração da base de cálculo
da contribuição.
BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS.
É incabível a incidência da contribuição sobre as receitas financeiras, por não
se enquadrarem no conceito de faturamento, à vista da inconstitucionalidade
declarada pelo Supremo Tribunal Federal da majoração da base de cálculo
efetuada pela Lei no 9.718, de 1998.Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.280
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, e por unanimidade de
votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Vencido,
quanto ao recurso voluntário, o conselheiro Alexandre Gomes. Ausente, justificadamente, o
conselheiro Gileno Gurjão Barreto. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas declarouse
impedida de votar, em razão da matéria. O conselheiro Alexandre Gomes fez declaração de
voto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 31/07/2002 PIS E COFINS. DECADÊNCIA. PRAZO. Existindo pagamentos antecipados, o prazo de decadência do PIS/Pasep é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2004 DILIGÊNCIA E PERÍCIA. NEGATIVA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É incabível a realização de diligência ou perícia para responder a quesitos de natureza legal, cujo conhecimento seja elementar ou que se refiram a prova passível de produção unilateral pelo contribuinte. SOCIEDADES COOPERATIVAS. PIS/PASEP E COFINS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. FATURAMENTO. APURAÇÃO E INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA E NÃO EM JULGADO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. EFEITOS. Em relação às matérias discutidas em ações judiciais não transitadas em julgado, ocorre a renúncia às instâncias administrativas, não cabendo sua discussão no âmbito de processo administrativo. Em relação às já decididas em decisão transitada em julgado, descabe sua rediscussão na esfera administrativa, aplicandose os termos da decisão judicial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2004 BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA.A base cálculo da contribuição é o faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei. BASE DE CÁLCULO. ERRO NA APURAÇÃO. Corrigese o erro demonstrado na apuração da base de cálculo da contribuição em relação a um período específico. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. As deduções especificamente destinadas às operadoras de plano de assistência à saúde não autorizam a exclusão dos custos decorrentes do atendimento a seus usuários, como despesas hospitalares, honorários médicos, custos com exames, etc., para fins de apuração da base de cálculo da contribuição. INTERCÂMBIO A PAGAR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. Os valores do intercâmbio a pagar devem ser excluídos da base de cálculo das contribuições a partir de dezembro de 2001, por terem o mesmo tratamento contábil, nas operações entre cooperativas, das corresponsabilidades cedidas. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. É incabível a incidência da contribuição sobre as receitas financeiras, por não se enquadrarem no conceito de faturamento, à vista da inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal da majoração da base de cálculo efetuada pela Lei no 9.718, de 1998. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2004 BASE DE CÁLCULO. ERRO NA APURAÇÃO. Corrigese o erro demonstrado na apuração da base de cálculo da contribuição em relação a um período específico. BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. A base cálculo da contribuição é o faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. As deduções especificamente destinadas às operadoras de plano de assistência à saúde não autorizam a exclusão dos custos decorrentes do atendimento a seus usuários, como despesas hospitalares, honorários médicos, custos com exames, etc., para fins de apuração da base de cálculo da contribuição. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. É incabível a incidência da contribuição sobre as receitas financeiras, por não se enquadrarem no conceito de faturamento, à vista da inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal da majoração da base de cálculo efetuada pela Lei no 9.718, de 1998.Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido em Parte
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 31/07/2002 PIS E COFINS. DECADÊNCIA. PRAZO. Existindo pagamentos antecipados, o prazo de decadência do PIS/Pasep é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2004 DILIGÊNCIA E PERÍCIA. NEGATIVA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É incabível a realização de diligência ou perícia para responder a quesitos de natureza legal, cujo conhecimento seja elementar ou que se refiram a prova passível de produção unilateral pelo contribuinte. SOCIEDADES COOPERATIVAS. PIS/PASEP E COFINS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. FATURAMENTO. APURAÇÃO E INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA E NÃO EM JULGADO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. EFEITOS. Em relação às matérias discutidas em ações judiciais não transitadas em julgado, ocorre a renúncia às instâncias administrativas, não cabendo sua discussão no âmbito de processo administrativo. Em relação às já decididas em decisão transitada em julgado, descabe sua rediscussão na esfera administrativa, aplicandose os termos da decisão judicial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2004 BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. Fl. 910DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digit almente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10675.002278/200717 Acórdão n.º 330201.280 S3C3T2 Fl. 2 2 A base cálculo da contribuição é o faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei. BASE DE CÁLCULO. ERRO NA APURAÇÃO. Corrigese o erro demonstrado na apuração da base de cálculo da contribuição em relação a um período específico. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. As deduções especificamente destinadas às operadoras de plano de assistência à saúde não autorizam a exclusão dos custos decorrentes do atendimento a seus usuários, como despesas hospitalares, honorários médicos, custos com exames, etc., para fins de apuração da base de cálculo da contribuição. INTERCÂMBIO A PAGAR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. Os valores do intercâmbio a pagar devem ser excluídos da base de cálculo das contribuições a partir de dezembro de 2001, por terem o mesmo tratamento contábil, nas operações entre cooperativas, das corresponsabilidades cedidas. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. É incabível a incidência da contribuição sobre as receitas financeiras, por não se enquadrarem no conceito de faturamento, à vista da inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal da majoração da base de cálculo efetuada pela Lei no 9.718, de 1998. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2004 BASE DE CÁLCULO. ERRO NA APURAÇÃO. Corrigese o erro demonstrado na apuração da base de cálculo da contribuição em relação a um período específico. BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. A base cálculo da contribuição é o faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. As deduções especificamente destinadas às operadoras de plano de assistência à saúde não autorizam a exclusão dos custos decorrentes do atendimento a seus usuários, como despesas hospitalares, honorários médicos, custos com exames, etc., para fins de apuração da base de cálculo da contribuição. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. É incabível a incidência da contribuição sobre as receitas financeiras, por não se enquadrarem no conceito de faturamento, à vista da inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal da majoração da base de cálculo efetuada pela Lei no 9.718, de 1998. Fl. 911DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digit almente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10675.002278/200717 Acórdão n.º 330201.280 S3C3T2 Fl. 3 3 Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, e por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Vencido, quanto ao recurso voluntário, o conselheiro Alexandre Gomes. Ausente, justificadamente, o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas declarouse impedida de votar, em razão da matéria. O conselheiro Alexandre Gomes fez declaração de voto. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Alexandre Gomes. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 1411 a 1477) apresentado em 13 de agosto de 2009 contra o Acórdão no 0924.632, de 25 de junho de 2009, da 1ª Turma da DRJ / JFA (fls. 1351 a 1632), cientificado em 14 de julho de 2009, que, relativamente a auto de infração de Cofins e PIS dos períodos de fevereiro de 1999 a dezembro de 2004, considerou procedente em parte o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Com a edição da Súmula Vinculante n.º 8, do STF, a constituição dos créditos da seguridade social, aí incluídos a Cofins e o PIS/Pasep, passa a obedecer as regras contidas no CTN, observando no caso de lançamento por homologação àquela contida no § 4º do art. 150. BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. Fl. 912DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digit almente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10675.002278/200717 Acórdão n.º 330201.280 S3C3T2 Fl. 4 4 A base cálculo da Cofins e do PIS/Pasep é o faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. As deduções especificamente destinadas às operadoras de plano de assistência à saúde não autorizam à exclusão dos custos decorrentes do atendimento a seus usuários, como despesas hospitalares, honorários médicos, custos com exames, etc, para fins de apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 LANÇAMENTO. NULIDADE. INCORREÇÃO DE CÁLCULO. O erro de cálculo na apuração do crédito tributário lançado de ofício é passível de ser sanado na fase contenciosa, com o respectivo cancelamento do valor exigido a mais, não implicando a nulidade do lançamento. INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. Falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para a apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias, tarefa privativa do Poder Judiciário. PEDIDO DE PERÍCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia quando esse procedimento for considerado prescindível para a solução da lide. Lançamento Procedente em Parte O auto de infração foi lavrado em 01 de agosto de 2007, de acordo com o termo de fls. 526 a 540. A Interessada apresentou mandado de segurança (fls. 289 e seguintes), com o objetivo de afastar a incidência da Cofins sobre “os atos cooperativos próprios” de suas finalidades e lhe garantir “o direito líquido e certo de não efetuar o recolhimento da Cofins”. Em relação ao PIS, apresentou mandado de segurança (inicial de fls. 365 em diante), para recolher a contribuição somente sobre a folha de salários. A Fiscalização concluiu o seguinte: Portanto, até 31/10/99, as sociedades cooperativas que observassem o disposto em legislação específica, gozavam de isenção da COFINS relativamente aos atos cooperativos próprios. Os atos nãocooperativos, ou seja, os atos praticados Fl. 913DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digit almente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10675.002278/200717 Acórdão n.º 330201.280 S3C3T2 Fl. 5 5 com nãoassociados ficavam sujeitos à COFINS, de acordo com as mesmas normas aplicáveis as demais pessoas jurídicas. [...] Dessa forma, a partir de 01/11/99, a contribuição ao PIS e COFINS das sociedades cooperativas passou a incidir sobre o total da receita bruta, como definido na Lei 9.718/98, não se diferenciando os atos cooperativos dos nãocooperativos, ou seja, as sociedades cooperativas passaram à condição de contribuintes da COFINS e do PIS/FATURAMENTO também sobre as receitas oriundas de atos cooperativos, sendo admitidas, entretanto, além das exclusões comuns a todas as pessoas jurídicas, as exclusões expressas no artigo 15 da MP 18587/99 e suas reedições. Entretanto, as exclusões expressas no dispositivo legal acima citado não alcançam as atividades cooperativas em geral, tendo em vista que essas exclusões decorrem das atividades típicas das cooperativas de produção agropecuária. Logo, tratandose o contribuinte em questão de uma sociedade cooperativa de trabalho médico, não faz juz às exclusões expressas no artigo 15 da MP 18587/99 e suas reedições. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Contra a contribuinte retro identificada foram lavrados os Autos de Infração às fls. 552/593, que lhe exige um crédito tributário no valor total de R$ 3.744.986,22, com juros de mora calculados até 29/06/2007, sendo: R$ 1.199.773,57 de Cofins; R$ 928.940,31 de juros de mora; R$ 899.829,91 de multa proporcional (passível de redução); R$ 280.715,62 de PIS; R$ 225.190,37 de juros de mora; R$ 210.536,44 de multa proporcional (passível de redução). Segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) constantes dos Autos de Infração, os lançamentos decorreram de “Falta / Insuficiência de Recolhimento” das contribuições, conforme valor apurado no Termo de Verificação Fiscal TVF e demonstrativos. No TVF a fiscalização informou que a contribuinte impetrou dois Mandados de Segurança. No primeiro, de n.º 2000.38.03.0009127, a impetrante pediu a suspensão da exigibilidade da Cofins sobre atos cooperativos próprios de sua finalidade. No mérito o pedido foi considerado procedente em parte eximindo a impetrante do recolhimento da Cofins com a alteração da base de cálculo, permanecendo a obrigação de recolhêla na forma da LC 70/91 e alterações posteriores, inclusive da MP 1858, e revogando a liminar concedida. A União impetrou recurso de apelação, recebido no efeito devolutivo em Junho/2001, e em Maio/2003, acórdão da 4ª Turma do TRF da 1ª Região deu provimento à apelação, julgando prejudicada a remessa oficial, tendo o referido acórdão transitado em julgado em Dezembro/2003. Fl. 914DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digit almente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10675.002278/200717 Acórdão n.º 330201.280 S3C3T2 Fl. 6 6 O segundo Mandado de Segurança, de n.º 2002.38.03.0037600, foi impetrado com pedido para recolher o PIS com base na folha de pagamentos. O pedido de liminar foi indeferido, a segurança denegada e o recurso de apelação interposto pela impetrante teve provimento negado. A impetrante entrou com Recurso Extraordinário e Recurso Especial, tendo o processo sido remetido ao STJ em dezembro de 2005. Contra os lançamentos de ofício efetuados, a autuada apresentou impugnações às fls. 724/846, com juntada de documentos às fls. 847/1.343, na qual, após aduzir seus argumentos, pediu: “Em preliminar: i. o recebimento da presente Impugnação Administrativa, uma vez que é tempestiva, pois conforme demonstrado, o prazo para seu protocolo fora prorrogado para o primeiro dia útil subsequente em função do feriado municipal no Município de Uberlândia (local do protocolo). ii. a nulidade do Auto de Infração, ou a necessidade de correção dos valores considerados erroneamente na base de cálculo apurada pelo fiscal, nos períodos de novembro de 2000 e junho de 2004, conforme explicitado. iii. a realização da perícia/diligência acima requerida; No mérito: iv. a anulação parcial do auto de infração em relação às competências de fevereiro de 1999 a julho de 2002, tendo em vista a decadência do direito da Fazenda Pública lançar o crédito fiscal combatido, eis que passados 05 (cinco) anos da data da ocorrência do pretenso fato gerador da contribuição e da notificação do lançamento, tal qual prevê o art. 150, § 4º do CTN; v. a nulidade e improcedência parcial do auto de infração, já que os valores de PIS [COFINS] relativos às competências anteriores a novembro de 1999 não poderiam ser exigidos da Cooperativa, conforme prevê o Ato Declaratório SRF n.º 88/99 (DJU 22/11/1999); vi. a nulidade e improcedência do auto de infração, invocandose a regra geral de não incidência tributária que respaldam os atos cooperativos das sociedades cooperativos (artigos 79, 87 e 111 da Lei n.º 5.764/71), e na extensão em que postulado na presente defesa (atendimento médico e pela rede credenciada, intercâmbio e integralidade das sobras); vii. requerse, ainda, a exclusão no Auto de Infração combatido dos valores lançados a título de sobras, pois representam valores restantes após o pagamento dos médicos cooperados e dos demais custos prestados, sendo de fácil percepção, no texto da Lei n.º 10.676/03, a permissão de sua exclusão, inclusive com efeito retroativo para os fatos geradores ocorridos a partir de outubro de 1999; Fl. 915DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digit almente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10675.002278/200717 Acórdão n.º 330201.280 S3C3T2 Fl. 7 7 viii. a nulidade e improcedência do auto de infração, ante a definição jurídicaeconômica de operadora de planos de saúde da Impugnante, reconhecendose a possibilidade de se proceder a necessários ajustes na base de cálculo do PIS [COFINS], de forma a colher somente o que se configurar efetiva receita (comissão/taxa de administração), destacandose a previsão contida no § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com redação dada pelo art. 2º da MP n.º 2.15835/2001, anulandose, em conseqüência, o auto de infração guerreado; ix. a nulidade e improcedência do auto de infração, afastandose a exigência da COFINS [PIS] sobre receitas financeiras uma vez que excluídas do conceito de faturamento (artigo 3º da lei 9.718/98). Para instrução do presente processo, anexei, às fls. 1345/1350, extrato e acórdão retirados do sítio oficial do Superior Tribunal de Justiça – STJ. A DRJ considerou parte do lançamento decaído e demonstrado erro na apuração da base de cálculo das contribuições de junho de 2004. No recurso, a Interessada abordou apenas as questões de mérito, alegando, inicialmente, que o PIS não incidiria sobre o ato cooperativo, nos termos dos arts. 79, 87 e 111 da Lei no 5.764, de 1971, devido à “inexistência de elemento econômico” tributável, ressaltando que a cooperativa agiria por conta e ordem de seus associados. A seguir, tratou do “atendimento médicohospitalar”, para “delimitar a abrangência da não incidência” da contribuição. Segundo a Interessada, “além de ter negado vigência à Lei n.° 5.764/71 a partir de novembro/99, a fiscalização incorreu ainda em equívoco, ao ignorar a correta extensão do ato cooperativo ‘incluindo na base de cálculo as receitas oriundas de contratação de planos de saúde e de prestação de serviços de não cooperados que não correspondem a atos cooperativos, mas tomandose o cuidado de excluir a produção dos cooperados (..), ou seja, os repasses pagos aos médicos cooperados, que correspondem aos serviços efetivamente prestados por eles aos seus pacientes, portanto, enquadrados no conceito de ato cooperado.’” Analisou os tipos de cooperativas e de atos cooperativos, para concluir que, em relação às cooperativas de trabalho, “será ato cooperativo tudo aquilo que a cooperativa receber do usuário e repassar para o corpo associativo dela, incluindo os custos com hospitais e congêneres, e desde que o atendimento se dê através de cooperado”. Ainda afirmou que a cooperativa não prestaria serviços aos usuários, mas aos médicos associados; e estes, sim, que prestariam serviços aos usuários e “o Plano de Saúde é apenas forma de conseguir clientes para os cooperados, em típica ação pertinente às cooperativas de prestação de serviços”. Na sequência, tratou do “ato cooperativo puro”, citando entendimentos judiciais. Tratou ainda das sobras, que, nos termos da Lei no 10.676, de 2003, seriam deduzidas da base de cálculo das contribuições. Contestou a conclusão do acórdão de primeira instância de que, “no que tange às sobras, para as cooperativas médicas a exclusão ficou restrita aos valores destinados à formação do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (FATES)”, uma vez que a exclusão perfarseia “pela própria natureza jurídica da parcela, que denotam não um acréscimo Fl. 916DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digit almente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10675.002278/200717 Acórdão n.º 330201.280 S3C3T2 Fl. 8 8 patrimonial à cooperativa, como se viu, mas mero reembolso aos cooperados das despesas incorridas na prestação de serviços, pois ‘decorrem necessariamente dos valores pagos a maior pelos cooperados à cooperativa, para fins de custear as despesas administrativas da sociedade.’” Abordou, a seguir, as exclusões concedidas às sociedades que operam planos de saúde, alegando que “os ‘custos assistenciais’ com os quais arca a Recorrente tratamse, de fato, de receitas de terceiros, despesas da Recorrente, e como tal não devem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. Do contrário estarseia tributando o que receita não é (eis que não se trata de entrada tendente a agregar ao patrimônio).” De acordo com a Interessada, segundo a disposição da Lei no 9.656, de 1998, art. 1º, I, o plano de saúde efetuaria o pagamento “por conta e ordem do consumidor” (de terceiro). Nesse contexto, alegou que as exclusões seriam permitidas pelo art. 3º, § 9º, da Lei no 9.718, de 1998, com a redação dada pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001. Assim, a remuneração das operadoras de planos de saúde ocorreria por comissão. Citou ementa do REsp no 227.293/RS, para concluir que, no caso do ISS, o valor da prestação de serviço exigiria a exclusão da “base de cálculo daquele mesmo imposto devido pela pessoa a quem forem destinados”. Ademais, citou outras decisões judiciais que, segundo suas alegações, confirmariam sua tese. Citou, além disso, decisão da DRJ BHE que teria reconhecido o direito às exclusões previstas no dispositivo anteriormente citado, “sem as injustificadas limitações que o Fisco Federal insiste em fazer no artigo 2° da MP 2.15835/2001”. A seguir, expôs detalhadamente a forma como entende ocorrer a obtenção de receitas e a incidências das deduções, relativamente ao atendimento aos conveniados próprios, à cessão ou transferência de responsabilidades (atendimento a conveniados de outras operadoras) e à constituição de provisões técnicas. Detalhou, também, as formas de caracterização da coresponsabilidade, dos eventos ocorridos, da transferência de responsabilidades (relativamente ao que teria havido equívoco de interpretação da Fiscalização) Citou as exposições de motivos da MP no 2.15835, de 2001, para concluir que “os custos (eventos) efetivamente pagos somente lhe transitam pelo caixa, representando receita de quem efetivamente presta tais serviços (médicos, fisioterapeutas, psicólogos, hospitais, clinicas, laboratórios, home care etc.).” No item seguinte do recurso, tratou da diferença entre entradas e receitas, do princípio da equivalência de tratamento entre contribuintes, afirmando que, “ao ingressar na sociedade, o dinheiro já está destinado ao bolso dos médicos/prestadores de serviços e demais gastos imanentes”. Citou entendimento da doutrina e de decisões judiciais. Questionou, ainda, a incidência sobre receitas financeiras, em face da inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo das contribuições promovida pela Lei no 9.718, de 1998. Fl. 917DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digit almente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10675.002278/200717 Acórdão n.º 330201.280 S3C3T2 Fl. 9 9 Por fim, tratou do pedido de perícia ou diligência, alegando que seria necessária para demonstrar os ajustes na base de cálculo, representando cerceamento de defesa sua denegação pela primeira instância. Formulou os quesitos conforme fls. 1475 e 1476, após o que requereu a nulidade e improcedência da autuação pela não tributação dos atos cooperativos, pela exclusão das sobras, pelos ajustes das bases de cálculo, pela exclusão das receitas financeiras e, ainda, a realização da perícia ou diligência. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator Inicialmente, analisase o recurso de ofício. Conforme acórdão de primeira instância, cancelaramse, em razão da decadência os valores relativos aos fatos geradores ocorridos até 31/07/2002 e parcela dos lançamentos da Cofins e do PIS, decorrente de erros, referentes aos fatos geradores ocorridos em novembro de 2000 e julho de 2004. Quanto à decadência, o acórdão aplicou a Súmula Vinculante no 8 do Supremo Tribunal Federal, que considerou o prazo da Lei no 8.212, de 1991, inconstitucional. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante no 8, do seguinte teor: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5o do Decreto lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. A Súmula teve origem no julgamento do RE no 559.8829, de relatoria do Ministro Gilmar Mendes, que reconheceu as referidas inconstitucionalidades. O texto da decisão que tratou da modulação temporal dos efeitos da decisão foi o seguinte (http:// www.stf.gov.br/ portal/ processo/ verProcessoTexto.asp? id= 2393382&tipoApp= RTF): Decisão: O Tribunal, por maioria, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, deliberou aplicar efeitos ex nunc à decisão, esclarecendo que a modulação aplicase tãosomente em relação a eventuais repetições de indébitos ajuizadas após a decisão assentada na sessão do dia 11/06/2008, não abrangendo, portanto, os questionamentos e os processos já em curso, nos termos do voto do relator. Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 12.06.2008. A decisão, portanto, atribuiu efeito preclusivo aos casos não litigiosos na data da decisão, aplicandose aos casos em julgamento. Fl. 918DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digit almente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10675.002278/200717 Acórdão n.º 330201.280 S3C3T2 Fl. 10 10 A referida súmula, nos termos da Emenda Constitucional no 45, de 2004, art. 2o, tem efeito vinculante “em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal[...]”. Em relação às regras do CTN, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que o prazo de decadência depende de haver ou não pagamentos antecipados (REsp 512840 / SP; Relatora: Ministra Eliana Calmon; DJ 23.05.2005 p. 194): TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (ART. 150 § 4o E 173 DO CTN). 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4o, do CNT). 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. 4. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5. Recurso especial provido. Como houve pagamentos antecipados, o prazo é contado na forma do art. 150, § 4º, do CTN. O lançamento ocorreu em 1º de agosto de 2007, ocorreu a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 31 de julho de 2002, conforme decidido pela Primeira Instância. Quanto aos erros relativos aos fatos geradores ocorridos em novembro de 2000 e julho de 2004, o primeiro foi abrangido pela decadência. Já em relação ao segundo, a Primeira Instância constatou pela análise do Balancete de Verificação (Anexo I, fl. 499) e do Demonstrativo de Base de Cálculo do PIS/Cofins (fl. 546) que houve um erro de fato, tendo a fiscalização majorado a base de cálculo das contribuições em R$ 500.000,00. Dessa forma, devese manter o acórdão de primeira instância em relação a tais itens, negandose provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Inicialmente, registrese que as alegações de nulidade apresentadas pela Interessada são inadequadas, uma vez que se referem a questões de mérito da exigência. A realização de perícia ou diligência é, da forma como decidido pela primeira instância, desnecessária. Vejase que os quesitos pretensamente formulados pela Interessada ou são questões de direito, a serem decididas pela convicção da autoridade julgadora, como o caso do 1º quesito, ou são questões já sabidas, como os casos do 2º, 3º e 4º. Fl. 919DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digit almente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10675.002278/200717 Acórdão n.º 330201.280 S3C3T2 Fl. 11 11 Ademais, a realização de diligência somente poderia caracterizar cerceamento de defesa numa situação em que o contribuinte não pudesse realizar prova por sua conta própria, o que não se verifica no caso, pois poderia perfeitamente apresentar e demonstrar o resultado requerido no quesito no 5. A seguir, cabe analisar a situação das ações judiciais. Na ação relativa à Cofins, apesar de haver obtido medida liminar, a segurança somente foi concedida em relação à Lei no 9.718, de 1998. Na relativa ao PIS, a liminar e a segurança foram denegadas. Em tais ações, a Interessada buscou discutir a não tributação dos atos cooperativos pela Cofins e a tributação exclusiva do PIS sobre a folha de salários, no que não obteve sucesso. No primeiro caso, há que se esclarecer que a sentença claramente considerou possível a tributação do próprio ato cooperativo, além de considerar não exigível lei complementar para revogar a isenção prevista na LC no 70, de 1991. Ademais, afastou o pretenso tratamento isonômico com o benefício previsto no art. 15 da MP no 1.858. Sobre a questão da abrangência dos atos cooperativos, considerou o seguinte a sentença: As cooperativas de trabalho medico, como a impetrante autorizadas que foram pela Lei n. 9.656/98, vendem Planos Privados de Assistência à Saúde diretamente aos interessados a preço pré ou pós estabelecido. Disponibilizam aos adquirenies dos Planos o acesso e atendimento por profissionais ou serviços de saúde, livremente por eles escolhidos. Como se vê, essas cooperativas não são meras intermediárias de serviço médico, mas vendem Planos Privados de Assistência à Saúde que disponibilizam também, além de outras, a internação hospitalar, arcando com os custos, integral ou parcialmente. Também não são repassadas aos cooperados as sobras líquidas do exercício. Recebem eles, na verdade, diretamente da cooperativa, pagamento mensal ou quinzenal pelos serviços prestados. Portanto, essas cooperativas têm sim faturamento, que é fonte de custeio previstas no art. 195, I, “b”, da CF. e base de cálculo da COFINS, consoante a Lei Complementar n. 70/91. Aliás, saliento que o Superior Tribunal de Justiça entendeu que “incide contribuição previdenciária sobre os honorários médicos autônomos”, asseverando que “a cooperativa de trabalho é equiparada à empresa”. (STJ REsp 205383 SP 1ª T. Rel. Min. Garcia Vieira DJU 28.06.1999 p. 65) Na segunda ação, relativa ao PIS, a sentença concluiu o seguinte: Fl. 920DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digit almente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10675.002278/200717 Acórdão n.º 330201.280 S3C3T2 Fl. 12 12 À luz de tais dispositivos, constatase que as cooperativas, como pessoas jurídicas que são, sujeitamse ao recolhimento do PIS, com alíquota incidente sobre a base de cálculo neles prevista. [...] A ação relativa à Cofins transitou em julgado em dezembro de 2003. A relativa ao PIS foi objeto de recurso especial, que ainda se encontra no Superior Tribunal de Justiça, mas com acórdão não transitado em julgado no REsp no 817.852 MG, cuja ementa foi a seguinte: TRIBUTÁRIO. PIS. ISENÇÃO DE COFINS. ENFOQUE CONSTITUCIONAL DO ARESTO RECORRIDO. COOPERATIVA MÉDICA. ATOS COOPERATIVOS E NÃO COOPERATIVOS. 1. Não cabe a análise em recurso especial de matéria solvida sob enfoque nitidamente constitucional. 2. O ato cooperativo não gera faturamento ou receita para a sociedade cooperativa. Inexistência de base imponível para a PIS. Nãoincidência pura e simples. 3. Os atos nãocooperativos se revestem de nítida feição mercantil, gerando receita à sociedade. Existência de base imponível à tributação. 4. Recurso especial não provido. Do voto do relator, constaram as seguintes considerações: As sociedades cooperativas não estão sujeitas à tributação, apenas no que se refere aos atos cooperativos peculiares de sua finalidade. In casu, a UNIMED presta serviços privados de saúde ficando evidenciada, assim, sua natureza mercantil na relação com terceiros ou seja, vende serviços de assistência médica. Ademais, como acima exposto, os atos praticados com terceiros, nãoassociados, são considerados atos não cooperativos. Assim, os atos cooperados da sociedade cooperativa não são suscetíveis de tributação, por configurarem hipótese de não incidência, ao passo que os atos nãocooperados, conforme explanação acima, deverão ser tributados. No mesmo, sentido cabe trazer à baila o REsp 778.099/MG [...] (Disponível em: https:// ww2.stj.jus.br/ websecstj/ cgi/ revista/ REJ.cgi/ MON?seq=4230974&formato=PDF.) Vale dizer, segundo o acórdão, ainda não transitado em julgado, o PIS incide sobre o faturamento, relativamente aos atos não cooperativos. Dessa forma, é inevitável concluir, à vista de decisões judiciais transitadas em julgado, que a Interessada submetese à incidência de Cofins e de PIS sobre seu faturamento, esse representado pelas receitas de vendas de planos de saúde ou, pelo menos, na Fl. 921DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digit almente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10675.002278/200717 Acórdão n.º 330201.280 S3C3T2 Fl. 13 13 parcela de tal receita que seja destinada a não associados, uma vez que as operações com não associados não são atos cooperativos. Nesse contexto, em relação a tais matérias, incide a renúncia às instâncias administrativas, nos termos da Súmula Carf no 1: Súmula CARF no 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Consequentemente, não há que se discutir aqui a abrangência do ato cooperativa e a negativa de vigência aos dispositivos da Lei no 5.764, de 1971. Feitas as observações acima, esclareçase que, em seu recurso, claramente ora a Interessada pretende ser vista como cooperativa que presta serviço somente aos médicos associados e ora pretende ser vista como plano de saúde, dependendo do tratamento legal a que esteja almejando. Nesse contexto, há que se esclarecer que, ao contrário do afirmado pela Interessada, a cooperativa presta, sim, serviços aos usuários do plano de saúde. O contrato de plano de saúde, em sua integralidade, é efetuado com os usuários, que pagam a contraprestação à cooperativa e não aos médicos associados e aos terceiros, que a cooperativa contrata para poder cumprir o prévio contrato de plano de saúde com seus usuários, e não somente para prestar serviços aos médicos cooperados. A própria Interessada afirmou o seguinte: [...] o objeto social da Recorrente abrange muito mais do que o simples atendimento médico pelo cooperado ao usuário, mas envolve toda a aparelhagem e instrumental necessários à prestação plena do serviço de assistência médica realizado pelo médico. Nada obstante, cabe ressaltar o entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça sobre a questão, abaixo demonstrado: COFINS. COOPERATIVAS MÉDICAS. CARACTERIZAÇÃO OU NÃO DE ATO COOPERATIVO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A TERCEIROS. CARÁTER EMPRESARIAL. I É assente o entendimento nesta Corte, no sentido de não ser cabível a isenção da COFINS sobre os atos das sociedades cooperativas médicas, relacionados à intermediação entre cooperados e terceiros, estes adquirentes de Plano de Saúde, visto que a prestação de tais serviços não se configura como ato tipicamente cooperativo, mas mercantil, sendo, portanto, cabível a incidência da referida exação. Precedentes: AgRg no REsp nº 788904/RJ, Rel. Min. DENISE ARRUDA, DJ de 15/09/2008; REsp nº 729.947/MG, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Fl. 922DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digit almente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10675.002278/200717 Acórdão n.º 330201.280 S3C3T2 Fl. 14 14 DJ de 24/05/07; REsp nº 807.690/SP, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 01/02/2007; e REsp nº 778.135/MG, Rel. Min. FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, DJ de 13/02/2006. II Agravo regimental improvido. (AgRg no AgRg no REsp 1033732 / SP. Relator: Ministro FRANCISCO FALCÃO; PRIMEIRA TURMA; 20/11/2008; DJe 01/12/2008.) Portanto, o que se pode discutir, no âmbito do presente recurso, são as deduções a que a Interessada entende ter direito. Quanto às sobras, o § 2º do art. 1º da Lei no 10.676, de 2003, diz o seguinte: § 2º Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. Portanto, as sobras são dedutíveis antes da destinação, mas ficam limitadas aos valores efetivamente transferidos aos fundos. Não se trata, assim, de uma não incidência generalizada em relação às sobras. A respeito da matéria, constou o seguinte do acórdão de primeira instância: Dessa forma, no que tange às sobras, para as cooperativas médicas a exclusão ficou restrita aos valores destinados à formação do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (FATES). Compulsando os autos, verifico que, conforme Demonstrativo de Base de Cálculo do PIS/Cofins, a fiscalização considerou os valores de sobras destinados ao Fundo de Reservas e ao Fates. Os valores adotados pela fiscalização refletem aqueles constantes da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (fls. 286 e 288), na Proposta da Destinação da Sobra, e nos Balancetes de Verificação juntados no Anexo I deste processo. Sendo assim, reputo como corretas as exclusões efetuadas no lançamento, a título de sobras. Descabe, assim, razão à Interessada. Quanto à alegação de que os custos assistenciais seriam de terceiros, tal afirmação não é verdadeira. Vejase que a Interessada tem contrato de plano de saúde com os usuários, que devem as mensalidades a ela, independentemente dos contratos celebrados com terceiros para prestarem serviços aos usuários. Portanto, como já dito anteriormente, há dois contratos, sendo da Interessada as receitas recebidas dos usuários e, em relação a cada serviço prestado pelos terceiros aos usuários, a Interessada tem uma despesa. Ademais, ao destinar tais receitas a terceiros, e não aos médicos associados, configurase, em relação a essa parcela, a prática de atos não cooperativos e, portanto, a incidência sobre elas das contribuições. Fl. 923DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digit almente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10675.002278/200717 Acórdão n.º 330201.280 S3C3T2 Fl. 15 15 A alegação de que os pagamentos seriam efetuados por conta e ordem do consumidor improcede, uma vez que o numerário pago pelos usuários pertence à cooperativa. A Lei no 9.656, de 1998, art. 1º, diz que, no “plano privado de assistência à saúde”, a operadora contratada efetua o pagamento relativo à assistência médica, hospitalar e odontológica, “mediante reembolso ou pagamento direto ao prestador, por conta e ordem do consumidor”. Desse dispositivo, a Interessada pretendeu demonstrar que o numerário recebido do usuário não lhe pertenceria. Entretanto, não é o que diz o dispositivo. De fato, o que está dito lá é que, havendo atendimento ao usuário do plano, a operadora efetua o pagamento por conta e ordem do consumidor, o que significa que o profissional recebe os honorários como se pagos pelo paciente. Entretanto, isso é assim feito por conta da responsabilidade financeira decorrente dos contratos realizados. De fato, há três contratos nestas operações: o primeiro entre o usuário e o plano de saúde; o segundo, entre o plano de saúde e o médico (associado à cooperativa); o terceiro, entre o usuário e o médico, pelo atendimento, consulta, exames etc. Segundo o dispositivo legal citado, o usuário não deve nada ao prestador de serviço, mas, sim, a operadora, que efetua o pagamento por sua conta, ou seja, em nome do usuário, mas com recursos próprios. Obviamente, o pagamento do usuário à operadora tem uma natureza completamente diversa do pagamento efetuado ao prestador de serviço pela operadora. Tanto é assim que o § 1º do dispositivo em questão referese a “garantia de cobertura de riscos de assistência médica”. Em relação ao citado § 9º, III, que consta do art. 25, III, do Regulamento da Cofins e do PIS/Pasep (Decreto no 4.524, de 2002), as exposições de motivo citadas pela Interessada falaram em tratamento isonômico com as entidades de seguro, para evitar a deterioração patrimonial das operadoras, pela constituição de reservar técnicas. O art. 27 do Regulamento citado trata das empresas de seguros privados e dispõe o seguinte: Art. 27. As empresas de seguros privados, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir ou deduzir da receita bruta o valor (Lei nº 9.701, de 1998, art. 1º, inciso IV, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º , §§ 5º e 6º , inciso II, com a redação da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 2º ): I do coseguro e resseguro cedidos; II referente a cancelamentos e restituições de prêmios que houverem sido computados como receitas; Fl. 924DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digit almente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10675.002278/200717 Acórdão n.º 330201.280 S3C3T2 Fl. 16 16 III da parcela dos prêmios destinada à constituição de provisões ou reservas técnicas; e IV referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pagos, após subtraídas as importâncias recebidas a título de coseguros e resseguros, salvados e outros ressarcimentos. Parágrafo único. A dedução de que trata o inciso IV aplicase somente às indenizações referentes a seguros de ramos elementares e a seguros de vida sem cláusula de cobertura por sobrevivência. Portanto, os seguros do ramo saúde, conforme classificação do Decreto no 60.589, de 1967, não admitem as exclusões. Muito embora a comparação com o art. 27 acima transcrito pudesse resultar em interpretação favorável à Interessada, não é esse o entendimento que tem prevalecido no Carf. A leitura do citado § 9º, III, do dispositivo em análise pode ser efetuada de duas formas. Em ambos os casos, as importâncias recebidas acabam sendo, por via reversa, adicionadas à base de cálculo das contribuições. Dessa forma, se a operadora atender a um usuário de outro plano de saúde, adicionará à base de cálculo das contribuições o valor recebido (indenizado) pela outra operadora. Mas, no tocante aos valores pagos, a primeira interpretação, que é a da Interessada, considera que as “indenizações correspondentes aos eventos ocorridos” referemse a todos os eventos e as “importâncias” recebidas referemse somente àquelas a título de transferência de responsabilidade. Já a segunda considera que tanto as indenizações pagas quanto as importâncias recebidas referemse às relativas a transferência de responsabilidades. Conforme esclarecido pelo acórdão de primeira instância e por citações já transcritas no presente voto, a admissão da primeira interpretação resultaria na tributação pelas contribuições sociais não do faturamento, mas da receita líquida da cooperativa. Correta é a interpretação dada pela primeira instância, nos seguintes termos: Ocorre que o inciso III do § 9o do art. 3º da Lei n.º 9.718/98 trata de diferença entre duas quantias, ou seja, a quantia efetivamente paga referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos e a quantia relativa às importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. Daí, o minuendo da subtração a que se refere o inciso em questão alcança o valor dos desembolsos efetivamente realizados por uma OPS para indenizar seus conveniados, profissionais e empresas de saúde, por eventos (consultas, exames, internações etc.) realizados em associados de outra operadora, ao passo que o subtraendo representa as quantias (repasses) recebidas pela aquela Fl. 925DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digit almente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10675.002278/200717 Acórdão n.º 330201.280 S3C3T2 Fl. 17 17 primeira OPS, oriundas da segunda, a quem caberia a responsabilidade pelos eventos que se transferiram, para ressarcila por aqueles desembolsos. Aceitar a dedução de todos eventos ocorridos, independentemente de esses estarem atrelados a associados de outra operadora, implicaria dizer que não há qualquer correlação entre o minuendo e subtraendo da subtração indicado no inciso III. Na verdade, pelo teor da impugnação, infiro que a defendente quer é a dedução de valores correspondentes a despesas e custos que lhe são próprios e que não têm a natureza das deduções citadas no § 9º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98. Ocorre que a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins é o faturamento, correspondente à receita bruta, consoante define o caput do próprio art. 3o da Lei n.º 9.718/98, em conformidade com o disposto na Constituição da República. Ao se aceitar a dedução dos custos e despesas relativos a consultas médicas/odontológicas, exames laboratoriais, hospitalização, terapias etc, como quer a contribuinte, estaríamos apurando o resultado e, por conseguinte, transfigurando, especificamente para as OPS, a base de cálculo da contribuição. Não é sem razão que nas planilhas juntadas à impugnação há períodos em que a base de cálculo é negativa. Ora, as OPS se sujeitam à incidência cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins, nos termos dos arts. 8°, inciso I, da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10, inciso I, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, devendo apurar e recolher essas contribuições segundo esse regime. Por oportuno, trago excerto do voto proferido pelo conselheiro relator Jorge Freire, no Acórdão n.º 20402.084, de 6/12/2006, da então Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em julgamento de recurso voluntário, de outra Unimed da região, contra decisão desta Turma de Julgamento: “Quanto às supostas exclusões a que se refere o parágrafo 9º do artigo 3º da Lei 9.718, embora a recorrente tenha pugnado pelas mesmas, aduzindo que sua contabilidade as demonstrariam, também são improcedentes, pois o ônus é seu de proválos. Todavia, pelos termos de sua peça impugnatória, me leva a crer que o que ela quer ver excluído são seus custos decorrentes do atendimento a seus usuários, como despesas hospitalares, honorários médicos, custos com exames, etc. Ocorre que a referida norma não se presta a excluir tais valores, mas sim os referentes a valores que foram pagos por outra operadora de saúde com a qual seja conveniada. E para fazer valerse destas exclusões deveria demonstrálos articuladamente, o que não fez.” [Grifei]. Também em julgamento de recurso voluntário de outra Unimed da região, contra outra decisão desta Turma, o conselheiro relator Maurício Taveira e Silva, da então Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, no Acórdão n.º 20181.455, de 7/10/2008, assim se manifestou em seu voto: Fl. 926DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digit almente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10675.002278/200717 Acórdão n.º 330201.280 S3C3T2 Fl. 18 18 “Sobre o tema este Conselho já se manifestou, conforme se verifica da ementa do Acórdão nº 20310.836, datado de 28/03/2006, de relatoria do Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, o qual se transcreve, parcialmente: “‘PIS/FATURAMENTO. COOPERATIVAS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. PERÍODOS DE APURAÇÃO A PARTIR DE NOVEMBRO DE 1999. INCIDÊNCIA. EXCLUSÕES NA BASE DE CÁLCULO. A partir de novembro de 1999, com o fim da isenção concedida de forma ampla às cooperativas, as receitas auferidas por tais sociedades compõem a base de cálculo do PIS Faturamento, com as exclusões elencadas estabelecidas na legislação de regência. “‘UNIMED. BASE DE CÁLCULO. PERÍODOS DE APURAÇÃO DE 01/2002 A 12/2002. DEDUÇÕES PRÓPRIAS DAS OPERADORES DE PLANOS DE SAÚDE. LEI Nº 9.718/98, ART. 3º, § 9º. MP Nº 2.15835/2001, ART. 2º. Aplicamse às cooperativas de trabalho que operam com planos de saúde o disposto no § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, introduzido pelo art. 2º da MP nº 2.15835/2001, que permite deduzir da base de cálculo do PIS Faturamento e da Cofins, a partir de dezembro de 2001, as coresponsabilidades cedidas, a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas e o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. Todavia, em tais deduções não se incluem custos e despesas relativos aos eventos com os próprios associados, mas com associados de outras operadoras.” “‘Recurso negado.’ (grifei) Em suas considerações o ConselheiroRelator se manifestou de forma clara e precisa, motivo pelo qual transcrevo e adoto suas razões de decidir nos seguintes termos: “Por último o inciso III, igual à diferença entre duas quantias: 1) a efetivamente paga, pela operadora de plano de saúde cessionária, aos seus conveniados, profissionais e empresas de saúde, relativamente aos eventos realizados com associados de outras operadoras (as cedentes) e 2) a quantia correspondente às importâncias recebidas, pela cessionária, das operadoras cedentes, a título de transferência de responsabilidade ou intercâmbio. Aqui, um esclarecimento: evento é toda e qualquer utilização, pelo beneficiário, das coberturas proporcionadas pelo plano, tais como consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, terapias etc. “A diferença entre 1 e 2 deve ser, necessariamente, positiva, para que a dedução estabelecida no inciso III seja permitida. É que, se negativa, os recebimentos da cessionária já cobrem os dispêndios com os eventos praticados com associados das cedentes, descabendo a dedução em análise. Fl. 927DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digit almente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10675.002278/200717 Acórdão n.º 330201.280 S3C3T2 Fl. 19 19 “O que a recorrente pretende deduzir, supostamente amparada no § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, é a soma dos valores correspondentes a todos os eventos com os seus associados, clientes do plano de saúde. Como afirma, almeja tributar, quando muito, apenas o valor do seu custo operacional. Admitir as deduções pretendidas implica, na prática, em transformar a Contribuição em nãocumulativa, sem qualquer resguardo na legislação em vigor. Ademais, e como visto acima, o inciso III § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 não contempla custos e despesas relativos aos eventos com os associados da recorrente, mas sim com associados de outras operadoras (cessionárias).” Portanto, também em relação a este tópico não há reparos a fazer na decisão recorrida. Registro que as deduções referentes ao inciso III adotadas no Demonstrativo de Base de Cálculo do PIS/Cofins, elaborado pela fiscalização, advêm dos valores apresentados pela contribuinte em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n.º 0001 (fls. 222/227) e consolidados pelos fiscais autuantes na planilha Transferência de Responsabilidade (fl. 547). A Fiscalização efetuou apuração, de acordo com fls. 547, do saldo entre a “produção da rede conveniada” e o “intercâmbio recebido”, o que faria supor que os valores de intercâmbio teriam sido corretamente apurados, a partir de agosto de 2002. A diferença de base de cálculo corresponde à soma da conta do grupo 2.2.1 e da conta 22373, exceto pela adição da recuperação de despesas assistenciais. A Fiscalização esclareceu, na fl. 540, que, entre dezembro de 2001 e julho de 2002, “ficou prejudicada a dedução prevista no inciso III do § 9ºdo art. 3º Lei no 9.718”, de 1998, pela impossibilidade de segregação dos custos com eventos realizados em usuários de outras operadoras e com eventos realizados em usuários locais (subgrupo 2.2.1.1). Tal situação aplicase somente a partir e dezembro de 2001, porque a alteração foi efetuada pelo art. 2º da MP no 2.15835, de 2001. A apuração, a partir de agosto de 2002, foi possível (fl. 547), uma vez que, a partir de tal mês, a Interessada passou a contabilizar separadamente os custos. Portanto, em relação ao inciso III, descabe razão à Interessada. Quanto ao inciso I do referido parágrafo, de acordo com a apuração de fl. 543, comparativamente ao demonstrativo da Interessada de fl. 91, os valores registrados na conta 22373 não foram excluídos pela Fiscalização. Segundo o que consta das fls. 91 e seguintes, a Interessada efetuou a exclusão de intercâmbio a pagar da conta 22373. Sobre tal matéria, a Fiscalização considerou que, “Como a Unimed Araguari adota o plano de contas da Agência Nacional de Saúde/ANS, as coresponsabilidades cedidas e as provisões técnicas (incisos I e II) são facilmente identificadas na contabilidade, subgrupo de receitas, sob os códigos 3317 e 3121”. Fl. 928DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digit almente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10675.002278/200717 Acórdão n.º 330201.280 S3C3T2 Fl. 20 20 Dos demonstrativos da Interessada (fls. 91 e seguintes), não consta o grupo de receitas 3.1.1.7, mas somente o grupo 3.1.2.1. No entanto, segundo a Interessada, haveria duas contas que registrariam as cessões de responsabilidade, as de nos 3117 (“corresponsabilidades cedidas”) e 22373 (“intercâmbio a pagar”), sendo que esta última referirseia ao intercâmbio eventual e a primeira ao continuado. Portanto, a Fiscalização não analisou especificamente a exclusão em questão, mas apenas considerou que somente o grupo de contas 3.1.1.7 seria passível de exclusão com base no inciso I. Segundo o plano de contas da ANS (fl. 918), o intercâmbio a pagar deve constar da conta 22373, como efetuado pela Interessada. O tratamento dado à conta 22373, como enfatizado pela Interessada, é o mesmo dado à conta 31171 (http:// www.ans.gov.br/ portal/ upload/ perfil_operadoras/ informacoescadastraisoperadora/ planosdecontas/ planosdecontas_baixar_arquivos/ perguntasfrequentes.pdf). Nesse contexto, cabe razão à Interessada, uma vez que, embora o intercâmbio não seja registrado no grupo 3.1.1.7, seu tratamento contábil é equivalente, em função da mesma causa, como demonstrado pela Interessada nos autos. Por fim, em relação às receitas financeiras, seja em função do trânsito em julgado da ação relativa à Cofins de forma favorável à Interessada, seja à vista da declaração de inconstitucionalidade efetuada pelo Supremo Tribunal Federal, cabe a sua exclusão, por não se enquadrarem no conceito de faturamento. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo das contribuições as receitas financeiras e, para os períodos a partir de dezembro de 2001, também as receitas da conta 22373. (assinado digitalmente) José Antonio Francisco Declaração de Voto Conselheiro Alexandre Gomes Fl. 929DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digit almente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10675.002278/200717 Acórdão n.º 330201.280 S3C3T2 Fl. 21 21 Pedi vista do processo para melhor analisar a questão relacionada à exclusão de valores da base de cálculo uma vez que a alegação do contribuinte é de que havia promovido as deduções efetuadas com amparo na Lei nº 9.718/98 alterada pela MP 2158/01, que assim prescreve: Art.2º O art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art.3º .................................................. (...) § 9º Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I coresponsabilidades cedidas; II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. A Instrução Normativa SRF n° 635, de 24 de março de 2006, dispõe: Art. 17 A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apurada pelas sociedades cooperativas de médicos que operem plano de assistência à saúde, pode ser ajustada, além do disposto nos arts. 9° e 10, pela: I exclusão dos valores glosados em faturas emitidas contra planos de saúde; II dedução dos valores das coresponsabilidades cedidas; III dedução das contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; e IV dedução do valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. A controvérsia registrada no presente processo está relacionada aos conceitos aplicáveis ao inciso IV acima mencionado uma vez que não se encontram explicitados no texto da lei, ou ainda, no corpo da Instrução Normativa citada. A questão é eminentemente técnica, e deve ser desta forma analisada. Devese buscar o real significado das disposições legais mencionadas para que se possa definir o que são: “indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, Fl. 930DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digit almente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10675.002278/200717 Acórdão n.º 330201.280 S3C3T2 Fl. 22 22 efetivamente pago,” e “importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades”. Nos termos ditados pelo Código Tributário Nacional – CTN, também devem ser utilizar normas complementares para a interpretação da legislação tributária, vebis: Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Logo, se a lei não é clara o suficiente, buscase nas normas complementares auxílio para a interpretação. Ocorre que quando se trata de questões técnicas este “auxílio” deve vir de conhecedores técnicos. No caso sob analise, por se tratar de uma atividade regulada, cabe à Agência Nacional de Saúde a conceituação técnica dos temas relacionados a operação de planos de assistência. Por outro lado, o próprio CTN, também impõe limitações ao alcance dos conceitos previsto na legislação tributária, como vemos: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. A UNIMED DO BRASIL (entidade de âmbito nacional que congrega todas as UNIMED's singulares), promoveu formalmente uma consulta ao órgão regulador (ANS) visando obter esclarecimentos em relação à interpretação que deveria ser dada ao disposto no inciso IV, que assim foi respondida: "3 VALOR REFERENTE ÀS INDENIZAÇÕES CORRESPONDENTES AOS EVENTOS OCORRIDOS, EFETIVAMENTE PAGO, DEDUZIDO DAS IMPORTÂNCIAS RECEBIDAS A TÍTULO DE TRANSFERÊNCIA DE RESPONSABILIDADES: Eventos Ocorridos: são os custos assistenciais decorrentes da utilização, pelos beneficiários, da cobertura oferecida pelos planos de saúde, ou seja, são os custos com os atendimentos feitos aos beneficiários do plano de saúde da operadora, tais como consultas médicas/odontológicas, exames laboratoriais, hospitalização, terapias etc. que estejam diretamente ligados ao ato assistencial, os quais a operadora reconhecerá contabilmente na data de apresentação da conta médica ou do aviso pelos prestadores, em atenção ao regime de competência. A classificação será nas contas 4111, 4112, 4113, 4114, 4115, 4116, 4117 e 4118 (Capítulo V, Anexo 1, da IN n° 08/2006; ou Capítulo IV do Anexo II da RN n° 27/2003); Esses e ventos serão escriturados em Controles Gerenciais" conforme definido no Fl. 931DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digit almente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10675.002278/200717 Acórdão n.º 330201.280 S3C3T2 Fl. 23 23 item 7, Capítulo 1, Anexo 1, da IN n° 08/2006, ou item 6, Capítulo 1 do Anexo II, da RN n°2 7/2003; Valor dos Eventos Efetivamente Pagos: são os eventos conhecidos, ocorridos, líquidos das recuperações por glosas, ressarcimentos ou outras deduções, como descontos obtidos, classificados nas contas 4121, 4122, 4128, 4129, 4131 e 4132, ou seja, é o que efetivamente a operadora saldou, pagou no mês. Podese dizer que serão consideradas as contas 4111, 4112, 4113, 4114, 4115, 4116, 4117, 4118, () 4121, ()4122, ()4128, ()4129, ()4131 e 14132 4118 (Capítulo V, Anexo 1, da IN n° 08/2006; ou Capítulo IV do Anexo II da RN n° 27/2003)" Importâncias Recebidas a Titulo de Transferência de Responsabilidades: são os valores de repasse recebidos a título de transferência de responsabilidade, ou seja, os valores recuperados de eventos em decorrência do compartilhamento de risco, classificados nas contas 4123 e 4124 do Plano de Contas Padrão ANS (Capitulo V, Anexo I, da IN n o 08/2006; ou Capítulo IV do Anexo II da RN n o 27/2003). Essas importâncias recuperadas de eventos serão escrituradas em "Controles Gerenciais" conforme definido no item 7, Capítulo I, Anexo I, da IN no 08/2006, ou item 6, Capítulo I do Anexo II, da RN n o 27/2003. Por fim, enfatizamos que para a escrituração contábil, codificação e nomenclatura das contas, a Operadora deverá observar o conjunto de informações constantes dos capítulos I a VIII do plano de contas Padrão ANS (IN 08/2006).” Não resta dúvida que a ANS, órgão responsável por regular o setor, é quem tem competência para realizar a interpretação dos termos técnicos utilizados pela legislação tributária. Da mesma forma, não resta dúvida que a competência para legislar sobre as regras do setor de saúde é da ANS. Assim, mesmo que a resposta à consulta do contribuinte não seja exatamente um “ato normativo”, resta claro que pode ser considerada como uma decisão de órgão singular com força normativa ou, no mínimo, consiste uma prática reiterada das autoridades administrativas que regulamentam as atividades relacionadas à área da saúde, sendo aplicável o que determina o art. 100 do CTN: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Fl. 932DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digit almente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10675.002278/200717 Acórdão n.º 330201.280 S3C3T2 Fl. 24 24 Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.” Vale esclarecer que o setor de saúde realmente tem uma regulação própria, tanto que possui, até mesmo um Plano de Contas específico, constituído pelas normas da ANS. E o plano de contas é explicado, a Agência é bastante cuidadosa nos esclarecimentos, suprindo as divergências técnicas de interpretação, vejamos uma das contas que é indicada pela ANS para fim de dedutibilidade da base de cálculo: CONTA 4123 () RECUPERAÇÃO / RESSARCIMENTO DE EVENTOS / SINISTROS EM CORESPONSABILIDADE DE ASSISTÊNCIA MÉDICOHOSPITALAR SUBCONTA 41231 Consultas DESDOBRAMENTO 412311 Cobertura Assistencial com Preço Préestabelecido DESDOBRAMENTO 412311100 Pessoal Próprio (Assalariado) / Cooperado DESDOBRAMENTO 412311200 Contratados DESDOBRAMENTO 412311900 Outros DESDOBRAMENTO 412312 Cobertura Assistencial com Preço Pósestabelecido DESDOBRAMENTO 412312100 Pessoal Próprio (Assalariado) / Cooperado DESDOBRAMENTO 412312200 Contratados DESDOBRAMENTO 412312900 Outros CONCEITUAÇÃO FUNÇÃO: Registrar, por período de implantação do plano, por natureza jurídica da contratação e por segmentação assistencial oferecida, utilizando o 3º código, o valor das recuperações de eventos de assistência médicohospitalar com consultas, em decorrência de compartilhamento de risco, com base em registros auxiliares FUNCIONAMENTO: Creditada pelo valor da recuperação em decorrência de coparticipação de beneficiários nos atendimentos feitos ou por recuperação de eventos passíveis de recuperação por haver seguro de carteira junto a uma seguradora/resseguradora. OBSERVAÇÕES: 1) O valor dos eventos conhecidos/indenizações avisadas deverá considerar todos os gastos com procedimentos inclusos ou não no “rol” definido pela ANS. 2) Consultas – corresponde ao valor dos atendimentos prestados por profissional habilitado pelo Conselho Regional de Medicina, com fins de diagnóstico e orientação terapêutica, em regime ambulatorial, de caráter eletivo, urgência ou emergência, em que a despesa seja restrita ao ato da consulta. Fica claro que o conceito que deve ser utilizado é o conceito apresentado pela Agência Reguladora e que qualquer outra interpretação, salvo se vier absolutamente comprovada e justificada o que não ocorreu no presente caso, onde a glosa não foi realizada a partir de uma analise técnica e conceitual dos termos legais e sim pela simples convicção ao agente fiscalizador não pode ser aceita, sob pena de negarse aplicação ao artigo 100 do CTN. Neste sentido, entendo passível de dedução o saldo positivo obtido a partir da dedução do valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades, nos estritos termos definidos e conceituados pela ANS. Por fim, em relação à alegação relacionada à ausência de exclusão da base de cálculo das mencionadas contribuições, nos termos do artigo 32, do Decreto n°4.524, de 17 de dezembro de 2002, também com razão a Recorrente. Fl. 933DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digit almente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10675.002278/200717 Acórdão n.º 330201.280 S3C3T2 Fl. 25 25 Assim dispõe o Decreto 4.524/02: Artigo. 32. As sociedades cooperativas, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor: (...) VI das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei n° 5.764, de 1971. Dos documentos juntados aos autos só é possível verificar que as únicas deduções realizadas pela fiscalização dizem respeito às receitas de intercambio. Quanto às sobras apuradas na DRE, em que pese serem perfeitamente identificáveis, não houve qualquer exclusão, medida que deve ser adotada pela autoridade fiscal responsável. Por todo o exposto, peço vênia ao nobre Relator para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para determinar a exclusão da sobras apuradas em DRE, bem como a dedução do valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Assinado digitalmente) Alexandre Gomes Fl. 934DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digit almente em 30/03/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
score : 1.0
Numero do processo: 11516.003161/2007-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
SÚMULA CARF Nº 68
A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.526
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 19/11/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Fl. 63DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11516.003161/200746 Acórdão n.º 2102001.526 S2C1T2 Fl. 57 2 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 37 a 38 da instância a quo, in verbis: Tratase de Notificação de Lançamento, conforme revisão de ofício da declaração de ajuste anual do exercício de 2004 – anocalendário de 2003 – do contribuinte acima identificado, da qual resultou em “Imposto a Restituir” no valor de R$ 220,76, o qual consta como já restituído. Segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, ocorreu omissão de rendimentos no valor de R$ 17.236,80, recebidos da fonte pagadora Comando da Aeronáutica. Em sua defesa, o contribuinte inicialmente coloca conceitos sobre rendimentos do trabalho assalariado e vantagens. Após, remete à Lei nº. 8.852 de 04 de fevereiro de 1994, em seu art. 1º., III, alínea “n”, para alegar que o adicional por tempo de serviço está excluído da remuneração. Em relação ao o art. 43 do Decreto nº. 3.000 de 26 de março de 1999 – RIR/99, o impugnante argumenta que o mesmo, em momento algum, se reporta à tributação do adicional por tempo de serviço; que este estabelece a tributação sobre a remuneração do trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, sendo que a Lei nº. 8.852/94 enfatiza a exclusão do adicional por tempo de serviço da remuneração. Alega, ainda, que a Lei nº. 8.852/94 sobrepõe a Lei nº. 7.713/88 quando exclui da base de remuneração o Adicional por Tempo de Serviço, dentre outras verbas. Por fim, pede deferimento. É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhadas de provas suficientes e fundamentos legais, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 41 a 47, requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, repisando os mesmos argumentos trazidos na sua impugnação dirigida à DRJ, insistindo que a Lei 8.852, de 1994 exclui a tributação do IRPF sobre os rendimentos autuados. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Fl. 64DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11516.003161/200746 Acórdão n.º 2102001.526 S2C1T2 Fl. 58 3 Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. LEI N° 8.852, DE 1994. MATÉRIA SUMULADA A matéria trazida com o presente recurso não mais suscita dissídio jurisprudencial, tratada em súmula deste Conselho: SÚMULA CARF Nº 68 A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Dessa forma, não há como prosperar nesse julgamento as referidas alegações. Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10640.002839/2003-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1999
ITR Área de Reserva Legal. Averbação após ocorrência do Fato Gerador. Comprovada a existência de averbação de área de reserva legal na matrícula do imóvel, mesmo depois de ocorrido o fato gerador do tributo, é lícita a sua exclusão da incidência tributária, visto que a lei não estabeleceu a condição de que a averbação seja efetivada antes da ocorrência do fato gerador.
Recurso especial negado
Numero da decisão: 9202-001.918
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira e Henrique Pinheiro Torres.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Francisco Assis de Oliveira Junior
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1999 ITR Área de Reserva Legal. Averbação após ocorrência do Fato Gerador. Comprovada a existência de averbação de área de reserva legal na matrícula do imóvel, mesmo depois de ocorrido o fato gerador do tributo, é lícita a sua exclusão da incidência tributária, visto que a lei não estabeleceu a condição de que a averbação seja efetivada antes da ocorrência do fato gerador. Recurso especial negado
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Averbação após ocorrência do Fato Gerador. Comprovada a existência de averbação de área de reserva legal na matrícula do imóvel, mesmo depois de ocorrido o fato gerador do tributo, é lícita a sua exclusão da incidência tributária, visto que a lei não estabeleceu a condição de que a averbação seja efetivada antes da ocorrência do fato gerador. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira e Henrique Pinheiro Torres. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente (Assinado digitalmente) Francisco de Assis Oliveira Junior – Relator EDITADO EM: 06/12/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (Conselheira Convocada), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro Convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela FAZENDA NACIONAL, por meio de seu procurador, com fulcro no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, em face do Acórdão n° 30134.696, proferido pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1999 ITR Área de Reserva Legal. Averbação após ocorrência do Fato Gerador. Comprovada a existência de averbação de área de reserva legal na matrícula do imóvel, mesmo depois de ocorrido o fato gerador do tributo, é lícita a sua ekclUsão da incidência tributária, visto que a lei não estabeleceu a condição de que a averbação seja efetivada antes da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido. Sustenta o órgão fazendário que o acórdão recorrido acolheu a tese de que a área de reserva legal mesmo averbada em cartório posteriormente à data de ocorrência do fato gerador é passível de exclusão da base de cálculo do ITR, enquanto outros colegiados manifestam seu entendimento de forma diversa, exigindo que a averbação deve ser feita em data anterior a do fato gerador, o que caracterizaria a existência de divergência jurisprudencial. O recurso especial foi admitido, conforme consta às fls. 112. Em contra razões o contribuinte pugna pela ratificação do acórdão recorrido no sentido de que a área de reserva legal seja consideradas para fins de dedução do ITR, independentemente de ser previamente reconhecida pelo poder público, por ser de direito e inteira justiça ainda que posteriormente averbada. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10640.002839/200351 Acórdão n.º 920201.918 CSRFT2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior, Relator O recurso especial da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, conforme consta do despacho às fls. 112, razão pela qual dele conheço. Inicialmente, registro que a questão controversa trazida para apreciação deste colegiado referese à possibilidade de a averbação à margem da matrícula do imóvel, em relação às áreas de reserva legal, pode ser feita ou não após a ocorrência do fato gerador. No entendimento da Fazenda Nacional, tal situação deve ser corrigida alterando a decisão do acórdão recorrido, conforme consta dos conteúdos apresentados nos acórdãos paradigmas. De acordo com o texto legal, o conceito de Reserva Legal encontrase no Código Florestal, Lei nº 4.771, de 1965, art. 1°, §2°, III, inserido pela MP n°. 2.16667, de 24.08.2001, com a seguinte definição: "área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas." Para fins de gozo de isenção do ITR, as áreas de reserva legal devem estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no respectivo cartório. Tal obrigação decorre do comando legal previsto no § 8º do art. 16 do Código Florestal, Lei 4.771, de 1965, com a redação alterada pela Medida Provisória nº 2.16667: § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. Além disso, a Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, ao disciplinar o instituto da reserva legal consagrou a exigência de sua averbação ou registro à margem da inscrição da matricula do imóvel teve como objetivo, conforme o § 2º do art. 16, ao vedar "a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, ou desmembramento da área". Assim como acontece com as áreas de preservação permanente, as áreas de reserva legal foram instituídas com a finalidade de atender aos princípios da função social da propriedade e da proteção ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Uma vez definida pela lei a área de reserva legal, os limites para sua exploração, e, finalmente, a obrigatoriedade de se averbar a margem da matrícula do imóvel, o legislador, buscando contrabalançar os interesses de toda a sociedade, permitiu que os proprietários de tais áreas, em contrapartida a tantas obrigações, tivessem algum tipo de beneficio. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 Tal beneficio é exatamente a possibilidade de exclusão, da incidência do ITR, das áreas caracterizadas como de reserva legal (art. 10, II da Lei 9393/96, transcrito acima). Áreas de reserva legal são, portanto, aquelas já acima mencionadas, definidas pelo citado Código Florestal em seu artigo 16, e que, para serem consideradas como tal, não bastam apenas "existir" no mundo fático, mas devem "existir" também no mundo jurídico quando averbadas na matricula do imóvel. Nesse sentido, o art. 16 da Lei nº 4.771/65 dispõe, dentre outros aspectos, sobre a obrigatoriedade da averbação para que as áreas de reserva legal sejam definitivamente delimitadas e protegidas. Art16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão ,desde que sejam mantidas, a título de reserva legal ,no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do §7º deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. Como é possível observar, a depender da localização da propriedade haverá um percentual mínimo para definição da área de reserva legal, circunstância que, para usufruto da isenção, exige sua constituição por meio da averbação na matrícula do registro imobiliário. Contudo não se pode olvidar que a natureza jurídica da exigência da averbação do registro imobiliário é acessória, nesse sentido, não obstante entender que se constitui em condição para usufruir a isenção legal, também entendo aplicável o disposto no art. 138 do Código Tributário Nacional que normatiza o instituto da denúncia espontânea. Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Contudo, conforme conta do parágrafo único o prazo limite para atendimento da referida obrigação seria o início do procedimento fiscal. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10640.002839/200351 Acórdão n.º 920201.918 CSRFT2 Fl. 3 5 Ante o exposto, pelos motivos acima, voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Fl. 156DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
score : 1.0
Numero do processo: 11831.002746/2003-42
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 22/04/2003
COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. CRÉDITO DE
TERCEIRO. DECISÃO JUDICIAL. INAPLICABILIDADE.
A lei que rege a compensação é a vigente no momento em que se realiza o
encontro de contas, e não aquela em vigor na data do surgimento do crédito.
No caso sob exame, quando da apresentação da declaração de compensação,
a lei então vigente vedava a compensação de débitos do contribuinte com
créditos de terceiros. A decisão judicial a que se reporta o Recorrente afastou
a aplicação de norma complementar editada em momento anterior ao da
vigência da lei aplicável ao caso, não acobertando, por conseguinte, o pedido
constante dos autos.
Numero da decisão: 3803-001.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a
preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do
relator.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 22/04/2003 COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. CRÉDITO DE TERCEIRO. DECISÃO JUDICIAL. INAPLICABILIDADE. A lei que rege a compensação é a vigente no momento em que se realiza o encontro de contas, e não aquela em vigor na data do surgimento do crédito. No caso sob exame, quando da apresentação da declaração de compensação, a lei então vigente vedava a compensação de débitos do contribuinte com créditos de terceiros. A decisão judicial a que se reporta o Recorrente afastou a aplicação de norma complementar editada em momento anterior ao da vigência da lei aplicável ao caso, não acobertando, por conseguinte, o pedido constante dos autos.
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LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. CRÉDITO DE TERCEIRO. DECISÃO JUDICIAL. INAPLICABILIDADE. A lei que rege a compensação é a vigente no momento em que se realiza o encontro de contas, e não aquela em vigor na data do surgimento do crédito. No caso sob exame, quando da apresentação da declaração de compensação, a lei então vigente vedava a compensação de débitos do contribuinte com créditos de terceiros. A decisão judicial a que se reporta o Recorrente afastou a aplicação de norma complementar editada em momento anterior ao da vigência da lei aplicável ao caso, não acobertando, por conseguinte, o pedido constante dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN Presidente. (assinado digitalmente) HÉLCIO LAFETÁ REIS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por HELCIO LAFETA REIS 2 Relatório Em 22 de abril de 2003, o contribuinte supra identificado apresentou Pedido de Compensação (fl. 01), pleiteando a compensação de débitos próprios com crédito pertencente ao contribuinte Nitriflex S/A Indústria e Comércio, CNPJ 42.147.496/000170, que, em ação judicial transitada em julgado, obtivera o reconhecimento de créditos a seu favor. Posteriormente, a Nitriflex impetrou Mandado de Segurança objetivando obter autorização judicial para compensar seus créditos com débitos de terceiros, tendo obtido provimento no sentido de invalidar a limitação prevista na Instrução Normativa SRF n° 41/2000, que vedava a compensação com débitos de terceiros. Em 5 de dezembro de 2005, a repartição de origem, por meio de despacho decisório (fls. 31 a 34), não homologou a compensação declarada neste processo, considerando que, a partir de 1º de outubro de 2002, a legislação de regência passou a vedar, expressamente, a compensação de débitos de um contribuinte com créditos de terceiros, sendo ressaltado, ainda, que teria perdido o objeto a decisão proferida em mandado de segurança baseada em legislação que veio a ser revogada e substituída por outra. No despacho decisório constou, ainda, que a decisão judicial invalidara a IN SRF nº 41/2000, que vedava a compensação de débitos com créditos de terceiros, por falta de suporte legal, conforme entendimento do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. O mesmo despacho decisório esclareceu que, a par da decisão judicial, favorável ao estabelecimento Nitriflex S/A Indústria e Comércio, no sentido de autorizar a compensação de débitos com créditos de terceiros, a compensação sob comento não poderia ser homologada, em razão da superveniência de legislação contrária à pretensão do declarante, no caso, a Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Ressaltou a autoridade administrativa de origem que o art. 49 da Lei nº 10.637/2002 deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430/1996, impossibilitando, a partir de 1º de outubro de 2002, a compensação de créditos apurados pelo sujeito passivo com débitos de terceiros. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 47 a 65), instruída com os documentos de fls. 66 a 108, e requereu a reforma do despacho decisório, com a homologação da declaração de compensação, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) em 21 de julho de 1998, a Nitriflex S/A Indústria e Comércio impetrou o Mandado de Segurança nº 98.00166580 para, tendo em conta o princípio constitucional da nãocumulatividade, obter o reconhecimento de créditos do IPI relativos a aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero, nos dez anos anteriores à impetração, tendo transitado em julgado, em 18 de abril de 2001, acórdão do TRF da 2ª Região, favorável à pretensão do impetrante; b) a coisa julgada material impediria a aplicação da superveniente Lei nº 10.637/2002, que passou a limitar a disponibilidade do crédito do IPI, cujas disposições somente valeriam para os créditos nascidos posteriormente à sua edição. O entendimento da Fl. 2DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11831.002746/200342 Acórdão n.º 380301.912 S3TE03 Fl. 225 3 repartição de origem configuraria descumprimento de uma ordem judicial, com desrespeito à coisa julgada material e aos princípios da nãocumulatividade do IPI e da irretroatividade das leis; c) o Mandado de Segurança nº 2001.51.10.0010250, impetrado em 26 de março de 2001, visava a impedir que a IN SRF nº 41/2000 obstasse a livre disposição do crédito do IPI, tendo sido obtido decisão favorável confirmando o direito de livre disposição do crédito assegurado judicialmente; d) tendo em vista o contido na IN SRF n° 600/2005, a Delegacia da Receita Federal de Florianópolis/SC seria incompetente para decidir acerca das compensações em questão, uma vez que os créditos oferecidos como lastro provinham de terceiro, cujo domicílio tributário pertencia à jurisdição da Delegacia da Receita Federal de Nova Iguaçu/RJ; e) considerando o prazo dos artigos 48 e 49 da Lei n° 9.784/1999, teria ocorrido a homologação tácita da compensação, em razão do decurso do prazo, uma vez que o processo de homologação havia sido instruído em 5 de julho de 2005 e ainda se encontrava sem decisão. A DRJ Ribeirão Preto/SP indeferiu a solicitação (fls. 113 a 118), tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do Fato Gerador: 22/04/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIRO. IMPOSSIBILIDADE. As compensações declaradas a partir de 1º de outubro de 2002, de débitos do sujeito passivo, com crédito de terceiro, esbarram em inequívoca disposição legal, impeditiva de compensações da espécie. É descabida a pretensão de legitimar compensações de débitos do requerente, com crédito de terceiro, declaradas após 1º de outubro de 2002, pretensão essa fundada em decisão judicial, que afastou a vedação, outrora existente, em instrução normativa. Solicitação Indeferida Ressaltou o relator a quo que não prosperaria a alegação de que teria ocorrido homologação tácita da compensação, pelo fato de que a aplicação da Lei nº 9.784/1999 seria de aplicação subsidiária no Processo Administrativa Fiscal, não lhe sendo autorizado alterar os prazos previstos no Decreto n° 70.235/1972, e muito menos as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). Aplicarseia, no caso, o prazo constante do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela legislação superveniente, considerandose que a compensação efetuada por meio da apresentação do pedido de compensação extinguiria o crédito tributário sob condição resolutória, na forma prevista pelo art. 150 do CTN, mas contado da entrega da declaração, nos termos do § 5º do artigo citado da Lei no 9.430/1996. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por HELCIO LAFETA REIS 4 Argumentou, ainda, a autoridade julgadora de piso que, com base nos elementos trazidos ao processo pelo contribuinte, o Mandado de Segurança nº 98.00166580 se referiria, exclusivamente, ao reconhecimento de créditos do IPI em favor da Nitriflex S/A Indústria e Comércio, sem qualquer referência à compensação desse mesmo crédito com débitos de terceiros. Em razão disso, a Nitriflex S/A Indústria e Comércio impetrou outro Mandado de Segurança, este de nº 2001.51100010250, em que deduziu pretensão específica de compensação de seus créditos com débitos de terceiros, em razão do que, considerou o relator que a menção do Impugnante ao Mandado de Segurança nº 98.00166580 seria impertinente. Registrouse, também, que, a vedação da IN SRF nº 41/2000, relativa à compensação de débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros, não foi simplesmente "repetida" no art. 30 da IN SRF nº 210/2002, mas decorreu da nova redação dada ao caput do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002. A partir da alteração legislativa, as compensações da espécie passaram a se esbarrar em novo obstáculo, qual seja, o dispositivo legal que impedia as compensações com créditos de terceiros, isso a partir de 1º de outubro de 2002, data do início da produção de efeitos da citada alteração no plano legal. Prosseguindo o relator, informouse que a nova disposição legal não foi objeto de apreciação no Mandado de Segurança nº 2001.51100010250, em razão do que descaberia a alegação de coisa julgada. Verificouse, por conseguinte, que, a partir de 1º de outubro de 2002, a decisão judicial favorável à Nitriflex, obtida no Mandado de Segurança nº 2001.51100010250, não ampararia compensações de seus créditos com débitos de terceiros. Por fim, registrouse que, para o presente processo, em que Maximiliano Gaidzinski S.A. Indústria de Azulejos Eliane requer a compensação de débitos de sua titularidade com créditos de terceiros, a competência para proferir o despacho decisório é da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis que jurisdiciona o estabelecimento industrial do interessado, não se ignorando que os créditos da Nitriflex se encontrariam sob apreciação da DRF Nova Iguaçu/RJ. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho (fls. 122 a 153), junta cópia de parecer doutrinário (fls. 161 a 213) e reitera seu pedido, alegando nulidade das decisões até então proferidas, por incompetência absoluta, ou, subsidiariamente, que se acolhe seu pedido de homologação da compensação pleiteada, repisando os mesmos argumentos, exceto em relação à alegada homologação tácita do pedido de compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Fl. 4DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11831.002746/200342 Acórdão n.º 380301.912 S3TE03 Fl. 226 5 O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. De início, registrese que nada há a reparar nas decisões precedentes. No que se refere à preliminar de nulidade arguida, registrese desde logo a sua rejeição, tendo em vista os fatos a seguir abordados. O pedido de compensação sobre o qual se controverte nos autos foi protocolizado pelo Recorrente em 23 de abril de 2003, quando já se encontrava vigente a nova redação do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, dada pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, que, expressamente, passou a restringir a compensação a créditos e débitos próprios dos contribuintes, vedandose, por conseguinte, o feito com base em créditos de terceiros. Em casos de compensação de tributos, a legislação que se aplica é a vigente no momento da formalização do pedido pelo interessado, independentemente da data de surgimento do crédito. Conforme bem salienta Leandro Paulsen1, é “inapropriada a invocação da proteção do direito adquirido, no caso, porque acaba consagrando um direito adquirido a regime jurídico de compensação, quando é certo que o STF não reconhece direito adquirido a regime jurídico. Ademais não se pode pensar em compensação senão em face do débito a ser compensado e do momento do encontro de contas”. Dessa forma, considerando que na compensação, há a extinção de um crédito tributário – o débito –, a legislação aplicável não pode ser aquela vigente à época do crédito que surgiu no passado, pois o instituto da compensação envolve o encontro de contas simultâneo entre saldo credor e saldo devedor, não havendo que se invocar um comando legal que não mais vigia no momento do surgimento do débito. O Superior Tribunal de Justiça já decidiu nesse sentido por mais de uma vez, conforme se depreende do excerto a seguir transcrito, extraído da decisão do Recurso Especial nº 492.627, julgado em maio de 2004: TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECLARADO INCONSTITUCIONAL PELO STF. COMPENSAÇÃO ENTRE TRIBUTOS DE ESPÉCIES DISTINTAS. 1. (...) a lei aplicável à compensação é a vigente na data do encontro entre os débitos e créditos (...) 2. No caso concreto, tendo em vista o regime vigente à época da postulação, deve a compensação do FINSOCIAL ser admitida apenas com parcelas da COFINS, ressalvado o direito da autora de proceder à compensação dos créditos na conformidade com as normas supervenientes. 3. Recurso especial provido. 1 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria dos Advogados, 2008, p. 1123. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por HELCIO LAFETA REIS 6 Esse mesmo entendimento consta do Embargo de Declaração no Recurso Especial nº 419.757, julgados em março de 2004, conforme se constata a seguir: TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. FINSOCIAL. PRESCRIÇÃO. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS. POSSIBILIDADE. ART. 74 DA LEI Nº 9.430/96, COM REDAÇÃO CONFERIDA PELA LEI Nº 10.637/02. (...) 4. A lei que rege a compensação é aquela vigente no momento em que se realiza o encontro de contas, e não aquela em vigor na data em que se efetiva o pagamento indevido. Precedentes. Constatase, portanto, que, na data da protocolização do pedido de compensação, a legislação em vigor já vedava a compensação com créditos de terceiros, não havendo suporte legal ao pedido do ora Recorrente nos termos formulados. Além disso, naquela data, a Instrução Normativa SRF nº 21/1997, de que vale o Recorrente para arguir a nulidade da decisão de piso, não mais regia o caso sob análise, pois que regulamentava dispositivos da Lei nº 9.430/1996 que foram alterados pela legislação superveniente, conforme acima abordado, esta aplicável ao caso sob comento. Logo o disciplinameno acerca das jurisdições administrativas da Receita Federal, no que tange aos casos de compensação com créditos de terceiros, já havia sido revogado, dado que se encontrava incompatível com a legislação superveniente, que passou a vedar o procedimento então regulamentado pela referida Instrução Normativa. O novo disciplinamento dado por instruções normativas supervenientes, como a de número 600, de 2005, referenciada pelo contribuinte, se deu em conformidade com o novo ordenamento legal que se instaurou após as alterações legislativas acima abordadas, quando deixou de existir a figura da compensação com créditos de terceiros. Nesse novo contexto, deixou de existir a diferenciação entre repartição jurisdicionante do detentor do crédito e repartição jurisdicionante do detentor do débito, pois ambos se fundiram numa única pessoa, qual seja, o postulante à compensação. Rejeitase, portanto, a preliminar de nulidade argüida, relativa à incompetência da autoridade julgadora de primeira instância. Quanto à alegação de coisa julgada, temse que, além do fato de que o trânsito em julgado favoreceria expressamente apenas a sociedade empresária Nitriflex, pois o direito foi deferido nominalmente a ela, que poderia se valer dele para proceder às compensações de seus débitos sem o entrave da Instrução Normativa SRF nº 41/2000, o ora Recorrente, no presente caso, dela não se beneficia, pois, na data do seu pedido de compensação, essa Instrução Normativa não mais vigia, pois que fora revogada pela Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002. Se coisa julgada há que possa favorecer o Recorrente, conforme ele alega, a este processo ela não se aplica, pois o fundamento legal que embasara a decisão administrativa de origem não corresponde ao agasalhado na decisão judicial. Enquanto esta afasta as condições fixadas na IN SRF nº 41/2000 para fruição do direito à compensação, a base legal do despacho decisório foi a lei vigente na data da entrega do pedido de compensação, qual seja, o caput do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, que passou a prever a vedação de compensação com Fl. 6DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11831.002746/200342 Acórdão n.º 380301.912 S3TE03 Fl. 227 7 créditos de terceiros, esta hipótese veio a ser regulamentada por outra Instrução Normativa, qual seja, a de número 210/2002, esta amparada em dispositivo legal. O afastamento da aplicação da Instrução Normativa SRF nº 40/2000, determinado pela decisão judicial, fundouse no fato de que tal normativo vedava a compensação com créditos de terceiros sem haver uma lei dispondo no mesmo sentido, situação essa não condizente com a sob análise, pois, repitase, no momento da formalização do pedido de compensação, já havia lei vedando a compensação nos moldes ora pleiteados. Por fim, ressaltese, tendose em conta os documentos e as informações presentes nos autos, que não há na decisão judicial da Nitriflex nenhuma referência expressa ao ora Recorrente, não se vislumbrando razão para a alegação de coisa julgada a seu favor. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, em razão da existência de vedação legal de compensação de débitos da titularidade do contribuinte com créditos de terceiros. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 7DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por HELCIO LAFETA REIS 8 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 11831.002746/200342 Interessada: MAXIMILIANO GAIDZINSKI S/A INDÚSTRIA DE AZULEJOS ELIANE Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380301.912, de 01 de setembro de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 01 de setembro de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 8DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10480.000212/2003-46
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
Ementa. RESSARCIMENTO. ABONO DE JUROS. INEXISTÊNCIA DE OBJEÇÃO INFUNDADA DA ADMINISTRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Inexistindo previsão legal para o abono de juros a valores postulados em ressarcimento, somente se tornam eles cabíveis quando a Administração opõe-se injustificadamente ao seu deferimento, ainda que com base em Ato Normativo que se venha a declarar contrário ao ordenamento legal, consoante decisão do e. STJ proferida no rito do art. 543-C do CPC. Não havendo tal oposição, incabível acrescer ao valor postulado qualquer outra parcela, por absoluta falta de previsão legal.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-001.675
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Nanci Gama
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RESSARCIMENTO. ABONO DE JUROS. INEXISTÊNCIA DE OBJEÇÃO INFUNDADA DA ADMINISTRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Inexistindo previsão legal para o abono de juros a valores postulados em ressarcimento, somente se tornam eles cabíveis quando a Administração opõese injustificadamente ao seu deferimento, ainda que com base em Ato Normativo que se venha a declarar contrário ao ordenamento legal, consoante decisão do e. STJ proferida no rito do art. 543C do CPC. Não havendo tal oposição, incabível acrescer ao valor postulado qualquer outra parcela, por absoluta falta de previsão legal. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora Fl. 0DF CARF MF Impresso em 05/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Júlio César Alves Ramos RedatorDesignado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de recurso especial interposto pelo contribuinte com fulcro no artigo 7º, inciso II, do antigo Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, bem como no artigo 15 e seguintes do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ambos aprovados pela Portaria MF nº 147/2007, em face ao acórdão de n.º 29300.092, o qual, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário para entender que não cabe a incidência da taxa Selic, desde a data da entrada do insumo no estabelecimento do contribuinte, dos créditos escriturados de IPI que foram objeto do pedido de ressarcimento in casu, conforme ementa a seguir: “RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE. Ao valor do ressarcimento de IPI, inconfundível que é com restituição ou compensação, não se abonam juros calculados pela taxa Selic. Recurso negado.” Inconformado com a decisão supra ementada, o contribuinte interpôs recurso especial de divergência, aduzindo, em síntese, que acórdãos paradigmas teriam manifestado o entendimento de que, nos termos do artigo 39, §4º da Lei nº 9.250/95, a taxa Selic incide sobre o ressarcimento, eis que este seria uma espécie do gênero restituição. Em despacho de fls. 227, o i. presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais admitiu o recurso especial do contribuinte. Regularmente intimada, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões às fls. 230/238, repisando as razões aduzidas no acórdão recorrido, requerendo, dessa forma, a sua manutenção. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Nanci Gama, Relatora Conheço o recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte, eis que tempestivo e, a meu ver, preenche os requisitos de admissibilidade. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 05/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10480.000212/200346 Acórdão n.º 930301.675 CSRFT3 Fl. 241 3 A controvérsia aduzida nos presentes autos consiste em definir se é cabível, no ressarcimento, a aplicação da taxa Selic ao crédito presumido de IPI desde a entrada dos insumos empregados na produção dos produtos exportados, cabendo, ainda, definir se é cabível ou não realizar uma distinção entre “ressarcimento” e “restituição” para fins de aplicação do disposto no artigo 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95 que, por sua vez, dispõe: “Art. 39. (...) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.” (grifou se) Aludida matéria já foi objeto de diversos julgados prolatados por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, razão pela qual peço venia para transcrever como meu, o voto proferido pela ilustre conselheira Maria Teresa Martínez López, quando do julgamento do recurso nº 201125.339, conforme abaixo segue: “O STJ, orientado pela jurisprudência do STF, não reconhece o direito à correção monetária dos créditos meramente escriturais, como é o caso, porquanto, fundamentalmente, nos casos de compensação, a correção se aplicada aos créditos escriturais, ensejaria a correção dos débitos da mesma conta, sendo inalterável o resultado final e efetivo, se comparado aos valores históricos1. Nesse sentido, também é a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes. 2 No entanto, a partir da data de protocolização do respectivo pedido e o do efetivo ressarcimento, por imposição dos princípios constitucionais da isonomia e da moralidade, nada mais justo que à contribuinte titular do direito ao crédito de IPI, garantase o direito à atualização monetária pela taxa SELIC, nesse período, nos moldes aplicáveis na restituição. Nesse sentido, vejamse precedentes jurisprudenciais reconhecendo a aplicação da taxa SELIC.3 Isto porque a demora própria do andamento fiscal, e a correspondente defasagem monetária do crédito, não podem ser carregadas como ônus do contribuinte, sob pena de ficar comprometido, pelo menos em parte, o valor ressarcido, que se busca preservar. De outra frente, poderseia invocar que a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, não seria apropriada em razão de não ser especificamente taxa de atualização monetária. Penso que a sua aplicação vai de encontro ao adotado na legislação, nos pedidos de restituição, compensação e cobrança de créditos da União. 1 REsp. 667308/ SC; REsp. 412.710∕SC, Rel. Min. Franciulli Netto, DJU 08∕09∕2003. REsp 416.776∕RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJU 16∕02∕2004 e REsp 541.505∕PR, Rel. Min. José Delgado, DJU 20.10.2003, e REsp 412.710∕SC. 2 Vejase os acórdãos 20302.719/96, 20208.583/96, 20208.594/96 e 20302.719/97. 3 A matéria já foi objeto de vários julgados dos Conselhos de Contribuintes, (ACÓRDÃO 20213.920, sessão de 09/07/2002; ACÓRDÃO 20177.484 , sessão de 16/02/2004, incluindo CSRF ( CSRF/0201.732, sessão de 13 de setembro de 2004; e CSRF/020.762, DOU de 06/08/99; Acórdão nº CSRF/020.708, de 04/06/98), reconhecendo, tratandose de restituição de crédito de IPI, o direito à atualização do crédito pela taxa SELIC. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 05/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Há de se lembrar que o crédito presumido, quando aproveitado a maior ou indevidamente, também é pago com o acréscimo da SELIC. Observo inexistir texto legal específico conceituando a taxa SELIC. Podese dizer que a taxa SELIC é por sua composição, híbrida, tendo em vista que comporta juros e atualização monetária.4 Em verdade, o Fisco exige ou paga ao contribuinte aquilo que a União paga para tal captação. Nesse sentido, a “atualização/juros” são devidos por representar remuneração do capital, que permaneceu à disposição da empresa, e não guardam natureza de sanção. Também deve ser considerado o disposto no art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95, que preceitua que, a partir de 1º de janeiro de 1996, em lugar da UFIR, a compensação ou restituição de tributos deve ser acrescida de juros equivalentes à taxa referencial SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Ora, na repetição do indébito, consoante o disposto no parágrafo único do art. 167 do CTN, os juros moratórios são devidos apenas a partir do trânsito em julgado da decisão que a determinar. Logo, inferese que tal incidência não se faz a título de juros moratórios, pois estes estão vedados pelo Código Tributário Nacional nesse mesmo parágrafo único do art. 167. Por outro lado, as Instruções Normativas da Receita Federal indicam ser a taxa SELIC adotada como referencial de juros moratórios, verdadeiro substitutivo da correção monetária. Mas, se a inflação, mesmo oficial, ainda permanece, não há como reconhecer apenas juros moratórios em favor do Fisco credor, sendo a correção elemento integrativo do próprio tributo devido e, pois, inseparável deste. Em verdade, o que ocorre é a substituição de um indexador por outro, de forma a repor o valor real do indébito a ser restituído. O mesmo, de resto, sucede quando credor o Fisco, com a atualização de seus créditos mediante uma taxa de supostos juros moratórios correspondentes à taxa referencial SELIC.5 Por esses motivos, a exemplo do ocorrido na cobrança, restituição ou compensação dos tributos e contribuições federais é que entendo que a escolha da taxa Selic reflete a melhor opção.” Dessa forma, o fato de o contribuinte ter requerido, em seu pedido de ressarcimento, a atualização monetária, pela Selic, dos seus créditos escriturais de IPI, desde a data da entrada dos insumos, faz com que as razões da Recorrente sejam, a meu ver, 4 Algumas Resoluções antigas do Banco Central, como as de n°s. 2.672/96, 1.693/90 e 1.124/86, permitem inferir que essa taxa corresponde àquela média mensal apurada no Sistema Especial de Liquidação SELIC para os rendimentos dos títulos federais dentre os quais se inserem as Letras do Banco Central. Outrossim, inexiste definição legal quanto à composição dessa mesma taxa. Como corresponde ela aos rendimentos dos títulos federais, deve albergar conjuntamente os juros remuneratórios do capital empregado na aquisição desses títulos e, ainda, a correção monetária, que, a despeito de suprimida relativamente às demonstrações financeiras, para fins de apuração do imposto de renda (art. 4º da Lei nº 9.249/95), continua presente na economia nacional e é reconhecida através da publicação de vários índices oficiais ou oficiosos. Aliás, não é por outra razão que essa taxa varia mensalmente. Embora o livre jogo do mercado financeiro possa influir nessa variação, o componente relativo à inflação mensal é nela indescartável. 5 Também devese levar em consideração que o próprio Banco Central do Brasil, que apura a taxa SELIC, reconheceu em sua Circular nº 2.672/96, ao regulamentar Linha Especial de Assistência Financeira do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (PROER), ser a taxa SELIC diferenciada dos juros. Tanto assim que cobra encargos financeiros capitalizados diariamente e exigíveis trimestralmente à taxa equivalente à taxa média ajustada de todas as operações registradas no SELIC, acrescida de juros. Portanto, distinguemse os juros dessa última taxa. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 05/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10480.000212/200346 Acórdão n.º 930301.675 CSRFT3 Fl. 242 5 parcialmente procedentes, tendo em vista que o STJ, no julgamento do recurso especial representativo de controvérsia de nº 1.035.847, entendeu que a atualização dos créditos escriturados de IPI deve ser realizada “desde o protocolo dos pedidos administrativos de ressarcimento, pela UFIR e, após janeiro de 1996, pela SELIC”. Considerando que, nos termos do artigo 62A6 do atual Regimento Interno do CARF, qual seja, o aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões proferidas pelo STJ, mister se faz que o reconhecimento da incidência da taxa Selic seja dado apenas para atualizar monetariamente os créditos de IPI desde o momento do protocolo do pedido de ressarcimento até a data em que o crédito vier, de fato, a ser ressarcido. Em face do exposto, conheço do recurso especial interposto pelo contribuinte e, no mérito, doulhe parcial provimento para reconhecer a incidência da taxa Selic sobre os valores dos créditos presumidos de IPI apenas a partir do momento em que o pedido de ressarcimento foi protocolado. Nanci Gama 6 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos, RedatorDesignado Incumbiume o sr. Presidente do CARF da redação do acórdão, dado que o colegiado divergiu do entendimento esposado pela i. relatora em seu voto. E apesar de a e. relatora ter invocado o art. 62A do Regimento Interno para conceder o abono de juros a partir do protocolo do pedido, a Turma, por qualidade, o considerou inaplicável in casu. E isso porque a decisão proferida pelo e. Superior Tribunal de Justiça, consoante citação da própria relatora (REsp 1.035.847), que os membros deste Conselho estamos forçados a reproduzir por força do comando regimental mencionado, os considerou cabíveis quando o indeferimento do valor postulado em ressarcimento se mostra injustificado. Nesse sentido, vale aqui citar a ementa do julgamento dos embargos declaratórios interpostos pela Fazenda Nacional naquele recurso no qual foi reafirmado o entendimento, : PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (ARTIGO 543C, DO CPC) (PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE Fl. 4DF CARF MF Impresso em 05/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA.). ERRO MATERIAL. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. MANIFESTO INTUITO INFRINGENTE. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. IMPOSSIBILIDADE. MULTA POR EMBARGOS PROCRASTINATÓRIOS. ARTIGO 538 C/C 557, § 2º, DO CPC. APLICAÇÃO. 1. O inconformismo, que tem como real escopo a pretensão de reformar o decisum, não há como prosperar, porquanto inocorrentes as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material, sendo inviável a revisão em sede de embargos de declaração, em face dos estreitos limites do artigo 535, do CPC. 2. A pretensão de revisão do julgado, em manifesta pretensão infringente, revelase inadmissível, em sede de embargos, quando o aresto recorrido assentou que: "1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008)." 3. A Fazenda Nacional, nos presentes embargos de Fl. 5DF CARF MF Impresso em 05/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10480.000212/200346 Acórdão n.º 930301.675 CSRFT3 Fl. 243 7 declaração, suscitou preliminar no sentido de que o acórdão embargado não teria atentado para a novel jurisprudência do STF, firmada por ocasião do julgamento dos Recursos Extraordinários 353.657/PR e 370.682/SC, que concluiu pela ausência de direito ao creditamento de IPI quando da aquisição de insumos favorecidos pela alíquota zero e pela não tributação, cujo consectário lógico seria o afastamento do direito à correção monetária. 4. Nada obstante, em sede de embargos de declaração manejados na instância ordinária, bem como no âmbito do recurso especial eleito como representativo de controvérsia, a Fazenda Nacional, pugnando pela ausência de previsão legal de correção monetária de créditos escriturais, assinalou que "a questão versa sobre o reconhecimento do direito do contribuinte à correção monetária de crédito escritural de IPI decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero e que o contribuinte não pôde compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, ao realizar a compensação do referido crédito com outros tributos nos termos do art. 11, da Lei 9.779/99". 5. Conseqüentemente, a preliminar ventilada pela embargante, além de destoar das razões esposadas nos embargos de declaração e no recurso especial fazendários (donde se poderia inferir aparente litigância de máfé), constitui inovação argumentativa, vedada na instância extraordinária, notadamente em virtude do inarredável requisito do prequestionamento e tendo em vista o óbice inserto na Súmula 7/STJ. 6. Embargos de declaração rejeitados, com a condenação da embargante ao pagamento de 1% (um por cento) a título de multa, pelo seu caráter procrastinatório (artigo 538, parágrafo único, do CPC), em face da impugnação de questão meritória, esta submetida ao rito do artigo 543C, do CPC (mutatis mutandis, Questão de Ordem no REsp 1.025.220/RS, apreciada pela Primeira Seção aplicação de multa artigo 557, § 2º do CPC). (EDcl no REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Assim, não basta que tenha havido um certo lapso temporal entre a formulação do pedido e o seu deferimento final. É imprescindível que o retardo tenha decorrido de uma oposição administrativa contrária à lei, ainda que eventualmente embasada em ato normativo. No presente caso está consignado no relatório da decisão proferida pela DRJ (fls. 169) que o contribuinte apresentou o seu pedido de ressarcimento em 8/01/2003 e em julho e agosto do mesmo ano vinculou dois pedidos de compensação. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 05/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Junto com o pedido de ressarcimento, o contribuinte apresentou planilha (fl. 04) em que demonstra que o montante postulado em ressarcimento (R$ 4.282,14) já inclui uma parcela correspondente à variação da selic entre a data do registro do crédito e o pedido administrativo aplicada sobre o valor original do crédito. O que ele pretende, portanto, é ver “corrigido” o seu crédito escritural desde que o lançou em sua escrita fiscal e até a data do seu pedido administrativo. Observase ainda que a compensação proposta em julho de 2003 (perdcomp às fls. 47/50) pretendeu utilizar R$ 2.547,99 do valor original do crédito. Aí já se aponta que ele seria naquela data de R$ 4.615,57. Ou seja, desde o pedido já se haviam acrescido cerca de R$ 380,00 de “correção” pela selic. Aceita tal correção, portanto, sobraria um saldo a utilizar de R$ 2.067,58 Às fls. 51/56 consta o segundo perdcomp, transmitido um mês depois do primeiro, em que se pretendeu utilizar exatamente aquela sobra. Em suma, não há “correção” entre os dois perdcomp. Há, isto sim, correção desde o registro do crédito até sua utilização no primeiro perdcomp. O que a nobre relatora deferira, fora apenas a segunda parcela. Ocorre que os trabalhos fiscais reduziram o montante original do saldo credor para apenas R$ 2.953,36, suficiente apenas para viabilizar a primeira compensação (que foi homologada) e restar um saldo de R$ 405,37. As glosas realizadas não foram contestadas na manifestação de inconformidade, exceto aquela atinente à Selic. De se conferir o seu pedido (fl. 159): DO PEDIDO Diante o exposto, a ora Requerente espera que Vossa Senhoria se digne de julgar totalmente PROCEDENTE a manifestação de inconformidade, com vistas a reconhecer o direito da mesma em ver incluído sobre o crédito do IPI a taxa SELIC, por completa previsão legal. Desse modo, entendo eu, apenas se pode pretender aplicar o entendimento esposado pelo ministro Fux se se considerar que a “demora” na apreciação de seu pedido inicial – que somente ocorreu em 05 de dezembro de 2006 – corresponda à “oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade” de que fala s. Exa. em seu voto. A meu sentir, no entanto, com essa expressão referese o sr. Ministro aos casos em que há instrução normativa da SRF ou reiterada decisão administrativa que impede o exercício do direito previsto em lei, direito esse que somente vem a ser assegurado após o recurso ao Poder Judiciário. Como procurei deixar claro, não houve oposição quanto a parcela prevista em lei. Houve, sim, denegação de uma parcela – “correção monetária de crédito escritural” – que Fl. 7DF CARF MF Impresso em 05/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10480.000212/200346 Acórdão n.º 930301.675 CSRFT3 Fl. 244 9 não tem previsão legal, fato já incontroversamente decidido pelos tribunais pátrios. E sobre outras que sequer foram contestadas. Fora isso, o que resta é a discussão sobre a possibilidade de acréscimo de juros sobre valores objeto de pedidos de ressarcimento, ainda que nenhuma objeção ilegal por parte da Administração haja. Entendo que não existe tal possibilidade. Sobre o tema já tive oportunidade de me expressar em diversas ocasiões, permitindome replicar aqui aquelas considerações, basicamente as mesmas expendidas pelo julgador de primeira instância: É que não há lei que preveja o cômputo de juros em adição a valores postulados em ressarcimento. Esta adição, como se sabe, está autorizada apenas nos casos de restituição de tributos pagos a maior ou indevidamente. Nos ressarcimentos nada foi pago indevidamente ou a maior. Também, a meu ver, incabível a tese de que tal adição visa apenas à correção ou atualização monetária para garantir o poder de compra do montante a ressarcir, dispensando lei autorizativa. É que, entendo, não se pode confundir a aplicação da taxa de juros selic com a figura da correção ou atualização monetária, pois aquela é autêntica taxa de juros, que incorpora, além da expectativa de inflação, efetiva remuneração, de vez que aplicada, em sua origem, à remuneração dos títulos da dívida pública e apenas trazida ao mundo tributário por força, originalmente, da lei 9.250/95. Assim sendo, não se pode admitir a tese de que sua aplicação independa de existência de norma legal, ao sabor do entendimento doutrinário pacificado de que “a correção monetária não constitui plus” mas apenas reposição do anterior poder aquisitivo do crédito. A taxa selic é, sim, plus e plus bastante alto, por sinal, como, aliás, reconhecem os mesmos contribuintes quando se trata de pagála nos recolhimentos em atraso... Ocorre que sendo uma remuneração, que embute, mas extrapola, o que se poderia chamar de “correção” monetária, a aplicação de juros ao ressarcimento constituiria, ao contrário, enriquecimento do sujeito passivo, que nada pagou indevidamente. Não é ele, portanto, credor da União, seja tributário, seja não tributário. Ademais, sabemos todos que o instituto da correção monetária, criado à época da ditadura militar, tinha por escopo preservar o valor de determinado crédito compensandoo pela inflação passada. Por outro lado, como taxa de juros prefixada que é, e disso não há dúvidas, o que a Selic embute é uma expectativa de inflação; ou seja, é a inflação que se espera que ocorrerá, não a que tenha eventualmente ocorrido e que se mede por um dos muitos índices disponíveis: IPC, INPC, IPCA etc. Como tal, pode se confirmar ou não. Pois bem, após o plano real não tem sido incomum que se registrem deflações (o que nem por isso fez a Selic negativa). Será que os que advogam a incidência de correção monetária pretenderão, nesse caso, reduzir o montante Fl. 8DF CARF MF Impresso em 05/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 a ressarcir? Ou, por coerência, considerarão que há enriquecimento sem causa do postulante ao ressarcimento? Claro que a lei poderia deferir a incidência de juros nesses casos. Não o fez, porém. E não o tendo feito, não cabe ao intérprete fazêlo, ainda que a título de analogia ou de eqüidade Com base nessas considerações, decidiu o colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso interposto. E este é o acórdão que me coube redigir. CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Redator Designado Fl. 9DF CARF MF Impresso em 05/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 16327.001433/2008-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano calendário: 2005
Ementa: PERC – SÚMULA Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula CARF nº 37).
Numero da decisão: 1401-000.640
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, determinando o retorno dos autos à DRF para analisar as demais questões.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, determinando o retorno dos autos à DRF para analisar as demais questões. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Karem Jureidini Dias e Viviane Vidal Wagner. Fl. 304DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 22/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001433/200803 Acórdão n.º 1401000.640 S1C4T1 Fl. 301 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1628.199, da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de São Paulo ISP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: A contribuinte acima identificada ingressou, em 30/09/2008, com o PERC Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais de fls. 01/02, tendo em vista que não houve ordem de emissão para o FINOR, relativamente à sua opção por aplicação de parte do IRPJ relativo ao anocalendário 2005, exercício 2006, no FINOR (extrato à fl. 07). 2. Por meio do Despacho Decisório de fls. 220/223, proferido em setembro/2009, a autoridade administrativa competente indeferiu o pedido, tendo em vista o resultado de consultas ao CADIN e aos registros de regularidade mantidos pela Secretaria da Receita Federal SRF, pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN, pelo Instituto Nacional de Seguridade Social INSS e pela Caixa Econômica Federal (CEF)/FGTS, apontando a existência de débitos tributários e com base no artigo 60 da Lei n° 9.069, de 29/06/1995. 2.1. O auditor fiscal designado para apreciar o pedido, assim informou: 6 A situação cadastral atual da interessada junto ao CNPJ é "Ativa", pertencendo à jurisdição desta unidade administrativa, conforme extrato de fl. 173. 7 A interessada apresentou uma única DIPJ/2006, fl. 175, tendo sido processada e liberada sem o registro de eventos. 8 Manifestou sua opção pra aplicação de parcela do Imposto de Renda em incentivos fiscais, no caso, no FINOR, no percentual de 12% da base de cálculo, fl. 178. 9 O valor declarado de base de cálculo, foi de R$ 2.767.351,83, e o valor do incentivo fiscal declarado, de R$ 332.082,22. A consulta ao sistema IRPJOEIF confirma os valores declarados e o valor normalizado do incentivo fiscal, fl. 186. 10 Não foram constatados DARF específicos com recolhimento de valores diretamente ao Fundo de Investimento FINOR. 11 Antes da apreciação do pedido da interessada, quanto ao mérito, convém verificar, em caráter preliminar, se a interessada pode usufruir o incentivo fiscal em questão, considerando o que dispõe a legislação que rege a matéria, Nesse intuito foram consultados o CADIN/S1SBACEN e os registros de regularidade mantidos pela Secretaria da Receita Federal/PGFN, INSS, CEF/FGTS. 12A aludida consulta indica que a interessada está em situação irregular junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil/PGFN, como se verifica a fls. 192 a 219 deste processo, relatório SINCOR, indicando que constam débitos inscritos em Dívida Ativa da União, impedindoa de comprovar quitação de tributos e contribuições federais, com o que fica materializada a vedação abaixo transcrita: (...) Fl. 305DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 22/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001433/200803 Acórdão n.º 1401000.640 S1C4T1 Fl. 302 3 2.2. O referido despacho decisório encontrase assim ementado: Ementa: INCENTIVOS FISCAIS. PERC. A legislação veda a concessão de incentivos fiscais nas situações em que o pleiteante não esteja regular junto à Fazenda Pública. 3. Inconformada com o referido Despacho Decisório, do qual foi devidamente cientificada em 02/10/2009 (fls. 225), a interessada apresentou, em 03/11/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 228/232, acompanhada da documentação de fls. 233/264. Na peça de defesa a interessada argúi: 3.1. que a situação fiscal da contribuinte oscila entre "regular" e "irregular", e isto se daria em razão de falhas do sistema do Fisco que, inúmeras vezes, obriga a interessada a requerer baixa de débitos tributários inexistentes ou, buscar tutela judicial para tanto; 3.2. não ser possível que o direito ao incentivo fiscal, apurado na declaração de rendimentos, esteja vinculado a esse sistema que, algumas vezes, apresenta distorções na situação real do cadastro dos contribuintes (que pode oscilar com freqüência); 3.3. que, para comprovar o quão incontestável é a sua regularidade fiscal, o recorrente anexa a listagem SINCOR, datada de 27/10/09 (doe. 03), obtida por meio do serviço de Atendimento Virtual (eCAC), a qual demonstra a suspensão da exigibilidade de seus débitos perante a RFB e a PGFN Alega que os P.A. n°s 10980.007728/0094 (CDA 80.6.03.07316820), 16327.000880/200837 (CDA 80.7.09.00613631 e CDA 80.6.09.02537102), 16327.001096/200331 e 16327.001575/200277 encontramse com a exigibilidade suspensa, conforme comprovariam os documentos 04, 05, 06 e 07 que acompanham a peça de defesa; 3.4. que, para comprovação de sua regularidade fiscal, o Manifestante anexa a presente a Certidão Positiva com Efeitos de. Negativa de Débitos relativos às Contribuições Previdenciárias e às de Terceiros (doc. 08). A DRJ, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PERC QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS PROVA. Nos termos do art. 60 da Lei 9.069/95, a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fiscal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais, relativamente ao período a que se refere a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo. Diante da ausência desta prova o PERC não pode ser deferido. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente e aduzindo em complemento que: Fl. 306DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 22/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001433/200803 Acórdão n.º 1401000.640 S1C4T1 Fl. 303 4 Fica evidente que a intenção do legislador não foi a de impedir a liberação de incentivos fiscais a qualquer tempo. Ao contrário, pretende dar aos contribuintes condições de comprovar a inexistência de pendências que os coloquem na situação de "irregularidade fiscal"; Assim, não é possível admitir que o direito ao incentivo fiscal, apurado na declaração do ano base 2005, esteja vinculado a pendências apontadas pelos sistemas da SRF e PGFN, que podem apresentar distorções na situação real do cadastro de contribuintes, pois oscilam com freqüência; caso se entenda que a comprovação da regularidade fiscal deve ser feita no momento do despacho decisório, o benefício também deverá ser concedido, já que nesta data a própria autoridade administrativa reconhece a existência de certidões negativas ou positivas com efeito de negativa; Se o julgador tivesse analisado este processo na fase de situação cadastral regular teria deferido o incentivo, no entanto, poucos dias depois, em face de mudança da situação cadastral para irregular, indeferiu. A situação do contribuinte oscila entre regular e irregular, devido a problemas na comprovação de seus pagamentos; Essa situação de insegurança acontece inúmeras vezes, muito embora tenha pago o tributo (por DARF, por compensação demonstrada à Receita Federal) ou tenha obtido suspensão de exigibilidade (em decisão liminar, por depósito judicial), em razão de falhas no cadastro do sistema do Fisco se yê impedido de obter certidões negativas ou recebe cobranças desses supostos débitos, por isso, é obrigado a requerer a baixa do débito inexistente ao próprio órgão administrativo ou buscar tutela judicial para tanto e isso tudo acarretando desgastes; O Conselho Administrativo de Recursos tem se manifestado, reiteradamente, no sentido de que o contribuinte pode regularizar sua situação enquanto não esgotada a discussão administrativa. Assim, o incentivo fiscal deve ser deferido quando apresentada a certidão negativa ou a positiva com efeitos de negativa, em qualquer momento do processo; nesse contexto, a Recorrente traz aos autos certidões de regularidade fiscal junto à União, PGFN, INSS e CEF (FGTS) válidas à data de hoje. Se a Recorrente dispõe hoje da certidão de regularidade fiscal, é porque todos os débitos porventura exigíveis, seja no momento da entrega da DIPJ, seja no momento do despacho decisório, já foram regularizados; para comprovar sua regularidade fiscal, não havendo, portanto, pendências impeditivas da concessão do incentivo fiscal pleiteado, a Recorrente anexa, ao presente Recurso, Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos a Tributos Federais e A Divida Ativa da Unido, válida até 25/07/2011 (doc. 03), Certidão Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos as Contribuições Previdenciárias e as de Terceiros, válida até 25/04/2011 (doc.04) e Certidão de Regularidade do FGTS — CRF, válida até 01/02/2011 (doc.05), demonstrando, assim, a suspensão da exigibilidade de todos seus débitos perante a RFB, PGFN, INSS e FGTS. É o relatório. Fl. 307DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 22/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001433/200803 Acórdão n.º 1401000.640 S1C4T1 Fl. 304 5 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a presente lide decorre da não emissão de ofício do incentivo fiscal, relativo ao exercício de 2006 (anocalendário de 2005), em razão da existência de débitos de tributos e contribuições federais. Tendo a recorrente protocolizado o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, o mesmo foi indeferido em função da existência de débitos com exigibilidade junto à Procuradoria da Fazenda Nacional. No caso, A DRF indeferiu o pedido, pautandose pelo entendimento de que para fazer jus ao incentivo fiscal o contribuinte deveria ter demonstrado a sua regularidade até o momento em que se examina o pedido de revisão de ordem de emissão do incentivo fiscal, não se importando, pois, se os débitos foram constituídos após o momento da opção. A respeito dos três débitos inscritos em dívida ativa da união (fl. 197) que não estavam com a exigibilidade suspensa no momento da consulta em 16/09/2009, com exceção do que se refere à inscrição n. 8060307316820 (P.A. n° 10980.007728/0094), não se pode aferir com os dados constantes no processo a que período se referem. Ou seja, se são anteriores ou não a data da opção pelo incentivo fiscal. Porém, como se demonstrará mais adiante tal informação se tornará dispensável em função das certidões trazidas posteriormente. Nesse mesmo diapasão, a DRJ também ampara o entendimento da DRF em relação a tais débitos, apenas excluindo um quarto débito constante da fl. 197, pois este conforme constava expressamente no sistema estava na situação de “exigibilidade suspensa” (inscrição n. 8020302745643 Proc. 10980007.727/0021): 6.5.1. Em relação às inscrições 8070900613631 e 8060902537102 (Proc. 16327.000880/200837), a contribuinte alega que referemse a débitos de PIS e COFINS com exigibilidade suspensa por força de decisão concessiva de liminar proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2006.61.00.0116935. Apresenta a documentação acostada às fls. 252/254. Tal documentação diz respeito a decisão judicial concessiva de liminar "a fim de suspender a exigibilidade das contribuições PIS e COFINS, nos termos da Lei n° 9.718/98, permitindo aos impetrantes apurarem tais tributos com base no faturamento, assim entendido como receita bruta operacional, como requerido na inicial". Decisão lavrada em 06/06/2006. Entretanto, não consta dos autos a prova de que os valores controlados no P.A. n° 16327.000880/200837 sejam aqueles, ou somente aqueles, amparados pela liminar em mandado de segurança concedida nos autos do Processo n° 2006.61.00.011693 5. 6.5.2. Quanto à inscrição 8060307316820 (P.A. n° 10980.007728/0094), a interessada alega ser referente a débitos de CSLL que se encontram com exigibilidade suspensa em face de depósito judicial efetuado nos autos do Mandado de Segurança n° 2003.61.00.0169513. Apresenta a documentação acostada às fls. 04, que além de não provar a correlação entre o débito controlado no P.A. n° 10980.007728/0094 e a matéria tratada nos autos do MS n° 2003.61.00.0169513, Fl. 308DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 22/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001433/200803 Acórdão n.º 1401000.640 S1C4T1 Fl. 305 6 também não demonstra que o valor depositado corresponda à integralidade do crédito tributário pendente de comprovação. O que se vê é que tanto a DRF quanto a DRJ não provou que tais débitos não estariam com sua exigibilidade suspensa no momento do exercício da opção (2006). O que se percebe é que o momento da opção se deu no exercício de 2006 e a verificação feita pela DRF se deu em 2009, portanto em data muito diversa daquela adequada e ainda sem que a DRF tivesse qualquer preocupação em saber se os débitos seriam anteriores ou não à data do exercício da opção. Porém, despiciendo é tal informação, senão vejamos. A interessada em relação aos três débitos em questão trouxe fortes indícios que se não eram suficientes para fazer uma prova robusta no mínimo seria suficiente para que a Receita Federal aprofundasse as investigações a respeito no caso dúvidas, o que não foi feito. Nesse diapasão a interessada tentou demonstrar que naquele momento a exigibilidade estaria suspensa seja por força de decisão concessiva de liminar proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2006.61.00.0116935, apresentando documentação de fls. 252/254, seja por força de depósito judicial efetuado nos autos do Mandado de Segurança n° 2003.61.00.016951 3 (fl.251). Contudo, tal matéria já foi inclusive sumulado pelo CARF em sentido contrário ao entendimento adotado pela DRF e DRJ: Súmula CARF Nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. (grifei) Assim, segundo meu entendimento baseado na Súmula CARF n 37, a comprovação da regularidade fiscal em qualquer dos momentos processuais (desde a entrega da declaração até o julgamento final administrativo) possibilita o deferimento do pleito para aqueles débitos existentes na data da declaração. É que a teleologia da lei não é como parece obstaculizar que o contribuinte em débito deixe de gozar do beneficio, mas sim, condicionar seu gozo à quitação do débito. Nessa linha de raciocínio, uma vez identificado que na data da entrega da declaração o contribuinte possuía débitos de tributos ou contribuições federais, deverá ele quitar os débitos para obter o deferimento do pedido ou provar que estavam com sua exigibilidade suspensa, o que pela súmula CARF nº 37, poderá ser feito em qualquer fase do processo. Se surgir novos débitos após a data da entrega da declaração, esses apenas influenciarão a concessão do beneficio para outros anoscalendário. Ora, na esteira da Súmula CARF n. 37 que admite “ a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72”. Assim, os fortes indícios já trazidos pela interessada aliado à Certidões conjuntas positivas com efeitos de negativa emitidos pela Receita Federal do Brasil e Procuradoria Geral da Fazenda Nacional Fl. 309DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 22/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001433/200803 Acórdão n.º 1401000.640 S1C4T1 Fl. 306 7 de fls. 295 (momento da recurso voluntário – válida até 25/04/2011), complementada pelas declarações de outros órgãos já entregues e agora mais atualizadas (docs.04 e 5), para mim são bastantes o suficiente para comprovar que durante a discussão administrativa foi regularizada as pendências específicas apontadas quando da opção. Por todo o exposto, dou provimento ao recurso, para que a delegacia avance em relação a essa preliminar de regularidade fiscal e prossiga na análise do mérito. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 310DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 22/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 10840.002166/2002-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano-calendário: 1997
IRRF. NORMAS PROCESSUAIS. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF.
POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DURANTE A VIGÊNCIA DO ART. 90 DA MP 2.15835, ANTES DA INOVAÇÃO INTRODUZIDA PELO. ARTIGO 18 DA LEI N° 10.833/2003.
Inexiste óbice legal para o lançamento de oficio exigindo tributos declarados pelo contribuinte mediante Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF, efetuado anteriormente à vigência do artigo 18 da Lei n° 10.833/2003, ainda ao amparo do artigo 90 da Medida Provisória n° 2.15835/ 2001, que expressamente exigia o lançamento de oficio para as hipóteses
relativas à ausência de comprovação do pagamento de tributo declarado.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.561
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso para considerar legítima a exigência fiscal por meio de auto de infração, e determinar o retorno dos autos à Câmara recorrida para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário.
Matéria: DCTF_IRF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRF)
Nome do relator: Gustavo Lian Hadad
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 IRRF. NORMAS PROCESSUAIS. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DURANTE A VIGÊNCIA DO ART. 90 DA MP 2.15835, ANTES DA INOVAÇÃO INTRODUZIDA PELO. ARTIGO 18 DA LEI N° 10.833/2003. Inexiste óbice legal para o lançamento de oficio exigindo tributos declarados pelo contribuinte mediante Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF, efetuado anteriormente à vigência do artigo 18 da Lei n° 10.833/2003, ainda ao amparo do artigo 90 da Medida Provisória n° 2.158 35/2001, que expressamente exigia o lançamento de oficio para as hipóteses relativas à ausência de comprovação do pagamento de tributo declarado. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para considerar legítima a exigência fiscal por meio de auto de infração, e determinar o retorno dos autos à Câmara recorrida para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 16/05/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório Em face de Vané Comercial de Autos e Peças Ltda foi lavrado o auto de infração de fls. 05/06, objetivando a exigência de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, declarado pela contribuinte em suas DCTFs relativas ao 3º e 4º trimestres do anocalendário de 1997, relativos a valores declarados e não pagos, bem como pagamento de valores declarados em atraso sem a inclusão de acréscimos moratórios (juros e multa). A Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 10423.227, que se encontra às fls. 188/194e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE — IRRF Anocalendário: 1997 IRFONTE VALOR INFORMADO EM DCTF – NÃO RECOLHIDO IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO Incabível o lançamento para exigência de valor declarado em DCTF e não recolhido. O imposto e/ou saldo a pagar, apurado em DCTF, deve ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição na Dívida Ativa da União. MULTA ISOLADA Com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, ao artigo 44, da Lei n°. 9.430, de 1996, deixou de existir a exigência da multa de oficio isolada de setenta e cinco por cento por recolhimento de tributos em atraso sem o acréscimo da multa de mora. Portanto, as multas aplicadas com base nas regras anteriores devem ser adaptadas às novas determinações, conforme preceitua o art. 106, inciso II, alínea "a", do Código Tributário Nacional. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10840.002166/200201 Acórdão n.º 920201.561 CSRFT2 Fl. 2 3 TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO SEM ACRÉSCIMO DE JUROS DE MORA EXIGÊNCIA DE JUROS DE MORA DE FORMA ISOLADA É cabível, a partir de 1° de janeiro de 1997, a exigência isolada dos juros de mora, pelo recolhimento extemporâneo de débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal (art 61, § 3 0, da Lei no. 9.430, de 1996). JUROS TAXA SELIC A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n° 4). Recurso parcialmente provido.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, pelo voto de qualidade, deu provimento parcial ao recurso para considerar inadequada a exigência de Imposto de Renda Retido na Fonte e consectários por meio de Auto de Infração e excluir da exigência a multa isolada. Intimada pessoalmente do acórdão em 05/09/2008 (fls. 195) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 197/204, em que sustenta contrariedade à legislação em vigor, mais precisamente os artigos 106 e 142 do CTN e o artigo 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 104 412/2008, de 17/09/2008 (fls. 206/208). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte deixou de apresentar contrarazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. No mérito a discussão nos presentes autos é relativa à possibilidade de exigência de valores declarados em DCTF, cujo pagamento não foi identificado pela Receita Federal do Brasil, por meio de auto de infração. O v. acórdão recorrido entendeu que é incabível o lançamento de ofício para exigência de tributo declarado em DCTF, constituído na vigência do art. 90 da Medida Provisória n. 2.15835, de 2001, por tal dispositivo ter perdido eficácia a partir da edição do art. 18 da Lei n. 10.833, de 2003, que deve ser aplicado retroativamente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Segundo essa posição estaria o débito declarado em DCTF já devidamente lançado, devendo ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança executiva, sendo desnecessária a lavratura de auto de infração. Entendo, no entanto, que no case em exame assiste razão à Procuradoria da Fazenda Nacional. Já me manifestei em oportunidades anteriores de que não compartilho com o entendimento externado no v. acórdão recorrido e tenho para mim que ele aplica indevidamente a regra da retroatividade benigna, prevista no art. 106 do CTN para a hipótese de aplicação de penalidade, a questão relativa a procedimento fiscal, cuja norma de regência é sempre a do momento da prática, salvo norma posterior expressamente retroativa. O art. 90 da MP n. 2.15835, vigente a partir de 28 de agosto de 2001 e base legal da autuação, era bastante explícito: “Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.” O argumento da tese vencedora no v. acórdão recorrido é o de que tal disposição perdeu eficácia com a edição do art. 18 da MP n. 135, publicada em 31 de outubro de 2003 (posteriormente convertido no art. 18 da Lei n. 10.833, de 2003). Referido dispositivo assim estabeleceu: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964.” De fato, é patente que a partir da entrada em vigor do dispositivo não mais se tornou necessário procedimento de ofício para constituição de crédito tributário declarado em DCTF mas não pago, salvo nas hipóteses previstas no dispositivo. Não obstante, entender que o dispositivo tornou nulos os atos praticados na vigência do art. 90 da MP n. 2.15835 é dar a ele extensão demasiada, incompatível com os cânones de interpretação. Reportome à explicação constante do voto proferido pelo I. Conselheiro José Antônio Francisco, da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, formalizado no Acórdão 20177.839, in verbis: “Em outubro de 2003, com a publicação da MP nº 135 (convertida na Lei n. 10.833, de 2003), o lançamento anteriormente previsto no art. 90 da MP nº 2.15835, de 2001, passou a ser cabível somente nas hipóteses de compensação indevida, em que houvesse dolo, fraude ou conluio, relativamente à multa de ofício qualificada, não havendo lançamento em relação aos débitos declarados em DCTF. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10840.002166/200201 Acórdão n.º 920201.561 CSRFT2 Fl. 3 5 (...) A primeira conseqüência das referidas alterações implicaram a restrição da aplicação da multa de ofício, no caso de débitos declarados em DCTF, nos termos do art. 106, II, “a”, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), uma vez que a vinculação do débito em DCTF somente representa infração, segundo a nova legislação, nos casos em que tenha havido dolo. A conclusão mencionada foi objeto da Solução de Consulta Interna nº 3, de 8 de janeiro de 2004, emitida pela Coordenação do Sistema de Tributação, que também concluiu que os lançamentos, nas hipóteses da antiga redação do art. 90 da MP nº 2.15835, de 2001, e os recursos apresentados, entre a publicação daquela MP e a da MP nº 135, de 2003, seriam atos perfeitos, cabendo, portanto, a apreciação do recurso. Ademais, ainda, concluiu que “no julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP nº 2.15835, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do ‘caput’ do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que essas penalidades não tenham sido fundamentadas nas hipóteses versadas no ‘caput’ desse artigo”. A aplicação de tais conclusões não se restringe aos casos de apresentação de pedido de compensação válido formalmente, como se poderia supor, uma vez que a disposição da MP nº 135, de 2003, foi bastante clara em restringir o lançamento à aplicação da multa e somente nos casos em que tenha havido dolo, fraude, ou conluio. Embora se concorde com o afastamento da aplicação da multa de ofício, aplicandose, entretanto, a de mora, se for o caso, não se pode concordar com a conclusão de que o auto de infração seja considerado improcedente, relativamente ao lançamento da contribuição. Se o auto de infração é um ato jurídico perfeito, por ter sido lavrado nos termos da legislação vigente, então passou a ser o meio adequado para cobrança dos valores lançados, ainda que a multa de ofício não seja aplicável. Segundo o art. 144 do CTN, “O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”, de forma que o auto de infração foi regularmente lavrado, sob seus aspectos formais.” Em resumo, cabe aplicar a retroatividade benigna para afastar a exigência da multa de ofício, como muito bem concluiu a CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação (COSIT) da Secretaria da Receita Federal na Solução Interna de Consulta n. 3, de 2004. Não obstante, como também afirma a referida solução de consulta o procedimento de lançamento foi efetuado segundo a norma de regência então vigente (art. 90 da MP n. 2.15835), sendo ato jurídico perfeito, não cabendo afastálo por norma posterior não expressamente retroativa. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 No presente caso, tratase de IRRF relativo ao 3º e 4º trimestres do ano calendário de 1997, declarado pela recorrente em sua DCTF. Verificado o não pagamento por meio de auditoria interna, nos termos do artigo 4º da Instrução Normativa nº 54/1997, caberia o lançamento de imposto suplementar, por meio da lavratura de auto de infração, nos termos do art. 90 da MP n. 2.15835, vigente à época da autuação (dezembro de 2001). A postura adotada pelo acórdão recorrido, se prevalecesse, poderia dar ensejo a questionamento em sede de embargos de execução fiscal quanto à inviabilidade de prosseguimento da cobrança em face da ausência de instrumento apto ao lançamento. Verifico, portanto, que a autoridade fiscal agiu corretamente ao efetuar o lançamento de ofício relativamente ao IRRF não recolhido com os respectivos consectários legais, sendo legítima a constituição do crédito tributário via auto de infração à época da autuação. Assim, entendo que deve ser reformado o v. acórdão recorrido, o qual determinou o cancelamento do Auto de Infração em epígrafe, devendo o processo ser remetido à Câmara a quo para análise das demais razões recursais suscitadas pela Contribuinte para se evitar supressão de instância. Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL para considerar legítima a formalização da exigência por meio de auto de infração, determinando o retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões de mérito. Gustavo Lian Haddad (assinado digitalmente) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 19647.007064/2006-68
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 25/05/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO
INTEMPESTIVA. AUSÊNCIA DE LITÍGIO ADMINISTRATIVO.
A apresentação intempestiva da impugnação não instaura o litígio
administrativo previsto no Processo Administrativo Fiscal.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3403-001.186
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se
tomar conhecimento do recurso.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/05/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. AUSÊNCIA DE LITÍGIO ADMINISTRATIVO. A apresentação intempestiva da impugnação não instaura o litígio administrativo previsto no Processo Administrativo Fiscal. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se tomar conhecimento do recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Winderley Morais Pereira, Domingos de Sá Filho, Liduína Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Fl. 105DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/09/ 2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração para exigência de multa prevista no § 1º, do art. 499, do RIPI/2002 em razão do fornecimento a terceiro de selos de controle de bebidas adquiridos da Secretaria da Receita Federal. A empresa foi cientificada do lançamento em 31/07/2006 e apresentou manifestação de inconformidade em 06/09/2006. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu que a manifestação de inconformidade foi intempestiva. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/05/2005 AUSÊNCIA DE REQUISITO ESSENCIAL À ADMISSIBILIDADE DA IMPUGNAÇÃO. O auto de infração com lançamento da multa regulamentar por irregular fornecimento a terceiros de selos de controle de IPI foi cientificado à interessada em 31.07.2006, entretanto a impugnação somente foi protocolada perante a Receita Federal em 06.09.2006, fora do prazo legal previsto na disciplina do processo administrativo fiscal. Impugnação não Conhecida” Cientificada da decisão da DRJ a Empresa protocolou Recurso Voluntário alegando a nulidade do lançamento em razão da conduta supostamente praticada pela Recorrente (fornecer selo a terceiros) foi utilizada como fundamentação legal no auto de infração não se encontra tipificada nas condutas previstas no art. 33, inciso II, do DecretoLei nº 1.593/77, que foi utilizada como fundamentação legal no auto de infração. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Fl. 106DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/09/ 2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 19647.007064/200668 Acórdão n.º 340301.186 S3C4T3 Fl. 2 3 A teor do relatado e conforme consta dos autos a ciência do despacho decisório ocorreu em 31/07/2006. O prazo para interposição da manifestação de inconformidade venceu em 30/08/2006. Portanto, a impugnação apresentada em 06/09/2006 foi intempestiva. Cientificado da intempestividade da impugnação, a Recorrente questionou a decisão de primeira instância, alegando a nulidade do lançamento. Em que pese os argumentos da Recorrente, entendo que o Recurso Voluntário apresentado não pode ser apreciado. A discussão administrativa é iniciada pela impugnação tempestiva e não resta dúvida que o litígio administrativo não foi iniciado em razão da apresentação intempestiva da impugnação. Quando a preliminar de intempestividade é arguída, obrigatoriamente a matéria deverá ser apreciada nos ritos do Processo Administrativo Fiscal, entretanto, não foi o que ocorreu no caso em tela. O Recurso Voluntário apresentado à fls. 81 a 87 alegou a nulidade do lançamento, entretanto não questionou em nenhum momento a decisão da primeira instancia que decidiu pela intempestividade da impugnação. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso por ausência de litígio administrativo, em razão da apresentação intempestiva da impugnação. Winderley Morais Pereira Fl. 107DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/09/ 2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 19515.001678/2006-31
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2002
PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. COMPRAS NÃO CONTABILIZADAS.
Demonstrado que inexistiu a suposta falta de contabilização de compras, em face da correlação de datas e valores entre as notas fiscais de venda, emitidas pelos fornecedores, e as notas fiscais de entrada, escrituradas pela empresa autuada no livro Registro de Entradas, não procede o lançamento.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2002
CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA.
Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
Numero da decisão: 1803-001.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002 PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. COMPRAS NÃO CONTABILIZADAS. Demonstrado que inexistiu a suposta falta de contabilização de compras, em face da correlação de datas e valores entre as notas fiscais de venda, emitidas pelos fornecedores, e as notas fiscais de entrada, escrituradas pela empresa autuada no livro Registro de Entradas, não procede o lançamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002 CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002 PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. COMPRAS NÃO CONTABILIZADAS. Demonstrado que inexistiu a suposta falta de contabilização de compras, em face da correlação de datas e valores entre as notas fiscais de venda, emitidas pelos fornecedores, e as notas fiscais de entrada, escrituradas pela empresa autuada no livro Registro de Entradas, não procede o lançamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002 CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Fl. 423DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001678/200631 Acórdão n.º 180301.085 S1TE03 Fl. 426 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 424DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001678/200631 Acórdão n.º 180301.085 S1TE03 Fl. 427 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido, na parte mantida (fls. 365): Trata o presente feito de autos de infração (AI) de IRPJ e reflexos, relativos ao exercício de 2002, anocalendário de 2001, cuja exigência fiscal totaliza R$ 562.544,92, incluídos multa de ofício e juros de mora calculados até 31/08/2006 (AI e demonstrativos de apuração às fls. 152/170). De acordo com a descrição dos fatos contida no auto de infração à fl. 157, foi constatada omissão de receita caracterizada pelo não registro de compras de mercadorias. O Termo de Verificação Fiscal – IRPJ (fls. 147/149) detalha o procedimento fiscal adotado e o documento de fls. 150/151 relaciona as operações não contabilizadas. As disposições legais que embasaram a autuação encontramse citadas nos respectivos autos de infração. Em 20/09/2006, a interessada tomou ciência dos autos de infração (fl. 173) e, em 23/10/2006 [postado em 20/10/2006], apresentou defesas (fls. 176/182, 216/222, 249/255 e 284/290), resumidamente, nos seguintes termos: ∙ As operações que originaram as notas fiscais mencionadas na impugnação, no item 3, alíneas “a” a “k” e “m” a “r”, foram pagas por meio de cheques e escrituradas no livro Razão. ∙ No tocante à alínea “l” do mesmo item, houve equívoco por parte da vendedora, sendo indevida a informação por ela prestada. [...]. ∙ O levantamento fiscal se baseou em livros fiscais remetidos pela impugnante pelo correio. Não se solicitou ao contabilista da empresa detalhamento do assunto. Em 29/09/2008, o processo foi encaminhado à DEFIC/SPO/DIPAC, para realização de diligência (fls. 336/337), cujo resultado encontrase relatado na Informação Fiscal de fls. 361/362. Concedido o prazo de 10 dias para manifestação, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.784/99, a impugnante não se pronunciou. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada, na parte mantida (fls. 364): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 OMISSÃO DE RECEITA. COMPRAS NÃO CONTABILIZADAS. Fl. 425DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001678/200631 Acórdão n.º 180301.085 S1TE03 Fl. 428 4 Se a contribuinte não comprova cabalmente que escriturou as aquisições de mercadorias, presumese que os respectivos valores foram pagos com recursos oriundos de receitas mantidas à margem da tributação. [...]. DECORRÊNCIA. A decisão relativa ao lançamento principal se aplica, no que couber, às exigências de PIS, COFINS e CSLL, por serem fundamentados nos mesmos elementos de prova. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. 3. Cientificada da referida decisão em 28/04/2011 (fls. 377), a tempo, em 26/05/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 381 a 388, instruído com os documentos de fls. 389 a 403, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que o acórdão atacado deu provimento parcial à impugnação, exonerando a Recorrente do crédito tributário exigido com base nas informações prestadas pelo “fornecedor” Distr. De Carnes e Deriv. SP, conforme relacionado nas letras “s” e “t” do item 2; b) que, todavia, desconsiderou as informações constantes das letras “a” a “k”, “m” e “o” a “r”, do item 2, de que as operações ali mencionadas foram pagas com cheques cujos números ali também foram indicados; c) que, relativamente à empresa relacionada na letra “l” do item 2, a vendedora equivocouse ao informar dados de compra que não foi feita à Recorrente; d) que as operações relacionadas nas letras “n” e “q” foram pagas, conforme comprovado com cópias do livro Razão da Recorrente, que se encontram neste processo; e) que o acórdão atacado dá a entender que o Fisco pode autuar por hipóteses e suposições, estando dispensado de fazer prova concreta das acusações lançadas contra os contribuintes; f) que acredita a Recorrente que não pode ser assim, porque, como todo Direito, o Administrativo também deve se apoiar em fatos, e não em hipóteses e suposições; e g) que não pode ser desconsiderada como o foi a contabilidade da Recorrente, porque esta retrata fatos contábeis apoiados em documentos. Em mesa para julgamento. Fl. 426DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001678/200631 Acórdão n.º 180301.085 S1TE03 Fl. 429 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Tratase de lançamento fiscal sob a seguinte descrição (fls. 157): 001 OMISSÃO DE RECEITAS Omissão de Receitas caracterizada pela não contabilização de compras. 5. No Termo de Verificação Fiscal constou o seguinte (fls. 148): Verificamos valores informados pelos fornecedores que não estavam escriturados no Livro Registro de Entrada, os quais foram relacionados em anexo ao Termo de Intimação nº 09/2006, para que o contribuinte justificasse ou comprovasse a origem dos recursos utilizados para os pagamentos dos mesmos, sendo que, para estes casos, os pagamentos não foram comprovados. Diante do exposto, concluímos que ocorreu OMISSÃO DE RECEITAS, em virtude da não escrituração de compras de mercadorias nos livros pertinentes, nem houve a comprovação do pagamento destas compras. 6. A decisão recorrida assim se fundamentou para manter parcialmente a exigência fiscal (fls. 366 e 367): A defesa argumenta que as operações mencionadas nas alíneas “a” a “k” e “m” a “r” do item 3 da impugnação de fls. 178/180 foram regularmente escrituradas no Razão. Importante destacar, primeiramente, que o documento que a impugnante afirma ser o livro Razão (fls. 191/195) foi apresentado em cópia simples, constando apenas a aposição da assinatura de seu contador, o mesmo que havia assinado as correspondências de fls. 143 e 145. Observese, ainda, que as páginas relativas às contas 3387 – André Luis Bacala Ribeiro e 1678 S & A Empreend. Agropec. Ltda. encontramse incompletas, não sendo possível a leitura das datas dos lançamentos contábeis ali registrados. Todavia, ainda que fosse possível atestar a autenticidade do documento e identificar a data exata de tais registros, assinale se que, apesar de arguir que os lançamentos contábeis referentes a notas fiscais de entrada têm relação com essas operações consignadas nas notas fiscais desses fornecedores, a impugnante Fl. 427DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001678/200631 Acórdão n.º 180301.085 S1TE03 Fl. 430 6 não logrou comprovar o alegado, não tendo se preocupado em apresentar as notas fiscais de entrada devidamente preenchidas com os dados complementares, identificando o documento fiscal correspondente ao respectivo recebimento de mercadorias. Ressaltese que, mesmo após ter sido novamente intimada para apresentar as aludidas notas fiscais (fls. 341/342 e fl. 355), a interessada não atendeu às solicitações, alegando não ter localizado tais documentos e que talvez estes haviam sido inutilizados (fl. 357). [...]. Dessa forma, não havendo provas do alegado pela defesa, subsiste a imputação fiscal. [...]. No tocante à arguição consignada na alínea “l” do item 3 da impugnação, de que a empresa S&A Empreendimentos e Agropecuária Ltda., teria se equivocado ao informar as aquisições relativas às notas fiscais de numeração 572 a 574, emitidas em 23/08/2001, cumpre assinalar que essa fornecedora foi intimada a apresentar cópias autenticadas das referidas notas fiscais (fl. 346). Em resposta, essa empresa forneceu cópia dos documentos fiscais em questão (fls. 349/351). É de se ressaltar que as notas fiscais, até prova em contrário, são instrumentos hábeis a comprovar as operações ali indicadas, mormente quando as empresas emitentes, das quais não houve qualquer contestação acerca da idoneidade delas, confirmam a realização das vendas e disponibilizam os documentos fiscais à Receita Federal. Assim, não tendo a interessada trazido à colação fatos ou documentos que comprovem as razões da não contabilização de notas fiscais de compras, também nesse caso, fica reforçada a tese formulada pelo Fisco, resultando, via de consequência, na manutenção do presente feito. 7. A autuação se baseou nos seguintes dados, no que se refere ao fornecedor André Luis Bacala Ribeiro (o valor autuado é o constante da coluna “Vlr inf. Contrib.”) (fls. 133): Fl. 428DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001678/200631 Acórdão n.º 180301.085 S1TE03 Fl. 431 7 8. Procedi à conciliação de datas e valores entre as notas fiscais de venda, emitidas pelo fornecedor, e as notas fiscais de entrada, escrituradas pela empresa autuada no livro Registro de Entradas, encontrando o seguinte: NOTAS FISCAIS DE VENDA NFS DE ENTRADA 1 10/4/2001 12.312,00 2 10/4/2001 12.312,00 24.624,00 12.312,00 36.936,00 10/4/2001 36.936,00 3 2/9/2001 8.658,00 4 2/9/2001 8.658,00 17.316,00 2/9/2001 17.316,00 5 24/10/2001 9.243,00 6 24/10/2001 5.135,00 14.378,00 9.243,00 23.621,00 24/9/2001 23.621,00 7 5/11/2001 9.828,00 8 5/11/2001 9.828,00 9 5/11/2001 3.822,00 23.478,00 5/11/2001 23.478,00 10 19/11/2001 9.828,00 11 19/11/2001 9.828,00 12 19/11/2001 9.828,00 13 19/11/2001 9.828,00 39.312,00 19/11/2001 39.312,00 14 21/12/2001 9.828,00 15 21/12/2001 9.828,00 19.656,00 21/12/2001 19.656,00 9. Como se verifica, há correlação de datas e valores entre o informado pelo fornecedor e o indicado no Registro de Entradas da Recorrente, sendo de se observar que diferenças a menor naquele se devem, pelos seus valores (R$ 12.312,00 e R$ 9.243,00), a notas fiscais não apresentadas pelo fornecedor (vendas parceladas). 10. Já no que se refere ao fornecedor S&A Empreend. Agrop. Ltda., o procedimento fiscal tomou como base o seguinte demonstrativo (fls. 139): Fl. 429DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001678/200631 Acórdão n.º 180301.085 S1TE03 Fl. 432 8 11. Da mesma forma, procedi à conciliação de datas e valores entre as notas fiscais de venda, emitidas pelo fornecedor, e as notas fiscais de entrada, escrituradas pela empresa autuada no livro Registro de Entradas, obtendo o seguinte: NOTAS FISCAIS DE VENDA NFS DE ENTRADA 1 20/4/2001 2.040,00 2.040,00 20/4/2001 2.040,00 2 7/6/2001 12.240,00 6 NFs 73.440,00 7/6/2001 73.440,00 3 11/6/2001 10.200,00 2 NFs 20.400,00 12/6/2001 21.905,00 4 21/6/2001 8.424,00 4 NFs 33.696,00 22/6/2001 33.696,00 5 26/6/2001 11.560,00 2 NFs 23.120,00 6 26/6/2001 10.880,00 10.880,00 27/6/2001 34.000,00 7 2/7/2001 10.880,00 4 NFs 43.520,00 2/7/2001 43.520,00 8 24/7/2001 10.880,00 3 NFs 32.640,00 24/7/2001 32.640,00 9 26/7/2001 10.880,00 3 NFs 32.640,00 26/7/2001 27.728,00 10 31/7/2001 10.880,00 3 NFs 32.640,00 1/8/2001 32.640,00 11 16/8/2001 10.880,00 3 NFs 32.640,00 16/8/2001 32.640,00 12 23/8/2001 7.488,00 3 NFs 22.464,00 26/8/2001 23.400,00 13 17/9/2001 700,44 700,44 17/9/2001 700,44 12. Como se verifica, há correlação de datas e valores entre o informado pelo fornecedor e o indicado no Registro de Entradas da Recorrente, sendo de se observar que a fiscalização não atentou para o fato de que os valores informados pelo fornecedor se referem a cada nota individualmente (não necessariamente todas de mesmo valor vide, como exemplo, o item seguinte), e não ao total do grupo de notas indicado (520/525, 528/529, 532/535, 536/537, 543/546, 548/550, 552/554, 555/557, 568/570 e 572/574). 13. Quanto à não apresentação das notas fiscais de entrada pela Recorrente, por têlas inutilizado pelo tempo decorrido (declaração de fls. 357), a declaração de fls. 348, do fornecedor S&A Empreend. Agrop. Ltda., obtida em diligência proposta pela própria DRJ recorrida, comprova a sua existência e a correlação de datas e valores destas com as notas fiscais de venda. Vejase (grifei): Fl. 430DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001678/200631 Acórdão n.º 180301.085 S1TE03 Fl. 433 9 Segue anexo à presente as notas fiscais solicitadas conforme intimação acima, seguintes: Nota Fiscal nº 572, de 23/08/2001, no valor de R$ 7.488,00 Nota Fiscal nº 573, de 26/08/2001, no valor de R$ 7.488,00 Nota Fiscal nº 574, de 26/08/2001, no valor de R$ 8.424,00 Total R$ 23.400,00 Nota Fiscal de Entrada nº 876, de 27/08/2001, do Santa Marina Indústria Alimentícia Ltda., no valor de R$ 23.400,00, que corresponde ao total mencionado acima. Nota Fiscal nº 577, de 17/09/2001, no valor de R$ 700,44, ref. ao complemento de preço, bem como Nota Fiscal de Entrada nº 1023, de 17/09/2001, do Santa Marina Indústria Alimentícia Ltda., no valor de R$ 700,44, correspondente ao complemento de preço. 14. Em face de tudo o que foi acima exposto, não considero necessário diligenciar quanto às demais notas fiscais de entrada. 15. Esclareço, ainda, que a suposta falta de comprovação de pagamentos escriturados no Registro de Entradas deu origem ao processo nº 19515.001942/200637, relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) (fls. 203 a 208 e 330). Demais exigências 16. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 431DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001678/200631 Acórdão n.º 180301.085 S1TE03 Fl. 434 10 Fl. 432DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 13603.900493/2006-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Período de apuração: 01/03/1996 à 31/03/1996
PRESCRIÇÃO.
Em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor
da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear
a restituição, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação,
continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na
data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos
da contagem do lapso temporal.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INFORMAÇÕES INVERÍDICAS
A ausência de comprovação quanto ao direito ao créditos de PIS,
supostamente pagos a maior no período compreendido entre 06/93 e 01/99,
bem como a existência de divergência de informações entre os supostos
créditos e a PER/DCOMP apresentada inviabiliza sua homologação
Recurso Voluntário Negado.
Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 3302-001.240
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1869; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.900493/200636 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 330201.240 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 01 de setembro de 2011 Matéria NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Recorrente TRANSREFER TRANSPORTE E LOGÍSTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Período de apuração: 01/03/1996 à 31/03/1996 PRESCRIÇÃO. Em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INFORMAÇÕES INVERÍDICAS A ausência de comprovação quanto ao direito ao créditos de PIS, supostamente pagos a maior no período compreendido entre 06/93 e 01/99, bem como a existência de divergência de informações entre os supostos créditos e a PER/DCOMP apresentada inviabiliza sua homologação Recurso Voluntário Negado. Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Walber José da Silva Presidente. (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto – Relator (Assinado Digitalmente) Fl. 170DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/201 2 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13603.900493/200636 Acórdão n.º 330201.240 S3C3T2 Fl. 2 2 EDITADO EM: 14/02/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto (Relator). Relatório Adotase o relatório da decisão ora recorrida, por bem representar a controvérsia. A interessada transmitiu em 13/06/2003, PER/Dcomp de fls. 01 a 05, visando a compensar o débito nele declarado, com crédito oriundo de pagamento a maior de PIS efetuado em 15/02/1999, relativo ao período de apuração mar/1996. A Delegacia da Receita Federal em Contagem/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico (fls. 12) no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento não foi encontrado nos sistemas da SRF. Consta às fls. 07 do Termo de Intimação anterior ao Despacho Decisório, por intermédio do qual a empresa foi cientificada (conforme fls. 75) de que o Darf não fora encontrado, sendo solicitada a conferir os dados nele constantes, e informada de que no caso de qualquer divergência, "solicitase transmitir o PER/Dcomp retificador" e, em "caso contrário, compareça à unidade da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição com esta intimação, o (s) Dorf original (is), no prazo indicado". Não constam no processo quaisquer providências tomadas pela interessada decorrente da intimação. Tomando ciência da decisão em 03/12/2007 (fl. 14), a interessada apresentou, em 26/12/2007, manifestação de inconformidade às fls. 16/17, por intermédio da qual informou ser o crédito concernente aos períodos 06/93 a 09/95, 03/96 a 03/98 e 05/98 a 01/99 da Matriz; e 08/97 a 03/98 e 05/98 a 01/99 da Filial. Fez anexar diversos documentos às fls. 18/73, entre os quais cópias dos Darf e planilhas relativos aos períodos precitados. Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da Primeira Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada do acórdão supra em 25/09/2008, inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário em 10/10/2008. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator Fl. 171DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/201 2 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13603.900493/200636 Acórdão n.º 330201.240 S3C3T2 Fl. 3 3 O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. O contribuinte apresentou, em 13/06/2003, Pedido de Restituição, relativo a pagamentos efetuados a titulo de Contribuição para o PIS recolhido a maior 15/02/1999, relativo ao período de apuração de março/1996. Da Prescrição Como se sabe, no que se refere a tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como é o caso da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, incumbe ao contribuinte antecipar o montante devido para, então aguardar a homologação do importe pago, o que pode ocorrer expressa ou tacitamente. Assim, considerandose a regra geral no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear a restituição tem início no momento da extinção do crédito tributário, há que se observar que, nos casos de lançamento por homologação, o marco inicial corre imediatamente após a homologação expressa pelo Fisco ou passado o quinquênio reservado ao mesmo para essa providência (homologação tácita). Logo, a extinção do crédito tributário não ocorre no momento do pagamento antecipado, mas sim quando da homologação tácita ou expressa. Assim, os primeiros cinco anos marcam prazo decadencial para o Fisco (CTN, art. 150 parágrafo 4°) proceder a homologação ou ,rever o valor do lançamento, seguido do quinquênio para o contribuinte pleitear a restituição. Já está pacificado no E. Superior Tribunal de Justiça, que no caso de lançamento tributário por homologação e havendo o silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um quinquênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Não há que se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. Dessa forma, o entendimento até então consolidado pelo Egrégio Tribunal Superior sempre foi no sentido de que, tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo de cinco anos previsto no artigo 168, do Código Tributário Nacional, para que o contribuinte pudesse pleitear a restituição ou compensação do indébito tributário recolhido indevidamente ou a maior, somente de iniciaria após a extinção definitiva do crédito tributário, que somente ocorreria com a homologação expressa pela autoridade administrativa competente ou, na sua ausência, pelo decurso do prazo de cinco anos computados da ocorrência do fato gerador (homologação tácita). Neste sentido o E. Superior Tribunal de Justiça já firmou posicionamento: Fl. 172DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/201 2 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13603.900493/200636 Acórdão n.º 330201.240 S3C3T2 Fl. 4 4 “TRIBUTÁRIO. PIS. DECRETOSLEIS N°S 2.445/88 E 2.449/88. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. COMPENSAÇÃO. 1. O prazo prescricional em ações que versem sobre compensação deve seguir a regra geral dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, mesmo nos casos de declaração de inconstitucionalidade da exação pelo Supremo Tribunal Federal e posterior edição de Resolução do Senado Federal expurgando a correspondente norma do ordenamento jurídico. 2. A Jurisprudência desta Corte assentou que a extinção do direito de pleitear a restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação, em não havendo homologação expressa, só ocorrerá após o transcurso do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, acrescido de mais cinco anos contados da data em que se deu a homologação tácita (EREsp n° 435.835/SC, julgado em 25.03.04) 3. O Tribunal a quo não se pronunciou sobre o cerne da controvérsia, oi que impede esta Corte de analisálo, ante a ausência de prequestionamento. 4. Recurso Especial provido. ( REsp 686.481. Rel. Min. Castro Meira. DJ. 25.04.2005) No caso dos autos o primeiro recolhimento a maior se deu em junho de 1993, tendo o Estado 5 (cinco) anos para homologálo. Expirado o prazo sem que tal tivesse ocorrido, deuse a homologação tácita, iniciandose ai o prazo prescricional qüinqüenal para a restituição. Assim, tendo o pedido de restituição sido protocolado em 13 de junho de 2003, resta evidente que o direito do Recorrente à restituição não prescreveu. Veja que, transcorreu, entre o prazo do, primeiro recolhimento a maior, qual seja junho de 1993, segundo a Recorrente e o ingresso do pedido de restituição o prazo de 10 (dez) anos. Inexiste prescrição sem que tenha havido homologação expressa da Fazenda, atinente ao prazo de 10 (dez) anos (5 + 5), a partir de cada fato gerador da exação tributária, contados para trás, a partir do pedido de restituição. A pretensão da Recorrente apresentase, e, harmonia com as regras do nosso ordenamento jurídico e com a mais recente jurisprudência do E. Superior Tribunal de Justiça sobre o assunto, razão pela qual conheço do recurso e voto pela não caracterização da prescrição no presente caso. Do pedido de Restituição. Informações inverídicas Superada a questão da prescrição, passaremos a analisar o mérito da questão. Quanto ao mérito, não assiste razão à Recorrente. A Recorrente informa em sua PER/DCOMP que o crédito que lhe dá o direito a compensação, teria origem em pagamento indevido, ou a maior efetuado em 15.02.1999, no importe de R$ 72.950,40, devidamente atualizado, referente ao período de apuração de março/1996. Todavia em seu Recurso Voluntário a Recorrente insiste que o crédito seria Fl. 173DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/201 2 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13603.900493/200636 Acórdão n.º 330201.240 S3C3T2 Fl. 5 5 oriundo de pagamentos de PIS efetuados a maior nos períodos compreendidos entre junho/1993 a janeiro/1999, diferentemente do informado em PER/DCOMP. Neste sentido, vimos que as informações apresentadas pelo Recorrente em seu pedido de restituição, PER/DCOMP, não condiz com o alegado em seu recurso voluntário. Ainda, que as DARF’s acostadas aos presentes autos refiramse aos períodos de abril/1996 e seguintes, estas não correspondem as informações prestadas na PER/DCOMP. Assim, a Recorrente, quando intimada a se manifestar quanto às contradições expostas nos presentes autos, deveria têlo feito no momento adequado, e sendo necessário, ter realizado a retificação da PER/DCOMP, conforme exposto na r. decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Belo Horizonte/MG, todavia não o fez. Face ao exposto, ante a ausência de comprovação quanto ao direito aos créditos de PIS, supostamente pagos a maior, no período compreendido entre 06/93 e 01/99, bem como quanto a divergência de informações entre os supostos créditos e a PER/DCOMP apresentada, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 1º de Setembro de 2011 GILENO GURJÃO BARRETO (Assinado Digitalmente) Fl. 174DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/201 2 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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