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Numero do processo: 10166.722851/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2005
CONHECIMENTO PARCIAL DO RECURSO.
Não se conhece de matéria não impugnada, sob pena de supressão de
instância, bem como em razão da preclusão processual.
MEMBROS DE CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO, ASSEMBLÉIA
GERAL E CONSELHO FISCAL.
A teor do disposto no artigo 12, inciso V, alínea f, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, são considerados contribuintes individuais. Logo sobre remuneração paga a empresa tem a obrigação de recolher contribuição previdenciária.
MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA
Havendo beneficiamento da situação do contribuinte, incide a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada no presente AI ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212,
de 24 de julho de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, desde que mais benéfica.
Numero da decisão: 2301-002.117
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar
provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Adriano González Silvério
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2005 CONHECIMENTO PARCIAL DO RECURSO. Não se conhece de matéria não impugnada, sob pena de supressão de instância, bem como em razão da preclusão processual. MEMBROS DE CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO, ASSEMBLÉIA GERAL E CONSELHO FISCAL. A teor do disposto no artigo 12, inciso V, alínea f, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, são considerados contribuintes individuais. Logo sobre remuneração paga a empresa tem a obrigação de recolher contribuição previdenciária. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Havendo beneficiamento da situação do contribuinte, incide a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada no presente AI ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, desde que mais benéfica.
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DE ECON. E CRED. MUTUO DE INST. FINANC Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2005 CONHECIMENTO PARCIAL DO RECURSO. Não se conhece de matéria não impugnada, sob pena de supressão de instância, bem como em razão da preclusão processual. MEMBROS DE CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO, ASSEMBLÉIA GERAL E CONSELHO FISCAL. A teor do disposto no artigo 12, inciso V, alínea f, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, são considerados contribuintes individuais. Logo sobre remuneração paga a empresa tem a obrigação de recolher contribuição previdenciária. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Havendo beneficiamento da situação do contribuinte, incide a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada no presente AI ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, desde que mais benéfica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator. Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 09/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Tratase de Auto de Infração nº 37.143.5528, o qual exige contribuição previdenciária relativa à contribuições da empresa (cotaparte patronal) e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência laborativa –GILRAT. Segundo o Relatório Fiscal foram identificados na contabilidade da empresa lançamentos em nome de pessoas físicas, membros de Conselho Fiscal, Conselho Administrativo e Delegados da autuada. Ademais, segundo análise feira por meio de DIRF, foram identificados pagamentos sobre a rubrica “rendimentos de trabalho assalariado” e “rendimentos sem vínculo empregatício”, os quais não constam ou foram declaradas a menor em GFIP e folhas de pagamento. A empresa autuada apresentou sua impugnação alegando, em breve síntese, os argumentos a seguir: i) o lançamento tem efeito confiscatório, sendo nulo o lançamento em virtude de agressão ao inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal; ii) que o lançamento contraria o artigo 142 do Código Tributário Nacional, pois foi lavrado sem a clareza e precisão dos fatos geradores, motivo pela qual está criando dificuldades para o exercício da defesa; iii) não incide contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetuados a membros de Conselho Fiscal, Conselho Administrativo e Delegados, uma vez que esses não são vinculados obrigatório ao RGPS; iv) que os diretores e os presidentes não podem figurar como coresponsáveis pelo débito; Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 09/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10166.722851/200914 Acórdão n.º 230102.117 S2C3T1 Fl. 3 3 v) que é inaplicável a multa haja vista que os pagamentos efetuados a membros de Conselho Fiscal, Conselho Administrativo e Delegados não constituem fato gerador das contribuições previdenciárias; vi) que é impossível gerar a GFIP, pois não houve a ocorrência do fato gerador; vii) que a representação fiscal para fins penais ofende o princípio da verdade material. A DRJ de Brasília manteve integralmente o presente AI, conforme se extrai da ementa transcrita: “LANÇAMENTO FISCAL. FATO GERADOR Os artigos 195 e 201 da Constituição Federal, no que concerne ao trabalhador, expressamente determinam que o fato gerador das contribuições sociais é o exercício de atividade remunerada, a qualquer título, mesmo sem vínculo empregatício. COOPERATIVA DE CRÉDITO. NÃO ISENÇÃO. A cooperativa do ramo de crédito que, para o exercício específico das funções de conselheiro de administração, conselheiro fiscal ou delegado, remunera os trabalhadores, independentemente da denominação adotada, cédulas de presença/verba de representação, é contribuinte obrigatória da Seguridade Social. Nem a Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, nem outra lei específica isenta esse tipo de remuneração da incidência do recolhimento das contribuições sociais. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO O princípio constitucional do nãoconfisco não se reporta às sanções por atos ilícitos, pois as multas objetivam punir o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias; portanto, de caráter sancionador. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Estando enunciadas as razões técnicas e jurídicas que serviram de calço ao lançamento fiscal, o que possibilitou, amplamente, à autuada manifestar sua posição, por meio da impugnação apresentada, cumpremse todos os pressupostos quanto ao princípio do contraditório e da ampla defesa.” A autuada, devidamente intimada em interpôs recurso voluntário alegando o que segue: i) que o crédito tributário aqui versado está conectado com aquele apurado no processo 10166.722849/200945, razão pela qual transcreve os argumentos sustentados naquele processo no sentido de que em relação à diferença verificada em DIRF, tratase de adiantamento de férias pagas, havendo, na legislação, um desencontro de fato gerador. Para o Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 09/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 imposto de renda ocorre quando do pagamento e para as contribuições previdenciárias, apenas quando do efetivo gozo das férias; ii) não incide contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetuados a membros de Conselho Fiscal, Conselho Administrativo e Delegados, uma vez que esses não são vinculados obrigatório ao RGPS; e ii) o auto de infração incorreu em erro, pois tributou despesas com passagens aéreas; abono produtividade de conselheiros, etc. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso há de ser conhecido em parte, uma vez que no meu entender a recorrente suscitou questões não levadas em sede de impugnação e, portanto, ao conhecimento do órgão colegiado de primeira instância. Como visto no relatório acima, a recorrente suscita equívoco no lançamento das contribuições previdenciárias, uma vez que os fatos geradores para o imposto de renda ocorre em momento diverso do das contribuições, não podendo a fiscalização ter considerado a DIRF como prova para efetuar o lançamento. Ora essa questão não foi suscitada quando da impugnação e, assim, creio que houve preclusão processual. Conhecer dessa matéria nessa segunda instância administrativa ensejaria a supressão da primeira instância como órgão que primeiro analisa e decide sobre a matéria impugnada. Outro ponto que merece não ser conhecido diz respeito à tributação sobre despesas com passagens aéreas ou abono produtividade de conselheiros da autuada, eis que também não foi sustentada em sede de impugnação. Assim, o recurso merece ser analisado apenas no que diz respeito à caracterização dos membros de Conselho Fiscal, Conselho Administrativo e Delegados como contribuintes individuais do RGPS. Segundo o artigo 12, inciso V, alínea f da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, são segurados obrigatórios do RGPS na condição de contribuinte individual o “associado eleito para o cargo de direção em cooperativa”. A Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, ao definir a Política Nacional de Cooperativismo e instituir o regime jurídico das sociedades cooperativas, estabelece em seu artigo 47 que a cooperativa “será administrada por uma Diretoria ou Conselho de Administração, composto exclusivamente de associados eleitos pela Assembléia Geral”. Já em seu artigo 56 assinala que a “administração da sociedade será fiscalizada, assídua e minuciosamente, por um Conselho Fiscal”. Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 09/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10166.722851/200914 Acórdão n.º 230102.117 S2C3T1 Fl. 4 5 No tocante aos Delegados, esses representarão os associados na Assembléia Geral da cooperativa, conforme o artigo 27 do estatuto da autuada. A Assembléia, por sua vez, é o “órgão deliberativo supremo” da cooperativa, de acordo com o artigo 24 do Estatuto. A assembléia geral, o conselho fiscal e o conselho de administração, de acordo com o artigo 23 do Estatuto da autuada são os seus órgãos sociais, isto é, os órgãos responsáveis pela direção da cooperativa. Ao contrário do que sustenta a recorrente, penso que a legislação previdenciária ao versar sobre “cargo de direção” não restringiu a obrigatoriedade de filiação ao regime geral da Previdência Social, como contribuinte individual, aos membros do conselho de administração. A meu ver a lei é mais ampla, caracterizando como contribuinte individual todo aquele cooperado que exerça qualquer cargo que implique na direção da cooperativa. E essa direção, como visto, não é realizada apenas pelos membros do conselho de administração, mas também pelos membros da Assembléia Geral e do Conselho Fiscal. Nesse sentido destaco julgado do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, o qual se alinha ao entendimento ora manifestado: “TRIBUTÁRIO – ART. 22 DA LEI N. 8.212/91 – MEMBROS DO CONSELHO FISCAL E ADMINISTRATIVO – COMPARECIMENTO A REUNIÕES – INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INDEPENDENTE DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO. 1. Cingese a controvérsia à incidência ou não da contribuição previdenciária sobre a remuneração paga aos membros do conselho fiscal e de administração pelo comparecimento em reuniões. 2. Os cargos de direção existentes nas cooperativas, desde que pelo seu exercício venham a ser remunerados, qualquer que seja o nome dado a essa remuneração, se prolabore ou honorários, estão sujeitos à incidência de contribuições previdenciárias, mesmo que essa função, nessas circunstâncias, seja exercida por cooperados, pois o exercício de atividade remunerada vem a ser a condição preponderante, no direito previdenciário, da filiação do regime de que trata o caso. 3. As funções de Diretor e de Conselheiro Fiscal, por serem remuneradas, in casu, são consideradas como integrantes do saláriodecontribuição; estão incluídas do regime previdenciário urbano. Agravo regimental improvido.” (AgRg no REsp 1117023/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/08/2010, DJe 19/08/2010) Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 09/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 Logo, havendo remuneração paga a contribuinte individual, cabível o lançamento fiscal, exigindo a contribuição da empresa, conforme disposto no artigo 22, inciso III, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Outrossim, há de se registrar que o dispositivo legal da multa aplicada foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE O RECURSO e, na parte conhecida DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para determinar a aplicação da multa nos termos da fundamentação acima, se mais benéfica ao contribuinte, sendo que no mais, fica mantido, na íntegra, o Auto de Infração nº . 37.143.5528. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 09/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 15540.000262/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 27/05/2009
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO.
Deixar de atender a solicitação fiscal para apresentar documentos
relacionados às contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória.
IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DAS FOLHAS DE PAGAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não deve ser acatado o argumento recursal de que estaria impossibilitada de apresentar as folhas de pagamento, as quais estariam retidas pela Administração Tributária, haja vista que a empresa, por possuir sistema de processamento dados para preparar suas informações contábeis e fiscais, teria meios de imprimir cópias dos documentos em questão.
TOMADOR DE SERVIÇOS PRESTADOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DE OBRA.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
A responsabilidade pelo cumprimento de obrigações acessórias decorrentes de prestação de serviço executado mediante cessão de mão de obra é do prestador de serviços, sendo o tomador responsável apenas pelo recolhimento da retenção a que está obrigado a efetuar.
CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. COMPENSAÇÃO. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não tem atribuição para julgar pedidos de liquidação do lançamento sob exame com créditos que o sujeito passivo supostamente detenha para com a Fazenda Pública.
CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL DA EMPRESA DETENTORA PARA COM DÉBITOS NÃO CONSTITUÍDOS. INEXISTÊNCIA.
Não se prestam as certidões negativas de débito ou certidões positivas com efeito de negativa para atestar a inexistência de débitos ainda não constituídos.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 27/05/2009
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO.
PRAZO DECADENCIAL.
O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.804
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de decadência; e II) no mérito, negar provimento ao recurso
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/05/2009 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. Deixar de atender a solicitação fiscal para apresentar documentos relacionados às contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória. IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DAS FOLHAS DE PAGAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não deve ser acatado o argumento recursal de que estaria impossibilitada de apresentar as folhas de pagamento, as quais estariam retidas pela Administração Tributária, haja vista que a empresa, por possuir sistema de processamento dados para preparar suas informações contábeis e fiscais, teria meios de imprimir cópias dos documentos em questão. TOMADOR DE SERVIÇOS PRESTADOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A responsabilidade pelo cumprimento de obrigações acessórias decorrentes de prestação de serviço executado mediante cessão de mão de obra é do prestador de serviços, sendo o tomador responsável apenas pelo recolhimento da retenção a que está obrigado a efetuar. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. COMPENSAÇÃO. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não tem atribuição para julgar pedidos de liquidação do lançamento sob exame com créditos que o sujeito passivo supostamente detenha para com a Fazenda Pública. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL DA EMPRESA DETENTORA PARA COM DÉBITOS NÃO CONSTITUÍDOS. INEXISTÊNCIA. Não se prestam as certidões negativas de débito ou certidões positivas com efeito de negativa para atestar a inexistência de débitos ainda não constituídos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 27/05/2009 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Negado.
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. Deixar de atender a solicitação fiscal para apresentar documentos relacionados às contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória. IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DAS FOLHAS DE PAGAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não deve ser acatado o argumento recursal de que estaria impossibilitada de apresentar as folhas de pagamento, as quais estariam retidas pela Administração Tributária, haja vista que a empresa, por possuir sistema de processamento dados para preparar suas informações contábeis e fiscais, teria meios de imprimir cópias dos documentos em questão. TOMADOR DE SERVIÇOS PRESTADOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A responsabilidade pelo cumprimento de obrigações acessórias decorrentes de prestação de serviço executado mediante cessão de mãodeobra é do prestador de serviços, sendo o tomador responsável apenas pelo recolhimento da retenção a que está obrigado a efetuar. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. COMPENSAÇÃO. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não tem atribuição para julgar pedidos de liquidação do lançamento sob exame com créditos que o sujeito passivo supostamente detenha para com a Fazenda Pública. Fl. 106DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL DA EMPRESA DETENTORA PARA COM DÉBITOS NÃO CONSTITUÍDOS. INEXISTÊNCIA. Não se prestam as certidões negativas de débito ou certidões positivas com efeito de negativa para atestar a inexistência de débitos ainda não constituídos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 27/05/2009 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de decadência; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 107DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 15540.000262/200981 Acórdão n.º 240101.804 S2C4T1 Fl. 97 3 Relatório Tratase do Auto de Infração n. 37.105.7671 decorrente da aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Nos termos do Relatório Fiscal da Infração, fl. 42, a empresa deixou de exibir as folhas de pagamento relativas às prestações de serviço por cessão de mãodeobra para as competências 01/2004 a 12/2004. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fl. 43, expõe a base legal e a metodologia utilizada para a fixação da penalidade. O sujeito passivo ofertou impugnação, fls. 52/54, na qual argumentou que os documentos que o Fisco alega terem sido sonegados, na verdade estão em originais instruindo processos de restituição protocolizados na própria Receita Federal. Afirma que, nesse sentido, não se pode penalizálo em razão de estar defendendo um direito seu, mediante a apresentação de requerimentos de repetição do indébito. Ao final, pede o cancelamento da lavratura. A DRJ Rio de Janeiro I declarou procedente o lançamento em acórdão assim ementado: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO Constitui infração deixar a empresa de apresentar qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições previdenciárias, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 85/89, no qual, em apertada síntese, alegou que: a)ocorreu decadência para os créditos lançados no AI; b)a responsabilidade pelo recolhimento do tributo é do tomador de serviços, conforme dispões o art. 31 da Lei n. 8.212/1991; Fl. 108DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 c) devem ser compensados os créditos relativos aos processos de restituição em curso, além de que o arquivamento dos processos de restituição deuse em desacordo com a legislação em vigor; d) a empresa não cometeu qualquer ação ou omissão que pudesse justificar a aplicação de pena administrativa; e) a emissão de certidões positivas com efeito de negativa, está a atestar que a empresa encontravase em situação regular. Ao final pede o reconhecimento da decadência do crédito ou o seu cancelamento. É o relatório. Fl. 109DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 15540.000262/200981 Acórdão n.º 240101.804 S2C4T1 Fl. 98 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência A decadência do direito do fisco de lançar a multa não deve ser reconhecida. É cediço que após a edição da Súmula Vinculante n.º 08, de 12/06/2008 (DJ 20/06/2008), o prazo de que dispõe o fisco para a constituição do crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias passou a ser regido, com efeito retroativo, pelas disposições do Código Tributário Nacional – CTN, posto que o art. 45 da Lei n.º 8.219/1991 foi declarado inconstitucional. Esse posicionamento da Corte Maior traz impacto não só em relação às exigência fiscais decorrentes do inadimplemento da obrigação principal, mas interfere também nos lançamentos das multas por desobediência a deveres instrumentais vinculados à fiscalização das contribuições. Diante disso, fixouse a interpretação de que, uma vez ocorrida a infração, teria o fisco o prazo de cinco anos para efetuar o lançamento da multa correspondente. Assim, havendo o descumprimento da obrigação legal, o prazo de que o fisco disporia para constituir o crédito relativo à penalidade seria o prazo geral de decadência, fixado no art. 173, I, do CTN, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Não há nessa situação o que se cogitar de aplicação do art. 150, § 4.º, uma vez que esse é dirigido apenas ao lançamento por homologação e o lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória é um típico caso de lançamento de ofício. Tendose em conta que a empresa tomou ciência da autuação em 09/06/2009, pelo critério acima, o período relativo às competências para as quais o Fisco requereu esclarecimentos foi de 01 a 12/2004, não estava abarcado pela decadência. Nesse sentido, para as competências relacionadas à lavratura, a multa poderia ser aplicada até 31/12/2009, razão por que fica afastada a preliminar de decadência. Impossibilidade de apresentação de folhas de pagamento Fl. 110DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 É patente a falta de plausibilidade do argumento da empresa quanto à impossibilidade de apresentar as folhas, pelo fato das mesmas se encontrarem instruindo processos de restituição. Inicialmente, conforme se ponderou no voto condutor do acórdão da DRJ, não há procedimento da Administração Tributária que preveja a instrução de processos de restituição com originais de quaisquer documentos, mas com cópias, que deverão ser autenticadas, devolvendose ao interessado os originais. Por outro lado, supondose que por um lapso esses documentos tivessem ficado retidos, a empresa poderia peticionar no sentido de obtêlos, mas nada disso foi comprovado. Posso citar mais uma constatação que atesta a fragilidade desse argumento. Falo da possibilidade da empresa ter efetuado a impressão de novas folhas para apresentar ao Fisco. Sobre esse fato, faço questão de reproduzir alegação constante do voto condutor do acórdão recorrido, assim expressa: 32. Como se pode observar das folhas do Livro Diário anexadas aos autos, a Impugnante utiliza sistemas de processamento eletrônico de escrituração de livros e documentos de natureza contábil, fiscal e previdenciária. Portanto, caso fosse do interesse do contribuinte, bastaria emitir novamente as folhas de pagamento solicitadas e apresentálas à fiscalização, já que as mesmas não possuem um registro obrigatório tal como o Livro Diário por exemplo, que necessita ser o original. 33. Dessa forma, concluise que a defesa apresentada foi meramente protelatória. Da inexistência da infração Alega a recorrente a inexistência da infração. Para averiguação desse ponto do recurso é curial que se analise a conduta narrada pelo Fisco e o dispositivo invocado para a autuação. Assevera a Auditoria que intimou a empresa a apresentar as folhas de pagamento do período de 01 a 12/2004, todavia não obteve êxito na demanda. Afirmase que em razão dessa omissão da empresa, restou caracteriza a desobediência a dever legal a que a empresa estava obrigada. Como se viu do recurso, a empresa limitouse a justificar a sua omissão no fato de não dispor das folhas, as quais supostamente estariam a instruir processos de restituição. Pelas considerações acima essa justificativa não merece acatamento. Nesse sentido, entendo que deva prevalecer a versão do Fisco acerca da conduta tido como contrária ao ordenamento, a qual, não tenho receio de afirmar, desobedeceu ao disposto na Lei n. 8.212/1991, mais precisamente ao seguinte dispositivo: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. Fl. 111DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 15540.000262/200981 Acórdão n.º 240101.804 S2C4T1 Fl. 99 7 § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (...) Assim, estando diante de claro descumprimento de obrigação acessória, a Agente do Fisco viuse diante do dever de efetuar a lavratura fiscal para aplicação da penalidade legalmente prevista, conforme expresso no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 43. Da responsabilidade do tomador dos serviços Afirma a empresa que havendo a sua responsabilidade quanto ao recolhimento das contribuições previdenciárias inexiste, na medida em que foi repassada para o tomador dos serviços por força do art. 31 da Lei n. 8.212/1991, com redação dada pela Lei n. 9.711/1998. Equivocase mais uma vez a recorrente. Nos termos do art. 31 da Lei n. 8.212/1991 a responsabilidade do tomador de serviços restringese a efetuar a retenção sobre as faturas de prestação de serviços efetuados mediante cessão de mãodeobra e recolher o valor correspondente aos cofres da Seguridade Social. Nenhuma responsabilidade tem o tomador do serviços pela confecção ou apresentação de folhas de pagamento, sendo esse dever apenas do prestador. Assim, não devo acatar esse argumento. Das compensações O pedido de compensação do valor apurado com supostos créditos que a empresa teria com a Fazenda Nacional em decorrência do processo de restituição não pode ser reconhecido no presente processo administrativo fiscal. Aqui tem lugar tão somente a verificação da legalidade do ato administrativo de lançamento, não sendo o foro próprio para decisão acerca de processo compensatório ou de restituição. Além do mais, a compensação somente pode ser deferida quando o crédito fiscal estiver definitivamente constituído, o que não é o caso do lançamento sob discussão, posto que ainda não transitado em julgado na seara administrativa, como também, os processos de restituição que não foram arquivados ainda carecem de decisão da Administração Tributária. Da inexistência de irregularidades em razão da emissão de certidões negativas de débito Fl. 112DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 8 Não merece acolhimento a tese de que as certidões positivas com efeito de negativa obtidas pela recorrente até o ano de 2007 seriam atestado de que a empresa não teria qualquer tipo de irregularidade. A emissão das certidões apenas revela que no período a empresa não tinha contra si débitos exigíveis, jamais que a mesma estaria totalmente regular perante a Seguridade Social. A certidão é emitida, ainda que haja créditos tributários em discussão administrativa, imaginem contribuições ainda não lançadas. Assim, a certidão negativa não se presta a atestar a inexistência de tributos ainda não apurados. É o que se pode ver das ressalvas constates nas certidões, assim redigidas: Ressalvado o direito de a Fazenda Nacional cobrar e inscrever quaisquer dívidas de responsabilidade do sujeito passivo acima identificado que vierem a ser apuradas, é certificado que não constam pendências em seu nome relativas a contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e a inscrições em Dívida Ativa da União (DAU). Afastase, assim, mais essa alegação. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso, por afastar a preliminar de decadência e, no mérito, pelo desprovimento do mesmo. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 113DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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Numero do processo: 10950.003419/2009-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2007
DOCUMENTAÇÃO QUE NÃO APRESENTA DADOS SUFICIENTES PARA VERIFICAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO.
Ao exibir documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua regularidade fiscal, o sujeito passivo abre ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova em contrário.
COMPENSAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE COMPROVANTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE
Somente podem ser compensados na apuração fiscal os créditos que o contribuinte comprove possuir.
ARBITRAMENTO. ALEGAÇÃO NÃO RELACIONADA AO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não tendo se verificado na espécie a adoção de arbitramento do tributo, não há de se apreciar essa alegação recursal.
FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. IMPOSSIBILIDADE DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INOCORRÊNCIA.
Uma vez que o Fisco trouxe aos autos toda a documentação que deu
embasamento à apuração fiscal, não se justifica a alegação de falta de comprovação da ocorrência dos fatos geradores e de irregular inversão do ônus da prova, mormente quando o contribuinte nada apresenta para afastar as conclusões da Auditoria.
APLICAÇÃO DE ACRÉSCIMOS LEGAIS CONFORME A LEGISLAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO.
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento
administrativo afastar a aplicação da multa e dos juros legalmente previstos, sob a justificativa de que afrontam a Constituição.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2007
REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO.
Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide.
JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE HIPÓTESES PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO.
Serão indeferidos os pedidos para apresentação de provas após o prazo para impugnação, quando não comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão.
Numero da decisão: 2401-001.768
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2007 DOCUMENTAÇÃO QUE NÃO APRESENTA DADOS SUFICIENTES PARA VERIFICAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO. Ao exibir documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua regularidade fiscal, o sujeito passivo abre ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova em contrário. COMPENSAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE COMPROVANTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Somente podem ser compensados na apuração fiscal os créditos que o contribuinte comprove possuir. ARBITRAMENTO. ALEGAÇÃO NÃO RELACIONADA AO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não tendo se verificado na espécie a adoção de arbitramento do tributo, não há de se apreciar essa alegação recursal. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. IMPOSSIBILIDADE DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INOCORRÊNCIA. Uma vez que o Fisco trouxe aos autos toda a documentação que deu embasamento à apuração fiscal, não se justifica a alegação de falta de comprovação da ocorrência dos fatos geradores e de irregular inversão do ônus da prova, mormente quando o contribuinte nada apresenta para afastar as conclusões da Auditoria. APLICAÇÃO DE ACRÉSCIMOS LEGAIS CONFORME A LEGISLAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa e dos juros legalmente previstos, sob a justificativa de que afrontam a Constituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2007 REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE HIPÓTESES PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO. Serão indeferidos os pedidos para apresentação de provas após o prazo para impugnação, quando não comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2020; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 911 1 910 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.003419/200984 Recurso nº 875.285 Voluntário Acórdão nº 240101.768 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de abril de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente INSTITUIÇÃO CULTURAL EDUCACIONAL DE SARANDI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2007 DOCUMENTAÇÃO QUE NÃO APRESENTA DADOS SUFICIENTES PARA VERIFICAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO. Ao exibir documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua regularidade fiscal, o sujeito passivo abre ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova em contrário. COMPENSAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE COMPROVANTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Somente podem ser compensados na apuração fiscal os créditos que o contribuinte comprove possuir. ARBITRAMENTO. ALEGAÇÃO NÃO RELACIONADA AO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não tendo se verificado na espécie a adoção de arbitramento do tributo, não há de se apreciar essa alegação recursal. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. IMPOSSIBILIDADE DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INOCORRÊNCIA. Uma vez que o Fisco trouxe aos autos toda a documentação que deu embasamento à apuração fiscal, não se justifica a alegação de falta de comprovação da ocorrência dos fatos geradores e de irregular inversão do ônus da prova, mormente quando o contribuinte nada apresenta para afastar as conclusões da Auditoria. APLICAÇÃO DE ACRÉSCIMOS LEGAIS CONFORME A LEGISLAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 17/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa e dos juros legalmente previstos, sob a justificativa de que afrontam a Constituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2007 REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE HIPÓTESES PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO. Serão indeferidos os pedidos para apresentação de provas após o prazo para impugnação, quando não comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 17/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003419/200984 Acórdão n.º 240101.768 S2C4T1 Fl. 912 3 Relatório De acordo com Relatório Fiscal, fls.112/123, o crédito contempla as contribuições devidas à Seguridade Social a cargo da empresa, destinada ao Fundo de Previdência e Assistência Social — FPAS e ao Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho — GIILRAT, não declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP. Destacase que as contribuições foram obtidas por aferição indireta. Acrescentase também que pela análise das folhas de pagamento, recibos de pagamento de salário, rescisões contratuais e recibos de férias, apresentados pela Instituição, podese verificar claramente que a empresa elaborava duas folhas de pagamento, donde uma que foi chamada de Folha (1), tinha seus valores contabilizados, já a outra que foi denominada de Folha (2), não vinha sendo contabilizada, inclusive recibos de pagamentos de salários (2), rescisões (2)e recibos de férias (2). A Auditoria assinala que, mesmo regularmente intimada, a empresa deixou de apresentar as Folhas de Pagamento (2), dos meses de 03/2005, 03/2006 a 12/2006, 06/2007, 08/2007, 12/2007, tendo apresentado apenas recibos de pagamento, mas de forma parcial. Esse fato levou a lavratura de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória. Informa a Autoridade Fiscal que as remunerações dos segurados empregados, para as referidas competências, foram apuradas por aferição indireta. Foi apresentada a memória de cálculo confeccionada para obtenção da remuneração por método indireto, onde se tomou a média de folhas de pagamento apresentadas e relativas a competências anteriores e posteriores a de referência. Afirmase ainda que, malgrado as solicitações do Fisco, a empresa não apresentou qualquer documento que comprovasse o recolhimento das contribuições lançadas. Como elementos de prova foram juntados os documentos de fls. 124/825, os quais dizem respeito a folhas de pagamento, recibos de salários, demonstrativos contábeis, etc. A instituição apresentou defesa, fls. 828/845, alegando, em apertada síntese, que: a) estão decadentes os créditos relativos a fatos geradores ocorridos antes de 27/06/2004; b) embora o Fisco afirme que havia folhas de pagamento não contabilizadas, não trouxe ao processo prova contundente dessa alegação, sendo descabido o arbitramento do tributo; c) disponibilizou à Auditoria toda a contabilidade, causandolhe estranheza a acusação de que remunerações haviam sido omitidas da GFIP; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 17/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 d) também efetuou a declaração e o recolhimento de todas as contribuições decorrentes de pagamentos efetuados a contribuintes individuais; e) a multa aplicada, no patamar de quarenta por cento ou setenta e cinco por cento, é confiscatória; f) também assumem caráter de confisco os juros aplicados ao crédito lançado; g) o Fisco é que tem o dever de provar suas alegações, não sendo lícito querer que o contribuinte venha a produzir provas em seu favor; h) devem ser compensados todos os recolhimentos efetuados pelo contribuinte; i) para se chegar a uma conclusão segura sobre a contenda, fazse necessária à realização de prova pericial, pelo que indica o assistente da perícia e formula os quesitos. Ao final, requer a utilização de todos os meios de prova em direito admitidas e a concessão de prazo para que possa apresentar considerações sobre a documentação acostada pela Auditoria. A DRJ em Curitiba declarou procedente o lançamento, ver fls. 878/883. Eis a ementa do decisum: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2007 DECADÊNCIA. Não havendo nos autos exigência relativa a período superior a cinco anos da ocorrência do fato gerador das contribuições exigidas, não há que se falar em decadência do direito do Fisco constituir os respectivos créditos tributários dali decorrentes. AFERIÇÃO INDIRETA. NÃO APRESENTAÇÃO OU APRESENTAÇÃO DEFICIENTE DE DOCUMENTOS. Tendo o contribuinte deixado de apresentar ou apresentado deficientemente documentação regularmente requisitada pela Fiscalização, é cabível a apuração da base de cálculo do tributo mediante aplic4ão da aferição indireta. MULTA. INAPLICABILIDADE ANTE A AUSÊNCIA DE INFRAÇÃO A constatação da existência de crédito tributário devido e não recolhido pelo sujeito passivo configura ilícito tributário que sujeita o infrator à aplicação de multa pecuniária nos termos da legislação de regência. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO PAGAMENTO Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 17/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003419/200984 Acórdão n.º 240101.768 S2C4T1 Fl. 913 5 A apuração da aplicabilidade da regra do artigo 106, II, c do CTN às multas de que trata a lei 8.212/91 só pode ser feita no momento do efetivo pagamento dos tributos exigidos. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA Na é confiscatória a multa exigida nos estritos limites do previsto em lei para o caso concreto, não sendo competência funcional do órgão julgador administrativo apreciar alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. JUROS MORATORIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. PROVA PERICIAL DESNECESSÁRIA. A produção da prova pericial só é cabível quando o julgador administrativo entender que seu convencimento necessita da produção desta prova, não configurando seu indeferimento cerceamento do direito de defesa. MEIOS DE PROVA. Todos os meios de prova admitidos em direito são cabíveis e aceitáveis no Processo Administrativo Fiscal, havendo apenas que se observar as regras do Decreto n" 70.235, de 1972 quanto ao momento de sua apresentação ou formalidade para sua produção. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu recurso, o sujeito passivo alega, em apertada síntese, que: a) embora a apuração do crédito tenha se dado por arbitramento, o Fisco não conseguiu demonstrar qualquer irregularidade que justificasse o procedimento; b) não ficou demonstrada de forma robusta a existência dos fatos geradores supostamente não contabilizados, nem declarados em GFIP; c) inexiste espaço para aplicação de multa, haja vista que não se detectou irregularidade que pudesse dar azo à sanção; d) mesmo que se pudesse aplicála, a multa não pode ultrapassar o patamar de vinte por cento, sob pena de se afrontar a Constituição Federal; e) são inconstitucionais a aplicação de multa progressiva e da taxa SELIC; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 17/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 f) devem ser aproveitados na apuração do crédito os recolhimentos efetuados; g) o ônus de provar a existência do crédito é do Fisco, não se podendo inverter esse encargo em desfavor do contribuinte; h) a prova pericial se faz necessária no caso em tela para que se investigue sobre os critérios e de arbitramento e se faça uma análise contábil mais acurada; i) também se deve proporcionar maior lapso temporal para que a empresa possa analisar com esteio na contabilidade as irregularidades apontadas pela Auditoria; Ao final requer a extinção do lançamento. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 17/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003419/200984 Acórdão n.º 240101.768 S2C4T1 Fl. 914 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Do arbitramento Passo agora a análise da alegação relativa ao descabimento da aplicação do método aferição indireta para obtenção de bases de cálculo utilizadas na presente apuração. O arbitramento da base de cálculo de tributos em geral é previsto no Código Tributário Nacional, art. 1481, tendo cabimento quando as informações prestadas pelo sujeito passivo não mereçam fé. Também a legislação previdenciária tem fundamentação específica para aferição indireta das contribuições, é esta a previsão dos §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/19912, os quais trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. Nessa análise não se pode perder de vista que o procedimento de aferição indireta é um instituto jurídico de exceção, excepcional, incomum, por isso, a lei condicionou a sua aplicação à presença de anormalidade. Tal procedimento deve se pautar pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Dessa forma, o fisco precisa apresentar relação lógica entre os fatos e as conclusões e se acautelar, para não se enveredar no excesso de exação fiscal, por arbítrio e abuso de discricionariedade. 1 Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. 2 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (...) Fl. 7DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 17/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 8 Somente é admissível o citado procedimento quando o fisco se vê diante de situação instransponível, ou seja, não tenha como se valer de outros meios para recompor o momento da ocorrência do fato gerador e obter os dados necessários ao cálculo do valor correspondente ao crédito tributário. Na situação sob enfoque, verifico que Fisco solicitou a documentação relativa as folhas de pagamento não contabilizadas, não tendo a empresa as disponibilizado. Vêse que para as competências lançadas havia folhas não contabilizadas, chamadas pela Auditoria de “Folhas (2)”, o que pode ser comprovado pela existência de recibos parciais, assim, ao deixar de exibilas o sujeito passivo abriu ao fisco a possibilidade de aferir indiretamente as remunerações dos empregados, conforme possibilita a legislação acima citada. Ora, o mister da fiscalização é apurar a ocorrência dos fatos geradores e calcular o tributo devido. No caso sob análise, os autos demonstram que havia remunerações lançadas em folhas não contabilizadas que a empresa deixou de apresentar, impossibilitando o Fisco de verificar diretamente o montante desses pagamentos. Assim, entendo que na espécie estão presentes os requisitos que autorizam a aferição indireta da remuneração contidas nas folhas de pagamento não contabilizadas, acertando o Fisco quando fixou a base de cálculo como sendo a média aritmética de competências anteriores e posteriores a de referência. Vejo, então, que a auditoria fiscal não se desviou das normas que permitem o arbitramento dos tributos lançados, as quais foram oportunamente mencionadas tanto no relatório da NFLD, quanto no anexo Fundamentos Legais do Débito. Da não comprovação da ocorrência dos fatos geradores e da inversão do ônus da prova A Auditoria colacionou farta documentação, fls. 173/187, que engloba folhas de pagamento, recibos de salário, rescisões, demonstrativos contábeis e outros. Tal providência atesta a preocupação da Autoridade Fiscal de trazer ao processo todos os elementos que serviram de base para sua apuração. Nesse sentido, não vejo como acolher a alegação da recorrente de que não teria o Fisco demonstrado a contento a ocorrência dos fatos geradores. Ainda mais quando se percebe que o sujeito passivo não trouxe aos autos qualquer documento que pudesse vir em socorro de suas ponderações, mantendose no campo das argumentações desprovidas de elementos comprobatórios. Outro aspecto do recurso que tem vinculação com o anteriormente apontado diz respeito ao argumento de que não seria lícito ao Fisco impor ao sujeito passivo a inversão do onus probandi. Devo repelir essa tese. Quando os contribuintes deixam de atender as solicitações documentais da Fiscalização, duas são as sanções aplicáveis: a) a aplicação de multa por descumprimento do dever instrumental de apresentar a documentação e b) a apuração do tributo por arbitramento, cabendo ao contribuinte fazer prova em contrário. Nesse sentido, a inversão do onus probandi foi consequência da falta de exibição dos elemento solicitados pela Auditoria. Da multa e dos juros aplicados Fl. 8DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 17/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003419/200984 Acórdão n.º 240101.768 S2C4T1 Fl. 915 9 Para análise do argumento relativo à incorreta aplicação da penalidade é de se fazer uma retrospectiva dos dispositivos legais que tratam da questão. Observase que com o advento da Medida Provisória MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações principais e acessórias relacionadas às contribuições previdenciárias. Na sistemática anterior, a infração de omitir fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Quanto havia lançamento da obrigação principal relativo aos fatos geradores não declarados, o sujeito passivo ficava também sujeito à aplicação da multa de mora nos créditos lançados, num percentual do valor principal que variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Com a nova legislação, há duas sistemáticas de aplicação da multa. Inexistindo o lançamento das contribuições, aplicase apenas a multa de ofício prevista no art. 32A da Lei n. 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor fixo para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) Todavia pelo art. 35A da mesma Lei, também introduzido pela Lei n. 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de mora constante no crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de multa punitiva e multa moratória, condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19963 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. 3 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 9DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 17/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 10 Considerando a ocorrência da infração relativa a falta de declaração de fatos geradores em GFIP cumulada com a falta de recolhimento do tributo, a Auditoria procedeu à comparação entre a multa aplicada com base na legislação vigente na data da ocorrência dos fatos geradores com aquela decorrente da novel legislação. Tal comparativo restou apresentado no demonstrativo de fls. 168 e seguintes, no qual se evidencia qual dos dispositivos legais conduziria a uma multa mais benéfica. Nesse, sentido, descabe o argumento de que o Fisco não teria observado a alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN, por ter deixado de aplicar a multa mais branda. Quanto ao caráter confiscatório da multa e da inconstitucionalidade da taxa SELIC, para enfrentar essas questões é necessário uma análise da constitucionalidade de dispositivos legais aplicados pelo fisco, daí, é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 17/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003419/200984 Acórdão n.º 240101.768 S2C4T1 Fl. 916 11 Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF4. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente, como é o caso da aplicação dos juros e da multa. Dito isso, sintome à vontade para concluir que não devem ser acatados os pedidos de redução da multa aplicada, bem como exclusão da taxa SELIC do lançamento. Da compensação dos créditos do contribuinte Embora alegue o Fisco deixou de compensar na apuração do crédito recolhimentos que houvera efetuado, o contribuinte não trouxe aos autos qualquer comprovação do fato. Digo mais, a Auditoria foi enfática em seu pronunciamento ao afirmar que a empresa não houvera no transcurso da ação fiscal apresentado quaisquer guias de pagamento relativas às contribuições lançadas. Diante disso, não vejo como acatar o pedido de compensação formulado no recurso. Pedido de Perícia Quanto ao cerceamento do direito de defesa ocasionado pelo indeferimento do órgão a quo do pedido de produção de prova pericial, entendo que não deva ser acatado. No processo administrativo fiscal vigora o princípio do livre convencimento motivado. Segundo o qual a autoridade julgadora tem liberdade para adotar a tese que ache mais adequada a solução da contenda, desde o que o faça com a devida motivação. Nesse sentido, somente à autoridade que preside o processo é dado determinar a realização de perícias e diligências caso ache necessário. Não está o julgador obrigado a deferir pedidos de dilação probatória se os elementos constantes nos autos já lhe dão o convencimento suficiente para emissão da decisão. Assim, sendo a prova dirigida à autoridade julgadora, é essa que tem a prerrogativa de determinar ou não a sua produção. Tenho que concordar com a decisão original, quando se afirma que o relato do fisco e os documentos colacionados permitem concluir pela ocorrência da infração. Realização de análise contábil Requer o contribuinte que lhe seja concedido prazo para a realização de análise contábil acerca das afirmações do Fisco. Não vejo como acolher esse o pleito. A fiscalização teve como base os documentos fornecidos pelo próprio sujeito passivo, que teve todo o prazo de defesa para detectar qualquer incorreção no trabalho de apuração fiscal. Todavia, nada foi apresentado naquela fase processual. 4 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 11DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 17/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 12 Sobre esse tema, o Decreto n. 70.235/1972 determina que os inconformismos do contribuinte contra a exigência fiscal devem ser apresentados por ocasião da impugnação, junto a qual também serão juntados os elementos de prova. Vejamos: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; § 4°. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) Em obediência a esse comando, deveria o sujeito passivo ter exposto na sua impugnação as possíveis falhas detectadas na apuração fiscal, todavia, não foi adotada a providência. Vejo que agora também no recurso nada é apresentado de concreto, reprisandose a alegação da defesa, portanto, também afasto esse pedido, por entender que o momento processual já não mais permite a juntada de análise contábil ou de qualquer outro documento que não se enquadre nas hipóteses do § 4. do art. 16 do Decreto n. 70.235/1972. Diante de todo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, pelo seu desprovimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 12DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 17/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
score : 1.0
Numero do processo: 10240.901526/2009-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO RETIFICADORA
APRESENTADA APÓS A DECISÃO QUE INDEFERIU A
COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega pelo contribuinte
de Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF
e do Demonstrativo de
Apuração de Contribuições Sociais DACON,
após a decisão que indeferiu a
compensação, visto que demandaria a análise de documentação e escrita
contábil do contribuinte, o que não seria possível na fase recursal, sem a
prévia apreciação pela Fiscalização. Inteligência do art. 74, §§1º e 3º, inciso
VI, da Lei nº 9.430, de 1996.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-000.890
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos
do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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IMPOSSIBILIDADE. Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega pelo contribuinte de Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF e do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, após a decisão que indeferiu a compensação, visto que demandaria a análise de documentação e escrita contábil do contribuinte, o que não seria possível na fase recursal, sem a prévia apreciação pela Fiscalização. Inteligência do art. 74, §§1º e 3º, inciso VI, da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente Antônio Lisboa Cardoso Fl. 97DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSS AS 2 Relator Participaram do julgamento os Conselheiros:José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Rodrigo Pereira de Mello, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 20.12.2006, através do qual foi efetivada a compensação de débitos da interessada acima identificada, com crédito de Cofins referente a pagamento indevido (efetuado através do DARF descrito na fl. 03), no valor original de R$ 2.283,86, conforme ementa de fl. 65, in verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificada em 28/07/2010 (AR – fl. 68), a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 69/72 (e documentos de fls. 73/90) em 25/08/2010, alegando, em síntese, que sua atividade econômica preponderante é o comércio atacadista de defensivos agrícolas e produtos agropecuários, sendo que, na apuração do imposto do período de apuração de Novembro de 2005 foi atribuída à base de cálculo da COFINS o valor das vendas de produtos isentos deste imposto, conforme dispõe o art. 1° da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004, in verbis: “Art. 1° Ficam reduzidas a O (zero) as aliquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: I adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002, e suas matériasprimas; II defensivos agropecuários classificados na posição 38.08 da TIPI e suas matériasprimas; Fl. 98DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSS AS Processo nº 10240.901526/200986 Acórdão n.º 330100.890 S3C3T1 Fl. 98 3 III sementes e mudas destinadas à semeadura e plantio, em conformidade com o disposto na Lei no 10.711, de 5 de agosto de 2003, e produtos de natureza biológica utilizados em sua produção; IV corretivo de solo de origem mineral classificado Capitulo 25 da TIPI;” Logo, que o fato gerador da COFINS foi majorado indevidamente, em virtude da desconsideração do benefício fiscal imputado para tais produtos, sendo pago a maior o valor de R$ 5.097,20, pois houve um pagamento no valor de R$ 7.974,21, sendo que o valor devido é de R$ 2.877,01. Constatado o erro, argumenta que formalizou processo de PER/DCOMP transmitido em 20.12.2006, efetivada a compensação de débito no valor original de R$ 2.483,86, referente a COFINS do período de Setembro de 2006, conforme Declaração de Compensação n° 28531.60590.201206.1.3.042449. Assim sendo, considerando que a Recorrente efetuou as retificações das informações da Declaração de Débitos e Créditos Tributários federais — DCTF e do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais — DACON, onde foi corrigida a base de cálculo do imposto e, consequentemente o valor devido da COFINS do período de Novembro de 2005, para R$ 2.877,01, considerando também que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originalmente , apresentada e, demonstrando e comprovando, desta forma, o surgimento de um crédito tributário e, portanto, legitimidade para compensar com qualquer tributo, caso que foi efetivado através da PER/DCOMP n°28531.60590.201206.1.3.042449. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e revestido dos demais requisitos indispensáveis à sua admissibilidade, devendo o mesmo ser conhecido. De acordo com o despacho decisório de fls. 6/7, de 25/05/2009, o indébito foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação ou restituição: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos ( ) integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do credito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". Fl. 99DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSS AS 4 Entretanto, após o referido despacho decisório, a recorrente procedeu à retificação das DACON/DCTF, em 23/06/2009, conforme se observa à fl. 28. Existe óbice de ordem legal ao pleito da recorrente, conforme consta do art. 74, §3, VI, da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (...) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)” É neste sentido que perfilha a jurisprudência deste E. CARF, conforme depreendese pelas seguintes ementas parcialmente transcritas: “PROVA DECLARAÇÃO RETIFICAÇÃO A apresentação de um formulário, apenas no momento do recurso voluntário com valores alterados em relação à declaração original, não tem o valor de uma declaração retificadora. Pode servir como uma planilha demonstrativa de cálculos, mas a modificação dos valores deveria ter sido comprovada por documentos efetivos”. (Ac. 120100.033, 2ª Câmara da 1ª TO da 1ª Seção/CARF, DOU01 14/02/2011, pág. 68) No mesmo sentido: “Assunto: normas de administração tributária anocalendário: 2001 Dcomp, retificação do débito após decisão que negou homologação à compensação, a manifestação de inconformidade contra a decisão da autoridade fiscal que não homologa a compensação declarada pelo sujeito passivo, ou mesmo o recurso voluntário que fustiga decisão de primeiro grau que Fl. 100DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSS AS Processo nº 10240.901526/200986 Acórdão n.º 330100.890 S3C3T1 Fl. 99 5 manteve o entendimento nãohomologatório, não constituem meios adequados para veicular a retificação do débito indicado na declaração de compensação.” (Ac. nº 110200.174 (DOU01, 20/09/2010 pág. 33) Desta forma, nova declaração de compensação somente pode ser apresentada, após a apreciação ao pedido de retificação apresentado pelo contribuinte, pois, demandaria a análise de documentação e escrita contábil do contribuinte, o que não seria possível neste momento recursal, sem a prévia apreciação pela Fiscalização. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 07 de abril de 2011 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 101DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSS AS
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Numero do processo: 10283.720703/2007-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: BENEFICIO FISCAL. MP N° 2.199- 14/01 E DECRETO N° 70.235172.
Redução de 75% do IRPJ condicionada à emissão de Laudo Constitutivo pela Agencia de Desenvolvimento da Amazônia, a ser confirmado pela Secretaria da Receita Federal via Ato Declaratório Executivo publicado no Diário Oficial. Verificadas condições para o ano de 2005. Cancelamento do Lançamento.
Numero da decisão: 1102-000.396
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento fiscal em sua integra, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: João Carlos de Lima Junior
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MP N° 2.199 - 14/01 E DECRETO N° 70.235 172. Redução de 75% do IRPJ condicionada à emissão de Laudo Constitutivo pela Agencia de Desenvolvimento da Amazônia, a ser confirmado pela Secretaria da Receita Federal via Ato Declaratório Executivo publicado no Diário Oficial. Verificadas condições para o ano de 2005. Cancelamento do Lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso voluntário. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento fiscal em sua integra, nos termos do relatório e voto que integram•resente julgado. IVET40A SOA MO EIRO — Presidente JOÃO CARLOS D LIMA J Relator 6 Editado em: 11 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma), José Sérgio Gomes, Joao Otavio Oppermann Thomé, Joao Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente), Manoel Mota Fonseca e Silvana Rescig.no Guerra Barreto. Processo n° 10283.720703/2007-67 S1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.396 FL 2 Relatório Trata-se de auto de infração lavrado pela autoridade fiscal de Manaus, relativo a IRPJ do ano-calendário de 2005, em razão de aproveitamento de beneficio fiscal fora do prazo estipulado em Ato Declaratório Executivo da RFB de Manaus, exigindo de oficio o recolhimento do imposto, no valor de R$ 48.566.715,88 (quarenta e oito milhões quinhentos c sessenta e seis mil setecentos e quinze reais e oitenta e oito centavos), já incluídos multa de oficio e juros de mora. A Recorrente foi intimada por meio do MPF n° 0220100/00465/2007 a apresentar o livro registro de apuração do Lucro Real (LALUR) contendo as informações relativas ao período de janeiro a dezembro de 2005, bem como documentação adicional pertinente à apuração do IRPJ referente ao mesmo período. Em cumprimento à intimação da autoridade fiscal, a empresa apresentou documentação contábil e documentos relativos ã concessão de beneficio fiscal, quais sejam Parecer de Análise de Laudo Constitutivo para Efeito de Redução do Imposto de Renda, o seu respectivo Laudo de n° 116/2005, ambos emitidos pela Agência de Desenvolvimento da Amazônia, e a publicação do Ato Declaratório Executivo da RFB que concede o beneficio fiscal. Após análise dos documentos trazidos aos autos, a autoridade fiscal constatou que estes permitiam o aproveitamento de beneficio fiscal que compreendia a redução do Imposto de Renda em 75% a partir do ano-calendário de 2006. Todavia, a empresa aproveitou- se do beneficio no ano-calendário de 2005, ensejando a sua autuação. Devidamente intimada, a Recorrente, inconformada, apresentou impugnação com o fim de ter o Auto de Infração cancelado. Alega, em síntese, que: - preliminarmente, o auto de infração é nulo, tendo em vista que não houve descrição clara e precisa do fato que ensejou a autuação, em desobediência as disposições do Decreto 70.235/72, bem como o enquadramento legal da autuação não condiz com referida descrição de fatos. - o beneficio fiscal pode ser aproveitado no ano-calendário de 2005, tendo em vista que: - em 12/12/2004, apresentou pedido para aprovação do "Projeto de Modernização Total" para a produção de aproximadamente oitenta milhões de peças e componentes para motocicleta perante a ADA que, por sua vez, emitiu o Laudo n" 116/2005 que atestou que a empresa já estava operando para este fim. Este laudo ensejou a expedição c o Ato Declaratório Executivo n° 44/2006 que reconheceu o direito da empresa ao beneficio ti al a partir do ano-calendário de 2006. Processo ri" 10283.720703/2007-67 S1 - C1T2 Acórchlo 6.° 1102 -00.396 Fl. 3 - as operações do projeto de modernização iniciaram em 2004, fazendo com que o beneficio pudesse ser aplicado a partir do ano-calendário de 2005, motivo pelo qual apresentou pedido de Revisão do Laudo Constitutivo n° 116/2005 perante a ADA. - a fruição do beneficio fiscal, conforme o disposto no §1°, do art. 1° da MP 2.199-14/01, vigente a época dos fatos, inicia no ano-calendário subseqüente ao que se deu o inicio das operações. No caso, urna vez que em 2004 já havia sido verificado pelo Parecer de Análise da ADA que a produção havia ultrapassado o índice de 20% da capacidade real instalada, índice estabelecido pela Resolução do ADA n° 11/05 que regulamenta a concessão de benefícios fiscais, a possibilidade de fruição do beneficio poderia iniciar logo em 2005. - o incentivo fiscal é concedido por lei especifica, conforme § 6", cio art. 150, da Constituição Federal e, por este motivo, não pode a disposição da MP N°2.199-14/01 ser restringida por despachos administrativos. Neste liame, questiona que o ADE tem natureza apenas declaratória, sendo que o direito ao beneficio é concedido pela lei especifica. Pondera, inclusive, a natureza de isenção que o beneficio possui e o caracteriza como não condicionado confirmação administrativa. - existe tratamento diferenciado para empreendimentos prioritários para o desenvolvimento regional. A lei 9532/97 determinou a concessão de beneficio aos contribuintes instalados na regido que compreendia o escalonamento de percentuais de IRPJ. Desta forma, se não aplicável a redução do beneficio fiscal de 75%, teria a redução de 50%, no caso de escalonamento, ou de 25%, simplesmente por sua condição e localização, nos termos do Decreto n° 4212/02. - multa de oficio não deveria ser aplicada no percentual de 75%, pois é abusiva e confiscatória. Ademais, no caso não houve comprovação de sonegação, fraude, dolo ou má-fé. - a inconstitucionalidade e ilegalidade da aplicação de Taxa SELIC como meio de atualização de tributos. - a impossibilidade de aplicação da Taxa SELIC para a atualização da Multa de o ficio. A Delegacia de Julgamento em Belém (PA) apreciou os documentos juntados pela Recorrente, bem como defesa apresentada, proferindo decisão nos seguintes termos: - negou a preliminar de nulidade do auto, tendo em vista que não foram percebidas as irregularidades apontadas. Entendeu a DRJ que o enquadramento legal e a descrição do fato são complementados pelos documentos constantes nos autos, sendo que a função da autoridade fiscal, neste caso, é somente de verificar se a empresa poderia ou não se aproveitar do beneficio, conforme a documentação. - quanto à argumentação da possibilidade de fruição do beneficio no ano- calendário de 2005, entendeu que a legislação permite apenas a concessão do bene fi cio mediante Ato Declaratório Executivo que, com base em laudo do Ministério da Integra áo Nacional, reconhece o direito ao beneficio, limitado as especificações do Laudo. Como o DE Processo nn 10283.720703/2007-67 S 1 - C1T2 Ac6rcl5o n.° 1102-00.396 Fl. 4 expressamente menciona que o inicio da fruição do beneficio se (lard a partir do ano-calendário de 2006, não há corno reconhecer a existência do beneficio em relação ao período anterior. - em relação as demais reduções que a Recorrente pleiteou, quais sejam, de 50%, nos casos de escalonamento, ou de 25%, por se tratar de empreendimento prioritário para o desenvolvimento regional, a DRJ entendeu que é comum a todos os beneficios fiscais a exigência de confirmação pela Receita Federal por meio de expedição de ADE, com base em laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional. Assim, não ha como reconhecer qualquer um dos beneficios. - a Multa de mora é devida, uma vez que a legislação prevê o percentual aplicado. - em relação as discussões sobre a ilegalidade e inconstitucionalidade da aplicação da taxa Selic sobre a atualização de tributos, entendeu a DRJ que não cabe a ela afastar a aplicação de dispositivo legal quando este ainda se encontra no ordenamcnto jurídico. - quanto a aplicação da taxa SELIC sobre a multa de oficio, esclarece que não há incidência desta atualização, conforme "Demonstrativo de Multa e Juros de Mora" Inconformada com a decisão da DRJ que manteve o lançamento fiscal em sua totalidade, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos aduzidos em sua impugnação. Nesta oportunidade, juntou o Laudo de Retificação do Laudo Constitutivo n" 116/2005 expedido pela Agência de Desenvolvimento da Amazônia, no qual expressamente se atesta que as operações se iniciaram em 2004 e não em 2005. Por final, na data de 21 de janeiro de 2011, data em que este 1 0 Conselho se reuniu em sessão, o patrono da Recorrente requereu a juntada de Publicação do Diário Oficial de 23/10/2008, referente a retificação do Ato Declaratório Executivo n" 44/06 que foi alterado para constar a informação do Laudo Constitutivo acima mencionado. o relatório. 4 Processo n° 10283.720703/2007-67 S 1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.396 Fl. 5 Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior - Relator Presentes as condições de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele tomo conhecimento. A Recorrente foi autuada por falta de recolhimento de IRPJ referente ao ano- calendário de 2005 em decorrência de ter se aproveitado de beneficio fiscal cuja fruição, conforme a documentação trazida aos autos, deveria se iniciar apenas no ano-calendário de 2006. Em relação à Legislação pertinente, é importante fazer as seguintes considerações: - A Medida Provisória n° 2.199-14/2001, posteriormente convertida na Lei n" 11.196 de 2005, previa as hipóteses de concessão do beneficio fiscal, bem como o momento do inicio de sua fruição: Art. I° Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, a partir do ano-calendário de 2000 e ate 31 de dezembro de 2013, as pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação das extintas Superintendência do Desenvolvimento cio Nordeste - SUDENE e Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia - SUDAM, terão direito à rechtção de setenta e cinco por cento do imposto sobre a renda e adicionais não restituíveis, calculados com base no lucro da exploração. ,sS' I° A fruição do beneficio fiscal referido no caput dar-se-á partir do ano-calendário subseqüente aquele em que o projeto de instalação, modernização, ampliação ou diversificação entrar em operação, segundo laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional, até o último dia útil do in& de março do ano-calenddrio subseqüente ao do inicio da - 0 Decreto n° 4.212/2002 submete o direito A. redução prevista na Medida Provisória ao reconhecimento realizado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Véjamos sua redação: Processo n 0 10283.720703/2007-67 Accirdo tl.° 1102-00.396 Fl. 6 Art. 3" 0 direito á redução do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas e adicionais não-restituiveis incidentes sobre o lucro c/a exploração, na área c/c atuação da extinta SUDAM, será reconhecido pela unidade c/a Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica, instruido com o laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional. § 1° 0 chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal decidirá sabre o pedido em cento e vinte dias contados da respectiva apresentação do requerimento à repartição fiscal competente. § 2" Expirado o prazo indicado no § I, sem que a requerente tenha sido notificada da decisdo contrária ao pedido e enquanto não sobrevier decisão irrecorrivel, considerar-se-á a interessada automaticamente no pleno gozo da redução pretendida. 5Ç' 3" Do despacho que denegar, parcial ou totalmente, o pedido c/a requerente, caberá impugnação para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, dentro do prazo de trinta dias, a cantor da ciência do despacho denegatorio. § 4" Torna-se irrecorrivel, na esfera administrativa, a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgcnnento que denegar o pedido. § 5' Na hipótese do § 4, a repartição competente procederá ao lançamento das importâncias que, até então, tenham .sido reduzidas do imposto devido, efetuando-se a cobrança do débito. ,sç 6° A cobrança prevista no ,sç 5" não alcançará as parcelas correspondentes ás reduções .feitas durante o período em que a pessoa jurídica interessada esteja em pleno gozo da redução de que trata o § 2. Assim, de acordo com a legislação, a SRFB deve expressamente reconhecer a concessão do beneficio em conformidade com o laudo técnico. No caso, este procedimento se cumpriu perfeitamente no momento em que o Laudo Técnico n" 116/2005 expedido pela Agência de Desenvolvimento da Amazônia foi confirmado pelo Ato Declaratório Executivo n° 44/2006. O cerne da questão recai, então, sobre o ano-calendário para o inicio da fruição do beneficio. 0 Laudo Técnico e o posterior ADE determinavam que o inicio da fruição do beneficio deveria ocorrer a partir do ano-calendário de 2006, constituindo o procedimento completo e valido para aplicação do beneficio. Entretanto, a Recorrente trouxe aos autos 'as fis.255 o Laudo de Retificação do Laudo Constitutivo if 116/2005, que reconheceu que o inicio das operações se deu no ano- calendário de 2004, levantando a hipótese de que, de acordo com este documento, /seria possível o reconhecimento do beneficio a partir do ano de 2005. 6 Processo n° 10283.720703/2007-67 S1-C1T2 Aeórao n.° 1102-00.396 Fl. 7 Em seguida, a Recorrente comprovou a retificação do ADE 44/2006 que ocorreu em razão da referida alteração do laudo, cuja publicação ocorreu em 23/10/2008 no Diário Oficial. Desta forma, por força dos artigos anteriormente citados e dos documentos trazidos aos autos que comprovam as retificações realizadas, é possível concluir que a Recorrente poderia utilizar o beneficio fiscal da MP n°2.199-14/2001 em relação à apuração do IRPJ do ano-calendário de 2005. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para cancelar o lançamento fiscal em sua integra. E como voto. Brasilia-DF, 21 de fevereiro de 011. JOÃO CARLOS DE LI A JUkTa 7
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Numero do processo: 11065.005076/2008-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2006 a 29/02/2008
CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a
arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência.
NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Com fulcro no artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção,
podendo determinar diligência que entender necessária.
A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72.
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e
materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de
Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.908
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, I) Rejeitar a preliminar de realização de perícia; e II) negar provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontandoas das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Com fulcro no artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, 15/08/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 2 artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, I) Rejeitar a preliminar de realização de perícia; e II) negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Walter Murilo Melo Andrade, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araujo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausentes os Conselheiros Cleusa Vieira de Souza e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, 15/08/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 11065.005076/200859 Acórdão n.º 240101.908 S2C4T1 Fl. 239 3 Relatório MÁQUINAS KLEIN S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO, contribuinte, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da Decisão da 7a Turma da DRJ em Porto Alegre/RS, Acórdão n° 1018.713/2009, às fls. 226/228, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas pela notificada ao INSS, correspondentes a parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, em relação ao período de 07/2006 a 02/2008, conforme Relatório Fiscal, às fls. 39/41. Tratase de Auto de Infração (Antiga NFLD), lavrado em 04/12/2008, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 950.575,49 (Novecentos e cinqüenta mil, quinhentos e setenta e cinco reais e quarenta e nove centavos). Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 232/235, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do feito, aduzindo para tanto que os exagerados valores lançados foram apurados unilateralmente por parte do fisco, impondo seja procedida perícia contábil na documentação analisada, inclusive com a oportunidade da indicação de assistência técnica arrolada pela recorrente, objetivando evitar cerceamento do seu direito de defesa. Opõese à multa moratória pretensamente aplicada, por considerála confiscatória, sendo, por conseguinte, ilegal a sua exigência. Argúi a inconstitucionalidade da TAXA SELIC, argumentando, entre outros motivos, que sua instituição decorreu de resolução do Banco Central, e não por lei, não podendo, dessa forma, ser utilizada em matéria tributária, por desrespeitar o Princípio da Legalidade. Alega, ainda, tratarse referida taxa de juros remuneratórios, o que a torna ilegal e inconstitucional. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a autuação, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, 15/08/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 4 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Pretende a contribuinte a reforma da decisão de primeira instância, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, suscitando que o elevado crédito tributário fora apurado de maneira unilateral pelo Fisco, o que impõe seja realizada perícia contábil nos documentos ofertados pela empresa, com a respectiva assistência de profissional indicado por esta, com o fito de evitar o cerceamento do seu direito de defesa. Em que pesem as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em seu recurso voluntário, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que a decisão recorrida encontrase incensurável, devendo ser mantida em sua plenitude. Como se verifica, a recorrente em momento algum se insurge contra as contribuições previdenciárias ora lançadas, se limitando a defender a necessidade de realização de perícia, bem como argüindo a inconstitucionalidade da multa aplicada. Observese, com relação aos documentos e razões ofertadas pela contribuinte, que o julgador de primeira instância foi muito feliz em sua decisão, tendo em vista que cabe exclusivamente a ele conceder a força probante que assim entender. A documentação constante do processo serve justamente para formar a convicção do julgador, podendo interpretála da forma que melhor entender, refutálas ou desconsiderálas, de acordo com sua convicção, conquanto que de forma fundamentada. Aliás, é o que determina o artigo 29 do Decreto n° 70.235/1972, como segue: “Seção VI Do Julgamento em Primeira Instância [...] Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Assim, o pleito da recorrente não tem o condão de macular a decisão recorrida, porquanto o julgador de primeira instância procedeu nos termos da legislação de regência, exarando decisão fundamentada, debatendo acerca das razões pertinentes lançadas pela contribuinte, formando livremente sua convicção, nos termos do dispositivo legal encimado. Quanto ao indeferimento do pedido de diligência para produção de prova, igualmente, decidiu acertadamente o ilustre julgador de primeira instância. Além de a recorrente não atender os requisitos para concessão da perícia, inscritos no artigo 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72, a autoridade recorrida já tinha formado sua convicção no sentido de Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, 15/08/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 11065.005076/200859 Acórdão n.º 240101.908 S2C4T1 Fl. 240 5 manter o lançamento fiscal com base nos demais documentos constantes dos autos, sendo despicienda a realização de prova pericial. Com efeito, a produção de prova pericial se faz necessária quando indispensável ao deslinde da questão, não se prestando para fins protelatórios, o que impõe o seu indeferimento nos termos do artigo 38, § 2º da Lei nº 9.784/99 c/c o artigo 16, inciso IV, § 1º do Decreto n° 70.235/72, in verbis: “Lei 9.784/99 Art. 38. [...] § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou pretelatórias.” “Decreto 70.235/72 Art. 16. [...] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.” Mais a mais, tratandose de matéria de fato, caberia a contribuinte ao ofertar a sua defesa produzir a prova em contrário através de documentação hábil e idônea. Não o fazendo, é de se manter o lançamento, corroborado pela decisão de primeira instância. Registrese, por fim, que a contribuinte em seu Recurso Voluntário, a exemplo das fases anteriores do processo administrativo, não apresentou nenhuma documentação capaz de comprovar que os valores lançados não condizem com a verdade. Na esteira desse entendimento, não se cogita em improcedência do feito, tendo em vista que o fiscal autuante agiu da melhor forma, com estrita observância da legislação tributária aplicável à espécie, impondo a manutenção da decisão recorrida em sua plenitude. Mais a mais, relativamente às questões de inconstitucionalidades argüidas pela contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como a multa ora exigida, encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, 15/08/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 6 Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Súmula nº 02, do 2º Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, assim estabelece: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.” E, segundo o artigo 72, § 4 º do Regimento Interno do CARF, as Súmulas dos Conselhos de Contribuintes, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, 15/08/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 11065.005076/200859 Acórdão n.º 240101.908 S2C4T1 Fl. 241 7 a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida e/ou macular o crédito previdenciário ora exigido, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente debatidas/rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, no mérito, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar a preliminar de realização de perícia e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo incólume a decisão de primeira instância, pelos seus próprios fundamentos. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, 15/08/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE
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Numero do processo: 19515.003300/2004-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2003
MPF. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS.
A verificação obrigatória de correspondência entre os valores declarados e os
valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração, em relação aos
tributos e contribuições administrados pela RFB, nos últimos cinco anos,
alcança a fiscalização da contribuição para o PIS e a Cofins.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador,
cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos
moldes da legislação que a instituiu.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União
decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da
Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia Selic
para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-000.991
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2003 MPF. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. A verificação obrigatória de correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração, em relação aos tributos e contribuições administrados pela RFB, nos últimos cinco anos, alcança a fiscalização da contribuição para o PIS e a Cofins. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Alexandre Gomes. Ausente o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a empresa PADROEIRA COMÉRCIO DE PAPEL LTDA. foi lavrado autos de infração para exigir o pagamento de PIS e de Cofins, relativo aos períodos de apuração ocorridos entre janeiro de 2002 e março de 2003, tendo em vista que a Fiscalização constatou que a interessada não pagou ou declarou à RFB as exações lançadas, cujos valores foram apurados com base na sua escrita fiscal e contábil. A autoridade lançadora considerou o Sr. MARCOS APARECIDO CARREIRA, CPF nº 083.889.45858, pessoalmente responsável pelas infrações à lei cometidas na direção da empresa recorrente. Não se conformando, a empresa interessada insurgese contra a exigência fiscal, cujos argumentos de defesa estão sintetizados no Relatório do Acórdão recorrido, que leio em sessão. A DRJ no Rio de Janeiro RJ manteve o lançamento, nos termos do Acórdão no 1318.785, de 31/01/2008, cuja ementa apresenta o seguinte teor: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2002, 01/06/2002 a 31/07/2002, 01/09/2002 a 31/03/2003, 01/05/2004 a 31/05/2004, 01/08/2004 a 31/08/2004 MPF VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS As normas que regem o Mandado de Procedimento Fiscal autorizam a fiscalização a levar a efeito as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores tenham ocorrido nos cinco anos que antecedem a emissão do MPF e no período de execução do procedimento fiscal. VALORES DECLARADOS EM DCTF. IN A partir do anocalendário 1999, apenas os valores a pagar declarados em DCTF têm caráter de confissão de dívida, não sendo, portanto, passíveis de constituição e exigência por meio de lançamento de oficio. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE Não compete à Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.003300/200419 Acórdão n.º 330200.991 S3C3T2 Fl. 6.8 3 autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de oficio pelos percentuais legalmente determinados. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Procede a cobrança de encargos de juros com base na taxa Selic, porque se encontra amparada em lei, cuja constitucionalidade não pode ser aferida na esfera administrativa. Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2003 MPF VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS As normas que regem o Mandado de Procedimento Fiscal autorizam a fiscalização a levar a efeito as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos 410 tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores tenham ocorrido nos cinco anos que antecedem a emissão do MPF e no período de execução do procedimento fiscal. VALORES DECLARADOS EM DCTF. A partir do anocalendário 1999, apenas os valores a pagar declarados em DCTF têm caráter de confissão de dívida, não sendo, portanto, passíveis de constituição e exigência por meio de lançamento de oficio. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de oficio pelos percentuais legalmente determinados. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Procede a cobrança de encargos de juros com base na taxa Selic, porque se encontra amparada em lei, cuja constitucionalidade não pode ser aferida na esfera administrativa. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Ciente da decisão de primeira instância em 10/09/2008, fl. 448, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 10/10/2008, no qual alega, em apertada síntese, que: 1 preliminarmente, a exigência está eivada de vícios que o torna nulo porque: (i) houve infringência à correta capitulação legal; (ii) o procedimento não estava autorizado pelo MPF; e (iii) tributou a recorrente por presunção legal, sob a alegação de omissão de receita; 2 relativamente ao mérito, questiona a multa de ofício, os juros de mora com base na taxa selic, os “juros sobre correção monetária” e que o Sr. Marcos Carreira não pode ser responsável pelo crédito lançado. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva, relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais e, desta forma, dele conheço. Contra a empresa recorrente foi lavrado auto de infração de PIS e de Cofins em face da falta de pagamento ou de declaração dos débitos lançados, cujos valores foram apurados com base na escrita fiscal e contábil da recorrente. Junto com as contribuições, foi lançado multa de ofício de 75% e juros de mora calculados com base na taxa Selic. Ambos os acréscimos legais incidiram sobre o valor original das contribuições. Por serem absolutamente impertinentes, deixo de apreciar os argumentos da recorrente de que foi tributada “por presunção legal, sob a alegação de omissão no registro de receitas” e de que incidiu “juros sobre correção monetária”. Tais fatos não ocorreram, como se pode facilmente constar na descrição dos fatos da autuação e no demonstrativo de apuração dos juros de mora. Quanto à alegação de que ocorreu erro na capitulação legal, a empresa não aponta o erro a que se refere e, na verdade, a capitulação legal estar perfeita, nada havendo a reparar. Mais ainda, o fato a ela atribuído é simples e cristalino: não pagou e nem declarou à RFB os valores lançados. Só isso e nada mais. Quanto a alegação de que o MPF não autorizava o lançamento também enganase a recorrente porque o mesmo foi emitido no dia 10/06/2003 e determinava que a autoridade fiscal efetuasse as verificações obrigatórias, nos seguintes termos: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.003300/200419 Acórdão n.º 330200.991 S3C3T2 Fl. 7.8 5 VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS: correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, nos últimos cinco anos. No caso dos autos, o PIS e a Cofins referemse a períodos de apuração ocorridos entre janeiro de 2002 e março de 2003 e os valores foram apurados com base na escrituração fiscal e contábil da recorrente e ficou comprovado que não houve pagamento das exações e nem foi apresentado a correspondente DCTF. Portanto, não há no lançamento nenhum vício que o macule. Razão pela qual rejeito a preliminar de nulidade do lançamento. Relativamente às alegações de mérito, também descabe razão à recorrente, pelas razões a seguir expostas. Com relação ao percentual da multa de ofício lançada, não cabe à autoridade administrativa, por absoluta falta de competência, conhecer as alegações relativas ao seu caráter confiscatório (exorbitante), a teor dos arts. 97 e 102 da CF/88. Os juízos quanto ao princípio do nãoconfisco tributário e da proporcionalidade da reprimenda em relação à falta têm como destinatário imediato o legislador ordinário e não autoridade administrativa. Estando o percentual da multa fixado em lei, cabe à Administração apenas velar pelo seu fiel cumprimento. No caso em tela, a multa de ofício aplicada foi a prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/961. Quanto à utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, o CARF firmou entendimento de que a mesma é cabível, a teor da Súmula CARF no 4 (DOU de 22/12/2009) abaixo reproduzida: Súmula CARF no 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Quanto à responsabilidade pessoal do Sr. Marcos Carreira ratifico a decisão de primeira instância, cujos argumentos adoto integralmente. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19992, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10680.004658/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2005
Ementa: DESPESAS ODONTOLÓGICAS. COMPROVAÇÃO.
Podem ser deduzidos como despesas odontológicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, limitando-se aos pagamentos especificados e comprovados.
Numero da decisão: 2101-001.189
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 Ementa: DESPESAS ODONTOLÓGICAS. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas odontológicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, limitando-se aos pagamentos especificados e comprovados.
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COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas odontológicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, limitandose aos pagamentos especificados e comprovados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) __________________________________________ JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, José Evande Carvalho Araújo, Gonçalo Bonet Allage, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Fl. 57DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório Em desfavor de CÉLIA MELO SIMÕES COELHO foi emitida a Notificação de Lançamento às fls. 27 a 30, na qual é cobrado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) suplementar correspondente ao anocalendário de 2004 (exercício 2005), no valor total de R$ 3.411,97 (três mil, quatrocentos e onze reais e noventa e sete centavos) que, acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 30 de março de 2007, perfaz um crédito tributário total de R$ 6.963,82 (seis mil, novecentos e sessenta e três reais e oitenta e dois centavos). Em 23 de abril de 2007, foi apresentada Impugnação (fls. 01 e 02), na qual a contribuinte alega que os pagamentos por serviços médicos feitos a Genaro Teixeira do Nascimento (CPF 576.538.60672), no valor de R$ 7.750,68 (sete mil setecentos e cinqüenta reais e sessenta e oito centavos) e Paulo Márcio Morais Monteiro (CPF 506.771.10600), no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), glosados pela Fiscalização, foram comprovados por meio das declarações dos médicos. Assim sendo, entende que o imposto lançado não é devido, tendo havido, portanto, excesso de exação e abuso de poder. As infrações apontadas pela Fiscalização e mantidas na decisão da 9.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte encontramse relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 28. A Fiscalização procedeu a glosa de despesas médicas, alegando falta de comprovação/amparo legal, por não terem sido comprovados pela contribuinte os pagamentos feitos a Genaro Teixeira do Nascimento, no valor de R$ 7.750,68 e Paulo Marcio Morais Monteiro, no valor de R$ 5.000,00. A 9.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, em seu Acórdão n.º 0223.2849, anexo aos presentes autos às fls. 32 a 37, julgou improcedente a Impugnação e manteve integralmente o crédito tributário lançado, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 GLOSA DE DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS. Mantémse a glosa de dedução a titulo de despesas médicas, quando não forem apresentados documentos hábeis que comprovem o efetivo pagamento pela prestação dos serviços, devendo ser aceitas aquelas devidamente comprovadas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente cientificada dessa decisão em 11 de novembro de 2009 (fls. 90), a contribuinte ingressou, em 03 de dezembro do mesmo ano, com tempestivo Recurso Voluntário, no qual sustenta que as despesas médicas apresentadas e glosadas referemse à prestação de serviços odontológicos, e que os profissionais, ao receberem as importâncias correspondentes, declararam a prestação dos serviços à Receita Federal e recolheram as importâncias devidas ao imposto de renda. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.004658/200717 Acórdão n.º 210101.189 S2C1T1 Fl. 53 3 Declara ter comprovado suas alegações mediante a apresentação de declarações dos profissionais, nas quais eles afirmam ter recebido as importâncias e recolhido os impostos. E, a prevalecer a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, haverá duplicidade nos pagamentos. Esclarece ainda que, ao receber sua pensão, no início de cada mês, faz um saque no valor de seus compromissos, não sendo possível, portanto, comprovar os pagamentos feitos aos mencionados profissionais nem com cheques nominais nem por meio dos saques em valores equivalentes. Requer, portanto, a revisão da decisão proferida. É o Relatório. Voto Conselheiro Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. Em sua peça recursal, a contribuinte pede a reforma da decisão de primeira instância administrativa, por entender que as despesas feitas com odontólogos e utilizadas como deduções na sua declaração de imposto de renda de pessoa jurídica de ajuste estão plenamente comprovadas, por meio da apresentação dos recibos e das declarações dos profissionais, nas quais eles afirmam ter recebido as importâncias e recolhido os impostos. Sobre a forma como devem ser comprovadas as deduções utilizadas, na declaração de imposto sobre a renda de pessoa física, com despesas médicas e odontológicas, assim prescreve o artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999, cuja matriz legal é o artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Fl. 59DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) Depreendese, do dispositivo acima transcrito, que os comprovantes de despesas, para fins de dedução do imposto sobre a renda, devem demonstrar tanto o efetivo pagamento feito pelo contribuinte quanto o recebimento do valor correspondente pelo prestador do serviço, em decorrência da referida prestação, ao próprio contribuinte ou a dependente seu, tudo de forma especificada. As deduções correspondentes aos pagamentos feitos a Genaro T. Nascimento foram demonstradas pela Recorrente mediante as declarações anexas às fls. 04, 05 e 48 dos presentes autos. As referidas declarações não são suficientes para cumprir os requisitos dos incisos II e III do § 1.º do artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999, que exigem a comprovação não somente do serviço prestado, mas do efetivo desembolso do contribuinte em pagamento pela sua prestação. Sendo assim, por não estarem comprovadas de acordo com as normas reguladoras da matéria, tais despesas não podem ser aceitas como deduções do imposto sobre a renda. Da mesma forma, os pagamentos feitos a Paulo Marcio Morais Monteiro não estão adequadamente comprovados por meio dos recibos e declaração acostados às fls. 06 a 10 e 49. É que, além de demonstrar a efetiva prestação do serviço, para que a despesa possa ser utilizada como dedução do imposto sobre a renda, o contribuinte deve comprovar o efetivo desembolso do valor correspondente, e isto não foi feito pela Recorrente. Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 60DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 35087.000343/2007-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2006
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. RELATÓRIO FISCAL
MOTIVADO.
O lançamento foi realizado com base em documentação da própria
recorrente, conforme relatório fiscal.
O relatório indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos bem como a forma para se apurar o quantum devido Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao notificado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento. Desse modo, não assiste razão à recorrente de que houve omissão na motivação do lançamento.
GFIP. TERMO DE CONFISSÃO. ALEGAÇÃO DO CONTRIBUINTE
NÃO CORROBORADA POR MEIO DE PROVA.
Conforme dispõe o art. 225, § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999 os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados.
A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização, e por ela própria declarados em GFIP ou registrados nas folhas de pagamento não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. Para fins processuais, alegar sem provar é o mesmo que não alegar.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-000.938
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2006 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. RELATÓRIO FISCAL MOTIVADO. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, conforme relatório fiscal. O relatório indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos bem como a forma para se apurar o quantum devido Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao notificado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento. Desse modo, não assiste razão à recorrente de que houve omissão na motivação do lançamento. GFIP. TERMO DE CONFISSÃO. ALEGAÇÃO DO CONTRIBUINTE NÃO CORROBORADA POR MEIO DE PROVA. Conforme dispõe o art. 225, § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999 os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização, e por ela própria declarados em GFIP ou registrados nas folhas de pagamento não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. Para fins processuais, alegar sem provar é o mesmo que não alegar. Recurso Voluntário Negado
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Recorrente UNIÃO EDUCACIONAL CANDIDO RONDON UNIRONDON Recorrida DRJ CAMPO GRANDE MS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2006 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. RELATÓRIO FISCAL MOTIVADO. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, conforme relatório fiscal. O relatório indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos bem como a forma para se apurar o quantum devido Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao notificado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento. Desse modo, não assiste razão à recorrente de que houve omissão na motivação do lançamento. GFIP. TERMO DE CONFISSÃO. ALEGAÇÃO DO CONTRIBUINTE NÃO CORROBORADA POR MEIO DE PROVA. Conforme dispõe o art. 225, § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999 os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização, e por ela própria declarados em GFIP ou registrados nas folhas de pagamento não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. Para fins processuais, alegar sem provar é o mesmo que não alegar. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Edgar Silva Vidal, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriana Sato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35087.000343/200721 Acórdão n.º 230200.938 S2C3T2 Fl. 263 3 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo a relativa aos Terceiros, cujos valores foram declarados em GFIP e ou constaram em folhas de pagamentos, referente ao período compreendido entre as competências junho de 2003 a junho de 2006, fls. 109 a 110. Estão sendo cobradas as contribuições incidentes sobre a prestação de serviços por meio de contribuintes individuais e empregados; além de valores pagos a cooperativas de trabalho. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa pela autuada, fls. 163 a 170. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande exarou a decisão de fls. 186 a 193, que confirmou a procedência do lançamento. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 205 a 219. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: • A recorrente declarou e recolheu as contribuições que eram devidas; • É inconstitucional o depósito prévio; • É nula a autuação pois não estão demonstrados os fatos geradores, a fiscalização não se desincumbiu do ônus da prova; • Houve cerceamento do direito de defesa; • A recorrente não é solidária com os prestadores de serviços; • Requer provimento ao recurso interposto. Não foram apresentadas contrarazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação às fls. 261. Pressupostos superados, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES DE MÉRITO: Quanto ao argumento de que a NFLD deve ser declarada nula; não lhe confiro razão. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, conforme relatório fiscal às fls. 109 a 110; o relatório indicou os motivos do lançamento; a forma para se apurar o quantum devido, por competência, encontrase às fls. 04 a 22. Os valores foram apurados em contabilidade, folhas de pagamento e em GFIP, que são registros elaborados pela própria recorrente. Conforme dispõe o art. 225, § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, abaixo transcrito, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados. Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Desse modo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento, como da GFIP, caberia à notificada a demonstração da fundamentação de seu erro. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização, e por ela própria declarados em GFIP ou registrados nas folhas de pagamento não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. Alegar sem provar é o mesmo que não alegar. Não procede, portanto, o argumento da recorrente de que é inexato o quantum devido. Não se pode esquecer que o lançamento depois de notificado ao sujeito passivo não se torna perfeito e acabado. Esse lançamento pode ser alterado em função da impugnação Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35087.000343/200721 Acórdão n.º 230200.938 S2C3T2 Fl. 264 5 do sujeito passivo, por recurso de ofício ou por iniciativa de ofício, conforme previsão no art. 145 do CTN. O processo administrativo fiscal tem justamente a função de constituir definitivamente o crédito, assegurandolhe a certeza e a liquidez. De acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A fiscalização previdenciária provou a existência do fato gerador, com base nos termos de confissão, GFIP, elaborados pela própria recorrente, folhas de pagamento e registros contábeis. Assim, a presente NFLD não foi lavrada apenas com base em presunções, a fiscalização demonstrou, por meio de documentos elaborados pela própria recorrente, a veracidade do argumento da existência dos fatos geradores. Desse modo, não procede o argumento da recorrente de que não constam provas das alegações produzidas pelos Auditores Fiscais. E ao contrário do afirmado pela recorrente os fatos estão devidamente descritos no relatório fiscal. Mesmo tendo declarado valores em GFIP, os recolhimentos efetuados pela recorrente não foram suficiente, conforme apurado pela fiscalização. A entidade remunerou cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, bem como segurados empregados e contribuintes individuais e não recolheu o total do tributo devido. Além disso, recolheu o tributo em algumas competências a destempo, o que gerou a imputação de juros e multa, conforme lançamento DAL – Diferenças de Acréscimos Legais. As contribuições da empresa sobre os serviços prestados por contribuintes individuais, para o período compreendendo as competências maio de 1996 a fevereiro de 2000, é regulada pela Lei Complementar n ° 84/1996, nestas palavras: Art. 1º Para a manutenção da Seguridade Social, ficam instituídas as seguintes contribuições sociais: I a cargo das empresas e pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, no valor de quinze por cento do total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas; Para o período posterior à competência março de 2000, inclusive, as contribuições da empresa sobre a remuneração dos contribuintes individuais é regulada pelo art. 22, III da Lei n ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.876/1999, nestas palavras: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Inciso Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 acrescentado pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99 vigência a partir de 02/03/2000 conforme art. 8º da Lei nº 9.876/99). Uma vez que a notificada remunerou segurados, deveria a notificada efetuar o recolhimento à Previdência Social. Não efetuando o recolhimento, a notificada passa a ter a responsabilidade sobre o mesmo. À época da ocorrência dos fatos geradores para as competências até a publicação da Emenda Constitucional n ° 20/1998, assim dispunha o art. 195, I da Constituição Federal: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; (...) Conforme redação acima transcrita, não estava incluída no campo de incidência a incidência de contribuições sobre a remuneração de segurados que não se enquadrassem no conceito de folha de salários. Assim, a cobrança de contribuições sobre a remuneração de segurados não empregados somente poderia ser realizada por meio de Lei Complementar conforme previsão expressa no art. 195, § 4º da Constituição Federal nestas palavras: § 4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I. Justamente na competência residual da União foi instituída a cobrança sobre a remuneração de trabalhadores autônomos, empresários e trabalhadores avulsos, por meio da Lei Complementar n ° 84/1996, estando perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. Com a publicação da Emenda Constitucional n ° 20/1998, foi alterado o artigo 195 da Constituição Federal, passando a contar com a seguinte redação: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício (...) Como se verifica, a partir de então as contribuições sobre a remuneração de contribuintes individuais passou a estar prevista no art. 195, I, a da Constituição Federal. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35087.000343/200721 Acórdão n.º 230200.938 S2C3T2 Fl. 265 7 Assim, não mais abrangida na competência residual da União, poderia sua instituição se dar por meio de Lei Ordinária, e assim o fez a Lei n ° 9.876/1999 que alterou a contribuição das empresas. O art. 22, IV da Lei n ° 8.212/1991 prevê a obrigatoriedade de as empresas tomadoras de serviço efetuarem o recolhimento das contribuições devidas sobre a nota fiscal, quando a prestadora de serviço for uma cooperativa de trabalho. Assim, a cota patronal sobre os segurados cooperados filiados à cooperativa de trabalho é custeada pela tomadora de serviços e não pela própria cooperativa de trabalho. Caso a cooperativa também tivesse que arcar com as contribuições haveria mais de um ente colaborando para a previdência dos segurados cooperados filiados à cooperativa de trabalho. No caso, a recorrente tomou serviços das cooperativas arroladas no relatório fiscal. Portanto, nesse ponto, não merece reparo a decisão de primeira instância. A obrigação de efetuar o desconto das contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais é devida a partir da competência abril de 2003, por força do art. 4º da Lei n ° 10.666, resultado da conversão da Medida Provisória n ° 83/2002, nestas palavras: Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência. Mesmo não efetuando os referidos descontos a responsabilidade, perante a Previdência Social, sempre será da entidade contratante, conforme previsto no art. 33, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 33 (...) §5ºO desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Em função do disposto no § 4º do art. 30, combinado com o art. 21 ambos da Lei n ° 8.212/1991, as empresas em geral devem descontar, a partir de 1º de abril de 2003, 11% sobre a remuneração dos contribuintes individuais. Nesse sentido é explicito o previsto no § 26 do art. 216 do Regulamento da Previdência Social, nestas palavras: A alíquota de contribuição a ser descontada pela empresa da remuneração paga, devida ou creditada ao contribuinte individual a seu serviço, observado o limite máximo do salário decontribuição, é de onze por cento no caso das empresas em geral e de vinte por cento quando se tratar de entidade beneficente de assistência social isenta das contribuições sociais patronais. (Nova redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Em relação à contribuição devida pelos próprios segurados há o limite máximo do RGPS; entretanto o desconto sempre se presume realizado oportuna e regularmente; desse modo para não ter efetuado o desconto caberia à própria recorrente demonstrar que os segurados já haviam recolhido sobre o limite máximo do saláriode contribuição. Desse modo, ao contrário do afirmado pela recorrente, não há que se falar de solidariedade entre a tomadora e os segurados contribuintes individuais. Em relação à cota patronal a empresa é contribuinte, em relação às contribuições devidas pelo próprio segurado, a empresa é substituta tributária. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da DecisãoNotificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13808.001466/99-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Constatada a existência de contradição e/ou omissão, devem ser os embargos acolhidos para sanar os vícios apontados.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 1202-000.488
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos opostos para sanar o erro e obscuridade apontados, sem, contudo alterar a decisão consubstanciada no Acórdão 120200.310.
Nome do relator: VALERIA CABRAL GEO VERCOZA
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Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos opostos para sanar o erro e obscuridade apontados, sem, contudo alterar a decisão consubstanciada no Acórdão 120200.310. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) Valéria Cabral Géo Verçoza Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando José Gonçalves Bueno, Valéria Cabral Géo Verçoza, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Flávio Vilela Campos, Jaci de Assis Junior. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por CARLOS ALBERTO DO NASSOLO Processo nº 13808.001466/9947 Acórdão n.º 120200.488 S1C2T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão 120200.310, da sessão de 05 de julho de 2010, cuja decisão, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito deu provimento parcial ao recurso voluntário para remanescer como receita postergada o montante de R$ 4.083,00. A Procuradoria da Fazenda Nacional opôs os presentes embargos por entender haver omissão e contradição no referido acórdão. Os embargos estão assim redigidos (fls. 366e 367): Como se depreende da r., decisão de 1a Instância (fls. 309), já havia sido julgado PROCEDENTE EM PARTE, o lançamento, com a determinação de que fossem ajustados os subitens 7.4 e 7.5 do Termo de Constatação Fiscal, devido à exclusão do valor de R$ 6.180,76, relativo à nota fiscal no 7.994, tendo como sacado a Caixa de Pensões dos Servidores Públicos Municipais de Santo André. Com efeito, baseado no dito acima, nãohavia razão para que o v. acórdão desse provimento na parte que diz respeito à mencionada nota fiscal, conforme consta na conclusão do votocondutor do v. acórdão ora embargado, verbis: Isto posto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, e no mérito, dar provimento parcial ao recurso para considerar como receita postergada apenas o valor de R$ 4.083, relativo às notas fiscais 7980, 7998, 7999 e 8000, excluindo as notas fiscais 7979, 7982, 7983, 7991, 7992, 7993 7994, 7995, cuja receita soma R$ 208.406,47. Sobre tal aspecto, não houve pronunciamento do v. acórdão ora embargado, devendo ser sanada a omissão ora apontada. Por outro lado, analisandose o somatório constante no quadro de fls. 362 v. do votocondutor, temos a indicação de um montante de R$ 280.406,47 o que destoa da conclusão do julgado, que diz que a receita somou R$ 208.406,47 (fls.363) Assim, merece ser extirpada a mencionada contradição. Diante do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer sejam conhecidos e providos os presentes Embargos de Declaração, a fim de serem sanados os vícios apontados (omissão e contradição). É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por CARLOS ALBERTO DO NASSOLO Processo nº 13808.001466/9947 Acórdão n.º 120200.488 S1C2T2 Fl. 3 3 Voto Conselheira Valéria Cabral Géo Verçoza Os embargos opostos pela Fazenda Nacional apontam omissão e contradição no acórdão 120200.310. Por entender presentes os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Quanto à exclusão da nota fiscal 7994 em duplicidade, razão assiste à embargante pois, no voto condutor de 1a. Instância a ilustre Relatora excluiu do cálculo o valor relativo a essa nota. Entretanto, cabe aqui salientar que a informação contida na conclusão do voto em nada afeta o dispositivo, pois, na verdade, o que realmente importa é o valor mantido de receita postergada, que não merece qualquer reparo. Assim sendo, para sanar quaisquer dúvidas que ainda possam existir, esclareço que em 2a Instâncias foram excluídas as seguintes notas fiscais, em seus valores originais: Número nota fiscal Destinatário Valor Fls. 7979 SAAEG Serviço Autônomo de Águas e Esgoto de Guaratinguetá 15.726,36 226 7982 Prefeitura de Sumaré 44.480,10 184 7983 Prefeitura de Sumaré 98.641,48 193 7991 Prefeitura de São Paulo 17.446,86 247 7992 Prefeitura Municipal de Olímpia 23.407,00 260 7993 Prefeitura Municipal de Olímpia 17.905,04 262 7995 Prefeitura Municipal de Santo André 56.618,87 274 274.225,71 Cumpre destacar que no lançamento efetuado pelo AFRF, o valor considerado em relação à nota 7982 foi de R$ 42.626,76 e em relação a nota fiscal 7983 foi de R$ 94352.72 (vide fls.86) Repitase, a nota fiscal 7994 foi excluída do cálculo no acórdão da decisão de 1a. instância. Quanto ao segundo ponto levantado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, tratase de mero erro de digitação pois ocorreu uma inversão de números. A soma correta seria R$ 280.406,47 Portanto, em resumo a decisão de 2a. instância manteve como receita postergada o montante de R$ 4.083,00 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por CARLOS ALBERTO DO NASSOLO Processo nº 13808.001466/9947 Acórdão n.º 120200.488 S1C2T2 Fl. 4 4 Isso posto, voto por acolher os embargos declaratórios para sanar a omissão e contradição apontadas, sem contudo alterar a decisão consubstanciada no acórdão 1202.00 310. (documento assinado digitalmente) Valéria Cabral Géo Verçoza Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por CARLOS ALBERTO DO NASSOLO
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