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Numero do processo: 10508.000040/2005-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ACORDO OU SENTENÇA EM AÇÃO
TRABALHISTA.
Salvo nos casos de isenções expressamente previstas em lei, são tributáveis os valores recebidos em decorrência de acordo ou sentença em ação trabalhista.
No caso, como as verbas trabalhistas se referem a diferenças salariais e seus reflexos, inegável sua natureza tributável.
IRPF. INCIDÊNCIA. FÉRIAS GOZADAS.
Incide imposto de renda sobre as verbas pagas em ação trabalhista referentes a reflexos das diferenças salariais nas férias já gozadas. O Judiciário, e também a Administração Pública, reconhecem a natureza não tributável apenas das férias não gozadas, devido a sua natureza indenizatória.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2002
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.200
Decisão: Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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ACORDO OU SENTENÇA EM AÇÃO TRABALHISTA. Salvo nos casos de isenções expressamente previstas em lei, são tributáveis os valores recebidos em decorrência de acordo ou sentença em ação trabalhista. No caso, como as verbas trabalhistas se referem a diferenças salariais e seus reflexos, inegável sua natureza tributável. IRPF. INCIDÊNCIA. FÉRIAS GOZADAS. Incide imposto de renda sobre as verbas pagas em ação trabalhista referentes a reflexos das diferenças salariais nas férias já gozadas. O Judiciário, e também a Administração Pública, reconhecem a natureza não tributável apenas das férias não gozadas, devido a sua natureza indenizatória. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 134DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10508.000040/200517 Acórdão n.º 2101001.200 S2C1T1 Fl. 126 2 (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 33 a 39, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2002, para lançar infração de omissão de rendimentos recebidos da Prefeitura Municipal de Ilhéus, CNPJ no 13.672.597/000162, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício e recebidos através de causa judicial trabalhista, processo n° 491.93.074501, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$32.221,55, acrescido de multa de ofício e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 10), acatada como tempestiva. Consoante relatório do acórdão de primeira instância (fl. 77), a impugnante apresentou, em síntese, os seguintes argumentos: 1) Não recebeu o montante que lhe é atribuído no auto de infração. Além de utilizarse de provas emprestadas, o autuante presumiu o recebimento com base em documentos que não comprovam este fato, a saber, as cópias dos autos judiciais apresentadas espontaneamente em atendimento a intimação, o que por se mesmo já impediria o lançamento de ofício. Requer prazo para juntar certidão da Justiça do Trabalho afim de provar que não recebera o valor tributado. 2) Ainda que houvesse recebido os rendimentos, tratase de indenização trabalhista, isenta do imposto de renda. 3) As férias indenizadas, como não são produto do capital ou do trabalho ou da sua combinação, não são rendimentos tributáveis. 4) Deveria ser aplicada apenas a multa de mora pelo pagamento fora do prazo, e não a multa de ofício de 75%. Se ambas se aplicam à falta de recolhimento do tributo, existe a dúvida quando à sua aplicação, e por isso devese aplicar aquela que é mais benéfica. Fl. 135DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10508.000040/200517 Acórdão n.º 2101001.200 S2C1T1 Fl. 127 3 ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 76 a 78): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. AÇÃO TRABALHISTA. Os rendimentos do trabalho não assumem a natureza de indenização pelo fato de haverem sido pagos através de reclamatória trabalhista, sujeitandose regularmente à incidência do imposto de renda. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. FÉRIAS INDENIZADAS. As férias indenizadas são tributáveis. Lançamento Procedente O julgador de 1a instância fundamentou sua decisão da seguinte maneira (fls. 77 a 78): O lançamento não se baseou em presunção, como afirma a impugnante, mas sim em prova inequívoca do pagamento dos rendimentos, a saber, os autos judiciais e os próprios alvarás determinando a liberação em favor da beneficiária. São provas obtidas legitimamente e mais uma vez apresentadas pela própria impugnante (fls. 13/15). Ademais, tratase de rendimentos declarados pela contribuinte sob a classificação incorreta de rendimentos isentos. A impugnante requer prazo para apresentar certidão judicial comprovando o não recebimento dos rendimentos que lhe são atribuídos. Mas as provas devem ser apresentadas junto com a impugnação, com determina o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, precluindo o direito da sua apresentação posterior, a menos que se demonstre motivo de força maior, o que não é o caso Não se trata de rendimentos isentos pois se referem a diferenças salariais (v. fls. 63/64). O fato das verbas estarem sendo pagas fora do prazo e em reclamatória trabalhista não as transformam em indenização. A parcela FGTS, isenta do imposto de renda, já foi excluída na autuação. Conforme dispõe o artigo 43, inciso II, do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda), são rendimentos tributáveis "as férias, inclusive as pagas em dobro, transformadas em pecúnia ou indenizadas, acrescidas dos respectivos abonos". A lei prevê a aplicação da multa de 75% sobre a diferença de imposto apurada de ofício. Não há, portanto, qualquer dúvida quanto à aplicação deste dispositivo, não sendo necessário a recorrer a uma interpretação mais benéfica que recomendaria a aplicação do percentual da multa sobre o atraso no pagamento do imposto regularmente declarado. (...) Fl. 136DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10508.000040/200517 Acórdão n.º 2101001.200 S2C1T1 Fl. 128 4 RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 12/09/2007 (fl. 80v), a contribuinte apresentou, em 10/10/2007, o recurso de fls. 86 a 122, onde alegou: a) que recebeu reclamação Trabalhista contra a Prefeitura Municipal de Ilhéus — Bahia, processo n°.00745.1993.49105004, mediante Alvará n°.293/2001, valor líquido R$133.146,89, correspondentes à Indenização Trabalhista, incluindose os reflexos nas férias, nos décimos terceiros salários e no FGTS. Ocorre que houve a incidência do I.R.R.F. e I.N.S.S. calculados mês a mês conforme jurisprudência e sentença do processo trabalhista, e o principal houve também descontos referentes dos mesmos, posto que, o valor recebido mediante Alvará no.293/2001 é o valor liquido recebido pela recorrente em 2001, só que a quitação do D.A.R.F. e do G.P.S. ocorreu no ano de 2002 pela própria Justiça Trabalhista; b) que como o Alvará n°293/2001 não distinguia os valores tributáveis dos não Tributáveis, e como já haviam sido retidos e descontados os valores dos D.A.R.F. e do G.P.S., lançou na sua declaração do exercício 2002 esse valor isento; c) que só recebeu o valor líquido de R$133.146,89, sendo que os outros alvarás emitidos em seu nome ser referiam a honorários advocatícios e a tributos; d) que não recebeu o valor de R$ 16.589,46 lançado no exercício de 2003; e) que caso se entenda que ainda persiste valor a ser cobrado, ocorreu a prescrição quinquenal, tendo em vista se tratar de valor recebido em 2001. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 124, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. Tratase de valores recebidos em reclamação trabalhista nos anos de 2001 e 2002, que a contribuinte declarou originalmente como isentos e não tributáveis, mas que a fiscalização considerou como rendimentos tributáveis, excluída apenas a parcela referente ao FGTS. A análise destes autos somente pode ser feita em conjunto com a do processo no 10508.000041/200561, que contém o lançamento referente ao exercício de 2003, e que Fl. 137DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10508.000040/200517 Acórdão n.º 2101001.200 S2C1T1 Fl. 129 5 também será julgado nesta sessão, pois a fiscalização optou por dividir a tributação do valor recebido entre os dois exercícios. A ação judicial determinou o pagamento de R$ 219.878,00 (fls. 13 a 22 a 58) em função de diferenças salariais. Esse valor foi pago por meio dos seguintes alvarás: Alvará Data Valor Observações 293/2001 28/8/2001 133.146,89 fl. 23. Pago em 29/08/2001. fl. 59 do processo 10508.000041/200561. 294/2001 28/8/2001 33.286,70 fl. 14 do processo 10508.000041/200561. 325/2001 19/9/2001 29.360,99 fl. 13 do processo 10508.000041/200561. 097/2002 22/3/2002 14.195,98 fl. 24. Pago em 10/07/2002 (fl. 24v). IRRF 096/2002 22/3/2002 2.746,94 fl. 45. Pago em 14/10/2002 fl. 46. INSS. 293/2002 29/8/2002 7.140,47 fl. 15 do processo 10508.000041/200561. Nas fls. 26 a 28 constam os recibos dos honorários pagos aos advogados, que totalizaram R$65.700,00. A recorrente afirma que os alvarás 294/2001, 325/2001 e 293/2002 se destinaram ao pagamento dos causídicos, mas estes totalizam R$69.788,16. A contribuinte declarou esses valores da seguinte maneira: a) na declaração de ajuste do exercício de 2002, anocalendário 2001, informou R$133.146,89 como rendimentos isentos e não tributáveis (fls. 73 a 75); b) na declaração de ajuste do exercício de 2003, anocalendário 2002, informou R$14.195,98 como imposto de renda retido na fonte (fls. 79 a 81 do processo 10508.000041/200561). Agindo dessa maneira, apurou uma restituição de R$15.051,26 no exercício de 2003. A Fiscalização, considerou que os rendimentos auferidos eram tributáveis, conclusão validada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. De fato, salvo nos casos de isenções expressamente previstas em lei, são tributáveis os valores recebidos em decorrência de acordo ou sentença em ação trabalhista. No caso, como as verbas trabalhistas se referem a diferenças salariais e seus reflexos, inegável sua natureza tributável. Mesmo com relação às parcelas referentes a férias, verifico que se tratam dos reflexos das diferenças salariais nas férias já gozadas, que também possuem natureza tributável. O Judiciário, e também a Administração Pública, reconhecem a natureza não tributável apenas das férias não gozadas, devido ao seu aspecto indenizatório. Correta, pois, a tributação das verbas auferidas. A peculiaridade do caso decorre do agente fiscal, diante do fato dos pagamentos terem se dado em anos distintos, ter optado por dividir o lançamento entre os dois anos, como demonstra a planilha na fl. 57. Fl. 138DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10508.000040/200517 Acórdão n.º 2101001.200 S2C1T1 Fl. 130 6 Partindose do valor total de R$219.878,00, deduziramse o FGTS (R$6.334,38) e os honorários advocatícios (R$65.700,00), chegandose ao valor total tributável de R$149.736,35. Como a contribuinte havia recebido o valor de R$133.146,89 no ano de 2001, atribuiuse a diferença de R$16.589,46 como rendimentos auferidos em 2002. O recorrente se insurge dizendo que não recebeu qualquer valor da ação judicial no ano de 2002. Na verdade, a fiscalização buscou uma forma de proporcionalizar os rendimentos auferidos, uma vez que uma parte foi recebida em 2001 e a outra em 2002, e toda a retenção na fonte se deu em 2002. Assim, optou por considerar como rendimento tributável recebido em 2001 o valor de R$133.146,89 e o restante em 2002, deduzindose o imposto retido na fonte no último ano. Assim, deve a recorrente compreender que o valor lançado no ano de 2002 corresponde à parte dos rendimentos efetivamente recebidos em 2001 e 2002, mas com tributação diferida para 2002 pelo critério de rateio utilizado. Desta forma, pelas peculiaridades do caso, considero válido o cálculo proporcionalizado utilizado no lançamento. Entretanto, verifico que a fiscalização se equivocou nos seus cálculos. Observese que o valor tributável correto é R$147.843,62 (R$219.878,00 – R$65.700,00 – R$6.334,38), e não R$149.736,35, como consta na planilha de fl. 57. Desta forma, o valor a ser tributado no ano de 2002 é de R$14.696,73 (R$147.843,62 R$133.146,89). Por conseguinte, consideraremos correto o valor lançado no exercício de 2002, e reduziremos o valor lançado no exercício de 2003 para R$14.696,73. A recorrente afirma, também, ter ocorrido a prescrição quinquenal, tendo em vista se tratar de valor recebido em 2001. Entretanto, já está pacificado no âmbito do CARF que não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11). Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 139DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13857.000938/2008-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2005 a 31/10/2007
ALIMENTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. AUSÊNCIA. INCIDÊNCIA DE
CONTRIBUIÇÕES.
Integra o salário de contribuição o valor da alimentação fornecida por empresa sem o devido registro no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT.
SEGURO DE VIDA. FALTA DE PREVISÃO EM NORMA COLETIVA DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Integra o salário de contribuição o valor do prêmio de seguro de vida em grupo disponibilizado pela empresa aos empregados e dirigentes, quando esse benefício não tiver previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho.
FALTA DE DISCRIMINAÇÃO PELA EMPRESA DAS QUANTIAS FORNECIDAS A CADA SEGURADO. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PELA ALÍQUOTA MÍNIMA.
Ao deixar de fornecer ao Fisco os dados necessários ao cálculo das contribuições por segurado, a empresa abre à Auditoria a possibilidade de efetuar a apuração das contribuições pela alíquota mínima.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/09/2005 a 31/10/2005
RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA.
À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da
constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.821
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e II) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento parcial para excluir a parcela do seguro de vida em grupo e o Conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva, que dava provimento integral.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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INSCRIÇÃO NO PAT. AUSÊNCIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Integra o salário de contribuição o valor da alimentação fornecida por empresa sem o devido registro no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. SEGURO DE VIDA. FALTA DE PREVISÃO EM NORMA COLETIVA DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Integra o salário de contribuição o valor do prêmio de seguro de vida em grupo disponibilizado pela empresa aos empregados e dirigentes, quando esse benefício não tiver previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho. FALTA DE DISCRIMINAÇÃO PELA EMPRESA DAS QUANTIAS FORNECIDAS A CADA SEGURADO. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PELA ALÍQUOTA MÍNIMA. Ao deixar de fornecer ao Fisco os dados necessários ao cálculo das contribuições por segurado, a empresa abre à Auditoria a possibilidade de efetuar a apuração das contribuições pela alíquota mínima. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2005 a 31/10/2005 RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e II) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento parcial para excluir a parcela do seguro de vida em grupo e o Conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva, que dava provimento integral. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Jhonatas Ribeiro da Silva e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 13857.000938/200866 Acórdão n.º 240101.821 S2C4T1 Fl. 565 3 Relatório Tratase de recurso voluntário, fls. 536/562, interposto contra decisão da Delegacia de Julgamento em Campo Grande (MS), fls. 524/532, a qual declarou procedente o lançamento consignado no Auto de Infração n. 37.098.7659, cujo valor principal mais acréscimos moratórios assumiu o montante de R$ 230.389,82 (duzentos e trinta mil, trezentos e oitenta e nove reais e oitenta e dois centavos). O crédito diz respeitos às contribuições dos segurados empregados. O lançamento tomou como base tributável as remunerações pagas aos segurados empregados a titulo de salário in natura (alimentação, seguro de vida), os quais, segundo a Auditoria, foram pagos em desacordo com a legislação de regência. O Fisco apresenta a metodologia utilizada para apuração das contribuições e justifica o fato da não ter individualizado os valores por segurado em razão da falta de informações/demonstrativos que lhe possibilitassem tal detalhamento. Vale a pena transcrever trecho do Relatório Fiscal, no qual há menção ao cálculo da contribuição: 4. Da Contribuição dos segurados empregados: 4.1. Ao não incluir as bases apuradas como integrantes do saláriodecontribuição, fazendo com que as mesmas deixassem de constar em Folhas de Pagamento de Salários e em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), o Contribuinte inviabiliza a individualização dos valores recebidos por segurado. 4.2. Como não é possível saber o valor recebido por cada um dos segurados, tornase impossível o cálculo das contribuições devidas pelos mesmos, levandose em conta os limites máximos do saláriodecontribuição. 4.3. Aplicase, desta forma, o disposto no artigo 33, § 3° da Lei 8.212/1991, configurandose a deficiência da documentação apresentada, com o arbitramento das contribuições devidas como sendo de 8% do valor das bases de cálculo apuradas. 4.4. Como o Contribuinte deixou de efetuar o desconto das contribuições devidas pelos segurados, fica diretamente responsável pelas referidas importâncias, conforme dispõe o artigo 33, § 5. da Lei 8.212/1991. A empresa apresentou impugnação, fls. 478/522, cujas razões não foram acatadas pelo órgão a quo. Eis a ementa da decisão original: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 Período de apuração: 01/09/2005 a 31/10/2007 DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO AI Não se visualiza neste auto de infração nenhuma hipótese de nulidade constante no artigo 59, do Decreto n° 70.235/72. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDÊNCIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.PAT. A parcela in natura alimentação só não integra o salário decontribuição se estiver de acordo com os programas de alimentação PAT aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, nos temos da Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976. A INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOBRE O SEGURO DE VIDA EM GRUPO O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativa ao prêmio de seguro de vida em grupo, não previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho, integrará o saláriodecontribuição para fins de contribuição previdenciária. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. JUNTADA POSTERIOR DE PROVA. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo. Lançamento Procedente Inconformada, a mesma interpôs recurso voluntário, alegando, em apertada síntese, que: a) o lançamento é nulo, porque o Fisco não indicou de forma clara e precisa como apurou os valores lançados na autuação, bem como deixou de indicar os segurados que seriam beneficiários das verbas sujeitas á tributação; b) o Superior Tribunal de Justiça – STJ há muito sedimentou o entendimento de que não incide contribuições sobre a alimentação in natura, independentemente de inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT; c) o valor da alimentação não tem natureza de salário, uma vez que não é contraprestação pelo trabalho, mas uma forma de viabilizálo; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 13857.000938/200866 Acórdão n.º 240101.821 S2C4T1 Fl. 566 5 d) a inscrição no PAT não tem o condão de alterar a natureza jurídica da alimentação fornecida aos empregados, descabendo a exigência de contribuições sobre tais parcelas; e) o seguro de vida em grupo proporcionado pela recorrente a todos os seus empregados e dirigentes não é verba de natureza salarial, mas sim, verba de cunho meramente assistencial/social, por isso não constitui base de incidência das contribuições previdenciárias; f) também não procede a inclusão do seguro de vida em grupo, extensivo a todos os empregados e dirigentes, na base de cálculo das contribuições, isso porque não poderia um ato do Poder Executivo impor a condição de que o benefício fosse previsto em norma coletiva de trabalho, sem que a lei fizesse exigência nesse sentido. Ao final, pede a reforma da decisão da DRJ, declarandose a nulidade da autuação. Pugna pela produção de provas, principalmente a juntada de novos documentos e realização de perícia técnica. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Nulidade do lançamento Inicio o recurso pelo enfrentamento da preliminar de nulidade decorrente da falta de clareza e precisão no relatório de trabalho do Fisco. Alega a recorrente que o lançamento deveria ser nulificado em razão de não haver a demonstração clara e precisa da forma de apuração da base de cálculo. Tal fato teria trazido prejuízo ao seu direito de defesa. A princípio cabe verificar se o presente lançamento foi confeccionado em consonância com as normas que regem a matéria. Iniciemos pela análise do art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Do dispositivo transcrito verificase que um dos requisitos indispensáveis ao lançamento é a fixação da base de cálculo. De fato, tem razão a recorrente ao mencionar que, se o Fisco não se desincumbir do ônus de demonstrar como aferiu a base tributável, o lançamento é imprestável. Todavia, não é essa situação que os autos revelam. O relato da Auditoria aponta que a base tributável das contribuições lançadas foram os valores disponibilizados aos segurados empregados a título de alimentação e seguro de vida em grupo. São indicadas inclusive as contas contábeis de onde foram extraídos tais valores. Nas palavras da Autoridade Fiscal, a comprovação do pagamento de salário in natura, que é o fato gerador dos tributos lançados, foi obtida com esteio na documentação fornecida pela notificada no decorrer da auditoria, mormente a contabilidade e as folhas de pagamento. Ressaltese ainda que as bases de cálculo se encontram bem apresentadas, tanto nos anexos colacionados, quanto no Relatório de Lançamentos. A sua formação está suficientemente esclarecida no Relatório Fiscal, inclusive com indicação da dedução dos valores que foram descontados dos segurados empregados, tendose como base de incidência apenas as quantias que foram arcadas exclusivamente pelo empregador. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 13857.000938/200866 Acórdão n.º 240101.821 S2C4T1 Fl. 567 7 Nesse sentido, vejo que o AI e seus anexos demonstram a contento a situação fática que deu ensejo à exigência fiscal, inclusive os elementos que foram analisados para se chegar à reconstituição dos fatos geradores praticados pela empresa. Por outro lado, o sujeito passivo, embora alegue o defeito material, não especifica qual o ponto que, por não ter a clareza e precisão suficientes, veio a acarretar prejuízo ao seu direito de defesa. Vejase que se o Fisco indicou a fonte de dados que o levou a concluir pela ocorrência dos fatos geradores e discriminou todos os valores envolvidos no procedimento de apuração. Poderia a recorrente apontar falha nas conclusões do fisco ou mesmo erros quanto aos valores lançados. Todavia, o que se colhe da peça recursal são alegações genéricas, sem a indicação precisa de qual ponto do procedimento de confecção do AI está em descompasso com a documentação apresentada ou com as normas que regem a matéria. Também a falta de discriminação dos valores correspondentes a cada segurado não pode ser considerada causa de nulidade do lançamento. É que os dados fornecidos pela autuada não permitiram que a Auditoria pudesse individualizar as parcelas. Tendo sido os valores obtidos das contas contábeis, as quais receberam os lançamentos em valores globalizados, impossível ao Fisco efetuar a discriminação da alimentação e do seguro de vida por segurado, uma vez que as informações prestadas e os documentos exibidos não lhe possibilitaram tal procedimento. Chamo atenção para o fato de que o Fisco mencionou claramente no seu relato que estaria impossibilitado de calcular a contribuição de forma individualizada, por esse motivo lançou mão do que dispõe o § 3. do art. 33 da Lei n. 8.212/1991 para determinar os valores devidos. Entendo que a empresa, tanto na fase de apuração, como agora durante o contencioso, poderia apresentar os elementos necessários ao cálculo individual da contribuição, todavia, preferiu ficar apenas no campo da argumentação, deixando de colaborar com a Auditoria para que essa pudesse efetuar a apuração fiscal sem lançar mão do arbitramento. Assim, por entender que o fisco demonstrou a contento os elementos essências do lançamento, possibilitando à empresa o exercício do seu amplo direito de defesa e que a alegação de nulidade não se funda em dados e fatos, afasto essa preliminar. Fornecimento de alimentação sem inscrição no PAT Inicialmente sobre essa questão é de se notar que a recorrente não contesta o fato de que não efetuou a inscrição no PAT, seu inconformismo é no sentido de que essa verba não representa retribuição pelo trabalho e, assim, independentemente da adesão ao referido programa não haveria de se tributar a mesma. Cabenos trazer à colação o que dispõe o § 9. do art. 28 da Lei n. 8.212/1991: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 8 (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n°6.321, de 14 de abril de 1976; (...) Observese do dispositivo transcrito que a previsão de isenção de contribuição sobre a alimentação fornecida aos empregados condiciona a desoneração a dois requisitos: que a alimentação seja fornecida “in natura” e que a sua disponibilização esteja em conformidade com as normas do PAT. Consultando a legislação específica que trata do PAT, pude verificar que é obrigatória a inscrição no mesmo para que as empresas possam gozar de suas benesses. É que se pode concluir da leitura do Decreto n. 05, de 14/01/1991: Art. 1º A pessoa jurídica poderá deduzir, do Imposto de Renda devido, valor equivalente à aplicação da alíquota cabível do Imposto de Renda sobre a soma das despesas de custeio realizadas, no períodobase, em programas de alimentação do trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social (MTPS), nos termos deste regulamento. (...) § 4º Para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social a apresentação de documento hábil a ser definido em portaria dos ministros do Trabalho e Previdência Social, da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde. Já a Portaria Interministerial n. 05, de 30/11/1999, dispõe: Art. 3. A adesão ao PAT poderá ser efetuada a qualquer tempo e, uma vez realizada, terá validade por prazo indeterminado, podendo ser cancelada por iniciativa da beneficiária ou pelo Ministério do Trabalho e Emprego, em razão da execução inadequada do Programa. Parágrafo único. Excepcionalmente, para o ano 2000, a validade mencionada no caput deste Artigo será retroativa a 1o de janeiro para as empresas que aderirem ao PAT até 31 de março do mesmo ano. Assim, não tendo a recorrente efetuado a sua adesão ao PAT, houve evidente descumprimento da norma inserta na alínea “c” do § 9. do art. 28 da Lei n. 8.212/1991, haja vista que o fornecimento de alimentação foi efetuado em desacordo com a legislação do PAT, pelo que devem incidir contribuições sobre tais verbas. A alegação de que independentemente de inscrição no PAT não haveria tributação previdenciária quer, de forma oblíqua, declarar a invalidade de dispositivo da Lei n. 8.212/1991, o que não pode ser acatado, sob pena da Autoridade Fiscal ficar sujeita à responsabilização funcional. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 13857.000938/200866 Acórdão n.º 240101.821 S2C4T1 Fl. 568 9 Seguro de vida em grupo sem previsão em norma coletiva de trabalho O fato que levou o Fisco a tributar essa verba foi a falta de previsão da disponibilização do prêmio de seguro em grupo em acordo ou convenção coletiva de trabalho. Fato que não é contestado pela empresa. Essa exigência vem estampada no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/1999, nos seguintes termos: Art.214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) XXV o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9o e 468 da Consolidação das Leis do Trabalho. (Incluído pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Alega a empresa que tal dispositivo é inconstitucional, posto que ato do Poder Executivo não poderia criar exigência não constate na lei regulamentada. Sobre essa alegação, temse que ter em conta que na seara do processo administrativo fiscal, não é cabível a análise da constitucionalidade desse dispositivo, em razão do que dispõe o Decreto n. 70.235/1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Assim, estando a exação em conformidade com o que dispõe o Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/1999, não pode esse órgão de julgamento declarar a improcedência do lançamento sob o argumento de desconformidade com o texto constitucional. Pedido para produção de novas provas Quanto ao cerceamento do direito de defesa ocasionado pelo indeferimento do órgão a quo do pedido de produção de novas provas, entendo que não deva ser acatado. No processo administrativo fiscal vigora o princípio do livre convencimento motivado. Segundo o qual a autoridade julgadora tem liberdade para adotar a tese que ache mais adequada a solução da contenda, desde o que o faça com a devida motivação. Nesse sentido, somente à autoridade que preside o processo é dado determinar a realização de perícias e diligências caso ache necessário. Não está o julgador obrigado a deferir pedidos de dilação probatória se os elementos constantes nos autos já lhe dão o convencimento suficiente para emissão da decisão. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 10 Assim, sendo a prova dirigida à autoridade julgadora, é essa que tem a prerrogativa de determinar ou não a sua produção. Tenho que concordar com a decisão original, quando se afirma que o relato do fisco e os documentos colacionados permitem concluir pela procedência da autuação. Deixo de acatar o pedido para a produção de novas provas, haja vista que os elementos analisados já são suficientes para concluir pela procedência do AI, não havendo necessidade de outras dilações probatórias além daquelas já carreadas ao processo. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso, afastar a preliminar de nulidade do AI e, no mérito, pela negativa de provimento do mesmo. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 10DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
score : 1.0
Numero do processo: 10730.003850/2004-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário: 2004
SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA NÃO VEDADA. Verificado em
diligência fiscal que o contribuinte não exerce atividade impeditiva, deve ser autorizada sua inclusão e permanência na sistemática do Simples.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-000.492
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 2004 SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA NÃO VEDADA. Verificado em diligência fiscal que o contribuinte não exerce atividade impeditiva, deve ser autorizada sua inclusão e permanência na sistemática do Simples. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrente RK NAUTICA DE NITEROI COM E REP NAV LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA NÃO VEDADA. Verificado em diligência fiscal que o contribuinte não exerce atividade impeditiva, deve ser autorizada sua inclusão e permanência na sistemática do Simples. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10730.003850/200419 Acórdão n.º 140200.492 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório RK NAUTICA DE NITEROI COM E REP NAV LTDA recorreu a este Conselho contra a decisão proferida pela 1a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, em primeira instância, que pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: A interessada, mediante Ato Declaratório Executivo DRF/NIT nº 533.202, de 02 de agosto de 2004 (fl. 07), foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), informando como causa, o exercício de atividade econômica vedada (código 35114/03 – Reparação de embarcações para uso comercial e para usos especiais, exceto de grande porte). Cientificada do ato de exclusão em 01/03/2005 (fl. 14), a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 16, em 31/03/2005, para solicitar a reforma da decisão atacada, alegando que não exerce a atividade econômica referente ao CNAE 35114/03, sendo tal classificação incorreta tendo em vista que sua atividade é o comércio varejista. A decisão recorrida está assim ementada: SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. Uma vez que o contrato social faz menção à atividade econômica impeditiva da opção pela Sistemática do SIMPLES, cabe ao interessado o ônus de comprovar que não a realiza. Na falta de provas, inferese que o interessado realiza as atividades descritas no contrato social, o que o impede de estar no Simples. Solicitação Indeferida. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, , ao final, requer o provimento. O processo entrou em pauta no dia 24/09/2008 na 2a. Turma Especial do antigo 3o. Conselho de contribuintes que converteu o julgamento em diligência mediante resolução de n. 39200001, fls. 5456, nos seguintes termos: [...]restou obscuro o fato de que a empresa recorrente, quando do inicio de suas atividades (14.032002), ao elaborar seu Contrato Social, fez constar de sua cláusula terceira, como objetivo desta o "COMÉRCIO VAREJISTA DE FERRAGENS NÁUTICAS, BAZAR, ARMARINHOS E REPAROS NAVAIS (CNAE 35114/03), que segundo alegativas, o fez de forma equivocada, pois sua principal atividaêê é o comércio varejista de produtos náuticos, bazar e armarinho (negritos não são do original).... Diante do exposto, VOTO pela conversão do julgamento em Diligência à repartição de origem, a fim de que seja diligenciada junto à empresa em questão, no tocante a real atividade por ela exercida, bem corno, em relação as Notas Fiscais de Serviço e/ou Venda de Mercadorias, emitidas nos anos calendário Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10730.003850/200419 Acórdão n.º 140200.492 S1C4T2 Fl. 3 3 2000 e 2001, fazendo autenticar as vias constates dos talonários, anexando aos autos as xerocópias correspondentes. ... A unidade de origem iniciou a diligência com a intimação de fls. 62, que resultou na juntada de documentos de fls. 64 a 521, bem como na lavratura do Relatório/Temo de encerramento de fl. 522, a seguir transcrito em parte: No exame do documentação em anexo, verificamos que a empresa desde o inicio da suas atividades, se dedicou à comercialização do produtos,principalmente para a área náutica. Conforme o Livro Caixa e as Notas Fiscais, a empresa iniciou suas vendas em março/2003. No Livro Registro de Empregados, notamos desde a abertura que as funções dos funcionários são relativas ao comércio. O Livro de Utilização de Documentos Fiscais e Termo de Ocorrências e Livro de Apuração do I.S.S. encontramse Sem Movimento. De acordo com a Alteração Contratual n°. 3(treis) de 27/08/2004, a empresa alterou o objetivo para: "Comércio de máquinas e equipamentos,ferragens, material de limpeza, abrasivos, uniformes, produtos e equipamentos para a área de offhore e fornecimento de produtos alimentícios paraNárea marítima". Em anexo: Documento I Cópias do Livro de Registro de Empregados Documento II Cópias do Termo da Abertura do Livro Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de • Ocorrência do 1.8.6. Cópias do Livro de Registro de Apuração do I.S.S. Documento I/I Cópias do Livro Caixa (Do Termo de Abertura a março/2003) Cópias das Notas Fiscais de Venda de março/2003. Documento IV Cópias do Livro de Caixa de Dezem4,ro/2003 Cópias das Notas Fiscais de Venda de Dezembro/2003 Documento V Cópias do Livro Caixa de Janeiro/2004 Cópias das Notas Fiscais de Venda de Janeiro/2004 Documento VI Cópias do Livro Caixa de Agosto/2004 Cópias das Notas Fiscais dde Venda de Agosto/2004 Documento VII Cópias dos Recibos de Entrega da Declaração Simplificada 2JSI 2002/2003/2004. Cientificada, a contribuinte não se manifestou. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10730.003850/200419 Acórdão n.º 140200.492 S1C4T2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. Compulsando os autos, verificase que tanto a DRF quanto a DRJ calcaram a não inclusão da empresa do Simples apenas no fato de constar que a empresa exerce a atividade vedada, que seria serviço profissional de engenharia. Realmente, dentre as vedações ao enquadramento no Simples, o inciso XIII, do art. 9o, da Lei no 9.317, de 05.12.1996, as atividades de engenheiro, ou a essas assemelhadas; “in verbis” mencionado dispositivo legal: “Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII – que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida.” (Grifei) Todavia, na diligência fiscal solicitada por este Conselho, fls. 62 e seguintes, ficou patente que a empresa, desde o inicio da suas atividades, se dedicou à comercialização do produtos, principalmente para a área náutica. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso, confirmando a recorrente no Simples. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.008107/00-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 1997
EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SISTEMA. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. SERVIÇOS DE EDUCAÇÃO.
É vedada a opção ou permanência no regime do SIMPLES às pessoas
jurídicas que prestem serviços de educação salvo, a partir de 24 de outubro de 2000, em face da Lei nº 10.034, as atividades de creches, pré escolas e estabelecimentos de ensino fundamental.
Numero da decisão: 1102-000.428
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: José Sérgio Gomes
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 1997 EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SISTEMA. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. SERVIÇOS DE EDUCAÇÃO. É vedada a opção ou permanência no regime do SIMPLES às pessoas jurídicas que prestem serviços de educação salvo, a partir de 24 de outubro de 2000, em face da Lei nº 10.034, as atividades de creches, pré escolas e estabelecimentos de ensino fundamental.
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Recorrida 1ª TURMA DE JULGAMENTO DA DRJ EM CAMPINAS SP ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1997 EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SISTEMA. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. SERVIÇOS DE EDUCAÇÃO. É vedada a opção ou permanência no regime do SIMPLES às pessoas jurídicas que prestem serviços de educação salvo, a partir de 24 de outubro de 2000, em face da Lei nº 10.034, as atividades de creches, préescolas e estabelecimentos de ensino fundamental. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. documento assinado digitalmente IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Presidente. documento assinado digitalmente JOSÉ SÉRGIO GOMES Relator. Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente), João Carlos de Lima Júnior (VicePresidente), José Sérgio Gomes (Relator), João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto e Manoel Mota Fonseca. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 23/05/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIRO Processo nº 10830.008107/0097 Acórdão n.º 110200.428 S1C1T2 Fl. 104 2 Relatório Em foco recurso voluntário visando a reforma da decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em CampinasSP, a qual indeferiu a solicitação da contribuinte de revisão do ato de exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) efetuado em 02 de outubro de 2000 pela Delegacia da Receita Federal em CampinasSP. O ato excludente calcouse na premissa de que a contribuinte exerce atividade econômica não permitida para o gozo do regime simplificado. Em 31/10/2000 a contribuinte solicitou a revisão da exclusão noticiando integrar a ação do Mandado de Segurança Coletivo nº 97.00086097, fl. 01, oportunidade em que apresentou, dentre outros documentos, cópia da sentença prolatada pelo Juízo da 22ª Vara Federal da Seção Judiciária de São PauloSP que assegura aos associados do Sindicato das Entidades Culturais, Recreativas, de Assistência Social, de Orientação e Formação Profissional no Estado de São Paulo (SINDELIVRE) o direito de se inscreverem no SIMPLES, fls. 05/10. A autoridade administrativa que procedeu ao ato de exclusão consignou que a defesa não versava sobre possíveis erros de fato e sim matéria de direito e em decorrência encaminhou o processo para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em CampinasSP, sendo o pedido analisado pela douta 1ª Turma de Julgamento daquela projeção, a qual entendeu, por unanimidade de votos, que a contribuinte não comprovou sua condição de parte no processo judicial, assim exigida pelo artigo 472 do Código de Processo Civil (CPC) e artigo 2A da Lei nº 9.494, de 10 de setembro de 1997, afora a ressalva expressa existente no decreto judicial no sentido de que o provimento só alcança os associados relacionados nos autos. Ciente do decisório em 29 de janeiro de 2008 a contribuinte apresentou em 20 do mês seguinte o recurso de fl. 38 apresentando declaração do SINDELIVRE enunciando que a empresa é filiada desde 16 de maio de 1994, estando relacionada nos autos do mandado de Segurança nº 97.00086097, que tramitou perante o MM. Juízo Federal da 22ª Vara, conforme documento de fls. 113 acostado aos autos..., fl. 49. O processo subiu a este Conselho e o recurso voluntário foi apreciado pela douta 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento que, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligência a fim de que se intimasse a contribuinte para apresentar certidão de objeto e pé do Mandado de Segurança impetrado pelo SINDELIVRE, devendo nela ser informado se a Contribuinte figura ou não no processo judicial desde o início, fls. 60/62. Em data de 21 de agosto de 2009 a autoridade preparadora cumpriu a ordem mediante fornecimento de cópia da Resolução nº 380300.003, reiterando a exigência em 06 de novembro de 2009, fls. 66 e 101. Com a petição datada de 23 de novembro de 2009 a contribuinte juntou a certidão de objeto e pé emitida pelo Diretor da Subsecretaria da Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da Terceira Região, fl. 84. É o relatório, em apertada síntese. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 23/05/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIRO Processo nº 10830.008107/0097 Acórdão n.º 110200.428 S1C1T2 Fl. 105 3 Voto Conselheiro JOSÉ SÉRGIO GOMES, Relator Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintídio legal. Assim sendo, dele tomo conhecimento. Inicialmente, registro a plena competência deste Colegiado para apreciação da matéria ventilada nos autos, eis que delineada no artigo 2º do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, órgão resultante da unificação dos antigos Conselhos de Contribuintes feita pelo artigo 48 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Vejase: “Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...........................................................................................) V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); A Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, dispôs sobre o regime tributário das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte e instituiu o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. Em seu artigo 9º previu o legislador as atividades econômicas que não poderiam usufruir do regime de tributação incentivada, enquanto os artigos 12 a 14 cuidam dos procedimentos de exclusão, seja de ofício ou por iniciativa da própria contribuinte, verbis: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: .................................................................................................. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 23/05/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIRO Processo nº 10830.008107/0097 Acórdão n.º 110200.428 S1C1T2 Fl. 106 4 XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; ......................................................................................................” “Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de ofício. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: I por opção; II obrigatoriamente, quando: incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art.9°; ......................................................................................................” “Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; ...................................................................................................” No caso em pauta a Recorrente não discute o mérito do ato administrativo de exclusão, é dizer, não apresenta suas razões de fato e de direito que pudessem encampar a tese de legitimidade na sua opção pelo regime do SIMPLES. Busca, isso sim, abrigo na r. decisão judicial que concedeu o direito de fruição pelo regime de tributação incentivada aos associados do SINDELIVRE. Contudo, fato é que não se fez a necessária prova, nem mesmo com a oportunidade processual ofertada pela Resolução nº 380300.003 da douta 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento desta Corte Administrativa. Com efeito, a certidão de objeto e pé trazida à fl. 84 apenas enuncia o SINDELIVRE como parte no processo judicial e o atual estágio em que este se encontra, é dizer, não há uma linha sequer dando a contribuinte como integrante do rol de associados. Evidentemente que esta prova é crucial ao deslinde do presente feito administrativo, notadamente porque a própria sentença judicial cuidou de ressalvar seu alcance tão somente àqueles associados relacionados nos autos, como bem advertiu a r. decisão administrativa recorrida. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 23/05/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIRO Processo nº 10830.008107/0097 Acórdão n.º 110200.428 S1C1T2 Fl. 107 5 A Recorrente, entretanto, não se desincumbiu do ônus probatório. Registrese, mais, que afora a nítida mensagem trazida na Resolução em comento também a autoridade preparadora cuidou de advertir a contribuinte da necessidade da certidão de objeto e pé trazer o dado, em específico. Em contrapartida, o que se viu foi o requerimento entregue ao Juízo passar ao largo dessa questão. Por fim, ainda que se pudesse ultrapassar o requisitório deste Conselho, verifico que a “Ficha Cadastral de Associado” encartada à fl. 56 nem mesmo precisa a data da ventilada filiação. Ainda, no contexto dos autos, reputo insuficiente a mera declaração do SINDELIVRE de que a contribuinte faz parte de se quadro de filiados. Com tais razões, VOTO pelo improvimento do recurso. documento assinado digitalmente José Sérgio Gomes Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 23/05/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIRO
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Numero do processo: 10980.004863/2001-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1995, 1996, 1997, 1998
DIREITO CREDITÓRIO.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto à Fazenda Pública.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1995, 1996, 1997, 1998
IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO-CALENDÁRIO.
SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO.
Os recolhimentos mensais do IRPJ calculados sobre balancetes ou receita bruta, as denominadas estimativas, caracterizam meras antecipações do imposto a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do ano-calendário.
A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação
tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador do imposto de renda de pessoa jurídica optante pelo regime de tributação do lucro real anual.
Do confronto entre o montante antecipado ao longo do ano-calendário e o quantum do tributo apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de imposto a pagar ou saldo negativo de IRPJ, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de 1º de janeiro subseqüente.
Numero da decisão: 1103-000.510
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer o direito creditório de Lancaster Participações e Empreendimentos Turísticos Ltda, relativo a saldo credor de IRPJ, nas quantias
de R$ 4.884,93 do ano-calendário de 1995; R$ 636,43 do ano-calendário de 1996; R$ 19,14 do ano-calendário de 1997 e R$ 200.318,87 do ano-calendário de 1998 e referente a saldo credor
de CSLL do ano-calendário de 1998 na importância de R$ 12.519,50, como também, a favor de Confeitaria Lancaster Ltda., por conta de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 1995, no valor de R$ 1.217,33, seguindo-se a homologação das compensações decorrentes
Nome do relator: JOSE SERGIO GOMES
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Recorrida 1ª TURMA DE JULGAMENTO DA DRJ EM CURITIBAPR ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1995, 1996, 1997, 1998 DIREITO CREDITÓRIO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto à Fazenda Pública. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995, 1996, 1997, 1998 IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO CALENDÁRIO. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. Os recolhimentos mensais do IRPJ calculados sobre balancetes ou receita bruta, as denominadas estimativas, caracterizam meras antecipações do imposto a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do ano calendário. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador do imposto de renda de pessoa jurídica optante pelo regime de tributação do lucro real anual. Do confronto entre o montante antecipado ao longo do anocalendário e o quantum do tributo apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de imposto a pagar ou saldo negativo de IRPJ, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de 1º de janeiro subseqüente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.004863/200111 Acórdão n.º 110300.510 S1C1T3 Fl. 1.432 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer o direito creditório de Lancaster Participações e Empreendimentos Turísticos Ltda, relativo a saldo credor de IRPJ, nas quantias de R$ 4.884,93 do anocalendário de 1995; R$ 636,43 do anocalendário de 1996; R$ 19,14 do anocalendário de 1997 e R$ 200.318,87 do anocalendário de 1998 e referente a saldo credor de CSLL do anocalendário de 1998 na importância de R$ 12.519,50, como também, a favor de Confeitaria Lancaster Ltda., por conta de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1995, no valor de R$ 1.217,33, seguindose a homologação das compensações decorrentes documento assinado digitalmente ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. documento assinado digitalmente JOSÉ SÉRGIO GOMES Relator. Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Hugo Correia Sotero, José Sérgio Gomes, Cristiane Silva Costa, Mário Sérgio Fernandes Barroso e Marcos Shigueo Takata. Relatório Em foco recurso voluntário contra decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba/PR que não acolheu a solicitação de reforma do despacho decisório do Delegado da Receita Federal em CuritibaPR que, por sua vez, reconheceu em parte o direito creditório contra a Fazenda Nacional por conta de apontados saldos negativos de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos anoscalendário de 1995 a 1998 e, consequentemente, homologou parcialmente as compensações com débitos desses mesmos tributos afetos a antecipações (estimativas) e quotas devidas pelo regime de tributação pelo lucro presumido, bem assim, de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), apurados nos períodos de fevereiro de 2002 a julho de 2005. O pedido de restituição inaugural se deu em meio físico (papel) e foi protocolado em 17/07/2001 buscando a repetição do valor originário de R$ 252.301,35 sendo R$ 246.795,86 de imposto de renda pago em DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais); R$ 43.370,77 de imposto de renda retido na fonte atinente a receitas de comissões, aluguéis e aplicações financeiras e R$ 72.898,14 de contribuição social sobre o lucro paga em DARF, deduzidos das quantias de R$ 89.607,25 (IRPJ) e R$ 21.156,27 (CSLL) por apontadas compensações efetuadas anteriormente. Ainda, registrou que lhe cabiam de juros de mora na ordem de R$ 303.928,89, calculados até a data do pedido, fl. 01 e fl. 04. Releva observar que a contribuinte formulou pedido de restituição em nome próprio, porém, o quantum indicado também envolveu parcela de empresa incorporada em janeiro de 2000, no caso, Confeitaria Lancaster Ltda e que na época dos fatos (anoscalendário Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.004863/200111 Acórdão n.º 110300.510 S1C1T3 Fl. 1.433 3 de 1995 a 1998) era inscrita no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) sob o nº 75.159.236/000174. Seguiramse, ainda, pedidos de compensação e declarações de compensação igualmente apresentados em meio físico, fls. 552/574, bem assim, outras declarações de compensação transmitidas pela internet à central de dados da Receita Federal do Brasil, cujas cópias foram juntadas às fls. 755/970. A Delegacia da Receita Federal em CuritibaPR houve por intimar a Requerente para prestação de esclarecimentos, fls. 575/581, vindo aos autos a resposta e documentos de fls. 594/750. Referida autoridade fiscal exarou o despacho decisório de fls. 1.125/1.140 adotando e processando dois pedidos distintos, para cada uma das pessoas jurídicas listadas no pedido. Alertou, ainda, logo de início, que descaberia falar em repetição de estimativas e de imposto retido na fonte apartadamente, motivo pelo qual adotou a premissa de saldo negativo e desnaturou o período quadrienal apresentado pela Requerente para alocálo em periodicidade anual, assim concluindo: Anocalendário de 1995 IRPJ (Lancaster Participações) a) as antecipações do imposto (estimativas) indicadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na ordem de R$ 57.063,02, encontram comprovações em efetivos pagamentos, fl. 978; b) o imposto de renda retido por fontes pagadoras indicado na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na importância de R$ 14.548,43, não foi comprovado pela Requerente com a apresentação dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes retentoras, nem mesmo após regular intimação para tanto. Todavia, considerouse a quantia de R$ 1.555,95 por constar em Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) prestadas pelas instituições financeiras ou tomadores de serviços, fls. 971/977; c) em decorrência, o saldo negativo de R$ 47.491,47 enunciado na DIPJ de fl. 979v. foi reduzido para R$ 34.498,99 sem que houvesse, contudo, reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional ante a apuração deste saldo credor ter sido utilizado pela contribuinte no adimplemento de estimativas do anocalendário subsequente por meio de compensações unilaterais (sem processo administrativo). Aferiuse, então, estas compensações mediante a planilha de cálculos de fls. 980/982, na qual se encontra demonstrado que o crédito extinguiu/amortizou os débitos de estimativas do IRPJ dos meses de abril a julho de 1996 e parcialmente a do mês de agosto de 1996. IRPJ (Confeitaria Lancaster) a) as antecipações do imposto (estimativas) indicadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na ordem de R$ 24.930,80, encontram comprovações em efetivos pagamentos, fl. 1.069; b) o imposto de renda retido por fontes pagadoras indicado na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na importância de R$ 1.069,51, não foi comprovado Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.004863/200111 Acórdão n.º 110300.510 S1C1T3 Fl. 1.434 4 pela Requerente com a apresentação dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes retentoras, nem mesmo após regular intimação para tanto. Todavia, considerouse a quantia de R$ 647,73 por constar em Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) prestadas pelas instituições financeiras ou tomadores de serviços, fls. 1.062/1.068; c) em decorrência, o saldo negativo de R$ 26.540,31 enunciado na DIPJ de fl. 132 foi reduzido para R$ 25.578,53 sem que houvesse, contudo, reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional ante a apuração deste saldo credor ter sido utilizado pela contribuinte no adimplemento de estimativas dos anoscalendário subsequentes por meio de compensações unilaterais (sem processo administrativo). Aferiuse, então, estas compensações mediante a planilha de cálculos de fls. 1.070/1.074, na qual se encontra demonstrado que o crédito extinguiu/amortizou os débitos de estimativas do IRPJ dos meses de abril a dezembro de 1996 e janeiro a junho de 1997 e ainda parcialmente a do mês de julho de 1997. CSLL (Confeitaria Lancaster) a) as antecipações da contribuição (estimativas) indicadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na ordem de R$ 19.705,66, encontram comprovações em efetivos pagamentos, fl. 1.085; b) em decorrência, o saldo negativo enunciado na DIPJ de fl. 135, neste exato valor, foi confirmado. Contudo, não houve o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional ante a apuração deste saldo credor ter sido utilizado pela contribuinte no adimplemento de estimativas dos anoscalendário subsequentes por meio de compensações unilaterais (sem processo administrativo). Aferiuse, então, estas compensações mediante a planilha de cálculos de fls. 1.086/1.090, na qual se encontra demonstrado que o crédito extinguiu/amortizou os débitos de estimativas de CSLL dos meses de abril a dezembro de 1996 e janeiro a junho de 1997, além de parte do mês de julho de 1997. Consignou o decisório, também, que ainda remanescessem saldos negativos desse período encontrariamse decaídos em razão do decurso do prazo de 5 (cinco) anos para a repetição, nos moldes do artigo 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005 e Decreto nº 20.910, de 1932. Anocalendário de 1996 IRPJ (Lancaster Participações) a) as antecipações do imposto (estimativas) indicadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na ordem de R$ 97.566,76, encontram comprovação até a quantia de R$ 83.748,57, sendo a importância de R$ 49.249,58 por conta de recolhimentos efetivos, fl. 1.001v., e R$ 34.498,99 (R$ 39.287,93 com atualização e juros) pela utilização, via compensação direta, do saldo negativo do anocalendário de 1995, dissertado anteriormente; b) o imposto de renda retido por fontes pagadoras indicado na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na importância de R$ 12.866,10, não foi comprovado pela Requerente com a apresentação dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes retentoras, nem mesmo após regular intimação para tanto. Todavia, considerouse a quantia de R$ 8.652,50 por constar em Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) prestadas pelas instituições financeiras ou tomadores de serviços, fls. 983/1.001; Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.004863/200111 Acórdão n.º 110300.510 S1C1T3 Fl. 1.435 5 c) já a dedução do imposto anual sob o título de “demais compensações de imposto de renda” indicada na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) pela quantia de R$ 15.940,04 não se confirma porque excede o limite legal de dedutibilidade, no caso igual a zero em razão da inexistência de débito a ser compensado, consoante orientação do Manual de Preenchimento – Pessoa Jurídica (MAJUR); d) em decorrência, o saldo negativo de R$ 120.170,11 enunciado na DIPJ de fl. 388 foi reduzido para R$ 90.987,22 sem que houvesse, contudo, reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional ante a apuração deste saldo credor ter sido utilizado no adimplemento de estimativas de anoscalendário subsequentes por meio de compensações unilaterais (sem processo administrativo). Aferiuse, então, estas compensações mediante a planilha de cálculos de fls. 1.002/1.005, na qual se encontra demonstrado que o crédito extinguiu/amortizou os débitos de estimativas do IRPJ dos meses de março, abril, junho, julho (parcialmente), agosto e setembro de 1997 e dos meses de março, outubro e dezembro de 1998. Consignouse, também, que nesse anocalendário não mais cabia corrigir monetariamente as antecipações, equivocadamente levada a efeito pela contribuinte em sua planilha de fl. 597. IRPJ (Confeitaria Lancaster) a) as antecipações do imposto (estimativas) indicadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na ordem de R$ 21.144,56, encontram comprovação da quantia de R$ 21.547,74, até mesmo superior ao declarado, sendo o valor de R$ 5.540,09 por conta de recolhimentos efetivos, fl. 1.079, e a importância de R$ 16.047,65 pela utilização, via compensação direta, de parte do saldo negativo do anocalendário de 1995, dissertado anteriormente; b) o imposto de renda retido por fontes pagadoras indicado na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na importância de R$ 2.344,28, não foi comprovado pela Requerente com a apresentação dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes retentoras, nem mesmo após regular intimação para tanto. Todavia, considerouse a quantia de R$ 300,69 por constar em Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) prestadas pelas instituições financeiras ou tomadores de serviços, fls. 1.075/1.078; c) já as deduções do imposto anual sob os títulos de “saldo de IR a compensar apurado em períodos anteriores” e “demais compensações de imposto de renda” indicadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) pelas quantias de R$ 14.983,68 e R$ 443,21 não se confirmam porque excedem o limite legal de dedutibilidade, no caso igual a zero em razão da inexistência de débito a ser compensado, consoante orientação do Manual de Preenchimento – Pessoa Jurídica (MAJUR); d) em decorrência, o saldo negativo de R$ 38.915,73 enunciado na DIPJ de fl. 153 foi reduzido para R$ 21.888,43 sem que houvesse, contudo, reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional ante a apuração deste saldo credor ter sido utilizado no adimplemento de estimativas de anoscalendário subsequentes por meio de compensações unilaterais (sem processo administrativo). Aferiuse, então, estas compensações mediante a planilha de cálculos de fls. 1.080/1.089, na qual se encontra demonstrado que o crédito extinguiu/amortizou os débitos de estimativas do IRPJ dos meses de julho a dezembro de 1997 e dos meses de janeiro (parcialmente), fevereiro, março, outubro e dezembro de 1998. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.004863/200111 Acórdão n.º 110300.510 S1C1T3 Fl. 1.436 6 CSLL (Lancaster Participações) a) as antecipações da contribuição (estimativas) e demais compensações indicadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na ordem de R$ 25.060,32, encontram comprovações em efetivos pagamentos, fl. 1.052; b) em decorrência, o saldo negativo de R$ 14.067,43 enunciado na DIPJ de fl. 396 foi confirmado. Contudo, não houve o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional nesta importância ante a apuração deste saldo credor ter sido parcialmente utilizado pela contribuinte no adimplemento de estimativas do anocalendário subsequente por meio de compensações unilaterais (sem processo administrativo). Aferiuse, então, estas compensações mediante a planilha de cálculos de fls. 1.053/1.055, na qual se encontra demonstrado que o crédito extinguiu/amortizou os débitos de estimativas de CSLL dos meses de março a julho de 1997, dezembro de 1998 e setembro de 1999, bem como, que ainda remanesce o saldo de R$ 1.247,65. CSLL (Confeitaria Lancaster) a) as antecipações da contribuição (estimativas) indicadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na ordem de R$ 18.386,55, encontram comprovação da quantia de R$ 18.397,30, até mesmo superior ao declarado, sendo o valor de R$ 4.442,81 por conta de recolhimentos efetivos, fl. 1.091, e a importância de R$ 13.954,49 pela utilização, via compensação direta, de parte do saldo negativo do anocalendário de 1995; b) já as deduções da contribuição anual sob os títulos de “saldo de CSL a compensar apurado em períodos anteriores” e “demais compensações de contribuição social” indicadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) pelas quantias de R$ 10.552,34 e R$ 10,73 não se confirmam porque excedem o limite legal de dedutibilidade, no caso igual a zero em razão da inexistência de débito a ser compensado, consoante orientação do Manual de Preenchimento – Pessoa Jurídica (MAJUR); c) em decorrência, o saldo negativo de R$ 28.949,62 enunciado na DIPJ de fl. 161 foi reduzido para R$ 18.397,30 sem que houvesse, contudo, reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional nesta importância ante a apuração deste saldo credor ter sido parcialmente utilizado no adimplemento de estimativas de anoscalendário subsequentes por meio de compensações unilaterais (sem processo administrativo). Aferiuse, então, estas compensações mediante a planilha de cálculos de fls. 1.092/1.097, na qual se encontra demonstrado que o crédito extinguiu/amortizou os débitos de estimativas da CSLL dos meses de julho a dezembro de 1997 e janeiro a março, outubro e dezembro de 1998, bem como, que ainda remanesce o saldo de R$ 286,28. Anocalendário de 1997 IRPJ (Lancaster Participações) a) as antecipações do imposto (estimativas) indicadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na ordem de R$ 166.636,29, encontram comprovação da quantia R$ 177.230,78, até mesmo superior ao declarado, sendo o valor de R$ 80.744,78 por conta de recolhimentos efetivos, fl. 1.025, e a importância de R$ 90.987,22 (R$ 96.486,00 com juros) pela utilização, via compensação direta, de parte do saldo negativo do ano calendário de 1996; Fl. 10DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.004863/200111 Acórdão n.º 110300.510 S1C1T3 Fl. 1.437 7 b) o imposto de renda retido por fontes pagadoras indicado na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na importância de R$ 6.901,60, não foi comprovado pela Requerente com a apresentação dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes retentoras, nem mesmo após regular intimação para tanto. Todavia, considerouse a quantia de R$ 4.208,46 por constar em Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) prestadas pelas instituições financeiras ou tomadores de serviços, fls. 1.006/1024; c) já as deduções do imposto anual sob os títulos de “compensações de pagamentos indevidos ou a maior” e “saldos negativos de períodos anteriores” indicadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) pelas quantias de R$ 35.084,69 e R$ 2.639,90 não se confirmam porque excedem o limite legal de dedutibilidade, no caso igual a zero em razão da inexistência de débito a ser compensado, consoante orientação do Manual de Preenchimento – Pessoa Jurídica (MAJUR); d) em decorrência, o saldo negativo de R$ 211.262,48 enunciado na DIPJ de fl. 415 foi reduzido para R$ 181.439,24 sem que houvesse, contudo, reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional ante a apuração deste saldo credor ter sido utilizado no adimplemento de estimativas de anoscalendário subsequentes por meio de compensações unilaterais (sem processo administrativo). Aferiuse, então, estas compensações mediante a planilha de cálculos de fls. 1.026/1.028, na qual se encontra demonstrado que o crédito extinguiu/amortizou os débitos de estimativas do IRPJ dos meses de março a dezembro de 1998 e ainda parcialmente a do mês de janeiro de 1999. CSLL (Lancaster Participações) a) as antecipações da contribuição (estimativas) indicadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na ordem de R$ 27.412,49, encontram comprovação sendo a quantia de R$ 20.096,95 por conta de recolhimentos efetivos, fl. 1.056, e o remanescente pela utilização, via compensação direta, de parte do saldo negativo do ano calendário de 1996; b) já as deduções da contribuição anual sob os títulos de “compensações de pagamentos indevidos ou a maior” e “saldos negativos de períodos anteriores” indicadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) pelas quantias de R$ 6.751,95 e R$ 344,18 não se confirmam porque excedem ao limite legal de dedutibilidade, no caso igual a zero em razão da inexistência de débito a ser compensado, consoante orientação do Manual de Preenchimento – Pessoa Jurídica (MAJUR); c) em decorrência, o saldo negativo de R$ 34.508,62 enunciado na DIPJ de fl. 428 foi reduzido para R$ 27.412,49 sem que houvesse, contudo, reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional ante a apuração deste saldo credor ter sido utilizado no adimplemento de estimativas de anoscalendário subsequentes por meio de compensações unilaterais (sem processo administrativo). Aferiuse, então, estas compensações mediante a planilha de cálculos de fls. 1.057/1.060, na qual se encontra demonstrado que o crédito extinguiu/amortizou os débitos de estimativas de CSLL dos meses de março a dezembro de 1998 e janeiro e fevereiro de 1999. Anocalendário de 1998 IRPJ (Lancaster Participações) Fl. 11DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.004863/200111 Acórdão n.º 110300.510 S1C1T3 Fl. 1.438 8 a) as antecipações do imposto (estimativas) indicadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na ordem de R$ 245.151,48, encontram comprovação de R$ 243.835,18, sendo a quantia de R$ 28.584,21 por conta de recolhimentos efetivos, fl. 1.049, e na importância de R$ 181.439,24 (R$ 215.250,97 com juros) pela utilização, via compensação direta, de parte dos saldos negativos dos anoscalendário de 1996 e 1997; b) o imposto de renda retido por fontes pagadoras indicado na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na importância de R$ 3.590,37, não foi comprovado pela Requerente com a apresentação dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes retentoras, nem mesmo após regular intimação para tanto. Todavia, considerouse a quantia de R$ 3.615,87 por constar em Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) prestadas pelas instituições financeiras ou tomadores de serviços, fls. 1.029/1048; c) em decorrência, o saldo negativo de R$ 230.218,00 enunciado na DIPJ de fl. 461 foi reduzido para R$ 228.901,70 sem que houvesse, contudo, reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional nesta importância ante a apuração deste saldo credor ter sido parcialmente utilizado no adimplemento de estimativas de anoscalendário subsequentes por meio de compensações unilaterais (sem processo administrativo). Aferiuse, então, estas compensações mediante a planilha de cálculos de fls. 1.050/1.051, na qual se encontra demonstrado que o crédito extinguiu/amortizou os débitos de estimativas do IRPJ dos meses de março de 1999 e setembro de 2000 e que ainda remanesce o saldo de R$ 213.736,82. Entrementes, ainda assim não houve o reconhecimento de direito creditório nesta quantia ante a interpretação de que a Requerente teria peticionado tão somente a importância de R$ 28.584,21. CSLL (Lancaster Participações) a) as antecipações da contribuição (estimativas) indicadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na ordem de R$ 41.230,85, encontram comprovação de R$ 31.564,28, sendo a quantia de R$ 4.599,08 por conta de recolhimentos efetivos, fl. 1.061, e na importância de R$ 26.965,20 pela utilização, via compensação direta, de parte dos saldos negativos dos anoscalendário de 1996 e 1997; b) em decorrência, o saldo negativo de R$ 26.785,15 enunciado na DIPJ de fl. 483 foi reduzido para R$ 17.118,58 sem que houvesse, contudo, reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional desta importância ante a interpretação de que a Requerente teria peticionado tão somente a quantia de R$ 4.599,08. Em razão de todo esse arcabouço decidiu a autoridade fiscal pela existência de efetivos créditos a favor de Lancaster Participações, a título de saldo negativo de IRPJ na ordem de R$ 28.584,21 (anocalendário de 1998) e de saldo negativo de CSLL na importância de R$ 1.247,65 (anocalendário de 1996) e R$ 4.599,08 (anocalendário de 1998) e crédito a favor de Confeitaria Lancaster por conta de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1996 na quantia de R$ 286,28, a serem corrigidos/atualizados segundo a legislação de regência. Em consequência, deferiu/homologou as compensações com débitos de PIS e COFINS dos períodos de dezembro de 2001 e janeiro, fevereiro e março de 2002, fls. 1.098/1.105. Inconformada, a contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade aduzindo, inicialmente, que o crédito pretendido leva em conta a integralidade dos saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados entre os anos de 1995 a 1998 segundo as declarações de rendimentos apresentadas, além das cópias dos DARFs e dos livros “razão” e “diário”, Fl. 12DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.004863/200111 Acórdão n.º 110300.510 S1C1T3 Fl. 1.439 9 descabendo os valores formulados pela autoridade fiscal com base na resposta dada à intimação para esclarecimentos e apresentação de planilhas de cálculos, já que elaborada em exíguo prazo. Disse que diversos foram os bancos que efetuaram retenções de IRRF e que alguns comprovantes seguem em anexo, porém, tendo em vista a omissão dessas fontes pagadoras cabem diligências junto às mesmas. Também, que as retenções foram comprovadas pela escrita contábil e que o entendimento fiscal de que somente os informes de rendimentos a tanto se prestam não é válido, pois o artigo 923 do Regulamento do Imposto de Renda se expressa no sentido de que a escrituração faz prova a favor do contribuinte. Refutou o entendimento de decadência do direito de repetição do saldo negativo do anocalendário de 1995 porque integralmente compensado com estimativas devidas em 1996 e 1997, ou seja, em menos de dois anos do início da contagem do prazo decadencial, sem contar que se trata de lançamento por homologação, na forma do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), cujo prazo de repetição é de 10 (dez) anos contados do fato gerador, na linha da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Contestou o entendimento fiscal de ineficácia das exclusões indicadas nas declarações anuais (saldo de IR a compensar apurado em períodos anteriores, demais compensações de imposto de renda, e similares), pois em consonância com o Majur, sendo que o argumento de que elas dependem da existência de saldo positivo não tem respaldo nas orientações dadas oficialmente pela Receita Federal. No mais, dissertou sobre os valores individualmente, é dizer, a cada ano calendário e por espécie de tributo (IRPJ e CSLL), separados ainda entre sucessora e sucedida. A Turma de Julgamento admitiu o inconformismo e concluiu pelo acerto do decisório da autoridade fiscal ao entendimento de que recai sobre a contribuinte o ônus de comprovar o indébito fiscal alegado. Nesse diapasão, cumprialhe apresentar os comprovantes de retenção de imposto de renda na fonte, consoante exigido pelo artigo 55 da Lei nº 7.450, de 1985, sendo que aqueles trazidos com a manifestação de inconformidade já haviam sido considerados pela autoridade fiscal por fazerem parte dos valores constantes das DIRFs apresentadas pelas fontes pagadoras, e que os lançamentos contábeis, por si só, fazem prova a favor das pessoas a que pertecem quando corroborados com documentação idônea e tempestiva, consoante artigo 226 do Código Civil e NBCT 2.2 aprovada pelo Conselho Federal de Contabilidade mediante a Resolução nº 597, de 1985. Também, que a realização de diligência é faculdade da autoridade como meio de constatar a veracidade dos fatos constantes dos autos, sendo prescindível sua realização para suprir documentação comprobatória a cargo da requerente, a importar em transferência do encargo na comprovação do direito pretendido. Quanto às alegações sobre o prazo decadencial relativo ao anocalendário de 1995 frisou, inicialmente, que todo o saldo negativo disponível, após os ajustes efetuados em razão da falta de comprovação do IRRF, se encontra consumido na compensação de estimativas dos anos subseqüentes, e que o invocado prazo de 10 (dez) anos não prevalece em razão do artigo 4º da Lei Complementar nº 118, de 2005, o qual fixou que o prazo decadencial de repetição é de 5 (cinco) anos, contados do pagamento antecipado. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.004863/200111 Acórdão n.º 110300.510 S1C1T3 Fl. 1.440 10 Transcreveu as orientações do Majur e asseverou que as mesmas contradizem as alegações do inconformismo apresentado, caracterizando, ao contrário, desobediência àquelas. Por fim, analisou os valores anuais pretendidos e comprovados, concluindo que a empresa utilizou os saldos negativos, em sua quase totalidade, para efetuar compensação de valores devidos em exercícios subseqüentes, não cabendo o pedido de restituição nos termos formulados, negando, ainda, o pedido de intimações no endereço dos patronos da contribuinte. Ciente do decisório em 07 de agosto de 2008, fl. 1.231, a contribuinte postou nos correios em 05 do mês seguinte o recurso voluntário de fls. 1.232/1.256 reafirmando suas razões apresentadas na manifestação de inconformidade e acrescendo que a sistemática de retenção do imposto de renda na fonte, embora eficiente como meio de combate à sonegação na medida em que transfere a obrigação do recolhimento para a fonte pagadora do rendimento, representa riscos para a administração e contribuintes, em especial quando a retentora deixa de declarar a DIRF e fornecer os respectivos comprovantes anuais de rendimentos, hipótese ocorrente no caso e daí a necessidade de diligências, não podendo a Recorrente pagar pela falta cometida por outras empresas. Ainda, que a conduta da administração, em matéria tributária, não pode ignorar os créditos existentes em favor do contribuinte, ou seja, deve conduzir seus procedimentos para apurar justamente o que é de direito, em respeito ao princípio da legalidade e da verdade real, sob pena de enriquecimento ilícito do Estado, asseverando que não está tentando inverter o ônus da prova, mas sim que a Receita Federal utilize seu poder fiscalizador obtendo informações cujo atendimento cabia às fontes pagadoras. Aduz que as empresas Hotel Savoy e Hotel Lancaster também foram incorporadas, sendo que o autoridade fiscal não teve o cuidado de apurar os créditos dessas, derivados de retenções de imposto de renda na fonte. Suplementa que não foram tecidas quaisquer ponderações sobre os acréscimos legais que devem ser somados ao crédito a compensar, glosados sem sequer elaboração de uma planilha demonstrando a apropriação (UFIR até 31/12/1995 e SELIC a partir de 01/01/96) e o momento da amortização. Adiciona, ainda, que há valores efetivamente pagos ou compensados em determinados meses que devem ser compreendidos como pagamentos a maior, já que superiores às dívidas daqueles períodos, créditos esses que podem ser objeto de pedido de restituição individual, inclusive com acréscimos de juros a partir do mês seguinte ao dos recolhimentos e que foram estas hipóteses aquelas lançadas nas DIRPJ/DIPJs, em consonância com o MAJUR, caracterizando sua boafé, a repelir a incidência de penalidades. Ao final, requer o provimento do recurso e a exclusão de penalidades, bem assim, a baixa do processo para diligências e perícias e realização de intimações no endereço dos patronos. Posteriormente, ingressou com a petição de fls. 1.329/1.334 requerendo a juntada das cópias dos requerimentos endereçados a instituições financeiras, bem assim, dos informes de rendimentos de fls. 1.335/1.382, pela qual noticia que ditos informes somente estão sendo apresentados nesta oportunidade em vista de que apenas neste momento foram disponibilizados pelas fontes retentoras, invocando, ainda, o artigo 397 do Código de Processo Fl. 14DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.004863/200111 Acórdão n.º 110300.510 S1C1T3 Fl. 1.441 11 Civil que dispõe ser lícito às partes, em qualquer tempo, juntar aos autos documentos novos quando destinados a fazer prova de fatos ocorridos depois dos articulados, ou para contrapôlos ao que foram produzidos nos autos. Ao final, requer o deferimento da juntada desta prova. O feito foi colocado a julgamento na Sessão de 16 de dezembro de 2010 da Segunda Turma Ordinária desta Câmara, oportunidade na qual aquele Colegiado decidiu pela conversão do julgamento em diligência a fim de que a autoridade fiscal apreciasse os informes de rendimentos trazidos após o aviamento do recurso voluntário, desconsiderando aqueles afetos aos anoscalendário posteriores ao ano de 1998, consoante Resolução nº 11020025 de fls. 1.393/1.396, instrumento no qual foi alertado que a Recorrente deveria ser cientificada do resultado do trabalho fiscal. Em cumprimento foi elaborada a “Informação Fiscal” encartada às fls. 1.417/1.427 onde a autoridade jurisdicionante analisa individualmente cada um dos documentos trazidos, assim classificandoos: i) informes de rendimentos pertencentes a terceiros; ii) informes de rendimentos cujos valores retidos já haviam sido considerados em razão de constarem originariamente no processo, iii) informes de rendimentos que apesar de não constarem na instrução originária os valores neles indicados como retidos já haviam sido considerados em face de constarem em DIRFs e iv) informes que enunciam ausência de retenções. Ainda, teceu considerações sobre a impossibilidade de aproveitamento dos valores retidos de empresas incorporadas anteriormente à incorporação e também naqueles casos em que não restou comprovação em DIRFs, como ainda, a necessidade da comprovação de que as receita financeiras que deram origem às retenções ter sido oferecida à tributação. A Recorrente foi regularmente cientificada, porém, absteuse de se manifestar sob o entendimento de que há tumulto processual caracterizado pelo fato que sua petição protocolada em 04/03/2010, com a qual fez juntar substabelecimento a outros advogados e laudo pericial, além de comprovantes de rendimentos e retenções na fonte, não ter sido corretamente integrada aos autos, segregada que foi com a abertura de um “segundo volume nº 4”, grafado com fls. 1.124/1.205, não apreciada por este Conselho e pelo auditor fiscal quando da diligência. É o relatório, na síntese que se faz possível. Voto Conselheiro JOSÉ SÉRGIO GOMES, Relator Os requisitos de legitimidade processual e tempestividade do recurso já foram apreciados quando do início do julgamento na Sessão de 16 de dezembro de 2010, restando admitido o remédio recursal. Iniciando esta segunda fase creio pertinente inaugurar a discussão com o incidente aventado: equivocada autuação de um “segundo volume nº 4”, com possibilidades de caracterização de cerceamento do direito de defesa. Seguramente, de cerceamento do direito de defesa não se trata pois desde os primórdios do processo o que se vê é a ampla busca pela verdade material que governa o feito Fl. 15DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.004863/200111 Acórdão n.º 110300.510 S1C1T3 Fl. 1.442 12 administrativo. Com efeito, nada obstante tratarse de duas pessoas jurídicas distintas viuse a autoridade fiscal processar a inovadora “sistemática” de pedido conjunto, quando o correto, a meu ver e com a devida venia, seria a apartação dos autos. Também se viu a intimação preliminar ao próprio decisório para que as peticionárias esclarecessem lacunas constantes nos pedidos, fls. 575/581. Além disso, esta segunda instância acatou a juntada de provas documentais extemporâneas, bem assim, determinou a realização de diligência fiscal, inclusive com ordem de intimação à Recorrente para o conhecimento dos resultados desta. Por sua vez, é certo que acompanha o processo um segundo volume nº IV, e no qual consta instrumento de substabelecimento, um parecer exarado por profissional do ramo das ciências contábeis e ainda cópias de informes de rendimentos e retenções na fonte. Todavia, este conjunto de peças recebeu e recebe o tratamento de volume apenso, tanto que no originário volume IV continuaram a ser encartadas as peças processuais correlatas ao andamento do feito, inclusive já encerrado com a abertura do atual volume V. Ainda, os informes de rendimentos e retenções nele constantes são exatamente os mesmos juntados pela Recorrente ao longo do processo, consoante correlação que se apresenta (nº de folha do apenso/nº de fl. do volume IV): 1137/1267, 1138/1268, 1139/1273, 1140/1351, 1141/1293, 1142/1294, 1143/1284, 1144/1291, 1145/1292, 1146/1289, 1147/1347, 1148/1352, 1149/1315, 1150/1312, 1151/1202, 1152/1202verso, 1153/1201, 1154/1200verso, 1155/1353, 1156/1316, 1157/1354, 1158/1190, 1159/1310, 1160/1308, 1161/1348, 1162/1361, 1163/1309, 1164/1359, 1165/1191, 1166/1355, 1167/1349, 1168/1380, 1169/1360, 1170/1362, 1171/1374, 1172/1376, 1173/1350, 1174/1372, 1175/1372b, 1176/1377 e 1177/1382. Quanto ao parecer contábil importa que sua contribuição à convicção deste Julgador não se atrela ao fato de estar encartado diretamente nos autos ou em forma apensa. Exaurida esta questão, não há maiores entraves na compreensão de que a regra de apuração do IRPJ com base no lucro real se dá nos trimestres civis do ano calendário mediante o levantamento de balanços patrimoniais e elaboração de demonstrativos de resultados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro, consoante dispõe o artigo 220 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. A apuração anual é uma alternativa dada pelos artigos 222 e 223 do RIR/99 que, para o seu exercício, requer pagamentos mensais calculados sobre base de cálculo estimada, isto é, determinados mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, sendo certo que em determinados tipos de atividade econômica dito percentual poderá ser de um inteiro e seis décimos por cento; dezesseis por cento ou trinta e dois por cento. Com base na receita, então, estimase o lucro, daí a denominação de pagamentos por estimativa. Apurado o real imposto devido no anocalendário, mediante o levantamento do balanço patrimonial em 31 de dezembro, permitese deduzir, entre outros elementos, as antecipações efetuadas, quais sejam, as parcelas do imposto de renda retido por fontes pagadoras de rendimentos e as estimativas. Acaso a somatória dessas quantias ultrapassar o valor do tributo devido estará exteriorizada a figura do saldo de imposto a ser compensado (RIR, art. 231), também chamado de saldo negativo de IRPJ, este sim passível de restituição ou Fl. 16DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.004863/200111 Acórdão n.º 110300.510 S1C1T3 Fl. 1.443 13 compensação com o próprio IRPJ ou outros tributos e sobre o qual incidirão juros à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados entre o mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que for restituído ou em que foi entregue a declaração de compensação. Inversamente, é dizer, em sendo o valor das antecipações inferior ao do tributo apurado no balanço, afigurase o saldo de imposto a pagar. Por sua vez, a Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), por si só, não têm o condão de formatar crédito contra a Fazenda Nacional, pois, embora provada a declaração não assim os fatos nela consignados. Significa dizer, então, que o indébito postulado há de repousar em provas de sua efetiva existência, revestindose a DIPJ de simples elemento de composição. No caso presente agiu com acerto a autoridade fiscal em desnaturar o pedido de restituição de parcelas de imposto de renda retido na fonte, já que, como consignado, elas se revestem da característica de antecipações do tributo devido no anocalendário. Igualmente acertada a metodologia de segregação dos pedidos entre as sociedades Lancaster Participações e Confeitaria Lancaster, pois, embora a primeira tenha incorporado a segunda, e como tal assumido seus direitos, não há confundir os resultados das sociedades, consoante cristalina regra trazida pelo artigo 810 do RIR/99, a ver: “Art. 810. A pessoa jurídica incorporada, fusionada ou cindida deverá apresentar declaração de rendimentos correspondente ao período transcorrido durante o anocalendário, em seu próprio nome, até o último dia útil do mês subseqüente ao do evento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 21, § 4º).” Por força deste mesmo dispositivo os informes de rendimentos e retenções na fonte trazidos com o recurso voluntário em nome de Hotel Lancaster e Alberto Noel de Paula & Cia Ltda. (Savoy Hotel) não podem e não serão considerados, mesmo porque nem mesmo fazem parte do pedido originário, contrariamente ao ocorrido com Confeitaria Lancaster. Todavia, a diligência fiscal chama atenção para o fato de existirem alguns informes de rendimentos e retenções que apesar de emitidos em nome destas incorporadas abrangem períodos anteriores e posteriores à data do evento da incorporação, que se deu em 30/06/1995. Neste caso, e no que se refere aos períodos posteriores, entendo possível computaremse as retenções como pertencentes à sucessora (itens 3.5.3, 3.6.2, 3.7.2, 3.8.2, 3.11.2, 3.12.2, 4.10.2, 4.11.2 e 4.13.2 da diligência fiscal). Noutro giro, não vejo entrave no reconhecimento do direito do contribuinte ao crédito postulado ante a circunstância desses informes não encontrarem confirmação total ou parcial em DIRFs, sejam os emitidos em nome dos próprios peticionários, sejam aqueles em nome das sociedades incorporadas (quanto a estas, obviamente, no que se referem ao período posterior à incorporação). É que, no caso, não se trata de informes emitidos por pessoas jurídicas coligadas em um mesmo grupo empresarial, o que os colocaria sob o crivo da suspeita ante a presença ou identidade dos mesmos gestores, mas sim fornecidos por instituições financeiras, autênticos terceiros, em face de aplicações neste mercado. Assim, se revestem de instrumento próprio na comprovação da efetiva retenção, não sendo cabível imputar ao contribuinte Fl. 17DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.004863/200111 Acórdão n.º 110300.510 S1C1T3 Fl. 1.444 14 qualquer prejuízo por eventuais inconsistências das DIRFs, ou então omissão do agente financeiro na apresentação delas. Incide, pois, os ditames do artigo 55 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985: “Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.” Resta, finalmente, o entendimento trazido pela autoridade fiscal diligenciante no sentido de que o direito ao crédito subordinarseia à comprovação de que as receitas financeiras que geraram as retenções tenham sido ofertadas à tributação. Realmente, não se concebe restituição ou compensação de imposto de renda retido na fonte sem a tributação da receita que o gerou. Todavia, não há uma única linha neste sentido no despacho decisório ou mesmo na decisão recorrida, de sorte que a restrição, a par de se encontrar no terreno da hipótese, apresentase inovadora. É certo que o requisito operase exlege, porém, há de ser levado em conta que nem mesmo o despacho decisório, ao deferir parcialmente o crédito, teria encontrado inconsistências. Por fim, consta nas DIPJs de Lancaster Participações a discriminação de receitas financeiras na ordem de R$ 86.297,61 no anocalendário de 1995 (fl. 366), R$ 67.090,33 no anocalendário de 1996 (fl. 386), R$ 26.665,88 no anocalendário de 1997 (fl. 413) e R$ 71.903,87 no anocalendário de 1998 (fl. 449), enquanto as DIPJs de Confeitaria Lancaster indicam receitas financeiras de R$ 15.752,17 no anocalendário de 1995 (fl. 130), R$ 2.376,66 no anocalendário de 1996 (fl. 151), R$ 3.948,23 no anocalendário de 1997 (fl. 178) e R$ 57.011,92 no anocalendário de 1998 (fl. 214), de sorte que não antevejo entraves à pretensão creditória. Considerando, pois, que em cada um dos anoscalendário em comento já se exteriorizou a figura de saldos negativos, mesmo sem o cômputo das retenções do imposto de renda ora debatidas, sou pelo reconhecimento do direito creditório (suplementar) nas seguintes quantias: 1) Lancaster Participações: anocalendário de 1995 fls. 1.269/1.270 – R$ 530,10; fl. 1.271/1.272 – R$ 323,87; fl. 1.351 – R$ 3.628,22; fl. 1.357 – R$ 380,21; fl. 1.363 – R$ 9,44; fl. 1.371 – R$ 13,09. Valor total de R$ 4.884,93. anocalendário de 1996 fl. 1.347 – R$ 87,48; fl. 1.356 – R$ 328,75; fl. 1.364 – R$ 61,36; fl. 1.367 – R$ 158,84. Valor total de R$ 636,43 anocalendário de 1997 Fl. 18DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.004863/200111 Acórdão n.º 110300.510 S1C1T3 Fl. 1.445 15 fl. 1.319 – R$ 2,25; fl. 1.353 – R$ 11,61; fl. 1.361 – R$ 5,28. Valor total de R$ 19,14. anocalendário de 1998 fl. 1.349 – R$ 1,38. Valor total de R$ 1,38. 2) Confeitaria Lancaster anocalendário de 1995 fl. 1.336 – R$ 1.171,41; fl. 1.339 – R$ 45,92. Valor total de R$ 1.217,33. Quanto ao crédito do anocalendário de 1995, em específico, formatado em data de 31/12/1995, deixo de reconhecer o fenômeno decadencial (CTN, artigo 168, I) ante o fato da Recorrente têlo utilizado na composição do saldo negativo na compensação espontânea com estimativas devidas no anocalendário de 1996, encontro de contas que ora se restabelece, bem assim, a repercussão sucessiva, mesmo tratamento, aliás, aplicável aos créditos dos anos calendário de 1996 a 1998. Noutras palavras: o direito creditório do anocalendário de 1995 não foi postulado em 17/07/2001, data do pedido de fls. 01/04, pois já utilizado em compensações espontâneas nos anoscalendário subseqüentes, o que, à época, era possibilitado pela legislação então vigente (a compensação de saldo negativo de IRPJ com estimativas futuras independia de pedido à Receita Federal). Noutra vertente, deixouse de reconhecer a totalidade do saldo negativo de Lancaster Participações (IRPJ e CSLL) apurado pela própria autoridade fiscal no último ano calendário da cadeia sucessória (1998), exteriorizado no resultado do confronto entre as compensações espontâneas (unilaterais) de saldos negativos de anos anteriores com estimativas devidas subseqüentemente, ao entendimento de que a Recorrente teria, com a informação fls. 595/596, peticionado quantia de monta menor. Todavia, não creio que referida informação deva imperar em relação ao quantum originariamente peticionado, muito embora a impropriedade técnica do pedido inaugural ter sido formulado englobando quatro anoscalendário, ao invés de ano a ano. Tem se, ainda, que o quantum do crédito indicado na DIPJ do último anocalendário dessa cadeia também milita a favor da contribuinte. Já a autoridade julgadora de primeira instância fundamentou o indeferimento da quantia apurada nos cálculos fiscais sob o entendimento de que a empresa já teria utilizado esses saldos negativos, em sua quase totalidade, para efetuar compensação de valores devidos em exercícios subseqüente, fl. 1.217. Todavia, a planilha fiscal de fl. 1.051 mostra que mesmo após a utilização de crédito com dívidas dos meses de março de 1999 e setembro de 2000 (exercícios subsequentes) ainda remanesce saldo a favor da Requerente. Nesta ordem de idéias, também sou pelo reconhecimento de direito creditório suplementar nas seguintes cifras: Saldo Negativo Saldo Negativo Saldo negativo já A reconhecer Fl. 19DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.004863/200111 Acórdão n.º 110300.510 S1C1T3 Fl. 1.446 16 na DIPJ (R$) apurado (R$) reconhecido (R$) (R$) IRPJ 230.218,00 228.901,70 28.584,21 200.317,49 CSLL 26.785,15 17.118,58 4.599,08 12.519,50 Finalmente, em tema de processo administrativo fiscal não existe espaço para que as intimações se operem no endereço de mandatários, consoante se extrai do comando do artigo 23 do PAF, aprovado pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. ........................................................................................................ § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; ................................................................................................. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. ......................................................................................................” Fl. 20DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.004863/200111 Acórdão n.º 110300.510 S1C1T3 Fl. 1.447 17 Com tais razões, VOTO pelo provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer o direito creditório contra a Fazenda Nacional a favor de Lancaster Participações e Empreendimentos Turísticos Ltda, relativo a saldo credor de IRPJ, nas quantias de R$ 4.884,93 do anocalendário de 1995, R$ 636,43 do anocalendário de 1996, R$ 19,14 do anocalendário de 1997 e R$ 200.318,87 do anocalendário de 1998 e referente a saldo credor de CSLL do anocalendário de 1998 na importância de R$ 12.519,50, como também, a favor de Confeitaria Lancaster Ltda., por conta de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1995, no valor de R$ 1.217,33, seguindose a homologação das compensações que lhe decorrerem. documento assinado digitalmente José Sérgio Gomes Fl. 21DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10580.720721/2009-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Anos calendário: 2001, 2002
IMPUGNAÇÃO. ANÁLISE DA TEMPESTIVIDADE. COMPETÊNCIA DA UNIDADE DE PREPARO. Compete à unidade de preparo, Unidade da Receita Federal do domicilio do Contribuinte, verificar a tempestividade da
impugnação. Constatada a intempestividade, bem como a inexistência de qualquer alegação do impugnante quanto ao tema, cumpre a Unidade de Preparo lavrar o termo de Revelia, à luz do art. 21 do PAF (Decreto 70.235/1972). Todavia, se nos 30 dias da ciência e cobrança amigável, o contribuinte apresentar Recurso Voluntário, contestando a revelia, o processo deve ser enviado ao CARF para apreciar a matéria.
INTIMAÇÃO POR EDITAL. VICIO. NULIDADE. Constatado erro quanto
ao nome do contribuinte no edital para ciência do auto de infração, cumpre anular o ato e reconhecer a tempestividade da impugnação, restando encaminhar os autos à DRJ de origem para apreciála.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.749
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado:
1) pelo voto de qualidade rejeitar a preliminar suscitada pelo relator de que a competência para o exame da contestação da revelia é da DRJ, vencido o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva (relator), que a acolhia, e os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que superavam essa preliminar ao amparo do art. 59, § 3º do Decreto 70.235/72);2) No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a tempestividade da impugnação, em face da nulidade do edital, suscitada pelo
relator, e determinar o encaminhamento dos autos à DRJ para julgamento em primeira instância administrativa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antônio José
Praga de Souza.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anoscalendário: 2001, 2002 IMPUGNAÇÃO. ANÁLISE DA TEMPESTIVIDADE. COMPETÊNCIA DA UNIDADE DE PREPARO. Compete à unidade de preparo, Unidade da Receita Federal do domicilio do Contribuinte, verificar a tempestividade da impugnação. Constatada a intempestividade, bem como a inexistência de qualquer alegação do impugnante quanto ao tema, cumpre a Unidade de Preparo lavrar o termo de Revelia, à luz do art. 21 do PAF (Decreto 70.235/1972). Todavia, se nos 30 dias da ciência e cobrança amigável, o contribuinte apresentar Recurso Voluntário, contestando a revelia, o processo deve ser enviado ao CARF para apreciar a matéria. INTIMAÇÃO POR EDITAL. VICIO. NULIDADE. Constatado erro quanto ao nome do contribuinte no edital para ciência do auto de infração, cumpre anular o ato e reconhecer a tempestividade da impugnação, restando encaminhar os autos à DRJ de origem para apreciála. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: 1) pelo voto de qualidade rejeitar a preliminar suscitada pelo relator de que a competência para o exame da contestação da revelia é da DRJ, vencido o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva (relator), que a acolhia, e os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que superavam essa preliminar ao amparo do art. 59, § 3º do Decreto 70.235/72); Fl. 1180DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10580720721/200956 Acórdão n.º 140200.749 S1C4T2 Fl. 2 2 2) No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a tempestividade da impugnação, em face da nulidade do edital, suscitada pelo relator, e determinar o encaminhamento dos autos à DRJ para julgamento em primeira instância administrativa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antônio José Praga de Souza. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório Discutese neste processo a tempestividade da impugnação. O auto de infração consta das fls. 02 e seguintes e tem como autuada a empresa PAPEL.COM COMERCIAL LTDA. A ficha de identificação da contribuinte, assim como os extratos bancários, as requisições de movimentação financeira, as intimações expedidas pelo correio, à semelhança das que constam das fls. 784 e 785, apesar de terem retornados, fazem referência correta ao nome da recorrente. O ato constitutivo assim como alterações contratuais de fls. 774 a 782 e o instrumento de procuração de fls. 869 confirmam o nome da empresa como sendo PAPEL.COM COMERCIAL LTDA. Lavrado o auto de infração e frustrada a intimação pessoal, em 20/03/2009 foram publicados dois editais. O primeiro, de fl 866, para ciência do auto de infração e o segundo, de fl. 867, para a interessada tomar ciência do Termo de Intimação 004, de fl. 865, que tinha por finalidade intimar a contribuinte para “acompanhar a destruição dos documentos obtidos, em papéis, representativos de suas movimentações financeiras” no anocalendário de 2005”. A relação dos documentos constam do respectivo edital (fl. 865). Tanto num edital quanto no outro consta que a parte considerarseia intimada 15 dias após a publicação do Edital. Fl. 1181DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10580720721/200956 Acórdão n.º 140200.749 S1C4T2 Fl. 3 3 O Termo de restituição de fls. 884 dá conta que em 07/04/09, a advogada da empresa compareceu na Receita e recebeu a documentação especificada no termo de intimação de fls. 865. Quanto à entrega da notificação do lançamento, nesta data em que a advogada esteve na repartição, nada foi certificado. A impugnação de fls. 885 e seguintes foi protocolizada em 07/05/2009. Há nos autos o AR de fls., recebido pela recorrente em 04/08/09, contendo a informação nº 858/2009 (fl. 1070) e a informação nº 207/2009 (fl. 1071), sem data, destacando esta última que a impugnação teria sido considerada intempestiva e, portanto, não instaurado a fase litigiosa. Desta forma, o processo não foi encaminhado à DRJ. Em face da intimação de fl. 1070, recebida em 04/08/2009, em 24/08/2009, a contribuinte apresentou o recurso de fls. 1143 e seguintes. Não localizei nos autos despacho da autoridade administrativa em relação ao recurso. No entanto, na inicial do mandado de segurança, a contribuinte informou que diligenciando junto à Administração, em 27/10/2009, teria tomado conhecimento de que sua impugnação tinha sido considerada intempestiva e de que seu recurso não tinha sido processado. Diante da premissa de que a impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa, o presente processo não foi examinado pela DRJ. Tendo o magistrado, em mandado de segurança, determinado que se apreciasse o recurso da decisão que considerou intempestiva a impugnação, os autos foram remetidos diretamente ao CARF. Diante de tal circunstância, o processo foi encaminhado ao CARF. É o relatório. Fl. 1182DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10580720721/200956 Acórdão n.º 140200.749 S1C4T2 Fl. 4 4 Voto Vencido Conselheiro Relator Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator Ainda que inexistisse qualquer determinação judicial, não há como se omitir em relação ao exame da matéria, sob pena de se caracterizar a situação tautológica citada na decisão do magistrado, isto é, a Administração não aceita a impugnação por considerála intempestiva e não processa recurso em face desta decisão. Em tal circunstância a parte não teria outra solução senão submeterse à decisão anterior, sem direito de vêla reexaminada. Nos termos do artigo 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, a impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Todavia, não se pode confundir órgão preparador com órgão competente para conhecer e julgar da impugnação. Recebida a impugnação, cabe à autoridade preparadora encaminhar à DRJ, que é a autoridade de primeira instância competente para o exame da matéria. No caso concreto, apresentada a impugnação, o exame das questões a ela pertinentes, inclusive da tempestividade, deve ser, por primeiro, examinado pela DRJ, que à luz do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, é autoridade julgadora de primeira instância com prerrogativa para determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, e examinar as questões relacionadas aos requisitos intrínsecos e extrínseco do recurso, não podendo deixar de adentrar na questão da tempestividade e, se superada, no mérito. Quanto ao argumento daqueles que dizem que a intempestividade da impugnação não instaura a fase litigiosa, destaco que mesmo acerca da intempestividade deve haver juízo de valor e decisão. Em havendo decisão há instauração de fase litigiosa. Isto, ao meu sentir, tornase mais evidente na medida em que o artigo 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, dia que “a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento.” Nem poderseia incluir neste dispositivo a expressão “tempestiva”, pois, como já afirmado, mesmo em relação à tempestividade deve haver exame e decisão. A contrário senso, terseia decisão acerca de determinada controvérsia sem fase litigiosa, fato que seria ilógico. Por oportuno, procurando antecipar questão relacionada à nulidade da intimação por edital, deve a DRJ, ao examinar a questão da tempestividade, verificar a regularidade ou não do edital de fl. 866 que menciona o nome da contribuinte a ser intimada como sendo PONTO COM COMERCIAL LTDA, sendo que o auto de infração e demais documentos, conforme destaquei no relatório, dão conta que a denominação social da empresa é COMERCIAL.COM PAPEL LTDA. Em situações semelhante a que se tem presente o recursão deve ser conhecido e provido para disciplinar o regular processamento dos autos, isto é, encaminhar o processo à DRJ para que esta examine a impugnação apresentada. Fl. 1183DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10580720721/200956 Acórdão n.º 140200.749 S1C4T2 Fl. 5 5 ISSO POSTO, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso para conhecer da questão relacionada à regularidade processual e determinar que os autos sejam encaminhados à DRJ para que esta examine a tempestividade da impugnação e, caso superada, decida o mérito, devendo aterse o quanto consta no edital de fls. 866 em relação ao nome da empresa notificada. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva. Fl. 1184DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10580720721/200956 Acórdão n.º 140200.749 S1C4T2 Fl. 6 6 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza – Redator Designado. Nos debates para julgamento deste processo divergi do ilustre relator quanto ao procedimento a ser adotado pela autoridade preparadora, unidade da Receita Federal de Domicilio do Contribuinte, que é a responsável pelo Processo, quando constata a intempestividade da impugnação. O Relator entende que o processo deve ser sempre encaminhado à DRJ (Delegacia de Julgamento da Receita Federal), a que caberia declarar a intempestividade. Assim não entendo. O julgamento em 1a. instância administrativa compete à própria Receita Federal, os termos do art. 25, inciso I, do PAF, por isso a Lei estabelece competência às unidades de preparo para analisar a tempestividade a peça impugnatória, o que vem ao encontro do principio da celeridade, um dos que norteiam o processo administrativo Fiscal. Constatada a intempestividade, bem como a inexistência de qualquer alegação do impugnante quanto ao tema, cumpre a Unidade de Preparo lavrar o termo de Revelia, à luz do art. 21 do PAF (Decreto 70.235/1972), que dispõe: Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. (Redação dada pelo art. l.° da Lei n.° 8.748/1993) Todavia, se nos 30 dias da ciência e cobrança amigável, o contribuinte apresentar Recurso Voluntário, contestando a revelia, o processo deve ser enviado ao CARF para apreciar a matéria, conforme estabelece o artigo 35 do PAF (verbis) Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Em face dessas premissas rejeito a preliminar, suscitada pelo relator, de que a competência para o exame da contestação da revelia é da DRJ. Mérito A meu ver, o recurso não reúne condições de ser julgado no mérito, isso diante do que estabelece o art. 59, §3o. do PAF. Outrossim, cabe razão ao ilustre conselheiro Relator quanto a segunda preliminar que suscitou, esta quanto a nulidade da intimação por edital, fs 866 e 867, nas quais Fl. 1185DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10580720721/200956 Acórdão n.º 140200.749 S1C4T2 Fl. 7 7 consta o nome da contribuinte como sendo erroneamente PONTO COM COMERCIAL LTDA. sendo que o auto de infração e demais documentos registram que a denominação social correta da empresa é PAPEL.COM COMÉRCIO LTDA. O ato constitutivo assim como alterações contratuais de fls. 774 a 782 e o instrumento de procuração de fls. 869 confirmam o nome da empresa como sendo PAPEL.COM COMERCIAL LTDA. Essa falha, implica, a meu ver, na nulidade do edital e da ciência. Por conseqüência, o processo deve mesmo ser encaminhado à DRJ de primeira instância para julgamento das demais questões e do mérito, devendo considerar a impugnação tempestiva. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer a tempestividade da impugnação, em face da nulidade do edital, suscitada pelo relator, e determinar o encaminhamento dos autos à DRJ para julgamento em primeira instância administrativa. (assinado digitalmente) Antonio José Praga de Souza Fl. 1186DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722451/2008-37
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2005
OMISSÃO DE RECEITAS SALDO CREDOR DE CAIXA
A ocorrência de saldo credor de caixa autoriza a presunção de omissão de receitas, cabendo ao sujeito passivo a prova da sua improcedência.
RECOMPOSIÇÃO DA CONTA CAIXA CONSIDERAÇÃO DE VALORES NÃO ESCRITURADOS POSSIBILIDADE
Correta a recomposição da conta caixa por meio da inclusão de valores anteriormente não contabilizados, quando esse procedimento está amparado em informações prestadas pela própria Contribuinte na fase de auditoria. O conjunto dos argumentos apresentados pela Recorrente pressupõe a idéia de
que a Auditora Fiscal imotivadamente, de forma totalmente arbitrária, inseriu indevidamente valores não escriturados na conta caixa, para fins de sua recomposição, mas foi a própria Contribuinte quem, no momento de justificar
as diferenças entre os lucros distribuídos informados na DIPJ e os valores escriturados a título desta rubrica, prestou a informação de que os valores da DIPJ é que estavam corretos, que os valores da contabilidade estavam incorretos, e forneceu ainda os valores distribuídos através do caixa da empresa.
ÔNUS DA PROVA
Os fatos que motivaram o lançamento constam de documentos assinados pelos beneficiários (recibos), cujos valores foram declarados em DIPJ, e ainda afirmados como corretos na fase de auditoria fiscal. Não pode a Contribuinte simplesmente alegar a ocorrência de erro em tudo o que havia informado à Fiscalização, sob pena de beneficiar-se da própria torpeza. A mera alegação de erro é insuficiente para reverter a presunção legal de omissão de receitas apurada a partir de saldo credor de caixa.
Numero da decisão: 1802-001.051
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS SALDO CREDOR DE CAIXA A ocorrência de saldo credor de caixa autoriza a presunção de omissão de receitas, cabendo ao sujeito passivo a prova da sua improcedência. RECOMPOSIÇÃO DA CONTA CAIXA CONSIDERAÇÃO DE VALORES NÃO ESCRITURADOS POSSIBILIDADE Correta a recomposição da conta caixa por meio da inclusão de valores anteriormente não contabilizados, quando esse procedimento está amparado em informações prestadas pela própria Contribuinte na fase de auditoria. O conjunto dos argumentos apresentados pela Recorrente pressupõe a idéia de que a Auditora Fiscal imotivadamente, de forma totalmente arbitrária, inseriu indevidamente valores não escriturados na conta caixa, para fins de sua recomposição, mas foi a própria Contribuinte quem, no momento de justificar as diferenças entre os lucros distribuídos informados na DIPJ e os valores escriturados a título desta rubrica, prestou a informação de que os valores da DIPJ é que estavam corretos, que os valores da contabilidade estavam incorretos, e forneceu ainda os valores distribuídos através do caixa da empresa. ÔNUS DA PROVA Os fatos que motivaram o lançamento constam de documentos assinados pelos beneficiários (recibos), cujos valores foram declarados em DIPJ, e ainda afirmados como corretos na fase de auditoria fiscal. Não pode a Contribuinte simplesmente alegar a ocorrência de erro em tudo o que havia informado à Fiscalização, sob pena de beneficiarse da própria torpeza. A mera alegação de erro é insuficiente para reverter a presunção legal de omissão de receitas apurada a partir de saldo credor de caixa. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 06/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.722451/200837 Acórdão n.º 180201.051 S1TE02 Fl. 169 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 06/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.722451/200837 Acórdão n.º 180201.051 S1TE02 Fl. 170 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica – IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, conforme autos de infração de fls. 3 a 19, nos valores de R$ 34.592,50, R$ 4.280,38, R$ 9.740,71 e R$ 19.755,69, respectivamente, aos quais foram ainda aplicados a multa de ofício de 75% e os juros moratórios. O lançamento está fundamentado em omissão de receita apurada a partir da constatação de saldo credor de caixa. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 20 a 24 traz as seguintes informações sobre os fatos que motivaram a autuação: (...) 2 – DA AÇÃO FISCAL: 2.1. – DOS TERMOS FISCAIS E DAS RESPOSTAS DA CONTRIBUINTE: A referida ação fiscal foi iniciada em 04 de agosto de 2008, com a ciência via postal do Termo de Início de Ação Fiscal, acompanhado do MPF supracitado, em que foi solicitada da Contribuinte a apresentação dos livros contábeis e fiscais referentes ao anocalendário fiscalizado. Mediante petição apresentada em 11 de agosto de 2008, a Contribuinte apresentou a documentação solicitada: Após análise dos livros contábeis, a Contribuinte foi intimada, em 01 de setembro de 2008, através do Termo de Intimação Fiscal n.° 01, a: > Apresentar documentação comprobatória da efetividade dos pagamentos e/ou transferências de recursos da empresa para seus sócios a título de "Distribuição de Lucros", conforme demonstrado na sua escrituração contábil, Livro Razão, contas de n.° 2.3.1.04.0001 Manuel Castro, n.° 2.3.1.04.0002 Armando Brasil, 2.3.1.04.0003 Rodrigo Mello, 2.3.1.04.0004 Bruno Mello e 2.3.1.04.0005 Alexandre Liberato Matos, nos valores totais, respectivamente, de R$ 44.176,88, R$ 56.451,36, R$ 35.097,02, 32.293,17 e R$ 39.994,41; > Justificar a divergência entre os valores acima indicados, supostamente referentes à distribuição de lucros aos sócios e aqueles informados na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, do referido anocalendário, Ficha 47 A Rendimentos de Dirigentes, Sócios ou Titular. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 06/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.722451/200837 Acórdão n.º 180201.051 S1TE02 Fl. 171 4 Em 07 de outubro de 200, Contribuinte requereu prorrogação de prazo, de 15(quinze) dias, para atender à referida intimação. Em 20 de outubro de 2008, apresentou resposta informando, em síntese, que: > Os valores referentes à distribuição de lucros aos sócios constantes da contabilidade estão incorretos, em razão de “ter havido um erro no sistema de informática que ocasionou a impressão errada que somente agora constatamos. Não identificamos as causas e também não é possível individualizar este erro de sistema por não possuir lógica nas diferenças”; > Os corretos valores referentes à distribuição de lucros aos sócios são correspondentes aos valores informados na DIPJ, tendo sido alguns destes valores distribuídos através de transferências bancárias, anexando cópias dos respectivos comprovantes de depósitos bancários, e outros distribuídos através do caixa da empresa, conforme planilha por ele elaborada, contida na referida resposta e abaixo reproduzida: Sócios Total (DIPJ) Distribuição por caixa Distribuição por lucro ManuelCastro 501.334,08 462.497,20 38.836,88 Armando Brasil 258.978,33 251.440,36 7.537,97 Rodrigo Melo 44.597,02 11.852,21 32.744,81 Bruno Melo 184.389,22 147.896,79 36.492,43 Alexandre Matos 171.994,41 136.586,51 35.407,90 Totais 1.161.293,06 1.010.273,07 151.019,99 Diante do acima exposto, a Contribuinte foi ainda intimada, através do Termo de Intimação Fiscal n.° 02, a apresentar os comprovantes da efetividade dos pagamentos efetuados aos sócios, a título de "distribuição de lucros", nos valores correspondentes aos pagamentos efetuados “via caixa”, conforme resposta anterior à fiscalização, e a apresentar comprovação do saldo inicial de lucros acumulados, referente o anocalendário em questão. Em 14 de novembro de 2008, apresentou petição em que requereu prorrogação de prazo de 10 dias para atendimento e, em 19 de novembro de 2008, apresentou cópias dos referidos comprovantes, consistentes nas cópias dos recibos de pagamentos fornecidos pelos sócios beneficiários dos referidos lucros, assim como apresentou o Livro Diário Geral n.° 4, que comprova a existência contábil de saldo de lucros acumulados, conforme cópia anexa. 2.2. DAS CONSTATAÇÕES E PROCEDIMENTOS FISCAIS: Fl. 171DF CARF MF Impresso em 06/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.722451/200837 Acórdão n.º 180201.051 S1TE02 Fl. 172 5 A partir das respostas da Contribuinte, constatouse a insuficiência de saldo na conta “Caixa Geral”, para suportar a integralidade dos pagamentos a título de distribuição de lucros aos sócios, conforme os recibos apresentados, relacionados na planilha denominada “Demonstrativo dos Valores de Distribuição de Lucros não Contabilizados”, anexo n.° 01. Desta forma, foi feita a recomposição da conta caixa, de modo a considerar os referidos pagamentos, partindose do saldo inicial escriturado na contabilidade, correspondente a R$ 1.452.188,12, tendo resultado em saldo credor de caixa, a partir do mês de outubro, conforme se vê da planilha denominada “Demonstrativo de Recomposição da Conta Caixa”, anexo n.° 02. Desta forma, foi ainda elaborada outra planilha, denominada “Demonstrativo de Omissão de Receita”, anexo n.° 03, em que constam os valores dos saldos credores de caixa, apurados mensalmente. (...) Instaurada a fase litigiosa, com a impugnação de fls. 126 a 136, e conforme descrito na decisão de primeira instância, Acórdão nº 1520.039 (fls. 138 a 145), a Contribuinte contestou a exigência fiscal com os argumentos abaixo: a) “ao que parece não logrou melhor êxito o pronto atendimento feito pela Impugnante, uma vez que a ilustre Auditora optou por lavrar auto de infração referente ao imposto de renda da pessoa jurídica, e, por decorrência, as contribuições sociais, no ano calendário de 2005, reportandose a uma suposta omissão de receita por presunção de suposto saldo credor de Caixa ao abandono da regular escrituração”; b) “o auto de infração é inservível, pois contém erro insanável, pois abandonou a escrituração e fixouse em papéis encontrados fora da escrituração contábil para lastrear o lançamento de oficio, sem a pertinência da legalidade” e “pior, utilizou o critério da presunção instituído e próprio para ser aplicado apenas na hipótese de apuração do imposto de renda na modalidade do lucro real”; c) “uma primeira inconsistência e ilegalidade do auto de infração que anotou irregularidade não aplicável à Impugnante por inadequação da tipificação em face da modalidade de apuração”, ressaltando ser incompatível com o regime de tributação adotado pela empresa, o lucro presumido; d) “o pressuposto do saldo credor de Caixa é o ancoramento nos atos e fatos contábeis efetivamente registrados na contabilidade, quer na direta revelação do saldo credor em determinado dia, quer no seu surgimento em razão da reconstituição dos fatos ordenados cronologicamente”; e) “no caso concreto é notório que a ilustre Auditora, por motivos que escapam ao propósito da defesa, inseriu papéis nos Fl. 172DF CARF MF Impresso em 06/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.722451/200837 Acórdão n.º 180201.051 S1TE02 Fl. 173 6 registros contábeis da Impugnante, os quais nunca foram objeto de escrituração, pois não estavam revestidos da possibilidade de modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica, como bem anota o regulamento em seu artigo 258’; f) “sendo assim, a Impugnante apresenta seus livros contábeis como prova de que as alterações promovidas pela ilustre Auditora, pela via da inserção, são papéis estranhos aos assentamentos tempestivamente escriturados” e que “o máximo que se poderia dizer sobre os documentos enxertados nos registros contábeis pela ilustre Auditora, com fito de constituir o crédito tributário, é que, em sendo estranho aos legítimos registros originariamente contabilizados, poderia a infração ser outra, que se deixa de comentar para evitar delongas”; g) “de todo exposto há uma questão que precisa ser esclarecida, qual seja: afinal de onde surgiram os recibos obtidos pela autuante? É muito simples: todos os sócios da Impugnante participam de outras sociedades (vide declaração de bens dos sócios já anexo ao auto), não necessariamente as mesmas, contudo, o ponto comum é que todas as sociedades possuem objetivos societários que impõem aos seus sócios a necessidade de deslocamentos amiúde fora da cidadesede”; h) “em face dessa peculiaridade e por força de acordo dos sócios cotistas, os recibos de saque do Caixa foram previamente assinados e guardados em arquivo apartado e próprio para controle da distribuição de lucros e dividendos. Todavia, os valores idealizados para distribuição não foram concretizados, sendo operados, em regra, apenas aqueles pela via bancária”; i) “deste modo, os registros contabilizados foram os efetivamente distribuídos, entregues aos sócios por pagamento bancário. Entretanto, os recibos previamente assinados, e demais outros de mesma natureza, foram guardados na mesma pasta de arquivo. Assim, quando do preenchimento da declaração da pessoa jurídica, especificamente da Ficha 47 A, os valores inseridos, por lamentável erro, foram os resultantes do somatório da totalidade dos recibos e anotações da mencionada pasta, ao invés dos valores efetivamente distribuídos e regular e legitimamente escriturados na contabilidade” e que “em decorrência de modificações no quadro de pessoal da contabilidade afeto ao assunto, a pessoa autorizada a atender ao fisco, pensou, erroneamente, que a diferença entre os registros contábeis e os documentos guardados teria sido pela falta de escrituração”; j) “o lançamento de ofício imposto à Impugnante não pode prosperar por diversas razões: i) a hipótese de saldo credor de Caixa só ocorre em razão dos valores efetivamente registrados, ii) valores não contabilizados, mesmo que provada sua realização, não entram na recomposição de Caixa, e iii) se fosse o caso, submeterseia a outra capitulação ou forma de tributação (arbitramento)”; Fl. 173DF CARF MF Impresso em 06/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.722451/200837 Acórdão n.º 180201.051 S1TE02 Fl. 174 7 k) “em razão da situação de causa e efeito, requer a Impugnante que as argumentações e considerações descritas em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica sejam estendidas às demais exações”. Finaliza a sua defesa requerendo o cancelamento do auto de infração, alegando ainda que “não pode prevalecer a autuação uma vez que o saldo credor é o declarado no livro contábil ou reconstituído a partir da realocação dos documentos escriturados e os recibos em foco não foram pagos nem objeto de registro”. Como mencionado, a DRJ Salvador/BA considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 ALEGAÇÕES. ÔNUS DA PROVA. Consideramse sem efeito as alegações contestando a existência de crédito tributário regularmente constituído, se desacompanhadas de prova, eis que o ônus da prova compete ou cabe a quem alega o fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. A ocorrência de saldo credor de caixa autoriza a presunção de omissão de receitas, cabendo ao sujeito passivo a prova da sua improcedência. Contribuição para o PIS Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição para o PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e à COFINS, em razão da relação de causa e efeito. Lançamento Procedente Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 17/08/2009, a Contribuinte apresentou em 11/09/2009 o recurso voluntário de fls. 150 a 166, desenvolvendo os argumentos transcritos a seguir: Fl. 174DF CARF MF Impresso em 06/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.722451/200837 Acórdão n.º 180201.051 S1TE02 Fl. 175 8 OS FATOS a motivação da infração apontada é que recibos préassinados foram deixados em arquivo físico pelos sócios quotistas da sociedade, em razão da própria atividade que desenvolvem, os quais foram considerados pela Auditora como representativos de efetivos pagamentos a título de "lucros distribuídos e não contabilizados"; de posse desses papéis a Auditora fez alguns questionamentos à Recorrente e na seqüência maculou indevidamente a contabilidade com a introdução indevida desses supostos pagamentos, considerados pela própria autuante como não contabilizados, e os registrou como efetiva saída da conta "Caixa" nos mês de janeiro e também no mês de dezembro, ambos do ano de 2005; a infeliz recomposição resultou em inversão do saldo natural da conta em determinados momentos, sendo escolhidos como matéria de tributação os saldos credores decorrentes da investida fiscal nos meses de outubro, novembro e dezembro; ora, a correta recomposição do saldo de Caixa só é possível a partir de valores contabilizados, registrados na escrituração. Nessa recomposição (a correta) há deslocamento de data, eliminação de entradas quando fictícias ou não comprovadas, re alocação de estornos, etc. Contudo, todos referentes a documentos contábeis antes registrados, vale dizer, escriturados; a autuante inseriu documento que não foi objeto de escrituração, sob a alegação de que se tratava, em sua dicção, de "pagamento de lucros distribuídos e não contabilizados"; admitindo, só para efeito de raciocínio, que os valores foram efetivamente pagos e não contabilizados, ou seja, a hipótese de infração à lei tributária seria de utilização do clássico "Caixa 2". Enfim, seria o uso de receitas não registradas e utilizadas como distribuição do lucro sem registro contábil; fosse essa a hipótese (pagamento não contabilizado), a tipificação, o enquadramento legal, seria de omissão de receita pela falta contabilização de pagamento. Mas a ilustre Auditora preferiu introduzir esses supostos pagamentos nos registros contábeis gerando saldo credor de Caixa e omissão de receita; em sendo o caso de pagamento não registrado, como afirmou a autuante no Termo de Verificação Fiscal, teria ela utilizado prática indevida de auditoria, posto que para a hipótese a omissão de receita é a totalidade do valor pago e não contabilizado, não há que fazer qualquer recomposição de Caixa e sim a direta tributação sobre o valor não registrado; e não se diga que o resultado seria o mesmo omissão de receita pois, no mínimo houve deslocamento da suposta base de cálculo, qual seja, o registro da malsinada distribuição realizada pelo fisco em janeiro resultou em saldo credor nos meses de outubro, novembro e dezembro; a recomposição de caixa evidenciase como tão esdrúxula que o montante dito como "não contabilizado" foi de R$ 1.010.273,07 e, no entanto, a matéria tributada somou apenas R$ 658.523,50; Fl. 175DF CARF MF Impresso em 06/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.722451/200837 Acórdão n.º 180201.051 S1TE02 Fl. 176 9 O DIREITO é necessária uma contextualização do que vem a ser saldo credor de caixa, que pode ser detectada em duas hipóteses; a primeira é quando em virtude da regular escrituração da movimentação dos fatos contábeis inerentes, a conta Caixa registra excesso de saída em relação às entradas, fato que faz pressupor haver falta de contabilização de receitas recebidas em momento anterior à detecção da inversão do saldo de devedor para credor, vale dizer: a conta Caixa, no Livro Razão, aparece, nesse instante, com saldo credor: saída em montante superior à entrada; a segunda hipótese é mais sofisticada, pois, nela o operador/auditor deve reconstituir o saldo da conta Caixa a partir dos lançamentos registrados na contabilidade sobre os quais não tenha sido observada a ordem cronológica (princípio contábil e fiscal) da ocorrência dos atos e fatos contábeis; há um tronco comum às duas hipóteses possíveis de constatação (a declarada e a reconstituída): em ambas os valores trabalhados estão previamente registrados nos assentamentos contábeis; o pressuposto do saldo credor de Caixa é o escoramento nos atos e fatos contábeis efetivamente registrados na contabilidade, quer na direta revelação do saldo credor em determinado dia, quer no seu surgimento em razão da reconstituição dos fatos ordenados cronologicamente; a evidência desse pressuposto, o prévio registro contábil, se encontra prescrita no regulamento. Por isso, se observa uma estratégica organização dos artigos que antecedem a presunção ora trabalhada; o regulamento do imposto de renda traz no art. 251 a determinação de que a pessoa jurídica deve manter sua escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. Vale dizer, registrar todos os atos e fatos contábeis; o art. 256 impõe que os documentos que servirem para registro contábil não podem conter falsificação, material ou ideológica, ou seja, devem ser legítimos. Em que pese à obviedade, é de notar que a referência à idoneidade é circunscrita, limitada, aos efetivamente registrados na contabilidade; finalmente, para o que se pretende demonstrar, o art. 258 é enfático em determinar que os lançamentos obedeçam a uma ordem cronológica, dia a dia, de todos os fatos que possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica; nesse contexto é que o regulamento determina a possibilidade do lançamento de ofício de omissão de receita, por presunção, quando da verificação da existência de saldo credor de Caixa. Pouco importando se o saldo é o declarado pelo próprio registro contábil ou se reconstituído por Auditoria após reconstituição da ordem cronológica dos documentos previamente e devidamente escriturados no livro competente; Fl. 176DF CARF MF Impresso em 06/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.722451/200837 Acórdão n.º 180201.051 S1TE02 Fl. 177 10 no caso concreto é notório que a ilustre Auditora, por motivos que escapam ao propósito da defesa, inseriu papéis nos registros contábeis da Recorrente, os quais nunca foram objeto de escrituração, pois não estavam revestidos da possibilidade de modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica, como bem anota o regulamento em seu artigo 258; sendo assim, a Recorrente apresenta seus livros contábeis (já juntado aos autos) como prova de que as alterações promovidas pela ilustre Auditora, pela via da recomposição de saldo, são papéis estranhos aos assentamentos contemporâneos e tempestivamente escriturados; o máximo que se poderia dizer sobre os documentos enxertados nos registros contábeis pela ilustre Auditora, com fito de constituir crédito tributário, é que, em sendo estranho aos legítimos registros originariamente contabilizados, poderia a infração ser outra qual seja: os valores não contabilizados revelariam, por presunção, uma omissão de receita anterior à data do pagamento não contabilizado; de fato, os valores não contabilizados ensejam a tributação sobre seu valor total e tem como período de apuração, para efeito de determinação de base de cálculo de tributo, o lapso temporal em que foi exteriorizado o pagamento sem o devido registro contábil; a hipótese trazida aos autos pela Auditora é que a Recorrente teria efetuado o "pagamento de distribuição de lucro sem contabilizar". Em sendo assim, e admitindo por hipótese ter sido verdade, a tributação incidiria sobre o valor total dos valores distribuídos e alocados às bases de cálculos das exações envolvidas nos meses de janeiro e outro em dezembro de 2005; a tributação ao invés de ser sobre a totalidade não contabilizada resultou em incidir sobre uma diferença, ou seja, pelo saldo negativo de caixa (credor) em razão da indevida introdução desses valores na conta Caixa. Além de tributar com erro na identificação do tipo, também errou no período de apuração e no valor a ser oferecido à tributação; assim, fica demonstrado que o crédito tributário foi apurado à margem de qualquer dispositivo legal tributário e é acoimado de vicio insanável; há uma questão que precisa ser esclarecida, qual seja: afinal de onde surgiram os recibos obtidos pela autuante? É muito simples: todos os sócios da Recorrente participam de outras sociedades (vide declaração de bens dos sócios já anexo ao auto), não necessariamente as mesmas, contudo, o ponto comum é que todas as sociedades possuem objetivos societários que impõem aos seus sócios a necessidade de deslocamentos amiúde fora da cidadesede; em face dessa peculiaridade e por força de acordo entre os sócios cotistas, os recibos de saque da possível distribuição de lucros, contra a conta Caixa foram previamente assinados e guardados em arquivos físicos (papel) apartados e próprios para controle da distribuição de lucros e dividendos. Todavia, os valores idealizados para distribuição não foram concretizados, sendo operados, em regra, apenas aqueles pela via bancária; deste modo, os recibos contabilizados foram os efetivamente distribuídos, entregues aos sócios por pagamento bancário. Entretanto, os recibos previamente assinados, e demais outros de mesma natureza, foram guardados na mesma pasta de arquivo. Assim, quando do preenchimento da declaração da pessoa jurídica, especificamente da Ficha 47A, os Fl. 177DF CARF MF Impresso em 06/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.722451/200837 Acórdão n.º 180201.051 S1TE02 Fl. 178 11 valores inseridos, por lamentável erro, foram os resultantes do somatório da totalidade dos recibos e anotações da mencionada pasta, ao invés dos valores efetivamente distribuídos regular e legitimamente registrados na contabilidade; para piorar a barafunda, em decorrência de modificações no quadro de pessoal da contabilidade afeto ao assunto, a pessoa autorizada a atender o Fisco pensou, erroneamente, que a diferença entre os registros contábeis e os documentos guardados teria sido pela falta de escrituração. Enfim, o que vale é o que sempre esteve efetivamente registrado; por fim, em razão da situação de causa e efeito, requer a Recorrente que as argumentações e considerações descritas em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica sejam estendidas às demais exações. Este é o Relatório. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 06/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.722451/200837 Acórdão n.º 180201.051 S1TE02 Fl. 179 12 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona lançamento para exigência de IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS), fundamentado em omissão de receita apurada a partir da constatação de saldo credor de caixa. Na fase de auditoria fiscal, a Contribuinte, ao prestar esclarecimentos sobre divergências verificadas entre os valores escriturados como distribuição de lucros aos sócios e os informados na DIPJ a esse mesmo título, informou que: => os valores referentes à distribuição de lucros aos sócios constantes da contabilidade estavam incorretos, em razão de “ter havido um erro no sistema de informática que ocasionou a impressão errada que somente agora constatamos. Não identificamos as causas e também não é possível individualizar este erro de sistema por não possuir lógica nas diferenças”; => os corretos valores referentes à distribuição de lucros aos sócios são correspondentes aos valores informados na DIPJ, tendo sido alguns destes valores distribuídos através de transferências bancárias, anexando cópias dos respectivos comprovantes de depósitos bancários, e outros distribuídos através do caixa da empresa, conforme planilha por ele elaborada (...). Na seqüência, atendendo a intimação para apresentar os comprovantes da efetividade dos pagamentos efetuados aos sócios, a título de "distribuição de lucros", nos valores correspondentes aos pagamentos efetuados "via caixa", conforme resposta anterior à Fiscalização, e a apresentar comprovação do saldo inicial de lucros acumulados, referente o anocalendário em questão, a Contribuinte apresentou cópias dos referidos comprovantes, consistentes nas cópias dos recibos de pagamentos fornecidos pelos sócios beneficiários dos referidos lucros, assim como apresentou o Livro Diário Geral n.° 4, que comprova a existência contábil de saldo de lucros acumulados. Foi esse o contexto que levou a Fiscalização a recompor a conta caixa, de modo a considerar os referidos pagamentos, partindose do saldo inicial escriturado na contabilidade, correspondente a R$ 1.452.188,12. Ocorre que, embora o caixa apresentasse inicialmente um saldo suficiente para cobrir os pagamentos nas datas dos recibos (janeiro e dezembro/2005), sua recomposição acabou resultando em saldos credores de caixa a partir do mês de outubro do mesmo ano, de onde a Fiscalização concluiu ter havido omissão de receitas. Em sede de recurso, a Contribuinte desenvolve uma série de questionamentos sobre a forma como foi realizado o lançamento, alegando, dentre outras razões: que o saldo Fl. 179DF CARF MF Impresso em 06/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.722451/200837 Acórdão n.º 180201.051 S1TE02 Fl. 180 13 credor de Caixa (tanto o declarado, quanto o decorrente de recomposição) deve sempre estar vinculado a atos e fatos efetivamente registrados na contabilidade; que, se fosse o caso, os valores não contabilizados configurariam outra espécie de presunção legal, ou seja, omissão de receita por pagamento não contabilizado, mas não por saldo credor de caixa; que, sendo assim, a tributação deveria incidir sobre o valor total dos valores distribuídos nos meses de janeiro e dezembro de 2005; e que, portanto, a Fiscalização além de tributar com erro na identificação do tipo, também errou no período de apuração e no valor a ser oferecido à tributação. Além destas questões, a Contribuinte busca esclarecer os equívocos provocados pelos recibos relativos à distribuição de lucros. Em relação a esse fato, ela alega que os recibos de saque da possível distribuição de lucros pela conta Caixa foram previamente assinados e guardados em arquivos físicos (papel) para controle da distribuição de lucros e dividendos; que, todavia, os valores previstos para a distribuição acabaram não sendo concretizados; que somente foram realizadas as distribuições pela via bancária; que a pessoa autorizada a atender o Fisco pensou, erroneamente, que a diferença entre os registros contábeis e os documentos guardados decorria da falta de escrituração; e que os recibos contabilizados é que foram efetivamente distribuídos, entregues aos sócios por pagamento bancário. Os argumentos da Recorrente acerca das técnicas de aplicação das presunções legais de omissão de receita saldo credor de caixa e pagamento não escriturado foram muito bem encadeados, e, em tese, estão corretos. Eles só não guardam coerência com as circunstâncias fáticas do presente caso. Isto porque o conjunto das alegações apresentadas pressupõe a idéia de que a Auditora Fiscal imotivadamente, de forma totalmente arbitrária, inseriu indevidamente valores na conta caixa. A Contribuinte chega a afirmar que “no caso concreto é notório que a ilustre Auditora, por motivos que escapam ao propósito da defesa, inseriu papéis nos registros contábeis da Recorrente, os quais nunca foram objeto de escrituração”, mas foi ela mesma quem, no momento de justificar as diferenças entre os lucros distribuídos informados na DIPJ e os valores escriturados a título desta rubrica, prestou a informação de que os valores da DIPJ é que estavam corretos, que os valores da contabilidade estavam incorretos, e forneceu ainda os valores distribuídos através do caixa da empresa. Na seqüência, tendo em vista a informação referente aos valores distribuídos por intermédio da conta caixa, cujo saldo era inicialmente suficiente para acobertálos, a Auditora Fiscal apenas acatou a informação prestada, e recompôs o caixa, levando em conta os valores que haviam sido dele sacados, conforme esclareceu a própria Contribuinte. Não cabe agora a tentativa de desqualificar todo trabalho fiscal com o argumento de que tais valores não deveriam ser inseridos no caixa da empresa, através de sua recomposição, que, caso houvesse omissão, esta deveria ser apurada com a presunção legal de “pagamento não contabilizado” (Caixa 2), etc. O acolhimentos das informações prestadas pela Contribuinte lhe foi inclusive favorável, eis que o lançamento via recomposição da conta caixa acabou reduzindo o valor da infração, como reconhecido no próprio recurso voluntário. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 06/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.722451/200837 Acórdão n.º 180201.051 S1TE02 Fl. 181 14 Por outro lado, a Contribuinte alega que houve erro nas informações declaradas em DIPJ e prestadas durante a auditoria fiscal, que efetivamente não realizou distribuições pela conta caixa, etc. Não que as informações declaradas em DIPJ ou prestadas durante uma auditoria sejam irreversíveis, que tenham um caráter absoluto, mas não pode a Contribuinte simplesmente alegar a ocorrência de erro em tudo o que havia informado à Fiscalização, sob pena de beneficiarse da própria torpeza. Os fatos que motivaram o lançamento constam de documentos assinados pelos beneficiários (recibos), cujos valores foram declarados em DIPJ, e ainda afirmados como corretos na fase de auditoria fiscal. A mera alegação de erro é insuficiente para reverter a presunção legal de omissão de receitas. Além disso, para alguns sócios, há discrepâncias muito grandes entre os “valores previstos para distribuição” e os que a Contribuinte alega ter efetivamente distribuído, o que também compromete suas alegações. Com efeito, é estranho que, por exemplo, esteja previsto uma distribuição de R$ 1.161.293,06 para um dos sócios, e este acabe recebendo apenas R$ 151.019,99. Deste modo, levando em conta todo o contexto fático acima mencionado, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 181DF CARF MF Impresso em 06/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13603.001941/2007-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 03/11/2006
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449.
REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei nº 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se
a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe
comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
REMUNERAÇÃO. PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, cartão premiação, é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de
afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
Numero da decisão: 2302-001.451
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A,
inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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Recorrente GRÁFICA E EDITORA DEL REY INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/11/2006 RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. REMUNERAÇÃO. PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, cartão premiação, é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Fl. 130DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Júnior. Ausência Momentânea: Eduardo Augusto Marcondes de Freitas Fl. 131DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13603.001941/200706 Acórdão n.º 230201.451 S2C3T2 Fl. 133 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências janeiro de 2004 a dezembro de 2005, fls. 02 a 03. Não conformado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação, fls. 104 a 106. A unidade descentralizada da SRP emitiu a DecisãoNotificação (DN), fls. 110 a 114, mantendo a autuação em sua integralidade. O recorrente não concordando com a DN emitida pelo órgão previdenciário interpôs recurso, fls. 120 a 122. Em síntese alega o seguinte: 1. O lançamento principal é nulo por defeito na fundamentação; 2. Houve indeferimento da prova pericial o que cerceia a defesa; 3. Não há incidência de contribuição sobre a verba paga. 4. requerendo provimento ao recurso interposto. Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 132DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 125. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Para o deslinde da questão é imprescindível a análise do campo de incidência das contribuições previdenciárias. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Pelo exposto o campo de incidência é delimitado pelo conceito remuneração. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado ou de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Cabe destacar nesse ponto, que os conceitos de salário e de remuneração não se confundem. Enquanto o primeiro é restrito à contraprestação do serviço devida e paga diretamente pelo empregador ao empregado, em virtude da relação de emprego; a remuneração é mais ampla, abrangendo o salário, com todos os componentes, e as gorjetas, pagas por terceiros. Nesse sentido é a lição de Alice Monteiro de Barros, na obra Curso de Direito do Trabalho, Editora LTR, 3ª edição, página 730. O salário pode ser pago em dinheiro, bem como em utilidades, como alimentação, vestuário, habitação, ou outras prestações in natura. Logo, a verba paga no presente caso não se enquadra no conceito utilidade, como alega a recorrente, pois dinheiro não se subsume ao conceito de utilidade para fins do conceito salarial. Desse modo, a questão da habitualidade para fins de incidência de contribuições previdenciárias somente é relevante quando a parcela paga não for em dinheiro. O dinheiro é a ferramenta de troca universal, e logicamente por meio de tal recurso, o beneficiário conseguirá satisfazer as suas necessidades básicas; conforme a disponibilidade financeira escolherá o bem que lhe convier. Fl. 133DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13603.001941/200706 Acórdão n.º 230201.451 S2C3T2 Fl. 134 5 Por sua vez, quanto ao argumento de que o pagamento deuse para execução do trabalho e não pela execução; também não assiste razão à recorrente. O pagamento para o trabalho não acarreta um rendimento para o trabalhador, um ganho ou uma vantagem para o mesmo. São valores despendidos pelo empregador e utilizados pelo trabalhador como imprescindíveis para a realização do trabalho. Não há provas nos autos da alegação da recorrente de que os valores foram pagos para que o trabalho fosse possível. Pelo contrário, há provas de que os segurados receberam os valores, obtendo assim um ganho econômico, uma vantagem financeira, em função de serviços que foram prestados à recorrente. Portanto, foram valores pagos pelo trabalho realizado, sendo uma retribuição pelos mesmos. Quanto à argumentação de que o pagamento é desatrelado ao cumprimento de qualquer condição imposta pela recorrente; o que afastaria a natureza salarial do prêmio; não confiro razão à recorrente. O critério que a sociedade empresária utilizou para pagar a verba a seus segurados é irrelevante para o deslinde da questão. Os prêmios se caracterizam por atendimento a determinadas condições impostas pelo empregador, possuindo natureza remuneratória, integrando o saláriodecontribuição. Agora, caso a empresa tenha pago os valores sem observar as condições, tais verbas não deixam de ter natureza remuneratória, passando a ser indenizatória. Como já analisado a empresa não demonstrou que as verbas foram pagas para o trabalho e não pelo trabalho. Além do mais, o nome dado à verba é irrelevante, o que interessa é saber se a mesma remunerou ou não o trabalho realizado. No presente caso, estou convencido, a partir das provas colacionadas, de que a verba foi paga pelo trabalho. No presente caso, não resta dúvida que houve prestação de serviços à sociedade empresária pelos segurados, e os valores pagos pela prestação de serviços estão no campo de incidência tributária, por remunerarem tal serviço. Uma vez que a notificada remunerou segurados, deveria efetuar o recolhimento à Previdência Social. Não efetuando o recolhimento, a notificada passa a ter a responsabilidade sobre o mesmo. O fato de os valores serem repassados a uma interposta empresa, no caso a Incentive House S.A., não desnatura o fato gerador de contribuições previdenciárias em relação à recorrente. O encargo financeiro foi suportado pela recorrente, conforme demonstram as notas fiscais juntadas pela fiscalização; a Incentive House simplesmente cumpria as determinações da recorrente, que informava os valores que deveriam ser disponibilizados aos segurados, bem como a relação nominal dos mesmos. Os valores percebidos pelos segurados surgiram em função do vínculo com a recorrente e não de vinculação com a Incentive House. Pelo exposto, ocorrendo o fato gerador das contribuições, os mesmos devem constar em GFIP. O pagamento de remuneração aos empregados é fato gerador de contribuições, e logicamente acarretará a necessidade de cumprimento de obrigações acessórias. Tais obrigações acessórias incluem a necessidade de informar em GFIP, contabilizar em títulos próprios e preparar folhas de pagamento. O presente auto de infração teve como fundamento a ausência de informação em GFIP de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. A responsabilidade pela infração é objetiva, independe da culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Assim, o fato de trazer ou Fl. 134DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 não prejuízo ao Fisco é irrelevante, pois a obrigação sendo instrumental, qualquer descumprimento por presunção legal, acarreta dificuldade na ação fiscal. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário. Deve ficar claro que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é cediço, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Quanto ao argumento de que houve cerceamento de defesa, pois foi julgado o processo administrativo sem oportunizar à recorrente a produção de provas pelas quais expressamente protestou; não lhe assiste razão. A recorrente não tem que protestar pelas provas documentais no processo administrativo, mas sim tem que produzilas. Como as demonstrações das alegações são provas documentais, as mesmas tem que ser colacionadas na peça de defesa, no processo judicial tal procedimento não é distinto, pois cabe ao autor juntar na exordial as provas, assim como ao réu colacionálas na contestação, sob pena de preclusão. Quanto à prova pericial a mesma tem que ser requerida na peça inaugural da defesa, conforme disposição expressa no regulamento do Processo Administrativo. De acordo com o disposto no art. 9º, IV da Portaria MPAS n ° 520/2004, são requisitos da perícia, nestas palavras: Art. 9º A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Fl. 135DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13603.001941/200706 Acórdão n.º 230201.451 S2C3T2 Fl. 135 7 IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. § 1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. § 4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contra razões, se houver recurso. § 5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. § 7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. § 8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. No presente caso, não houve o preenchimento dos requisitos exigidos para realização da perícia, assim considerase não formulado tal pedido. Desse modo, pode a autoridade julgadora indeferir o pleito da recorrente, sem ferir o princípio da ampla defesa. Nesse sentido, segue o teor do art. 11º da Portaria MPAS n ° 520/2004: Art. 11 A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, Fl. 136DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 9º. § 2º O interessado será cientificado da determinação para realização da perícia por meio de Despacho, que indicará o procedimento a ser observado. No mesmo sentido dispõe o Decreto n ° 70.235/1972 sobre o processo administrativo fiscal, sendo aplicado subsidiariamente no processo administrativo no âmbito do INSS, nestas palavras: Art. 17. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligência, inclusive perícias quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Parágrafo único. O sujeito passivo apresentará os pontos de discordância e as razões e provas que tiver e indicará, no caso de perícia, o nome e o endereço do seu perito. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) (...) A Portaria MPAS n ° 520/2004 é a que regulamentava o processo administrativo fiscal no âmbito do INSS, conforme autorização expressa no art. 304 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999 e alterações, nestas palavras: Art.304. Compete ao Ministro da Previdência e Assistência Social aprovar o Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social, bem como estabelecer as normas de procedimento do contencioso administrativo, aplicandose, no que couber, o disposto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e suas alterações. Como se percebe, a Portaria n ° 520 surgiu em virtude da previsão expressa no Regulamento da Previdência Social, que transferiu a competência para o Ministério da Previdência Social regulamentar a matéria. Dessa forma, está perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico. E como demonstrado, o assunto acerca de perícias e diligencias está tratado da mesma maneira no Decreto n ° 70.235/1972. A necessidade de o requerimento da perícia ter que constar na peça de impugnação não fere a ampla defesa, pois no processo judicial, rito sumário, os quesitos da perícia tem que constar na petição inicial, bem como na contestação. Fl. 137DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13603.001941/200706 Acórdão n.º 230201.451 S2C3T2 Fl. 136 9 A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. Alegar sem provar é o mesmo que não alegar. De acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A Previdência Social provou a existência do fato gerador, com base nos termos de confissão, GFIP e folhas de pagamento, elaborados pela própria recorrente. No presente caso, a perícia é despicienda; pois toda a matéria probatória já consta nos autos. E como já afirmado, caberia à parte adversa, no caso o contribuinte, a contra prova. Contudo, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo mais benéficas para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 138DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.” (NR) Desse modo, resta evidenciado, que a conduta de apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei n º 8.212 de 1991. Agora, com a Medida Provisória n º 449 de 2009, convertida na Lei n º 11.941, a tipificação passou a ser apresentar a GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. O núcleo do tipo infracional seja na redação anterior à MP n º 449, seja com o novo ordenamento é o mesmo: apresentar a GFIP com erros. A multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Resta demonstrado, assim, que estamos diante de uma obrigação puramente formal, devendo ser aplicada a multa isolada. Não há razão para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e da acessória antes da MP n º 449 e após, para verificar qual a mais vantajosa. A análise tem que ser multa por descumprimento de obrigação principal antes e multa por tal descumprimento após; e multa por descumprimento de obrigação acessória antes e após. A análise tem que ser realizada dessa maneira, pois como já afirmado tratase de obrigação acessória independente da obrigação principal. A conduta de não apresentar declaração, ou apresentar de forma inexata, somente se subsumiria à multa de 75%, prevista no art. 44 da Lei n º 9.430, nas hipóteses em que não há penalidade específica para ausência de declaração ou declaração inexata. Para a GFIP, assim como a DCTF e a DIRPF, há multa com tipificação específica; desse modo inaplicável o art. 44. Para a GFIP aplicase o art. 32A da Lei n º 8.212 de 1991. Conforme previsto no art. 44 da Lei n º 9.430, a multa de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Desse modo, há três condutas no art. 44 que não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa. Há a conduta deixar de pagar ou recolher; outra conduta é ausência de declaração, e a outra é a apresentação de declaração inexata. Logicamente, se o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não se aplica a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; mas a despeito do pagamento não declarou em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212. Essa aplicação de multa isolada somente é possível, pelo fato de serem condutas distintas. Agora, se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Afinal, a multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo fato de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado; de fato, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não recolhe e não declara em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Como já afirmado, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Fl. 139DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13603.001941/200706 Acórdão n.º 230201.451 S2C3T2 Fl. 137 11 Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, não há que se falar em bis in idem, tampouco em consunção. Pelo contrário, a lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Logo, não há consistência nos entendimentos que pretendem dispensar a multa isolada, por ter sido aplicada a multa genérica. A Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa RFB n º 1.027 de 22 de abril de 2010 que assim dispõe em seu artigo 4º: Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista.? Entendo inaplicável a referida Portaria por ser ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, independentemente de o contribuinte ter pago, conforme dispõe o art. 32A da Lei n º 8.212. Uma vez que a penalidade está prevista em lei, somente quem pode dispor da mesma é o Poder Legislativo, a interpretação da Receita Federal gera a concessão de uma anistia sem previsão em lei. Nesse sentido, o art. 150, parágrafo 6º da Constituição exige lei específica para concessão de anistia. Fl. 140DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 A Portaria também viola o art. 182 do CTN que exige a concessão de anistia por meio de lei. Além de violar, os artigos 32A da Lei n º 8.212 e 44 da Lei n º 9.430. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. CONCLUSÃO Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 141DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10480.023645/99-12
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1999
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. OCORRÊNCIA.
Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de pedido convertido em declaração de compensação, nos termos dos §§ 4º e 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, e que não tenha sido objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado do protocolo do pedido.
Numero da decisão: 9101-001.252
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. OCORRÊNCIA. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de pedido convertido em declaração de compensação, nos termos dos §§ 4º e 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, e que não tenha sido objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado do protocolo do pedido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Valmar Fonsêca de Menezes, João Carlos de Lima Júnior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias e Susy Gomes Hoffman (Vice Presidente). Fl. 1DF CARF MF Impresso em 27/12/2011 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 7/12/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES M ALAQUIAS Processo nº 10480.023645/9912 Acórdão n.º 910101.252 CSRFT1 Fl. 431 2 Relatório Com fundamento no art. 7º, inciso I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF nº 147/07, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial em face do acórdão nº 10323.358, de 23.01.2008, proferido pela Terceira Câmara do antigo Primeiro Conselhos de Contribuintes. Tratase de pedidos de compensação de créditos apresentados pelo contribuinte (fls. 01, 04, 07, 10, 13, 16 e 19), relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e à Contribuição Social referentes ao anocalendário de 1998, exercício 1999, com outros débitos em seu nome. Referidos pedidos foram protocolados na Delegacia da Receita Federal em Recife, em 5 de agosto de 1999. Em 24.09.1999, o contribuinte tomou ciência, via correio (fls. 24), do documento de fl. 21 (Informação SESIT/IRPJ nº 73/99), através do qual foi informado que tendo em vista que a declaração de rendimentos do IRPJ relativa ao exercício de 1999, anocalendário de 1998, só deveria ser entregue a partir de setembro de 1999, a compensação pleiteada do IRPJ com a CSLL não poderia ser requerida antes daquela data. Inconformada, a Contribuinte se manifestou em 19.10.1999 (documento de fls. 26/27) requerendo a reforma da decisão constante da Informação SESIT/IRPJ nº 73/99, para o restabelecimento do seu direito líquido e certo à compensação pleiteada, haja vista que não pleiteou a restituição de tributos pagos a maior, e sim a sua compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal, no que se encontra amparado legalmente pelo art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Em 20.03.2002, através do Despacho DRJ/3T/nº 005/2002 (f1s. 43), a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife determinou que a autoridade administrativa manifestasse o seu entendimento, em vista de solicitação do contribuinte quanto ao reconhecimento de direito creditório, através de despacho decisório, e não como o fez, pois a informação de fl. 22 não é documento hábil para responder ao pedido do contribuinte. Em 27.03.2003, através do Termo de Informação Fiscal de fls. 47, o Chefe do SEORT da DRF/Recife, determina o encaminhamento do presente processo à Delegacia da Receita Federal em Feira de Santana, em razão de o contribuinte estar com a sua situação cadastral, do CNPJ nº 41.037.342/000163, cancelada, por ter sido incorporado pela Intermed Farmacêutica do Nordeste Ltda. (CNPJ nº 13.865.530/000144), cuja sede da empresa está na jurisdição do município de Feira de Santana, na Bahia, conforme fl. 46. Em 20.04.2005, a Delegada Substituta da DRF/Feira de Santana aprovou o parecer de fls. 92 a 95, indeferindo o pedido formulado pelo contribuinte, e não homologando a compensação efetivada, em razão de este não ter apresentado, apesar de regulamente intimado (fls. 90), uma série de documentos que permitiriam apurar a veracidade da existência do crédito a ser restituído ou a ser compensado. O contribuinte tomou conhecimento do indeferimento do seu pedido, via correio, em 10.05.2005 (fl. 100), e em 09.06.2005 apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 105/106, contra o referido despacho decisório, alegando que a decisão deve ser reformada, pois embora a intimação tenha sido enviada para o endereço correto, o Fl. 2DF CARF MF Impresso em 27/12/2011 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 7/12/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES M ALAQUIAS Processo nº 10480.023645/9912 Acórdão n.º 910101.252 CSRFT1 Fl. 432 3 contribuinte desconhece a assinatura nela aposta, não podendo assim responder ou mesmo ser prejudicado em relação ao seu pedido de compensação por documento que não chegou a ser do seu conhecimento, haja vista que a intimação mencionada não foi entregue a qualquer funcionário que compõe ou compunha o quadro da empresa solicitante, conforme comprova a relação de funcionários da empresa, anexada às fls. 107 a 118. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador – BA considerou insubsistente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, ao argumento de que a Recorrente não teria apresentado documentação comprobatória do direito de crédito alegado no curso do procedimento administrativo, pelo que não haveria qualquer reparo a ser feito ao despacho decisório impugnado. Sobreveio, então, o Recurso Voluntário onde a Contribuinte suscitou a preliminar de “homologação tácita” da compensação em referência, considerando o prazo superior a cinco anos entre a data da apresentação dos pedidos (05.08.1999) e a data em que foi proferido o despacho decisório impugnado (20.04.2005). O recurso foi apreciado e julgado pela E. Terceira Câmara, que reconheceu a ocorrência da homologação tácita, pelo decurso do prazo de cinco anos entre o protocolo dos pedidos de compensação e o despacho decisório proferido pela DRJSalvadorBA. A decisão restou assim ementada: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2003, 2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Decorridos cinco anos do pedido de compensação formalizado pelo contribuinte, desde que convertido em declaração de compensação nos termos dos §§ 4º e 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 49 da Lei nº 10.637/2002 e art. 17 da Lei nº 10.833/2003, decai o direito do Fisco de não homologar a compensação e fica extinto o crédito tributário a ela correspondente. Recurso voluntário a que se dá provimento.” A Fazenda Nacional insurgese em seu Especial alegando que a decisão a quo contrariou o disposto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/1996. Em síntese, sustenta a Fazenda que o mencionado § 5º do art. 74, introduzido pela Medida Provisória nº 135, de 20.10.2003 não pode ser aplicado retroativamente, para produzir efeitos sobre as compensações declaradas antes da publicação da referida MP. Segundo a Recorrente, o prazo de cinco anos para homologação tácita é aplicável somente as declarações de compensação apresentadas a partir da vigência do aludido dispositivo. Ante o atendimento dos requisitos legais para sua admissibilidade, o Presidente da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes determinou o seguimento do recurso, nos termos do Despacho nº 1030.391/2008, de 10.12.2008 (fls. 359/360). Regularmente intimada, a Contribuinte apresentou suas contrarrazões (fls.370/403) onde pugna pela manutenção do acórdão recorrido, aduzindo em sua Fl. 3DF CARF MF Impresso em 27/12/2011 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 7/12/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES M ALAQUIAS Processo nº 10480.023645/9912 Acórdão n.º 910101.252 CSRFT1 Fl. 433 4 argumentação que o recurso não deve ser conhecido, tendo em conta que a discussão da matéria foi transferida para a esfera judicial com a inscrição dos débitos em dívida ativa e posterior ação de execução, onde, inclusive, já obteve decisão favorável ainda não transitada em julgado. É o relatório. Voto Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias O recurso da Fazenda Nacional foi interposto tempestivamente, desafia decisão não unânime da Câmara a quo e, nos termos do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), demonstra fundamentadamente que a decisão recorrida apresenta suposta contrariedade à lei, razões pelas quais, dele conheço. A questão submetida à apreciação deste Colegiado cingese em saber se a restou configurada a homologação tácita dos pedidos de compensação pelo decurso de prazo superior a cinco anos entre as datas de apresentação do pedido de compensação e de proferimento do despacho decisório respectivo. No que pertine a esta discussão, cumpre transcrever os parágrafos 4º, 5º e 6º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 4DF CARF MF Impresso em 27/12/2011 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 7/12/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES M ALAQUIAS Processo nº 10480.023645/9912 Acórdão n.º 910101.252 CSRFT1 Fl. 434 5 (...) Ao longo dos anos de 2002 e 2003, o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, que trata da sistemática de compensação de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, sofreu sucessivas alterações. Dentre elas, por meio da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, foi incluído o § 4º no mencionado art. 74 para estabelecer expressamente que “os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo”. Já a Lei nº 10.833/2003, resultado da conversão da Medida Provisória nº 135/2003, deu nova redação ao § 5º do mesmo art. 74 para estipular o prazo decadencial de cinco anos para a homologação pelo Fisco da compensação declarada pelo sujeito passivo, contado da entrega da respectiva declaração. De se notar que o legislador não fez qualquer ressalva quanto aos pedidos de compensação ainda pendentes de exame no âmbito administrativo, convertidos em declaração de compensação, sujeitos integralmente aos efeitos estabelecidos pelo § 5º (prazo para homologação de cinco anos contado de seu protocolo) e pelo § 6º (confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados). Nesta oportunidade, poderia o legislador instituído tratamento excepcional. Não o fazendo, permitiu que o estoque de pedidos de compensação represados no âmbito da Administração Tributária, ainda pendentes de exame, fossem atingidos por todos os efeitos jurídicos decorrentes das mencionadas alterações legislativos, sobretudo nos casos em que o pedido poderia ser materialmente indeferido, mas transcorrido os cinco anos de seu protocolo, a autoridade administrativa não mais poderia se manifestar. É neste ponto que a Fazenda Nacional intenta reverter alguns julgados, dentre os quais o presente caso é exemplo. A Fazenda Nacional insurgese em seu apelo contra a decisão da Câmara a quo que considerou expirado o prazo para a manifestação da autoridade administrativa, considerando ocorrida a homologação tácita do pedido de compensação apresentado pela Contribuinte. Sustenta, em síntese, que: i) o § 5º do art. 74 não pode ter sua aplicação retroativa, para alcançar as declarações de compensação apresentadas antes de sua vigência, a partir da publicação da Medida Provisória nº 135, de 20 de outubro de 2003, que o introduziu na redação do referido art. 74; ii) a norma em referência possui natureza processual, mas também material, uma vez que ela traz em si, modalidade de extinção do crédito tributário por compensação, prevista no art. 156, inciso II do CTN; e iii) que, até o advento da MP nº135/03, não se impunha à administração tributária prazo legal para manifestarse sobre os pedidos de compensação e, seu direito de formalização da exigência tributária submetiase unicamente ao correspondente prazo decadencial do tributo. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 27/12/2011 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 7/12/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES M ALAQUIAS Processo nº 10480.023645/9912 Acórdão n.º 910101.252 CSRFT1 Fl. 435 6 Entendo que não assiste razão à Recorrente. A partir da edição da Medida Provisória nº 135/03, ocorrida em 30.10.2003, o prazo para o Fisco exercer seu direito de indeferir os pedidos de compensação realizados pelo contribuinte é de 5 (cinco) anos, contado da entrega da declaração de compensação, nos exatos termos do § 5º do mencionado artigo. Quanto à data da entrega da declaração de compensação, para efeito da contagem do prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser considerada a data do protocolo do pedido de compensação, já que, por força do § 4º do mesmo art. 74, este foi convertido em declaração de compensação para todos os fins. No caso dos autos, os pedidos de compensação apresentados pelo contribuinte em 05.08.1999 encontravamse pendentes de apreciação na data em que entraram em vigor as alterações legislativas acima citadas. De fato, a Informação Sesit/IRPJ nº 73 proferida pela DRFRecife/PE em 25.08.1999 (fls. 22) não pode ser considerada como manifestação válida a respeito da compensação pretendida pela Recorrente, pois tal ato foi anulado por despacho proferido pela Presidência da Terceira Turma da DRJ de RecifePE, por vício de competência. Entendeu a autoridade julgadora que “a informação de fl. 22 não é instrumento hábil para pronunciamento da autoridade administrativa em vista de solicitação de contribuinte quanto a reconhecimento de direito creditório. O entendimento da referida autoridade acerca da solicitação há de ser manifestado através de despacho decisório. Isto posto, restituo o processo à Delegacia da Receita Federal em Recife, solicitando que o entendimento do referido órgão acerca da solicitação da interessada seja manifestado por meio de despacho decisório" (fls. 43). Assim, a primeira decisão válida proferida nos presentes autos, que não homologou a compensação, ocorreu somente em 20.04.2005 (fls. 96), sendo o contribuinte intimado em 10.05.2005 (fls. 100). Ocorre que, pelo disposto no artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, os pedidos de compensação apresentados pela Contribuinte em 05.08.1999, convertidos em declaração de compensação, deveriam ter sido apreciados até 04.08.2004, ou seja, cinco anos contados da entrega da declaração de compensação. Desta forma, como a primeira manifestação válida sobre os referidos pedidos de compensação se deu após o transcurso do prazo de cinco anos previstos no aludido § 5º do art. 74, operouse neste caso, a homologação tácita das compensações. Seguindo este entendimento, não há reparos a serem feitos ao acórdão ora recorrido. Por estas razões, voto no sentido de CONHECER do recurso da Fazenda Nacional para, no mérito, NEGARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Fl. 6DF CARF MF Impresso em 27/12/2011 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 7/12/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES M ALAQUIAS Processo nº 10480.023645/9912 Acórdão n.º 910101.252 CSRFT1 Fl. 436 7 Claudemir Rodrigues Malaquias Relator Fl. 7DF CARF MF Impresso em 27/12/2011 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 7/12/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES M ALAQUIAS
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Numero do processo: 11020.005385/2002-50
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1998
ITR DECADÊNCIA.
O imposto sobre a propriedade territorial rural é, a partir do ano-calendário 1997, tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro de cada ano-calendário.
Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo
contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
No caso, o contribuinte efetuou recolhimento de ITR, conforme indicado pela própria autoridade lançadora, sendo que o auto de infração envolve apenas um diferencial e não o valor integral eventualmente devido. Lançamento atingido pela decadência.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.310
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1998 ITR DECADÊNCIA. O imposto sobre a propriedade territorial rural é, a partir do anocalendário 1997, tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro de cada anocalendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. No caso, o contribuinte efetuou recolhimento de ITR, conforme indicado pela própria autoridade lançadora, sendo que o auto de infração envolve apenas um diferencial e não o valor integral eventualmente devido. Lançamento atingido pela decadência. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. CAIO MARCOS CÂNDIDO – Presidente Gonçalo Bonet Allage Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 11020.005385/200250 Acórdão n.º 920201.310 CSRFT2 Fl. 411 2 EDITADO EM: 25/02/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Giovanni Christian Nunes Campos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Em face de Madeireira Ibirajara S.A., CNPJ n° 92.793.090/000133, foi lavrado o auto de infração de fls. 0208, para a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 1998, em razão da glosa de área declarada como sendo de preservação permanente, relativamente ao imóvel denominado Fazenda Campo Alto, situado no município de Protásio Alves (RS). Na DITR apresentada o contribuinte apurou imposto devido de R$ 1.048,41, sendo que tal valor reduz o total apurado através do lançamento de ofício, de R$ 109.889,08 para R$ 108.840,67 (fls. 06). A ciência do lançamento ocorreu em 13/02/2003, conforme comprovante de fls. 30. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS) considerou o lançamento procedente (fls. 91104). Apreciando o recurso voluntário interposto pela contribuinte, a Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes proferiu o acórdão n° 30239.232, que se encontra às fls. 377384, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1998 ITR. DECADÊNCIA. Cientificado o contribuinte mais de cinco anos da ocorrência do fato gerador do tributo nos casos de pagamento a menor, resta decaído o direito da Fazenda em constituir o crédito tributário, forte no § 4° do art. 150 do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. A decisão recorrida, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para acolher a preliminar de decadência argüida pelo relator, vencidos os Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 11020.005385/200250 Acórdão n.º 920201.310 CSRFT2 Fl. 412 3 Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Mércia Helena Trajano D´Amorim e Maria Regina Godinho de Carvalho (Suplente). Intimada do acórdão em 10/07/2008 (fls. 386), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 388394, onde defendeu, fundamentalmente, ser aplicável ao caso a regra do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, em virtude de a exigência estar contida em lançamento de ofício. Admitido o recurso por intermédio do Despacho n° 302.232 (fls. 396398), a contribuinte foi intimada e deixou de se manifestar, conforme informou a repartição de origem às fls. 408. É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, em razão da decadência, que fulminou o lançamento. A recorrente insurgiuse suscitando que se aplica ao caso a previsão do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional e, assim, inexistiria decadência. Pois bem, a Lei n° 9.393/96 trouxe significativas alterações para o ITR, sendo que em seus artigos 1° e 10 está previsto o seguinte: Art. 1°. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1° de janeiro de cada ano. Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Portanto, o fato gerador do imposto sobre a propriedade territorial rural tem seu marco temporal no dia 01 de janeiro de cada anocalendário, sendo que, a partir do ano calendário 1997, com a vigência da Lei n° 9.393/96, ele passou a ser tributo sujeito ao regime do chamado lançamento por homologação, já que cabe aos contribuintes a apuração da base de Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 11020.005385/200250 Acórdão n.º 920201.310 CSRFT2 Fl. 413 4 cálculo do imposto e o recolhimento do montante devido, submetendo, posteriormente, esse procedimento à autoridade administrativa, que deverá, homologar ou não, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo obrigado. A homologação expressa, para os tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, deve se dar no prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Ultrapassado esse prazo, sem ter sido lavrado lançamento de ofício pela autoridade administrativa, considerase homologada tacitamente a atividade exercida pelo contribuinte e extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, que prevê: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O decurso do prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, implica na homologação tácita da atividade exercida pelo contribuinte e, em razão do instituto da decadência, previsto no artigo 156, inciso V, do CTN, extingue o crédito tributário. Considerando que, no caso em apreço, o fato gerador do ITR ocorreu em 01/01/1998 e diante do fato de que o sujeito passivo da obrigação tributária tomou ciência do auto de infração em 13/02/2003 (fls. 30), concluo que a decadência impede a manutenção do lançamento. Na visão deste julgador, como a penalidade aplicada foi de 75% e não se está diante de dolo, fraude ou simulação, inexiste fundamento legal que justifique a contagem do prazo decadencial da forma prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Ademais, na DITR apresentada, o contribuinte apurou imposto devido de R$ 1.048,41, sendo que tal valor reduz o total apurado através do lançamento de ofício, de R$ 109.889,08 para R$ 108.840,67 (fls. 06), de modo que o crédito tributário em apreço envolve apenas diferenças e não o valor integral eventualmente devido. Nessa ordem de juízos, devo concluir que a decisão de segunda instância deve ser confirmada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 11020.005385/200250 Acórdão n.º 920201.310 CSRFT2 Fl. 414 5 Gonçalo Bonet Allage Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO
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