Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,326)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,173)
- Primeira Turma Ordinária (16,159)
- Segunda Turma Ordinária d (15,885)
- Segunda Turma Ordinária d (14,478)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,482)
- Segunda Turma Ordinária d (12,422)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,076)
- Terceira Câmara (67,622)
- Segunda Câmara (56,324)
- Primeira Câmara (20,556)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,303)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,160)
- Segunda Seção de Julgamen (114,852)
- Primeira Seção de Julgame (76,802)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,969)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,885)
- HELCIO LAFETA REIS (3,799)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,763)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,592)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (15,531)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 37284.007241/2006-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 30/11/2006
Ementa: PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária.
MULTA APLICADA.
Devem ser aplicados, nos lançamentos ainda não julgados, os critérios estabelecidos na MP 449108, em observância ao disposto no art. 106, 11,"c", do CTN.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2401-000.220
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos: I) em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada; e II) no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da
multa de acordo com o disciplinado 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas.
Nome do relator: Bernadete de Oliveira Barros
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200905
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 30/11/2006 Ementa: PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. MULTA APLICADA. Devem ser aplicados, nos lançamentos ainda não julgados, os critérios estabelecidos na MP 449108, em observância ao disposto no art. 106, 11,"c", do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 37284.007241/2006-54
anomes_publicacao_s : 200905
conteudo_id_s : 5573704
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2401-000.220
nome_arquivo_s : 240100220_37284007241200654_200905.pdf
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : Bernadete de Oliveira Barros
nome_arquivo_pdf_s : 37284007241200654_5573704.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos: I) em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada; e II) no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa de acordo com o disciplinado 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas.
dt_sessao_tdt : Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
id : 4841653
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:08:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045806413512704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Acórdão nº 2401-00.220; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2016-03-14T13:58:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Acórdão nº 2401-00.220; xmpMM:DocumentID: uuid:0a68ba82-a28d-4ee3-9d9e-76b80a3a9df4; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: Acórdão nº 2401-00.220; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; ModDate--Text: ; dc:subject: ; meta:creation-date: 2016-03-14T13:58:25Z; created: 2016-03-14T13:58:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2016-03-14T13:58:25Z; pdf:charsPerPage: 1187; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:custom:ModDate--Text: ; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2016-03-14T13:58:25Z | Conteúdo => S2-C4Tl FI. 227 Y, MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nO Recurso nO , Acórdão nO Sessão de Matéria Recorrente Recorrida 37284.007241/2006-54 143.521 Voluntário 2401-00.220 - 48 Câmara 1}8 Turma Ordinária 7 de maio de 2009 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA TRUE ACCESS CONSULTING LTDA SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 30/11/2006 Ementa: PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃq, - APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NAO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS., Toda empresa está 9brigád~ ~.informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradorés pe co(itribúição previdenciária. MULTA AP.iJC}\OA' . ~..- . Devem ser aplicados, nos lançamentos ainda não julgados, os critérios estabelecidos na MP 449108, em observância ao disposto no art. 106, 11,"c", do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Câmara 1 1a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos: I) em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada; e 11) no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa de acordo com o . ciplinado 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de ta n s NFLD correlatas. Processo nO 37284.007241/2006-54 Acórdão n,o 2401-00.220 0> ~ c.9l- e-,..' '- ..-..., BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relatora S2-C4T1 FI. 228 Y Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Cleusa Vieira de Souza, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Cristiane Leme Ferreira (Suplente). Ausente o Conselheiro Rogério de Lellis Pinto. '. -~,N:.';;\-J:'Y" \ " t .~ ~.....," .,.~ ••••_~~ . •• .-.wJ1b'--e'"..... 2 Processo nO 37284.00724112006-54 Acórdão n.o 2401-00.220 Relatório S2-C4Tl FI. 229 7: Trata-se de Auto de Infração, lavrado em 30/1112006, por ter a empresa acima identificada apresentado GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo, dessa forma, o inciso IV, ~ 5°, do art. 32, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, IV e ~ 4°, do Regulamento da Previdência Social- RPS, aprovado pelo Decreto nO3.048/99. Conforme consta do Relatório Fiscal da Infr~ção (fls 12/15), a recorrente deixou de informar, por meio de GFIP, os valores de prêmios e bonificações concedidos aos segurados empregados por meio de cartão administrado pela empresa prestadora INCENTIVE HOUSES/A. A recorrente impugnou o débito via peça de fls. 26 a 36 e a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da Decisão-Notificação nO23.401.4/0242/2007 (fls. 40 a 45), julgou a autuação procedente. Inconformada com a decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 50 a 65), repetindo basicamente as alegações já apresentadas na impugnação. Preliminarmente, alega, em apertada síntese, que a decisão recorrida, além de não trazer nenhum fundamento sólido, sequer ..analisou as razões aduzidas na peça de defesa, o que fere os preceitos admini~tIativos-di~~9:S\0~!\J\Lei 9.784/99. ~ . .!l~'.(.)l"í .IV.'- \ .\ •....ót .••. :"v 1""" J . Assevera 4u~~.:,ação dêSé motivar plenamente a decisão, com a análise ponto a ponto dos elemento~-a15resentados pela recorrente é.assegurada pelo próprio art. 50, da referida Lei e cita a doutrina para demonstrar que qualquer preterição nesse comando importa em nulidade do julgamento, até porque impede e limita o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. No mérito, insiste na improcedência da autuação, defendendo que a impropriedade do auto se confunde diretamente com a improcedência do lançamento, haja vista que. não se pode considerar como descumprimento de obrigação acessória a prestação de informações que não existem ou sequer são objeto de tributação previdenciária. Sustenta que, no presente caso, a fiscalização considerou a ocorrência de recusa por ter deixado a recorrente de apresentar alguns documentos solicitados, sendo que todas as informações fiscais e contábeis de responsabilidade e em poder da impugnante relacionadas com a prestação de serViços da empresa Incentive House S.A foram devidamente entregues à fiscalização, inexistindo qualquer dado relevante que pudesse autorizar o lançamento indireto. Informa que não possuía .as informações imputadas como recusadas ou sonegadas, haja vista que a prestação dos serviços realizados pela empresa contratada não tinha o objeto de pagamento de salário ou remuneração, e sim referia-se a programa de marketing e afirma que não há nos autos qualquer indício de que tenha sido realizado pagamento de salários pela recorrente a seus empregados por intermédio da empresa Incentive Rouse. 1'-1 3 Processo nO 37284.007241/2006-54 Acórdão n.o 2401-00.220 S2-C4T1 1 I Esclarece que o procedimento criminal referido pelo auditor fiscal e que é a fonte principal da presente notjficação, foi instaurado em 29/2004, sendo que até a presente data não apresenta qualquer indício de materialidade que considere como fato gerador de contribuições sociais a relação contratual de prestação de serviços realizados pela empresa Incentive House e a impugnante. Infere que a ausência de contrato jamais poderia ser interpretada para fins de caracterização de base de cálculo de contribuição social e a não-apresentação de notas fiscais não é fato autorizador para se efetuar o lançamento por arbitramento. Entende que o procedimento fiscal impugnado fere o art. 37, da Lei 8.212/91, pois não indica com clareza e precisão o fato gerador da contribuição e transcreve o conceito de fato gerador segundo o art. 195, da Constituição Federal, asseverando que nem indício de sua ocorrência existe no caso presente, como também não existem as informações solicitadas pela fiscalização relacionadas com o possível pagamento de salários. Afirma que foram apresentadas todas as folhas de pagamento dos empregados da recorrente, onde poderia ter constatado a fiscalização que não há pagamentos ínfimos como contraprestação dos serviços que pudessem caracterizar a existência de outra modalidade de remuneração. Observa que o item set~.~o\ Relatório Fiscal, onde descreve o fato gerador da contribuição social, este é pºr~-<lem!ii~~g~~érico, inexistindo qualquer correlação com as afirmações ali constantes"'côm asOFa~.f.édot.?t!fi1e~. . .••.•1\/V"\f • -~ ..( (' ;.v v . ..._ ..•. ...,.. Às fls. y2:.a.~~'6; ...; re,corrente se manifestou novamente, juntando folhas de pagamento que, segundo entendé;' foram desprezadas pela fiscalização e que poderiam vir a auxiliar este Conselho no exame dà mátéria. .' É o relatório 4 Processo n° 37284.007241/2006-54 Acórdão n.o 2401-00.220 Voto Conselheira Bemadete de Oliveira Barros, Relatora o recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento~ S2.C4T1 F!3/ Preliminarmente, a recorrente alega que a decisão recorrida, além de não trazer nenhum fundamento sólido, sequer analisou as razões aduzidas na peça de defesa e argumenta que a obrigação de se motivar plenamente a decisão, com a análise ponto a ponto dos elementos apresentados pela recorrente é assegurada pelo próprio art. 50, da Lei 9.784/99. Porém, vale ressaltar que o órgão julgador não está obrigado a apreciar toda e qualquer alegação apresentada pela recorrente, mas tão somente aquelas que possuem o condão de formar ou alterar sua convicção. Tal entendimento encontra respaldo em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, aplicada subsidiariamente conforme se depreende do Recurso Especial, cuja ementa transcrevo abaixo: .. .... \ RESP 208302 1 CE.-; RECURSO ESPECIAL199910023596-7-. .•..... ~ \' Relator.:.Mimstto..EdsiJn\f?ídPgal- Quinta Turma - Julgamento . <. ,"':'l,V . em 01/06/1999~~.Ptlblicação'-em2810611999-DJ pág 150.~1~./ 't.,..l.~~: _' .'0... _ PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇAO PARA FINS DE PREQUESTIONAMENTo. ADMISSIBILIDADE. REFERÊNCIA A CADA DISPOSITIVO LEGAL INVOCADO. DESNECESSIDADE. 1. Legal a oposição de Embargos Declaratórios para pré questionar matéria em relação a qual o Acórdão embargado omitiu-se, embora sobre ela devesse se pronunciar; o juiz não está obrigado, entretanto, a responder todas as alegações das partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão. 2. Recurso não conhecido. REsp 767021 / RJ; RECURSO ESPECIAL 2005/0117118-7- Relator: Ministro JOSÉ DELGADO - PRIMEIRA TURMA - Julgamento em 16108/2005-DJ 12.09.2005p. 258 PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE OMISSA-O, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU FALTA DE MOTIVAÇÃO NO ACÓRDÃO A QUO. EXECUÇÃO FISCAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. GRUPO DE SOCIEDADES COM ESTRUTURA MERAMENTE FORMAL. PRECEDENTE. 1. Recurso especial contra acórdão que manteve decisão que, desconsiderando a personalidade jurídica da recorrente, deferiu o aresto do valor obtido com a alienação de imóvel. 5 Processo n° 37284.007241/2006-54 Acórdão n.o 2401-00.220 2. Argumentos da decisão a quo que são claros e nítidos, sem haver omissões, obscuridades, contradições ou ausência de fundamentação. O não-acatamento das teses contidas no recurso não implica cerceamento de defesa. Ao julgador cabe apreciar a questão de acordo com o que entender atinente à lide. Não está obrigado ajulgar a questão conforme o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento (art 131 do CPC), utilizando-se dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema' e da legislação que entender aplicável ao caso. Não obstante a oposição de embargos declaratórios, não são eles mero expediente para forçar o ingresso na instância especial, se não há omissão a ser suprida. Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC quando a matéria enfocada é devidamente abordada no aresto a quo. (g.n.) S2-C4Tl F~. Verifica-se que a Decisão-Notificação demonstra a convicção do julgador diante dos fatos e argumentos que lhe foram apresentados, seja pela auditoria fiscal, seja pela notificada. Ademais, ~ recorrente apenas alega, mas não aponta quais os tópicos não foram objeto de análise pela DN recorrida. Portanto, não se verifica a"n:úH4~~ealegada pelo contribuinte. •• • ,' • 1>" :.,.;e ~,}.'.~j~ Contudo, a9:,.~titr~õ' gp.,~.afirmadopela recorrente, verifica-se que a fiscalização relacionou, tanto ~~)~..elatôfiô'Fiscal da Infração quanto em seus anexos, todos os fatos geradores cuja omissão em GFIP ensejou a lavratura do auto em discussão. Constata-se que o auto foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante identificado, de forma clara e precisa, a obrigação acessória descumprida e os fundamentos legais da autuação e da penalidade, bem como demonstrado, de forma discriminada, o cálculo da multa aplicada. o Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura do AI, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à empresa autuada. A própria autuada reconhece que informou a GFIP incorretamente alguns fatos geradores, infringindo a legislação previdenciária, pois afirma, em sua peça recursal, que corrigiu as falhas antes mesmo do término da ação fiscal. Dessa forma, não se verifica os VÍciosapontados pela recorrente. No mérito, a autuada tenta demonstrar que & autuação e o arbitramento do débito são improcedentes. ' o presente auto foi lavrado por não terem sido declaradas, em GFIP, o valor referente à concessão de cartões eletrônicos de prêmios pela empresa a favor de seus empregados. As contribuições sociais devidas incidentes sobre os valores correspondentes aos cartões de premiação foram lançadas por meio da NFLD 37.020.497-2, julgada procedente ~ 6 Processo n° 37284.007241/2006-54 Acórdão n.o 2401-00.220 S2-C4Tl I '",. por este Conselho de Contribuintes, que conheceu do recurso apresentado pela empresa (recurso n° 143514) e negou-lhe provimento. Assim, não há mais que discutir sobre o mérito da questão, já que ficou comprovada, nos autos da referida notificação, a natureza salarial da verba cuja omissão em GFIP ensejou a lavratura do AI em tela. Portanto, a autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art.33 da Lei 8212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, auto-de-infração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fzxadas pelos órgãos competentes. Quanto às alegações .de que o procedimento fiscal impugnado fere o art. 37, da Lei 8.212/91, pois não indica com clareza e.pre~isão o fato gerador da contribuição, cumpre _o' ~ observar que é objeto do presente.~pr-oC"êssô'~ªdn1inistrativo fiscal o Auto de Infração por descumprimento de obrigaçãq-"~~~p:1jt~~~~~~':kk~\1fu\a NFLD, como parece ter entendido, de forma equivocada, a recorrenté.C:.....1.' i ' __--- - .--,- \,.•..~.-._.,...-'- . Não há a indicação do fato gerador da contribuição, e sim a discriminação da obrigação acessória inadimplida. E verifica-se que, ao contrário do que afirma a recorrente, o auto foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante identificado, de forma clara e precisa, a obrigação acessória descumprida e os fundamentos legais da autuação e da penalidade, bem como demonstrado, de forma discriminada, o cálculo da multa aplicada. Da mesma forma, a recorrente se equivocou ao afirmar que o item sete do Relatório Fiscal é por demais genérico ao descrever o fato gerador da contribuição social, já que o item 7do Relatório Fiscal da infração não descreve o fato gerador, mas apenas relata fatos constatados pela fiscalização. Portanto, tais argumentos utilizados pela recorrente para tentar demonstrar a improcedência da autuação restaram prejudicados. No entanto, o valor da multa aplicada deve ser revisto pelos motivos a seguir expostos. Verifica-se que a autoridade autuante fundamentou o AI no art. 32, inciso IV, e ~ 5°, da Lei 8.212/91 e enquadrou, com muita propriedade, o AI no código de fundamento legal 68. 7 Processo 0° 37284.007241/2006-54 Acórdão 0.° 2401-00.220 S2-C4TlF?- Não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos do ~ormativo vigente à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória MP 449/08, que revogou o art. 32, ~ 6°, da Lei 8.212/91. E, conforme disposto no art. 106, inciso II, alínea "c": ArLI06 - A lei aplica-se a ato oujatopreténto: (. ..) II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessa forma, não há como se ignorar o disposto no art. 106, lI, "c", do CTN, privando a empresa do beneficio legal. E, tratando-se o presente lançamento de ato ainda não julgado quando da edição da MP 449/08, conclui-se que os critérios por ela estabelecidos se aplicam ao AI em tela. Nesse sentido e Considerando tud0.o mais que..,dosautos consta; Voto no sentido de CiQNRECER DO RECURSO para, no mérito, DAR- LHE PROVIMENTO PAR(JIAL"p~.a ..que-(,Vâlor da multa seja recalculado de acordo com o disciplinado 44, I da Lei riº9AJO;-de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas .. É como voto Sala das Sessões, em 7 de maio de 2009 6J.P-.;:) é)~, Q.,..' .•• -, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS '- Relatora 8 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008
score : 1.0
Numero do processo: 11080.934229/2009-60
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA.
Glosa de crédito que não tenha sido expressamente contestada na manifestação de inconformidade é considerada não impugnada e não integra a fase litigiosa do processo.
IPI. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA.
O contribuinte que pleiteia ressarcimento de créditos do IPI deve provar os fatos constitutivos de seu direito com documentos que comprovem os lançamentos efetuados em seus livros de escrituração fiscal. Não realizada a comprovação durante a ação fiscal ou em outro momento autorizado pelo Decreto nº 70.235, de 1972, e não demonstrada ocorrência de alguma condição excludente da preclusão, deve-se manter a decisão que não reconheceu o direito creditório e não homologou compensação a ele vinculada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo que convertiam o processo em diligência. Designado o Conselheiro Paulo Sérgio Celani para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora Vencida.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201207
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Glosa de crédito que não tenha sido expressamente contestada na manifestação de inconformidade é considerada não impugnada e não integra a fase litigiosa do processo. IPI. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. O contribuinte que pleiteia ressarcimento de créditos do IPI deve provar os fatos constitutivos de seu direito com documentos que comprovem os lançamentos efetuados em seus livros de escrituração fiscal. Não realizada a comprovação durante a ação fiscal ou em outro momento autorizado pelo Decreto nº 70.235, de 1972, e não demonstrada ocorrência de alguma condição excludente da preclusão, deve-se manter a decisão que não reconheceu o direito creditório e não homologou compensação a ele vinculada. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11080.934229/2009-60
anomes_publicacao_s : 201305
conteudo_id_s : 5245491
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3801-001.349
nome_arquivo_s : Decisao_11080934229200960.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
nome_arquivo_pdf_s : 11080934229200960_5245491.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo que convertiam o processo em diligência. Designado o Conselheiro Paulo Sérgio Celani para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora Vencida. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
id : 4858868
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:08:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045806440775680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2131; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 458 1 457 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.934229/200960 Recurso nº 943.103 Voluntário Acórdão nº 3801001.349 – 1ª Turma Especial Sessão de 17 de julho de 2012 Matéria IPI RESSARCIMENTO Recorrente FERRAMENTAS GERAIS COMERCIO E IMPORTAÇÃO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Glosa de crédito que não tenha sido expressamente contestada na manifestação de inconformidade é considerada não impugnada e não integra a fase litigiosa do processo. IPI. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. O contribuinte que pleiteia ressarcimento de créditos do IPI deve provar os fatos constitutivos de seu direito com documentos que comprovem os lançamentos efetuados em seus livros de escrituração fiscal. Não realizada a comprovação durante a ação fiscal ou em outro momento autorizado pelo Decreto nº 70.235, de 1972, e não demonstrada ocorrência de alguma condição excludente da preclusão, devese manter a decisão que não reconheceu o direito creditório e não homologou compensação a ele vinculada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo que convertiam o processo em diligência. Designado o Conselheiro Paulo Sérgio Celani para redigir o voto vencedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 42 29 /2 00 9- 60 Fl. 458DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934229/200960 Acórdão n.º 3801001.349 S3TE01 Fl. 459 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel – Relatora Vencida. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado por Ferramentas Gerais Comércio e Importação S/A, contra decisão exarada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre (RS) que julgou como improcedente Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente. Pelo o que se denota dos autos, a Recorrente efetuou pedido de ressarcimento de IPI perante a Receita Federal do Brasil e, com os aludidos créditos, pretendia quitar outros débitos administrados pela RFB, através de pedido de compensação apresentado. Contudo, este foi indeferido, sob o argumento de que a Recorrente não fazia jus aos pretendidos créditos do IPI. Em sua decisão, a DRJ de Porto Alegre se ateve às argumentações da fiscalização, que, ao receber os pedidos de ressarcimento, entendeu que a Recorrente não faria jus aos créditos de IPI, uma vez que declarou, quando intimada para tanto, que não efetuava industrialização, realizando tãosomente comercialização de produtos. Com base nas declarações e escriturações da Recorrente, a fiscalização reclassificou créditos ressarcíveis informados no PER/DCOMP para não ressarcíveis e, assim, indeferiu o pedido de compensação analisado. Na decisão recorrida, a DRJ de Porto Alegre argumentou que: ‘Em que pese os argumentos acima expendidos, relativamente ao estabelecimento realizar ou não processo de industrialização, o fato é que a controvérsia neste processo limitasse a reclassificação de créditos ressarcíveis, informados no PER/DCOMP equivocadamente sob os CFOPs 1.101, 2.101 e 3.101 – compras para industrialização, para créditos não Fl. 459DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934229/200960 Acórdão n.º 3801001.349 S3TE01 Fl. 460 3 ressarcíveis, já que tratasse de créditos decorrentes das aquisições de produtos para comercialização, conforme notas fiscais registradas nos livros do contribuinte sob os CFOPs 1.102, 2102 e 3102, que não geram direito a ressarcimento.” Mais a frente, concluiu: “No presente caso, o próprio interessado registrou em sua contabilidade aquisições de mercadorias nos CFOPs 1102, 2102 e 3102 (compras para comercialização). Assim, caberia a ele demonstrar que as mercadorias adquiridas para revenda, na verdade, não seriam para revenda, e sim para industrialização. Todavia, o interessado não trouxe aos autos qualquer elemento de prova, ainda que indiciária, para demonstrar que efetuou erroneamente a contabilização destas operações. Alías, nem cogitou sobre a hipótese de erro de fato na escrituração das notas fiscais de aquisição de produtos sob os CFOPs mencionados no livro de IPI, o que poderia ensejar o direito ao ressarcimento de tais créditos.” Por outro lado, a decisão da DRJ de Porto Alegre considerou como não recorridas as glosas dos créditos ressarcíveis efetuadas pela fiscalização, quais sejam créditos de produtos adquiridos de empresas optantes pelo SIMPLES e créditos de produtos adquiridos de empresas consideradas inidôneas. Não concordando com as conclusões da decisão da DRJ, a Recorrida, Ferramentas Gerais Comércio e Importação S/A, apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese: (i) – a ilegalidades das glosas realizadas, face a idoneidade do procedimento realizado pela Recorrente; (ii) – em que pese ter omitidose quanto a idoneidade das Notas Fiscais que levaram ao legítimo creditamento do IPI, invoca os princípios da verdade material e da ampla defesa que devem nortear o procedimento administrativo fiscal (iii) por fim, invoca situação análoga de julgamento proferido pelo Tribunal Administrativo de Recursos Fiscais do Rio Grande do Sul, que reconheceu créditos de ICMS da Recorrente em situação semelhante à travada nestes autos. É o relatório. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934229/200960 Acórdão n.º 3801001.349 S3TE01 Fl. 461 4 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme mencionado alhures, a manifestação de inconformidade do Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre, uma vez que esta considerou como razões da decisão relatório da fiscalização realizada, que, por sua vez, não reconheceu o direito creditório da Recorrente, sob o argumento de que esta não efetua industrialização e, por isso, não faz jus ao creditamento de IPI. Ocorre, contudo, que o Recorrente, ao apresentar a sua Manifestação de Inconformidade, informou o equívoco na informação prestada de que não efetua industrialização. Neste sentido, juntou aos autos extensa planilha com a classificação dos seus produtos (nos mesmos moldes requeridos pela fiscalização). Ademais, apresentou Notas Fiscais de fornecedores que, a princípio, comprovam que, de fato, a Recorrente faz industrialização e não só comercialização de produtos. Como se não bastasse, em seu Recurso Voluntário, a Recorrente afirma que providenciou a retificação de suas declarações, para que haja identidade entre o que foi declarado em sua escritura fiscal e os pedidos de ressarcimento. Pelo cronograma apresentado pela Recorrente, todos os livros fiscais já foram retificados. Neste sentido, no julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Porto Alegre (RS) poderia, de ofício, independentemente da fiscalização anteriormente realizada, ter feito diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934229/200960 Acórdão n.º 3801001.349 S3TE01 Fl. 462 5 Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ......................................................................................................... ................. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934229/200960 Acórdão n.º 3801001.349 S3TE01 Fl. 463 6 É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) Fl. 463DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934229/200960 Acórdão n.º 3801001.349 S3TE01 Fl. 464 7 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, os documentos apresentados pela Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstram os créditos passíveis de compensação. Por outro lado, também devem ser levadas em consideração as retificações dos livros fiscais. E só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF, é que se poderá ter certeza de que os créditos são mesmo passíveis de ressarcimento. De toda forma, é importante ressaltar que os créditos de produtos adquiridos de empresas optantes pelo SIMPLES não dão direito ao ressarcimento do IPI, uma vez que existe expressa vedação legal neste sentido. Esta era a orientação do Decreto 4.544/2002 (artigo 166), que tinha a mesma orientação do Decreto 7.212/2012, atualmente em vigor. Confirase: Art. 228. As aquisições de produtos de estabelecimentos optantes pelo Simples Nacional, de que trata o art. 177, não ensejarão Fl. 464DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934229/200960 Acórdão n.º 3801001.349 S3TE01 Fl. 465 8 aos adquirentes direito a fruição de crédito do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem Este conselho já proferiu inúmeros julgados vedando o referido creditamento. Confirase julgado que foi proferido recentemente: CARF 3a. Seção / 3a. Turma Especial / ACÓRDÃO 3803 01.329 em 02/03/2011 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI EMENTA Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999 SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE PRODUTOS DE FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A aquisição de insumos de estabelecimento optante pelo Simples não enseja direito à fruição de crédito do IPI, por expressa vedação legal. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Argüições de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Publicado no DOU em: 28.03.2012 Recorrente: USEAÇO CONSTRUÇÕES METÁLICAS LTDA. Recorrida: FAZENDA NACIONAL Portanto, caso haja pedidos de ressarcimento de créditos oriundos da aquisição de produtos de empresas optantes do SIMPLES, a glosa realizada pela fiscalização deverá ser mantida. Por outro lado, com relação às glosas de empresas consideradas inidôneas pela fiscalização, na apuração dos créditos ressarcíveis, esta deverá pautar sua análise no julgado proferido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo abaixo transcrito: TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO. NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. COMPROVAÇÃO DA REALIZAÇÃO DA OPERAÇÃO COMERCIAL. SÚMULA 7/STJ. A jurisprudência desta Corte de Justiça, em acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC, e da Resolução STJ 8/2008, Fl. 465DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934229/200960 Acórdão n.º 3801001.349 S3TE01 Fl. 466 9 firmouse no sentido de que o "comerciante que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) tenha sido, posteriormente declarada inidônea, é considerado terceiro de boafé, o que autoriza o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, desde que demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada (em observância ao disposto no artigo 136, do CTN), sendo certo que o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação" (REsp 1.148.444/MG, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 14.4.2010, DJe 27.4.2010). Incidência da Súmula 7/STJ. Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp 91004/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/02/2012, DJe 27/02/2012) Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF para que esta, considerando a vedação ao creditamento de IPI de produtos adquiridos de empresas optantes pelo SIMPLES, bem como o julgamento do STJ acima transcrito com relação ao creditamento de empresas consideradas inidôneas: 1. Apure os créditos de IPI da Recorrente, considerando a documentação já acostada nestes autos e, também, as retificações dos livros fiscais realizados, para verificar se os créditos indicados no pedido de compensação são suficientes para liquidar os débitos apontados pela Recorrente; 2. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sergio Celani, Redator Designado. Divirjo do entendimento da Conselheira Relatora, com base nos seguintes fundamentos. Tratase de pedido de ressarcimento de IPI, decorrente de saldo credor apurado com base no art. 11 da Lei nº 9.779, de 19/01/1999, ao qual se vinculou declaração de compensação. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934229/200960 Acórdão n.º 3801001.349 S3TE01 Fl. 467 10 O direito creditório não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em relação a créditos em duplicidade e outros decorrentes de aquisições de empresas optantes pelo SIMPLES ou cuja inscrição no CNPJ havia sido baixada. Também não foram admitidos créditos decorrentes de aquisições de mercadorias que não se destinavam à industrialização. Apresentada manifestação de inconformidade, esta foi julgada improcedente pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre DRJ/POA. Em sua decisão, a unidade de primeira instância administrativa assentou que apenas foi contestada pela contribuinte a glosa de créditos por aquisições de mercadorias que não se destinariam à industrialização. Após compulsar os autos, verifico ser verdadeira esta assertiva. Além disso, no Recurso Voluntário, a recorrente reconhece não ter contestado as glosas referentes a créditos em duplicidade e a aquisições de empresas do SIMPLES ou irregulares perante a RFB. Vejase o seguinte trecho deste recurso. “Poderia a Recorrente discorrer quanto à natureza de sua irresignação inicial, o pedido amplo de cancelamento do despacho decisório, que levaria, via reflexa, ao cancelamento das glosas tidas por não contestadas, mas nada supriria a ausência da demonstração do direito, mediante prova documental ou mesmo pericial. Com efeito, a Recorrente omitiuse em demonstrar a idoneidade das notas fiscais que a levaram ao legítimo creditamento do IPI que foi glosado, naquela oportunidade e, de forma direta, não contrapôs o resultado da ação fiscal, neste ponto.” Matéria não questionada na manifestação de inconformidade não integra o contencioso. Por isso, não pode ser objeto deste julgamento. O Decreto nº 70.235, de 6/3/72, norma com status de lei que rege o processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários da União e que se aplica ao caso, por força do art. 74, §11, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, dispõe: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento.” “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Esta turma não pode decidir contrariamente ao disposto nestes artigos, tendo em vista o artigo 62 do Regimento Interno do CARF (RICARF). Por se tratar de matéria que não pertence à fase litigiosa do processo, a ela não se aplica o art. 62A do RICARF, motivo pelo qual o julgado proferido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), citado no voto da relatora, também não se aplica. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934229/200960 Acórdão n.º 3801001.349 S3TE01 Fl. 468 11 Ainda que se entendesse aplicável o art. 62A do RICARF, a decisão do STJ trazida pela relatora não poderia ser reproduzida neste julgamento, porque diz respeito a outro tributo, o ICMS, e prescindiria de o contribuinte ter demonstrado a veracidade da compra e venda efetuada, o que não ocorreu. Portanto, devese manter a decisão de primeira instância quanto às glosas não contestadas. Sobre a matéria litigiosa, a recorrente nada diz contra o entendimento segundo o qual as compras para comercialização não geram direito ao crédito. Logo, neste julgamento, esta matéria não está em discussão. A única questão que cabe discutir é sobre a comprovação de que as aquisições foram para industrialização. Inicialmente, o pleito da contribuinte foi indeferido porque ela declarou não exercer atividade industrial e porque seus livros fiscais demonstravam que as mercadorias foram adquiridas para comercialização. A recorrente afirma ter errado ao prestar informação sobre sua atividade industrial, o que a teria levado a não entregar documentos substanciais para comprovar seu direito; diz que “está reprocessando todos os seus livros fiscais”, alterando os CFOP, de modo a demonstrarem que as aquisições se destinavam à industrialização; e “pede vênia para juntar parte do Livro de IPI do Mês de dezembro de 2007 reprocessado, com CFOP 2101 e 1101”. Requer que os autos sejam baixados em diligência para juntada de notas fiscais e que o resultado do reprocessamento seja objeto de nova auditoria fiscal, para que sejam confirmados os créditos de IPI, com a sua reclassificação para passíveis de ressarcimento. Por se tratar de pedido de ressarcimento, entendo que, no momento do pedido, a contribuinte deveria ser capaz de comprovar com documentos os créditos que declarou possuir. Se é verdade que os livros fiscais foram preenchidos incorretamente, conforme afirma a recorrente, então somente os documentos que acobertaram a entrada das mercadorias poderiam fazer prova em seu favor. Entretanto, a contribuinte não apresentou as notas fiscais referentes às aquisições de mercadorias que seriam utilizadas em processo industrial e que poderiam gerar o direito ao crédito do IPI na ação fiscal e em nenhum outro momento, na forma autorizada pelo Decreto nº 70.235, de 1972. Vejamse os seguintes dispositivos deste decreto, que estabelecem momentos para apresentação de provas, observandose que a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário seguem o rito nele estabelecido: Fl. 468DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934229/200960 Acórdão n.º 3801001.349 S3TE01 Fl. 469 12 “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I – a autoridade julgadora a quem é dirigida; II – a qualificação do impugnante; III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; ... §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. A contribuinte não apresentou documentos comprobatórios dos créditos alegados e não demonstrou ter ocorrido alguma das condições que excluiriam a preclusão. Nem mesmo ao recurso voluntário foram anexadas notas fiscais referentes a compras de mercadorias para industrialização passíveis de ressarcimento. As notas fiscais constantes deste processo, na maioria, são referentes a retorno de mercadorias remetidas para industrialização; retorno de mercadorias remetidas para conserto; retorno de bem do ativo. Há algumas notas de venda de mercadorias para a contribuinte, mas estas se deram sem o destaque do IPI, porque a vendedora se enquadrava no SIMPLES. Tal matéria foi considerada não impugnada, por isso, não afeta este julgamento. Assim, não há aqui uma verdade material em contraposição a um formalismo exagerado. Simplesmente, a contribuinte que alegou ter um direito, não provou o fato constitutivo deste direito. A simples retificação de livros comerciais e fiscais não é suficiente para comprovação do direito, pois os lançamentos nestes livros devem estar amparados em documentos. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934229/200960 Acórdão n.º 3801001.349 S3TE01 Fl. 470 13 Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão que não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação a ele vinculada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13896.902421/2008-47
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO.
Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
Numero da decisão: 3803-004.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
ALEXANDRE KERN - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
EDITADO EM: 03/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALEXANDRE KERN (Presidente), BELCHIOR MELO DE SOUSA, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, e JORGE VICTOR RODRIGUES.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 13 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13896.902421/2008-47
anomes_publicacao_s : 201305
conteudo_id_s : 5244297
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 13 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3803-004.064
nome_arquivo_s : Decisao_13896902421200847.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JORGE VICTOR RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 13896902421200847_5244297.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN - Presidente. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator. EDITADO EM: 03/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALEXANDRE KERN (Presidente), BELCHIOR MELO DE SOUSA, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, e JORGE VICTOR RODRIGUES.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
id : 4850898
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:08:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045806444969984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2043; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 5 1 4 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.902421/200847 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803004.064 – 3ª Turma Especial Sessão de 20 de março de 2013 Matéria Compensação Recorrente INGÊNICO DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 24 21 /2 00 8- 47 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. EDITADO EM: 03/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALEXANDRE KERN (Presidente), BELCHIOR MELO DE SOUSA, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, e JORGE VICTOR RODRIGUES. Relatório A contribuinte apresentou Declaração de Compensação (DComp) com suposto aproveitamento de pagamento a maior de PIS à repartição fiscal, que emitiu despacho decisório eletrônico de não homologação da compensação, em razão de o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do próprio contribuinte. Irresignada a contribuinte manifestou a sua inconformidade na qual alegou que a DCTF referente ao 2o trimestre/2004 havia sido retificada a posteriori, tendo em vista que na sua versão original os valores haviam sido informados incorretamente, portanto não havendo falta de cumprimento da obrigação principal. Conclusos vieram os autos para a apreciação pela 9a Turma de Julgadores da DRJ/CPS, quando em 14/10/11, proferiram decisão por meio do acórdão nº 0535.427, nos termos seguintes: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 DCOMP. CREDIT° INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. 0 reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Fl. 308DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13896.902421/200847 Acórdão n.º 3803004.064 S3TE03 Fl. 6 3 O voto condutor do acórdão em questão entendeu que a contribuinte não laborou em demonstrar a liquidez e a certeza do direito creditório, eis que a retificadora por si só, não tem o condão de fazer nascer o direito de crédito e de comprometer a decisão que não homologou a declaração de compensação. Aduziu o relator que no caso concreto, a contribuinte não apresentou qualquer razão ou documento que comprove o seu direito, ou mesmo nenhuma apuração, documentação ou outro indicio que indicasse o pagamento indevido ou a maior e desse suporte ao crédito tributário aproveitado. Nenhum demonstrativo capaz de justificar a alegação de erro na declaração trabalhada pelos sistemas da administração tributária. Nenhum comparativo que discriminasse a formação da base de cálculo que serviu ao pagamento a maior e a base pretensamente correta , para concluir que o chamado ônus da prova é da contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária. Ciente da decisão de primeira instância em 24/11/11 (vide AR) e insurgindo se contra a mesma a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário em 23/12/11, conforme atesta o carimbo de recibo da DRF/BRE/CAC. A contribuinte reitera em seu recurso os argumentos expendidos na peça inaugural, minudentemente, dando ênfase aos cálculos elaborados para a apuração da base de cálculo do PIS em maio de 2004, anexando aos autos memória de cálculo e DARF (doc. 2), cópia da DIPJ/ , e cópia de partes do Livro de Registro de ICMS a título de comprovação do direito creditório alegado. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como dito, o contribuinte pretendeu compensar crédito indevido ou a maior, com débitos próprios no período de apuração de maio/2004, não logrando êxito nesse desiderato perante o juízo a quo, que concluiu a partir de análise efetuada nos autos pela insuficiência de crédito, considerando, inclusive que o sujeito passivo não acostou aos autos documentos que demonstrassem inequivocamente a comprovação de sua existência. O deslinde da querela circunscrevese, então, à matéria probatória acerca do reconhecimento da existência de direito creditório alegado pelo contribuinte, matéria que foi devolvida para esta Corte, em razão de não restar pacificada em sede de primeira instância. É cediço que a DCOMP tem a finalidade de informar acerca do encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, bem assim que a responsabilidade da emissão desse documento é de exclusividade da contribuinte, de igual modo o sendo em relação à liquidez e certeza dos créditos e créditos informados por meio de Per/DComp. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 De outra parte cabe à autoridade tributária a necessária verificação da documentação e da origem desses débitos/créditos e correspondente validação e, se for o caso, sobrevém a homologação confirmando a extinção da obrigação tributária. A questão da prova na atividade administrativotributária resolvese ante o discernimento acerca da responsabilidade de quem deve provar o alegado. Para esclarecer esta questão buscase a orientação no Código de Processo Civil, subsidiariamente utilizado nos julgamentos dos processos administrativos fiscais pelo CARF, em seu art. 333, assim alude: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo, ou extintivo do direito do autor. É inconteste que coube ao contribuinte a iniciativa de transmitir eletronicamente DCOMP, tendo em vista a homologação do crédito alegado. Neste sentido a autoridade fiscalizadora, no cumprimento do dever legal, após verificar a existência de fato impeditivo/extintivo ao reconhecimento do crédito informado na DCOMP, decidiu por não homologálo. De acordo com a legislação fiscal caberia ao contribuinte por ocasião da interposição da manifestação de inconformidade, apresentar todos os elementos materiais probantes do alegado às autoridades julgadoras do feito com vista à sua pacificação, restando demonstrado nos autos pelo próprio contribuinte que tal medida não foi adotada, oportunamente. De sorte que assistiu razão ao juízo de primeira instância ao concluir que a retificação da DCTF simplesmente não tem o condão de fazer nascer o direito de crédito e de comprometer a decisão que não homologou a declaração de compensação. A ausência de apresentação de Livros Diário e Razão, além de outros que pudessem demonstrar cabalmente a existência de liquidez, certeza e disponibilidade do direito creditório alegado impede a revisão de ofício e enseja a não homologação da compensação declarada. Os demais elementos de prova colacionados aos autos com a interposição do recurso voluntário (cópias de DARF, da DIPJ e de partes do Livro de Registro de ICMS) não se revelaram o bastante suficiente a demonstrar o crédito alegado, já que nenhuma nota fiscal probante da realização de operações de vendas de mercadoria/obtenção de receitas foi apresentado à fiscalização, nem mesmo os Livros Diários e Razão, por exemplo. Com a intenção de suprir a lacuna causada pela ausência de documentos probantes do direito creditório a contribuinte investiu na retificação da base de cálculo do PIS através da DCTF retificadora, a título de justificativa à existência de erro material contido na DCTF original, e através de planilha (memória de cálculo) tentou explicitar acerca do saldo credor, para alegar possuir convicção que não mais restaria dúvidas acerca da comprovação do seu direito ao crédito, conforme alegado na peça inaugural. No mais os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, sendo certo que a recorrente não esclareceu as razões de apresentação de prova complementar em momento extemporâneo. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13896.902421/200847 Acórdão n.º 3803004.064 S3TE03 Fl. 7 5 É como voto. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 311DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720072/2006-23
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA - PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial.
Recursos especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte não conhecidos.
Numero da decisão: 9202-002.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos da Fazenda Nacional e do Contribuinte.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
EDITADO EM: 13/05/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201304
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA - PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. Recursos especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte não conhecidos.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10183.720072/2006-23
anomes_publicacao_s : 201305
conteudo_id_s : 5249268
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 9202-002.638
nome_arquivo_s : Decisao_10183720072200623.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 10183720072200623_5249268.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos da Fazenda Nacional e do Contribuinte. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora EDITADO EM: 13/05/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
id : 4866928
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:09:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045806462795776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1498; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 14 1 13 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10183.720072/200623 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9202002.638 – 2ª Turma Sessão de 24 de abril de 2013 Matéria ITR Isenção de Áreas de Preservação Permanente e Utilização Limitada Arbitramento do VTN Recorrente FAZENDA NACIONAL e AGROPECUÁRIA SANTA MARIA DO PANTANAL S/A Interessado AGROPECUÁRIA SANTA MARIA DO PANTANAL S/A e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. Recursos especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte não conhecidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos da Fazenda Nacional e do Contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 00 72 /2 00 6- 23 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora EDITADO EM: 13/05/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em sessão plenária de 20/08/2010, foi julgado o Recurso Voluntário 344.690, prolatandose o Acórdão 220200.730 (fls. 164 a 175), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO. Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. As perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei n° 6.938, de 1981, por força da Lei n° 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10183.720072/200623 Acórdão n.º 9202002.638 CSRFT2 Fl. 15 3 A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendose, também, necessária a sua averbação à margem da matricula do imóvel até a data do fato gerador do imposto. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei n° 9.393, de 1996. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de oficio, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n° 2). . ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF n° 4). Pedido de diligência/perícia indeferido. Recurso Parcialmente Provido. A decisão foi assim resumida: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de diligência/perícia solicitada pela recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o valor da terra nua declarado pela recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. Quanto as demais matérias, pelo voto de qualidade, negar provimento. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Júnior, João Carlos Fl. 3DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Cassuli Júnior e Gustavo Lian Haddad, que proviam o recurso nesta parte. Cientificada do acórdão em 26/11/2010 (fls. 176), a Fazenda Nacional interpôs, em 09/12/2010, o Recurso Especial de fls. 180 a 192, com fundamento no art. 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a validade do arbitramento do VTNValor da Terra Nua tendo por base o SIPTSistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, e não a aptidão agrícola. Como paradigma foi indicado o Acórdão 210200.609. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho 220200.431, de 15/12/2010 (fls. 193 a 196). Cientificado do acórdão, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do despacho acima em 24/03/2011 (AR de fls. 206), o Contribuinte interpôs, em 11/04/2011, o Recurso Especial de fls. 210 a 273, visando rediscutir a glosa das áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente. Não foram oferecidas ContraRazões ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional. Ao Recurso Especial, interposto pelo Contribuinte, foi dado seguimento, conforme Despacho 220000.621 (fls. 278 a 281). Cientificada do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e do despacho que lhe deu seguimento em 22/07/2011 (fls. 281), a Fazenda Nacional ofereceu, em 25/07/2011, as ContraRazões de fls. 283 a 292. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora Tratase de Recursos Especiais, interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte. Quanto ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, ele é tempestivo, restando perquirir acerca dos demais pressupostos de admissibilidade. Em seu apelo, a Fazenda Nacional visa rediscutir a validade do arbitramento do VTNValor da Terra Nua tendo por base o SIPTSistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, e não a aptidão agrícola. Como paradigma foi indicado o Acórdão 210200.609. Antes de proceder à análise do paradigma, importa salientar que se trata de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando existe identidade fática entre as situações apreciadas no acórdão recorrido e no paradigma indicado. Assim, tornase imprescindível a análise das situações fáticas contidas nos acórdãos recorrido e paradigma, a ver se haveria identidade entre elas. No caso do acórdão recorrido, a motivação do restabelecimento do VTN declarado pelo Contribuinte foi o fato de a autoridade lançadora ter arbitrado aquele valor com base no VTN médio das DITRs entregues no município, e não na aptidão agrícola. Assim, tal arbitramento não foi aceito, por não ter cumprido as exigências determinadas pela legislação de regência. Confirase o trecho do voto condutor do aresto, na parte em que trata dessa matéria: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10183.720072/200623 Acórdão n.º 9202002.638 CSRFT2 Fl. 16 5 “Incabível a manutenção do. Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei n° 9.393, de 1996. (...) Este é o caso questão, onde o VTN extraído do SIPT referese à média dos VTN das DITR apresentadas para o mesmo município no ano de 2004 e não do VTN médio por aptidão agrícola, onde se avalia os preços médios por hectare de terras do município onde está localizado o imóvel, apurado através da avaliação pela Secretaria Estadual de Agricultura os preços de terras levando em conta de existência de lavouras, campos, pastagens, matas. (...) Ora, se a fixação do VTNm não teve por base esse levantamento (por aptidão agrícola), o que está comprovado nos autos, já que a autoridade fiscal lançadora se utilizou do VTN médio das DITRs entregues no município, então não se cumpriu o comando legal e o VTNm adotado para proceder ao arbitramento pela autoridade lançadora não é legítimo, sendo inservível para o fim da recusa do valor declarado ou pretendido pelo contribuinte.” Quanto ao paradigma indicado – Acórdão 210200.609 – a Fazenda Nacional colaciona o seguinte trecho, visando demonstrar o alegado dissídio jurisprudencial: “No caso aqui em debate , para o exercício 2001, tomando por base os valores do SIPT (fl. 15), podese arbitrar o valor da terra nua com base na aptidão agrícola da terra ou com base no valor médio das DITR , sempre lembrando que o SIPT detém uma média global do valor da terra nua do município . Não há uma avaliação específica do imóvel auditado. Considerando a dupla possibilidade de arbitramento , pela aptidão agrícola ou pelo valor médio da DITR, entendo que se deve utilizar esta última, que detém o valor mais benéfico para o recorrente (VIN de R$ 1.053,04 por hectare no exercício 2001).” (destaques da Recorrente) A leitura dos trechos em negrito, pinçados do voto condutor do aresto, levaria à conclusão de que efetivamente teria sido demonstrada a alegada divergência jurisprudencial. Entretanto, a leitura do julgado paradigma, em sua integralidade, permite conhecer o contexto em que ele foi proferido. Nesse passo, verificase que, além de retratar uma situação distinta daquela analisada no recorrido, não se pode afirmar que nesse paradigma estarseia defendendo a tese de que o SIPT, somente com a média das DITR, seria válido. Confirase os principais trechos da ementa e do voto vencedor desse paradigma: “ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS SIPT. HIGIDEZ PROCEDIMENTAL. SOMENTE LAUDO TÉCNICO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE Fl. 5DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 O IMÓVEL RURAL, SEGUNDO A NORMA DA ABNT VIGENTE NA DATA DA PRODUÇÃO DO LAUDO, PODE CONTRADITAR 0 VALOR DO SIPT. Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua, pode a autoridade fiscal se valer do preço constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o valor da terra nua que servirá para apurar o ITR devido. Somente laudo técnico que segue a norma vigente da ABNT na data da produção dele, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica ART, é meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT. Recurso provido (...) Agora, passase a apreciar a defesa do item II (no tocante ao valor da terra nua, "os valores indicados no Sistema de Preços de Terra não podem ser adotados, pois não há a "imprescindível publicidade das fontes e valores que alimentam o sistema, bem como, a realização de verificação física das áreas existentes na propriedade para viabilizar a incidência do VTN, segundo a classificação adotada para a diversidade de áreas cadastradas " (Recurso n° 135.528, Primeira Câmara, unânime, 07.11.2007)" (fls. 218 e 219). Além disso, o recorrente agora junta Laudo Técnico complementar, no qual se demonstra que o valor do SIPT referese ao preço de terras comercializadas e não da terra nua, como inclusive se pode ver pelos formulários preenchidos pela EmaterMG, atendendo à solicitação da Fundação Getúlio Vargas (fls. 291 a 293), com os mesmos valores do SIPT, os quais tem a mesma fonte de informação, qual seja, a EmaterMG. Por fim, caso o valor do SIPT seja considerado hábil para quantificar o valor da terra nua, mister reduzir o valor do exercício 2001 para R$ 1.053,04, o menor dos valores do SIPT.). Como se pode constatar, no caso do paradigma o contribuinte se insurge contra o arbitramento pelo SIPT, alegando falta de publicidade das fontes e valores que alimentam o sistema, bem como por se referir a preços de terras comercializadas, e não da terra nua. Ao final, pede que, caso seja mantido o arbitramento, que para o exercício de 2001 seja adotado o menor dos valores do SIPT. Assim, no intuito de enfrentar os argumentos de defesa, o Relator assim se manifesta quanto ao SIPT: “No tocante ao pretenso cerceamento do direito de defesa perpetrado pela autoridade fiscal, com a utilização do valor da terra nua constante no SIPT, não assiste razão ao recorrente, já que a possibilidade do arbitramento do preço da terra nua consta especificamente no art. 14 da Lei n° 9.393/96, a partir de sistema a ser instituído pela Secretaria da Receita Federal. Utilizando tal autorização legislativa, a Secretaria da Receita Federal, pela Portaria SRF n° 44712002, instituiu o Sistema de Preços de Terras — SIPT, o qual seria alimentado com informações das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, bem como com os valores da terra nua da base de declarações do ITR. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10183.720072/200623 Acórdão n.º 9202002.638 CSRFT2 Fl. 17 7 A instituição do SIPT está prevista em lei, não havendo qualquer violação ao princípio da legalidade tributária, sendo certo que, no caso vertente, a autoridade fiscal utilizou o valor da terra nua constante no sistema, conforme tela do SIPT de fls. 15 e 16 (valores informados pela Secretaria Estadual de Agricultura), já que o contribuinte havia utilizado o valor da terra nua para o município de Inhaúma — MG de 1996, valor que teria sido aceito pela Secretaria da Receita Federal quando da expedição da notificação de lançamento do ITR respectivo (conforme declaração prestada pelo próprio autuado nestes autos — fl. 27), e não apresentara o laudo técnico de avaliação da área rural. A informação declarada pelo contribuinte era assaz antiga e justificava o procedimento da autoridade fiscal. No ponto, sem razão o recorrente. A decisão recorrida ratificou o arbitramento perpetrado pela autoridade autuante, já que o Laudo Técnico não tinha seguido a atual norma da ABNT reguladora da avaliação de imóveis rurais (NBR 14.6533) e pela discrepância entre o valor declarado pelo contribuinte e aqueles do SIPT. (...) Primeiramente, os valores da terra nua dos municípios mineiros, dos exercícios 2000 a 2004, foram informados pelo Secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, a partir de levantamento dos extensionistas da Emater, como se pode ver pelo Oficio n° 1.036/2004/GAB.SEC, de 30 de novembro de 2004 (cópia deste oficio se encontra no recurso voluntário n° 342.587 — fl. 124 , em pauta nesta mesma sessão de julgamento). Tal oficio referese ao valor da terra nua por hectare e não ao valor de venda dos imóveis. Por outro lado, os formulários da FGV preenchidos pela EmaterMG, referentes aos exercícios 2001 e 2002, do município de Inhaúma, não indicam que os valores se referem ao preço de comercialização do imóvel com benfeitorias, como se pode ver em tais formulários de fls. 291 a 293. Dessa forma, aqui não se acata a defesa de que os valores do SIPT se referiam ao valor total do imóvel. Ainda se deve anotar que o contribuinte não apresentou laudo técnico de avaliação do imóvel rural na forma da Norma ABNT 14.6533, vigente desde 30106/2004, data esta anterior à produção dos laudos acostados ao presente processo. Somente o laudo produzido em conformidade com tal Norma seria meio hábil para contraditar o valor do SIPT. Ademais o valor da terra nua declarado estava defasado, já que o próprio contribuinte confessou que utilizara o mesmo valor de 1996 (para os exercícios 2001 e 2002). Mais uma razão para rejeitar a defesa do recorrente. Por fim, quanto ao pedido para reduzir o valor do exercício 2001 para 1.053,04, o menor dos valores do SIPT, entendo que o contribuinte tem razão. Explico. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 É de conhecimento de todos que, em arbitramento, havendo possibilidades diversas, utilizase a modalidade que mais favorece ao contribuinte . Inclusive , no âmbito da tributação da pessoa fisica, tal regra está positivada no art. 6°, § 6°, da Lei n° 8.021/90, verbis: (...) No caso aqui em debate , para o exercício 2001, tomando por base os valores do SIPT (fl. 15), podese arbitrar o valor da terra nua com base na aptidão agrícola da terra ou com base no valor médio das DITR , sempre lembrando que o SIPT detém uma média global do valor da terra nua do município . Não há uma avaliação específica do imóvel auditado. Considerando a dupla possibilidade de arbitramento , pela aptidão agrícola ou pelo valor médio da DITR, entendo que se deve utilizar esta última, que detém o valor mais benéfico para o recorrente (VIN de R$ 1.053,04 por hectare no exercício 2001).” (grifei) Destarte, verificase que em momento algum o paradigma defende, de forma genérica, que o arbitramento pelo SIPT pode ser efetuado com base apenas no valor médio das DITR. O que fica claro no voto condutor do aresto é que, naquele caso específico, em que estão presentes os dois critérios de arbitramento – pela média das DITR e pela aptidão agrícola – não há óbice ao atendimento do pleito do Contribuinte, no sentido de utilizarse o VTN de menor valor que, nesse caso específico, é o VTN apurado pela média das DITR. Assim, as situações fáticas são distintas, a saber: no acórdão recorrido, o arbitramento pelo SIPT foi feito com base apenas no valor médio das DITR, sem levar em conta a aptidão agrícola, e é esta a motivação que levou à sua desqualificação; no paradigma, o arbitramento pelo SIPT foi feito com base nas duas modalidades – média das DITR e aptidão agrícola – e em nenhum momento o Relator defende que ele seja levado a cabo apenas com base na média das DITR; o que ocorre é que existe um pedido do Contribuinte para que se adote, dentre os diversos valores constantes do SIPT, o menor deles, que no caso é o da média das DITR, daí que nos trechos citados pela Recorrente o Relator tãosomente fundamenta o atendimento a esse pleito. Destarte, o paradigma indicado não se presta a demonstrar a alegada divergência jurisprudencial, já que, diferentemente do que ocorreu no recorrido, o arbitramento não se limitou ao VTN médio das DITR, tampouco houve pedido do Contribuinte, no sentido da adoção de valor específico, até porque, repitase, só havia um valor, qual seja, o da média das DITR. No presente caso, o dissídio interpretativo somente restaria demonstrado, com a colação de acórdão em que, efetuado o arbitramento com base no SIPT, levandose em conta apenas o valor médio das DITR, sem considerarse a aptidão agrícola, dito arbitramento fosse mantido. Com efeito, o paradigma indicado não retrata tal situação fática, portanto não resta demonstrada a alegada divergência jurisprudencial, razão pela qual não conheço do Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional. Relativamente ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, ele é tempestivo, restando perquirir acerca dos demais pressupostos de admissibilidade. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10183.720072/200623 Acórdão n.º 9202002.638 CSRFT2 Fl. 18 9 Em seu apelo, o Contribuinte visa rediscutir a glosa das áreas de Reserva Legal e Preservação Permanente. No item III do recurso, denominado “Da admissibilidade do recurso”, o Contribuinte assim especifica o suposto atendimento aos pressupostos de admissibilidade (fls. 213): “0 Regimento Interno desta Colenda Câmara tem como requisitos de Admissibilidade a comprovação do pré questionamento, bem como a juntada dos acórdãos contrariados. 0 primeiro requisito pode ser confirmado com o exame da impugnação e recurso voluntário, onde em ambas oportunidades fora alegada a não necessidade de inscrição em matrícula do imóvel para exclusão de área de preservação permanente e reserva legal, bem como todas as demais alegações contidas no presente recurso especial. Já o segundo requisito se comprova com a juntada dos acórdãos que proferiram decisão procedente aos contribuintes em casos análogos ao ora recorrido (Doc. 02). Especialmente, Acórdão CSRF/0305.516, proferido nos autos do Processo 10620.000352/200291, pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Acórdão nº 30239.406, proferido nos Autos do Processo 10183.006090/200518, pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, Acórdão 30131.556, proferido nos autos do Processo 10680.010802/200169, pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de contribuintes, Acórdão CSRF/0304.926, proferido nos autos do Processo 10920.003127/200222, pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, por fim Acórdão n° 320100.231, proferido nos Autos do Processo 10670.001328, pela Segunda Câmara da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Assim, indubitável o cumprimento das exigências legais previstas no Regimento Interno desta Colenda Câmara o seguimento do presente recurso se faz premente e regular.” (grifei) Como se pode verificar, os números dos supostos paradigmas foram apenas relacionados, sem qualquer vinculação com a matéria específica, não cabendo ao examinador da admissibilidade tentar adivinhar a qual tema cada um deles estaria afeto, muito menos localizar o suposto dissídio jurisprudencial, nos textos dos acórdãos indicados. Com efeito, tal obrigação é do Contribuinte, conforme o art. 67, § 6º, do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Assim, serão analisados apenas os paradigmas que o próprio Contribuinte vinculou aos temas que ele mesmo individualizou, bem como transcreveu as respectivas ementas, a saber: glosa da área de Preservação Permanente (item IV.1.1, fls. 215 a 219): Acórdão 30239.406; Fl. 9DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 glosa da área de Reserva Legal (item IV.1.2, fls. 219 a 229): são relacionados diversos julgados, porém somente serão analisados os dois primeiros – Acórdãos CSRF 0305.516 e CSRF 0306.066, conforme determina o art. 67, § 5º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Antes de analisar os paradigmas indicados, importa reiterar que se trata de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando, presente a similitude fática, são adotadas soluções diversas. Ademais, a divergência há que ser demonstrada em face do mesmo arcabouço normativo, uma vez que não haveria qualquer sentido em compararse soluções diversas, proferidas em face de arcabouços normativos também diversos. Assim, tornase imprescindível a análise das situações fáticas, bem como dos arcabouços normativos que orientaram os acórdãos recorrido e paradigmas, a ver se efetivamente caracterizariam dissídio jurisprudencial. Quanto às glosas das áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal, os fundamentos do acórdão recorrido para a sua manutenção foram os seguintes, conforme o voto condutor do aresto: “Como visto no relatório e nos autos, a discussão principal de mérito diz respeito à área de preservação permanente (16.360,0 ha) e área de utilização limitada /reserva legal (2,3 ha), e o nó da questão restringese a exigência relativa ao ADA — Ato Declaratório Ambiental , que deve conter as informações de tais áreas e ter sido protocolado tempestivamente junto ao 1BAMA/órgão conveniado, para fins de exclusão dessas áreas da tributação, bem como a falta de averbação , até a data do fato gerador , da área de utilização limitada (reserva legal ) no Cartório de. Imóveis (averbação tempestiva realizada até 01/01/2003. (...) Não tenho dúvidas de que a obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal) da base de cálculo do ITR, surgiu no ordenamento jurídico pátrio com o art. 1º da Lei n° 10.165, de 2000 que incluiu o art. 17, § 1° na Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: (...) Tal dispositivo teve vigência a partir do exercício de 2001, anteriormente a este, a imposição da apresentação do ADA para tal fim era definido por ato infralegal, que contrariava o disposto no § 1º do inciso II do art. 97, do Código Tributário Nacional. Os presentes autos tratam do lançamento de ITR do exercício de 2003, portanto, a exigência do ADA para fins de exclusão da base de cálculo daquele tributo encontra respaldo legal, pelo quê, deve ser mantido quanto a este ponto, já o recorrente não comprovou nos autos a protocolização, mesmo que intempestiva, do requerimento/ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado.” (grifei) Fl. 10DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10183.720072/200623 Acórdão n.º 9202002.638 CSRFT2 Fl. 19 11 Quanto ao paradigma indicado – Acórdão 30239.406 (fls. 303) – está assim ementado, conforme a transcrição do próprio Contribuinte, com seus próprios destaques em negrito: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2000 ÁREA DE RESERVA LEGAL. A área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusão da área tributada aproveitável do imóvel rural quando devidamente averbada à margem da inscrição de matrícula do referido imóvel, junto ao Registro de Imóveis competente, em data anterior à da ocorrência do tributo, nos termos da legislação pertinente. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Não há previsão legal para exigência do ATO DECLARATÓRIO AMBIENTALADA como condição para de tributação pelo ITR. O reconhecimento comprovase por meio de laudo técnico e outras provas documentais. A obrigatoriedade de apresentação do ADA teve vigência partir do exercício do art. 170 da Lei no 6.938/81, na redação do art. 10 da Lei no 10.165/2000. RETIFICAÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA TRIBUTADA Apesar de o Laudo Técnico apresentado não preencher formalidades explícitas e implícitas requeridas, serve como mais um indício de que o valor da terra atribuído pelo município de Cáceres/MT para base de calculo do Imposto sobre Transferência (ITBI), adotado pela contribuinte, representa valor mais próximo da realidade do imóvel do que o valor genérico atribuído pelo SIPT. Dessa forma, deve ser acatado o valor previsto no Laudo apresentado para fins de atribuição do VTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. (Grifo Nosso)” (sublinhei) Ora, os trechos sublinhados no acórdão recorrido e na ementa do paradigma, longe de comprovarem a alegada divergência, encontramse em total sintonia, já que ambos concordam que a obrigatoriedade do ADA – Ato Declaratório Ambiental somente se iniciou no exercício de 2001. Ocorre que o paradigma diz respeito ao exercício de 2000, enquanto que o recorrido é relativo ao exercício de 2004, daí as soluções diversas. Destarte, não restou demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, relativamente à glosa da área de Preservação Permanente. Quanto à área de Reserva Legal, conforme já fundamentado no presente voto, somente serão analisados os dois paradigmas indicados para esse tema – Acórdãos CSRF 03 05.516 e CSRF 0306.066 – a teor do artigo 67, §§ 4º a 6º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 Repitase que, no caso do acórdão recorrido, a manutenção da glosa da área de Reserva Legal tem dupla fundamentação – genérica (falta do ADA) e específica (falta de averbação tempestiva). Confirase: “Como visto no relatório e nos autos, a discussão principal de mérito diz respeito à área de preservação permanente (16.360,0 ha) e área de utilização limitada /reserva legal (2,3 ha), e o nó da questão restringese a exigência relativa ao ADA — Ato Declaratório Ambiental , que deve conter as informações de tais áreas e ter sido protocolado tempestivamente junto ao 1BAMA/órgão conveniado, para fins de exclusão dessas áreas da tributação, bem como a falta de averbação , até a data do fato gerador , da área de utilização limitada (reserva legal ) no Cartório de. Imóveis (averbação tempestiva realizada até 01/01/2003.” (grifei) Quanto ao primeiro paradigma – Acórdão CSRF 0305.516 – está assim ementado: “ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. COMPROVAÇÃO. VERDADE MATERIAL Comprovado, mediante Laudo Técnico emitido por profissional habilitado e Certidão de lavra do órgão competente (IBAMA/MG), a existência das áreas declaradas pelo contribuinte como de Preservação Permanente e de Reserva Legal, devem as mesmas ser excluídas da incidência do ITR em função do princípio da Verdade Material que norteia o Processo Administrativo Fiscal. Recurso especial negado.” Relativamente à situação fática, o trecho a seguir permite conhecer o seu contexto: “Conforme relatado, o cerne da questão cingese à absoluta necessidade de se averbar, à margem da inscrição de matrícula do imóvel, as áreas consideradas como de Reserva Legal. (...) Há que se levar em conta, ainda, que a sua averbação, logo em seguida à ocorrência do fato gerador indicado e bem antes da instauração do procedimento fiscal de que se trata satisfaz, plenamente, à exigência formulada pela fiscalização, decorrente das normas legais mencionadas, sobre procedimentos acessórios relacionados à questão. (...) Assim, pessoalmente, defendo que a exigência de averbação da área de reserva legal prevista no § 2° do art. 16, da Lei n°4.771/65 nada tem a ver com a apuração e fiscalização do ITR, e, sim, com a preservação do meio ambiente.” (grifei) Com efeito, no caso desse paradigma, a averbação ocorreu após o fato gerador, porém bem antes de iniciarse a ação fiscal, o que foi levado em conta na decisão. Ademais, não consta do paradigma que a averbação tenha sido parcial. Já no caso do acórdão recorrido, muito pelo contrário, a averbação foi levada a cabo à época da autuação, e sem abranger a totalidade da área declarada, como se conclui do trecho abaixo: Fl. 12DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10183.720072/200623 Acórdão n.º 9202002.638 CSRFT2 Fl. 20 13 “Se faz necessário esclarecer , ainda, que a glosa da área de utilização limitada (reserva legal ) declarada decorreu , também, do exame da tempestividade da averbação da mesma à margem da matricula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis competente, requisito este não observado pela recorrente, já que a averbação foi realizada de forma intempestiva, no ano de 2006 e numa área diferente da declarada de 14.698,0 ha.” Assim , verificase a ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e esse paradigma, portanto não resta demonstrada a alegada divergência jurisprudencial. Ainda que houvesse similitude fática entre o acórdão recorrido e este primeiro paradigma – o que se admite apenas para argumentar – restaria ainda a ser enfrentada a questão da obrigatoriedade do ADA, que constitui o outro fundamento da manutenção da glosa da área de Reserva Legal, sobre a qual não foi colacionado paradigma passível de exame. Quanto ao segundo paradigma indicado – CSRF 0306.066 – está assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1997 Imposto Territorial Rural. Imóvel cravado em área de Reserva Legal. Exclusão da obrigação tributária. Averbação da área de reserva legal e data posterior à data da ocorrência do fato jurídico tributário não impede o reconhecimento da existência da área de reserva legal e a concessão da isenção prevista na Lei. Recurso especial negado.” Este paradigma efetivamente vaza o entendimento no sentido de que não seria necessária a averbação tempestiva da Reserva Legal. Entretanto, ainda que a matéria da averbação fosse examinada pela Instância Especial a questão da averbação, restaria incólume a questão da obrigatoriedade do ADA, sobre a qual o Contribuinte não logrou demonstrar a alegada divergência. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial, interposto pelo Contribuinte. Sintetizando a conclusão do presente voto, não conheço dos Recursos Especiais, interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte, por não atenderem aos pressupostos regimentais. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 13DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 Fl. 14DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 11040.000430/2005-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3202-000.093
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 11040.000430/2005-94
conteudo_id_s : 6456238
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 23 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 3202-000.093
nome_arquivo_s : 320200093_11040000430200594_201303.pdf
nome_relator_s : LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
nome_arquivo_pdf_s : 11040000430200594_6456238.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
id : 4853278
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:08:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045806479572992
conteudo_txt : Metadados => date: 2020-09-04T13:26:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2020-09-04T13:26:14Z; Last-Modified: 2020-09-04T13:26:14Z; dcterms:modified: 2020-09-04T13:26:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:f0e0b5bc-fa7e-47cb-9d1d-4f9c95b3a0e0; Last-Save-Date: 2020-09-04T13:26:14Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-09-04T13:26:14Z; meta:save-date: 2020-09-04T13:26:14Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-09-04T13:26:14Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2020-09-04T13:26:14Z; created: 2020-09-04T13:26:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2020-09-04T13:26:14Z; pdf:charsPerPage: 2039; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2020-09-04T13:26:14Z | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 985 1 984 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11040.000430/200594 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3202000.093 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 20 de março de 2013 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente JOSAPAR JOAQUIM OLIVEIRA S/A PARTICIPAÇÕES Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa. RELATÓRIO O presente litígio decorre de Declarações de Compensação apresentadas pela interessada, onde pretende compensar supostos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativo vinculados às receitas de exportação (art. 5º da Lei n° 10.637/2002), referentes ao período compreendido entre julho de 2004 e março de 2005, no valor de R$ 34.659,02, e supostos créditos vinculados às vendas no mercado interno com alíquota zero (art. 16 da Lei n° 11.116/2005), no valor de R$ 901.174,61. A interessada efetuou declarações de compensação na forma prevista no art. 26 da IN SRF n° 600/2005, no valor de R$ 34.659,02 (fl. 01), no valor de R$ 848.726,49 (fl. 01 do processo n° 11080.008990/200511 apensado) e no valor de R$ 52.421,12 (fl. 12 do processo n° 11080.008990/200511 apensado). Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11040.000430/200594 Resolução n.º 3202000.093 S3C3T2 Fl. 986 2 Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra despacho decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre que reconheceu parcialmente o direito creditório da Contribuição para o PIS e homologou parcialmente as compensações efetuadas pela empresa acima identificada, até o limite do crédito reconhecido. Posteriormente, o contribuinte informou, vide fls. 129 a 130, que aderiu ao programa de parcelamento dos débitos previsto na Lei n° 11.941/2009 e incluiu no referido parcelamento as glosas referentes aos itens 2.2 a 2.5 descritos no despacho decisório. Contudo, ressaltou que o item 2.1 do despacho decisório permanece em discussão, conforme consta em sua manifestação de inconformidade, onde alega inicialmente que os valores correspondentes a esta glosa não foram individualizados na planilha demonstrativa do cálculo, anexada ao despacho decisório. Alega também, em preliminar, que a fiscalização, ao deduzir dos créditos pleiteados o valor correspondente às glosas apuradas, sem a formalização de um lançamento, teria incorrido em cerceamento da defesa administrativa do contribuinte. Acrescenta, ainda, que as irregularidades apontadas no Despacho Decisório careceriam de comprovação suficiente. Após uma análise dos autos, podese observar que em resposta à solicitação encaminhada pelo SECOJ da DRJ Porto Alegre, os valores referentes à glosa que permanece em litígio foram apresentados pela DRF Porto Alegre em planilha anexada à fl. 139, da qual o interessado não foi cientificado. Desta forma, o presente processo foi remetido em diligência à DRF jurisdicionante, nos termos dos art. 18 (com redação dada pela Lei 8.748/93) e art. 29 do decreto 70.235/1972, para que fosse providenciada a ciência do interessado quanto aos valores individualizados referentes à glosa que permanece em litígio, conforme consta da referida planilha. Reaberto o prazo para eventual manifestação do interessado, o mesmo afirmou expressamente que concorda com a planilha de cálculos da qual foi cientificado e reiterou os termos apresentados no item 2.1 da manifestação de inconformidade. Onde contesta a inclusão na base de cálculo da contribuição de valores contabilizados como recuperação de despesas. Ao final, pede o reconhecimento da nulidade da glosa contestada para que seja julgada procedente sua manifestação. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre proferiu o Acórdão n.º 1030.763 de 07 de abril de 2011 (folhas 174/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 31/03/2005 Ementa: BASE DE CÁLCULO. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11040.000430/200594 Resolução n.º 3202000.093 S3C3T2 Fl. 987 3 As receitas decorrentes de recuperação de despesas não podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições PIS/Cofins, por falta de previsão legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A interessada regularmente cientificada do Acórdão em 03/06/2011 (efolhas 180/181) interpôs Recurso Voluntário em 28/06/2011 (fls. 182/ss), onde repisa os argumentos trazidos em sua impugnação, os quais podem ser assim sintetizados: em preliminares, alega (i) a inexistência de lançamento para cobrança do suposto débito e (ii) a inexistência de comprovação das supostas irregularidades apontadas no despacho decisório; no mérito, aduz que o ingresso de valores referentes à recuperação de despesas não configura ingresso de receita, por tratarse de reembolso de custos despendido, como adiantamento, pelo contribuinte. Deste modo, a recuperação de despesas não incorpora nenhum valor novo ao patrimônio da Recorrente, motivo pelo qual não deve ser computado na base de cálculo do PIS/COFINS; por fim, requer seja reconhecida a nulidade da glosa, por ausência de lançamento de ofício e por inexistência de comprovação das supostas irregularidades no “item 2.1"; no mérito, que seja afastada a glosa do "item 2.1", haja vista que a recuperação de despesas não se subsume ao conceito de receita e, por conseguinte, seja reconhecida a legitimidade do direito creditório pleiteado. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. VOTO Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Relator. Como relatado, em preliminares a Recorrente questiona a inexistência de comprovação das supostas irregularidades apontadas no despacho decisório, especificamente em relação ao item “2.1 Receitas Não Incluídas na Apuração da Base de Cálculo”. Aduz que ao “analisar os documentos anexados ao processo os quais, gizese, resumemse basicamente em relatórios e um resumo dos cálculos a ora Recorrente deparouse com a insubsistência dos dados disponibilizados pela Autoridade Fiscal, situação esta que inviabilizou a compreensão da empresa dos argumentos levados a efeito no despacho decisório e, consequentemente, prejudicou em demasia a elaboração da Manifestação de Inconformidade” (vide efolha 187). Pareceme razoável o questionamento levantado pela Recorrente, uma vez que ao compulsar os autos, efetivamente, não consegui localizar os elementos de prova que levaram à autoridade fiscal a efetuar as glosas em relação às “receitas decorrentes de recuperação de despesas”, assim como não está explicitada a natureza de tais “receitas”. Consta apenas no Despacho Decisório DRF/POA n° 068, de 11 de janeiro de 2007, a seguinte informação quanto à irregularidade apurada pela fiscalização (efolha 67): Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11040.000430/200594 Resolução n.º 3202000.093 S3C3T2 Fl. 988 4 Constatei, no decorrer da ação fiscal, que o contribuinte não ofereceu à tributação as receitas decorrentes de recuperação de despesas. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS é o valor do faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, independentemente das atividades por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas, admitidas as exclusões e deduções expressamente previstas em lei. Integram o faturamento os valores contabilizados como recuperação de despesas, inexistindo previsão legal para que sejam excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. (grifei) Deste modo, entendo que existe dúvida razoável sobre os fatos alegados pela autoridade fiscal que precisam ser esclarecidos. Destarte, entendo que ser propiciada a ampla oportunidade para as partes esclarecerem os fatos, através da juntada de documentação probante, para que possam demonstrar suas alegações, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório. O princípio da verdade material referese ao dever de esclarecer o fato real, trazer aos autos a versão mais próxima possível do evento ocorrido, para que o julgador disponha de elementos seguros para a sua decisão. Os princípios constitucionais do contraditório e a ampla defesa referemse à possibilidade do exercício da dialética processual e têm por objeto dar oportunidade às partes de produzirem e apresentarem suas provas, assim como implicam no direito de serem ouvidas nos autos. À vista do exposto, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, para que seja juntada aos autos a documentação probante que demonstre a glosa efetuada pela fiscalização em relação, especificamente, ao item “2.1 Receitas Não Incluídas na Apuração da Base de Cálculo” do Despacho Decisório DRF/POA n° 068/2007. Para tanto, a autoridade fiscal da DRF – Porto Alegre poderá, a seu critério, proceder à diligência na empresa, bem como intimála para apresentação dos elementos probantes que entender necessários e suficientes para comprovação dos fatos alegados. Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal da DRF – Porto Alegre deverá elaborar Relatório Conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestando se sobre a existência de outras informações e/ou observações julgadas pertinentes para esclarecer os fatos. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Conselheiro Relator Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10880.066260/93-14
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1990
Admissibilidade de Recurso Especial. Para conhecimento de Recurso Especial é condição a demonstração da similaridade entre o conteúdo do Acórdão Recorrido e o Acórdão Paradigma e a demonstração que as decisões foram divergentes.
Recurso não conhecido pois não demonstrada a divergência.
Numero da decisão: 9101-001.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos não conhecer do Recurso.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo
Presidente
(assinado digitalmente)
Susy Gomes Hoffmann
Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima e Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1990 Admissibilidade de Recurso Especial. Para conhecimento de Recurso Especial é condição a demonstração da similaridade entre o conteúdo do Acórdão Recorrido e o Acórdão Paradigma e a demonstração que as decisões foram divergentes. Recurso não conhecido pois não demonstrada a divergência.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10880.066260/93-14
anomes_publicacao_s : 201305
conteudo_id_s : 5249262
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 9101-001.573
nome_arquivo_s : Decisao_108800662609314.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : SUSY GOMES HOFFMANN
nome_arquivo_pdf_s : 108800662609314_5249262.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos não conhecer do Recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima e Susy Gomes Hoffmann.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
id : 4866922
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:09:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045806487961600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1707; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 103 1 102 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.066260/9314 Recurso nº 161.714 Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.573 – 1ª Turma Sessão de 23 de janeiro de 2013 Matéria IRPJ Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DAFFERNER S.A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1990 Admissibilidade de Recurso Especial. Para conhecimento de Recurso Especial é condição a demonstração da similaridade entre o conteúdo do Acórdão Recorrido e o Acórdão Paradigma e a demonstração que as decisões foram divergentes. Recurso não conhecido pois não demonstrada a divergência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos não conhecer do Recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima e Susy Gomes Hoffmann. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 06 62 60 /9 3- 14 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10880.066260/9314 Acórdão n.º 9101001.573 CSRFT1 Fl. 104 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Lavrouse o auto de infração contra o contribuinte, para a exigência de IRPJ, ILL e CSL, com base nos seguintes fatos: No exercício das funções de Auditor Fiscal do Tesouro Nacional, no desenvolvimento dos trabalhos fiscais relativos a empresa referenciada, examinando a sua escrituração contábil relativa ao anobase de 1.990, verificamos que a mesma procedeu a correção monetária do balanço encerrado em 31.12.90 utilizando como indexador o Índice de Preços ao Consumidor (I.P.C). Esse fato implicou na apuração de saldo devedor no montante de Cr$ 769.289.052,53, que foi totalmente deduzido na apuração do lucro líquido e lucro real. No entanto, de acordo com o artigo 2° e 10 da Lei 7799/89, a correção monetária do balanço deveria ser efetuada com base na variação diária do valor do BTN Fiscal, do que resultaria a apuração de saldo devedor no montante de Cr$ 341.398.672,12. O fato implicou no lançamento a maior a título de saldo devedor de correção monetária do valor de Cr$ 427.890.380,41. O contribuinte apresentou impugnação (fls. 39/53). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 56/62) julgou o lançamento procedente em parte, para excluir a tributação referente ao ILL, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1990 Ementa: CORREÇÃO MONETÁRIA. Deve ser mantida a autuação relativa à glosa de despesa de correção monetária a maior realizada em desconformidade com a legislação tributária. CONSTITUCIONALIDADE DA LEI. Não é a instância administrativa o foro adequado para julgamento de questões atinentes à constitucionalidade das leis tributárias. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1990 Ementa: IMPOSTO NA FONTE SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. Deve ser exonerado o crédito tributário relativo ao ILL que tenha como sujeito passivo sociedade anônima. Lançamento Procedente em Parte O contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 67/76. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10880.066260/9314 Acórdão n.º 9101001.573 CSRFT1 Fl. 105 3 A 2° Câmara da 2° Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do CARF (fls. 83/86) deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, conforme a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1991 CORREÇÃO MONETÁRIA DO BALANÇO — DIFERENÇA IPC x BTNF (1990) Não constitui infração a utilização do IPC integral na correção monetária do balanço referente a período base encerrado em 1990 (Ac. 1° CC 10190.142/96 e 90.143/96 DO 19/12/96). Recurso Voluntário Provido Importante verificar que o conteúdo da decisão recorrida considerou vários dados e questões, como a seguir se verifica pela transcrição de trecho do voto: No caso dos autos a autuada corrigiu suas demonstrações financeiras levantadas em 31/12/1990 pelo IPC, tendo assim apropriado integralmente a despesa de correção monetária, quando ainda sequer havia sido editada a Lei n° 8.200/1991, que reconheceu a inadequação do indexador com base no BTNF, que resultava em menor despesa referente ao saldo devedor de correção monetária do balanço e, conseqüentemente, maior imposto a pagar ou menor prejuízo fiscal compensável. Aqui, o fisco tributou integralmente a diferença de correção monetária IPC x BTNF, compensado o prejuízo fiscal existente, em auto de infração lavrado em 25/11/1993, fls. 27, não tendo assim, aplicado os critérios da Lei n° 8.200/1991. Ademais, penso que a Lei n° 8.200/1991 aplicavase, especificamente, aos contribuintes que em 31/12/1990, corrigiram suas demonstrações financeiras com base no BTNF ao invés do IPC, os quais foram prejudicados com a utilização do BTNF e conseqüentemente, pagaram imposto de renda a maior que o devido quando o resultado da correção monetária era devedor, ou pagaram o imposto de renda a menor quando o resultado da correção monetária era credor, daí a necessidade das correções especiais determinadas pelos arts. 2° e 3° da Lei n° 8.200/1991, no sentido de que a diferença devedora seria apropriada como despesas, escalonadamente, em 06 (seis) anos e a diferença credora seria reconhecida pelos critérios deferidos ao lucro inflacionário realizado. Assim, os contribuintes, como no presente caso, que em 31/12/1990, antes da edição da Lei n° 8.200, de 28/06/1991, já haviam utilizado o índice de correção monetária com base IPC, que veio a ser considerado o correto pelo legislador da Lei n° 8.200/1991, não deveriam se submeter aos seus ditames, eis .que não tinham necessidade de calcular a famigerada diferença IPC x BTNF, cuja obrigatoriedade veio a ser instituída posteriormente ao encerramento do balanço patrimonial do referido anocalendário, portanto após ocorrido o fato gerador do IRPJ relativo ao anocalendário de 1990. A Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 91/95) interpôs recurso especial, com fundamento em divergência jurisprudencial. Alegou que: “Como se observa, enquanto o acórdão a quo entendeu possível a utilização, pela Recorrente, de diferença de correção monetária IPC/BTNF para a definição da base de cálculo do IRPJ em anocalendário anterior a 1993 (ou seja, em 1990), os Fl. 3DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10880.066260/9314 Acórdão n.º 9101001.573 CSRFT1 Fl. 106 4 acórdãos paradigmas entenderam ser inadmissível o seu cômputo para anoscalendários anteriores a 1993. Como se observa, a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes firmouse no sentido de que não há possibilidade, em anocalendário anterior a 1993, de dedução de despesas relativas à diferença de correção monetária IPC/BTNF, nos termos do artigo 3° da Lei n° 8.200/91. É oportuna a transcrição do artigo legal ofendido: Art. 3° A parcela da correção monetária das demonstrações financeiras, relativa ao períodobase de 1990, que corresponder à diferença verificada no ano de 1990 entra a variação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e a variação do BTN Fiscal, terá o seguinte tratamento fiscal: I Poderá ser deduzida, na determinação do lucro real, em seis anoscalendário, a partir de 1993, à razão de 25% em. 1993 e de 15% ao ano, de 1994 a 1998, quando se tratar de saldo devedor. (Redação dada pela Lei no 8.682, de 1993) “II será computada na determinação do lucro real, a partir do períodobase de 1993, de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado, quando se tratar de saldo credor.” Em síntese é o relatório. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo, porém não preenche os requisitos de admissibilidade, como a seguir se verifica. O tema foi objeto de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário n° 201.4656MG: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. CORREÇÃO MONETÁRIA. LEI 8.200/91 (ART. 3º, I, COM A REDAÇÃO Fl. 4DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10880.066260/9314 Acórdão n.º 9101001.573 CSRFT1 Fl. 107 5 DADA PELA LEI 8.682/93). CONSTITUCIONALIDADE. A Lei 8.200/91, (1) em nenhum momento, modificou a disciplina da base de cálculo do imposto de renda referente ao balanço de 1990, (2) nem determinou a aplicação, ao períodobase de 1990, da variação do IPC; (3) tão somente reconheceu os efeitos econômicos decorrentes da metodologia de cálculo da correção monetária. O art. 3º, I (L. 8.200/91), prevendo hipótese nova de dedução na determinação do lucro real, constituiuse como favor fiscal ditado por opção política legislativa. Inocorrência, no caso, de empréstimo compulsório. Recurso conhecido e provido. (RE 201465, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. NELSON JOBIM, Tribunal Pleno, julgado em 02/05/2002, DJ 17102003 PP00014 EMENT VOL0212802 PP00311) Há que ser observado que no presente caso, a autuação deuse porque o contribuinte perpetrou a correção monetária do balanço finalizado em 31/12/1990, com base no IPC, importando a apuração de saldo devedor maior do que se a correção monetária tivesse sido apurada com base no BTNF, o que deveria ter ocorrido, conforme o Auto de Infração, em face do disposto na Lei n° 7.799/89. Ocorre que o julgamento pela Turma “a quo” considerou tanto o decidido pelo STF como a jurisprudência do CARF. Peço vênia para transcrever os trechos principais do Acórdão recorrido: Voto Conselheiro CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais e regimentais de admissibilidade. Dele tomo conhecimento. A questão envolvendo a diferença de correção monetária do ano de 1990 em virtude da utilização dos indexadores com base no IPC ou BTNF já foi debatido exaustivamente nas diversas Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes, bem como na Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais — CSRF, cujas decisões eram, majoritariamente, favoráveis aos contribuintes, a exemplo das diversas ementas que a recorrente trouxe à colação, fls. 74 a 76. Entretanto, com a decisão do Supremo Tribunal Federal no RE 201.465MG, 02/05/2001, que julgou constitucional o art. 3°, inciso I, da Lei n° 8.200/1991, a jurisprudência administrativa caminha no sentido de admitir os lançamentos tributários contra os contribuintes que deduziram integralmente a despesa da correção monetária Fl. 5DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10880.066260/9314 Acórdão n.º 9101001.573 CSRFT1 Fl. 108 6 complementar, ressalvados aqueles casos em que o fisco autuou a diferença integralmente sem reconhecer os efeitos da postergação do pagamento do imposto de renda, ou deixou de reconhecer as parcelas que os contribuintes já tinham direito à dedução. No caso dos autos a autuada corrigiu suas demonstrações financeiras levantadas em 31/12/1990 pelo IPC, tendo assim apropriado integralmente a despesa de correção monetária, quando ainda sequer havia sido editada a Lei n° 8.200/1991, que reconheceu a inadequação do indexador com base no BTNF, que resultava em menor despesa referente ao saldo devedor de correção monetária do balanço e, conseqüentemente, maior imposto a pagar ou menor prejuízo fiscal compensável. Aqui, o fisco tributou integralmente a diferença de correção monetária IPC x BTNF, compensado o prejuízo fiscal existente, em auto de infração lavrado em 25/11/1993, fls 27, não tendo assim, aplicado os critérios da Lei n° 8.200/1991. Ademais, penso que a Lei n° 8.200/1991 aplicavase, especificamente, aos contribuintes que em 31/12/1990, corrigiram suas demonstrações financeiras com base no BTNF ao invés do IPC, os quais foram prejudicados com a utilização do BTNF e conseqüentemente, pagaram imposto de renda a maior que o devido quando o resultado da correção monetária era devedor, ou pagaram o imposto de renda a menor quando o resultado da correção monetária era credor, daí a necessidade das correções especiais determinadas pelos arts. 2° e 3° da Lei n° 8.200/1991, no sentido de que a diferença devedora seria apropriada como despesas, escalonadamente, em 06 (seis) anos e a diferença credora seria reconhecida pelos critérios deferidos ao lucro inflacionário realizado. Assim, os contribuintes, como no presente caso, que em 31/12/1990, antes da edição da Lei n° 8.200, de 28/06/1991, já haviam utilizado o índice de correção monetária com base IPC, que veio a ser considerado o correto pelo legislador da Lei n° 8.200/1991, não deveriam se submeter aos seus ditames, eis que não tinham necessidade de calcular a famigerada diferença IPC x BTNF, cuja obrigatoriedade veio a ser instituída posteriormente ao encerramento do balanço patrimonial do referido anocalendário, portanto após ocorrido o fato gerador do IRPJ relativo ao anocalendário de 1990. A jurisprudência administrativa oriunda das diversas Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Fl. 6DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10880.066260/9314 Acórdão n.º 9101001.573 CSRFT1 Fl. 109 7 Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais — CSRF, evocada pela recorrente é no sentido da licitude da correção monetária das demonstrações financeiras pelo IPC, integralmente, em relação ao balanço patrimonial encerrado em 31/12/1990, destacandose os seguintes acórdãos: "Acórdão n°.10707.232 — de 02/07/2003 IRPJ COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS — ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA — IPC/BTNF — Na correção monetária dos prejuízos fiscais acumulados, deve ser considerada a variação do IPC ocorrida no ano de 1990, em consonância com a legislação vigente no exercício anterior, face o que dispõem os arts. 43, 44, 104, inciso I e 144, do Código Tributário Nacional e o artigo 150, III, "a", da Constituição Federal de 1988." "Acórdão n°. 10320.396 — de 17/10/2000 IRPJ DIFERENÇA IPC/BTNF ÍNDICE DE 1990 No ano calendário de 1990, o índice a ser utilizado para correção das demonstrações financeiras é aquele que incorpora a variação verificada no índice de Preço ao Consumidor , no período". Do acórdão n° 10320.396, destacase o seguinte excerto do voto da lavra do exConselheiro MÁRCIO MACHADO CALDEIRA: "[...] Conforme consignado em relatório, tratase de glosa da diferença de correção monetária IPC/BTNF do ano de 1990, matéria esta por demais conhecida e discutida neste colegiado. É uniforme a jurisprudência desta Câmara, como nas demais deste Primeiro Conselho de Contribuintes, no sentido de se admitir a correção monetária do períodobase de 1990 pelo IPC e, por conseqüência, a dedução integral do saldo devedor da correção monetária no mesmo período, e não somente a partir de 1993, como estabelecido na Lei n° 8:200/91 e Decreto n° 332/91. Inúmeros são os acórdãos que com este posicionamento, que dispensa análise mais profunda, visto especialmente que as ementas a seguir transcritas bem espelham os fundamentos das decisões já proferidas, nos quais me apego para concluir pelo provimento do presente apelo. 'APLICAÇÃO DE ÍNDICE LEGALMENTE ADMITIDO O índice legalmente admitido para efeito da correção monetária das demonstrações financeiras no ano de 1990 Fl. 7DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10880.066260/9314 Acórdão n.º 9101001.573 CSRFT1 Fl. 110 8 incorpora a variação do IPC, vez que o valor do BTN Fiscal, no primeiro dia útil de cada mês, deveria corresponder ao valor do BTN atualizado monetariamente para este mesmo mês, de conformidade com o § 2° do art. 50 da Lei 7.777/89 que estabeleceu, imperativamente, que o valor do BTN deveria ser atualizado mensalmente pelo IPC. A adoção desta regra compatível com a legislação vigente à época de sua utilização desautoriza exigência quepretenda penalizar tal procedimento (Ac. 1° CC 10317.579/96 DO 22/10/96, 10317.496/96 e 17.641/96 DO 18/11/96).' 'APLICAÇÃO DE ÍNDICES DE INFLAÇÃO Os encargos decorrentes de aplicação dos efetivos índices de inflação às demonstrações financeiras, sem eventuais expurgos do processo corrosivo da moeda, são insuscetíveis de glosa, até para observância dos princípios atinentes à legislação societária e ao regime fiscal da competência para a apropriação das despesas (Ac. 1° CC 10316.614/95 DO 27/08/96).' 'APLICAÇÃO DO IPC (1990) Não constitui infração a utilização do IPC integral na correção monetária do balanço referente a períodobase encerrado em 1990 (Ac. 1°CC 10190.142/96 e 90.143/96 DO 19112/96).' 'APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI DE REGÊNCIA Improcede a glosa, vez que se a lei nova veio a considerar que o resultado apurado no ano de 1990 com aplicações de índices diferentes do IPC não refletia a realidade econômica: ela se aplica retroativamente para aqueles que se utilizaram dos índices por ela reconhecidos como corretos,face ao estabelecido no art. 106 do CTN, pelo caráter interpretativo da mesma em relação ao indexador aplicável à espécie (Ac. 1° CC 10189.169/95 DO 11/04/96 e 90.240/96 – DO 19/12/96).' AÍ\11" A Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais — CSRF confirmou essa decisão do acórdão n° 10320.396, exarada pela Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao julgar e negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, segundo acórdão n° CSRF/0103.761, de 18/02/2002, sob a seguinte ementa: "IRPJ — CORREÇÃO MONETÁRIA DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS — Na correção monetária das demonstrações financeiras relativas ao período base encerrado em 31/12/1990 deve ser considerada a variação do IPC ocorrida no ano de 1990, em consonância com a legislação vigente no exercício anterior, face o que dispõem os arts. 43, 44, 104 I, e 144 do Código Tributário Nacional e o artigo 150, III, 'a', da Constituição Federal de 1988. Desta forma, o contribuinte pode compensar os saldos devedores de correção Fl. 8DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10880.066260/9314 Acórdão n.º 9101001.573 CSRFT1 Fl. 111 9 monetária correspondentes à diferença entre o IPC e o BTNF, integralmente, e não de forma escalonada como pretende o fisco." A respeito do tema transcrevo abaixo ementa de outra decisão da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, através do acórdão n° CSRF/0102.313, que teve como relator o ilustre exConselheiro Manoel Antonio Gadelha Dias: "IRPJ CORREÇÃO MONETÁRIA DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS ANO DE 1990 DIFERENÇA IPC X BTNF Reconhecida expressamente pela Lei N° 8.200/91, é legítima a apropriação como despesa, da diferença de correção monetária integralmente no resultado do períodobase de 1990, em respeito ao regime de competência. Nada impede que o contribuinte só o faça na apuração do resultado do período base de 1991, uma vez não gerado nenhum prejuízo para o Fisco." No caso presente há que se levar ainda em consideração os efeitos do transcurso do tempo. Devido ao interregno do tempo entre a autuação em 25/11/1993, fls. 27, e a decisão de primeira instância prolatada em 18/02/2003, fls. 56, porém cientificada à contribuinte em 27/04/2007, fls. 65 verso, resultou uma situação esdrúxula visto que a empresa, embora tenha utilizado o indexador de correção monetária adequado, com base no IPC, o qual também deveria ter sido utilizado para atualizar o BTNF, o que veio a ser reconhecido como o indexador correto pela Lei n° 8.200/1991, teve a diferença de correção monetária IPC x BTNF integralmente glosada; não lhe foi reconhecido no passado o direito às deduções parceladas instituída pela Lei n° 8.200/1991 e, no presente, delas já não pode mais se beneficiar, sem que tivesse qualquer responsabilidade pela manipulação ou expurgos perpetrados nos indexadores de correção monetária do balanço ou pela demora dos julgamentos administrativos, tendo sido colhida pela convolação da jurisprudência judicial e depois pela administrativa, que passaram a considerar legítimo o parcelamento da apropriação como despesas da diferença de correção monetária IPC x BTNF. Disso tudo resultaria infligir à contribuinte os efeitos perversos das dúvidas e percalços sobre o indexador adequado à correção monetária do balanço aflorados nos idos de 1990, aspectos estes Fl. 9DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10880.066260/9314 Acórdão n.º 9101001.573 CSRFT1 Fl. 112 10 que, posteriormente, veio dar azo a uma pletora de atos legais e administrativos objetivando a regularização contábil e fiscal provocada pela utilização do indexador inadequado com base no BTNF expurgado, visto hodiernamente como seqüelas dosurto inflacionário que grassava no país naquela quadra. CONCLUSÃO Na esteira destas considerações oriento o meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. Entendi fundamental transcrever o voto para demonstrar que o Acórdão Recorrido considerou o julgamento do Supremo, mas a partir daí entendeu que: a) a previsão da Lei 8200/91 não atingia os fatos geradores ocorridos até 31/12/1990 – caso dos autos; b) o lançamento está equivocado porque não foi feito com a metodologia da Lei 8200/91 , ou seja, o efeito da postergação deveria ter sido considerado. Ao analisar os acórdãos paradigmas, verifico que eles não trataram das duas questões acima indicadas. O acórdão paradigma 10196504 tem o seguinte voto: A exigência resultou de revisão interna da DIPJ do ano calendário de 1999, onde foi constatado que o valor do lucro inflacionário adicionado no período foi inferior ao valor correspondente à realização mínima apurada a partir dos controles internos da SRF (SAPLI). A recorrente, a partir de seus próprios controles, identificou como origem da divergência com os controles da SRF a realização parcial da diferença IPC/BTNF no segundo semestre de 1992, que ela teria equivocadamente informado em sua DIPJ no campo destinado a "outras adições" em lugar de informála no campo destinado a "adições: lucro inflacionário realizado". Junta cópia do LALUR que corrobora suas alegações. O voto condutor do acórdão recorrido não acolheu o pleito do contribuinte por entender que não se trata de mero erro de fato cometido no preenchimento da citada declaração. Aduziu que o que pretende o interessado é que seja aceita a tributação do saldo credor da diferença de correção monetária IPC/BTNF (na verdade, compensado com prejuízos fiscais apurados em 1988, em vias de decair) antes mesmo que sua exigência legal fosse aplicável, o que somente ocorreria a partir de 1993, nos termos da já citada Lei 8.200/1991. O inciso II do art. 3° O inciso II do art. 3° da Lei n° 8.200/91 determinou que o cômputo, na determinação do lucro real, da parcela da correção monetária das demonstrações financeiras, relativa ao períodobase de 1990, que corresponder à diferença IPC/BTNF, deveria se dar a partir do períodobase de 1993, de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado, quando se tratar de saldo credor. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10880.066260/9314 Acórdão n.º 9101001.573 CSRFT1 Fl. 113 11 A norma inserida no inciso II do art. 3° acima referido não é facultativa, mas impositiva. Sua inobservância pela antecipação da tributação não teria relevância se representasse tão só uma antecipação no oferecimento à tributação da correção monetária correspondente, uma vez que não redundaria em prejuízo para o fisco. Ocorre que, no caso, como bem ressaltou a ilustre Relatora da decisão recorrida, a antecipação da integração da diferença IPC/BTNF ao lucro real deuse para absorver prejuízo fiscal do períodobase de 1988, a decair, e no exato montante necessário para absorvêlo. Tratase, pois, de procedimento irregular, destinado a contornar a impossibilidade de utilização de prejuízos ficais acumulados, implicando redução ilegítima de base de cálculo de períodos a partir de 1993. Nessa ordem de idéias, entendo correta a decisão recorrida, e nego provimento ao recurso. Ora, neste acórdão paradigma é certo que a situação fática é diversa, além do que, a relatora, em passagem do voto, aceita os efeitos da postergação, de tal modo que na parte que poderia haver divergência, há convergência. O outro acórdão paradigma , o 10807905, traz o seguinte: Assim sendo, admitese o recurso, no âmbito de competência desta Câmara. Já está superada a jurisprudência citada pelo contribuinte, que admitia a possibilidade de dedução integral, já no períodobase de 1990, do saldo devedor de correção monetária relativo à diferença IPC/BTNF. O Supremo Tribunal Federal já se posicionou pela constitucionalidade da Lei n° 8.200/91 e os novos julgados deste Conselho seguem este posicionamento, o que dispensa qualquer comentário adicional. Quanto à argumentação de postergação do pagamento, somente poderia ter ocorrido na porção dedutível em 1993 (25% do saldo), já que o lançamento de ofício ocorreu em 1994 e não poderia levar em consideração os demais 75%, a ser deduzidos entre 1994 a 1998. Caberia à recorrente provar o alegado, ou seja, de que houve pagamento de tributo em 1993, em função da não dedução da parcela de 25% do saldo acumulado. E embora afirme que o fez, a recorrente não anexa aos autos qualquer prova do alegado, pelo que não se pode lhe dar razão. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10880.066260/9314 Acórdão n.º 9101001.573 CSRFT1 Fl. 114 12 Ora, resta claro ao verificar este segundo acórdão que até seria admitida a argumentação relativa aos efeitos da postergação, que deixou de ser analisada por ser entendido que não houve a prova pelo contribuinte. Assim, vejo que não houve a apresentação de acórdão paradigma que trouxesse uma efetiva divergência quanto aos dois pontos trazidos pelo acórdão recorrido e por este motivo não conheço do recurso especial. Sala das Sessões, em 23 de janeiro de 2013. (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 12DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002923/2010-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. NÃO INCIDÊNCIA. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO.
A multa isolada por falta de recolhimento de CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, inciso I, da Lei n2 9.430/1996.
No curso do período de apuração, descumprido o dever de antecipar, incide a penalidade sobre as estimativas não recolhidas. Porém, após o encerramento do período, quando já não existe mais o dever de antecipar, mas sim e unicamente o de promover o ajuste pelo confronto entre o valor devido
Numero da decisão: 1301-001.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, POR MAIORIA de votos, em dar provimento PARCIAL ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas e Wilson Fernandes Guimarães, que entenderam cabível a multa isolada.
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. NÃO INCIDÊNCIA. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. A multa isolada por falta de recolhimento de CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, inciso I, da Lei n2 9.430/1996. No curso do período de apuração, descumprido o dever de antecipar, incide a penalidade sobre as estimativas não recolhidas. Porém, após o encerramento do período, quando já não existe mais o dever de antecipar, mas sim e unicamente o de promover o ajuste pelo confronto entre o valor devido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 19515.002923/2010-12
anomes_publicacao_s : 201305
conteudo_id_s : 5249319
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1301-001.160
nome_arquivo_s : Decisao_19515002923201012.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 19515002923201012_5249319.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, POR MAIORIA de votos, em dar provimento PARCIAL ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas e Wilson Fernandes Guimarães, que entenderam cabível a multa isolada. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
id : 4866979
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:09:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045806511030272
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2335; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002923/201012 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.160 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de março de 2013 Matéria CSLL Recorrente ELETROPAULO METROPOLITANA ELETRICIDADE DE SÃO PAULO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. NÃO INCIDÊNCIA. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. A multa isolada por falta de recolhimento de CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, inciso I, da Lei n2 9.430/1996. No curso do período de apuração, descumprido o dever de antecipar, incide a penalidade sobre as estimativas não recolhidas. Porém, após o encerramento do período, quando já não existe mais o dever de antecipar, mas sim e unicamente o de promover o ajuste pelo confronto entre o valor devido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, POR MAIORIA de votos, em dar provimento PARCIAL ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas e Wilson Fernandes Guimarães, que entenderam cabível a multa isolada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 29 23 /2 01 0- 12 Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI D E PAULA FERNANDES JUNIOR 2 (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ em São Paulo/SP. Extraise pela análise do presente processo administrativo que em decorrência de ação fiscal levada a efeito perante a Recorrente, relativa aos anoscalendário 2005, 2006 e 2007, e diante de irregularidades apuradas, foi lavrado Auto de Infração de CSLL, por meio do qual constituiuse crédito tributário referente aos 3° e 4º trimestres do AC 2005, e aos AC 2006 e 2007, acrescidos de multa proporcional e dos juros de mora, além de multa exigida isoladamente por não pagamento de CSLL calculada por estimativa. Relata a autoridade administrativa que foi emitido (fls. 02 04), do Termo de Início de Ação Fiscal, sendo solicitados documentos e esclarecimentos, dentre eles os relativos à CSLL referentes aos 3° e 4° trimestres do AC 2005, e aos AC 2006 e 2007, porquanto constatado nos registros da RFB que o contribuinte efetuou compensações de Base de Cálculo Negativa de CSLL sem dispor de saldo disponível para utilização, conforme explicitado em tabela indicada, sendo informado que foi identificada cisão parcial em 1997. Registouse que a contribuinte apresentou parcialmente os documentos exigidos (fls. 13 108), em 27/08/2010, e solicitou dilação do prazo até 08/09/2010 para atendimento aos demais itens (fls. 109 e 110), sendo que em 30/08/2010 (fls. 111 a 113), foi lavrado o Termo de Constatação e Intimação (fl. 127), informando que: i) examinados os Livros de Apuração de CSLL referentes aos 3º e 4° trimestres do AC 2005, e aos AC 2006 e 2007, verificouse que o contribuinte manteve escriturado na Parte B suposta Base de Cálculo Negativa de R$ 587.658.942,98 antes da compensação da CSLL relativa ao 3° trimestre do AC 2005; ii) os controles da RFB indicam que este saldo era de zero, visto que já havia utilizado integralmente até 2004 (conforme SAPLI — Demonstrativo de BCNCSLL); e iii) conforme cisão parcial (distribuição efetiva de Patrimônio Liquido PL em 01/01/1998), e demonstrativo mandado publicar no DOE de São Paulo (18/02/1998), o contribuinte manteve 29,3 % de seu PL original, percentual este aplicado ao saldo de BCNCSLL existente após a compensação de CSLL efetuada na DIRPJ apresentada pelo contribuinte relativa ao evento de Cisão Parcial reduzindo o estoque de R$ 1.530.875.587,17 para R$ 447.504.164,13, conforme legislação. Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI D E PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 19515.002923/201012 Acórdão n.º 1301001.160 S1C3T1 Fl. 3 3 Seguiu a autoridade administrativa dando conta de que foi solicitado que o contribuinte esclarecesse, justificasse e apresentasse documentação hábil e idônea comprovando todas as divergências apuradas, além de outros esclarecimentos, sendo emitido TCI complementar, em 03/09/2010 (fls. 128 e 129), informando que não haveria decisão eficaz capaz de amparar a pretensão do contribuinte de compensar as Bases de Cálculo Negativas da CSLL analisadas (considerando a "ação judicial declaratória" n° 2005.61.00.0252723 e o "agravo de instrumento" n° 2006.03.00.0244995), intimandose a Recorrente a justificar e comprovar (documentos hábeis e idôneos) a existência de decisão judicial eficaz que ampare seu direito pretendido de compensar Bases de Cálculo Negativas de CSLL oriunda do processo de cisão parcial. A Recorrente apresentou documentos (fls. 155 a 210), esclarecendo que as empresas resultantes da Cisão Parcial são: a) Eletropaulo Metropolitana Eletricidade de São Paulo SA (Eletropaulo); b) EBE Empresa Bandeirante de Energia SA; c) EPTE Empresa Paulista de Transmissão de Energia Elétrica SA; d) EMAE Empresa Metropolitana de Águas e Energia SA., e que possuía em seus livros um saldo de Base Negativa de CSLL acumulado no valor de R$ 1.518.134.439,77, ocorrendo que em 1997 passou por um processo de cisão parcial em que, conforme acordo entre as empresas, passou a deter 67,56 % do montante do saldo e Base Negativa de CSLL, cerca de R$ 1.023.407.393,27 (remanescendo 29,10 % para a EBE; 1,04 % para a EMAE; e 2,30 % para a EPTE). Apresentando seu entendimento acerca dos seguintes assuntos: (i) direito de Compensação da Base Negativa de CSLL após o Termo de Cisão; (ii) andamento da Ação Declaratória; e (iii) apresentação de documentos. Diante do exposto, espera ter demonstrado a origem do saldo utilizado durante o período em análise, assim como demonstrado que efetivamente possui medida judicial que a legitimou a utilizar esse sal o de acordo com o disposto no respectivo Contrato de Cisão. Diante de tais informações a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo lavrou Termo de Constatação (fls. 246 a 259), parte integrante do Auto de Infração sob análise, assentando em resumo que o lançamento de ofício referese à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido que deixou de ser apurada pelo contribuinte em razão de compensações indevidas de Base de Cálculo Negativa de CSLL discutidas na ação judicial n° 2005.61.00.0252723, não havendo, na data de lavratura do presente auto de infração, decisão judicial eficaz que permita a suspensão de exigibilidade do crédito tributário lançado. Atestou a autoridade lançadora que a presente ação fiscal teve início solicitandose da contribuinte a documentação societária, livros Registro de Apuração do Lucro Real LALUR ou livro equivalente que controle as Bases de Cálculo Negativa e as compensações de CSLL realizadas, demonstração e justificativas quanto à origem do saldo do contribuinte a compensar e as compensações realizadas, dentre outros documentos necessários, sendo que o contribuinte apresentou cópias de Livros Registro de Apuração de CSLL referentes a 2005 até 2007 e requisitou prorrogação de prazo, sendo intimada posteriormente a apresentar os mesmos elementos, destacandose, contudo, a necessidade de comprovação da origem do saldo de Base de Cálculo Negativa de CSLL escriturado pelo contribuinte na parte B de seu Livro Registro de Apuração de CSLL no 3º trimestre de 2005, antes da compensação de CSLL do período. Relatouse que foi constatado, no mesmo Termo cientificado ao contribuinte, que os controles informatizados de saldo a compensar e de sua utilização, realizados pelo sistema "Sapli" a partir de informações oriundas de DIPJ/DIRPJ's apresentadas pelo Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI D E PAULA FERNANDES JUNIOR 4 contribuinte, demonstrariam a inexistência de saldo de negativo a compensar por parte do contribuinte já no 3° trimestre de 2005, assim como nos períodos subsequentes. Segundo a Fiscalização, apenas em momento posterior às exigências descritas acima, foi identificada a existência da ação judicial n° 2005.61.00.0252723 na qual o contribuinte discute o direito de manutenção e utilização de Base de Cálculo Negativa de CSLL acumulada antes de um processo de cisão parcial pelo qual passou o contribuinte entre os AC 1997 e 1998 e que constatada a existência de tal ação judicial, foram analisados os efeitos atuais das decisões judiciais já proferidas, concluindose que não havia, até o momento do lançamento, decisão eficaz que atenda as pretensões do contribuinte de manter e utilizar a base de cálculo negativa de CSLL que vem compensando. Registrouse que estes fatos foram então consignados em Termo de Constatação e Intimação, lavrado em 03/09/2010, através do qual o contribuinte foi também intimado a comprovar a existência de decisão judicial eficaz que ampare sua pretensão de compensação. Todavia, o contribuinte não teria apresentado elementos que pudessem comprovar a existência de tal decisão judicial eficaz e que o contribuinte apresentou petição assinalando que a Base de Cálculo Negativa de CSLL compensada nos 3° e 4° trimestres de 2005 e nos AC 2006 e 2007 tem origem no saldo existente antes da cisão parcial ocorrida entre 1997 e 1998, e que seu direito é discutido judicialmente (ação declaratória n° 2005.61.00.0252723), na qual foi também interposto agravo de instrumento n° 2006.03.00.0244995, tendo o contribuinte apresentado cópias de algumas petições e decisões judiciais proferidas. Tratandose especificamente da materialidade tributável, assentou a Fiscalização que a Recorrente mantém escriturado, na parte B de seu Livro Registro de Apuração de CSLL relativo ao 3° trimestre de 2005, antes da compensação de CSLL do período, o valor de R$ 587.658.942,98 de Base de Cálculo Negativa de CSLL de períodos anteriores a compensar. Entretanto, o acompanhamento informatizado realizado pela Receita Federal do Brasil (RFB) dos saldos em questão, em nome do contribuinte, bem como de sua utilização, a partir de informações constantes de DIPJ/DIRPJ's apresentadas pelo próprio contribuinte, demonstraria a inexistência de saldo de Base de Cálculo Negativa de CSLL a compensar já no 3° trimestre de 2005, bem como nos períodos sob análise subsequentes. Segundo informou a Fiscalização o Demonstrativo de Base de Cálculo Negativa da CSLL — SAPLI abrangendo os períodos 1992 a 2007, que demonstra o controle informatizado de saldo e utilização de Base de Cálculo Negativa de CSLL realizado pela RFB, bem como o relatório "Histórico da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido", sendo que a Base de Cálculo Negativa de CSLL escriturada pelo contribuinte e utilizada nos 3° e 4° trimestres de 2005, assim como nos AC 2006 e 2007, referese a parcela do saldo de Base de Cálculo Negativa de CSLL acumulada pela empresa entre 1992 e dez/1997, ocasião em que o contribuinte sofreu evento de cisão parcial. Diante de tais fatos, cuidou a Fiscalização de minudenciar o processo de cisão parcial referido, porquanto a manutenção e utilização da Base de Cálculo Negativa de CSLL acumulada antes da cisão parcial são limitadas pela legislação vigente, podendo ser utilizado pelo contribuinte um percentual limitado ao percentual do Patrimônio Líquido da empresa original cindida que tenha permanecido com a própria empresa após a cisão. O processo de cisão parcial pelo qual passou o contribuinte nos anos 1997 e 1998, segundo relato contido nos autos, deuse com assembleia geral realizada pelo contribuinte no final de 1997, sendo aprovado protocolo de cisão parcial da empresa Eletropaulo Eletricidade de São Paulo S.A., com o objetivo de reestruturar o sistema elétrico Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI D E PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 19515.002923/201012 Acórdão n.º 1301001.160 S1C3T1 Fl. 4 5 do Estado de São Paulo, sendo a empresa original dividida em quatro empresas remanescentes da cisão, três delas novas empresas, e a quarta sendo o próprio contribuinte, mas com Patrimônio Líquido menor e com objeto social mais direcionado. As empresas resultantes da Cisão Parcial do contribuinte são: i) Eletropaulo; ii) EBE; iii) EPTE; e iv) EMAE e de conformidade com o edital de comunicado aos acionistas publicado pelo contribuinte no Diário Oficial do Estado de São Paulo (DOE/SP) cuja cópia foi juntada ao Anexo II do presente processo, foi realizada a distribuição de Patrimônio Liquido (PL) do contribuinte na Cisão Parcial, efetivada em 01/01/1998, conforme demonstrado no balanço de distribuição de patrimônio constante da folha 19 do DOE/SP edição de 18/02/1998, reproduzido no "Demonstrativo de Distribuição de PL Cisão Parcial" e o PL que o contribuinte detinha antes da cisão parcial foi assim distribuído: * Eletropaulo: permaneceu com 29,23% do PL original; * EBE: recebeu 16,64% do PL original; * EPTE: recebeu 36,42% do PL original; * EMAE: recebeu 17,72% do PL original. Atestou a Fiscalização, portanto, que em virtude do processo de cisão parcial, o saldo de R$ 1.518.134.439,77 de Base Negativa de CSLL a compensar não pode ser mais aproveitado pela empresa remanescente da cisão parcial, ficando o saldo utilizável limitado a: Saldo BC Neg Remanescente: R$ 1.518.134.439,77 % PL Remanescente: (x) 29,23% Saldo BC Neg Remanescente: (=) R$ 443.750.696,74 e que feita a limitação imposta pela legislação vigente no saldo de Base de Negativa de CSLL do contribuinte oriundo de antes cisão parcial, utilizável a partir de dez/1997, e computadas as apurações e utilizações posteriores a 1997, não restaria saldo a compensar no 3º trimestre de 2005, assim como nos períodos subsequentes. Em virtude destas constatações, após relatar todo o estágio do processo judicial proposto pela Recorrente, versando o mesmo conteúdo material da autuação, lavrou0se os autos de infração com o destaque de que o eventual contencioso administrativo que por ventura viesse a ser instaurado para análise do presente lançamento de ofício deveria considerar o fato de que a questão sob análise encontrase em discussão no Poder Judiciário, e que o lançamento se prestava a prevenir a decadência do crédito tributário, não se vislumbrando, contudo, nenhuma hipótese que pudesse suspender a exigibilidade do lançamento, acrescendose ao lançamento além dos consectários legais, multa isolada pelo não recolhimento integral das estimativas, impactadas, evidentemente pela glosa implementado. Devidamente notificada das imputações fiscais (fls. 259 e 289), a Recorrente apresentou Impugnação (fls. 294 a 326), acostando documentos (fls. 327 a 521), alegando em síntese ser empresa resultante do processo de cisão e privatização da empresa Eletropaulo Eletricidade de São Paulo S.A., sociedade de economia mista, cujo controle acionário antes da privatização era exercido pelo Estado de São Paulo. Mencionou que em 22.12.1997, foi formalizado e aprovado o "Protocolo de Cisão Parcial da Eletropaulo Eletricidade de São Paulo S.A." por meio do qual ocorreu a cisão parcial da referida empresa mediante a transferência de parte de seu patrimônio para outras três empresas constituídas para esse fim, quais, sejam: (i) EBE; (ii) EPTE; e (iii) EMAE e que também por deliberação da Assembleia Geral Extraordinária dos Acionistas da Eletropaulo Eletricidade de São Paulo S.A., ocorrida em 31.12.1997, restou aprovada, além da cisão parcial da empresa, a modificação de sua razão social, que passou a ser denominada Eletropaulo Metropolitana Eletricidade de São Paulo S.A. Após relembrar tais fatos, aduziu que por ocasião da cisão parcial, o Patrimônio Líquido ficou distribuído da seguinte forma: (i) 16,64% do PL foi transferido para a Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI D E PAULA FERNANDES JUNIOR 6 EBE; (ii) 36,42% do PL foi transferido para a EPTE; (iii) 17,72% do PL foi transferido para a EMAE; e (iv) 29,23% do PL permaneceu com ela Recorrente e em decorrência da contabilização de suas atividades, bem como das adições e exclusão previstas na Lei na 7.689/88, a Recorrente, antes da cisão parcial, tinha escriturado em seu Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR — n° 7, parte B) uma BN de CSLL acumulada no valor de R$ 1.518.134.439,77, e que após a distribuição da base negativa da CSLL por ocasião da cisão parcial, restou à Impugnante um saldo de R$ 1.023.407.393.27, saldo este plenamente passível de aproveitamento, ocorrendo, que em 08.03.2005, a União Federal, através da então Secretaria da Receita Federal, emitiu o Termo de Intimação n° 47 (doc. 08), anexando a composição da base negativa da CSLL da Impugnante desde 1996, com base nos arquivos da Receita Federal, onde foi apresentada uma baixa de 76,83% do saldo em 02.12.1997, enquanto que, nos registros internos da Recorrente (folha 005 da PARTE B do LALUR), a baixa foi apenas de 33%, conforme acordo celebrado com as empresas oriundas da cisão. Destacou a Recorrente, portanto, que na realidade a Fiscalização entendeu que o aproveitamento do saldo da base negativa da CSLL remanescente após a cisão parcial deveria obedecer restrição prevista no artigo 33 do DecretoLei n° 2.341/87 c/c artigo 22 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, defendendo a contribuinte que a restrição supramencionada não poderia ser aplicada, pois a Medida Provisória n° 2.15835 foi editada apenas em 24 de agosto de 2001, ou seja, posteriormente à cisão parcial ocorrida. Salientou, desta forma, que ajuizou a Ação Declaratória com Pedido de Antecipação de Tutela n° 2005.61.00.0252723, contra a União, com vistas à declaração do direito à manutenção do saldo da base negativa da CSLL, nos termos em que acordado no "Protocolo de Cisão Parcial da Eletropaulo Eletricidade de São Paulo S.A.", sem as restrições impostas pela Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, sendo que em 31.01.2006, o Juízo da 21ª Vara Cível da Seção Judiciária de São Paulo proferiu decisão indeferindo o pedido de tutela antecipada, razão pela qual interpôs o Agravo de Instrumento n° 2006.03.00.0244995 perante a 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região e que não obstante, em 02.05.2006, foi proferida decisão indeferindo o pedido de atribuição de efeito suspensivo ao agravo de instrumento, razão pela qual, em 08.05.2006, apresentou pedido de reconsideração com pedido subsidiário de agravo regimental. Mencionou na sequência que durante esse período, utilizou o saldo negativo da base de cálculo da CSLL remanescente após a cisão parcial ocorrida em 1997 para a compensação de valores nos períodos de 3° e 4° trimestres de 2005 e que em 16.11.2006, foi proferida decisão nos autos do Agravo de Instrumento n° 2006.03.00.0244995 reconsiderando a decisão anteriormente proferida "para fins de conceder a antecipação dos efeitos da tutela recursal, de modo a sustar os efeitos da autuação fiscal, suspendendo a exigibilidade quanto Ay deduções referentes à base negativa da CSLL constituída no período anterior a 1997. Relatou ainda, que em 26.03.2007, foi proferida sentença nos autos da Ação Declaratória n° 2005.61.00.0252723 julgando procedente a ação e, por conseguinte, confirmando a tutela antecipada concedida pela 4ª Turma do TRF da 3ª Região por meio da decisão proferida nos autos do Agravo de Instrumento n° 2006.03.00.0244995, tendo sido interposto recurso de apelação pela União e que diante destas decisões, a Recorrente utilizou outra parte do saldo negativo da base de cálculo da CSLL remanescente da cisão parcial ocorrida em 1997 para a compensação dos valores nos AC de 2006 e 2007, sendo que em 19.06.2007, foi publicada decisão nos autos do Agravo de Instrumento n° 2006.03.00.0244995 negando provimento ao agravo de instrumento em virtude da perda de seu objeto uma vez que o Juízo de origem já havia proferido sentença confirmando a antecipação de tutela concedida e julgando prejudicado o agravo regimental interposto pela União. Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI D E PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 19515.002923/201012 Acórdão n.º 1301001.160 S1C3T1 Fl. 5 7 Segundo a Recorrente, portanto, verificase da simples exposição de fatos que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário pela decisão proferida nos autos do Agravo de Instrumento no 2006.03.00.0244995, confirmada pela sentença proferida nos autos da ação originária, deveria permanecer até o julgamento do recurso de apelação interposto pela União, o que ainda não havia ocorrido. Afirmou ainda, que o valor total exigido no presente auto é de R$ 87.450.595,56 (R$ 30.165.878,13 a título de principal; R$ 12.332.197,42 a título de juros de mora; R$ 22.624.408,59 a título de multa proporcional; e R$ 22.358.111,42 a título de multa isolada). Rememorados estes fatos, cuidou a Recorrente de aduzir que o lançamento não merece prosperar, pois o valor a título de CSLL encontrase com sua exigibilidade suspensa, razão pela qual o auto de infração deveria ter sido lavrado apenas e tãosomente para prevenir a decadência sendo incabíveis as penalidades (multas de ofício e isolada) cominadas. No mérito, destacou que o entendimento da Fiscalização não merece prosperar porquanto tinha o direito de se aproveitar da totalidade do saldo negativo da base de cálculo da CSLL sem a restrição imposta pelo artigo 33 do DecretoLei n° 2.341/87 c/c artigo 22 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. A 4ª Turma da DRJ em São Paulo/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 537 a 570, não conheceu da Impugnação na parte em que versava matéria concomitante com a ação judicial já referida (mérito da autuação), mantendo a multa isolada na parte em que conhecida a impugnação. Cientificada da decisão (fl. 575verso), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 1001 – 1028), reafirmando os fatos sucedidos e já relatos, atinentes ao processo de cisão pelo qual passou. Voltou a arrazoar pela impossibilidade de exigência do crédito tributário contido no auto de infração, relembrando a existência da ação judicial já referida e os argumentos de mérito pelos quais entende não prosperar a autuação, insurgindose ainda contra a aplicação da multa isolada. É o relatório. Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI D E PAULA FERNANDES JUNIOR 8 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Colhese do presente processo administrativo que a Recorrente foi autuada por realizar compensações consideradas indevidas de Base Negativa de CSLL nos 3° e 4° trimestres de 2005, assim como nos AC 2006 e 2007, porquanto teria a Recorrente se aproveitado de 67,41 % do saldo da Base Negativa de CSLL existente antes da Cisão Parcial efetivada em 01/01/1998 (fl. 434), em vez de 29,23 %, conforme parcela remanescente do Patrimônio Líquido. Verificado serem indevidas as compensações, identificouse recolhimentos a menor em todos os períodos sob análise, o que ensejou o lançamento de CSLL e de multa isolada — esta, em virtude de ter sido apurada CSLL por estimativa mensal (AC 2006 e 2007) em valor inferior ao efetivamente devido. Tal como minudenciado no relatório acima elaborado, a Recorrente sustenta que tal limitação foi inaugurada em momento posterior ao seu processo de cisão, razão pela qual lhe seria inaplicável a regra e hígidas as suas compensações, de sorte que aforou a Ação Declaratória n° 2005.61.00.0252723, ainda em andamento e não transitada em julgado, na qual discute o direito de utilização de 67,56% da BCNCSLL acumulada antes da cisão parcial ocorrida entre 1997 e 1998. Verificando a existência do aludido processo judicial, cuidou a decisão recorrida de reconhecer, presente o princípio da unicidade da jurisdição, a concomitância entre as matérias não se manifestando acerca do mérito e mantendo a multa aplicada isoladamente. Com efeito, acertada a decisão recorrida ao reconhecer a chamada “concomitância” entre as matérias, situação que preserva a soberania das decisões oriundas do Poder Judiciário e em última análise, o próprio contribuinte, prestigiando, como não poderia deixar de ser, o verbete da Súmula CARF nº 01, segundo a qual importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial, confirase: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. A bem da verdade, resta esvaziado o argumento da Recorrente de que a sentença proferida, ainda que pendente de recurso, impediria a lavratura do auto de infração, porquanto como noticiou a própria Fiscalização os autos de infração aqui versados foram Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI D E PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 19515.002923/201012 Acórdão n.º 1301001.160 S1C3T1 Fl. 6 9 lavrados para prevenir a decadência de sorte que nenhum procedimento de cobrança foi instaurado, estando os débitos aqui discutidos com a exigibilidade suspensa. Ou seja, os efeitos dos recursos e a extensão dos provimentos jurisdicionais obtidos pela Recorrente é matéria que deverá ser avaliada pela autoridade administrativa originária, porquanto não comportam conteúdo a ser enfrentado, já que o mérito da autuação fora levado ao Poder Judiciário. Por fim, reputo que a única parte da decisão recorrida que merece reparos diz com a aplicação da multa isolada. A exemplo do que tenho manifestado em casos semelhantes, conquanto vencido, entendo que a multa isolada por falta de recolhimento de CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, bem como, considero que no curso do período de apuração, descumprido o dever de antecipar, é que incide a penalidade sobre as estimativas não recolhidas, situação que obsta tal exigência após o encerramento do período, quando já não existe mais o dever de antecipar, mas sim e unicamente o de promover o ajuste pelo confronto entre o valor devido efetivamente e os valores recolhidos na forma estimada, incide tão somente a multa de oficio proporcional ao imposto que está sendo exigido. Em vista de todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 06 de março de 2013. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI D E PAULA FERNANDES JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10166.912465/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de Apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito.
Não tendo o contribuinte apresentado qualquer elemento probatório do seu direito, deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou o pedido de ressarcimento.
Numero da decisão: 3301-001.369
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Período de Apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito. Não tendo o contribuinte apresentado qualquer elemento probatório do seu direito, deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou o pedido de ressarcimento.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10166.912465/2009-12
conteudo_id_s : 5251173
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 04 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3301-001.369
nome_arquivo_s : Decisao_10166912465200912.pdf
nome_relator_s : ANDREA MEDRADO DARZE
nome_arquivo_pdf_s : 10166912465200912_5251173.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
id : 4876506
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:09:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045806516273152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1812; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 92 1 91 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.912465/200912 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301001.369 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2012 Matéria PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS Recorrente FUNDAÇÃO DOS ECONOMIÁRIOS FEDERAIS FUNCEF Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de Apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito. Não tendo o contribuinte apresentado qualquer elemento probatório do seu direito, deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou o pedido de ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Alan Fialho Gandra e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos contra a decisão da DRJ em Brasília que julgou improcedente a manifestação de inconformidade formulada. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 A ora Recorrente apresentou Declaração de Compensação – DCOMP – de débitos de IRRF – maio/2007, com crédito de pagamento a maior de COFINS, referente a fevereiro/2002. Irresignada com a não homologação da compensação, a ora Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em apertada síntese, que: (i) o Fisco supôs a inexistência do crédito pelo simples cruzamento automatizado, matemático e linear, entre o valor do crédito declarado na DCOMP e o valor do débito declarado na DCTF; (ii) o contribuinte deveria ser previamente intimado para a regularização da incongruência identificada pelo sistema, e apenas na ausência de explicação, promover a recusa da homologação, sob pena de configurar violação ao princípio do devido processo legal e da ampla defesa; (iii) a decisão que negou a homologação observou os dados corrigidos por meio de DCTF Retificadora, validamente transmitida, não esbarrando em nenhum dos impedimentos legais, em especial por ter sido apresentada anteriormente à notificação (ciência do Despacho Decisório); (iv) de fato, houve recolhimento a maior que o devido, porque foi indevidamente ampliada a base de cálculo da contribuição, conforme o documento anexado (doc. 6). A DRJ em Brasilia julgou improcedente a manifestação de inconformidade formulada, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2007 Cerceamento do Direito de Defesa – Nulidade – Argüição Rejeitada. Se é facultado ao sujeito passivo apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e recurso da decisão que julgar improcedente a inconformidade, obedecendose ao rito processual administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. Compensação Pagamento a Maior Impossibilidade Necessidade de Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo Crédito Inexistente. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Irresignado, o contribuinte apresentou Embargos de Declaração para que fosse reformada a decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. No seu entender, o correto seria concluir pela sua procedência e pela homologação da compensação pleiteada, uma vez a apresentação de DCTF retificadora e da planilha com o demonstrativo da apuração do tributo no período em que se originou o crédito seria suficiente para demonstrar o recolhimento maior que o devido. A autoridade preparadora determinou a remessa dos autos a este Conselho Administrativo para a análise do pedido. É o relatório. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10166.912465/200912 Acórdão n.º 3301001.369 S3C3T1 Fl. 93 3 Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. Conforme é possível perceber do relato acima, a recorrente opôs Embargos de Declaração para que fosse reformada a decisão da DRJ que julgou improcedente a manifestação de inconformidade e como conseqüência fosse homologada compensação pleiteada, por entender que a apresentação de DCTF retificadora e de planilha com o demonstrativo da apuração do tributo no período em que se originou o crédito seria suficiente para demonstrar o recolhimento maior que o devido. Diante da inexistência de previsão legal específica de cabimento de Embargos de Declaração contra os acórdãos da DRJ a autoridade preparadora encaminhou o processo para este Conselho para sua análise. Ocorre que, como o pedido dos Embargos de Declaração foi, em verdade, de reforma da decisão recorrida e não de saneamento de omissão, contradição ou obscuridade e tendo em vista que o processo administrativo fiscal é regido pelo princípio do informalismo moderado (art. 2º, da Lei nº 9.784/99), o recebo como Recurso Voluntário, e por conta disso, dele tomo conhecimento. Pois bem. No caso concreto a Recorrente restringiuse a afirmar, sem provar, que teria realizado pagamento a maior de COFINS Alegou que não se sustentaria o fundamento apresentado na decisão recorrida no sentido de que seria necessária a apresentação aos autos da sua escrita contábil e fiscal para a demonstração do indébito. Isso porque, no seu entender os documentos apresentados (DCTF retificadora e demonstrativo de apuração do tributo) dão suporte necessário para confirmar os fatos narrados pelo contribuinte, não parecendo haver qualquer outro tipo de prova possível para tal demonstração. É importante que se esclareça, ainda, que, diferentemente do que alega, os demonstrativos apresentados não estão amparados em balancetes ou qualquer outro documento contábil ou fiscal. Em momento algum apresentou elementos que efetivamente atestassem a existência de pagamento a maior. Com efeito, ao disciplinar o processo administrativo fiscal federal, o legislador prescreve expressamente no artigo 9°, do Decreto n° 70.235/72, a necessidade de que o lançamento seja instruído com prova concludente de que o evento tributário ocorreu em estrita conformidade com a descrição da hipótese normativa. Logo adiante, determina, ainda que de forma implícita, que, caso o sujeito passivo apresente defesa contra o ato lavrado pelo Fisco, devidamente acompanhada de provas de suas alegações, o ônus passa a ser novamente da Fazenda, a quem incumbirá comprovar o descabimento da impugnação. Ao assim prescrever, deixou claro o legislador que a linguagem jurídica dos atos de gestão tributária, quando o sujeito competente para expedila seja o Estado Administração, deve estar devidamente respaldada em provas. Ausentes estas, ilegítima aquela. Por outro lado, quando o fato seja alegado pelo próprio particular, a ele compete demonstrar a veracidade de suas afirmações, igualmente por meio de provas. Afinal, também aqui se aplica a máxima processual de que a prova compete a quem alega, prevista expressamente no art. 333, do Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao processo administrativo. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 No caso concreto, a Recorrente alega a existência de direito creditório, competindo, por esta razão, exclusivamente a ela a prova do alegado. Assim, deveria ter apresentados todos os documentos necessários à demonstração da efetiva existência de pagamento a maior da COFINS, o que não foi feito. Não fora isso e a própria prescrição do art. 170 do Código Tributário Nacional seria suficiente para fundamentar o entendimento de que, nos pedidos de compensação, os contribuintes devem apresentar provas contundentes da existência do indébito tributário. Afinal, segundo este dispositivo legal, a compensação de crédito tributário somente será autorizada com crédito líquido e certo, de titularidade do sujeito passivo. E se crédito certo é aquele em relação ao qual não há dúvida relativa à sua existência e líquido é o que é conhecido o seu exato valor, por óbvio, exigese prova do pagamento e de quanto foi pago a maior. Assim, como bem concluiu a decisão recorrida, para comprovar a liquidez e certeza do crédito compensado na DCOMP, a Recorrente deveria ter trazido aos autos a sua escrituração contábil e fiscal mantida com observância às disposições legais, acompanhada por documentos hábeis. Como não o fez, não há como reconhecer o crédito reclamado e, como consequência, homologar a declaração de compensação. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE
score : 1.0
Numero do processo: 11080.724650/2011-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. INOCORRÊNCIA NAS REDUÇÕES DE CAPITAL MEDIANTE ENTREGA DE BENS OU DIREITOS, PELO VALOR PATRIMONIAL A PARTIR DA VIGÊNCIA DA LEI 9.249/1995. Constitui propósito negocial legítimo o encadeamento de operações societárias visando a redução das incidências tributárias, desde que efetivamente realizadas antes da ocorrência do fato gerador, bem como não visem gerar economia de tributos mediante criação de despesas ou custos artificiais ou fictícios. A partir da vigência do art. 22 da Lei 9.249/1995, a redução de capital mediante entrega de bens ou direitos, pelo valor patrimonial, não mais constituiu hipótese de distribuição disfarçada de lucros, por expressa determinação legal.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 1402-001.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento aos recursos. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Frederico Augusto Gomes de Alencar que davam provimento apenas em relação ao recurso dos coobrigados. Designado o Conselheiro Antonio José Praga de Souza para redigir o voto vencedor. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta, que apresenta declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. INOCORRÊNCIA NAS REDUÇÕES DE CAPITAL MEDIANTE ENTREGA DE BENS OU DIREITOS, PELO VALOR PATRIMONIAL A PARTIR DA VIGÊNCIA DA LEI 9.249/1995. Constitui propósito negocial legítimo o encadeamento de operações societárias visando a redução das incidências tributárias, desde que efetivamente realizadas antes da ocorrência do fato gerador, bem como não visem gerar economia de tributos mediante criação de despesas ou custos artificiais ou fictícios. A partir da vigência do art. 22 da Lei 9.249/1995, a redução de capital mediante entrega de bens ou direitos, pelo valor patrimonial, não mais constituiu hipótese de distribuição disfarçada de lucros, por expressa determinação legal. Recurso Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11080.724650/2011-89
anomes_publicacao_s : 201305
conteudo_id_s : 5245497
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1402-001.251
nome_arquivo_s : Decisao_11080724650201189.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : LEONARDO DE ANDRADE COUTO
nome_arquivo_pdf_s : 11080724650201189_5245497.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento aos recursos. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Frederico Augusto Gomes de Alencar que davam provimento apenas em relação ao recurso dos coobrigados. Designado o Conselheiro Antonio José Praga de Souza para redigir o voto vencedor. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta, que apresenta declaração de voto. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
id : 4858874
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:08:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045806521516032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2626; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 632 1 631 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.724650/201189 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.251 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 7 de novembro de 2012 Matéria Auto de Infração do IRPJ E CSLL. Ganho de Capital. Recorrente TPS TRANSPORTES E PARTICIPAÇÕES SOCIAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. INOCORRÊNCIA NAS REDUÇÕES DE CAPITAL MEDIANTE ENTREGA DE BENS OU DIREITOS, PELO VALOR PATRIMONIAL A PARTIR DA VIGÊNCIA DA LEI 9.249/1995. Constitui propósito negocial legítimo o encadeamento de operações societárias visando a redução das incidências tributárias, desde que efetivamente realizadas antes da ocorrência do fato gerador, bem como não visem gerar economia de tributos mediante criação de despesas ou custos artificiais ou fictícios. A partir da vigência do art. 22 da Lei 9.249/1995, a redução de capital mediante entrega de bens ou direitos, pelo valor patrimonial, não mais constituiu hipótese de distribuição disfarçada de lucros, por expressa determinação legal. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento aos recursos. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Frederico Augusto Gomes de Alencar que davam provimento apenas em relação ao recurso dos coobrigados. Designado o Conselheiro Antonio José Praga de Souza para redigir o voto vencedor. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta, que apresenta declaração de voto. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 46 50 /2 01 1- 89 Fl. 632DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724650/201189 Acórdão n.º 1402001.251 S1C4T2 Fl. 633 2 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o Relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Contra o contribuinte em epígrafe foram lavrados autos de infração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e de Contribuição Social s/Lucro Líquido – CSLL (fls. 215 a 230), referentes aos fatos geradores apurados nos anos calendário de 2007 e 2008, pelos quais exigese o crédito tributário no valor total de R$ 4.106.774,32 (discriminado à fl. 214), inclusos os consectários legais até 24/06/2011. As infrações estão assim descritas no auto de infração do IRPJ: 001 – GANHOS E PERDAS DE CAPITAL ALIENAÇÃO/BAIXA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE Falta de contabilização do ganho de capital apurado na alienação/baixa de bem do ativo permanente,conforme descrito no Relatório de ação Fiscal, parte integrante deste Auto de Infração, gerando consequentemente redução indevida do lucro sujeito à tributação. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2007 R$ 1.111.745,82 150,00 Enquadramento Legal Art. 3º, § 2º, inciso IV, da Lei nº 9.718/98; Arts. 247, 248, 251 e parágrafo único, e 418 e parágrafos , do RIR/99. 002 – GANHOS DE CAPITAL (A PARTIR DO AC 97) GANHOS DE CAPITAL Valores referente a ganhos de capital não acrescidos à base de cálculo para fins de incidência do imposto e do adicional, conforme descrito no Relatório de ação Fiscal, parte integrante deste Auto de Infração. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/03/2008 R$ 3.969.309,75 150,00 31/03/2008 R$ 282.035,90 150,00 31/03/2008 R$ 282.035,90 150,00 30/06/2008 R$ 282.035,90 150,00 30/06/2008 R$ 282.035,90 150,00 Fl. 633DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724650/201189 Acórdão n.º 1402001.251 S1C4T2 Fl. 634 3 30/06/2008 R$ 282.035,90 150,00 30/09/2008 R$ 282.035,90 150,00 30/09/2008 R$ 282.035,90 150,00 30/09/2008 R$ 177.145,58 150,00 Enquadramento Legal Art. 521 do RIR/99. O lançamento da CSLL é decorrente da mesma infração apurada no IRPJ. Enquadramento legal da CSLL: art. 2º e parágrafos, da Lei nº 7.689/88; art. 1º da Lei nº 9.316/96; arts. 28 e 29, inc. II, da Lei nº 9.430/96; art. 37 da Lei nº 10.637/02; art. 3º da Lei nº 7.689/88, com as alterações introduzidas pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08. No Relatório de Ação Fiscal produzido (fls. 233 a 241) consta que o ganho de capital é decorrente da venda de ações da Móveis Carraro S.A. (Carraro) para a compradora Todeschini S.A. Indústria e Comércio (Todeschini), o qual deveria ter sido apurado pela fiscalizada e não como foram originalmente reconhecidos nas pessoa físicas dos sócios da empresa. Informam os autuantes que a maioria das ações da Carraro eram de propriedade das pessoas jurídicas (PJs): Gustavo Z Grapiglia Administração e Participações Ltda., TPS Transportes e Participações Sociais Ltda., e Donadel Participações Sociais Ltda.,que somadas, elas detinham 84,61% do capital social total e 86,22% do capital social votante (fl. 124). As operações realizadas que resultaram na transferência das ações da Carraro à Todeschini aconteceram entre setembro de 2007 a janeiro de 2008. Os fatos relatados, em síntese: 04/09/2007: a Todeschini contrata a empresa de auditoria HLB Audilink para análise de Demonstrativo de Estudo de Viabilidade Financeira apresentado pela Carraro com base em balanço de 31/07/2007 (fls. 144/155); 05/10/2007: a Todeschini informa ao mercado que adquiriu a Móveis Carraro S/A, conforme notícias vinculadas na internet (fls. 125/131) e, nessa data, efetua depósito no valor de R$ 13.134.810,00 em conta corrente de um dos vendedores das ações da Móveis Carraro S/A. (fl. 97); 09/10/2007: o Contrato de Compra e Venda de Ações é assinado entre a Todeschini compradora e como vendedores Ademar De Gasperi (sócio da fiscalizada) e Silvino Grapiglia (sócio da Gustavo Z Grapiglia Administração e Participações Ltda (fls. 95/118). Esse contrato estipula que os vendedores se comprometem a transferir as ações que possuem e possuirão no prazo de até 110 dias (cláusula 1.1). Segundo os autuantes, os sócios estão prometendo vender o que não possuem. No contrato de compra e venda também está estipulado que o Sr. Ademar De Gasperi entregaria 484.388 ações oriundas de diversas aquisições e 4.381.857 ações adquiridas em decorrência de restituição de capital da sociedade TPS Transportes e Participações Sociais Ltda. (fl. 96). A pessoa jurídica TPS possui participações em outras sociedades e cuja administração é exercida pelo Sr. Ademar De Gasperi. Em 2007 tem como sócios Ademar De Gasperi e Edilena Ema De Gasperi, com 99,04% e 0,96% das quotas respectivamente. O capital social registrado até setembro de 2007 é de R$ 5.200 000,00; Fl. 634DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724650/201189 Acórdão n.º 1402001.251 S1C4T2 Fl. 635 4 10/10/2007: a TPS aumenta o capital social em RS 5.000.000,00, totalizando R$ 10.200.000,00 (fls 18/21); 22/01/2008: a TPS registra alteração contratual datada de 18/01/2008 (fls. 05/09) em que faz uma redução de capital em 87,32%, ou seja, de RS 8.906.640,00 devolvendo recursos aos sócios, dizendo referirse a uma decisão tomada entre os sócios em reunião extraordinária de sócios quotistas de 19/09/2007, publicada no Diário Oficial do Estado em 16/10/2007 (fl 132). A redução de capital com devolução de recursos aos sócios, segundo a ata, é feita de acordo com o previsto no art. 1.082, II do Código Civil (Lei 10.406/02), tendo como justificativa de ele (capital social) é excessivo em relação ao objeto social da sociedade. Na mesma alteração contratual de janeiro de 2008 que registrou a redução de capital da TPS, houve também o registro de integralização de capital pelos sócios, dizendo que depois da ata de redução ter sido publicada verificouse a necessidade de ampliação das atividades sociais e para isso precisavam de mais capital social (fl. 06). O valor final reduzido do capital social e restituído aos sócios foi de R$ 6.240.083,00 (61,18%), em percentual inferior ao informado na ata que era de 87,32%. Esse valor corresponde exatamente às ações da Carraro no balanço de dezembro de 2007 da empresa TPS (fl. 134). 29/01/2008: As ações são transferidas da TPS para seus sócios no livro competente (fls. 139/140) e na contabilidade. Ainda, no mesmo dia, a sócia Edilena transfere suas ações para o seu marido Ademar De Gasperi (fl.141) e imediatamente ele transfere todas essas ações que eram da TPS, junto a outras aquisições que efetuara na data do recebimento do adiantamento (05/10/2007), para a compradora (fl. 142). Diante da cronologia dos eventos apontados, a fiscalização concluiu que essa transferência das ações da pessoa jurídica TPS para as pessoas físicas suas sócias mediante devolução de capital a elas apenas com as ações da Carraro foi uma manobra para pagar menos tributo. Registra também que a tributação sobre o ganho de capital na pessoa física é de apenas 15% e feita de forma exclusiva, ou seja, não é somado aos demais rendimentos, enquanto a tributação do ganho de capital na pessoa jurídica é de 15%, com possibilidade de mais um adicional de 10% para o IRPJ e 9% para a CSLL e o ganho de capital é somado ao resultado apurado. Os valores dos ganhos de capital e do IRPJ/CSLL calculados nos regimes de tributação do lucro real (fato gerador 31/12/2007) e do lucro presumido (fatos geradores de 31/03/2008, 30/06/2008 e 30/09/2008) estão discriminados no relatório fiscal e demonstrativos de apuração dos autos de infração. Os autuantes informam que na apuração do montante do IRPJ devido foram descontados os valores recolhidos a título de imposto de renda em nome das pessoas físicas sócias da fiscalizada. A multa de ofício foi duplicada com base no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996. Os autuantes consideram que houve fraude e conluio com a simulação dos fatos apresentados. Observam que é mais do que óbvia e clara a intenção de reduzir tributos com simulação do real sujeito passivo da obrigação tributária sobre o ganho de capital, ainda mais com a flagrante constatação de que o Sr. Ademar De Gasperi era o diretor presidente da Carraro e, portanto, não pode alegar que não sabia do negócio da alienação das ações da Carraro. Observam, ainda, que as três pessoas jurídicas que possuíam mais de 80% das ações da Carraro, a Gustavo Z Grapiglia, a Donadel e a TPS, comportaramse da mesma maneira e tiveram o mesmo “modus operandi” no caso da conjunta da mesma ata no Diário Oficial do Estado do RS das atas de reunião extraordinária de Fl. 635DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724650/201189 Acórdão n.º 1402001.251 S1C4T2 Fl. 636 5 sócios quotistas informando redução de capital com devolução de recursos aos sócios com a mesma justificativa legal; b) todas alterações previstas com percentuais superiores ao que efetivamente foi registrado nas alterações sociais; c) todas as devoluções foram única e exclusivamente feita aos sócios das três empresas com as ações da Carraro em poder das pessoas jurídicas; d) as ações devolvidas pelas três empresas aos seus sócios só foram transferidas no livro de registro da Carraro na mesma data de 29/01/2008; e) e, nessa mesma data, todas as ações que eram das empresas que passaram aos seus sócios foram transferidas para os Srs. Silvino Grapiglia e Ademar de Gasperi, lembrando que um era diretor e outro diretor presidente da Carraro; f ) todos os percentuais de redução de capital nas três PJ foram superiores ao efetivamente realizado porque quando da data da publicação o patrimônio líquido da Carraro era superior ao que ficou registrado em 31/12/2007 que foi o valor tomado como base para a devolução de capital. Afirmam, também, que houve um conluio entre as três PJs que detinham a maior parte das ações da Carraro, a Gustavo Z Grapiglia, a Donadel e a TPS, para que a tributação do ganho de capital da alienação dessas ações fossem feitas nas pessoas físicas dos sócios quotistas dessas PJs que é menos onerosa que a tributação na pessoa jurídica, e, que todas as três PJs tiveram ações fiscais levadas a efeito com resultados da mesma natureza e relatórios semelhantes. Foram lançados juros de mora com base nos arts. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996. Foram também lavrados Termos de Sujeição Passiva solidária em nome das pessoas físicas (sócios da fiscalizada) Ademar De Gasperi e Edilena Ema De Gasperi (fls. 243/246). Segundo a fiscalização, os fatos descritos no relatório de ação fiscal e autos de infração caracterizam a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124, inciso I, da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). II DAS IMPUGNAÇÕES Cientificada da exigência do crédito tributário em 30/06/2011 (fl. 242), a autuada apresenta, em 20/07/2011, a impugnação de fls. 251 a 284, com documentos de fls. 285 a 343, arguindo, em síntese, sob os seguintes títulos, o que segue: Preliminar de nulidade do auto de lançamento. No auto de lançamento não se encontra um único fundamento legal que dê suporte a desconstituição dos atos e negócios jurídicos praticados pelas pessoas físicas e que implique na imposição fiscal por fatos verificados antes da ocorrência do fato gerador. Cita os arts. 116 e 117 do CTN e arts. 121 e 125 do Código Civil de 2002. O contrato de compra e venda das ações estava sob condição suspensiva, e, portanto, o fato gerador dos tributos só poderia ocorrer no momento do implemento da condição suspensiva – transferência de integralidade das ações. Neste momento, é que houve a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda (art. 43 do CTN) fato gerador do imposto de renda. A compra e venda estava sob condição, não foi concluída na assinatura do instrumento de contrato datado de 09/10/2007, dependia de uma séria de atos e condições que ainda estavam em andamento e que se iniciaram a partir de 01/09/2007, quando da assinatura do memorando de entendimento datado de 01/09/2007 (fls. 331 a 343). Fl. 636DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724650/201189 Acórdão n.º 1402001.251 S1C4T2 Fl. 637 6 As condições que deveriam ser cumpridas pelos vendedores eram: (a) a aquisição de ações de dezenas de acionistas; (b) concentração destas ações nas mãos dos vendedores; (c) a assunção de inúmeras obrigações com terceiros decorrentes das ações adquiridas (p.ex. em sucessão, em falência, em demandas judiciais, etc); (d) transferência sem encargos aos compradores; (e) responsabilizarse por danos e vícios ocultos na administração e nas unidades industriais, etc. Negócio que só poderia ser implementado, no momento em que pudesse ser reunida a totalidade das ações nas mãos do vendedores e transferidas à compradora Todeschini/ltalínea. A compra e venda foi realizada sob condição futura (inclusive da entrega das ações em até 110 dias) e incerta (os vendedores não tinham certeza se conseguiriam a totalidade das ações da Carraro). Não houve qualquer manobra/simulação/fraude visando iludir o fisco, como afirmado pelos autuantes no auto de lançamento. A situação jurídica, não estava definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável, haja vista as cláusulas que condicionavam o negócio jurídico a eventos futuros e incertos condição suspensiva. Todas as ações dos vendedores Ademar De Gasperi e Silvino Grapiglia, foram lícitas, legais, dentro da liberdade de contratar. Ocorreram antes do fato gerador, antes da assinatura do contrato em 09/10/2007, a partir do memorando de entendimento, e respeitados os direitos de terceiros. Ações que não configuram elisão fiscal (ilicitude) ou a simulação para ocultar o real vendedor das ações. Nenhum tributo foi elidido, pois só se afasta o que existe, o que não existe não é possível afastar. Então a nulidade do auto de lançamento deve ser decretada, porque os AFRFB se limitaram a citar os fundamentos legais do ganho de capital na alienação de bens do ativo permanente ações da Carraro. Eles desconsideraram todos os atos e fatos praticados antes da ocorrência do fato gerador, antes do contrato firmado em 09/10/2007, e previstos no memorando de entendimento. Decisão de reembolso do capital social antes do contrato de 09/10/2007 e do fato gerador em 29/01/2008. Os fatos narrados no relatório fiscal não correspondem à verdade. A fiscalização não descreveu, quando podia, a seqüência cronológica dos fatos. Em 04/09/2007 foi contratada a empresa Audilink pela Todeschini para fazer uma “due diligence” na Carraro, com base no balanço de 31/07/2007, isso só demonstra que nenhum negócio jurídico havia sido concretizado, são atos meramente investigativos, ou seja, da análise de viabilidade da empresa. No relatório fiscal não se encontra qualquer referência ao fato relevante descrito no instrumento de compra e venda datado de 09/10/2007, quais sejam: em 19/09/2007 e de 26/09/2007, foi deliberado e aprovado em reunião extraordinária de cotistas da TPS e Gustavo Z. Grapiglia, respectivamente, a redução do capital social. Este fato está descrito no contrato de compra e venda de ações, datado de 09/10/2007, em suas considerações folhas 01 e 02. A prova da restituição do capital social antes do contrato de 09/10/2007 e da alienação das ações em 29/01/2008. A prova de que já havia sido deliberado pela redução do capital social das sociedades (TPS e Gustavo Z. Grapiglia), antes da assinatura do instrumento de contrato firmado sob condição e da conclusão da due diligence (como afirmam os Fl. 637DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724650/201189 Acórdão n.º 1402001.251 S1C4T2 Fl. 638 7 autuantes) são as cópias das atas de reunião extraordinária de 19/09/2007 (TPS) e 26/09/2007 (GUSTAVO Z. GRAPIGLIA), que estão sendo juntadas (anexo I). Antes de qualquer negócio jurídico já havia decisão dos sócios pela redução do capital social. Dando cumprimento ao que havia sido previamente ajustado no memorando de entendimento datado de 01/09/2007. Justificativas legais para as publicações das atas em 16/10/2007 e arquivamento na JUCERGS após a assinatura do instrumento de 09/10/2007. É verdade que houve a publicação das atas de reunião após 09/10/2007, em 16/10/2007. Ocorre que as deliberações e aprovação da redução do capital social ocorreram em 19/09/2007 e 26/09/2007. Não se publica o que não se decide previamente. As publicações realizadas decorrem de uma exigência legal para a redução do capital social e, posteriormente, o arquivamento na Junta Comercial. E finalmente a transferência no livro de ações da Carraro e baixa na contabilidade. Primeiro há a deliberação e aprovação da redução do capital social, após ocorrem às publicações para fins de impugnações; não havendo impugnações e cumpridos os requisitos legais, finalmente são arquivados os atos sociais na Junta Comercial (art. 1152, § 1o, do CC), razão do arquivamento em 18/01/2008. Então, antes da compra e venda, antes do fato gerador da obrigação tributária, foi deliberada e aprovada a redução do capital social das sociedades, com reembolso de parte do capital social investido – para que fosse possível o cumprimento dos ajustes previstos no memorando de entendimento – e cumprindo o que estabelecem os arts. 1.082, II, e 1.084, e §§, do Código Civil. O fato de ter havido em 10/10/2007, aumento de capital da TPS em mais R$ 5.000.000,00, é porque existiam reservas livres de capital e lucros acumulados de exercícios anteriores e que estavam disponíveis para distribuição ou aumento de capital. Mencionado no relatório fiscal que, em janeiro de 2008, foi realizado um aumento de capital da diferença entre R$ 8.906.640,00 e R$ 6.240.083,00. A sociedade continuava com suas atividades e não estava impedida de continuar deliberando sobre a sua vida social. O fato de haver a publicação das atas no Diário Oficial em 16/10/2007, e os arquivamentos da redução do capital após o prazo de 90 dias da data das publicações (janeiro de 2008), não caracterizam manobra para pagar menos tributo (cujo fato gerador, sequer ocorreu antes de implementadas às condições contratuais art. 116, I e II, do CTN). Como demonstrado, foram apenas cumpridas as determinações legais acima transcritas para que a JUCERGS arquivasse as deliberações sociais, preservando o direito de terceiros, inclusive, o Fisco Federal que podia e deveria ter se manifestado e não o fez. Venda de ações que não possuíam. O contrato firmado em 09/10/2007, dada a sua natureza, enquanto não efetivada a condição suspensiva (segundo a lei civil e a doutrina) não poderia ter execução imediata. O contrato só seria concluído e teria eficácia no momento em que os vendedores pudessem transferir a totalidade das ações e cumprissem as demais obrigações (caso contrário o contrato ficaria sem efeito, inclusive para fins tributários). Fl. 638DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724650/201189 Acórdão n.º 1402001.251 S1C4T2 Fl. 639 8 Após a assinatura do contrato em 09/10/2007, Ademar De Gasperi e Silvino Grapiglia deveriam encerrar as formalizações legais, adquirir o restante de ações que faltavam que foram pagas com o adiantamento recebido em 05/09/2007, como previsto na cláusula preço, (2.1.a) de R$ 13.134.810,00; cumprir as disposições contratuais e aquelas previstas no Memorando de Entendimento de 01/09/2007 tudo a fim de realizar a transferência nos Livros de Transferências e Registro de Ações da Carraro, o que ocorre em 29/01/2008. Na mesma data obtém recursos suficientes para comprar as ações de Alsino Donadel e transferir as ações dele a Italínea/Todeschini. O que se demonstra é que os contratantes atuaram dentro das regras e dos princípios inerentes à liberdade de contratar (art. 421 do CC), da probidade e da boa fé (art. 422 do CC), e firmaram um memorando de entendimentos, um contrato sob condição de aquisição da totalidade das ações pela Todeschini/Italínea, e venda, destas ações, exclusivamente por Ademar De Gasperi e Silvino Grapiglia, com a assunção de responsabilidades pessoais e patrimoniais perante terceiros e perante os compradores. O Fisco Federal não agiu dentro da estrita legalidade quando desconsiderou um negócio jurídico real, lícito, contratado sob condições, com a alegação de havia simulação e fraude, sem ter demonstrado cabalmente. Portanto, a venda de coisa futura é lícita, com respaldo na Lei (art. 483 do CC, art. 116, II, e 117, I, do CTN). Desconsideração do negócio jurídico – Ausência de fundamentação do art. 116, parágrafo único do CTN – Inocorrência da hipótese do art. 149, inciso VII, do CTN. O Fisco Federal desqualificou os negócios jurídicos, que foram realizados nos estritos termos da lei, para responsabilizar as pessoas jurídicas, sem dar os fundamentos legais de sua ação. Não basta presumir que houve supressão indevida de tributo, o que não houve, pois no momento da aquisição das ações da Carraro, pelos vendedores Ademar De Gasperi e Silvino Grapiglia, mediante reembolso do capital investido na TPS e na Gustavo Z. Grapiglia, o fato gerador dos tributos não havia ocorrido, e, não havia sequer contrato de compra e venda condicional. Diz que: (i) As decisões de reembolsar o capital social são de 19/09/2007 e 26/09/2007, anteriores à assinatura do contrato de compra e venda, e decorrentes do que foi ajustado no memorando de entendimento de 01/09/2007; (ii) O fato gerador só ocorre no momento em que são implementadas as condições prevista no contrato (art. 116, II, e 11 7, I, do CTN); (iii) O contrato de compra e venda não foi e não seria realizado com as pessoas jurídicas, é o que se extrai do memorando de entendimento de 01/09/2007; (iv) Os atos praticados após as reuniões de cotistas (16/10/2007) que decidiu pela redução do capital social (conforme ata de 19/09/2007), são condições legais para o arquivamento dos contatos sociais (arts. 1.082 e 1.084 do CC), e condições dos ajustes – 01/09/2007 e 09/10/2007. Não houve simulação para obter vantagem tributária, pois não foi encoberta qualquer outro tipo de operação, o fato documentado é real e não artificial. Também não houve dolo e, menos ainda, fraude. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724650/201189 Acórdão n.º 1402001.251 S1C4T2 Fl. 640 9 Penalidade art. 44, I, § 1ºda Lei nº 9.430/96. Não houve qualquer simulação para acobertar o verdadeiro sujeito passivo. A TPS Transportes e Participações Ltda. e a Gustavo Z. Grapiglia Administração e Participação Ltda., nunca foram ou figuraram em qualquer ajuste com a Todeschini/ltalínea. Não houve intuito de fraude. Não houve simulação, o negócio jurídico formalizado corresponde exatamente à realidade e não teria ocorrido se fosse de outra forma (provavelmente se a Todeschini/Italínea tivessem de diligenciar a compra direta das ações, com todos os entraves, opostos por cada um dos acionistas, o negócio não teria ocorrido, aliado a crise econômica do final de 2007 e início de 2008. Retomando, antes da assinatura do próprio contrato, realizado sob condições (art. 116, II, e 117, I, do CTN), cujos fatos geradores dos tributos sequer haviam ocorrido, houve a deliberação da redução do capital social de forma lícita, o que está provado nos autos com a cópia do contrato de compra e venda e a ata que deliberou, bem como, do memorando de entendimento. Os sócios da TPS Transportes e Participações Sociais Ltda., após deliberação e aprovação da redução do capital social, procederam às publicações no Diário Oficial, e, cumpridos os prazos legais, levaram a arquivamento na JUCERGS dos atos societários, tudo nos termos do art. 1082 e 1084 do Código Civil. Os sócios da Gustavo Z. Grapiglia Administração e Participações Ltda., após deliberação, aprovação, redução do capital social em 26.09.2007, e sendo determinado pela JUCERGS o cumprimento prévio das disposições do art. 1082 e 1084 do CC, em data de 10.10.2007, ratificaram as deliberações contidas na ata de 26.09.2007, e procederam às publicações no Diário Oficial, e, cumpridos os prazos legais, a JUCERGS realizou o arquivamento dos atos societários, tudo nos termos do art. 1082 e 1084 do Código Civil. Havia manifestação de vontade antes mesmo de ser assinado o instrumento de contrato que sequer se sabia se seria firmado, já que a previsão do memorando de entendimento tinha prazo até 30.09.2007. Os autuantes trouxeram a resposta da empresa de Auditoria Audilink no sentido de que só em 01.10.2007 foi concluída a auditoria das contas da Carraro. Fato que foi informado à diretoria da Todeschini. Portanto, antes de qualquer negócio firmado e acertado, já havia deliberação e aprovação soberana da sociedade no sentido de reduzir o capital social. Não é por outra razão que se encontra pacificado, no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, a matéria relativa à multa qualificada nos casos de simulação. Cita acórdãos sobre a caracterização da simulação. Na pior das hipóteses, diante dos fatos, a dúvida beneficia o acusado segundo as disposições do art. 112 do CTN. Por estas razões deve ser reduzida a multa e no mérito devem ser julgados improcedentes os autos de lançamentos do IRPJ e da CSLL, que são impugnados na sua totalidade. Requerimentos A impugnante requer que sejam julgados improcedentes os autos de lançamentos do IRPJ e da CSLL, bem como, caso mantidos, desde logo, sejam reduzidas as multas aplicadas em 150%. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724650/201189 Acórdão n.º 1402001.251 S1C4T2 Fl. 641 10 Haja vista que, a Impugnante não é contribuinte dos tributos, conforme as razões acima aduzidas. O que se comprova com documentos que estão sendo juntados e com outros que serão juntados, caso seja necessário, no momento oportuno (redação original). Também foram apresentadas em 20/07/2011 as reclamações (fls. 344 a 421) contra as imputações de responsabilidades solidárias das pessoas físicas (sócias da fiscalizada) Sr. Ademar De Gasperi e Edilena Ema De Gasperi. Em síntese, estes são os argumentos de defesa, idênticos nas duas reclamações: Que é indevida a inclusão das pessoas físicas (sócias da fiscalizada) no pólo passivo da obrigação tributária, haja vista que não há interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação principal, cujo lançamento foi lavrado em face da pessoa jurídica. Para que haja a sujeição passiva solidária, não basta o interesse econômico, os sujeitos passivos devem estar no mesmo pólo da relação jurídica, ou seja, a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesma situação jurídica, e não em pólos antagônicos, como é o caso dos autos. Por faltar interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação tributária, as pessoas físicas impugnantes não se enquadram como sujeitos passivos solidários pelo pagamento dos créditos tributários lançados em nome da pessoa jurídica. O interesse previsto na regra de solidariedade, não é econômico, mas jurídico. Como reforço de argumentação, cita lições de Paulo de Barros Carvalho e decisão do STJ. Pedem que as razões acima sejam analisadas conjuntamente com as razões apresentadas na impugnação realizada pela pessoa jurídica TPS. Ao final, requerem a improcedência dos autos de infração do IRPJ e CSLL, afastando, inclusive a solidariedade passiva tributária a eles imputadas. Termos em que pedem e esperam deferimento. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre – RS prolatou o Acórdão 1035.069 decidindo pela manutenção integral do lançamento bem como da responsabilidade passiva das pessoas físicas, em decisão consubstanciada na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários a sua formalização, estabelecidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo decreto, não é nulo o lançamento. NULIDADE. CAPITULAÇÃO LEGAL. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724650/201189 Acórdão n.º 1402001.251 S1C4T2 Fl. 642 11 A eventual falha na capitulação legal não causa nulidade se a descrição do fato não impediu a ampla defesa. SIMULAÇÃO. VALIDADE DOS ATOS PRATICADOS. Os negócios formalizados a título de "planejamento fiscal" não são válidos por si mesmos, devendo sua validade ser verificada à luz da teoria dos fatos jurídicos; e se constatada a presença de simulação, configurada pela divergência entre a vontade manifestada e a vontade real, devem ser desconsiderados. VERDADE MATERIAL. VENDA DE AÇÕES. SIMULAÇÃO DO REAL SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. REFLEXOS NA TRIBUTAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL APURADO. Demonstrado que os negócios desenvolvidos possuem aspectos diversos da realidade formal (simulação do real sujeito passivo da obrigação tributária), os ganhos de capital apurados na venda de ações devem ser adicionados às bases de cálculo do lucro real e presumido adotados pela fiscalizada nos períodos de apuração. MULTA QUALIFICADA. EXIGIBILIDADE. Estando configurada a ação dolosa na simulação, para evitar o pagamento do tributo, cabível o agravamento da multa de ofício. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz estendese ao lançamento decorrente, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. A pessoa que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal é solidariamente obrigada em relação ao crédito tributário. Impugnação Improcedente Devidamente cientificada, a interessada e os coobrigados apresentaram recursos voluntários a este Colegiado, ratificando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. É o relatório. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724650/201189 Acórdão n.º 1402001.251 S1C4T2 Fl. 643 12 Voto Vencido Conselheiro Leonardo de Andrade Couto A autuação originouse da apuração de ganho de capital na alienação da participação societária que a autuada (TPS) possuía na empresa Móveis Carraro S/A, vendida para a Todeschini S/A Indústria e Comércio. O cerne da questão envolve a desconsideração, pelo Fisco, de duas operações societárias registradas pela TPS: a redução de capital nela ocorrida pela qual os sócios pessoas físicas receberam a devolução de capital em ações da Móveis Carraro e a posterior alienação dessas ações (pelos sócios pessoas físicas) à Todeschini. No entendimento da Fiscalização, essas duas operações representaram uma manobra com vistas a ocultar a alienação das ações, pertencentes à TPS, diretamente à Todeschini, e assim pagar menos tributo. A avaliação da operação de redução de capital deve ser feita sob dois enfoques conjuntamente: o cronológico e o motivacional. Quanto ao aspecto temporal, o primeiro fato digno de nota é o contrato feito entre a Todeschini e uma empresa de auditoria em 04/09/2007, com vistas a elaboração de um estudo de viabilidade para a compra da Carraro Móveis S/A . Assim, todos os atos societários e/ou negociais posteriores já levaram em conta esse interesse da Todeschini. Nessa linha, a redução de capital na autuada, deliberada em 19/09/2007, já levava tal fato em consideração. Não é coincidência a ata estabelecer o percentual de redução no valor de 87,32% enquanto o valor efetivamente restituído correspondeu a 61,18%. Isso porque esse percentual corresponde a R$ 6.240.083,00; ou seja, o valor das ações da Móveis Carraro no balanço da autuada que só foi conhecido em 31/12/2007. Em outras palavras, quando da elaboração da ata ainda não era conhecido o montante representativo das ações da Móveis Carraro no balanço da TPS. Encerrado o período de apuração e apurado o valor correto (R$ 6.240.083,00) houve a necessidade de um “ajuste” na forma de um aumento de capital com parte dos valores restituídos aos sócios no valor de R$ 2.666.557,00 para que as “contas fechassem”: 19/09/2007.........redução...R$ 10.200.000,00 x 87,32% = R$ 8.906.640,00 31/12/2007........Valor das ações no balanço da TPS......R$ 6.240.083,00 18/01/2008.......capital social..........................................R$ 10.200.000,00 (I) cláusula 1ª.................redução ().....................................R$ 8.906.640,00 (II) cláusula 2ª.................aumento(+)....................................R$ 2.666.557,00 (III) valor líquido restituído aos sócios (II) – (III).................. R$ 6.240.083,00 valor do capital (I) – (II) + (III)........................................R$ 3.959.917,00 Mostrase fragrante a contradição. Em 19/09/2007, reunião extraordinária decide pela redução significativa de capital (87,32%) sob o argumento de que seria “excessivo em relação ao objeto da sociedade”. Poucos meses depois, em janeiro de 2008, quando da Fl. 643DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724650/201189 Acórdão n.º 1402001.251 S1C4T2 Fl. 644 13 consolidação do contrato social – e de posse da informação correta no que se refere ao valor da participação societária – registrase ao mesmo tempo aquela redução, por excesso de capital em relação ao objeto, e o aumento, pela suposta necessidade de ampliação das atividades sociais. Do exposto, não vislumbrei propósito negocial legítimo que justificasse a redução de capital através da devolução das ações da Móveis Carraro aos sócios pessoas físicas. Entendo que esse procedimento teve como escopo exclusivamente evitar que a alienação das ações à Todeschini fosse registrada na autuada. Correta, destarte, a desconsideração dos efeitos tributários da operação. A inquestionável autonomia na gestão empresarial não é ilimitada, a ponto de legitimar procedimentos que se mostrem voltados exclusivamente à redução artificial da carga tributária. Manifestandose quanto à oponibilidade do Fisco aos atos societários. a eterna Conselheira SANDRA MARIA FARONI, da antiga 1ª Câmara do 1º Conselho, sustentou com precisão (Acórdão 10194.986, Sessão de 19/05/2005): Não se discute que o empresário pode gerir seus negócios com inteira liberdade, inclusive sendo lícito e até desejável fazêlo de forma a obter maior economia de tributos possível. Há, todavia, uma diferença entre atuações que objetivam os negócios empresariais e atuações que objetivam exclusivamente reduzir artificialmente a carga tributária. O direito do contribuinte de autoorganizar sua vida não é ilimitado. Os direitos de alguns sofrem limitações impostas pelos direitos de outrem. Atuando dentro da lei, o empresário é livre para gerir os seus negócios, mas não para gerir os negócios do Estado. A mais moderna corrente doutrinária entende que a ótica da análise não deve ser sob o ângulo da licitude ou ilicitude (a licitude é requisito prévio), mas sim, da oponibilidade ou inoponibilidade dos seus efeitos ao fisco. O conceito de legalidade a ser observado não tem sentido estrito de corresponder à conduta que esteja de acordo com os preceitos específicos da lei, mas sim um sentido amplo, de conduta que esteja de acordo com o Direito, que abrange, além da lei, os princípios jurídicos.3 Assim, cada caso deve ser analisado com cuidado, para decidir sobre a oponibilidade ao fisco dos negócios formalizados. Dentro dessa ótica, se o negócio lícito, embora inusual, se apoiar em causas reais, em legítimos propósitos negociais, contra ele o Fisco nada pode objetar. Todavia se adotada uma forma de negócio jurídico inusual, sem um real propósito negocial , mas visando apenas reduzir artificialmente a carga tributária, o Fisco a ele pode se opor. Do até aqui exposto, conduzo meu voto no sentido de: · negar legitimidade à redução de capital efetuada na interessada, com entrega de ações da Móveis Carraro aos sócios pessoas físicas; · desconsiderar a alienação das ações da Móveis Carraro efetuada pelos sócios pessoas físicas à Todeschini S/A; e: · entender que a operação efetiva a ser considerada é a venda, pela interessada à Todeschini S/A, da participação societária que detinha na Móveis Carraro S/A Na formalização da exigência a autoridade lançadora utilizou como parâmetro os valores, as datas e as cláusulas de pagamento indicados no contrato de compra e Fl. 644DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724650/201189 Acórdão n.º 1402001.251 S1C4T2 Fl. 645 14 venda das ações formalizado entre as pessoas físicas e a Todeschini. Sobre os valores recebidos estabeleceu uma proporcionalidade em relação ao percentual das ações alienadas que pertenciam à autuada e do tributo apurado deduziu o ganho de capital pago pelas pessoas físicas; conforme explicado em detalhes no Relatório Fiscal. Não houve qualquer argumento de defesa contra a metodologia de cálculo utilizada. A insurgência da autuada dirigiuse contra um susposto equívoco na indicação do fato gerador que, defende, só teria ocorrido em janeiro de 2008, e não na assinatura do contrato (09/10/2007) conforme indicado pela autoridade lançadora, pela existência de condições supensivas a aplicabilidade. Pelo exame do contrato de compra e venda não vislumbrei qualquer cláusula que condicionasse o negócio jurídico a eventos futuros e incertos. O comprometimento dos vendedores em adquirir de terceiros o percentual restante das ações para repassar à Todeschini não inibiria o implemento do contrato, por dois motivos: tratavase de quantidade insignificante (0,16%) em relação ao montante já adquirido e não foi redigida cláusula rescisória condicionada a esse evento. Tanto é assim que o valor original da transação previsto no memorando de entendimento (R$ 105.000.000,00) para aquisição de 100% das ações da Móveis Carraro foi ajustado no contrato (R$ 100.339.200,00) mediante Termo específico, com exclusão do valor correpondente ao percentual não adquirido, justamente para que não houvesse obstáculo à negociação das demais ações. Sendo assim, está correta a indicação dos fatos geradores no auto de infração e a argüição de nulidade deve ser rejeitada. Relativamente à ocorrência da simulação, de acordo com o Relatório Fiscal foi imputada a multa qualificada de 150% porque: “ a fiscalização considera que houve fraude com a simulação dos fatos apresentados”. Mais além o Relatório estabelece: “ Assim sendo também podemos afirmar que houve um conluio entre as três empresas que detinham a maior parte das ações da Móveis Carraro....” Nos termos da legislação de regência, a qualificação da multa é cabível quando ocorrida alguma das hipóteses previstas nos art. 71 a 73, da Lei n 4.502/64. Assim, no que interessa ao presente caso a ocorrência da simulação deve ser avaliada sob o enfoque dos dispositivos mencionados (destaques acrescidos): Art. 71 – Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 – Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724650/201189 Acórdão n.º 1402001.251 S1C4T2 Fl. 646 15 Portanto, de acordo com o Fisco, foi caracterizada a fraude e o conluio. Lembrando que a principal operação a ser analisada é a redução de capital ocorrida na autuada, pela qual as ações da Móveis Carrraro foram restituídas aos sócios pessoas físicas, não foi demonstrado que o capital seria excessivo em relação à sociedade, motivo principal a justificar essa redução. Na verdade, conforme já exposto em momento anterior deste voto a alteração contratual indica flagrante contradição, com registro ao mesmo tempo daquela redução, por excesso de capital em relação ao objeto, e o aumento, pela suposta necessidade de ampliação das atividades sociais. Ficou claro que a redução de capital foi uma operação artificial com o único objetivo de transferir as ações para as pessoas físicas de forma que a alienação posterior à Todeschini, já decidida em momento anterior e de pleno conhecimento dos envolvidos, fosse tributada nessas pessoas físicas em montante inferior àquele decorrente da alienação pela autuada. Plenamente caracterizada a fraude pela tentativa de modificar as características essenciais do fato gerador (vendas das ações pela TPS à Todeschini) através das montagem de outra operação desprovida de lastro motivacional com vista a pagar menos tributo. Interessa notar que todas as pessoas jurídicas que detinham participação societária significativa na Móveis Carraro adotaram a mesma prática, com registro na mesma data e no mesmo jornal. A empresa GUSTAVO Z. GRAPIGLIA ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA. e a empresa DONADEL PARTICIPAÇÕES SOCIAIS LTDA. publicaram em 19/09/2007, redução de capital nos percentuais de 74,93% e 83,56%, respectivamente, por excessivo em relação ao objeto social. Estáse diante de um número excessivo de coincidências. As três empresas constatam ao mesmo tempo que estão com capital excessivo em relação ao objeto social e decidem pela redução com devolução aos sócios pessoas físicas da parte correspondente à participação societária na empresa que já estava em tratativas para ser alienada. Posteriormente, efetuaram ajustes para adequar a redução ao valor correto das respectivas participações na Móveis Carraro. Não me parecem simples coincidências. O que fica demonstrado é um planejamento orquestrado das empresas que detém participação societária expressiva na Móveis Carrarro com o objetivo de montar uma operação que lhes permita camuflar a alienação dessas ações e a incidência sobre elas do ganho de capital daí decorrente. Destarte, voto pela manutenção da multa qualificada. Em relação à sujeição passiva solidária, é fundamental para a análise o fato de que a solidariedade não é um mecanismo de eleição de responsável tributário. Em outras palavras, não tem o condão de incluir um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária, mas apenas de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já o compõem. 1 Tanto é asssim, que o dispositivo em comento não integra o capítulo do CTN que trata da responsabilidade tributária. 1 Derzi, Misabel Abreu.Atualização da obra de Aliomar Baleeiro. Direito Tributário Brasileiro. 11ª ed. Rio de Janeiro: Forense , p. 729 Fl. 646DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724650/201189 Acórdão n.º 1402001.251 S1C4T2 Fl. 647 16 Assim, a definição da sujeição passiva deve ocorrer em momento anterior ao estabelecimento da solidariedade. Ainda que tal assertiva tenha características de obviedade, seu escopo dirigese à ressalva da fragilidade do inciso I, do mencionado art. 124, do CTN; muitas vezes utilizado de forma equivocada para estabelecer uma espécie de sujeição passiva de forma indireta. Em regra, devese buscar a responsabilidade tributária enquadrandose o fato sob exame em alguma das situações previstas nos arts. 129 a 138, do CTN. Já a solidariedade obrigacional dos devedores prevista no inciso I, do art. 124 é definida pelo interesse comum ainda que a lei seja omissa, pois tratase de norma geral. Justamente por não ter sido definida pela lei, a expressão “interesse comum” é imprecisa, questionável, abstrata e mostrase inadequada para expor com exatidão a condição em que se colocam aqueles que participam da realização do fator gerador. Para que haja solidariedade com supedâneo no art. 124, I do CTN, é preciso que todos os devedores tenham um interesse focado exatamente na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. Ainda que mais de uma pessoa tenha interesse comum em algum fato, para que haja solidariedade tributária é necessário que o objeto deste interesse recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. 2 Mais ainda, é necessário que o interesse comum não seja simplesmente econômico mas sim jurídico, entendendose como tal aquele derivado de uma relação jurídica de qual o sujeito de direito seja parte integrante, e que interfira em sua esfera de direitos e deveres e o legitima a postular em juízo em defesa do seu interesse. No que se refere aos sócios pessoas físicas, o interesse jurídico não pode ser aferido pela simples presença no quadro social, sendo necessária a exposição das razões específicas que teriam implicado na lavratura dos Termos de Sujeição Passiva. No entanto, o Termo de Sujeição Passiva foi omisso nesse ponto. Como já afirmado, em regra devese buscar a responsabilidade tributária enquadrandose o fato sob exame em alguma das situações previstas nos arts. 129 a 138, do CTN. Especificamente em relação aos sócios que exerçam atividades gerenciais, o correto é o enquadramento no art. 135, do CTN. Também aqui omitiuse a autoridade lançadora. Nesses termos, entendo que o procedimento fiscal não logrou demonstrar com precisão as razões que levaram à lavratura dos Termos de Sujeição Passiva Solidária motivo pelo qual voto por excluir a responsabilização dos coobrigados. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto 2 BARCELOS, Soraya Marina. Os Limites da Obrigação Tributária Solidária Prevista no art. 124 do Código Tributário Nacional e o Princípio da Preservação da Empresa. Disponível em http://www.mcampos.br/posgraduacao/Mestrado/dissertacoes/2011. Acesso em 31/08/2012. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724650/201189 Acórdão n.º 1402001.251 S1C4T2 Fl. 648 17 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Redator designado. Conforme relatado, a autuação originouse da apuração de ganho de capital na alienação da participação societária que a autuada (TPS) possuía na empresa Móveis Carraro S/A, vendida para a Todeschini S/A Indústria e Comércio. O cerne do litigio envolve a desconsideração, pelo Fisco, de duas operações societárias registradas pela TPS: a redução de capital nela ocorrida pela qual os sócios pessoas físicas receberam a devolução de capital em ações da Móveis Carraro e a posterior alienação dessas ações (pelos sócios pessoas físicas) à Todeschini. Segundo o fisco, essas duas operações representaram uma manobra com vistas a ocultar a alienação das ações, pertencentes à TPS, diretamente à Todeschini, e assim pagar menos tributo. Registrese, de plano, que em nada discordo da Fiscalização e do Voto Vencido acerca dos fatos. Tem razão o ilustre Relator, Conselheiro Leonardo Couto, ora vencido, ao afirmar que “avaliação da operação de redução de capital deve ser feita sob dois enfoques conjuntamente: o cronológico e o motivacional.” Todavia, manifestei entendimento contrário das conclusões do ilustre Relator em relação a esses 2 pontos, haja vista que: i) a alienação das ações da Móveis Carraro, formal e efetivamente, ocorreu após a redução de capital, ou seja, após o retorno dessas às pessoas físicas; ii) economia de tributos constituise sim em propósito negocial legítimo na atividade empresarial. No caso em tela, não pairam dúvidas sobre a não realização de um lucro evidente pelo TPS, em favor dos acionistas preferenciais. Em permanecendo as ações no ativo da Empresa, poucos dias após a TPS realizaria um lucro de monta significativa. Resta assim determinar se é mesmo possível contornar a aplicação da presunção legal de DDL na situação versada nos autos. Pois bem, analisando os fatos e os documentos apresentados, é de se concluir que, pelas circunstâncias expostas, resta evidente que não houve congruência entre as operações efetuadas e o motivo apresentado, ou seja, o propósito da TPS era mesmo de reduzir a carga tributária ao submeter o lucro a uma tributação favorecida (nas pessoas físicas). Em verdade, não houve opção legal, mas sim um encadeamento de operações, formalmente válidos em cada uma das etapas, destinados a fins específicos. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724650/201189 Acórdão n.º 1402001.251 S1C4T2 Fl. 649 18 Ocorre que até 1995, antes da vigência da Lei nº 9.249/95, a hipótese aqui tratada estava sujeita às regras de Distribuição Disfarçada de Lucros, conforme dispõe o inciso VI do artigo 464 do RIR/99, a seguir transcrito: Art. 464. Presumese distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso II): I aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo a pessoa ligada; II adquire, por valor notoriamente superior ao de mercado, bem de pessoa ligada; III perde, em decorrência do não exercício de direito à aquisição de bem e em benefício de pessoa ligada, sinal, depósito em garantia ou importância paga para obter opção de aquisição; IV transfere a pessoa ligada, sem pagamento ou por valor inferior ao de mercado, direito de preferência à subscrição de valores mobiliários de emissão de companhia; V paga a pessoa ligada aluguéis, royalties ou assistência técnica em montante que excede notoriamente ao valor de mercado; VI realiza com pessoa ligada qualquer outro negócio em condições de favorecimento, assim entendidas condições mais vantajosas para a pessoa ligada do que as que prevaleçam no mercado ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros. (...)”.Grifei Porem, o artigo 22 da própria Lei 9.249/195 estabelece: Art. 22. Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. Alias próprio artigo 464, § 1º, do RIR/99 estipula expressamente que não se aplica os casos de DDL na hipótese de devolução de participação no capital social. Vejamos: “(...) § 1º O disposto nos incisos I e IV não se aplica nos casos de devolução de participação no capital social de titular, sócio ou acionista de pessoa jurídica em bens ou direitos, avaliados a valor contábil ou de mercado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 22).” Grifei. Evidenciase, pois, que o contribuinte realizou uma verdadeira maratona de eventos societários com a principal finalidade de tributar os notórios ganhos com essa alienação nas pessoas físicas, com de fato fez, sendo que poderia ter feito diretamente, haja vista o respaldo legal. Estou certo de que constitui propósito negocial legítimo o encadeamento de operações societárias visando a redução das incidências tributárias, desde que efetivamente Fl. 649DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724650/201189 Acórdão n.º 1402001.251 S1C4T2 Fl. 650 19 realizadas antes da ocorrência do fato gerador, bem como não visem gerar economia de tributos mediante criação de despesas ou custos artificiais ou fictícios. Repito: a partir da vigência do art. 22 da Lei 9.249/1995 a redução de capital mediante entrega de bens ou direitos, pelo valor patrimonial, não mais constituiu hipótese de distribuição disfarçada de lucros, por expressa determinação legal. Logo, no presente caso, não estamos diante de conduta ilícita, muito menos irregular por parte do contribuinte. Frisese: a distorção está nas próprias normas tributárias que estabelecem alíquota de 15% para o ganho de capital na pessoa física e de até 34% de IRPJ/CSLL sobre os ganhos de mesma natureza das pessoas jurídicas. Por fim, peço vênia para adotar como razões adicionais de decidir, os brilhantes fundamentos da declaração de voto do ilustre conselheiro Sergio Presta, que também integra este Acórdão. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para cancelar as exigências contra a empresa TPS, confirmando por correta a tributação nas pessoas físicas. É este o voto condutor do presente Acórdão. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 650DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724650/201189 Acórdão n.º 1402001.251 S1C4T2 Fl. 651 20 Declaração de Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Na sessão do mês de setembro de 2012, o ilustre Conselheiro Relator Leonardo de Andrade Couto apresentou as razões do seu voto, que acabou vencido, pois o colegiado, por maioria de votos, reconheceu o propósito negocial legítimo o encadeamento de operações societárias visando a redução das incidências tributárias, desde que efetivamente realizadas antes da ocorrência do fato gerador, afastando a incidência da imposição tributária e a qualificação da multa. Apresento aqui minhas homenagens ao Conselheiro Relator Leonardo de Andrade Couto, porém tenho algumas considerações a fazer no que se refere à conduta do Recorrente tipificada pela fiscalização como “fraude e conluio”, visando uma desoneração tributária. Neste ponto, sinto em divergir do Ilustre relator tendo em vista que não consigo vislumbrar nos autos a comprovação de que a Recorrente infringiu a legislação tributária vigente à época ou que tenha agido com o objetivo de mascarar a obrigação tributária principal quando realizou os eventos societários. Além do mais, cabe ao Fisco apresentar os elementos que comprovariam a existência de “fraude” e “conluio” e que os atos realizados pela Recorrente seriam uma forma delituosa de evitar o pagamento dos tributos ou uma distribuição disfarçada de lucros. Essa minha posição decorre da certeza que a elaboração de um planejamento tributário visando pagar menos tributo ou o inadimplemento das obrigações tributárias, não são condutas ensejadoras da tipificação de “fraude e conluio”. Essa minha afirmação decorre de que houve uma sucessão de eventos societários que levaram a tributação para as pessoas físicas caracterizam, no máximo, uma elisão fiscal e não nunca uma evasão fiscal, conforme podemos ver abaixo: Para distinguir a elisão da evasão, em trabalho publicado em 1977, Ricardo Mariz de Oliveira (in “Fundamentos do Imposto de Renda”, Ed. Revista dos Tribunais, p. 303) ressaltou que a elisão deve decorrer de atos ou omissões que não contrariem a lei, e de atos ou Fl. 651DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724650/201189 Acórdão n.º 1402001.251 S1C4T2 Fl. 652 21 omissões efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. Essa lição foi repetida nas “Questões Relevantes, Atualidades e Planejamento com Imposto Sobre a Renda”, encontradas nos Anais do 13° Simpósio IOB de Direito Tributário, IOB, 2004, que transcrevo abaixo: “A elisão fiscal lícita, buscada pelo planejamento tributário, diferenciase da evasão fiscal ilícita por três e apenas três elementos: (I) decorrer de atos ou omissões da pessoa (que não é contribuinte) anteriores à ocorrência do fato gerador da obrigação que ela quer elidir, (2) decorrer de atos ou omissões confirmes à lei, e (3) decorrer de atos ou omissões reais e não simulados” (grifos nossos). No mesmo trabalho, um pouco mais a frente comentou Ricardo Mariz de Oliveira, “verbis”: “(...)A simulação, que vicia o ato jurídico e invalida a economia tributária pretendida (...) se prova pela densidade de indícios e circunstâncias, que a jurisprudência administrativa vem aplicando com bastante sabedoria, tais como: a proximidade temporal de atos; a disparidade infundada de valores entre eles; o desfazimento dos efeitos do ato simulado; a prática de certos atos entre partes ligadas, por exemplo, ao final do períodobase de apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, com a transferência incabível e inexplicável de lucro de uma pessoa jurídica lucrativa para outra deficitária; a existência ou inexistência de outra causa econômica além da economia fiscal; a exagerada arrumação dos fatos”. Desta forma, por não reconhecer a presença de ilícito nas ações da Recorrente, voto por dar provimento ao recurso voluntário, desonerando a Recorrente da incidência tributária. (Assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta Fl. 652DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.006851/2005-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2001, 2002
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL DA ÁREA TRIBUTÁVEL PELO ITR.
A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da área de reserva legal, condição especial para sua proteção ambiental. Havendo tempestiva averbação da área do imóvel rural no cartório de registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente que há laudo técnico corroborando a existência da reserva legal.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA EXTEMPORÂNEO. LAUDO TÉCNICO COMPROVANDO A EXISTÊNCIA DA ÁREA DE INTERESSE AMBIENTAL. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.169
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201206
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001, 2002 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL DA ÁREA TRIBUTÁVEL PELO ITR. A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da área de reserva legal, condição especial para sua proteção ambiental. Havendo tempestiva averbação da área do imóvel rural no cartório de registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente que há laudo técnico corroborando a existência da reserva legal. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA EXTEMPORÂNEO. LAUDO TÉCNICO COMPROVANDO A EXISTÊNCIA DA ÁREA DE INTERESSE AMBIENTAL. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO. Recurso especial negado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10680.006851/2005-21
conteudo_id_s : 5246078
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-002.169
nome_arquivo_s : Decisao_10680006851200521.pdf
nome_relator_s : MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10680006851200521_5246078.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
id : 4863585
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:08:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045806548779008
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1959; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.006851/200521 Recurso nº 342.058 Especial do Procurador Acórdão nº 920202.169 – 2ª Turma Sessão de 26 de junho de 2012 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COPEC CONSTRUÇÕES E PECUÁRIA LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001, 2002 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL DA ÁREA TRIBUTÁVEL PELO ITR. A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da área de reserva legal, condição especial para sua proteção ambiental. Havendo tempestiva averbação da área do imóvel rural no cartório de registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente que há laudo técnico corroborando a existência da reserva legal. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA EXTEMPORÂNEO. LAUDO TÉCNICO COMPROVANDO A EXISTÊNCIA DA ÁREA DE INTERESSE AMBIENTAL. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior– Relator EDITADO EM: 04/07/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Cingese o presente processo sobre o Auto de Infração/Anexos de fls. 01, 13/14, através do qual se exige do contribuinte o pagamento de valor, a título de Imposto Territorial Rural — ITR, acrescido de juros moratórios e multa de oficio, decorrentes de: Conforme o demonstrativo de apuração do ITR lançado (fls. 13 e 14), vêse que a autoridade fiscal revisou as DITRsexercícios 2001 e 2002, do imóvel Fazenda Riacho Fundo, NIRF n° 4.405.6559, perpetrando as seguintes alterações: • exercício 2001 (fl. 13) glosa total da área de preservação permanente APP (120,0 hectares); glosa parcial da área utilizada na atividade rural com produtos vegetais (de 76,0 hectares para 38,0 hectares), reduzindo o grau de utilização da propriedade de 98,0% para 82,8%, o que não teve o condão de alterar a alíquota do imposto (0,3%); majoração do valor da terra nua de R$ 238.985,01 (232,91/ha) para R$ 1.277.859,42 (R$1.245,36/ha). • exercício 2002 (fl. 14) glosa total da área de preservação permanente APP (120,0 hectares); glosa parcial da área utilizada na atividade rural com produtos vegetais (de 76,0 hectares para 31,0 hectares), reduzindo o grau Fl. 393DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10680.006851/200521 Acórdão n.º 920202.169 CSRFT2 Fl. 2 3 de utilização da propriedade de 98,0% para 82,1%, o que não teve o condão de alterar a alíquota do imposto (0,3%); majoração do valor da terra nua de R$ 238.985,01 (232,9 /ha) para R$ 1.272.893,76 (R$ 1.240,52/ha). Para melhor análise dos detalhes do processo fiscal, peço licença para consignar excerto do relatório constante do decisum recorrido [fl. 298]: […] Pelo que se apreende da leitura do Termo de Encerramento da Ação Fiscal, a área de preservação permanente foi glosada em decorrência da apresentação extemporânea do Ato Declaratório Ambiental, o qual somente foi protocolizado em 03/05/2005; a área utilizada com produtos vegetais foi glosada parcialmente em face da ausência de quantificação delas em laudo técnico, tendo sido acatadas as áreas declaradas à Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais; e houve glosa total dos valores das benfeitorias em decorrência de o contribuinte não ter apresentado laudo técnico. Por fim, o valor da terra nua foi arbitrado com base nas informações do Sistema de Preços de Terra da Receita Federal — SIPT, já que o contribuinte, intimado, não apresentou laudo técnico de avaliação da terra nua (fls. 09 a 12). Compulsando os autos, vêse que o ADA apresentado não discrimina qualquer área de preservação permanente, porém anota uma área de reserva legal de 205,0 hectares (fl. 69). Ainda, foi apresentada uma planta topográfica do imóvel, subscrita pelo Engenheiro Charston de Sousa Pereira, CREA/MG 68.218/D, com a discriminação total de uma área de reserva legal de 206 hectares, com data de 11/11/2004 (fl. 30). Aqui se percebe que há discriminação de áreas de reserva legal à margem de cursos d'águas (matas ciliares), as quais deveriam ser de preservação permanente, conforme o art. 2° do Código Florestal. O contribuinte juntou documentação de averbação cartorária dessa área (fls. 32 a 62). Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Anexo à impugnação, o contribuinte acostou Laudo Técnico elaborado pelo Engenheiro José Flávio de Oliveira Alves (fls. 102 a 130), com plantas topográficas respectivas, no qual atesta a existência de áreas de reserva legal de 205,0 hectares, de preservação permanente de 40,0 hectares, as quais estariam preservadas desde o ano de 2001. Por último, juntouse um ADA retificador (fl. 131), protocolizado em 1/07/2005, com a discriminação das áreas de preservação permanente (40,0 hectares) e reserva legal (205,0 hectares). A 1ª Turma de Julgamento da DRJBrasília (DF), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão de fls. 187 a 200, consubstanciada no Acórdão n° 03 23.554, de 05 de dezembro de 2007. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 Na decisão acima, apesar de se reconhecer à averbação tempestiva da área de reserva legal (205 hectares, não declarada nas DITRsexercícios 2001 e 2002), aliada a documentação para comprovação dos 40 hectares da área de preservação permanente, não se acatou a exclusão dessas áreas em decorrência da apresentação extemporânea do ADA retificador. Já quanto à avaliação da terra nua, o Laudo Técnico foi rejeitado, já que não seguiu a atual norma da ABNT reguladora da avaliação de imóveis rurais (NBR 14.6533), bem como pela discrepância entre o valor declarado pelo contribuinte e aquele do SIPT. A FAZENDA NACIONAL, por meio de sua procuradora, com fulcro no art. 67, II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22/06/2009, interpõe recurso especial em face do Acórdão n°. 210200.609, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, o qual apresenta a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001, 2002 Ementa: ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL DA ÁREA TRIBUTÁVEL PELO ITR. A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da área de reserva legal, condição especial para sua proteção ambiental. Havendo tempestiva averbação da área do imóvel rural no cartório de registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente que há laudo técnico corroborando a existência da reserva legal. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA EXTEMPORÂNEO. LAUDO TÉCNICO COMPROVANDO A EXISTÊNCIA DA ÁREA DE INTERESSE AMBIENTAL. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO. Havendo_Laudo _Técnico a comprovar_a_ existência_da área de_preservação permanente, o ADA extemporâneo, por si só, não é condição suficiente para arrostar a isenção tributária da área de preservação permanente. ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS SIPT. HIGIDEZ PROCEDIMENTAL. SOMENTE LAUDO TÉCNICO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE O IMÓVEL RURAL, SEGUNDO A NORMA DA ABNT Fl. 395DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10680.006851/200521 Acórdão n.º 920202.169 CSRFT2 Fl. 3 5 VIGENTE NA DATA DA PRODUÇÃO DO LAUDO, PODE CONTRADITAR O VALOR DO SIPT. Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua, pode a autoridade fiscal se valer do preço constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o valor da terra nua que servirá para apurar o ITR devido. Somente laudo técnico que segue a norma vigente da ABNT na data da produção dele, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica ART, é meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT. Recurso provido em parte. Alega que o acórdão recorrido, ao considerar dispensável a apresentação tempestiva do Ato Declaratório AmbientalADA para comprovar as áreas de preservaçãoo permanente e de reserva legal relativa aos exercícios 2001 e 2002, divergiu do entendimento proferido nos Acórdãos n. 30239.142 e 39100.037, citados como paradigmas, que exigem a apresentação tempestiva do ADA ou mesmo de requerimento para emissão deste, junto ao órgão ambiental competente, como condição para a exclusão das referidas áreas da base de cálculo ITR: Ac. 30239.142 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 Ementa: ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL A Lei n° 10.165, de 27 de dezembro de 2000, em seu art. 1 0, deu nova redação, entre outros, ao artigo 170 da Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981. Com esta nova redação, a utilização do ADA — Ato Declaratório Ambiental — tornouse obrigatória, para efeito de redução do valor a pagar do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Quanto às áreas de preservação permanente, as mesmas, além de constarem do ADA, devem estar devidamente comprovadas, seja por meio de laudo técnico emitido nos termos da lei, seja através de declaração do órgão competente (IBAMA), em obediência ao art. 10, da Lei n° 9.393, de 1996. Para as áreas de Utilização Limitada/Reserva Legal, outro requisito a ser preenchido pelos contribuintes referese à averbação das mesmas à margem da inscrição da matrícula do imóvel rural, junto ao Registro de Imóveis competente, nos termos da legislação de regência. Esta averbação reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, em especial porque as áreas de Reserva Legal/Utilização Limitada podem ser exploradas, mediante autorização do órgão ambiental competente, inclusive mediante Projetos de Manejo Sustentado. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE À instância administrativa é vedado se pronunciar sobre ilegalidade/inconstitucionalidade de leis ou atos normativos, competência exclusiva do Poder Judiciário, conforme constitucionalmente previsto. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Ac. 39100037 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. ADA INTEMPESTIVO. O contribuinte não logrou comprovar a protocolizaçào tempestiva do Ato Declaratário Ambiental ADA junto ao Ibama ou órgão conventado, em razão do que restam não comprovadas as áreas declaradas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada para fins de exclusão da área tributável, nos termos da legislação aplicável. A averbação à margem da matricula do Imóvel não supre a exigência legal de apresentação tempestiva do ADA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o Impugnante fazêlo em outro momento processual. Não caracterizada nenhuma das exceções do § 4 º do art. 16 do Decreto 00 70.235/1972 (PAF). RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Por meio de análise preliminar, a i. Presidente da então Primeira Câmara, da Segunda Seção deu seguimento ao recurso especial por entender que a recorrente demonstrou fundamentalmente existir divergência – despacho fl. 328. Intimado, o contribuinte apresentou suas contrarrazões corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Atendidos os pressupostos de admissibilidade, passo ao exame do mérito. Devolvese a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 10, inciso II, aliena ‘a’da Lei n° 9.393/1996, verbis: Pois bem, o artigo 10, § 1°, inciso II, alínea “a”, da Lei n° 9.393/96 tem a seguinte redação: Fl. 397DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10680.006851/200521 Acórdão n.º 920202.169 CSRFT2 Fl. 4 7 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1°. Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da base de cálculo do ITR. As chamadas áreas de preservação permanente e de reserva legal ou de utilização limitada têm contornos estabelecidos pelos artigos 2°, 3° e 16 do Código Florestal, atualmente com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, da seguinte forma: Art. 2°. Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; Fl. 398DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3º. Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1°. A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujei.tas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei. Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, Fl. 399DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10680.006851/200521 Acórdão n.º 920202.169 CSRFT2 Fl. 5 9 assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1°. O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2°. A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3°. Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4°. A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e Fl. 400DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5°. O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6°. Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7°. O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8°. A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9°. A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10680.006851/200521 Acórdão n.º 920202.169 CSRFT2 Fl. 6 11 § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. Estas são as previsões do Código Florestal atualmente em vigor a respeito dos temas em discussão. Inicio a análise do recurso pela área de preservação permanente, cuja glosa decorre da falta de apresentação tempestiva do ADA. Em momento anterior à alteração promovida no artigo 17O da Lei n° 6.938/81 pela Lei n° 10.165, de 27/12/2000, apenas Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal veiculavam a obrigação relativa à apresentação do ADA. A ausência de amparo legal para a exigência do ADA, quanto a fatos ocorridos até o exercício 2000, deu origem ao Enunciado CARF n° 41, que tem o seguinte conteúdo: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. No entanto, o caso em apreço está relacionado ao exercício 2001. A Súmula, então, é inaplicável à espécie. Para fatos ocorridos a partir do exercício 2001, inclusive, o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, passou a prever que: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído nela Lei n° 10.165. de 2000) § 1º. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000) Embora este texto pareça demonstrar que a legislação é taxativa ao exigir a protocolização tempestiva do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, sob minha ótica, não se pode olvidar que a apresentação do ADA pelo contribuinte ao IBAMA ou órgão conveniado – até que haja uma vistoria pelo órgão competente e a ratificação ou retificação das declarações ali contidas – restringese a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas que têm algum interesse ecológico. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 12 Segundo penso, com o advento de tal regra, o ADA apresentado tempestivamente tem a função de inverter o ônus da prova, passando este a ser do Fisco a partir da sua entrega. Caso não ocorra o protocolo tempestivo do ADA, pode o contribuinte se valer de outros meios de prova visando à fruição da redução da base de cálculo do ITR. Nesse sentido, no que toca à demonstração da existência efetiva das áreas em referência, na página do IBAMA na internet (www.ibama.gov.br), nos “Serviços Online”, na parte relativa ao “Ato Declaratório Ambiental – ADA”, no link “Respostas às Perguntas mais Freqüentes sobre o ADA”, em resposta à pergunta n° 40 (“Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?”), consta a possibilidade de apresentação dos seguintes documentos para tal finalidade: ● Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo; ● Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 3.; ● Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); ● Laudo de vistoria técnica do Ibama relativo à área de interesse ambiental; ● Certidão do Ibama ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão ambiental estadual) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; ● Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); ● Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual – Ato do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal; ● Portaria do Ibama de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). Portanto, a própria Administração Pública entende que o ADA tem efeito meramente declaratório, não sendo o único documento comprobatório da área de preservação permanente, podendo ser levado em conta, dentre outros, laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine a área de interesse ambiental. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10680.006851/200521 Acórdão n.º 920202.169 CSRFT2 Fl. 7 13 Para a área conceituada como reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código Florestal, com a redação trazida pela Lei nº 7.803/89, a exigência é a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental de área não inferior a 20% do total do imóvel, conforme região. É o que se conclui da combinação com a parte final do artigo 11 inciso I da Lei n° 8.847/94, acima transcrito. Temse que a, ao alterar o art. 16 da Lei nº 4.771/65, acrescentoulhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos autos, interessanos o § 2º, com a seguinte redação, in verbis: “Art. 16. ...................... § 1º. ............................. § 2º. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área.” A necessidade ou não de averbação da referida área no cartório de registro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Após profundos debates, principalmente no âmbito da Segunda Turma desta CSRF, da qual faço parte, firmei meu posicionamento para entender que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é, como regra geral, condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado. Ademais, nos termos do artigo 55 do Decreto n° 6.514/2008, cuja entrada em vigor restou prorrogada para 11/12/2011, por força do Decreto n° 7.497, de 09/06/2011, a ausência de averbação da reserva legal dá ensejo à aplicação de multa pecuniária. O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental. A Recorrente entende como obrigatória a apresentação do ADA para exclusão das áreas de preservação permanente e utilização limitada (áreas de reserva legal, de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas ou imprestáveis para fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental, de Reserva Particular do Patrimônio Natural RPPN e cobertas por floresta nativa) da área tributável pelo ITR, como exigido pelo art. 170, § 1°, da Fl. 404DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 14 Lei n° 6.938/81 (A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória), e também se exige a averbação à margem da matrícula do imóvel rural no Cartório de Registro de Imóveis das áreas de reserva legal, como anotado no art. 16, § 8°, do Código Florestal, como condição para fruição de benesse no âmbito do ITR. Entretanto, as leis acima citadas não fixam prazo para o implemento das condições formais citadas e, dessa forma, deve ser acatado o ADA e a averbação cartorária extemporâneos, desde que haja alguma prova adicional de que as áreas de proteção ambiental (e que são excluídas da tributação do ITR) existiam no exercício auditado. E, no caso, penso que a decisão de segunda instância também deve ser confirmada com relação à área de reserva legal, pois o contribuinte realizou a averbação da área de reserva legal em período pretérito a 2001 – primeiro dos exercícios auditados , como inclusive reconhecido pela decisão da DRJ [fl. 194]. Ademais, a reserva constou do ADA retificador [fl. 131], que mesmo extemporâneo, é meio hábil para deferimento do benefício tributário: No caso destes autos, a averbação da área de reserva legal (205 hectares) foi feita em período pretérito a 2001, primeiro dos exercícios auditados, como inclusive reconhecido pela decisão recorrida (fl. 194). Ademais, a reserva legal constou do ADA retificador (fl. 131), que mesmo extemporâneo, é meio hábil para deferimento do beneficio tributário. Já no tocante à área de preservação permanente — APP (40 hectares), essa consta do ADA referido, sendo que o Perito asseverou que a vegetação da APP encontravase preservada desde o ano de 2001, como se poderia constatar pelo porte da vegetação e a ausência de vestígios de desmatamento ou destoca (fl. 115). Assim, devese também excluir a APP da incidência do ITR. Em ambas as situações acima, a averbação cartorária tempestiva da área de reserva legal e a informaçãO—dciNfito fama prova adicionalda existênciadasáreas isentas, não podendo tal realidade ser obstada apenas pelo ADA extemporâneo. Dessa forma, devese excluir da área tributável, nos exercícios 2001 e 2002, a APP de 40 hectares e a área de reserva legal de 205 hectares. Em razão do exposto, voto em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, para manter a glosa quanto à área de reserva legal declarada, mas não comprovada. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 405DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10680.006851/200521 Acórdão n.º 920202.169 CSRFT2 Fl. 8 15 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
score : 1.0
