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Numero do processo: 15889.000082/2008-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/08/2005
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 32, INCISO IV, § 6º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência
Social – GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados com os fatos geradores das contribuições previdenciárias.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, tratandose
de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte prestou informações inexatas, incorretas e/ou omissas, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº
8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.887
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de decadência; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 31/08/2005 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 32, INCISO IV, § 6º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados com os fatos geradores das contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, tratandose de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte prestou informações inexatas, incorretas e/ou omissas, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de decadência; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000082/200887 Acórdão n.º 2401001.887 S2C4T1 Fl. 132 3 Relatório KEPLER WEBER INOX LTDA. E OUTROS, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 10a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ I, Acórdão nº 12 21.154/2008, às fls. 105/110, que julgou procedente em parte a autuação fiscal lavrada contra a contribuinte, com arrimo no artigo 32, inciso IV, § 6º, da Lei nº 8.212/91, por ter apresentado GFIP’s com incorreções e/ou omissões em campos não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, em relação ao período de 02/1999 a 08/2005, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 04/05, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 21/12/2007, nos moldes do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 1.314,50 (Um mil, trezentos e quatorze reais e cinqüenta centavos), com base nos artigo 284, inciso III, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, c/c artigos 32, inciso IV, § 6º, da Lei nº 8.212/91. A autoridade recorrida achou por bem julgar procedente em parte a autuação fiscal, acolhendo a decadência parcial do crédito, relativamente às competências 02/1999, 05/1999 e 05/2000, com base no artigo 173, inciso I, do Códex Tributário. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 116/124, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, requer seja aplicado o prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4°, do CTN, em detrimento ao artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal, na forma decidida pelo julgador recorrido, sobretudo em face de recolhimentos de contribuições previdenciárias correspondentes, ou seja, antecipação de pagamento. Em defesa de sua pretensão, infere que as obrigações acessórias, quando descumpridas, convertemse em obrigação principal relativamente à penalidade, vinculada, portanto, ao fato gerador do tributo, impondo seja acolhida a decadência inscrita no artigo 150, § 4°, do CTN, de maneira a excluir o crédito tributário até a competência 11/2002. Insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, por entender não ter deixado de apresentar à fiscalização os documentos solicitados, os quais, inclusive, foram suporte para lavratura de NFLD´s contra a empresa, não tendo prejudicado e/ou dificultado a ação fiscal em nenhum momento, inexistindo qualquer prejuízo ao INSS. Lança assertivas a propósito das notificações fiscais lavradas contra a contribuinte, pugnando pela decretação da nulidade do lançamento, repisando o argumento de ter existido equívoco na ação fiscal desenvolvida na empresa. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Não houve a apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000082/200887 Acórdão n.º 2401001.887 S2C4T1 Fl. 133 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário e passo a examinar as alegações recursais. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Preliminarmente, vindica a contribuinte seja acolhida a decadência de 05 (cinco) anos nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, em detrimento ao prazo inscrito no artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma legal, na forma decidida no Acórdão recorrido, notadamente em virtude da existência de recolhimentos de contribuições previdenciárias, ou seja, antecipação de pagamento. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, senão vejamos: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, inciso I, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] Fl. 5DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Após muitas discussões a propósito da matéria, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco. “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma sessão plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Não bastasse isso, é de bom alvitre esclarecer que o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de julgamento realizada no dia 15/12/2008, por maioria de votos (21 x 13), firmou o entendimento de que o prazo decadencial a ser aplicado para as contribuições previdenciárias é o insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, independentemente de ter havido ou não pagamento parcial do tributo devido, o que veio a ser ratificado, também por maioria de votos, pelo Pleno da CSRF em sessão ocorrida em 08/12/2009, com a ressalva da existência de qualquer atividade do contribuinte tendente a apurar a base de cálculo do tributo devido. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149, do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150, do CTN, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades tributárias. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000082/200887 Acórdão n.º 2401001.887 S2C4T1 Fl. 134 7 Dessa forma, sendo as contribuições previdenciárias tributos sujeitos ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo a tese que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento Fl. 7DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000082/200887 Acórdão n.º 2401001.887 S2C4T1 Fl. 135 9 Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento nas contribuições previdenciárias, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. Na hipótese dos autos, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito do tema, uma vez tratarse de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória – omissão e incorreções de informações e/ou documentos ao INSS , caracterizando lançamento de ofício, impondo a aplicação do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Com efeito, este Colegiado, inclusive, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, já sedimentou o entendimento de que tratandose de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória omissão de informações e/ou documentos ao INSS , caracterizando lançamento de ofício, impõese a aplicação do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, independentemente da espécie de infração incorrida. Assim, é de se manter a ordem legal no sentido de acolher o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, na forma admitida pelo Acórdão recorrido, devendo ser rejeitada a preliminar de decadência suscitada pela contribuinte. MÉRITO Conforme se depreende dos autos, o presente lançamento decorreu do fato de a contribuinte ter apresentado GFIP’s com erros nos campos não relacionados com os fatos geradores das contribuições previdenciárias, incorrendo na infração prevista no artigo 32, inciso IV, § 6º, da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa nos termos do artigo 284, inciso III, do RPS, senão vejamos: “Art. 32. A empresa também é obrigada a: [...] IV – informar mensalmente ao Instituto Nacional de Seguro Social – INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. [...] § 6° A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no § 4º.” “Regulamento da Previdência Social Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 [...] III – cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores.” Verificase que, de acordo com o Relatório Fiscal, a recorrente não apresentou a documentação exigida pela Fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supracitados, o que determinou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social. Antes de adentrar ao mérito propriamente dito, impende frisar que, não obstante tratarse de autuação face à inobservância de obrigações acessórias, os argumentos da recorrente dizem respeito basicamente às NFLD´s lavradas contra a empresa, bem como a propósito de matérias alheias ao presente lançamento, especialmente em relação à autuação fundamentada no artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, o que por si só seria capaz de ensejar o não conhecimento do recurso voluntário, por trazer em seu bojo questões estranhas ao auto de infração sob análise. Com efeito, a contribuinte faz uma verdadeira confusão ao tratar da questão, trazendo à colação argumentos relativos à constituição de créditos previdenciários decorrentes do descumprimento de obrigações principais, e outras obrigações acessórias. Consoante se positiva do artigo 113, do Código Tributário Nacional, as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, principal e obrigação acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Por outro lado, a obrigação acessória, relacionase às prestações positivas ou negativas, constantes da legislação de regência de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento apresentar o contribuinte ao fisco GFIP’s com informações omissas, inexatas ou incorretas, nos campos não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, situação que se amolda ao caso sub examine. Assim, por serem independentes, os fatos ensejadores das eventuais NFLD´s lavradas contra a contribuinte não guardam relação de causa e efeito com a presente autuação, sobretudo quando a infração incorrida diz respeito à apresentação incorreta de dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, inobstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte ao longo do seu arrazoado, sua pretensão não merece ser acolhida. A uma porque se vinculam com descumprimento de obrigações tributárias principais, estranhas ao presente caso. A duas, porque, em sua maioria, dizem respeito à autuação diversa, fundada no artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91. No que tange às demais alegações da contribuinte, não cabe aqui tecer maiores considerações, porquanto não são capazes de macular a exigência fiscal em comento, eis que desprovidas de qualquer amparo legal ou lógico, bem como já devidamente refutadas na decisão de primeira instância. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000082/200887 Acórdão n.º 2401001.887 S2C4T1 Fl. 136 11 Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela fiscalização que serviram de base à penalidade aplicada, não fazendo uso nem mesmo do benefício da relevação da multa, inscrito no artigo 291, § 1º, do RPS. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito encimadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 11DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11065.000265/2005-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
COFINS NÃO CUMULATIVA — É lícito o aproveitamento de crédito na
hipótese de contratação de empresa para a realização de embalagem e acondicionamento de produtos exportados pelo contribuinte, ainda que haja indícios de que a empresa contratada tenha a ingerência da empresa contratante. Inexistência de vedação legal e insuficiência de indícios para caracterizar a ausência de substância econômica nos atos e negócios jurídicos praticados, de forma a deflagrar simulação.
Numero da decisão: 3201-000.767
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS NÃO CUMULATIVA — É lícito o aproveitamento de crédito na hipótese de contratação de empresa para a realização de embalagem e acondicionamento de produtos exportados pelo contribuinte, ainda que haja indícios de que a empresa contratada tenha a ingerência da empresa contratante. Inexistência de vedação legal e insuficiência de indícios para caracterizar a ausência de substância econômica nos atos e negócios jurídicos praticados, de forma a deflagrar simulação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri. JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO Presidente. DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 13/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando (presidente da turma), Robson José Bayerl, Luciano Lopes de Almeida Moraes (vicepresidente), Luiz Eduardo Garrossino Barbieri, Marcelo Ribeiro Nogueira e Fl. 384DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 2 Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões de recurso voluntário apresentado pela Recorrente: Trata o presente do ressarcimento pleiteado pela interessada em epígrafe em 28/01/2005, relativo aos créditos de Cofins não cumulativa do quarto trimestre de 2004, no valor de R$ 714.224,21 (fl. 01). A DRF em Novo Hamburgo emitiu o Despacho Decisório DRF/NHO/2006 (fl. 167), com base no Relatório da Ação Fiscal de fls. 153 a 165, reconhecendo o crédito passível de ressarcimento no valor de R$ 575.125,08. Foram glosados os valores decorrentes de: (i) créditos de serviços prestados na industrialização por terceiros, ante a constatação de que a empresa que prestava tais serviços (PUPPIES TIME, CNPJ 04.585.274/000140) era, na realidade, estabelecimento da própria interessada e (ii) não oferecimento à tributação de valores originados de transferências de créditos de ICMS a terceiros. No Relatório Fiscal, também consta a glosa de aproveitamento indevido de parte do valor do crédito relativo ao estoque inicial, porém, tal item não afeta o período em análise neste processo. O Relatório esclarece detalhadamente todas as infrações, inclusive os pontos em que se baseou para descaracterizar a empresa PUPPIES TIME como estabelecimento independente da empresa fiscalizada. A empresa é cientificada do Despacho Decisório em 11/10/2006. O contribuinte apresenta, em 13/11/2006, tempestivamente, sua manifestação de inconformidade (fls. 171 a 296), através de representante devidamente habilitado, na qual se insurge contra a inclusão na base de cálculo dos créditos de ICMS transferidos a terceiros e a glosa dos créditos decorrentes dos serviços que outra pessoa jurídica terlheia prestado. Argumenta que a transferência do ICMS para terceiros não pode ser considerada receita tributável, mas sim receita decorrente de exportação e sobre a qual não incide a Cofins. Também considera que incluir na base de cálculo os valores do ICMS transferidos a terceiros constituiria bitributação, pois tais valores já teriam sido tributados pelo fornecedor de insumos. Cita jurisprudência judicial. Já quanto à glosa relativa aos créditos dos serviços prestados pela empresa PUPPIES TIME aborda todos os aspectos levantados pela fiscalização e que levaram à conclusão da estreita vinculação entre as duas a ponto de concluir pela inexistência de créditos, com o objetivo de comprovar serem empresas diferentes e poder se creditar da Cofins sobre os serviços que aquela empresa teria prestado. Observa que sendo Fl. 385DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM Processo nº 11065.000265/200592 Acórdão n.º 320100.0767 S3C2T1 Fl. 378 3 a empresa Puppies de menor porte e em função da forma de atuação da IMS, que preza que os parceiros possuam uma relação de confiança e participem de programas de qualidade da empresa, a proximidade das empresas constatada pela fiscalização (sócia ser exfuncionária, uso de orientações e memorandos da IMS, uso de papel timbrado, bens em nome de IMS, entre outros fatos constatados) seria natural, nada caracterizando irregularidade. Sobre a assistência de saúde da Unimed contratada por Puppies, na qual figura como representante autorizado um sócioadministrador da IMS, a empresa esclarece que ocorreu apenas um equívoco. Junta notas fiscais de remessa de mercadorias entre as empresas, contrato de locação e inventário de material de embalagem. Requer, por fim, que seja reformada a Decisão para reconhecer a procedência do pedido em relação aos itens abordados. Cumpre registrar que da Ação Fiscal, em decorrência dos mesmos fatos aqui abordados, resultaram glosas em outros processos e lançamentos de ofício em relação a valores já ressarcidos referentes a outros períodos de apuração. Verifica se que a empresa impetrou Ação Judicial, Mandado de Segurança com pedido de liminar, que tomou o n° 2006.71.08.0169722, visando afastar da base de cálculo do PIS e da Cofins os valores recebidos em remuneração à transferência para terceiros de saldo credor de ICMS, suspender a exigibilidade de lançamentos decorrentes e o ressarcimento dos valores objeto dos pedidos efetuados nos processos administrativos que menciona, inclusive no que ora se analisa. Também pretendeu a extensão dos efeitos da liminar para todos os futuros processos e o afastamento das exigências da Instrução Normativa Conjunta SRF/SRP 629/2006. A liminar foi deferida parcialmente para suspender a exigibilidade dos créditos lançados através dos autos de infração constantes dos processos administrativos arrolados, afastar as glosas dos pedidos de ressarcimento constantes dos processos que elenca, dentre os quais o presente, determinando que não fosse exigida a contribuição incidente sobre aquelas receitas decorrentes da transferência do ICMS para terceiros. Ante pedido de reconsideração da interessada foram estendidos os efeitos da liminar para afastar outras exigências para comprovação de regularidade diferentes da certidão positiva com efeitos de negativa. Ante tal ordenamento, a DRF/NHO autorizou o ressarcimento dos valores originalmente deferidos, R$ 575.125,08, mais a parcela decorrente da glosa relativa à inclusão da remuneração pela transferência de créditos do ICMS a terceiros na base de cálculo, R$ 98.454,44, totalizando R$ 673.579,52 (fls. 312 a 314). Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 23/10/2009, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Fl. 386DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 4 Alegre (RS) indeferiu a solicitação da ora Recorrente, conforme Acórdão n° 1021.489 (fls. 329/330): Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Ementa: COFINS NÃO CUMULATIVA — Corretas as glosas relativas aos créditos que a interessada se utilizou provenientes de serviços de industrialização prestados por estabelecimento industrial da própria fiscalizada, dissimulado como outra pessoa jurídica. Mantidas as glosas não contestadas pela interessada. Solicitação Indeferida A Recorrente foi cientificada do teor do referido acórdão em 17/03/2010 (f1.334), tendo protocolado seu recurso voluntário em 15/04/2008 (fls. 335/345), que, em síntese, reitera os argumentos da sua manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 27/08/2010. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Por atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, CONHEÇO o recurso voluntário e passo a analisálo. O referido recurso ataca a glosa do crédito de COFINS decorrente da contratação de mãodeobra terceirizada para processo de industrialização. Sobre esse aspecto, entendo que a questão merece muita cautela. Com efeito, a glosa dos créditos oriundos das despesas de contratação de mãodeobra terceirizada teve por base a premissa de que a Recorrente agiu dissimuladamente para reduzir a sua carga tributária. Tal premissa, segundo o juízo a quo, foi devidamente comprovada pela fiscalização, e, portanto, a glosa foi mantida. Inicialmente, é importante consignar que o emprego de dolo, fraude ou simulação em matéria tributária configura hipótese de evasão fiscal, e não de elisão fiscal. A distinção básica entre esses dois institutos é que a evasão é empreendida por meios ilícitos, enquanto a elisão é empreendida por meios lícitos. Configurada hipótese de evasão, a autoridade fiscalizadora deve proceder à lavratura de auto de infração, acrescida de multa qualificada e acompanhada de representação fiscal para fins penais, uma vez que evasão é crime contra ordem tributária capitulado na Lei nº 8.137 de 1990. Já a elisão, se empreendida com abuso de forma, abuso de direito, negócio jurídico indireto, entre outras figuras afins, permitiria à autoridade fiscalizadora desqualificar o negócio jurídico praticado pelo contribuinte para alcançar os efeitos tributários do negócio Fl. 387DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM Processo nº 11065.000265/200592 Acórdão n.º 320100.0767 S3C2T1 Fl. 379 5 jurídico dissimulado. Entretanto, o fundamento legal para essa desqualificação é o art. 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que é norma de eficácia limitada, ou seja, a sua aplicação é condicionada à regulamentação posterior (fato que, nesse particular, ainda não há). Segundo a autoridade fiscalizadora, a Recorrente teria forjado a contratação de uma pessoa jurídica independente, que, em verdade, seria um estabelecimento próprio, o que inviabilizaria a tomada de créditos de COFINS na sistemática nãocumulativa dessas contribuições. Desse modo, desconsiderou a personalidade jurídica da empresa Puppies Time Ltda., glosando os referidos créditos. Na minha visão, a questão central em discussão é a seguinte: a Recorrente empreendeu evasão por ter simulado a contratação da empresa Puppies Time Ltda. ou elisão por ter reestruturado as suas atividades com o propósito de reduzir o seu custo de produção? Simular é mentir sobre algo, fazendoo parecer algo que não é. No caso concreto, a Recorrente realmente contratou uma empresa regularmente constituída para realizar uma etapa do processo de industrialização dos seus produtos, sendo que em momento algum a Recorrente alegou fazer outra coisa. Desse modo, não há mentira, e, portanto, simulação. Haveria simulação se a Recorrente emitisse notas fiscais de prestação de serviço de uma empresa fantasma para gerar créditos de COFINS. Também haveria simulação se os serviços que foram contratados não fossem efetivamente prestados, caso em que não poderia haver o creditamento de COFINS. Nenhuma dessas hipóteses se verificou, entretanto. Convém consignar que a jurisprudência deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais evoluiu no trato do assunto, pois até bem pouco tempo atrás a verificação da licitude do planejamento tributário limitavase ao aspecto formal dos atos e negócios jurídicos praticados pelo contribuinte, sendo certo que atualmente é necessário ir além, analisandose a substância econômica dos atos e negócios jurídicos efetivamente praticados pelo contribuinte. Vejamos: SIMULAÇÃO A simulação se caracteriza pela divergência entre a exteriorização e a vontade, isto é, são praticados determinados atos formalmente, enquanto subjetivamente, os que se praticam são outros. Assim, na simulação, os atos exteriorizados são sempre desejados pelas partes, mas apenas no aspecto formal, pois, na realidade, o ato praticado é outro. (Acórdão nº 10423.129, Rel. Cons. Heloisa Guarita Souza, Sessão de 23.04.2008) ......................................................................................................... Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2005 Ementa: DESPESAS COM ÁGIO. CARACTERIZADA SIMULAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. PROVAS. É indedutível as despesas com ágio quando provado nos autos que as mesmas foram levadas a efeito a partir da prática de simulação através de negócio jurídico que aparenta transferir direitos a pessoa diversa daquela à qual realmente se transmitem. SIMULAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O fato dos atos societários terem sido formalmente praticados, com registro nos órgãos competentes, escrituração contábil, etc. não Fl. 388DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 6 retira a possibilidade da operação em causa se enquadrar como simulação, isso porque faz parte da natureza da simulação o envolvimento de atos jurídicos lícitos. Afinal, simulação é a desconformidade, consciente e pactuada entre as partes que realizam determinado negócio jurídico, entre o negócio efetivamente praticado e os atos formais (lícitos) de declaração de vontade. Não é razoável esperar que alguém tente dissimular um negócio jurídico dandolhe a aparência de um outro ilícito. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS DESNECESSIDADE. A tão só coexistência, com aplicações financeiras remuneradas a taxas inferiores, de empréstimos tomados a pessoas relacionadas não autoriza a inferência de serem desnecessárias as despesas havidas com estes empréstimos. RESERVA DE REAVALIAÇÃO. REALIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A entrega de bens em pagamento do valor do capital subscrito, fato permutativo que é, não implica em realização da reserva de reavaliação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA SIMULAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A prática da simulação com o propósito de dissimular, no todo ou em parte, a ocorrência do fato gerador do imposto caracteriza a hipótese de qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996. Publicado no D.O.U. nº 141 de 24/07/2008. (Acórdão nº 10323.441, Redator Designado Cons. Antonio Bezerra Neto, Sessão de 17.04.2008) ......................................................................................................... NULIDADE DO LANÇAMENTO INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE LANÇADORA INOCORRÊNCIA O Auditor Fiscal da Receita Federal é servidor competente para proceder a lançamento de ofício de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF, em nome desta. Não há falar em nulidade do lançamento quando a autuação foi feita por servidor competente e com a estrita observância da legislação tributária. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NULIDADE INOCORRÊNCIA. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972. SIMULAÇÃO SUBSTÂNCIA DOS ATOS Não se verifica a simulação quando os atos praticados são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados, assumindo o contribuinte as conseqüências e ônus das formas jurídicas por ele escolhidas, ainda que motivado pelo objetivo de economia de imposto. SIMULAÇÃO NEXO DE CAUSALIDADE A caracterização da simulação demanda demonstração de nexo de causalidade entre o intuito simulatório e a subtração de imposto dele decorrente. SIMULAÇÃO EFEITOS DA DESCONSIDERAÇÃO O lançamento, na hipótese de simulação relativa, deve considerar a realidade subjacente em todos os seus aspectos, com adequada consideração do sujeito passivo que praticou os atos que a conformam. Preliminares rejeitadas. Recurso provido. (Acórdão nº10421.729, Redator Designado Cons. Gustavo Lian Haddad, Sessão de 26.07.2006) Fl. 389DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM Processo nº 11065.000265/200592 Acórdão n.º 320100.0767 S3C2T1 Fl. 380 7 Ora, a Recorrente reconhece que reestruturou suas atividades de forma a reduzir custos, passando a contratar empresa cuja sócia era sua exfuncionária e que efetivamente lhe prestava serviços. Além disso, como era a principal cliente da Puppies Time Ltda. (a Recorrente não era sua cliente exclusiva), reconhece que possuía ingerência sobre as atividades dessa empresa. Ocorre que isso, por si só, ainda não permite que a autoridade fiscalizadora desqualifique o negócio jurídico realizado entre as empresas, de modo a glosar as despesas incorridas pela Recorrente que originaram os seus créditos de COFINS. Para tanto, deveria provar que a relação entre a Recorrente e a Puppies Time Ltda. era meramente formal, sem substância econômica. Em outras palavras, a circunstância de que a Recorrente possuir ingerência sobre a Puppies Time Ltda. é totalmente irrelevante para revelar a falta de substância econômica nessa relação comercial. Impõese ressaltar que o critério da ingerência administrativa é totalmente alheio à legislação de regência da COFINS não cumulativa, uma vez que o art. 3º, II, da Lei nº 10.833 de 2003, não faz qualquer restrição relacionada à qualidade do prestador dos serviços ou da sua relação comercial com o tomador. Tanto é assim que uma matriz pode contratar a sua subsidiária para prestar serviços, e viceversa, sem que isso lhes impeça de tomarem crédito de COFINS, nos termos da legislação citada. A questão que se faz pertinente nesse caso é a adequação dos preços praticados aos padrões de mercado, mas a legislação de regência é omissa nesse aspecto. Convém mencionar, por fim, que se o legislador ordinário tivesse a intenção de evitar esse tipo de reestruturação operacional, ele deveria ter estabelecido vedação similar ao creditamento da locação ou arrendamento de bens que já tenham integrado o ativo permanente da empresa locatária ou arrendatária. Vejamos: Lei nº 10.833 de 2003 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) V aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (...) Lei nº 10.865 de 2004 Art. 31. (...) § 3º É também vedado, a partir da data a que se refere o caput, o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica. Ante a falta de indícios suficientes que respaldem a desconsideração da personalidade da Puppies Time Ltda. e a inexistência de vedação legal ao planejamento tributário empreendido pela Recorrente, voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, de modo a afastar a glosa dos créditos decorrentes da contratação da empresa Puppies Time Ltda. para o processo de embalagem dos produtos da Recorrente. Fl. 390DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 8 É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 391DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM
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Numero do processo: 10183.002180/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. CONTRARIEDADE À LEI.
AGRESSÃO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL. INEXISTÊNCIA
O contribuinte teve diversas oportunidades de comprovação das despesas efetivadas, insistindo na suficiência dos recibos como provas dos fatos.
A falta de inquirição pessoal dos prestadores do serviço não macula a atividade fiscal, que utilizou procedimentos de investigação válidos, oportunizou a defesa ao sujeito passivo e instruiu o processo administrativo de forma satisfatória para embasar o lançamento.
DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO.
COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Nessa hipótese, a apresentação tão somente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.184
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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CONTRARIEDADE À LEI. AGRESSÃO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL. INEXISTÊNCIA O contribuinte teve diversas oportunidades de comprovação das despesas efetivadas, insistindo na suficiência dos recibos como provas dos fatos. A falta de inquirição pessoal dos prestadores do serviço não macula a atividade fiscal, que utilizou procedimentos de investigação válidos, oportunizou a defesa ao sujeito passivo e instruiu o processo administrativo de forma satisfatória para embasar o lançamento. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Nessa hipótese, a apresentação tão somente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Presidente. Fl. 103DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.002180/200611 Acórdão n.º 2101001.184 S2C1T1 Fl. 103 2 (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 5 a 10, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, para lançar infração de glosa de despesas médicas, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$9.625,00, acrescido de multa de ofício e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 4), acatada como tempestiva. Consoante relatório do acórdão de primeira instância (fl. 73), o sujeito passivo apresentou as seguintes alegações: 1) Notificada para prestar esclarecimentos acerca das despesas médicas, apresentou recibos emitidos pelos profissionais da área da saúde que prestaram serviços à impugnante e ao seu dependente no ano de 2003; 2) Os esclarecimentos apresentados, erroneamente, não foram suficientes para justificar, pois as mencionadas despesas médicas foram devidamente realizadas e comprovadas através dos recibos colacionados: a) Fonoaudiologia — Encaminhamento do Hospital Geral Universitário para tratamento do distúrbio da fala do filho Guilherme Adolfo (fl. 11); b) Psicologia — Encaminhamento da Médica Giovana da Gama Fortunato (fl. 12); c) Fisioterapia — Atestado Médico de Estevão Virgílio Vaz Curvo (fl. 13). 3) O argumento que as despesas são exageradas não devem prevalecer pois embora os valores com tratamento de saúde tenham sido elevados, para os padrões de vida da requerente, foram extremamente necessários, a fim de estabelecer a saúde da mesma e de sua família, conforme restou devidamente comprovado; Fl. 104DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.002180/200611 Acórdão n.º 2101001.184 S2C1T1 Fl. 104 3 4) O auditor fiscal não possui conhecimentos na área médica a ponto de efetuar glosas nos tratamentos médicos. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 70 a 84): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DESPESAS MÉDICAS. PROVA. A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade. Uma declaração com a mesma natureza dos recibos inicialmente apresentados não acrescenta nenhum outro elemento de convicção ou comprovação. A partir da declaração de inidoneidade de documentos em face de prestador de serviço médico, reforçase a exigência do ônus da prova quanto a validade e eficácia do documento emitido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O julgador de 1a instância justificou sua decisão como os seguintes argumentos: Se o contribuinte for instado a comprovar as deduções, com autoriza a Lei, não deverá apenas indicar, mas sim apresentar documentação ou cheque nominativo, que são as duas possibilidades de comprovação eficazes. A contrario senso, se o contribuinte dispor de documentação suficiente para comprovar, de acordo com os dispositivos precedentemente analisados, a prestação do serviço, a quem foi prestado, e a efetividade da despesa, desnecessária a indicação do cheque nominativo. (...) Se não há disposição legal que estabeleça que um único documento seja o apto a comprovar tais requisitos, não pode o contribuinte, no caso de existir motivadas razões ("todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora" e "ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte") para considerar que um documento é Fl. 105DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.002180/200611 Acórdão n.º 2101001.184 S2C1T1 Fl. 105 4 insuficiente para a comprovação pretendida, eximirse do ônus probatório pela mera afirmação de que o referido documento seria suficiente. Além disso, as declarações constantes de documentos particulares presumem se verdadeiras apenas em relação às partes que participaram do ato, como dispunha o art. 131, caput, do Código Civil de 1916, o parágrafo único do art. 219 do Código Civil atual e art. 368 do Código de Processo Civil. É o caso das declarações trazidas aos autos, que tem a mesma natureza dos recibos inicialmente apresentados pois não acrescenta nenhum outro elemento de convicção ou comprovação que seria atendido mediante documentos complementares do tratamento realizado ou mesmo prova do efetivo pagamento. (...) À vista desses documentos e com base na legislação, critérios e princípios expostos, concluise por: 10.A) Não aceitar como eficazes para dedução com despesa médica os recibos apresentados pelo profissional JAIME DA CRUZ BORGES ASSUMPÇÃO pela referida declaração de inidoneidade corroborada pela profusão de recibos que somaram o valor de R$ 31.650,00 muito superior ao valor declarado de R$ 15.000,00 , cuja exegese está em consonância com a jurisprudência administrativa do Conselho de Contribuintes, cujas decisões sobre o tema, apresentam pequena divergência quanto ao entendimento, mas são pacíficas quanto ao resultado, conforme demonstram os seguintes julgados: (...) 10.B) Não aceitar como eficazes para dedução com despesa médica os recibos apresentados pelos demais profissionais pois não constam o endereço dos profissionais e descrevem o tratamento de forma genérica e não atendem aos requisitos expostos anteriormente: Item 3.c: identificar a natureza do serviço prestado, e a quantidade, se for o caso, o que não é suprido por expressões genéricas (inc. III). Item 3.d: identificar o endereço do profissional. Item 7.1: Valor elevado justifica a exigência de comprovação complementar do pagamento. (...) RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 17/12/2009 (fl. 89), o contribuinte apresentou, em 12/01/2010, o recurso de fls. 91 a 95, onde: a) apontou afronta ao art. 29 do Decreto n° 70.235/72, pois a autoridade fiscal não investigou a idoneidade das provas apresentadas, ou seja, não ordenou a produção de prova oral, único meio capaz de emprestar ou não eficácia aos recibos apresentados; Fl. 106DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.002180/200611 Acórdão n.º 2101001.184 S2C1T1 Fl. 106 5 b) indicou violação do dispositivo constitucional que garante a ampla defesa, pois a decisão recorrida fundamentou a condenação em mera presunção de inidoneidade documental, sem lhe investigar o grau de confiabilidade, mediante a produção de prova testemunhal; c) acrescentou que decisão combatida também redundou em afronta aos comezinhos princípios constitucionais da reserva legal (art. 5o, inciso II), ampla defesa e devido processo legal (art. 5°, inciso LIV), por desrespeitar expressa regulamentação tributária e ainda por impedir o livre exercício da ampla defesa em processo administrativo. Ao final, pugnou pelo cancelamento do débito fiscal recorrido. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 101, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Os argumentos de violação dos princípios constitucionais da reserva legal, ampla defesa e devido processo legal serão analisados junto com o mérito. Para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, tornase indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. Por oportuno, confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). Fl. 107DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.002180/200611 Acórdão n.º 2101001.184 S2C1T1 Fl. 107 6 § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Verificase, portanto, que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais. Observese que a dedução exige a efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, e que o pagamento tenha se realizado pelo próprio contribuinte. Assim, havendo qualquer dúvida em um desses requisitos, é direito e dever da Fiscalização exigir provas adicionais da efetividade do serviço, do beneficiário deste e do pagamento efetuado. E é dever do contribuinte apresentar comprovação ou justificação idônea, sob pena de ter suas deduções não admitidas pela autoridade fiscal. O problema consiste em saber até que ponto são razoáveis as exigências da autoridade fiscal para comprovação das despesas médicas. Em muitos casos, a fiscalização termina por demandar a apresentação de pagamento diretamente correlacionado com débito, como cheque utilizado para liquidar a despesa, ou saque de valor exato na mesma data. Mas os contribuintes replicam que ninguém é obrigado a pagar suas despesas com cheques nem efetuar saques individuais para cada dispêndio. Penso que a dificuldade já surge quando da informação das despesas na declaração de ajuste. A cada ano, as indicações da Receita Federal são pela possibilidade de comprovação das despesas médicas mediante recibos. A título de exemplo, transcrevo orientações contidas no Perguntas e Respostas do IRPF, exercício 2005, pergunta 337: A dedução dessas despesas é condicionada a que os pagamentos sejam especificados, informados na Relação de Pagamentos e Doações Efetuados da Declaração de Ajuste Anual, e comprovados, quando requisitados, com documentos originais que indiquem o nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu. Admitese que, na falta de documentação, a comprovação possa ser feita com a indicação do cheque nominativo com que foi efetuado o pagamento. Fl. 108DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.002180/200611 Acórdão n.º 2101001.184 S2C1T1 Fl. 108 7 Assim, a própria Receita Federal orienta que a comprovação, se necessária, pode ser feita com a apresentação de recibo ou nota fiscal originais, podendo ser dar, caso o contribuinte não tenha esse documento, com a apresentação de cheque nominativo. Observese que a opção do cheque nominativo é dada a favor do contribuinte, nos casos em que o profissional se recuse a dar recibo. Verifiquei que essa orientação foi repetida em todos os Perguntas em Respostas dos exercícios seguintes. Apenas no documento do exercício de 2011 foi acrescentada a seguinte informação: Conforme previsto no art. 73 do RIR/1999, a juízo da autoridade fiscal, todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, e, portanto, poderão ser exigidos outros elementos necessários à comprovação da despesa médica. Não se pode ignorar, no entanto, que é bastante comum o expediente de se declarar despesas médicas inexistentes, ou majorar o valor das ocorridas, com o objetivo de diminuir o imposto devido. Contando com a ineficiência da Administração Pública, e com a nefasta idéia, corrente em nosso país, de que a sonegação é um crime aceitável devido à alta carga tributária, alguns contribuintes declaram deduções expressivas, e buscam justificálas com recibos que não refletem o realmente ocorrido. Situação inaceitável que precisa ser coibida pela Administração Pública. Diante desse quadro, os julgamentos administrativos neste CARF são bastante diversos. Existem aqueles que julgam que, uma vez comprovada a despesa mediante recibos, é dever do Fisco provar que a informação é falsa. Por outro lado, é forte a corrente que pensa que, caso a autoridade fiscal exija comprovação adicional do contribuinte, invertese o ônus da prova, sendo função do sujeito passivo produzir a comprovação exigida. Filiome ao segundo grupo, tanto pelas determinações do art. 73 do RIR/99, acima transcrito, que exige que as deduções sejam justificadas a juízo da autoridade lançadora, quanto pelo disposto no art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil, que atribui a quem declara o ônus de demonstrar fato constitutivo do seu direito. Mas penso que a fiscalização deve demonstrar criteriosamente porque não aceitou a comprovação mediante recibo que atenda às características da legislação. Somente com a análise das exigências fiscais, bem como das respostas do contribuinte, será possível se concluir pela procedência, ou não, das glosas efetuadas. No caso em tela, a contribuinte informou, em sua declaração de ajuste do exercício de 2003 (fls. 43 a 46), rendimentos tributáveis de R$87.270,24 e despesas médicas que totalizaram R$35.000,0 com os seguintes profissionais: Nome do Beneficiário CPF/CNPJ Cód. Valor Pago JAIME DA C. B. ASSUMPCAO 482.011.20159 03 15.000,00 ALESSANDRA R.P. DE O. DIAS 544.450.35149 03 7.500,00 GISELLE MACHADO DE OLIVEIRA 387.922.22153 03 10.000,00 DAYLANA MARQUES STEINBECK 513.468.69120 03 2.500,00 Fl. 109DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.002180/200611 Acórdão n.º 2101001.184 S2C1T1 Fl. 109 8 A Fiscalização exigiu a comprovação da efetiva realização dos serviços médicos e o efetivo desembolso (através de exames, prontuários e de cheques nominativos, cartão de crédito, extrato bancário, etc.) (fl. 48). Em resposta, a fiscalizada apresentou apenas recibos médicos (fls. 49 a 67). Como, para o profissional Jaime da Cruz Borges Assumpção, existia Ato Declaratório Executivo declarando inidôneos os recibos por ele emitidos por não ter comprovado à fiscalização o exercício da atividade de 2000 a 2002, e diante da não apresentação de outros elementos que demonstrassem a efetiva realização dos serviços médicos e o efetivo desembolso, a autoridade autuante glosou as deduções a título de despesas médicas. Em sua impugnação, a recorrente informou: a) que as despesas com a Dra. Alessandra R. P. de O. Dias se referiram a serviços de fonoaudiologia prestados ao seu dependente Guilherme Adolfo, conforme indicação (distúrbio da fala) e encaminhamento da médica pediatra, em 10/01/2002 (fl. 11); b) que as despesas com a Dra. Giselle Machado de Oliveira se referiram a serviços de psicologia prestados à impugnante e ao seu marido, em tratamento denominado terapia de casal, conforme indicação e encaminhamento da médica ginecologista em 12/12/2001 (fl. 12); c) que as despesas com o Dr. Jaime da C. B. Assumpção se referiram a serviços de fisioterapia, prestados à impugnante, conforme atestado médico, datado de 20/01/2002, que indica tratamento de RPG por tempo indeterminado, devido a patologia CID.: M 545/M4101M544 (fl. 13). Analisando os argumentos e as provas apresentadas, o julgador a quo considerou que as despesas médicas não haviam sido suficientemente comprovadas, ponderando, para o profissional Jaime da Cruz Borges Assumpção, que os recibos eram de valor muito elevado e que havia declaração de inidoneidade dos documentos por ele emitidos no ano da fiscalização, e, para os demais profissionais, que os recibos não continham o endereço de trabalho e descreviam o tratamento de forma genérica, além de importarem em desembolso elevado, o que justificaria a exigência de comprovação complementar do pagamento. A simples descrição acima do procedimento fiscal e do julgamento administrativo de 1a instância põe por terra os argumentos de cerceamento de direito de defesa, contrariedade à lei e agressão ao devido processo legal. O contribuinte teve diversas oportunidades de comprovação das despesas efetivadas, insistindo na suficiência dos recibos como provas dos fatos. A falta de inquirição pessoal dos prestadores do serviço não macula a atividade fiscal, que utilizou procedimentos de investigação válidos, oportunizou a defesa ao sujeito passivo e instruiu o processo administrativo de forma satisfatória para embasar o lançamento. Recordese que já se disse que cabe a quem alega o ônus de demonstrar fato constitutivo do seu direito, e que a autoridade lançadora pode exigir que as deduções pleiteadas Fl. 110DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.002180/200611 Acórdão n.º 2101001.184 S2C1T1 Fl. 110 9 sejam justificadas. Assim, não é permitido que o fiscalizado exija que a autoridade fiscal produza prova que a ele lhe cabe. Assim, creio que o conjunto probatório milita em favor do conclusão da Fiscalização, corroborada pelo julgamento de 1a instância, de que as despesas médicas deduzidas não estavam suficientemente comprovadas. Afinal, o sujeito passivo pleiteou despesas médicas superiores a 40% dos rendimentos tributáveis, um dos profissionais teve todos os seus recibos declarados como inidôneos no ano da fiscalização, e os demais recibos não atendiam aos requisitos do art. 8o da Lei nº 9.250, de 1995, pois não continham o endereço do profissional. Diante desse quadro, razoável se exigir do contribuinte novas provas dos serviços médicos e dos pagamentos, que não foram apresentadas a contento, o que justifica a glosa das deduções pleiteadas. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 111DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 44023.000047/2006-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002, 01/07/2002 a 31/07/2002, 01/02/2003 a 31/03/2003
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTOS. OBRIGAÇÃO.
Constitui infração punível na forma da lei deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme disposto no art. 225, I e §9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99.
É obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-000.946
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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FOLHA DE PAGAMENTOS. OBRIGAÇÃO. Constitui infração punível na forma da lei deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme disposto no art. 225, I e §9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. É obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior, Edgar Silva Vidal. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 44023.000047/200684 Acórdão n.º 230200.946 S2C3T2 Fl. 60 3 Relatório Trata o presente de auto de infração lavrado pelo descumprimento de obrigação acessória, qual seja a confecção de folha de pagamento de todas as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados que prestaram serviço à empresa, nos moldes e padrões estabelecidos pela Secretaria da Receita Previdenciária, nas competências 01/2002, 07/2002, 02/2003 e 03/2003. De acordo com o relatório fiscal de fl. 10, a empresa deixou de incluir nas folhas de pagamento as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais através de cartões de premiações, por intermédio da empresa prestadora de serviços Incentive House S/A. Em razão da caracterização de tais pagamentos como salário de contribuição foram lavradas as respectivas NFLD’s, cujos relatórios descrevem de forma pormenorizada as circunstâncias que ensejaram o lançamento. Após a apresentação de defesa, DecisãoNotificação de fls. 29/36, julgou a autuação procedente. Inconformado o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde se reporta aos termos da defesa apresentada, reafirmando que a verba paga referiase a ganhos eventuais e abonos desvinculados do salário e por isso não integrantes do salário de contribuição. Que somente à justiça do trabalho é dado julgar questões de emprego, que os ganhos eventuais não precisam constar de GFIP, nem em folha de pagamento. Requer a reforma da decisão para julgar insubsistente o lançamento. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 Voto Conselheiro Liege Lacroix Thomasi Cumpridos os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso e passo ao seu exame. À época da autuação, em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte ou o responsável (sujeito passivo) e o fisco (sujeito ativo), tem aquele duas obrigações para com este. Uma obrigação denominada principal, que é a de verter contribuições para a Seguridade Social; outra denominada acessória que tem por objeto a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O descumprimento da obrigação principal, acarreta a constituição do crédito da Seguridade Social, através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito e o descumprimento da obrigação acessória, que decorre da legislação tributária e tem por objeto prestações positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2º, do CTN), acarreta a lavratura do Auto de Infração. A obrigação se diz acessória, quando se tem por objeto o fazer ou não fazer algo no interesse da fiscalização ou da arrecadação. Portanto, o não recolhimento do tributo acarreta a aplicação dos juros legais e da multa moratória, enquanto o descumprimento de obrigação acessória, que vem definida em lei, acarreta a multa punitiva. No presente caso, a recorrente foi notificada pela falta de recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados a título de premiação de incentivo, através de notificações de débito também distribuída a esta relatora que confirmou a decisão recorrida, a qual entendeu ter a verba paga natureza salarial. A recorrente estava obrigada a confeccionar folha de pagamento com todas as remunerações pagas aos segurados a seu serviço. A obrigação de preparar folhas para todos os pagamentos a segurados, vem expressa na legislação vigente, artigo 32, I, da Lei n. 8.212/9, e independe da obrigação principal de recolhimento das contribuições previdenciárias: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; O Decreto n.º 3.48/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social traz no seu artigo 225, parágrafo 9º, os elementos que devem conter a folha de pagamento: Art.225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 44023.000047/200684 Acórdão n.º 230200.946 S2C3T2 Fl. 61 5 (...) § 9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; IIagrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. Pelo exposto, é obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias. A recorrente, em suas razões, não refutou que não confeccionou as folhas de pagamento nos padrões estabelecidos pela Seguridade Social, limitandose a dizer da nulidade da autuação, porque valores pagos a título premiação não são base de incidência contributiva previdenciária. A multa punitiva foi aplicada nos estritos termos da legislação em obediência ao disposto pelos artigos 283, inciso I, e 373, ambos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. O artigo 283, inciso I, especifica a multa a ser aplicada frente à conduta da autuada e o artigo 373, determina que os valores expressos em moeda corrente referidos no Regulamento serão reajustados nas mesmas épocas e nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Frente à disposição legal, a multa foi aplicada de acordo com os valores constantes da Portaria Ministerial nº. 342, de 16/08/2006, vigente à época da autuação e que reajustou o valor da multa prevista no artigo 283, do Regulamento da Previdência Social: Art. 7º A partir de 1º agosto de 2006 (...) V o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do Regulamento da Previdência Social RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada (caput do art. 283), varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.156,95 (um mil cento e cinqüenta e seis reais e noventa e cinco centavos) a R$ Fl. 5DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 6 115.694,42 (cento e quinze mil seiscentos e noventa e quatro reais e quarenta dois centavos); Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 6DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
score : 1.0
Numero do processo: 14751.002056/2009-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2005
DOCUMENTAÇÃO QUE NÃO APRESENTA DADOS SUFICIENTES PARA VERIFICAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO.
Ao exibir documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua regularidade fiscal, o sujeito passivo abre ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova em contrário.
EXISTÊNCIA DE RETENÇÃO SOBRE AS NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. CONCLUSÃO PELA EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
O fato da empresa prestadora de serviço mediante cessão de mão de obra ou empreitada demonstrar ter sofrido a retenção da contribuição previdenciária, prevista no art. 31 da Lei n. 8.212/1991, não autoriza a se concluir pela extinção integral da obrigação tributária decorrente da prestação de serviços,
mas apenas até o montante da retenção destacado na nota fiscal.
ALEGAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS DEVERES PARA COM A FAZENDA PÚBLICA E A COLETIVIDADE EM PERÍODOS ANTERIORES À OCORRÊNCIA DO ILÍCITO TRIBUTÁRIO. INTERFERÊNCIA NO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA.
Quando o Fisco demonstra a existência de tributos não recolhidos, o fato de, em períodos pretéritos à ocorrência dos fatos geradores, a empresa haver adimplido com todos os seus encargos fiscais e ter cumprido com o seu papel social, não interfere na apuração de crédito tributário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-001.857
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2005 DOCUMENTAÇÃO QUE NÃO APRESENTA DADOS SUFICIENTES PARA VERIFICAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO. Ao exibir documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua regularidade fiscal, o sujeito passivo abre ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova em contrário. EXISTÊNCIA DE RETENÇÃO SOBRE AS NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. CONCLUSÃO PELA EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O fato da empresa prestadora de serviço mediante cessão de mão de obra ou empreitada demonstrar ter sofrido a retenção da contribuição previdenciária, prevista no art. 31 da Lei n. 8.212/1991, não autoriza a se concluir pela extinção integral da obrigação tributária decorrente da prestação de serviços, mas apenas até o montante da retenção destacado na nota fiscal. ALEGAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS DEVERES PARA COM A FAZENDA PÚBLICA E A COLETIVIDADE EM PERÍODOS ANTERIORES À OCORRÊNCIA DO ILÍCITO TRIBUTÁRIO. INTERFERÊNCIA NO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA. Quando o Fisco demonstra a existência de tributos não recolhidos, o fato de, em períodos pretéritos à ocorrência dos fatos geradores, a empresa haver adimplido com todos os seus encargos fiscais e ter cumprido com o seu papel social, não interfere na apuração de crédito tributário. Recurso Voluntário Negado
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POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO. Ao exibir documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua regularidade fiscal, o sujeito passivo abre ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova em contrário. EXISTÊNCIA DE RETENÇÃO SOBRE AS NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. CONCLUSÃO PELA EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O fato da empresa prestadora de serviço mediante cessão de mãodeobra ou empreitada demonstrar ter sofrido a retenção da contribuição previdenciária, prevista no art. 31 da Lei n. 8.212/1991, não autoriza a se concluir pela extinção integral da obrigação tributária decorrente da prestação de serviços, mas apenas até o montante da retenção destacado na nota fiscal. ALEGAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS DEVERES PARA COM A FAZENDA PÚBLICA E A COLETIVIDADE EM PERÍODOS ANTERIORES À OCORRÊNCIA DO ILÍCITO TRIBUTÁRIO. INTERFERÊNCIA NO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA. Quando o Fisco demonstra a existência de tributos não recolhidos, o fato de, em períodos pretéritos à ocorrência dos fatos geradores, a empresa haver adimplido com todos os seus encargos fiscais e ter cumprido com o seu papel social, não interfere na apuração de crédito tributário. Recurso Voluntário Negado Fl. 1DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 14751.002056/200967 Acórdão n.º 240101.857 S2C4T1 Fl. 2.241 3 Relatório Tratase de recurso voluntário, fls. 2.226/2.235, interposto pela empresa acima identificada contra acórdão da Delegacia de Julgamento em Recife, fls. 2.217/2.223, que decidiu pela procedência do lançamento consignado no Auto de Infração n. 37.231.0508. Da autuação O processo em questão, no valor de R$ 148.880,80 (cento e quarenta e oito mil, oitocentos e oitenta reais e oitenta centavos), com data de consolidação em 27/08/2009, foi cientificado ao contribuinte no mesmo dia. No mesmo foram lançadas as contribuições sociais cota patronal destinada à Seguridade Social, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Eis as observações mais relevantes do Relatório Fiscal, fls. 44/47, acerca das circunstâncias que deram ensejo à apuração das contribuições: a) a empresa, por apresentar de forma deficiente a contabilidade e folhas de pagamento, teve contra si lavrados autos de infração por descumprimento de obrigações acessórias, além de abrir ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido; b) na elaboração da escrituração contábil não observou o Princípio da Oportunidade; c) os fatos geradores considerados no lançamento foi a prestação de serviço por segurados empregados nas competências constantes do Relatório de Lançamentos, os quais não foram regularmente declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP; d) a base de cálculo foi obtida por aferição indireta e correspondem a, no mínimo, 40% (quarenta por cento) do valor dos serviços constantes nas notas fiscais discriminadas; e) encontrase anexado demonstrativo da diferença entre a remuneração obtida por aferição indireta e aquela declarada na GFIP; f) foram consideradas para dedução as guias de recolhimento e as retenções destacadas em notas fiscais, exceto aquelas que tenham sido objeto de pedido de restituição ou compensação; Foram juntados ao Relatório do Fisco os seguintes demonstrativos: a) RELAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS DE SERVIÇOS E RESPECTIVOS DESTAQUES DAS RETENÇÕES DE 11%; b) RELAÇÃO DOS VALORES DO MATERIAL APLICADO E DA LOCAÇÃO DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 c) DIFERENÇA ENTRE A REMUNERAÇÃO CONSTANTE EM NOTA FISCAL DE SERVIÇOS E A DECLARADA EM GFIP; d) RELAÇÃO DE TODOS OS LANÇAMENTOS EFETUADOS NO PROCEDIMENTO FISCAL; e) RELAÇÃO DAS GPS'S CONSIDERADAS; f) RELAÇÃO E IDENTIFICAÇÃO DAS GFIP'S CONSIDERADAS. Da impugnação A empresa apresentou impugnação, fls. 1404/1413, na qual alega, em síntese, que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias, que os valores retidos pelos seus tomadores de serviço, no percentual de 11% do valor das notas fiscais, quitariam as contribuições lançadas e, ainda, que apresentou as GFIP e folhas de pagamento dos trabalhadores envolvidos na prestação dos serviços, o que comprova que o lançamento é improcedente. Da decisão recorrida A DRJ em Recife decidiu por manter o crédito tributário na integralidade, exarando o acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2005 CONTABILIDADE QUE NÃO REGISTRA O MOVIMENTO REAL DA REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS. HIPÓTESE AUTORIZADORA DE AFERIÇÃO INDIRETA. Contabilidade que não registra o movimento real da remuneração paga aos segurados constitui fato subsumido à hipótese prevista no art. 33, § 6°, da Lei 8.212/91, autorizadora da aferição indireta do valor da mãodeobra empregada. RETENÇÃO DE 11%. CESSÃO DE MÃODEOBRA. NÃO EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. Embora haja a obrigação da retenção das contribuições, nos termos do art. 31, da Lei 8.212/1991, tal fato, por si só, não extingue a obrigação previdenciária principal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do recurso No seu recurso a empresa, após breve sinopse dos fatos constantes no processo, alega, em apertada síntese, que: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 14751.002056/200967 Acórdão n.º 240101.857 S2C4T1 Fl. 2.242 5 a) a vasta documentação apresentada é suficiente para desconstituir o lançamento sob cuidado; b) a recorrente é cumpridora de seus deveres legais, uma vez que atua no ramo da construção civil desde o ano de 1973, sem que nunca tenha sido autuada por irregularidades fiscais; c) exerce um importante papel no desenvolvimento econômico e social do Estado da Paraíba; d) nos anos de 2004 e 2005 foi contratada pelas empresas Siemens e WFI para execução de serviços na modalidade contratual de empreitada global; e) em algumas ocasiões as notas fiscais eram emitidas somente após o término da obra, posto que o pagamento dos serviços dependia da vistoria das contratantes; f) sofria a tributação prevista no art. 31 da Lei n. 8.212/1991, portanto, a quitação das suas obrigações previdenciárias era efetuada mediante a retenção pela contratante de 11% sobre o valor das notas fiscais emitidas; g) os trabalhadores que laboraram na execução dos serviços estão corretamente informados nas folhas de pagamento e Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP; h) a jurisprudência, conforme decisões colacionadas, tem entendido que o fato da empresa tomadora dos serviços não efetuar o repasse da contribuição devidamente destacada na nota fiscal não pode prejudicar a prestadora; i) a contribuição previdenciária decorrente da remuneração paga aos seus empregados foi quitada em todas as competências do lançamento em razão das retenções efetuadas pelas contratantes. Ao final, pede a declaração de improcedência da autuação. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Do histórico da empresa Na sua peça recursal a empresa alega que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias e que cumpre relevante papel social no desenvolvimento do Estado da Paraíba. Não posso desprezar tais argumentos, uma vez que é de fundamental importância, não só para a Paraíba, mas para todo o País, que as empresas contribuam, quer pelo correto adimplemento de suas obrigações fiscais, quer pela assunção da responsabilidade pelo bem estar das pessoas que residem na sua área de atuação. Todavia, por mais relevantes que sejam essas alegações, as mesmas não se prestam para afastar o lançamento de que se cuida. O Fisco, ao constatar a existência de obrigação tributária não adimplida, vê se obrigado a constituir o crédito correspondente mediante a atividade do lançamento, a qual é plenamente vinculada e independe do fato da empresa demonstrar que até então vinha cumprindo integralmente com suas obrigações para com a Fazenda Pública. Inexiste no ordenamento pátrio comando legal que impeça o Fisco de efetuar o lançamento tributário em razão da ausência de antecedentes do sujeito passivo quanto ao cometimento de ilícitos fiscais ou quanto ao abandono de sua responsabilidade social. Nesse sentido, o que temos que analisar é se o procedimento administrativo de lançar o tributo está em consonância com a legislação que rege a matéria, não sendo necessário nos aprofundarmos sobre o histórico da empresa no que diz respeito ao cumprimento dos seus deveres fiscais e sociais. Da quitação das contribuições Sustenta a empresa que a retenção sobre as faturas dos serviços que prestou mediante empreitada quitaria as contribuições lançadas. Para análise dessa assertiva, necessário se faz um breve comentário acerca da sistemática da retenção previdenciária sobre os serviços executados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada. Com a alteração do art. 31 da Lei n. 8.212/19911, na redação dada pela Lei n. 9.711/1998, para os serviços prestados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, substituise a desgastada responsabilidade solidária pelo recolhimento das contribuições previdenciárias do tomador de serviços, pela técnica tributária da retenção do percentual de 11% sobre o valor das faturas/notas fiscais de serviço. Assim, a empresa contratante no ato da quitação da fatura/nota fiscal passou a assumir a responsabilidade por efetuar a retenção e recolher o valor correspondente em nome 1 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 14751.002056/200967 Acórdão n.º 240101.857 S2C4T1 Fl. 2.243 7 do prestador dos serviços. Uma vez descumprido esse dever, a tomadora tornase devedora da retenção não efetuada nos termos do § 3. do art. 32 da Lei n. 8.212/19912. Ressaltese, todavia, que o fato de sofrer a retenção não retira a contratada do polo passivo da relação jurídicotributária. Essa, quando da quitação das contribuições da competência da emissão da fatura/nota fiscal, compensase do valor retido e recolhe a diferença ou, caso a retenção seja superior ao tributo devido, requer a restituição do valor em excesso ou efetua a compensação em competências subsequentes. Diante do exposto não é apenas o fato da empresa prestadora sofrer a retenção que lhe garante a quitação integral das contribuições devidas, podendo haver saldo remanescente a recolher à Seguridade Social, mesmo após a dedução dos valores retidos. É essa a situação que exsurge dos autos. O Fisco em razão da deficiência na documentação apresentada pelo contribuinte aferiu o saláriodecontribuição com base no valor das notas fiscais apresentadas, conforme lhe faculta o art. 148 do Código Tributário Nacional – CTN3 e também os §§ 3. , 4. . e 6. do art. 33 da Lei n. 8.212/19914, estes na redação vigente na data da ocorrência dos fatos geradores. Devo abrir um parêntese, nesse momento, para tratar da deficiência da documentação apresentada pela recorrente, a qual abriu ao fisco a prerrogativa de arbitrar o tributo. Conforme ficou assentado no Relatório Fiscal, as falhas verificadas na documentação da empresa foram objeto de autuações por descumprimento de obrigações acessórias, as quais estão sendo objeto de apreciação nessa sessão de julgamento. Falo dos seguintes processos: 2 Art. 33 (...) § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. 3 Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. 4 Art. 33(...) § 3° Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4° Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãode obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa co responsável o ônus da prova em contrário. (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (...) Fl. 7DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 8 a) AI 37.231.0443: deixar de apresentar, em meio digital, as informações relacionadas às contribuições previdenciárias utilizadas por processamento eletrônico de dados na produção da escrituração contábil, livros Diário e Razão, dos exercícios de 2004 e 2005; b) AI 37.231.0451: não fazer constar nas folhas de pagamento apresentadas as informações constantes nos recibos de férias dos segurados empregados e nas notas fiscais emitidas por pessoas físicas referentes a serviços prestados, bem como, não discriminar nas mesmas os cargos/funções exercidos pelos segurados empregados, não apresentando, também, o resumo das folhas de pagamento dos empregados alocados nas obras de construção civil; c) AI 37.231.0460: escriturar verbas incidentes e não incidentes de contribuição previdenciária em contas contábeis únicas, além de registrar numa mesma conta pagamentos a pessoas físicas e pagamentos a pessoas jurídicas; d) AI 37.231.0478: deixar de apresentar os seguintes documentos relativos às obras de edificação: projetos de arquitetura, demonstrativo das áreas reais construídas, alvarás de licença para construção e habitese e anotações de responsabilidade técnica; e) AI 37.231.0494: deixar de apresentar ou apresentou de forma deficiente documentos relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Diante desses fatos, a Auditoria entendeu cabível o arbitramento das contribuições. Sobre essa questão não posso deixar de concordar com a decisão recorrida que também entendeu procedente a apuração da remuneração mediante o procedimento de aferição indireta. Pois bem, uma vez admitido o procedimento de aferição das contribuições, devo me debruçar sobre a possibilidade das retenções serem suficientes a quitar as contribuições lançadas. A auditoria deixou claro, apresentando inclusive demonstrativo, que apropriou todas as guias de recolhimento, bem como as retenções destacadas nas notas fiscais, exceto aquelas que deram ensejo a pedidos de restituição ou compensação. Também está suficientemente esclarecido nos autos que as remunerações declaradas em GFIP não foram objeto do presente lançamento, posto que o valor lançado é a diferença entre o valor aferido indiretamente e o valor declarado. Assim, não há de se considerar que o argumento de que a apresentação das GFIP acompanhadas das guias de recolhimento comprovariam a quitação das contribuições lançadas. Também não devo concordar com a alegação de que o fato das notas fiscais terem sido emitidas após o encerramento dos serviços, em razão da necessidade de fiscalização pelas contratantes, teria influência no presente lançamento. O que levou o Fisco a arbitrar as contribuições e concluir pela existência do débito tributário não se relaciona à data de quitação das faturas, mas à confecção de folhas de pagamento e da escrita contábil em desacordo com as normas vigentes. Ao meu ver a contribuinte não conseguiu apresentar os argumentos e provas que pudessem vir em seu socorro, uma vez que deixou justificar as falhas documentais apontadas pela Auditoria. Vejase que em momento algum a empresa indica especificamente qualquer mácula no procedimento adotado pela Auditoria no que diz respeito aos valores tomados como base para a apuração, nas guias e retenções consideradas ou mesmo nas notas fiscais envolvidas no levantamento do crédito. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 14751.002056/200967 Acórdão n.º 240101.857 S2C4T1 Fl. 2.244 9 Posso afirmar, então, que, não tendo a recorrente conseguido demonstrar a extinção da obrigação tributária principal pelo pagamento, não devo acolher o seu pedido de improcedência do Auto de Infração sob enfoque. Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso, negandolhe provimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 9DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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Numero do processo: 13896.002537/2007-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2000 a 28/02/2005
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL.
A ausência de fundamento legal para aplicar alíquota única no levantamento relativo à cota dos segurados. é vicio formal insanável que torna nulo tal lançamento.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2302-001.175
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2000 a 28/02/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. A ausência de fundamento legal para aplicar alíquota única no levantamento relativo à cota dos segurados. é vicio formal insanável que torna nulo tal lançamento. Recurso de Ofício Negado
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2000 a 28/02/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. A ausência de fundamento legal para aplicar alíquota única no levantamento relativo à cota dos segurados. é vicio formal insanável que torna nulo tal lançamento. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (presidente), Manoel Coelho Arruda Júnior, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Thomasi, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu. Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13896.002537/200701 Acórdão n.º 230201.175 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório A presente notificação foi lavrada em 27/12/2006, com ciência pelo sujeito passivo em 29/12/2006, referindose às contribuições previdenciárias patronais, a parte relativa aos segurados empregados e às destinadas aos Terceiros, incidentes sobre valores pagos aos segurados, constantes de folha gerencial, a título de “Ajuda de Custo”, “Ajuda Transporte”, Brindes e Comemorações”, “Brindes e Presentes” e “Premiação a Funcionários”, no período de 01/1996 a 02/2005. O relatório fiscal da notificação às fls. 147 a 152, explicita no seu item 03.1, à fl. 148, os valores foram pagos com habitualidade, sem qualquer demonstração de contraprestação de despesas e por isso integram o salário de contribuição. Após a apresentação da defesa, os autos baixaram em diligência para informação quanto a aplicação da alíquota única de 8%, relativa a parte dos segurados. Às fls. 532/533, o fisco diz que por ora da ação fiscal não foram apresentados elementos capazes de individualizar os valores recebidos por cada segurado, o que motivou o levantamento através da alíquota única. E, que quando da diligência, solicitou através de TIADTermo de Intimação para Apresentação de Documentos, que fossem apresentadas as relações discriminadas dos beneficiários das verbas, ao que a empresa não atendeu, sendo lavrado auto de infração e mantido o levantamento. O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência e se manifestou no prazo concedido, dizendo que não tem condições de apresentar os dados individualizados porque teria que reprocessar as folhas dos últimos dez anos de inúmeras filiais e o tempo concedido foi exíguo. O auditor fiscal se manifesta pela manutenção do lançamento, já que a própria empresa admite que não tem condições de individualizar os valores pagos a cada segurado. Acórdão da DRJ às fls. 587/596, considera o lançamento procedente em parte para excluir o período decadente de 01/1996 a 11/2000 e retifica o crédito lançado de acordo com o Discriminativo Analítico de Débito Retificado, fls. 566/586, para retirar os valores relativos à alíquota de 8%, do segurado, frente à inexistência de fundamentação legal que sustente a aferição indireta. Em razão do valor exonerado recorre de ofício a este Colegiado. O contribuinte foi cientificado da decisão e ofereceu recurso voluntário, onde alega em síntese: a) a decadência pelo artigo 150,§4º, do Código Tributário Nacional, já que não houve fraude, dolo, ou máfé; b) que a NFLD é improcedente porque as verbas tem cunho indenizatório; Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 c) que os funcionários receberam um plus quando foram transferidos de local de trabalho; d) que a contribuição ao INCRA foi extinta em 1989; e) que a NFLD possui vício substancial porque a falta de indicação dos elementos utilizados pela fiscalização para o cálculo dos valores tidos como tributáveis, implica na impossibilidade de defesa; f) que existe vício material no lançamento; g) que a utilização da SELIC como taxa de juros é ilegal e requer que a NFLD seja julgada insubsistente. Posteriormente, a recorrente protocolou às fls. 1027 a 1048, termo de desistência parcial do recurso para aderir ao parcelamento especial da Lei n.º 11.941/2009, relativo aos levantamentos : AC2, período de 12/2000 a 02/2005 e PR2, período de 12/2000 a 02/2005. O CARF devolveu o processo a instância de origem para acatar a desistência do recurso voluntário, mas os autos retornaram para o julgamento do recurso de ofício. É o relatório. Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13896.002537/200701 Acórdão n.º 230201.175 S2C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Do exame dos autos, é de se observar a ausência de indicação do dispositivo legal para sustentar a aferição indireta no que diz respeito à alíquota mínima de 8% relativa a parte do segurado empregado, mais precisamente o artigo 33,§3º, da Lei n.º 8.212/91. Não constando a fundamentação legal que ampara o lançamento, se vislumbra o cerceamento de defesa, pois o contribuinte não foi devidamente informado do procedimento utilizado pela fiscalização, não podendo se manifestar a respeito. A falta de referência ao fundamento legal que sustenta o lançamento fiscal gera cerceamento de defesa e a ampla defesa é assegurada constitucionalmente aos contribuintes e deve ser observada no processo administrativo fiscal. A falta de indicação da legislação que ampara o lançamento sonega ao contribuinte o direito de se defender quanto a isso. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifestase mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações. Feitas estas considerações, entendo que o Acórdão proferido às fls. 587/596, se manifestou corretamente pela anulação do levantamento não sustentado pela indicação do dispositivo legal em que se baseou. Quanto à decadência, o entendo correto o acatamento à Súmula Vinculante n.º 08: Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Todavia, divirjo da motivação para a aplicação do artigo 173, I do CTN, porque a menção do auditor fiscal de que “em tese” existiu sonegação e o encaminhamento ao órgão competente da representação fiscal, ainda não permite a conclusão do feito. De toda forma, há que se atentar que as contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação e devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN, e havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. No caso de ter ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No processo em questão, ainda não restou configurado o dolo, fraude ou simulação, mas também não há recolhimentos parciais relativos ao crédito lançado nesta notificação, assim, aplicase o artigo 173, I do CTN, estando correta a exclusão das competências até 11/2000: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13896.002537/200701 Acórdão n.º 230201.175 S2C3T2 Fl. 4 7 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Quanto à desistência do recurso voluntário oferecida pelo contribuinte às fls. 1027/1048, é de se notar que embora conste como desistência parcial, abrange todos os levantamentos existentes na notificação após a emissão do Acórdão recorrido, que retificou o lançamento. Deste modo, temse que a desistência foi total, não restando matéria a ser discutida. Por todo o exposto, e tendo o contribuinte desistido do recurso voluntário, nego provimento ao recurso de ofício. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 13861.000100/2003-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
Ementa:
IRPF. LIVRO CAIXA. PEDIDO DE ESCLARECIMENTOS PARA APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DAS DESPESAS. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO ANTES DO DECURSO DO PRAZO CONCEDIDO AO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CARACTERIZADO.
Não tendo sido observado pela autoridade fiscal o prazo concedido ao contribuinte para apresentação de documentos comprobatórios de despesas de livro caixa, deve ser anulado o auto de infração lavrado em virtude da falta de comprovação das referidas despesas.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-001.041
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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LIVRO CAIXA. PEDIDO DE ESCLARECIMENTOS PARA APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DAS DESPESAS. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO ANTES DO DECURSO DO PRAZO CONCEDIDO AO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CARACTERIZADO. Não tendo sido observado pela autoridade fiscal o prazo concedido ao contribuinte para apresentação de documentos comprobatórios de despesas de livro caixa, deve ser anulado o auto de infração lavrado em virtude da falta de comprovação das referidas despesas. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto Fl. 317DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13861.000100/200307 Acórdão n.º 210101.041 S2C1T1 Fl. 315 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Evande Carvalho Araújo (convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima (convocado), Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 49/54) interposto em 04 de março de 2010 contra o acórdão de fls. 40/44, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP), do qual o Recorrente teve ciência em 18 de fevereiro de 2010 (fl. 48), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 27/31, lavrado em 18 de março de 2003, em decorrência de dedução indevida a título de livro caixa e de doação, verificada no anocalendário de 1998. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. O cerceamento do direito de defesa não prevalece quando todos os valores utilizados na autuação se originam de documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo. PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO CONTRADITÓRIO. A fase de investigação e formalização da exigência, que antecede à fase litigiosa do procedimento, é de natureza inquisitorial, não prosperando a argüição de nulidade do auto de infração por não observância do princípio do contraditório. Fl. 318DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13861.000100/200307 Acórdão n.º 210101.041 S2C1T1 Fl. 316 3 LIVRO CAIXA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS. A legislação exige que as despesas de livro caixa estejam acompanhadas de documentação que comprove sua efetividade. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido” (fl. 40). Não se conformando, o contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 49/54), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para anular o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Sustenta o Recorrente que houve cerceamento do seu direito de defesa, pois o pedido de esclarecimentos de fl. 05, por meio do qual foi intimado a, no prazo de 20 (vinte) dias, “Apresentar todos os comprovantes dos valores lançados a título de dedução, inclusive o livro caixa, corroborado com os documentos pertinentes”, não foi encaminhado ao endereço do contribuinte. Nos termos da impugnação de fls. 01/03: “4. Foilhe informado que a intimação foi entregue no antigo endereço em 24 ou 25 de fevereiro e fazendo a contagem do prazo como intimado em 2402 verificou que seu termo ocorreria em 1603, domingo, logo segundafeira, 1703. Conforme descrito no item anterior, concluiu que deveria levar os documentos, bem como prestar os esclarecimentos na quintafeira, 2003 no período de 9:00 as 11:00 hs, o que efetivamente fez, conforme atestado pela zelosa autuante na própria intimação. (N . 05) 5. Incabível qualquer outro raciocínio. Em sã consciência pessoa alguma concluiria de forma diferente, quiçá o defendente, contabilista e por isso mesmo conhecedor do processo de atendimento a contribuintes nas repartições públicas. 6. A surpresa, entretanto, foi a noticia dada pela autuante que já havia lavrado o Auto de Infração e que o mesmo encontravase em processo de postagem e que aguardasse, pois já iria para o seu endereço atual. 7. Maior ainda foi a surpresa de verificar que o Auto de Infração foi lavrado em 18032003, 2 (dois) dias antes de esgotar o prazo para cumprimento da intimação.” Na realidade, o contribuinte teve ciência do referido pedido de esclarecimentos apenas e tãosomente no dia 20 de março de 2003 (fl. 05), data em que se iniciaria o prazo para resposta ao pedido de esclarecimentos, termos esse que só não foi Fl. 319DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13861.000100/200307 Acórdão n.º 210101.041 S2C1T1 Fl. 317 4 cumprido, de acordo com o Recorrente, porque recebera a informação de que o auto de infração já tinha sido lavrado. Foi o que de fato ocorreu, já que o auto de infração de fls. 27/31 foi lavrado em 18 de março de 2003, do qual o ora Recorrente teve ciência apenas em 20 de julho de 2003 (fl. 34). Aliás, o própria Recorrida reconhece que “teria sido mais condizente com o principio da eficiência e da moralidade que a fiscalização tivesse aguardado o prazo final concedido na intimação para, após isso, lavrar o auto de infração”. Não obstante, decidiu que não haveria nulidade, pois todos os requisitos do artigo 10 do Decreto 70.235/72 teriam sido cumpridos. Entendo, todavia, que razão assiste ao Recorrente, pois não há dúvida que houve cerceamento de defesa. De fato, se a autoridade fiscal aguardasse os documentos solicitados, ou o auto de infração não teria sido lavrado ou teriam sido apreciados pela Recorrida os documentos juntados pelo Recorrente por ocasião da interposição do recurso de fls. 49 e seguintes. E, como se sabe, o cerceamento de defesa é sim causa de nulidade, nos termos do artigo 59, II, do Decreto 70.235/72, in verbis: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ...” Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso, para anular o auto de infração. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 320DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13861.000100/200307 Acórdão n.º 210101.041 S2C1T1 Fl. 318 5 Fl. 321DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 10183.005919/2007-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
DEDUÇÕES. REQUISITOS LEGAIS. COMPROVAÇÃO PARCIAL.
Restabelece-se as despesas médicas comprovadas por documentos que atendem às exigências legais.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2101-001.222
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para restabelecer a despesa médica no montante de R$6.940,21
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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REQUISITOS LEGAIS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Restabelecese as despesas médicas comprovadas por documentos que atendem às exigências legais. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para restabelecer a despesa médica no montante de R$6.940,21. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente substituto e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, José Evande Carvalho Araujo, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Souza e Alexandre Naoki Nishioka. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório Fl. 90DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0419.059, proferido pela 4ª Turma da DRJ Campo Grande (fl. 41), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, referente a Imposto de Renda Pessoa Física — Suplementar, exercício 2004, em razão de trabalho de malha, onde foram verificadas as seguintes infrações: 1. Dedução indevida de dependente (glosa integral); 2. Dedução indevida de despesas médicas (glosa integral); 3. Dedução indevida de despesas com instrução (glosa integral). Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente a parte impugnada do lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2004 MATÉRIA NÃOIMPUGNADA. Glosa de Despesas com instrução e parte da glosa com dependentes não impugnado. Considerase como nãoimpugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. DESNECESSIDADE DE INTIMAÇÃO A Intimação só é necessária a juízo da autoridade. Não há limitação à ampla defesa e ao contraditório pois este se instaura com a impugnação. DEPENDENTES. NÃO DEDUTIBILIDADE. Não pode ser deduzido filho maior de 24 anos. Não há previsão legal para dedução da nora. Não pode ser aceita a dedução de neto quando o interessado não traz prova de que detém a guarda judicial. Glosa mantida. DESPESAS MÉDICAS Para fazer jus à dedução da despesa médica na DIRPF, devese comprovar o efetivo pagamento, o tratamento efetuado e quem é o paciente. Tendo apresentado apenas uma declaração do plano de saúde sem a especificação dos beneficiários não é possível a dedução. Despesas de elevado valor devese comprovar o efetivo desembolso. Impugnação Improcedente Em seu apelo ao CARF, às fls. 55/56, o recorrente requer o restabelecimento das deduções com dependentes e despesas médicas. Junta aos autos documentos complementares. É o Relatório. Voto Fl. 91DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.005919/200727 Acórdão n.º 210101.222 S2C1T1 Fl. 81 3 Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Em relação aos dependentes, que o contribuinte requer sejam considerados na respectiva dedução, verificase que os fundamentos indicados no voto condutor da decisão recorrida (fls. 45), estão em consonância com entendimentos reiterados deste Colegiado acerca da matéria. Com efeito, Amilcar de Barros e Silva (filho), nascido em 15 de julho de 1975, não pode, para fins fiscais, ser dependente do contribuinte, pois em 01/01/2003 tinha mais de 24 anos, além de auferir rendimento e ter apresentado declaração em separado (fl. 39/40). Sigrid Maria de Almeida e Silva somente poderia constar na declaração de rendimentos do sogro (autuado), se Amílcar, marido de Sigrid, se enquadrasse como dependente do autuado. Milena Maria de Almeida Barros Silva também não pode ser considerada dependente, pois não há prova nos autos de que o autuado detém a guarda judicial da neta. Marco Aurélio de Barros Silva é filho do autuado, mas não foi relacionado como dependente (fl. 33). Rosa de Lima Barros e Silva é esposa do autuado, mas não declara em conjunto nem foi relacionada como dependente (fls. 31 e 33). João Vicente Pedroso de Barros Neto, que o contribuinte aduz ser “cunhado” somente poderia figurar como seu dependente mediante determinação judicial, se incapacitado para o trabalho. Devese ressaltar que o fato do contribuinte ajudar a essas pessoas não implica em poder deduzilas como dependentes na declaração do imposto de renda. Em relação às despesas médicas, pelo exame das peças processuais, conclui se que somente as incorridas com o próprio contribuinte são aptas a serem deduzidas do imposto de renda. As demais despesas, incorridas com pessoas não consideradas dependentes pela legislação do imposto de renda, não são dedutíveis. Cumpre ressaltar que mesmo as despesas médicohospitalares próprias de um dos cônjuges ou companheiro não podem ser deduzidas pelo outro quando este apresenta declaração em separado. Confirase o disposto no artigo 8ª na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito da dedução de despesas médicas: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). Fl. 92DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes;(grifos acrescidos) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; A decisão de primeiro grau ao analisar os documentos apresentados para comprovar as despesas médicas pleiteadas pelo contribuinte fez as seguintes colocações: Quanto às despesas declaradas como pagas à Unimed, o interessado trouxe aos autos apenas o Comprovante de Rendimentos e Retenção de IRRF onde consta o valor pago à Unimed no valor de R$ 13.594,50. Porém, os documentos trazidos aos autos não trazem a especificação dos beneficiários do plano de saúde, e esta informação é essencial para a aceitação da despesa pois somente são dedutíveis as despesas realizadas com o próprio interessado ou com seus dependentes. Assim, é necessária uma declaração do plano de saúde especificando os valores pagos para cada beneficiário do plano. Quanto aos recibos trazidos aos autos da profissional JANETE IZABEL W. FONSECA, são de elevado valor, não numerados, com descrição genérica dos serviços prestados: Tratamento odontológico, e sem o nome do paciente. Para sua aceitação é necessário que o interessado traga uma declaração do profissional com especificando quem é o paciente e quais os tratamentos realizados com os respectivos valores que totalizam R$ 5.000,00. Além disso, é fundamental a prova do efetivo desembolso através da cópia de cheques ou extratos bancários. Quanto à despesa com HOSPITAL DE OLHOS (folha 18), o interessado trouxe ainda aos autos a Nota Fiscal 000538, consta a descrição do tratamento efetuado, qual seja, cirurgia de transplante de córnea. Porém, o interessado não consta na nota fiscal o nome do paciente, elemento fundamental para aceitação da despesa. Assim, é necessário declaração do Hospital com o nome do paciente. Também, o contribuinte deve comprovar o efetivo desembolso. Analisandose os documentos apresentados em sede de impugnação e os que foram juntados aos autos em sede recursal, tendo em vista os argumentos aduzidos no voto condutor da decisão recorrida, verificase que a despesa médica com o plano de saúde da UNIMED Cuiabá, relativo ao próprio contribuinte, no valor de R$1.940,21, conforme especificado no Informe para Declaração de IR do anobase de 2003, à fl. 58, é dedutível dos rendimentos tributáveis do imposto de renda. No que tange à despesa paga ao Hospital de Olhos de Cuiabá Ltda, no valor de R$5.000,00, entendo que a nota fiscal de nº 000538 (fl. 18) é documento hábil e idôneo a comprovar a despesa médica, por se tratar de um documento que indica o cliente do serviço e Fl. 93DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.005919/200727 Acórdão n.º 210101.222 S2C1T1 Fl. 82 5 não uma declaração de recebimento de valor, como ocorre com um simples recibo, e tem autorização de impressão, registro e controle pela Prefeitura Municipal de Cuiabá. Ressaltese também que a escrituração de uma pessoa jurídica contém informações que permitem à fiscalização confirmar a despesa. A declaração firmada à fl. 73verso ratifica a despesa médica incorrida pelo contribuinte. Em relação à despesa odontológica, realizada com a profissional JANETE IZABEL W. FONSECA, no montante de R$5.000,00, os recibos apresentados não especificam o tratamento realizado, nem indica o paciente. O contribuinte também não apresentou qualquer outro elemento de prova com o propósito de esclarecer os aspectos questionados dessa despesa (laudos, exames, ficha dentária etc). Para a situação em exame, o artigo 368 do Código de Processo Civil dispõe que: Art. 368. As declarações constantes do documento particular, escrito e assinado, ou somente assinado, presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência, relativa a determinado fato, o documento particular prova a declaração, mas não o fato declarado, competindo ao interessado em sua veracidade o ônus de provar o fato. Em face ao exposto, dou parcial provimento ao recurso, para restabelecer a despesa médica no montante de R$6.940,21. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Fl. 94DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10630.720232/2006-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
NORMAS PROCESSUAIS PRAZOS REVELIA
Desconhece-se do recurso voluntário interposto intempestivamente.
Numero da decisão: 3301-000.844
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, não conhecer do
recurso por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 NORMAS PROCESSUAIS PRAZOS REVELIA Desconhece-se do recurso voluntário interposto intempestivamente.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 NORMAS PROCESSUAIS PRAZOS REVELIA Desconhecese do recurso voluntário interposto intempestivamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, não conhecer do recurso por intempestivo, nos termos do voto do Relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Rodrigo Pereira de Mello, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Juiz de Fora, MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra o despacho decisório que deferiu parcialmente pedido de ressarcimento de saldo credor da contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) com incidência nãocumulativa, apurado Fl. 1DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 2 para o 1º trimestre de 2005, e homologou as compensações dos débitos fiscais declarados nos Per/Dcomps, objeto deste processo, até o limite do ressarcimento reconhecido. O deferimento parcial, por parte da autoridade administrativa competente, decorreu de glosas sobre aquisições (leite) de cooperados e de terceiros, da redução dos valores repassados aos cooperados para cálculo da receita de exportação, decorrentes de valores cujas notas fiscais, intimada, a recorrente não as apresentou, de serviços considerados nãoinsumos, e de créditos sobre devoluções nãotributadas. Cientificada do despacho decisório, inconformada com o deferimento parcial de seu pedido de ressarcimento e a homologação parcial dos débitos declarados nos Per/Dcomps, a recorrente apresentou a manifestação de inconformidade às fls. 451/479, alegando razões que foram assim sintetizadas por aquela DRJ: “a) as leis que instituíram a nãocumulatividade das contribuições, não definiram o que são insumos, todavia a RFB disciplinou ilegalmente sobre eles, ao fixar uma interpretação restritiva ao termo; b) o crédito presumido sabre estoque de abertura calculado com base em uma alíquota menor que a prevista na saída, contraria as normas legais, a jurisprudência do Poder Judiciário e provoca enriquecimento sem causa da União; c) nem todas as notas fiscais requisitadas foram apresentadas, pois precisam ser reordenadas e o tempo deferido não foi suficiente para tanto. Por isso solicita prazo de 90 dias para apresentar tais documentos.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 0922.254, datado de 28/01/2009, às fls. 531/534, sob as seguintes ementas: “PROVA DOCUMENTAL A prova documental deve ser apresentada juntamente com a manifestação de inconformidade, sob pena de preclusão. INSUMOS O conceito de insumos para fins de crédito de PIS/Pasep e COFINS é o previsto no § 5° do artigo 66 da Instrução Normativa SRF 247/2002. CRÉDITO PRESUMIDO SOBRE ESTOQUE DE ABERTURA As alíquotas aplicáveis ao estoque de abertura das cooperativas agropecuárias são, 0,65% para o crédito de PIS/Pasep e 3% para o da COFINS.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 566/596, requerendo a sua reforma a fim de que se reconheça seu direito ao ressarcimento integral do saldo credor da Cofins ora pleiteado, alegando, em síntese, que, tendo adotado o regime nãocumulativo de incidência dessa contribuição, faz jus aos créditos sobre as aquisições de todos os insumos, assim entendidos os gastos e investimentos que contribuem para o seu resultado ou para a obtenção de seus produtos até o consumo final, e que a alíquota para o cálculo do créditopresumido sobre o estoque de abertura, quando da adoção do regime nãocumulativo, em face do princípio da igualdade, é de 7,6 % e não de 3,0 % considerados no despacho decisório, e, ainda, que o fato de não ter apresentado tempestivamente as notas fiscais solicitadas pela Fiscalização não pode prejudicar seu direito. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10630.720232/200619 Acórdão n.º 330100.844 S3C3T1 Fl. 617 3 Para fundamentar seu recurso expendeu extenso arrazoado sobre: a) a tempestividade do recurso; b) apresentando a cooperativa; c) cooperativismo; d) breve descrição dos créditos; e) a nãocumulatividade do Pis e da Cofins; f) a opção pela antecipação da adoção do regime de incidência nãocumulativa; g) os insumos; h) o crédito presumido sobre estoque de abertura; e, i) as notas fiscais; concluindo, ao final, que seu recurso é tempestivo e tem direito ao ressarcimento integral do valor pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado não atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, por ter sido interposto intempestivamente. Assim dele não conheço. Ao contrário do entendimento da recorrente, seu recurso foi apresentado intempestivamente, ou seja, depois de decorridos o prazo de 30 (trinta) dias fixado em lei. Do exame dos autos, verificase que recorrente tomou ciência da decisão recorrida na data de 27 de fevereiro de 2009, numa sextafeira, conforme provam a data e a assinatura apostas no “AR” de sua remessa postal às fls. 549. O Decreto nº 70.235, de 1972, art. 33, estabelece o prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão de primeira instância para a interposição do respectivo recurso voluntário, assim dispondo, in verbis: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro de 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão.” Por sua vez, o art. 35, desse mesmo Decreto determina que o recurso voluntário, mesmo perempto, será encaminhado ao Conselho de Contribuintes, que julgará a perempção, in verbis: “Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Como a ciência se deu numa sextafeira, o início da contagem do prazo de 30 (trinta) dias de que a recorrente dispunha para a interposição do recurso voluntário foi deslocada para a segundafeira, dia 02/03/2009, imediatamente subseqüente, nos termos do art. 5º do referido decreto. Assim, o prazo limite expirouse no dia 31 de março de 2009, numa terça feira. Contudo o presente recurso foi protocolado na DRF em Governador Valadares, MG, no dia 02 de abril de 2009, numa quintafeira, conforme prova a data aposta no carimbo de protocolo do recurso voluntário às fls. 566, depois de decorridos 32 (trinta e dois) dias. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, não conheço do presente recurso voluntário por intempestivo. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 4 José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS
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Numero do processo: 14751.000112/2007-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Aug 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA.
Uma vez efetuada a opção pela forma de tributação com base no lucro real anual, a pessoa jurídica fica sujeita a antecipações mensais do IRPJ, calculadas com base em estimativa. O não recolhimento ou o recolhimento a menor do tributo sujeita a pessoa jurídica à multa de oficio isolada prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.
SUSPENSÃO OU REDUÇÃO DO IMPOSTO.
A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso, a despeito de documento contábil (Livro de Balancetes) exibido, assim porque o mesmo
não observa a especificidade exigida pela Lei nº 8.981/95 no que se refere ao demonstrativo fiscal visando suspender o saldo de imposto devido mensalmente.
Numero da decisão: 1202-000.559
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Uma vez efetuada a opção pela forma de tributação com base no lucro real anual, a pessoa jurídica fica sujeita a antecipações mensais do IRPJ, calculadas com base em estimativa. O nãorecolhimento ou o recolhimento a menor do tributo sujeita a pessoa jurídica à multa de oficio isolada prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. SUSPENSÃO OU REDUÇÃO DO IMPOSTO. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso, a despeito de documento contábil (Livro de Balancetes) exibido, assim porque o mesmo não observa a especificidade exigida pela Lei nº 8.981/95 no que se refere ao demonstrativo fiscal visando suspender o saldo de imposto devido mensalmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CARLOS ALBERTO DONASSOLO Presidente. (documento assinado digitalmente) Fl. 699DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 13 /10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 14751.000112/200767 Acórdão n.º 120200.559 S1C2T2 Fl. 2 2 ORLANDO JOSÉ GONÇALVES BUENO Relator. (documento assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Orlando José Gonçalves Bueno, Meigan Sack Rodrigues, Jorge Celso Freire da Silva, Nereida de Miranda Finamore Horta, Luis Tadeu Matosinho Machado. Relatório Trata o presente o processo administrativo fiscal sobre autos de infração formalizados contra a Recorrente, com o que pretende o fisco o recolhimento exigência tributária a título de multa isolada decorrente da suposta falta de recolhimento do IRPJ e CSLL, devidos por estimativa no anocalendário de 2002, tendo em vista que fora suspenso o pagamento dos aludidos tributos, no período acima mencionado, mas, no entanto, a Recorrente não levantou balanços ou balancetes específicos para demonstrar a possibilidade de suspensão do recolhimento, nem tampouco transcreveu os referidos documentos fiscais no Livro Diário. Em suas impugnações, alega a Recorrente que o relatório da autoridade administrativa menciona a apresentação dos balancetes por mais de uma oportunidade, porém almeja desqualificar os referidos documentos, aduzindo que eles apenas reproduzem as contas de resultado e patrimoniais do período fiscalizado. Acrescenta que a finalidade dos balancetes é justamente a de arrolar os saldos de contas no final do mês, contemplando todos os elementos necessários à determinação do resultado, de acordo com as contas de receitas, custos e despesas nele constantes. Além disso, ressalta que a lei que trata da possibilidade de suspensão ou redução do pagamento do imposto e contribuição social sobre estimativas em momento algum define qual a forma de apuração destes demonstrativos, realizando uma distinção teórica entre balanços e balancetes, asseverando que não há previsão legal que exija o encerramento das contas com vista à apuração de resultado em balancetes. Ademais, afirma que os balancetes utilizados para realizar a suspensão ou redução dos tributos foram devidamente registrados no Livro de Balancetes nº 04, devidamente autenticado na JUCEP, o qual evidenciou a desnecessidade de recolhimento por estimativas mensais, sendo devida a parcela mensal tão somente no mês de dezembro, o que está regularmente transcritos no Livro Diário. Diante disso, concluiu a Recorrente que, não sendo devidas as estimativas mensais naqueles meses não há que se falar na aplicação da multa isolada, conforme jurisprudência colacionada no corpo da peça impugnatória. A Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Recife julgou procedente o lançamento tributário conforme a ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA Fl. 700DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 13 /10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 14751.000112/200767 Acórdão n.º 120200.559 S1C2T2 Fl. 3 3 JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Uma vez efetuada a opção pela forma de tributação com base no lucro real anual, a pessoa jurídica fica sujeita a antecipações mensais do IRPJ, calculadas com base em estimativa. O nãorecolhimento ou o recolhimento a menor do tributo sujeita a pessoa jurídica à multa de oficio isolada prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. SUSPENSÃO OU REDUÇÃO DO IMPOSTO. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Uma vez efetuada a opção pela forma de tributação com base no lucro real anual, a pessoa jurídica fica sujeita a antecipações mensais da CSLL, calculadas com base em estimativa. O nãorecolhimento ou o recolhimento a menor do tributo sujeita a pessoa. Sobreveio o recurso voluntário, no qual a Recorrente pugna, em sede de preliminar, pelo cancelamento do lançamento de ofício em razão retroatividade benigna da norma menos gravosa, eis que legislação superveniente “além de reduzir o percentual da multa isolada também eliminou a previsão de sua aplicação aos casos de pagamento em atraso sem o acréscimo de multa de mora, assim deixou de ser punível com a multa isolada a conduta de que trata a ação fiscal, em apreço nestes autos”. No tocante ao mérito do recurso, a Recorrente reiterou todos os argumentos esposados em sede de impugnação, ressaltando que, no que tange ao mês de dezembro, todas as exigências fiscais estavam presentes, mas, “mesmo assim, também em relação ao referido mês, foi aplicada a multa isolada, o que, sem a menos sombra de dúvida, até pelo que consta dos documentos do relatório de trabalho fiscal, é indevida”. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 701DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 13 /10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 14751.000112/200767 Acórdão n.º 120200.559 S1C2T2 Fl. 4 4 Por presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, dele tomo conhecimento. Em sede de preliminar pugna a Recorrente pela retroatividade da Lei mais benéfica ao contribuinte, tendo em vista a edição da Lei 11.488/07 que extinguiu a possibilidade da aplicação de multa isolada em relação aos casos de pagamentos de tributos sem o acréscimo de multa moratória. Todavia a Recorrente deixou de pagar, simplesmente, as estimativas com base em seu procedimento contábil/fiscal, situação fática bem diferente do quanto pretendido na interpretação da Lei no. 9.430/06, com as revogações da Lei no. 11.488/07, elemento fático essencial que por si só suficiente para rejeitarse a preliminar suscitada, sobre o cancelamento do lançamento de ofício, na hipótese aventada em suas razões recursais. Ademais, a autoridade lançadora, em seu trabalho conclusivo, aplicou a multa no percentual de 50% (cinqüenta por cento), observando rigorosamente o disposto na Lei no. 9.430/96, com a nova redação da Lei no. 11.488/07, não se podendo invocar a retroatividade benigna na descrição fática, base da autuação fiscal. O mencionado diploma legal estabelece expressamente a imposição de multa isolada nos casos em que o contribuinte deixa de recolher as estimativas mensais, como ocorrido no presente caso. Abaixo, transcrevese o disposto no artigo 44 da Lei 9430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Portanto, sou por não acolher a preliminar de cancelamento do auto de infração. Fl. 702DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 13 /10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 14751.000112/200767 Acórdão n.º 120200.559 S1C2T2 Fl. 5 5 A questão de mérito em exame é concernente a demonstração, via balancetes de suspensão/redução, serem adequados a demonstrar o prejuízo, ou saldo negativo, ensejadores da interrupção das estimativas mensais devidas pelo sujeito passivo, motivo pelo qual entendeu a autoridade lançadora serem insuficientes os balancetes produzidos pelo contribuinte, formalizando a multa isolada por essa razão. A autoridade julgadora de primeira instância também perfilhando o mesmo entendimento, igualmente não aceitou os balancetes do sujeito passivo, mantendo a multa isolada como lançada. Não há como discordar da autoridade lançadora, assim como da autoridade julgadora “a quo” nesse sentido dos balancetes. A decisão de primeira instância é explícita ao asseverar, a fls. 662: “ Os balancetes elaborados pela contribuinte( fls. 49/484) não se prestam a tal comprovação, haja vista que sua natureza estritamente contábil, tãosomente refletindo os saldos das contas patrimoniais e de resultado. Não demonstram o lucro real nem o imposto devido, não sendo aptos, portanto, a comprovar que a empresa por suficiência de recolhimentos anteriores, poderia suspender ou reduzir o pagamento do IRPJ e da CSLL em cada mês do anocalendário.” Desta feita, ao verificarse os aludidos balancetes, não se constata o cumprimento da exigência legal, qual seja, o determinado no art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, transcrevase: “ Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no Livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição sociail sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário; § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para aplicação do disposto no parágrafo anterior.” Ou seja, os Livro de Balancetes nº 04 exibido pelo contribuinte apenas, de fato, demonstram contas patrimoniais e sequer evidenciam o fim específico determinado pela lei citada, que é demonstrar que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto devido mensalmente, o que não restou efetivamente demonstrado. Tal livro de balancetes é exclusivo de fins de controles contábeis, mas não se presta para efeito de atendimento ao prescrito no art. Fl. 703DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 13 /10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 14751.000112/200767 Acórdão n.º 120200.559 S1C2T2 Fl. 6 6 35 da Lei nº 8.981/95, uma vez que não especifica o aspecto material tributário, que justificaria a suspensão dos recolhimentos das estimativas. Por maior esforço interpretativo, cabe ao contribuinte demonstrar seu suposto direito fiscal, e nem mesmo após intimado e apresentado demonstrativo a fls. 490/491 não se evidenciando, de maneira cabal, clara, incisiva, contábil, precisa, que teve saldo acumulado por período mensal, apresentandose somente no mês de dezembro um valor que não se concilia com os demais meses do anocalendário fiscalizado de 2002. Portanto, outro indício específico da falta de indicação nos balancetes mensais de tal tratamento tributário exigido pela lei citada. Não há como, pela falta de demonstração específica em seus registros contábeis, haja vista que é sua obrigação legal e não da autoridade lançadora ou julgadora, tal evidência contábil para justificar a suspensão dos recolhimentos das estimativas. A Recorrente se insurge, ainda, contra a exigência fiscal invocando violações a princípios constitucionais, em relação ao que esta segunda instância de julgamento administrativo já sumulou entendimento da impossibilidade de se apreciar tal matéria nesse âmbito, nos termos da Súmula CARF nº 02, que assim dispõe: “ O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária” (Port. Nº 52, de 21 de dezembro de 2010). Diante todo o exposto, sou por negar provimento ao recurso voluntário. Orlando José Gonçalves Bueno (documento assinado digitalmente) Fl. 704DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 13 /10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO
score : 1.0
