Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,567)
- Primeira Turma Ordinária (16,459)
- Primeira Turma Ordinária (16,358)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,575)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,554)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,999)
- Terceira Câmara (68,521)
- Segunda Câmara (57,460)
- Primeira Câmara (21,771)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,887)
- Segunda Seção de Julgamen (116,175)
- Primeira Seção de Julgame (78,015)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,430)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,232)
- HELCIO LAFETA REIS (3,928)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,791)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,674)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,704)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,932)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10855.903026/2008-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1401-000.104
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 19 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201110
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10855.903026/2008-70
conteudo_id_s : 6574060
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1401-000.104
nome_arquivo_s : 140100104_10855903026200870_201110.pdf
nome_relator_s : ANTONIO BEZERRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 10855903026200870_6574060.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
id : 4566863
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 19 09:55:53 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1727721676014092288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1308; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 220 1 219 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.903026/200870 Recurso nº 99999 Resolução nº 1401000.104 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 20 de outubro de 2011 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente SCHLEIFRING BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Meigan Sack Rodrigues e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10855.903026/200870 Resolução n.º 1401000.104 S1C4T1 Fl. 221 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1232.850, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro IRJ. Versa o presente processo sobre as DCOMP 32152.84368.090606.1.3.030006, 34123.49800.280405.1.3.034397, 26439.93233.100806.1.3.031959 e 12810.32044.050906. 1.3.03 0611, por meio das quais a interessada pretende compensar crédito que alega possuir relativo a saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 2004 no valor de R$ 12.628,43 com débitos nelas declarados. De acordo com o Despacho Decisório n° 781241255 emitido em 12/08/2008 (fl. 03), não foram homologadas as compensações formuladas através dos PER/DCOMP anteriormente relacionados, tendo em vista que: "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 12.628,43 Valor do crédito na DIPJ: R$ 0,00 Cientificada do referido Despacho em 20/08/2008 (fl. 07), apresentou a interessada, em 19/09/2008, a manifestação de inconformidade de fl. 08, juntamente com os documentos de fl. 09/21, por meio da qual solicita prorrogação de prazo por mais 30 dias para justificar a inexistência do referido débito bem como que seja cancelado o débito fiscal reclamado. Tendo em vista a Portaria SUTRI n° 1036, de 05 de maio de 2010 (fl. 22), o presente Processo Administrativo foi enviado a esta DRJ/RJ1 para julgamento. A DRJ, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Devese manter o Despacho Decisório recorrido, quando não se apresenta elemento de prova ou de direito capaz de modifícálo. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, aduzindo: No anocalendário de 2004, apesar de exercer com afinco as suas atividades, não apurou qualquer lucro, razão pela qual, não se viu obrigada ao recolhimento de IRPJ ou CSLL.; Em que pese o exposto, no mencionado anocalendário, a Recorrente se sujeitou a recolhimento tanto do IRPJ como da CSLL com base no balancete de suspensão ou redução. Referidos valores foram devidamente informados em sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, objeto de retificação, conforme atesta o documento anexo (doc. V). Fl. 221DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10855.903026/200870 Resolução n.º 1401000.104 S1C4T1 Fl. 222 3 Os comprovantes de recolhimento dos referidos valores informados na DIPJ, relacionados à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, que se trata da contribuição objeto da presente, constam da documentação anexa. Destaca ainda que um dos valores foi recolhido através de DARF ,no montante de R$8.299,77, cujo recolhimento é inconteste. Outro valor, no montante de R$2.314,96, foi recolhido através de PER/DCOMP (doc. VI). Ainda, também através de PER/DCOMP houve o recolhimento de R$2.427,39. Assim, no mês de abril de 2004, a Recorrente se sujeitou ao recolhimento da CSLL no montante de R$12.628,43 (doze mil, seiscentos e vinte e oito reais e quarenta e três centavos), devidamente informado em sua DIPJ. Porém, dada a apuração de prejuízo, o valor recolhido foi apontado no ano calendário de 2004 como saldo de CSLL, nos termos do que consta da própria DIPJ retifícadora já referida (doc. V). Observar que efetivamente, por equivoco, inicialmente não apontou em sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, o valor do saldo de CSLL no montante de R$12.628,43 (doze mil, seiscentos e vinte e oito reais e quarenta e três centavos). Tal equívoco, porém, foi objeto de retificação. Ainda, certo o equivoco cometido não lhe retira o direito de ver reconhecido os créditos legítimos de que é possuidora. É o relatório. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10855.903026/200870 Resolução n.º 1401000.104 S1C4T1 Fl. 223 4 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A interessada apresentou Declaração de Compensação através da qual pretende compensar crédito que alega possuir no valor total de R$ 12.628,43. A DRJ indefere a solicitação sem adentrar no mérito, na medida em que indefere pedido de prorrogação de prazo para apresentação de provas. É que a interessada alertava que havia de fato cometido erro material na demonstração do seu saldo negativo e precisava de um pouco mais de tempo para provar este fato. A Recorrente em fase recursal reforça seu acervo probatório, trazendo uma documentação que se devidamente analisada, segundo ela, comprovariam a procedência de pelo menos parte do seu pleito. Apesar de a recorrente de fato não ter inicialmente logrado êxito junto à DRF e DRJ nessa questão probatória, a verdade é que encontrome diante novas provas que induzem me a crer na pertinência da pretensão da Recorrente. Traz declaração retificadora dessa feita consistente com o crédito constante na Declaração de compensação (R$ 12.628,43); diversos Darf de retenção das estimativas recolhidas na sistemática de balancetes de suspensão. Em apertada síntese, assim se pronunciou a Recorrente em seu recurso voluntário: Temos assim que, no anocalendário de 2004, a ora Recorrente, apesar de exercer com afinco as suas atividades, não apurou qualquer lucro, razão pela qual, não se viu obrigada ao recolhimento de IRPJ ou CSLL. Em que pese o exposto, no mencionado anocalendário, a Recorrente se sujeitou a recolhimento tanto do IRPJ como da CSLL com base no balancete de suspensão ou redução. Referidos valores foram devidamente informados em sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, objeto de retificação, conforme atesta o documento anexo (doe. V). Os comprovantes de recolhimento dos referidos valores informados na DIPJ, relacionados à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, que se trata da contribuição objeto da presente, constam da documentação anexa. Oportuno destacar que um dos valores foi recolhido através de DARF ,no montante de R$8.299,77, cujo recolhimento é inconteste. Outro valor, no montante de R$2.314,96, foi recolhido através de PER/DCOMP (doe. VI). Ainda, também através de PER/DCOMP houve o recolhimento de R$2.427,39. Temos pois que, no mês de abril de 2004, a Recorrente se sujeitou ao recolhimento da CSLL no montante de R$12.628,43 (doze mil, Fl. 223DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10855.903026/200870 Resolução n.º 1401000.104 S1C4T1 Fl. 224 5 seiscentos e vinte e oito reais e quarenta e três centavos), devidamente informado em sua DIPJ. Posto isso, inclinome pela diligência uma vez que não posso deixar de reconhecer que estou diante de um conjunto probatório mais articulado e tendo como norte o princípio da verdade material, tornase indispensável a conversão do julgamento em diligência para que seja adotada as seguintes providências pela Fiscalização: Aprofundar melhor a investigação desse novo conjunto probatório, verificando a consistência das informações de forma a apurar a liquidez e certeza do saldo negativo ora em questionamento. Apresentar outras informações ou mesmo intimar o contribuinte a apresentar novas informações e esclarecimentos que entender pertinentes à solução da lide. A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores e, se for o caso, já recalcular o novo crédito, imputar as compensações pleiteadas a partir desse novo contexto, inclusive com os acréscimos legais pertinentes. Ao final entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 224DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 13942.720093/2014-16
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ERRO MATERIAL.
Os Embargos de Declaração prestam-se para sanar omissão, contradição ou obscuridade ou corrigir erro material.
Numero da decisão: 3401-010.395
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.372, de 14 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10945.900581/2014-89, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Luis Felipe de Barros Reche, Carolina Machado Freire Martins e Ronaldo Souza Dias (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Mauricio Pompeo da Silva.
Nome do relator: Oswaldo Gonçalves de Castro Neto
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 19 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 202112
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ERRO MATERIAL. Os Embargos de Declaração prestam-se para sanar omissão, contradição ou obscuridade ou corrigir erro material.
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2022
numero_processo_s : 13942.720093/2014-16
anomes_publicacao_s : 202203
conteudo_id_s : 6575958
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 3401-010.395
nome_arquivo_s : Decisao_13942720093201416.PDF
ano_publicacao_s : 2022
nome_relator_s : Oswaldo Gonçalves de Castro Neto
nome_arquivo_pdf_s : 13942720093201416_6575958.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.372, de 14 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10945.900581/2014-89, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Luis Felipe de Barros Reche, Carolina Machado Freire Martins e Ronaldo Souza Dias (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Mauricio Pompeo da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2021
id : 9237850
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 19 09:56:18 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1727721676015140864
conteudo_txt : Metadados => date: 2022-03-15T18:55:47Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-03-15T18:55:47Z; Last-Modified: 2022-03-15T18:55:47Z; dcterms:modified: 2022-03-15T18:55:47Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2022-03-15T18:55:47Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-03-15T18:55:47Z; meta:save-date: 2022-03-15T18:55:47Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-03-15T18:55:47Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-03-15T18:55:47Z; created: 2022-03-15T18:55:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2022-03-15T18:55:47Z; pdf:charsPerPage: 1834; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-03-15T18:55:47Z | Conteúdo => S3-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13942.720093/2014-16 Recurso Embargos Acórdão nº 3401-010.395 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de dezembro de 2021 Embargante LAR COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ERRO MATERIAL. Os Embargos de Declaração prestam-se para sanar omissão, contradição ou obscuridade ou corrigir erro material. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo- lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.372, de 14 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10945.900581/2014-89, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Luis Felipe de Barros Reche, Carolina Machado Freire Martins e Ronaldo Souza Dias (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Mauricio Pompeo da Silva. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 94 2. 72 00 93 /2 01 4- 16 Fl. 64766DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-010.395 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13942.720093/2014-16 Trata-se de Embargos de Declaração contra decisão proferida por esta Turma e assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria não impugnada e a impugnada de maneira genérica em tempo e modo próprios não deve ser conhecida por este Colegiado. DIALETICIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada. REVISÃO. LANÇAMENTO. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 159. Não é necessária a realização de lançamento para glosa de ressarcimento de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS não-cumulativos, ainda que os ajustes se verifiquem na base de cálculo das contribuições. DECADÊNCIA. ART. 150 § 4 o CTN. GLOSAS. NÃO APLICAÇÃO. Não se aplica o disposto no art. 150, § 4 o , do Código Tributário Nacional (CTN) no caso de análise de solicitação de crédito em despacho decisório, por não se tratar a operação de lançamento. NÃO INCIDÊNCIA. PIS. COFINS. EXPORTAÇÃO INDIRETA. COMERCIAL EXPORTADORA. A não incidência de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, descrita no artigo 14, inciso VIII, da MP 2.158-35/2001, exige prova de que a venda se destinou a exportação, ou seja, prova de que a mercadoria foi efetivamente exportada. ISENÇÃO. PIS. COFINS. EXPORTAÇÃO INDIRETA. TRADING COMPANY. O artigo 1 o do Decreto 1.248/1972 isenta de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS a exportação indireta por meio de Trading Company desde que os bens a exportar sejam enviados diretamente a armazém alfandegado, embarque ou para regime de entreposto extraordinário na exportação. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. VENDA NO MERCADO INTERNO. VENDAS NÃO TRIBUTADAS. Impossível a exclusão da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS das vendas no mercado interno e das vendas não tributadas, eis que não compõem, a priori, a base de cálculo das exações. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. FRETES. O artigo 15 da MP 2.158-35/2001 não trata de essencialidade, mas de especialização concernente a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e serviços da mesma natureza. Assim, salvo prova da especialização do frete, impossível a dedução. EXCLUSÃO. CUSTO AGREGADO. MÃO-DE-OBRA. Fl. 64767DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-010.395 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13942.720093/2014-16 O conceito de custo agregado descrito pelo § 8 o do artigo 11 da IN SRF 635/2006 é amplo, e não vincula o custo agregado ao gasto com salário ou ainda com remuneração, limitando-se o artigo a tratar de dispêndios com mão-de-obra, ou seja, todos os valores pagos e benefícios concedidos às pessoas que prestam serviço ao contribuinte. INSUMOS. PALLETS. MATERIAL DE EMBALAGEM. Não é possível a concessão de crédito não cumulativo de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS ao pallet, salvo quando i) estes constituam embalagem primária do produto final, ii) quando sua supressão implique a perda do produto ou de sua qualidade, ou iii) quando exista obrigação legal de transporte em determinada embalagem. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal de crédito referente a Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS para frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei 11.033/2004 não se refere a créditos cuja aquisição é vedada em lei. SÚMULA CARF 157. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. MERCADORIA PRODUZIDA. O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8 o da Lei 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. Intimada, a Embargante opôs Embargos de Declaração, apontando uma série de omissões, contradições e erros de fato no julgado. Os Embargos foram acolhidos apenas e tão somente no tópico despesas com armazenagem e frete na operação de venda, isto porque, dentre as matérias declaradas preclusas por esta Turma, o tópico em questão foi, efetivamente, aventado tanto em sede de Manifestação de Inconformidade quanto em Recurso Voluntário. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: A fiscalização glosa em tópico específico as DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA porquanto: Dentre as Notas Fiscais apresentadas pela Embargante “foram identificados fretes sem comprovação de origem, destino e/ou produto transportado” o que torna impossível a análise da natureza do frete; Fl. 64768DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-010.395 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13942.720093/2014-16 Fretes entre armazéns da Embargante não geram créditos das contribuições quer estes sejam de produtos acabados, quer sejam de insumos; Quatro fretes referem-se a aquisição de ativo imobilizado. A Embargante em sede de Manifestação de Inconformidade apresentou o seguinte argumento sobre o tema: “Dentre os inúmeros fundamentos da decisão que merecem reforma, a recorrente destaca as glosas a seguir relacionadas: (...)(d3) fretes sobre a aquisição de bem não sujeito ao pagamento das contribuições e tributação monofásica e fretes de transferência entre estabelecimentos (itens 86 a 87 e 107, Informação Fiscal SEORT/EQMAC/DRF FOZ 06/2016)”. Com a máxima vênia ao ilustre Presidente desta Turma, quer parecer que, para inaugurar a lide administrativa a impugnação deve ser específica, apontar, ao menos os motivos de fato que deveriam levar ao afastamento do fundamento, o que no presente caso - sem prejuízo da vasta sabedoria do combativo patrono da Embargante - não se apresenta verdadeiro. Aliás, a Ementa do Voto destaca que “para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada”. Pelo exposto, admito, porquanto tempestivo, e rejeito os Embargos de Declaração. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar os Embargos de Declaração. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Fl. 64769DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13972.000007/2004-18
Data da sessão: Mon Aug 02 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1402-000.021
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto do relator que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Pelá.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Sat Mar 19 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201008
numero_processo_s : 13972.000007/2004-18
conteudo_id_s : 6575964
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1402-000.021
nome_arquivo_s : 140200021_13972000007200418_201008.pdf
nome_relator_s : FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
nome_arquivo_pdf_s : 13972000007200418_6575964.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto do relator que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Pelá.
dt_sessao_tdt : Mon Aug 02 00:00:00 UTC 2010
id : 6894669
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 19 09:56:06 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1727721676020383744
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-10-14T15:07:15Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 10123243.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2010-10-14T15:07:15Z; Last-Modified: 2010-10-14T15:07:15Z; dcterms:modified: 2010-10-14T15:07:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 10123243.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:9f32ccb5-cf62-4c2b-aede-cd46b7ea9765; Last-Save-Date: 2010-10-14T15:07:15Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2010-10-14T15:07:15Z; meta:save-date: 2010-10-14T15:07:15Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 10123243.doc; modified: 2010-10-14T15:07:15Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2010-10-14T15:07:15Z; created: 2010-10-14T15:07:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2010-10-14T15:07:15Z; pdf:charsPerPage: 1353; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2010-10-14T15:07:15Z | Conteúdo => S1-C4T2 Fl. 100 1 99 S1-C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13972.000007/2004-18 Recurso nº 342.604 Resolução nº 1402-0021 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 2 de agosto de 2010 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente ALMA - INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS LTDA ME. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto do relator que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Pelá. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima - Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator. EDITADO EM: 14/10/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente de Turma), Antonio José Praga de Souza, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Carlos Pelá. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 26/10/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 14/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 14/10/2010 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA 2 Relatório Alma Indústria e comércio de Madeiras Ltda ME recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 2ª Turma da DRJ Curitiba/PR, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “... A contribuinte protocolou o pedido de fl. 01 para que lhe fosse deferida a inclusão retroativa ao Simples, desde março de 1997, ao argumento de que apresentou suas declarações no referido regime, bem como efetuou recolhimento dos tributos sob o código 6106. Para melhor sustentar seu pedido, transcreve ementa proferida em caso semelhante. Quando da análise do pedido, a autoridade fiscal constatou que a interessada fez sua opção pela sistemática em 1997 mas foi excluída em 1999, ante o fato de possuir débitos junto ao INSS, cuja exigibilidade não estava suspensa. Restou comprovado, ainda, que a interessada deixou de apresentar manifestação de inconformidade ao ADE que determinou sua exclusão ao Simples. Desta forma, assim se manifestou à fl. 43: “portanto, caberia a revisão de ofício da exclusão, somente no caso da empresa apresentar documentação comprobatória da não existência dos referidos débitos motivo da exclusão.” Cientificada do referido despacho em 02/01/2006 (fl. 45), a interessada trouxe aos autos a certidão negativa do INSS de fl. 46 e ratificou o pedido de inclusão retroativa. Às fls. 49/52, dois ofícios da SACAT/DRF/JOI solicitando informações ao INSS e as consequentes respostas. Com base nos documentos acostados aos autos, nova análise foi proferida pela DRF/JOI e, por meio do despacho de fls. 54/56, foi indeferido o pleito. Na manifestação de inconformidade a interessada afirma: que providenciou a regularização dos débitos junto ao INSS, assim que tomou conhecimento de sua exclusão ; que o Ofício nº 379, juntado à fl. 50, confirma a inexistência de débitos em seu nome; que o tratamento favorecido está expressamente previsto no art. 179 da Constituição Federal; que discorda da ação do fisco para manter o indeferimento e, pede para permanecer no regime. ...” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 06-17.098 (fls. 64-66), proferido em 13/03/2008, traz a seguinte ementa: “DÉBITOS INSCRITOS EM DÍVIDA ATIVA. É vedada, por expressa disposição legal, a opção ao Simples, da pessoa jurídica que tenha débitos inscritos em Dívida Ativa cuja exigibilidade não esteja suspensa” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 24/04/2008 (A.R. de fl. 69), a recorrente interpôs recurso voluntário em 23/05/2009 (fl. 70-72) onde ratifica os termos contidos em sua peça impugnatória, argumentando que teria providenciado a regularização de seus débitos perante o INSS antes mesmo de tomar conhecimento do ADE que determinara sua exclusão do Simples. Nesse sentido, aduz a recorrente que parcelara os aludidos débitos em 15 prestações, com a primeira vencendo em 09/02/1999, e que o ADE seria de 01/03/1999. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 26/10/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 14/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 14/10/2010 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 13972.000007/2004-18 Resolução n.º 1402-0021 S1-C4T2 Fl. 101 3 É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme informação contida à fl. 41, a recorrente foi excluída da sistemática do Simples por meio do ADE nº 100.945 de 09/01/1999. Conforme extrato de fl. 53, os efeitos da exclusão, motivada por constar nos sistemas da Receita Federal “pendências da empresa e/ou sócios junto ao INSS. Número do débito 31.795.345-1”, seriam a partir de 01/03/1999. A recorrente, por sua vez, alega que providenciara a regularização daquela pendência, mesmo antes de ser cientificada do ADE. Perscrutando-se os autos, constata-se às fls. 80-94 que a interessada apresentou cópias dos comprovantes de pagamento do débito de nº 31.795.345-1, com primeira parcela quitada em 09/02/1999 (fl. 80). Infere-se, pois, da análise de tais documentos, que a recorrente teve o pedido de parcelamento do débito em referência concedido em 02/1999 (fl. 80), e que tal parcelamento foi quitado com o pagamento das quinze parcelas (fls. 80-94). De outro lado, constata-se que o ADE que excluiu a interessada do Simples não faz parte dos autos no presente processo. Apenas os extratos de fls. 41 e 53 trazem informações sobre o ato declaratório em referência. Tais informações, já constantes do relatório contido neste Acórdão, estão sintetizadas a seguir: ADE nº 100.945; data da emissão: 09/01/1999; motivo da exclusão: “pendências da empresa e/ou sócios junto ao INSS. Número do débito 31.795.345-1”; efeitos da exclusão: a partir de 01/03/1999. Com efeito, não consta dos autos informação acerca da data em que a recorrente tomou ciência de sua exclusão do regime. Por entender que tal informação é imprescindível para o deslinde da questão, e considerando, também, que o ADE em alusão é o lastro do motivo da questão imposta (exclusão da recorrente do Simples), oriento o meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem faça a juntada ao presente processo da segunda via do ADE nº 100.945, emitido em 09/01/1999, e do comprovante de ciência, pela interessada, daquele ato declaratório, cientificando a interessada do resultado da diligência ora proposta. Sala das Sessões, em 2 de agosto de 2010 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 26/10/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 14/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 14/10/2010 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000193/00-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1401-000.128
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 4ª
Câmara da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 19 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10925.000193/00-77
conteudo_id_s : 5237928
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1401-000.128
nome_arquivo_s : Decisao_109250001930077.pdf
nome_relator_s : ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 109250001930077_5237928.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
id : 4599322
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 19 09:55:54 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1727721676041355264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1744; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.001828/200243 Recurso nº Resolução nº 1401000.128 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 16 de março de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente SADIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos e João Carlos de Figueiredo Neto. RELATÓRIO Trata o presente feito de pedido de restituição cumulado com declaração de compensação, em que se postula, dentre outros, a recuperação de créditos em prazo superior a cinco anos da apresentação da PER/DCOMP. A decisão recorrida afastou a pretensão da Recorrente de ver recuperados créditos cujo prazo supere 5 anos da apresentação do pedido, tendo referida matéria sido objeto de recurso. É o relatório, no necessário. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 15/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 10805.001828/200243 Resolução n.º 1401000.128 S1C4T1 Fl. 2 2 VOTO O conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Relator: O recurso é tempestivo e, atendidos os demais requisitos legais, dele conheço. O Superior Tribunal de Justiça, por reiteradas decisões firmadas pacificamente no âmbito de sua jurisprudência, fixou entendimento de que o prazo de restituição dos tributos pagos no âmbito do regime de lançamento por homologação deveria ser contado da data da homologação do pagamento, e não da data do pagamento. Esse entendimento, alcunhado de “tese dos cinco mais cinco”, deferia aos contribuintes que não tiveram o seu pagamento expressamente homologado pela autoridade fiscal, que postulassem a restituição de tributos em até cinco anos após a homologação tácita do pagamento, ou seja, passados cinco anos da ocorrência do fato gerador. Contrariamente a este entendimento, foi editada a Lei Complementar nº 118/05 que, a título interpretativo, previu que, nos casos de pedido de restituição, o prazo prescricional para postular a restituição deveria ser contado da data do pagamento; e não da data da homologação do pagamento. Surgiu, então, questionamento acerca da aplicação retroativa de referida lei, que foi julgada definitivamente pelo Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal no processo nº 566.621/RS, em repercussão geral reconhecida no RE nº 561.9087/RS, tendo ficado assentado o seguinte: Para as ações e pedidos de repetição realizados antes da vigência da lei complementar nº 118/05 (considerado, aqui, a vacatio legis de 120 dias da sua publicação), o prazo prescricional para restituição de tributos deve ser contado da data da homologação do pagamento, nos termos da “tese dos cinco mais cinco”; Para as ações e pedidos de restituição realizados após a vigência da lei complementar nº 118/05, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, aplicase o prazo prescricional de cinco anos, contados do pagamento. Transcrevo a ementa do julgado do Excelso Pretório, in litteris: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha Fl. 764DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 15/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 10805.001828/200243 Resolução n.º 1401000.128 S1C4T1 Fl. 3 3 se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Referida decisão transitou em julgado no dia 27 de fevereiro de 2012. No caso dos autos, o pedido de restituição postulado pelo Recorrente ocorreu antes da vigência da lei complementar nº 118/05, razão pela qual referido direito deve ser analisado. Assim, entendo deva ser o presente processo remetido à Delegacia de origem para que, afastada a aplicação do prazo prescricional de cinco anos, conforme entendimento supra, promova a verificação da certeza, liquidez e disponibilidade do crédito pleiteado, elaborando parecer conclusivo acerca da compensação postulada. Após a notificação do contribuinte acerca do resultado da diligência, e observado o trintídio legal para seu pronunciamento, devolvamse os autos a este Conselho para prosseguimento do feito. É como voto. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 15/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 10805.001828/200243 Resolução n.º 1401000.128 S1C4T1 Fl. 4 4 (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 766DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 15/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR
score : 1.0
Numero do processo: 14474.000184/2007-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/07/2004
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO FOLHA DE PAGAMENTO REMUNERAÇÕES PAGAS, DEVIDAS OU CREDITADAS AOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS INOBSERVÂNCIA DE PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL INCIDÊNCIA
A autuação ocorre por deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e das pagas ou devidas aos contribuintes individuais, a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PROGRAMA DE INCENTIVO PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO GRATIFICAÇÃO REMUNERAÇÃO INCIDÊNCIA.
A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza salarial e deve integrar o Salário de Contribuição.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO
ALEGAÇÃO
DE
INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO
APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MULTA MORATÓRIA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NATUREZA JURÍDICA DISTINTA
A multa moratória possui natureza jurídica distinta da multa por
descumprimento de obrigação acessória, pois enquanto esta se refere ao não cumprimento das obrigações de fazer, não fazer ou tolerar, já aquela se refere às contribuições sociais previdenciárias relacionadas à obrigação principal em atraso.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2403-000.388
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
dt_index_tdt : Sat Mar 19 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201102
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 31/07/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO FOLHA DE PAGAMENTO REMUNERAÇÕES PAGAS, DEVIDAS OU CREDITADAS AOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS INOBSERVÂNCIA DE PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL INCIDÊNCIA A autuação ocorre por deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e das pagas ou devidas aos contribuintes individuais, a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PROGRAMA DE INCENTIVO PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO GRATIFICAÇÃO REMUNERAÇÃO INCIDÊNCIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza salarial e deve integrar o Salário de Contribuição. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MULTA MORATÓRIA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NATUREZA JURÍDICA DISTINTA A multa moratória possui natureza jurídica distinta da multa por descumprimento de obrigação acessória, pois enquanto esta se refere ao não cumprimento das obrigações de fazer, não fazer ou tolerar, já aquela se refere às contribuições sociais previdenciárias relacionadas à obrigação principal em atraso. Recurso voluntário negado.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 14474.000184/2007-21
anomes_publicacao_s : 201102
conteudo_id_s : 4678583
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.388
nome_arquivo_s : 2403000388_14474000184200721_201102.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 14474000184200721_4678583.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
id : 4738620
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 19 09:55:58 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1727721676049743872
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2200; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 112 1 111 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14474.000184/200721 Recurso nº 266.294 Voluntário Acórdão nº 240300.388 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 10 de fevereiro de 2011 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente SABANCO DE CURITIBA SERV DE ASSIST BANC Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 31/07/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO FOLHA DE PAGAMENTO REMUNERAÇÕES PAGAS, DEVIDAS OU CREDITADAS AOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS INOBSERVÂNCIA DE PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL INCIDÊNCIA A autuação ocorre por deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e das pagas ou devidas aos contribuintes individuais, a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PROGRAMA DE INCENTIVO PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO GRATIFICAÇÃO REMUNERAÇÃO INCIDÊNCIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza salarial e deve integrar o SaláriodeContribuição. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 2 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MULTA MORATÓRIA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NATUREZA JURÍDICA DISTINTA A multa moratória possui natureza jurídica distinta da multa por descumprimento de obrigação acessória, pois enquanto esta se refere ao não cumprimento das obrigações de fazer, não fazer ou tolerar, já aquela se refere às contribuições sociais previdenciárias relacionadas à obrigação principal em atraso. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000184/200721 Acórdão n.º 240300.388 S2C4T3 Fl. 113 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, às fls. 84 a 107, apresentado contra Acórdão nº 0619.128 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba – PR, fls. 73 a 80, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 37.087.5184, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 1.195,13 (um mil, cento e noventa e cinco reais e treze centavos). Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 11 a 16, o Auto de Infração nº. 37.087.5184, Código de Fundamentação Legal – CFL 30, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de incluir nas folhas de pagamento relativas às competências fevereiro de 2003 a julho de 2004, das remunerações discriminadas na coluna "C" da Tabela do Anexo I, remunerações essas decorrentes de premiações para os seus empregados, pagas por intermédio da empresa SIM INCENTIVE MARKETING S/C LTDA, CNP] 03.745.219/000108. Ademais, o referido benefício, pago pelo trabalho e não para o trabalho, visava incentivar a produtividade e o desempenho dos empregados da empresa notificada e era operado através do SIMCLUB, sistema de cartões eletrônicos utilizados como meio de pagamento de premiações. Tratase de remuneração, independentemente do título que a ele se atribua (incentivo, prêmio, estímulo, bonificação, etc.) e é, portanto, salário de contribuição, sobre o qual incidem contribuições previdenciárias. Observa ainda o Relatório Fiscal da Infração às fls. 11 a 16, que: “(...) 2.6 Esclarecese que tampouco foram recolhidas tempestivamente as contribuições previdenciárias incidentes sobre tais remunerações, contribuições essas que foram objeto da NFLD 37.097.9133. Também não ocorreu o lançamento das referidas remunerações em GFIPs Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, o que ensejou a lavratura dos Autos de Infração 37.097.9125. 2.7 Não houve apresentação do contrato de prestação de serviços celebrado entre a empresa autuada e a SIM INCENTIVE MARKETING SC LTDA, o que ensejou a lavratura do Auto de Infração n° 37.087.5176, mas por informações verbais fornecidas pelo Sr. Antônio Gonçalves Cervilha, que atendeu a fiscalização, a prestadora dos serviços emitia cartões com um limite de crédito, os quais eram encaminhados à empresa autuada que os distribuía aos seus funcionários, os quais utilizavam os créditos carregados nesses cartões. A falta de apresentação da relação com os funcionários contemplados com a premiação também foi objeto do Auto de Infração retrocitado. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 4 Anota ainda o Relatório Fiscal, às fls. 11 a 16, que a ocorrência foi constatada pelo exame de notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela empresa SIM INCENTIVE MARKETING S/C LTDA, folhas de pagamento, GFIPs, GPS Guias da Previdência Social, bem como de lançamentos contábeis dos Livros Diários e Razão, conta 9400900Incentivo e Marketing c/ Empregados. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, I, combinado com art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea "a" e art. 373. Segundo o Relatório Fiscal da Infração, fls. 15, a multa aplicada pela infração praticada é de R$ 1.195,13 (um mil, cento e noventa e cinco reais e treze centavos), sendo que O valor para cálculo da multa foi atualizado pela Portaria do Ministério da Previdência Social MPS/GM 142, de 11/04/07. O Relatório Fiscal da Infração, fls. 16, mostra que o autuado é primário, não registra a existência de circunstância agravante, conforme a descrição do inciso V do art. 290, do Decreto n° 3.048/1999, tampouco registra a existência de circunstância atenuante, prevista no art. 291 do Decreto n° 3.048/1999. Ademais, Foram emitidos os seguintes documentos, decorrentes da ação fiscal: • AI Auto de Infração 37.087.5184 • AI Auto de Infração 37.097.9117 • AI Auto de Infração 37.087.9125 • NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito 37.097.9133 O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09395144F00, foi de 01/1997 a 12/2006, às fls. 06. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 11, é de 02/2003 a 07/2004. A recorrente teve ciência do auto de infração no dia 29.06.2007, conforme Aviso de Recebimento – AR nº RA 382150515BR, às fls. 29, 65 e 67. A Recorrente apresentou impugnação, às fls. 31 a 49, com Anexos às fls. 50 a 64. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, fls. 73 a 80, conforme Ementa do Acórdão nº 0619.128 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba – PR, a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000184/200721 Acórdão n.º 240300.388 S2C4T3 Fl. 114 5 Período de apuração: 01/02/2003 a 31/07/2004 AI N°37.087.5184 FOLHAS DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM AS NORMAS E PADRÕES. INFRAÇÃO. Constitui infração preparar folhas de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço em desacordo com as normas e padrões estabelecidos pela legislação previdenciária. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO.INCIDÊNCIA CONTRIBUTIVA. CRÉDITOS EM CARTÕES ELETRÔNICOS. Conforme prevê a Constituição Federal de 1988 (art. 201, §11) e a legislação ordinária (Lei n°8.212, de 24 de julho de 1991, art. 28, I), integram o saláriodecontribuição do segurado empregado todos os rendimentos recebidos a qualquer título como contraprestação do seu trabalho, ainda que pagos indiretamente sob a forma de créditos em cartões eletrônicos. APLICAÇÃO DA MULTA. PROCEDÊNCIA. A multa será aplicada por tipo de infração a qualquer dispositivo da Lei n°8.212, de 24 de julho de 1991, conforme a sua gravidade, cujos os valores estão previstos no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, e são atualizados na forma do artigo 373 desse Regulamento, mediante Portaria Ministerial. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão da recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 84 a 107, onde alega, em apertada síntese: I – Da nulidade por impossibilidade de se decidir sobre a obrigação acessória antes da principal Conforme já salientado, além do AI ora discutido, a ora Recorrente teve contra si lavrados outros 3 (três) AI, de n.°s 370875184, 370875176 e 390979125, além da NFLD n.° 37.097.9133, na qual se discute o tributo em si. Tendo em vista que os Autos de Infração referemse a penalidades decorrentes do suposto tributo devido, as impugnações referentes ao AI e à NFLD deveriam ser julgadas simultaneamente, vez que são interligadas. A medida impõese até mesmo para evitar julgamentos conflitantes. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 6 II Da adequação do procedimento fiscal adotado pela Recorrente em face da legislação tributárioprevidenciária e da Constituição Federal de 1988. As contribuições previdenciárias incidem tãosomente sobre a "remuneração", paga aos empregados, como contraprestação pelo trabalho realizado, e nunca sobre valores pagos a título de "prêmios por resultados"; A Lei n° 8.212/91, no artigo 28, prescreve expressamente quais verbas que devem —ou não ser consideradas como "saláriodecontribuição" para fins de tributação, e que o termo "remuneração" restringese ao ato pelo qual o empregado recebe uma contraprestação pelo seu trabalho. E que os valores pagos a título de "prêmio", instituído em programa de incentivo aos empregados e colaboradores não encontra nenhum enquadramento na definição legal de remuneração, nem tampouco no conceito de salário utilidade; As premiações conferidas a quem cumpriu com as determinadas metas, nada mais são do que incentivos ao bom desempenho no trabalho, conferidos por mera liberalidade do empregador, não remunerando o trabalho prestado; III – Do programa de incentivo por resultado da empresa ora Recorrente – ausência de habitualidade e comutatividade / retributividade. As premiações (programa "Sistema de Prêmio por Resultado") se consubstanciam em negócios unilaterais, outorgados mediante determinadas condições de resultado, administrada por outra empresa (terceirizada), contratada para a promoção de campanha de incentivo em nome e por conta da cliente que buscou os seus serviços, como ocorre no presente caso; Desenvolve atividades ligadas a exploração do ramo de serviços de coleta, de aceite em títulos, a informações cadastrais para bancos e comércio, transporte e entrega de malotes e entrega domiciliar de talonários de cheques e cartões de créditos, cujo o objetivo fundamental é atender com eficiência e qualidade os prazos estipulados pelos clientes. E que, no final do mês, os funcionários que melhor atingiram as metas de coleta e entrega recebiam uma premiação (cartão de crédito) por meio da empresa SIM INCENTIVE, que possibilitava a realização de compras em lojas credenciadas, saques em instituições bancárias,etc.; Os valores pagos não possuem requisitos de habitualidade e cumulatividade, essenciais nas relações de caráter salarial. E que na planilha elaborada pelo Auditor Fiscal, se constata que os valores não seguem um padrão em correspondência ao número de funcionários, o que seria necessário, caso esses valores fossem efetivamente remuneração, o que demonstra se tratar de situações não habituais, motivadas por campanha promocional gerenciada por empresa especializada, cujos os prêmios são Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000184/200721 Acórdão n.º 240300.388 S2C4T3 Fl. 115 7 estabelecidos por ato unilateral dos empregadores, não podendo assim ser tributado; IV – Do posicionamento jurisprudencial A jurisprudência, conforme acórdãos transcritos, já pacificou o entendimento de que os prêmios pagos aos empregados que atingem as metas não integram a remuneração. Em seguida, fala da tipicidade fechada o legislador não pode, a seu talante, instituir nova base de cálculo do tributo, pois são ganhos eventuais conforme alínea "e" item7, do §9 º do artigo 28 da Lei n°8.212/91.E que o prêmio instituído no programa de metas (viagens, eletrodomésticos,etc.) tampouco integra o conceito de salárioutilidade. V – Do regime jurídico A atividade de marketing de incentivo tem por objeto a motivação de colaboradores internos (empregados) e externos (terceiros sem vínculo empregatício) com o cliente, bem como daqueles que se destacam, e que a promessa de recompensa é uma espécie de ato unilateral nos moldes do art. 854 do Código Civil, e que os empregados são livres para aderir ou não ao plano engendrado pela entidade promotora; Se a promessa de pagamento previu ser em dinheiro, não se pode deduzir, só desse fato, sua natureza salarial, e que as premiações por resultados pagas pela empresa, em decorrência de campanha de marketing de incentivo, possuem natureza jurídica de promessa de recompensa decorrente de ato unilateral; VI – Do valor exigido a título de multa Acaso este Conselho decida pela manutenção da multa, o que se admite apenas a título de argumentação, ainda assim a decisão ora recorrida deve ser revista, e virtude do valor exorbitante que foi fixado. Pela simples visualização dos valores cobrados a este título, vêse que os mesmos são excessivos, passando dos limites legais de sua cobrança, dando a ela efeito de confisco. Todavia, em obediência ao Principio Constitucional da Tipicidade Fechada em Matéria Penal, Administrativa e Tributária, da Legalidade Estrita, do Devido Processo Legal, da Moralidade, da Proporcionalidade, do Non Bis In Idem, todos fundamentais para a sustentação de um Estado Democrático de Direito, resta imperioso reconhecer a abusividade da multa veiculada no presente Auto de Infração. VII – Vício na forma de cálculo da sanção Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 8 No presente caso, a capitulação legal adotada pelo agente fiscal chega a dois valores de referência: o valor mínimo, de R$ 1.195,13, e um valor máximo, de R$ 11.951,30. Veja que o estabelecimento destes valores (mínimo e máximo) obedece a um único critério, qual seja, o número de segurados relativos à empresa ora Recorrente. De se ressaltar que a própria decisão reconhece que o valor da multa é quantificado utilizandose de parâmetros e valores veiculados em ato infralegal, o que contraria expressamente o princípio da legalidade. VIII – Alegações diversas de inconstitucionalidades. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 111. É o Relatório. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000184/200721 Acórdão n.º 240300.388 S2C4T3 Fl. 116 9 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 111. Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº. 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. DA PRELIMINAR Da nulidade por impossibilidade de se decidir sobre a obrigação acessória antes da principal Em relação ao resultado da AuditoriaFiscal em análise, quais sejam: • AI Auto de Infração 37.087.5184 • AI Auto de Infração 37.097.9117 • AI Auto de Infração 37.087.9125 • NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito 37.097.9133 De plano, em síntese, a Recorrente requer que tanto a NFLD quanto os autos de infração, originados da mesma AuditoriaFiscal, sejam julgados na mesma Sessão de Julgamento, o que de fato ocorre com o julgamento dos Recursos Voluntários referentes às autuações principal e acessória acima elencados nesta Colenda Turma na Sessão de 10 de fevereiro de 2011. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 10 Portanto, rejeitada a Preliminar de nulidade, passemos ao exame do Mérito. DO MÉRITO A Recorrente foi autuada por deixar de incluir nas folhas de pagamento os valores pagos, por meio de créditos nos cartões eletrônicos administrados pela empresa SIM INCENTIVE MARKETING S/C LTDA, CNPJ 03.745.219/000108, aos empregados que lhes prestaram serviços no período de fevereiro de 2003 a julho de 2004, em desacordo com os padrões previstos no Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Em relação ao Mérito, a argumentação central da Recorrente foi no sentido de descabimento de incidência de contribuição social previdenciária em relação às operações decorrentes do cartão de Premiação SIM INCENTIVE. I Da incidência de contribuição social previdenciária em relação às operações decorrentes do cartão de Premiação SIM INCENTIVE. O Relatório Fiscal da Infração, às fls. 11 a 16, mostra que constituem fatos geradores das contribuições os valores de prêmios pagos pela empresa notificada aos seus empregados e contidos nas notas fiscais de emissão da empresa que operou o sistema de premiação SIM INCENTIVE MARKETING S/C LTDA, CNPJ 03.745.219/000108. Passemos a análise do Mérito em relação à incidência de contribuição social previdenciária sobre o valor das remunerações pagas a segurados empregados sob a rubrica de "Prêmios" através dos cartões de premiação SIM INCENTIVE. Os valores pagos por meio de cartão de incentivo são considerados prêmios e prêmio é um salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a produção, a eficiência, etc. Caracterizase pelo seu aspecto condicional, pois uma vez atingida a condição prevista por parte do trabalhador, este faz jus ao mesmo. Portanto, por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação do serviço prestado e, por conseqüência, possui natureza jurídica salarial. A Recorrente tenta descaracterizar a natureza salarial dos prêmios alegando que são pagos por mera liberalidade da empresa e sem habitualidade. Ocorre que tal entendimento não pode prevalecer. De início, devese destacar o disposto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e Fl. 10DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000184/200721 Acórdão n.º 240300.388 S2C4T3 Fl. 117 11 requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.” Conforme se extrai dos dispositivos legais supracitados, qualquer espécie de isenção e/ou hipótese de não incidência que o Poder Público pretenda conceder ao contribuinte deve decorrer de lei disciplinadora, sendo sua interpretação literal e não extensiva. Ocorre que, as importâncias que não integram o salário de contribuição estão expressamente listadas no artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, não constando do referido dispositivo legal as verbas pagas a segurados empregados sob a rubrica de "Prêmios" através dos cartões de premiação, não se cogitando, assim, na improcedência do lançamento na forma requerida pela Recorrente. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9° Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 (...) 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998) Ao admitir a não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas aos segurados empregados na forma de prêmios (gratificação ajustada), teríamos que interpretar o artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, de forma extensiva, o que vai de encontro com a legislação tributária, como acima demonstrado. Com efeito, nos termos do artigo 28, § 9º, não integram o salário de contribuição as importâncias recebidas pelo empregado ali elencadas, sendo defeso a interpretação de referida previsão legal extensivamente, de forma a incluir outras verbas, senão aquela (s) constante (s) da norma disciplinadora do “benefício” em comento, em observância ao disposto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN. É cediço que este tema da incidência da contribuição social previdenciária sobre o valor das remunerações pagas a segurados empregados por meio de cartões de premiação é matéria pacificada no âmbito desta Colenda Câmara no sentido de procedência dos lançamentos efetuados pela Auditoria Fiscal, como se infere a seguir dos seguintes julgados: Recurso 259.082– Voluntário Acórdão 240300.221– 4ª Câmara 3ª Turma Ordinária Sessão de 20 de outubro de 2010 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Fl. 11DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 12 Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, no caso, anotase que houve o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. PREVIDENCIÁRIO REMUNERAÇÃO CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PRECEDENTES. Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000184/200721 Acórdão n.º 240300.388 S2C4T3 Fl. 118 13 Recurso 146.668– Voluntário Acórdão 240100.294 – 4ª Câmara 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de junho de 2009 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2001 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. APLICAÇÃO DO ART. 150, §4º, DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias PAGAMENTO DE VERBAS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS A TÍTULO DE PRODUTIVIDADE. PROGRAMA DE INCENTIVO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A teor do disposto no art. 28, I, da Lei 8.212/91, integram o salário de contribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária as verbas pagas a segurados empregados e diretores por intermédio da empresa Incentive House LTDA. INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA. CONFISCO Não cabe ao Conselho de Contribuintes a análise de inconstitucionalidade. Matéria sumulada. RECURSO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso de ofício cujo valor do crédito tributário exonerado em primeira instância, não alcança o valor legalmente estipulado para a sua interposição. RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO. Recurso 151.960– Voluntário Acórdão 240100.619– 4ª Câmara 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de agosto de 2009 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2005 PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual Fl. 13DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 14 do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial. NORMAS PROCEDIMENTAIS. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, §§ 3º e 6º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Recurso 153.149– Voluntário Acórdão 240200.028– 4ª Câmara 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de julho de 2009 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2002 a 31/12/2005 SALÁRIO INDIRETO PRÊMIOS DE INCENTIVO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDÊNCIA Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Recurso 158.879 – Voluntário Acórdão: 240300.001 – 4ª Câmara 3ª Turma Ordinária Sessão de 28 de abril de 2010 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2006 PRÊMIO INTEGRA O SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Valores pagos aos segurados empregados, em decorrência do cumprimento de metas ou estimulo pelos resultados obtidos. ainda que efetivados na forma de utilidades (vales ou cupons), constitui prêmio, parcela indiscutivelmente de natureza salarial, Fl. 14DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000184/200721 Acórdão n.º 240300.388 S2C4T3 Fl. 119 15 integrando, em conseqüência, a remuneração e, por extensão, o saláriodecontribuição da Previdência Social. MULTA DE MORA Devido à nova redação do artigo 35 da Lei 8.212/91 dada pela Lei 11.941/2009, a multa de mora deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica para o contribuinte. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Anotase no mesmo sentido a jurisprudência administrativa do Conselho de Recursos da Previdência Social e do 2º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2005 Ementa: NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO REMUNERAÇÃO. INCENTIVE HOUSE. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA MORATÓRIA E OS JUROS SELIC SÃO DEVIDOS NO CASO DE INADIMPLÊNCIA DO CONTRIBUINTE. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela Incentive House S.A. é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Recurso Voluntário Negado.” (Sexta Câmara do Segundo Conselho – Recurso nº 141822, Acórdão nº 20600286, Sessão de 11/12/2007) “PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO – PRÊMIOS – SAT – SESC – SENAC – SEBRAE – INCRA – SELIC. Os prêmios ou bonificações vinculados a fatores de ordem pessoal do trabalhador e pagos aos empregados que cumprirem a condição estipulada terão natureza salarial e integrarão o saláriodecontribuição, de acordo com art. 28, I, da Lei 8.212/91, de 24 de julho de 1991 c/c art. 214, I, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 05 de maio de 1999. [...]” (4ª Câmara do CRPS, Acórdão nº 3153/2004) Fl. 15DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 16 A corroborar esse entendimento, o Parecer/CJ nº 1.797/1999, determina que os prêmios decorrentes de um trabalho prestado, observadas as condições estipuladas, terão natureza salarial e, conseqüentemente, integrarão o salário de contribuição: "9. A Consolidação das Leis do Trabalho, ao tratar da remuneração do empregado, estabeleceu que: Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1 0 Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (grifo nosso) 10. Portanto, como o salário é elemento remuneratório do trabalho e se determinada parcela remuneratória se originou em decorrência única e exclusiva do vínculo laboral entre empregado e empregador, esta não deve ser excluída da base de cálculo da contribuição. 11. Em face deste conceito, algumas considerações se fazem necessárias sobre a natureza jurídica dos valores pagos a título de Prêmios. Segundo o Professor AMAURI MASCARO NASCIMENTO: A CONCEITO E FUNDAMENTO. Não estão previstos em nossa lei, mas são encontrados como forma de pagamento de empregados. Prêmio é um salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a produção, a eficiência etc. Não pode ser forma única de pagamento. A natureza jurídica salarial do prêmio não sofre, praticamente, contestações. É uma forma de salário vinculado a um fator de ordem pessoal do empregado ou geral de muitos empregados, via de regra, a sua produção. Daí se falar, também, em salário por produção. Caracterizase, também, pelo seu aspecto condicional. Uma vez verificada a condição de que resulta, deve ser pago. B DIFERENÇA DE OUTRAS FIGURAS. O prêmio não se confunde com a participação nos lucros, uma vez que sua causa não é a percepção de lucros pela empresa, mas o cumprimento, pelo empregado, de uma condição preestabelecida (ex.: uma determinada produção). Nem com a gratificação do, cujos causas dependem mais de fatos ou acontecimentos objetivos e externos à vontade do empregado, enquanto o prêmio está diretamente ligado ao esforço, ao rendimento do empregado. Também não é confundível com comissões, porque estas têm por base um negócio fechado através do empregado, enquanto o prêmio tem como causa um aumento de produção ou de Fl. 16DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000184/200721 Acórdão n.º 240300.388 S2C4T3 Fl. 120 17 eficiência. Em outras palavras, as comissões pendem para o setor comercial, e os prêmios, para o setor industrial. C CLASSIFICAÇÃO. Há diversas modalidades de prêmios criadas pelas necessidades do processo de produção. São mais difundidos os prêmios de produção, instituídos para que o empregado se anime a produzir mais e pagos sempre que o trabalhador, individual ou coletivamente, atingir um limite ixado pelo empregador; o prêmio de assiduidade, pago ao empregado que não falta ao serviço mais que o número de dias por mês que a empresa determinar; e o prêmio de zelo, pago ao empregado que não danifica os bens da empresa, em especial ao motorista da empresa de ônibus que não der causa a colisão do veículo durante o mês. Diante da natureza jurídica salarial os prêmios: a) integram a remuneraçãobase para recolhimento do depósitos do Fundo de Garantia do tempo de Serviço, de contribuições previdenciárias, cálculo de indenização, 13° salário, repouso remunerado, férias etc.; b)n ao podem ser suprimidos unilateralmente; c) não podem ser absorvidos pelo salário, salvo concordância do empregado e desde que não o prejudique; d) se não verificada a condição que os causa, não são exigíveis pelo empregado; e) obedecem ao critério de médias, para o cômputo da remuneração; fi por serem aleatórios, como a participação nos lucros e as gratificações de balanço, não podem ser admitidos como forma única de salário, pressupondo sempre a existência, ao seu lado, de um salário fixo, garantido e invariável para a subsistência do trabalhador. (in Iniciação ao Direito do Trabalho, 24ª ed., LTr, SP, 1998, Págs. 343/344) (grifo nosso) 12. Também neste sentido as seguintes decisões do Tribunal Superior do Trabalho: A parcela bonificação por assiduidade/produtividade constitui salário para todos os efeitos legais. Seu caráter condicional não lhe altera natureza jurídica de salário. (TST. RR 189.047/95. 2' Turma. Relator Ministro JOSÉ LUCL4NO DE CASTILHO. DJ 22.11.96) (grifo nosso) Sem prejuízo da terminologia usada, 'bonificação', o fato é que referida verba tem natureza premial e, como tal, identificase como salário, de vez que originouse do contrato de trabalho e sempre foi paga como retribuição e incentivo, respectivamente à produção e assiduidade do reclamante ao serviço, no curso da semana. Desde que determinada verba seja ajustada de forma expressa ou tácita, presentes nesta última hipótese a habitualidade, a periodicidade e a uniformidade de seu pagamento, e objetive remunerar o empregado pelo trabalho executado, sua natureza salarial manifestase plena. (TST. ERR 192.120/95.7. SDI1. Relator Ministro MILTON DE MOURA FRANÇA. DJ 1.8.97) (grifo nosso) 13. Do exposto, podemos concluir que a prestação paga por uma empresa em favor de seus empregados a título de Fl. 17DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 18 Prêmios, mesmo que subordinada ao implemento de uma condição, tem natureza salarial. Ressaltese que para caracterizar o Prêmio como salário é necessário que primeiro, seja uma remuneração do trabalho executado, e segundo, seja pago ao empregado ou grupo de empregados que cumprir a condição estipulada. Dessa forma, uma vez presentes tais requisitos, os Prêmios terão natureza salarial e, por conseguinte, integrarão o saláriodecontribuição.” (grifo nosso) Registrese, que não basta o recebimento de prêmio de forma aleatória, deve advir de um trabalho executado, cumpridas as condições estipuladas. Na hipótese dos autos, os funcionários da recorrente prestaram serviços e atingiram o requisito necessário a concessão do prêmio, qual seja, a eficiência nos trabalhos desenvolvidos, se enquadrando perfeitamente na hipótese de incidência das contribuições previdenciárias. Em relação à habitualidade, esta não fica caracterizada apenas pelo pagamento em tempo certo, de forma mensal, semestral, etc., mas pela garantia do recebimento a cada implemento de condição por parte do trabalhador. Tratandose de prêmios, não há que se falar em habitualidade, bastando que o empregado alcance a condição predeterminada pelo empregador para fazer jus àquele benefício, como forma de gratificação ajustada, que para todos os efeitos é considerado como remuneração, nos precisos termos do artigo 457, § 1º, da CLT, in verbis: “Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também, as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador.” (grifamos) Ademais, o pagamento de prêmios por cumprimento de condição leva tais valores e aderirem ao contrato de trabalho, cuja eventual supressão pode caracterizar alteração prejudicial do contrato de trabalho, o que é vedado pelo art. 468 da Consolidação das Leis do Trabalho: “Art. 468. Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento, ainda assim, desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia.”. O entendimento acima encontra respaldo na jurisprudência trabalhista, conforme se verifica nos seguintes julgados: “Prêmios. Saláriocondição. Os prêmios constituem modalidade de saláriocondição, sujeitos a fatores determinados. E, como tal, integram a remuneração do autor estritamente nos meses em que verificada a condição”.(RO23976/97 – TRT 3ª Reg. – 1ª T – relator juiz Ricardo Antônio Mohallem – DJMG 220199)” Fl. 18DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000184/200721 Acórdão n.º 240300.388 S2C4T3 Fl. 121 19 “Comissões e prêmios. Distinção. Comissão é um porcentual calculado sobre as vendas ou cobranças feitas pelo empregado em favor do empregador. O prêmio depende do atingimento de metas estabelecidas pelo empregador. É saláriocondição. Uma vez atingida a condição, a empresa paga o valor combinado. Não se pode querer que o preposto saiba a natureza jurídica entre uma verba e outra”. (Proc. nº 00693200390202007 – Ac. 20030282661 – TRT 2ª Reg. 3ª Turma – relator juiz Sérgio Pinto Martins – DOESP 24.0603)” Consoante se infere dos dispositivos legais e jurisprudência acima expostos, não resta dúvida que os valores recebidos pelos empregados intitulados de Cartão SIM INCENTIVE devem integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, uma vez que considerados salário de contribuição, na forma de gratificação ajustada, se enquadrando perfeitamente no conceito de salário de contribuição, inscrito nos artigos 22, inciso I, c/c artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, que assim prescrevem: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;” (grifamos) Neste sentido, tendo a Recorrente concedido a seus segurados empregados gratificação ajustada (Prêmios), não há que se falar em não incidência de contribuições previdenciárias sobre referidas verbas, por se caracterizarem como salário de contribuição, impondo a manutenção do feito. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 20 Assim, escorreita a decisão Recorrida devendo nesse sentido ser mantida a NFLD, uma vez que a Recorrente não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo pra si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. II Alegações diversas de violações a preceitos constitucionais. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Fl. 20DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000184/200721 Acórdão n.º 240300.388 S2C4T3 Fl. 122 21 Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. III DO VÍCIO NA FORMA DE CÁLCULO DA SANÇÃO A Recorrente alega: No presente caso, a capitulação legal adotada pelo agente fiscal chega a dois valores de referência: o valor mínimo, de R$ 1.195,13, e um valor máximo, de R$ 11.951,30. Veja que o estabelecimento destes valores (mínimo e máximo) obedece a um único critério, qual seja, o número de segurados relativos à empresa ora Recorrente. De se ressaltar que a própria decisão reconhece que o valor da multa é quantificado utilizandose de parâmetros e valores veiculados em ato infralegal, o que contraria expressamente o princípio da legalidade ("valor mínimo" — fls. 06 e 07 da decisão). Analisemos. Insurgese a Recorrente contra a aplicação da sanção, o que não prospera porque a infração de deixar a Recorrente de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e das pagas ou devidas aos contribuintes individuais, a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB, implica no dispositivo legal infringido com base na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, I, combinado com art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, além do que a multa aplicada reside no dispositivo legal insculpido na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea "a" e art. 373. Ademais, o valor mínimo, previsto no art. 92 da Lei nº 8.212/91, foi fixado em R$1.195,13, valor vigente e atualizado na data da lavratura do Auto de Infração pelos incisos V e VI do art.9º da Portaria MPS n° 142, de 11 de abril de 2007. Lei nº 8.212/1991: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Registrese, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pela Recorrente. Outrossim, a Recorrente alega que foi penalizada cinco vezes pela mesma situação fática, incluindo a NFLD, com sanções idênticas, e que tal procedimento afronta princípios constitucionais (no bis in idem). Fl. 21DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 22 Entretanto, devese anotar que a obrigação tributária principal se diferencia da obrigação tributária acessória. Nos dizeres do professor Ricardo Lobo Torres1, a obrigação tributária principal é o vínculo jurídico que une os sujeitos ativo e passivo em torno do pagamento de um tributo, enquanto que .a obrigação acessória se revestira de deveres meramente instrumentais, tais como prestar declarações ao fisco e manter livros fiscais. Na lição de Leandro Paulsen2, observase que a obrigação acessória é a obrigação de fazer em sentido amplo, ou seja, fazer, não fazer, tolerar, enfim, no interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos. Neste sentido, colacionando o art. 113, CTN, pelo descumprimento da obrigação principal submetese o sujeito passivo à emissão pela autoridade fiscal do lançamento de débito denominado Auto de Infração de Obrigação Principal, no presente caso a NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito 37.097.9133. Enquanto que pelo descumprimento da obrigação acessória, há a conversão em obrigação principal pela multa aplicável, submetendose o sujeito passivo à lavratura do Auto de Infração de Obrigação Acessória, no presente caso o AI Auto de Infração 37.087.5184, o AI 37.097.9117 e o AI 37.087.9125. Desta forma, não prospera a alegação da recorrente no sentido de uma possível confusão entre a obrigação acessória e a obrigação principal, pois os descumprimentos de obrigação principal e de obrigação acessória implicam em multas de diferentes naturezas jurídicas. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar a PRELIMINAR suscitada, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro 1 TORRES, Ricardo Lobo. Op. cit., p. 236. 2 PAULSEN, Leandro. Op. cit., p. 900. Fl. 22DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000759/2007-51
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2006
VERDADE MATERIAL. NULIDADE . VÍCIO MATERIAL AB INITIO.
É um princípio específico do processo administrativo.
A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.
Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado, desde o início, por ser o crédito dele decorrente duvidoso. Recurso de Ofício provido em parte.
Crédito Tributário Exonerado.
Recurso de Ofício Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-000.483
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar
provimento ao recurso de ofício quanto à anulação do lançamento por vício material. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro que votou pela procedência do lançamento fiscal.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Sat Mar 19 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201104
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2006 VERDADE MATERIAL. NULIDADE . VÍCIO MATERIAL AB INITIO. É um princípio específico do processo administrativo. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado, desde o início, por ser o crédito dele decorrente duvidoso. Recurso de Ofício provido em parte. Crédito Tributário Exonerado. Recurso de Ofício Provido em Parte
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 11330.000759/2007-51
anomes_publicacao_s : 201104
conteudo_id_s : 4909742
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.483
nome_arquivo_s : 2403000483_11330000759200751_201104.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 11330000759200751_4909742.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso de ofício quanto à anulação do lançamento por vício material. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro que votou pela procedência do lançamento fiscal.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
id : 4751970
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 19 09:56:03 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1727721676073861120
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1681; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 98 1 97 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11330.000759/200751 Recurso nº 154.386 De Ofício Acórdão nº 240300.483 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 13 de abril de 2011 Matéria LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CROWN INDÚSTRIA E COMERCIO LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2006 VERDADE MATERIAL. NULIDADE . VÍCIO MATERIAL AB INITIO. É um princípio específico do processo administrativo. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado, desde o início, por ser o crédito dele decorrente duvidoso. Recurso de Ofício provido em parte. Crédito Tributário Exonerado. Recurso de Ofício Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso de ofício quanto à anulação do lançamento por vício material. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro que votou pela procedência do lançamento fiscal. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 100DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Renato Coelho Borelli (suplente). Ausentes os conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 101DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 11330.000759/200751 Acórdão n.º 240300.483 S2C4T3 Fl. 99 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 37.076.2037, resultado de ação fiscal iniciada em 24/01/2006, consolidada em 08/03/2007 e notificada em14/03/2007, cujo o crédito lançado pela fiscalização referiuse ao período de 01/01/2003 a 31/01/2006, no valor de R$ 5.404.482,70, acrescidos de juros e multa. Consoante o item 3 de fls. 42 do Relatório Fiscal, em razão de a empresa S/A Fábrica de Tecidos Maria Cândida , CNPJ: 33.265.869/000206, ter prestado serviços a autuada no período de 08/2000 a 12/2002, anterior ao levantado não tendo outros elementos de convicção : “por não haver nenhum outro fato que indicasse a redução da produção ” a junta fiscal estabeleceu hipótese de que os contratos e valores que suportaram tal prestação foram prorrogados ao longo das demais competências até 01/2006 e, ainda, sem a devida retenção. Assim os fatos geradores das contribuições lançadas foram apurados por aferição indireta, imputandose débitos de 11% sobre os valores calculados na certeza de que, também, sobre estes não foram destacadas as retenções nas notas fiscais hipoteticamente emitidas. Desse modo, julgando não ter havido redução da produção da autuada e tendo por base a remuneração efetuada pelo pretérito fornecimento de mão de obra à notificada pela empresa S/A Fábrica de Tecidos Maria Cândida (CNPJ: 33.265.869/000206), no período de 08/2000 a 12/2002, se procedeu à aferição indireta para o período restante compreendido entre 01/01/2003 a 31/01/2006 : “Nos registros contábeis da notificada nos quais constam remunerações à empresa S/A Fábrica de Tecidos Maria Cândida nos exercícios de 2000 a 2002, apuramos a média aritmética destas remunerações no período e lançamos o resultado no levantamento "CMA — Cessão de MO Maria Cândida Arb". Caracterizamos tais remunerações como prestação de serviços mediante a cessão de mão de obra, portanto sujeitos a retenção, tendo em vista o fato do quadro de segurados empregados da prestadora efetuar nas dependências da notificada as atividades fabris típicas desta.A não apresentação dos documentos relacionados as contribuições previdenciárias ensejou a emissão do AI 37.076.2231.” Segundo o referido relatório, o arbitramento se deu com base nos elementos disponíveis anteriores a 01/2003 em função da ausência de registros contábeis do período de 01/2003 a 01/2006, e por não ter outro fato que indicasse a redução da produção, o que, conseqüentemente, causaria a redução da mão de obra necessária para o desenvolvimento das atividades normais da empresa. Consta ainda no Relatório Fiscal, item 4, que o Livro Diário de 2000 a 2002 que serviu de base para a apuração não tinha registro: “4. Foram examinados os seguintes documentos: Fl. 102DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 4 Livro Diário de 2000 a 2002, sem registro; Livro Razão de 2000 a 2002;”( grifos de minha autoria) Registrase que, muito embora seis meses depois de ter sido iniciada a ação fiscal a documentação tenha sido apreendida pela Polícia Federal em 09/06/2006, esta fora concluída na sua totalidade tendo em vista que daí em diante os Auditores Fiscais o fizeram na sede do Ministério Público conforme item 11, parte final, do Relatório Fiscal : “ 11. Esta auditoriafiscal foi realizada com base na documentação apreendida por força da Medida Cautelar No. 2006.51015137478, exarada pelo MM. Juiz da 4 2 Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, sendo desenvolvida na sede do Ministério Público Federal Procuradoria do Rio de Janeiro, situado a Rua Nilo Peçanha, 31 Centro Rio de janeiro .Rio de Janeiro, 08 de março de 2007.” Conforme Mandados de Procedimento Fiscal MPF, oito vezes prorrogados, sendo o último em 12/01/2007, fls. 25/33, e Termo de Intimação Para Apresentação de Documentos – TIAD de fls. 34, a ação fiscal teve início em 24/01/2006. Consta no Termo de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF, às fls.36, que foram examinados os seguintes documentos: Folhas de Pagamento, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) e os Comprovantes de Recolhimento. DA IMPUGNAÇÃO A interessada manifestouse alegando em síntese que: não possuía meios de produzir a sua defesa tendo em vista, que no dia 09 de junho de 2006 a Policia Federal por ordem do MM. Juízo da 4ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro determinou nos autos da ação de busca e apreensão de n° 2006.51.01.5137478 a realização de diligência de busca e apreensão de todos seus documentos fiscais, contábeis, cadastros de funcionários, recibos de pagamento de impostos e taxas, computadores e etc; pelo exposto, a empresa autuada, impedida de produzir a sua defesa, requereu a prorrogação do prazo para apresentação desta, até que o D. Juízo da 4 a Vara Federal Criminal Federal se digne, a restituir os documentos tão necessários para elaboração de sua impugnação; caso fosse indeferido o pedido de prorrogação do prazo, negava veementemente que tenha cometido qualquer infração legal, que, segundo a empresa, se comprovaria através das provas documentais, pericial e testemunhal. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar os autos e os argumentos da impugnante, a 10ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Rio De Janeiro I (RJ) – DRJ/RJOI, emitiu o Acórdão n ° 1218.977 ( fls. 91/97) tornando NULO o lançamento: “20. No caso em questão, em que pese a interessada não ter apresentado a documentação solicitada pelo fisco, relativa ao período de 01/2003 a 01/2006, foge ao embasamento legal o Fl. 103DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 11330.000759/200751 Acórdão n.º 240300.483 S2C4T3 Fl. 100 5 arbitramento baseado em outro arbitramento, além de ser incabível a presunção por parte da auditoria de que houve cessão de mão de obra, simplesmente por não ter outro fato que indique a redução da produção. 21. O AFRFB não pode simplesmente presumir a existência de fato gerador pelo fato de a empresa não ter apresentado os documentos solicitados, supondo, sem qualquer embasamento que os serviços prestados pela mão de obra da empresa "S/A Fábrica de Tecidos Maria Cândida" continuaram sendo executados, no período de 01/2003 a 01/2006. 22.No caso das empresas prestadoras de serviços por cessão de mão de obra, os parâmetros de aferição encontramse definidos em atos próprios, sendo utilizado contratos de prestação de serviços e notas fiscais de serviços. Ocorre que a impugnante não é a cedente demão de obra, mas a contratante de serviços. Neste caso, a utilização de Notas Fiscais emitidas por outra empresa, em outro período, não é um parâmetro que espelhe a realidade, não oferecendo sustentação ao lançamento. 23. Estando o processo em análise eivado de vícios, deve esse ser declarado nulo, em conformidade com o que disciplina a legislação. Segundo o artigo 53, da Lei 9784/1999 e na Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal, a Administração Pública pode rever e anular seus próprios atos, conforme abaixo transcrito:( ...) 24. Assim, configurada a fragilidade do critério de aferição utilizado no arbitramento em questão, não apresentando requisitos de convicção, segurança e objetividade para se estimar o valor da base de cálculo, objeto da incidência das contribuições previdenciárias, o lançamento não poderá prosperar, ficando impossibilitada a análise do mérito. 25. E como determinam as normas vigentes, deverá ser providenciada a lavratura de nova NFLD, revestida de todas as formalidades legais, com a utilização de elementos de convicção que ofereçam suporte e sustentação ao crédito, se assim entender a auditoria, no caso de persistir a situação de recusa ou apresentação deficiente de documentos por parte da interessada.” DO RECURSO DE OFÍCIO Em face à exoneração do crédito em valor superior ao limite de alçada previsto no artigo 1° da Portaria MF n° 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 077/1/\2008, a Presidente da Turma recorreu de oficio . Aduz que não foi interposto Recurso Voluntário. É o Relatório. Fl. 104DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo e reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINAR DE NULIDADE O recurso de Ofício da decisão de primeira instância impõe que se analise em preliminar a nulidade do lançamento. Desse modo, tendo presente o princípio da verdade material, entendo que se deva verificar a ocorrência do fato gerador efetivamente demonstrada bem como averiguar se foram observados os aspectos formais e matérias na produção do referido lançamento. DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL A verdade material é um princípio específico do processo administrativo. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fator gerador e a constituição do crédito tributário. Deve, portanto, o julgador, exaustivamente, pesquisar se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e verificar aquilo que é realmente verdade . Neste sentido, em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. A inteligência do artigo 59, II do decreto 70.235/72 permite constatar que em havendo preterição do direito de defesa , nulo é o ato: “ O Decreto 70.235/72 : Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem Fl. 105DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 11330.000759/200751 Acórdão n.º 240300.483 S2C4T3 Fl. 101 7 mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) ( se a nulidade argüida não comprometer a decisão que será a seu a favor) ” Se o lançamento apresentar vício em seu processo de formação não respeitando os dispositivos de sua formalização, é caso de anulação, por vício de forma. Se o vício estiver instalado na produção, em sua dinâmica, é caso de nulidade (defeito na composição, explícita presunção e ausência de provas ( ônus do sujeito ativo) , falta de materialidade ou determinação do sujeito passivo, da base de cálculo ou da alíquota aplicáveis). Em acontecendo a nulidade tal como descrita, o conteúdo do ato estará eivado de vício material comprometedor do crédito e da sua motivação constituindo óbice à ampla defesa e do contraditório restando claro prejuízo ao sujeito passivo na medida em que representem relevante influência na solução do litígio. DO VÍCIO FORMAL É formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 1 Segundo a mesma autora, o elemento “forma” comporta duas concepções: A) Restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração); e B) Ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. DO VÍCIO MATERIAL Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 106DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 8 levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. Como no processo em comento, conforme o Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, restará configurado o vício material quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: “ O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 192 00.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) ”( grifos de minha autoria) Ambos os vícios, formal e material, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas o que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo a partir da decisão é apenas quando o vício é formal, pois nestes casos não se observa dúvida no lançamento de que o responsável foi identificado corretamente e que o fato gerador existiu. O rigor da forma como requisito de validade gera um grande número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Código Tributário Nacional (CTN) a regra de novo prazo para contagem de decadência a partir da decisão, a fim de realização de lançamento substitutivo ao anterior, quando anulado por simples vício na formalização. De fato, forma não pode ter a mesma relevância da certeza da responsabilidade e da existência do fato gerador. Ainda que anulado o ato por vício formal, podese assegurar que o responsável foi quem praticou o fato gerador da obrigação e que esse fato existiu e continua existindo, diferentemente da nulidade por vício material. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância da responsabilidade e do conteúdo. Fl. 107DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 11330.000759/200751 Acórdão n.º 240300.483 S2C4T3 Fl. 102 9 O Acórdão n° 10808.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes vem corroborar este entendimento: “ PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 10808.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes).” DA PROVA É relevante lembrar que prova é o meio pelo qual, submetida ao contraditório, a alegação de fato é confirmada ou negada e, ainda o Princípio da motivação das decisões onde se preceitua que os atos administrativos deverão ser motivados de modo explícito, claro e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos anteriores e com a indicação dos fundamentos e fatos jurídicos que o embasaram. . SOBRE A DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR, CONTEÚDO DO RELATÓRIO FISCAL No relatório Fiscal de fls. 42, item 3, os Auditores assim se manifestaram : “ 3. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas: A remuneração pelo fornecimento de mão de obra da empresa SIA Fábrica de Tecidos Maria Cândida CNPJ: 33.265.869/000206 à notificada arbitrada por aferição indireta devido ausência de registros contábeis no período de 01/2003 a 01/2006 e por não haver nenhum outro fato que indicasse a redução da produção e, por via de conseqüência, a redução da mão de obra necessária para o desenvolvimento das atividades normais da empresa. Nos registros contábeis da notificada nos quais constam remunerações à empresa S/A Fábrica de Tecidos Maria Cândida nos exercícios de 2000 a 2002, apuramos a média aritmética destas remunerações no período e lançamos o resultado no levantamento "CMA Cessão de MO Maria Cândida Arb". Caracterizamos tais Fl. 108DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 10 remunerações como prestação de serviços mediante a cessão de mão de obra, portanto sujeitos a retenção, tendo em vista o fato do quadro de segurados empregados da prestadora efetuar nas dependências da notificada as atividades fabris típicas desta.” ( grifei) SOBRE A DECISÃO DE NULIDADE EXARADA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA Na ementa do Acórdão n° 1218.977, de 19 de março de 2008, a 10ª Turma da DRJ/RJOI assim se pronunciou : “A nulidade da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito é declarada quando se constata na análise dos aspectos formais a existência de vícios insanáveis.” ( grifei) E, ainda, fundamentando o voto, assim arrazoou : “ (... ) 20. No caso em questão, em que pese a interessada não ter apresentado a documentação solicitada pelo fisco, relativa ao período de 01/2003 a 01/2006, foge ao embasamento legal o arbitramento baseado em outro arbitramento, além de ser incabível a presunção por parte da auditoria de que houve cessão de mão de obra, simplesmente por não ter outro fato que indique a redução da produção. 21. O AFRFB não pode simplesmente presumir a existência de fato gerador pelo fato de a empresa não ter apresentado os documentos solicitados, supondo, sem qualquer embasamento que os serviços prestados pela mão de obra da empresa "S/A Fábrica de Tecidos Maria Cândida" continuaram sendo executados, no período de 01/2003 a 01/2006. 22.No caso das empresas prestadoras de serviços por cessão de mão de obra, os parâmetros de aferição encontramse definidos em atos próprios, sendo utilizado contratos de prestação de serviços e notas fiscais de serviços. Ocorre que a impugnante não é a cedente de mão de obra, mas a contratante de serviços. Neste caso, a utilização de Notas Fiscais emitidas por outra empresa, em outro período, não é um parâmetro que espelhe a realidade, não oferecendo sustentação ao lançamento. 23. Estando o processo em análise eivado de vícios, deve esse ser declarado nulo, em conformidade com o que disciplina a legislação. Segundo o artigo 53, da Lei 9784/1999 e na Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal. 24. Assim, configurada a fragilidade do critério de aferição utilizado no arbitramento em questão, não apresentando requisitos de convicção, segurança e Fl. 109DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 11330.000759/200751 Acórdão n.º 240300.483 S2C4T3 Fl. 103 11 objetividade para se estimar o valor da base de cálculo, objeto da incidência das contribuiçõesprevidenciárias, o lançamento não poderá prosperar, ficando impossibilitada a análise do mérito. 25. E como determinam as normas vigentes, deverá ser providenciada a lavratura de nova NFLD, revestida de todas as formalidades legais, com a utilização de elementos de convicção que ofereçam suporte e sustentação ao crédito, se assim entender a auditoria, no caso de persistir a situação de recusa ou apresentação deficiente de documentos por parte da interessada.” Como se observa, a 10ª Turma da Delegacia de Julgamento DRJ/RJOI anulou o lançamento por este estar eivado de VÍCIO FORMAL. Entretanto, aduz que na narrativa do voto itens 20 a 25 acima transcritos, os motivos que a conduziu àquela conclusão ou seja : “ausência de embasamento legal ”, “ incabível presunção por parte da auditoria de que houve cessão de mão de obra, simplesmente por não ter outro fato que indique a redução da produção ”, “ fragilidade do critério de aferição utilizado no arbitramento em questão, não apresentando requisitos de convicção, segurança e objetividade para se estimar o valor da base de cálculo” , “ falta de elementos de convicção que ofereçam suporte e sustentação ao crédito ” – “ que a utilização de Notas Fiscais emitidas por outra empresa, em outro período, não é um parâmetro que espelhe a realidade, não oferecendo sustentação ao lançamento” ao contrário daquela decisão – tão abundante convicção retratada não se constitui de elementos formais do lançamento e sim de aspectos materiais da caracterização do fato gerador. Sendo assim é inexorável e compulsório reconhecer que todo este conteúdo mitiga o lançamento e concorre para o pacífico entendimento de que houvera ocorrido VÍCIO MATERIAL . Cumpre observar que embora não relevado no caso presente de fato houve ocorrência de vício formal. A irregularidade existiu em razão das 08 ( oito) prorrogações dos Mandados de Procedimento Fiscal – MPF, fls. 25/33, realizadas no curso de um ano e três meses na longa ação fiscal iniciada em 24/01/2006, consolidada em 08/03/2007 e notificada em14/03/2007, sem a emissão obrigatória dos Demonstrativos de Emissão e Prorrogação de MPF, na forma do exigido no art. 13, § 2° da PORTARIA MPS/SRP N° 3.031, DE 16 DE DEZEMBRO DE 2005 e ainda do artigo 19 que determina a obrigação do documento constar no processo administrativo fiscal para que o procedimento seja válido ou efetivamente convalidado : “ PORTARIA MPS/SRP N° 3.031, DE 16 DE DEZEMBRO DE 2005 DOU DE 22/12/2005 Retificada no DOU DE 09/06/2006 ( ... ) Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o art. 12 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observados, a cada ato o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para Fl. 110DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 12 procedimentos de diligência. § 1º A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos doart. 7°, inciso VIII § 2º Na hipótese do § 1º deste artigo, o servidor responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo IX . ( ... ) Art. 19. Os MPF emitidos e o demonstrativo de que trata o § 2º do art. 13, incluindo as modificações efetuadas no curso do procedimento fiscal, constarão no processo administrativo fiscal fiscal que venha a ser formalizado e convalidarão o procedimento fiscal em si. ( grifei) ,Art. 20. Os MPF de que trata esta Portaria serão emitidos em três vias, que terão as seguintes destinações: I sujeito passivo; II processo administrativo fiscal, quando instaurado; III arquivo da Delegacia da Receita Previdenciária do domicílio do sujeito passivo. ” É relevante notar que a Junta Fiscal foi econômica na descrição dos fatos quando da produção de seu Relatório Fiscal. Neste sentido, consta no item 3 às fls 43, que a Autoridade Fiscal baseou sua apuração nos registros contábeis dos exercícios de 2000 a 2002 : “Nos registros contábeis da notificada nos quais constam remunerações à empresa S/A Fábrica de Tecidos Maria Cândida nos exercícios de 2000 a 2002, apuramos a média aritmética destas remunerações no período e lançamos o resultado no levantamento "CMA — Cessão de MO Maria Cândida Arb". Caracterizamos tais remunerações como prestação de serviços mediante a cessão de mão de obra, portanto sujeitos a retenção, tendo em vista o fato do quadro de segurados empregados da prestadora efetuar nas dependências da notificada as atividades fabris típicas desta.A não apresentação dos documentos relacionados as contribuições previdenciárias ensejou a emissão do AI 37.076.2231.” Consta, ainda, no Relatório Fiscal, item 4, que o Livro Diário de 2000 a 2002 que serviu de base para a apuração não tinha registro: “4. Foram examinados os seguintes documentos: Fl. 111DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 11330.000759/200751 Acórdão n.º 240300.483 S2C4T3 Fl. 104 13 Livro Diário de 2000 a 2002, sem registro; Livro Razão de 2000 a 2002;” Do acima constatase que a caracterização do fato gerador ocorreu não com base legal ou fática mas segundo subjetivo juízo de valor da Autoridade Fiscal. Aduz que não se verificaram eventuais contratos demonstrando o tipo de serviço, quantidade de mão de obra, valor e os prazos. Para agravar, os livros contábeis eram imprestáveis posto que não estavam registrados. Assim, se fosse demonstrado que efetivamente os fatos geradores ocorreram e foram mal formalizados, seria o caso de retornar a empresa para sanar o auto procedendo às formalidades não observadas. Entretanto, neste sentido, não há o que retificar. Muito relevante notar que o fato gerador apontado não restou verídico uma vez que presumida sua ocorrência de forma insustentável conforme também concluiu a instância “ad quod” a respeito da consistência do fato gerador. Então, considerando que o vício se mostrou instalado na produção, na dinâmica do lançamento, o conteúdo do ato e não a forma, está, por conseguinte, eivado de vício material comprometedor do crédito e da sua motivação constituindo óbice à ampla defesa e do contraditório restando claro prejuízo ao sujeito passivo na medida em que representa influência de principal relevo na solução do litígio. Reiterando o supracitado que quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material Finalmente, respeitando o laborioso Acórdão de primeira instância, concordo, na essência, com a decisão de nulidade mas divirjo nas conclusões. CONCLUSÃO Desse modo, por tudo que foi exposto, EM PRELIMINAR, determino a NULIDADE do lançamento em virtude de ter ocorrido VÍCIO MATERIAL AB INITIO. Ivacir Júlio de Souza Fl. 112DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 14 Fl. 113DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10945.900597/2014-91
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ERRO MATERIAL.
Os Embargos de Declaração prestam-se para sanar omissão, contradição ou obscuridade ou corrigir erro material.
Numero da decisão: 3401-010.381
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.372, de 14 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10945.900581/2014-89, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Luis Felipe de Barros Reche, Carolina Machado Freire Martins e Ronaldo Souza Dias (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Mauricio Pompeo da Silva.
Nome do relator: Oswaldo Gonçalves de Castro Neto
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 19 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 202112
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ERRO MATERIAL. Os Embargos de Declaração prestam-se para sanar omissão, contradição ou obscuridade ou corrigir erro material.
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2022
numero_processo_s : 10945.900597/2014-91
anomes_publicacao_s : 202203
conteudo_id_s : 6575944
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 3401-010.381
nome_arquivo_s : Decisao_10945900597201491.PDF
ano_publicacao_s : 2022
nome_relator_s : Oswaldo Gonçalves de Castro Neto
nome_arquivo_pdf_s : 10945900597201491_6575944.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.372, de 14 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10945.900581/2014-89, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Luis Felipe de Barros Reche, Carolina Machado Freire Martins e Ronaldo Souza Dias (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Mauricio Pompeo da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2021
id : 9237822
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 19 09:56:18 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1727721676079104000
conteudo_txt : Metadados => date: 2022-03-15T18:58:17Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-03-15T18:58:17Z; Last-Modified: 2022-03-15T18:58:17Z; dcterms:modified: 2022-03-15T18:58:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2022-03-15T18:58:17Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-03-15T18:58:17Z; meta:save-date: 2022-03-15T18:58:17Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-03-15T18:58:17Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-03-15T18:58:17Z; created: 2022-03-15T18:58:17Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2022-03-15T18:58:17Z; pdf:charsPerPage: 1834; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-03-15T18:58:17Z | Conteúdo => S3-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10945.900597/2014-91 Recurso Embargos Acórdão nº 3401-010.381 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de dezembro de 2021 Embargante LAR COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ERRO MATERIAL. Os Embargos de Declaração prestam-se para sanar omissão, contradição ou obscuridade ou corrigir erro material. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo- lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.372, de 14 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10945.900581/2014-89, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Luis Felipe de Barros Reche, Carolina Machado Freire Martins e Ronaldo Souza Dias (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Mauricio Pompeo da Silva. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 05 97 /2 01 4- 91 Fl. 64765DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-010.381 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.900597/2014-91 Trata-se de Embargos de Declaração contra decisão proferida por esta Turma e assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria não impugnada e a impugnada de maneira genérica em tempo e modo próprios não deve ser conhecida por este Colegiado. DIALETICIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada. REVISÃO. LANÇAMENTO. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 159. Não é necessária a realização de lançamento para glosa de ressarcimento de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS não-cumulativos, ainda que os ajustes se verifiquem na base de cálculo das contribuições. DECADÊNCIA. ART. 150 § 4 o CTN. GLOSAS. NÃO APLICAÇÃO. Não se aplica o disposto no art. 150, § 4 o , do Código Tributário Nacional (CTN) no caso de análise de solicitação de crédito em despacho decisório, por não se tratar a operação de lançamento. NÃO INCIDÊNCIA. PIS. COFINS. EXPORTAÇÃO INDIRETA. COMERCIAL EXPORTADORA. A não incidência de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, descrita no artigo 14, inciso VIII, da MP 2.158-35/2001, exige prova de que a venda se destinou a exportação, ou seja, prova de que a mercadoria foi efetivamente exportada. ISENÇÃO. PIS. COFINS. EXPORTAÇÃO INDIRETA. TRADING COMPANY. O artigo 1 o do Decreto 1.248/1972 isenta de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS a exportação indireta por meio de Trading Company desde que os bens a exportar sejam enviados diretamente a armazém alfandegado, embarque ou para regime de entreposto extraordinário na exportação. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. VENDA NO MERCADO INTERNO. VENDAS NÃO TRIBUTADAS. Impossível a exclusão da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS das vendas no mercado interno e das vendas não tributadas, eis que não compõem, a priori, a base de cálculo das exações. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. FRETES. O artigo 15 da MP 2.158-35/2001 não trata de essencialidade, mas de especialização concernente a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e serviços da mesma natureza. Assim, salvo prova da especialização do frete, impossível a dedução. EXCLUSÃO. CUSTO AGREGADO. MÃO-DE-OBRA. Fl. 64766DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-010.381 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.900597/2014-91 O conceito de custo agregado descrito pelo § 8 o do artigo 11 da IN SRF 635/2006 é amplo, e não vincula o custo agregado ao gasto com salário ou ainda com remuneração, limitando-se o artigo a tratar de dispêndios com mão-de-obra, ou seja, todos os valores pagos e benefícios concedidos às pessoas que prestam serviço ao contribuinte. INSUMOS. PALLETS. MATERIAL DE EMBALAGEM. Não é possível a concessão de crédito não cumulativo de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS ao pallet, salvo quando i) estes constituam embalagem primária do produto final, ii) quando sua supressão implique a perda do produto ou de sua qualidade, ou iii) quando exista obrigação legal de transporte em determinada embalagem. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal de crédito referente a Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS para frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei 11.033/2004 não se refere a créditos cuja aquisição é vedada em lei. SÚMULA CARF 157. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. MERCADORIA PRODUZIDA. O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8 o da Lei 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. Intimada, a Embargante opôs Embargos de Declaração, apontando uma série de omissões, contradições e erros de fato no julgado. Os Embargos foram acolhidos apenas e tão somente no tópico despesas com armazenagem e frete na operação de venda, isto porque, dentre as matérias declaradas preclusas por esta Turma, o tópico em questão foi, efetivamente, aventado tanto em sede de Manifestação de Inconformidade quanto em Recurso Voluntário. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: A fiscalização glosa em tópico específico as DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA porquanto: Dentre as Notas Fiscais apresentadas pela Embargante “foram identificados fretes sem comprovação de origem, destino e/ou produto transportado” o que torna impossível a análise da natureza do frete; Fl. 64767DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-010.381 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.900597/2014-91 Fretes entre armazéns da Embargante não geram créditos das contribuições quer estes sejam de produtos acabados, quer sejam de insumos; Quatro fretes referem-se a aquisição de ativo imobilizado. A Embargante em sede de Manifestação de Inconformidade apresentou o seguinte argumento sobre o tema: “Dentre os inúmeros fundamentos da decisão que merecem reforma, a recorrente destaca as glosas a seguir relacionadas: (...)(d3) fretes sobre a aquisição de bem não sujeito ao pagamento das contribuições e tributação monofásica e fretes de transferência entre estabelecimentos (itens 86 a 87 e 107, Informação Fiscal SEORT/EQMAC/DRF FOZ 06/2016)”. Com a máxima vênia ao ilustre Presidente desta Turma, quer parecer que, para inaugurar a lide administrativa a impugnação deve ser específica, apontar, ao menos os motivos de fato que deveriam levar ao afastamento do fundamento, o que no presente caso - sem prejuízo da vasta sabedoria do combativo patrono da Embargante - não se apresenta verdadeiro. Aliás, a Ementa do Voto destaca que “para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada”. Pelo exposto, admito, porquanto tempestivo, e rejeito os Embargos de Declaração. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar os Embargos de Declaração. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Fl. 64768DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 15563.000871/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1401-000.258
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 19 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 15563.000871/2008-91
conteudo_id_s : 5312520
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1401-000.258
nome_arquivo_s : Decisao_15563000871200891.pdf
nome_relator_s : ANTONIO BEZERRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 15563000871200891_5312520.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
id : 5210156
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 19 09:56:04 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1727721676099026944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1281; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1.807 1 1.806 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15563.000871/200891 Recurso nº 999999 Resolução nº 1401000.258 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 07 de agosto de 2013 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente SENDAS DISTRIBUIDORA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.808 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário e recurso de ofício no Acórdão nº 12.27905 d a da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em SÃO PAULO ISP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: I. CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO. O presente processo trata de autos de infração lavrados pela DRF Nova Iguaçu (fls. 438/466), referentes fatos geradores ocorridos entre 30/04/2004 e 31/12/2004. O crédito tributário do processo compreende: Tributo / Multa Principal (R$) Multa (%) Fls. Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) 22.481.719,95 75 439 Multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ sobre base de cálculo estimada 6.155.513,79 N/A 440 Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) 2.427.287,86 75 447 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) 11.180.235,05 75 452 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) 8.102.059,18 75 457 Multas isoladas por falta de recolhimento de CSLL sobre base de cálculo estimada 2.218.864,97 N/A 463 2. Sobre o principal dos tributos, incidiram também juros de mora pela taxa Selic. II. INFRAÇÕES CAPITULADAS. 3. Os lançamentos de IRPJ, PIS, Cofins e CSLL basearamse em omissão de receita caracterizada por saldo credor de caixa. 4. Os lançamentos de IRPJ e CSLL basearamse também em glosas de amortização de ágio, consideradas despesas não necessária. 5. As multas isoladas foram lançadas por falta de recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL. III. FUNDAMENTOS DA AUTUAÇÃO. 6. Nesta seção, salvo quando expressamente indicado, as remissões a parágrafos referemse ao Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 409/437. SALDO CREDOR DE CAIXA. Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.809 3 7. Intimado a justificar saldos credores de Caixa (Termo de intimação fiscal n° 15, fls. 127/128), o interessado informou que: (...) a conta caixa da empresa Sendas Distribuidora figura como uma conta transitória, assim diariamente transitam por esta conta todos os recebimentos de Clientes e pagamentos a fornecedores, e apenas no último dia do mês são registradas as receitas de vendas, por este motivo em alguns dias o saldo está credor. Fl. 181. 8. Verificouse que, na escrituração da conta Caixa, não houve individualização das receitas de vendas nem das saídas oriundas de operações com fornecedores, que foram lançadas respectivamente a débito e a crédito apenas no final de cada mês, de forma consolidada (§§ 27/28 e tabela 3; conta Caixa fls. 182/205. §§ 44/45 e tabela 4; conta fornecedores fls. 231/236). 9. Observa o autuante que, no Livro Diário, os lançamentos devem ser individualizados por dia, admitindose a escrituração resumida, por totais que não excedam ao período de um mês, desde que utilizados livros auxiliares para registro individualizado (art. 2° e 5o, § 3o, do DecretoLei n° 486/69). 10. O interessado foi intimado em 17/01/2008, 21/02/2008, 08/04/2008 e 24/06/2008 a apresentar livro auxiliar ou ficha que discriminasse de forma individualizada os ingressos na conta Caixa oriundos das operações de vendas (§§ 37, 40, 43 e 47); bem como, nas duas últimas datas, a apresentar livro auxiliar ou ficha que discriminasse de forma individualizada as saídas de recursos, daquela mesma conta, oriundas de operações com fornecedores (§§ 44 e 47). Os registros auxiliares foram apresentados em CD no dia 25/06/2008, fl. 238, e em papel, no dia 24/07/2008, fl. 264. Verificase, nas tabelas de fls. 232/233, que os lançamentos mensais mais expressivos são os das contas Caixa e Fornecedores. 11. O interessado foi intimado (Termo de intimação fiscal n° 43, fls. 269/270) a justificar os saldos credores de Caixa resultantes do processamento dos registros auxiliares das contas Caixa e Fornecedores (§ 49, tabela 5; termo fls. 269/270; registros auxiliares nos autos que compõem o Anexo I). 12. Em resposta, fls. 273/279, o interessado informou que: A conta 111.100 Caixa é utilizada como conta de fechamento contábil (transitória), onde todas as operações diárias da Sendas Distribuidora S/A, são contabilizadas. No final de cada mês estes lançamentos diários são revertidos por totais, de acordo com cada operação. Exemplos Contabilizações Diárias Vendas diárias Totais D = Bancos C/Movimento (Dep. A vista) D = Clientes a Receber (Vendas a prazo) Fl. 1809DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.810 4 C = Caixa (Vendas a prazo) C = Caixa (Depósitos de Venda) Corresp. Bancários D = Banco C = Caixa Pagto à Fornecedores D = Caixa C = Banco Conta Movimento Exemplos Reversões mensais: Vendas Totais Mês D = Caixa ' C = Receita de Vendas Corr. Bancário mês D = Caixa C = Outras Contas a Pagar Fornecedores mês D = Fornecedores C = Caixa 13. Em sua resposta, o interessado afirmou também que iria: (...) demonstrar basicamente a diferença apontada no mês de Agosto/2004, primeiro por se tratar do maior valor questionado e que poderá servir de parâmetro para os outros meses. 14. Para tanto, apresentou composição de valores recebidos a título de Correspondentes Bancários, que foram creditados diariamente na conta Caixa e debitados pelo valor total de R$ 148.970.502,43 no último dia daquele mês ("Relatório de correspondentes bancários agosto 2004", fls. 277/279). Esclareceu o interessado que Correspondentes Bancários são valores de terceiros recebidos em suas lojas e posteriormente repassados, como, por exemplo, recargas de celular, recebimentos de contas Sabesp, Telesp, Eletropaulo. ¡ 15. Segundo o autuante (§ 59), o interessado buscou demonstrar em sua resposta que, no curso de mês, ocorreram saídas de recursos da conta Caixa derivadas de operações como correspondente bancário, fato este que teria motivado o surgimento dosjsaldos credores de Caixa no período. 16. Entretanto, cotejando os valores relacionados pelo interessado, fls. 277/279, com a conta Caixa do Livro Razão, fls. 304/350, só foram efetivamente localizados a crédito do Caixa os valores listados na tabela 6, fl. 418. Diversos outros valores relacionados foram de fato localizados na conta Bancos, fls. 351/381, como, por exemplo, o valor de R$ 172.261,81, que o "Relatório de Correspondentes Bancários Agosto de 2004" indica como tendo sido creditado na conta Caixa (111.100), fl. 277, mas que foi encontrado a crédito de Bancos, fl. 351. 17. Dos R$ 148.970.502,43 que o Relatório de Correspondentes indica como creditados na conta Caixa, R$ 148.622.057,23 foram de fato creditados na conta Bancos, conforme totalização feita a partir do Livro Razão, apresentada na tabela 7, fl. 419. 18. Não tendo o interessado logrado demonstrar a improcedência dos saldos credores de caixa, efetuouse o lançamento por omissão de receita (§ 66). GLOSA DE DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO \ 19. A seguir são descritas as operações de reestruturação societária que deram origem ao ágio cuja despesa de amortização foi glosada. Fl. 1810DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.811 5 20. Na Ia alteração do contrato social da RIO PATEA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., doravante RIO PATEA, fls. 115/136 do AnexoII (AII), as sócias COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO, doravante CBD, e NOVASOC COMERCIAL LTDA., doravante NOVASOC, entraram na sociedade, substituindo os sócios primitivos, e aumentaram o capital de R$ 100,00 j para R$ 114.729.239,00. A diferença, R$ 114.729.139,00, foi integralizada no mesmo ato, de seguinte forma (fls. 118/119 do AII): SÓCIO DESCRIÇÃO VALORI (R$) CBD Moeda corrente nacional 4.950,00 Direitos de exploração do fundo de comércio relativo às suas lojas localizadas no Estado do Rio de Janeiro, relacionadas no Anexo I da alteração contratual em questão. 10.000,00 NOVASOC Moeda corrente nacional 4.950,00 Ativos contas a receber e direitos de exploração do fundo de comércio relativo às suas lojas localizadas no Estado do Rio de Janeiro, relacionadas no Anexo I da alteração contratual em questão. 114.709.239,00 TOTAL N/A 114.729.139,00 21. Na 2a alteração, CBD e NOVASOC retiraramse da sociedade, cedendo e transferindo a totalidade de suas cotas para SE SUPERMERCADOS LTDA, doravante SÉ, (fls. 137/141 do AII). O capital social foi mantido em R$ 114.729.239,00. 22. Na Ia alteração contratual da SERRA DO ANDARAÍ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, doravante SERRA DO ANDARAÍ, (fls. 158/178 do AII), SENDAS S/A, doravante SENDAS, entrou na sociedade como única sócia, substituindo os sócios primitivos, e aumentou o capital de R$ 100,00 para R$ 15.000,00. A diferença, R$ 14.900,00, foi integralizada no mesmo ato, de seguinte forma (fl. 161 dó AII): SÓCIO DESCRIÇÃO VALOR (R$) SENDAS Moeda corrente nacional 4.900,00 Direitos de exploração do fundo de comércio relativo às suas lojas localizadas no Estado do Rio de Janeiro, relacionadas no Anexo I desta alteração contratual. 10.000,00 i TOTAL N/A 14.900,00 i ! 23. Em assembléia geral extraordinária do interessado, SÉ e SENDAS fizeram integralizações de capital mediante a conferência de todas as cotas que cada uma possuía respectivamente na RIO PATEA e SERRA DO ANDARAÍ. Estas duas empresas foram avaliadas segundo as suas capacidades de geração de resultados futuros—tm R$ 618.340.702,00 e R$ 853.904.369,00, conforme laudos de fls. 243/292 e 2937344 do AII (Itens 5.3, 5.4.3 e 5.4.4 da ata de fls. 34/42 do AII). O ágio nos dois investimentos foi de R$ 308.248.625,00 e R$ 575.194.265,71, conforme fls. 186/194 do AII.. 24. A Ia e a 2a alterações do contrato de RIO PATEA, a Ia de SERRA DO ANDARAÍ e a ata da assembléia do interessado, são datadas de 29/02/2004 (fls. 129, 141, 172 e 34 do AII). | 25. Por meio da 4a alteração do contrato social da RIO PATEA e da 3a de SERRA DO AND ARAÍ, em documentos datados de 30/04/2004 (fls. 149 e 185 do AII), o interessado incorporou ambas as empresas (Alterações de fls. 147/149 e 183/185 do AII).' Fl. 1811DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.812 6 26. O autuante afirma que a aquisição de participações societárias e posterior incorporação constituemse em mera forma, pois na verdade uma só operação ocorreu. O desdobramento visou à apropriação da despesa a título de amortização do ágio (§ 106). Se RIO PATEA e SERRA DO ANDARAÍ fossem incorporadas diretamente, ou seja, sem que o interessado tivesse participação em seus capitais, a diferença registrada a maior constituiria custo de aquisição, que poderia ser utilizado numa hipotética operação de venda futura do acervo adquirido, para se calcular a existência ou não de ganho de capital (§ 93).' 27. Houve simulação para fazer o interessado arcar com o expressivo ágio de sua própria aquisição, por meio da sua contabilização como despesa de amortização de ágio, de forma a reduzir o seu lucro e, portanto, o seu IRPJ e CSLL, ou a transformálo em prejuízo fiscal e base negativa da contribuição social, como de fato ocorreu no anocalendário de 2004 (§ 136). ! 28. Os controladores de CBD e SENDAS, em comum acordo, resolveram unir suas atividades no Estado do Rio de Janeiro, permanecendo com controladores paritários do interessado. 29. Considerando o negócio dissimulado, a amortização de j ágio transformase em mero dispêndio, logo as respectivas despesas devem ser glosadas na determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (§§ 139/142). MULTA QUALIFICADA DE 150%. 30. Sobre os tributos devidos pela glosa das amortizações de! ágio, justifica se a aplicação da multa qualificada de 150% uma vez que o interessado agiu finalisticamente de modo a impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade! Fiscal federal, da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, configurandose o evidente intuito de fraude à legislação tributária (§ 150). MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS. 31. Pela falta de recolhimento das estimativas mensais deIREJeCSLL, foi aplicada a multa isolada prevista no art. 44, II, b, da Lei n° 9^^/96, incluído pela Lei n° 11.488/07. IV. IMPUGNAÇÃO. 32. O interessado tomou ciência dos autos de infração em 23/12/2008 (fls. 442, 449, 454, 459 e 464) e, em 21/01/2009, apresentou impugnação (fls. 495/573) e documentos (fls. 574/1101), alegando e requerendo, em síntese, o que segue: 33. Nesta seção, salvo quando expressamente indicado, as remissões a parágrafos referemse à impugnação. NULIDADE DO LANÇAMENTO NA PARTE REFERENTE À GLOSA DE DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Fl. 1812DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.813 7 34. O lançamento é nulo na parte que se refere à glosa de despesas com amortização de ágio porque os enquadramentos legais invocados estão em mútua contradição. 35. Ou o autuante glosa a amortização do ágio com fundamento de que os atos jurídicos que a originaram eram simulados e restaura os efeitos tributários do suposto ato verdadeiro que teria sido a mera aquisição de ativos não amortizáveis; ou a considera indedutível com base no conceito de operacionalidade previsto no art. 299 do RIR/99, consideração esta que necessariamente partirá do pressuposto de que os referidos atos jurídicos são válidos (§ 62). 36. Os autos de infração baseiamse em fundamentos legais alternativos (um excludente do outro) não sendo, portanto, de certeza alguma, fato este que agride frontalmente a segurança jurídica e, conseqüentemente, seu direito a ampla defesa (§ 65). 37. Solicita a aplicação do art. 59, § 3o, do Decreto n° 70.235 (Não será declarada a nulidade quando for possível decidir no mérito a favor do sujeito passivo). OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA. FUNCIONAMENTO DA CONTA CAIXA. I 38. O interessado, no curso da fiscalização, informou diversas vezes que a conta "Caixa 111.100", a despeito de sua denominação, prestavase a registrar as transações diárias relativas às vendas de bens, prestação de serviços (correspondente bancário) e pagamentos de fornecedores (§ 70). Sua verdadeira função consistia em ser uma conta transitória, que ao final de cada mês tinha os movimentos devedores e credores conciliados nas respectivas contas patrimoniais ou de resultado (§ 71). Por ser mera conta transitória, não tinha natureza credora nem devedora (§ 72). Apesar de ter sido alertado quanto à natureza transitória da conta Caixa, o autuante teria feito o seguinte raciocínio: se a conta é alcunhada de "Caixa", podese aplicar a presunção de omissão de receita, caso em algum momento seja constatado saldo credor (§ 74). Porém, a legislação tributária, ao criar a hipótese de presunção_ji& emissão de receita calcada em saldo credor de caixa, não eximiu os agentes fisçais^de efetuarem a análise da efetiva conta caixa (§ 75). 39. Ratificando o que já informara à fiscalização, § 12 supra, afirma o interessado que: Todas as receitas derivadas das vendas de bens realizadas nos estabelecimentos da Impugnante transitavam, inicialmente, pela conta caixa ("111.100"), através de registro contábil a crédito, em contrapartida das contas de bancos (vendas à vista) ou clientes (vendas à prazo). No último dia de cada mês, em observância do Princípio do Regime de Competência, ocorria sua apropriação em resultado, mediante lançamento a débito da conta caixa ("111.100"), em contrapartida da conta de receita ("311010"). Fl. 510, § 80. 39.1 No pagamento a fornecedores, a conta caixa ("111.100") era debitada (Io momento) e creditada (2o momento) em contrapartida a bancos e fornecedores respectivamente (Item B, fl. 513). 39.2 O interessado presta serviço de correspondente bancário. Os valores recebidos por conta e ordem dos emitentes dos títulos eram repassados às instituições financeiras credenciadoras (§ 97). O recebimento e o repasse eram contabilizados Fl. 1813DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.814 8 respectivamente a crédito (Io momento) e débito (2o momento) da conta caixa ("111.100") em contrapartida a bancos e "outras contas a pagar" (figura fl. 514). 40. Esta metodologia de registro contábil, por si só, mostra que a conta caixa não pode ser tratada tipicamente como tal, já que apresentaria invariavelmente saldo credor, se considerássemos os lançamentos das vendas (§ 81). Olvidar este funcionamento especial levaria à conclusão de que o interessado, que atua no setor de varejo, auferiu receita apenas no último dia do mês, enquanto nos demais dias, praticou operações que revelaram saldo credor de caixa (§ 89). 41. A presunção de omissão de receita só pode ser aplicada se houver reconstituição dos movimentos diários, mediante expurgo de ingressos artificiais ou cômputo de dívidas quitadas e não contabilizadas (§ 138). A fiscalização, em vez disso, efetuou o lançamento com base em saldos credores que já se encontravam indicados para a conta caixa, como se tivesse se deparado com um erro grosseiro do interessado (§ 130). MAPAS AUXILIARES. 42. A fiscalização afirma que os Mapas Auxiliares reproduzem de forma fidedigna os movimentos da conta Caixa e que esta era transitória, mas, contraditoriamente, presumiu as omissões de receita (§§ 106/107, fazendo referência aos §§ 51 e 65 do TVF). EVIDENCIAÇÃO. 43. Para efeito de evidenciação do que alega, apresenta documentos contábeis relativos ao mês de agosto de 2004 (§ 111). Tendo em vista o grande volume de informações e documentos contábeis que seriam necessários para demonstrar todos os registros contábeis, demonstra a movimentação do dia 11 de agosto de 2004 da conta caixa ("111.100"), e suas diversas contrapartidas nas demais contas patrimoniais (§ 112). Detalha o funcionamento da conta caixa (§§114/121) e apresenta os seguintes documentos: Razões Analíticos (doe. 4); relatórios analíticos de Depósito de Venda à Vista TE09 (doe. 5) e de Venda a Prazo (doe. 6); demonstrativo dos valores recebidos por conta e ordem de terceiros (doc. 7); demonstrativos que visam facilitar a conciliação dos registros contábeis (doc. 8). AUDITORIA INDEPENDENTE. 44. Informa que contratou a empresa de auditoria Ernst & Young para emitir parecer sobre a regularidade contábil e fiscal das operações registradas na conta caixa, como forma de afastar a presunção equivocada de manutenção de saldo credor de caixa. Dado o volume de informações envolvidas na análise, o interessado informa que tal parecer ainda não foi emitido, mas que será juntado aos autos antes do julgamento de primeira instância (§§ 123/124). Fl. 1814DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.815 9 DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS DE COFINS E PIS, DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. 45. Ainda que se entenda que houve justificativa para a aplicação da presunção de omissão de receita, a fiscalização incorreu em alguns erros que majoraram o montante exigido nas autuações (§ 148). 46. A dedutibilidade das despesas de Cofins e PIS, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, é garantida pelos arts. 41 e 57 da Lei n° 8.981/95, segundo os quais os tributos e contribuições sociais são dedutíveis de acordo com o regime de competência,[salvo se estiverem com a exigibilidade suspensa nos termos dos incisos II a IV do art. 151 do CTN. Tal dedução não foi considerada no lançamento. No momento da autuação fiscal, os valores de PIS e Cofins não estavam com a exigibilidade suspensa porque, nos termos do art. 151, III, do CTN, a exigibilidade do crédito tributário constituído via auto de infração só é suspensa com o protocolo da defesa administrativa (§ 154). 47. A fiscalização considerou que o interessado teria omitido receitas no valor total de R$ 147.108.356,32, equivalente à somatória dos saldos credores apurados em dias específicos de 5 (cinco) meses de 2004, conforme demonstrado no quadro da fl. 529 (§ 160). Entretanto, caso se entenda que houve omissão de receita, o correto seria considerar apenas o maior saldo do ano, já que o interessado apura o IRPJ pelo lucro real anual. Vide quadro da fl. 532. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. 48. Requer a realização de diligência para verificação de outros documentos porventura cabíveis, caso se entenda que não ficou comprovada a argumentação quanto à presunção de omissão de receita por saldo credor da caixa (§ 170). GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. 49. O interessado é a sociedade resultante de uma associação ((joint venturè) entre os grupos Pão de Açúcar e Sendas (§ 172). A associação tinha o objetivo maior de reunir em uma só sociedade todas as operações de varejo no Estado do Rio de Janeiro (§ 177). A formalização da joint venture seria feita sem qualquer desembolso de dinheiro pelas partes, apenas com aportes de bens, direitos e obrigações relacionados às atividades de varejo, e avaliados a mercado (§ 178). 50. associação foi aprovada pelo BNDES, que adquiriu debêntures da Sendas S/A no valor de R$ 127 milhões, a pelo Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC) (§§ 181/182). Houve a celebração entre o Grupo Sendas, o Grupo Pão de Açúcar e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) de um Acordo de Preservação de Reversibilidade da Operação (APRO) (§ 185). O Acordo de Associação firmado entre os dois grupos, do qual algumas cláusulas encontramse reproduzidas nas fls. 535/538, regula as mais diversas relações jurídicas e seus desdobramentos, fato este que atesta o quão genuína e complexa foi a associação que veio a resultar em aporte de ativos no interessado (§j 188). Informações públicas acerca da associação, como fatos relevantes, matérias jornalísticas, Fl. 1815DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.816 10 relatórios de auditoria, relatórios de bancos estrangeiros, são anexados à impugnação (doe. 10) (§191). 51. Simular um negócio jurídico significa exteriorizar (em sua formalidade) algo que não seja verdadeiro ou que seja diferente da realidade subjacente a essa forma, tendo em vista lesar terceiros. No ato simulado existe uma verdade de fato (real, efetiva) encoberta por uma forma jurídica não correspondente à referida realidade (§ 197). Simulação é a declaração enganosa da vontade, visando a produzir efeito diverso do ostensivamente indicado (Citação após o § 197). 52. Devese diferenciar a simulação do Negócio Jurídico Indireto. Na simulação as partes, para alcançar o fim visado, declaram o que não corresponde à vontade delas, regulando, no entanto, clandestinamente, as próprias relações jurídicas de j modo conforme à vontade real; no negócio indireto, ao contrário, o fim prático visado pelas partes è alcançado justamente por meio do negócio adotado e declarado (Citação após § 220). Não faz sentido algum alegar que as partes não queriam aquilo que estavam declarando, especialmente se é algo comparativamente menos oneroso em termos tributários. Desaparece, portanto, a premissa maior da simulação, qual seja, a divergência entre declaração e vontade (§ 212). O objetivo ulterior representa um limite para a adoção de negócios jurídicos indiretos, na medida que não pode ser proibido por qualquer norma do ordenamento (§ 218). Existe regra que proíba a economia de tributo? (§ 222). Tais considerações permitem concluir que nenhum dos atos praticados por ocasião da constituição do interessado pode ser atacado como simulação, pois são todos eles facilmente enquadrados no conceito de negócio jurídico indireto (§ 228). 53. Pela análise de recentes julgados do Conselho de Contribuintes, conclui o interessado que não se quer impedir os contribuintes de buscar alternativas fiscalmente menos onerosas, mas também não se lhes concede o direito irrestrito de realizar operações cuja finalidade seja apenas esta: economizar tributos (§ 234). Onde houver objetivos exclusivamente tributários, entendese que o negócio é ilícito, simulado (§ 236). Por outro lado, o negócio será lícito se lograr existência independentemente das vantagens fiscais'(teoria do businees purpose test) (§ 237). 54. Ao referirse à simulação relativa, o autuante segue a quase totalidade da doutrina e reclama para a sua caracterização a existência de dois negócios jurídicos, sendo um deles o real, e o outro, fictício (§ 241). Em sendo assim, cabe perguntar: quais são os dois negócios jurídicos? Quais são as duas vontades conflitantes (interna e externa)? Quais são os negócios verdadeiro e ficto? (§ 243). Não há, no auto de infração, qualquer menção ao suposto negócio que teria sido ocultado (§ 244). Ao invés disso, o próprio autuante afirma que o interessado realizou apenas um negócio jurídico (§ 250 fazendo referência ao § 106 do TVF). Ressaltese que o ágio amortizado é o resultado do desdobramento do custo de aquisição como prevê a legislação brasileira (§ 245). Não se quis com as alterações societárias esconder qualquer negócio (§ 253). í 55. Apesar de reconhecer que o ônus de provar a simulação cabe à administração tributária (§ 125 do TVF), o autuante não carreou aos autos os indícios de provas com que formou sua convicção (§ 256), nem sequer indicou clara e objetivamente quais foram os negócios simulados/dissimulados pelo interessado (§ 258). 56. E dever do Auditor Fiscal, e direito do contribuinte, para que este possa exercer com efetividade suas garantias ao contraditório e à ampla defesa, a indicação e comprovação do ilícito a ele imputado (§ 259). O Auditor Fiscal, embora não tenha afirmado Fl. 1816DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.817 11 objetivamente, levanta a questão do tempo de duração (curto, na opinião dele) das empresas Rio Patea e Serra do Andaraí, como se revelasse o ilícito da operação. Esta falta de objetividade prejudica o direito de defesa do interessado, que se vê obrigado a contestar por hipóteses (§ 290). 57. Segundo o próprio autuante, se pode afirmar que as operações executadas não ferem a lei (§ 104 do TVF), logo não há divergência ou conflito entre vontade aparente e vontade real, ou seja, não há simulação (§ 263/264). ! 58. A inconformidade do Sr. AFRFB não está localizada nas operações executadas (que "não ferem a lei"), mas em certos efeitos econômicos, a "realidade econômica", ou seja, o benefício do interessado em ter majorado o saldo de Prejuízos Fiscais / BCNCSLL por conta de uma simulada amortização de ágio (§§ 262 e 267). 59. Os atos classificados com "atípicos e anormais" nada mais são do que a criação de duas empresas (Rio Patea e Serra do Andaraí) em etapa anterior à constituição da joint venture e que, mais tarde, foram incorporadas (§ 269). A prática empresarial e doutrina ensinam, pelo contrário, que a quase totalidade das operações societárias utilizadas para viabilizar novos empreendimentos, freqüentemente, é composta das seguintes características: (i) aquisição de participações acionárias; (ii) combinadas ou não com ativos e obrigações; e a (iii) posterior incorporação de uma ou mais empresas envolvidas (§ 277). 60. As incorporações das empresas RIO PATEA e SERRA DO ANDARAÍ não podem ser consideradas ilícitas simplesmente porque não atendem aos pressupostos mercadológicos citados pelo Sr. AFRFB: ingresso em novo mercado sob domínio da incorporada, união de esforços para bater a concorrência, troca de tecnologia. Tal restrição seria uma simplificação grosseira da realidade (§§ 282, 284/286 e 289). 61. O fato de as empresas RIO PATEA e SERRA DO ANDARAÍj terem sido incorporadas, como quer o Sr. AFRFB, num "curto espaço de tempo", não tem qualquer relevância na licitude ou ilicitude das demais operações societárias e do resultado final de constituição da joint venture (§ 291). O fato de terem durado "pouco" (como quer o Sr. AFRFB) não significa que não tenham cumprido com o seu papel e esgotado os propósito que lhe foram reservados no processo de constituição da joint venture (§ 292). 62. As operações eivadas de simulação têm os seus efeitos tributários desconsiderados pela jurisprudência administrativa não porque o resultado econômico atingido é idêntico ao de outra operação mais onerosa fiscalmente, mas sim porque à vontade que está em sua base não se pode atribuir credibilidade, ou seja, porque não se trata de uma vontade séria (§ 309). Quando o Sr. AFRFB repugna não importar se o contribuinte quis ou não quis aquele ato, prevalecendo o resultado econômico alcançado, já não estamos mais compartilhando do conceito e dos pressupostos da simulação, que tanto foi colocada como fundamento do auto de infração, e ingressamos na espinhosa seara da interpretação econômica do fato gerador, esta sim, absolutamente repudiada pela doutrina e pela jurisprudência do País (§313, referindose ao § 132 do TVF). 63. 63. Incluído pela Lcp n° 104, de 10.1.2001, o parágrafo único_do_art._ 116 do CTN "A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária" ainda não foi regulamentado e não é autoaplicável, logo não Fl. 1817DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.818 12 produz efeitos (§§ 315/316). Além disso, segundo alguns autores nacional, mesmo que estivesse regulamentada, o conceito de dissimulação só se aplicaria aos casos de simulação relativa (§ 318). MULTA DE 150%. INAPLICABILIDADE. I i 64. Se tivesse sido aplicada, a multa de 150% seria indevida porque, primeiramente, consoante exaustivamente demonstrado, não houve simulação. Em segundo lugar, porque, para sua aplicação, é necessário comprovar o evidente intuito de fraudar 6 fisco, o que não ocorreu. MULTA ISOLADA CUMULADA COM MULTA DE OFÍCIO. 65. O simples cancelamento da autuação pela falta de recolhimento das estimativas mensais, decorrente das razões de mérito já apresentadas, são suficientes para aniquilar a exigência da multa isolada (§ 327/328). 66. De qualquer forma, ainda que tais razões não fossem acolhidas, a exigência não deve prosperar pelos seguintes motivos: a) A multa de ofício de 75% e a multa isolada não podem ser concomitantemente exigidas, já que isso caracterizaria dupla imposição de pena ao mesmo fato (§ 330); t b) A imposição de multa de ofício, única sanção decorrente de procedimento de ofício, sobrepõese a qualquer outra penalidade (§ 332); c) O valor da multa foi calculado considerandose o somatório dos saldos credores, embora, como demonstramos, o lançamento por omissão de receita deve basearse no maior saldo credor do período (§§ 334/335); d) A exigência cumulativa impõe ao interessado a penalidade total de 150% (ainda que indiretamente) sobre os valores exigidos de IRPJ, o que ofende os princípio constitucional de vedação ao confisco e a garantia da propriedade privada (§ 336). Cita trecho do voto do Ministro Moreira Alves (RE 91.707, DJ 14/02/2003) que entende ser a vedação extensiva as multas decorrentes de obrigações tributárias. SELIC SOBRE MULTA DE OFÍCIO. 67. Segundo consta, a RFB, após 30 (trinta) dias da lavratura do AI, vem exigindo dos contribuintes a taxa Selic sobre as multas aplicadas, com fundamento nos arts. 29 e 30 da Lei n° 10.522/02. Essa exigência deve ser afastada, visto que afronta (§§ 340 e 341): a) o art. 161, do CTN, pelo qual somente o valor principal deve ser atualizado pelos juros; o art. 5o, II, da CF/88 e o art. 97 do CTN (princípio da legalidade). Qualquer oneração das obrigações tributárias está condicionada à prévia existência de Lei; c) o art. 2°, I, da Lei n ° 9.784/99. Os atos da autoridade administrativa são totalmente vinculados à lei; Fl. 1818DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.819 13 b) art. 5o, LV, da CF (contraditório e ampla defesa), art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto n° 70.235/72. Os juros sobre a multa não foram objeto de regular lançamento, logo não foi concedido ao interessado oportunidade para contestálos previamente à sua constituição definitiva. 68. Ainda que fossem devidos juros sobre as multas, deverseia limitálos a 1% ao mês, conforme Acórdão 10195802 do 1°CC, sessão de 19/10/2006 (§ 343). V. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. 69. Em 16/04/2009, conforme Resolução DRJ/RJ1 n° 74, fl. 1.106, o julgamento foi convertido em diligência para que: a) considerando as alegações apresentadas pelo interessado, fls. 529/532, segundo as quais teria havido erro na determinação da omissão de receita por saldo credor de caixa, fosse apresentado demonstrativo de cálculo dos valores constates da tabela 5, fl. 416, em que constasse cada uma das parcelas utilizadas para se chegar ao resultado; ' b) considerando o questionamento feito pelo interessado contra a aplicação cumulativa de multa isolada com multa de ofício, fls. 568/571, fosse apresentado demonstrativo de cálculo das multas isoladas de fls. 440 e 463; c) considerando que na retomada da fase de julgamento poderá haver necessidade de novos cálculos, os demonstrativos especificado nas alíneas "a" e "b" supra deveriam ser apresentados tanto em papel quanto em CD. VI. RESULTADO DA DILIGÊNCIA. 70. No Relatório de Diligência de fls. 1.111/1.115, a autoridade fiscal esclarece, quanto aos saldo credores mensais, constantes da tabela 5, fl. 416, que!foram apurados mediante processamento da conta Caixa do interessado, extraída dos arquivos digitais que integram a sua contabilidade, bem como, levandose em conta a recomposição dos valores recebidos a título de receitas de vendas e dos valores reconhecidos em operações com fornecedores, devidamente desmembrados diariamente, conforme o demonstrativo "Saldo Credor de Caixa", fls. 1.116/1.494. [ 71. Na tabela da fl. 1.112, diferencia os saldo credores mensais e os valores objeto de autuação. Destaca que os saldos credores nos meses de junho, setembro e novembro de 2004 foram integralmente desconsiderados na constituição de crédito tributário, vez que foram reputados como partes integrantes de saldos negativos anteriores. Os demais saldos credores foram calculados de modo a não incluir valores que já tinham sido tributados em períodos anteriores, de tal sorte que a soma de todos os saldos credores mensais apurados fosse igual ao maior saldo credor identificado na anocalendário de 2004. Fl. 1819DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.820 14 72. Quanto à metodologia de cálculo das multas isoladas, informa que às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, declarada pelo interessado em sua DIPJ 2005, foram adicionadas as omissões de receitas e as despesas de ágio (ajustes), apuradas durajite a fiscalização, o que resultou na apuração na novas bases de cálculo, consoante a segunda tabela da fl. 1.113. 73. As novas bases de cálculo foram usadas para cálculos das estimativas de IRPJ e CSLL, deduzindose dos valores a pagar os tributos que já deveriam ter sido, pagos em meses anteriores, e as multas isoladas foram apuradas aplicandose o percentual de 50% sobre a estimativas devidas, mas não recolhidas, conforme tabelas e esclarecimentos da fl. 1.114. VII. PRIMEIRO RELATÓRIO DE AUDITORES INDEPENDENTES. ERNST & YOUNG. 74. Em 23/09/2009, conforme adiantara em sua impugnação, § 44 supra, o interessado juntou aos autos o "Relatório dos auditores independentes sobre a aplicação de procedimentos acordados" da lavra da empresa Emst & Young, fls. 1.500/1.507. Ao término do referido documento consta que: Por fim, consideramos que V. Sas. entendem que a aplicação dos referidos procedimentos não constitui um exame completo de acordo com as norma brasileiras de auditoria, cujo objetivo seria a expressão de uma opinião sobre as informações contábeis e financeiras constantes neste relatório. Consequentemente, não estamos expressando uma opinião sobre essas informações contábeis e financeiras. Caso tivéssemos executado procedimentos adicionais ou tivéssemos executado um exame de acordo com as normas brasileiras de auditoria, outros assuntos poderiam ter chegado aO\ nosso conhecimento e serem reportados a V. Sas. Fl. 1.507. VIII. RESPOSTA DO INTERESSADO. 75.O interessado tomou ciência do Relatório de Diligência j e do demonstrativo do Saldo Credor de Caixa em 18/09/2009, fl. 1.495, e, em 19/10/2009, apresentou resposta, fls. 1.510/1.523, e documentos, fls. 1.524/1.594, alegando, em síntese, o que segue: J 76. O Relatório de Diligência dedicou apenas um parágrafo para esclarecer como foi calculado o suposto saldo credor de caixa a que se refere a Tabela 5, fl. 416. Não houve qualquer recomposição de caixa, ao contrário do que sugere o Sr. AFRFB. Se tivesse havido, toda a autuação cairia por terra (§§ 8/9 e 42); \ 77. Os valores recebidos a título de receitas de venda, entre outras operações, não foram desmembrados diariamente, e prova disso é o próprio "demonstrativo Saldo Credor de Caixa". Tal demonstrativo nada mais é do que o Razão Analítico da conta 111.100 "Caixa", e os saldos credores, que seriam resultantes da recomposição, são, na verdade, saldo que se encontram devidamente registrados na escrituração do interessado (§§ 10/11 e 35/40); 78. Não há menção no Relatório de diligência quanto ao motivo que levou a deixar de expurgar os efeitos dos lançamentos transitórios (§ 13); Fl. 1820DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.821 15 79. A natureza transitória da conta 111.100 "Caixa" pode ser constatada a partir do confronto entre o Livro Razão e o demonstrativo "Saldo Credor de Caixa" (§§ 14, 30); 80. Reitera argumentos já apresentados na impugnação (£§T5718 e 49/58); DO SEGUNDO RELATÓRIO DE AUDITORES INDEPENDENTES. MAGALHÃES ANDRADE. FLS. 1.533/1.541. 81. O interessado contratou outros auditores independentes, com o objetivo de recompor a conta caixa nos meses de agosto, setembro e outubro de 2004 (§ 19). 82. Para os novos auditores independentes: a) a conta contábil 111.100, a despeito de ser intitulada "Caixa", "cumpria essencialmente o papel de conta transitória para facilitar o fechamento mensal" (§ 28 e item 5.5 do Parecer independente); b) "todas as operações diárias de vendas, prestação de serviços de correspondente bancário e pagamento de fornecedores transitavam pela conta Caixa e, a cada encerramento de mês, os profissionais iniciavam a conciliação das contas patrimoniais e apropriação dos efeitos de receita no resultado" (§ 29); c) Nas operações de vendas, a conta Caixa era creditada diariamente contra Bancos, mas as receitas de vendas só eram registradas mensalmente (§§ 32/33); ' d) Caso as receitas de vendas tivessem sido apropriadas diariamente, o saldo da conta "Caixa" 111.100 seria devedor, conforme Parecer do auditores independentes, fls. 1.540/1.541, item 5.7, e Anexos 2 e 4, fls. 1.563/1.565 e 1.592/1.594. (§§ 34 e 41); 1 83. É o relatório. A DRJ MANTEVE EM PARTE o lançamento, nos termos da ementa abaixo, RECORRENDO DE OFÍCIO DA PARTE CANCELADA: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Inexistindo a alegada contradição entre os fundamentos legais do lançamento, e verificandose a desnecessidade de o interessado contestar "por hipóteses", afastado está o cerceamento de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA. 1)ESCRITURAÇAO POR PARTIDAS MENSAIS; 2)LUCRO REAL ANUAL. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. Fl. 1821DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.822 16 Se forem mantidos registros diários em livros auxiliares, na forma prevista i pela legislação, a escrituração de débitos no Caixa pode ser feita por partidas mensais, sem alteração da natureza desta conta. Na tributação pelo lucro real anual, a base de cálculo do IRPJ é o maior saldo credor de Caixa apurado no ano. OMISSÃO DE RECEITA. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. DEDUTIBILIDADE DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Os créditos de PIS e Cofins não são dedutíveis porque, no momento de sua constituição, não são sequer despesa, mas mera expectativa, que não se concretizará caso, por exemplo, houver impugnação procedente, ou se os créditos forem extintos por decisão judicial. Além disso, é incoerente pleitear como despesa crédito sob litígio. A partir do exercício em que a expectativa se confirmar, por estarem esgotadas as discussões tanto na esfera administrativa quanto na judicial, o interessado poderá considerar os créditos como despesas , já que estava impedido de fazêlo antes. SIMULAÇÃO. PROVA. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. GLOSA DE DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. A simulação, que vicia o ato jurídico e invalida a economia tributária pretendida, se prova pela densidade de indícios e circunstâncias, tais como: a proximidade temporal de atos; a disparidade infundada de valores; o desfazimento dos efeitos do ato simulado; a inexistência de outra causa econômica além da economia fiscal. PENALIDADES. MULTA QUALIFICADA. PERDA DO OBJETO. A discussão sobre aplicação de multa qualificada de 150% perde seu objeto se a matéria tributável for totalmente compensada com o prejuízo fiscal. PENALIDADES. MULTA SOBRE ESTIMATIVAS COMBINADA COM MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. No regime de tributação pelo lucro real anua], é incabível a aplicação de multa sobre estimativas combinada com multa de oficio porque representa dupla sanção sobre o mesmo fato. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA LANÇADA COM O TRIBUTO. A multa de ofício lançada com o tributo também se enquadra no conceito de débito para com a União, logo sofre a incidem juros Selic se não for paga tempestivamente. Fl. 1822DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.823 17 ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES I Anocalendário: 2004 í LANÇAMENTOS REFLEXOS DE CSLL, PIS E COFINS. Pela relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos de CSLL, PIS e Cofins o mesmo tratamento dispensado ao de IRPJ. No caso, a DRJ cancelou os lançamentos das multas isoladas. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF (fls. 1655/1734), repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação na parte mantida e aduzindo em complemento esclarecimentos bem detalhados no presente voto que visariam desfazer as duas inconsistências apresentadas pela DRJ contra o segundo Parecer comandado pela Recorrente. É o relatório. Fl. 1823DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.824 18 VOTO O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Saldo Credor de Caixa Conforme relatado, um dos itens da autuação foi a constatação pela fiscalização de saldo credor de caixa. Dessa forma com base na presunção legal prevista em Lei (art. 281, I, do RIR/99) para essas situações, presumiuse também a ocorrência de omissão de receitas. Segundo a Recorrente, no anocalendário de 2004, por uma opção administrativa e contábil, todos os movimentos financeiros de entradas e saídas de recursos eram registradas em contrapartida da conta 111.100 “CAIXA”, a qual apesar de também se prestar a controlar recursos mantidos em espécie, prestavase preponderantemente à função de conta transitória de fechamento, com o intuito de facilitar a conciliação financeira e fechamento contábil. Segundo ela, os principais movimentos transitórios registrados na conta CAIXA referiamse às seguintes operações: recebimentos de vendas, arrecadações decorrentes da prestação de serviço de correspondente bancário e pagamentos a fornecedores. Por outras palavras, assevera que em sua contabilidade tal conta apesar de denominada “Caixa”, não faz as vezes de uma conta Caixa tradicional, onde somente existe fluxos financeiros. Tal conta, por ser transitória, não teria natureza credora nem devedora, de modo que eventuais saldos credores não seriam de fato saldos credores de caixa, logo não se aplicaria a presunção de omissão de receita. Nas operações de venda de bens, a conta em questão era inicialmente creditada em contrapartida a bancos (vendas à vista) ou clientes (vendas a prazo). Posteriormente, fazia se o lançamento a débito do caixa e a crédito de uma conta de receita. Nos pagamentos a fornecedores, debitavase primeiro o Caixa e creditavase Banco. Em seguida creditavase o Caixa e debitavamse Fornecedores. Finalmente, nas operações como correspondente bancário, creditavase o Caixa, debitandose Banco e, depois, debitavase o Caixa, creditandose Outras Contas a Pagar. Algumas operações eram contabilizadas diariamente e outras, as de fechamento sempre envolvendo a conta caixa, era feita mensalmente. Dessa forma seria necessária uma recomposição com base nos Livros Auxiliares, para desdobrar os lançamentos mensais em suas parcelas diárias. E foi o que tentouse fazer. Fora intimado a apresentar livros auxiliares ou fichas da conta Caixa que discriminasse de forma individualizada os ingressos pelas vendas e as saídas referentes às operações com fornecedores. Recebidos e processados os registros auxiliares, apuraramse os saldos credores de caixa da tabela 5, fl. 416, que o interessado foi intimado a justificar. Porém, em resposta, fls. 272/279, o interessado pondera que, na recomposição dos saldos, deverseia considerar também os valores recebidos e repassados a título de correspondentes bancários, que seriam creditados diariamente no Caixa, mas debitados apenas no final do mês. Fl. 1824DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.825 19 Por outro lado o segundo Parecer Independente que foi feito pelos Auditores independentes no sentido de se pronunciar sobre a regularidade contábil e fiscal das operações registradas na conta caixa, bem assim fazer os ajustes necessários de forma a reconstituir o seu saldo diário, além de ratificar alegações da Recorrente que a conta contábil 111.100, intitulada "Caixa", tinha natureza de conta transitória (§ 28 do parecer); enfatizou que algumas operações só eram contabilizadas mensalmente (§§ 29, 32 e 33) e que, portanto, se todas as receitas fossem apropriadas diariamente, não haveria saldo credor na conta 111.100 "Caixa" (§ 34 e 41). Como prova, apresentou o Livro Razão ajustado da conta Caixa para os meses de agosto e setembro de 2004 (fls. 1.563/1.565 e 1.592/1.594). Em 16/04/2009, conforme Resolução DRJ/RJ1 n° 74, fl. 1.106, o julgamento foi convertido em diligência para que, “(...) a) considerando as alegações apresentadas pelo interessado, fls. 529/532, segundo as quais teria havido erro na determinação da omissão de receita por saldo credor de caixa, fosse apresentado demonstrativo de cálculo dos valores constates da tabela 5, fl. 416, em que constasse cada uma das parcelas utilizadas para se chegar ao resultado”. Tal demonstrativo foi elaborado então pelo fiscal, o que levou a DRJ cotejálo com o que fora já elaborado pelos Auditores Independentes contratados pela Recorrente (Segundo Parecer) e tentar chegar a uma conclusão de qual deles seria a posição correta. Cabe salientar, que em função da grande quantidade de dados a DRJ adotou aqui a metodologia de análise por amostragem, no caso os dias 1 a 3 de agosto de 2004 foram escolhidos como ponto de partida e asseverou que “ os resultados da análise sobre a amostra aplicamse ao respectivo trabalho como um todo”. Em um primeiro momento então a DRJ admite categoricamente que de fato se estava diante de uma conta “Caixa” de natureza atípica, senão vejamos: 111. A conta denominada Caixa ("111.100"), devido à forma de contabilização adotada pelo interessado, não indica diretamente saldos credores que representem omissões de receita porque alguns lançamentos são feitos por partidas mensais, de modo que os saldo diários não representam os verdadeiros saldos de Caixa. Nesse aspecto também não vejo como concluir diferente. A seguir a DRJ afirma que não encontra óbice na sistemática adotada pela Recorrente para que se faça os ajustes necessários, através da recomposição diária e se alcance assim o objetivo final pretendido que é revelar os verdadeiros saldos de caixa, apontando tão somente os fluxos financeiros. Eis suas próprias palavras: 112. Apesar disso, não deixa de ter natureza de conta Caixa, e seus verdadeiros saldos diários podem ser apurados mediante recomposição na qual os lançamentos mensais contra Receitas e Fornecedores sejam desdobrados em partidas diárias. Também concordo que os ajustes possam ser feitos, desde que não se atenha ao conjunto dos lançamentos encontrados no razão nesse período, pois como já se colocou retro a metodologia adotada pela Recorrente implica também em que se considere que alguns lançamentos, os de fechamento, só ocorrem no final do mês, de forma que tais lançamentos têm que ser buscados e realocados no período da amostra a ser considerado. Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.826 20 A DRJ encontra basicamente duas inconsistências no trabalho elaborado pelos pareceristas e assim validam o trabalho de recomposição elaborado pela autoridade fiscal, mantendo assim o lançamento relativo a omissão de receitas por saldo credor de caixa. Eis abaixo as inconsistências observadas pela DRJ, no trabalho dos auditores independentes: 1) Diversos registros, constantes do Livro Razão, que não foram mencionados na Planilha dos Auditores Independentes na amostragem, tal ausência foi identificada pelos registros n9 23, 32 e 98 (do quadro reproduzido pela D. DRJRJ fls. 1.617/1.624 do processo administrativo); e 2) Lançamentos improcedentes, na Planilha dos Auditores Independentes, de valores a débito na conta Correspondente Bancário, visto que as partidas diárias ocorreriam conta a conta Bancos na amostragem, tais lançamentos foram identificados nos registros 3, 27 e 104 (do quadro reproduzido pela DRJRJ fls. 1.617/1.624 do processo administrativo). PRIMEIRA INCONSISTÊNCIA Em relação a primeira inconsistência encontrada, verificase que a própria DRJ vacila na sua conclusão, pois aventa a possibilidade de haver uma justificativa, ou seja, aponta a possibilidade de aquela inconsistência não indicar nada contra a tese levantada pela Recorrente. Eis suas próprias palavras: 117. Por outro lado, no trabalho feito pelo auditores independentes! notase, em primeiro lugar, uma grande quantidade de registros que, apesar de constarem do Livro Razão, não foram mencionados em sua planilha. É possível que tais valores tenham sido totalizados e estejam contidos em outros registros como, por exemplo, nos registros n°23, 32 e 98 , mas , se de fato foi esse o procedimento adotado, terseia que fazer remissão;.desses registros totalizados às suas parcelas, de modo que se pudesse averiguar a correção dos cálculos. Da forma como são apresentados, não se sabe de que registros contábeis se originaram os valores apresentados. (destaquei) Como se vê o indício que advém dessa inconsistência na verdade é fraco, pois a falta pura e simples da remissão é apenas indicativo de indeterminação, de falta de informação que poderia ser buscada. É também indicativo de dúvida, que se esse fosse o único indício encontrado não seria suficiente para se dizer que o fato indiciário da presunção legal foi comprovado e que assim estaria também provada a omissão de receitas por presunção legal. É importante que o fato indiciário, no caso, esteja cabalmente provado pela fiscalização para só então se valer da presunção legal de omissão de receitas. E a DRJ estava certa em sua suspeita, como fica claro com as justificativas e tabelas trazidas pela Recorrente em seu Recurso (vide fls. 1691 a 1693), que a meu ver, são bastante razoáveis diante da metodologia peculiar adotada por ela e que leva a desfazer Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.827 21 completamente a incoerência ou inconsistência apontada pela DRJ no trabalho produzido pelos Auditores Independentes contratados pela Recorrente (2º Parecer). Eis as justificativas trazidas pela Recorrente: 181. Primeiramente, é necessário esclarecer a esta C. Turma Julgadora que a suspeita da D. D. DPJPJ estava correta. Deveras, nos trabalhos de recomposição elaborados pelos Auditores Independentes os valores indicados nos registros 23 (R$ 7.185.455,52), 32 (R$ 38.956.445,30) e 98 (R$ 44.746.285,11) são resultantes da somatória de diversos outros registros devedores e/ou credores. 182. Este procedimento objetivou pura e simplesmente consolidar os registros de acordo com a respectiva natureza, facilitando, assim, o usuário da informação a entender de quais operações se originaram os movimentos credores e devedores e os saldos da conta 111.100 "Caixa". Infelizmente, a praticidade e qualidade das informações que os Auditores Independentes esperavam atingir com o seu Parecer, serviram de argumento para a própria desqualificação deste trabalho. 183. Por tal razão é que, nos quadros reproduzidos a seguir, são demonstradas as composições exatas de cada um dos registros pontuados pelos julgadores (23, 32 e 98), e, adicionalmente, dos registros de nº 105 e 158, não objeto de observação pelos julgadores, mas por se tratarem de caso idêntico aos demais, terão sua abertura exposta por uma questão de transparência: SEGUNDA INCONSISTÊNCIA Essa inconsistência, a meu ver, é a mais importante, pois foi ela inicialmente apontada pela fiscalização e após todo o longo contraditório ainda permaneceu incólume, pois foi ratificada pela DRJ. Por outras palavras, tal inconsistência vem na verdade da tentativa da fiscalização em um primeiro momento e da DRJ, a seguir, em se contrapor a insistência da Recorrente de que a diferença entre o trabalho apresentado pelo agente fiscal e o apresentado pelos Auditores Independentes, de R$ 14.416.447,04, seria na verdade resultante ainda da falta de entendimento total da sistemática adotada de tornar a conta caixa uma conta transitória em sua plenitude, principalmente por não se levar em conta que alguns lançamentos de fechamento se revelam apenas no final do mês, quando da conciliação. Segundo a Recorrente a fiscalização não computou em sua inteireza nos seus trabalhos os valores relativos aos ingressos de correspondentes bancários e aos recebimentos para pagamento de fornecedores. Especificamente em relação aos correspondentes bancários, a fiscalização e a DRJ assim se pronunciam, respectivamente: Fiscalização: Entretanto, escarafunchando a contabilidade do contribuinte (Livro Razão), mormente no que concerne ao mês de agosto de 2004 (fls. .a ), dos valores diários por ele relacionados[correspondentes bancários], foram localizados tãosomente os lançamentos a credito da conta CAIXA, abaixo: ..... ....... TOTAL 147.633,88 Fl. 1827DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.828 22 62. Nesta mesma linha de análise, foram Identificados diversos lançamentos a crédito da conta BANCOS, o que demonstra a total fragilidade da argumentação apresentada pela fiscalizada (fls. a ). 63. Assim, consolidandose todos os lançamentos contábeis supracitados (itens 61 e 62), concluise que a conta BANCOS responde por aproximadamente 99,77 % do valor total dos débitos efetivados na conta OUTRAS CTAS PAGAR – REPASSE em se tratando de operações realizadas com Correspondentes Bancários, de acordo com o demonstrativo a seguir. (TVF) DRJ: 101, Entretanto, apesar de o interessado ter apresentado relatório com créditos de R$ 148.970.502,43 no Caixa, fls. 277/279, tem razão a fiscalização quando afirma, baseada na conta Caixa do Livro Razão, fls. 304/350, que apenas R$ 147.633,88f foram efetivamente creditados nesta conta, enquanto a quase totalidade da diferença (99,77%) foi creditada em Bancos, fl. 419, tabela 7. (...) 118. Observase também que foram debitados valores a título de Correspondente Bancário como nos registro n° 3, 27 e 104 , porém, conforme § 104 supra, tais lançamentos são improcedentes visto que as partidas diárias ocorriam de fato contra a conta Bancos. 119. Portanto, face à metodologia de contabilização adotada pelo interessado, está correto o procedimento de recomposição dos saldos realizado pelo fiscalização (Destaquei) O que se percebe é que tanto a fiscalização quanto à DRJ parece não terem entendido em sua plenitude todas as partidas dobradas envolvidas na sistemática atípica de contabilização dessa conta de caixa que faz às vezes de conta transitória, e que é comum nesse ramo de atividade. Nem se diga que a Recorrente não prestou os devidos esclarecimentos e informações comprobatórias para tanto. A despeito de um certo esforço da fiscalização e da DRJ, pois o processo foi até baixado em diligência, , o que se verifica ao final, foi uma desconsideração de certos lançamentos contábeis no tocante aos reflexos dos ingressos de correspondentes bancários e aos recebimentos para pagamento de fornecedores. Contabilização das operações com Correspondentes bancários Referemse aos valores arrecadados diariamente nos caixas das lojas como decorrência da prestação da Sendas como correspondente bancário, ou seja, tratase de valores recebidos pela empresa onde ela faz as vezes de agente de pagamento de contas de terceiros em suas próprias lojas. Conforme descrito pela Recorrente em seu recurso (fls. 1698/1700), a contabilização ocorrem em três etapas: Na primeira etapa há a contabilização do ingresso financeiro: 1ª Etapa – Ingresso financeiro – Recebimento dos Títulos Fl. 1828DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.829 23 D Banco C CAIXA Nesse momento se fizer um corte aqui, enquanto o ciclo total das etapas não se completaram, o saldo de caixa estaria artificialmente credor. Isso para demonstrar a complexidade de se fazer tal reconstituição e como é fácil se cair em erro ao longo desse processo se não se entender bem a sistemática de contabilização. 2ª Etapa – Reconhecimento da Obrigação para com a Instituição Financeira (Repasse) D – CAIXA C – Outras Contas a Pagar (Passivo) 3ª Etapa – Liquidação Financeira do Passivo (Contas a Pagar) D Outras Contas a Pagar (Passivo) CBancos Considerando que a 2a e 3a etapas acontecem mensalmente, há necessariamente um descasamento entre o momento em que se registravam diariamente os lançamentos credores na conta CAIXA e aquele momento em que o total desses mesmos lançamentos eram revertidos contra conta patrimonial. A consideração da segunda etapa a meu ver é crucial, pois sem ela o registro anterior(lançamento credor) na conta caixa não é neutralizado pelo registro do débito, em contrapartida do reconhecimento da obrigação. A mesma logística acontecia também em relação às transações com Fornecedores que também se davam em 3 etapas: 1) Constituição do Passivo (Fornecedores); 2) Liquidação Financeira do Passivo (Fornecedores); 3) Liquidação Contábil do Passivo (Fornecedores) O Auditor e a DRJ ao exporem suas razões sustenta que as explicações da Recorrente acerca do caráter transitório da conta caixa são frágeis e cita como prova disso o fato da conta de bancos responder por aproximadamente 99,77% do valor total dos débitos efetivados na conta 'outras contas a pagar repasse'. Causa espécie tal raciocínio. É como se nem o Auditor nem a DRJ tivesse compreendido completamente aquelas três etapas acima mencionadas. Pois, por óbvio, o fato de se encontrar 99.77 % transitando da conta banco para a conta “Outras contas a pagar – repasse” apenas indica a existência de uma 3a etapa de contabilização, onde o figurante principal não é CAIXA, mas sim a conta Bancos, como de fato está bem espelhado no esquema contábil acima descrito. Isso não implica dizer que a conta caixa não recebeu em determinado momento um aporte devedor na mesma monta que se perfazeria na 2ª Etapa – Reconhecimento Fl. 1829DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.830 24 da Obrigação para com a Instituição Financeira (Repasse), onde se debita caixa e se credita (Outras contas a Pagar – Passivo). Por outras palavras, a inconsistência não seria uma inconsistência, pois se explicaria perfeitamente dentro do contexto do esquema contábil de partidas dobradas de três lançamentos e não apenas de dois, como parece ter entendido a fiscalização e a DRJ. Mas isso precisa ser confirmado. De outra banda, essa conclusão chegada neste voto só faz sentido se a segunda etapa realmente for efetuada de forma mensal e não diária. Porém, ainda tenho dúvidas quanto a esse mister, pois apesar de essa informação constar na fls. 2 Parecer do Dr. Ricardo Mariz que me chegou ao conhecimento através de memoriais, em sede de Recurso a Recorrente dá a entender que a segunda etapa seria diária e não mensal. Mesmo assim, ainda se a segunda etapa se comprovar como sendo diária, pode ainda ser que haja um descasamento de mais de três dias no seu registro, o que seria suficiente para obstacularizar a conclusão tirada de uma amostra que considera apenas três dias como sendo o universo amostral. Portanto, para melhor formação da minha convicção, baixo o processo em diligência para: 1) Que a fiscalização investigue os fatos acima narrados e sane a dúvida quanto ao momento de contabilização da 2a e 3a etapa, esclarecendo se o resultado de diligência levou em consideração todo o esquema contábil dividido em três etapas e suas respectivas peculiaridades temporais. 2) Aproveitar a diligência para também se pronunciar sobre a primeira inconsistência mencionada de forma no sentido de esclarecer se as razões e tabelas adicionais trazidas pela Recorrente em seu Recurso responderia às indagações da DRJ e estariam mesmo em consonância com a contabilidade da Recorrente. 3) Elaborar relatório conclusivo das verificações, ressalvado o fornecimento de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1830DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 35092.000001/2007-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2003 a 30/11/2006
PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. PRELIMINAR. NULIDADE NFLD. AUSÊNCIA DE MOTIVOS.
Sendo constatada a ausência de motivos para que a NFLD seja declarada nula, a mesma deverá ser mantida em todos os seus termos.No caso em tela, a recorrente alegou cerceamento de defesa, alegando que o fisco deixou de oportunizá-la a ampla defesa e o contraditório no procedimento de apuração da ocorrência do fato gerador, o que não pode ser concebido, face ao poder inquisitivo do procedimento de lançamento.
GFIP X GPS. OCORRÊNCIA. FATO GERADOR. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA.
Sendo constatada a divergência entre valores declarados em GFIP’s e os recolhidos ou não em GPS’s, considera-se ocorrido o fato gerador das contribuições sociais previdenciárias.
COBRANÇA DA NFLD. MULTA E JUROS COM BASE NA TAXA SELIC.CONSTITUCIONAL E LEGAL. CARF. IMPOSSIBILIDADE.
MANIFESTAÇÃO. AFASTAR MATÉRIA INCONSTITUCIONAL FUNÇÃO. JUDICIÁRIO.
Considerando a cobrança da NFLD devida, deverá ser acrescida de multa e juros com base na taxa SELIC, na forma do art.35 da Lei n 8.212/91, que foi alterado pela Lei n 11.941/2009, devendo, portanto ser observado o art.106, II, c do CTN. Sendo ainda impossível o CARF manifestar-se acerca de matéria inconstitucional, o que é função típica do Poder Judiciário.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2403-000.296
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Sat Mar 19 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201012
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 30/11/2006 PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. PRELIMINAR. NULIDADE NFLD. AUSÊNCIA DE MOTIVOS. Sendo constatada a ausência de motivos para que a NFLD seja declarada nula, a mesma deverá ser mantida em todos os seus termos.No caso em tela, a recorrente alegou cerceamento de defesa, alegando que o fisco deixou de oportunizá-la a ampla defesa e o contraditório no procedimento de apuração da ocorrência do fato gerador, o que não pode ser concebido, face ao poder inquisitivo do procedimento de lançamento. GFIP X GPS. OCORRÊNCIA. FATO GERADOR. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. Sendo constatada a divergência entre valores declarados em GFIP’s e os recolhidos ou não em GPS’s, considera-se ocorrido o fato gerador das contribuições sociais previdenciárias. COBRANÇA DA NFLD. MULTA E JUROS COM BASE NA TAXA SELIC.CONSTITUCIONAL E LEGAL. CARF. IMPOSSIBILIDADE. MANIFESTAÇÃO. AFASTAR MATÉRIA INCONSTITUCIONAL FUNÇÃO. JUDICIÁRIO. Considerando a cobrança da NFLD devida, deverá ser acrescida de multa e juros com base na taxa SELIC, na forma do art.35 da Lei n 8.212/91, que foi alterado pela Lei n 11.941/2009, devendo, portanto ser observado o art.106, II, c do CTN. Sendo ainda impossível o CARF manifestar-se acerca de matéria inconstitucional, o que é função típica do Poder Judiciário. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 35092.000001/2007-31
conteudo_id_s : 6568544
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.296
nome_arquivo_s : Decisao_35092000001200731.pdf
nome_relator_s : CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 35092000001200731_6568544.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
id : 9220362
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 19 09:56:09 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1727721676160892928
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-01-17T15:13:07Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2548970_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2011-01-17T15:13:07Z; Last-Modified: 2011-01-17T15:13:07Z; dcterms:modified: 2011-01-17T15:13:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2548970_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:68791753-54a5-4490-aaee-507d89dabad3; Last-Save-Date: 2011-01-17T15:13:07Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2011-01-17T15:13:07Z; meta:save-date: 2011-01-17T15:13:07Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2548970_0.doc; modified: 2011-01-17T15:13:07Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2011-01-17T15:13:07Z; created: 2011-01-17T15:13:07Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2011-01-17T15:13:07Z; pdf:charsPerPage: 2138; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2011-01-17T15:13:07Z | Conteúdo => S2-C4T3 Fl. 324 1 323 S2-C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35092.000001/2007-31 Recurso nº 153.371 Voluntário Acórdão nº 2403-00.296 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 01 de dezembro de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente BOM JESUS DISTRIBUIÇÃO E LOGÍSTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 30/11/2006 PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. PRELIMINAR. NULIDADE NFLD. AUSÊNCIA DE MOTIVOS. Sendo constatada a ausência de motivos para que a NFLD seja declarada nula, a mesma deverá ser mantida em todos os seus termos.No caso em tela, a recorrente alegou cerceamento de defesa, alegando que o fisco deixou de oportunizá-la a ampla defesa e o contraditório no procedimento de apuração da ocorrência do fato gerador, o que não pode ser concebido, face ao poder inquisitivo do procedimento de lançamento. GFIP X GPS. OCORRÊNCIA. FATO GERADOR. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. Sendo constatada a divergência entre valores declarados em GFIP’s e os recolhidos ou não em GPS’s, considera-se ocorrido o fato gerador das contribuições sociais previdenciárias. COBRANÇA DA NFLD. MULTA E JUROS COM BASE NA TAXA SELIC.CONSTITUCIONAL E LEGAL. CARF. IMPOSSIBILIDADE. MANIFESTAÇÃO. AFASTAR MATÉRIA INCONSTITUCIONAL FUNÇÃO. JUDICIÁRIO. Considerando a cobrança da NFLD devida, deverá ser acrescida de multa e juros com base na taxa SELIC, na forma do art.35 da Lei n 8.212/91, que foi alterado pela Lei n 11.941/2009, devendo, portanto ser observado o art.106, II, c do CTN. Sendo ainda impossível o CARF manifestar-se acerca de matéria inconstitucional, o que é função típica do Poder Judiciário. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente. Cid Marconi Gurgel De Souza. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Marcelo Magalhães Peixoto. Ausente o conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 35092.000001/2007-31 Acórdão n.º 2403-00.296 S2-C4T3 Fl. 325 3 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado às fls. 380 a 426 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas/SP (fls.364 a 370) que julgou procedente o lançamento constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n° 35.848.042-6, no valor consolidado de R$ 2.601.627,84 (dois milhões, seiscentos e um mil, seiscentos e vinte e sete reais e oitenta e quatro centavos), decorrentes da parte patronal e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa advindas dos riscos ambientais do trabalho, destinadas a entidades e fundos (terceiros: FNDE, INCRA, SESC/SENAC e SEBRAE), incidentes sobre créditos em dinheiro concedidos através de cartões PREMIUM CARD e sobre valores faciais de cupons TOP PREMIUN liberados e/ou reembolsados pela empresa aos seus empregados. O período objeto da fiscalização compreendeu as competências, com relação ao CNPJ n 45.987.005/0001-98, de 08, 11 e 12 de 1998; 02 a 09 de 1999; 02 a 12 de 2000; 01, 03 a 05 e 07 de 2001; 01 a 04, 07, 08, 10 a 12 de 2002; 01 a 03, 05, 10 a 12 de 2003; 02, 03, 06, 07, 11 e 12 de 2004 e 01/2005 a 06/2006. Desta autuação, a recorrente foi notificada em 22/12/2006 e apresentou impugnação às fls.17 a 54. Em suma, foi alegado, inicialmente, acerca da conexão com a NFLD n° 35.957.446-7, devendo o julgamento dos processos administrativos respectivos ocorrerem de forma simultânea. Além disso, sustentou: - Que a NFLD carece de precisão exigida pela legislação, pois deixou de dar ao contribuinte o conhecimento acerca do objeto, amplitude e forma de apuração dos débitos previdenciários, defendendo a sua nulidade; principalmente por não conter a narrativa dos fatos ocorridos no procedimento fiscal, bem como a identificação dos fatos geradores da obrigação previdenciária. Entendeu, nesse contexto, haver violação ao contraditório e a ampla defesa. - Que a auditoria fiscal qualificou os sócios-gerentes da empresa recorrente como co-responsáveis sem qualquer fundamentação para tal ato, posto que não houve dissolução irregular da sociedade, infração à lei penal praticada pelos dirigentes ou excesso de poderes. No mérito: - Defendeu a extinção das competências cobradas anteriores a dezembro de 2001 em razão da decadência; - Alegou a inconstitucionalidade e inaplicabilidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/1991 aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 4 - Afirmou a incompetência da Previdência Social para apreciar controvérsias decorrentes da relação de trabalho, sustentando, nesse último assunto, a competência exclusiva da Justiça do Trabalho para apreciar qualquer controvérsia decorrente da relação laboral; - Argumentou ainda a não caracterização dos valores pagos como verba não habitual como base de cálculo para a apuração das contribuições previdenciárias. No pedido, requereu a nulidade da NFLD, a extinção pela decadência dos créditos anteriores a novembro de 2001 e a declaração de incompetência da Previdência Social para exigir o recolhimento das contribuições sociais. Instada a se manifestar acerca da impugnação apresentada pela empresa recorrente, a 6ª Turma da DRJ-Campinas/SP assim decidiu: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1998 a 30/06/2006 PREVIDÊNCIA SOCIAL. CUSTEIO. SEGURADO EMPREGADO. PRÊMIO CONTRIBUIÇÕES. INCIDÊNCIA. Sobre a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja sua forma, incide a contribuição previdenciária. Lançamento Procedente. Nas razões recursais, a recorrente alegou preliminarmente: - A necessidade da NFLD ser declarada nula, em razão da falta de clareza e precisão dos fatos geradores no relatório de auditoria fiscal, sustentando o desrespeito à ampla defesa e contraditório; - Ser impossível o redirecionamento da responsabilidade tributária aos sócios da empresa recorrente, sem comprovação de atos que autorizem tal circunstância. No mérito, alegou: - A decadência das competências cobradas anteriores a dezembro de 2001; - A inaplicabilidade dos artigos 173, inciso I do CTN; 45, da Lei 8.212/1991 em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, reiterando os mesmos argumentos alegados na impugnação; - Que o controle de constitucionalidade não é poder exclusivo conferido ao Poder Judiciário, mas sim a todos que aplicam ou interpretam a lei; - A inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/1991, não podendo o Fisco delimitar os temas específicos incluídos ou excluídos do campo de abrangência das normas gerais; - A inaplicabilidade da tese dos “5 mais 5”, devendo ser adotada a regra explicitada no artigo 150, §4°, do CTN; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 35092.000001/2007-31 Acórdão n.º 2403-00.296 S2-C4T3 Fl. 326 5 - A não caracterização dos valores pagos como integrante da base de cálculo das contribuições previdenciárias, repetindo o argumentado exposto na impugnação; - A não ocorrência da habitualidade com relação aos profissionais que receberam parcelas com intervalo de tempo superior a 2 (dois) anos. No pedido, pleiteou a nulidade da NFDL, a extinção pela decadência das competências anteriores a dezembro de 2001 e o cancelamento da cobrança. Por fim, juntou documentos (jurisprudências e petições). É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. PRELIMINARMENTE: I – DA AUSÊNCIA DE MOTIVOS PARA SER DECRETADA A NULIDADE DA NFLD: A recorrente alega inicialmente que a NFLD deve ser declarada nula, por entender que houve violação da garantia do contraditório e ampla defesa, tendo em vista que o fisco não ofertou ao contribuinte o direito de se defender durante a auditoria fiscal, alegando ainda que houve tão somente uma análise parcial dos documentos da empresa. Cumpre salientar que não há qualquer razão para a NFLD ser decretada nula, pois tal documento foi expedido de acordo com as determinações legais. Analisando especificamente o argumento da recorrente, entendo que o mesmo encontra-se totalmente desamparado de fundamentos. Ora, o contraditório e a ampla defesa são garantias constitucionais que foram respeitadas em todos os momentos pelo fisco federal. Todavia, antes de ser explicado o motivo pelo qual não deverá em hipótese alguma a NFLD ser decretada nula, impende-se citar e destacar pontos importantes do lançamento do crédito tributário. Primeiramente, cabe destacar que a NFLD realmente é ato unilateral da Administração Pública e constitui uma das espécies de lançamento que acontece no âmbito federal, segundo o art.9º, caput, do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Ressalta-se que as notificações fiscais referem-se a lançamento de crédito tributário ligado às obrigações principais, já os autos de infração estão ligados às obrigações acessórias. Vejamos ainda o dispositivo legal que trata do procedimento de apuração de obrigação tributária e que afasta como correta a alegação da recorrente. Sendo a NFLD uma espécie de lançamento no âmbito federal, sua aplicação obedecerá o art.142 do Código Tributário Nacional, o qual dispõe: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 35092.000001/2007-31 Acórdão n.º 2403-00.296 S2-C4T3 Fl. 327 7 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Diante do exposto, pode-se perceber que o lançamento, primeiramente, é ato exclusivo da autoridade administrativa e que seu objetivo é a constituição de crédito tributário. Ademais, tal ato é entendido como um procedimento que vise à ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Assim, considerando que o objetivo do lançamento é verificar a ocorrência do fato gerador e depois, após constatado o ocorrido, lançar o crédito e constituí-lo, é inegável que essa 1ª fase é revestida pela unilateralidade do fisco. Desse modo, pode-se dizer que o lançamento é dividido em duas fases: a administrativa e a litigiosa. A primeira é verificada pela realização de todos os praticados pela autoridade fazendária ao instaurar o procedimento administrativo para apurar se há realmente um crédito a ela devido. Já a segunda etapa do lançamento, a litigiosa, ocorrerá se houver as modalidades do ato de ofício ou por declaração, iniciando-se a partir do momento em que o contribuinte é notificado da lavratura de um auto de infração/notificação fiscal e discorda da cobrança constante naquela autuação. Nessa ocasião, o contribuinte, não concordando em ser devedor do crédito fiscal disposto no auto de infração/notificação fiscal, apresenta defesa/impugnação junto ao órgão responsável pela arrecadação daquele tributo, o qual terá seu trâmite realizado em acordo com o previsto nas legislações dos Contenciosos Municipais, Estaduais e Federal. Nesses casos, em que o contribuinte se vê insatisfeito com a cobrança do crédito tributário, e decide pela impugnação daquele auto de infração/notificação fiscal, inicia- se a fase contenciosa do lançamento tributário, haja vista que haverá conflito de interesses nessa relação. Surge, portanto, um processo administrativo fiscal, o qual terá princípios norteando seu trâmite, para que o mesmo alcance seu objetivo e o contribuinte não seja lesado ante a previsão do Princípio do Devido Processo Legal. Desse modo, o fato do procedimento de lançamento ser ato unilateral do fisco não importa dizer que houve violação das garantias constitucionais levantadas pela recorrente, tendo em vista que as garantias do contribuinte foram respeitadas desde o primeiro momento, ou seja, com a apresentação pelo sujeito passivo de impugnação administrativa (fls.290 a 297). Sendo assim, diante dos fatos expostos, não há motivos que autorizem a declaração de nulidade da NFLD nº 37.038.430-0, tendo em vista que não houve violação alguma às garantias do contraditório e da ampla defesa. DO MÉRITO: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 8 I –DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES A recorrente alega que não houve a ocorrência de fatos geradores que autorizasse a cobrança da exação em tela, sustentando que autuação ateve-se tão somente à análise de GFIP´s. Ora, a fiscalização examina e pede vistas de documentos que entenda serem necessários para cada situação. Em se tratando de ação fiscal que tenha como objetivo a ocorrência de fato gerador específico, qual seja, o recolhimento ou não das contribuições previdenciárias a cargo da empresa, nada mais plausível do que examinar as GFIP´s e as GPS´s, procedendo assim ao cruzamento das informações. Assim, segundo o relatório fiscal às fls.283 a 286, os fatos geradores ocorreram com o pagamento das remunerações aos segurados empregados, sendo a base de cálculo resultante da diferença entre os valores apurados a título de contribuições previdenciárias/terceiros, conforme declaração em GFIP´s realizada pela recorrente, com os recolhimentos efetuados ou não através de GPS´s. Desse modo, não deve prosperar a alegação da recorrente em afirmar que não houve a ocorrência de fatos geradores que possam autorizar a cobrança do crédito tributário constante na NFLD nº 37.038.430-0. II – DA IMPOSSIBILIDADE DO CARF MANIFESTAR-SE ACERCA DE CONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS: Diante das argumentações trazidas à baila pela recorrente, um dos pontos levantados no recurso voluntário foi o de que a multa imposta teria natureza confiscatória. Sobre o argumento da recorrente, cumpre salientar que todas as normas infraconstitucionais, quando vigentes no ordenamento jurídico, são para ser cumpridas, não podendo, em nenhuma hipótese a autoridade administrativa exercer juízo de valor e afastar a aplicação da norma, tendo em vista sua atividade como agente público ser vinculada à lei. Desse modo, é a atividade do agente público um poder-dever, não podendo haver discricionariedade para a aplicação da lei, o que só é admitido quando a própria norma autoriza. Assim, estando a legislação vigente, deparando-se o agente administrativo com uma situação que lhe exija a aplicação de norma infraconstitucional, esta será aplicada em todos os termos, sendo vedada a conduta de afastar a incidência dessa norma, sob pena de violação ao Princípio da Legalidade. Ademais, a Portaria RFB n° 10.875, de 16 de agosto de 2007, que disciplina o processo administrativo fiscal relativo às contribuições sociais de que tratam os arts. 2° e 3° da Lei n° 11.457/2007, veda, em seu art.18, que o Contencioso Administrativo Federal afaste aplicação de lei por inconstitucionalidade ou ilegalidade: Art. I8 É vedado à autoridade julgadora afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de tratado, acordo internacional, lei, decreto ou ato normativo em vigor, ressalvados os casos em que: 1 - tenha sido declarada a inconstitucionalidade da norma pelo Supremo Tribunal Federal (STF); em ação direta, após a publicação da decisão, ou pela via incidental, após a publicação da resolução do Senado Federal que suspender a sua execução; Fl. 8DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 35092.000001/2007-31 Acórdão n.º 2403-00.296 S2-C4T3 Fl. 328 9 II - haja decisão judicial, proferida em caso concreto, afastando a aplicação da norma, por ilegalidade ou inconstitucionalidade, cuja extensão dos efeitos jurídicos tenha sido autorizada pelo Presidente da República ou, nos termos do art. 4 2 do Decreto n2 2.346, de 10 de outubro de 1997, pelo Secretário da Receita Federal do Brasil ou pelo Procurador-Geral da Fazenda NacionaL. Além disso, vale destacar que a Portaria n 256 do Ministério da Fazenda, que aprovou o Regimento Interno do CARF, em seu artigo 62, veda aos julgadores do Contencioso Administrativo Federal afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Observe-se, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal acima citado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II - que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Para haver harmonia nos julgamentos, conforme artigo 72 do Regimento Interno, o CARF emitirá súmulas para decisões reiteradas e uniformes, de observância obrigatória pelos membros do CARF. Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Nesse sentido, o CARF sumulou a matéria em comento, Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 10 Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; Dessa forma, não há como se acolher a pretensão do contribuinte em relação à possibilidade da autoridade julgadora afastar norma infraconstitucional, sob o argumento da norma aplicável à multa ter supostamente caráter confiscatório, pois analisar essa natureza da multa seria função do judiciário, que goza da liberdade para decidir, desde que haja motivação em suas decisões. III – DA CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE DA INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS COM BASE NA TAXA SELIC: Alega ainda a recorrente que a aplicação de juros com base na taxa SELIC é indevida, sob o argumento de que sobre o débito deveria incidir tão somente multa ou juros e não os dois cumulativamente. Todavia, a lei determina que sobre todo o montante em atraso, serão acrescidos multa e juros calculados com os índices da taxa SELIC, não cabendo a alegação da recorrente em afirmar que a natureza destes é remuneratória. Com relação à incidência da taxa SELIC sobre os débitos federais, inclusive contribuições sociais, registre-se que a legislação de regência à época do fato gerador, a Lei nº 8.212/91, afastava literalmente os argumentos erguidos pela recorrente, in verbis:: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Entretanto, a Lei n 11.941/2009 revogou o dispositivo acima e deu nova redação ao art.35 da Lei n 8.212/91, determinando que os débitos tributários a nível federal, teriam suas cobranças acrescidas de multa e juros na forma do art.61 da Lei n 9.430/96. Então vejamos: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, Fl. 10DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 35092.000001/2007-31 Acórdão n.º 2403-00.296 S2-C4T3 Fl. 329 11 nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). LEI N 9.430/96 Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Art. 5º(...) (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A propósito, convém ainda mencionar que o Segundo Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula nº 03, nos seguintes termos: SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Portanto, a aplicação da taxa SELIC sobre os débitos tributários federais é correta com fulcro no artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/91. IV – DA MULTA MORATÓRIA: Fl. 11DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 12 Com relação à multa incidente sobre débitos pagos fora do prazo legal, a sua aplicação encontra-se também fundamentada também no mesmo art.35, caput, da Lei n 8.212/91, in verbis:. Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Sobre a aplicação deste dispositivo, o qual prevê multa de 0,33% ao dia e limitada a 20%, vale destacar que a redação acima foi dada por Lei diversa daquela vigente à época do fato gerador, motivo pelo qual será aplicada em conformidade com o art.106, II, do Código Tributário Nacional, não havendo razões para a recorrente alegar a indevida progressividade da multa, em razão da atividade vinculada do agente público. V – DA APLICAÇÃO DA LEI MAIS BENÉFICA AO ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO: Tratando-se de ato pendente de julgamento, há que se observar alguns preceitos legais do Código Tributário Nacional no que se refere à possibilidade de uma lei retroagir e alcançar fatos pretéritos, os quais ocorreram sob a égide de outra legislação. No caso em tela, verifica-se que tanto a aplicação de multa como a incidência de taxa SELIC sobre os débitos tributários federais encontra amparo atualmente no art.35 da Lei n 8.212/91, dispositivo este alterado pela Lei n 11.941/2009. Deste modo, caso seja mais benéfico ao sujeito passivo, a Lei n 11.941/2009 deverá retroagir em respeito ao art.106 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (...) II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. VI – DA DESNECESSIDADE DE FASE INSTRUTÓRIA ANTES DO LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO: A recorrente alega ainda, e mais uma vez, que deveria ter ocorrido uma fase instrutória para apurar os cálculos do lançamento. Ocorre que, conforme demonstrado no tópico I da PRELIMINAR, o procedimento que apura a ocorrência do fato gerador tem caráter inquisitivo e não instrutório, motivo pelo qual não deverá ser considerada a alegação da recorrente. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 35092.000001/2007-31 Acórdão n.º 2403-00.296 S2-C4T3 Fl. 330 13 CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido de manter a cobrança da NFLD 37.038.430-0, devendo-se proceder ao recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10480.903070/2013-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011
MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO. CONCEITO.
Somente as matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, são hábeis ao creditamento do imposto.
Para que seja dado o tratamento de insumos aos bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, tais bens devem guardar semelhança com as matérias primas - MP e produtos intermediários - PI, em sentido estrito, semelhança essa que reside no fato de exercerem, na operação de industrialização, função análoga a das MP e PI, ou seja, se consumirem, em decorrência de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por esse diretamente sofrida, mesmo que não integrando ao produto final.
PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. MATERIAIS REFRATÁRIOS. COMBUSTÍVEIS.
Não geram direito a crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, mesmo que se esgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Assim, glosam-se os créditos relativos a materiais intermediários que não atendam aos requisitos do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979.
Numero da decisão: 3302-012.504
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a diligência. Vencido o conselheiro Jorge Lima Abud. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-012.496, de 24 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10480.903074/2013-21, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimaraes, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: Larissa Nunes Girard
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 19 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 202111
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO. CONCEITO. Somente as matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, são hábeis ao creditamento do imposto. Para que seja dado o tratamento de insumos aos bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, tais bens devem guardar semelhança com as matérias primas - MP e produtos intermediários - PI, em sentido estrito, semelhança essa que reside no fato de exercerem, na operação de industrialização, função análoga a das MP e PI, ou seja, se consumirem, em decorrência de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por esse diretamente sofrida, mesmo que não integrando ao produto final. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. MATERIAIS REFRATÁRIOS. COMBUSTÍVEIS. Não geram direito a crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, mesmo que se esgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Assim, glosam-se os créditos relativos a materiais intermediários que não atendam aos requisitos do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2022
numero_processo_s : 10480.903070/2013-42
anomes_publicacao_s : 202203
conteudo_id_s : 6574954
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 3302-012.504
nome_arquivo_s : Decisao_10480903070201342.PDF
ano_publicacao_s : 2022
nome_relator_s : Larissa Nunes Girard
nome_arquivo_pdf_s : 10480903070201342_6574954.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a diligência. Vencido o conselheiro Jorge Lima Abud. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-012.496, de 24 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10480.903074/2013-21, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimaraes, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Nov 24 00:00:00 UTC 2021
id : 9236432
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 19 09:56:16 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1727721676166135808
conteudo_txt : Metadados => date: 2022-03-11T12:37:53Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-03-11T12:37:53Z; Last-Modified: 2022-03-11T12:37:53Z; dcterms:modified: 2022-03-11T12:37:53Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2022-03-11T12:37:53Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-03-11T12:37:53Z; meta:save-date: 2022-03-11T12:37:53Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-03-11T12:37:53Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-03-11T12:37:53Z; created: 2022-03-11T12:37:53Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2022-03-11T12:37:53Z; pdf:charsPerPage: 2481; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-03-11T12:37:53Z | Conteúdo => S3-C 3T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10480.903070/2013-42 Recurso Voluntário Acórdão nº 3302-012.504 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de novembro de 2021 Recorrente VOTORANTIM CIMENTOS N/NE S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO. CONCEITO. Somente as matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, são hábeis ao creditamento do imposto. Para que seja dado o tratamento de insumos aos bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, tais bens devem guardar semelhança com as matérias primas - MP e produtos intermediários - PI, em sentido estrito, semelhança essa que reside no fato de exercerem, na operação de industrialização, função análoga a das MP e PI, ou seja, se consumirem, em decorrência de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por esse diretamente sofrida, mesmo que não integrando ao produto final. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. MATERIAIS REFRATÁRIOS. COMBUSTÍVEIS. Não geram direito a crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, mesmo que se esgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Assim, glosam-se os créditos relativos a materiais intermediários que não atendam aos requisitos do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a diligência. Vencido o conselheiro Jorge Lima Abud. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-012.496, de 24 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10480.903074/2013-21, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 30 70 /2 01 3- 42 Fl. 334DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-012.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903070/2013-42 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimaraes, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Aproveita-se o Relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, em síntese: Em análise no presente processo o litígio decorrente de Despacho Decisório emitido quando da análise do(s) PER/DCOMP n° 37852.78403.201212.1.1.01-2192, transmitido(s) para utilização do saldo credor do IPI apurado no 3° trimestre/2011, com fulcro no art. 11 da Lei n° 9.779/99. O reconhecimento parcial se deveu a glosas de créditos de aquisições de produtos que não atendem os requisitos para o creditamento. Conforme se vê do Relatório Fiscal, as glosas se referiram a aquisição de coque de petróleo, além de outros produtos (descrição constante do Anexo "Demonstrativo dos Créditos do IPI Passíveis de Ressarcimento”). A Manifestante alega, em síntese, que todas as aquisições referem-se a insumos utilizados e consumidos no processo industrial, sustentando sua afirmação em laudo técnico anexo à Manifestação de Inconformidade. A Turma da Delegacia Regional de Julgamento julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. A empresa foi intimada do Acórdão de Impugnação e ingressou com Recurso Voluntário alegando, em síntese: Da necessária homologação da compensação do contribuinte. Aplicação da Súmula n° 473 do STF c/c art. 149, IV e VIII do Código Tributário Nacional; Do coque de petróleo; Do tijolo alum, tijolo básico e tijolo si; Do concreto alum; Da argamassa; Do corpo moedor; Da chapa; Da correia transp; Da placa autectic; Fl. 335DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-012.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903070/2013-42 DA necessidade da aplicação da súmula n° 473 do STF c/c art. 149, IV e VIII do Código Tributário Nacional; Da necessidade de aferição dos fatos por meio de perícia técnica. DO PEDIDO Por todo o exposto, a Recorrente REQUER: em sede de preliminar, que seja: a. a imediata paralisação de quaisquer procedimentos tendentes à cobrança de todos os “débitos” albergados no processo administrativo n° 10480-900.306/2014-70 (Processo de Crédito nº 10480.903.070/2013- 42), face à expressa determinação da suspensão da exigibilidade dos créditos referenciados (art. 151, III, do CTN; art. 74, §§ 4°, 7°, 9°, 11, da Lei n° 9.430/96; o art. 15 do Decreto n° 70.235/72 e 137, da Instrução Normativa RFB n° 1717, de 17 de julho de 2017); b. por força dos mesmos dispositivos legais, que tais processos “de débito” passem a constar como “exigibilidade suspensa” nos sistemas informáticos da Receita Federal, de forma seja não sejam impedimento à obtenção de imprescindível Certidão Positiva de Débitos com Efeitos de Negativa - CPD-EN, nos termos dos arts. 205 e 206 do CTN, tampouco sejam enviados ao CADIN, conforme art. 7° da Lei n° 10.522/2002; No mérito, que seja revisado e reformado o Acórdão proferido pela DRJ, o qual foi cientificado ao contribuinte, inclusive com realização de imprescindível prévia perícia, mais uma vez justificada e requerida, por prevalência da verdade material no âmbito administrativo, conforme determina o art. 149, IV e VIII do CTN e é o núcleo das Súmulas n°s 346 e 473 do STF. É o relatório. Fl. 336DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-012.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903070/2013-42 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Quanto ao conhecimento, à tempestividade e ao mérito do Recurso Voluntário do contribuinte, transcrevo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto do relator do acórdão paradigma: Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3 a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. A empresa foi intimada do Acórdão de Impugnação, por via eletrônica, em 02 de setembro de 2020, às e-folhas 222. A empresa ingressou com Recurso Voluntário, em 02 de outubro de 2020, às e-folhas 223. O Recurso Voluntário é tempestivo. Da Controvérsia. Foram alegados os seguintes pontos no Recurso Voluntário: Da necessária homologação da compensação do contribuinte. aplicação da Súmula n° 473 do STF c/c art. 149, IV e VIII do Código Tributário Nacional; Do coque de petróleo; Do tijolo alum, tijolo básico e tijolo si; Do concreto alum; Da argamassa; Do corpo moedor; Da chapa; Da correia transp; Da placa autectic; DA necessidade da aplicação da súmula n° 473 do STF c/c art. 149, IV e VIII do Código Tributário Nacional; Da necessidade de aferição dos fatos por meio de perícia técnica. Passa-se à análise. A ora Recorrente, em 20.12.2012, apresentou o PER/DCOMP n° 42333.36803.201212.1.1.01-4402, com crédito referente ao ressarcimento de R$ 1.009.251,51, transmitido para utilização do saldo credor do IPI apurado no 3° trimestre/2012, com fulcro no art. 11 da Lei n° 9.779/99, sendo referido saldo credor relativo ao estabelecimento n° 10.656.452/0023-95. Sobre o direito aos créditos básicos de IPI, assim dispõe o art. 226, I do Regulamento do IPI de 2010: Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditar-se (Lei n°4.502, de 1964, art. 25): Fl. 337DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-012.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903070/2013-42 I - do imposto relativo a matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...) O Parecer Normativo CST n° 65/79 é um ato normativo expedido por uma autoridade administrativa, nos termos do art. 100, I do CTN, auxilia na determinação do conteúdo e alcance do art. 226, I do RIPI/2010, acerca de quais seriam os insumos que ensejam aproveitamento de créditos do IPI. Em virtude de abordar precisamente os elementos fáticos e pelo seu didatismo, trago o Acórdão de Recurso Voluntário n° 3402-007.295, de Relatoria da ilustre Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, a partir das folhas 06 daquele documento: Parecer Normativo CST n° 65/79 (DOU de 6/11/79) Imposto sobre Produtos Industrializados. 4.18.01.00 - Crédito do imposto - Matérias-primas, Produtos Intermediários e Material de Embalagem. A partir da vigência do RIPI/79, ex vi do inciso I de seu art. 66, geram direito ao crédito ali referido, além dos que se integram ao produto final (matérias-primas e produtos intermediários stricto sensu, e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte em seu Ativo Permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Inadmissível a retroação de tal entendimento aos fatos ocorridos na vigência do RIPI/72 que continuam a se subsumir ao exposto no PN CSTn° 181/74. Em estudo o inciso I do artigo 66 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n° 83.263, de 9 de março de 1979 (RIPI/79). O artigo 25 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação que lhe foi dada pela alteração 8 a do artigo 2 o do Decreto-lei n° 34, de 18 de novembro de 1966, repetida “ipsis verbis” pelo artigo 1° do Decreto-lei n° 1.136, de 7 de setembro de 1970, dispõe: ‘Art. 25 A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuindo do montante do imposto relativo aos produtos nele entrados no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer’. Como se vê, trata-se de norma não auto-aplicável, de vez que ficou atribuído ao regulamento especificar os produtos entrados que geram o direito à subtração do montante de IPI a recolher. 3. Diante disto, ressalte-se serem ‘ex nunc’ os efeitos decorrentes da entrada em vigência do inciso I do artigo 66 do RIPI/79, ou seja, usando da atribuição que lhe foi conferida em lei, o novo Regulamento estabeleceu as normas e especificações que a partir daquela data passaram a reger a matéria, não se tratando, como há quem entenda, de disposição interpretativa e, por via de conseqüência, retroativa, somente sendo, portanto, aplicável a norma em análise, a seguir transcrita, aos fatos ocorridos a partir da vigência do RIPI/79: ‘Art. 66 - Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados, poderão creditar-se (Lei n° 4.502/64 arts. 25 a 30 e Decreto-lei n° 3.466, art. 2°, alt. 8a): I - do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e os produtos intermediários, aqueles que, Fl. 338DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-012.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903070/2013-42 embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.’ 4 - Note- se que o dispositivo está subdividido em duas partes, a primeira referindo- se às matérias-primas, aos produtos intermediários e ao material de embalagem; a segunda relacionada às matérias-primas e aos produtos intermediários que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. 4.1 - Observe-se, ainda, que enquanto na primeira parte da norma ‘matérias- primas’ e ‘produtos intermediários’ são empregados ‘stricto sensu’, a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando ao produto em fabricação se consumam na operação de industrialização. 4.2 - Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. 5 - No que diz respeito à primeira parte da norma, que se refere a matérias- primas e produtos intermediários ‘stricto sensu’, ou seja, bem dos quais, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Regulamento, resulta diretamente um novo produto, tais como, exemplificadamente, a madeira com relação a um móvel ou o papel com referência a um livro, nada há que se comentar de vez que o direito ao crédito, diferentemente do que ocorre com os referidos na segunda parte, além de não se vincular a qualquer requisito, não sofreu alteração com relação aos dispositivos constantes dos regulamentos anteriores. 6 - Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matérias- primas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige-se uma série de considerações. 6.1 - Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem direito ao crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. 6.2- Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, uma vez que, consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não geram o direito) somente conclui-se por uma negativa, não podendo, portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. (...) 10 - Resume-se, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos ‘que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização’, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 - Como o texto fala em ‘incluindo-se entre as matérias primas e os produtos intermediários’, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matérias- primas e os produtos intermediários ‘stricto sensu’, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor Fl. 339DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-012.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903070/2013-42 dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 - A expressão ‘consumidos’ sobretudo levando-se em conta que as restrições ‘imediata e integralmente’, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. (...) 11 - Em resumo, geram o direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matérias-primas e produtos intermediários, “stricto senso”, material de embalagens), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; ou vice-versa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face dos princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente. Ao que se observa do Parecer Normativo CST n° 65/79, a partir da vigência do RIPI/1979, o conceito de insumo para fins de creditamento do IPI foi alterado, não se exigindo mais que o consumo se desse "imediata e integralmente" 4 no processo de industrialização, ou seja, o consumo do bem pode se dar após vários ciclos produtivos; e de outra parte, impedindo o creditamento aos bens classificados no Ativo Permanente. 5 A decisão proferida no Resp 1.075.508/SC, submetido à sistemática de que trata o artigo 543-C do CPC/73, cujos termos vincula este Colegiado, acolhe a tese, veiculada pelo Parecer Normativo CST n° 65/79, do contato físico e do desgaste direto em contraposição ao desgaste apenas indireto, tendo sido assim ementada: EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel.Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditar-se do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se ‘aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’. Fl. 340DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-012.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903070/2013-42 In casu, consoante assente na instância ordinária, cuida-se de estabelecimento industrial que adquire produtos ‘que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final’, razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. [negritei] (Grifo e negrito próprios do original) No caso, a fiscalização sustentou as glosas de créditos nas aquisições de materiais refratários pelo não enquadramento no conceito de assemelhados a produtos intermediários para fins de creditamento de IPI (Parecer Normativo CST n° 65/79), conforme Relatório Fiscal. O Recorrente, já na Manifestação de Inconformidade, apresentou Laudo Técnico, a partir das e-folhas 101. Do próprio Laudo Técnico acostado pelo Recorrente à Manifestação de Inconformidade, extrai-se que: - Do coque de petróleo: A Manifestação de Inconformidade traz a seguinte alegação às folhas 08 daquele documento: 1) o produto COQUE DE PETRÓLEO, cujas aquisições pela Impugnante gerou crédito de IPI no montante de R$ 1.380.143,58, corresponde mais de 78,41% dos créditos glosados e é utilizado na industrialização de cimento (produto tributado à alíquota zero e se desgasta direta e imediatamente no processo produtivo), conforme Laudo Técnico n° 115 6562-205 (doc. anexo); Desconsideração do coque de petróleo como matéria-prima ou produto intermediário na fabricação do cimento, tendo se entendido que o mesmo é mero combustível utilizado na geração de energia térmica. - Do tijolo alum, tijolo básico e tijolo si (e-folhas 107): TIJOLO ALUM. Cl (288927) TIJOLO BÁSICO (295208) TIJOLO BÁSICO (455103) TIJOLO BÁSICO (455108) TIJOLO BAS; MAG (445231) TIJOLO BAS; MAGN (445227) TIJOLO ALUM. C2 (288853) Os tijolos citados acima, 5.7 a 5.13, são utilizados como elementos protetores da estrutura do forno, sendo que são parcialmente consumidos na fabricação do clinquer em função do atrito e alta temperatura. Esses elementos são substituídos em intervalos não necessariamente periódicos. Atualmente esse intervalo é de aproximadamente 8 meses. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. - Do concreto alum (e-folhas 106): CONCRETO ALUM (377846) Fl. 341DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-012.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903070/2013-42 CONCRETO ALUM (288146) CONCRETO SIC SU (376472) O material acima, 5.1 a 5.3, é utilizado para revestimento de regiões quentes do forno de clinquer e torre de ciclones. O material é aplicado em média a cada 8 meses. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. - Da argamassa (e-folhas 107): ARGAMASSA ALUM (146432) ARGAMASSA SIL-A (214001) ARGAMASSA BASIC (455132) Os materiais citados acima, 5.14 a 5.16, são utilizados para assentamento dos tijolos refratários quando instalados no forno de clinquer. Sua função principal é corrigir os desníveis presentes nas peças de refratário ou casco do forno. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. - Do corpo moedor (e-folhas 106): CORPO MOEDOR; D (343023) CORPO MOEDOR; D (342918) CORPO MOEDOR; M (343037) Estes materiais, 4.1 a 4.3, possuem reposição mensal de acordo com medições de volume ocupado dentro do moinho, e que equivalem a 2 ton. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. - Da chapa: O Recurso Voluntário traz a seguinte alegação às folhas 18: Observando trecho do Laudo Técnico é possível verificar que: 6.2 CHAPA ESP 3733002301 HAVER&BOECKER (283870) O item 6.1 são telas que compõem a peneira da ensacadeira. A sua função é não deixar passar corpo com alta granulometria para não entupir os bicos. A cada 8 meses fazemos a sua troca em função do desgaste da passagem do material. Os itens 6.2 e 6.3 são as chapas de encosto e mangotes dos bicos, que também sofrem desgastes durante a expulsão dos sacos após atingir o seu peso. A cada 6 meses sofrem substituição, bem como o item 6.4 responsável pelo acionamento das duas correias transportadoras da “camara” de limpeza dos sacos cheios. Demais itens (6.5 a 6.9) são correias transportadoras que transportam os sacos de cimento ao sair da Ensacadeira até a Paletizadora. Elas sofrem desgastes pela abrasão do saco de papel e a borracha durante o transporte. Com frequência media de troca de 7 meses, variando em função da posição ou caso de quebra por algum acidente. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Fl. 342DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3302-012.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903070/2013-42 - Da correia transp (e-folhas 104): O item acima citado, corresponde a correia de transporte de material advindo do britador primário que é levado para a pilha pulmão de material bruto. O desgaste das correias também ocorre em função do contato direto entre material transportado e superfície das mesmas. A substituição ocorre sob demanda a partir de avalição técnica, ou anomalia indesejada. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. - Da placa eutectic: O Recurso Voluntário traz a seguinte alegação às folhas 19: Observando trecho do Laudo Técnico é possível verificar que: 5.2 PLACA EUTECTIC/CDP 4666 0604 (374253) O item 5.2 acima são placas que revestem a calha de entrada. Elas são placas especiais para desgaste por sofrer altíssima abrasão e choque na queda dos materiais durante a alimentação constante do moinho. Observando trecho do Laudo Técnico é possível verificar que: 5.2 PLACA EUTECTIC/CDP 4666 0604 (374253) O item 5.2 acima são placas que revestem a calha de entrada. Elas são placas especiais para desgaste por sofrer altíssima abrasão e choque na queda dos materiais durante a alimentação constante do moinho. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Sendo assim, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento ao recurso do contribuinte. Quanto à conversão do julgamento em diligência, transcrevo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: Com a devida vênia, divirjo quanto à proposta de conversão do julgamento em diligência. Importante ressaltar inicialmente que se analisa o conceito de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem no contexto do IPI, tributo para o qual tais definições foram há muito assentadas, a exemplo dos Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº 65/1979. Por meio das referidas normas, ficou definido que partes e peças de máquinas não se confundem com as matérias-primas ou produtos intermediários. E, considerada essa exclusão, para além da matéria-prima, do produto intermediário stricto sensu e do material de embalagem, geram direito a crédito outros bens, desde que não contabilizados no ativo permanente e que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, desde que não sejam partes e peças de máquinas. O segundo aspecto a se considerar é que se analisa os bens passíveis de serem classificados como insumo para a industrialização do cimento. Fl. 343DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3302-012.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903070/2013-42 Partindo dessas premissas, entendo por desnecessária a conversão do julgamento em diligência, haja vista que os produtos submetidos à apreciação pelo Colegiado estão adequadamente identificados e descritos nos autos. Resta-nos realizar uma discussão conceitual a partir das informações existentes, e suficientes, como realizado no julgamento de primeira instância. Portanto, rejeito a proposta de conversão do julgamento em diligência. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de afastar a diligência. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 344DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
