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Numero do processo: 16403.000269/2009-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004
Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. TEMPESTIVIDADE. É intempestivo
recurso voluntário interposto em prazo superior a 30 (trinta) dias contados da intimação de acórdão proferido pela instância a quo.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 1102-000.746
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO
CONHECER do recurso por ser intempestivo.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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TEMPESTIVIDADE. É intempestivo recurso voluntário interposto em prazo superior a 30 (trinta) dias contados da intimação de acórdão proferido pela instância a quo. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso por ser intempestivo (assinado digitalmente) ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Presidente. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Opperman Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, Plínio Rodrigues Lima e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela Contribuinte contra acórdão proferido pela Primeira Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Curitiba – PR assim ementado, verbis: “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA NA VIGÊNCIA DA IN SRF N° 600, DE 2005. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Aplicase à declaração de compensação apresentada na vigência da IN SRF n° 600, de 2005, a obrigatoriedade de utilização da estimativa de IRPJ paga indevidamente ou a maior na dedução do imposto devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE IRPJ. VEDAÇÃO À UTILIZAÇÃO COMO DIREITO CREDITÓRIO. Havendo vedação à utilização de estimativa de IRPJ como direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior, é de se confirmar a não homologação da compensação declarada nos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Regularmente intimada do acórdão em 09.05.2011, a Contribuinte interpõe recurso voluntário em 10.06.2011, após decorrido, portanto, o prazo de 30 dias previsto no art. 33 do Decreto n. 70.235/72 para o exercício dessa prerrogativa processual. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Conforme se depreende dos documentos acostados aos autos, o recurso voluntário não pode ser conhecido por este Colegiado pelo fato de ter sido interposto após o prazo de 30 dias contados da intimação do acórdão proferido pela instância a quo, a teor do art. 33 do Decreto n. 70.235/72. De fato, como bem anotado pela Delegacia da Receita Federal de origem, a intimação da Contribuinte relativa ao acórdão recorrido ocorreu em 10.05.2011 e o recurso voluntário contra tal decisão foi interposto apenas em 10.06.2011. Nos termos regimentais, o prazo recursal encerrouse em 09.06.2011. Por tais fundamentos, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário interposto pela Contribuinte por intempestividade. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16403.000269/200930 Acórdão n.º 110200.746 S1C1T2 Fl. 2 3 (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator Fl. 150DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10435.000678/2005-59
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ - ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO RICARF - Segundo o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho.
IR/PIS/COFINS e CSLL - DECADÊNCIA - O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, deve-se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, ou parágrafo único, também do Código Tributário Nacional, dependendo ou não de declaração prévia.
Numero da decisão: 9900-000.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ - Relatora.
NOME DO REDATOR - Redator designado.
EDITADO EM: 07/03/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ - ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO RICARF - Segundo o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. IR/PIS/COFINS e CSLL - DECADÊNCIA - O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, deve-se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, ou parágrafo único, também do Código Tributário Nacional, dependendo ou não de declaração prévia.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ - Relatora. NOME DO REDATOR - Redator designado. EDITADO EM: 07/03/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão
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IR/PIS/COFINS e CSLL DECADÊNCIA O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, devese aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, ou parágrafo único, também do Código Tributário Nacional, dependendo ou não de declaração prévia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 00 06 78 /2 00 5- 59 Fl. 425DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/ 03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO 2 NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 07/03/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão Relatório Tratase de análise Recurso Extraordinário, ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fulcro no artigo 9º do Regimento Interno da CSRF, aprovado pelo Portaria MF nº 147/2007, vigente à época da aludida decisão, interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional, em face do Acórdão CSRF/910100169, de 15/06/2009, que por maioria de votos, negou provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. A matéria objeto do recurso especial referese ao prazo decadencial do imposto e contribuições sociais. A ementa da decisão recorrida está assim redigida: Assunto: Decadência Anoscalendário: 2000 Ementa: IRPJ DECADÊNCIA: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO O Imposto de Renda, antes do advento da Lei n° 8.383, de 30/12/91, estava sujeito a lançamento por declaração, operandose o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional. A partir do anocalendário de 1992, exercício de 1993, por força das inovações da referida lei, o contribuinte passou a ter a obrigação de pagar o imposto, independentemente de qualquer ação da autoridade administrativa, cabendolhe então verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular e, por fim, pagar o montante do tributo devido, se desse procedimento houver tributo a ser pago. E isso porque ao cabo dessa apuração o resultado pode ser deficitário, nulo ou superavitário (CTN art. 150, § 4º), sendo, portanto, irrelevante ter havido ou não pagamento de imposto nesse procedimento. O que o CTN homologa é o procedimento, a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo. Se o citado § 4º, do art. 150 homologasse apenas o pagamento teria dito "homologado o pagamento" e não "homologado o lançamento", Fl. 426DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/ 03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10435.000678/200559 Acórdão n.º 9900000.333 CSRFPL Fl. 9 3 como diz o texto do citado parágrafo do art. 150 da lei complementar. PIS e COFINS A contribuição para o PIS e para a COFINS estão sujeitas ao lançamento por homologação previsto no art. 150, § 4o , do CTN, sendo irrelevante ter havido ou não pagamento, posto que o que se homologa é o procedimento, a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo. Consta do voto da decisão recorrida: O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por força da Lei n° 8.383/91, como regra, passaram a ser pagos mensalmente, e, mais tarde, trimestralmente, de sorte que a partir do dia seguinte à ocorrência do fato gerador, iniciase a contagem da caducidade, independentemente da data de apresentação da declaração de ajuste. As demais contribuições também seguem a regra do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional (CTN) que dispõe sobre o lançamento por homologação. O então Conselho de Contribuintes (Acórdão n° 10515.742, de 25/05/2006) e a CSRF, sob o pálio do artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional, declarou a decadência do direito de a Fazenda Nacional lançar o Imposto de Renda e reflexos (PIS, COFINS e CSLL) referentes aos dois primeiros trimestres de 2000. . A empresa foi autuada (fls. 3, 9, 16 e 23) por omissão de receitas indiciada por depósitos bancários de origem não comprovada, sendo seus lucros arbitrados à falta de escrituração regular. Houve arbitramento. Foi cientificada dos autos de infração em 22/07/2005 (fls. 256) que lançaram o imposto e as contribuições acrescidos da multa de lançamento de ofício de 75%. Consta do auto de infração, o que a seguir reproduzo: (...) todavia, deixou de reconhecer nos registros contábeis e na DIPJ (exercício de 2001, Declaração de INATIVA) as receitas operacionais trimestrais tributáveis. A pessoa jurídica, por não manter os regulares Livros Contábeis (Caixa e Registro do Inventário, no caso do Lucro Presumido) teve seus resultados apurados através da técnica do arbitramento do lucro, nestes casos, a única alternativa disponível ao fisco. A ementa do acórdão paradigma está assim ementado: "NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA CSLL SUA NATUREZA TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO DO ARTIGO 150 DO CTN: A Contribuição social sobre o lucro líquido, instituída pela Lei n° 7.689188, em conformidade com os arts. 149 e 195, §4° da Constituição Federal, tem a natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE n° 146.7339SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do Fl. 427DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/ 03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO 4 prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no art. 150, §4°. Recurso especial negado." A decisão recorrida advindo da Primeira Turma da CSRF ao apreciar o tema, entendeu ser de 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador, operando pela modalidade de lançamento por homologação, prevalecendo a disposição ínsita no artigo 150, § 4°, do CTN. A ementa do paradigma apresentado pela Fazenda Nacional possui a seguinte redação: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO EMENTA: TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. É INCONSTITUCIONAL O ARTIGO 45 DA LEI n°. 8.212/1991, QUE TRATA DE DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150,'§ 4 °o). RECURSO ESPECIAL DO SUJEITO PASSIVO NEGADO Por meio do Despacho n° 910000.558, sob o entendimento de ter sido comprovado o dissídio jurisprudencial, deuse seguimento o recurso interposto pela Fazenda Nacional. Cientificado do Despacho de Admissão do Recurso Extraordinário apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional para que apresente contrarrazões, no prazo de 15 (quinze) dias da ciência, o contribuinte optou por deixar de se manifestar. É o relatório. Voto Conselheira Relatora MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Tratase de análise de Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional cujo pedido é a de que seja aplicado o art. 173 do CTN, inciso I do Código Tributário Nacional, requerendo seja afastada a decadência. Quanto à decadência, verifico que: I o acórdão recorrido aplicou o prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional; Fl. 428DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/ 03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10435.000678/200559 Acórdão n.º 9900000.333 CSRFPL Fl. 10 5 II o acórdão recorrido, cancelou parcialmente a exigência fiscal, para o IR e contribuições sociais (PIS, COFINS e CSLL referentes ao 1º e 2º trimestres do anocalendário de 2000; III não houve imposição de multa qualificada; IV o Recurso Especial pugna pela aplicação do artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional, requerendo seja afastada a decadência. Alega ausência de pagamento. V a contribuinte foi cientificada dos autos de infração em 22/07/2005 (fls. 256) e se refere aos fatos geradores: 31/03/00; 30/06/00; 30/09/00 e 31/12/00. Tendo em vista a alteração do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com o acréscimo do artigo 62A, no Anexo II, necessário se faz que este colegiado adote o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, quando a matéria tenha sido julgada por meio de Recurso Representativo de Controvérsia, nos termos do artigo 543B e 543C, do Código de Processo Civil. Eis a redação do artigo 62A do Anexo II, do Ricarf: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No tocante ao prazo decadencial aplicável aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), sessão em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, pacificou entendimento a ser adotado por aquele colegiado, em acórdão assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Fl. 429DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/ 03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO 6 julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, inaludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Neste passo, a despeito do posicionamento que sempre adotei, em razão da atual previsão regimental do CARF, manifestome por acolher o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça acerca da norma aplicável referente ao prazo decadencial. Interpretando de forma fidedigna as razões de decidir do Recurso Especial Representativo de Controvérsia em questão, verifico que não havendo acusação de dolo e havendo pagamento parcial, de se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, não se verificando o pagamento parcial, deve ser aplicado o artigo 173, do Código Tributário Nacional. No caso dos autos, ficou comprovado a ausência de pagamento. Em se tratando da aplicação do artigo 173, o termo inicial da contagem ( dies a quo) é distinto dependendo se há ou não medida preparatória para o lançamento. É o que se depreende do item 01 da ementa do Recurso Representativo de Controvérsia, no qual se afirma que o prazo decadencial contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Confirase: Fl. 430DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/ 03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10435.000678/200559 Acórdão n.º 9900000.333 CSRFPL Fl. 11 7 “nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Ou seja, para a aplicação do dies a quo previsto no inciso I do artigo 173, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado) é necessário que: (i) se trate de lançamento por homologação (obrigação de pagamento antecipado); (ii) inexistência de antecipação de pagamento; (iii) inexistência das figuras de: dolo, fraude ou simulação; e (iv) inexistência de declaração parcial prévia do débito (vale dizer, não há medida preparatória para o lançamento). Entendese que declaração prévia é a declaração insuficiente (parcial), uma vez que, se a declaração fosse integral, estarseia enfrentado prazo prescricional e não prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. Enquanto instrumento de constituição do crédito tributário, a declaração prévia parcial enquadrase no conceito de medida preparatória ao lançamento, constante no parágrafo único do artigo 173 e a que alude o Recurso Representativo de Controvérsia. Essa conclusão se verifica na interpretação dada pelo Recurso Representativo de Controvérsia, em trecho que cita o já mencionado Resp nº 216.758, de relatoria do próprio Min. Luiz Fux, onde se afirma: “nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN.” Nos casos dos autos, em observância ao artigo 62A do Regimento Interno do CARF, tendo em vista a inexistência de pagamento e de declaração prévia, como consequência é a aplicação do dies a quo do prazo decadencial previsto no artigo 173. CONCLUSÃO Em razão do exposto voto no sentido de DAR provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional, de forma a afastar a decadência do crédito tributário, pela regra do art. 173, do CTN. Sala das Sessões, em 28 de agosto de 2012 MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Relatora. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/ 03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO 8 Fl. 432DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/ 03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO
score : 1.0
Numero do processo: 15504.011964/2010-60
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PRÁTICA DE ATOS COM EXCESSO DE PODER OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO OU ESTATUTO, CUMULADA COM DISSOLUÇÃO IRREGULAR DE EMPRESA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado respondem pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatuto. Respondem igualmente os sócios com poderes de administração que promovem a dissolução irregular da pessoa jurídica. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados ARBITRAMENTO DOS LUCROS O imposto devido será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o sujeito passivo deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Lei nº 9.430/96, quando demonstrado que a conduta do sujeito passivo se enquadra no art. 71, I, da Lei nº 4.502/64.
JUROS SELIC O Supremo Tribunal Federal STF considerou legítima a incidência da taxa Selic sobre débitos tributários (RE nº 582461, julgado em 18/05/2011, com efeito de repercussão geral).
TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL, PIS e COFINS Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os
vincula. Ao contribuinte que tiver o lucro arbitrado não pode ser aplicado o regime não cumulativo para a apuração de PIS e COFINS. Estas duas contribuições incidem sobre o faturamento e em nenhuma hipótese é admitida a dedução de custos incorridos na aquisição de mercadorias a serem revendidas. Ao contestar o próprio regime cumulativo, o sujeito passivo também não trouxe qualquer comprovação de que estas duas contribuições estariam incidindo sobre receitas com origem em outras fontes que não a
atividade operacional normal da empresa, ou que estariam incidindo sobre oICMS. Inócuos, portanto, os argumentos relativos à inconstitucionalidade de normas referentes à apuração destas contribuições
Numero da decisão: 1802-001.352
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PRÁTICA DE ATOS COM EXCESSO DE PODER OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO OU ESTATUTO, CUMULADA COM DISSOLUÇÃO IRREGULAR DE EMPRESA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado respondem pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatuto. Respondem igualmente os sócios com poderes de administração que promovem a dissolução irregular da pessoa jurídica. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados ARBITRAMENTO DOS LUCROS O imposto devido será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o sujeito passivo deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 3 2 Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, quando demonstrado que a conduta do sujeito passivo se enquadra no art. 71, I, da Lei nº 4.502/64. JUROS SELIC O Supremo Tribunal Federal STF considerou legítima a incidência da taxa Selic sobre débitos tributários (RE nº 582461, julgado em 18/05/2011, com efeito de repercussão geral). TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL, PIS e COFINS Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Ao contribuinte que tiver o lucro arbitrado não pode ser aplicado o regime não cumulativo para a apuração de PIS e COFINS. Estas duas contribuições incidem sobre o faturamento e em nenhuma hipótese é admitida a dedução de custos incorridos na aquisição de mercadorias a serem revendidas. Ao contestar o próprio regime cumulativo, o sujeito passivo também não trouxe qualquer comprovação de que estas duas contribuições estariam incidindo sobre receitas com origem em outras fontes que não a atividade operacional normal da empresa, ou que estariam incidindo sobre o ICMS. Inócuos, portanto, os argumentos relativos à inconstitucionalidade de normas referentes à apuração destas contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que considerou parcialmente procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica – IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, conforme autos de infração às fls. 2 a 31, nos valores de R$ 83.471,50, R$ 33.549,76, R$ 55.563,52 e R$ 154.845,81, respectivamente, incluindose nesses montantes a multa de ofício qualificada de 150% e os juros moratórios. A autuação abrangeu operações da empresa Alô Minas Representações Ltda. no anocalendário 2006, e foi motivada pela constatação de omissão de receitas apurada a partir de depósitos bancários com origem não comprovada. O lançamento de IRPJ e CSLL se deu mediante o arbitramento dos lucros, e de PIS e COFINS pelo regime cumulativo. A Fiscalização entendeu que a referida empresa não mais existia e imputou a responsabilidade pelo crédito tributário aos sócios José Eustáquio Gonçalves e Gleison Pires Dutra. Os fundamentos da autuação e os argumentos de impugnação estão muito bem descritos na decisão de primeira instância, Acórdão nº 0228.8276 (fls. 954 a 995): DESCRIÇÃO DAS INFRAÇÕES IMPUTADAS (...) Termo de verificação fiscal No termo de verificação fiscal a folhas 34 a 38 o autuante apresenta a motivação dos lançamentos. Dele extraemse as observações e argumentos resumidos adiante. Contexto • Relatase o procedimento de fiscalização de Alô Minas Representações Ltda, doravante denominada apenas Alô Minas. • A empresa foi excluída do sistema Simples de recolhimento de tributos, alterou seu domicílio fiscal do CeasaMG em Contagem, para Belo Horizonte e passou a entregar declarações como inativa. Pesquisas sobre sua situação fiscal apontaram divergências entre a receita declarada, a movimentação financeira e operações de débito e crédito de ICMS com terceiros. Procedimentos iniciais de fiscalização • Em 17.12.2009 foi efetuada diligência no domicílio fiscal informado ao CNPJ: rua Cataguazes, 25 — bairro Carlos Prates, Belo Horizonte, MG. Conforme constado na diligência e Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 5 4 posteriormente ratificado por pesquisa no cadastro imobiliário da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, o endereço informado é inexistente e o contribuinte não pode ser localizado. • O primeiro imóvel, possivelmente o de n° 25, é uma garagem. O seguinte imóvel já é o de n° 39. A garagem pertence à casa da rua lateral: rua Rio Pomba, 14. Nesse local funciona a empresa Ribeiro & Associados — Serviços Contábeis e Jurídicos, da qual foram obtidas informações sobre o endereço procurado. O contabilista Wanderson Ribeiro Gonçalves confirmou a situação já descrita do imóvel e, questionado sobre a Alô Minas, esclareceu que a empresa já não funcionava havia aproximadamente 3 anos. Esse prazo coincide com a data de alteração de domicílio realizada pela empresa, cuja DIPJ relativa ao mesmo período teve como responsável pelo preenchimento e pela entrega o Sr. Wanderson.. • O termo de início de ação fiscal enviado para o endereço cadastral da empresa retornou dos correios com o aviso de “número inexistente”. Nova intimação foi enviada aos dois sócios, José Eustáquio Gonçalves e Gleison Pires Dutra, solicitando esclarecimentos sobre a situação da empresa. Após a reintimação, o sócio responsável, o Sr. Eustáquio, informou a paralisação temporária das atividades da empresa. Entretanto, não indicou onde ela estaria domiciliada. • A Alô Minas, cuja inscrição estadual se encontra cancelada pela SEF/MG desde 2007 por desaparecimento do contribuinte, não efetuou a correta atualização de seus dados cadastrais na RFB, pois manteve sua situação como ativa e indicou como seu domicílio endereço inexistente. Ficou ainda caracterizado que o contribuinte já não dispõe de patrimônio nem de capacidade operacional necessária para seu objeto social. • Diante de tais fatos, em 04.02.2010 foi feita representação fiscal para eleição de ofício do domicilio fiscal do contribuinte, que foi alterado para o endereço conhecido do sócio responsável, com vistas à declaração de inaptidão de seu cadastro no CNPJ desde a alteração do domicílio de Contagem para Belo Horizonte (PAF n° 15504.001462/201021). • De acordo com a nova legislação sobre o CNPJ, a inscrição da empresa foi considerada inapta e, sem manifestação contrária do contribuinte, foi baixada de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/BHE n° 246, de 2010. O contribuinte • A Alô Minas foi excluída do Simples pelo ADE n° 1, de 07.01.05, com efeitos desde 01.01.03. Na RFB encontravase ativa e entregou declaração referente ao anocalendário de 2006 como lucro real trimestral, porém com todos os campos com valor zero, não retificada até o momento. Nos anos seguintes entregou declaração como inativa. Apresentou Dacon com PIS e Cofins apurados de janeiro a julho de 2006, e DCTF apenas para o 1° semestre de 2006, porém sem débitos. Perante a Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 6 5 SEF/MG declarou receita de janeiro a julho de 2006, e deixou os períodos seguintes sem informação. Movimentação financeira • O sócio responsável foi intimado a apresentar contrato social e alterações, livros contábeis, balancetes e demonstração do resultado, notas fiscais emitidas e extratos bancários. Somente após reintimação apresentou contrato social e alterações e solicitou sua primeira dilatação do prazo. Sem atendimento dos itens solicitados com a terceira intimação, foi também alertado sobre as penalidades pelo não cumprimento das intimações e sobre providências administrativas para obtenção das informações negadas à fiscalização. Mais uma vez, em caráter visivelmente protelatório, solicitou novo prazo para cumprimento da intimação. • Diante da falta de atendimento à fiscalização e demais fatos já relatados, só restou à fiscalização o recurso previsto na Lei Complementar n° 105, de 2001. A situação foi sintetizada em solicitação enviada em 01.03.2010 à DRF/BHE, que expediu requisição de informação sobre movimentação financeira. • Foram solicitadas cópias de fichas cadastrais do correntista, sócios, possíveis procuradores e avalistas, com os respectivos documentos, inclusive instrumentos de procuração e cartões de assinaturas; contratos de financiamentos, empréstimos e outros, de todas as contas correntes e de investimentos, em papel e meio magnético. Foram recebidas informações do Banco ABN Amro Real S/A, do Banco Bradesco S/A (duas contas correntes) e da União dos Bancos Brasileiros S/A (duas contas correntes). Análise do extrato bancário • Com base nos extratos e demais informações sobre a movimentação financeira, procedeuse à análise individualizada dos créditos e depósitos. Foi efetuada a conciliação das contas, depurando os valores creditados dos decorrentes de transferências entre contas do titular, de transferência e resgate de aplicações financeiras ou de poupança, abonos,bonificações e quaisquer outros que não indicassem origem externa, tudo de acordo com o § 3°, inciso I, do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Por critério de relevância foram excluídos todos os créditos ou depósitos no valor de até R$ 100,00, inclusive. Foi então elaborada a planilha denominada “relação de créditos e depósitos bancários para comprovação de origem”, a qual passou a integrar o presente termo de verificação. • Em 16.04.2010, José Eustáquio Gonçalves tomou ciência de intimação com vistas a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos valores creditados ou depositados. Na mesma ocasião foi novamente solicitada a apresentação dos livros e documentos contábeis e fiscais da empresa. Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 7 6 • Transcorrido o prazo para atendimento, o sócio limitouse a solicitar novo prazo para juntada de documentos. Com o objetivo de demonstrar a boa vontade em oferecer todos os recursos disponíveis para que a fiscalizada apresentasse esclarecimentos e contra argumentações, foi emitido novo termo de intimação. Vencido novamente o prazo, o intimado, em resposta padronizada, sem apresentar justificativa objetiva, solicita nova prorrogação do prazo. Por fim, após seis meses, sem apresentação de nenhum livro ou documento contábil ou fiscal, e após dois meses sem comprovação da origem dos créditos efetuados em suas contas bancárias, ficou caracterizada a dissimulada conduta do contribuinte em recusarse a atender as intimações fiscais. • Dessa forma, os valores depositados em suas contas bancárias caracterizamse, por presunção legal, como omissão de receita. Os valores apurados a partir da planilha “relação de créditos e depósitos bancários para comprovação de origem” encontram se demonstrados em totais mensais no termo de verificação e perfazem no anocalendário de 2006 R$ 1.753.037,99. • Em 17.06.10, de acordo com o artigo 7° do Decreto n° 3.724, de 2001, e com o artigo 9° da Portaria RFB n° 180, de 2001, procedeuse à destruição das informações contidas em meio magnético, recebidas em decorrência das requisições de movimentação financeira expedidas. Foi dada ciência, por via postal, do termo de destruição ao sócio José Eustáquio Gonçalves. Os responsáveis pelo crédito tributário • Em 18.04.2007, conforme alteração contratual registrada na Jucemg em 26.06.2007, os sócios José Eustáquio Gonçalves e Gleison Pires Dutra mudam a razão social da empresa para Alô Minas Representações Ltda e a localização de sua sede para rua Cataguazes, 25, bairro Carlos Prates, Belo Horizonte, MG. Além do contrato registrado na Jucemg, o novo endereço também foi informado ao fisco estadual e ao CNPJ. • Tal endereço é inexistente. Assim, a Alô Minas deixa de existir fisicamente e já não pode ser localizada pela fiscalização. A Alô Minas havia sido excluída do Simples e o seu real faturamento foi autuado pela RFB. O débito respectivo encontrase pendente de pagamento na PGFN. No anocalendário de 2006, abrangido por esta fiscalização, a empresa apresentou movimentação financeira, mas declarou rendimentos e atividades nulas em sua DIPJ. • É ponto pacífico na legislação e nos órgãos julgadores que constitui infração de lei e de contrato o desaparecimento da sociedade sem prévia dissolução legal e sem o pagamento das dívidas tributárias. A alteração do domicílio fiscal com a indicação de endereço inexistente é comprovação inequívoca de máfé, abuso de poder ou excesso de mandato, conforme preceituam os artigos 124 e 135 do CTN. Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 8 7 • Provada a dissolução irregular da empresa, além de latentes a máfé e o abuso de poder, tornase legítimo redirecionar a execução fiscal para o sóciogerente. Portanto, o auto de infração terá como sujeito passivo José Eustáquio Gonçalves. E por conseguinte foi lavrado termo de sujeição passiva solidária em nome do outro sócio. Crime de sonegação fiscal • Conforme demonstrado no presente relatório, ficou provado que a localização da Alô Minas foi premeditadamente alterada de forma fraudulenta, com a utilização de endereço inexistente, no sentido de tornála inacessível. A estratégia não tinha como objeto simplesmente a sonegação do próprio tributo devido, mas principalmente o conhecimento de fatos relevantes para o exercício do poderdever de lançamento pelo fisco. O fornecimento de informação sabidamente falsa aos órgãos fiscalizadores teve como fim prejudicar o direito da Fazenda Pública, principalmente quanto aos créditos constituídos e em fase de cobrança. • Apesar do abandono da Alô Minas, o Sr. José Eustáquio mantevese atuante no ramo de comércio atacadista de alimentos. Com as mesmas pessoas que passaram pelo quadro societário da Alô Minas (Gleison Pires Dutra e Fabrício Guimarães Gonçalves), administra as seguintes empresas: DJG Comércio Ltda comércio varejista de mercadorias em geral supermercado; FIT Mercantil Representações Ltda representante comercial e agente do comércio de mercadorias em geral; Mercantil Guimarães e Gonçalves Distribuidora de Alimentos Ltda comércio atacadista de chocolates, confeitos, balas, bombons e semelhantes; GAM Empreendimentos e Participações Ltda atividades de consultoria em gestão empresarial, exceto consultoria técnica específica. • O débito tributário não pode ser objeto de evasão nem redução, mediante o abuso de formas jurídicas de direito privado. 0 direito tributário deve levar em conta, sobretudo, a realidade econômica, superando quaisquer desvios formais nocivos ao interesse público. Tratase, portanto, de ações claramente tipificadas como infração do artigo 1º, incisos I e IV, da Lei n° 8.137, de 1990, o que configura, em tese, crime contra a ordem tributária. • Em cumprimento da Portaria RFB n° 665, de 24.04.2008, foi formalizada representação fiscal para fins penais em desfavor de José Eustáquio Gonçalves, Gleison Pires Dutra e Wanderson Ribeiro Gonçalves. Forma de apuração arbitramento • A fiscalizada foi intimada várias vezes, na pessoa de seu sócio responsável, a apresentar a escrituração contábil elaborada de acordo com as leis comerciais e fiscais. Nenhuma informação objetiva foi apresentada, nem mesmo as notas fiscais de venda, Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 9 8 que são de manutenção obrigatória e devem ser de imediato apresentadas ao fisco. • Daí se pode concluir que, sem nenhuma manifestação de parte do responsável pela empresa, eles não dispõem dos elementos solicitados. Independentemente de qualquer outra dilação de prazo, a falta de documentos tão imprescindíveis jamais será contornada de forma satisfatória, do que resulta sempre numa escrituração imprestável e incapaz de comprovar sua veracidade. • Dessa forma, comprometese de forma irreparável a escrituração contábil regular. Inexistindo registro do faturamento com base em documentação idônea e de factível verificação, não existirão meios de apurar o lucro real. Impõe se, nesse caso, o arbitramento do lucro como última alternativa. • Está liminarmente afastada a possibilidade de tributação pelo regime do lucro real, visto que a pessoa jurídica para tanto deve manter a escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (artigo 197, RIR 1999). Invocase aqui o artigo 47, incisos I, II e VII da Lei nº 8.981, de 1995. A receita operacional omitida • Para fim de determinação do lucro arbitrado, foi considerado como receita bruta conhecida o valor mensal dos depósitos e créditos bancários cuja origem não foi comprovada pelo contribuinte. Toda a receita da empresa foi considerada como decorrente do comércio atacadista de gêneros alimentícios, como definido no contrato social. Como não houve valores declarados em DCTF nem pagos, os valores devidos para cada tributo correspondem aos valores apurados pela fiscalização, conforme planilhas anexas. • Foi aplicado o coeficiente de 9,6% sobre as receitas para a obtenção da base de cálculo do IRPJ, de acordo com o artigo 532 do RIR 1999. A base de cálculo da CSLL corresponde a 12% do valor das receitas. • As receitas citadas correspondem à base de calculo da contribuição para o PIS, visto que não existem exclusões nem adições por computar. Considerando ainda o arbitramento do lucro, a alíquota do PIS é de 0,65%, pelo regime da cumulatividade, conforme artigo 10, inciso II, da Lei n° 10.833, de 2003. • As mesmas receitas também correspondem à base de cálculo da Cofins, visto que não existem adições ou exclusões por considerar. Em virtude do arbitramento, a alíquota a que se sujeita a empresa é de 3%, pelo regime da cumulatividade. Qualificação da multa de ofício • Provouse, com os documentos apresentados, ter a fiscalizada registrado na Junta Comercial informações inexatas quanto à Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 10 9 sua localização, e o fez de forma reiterada, pelo registro das alterações contratuais seguintes. O fornecimento de informação sabidamente falsa aos órgãos fiscalizadores teve como fim direto prejudicar o direito da Fazenda Pública. • No anocalendário de 2006 movimentou recursos financeiros da ordem de R$1.753.000,00. Contudo, entregou declaração à RFB sem nenhuma operação nem valores, e jamais a retificou. A prática de ocultar o fisco a ocorrência do fato gerador, mediante a apresentação de declarações inverídicas, sem o registro de nenhuma movimentação, aliada à constatação de atividade durante o período fiscalizado, constitui evidência de intuito de fraude e sonegação. • A entrega de declarações inverídicas, o desaparecimento e encerramento irregular das atividades, a utilização de informação falsa em alterações do contrato social e os valores mantidos em contas bancárias à margem da contabilidade demonstraram a vontade reiterada dos responsáveis pela empresa de impedir totalmente o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, da sua natureza e de suas circunstâncias materiais. Acrescentese a caracterização nos autos da recusa do atendimento de intimações fiscais, dissimulada em infindáveis pedidos de prorrogação de prazo sem nenhuma razoabilidade. Ficou ainda configurado o ajuste doloso entre pessoas naturais, visando à simulação e à sonegação verificadas e demonstradas no curso da ação fiscal. • Uma vez que as práticas mencionadas se encontram clara e individualmente tipificadas nos artigos 71 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, tornase, pois, indubitável a pertinência da qualificação da multa, nos termos do artigo 44, II, da Lei n° 9.340, de 1996. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA A folhas 88 encontrase o termo de sujeição passiva solidária pelo qual Gleison Pires Dutra é declarado coresponsável pelo pagamento da exigência tributária constituída por meio dos lançamentos objeto deste processo. Ao fundamentar a emissão do termo, a autoridade fiscal apresenta uma síntese dos fatos já relatados na subseção anterior deste relatório e conclui que ficou caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do artigo 124, incisos I e II, do artigo 135, inciso III, e do artigo 137, inciso I, todos do CTN (Código Tributário Nacional), e do artigo 207, inciso V, parágrafo único, inciso III, do RIR 1999. Conforme aviso de recebimento a folhas 89, a ciência ao sujeito passivo solidário da lavratura do termo deuse por via postal em 30.06.2010. IMPUGNAÇÃO DO LANÇAMENTO Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 11 10 Conforme assinatura aviso de recebimento a folhas 90, o sujeito passivo principal (José Eustáquio Gonçalves) foi notificado dos lançamentos por via postal em 08.07.2010. Em 09.08.2010, uma segundafeira, ele os contestou, mediante a apresentação de uma impugnação para cada um deles, acompanhadas de documentos, as quais foram juntadas a folhas 95 a 138 (Cofins), 228 a 272 (PIS), 360 a 391 (IRPJ) e 464 a 497 (CSLL). Já o sujeito passivo solidário, conforme aviso de recebimento a folhas 91, foi notificado dos lançamentos, também por via postal, em 08.07.2010. Em 09.08.2010, uma segundafeira, ele também contestou as exigências fiscais, mediante a apresentação de uma impugnação para cada lançamento, as quais foram juntadas a folhas 585 a 631 (PIS), 683 a 728 (Cofins), 782 a 816 (CSLL) e 868 a 901 (IRPJ). Os enunciados seguintes resumem o conteúdo das impugnações apresentadas. IMPUGNAÇÕES APRESENTADAS PELO SUJEITO PASSIVO PRINCIPAL IMPUGNAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO DE COFINS • A lavratura do auto de infração é totalmente equivocada, imprópria e infundada, de modo que não pode prosperar. Questões preliminares Preliminar de nulidade • Ao auto de infração faltam requisitos essenciais de validade, tais como a motivação, objeto, os meios utilizados pelo fisco, as circunstâncias. • O auto de infração é ato administrativo para cuja validade se faz indispensável que estejam presentes os requisitos da competência, finalidade, forma, motivo e objeto. • No caso presente, o auto de infração não está devidamente instruído, pois não demonstra efetivamente e de maneira descritiva como se deu a verificação fiscal, tampouco o arbitramento aplicado. Isso cerceia o direito constitucional à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal e comprova a necessidade de ser declarada a nulidade do lançamento. • Desrespeitouse completamente o disposto no capítulo XII da Lei n° 9.784, de 1999. • Segundo expressa previsão legal, quando a motivação advenha de declaração de concordância com procedimentos outros, estes têm, obrigatoriamente de ser parte integrante do ato administrativo. O artigo 9° do Decreto n° 70.235, de 1972, prevê a obrigatoriedade de os autos de infração e as notificações de lançamento serem instruídos com todos os termos, depoimentos, Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 12 11 laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. • Transcrevemse passagens doutrinárias, para concluir que a lógica inconcussa a que se chega é a total nulidade do auto de infração, por não preencher os requisitos de validade, a ponto de cercear o direito de defesa, uma vez que não permite à impugnante a boa compreensão dos motivos que ensejaram a autuação, a compreensão dos valores exigidos e quais as irregularidades imputadas. • Todavia, em atenção ao princípio da eventualidade, o impugnante passa a tratar do mérito da autuação, na medida em que lhe foi possível a compreensão. Ilegitimidade passiva do impugnante • A responsabilização do impugnante é totalmente absurda e não encontra embasamento jurídico. • O patrimônio da pessoa jurídica não se confunde com o patrimônio da pessoa física, e a desconsideração da personalidade jurídica para fins de responsabilidade tributária é medida extrema e limitada. • Não houve nenhuma cobrança visando à satisfação do suposto crédito tributário da efetiva contribuinte, a Alô Minas, requisito indispensável para que haja cobrança dos sócios, e desde que esses tenham agido comprovadamente com excesso de poderes ou infração de lei. • É certo que o impugnante jamais agiu com excesso de poder, nem praticou qualquer ato que importe em infração de lei, contrato social ou estatuto. Não é possível, pois, a imputação da desconstituição da personalidade jurídica e da responsabilidade solidária, nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN. Ilustrase o argumento com citação doutrinária e com a ementa de acórdão atribuído ao Judiciário. • Ao contrário do que pretende fazer crer o fisco, a Alô Minas é empresa existente há vários anos e jamais houve a sua dissolução, muito menos de maneira irregular. • De acordo com o artigo 134 do CTN, somente diante da impossibilidade de ser satisfeita a obrigação tributária por parte do contribuinte é que haverá responsabilidade solidária. Não existe a previsão da desconsideração da personalidade jurídica. Ilustrase o argumento com citação doutrinária e com a ementa de acórdão atribuído ao Judiciário. • O artigo 134 do CTN, ao tratar da responsabilidade solidária quanto aos créditos resultantes de obrigações tributárias diante da impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação pelo contribuinte, só imputa aquela aos sócios quando se trata de sociedade de pessoas. Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 13 12 • É pacífico o entendimento de que a sociedade limitada não se classifica como sociedade de pessoas, conforme afirma o autor P. R..Tavares Paes, em passagem transcrita na impugnação. O próprio STJ regulamenta a matéria por meio da Súmula n° 430, que põe fim a qualquer discussão ao estabelecer que o inadimplemento da obrigação tributária de uma sociedade empresária não gera, por si só, a responsabilidade do sócio gerente. • Logo, está cabalmente demonstrada e comprovada a ilegitimidade passiva do impugnante. É totalmente arbitrária e equivocada a lavratura do auto de infração que o tem como responsável. Contestação da baixa de ofício do CNPJ da Alô Minas • A Alô Minas é pessoa jurídica com existência de fato e de direito desde 1990, legalmente constituída e com sócios perfeitamente identificados. Durante anos exerceu regularmente a atividade social indicada em seus atos constitutivos. Jamais houve a sua dissolução, muito menos irregular. • Mesmo na atual situação de inatividade, o que é permitido expressamente na legislação vigente, a Alô Minas continua a cumprir com todas as obrigações tributárias, especialmente as de natureza acessória, o que comprova sua efetiva existência no mundo fático e jurídico. • O fisco afirma que o endereço indicado em alteração contratual seria inexistente. Decorrido mais de ano do registro da alteração contratual em causa, porém, a Alô Minas sofreu fiscalização naquele endereço que resultou na lavratura, em 02.12.2008, de autos de infração, os quais por sua vez deram origem ao processo administrativo fiscal n° 10680.015468/2008 14. Compulsandose as cópias anexas dos autos de infração lavrados naquela ocasião, verificase que a própria Receita Federal reconhece como efetivamente existente o endereço ora questionado. • Os autos de infração daquele processo foram impugnados. Depois de a DRJ/BHE ter julgado as impugnações, foi aviado recurso voluntário dirigido ao Carf conforme se comprova pelo extrato impresso de consulta processual. • Em outras oportunidades, a Receita Federal enviou ao endereço da Alô Minas notificações intimações e estas foram efetivamente recebidas. Ainda não houve notificação dos integrantes do QSA, que não se refutaram em prestar as informações solicitadas pela Receita Federal do Brasil. • Está, pois, completamente comprovada a efetiva existência de direito da empresa Alô Minas, e não existe a sua dissolução irregular. Concluise daí forçosamente que eventual auto de infração só poderia ter sido lavrado em nome dela, e não jamais em face de seu sócio. Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 14 13 • No tocante à inscrição estadual da empresa, essa perdeu sentido e se tornou dispensável em virtude de alteração da razão social, pela qual a empresa passou a desenvolver a atividade de prestação de serviços. • A propósito da informação constante no auto de infração acerca da declaração de inaptidão do CNPJ da Alô Minas, invocase o artigo 5°, inciso II, da Constituição Federal de 1988 (CF 1988), segundo o qual ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Os particulares não estão submetidos ao império da vontade da Administração, mas somente à vontade da lei, de modo que as suas obrigações e as restrições de sua conduta só podem ser estabelecidas em virtude de lei. • Tal princípio aplicase ao Executivo, por expressa disposição do artigo 37 da CF 1988, ou seja, a legalidade é o padrão de conduta da Administração Pública em todos os níveis. Por essa razão, a doutrina erige o motivo como um dos requisitos necessários de todo ato administrativo. Em abono do argumento transcrevese passagem atribuída a Hely Lopes Meireles. • O ato administrativo, para ser válido, devese apoiar numa dupla demonstração: a) da existência de lei autorizadora de sua emanação, o que se denomina motivo legal . b) da verificação concreta da situação fática para a qual a lei previu o cabimento daquele ato, o que se denomina motivo de fato. Segundo Hely Lopes Meireles, se tais motivos são falsos ou inexistentes, o ato praticado é nulo. • A correta indicação do motivo legal e do fático, bem como a perfeita correlação entre um e outro, são requisitos indispensáveis para a validade do ato, sempre que a aplicação da lei o exigir ou quando afetar situações jurídicas subjetivas, como é o caso das sanções versadas no caso em tela. • No caso de penalidades tributárias, a necessidade de lei que preveja expressamente a hipótese passível de sanção consta do artigo 97, inciso V, do CTN. • A lei não autoriza declaração de inaptidão do CNPJ por divergências com autoridades fiscais. De acordo com os artigos 80 e 81 da Lei n° 9.430, de 1996, as únicas hipóteses de declaração de inaptidão do CNPJ são: falta de entrega de declaração anual do IRPJ por, no mínimo, dois exercícios consecutivos; b) falta de comprovação da origem, disponibilidade e efetiva transferência de recursos empregados em operação de comércio exterior; c) falta de localização no endereço informado ao CNPJ. • Nos procedimentos instaurados até o momento, a fiscalização não alega, nem comprova, que a Alô Minas teria deixado de apresentar declarações de IRPJ, ou que teria deixado de comprovar a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência de recursos empregados em operação de comércio exterior. Tampouco ficou provado de forma inequívoca que a Alô Minas Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 15 14 não estaria estabelecida no endereço indicado à Receita Federal. Conforme cópia anexa, contrariando a alegação do fiscal autuante, a empresa foi notificada pela Receita Federal para a devolução de documentos no endereço constante no CNPJ. • As hipóteses de declaração de inaptidão da inscrição no CNPJ previstas no artigo 81 da Lei n° 9.430, de 1996, carecem de regulamentação, conforme ressalvado pelo próprio preceito. • Ocorre que a Receita Federal pretendeu usurpar a competência do Ministro da Fazenda ao editar a Instrução Normativa RFB n° 1.005, de 2010, com violação do disposto nos artigos 11, 13 e 14 da Lei nº 9.784, de 1999. • O ato administrativo que fixa requisitos e condições para a declaração de inaptidão do CNPJ revestese de caráter normativo, nos termos do artigo 100 do CTN, de modo que a delegação não é admitida. • Nenhum dos atos indicados na preâmbulo da Instrução Normativa RFB n° 1.005, de 2010, autoriza a delegação de competência do Ministro da Fazenda para a Receita Federal. Ao examinar situação análoga, o Tribunal Regional da Primeira Região decidiuse pela ilegalidade do ato praticado pelo Secretário da Receita Federal, conforme ementa de decisão que se transcreve. • É forçoso concluir que são manifestamente ilegais as disposições da referida instrução normativa que pretendem disciplinar as hipóteses de inaptidão da inscrição no CNPJ, por terem sido editadas por autoridade incompetente. • Paralelamente, nem mesmo os artigos 28, 30, 39 e 41 do ato normativo em causa dão amparo à pretensão fiscal de tornar inapto o CNPJ da Alô Minas. Estando esta em total situação de regularidade cadastral, eventual auto de infração só poderia ter sido lavrado contra ela, jamais contra seu sócio. • A Alô Minas não se encaixa em nenhuma das hipóteses previstas no artigo 39 da Instrução Normativa RFB n° 1.005, de 2010, para fins de declaração de inaptidão da inscrição no CNPJ. Mesmo estando inativa, é legalmente permitido permanecer a cumprir todas as obrigações tributárias, o que exclui a hipótese do inciso I. A hipótese do inciso II também não se lhe aplica, tendo sido demonstrada a existência fática e jurídica da Alô Minas, reconhecida pela própria Receita Federal em fiscalização anterior. • Além disso, o inciso I do art. 41 da mesma instrução normativa estabelece que a pessoa jurídica somente poderá ser considerada como não localizada quanto por duas vezes ou mais retornem negativas correspondência que lhe são enviadas. Em nenhum momento o fisco autuante comprovou tal situação. Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 16 15 • A Cocad deve emitir ADE, publicado em sítio eletrônico da RFB com a relação de pessoas jurídicas inaptas. O conteúdo e o alcance dos atos editados pelas autoridades administrativas subordinamse aos das leis que lhe servem de fundamento (arts. 99 e 100 do CTN). Dessa forma, como inexiste autorização legal para a declaração de inaptidão na hipótese demonstrada, não há espaço para que assim disponha mera instrução normativa, como já decidiu o Tribunal de Justiça da 5ª Região. • A inexistência de fato é situação só aplicável, logicamente, à empresa que tenha sido criada com a exclusiva finalidade de encobrir o nome do real praticante de determinados atos jurídicos, uma empresa de fachada, que nunca desenvolveu atividades reais, o que não é o caso da Alô Minas. • Independentemente de o CNPJ da Alô Minas ter sido arbitrariamente declarado inapto, em face do disposto no artigo 44 da Instrução Normativa RFB n° 1.005, de 2010, não existe previsão legal de que a inaptidão acarrete a possibilidade de o fisco simplesmente promover a desconsideração da personalidade jurídica, como sanção para qualquer fim. • Não há falar em responsabilidade do sócio administrador, uma vez que a sociedade empresária não é inexistente, mas sim inativa, situação totalmente legal. Questões de mérito • No tocante ao mérito, melhor sorte não assiste à autuação. Movimentação financeira e análise do extrato bancário — presunções e indícios • Quando se deseja saber se ocorreu no passado um evento no qual não se teve participação, recorrese a provas de sua existência, que podem ser diretas ou indiretas, estas também chamadas de indícios, que são aqueles elementos que não dizem respeito diretamente ao fato ser provado. • Moacyr Amaral dos Santos define o indício como o fato conhecido do qual se parte para o desconhecido. O indício não é uma prova diretamente relacionada ao fato que se deseja provar. Apenas representa outro fato, mas que por intermédio do raciocínio pode indicar sua ocorrência. Quanto se tem um indício, e não uma prova direta, o procedimento de comprovação dividese em duas partes: a comprovação da existência do fato inicial e a demonstração da presunção de que ele indica o fato que se deseja provar. Ambas as partes são de igual importância. • Para que um indício seja passível de consideração deve ter as seguintes características: propiciar um convencimento seguro; não permitir que dele se extraia mais de uma conseqüência possível; e apontar diretamente para o fato conhecido de forma que não alcance nenhum outro. Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 17 16 • A prova por indícios e presunções demanda zelosa cautela, por não ser direta e por envolver uma maior possibilidade de erro. Logo, um indício pode ser usado como meio de prova, dando origem a uma presunção, quando o indício e a presunção geram a convicção de que não existe nenhuma alternativa razoável. • No campo administrativo a necessidade de correlação é ainda mais acentuada, tendo em vista os princípios constitucionais e legais que regem a relação entre o Estado e os particulares. • A presunção, por sua natureza, pode deflagrar fatos que podem ir contra a realidade, de modo que não pode ser adotada como fundamento para a prática de qualquer ato gravoso se não traduzir com adequado grau de segurança a ocorrência do fato imputado. • O auto de infração, bem como o mandato de procedimento fiscal são atos jurídicos que têm como pressuposto ou motivo a ocorrência de um ilícito. Somente deve haver a realização do ato quando o agente administrativo se depara com o descumprimento de uma prestação tributária. • Todo o procedimento fiscal de autuação deve trazer os elementos formadores de convicção do respectivo agente. Estes, por sua vez, devem ser sustentados em documentos probatórios ou métodos de avaliação empíricos. Afastase, pois, a utilização de suposições e indícios infundados como ocorrido no presente caso. Em abono do argumento, citase passagem atribuída a Ricardo Mariz de Oliveira. • O Conselho de Contribuintes, ao examinar casos em que o fisco pretendeu efetuar lançamentos tributários com base em fatos que não guardam estreita relação com o fato gerador que se deseja provar, ou em indícios e presunções destituídos de gravidade, precisão e coerência, sempre foi uníssono em cancelar as exigências fiscais. Ilustrase o argumento com a citação de ementa de duas decisões administrativas e de uma judicial. • O auto de infração impugnado se funda totalmente em indícios e presunções fiscais, baseadas em conjecturas mirabolantes, destituídas de lógica e de prova capaz de sustentar quaisquer das afirmações do atuante. • Baseiase o fisco em extratos do período de janeiro de 2006 a dezembro de 2006 e considera todos os valores apurados como se fossem faturamento da Alô Minas, quando em verdade deveria haver inspeção minuciosa com o objetivo de verificar o valor real ente faturamento e despesa. • Nem todo o crédito em conta corrente representa lucro da empresa. Muitas vezes estão em seu caixa para adimplemento de despesas. Desconsiderar tal fato é demonstrar a arbitrariedade e fragilidade das alegações fiscais. Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 18 17 • Os indícios reunidos pela fiscalização não propiciam convencimento seguro acerca do suposto crédito do fisco, o que compromete a lisura do trabalho fiscal e torna imperiosa a sua anulação. Impossibilidade de aplicar o arbitramento, e não a omissão de receita • O arbitramento é medida extrema. Sua utilização é possível apenas se o fisco verificar a ausência de escrituração regular, o que não se vislumbra no caso. • O entendimento de que é medida extrema é tranqüilo e unânime. Ele não pode ser usado ao belprazer do fisco, que teria perfeitamente como realizar a fiscalização pelos métodos normais, consoante se comprova pela transcrição na impugnação de ementas atribuídas ao Conselho de Contribuintes e também a diversas DRJ. • O arbitramento não pode ser usado por mera conveniência e apenas por se revelar mais vantajoso para os cofres públicos, sob pena de se distorcer totalmente a realidade dos fatos, como no presente caso. • O montante que se exige na autuação foi encontrado ilusoriamente, pelo equivocado arbitramento, o que invalida, pois, o trabalho fiscal, o qual tem de ser integralmente desconsiderado e anulado e não se presta a fundamentar nenhuma cobrança. • O arbitramento incorre em gritantes erros e é certo que inexiste a prática das supostas infrações aludidas na autuação • A impugnante, na qualidade de comerciante, apenas realiza a revenda de produtos. Não os fabrica, mas sim os compra de fornecedores. Assim, precede à operação de venda uma correspondente operação de compra. O verdadeiro e real lucro que possa vir a obter a impugnante decorre sempre da diferença entre o que se despende na compra das mercadorias e o que se obtém com a revenda, ou seja, a agregação de valor imposta às mercadorias comercializadas. Dessa forma, o real faturamento da impugnante é composto apenas desse valor agregado. • Equivocadamente, no arbitramento de lucro considerase como faturamento inclusive a parte do preço de compra da mercadoria. Conseqüentemente, englobase dentro do faturamento da impugnante o faturamento de terceiro. Isso se reflete na base de cálculo apurada pelo fisco e a torna completamente ilusória, ilegal e irreal, e a impede de prosperar. • O faturamento de terceiro não pode compor a base de cálculo da Cofins, uma vez que nesse caso a Cofins teria uma base imponível constituída também por valores que não correspondem receita auferida pelo próprio contribuinte, o que configura evidente confisco, vedado pelo artigo 150, inciso IV, da CF 1988. Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 19 18 • Ao pretender fazer a Cofins incidir sobre o faturamento bruto das revendas de mercadorias, o fisco cobra valores muito além do montante efetivamente devido. • Sobre o valor destacado em nota fiscal do fornecedor da impugnante já houve, em principio, incidência da Cofins, visto que essas somas representam seu faturamento. Dessa forma, ao considerar como integrante da base de cálculo todo o montante do faturamento bruto, ainda mais por meio de arbitramento, o autuante deforma a base de cálculo real e extrapola a capacidade contributiva da impugnante, além de acarretar bi tributação, haja vista que, em relação ao valor pago pela aquisição da mercadoria está incluída Cofins paga pelo fornecedor. • Por ter sido essa receita base de cálculo da Cofins recolhida pelo fornecedor, o recolhimento da Cofins sobre a mesma receita pela impugnante caracterizase como verdadeiro bis in idem vedado pela legislação. • A escolha da situação econômica pelo legislador encontra limites na discriminação constitucional de competências. A capacidade contributiva não está adstrita à capacidade financeira, nem tem esse significado, mas a restrição legal é de ordem jurídica e busca coibir efeito confiscatório do tributo, na medida em que proíbe o legislador de exigir tributo sem uma base imponível justa, aplicável à realidade do conjunto de fatos economicamente apreciáveis, formadores do fato gerador. • O princípio da capacidade contributiva proíbe o confisco do patrimônio e impede que o tributo alcance receita, ganhos e rendimentos que não retratem a capacidade econômica do contribuinte. Obviamente essa restrição alcança receita e faturamento de terceiro. O preço pago não pode ser tido como sinônimo de faturamento próprio. • Se o fato imponível é o faturamento próprio, todo o valor que representar faturamento de terceiro não pode constituir base de cálculo de Cofins. Se assim for permitido, exigese a contribuição de forma não isonômica, ferindo, pois, o principio constitucional da isonomia. • O fato de os valores apontados pelo autuante se encontrarem totalmente incorretos refletese na base de cálculo, de modo que por equivoco se apurou suposta falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins. Destarte, as diferenças apuradas são ilusórias e decorrem exclusivamente do erro nos valores arbitrados. Em verdade, inexiste falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins e nada deve a impugnante. O regime não cumulativo da Cofins • O regime não cumulativo para a Cofins foi instituído a partir de fevereiro de 2004 pela Lei n° 10.833. Diante da elevada carga tributária e tendo em vista o caráter cumulativo da Cofins, tributo que por incidir sobre a totalidade da receita bruta não é Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 20 19 capaz de mensurar a capacidade contributiva do contribuinte, o governo dispôsse a atender o pedido do setor empresarial e tornar a Cofins não cumulativa. • Nos termos da nova legislação, as empresas passaram a recolher a Cofins à aliquota de 7,6% sobre o faturamento, definido como o total das receitas independentemente de sua denominação ou classificação contábil. A pessoa jurídica pode descontar créditos acumulados em relação às operações anteriores. • No caso, a apuração da Cofins realizada pela impugnante revelase correta e regular, com estrita observância do regime não cumulativo, de modo que deve ser afastada a pretensão fiscal de cobrança de valores. Inconstitucionalidade e ilegalidade da base de cálculo definida pela Lei nº 9.718, de 1998 • O alargamento da base de cálculo da Cofins previsto na Lei n° 9.718, de 1998, é absolutamente inconstitucional e ilegal, conforme decidido pelo plenário do STF. Receita bruta não é faturamento. • O trabalho fiscal não considera a ilegalidade da ampliação da base de cálculo prevista na Lei n° 9.718, de 1998, mas a aplica no cálculo dos valores pretendidos. Portanto, esses valores são irreais e indevidos. Em abono do argumento, transcrevese ementa de decisão atribuída ao Conselho de Contribuintes. • A Cofins é uma das contribuições sociais destinadas a financiar a seguridade social, conforme dispõe o artigo 195 da CF 1988. Até a edição da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, ela incidia exclusivamente sobre o faturamento do contribuinte e somente desde então é que passou a ser exigida sobre receita ou faturamento. • O conceito de faturamento, citado no texto original do artigo 195 da CF 1988 foi definido pela Lei Complementar n° 70, de 1991, como a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Segundo a doutrina, o conceito de faturamento utilizado nessa redação não poderia englobar nenhum outro tipo de receita. Concluise que é cabal a inconstitucionalidade e ilegalidade do § 1º do artigo 3° da Lei n° 9.718, de 1998. A lei ordinária, violando a CF 1988 e a Lei Complementar n° 70, de 1991, alterou a base de cálculo da Cofins. • Nem mesmo a posterior edição da Emenda Constitucional n° 20, de 1998, tem o condão de constitucionalizar a Lei n° 9.718, de 1998, por ter sido publicada após a edição desta última. Considerando que uma lei só pode regulamentar um preceito constitucional preexistente, concluise que a Lei n° 9.718, de 1998, não pode ser içada da inconstitucionalidade e ilegalidade em que se encontrava. Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 21 20 • A inconstitucionalidade e ilegalidade do § 1º do artigo 3° da Lei n° 9.718, de 1998, foi amplamente discutida pelo STF, que a reconheceu expressamente. A partir desse entendimento fixado pelo Plenário do STF, ele tem sido adotado pelos seus ministros, consoante exemplificam os julgados citados na impugnação. • E manifesta a incorreção dos valores do auto de infração, visto que a apuração da base de calculo da Cofins tem por fundamento a Lei n° 9.718, de 1988, de modo que não deve prevalecer. A mesma sorte tem a tributação de receitas financeiras, que também, nos termos da decisão do STF, não podem sofrer tributação pela Cofins. Inconstitucionalidade e ilegalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins • Ao determinar a base de calculo da Cofins, o autuante considerou o ICMS como parcela dela integrante, o que é totalmente ilegal. Invocase em favor do argumento o disposto no artigo 195, inciso I, letra "b", da CF 1988; nos artigos 1° e 2° da Lei Complementar n° 70, de 1991; no artigo 1° da Lei n° 10.833, de 2003; nos artigos 1º, 2° e 13 da Lei Complementar n° 87, de 1996; no artigo 49 do Decreto Estadual de Minas Gerais nº 43.800, de 2002. Dessa legislação inferese que a Cofins incide sobre a receita bruta advinda das vendas de mercadorias, representadas pelo faturamento, incluído neste o ICMS a ser recolhido. • Há um conceito pressuposto de faturamento e receita na CF 1988 e este deve ser o norte do legislador ordinário. Ao escolher o faturamento ou a receita bruta para ser base de cálculo da Cofins, o inciso I do artigo 195 da CF 1988 identificou que a empresa seria a detentora do faturamento que serviria de base para a citada contribuição, e não terceiros. • No que tange ao IPI, é expressa a sua exclusão da base da Cofins (artigo 2°, parágrafo alínea “a” da Lei Complementar n° 70, de 1991). Quanto ao ICMS, porém, nada determina a lei e é nesse ponto em que reside a inconstitucionalidade e ilegalidade da questão, uma vez que o montante do ICMS faz base de cálculo para as contribuições federais sem ser receita nem faturamento das empresas. • O ICMS é receita dos estados da federação e não pertence ao patrimônio dos contribuintes, por isso, não caracteriza o conceito constitucional e legal de faturamento ou receita, falta lhe a característica de riqueza do contribuinte e não pode ser incluído na base de cálculo da Cofins. Ilustrase o argumento com a citação de decisão do antigo Tribunal Federal de Recursos e de voto do Ministro Marco Aurélio, do STF. Conclui se, dessas citações, que o ICMS não tem permissão constitucional para integrar a base de calculo da Cofins. Nenhum imposto, por sinal, o tem, pelo que a própria lei retirou o IPI dessa base. Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 22 21 • O ICMS é um ônus para o contribuinte e uma receita de terceiros, pelo que não pode integrar a base de cálculo da Cofins. • Unanimemente a doutrina invoca a quantificação da base de cálculo como capaz de determinar a natureza jurídica do tributo, a ponto de pôlo a perder, conforme sustenta Paulo de Barros Carvalho. Deve haver uma correlação lógica entre a riqueza que se quer alcançar, seu sujeito passivo e a parcela dessa riqueza que será destinada aos cofres públicos a titulo de tributo. Sem essa correlação, descaracterizase o próprio gênero jurídico do tributo, como bem demonstrou Alfredo Augusto Becker. • Ao incluir na base de calculo da Cofins o ICMS, riqueza pertencente aos estados da Federação, o que o legislador acabou por fazer foi amesquinhar o conceito constitucional de receita e faturamento. Por via reflexa, avançou tal base de cálculo no patrimônio consolidado do contribuinte. Em abono do argumento, transcrevese passagem de votos proferidos em julgamentos atribuídos ao STF e ao Conselho de Contribuintes. • O ICMS não pode integrar a base de calculo da Cofins, uma vez que o conceito de faturamento não o abarca. Ele é rendimento do estado, afinal ninguém comercializa nem fatura imposto. Desta feita, devem ser decotados da base de cálculo da Cofins todos os valores referentes ao ICMS devido nas operações. Aplicação das multas de ofício • No tocante às multas, estas se mostram totalmente indevidas e arbitrárias. • As multas consistem em sanção pela prática de ilícito. No caso, não houve a prática de nenhum ilícito por parte da impugnante, de modo que não lhe deve ser cobrada multa alguma. • O autuante equivocase ao alegar que houve encerramento irregular das atividades da empresa, utilização de informações falsas em alterações do contrato social, vontade dos responsáveis da empresa em impedir o conhecimento da ocorrência de fato gerador da obrigação tributária, recusa ao atendimento de intimações fiscais e ajuste doloso entre pessoas naturais e jurídicas, visando simulação e sonegação. • A Alô Minas não se encontra encerrada, mas sim inativa. • Também não merece respaldo a alegação de informações falsas, visto que o próprio relatório fiscal informa que houve informação do contabilista Wanderson Ribeiro Gonçalves de que a empresa já não funcionava, e não que nunca havia funcionado no endereço constante no CNPJ. Uma vez que a impugnante estava inativa, isso pode ter desencadeado a resposta do contabilista. Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 23 22 • Também não se sustentam as alegações de que os responsáveis da empresa tinham vontade de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador e de que se recusavam a atender intimações, visto que todas as intimações foram respondidas pela Alô Minas. • Assim, não houve nenhum ajuste entre pessoas naturais e jurídicas visando simulação e sonegação. • Concluise que o agravamento da multa é totalmente arbitrário e inadmissível. Este é até mesmo o melhor entendimento da jurisprudência administrativa, a exemplo das ementas de decisões atribuídas ao Conselho de Contribuintes que se transcrevem na impugnação. • A Alô Minas e seu sócio José Eustáquio Gonçalves sempre tentaram atender de forma mais rápida e completa as intimações fiscais, sem deixar de apresentar nenhum documento solicitado. Eventuais pedidos de dilação de prazo foram feitos em razão do excesso de documentação solicitada a todo o momento e da necessidade de tempo para separar a referida documentação, o que não se pode caracterizar em tentativa de embaraço (sob pena de o fisco incorrer em abuso e excesso de poder), nem justificar a aplicação da multa confiscatória de 150%, em total afronta dos princípios basilares consagrados na CF 1988. • Citase passagem atribuída a Paulo de Barros Carvalho, para concluir que fica claro que as multas aplicadas são sanções de natureza pecuniária equivocadamente imputadas, uma vez que não houve infração tributária por parte da impugnante. Em verdade, a impugnante não infringiu nenhuma norma jurídica de conduta. Impossibilidade de aplicação da taxa Selic • No tocante à taxa Selic, muito se vem questionando a legalidade do seu uso como índice de atualização do crédito tributário, mormente ante a desvirtuação da sua origem e finalidade, o que prejudica e impede o emprego pretendido pelo sujeito ativo da obrigação tributária. • A disseminação observada no uso da taxa Selic para cálculo dos juros de mora é algo que deve ser acolhido com extrema cautela, pois não raro causa a própria inadimplência do devedor. • A utilização da Selic não atende ao intento do legislador, pois, além de desvirtuar os conceitos já arraigados no direito tributário, chocase com outros de ordem pública e interesse social, causando verdadeiro enriquecimento sem causa do credor. • Os juros de mora e a multa punitiva complementam a composição do crédito tributário a destempo, ou seja já preservado o próprio capital ante a sua atualização monetária, Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 24 23 resta obter a indenização pelo atraso no pagamento e a penalidade para dissuadir o devedor na reincidência do ilícito. • A legislação não permite a cobrança de forma compressiva dos títulos incidentes na mora tributária, mas exige o seu desdobramento, com a meação individualizada de cada um dos respectivos valores. • Concluise que a legislação limita o cômputo dos juros de mora ao efetivo valor do prejuízo sofrido pelo credor, bem como exige que cada título seja indicado de forma individualizada, por ocasião da apuração de crédito tributário em mora. Não obstante, o legislador ordinário está cruzando tais fronteiras, visto que atrela a apuração dos juros de mora à divulgação de juros de cunho eminentemente remuneratório. • É forçoso concluir que a cobrança dos juros de mora não pode ser substituída por um titulo mais abrangente, sob pena de desvirtuamento da lei fiscal. • O Superior Tribunal de Justiça — STJ reconheceu a impertinência da taxa Selic como juros de mora, bem como concluiu que os respectivos encargos gerados constituem nova hipótese de incidência tributária. • A conclusão exarada pelo Ministro Franciulli Netto de que a taxa Selic impõe aumento da carga tributária deixa evidente o excesso que tal encargo impõe ao contribuinte. • O artigo 161, § 1º, do Código Tributário Nacional — CTN estipula que os juros de mora devem ser calculados à taxa de 1% ao mês. • Portanto, caso não se decida por anular integralmente as multas e os juros de mora, que sejam substancialmente reduzidos os seus valores. Aplicabilidade do princípio in dubio pro contribuinte • Verificase no caso em tela a total aplicabilidade do princípio in dubio pro contribuinte, previsto expressamente no artigo 112 do C'TN. Citase passagem atribuída a Sacha Calmon Navarro Coelho, para concluir que a lavratura do auto de infração é totalmente equivocada e deve, pois, ser ele anulado, cancelando se todas as exigências fiscais. Pedido • É requerida a total improcedência da impugnação, com o acolhimento das preliminares de nulidade argüidas. Caso não se entenda assim, pedese que seja determinado o cancelamento do lançamento e a conseqüente extinção do crédito tributário. • Caso não se decida pela extinção do crédito tributário, pedese que a multa e os juros sejam desconsiderados ou ao menos reduzidos substancialmente. Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 25 24 • É requerida a produção de provas por todos os meios admitidos em direito, em especial a pericial e a juntada ulterior de documentos. IMPUGNAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS Além de suscitar as mesmas questões e argüições já resumidas na subseção deste voto em que se relata a impugnação do auto de infração de Cofins, esta impugnação contém novos argumentos e argüições que são sintetizados adiante. Quanto às partes em comum das duas impugnações, remetese o leitor ao resumo da impugnação do auto de infração de Cofins, pois aqui elas não são reiteradas. Notese ainda uma distinção no que se refere à legislação invocada. E que, no lugar de se referir à Lei n° 10.833, de 2003 (que institui a Cofins não cumulativa), nela se faz referência à Lei n° 10.637, de 2002 (que institui a contribuição para o PIS não cumulativo). Impossibilidade de aplicar o método de arbitramento • A propósito do entendimento esposado em ementas transcritas na impugnação, no caso em tela, contrariamente, o fisco valeu se da apuração da contribuição para o PIS por meio de arbitramento, sob a alegação de omissão de receita no prazo inicial. • O contribuinte, porém, requereu prazo para apresentar os documentos e, ainda que não o houvesse solicitado, tal alegação não merece respaldo, conforme se verifica nas jurisprudências citadas, pois é totalmente imprópria, de modo que não pode prosperar o auto de infração. IMPUGNAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO DE IRPJ Além de suscitar as mesmas questões e argüições já resumidas na subseção deste voto em que se relata a impugnação do auto de infração de Cofins, esta impugnação contém novos argumentos e argüições que são sintetizados adiante. Quanto às partes em comum das duas impugnações, remetese o leitor ao resumo da impugnação do auto de infração de Cofins, pois aqui elas não são reiteradas. Notese ainda que as questões que dizem respeito exclusivamente a essa contribuição são omitidas da presente impugnação, a exemplo da discussão a respeito do regime não cumulativo. Impossibilidade de aplicar o método de arbitramento • A propósito do entendimento esposado em ementas transcritas na impugnação, no caso em tela, contrariamente, o fisco valeu se da apuração do IRPJ por meio de arbitramento, sob a alegação de omissão de receita no prazo inicial. • O contribuinte, porém, requereu prazo para apresentar os documentos e, ainda que não o houvesse solicitado, tal alegação não merece respaldo, conforme se verifica nas jurisprudências Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 26 25 citadas, pois é totalmente imprópria, de modo que não pode prosperar o auto de infração. • O valor apurado na movimentação financeira não representa o lucro da empresa, uma vez que desconsidera a existência de despesas fixas e variáveis da sociedade. • Não assiste razão ao auditor fiscal, visto que se trata de empresa idônea constituída em 1990, que zela por sua imagem e reputação e honra suas obrigações tributárias e fiscais e que no entanto se encontra inativa. • A base de cálculo definese como o valor fixado em lei sobre o qual se aplica a alíquota para determinar o montante do tributo devido. Em se tratando de IRPJ, o lucro tributável é o acréscimo, em cada exercício social, do patrimônio liquido da sociedade. Dessa forma, os valores encontrados pela fiscalização por meio do indevido arbitramento são inverídicos e equivocados e não refletem a realidade econômicofiscal da empresa. Ilustrase o argumento com a ementa de decisão judicial. • Concluise que não houve omissão de receita e que, ainda que houvesse, não poderia ser usado o método do arbitramento. IMPUGNAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO DE CSLL Além de suscitar as mesmas questões e argüições já resumidas na subseção deste voto em que se relata a impugnação do auto de infração de Cofins, esta impugnação contém novos argumentos e argüições que são sintetizados adiante. Quanto às partes em comum das duas impugnações, remetese o leitor ao resumo da impugnação do auto de infração de Cofins, pois aqui elas não são reiteradas. Notese ainda que as questões que dizem respeito exclusivamente a essa contribuição são omitidas da presente impugnação, a exemplo da discussão a respeito do regime não cumulativo. Impossibilidade de aplicar o método de arbitramento • A propósito do entendimento esposado em ementas transcritas na impugnação, no caso em tela, contrariamente, o fisco valeu se da apuração da CSLL por meio de arbitramento, sob a alegação de omissão de receita no prazo inicial. • O contribuinte, porém, requereu prazo para apresentar os documentos e, ainda que não o houvesse solicitado, tal alegação não merece respaldo, conforme se verifica nas jurisprudências citadas, pois é totalmente imprópria, de modo que não pode prosperar o auto de infração. • O valor apurado na movimentação financeira não representa o lucro da empresa, uma vez que desconsidera a existência de despesas fixas e variáveis da sociedade. • Não assiste razão ao auditor fiscal, visto que se trata de empresa idônea constituída em 1990, que zela por sua imagem e Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 27 26 reputação e honra suas obrigações tributárias e fiscais e que no entanto se encontra inativa. • A base de cálculo definese como o valor fixado em lei sobre o qual se aplica a alíquota para determinar o montante do tributo devido. Em se tratando de CSLL, o lucro tributável é o acréscimo, em cada exercício social, do patrimônio liquido da sociedade. Dessa forma, os valores encontrados pela fiscalização por meio do indevido arbitramento são inverídicos e equivocados e não refletem a realidade econômicofiscal da empresa. Ilustrase o argumento com a citação de passagem doutrinária. • Concluise que não houve omissão de receita e que, ainda que houvesse, não poderia ser usado o método do arbitramento. IMPUGNAÇÕES APRESENTADAS PELO SUJEITO PASSIVO SOLIDÁRIO Além de suscitar as mesmas questões e argüições já resumidas na subseção deste voto em que se relatam as impugnações apresentadas pelo sujeito passivo principal, reproduzindo seu texto literalmente, as quatro impugnações contém novos argumentos e argüições apenas no que diz respeito à argüição de ilegitimidade passiva, os quais são sintetizados adiante. Quanto às partes em comum das oito impugnações, remetese o leitor ao resumo das impugnações apresentadas pelo sujeito passivo principal, pois aqui elas não são reiteradas. Ilegitimidade passiva do impugnante • O fato de terem os agravantes participado do quadro societário da empresa não configura responsabilidade pelo pagamento da dívida. O artigo 121, inciso I, do CTN estabelece que a responsabilidade tributária cabe, em regra, ao contribuinte. • Apenas excepcionalmente um terceiro, não relacionado pessoal e diretamente com o fato gerador, pode assumir, por determinação legal, a responsabilidade pela obrigação tributária. • O impugnante compôs o quadro societário da autuada entre junho de 2007 e maio de 2008, nos termos da 8ª e da 9ª alteração contratual, na qualidade de sócio meramente quotista, com apenas 1% do capital social. Antes de junho de 2007 o impugnante não integrava o quadro societário, conforme comprovado pela cópia anexa da 8ª alteração contratual. • O impugnante não fazia parte do quadro social da Alô Minas ao tempo da ocorrência do fato gerador do suposto crédito tributário. Não existe nenhuma determinação legal que imponha responsabilidade a sócio que não compunha o quadro social no momento do fato gerador. • Somente o sóciogerente de sociedade limitada que efetivamente praticou ato abusivo ou infração de lei, contrato Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 28 27 social ou estatuto pode ser responsabilizado solidariamente. Nesse sentido é uníssona a jurisprudência do STJ, a exemplo da ementa transcrita na impugnação. • Nos termos do artigo 135, inciso III, excepcionalmente o sócio administrador pode ser responsabilizado pelos débitos da pessoa jurídica, nas estritas situações como excesso de poderes ou infração de lei. Comprovar as eventuais infrações constitui ônus da Fazenda Pública, conforme já decidiu o STJ. 0 sócio meramente quotista nunca poderá ser responsabilizado. Ilustra se o argumento com a ementa de duas decisões atribuídas a esse órgão. • A falta de pagamento de tributo, de per si, não caracteriza violação de lei, conforme entendimento do STJ. • O fato gerador do crédito tributário exigido em momento algum é proveniente de qualquer ato realizado pelo impugnante. E não há falar em excesso de poderes ou infração de lei de sua parte. • Nem sequer foram exauridas as possibilidades de recebimento do suposto débito pela Alô Minas, requisito indispensável para que ele seja cobrado dos demais supostos devedores. Nos termos do artigo 134 do CTN, somente diante da impossibilidade de ser satisfeita a obrigação tributária por parte do contribuinte, é que haverá responsabilidade solidária. Em abono do argumento, citase precedente judicial e passagem doutrinária. • O artigo 134 do CTN, além disso, só imputa responsabilidade aos sócios quando se trata de sociedade de pessoas. Todavia, é pacífico o entendimento de que a sociedade limitada não se classifica como tal. É o que ensina P. R.. Tavares. O STJ regulamenta o assunto por meio da Sumula 430, segundo a qual o inadimplemento da obrigação tributária duma sociedade empresária não gera por si só a responsabilidade do sócio gerente. • Portanto não restam dúvidas quanto à total ilegitimidade passiva do impugnante para figurar como coobrigado no presente auto de infração. Como mencionado, a DRJ Belo Horizonte/MG considerou parcialmente procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 ARBITRAMENTO DE LUCRO CABIMENTO Sujeitase ao arbitramento de lucro, o contribuinte que não atender a intimação fiscal para apresentar sua escrituração fiscal e contábil. OMISSÃO DE RECEITAS Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 29 28 Tributamse como omissão de receita os depósitos e créditos em conta bancária cuja origem não seja comprovada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 ARBITRAMENTO DE LUCRO CABIMENTO Sujeitase ao arbitramento de lucro, o contribuinte que não atender a intimação fiscal para apresentar sua escrituração fiscal e contábil. OMISSÃO DE RECEITAS Tributamse como omissão de receita os depósitos e créditos em conta bancária cuja origem não seja comprovada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 BASE DE CÁLCULO DO PIS CONTRIBUINTE CUJO LUCRO FOR ARBITRADO Os contribuintes cujo lucro for arbitrado não poderão adotar o regime não cumulativo para a determinação do montante devido de contribuição para o PIS. Esta sempre incide sobre o faturamento e em nenhuma hipótese é admitida a dedução do custo incorrido na aquisição ou na produção dos produtos ou mercadorias vendidas. OMISSÃO DE RECEITAS Tributamse como omissão de receita os depósitos e créditos em conta bancária cuja origem não seja comprovada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 BASE DE CÁLCULO DA COFINS CONTRIBUINTE CUJO LUCRO FOR ARBITRADO Os contribuintes cujo lucro for arbitrado não poderão adotar o regime não cumulativo para a determinação do montante devido de Cofins. Esta sempre incide sobre o faturamento e em nenhuma hipótese é admitida a dedução do custo incorrido na aquisição ou na produção dos produtos ou mercadorias vendidas. OMISSÃO DE RECEITAS Tributamse como omissão de receita os depósitos e créditos em conta bancária cuja origem não seja comprovada. Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 30 29 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA EXTINÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE PRÁTICA DE ATOS COM EXCESSO DE PODER OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO OU ESTATUTO. Respondem pelos tributos das pessoas jurídicas extintas os sócios com poderes de administração da pessoa jurídica que deixar de funcionar sem proceder à liquidação. São ainda igualmente responsáveis os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica pelos créditos resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Os sócios sem poder de administração, porém, não podem ser responsabilizados nessas circunstâncias. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido A parcial procedência foi apenas para acatar a argüição de ilegitimidade passiva apresentada por Gleison Pires Dutra e o exonerar da condição de sujeito passivo solidário. Em relação ao outro sujeito passivo, as exigências fiscais foram mantidas integralmente. Inconformado com essa decisão, da qual tomou ciência em 13/10/2011, José Eustáquio Gonçalves, para o qual foi imputada a responsabilidade pelo crédito tributário, apresentou recurso voluntário em 16/11/2001, onde reitera a mesma linha de argumentos contidos em sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Este é o Relatório. Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 31 30 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 13/10/2011 (quinta feira) e o prazo final para a apresentação do recurso seria 14/11/2011 (segundafeira), conforme o art. 33 do Decreto 70.235/72 c/c o art. 210 do Código Tributário Nacional CTN. Ocorre que o Secretário Executivo do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão editou a Portaria nº 870, de 24/10/2011, considerando o dia 14/11/2011 como “ponto facultativo no âmbito da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional, alusivo à comemoração do Dia do Servidor Público Federal”. Como o dia 15/11/2011, em que se comemora a Proclamação da República, é feriado nacional, o prazo final para a apresentação do recurso foi deslocado para o dia 16/11/2011, data em que o mesmo foi apresentado pelo sujeito passivo. O recurso, portanto, é tempestivo e dotado dos demais pressupostos para a sua admissibilidade. Assim, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, tratase de exigência de IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS), fundada em omissão de receitas apurada a partir de depósitos bancários com origem não comprovada. O lançamento abrangeu fatos ocorridos ao longo do anocalendário de 2006. O IRPJ e a CSLL foram apurados mediante arbitramento dos lucros, e o PIS e a COFINS, pelo regime cumulativo. A Fiscalização imputou a responsabilidade pelo crédito tributário ao Sr. José Eustáquio Gonçalves, sóciogerente da empresa Alô Minas, por ter constatado que a empresa não mais existia de fato, que o último endereço fornecido ao CNPJ era inexistente e que teria havido a dissolução irregular da empresa, dentre outros fatos que serão analisados na seqüência deste voto. Em sede de recurso voluntário, o sujeito passivo reiterou a mesma linha dos argumentos apresentados na fase de impugnação. Contudo, suprimiu do recurso o tópico relativo à preliminar de nulidade por cerceamento de defesa, pelo qual havia alegado que o auto de infração não permitiu a boa compreensão dos motivos que ensejaram a autuação, a compreensão dos valores exigidos e quais as irregularidades que lhe foram imputadas. Tal preliminar merecia mesmo a rejeição, como ocorreu na primeira instância administrativa. O Termo de Verificação Fiscal apresenta grande detalhamento sobre os fatos que motivaram a autuação e também sobre a indicação dos critérios adotados no lançamento, não havendo qualquer margem para alegação desta espécie. Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 32 31 Quanto às demais questões, as quais foram renovadas no recurso voluntário, praticamente nada há a acrescentar à decisão recorrida, que realmente exauriu o exame das matérias, conforme restará demonstrado a seguir. A análise do recurso seguirá a seqüência de seus tópicos. LEGITIMIDADE PASSIVA DO RECORRENTE E BAIXA NO CNPJ DA EMPRESA ALÔ MINAS REPRESENTAÇÕES LTDA. A decisão recorrida examinou essa matéria nos termos abaixo: Não se sustentam os argumentos do impugnante por meio dos quais defende que houve eleição errônea do sujeito passivo No relatório fiscal, o autuante invoca como fundamento jurídico para a escolha do sóciogerente da Alô Minas como sujeito passivo principal o disposto no artigo 124, inciso I e II, e no artigo 135, inciso III, ambos do CTN, os quais textualmente estabelecem que: (...) De acordo com o princípio da entidade, o patrimônio da pessoa jurídica, composto de bens, direitos e obrigações, não se confunde com o dos membros que a integram ou com o de pessoas que com ela mantém algum vínculo. No caso de sociedades empresárias ou de sociedades simples que assumam uma das formas de sociedade empresária, a conseqüência de tal princípio é que a responsabilidade dos sócios e acionistas é em geral limitada ao valor do capital individualmente subscrito e ainda não integralizado. O princípio da entidade, contudo, não é absoluto, pois a legislação civil, a comercial e a tributária prevêem expressamente diversas hipóteses em que ele pode ser total ou parcialmente rompido, para que os sócios, cotistas ou terceiros vinculados possam responder pelas obrigações da pessoa jurídica. Algumas das exceções ao princípio da entidade encontramse no CTN, a exemplo das previstas nos seus artigos 124 e 135, transcritos acima. Assim, configuradas as circunstâncias e condições que, nos termos da lei, permitem a responsabilização de terceiros pela obrigação da pessoa jurídica, é descabido falar em violação do princípio que distingue a responsabilidade da sociedade limitada daquela dos sócios que a integram. Evidentemente, se não houver prova de que os requisitos legais foram preenchidos, a responsabilização dos sócios ou de terceiros vinculados será ilegítima, mas em tese não há obstáculo intransponível para que outras pessoas sejam chamadas a responder pelas obrigações da pessoa jurídica. A responsabilidade prevista nos artigos 124 e 135 do CTN não é subsidiária, diferentemente daquela estabelecida pelo artigo 134 do CTN, que o é. O próprio parágrafo único do artigo 124 Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 33 32 dispõe que a responsabilidade nele prevista não comporta benefício de ordem. Uma vez que o autuante não invoca o artigo 134 do CTN como fundamento jurídico da responsabilização do sócioadministrador, não há nenhuma necessidade de demonstrar que, antes da responsabilização do sócio, houve tentativa frustrada de cobrar o crédito tributário da pessoa jurídica. Pela mesma razão, é igualmente irrelevante a discussão acerca de se classificarem ou não as sociedades limitadas como sociedade de pessoas, uma vez que apenas o inciso VII do artigo 134 faz tal distinção. A redação dos artigos 124 e 135 não restringe a sua aplicação ao crédito tributário devido pelas sociedades de pessoas. Ao contrário do que afirma o impugnante, está cabalmente provada nos autos a ocorrência de circunstância prevista no artigo 135, inciso III, do CTN que justifica a responsabilização do sócio (atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos). A folhas 52 a 55 do anexo I encontrase a cópia das duas alterações contratuais pelas quais, entre outras modificações, o endereço da sede social da Alô Minas passou a ser a rua Cataguazes n° 25, bairro Carlos Prates, Belo Horizonte. Subscrevem os dois atos, os sócios José Eustáquio Gonçalves e Gleison Pires Dutra. O contrato social consolidado após as duas alterações, atribui ao Sr. José Eustáquio as funções de administrador e representante legal da sociedade. O mesmo endereço foi informado à Receita Federal e passou a constar no cadastro da Alô Minas no CNPJ. A folhas 40 encontrase correspondência oficial enviada ao endereço mencionada e devolvida pelos correios sob a justificativa de que o número é inexistente. Já a folhas 41 a 46 vêse o resultado impresso de pesquisa no cadastro imobiliário da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, que confirma que não há o registro de nenhum imóvel com o endereço em causa. A folhas 47 encontrase o termo de constatação fiscal lavrado pelo auditor fiscal que esteve pessoalmente no local. Ele relata que no lado ímpar da Rua Cataguazes o primeiro imóvel é o de n° 39. No lugar onde possivelmente haveria o imóvel de n° 25, deparase, em verdade, com uma garagem, a qual, por sua vez, pertence a uma casa cujo registro a situa na rua contígua, de modo que seu endereço é Rio Pomba n° 14. Também no anexo I, a folhas 18, verificase que desde 21.12.2007 a inscrição estadual da Alô Minas foi cancelada, por ter sido anteriormente bloqueada em virtude de desaparecimento do contribuinte. Além disso, a folhas 4 desse anexo verificase que as declarações de rendimentos da Alô Minas, desde a referente ao ano calendário de 2008, indicam inatividade. Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 34 33 A relativa a 2006, embora tenha sido entregue no formulário de lucro real, continha valores todos nulos. Contra todos esses fatos bem documentados, o impugnante apresenta não mais que uma série de alegações e afirmações não comprovadas. A prestação de informação falsa e que diga respeito a aspecto tão relevante como a sede do estabelecimento da sociedade caracteriza, sim, infração de lei, contrato social ou estatuto. A informação não só é falsa, como o endereço nem sequer existe. Mais ainda, não foi encontrado nenhum estabelecimento da sociedade, o que implica que de fato não tem sede e portanto não existe. Se lhe restaram bens, isso é igualmente incerto, em face de semelhante quadro. Embora insista que a empresa existe, o impugnante não traz aos autos nenhuma prova satisfatória de sua afirmação. As obrigações acessórias que o impugnante alega que a Alô Minas continua a cumprir, pelo que se depreende dos autos, limitamse à entrega anual da declaração de inatividade. O ato, porém, não demonstra que a empresa existe, que possua bens e algum estabelecimento concreto, nem muito menos que a informação acerca de seu endereço seja verdadeira. O impugnante fez juntar aos autos, a folhas 187 e seguintes, cópias de autos de infração lavrados pela Receita Federal em 2008 nos quais é indicado como endereço da Alô Minas a rua Cataguazes n° 25. Contudo, isso não constitui prova de que a Receita Federal reconheceu ou certificou a existência de algum estabelecimento da autuada naquele endereço. A qualificação do sujeito passivo no auto de infração deve coincidir com os dados cadastrais do contribuinte, os quais são fornecidos por ele próprio ao CNPJ. Não haveria razão para o fisco indicar endereço diverso, a não ser que tivesse visitado o local e verificado que os dados informados pelo contribuinte eram inverídicos. No relatório da decisão de primeira instância juntada aos autos pelo impugnante, porém, não há nenhuma alusão a semelhante visita. Em verdade, o endereço da Alô Minas não constitui matéria de discussão naquele processo. Mais importante ainda é que, conforme relatado nessa mesma decisão, a notificação do lançamento não se fez por via postal, mas pessoalmente, recebido que foi por um dos sócios. Caso o auto de infração tivesse sido entregue pelos correios no endereço em causa, o fato poderia erigirse em indício de que, ao menos naquela ocasião, algum estabelecimento da Alô Minas houvesse no local. Todavia, não é esse o caso, e a alegação da presente impugnação tornase inócua. O impugnante afirma que posteriormente houve, no endereço questionado, o recebimento de outras notificações e intimações enviadas pela Receita Federal. Não trouxe aos autos, porém, nenhuma prova dessa alegação. O termo de devolução de documentos do qual uma cópia o impugnante fez juntar a folhas 222 não comprova que a Alô Minas foi notificada pela Receita Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 35 34 Federal no seu endereço cadastral, uma vez que a ciência do documento não se fez por via postal, mas pessoalmente, assinado que foi por José Eustáquio Gonçalves, o sóciogerente. O endereço da Rua Cataguazes, 25 é apenas mencionado no cabeçalho do termo porque é o que, como se sabe, consta do cadastro da empresa. Ainda que se admita, conforme a alegação do impugnante, que a inscrição estadual se tenha tornado dispensável em virtude da alteração do objeto social da Alô Minas, o procedimento correto seria dar baixa regular dessa inscrição perante o fisco estadual. No entanto, o documento a folhas 18 do Anexo I demonstra que, em verdade, a inscrição estadual foi cancelada pela Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais não para atender a requerimento da Alô Minas, mas sim, conforme dizeres expressos constantes do documento, em razão do desaparecimento do contribuinte. Não bastassem todos os fundamentos acima para caracterizar que realmente houve a dissolução irregular da empresa, o próprio comportamento de seu responsável ao longo da auditoria fiscal também a caracteriza. Por seis vezes (em 22/12/2009, 15/01/2010, 10/02/2010, 12/04/2010, 16/04/2010 e 12/05/2010) ele foi intimado a apresentar livros e documentos fiscais, e outros esclarecimentos, e em todas essas ocasiões limitouse a solicitar novo prazo para a juntada de documentos, alegando “a exigüidade do prazo concedido e o volume de documentos solicitados”. Durante todo esse prazo, nenhum livro ou documento fiscal foi apresentado à Fiscalização, evidenciando que a intenção era mesmo de fazer a empresa desaparecer, sem deixar vestígio, o que inclusive já havia motivado o cancelamento pela SEF/MG de sua inscrição estadual. Na esfera da Receita Federal, também houve procedimento administrativo que resultou na baixa de oficio do CNPJ da empresa Alô Minas Representações Ltda., conforme processo nº 15504.001462/201021. A decisão recorrida, embora tenha mencionado que as discussões a respeito da declaração de inaptidão ou de baixa de oficio da Alô Minas deveriam se dar no âmbito daquele outro processo, acabou de certo modo adentrando nos argumentos do sujeito passivo que questionam a legalidade das normas estabelecidas pela Receita Federal para disciplinar o procedimento administrativo de baixa de inscrição. Mas além da baixa do CNPJ ser objeto de outro processo, tratase de um procedimento administrativo de atualização e controle do cadastro CNPJ, que, embora aponte no mesmo sentido do que foi sustentado pela Fiscalização, não implica direta e isoladamente na solução do processo ora analisado. Tanto o é que foram examinados os argumentos que sustentam a existência da empresa. Com efeito, essa matéria não foi considerada preclusa. Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 36 35 O que interessa, no caso, é que restaram constatados débitos tributários em um contexto que enseja a responsabilização de terceiros, porque a empresa, embora com um faturamento considerável em 2006, na ordem de R$ 1.753.037,99, entregou DIPJ com valores zerados, e passou a informar ao Fisco um endereço falso e inexistente. Além disso, a conduta do sujeito passivo no decorrer da auditoria fiscal não só teve implicações com a apuração do fato gerador e a constituição do crédito tributário, mas também veio corroborar a afirmação de que houve a dissolução irregular da empresa, o que também implica na responsabilização de terceiros. Assim, de qualquer forma o Recorrente seria chamado a responder pelo crédito tributário, ainda que a inscrição da empresa no CNPJ continuasse ativa, e que também constasse o nome dela no cabeçalho do auto de infração. Diante dos fatos apurados, o sóciogerente seria igualmente chamado a responder pelo crédito tributário constituído, na condição de responsável, de acordo com as regras do art. 124 c/c 135, III, do CTN, exatamente como ocorreu aqui, o que torna inócua qualquer discussão em torno das normas instituídas pela Receita Federal para os atos relativos ao cadastro CNPJ. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA E ANÁLISE DE EXTRATOS BANCÁRIOS PRESUNÇÕES E INDÍCIOS DA AUTUAÇÃO FISCAL Não há nada a acrescentar aos fundamentos da decisão recorrida, relativamente a este tópico, pelo que os adoto nesta decisão: É infundada a postulação de que seja o lançamento fiscal anulado em virtude de supostamente ter sido baseado em indícios frágeis e arbitrários. Primeiramente, advirtase que o impugnante cometeu uma impropriedade vocabular ao falar em anulação, uma vez que a matéria suscitada diz respeito ao mérito do lançamento, e não às formalidades de sua constituição. Assim, o que realmente pretende é que se julgue improcedente o lançamento e que o impugnante seja exonerado do respectivo crédito tributário. Tanto é assim, que o próprio impugnante situa essa argüição na parte de sua defesa em que se dedica a atacar o mérito da exigência fiscal. Portanto, é como matéria de mérito que a argüição é aqui examinada. A argumentação do impugnante iniciase com uma digressão acerca da impropriedade de usar meros indícios como fundamento material do lançamento tributário. Contudo, a argumentação é inteiramente despropositada, pois a falta de comprovação da origem de valores depositados ou creditados em conta corrente constitui presunção legal de omissão de receita. Em face do disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, uma vez intimado pela fiscalização, cumpre ao contribuinte comprovar a origem dos recursos que ingressar em suas contas bancários, mediante documentação hábil e idônea, sob pena de se sujeitar à tributação dos respectivos valores como omissão de receita. Conforme termos de intimação a folhas Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 37 36 74 a 79 e 82, o sócio gerente da Alô Minas foi intimado e reintimado a apresentar documentos hábeis e idôneos que comprovassem a origem dos valores creditados nas contas correntes bancárias da empresa. Não tendo sido atendidas as intimações nos prazos estipulados, é absolutamente legitimo e de acordo com a lei considerar essas importâncias como omissão de receita. O impugnante, por sua vez, tampouco trouxe aos autos prova alguma da origem dos créditos. Por essa mesma razão, é infundada a queixa formulada pelo impugnante de que o autuante considerou todos os valores apurados como faturamento da Alô Minas, sem efetuar inspeção mais minuciosa e confrontar supostas despesas com receitas. Ora, não havia como a fiscalização aprofundar as averiguações, se não lhe foi fornecido nenhum elemento de prova pelo autuado. Além disso, no termo de verificação fiscal, o autuante observa que foram excluídos do montante dos créditos os ingressos em conta corrente decorrentes de transferências entre contas do mesmo titular, de transferências ou resgates de aplicações financeiras, de abonos ou qualquer outro que não aparentasse ter origem externa. Foram ainda subtraídos todos os valores menores ou iguais a R$ 100,00. O impugnante não demonstra, e nem sequer alega que, entre os créditos computados no levantamento fiscal, houvesse algum que, com base nesses critérios, devesse ser excluído. Na sua argumentação limitase a aventar a hipótese de que talvez parte dos créditos se destinassem a pagar despesas. Sem provas, tal cogitação não pode ser levada em consideração. Em conseqüência, não cabe fazer nenhum reparo no trabalho fiscal, no que diz respeito à matéria discutida nesta subseção. Seguese também que se deve rejeitar a argüição do impugnante. APLICAÇÃO DO MÉTODO DE ARBITRAMENTO O mesmo ocorre em relação ao lançamento por arbitramento dos lucros. O sujeito passivo apenas reiterou os argumentos de sua impugnação, que em nada afetam os sólidos fundamentos da decisão recorrida, abaixo descritos: O RIR 1999 dispõe textualmente que: Art.530.O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 38 37 a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. De acordo com o texto legal supra, uma das hipóteses de arbitramento é a falta de apresentação da escrituração à autoridade tributária que a requisitar. Os termos de intimação a folhas 65, 74 e 82 certificam que o autuado foi sucessivas vezes intimado a apresentar sua escrituração, sempre em vão. Sendo assim, o arbitramento não só está justificado, como também é medida absolutamente necessária, visto que, sem a escrituração, a fiscalização está impedida de verificar a correta apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Além de não apresentar a escrituração, recordese que a Alô Minas havia entregue declaração de rendimentos relativa ao anocalendário de 2006 com os campos de preenchimento todos zerados. E agora, ao impugnar o lançamento, o sujeito passivo não traz aos autos nenhum elemento de sua escrituração que comprove ter havido alguma impropriedade no arbitramento efetuado ou nos cálculos adotados pelo autuante. O caminho do arbitramento não foi adotado pelo fisco por lhe ser o mais conveniente, mas sim em virtude da falta de cumprimento do próprio contribuinte de suas obrigações acessórias. Omitida a receita bruta, apurada por meio de depósitos bancários de origem não comprovada, esta deve integrar a base de cálculo do arbitramento, nos termos do artigo 537 do RIR 1999. Uma vez que se trata de receita omitida, sem que o contribuinte demonstre a sua origem, o autuante adotou o procedimento correto ao lhe aplicar o coeficiente fixado pelo artigo 532 do RIR 1999 para a atividade descrita no contrato social da Alô Minas. Portanto, não se sustenta a argüição do impugnante segundo o qual o montante do crédito assim apurado seria ilusório. Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 39 38 Em se tratando de arbitramento de lucro, no caso do IRPJ e da CSLL, cuja parâmetro de determinação é a receita omitida, e de Cofins e de contribuição para o PIS, cuja base de incidência é o mesmo montante de receita omitida, não há lugar para dedução de despesas nem custos. O IRPJ e a CSLL não incidem diretamente sobre o montante da receita omitida, mas sobre o produto resultante da aplicação do coeficiente de apuração do lucro arbitrado sobre a receita bruta. O coeficiente de apuração do lucro arbitrado reflete a estimativa que fez o legislador da margem de lucro para cada atividade. Sua aplicação implica a dedução indireta e aproximada dos custos que em média incorre cada setor. Mais importante ainda é que, quando se recorre ao arbitramento, o contribuinte não possui escrituração contábil e fiscal que lhe permite apurar a base tributável pelas vias ordinárias. Ora, a dedução de custos, despesas e perdas, seja com a aquisição de mercadorias, seja de qualquer outra natureza, requer que o contribuinte mantenha regularmente sua escrituração e documentação. No presente caso, o arbitramento foi adotada exatamente por não ter a Alô Minas apresentado sua escrituração. Por sua vez, o impugnante tampouco trouxe aos autos a escrituração. Pretender a dedução de custos ou despesas com base em meras conjecturas é inteiramente fora de propósito. No caso da contribuição para o PIS e da Cofins, os erros na determinação da base de cálculo que o impugnante argúi não consistem em discrepâncias numéricas nem aritméticas, e nem mesmo implicam uma versão dos fatos distinta da relatada pelo autuante. Em verdade, sua tese é que, para a determinação da base de cálculo da Cofins e da contribuição para o PIS, deveria ser subtraído o montante correspondente ao custo de aquisição das mercadorias vendidas. Semelhante tese, porém, somente faria sentido se as duas contribuições tivessem por incidência o lucro bruto ou o valor agregado, e não o .faturamento, conforme expressa determinação legal. Assim é porque, se do valor das receitas obtidas com a venda de mercadorias, produtos e serviços forem subtraídos os custos de aquisição ou de produção, o que se obtém não é faturamento, mas a margem bruta, lucro bruto, ou o valor agregado. O campo de incidência dos tributos é, em grande medida, delineado pela CF 1988, quando esta distribui a competência tributária entre a União, os Estados e os Municípios. No que concerne ao lucro, o artigo 153, inciso III, da CF 1988 atribui à União a competência para instituir o imposto de renda e proventos de qualquer natureza, enquanto o seu artigo 195, inciso I, alínea “c” permite a cobrança de contribuição social sobre o lucro. Mas esse mesmo artigo 195, no inciso I, alínea “b”, permite ainda a cobrança de contribuição social incidente sobre o faturamento ou a receita. Uma vez que o legislador constituinte prevê em disposições distintas as contribuições incidentes sobre o lucro e as incidentes sobre o faturamento ou a Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 40 39 receita, não se deve confundir uma com a outra, da mesma forma que está claro que uma espécie pode ser cobrada sem prejuízo da outra. Evidentemente quando se permite que se institua um tributo sobre o faturamento, permitese tacitamente que ele tenha uma incidência cumulativa, pois em situações normais o fornecedor dum determinado produto ou mercadoria não cobrará do seu adquirente menos do que despendeu com a sua produção ou aquisição. Logo, não tem respaldo legal a tese de que o bis in idem ou bitributação estariam vedados. No sentido que é dado ao fenômeno pela impugnante, na verdade isso é admitido. Nas hipóteses em que o legislador constituinte quis evitar esse efeito cumulativo, ele expressamente o determinou, e isso só ocorre com o imposto sobre produtos industrializados e com o imposto sobre a circulação de mercadorias e serviços, quanto aos quais a CF 1988 diz que deverão ser não cumulativos. No caso das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento ou receita, não existe tal restrição, de modo que não há nenhum fundamento constitucional para o argumento de que se subtraia do valor da venda o montante correspondente ao custo de aquisição. A Lei Complementar n° 7, de 1970, que institui a contribuição para o PIS, estabelece categoricamente em seu artigo3º, alínea “b”, que esta incidirá sobre o faturamento. Por sua vez, a Lei Complementar n° 70, de 1991, que instituiu a Cofins, igualmente dispõe que esta incidirá sobre o faturamento e define este como a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Nenhuma norma subseqüente e que diga respeito a essas contribuições viria a reduzir o seu campo de incidência, nem muito menos determinar que o custo de aquisição fosse subtraído. Pelo contrário, a Lei n° 9.718, de 1998, ampliou a base de cálculo, equiparando faturamento à totalidade das receitas auferidas pela empresa, independentemente de sua classificação contábil. E as Leis n° 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, reiteram a ampliação da base de cálculo introduzida pela Lei n° 9.718, de 1998. De resto, essas mesmas Leis n° 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, que instituíram o regime não cumulativo respectivamente para a contribuição para o PIS e para a Cofins, tampouco permitem a dedução do custo de aquisição, mas sim concede aos contribuintes abrangidos por esse regime o direito de deduzir créditos específicos vinculados a aquisição de mercadorias, serviços e produtos intermediários. De qualquer forma, conforme explanado adiante, sendo o lucro arbitrado, o sujeito passivo fica impedido de adotar o regime não cumulativo para efeito de apurar o montante devido de Cofins e de contribuição para o PIS. O princípio da capacidade contributiva e o da isonomia, a vedação de efeito confiscatório dos tributos, são normas constitucionais dirigidas ao legislador, e não à autoridade administrativa que aplica as leis em vigor. Tendo sido uma norma aprovada pelo Poder Legislativo, sancionada e publicada Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 41 40 pelo poder Executivo, presumese que esteja em conformidade com a CF 1988. A autoridade administrativa somente deixará de a aplicar se for revogada, expressa ou tacitamente, ou se receber ordem expressa em sentido contrário por decisão judicial com efeito erga omnes ou que tiver sido proferida em processo judicial de que o sujeito passivo seja parte. Por conseguinte, rejeitamse as argüições do impugnante de que teria havido erros na apuração dos valores lançados das contribuições em causa em virtude de não ter sido abatido o custo de aquisição das mercadorias revendidas. Seguese também que não se sustenta a afirmação da impugnante de que, por semelhante razão, não haveria nenhuma falta ou insuficiência de recolhimento que pudesse ser objeto de lançamento de ofício. Por fim, deve também ser rejeitada a pretensão de que o crédito tributário seja revisto a pretexto de que o arbitramento foi indevidamente realizado. REGIME DE APURAÇÃO DE PIS E COFINS O sujeito passivo sustenta que deveria ter sido observado o regime não cumulativo para a apuração das contribuições PIS e COFINS. Ocorre que há disposições legais expressas determinando que as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado devem apurar estas contribuições pelo regime cumulativo (art. 8º, II, da Lei 10.637/2002 e art. 10, II, da Lei 10.833/2003). Como foi mantido o lançamento do IRPJ pelo lucro arbitrado, conforme consignado no tópico anterior, fica prejudicada a linha de defesa do Recorrente. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA BASE DE CÁLCULO TRAZIDA NA LEI 9.718/1998 O Recorrente faz uma série de considerações sobre os problemas em torno da Emenda Constitucional nº 20/1998, e sobre o julgamento proferido pelo STF relativamente à ampliação da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, implementada pelo § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998. Ocorre que, como também já restou esclarecido pela decisão recorrida, a Fiscalização adotou o conceito restrito de faturamento, já previsto nas normas anteriores à Lei 9.718/1998: Conforme se acha bem esclarecido no termo de verificação fiscal, para efeito de apurar a base de cálculo das contribuições exigidas, o autuante levou em conta apenas as receitas omitidas pela autuada e cujo valor foi apurado por meio da presunção legal estabelecida pelo artigo 287 do RIR 1999. Não foi computada na base de cálculo nenhuma receita de qualquer outra origem. Ainda se poderia cogitar da questão na hipótese de o impugnante comprovar que montante relativo à omissão de Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 42 41 receita teve natureza diversa de faturamento. Como se sabe, nenhuma prova de semelhante força foi trazida aos autos. O fato é que a Fiscalização, mediante a presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/1996, aplicou sobre as receitas omitidas o coeficiente legal para o arbitramento do lucro, de acordo com o tipo da atividade desenvolvida pela empresa. O Recorrente, por sua vez, não trouxe qualquer elemento para demonstrar que a receita omitida, ou pelo menos parte dela, tinha origem em outras fontes que não a atividade operacional normal da empresa. Correto, portanto, o lançamento. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DE PIS/COFINS Da mesma forma como ocorreu no tópico anterior, fundado apenas em manifestações de doutrina e jurisprudência, o Recorrente questiona o lançamento das referidas contribuições, com o argumento de que o ICMS estaria indevidamente incluído em suas bases de cálculo. Ocorre que, como já mencionado, o lançamento se deu por omissão de receitas apuradas a partir de depósitos bancários com origem não comprovada. Registrese, mais uma vez, que a empresa Alô Minas Representações Ltda. havia apresentado DIPJ com valores zerados, omitindo totalmente as receitas auferidas no período autuado. Além disso, a despeito de qualquer posicionamento jurídico acerca desta matéria, registrese também que o Recorrente não apresentou nenhum documento ou livro fiscal durante a fase de auditoria, mesmo depois de seis intimações para fazêlo. O mesmo se deu no decorrer da fase litigiosa. Os questionamentos são puramente teóricos. O Recorrente não apresentou nenhuma nota fiscal correspondente à receita autuada, ou livro de saídas, etc., para comprovar que o ICMS fazia parte desta receita. Sendo assim, diante da completa ausência de elementos probatórios mínimos, resta prejudicada a alegação da inclusão indevida do ICMS na receita autuada, eis que, ainda que a tese jurídica fosse acolhida (do ponto de vista teórico), tal fato não restou materialmente comprovado. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO Também são improcedentes os argumentos no sentido de que não teria havido nenhum ato ilícito a justificar a aplicação da multa qualificada. Restou demonstrado que a empresa Alô Minas Representações Ltda., embora com um faturamento considerável em 2006, na ordem de R$ 1.753.037,99, entregou DIPJ com valores zerados, e passou a informar ao Fisco um endereço falso e inexistente. Além disso, a conduta do Recorrente no decorrer da auditoria fiscal confirma a natureza dolosa de sua conduta anterior, eis que por seis vezes (em 22/12/2009, 15/01/2010, 10/02/2010, 12/04/2010, 16/04/2010 e 12/05/2010) ele foi intimado a apresentar livros e documentos fiscais, e outros esclarecimentos, e em todas essas ocasiões limitouse a solicitar Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 43 42 novo prazo para a juntada de documentos, alegando “a exigüidade do prazo concedido e o volume de documentos solicitados”. Durante toda a fase de auditoria, nenhum livro ou documento fiscal foi apresentado à Fiscalização, evidenciando que a intenção era mesmo de fazer a empresa desaparecer, para que a autoridade fiscal não tomasse conhecimento da ocorrência dos fatos geradores que acabaram sendo objeto de autuação. A Lei nº 4.502/1964 é bastante clara a esse respeito: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; E o art. 44 da Lei 9.430/1996 estabelece a multa de 150% para os casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964. Portanto, correto também o lançamento em relação a esse aspecto. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC No tocante às críticas apresentadas relativamente à aplicação da taxa Selic como juros moratórios, cabe mencionar que a matéria já está sumulada no âmbito deste Conselho: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Além disso, cabe ressaltar o que restou decidido pelo Supremo Tribunal Federal – STF no julgamento do Recurso Extraordinário n˚ 582.461, com efeito de Repercussão Geral, tal qual estabelecido no artigo 543B da Lei n˚. 5.869/1973: 1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. (...). (RE 582461, Relator (a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 18/05/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO Dje158 DIVULG 17082011 PUBLIC 18082011 EMENT VOL0256802 PP00177) Assim, descabida se torna qualquer discussão sobre o tema, eis que ele já está definitivamente decidido pelo STF. Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.011964/201060 Acórdão n.º 180201.352 S1TE02 Fl. 44 43 PRINCÍPIO IN DÚBIO PRO CONTRIBUINTE Conforme registrou a decisão recorrida, apesar de o sujeito passivo sustentar que deveria ser aplicado o disposto no artigo 112 do CTN, ele não aponta nenhuma circunstância concreta que justificasse essa medida. Realmente, no caso presente, tanto os fatos que ensejaram os lançamentos quanto as normas legais que fundamentam as exigências fiscais não apresentam nenhuma incerteza nem dificuldade de interpretação. Todos estão claramente expostos e demonstrados nos autos. Por conseguinte, a pretensão do Recorrente não pode ser acolhida. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10166.001011/2003-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1998 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo os Termos fiscais formalizados na diligência sido apresentados à recorrente, e estando os mesmos nos autos juntamente com os Termos dirigidos a outras pessoas jurídicas, não está caracterizado qualquer cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998 Ementa: LANÇAMENTO. LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. Tendo a contribuinte escriturado no livro registro de prestação de serviços valores de receita menores dos que os efetivamente faturados, deve-se tributar a diferença de receita apurada, excluindo-se do lançamento os valores comprovadamente cancelados e os lançados em duplicidade. LANÇAMENTO. LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE COMPETÊNCIA. No lucro presumido, quando o sujeito passivo não comprova a adoção do regime de caixa, prevalece o regime de competência. LANÇAMENTO. LUCRO PRESUMIDO. DEDUÇÃO DE VALORES RETIDOS DE TRIBUTOS. Para que se deduza do valor do tributo apurado, os valores retidos por órgãos públicos, a retenção deve ser comprovada.
Numero da decisão: 1102-000.810
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa, e no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que seja excluído, dos valores omitidos, o valor de R$ 63.796,82, bem como, para que do valor dos tributos apurados após essas exclusões, seja excluída a diferença entre o valor das retenções de tributos apurados na diligência consignado na coluna 3 dos demonstrativos de fls. 2188/2194 e o valor das retenções já incluídas em DIPJ, de fls. 55 a 91, e ainda para ajustar o valor da omissão do 4º trimestre para o valor apurado no trimestre; obtendo-se a manutenção dos seguintes valores originais: IRPJ, de R$ 40.209,01, CSLL, de R$ 20.483,87, contribuição para o PIS, de R$ 16.683,99 e COFINS, de R$ 51.335,33, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo os Termos fiscais formalizados na diligência sido apresentados à recorrente, e estando os mesmos nos autos juntamente com os Termos dirigidos a outras pessoas jurídicas, não está caracterizado qualquer cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 Ementa: LANÇAMENTO. LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. Tendo a contribuinte escriturado no livro registro de prestação de serviços valores de receita menores dos que os efetivamente faturados, devese tributar a diferença de receita apurada, excluindose do lançamento os valores comprovadamente cancelados e os lançados em duplicidade. LANÇAMENTO. LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE COMPETÊNCIA. No lucro presumido, quando o sujeito passivo não comprova a adoção do regime de caixa, prevalece o regime de competência. LANÇAMENTO. LUCRO PRESUMIDO. DEDUÇÃO DE VALORES RETIDOS DE TRIBUTOS. Para que se deduza do valor do tributo apurado, os valores retidos por órgãos públicos, a retenção deve ser comprovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 7008DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10166.001011/200329 Acórdão n.º 1102000.810 S1C1T2 Fl. 2 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa, e no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que seja excluído, dos valores omitidos, o valor de R$ 63.796,82, bem como, para que do valor dos tributos apurados após essas exclusões, seja excluída a diferença entre o valor das retenções de tributos apurados na diligência consignado na coluna 3 dos demonstrativos de fls. 2188/2194 e o valor das retenções já incluídas em DIPJ, de fls. 55 a 91, e ainda para ajustar o valor da omissão do 4º trimestre para o valor apurado no trimestre; obtendose a manutenção dos seguintes valores originais: IRPJ, de R$ 40.209,01, CSLL, de R$ 20.483,87, contribuição para o PIS, de R$ 16.683,99 e COFINS, de R$ 51.335,33, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antonio Carlos Guidoni Filho e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão de primeira instância que negou provimento ao recurso, cujo processo retorna a esta Conselho, em razão de ter sido determinada a realização de diligência, pela Resolução 140200.011, de 17.05.2010. Inicialmente, reproduzo o relatório que integrou a citada Resolução. I – DA AUTUAÇÃO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A contribuinte insurgese contra a decisão de primeira instância, que manteve os lançamentos do IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, relativos ao anocalendário de 1998. Em sessão de 16.09.2004, este Colegiado converteu o julgamento do recurso em diligência para vários fins. Posteriormente, nova diligência foi determinada. A acusação fiscal é de omissão de receitas porque o valor das notas fiscais emitidas e escrituradas no Livro de Registro de Serviços Prestados não corresponde aos valores das faturas emitidas no mesmo período. Às fls. 124 consta que a fiscalização apurou receitas, com base na emissão de faturas, no anocalendário de 1998, no valor de R$ 7.541.408,75 e receitas de comissão de R$ 50.450,13 (fornecidas pela VASP e VARIG). Foram declaradas receitas no valor de R$ 3.191.110,65, sendo apurada a diferença de R$ 4.400.748,23. As faturas estão relacionadas no demonstrativo de fls. 98/123. O lucro foi apurado com base no regime do Lucro Presumido. Fl. 7009DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10166.001011/200329 Acórdão n.º 1102000.810 S1C1T2 Fl. 3 3 Às fls. 98/123 estão relacionadas as faturas do ano de 1998 (data da emissão, nº, valor e cliente). As cópias das faturas constituem os anexos I a IV. A Turma Julgadora decidiu pela manutenção integral do lançamento, cujas ementas principais são as seguintes: Omissão de Receitas Configura omissão de receitas o recebimento de receitas pela prestação de serviços, comprovado por faturas e documentos de pessoas jurídicas que atestam o pagamento à autuada, cujos valores não foram oferecidos à tributação via declaração do imposto de renda, de acordo com entendimento pacífico nas esferas administrativas. Dedução de Tributos e Contribuições Retidos na Fonte A dedução prevista na legislação se refere a retenções na fonte sobre receitas que integraram a base de cálculo na apuração do imposto e contribuições devidas. “In casu”, o imposto e as contribuições incidem sobre receitas omitidas não computadas na base de cálculo daqueles tributos. A ciência da decisão de primeira instância foi dada em 19.05.2003 e o recurso foi apresentado em 18.06.2003. II – DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DA PRIMEIRA RESOLUÇÃO No recurso argumenta que tem como atividade o agenciamento de cargas (levar cargas do tomador de serviço para as transportadoras). Cabelhe contratar as empresas de transporte interestadual e intermunicipal, quer terrestres ou aéreas, agindo como intermediária entre o tomador dos serviços e essas transportadoras. Contabiliza como receita pela prestação de serviços as comissões recebidas por serviços prestados na intermediação do transporte de carga, emitindo as correspondentes notas fiscais de serviços prestados. A quase totalidade dos seus clientes é constituída por órgãos públicos, e sendo assim os valores pagos por esses tomadores de serviços vêm líquidos de imposto pois são retidos pela fonte pagadora o IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, conforme art. 64 da Lei 9.430/96. Desses pagamentos são repassados os recursos para terceiras empresas que realizam o transporte de cargas para outros estados brasileiros, principalmente por via aérea. Reconhecendo como receita as comissões recebidas, lança como compensação dos tributos retidos valores proporcionais às receitas declaradas, ficando com crédito de imposto. Traz aos autos “Demonstrativo Impostos Retidos x Valor compensado DIPJ”, para comprovar que a compensação utilizada pela recorrente foi apenas parcial (doc. 4). Os pagamentos das faturas são realizados tempos após a emissão de cada uma delas, o que provoca uma distorção entre a data da fatura e o registro do pagamento pelo regime de caixa (doc. 5). Nesse demonstrativo consta o nº da fatura, a data de emissão e a data do recebimento. Afirma que por prestar serviços a órgãos públicos, as informações relativas a tributação, como base de cálculo e valores retidos estão disponíveis no Sistema SIAFI/STN, de pleno acesso para a fiscalização, de forma a possibilitar a confirmação das informações prestadas pela contribuinte, ou mesmo, apurar os valores pagos e as competentes retenções havidas. Fl. 7010DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10166.001011/200329 Acórdão n.º 1102000.810 S1C1T2 Fl. 4 4 Em relação às diferenças mensais de receitas apuradas pela fiscalização, argüi que há um engano porque as receitas sobre comissão recebidas da VASP e VARIG, já integrariam as receitas declaradas, e portanto, já haviam sido tributadas. Destaca que a fiscalização não compensou as retenções havidas, com afronta aos princípios da legalidade, da capacidade contributiva e ao enriquecimento sem causa, e que conforme demonstrativos que apresenta, ainda há tributos a serem compensados e que não foram considerados no lançamento fiscal. Em relação à decisão de primeira instância, ressalta que não motivou sua assertiva de que “não é pertinente a alegação de que as diferenças apuradas pela fiscalização resultam somente de serviços a órgãos públicos”, dada sua incoerência frente aos demais argumentos constantes da decisão, especialmente os que estão no 1º e 5º parágrafos da fl. 256. Discorda da Turma Julgadora de que tenha se beneficiado das retenções, pois, somente declarou a parte das receitas declaradas, proporcionalmente. Diz que a omissão do julgador em enfrentar a realidade dos fatos está patente quando afirma que “nada assegura que as retenções de folhas 138 a 236 se refiram às faturas relacionadas pela fiscalização às folhas 98 a 124” deixando evidente o seu reconhecimento das retenções, e ainda que o fisco deixou de aprofundar os trabalhos fiscalizatórios, pois ignorou o direito do sujeito passivo. Acrescenta que há uma defasagem entre a data da emissão da fatura e a data do pagamento, pois, emitida aquela, se passam até meses para que seja efetuado o pagamento. Tal fato gera distorções no batimento entre as faturas e os pagamentos efetuados, que também não mereceu do autuante exame mais detalhado; Afirma que destoante dos autos a argumentação do julgador, quando menciona que “Tirante as hipóteses dos artigos 64 da Lei 9.430/1996 e 526 do RIR/99, a utilização de créditos do contribuinte para pagamento de débito decorrente de lançamento de ofício deverá ser solicitada à DRF do seu domicílio fiscal, nos termos do art. 16 da IN SRF 021/1997, ou então, nos termos da IN SRF 210/2002, art. 21”. Diz ser impossível afastar as hipóteses do art. 64 da Lei 9.430/96. Também afirma que a decisão ignorou a argumentação expendida sobre as faturas 007586 e 008657. A primeira foi emitida em 11/1997, situação evidente quando se examina a fatura (doc. 6) e a listagem feita pelo fisco, denominada “Quadro Demonstrativo do Faturamento, em 1998, conforme Faturas”, no qual a mencionada fatura está lançada em novembro de 1998, destoando totalmente a sua numeração com as demais faturas emitidas naquele período. Quanto à segunda fatura, anexa a cópia autenticada das suas vias (doc. 7), para comprovar que ela foi objeto de cancelamento. Apresenta o demonstrativo de fls. 301 relativo ao valor compensado dos tributos retidos na DIPJ e o valor retido no SIAFI, para cada tributo. Apresenta o demonstrativo de fls. 302/307 relativo ao recebimento por fatura (nº fatura, órgão, emissão e data de recebimento). Consta ainda várias telas do SIAFI. Para abordar a finalidade da Resolução de 16.09.2004, transcrevese parte do voto condutor da Resolução, de relatoria do Conselheiro Natanael Martins: Fl. 7011DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10166.001011/200329 Acórdão n.º 1102000.810 S1C1T2 Fl. 5 5 Isso posto, tendo em vista a falta de esclarecimentos necessários para o perfeito deslinde da questão, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a repartição de origem: esclareça se, de fato, ainda haveria saldo de tributos retidos por Órgãos Públicos a compensar, discriminandoos por períodos e espécie, intimandose a recorrente, para tanto, se necessário; intime a recorrente para que, à vista de sua escrita e dos documentos que lhes dão suporte, comprove que as receitas tidas como omitidas correspondem às receitas que alega ter repassado a terceiros; intime a recorrente para que esta anexe aos autos do processo os contratos que deram suporte aos valores que recebeu e que teriam derivado as receitas que objeta ter transferido a terceiros; intime a recorrente para que, a vista de sua escrita e da documentação de suporte, comprove que as receitas recebidas da VARIG e da VASP já haviam sido oferecidas à tributação, bem como que as duplicatas 007586 e 008657, efetivamente, teriam sido canceladas. Às fls. 1565/1571 consta o relatório de diligência. III – DA PRIMEIRA DILIGÊNCIA O relatório de diligência é datado de 28.03.2007 e constitui o doc. de fls. 1565/1571. Consta no relatório que a contribuinte foi cientificada do teor da Resolução e foi intimada em 14.01.2005, a apresentar: (i) comprovantes de pagamentos e retenções efetuados por órgãos públicos, (ii) livros que comprovem as receitas tidas como omitidas e repassadas a terceiros, (iii) contratos que deram origem aos valores recebidos e que teriam derivado as receitas que diz ter transferido a terceiros, (iv) comprovantes, mediante escrita, que as receitas recebidas da VARIG e da VASP já haviam sido escrituradas, (v) comprovantes, mediante escrita, que as duplicatas 007586 e 008657 efetivamente haviam sido canceladas. Registra que a contribuinte apresentou parcialmente os comprovantes de pagamentos e retenções efetuados por órgãos públicos, porém a maioria dos comprovantes apresentados, já constava do processo, sendo que muitas das cartas de retenções não identificam o número das faturas, existindo casos, ainda de determinadas cartas de retenções referiremse a várias faturas, o que dificultou em muito o levantamento dos créditos. Consta ainda que muitas das cartas de retenções acostadas no processo, nas fases de impugnação e de recurso voluntário não correspondem às faturas que foram objeto de lançamento de ofício, conforme planilhas de fls. 1408/1411, porque muitas delas com data de emissão em 1997 e outras emitidas em 1998, mas que não foram apresentadas à fiscalização no curso da ação fiscal. Destaca que os créditos relativos a essas faturas não devem ser aproveitados pela contribuinte, pois referemse a faturas que não foram objeto de autuação. Fl. 7012DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10166.001011/200329 Acórdão n.º 1102000.810 S1C1T2 Fl. 6 6 A contribuinte apresentou na fase da diligência os livros Diário e Razão (1998), com registro de receitas de serviços à vista e a prazo, e das respectivas notas fiscais, no valor de R$ 5.700.425,36, conforme fls. 1283/1347, receitas essas constantes também nos Balancetes analíticos, de janeiro a dezembro/98 (cópia). Destaca o autor da diligência, que mesmo que a contribuinte tenha mencionado no Razão/98, as notas fiscais correspondentes às receitas de serviços (R$ 5.700.425,36) não se sabe se essas notas têm relação com as faturas, objeto de lançamento de ofício, porque não comprovadas pela autuada, apesar da fiscalização ter solicitado, verbalmente, uma comprovação. Ressalta, que do exame dos livros Diário e Razão/98, não há registro que possa identificar que as receitas de comissões, pagas pela VARIG e VASP à autuada, fls. 42 e 51, tenham sido escrituradas, bem como não há registros de cancelamentos das duplicatas 0007586 e 008657. Consigna que em relação aos contratos que deram origem aos valores recebidos e que teriam derivado as receitas que teriam sido transferidas a terceiros, a contribuinte não os apresentou. Ressalta que as receitas escrituradas nos livros Diário e Razão/98, apresentados para a diligência são diferentes das receitas escrituradas nos livros de Serviços Prestados (fls. 1283/1285) e no livro Razão/98, apresentados à época da fiscalização (R$ 3.191.110,65). O livro Diário/98 não foi apresentado durante a ação fiscal. Tais receitas foram oferecidas à tributação na DIPJ/99, anocalendário de 1998, e segundo a autuada são oriundas de comissões, mas não foi apresentada a base de cálculo das receitas declaradas e tampouco apresentou as notas fiscais relativas às receitas de comissões. O autor da diligência aduz que diferentemente do que afirma a contribuinte, no recurso voluntário, fls. 269, as suas receitas não se restringem apenas em receitas de comissões, mas nas receitas de descontos obtidos e, principalmente, nas receitas apuradas por ela na forma de lucro bruto. Destaca que a contribuinte, na realidade, segundo informação da mesma à fiscalização, declarou o lucro bruto, obtido da seguinte forma: a autuada fazia um contrato com órgão público para transportar cargas para uma determinada cidade e cobrava por isso uma determinada quantia e como não dispunha de aeronave, pagava uma quantia às companhias aéreas, para que transportassem tais cargas. O ganho (receita menos despesa) obtido nessa transação foi o valor declarado na DIPJ/99, anocalendário de 1998, na linha correspondente ao coeficiente de determinação do lucro de 8% (transporte de cargas). Acrescenta que além do ganho demonstrado, a autuada auferia receita de descontos: quando utilizava os serviços da mesma companhia aérea, esta dava um desconto à autuada pela fidelidade, desconto esse, à base de 5% e 6%. Os descontos obtidos incidiam somente sobre os valores das subcontratações aéreas, a receita oriunda de descontos obtidos, no ano de 1998, teria sido R$ 165.087,72. Explica a autoridade fiscal que realizou a diligência, que conforme livro Razão/98, as subcontratações atingiram a soma de R$ 5.086.515,08, sendo R$ 3.001.595,01, de subcontratações a companhias aéreas, fls. 1318/1326; R$ 1.147.474,76, de subcontratações Fl. 7013DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10166.001011/200329 Acórdão n.º 1102000.810 S1C1T2 Fl. 7 7 a companhias terrestres, fls. 1326/1342, e R$ 937.445,31, referentes a fretes e carretos, fls. 1343/1346. Salienta que a receita de comissão propriamente dita, era proveniente da emissão de conhecimentos aéreos consignados, onde a autuada era à época fiel depositária das Cias. Aéreas, conforme docs. da VARIG, fls. 41 e 45, e VASP, fl. 54, recebendo pelas vendas desses bilhetes, o equivalente a 5% e 6%. Essa receita era (é) conhecida também por venda a balcão. Os sistemas da Receita Federal, apontaram recebimentos de vendas externas no ano de 1998, no valor de R$ 942.182,49, que se aplicado o percentual médio de 5,5% sobre esse valor, obtémse uma receita de comissão da ordem de R$ 51.820,04, valor esse muito próximo das comissões pagas pelas companhias aéreas (VASP e VARIG), demonstrado à fl. 124 deste processo (R$ 50.450,13). Afirma ainda que, apesar da contribuinte ter auferido receitas nessas três modalidades, não há como identificálas nos livros de escrituração, porque não discriminadas. As receitas de R$ 3.191.110,65, que a contribuinte escriturou e declarou na DIPJ/99, são na verdade os ganhos obtidos, quando deveriam ter sido escriturados/declarados os valores recebidos (faturamento) dos órgãos públicos, mais as comissões e os descontos obtidos. Destaca que tendo a contribuinte optado pelo lucro presumido no ano de 1998, não poderia ter oferecido à tributação, apenas os ganhos, mas todo o faturamento, independentemente de estar utilizado o regime de competência ou o regime de caixa, porque assim poderia se beneficiar integralmente dos tributos retidos por terceiros. Mas, como não declarou apenas os ganhos, sobraram créditos dos tributos retidos por órgãos públicos, daí a contribuinte dizer que tem crédito a seu favor, conforme fls. 269, o que se engana. Acrescenta que ao declarar apenas os ganhos, como se faturamento fosse, a contribuinte não apurou corretamente o imposto devido, porque o coeficiente de determinação do lucro incidiu sobre uma base menor. Mas como a autuação se baseou no faturamento, o problema ficou sanado. Ressalta que a contribuinte percebendo que escriturara as suas receitas de modo equivocado, tentou acertar sua contabilidade, escriturando como receitas, não só os ganhos, mas também todos os pagamentos efetuados por órgãos públicos (faturamento). Tal acerto ocorreu após o término da ação fiscal, totalizando R$ 5.700.425,36. O autor da diligência afirma que para compensar o crédito tributário lançado, a contribuinte juntou aos autos do processo, na fase da impugnação e na de recurso voluntário, cópia das cartas de retenções dos tributos federais, efetuados por órgãos públicos, com a finalidade de amortizar ou mesmo anular o crédito tributário apurado, contudo, como muitas das cartas de retenção apresentadas não condizem com as faturas, objeto do lançamento de ofício, a contribuinte foi intimada, por ocasião da diligência, a apresentálas novamente, porém as cartas apresentadas, nesta fase, pouco acrescentaram, porque eram praticamente as mesmas já existentes nos autos do processo. Para compensar o crédito tributário lançado, a fiscalização com o propósito de aproveitar ao máximo os créditos da contribuinte, intimou várias repartições, dentre elas o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, no sentido de informarem, se haviam ou não retido os tributos em nome da contribuinte, já que nos autos do processo, não constam cartas de retenções efetuadas por elas, tendo essas instituições atestado que não estavam obrigadas a Fl. 7014DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10166.001011/200329 Acórdão n.º 1102000.810 S1C1T2 Fl. 8 8 reter os tributos, porque amparadas legalmente, pela legislação do imposto de renda (fls. 1094/1098). De posse das cartas de retenção que já constavam no processo e de outras que foram juntadas no curso da diligência, a fiscalização elaborou as planilhas de retenções por tributo, alocandose os valores retidos apresentados, às suas respectivas faturas, conforme demonstrado às fls. 1412/1559, a fim de que nenhum crédito que não tivesse correlação com o lançamento, fosse aproveitado indevidamente. Os valores retidos do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, constantes nas planilhas mencionadas são proporcionais aos valores das faturas (R$ 7.541.408,75). Assim, para o cálculo do crédito tributário remanescente, devese excluir os valores retidos por órgãos públicos, declarados na DIPJ/99, partindose do princípio que esses valores são proporcionais às receitas declaradas na DIPJ. Destaca que o lançamento de ofício referese apenas à diferença de receita (R$ 4.400.728,35), apurada entre o valor das faturas apresentadas pela contribuinte e a receita declarada. Ressalta que os valores retidos constantes das planilhas são proporcionais aos valores das faturas. Dessa forma, para o cálculo do crédito tributário remanescente, devese excluir os valores retidos por órgãos públicos, declarados na DIPJ, partindose do princípio que esses valores são proporcionais às receitas declaradas na DIPJ, do ano fiscalizado. A contribuinte alegou na fase de diligência que algumas faturas pagas pela CEF, haviam sofrido glosas no valor de R$ 26.257,46, fls. 1349/1366, tendo o autor da diligência verificado que do valor apontado, apenas R$ 10.010,12, referemse às faturas objeto do lançamento (9582, 9327, 8196, 9185, 8588, 8242, 7600, 7583, 7567, 7550, 7499, 7509). O valor remanescente de R$ 16.247,34, referese a faturas que não foram objeto de autuação. A fiscalização preparou demonstrativo do IRPJ, CSLL, COFINS e PIS retido por órgãos públicos (ou desobrigados da retenção), incidentes sobre as faturas objeto de lançamento de ofício, no ano de 1998 (fls.1412/1559); demonstrativo do IRPJ objeto de lançamento de ofício em 1998, deduzidos os valores do imposto retidos por órgãos públicos, com especificação do IRPJ lançado, o imposto retido por órgãos públicos juntado na fase de recurso voluntário, o IRPJ retido por órgãos públicos apurado na fase de diligência, o IRPJ declarado na DIPJ, o IRPJ pago e o IRPJ lançado a ser mantido. Idem para as contribuições sociais. Constituem os docs. de fls. 1560/1563. Cientificada do relatório de diligência, a autuada manifestouse conforme doc. de fls. 1573/1579. IV – DA MANIFESTAÇÃO DA CONTRIBUINTE EM RELAÇÃO AO RELATÓRIO DA PRIMEIRA DILIGÊNCIA A recorrente argüi que foi intimada em 14.01.2005, por meio do Termo de Diligência, a apresentar os documentos e esclarecimentos solicitados por meio da Resolução e que posteriormente somente veio a ser oficialmente intimada, após dois anos, em 14.02.2007 – Termo de Intimação nº 12, ao apagar das luzes da realização da diligência, para apresentar no exíguo prazo de 8 dias, “as cartas de retenções dos tributos federais, relativas às faturas pagas por órgãos públicos, que, entretanto só foram identificadas para a recorrente naquela oportunidade, conforme listagem anexa ao Termo. Fl. 7015DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10166.001011/200329 Acórdão n.º 1102000.810 S1C1T2 Fl. 9 9 Observa que os Termos de numeração de 2 a 11, não foram direcionados à recorrente e sobre eles não há qualquer menção no relatório de diligência, o que conduz a cerceamento do direito de defesa. Argumenta que em atendimento ao Termo de diligência apresentou documentos de 08.03.2007 (doc. 1), e, em 19.03.2007, a resposta do Ministério da Saúde (doc. 2) confirmando retenções havidas e informando números de notas fiscais emitidas pela recorrente que, segundo aquele Ministério, não constam como pagas na base do SIAFI. Aduz que apesar dos quadros demonstrativos anexos ao relatório de diligência, esse documento não justificaria os critérios adotados na apuração dos tributos a serem mantidos, pecando por falta de segurança e impossibilitando que o sujeito passivo se defendesse adequadamente, o que seriam vícios que maculariam o lançamento fiscal, justificando sua improcedência. Alega que embora tenha apresentado a resposta após o esgotamento do prazo de 8 dias concedidos no Termo nº 12, a autoridade lançadora não considerou dados informados na apuração efetuada. Assim, não excluiu da base de cálculo dos tributos lançados os valores das notas fiscais que o Ministério da Saúde afirma que não foram pagas. Salienta que mesmo diante da ausência de informações sobre os critérios utilizados pelo fisco, efetua a análise da apuração realizada. Observa que consta de cada um dos quadros que o tributo lançado a ser mantido foi apurado a partir da adição dos valores constantes nas seguintes colunas, tomandose como exemplo a apuração do IRPJ: IRPJ lançado mais IRPJ declarado na DIPJ menos IRPJ apurado na fase de diligência. Argumenta que o fisco adicionou ao imposto lançado de ofício aquele que foi declarado, sem excluir o imposto já recolhido. Destaca que quando da apuração do imposto no auto de infração, também nada foi considerado como imposto pago, logo, o sujeito passivo está pagando novamente o que recolhera. Argüi ainda retenção considerada a menor (quadro analítico), pois nos quadros demonstrativos onde é apurada a retenção que foi levada para o quadro sintético, no tocante ao código 6190 – serviços – retenção em pagamento por órgão público, o cálculo da retenção foi feito com a aplicação da alíquota de 0,038, quando o correto é 0,048, com prejuízo para a recorrente. Traz aos autos novos quadros demonstrativos (doc. 3) em que pretende corrigir os supostos enganos cometidos pela fiscalização, e os DARF comprobatórios dos recolhimentos efetuados (doc. 4): nº 1 – IRPJ, com a exclusão do imposto pago que não foi considerado pela fiscalização e com a correção da alíquota de retenção para 0,048; nº 2 a 4 – CSLL, PIS e COFINS, com a exclusão das contribuições. Também discute a desconsideração de retenções de órgãos públicos. Nos quadros analíticos, as faturas por órgãos públicos estão especificadas por mês de emissão, número, valor e retenção, todavia a retenção está zerada em relação a muitas faturas, apesar da fonte pagadora estar legalmente obrigada a efetuar a retenção. Alega que não se pode presumir que órgãos públicos deixem de cumprir a lei, e por conseguinte, não façam as retenções que estão legalmente obrigadas; e que os atos Fl. 7016DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10166.001011/200329 Acórdão n.º 1102000.810 S1C1T2 Fl. 10 10 administrativos e as retenções constituem ato administrativo e gozam de presunção de legitimidade. Apresenta os quadros demonstrativos de nºs 5, 6, 7 e 8 (doc. 5) com a apuração dos tributos a serem mantidos, também com a consideração da inclusão das retenções efetuadas pelos órgãos públicos e que foram zeradas pela autoridade lançadora. De forma mais detalhada, nos quadros demonstrativos analíticos por tributo (doc. 6), estão as retenções por órgão público, além da correção da alíquota para 0,048 no quadro do IRPJ. Destaca que na última folha de cada demonstrativo analítico ora juntado tem a legenda explicativa. Nesses demonstrativos estão assinalados por nºs. 2 a 6 os documentos comprobatórios das retenções efetuadas, conforme legenda. Afirma ser necessária a apuração dos tributos efetivamente devidos, em cumprimento aos princípios norteadores do PAF, como o da legalidade, da verdade material e do enriquecimento sem causa por parte da União. Conclui que o fisco não comprovou a consistência do lançamento fiscal mantido em decisão de primeira instância, nem mesmo com a diligência realizada, de forma a justificar a sua confirmação. Havendo entendimento diverso, espera a exclusão do tributo já pago, a correção da alíquota de retenção do IRPJ, as retenções havidas em relação às faturas emitidas para órgãos públicos, ou no mínimo, em relação às comprovadas (doc. 6), e a exclusão da base de cálculo de cada tributo das notas fiscais que não foram pagas pelo Ministério da Saúde e das conseqüentes retenções na fonte correspondentes a essas notas, no caso do julgamento considerar a inclusão das retenções realizadas pelos órgãos públicos feita pela recorrente (doc. 5 e 6). V DA DETERMINAÇÃO DA SEGUNDA DILIGÊNCIA RESOLUÇÃO Nº 10700700 de 16.04.2008 O colegiado determinou nova diligência na sessão de 16.04.2008. O voto condutor do acórdão é o seguinte: A acusação fiscal é de omissão de receitas da atividade, inicialmente detectadas pelos sistemas da SRF e corresponde a R$ 4.400.748,23, obtida a partir do somatório do valor das faturas emitidas apresentadas à fiscalização no valor de R$ 7.541.408,75, do valor de R$ 50.449,72 relativo às receitas de comissão por vendas de conhecimento aéreo (VARIG e VASP), com a dedução do valor valor declarado na DIPJ do ano calendário de 1998 de R$ 3.191.110,65 e escriturado. A contribuinte apresentou na fase de diligência livros Diário e Razão, com registro de receitas no valor de R$ 5.700.425,36. O sujeito passivo optou pelo regime de apuração do Lucro Presumido e afirma ter adotado o regime de caixa. A autuação foi formalizada com base no regime de competência. Assim, considero imprescindível para o deslinde do litígio, que o julgamento seja convertido em diligência, para que a autoridade fiscal, mediante as diligências que entender necessárias, Fl. 7017DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10166.001011/200329 Acórdão n.º 1102000.810 S1C1T2 Fl. 11 11 esclareça se no ano de 1998, o sujeito passivo adotou o regime de competência ou se adotou o regime de caixa. Caso seja constatado que a contribuinte adotou o regime de caixa, devese verificar se a adoção desse regime seguiu os requisitos previstos na legislação. A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo que deverá ser cientificado ao sujeito passivo que poderá se manifestar se entender necessário. Do exposto, oriento meu voto para a conversão do julgamento em diligência nos termos acima expressos. VI DO RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL – fls. 1986 a 1999. O autor da diligência deu conhecimento à contribuinte da diligência solicitada pelo colegiado, por meio dos Termos de diligência fiscal/solicitação de documentos de 25.09.2008, juntamente com o quadro demonstrativo onde consta as receitas objeto de lançamento de ofício. Foi solicitado à contribuinte que comprovasse as datas de escrituração das receitas, e a partir da documentação que fosse apresentada, analisar se os registros das operações contábeis obedeciam ou não ao regime de caixa. Passados mais de 7 meses sem que a contribuinte tivesse se pronunciado, a fiscalização expediu nova intimação em 19.05.2009 reiterando os termos da solicitação de documentos anteriormente efetuada, mas mesmo assim não obteve êxito, porque nenhuma manifestação foi apresentada pela autuada até o encerramento do relatório, o que levaria à conclusão de que a mesma não comprova ter adotado o regime de caixa. O autor da diligência, levando em conta as alegações da contribuinte às fls. 1573/1579, do Volume VIII, se manifesta em relação às mesmas: Item I – Das alegações da contribuinte. a) que os termos de numeração intermediária 02 a 11, não foram direcionados à recorrente, conduzindo a cerceamento do direito de defesa. Explica o autor da diligência que a numeração dos termos não foi seqüenciada porque à época de emissão dos mesmos existia Seção que controlava a numeração das intimações no nível de Grupo. b) que a fiscalização não excluiu da base de cálculo dos tributos lançados os valores das notas fiscais que o Ministério da Saúde afirma que não foram pagas. Diz o autor da diligência que afirmar que na base do SIAFI não consta pagamento, não quer dizer que os pagamentos não tenham sido efetuados, porque pode ter ocorrido da pesquisa ter sido incompleta, pode ter ocorrido de o operador não ter informado o número das faturas nas OB, impossibilitando que as mesmas tenham sido localizadas no SIAFI. Observa que o órgão diligendo não disse o motivo porque as faturas não constavam na base SIAFI, apenas se limitou a dizer que não constavam. Mas se afirmasse que ainda estavam pendentes de pagamento ou porque haviam sido canceladas, aí sim, não existiria nenhuma dúvida quanto à não existência de pagamento. Fl. 7018DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10166.001011/200329 Acórdão n.º 1102000.810 S1C1T2 Fl. 12 12 Registra que a contribuinte se contradiz, em relação às faturas que o Ministério da Saúde afirma que não constam da base do SIAFI, fl. 1575. Transcrevese o trecho citado pelo autor da diligência: A autoridade lançadora não considerou dados informados na apuração efetuada. Assim, não excluiu da base de calculo dos tributos lançados os valores das notas fiscais que o Ministério da Saúde afirma que não foram pagas. Tal procedimento, data vênia, não pode receber o respaldo deste julgamento. Apesar dessa alegação, ao retificar os Quadros Demonstrativos de fls. 1636/1672 (IRPJ), de fls. 1673/1709 (CSLL), fls. 1710/1746 (COFINS) e fls. 1747/1783 (PIS), do volume IX, a contribuinte deduziu os tributos retidos sobre essas faturas, ou seja, confirmou que os pagamentos realmente existiram. Destaca que em nenhum momento das fases de contestação, a contribuinte alegou que aquelas faturas (61) tivessem sido canceladas ou que ainda estão pendentes de pagamento. Explica que por isso a fiscalização não excluiu aquelas faturas da base de cálculo dos tributos lançados, por entender que as mesmas haviam sido pagas. Para que essa afirmação fosse manifestada por escrito, a fiscalização intimou a contribuinte para que esta informasse a real situação dessas faturas, mas não obteve nenhuma resposta. c) que a fiscalização não considerou a retenção de muitas faturas pagas por órgãos públicos, apesar da fonte pagadora estar legalmente obrigada a fazêla. Ainda que os órgãos públicos estejam obrigados a reter os tributos, quando dos pagamentos efetuados, não basta apenas a presunção, pois é preciso que haja comprovação. Por essa razão, as faturas que não tiveram comprovadas suas retenções, a fiscalização não as considerou, para fins de dedução dos tributos lançados. d) que a fiscalização não excluiu o imposto que a recorrente já havia recolhido. Diante do alegado, a fiscalização reviu os cálculos dos valores dos tributos a serem mantidos, conforme fls. 1560 (IRPJ), 1561(CSLL), 1562 (PIS) e 1563 (COFINS) e verificou que a alegação da recorrente é procedente, porque os pagamentos desses tributos, efetuados via DARF, não haviam sido deduzidos dos valores lançados. e) que a fiscalização calculou a menor a retenção do IR, relativamente ao código 6190. O autor da diligência reconhece a procedência desse alegação, quando afirma que no lançamento foi calculada a alíquota de 3,8% quando deveria ser de 4,8%, a retenção do IR incidente sobre serviços. Item II – das alterações efetuadas pela contribuinte, dos tributos a serem mantidos Afirma que às fls. 1592 a 1595, do volume VIII, intituladas doc. 3, que a contribuinte efetuou a primeira alteração dos valores constantes dos quadros demonstrativos elaborados pela fiscalização, sob a alegação de que os valores pagos desses tributos não Fl. 7019DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10166.001011/200329 Acórdão n.º 1102000.810 S1C1T2 Fl. 13 13 haviam sido considerados pela autoridade lançadora; e que conforme fls. 1631 a 1634 do volume IX, intituladas por doc. 5, a contribuinte alterou novamente os valores dos tributos a serem mantidos, tomando por base 4 argumentos: (i) pagamentos efetuados via DARF, não deduzidos dos tributos lançados, (ii) correção da alíquota de retenção de IR incidente sobre serviços (código 6190), de 3,8% para 4,8%, (iii) dedução dos tributos, referentes a faturas que tiveram as retenções comprovadas, após o encerramento da primeira diligência, em 28.03.2007, (iv) abatimento dos tributos, relativamente às faturas que não tiveram as retenções comprovadas, sob a alegação de que o órgão público estar obrigado a efetuar a retenção pelos pagamentos indevidos. O autor da diligência concorda com as alterações efetuadas em relação aos três primeiros itens e discorda da autuada, quando a mesma por conta própria, deduziu os tributos das faturas que sequer tiveram comprovadas suas retenções (item 4). Item III – faturas que tiveram as retenções comprovadas, após o encerramento da primeira diligência, em 28.03.2007. Elabora tabelas nºs. 1 a 4, em que relaciona a data de emissão, o número e valor da fatura e o órgão pagador, para as faturas que tiveram suas retenções comprovadas e que estão localizadas às fls. 1784/1807, do volume IX, justificando que os quadros elaborados pela fiscalização fossem alterados. Item IV – dos tributos a serem mantidos, apurados pela fiscalização, no encerramento da primeira diligência, em 28.03.2007. Aduz que quando da elaboração dos quadros demonstrativos de fls. 1560 a 1563, a fiscalização cometeu um equívoco: ao apurar os valores desses tributos, fez a seguinte conta: valor a ser mantido (x) é = valor lançado (x) mais valor retido declarado na DIPJ, menos valor retido apurado no curso da diligência (x), quando deveria ter sido feito essa outra conta: valor a ser mantido (x) é = valor lançado (x) mais valor apurado/devido informado na DIPJ (x), menos a totalidade dos valores retidos apurados na fase de diligência. Os valores declarados como consta em cada quadro demonstrativo referemse na verdade aos valores retidos por órgãos públicos, informados na DIPJ, e não os valores devidos, apurados nessa declaração. Por essa razão, os valores dos tributos a serem mantidos, apurados nos quadros demonstrativos, em referência, devem ser desconsiderados, pelo fato de apenas parte dos valores devidos (os retidos) terem sido somados aos valores lançados de ofício. Essa observação imporia que os cálculos fossem refeitos, para que se restabelecesse o valor devido de cada tributo a ser mantido. Item V – Dos equívocos cometidos pela contribuinte, ao apurar os valores dos tributos a serem mantidos Aduz que conforme se verifica nos quadros 1 a 4, às fls. 1592 a 1595, do volume VIII, a contribuinte ao corrigir os valores dos tributos a serem mantidos, incorreu nos mesmos equívocos da fiscalização, com relação aos valores declarados na DIPJ, ou seja, somou os valores retidos aos lançados de ofício, quando deveria ter somado os valores apurados nessa Fl. 7020DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10166.001011/200329 Acórdão n.º 1102000.810 S1C1T2 Fl. 14 14 declaração aos lançados, e subtraído os valores pagos e a totalidade das retenções apuradas na fase de diligência. A autuada apurou de tributos a serem mantidos, nos quatro trimestres do ano, os seguintes valores: R$ 3.412,34 de IRPJ, R$ 16.957,37 de CSLL, R$ 12.552,43 de PIS e R$ 72.398,87 de COFINS. Verificase ainda no quadro 4, da COFINS (1ª alteração), que a soma das parcelas trimestrais, bem como a soma anual, das três últimas colunas (COFINS declarada na DIPJ, COFINS paga e COFINS a ser mantida) estão completamente erradas. Verificase ainda nos quadros 5 a 8 (2ª alteração), localizados às fls. 1631/1634, do volume IX, que a contribuinte apurou imposto negativo a ser mantido, ou seja, crédito a seu favor, no valor de R$ 3.485,18, tendo apurado CSLL no valor de R$ 11.288,58, PIS no valor de R$ 8.869,43 e COFINS no valor de R$ 51.687,86. Verificase ainda, que os mesmos erros de soma que a contribuinte cometeu, quando da elaboração do quadro 4, à fls. 1595, do volume VIII, a autuada cometeu ao elaborar o quadro 8 (COFINS), pois as três últimas colunas desse quadro, estão com erros de soma, distorcendo dessa forma, os valores a serem mantidos. Item VI – dos quadros demonstrativos dos tributos retidos. Argumenta que os quadros demonstrativos dos valores retidos, fls. 1412/1448 (IRPJ), fls. 1449/1485 (CSLL), fls. 1486/1522 (PIS) e fls. 1523/1559 (COFINS), todos localizados no volume VIII, tiveram seus valores alterados, em função da correção da alíquota de retenção do IR, de 3,8% para 4,8%, incidente sobre serviços, código de retenção 6190, e ainda pelo fato de a contribuinte ter comprovado a retenção das faturas discriminadas nas tabelas 1 a 4, do item III do relatório, os quais serviram de base para os valores devidos de cada tributo. Item VII – dos valores apurados dos tributos a serem mantidos apurados na diligência fiscal Em substituição aos valores contidos nos quadros de fls. 1560 a 1563, e os apurados pela contribuinte nos quadros 1 a 4 (1ª alteração), às fls. 1592 a 1595, do volume VIII, bem como dos apurados nos quadros 5 a 8 (2ª alteração), às fls. 1631/1634, do volume IX, a fiscalização elaborou os Quadros demonstrativos de fls. 1982 a 1985, do volume X, entendendo que são estes os valores devidos a serem mantidos. Item VIII – Conclusão Encerrou o relatório, concluindo que por tudo o que foi dito e considerando que a contribuinte não demonstrou interesse em atender a fiscalização, haja vista as intimações encaminhadas, mas nenhuma com resposta, considerando ainda, que a fiscalização efetuou as devidas correções nos Quadros Demonstrativos dos tributos a serem mantidos, considerando, finalmente que a contribuinte não comprovou ter adotado o regime de caixa, encaminhou à autuada todos os documentos produzidos na diligência, inclusive cópia do relatório, para que a mesma, querendo, apresentasse manifestação. VII– DA MANIFESTAÇÃO DA INTERESSADA – 2ª diligência – fls. 2005/2015 A recorrente argüi que apesar de não ter respondido por escrito aos termos expedidos pela autoridade fiscal, explicou verbalmente ao auditorfiscal que não estava Fl. 7021DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10166.001011/200329 Acórdão n.º 1102000.810 S1C1T2 Fl. 15 15 conseguindo obter os extratos bancários necessários para comprovar a data efetiva de cada recebimento, apesar da solicitação encaminhada por email, em 09.01.99 (doc. 1). Acrescenta que os extratos bancários seriam de grande importância por ser comum o recebimento das faturas em mês posterior ao da emissão delas. Sobre as notas fiscais do Ministério da Saúde, aduz que o benefício da dúvida permanece em favor da diligenciada que afirma o não recebimento dos valores, e o Ministério da Saúde por sua vez não comprovou o pagamento e nem explica a razão das faturas não constarem da base do SIAFI. Acrescenta que todos sabem da impossibilidade da prova negativa, e que à diligenciada só é possível afirmar o não recebimento dos recursos. Sobre a alegada contradição mencionada pela fiscalização, diz que não há contradição, porque se os recursos forem mantidos na base de cálculo dos tributos, como quer a fiscalização, mantida deve ser a compensação do tributo retido por imposição legal. Se ao contrário, houver a exclusão da base de cálculo dos valores não recebidos, não se justifica a compensação dos tributos. Todavia, tal decisão não compete à contribuinte. Sobre a retenção de tributos por órgãos públicos, ressalta a recorrente que não há como ser aceita a argumentação do fisco, no sentido de lançar na base de cálculo dos tributos os valores recebidos de órgãos públicos, mas não considerar as retenções legais a que eles estão obrigados a efetuar, sob o argumento de que a ora diligenciada não comprovara tal fato, isto é, as retenções. Dos quadros demonstrativos tomamse exemplos de faturas de valores expressivos que compõem a base de cálculo dos tributos sem que tenham sido consideradas as retenções legais incidentes sobre esses valores supostamente recebidos pela diligenciada. A manifestante relacionada o nº da fatura, a data de emissão, o valor e o órgão público à fl. 2007. Sobre a apuração dos tributos a serem mantidos argüi que não há no relatório explicação clara que justifique a eleição dos valores que integram a coluna 3 em detrimento daqueles que estão na coluna 2, uma vez que todos foram examinados pelo fisco. Elabora a planilha, doc. 2, para efeito de determinar o montante a ser mantido por período que considerou o maior valor retido por trimestre entre aqueles registrados nas duas colunas. As planilhas constituem os documentos de fls. 1012/2015. Por fim, destaca que apesar do esforço deste colegiado para que sejam devidamente esclarecidos os fatos que integram os autos, não restaria confirmada a consistência do lançamento fiscal mantido em primeira instância, de forma a justificar a sua ratificação. Na hipótese de entendimento diverso, espera que sejam considerados no julgamento as retenções obrigatórias por lei em relação às faturas emitidas para órgãos públicos, caso os valores delas continuem a integrar a receita tributável A partir daqui, acrescento as razões que levaram à determinação da realização de outra diligência, na sessão de 17.05.2010, pela Resolução nº 140200.011. VIII DA RESOLUÇÃO 140200.011, DE 17.05.2010 E DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA. Fl. 7022DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10166.001011/200329 Acórdão n.º 1102000.810 S1C1T2 Fl. 16 16 Reproduzo parte do voto condutor da Resolução: Nos demonstrativos elaborados pela autoridade fiscal que realizou a diligência se verifica que as deduções relativas às retenções foram efetuadas pelo regime de competência, quando deveriam ter sido efetuadas nos meses em que efetivamente as retenções ocorreram, com o conseqüente descasamento entre o mês do faturamento e o das retenções, razão pela qual devese converter o julgamento em diligência, para que os cálculos sejam efetuados, levandose em conta a data da retenção dos tributos. A contribuinte juntou aos autos cartas de retenções ocorridas em 1998 relativas a faturamento do ano anterior. Entretanto, essas retenções somente podem ser incluídas caso a contribuinte comprove que ofereceu a receita respectiva à tributação, conseqüentemente, deve a autoridade fiscal encarregada da diligência, intimar a empresa a comprovar que ofereceu à tributação a totalidade dessas receitas. A contribuinte discorda dos demonstrativos da autoridade fiscal que realizou a diligência porque não haveria no relatório explicação clara que justificasse a eleição dos valores que integram a coluna 3 (tributo retido juntado na fase de diligência) em detrimento daqueles que estão na coluna 2 (tributo retido juntado na fase de recurso), uma vez que todos foram examinados pelo fisco. Assim, a autoridade fiscal deve também explicar a razão da diferença apontada pela recorrente. Quanto à dedução dos tributos já pagos por meio de DARF, entendo que não devem ser deduzidos. A autoridade fiscal que realizou a diligência os considerou porque entre as retenções apuradas na diligência, uma parte foi deduzida quando da apuração dos tributos na DIPJ. Então apurou as diferenças da seguinte forma: tributo lançado (+) o apurado na DIPJ () tributo retido apurado na diligência () o IRPJ pago. Entretanto, considerando que os efetivos pagamentos são batidos com os débitos apurados, nos contas correntes, e que eventuais divergências entre os valores apurados e os pagos são cobrados, se sobrar débito, ou ficam disponibilizados nos contas correntes, para possível compensação ou pedido de restituição, se sobrar pagamento, entendo ser temerário se adotar tal procedimento. Assim, a autoridade fiscal que realizar a diligência, deve fazer o seguinte cálculo: tributo lançado () “a diferença entre os tributos retidos apurados na diligência e os valores deduzidos na DIPJ como retenções a órgãos públicos”. Desta forma, o valor declarado é que deve ser controlado nos contas correntes e o batimento deve ser feito com os valores pagos. A autoridade fiscal deverá observar ainda que não houve lançamento de PIS e COFINS para os fatos geradores de outubro e dezembro (vide demonstrativos de apuração de fls. 21 relativos a COFINS e de fls. 16 referente a PIS), Fl. 7023DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10166.001011/200329 Acórdão n.º 1102000.810 S1C1T2 Fl. 17 17 conseqüentemente, esses meses não devem compor os demonstrativos de cálculo. Também deverá observar que o valor da omissão para efeito do IRPJ e da CSLL do 4º trimestre é de R$ 61.504,57 e não R$ 129.662,44 que se refere apenas ao mês de novembro, entretanto, tratandose de período trimestral, devese levar em conta a receita omitida no trimestre, calculada mediante o valor total de receitas apurado pela fiscalização menos o valor declarado na DIPJ (vide demonstrativo de apuração do IRPJ de fls. 21 e da CSLL de fls. 25). Sobre o pedido da recorrente para que seja excluída da omissão, o valor da fatura emitida em novembro de 1997 que foi incluída como emitida em novembro de 1998. Tratase da fatura nº 007586, no valor de R$ 28.274,00. Esse valor deve ser excluído, uma vez que se refere à competência de período anterior ao ano calendário objeto do lançamento. Sobre o pedido para que seja excluída da omissão, o valor de R$ 30.833,74, fatura 8657, do mês de maio (IRPJ: fls. 1848, CSLL: fls. 1885, PIS: 1922, COFINS: fls. 1959) porque se trata de fatura cancelada, a contribuinte apresenta cópia dessa fatura que está fisicamente cancelada. Nos demonstrativos das faturas e respectivas retenções por tributo da fiscalização, consta nas mesmas que o órgão pagador é a própria Voetur. Entendo que essas informações são suficientes para provar que houve o cancelamento da fatura. Logo, referido valor deve ser excluído do valor de omissão de receitas, bem como os valores relativos às retenções. A autoridade fiscal elaborou o relatório de diligência, do qual destacase: a) Sobre se as receitas relativas às faturas emitidas em 1997 pagas em 1998, foram ou não oferecidas à tributação, a empresa foi intimada a fazer essa comprovação, mas não se manifestou; b) Sobre os cálculos das deduções das retenções que fosse levado em consideração a data de retenção dos tributos, a autoridade fiscal elaborou as planilhas de fls. 2036/2187, volume XI, com as correções devidas; explica que a ordem cronológica das datas das retenções podem ser visualizadas na última coluna das planilhas; ressaltou que não foram identificadas cartas de retenções ocorridas no mês de janeiro de 1998; c) Sobre o motivo pelo qual considerou os valores retidos, apresentados na fase de diligência e não os apresentados com o recurso voluntário, esclareceu, que considerou os valores de diligência, porque comprovados por cartas de retenções acostadas aos autos do processo, cujas faturas foram objeto de lançamento, enquanto que os valores retidos juntados na fase de recurso voluntário, a contribuinte não os comprova, totalmente, porque baseados nos dados do SIAFI, fls. 301, volume II, incluindo faturas não lançadas de ofício; esclarece ainda que os valores retidos apurados na diligência superam os das retenções juntadas no recurso voluntário, exceto no caso da COFINS; Fl. 7024DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10166.001011/200329 Acórdão n.º 1102000.810 S1C1T2 Fl. 18 18 d) Sobre a exclusão do valor pago por DARF, para efeito de apuração dos tributos devidos, foram elaborados os demonstrativos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, excluindo o valor de cada tributo pago, conforme fls. 2188/2195, volume XI; e) excluiuse do cálculo da omissão a fatura nº 007586, de novembro de 1997, no valor de R$ 28.274,00 computada no cálculo do valor tributável, como se emitida em novembro de 1998, e a fatura 008657, de maio/98, no valor de R$ 30.833,74, porque comprovado o seu cancelamento, bem como, a fatura 8373, de 27.04.98, no valor de R$ 4.689,08, porque lançada em duplicidade, conforme se pode verificar às fls. 105/106, volume I; com essas exclusões, o total do valor tributável original passou de R$ 7.541.408,75 para R$ 7.477.611,93, conforme planilha de fls. 2196, volume XI; f) em relação ao cálculo da omissão do IRPJ e da CSLL, do 4º trimestre de 1998, foram elaboradas novas planilhas com as correções devidas, levandose em conta os valores das faturas excluídas, as quais estão demonstradas às fls. 2198/2201, volume XI, passando o valor com essas exclusões de faturas, o valor de R$ 61.504,57 para R$ 33.230,57, no trimestre g) quanto à contribuição para o PIS e COFINS, não lançados nos meses de outubro a dezembro de 1998, pelo fato da base de cálculo ter sido negativa apurouse saldo negativo no mês de outubro de 1998 e saldo positivo no mês de dezembro de 1998, em função da fórmula utilizada para o cálculo dessas contribuições nos demais meses do ano (valor a ser mantido = valor lançado (+) valor declarado na DIPJ () valor apurado na diligência, porém a contribuinte não deve a contribuição para o PIS de R$ 25,82 e nem a COFINS de R$ 69,32, apurados no mês de dezembro de 1998, como constam das planilhas de fls. 2192 e 2194. h) informou ter encaminhado à diligenciada as planilhas produzidas na diligência, de fls. 2188/2201, inclusive uma via do relatório, para que a mesma apresentasse manifestação, no prazo de 20 dias. Constatase que o relatório fiscal e planilhas foram entregues à interessada, em 29.12.2011, conforme aviso de recebimento de fls.2207. A interessada não apresentou manifestação. É o relatório. Fl. 7025DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10166.001011/200329 Acórdão n.º 1102000.810 S1C1T2 Fl. 19 19 Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Tratase de lançamento do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS do anocalendário de 1998, em que a contribuinte optou pelo regime de apuração do lucro presumido. A empresa foi acusada de ter omitido de receitas, em razão dos valores das notas fiscais emitidas no ano e escrituradas no livro de Registro de Serviços Prestados não corresponderem aos valores das faturas emitidas no mesmo período. Também foi acusada de ter omitido receitas de comissões por vendas de conhecimento aéreo (enviadas pela VARIG e VASP). O valor das receitas omitidas corresponde ao somatório das receitas apuradas com base nas faturas, as receitas de comissões (VARIG e VASP) menos as receitas declaradas, conforme tabela abaixo. Demonstrativo nº 1 – apuração da omissão de receita – Valores em R$ Período Receitas – faturas Receitas comissões Rec. declaradas Diferença apurada Janeiro 321.435,55 4.817,05 39.769,22 286.483,38 Fevereiro 92.319,49 3.699,05 62.770,12 33.248,42 Março 879.002,20 4.134,54 282.757,82 600.387,92 Abril 914.271,57 7.668,18 184.795,41 737.144,34 Maio 292.319,33 4.215,20 124.472,27 172.062,26 Junho 1.180.485,79 4.327,44 204.928,68 979.884,55 Julho 609;047,26 4.449,31 190.600,90 422.895,67 Agosto 1.328.399,43 2.863,13 676.029,92 655.232,64 Setembro 704.099,92 4.388,43 256.583,87 451.904,48 Outubro 299.034,28 3.515,64 354.851,07 52.301,15 Novembro 510.417,80 3.522,31 384.277,67 129.662,44 Dezembro 410.576,13 2.840,85 429.273,70 15.856,72 Subtotal 4ºtri 1.220.028,21 9.878,80 1.168.402,44 61.504,57 Total 7.541.408,75 50.450,13 3.191.110,65 4.400.748,23 Obs. Para o último trimestre, a base de cálculo para apuração do lucro considerada no auto de infração é o valor de R$ 129.662,44. Não houve lançamento do PIS e COFINS para os meses de outubro e dezembro. A contribuinte na manifestação relativa à primeira diligência argüi que os Termos de diligência de numeração de 02 a 11 não foram direcionados a ela e que sobre eles não há qualquer menção no relatório de diligência, o que conduziria a cerceamento do direito de defesa. Fl. 7026DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10166.001011/200329 Acórdão n.º 1102000.810 S1C1T2 Fl. 20 20 Explicou a autoridade fiscal às fls. 1987/1988, que para atender à primeira diligência expediu vários Termos, o primeiro foi o de nº 2 de 14.01.2005, de fls. 484, do volume III, o segundo, expedido em 18.02.2005 referese a aditamento ao Termo nº 2, que constitui o doc. de fls. 485, do volume III, ambos dirigidos à autuada. Os demais Termos não seguiram numeração seqüenciada, porque o controle de numeração não era feito por procedimento fiscal. Indicou os Termos emitidos, a quem foram dirigidos e as folhas que integram do processo administrativo. Do exposto, não está caracterizado qualquer cerceamento do direito de defesa, pois os Termos dirigidos à diligenciada foram apresentados a ela e estão nos autos, bem como, os Termos dirigidos a outras pessoas jurídicas foram identificados e constam dos autos. O sujeito passivo, afirma que a sua atividade é de agenciamento de cargas e justifica a diferença entre os valores apurados pela fiscalização, com base nas faturas emitidas e os valores das notas fiscais escriturados no livro de registro de prestação de serviços, como valores repassados para terceiras empresas que realizam o transporte das cargas e que lança como compensação dos tributos retidos, valores proporcionais às receitas declaradas, ficando com crédito de imposto. Entretanto, a recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento que pudesse justificar o procedimento adotado. A sistemática que a recorrente diz que adota, significa que a contribuinte confessa que declarou valores menores do que os efetivamente recebidos, uma vez que no regime de apuração do lucro presumido deveria declarar todos os valores relativos a receitas oriundas do transporte de cargas. A contribuinte alegou no recurso que as receitas de comissões recebidas da VASP e VARIG já integravam as receitas declaradas. Referese ao valor de R$ 50.450,13. A contribuinte não trouxe aos autos nenhuma prova de que teria oferecido à tributação tais valores. Assim, deve ser mantido o lançamento relativo a esse item. Sobre seu argumento de que adotou no regime do lucro presumido, o regime de caixa, o que teria causado uma distorção entre a data da fatura e o registro do pagamento, foi determinada a segunda diligência para que a recorrente comprovasse que adotou o regime de caixa. A empresa foi intimada a comprovar as datas de escrituração das receitas, para que a partir daí se pudesse analisar se a empresa adotou o regime de caixa, entretanto, conforme resultado do relatório fiscal, a contribuinte não o comprovou, apesar de ter decorrido entre 26.09.2008 a 13.08.2009 (data do relatório de diligência), mais de 10 meses. Assim, seu argumento de que a diferença de omissão de receitas apurada pela fiscalização se deve também ao fato de que escrituraria suas receitas com base no regime de caixa, não procede, uma vez que não efetuou a respectiva comprovação. Conseqüentemente, as faturas relativas ao Ministério da Saúde, independentemente de ter ou não havido pagamento devem ser computadas na apuração das receitas tributáveis. Observese inclusive que a recorrente não esclarece a razão pela qual as faturas foram emitidas e o pagamento não fora realizado. Sobre as cartas de retenções de 1998, relativas a faturamento do ano anterior, foi determinada diligência para que a contribuinte fosse intimada a comprovar que ofereceu as respectivas receitas que originaram as retenções, à tributação, no entanto, a recorrente não se Fl. 7027DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10166.001011/200329 Acórdão n.º 1102000.810 S1C1T2 Fl. 21 21 manifestou a respeito, razão pela qual, essas retenções não podem ser admitidas para reduzir o montante dos tributos lançados. Em relação aos valores omitidos, na apuração do IRPJ e da CSLL, devese alterar os valores apurados no 4º trimestre, uma vez que a autoridade que realizou a ação fiscal considerou como valor omitido no trimestre, o valor da omissão de novembro, quando o correto, inclusive dada a metodologia adotada para apuração do valor omitido (deduziu dos valores de receita apurados, o valor de receitas declarado em DIPJ) é que o cálculo seja efetuado com os valores do trimestre, que no caso, beneficia a recorrente, pois o valor da omissão no trimestre é de R$ 61.504,57 e não de R$ 129.662,44. Procede o argumento da contribuinte, de que deve ser excluído do valor da omissão de receitas, o valor de R$ 28.274,00, porque se refere a fatura emitida em 11/97 que foi incluída indevidamente no mês de novembro de 1998, bem como, deve ser excluído também o valor de R$ 30.833,74, do mês de maio de 1998, pois tratase de fatura cancelada. A autoridade fiscal que realizou a diligência identificou a fatura nº 8373, emitida em 27.04.98, no valor de R$ 4.689,08, lançada em duplicidade, conforme se pode verificar às fls. 105/106, volume 1, razão pela qual referido valor também deve ser excluído da omissão de receitas. Portanto, do valor de omissão de receitas apurado pela fiscalização, devese excluir a importância de R$ 63.796,82. Sobre a alegação de que a fiscalização não deduziu os valores dos tributos retidos, foi determinada a primeira diligência, o que motivou a autoridade fiscal a apurar os valores dos tributos retidos. A autoridade que realizou a diligência intimou a própria autuada e seus clientes a comprovar as retenções de tributos. A recorrente pede que em relação às faturas relativas a órgãos públicos, se deduza o valor que deveria ter sido retido, independentemente da prova da retenção, por entender que esses órgãos estão obrigados a fazer a retenção. Entendo que a prova da retenção é da contribuinte, independentemente da obrigação do órgão público a efetuar. Portanto, não é possível que se efetue a dedução dos valores que deveriam ser retidos, cuja comprovação da retenção não foi efetuada. Ademais, entre as fontes pagadoras há as que não estavam obrigadas a efetuar a retenção, tais como, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Algumas das faturas relativas ao Ministério da Saúde, não tiveram o pagamento confirmado por esse órgão, e a recorrente pleiteia que sejam deduzidas as retenções relativas a essas faturas. Conforme acima abordado, os valores dessas faturas devem integrar as receitas tributáveis, uma vez que estamos considerando que a contribuinte adota, no regime do lucro presumido, o regime de competência, mas, para que se deduza os valores de retenção de tributos, a contribuinte deve fazer a prova de que a retenção ocorreu no ano de 1998. Fl. 7028DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10166.001011/200329 Acórdão n.º 1102000.810 S1C1T2 Fl. 22 22 Outra discussão da recorrente, envolve alegado cerceamento do direito de defesa. Na elaboração das planilhas para apuração do valor retido de tributos, há duas colunas que informam o valor das retenções, sendo que uma, referese a valores informados no recurso e a outra a valor das retenções segundo apurado na diligência, e alega a recorrente, que a autoridade fiscal não explicou porque não adotou os valores da coluna que leva em conta os valores informados no recurso. Essa autoridade fiscal esclareceu que considerou os valores de diligência, porque comprovados por cartas de retenções acostadas aos autos, cujas faturas foram objeto de lançamento, enquanto que os valores retidos informados no recurso voluntário, a contribuinte somente os comprovou em parte, porque baseados nos dados do SIAFI, fls. 301, volume II, incluindo faturas não lançadas de ofício. Esclarece ainda que os valores retidos apurados na diligência superam os das retenções juntadas no recurso voluntário, exceto no caso da COFINS. Entendo que está esclarecida a motivação da autoridade fiscal, não implicando em qualquer cerceamento do direito de defesa. Antes de continuar a apreciação das demais matérias, destaco a elaboração de planilhas de fls. 2036 a 2073, na fase de diligência, que se refere ao demonstrativo de IRPJ retido por órgãos públicos, incidente sobre as faturas objeto de lançamento de ofício: a) fls. 2036 a 2055 – nesse grupo, a autoridade fiscal relacionou as faturas por data de pagamento/retenção do imposto; assinalou que em janeiro de 1998 não houve retenções; b) fls. 2055 a 2066 – nesse grupo, a autoridade fiscal relacionou as faturas em que não é obrigatória a retenção, e as relacionou por mês de emissão. c) fls. 2066 a 2073 – nesse grupo, a autoridade fiscal relacionou as faturas, por mês de emissão, de diversas fontes pagadoras em que não houve comprovação das retenções. Elaborou, com a mesma metodologia, planilhas relativas à CSLL (fls. 2074/2111), contribuição para o PIS (fls. 2112/2149) e COFINS (fls. 2150/2187). Após, elaborou demonstrativo de apuração do IRPJ lançado de ofício, do declarado na DIPJ, dos valores retidos, e obteve o valor a ser mantido, conforme fls. 2188/2189. Elaborou demonstrativos idênticos para a CSLL, contribuição para o PIS e COFINS, conforme documentos de fls. 2190/2195. Nesses demonstrativos, partiu do valor do imposto lançado de ofício, a que se refere o auto de infração, adicionou o IRPJ declarado e excluiu o IRPJ retido por órgão público apurado na diligência corrigido. A primeira observação a fazer se refere ao primeiro grupo, em que a autoridade fiscal relacionou as faturas por data de pagamento/retenção do tributo. Esse cálculo foi efetuado, por determinação do decidido na Resolução 140200.011, de 17.05.2010. Justificou essa determinação o fato da recorrente afirmar que nem sempre o pagamento é efetuado no mesmo mês de emissão da fatura. Dessa forma, há um descasamento, entre a receita registrada pelo regime de competência (uma vez que a empresa não provou que Fl. 7029DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10166.001011/200329 Acórdão n.º 1102000.810 S1C1T2 Fl. 23 23 adota o regime de caixa), e o mês em que o pagamento é efetuado, quando se dá a retenção do tributo. Em relação ao cálculo dos valores dos tributos retidos efetuado pela autoridade fiscal que realizou a primeira diligência, a contribuinte argüiu que a fiscalização calculou a menor a retenção do imposto de renda, relativamente ao código 6190, pois foi utilizada a alíquota de 3,8%, quando o correto é 4,8%. A autoridade fiscal que realizou a segunda diligência reconheceu a procedência dessa alegação, o que está de acordo com a legislação, e novos cálculos foram efetuados, com as alíquotas corretas. As planilhas relativas à terceira diligência também já absorveram essa correção. Ainda em relação à apuração dos valores retidos para serem deduzidos do valor dos tributos lançados, devese observar que na DIPJ, a contribuinte deduziu parte desses valores. A recorrente ao discutir os cálculos efetuados pela autoridade fiscal que realizou a primeira diligência, pede que seja excluído o valor do tributo pago. Afirma que a autoridade que realizou a primeira diligência, para apurar o valor do tributo a ser mantido, adicionou ao valor lançado, o valor declarado na DIPJ e deduziu o valor do tributo retido apurado nessa diligência, sem ter deduzido o valor pago. Em função dessa argumentação, a autoridade fiscal que realizou a segunda diligência, efetuou novos cálculos: Valor do tributo a ser mantido = valor do tributo lançado (+) valor declarado na DIPJ () tributo retido () valor do tributo pago. Entretanto, a 2ª Turma da 4ª Câmara, quando da determinação da Resolução nº 140200.011, de 17.05.2010, discordou dessa forma de apuração do valor de tributo a ser mantido e determinou que esse cálculo fosse feita da seguinte forma: Valor do tributo a ser mantido = valor do tributo lançado () valor do tributo retido apurado na diligência (+) valor do tributo retido deduzido na DIPJ. Ou seja, deveser excluir do valor do tributo lançado, a diferença entre o valor de tributo retido apurado na diligência e o valor do tributo retido deduzido na DIPJ, isto é, somente pode ser deduzido o valor retido que ainda não foi aproveitado. A justificativa para a não dedução do tributo pago, é que o valor do tributo lançado foi apurado com base na diferença entre o valor das faturas consideradas pela fiscalização e o valor das receitas declaradas na DIPJ. Entretanto, considerando que os efetivos pagamentos são batidos com os débitos apurados, nos contas correntes, e que eventuais divergências entre os valores apurados e os pagos são cobrados, se sobrar débito, ou ficam disponibilizados nos contas correntes, para possível compensação ou pedido de restituição, se sobrar pagamento, entendo ser temerário se adotar tal procedimento. Ocorre que, a autoridade fiscal que realizou a terceira diligência, efetuou cálculo diferente do determinado. Apurou o tributo a ser mantido, adicionando ao tributo lançado, o valor declarado na DIPJ e deduziu o valor do tributo retido apurado na diligência. Fl. 7030DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10166.001011/200329 Acórdão n.º 1102000.810 S1C1T2 Fl. 24 24 Assim, o cálculo do valor do tributo a ser mantido, deve ser efetuado, deduzindose do valor do tributo lançado, a diferença entre o tributo retido apurado na diligência consignado nos demonstrativos de fls. 2188, 2190, 2192 e 2194 e o valor das retenções já deduzidas na DIPJ. Os demonstrativos nºs 2 a 5, abaixo, evidenciam os valores de tributos retidos apurados na diligência, os valores declarados de retenções de tributos apurados na DIPJ, e a diferença entre esses valores. Demonstrativo nº. 2: Retenções de IRPJ apuradas na diligência e as declaradas na DIPJ Valores em R$ trimestre Retenções Diligência retenções DIPJ Diferença de retenções 1º 4.215,29 4.220,60 2º 13.397,87 4.023,35 9.374,52 3º 34.664,15 16.173,28 18.490,87 4º 16.766,15 10.232,84 6.533,31 69.043,46 34.650,07 Demonstrativo nº. 3: Retenções de CSLL apuradas na diligência e as declaradas na DIPJ Valores em R$ Trimestre retenções Diligência retenções DIPJ Diferença de retenções 1º 2.949,78 3.376,49 2º 10.887,38 4.743,84 6.143,54 3º 28.223,36 10.666,47 17.556,89 4º 13.566,77 10.936,40 2.630,37 55.627,29 29.723,20 Demonstrativo nº. 4: Retenções de contr. PIS apuradas na diligência e as declaradas na DIPJ Valores em R$ fato gerador retenções Diligência retenções DIPJ Diferença de retenções jan 208,53 fev 118,46 312,00 mar 1.798,74 1.765,63 33,11 abr 2.230,47 1.143,28 1.087,19 mai 2.597,57 770,10 1.827,47 jun 2.248,75 1.298,59 950,16 jul 4.514,52 1.210,54 3.303,98 ago 10.419,37 4.364,79 6.054,58 set 3.411,29 1.646,75 1.764,54 nov 2.663,48 2.475,08 188,40 30.002,65 15.195,29 Obs. Não houve lançamento para os meses de outubro e dezembro Fl. 7031DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10166.001011/200329 Acórdão n.º 1102000.810 S1C1T2 Fl. 25 25 Demonstrativo nº 5: Retenções de COFINS apuradas na diligência e as declaradas na DIPJ Valores em R$ fato gerador retenções Diligência retenções DIPJ Diferença de retenções jan 641,64 fev 364,50 960,00 mar 5.534,58 5.432,70 101,88 abr 6.863,00 3.517,78 3.345,22 mai 7.992,53 2.369,54 5.622,99 jun 6.919,22 3.995,66 2.923,56 jul 13.890,82 3.724,74 10.166,08 ago 32.059,61 13.430,13 18.629,48 set 10.496,29 5.066,91 5.429,38 nov 8.195,31 7.615,63 579,68 92.315,86 46.754,73 Obs. Não houve lançamento para os meses de outubro e dezembro No cálculo das diferenças de valor de retenções a serem deduzidas do valor lançado, considerouse inexistir diferenças quando o valor retido declarado na DIPJ foi maior que o valor apurado na diligência, no respectivo período de apuração, uma vez que não se pode agravar a situação da contribuinte. Os demonstrativos nºs. 6 a 9, evidenciam os valores relativos à omissão de receitas objeto do lançamento, os valores excluídos conforme já abordado neste voto, o valor da omissão que deve ser mantido, o cálculo do tributo, o valor da diferença de retenções obtido a partir dos demonstrativos nºs. 2 a 5, para que sejam obtidos os valores de tributos a serem mantidos. Demonstrativo nº 6 Apuração dos valores mantidos de IRPJ – Valores em R$ omissão a.i. exclusões omissão final 8% 15% adicional total dif.retenções v.mantido tri 920.119,72 0 920.119,72 73.609,58 11.041,44 1360,96 12.402,38 12.402,38 1º 1.889.091,15 35.522,82 1.853.568,33 148.285,47 22.242,82 8.828,55 31.071,37 9.374,52 21.696,85 2º 1.530.032,79 0 1.530.032,79 122.402,62 18.360,39 6.240,26 24.600,65 18.490,87 6.109,78 3º 61.504,57 28.274,00 33.230,57 2.658,45 398,77 398,77 6.533,31 4º 4.400.748,23 63.796,82 4.336.951,41 346.956,11 52.043,42 16.429,77 68.473,17 40.209,01 OBS: 4º trim. ajustado para valor da omissão apurada no trimestre e não no mês de novembro. Demonstrativo nº 7 Apuração dos valores mantidos de CSLL – Valores em R$ omissão a.i. exclusões omissão final 12% 8% dif.retenções v.mantido tri 920.119,72 0 920.119,72 110.414,37 8.833,15 8.833,15 1º 1.889.091,15 35.522,82 1.853.568,33 222.428,20 17.794,26 6.143,54 11.650,72 2º 1.530.032,79 0 1.530.032,79 183.603,93 14.688,31 17.556,89 3º 61.504,57 28.274,00 33.230,57 3.987,67 319,01 2.630,37 4º 4.400.748,23 63.796,82 4.336.951,41 520.434,17 41.634,73 20.483,87 OBS: 4º trim. ajustado para valor da omissão apurada no trimestre e não no mês de novembro. Fl. 7032DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10166.001011/200329 Acórdão n.º 1102000.810 S1C1T2 Fl. 26 26 Demonstrativo nº 8 – Apuração dos valores mantidos da contribuição para o PIS – Valores em R$ Mês omissão a.i. exclusões omissão final 0,65% dif.retenções v.mantido Jan 286.483,38 286.483,38 1.862,14 1.862,14 fev 33.248,42 33.248,42 216,11 216,11 mar 600.387,92 600.387,92 3.902,52 33,11 3.869,41 abr 737.144,34 4.689,08 732.455,26 4.760,96 1.087,19 3.673,77 mai 172.062,26 30.833,74 141.228,52 917,99 1.827,47 jun 979.884,55 979.884,55 6.369,25 950,16 5.419,09 jul 422.895,67 422.895,67 2.748,82 3.303,98 ago 655.232,64 655.232,64 4.259,01 6.054,58 set 451.904,48 451.904,48 2.937,38 1.764,54 1.172,84 nov 129.662,44 28.274,00 101.388,44 659,02 188,40 470,62 4.468.906,10 63.796,82 4.405.109,28 28.633,21 16.683,99 OBS: não houve lançamento para os meses de outubro e dezembro. Demonstrativo nº 9 – Apuração dos valores mantidos da COFINS – Valores em R$ mês omissão a.i. exclusões omissão final 2,00% dif.retenções v.mantido jan 286.483,38 286.483,38 5.729,67 5.729,67 fev 33.248,42 33.248,42 664,97 664,97 mar 600.387,92 600.387,92 12.007,76 101,88 11.905,88 abr 737.144,34 4.689,08 732.455,26 14.649,11 3.345,22 11.303,89 mai 172.062,26 30.833,74 141.228,52 2.824,57 5.622,99 jun 979.884,55 979.884,55 19.597,69 2.923,56 16.674,13 jul 422.895,67 422.895,67 8.457,91 10.166,08 ago 655.232,64 655.232,64 13.104,65 18.629,48 set 451.904,48 451.904,48 9.038,09 5.429,38 3.608,71 nov 129.662,44 28.274,00 101.388,44 2.027,77 579,68 1.448,09 4.468.906,10 63.796,82 4.405.109,28 88.102,19 51.335,33 OBS: não houve lançamento para os meses de outubro e dezembro. Para o cálculo do valor de tributo mantido, considerouse valor zero, quando a diferença de retenções é maior do que o tributo calculado sobre o valor da omissão. Do exposto, oriento meu voto para rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa, e no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que seja excluído, dos valores omitidos, o valor de R$ 63.796,82, bem como, para que do valor dos tributos apurados após essas exclusões, seja excluída a diferença entre o valor das retenções de tributos apurados na diligência consignado na coluna 3 dos demonstrativos de fls. 2188/2194 e o valor das retenções já incluídas em DIPJ, de fls. 55 a 91, e ainda para ajustar o valor da omissão do 4º trimestre para o valor apurado no trimestre; obtendose a manutenção dos seguintes valores originais: IRPJ, de R$ 40.209,01, CSLL, de R$ 20.483,87, contribuição para o PIS, de R$ 16.683,99 e COFINS, de R$ 51.335,33. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Relatora Fl. 7033DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10166.001011/200329 Acórdão n.º 1102000.810 S1C1T2 Fl. 27 27 Fl. 7034DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 11080.726294/2010-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006, 2007 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). IRREGULARIDADE. NULIDADE. INEXISTÊNCIA Se o procedimento fiscal está devidamente acobertado em sua totalidade pelo MPF que lhe deu origem, a disponibilização na internet das informações a ele referentes supre a ciência formal das prorrogações do documento. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 Ementa: MULTAS NÃO TRIBUTÁRIAS. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. São indedutíveis as multas por infração de lei não tributária, como são espécies as multas de trânsito e as trabalhistas, tendo em vista a desnecessidade à atividade da pessoa jurídica e à manutenção da fonte pagadora. DESPESAS COM SERVIÇOS DE CONSULTORIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Correta a glosa de despesas com serviços de consultoria quando o sujeito passivo, ainda que regularmente intimado, não traz aos autos qualquer elemento que demonstre a efetiva prestação do serviço. DOAÇÕES. INCENTIVO À CULTURA. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. Inaceitável a dedução com despesas a título de doação para incentivo à cultura quando descumpridos os requisitos formais da legislação de regência, mormente quanto à comprovação de que os valores doados ingressaram efetivamente em conta-corrente da beneficiária vinculada ao projeto incentivado.
DESPESAS. DEDUÇÃO. USUALIDADE E NECESSIDADE.
Para efeitos de dedutibilidade no resultado tributável as despesas incorridas devem preencher os requisitos de usualidade, normalidade e necessidade.
Nessa ótica, incabível a dedução de despesas particulares dos sócios sem demonstração de vínculo com o objeto social da pessoa jurídica, ou daquelas sob expressa vedação legal, como é o caso de despesas com brindes.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL
Anocalendário:
2006, 2007
Ementa: CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE.
Por se tratar de auto de infração tido como decorrente, aplicase
à CSLL as mesmas razões de decidir que nortearam o julgamento do lançamento que lhe deu origem.
Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF
Anocalendário:
2006, 2007
Ementa: IRFON. PAGAMENTOS SEM CAUSA.
Correta a exigência do Imposto de renda retido na fonte sobre pagamentos em relação aos quais não foi demonstrada a causa.
Numero da decisão: 1402-001.190
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva que dava provimento parcial para cancelar a exigência do IRFON.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006, 2007 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). IRREGULARIDADE. NULIDADE. INEXISTÊNCIA Se o procedimento fiscal está devidamente acobertado em sua totalidade pelo MPF que lhe deu origem, a disponibilização na internet das informações a ele referentes supre a ciência formal das prorrogações do documento. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 Ementa: MULTAS NÃO TRIBUTÁRIAS. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. São indedutíveis as multas por infração de lei não tributária, como são espécies as multas de trânsito e as trabalhistas, tendo em vista a desnecessidade à atividade da pessoa jurídica e à manutenção da fonte pagadora. DESPESAS COM SERVIÇOS DE CONSULTORIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Correta a glosa de despesas com serviços de consultoria quando o sujeito passivo, ainda que regularmente intimado, não traz aos autos qualquer elemento que demonstre a efetiva prestação do serviço. DOAÇÕES. INCENTIVO À CULTURA. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. Inaceitável a dedução com despesas a título de doação para incentivo à cultura quando descumpridos os requisitos formais da legislação de regência, mormente quanto à comprovação de que os valores doados ingressaram efetivamente em contacorrente da beneficiária vinculada ao projeto incentivado. Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/09 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.726294/201057 Acórdão n.º 1402001.190 S1C4T2 Fl. 2 2 DESPESAS. DEDUÇÃO. USUALIDADE E NECESSIDADE. Para efeitos de dedutibilidade no resultado tributável as despesas incorridas devem preencher os requisitos de usualidade, normalidade e necessidade. Nessa ótica, incabível a dedução de despesas particulares dos sócios sem demonstração de vínculo com o objeto social da pessoa jurídica, ou daquelas sob expressa vedação legal, como é o caso de despesas com brindes. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2006, 2007 Ementa: CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de auto de infração tido como decorrente, aplicase à CSLL as mesmas razões de decidir que nortearam o julgamento do lançamento que lhe deu origem. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2006, 2007 Ementa: IRFON. PAGAMENTOS SEM CAUSA. Correta a exigência do Imposto de renda retido na fonte sobre pagamentos em relação aos quais não foi demonstrada a causa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva que dava provimento parcial para cancelar a exigência do IRFON. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/09 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.726294/201057 Acórdão n.º 1402001.190 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente de autos de infração para exigência do IRPJ, CSLL e IRFON concernentes a períodos de apuração nos anos de 2006 e 2007 no valor total de R$ 4.813.407,76, aí incluídos juros de mora e multa de ofício. De acordo com o Relatório de Ação Fiscal, foram glosadas as despesas referentes a serviços prestados pela empresa W MENTE CONSULTORIA E REPRESENTAÇÕES, tendo em vista que não foi demonstrada a efetiva realização das operações registradas. Nesses caso, além do IRPJ e da CSLL correspondentes, a Fiscalização entendeu que os pagamentos realizados não tinha causa efetiva, motivo pelo qual foi também exigido o IRFON. Para essa infração, tendo em vista a utilização de documentos graciosos para atestar operações não realizadas, foi imputada multa qualificada aos valores apurados. Também não foram acatadas as despesas com doações efetuadas à S.R.B. Estado Maior da Restinga, por não atenderem aos requisitos de dedutibilidade estabelecidos na legislação de regência. No anocalendário de 2006, informou a autoridade lançadora que a fiscalizada não declarou em DIPJ qualquer valor de receita ou tributo a pagar e, no que se refere ao IRPJ e CSLL, também não indicou valores em DCTF. Assim, com base nos registros contábeis e demonstrativos apresentados em atendimento às intimações, foi apurado e lançado o lucro escriturado mas não declarado, tendo sido a ele acrescidos os valores das despesas glosadas de que tratam os parágrafos anteriores e mais: Despesas registradas na conta "311210101678 Serviços Terceiros”, consideradas desnecessárias à atividade da empresa, referentes a valores pagos à Pontifícia Universidade Católica a título de auxílio educação tendo sócios da empresa como beneficiários; Despesas registradas na conta “3112201283 – Outras Despesas Administrativas”, consideradas desnecessárias à atividade da empresa, referentes a despesas particulares do sócio Marcos da Rosa Lopes e, nessa mesma conta, valor deduzido sem documentação comprobatória; Despesas registradas na conta “3112201754 – Brindes e Doações”, relacionadas em tabela anexa ao relatório, por não se enquadrarem na deduções permitidas pela legislação; e: Despesas registradas nas contas “31221192 – Multas”, “31311201 – Multas de Trânsito”, “3112201635 – Multas de Veículos”, “311210101819 – Multa Trabalhista CLT e “ 311210201665 – Multa s/ saldo FGTS”; por não se enquadrarem no conceito de despesa operacional dedutível. As infrações referentes à indedutibilidade das despesas nas contas supra mencionadas repetiramse no anocalendário de 2007, implicando na apuração de crédito tributário e ajustes no saldo de prejuízos fiscais. Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/09 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.726294/201057 Acórdão n.º 1402001.190 S1C4T2 Fl. 4 4 Devidamente cientificado da exigência, a interessada apresentou impugnação suscitando em preliminar a nulidade do lançamento, por não ter sido cientificada das prorrogações do prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Contesta a glosa das despesas com multas trabalhistas alegando serem decorrência das despesas existentes sobre relações laborais e, no que se refere às multas de trânsito, afirma serem decorrentes da atividade preponderante da empresa, qual seja a locação de veículos e a coleta de lixo. Em relação aos serviços de consultoria, sustenta que recebeu serviços de orientação e conhecimento técnico para fins de atuação em licitações e prestação de serviços a municípios, especialmente na coleta de lixo urbano. Afirma que os serviços forma prestados e pagos, gerando um incremento no faturamento da empresa. Registra que a prestadora de serviços estava ativa junto ao cadastro federal e reclama que a emissão de algumas notas fiscais após o prazo de vencimento não poderia ensejar a acusação de sonegação. Argumenta quanto à dificuldade de se medir conhecimento, aduz que não pode ser responsabilizada por eventuais irregularidades da prestadora de serviço e alega não ter praticado qualquer conduta que pudesse indicar a ocorrência de fraude, pois todas as movimentações existentes, receitas e despesas, sempre foram devidamente contabilizadas. No que se refere às doações para incentivo à cultura, informa que efetuou doação no valor total de R$ 400.000,00 à maior escola de samba do Rio Grande do Sul como incentivo para promover as atividades carnavalescas no Brasil. Nesse ponto defende que, ao contrário do mencionado no relatório fiscal, a beneficiária teve projetos aprovados no ano calendário de 2007 e é entidade sem fins lucrativos e reconhecida como de utilidade pública , embasando a dedução dos valores a ela repassados. Quanto às despesas com auxílio educação, argumenta serem necessárias à qualificação profissional dos sócios como também seriam necessárias à efetivação gerencial e negocial da empresa as despesas com veículos dos gestores. Em relação à apuração da exigência, solicita que sejam da base de cálculo do IRPJ os valores da CSLL, do PIS e da Cofins. Além disso, suscita que os encargos do PIS e da Cofins também devam ser deduzidos na base de cálculo da CSLL. No caso do IRFON, reitera a regularidade dos serviços prestados e dos pagamentos efetuados a título de consultoria e argúi a inconstitucionalidade do reajuste da base de cálculo. Por fim, o mesmo argumento quanto à regularidade dos serviços prestados é utilizado para contestar a imputação da multa qualificada. Além disso, sustenta que a multa teria sido imputada em duplicidade. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre RS prolatou o Acórdão 1036.639 acolhendo parcialmente a impugnação, exclusivamente no que se refere à dedutibilidade das multas incidentes sobre o montante dos depósitos do FGTS. Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/09 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.726294/201057 Acórdão n.º 1402001.190 S1C4T2 Fl. 5 5 Rejeita a argüição de nulidade quanto ao MPF por ser esse documento ato de controle interno da administração tributária. No que concerne à dedução das despesas, corrobora entendimento da autoridade lançadora quanto ao não cumprimento dos requisitos de necessidade, usualidade e normalidade, o que se aplicaria inclusive às multas de natureza não tributária. Quanto às demais multas, esclarece que a legislação veda a dedução das multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compulsória e aquelas decorrentes de infrações das quais não resulte falta ou insuficiência de pagamento de tributo. Quanto aos serviços de consultoria, entendeu que não foi demonstrada a efetividade das operações e, no que se refere às doações a título de incentivo à cultura, decidiu que não atendem à legislação que regulamenta as doações para o Programa Nacional de Incentivo à Cultura e, mais ainda, a interessada não teria comprovado a efetividade das doações contabilizadas. Esclarece que a autuação decorrente de glosa de despesas não tem reflexo na base de cálculo do PIS e da Cofins, daí porque não há que se falar em dedução dessas contribuições. Já a dedução da CSLL na base de cálculo do IRPJ carece de base legal. Manifestase quanto ao IRFON no sentido de que é correta a incidência desse tributo sobre pagamentos efetuados sem que seja identificada a causa. Por fim, mantém a multa qualificada tendo em vista que pagamentos em espécie, sem que se comprove a efetiva prestação dos serviços (foram efetuados em dinheiro, não existe contrato de prestação de serviços ou qualquer outro documento entre o contratante e o contratado, não foi localizado o estabelecimento e os sócios do prestador de serviços), por produzir um custo fictício, trazem no seu bojo o claro propósito de reduzir indevidamente o lucro líquido. Cientificado da decisão de primeira instância, o sujeito passivo interpôs recurso a este Colegiado, reiterando as razões expedidas na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/09 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.726294/201057 Acórdão n.º 1402001.190 S1C4T2 Fl. 6 6 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO O recurso é tempestivo, foi interposto por quem de direito e merece ser conhecido. 1) Nulidade MPF Em sede de preliminar, a recorrente suscita a nulidade por cerceamento do direito de defesa, tendo em vista não ter sido cientificada da prorrogações do MPF, após o fim da validade desse documento. De fato, não houve o cumprimento rigoroso do § 2º, do art. 3º, da norma em vigor, que estabelece a obrigatoriedade de fornecimento ao fiscalizado do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do MPF, quando do primeiro ato de ofício após essa prorrogação. No presente caso, esse documento só foi disponibilizado na ciência do lançamento. Partilho do entendimento de que um vício no MPF pode comprometer a legitimidade do procedimento fiscal. Entretanto, meu posicionamento dirigese fundamentalmente às situações nas quais a ação fiscal é executada fora do alcance do MPF que lhe deu origem. Nessa hipótese é plausível a argüição de ilegalidade do procedimento, com flagrante violação do princípio da transparência e da segurança jurídica do administrado. Registrando que tal posição não encontra respaldo na jurisprudência desta Corte, para quem o MPF é mero instrumento de controle interno com impacto restrito ao âmbito administrativo, fato é que o procedimento fiscal esteve sempre albergado pelo MPF respectivo, regularmente prorrogado quando necessário. Desde a emissão do MPF original, foi disponibilizado um nº de registro para que a fiscalizada pudesse verificar na internet o conteúdo desse documento e a regularidade das prorrogações. Assim, não vislumbro mácula no procedimento com implicações em violação de direitos que justifique a nulidade da ação fiscal 2) Multas – dedução: No mérito, em relação à dedução das multas a decisão recorrida acatou essa possibilidade quanto às multas decorrentes de despedida sem justa causa incidentes sobre o montante dos depósitos do FGTS. Em sede recursal a interessada reitera a dedutibilidade das multas de trânsito alegando a usualidade em função da atividade por ela exercida demandar a utilização de veículos, e das multas trabalhistas, como decorrência de sua atividade laboral. A questão da dedutibilidade das multas deve ser vista de forma restritiva. A regra é a indedutibilidade. No caso das multas por infrações fiscais, a legislação acata a dedução apenas daquelas de natureza compensatória e as decorrentes de infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo (§ 5º, do art. 41, da Lei nº 8.981/95). Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/09 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.726294/201057 Acórdão n.º 1402001.190 S1C4T2 Fl. 7 7 Quanto às multas de natureza não tributária, como é o caso das multas trabalhistas ou de trânsito, sequer são mencionadas na legislação, não havendo qualquer previsão para sua dedução. A indedutibilidade decorre da circunstância de não serem necessárias à atividade da empresa e à manutenção da fonte pagadora. Como bem ressaltado pela decisão recorrida, seria inadmissível considerar como necessárias à atividade da empresa despesas relativas a atos e omissões que colocam em perigo ou lesam a sociedade, proibidos e punidos por norma de ordem pública, como as leis administrativas (de trânsito, controle de preços, de vigilância sanitária, de controle de poluição ambiental, controle de pesos e medidas), penais, trabalhistas, etc. Sob essa ótica, mantenho a glosa das despesas referentes às multas aplicadas excetuadas, por óbvio, aquelas já excluídas pela decisão de primeira instância. 3) Serviços de consultoria – dedução: Em relação às deduções com serviços de consultoria, as razões de defesa passaram ao largo da razão principal pela qual a dedução não foi aceita: Não foram trazidas aos autos provas de que o serviços foram prestados. Ao contrário, todos os indícios levaram à conclusão de que as operações sob exame não ocorreram. A prestadora do serviço não foi localizada no endereço informado onde, inclusive, funciona há muito tempo um salão de cabeleireiros. Da mesma forma, os sócios também não foram localizados. Tal circunstância vai de encontro à suposta regularidade cadastral da empresa que, sob esse aspecto, não pode ser considerado um parâmetro que ateste a prestação do serviço. Além disso, a descrição do serviço prestado nas notas fiscais é absolutamente genérica e em nada auxilia na identificação efetiva da atividade exercida. Este relator está ciente de que eventuais irregularidades no prestador de serviço podem não ser suficientes, por si só, para descaracterizar a operação em foco. Entretanto, no presente caso a fiscalizada, ainda que reiteradamente intimada, não apresentou QUALQUER elemento de prova que pudesse ao menos criar em seu favor o beneficio da dúvida. Não há contrato de prestação dos serviços, não há transferência de numerário para a conta da prestadora dos serviços e, principalmente, não há qualquer documento ou fato que possa ter origem nos supostos serviços prestados. Do exposto, nego provimento ao recurso nesse item. 4) Multa qualificada: Tratase de infração caracterizada pela dedução indevida de pagamentos a título de prestação de serviços que, conforme demonstrado, não se realizaram. Assim, a interessada utilizouse de operações fictícias acobertadas por documentos fiscais inidôneos, com vistas a simular despesas e obter redução do resultado tributável. A meu ver, está claramente identificada a conduta típica a justificar a imputação da multa qualificada. Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/09 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.726294/201057 Acórdão n.º 1402001.190 S1C4T2 Fl. 8 8 5) Doação – Incentivo à cultura Foram registradas doações à entidade S.R.B. Estado Maior da Restinga no valor total de R$ 400.000,00; valor este que não foi aceito como dedução pela autoridade lançadora. Pela descrição da irregularidade contida no Relatório Fiscal, bem como pelo enquadramento legal mencionado pela Fiscalização, constatase que as doações não foram aceitas por não preencherem os requisitos de dedutibilidade estabelecidos na legislação de regência. Assim, ao contrário da despesas com consultoria tratadas no item 3 (três) deste voto, consideradas indedutíveis por sequer ter sido demonstrada a efetiva ocorrência da prestação do serviço a que se referiam, aqui a questão deve ser analisada sob a ótica dos requisitos formais para efeitos de dedutibilidade. Nesses termos, a responsabilidade pela aplicação correta da doação em projetos aprovados é da beneficiária, que deve arcar com a responsabilidade pelo desvio dos recursos. A pergunta que se faz é: Qual a responsabilidade da doadora? A resposta está no texto da Lei nº 8.313/91, que instituiu o Programa Nacional de Apoio à Cultura (PRONAC) e regulamenta, dentre outras questões, o incentivo às atividades culturais mediante doações e patrocínios. Não há dúvida de que a doação regularmente efetuada permite que o valor doado seja deduzido no resultado tributável da doadora. Por outro lado, percebese claramente no texto da norma legal uma preocupação do legislador em garantir que os recursos sejam entregues à beneficiária e, mais ainda, vinculados efetivamente ao projeto a que se destinam. Daí a previsão do art. 29, da Lei (destaque acrescido): Art. 29. Os recursos provenientes de doações ou patrocínios deverão ser depositados e movimentados, em conta bancária específica, em nome do beneficiário, e a respectiva prestação de contas deverá ser feita nos termos do regulamento da presente Lei. Parágrafo único. Não serão consideradas, para fins de comprovação do incentivo, as contribuições em relação às quais não se observe esta determinação Vêse que a determinação quanto ao depósito dos valores em conta específica mostrase tão importante que o seu descumprimento tem como sanção entenderse como não comprovado o incentivo. Foi exatamente o que ocorreu no presente caso. A interessada não apresentou qualquer documento que indicasse o depósito das doações em conta bancária da beneficiária. Aliás, sequer foi demonstrado se as doações foram feitas em cheque ou espécie, bem como para quem foram entregues. A Lei não é taxativa quanto às conseqüências dessa irregularidade: Art. 30. As infrações aos dispositivos deste capítulo, sem prejuízo das sanções penais cabíveis, sujeitarão o doador ou Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/09 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.726294/201057 Acórdão n.º 1402001.190 S1C4T2 Fl. 9 9 patrocinador ao pagamento do valor atualizado do Imposto sobre a Renda devido em relação a cada exercício financeiro, além das penalidades e demais acréscimos previstos na legislação que rege a espécie. Assim, correta a autoridade lançadora em não acatar a dedução por descumprimento dos requisitos estabelecidos em lei. A menção ao § 2º, do art. 13, da Lei nº 9.249/95 não socorre a interessada. Ao tratar de doações a entidades sem fins lucrativos, a mencionada norma traz em seu bojo a mesma restrição estabelecida no art. 29, da Lei 8.313/91, supra transcrito. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso neste item. 6) Demais despesas glosadas: Ao avaliar a dedutibilidade das despesas, devese levar em consideração os requisitos de necessidade, usualidade e normalidade. Sob esse prisma, não podem ser consideradas dedutíveis despesas particulares dos sócios, inclusive cursos universitários, sem que seja demonstrada claramente a vinculação às atividades da pessoa jurídica. Descabe a pura e simples alegação de que se trata de qualificação profissional. No que se refere às despesas com brindes, são indedutíveis por expressa disposição legal. 7) IRPJ – Deduções da base de cálculo: A dedução do PIS e da Cofins na base de cálculo do IRPJ só teria aplicabilidade no presente caso, se essas contribuições tivessem sido objeto de lançamento de ofício. Isso não ocorreu porque as irregularidades apuradas só impactaram o IRPJ e a CSLL. Em relação à dedução da CSLL na base de cálculo do IRPJ, é vedada por expressa disposição legal, não cabendo ao Órgão julgador administrativo deixar de aplicar Lei plenamente inserida no ordenamento jurídico. 9) CSLL – lançamento decorrente: Por se tratar de lançamento tido como decorrente do IRPJ, aplicase à CSLL as mesmas razões de decidir que nortearam a análise do auto de infração que lhe deu origem. 10) IRFON: Nesse item, a recorrente repisa as argumentações já enfrentadas nos itens 3 e 4 deste voto e suscita a inconstitucionalidade do art. 61, da Lei nº 8.981/95 que serviu de base à exigência. Considerando que não foram demonstradas as operações que deram origem às despesas com consultoria, os pagamentos realizados não têm causa comprovada, enquadrandose nas disposições do art. 61, da Lei nº 8.981/95. Correta, portanto, a exigência. Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/09 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.726294/201057 Acórdão n.º 1402001.190 S1C4T2 Fl. 10 10 O argumento quanto à inconstitucionalidade desse dispositivo não merece aqui ser analisado, dada a absoluta incompetência do CARF para tratar de questões dessa natureza. Assim estabeleceu a Súmula CARF nº 2 com Enunciado: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 11) Resumo: Em resumo do meu voto, de todo o exposto, proponho a manutenção integral do lançamento e que seja negado provimento ao recurso voluntário. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/09 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720386/2010-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
SALDO NEGATIVO. CSLL. RETENÇÕES NA FONTE. DECLARAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ART. 943, DO RIR/99.
À míngua de confirmação dos valores declarados em DIRF, incumbe ao contribuinte o ônus de apresentar informe de rendimentos para comprovar as retenções sofridas, conforme art. 943, do RIR/99.
Numero da decisão: 1102-000.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Assinado digitalmente
ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - Presidente.
Assinado digitalmente
SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (presidente da turma), Antônio Carlos Guidoni Filho (vice-presidente), João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes e João Carlos Figueiredo Neto.
Nome do relator: SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Assinado digitalmente ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - Presidente. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (presidente da turma), Antônio Carlos Guidoni Filho (vice-presidente), João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes e João Carlos Figueiredo Neto.
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DE PRODUTOS HOSPITALAR Recorrida 4ª TURMA DRJ/BSB ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 SALDO NEGATIVO. CSLL. RETENÇÕES NA FONTE. DECLARAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ART. 943, DO RIR/99. À míngua de confirmação dos valores declarados em DIRF, incumbe ao contribuinte o ônus de apresentar informe de rendimentos para comprovar as retenções sofridas, conforme art. 943, do RIR/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Assinado digitalmente ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Presidente. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (presidente da turma), Antônio Carlos Guidoni Filho (vicepresidente), João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes e João Carlos Figueiredo Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 03 86 /2 01 0- 47 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 06/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 2 Relatório Insurgese a Recorrente contra acórdão da DRJ que manteve a homologação parcial de compensações declaradas com base em saldo negativo da CSLL do anocalendário de 2007, em razão da falta de comprovação das retenções do imposto declaradas, com glosa no valor total de R$ 142.062,06. De acordo com a decisão recorrida, o ônus da prova do direito creditório seria da Recorrente e não teria sido comprovada a efetividade das retenções declaradas através da apresentação dos comprovantes de rendimentos emitidos pelo responsável pelo recolhimento, consoante exige o art. 942, do RIR/99; Defende a Recorrente, em síntese, que teria comprovado através de documentos internos os dados relativos às retenções, com indicação do nome e CNPJ das fontes pagadoras e que caberia à autoridade fiscal confirmar em seu próprio sistema tais informações através das DIRF’s, em respeito ao princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO O recurso é tempestivo, dele tomo conhecimento. O cerne da controvérsia consiste em determinar a quem incumbe o ônus da prova quanto às retenções na fonte declaradas pela Recorrente para fins de confirmação da base negativa da CSLL, na hipótese de não detectada pela autoridade administrativa as retenções em DIRF’s. Apesar de claro o comando do art. 943, do RIR, no sentido de que é imprescindível a posse de comprovante da retenção emitido pela fonte pagadora, conforme transcrição abaixo, a Recorrente insiste em exigir da autoridade administrativa cruzamento de informações através de DIRF’s, com base no princípio da verdade material, verbis: “Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). § 1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 1º). § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55).” Fl. 274DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 06/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10120.720386/201047 Acórdão n.º 1102000.806 S1C1T2 Fl. 3 3 Não bastasse o claro imperativo legal, a Recorrente, apesar de devidamente intimada para o fim específico de apresentar os comprovantes, limitouse a tentar inverter o ônus da prova, apresentando apenas listagem unilateral. À míngua de provas e na esteira da pacífica jurisprudência dessa Colenda Corte, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora Fl. 275DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 06/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 11080.722518/2010-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1997 a 31/01/2000
SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. NÃO OCORRÊNCIA.
Se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária, o proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991.
SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR. DESNECESSIDADE.
A solidariedade não comporta benefício de ordem no âmbito tributário, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços.
CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS (CND). PROVA REGULAR.
A CND certifica a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não impede o lançamento de contribuições sociais devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND.
AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. PREVISÃO EM ATO NORMATIVO.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário.
A utilização de percentual estabelecido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1997 a 31/01/2000 SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária, o proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR. DESNECESSIDADE. A solidariedade não comporta benefício de ordem no âmbito tributário, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS (CND). PROVA REGULAR. A CND certifica a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não impede o lançamento de contribuições sociais devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND. AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. PREVISÃO EM ATO NORMATIVO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A utilização de percentual estabelecido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. Recurso Voluntário Negado.
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PATRONAL E SAT/GILRAT Recorrente BANCO DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1997 a 31/01/2000 SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária, o proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR. DESNECESSIDADE. A solidariedade não comporta benefício de ordem no âmbito tributário, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS (CND). PROVA REGULAR. A CND certifica a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não impede o lançamento de contribuições sociais devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND. AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. PREVISÃO EM ATO NORMATIVO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A utilização de percentual estabelecido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 25 18 /2 01 0- 51 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722518/201051 Acórdão n.º 2402003.258 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativas às contribuições da parte patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), referente ao período de 09/1997 a 01/2000. O Relatório Fiscal (fls. 14/26) informa que o crédito lançado é decorrente da responsabilidade solidária imputada à notificada, contratante de serviços de construção civil, por não ter comprovado o cumprimento das obrigações previdenciárias pela contratada, conforme estabelecido pela legislação vigente à época do fato gerador. O objeto do lançamento são as contribuições incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados da empresa executora de obra de construção civil, KRUM CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES LTDA, CNPJ 97.404.842/000140, incluídas em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente. Esse Relatório Fiscal informa ainda que o presente lançamento objetiva restabelecer a exigência fiscal, anulada por vício formal, nos Lançamentos Fiscais constituídos pelas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD) n°s 35.067.6682 (levantamentos SC1 e SM1) e 35.067.6690 (levantamento SC2), por meio dos Acórdãos no 2.338/2005 e 2.339/2005, conforme ementa da 4ª CAJ CÂMARA DE JULGAMENTO/CRPS: “NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO LAVRADA COM FALTA DO TIPO DE DÉBITO, ACARRETANDO AUSÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO RELATÓRIO FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, ENSEJA A SUA NULIDADE, PELA IMPOSSIBILIDADE TÉCNICA DE SE EFETUAR A CORREÇÃO NO SISTEMA DE CADASTRAMENTO DE DÉBITO, CARACTERIZANDOSE VÍCIO FORMAL INSANÁVEL – LANÇAMENTO NULO.” Foram mantidos todos os lançamentos constantes das NFLD originais, referentes à solidariedade com os prestadores de serviços e empreiteiros não cobertos por auditoria fiscal no fato gerador (Auditoria total com contabilidade ou na obra específica), conforme registros do sistema Cadastro Nacional de Ações Fiscais (CNAF); O instituto da decadência foi aplicado na forma do artigo 173, inciso II, do Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172/1966). Após a nulidade formal dos lançamentos originais, a ciência do novo lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 23/08/2010 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 83/97) – acompanhada dos anexos de fls. 98/136 –, alegando, em síntese, que: Fl. 237DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 1. deve ser feito o chamamento ao processo da empresa executora, para se apurar a real existência dos débitos autuados, tudo em estrita observância aos princípios da garantia de defesa e da verdade material, pois diversos documentos probantes estão em posse da empresa que executou os serviços; 2. a matrícula era de responsabilidade da prestadora de serviços, cabendo a ela promover os recolhimentos e, mesmo assim, à luz da legislação, a matrícula não seria necessária, vez tratarse de simples reparos, manutenção e ampliação de dependência da Impugnante, serviços esses que não necessitavam nem mesmo de profissional técnico habilitado; 3. o Banco/Impugnante, por fazer parte da Administração Pública Federal, e somente poder contratar mediante licitação pública, estava respaldado pela Lei de Licitações, em que tais dispositivos transferem a responsabilidade pelos encargos previdenciários para as empresas contratadas. Cita STJ (REsp. 417.794/RS); 4. há pagamentos, comprovadamente efetuados pela empresa contratada, cujos demonstrativos se encontram inclusos nos processos originários das NFLD 35.067.6682 e 35.067.6690; 5. as Certidões Negativas de Débito (CND), expedidas à época das autuações originais, confirmam sobremaneira a inexistência de débito pendente em nome da empresa contratada junto ao INSS, descabendo, por conseguinte, eventual responsabilidade solidária por débito que, no período autuado, era inexistente; 6. o Fisco deve cobrar primeiramente da contratada e, além disso, a omissão na fiscalização da empresa contratada importa em cerceamento de defesa e possibilidade de pagamento em duplicidade, em latente prejuízo ao Impugnante. Ao menos até 10.12.1997, a impugnante tem o direito de exigir que o Fisco promova a cobrança de eventual crédito previdenciário, primeiramente, das empresas contratadas. Isso porque, apenas com o advento da Lei 9.528/97, ou seja, a partir de 10.12.97, foi alterada a redação do inciso VI, do art. 30 e, consequentemente, afastada a aplicação do benefício de ordem; 7. ao menos até fevereiro/99 a Impugnante tem o direito de exigir que o Fisco promova a cobrança de eventual crédito previdenciário, primeiramente, das empresas contratadas. Isso porque, a redação original do art. 31 da Lei 8.212/91 (que vigeu até fevereiro de 1999, em face da edição da Lei 9.711/98), não vedava a aplicação do benefício de ordem; 8. a Diretoria Colegiada do INSS, ao expedir a IN DC/INSS 18/2000, arbitrou, ilegal e abusivamente, a forma de apuração da base de cálculo da contribuição previdenciária devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados para execução de obras de construção civil; Fl. 238DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722518/201051 Acórdão n.º 2402003.258 S2C4T2 Fl. 4 5 9. a prova documental produzida nos autos dos processos administrativos 11686.000242/200813 (NFLD 35.067.6682) e 11686.00241/200879 (NFLD 35.067.6690) deverá ser aproveitada no presente feito, apensando este processo àqueles autos, tudo em nome, dentre outros, dos princípios da eficiência e economicidade processual. 10. REQUER: seja acolhida a preliminar suscitada, para chamar ao processo a empresa contratada e, ultrapassada essa, no mérito, seja acolhida a presente Impugnação, para se reconhecer a improcedência da autuação e desconstituir o lançamento fiscal, declarando insubsistentes os créditos constituídos pois, além de indevidos, não restou caracterizada a hipótese de incidência tributária. Posteriormente, a empresa prestadora de serviços, KRUM CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES LTDA, apresentou impugnação (fls. 149/150) na qual alega, em síntese, que: 1. as obras em questão são de pequeno porte (de 1 a 2 dias) e foram executadas pela mesma equipe de funcionários, devidamente registrados e com recolhimentos em dia; 2. o Banco do Brasil S/A nunca fez retenção, assim não é responsável por multa ou juros; 3. a execução das obras, realizadas há mais de 10 anos, encontramse prescritas, não cabendo mais a sua cobrança. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília/DF – por meio do Acórdão no 0345.338 da 5a Turma da DRJ/BSB (fls. 173/190) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Brasília/DF informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DA PRELIMINAR: A Recorrente alega que deveria ser aplicado o instituto do chamamento ao processo em face do devedor contratante dos segurados empregados, visando apurar a real existência dos créditos lançados, bem como seja trazida aos autos a documentação comprobatória da quitação dos mesmos, que estão em posse da empresa contratada. Tal alegação não será acatada pelas razões fáticas e jurídicas a seguir delineadas. Cumpre esclarecer que o chamamento ao processo é uma modalidade de intervenção de terceiro provocada pelo réu, cabível apenas no processo de conhecimento dentro do âmbito judicial e não administrativo, tendo como finalidade ampliar o campo de defesa dos fiadores e dos devedores solidários, possibilitandolhes chamar o responsável principal, ou corresponsáveis ou coobrigados, para que assumam a posição de litisconsorte, ficando todos submetidos à coisa julgada. Assim, o chamamento ao processo é criado em benefício do réu dentro de um processo que corre no âmbito do Poder Judiciário e previsto exclusivamente nos artigos 77 a 80 do Código de Processo Civil (CPC). O Processo Administrativo Fiscal (PAF), quer seja nas regras estabelecidas pelo Decreto 70.235/1972, quer seja nas regras da Lei 9.784/1999, não prevê essa modalidade de intervenção de terceiros. Contudo, no presente caso, tal requerimento se torna desnecessário, eis que a empresa devedora, contratante direta dos segurados empregados, já figura no polo passivo do lançamento fiscal e foi devidamente notificada, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária no 1, lavrado em 25/08/2010. Isto é, a empresa executora da obra de construção civil também já está inserida na relação material da obrigação tributária e na constituição do crédito tributário. No presente caso, estamos diante do instituto da solidariedade, formado por um litisconsórcio necessário, nos termos do art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e Fl. 240DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722518/201051 Acórdão n.º 2402003.258 S2C4T2 Fl. 5 7 admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) (g.n.) Além disso, os argumentos apresentados pela Recorrente como justificativa para requerer o chamamento ao processo não se aplicam ao presente processo, uma vez que os documentos probantes dos recolhimentos efetuados pela empresa executora da obra de construção civil (KRUM CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES LTDA) foram aproveitados pelo Fisco, quando do relançamento, conforme registro no Relatório Fiscal (fl. 15) de que foram mantidas apenas as competências (meses) não alcançadas por Auditoria Fiscal Previdenciária, nos seguintes termos: “(...) foram excluídas as empresas do levantamento original que sofreram procedimento fiscal previdenciário (Auditoria Fiscal Total com contabilidade ou Auditoria específica na obra identificada no levantamento)”. Também não há que se falar em cobrança em duplicidade, pois o Relatório Fiscal informa que foi verificado se a contratada havia sido submetida ao procedimento de auditoria fiscal, com exame de contabilidade, no período abrangido por este lançamento, ou se as obras que foram objeto dos lançamentos, efetuados em desfavor da Recorrente, sofreram fiscalização específica. Assim, no caso de ter havido fiscalização específica ou auditoria fiscal com exame da contabilidade, o Relatório Fiscal informa que foram realizados os ajustes necessários e exclusão dessas competências analisadas. Ressaltase que o conceito de obra, para efeitos previdenciários, é bastante amplo, abrangendo a construção, demolição, reforma ou ampliação de edificação ou outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo. Com esse conceito amplo, a obra de construção civil funciona como se fosse um estabelecimento ou filial da empresa construtora e, por consectário lógico, necessita de matrícula com uma numeração básica que é o Cadastro Específico do INSS (CEI), sendo que essa matrícula deverá ser efetuada mediante comunicação obrigatória do responsável por sua execução, no prazo de trinta dias contados do início de sua atividades, ou poderá ser feita de ofício pelo Fisco. Diante disso, a alegação de que a responsabilidade pela matrícula junto ao INSS caberia a empresa executora da obra também se torna irrelevante, pois não altera nem influencia o lançamento fiscal. Logo, entendemos que não é cabível aplicação de chamamento ao processo em face do devedor contratante dos segurados empregados, pois este e a Recorrente já são integrantes do polo passivo do presente lançamento fiscal. Após isso, passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: A Recorrente alega que o Fisco não apropriou no lançamento fiscal os valores pagos pela contratada. Tal alegação não será acatada, eis que os pagamentos efetuados pela empresa contratada foram devidamente observados à época do procedimento de auditoria fiscal, e apropriados nas respectivas NFLD originais (35.067.6682 e 35.067.6690), não tendo a Recorrente, nem a empresa contratada, trazido aos autos novos elementos probatórios que demonstrassem quaisquer outros recolhimentos efetuados. Por outro lado, verificase que o lançamento foi efetuado pelo fato da Recorrente haver contratado a empresa para a execução global (total) de obra de construção civil e não haver solicitado a documentação hábil a elidir a responsabilidade solidária, quais Fl. 241DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 sejam: (i) cópia das guias de recolhimentos quitadas e respectivas folhas de pagamento elaboradas distintamente pelo executor em relação a cada contratante; ou (ii) comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal, fatura ou recibo correspondente aos serviços executados, corroborada quando for o caso, por escrituração contábil; e (iii) comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas por arbitramento nos termos, forma e percentuais previstos na legislação previdenciária. A execução de obra na área de construção civil, mediante a empreitada total, enseja a solidariedade do contratante para com as contribuições previdenciárias incidentes sobre a mãodeobra aplicada, nos termos do art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/19911. No que interessa ao presente processo, temse que a responsabilidade tributária solidária exsurge quando o responsável é chamado para adimplir o crédito tributário concomitantemente com o contribuinte, arcando, independentemente deste, com o pagamento integral do crédito tributário. O art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172/1966, define como devedores solidários: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (g.n.) Segundo a previsão do inciso II do preceptivo legal acima citado, ocorre a solidariedade quando a lei expressamente designa os sujeitos que irão responder pela obrigação tributária. Neste caso, é necessária a previsão em lei, e isso foi disciplinado pelo art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, em que o proprietário ou dono (que é a Recorrente) de obra de construção civil é solidário com o construtor pelo cumprimento das contribuições sociais previdenciárias. No mesmo sentido, o art. 220 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, estabelece a solidariedade entre o proprietário e o executor da obra de construção civil, nos seguintes termos: Art. 220. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mãodeobra, são solidários 1 Lei 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 242DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722518/201051 Acórdão n.º 2402003.258 S2C4T2 Fl. 6 9 com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. § 1º Não se considera cessão de mãodeobra, para os fins deste artigo, a contratação de construção civil em que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. § 2º O executor da obra deverá elaborar, distintamente para cada estabelecimento ou obra de construção civil da empresa contratante, folha de pagamento, Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social e Guia da Previdência Social, cujas cópias deverão ser exigidas pela empresa contratante quando da quitação da nota fiscal ou fatura, juntamente com o comprovante de entrega daquela Guia. § 3º A responsabilidade solidária de que trata o caput será elidida: I pela comprovação, na forma do parágrafo anterior, do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando corroborada por escrituração contábil; e II pela comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas indiretamente nos termos, forma e percentuais previstos pelo Instituto Nacional do Seguro Social. III pela comprovação do recolhimento da retenção permitida no caput deste artigo, efetivada nos termos do art. 219. (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 26/11/2001) (g.n.) Percebese, então, que a apresentação de folhas de pagamento e guias de recolhimento específicas é uma das formas que a contratante, no caso a Recorrente, tem de elidirse de imediato da responsabilidade solidária por contribuições de responsabilidade do executor de obra de construção civil porventura não recolhidas, sendo que, em caso do salário de contribuição correspondente às guias apresentadas ser inferior aos percentuais estabelecidos na legislação previdenciária, a contratante deverá exigir também a comprovação de que a contratada possui contabilidade formalizada. Logo, não há como considerar a alegação retromencionada, pois o lançamento foi efetuado pelo fato da Recorrente haver contratada a empresa executora de obra de construção civil e não haver apresentada a documentação hábil a elidir a responsabilidade solidária. Dentro desse contexto da solidariedade imputada à Recorrente, esta alega que o próprio Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirma a não aplicabilidade da responsabilidade solidária em relação à sociedade de economia mista. Essa alegação não Fl. 243DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 procede para o caso ora analisado, além dela ser também impertinente para o deslinde da controvérsia instaurada, eis que o conteúdo do acórdão do STJ – proferido no REsp 417.794 RS, Relator Min. Luiz Fux, 1ª Turma – trata da responsabilidade solidária prevista quando da contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, conforme se extrai do Voto condutor a seguir reproduzido: “[...] Por seu turno, conheço do recurso no tocante à alegada afronta ao art. 31 da Lei 8.212/91. A questão sub judice é saber se incide a responsabilidade solidária prevista no art. 31, da Lei 8.212/91 sobre o Banco do Brasil S/A, sociedade de economia mista, integrante da administração indireta, no período em que contratou empresa para instalação de sistema online nos terminais de sua filial em suas dependências. O referido comando legal, à época do serviço prestado pela empresa (junho/1995), antes, portanto, das inúmeras alterações introduzidas, dispunha o seguinte: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23 [...].” (g.n.) Constatase que o lançamento fiscal ora analisado é decorrente da solidariedade existente entre o proprietário ou dono de obra de construção civil e o construtor (chamada de contratada), conforme ficou devidamente delineado no Relatório Fiscal (fls. 14/26) e nas planilhas anexas. Esses documentos (Relatório Fiscal e planilhas) demonstram que os valores lançados no presente processo são decorrentes dos seguintes levantamentos originais: 1. SC1 – SOLIDA. CONST. CIVIL ANTES 1999 (NFLD 35.067.668 2) à Remuneração paga aos segurados empregados das empresas executoras de obras de construção civil, incluída em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente. Período anterior a 01/1999; e 2. SC2 – SOLIDA. CONST. CIVIL APÓS 1999 (NFLD 35.067.6690) à Remuneração paga aos segurados empregados das empresas executoras de obras de construção civil, incluída em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente. Período a partir de 01/1999. Assim, não acatamos o argumento da Recorrente ora analisado, uma vez que o lançamento de que trata este processo não é de responsabilidade solidária oriundo da execução de contrato de cessão de mãodeobra – conforme estabelecia o art. 31 da Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 9.528/19972 –, mas de responsabilidade solidária oriunda de serviços de construção civil, conforme estabelece o art. 30, VI, da Lei 8.212/1991. 2 Art. 31 da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.528/1997, posteriormente a regra estampada neste artigo foi revogada: Fl. 244DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722518/201051 Acórdão n.º 2402003.258 S2C4T2 Fl. 7 11 Ainda dentro desse contexto da relação obrigacional solidária tributária previdenciária, registrase que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993, diploma que institui normas gerais para licitação e contratos da Administração Pública – ao estabelecer que a inadimplência do contratado com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento –, não tem o condão de afastar a regra específica da legislação previdenciária – estampada no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991 –, eis que a regra da legislação licitatória (art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993) é norma geral a ser aplicada, nos contratos firmados entre a Recorrente (contratante) e a contrata, caso não houvesse uma norma específica disciplinado a matéria como um preceito de direito público. Assim, a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993 deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro – inclusive com as normas pertinentes à legislação tributária previdenciária, que são normas essencialmente de natureza pública –, não possuindo o arrimo de afastar a solidariedade da relação obrigacional para com a Seguridade Social estabelecida entre o proprietário ou dono de obra de construção civil e o construtor, prevista no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991. Essa interpretação é corolário das normas constitucionais, pois depreendese do art. 173, § 2º, da Constituição Federal que a empresa pública exploradora de atividade econômica, que é o caso da Recorrente, está sujeita ao regime próprio das empresas privadas, inclusive quanto às obrigações tributárias e trabalhistas, salvo se a lei estabelecer estatuto jurídico especial para a empresa nos termos do § 1º desse artigo. Constituição Federal de 1988: Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei. § 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (...) II a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (...) § 2º As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado. (g.n.) Esse entendimento de que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993 deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro "Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)". Fl. 245DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 também é extraído da regra prevista no art. 54 dessa mesma lei, eis que esta regra afirma que “(...) os contratos administrativos de que trata esta Lei regulamse pelas suas cláusulas e pelos preceitos de direito público (...)”, grifamos. Com isso, não acatamos a alegação da Recorrente de que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993 estabeleceria uma responsabilidade fiscal exclusiva para as empresas contratadas – elidindo a sua responsabilidade da obrigação solidária tributária apurada pelo Fisco –, uma vez que há regra mais específica tratando da matéria no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, sendo que esta regra especial tributária disciplina a respectiva matéria em consonância e em obediência às normas constitucionais. Além disso, essa regra prevista no art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993, que transferiria a responsabilidade fiscal exclusiva para as empresas contratadas, não pode ser aplicada ao caso porque prevalece a regra constitucional, hierarquicamente superior, já que a empresa enquadrada como sociedade de economia mista exploradora de atividade econômica, que é caso da Recorrente, não poderá gozar de privilégios fiscais não extensivos às empresas do setor privado, nos termos do art. 173, § 2º, da Constituição Federal. Por sua vez, entendese que não há espaço jurídico para aplicação do enunciado no Parecer AGU nº AC055, de 17/11/2006, cujo teor, em síntese, registra não haver solidariedade da Administração Pública em relação às contribuições para a Previdência Social cujo fato gerador está previsto no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, eis que o seu conteúdo não tem o condão de mudar o que a lei dispõe de forma específica (art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991). A mudança na lei só se admite via outra lei. Ademais, tal enunciado do Parecer AGU nº AC055/2006 não prever a sua aplicação para a sociedade de economia mista exploradora de atividade econômica, que é caso da Recorrente, pois não poderá haver concessão de privilégios fiscais não extensivos às empresas do setor privado, nos termos do art. 173, § 2º, da Constituição Federal. Esse entendimento retromencionado está em conformidade com o princípio da conformidade funcional – segundo o qual a interpretação não deve subverter o mandamento funcional criado pela Constituição – e com o princípio da interpretação conforme a constituição – segundo o qual a interpretação de uma norma deverá ser aquela que apresenta maior compatibilidade com as normas constitucionais, excluindose a pertinência dos demais sentidos que colidirem com a constituição. Com relação à responsabilidade solidária no âmbito tributário, cumpre esclarecer que ela não comporta benefício de ordem, podendo o Fisco escolher de quem será cobrada a dívida de forma integral, nos termos do art. 124, parágrafo único, do CTN. Assim, não acatamos a alegação da Recorrente de que antes da Lei 9.528/1997, que deu nova redação ao inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/19913, não havia vedação à aplicação do benefício de ordem e, consequentemente, somente a partir da entrada em vigor desse dispositivo, em 10/12/97, é que seria possível afastar a aplicabilidade do benefício de ordem e exigir da contratante os valores devidos por responsabilidade solidária. 3 Artigo 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, em sua redação original: “VI o proprietário, o incorporador definido na Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou o condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações;” Fl. 246DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722518/201051 Acórdão n.º 2402003.258 S2C4T2 Fl. 8 13 Com isso, entendemos que a inserção promovida pela Lei 9.528/1997 no inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991 não implicou qualquer inovação interpretativa com relação à não aplicação do benefício de ordem no âmbito tributário, tornando apenas a sua inaplicabilidade mais evidente, eis que essa inserção deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro – inclusive com a regra estampada no parágrafo único do art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN). Assim, não procedem os argumentos da Recorrente de que deveria ter sido cobrado primeiramente da empresa contratada os débitos anteriores à entrada em vigor dessa lei. Com relação à apresentação da Certidão Negativa de Débito (CND) pela contratada, entendemos que a emissão da CND não configura uma modalidade de extinção do extinção do crédito tributário, pois não está registrada nas hipóteses do art. 156 do Código Tributário Nacional (CTN)4, que disciplina o assunto. Assim, a concessão da CND não implica nem comprova garantia absoluta de não existência de crédito tributário a ser lançado, tanto que no corpo da própria CND está ressalvado ao Fisco o direito de cobrança de qualquer valor apurado posteriormente à sua emissão, nos termos do § 1º do art. 47 da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 47. É exigida Certidão Negativa de Débito CND, fornecida pelo órgão competente, nos seguintes casos: (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 28.4.95). (...) § 1º A prova de inexistência de débito deve ser exigida da empresa em relação a todas as suas dependências, estabelecimentos e obras de construção civil, independentemente do local onde se encontrem, ressalvado aos órgãos competentes o direito de cobrança de qualquer débito apurado posteriormente. (g.n.) Com isso, não acatamos a alegação da Recorrente de que a emissão da CND para a empresa contratada caracteriza uma forma de elidir a sua responsabilidade solidária da obrigação tributária apurada pelo Fisco. Isso decorre do fato de que a CND não é causa de 4 Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV remissão; V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X a decisão judicial passada em julgado. XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 extinção do crédito tributário, mas um mero documento que corrobora, até aquele momento de sua emissão, a inexistência de valores devidos ao Fisco. Quanto à apuração da base de cálculo por meio da aplicação do percentual de 40%, incidente sobre as notas fiscais, entendemos que se trata de uma técnica de aferição indireta para apuração dos valores devidos à Previdência Social e encontrase devidamente motivada, eis que a Recorrente não apresentou os documentos que comprovassem que a contratada cumpriu as obrigações previdenciárias referentes ao serviço prestado. Logo, a contribuição social previdenciária apurada pela técnica de aferição indireta é adequada, razoável e proporcional, não merecendo ser reformada. Além disso, a Recorrente não apresentou qualquer elemento probatório de que suas alegações sejam verdadeiras. Assim, o lançamento fiscal ora analisado está amparado no art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei 8.212/1991 e no art. 148 do CTN, encontrandose lavrado dentro da legalidade. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. ......................................................................................................... Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 248DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722518/201051 Acórdão n.º 2402003.258 S2C4T2 Fl. 9 15 § 3o. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (g.n.) Em perfeita consonância com o lançamento em tela, colacionase julgado do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4a Região, que muito bem elucida a legalidade da aferição indireta, e a razoabilidade do percentual de 40% incidente sobre as notas fiscais para se aferir a base de cálculo das contribuições previdenciárias. “[...] TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TOMADORA DE SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AFERIÇÃO INDIRETA. LEGALIDADE. (...) 2. Tratandose de contribuições previdenciárias, prestado o serviço, por disposição legal, a tomadora se incorpora ao pólo passivo da obrigação como devedora solidária e só se exime do cumprimento da obrigação se comprovar que a outra devedora adimpliu – pagou o tributo –, pois assim extinguira a obrigação tributária. Ainda que admitida a inserção da tomadora no pólo passivo da obrigação pelo descumprimento do dever de exigir comprovação do pagamento do tributo, tal ocorreria – com o pagamento da nota fiscal ou fatura relativa à prestação do serviço – antes do lançamento de ofício, pois tratase de tributo no qual a lei atribui ao sujeito passivo a apuração e pagamento do débito tributário sem qualquer intervenção prévia da administração. 3. Incluída a tomadora, por lei, no pólo passivo da obrigação, a comprovação do pagamento pode ser dela exigida a qualquer tempo, tanto na apuração do débito quanto na cobrança dos valores lançados, já que o Fisco pode – como qualquer credor, em matéria de solidariedade – voltarse contra ela ou contra a prestadora, ou contra ambas as devedoras, já no lançamento, já na execução. 4. Segundo a legislação do período no qual ocorreram os fatos geradores (05/1995 a 01/1999), cabia à tomadora, quando da quitação da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, exigir da prestadora cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e folha de pagamento dos empregados postos a seu Fl. 249DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 serviço, dever do qual não se desincumbiu integralmente, restando solidariamente responsável pelo débito tributário. 5. A aferição indireta só incide naquilo em que a tomadora não se desincumbiu de ônus expressamente previsto em lei – exigir as folhas de pagamentos dos empregados postos a seu serviço. 6. É razoável a fixação de percentual (40%) sobre o valor da nota fiscal ou fatura como representativo do custo da mãode obra, e, em conseqüência, do valor dos salários sobre os quais deve incidir o tributo. Com isso, não se desnatura a contribuição, mas apenas se obtém, de modo indireto, na falta da documentação apropriada para a apuração direta (cujo ônus, no caso, era da tomadora) o valor dos salários, base de cálculo do tributo. Inversão do ônus da prova (§ 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91), estabelecendo presunção relativa em favor do INSS; caberia, portanto, à tomadora, demonstrar que o percentual é excessivo. 7. Embargos infringentes improcedentes. (TRF 4ª R; EIAC Embargos Infringentes na Apelação Cível; Processo: 200271000090415/RS; Órgão Julgador: Primeira Seção; Data da decisão: 01/09/2005; DJU Data:28/09/2005; Página: 681; Relator DIRCEU DE ALMEIDA SOARES) [...].” (g.n.) Portanto, o procedimento de aferição indireta utilizado pela auditoria fiscal, para a apuração da contribuição previdenciária, foi corretamente aplicado, pois a auditoria fiscal demonstrou que ocorreu recusa ou sonegação de documentos ou informações, ou sua apresentação foi deficiente, podendo o Fisco inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10380.007794/2002-39
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1999
INCENTIVOS FISCAIS. CONCESSÃO. REGRAS DE ADMISSIBILIDADE. PERC. COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. POSSIBILIDADES.
A concessão ou o reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, podendo, em casos excepcionais, ser admitida a certidão positiva com efeito de negativa para fazer jus ao incentivo.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9101-001.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especial do Procurador, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
José Ricardo da Silva Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Albertina Silva Santos de Lima (suplente convocada). Ausente justificadamente o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes.
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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CONCESSÃO. REGRAS DE ADMISSIBILIDADE. PERC. COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. POSSIBILIDADES. A concessão ou o reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, podendo, em casos excepcionais, ser admitida a certidão positiva com efeito de negativa para fazer jus ao incentivo. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especial do Procurador, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) José Ricardo da Silva – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 77 94 /2 00 2- 39 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 2 Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Albertina Silva Santos de Lima (suplente convocada). Ausente justificadamente o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10380.007794/200239 Acórdão n.º 9101001.453 CSRFT1 Fl. 3 3 Relatório Cientificada da decisão de Segunda Instância, em 29/06/2007 (fls. 161), a Fazenda Nacional, por seu procurador, legalmente habilitado, junto a Turma Julgadora, apresenta, tempestivamente, em 16/07/2007, seu Recurso Especial (fls. 163/167), para a 1ª Turma de Julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pleiteando a reforma da decisão proferida pela então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 10195.969, de 25/01/2007 (fls. 150/159) cuja decisão, por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário interposto, em 04/11/2005, pela contribuinte Cascaju Agroindustrial S/A (fls. 118/122). O pleito da Fazenda Nacional busca amparo no art. 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, atualmente regido pelo art. 64, II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010. Consta dos autos, que a contribuinte protocolou, em 05/06/2002, o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, referente ao exercício de 1999, correspondente ao anocalendário de 1998, no valor de R$ 3.028.856,67. Em 13/12/2004, a Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza CE, através de Despacho Decisório de fls. 82/83, indeferiu o Pedido de Revisão da Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais sob o argumento básico de que não apresentou Certidão quanto a Dívida Ativa da União nem tampouco regularizou as pendências existentes nesta Secretaria da Receita Federal, conforme as informações de apoio par emissão de certidão, relatório de fls. 77 a 80. A contribuinte, ciente da decisão, em 14/01/2005 (fls. 85) e não se conformando com a mesma apresenta, tempestivamente, em 15/02/2005 (fls. 86/91), a sua Manifestação de Inconformidade baseado, em síntese, nos seguintes argumentos: que as causas que motivaram o indeferimento da liberação do montante dos incentivos fiscais foi, segundo as informações prestadas pelo Fisco, a irregularidade fiscal do contribuinte junto à Receita Federal face à existência de débitos de tributos e contribuições federais; que se verifica que de acordo com a Informação Fiscal prestada, o contribuinte estava com débitos exigíveis de tributos e contribuições federais perante a Receita Federal, no ato da consulta realizada; que, contudo, as informações obtidas pelo fiscal a partir do sistema de consultas da Receita Federal não podem e em nenhuma hipótese devem ser tidas como de forma absoluta para motivar o indeferimento do incentivo fiscal para o contribuinte; Fl. 184DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 4 que decorre que o sistema de consulta da situação fiscal do contribuinte junto à Receita Federal, não traduz a real situação fiscal do contribuinte, em razão da inconstância das informações e em muita das vezes as indicações de débitos constantes das pesquisas, são frutos da alocação indevida de pagamentos realizados pelo contribuinte que são plenamente satisfeitas apenas com a apresentação do referido comprovante de pagamento; que, ademais, é totalmente inviável para o contribuinte de grande porte, manterse com a situação fiscal imaculada durante todo o período de tempo de validade da Certidão Negativa de Débitos. Tudo porque o sistema de consulta e demonstração de débito utilizado é extremamente aleatório no que diz respeito aos períodos de apuração e aos exercícios fiscais das supostas pendências; que se acrescente, ainda, a atualização quase diária dos supostos débitos e a necessidade constante de liquidar as exigências junto àquele órgão. As diferenças entre pesquisas de situação fiscal do contribuinte realizada em dias distintos são consideráveis; que tais fatos inviabilizam o trabalho do contribuinte que não tem como permanecer diuturnamente em busca de pesquisas e demonstrando pagamentos perante a Secretaria de Receita Federal que, tampouco, disponibiliza uma estrutura capaz de atender diariamente todos os contribuintes do Estado; que no caso da ora Impugnante a Certidão Negativa de Débitos na época do despacho decisório exarado em 13/12/2004, estava produzindo os efeitos jurídicos inerentes ao documento, ou seja, demonstrava a regularidade fiscal do contribuinte. Por este motivo, não há como conceber o indeferimento do PERC. Em 04/08/2005, após resumir os fatos constantes da decisão da Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza CE e as principais razões apresentadas pela requerente em sua Manifestação de Inconformidade, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza CE, por unanimidade de votos, decide julgar improcedente o pedido da contribuinte indeferindo a sua solicitação (fls. 110/115), com base, em síntese, no argumento de que não houve a apresentação da Certidão da Divida Ativa da União e pela existência de pendências junto à Receita Federal. Cientificada da decisão de Primeira Instância, em 06/10/2005, conforme Termo constante às fls. 117, e com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, tempestivamente, em 04/11/2005, o seu Recurso Voluntário (fls. 118/122), instruído pelos documentos de fls. 123/148, o qual, ao ser apreciado pela então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 10195969, de 25/01/2007 (fls. 150/159), teve seu provimento aceito, por unanimidade de votos, para acolher o deferimento do incentivo sob o entendimento básico de que a concessão ou o reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, podendo, em casos excepcionais, ser admitida a certidão positiva com efeito de negativa para fazer jus ao incentivo, conforme se verifica de sua ementa: INCENTIVOS FISCAIS PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS — PERC A concessão ou o reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou Fl. 185DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10380.007794/200239 Acórdão n.º 9101001.453 CSRFT1 Fl. 4 5 jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, podendo, em casos excepcionais, ser admitida a certidão positiva com efeito de negativa para fazer jus ao incentivo. Recurso Voluntário Provido. Cientificada, formalmente, da decisão de Segunda Instância, em 29/06/2008, conforme Termo constante às fls. 161, a Fazenda Nacional interpôs, de forma tempestiva (16/07/2008), o seu Recurso Especial De Divergência de fls. 163/167, com amparo no art. 7º, inciso II, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que se insurge a Fazenda Nacional contra o r. acórdão proferido pela e. Câmara a quo, que deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo ora Recorrido, para deferir o seu "Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC; que consoante o r. acórdão proferido pela e. câmara a quo, o Recorrido fez pedido de revisão de ordem de incentivos fiscais — PERC. Todavia, mesmo na data em que o PERC foi apreciado pela autoridade de primeira instância, não havia comprovado a quitação de tributos federais (fls. 82 dos autos); que a e. Câmara a quo, entretanto, reformou a r. decisão de primeira instância, sob o argumento de que o Recorrido teria comprovado, em grau de recurso, a quitação de todas as pendências apontadas pela autoridade de primeira instância; que, porém, o entendimento acima diverge da jurisprudência deste Conselho de Contribuintes, e merece ser reformado; que, com efeito, a e. Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes analisou caso semelhante. Tratavase de recurso voluntário contra a decisão de primeira instância que indeferiu o PERC em face do disposto no art. 60 da Lei 9.069/95, ao argumento de que o contribuinte não havia demonstrado a quitação de tributos; que a e. Oitava Câmara negou provimento ao recurso voluntário, aduzindo que o contribuinte deve demonstrar a sua regularidade fiscal no momento em que faz a opção pelo beneficio. Confirase a ementa do acórdão paradigma (ementa extraída do site dos Conselhos de Contribuintes na internet, nos termos do art. 15, §3° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais; que a e. Câmara a quo julgou que é possível deferir o pedido de emissão mesmo que o contribuinte não comprove a regularidade fiscal na data da apresentação do pedido, sendo possível a apresentação da prova no decorrer do processo. A e. Oitava Câmara, por seu turno, julgou de modo inverso, ou seja, que o contribuinte, para fazer jus ao incentivo fiscal, deve demonstrar a sua regularidade no momento em que solicitar a emissão do certificado; que, assim, estando prequestionada a matéria, e demonstrada a divergência jurisprudencial diante da ementa em anexo, encontramse presentes os requisitos de admissibilidade do recurso especial, consoante o disposto no artigo 15, §20, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais; Fl. 186DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 6 que evidente que o art. 60 da Lei 9.069/95 prevê que o beneficio somente pode ser concedido quando o contribuinte prova a quitação de tributos federais. E não há dúvida, pois nem mesmo a e. Câmara a quo diverge desse entendimento, o contribuinte tem de provar a quitação de todos os tributos federais. Isso significa a obrigação de apresentar todas as provas (ou certidões) de quitação de tributos. Às fls. 168 a Fazenda Nacional junta aos autos a ementa do acórdão paradigma: Acórdão 10807970: PERC DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL Para obtenção de beneficio fiscal, o artigo 60 da Lei 9.069/95 previa a demonstração da regularidade no cumprimento de obrigações tributárias em face da Fazenda Nacional. Se não logrou demonstrar a regularidade, a empresa não pode gozar do beneficio. Recurso negado. Após o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional o Presidente da então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte exarou o Despacho nº 101154/2007, de 20/12/2007 (fls. 170) dando seguimento ao Recurso Especial de Divergência, por satisfazer aos pressupostos regimentais. Encaminhado os autos para ciência da contribuinte, nos termos regimentais, em 24/11/2008 (fls. 173), a contribuinte não se manifestou dentro do prazo regimental. É o relatório. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10380.007794/200239 Acórdão n.º 9101001.453 CSRFT1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro José Ricardo da Silva, Relator Tendo a Fazenda Nacional tomado ciência do decisório recorrido em 29/06/2007 (fls. 161) e protocolizado o seu Recurso Especial, em 16/07/2007 (fls. 163/167), isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, evidenciase a tempestividade do mesmo nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Da análise dos autos verificase, que após o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional o Presidente da então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte exarou o Despacho nº 101154/2007, de 20/12/2007 (fls. 170) dando seguimento ao Recurso Especial de Divergência, por satisfazer aos pressupostos regimentais. É de se observar, que a Fazenda Nacional, cumpriu os requisitos previstos no RICARF para interpor Recurso Especial de Divergência, já que acostou aos autos cópia de ementa de acórdão divergente de decisão que deu à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, bem como demonstrou analiticamente com a indicação dos pontos no paradigma colacionado que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Assim sendo, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional preenche os requisitos legais de admissibilidade merecendo ser conhecido pela turma julgadora. Depreendese do relatado que a Fazenda Nacional ingressou com Recurso Especial de Divergência, com amparo no art. 7º, inciso II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, insurgindose contra decisão da então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, exarado pelo Acórdão 10195.969, de 25/01/2007 (fls. 150/159), que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Como visto do relatório, tratase de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, referente ao exercício de 1999, correspondente ao ano calendário de 1998, no valor de R$ 3.028.856,67. Observase, ainda, que a interessada fez a opção em incentivos fiscais com aplicação no FINOR (Ficha 16 — Aplicações em Incentivos Fiscais da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ 1999 Retificadora), fls. 49, nos termos do disposto no Capítulo III do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n° 3.000, de 26/03/99 (RI R/99). A decisão de Segunda Instância foi favorável ao pleito do contribuinte, sob o argumento básico de que a concessão ou o reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, podendo, em casos excepcionais, ser admitida a certidão positiva com efeito de negativa para fazer jus ao incentivo. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 8 Como visto, o ponto nodal do presente feito consiste em saber a data em que deve ser verificada a regularidade fiscal da empresa, se na data da apresentação da DIRPJ ou no momento do despacho no PERC ou se ainda pode ser em algum momento posterior durante o trâmite do processo. O acórdão ora recorrido posicionase no sentido de que a regularidade fiscal do requerente deve ser aferida pela quitação de tributos e contribuições federais, podendo, em casos excepcionais, ser admitida a certidão positiva com efeito de negativa para fazer jus ao incentivo. Por sua vez, a Fazenda Nacional se posiciona no sentido de que tal entendimento não merece guarida, devendo prevalecer a tese de que, para o deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), é indispensável a regularidade fiscal da empresa na data do despacho. Firmo a minha convicção de que a data mais correta é o momento da opção pelo incentivo, qual seja: a data da entrega da Declaração de Rendimentos, podendo, em casos excepcionais, ser admitida a certidão positiva com efeito de negativa para fazer jus ao incentivo. É fato, que a lei condiciona a concessão ou reconhecimento de benefícios fiscais à comprovação, pelo contribuinte, da quitação de tributos e contribuições federais, senão vejamos: Lei nº 9.069, de 1995 Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributes e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais Tal disposição legal é semelhante à contida no artigo 27, da Lei nº 8.036, de 11/05/1990, vejamos: Art. 27. A apresentação do Certificado de Regularidade do FGTS, fornecido pela Caixa Econômica Federal, é obrigatória nas seguintes situações: c) obtenção de favores creditícios, isenções, subsídios, auxílios, outorga ou concessão de serviços ou quaisquer outros benefícios concedidos por órgão da Administração Federal, Estadual e Municipal, salvo quando destinados a saldar débitos para com o FGTS. No campo do direito constitucional, o parágrafo 3°, do artigo 195, também dispõe: I A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. Como se vê, a disposição legal é cristalina: cabe ao contribuinte a obrigação de comprovar a quitação de tributos e contribuições federais. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10380.007794/200239 Acórdão n.º 9101001.453 CSRFT1 Fl. 6 9 Não há dúvidas de que face as condições dinâmicas da atividade a situação do postulante ao beneficio pode variar de "sem debito em aberto" a "com debito em aberto", propiciando o surgimento de situações não isonômicas no tratamento dado aos contribuintes pela administração tributária. Assim, dependendo da data em que seja verificada a situação do contribuinte, pode ser ou não concedido o beneficio pleiteado. Essa incerteza no tempo com relação à situação fiscal não satisfaz aos ditames do principio da segurança jurídica. Assim, se faz necessário adotar um único momento para avaliar as condições de regularidade fiscal do contribuinte, pleiteante de benefícios fiscais. Da análise atenta do dispositivo em discussão, percebese não haver, de forma expressa, qualquer definição com relação ao momento no qual devem ser verificadas as. condições de regularidade com relação à quitação de tributos e contribuições federais. Levando em conta da necessidade se interpretar a legislação de forma não haver palavras desnecessárias no texto legal, é possível se interpretar, o dispositivo em discussão, como definindo dois atos distintos: a concessão e o reconhecimento. Dessa forma, aceitado o principio, há a definição de duas datas diferentes: a data da concessão e a data do reconhecimento. Concessão é o ato ou efeito de conceder, é o consentimento, a permissão. Ocorre no momento do processamento da declaração (DIPJ) onde consta a opção feita pelo contribuinte. E reconhecimento é o ato ou efeito de reconhecer, podendo, ainda, em termos jurídicos ter a acepção de ato através do qual alguma coisa é admitida como verdadeira. Dessa forma, concessão poderia estar ligada ao primeiro momento, época do processamento da declaração com a opção do contribuinte, enquanto que o reconhecimento se daria numa etapa posterior, quando da análise do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC. Feitas estas referências legais, concluise assim que, para fins de obtenção de favores fiscais, como o do caso em exame, a regularidade fiscal do contribuinte, no que se refere aos tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal podem ser atestadas pela própria administração, através de despacho constante do processo, emitido pela Inspetoria ou Delegacia encarregada de apreciar o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais. De modo diverso, contudo, cabe ao contribuinte a apresentação dos seguintes documentos à autoridade tributária encarregada de analisar o seu pedido, segundo se depreende da leitura dos dispositivos legais referenciados: Certificado de Regularidade do FGTS, fornecido pela Caixa Econômica Federal; Certidão Negativa emitida pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e Certidão Negativa emitida pelo Instituto Nacional de Seguridade Social INSS, quanto às contribuições para a previdência social. No caso em discussão, observase que o contribuinte foi instado a regularizar pendências junto à Receita Federal e a Divida Ativa da União, através da intimação de fls. 53/54, não logrando, em tempo hábil, comprovar a sua regularidade fiscal, condição essencial à fruição do benefício fiscal. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 10 Ocorre, que agora em grau de recurso, a Recorrente apresenta as fls. 140/142, Certidões Positivas com Efeito de Negativas tanto da Secretaria da Receita Federal como da Dívida Ativa da União, emitidas, respectivamente, nas datas de 23 de junho de 2005 e 24 de agosto de 2005, impondo, por conseguinte, o gozo do beneficio dos incentivos fiscais, eis que os débitos junto a Receita Federal e a ausência da Certidão da Divida Ativa que originou o indeferimento inicial, encontramse ausente no presente momento. Do exposto, comprovada a regularidade fiscal do contribuinte é de se acolher o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, para restabelecer o incentivo fiscal pleiteado. Nestas condições, entendo que a decisão recorrida está em perfeita consonância com os dispositivos legais vigentes, razão por que conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, por tempestivo e, no mérito, negolhe provimento. (Assinado digitalmente) José Ricardo da Silva Fl. 191DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA
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Numero do processo: 13683.000202/2003-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 BASE DE CÁLCULO. RECEITAS. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. As receitas decorrentes de ressarcimento do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) integram a base de cálculo da contribuição para o PIS com incidência não cumulativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio contribuinte, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 3301-001.453
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos dos voto do relator designado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andréa Medrado Darzé e Maria Teresa Martínez López. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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RECEITAS. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. As receitas decorrentes de ressarcimento do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) integram a base de cálculo da contribuição para o PIS com incidência não cumulativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio contribuinte, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos dos voto do relator designado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andréa Medrado Darzé e Maria Teresa Martínez López. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Antônio Lisboa Cardoso Relator. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 2 (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Redator designado. EDITADO EM: 28/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Amauri Amora Câmara Júnior, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de declaração de compensação de PIS/PASEP de créditos decorrentes do regime da nãocumulatividade, apresentada em 24/10/2003, relativos ao 3º trimestre de 2003, no montante de R$224.261,85, correspondentes aos valores do crédito do PIS não cumulativo, instituído pela Lei nº 10.637, de 2002, conforme sintetiza a ementa do acórdão recorrido a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 REGIME NÃOCUMULATIVO BASE DE CÁLCULO Em consonância com o disposto no artigo 1º da Lei nº 10.637, de 2.002. integram a base de cálculo do PIS os valores do crédito presumido do IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, os quais se caracterizam como receitas operacionais da pessoa jurídica e não estão compreendidos entre as hipóteses de exclusão da receita bruta ou de isenção previstas na legislação da contribuição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Outros Valores Controlados. Consta da decisão recorrida que o crédito presumido de IPI tem inquestionável natureza jurídica de incentivo fiscal. Representa nada mais que um estímulo financeiro instituído com o objetivo de compensar as exportações de parcelas integrantes do custo do produto exportado, decorrentes do regime cumulativo de tributação das contribuições. Constituise, portanto, em uma receita da pessoa jurídica, decorrente de incentivo fiscal. Contudo, o fato de ser oriunda de um incentivo fiscal ao setor exportador, não a equipara a receita da exportação de mercadorias para o exterior. Por outro lado, não há isenção especifica para as receitas relativas ao crédito presumido do IPI e tampouco previsão de redução da alíquota do PIS a zero em tal hipótese, cabendo ressaltarse que as isenções devem ser interpretadas literalmente, nos termos do artigo 111, II, do CTN. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 13683.000202/200312 Acórdão n.º 330101.453 S3C3T1 Fl. 165 3 Cientificada em 29/10/2009 (AR – fl. 143), foi interposto o recurso voluntário de fls. 144/162, em 12/11/2009, onde a Recorrente, aduz, em síntese, que considerando que 'não se exportam tributos', o industrialexportador faz jus ao ressarcimento do PIS/PASEP embutido no preço das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem então adquiridos para industrialização dos produtos a serem exportados. Sustenta que o crédito presumido de IPI tem natureza jurídica de beneficio fiscal que deve ser lançado na escrita fiscal contra o próprio IPI, ou seja, o produtorexportador se apropria de créditos do IPI que serão descontados, na conta gráfica da empresa, dos valores devidos a titulo de IPI (este incentivo fiscal não se direciona precipuamente ao IPI, eis que o intento primeiro do legislador foi exonerar o pagamento do PIS/PASEP e da COFINS). Argumenta que fica evidente, pois, que não se pode aceitar a interpretação esposada no acórdão recorrido no sentido de que não haveria previsão legal para excluir da base de cálculo do PIS/PASEP os valores pertinentes 'Receitas isentas ou sujeitas à alíquota zero — Crédito Presumido de IPI', que têm natureza jurídica de beneficio fiscal instituído com o fito de 'corrigir o custo', e que por este motivo devem ser contabilizados como 'Recuperação de Custos'. Logo, não se pode colocar na base de cálculo do PIS/PASEP importâncias que derivam da dispensa do pagamento das próprias contribuições, eis que tal interpretação reduziria o alcance do beneficio fiscal em comento, fazendo com que a desoneração pretendida ocorra de forma parcial. Em favor de sua tese transcreve diversos Arestos do colendo STJ e TRF´s. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro ANTÔNIO LISBOA CARDOSO O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais para ser admitido, pelo que dele conheço. A nãocumulatividade do PIS e da COFINS é operada mediante redução da base de cálculo, com a respectiva dedução de créditos relativos às contribuições que foram recolhidas sobre bens e/ou serviços objeto de faturamento em etapas anteriores e tem como matriz constitucional no § 12 do art. 195, da Constituição Federal: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Fl. 170DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 4 a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) § 13. Aplicase o disposto no § 12 inclusive na hipótese de substituição gradual, total ou parcial, da contribuição incidente na forma do inciso I, a, pela incidente sobre a receita ou o faturamento. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)” (grifos acrescidos). O benefício tem por objetivo desonerar o setor exportador, de forma a permitir uma maior competitividade no mercado internacional, gerando reflexos na nossa balança comercial, porquanto de acordo com o art. 149, da Constituição Federal, é expressamente vedada a incidência das contribuições sobre as receitas de exportação, nos seguintes termos: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação;” (grifado). Com supedâneo no § 12, do art. 195, da CF, a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, disciplinou a incidência do PIS NÃOCUMULATIVO, nos seguintes termos: “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 13683.000202/200312 Acórdão n.º 330101.453 S3C3T1 Fl. 166 5 § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...) VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009) (...) Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.” (grifos acrescidos). A partir da edição da Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, que alterou as Leis nº 10.637, de 2002, e Lei nº 10.833, de 2003, foi expressamente excluída da base de cálculo do PIS e COFINS nãocumulativos as transferências onerosas a outros contribuintes do ICMS, de créditos do mesmo imposto, originados de operações de exportação, e que é o objeto do presente recurso. Em relação ao crédito presumido de IPI, que consiste no ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS) incidentes sobre o valor dos insumos correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem como energia elétrica e combustível, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliada no Brasil, utilizados na fabricação de produtos destinados à exportação, nos termos da Lei nº 9.363, de 2006, ou mesmo pelo regime alternativo da Lei nº 10.276/2001, não vejo Fl. 172DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 6 como prosperar a pretensão da Fazenda Nacional em incluir tal crédito na base de cálculo do PIS/PASEP. A respeito da não incidência de PIS/COFINS sobre o crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, e, alternativamente pela Lei nº 10.276, de 2001, o E. STJ, teve ocasião de decidir sobre o assunto da seguinte forma: “RECURSO ESPECIAL Nº 1.003.029 RS (2007/02598860) EMENTA TRIBUTÁRIO. LEI 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O legislador, em respeito à máxima econômica de que não se exportam tributos, criou o crédito presumido de IPI como um incentivo às exportações, ressarcindo o exportador de parte das contribuições ao PIS e à Cofins incidentes sobre as matérias primas adquiridas para a industrialização de produtos a serem exportados. 2. O crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 não constitui receita da pessoa jurídica, mas mera recomposição de custos, razão porque não podem ser considerados na determinação da base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins. Precedente da Primeira Turma. 3. Seria um contrasenso admitir que sobre o crédito presumido de IPI, criado justamente para desonerar a incidência do PIS e da Cofins sobre as matériasprimas utilizadas no processo de industrialização de produtos exportados, incidam essas duas contribuições. 4. Recurso especial não provido.” (grifado) No voto condutor do referido acórdão, o eminente relator o Exmo. Sr. Ministro Castro Meira, destacou como fundamento precedente daquela Corte e doutrina de José Antônio Minatel, nos seguintes termos: Não se pode atribuir a esse benefício outra natureza que não a de ressarcimento de custos. A respeito da natureza jurídica do crédito presumido de IPI, confirase a lição de José Antônio Minatel: "A estrutura do incentivo e a própria lei acenam para a específica natureza de ressarcimento de contribuições incidentes nos custos de fabricação, portanto crédito concedido com a qualificação de redutor de custos, inabilitando qualquer pretensão de considerálo com a natureza de receita. [...] Por revestir a natureza de mera recuperação de custo, o chamado 'crédito presumido' da COFINS e PIS, utilizado para abatimento do IPI, não tem natureza de receita, assim como já reconheceu a administração tributária que também não tem natureza de receita o crédito presumido concedido por lei na apuração de COFINS e PIS das empresas fabricantes de determinados medicamentos, por conta de adesão em regime especial que prevê compromisso de redução de seus preços ao consumidor" ("Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação", MP 2005, p. 224225). Outra não foi a orientação adotada pela Primeira Turma, que reconheceu a natureza de recomposição de custos do crédito presumido de IPI. Observese: Fl. 173DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 13683.000202/200312 Acórdão n.º 330101.453 S3C3T1 Fl. 167 7 "TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIAL EXPORTADOR. RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS EMBUTIDOS NO PREÇO DOS INSUMOS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. LEI Nº 9.363/96. PRECEDENTES. 1. 'De acordo com o disposto no art. 1º da Lei 9.363/96, o benefício fiscal de ressarcimento de crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e da COFINS, é relativo ao crédito decorrente da aquisição de mercadorias que são integradas no processo de produção de produto final destinado à exportação. Portanto, inexiste óbice legal à concessão de tal crédito pelo fato de o produtor/exportador ter encomendado a outra empresa o beneficiamento de insumos, mormente em tal operação ter havido a incidência do PIS/COFINS, o que possibilitará a sua desoneração posterior, independente de essa operação ter sido ou não tributada pelo IPI' (REsp nº 576857/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 19/12/2005). 2. 'Mesmo quando as matériasprimas ou insumos forem comprados de quem não é obrigado a pagar as contribuições sociais para o PIS/PASEP, as empresas exportadoras devem obter o creditamento do IPI' (REsp nº 763521/PI, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 07/11/2005) 3. O crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 não representa receita nova. É uma importância para corrigir o custo. O motivo da existência do crédito são os insumos utilizados no processo de produção, em cujo preço foram acrescidos os valores do PIS e COFINS, cumulativamente, os quais devem ser devolvidos ao industrialexportador. 4. Precedentes das egrégias 1ª e 2ª Turmas desta Corte. 5. Recurso nãoprovido “(REsp 813.280/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJU de 02.05.06). Em razão da pertinência, peço vênia para transcrever, ainda, as ementas dos seguintes acórdãos do Colendo Superior Tribunal de Justiça, também citados pela Recorrente em seu recurso, in verbis: TRIBUTÁRIO. LEI 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O legislador, em respeito à máxima econômica de que não se exportam tributos, criou o crédito presumido de IPI como um incentivo às exportações, ressarcindo o exportador de parte das contribuições ao PIS e à Cofins incidentes sobre as matérias primas adquiridas para a industrialização de produtos a serem exportados. 2. O crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 não constitui receita da pessoa jurídica, mas mera recomposição de custos, razão porque não podem ser considerados na determinação da base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins. Precedente da Primeira Turma. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 8 3. Seria um contrasenso admitir que sobre o crédito presumido de IPI, criado justamente para desonerar a incidência do PIS e da Cofins sobre as matériasprimas utilizadas no processo de industrialização de produtos exportados, incidam essas duas contribuições. 4. Recurso especial não provido. (REsp 1003029/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/08/2008, DJe 19/08/2008) Idem: TRIBUTÁRIO – CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI – LEIS 9.363/96 E 10.276/2001 – NATUREZA JURÍDICA – NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. 1. O STJ e o STF já definiram que: a) a base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, que equivale à receita bruta, resultado da venda de bens e serviços pela empresa; b) a Lei 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo "faturamento", para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado; c) a noção de faturamento inscrita no art. 195, I, da CF/1988 (na redação anterior à EC 20/98) não autoriza a incidência tributária sobre a totalidade das receitas auferidas pelos contribuintes, não sendo possível a convalidação posterior de tal imposição, ainda que por força da promulgação da EC 20/98; d) é inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (base de cálculo do PIS e da COFINS), o que impede a incidência do tributo sobre as receitas até então não compreendidas no conceito de faturamento da LC nº 70/91; e) desnecessária, no caso específico, lei complementar para a majoração da alíquota da COFINS, cuja instituição se dera com base no art. 195, I, da Carta Magna. 2. O legislador, com o crédito presumido do IPI, buscou incentivar as exportações, ressarcindo as contribuições de PIS e de COFINS embutidas no preço das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos pelo fabricante para a industrialização de produtos exportados. O produtorexportador apropriase de créditos do IPI que serão descontados, na conta gráfica da empresa, dos valores devidos a título de IPI. 3. O crédito presumido do IPI tem natureza jurídica de benefício fiscal, não se constituindo receita, seja do ponto de vista econômicofinanceiro, seja do ponto de vista contábil, devendo ser contabilizado como "Recuperação de Custos". Portanto, não pode integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. Ainda que se considerasse receita, incabível a inclusão do crédito presumido do IPI na base de cálculo do PIS e da Fl. 175DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 13683.000202/200312 Acórdão n.º 330101.453 S3C3T1 Fl. 168 9 COFINS porque as receitas decorrentes de exportações são isentas dessas contribuições. 4. Recurso especial não provido. (REsp 807130/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/06/2008, DJe 21/10/2008) Embora não seja objeto do presente processo, importante frisar que a não cumulatividade do PIS e da COFINS sobreveio como alternativa ao crédito presumido do IPI, sendo que, a vedação quanto à utilização concomitante dos dois benefícios só veio a ocorrer a partir de 1º/02/2004, através do art. 14 da Lei nº 10.833/03, desta forma, uma vez que tais créditos não constituem receita bruta da pessoa jurídica, mas mera recomposição de custos, razão porque não podem ser considerados na determinação da base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso a fim de reconhecer a não incidência de PIS NÃOCUMULATIVO sobre os valores decorrentes de crédito presumido de IPI. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator Fl. 176DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 10 Voto Vencedor Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, RelatorDesignado Discordo do Ilustre Relator quanto ao direito de a recorrente excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS com incidência não cumulativa as receitas decorrentes do crédito presumido do IPI. A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, que instituiu o regime com incidência nãocumulativa para o PIS, assim dispõe: “Art. 1º. A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...). § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; (...). III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; (...). V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI – não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (...).” Fl. 177DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 13683.000202/200312 Acórdão n.º 330101.453 S3C3T1 Fl. 169 11 Do exame desse dispositivo, concluise que a opção do legislador foi a generalização do alcance da incidência do PIS nãocumulativo, excluindo de sua base de cálculo apenas as receitas e ingressos expressamente elencados no parágrafo 3º acima transcrito. As receitas e/ ou os ingressos decorrentes do ressarcimento do crédito presumido do IPI não foram contempladas. O fato de que o crédito presumido de IPI ter natureza jurídica de beneficio fiscal e ser lançado na escrita fiscal contra o próprio IPI e, ainda, não transitar por conta de resultado não significa nem prova que não houve ingresso no patrimônio da pessoa jurídica. Independentemente da forma de escrituração, o ressarcimento do IPI implica ingresso em dinheiro no caixa da pessoa jurídica e/ ou extinção de obrigação tributária, mediante compensação, aumentando o seu patrimônio. Quanto à homologação da compensação de débito fiscal, mediante a apresentação de Declaração de Compensação (Dcomp) e sua extinção, a Lei nº 9.430, de 27/12/1996, a condiciona à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, nesta fase recursal, não foi reconhecida a certeza e liquidez do crédito financeiro suplementar reclamado. Assim, mantémse a não homologação da compensação dos débitos tributários, efetuada pela DRF em Sete Lagoas, nos termos do Despacho Decisório às fls. 90/92 (fls. 87/89). Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Fl. 178DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Numero do processo: 13858.000195/2003-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Tributário Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 e 01/10/2002 a 31/12/2002 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa quando há expressa motivação. Assunto: Processo Administrativo Tributário Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 e 01/10/2002 a 31/12/2002 REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STJ, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C, DO CPC. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62-A do Regimento Interno. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 e 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. LEI 9.363/96. AQUISIÇÃO DE NÃO CONTRIBUINTES. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Segundo o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (REsp 993.164), deve ser admitido o direito ao crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, mesmo quando os insumos utilizados no processo produtivo de bens destinados ao mercado externo sejam adquiridos de não contribuintes de PIS e COFINS. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-001.484
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Tributário Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 e 01/10/2002 a 31/12/2002 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa quando há expressa motivação. Assunto: Processo Administrativo Tributário Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 e 01/10/2002 a 31/12/2002 REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STJ, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62A do Regimento Interno. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 e 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. LEI 9.363/96. AQUISIÇÃO DE NÃO CONTRIBUINTES. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Segundo o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (REsp 993.164), deve ser admitido o direito ao crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, mesmo quando os insumos utilizados no processo produtivo de bens destinados ao mercado externo sejam adquiridos de não contribuintes de PIS e COFINS. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Amauri Amora Câmara Júnior e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Ribeirão Preto que negou provimento à manifestação de inconformidade, por entender que as aquisições de matérias primas de pessoas físicas, bem como as aquisições de produtos, ainda que de pessoas jurídicas, que não integram o produto a ser exportado, não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96. A contribuinte solicitou o ressarcimento de crédito presumido IPI prescrito na a Lei nº 9.363/96, no valor de R$ 101.627,00, relativamente ao 2° trimestre do ano de 1998. A Delegacia da Receita Federal em Franca, por meio do Despacho Decisório, de fls. 93/98, indeferiu parcialmente o pleito do contribuinte e homologou as compensações pleiteadas, no limite do crédito reconhecido. No seu entender deveriam ser glosados os valores relativos às aquisições de matérias primas de pessoas físicas, bem como as aquisições de produtos, ainda que de pessoas jurídicas, que não integram o produto a ser exportado. Inconformada com o despacho decisório, a ora Recorrente apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, alegando, em apertada síntese,: (i) ao deferir o pedido, o fiscal reduziu, sem qualquer justificativa, o valor do crédito das aquisições efetuadas de pessoa jurídica. A manifestante tinha crédito de R$ 48.736,14 de aquisições de pessoa física e R$ 52.890,86 de aquisições de pessoa jurídica, totalizando a quantia de R$ 101.627,00. Com o deferimento de R$ 49.536,26 houve uma redução de R$ 3.354,60 a menos do que o postulado em relação apenas às aquisições de pessoa jurídica, o que resulta em erro material quanto ao cálculo do crédito; (ii) onde a lei não estabeleceu, não pode o intérprete inovar. As normas infralegais, tais como as IN nºs 21/95, 23/97 e o Parecer Normativo CST 65/79, que restringem e maculam o direito ao crédito presumido, afrontam o que estabelece o artigo 108 c/c 110 do CTN, ou seja, é de flagrante ilegalidade; (iii) ao definir a base de cálculo do crédito presumido, o artigo 2° da Lei n° 9.363/96, expressa e inequivocamente, determinou que se considerasse o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediário e material de embalagem, incluindo tanto as aquisições de pessoas físicas, quanto às de pessoas jurídicas; (iv) a decisão recorrida é manifestadamente contrária ao entendimento majoritário extraído da jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça; (v) sendo o crédito procedente, a compensação solicitada deve ser homologada em seu inteiro valor. Além das razões apresentadas, solicitou perícia contábil, para apurar o correto montante das aquisições de pessoa jurídica. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13858.000195/200318 Acórdão n.º 3301001.484 S3C3T1 Fl. 93 3 A DRJ em Ribeirão Preto julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SORRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IP1. INSUMOS. PESSOA FÍSICA. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do Crédito presumido por falta de previsão legal. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. COMPRAS. DIREITO AO CRÉDITO. Somente as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, podem ser computados na apuração da base de cálculo do incentivo fiscal. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho repetindo as razões apresentadas na sua manifestação de inconformidade É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia versa, exclusivamente, sobre a possibilidade de se creditar dos valores relativos à aquisição de matérias primas de não contribuintes do PIS/COFINS. Afinal, a Recorrente não impugnou a parte da decisão que afirma que os demais produtos que, no entender da fiscalização, não são consumidos no processo industrial (não integram o produto final a ser exportado, tais como adubos, defensivos e fertilizantes) não dão direito ao crédito. Quanto a este ponto a Recorrente apenas alegou cerceamento do direito de defesa em face do indeferimento da perícia, sem apresentar, todavia, qualquer justificativa jurídica para a reforma da decisão. Pois bem. Quanto a preliminar suscitada, verificase que a Recorrente incorreu em erro, ao não verificar que tanto a DRF como a DRJ justificaram a glosa parcial dos produtos adquiridos de pessoa física no fato de entenderem que apenas as matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem consumidos no processo industrial, ou seja, que integram o produto final a ser exportado dão direito ao crédito. Sendo esta a razão apresentada para a glosa e não a discordância quanto aos valores indicados como de aquisição de pessoa jurídica e de pessoa física (e cooperativas), como sugere a Recorrente, não se justifica a realização da perícia. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Ultrapassada a presente preliminar, passemos à análise da única questão de mérito apresentada. O Superior Tribunal de Justiça, valendose da sistemática prevista no art. 543C, do CPC, pacificou, no REsp 993.164, o entendimento de as aquisições MP, PI, ME de pessoas físicas e cooperativas geram direito ao crédito presumido, tendo em vista que as disposições da Lei nº 9.363/96 não poderiam ter sua aplicação restringida por força de Instruções Normativas, “atos normativos secundários, que não podem inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal”: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação Fl. 435DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13858.000195/200318 Acórdão n.º 3301001.484 S3C3T1 Fl. 94 5 da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, Fl. 436DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) (destacouse) Por conta disso, devese aplicar ao presente caso o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos: Fl. 437DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13858.000195/200318 Acórdão n.º 3301001.484 S3C3T1 Fl. 95 7 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Em face do exposto, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, para reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, e alternativamente, a Lei nº 10.276, de 2001, mesmo quando os insumos utilizados no processo produtivo de bens destinados ao mercado externo sejam adquiridos de pessoas físicas e cooperativas. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 438DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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