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Numero do processo: 13839.003547/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2006
IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE.
A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do Imposto de Renda Pessoa Física está condicionada à comprovação hábil e idônea.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-001.793
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do Imposto de Renda Pessoa Física está condicionada à comprovação hábil e idônea. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. (ASSINATURA DIGITAL) Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. (ASSINATURA DIGITAL) Francisco Marconi de Oliveira Relator. EDITADO EM: 15/03/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Atílio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Ausente justificadamente a Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Contra a contribuinte já qualificada nestes autos foi lavrada a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006 (fl. 14), apurandose o imposto suplementar de R$ 9.920,72 (nove mil, novecentos e vinte reais e setenta e dois centavos), acrescido de multa de ofício e juros de mora. As glosas na declaração foram efetuadas por falta de comprovação da contribuição à previdência privada, das despesas médicas e com instrução. A contribuinte não impugnou as despesas com instrução, de R$ 2.075,00 (dois mil e setenta e cinco reais), e com a previdência privada, de R$ 9.714,11 (nove mil, setecentos e quatorze reais e onze centavos), sendo o crédito tributário correspondente transferido para cobrança, permanecendo nos autos apenas a parte relativa à glosa das despesas medicas. Do total de R$ 24.398,80 (vinte e quatro mil, trezentos e noventa e oito reais e oitenta centavos) declarados, permaneceram glosados R$ 22.000,00, dos recibos abaixo relacionados: a) três recibos emitidos por Rogério Pinto de Almeida Gomes, referentes a serviços profissionais prestados (R$ 3.000,00 do mês de agosto, R$ 3.000,00 do mês de setembro, R$ 2.000,00 no mês de novembro), todos sem registro do dia – valor total R$ 8.000,00; b) dez recibos emitidos por Monike Jardini, referentes a consultas médicas (datados do vigésimo dia dos meses de fevereiro a novembro, sendo que os de fevereiro, março e novembro recaem no domingo), no valor de R$ 900,00 cada – valor total R$ 9.000,00; e c) doze recibos emitidos por Maria Carolina P. Scoz, referente a consultas de psicologia (oito de R$ 400,00 cada, datados de 28/1/2005, 26/2/2005, 24/3/2005, 28/5/2005, 25/6/2005, 27/8/2005, 24/9/2005 e 26/11/20065; e quatro de R$ 500,00 cada, datados de 30/4/2005, 30/7/2005, 29/10/2005 e 30/12/2005) – valor total R$ 5.200,00, porém glosado o valor declarado de R$ 5.000,00. A contribuinte apresentou impugnação contestando a glosa das despesas médicas, informando que o comprovante emitido pelo Dr. Rogério Pinto de Almeida Gomes está perfeitamente preenchido, com exceção de um deles, que falta o nome da cidade e do estado. Em relação aos demais recibos, diz que realmente faltavam os requisitos exigidos pelo Decreto nº 3.000/1999, mas que foram devidamente preenchidos pelos profissionais que os expediram. A impugnação foi julgada improcedente pela 11ª Turma da DRJ/SPO II, tendo em vista que os recibos foram considerados válidos para comprovação das despesas. Cientificada da decisão de primeira instância, em 10 de fevereiro de 2011 (fl. 36), a contribuinte apresentou recurso voluntário no dia 4 do mês subsequente (fls. 37/38), alegando que: a) os recibos médicos e odontológicos são autênticos; Fl. 74DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 13839.003547/200901 Acórdão n.º 210201.793 S2C1T2 Fl. 67 3 b) incluiu no processo as declarações expedidas pelos profissionais emitentes dos recibos, com todas as exigências solicitadas, para comprovar a veracidade dos serviços prestados; c) desconhecia as exigências do art. 8º, § 1º, III do Regulamento do Imposto de Renda; d) ainda que esteja ausente o nome da paciente, todos os recibos estão em nome da declarante; e) que não atentou para detalhes exigidos pelos analistas, tais como: local de expedição de alguns recibos, dias de expedição e recibos datados em dia de domingo; e f) deve ser dada prioridade na tramitação do processo nos termos do art. 69 A, itens I e IV da Lei nº 9.784/1999. A contribuinte anexa ao recurso, às fls. 39/61, os recibos citados e as declarações dos prestadores de serviços. As declarações, em síntese: (a) confirmam a recorrente como paciente; e (b) informam a somatória dos recibos emitidos, o local da expedição dos recibos e o endereço da declarante. Difere do padrão a declaração do Sr. Rogério Pinto de Almeida, que acrescenta os dias da expedição, não informados nos recibos, como sendo 16 de agosto, 14 de setembro e 18 de novembro. As declarações foram elaboradas em folhas em branco, sem timbre, endereçamento ou detalhamento dos prestadores de serviço, com exceção de um relatório médico emitido pela Sra. Ana Olga N. G. Fernandes Mies. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. A matéria em exame restringese a uma parcela das deduções com despesas médicas, cujos recibos foram considerados sem validade, e o presente processo está sendo analisado em conjunto com outro similar, de nº 13839.003548/200947, referente ao exercício 2007. De acordo com o artigo 8º da Lei nº 9.250/1996, são dedutíveis os pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. Nos termos do § 2º do mesmo diploma legal, a dedução restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; e limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou no Cadastro Geral de Contribuintes (CGC) de quem os recebeu. Verificando as despesas médicas contestadas nos dois autos (processo nº 13839.003547/200901, exercício 2006, e nº 13839.003548/200947, exercício 2007), temse em comum recibos dos profissionais Rogério Pinto de Almeida Gomes, Monike Jardini e Maria Carolina P. Scoz. Os recibos do Sr. Maercio Diogo de Oliveira foram deduzidos apenas na Declaração do exercício 2007. Entretanto, eles apresentam nuances que justificam o posicionamento da auditoria, tais como: criação de deduções, juntada de recibos emitidos em finais de semanas ou com ausência de preenchimento do dia de emissão, faltando a especificação do serviço prestado, rasurado, e um único recibo expedido com a somatória de todas as consultas realizadas no ano. Além disso, observase: a) elevado valor das despesas médicas, que importaram em R$ 24.398,80 na declaração do exercício 2006 e R$ 28.297,68 em 2007; e b) elevado valor de deduções apresentadas nas Declarações de Ajuste Anual, em termos absoluto e relativo – R$ 40.349,68 no exercício 2006 e 33.046,66 no exercício 2007 –, representando, respectivamente, 49,84% e 43,74% do total dos rendimentos tributáveis declarados. As deduções são elevadas e os recibos e as declarações juntados aos autos são imprecisos e não cumprem os requisitos mínimos invocados, porquanto, limitamse a informações genéricas e inespecíficas, com a falta de indicação de procedimentos, endereço dos supostos prestadores dos serviços, o local e dia da emissão. Reforça o posicionamento da auditoria o fato de a contribuinte ter inserido como deduções despesas para as quais sequer apresentou defesa, como a que se refere à “contribuição à previdência privada e Fapi” e às “despesas com instrução”, no exercício 2006. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 13839.003547/200901 Acórdão n.º 210201.793 S2C1T2 Fl. 68 5 Nesse contexto, cabe ao fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo. A dedução das despesas médicas na declaração da contribuinte pode ser condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, não bastando a disponibilidade de simples recibos ou declaração dos profissionais que teriam supostamente prestados os serviços. A litigante não teria dificuldade alguma em prover tal espécie de prova, caso houvesse efetivamente pago as despesas, tendo em vista o valor significativo e o fato de auferir rendimentos de pessoa jurídica, que os pagam por meio de instituição bancária, acabaria evidenciando a entrada e a saída dos recursos para fazer frente às despesas, mesmo que se admitisse a improvável hipótese de pagamento em espécie. Assim, os recibos e declarações anexadas aos autos não permitem a convicção da autoridade julgadora na apreciação da prova, como expresso no art. 29 do Decreto 70.235/1972. Ante ao exposto, voto para negar provimento ao recurso. (ASSINATURA DIGITAL) Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 77DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 11516.003297/2006-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO. PROTOCOLO FORA DO PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO.
O prazo para a interposição de Recurso Voluntário decorre do artigo 33 do Decreto n° 70.235/76. A interposição fora do prazo implica no não conhecimento do Recurso.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 1201-000.646
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO
CONHECER do Recurso interposto.
Nome do relator: Rafael Correia Fuso
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO. PROTOCOLO FORA DO PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. O prazo para a interposição de Recurso Voluntário decorre do artigo 33 do Decreto n° 70.235/76. A interposição fora do prazo implica no não conhecimento do Recurso. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do Recurso interposto. (documento assinado digitalmente) CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Rafael Correia Fuso, João Carlos De Lima Junior, Marcelo Cuba Netto, João Bellini Junior e Regis Magalhães Soares De Queiroz. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 11516.003297/200675 Acórdão n.º 120100.646 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase Auto de Infração que cobra a falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL, dos períodosbase de 2001 a 2005, sobre receitas provenientes de atos com não cooperados, proveniente de aluguel de postes às empresas Telesc e Brasil Telecom, sobre receitas de aplicações financeiras, sobre outras receitas e ganhos na alienação de bens do ativo imobilizado. Vejamos com detalhes a imputação fiscal através das transcrições no Relatório Fiscal: Em 01 de fevereiro de 2006 iniciamos a fiscalização no contribuinte acima qualificado em atendimento ao Mandado de Procedimento Fiscal — MPF n2 09.2.01.002006000222, o qual estabeleceu a fiscalização através das Verificações Obrigatórias pertinentes aos tributos e contribuições administrados pela SRF, no período de 02/2001 a 12/2005. 2) Os objetivos da cooperativa estão definidos em seu Estatuto Social, artigo 2° e seus parágrafo, cujo caput transcrevemos abaixo: "Art. 2° A Cooperativa tem corno objetivo principalmente a produção, a transmissão e a distribuição de energia elétrica para uso domiciliar ou industrial, de modo a atender exclusivamente seus associados, podendo, porém ter objetivo a transmissão e a distribuição, ou somente a distribuição, conforme determinarem as suas conveniências". (...) Falta de Recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL sobre receitas provenientes de atos com não cooperados. A cooperativa não recolheu o 1RPJ sobre o lucro real e a CSLL, proveniente das receitas de "Aluguel de Postes" a Brasil Telecom S.A., e sobre "Resultado não Operacional" e sobre "Receitas de Aplicação Financeira , atos praticados com não cooperados. A luz da legislação não pode um negócio jurídico ser considerado ato cooperativo, se não for praticado entre a cooperativa e o cooperado. Além do mais quando foge dos objetivos de urna cooperativa de eletrificação rural. No presente caso, as receitas são decorrentes de atos praticados com terceiros não cooperados. Essas receitas por não serem auferidas de associados, nem provenientes da atividade da cooperativa de eletrificação rural, ou seja, suprir seus associados de energia elétrica. Não sendo também receitas acessórias ou complementares ao atingimento dos objetivos da cooperativa, são consideradas corno de atos não cooperativos e sujeitas à tributação. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 11516.003297/200675 Acórdão n.º 120100.646 S1C2T1 Fl. 4 3 Aliás, por ser receita totalmente alienígena aos preceitos de uma cooperativa de eletrificação rural, fugindo inclusive aos ditames dos arts. 86, 87, 88 e Ill da Lei n° 5.764/71, deve a tributação inserir sobre a totalidade do ganho auferido em conformidade com a opção do contribuinte que apurou seu lucro pelo Lucro Real Anual. Além disso, o art. 65 da Lei n° 8.981/95, e o art. 35 da Lei n° 9.532/97 estabeleceram regras de incidência do imposto sobre rendimentos auferidos a partir de 1998, inclusive pessoa jurídica imune ou isenta. Os ganhos não operacionais devem ser tributados em sua totalidade. Não tendo a cooperativa recolhido os valores devidos do IRPJ e da CSLL aos cofres públicos, estamos lavrando o presente lançamento de oficio para exigência dos valores devidos e não pagos. Fotocópia do "Razão" com as contas: 611.03.1.9.12.31 — Outras Receitas e 67 — Resultado não Operacional estão as fls. A cooperativa foi cientificada do lançamento em 26/10/2006 e apresentou defesa administrativa em 24/11/2006. A DRJ de Florianópolis manteve o Auto de Infração, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 PRELIMINAR. CAPITULAÇÃO LEGAL IMPERFEITA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O erro na capitulação legal, a abundância na citação de dispositivos regulamentares ou mesmo a sua ausência, não acarretam a nulidade do auto de infração quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma ampla das imputações que lhe foram feitas. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO PROCESSUAL DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada junto com a impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; se refira a fato ou direito superveniente, ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. IMPUGNAÇÃO. COMPROVAÇÃO DAS ALEGAÇÕES. ONUS DO IMPUGNANTE. O ônus de comprovar as alegações opostas ao ato administrativo do lançamento é do impugnante, não se Fl. 231DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 11516.003297/200675 Acórdão n.º 120100.646 S1C2T1 Fl. 5 4 permitindo afirmações vazadas em termos genéricos ou meras alegações sem prova. O Procedimento Administrativo Fiscal, desde a edição da Lei n2 8.748, de 1993 (que alterou o Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972), não contempla a negação geral de ocorrência da infração objeto do Auto de Infração: exige a indicação dos motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir o litigante. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão de primeira instância administrativa cuja intimação se deu em 18/08/2010, a contribuinte interpõe Recurso em 20/09/2010, alegando em síntese que: Antes de qualquer inserção de mérito, propriamente dito, fazse necessário consignar da ausência de padrão na análise da impugnação do qual se faz recurso. O contribuinte deve fazer prova de suas alegações; a Fazenda Pública, segundo a decisão recorrida, não precisa. Esta condição inconstitucional, fere de morte o princípio da equidade. No procedimento fiscal restou apontamento quanto a faculdade de provar o que fato constitutivo do direito, de acordo com o caso concreto era ônus que incumbia o Fisco de fazer. Neste sentido, preleciona Humberto Theodoro Júnior: (...) Data vênia, a insurgência quanto a decisão prolatada pela Delegacia da Receita Federal cingirseá quanto as "operações" realizadas entre o Contribuinte com "Telesc e Brasil Telecom S/A". Na decisão recorrida se admite que em caso análogo, houve decisão em impugnação anulando o auto, entretanto, frisa ter havido prova documental da relação societária. Contudo, com base no princípio da eficácia e eficiência do art.37 Constitucional, afirmase, que prerrogativa do órgão julgador* requerer diligência ou mesmo a juntada de documento que comprove,a verdade real sobre o fato que vai julgar. Logo, aproveita o ensejo para juntada da ficha de associado das telefônicas, daquelas declinadas na impugnação. Ademais, por disposição legal, verificasse que as telefônicas até a assinatura do contrato de permissão, não poderiam beneficiar se da rede de distribuição caso não fossem associadas. O art.3° da Lei das Cooperativas declara que "celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro". No caso de cooperativas de eletrificação rural, a lei faz mais uma exceção, já que somente participam das ações pertinente a distribuição de energia elétrica os associados. Está no art.29, § Fl. 232DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 11516.003297/200675 Acórdão n.º 120100.646 S1C2T1 Fl. 6 5 3 ° , que "nas cooperativas de eletrificação, irrigação e telecomunicações, poderão ingressar as pessoas jurídicas que se localizem na respectiva área de operações". Conclui, que a sociedade cooperativa não poderia prestar serviços ou dispor, permitir a utilização de seu patrimônio, sendo em favor de associado. Contudo, havendo operação entre o Contribuinte recorrente e as telefônicas declinadas na impugnação, não há dúvidas quanto a condição de cooperados, não há outra forma de interpretação. Partindo desta premissa, competia ao Fisco comprovar que as telefônicas não constavam do quadro social da cooperativa. Em face do até agora exposto, merece o auto de infração ser declaro reformado, para extinguir o crédito tributário lançado com base no aluguel da rede para o serviço de telefonia. Considerando a natureza de cooperado na relação havida entre o Contribuinte recorrente e as companhias telefônicas, afirmase indevido os lançamentos relativos a IRPJ e CSLL. Não juntou nenhuma prova de que as empresas Telesc e Brasil Telecom são empresas cooperadas. Este é o relatório! Voto Conselheiro RAFAEL CORREIA FUSO O Recurso é intempestivo e não merece conhecimento, visto que o contribuinte foi intimado da decisão da DRJ em 18/08/2010 (quartafeira), iniciando a contagem de prazo no dia 19/08/2010, encerrandose, nos termos do artigo 5° e 33 do Decreto n° 70.235/76, no dia 17/09/2010. Em razão do Recurso Voluntário ter sido protocolado no dia 20/09/2010, não atendeu aos requisitos legais, por isso não merece conhecimento. Não atendimento ao disposto no artigo 33 do Decreto n° 70.235/76. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO DO RECURSO VOLUNTÁRIO por intempestividade. É como voto! (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator Fl. 233DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 11516.003297/200675 Acórdão n.º 120100.646 S1C2T1 Fl. 7 6 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
score : 1.0
Numero do processo: 10280.004328/2003-19
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO- APRESENTAÇÃO IRREGULAR
– Tendo em vista a observância os princípios da finalidade, da razoabilidade, do interesse público e da eficiência, bem como o critério da interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, tudo nos termos da Lei n° , 9.784/99, descabe sequer analisar pedido de compensação do contribuinte por estar em desacordo com a formalidade prevista.
Numero da decisão: 1102-000.160
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por de votos, DAR provimento ao
recurso para deteuninar que a autoridade administrativa competente acolha as declarações de compensação apresentadas em meio físico e as analise, nos temos do relatório e voto que integram o julgado. O Conselheiro Marcelo Cubas acompanhou a Relatora pelas conclusões.
Nome do relator: SANDRA FARONI
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I , MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10280.004328/2003-19 Recurso n° 154.546 Voluntário Acórdão n° 1102-00.160 – 1' Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2010 Matéria Compensação Recorrente Banco da Amazônia S/A Recorrida Tui ma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte- MG DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO- APRESENTAÇÃO IRREGULAR – Tendo em vista a observância os princípios da finalidade, da razoabilidade, do interesse público e da eficiência, bem como o critério da interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, tudo nos termos da Lei n° , 9.784/99, descabe sequer analisar pedido de compensação do contribuinte por estar em desacordo com a formalidade prevista. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por de votos, DAR provimento ao recurso para deteuninar que a autoridade administrativa competente acolha as declarações de compensação apresentadas em meio físico e as analise, nos temos do relatório e voto que integram o julgado. O Conselheiro Marcelo Cubas acompanhou a Relatora pelas conclusões. 9 --- r----;) — SANDRA FARONI – Presidente e Relatora EDITADO EM 7 J U N 2G1 O Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Sandra Maria Faroni (Presidente), João Carlos de Lima Júnior (Vice Presidente), Mário Sérgio Fernandes Barroso, José Carlos Passuello , Marcelo Cuba Neto (suplente convocado) e Valmir Sandri (Conselheiro Substituto) Processo n° 10280.004328/2003-19 S1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.160 Fl. 2 Relatório Cuida-se de recurso voluntário interposto por Banco da Amazônia S/A em face da decisão da 1' Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte, que indeferiu sua manifestação de inconformidade com a decisão da DRF em Belém, denegatória da homologação de Declarações de Compensação no valor total de R$424.200,75, tendo por fundamento pagamento a maior ou indevido de CSLL (fato gerador de 31/12/97), PIS e COFINS (fatos geradores de setembro e outubro de 2002). Assim, o objeto da controvérsia é a homologação de compensações que o contribuinte diz ter levado a efeito nos meses de novembro e dezembro de 2002, conforme declarado nas DCTF do 40 trimestre de 2002. À época vigorava o art. 74 da Lei n° 9.430/96 com a redação dada pela Medida Provisória 66/2002, e as compensações não foram homologadas pela autoridade administrativa ao fundamento de que o peticionário não apresentou a Declaração de Compensação de acordo com as disposições da legislação, que exigia sua formalização por meio eletrônico. A defesa do contribuinte centra-se na alegação de ter sido induzido a erro pela redação da IN 210/2002, que seria, no seu entender, omissa quanto à necessidade de apresentação de pedido de compensação quando se tratasse de créditos e débitos relativos a tributos ou contribuições da mesma espécie. Segundo alega, como na vigência do art. 63 da Lei 8.383/91 a compensação nessas condições era efetuada pelo próprio contribuinte, independentemente de declaração, ficando sujeita a posterior homologação por parte da fiscalização, e como a IN 21/97 só previu a apresentação de declaração de compensação na hipótese de tributos ou contribuições de espécies diferentes, entendeu que a IN 210/2002 só exigia a declaração em casos de tributos de espécies diferentes. Assim, não apresentou as declarações de compensação. Ao ser esclarecido da necessidade de apresentação da declaração, tentou fazê-lo por meio eletrônico, mas o programa não aceitou a geração da declaração. Por isso, apresentou-a em meio fisico em 14 de novembro de 2003, o que motivou sua recusa, uma vez que exigida a apresentação em meio eletrônico. O recurso foi levado a julgamento na sessão de 06 de dezembro de 2007, quando o colegiado (Primeira Câmara do Primeiro Conselho) resolveu converter o julgamento em diligência ao órgão de origem para que fossem prestados os seguintes esclarecimentos: (a) Se as DCTFs de fls 7, 8, 12 , 18, 19, 23, 29 e 30, foram regularmente apresentadas (transmitidas) à SRF, e em que datas. (b) Se os pagamentos de fls. 6, 11, 16, 17, 22, 27 e 28 encontram-se na base da Receita Federal, e se foram integral ou parcialmente alocados a algum débito. Retornam agora os autos com a informação de que as DCTF perquiridas foram, de fato, transmitidas à SRF e que os pagamentos perquiridos encontram-se na base de dados da RFB, parcialmente alocados. É o relatório. 2 Processo n° 10280.00432812003-19 S1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.160 Fl. 3 Voto Conselheira SANDRA FARONI, Relatora No voto condutor da Resolução n° 101-02.638, assentei ser indiscutível que, à época em que o contribuinte declarou as compensações em DCTF, já estava em vigor a nova redação do art. 74 da Lei 9.430/96, bem como o § 1° do art. 21 da Instrução Normativa 210/2002, que exigiam a apresentação de Declaração de Compensação para quaisquer compensações. Ponderei, entretanto, ser inegável que a nova disciplina gerou dúvidas, tanto que, como lembra o recorrente, em maio de 2003, pela IN SRF n° 323/2003 foi acrescentado o § 6° ao art. 21 da IN 210, deixando expresso que "a Declaração de Compensação deverá ser apresentada pelo sujeito passivo ainda que o débito e o crédito objeto da compensação se refiram a um mesmo tributo ou contribuição.". Assim, não obstante a autoridade administrativa, que recusou as declarações apresentadas em meio físico, e a Tuima de Julgamento, que indeferiu a manifestação de inconformidade do contribuinte, terem agido em cumprimento ao preceito hierárquico, uma vez que vinculados ao cumprimento das orientações emanadas da Secretaria da Receita Federal, entendo que o aspecto formal não deve ser levado ao extremo de prejudicar um direito do contribuinte. A Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública prevê a observância dos princípios, entre outros, da finalidade, da razoabilidade, do interesse público e da eficiência, e a observância de critérios vários, entre os quais a interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige. Considerando que as compensações foram declaradas em DCTF efetivamente transmitidas à Receita Federal, e que os pagamentos se encontram na base de dados da RFB, não me parece razoável sequer analisar o pedido de compensação do contribuinte por estar em desacordo com a formalidade prevista. Dou provimento ao recurso para determinar que a autoridade administrativa competente acolha as declarações de compensação apresentadas em meio físico e as analise. É como voto. SANDRA FARONI 3 Processo n° 10280.004328/2003-19 S1-C1T Acórdão n.° 1102-00.160 Fl. 4 4 Processo n° 10280.004328/2003-19 S1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.160 Fl. 5 1 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, JOSÉ ANTONIO DA SILVA Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração; [
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Numero do processo: 10665.000729/2003-77
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/10/1998 a ,31/12/1998
CRÉDITO PRESUMIDO, EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS NO MERCADO INTERNO.
O produtor e exportador de produtos não-tributados no mercado interno têm direito ao crédito presumido de que trata a Lei n. 9,363/96.
BASE DE CÁLCULO. GOZO DE INCENTIVO FISCAL. IPI. EXPORTAÇÃO.
A exigência contida no art. 1º da Lei nº 9.363/96 em relação as variáveis que devem compor a base de cálculo é de que tenha incidido as contribuições sociais quando da aquisição dos insumos (matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagens), adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3403-000.305
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração o Acórdão nº 2101-00.198, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Domingos Sá Filho
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/1998 a ,31/12/1998 CRÉDITO PRESUMIDO, EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS NO MERCADO INTERNO. O produtor e exportador de produtos não-tributados no mercado interno têm direito ao crédito presumido de que trata a Lei n. 9,363/96. BASE DE CÁLCULO. GOZO DE INCENTIVO FISCAL. IPI. EXPORTAÇÃO. A exigência contida no art. 1º da Lei nº 9.363/96 em relação as variáveis que devem compor a base de cálculo é de que tenha incidido as contribuições sociais quando da aquisição dos insumos (matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagens), adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo Embargos Rejeitados.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/1998 a ,31/12/1998 CRÉDITO PRESUMIDO, EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS NO MERCADO INTERNO. O produtor e exportador de produtos não-tributados no mercado interno têm direito ao crédito presumido de que trata a Lei n. 9,363/96. BASE DE CÁLCULO. GOZO DE INCENTIVO FISCAL. IPI. EXPORTAÇÃO. A exigência contida no art. 1 0 da Lei n." 9.363/96 em relação as variáveis que devem compor a base de cálculo é de que tenha incidido as contribuições sociais quando da aquisição dos insumos (matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagens), adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam o: membros • Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração o Acórdão IV 1 101-00. 198, nos termos do voto do Relator, ‘-(6 snio Carlos Atulim residente Domingo se Sá Filho - -lator --- EDITADO EM 25/05/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Winderley Morais Pereira, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim, Relatório Trata-se de Embargos de Declaração interposto pela Procuradoria em face do r. Acórdão n. 2101-00, 198, sessão realizada em 04 de junho de 2009, que deu provimento ao recurso voluntário, proferido pela 1a Câmara da l a Turma Ordinária, da 2' Seção de Julgamento. Sustenta, em síntese, que "o v. acórdão recorrido deu provimento ao recurso do sujeito passivo para lhe garantir crédito presumido de IPI sobre produtos não tributados pelo imposto no mercado interno". Assim sendo, o voto condutor teria sido omisso quanto à Súmula número 13 do 20 CC, segundo o qual "Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT", Concluiu pela necessidade de sanar a omissão e contradições apontadas. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade e processamento, conheço do recurso. Em que pese às razões de inconformismo, elas não subsistem face aos fundamentos do julgado. Depois de pormenorizado exame dos fundamentos do voto, tenho que ali o articulado abordou matéria e deu contorno jurídico acertado a questão colocada pela Embargante. Se o julgado tivesse dado provimento ao apelo do sujeito passivo em conformidade com o sustentado nos presentes embargos declaratórios, certamente teria contrariado à Súmula número 13 do Conselho de Contribuinte. Assim como, o pedido implicaria ofensa ao princípio da não-cumulatividade. Tema alusivo à possibilidade de creditar-se de valor a título de Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI na aquisição de insumos não sujeitos à tributação encontra-se pacificado também pela Suprema Corte Superior, STF, que nega tal direito. A controvérsia dirimida pela Turma diz respeito à possibilidade de o contribuinte incluir valor de aquisição de insumos não tributados na base de cálculo para definição de incentivo fiscal ao produtor exportador. Assim, a Turma concluiu pela viabilidade da inclusão, 2 Processo n° 10665000729/2003-77 S3-C4T3 Acórdão n° 3403-00305 FL. 2 É cediço que o IPI crédito presumido como ressarcimento de PIS e COFINS nas exportações, é beneficio de que trata a Lei número 9363/96 que concedeu a todos os exportadores de produtos manufaturados, desde que, incida sobre aquisição dos insumos as contribuições devidas ao PIS e a COFINS. Para melhor análise, pede-se licença para transcrever o art. 1° da Lei n. 936.3/1996: "Art. I" Fica instituído, a favor do produtor exportador de mercadorias nacionais, crédito ,fiscal, mediante ressarcimento em moeda corrente, destinado a compensar o custo representado pelas contribuições sociais de que tratam as Leis Complementares 11' 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, que incidirem sobre o valor das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos no mercado interno pelo exportador para utilização no processo produtivo." A exigência contida no art. 10 em relação as variáveis que devem compor a base de cálculo é de que tenha incidido as contribuições sociais quando da aquisição dos insumos (matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagens), adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo. O art, 20 da Lei n. 9363/96 se refere "valor total" e deixou de prever exclusão. Portanto, em momento algum o legislador ordinário editou norma em relação àqueles que não faz jus ao gozo do incentivo ou beneficio. A lei apenas menciona os requisitos que devem ser atendidos para a fruição e gozo do beneficio. Se o legislador quisesse excluir do beneficio o produtor-exportador de bens não tributados pelo Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI no mercado interno, teria feito de modo expresso Como se vê o julgado não cuidou de creditamento de IPI decorrente de aquisição de produtos não tributados — "NT", em outras palavras "crédito básico". Ao contrário do que sustenta a Embargante, o entendimento expressado no voto se revela em consonância com a legislação regente, súmulas deste egrégio Conselho, bem corno, a jurisprudência judicial. Sendo assim, é de ser negado provimento aos embargos interposto, mantendo-se a decisão embargado. É corno voto. — Domingos de Sá FiÉho 3
score : 1.0
Numero do processo: 10675.001627/98-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 25 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue May 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1987 ,1990
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Verificada a existência de pedidos de compensação feitos até 11/10/2001 e que a data de ciência de sua apreciação ocorreu em
23/11/2006, quando já ultrapassado o prazo de cinco anos, há que
se considerar correta a decisão que concluiu pela homologação
tácita das DComps apresentadas.
RESTITUIÇÃO DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. COMPENSAÇÃO.
Transitada em julgado decisão judicial que estabelece a aplicação
dos índices do IPC sobre os débitos da autora para com o Fisco,
descabe à autoridade julgadora administrativa aplicar correção
diversa da que é fixada pela própria justiça em execuções de
sentença, tendo em vista que os órgãos administrativos não podem
proceder de forma diferente da que foi determinada pela via
judicial.
Verificado que com a aplicação dos índices estabelecidos em sentença não restaram créditos a favor da contribuinte, são descabidos o reconhecimento do direito creditório e a homologação
da compensação.
RECURSOS DE OFICIO E VOLUNTÁRIO NEGADOS.
Numero da decisão: 3202-000.118
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento aos recursos de Ofício e voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1987 ,1990 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Verificada a existência de pedidos de compensação feitos até 11/10/2001 e que a data de ciência de sua apreciação ocorreu em 23/11/2006, quando já ultrapassado o prazo de cinco anos, há que se considerar correta a decisão que concluiu pela homologação tácita das DComps apresentadas. RESTITUIÇÃO DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. COMPENSAÇÃO. Transitada em julgado decisão judicial que estabelece a aplicação dos índices do IPC sobre os débitos da autora para com o Fisco, descabe à autoridade julgadora administrativa aplicar correção diversa da que é fixada pela própria justiça em execuções de sentença, tendo em vista que os órgãos administrativos não podem proceder de forma diferente da que foi determinada pela via judicial. Verificado que com a aplicação dos índices estabelecidos em sentença não restaram créditos a favor da contribuinte, são descabidos o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. RECURSOS DE OFICIO E VOLUNTÁRIO NEGADOS.
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Recorrida DRJ - JUIZ DE FORA/MG ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1987 ,1990 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Verificada a existência de pedidos de compensação feitos até 11/10/2001 e que a data de ciência de sua apreciação ocorreu em 23/11/2006, quando já ultrapassado o prazo de cinco anos, há que se considerar correta a decisão que concluiu pela homologação tácita das DComps apresentadas. RESTITUIÇÃO DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. COMPENSAÇÃO. Transitada em julgado decisão judicial que estabelece a aplicação dos índices do IPC sobre os débitos da autora para com o Fisco, descabe à autoridade julgadora administrativa aplicar correção diversa da que é fixada pela própria justiça em execuções de sentença, tendo em vista que os órgãos administrativos não podem proceder de forma diferente da que foi determinada pela via judicial. Verificado que com a aplicação dos índices estabelecidos em sentença não restaram créditos a favor da contribuinte, são descabidos o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. RECURSOS DE OFICIO E VOLUNTÁRIO NEGADOS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos de Oficio e voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. , • JOS(E-L--UFZ-NOVO ROSSARI - Presidente e Relator FORMALIZADO EM: 29 de junho de 2010. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Heroldes Bahr Neto, Alan Fialho Gandra, Rodrigo Cardozo Miranda e José Luiz Novo Rossari (Presidente). Ausente o Conselheiro João Luiz Fregonazzi. Ausente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Presente o representante da Fazenda Nacional Rodrigo de Macedo e Burgos 2 Processo n" 10675.001627/98-40 S3-C2T2 Acórdão n." 3202-00.118 Fl. 142 Relatório • Em exame o recurso voluntário interposto contra a decisão que denegou o pedido de restituição e deferiu em parte os pedidos de homologação de compensações efetuados pela interessada, e o recurso de oficio decorrente da extinção de débitos de Cofins por compensação, no valor superior a R$ 500.000,00. • Para historiar os fatos transcrevo o relatório constante do acórdão do órgão julgador, que apreciou a manifestação de inconformidade contra o ato do Delegado da Receita Federal Substituto de Uberlândia/MG, que havia indeferido o pleito da interessada: "A contribuinte acima identificada requereu à fl. 01 com juntada de documentos de fls. 02/05, a restituição de cobrança indevida da Taxa Referencial Diária — TRD, conforme explanação contida naquele requerimento inicial. Às fls. 52 a 57 e 63, foram juntados Pedidos de Compensação, vinculando débitos de Cofms (Períodos de Apuração — janeiro a maio de 2001, setembro de 2001 e abril de 2002) ao crédito aqui discutido, no valor consignado na DCOMP de R$ 1.232.741,09. O Despacho Decisório DRF/UBE ri" 0610/2006, às fls. 91/94, indeferiu o pedido de fl. 01, em síntese, pela inexistência de direito creditório. Motivo pelo qual também não foram homologadas as compensações pleiteadas. A contribuinte tomou ciência em 23/11/2006. Inconformada a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, em 2l/12/2006, às fls. 101/111, na qual sustenta que: 1) Havia transcorrido o prazo para não homologação das compensações, em razão do decurso de mais de cinco anos entre a data das declarações apresentadas e a notificação da decisão administrativa. Cita como base legal o art. 74, §§ 4" e 5', da Lei 9.430/1996, com alterações produzidas pela Lei 10.637/2002 e 10.833/2003; 2) Teve materializado seu crédito a partir de decisão judicial transitada em, julgado em 21/09/1998, decorrente da diferença de critério de correção monetária entre TRD paga no bojo dos autos de infração e o LPC e a UFIR que foram índices determinados como aplicáveis pelo judiciário; 3) Na interpretação realizada pela autoridade administrativa houve claro desrespeito à ordem judicial. Por óbvio que a decisão transitada em julgado determinou a aplicação do IPC no período de fevereiro a dezembro de 1991, sendo absolutamente legítimo o crédito pleiteado. A TRD no período era maior que o IPC. Se assim não fosse, não teria sentido o ingresso de ação judicial para buscar o afastamento da TRD. A consideração dos expurgos inflacionários do período, que sequer constam da lei, não reflete o que foi deferido judicialmente; 4) Ao admitir os expurgos a autoridade está reconhecendo critério de correção monetária que ela própria não valida nos pedidos de compensação que postulam esses índices." O pleito foi deferido em parte, por unanimidade de votos, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão DRJ/JFA 09-16.196, de 14/5/2007 (fls. 119/122), 3 proferido pela 2' Turma da Delegacia da Receita Federal de Juiz de Fora/MG, cuja ementa dispõe, verbis: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano Calendário: 1987, 1988, 1989, 1990 RESTITUIÇÃO Não há que se falar em direito creditório, quando não restar comprovada a existência de pagamento indevido ou maior que 6 devido na aludida correção monetária com base na TRD. COMPENSAÇÃO Devem ser não homologadas as compensações vinculadas a crédito do sujeito passivo não reconhecido na esfera administrativa. COMPENSAÇÃO. DCOMP. Os pedidos de compensação não apreciados pela autoridade administrativa até 30 de setembro de 2002 serão convertidos em declaração de compensação e como tal devem ser apreciados. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação a que se refere. Solicitação Deferida em Parte" Essa decisão considerou o disposto no § 4 0 do art. 49 da Lei n" 10.637/2002 e - o § 5' do art. 17 da Lei n" 10.833/2003 para considerar que o prazo para a homologação das compensações é de cinco anos da data da entrega, razão pela qual entendeu que as compensações declaradas nas seis (6) DCOMPs com data de entrega anterior a 23/11/2001 foram homologadas tacitamente. O órgão julgador também concluiu pela inexistência de controvérsia entre a decisão judicial e os cálculos realizados pela autoridade preparadora, visto que foi determinada pela justiça a incidência do IPC sobre os débitos da autora para com o Fisco e a variação do IPC no período se revelou maior do que a da TRD. Por isso, indeferiu o pedido de restituição de fl. 1 e considerou não homologada a DCOMP de fl. 63, apresentada em 10/5/2002. A contribuinte recorreu (fls. 130/138) alegando que: • remanesce a questão da DCOMP apresentada em 10/5/2002, em relação à qual não deve prevalecer a argumentação utilizada pela autoridade administrativa, na medida em que a decisão transitada em julgado garante o direito da requerente de utilizar-se do índice IPC e UFIR e não TR/TRD; • a autoridade administrativa desrespeitou a ordem judicial, porque a pretexto de aplicar os critérios de correção monetária determinados por decisão judicial transitada em julgado, acabou por desrespeitar essa decisão, ao interpretar os índices considerados pelo acórdão proferido pelo TRF/l a Região; • ao se aplicar a decisão transitada em julgado com os índices nela determinados, chega-se à conclusão de que o crédito da requerente é absolutamente legítimo, pois a TRD no período era maior do que o IPC; se assim não fosse não faria sentido o ingresso com ação judicial para afastar a aplicação da TRD; • nesse sentido, verifica-se que a autoridade administrativa ao interpretar a decisão judicial acabou por levar em consideração os expurgos inflacionários do período, em total afronta a decisão judicial transitada em julgado; • a ação transitada em julgado produz norma individual e concreta, vinculando as partes e o juiz, delineando a relação jurídica material que se tornou imutável e indiscutível entre os sujeitos processuais; não pode jamais a interpretação da autoridade administrativa introduzir qualquer tipo de restrição para com a decisão transitada em julgado; • ao admitir os expurgos inflacionários, a autoridade administrativa está reconhecendo critério de correção monetária que ela própria não valida, revelando-se assim, a incongruência dos valores apurados pela autoridade administrativa para negar o pedido de restituição/compensação. 4 Processo n° 10675.001627/98-40 S3-C2T2 Acórdão n.° 3202-00.118 Fl. 143 Pelo exposto, requer seja julgado procedente o recurso, assegurando a restituição/compensação, cujo crédito se origina do pagamento a maior cobrado nos processos de parcelamento. É o relatório. • • 5 Voto Conselheiro JOSÉ LUIZ NOVO ROSSARI, Relator Recurso de oficio O recurso de oficio foi interposto em razão de que houve a homologação tácita, no Acórdão de primeira instância administrativa, em sessão de 14/5/2007, de compensações efetuadas pela contribuinte que envolveram a extinção de débitos do Cotins no valor superior a R$ 500.000,00. A partir de 7/1/2008, data de publicação da Portaria n' 3, de 3/1/2008, do Ministro de Estado da Fazenda, o limite de alçada para efeito de interposição de recurso de oficio sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa foi elevado para R$ 1.000.000,00. Verifica-se, pelas DComps de fls. 52 a 57, que a extinção de créditos tributários do Cofins atingiu o montante de R$ 1.123.000,00. Dai que a exoneração desse valor exige a apreciação do ato administrativo de primeira instância. Nos termos do que dispõem o § 4' do art. 49 da Lei n' 10.637/2002 e o §.5' do art. 17 da Lei n' 10.833/2003, os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação desde o seu protocolo, e o prazo para a homologação da compensação será de cinco (5) anos contados da data de entrega da DComp. As seis (6) DComps foram protocoladas em datas entre 14/2 e 11/10/2001 e a apreciação dos pedidos de compensação deu-se em 23/11/2001, quando já ultrapassado o prazo de cinco anos previsto na lei. Dai que, não se tendo verificado a ocorrência de nenhuma das hipóteses de compensação não declarada previstas no art. 74, § 12, da Lei n' 9.430/96, conforme restrição estabelecida no § 13 desse mesmo artigo (ambos §§ na redação dada pelo art. 4' da Lei n' 11.051/2004) 1 , há que se considerar correta a decisão proferida pelo órgão julgador recorrente, que concluiu pela homologação tácita das referidas DComps. Destarte, à vista da ultrapassagem do prazo de lei e da inércia do Fisco em sua atividade de apreciar os pedidos de compensação feitos pela recorrente, entendo que a decisão foi dada em boa e devida forma, do que decorre negar provimento ao recurso de oficio. "§ 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I - previstas no § 3 0 deste artigo; II - em que o crédito: a) seja de terceiros; b) refira-se a "crédito-prêmio" instituído pelo art. 1° do Decreto-Lei n°491, de 5 de março de 1969; c) refira-se a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal - SRF. § 13. O disposto nos §§ 2° e 5° a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo." (§§ com a redaçaõ dada pelo art. 4° da Lei n° 11.051/2004) 6 Processo n° 10675.001627/98-40 S3-C2T2 Acórdão n.° 3202-00.118 Fl. 144 • Recurso voluntário O recurso interposto pela interessada é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razões por que dele tomo conhecimento. Cumpre esclarecer, de início, que, contrariamente ao que afirma a recorrente, não houve qualquer desrespeito à ordem judicial que determinou a aplicação dos índices de IPC/INPC no período (Remessa ex officio d) 1997.01.00.028847-5, decorrente da ação ordinária n° 93.0300290-3). O acórdão do Tribunal Regional Federal da 1' Região (fls. 13/16), transitado em julgado em 21/9/98 (fl. 18), que estabeleceu a aplicação desses índices oficiais corno fator de correção do padrão monetário foi objetivo e claro ao determinar, verbis: "Ante o exposto, dou parcial provimento à remessa, para determinar que incida o IPC até dezembro de 1991 e a UFIR no ano de 1992 sobre os débitos da autora para com o Fisco, conforme apurado nos processos administrativos objeto da presente ação." Trata-se, no caso, de lide já decidida na esfera judicial, e em relação à qual, não cabe qualquer pronunciamento em contrário por parte da via administrativa. O certo é que . os órgãos administrativos estão adstritos aos exatos termos daquilo que o Poder Judiciário decidiu, não podendo proceder de fon-na diferente ao que foi deteininado pela via judicial. A autoridade fazendária não trouxe qualquer interpretração restritiva à decisão judicial, que foi objetiva e clara ao determinar a aplicação do IPC na correção monetária dos débitos da recorrente. Isso é fato inequívoco e que não comporta discussões. O fato de que os índices oficiais vieram a se revelar superiores à TRD, em decorrência dos expurgos inflacionários que o Poder Judiciário veio a aplicar usualmente em suas decisões, não afasta a aplicação do que foi determinado no acórdão proferido ao final da ação judicial interposta pela recorrente; ao contrário, é o sinalizador do índice que deve ser utilizado no cumprimento das sentenças judiciais da espécie. Tais expurgos compõem os índices de correção monetária aplicados no âmbito da Justiça Federal e são por ela aplicados de forma reiterada e uniforme em ações que versem sobre processos de restituição de tributos. De outra parte, não é correta a afirmação da recorrente de que a RFB é incongruente, por estar reconhecendo critério de correção monetária que ela própria não valida, tendo em vista que as restituições efetuadas pela Administração Fazendária também têm sido, feitas com o acréscimo desses expurgos. Essa providência para os pedidos de restituição foi estabelecida no Parecer PGFN/CRJ ri 2.601, aprovado pelo PGFN em 20/11/2008, que, submetido à apreciação do Ministro de Estado da Fazenda, foi por este aprovado conforme despacho publicado no DOU de 8/12/2008, do que decorreu a expedição do Ato Declaratório n° 10, de 1 0/12/2008, do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, que assim dispõe, verbis: "(..) DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: 7 • 'nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n' 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007.'" No mesmo Parecer o Procurador-Geral da Fazenda Nacional também determina que "Com a publicação, dê-se ciência do presente Parecer ao Senhor Secretário da Receita Federal, para a finalidade prevista nos §§ 4 e 5 2 do art. 19 da Lei n" 10.522, de 19.07.2002." Tal posicionamento demonstra a determinação fazendária no sentido de aplicar os expurgos inflacionários nas hipóteses de pedidos de restituição ou compensação de valores recolhidos indevidamente, por não se justificar a existência de tratamento disforme entre as esferas judicial e administrativa. No caso da recorrente, a decisão judicial transitou em julgado com a determinação de serem aplicados os índices do IPC, descabendo à esfera administrativa agir de forma diversa ao que foi estabelecido no acórdão proferido pela autoridade judicial. Em vista dos fatos, e considerando que os cálculos efetuados pelo Fisco demonstraram a inexistência de créditos a favor da recorrente, e que inclusive remanesceram débitos, há que se concluir pelo descabimento do direito creditório por ela pleiteado, bem como pela não homologação da DCOMP apresentada em 10/5/2002. Diante do exposto, voto por que seja negado provimento aos recursos de oficio e voluntário. Sala das Sessões, em 25 de maio de 2010 g, OVO ROSSARI 8
score : 1.0
Numero do processo: 10630.720183/2006-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTOQUE DE ABERTURA.
As sociedades cooperativas de produção agropecuária e de consumo sujeitas à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins no regime de não-cumulatividade, tem direito a crédito presumido correspondente aos estoques de insumos e produtos existentes em 31 de julho de 2004, resultante da aplicação das
alíquotas de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) e de
3% (três por cento), respectivamente.
PIS NÃO CUMULATIVO. INSUMOS.
Não havendo provas nos autos da essencialidade dos insumos ou sua
aplicação direta no processo produtivo, não é possível reconhecer o direito de crédito de PIS pleiteado.
Numero da decisão: 3201-000.889
Decisão: ACORDAM os membros da 2ªCâmara/1ªTurma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTOQUE DE ABERTURA. As sociedades cooperativas de produção agropecuária e de consumo sujeitas à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins no regime de não cumulatividade, tem direito a crédito presumido correspondente aos estoques de insumos e produtos existentes em 31 de julho de 2004, resultante da aplicação das alíquotas de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) e de 3% (três por cento), respectivamente. PIS NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. Não havendo provas nos autos da essencialidade dos insumos ou sua aplicação direta no processo produtivo, não é possível reconhecer o direito de crédito de PIS pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Presidente. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Relator. EDITADO EM: 22/03/2012 Fl. 586DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente) e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: O interessado transmitiu, em 27/01/2006, Pedido de Ressarcimento de crédito do PIS/Pasep não cumulativo — mercado interno, relativo ao 3° trimestre de 2005, no montante de R$ 224.820,82 (fls. 43/45). Posteriormente transmitiu as DCOMP relacionadas as fls. 316/317, visando compensar os débitos nelas declarados, com crédito acima citado. Essas declarações foram selecionadas para tratamento manual por meio do presente processo. A DRFGovernador Valadares/MG emitiu Despacho Decisório, no qual reconhece em parte o direito creditório no valor de R$ 187.913,23 e homologa a compensação pleiteada até o limite do crédito reconhecido (fls. 295/319). A empresa apresenta manifestação de inconformidade (fls. 363/391), na qual, inicialmente apresenta a si própria, fala do cooperativismo, dos créditos e da não cumulatividade da contribuição, para depois alegar que: a) não lida que se falar em não homologação das compensações que utilizam créditos apurados no período anterior a 31/07/2004; b) as leis que instituíram a não cumulatividade das contribuições, não definiram o que são insumos, todavia a RFB disciplinou ilegalmente sobre eles, ao fixar uma interpretação restritiva ao termo; c) o crédito presumido sabre estoque de abertura calculado com base em uma alíquota menor que a prevista na saída, contraria as normas legais, a jurisprudência do Poder Judiciário e provoca enriquecimento sem causa da Unido; d) nem todas as notas fiscais requisitadas foram apresentadas, pois precisam ser reordenadas e o tempo deferido não foi suficiente para tanto. Por isso solicita prazo de 90 dias para apresentar tais documentos; É o breve relatório. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Fl. 587DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10630.720183/200614 Acórdão n.º 320100.889 S3C2T1 Fl. 540 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PROVA DOCUMENTAL A prova documental deve ser apresentada juntamente com a manifestação de inconformidade, sob pena de preclusão. INSUMOS Apenas os bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na fabricação do produto destinado à venda podem ser considerados insumos para efeito de cálculo de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep no regime de incidência nãocumulativa. CRÉDITO PRESUMIDO SOBRE ESTOQUE DE ABERTURA As alíquotas aplicáveis ao estoque de abertura das cooperativas agropecuárias são, 0,65% para o crédito de PIS/Pasep e 3% para o da COFINS. Solicitação Indeferida O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira Entendo que o recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. A contribuição ao PIS e a COFINS não incidem unicamente sobre produtos industrializados, nem só sobre a venda de mercadorias, também não incide sobre todos os ingressos de recursos no patrimônio da empresa, estas contribuições incidem sobre somente sobre os ingressos que devam ser qualificados como integrantes da receita bruta, ou melhor, da receita bruta oriunda da venda de mercadorias, de serviços e da combinação destes. Assim, é da lógica do sistema tributário nacional que a não cumulatividade destas contribuições esteja intimamente ligada aos custos e despesas incorridos pelo contribuinte para o desenvolvimento regular de sua empresa, ou seja, se relacione diretamente com as necessidades existentes para a geração desta mesma receita bruta. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 4 Ademais, é importante frisar que a não cumulatividade pensada para a contribuição ao PIS e a COFINS não está fundada no Princípio da Neutralidade Tributária, que estabelece que a tributação deve ser otimizada de forma a interferir o mínimo possível na economia, permitindo assim a livre concorrência, e que é fundamentalmente o Princípio Constitucional que justifica a adoção da não cumulatividade no IPI e no ICMS. Este afastamento do Princípio da Neutralidade, que está presente também no presente caso, mas de forma subsidiária, se nota com clareza quando se verifica a possibilidade de creditamento mesmo quando as operações anteriores não estavam sujeitas à não cumulatividade e, portanto, geraram um recolhimento aos cofres públicos em alíquotas inferiores às praticadas por aquele que aproveita o crédito. Esta realidade da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS gera uma consequência imediata de perda de arrecadação setorial, criando uma distorção na livre concorrência e permitindo que certos setores tenham uma vantagem competitiva (com a redução de seus custos fiscais). Estes são os motivos pelos quais os conceitos de insumos do IPI e do ICMS são insuficientes para uma aplicação direta e imediata no caso em exame, já que a incidência destas contribuições não se limita à receitas de vendas de mercadorias ou produtos industrializados e aqueles conceito buscam atender ao princípio da neutralidade da tributação. Logo, devese aplicar a analogia para buscar a melhor forma de integrar este novo conceito abstrato e hipotético. A analogia surge, na esfera tributária, como regra de integração, prevista no artigo 108 do CTN: Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade É a regra preferencial e, portanto, aplicase ao fato jurídico, por meio da analogia, uma norma legal que regula uma situação semelhante, sempre que não exista uma norma imediata e expressamente aplicável ao fato em questão. Alguns buscam a aproximação do conceito de crédito para o PIS/COFINS com os conceitos de custo e despesa dedutível para o Imposto de Renda e a contribuição social sobre o lucro. O argumento é sedutor, pois o lucro é parcela da receita bruta, portanto, a proximidade dos conceitos parece tornar esta analogia mais consistente. Contudo, não estou convencido disto, seja porque o Imposto de Renda onera a todas as pessoas jurídicas sem considerar suas especificidades e/ou as diferenças setoriais, seja porque não há como, para interpretar novas normas jurídicas, se buscar igualar tributos que têm naturezas claramente distintas, e por fim, seja porque tanto o "custo", quanto a "despesa dedutível" são elementos essenciais para a definição e distinção de renda e lucro, mas não o são para faturamento ou receita bruta. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10630.720183/200614 Acórdão n.º 320100.889 S3C2T1 Fl. 541 5 Não estou afastando esta possibilidade de aplicação analógica dos conceitos neste caso, por entender que estes são demasiadamente elastecidos ou por qualquer justificativa econômica, mas simplesmente por entender que a analogia é descabida neste caso. Aponto ainda, para melhor esclarecer meus pares sobre minha posição pessoal sobre a matéria, que entendo que o conteúdo dos parágrafos 7º e 8º do artigo 3º das Lei nº 10.637/02 e 10.833/03 (cujos textos são idênticos), não me conduz à conclusão de que houve uma opção legislativa para ampliar a base de cálculo dos créditos àqueles "custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas". É o seguinte o texto legal: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência não cumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. (grifos acrescidos por este relator) Isto porque entendo que há presunção legal de que o parágrafo não deve ampliar o conceito descrito no caput, mas somente complementálo ou definir exceções, na forma do disposto na alínea "c" do inciso III do artigo 11 da Lei Complementar nº 95/98. Admitir que os mencionados parágrafos 7º e 8º ampliam, e verdadeiramente generalizam, a base de cálculo para os créditos, quando o artigo no qual estes comandos estão inseridos cuida exclusivamente da especificação dos dispêndios sobre os quais deverão ser calculados tais créditos, seria admitir uma contradição dentro do próprio dispositivo normativo, o que não me parece aceitável. Portanto, opto por me filiar à corrente daqueles que entendem que o conceito autorizativo do crédito do PIS e da COFINS está na "inerência do dispêndio pago". Acresço, logo, o adjetivo "pago" ao clássico conceito do Prof. Marco Aurélio Grego, pois entendo que assim como a receita tributável deve ser somente aquela efetivamente recebida pelo contribuinte, o crédito, para efeito de cálculo do tributo devido, também somente deve surgir após o devido pagamento do dispêndio. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 6 No que se refere à inerência do dispêndio, entendo que devamos seguir a orientação da Suprema Corte, que em repetidos julgados, tem decidido que: a Constituição de 1988 não assegurou direito à adoção do modelo de crédito financeiro para fazer valer a não cumulatividade do ICMS, em toda e qualquer hipótese. (...) Assim, a adoção de modelo semelhante ao do crédito financeiro depende de expressa previsão Constitucional ou legal, existente para algumas hipóteses e com limitações na legislação brasileira.” (RE 447.470AgR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 1492010, Segunda Turma, DJE de 8102010.) Vide: RE 313.019AgR, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 1782010, Segunda Turma, DJE de 1792010; RE 598.460 AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 2362009, Segunda Turma, DJE de 782009; AI 445.278AgR, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 1842006, Primeira Turma, DJ de 306 2006. Ou melhor, a inerência do dispêndio está limitada, em princípio, ao crédito físico, logo, somente dará direito a crédito o dispêndio pago que se refira a bem ou serviço que integre a venda de mercadorias, a prestação de serviços ou a combinação destes, sendo também possível, desde expressamente autorizado por lei, o crédito financeiro. Dentre aquelas hipóteses previstas nas Lei nº 10.637/02 e 10.833/03, nos seus artigos terceiro, entendo que os incisos I e II cuidam de créditos físicos, contudo, os demais incisos tratam de créditos claramente financeiros. São eles: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 591DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10630.720183/200614 Acórdão n.º 320100.889 S3C2T1 Fl. 542 7 III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) Por fim, para encerrar a contextualização dos conceitos sobre os créditos de PIS e COFINS, aponto que entendo que a inerência do dispêndio permite, que para o enquadramento de determinado bem ou serviço, no disposto nos incisos I e II do artigo 3º das leis que regem a matéria, seja considerada a essencialidade destes. Os críticos contestam esta possibilidade de aceitação da prova da essencialidade para a caracterização do insumo por entenderem que tal conceito de essencialidade é subjetivo e, portanto, sujeito a variações que afetam a segurança jurídica do sistema tributário. Aprecio este risco, entretanto, creio que a aplicação da regra do artigo 333, I do CPC ao Procedimento Administrativo Tributário, que exige que o fato constitutivo do direito deva ser provado pela parte interessada, mitiga tal risco. Acrescentese a isto que negar validade mínima a um princípio, mesmo um princípio subsidiário, como é o caso do Princípio da Neutralidade na não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS é negar o direito. Logo, a eventual insegurança gerada pela subjetividade momentânea do conceito de essencialidade não me parece justificar sua negação. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 8 Destarte, são dois os elementos de prova suficientes, no entende deste relator, para o enquadramento do bem ou serviço como insumo, (i) sua aplicação direta no processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes; ou (ii) a essencialidade deste para processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes. Ainda neste mérito, consigno que entendo ser válida a limitação infraconstitucional ao direito de crédito na sistemática da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, porque não há na Carta Magna uma garantia plena à não cumulatividade ou sequer um determinado e fixo modelo conceitual hipotético de não cumulatividade, portanto o legislador infraconstitucional tem autonomia para moldar este modelo, além disso o § 12 do artigo 195 da Constituição Federal permite à lei a exclusão de setores inteiros da sistemática da não cumulatividade, o que demonstra que a Carta Magna optou por não erigir a não cumulatividade ao patamar de direito universalmente garantido. Postas estas breves considerações iniciais, passo ao exame dos fatos específicos do recurso voluntário em análise. No que se refere ao pedido de reconhecimento de crédito presumido relativo ao estoque de abertura, não parece ter razão a recorrente, pois tanto o parágrafo 1º do artigo 11 da Lei nº 10.637/2002, quanto o parágrafo 1° do artigo 12 da Lei nº 10.833/2003, deixam claro que o contribuinte terá direito ao referido crédito, usandose as alíquotas de 0,65% para a contribuição ao PIS e 3% para a COFINS. Este entendimento é confirmado pela jurisprudência das duas Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça, conforme se verifica das ementas abaixo transcritas: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. TEMPUS REGIT ACTUM. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. MERCADORIAS EM ESTOQUE. CREDITAMENTO. REGRAS DE TRANSIÇÃO. ALÍQUOTAS UTILIZADAS NO SISTEMA CUMULATIVO. LEGALIDADE. 1. O princípio mater inerente à eficácia da lei no tempo, consubstanciase na máxima "tempus regit actum", salvo retroação benéfica oriunda de texto legal expresso. As Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 estabeleceram o regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS e, para esse fim, instituíram, de um lado, a majoração da alíquota de 0,65% para 3% e de 3% para 7,6%, respectivamente (art. 2º), mercê de concederem benefícios fiscais na forma de créditos escriturais resultando na redução da carga tributária das empresas (art. 3º). 2. O legislador, ciente da existência de mercadorias que se encontravam em estoque, estabeleceu regras de transição nos arts. 11 da Lei n. 10.637/2002 (PIS) e 12 da Lei n. 10.833/2003 (COFINS) para o sistema de creditamento destas mercadorias. 3. Deveras, como o recolhimento da etapa anterior se deu sob as alíquotas menores do sistema cumulativo, quais sejam, 3% da COFINS e 0,65% do PIS, configuraria enriquecimento ilícito, para fins de creditamento, a utilização das alíquotas maiores (7,6% da COFINS e 1,65% do PIS), conforme pretende o recorrente. 4. Precedentes: AgRg no REsp 1.110.181/RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 9.2.2010, DJe 18.2.2010; REsp 999.458/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.10.2009, DJe 4.11.2009; REsp 1.071.061/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.9.2008, DJe 1º.10.2008; AgRg no REsp 1151072/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/08/2010, DJe Fl. 593DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10630.720183/200614 Acórdão n.º 320100.889 S3C2T1 Fl. 543 9 01/09/2010; AgRg no REsp 1138289/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/08/2010, DJe 08/09/2010; REsp 1.106.540/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 19.03.09; AgRg no REsp 1.129.373/RS, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe de 27.4.2010; REsp n. 1.005.598/RS, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Turma, DJe de 23/6/2008. 5. Recurso especial desprovido. (REsp. nº 1098411/RS, STJ, 1ª Turma, relator Ministro Luiz Fux, DJe 28/02/2011) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. PIS E COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. MERCADORIAS EM ESTOQUE. CREDITAMENTO. REGRAS DE TRANSIÇÃO. ALÍQUOTAS UTILIZADAS NO SISTEMA CUMULATIVO. 1. A partir da vigência das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, foram majoradas as alíquotas da Cofins e do PIS de 3% para 7,6% e de 0,65% para 1,65%, respectivamente, marcando a mudança do regime da cumulatividade para o da nãocumulatividade. 2. Os arts. 11 da Lei 10.637/2002 (PIS) e 12 da Lei 10.833/2003 (Cofins) estabeleceram regras de transição para o sistema de creditamento de mercadorias que já se encontravam em estoque, ou seja, que haviam sido adquiridas em regime de cumulatividade. 3. Considerandose que o recolhimento da etapa anterior se deu sob as alíquotas menores do sistema cumulativo, quais sejam, 3% da Cofins e 0,65% do PIS, configuraria enriquecimento ilícito, para fins de creditamento, a utilização das alíquotas maiores (7,6% da Cofins e 1,65% do PIS) do método não cumulativo atual. Precedentes do STJ. 4. Agravo Regimental não provido. (AgRg no Ag 1338376/RS, STJ, 2ª Turma, relator Ministro Herman Benjamin, DJe 04/02/2011) Além disso, no caso específico das cooperativas a Instrução Normativa SRF nº 635/2006, em seu artigo 27 assim dispunha: Art. 27 As sociedades cooperativas de produção agropecuária e de consumo sujeitas à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins no regime de nãocumulatividade, tem direito a crédito presumido correspondente aos estoques de insumos e produtos existentes em 31 de julho de 2004, resultante da aplicação das alíquotas de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) e de 3% (três por cento), respectivamente. Parágrafo único. As sociedades cooperativas de produção agropecuária e de consumo que adotaram antecipadamente o regime de incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/pasep e da Cofins, nos termos do art. 4º da Lei nº 10.892, de 2004, tem direito ao crédito de que trata o caput correspondente aos estoques de insumos e produtos existentes em 30 de abril de 2004. Portanto, descabe reconhecer qualquer pleito de crédito calculado com alíquotas maiores do que aquelas já reconhecidas na decisão recorrida, por falta de base legal para tanto. Quanto aos demais créditos, este relator considerou a possibilidade de realização de uma diligência para apuração dos documentos fiscais que embasam o pedido, Fl. 594DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 10 contudo não há nos autos qualquer elemento que estabeleça a essencialidade dos insumos apontados pela recorrente como gerados do crédito ou mesmo sua aplicação direta nos processos. Acrescentese a isto que pela descrição dada aos fatos que a recorrente quer que sejam reconhecidos como gerados dos créditos não há sequer a fumaça do bom direito, portanto, por total falta de provas entendo que não merece provimento também este pedido formulado na peça recursal. Desta forma, VOTO por conhecer do recurso para negarlhe provimento. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA relator Fl. 595DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO
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Numero do processo: 10283.009628/2002-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CSLL
Períodos base: 1º, 2º e 3º trimestres de 1997
BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. - COMPENSAÇÃO INDEVIDA - INSUFICIÊNCIA
DE SALDO. Constatado que a insuficiência do saldo resulta de erro no montante do saldo das bases negativas controlado no SAPLI, decorrente de erro no preenchimento da declaração apurável à
simples vista desta, é de se cancelar o lançamento.
Numero da decisão: 1301-000.788
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade, DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator.
Matéria: CSL- glosa compens. bases negativas de períodos anteriores
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: CSLL Períodos base: 1º, 2º e 3º trimestres de 1997 BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA INSUFICIÊNCIA DE SALDO. Constatado que a insuficiência do saldo resulta de erro no montante do saldo das bases negativas controlado no SAPLI, decorrente de erro no preenchimento da declaração apurável à simples vista desta, é de se cancelar o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Diniz Raposo e Silva e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.009628/200275 Acórdão n.º 1301000.788 S1C3T1 Fl. 2 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário impetrado por Tyco Eletronics da Amazônia Ltda., em face de decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém, que manteve o crédito tributário consubstanciado no Auto de Infração relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido dos três primeiros trimestres de 1997, sob acusação de compensação indevida de bases negativas por insuficiência de saldos de períodosbase anteriores. O auto de infração originouse de revisão interna de declaração (malha), e foi cientificado ao contribuinte em 20/11/2002. Em 23 de dezembro foi lavrado Termo de Revelia (fl. 64) e nessa mesma data foi apresentada solicitação de revisão do lançamento suplementar (fl. 65), alegando a interessada que não foram considerados os saldos de Bases Negativas da CSLL a compensar relativos aos anos calendário 1995, pois estão zerados no Demonstrativo da base de calculo negativa da CSLL (SAPLI). Anexou cópia do LALUR, onde estão controlados os prejuízos fiscais. A autoridade administrativa competente declarou procedente o Termo de Revelia, sem, por conseqüência, instauração do litígio, aos seguintes fundamentos: 4. Nos termos do artigo 149 do CTN e art. 1°, inciso XIII, da Portaria 4.980/94, só cabe apreciar impugnação intempestiva quando for de competência da autoridade lançadora a revisão de oficio. No presente caso, todas as alegações do impugnante se restringem ao direito à isenção e não a erro de fato ou aqueles casos previstos no citado artigo do CTN. 5. Embora alegue o impugnante que consta saldo de prejuízos controlados no lado B do LALUR, não apresenta a prova principal que a declaração do IRPJ do ano calendário de 1995, com a indicação do saldo de prejuízo, visto que o registro no SAPLI tem sua origem nos valores indicados na referida Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica. Não há prova de que o lançamento tenha sido originado erro de fato, cuja competência de revisão caberia à autoridade lançadora. 6. Não trouxe o contribuinte qualquer prova do pagamento ou de medida judicial necessária à suspensão do crédito tributário lançado, mas apenas a impugnação intempestiva. Procedente foi o Termo de Revelia de fls. 64. Não tendo pago e não merecendo acolhimento a impugnação intempestiva, dáse por definitivamente constituído o crédito tributário lançado, para os seus efeitos legais. Ciente da decisão em 13/02/2003, a interessada contra ele se insurgiu, mediante peça apresentada em 23 do mesmo mês, na qual reafirma que os dados não teriam sido atualizados pela SRF, e que possuía saldo de bases negativas suficientes para a compensação. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.009628/200275 Acórdão n.º 1301000.788 S1C3T1 Fl. 3 3 Despacho datado de 13 de março de 2002 (fl. 112), atestou que no dia 20 de dezembro, sexta feira, o prédio do Ministério da Fazenda foi fechado ao público às 12 horas, e assim, a impugnação apresentada no dia 23 é tempestiva, encaminhandoa a julgamento pela DRJ. A 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém não conheceu da impugnação ao argumento de que não estava instruída com prova documental das alegações deduzidas. Ciente da decisão em 02/03/2004, a contribuinte ingressou com recurso em 30 do mesmo mês, reafirmando que possuía saldo para as compensações, e que a Receita não atualizara seus controles. Em sessão de 16 de junho de 2004, pela Resolução nº 105187, a 5ª Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes converteu o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal comparecesse ao estabelecimento do contribuinte e verificasse, na escrituração fiscal, quais os valores das bases negativas da CSLL, e os comparasse com os controles existentes na SRF (SAPLI), elaborando demonstrativo e relatório conclusivo apontando a verdade material. Para cumprir a diligência, a autoridade fiscal intimou o contribuinte a apresentar o demonstrativo de apuração do saldo devedor lançado na parte B do LALUR, em 31/12/1996, conforme fl. 68 do processo, juntamente com as declarações de IRPJ e demais documentos que amparassem os valores informados no demonstrativo. No Relatório de Diligência, informou a autoridade fiscal: “(...) o contribuinte foi cientificado em 15/05/2009, que ele apresentasse o demonstrativo de apuração do saldo devedor lançado na parte B do LALUR, em 31/12/1996, conforme fl. 68 do processo supracitado, juntamente com as declarações de IRPJ e demais documentos que amparassem os valores informados no referido demonstrativo. (...) Em 29/09/2009, a empresa, através de seus procuradores, fez juntada dos seguintes documentos, a fim de compor a instrução probatória dos fatos discutidos no referido Processo: Cópias das Declarações de Rendimentos referentes aos anos calendário 1995 e 1996. Como o contribuinte não apresentou o demonstrativo solicitado através do Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos, intimamolo, através do Termo de intimação Fiscal lavrado em 01/10/2009, a apresentar o Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), referente aos anoscalendário de 1995 e 1996, o que foi atendido pelo contribuinte em 02/10/2009. Verificado que na "PARTE B" do LALUR só estão escriturados os valores dos prejuízos fiscais referentes ao período 31/01/1995 a 31/12/1996, para fins de controle dos respectivos saldos existentes em 31/12/1995 e 31/12/1996, os quais afetam a apuração do lucro real de exercícios futuros, intimamos o Fl. 510DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.009628/200275 Acórdão n.º 1301000.788 S1C3T1 Fl. 4 4 contribuinte, através do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 28/10/2009, a apresentar, em relação ao período 01/1995 a 12/1996, o Livro de Apuração da CSL ou fichas auxiliares demonstrativas das bases de cálculo negativas utilizadas para a compensação nos períodos subseqüentes. Em cartaresposta datada em 18/11/2009, o contribuinte alegou como justificativa para a não apresentação dos livros e fichas solicitados, o seguinte: "(...) vimos através desta informar que devido ao período decadencial já está vencido, não temos mais os livros auxiliares de 1995/1996. No entanto solicitamos considerar para compor a base de cálculo negativa do período as mesmas adições e exclusões do Lucro/Prejuízo Real, material referente ao Processo n° 10283.009628/200275". Diante dessa resposta e visando o objeto principal da diligência, intimamos o contribuinte, sob Termo de Intimação Fiscal, lavrado em 11/02/2010, a apresentar, em relação ao período diligenciado e no prazo de 02 (dois) dias úteis, os Livros Razão e Diário (Lucro Real) e as Demonstrações Financeiras, a fim de verificarmos, na contabilidade, quais foram os valores escriturados a título de base negativa da CSL; essa intimação não foi atendida pelo contribuinte. Diante do que foi até aqui exposto, temos as seguintes considerações a fazer: O saldo a compensar da base de cálculo negativa da CSL pode ser controlado em livro próprio, denominado Livro de Apuração da Contribuição Social (LACOS), em folhas específicas do próprio LALUR ou em fichas auxiliares demonstrativas desses saldos. Como a empresa não escriturou na parte B do LALUR quaisquer valores de base de cálculo negativa da CSL, não apresentou o LACOS e/ou fichas solicitadas e, também, não apresentou os livros contábeis, ficamos impossibilitados de elaborar o demonstrativo solicitado à fl. 148 desse processo. Observamos, ainda, que por ocasião da solicitação de documentos realizada através do Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos, lavrado em 12/05/2009, o contribuinte anexou à cartaresposta datada em 29/09/2009, as cópias das declarações de rendimentos que, segundo ele, foram entregues na CAC da DRFMANAUS. Constatamos, então, nessas cópias, que em relação à Declaração de Rendimentos do anocalendário 1995, os valores discriminados na 'FICHA 11 — DEMONSTR. CÁLCULO DA CONTR. SOC. SOBRE O LUCRO", Linha 01 — "LUCRO LÍQUIDO ANTES DA CONTR. SOC. SOBRE O LUCRO" (R$ 363.493,00) e Linha 18 — "BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE O LUCRO" (R$ 363.493,00) divergem dos valores indicados na declaração extraída dos sistemas de controle informatizados da RFB, na mesma ficha e linhas, os quais encontramse zerados. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.009628/200275 Acórdão n.º 1301000.788 S1C3T1 Fl. 5 5 Dessa forma, concluímos, que os valores discriminados nos Demonstrativos da Base de Cálculo Negativa da CSLL (SAPLI), às fls. 56 a 58, referentes aos anoscalendário 1995 e 1996, são referentes àqueles declarados pelo próprio contribuinte nas DIRPJ 1996 e 1997, cujas cópias fiéis das declarações originais estão anexas (extraídas dos sistemas de controle informatizados da RFB) e contemplam, respectivamente, os seguintes ND: 8504828 e 8178882. É o relatório. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.009628/200275 Acórdão n.º 1301000.788 S1C3T1 Fl. 6 6 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Conforme relatado, a fiscalização constatou que nos períodos trimestrais do anocalendário de 1997 o contribuinte compensou bases negativas de anos anteriores em valor superior ao saldo de que dispunha, conforme controles mantidos pela Receita Federal. Desde o primeiro momento o contribuinte afirma que dispunha de saldo suficiente, e que os controles da Receita estariam equivocados, pois não teriam sido computadas as bases negativas apuradas em 1995. Não obstante a 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém tenha mantido o lançamento por não ter, a contribuinte, apresentado provas de suas alegações, a Quinta Câmara de Primeiro Conselho, dando relevância ao princípio da verdade material, determinou diligência para verificação da procedência das alegações da interessada. A autoridade fiscal se viu impossibilitada de verificar, na escrituração fiscal, quais os valores das bases negativas da CSL, para comparálos com os controles existentes na SRF (SAPLI), e elaborar o demonstrativo pedido pelo Conselho, em razão de o contribuinte não ter apresentado os Livros Razão e Diário (Lucro Real) e as Demonstrações Financeiras solicitados. Atestou a autoridade, à vista das cópias fiéis das declarações originais extraídas dos sistemas de controle informatizados da RFB, que os valores de saldos de bases negativas da CSLL controlados no SAPLI estão de acordo com os informados pela contribuinte à Receita Federal. Conquanto esteja absolutamente certa a informação prestada pela autoridade diligenciante, o fato é que o erro contido na declaração que consta dos sistemas informatizados da Receita é notório. De fato, conforme se verifica às fls. 373, o Lucro Líquido do Período Base (linha 20 da ficha 06) foi negativo em R$ 363.493,00, e esse valor é que deve ser transportado para a linha 1 da Ficha 11, para apurar a Contribuição Social sobre o Lucro. No entanto, às fls. 376 constatase que na linha 1 da ficha 11 (como em todas as demais linhas da referida ficha) constou o valor zero. Assim, é evidente o erro de fato cometido no preenchimento da declaração, constatável simplesmente à vista da mesma e, por isso, pode ser corrigido de ofício. Comparando a ficha 11 (fls. 376) com a ficha 06 (fls. 373), vêse que não haveria nenhuma adição a ser feita, para fins de base de cálculo da CSLL. Assim, entendo que o contribuinte obteve a base de cálculo negativa da CSLL do anocalendário de 1995 no montante de R$ 363.493,00. Conforme consta do auto de infração (fl. 03 do processo), a compensação a maior apontada pela fiscalização montou em R$ 189.627,11 (59.643,37 – 43.077,15 + 100.519,08 + 72.541,81). Como esse valor é inferior à base negativa de 1995, não computada (R$ 363.493,00), dou provimento ao recurso. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.009628/200275 Acórdão n.º 1301000.788 S1C3T1 Fl. 7 7 Sala das Sessões, em 16 de janeiro de 2012. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 514DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 10630.720101/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 11/04/2003 a 31/12/2006
CRÉDITO. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS
SUJEITOS À
ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE.
A aquisição de matériaprima
e/ou insumo não tributados ou sujeitos à
alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não
enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento
industrial. Decisão do STJ em Recurso Repetitivo.
MULTA DE OFÍCIO.
A multa a ser aplicada em procedimento exofficio
é aquela prevista nas
normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito
tributário.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE DO
LANÇAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA.
Desde o início da Fiscalização até a ciência do Auto de Infração havia MPF
regularmente emitido e prorrogado, não havendo que se falar em lavratura do
auto de infração após o prazo de validade do MPF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.381
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial. Decisão do STJ em Recurso Repetitivo. MULTA DE OFÍCIO. A multa a ser aplicada em procedimento exofficio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. Desde o início da Fiscalização até a ciência do Auto de Infração havia MPF regularmente emitido e prorrogado, não havendo que se falar em lavratura do auto de infração após o prazo de validade do MPF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 EDITADO EM: 29/01/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Helio Eduardo de Paiva Araújo e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a empresa recorrente foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de IPI, relativo a fatos geradores ocorridos entre abril de 2003 e dezembro de 2006, tendo em vista que a Fiscalização constatou a falta de declaração, em DCTF, de débitos apurados no LRAIPI e, também, a utilização indevida de créditos básicos (presumidos) relativos à aquisição de insumos que não sofreram a incidência do IPI. Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora MG julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão no 0929.197, de 23/04/2010, cuja ementa abaixo se transcreve. IPI. CREDITAMENTO. MATÉRIASPRIMAS ISENTAS, NÃO TRIBUTADAS OU TRIBUTADAS A ALÍQUOTA ZERO. Tanto a jurisprudência administrativa quanto a judicial são mansas em não admitir o creditamento em se tratando de matériasprimas isentas, não tributadas ou tributadas A alíquota zero. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA.. Conforme jurisprudência reiterada da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o MPF constitui mero instrumento administrativo, sendo que eventual irregularidade em sua emissão ou cumprimento não afetam, por si só, a legitimidade do crédito tributário consignado no auto de infração. MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. TIPICIDADE MANTIDA. Não há de se falar em retroatividade benigna para eliminação de ilicitude quando o fato típico caracterizador da infração permanece previsto.A falta de recolhimento do tributo sempre foi punida seja na redação original, seja na redação modificada do artigo 80 da Lei n° 4.502/64. Ciente desta decisão em 19/07/2010 (fl. 185), a interessada ingressou, no dia 17/08/2010, com o recurso voluntário de fls. 186/209, no qual alega, em síntese, que: 1 é nulo o lançamento porque o MPF original venceu no dia 08/12/2007, foi prorrogado somente em janeiro de 2008, com validade até março de 2008 e o auto de infração foi lavrado em abril de 2008; Fl. 2DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10630.720101/200801 Acórdão n.º 330201.381 S3C3T2 Fl. 222 3 2 a legislação do IPI, ao garantir o crédito somente quando houver destaque do imposto, afronta o princípio da nãocumulatividade, previsto no art. 153, § 3º, II, da CF/88. Cita doutrina e jurisprudência judicial; 3 a multa aplicada fugiu ao princípio da legalidade e ofende os princípios da razoabilidade, capacidade contributiva e não confisco, devendo a mesma ser reduzida a “patamar justo e constitucional”, que não cita qual é. Cita doutrina e jurisprudência judicial. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva, relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado, contra a empresa recorrente foi lavrado Auto de Infração para exigir o pagamento de IPI em face da falta de declaração de débitos apurados no Livro Registro de Apuração de IPI (LRAIPI) e pela escrituração de crédito básico presumido nas aquisições de insumos não tributados. São insumos NT e de alíquota zero. Não localizei insumo isento. Quanto a preliminar de nulidade a recorrente enganase completamente em relação à data da emissão e de validade do MPF que autorizou administrativamente o procedimento fiscal. Antes de iniciar a Fiscalização, foi realizado uma diligência no estabelecimento da recorrente. Tal diligência foi autorizada pelo MPF DILIGÊNCIA nº 06.1.03.002007002518, emitido no dia 09/10/2007, para ser executado até o dia 08/12/2007, conforme cópia à fl. 48. Por seu turno, a Fiscalização iniciou antes do termo final do MPF DILIGÊNCIA e foi autorizada pelo MPF FISCALIZAÇÃO nº 06.1.03.002007002593, emitido no dia 05/11/2007, para ser executado até o dia 04/03/2008, cuja cópia encontrase à fl. 01. Este MPF FISCALIZAÇÃO foi prorrogado no dia 04/03/2008, com validade até o dia 03/05/2008, conforme Demonstrativo de fl. 70. O Auto de Infração foi lavrado no dia 18/04/2008, e a recorrente dele tomou conhecimento no dia 22/04/2008, portanto, dentro do prazo de validade do MPF FISCALIZAÇÃO. Portanto, independente da natureza do MPF, e de seus efeitos, não houve prorrogação após o vencimento do MPF FISCALIZAÇÃO e nem o auto de infração foi lavrado após o prazo de validade do MPF FISCALIZAÇÃO, como alega a recorrente. Quanto à natureza e os efeitos no MPF no lançamento do crédito tributário, ratifico os fundamentos da decisão recorrida. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Relativamente ao mérito, a recorrente postula o reconhecimento da legitimidade do crédito presumido escriturado e a redução da multa de ofício a “patamar justo e constitucional”. Da relação de insumos constantes do Anexo II deste processo, não constatei nenhum que seja isento do IPI. A maioria é NT e alguns são tributados com alíquota zero, a exemplo do “Gás Oxigênio”. Em sua defesa, a empresa recorrente defende que a legislação do IPI afronta a CF/88 ao não permitir o crédito pleiteado, única forma de manter o regime da não cumulatividade do imposto, e, portanto, legítimo o seu direito ao crédito presumido escriturado e utilizado. Sem razão a recorrente. Esta matéria foi submetida a julgamento pelo STJ, no regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ nº 08/2008, e o Tribunal pacificou o entendimento no sentido da impossibilidade de creditamento de IPI nas aquisições de insumos ou matériasprimas sujeitas à alíquota zero ou não tributadas, conforme se pode constatar no enunciado da ementa do Recurso Especial nº 1.134.903, Relator Ministro Luiz Fux, que abaixo se transcreve. PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA FIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não cumulatividade (Precedentes oriundos do Pleno do Supremo Tribunal Federal: (RE 370.682, Rel. Ministro Ilmar Galvão, julgado em 25.06.2007, DJe165 DIVULG 18.12.2007 PUBLIC 19.12.2007 DJ 19.12.2007; e RE 353.657, Rel. Ministro Marco Aurélio, julgado em 25.06.2007, DJe041 DIVULG 06.03.2008 PUBLIC 07.03.2008). 2. É que a compensação, à luz do princípio constitucional da nãocumulatividade (erigido pelo artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988), dar seá somente com o que foi anteriormente cobrado, sendo certo que nada há a compensar se nada foi cobrado na operação anterior. 3. Deveras, a análise da violação do artigo 49, do CTN, revela se insindicável ao Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista sua umbilical conexão com o disposto no artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição (princípio da nãocumulatividade), matéria de índole eminentemente constitucional, cuja apreciação incumbe, exclusivamente, ao Supremo Tribunal Federal. 4. Entrementes, no que concerne às operações de aquisição de matériaprima ou insumo não tributado ou sujeito à alíquota zero, é mister a submissão do STJ à exegese consolidada pela Fl. 4DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10630.720101/200801 Acórdão n.º 330201.381 S3C3T2 Fl. 223 5 Excelsa Corte, como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal. 5. Outrossim, o artigo 481, do Codex Processual, no seu parágrafo único, por influxo do princípio da economia processual, determina que "os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a argüição de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes ou do plenário, do Supremo Tribunal Federal sobre a questão" . 6. Ao revés, não se revela cognoscível a insurgência especial atinente às operações de aquisição de matériaprima ou insumo isento, uma vez pendente, no Supremo Tribunal Federal, a discussão acerca da aplicabilidade, à espécie, da orientação firmada nos Recursos Extraordinários 353.657 e 370.682 (que versaram sobre operações não tributadas e/ou sujeitas à alíquota zero) ou da manutenção da tese firmada no Recurso Extraordinário 212.484 (Tribunal Pleno, julgado em 05.03.1998, DJ 27.11.1998), problemática que poderá vir a ser solucionada quando do julgamento do Recurso Extraordinário 590.809, submetido ao rito do artigo 543B, do CPC (repercussão geral). 7. In casu, o acórdão regional consignou que: "Autorizase a apropriação dos créditos decorrentes de insumos, matériaprima e material de embalagem adquiridos sob o regime de isenção, tão somente quando o forem junto à Zona Franca de Manaus, certo que inviável o aproveitamento dos créditos para a hipótese de insumos que não foram tributados ou suportaram a incidência à alíquota zero, na medida em que a providência substancia, em verdade, agravo ao quanto estabelecido no art. 153, § 3°, inciso II da Lei Fundamental, já que havida opção pelo método de subtração variante imposto sobre imposto, o qual não se compadece com tais creditamentos inerentes que são à variável base sobre base, que não foi o prestigiado pelo nosso ordenamento constitucional." 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. RECURSO ESPECIAL Nº 1.134.903 SP (2009/00675369). RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX. Nos termos do disposto no art. 62A1, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, as decisões preferidas pelo STJ na forma do art. 543C, do CPC (recursos repetitivos), são de aplicação obrigatória por parte deste Colegiado. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Acrescido pela Portaria MF nº 586/2010) Fl. 5DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Ao caso em julgamento aplicase integralmente a citada decisão do STJ e, mais ainda, sobre este tema o CARF emitiu a Súmula CARF nº 18, com o seguinte teor: Súmula CARF no 18 A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida, devendo o lançamento ser mantido nesta parte. Com relação ao percentual da multa de ofício lançada, não cabe à autoridade administrativa, por absoluta falta de competência, conhecer as alegações relativas ao seu caráter confiscatório (exorbitante), a teor dos arts. 97 e 102 da CF/88. Os juízos quanto ao princípio do nãoconfisco tributário e da proporcionalidade da reprimenda em relação à falta têm como destinatário imediato o legislador ordinário e não autoridade administrativa. Estando o percentual da multa fixado em lei, cabe à Administração apenas velar pelo seu fiel cumprimento. No caso em tela, a multa de ofício aplicada foi a prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/962. Ao contrário do entendimento da recorrente, o procedimento fiscal atende perfeitamente ao princípio da estrita legalidade porque aplicou corretamente a legislação vigente, sem o uso de poder discricionário. É preciso registrar, ainda, que a primeira infração apontada no Auto de Infração (Falta de informação em DCTF de débitos apurados no LRAIPI) não foi objeto do recurso voluntário, estando o crédito tributário definitivamente constituído, devendo o mesmo ser apartado dos autos para cobrança imediata. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19993, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, devendo o crédito definitivamente constituído ser apartado dos autos para cobrança imediata. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 2 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). 3 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10630.720101/200801 Acórdão n.º 330201.381 S3C3T2 Fl. 224 7 Fl. 7DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11020.007924/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
CPMF. EC N. 42, DE 2003. PRORROGAÇÃO. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL.
Tendo o Supremo Tribunal Federal decidido pela constitucionalidade da
prorrogação da cobrança da CPMF, sem a aplicação do princípio da
anterioridade nonagesimal, em sede de repercussão geral, cumpre ao Carf
reproduzir o entendimento do Tribunal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.635
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 CPMF. EC N. 42, DE 2003. PRORROGAÇÃO. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. Tendo o Supremo Tribunal Federal decidido pela constitucionalidade da prorrogação da cobrança da CPMF, sem a aplicação do princípio da anterioridade nonagesimal, em sede de repercussão geral, cumpre ao Carf reproduzir o entendimento do Tribunal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11020.007924/200881 Acórdão n.º 330201.635 S3C3T2 Fl. 186 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 117 a 136) apresentado em 17 de junho de 2011 contra o Acórdão no 1030.185, de 03 de março de 2011, da 3ª Turma da DRJ/POA (fls. 96 a 99), cientificado em 25 de maio de 2011, que, relativamente a declaração de compensação de CPMF dos períodos de janeiro de 2004 a dezembro de 2007, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CPMF EC 42/2003 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE Falece competência aos órgãos julgadores administrativos para se pronunciarem sobre a inconstitucionalidade de lei tributária válida, vigente e eficaz. MULTA DE MORA Não reconhecida a legitimidade do crédito objeto da DCOMP, os débitos indevidamente compensados, e, portanto, não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos da multa de mora prevista em lei. TAXA SELIC JUROS MORATÓRIOS A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Manifestação De Inconformidade Improcedente A declaração de compensação foi apresentada em 11 de dezembro de 2008 e inicialmente apreciada pelo despacho decisório de fls. 39 a 42. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho que não homologou compensação cujo crédito, afirma o contribuinte, arrimase na diferença de alíquota de 0,08 e 0,38% da CPMF, sob fundamento de que a EC 42/2003 agrediu o princípio da anterioridade nonagesimal. Não homologada a compensação, foi enviada ao contribuinte carta cobrança exigindo o pagamento dos tributos (débitos) compensados, com os devidos acréscimos legais. A decisão recorrida averbou que “não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Fl. 186DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11020.007924/200881 Acórdão n.º 330201.635 S3C3T2 Fl. 187 3 Poder Judiciário”. Não conformada, a empresa manifestou sua inconformidade contra o r. despacho, pugnando, em preliminar, pela nulidade do mesmo por, em suma, negarse a exercer o controle de constitucionalidade, o que, em seu entender, faz a guerreada decisão carecer de fundamentação. No mérito, argúi que a Emenda Constitucional 42/2003 ao majorar a alíquota da CPMF, afrontou os princípios jurídicos da anterioridade e da nãosurpresa, alem de alegar a imunidade da CPMF nas operações de exportação. Averba, ainda, que a multa aplicada é excessiva, afrontando aos princípios do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Por fim, insurgese contra a aplicação da taxa SELIC como taxa de juros, ao argumento de que estes não podem exceder a 1% ao mês, o que torna aquela taxa ilegal para o cálculo dos juros moratórios a partir de abril de 1995. No recurso, a Interessada contestou a conclusão da Primeira Instância, citando o art. 5º, LV, da Constituição e ementas de acórdãos do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes. No mérito, defendeu a inconstitucionalidade da não obediência ao princípio da anterioridade nonagesimal, no caso da Emenda Constitucional n. 42, de 2003. Por fim, requereu a aplicação do art. 100 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. A questão inicial trazida pela Interessada em seu recurso foi objeto de súmula do Carf, conforme Portaria Carf n. 106, de 2001: Súmula CARF n. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Tal súmula aplicase à vigência da lei que instituiu a contribuição. Além disso, devese destacar que o Supremo Tribunal Federal decidiu, no RE n. 566.032 RG / RS, cuja matéria teve repercussão geral reconhecida, que não se aplica a anterioridade nonagesimal ao caso de prorrogação de vigência de contribuição social: EMENTA: 1. Recurso extraordinário. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11020.007924/200881 Acórdão n.º 330201.635 S3C3T2 Fl. 188 4 2. Emenda Constitucional nº 42/2003 que prorrogou a CPMF e manteve alíquota de 0,38% para o exercício de 2004. 3. Alegada violação ao art. 195, §6º, da Constituição Federal. 4. A revogação do artigo que estipulava diminuição de alíquota da CPMF, mantendose o mesmo índice que vinha sendo pago pelo contribuinte, não pode ser equiparada à majoração de tributo. 5. Não incidência do princípio da anterioridade nonagesimal. 6. Vencida a tese de que a revogação do inciso II do §3º do art. 84 do ADCT implicou aumento do tributo para fins do que dispõe o art. 195, §6º da CF. 7. Recurso provido. Aplicase, portanto, a disposição do art. 62A do Regimento Interno do Carf, com a redação dada pela Portaria MF n. 586, de 21 de dezembro de 2010: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Quanto à aplicação do art. 100 do CTN, inexiste qualquer uma das hipóteses previstas em seus incisos em relação à presente matéria, uma vez que nunca a Administração e os órgãos julgadores administrativos (em decisão com efeito normativo) consideram indevidas a contribuição em questão. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 188DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
score : 1.0
Numero do processo: 11020.001143/2010-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituíla.
Hipótese em que o contribuinte não desconstituiu a presunção.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.535
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituíla. Hipótese em que o contribuinte não desconstituiu a presunção. Recurso negado.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituíla. Hipótese em que o contribuinte não desconstituiu a presunção. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.001143/201005 Acórdão n.º 2101001.535 S2C1T1 Fl. 2 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em 27 de julho de 2011 contra o acórdão de fls. 1.571/1.589, do qual o Recorrente teve ciência em 27 de junho de 2011 (fl. 1592), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação apresentada em face do auto de infração de fls. 1.465/1.471 (apenas para desqualificar a multa de ofício), lavrado em 14 de abril de 2010, em decorrência de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e de omissão de rendimentos tributáveis recebidos por sócio de pessoa jurídica, verificadas nos anoscalendário de 2005 a 2007. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INVERSÃO DO ÔNUS D A PROVA Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. DECISÕES JUDICIAIS EFEITOS As decisões judiciais, à exceção das proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA APLICABILIDADE A qualificação da multa somente pode ocorrer quando a autoridade fiscal provar de modo inconteste, por meio de documentação acostada aos autos, o dolo por parte do contribuinte, condição imposta pela lei. A presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 (Súmula CARF n° 25). Impugnação Procedente em Parte Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.001143/201005 Acórdão n.º 2101001.535 S2C1T1 Fl. 3 3 Crédito Tributário Mantido em Parte” (fl. 1.571). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso de voluntário, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. No mérito, aduz o Recorrente, genericamente, que o art. 42 da Lei n.º 9.430/96 teria sido revogado com o advento da Lei Complementar n.º 105/01, mais precisamente por meio de seu art. 5º, §4º, bem como não seria legítimo presumirse a renda com base em extratos que demonstram movimentação bancária. Tal entendimento, entretanto, é totalmente desprovido de fundamento. Inicialmente, descabe alegar eventual revogação do art. 42 da Lei n.º 9.430/96 pelo art. 5º, §4º, da Lei Complementar n.º 105/01, como pretende o Recorrente. Isto porque os dispositivos em apreço tratam de hipóteses absolutamente distintas, isto é, o aludido art. 42 concerne à presunção de omissão de rendimentos, como será explicitado mais detidamente a seguir, ao passo que o invocado artigo da lei complementar se refere à quebra do sigilo bancário, geralmente levada a cabo pela Receita Federal para obtenção dos extratos bancários do contribuinte – situação que não se amolda à hipótese vertente, frisese. Por oportuno, cumpre ressaltar que, nos termos do caput do art. 2º da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro (Decretolei n.º 4.657/42), a lei terá vigor até que outra a modifique ou a revogue, sendo cediço que a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior (§1º) e a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior (§2º). No bojo da lei complementar, pois, não há qualquer menção à pretensa revogação dos termos do art. 42 da Lei n.º 9.430/96, tampouco se vislumbra incompatibilidade entre os dispositivos, tratandose, destarte, da situação descrita no parágrafo segundo. Aliás, não pode o contribuinte alegar a antinomia pretendida, uma vez que, em verdade, o mencionado art. 5º, §4º, autoriza a emissão do Relatório de Movimentação Financeira (RMF) diretamente pela autoridade fiscal às instituições financeiras, justamente para apurar eventual omissão de rendimentos, motivo pelo qual infundadas as alegações do Recorrente. Passo, agora, a tratar da presunção de omissão de rendimentos de que trata o artigo 42 da Lei 9.430/96, que tem a seguinte redação: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.001143/201005 Acórdão n.º 2101001.535 S2C1T1 Fl. 4 4 instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º. O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Como já venho me manifestando, o referido dispositivo instituiu autêntica presunção legal relativa, cujo condão é justamente o de inverter o ônus da prova, atribuindoo ao contribuinte, que passa a ter o dever de refutála. Como é cediço, a presunção, seja ela hominis ou legal, é meio de prova que prescreve o reconhecimento jurídico de um fato provado de forma indireta. Ou seja, provando se diretamente o fato indiciário, temse, por conseguinte, a formação de um juízo de probabilidade com relação ao fato presumido que, a partir de então, necessita ser afastado pelo contribuinte. No caso dos autos, provase especificamente a ocorrência de movimentações bancárias injustificadas, decorrendo desta comprovação o reconhecimento da omissão de rendimentos na apuração da base de cálculo do IRPF. Nesse sentido, a presunção relativa referida pelo artigo 42 da Lei n. 9.430/96 é legítima, não ferindo, em nenhum ponto, a legislação tributária em vigor. Notese, ainda, que a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR), segundo a qual seria insuficiente para comprovação da omissão de rendimentos a simples verificação de movimentação bancária, consubstancia jurisprudência firmada anteriormente à edição da Lei n.º 9.430/96, motivo pelo qual não deve ser aplicada. A este respeito, a anterior 2ª. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes já consolidou entendimento de acordo com o qual, a partir da edição da Lei n.º 9.430/96, é válida a presunção em referência, sendo ônus do Recorrente desconstituíla com a apresentação de provas suficientes para tanto. É o que se depreende das seguintes ementas, destacadas dentre as inúmeras existentes sobre o tema: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 158.817, Relatora Conselheira Núbia Matos Moura, sessão de 24/04/2008) *** Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.001143/201005 Acórdão n.º 2101001.535 S2C1T1 Fl. 5 5 “LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. TRIBUTAÇÃO PRESUMIDA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA O procedimento da autoridade fiscal encontrase em conformidade com o que preceitua o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que se presume como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, em relação aos quais o titular pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 141.207, Relator Conselheiro Romeu Bueno de Camargo, sessão de 22/02/2006) Em idêntico sentido, este CARF editou a Súmula n.º 26, segundo a qual “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada”, razão pela qual, também sob este prisma, não merecem prosperar as alegações do Recorrente. Considerando, pois, que mesmo em sede de recurso voluntário o contribuinte não logrou comprovar a origem dos depósitos que transitaram por sua conta corrente, limitandose a, genericamente, questionar o art. 42 da Lei n.º 9.430/96, o qual estabelece legítima presunção relativa, não merece prosperar sua irresignação. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.001143/201005 Acórdão n.º 2101001.535 S2C1T1 Fl. 6 6 Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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