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Numero do processo: 10835.000330/00-55
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 202-00.972
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowski
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DRJ em Ribeirão Preto - SP RESOLUÇÃO N.2 202-00.972 Il'CCMF IFI. 21 de fevereiro de 2006. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MÓVEIS ALVORADA LTDA. RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Conlribuintes CONFERE COM O ORIGINAL 8ras/l,a.DF, em-CLIL.JZooó 61u#Ja~Uji~ Secretárta da Segunda Câmara Participaram, ainda, da presente resolução os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Antonio Zomer, Raimar da Silva Aguiar, Ana Maria Barbosa Ribeiro (Suplente) e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. 1 Processo n~ Recurso n~ Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes : . 10835.000330/00-55 129.650 TtRIO DA FAZENDAMINISd C elho de ContribuintesSegun a ans AL CONFERE COM O O~I~~b 8Ia5I1ia-DF. em /'1 /2:.-~. t?~~JifU.Jiar8 Secretana de Segunda Cam ~Ld Recorrente MÓVEIS ALVORADA LTDA. RELATÓRIO Por bem descrever os atos praticados no presente feito, adoto como relatório aquele constante do acórdão recorrido, a seguir transcrito em sua inteireza: "A intefessada solicitou restituição de indébitos da Contribuição para o Programa de Integração Social- PIS (fi. 1), nos períodos de apuração de março de 1990 a outubro de 1995, cumulado com pedido de compensação de débitos (fi. 227). Instruem o pedido o demonstrativo dejls. 48/51 e as guias de recolhimento dejls. 2/47 2. A Delegacia da Receita Federal em Presidente Prudente, SP, por meio da Decisão DRF/PPE/Sasit n2 649, de 2000, de jls. 253/262, indejeriu a solicitação da contribuinte considerando ter ocorrido a decadência do direito de pleitear a restituição com relação aos pagamentos efetuados até 20/03/1995 e pela inexistência do direito creditório. 3. Inconjormada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou a manifestação de inconjormidade às jls. 266/284, na qual alegou, em suma: • o prazo para se reaver o imposto pago a maior é de prescrição e não de decadência; • no que concerne ao PIS, está efetivamente pacificada a compreensão de que o faturamento do sexto mês anterior consubstancia não o jato gerador, como pretende a fiscalização, mas tão-somente o elemento quantitativo do tributo à base de cálculo.: • firmou-se no Superior Tribunal de Justiça (STJ) a jurisprudência de que, nas ações que versem sobre tributos lançados por homologação (CTN, ar!. 150), o prazo prescricional é dez anos, ou seja, cinco anos para a Fazenda ejetuar a homologação do lançamento (942) mais cinco anos da prescrição do direito do contribuinte para haver tributo pago a maior e/ou indevidamente (CTN, art. 168, 1); • ainda, quanto ao PIS, o Decreto-lei n° 2.052, de 3 de agosto de 1983, art. 10, dispõe que a prescrição para a cobrança e, mutatis mutandi , para a pretensão de repetição/compensação é de dez anos; • a compensação de tributo sujeito a lançamento por homologação, uma vez que o pagamento é feito sem audiência prévia da autoridade administrativa, conduz à conclusão de que a compensação requer iniciativa do contribuinte e independe de prévia manifestação do Fisco, o qual, por sua vez, tem um prazo para eventual lançamento ex officio por diferenças não pagas, conforme Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 66, disciplinado também pelo Decreto n22.138, de 29 de janeiro de 1997; • a compensação de indébitos fiscais com créditos tributários é um direito garantido pela Constituição Federal (CF), fundamentado nos princípios da cidadania, justiça, isonomia, propriedade e moralidade e, portanto, a denegação' a esse direito afronta a Constituição; • prescrição e decadência são institutos jurídicos distintos no que diz respeito à obrigação tributária principal, e estão claramente colocados no CTN, arts. 173 e 174; o primeiro cuida da extinção do direito de lançar o tributo e o segundo da extinção do direito de cobrá-lo; 2 Processo n'! Recurso nl! Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10835.000330/00-55 129.650 MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM,O ORIGI~~lx Brasllia-DF. em-.l:L/2-'_aco_. ~th~fUjl Secrelálla da Segunda Cámara Il,ee-MF IFI. • a decadência diz respeito apenas aos direitos potestativos enquanto a prescrição diz respeito aos direitos a uma prestação, assim não se pode confundir a decadência com a prescrição. 4. Requereu seja conhecido e provido seu recurso, permitindo a homologação do pedido de compensação. " Às fls. 290/296, acórdão proferido pela 3!!Turma da DRJ em Ribeirão Preto - SP, sintetizado na seguinte ementa: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/1990 a 20/03/1995 Ementa: COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição de pagamentos indevidos para compensação com créditos vincendos decai no prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1990 a 31/10/1995 Ementa: BASE DE CALCULo. FATURAMENTO. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PIS é ofaturamento do próprio mês de ocorrência do fato gerador. Solicitação Indeferida". Recurso voluntário da contribuinte, às fls. 301/327, basicamente repisando os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. 3 4 Da leitura dos autos, verifica-se que o pleito da recorrente restou indeferido por entender a d. instântia recorrida ter-se operado a prescrição do seu direito de postular a compensação das parcelas indevidamente recolhidas a título de Contribuição ao PIS exigida com fulcro nos malsinados Decretos-Leis n2s 2.445 e 2.449, ambos de 1988, entendimento não compartilhado, em tese, por este Egrégio Conselho de Contribuintes. Entretanto, para que se possa proceder à apreciação do apelo, faz-se necessária sua conversão em diligência à repartição de origem para que esta verifique a exatidão dos valores postulados, independentemente da data em que efetuado o recolhimento cuja repetição ora se busca, considerando-se, ademais, que: (i) até 29 de fevereiro de 1996, a base de cálculo do PIS, nos termos do parágrafo único do art. 62 da LC n2 07/70, correspondia ao faturamento do sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador, sem correção monetária até a data do respectivo vencimento (Primeira Seção STJ - REsp 144.708 - RS e CSRF), à alíquota de 0:,75%; (ii) os indébitos deverão ser atualizados na forma da Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar N2 08, de 27/06/97. Concluída a diligência, intime-se a recorrente para que se manifeste sobre seu resultado, querendo, no prazo de 10 (dez) dias. Oportunamente, devolvam-se os.presentes autos a este Conselho de Contribuintes. É como voto. Sala das Sessões, em 21 de fevereiro de 2006. ~. ld MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O ORIGINA~ Brasília-DF, em--I.!L/2-/ 2cO 4~TLt.k' f ..éfluza I1k~UJt Secretária de Segunda Cãmara VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR MARCELO MARCONDES MEYER-KOZLOWSKI 10835.000330/00-55 129.650 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n~ Recurso n~ 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 10768.906802/2006-19
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2000 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE TODAS AS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO. INDEFERIMENTO. Indefere-se o mero pedido genérico para produção posterior de provas e/ou perícia, principalmente, quando não enquadrado nas hipóteses do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Assim, não se configurando nenhuma das hipóteses do § 4° do art. 16 do Decreto 70.235/72, não poderá ser acatado o pedido genérico pela produção posterior de prova.
Numero da decisão: 1802-001.136
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Nelso Kichel
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2000 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE TODAS AS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO. INDEFERIMENTO. Indefere-se o mero pedido genérico para produção posterior de provas e/ou perícia, principalmente, quando não enquadrado nas hipóteses do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Assim, não se configurando nenhuma das hipóteses do § 4° do art. 16 do Decreto 70.235/72, não poderá ser acatado o pedido genérico pela produção posterior de prova.
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ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE TODAS AS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO. INDEFERIMENTO. Indeferese o mero pedido genérico para produção posterior de provas e/ou perícia, principalmente, quando não enquadrado nas hipóteses do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Assim, não se configurando nenhuma das hipóteses do § 4° do art. 16 do Decreto 70.235/72, não poderá ser acatado o pedido genérico pela produção posterior de prova. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10768.906802/200619 Acórdão n.º 1802001.136 S1TE02 Fl. 2 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marco Antônio Nunes Catilhos e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Marciel Eder Costa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls.139/146 contra decisão da 8ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I (fls. 131/135) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, deixando de homologar a compensação tributária pela falta de certeza e liquidez do crédito utilizado/pleiteado. Quanto aos fatos: Em 15/09/2003, a Telemar Norte Leste S.A. formalizou pedido de restituição de crédito e declaração de compensação, por meio da transmissão do PER/DCOMP, com o objetivo de ver reconhecido seu direito creditório da CSLL estimativa mensal, recolhida a maior, no valor de R$ 81.984,31, quanto ao período de apuração – Outubro/2000, e de compensálo com débito da Cofins, relativo ao período de apuração – agosto/2003, código de receita 2172 (fls. 04/08). O crédito pleiteado tem origem no pagamento de R$ 215.796,45 de 30/11/2000, conforme cópia do DARF de fls. 06 e 14/15, a título de atecipação da CSLL devida por estimativa mensal do período de apuração Outubro/2000, código de receita 2484, pela empresa de Telecomunicações do Piauí S/A, CNPJ: 06.847.875/000100 (empresa sucedida, incorporada em 02/07/2001 pela TELEMAR); que o débito, desse período de apuração, seria de apenas R$ 133.212,14, conforme cópia da DIPJ 2001, anocalendário 2000 (fl. 48), e extrato da DCTF do 3º trimestre/2000 (fl. 43). Entretanto, em 11/09/2008, foi emitido Despacho Decisório de fl. 69, pela Derat RJ, indeferindo o crédito pleiteado, com base no Parecer Conclusivo n° 177/2008 (fls. 62/67), in verbis: (...) O presente processo foi formalizado com o objetivo de estabelecer tratamento manual à compensação peticionada por Fl. 1DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10768.906802/200619 Acórdão n.º 1802001.136 S1TE02 Fl. 3 3 meio da Declaração de Compensação (Dcomp) n° 40376.14529.150903.1.3.040090 (folhas 04 a 08), de crédito proveniente de pagamento efetuado por Telecomunicações do Piauí S/A (CNPJ n° 06.847.875/000100), incorporada em 02/08/2001 por TELEMAR NORTE LESTE S/A (folha 40), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), código de receita 2484 (estimativa mensal), período de apuração outubro/2000, que teria sido efetuado a maior ou indevido, com débito de COFINS, período de apuração agosto/2003, no valor total de R$ 123.853,70 (cento e vinte e três mil, oitocentos e cinqüenta e três reais e setenta centavos). A compensação é forma de extinção do crédito tributário prevista no inciso II do art. 156 da Lei 5.172/1966 (Código Tributário Nacional CTN). Fazse necessário, entretanto, para a efetivação da compensação, que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja dotado de liquidez e certeza. É exigência contida no caput do art. 170 do CTN, transcrito a seguir: (...) Com o objetivo de conferir certeza e liquidez necessárias à compensação pleiteada, o presente processo foi encaminhado à DEFIS/RJO para que fosse efetuada diligência, nos termos do artigo 4° da INSRF n° 600/2005 (vide despacho à folha 15). Em decorrência da diligência empreendida, foram anexados ao presente processo os documentos às folhas 17 a 36, bem como o despacho às folhas 37 e 38, que relatou ter sido "impossível realizar a diligência (...) por falta de condição documental mínima para realizála com a segurança necessária". Ainda com o mesmo objetivo de conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado, em conformidade com o disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional, foram efetuadas consultas aos sistemas RFB anexas às folhas 41 a 58. Os extratos às folhas 41 e 42 revelam que o DARF no valor de R$ 215.796,45, informado (folha 05) como origem do crédito no valor de R$ 81.984,31 (folha 08), está vinculado ao pagamento do débito de CSLL de outubro/2000 informado na DCTF ativa (folhas 43 e 44), no montante total de R$ 133.812,14, tendo restado, a princípio, saldo disponível no valor de R$ 81.984,31. Contudo, por se tratar de crédito referente a pagamento de estimativa mensal de CSLL (código 2484), devese verificar se o pagamento foi utilizado como dedução no cálculo da CSLL a pagar, por ocasião do ajuste anual, constante da ficha 17 da DIPJ 2001 ativa, linha 38, à folha 49, na qual constam as seguintes informações: (...) Os extratos às folhas 59 e 60 mostram que o débito de CSLL de janeiro de 2001, informado na DCTF ativa no valor de R$ 692.015,36, foi extinto por meio de compensação de débito no valor de R$ 692.015,36, tendo como crédito saldo negativo do Fl. 2DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10768.906802/200619 Acórdão n.º 1802001.136 S1TE02 Fl. 4 4 anocalendário 2000. Conforme informa o Demonstrativo Analítico de Compensação à folha 61, o valor de tal crédito utilizado como saldo negativo do anocalendário 2000 corresponde a R$ 685.163,72. Desta forma, o valor de pagamentos indevidos ou a maior de estimativas mensais de CSLL (código 2484) relativos a períodos de apuração do anocalendário 2000 que não foi utilizado como saldo negativo daquele anocalendário foi de R$ 260.881,37. Este é o montante de crédito disponível para todas as compensações lastreadas com DARFs de código 2484 relativos aos períodos de apuração do anocalendário 2000, conforme demonstrativo a seguir: CSLL Ano calendário 2000 Saldo negativo recalculado 946.045,09 () Saldo negativo utilizado 685.163,72 (=) Saldo negativo não utilizado 260.881,37 Os extratos às folhas 52 a 58 correspondem a consulta que demonstra que, até o presente momento, a interessada não apresentou outras Dcomp lastreadas no crédito alegado no presente processo, mas apresentou outras Dcomp lastreadas em outros DARF recolhidos a título de pagamento de estimativas de CSLL relativos ao anocalendário 2000. Todas estas Dcomp, inclusive a que aqui se analisa, terão direito creditório reconhecido no limite total de R$ 260.881,37, conforme tabela a seguir: PER/DCOMP PROCESSO PA CRÉD. PLEITEADO CRÉD. A RECEBER 37949.02394.150903.1.3.045129 10768.906830/200628 fev/00 2.258,69 2.258,69 42703.79439.150903.1.3.049598 10768.906831/200672 mar/00 541,99 541,99 01199.05233.150903.1.3.041283 10768.906832/200617 mai/00 352.326,64 258.080,69 16733.59937.150903.1.3.044570 10768.906833/200661 set/00 1.105.573,77 40376.14529.150903.1.3.040090 10768.906802/200619 out/00 81.984,31 TOTAL 260.881,37 Por todo o exposto, não ficando comprovada a existência de crédito líquido e certo passível de restituição/compensação (...). A contribuinte tomou ciência dessa decisão em 11/09/2008 – quintafeira (fl. 69), apresentando, em 13/10/2008 (segundafeira), a manifestação de inconformidade de fls. 72/81, alegando, em síntese, que: que a União Federal, em preparação para a desestatização do setor de telefonia (privatização do sistema Telebrás), reestruturou o setor que era composto por 27 operadoras regionais (uma em cada Estado) e a Embratel — operadora de longa distância; que separou a telefonia fixa da móvel em Janeiro de 1998; que promoveu a cisão parcial da Telebrás em Maio de 1998, dando origem a 12 novas holdings privatizadas em 29/07/1998 em 12 leilões simultâneos na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Uma das companhias resultantes foi a Telecomunicações do Rio de Janeiro S/A, embrião do que viria a ser a Telemar; que a Telecomunicações do Amapá S/A, por sua vez, junto com diversas outras empresas de telefonia estaduais, veio a ser incorporada à Telecomunicações do Rio de Janeiro S/A em 02/07/2001; que, posteriormente, a razão social de Telecomunicações do Rio de Janeiro S/A Fl. 3DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10768.906802/200619 Acórdão n.º 1802001.136 S1TE02 Fl. 5 5 foi alterada para Telemar Norte Leste S/A, dando fim ao 1° ciclo de consolidação do setor telefônico; que, como houve a incorporação das empresas adquiridas, deuse a sucessão nos direitos e deveres das empresas sucedidas; que a contribuinte houve por bem refazer as bases de cálculo de anos anteriores de empresas adquiridas com o fito de identificar valores passíveis de restituição/compensação; que se identificou erro na apuração da CSLL estimativa de Outubro/2000 da antiga Telecomunicações do Piauí S/A que realizou pagamentos em montante superior ao débito efetivamente apurado; que o crédito identificado foi integralmente utilizado no PER/DCOMP n° 40376.14529.150903.1.3.040090, recebido pelo Fisco em 15/09/2003, objeto do presente processo; origem do crédito: que a questão não é de simples entendimento; que traz aos autos DCTF Retificadora do 4º trimestre/2000 (fls. 120/126), recebida pelo fisco em 14/01/2005, que demonstra a origem, certeza e liquidez do crédito alegado; que, todavia, em análise manual da declaração de compensação, o fisco houve por bem indeferila, mediante reapuração das bases tributáveis do ano de 2000, para a incorporada Telecomunicações do Piauí S.A.; tempestividade da DCTF retificadora: que, nos termos do § 1° do art. 147 do CTN, pode o contribuinte retificar suas declarações até o momento em que for notificado do lançamento; que a retificação da DCTF foi tempestiva; decadência: que o fisco não pode revisar as bases do anocalendário 2000 atingidas pela caducidade (CTN, art. 150, § 4º); que há necessidade de produção de prova pericial contábil, tendo formulado quesitos e feito indicação de perito (tal pedido de perícia contábil não foi renovado quando da apresentação do recurso voluntário); Por fim, a contribuinte pediu: a) a juntada posterior de documentos, nos termos do art. 16, § 4º, "a" e § 5° do Decreto n° 70.235/72, que eventualmente se façam necessários, haja vista a impossibilidade de se obter toda a documentação necessária em tempo hábil, em face do porte da empresa do período e por se tratar de crédito de sociedade incorporada; b) protestou por todos os meios de prova admitidos em direito. A DRJ/Rio de Janeiro I, apreciando o litígio, por unanimidade de votos, não reconheceu o direito creditório pleiteado, deixando de homologar a compensação, cuja ementa do Acórdão transcrevo a seguir (fl. 131), in verbis: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Fl. 4DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10768.906802/200619 Acórdão n.º 1802001.136 S1TE02 Fl. 6 6 Anocalendário: 2000 DIREITO CREDITORIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Incumbe à interessada o ônus de demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega. Compensação não Homologada (...) Inconformada com esse decisum do qual tomou ciência em 14/04/2009, conforme Termo de Ciência (fl. 136), a recorrente apresentou Recurso Voluntário em 14/05/2009 de fls. 139/146, cujas razões, em síntese, são as seguintes: origem do crédito: que a questão não é de simples entendimento; que traz aos autos DCTF Retificadora do 4º trimestre/2000 (fls. 120/126), recebida pelo fisco em 14/01/2005, que demonstra a origem, certeza e liquidez do crédito alegado; tempestividade da DCTF retificadora: que, nos termos do § 1° do art. 147 do CTN, pode o contribuinte retificar suas declarações até o momento anterior à intimação fiscal do início de procedimento de fiscalização, quando perde a espontaneidade; que a retificação da DCTF foi tempestiva; decadência: que o fisco não pode revisar as bases do anocalendário 2000 atingidas pela caducidade (CTN, art. 150, § 4º). Por fim, a contribuinte pediu a juntada posterior de documentos, protestando, ainda, por todos os meios de prova em direito admitidos, pugnando pela revisão da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10768.906802/200619 Acórdão n.º 1802001.136 S1TE02 Fl. 7 7 Voto O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, o litígio versa acerca do direito creditório pleiteado de R$ 81.984,31 (valor original) que foi denegado pela decisão recorrida nos presentes aos autos processo de compensação tributária. Inexistindo preliminar de natureza processual a ser enfrentada, passo à análise do mérito do litígio. 1) QUANTO AOS FATOS houve pagamento em DARF da CSLL estimativa de R$ 215.796,45 código de receita 2484, período de apuração outubro/2000. Data do pagamento: 30/11/2000, efetuado pela empresa incorporada Telecomunicações do Piauí S/A. Recolhimento confirmado (fls. 14 e 50). na DCTF/4º trimestre/2000 foi confessado débito da CSLL do período de apuração Oububro/2000, código de receita 2484, no valor de R$ 133.812,14 (fl. 43); na DIPJ 2001, anocalendário 2000 (Ficha 16), transmitida pela internet em 29/10/2001, quanto ao mês de Outubro/2000, com base em balancete de suspensão ou redução, foi apurada CSLL estimativa de R$ 145.688,99; dedução: CSLL retida na fonte por órgão púbico R$ 11.876,85; CSLL a pagar R$ 133.812,14 (fl. 48). ainda, na DIPJ 2001, anocalendário 2000 (Ficha 17) – ajuste anual foi apurada (após inclusões e excluões ao Lucro Líquido anual) – saldo negativo de CSLL a pagar no valor de R$ 619.774,28 (fl. 49). Senão, vejamos: • base de cálculo da CSLL R$ 26.312.241,77; • CSLL da atividade R$ 2.427.208,19; • () CSLL paga por estimativa menal R$ 3.046.982,47; • saldo negativo de CSLL a pagar (R$ 619.774,28). Nos presentes autos, a contribuinte alegou que – nesse saldo negativo da CSLL – não estaria computado o valor do pagamento a maior de estimativa da CSLL do período de apuração Outubro/2000, no valor de R$ 81.984,31(valor original). 2) QUANTO À APURAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO Para apurar a certeza e liquidez do crédito pleiteado, a unidade de origem da RFB efetuou diligência fiscal, intimando, pelo menos 4 (quatro) vezes, a contribuinte a Fl. 6DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10768.906802/200619 Acórdão n.º 1802001.136 S1TE02 Fl. 8 8 apresentar livros e documentos, porém a empresa não produziu as provas do alegado direito creditório. Nesse sentido, transcrevo a narrativa dos fatos constantes do Relatório de Diligência fiscal, de 01/09/2008, da DRF de Fiscalização do Rio de Janeiro (fls. 37/38), in verbis: (...) (2) Em 24/04/2008 e 23/05/2008, o contribuinte foi intimado a apresentar o Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, do Período de Apuração de Janeiro de 1998 a Dezembro de 2000, da Telecomunicações do Piauí S/A CNPJ n° 06.847.875/0001 00, onde estejam consignadas as Bases de Cálculo Mensais do IRPJ e da CSLL que serviram para o recolhimento por estimativas no período citado. (fls. 17 e 18) (3) Através dos Termos de Intimação datados de 11/07/2008 e 21/07/2008 (fls. 19 a 22), foi o contribuinte, na qualidade de sucessora de Telecomunicações do Piauí S/A CNPJ n° 06.847.875/000100, a apresentar por escrito, os Balanços ou Balancetes de Suspensão ou Redução utilizados para determinar o pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido com base no lucro líquido ajustado dos anos de 1998, 1999 e 2000, com as devidas Adições e Exclusões. (4) Até a presente data o contribuinte não apresentou os Balanços ou Balancetes de Suspensão ou Redução utilizados para determinar o pagamento da Estimativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido com base no lucro líquido, ajustado pelas devidas Adições e Exclusões (uma vez que não fazem parte do correspondente Livro Diário como determinado na legislação vigente) (fls. 26 a 36) e as Adições e Exclusões relativas à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido também não estão consignadas no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR. (fls. 23 a 25). Desta forma o AuditorFiscal abaixo identificado considera impossível realizar a diligência que tem por objetivo determinar a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, concernente à Estimativa do mês de outubro de 2000, por falta de condição documental mínima para realizála com a segurança necessária. (...) Não obstante, ainda com objetivo de aquilatar a certeza e liquidez do direito creditório demandado (rastreamento), a auditoria intena da RFB, partindo da premissa que a base de cálculo anual da CSLL seria aquela que foi informada na DIPJ 2001 , apurou, com base nos recolhimentos em DARF da CSLL estimativa dos meses de 2000, nas compensações diretas informadas e nas DCOMP, transmitidas pela internet, utilizando o saldo negativo da CSLL desse ano , a inexistência do crédito pleiteado. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10768.906802/200619 Acórdão n.º 1802001.136 S1TE02 Fl. 9 9 A propósito, transcrevo o disposto no Parecer da DERAT/Rio de Janeiro, que fundamentou o Despacho Decisório, de 11/09/2008 (fls. 62/68): (...) Os extratos às folhas 41 e 42 revelam que o DARF no valor de R$ 215.796,45, informado (folha 05) como origem do crédito no valor de R$ 81.984,31 (folha 08), está vinculado ao pagamento do débito de CSLL de outubro/2000 informado na DCTF ativa (folhas 43 e 44), no montante total de R$ 133.812,14, tendo restado, a princípio, saldo disponível no valor de R$ 81.984,31. Contudo, por se tratar de crédito referente a pagamento de estimativa mensal de CSLL (código 2484), devese verificar se o pagamento foi utilizado como dedução no cálculo da CSLL a pagar, por ocasião do ajuste anual, constante da ficha 17 da DlPJ 2001 ativa, linha 38, à folha 49, (...). O extrato da DCTF ativa relativa ao anocalendário 2000 (folhas 43 e 44) não informa valores de compensação. A DIPJ ativa relativa ao mesmo anocalendário (folhas 45 a 49) informa CSLL retida na fonte por órgão público num valor total de R$ 25.045,18. (Obs: a auditoria interna apurou apenas R$ 16.957,55. Ainda que fosse apurado aquele valor integral, não mudaria a sorte do pleito da recorrente). (...) Desta forma, o valor máximo que o contribuinte poderia ter informado a título de CSLL Mensal Paga por Estimativa (linha 38, ficha 17 da D1PJ 2001) seria de R$ 3.373.253,28,(...) (Obs: Foi computado nesse montante, inclusive, o valor integral do recolhimento em DARF do período de apuração Outubro/2000 R$ 215.976,45). A contribuinte apurou na DIPJ 2001, anocalendário 2000 (declaração de ajuste anual), saldo negativo de CSLL (R$ 619.774,28). Por sua vez, no rastreamento da auditoria interna da RFB, houve a apuração de saldo negativo da CSLL do anocalendário 2001, anocalendário 2000 (R$ 946.045,09). Desse saldo negativo da CSLL do anocalendário 2000, a recorrente informou na DCTF/1º trimestre/2001, que utilizara – na compensação direta (sem processo) valor equivalente ao débito da CSLL (estimativa) do período de apuração Janeiro/2001, no valor de R$ 692.015,36 (fl. 60). A auditoria interna da RFB, apurou que o valor original do saldo negativo da CSLL do anocalendário 2000 (utilizado nessa compensação) foi R$ 685.163,72 (fl. 61). Em face disso, restou – para utilização futura saldo negativo de CSLL do anocalendário 2000 (R$ 260.881,37). Nesse sentido, a recorrente entregou os seguintes PER/DCOMP, utilizando o referido saldo negativo remanescente da CSLL: Fl. 8DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10768.906802/200619 Acórdão n.º 1802001.136 S1TE02 Fl. 10 10 PER/DCOMP PROCESSO PA CRÉD. PLEITEADO CRÉD. A RECEBER 37949.02394.150903.1.3.045129 10768.906830/200628 fev/00 2.258,69 2.258,69 42703.79439.150903.1.3.049598 10768.906831/200672 mar/00 541,99 541,99 01199.05233.150903.1.3.041283 10768.906832/200617 mai/00 352.326,64 258.080,69 16733.59937.150903.1.3.044570 10768.906833/200661 set/00 1.105.573,77 40376.14529.150903.1.3.040090 10768.906802/200619 out/00 81.984,31 TOTAL 260.881,37 Como demostrado, para o PER/DCOMP objeto dos autos, não há crédito disponível a ser utilizado na compensação informada. 3) QUANTO AO ÔNUS PROBATÓRIO É cediço que, ao peticionar, cabe ao autor comprovar o fato constitutivo do direito que alega ter. Nesse sentido, dispõe o art. 333, I, do Código de processso Civil Brasileiro – CPC: "Art. 333. O ônus da prova incumbe: 1 ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – (...) Quanto ao momento da produção das provas, dipõem os artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I – (....) II – (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) (grifei) Para comprovação de fato constitutivo do direito creditório demandado, atinente a pagameno a maior ou indevido da CSLL (pagamento antecipado a maior), além do DARF, devese observar, sobretudo, a legislação de apuração tributo, com respectivos documentos de suporte dos registros nos livros contábeis e fiscais pertinentes, e a legislação de regência da compensação tributária. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10768.906802/200619 Acórdão n.º 1802001.136 S1TE02 Fl. 11 11 A propósito, a recorrente, uma empresa economicamente de grande porte, no anocalendário 2000 optou pela apuração do IRPJ pelo regime do Lucro Real anual, com obrigação de fazer pagamentos antecipados do IRPJ, mensalmente, por estimativa, com base na receita bruta e acréscimos, ou com base em balancetes de suspensão ou redução. A CSLL, na mesma esteira, segue o regime de apuração do IRPJ, por força do art. 6º, parágrafo único, da Lei nº 7.689/88 e art. 28 da Lei 9.430/96. A contribuinte não produziu prova nos autos, de sua escrituração contábil e fiscal, e respectivos documentos de suporte dos lançamentos contábeis, de que não aproveitara o crédito pleiteado quando do encerramento do anocalendário 2000, pois não juntou aos autos cópia dos balancetes de suspensão ou redução que deveriam estar registrados no livro LALUR e transcritos no livro Diário. Nesse sentido, dispõe ao art.35 da Lei nº 8.981/95, in verbis: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. (...) Ainda, inexiste previsão de restituição de mera antecipação de pagamento de CSLL por estimativa mensal, mas sim do saldo negativo apurado no encerramento do respectivo anocalendário em 31 de dezembro – data do fato gerador , caso o somatório dos recolhimentos por estimativa mensal do anocalendário foi maior que a CSLL apurada com base no lucro líquido anual ajustado pelas inclusões e exclusões, no ajuste anual (Lei nº 9.430/96, art. 6º). Embora intimada diversas vezes, em sede de procedimento de diligência fiscal, a recorrente não apresentou os balancetes de suspensão ou redução dos meses de 2000, nem apresentou o livro LALUR onde esses balancetes pudessem estar elaborados. E, ainda, no livro Diário os balancetes de suspensão ou redução não foram transcritos, conforme Relatório de Diligência fiscal. Ora, o art. 170 do Código Tributário Nacional, para efeito de compensação tributária, exige que o crédito apresentado contra o fisco, para encontro de contas, tenha liquidez e certeza. Senão, vejamos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à Fl. 10DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10768.906802/200619 Acórdão n.º 1802001.136 S1TE02 Fl. 12 12 autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Por todas essas razões, conforme demonstrado, a recorrente não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. 4) REVISÃO DE BASE DE CÁLCULO DA CSLL. INOCORRÊNCIA. A recorrente alegou que, em sede de processo de compensação tributária, não cabe ao fisco revisar base de cálculo de tributo sem auto de infração, e que – além de tudo – o direito de revisar já teria decaído, cujo prazo de cinco anos para lançamento de diferença de débitos de tributos, sujeitos a lançamento por homologação, tem termo inicial a data do fato gerador do tributo (CTN, art. 150, § 4º) No caso, como já demonstrado, não houve revisão da base de cálculo das estimativas mensais. E, também, não houve revisão da base de cálculo da CSLL do ano calendário 2000 (ajuste anual). Houve apenas rastreamento (identificação) dos créditos a deduzir da CSLL apurada pela própria contribuinte (DIPJ – declaração de ajuste anual), para efeito de apuração do saldo negativo a pagar (restituição). Não se pode confundir direito de lançamento tributário com direito de verificação da liquidez e certeza do crédito obstado contra o fisco. Para glosa de custos/despesas (revisão de declaração em auditoria interna da RFB), há, sim, necessidade de auto de infração, e respeitado o prazo decadencial de cinco anos a partir do fato gerador ou do primeiro dia do exercício seguinte ao ano que o fisco poderia lançar a exação fiscal. Por outro lado, para rastreamento do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, o fisco pode retroagir a análise ou verificação do crédito até a data de sua origem/formação. Não se restitui o que não se pagou a maior. Há necessidade, por conseguinte, do demandante comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. O pedido do pretenso crédito do anocalendário 2000 foi efetuado em 15/09/2003 (fls. 04/08), e a contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 11/09/2008 (fl. 69). Logo, não houve homologação tácita. Ainda, não há que se falar em decadência, pois não houve lançamento fiscal (não houve glosa de custos ou despesas e não houve apuração de novas receitas tributáveis), mas mero rastreamento ou verificação de direito creditório pleiteado. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10768.906802/200619 Acórdão n.º 1802001.136 S1TE02 Fl. 13 13 Por conseguinte, diversamente do alegado pela recorrente, não houve revisão da base de cálculo da CSLL do anocalendário 2000, pois permanece, continua sendo mesma informada pela contribuinte na respectiva DIPJ. 5) PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE TODAS AS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO. PEDIDO INDEFERIDO. Por fim, a contribuinte pediu juntada posterior de documentos e protesto por todas as provas admitidas em direito. Pretensão descabida. A recorrente teve várias oportunidades, nos presentes autos, de produzir provas da certeza e liquidez do crédito pleiteado (durante o procedimento de diligência fiscal, quando da apresentação da manifestação de inconformidade e quando da apresentação do recurso voluntápário), porém não o fez. Além disso, não comprovou motivo de força maior (Decreto nº 70.235/72, art. 16, § 4º, “a”). Faculdade processual preclusa. Portanto, pedido rejeitado. Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 12DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 10120.002587/2005-00
Data da sessão: Wed Jun 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto de Renda Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
DILIGÊNCIA DESNECESSÁRIAS. LIVRO CAIXA. DEDUÇÕES NÃO COMPROVADAS. GLOSA.
A diligência requerida é notadamente desnecessária ao deslinde da contenda visto que bastava a comprovação das deduções, o que não logrou êxito o recorrente em fazê-lo.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2102-000.654
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Ewan Teles Aguiar
1.0 = *:*
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ementa_s : Imposto de Renda Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 DILIGÊNCIA DESNECESSÁRIAS. LIVRO CAIXA. DEDUÇÕES NÃO COMPROVADAS. GLOSA. A diligência requerida é notadamente desnecessária ao deslinde da contenda visto que bastava a comprovação das deduções, o que não logrou êxito o recorrente em fazê-lo. Recurso voluntário negado.
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Numero do processo: 11030.002310/99-13
Data da sessão: Tue Apr 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI PARA DESONERAÇÃO DO PIS E DA COFINS. LEI N. ° 9.363/96.
A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, referidos no art. 1° da Lei n").363. de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei
n° 9.363/96), sendo irrelevante ter havido ou não incidência das contribuições na etapa anterior, pelo que as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de pessoas fisicas c cooperativas estão amparadas pelo beneficio. (Ac. CSRF/02-01.336).
Recurso Especial do Contribuinte Provido
Numero da decisão: 9303-00.902
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos. em dar
provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Relator), I lenrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa POssas e Carlos Alberto Freitas Barreto. que negavam provimento. Designado sara redigir o voto vencedor o Conselheiro Leonardo Siade Manzan.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: Gilson Macedo Rosenburg Filho
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LEI N. ° 9.363/96. A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, referidos no art. 1° da Lei n").363. de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2' da Lei n° 9.363/96), sendo irrelevante ter havido ou não incidência das contribuições na etapa anterior, pelo que as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de pessoas fisicas c cooperativas estão amparadas pelo beneficio. (Ac. CSRF/02-01.336). Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos. em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Relator), I lenrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa POssas e Carlos Alberto Freitas Barreto. que negavam provimento. Designado sara redigir o voto vencedor o Conselheiro Leonardo Siade Manzan. Leonardo Siade Man n - Redator Designado Participaram do resente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Cuida-se de recurso especial de divergência interposto pelo sujeito passivo (N. 132/177) contra decisão do acórdão n 2 201-77.750, da Primeira Camara do Segundo Conselho, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos. RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIAS-PRIMAS A PESSOAS FISIC'AS E COOPERATIVAS. Referindo-se a lei a contribuições "incidentes" sobre as "respectivas" aquisições, somente se admite, para efeito de cálculo do crédito presumido do IPI, as aquisições sobre as quais efttivamente incidiu o PIS/Pasep e a Cofins e que Pram suportadas pelo fornecedor daquele produtor/exportador que pretende se beneficiar do crédito. RECEITA DA EXPORTAÇÃO. Exclui-se a receita de revenda de mercadorias tanto da receita de exportação como da receita operacional bruta para fins de cálculo do crédito presumido. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Descabe falar-se em atualização monetária ou juros de mora incidentes sobre o eventual valor a ser objeto de ressarcimento por ausência de previsão legal. Não se pode aplicar as mesmas regras de compensação ou restituição porque, nestas hipóteses, houve pagamento anterior maior ou indevido, o que inexiste nos casos de ressarcimento. Recurso provido eni parte Em sua manifestação, o recorrente insurge-se contra a exclusão dos valores decorrentes das aquisições de insumos de fornecedores não contribuintes do PIS e da Cotins (pessoas físicas e cooperativas), utilizados na fabricação dos produtos exportados, para fins de aculo do crédito presumido do IPI 0 recurso foi admitido nos termos' do despacho n°201-398 de fls. 260/263. 2 Process° n0 11030.002310/99-13 CSR F-T3 Aeórao n." 9303-00.902 Fl. 276 A Fazenda Pública não apresentou contrarrazões. o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NA() CONTRIBUINTES DO PIS E DA COFINS. O crédito presumido do IPI como ressarcimento de PIS e Corms nas exportações foi instituído pela MP n° 948, de 23/05195, que após reedições foi convertida na Lei n° 9.363. de 16/12/96, que determina: "Art. 1 0 A empresa produtora e expor/adora de mercadorias nacionais fará ju.s• a crédito presumido do Impost() sobre Produtos Industrializados, como ressarc imento das contribuições de que tratam as Leis Complementares n'° 7, c/c 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (•.) Ari. 2". A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicaçõo, sobre o valor total das aquisições de 1/matérias -primas, produtos intermediários e material de embulagem referidos no artigo anterior, do percennutl correspondente a rela(Cio entre a receita de exportaçõo e a receita operacional bruta do produtor exportador. 1°. 0 crédito fiscal será o resultado da aplicwilo do percentual de 5.37% sobre a base de cálculo definida neste arligo. - (negritos acrescentados,). Nos termos do art. 2° da Lei n° 9.363/96. a base de cálculo do crédito presumido é igual ao valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, conceituados segundo a legislação do 11'1, multiplicado pelo percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor (industrial) exportador. 0 valor do credito presumido , então, será o equivalente a 5,37% da base de cálculo, tendo este fator sido obtido a partir da soma de 2% de Colins mais 0.65% de PIS, corn incidência dupla e his in idem (2 x 2.65% + 2,65% x 2,65 = 5,37%). Como deixa claro o art. 10 da Lei if 9.363/96, acima transcrito, o beneficio fiji instituído como ressarcimento de PIS e Cofins incidentes nas aquisições de matérias- primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Somente nas situações em que há incidência das duas contribuições sobre as aquisições de insumos é que cabe aplicar o beneficio. Neste sentido é que o § 2° do art. 2° da IN SRF n°23, de 13/03/97,já dispunha que o incentivo "será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas juridicas, sujeitas As contribuições PIS/PASEP e COFINS". Referida IN não inovou com relação A Lei n° 9.363/96. Apenas explicitou a melhor interpretação do texto da Lei, cujo caput art. 2° deve ser lido em conjunto com o caput do art. 1' que lhe antecede. 0 mencionado art. 2°, ao estabelecer que a base de cálculo do incentivo será determinada sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, está a determinar que somente os insumos sobre os quais há incidência de PIS e Cofins podem ser incluídos no cálculo do crédito presumido. A expressão "incidentes", empregada pelo legislador no texto do art. 10 da Lei IV 9.363/96, refere-se evidentemente A incidência jurídica. Diz-se que a norma jurídica tributária enquanto hipótese incide (dai a expressão hipótese de incidência), recai sobre o fato gerador econômico em concreto, juridicizando-o (tornando-o fato jurídico tributário) e determinando a conduta prescrita como conseqüência jurídica, consistente no pagamento do tributo. Esta a fenomenologia da incidência tributária, que não difere da incidência nos outros ramos do Direito. Pontes de Miranda, acerca da incidência jurídica, já lecionava que "Todo o eleito tem de ser efeito após a incidência e o conceito de incidência exige lei e fato. Toda eficácia juridica é eficácia do fato jurídico ; portanto da lei e do fato e não da lei ou fato."1 Também tratando do mesmo tema e reportando-se à expressão fato gerador - empregada no CTN ora para se referir A hipótese de incidência apenas prevista, ora ao fato jurídico tributário já realizado -, Alfredo Augusto Becker leciona: "Incidência do tributo: quando o Direito Tributário usa esta expressão, ela significa incidência da regra jurídica sobre sua hipótese de incidência realizada (falo gerador'), juridicizando- a, e a conseqüente irradiação, pela hipótese de incidência juridicizada, da eficácia jurídica: a relação jurídica tributária e seu conteúdo jurídico: direito (do Estado) à prestação (cujo ()Net° é o tributo) e o correlativo dever (do sujeito passivo: o contribuinte) de prestá-la; pretensão e correlativa obrigação; coação e correlativa sujeição. "2 A incidência jurídica não deve ser confundida corn qualquer outra, especialmente a econômica ou a financeira. Em sua obra, Becker faz distinção entre incidência econômica e incidência jurídica do tributo. De acordo com o autor, a terminologia e os conceitos econômicos são válidos exclusivamente no plano econômico da Ciência das Finanças Públicas e da Política Fiscal. Por outro lado, a terminologia juridica e os conceitos jurídicos são válidos exclusivamente no plano jurídico do Direito Positivo. 0 tributo é o objeto da prestação jurídico-tributária e a pessoa que satisfaz a prestação sofre, no plano econômico, um ônus que poderá ser reflexo, no todo ou em parte, de timid Roberto Wagner Lima Nogueira, in Fundamentos do dever de tributar, Belo Horizonte, Del Rey, 2003, p. 2 Alfredo Augusto Becker, in Teoria Geral do Direito Tributário, Sao Paulo, Lejus, 1998, p. 83/84. • • 4 Processo n° 11030.002310/99-13 ('SR t'-T3 Acórdão n." 9303-00.902 1'1. 277 incidências econômicas econômicas anteriores, segundo as condições de fato que regem o fenômeno da repercussão econômica do tributo. Na trajetória dessa repercussão, haverá uma pessoa que ficará impossibilitada de repercutir o ônus sobre outra ou haverá muitas pessoas que estarão impossibilitadas de repercutir a totalidade do ônus, suportando, definitivamente, cada uma delas, uma parcela do ônus econômico tributário. Esta parcela , suportada definitivamente. 6. a incidência econômica do tributo, que não deve ser confundida com a incidência jurídica, assim como a pessoa que a suporta. o chamado "contribuinte de fato", não deve ser confundido com o contribuinte de direito. Somente a incidência jurídica do tributo implica no nascimento da obrigação tributária, que surge no momento imediato à realização da hipótese de incidência e estabelece a relação juridico-tributdria que vincula o sujeito passivo ao sujeito ativo. Deste modo somente cabe cogitar de incidência jurídica do tributo no caso em que o sujeito passivo, pessoa que a norma juridica localiza no pólo negativo da relação jurídica tributária, é o contribuinte de jure. Nas demais situações, mesmo que haja incidência ou repercussão econômica do tributo, com a presença de contribuinte de fato, descabe afirmar que houve incidência juridica. No caso do crédito presumido não se deve confundir eventual incidência econômica do PIS e da Corms sobre os insumos adquiridos, com incidência juridica. esta a única que importa para saber se o ressarcimento deve acontecer ou não. Observa-se que no incentivo em tela o crédito é presumido porque o seu valor 6. estimado a partir do percentual de 5,37%, aplicado sobre a base de cálculo definida. A presunção não diz respeito à incidência jurídica das duas contribuições sobre as aquisições dos insumos. mas ao valor do beneficio. valor é que é presumido, e não a incidência de PIS e Corms, que precisa ser certa para s6 assim ensejar o direito ao beneficio. Destarte, quando inexistir a incidência jurídica do PIS e da Cofins sobre as aquisições de insumos, como nas situações em que os fornecedores são pessoas físicas ou pessoas jurídicas não contribuintes das contribuições, o crédito presumido não é devido. A referendar a interpretação aqui adotada e os termos do art. 2'. § 2". da IN SRF n° 23/97 - segundo o qual o crédito presumido será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas à contribuição PIS/Pasep e Colins - cabe transcrever excertos do Parecer PGFN/CAT n° 3.092/2002, que informa: 18. Ora, se o produtor/exportador pudesse incluir na base de cálculo do crédito presumido o valor de todo e qualquer haunt°, 111eS1110 lido sendo o fornecedor contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS, ao argumento de que teria, de qualquer modo, havido incidência dos tributos em algum momento da cadeia produtiva, o art. 1° da Lei 11 0 9.363, de 1996, restaria sem sentido. 19. Ou seja, qualquer insumo, e 100 (pet/as aquele sujeito 'incidência' do PIS/PASEP e da COF1NS, poderia ser incluído na base de aikido do crédito presumido, pois sempre se poderia alegar a illCidC?IlCia dos tributos em algum 11701110110 da cadeia produtiva. 20. Para que seja possível atribuir um sentido lógico eApressiio utilizada pelo legislador ('ressarcimento cicis contribuições 5 incidentes sobre as respectivas aquisições), pode-se apenas concluir que a lei se referiu, exclusivamente, aos ins umos adquiridos de fornecedores que pagaram o PIS/PASEP e a COFIAIS, ou seja, oneraram os insumos com o repasse desses tributos. 21. Quando o PIS/PASEP e a COFINS oneram deforma indireta o produto final, isto significa que os tributos não 'incidiram' sobre o insinuo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido (o fornecedor não é contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS), mas nos produtos anteriores, que compõem este insumo. Ocorre que o legislador prevê, textualmente, que serão ressarcidas as contribuições "incidentes" sobre o insumo adquirido pelo produtor/exportador, e não sobre as aquisições de terceiros, que ocorreram ein fuses anteriores da cadeia produtiva. (..) 23. Assim, a condição legalmente disposta pant que o produtor/exportador possa adicionar o valor do insumo er base de cálculo do crédito presumido, é a exigência de tributos ao fornecedor do insumo. Sem que tal condição seja cumprida, inadmissível, ao contribuinte, beneficio do crédito presumido. Provo inequívoca de que o legislador condicionou a fruição do crédito presumido ao pagamento do PIS/PASEP e da COFIAIS pelo fornecedor do insumo é depreendida da leitura do artigo 5" da Lei n°9.363, de 1996, in verbis: 'Art. 5° A eventual restituição, ao fornecedor, das importâncias recolhidas em pagamento das contribuições referidas no art. 1°, bem assim a compensação mediante crédito, implica imediato estorno, pelo produtor exporiador, do valor correspondente'. 25. Ou seja, o tributo pago pelo fornecedor do insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido, que for restituído ou compensado mediante crédito, será abatido do crédito presumido respectivo. 26. C01110 o crédito presumido é uni ressarcimento do PIS/PASEP e da COF1NS, pagos pelo fornecedor do insumo, o legislador determina, cio produtor/exportador, que estorne, do crédito presumido, o valor já restituído. 27. O art. 1° da Lei n°9.363, de 1996, determina que apenas os tributas 'incidentes' sobre o inSt11110 adquirido pelo beneficiário do crédito presumido (e não pelo seu firnecedor) podem ser ressarchlos. Conforme o art. 5°, caso estes tributos já tenham sido restituidas ao fornecedor dos insumos (o que significa, na prática, que ele não os pagou), tais valores serão abcnidos do crédito presumido. 28. Eva interpretação lógica é confirmada por toclos os denials dispositivos da Lei n° 9.363, de 1996. De fato, em outras passagens da Lei, percebe-se que o legislador previu forms de controle achninistrativo do crédito presuinido, estipulando ao seu beneficiário ulna série de obrigações acessórias, que ele não conseguiria cumprir caso o fornecedor do insumo 100 fosse pessoa jurídica contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS. Como No, 6 Processo n 11030.002310/99-13 CS 11 F-'13 Acórdão n. 0 9303-00.902 H. 278 C./ exempla reprodic-se o art. 3" da multicilacia Lei n" 9.363, de 1996: 'Art. 3" Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e cio valor das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem sera efetuada nos termos das normas. que regem a incidência das contribuições referidas 110 art. 1 0, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal c/c venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador ' 29. Ora, como dar efetividade ao disposto acima, qucindo o produtor/exportador adquire insumo de pessoa fisica, que não é obrigada a emitir nota .fiscal e nem paga o PIS/PASEP e a COF1NS? Por outro lado, como aferir o valor dos illS111110S adquiridos de pessoas fisicas, que ncio estão obrigados ci manter escrituração contábil? 30, Tod(' a Lei n" 9.363, (le 1996, está direcionacki, iinicu e exclusivamente, à hipótese cie concessão do créclito presumido quando o fbrnecedor do insumo é pessoa jurídica contribuinte cio P1S/PASEP e da COFINS. A lógica das suas prescrições sempre nesse sentido. Não há qualquer disposição que regule ou preveja, sequer tacitamente, o ressarchnento nas hipóteses em que o fornecedor do insumo não pagou o PIS/PASEP ou a COF1NS. 31. E111 S111110, a Lei n° 9.363, cie 1996, criou 11111 sistema de concessão e controle cio crédito presumido (le IPI, cuja premissa que o fornecedor do insumo adquirido pelo beneficiário cio incentivo seja contribuinte cio PIS/PASEP e cia COF1NS (..) 37. Da mesma . forma, não procede o entendimento de que a cdiquota tie 5,37% sobre o valor dos ins 111170S adoll'idoS significaria que o legislador teria previsto a oneração médici dos insumos, considerando toda a cadeia produtiva, e que, ao prever essa oneração média, o legislador teria incluído, no cálculo do crédito presumido, os insumos adquiridos ao.s fbrnecedores que não pagaram o PIS/PASEP e a COFINS. 38. A aliquota c/c 5,37% fbi determinada tomando por média chi cadeia de proclução nacional chias fases de co ii anteriores ao fornecimento ao procluior/exporiador, sem margem de agregaçao, excel() a das próprias contribuições. que à época somavam 2,65% em cada fase. Assim, C'017Sideralldo 111110 hipotética venda, da prinicira para a seguncia fase no valor (le 100 unickuk.s. monetárias (am.) leriumos a seguinte incidência ac umulacia: 1) 100 uni. x 1,0265 > 102,65 min.: 2) 102,65 Ill. X 1, 0265 > 105,37 it.m.; 7 3) valor total das contribuições nas duas laves - (105,37 u. in. - 100 u.m.) > 5,37 u.m., o que, em percentual, dá os exatos 5,37% estabelecido na lei. 39. Lógico está que 1(11 cálculo somente considerou operações mire contribuintes das ditas contribuições, não sendo possível se vislumbrar, demro desse raciocínio lógico-matemático, a consideração de participação de não-contribuintes na cadeia de produção/comercialização. Outro argumento apresentado é no sentido de que, no sistema anterior, o incentivo seria condicionado a prova de que o fornecedor pagou o tributo, o que não ocorreria coin a Lei n" 9.363, de 1996. Assim, como essa disposição não consta da referida Lei, estaria demonstrado que o novo sistema 17C70 condicionou a concessão do crédito presumido ao pagamento do P1S/PA.S'EP e da COF1NS pelo fornecedor de insumo. 41. Ocorre que a alteração legislativa izathi prova em favor dessa tese. Não é cabível dizer que, em vista da revogação de ulna obrigação acessória (prova do pagamento de tributos pelo fornecedor), o incentivo não estaria condicionado ao pagamento do P1S/PASEP e da COFINS pelo fornecedor de ¡MUMS. 42. Da revogação do antigo sistema é possível inferir apenas que o beneficiário do crédito presumido não precisará mais provar que o fornecedor do ins1U710 pagou as referidas contribuições. Mas isso não quer dizer que o crédito presumido surge niesmo quando O jhrnecedor 100 pagou tais tributos. Uma coisa em nada tem a ver C0111 a outra. 43. Inclusive, tal argumento cai diante do sistema de concessão e controle do crédito presumido fixado pela Lei 110 9.363, de 1996, finidamentado inteiramente na proposição de que o fornecedor do insumo seja contribuinte do PIS/PASEP e da COHNS. 44. E a forma encontrada pelo legislador para conceder um crédito presumido' que reflita a média das 'incidencias' do PIS/PASEP e da COFINS sobre os ins 111710S que compõem o produto exportado, sem que o incentivo acarrete o enriquecimento sem causa do beneficiário foi, claramente, condicionar o aproveitamento do crédito ao pagamento das contribuições pelo fornecedor. 46.Em face do exposto, impõe-se a seguinte conclusão: o crédito presumido, de que trata a Lei it' 9.363, de 1996, somente será concedido ao produtor/exportador que adquirir insumos de fornecedores que efetivamente pagarem as contribuições instiluidas pelas Leis Complementares n° 7 e n° 8, de 1970, e 17 ° 70, de 1991." Como conclusão, entendo que as aquisições de insumos a pessoas físicas não dão direito ao crédito presumido do IPI instituído pela Lei n° 9.363/96. Também assim as aquisições a cooperativas, quando realizadas até 30/10/99. que a partir de 01/11/99 cessou a ism-10o ampla da Cofias e do PIS Faturamento sobre os atos cooperativos. Nos termos do art. 15 da MP n° 2.158-35, de 24/08/2001, e do Ato 8 politico do setor, no sentido de que não se deve exportar tributos. Em seu elemento motriz, a proposta em comento dispunha que sobredita desoneração deveria ser fella mediante ressarcimento em dinheiro desses encargos a favor do exportador nacional. 2. Sendo as contribuições da COFINS e PIS/PASEP incidentes em cascata, sobre todas as etapas do processo produtivo, parece mais ra:ocivel que a desoneração corresponda não apenas Wilma etapa do processo produtivo, mas sim tis duos etapas antecedentes, o que revela que a aliquota a ser aplicada deve ser elevada para 5,37%, atenuando ainda mais a carga tributária incidente sobre os produtos exportados, e se revelando compatível corn a necessidade de ajuste fiscal". (Grifou -se). Ora, a redação não permite devaneios. - Negar o crédito sob a argumentação de que não incidiu PIS e COFINS na última etapa de produção, ou representa desconhecimento da lei, ou urna tentativa falaciosa de negar o crédito a que o contribuinte tem direito. Note que a própria Exposição de Motivos diz que foram consideradas as últimas DUAS etapas do processo produtivo. E exatamente por isso que fixou-se uma aliquota de 5,37%, pois representa a carga tributária das mencionadas contribuições nas duas últimas etapas do processo produtivo (1,0265) 2 - 1= 0,0537 ou 5,37%. Por fim, cabe frisar que, mais urna vez, a lei é cristalina quanto à base de cálculo do incentivo, senão vejamos: Art. 2A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (Grifo nosso). Ora, é evidente que o termo "valor total" não comporta nenhuma exclusão. Caso contrário, não seria valor total! Não é preciso maiores delongas para chegar-se A. conclusão, portanto, de que as exclusões previstas nas IN's SRF n.'s 23 e 103, ambas de 1997, são absolutamente ilegais, pois Somente a lei„slriciu sensu, poderia prever tais exclusões, jamais urna norma complementar, consoante art. 100, I, do CTN. Frise-se, ainda, que esta Egrégia Segunda Turma já solucionou a matéria de forma acertada e definitiva, consoante demonstra a ementa do Aresto abaixo transcrita: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI REFERENTE AO PIS E A COF1NS. A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, referidos no art. 1° da Lei n° 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2° du Lei n° 9.363/96), sendo irrelevante ter havido ou não incidência das contribuições na etapa anterior, pelo que as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e 1 0 • • Processo n° 11030.002310/99-13 Acórdão it' 9303-00.902 CSRF-T3 20) f7/ material embalagem de pessous lisicas e cooperativas estão amparadas pelo beneficio. (Ac. CSRF/02-01.336, Designado paw redigir o voto vencedor o Conselheiro Rogério Gustavo Dreyer). CONSIDERANDO os articulados precedentes c tudo o mais que dos autos consta. voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial interposto pela contribuinte cm tela, para reconhecer o direito às aquisições de pessoas físicas e cooperativas. • •
score : 1.0
Numero do processo: 11065.101272/2006-91
Data da sessão: Mon Aug 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CRÉDITO. RESSARCIMENTO.
A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes, denota que o legislador não quis restringir o creditamento de Cofins às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada.
Recurso negado
Numero da decisão: 9303-001.037
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Matéria: COFINS_NT--
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO. RESSARCIMENTO. A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes, denota que o legislador não quis restringir o creditamento de Cofins às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Recurso negado
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RESSARCIMENTO.. A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes, denota que o legislador não quis restringir o creditamento de Cotins às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relatar EDITADO EM: 10/11/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, 2 Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Os fatos foram assim narrados no acórdão recorrido: A empresa INDÚSTRIA DE PELES MINUANO LTDA., já qualificada nos autos, ingressou com pedido de ressarcimento de créditos de Cofins não-cumulativa, previsto no § i tio ar! 6'da Lei n 10 833/2003, relativo ao 29 trimestre de 2006 A DRF em Novo Hamburgo - RS indeferiu, em parte, o pedido da interessada, alegando que.- 1 - não foi incluída na base de cálculo da Cofins as receitas com créditos de ICMS transferidos para terceiros; e 2 - no cálculo do beneficio pleiteado a recorrente utilizou indevidamente créditos decorrentes de: a) dispêndios com combustíveis e lubrificantes utilizados pela finta de veículos. ; e b) dispêndios com a remoção de resíduos industriais. Inconformada com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade, cujo resilln0 das alegações. consta do elatório da decisão recorrida, que leio em sessão. A 22 Turma de Julgamento da DRI em Porto Alegre - RS indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão n2 10-13 218, de 06/09/2007, ratificando o entendimento da DRF em Novo Hamburgo - RS e, também, indeferindo o pedido de atualização monetária do ressarcimento pela Selic Ciente desta decisão em 03/10/2007, a interessada ingressou, no dia 11/10/2007, com o recurso voluntário de fls. 261/284, no qual alega, em aper toda síntese, que: 1 - o montante do 1CMS registrado no ativo da recorrente, realizado na forma prevista na legislação deste imposto - pagamento a .fbirrecedor es -, não se constitui em receita, razão pela qual não pode ser mantida a decisão recorrida. Cita jurisprudência administrativa,. 2 - os combustíveis e lubrificantes consumidos pela .frota de veículos (doze caminhões e duas Kombis) têm vínculo direto com a atividade da empresa Servem para o transporte de produtos e i115111110S entre estabelecimentos da recorrente,. 3 - os residiras são retirados (restos de couro, gordura, lodo, etc ) dos tanques onde o couro é tratado e transportados por caminhões, duas ou três vezes por dia. Para realizar este serviço contratou apaga uma pessoa jurídica, e Processa n" 11065.101272/2006-91 CSRF-T3 Acórdão n°930301037 FT 443 4 - sobre o crédito pleiteado deve ser aplicada a taxa Selic desde a data de protocolização do pedido de ressarcimento Cita »aispruclência da CSRF. Julgando o feito, a Câmara recorrida deu provimento parcial ao recurso, em acórdão assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/2006 a 30/06/2006 COFINS BASE DE CÁLCULO RECEITA_ REALIZAÇÃO DE CRÉDITO DO ICMS A realização dos créditos do ICMS, por qualquer uma das formas permitidas na legislação do imposto, não se constitui receita e, portanto, o seu valor não integra a base de cálculo da Cotins. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. São passíveis de ressarcimento os créditos de Cotins apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação. Recurso voluntário provido em parte, Inconformada, a PGFN apresentou recurso especial requerendo a reforma do acórdão em foco, postulando a inclusão das receitas de cessão de créditos do 1CMS na base de cálculo de Cofins, bem como pela impossibilidade de se apropriar, como crédito de Cofins, dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. A presidenta da Câmara recorrida, deu seguimento ao recurso, no tocante a essa segunda matéria (impossibilidade de se apropriar, como crédito de Cofins, dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais) e negou em relação à base de cálculo da contribuição (inclusão das receitas de cessão de créditos do 1CMS na base de cálculo da Cotins), No tocante à parte do recurso que não logrou admissibilidade, a Douta Procuradoria agravou, mas o reexame não lhe foi favorável, conforme despacho de fl. 408 Contrarrazões do sujeito passivo às 11s, 412 a 4.31. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele 3 4 'Redação dada pela ela Lei 10865/2004: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de Cofins dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II' do art.. 3' da Lei 10.833/2003. A Secretaria da Receita Federal do Brasil deu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do PIS e da Cotins não cumulativas o mesmo que foi dado para o IPI, mas precisamente, o conceito trazido no Parecer . Normativo CST" n o 65/79. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringe-se ao de matéria-prima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições.. Neste ponto, socorro-me dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974 000199/2003-61, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Desta, te, aplicada a legislação do IPI ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a resn Uiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de -insulinas" aqui referido A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10 637 Em seguindo lugar, ao usar a expressão "insumos", claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu "serviços", de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3° da Lei 10.833/2003 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de creditas de Cotins aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisas seguintes, permitiu-se o creditamento de energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento de Cotins às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de instituas na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: Processo 11 0 11065 101272/2006-91 Acórdão n 0 9303-01.037 CSRF-T3 Fl 444 • i\11- /17 I. 30 Do valor apurado na forma do ar!. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação cu oinissis II - bens e serviços, utilizados como inS111110 na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 20 da Lei n° 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabi icante ou importador, ao concessionário, pela intermediaçc.-io ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI, LRedação dada nela Lei n° ia 865, de 2004) III - energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa,. V - valor das contraprestações de operações de ariendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES; [Redação dada nela Lei n° 10.865, de 2004) VI - máquinas, equipamentos e maios bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; VII - edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII - bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado )(aturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; 1K- armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for .suportado pelo veridedoi As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontram-se reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e de, com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem com as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços geram direito a créditos de Cotins, nos termos do art. 3" transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres
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Numero do processo: 19515.002741/2005-76
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2000
ERRO INJUSTIFICÁVEL ALEGAÇÃO DE ESCUSA INACEITÁVEL EM FACE A COMPENSAÇÕES INDEVIDAS.
Não se pode compadescer com alegado erro injustificável perante
compensações realizadas, em tempo e forma indevidas, e não comprovado o direito líquido e certo para tanto, além do que lesivo aos interesses fazendários em exame.
Numero da decisão: 1202-000.924
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: Orlando José Gonçalves Bueno
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Não se pode compadescer com alegado erro injustificável perante compensações realizadas, em tempo e forma indevidas, e não comprovado o direito líquido e certo para tanto, além do que lesivo aos interesses fazendários em exame. Vistos, relatador e discutidos os autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 27 41 /2 00 5- 76 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 22/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 18 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 19515.002741/200576 Acórdão n.º 1202000.924 S1C2T2 Fl. 8 2 Relatório Transcrevese, a seguir, o relatório produzido pela autoridade julgadora de primeira instância, por bem descrever os fatos: O interessado foi autuado no IRPJ, em 30/09/2005, conforme o Decreto n.° 70.235/72 e suas alterações, tendo sido exigido o crédito tributário total de R$ 1.024.394,29, incluindo imposto, multa de 75% e juros de mora calculados até 31/08/2005, em decorrência de procedimento fiscal realizado a partir de revisão eletrônica da DIPJ, na qual foi constatada dedução a titulo de isenção e/ou redução de imposto própria de empresa instalada na área da SUDENE, considerada no cálculo do imposto de renda apurado, sem que os requisitos legais para gozo do beneficio fiscal fossem observados (fls. 1 a 72). O Termo de Constatação (TC) dá conta de que o contribuinte declarou na Linha 10 da Ficha 12A o valor de R$ 400.827,29 a titulo de Isenção e Redução do Imposto. Intimado, informou que tal valor é composto por (fls. 63 a 65): 1 IRPJ recolhido por estimativa nos meses de abril, maio e junho de 1998, no valor total de R$ 14.000,00; 2 CSLL recolhida por estimativa nos meses de abril, maio e junho de 1998, no valor total de R$ 2.400,00; 3 IRRF sobre notas fiscais de serviços emitidas em 1998, no valor total de R$ 3.750,00; 4 Correção pela taxa SELIC dos valores elencados nos itens 1 a 3, no valor total de R$ 6.320,78; 5 IRRF sobre nota fiscal de serviços emitida em 1999, no valor to tal de R$ 7.468,00; • 6 Correção pela taxa SELIC do valor elencado no item 5, no valor de R$ 993,99; 7 COFINS recolhido sobre exportação de serviços realizados nos anos de 1999 e 2000, no valor total de R$ 282.210,00; 8 Correção pela taxa SELIC do valor elencado no item 7, no valor total de R$ 18.622,12; 9 PIS recolhido sobre exportação de serviços realizados nos anos de 1999 e 2000, no valor total de R$ 61.145,00; 10Correção pela taxa SELIC do valor elencado no item 9, no valor total de R$ 4.034,75. O TC dá conta, também, de que não foi apresentado qualquer documento que comprovasse que o contribuinte podia utilizar o beneficio fiscal de isenção ou redução do imposto. Todavia, foram apresentadas cópias dos seguintes documentos: Fl. 212DF CARF MF Impresso em 22/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 18 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 19515.002741/200576 Acórdão n.º 1202000.924 S1C2T2 Fl. 9 3 1 Pedido de Compensação da C0FlNS acima citada com o IRPJ do ano calendário 2000, processo administrativo n.° 13808.000299/200148; 2 Pedido de Restituição do PIS acima citado, processo administrativo n.° 13804.000426/2001 49; 3 Notas Fiscais de serviços emitidas nos anos de 1998, 1999 e 2000. O TC prossegue apontando que: "A Linha 10 da Ficha 12A só pode ser utilizada pelas empresas legalmente amparadas por isenção ou redução do imposto, a título de incentivo fiscal. O valor a ser indicado corresponde ao valor informado na Linha 31 da Ficha 10 – Cálculo da Isenção de Redução do Imposto sobre o Lucro Real PJ em Geral. Ocorre que a Ficha 10 da DIPJ 2001/2000 não foi preenchida pelo contribuinte. A legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica prevê a isenção ou redução do imposto para empresas industriais ou agrícolas instaladas nas áreas de atuação da SUDENE ou da SUDAM, conforme artigos 546 a 561 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n.° 3.000 de 26 de março de 1.999 (RIR199), situação em que não se enquadra o contribuinte acima. Portanto, considerando que o contribuinte reduziu indevidamente o Imposto de Renda sobre o Lucro Real, lançando na DIPJ exercício 2001, anocalendário 2000 valores que não se referem a benefício fiscal previsto na legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, procederemos à lavratura de Auto de Infração." O auto de infração consta às fls. 66 a 72 e o enquadramento legal foi nos arts. 546 a 561 do RIR199 e no art. 1° da MP n.° 2.058/2000 e reedições. A empresa apresentou impugnação, em 01/11/2005 (fls. 74 a 87), por meio de seus advogados (fls. 87 e 90 a 101), acostando cópias de documentos inclusive de pedidos de compensação e de restituição, com cópias das respectivas Notas Fiscais e alegando que: 1 nulidade da autuação, pois a fiscalização não considerou que o valor de R$ 400.827,99 registrado como Incentivo de Isenção/Redução na DIPJ referese a ajustes e a compensações regularmente realizadas com base em vários permissivos legais, pois possui créditos tributários provenientes de (I) ajustes de estimativas do IRPJ, CSLL e IRRF antecipados nos anos de 1998 e 1999 e (II) compensações da COFINS e do PIS recolhidos a maior em período anterior (1999), visto que as compensações estão previstas no art. 170 do CTN, art. 66 da Lei n° 8.383/91, nas redações do art. 74 da Lei n° 9.430/96, assim como no art. 12 e § 1° da IN SRF n.° 21/97, na IN SRF n.° 210/2002, e na IN SRF n.° 460/2004; 2 nulidade da autuação, já que o erro material cometido aliás, expressamente reconhecido pelo AFRFB, no seu TC não pode fundamentar a exigência, pois sendo mero equívoco no preenchimento da DIPJ, não ocorreu o fato gerador (art. 142 do CTN), sendo que não foram demonstrados os fatos jurídicos tributários que justificariam a autuação, bem como não foram apresentadas quaisquer elementos de prova; ou seja: o AFRFB, mesmo reconhecendo de forma expressa o evidente erro material no cumprimento de obrigação acessória, não procedeu à retificação da referida DIPJ, em dissonância com o art. 147, par. 2° do CTN; traz jurisprudência administrativa sobre "erro de fato"; Fl. 213DF CARF MF Impresso em 22/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 18 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 19515.002741/200576 Acórdão n.º 1202000.924 S1C2T2 Fl. 10 4 3 ilegitimidade da taxa SELIC para correção monetária de créditos tributários. A decisão da DRJ julgou o lançamento procedente, considerando os seguintes fundamentos: não há nulidade, posto que não caracterizada nenhuma das hipóteses constantes do art. 59 do Decreto nº 70.235/72; no mérito: há rito próprio para compensação, que não passa pela dedução em DIPJ; deduzir IRRF é legalmente previsto, mas não pedidos de compensação e restituição; por ocasião da entrega da DIPJ os processos já haviam sido constituídos e não autorizam deduzilos na DIPJ; quanto ao alegado erro material, equívoco no preenchimento da DIPJ, veja se que fato incontestável, posto que o resultado do imposto a pagar foi reduzido indevidamente e, quanto ao fato gerador, ele ocorreu e não cabia, por absoluta falta de competência, a retificação da DIPJ pela autoridade fiscal; quanto aos argumentos de inconstitucionalidade e ilegalidade da taxa SELIC, não cabe competência à instância administrativa manifestarse sobre tal. Tempestivamente o sujeito passivo interpôs seu recurso voluntário alegando, em síntese, o seguinte: reitera o argumento de nulidade, com base no art. 142 do Código Tributário Nacional, por erro na composição da base de cálculo do lançamento de ofício, posto que realizou compensações de estimativas a maior do IRPJ e CSSL, além do PIS e da COFINS do ano calendário de 1999, conforme documentação acostada à defesa inicial, com base no art. 74 da Lei nº 9.430/96 e IN 21/97, eis que decorrentes de decisões administrativas favoráveis, como também apontadas na decisão recorrida; reitera o equívoco no preenchimento de sua DIPJ e argumenta a impossibilidade de constituição do crédito tributário a partir do referido erro material, ou de fato. Eis o relatório. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno Por presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, dele tomo conhecimento. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 22/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 18 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 19515.002741/200576 Acórdão n.º 1202000.924 S1C2T2 Fl. 11 5 É relevante delimitar a infração, objeto do lançamento de ofício, a fim de definir, com efeito, os limites fáticos e de direito da presente lide. Como consta no Termo de Constatação nestes autos, a autoridade fiscal apurou que houve um lançamento na linha 10, ficha 12 A da DIPJ/2001, a título de isenção e redução do imposto, por considerar a operação do sujeito passivo em zona territorial incentivada, o Nordeste (antiga SUDENE) ou Norte (Sudam) e intimou a empresa a esclarecer tal composição de valor ali lançado. A contribuinte trouxe elementos, conforme já relatado, que demonstraram a composição do valor lançado nos campos de sua DIPJ, porém, como constou também na acusação do lançamento de ofício, não apresentou qualquer comprovação ou demonstração de sua condição beneficiária dos incentivos fiscais acima referidos, ocasionado, por esse motivo, o fundamento fático para o lançamento da exigência examinada, nos seguintes termos: Portanto, considerando que o contribuinte reduziu indevidamente o Imposto de Renda sobre o Lucro Real, lançando na DIPJ exercício 2001, anocalendário 2000 valores que não se referem a benefício fiscal previsto na legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, procederemos à lavratura de Auto de Infração Com essa premissa fática necessária, a autoridade julgadora de primeira instância, não obstante ter apreciado a argüição de erro de fato alegado pela defesa inicial da contribuinte, considerou o lançamento procedente, posto que a contribuinte asseverou que, além foi erro de lançamento na sua DIPJ/2001, o valor glosado foi decorrente de compensações efetuadas oriundas de outros processos administrativos fiscais, com objeto específico de pedidos de compensações, assim como de operações de compensações de IRRFonte e estimativas mensais, conforme resposta a fls.05 e 06, informando ter procedido a retificadora. Pois bem, o centro da controvérsia é o fato de redução indevida do IRPJ de 2000 em confronto com o alegado erro de fato, ou material no preenchimento da DIPJ correspondente, e compensações de supostos direitos creditórios, em processos próprios, e procedimentos diretos de compensações de IRRFonte e estimativas mensais na DIPJ. Diante dessa premissa, logicamente, a autoridade julgadora de primeira instância, decidiu considerar não elidida, por prova em contrário, a infração caracterizada pelo autoridade lançadora. A autuação teve como procedimento inicial de revisão por divergência entre a DIPJ, nos termos constatados pela autoridade fiscal, a fls. 63, a saber: Tendo em vista que a revisão eletrônica da Declaração de Informações Econômico Fiscais relativa ao ano calendário 2000 (DIPJ 2001 n o 0010779), da empresa acima identificada, apresentou divergência entre os valores declarados e os valores calculados com base na legislação em vigor, intimamos, através do Termo de Intimação Fiscal datado de 08/09/2005, cuja ciência se deu em 17/09/2005 por AR, o contribuinte a esclarecer os motivos que o levaram . a declarar na Linha 10 Ficha 12A da referida DIPJ o valor de R$ 400.827,29 a título de Isenção e Redução do Imposto Fl. 215DF CARF MF Impresso em 22/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 18 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 19515.002741/200576 Acórdão n.º 1202000.924 S1C2T2 Fl. 12 6 Perante a qual, manifestouse a Recorrente a fls. 05 e 06, descrevendo detalhadamente as operações e procedimentos adotados que compuseram a base de cálculo, depois retificada, por divergência, em DCTF relativa ao 1º Trimestre de 2001, sem contudo se verificar nos autos tal documento, seja por instrução de ofício da autoridade origem, seja da parte do sujeito passivo. Ademais, consta na alegação de defesa que há dois processos administrativos, ambos protocolados, respectivamente, o de nº 13808.000299/200148, em 19 de janeiro de 2001 e o outro de número 13804.000426/200149, em 14 de fevereiro de 2001, sendo que o primeiro teve deferimento parcial e baixou para diligência e o segundo, foi remetido ao arquivo geral, como consta na instrução deste processo. O aventado erro material, ou de fato, foi suscitado já com a defesa inicial da Recorrente, a autoridade julgadora de primeira instância apreciou as razões impugnatórias se detendo na consideração de lançamento de benefício fiscal sem comprovação do contribuinte para tal aproveitamento em DIPJ, sem, no entanto, se aprofundar na análise de todos os elementos trazidos pela impugnante, ora Recorrente, que, por suposto, estariam a justificar o alegado erro material e a retificação em 2001. Em que se pondere razoavelmente os argumentos recursais da Recorrente, também reproduzidos perante a autoridade julgadora, não se trata de lançamento de ofício sobre alegado erro de fato ou material, mas de redução do imposto devido do exercício por motivo indevido e inverídico, qual seja, a Recorrente não goza, nem comprovou qualquer condição beneficiária de isenção ou redução do imposto em comento por incentivo fiscal da SUDENE ou SUDAM, isto é inquestionável. Se a Recorrente não tivesse sido submetida a revisão de sua declaração, certamente tal alegado erro de fato não surgiria, remanescendo o tratamento de redução indevida de seu montante tributário do período de 2000. É conhecido o princípio de hermenêutica jurídica de que ninguém pode se aproveitar da própria astúcia, vale dizer, mesmo ciente que não cumpria, efetivamente, a condição de preenchimento da DIPJ para gozo do beneficio fiscal, que reduz a sua base tributável, procedeu a compensação tal erro material gerou prejuízo à Fazenda Nacional, e passaria em campo impróprio, pois erro material e de forma, de maneira a encobrir o alegado equívoco, transferindo a responsabilidade para o Fisco, caso não houvesse o procedimento revisional, no qual se produziu o auto de infração. Não se pode compadescer sobre o malfadado erro material como justificativa para se cancelar um procedimento de lançamento sobre o qual a Recorrente se aproveitou, ainda que, sob seu ponto de vista, teria direito creditório, o qual, como apreciado pela autoridade julgadora de primeira instância, foram realizados por iniciativa própria da Recorrente, sem adoção do procedimento normativo próprio das compensações tributárias. Ressaltese que os processos indicados, como base para demonstrar os direito creditórios, como entendeu o julgamento primeiro, até esta não restaram suficientemente comprovados com sua liquidez e certeza para o procedimento de compensação adotado na DIPJ/2001. A Recorrente, em seus argumentos, confessa o uso incorreto de campo inadequado da DIPJ para um procedimento de compensação que tinha e tem procedimento autônomo e adequado, os respectivos processos de compensação, ou seja, inegavelmente o erro suposto foi lesivo aos interesses fazendários, motivo pelo qual se efetivou o lançamento de ofício examinado. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 22/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 18 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 19515.002741/200576 Acórdão n.º 1202000.924 S1C2T2 Fl. 13 7 Por essa razão, é de se negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 217DF CARF MF Impresso em 22/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 18 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O
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Numero do processo: 18471.000105/2003-39
Data da sessão: Wed Sep 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2000
Ementa:
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa se o sujeito passivo demonstra ter pleno conhecimento acerca da infração que lhe foi imputada, e, com base nisso, exerce, com plenitude, esse mesmo direito. Recurso de Ofício a que se dá provimento para determinar, em respeito ao princípio do duplo grau de jurisdição, que nova decisão seja prolatada em primeira
instância acerca das questões de mérito apresentadas na Impugnação
interposta.
Numero da decisão: 1302-000.356
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso de ofício.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
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Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa se o sujeito passivo demonstra ter pleno conhecimento acerca da infração que lhe foi imputada, e, com base nisso, exerce, com plenitude, esse mesmo direito. Recurso de Ofício a que se dá provimento para determinar, em respeito ao princípio do duplo grau de jurisdição, que nova decisão seja prolatada em primeira instância acerca das questões de mérito apresentadas na impugnação interposta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso de ofício. Marcos Rodrigues de Mello Presidente Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 27/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.000105/2003-39 Acórdão n.º 1302-00.356 S1-C3T2 Fl. 2 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Irineu Bianchi, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 27/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.000105/2003-39 Acórdão n.º 1302-00.356 S1-C3T2 Fl. 3 3 Relatório A 6 a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, consubstanciada no art. 34, inciso I, do Decreto n.º 70.235/72, com a alteração introduzida pela Lei n.º 9.532/97, recorre a este Colegiado de sua decisão, em face da exoneração que prolatou concernente à parcela do crédito tributário constituído contra a empresa em referência. Trata o processo de exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), relativa ao exercício de 2000, formalizada em decorrência da imputação de falta de adição ao lucro líquido, na determinação do lucro real, de reserva decorrente de direito a receber da União (Títulos da Dívida Agrária – TDA). Discordando do lançamento tributário, a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal, fls. 121/133, argumentando, em síntese, o seguinte: - que a autoridade autuante teria alegado que ela teria a propriedade do imóvel desapropriado, tendo adquirido Títulos da Dívida Agrária, os quais teriam valor de face e não seriam passíveis de reavaliação, mas, adiante, teria reconhecido que o valor da desapropriação estaria sendo questionado, o que significaria que ela não teria recebido nenhum titulo, fato que só ocorreria por ocasião da sentença final transitada em julgado; - que tal dúvida deixaria confusa a autuação, uma vez que a reavaliação em questão teria sido incidente sobre a área desapropriada, em sua extensão adquirida, que foi objeto de laudo de avaliação do perito judicial, nos autos expropriatórios; - que a reavaliação decorreria da atualização da avaliação feita por perito e não em razão de valor aleatório, como alegou o autuante; - que não se traduziria a reavaliação em lucro operacional, pois não teria havido realização ou incorporação dela em reserva de capital ou ao próprio capital, como teria entendido a autoridade fiscal (disse que tal tratamento não seria aceito pela legislação em vigor, bem como as multas aplicadas - transcreveu os arts. 277 e 278 do RIR11999); - que, ainda que tivesse havido realização, o que não teria acontecido, esta se sujeitaria ao art. 423 do R1R/1999, que isenta de imposto o ganho obtido nas operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária; - que a reavaliação de um bem do ativo permanente deveria ser lançada na conta investimentos ou imobilizado, dependendo de sua classificação; - que não se trataria de lucro operacional nem não operacional, uma vez que não teria sido realizada (transcreveu os arts. 434 e 435 do RIR/1999); - que a simples glosa do laudo de avaliação se traduziria em confronto fiscal e ensejaria laudo contraditório, o que não se verificou; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 27/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.000105/2003-39 Acórdão n.º 1302-00.356 S1-C3T2 Fl. 4 4 - que o art. 4º da Lei n° 9.959/2000 determina que o momento exato em que a reavaliação será computada na determinação do lucro real é na efetiva realização do bem avaliado, que ocorre quando: a) da alienação sob qualquer forma; b) baixa ou perecimento; c) depreciação, amortização ou exaustão; - que, inexistindo tais contingenciamentos, seria improcedente a autuação. A 6 a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, analisando o feito fiscal e a peça de defesa, prolatou o Acórdão nº 12-13.062, de 18 de janeiro de 2007, conforme ementa abaixo reproduzida. NULIDADE. VÍCIO DE CONTEÚDO. FATO GERADOR INCONSISTENTE. DESATENDIMENTO AO ART. 142 DO CTN. O descompasso entre as causas que dariam ensejo à exigência tributária acarreta a nulidade do lançamento por vicio de conteúdo, em razão do descumprimento das disposições do art. 142 do CTN, que prevê a correta verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Da decisão em referência, extraem-se os seguintes fragmentos: ... Apesar de não constar dos autos a cópia do processo movido pelos expropriados contra a União, questionando o valor da desapropriação, não há controvérsia quanto à existência dessa ação, uma vez que o próprio autuante a reconhece. Portanto, não se pode dizer, como fez o autuante, que a interessada adquiriu TDAs: o que a interessada detinha, no momento da reavaliação, era o direito de receber tais títulos, os quais, no entanto, ainda não tinham definida a quantidade, que é expressada pelo valor final da indenização. De acordo com a certidão de registro de imóveis de fls. 81/82, o imóvel rural em questão era de propriedade de João Bueno de Melo, que adquiriu do Estado do Paraná o domínio pleno das terras em 1958. O referido imóvel foi seqüestrado em 23/02/1960 e desapropriado pelo Incra. Em 02/09/1983, os direitos de crédito dessa desapropriação foram transferidos para Fernando Nelson Moreira, que os cedeu para a interessada em 19/05/1999, conforme escritura pública de fls. 78/79. A interessada, por sua vez, notificou judicialmente (fls. 86/111) o Incra da referida cessão de direitos, o qual recebeu o mandado em 28/09/1999. Por ocasião da presente autuação, lavrada em 23/01/2003 e cientificada no dia seguinte, o próprio autuante reconheceu que ainda não havia TDAs que pudessem ter sido objeto de reavaliação pela interessada, razão pela qual a alegação da autoridade fiscal, correta mas não oportuna, de que tais títulos não podem ser reavaliados porque possuem valor de face, não pode servir de amparo ao lançamento. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 27/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.000105/2003-39 Acórdão n.º 1302-00.356 S1-C3T2 Fl. 5 5 O fato gerador da obrigação tributária, no presente caso, foi a falta de adição da reavaliação ao lucro real, tendo em vista que o autuante considerou indevida a constituição da reserva contábil. Entretanto, não logrou definir corretamente o motivo pelo qual considerou incorreto o procedimento da interessada: se pela reavaliação dos TDAs que ainda não possuia, se pela reavaliação do direito de receber a indenização. Não se trata aqui de julgar se a reavaliação foi pertinente ou correta, tendo em vista, como já explicitado, que o autuante não verificou corretamente a hipótese de incidência da infração que atribuiu à interessada. O fato é que a interessada reavaliou um direito, o que o autuante até reconheceu inicialmente. Só que, em seguida, sustentou a autuação em uma situação que ainda não havia ocorrido, que era a efetiva propriedade dos TDAs pela interessada. Esse descompasso em definir corretamente a origem do fato gerador acarreta a nulidade do lançamento por vício de conteúdo, uma vez que contraria as disposições do art. 142 do CTN e cerceia o pleno direito de defesa da interessada. É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 27/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.000105/2003-39 Acórdão n.º 1302-00.356 S1-C3T2 Fl. 6 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, eis que o montante de imposto e multa exonerado pela autoridade de primeiro grau ultrapassa o limite estabelecido pela Portaria MF nº. 3, de 2008, conheço do apelo. Trata o presente de RECURSO DE OFÍCIO, decorrente de exoneração de crédito tributário promovida pela autoridade julgadora de primeira instância a partir da decretação da nulidade do lançamento. O voto condutor da decisão exarada na instância a quo assinala que a autoridade fiscal não definiu corretamente a origem do fato gerador, vez que, apesar de reconhecer em dado momento a existência do direito que serviu de base para reavaliação, em outro instante sustentou a autuação como se tal direito ainda não existisse. A autoridade fiscal descreveu a infração imputada da seguinte forma (fls. 67): A empresa constituiu uma Reserva de Reavaliação no valor de R$ 4.186.613,13 sobre a aquisição do direito de receber da União Títulos da Divida Agrária (TDAs) emitidos por ocasião da desapropriação do imóvel rural de "propriedade expropriada" de Fernando Nelson Moreira e sua esposa, conforme Cessão de Direitos por eles passada e Notificação Judicial ao INCRA. 0 valor proposto pela União está sendo questionado judicialmente pelos expropriados. A empresa adquiriu títulos financeiros que possuem um valor de face próprio, com data de vencimento para ser resgatado e não podem ser reavaliados como se fossem imóveis, dai a impropriedade da Reavaliação realizada contabilmente por valor aleatório. A referida autoridade enquadrou o fato acima descrito nas disposições do art. 249 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99), que assim dispõe: Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 2º): I - os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; II - os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, devam ser computados na determinação do lucro real. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 27/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.000105/2003-39 Acórdão n.º 1302-00.356 S1-C3T2 Fl. 7 7 Parágrafo único. Incluem-se nas adições de que trata este artigo: I - ressalvadas as disposições especiais deste Decreto, as quantias tiradas dos lucros ou de quaisquer fundos ainda não tributados para aumento do capital, para distribuição de quaisquer interesses ou destinadas a reservas, quaisquer que sejam as designações que tiverem, inclusive lucros suspensos e lucros acumulados (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 43, § 1º, alíneas "f", "g" e "i "); II - os pagamentos efetuados à sociedade civil de que trata o § 3º do art. 146 quando esta for controlada, direta ou indiretamente, por pessoas físicas que sejam diretores, gerentes, controladores da pessoa jurídica que pagar ou creditar os rendimentos, bem como pelo cônjuge ou parente de primeiro grau das referidas pessoas (Decreto-Lei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, art. 4º); III - os encargos de depreciação, apropriados contabilmente, correspondentes ao bem já integralmente depreciado em virtude de gozo de incentivos fiscais previstos neste Decreto; IV - as perdas incorridas em operações iniciadas e encerradas no mesmo dia (day-trade), realizadas em mercado de renda fixa ou variável (Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, § 3º); V - as despesas com alimentação de sócios, acionistas e administradores, ressalvado o disposto na alínea "a" do inciso II do art. 622 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso IV); VI - as contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso V); VII - as doações, exceto as referidas nos arts. 365 e 371, caput (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso VI); VIII - as despesas com brindes (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso VII); IX - o valor da contribuição social sobre o lucro líquido, registrado como custo ou despesa operacional (Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996, art. 1º, caput e parágrafo único); X - as perdas apuradas nas operações realizadas nos mercados de renda variável e de swap, que excederem os ganhos auferidos nas mesmas operações (Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, § 4º); XI – o valor da parcela da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, compensada com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, de acordo com o art. 8º da Lei nº 9.718, de 1998 (Lei n o 9.718, de 1998, art. 8º, § 4º). Fl. 7DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 27/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.000105/2003-39 Acórdão n.º 1302-00.356 S1-C3T2 Fl. 8 8 Às fls. 71/72, constam cópias das folhas do Razão correspondentes ao lançamento contábil promovido pela contribuinte (débito na conta 1310.00.001 – DIREITOS INCIDENTES – ÁREA 123 ha, crédito na conta 2313.02.001 – RESERVA DE REAVALIAÇÃO, no valor de R$ 4.186.613,13). No que diz respeito a reavaliação, foi juntado, às fls. 73/77 dos autos, documento denominado LAUDO DE ATUALIZAÇÃO DOS DIREITOS INCIDENTES SOBRE O IMÓVEL RURAL OBJETO DE ATO EXPROPRIATÓRIO. Às fls. 78/79, consta cópia de ESCRITURA PÚBLICA em que FERNANDO NELSON MOREIRA e GLACY LOPES MOREIRA concedem à autuada a seguinte autorização: ... a dar ou indicar à penhora e em garantia em processo de execução, qualquer que seja o credor exequente, onde a OUTORGADA figure na condição de devedora e executada; dar ou utilizar para pagamento de débitos da OUTORGADA ou de débitos de terceiros, quaisquer, que sejam eles; alienar; ceder; transferir; doar; gravar com quaisquer ônus, em nome e em favor da OUTORGADA ou em nome e favor de terceiro, em qualquer Juízo, Tribunal ou junto à qualquer repartição pública, ou mesmo, perante particular, todos os direitos relativos à única e exclusivamente sobre 123,00 hectares, oriundos da transcrição... Na NOTIFICAÇÃO JUDICIAL impetrada pela contribuinte junto a Vara Federal de Curitiba, Paraná, restou assinalado (fls. 88/91): ... Sendo que, a respectiva Área acima descrita fora desapropriada pelo INCRA - INSTITUTO NACIONAL DE COLONIZAÇÃO E REFORMA AGRÁRIA, conforme transcrição No. 28.462, sendo objeto da Ação de Desapropriação, Processo No. 94.5010054-3, em tramitação na comarca de UMUARAMA/PR, cujo todos os direitos creditórios incidentes e decorrentes do Ato Expropriatório pertencem de direito aos também ora Notificantes da Declaração, conforme consta da Escritura Pública Declaratória lavrada pelos mesmos, no Cartório de do 6º Oficio de Campos dos Goytacazes/RJ... (GRIFEI) O voto condutor da decisão exarada em primeira instância assinalou: ... Apesar de não constar dos autos a cópia do processo movido pelos expropriados contra a União, questionando o valor da desapropriação, não há controvérsia quanto à existência dessa ação, uma vez que o próprio autuante a reconhece. Portanto, não se pode dizer, como fez o autuante, que a interessada Fl. 8DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 27/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.000105/2003-39 Acórdão n.º 1302-00.356 S1-C3T2 Fl. 9 9 adquiriu TDAs: o que a interessada detinha, no momento da reavaliação, era o direito de receber tais títulos, os quais, no entanto, ainda não tinham definida a quantidade, que é expressada pelo valor final da indenização. De acordo com a certidão de registro de imóveis de fls. 81/82, o imóvel rural em questão era de propriedade de João Bueno de Melo, que adquiriu do Estado do Paraná o domínio pleno das terras em 1958. O referido imóvel foi seqüestrado em 23/02/1960 e desapropriado pelo Incra. Em 02/09/1983, os direitos de crédito dessa desapropriação foram transferidos para Fernando Nelson Moreira, que os cedeu para a interessada em 19/05/1999, conforme escritura pública de fls. 78/79. A interessada, por sua vez, notificou judicialmente (fls. 86/111) o Incra da referida cessão de direitos, o qual recebeu o mandado em 28/09/1999. Por ocasião da presente autuação, lavrada em 23/01/2003 e cientificada no dia seguinte, o próprio autuante reconheceu que ainda não havia TDAs que pudessem ter sido objeto de reavaliação pela interessada, razão pela qual a alegação da autoridade fiscal, correta mas não oportuna, de que tais títulos não podem ser reavaliados porque possuem valor de face, não pode servir de amparo ao lançamento. O fato gerador da obrigação tributária, no presente caso, foi a falta de adição da reavaliação ao lucro real, tendo em vista que o autuante considerou indevida a constituição da reserva contábil. Entretanto, não logrou definir corretamente o motivo pelo qual considerou incorreto o procedimento da interessada: se pela reavaliação dos TDAs que ainda não possuía, se pela reavaliação do direito de receber a indenização. Não se trata aqui de julgar se a reavaliação foi pertinente ou correta, tendo em vista, como já explicitado, que o autuante não verificou corretamente a hipótese de incidência da infração que atribuiu à interessada. O fato é que a interessada reavaliou um direito, o que o autuante até reconheceu inicialmente. Só que, em seguida, sustentou a autuação em uma situação que ainda não havia ocorrido, que era a efetiva propriedade dos TDAs pela interessada. Esse descompasso em definir corretamente a origem do fato gerador acarreta a nulidade do lançamento por vício de conteúdo, uma vez que contraria as disposições do art. 142 do CTN e cerceia o pleno direito de defesa da interessada. Com a devida permissão, creio que o entendimento acima reproduzido seja merecedor de reparos. O lançamento tributário ora apreciado trata de tributação de reserva constituída a partir de mais valia de direito que, para a autoridade fiscal, não poderia ser objeto de reavaliação. Para a autoridade autuante, a reavaliação contábil mostrou-se imprópria em razão da natureza do bem que constituiu o seu objeto. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 27/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.000105/2003-39 Acórdão n.º 1302-00.356 S1-C3T2 Fl. 10 10 A descrição feita na peça acusatória indica, claramente, que a reserva de reavaliação foi constituída sobre a aquisição de direito. A informação de que o direito está representado por TÍTULOS DA DÍVIDA AGRÁRIA guarda perfeita consonância com os elementos trazidos ao processo, vez que, considerados estes, os direitos cedidos à autuada tiveram origem em desapropriação promovida pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), o que, de acordo com o art. 184 da Constituição Federal, implica, necessariamente, em direitos relacionados à indenização por meio dos citados títulos. Observe-se que, tratando-se de indenização em títulos da dívida agrária, a exigência constitucional é dirigida no sentido de que exista cláusula de preservação do valor real, o que também corrobora a impropriedade da reavaliação apontada pela autoridade autuante. Irrelevante, a meu ver, o fato de o valor proposto pela União estar sendo objeto de discussão judicial. A informação de que a Reavaliação foi efetuada com base em valor aleatório prende-se ao fato de a mais valia ter sido determinada por meio de mera atualização, inobstante o fato de o documento que a refletiu ter sido denominado LAUDO DE ATUALIZAÇÃO DOS DIREITOS INCIDENTES SOBRE O IMÓVEL RURAL OBJETO DE ATO EXPROPRIATÓRIO. Ainda que não seja adequado afirmar-se que a reavaliação resultante do “laudo” acima mencionado tenha sido efetuada com base em valor aleatório, seja em razão dos aspectos formais (não foi produzido nem por três peritos, nem por empresa especializada), seja em virtude do seu conteúdo (não existe indicação dos critérios de avaliação e dos elementos de comparação adotados), o referido documento se distancia por completo das determinações contidas no art. 8º da Lei nº. 6. 404/76. Destaco que a observação acima busca, apenas, dar sustentação a afirmação da autoridade autuante acerca da imprestabilidade do valor de mais valia indicado, visto que o lançamento tributário teve por suporte a impossibilidade de se reavaliar direitos consubstanciados em títulos públicos. Nessa linha, a anexação do referido “laudo de atualização” ao processo presta-se, tão-somente, à demonstração da impropriedade da reavaliação promovida pela Recorrente. Em que pese o fato de a legislação do imposto de renda não impor restrições aos bens e direitos que possam ser reavaliados, resta fora de dúvida de que tal procedimento só pode ter por objeto bens e direitos suscetíveis de avaliação a preço de mercado, avaliação essa devidamente demonstrada por meio de laudo, observado, no que couber, as disposições do art. 8º da Lei nº. 6.404/76. A Deliberação CVM nº. 183, de 19 de junho de 1995, aprovando pronunciamento do IBRACON sobre a reavaliação de ativos, estabeleceu: 1. a contabilidade tem um conjunto de princípios para avaliação de ativos que varia conforme a sua natureza, mas baseia-se, principalmente, no custo original dos referidos ativos; 2. a legislação permite que as empresas procedam a uma avaliação de ativos por seus valores de mercado, com base em laudos técnicos; Fl. 10DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 27/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.000105/2003-39 Acórdão n.º 1302-00.356 S1-C3T2 Fl. 11 11 3. denomina-se Reavaliação o resultado derivado da diferença entre o valor líquido contábil dos bens e o valor de mercado, sendo este um procedimento optativo; 4. a Lei nº. 6.404/76 menciona que a reavaliação pode ser feita para os "elementos do ativo", o que pode dar o entendimento de abranger não só itens do imobilizado, como de investimentos e ativo diferido, além de estoques, entre outros; 5. o entendimento neste Pronunciamento é de que a reavaliação seja restrita a bens tangíveis do ativo imobilizado, desde que não esteja prevista sua descontinuidade operacional. (GRIFEI) Entendo, pois, que a autoridade fiscal deixou claro ao descrever a infração que o bem, considerada a sua natureza, constituído em última análise por títulos da dívida agrária, vez que representado por direitos que decorreram de desapropriação promovida pelo INCRA, não podia ser objeto de reavaliação. Observo, ainda, que, não obstante a redação confusa da peça de defesa apresentada, houve perfeita compreensão por parte da contribuinte da infração que lhe foi imputada. Com efeito, na impugnação apresentada a contribuinte, não obstante classificar de confusa a autuação, sustenta a sua improcedência nos seguintes elementos: a) ausência de ocorrência de hipótese de realização; b) isenção do imposto incidente sobre os ganhos obtidos nas operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária; c) classificação contábil do direito objeto de reavaliação (ativo permanente – investimentos); d) improcedência da fundamentação utilizada para promover o lançamento tributário; e) necessidade de avaliação contraditória para que se possa invalidar o laudo de avaliação apresentado; f) necessidade de efetiva realização do bem reavaliado para que se possa tributar a reserva em questão (art. 4º da Lei nº. 9.959, de 2000), ainda que não tenha sido observada a disposição contida na alínea “a” do parágrafo 1º do art. 3º do Decreto-Lei nº. 1978/82 (registro em subconta distinta da que registra o valor original do bem do valor da reavaliação incorporado ao capital). Vê-se, pois, que a contribuinte, primeiramente, procurou demonstrar que os direitos que lhes foram cedidos podiam ser reavaliados, e, a partir daí, buscou comprovar que, considerada a legislação de regência, a contrapartida da referida reavaliação não estaria sujeita à tributação. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 27/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.000105/2003-39 Acórdão n.º 1302-00.356 S1-C3T2 Fl. 12 12 Diante de tal cenário, não encontro justificativas para que se possa afirmar que a descrição da autuação imputada pela autoridade fiscal cerceou o direito de defesa da contribuinte. Inexistente, a meu ver, descompasso na definição do fato gerador capaz de ensejar a nulidade do feito fiscal. Noto, ainda, que a autoridade julgadora de primeira instância não avança ao mérito da lide, isto é, não se pronuncia acerca da possibilidade ou não dos direitos em questão serem submetidos a uma nova avaliação, entendendo, apenas, que houve cerceamento do direito de defesa em razão de a autoridade fiscal não ter, a seu ver, definido corretamente a origem do fato gerador. Nessas circunstâncias, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso para determinar, em respeito ao princípio do duplo grau de jurisdição, que nova decisão seja prolatada em primeira instância acerca das questões de mérito apresentadas na impugnação interposta. Sala das Sessões, em 01 de setembro de 2010 Wilson Fernandes Guimarães Fl. 12DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 27/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10315.000616/2006-94
Data da sessão: Fri Jul 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 2003, 2004
CSLL. LUCRO PRESUMIDO, PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM EMPREGO DE MATERIAIS,
Não comprovada a alegada prestação de serviços com o fornecimento de materiais, é de se manter a exigência com os coeficientes previstos na legislação de regência para os demais casos.
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2003, 2004
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF, NULIDADES.
O MPF corno simples instrumento de controle administrativo e gerencial, não representa outorga de competência ao servidor investido no cargo de Auditor.
Fiscal da Receita Federal e que tem todas as prerrogativas legalmente concedidas para realizar o lançamento e constituição do crédito tributário.
DIPJ. DCTF, CONFISSÃO DE DÍVIDA,
A partir da edição da Instrução Normativa SRF 127/98, que instituiu a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ, a DCTF - Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais passou a se constituir no único instrumento válido para declarar e confessar os débitos tributários da pessoa jurídica, ensejando a imediata inscrição em Dívida Ativa
da União em caso de inadimplemento.
Numero da decisão: 1803-000.502
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2003, 2004 CSLL. LUCRO PRESUMIDO, PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM EMPREGO DE MATERIAIS, Não comprovada a alegada prestação de serviços com o fornecimento de materiais, é de se manter a exigência com os coeficientes previstos na legislação de regência para os demais casos. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2003, 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF, NULIDADES. O MPF corno simples instrumento de controle administrativo e gerencial, não representa outorga de competência ao servidor investido no cargo de Auditor. Fiscal da Receita Federal e que tem todas as prerrogativas legalmente concedidas para realizar o lançamento e constituição do crédito tributário. DIPJ. DCTF, CONFISSÃO DE DÍVIDA, A partir da edição da Instrução Normativa SRF 127/98, que instituiu a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ, a DCTF - Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais passou a se constituir no único instrumento válido para declarar e confessar os débitos tributários da pessoa jurídica, ensejando a imediata inscrição em Dívida Ativa da União em caso de inadimplemento.
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LUCRO PRESUMIDO, PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM EMPREGO DE MATERIAIS, Não comprovada a alegada prestação de serviços com o fornecimento de materiais, é de se manter a exigência com os coeficientes previstos na legislação de regência para os demais casos. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2003, 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF, NULIDADES. O MPF corno simples instrumento de controle administrativo e gerencial, não representa outorga de competência ao servidor investido no cargo de Auditor . Fiscal da Receita Federal e que tem todas as prerrogativas legalmente concedidas para realizar o lançamento e constituição do crédito tributário. DIPJ. DCTF, CONFISSÃO DE DÍVIDA, A partir da edição da Instrução Normativa SRF 127/98, que instituiu a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ, a DCTF - Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais passou a se constituir no único instrumento válido para declarar e confessar os débitos tributários da pessoa jurídica, ensejando a imediata inscrição em Dívida Ativa da União em caso de inadimplemento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado,....2,,, .. . n 1 ‘ '. ----- - -'---.." T....----- ---- Se ene Ferreira de Moraes - Presidente JUdo--1 À , I '.\ l' e `.7) Walter Adolfo Marc ch - Relator EDITADO EM: 04/08/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Selene Peneira de Moraes, Walter Adolfo Maresch, Luciano Inocência das Santos, Roberto Armond Ferreira da Silva, Sérgio Rodrigues Mendes e Benedicto Celso Benício Júnior, Relatório 5 L A - Consultoria e Projetos S C Ltda, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela URI FORTALEZA/CE, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da URI. Contra a empresa acima identificada foi lavrado Auto de Infração da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, fls. 2/7, referente aos anos-calendário de, 2003 e 2004, para formalização e exigência do crédito tributário nele estipulado no valor de R$ 45,834,03 incluindo multa de oficio e juros de mora, estes calculados até 31/08/2006. 2. Referida exigência originou-se da apuração, pela fiscalização, das infrações seguintes: 2.1. Insuficiência de Recolhimento ou de Declaração da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL devida, apurada pelo cotejo entre dados declarados cm .D1N e os declarados em DCTF e recolhimentos efetuados, conforme apuração apresentada na tabela "Insuficiência de Declaração e Recolhimento de CSLL" em anexo. Os valores de CSLL a pagar informados em DIPJ não foram objeto de pagamentos devidamente comprovados nem foram declarados em DCTR Cujos fatos geradores, valores tributáveis ou contribuição encontram-se discriminados às fis, 03. 2.1.1, Enquadramento legal: An. 40, da Lei n° 8.541/92: art, 29, da Lei n° 9.430/96 e art, 37, da Lei n° 10.637/02. 22. Apuração incorreta da CSLL — Valor apurado a menor na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPI, conforme demonstrado na tabela, "Apuração Incorreta da CSLL", em anexo. Tendo em vista que a partir de 01/09/2003, a base de cálculo da CSLL, para as empresas de prestação de serviços em geral, caso em que se enquadra a contribuinte (CNAE 7420), é calculada com a aplicação do percentual de 32 % • 2 Processo ri 10315 .000616/2006-94 S1-TE03 Acórdão n 0 1803-00,502 F1, 307 i sobre a receita bruta trimestral, e não com base no percentual de 12 % que foi utilizado na DIP11/2005, ano-calendário de 2004 e no quarto trimestre da DIPJ/2004, ano-calendário de 2003. Cujos fatos geradores, valores tributáveis ou contribuição, encontram-se discriminados às fls. 04, 2,2,1. Enquadramento legal: Art. 20; da Lei n° 9.249/95, com a redação dada pelo art, 22, da Lei ri° 10.684/2003; Art. 89 da Instrução Normativa SRF if 390/2004. O enquadramento legal da multa de oficio e dos juros de mora, encontram-se discriminados as fls. 07. 3, Inconformada com as exigências das quais tomou ciência em 20/12/2006, conforme comprovantes de fls. 59/62 ; a interessada ingressou com impugnação (fls. 71/89) em 18/01/2007, ao Auto de Infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, fundamentando sua defesa, nos argumentos resumidos a seguir: Dos Fatos 3,1, consta dos autos que o auditor fiscal ao analisar as DCTF e as DIPJ da defendente, encontrou diferenças entre estas e verificou a falta de pagamento, além de um suposto erro na aplicação do percentual sobre a receita bruta; 3.1.1. de fato apresentou as DIN, nas quais efetuava o lançamento de valores devidos a titulo de CSLL, mas não pagou todos os valores lançados, constituindo-se desta feita em mora. Ao examinar as DIPJ, o auditor fiscal verificou que a defendente havia efetuado os lançamentos, mas não havia pago parte dos tributos lançados, desta feita, de maneira açodada entendeu lançar e cobrar via auto de infração os valores que a impugnante já havia lançado; .312. afirma que a fiscalização não encontrou omissão de receitas, simplesmente, verificou que havia sido entregue as declarações sem o pagamento dos valores declarados. Desse modo, a conclusão do autuante não encontra guarida no nosso ordenamento jurídico, sendo absurdo o lançamento via auto de infração de valores que a própria autuada havia lançado na DIP.I; Preliminar de Nulidade .3.2, entende que de fato faltava ao auditor fiscal competência para fiscalizar e autuar quanto a qualquer deseumprimento de obrigação tributária, pois não foi emitido mandado de procedimento fiscal autorizando dita fiscalização e/ou diligência. Nesse aspecto, conclui com base em informação do auditor fiscal na primeira folha do processo, que o mandado de procedimento fiscal é documento indispensável e obrigatório para o lançamento Sub Examine, tanto que este deve ser a primeira folha do processo; 3.2,1. em seguida ressalta as fls. 7.3/74 a observação feita pelo autuante às fls.01, com base no art. 11, inciso IV, da Portaria SRF n" 6,087, de 22/11/2005 — publicada no DOU página 22. Faz citações c comentários a respeito de alguns dispositivos da referida portaria, no caso a respeito do art. 11, incisos e parágrafo único e arts. 2° e 3' (fls. 74/76), trazendo inclusive o conceito de revisão com base no léxico, De Plácido e Silva e Editora Forense (fls. 76); 3.2.2, afirma que tomando por base os conceitos de procedimento fiscal e revisão será fácil concluir que o autuante não fez uma revisão, mas um procedime o fiscal,.D,,,,„, W--, ,, que deu o nome de revisão apenas para escapar da obrigação do MU'. Pois, a revisão interna das declarações que prescinde de MU', é aquela procedida pelo simples exame da declaração oferecida pelo contribuinte, cujos erros são constatados independentemente da verificação de outro elemento que não aqueles já disponíveis. Tem mais, os erros passiveis de revisão são as inexatidões materiais, os lapsos manifestos ou os erros de cálculo. A revisão implica em rever, em fazer novo exame com base nos dados e parâmetros disponíveis; 111 entende a interessada que no caso em tela tal não ocorreu, pois o autuante não se limitou a rever o lançamento com os elementos até então disponibilizados. Pelo contrário, pois verificou DIRF de tomadores de obras e serviços as cotejou com suas declarações, e ainda modificou o percentual sobre a receita bruta pata determinação do lucro, mediante a arbitrária mudança da atividade exercida pela contribuinte; 12,4. se o auditor fiscal necessita de dados e informações além das que estão ao seu alcance, deve necessariamente pedir um MPF para amparar sua atuação. O qual tem diversas finalidades, sendo a mais importante a de dar segurança ao contribuinte de que esta sendo provocado por um auditor fiscal, com legitimidade suficiente para exigir do cidadão um determinado fazer ou não fazer; 3.2.5. observe que o autuante diligenciou perante a contribuinte pedindo urna série de esclarecimentos e documentos. Se tivesse munido do MPF, maior segurança e transparência imporia, vez que bastaria ao cidadão verificar no sitio da receita se o mesmo estava com poderes para fiscalizar e com quais limites. Nesse passo afirma que o pedido de esclarecimentos remetido pelo fiscal autuante ao contribuinte é uma diligência, como bem diz o inciso 11, do artigo 30 da Portaria n° 6,087/2005, ao dispor que diligências são as ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual", e que desacompanhada do MPF conduz a nulidade do processo; 3.2.6. continuando assevera, e não venham dizer que este pedido de esclarecimentos não é uma diligência, sob o pálio de ter sido realizada no âmbito interno da Receita Federal. Ora o inciso II do artigo 3 0, da Portaria n°6.087/2005. não faz essa distinção, e é bastante explicito ao falar em "ação destinada a coleta de informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual"; 3.2.7. assim sendo, no entendimento da impugnante toda ação destinada a coleta de informações em prol do procedimento fiscal é unia diligência, e a lógica recomenda que o seja. Portanto, se não existe MPF nos autos do processo, seja para a instauração da fiscalização, seja para a diligência efetuada, é forçoso concluir que todos os atos praticados pelo agente fiscal são nulos de pleno direito. Não pode o agente fiscal, sob nenhuma hipótese, fiscalizar sem o regular MPF. Dessa forma, o agente fiscal não dispunha de autorização para praticar atos de fiscalização, cabendo pois, anular o presente auto de infração; 3.2.8. reforçando seus argumentos de defesa traz a lume entendimento firmado pela doutrina e jurisprudências às fis. 79 a 83; Do Mérito - Impossibilidade de Auto de Infração com Base em Valores Lançados. ,r3.3. um rápido exame nos autos de infração e nas DIPJ apresentadas e suficiente para constatar que os valores declarados são os mesmos exigidos nos autos, O lançamento via auto de infração só poderia se dar se a fiscalização constatasse erro ou omissão Processo n" 10315 000616/2006-94 S1-TE03 Acórdão n.° 1803-00302 Fl 308 na declaração, e, ainda assim, o auto só poderia ser sobre os valores omitidos ou errados, e nunca sobre os valores totais da declaração; LU, nesse contexto alega que, se a contribuinte declara (efetua o lançamento),e não paga, cabe ao fisco notificá-la para pagamento, incluindo, no caso, a multa de mora de 20%; 3.3.2. alega a interessada, conforme se comprova nos autos, o autuante simplesmente verificou que a defendente não pagou os valores declarados (aceitando as informações e valores declarados) e formalizou o auto de infração. Se o fisco aceita o lançamento, homologado está aquele lançamento. Temos pois, incabível os autos de infração no caso em comento. Reforçando seus argumentos traz às fls. 84/85, entendimento do conselho de contribuintes em que foi decidido que não caberia lançamento de oficio se a contribuinte já havia efetuado o lançamento via DCTF e que no seu entender o mesmo princípio se aplica ao caso da contribuinte que efetuou o lançamento via DIPJ; Do Percentual Aplicado 3.4. segundo a fiscalização teria havido aplicação incorreta do percentual sobre a receita bruta na determinação do lucro presumido, sem analisar um 'único contrato ou nota fiscal da impugnante, de forma precipitada entendeu a fiscalização que a defend ente praticara atividade em que o percentual a ser aplicado seria de 32 %. Se houve entendimento que tal percentual foi aplicado de forma incorreta, caberia ao autuante provar o ilícito, e não simplesmente jogar a acusação e esperar que a contribuinte prove o contrário. Nesse sentido, traz acórdão do Conselho de Contribuintes julgando improcedente o auto de infração (fls,86/87); 3.4.1. tal entendimento se dá porque é dever da fiscalização perquirir se as receitas são oriundas exclusivamente de prestação de serviços ou se houve a aplicação de materiais. A fiscalização que não dispunha de MPF, entendendo que praticava uma simples revisão de declaração, não percebeu que estava extrapolando o limite entre unia revisão fiscal e uma fiscalização profunda, efetuando lançamento sem qualquer embasamento ou prova, apenas com base em sua simples alegação "a empresa não deveria aplicar o percentual de 12%", razão pela qual o auto de infração deve ser julgado improcedente; 3,4.2. alega que o percentual de 32 % só se aplica quando a receita é exclusivamente oriunda da prestação de serviços, se a receita não for exclusivamente da prestação de serviços o percentual aplicável é de 12%; 3,4.3, na verdade houve aplicação de materiais nos serviços prestados. Quando houver atividade mista (equiparada, no caso a construção civil) este percentual é de 12 %; 3.4.4. ressalta a interessada que no seu contrato social consta execução de obras de construção hidráulica, nestas execuções tem necessariamente que aplicar materiais. A titulo de provas junta cópias dos contratos realizados na época, bem como, de algumas notas fiscais de aquisição de materiais (veículos, sistemas de computação etc), os quais deveriam ser aplicados na prestação dos serviços e posteriormente repassados para a propriedade da contratante. 3,4.5. Face aos exposto, requer que seja julgado improcedente e arquivado o auto de infração.. 4. Foram anexados a defesa os documentos de fls. 90 a 244, A DRJ FORTALEZA/CE, através do acórdão 08-12950, de 22 de fevereiro de 2008 (fls. 250/266), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão; ASSIM° - Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Ano-calendário: 2003, 2004 NORMAS PROCESSUAIS - MPF - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - NULIDADE DO LANÇAMENTO.. O pleno exercício da atividade fiscal não pode ser obstruído por força de uni ato administrativo que deve ser entendido como sendo de caráter meramente gerencial Tal instituto, por ser medida disciplinadora, visando a administração dos trabalhos de fiscalização, não pode se sobrepor ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, e a dispositivo da Lei n° 10,593/2002, que trata da competência funcional para a lavratura do auto de hafiação. Insuficiência de Recolhimento Restando apurado nos autos que a contribuinte declarou a CSLL em DIRI. no entanto não efetuou o recolhimento nem informou em DCTF, deve ser exigido o valor da CSLL correspondente, .juntamente com os acréscimos legais. Aliquota do Lucro Presumido - CSLL Comprovado nos autos que a pessoa jurídica exerceu atividade de prestação de serviços em geral, submete-se a contribuinte a aliquota do lucro presumido de 32 % sobre a receita bruta, a partir de 01 de setembro de 2003. Ciente da decisão através de ciência pessoal em 05/05/2008, conforme fls. 273, a contribuinte apresentou recurso voluntário que foi formalizada no processo if 10380,007532/2008-60, apensado ao presente, de fls. 01/22, reafirmando os argumentos da inicial de nulidade por ausência de MPF; impossibilidade de exigência de oficio de tributos já confessados e declarados e exigência indevida de CSLL sobre base de cálculo à aliquota de 32%. É o relatório. 6ns Processo e 10315 000616/2006-94 S1-TE03 Acórdão n 1803 -00,502 Fl 309 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de auto de infração CSLL decorrente do cotejo entre os valores efetivamente devidos na DIPJ dos anos calendários 200.3 e 2004, com os valores constantes das DCTF e efetivamente recolhidos, bem como inobservância dos coeficientes corretos para apuração da base de cálculo da CSLL do 4' Trimestre 2003 ao 4° Trimestre de 2004. A recorrente alega em síntese: a) a nulidade do procedimento fiscal pois o mesmo se ressente da ausência do MPF — Mandado de Procedimento Fiscal, conforme preceitua a Portaria n° 6,087/2005; b) a impropriedade do lançamento de oficio ter sido realizado sobre valores já declarados na DIN, podendo quando muito a exigência ser feita com a cobrança da multa de mora de 20%; c) a indevida exigência da CSLL considerando a base de cálculo (lucro presumido) mediante a alíquota de .32%, quando é devida a alíquota normal de 12% já que há concomitância do uso de materiais. Não assiste razão à interessada. Com efeito, inicialmente com relação à aventada nulidade por ausência do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), a jurisprudência deste colegiado administrativo já está pacificada de que o mesmo, é mero instrumento de controle gerencial, não tendo as suas imperfeições ou mesmo a sua ausência o condão de ensejar a nulidade do lançamento de oficio. Veja-se as ementas dos julgados: Ementa: NULIDADE IRREGULARIDADES RELACIONADAS COM O MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL- O procedimento de .fiscalização relativo a tratamento automático das declarações ("revisão interna, malhas fiscais), não exige emissão do MPF. Caso seja emitido, o fato de o contribuinte não ter dele sido informado não vicia o auto de infração Acórdão n° 101-97.048, 16/12/2008, Cons. Sandra Maria Faroni Ementa AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO APÓS O PRAZO DE VALIDADE DO MPF O MPF é um instrumento de controle administrativo instituído com o duplo objetivo de disciplinar a atuação dos Auditores-fiscais encarregados das tarefas inerentes à fiscalização e de oferece, bifo, mação e segurança ao contribuinte fiscalizado. Possíveis irregularidades na sua emissão pela Receita Federal ou no seu cumprimento não atingem a validade do ato de lançamento, desde que realizado por servidor competente nos estritos temos- da lei. Acórdão n° 101~96,973, 16/10/2008, COPIS Aloysio J. Percínio da Silva Conforme exposto, o Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, como instrumento de controle administrativo, não outorga competência ao Auditor Fiscal da Receita Federal, sendo sua ausência ou irregularidade na sua emissão, motivo insuficiente para inquinar de nulidade o lançamento regularmente efetuado por servidor competente na forma da lei. No caso em tela, o MN' é até inexigível por se tratar de revisão de declaração realizada internamente, fato não desnaturado por intimação enviada ao domicílio da recorrente, pois não houve qualquer exame de livros e documentos no domicílio da contribuinte. Sendo assim, seja por ser inexigível no caso concreto sob exame, seja por não ter o condão de causar nulidade no lançamento de ofício regularmente efetuado, rejeito a alegação de nulidade do lançamento por ausência de Mandado de Procedimento Fiscal, Com relação a suposta nulidade ou ilegalidade de se efetuar o lançamento de valores já declarados, confunde obviamente a recorrente o instituto da DCTF — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais com a DIN — Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica. Conforme já restou demonstrado na bem lançada decisão de primeira instância, ao contrário da DCTF que enseja a confissão dos valores declarados, a DIN não tem força de confissão de dívida, não ensejando a constituição de qualquer crédito tributário, prescindindo pois na ausência da atividade do contribuinte, do competente lançamento de oficio. No caso em tela, a contribuinte declarou e confessou determinados valores na DCTF, recolhendo os débitos correspondentes, inferiores no entanto aos valores efetivamente devidos, conforme apurado na respectiva DIPJ. Escorreito o lançamento de oficio efetuado, não havendo qualquer irregularidade no procedimento realizado pelas autoridades fiscais. Tampouco merecem acolhidas as alegações com relação a diferença de alíquota apurada pela fiscalização para exigência da CSLL em relação ao período do 4' Trimestre 2003 ao 4 0 Trimestre de 2004. Com efeito, conforme a própria recorrente reconhece, a alíquota de presunção da base de cálculo da CSLL é de 32% para prestação de serviços em geral, ficando reduzida para 12% em caso de fornecimento concomitante de materiais. Equivoca-se aqui novamente a recorrente ao confundir o fornecimento de instrumentos de trabalho — carros, computadores, ferramentas e outros, com o fornecimento de materiais para a execução dos serviços. Os documentos juntados às fis, 90 a 244, ao contrário de corroborar a tese da recorrente a desmentem pois não há menção de qualquer fornecimento de materiais para a prestação dos serviços. -- 8 Processo n° 10315 000616/2006-94 S1-TE03 Acórdão n 1803-00.502 Fl 310 Os contratos apresentados deixam bem claro que a recorrente somente efetuou a prestação de serviços de elaboração de manuais, acompanhamento de obras e projetos, sem no entanto, fornecer qualquer tipo de material para a elaboração dos serviços. Por outro turno, o simples fato de o contrato social prever a possibilidade da empresa executar obras hidráulicas não significa que a mesma tenha efetivamente prestado serviços com o fornecimento de materiais. Rejeito portanto, também as alegações com relação a matéria da diferença de aliquotas para apuração da base de cálculo da CSLL. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Walter. Adolfo Mar sch 1 Seção 4u Câmara MINISTÉRIO DA FAZENDA Fls.: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - CARF CA RE 1" SEÇÃO DE JULGAMENTO/4" CÂMARA Processo n° : 10315.00061612006-94 Interessado(a) : SLA - CONSULTORIA E PROJETOS S C LTDA. TERMO DE JUNTADA ia Seção/4a Câmara Declaro que juntei aos autos o Acórdão n° 1803-00,502, (fls. ), e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil Em / / Chefe da Secretaria
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Numero do processo: 10805.000214/92-75
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 1995
Numero da decisão: 108-00.068
Decisão: RESOLVEM os Membros da Oitava C~mara do Primeiro Conselho
de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento
do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Luiz Alberto Cava Maceira
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RESOLVEM os Membros da Oitava C~mara do Primeiro Conse- lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Sala das SessDes, em 26 de janeiro de 1995 • ,.) I ~3T'Cl ..- pr':;;ESIDEl\ITE I\IACIONAI.... F?)ZENDA Participaram, ainda, do presente Julgamento, os seguintes Conselhei- ros: SANDRA MARIA DIAS NUNES, PAULO IRVIN DE CARVALHO, RENATA GONÇAL- VES PANTOJA, MARIO JUNQUEIRA FRANCO J~NIOR! RICARDO JANCoSKI ~ "JOéé '. ANTON.IO_ MINATEL: PROCESSO Nº 10805.000214/92-75 RE:SOLnçÃ01'JN9 1O~-OO. 068 RECURSO Nº: 106.653 RECORRENTE: ADRYSIL RESINAS SINTÉTICAS S.A. R E L A T Ó R I O ADRYSIL RESINAS SINTÉTICAS S.A., com sede à rua Marechal Badoglio nº 286, bairro Rudge Ramos, no município de São Bernardo do Campo - S.P., com C.G.C. MF nº 59105650/0001-44, inconformada com a decisão de primeira instância que indeferiu sua impugnação, recorre a este Colegiado, pleiteando sua reforma. A exigência fiscal diz respeito a IRPJ referente aos exercícios de 1987 a 1991. - Com relação ao exercício de 1987, foi constatada a inexistência de Livro Diário, bem como a documentação fiscal correspondente. Em razão disso, o Fisco procedeu o arbitramento do lucro da empresa com base no art. 399 e art. 400 do RIR/80. Nos demais exerC1ClOS observaram-se irregularidades como a aquisição de mercadorias sem escrituração, caracterizando omissão de receitas e, ainda, estoque real menor que o escrituraI, gerando a presunção de vendas sem nota fiscal. Enquadramento Legal: arts 154, 155, 157 parágrafo 1º, 174, 175, 178, 179, 180, 181, 387 inciso 11 do RIR/80. Tempestivamente impugnando a recorrente alegou a total improcedência da autuação fiscal. 2 - Justificou que a não documentação exigida pelo Fisco referente 1987 deu-se em virtude de ter a mesma sido incêndio ocorrido nas instalações da totalmente descabido o arbitramento.~ apresentação da ao exercício de destruida em um empresa, .sendo ~. PROCESSO Nº 10805.000214/92-75 ~~sotbçÂo~SQ108-00.068 Com relação aos demais exerC1ClOS argumentou que a autuação não tem suporte fático contundente, sendo fruto de mera presunção. Argüiu que o lançamento baseou-se em indícios que são insuficientes para criar obrigações tributárias. Questionou que a presunção legal, quando existente, ainda assim, não constitui meio de prova. Apresentou ementas comprobatórias da inaceitabilidade do lançamento por presunção. A autoridade singular julgou procedente a ação fiscal com decisão assim ementada: "IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA - Exercícios de 1987 a 1991 ARBITRAMENTO DE LUCRO Não apresentação de livros e documentos fiscais (exercício de 1987). OMISSÃO DE RECEITAS 3 Levantamento de controle de através estoque. de fichas PROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO FISCAL." Em suas razões de apelo, a recorrente: Fez referência ao laudo apresentado pelo Instituto de Criminalística, que mencionou documentos contábeis-fiscais que foram destruidos por ocasião do incêndio. Salientou que a origem da autuação foi um pedido de restituição feito pela recorrente, de cujo requerimento decorreu a solicitação da Fiscalização para a exibição dos documentos que haviam sido destruídos no incêndio. Em vista disso, alegou inexistência de fato gerador da obrigação principal. Apresentou laudo pericial cuja conclusão é de que não prosperam as presunções que fundamentam o auto de infração, em virtude dos diversos fatores que justificam as diferenças entre o controle de estoque e o inventário físico (tais fatores foram minuciosamente detalhados no laudo apresentado com o recurso) . PROCESSO Nº 10805.000214/92-75 RESOLÚCÂO:N9 J08-00.068 Ratificou as alegações constantes da peça impugnatária. 4 • É o relat6riO~ . 'I '. PROCESSO Nº 10805.000214/92-75 '. RÊ'sotúçAO'N9 108-0 o. 068 v O T O Conselheiro LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, Relator: Recurso tempestivo, dele conheço. Versam os autos sobre arbitramento do lucro da empresa no exerC1ClO de 1987, dada a inexistência de escrituração, bem como omissão de receitas nos exercícios de 1988, 1989, 1990 e 1991. No tocante à tributação por omissão de receitas nos exercícios de 1988 a 1991, tendo em vista o Laudo Pericial e anexos de fls. 334/460, acostados ao recurso, proponho a conversão do presente julgamento em diligência, retornando os autos à autoridade de primeira instância, para que se digne providenciar no que segue para deslinde da questão: seja apreciado o Laudo Pericial e respectivos anexos para, cotejando com a posição anterior levantada pelo Fisco, sejam apuradas eventuais divergências; - a seguir, pronuncie-se a Fiscalização acerca de eventuais providências que se tornarem necessárias para retificação da matéria tributável, apresentando, detalhadamente, por item de estoque e período, o procedimento recomendado em cada caso; 5 ao final, apresente conclusivo sobre a pertinência ou não do Laudo juntado pela Recorrente, propondo as medidas necessárias à solução da lide. É como voto. Relatório Pericial julgadas • Brasília-DF, 26 de LUIZ de 1995 . - Relator 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
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Numero do processo: 19515.001213/2007-61
Data da sessão: Mon May 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 DECADÊNCIA. IRPJ, CSLL PIS E COFINS. A autoridade fiscal tem cinco anos a contar do fato gerador para rever o lançamento. (Art. 150 § 4º do CTN c/c Súmula nº 08 do STF).
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO
COMPROVADA. Configura-se a presunção legal de omissão de receita no tocante aos créditos bancários cuja origem não restar cabalmente demonstrada pelo sujeito passivo.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia para Títulos Federais - SELIC, acumulada mensalmente.
DECORRÊNCIA. A decisão relativa ao lançamento principal se aplica, no que couber, às exigências de CSLL, PIS e COFINS, por serem fundamentados nos mesmos elementos de prova.
Preliminar de Decadência Acolhida.
Recurso Voluntário Negado no Mérito.
Numero da decisão: 1402-000.171
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de perícia e acolher a preliminar de decadência, levantada de ofício, dos fatos geradores de janeiro a junho de 2002. Votam pelas conclusões os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar e Antonio José Praga de Souza, em relação à preliminar de decadência. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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IRPJ, CSLL PIS E COFINS. A autoridade fiscal tem cinco anos a contar do fato gerador para rever o lançamento. (Art. 150 § 4º do CTN c/c Súmula nº 08 do STF). OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Configura-se a presunção legal de omissão de receita no tocante aos créditos bancários cuja origem não restar cabalmente demonstrada pelo sujeito passivo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia para Títulos Federais - SELIC, acumulada mensalmente. DECORRÊNCIA. A decisão relativa ao lançamento principal se aplica, no que couber, às exigências de CSLL, PIS e COFINS, por serem fundamentados nos mesmos elementos de prova. Preliminar de Decadência Acolhida. Recurso Voluntário Negado no Mérito. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de perícia e acolher a preliminar de decadência, levantada de ofício, dos fatos geradores de janeiro a junho de 2002. Votam pelas conclusões os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar e Antonio José Praga de Souza, em relação à preliminar de decadência. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Diniz Raposo Silva, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Sergio Luiz Bezerra Presta, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório FERTILITY CENTRO DE FERTILIZAÇÃO ASSISTIDA LTDA, CNPJ nº 71.714.745/0001-60, inconformada com a decisão contida no acórdão 16-17.460 de 12 de junho de 2.008, proferido pela 3ª Turma da DRJ em São Paulo SP-I, que manteve os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, interpôs recurso voluntário junto a este Conselho Administrativo objetivando a reforma da decisão. Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças de acusação e defesa: Contra a empresa em epígrafe foram lavrados os autos de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), de fls. 196 a 246, em razão de omissão de receitas, caracterizada pela falta de comprovação da origem de depósitos bancários. Foram apontados como infringidos os seguintes dispositivos legais: - IRPJ: artigos 25 e 42 da Lei n° 9.430/1996 e artigo 528 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR, Decreto n° 3.000/1999); - PIS: artigos 1o e 3o da Lei Complementar n° 7/1970, artigo 24, § 2o, da Lei n° 9.249/1995, artigos 2o, inciso I, 8o, inciso I, e 9o da Lei n° 9.715/1998, artigos 2o e 3o da Lei n° 9.718/1998 e artigos 2o, inciso I, alínea “a” e parágrafo único, 3o, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524/2002; - COFINS: artigo 1 o da Lei Complementar n° 70/1991, artigo 24, § 2°, da Lei n° 9.249/1995, artigos 2o, 3o e 8o da Lei n° 9.718/1998, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/1999 e suas reedições e da Medida Provisória n° 1.858/1999 e suas reedições, e artigos 2 o , inciso II e parágrafo único, 3 o , 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524/2002; - CSLL: artigo 2 o , caput e parágrafos, da Lei n° 7.689/1988, artigos 19 e 24 da Lei n° 9.249/1995, artigo 29 da Lei n° 9.430/1996, artigo 6o da Medida Provisória n° Fl. 2DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 19515.001213/2007-61 Acórdão n.º 1402-00.171 S1-C4T2 Fl. 2 3 1.858/1999 e reedições, artigo 22 da Lei n° 10.684/2003 e artigo 37 da Lei n° 10.637/2002. Da ação fiscal em referência resultou a apuração do crédito tributário a seguir discriminado, nele incluídos a multa de ofício e juros de mora calculados até 29/06/2007: IRPJ ......R$ 1.284.215,95 PIS .........R$ 113.064,04 COFINS ......R$ 521.836,86 CSLL .........R$ 342.321,16 No Termo de Verificação Fiscal integrante dos autos de infração, à fl. 193, consignou-se que a interessada, devidamente intimada, apresentou os extratos bancários constantes do Anexo ao presente processo. Elaboradas as planilhas “Relação de Depósitos a Justificar” (137 a 190), a empresa foi intimada e reintimada a comprovar a origem e a natureza dos créditos bancários nelas relacionados (fls. 136 e 191). Pelo expediente de fl. 192, a contribuinte informou que não conseguiu comprovar as origens dos depósitos bancários mencionados. Cientificada dos lançamentos em 31/07/2007, a interessada apresentou em 30/08/2007, por intermédio de procurador, a impugnação de fls. 251 a 293, acompanhada de documentos (fls. 294 a 307) e de cópias de DIPJ (fls. 308 a 416). Alega, em síntese, o que segue: - os valores apurados pela fiscalização tratam-se de honorários de procedimentos médicos realizados pelos sócios da empresa, os quais, quando recebem pelo serviço, têm seus valores transitando pela conta corrente da empresa, uma vez que os pagamentos efetuados pelos clientes embutem os valores referentes à utilização da clínica, aos materiais médicos, laboratoriais e o valor relativo aos honorários médicos; - a impugnante depositava os cheques, recebia os valores e os transferia para terceiros; - a boa-fé da impugnante é evidenciada pelo fornecimento de seus extratos bancários prontamente, quando solicitado pela fiscalização; - a presunção juris tantum não dá direito de inverter o ônus da prova, pois presunção não está prevista no Código Tributário Nacional como hipótese de incidência; (...). Na seqüência, a impugnante se insurge contra a utilização da taxa SELIC como juros de mora, por entender caracterizada ofensa a diversos princípios constitucionais. Argumenta que os depósitos bancários não podem sustentar uma presunção legal, posto que, além da ausência de correlação natural entre o depósito e a omissão de rendimentos, exigida na instituição desse artifício legal, tal providência implicaria na transferência integral do encargo probatório para o contribuinte. Afirma que não haveria vantagem para o Fisco em utilizar a presunção estabelecida no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, sob pena de realizar lançamentos em montantes estratosféricos, mas sem nenhuma efetividade. Na hipótese de não ser provida ou ser provida parcialmente a impugnação, requer a manutenção dos benefícios do recolhimento com a redução da multa. Pugna pela observância dos princípios da legalidade, finalidade, eficiência, motivação, razoabilidade, verdade real e interesse público, que considera descumpridos no lançamento impugnado. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE 4 Por fim, protesta pela realização de prova pericial sobre o cálculo do valor tributado. À fl. 426, anexou-se cópia de Ofício do Ministério Público Federal, que noticia a existência de procedimento investigatório criminal relativo à autuada e recomenda prioridade no julgamento do presente litígio, nos termos do artigo 27 do Decreto n° 70.235/1972. A decisão recorrida (fls. 428 a 438) manteve os lançamentos realizados, ancorada nos argumentos que podem ser resumidos na ementa abaixo transcrita: PERÍCIA. Considera-se não formulada a solicitação de perícia que deixar de atender os requisitos elencados no Decreto n° 70.235/1972. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Configura-se a presunção legal de omissão de receita no tocante aos créditos bancários cuja origem não restar cabalmente demonstrada pelo sujeito passivo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia para Títulos Federais - SELIC, acumulada mensalmente. DECORRÊNCIA. A decisão relativa ao lançamento principal se aplica, no que couber, às exigências de CSLL, PIS e COFINS, por serem fundamentados nos mesmos elementos de prova. Inconformado com a decisão de Primeira Instância o sujeito passivo apresentou recurso voluntário tempestivo às fls. 456 a 469, no qual, em síntese, reitera as razões já trazidas na impugnação, que em síntese são as seguintes. PERÍCIA. Afirma que apresentou o quesito a ser analisado pela perícia, qual seja, a realização do cálculo do valor tributado com base nas alegações colacionadas pelo recorrente em sede de impugnação. Que cabe a ela indicar assistente técnico, sendo que o perito cabe à SRFB indicar. Diz que a perícia é necessária tendo em vista a existência de ponto obscuro, em cujos autos não é possível dirimir com clareza as dúvidas provenientes do ato administrativo, face à insuficiência de provas acostadas aos mesmos. Afirma que a negativa de perícia constitui cerceamento do direito de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE DA AUTUAÇÃO COM BASE APENAS EM EXTRATOS BANCÁRIOS. Afirma que o lançamento apenas com base em estratos bancários não caracteriza a disponibilidade econômica de renda e proventos na forma do artigo 43 do CTN, o que configura arbitrariedade da autoridade fiscal, e conseqüentemente ilegalidade do ato administrativo. (Cita jurisprudência). Diz que o auto de infração padece de legalidade pois inobservou o princípio da legalidade. Afirma que os atos devem ser motivados e não há o que se falar em inversão do ônus da prova, cita o artigo 50 da Lei 9.784/99. INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC. Afirma que a taxa selic é remuneratória e não compensatória, cita doutrina e jurisprudência sobre o tema e pede que ela não seja aplicada por ser inconstitucional. Finalmente diz que foram desconsiderados os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, verdade real, segurança jurídica e interesse público. Requer o provimento do recurso, a extinção do processo e reitera o pedido de perícia. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 19515.001213/2007-61 Acórdão n.º 1402-00.171 S1-C4T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator A recorrente foi cientificada do Acórdão em 31 de Outubro de 2.008, conforme AR de folhas 439v e interpôs o Recurso Voluntário no dia 18 de Novembro do mesmo ano, sendo portanto tempestivo o apelo. PERICIA. Argumenta o recorrente da necessidade de perícia. Transcrevamos a legislação, Decreto 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Pela simples leitura da legislação percebe-se não caber razão ao recorrente, primeiro porque não formulou os quesitos necessários, segundo porque a obrigação da indicação do perito do contribuinte é sua obrigação, e isso ele não fez, terceiro porque a autoridade julgadora pode indeferir diligências e perícias que julgar prescindíveis ou impraticáveis. O contribuinte teve respeitado todo seu direito de defesa, se manifestou porém não juntou as provas que derrubariam no todo ou em parte o crédito tributário. O fato do indeferimento de um pedido de perícia mormente quando feito ao arrepio da lei como demonstramos não pode ser considerado motivação para se concluir pelo referido cerceamento de defesa. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE 6 Ressalte-se que tais requisitos deixaram de ser atendidos, razão pela qual considera- se não formulado o pedido, com fulcro no § 1o do artigo 16 do citado decreto (parágrafo acrescentado pela Lei n° 8.748/1993). Ademais, esclareça-se que a perícia é cabível para a averiguação de fatos que dependem de conhecimentos especializados para serem demonstrados, sendo desnecessária quando os fatos puderem ser comprovados documentalmente. Nesse sentido, vale transcrever o seguinte julgado do E. Primeiro Conselho de Contribuintes: “PERÍCIA - CERCEAMENTO DE DEFESA - A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pela apresentação de livros e documentos. O indeferimento motivado de realização de perícia não acarreta cerceamento do direito de defesa da parte, com a conseqüente nulidade do julgado” (Acórdão n° 108-05.550, de 27/01/1999). A contribuinte pretende seja submetido a perícia o cálculo do valor tributado. Todavia, eventuais incorreções no cálculo, que sequer foram especificadas pela impugnante, poderiam ser verificadas pela própria autoridade julgadora, uma vez que o auto de infração é acompanhado dos demonstrativos de apuração do crédito tributário. Caso se conclua, ao exame dos elementos constantes dos autos, que o valor tributável é inferior ao apurado pela Fiscalização, incumbirá também ao julgador o cálculo do crédito tributário a exonerar. Desse modo, além de o pedido em questão não atender aos requisitos previstos na legislação tributária, não restou demonstrada a necessidade ou conveniência da realização de perícia. Assim rejeito o pedido de perícia. INCONSTITUCIONALIDADE DA AUTUAÇÃO COM BASE EM EXTRATOS BANCÁRIOS. Inicialmente cabe salientar que os autos de infrações preenchem todos os requisitos previstos no artigo 10 do Decreto 70.235/1972, as provas necessárias foram juntadas pela autoridade lançadora, que é a existência de depósitos bancários não contabilizados e que o contribuinte devidamente intimado não demonstrou sua origem. Transcrevamos a legislação base da autuação: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Como vimos a legislação traz a presunção legal no sentido de que os depósitos bancários cujas origens não forem comprovadas, com documentação hábil e idônea, ou aqueles valores de depósitos em que a origem for comprovada mas que não foram computados na base de cálculo dos tributos, deverá ser objeto de lançamento. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 19515.001213/2007-61 Acórdão n.º 1402-00.171 S1-C4T2 Fl. 4 7 A interessada entende que depósitos bancários, por si sós, não constituiriam fato gerador do Imposto de Renda e que caberia ao Fisco comprovar o nexo causal entre cada depósito e o fato que representaria omissão de receita. Acrescenta que extrato bancário seria somente um sinal de exteriorização de riqueza e não prova, conforme interpretação dada pela defesa ao disposto no artigo 846 do RIR/1999. Transcreve-se o § 1 o do referido artigo: “§ 1º Considera-se sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte (Lei nº 8.021, de 1990, art. 6º, § 1º)” (destaques da transcrição). No presente caso, trata-se de créditos bancários e não de débitos, estes sim passíveis de serem considerados como sinal exterior de riqueza. Não obstante, cabe destacar que a autuação está fundamentada no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, que estabelece que se caracterizam como omissão de receita “os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. A Lei nº 5.869/1973 (Código de Processo Civil), em seus artigos 333 e 334, assim dispõe: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade” (destaques da transcrição). José Luiz Bulhões Pedreira (Imposto sobre a Renda – Pessoas Jurídicas – JUSTEC – RJ – 1979 – pag. 806) ensina que o efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocando-a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que ao negócio jurídico corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume, cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se relativa) provar que tal fato não existe no caso. Assim, basta ao Fisco demonstrar a existência de depósitos ou créditos bancários de origem não comprovada para satisfazer o onus probandi a seu cargo, pois a relação de causalidade entre o fato conhecido e a infração imputada é estabelecida pela própria lei, o que torna lícita a inversão do ônus da prova e a conseqüente exigência atribuída à contribuinte de demonstrar que os recursos não correspondem a receitas omitidas. Quanto à Súmula 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos, que considerou ilegítimo o lançamento com base apenas em depósitos bancários, ressalte-se que tal jurisprudência não se aplica a fatos verificados após a edição da Lei n° 9.430/1996. Os recentes julgados do Primeiro Conselho de Contribuintes corroboram a atuação do Fisco, a exemplo do que a seguir se transcreve: Fl. 7DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE 8 “PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - ART. 42 DA LEI 9.430/96 - NECESSIDADE DE PROVA DA REGULAR ORIGEM DOS RECURSOS DEPOSITADOS - A presunção de omissão de receita, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, estabelecida no art. 42 da Lei n. 9.430/96, para ser afastada reclama prova contundente e inquestionável da regular origem dos recursos depositados” (Acórdão n° 105-16260, de 25/01/2007). Por fim cabe transcrever a Súmula nº 26 do CARF: Súmula CARF n.º 26 “A presunção estabelecida no artigo 42 da Lei n.º 9.430/1996 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” DAS INCONSTITUCIONALIDADES ALEGADAS. Vale ressaltar que as alegações referentes a inconstitucionalidades não podem ser examinadas pelo contencioso administrativo conforme Súmula nº 02 do CARF, publicada no Diário Oficial da União do dia 22.12.2009, verbis: Súmula CARF n.º 2 “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Assim deixo de examinar as questões de inconstitucionalidades levantadas em relação à Taxa Selic e da base legal para autuação – artigo 42 da Lei 9.430/1996. Ainda quanto à Taxa SELIC cabe transcrever a Súmula nº 4 do CARF, verbis: Súmula CARF n.º 4 “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.” Quanto aos princípios citados nenhum deles foi ofendido ou contrariado no presente processo. DECADÊNCIA DOS TRIBUTOS CUJOS FATOS GERADORES OCORRERAM ATÉ 30/06/2002. Mesmo não argumentado pelo contribuinte cabe levantar de ofício a questão. Os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa amoldam-se à sistemática de lançamento por homologação, prevista no art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN). Desta forma, a contagem do prazo decadencial da COFINS se faz de acordo com esta lei nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no § 4º do seu art. 150. Por outro lado, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei nº 7.689/1988, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4º, da Constituição Federal tem natureza tributária, Fl. 8DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 19515.001213/2007-61 Acórdão n.º 1402-00.171 S1-C4T2 Fl. 5 9 consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE Nº 146.733-9-SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Expirado o prazo de cinco anos sem que autoridade fazendária se tenha pronunciado, homologado está o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário. A inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991 foi consignada na Súmula Vinculante nº 8, da Suprema Corte. Uma vez que a contribuinte foi cientificada em Cientificada dos lançamentos em 31/07/2007, todos os fatos geradores ocorridos até 30/06/2002 devem ser excluídos da tributação. Assim conheço do recurso como tempestivo, deixo de conhecer das questões relativas a inconstitucionalidades por força da Súmula nº 2 do CARF, reconheço a decadência dos fatos geradores até 30/06/2002 e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE
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