Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,419)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,202)
- Terceira Câmara (67,872)
- Segunda Câmara (56,642)
- Primeira Câmara (20,751)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,714)
- Segunda Seção de Julgamen (115,210)
- Primeira Seção de Julgame (77,082)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,551)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,615)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,690)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 19515.004263/2007-09
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2003
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
PRECLUSÃO.
O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em
julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2003
RECONHECIMENTO DE INCENTIVO FISCAL. FINAM.
COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES
FEDERAIS.
A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal,
relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita
Federal fica condicionada à comprovação, pelo contribuinte pessoa física ou
jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais e do FGTS.
Numero da decisão: 1803-001.335
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Ausente, justificadamente, a Conselheira Meigan Sack Rodrigues.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201206
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2003 RECONHECIMENTO DE INCENTIVO FISCAL. FINAM. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação, pelo contribuinte pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais e do FGTS.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 19515.004263/2007-09
anomes_publicacao_s : 201206
conteudo_id_s : 5089416
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1803-001.335
nome_arquivo_s : 180301335_19515004263200709_201206.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : Sérgio Rodrigues Mendes
nome_arquivo_pdf_s : 19515004263200709_5089416.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Meigan Sack Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
id : 4753166
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044360332836864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1440; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 332 1 331 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004263/200709 Recurso nº 924.561 Voluntário Acórdão nº 180301.335 – 3ª Turma Especial Sessão de 12 de junho de 2012 Matéria IRPJ AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente FLEURY S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 RECONHECIMENTO DE INCENTIVO FISCAL. FINAM. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação, pelo contribuinte pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais e do FGTS. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.004263/200709 Acórdão n.º 180301.335 S1TE03 Fl. 333 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Meigan Sack Rodrigues. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Viviani Aparecida Bacchmi. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.004263/200709 Acórdão n.º 180301.335 S1TE03 Fl. 334 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 265verso a 267): A Contribuinte acima qualificada, tributada pelo lucro real trimestral, teve contra si lavrado auto de infração constituindo crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) do 4º trimestre do anocalendário de 2002, no valor de R$ 313.707,42 (trezentos e treze mil, setecentos e sete reais e quarenta e dois centavos), acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros legais. A autoridade tributária informa, em resumo, o seguinte, em seu Termo de Constatação (fls. 2/3): do processamento das opções feitas pela pessoa jurídica em epígrafe para aplicação do IRPJ em investimentos regionais (artigo 4º da Lei nº 9.532, de 1997), referente ao exercício de 2003, anocalendário de 2002, constatouse excesso de valor destinado ao FINAM em DARF específico (§ 7º do artigo 4º da Lei nº 9.532, de 1997), no valor de R$ 313.707,42, em virtude de sua classificação como aplicação com recursos próprios ou subscrição voluntária, conforme Demonstrativo de Apuração (fl. 4) – Excesso de Aplicação em Incentivos Fiscais (FINAM), em detrimento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ); em face do exposto, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (DERATDIORTSPO) encaminhou a esta Delegacia da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo (DEFISSPO) o processo administrativo fiscal nº 16143.000336/200762 (em apenso), onde consta sua proposta para lançamento do IRPJ pago a menor, correspondente ao montante acima, com base na determinação contida na Solução de Consulta Interna nº 26, de 20 de setembro de 2004, da Coordenação Geral de Tributação (COSIT); apresenta demonstrativo com os recolhimentos efetuados pelo contribuinte durante o anocalendário de 2002, referente ao IRPJ e ao Fundo, em DARF específico (fl. 2); com base nesses DARF específicos e/ou com base na opção efetuada na DIPJ 2003 (ficha 29, item 04 – R$ 313.707,42) apurou o incentivo fiscal que o contribuinte pleiteou, porém, após análise da auditoria interna, ele não foi reconhecido, com base no artigo 60 da Lei nº 9.069, de 1995, e no artigo 27, alínea “c”, da Lei nº 8.036, de 1990. À vista disso, a Receita Federal do Brasil emitiu extrato com as informações das aplicações efetuadas pelo contribuinte, conforme AR encaminhado (fl. 06), não havendo manifestação do contribuinte no prazo legal que, para o anocalendário de 2002, foi até 30 de junho de 2003 (sic) (ADE/CORAT/67/2005). Cientificada, a Contribuinte impugnou o auto de infração, alegando, resumidamente, o seguinte: a Impugnante é sociedade anônima e está sujeita ao recolhimento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ); Fl. 334DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.004263/200709 Acórdão n.º 180301.335 S1TE03 Fl. 335 4 não obstante o cumprimento de todas as suas obrigações tributárias, foi intimada da lavratura do presente auto de infração, por meio do qual a Fiscalização objetiva a cobrança de suposto crédito tributário, relativamente ao anocalendário de 2002, sob a alegação de que teria recolhido imposto a menor “em virtude de excesso de valor destinado ao FINAM”, no valor de R$ 313.707,42, acrescido de juros de mora e multa de ofício; nos termos do artigo 601 do RIR/99, a Impugnante pode aplicar o imposto devido em investimentos regionais (arts. 609, 611 e 613 do RIR/99), na declaração de rendimentos ou no curso do anocalendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado (art. 222 do RIR/99) ou no lucro real, apurado trimestralmente (transcreve o artigo 601 do RIR/99); sendo a Impugnante tributada pelo lucro real, podia optar pela destinação de 18% do IRPJ devido, conforme dispõe o art. 599 do RIR/99, para o FINAM, no período compreendido entre janeiro de 1998 a dezembro de 2003; a destinação em questão era manifestada com o simples recolhimento, por meio de documento de arrecadação (DARF) específico, do percentual determinado pela legislação. De fato, em nenhum momento, exigese o cumprimento de qualquer dever instrumental (obrigação acessória), tal como a entrega de qualquer declaração pela pessoa jurídica, como condição para a opção pela destinação em questão; assim, a Impugnante optou pela destinação de valor inferior a 18% do IRPJ devido no anocalendário de 2002 ao FINAM e efetuou o recolhimento dos valores, conforme atestam os anexos DARF (doc. 3), no valor total de R$ 313.707,42; registrese que, por equívoco cometido, a Impugnante deixou de informar os valores destinados ao FINAM na DIPJ do respectivo anocalendário, o que não poderia ser fundamento para a glosa dos recolhimentos e, consequentemente, para a lavratura do auto de infração ora impugnado. A entrega da DIPJ é mero requisito formal, que não possui o condão de desconstituir a opção de investimento feita pela contribuinte; nesse caso, a única penalidade que poderia ser aplicada seria uma multa por descumprimento de obrigação acessória. Ainda nesse raciocínio, há que se considerar que a obrigação acessória foi cumprida – entregar a DIPJ – porém, com o vício relativo à ausência de informação da destinação de parte do IRPJ para o FINAM. Considerandose que, sequer houve o descumprimento da obrigação acessória, nem a suposta multa poderia ser exigida; contudo, não obstante a procedência dos recolhimentos efetuados relativos aos valores destinados ao FINAM pela Impugnante, entendeu o Sr. Agente Fiscal que houve recolhimento a menor do IRPJ “em decorrência de excesso na destinação feita ao FINOR, FINAM ou FUNRES”; ocorre que, em nenhum momento, houve excesso de aplicação de incentivos fiscais e, consequentemente, recolhimento a menor do IRPJ relativamente ao 4º trimestre de 2002, conforme tabela que apresenta, onde registra: IRPJ devido no anocalendário de 2002 – R$ 5.187.235,68; 18% do IRPJ devido no anocalendário de 2002 R$ 933.702,42; e Valor aplicado no FINAM – R$ 313.707,42; notese que a Impugnante aplicou valor inferior ao que fazia jus; o Agente Fiscal equivocouse ao presumir (observese que, em momento algum, o auto de infração impugnado trouxe qualquer cálculo demonstrativo da Fl. 335DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.004263/200709 Acórdão n.º 180301.335 S1TE03 Fl. 336 5 suposta infração) que havia ocorrido destinação a maior de recursos ao FINAM no 4º trimestre de 2002, tendo em vista que, conforme se demonstra matematicamente, a Impugnante destinou, inclusive, valor inferior ao permitido pela legislação, ou seja, 18%; resta evidente a nulidade do auto de infração, uma vez que a motivação, além de não ter sido demonstrada por meio de cálculos, é, ainda, inexistente, já que, realmente, não ocorreu o fato jurídico (destinação em excesso), descrito no Termo de Constatação, razão pela qual não há a ocorrência do fato ensejador do nascimento da suposta obrigação tributária; a Fiscalização deve guardar obediência aos princípios da motivação e da legalidade. Por essa razão, jamais poderia o Sr. Agente Fiscal ter constituído, de ofício, o lançamento tributário em questão, sem fazer o levantamento e exame completo de toda a documentação contábil da Impugnante. Agindo assim, teria constatado que o investimento, em verdade, foi menor do que o autorizado por lei; interpretando o artigo 142 do CTN, afirma que o Agente Fiscal deve averiguar e comprovar a ocorrência do fato concreto e comparálo com as hipóteses normativas, fazendo a norma jurídica geral e abstrata incidir no caso concreto. Assim, parece claro, pelo já exposto, que a norma individual e concreta (auto ora impugnado) não guarda qualquer relação com as normas gerais e abstratas mencionadas pelo Sr. Fiscal, uma vez que não ocorreu o fato nelas descrito, ou seja, destinação em excesso para o FINAM e o consequente recolhimento a menor de IRPJ; essa análise (confronto entre a norma geral e abstrata, ocorrência do fato jurídico e expedição da norma individual e concreta), por parte da Fiscalização, é obrigatória, tendo em vista que a aplicação da norma jurídica tributária é um ato vinculado, nos termos do artigo 142 do CTN (transcreve doutrina sobre a impossibilidade de lançar mão da presunção para arrecadar imposto ou impor penalidade); no caso presente, foi utilizada a presunção de ocorrência de fato jurídico tributário, pois o lançamento se deu sem qualquer averiguação. E para constatar se houve ou não excesso, bastava consultar a DIPJ e comparar o valor do imposto devido com o DARF específico (transcreve acórdão do Conselho de Contribuintes); é dever da Fiscalização buscar a verdade no momento da aferição da ocorrência do fato jurídico tributário, sob pena de, arbitrariamente, constituir relações inexistentes. É o que descreve o princípio da Verdade Material, que, se tivesse sido observado, seria verificada a inocorrência de infração, de ilícito tributário (reproduz doutrina sobre o princípio da legalidade e da verdade material); o auto de infração também padece de nulidade pela descrição dos fatos que o embasaram, que não se encaixam nas normas gerais e abstratas utilizadas para fundamentálo, em clara afronta aos Princípios da Segurança Jurídica e da Legalidade (discorre sobre os dois princípios, citando doutrina); trata do princípio da Tipicidade Cerrada, conceituandoo e afirmando que o fato discutido não ocorreu no mundo fenomênico, razão pela qual não pode haver a incidência da norma jurídica; o auto de infração padece de nulidade, também, por desrespeitar os incisos III e IV do artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, pois a descrição do fato e a disposição legal infringida não guardam qualquer relação entre si; Fl. 336DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.004263/200709 Acórdão n.º 180301.335 S1TE03 Fl. 337 6 citando doutrina e jurisprudência, afirma que a taxa SELIC não foi criada por lei, mas por Resoluções do Banco Central, ferindo o princípio constitucional da legalidade e o artigo 161, parágrafo 1º, do CTN, e que tem natureza diferente da “mora”, pois seu caráter é remuneratório. Pede o cancelamento do auto de infração e o arquivamento do processo, protestando pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos. Na remota hipótese de prevalecer algum valor em relação à autuação, requer o afastamento da taxa SELIC no cômputo dos juros moratórios. Junta procuração, Estatuto, cópia dos DARF e cópia da DIPJ/2003. Encontrase apensado ao presente processo o procedimento de Revisão de Declaração IRPJ, no qual é feita a representação para o lançamento em julgamento (Processo nº 16143.000336/200762). 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 265): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 NORMA LEGAL. APLICAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DE FORO. A atividade da administração tributária é plenamente vinculada, sendolhe proibido afastar a aplicação de norma legal vigente sob o fundamento de inconstitucionalidade, tarefa reservada ao Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 FINAM. INVESTIMENTO DE PARTE DO IRPJ A PAGAR. NECESSIDADE DE REGULARIDADE FISCAL E COM O FGTS. A aplicação de parcela do IRPJ a pagar no FINAM só pode ser realizada por contribuinte em situação regular com os tributos e contribuições federais e com o FGTS. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 3. Cientificada da referida decisão em 12/05/2011 (fls. 271verso), a tempo, em 10/06/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 286 (numeração digital ND) a 311 (ND), instruído com os documentos de fls. 312 a 328 (ND), nele argumentando, em síntese: a) que, preliminarmente, ao contrário do que pretendeu fazer crer a decisão recorrida, outras causas há que não somente aquelas previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, que demonstram a nulidade de um ato administrativo, como o é o lançamento tributário; b) que um dos elementos indispensáveis à lavratura do auto de infração é a descrição precisa dos fatos que embasaram a autuação fiscal, requisito este que não foi respeitado no caso em exame; Fl. 337DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.004263/200709 Acórdão n.º 180301.335 S1TE03 Fl. 338 7 c) que, em nenhum dos documentos (incluído o auto de infração) recebidos pela Recorrente, houve uma exposição dos motivos de fato que levaram a fiscalização a concluir por qualquer equívoco relativo à destinação de valores ao Finam; d) que, inexistindo na autuação a correta descrição dos fatos que a justificaram, claro é o comprometimento da sua segurança e veracidade; e) que a Recorrente somente veio a saber, com o julgamento de sua impugnação, que o “excesso de destinação” não era a infração a ela efetivamente imputada, mas sim a própria utilização do benefício (em sua integralidade), a despeito da existência de débitos abertos em seu conta corrente; f) que é o próprio acórdão recorrido que corrobora o quanto alegado, no sentido de que o direito de defesa da Recorrente foi absolutamente cerceado, quiçá impedido, no presente caso; g) que, dessa forma, não há dúvidas quanto à absoluta nulidade da autuação fiscal no presente caso, porquanto sua fundamentação – lacônica e equivocada – não só cerceou o direito de defesa da Recorrente, mas, ainda mais, fêla impugnar fatos não imputados como infração, deixando de fazêlo em relação àqueles dessa forma considerados; h) que houve indevida inovação, por parte da Turma Julgadora, do critério jurídico utilizado como fundamento para o lançamento fiscal; i) que a fiscalização jamais apontou esse motivo (existência de fatores impeditivos ao aproveitamento do incentivo fiscal) para fundamentar a autuação fiscal, como indevidamente sustentou a Turma Julgadora; j) que questões estranhas, que não foram abordadas no lançamento e discutidas no curso do processo administrativo, não podem ser aventadas pela Turma Julgadora por ocasião do julgamento, sob pena de indevida intromissão na competência outorgada à autoridade lançadora e nítido cerceamento de defesa; k) que não houve a ocorrência dos fatos supostamente alegados pela fiscalização: destinação em excesso ao Finam e recolhimento a menor do IRPJ; l) que a fiscalização, para justificar o presente lançamento, utilizouse de provas (conclusões) emprestadas de procedimento administrativo específico (nº 16143.000336/200762), instaurado com a finalidade de analisar a DIPJ/2003; m) que a Recorrente, em momento algum, foi chamada a participar daquele primeiro processo administrativo – do qual, como entendeu a decisão recorrida, teria decorrido o presente , ao que resta clara a flagrante desobediência, perpetrada pela fiscalização, aos princípios do contraditório e ampla defesa; Fl. 338DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.004263/200709 Acórdão n.º 180301.335 S1TE03 Fl. 339 8 n) que, nessa linha, é totalmente descabida a utilização das provas apuradas no processo administrativo nº 16314.000.336/200762 como fundamento para a realização de lançamento tributário em face da Recorrente; e o) que, ainda que se entenda correta a utilização da taxa Selic para cobrança dos juros de mora incidentes sobre o tributo supostamente devido, é certo que os juros calculados com base nessa taxa não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal. 4. É o que importa relatar. Em mesa para julgamento. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.004263/200709 Acórdão n.º 180301.335 S1TE03 Fl. 340 9 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Preliminar de nulidade do lançamento 5. De início, não há que se acatar a arguida preliminar de nulidade do auto de infração, por suposta falta de descrição dos fatos que embasaram a autuação fiscal, já que, do Termo de Constatação, de fls. 2, constou claramente o motivo da não aceitação, por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), da aplicação em incentivos fiscais, do que resultou o presente lançamento (fls. 2): A Secretaria da Receita Federal do Brasil, com base nestes Darfs específicos e/ou com base na opção efetuada na DIPJ 2003 Ficha 29 item 04 R$ 313.707,42, apurou o incentivo fiscal a que o contribuinte pleiteou, porém, após análise da auditoria interna da RFB, o mesmo não foi reconhecido com base no art. 60 da Lei nº 9.069/95 e no art. 27, alínea “c”, da Lei nº 8.036/1990. À vista disto, a Receita Federal do Brasil emitiu extrato com as informações das aplicações efetuadas pelo contribuinte, conforme AR encaminhado (fls. 06), não havendo manifestação do contribuinte no prazo legal que, para o anocalendário de 2002, foi até 30/06/2006 (ADE/CORAT/67/2005) 6. Referidos dispositivos legais têm a seguinte redação: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. [...]. Art. 27. A apresentação do Certificado de Regularidade do FGTS, fornecido pela Caixa Econômica Federal, é obrigatória nas seguintes situações: [...]; c) obtenção de favores creditícios, isenções, subsídios, auxílios, outorga ou concessão de serviços ou quaisquer outros benefícios concedidos por órgão da Administração Federal, Estadual e Municipal, salvo quando destinados a saldar débitos para com o FGTS; Fl. 340DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.004263/200709 Acórdão n.º 180301.335 S1TE03 Fl. 341 10 7. Rejeito a preliminar de nulidade arguida, não tendo havido, por conseguinte, “indevida inovação, por parte da Turma Julgadora, do critério jurídico utilizado como fundamento para o lançamento fiscal” (fls. 294ND). Mérito 8. Por outro lado, não é correto dizer que a Recorrente não foi chamada a participar do processo administrativo nº 16134.000336/200762. Vejase o seguinte Aviso de Recebimento (fls. 6): 9. Como já ressaltado anteriormente no Termo de Constatação (fls. 2): À vista disto, a Receita Federal do Brasil emitiu extrato com as informações das aplicações efetuadas pelo contribuinte, conforme AR encaminhado (fls. 06), não havendo manifestação do contribuinte no prazo legal que, para o anocalendário de 2002, foi até 30/06/2006 (ADE/CORAT/67/2005) 10. Assim, observase que a Recorrente, mesmo devidamente cientificada da não aceitação da aplicação em incentivos fiscais, mediante extrato (IRPJ OEIF), deixou passar a oportunidade de apresentar, no tempo correspondente, o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (Perc). 11. Consta, aliás, de fls. 276, solicitação de cópias de folhas do referido processo 16134.000336/200762, com o que poderia a Recorrente, em seu Recurso, sobre ele ter se pronunciado, o que não o fez. 12. Como destacado pela decisão recorrida (fls. 267 a 268verso): Com efeito, não vejo incongruência entre a descrição dos fatos e o fundamento legal invocado, tampouco que o fundamento do auto de infração tenha sido a falta de opção em DIPJ. A descrição constante do Termo de Constatação (fls. 2/3) é clara e precisa. O que houve no presente caso, e que demonstrarei a seguir, foi um entendimento equivocado por parte da Autuada, Fl. 341DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.004263/200709 Acórdão n.º 180301.335 S1TE03 Fl. 342 11 gerando argumentos que não atacam o fundamento do lançamento. [...]. Quanto ao objeto do auto de infração, temos que a Empresa Fleury S/A teve todo o valor investido no FINAM em DARF específico, no 4º trimestre do anocalendário de 2002, considerado como investimento próprio ou subscrição voluntária, com base nos artigos 60 da Lei nº 9.069, de 1995, e 27, alínea “c”, da Lei nº 8.036, de 1990, que abaixo transcrevo: [...]. O fundamento do não reconhecimento do investimento de parcela do IRPJ está descrito no Termo de Constatação (fl. 2) e é claramente identificado no processo apensado (16134.000336/200762). Neste procedimento de revisão de declaração, foi constatada a existência, em relação à Impugnante e à época do investimento, de débitos tributários encaminhados à Procuradoria da Fazenda, de débitos pendentes nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e pendências com o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) (fl. 16 do processo apensado). Estas constatações constituem fatores impeditivos de investimento de parcela do IRPJ a pagar no FINAM, conforme os artigos acima transcritos. Do resultado do processo de revisão da declaração, a Empresa foi cientificada em 14 de dezembro de 2005, recebendo o extrato relativo ao investimento. Poderia ter se manifestado por meio de um Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), uma vez que, pelos motivos apontados, o investimento realizado junto ao FINAM foi considerado como aplicação com recursos próprios ou subscrição voluntária. Decorrido o prazo para a apresentação do PERC, expirado em 30 de junho de 2006, a Impugnante mantevese inerte, do que resultou a representação para a constituição do crédito tributário relativo ao IRPJ recolhido a menor. [...]. A não apresentação do PERC, no entanto, não tem efeito preclusivo no que se refere à apresentação de provas contrárias ao fundamento do lançamento. Noutras palavras, a Autuada poderia apresentar, na Impugnação, a comprovação de que não estava com as pendências apontadas junto à RFB, à PGFN e ao FGTS, que determinaram a rejeição do investimento de parcela do IRPJ devido, caracterizandoo como feito com recursos próprios e, consequentemente, apontando recolhimento a menor do tributo. [...]. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.004263/200709 Acórdão n.º 180301.335 S1TE03 Fl. 343 12 Embora essa possibilidade de apresentar as comprovações citadas, a Impugnante apenas argumenta que não houve investimento em valor superior aos 18% do IRPJ a pagar, como excesso de investimento no FINAM. Essa matéria não faz parte da motivação do auto de infração, que, como já apontado – descrito no Termo de Constatação e constante da fundamentação legal do AI (fl. 99) – teve como esteio os artigos 60 da Lei nº 9.069, de 1995, e 27, alínea “c”, da Lei nº 8.036, de 1990, que tratam de requisitos de regularidade Fiscal e com o FGTS para o investimento de parte do IRPJ a pagar no FINOR, FINAM e FUNRES. E isto se torna claro ao constatar que foi indeferido todo o montante do investimento, e não a parcela que, supostamente, teria excedido ao limite legal. Matéria preclusa 13. Com relação à insurgência da Recorrente quanto aos juros sobre a multa de ofício, tratase de matéria preclusa, que não foi abordada na impugnação apresentada e que, portanto, não pode ser objeto de análise nesta instância. 14. O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 343DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.010592/2004-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula 11 do CARF).
CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICAL. Importa renúncia às instâncias
administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão
de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1).
OMISSÃO DE RECEITAS. DOCUMENTOS FISCAIS NÃO CONTABILIZADOS. Ocorre omissão de receitas, quando documentos fiscais
não são contabilizados, porque esse fato diminui diretamente tanto o lucro líquido como o real do respectivo período de apuração oferecidos à tributação.
MULTA DE OFÍCIO. Segundo a legislação vigente, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada multa de 75%, sobre a totalidade ou de diferença de imposto ou contribuição não recolhidos. No caso de ação judicial finda, cuja decisão
tenha transitado em julgado a favor do sujeito passivo, mas que posteriormente restou rescindida por violar expressamente disposição literal de lei (uma vez rescindida é como se nunca tivesse existido), não ocorre a extinção do crédito
tributário e o lançamento por falta de recolhimento da contribuição há de ser efetuado com a exigência normal da multa prevista em lei.
JUROS DE MORA. Conforme expressa previsão legal, incidem juros de mora sobre todos os débitos tributários relativos aos impostos e contribuições de competência da União, calculados pela Taxa Selic, os quais não ficam dispensados nem mesmo na hipótese legal de lançamento para prevenir a decadência, mesmo que o sujeito passivo possua a seu favor medida liminar ou tutela antecipada.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 1402-000.919
Decisão: Acordam os membros do colegiado: 1) Pelo voto de qualidade, não conhecer do recurso em relação à exigência da CSLL, em razão de concomitância da discussão na esfera judicial, MS 1998.01.00.074.844-2, vencidos os conselheiros Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira; 2) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, em relação às demais matérias. Tudo nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva apresentou declaração de voto.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula 11 do CARF). CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1). OMISSÃO DE RECEITAS. DOCUMENTOS FISCAIS NÃO CONTABILIZADOS. Ocorre omissão de receitas, quando documentos fiscais não são contabilizados, porque esse fato diminui diretamente tanto o lucro líquido como o real do respectivo período de apuração oferecidos à tributação. MULTA DE OFÍCIO. Segundo a legislação vigente, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada multa de 75%, sobre a totalidade ou de diferença de imposto ou contribuição não recolhidos. No caso de ação judicial finda, cuja decisão tenha transitado em julgado a favor do sujeito passivo, mas que posteriormente restou rescindida por violar expressamente disposição literal de lei (uma vez rescindida é como se nunca tivesse existido), não ocorre a extinção do crédito tributário e o lançamento por falta de recolhimento da contribuição há de ser efetuado com a exigência normal da multa prevista em lei. JUROS DE MORA. Conforme expressa previsão legal, incidem juros de mora sobre todos os débitos tributários relativos aos impostos e contribuições de competência da União, calculados pela Taxa Selic, os quais não ficam dispensados nem mesmo na hipótese legal de lançamento para prevenir a decadência, mesmo que o sujeito passivo possua a seu favor medida liminar ou tutela antecipada. Recurso Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10680.010592/2004-51
anomes_publicacao_s : 201203
conteudo_id_s : 5133208
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-000.919
nome_arquivo_s : 140200919_10680010592200451_201203.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : Antonio José Praga de Souza
nome_arquivo_pdf_s : 10680010592200451_5133208.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado: 1) Pelo voto de qualidade, não conhecer do recurso em relação à exigência da CSLL, em razão de concomitância da discussão na esfera judicial, MS 1998.01.00.074.844-2, vencidos os conselheiros Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira; 2) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, em relação às demais matérias. Tudo nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva apresentou declaração de voto.
dt_sessao_tdt : Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
id : 4750395
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044360346468352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2719; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 0 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.010592/200451 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 140200.919 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2012 Matéria AUTO DE INFRACAO. IRPJ E REFLEXOS Recorrente CONSTRUTORA EPURA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula 11 do CARF). CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1). OMISSÃO DE RECEITAS. DOCUMENTOS FISCAIS NÃO CONTABILIZADOS. Ocorre omissão de receitas, quando documentos fiscais não são contabilizados, porque esse fato diminui diretamente tanto o lucro líquido como o real do respectivo período de apuração oferecidos à tributação. MULTA DE OFÍCIO. Segundo a legislação vigente, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada multa de 75%, sobre a totalidade ou de diferença de imposto ou contribuição não recolhidos. No caso de ação judicial finda, cuja decisão tenha transitado em julgado a favor do sujeito passivo, mas que posteriormente restou rescindida por violar expressamente disposição literal de lei (uma vez rescindida é como se nunca tivesse existido), não ocorre a extinção do crédito tributário e o lançamento por falta de recolhimento da contribuição há de ser efetuado com a exigência normal da multa prevista em lei. JUROS DE MORA. Conforme expressa previsão legal, incidem juros de mora sobre todos os débitos tributários relativos aos impostos e contribuições de competência da União, calculados pela Taxa Selic, os quais não ficam dispensados nem mesmo na hipótese legal de lançamento para prevenir a decadência, mesmo que o sujeito passivo possua a seu favor medida liminar ou tutela antecipada. Recurso Negado. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10680.010592/200451 Acórdão n.º 140200.919 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) Pelo voto de qualidade, não conhecer do recurso em relação à exigência da CSLL, em razão de concomitância da discussão na esfera judicial, MS 1998.01.00.074.8442, vencidos os conselheiros Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira; 2) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, em relação às demais matérias. Tudo nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório CONSTRUTORA EPURA LTDA recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Contra o Contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 12/14, que exige o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 4.030.021,55, cumulado com multa de ofício, no percentual de 75% , e juros de mora pertinentes calculados até 30/07/2004. Em decorrência desse procedimento principal, foram também formalizados os seguintes lançamentos reflexos, a saber: Contribuição para o PIS/Pasep (fls. 21/23), no valor de R$ 114.065,81, cumulada com multa de ofício, no percentual de 75%, e juros de mora pertinentes, calculados até 30/07/2004. Contribuição para Financimento da Seguridade Social Cofins (fls. 28/30), no valor de R$ 526.459,19, cumulada com multa de ofício, no percentual de 75%, e juros de mora pertinentes, calculados até 30/07/2004. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10680.010592/200451 Acórdão n.º 140200.919 S1C4T2 Fl. 0 3 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 35/37), no valor de R$ 1.516.735,14, cumulada com multa de ofício, no percentual de 75%, e juros de mora pertinentes, calculados até 30/07/2004. Lançamento do IRPJ e Reflexos. Descrição dos Fatos. Na descrição dos fatos, a Fiscalização fez as anotações abaixo transcritas: “001 – OMISSÃO DE RECEITAS RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS Esta omissão se caracteriza pela falta de registro de Notas de Prestação de Serviços; conforme o “Termo de Verificação Fiscal e de Constatação Fiscal” de fls. 46 a 54. Assim, sobre os Valores Tributáveis omitidos a seguir discriminados, calculamse as Diferenças Devidas constantes dos Demonstrativos anexos. No caso da infração apurada em Fevereiro de 2003, a mesma resultou ao final em Valor Tributável Nulo para o IRPJ (conforme demonstrativo de fls. 19); com o mesmo reflexo na CSLL (conforme demonstrativo de fls. 42); o que não ocorreu para o PIS e a COFINS. Tal fato se deu, pois, com a Receita Omitida de R$ 279.885,08, efetuouse apenas um Ajuste na Base de Cálculo escriturada no LALUR ou informada na DIPJ/04. Somando este Valor Tributável inicial e positivo à Base de Cálculo Declarada Negativa de (R$ 445.453,61); esta última foi reduzida para o valor negativo de (R$165.568,53)”. Do Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 46/54). Eis os principais pontos abordados pela Fiscalização. (...) 1.1 – Reflexos na Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido. As infrações levantadas foram consideradas com reflexos também na CSLL, embora o contribuinte se sentisse desobrigado do recolhimento dessa contribuição. Representado pelo SICEPOT/MG, o contribuinte tinha como justificativa a sentença favorável obtida no “Processo de Mandado de Segurança nº 80.000.12568 2ª Vara FederalMG”, com decisão do TRF pela inconstitucionalidade da Lei nº 7.689, de 1988, desobrigando as empresas ao recolhimento da CSLL, nos termos dessa lei. Possui, ainda, a sentença favorável obtida no “Processo de Mandado de Segurança nº 96.0036458 10ª Vara Federal”, impetrado em conseqüência do processo acima referido; com decisão de a União se abster de cobrar a CSLL, bem como de fornecer certidão negativa de débito. 1.2 – Reflexos nas Contribuições do PIS e da COFINS. As infrações levantadas foram consideradas ainda com reflexos também na tributação do PIS e COFINS; embora o contribuinte tivesse questionamentos Fl. 562DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10680.010592/200451 Acórdão n.º 140200.919 S1C4T2 Fl. 0 4 judiciais quanto às normas de exigência destas contribuições nos anos de 1999 e 2000. O contribuinte obteve sentença favorável no “Processo de Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0128358 14ª Vara Federal/MG”. No entanto, de acordo com o documento de fls. 88, no julgamento da apelação interposta no referido processo, foram julgados improcedentes os questionamentos do contribuinte acerca da alíquota da COFINS e da composição das bases de cálculo tanto do PIS como da COFINS, instituída pela Lei nº 9.718, de 1988. 2. APURAÇÃO DAS RECEITAS OMITIDAS. 2.1 – Notas Fiscais Não Contabilizadas. Nos razões analíticos de 1999 a 2003, documentos de fls. 89/111, constam os registros contábeis das notas fiscais referentes às receitas auferidas pelo contribuinte a título de “Obras Empreitadas com Pessoas Jurídicas de Direito Público”, as quais foram reconhecidas pelo regime de competência. No entanto, neste Livro Razão, não foram contabilizadas as “Notas Fiscais”, documentos de fls. 115/141 (frente e verso), relativas às receitas de prestações de serviços da mesma natureza acima identificada, conforme discriminado no quadro (constante do TVF). A seguir, nos itens “2.1.1 a 2.1.8”, a Fiscalização descreve pontos específicos acerca das notas fiscais relacionadas, tais como, estabelecimento emissor, matriz ou filial; cliente e especificação dos serviços prestados e dos correspondentes contratos. 2.2 – Efetividade da Prestação dos Serviços e Efetividade do Recebimento dos Recursos. A Nota Fiscal emitida com o CNPJ da Matriz, aqui relacionada como omitida, é do mesmo modelo de outras contabilizadas pelo contribuinte. A “Autorização de Impressão de Documento Fiscal do Município – AIDFM – de nº 131/99”, identificada nas Notas Fiscais emitidas com o CNPJ da filial, consta efetivamente dos registros e arquivos oficiais da Prefeitura de VotorantimSP. Em diligências na Prefeitura Municipal da cidade do Rio de Janeiro, além das notas fiscais de fls. 115/141, juntaramse os documentos de fls. 143/194, bem como no Anexo, de fls. 02/89, os quais se vincularam às referidas notas e correspondem aos ”Processos Instrutivos e Contratados”, já citados no subitem 2.1. 2.2.1 – No versos das notas fiscais em questão, consta atestado por parte da Prefeitura/Secretaria Municipal de Habitação a efetiva execução dos serviços pelo contribuinte. 2.2.2 – Nos “Relatórios de Dados do Instrumento Contratual”, documentos de fls. 143/194, além das informações básicas dos “Processos de Licitação” (denominados de instrutivo), constam também as ocorrências nas várias etapas de realização dos contratos. 2.2.3 – Nos “Relatórios de Execução Financeira do Instrumento Contratual”, documentos de fls. 143/194, constam relacionados os diversos “Processos de Pagamentos”, com o controle dos desembolsos para o contribuinte efetuados ao Fl. 563DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10680.010592/200451 Acórdão n.º 140200.919 S1C4T2 Fl. 0 5 longo do tempo de duração das obras; estão, entre eles, os pagamentos das notas fiscais em questão. 2.2.4 – Na “Ficha Individual de Controle de Pagamentos”, documentos de fls. 02/09, do Anexo, relativa aos mesmos “Processos de Pagamentos”, constam os pagamentos líquidos das faturas em pauta, deduzidos os correspondentes valores do ISS. 2.2.5 – Nos “Termos de Contrato e Aditivos”, documentos de fls. 10/89 do Anexo, constam detalhadas as condições de execução das empreitadas, prazos e preços contratados. 2.3 – Considerações sobre as Justificativas do Contribuinte. O contribuinte foi devidamente intimado (documento de fls. 63/64), por meio do seu sócio e representante legal, à época, a apresentar justificativas relativas às diferenças apuradas, e não contabilizadas. Foi apresentada a resposta de fls. 67/68, que, no entanto, nada justifica ou comprova. A princípio, o procurador do contribuinte negou a anexação das cópias das notas fiscais devidamente indicadas na intimação. Contudo, reconhecendo o lapso, redigiu de próprio punho o “Adendo” constante da mesma resposta (fls. 67/68), retificando a negativa indevida. Com relação aos serviços, afirmou genericamente que muitos dos que poderiam ter sido prestados não aconteceram ou foram suspensos ou cancelados. Porém, não apresentou nenhum “Distrato” nem qualquer “via de Nota Fiscal Cancelada” que se vinculasse aos “Contratos” e às “Notas Fiscais”, aqui caracterizadas. Conforme visto nos subitens anteriores, efetivamente, as notas fiscais em questão foram emitidas pelo contribuinte e os correspondentes serviços prestados à Prefeitura do Rio de Janeiro, tendo sido as correspondentes receitas auferidas omitidas de sua contabilidade. 3. SITUAÇÃO FISCAL APURADA. 3.1 Desse modo, essas receitas omitidas da contabilidade não foram computadas nos “Demonstrativos do resultado do exercício”, de 1998 a 2003, transcritos nas “páginas do Livro Diário” e informados nas DIPJ de 1999 a 2004. Assim, não foram computadas nas “Demonstrações do Lucro Real” anual do mesmo período, tudo conforme documentos juntados às fls. 90/125 do Anexo. 3.2 – Como reflexo, as receitas omitidas foram também consideradas para lançamento da CSLL. 3.3 – Também como reflexos, as receitas omitidas foram considerados nos lançamentos das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins. Por fim, as receitas omitidas tiveram implicações em “Multas Isoladas”, pelo não recolhimento do IRPJ e da CSLL, devidos por estimativa, que foram consideradas separadamente em outros “Processos Administrativos Fiscais”. Da Impugnação. Tendo sido dele cientificado, em 02/09/2004, o sujeito passivo contestou o lançamento, em 04/10/2004, mediante o instrumento de fls. 212/228. Adiante compendiamse suas razões. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10680.010592/200451 Acórdão n.º 140200.919 S1C4T2 Fl. 0 6 1. DO VENCIMENTO DO TIAF. Alega que o TIAF, recebido pela empresa em 04/09/2003, restou prorrogado ao longo da fiscalização, cujo prazo final à sua validade restou estipulado até 13/08/2004. Entretanto, apenas em 02/09/2004, o Impugnante recebeu o Auto de Infração, ou seja, após o vencimento do TIAF. De onde se conclui que a Fiscalização procedeu sem respaldo em qualquer termo de início de ação fiscal. Assim, sustenta que o lançamento feito com base em TIAF vencido é nulo. 2. DA CONTABILIZAÇÃO. Alega que o Fisco não atentou para o fato que algumas notas fiscais foram contabilizadas e oferecidas á tributação, tendo havido, inclusive, uma antecipação de receita. Conforme se vê do Razão, no dia 31/12/1999 (doc. 1), foi reconhecida uma receita no valor de R$ 1.440.657,42, em conta denominada “medições a faturar”. O lançamento foi antecipação de valores que seriam posteriormente faturados e que corresponderam às notas fiscais 206, 209, 207, 210, 216, 222, e parte da nota 231. Na defesa (fls. 214), o contribuinte apresenta tabela relacionando as notas fiscais citadas, os valores, as datas de emissão e recebimentos, sendo que os documentos anexados comprovam os recebimentos a débito de conta “banco” (doc. 2). Salientou, ainda, que o recebimento se deu pelo valor líquido, após deduzido o ISS, à alíquota de 3%. Da cópia do LALUR, comprovase que tal receita foi devidamente contabilizada e, naquele exercício, a empresa encerrou o exercício com lucro real da ordem de R$ 1.184.517,23. Diz, o que levou o fiscal a erro foi o fato das notas fiscais não terem sido contabilizadas individualmente, mas, conforme comprovado pela documentação em anexo, ocorreu a contabilização de forma genérica. O fato é que o contribuinte reconheceu a receita antecipadamente, o que impossibilitou o lançamento de forma a individualizar cada nota. Da mesma forma, em 21/12/2000, houve a contabilização do valor de R$ 500.000,00. O lançamento foi feito como sendo “medições a realizar” (doc. 3). Tal valor se refere às notas fiscais 243, 102 e 103. O contribuinte também apresenta tabela, relacionando as notas fiscais, datas de emissão e respectivos valores, bem como salienta que os documentos em anexo (doc. 4) comprovam os recebimentos a crédito de “banco”. E, por fim, em 31/12/2002, foi contabilizada a receita no valor de R$ 1.893.116,50 (doc. 5), relativamente às notas fiscais nºs 245, 107, 109, 117, 121, 122 e 123, conforme planilha apresentada na defesa. Esclarece que as notas recebidas antes de 31/12/2002, que ainda não tinham sido devidamente contabilizadas, o foram nesta oportunidade, tendo a empresa oferecido os valores à devida tributação. Já as notas cujo recebimento se deu após 31/12/2002, foram contabilizadas a título de antecipação de receita, em relação a valores que a empresa ainda iria faturar. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10680.010592/200451 Acórdão n.º 140200.919 S1C4T2 Fl. 0 7 Mais uma vez, o lançamento se deu de forma genérica, mas, conforme a documentação em anexo, referese a notas fiscais consideradas como “não contabilizadas” pela Fiscalização, o que não condiz com a realidade. Verificase da cópia do LALUR que a contabilização do valor de R$ 1.893.116,50 acarretou um lucro no exercício, devidamente submetido à tributação. De todo o exposto e conforme comprovam os documentos em anexo, parte das notas fiscais foi devidamente contabilizada, devendo a autuação decotar os valores relativos às mesmas, inclusive no que tange aos reflexos de PIS e COFINS. 3. DA INEXIGIBILIDADE DA CSLL. IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DE REFLEXOS. Mesmo após feitas as exclusões supras mencionadas, imperiosa a anulação integral do auto de infração no que tange à cobrança da CSLL. É que a empresa não está obrigada ao recolhimento da CSLL. A empresa é detentora de decisão judicial transitada em julgado em 04/02/1992, não tendo sido ajuizada rescisória no prazo legal. Ou seja, todas as empresas vinculadas ao auto da ação o SICEPOT/MG foram desobrigadas do pagamento da CSLL, instituída pela Lei nº 7.689, de 1988, por força de decisão transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança 89.0012568. Também no processo judicial nº 96.364583, o contribuinte foi vitorioso com a sentença de 1ª instância, que foi mantida no TRF, tendo sido negado provimento ao da Fazenda. Tanto é assim que a Fazenda Nacional ingressou com ação rescisória, processo nº 2001.01.00.0150718DF. A seguir, o contribuinte defende, substancialmente, que não está obrigado ao recolhimento da CSLL, por força da coisa julgada, ainda que lhe fosse desfavorável a decisão do processo nº 96.364583. 4. DA MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Substancialmente, defende que o percentual da multa de 75% é confiscatório. 5. DA INADEQUAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC. Resumidamente, combate a utilização da Taxa Selic como juros de mora, nos débitos tributários. 6. DO PEDIDO. Diante de todo o exposto, requer: 1. A anulação do auto de infração em função do vencimento do TIAF; 2. Sucessivamente, a exclusão dos valores comprovadamente contabilizados e oferecidos à tributação pela empresa; 3. Sucessivamente, a anulação do auto de infração no que tange aos reflexos para a CSLL, em função da empresa estar desobrigada do recolhimento da CSLL, por força de decisão judicial transitada em julgado; 4. Ainda sucessivamente, a redução da multa para o percentual não superior a 20% do débito e substituída a taxa de juros Selic por juros de 1% ao mês. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10680.010592/200451 Acórdão n.º 140200.919 S1C4T2 Fl. 0 8 A decisão recorrida está assim ementada: Preliminar de nulidade. Rejeitase a preliminar de nulidade invocada pela defesa, quando não houve cerceamento do direito de defesa do autuado, tendo sido obedecidos na consecução do lançamento todos os requisitos legais inerentes a tal atividade. Omissão de Receitas. Documentos Fiscais não Contabilizados. Ocorre omissão de receitas, quando documentos fiscais não são contabilizados, porque esse fato diminui diretamente tanto o lucro líquido como o real do respectivo período de apuração oferecidos à tributação. Tributação reflexa. Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estendese aos reflexos. Coisa Julgada. A declaração da inconstitucionalidade da Lei 7.689/88 e a exclusão de sua eficácia, em caráter permanente e definitivo, só podiam ser obtidas mediante ação direta de inconstitucionalidade. Na via incidental, o reconhecimento da inconstitucionalidade constitui pressuposto da decisão e apenas afasta a aplicação da lei ao caso concreto, mas ela continua a vigorar. As razões de decidir e as questões julgadas incidentemente no processo não integram a coisa julgada. Lei Superveniente. A Lei nº 8.212/91 por si só legitima a exigência de contribuição social sobre o lucro. Ação Rescisória.Os efeitos da coisa julgada decorrentes de provimento judicial no qual se reconhecera a inconstitucionalidade da CSLL com fundamento na Lei nº 7.689/88 que instituiu a CSLL, não atingem relações futuras, regidas por normas supervenientes ( Lei nº 7.856/89 art. 2º; Lei nº 8.034/90 art. 2º; Lei nº 8.212/91 art. 23, II e Lei Complementar nº 70/91 art. 11), do que se conclui ser legítima a cobrança da contribuição a partir da lei nº 7.856/89, observada, por óbvio, a anterioridade nonagesimal. Contudo, ainda que se entenda que a Lei nº 7.856/89 (art. 2º) não tenha restaurado a referida contribuição, posto que alterou dispositivo considerado inconstitucional, por decisão com eficácia inter partes, certo é que a Lei nº 8.212/91 (art. 23, II) dispôs autonomamente sobre a CSLL, reinstituindoa partir da definição de todos os aspectos da hipótese de incidência. Multa de ofício. Segundo a legislação vigente, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada multa de 75%, sobre a totalidade ou de diferença de imposto ou contribuição não recolhidos. Existe previsão legal para dispensa de multa apenas em lançamento para prevenir a decadência, quando o sujeito passivo esteja discutindo judicialmente o imposto ou contribuição e tenha obtido medida liminar em mandado de segurança ou em outras espécies de ação judicial ou mesmo tutela antecipada, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal. No caso de ação judicial finda, cuja decisão tenha transitado em julgado a favor do sujeito passivo, mas que posteriormente restou rescindida por violar expressamente disposição literal de lei (uma vez rescindida é como se nunca tivesse existido), não ocorre a extinção do crédito tributário e o lançamento por falta de recolhimento da contribuição há de ser efetuado com a exigência normal da multa prevista em lei. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10680.010592/200451 Acórdão n.º 140200.919 S1C4T2 Fl. 0 9 Juros de Mora. Conforme expressa previsão legal, incidem juros de mora sobre todos os débitos tributários relativos aos impostos e contribuições de competência da União, calculados pela Taxa Selic, os quais não ficam dispensados nem mesmo na hipótese legal de lançamento para prevenir a decadência, mesmo que o sujeito passivo possua a seu favor medida liminar ou tutela antecipada. Cientificada da aludida decisão em 4/4/2011, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 27/4/2011 (fls. 535 e seguintes), no qual alega em preliminar a prescrição intercorrentes, contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer:(verbis): É o relatório. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10680.010592/200451 Acórdão n.º 140200.919 S1C4T2 Fl. 0 10 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento de IRPJ e reflexos em face de omissão de receitas. O contribuinte alega em preliminar a prescrição intercorrente, haja vista que a decisão de 1a. instancia ocorreu após 5 anos do lançamento. Rejeito de plano essa preliminar, em face do disposto na Sumula 11 do CARF. “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal”. Quanto as demais matérias, entendo que os fundamentos da decisão de 1a. instância, a seguir transcritos, não merece reparos, pelo que peço vênia para adotálos como razões de decidir: Preliminar de Nulidade. Vencimento do TIAF. O Impugnante postula pela nulidade do lançamento, argumentando que o Termo de Início de Ação Fiscal – TIAF, por ele recebido em 04/09/2003 (fls. 55/56), restou válido até 13/08/2004, tendo sido o Auto de Infração lavrado após esta data, isto é, em 02/09/2004. Todavia, não existe nenhuma irregularidade no procedimento adotado pela Fiscalização. Ocorre que tanto o TIAF como as seguintes intimações foram feitas regularmente, uma vez devidamente instaurado o procedimento fiscal, à luz das regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, que assim dispõe: “DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. (...) Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (...) § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10680.010592/200451 Acórdão n.º 140200.919 S1C4T2 Fl. 0 11 § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. (...) Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. (Grifos acrescentados) Como se vê, iniciada a ação, com base no inciso I, do art. 7º, acima transcrito, o seu principal efeito é a exclusão da espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores, pelo prazo de sessenta dias, todavia, prorrogável, sucessivamente, por qualquer outro ato escrito. Se for ultrapassado o prazo de sessenta dias, sem que haja prorrogação por outro ato escrito que indique a continuidade do procedimento, disso decorre que o sujeito passivo recupera a espontaneidade. No entanto, isso não acarreta a nulidade do procedimento, fundamentalmente disciplinada no art. 59, do mesmo Decreto. No caso vertente, o contribuinte foi cientificado do início da ação fiscal, em 04/09/2003, por meio do TIAF (documentos fls. 55/56), bem como do MPFF (documento de fl. 01). A seguir, foi intimado acerca da continuidade do procedimento, em 21/01/2004 (documento de fls. 56), tendo recebido a última intimação para prestar esclarecimentos, em 05/08/2004 (documentos de fls. 63/64). Durante o procedimento, em 18/03/2004, 22/03/2004 e 05/07/2004, foi também cientificado dos MPFC e MPFE (vide documentos de fls. 02/09); e às fls. 10, consta o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF, cuja primeira prorrogação foi em 18/10/2003, e validade final, em 12/10/2004. Vale dizer que todas as intimações feitas e os MPF emitidos o foram dentro das normas regulamentares pertinentes. Enfim, quanto às hipóteses de nulidades previstas no Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, art. 59, incisos I e II, essas não se encontram presentes, haja vista que o lançamento restou formalizado com todos os requisitos legais inerentes a tal atividade. Ou seja, foi devidamente fundamentado, tendo sido efetuado por autoridade competente; e, ainda, a ampla defesa foi plenamente garantida ao contribuinte. Portanto, rejeitase a preliminar de nulidade invocada pela defesa. Do Mérito. Conforme relata o Fisco tanto na descrição dos fatos como no Termo de Verificação Fiscal TVF, tratase do lançamento do IRPJ e respectivos reflexos, em razão da omissão de receitas caracterizada pela falta de escrituração contábil de determinadas notas fiscais (devidamente identificadas no TVF) emitidas pelo contribuinte, por obras realizadas à Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro/RJ, nos períodos compreendidos entre os anos de 1999 a 2003. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10680.010592/200451 Acórdão n.º 140200.919 S1C4T2 Fl. 0 12 O fundamento legal da autuação assentase, principalmente, no art. 6º, § 2º, do Decretolei nº 1.598, de 26/12/1977, consolidado no art. 259, II do RIR/1999, que prescreve, “in verbis” “Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 2º): (...) II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, devam ser computados na determinação do lucro real”. (Grifos acrescentados). O caso vertente cingese a uma típica omissão de receita, cujos correspondentes documentos fiscais não foram contabilizados, o que diminuiu diretamente tanto o lucro líquido como o real dos respectivos períodos de apuração oferecidos à tributação. Nesse sentido, o procedimento fiscal restou muito bem conduzido, tendo a Fiscalização, a contento, relatado e delimitado os fatos da autuação, bem como carreado aos autos provas robustas da referida omissão. Primeiramente, a Fiscalização mostrou como o contribuinte, nos períodos de 1999 a 2003, contabilizou as receitas auferidas a título de “Obras Empreitadas com Pessoas Jurídicas de Direito Público”, reconhecidas pelo regime de competência (vide documentos de fls. 89/111). Como se vê na aludida documentação acostada aos autos, o contribuinte mantinha contas de receitas específicas por obras ou empreitadas contratados com os correspondente órgão públicos, registrando, em cada uma delas, individualmente, as respectivas notas fiscais emitidas. Todavia, no caso das notas fiscais relacionadas no TVF, relativamente aos mencionados períodos de apuração, cujas cópias encontramse anexadas aos autos às fls. 115/141, não existem registros contábeis delas na escrituração do contribuinte, notadamente nas contas de receitas analíticas da conta sintética: “Obras Empreitadas com Pessoas Jurídicas de Direito Público”. Ademais, Fiscalização, no TVF, a partir do subitem “2.1.1” até o “2.3”, esclarece detalhes acerca das notas fiscais emitidas, tais como: que existe autorização para impressão dos documentos fiscais, a que serviços correspondem, qual foi o estabelecimento emissor do documento fiscal (matriz ou filial), contra quem foram emitidas e faturadas (Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro), que os serviços foram efetivamente prestados e que os pagamentos foram efetuados ao contribuinte. Frisese que, como salientado tanto pela Fiscalização como pelo próprio contribuinte, a Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro/RJ realizou pagamentos líquidos, deduzidos os correspondentes valores do ISS. Mais ainda, diligências foram realizadas na Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, tendo sido anexado aos autos os documentos de fls. 143/194, bem como os de fls. 02/89, do Anexo, os quais vinculam as referidas notas fiscais aos “Processos Instrutivos” e “Contratos”, devidamente citados no subitem “2.1”. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10680.010592/200451 Acórdão n.º 140200.919 S1C4T2 Fl. 0 13 E, no curso do procedimento fiscal, o contribuinte foi devidamente intimado a justificar como foram contabilizadas as referidas notas fiscais, devidamente identificadas na Intimação Fiscal nº 005, de 05/08/2004 (documentos de fls. 63/64). Todavia, nada foi justificado ou comprovado, contendo a resposta apresentada meras evasivas (vide documentos de fls. 67/68). Por sua vez, na defesa, o Impugnante disse que algumas das referidas notas fiscais foram contabilizadas e as correspondentes receitas oferecidas à tributação, afirmando, inclusive, ter ocorrido uma antecipação de receita. Salientou que o que levou ou induziu o Fisco a erro foi o fato que a contabilização de algumas dessas notas fiscais não foi feita individualmente, mas genericamente. Nesse sentido, citou três registros contábeis efetuados no RAZÃO ANALÍTICO, Conta, “RECEITAS OBRAS EMPREITADAS: a) o primeiro em 31/12/1999 (doc. 1, fls. 266), onde foi reconhecida uma receita, no valor total R$ 1.440.657,42, cujo histórico do registro contábil indica “VR. REFERENTE MEDIÇÕES A FATURAR”; b) o segundo, em 21/12/2000 (doc. 3, fls. 290), no valor total de R$ 500.000,00, cujo histórico indica, “VR. MEDIÇÕES A REALIZAR N/DATA”; c) e finalmente, em 31/12/2002 (doc. 5, fls. 305), no valor total de R$ 1.893.116,50, e histórico, “VR. MEDIÇÕES A FATURAR N/DATA”. Foi dito ainda que os citados valores foram efetivamente recebidos (doc. 2 e doc. 4), e que os aludidos lançamentos contábeis aconteceram em razão de uma antecipação de receita, que seria posteriormente faturada e corresponderia a notas fiscais a serem emitidas. Nos quadros apresentados na defesa, o contribuinte relacionou ou atribuiu os aludidos valores totais aos de algumas das notas fiscais ou a parte delas, as quais são o objeto do presente lançamento. Diante disso, o contribuinte defendeu que existiu, sim, ainda que forma genérica, a contabilização de parte das notas fiscais consideradas no procedimento fiscal como não contabilizadas, devendo, assim, ser efetuados os devidos ajustes tanto no lançamento principal do IRPJ como nos reflexos. Entretanto, a prova apresentada pela defesa não é suficiente para elidir a tributação levada a cabo pela Fiscalização. Senão vejamos. Como é de sabença geral, a legislação fiscal determina que a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte (art. 251, e parágrafo único, do RIR/1999). Fl. 572DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10680.010592/200451 Acórdão n.º 140200.919 S1C4T2 Fl. 0 14 A escrituração será completa, em idioma e moeda corrente nacionais, em forma mercantil, com individuação e clareza, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em brancos, nem entrelinhas, borraduras, rasuras, emendas e transportes para as margens (art. 269, do RIR/1999). Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (art. 258, do RIR/1999). É até admitida a forma resumida de lançamentos contábeis no Livro Diário, desde que existam livros auxiliares que façam a individuação, por dia, conta e valor, de cada um dos lançamentos. Ou seja, é obrigatório que a contabilidade expresse com clareza toda a movimentação mercantil e financeira, apropriando, corretamente, custos e receitas de qualquer pessoa jurídica sujeita à apuração do lucro real. Em suma, tanto a legislação comercial como a fiscal determinam que a empresa faça a sua escrituração mercantil de forma completa, individualizando com clareza, por ordem cronológica, todos os atos ou fatos que possam afetar a sua situação patrimonial. E, como se vê dos autos, documentos de fls 89/114, o próprio contribuinte obedecia a essas determinações no registro contábil das suas receitas. Veja que na qualidade de empresa que presta serviços na área da construção civil a órgãos públicos, as suas receitas foram contabilizadas de forma individualizada (por obra, identificado o seu número), por ordem cronológica e especificados cada um dos documentos fiscais emitidos (por número, data e valor). Por sua vez, como exceção à sua forma normal de contabilizar receitas, com relação a parte das notas fiscais que foram o objeto do presente lançamento, o contribuinte assim não procedeu. No entanto, diante das determinações legais acima mencionadas, por falta de clareza e individuação, não se pode aceitar que os registros contábeis citados pela defesa, feitos de forma genérica, cuja menção no histórico indica apenas, de forma vaga, “Vr. Referente a Medições a Faturar”, correspondam às notas fiscais individualmente especificadas pela Fiscalização como não contabilizadas. Para que fosse aceita a alegação do contribuinte no sentido que os citados lançamentos contábeis, feitos em valores totais, como antecipação de receitas, cujos respectivos documentos fiscais seriam posteriormente emitidos e faturados contra o cliente, no mínimo, seriam necessários registros contábeis complementares individuais que, nas datas de emissão de cada nota fiscal, fizessem a necessária correspondência ou vinculação entre esses fatos contábeis (valores, histórico, contas, etc), que embora distintos, estavam vinculados, segundo alegação da defesa, à mesma mutação patrimonial. No entanto, o contribuinte não provou, nos autos, que assim procedeu. A prova por ele produzida referese a três registros contábeis, feitos no Razão Analítico, em conta de receita, de forma genérica, sem individuação e clareza, constando tãosomente no histórico os seguintes dizeres, “medições a faturar”. O contribuinte também trouxe para os autos registros contábeis feitos no Livro Diário, envolvendo os valores alocados em “medições a faturar” e a conta Caixa, bem como a conta Bancos, relativamente a créditos de remessas de obras. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10680.010592/200451 Acórdão n.º 140200.919 S1C4T2 Fl. 0 15 Entretanto, não provou que, posteriormente, quando das emissões das notas fiscais (consideradas pela Fiscalização como não contabilizadas), tenha efetuado registros contábeis complementares (no livro Diário ou em livros auxiliares) que vinculassem os fatos, fundamentalmente, para demonstrar que a receita correspondente ao valor da nota, então, emitida fora reconhecida anteriormente em registro contábil genérico que envolveu “medições a faturar”. Ou seja, a vinculação dos fatos: emissão de nota fiscal, para baixar conta pendente de medições a faturar. Não se pode perder de vista que a escrituração mercantil requer que os fatos contábeis sejam registrados, nos Livros Diário e Razão, com individuação, clareza e por ordem cronológica. Por outro lado, segundo o princípio contábil da oportunidade, para ser oportuna, a informação contábil deve estar cercada de elementos que lhe dêem sustentação quanto à sua veracidade e chegar às mãos de quem dela necessita em tempo hábil para que seja possível tomar alguma decisão em relação aos fatos informados. Nesse sentido, a informação deve, simultaneamente, ser ágil e íntegra, de maneira que represente, fiel e imediatamente, as mutações do patrimônio da entidade em determinado período de tempo. Enfim, feitas essas considerações, os registros contábeis feitos no livro Razão, apresentados pelo contribuinte, como defesa, não são suficientes para demonstrar que foram oferecidas à tributação as receitas auferidas nas operações mercantis evidenciadas nas notas fiscais, que constituem o objeto do presente lançamento. Desse modo, mantémse, integralmente, o lançamento principal do IRPJ. Lançamentos Reflexos. Constatada a omissão de receitas, a tributação do IRPJ e da CSLL deve ser levada a efeito com base no lucro real anual, opção do contribuinte. A omissão de receitas repercute ainda nos lançamentos do PIS e da Cofins. Tudo consoante o estabelecido no art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10680.010592/200451 Acórdão n.º 140200.919 S1C4T2 Fl. 0 16 (grifos acrescentados) Conforme se viu, todo o procedimento fiscal está pautado nas normas regulamentares e foi realizado em consonância com as disposições do art. 142 do CTN, devendo ser ressaltado ainda que foram observados todos os quesitos atinentes à formalização da exigência fiscal previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Portanto, está correto o lançamento principal do IRPJ, efetuado com base no regime do lucro real anual apurado em função da receita omitida, determinada por notas fiscais não contabilizadas. E, por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estendese aos reflexos, cabendo as considerações a seguir. Contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins. Conforme salientou o Fisco, no TVF, o contribuinte questiona judicialmente as exigências dessas contribuições relativamente aos anos de 1999 e 2000, no “Processo de Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0128358 14ª Vara Federal/MG”. E, de acordo com o documento de fls. 88, foram julgados improcedentes os questionamentos do contribuinte acerca da alíquota da COFINS e da composição das bases de cálculo tanto do PIS como da COFINS, instituída pela Lei nº 9.718, de 1988. Nesse sentido, cumpre esclarecer que a propositura da referida ação judicial importou em renúncia do contribuinte à discussão dessas questões nas instâncias administrativas. Ademais, no que toca à peleja judicial acerca do alargamento da base de cálculo instituído pela referida lei, essa questão está fora do objeto da presente lide, uma vez que a omissão de receitas levantada pela Fiscalização abrange apenas a prestação de serviços, fato gerador típico dessas contribuições. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Da Coisa Julgada. Da Rescisória. DELIMITANDO A QUESTÃO. AÇÕES JUDICIAIS PROPOSTA PELO SICEPOT/MG. AÇÃO RESCISÓRIA PROPOSTA PELA UNIÃO (FAZENDA NACIONAL). O sujeito passivo é empresa atuante no ramo da construção civil que está filiada ao Sindicato da Construção Pesada no Estado de Minas Gerais – SICEPOT/MG (ExSindicato da Indústria da Construção de Estradas, Pavimentação, Obras de Terraplenagem em Geral no Estado de Minas Gerais). Ocorre que este sindicato, na condição de substituto processual, discutiu judicialmente a cobrança dessa exação, propondo duas ações judiciais, mais precisamente dois mandados de segurança coletivos: o primeiro foi o de nº 1989.00.012568, que correu na 2º Vara da Justiça Federal/MG; o outro, de nº 1996.00.364583, proposto perante a 10º Vara da Justiça Federal/MG. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10680.010592/200451 Acórdão n.º 140200.919 S1C4T2 Fl. 0 17 No primeiro mandado de segurança coletivo, o Impetrante obteve êxito no seu pedido, qual seja, o de que as construtoras a ele filiadas não pagariam a CSLL. Sendo assim, com base em decisão transitada em julgado, proferida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que declarou inconstitucional a Lei nº 7.689, de 1988, essa empresa foi exonerada do recolhimento da CSLL, pois foi beneficiada com o referido provimento jurisdicional. Todavia, apesar desta decisão definitiva e imutável, que beneficiou a empresa integrante da primeira ação coletiva, a Secretaria da Receita Federal pretendeu exigir novamente a CSLL, desta vez argumentando que a Lei nº 8.212, de 1991, teria renovado a autorização para a cobrança da contribuição, anteriormente julgada inconstitucional. Ou seja, os efeitos da primeira coisa julgada não alcançariam a Lei nº 8.212, de 1991, que se constituiria em instrumento legislativo suficiente à exigência da referida contribuição. Tal tese foi vitoriosa, tendo sido proferidos diversos acórdãos tanto por parte das DRJ como do Conselho de Contribuinte, mantendo os lançamentos, assim, efetuados. Em razão disso, o SICEPOTMG propôs o outro mandado de segurança coletivo, processo nº 96.00364583, solicitando a tutela jurídica no intuito de não recolher a CSLL, com base na Lei nº 8.212, de 1991. Eis o pedido feito: “PEDIDO NA INICIAL 6.1. Requer, após concedida a liminar, seja notificado o Impetrado para prestar as informações de praxe, julgandose procedente a segurança, para ordenar, de forma definitiva, à Autoridade que se abstenha de cobrar das empresas associadas do Impetrante a Contribuição social sobre o lucro, além de determinar à mesma que não se utilize dos alegados débitos desta contribuição como fatores impeditivos à obtenção de certidões negativas ou outros direitos quaisquer, cuja condição seja a quitação tributária.” O Juiz Singular, ao julgar o mérito dessa ação, proferiu sentença, a saber: “(...) Impõese assinalar que a Contribuição Social sobre o Lucro foi instituída pela Lei nº 7.689/88, não pela Lei nº 8.212/91, que apenas a consolida no seu texto, mantida as demais normas da referida lei nº 7.689/88, em plena vigência e ali invocada, (...) Isto posto, confirmo a liminar e concedo a ordem, nos termos do pedido”. (Grifos acrescentados). Tendo a Fazenda Nacional interposto o recurso de apelação, a matéria subiu ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região para ser apreciada, pela Quarta Turma. Então, a Exma Juíza Eliana Calmon, à época, integrante deste tribunal, proferiu, na qualidade de relatora deste processo, o seu voto, abaixo reproduzido, na sua parte capital: “No mérito, temos a enfrentar os limites objetivos da coisa julgada, eis que as entidades substituídas em demanda anterior tiveram a garantia de que era inconstitucional a Lei n. 7.689/88, por inteiro, não sendo por elas devidas a contribuição social sobre o lucro. Ocorre que a par da previsão da Lei n. 7.689/88, cuja constitucionalidade não mais se discute, a previsão legal que estabeleceu a exação não se transbordou na Lei n. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10680.010592/200451 Acórdão n.º 140200.919 S1C4T2 Fl. 0 18 7.689/88, porquanto veio a Lei n. 8.212/91 a estabelecer a obrigação. E como a coisa julgada esta restrita à Lei n. 7.689/88, temos como aplicável, na espécie, a Lei nº 8.212/91. Com estas considerações, confirmo a sentença, improvendo o apelo. ACÓRDÃO Decide a Turma negar provimento ao recurso, à unanimidade. 4ª Turma do TRF da 1ª Região – 15/12/98”. (Grifos acrescentados). Ora, a clareza dos motivos utilizados pela referida Relatora não deixa margem a qualquer dúvida. Nesse sentido, apesar da coisa julgada anterior existente em favor das empresas substituídas, no sentido de que a Lei nº 7.689, de 1988, não poderia ser o supedâneo para a exigência da CSLL, essa coisa julgada não interferiu na obrigação estabelecida pela Lei nº 8.212, de 1991. Entretanto, na parte dispositiva do acórdão está dito: “confirmo a sentença, improvendo o apelo”. E como, segundo a legislação processual vigente, o que transita em julgado é a parte dispositiva do acórdão, o que realmente transitou em julgado foram os termos contidos na sentença proferida pelo Juiz Singular. Por conseguinte, foi mantida integralmente uma sentença favorável ao pedido feito pelo aludido sindicato. Por sua vez, a Procuradoria da Fazenda Nacional, a quem incumbe a defesa da União nestes casos, entendendo que havia contradição nos termos da aludida decisão e que assim essa estaria em colisão com literal dispositivo de lei, propôs uma Ação Rescisória, processo AR 200101000150718/DF (que tramitou na Quarta Seção do TRF da 1ª Região), cuja base legal é o art. 485, V, do CPC (nos documentos de fls. 322/325, consta o andamento processual dessa ação desde a sua distribuição até o dia 29/06/2009). Em suma, é patente a contradição que existe entre os motivos invocados no aludido acórdão e o que, efetivamente, consta da sua parte dispositiva, que, em última análise, é a parte que transita em julgado. Nesse sentido, está dito nos fundamentos do acórdão: “e como a coisa julgada esta restrita à Lei n. 7.689/88, temos como aplicável, na espécie, a Lei nº 8.212/91”. Todavia, na parte dispositiva, foi confirmada a sentença de primeiro grau favorável ao Impetrante. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO Nº 89.00012568. O contribuinte não recolhe a contribuição social, por considerarse desobrigado graças à decisão judicial. A sentença, proferida No Mandado de Segurança Coletivo, processo nº 89.0001256, acatou o pedido do autor. Por sua vez, a corte de apelação decidiu favoravelmente ao contribuinte, declarando a inexistência de relação jurídica entre o autor da ação e a União, desobrigando o contribuinte ao recolhimento da CSLL, instituída pela Lei nº 7.689, de 1988. Após o acórdão transitou em julgado. Passase, agora, a considerar os limites objetivos da coisa julgada. Dispõe o Código de Processo Civil: “Art. 469. Não fazem coisa julgada: Fl. 577DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10680.010592/200451 Acórdão n.º 140200.919 S1C4T2 Fl. 0 19 I os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença; II a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença; III a apreciação da questão prejudicial, decidida incidentemente no processo.” É incisiva a letra da lei, não dá lugar a tergiversações: as razões de decidir, a solução dada a questão prejudicial incidente, os fundamentos do decisório, enfim, não se agregam à coisa julgada, esta adscrevese à parte dispositiva da sentença. Vicente Greco Filho, comentando o preceito supra, escreve (in Direito Processual Brasileiro, pág. 245, 2º vol. 9ª ed., 1995, Ed. Saraiva, São Paulo): Todas essas questões são resolvidas pelo juiz a fim de poder chegar ao dispositivo ou conclusão e são importantes para se determinar o alcance e o próprio correto entendimento da decisão, mas sobre elas não incide a imutabilidade da coisa julgada. Em outra ação poderão ser rediscutidas, e o novo juiz tem total liberdade de reapreciálas. A lei não diz, mas é evidente que também não faz coisa julgada a interpretação dada ao direito para a decisão do caso concreto. Cada juiz interpreta individualmente o direito em face do caso proposto, que não tem força de ei para casos futuros. (Sem grifos no original.) A lição de José Frederico Marques não é menos cristalina (in Manual de Direito Processual Civil, pág. 242, vol. III 8ª ed., 1986, ed. Saraiva, São Paulo): Argüida a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo formase a questão constitucional, que se torna prejudicial nos juízos colegiados de segunda instância, quando órgão fracionário admite haver vulneração de princípio ou regra constitucional. Tratandose de premissa do julgamento não há res iudicata [coisa julgada]: a declaração tem valor, apenas, para o caso concreto, pois afasta hic et nunc [aqui e agora] incidência da lei ou ato, sobre a situação jurídica que é objeto da lide. O julgamento, porém, pode produzir efeitos secundários, como fato jurídico, mediante a suspensão da execução da lei ou ato normativo, determinada pelo Senado Federal. Se, no entanto, a declaração provém de tribunal de segunda instância e não há recurso para o Supremo Tribunal, não se produz o mencionado efeito. (Interpolamos entre colchetes a tradução de locuções latinas.) José Carlos Barbosa Moreira, outro emérito processualista pátrio, não dissente. Aliás, na passagem seguinte versa a questão figurando uma hipótese que quadra bem com o caso sob análise. Confirase (in Os Limites Objetivos da Coisa Julgada no Sistema do Novo Código de Processo Civil – Revista Forense n° 246): O contribuinte X propõe contra o Fisco ação declaratória negativa de dívida tributária, em relação a determinado exercício, argüindo a inconstitucionalidade da lei que instituíra o tributo. O juiz acolhe o pedido, por entender que tal lei era realmente inconstitucional. A solução dessa questão de direito constitui motivo da decisão; sobre ela não se forma a coisa julgada. Com referência a outro exercício e portanto a outra dívida , é lícito ao órgão judicial reapreciar a questão, eventualmente para considerar constitucional a mesma lei e julgar, por isso, que o tributo é devido por X. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10680.010592/200451 Acórdão n.º 140200.919 S1C4T2 Fl. 0 20 O mesmo autor em outra obra (Comentários ao Código de Processo Civil, págs. 54/55, vol. V 1ª ed., Forense, Rio de Janeiro) trata com mais vagar do tema e no passo avante transcrito oferecenos uma admirável síntese de toda a exposição alinhavada até essa altura do presente julgamento: A decisão do plenário [num incidente de inconstitucionalidade], num sentido ou noutro, é naturalmente vinculativa para o órgão fracionário, no caso concreto. Mais exatamente, a solução dada pelo plenário à prejudicial incorporase no julgamento do recurso da causa, como premissa inafastável. Nenhuma regra legal existe, porém, que a torne obrigatória ad futurum [para o futuro]. Se a inconstitucionalidade foi declarada, o órgão fracionário não pode aplicar à espécie a lei ou ato normativo: mas, ressuscitada que seja a questão a propósito de outro recurso ou de outra causa da sua competência originária, fica o órgão fracionário, à luz do Código, livre de entender constitucional a mesma lei ou o mesmo ato e, sendo o caso, aplicar este ou aquela à nova espécie. Se não se declarou a inconstitucionalidade, nenhum dispositivo do Código obsta a que, noutro feito, volte a argüição a ser suscitada, acolhida pelo órgão fracionário e, eventualmente, pelo próprio tribunal pleno. A eficácia do pronunciamento é só intraprocessual. Não há que cogitar, quanto ao pronunciamento do plenário, de auctoritas rei iudicatae [autoridade de coisa julgada]. O Código expressamente limita a extensão objetiva da coisa julgada ao julgamento da lide (art. 468) e exclui desse âmbito “a apreciação da questão prejudicial, decidida incidentemente no processo” (art. 469, n° III). A solução da prejudicial numa única hipótese tornase idônea para adquirir a autoridade de coisa julgada: na de vir a ser objeto de ação declaratória incidente (arts. 5° e 470); esta, contudo, apenas se admite para a declaração da existência ou inexistência de relação jurídica (art. 5º), jamais para a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei ou de outro ato normativo. (Interpolamos entre colchetes a tradução de locuções latinas.) Por conseguinte, tendo em vista quer as circunstâncias que cercam a declaração incidental de inconstitucionalidade, quer os limites objetivos da coisa julgada, o contribuinte não podia obter do Judiciário a revogação da Lei 7.689/88 numa ação de mandado de segurança, nem sequer inter partes. A LEI Nº 8.212/1991 REINSTITUIU A CSLL PARA AS EMPRESAS QUE OBTIVERAM PROVIMENTO JUDICIAL RECONHECENDO A INCONSTITUCIONALIDADE (DE FORMA INCIDENTAL) DA COBRANÇA DA CSLL COM FUNDAMENTO NA LEI Nº 7.689/1988. Todavia, no caso vertente, a decisão declaratória incidental de inconstitucionalidade da Lei nº 7.689, de 1988, como coisa julgada entre as partes, foi concreta e juridicamente afetada com o advento da Lei nº 8.212, de 1991. Ocorre que esta lei não apenas reproduziu a obrigação constitucional das empresas contribuírem sobre lucro, como reafirmou as disposições contidas na Lei nº 7.689, de 1988, concernentes à base de cálculo e à alíquota. É bom assinalar que no tocante à Lei nº 7.689, de 1988, o Supremo Tribunal Federal de fato chegou a apreciar a questão de sua inconstitucionalidade, pela via incidental, em ação diversa, ocasião em que a considerou conforme a Constituição, menos seu art. 8°, que determinava a cobrança da lei no períodobase encerrado em 31 de dezembro de 1988. Desde então, não mais se duvidou da validade da norma. Tempos depois, fundandose nessa decisão, Fl. 579DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10680.010592/200451 Acórdão n.º 140200.919 S1C4T2 Fl. 0 21 o Senado Federal expediu a Resolução n° 11, de 04 de abril de 1995, que da lei em causa suspendeu a execução apenas do art. 8°. Ou seja, deixou de existir no mundo normativo unicamente o referido artigo, tudo o mais vigora com plena eficácia. Não obstante, estando o contribuinte sob o manto da coisa julgada, isto é, deixando a Lei n° 7.689, de 1988, de incidir sobre a esfera jurídica do sujeito passivo, ainda, assim, se poderia exigir dele a contribuição social com base na legislação superveniente. Daí que a mesma contribuição pode ser restabelecida por outra lei. Com efeito, é a própria Constituição da República de 1988 que a toda sociedade impõe, nos termos da lei, a obrigação de contribuir para a seguridade social. Assim determina o art. 195, “verbis”: “ART. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; II dos trabalhadores; III sobre a receita de concursos de prognósticos” Ao apoiarse na garantia constitucional prevista no art. 5º, XXXVI, o impugnante tenta alterar o objeto da coisa julgada CPC, artigos 459, 467 e 468, a sentença tem força de lei nos limites da lide, cabendo ao juiz acolher ou rejeitar, no todo ou em parte, o pedido formulado pelo autor , dandolhe dimensão tamanha capaz de expungir outros tantos preceitos que dimanam da própria Constituição da República de 1988. É bem verdade que, sendo imutável, a sentença não mais sujeita a recurso tem força de lei nos limites da lide e das questões resolvidas. Nesse sentido, respeitados os limites da lide o reconhecimento incidental da inconstitucionalidade da Lei nº 7.689, de 1988, não fez coisa julgada e o juiz o declarou apenas com o intuito de julgar o caso concreto , são os efeitos da Lei nº 7.689, de 1988 aplicados concretamente a “CONSTRUTORA EPURA LTDA” o objeto da coisa julgada, e não a própria contribuição social prevista sobre o lucro, que é estabelecida pela Constituição, art. 195, de forma genérica, dependendo apenas de lei que a regulamente. Em conseqüência, após o transito em julgado da referida sentença, rompeuse, com isso, tãosó uma relação jurídica determinada, pela qual a “CONSTRUTORA EPURA” estava obrigada a recolher essa contribuição para os cofres da Fazenda Pública Nacional. Por outro lado, nada obsta, à luz do referido art. 195, à outra lei restabelecer a mesma relação jurídica, ficando a partir de então a empresa novamente sujeita ao recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro. Ademais, vale ressaltar que estando a obrigação de fazer prevista em lei, editada de conformidade com os mandamentos constitucionais, ninguém poderá recusarse a cumprila, uma vez que esse é o limite estabelecido pela própria Constituição, art. 5º, II. Se para instituir um tributo a lei deve definirlhe os contribuintes, o fato gerador, a alíquota e a base de cálculo, nenhum desses elementos falta à Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10680.010592/200451 Acórdão n.º 140200.919 S1C4T2 Fl. 0 22 Ora, é evidente que o art. 11, § único, letra “d” discrimina o fato gerador da contribuição social de que se trata: o lucro. O art. 15 conceitua seu contribuinte: as empresas, quer constituídas sob a forma de sociedades, quer sob a forma de firmas individuais. O art. 23 determina sua base de cálculo e a alíquota: 10% sobre o lucro líquido ajustado, antes da provisão do imposto de renda. Essas disposições já fornecem o bastante para constituir qualquer espécie tributária, mas o legislador prossegue: no art. 30 trata da forma de arrecadação, no art. 33 dispõe sobre a fiscalização e sobre o lançamento de ofício, no art. 34 estabelece o critério de correção monetária dos débitos em atraso. Portanto, pelo amplo tratamento que lhe conferiu, a Lei n° 8.212, de 1991, legitimaria por si só a exigência da contribuição social sobre o lucro. Toda a legislação superveniente continua a fazer remissões à Lei n° 7.689, de 1988, porém, por um motivo que já conhecemos: a despeito das disputas judiciais que sua validade a princípio alimentou, o Supremo Tribunal Federal consideroua perfeitamente válida, de sorte que a Lei n° 8.212, de 1991 só veio a reiterar seu conteúdo, concebida que foi para disciplinar toda a matéria concernente às fontes de recursos da previdência social. Então, a coisa julgada não interferiu na obrigação estabelecida pela Lei nº 8.212, de 1991, que é a matriz legal do auto de infração, aqui impugnado. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO Nº 96.00364583. COISA JULGADA. RESULTADO DA AÇÃO RESCISÓRIA PROPOSTA PELA FAZENDA NACIONAL. Conforme já relatado, outro Mandado de Segurança Coletivo, processo nº 96.00364583, foi proposto pelo SICEPOT/MG ao Juízo Federal da 10ª Vara/MG. Como visto, a decisão de primeira instância foi favorável ao Impetrante; e no julgamento do apelo feito pela União, em acórdão proferido pela 4º Turma do TRF da 1ª Região, restou confirmada a sentença monocrática, improvendo o apelo (em que pese a contradição existente entre o fundamento e a parte dispositiva da sentença). Entretanto, quanto a esse novo mandado de segurança, a União (Fazenda Nacional) propôs a Ação Rescisória, processo nº 2001.01.00.0150718/DF, cuja base legal do pedido rescisório é o art. 485, V, do CPC. Enfim, foi concluído o julgamento dessa Ação Rescisória, proposta pela Fazenda Nacional contra o Sindicato da Indústria da Construção Pesada no Estado de Minas Gerais – SICEPOT/MG. Nesse sentido, a Quarta Seção do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, por unanimidade, considerou, em 11/02/2009, procedente o pedido. Abaixo transcrevese na íntegra a publicação feita no DIÁRIO DA JUSTIÇA FEDERAL (às fls. 1258/1259), da 1ª Região – eDJF1, divulgação de 26/06/2009, publicação de 29/06/2009 (cópia da publicação constante dos autos às fls. 328/329): "AÇÃO RESCISÓRIA Nº 2001.01.00.0150718/DF Processo na Origem : 199801000748444 RELATOR : DESEMBARGADOR FEDERAL CATÃO ALVES RELATOR : JUIZ FEDERAL FRANCISCO RENATO CODEVILA PINHEIRO FILHO (CONVOCADO) Fl. 581DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10680.010592/200451 Acórdão n.º 140200.919 S1C4T2 Fl. 0 23 AUTORA : UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) PROCURADOR : DR. LUIZ FERNANDO JUCÁ FILHO RÉU : SINDICATO DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO PESADA NO ESTADO DE MINAS GERAIS SICEPOT/MG ADVOGADOS : DRS. CARLOS MÁRIO DA SILVA VELLOSO FILHO E OUTRO EMENTA AÇÃO RESCISÓRIAPROCESSO CIVILTRIBUTÁRIODECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI Nº 7.689/88 QUE INSTITUIU A CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL – EFEITOS OBJETIVOS DA COISA JULGADA RELAÇÕES CONSTITUÍDAS COM BASE EM LEIS SUPERVENIENTES SÚMULA Nº 239/STF LEGITIMIDADE DA COBRANÇA INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 343/STF. 1 Descabida a incidência da Súmula nº 343/STF, porquanto a questão envolve matéria de indóle constitucional, qual seja, a dimensão Objetiva da coisa julgada em face de norma superveniente (art. 5º XXXVI, CF). 2 Os efeitos da coisa julgada decorrentes de provimento judicial no qual se reconhece a inconstitucionalidade da cobrança da CSLL com Fundamento na Lei nº 7.689/88, que instituiu a CSLL, não atingem relações futuras, regidas por nomas supervenientes (Lei nº 7.856/89 art. 2º; Lei nº 8.034/90 art. 2º; Lei nº 8.212/91 art. 23, II e Lei Complementar nº 70/91 art. 11), do que se conclui ser legítima a cobrança da contribuição a partir da Lei nº 7.856/99, observada, por óbvio, a anterioridade nonagesimal. 3 Nesse sentido : (AR nº 2002.01.00.0297395/MG, Rel. Dês. Federal Leomar Barros Amorim de Souza, 4ª Seção, DJ de 25.8.2005; AC nº 1999.38.00.0142750/MG, Rel. Juiz Conv. Carlos Alberto Simões de Tomaz, DJ de 19/12/2005 e AgRg no RESP nº 703.526/MG, Rel. p/ acórdão Min. Teori Albino Zavaski, DJ de 19/9/2005). 4 De acordo com o STF, Súmula nº 239: "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores." 5 No caso específico dos autos, assegurouse às empresas Associadas do sindicato o direito de não recolherem a CSLL, por se haver Reconhecido a inconstitucionalidade formal da norma (Lei nº 7.689/88), ao fundamento de que indispensável seria o manejo de lei complementar para instituição do referido tributo (AMS nº 90.01.051154/MG, Rel. Juiz Leite Soares, julgado em 30.10.1991). 6 Contudo, ainda que se entenda que a Lei nº 7.856/89 (art. 2º) não tenha restaurado a referida contribuição, posto que alterou Dispositivo considerado inconstitucional, por decisão com eficácia inter partes, certo é que a Lei nº 8.212/91 (art. 23, II) dispôs autonomamente Fl. 582DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10680.010592/200451 Acórdão n.º 140200.919 S1C4T2 Fl. 0 24 Sobre a CSLL, reinstituindoa a partir da definição de todos os aspectos da hipótese de incidência 7 Pedido rescisório procedente. 8 – Apelação da Fazenda Nacional provida 9 Segurança denegada. A C Ó R D Ã O Decide a Quarta Seção do Tribunal Regional Federal da 1ª Re gião, à unanimidade, julgar procedente o pedido rescisório e, reaprecian do o Apelo da Fazenda Nacional, darlhe provimento. Brasília, 11 de fevereiro de 2009 (Data de julgamento) Juiz Federal FRANCISCO RENATO CODEVIDA PINHEIRO FILHO Relator Convocado". Como se vê, os termos expostos na transcrita ementa derrubam todos os argumentos esposados pelo contribuinte na sua defesa e, de queda, afastam a contradição (anteriormente referida) verificada no julgamento do mandado de segurança, cujo acórdão transitado em julgado foi rescindindo. Cumpre ressaltar que o resultado desse julgamento não refletiu senão a jurisprudência uníssona dos Tribunais Superiores, no sentido que a Lei nº 8.212, de 1991, reinstituiu a CSLL. Portanto, na esteira dessas considerações, sem sombras de dúvidas o amparo seguro da Lei nº 8.212, de 1991, por si só, sustém o lançamento. Esse entendimento, inclusive, aplicase direta e concretamente ao contribuinte, em vista do acórdão prolatado pela Quarta Seção do Tribunal Regional da 1ª Região, no julgamento da Ação Rescisória nº 2001.01.00.0150718/DF, cujos efeitos o atingem em razão do instituto da substituição processual, já que integra a lista dos filiados ao SICEPOT/MG. Multa de Ofício. De pronto, vale dizer que o art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, cuida da multa de mora, cabível nos casos de recolhimentos espontâneos dos débitos dos tributos e contribuições federais em atraso pelo contribuinte. E, como prevê o citado dispositivo legal, essa penalidade está limitada ao percentual de 20%. Todavia, essa determinação legal não se aplica aos casos de lançamentos de ofício. No caso concreto, o lançamento impôs a sanção prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996 (com redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007), segundo o qual, nos lançamentos de ofício, será aplicada multa de 75%, sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição não recolhidos, “in verbis”: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de Fl. 583DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10680.010592/200451 Acórdão n.º 140200.919 S1C4T2 Fl. 0 25 declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007).” Diante dos fatos, a aplicação da penalidade, no percentual total de 75%, seguiu estritamente a legislação acima transcrita. Existe previsão legal para dispensa de multa apenas em lançamento para prevenir a decadência, nos termos do art. 63, da Lei nº 9.430, de 1996, notadamente, quando o sujeito passivo esteja discutindo judicialmente o imposto ou contribuição e tenha obtido medida liminar em mandado de segurança ou em outras espécies de ação judicial ou mesmo tutela antecipada (que são hipóteses legais de suspensão da exigibilidade do crédito tributário), antes de iniciado qualquer procedimento fiscal. Entretanto, o caso concreto não se subsume a essas hipóteses legais de dispensa de multa, pois, na época do lançamento, não havia ação judicial em curso nem o Impugnante estava favorecido com medida liminar ao tutela antecipada. O que existia eram ações judiciais findas (como já amplamente abordado). Entretanto, conquanto a decisão proferida no segundo mandado de segurança interposto pelo SICEPOT/MG (onde o autor, substancialmente, sustentava que a Lei nº 8.212, de 1991, não havia reinstituído a CSLL) tenha, num primeiro momento, transitado em julgado a favor do Impugnante, notadamente em razão da patente contradição entre os fundamentos e a parte dispositiva da sentença, essa (em razão de ação rescisória proposta pela União) foi rescindida e, assim, não produziu o seu principal efeito que seria o de extinguir o crédito tributário, com base no art. 156, X, do CTN. Vale lembrar que uma vez rescindida é como se nunca tivesse existido. Em suma, no caso de ação judicial finda, cuja decisão tenha transitado em julgado a favor do sujeito passivo, mas que posteriormente restou rescindida por violar expressamente disposição literal de lei, não ocorre a extinção do crédito tributário e o lançamento por falta de recolhimento do imposto ou da contribuição (objeto da discussão judicial) há de ser efetuado com a exigência normal da multa prevista em lei. A defesa alegou, ainda, que os tributos e as multas lançados são excessivos e têm efeito confiscatório. Entretanto, vale considerar que o princípio contido no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, relativo à vedação ao confisco, antes de mais nada, é dirigido ao legislador. Tal princípio orienta a elaboração legislativa, que deve observar a capacidade econômica do contribuinte (art. 145, § 1o da CF), bem como não pode dar ao tributo conotação de confisco. Cumpre ressaltar ainda que o contencioso administrativo não é o foro próprio para examinar questões de tal natureza. Vale esclarecer que não cabe às autoridades administrativas se manifestarem sobre matéria do ponto de vista constitucional, excetuado os casos em que houver declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal de lei, de tratado ou de ato normativo, situação em que é permitido às autoridades fiscais a quo afastar a sua aplicação (Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, e Parecer da PGFN/CRE n.º 948, de 2 de junho de 1998). Fl. 584DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10680.010592/200451 Acórdão n.º 140200.919 S1C4T2 Fl. 0 26 No caso concreto, dado que a administração tributária apenas exerceu o poder/dever de tributar, conferido pela Constituição Federal e institucionalizado pela legislação infraconstitucional de regência da matéria, não há como negar efetividade à cobrança dos tributos e das multas de ofício lançados sob o argumento acerca de sua natureza confiscatória ou da violação aos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e moralidade. Juros de Mora. Conforme expressa previsão legal (art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996), incidem juros de mora sobre todos os débitos tributários relativos aos impostos e contribuições de competência da União, calculados pela Taxa Selic (§3º do art. 5º, da Lei nº 9.430, de 1996), os quais não ficam dispensados nem mesmo na hipótese do art. 63, da Lei nº 9.430, de 1996, acima transcrito. Portanto, à luz da legislação vigente, é cabível o lançamento para exigência dos valores da contribuição não recolhidos, acrescidos da multa de ofício e dos juros de mora pertinentes. Ademais, essa matéria já esta pacificada, inclusive, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, órgão julgador de 2º instância ordinária e especial, relativamente aos impostos e contribuições federais, conforme disposto no Decreto nº 70.235, de 1972, e no seu próprio Regimento Interno, nos seguintes termos: SÚMULA CARF Nº 4, PUBLICADA DOU DE 22/12/2009. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custodia –SELIC para títulos federais”. (Fim da transcrição. Os negritos e destaques são do texto original) CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL Ainda em relação a exigência da CSLL, a súmula nº 1 do CARF estabelece: SÚMULA CARF Nº 1, PUBLICADA DOU DE 22/12/2009. Súmula CARF nº 1:Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, em relação à CSLL, ainda que se entenda que o contribuinte tem razão quanto a inexigibilidade do tributo, cabe ao poder judiciário a decisão final, que deverá ser cumprida pela administração tributária, descabendo o julgamento nesta instância administrativa, pelo que o recurso não deve ser conhecido nessa parte. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10680.010592/200451 Acórdão n.º 140200.919 S1C4T2 Fl. 0 27 CONCLUSÃO. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso em relação à exigência da CSLL, em razão de concomitância da discussão na esfera judicial, MS 1998.01.00.074.8442, e negar provimento ao recurso, em relação às demais matérias. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 586DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10680.010592/200451 Acórdão n.º 140200.919 S1C4T2 Fl. 0 28 Declaração de Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva O auto de infração de fls. 11 e seguintes indica que o presente processo trata de omissão de receita nos anoscalendário de 1999 a 2003, com notificação do lançamento em 02082004, exigindo da recorrente IRPJ, PIS, Cofins e CSLL. Quanto à CSLL, o termo de verificação fiscal de fl. 46 e seguintes registra que o Sindicato da Construção Civil de Minas Gerais SICEPOT/MG, do qual a recorrente é associada, ingressou com o mandado de segurança coletivo nº 89.000.12568/2, que tramitou na Segunda Vara Federal de Minas Gerais sustentando a impossibilidade de cobrança da CSLL em face da inconstitucionalidade da Lei nº 7.689, de 1988, que o instituiu. O termo de verificação fiscal ainda destaca a existência do Mandado de Segurança Coletivo nº 96.00364583, ajuizado perante a Décima Vara Federal de Minas Gerais para que a União se abstivesse de cobrar a CSLL das empresas afiliadas ao SICEPOR/MG, autor da referida ação. Apesar dos comandos existentes no processo nº 89.000.12568/2, a autoridade autuante aponta decisão em sentido contrário, proferida no mandado de segurança nº 1998.01.00.0748444, para justificar o lançamento da exigência. Na ação aqui citada, nem a recorrente e nem o SICEPOT/MG são partes. Por fim, destaca a autoridade autuante que o STF, inobstante o que foi decidido nas ações propostas pelo SICEPOT/MG, ao julgar o RE 233662/GO1 teria reconhecido a constitucionalidade da Lei nº 7.689, de 1988. Além do que foi relatado no Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal instruiu a autuação, no que diz respeito à exigência da CSLL, com os seguintes documentos: 1) Ementa, relatório e voto (fls. 83 a 86), do acórdão referente ao mandado de segurança nº 1998.01.00.0748444MG, ajuizado pelo SICEPOT/MG; 2) Ementa de fl. 87, referente ao recurso especial nº 2336622/GO, que tem como partes a FaZENDA Nacional e o BBC (ver nota de rodapé na página anterior). 1 Apesar do TVF referirse a Recurso Extraordinário, o documento dá conta que se está a falar de recurso especial. Por outro lado, não vejo necessidade da autoridade fiscal ter suprimido o nome das partes de que trata o referido recurso.. Em consulta realizada em 21032012, na página do STJ, na INTERNET, verifiquei que o mencionado processo tem como partes a Fazenda Nacional e o Banco Brasileiro Comercial S/A BBC. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10680.010592/200451 Acórdão n.º 140200.919 S1C4T2 Fl. 0 29 3) Ementa de fl. 88 do acórdão do mandado de segurança nº 1999.38.00.0128358/MG, que tem como partes o SICEPOT/MG e a Fazenda Nacional. Notificada do auto de infração, a contribuinte, de forma tempestiva, apresentou a impugnação de fl. 212 e seguintes destacando que é empresa vinculada ao SICEPOT/MG e, por consequência, está desobrigada a parar da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, por força da decisão transitada em julgado nos autos do mandado de segurança 89.0012568. O acórdão de fls. 331 a 3552 julgou improcedente a impugnação sendo que em relação à discussão da coisa julgada, no que diz respeito à CSLL, o acórdão possui a seguinte ementa: Coisa Julgada. A declaração da inconstitucionalidade da Lei 7.689/88 e a exclusão de sua eficácia, em caráter permanente e definitivo, só podiam ser obtidas mediante ação direta de inconstitucionalidade. Na via incidental, o reconhecimento da inconstitucionalidade constitui pressuposto da decisão e apenas afasta a aplicação da lei ao caso concreto, mas ela continua a vigorar. As razões de decidir e as questões julgadas incidentemente no processo não integram a coisa julgada. Lei Superveniente. A Lei n° 8.212/91 por si só legitima a exigência de contribuição social sobre o lucro. Ação Rescisória. Os efeitos da coisa julgada decorrentes de provimento judicial no qual se reconhecera a inconstitucionalidade da CSLL com fundamento na Lei n° 7.689/88 que instituiu a CSLL, não atingem relações futuras, regidas por normas supervenientes ( Lei n° 7.856/89 art. 2o ; Lei n° 8.034/90 art. 2º; Lei n° 8.212/91 art. 23, II e Lei Complementar n° 70/91 art. 11), do que se conclui ser legítima a cobrança da contribuição a partir da lei n° 7.856/89, observada, por óbvio, a anterioridade nonagesimal. Contudo, ainda que se entenda que a Lei n° 7.856/89 (art. 2o) não tenha restaurado a referida contribuição, posto que alterou dispositivo considerado inconstitucional, por decisão com eficácia inter partes, certo é que a Lei n° 8.212/91 (art. 23, II) dispôs autonomamente sobre a CSLL, reinstituindo A recorrente foi intimada do acórdão em 04042011 (fl. 533) e em 27 de 04 de 2011 ingressou com o recurso de fls. 535 e seguintes alegando, em síntese: 2 Este acórdão possui dupla numeração de fls. Estamos adotando uma. A outra numeração inicia como sendo fl. 360 que corresponde à fl. 331. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10680.010592/200451 Acórdão n.º 140200.919 S1C4T2 Fl. 0 30 prescrição intercorrente (fl. 536); que não existem notas fiscais sem serem contabilizadas (fl. 544); inexigibilidade da multa de mora (fl. 546); Ao final, a contribuinte pede a nulidade do lançamento fiscal ou, subsidiariamente, a realização de novo cálculo, descontandose do montante pretendido as notas fiscais relacionadas, que foram devidamente contabilizadas (fl. 549). É o relatório, passo ao exame da matéria. Fiz questão de apresentar declaração de voto por entender que a matéria, apontada pelo relator como litispendência, merecesse melhor análise de minha parte. Por primeiro, se nos ativermos aos termos do recurso, cujos fundamentos para o pedido de reforma limitamse à prescrição intercorrente, à alegação de contabilização das notas fiscais apontadas como omitidas e, por último, a inexigibilidade de multa de mora, tenho que nenhum destes assuntos foi tratado na ação ajuizada pelo SICEPOT/MG, que reconheceu a impossibilidade de se exigir CSLL com base na Lei nº 7.689, de 1988, considerada inconstitucional naquele processo. Ainda que se argumente, com propriedade, que à luz do artigo 515 do CPC, o recurso devolve ao tribunal a matéria impugnada e que no caso concreto a questão referente à coisa julgada em relação à CSLL foi tratada quando da impugnação, ou mesmo que se diga que a questão referente à coisa julgada ou à litispendência são matérias de ordem pública e que devem ser conhecidas a qualquer tempo, como efetivamente são, mister que se enfrente se uma ação ajuizada por entidade sindical, representando determinada categoria, tem aptidão para caracterizar litispendência em relação ao processo administrativo. O relator, com a propriedade de sempre, pelo que compreendi dos debates, destacou que não era o caso de aplicar o disposto na Súmula nº 1 do Carf, pois esta trata da propositura pelo sujeito passivo de ação judicial e que no caso a recorrente não propôs ação, não lhe sendo possível atribuir a qualidade de parte, em sentido formal. Porém, em sua percepção, por usufruir dos benefícios da ação proposta pela entidade sindical, tal fato deve ser considerado para efeitos de litispendência entre a questão administrativa e judicial. O tema destacado pelo relator, propício de quem conhece a matéria, atormenta os estudiosos do direito processual civil e constitucional. Durante os debates, por exemplo, destaquei que o Anteprojeto de Código de Processo Civil, em tramitação no Congresso, foi concebido com dispositivo pretendendo estender “efeito vinculante”, em ações coletivas, com pretensões não acolhidas, para além das partes propriamente ditas, vinculando os membros do grupo ou categoria assistida. Porém, tal dispositivo vem sendo tachado de inconstitucional por afrontar o artigo 5º, XXXV, da CF, que dispõe que a “lei não excluirá da apreciação do Poder judiciário lesão ou ameaça de direito.” Em que pese a doutrina reconhecer a importância de dispositivo neste sentido, despontam os argumentos destacando que tal matéria somente pode ser inserido por meio de Emenda à Constituição, à semelhança do que foi feito com as Súmulas com efeito vinculante, de que tratam o art. 103A, da Constituição Federal. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10680.010592/200451 Acórdão n.º 140200.919 S1C4T2 Fl. 0 31 Hoje, em face ao que dispõe o artigo 5º, XXXV, da CF, temse que os efeitos da sentença em mandado de segurança coletivo vinculam o impetrante, o impetrado e, quando acolhida a pretensão, os membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante. É isto que se extrai do artigo 22 da Lei do Mandado de Segurança, de 2009, cujo § 1º do citado artigo assim dispõe: “§ 1o O mandado de segurança coletivo não induz litispendência para as ações individuais, mas os efeitos da coisa julgada não beneficiarão o impetrante a título individual se não requerer a desistência de seu mandado de segurança no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência comprovada da impetração da segurança coletiva.” Se o mandado de segurança coletivo não induz litispendência para as ações individuais, com muito mais razão, entendo eu, não induzirá litispendência para os procedimentos administrativos entre o Fisco e os integrantes da categoria da entidade de classe que impetrou a ação, em nome próprio, na defesa de direito de terceiros. Na mesma linha do entendimento aqui exposto, segue o STJ, cuja ementa, a título exemplificativo, segue transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO AJUIZADA POR ÓRGÃO DE CLASSE. AÇÃO INDIVIDUAL. LITISPENDÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. PRECEDENTES DO STJ. 1. Há entendimento perfilhado por esta Corte afastando a litispendência caso haja ação proposta individualmente por um servidor e outra proposta pelo Sindicato de classe, em que aquele figure como substituído, defendendo direitos individuais homogêneos. 2. Precedentes: AgRg no REsp 976325 / DF, DJe 26/08/2010; AgRg no REsp 1089917 / DF, DJe 19/10/2009; AgRg no REsp 813282 / RS, DJe 10/08/2009; REsp 640071 / PE, DJ 28/02/2005 p. 298; REsp 327184 /DF, DJ 02/08/2004 p. 474. 3. Recurso especial provido. (REsp 125381/MG. Rel. Min. Mauro Campbell Marques. Julgamento 07/02/2012. DJe 14/02/2012. Isso posto, vencido em relação à inexistência de litispendência, quanto ao mérito, que não ingressa na questão referente à existência ou não de coisa julgada, acompanho o ilustre relator. Assinado digitalmente Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000307/2003-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Sep 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 16/07/2002
MULTA DE OFÍCIO POR NÃO RECOLHIMENTO DE MULTA DE MORA.
Era perfeitamente legal a imposição de multa moratória aqueles que, mesmo espontaneamente, pagassem seus tributos após transcurso do prazo de vencimento. Todavia, a penalidade deve ser excluída quando lei posterior deixar de impor sanção à conduta então proibida, por forca do principio da retroatividade benigna.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 9303-001.106
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso especial. Os conselheiros Nanci Gama, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martinez Lopez e Susy Gomes Hoffmann votaram pelas conclusões.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : PIS - ação fiscal (todas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201009
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 16/07/2002 MULTA DE OFÍCIO POR NÃO RECOLHIMENTO DE MULTA DE MORA. Era perfeitamente legal a imposição de multa moratória aqueles que, mesmo espontaneamente, pagassem seus tributos após transcurso do prazo de vencimento. Todavia, a penalidade deve ser excluída quando lei posterior deixar de impor sanção à conduta então proibida, por forca do principio da retroatividade benigna. Recurso Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 28 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 16327.000307/2003-19
anomes_publicacao_s : 201009
conteudo_id_s : 4897868
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-001.106
nome_arquivo_s : 930301106_16327000307200319_201009.PDF
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : Henrique Pinheiro Torres
nome_arquivo_pdf_s : 16327000307200319_4897868.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial. Os conselheiros Nanci Gama, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martinez Lopez e Susy Gomes Hoffmann votaram pelas conclusões.
dt_sessao_tdt : Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2010
id : 4751811
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044360362196992
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-10-13T11:06:33Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 9; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-10-13T11:06:33Z; Last-Modified: 2011-10-13T11:06:33Z; dcterms:modified: 2011-10-13T11:06:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:a010f6ea-ab53-4649-adb4-be7377a93830; Last-Save-Date: 2011-10-13T11:06:33Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-10-13T11:06:33Z; meta:save-date: 2011-10-13T11:06:33Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-10-13T11:06:33Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-10-13T11:06:33Z; created: 2011-10-13T11:06:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2011-10-13T11:06:33Z; pdf:charsPerPage: 1528; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-10-13T11:06:33Z | Conteúdo => • t' t CS111;43 Ft NI MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n" 16327.000307/2003-19 Recurso n" 228_083 Especial do Procurador Acórdão n" 9303-01.106 — 3' Turma Sessão de 27 de setembro de 2010 Matéria Multa de oficio por não recolhimento de multa de moi a Recorrente Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional Interessado Banco flan S/A ASSUNTO: NORMAS GERMS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 16/07/2002 MULTA DE OFÍCIO POR NÃO RECOLHIMENTO DE MULTA DE. MORA.. Era perfeitamente legal a imposição de multa moratoria aqueles que, mesmo espontaneamente, pagassem seus tributos após transcurso do prazo de vencimento. Todavia, a penalidade deve ser excluída quando lei posterior deixar de impor sanção à conduta então proibida, por forca do principio da retroatividade benigna. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial. Os conselheiros Nanci Gama, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martinez Lopez e Susy Gomes Hoffmann votaram pelas conclusões. Henrique Pinheiro Tones — Presidente Substituto e Relator EDITADO EM: 09/11/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro (convocado), Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes (convocado), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Jose ft)• , Adão Vitorino (convocado), Maria Teresa Martinez Lápez, Susy Gomes Hoffmann e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Os fatos foram assim descritos pela decisão recorrida: A into essada ingressou com pedido de homologação (lis. 53/55) relbrente a pagamentos do PIS e da Cofins para o per iodo de apuração de junho/2002 A-41os com atraso e sem a incidência c/a mutter de mora. Em Despacho Decisório (11.s 77/82) a Unidade Local da Receita Federal indeferiu a solicitação, determinando ainda a intimação da requerente para que recolhesse a multa de mom indevidamente expurgada ('lis 83/84). Sem crimp, ir a intimação, a inter essada apresentou manifestação de inconformidade Os 85/99) questionando as razdes do indeferimento. Delegacia da Receita Federal pronunciou-se at, avés do Despacho dc us. 100/101, negando seguimento ao pleito por falta c/c previsão regimental it al)) eciacão da instancia julgadora Ern função do i acolhimento dos tributos fbra de prazo sem cl incidência de multa de mo, a, foi lavrado o presente da Auto de Inflação (lis 01/06) para cobrança da mutt/ta isolada prevista no alt. 44,1; § I" II, da Lei 09,430/96. Em impugnação dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento (As. 09/47), a empresa alega que o pagamento foi espontâneo e como tal, corn base no art. 138 do CTN, não caberia a incidência de multa de mora. Defende ainda que autuação deveria ter sua evigibilidade suspensa, nos ter mos do inciso III, do art. 151 do CTNN, pela interposição de manifestação de inconformidade contra o despacho que indeferin o pedido de homologação dos pagamentos efetuados. A auto: idade julgador-a c/c primeira instância prolatou decisão consubstanciada no Acór dão DRJ/CPS N" 6 919/2004 (11s. 104/109), indeferindo o pleito sob o argumento de que a demincia espontânea referida no art 138 do CTN pressupõe ;ião somente a confissão da divida, mas também o pagamento do ti ibuto devido, acrescido dos films c/c mora e da multa moratói ia, dada a natureza compensatória desta última Disse ainda aquela autoridade que. conforme legislação de egéncia, nos casos de pagamento ou recolhimento fora de prazo, sem o acréscimo da multa moratória, aplica-se a multa isolada de 75%, sobre o valor total do tributo pago em au aso. Inconfbi mada, a interessada recorre a este colegiado (IL 113(141), reiterando as r azcies da peça impugnatória. 2 1'1 I Processo n" 16327 000307/2003-19 CSRF-T3 AcártItio n.° 9303-01.106 Fl 192 Conforme Despacho de fl. 143, foram cumin idos - os requisitos- para gui antic' de instância Julgando o feito, o órgão julgador de a quo cancelou o lançamento em decisão assim ementada: PIS. DENÚNCIA ESPONTANE4 MULTA DE MORA INCABil/EL. A denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do ti ibuto acrescido dos juros moratói ias, antes do inicio do procedimento de fiscalização, afasta a aplicação de !radio, inclusive a de niord Recurso provido. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial por contrariedade A. lei, descrevendo, analiticamente, a suposta ofensa ao dispositivo legal violado. O especial fazendário foi admitido, nos termos do despacho de fls. 163 a 165. Contrarrazões apresentadas pelo sujeito passivo as fls. 172 a 181, o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Tones, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Da análise dos autos, verifica-se ser incontroverso o fluo de a autuada haver recolhido a diferença da contribuição fora do prazo de vencimento, sem a multa de mora exigida no art. 61 da Lei 9.430/96. A inobservância dessa norma configurava infração punível corn multa de 75% do valor do tributo ou contribuição devidos, nos exatos termos do inc. I, do art. 44, da Lei 9A30/96, combinado com o inciso II do § 1 0 desse artigo, que previa, expressamente, a imposição de multa isolada quando o tributo ou a contribuição houvesse sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora.. Sempre entendi cabível a exigência da multa de mora no caso em que o sujeito passivo recolhia espontaneamente o tributo, mas fora cio prazo legal estabelecido em lei Sendo devidos os ,juros moratórios e a multa de mora, correta fora a imputação feita pela Fiscalização que exigiu a multa de oficio isolada, no percentual de 75%, incidente sobre o total da contribuição devida_ Todavia, a multa que sancionava essa conduta proibida foi excluída do ordenamento jurídico, por meio da Medida Provisória n° 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007, e, como é de todos sabido, por força do principio da retroatividade benigna, a lei deve retroagir quando deixar de prever a penalidade em questão ou quando tratar de penalidade mais benéfica. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional.. i i;2t) j - ,or HZ! IniC.11JE, 3 I i (: Henrique Pinheiro Torres, 4
score : 1.0
Numero do processo: 13839.003548/2009-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2007
IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE.
A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do Imposto de Renda Pessoa Física está condicionada à comprovação hábil e idônea.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.794
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2007 IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do Imposto de Renda Pessoa Física está condicionada à comprovação hábil e idônea. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 13839.003548/2009-47
anomes_publicacao_s : 201202
conteudo_id_s : 5028656
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2102-001.794
nome_arquivo_s : 210201794_13839003548200947_201202.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : Francisco Marconi de Oliveira
nome_arquivo_pdf_s : 13839003548200947_5028656.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
id : 4749700
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044360390508544
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1605; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 67 1 66 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.003548/200947 Recurso nº 907.516 Voluntário Acórdão nº 210201.794 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 7 de fevereiro de 2012 Matéria IRPF DEDUÇÃO INDEVIDA Recorrente ELENIR VASCONCELOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2007 IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do Imposto de Renda Pessoa Física está condicionada à comprovação hábil e idônea. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. (ASSINATURA DIGITAL) Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. (ASSINATURA DIGITAL) Francisco Marconi de Oliveira Relator. EDITADO EM: 15/03/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Atílio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Ausente justificadamente a Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Contra a contribuinte já qualificada nestes autos foi lavrada a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2007 (fl. 15), apurandose o imposto suplementar de R$ 15.810,26 (quinze mil, oitocentos e dez reais e vinte e seis centavos), acrescido de multa de ofício e juros de mora. As glosas das despesas médicas na declaração, por falta de comprovação, importaram em R$ 28.297,68 (vinte e oito mil, duzentos e noventa e sete reais e sessenta e oito centavos) e os rendimentos tributáveis em R$ 75.542,32 (setenta e cinco mil, quinhentos e quarenta e dois reais e trinta e dois centavos. As despesas glosadas referemse à: a) cinco recibos emitidos por Rogério Pinto de Almeida Gomes, referentes a serviços profissionais prestados (R$ 3.150,00 com data rasurada; R$ 2.620,00 com data não identificável; R$ 3.210,00 e R$ 450,00 no mês de maio, sem registro do dia; e R$ 570,00 no mês de junho, sem registro do dia) – valor total R$ 10.000,00; b) dez recibos emitidos por Monike Jardini, referentes a consultas médicas (datados em 25/2/2006, 25/3/2006, 29/4/2006, 27/5/2006, 24/6/2006, 29/7/2006 26/8/2006, 30/9/2006, 28/10/2006 e 25/11/2006, finais de semana), no valor de R$ 1.000,00 cada – valor total R$ 10.000,00; c) um recibo emitido por Maria Carolina P. Scoz, referente às consultas de psicologia realizadas em 2006 – valor total R$ 1.000,00; d) seis recibos emitidos por Maercio Diogo de Oliveira, referentes a tratamento dentário (R$ 750,00, em 10/1/2006; R$ 680,00, em 14/4/2006; R$ 620,00 em 21/5/2006, domingo; R$ 1.130,00, em 2 de junho; R$ 480,00, em 7 de julho) – valor total R$ 4.530,00; e, e) Intermédica Sistema de Saúde S. A. – valor total R$ 2.757,68. A contribuinte apresentou impugnação contestando a glosa das despesas médicas, informando que o comprovante emitido pelo Dr. Rogério Pinto de Almeida Gomes está perfeitamente preenchido, com exceção de um deles, que falta o nome da cidade e do estado. Em relação aos demais recibos, diz que realmente faltavam os requisitos exigidos pelo Decreto nº 3.000/1999, mas que foram devidamente preenchidos pelos profissionais que os expediram. A impugnação foi julgada procedente em parte pela 11ª Turma da DRJ/SPO II, acatando a dedução de R$ 2.488,77, valor do recibo, referente a Intermédica Sistema de Saúde S. A. Cientificada da decisão de primeira instância em 10 de fevereiro de 2011 (fl. 34), a contribuinte apresentou recurso voluntário no dia 4 do mês subsequente (fls. 35/37), alegando que: a) incluiu no processo declarações expedidos pelos profissionais emitentes dos recibos, com todas as exigências solicitadas, para comprovar a veracidade dos serviços prestados; Fl. 73DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 13839.003548/200947 Acórdão n.º 210201.794 S2C1T2 Fl. 68 3 b) desconhecia as exigências do art. 8º, § 1º, III do Regulamento do Imposto de Renda; c) ainda que esteja ausente o nome da paciente, todos os recibos estão em nome da declarante; d) os recibos são autênticos; e e) deve ser dada prioridade na tramitação do processo nos termos do art. 69 A, itens I e IV da Lei nº 9.784/1999. A contribuinte anexa, às fls. 38/61, os recibos citados e as declarações dos prestadores de serviços. As declarações, em síntese: (a) confirmam a recorrente como paciente; e (b) informam a somatória dos recibos emitidos, o local da expedição dos recibos e o endereço da declarante. Difere do padrão a declaração do Sr. Rogério Pinto de Almeida, que acrescenta os dias da expedição, não informados nos recibos, como sendo 10 e 17 de maio, 20 de junho, 12 de julho e 18 de novembro, esse último em final de semana. As declarações foram elaboradas em folhas em branco, sem timbre, endereçamento ou detalhamento dos prestadores de serviço, com exceção de um relatório médico emitido pela Sra. Ana Olga N. G. Fernandes Mies. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. A matéria em exame restringese a uma parcela das deduções com despesas médicas, cujos recibos foram considerados sem validade, e o presente processo está sendo analisado em conjunto com outro similar, de nº 13839.003547/200901, referente ao exercício 2006. De acordo com o artigo 8º da Lei nº 9.250/1996, são dedutíveis os pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. Nos termos do § 2º do mesmo diploma legal, a dedução restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; e limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou no Cadastro Geral de Contribuintes (CGC) de quem os recebeu. Verificando as despesas médicas contestadas nos dois autos (processo nº 13839.003547/200901, exercício 2006, e nº 13839.003548/200947, exercício 2007), temse em comum os recibos dos profissionais Rogério Pinto de Almeida Gomes, Monike Jardini e Maria Carolina P. Scoz. Os recibos do Sr. Maercio Diogo de Oliveira foram deduzidos apenas na Declaração do exercício 2007. Entretanto, eles apresentam nuances que justificam o posicionamento da auditoria, tais como: recibos emitidos em finais de semanas, ausência de preenchimento do dia de emissão do recibo, falta de especificação do serviço prestado, rasura, e recibo com valor único para todas as consultas realizadas no ano. Além disso, observase: a) elevado valor das despesas médicas, que importaram em R$ 24.398,80 na declaração do exercício 2006 e R$ 28.297,68 em 2007; e b) elevado valor de deduções apresentadas nas Declarações de Ajuste Anual, em termos absoluto e relativo – R$ 40.349,68 no exercício 2006 e 33.046,66 no exercício 2007 –, representando, respectivamente, 49,84% e 43,74% do total dos rendimentos tributáveis declarados. As deduções são elevadas e os recibos e as declarações juntados aos autos são imprecisos e não cumprem os requisitos mínimos invocados, porquanto, limitamse a informações genéricas e inespecíficas, com a falta de indicação de procedimentos, endereço dos supostos prestadores dos serviços, o local e dia da emissão. Reforça o posicionamento da auditoria o fato de a contribuinte ter inserido como deduções despesas para as quais sequer apresentou defesa, como a que se refere, no exercício 2006, à “contribuição à previdência privada e Fapi” e às “despesas com instrução”. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 13839.003548/200947 Acórdão n.º 210201.794 S2C1T2 Fl. 69 5 Nesse contexto, cabe ao fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo. A dedução das despesas médicas na declaração da contribuinte pode ser condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, não bastando a disponibilidade de simples recibos ou declaração dos profissionais que teriam supostamente prestados os serviços. A litigante não teria dificuldade alguma em prover tal espécie de prova, caso houvesse efetivamente pago as despesas, tendo em vista o valor significativo e o fato de auferir rendimentos de pessoa jurídica, que os pagam por meio de instituição bancária, acabaria evidenciando a entrada e a saída dos recursos para fazer frente às despesas, mesmo que se admitisse a improvável hipótese de pagamento em espécie. Os recibos e declarações anexadas aos autos não permitem a convicção da autoridade julgadora na apreciação da prova, como expresso no art. 29 do Decreto 70.235/1972. Ante ao exposto, voto para negar provimento ao recurso. (ASSINATURA DIGITAL) Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 76DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10735.100100/2008-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Será efetuado lançamento de oficio sempre que houver rendimentos
tributáveis comprovadamente percebidos pelo contribuinte e não informados na declaração de ajuste anual.
ISENÇÃO. HIPÓTESES. NECESSIDADE DE LEI ESPECÍFICA.
A isenção de tributos só pode ser concedida mediante lei específica, a qual regule exclusivamente a matéria ou o correspondente tributo ou contribuição.
Não são hipóteses de isenção do imposto sobre a renda de pessoa física as parcelas relacionadas de “a” a “r” no inciso III do artigo 1.°, da Lei n° 8.852, de 1994. São simples exclusões do valor da soma dos vencimentos, adicionais de caráter individual e demais vantagens, para se obter o valor da remuneração.
Aplicação da Súmula CARF n.º 68.
Numero da decisão: 2101-001.503
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Será efetuado lançamento de oficio sempre que houver rendimentos tributáveis comprovadamente percebidos pelo contribuinte e não informados na declaração de ajuste anual. ISENÇÃO. HIPÓTESES. NECESSIDADE DE LEI ESPECÍFICA. A isenção de tributos só pode ser concedida mediante lei específica, a qual regule exclusivamente a matéria ou o correspondente tributo ou contribuição. Não são hipóteses de isenção do imposto sobre a renda de pessoa física as parcelas relacionadas de “a” a “r” no inciso III do artigo 1.°, da Lei n° 8.852, de 1994. São simples exclusões do valor da soma dos vencimentos, adicionais de caráter individual e demais vantagens, para se obter o valor da remuneração. Aplicação da Súmula CARF n.º 68.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10735.100100/2008-60
anomes_publicacao_s : 201202
conteudo_id_s : 4881629
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-001.503
nome_arquivo_s : 210101503_10735100100200860_201202.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
nome_arquivo_pdf_s : 10735100100200860_4881629.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
id : 4749834
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044360399945728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1869; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 67 1 66 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.100100/200860 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 210101.503 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 9 de fevereiro de 2012 Matéria IRPF Imposto sobre a Renda de Pessoa Física Recorrente Gilberto Pinto Teixeira Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Será efetuado lançamento de oficio sempre que houver rendimentos tributáveis comprovadamente percebidos pelo contribuinte e não informados na declaração de ajuste anual. ISENÇÃO. HIPÓTESES. NECESSIDADE DE LEI ESPECÍFICA. A isenção de tributos só pode ser concedida mediante lei específica, a qual regule exclusivamente a matéria ou o correspondente tributo ou contribuição. Não são hipóteses de isenção do imposto sobre a renda de pessoa física as parcelas relacionadas de “a” a “r” no inciso III do artigo 1.°, da Lei n° 8.852, de 1994. São simples exclusões do valor da soma dos vencimentos, adicionais de caráter individual e demais vantagens, para se obter o valor da remuneração. Aplicação da Súmula CARF n.º 68. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Evande Carvalho Araujo, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Em desfavor de GILBERTO PINTO TEIXEIRA foi emitida a Notificação de Lançamento às fls. 1 (frente e verso) e 3 (frente e verso), na qual foi apurado imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) correspondente ao anocalendário de 2004 (exercício 2005), no valor total de R$ 2.472,71 (dois mil, quatrocentos e setenta e dois reais e setenta e um centavos). Em decorrência do lançamento, o imposto a restituir originalmente apurado pelo contribuinte, de R$ 1.397,03 (mil, trezentos e noventa e sete reais e três centavos) foi reduzido para R$ 43,76 (quarenta e três reais e setenta e seis centavos). As infrações apontadas pela Fiscalização encontramse relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 1 verso. A Fiscalização alega ter havido omissão de rendimentos do trabalho, sujeitos à Tabela Progressiva, no valor de R$ 9.117,72, conforme DIRF – Declaração de Imposto de Renda na Fonte apresentada pela fonte pagadora – Comando da Marinha, CNPJ 00.394.502/043897. A Notificação de Lançamento de que trata este processo foi lavrada após o contribuinte ter apresentado Solicitação de Retificação de Declaração, a qual, em 6/10/2008 foi parcialmente deferida, conforme consta do Resultado às fls. 2 – frente, resultando na retificação da Notificação de Lançamento anteriormente lavrada. Às fls. 22 e 23 consta Impugnação, cujas razões e pedido foram assim sintetizadas pelo órgão a quo: “Cientificado, o impugnante insurgiuse contra o lançamento, focando primordialmente o inciso III do art 1° da Lei 8.852/94, o qual, segundo alega, enumera hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa física e, assim, a Secretaria da Receita Federal deveria rever o lançamento.” Ao examinar o pleito, a 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro 2 decidiu pela improcedência da Impugnação, por meio do Acórdão n.º 1326.353, de 25 de setembro de 2009, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10735.100100/200860 Acórdão n.º 210101.503 S2C1T1 Fl. 68 3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Princípio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Impugnação Improcedente Credito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 19 de novembro de 2009, no qual requer, em preliminar, a desconsideração dos valores não tributáveis, que se referem ao adicional por tempo de serviço e compensação orgânica, incluídos, a seu ver, ilegalmente, com base no artigo 1.º, III, da Lei n.º 8.852, de 1994. No mérito, alega que, de acordo com a Lei n° 8.852, de 1994, artigo 1°, inciso III, “d”, o imposto sobre a renda de pessoa física não pode incidir nas seguintes parcelas dos vencimentos dos servidores militares e civis: (a) gratificação por tempo de serviço; (b) gratificação ou adicional natalino ou compensação orgânica e (c) saláriofamília. Apesar disso, complementa, desde 1994 o imposto sobre a renda vem incidindo sobre tais parcelas, o que significa dizer que tem sido descontando “a maior” durante os dez últimos anos. Requer, ao final, seja acolhido seu recurso para que se cancele o débito fiscal reclamado. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. A Fiscalização considerou omitidos rendimentos no valor de R$ 9.117,72, recebidos pelo contribuinte, da fonte pagadora Comando da Marinha. O lançamento de ofício, por omissão de rendimentos, está previsto no artigo 841 do Decreto n.° 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda: Art.841.O lançamento será efetuado de ofício quando o sujeito passivo (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 77, Lei nº 2.862, de 1956, art. 28, Lei nº 5.172, de 1966, art. 149, Lei nº 8.541, de 1992, art. 40, Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, Lei nº 9.317, de 1996, art. 18, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 42): [...] Fl. 78DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 VIomitir receitas ou rendimentos. [...] O valor considerado como omissão de rendimentos pela Fiscalização e mantido na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro 2 é resultado da diferença entre o valor declarado na DIRF, pela fonte pagadora (fls. 1 – verso), que coincide com o valor informado ao contribuinte no Comprovante de Rendimentos a ele fornecido (fls. 4) e o declarado pelo contribuinte, em sua declaração de ajuste retificadora (fls. 34 a 36). É que o contribuinte entende serem tributáveis somente os valores reconhecidos como remuneração pela Lei n.° 8.852, de 1994, na forma estipulada pelo seu artigo 1.°, inciso III: Art. 1º Para os efeitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da União compreende: [...] III como remuneração, a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual e demais vantagens, nestas compreendidas as relativas à natureza ou ao local de trabalho e a prevista no art. 62 da Lei nº 8.112, de 1990, ou outra paga sob o mesmo fundamento, sendo excluídas: a) diárias; b) ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte; c) auxíliofardamento; d) gratificação de compensação orgânica, a que se refere o art. 18 da Lei nº 8.237, de 1991; e) saláriofamília; f) gratificação ou adicional natalino, ou décimoterceiro salário; g) abono pecuniário resultante da conversão de até 1/3 (um terço) das férias; h) adicional ou auxílio natalidade; i) adicional ou auxílio funeral; j) adicional de férias, até o limite de 1/3 (um terço) sobre a retribuição habitual; l) adicional pela prestação de serviço extraordinário, para atender situações excepcionais e temporárias, obedecidos os limites de duração previstos em lei, contratos, regulamentos, convenções, acordos ou dissídios coletivos e desde que o valor pago não exceda em mais de 50% (cinqüenta por cento) o estipulado para a hora de trabalho na jornada normal; m) adicional noturno, enquanto o serviço permanecer sendo prestado em horário que fundamente sua concessão; n) adicional por tempo de serviço; Fl. 79DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10735.100100/200860 Acórdão n.º 210101.503 S2C1T1 Fl. 69 5 o) conversão de licençaprêmio em pecúnia facultada para os empregados de empresa pública ou sociedade de economia mista por ato normativo, estatutário ou regulamentar anterior a 1º de fevereiro de 1994; p) adicional de insalubridade, de periculosidade ou pelo exercício de atividades penosas percebido durante o período em que o beneficiário estiver sujeito às condições ou aos riscos que deram causa à sua concessão; q) hora repouso e alimentação e adicional de sobreaviso, a que se referem, respectivamente, o inciso II do art. 3º e o inciso II do art. 6º da Lei nº 5.811, de 11 de outubro de 1972; r) (Vetado) r) outras parcelas cujo caráter indenizatório esteja definido em lei, ou seja reconhecido, no âmbito das empresas públicas e sociedades de economia mista, por ato do Poder Executivo. (Parte mantida pelo Congresso Nacional). [...] Diante do disposto nos dispositivos acima transcritos, o contribuinte excluiu, do total dos rendimentos tributáveis percebidos, as parcelas correspondentes ao “adicional por tempo de serviço” e à “compensação orgânica”, por considerálas isentas do imposto sobre a renda. A Lei n.° 5.172, de 1966, Código Tributário Nacional, ao dispor sobre o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, assim especificou: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) [...] (g.n.) Também nesse sentido, assim estipula a Lei n.° 7.713, de 1988, cujo artigo 3.° a seguir transcrevese: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) Fl. 80DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. § 5º Ficam revogados todos os dispositivos legais concessivos de isenção ou exclusão, da base de cálculo do imposto de renda das pessoas físicas, de rendimentos e proventos de qualquer natureza, bem como os que autorizam redução do imposto por investimento de interesse econômico ou social. § 6º Ficam revogados todos os dispositivos legais que autorizam deduções cedulares ou abatimentos da renda bruta do contribuinte, para efeito de incidência do imposto de renda. (g.n.) Dos dispositivos acima, depreendese que toda a renda percebida pelo particular está sujeita ao imposto sobre a renda, independentemente da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. As exceções são especificamente previstas em lei, tal como ocorre com as isenções. Para haver isenção, é preciso haver previsão expressa em lei específica, tal como prescreve o artigo 176 do Código Tributário Nacional: Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10735.100100/200860 Acórdão n.º 210101.503 S2C1T1 Fl. 70 7 [...] Tal dispositivo está em perfeita consonância com o previsto na Constituição Federal de 1988, a qual, ao tratar das limitações do poder de tributar, assim prevê, no parágrafo 6.° de seu artigo 150: Art. 150. [...] § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) [...] A Lei n.° 8.852, de 1994, na qual se fundamenta o contribuinte para defender existirem parcelas isentas do imposto sobre a renda embutidas na retribuição mensal por ele percebida, não é uma lei tributária, muito menos uma lei específica que outorgue uma isenção do imposto sobre a renda. A mencionada lei dispõe sobre a aplicação dos artigos 37, incisos XI e XII, e 39, § 1°, da Constituição Federal e dá outras providências. O artigo 1.° da referida lei estipula a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da União. As parcelas enumeradas nas alíneas de “a” a “r” do inciso III do artigo 1° da Lei n.° 8.852, de 1994, são exclusões feitas da soma dos vencimentos, adicionais de caráter individual e demais vantagens, para se chegar à remuneração. Não são hipóteses de isenção ou não incidência do imposto sobre a renda de pessoa física. Cabe ainda ressaltar que o inciso XX do artigo 39 do Decreto n.º 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), que relaciona valores que não entram no cômputo do rendimento bruto, não menciona os valores lançados como isentos ou não tributáveis pelo contribuinte. Também não é possível aplicar a interpretação extensiva às leis que outorgam isenções. Pelo contrário, as leis que conferem isenções devem ser interpretadas restritivamente, ou “literalmente”, nos termos do artigo 111 do Código Tributário Nacional: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. (g.n.) Por fim, salientamos que esse tema já foi objeto da Súmula CARF n.º 68, com o seguinte teor: Fl. 82DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 “A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física”. Por esses motivos, não merece reparos a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro 2, que manteve o lançamento levado a efeito no presente processo. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ________________________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 83DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 14751.000105/2008-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004, 2005
Ementa:
SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula n. 2 do CARF).
LEI 10.174/01 E LEI COMPLEMENTAR N. 105/2001. APLICABILIDADE
IMEDIATA.
Nos termos do artigo 144, §1º., do CTN, “aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros.” Assim, nos termos da Súmula CARF n. 35, “O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.”
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
O artigo 42 da Lei n.º 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituí-la.
Hipótese em que a contribuinte não comprovou a origem dos recursos.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.482
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005 Ementa: SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula n. 2 do CARF). LEI 10.174/01 E LEI COMPLEMENTAR N. 105/2001. APLICABILIDADE IMEDIATA. Nos termos do artigo 144, §1º., do CTN, “aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros.” Assim, nos termos da Súmula CARF n. 35, “O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.” DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O artigo 42 da Lei n.º 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituí-la. Hipótese em que a contribuinte não comprovou a origem dos recursos. Recurso negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 14751.000105/2008-46
anomes_publicacao_s : 201202
conteudo_id_s : 4881517
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-001.482
nome_arquivo_s : 210101482_14751000105200746_201202.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
nome_arquivo_pdf_s : 14751000105200846_4881517.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
id : 4749828
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044360423014400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2117; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 225 1 224 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14751.000105/200846 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 210101.482 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de fevereiro de 2012 Matéria IRPF Recorrente ANTONIO RAMOS DE ARAÚJO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005 Ementa: SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula n. 2 do CARF). LEI 10.174/01 E LEI COMPLEMENTAR N. 105/2001. APLICABILIDADE IMEDIATA. Nos termos do artigo 144, §1º., do CTN, “aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros.” Assim, nos termos da Súmula CARF n. 35, “O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente.” DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O artigo 42 da Lei n.º 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituíla. Hipótese em que a contribuinte não comprovou a origem dos recursos. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14751.000105/200846 Acórdão n.º 210101.482 S2C1T1 Fl. 226 2 ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 197/223) interposto em 06 de outubro de 2008 contra o acórdão de fls. 166/190, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 04/06, lavrado em 20 de fevereiro de 2008, em decorrência de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, verificada no anocalendário de 2003 e 2004. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Anocalendário: 2003, 2004 IRPF. SUJEITO PASSIVO. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza e, ausente qualquer elemento de prova, não há como se atribuir a terceiros a titularidade dos recursos movimentados a sua ordem. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14751.000105/200846 Acórdão n.º 210101.482 S2C1T1 Fl. 227 3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 10 de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. As autoridades administrativas não podem negar aplicação às leis regularmente emanadas do Poder Legislativo. O exame da constitucionalidade ou legalidade das leis é tarefa estritamente reservada aos órgãos do Poder Judiciário. SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, a par de amparada legalmente, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de ofício. LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE DA LEI. O art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001 e o art. 10 da Lei n° 10.174/2001, que deu nova redação ao §3º. do art. 11 da Lei n. 9.311/1996, disciplinam o procedimento de fiscalização em si, e não os fatos econômicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir de janeiro 2001 poderão valerse dessas informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos. NÃO VIOLAÇÃO DAS GARANTIAS INDIVIDUAIS INSERIDAS NA CF/88. SIGILO FISCAL. O sigilo bancário só tem sentido enquanto protege o contribuinte contra o perigo da divulgação ao público, nunca quando a divulgação é para o fisco que, sob pena de responsabilidade, jamais poderá transmitir o que lhe foi dado a conhecer. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não ser substituída por meras alegações. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14751.000105/200846 Acórdão n.º 210101.482 S2C1T1 Fl. 228 4 normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, sendo aquela objeto da decisão. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 PROVAS. As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. No Processo Administrativo Fiscal somente é permitida a juntada posterior de provas nos casos previstos pelo art. 16, § 4º., do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. Lançamento procedente” (fl. 166/168). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso de fls. 197/223, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. No mérito, aduz o Recorrente que viola a Constituição da República, seja no tocante ao devido processo legal (art. 5º, LIV, da CF), seja, ainda, no que atine à garantia fundamental do sigilo de dados bancários (art. 5º, X e XII, da CF), a obtenção de dados de movimentação financeira, na forma do art. 11, §3º, da Lei n.º 9.311/96, e, bem assim, nos termos da Lei Complementar n.º 105/2001, regulamentada pelo Decreto n.º 3.724/2001. Nada obstante, aduz o Recorrente, igualmente, que seria incabível a tributação com fundamento no art. 42 da Lei n.º 9.430/96, na medida em que a mera movimentação financeira ocorrida em contas bancárias de titularidade do Recorrente não poderia ser considerada renda, para fins de tributação, na forma preconizada pelo art. 43 do CTN. No que atine à primeira assertiva do contribuinte, segundo a qual seria inconstitucional a prova obtida pela Receita Federal do Brasil diretamente junto às instituições Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14751.000105/200846 Acórdão n.º 210101.482 S2C1T1 Fl. 229 5 financeiras, inclusive mediante a obtenção de dados da CPMF, entendo que não merece prosperar. Primeiramente, fazse mister asseverar, por oportuno, que tanto o Decreto 70.235/72, em seu artigo 26A, quanto a própria jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), representada pela Súmula n.º 02, consolidada pela Portaria MF n.º 49/2010, são claros ao impedirem a análise de inconstitucionalidade de normas, reconhecendo a presunção de legalidade dos dispositivos aprovados na forma do processo legislativo pátrio, em ambas as casas do Congresso Nacional. Por esta razão basilar, portanto, no que atine às alegações de inconstitucionalidade da utilização de dados bancários do contribuinte para formalização do auto de infração, por implicarem na análise da constitucionalidade dos dispositivos infraconstitucionais utilizados, não podem ser acatadas, em razão da vedação expressa referida pelo art. 26A do Decreto 70.235/72. A este respeito, aliás, cumpre destacar que, muito embora tenha o Supremo Tribunal Federal, em controle difuso de constitucionalidade, no julgamento do RE n.º 389.808/PR, relatado pelo Ministro Marco Aurélio, entendido que “conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal parte na relação jurídicotributária o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte”, referida interpretação foi feita por maioria simples de votos, razão pela qual não foi declarada a inconstitucionalidade de quaisquer dispositivos legais, matéria esta sujeita à maioria absoluta dos pares, na forma do art. 101 da Constituição. Em outras palavras, referido julgado, não apreciado pelo regime de repercussão geral, restringese à aplicação no caso específico discutido, não declarando a inconstitucionalidade do normativo, ainda que em controle difuso, o que inibe este CARF, sob pena de ofensa ao disposto pelo art. 26A do Decreto n.º 70.235/72, de afastar dispositivos de lei vigentes e aplicáveis ao caso concreto. Feitas as precedentes ressalvas, cumpre verificar que não houve, no caso vertente, qualquer ofensa ao texto expresso da Lei n.º 9.311/96, e, bem assim, à LC n.º 105/2001, regulamentada pelo decreto ventilado anteriormente. Com efeito, compulsandose os autos do presente processo administrativo, verificase que a fiscalização obteve, inicialmente, apenas a movimentação financeira global do contribuinte nas contas correntes de sua titularidade, relativa aos anoscalendário fiscalizados, sem qualquer detalhamento de informações detidas pelas respectivas instituições financeiras. Nesse sentido, independentemente da análise da constitucionalidade, cuja competência não cabe a este órgão julgador, verificase que a Lei Complementar n.º 105/2001, mais especificamente em seu art. 1º, §3º, estabelece, expressamente, que a outorga dos dados da CPMF, relativos, apenas, à movimentação global do contribuinte, à Receita Federal do Brasil não constitui quebra de sigilo. Sendo assim, observase que, de posse dos referidos documentos, absolutamente incompatíveis com os recursos declarados pelo contribuinte, e, igualmente, não se desincumbindo o particular de apresentar os documentos, não se pode olvidar que os extratos bancários foram fornecidos diretamente pelo Recorrente, motivo pelo qual eventual Fl. 5DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14751.000105/200846 Acórdão n.º 210101.482 S2C1T1 Fl. 230 6 inconstitucionalidade da legislação que autorizou a obtenção dessas informações (Lei Complementar n.º 105/2001) não aproveita ao Recorrente. De fato, havendo movimentação incompatível com os recursos declarados, não restam dúvidas de que seria indispensável, para aferição específica da existência de omissão de rendimentos, e na forma do art. 42 da Lei n.º 9.430/96, a obtenção dos dados relativos às transações do contribuinte, a fim de que se pudesse inferir, in casu, a existência de depósitos de origem não comprovada. Referida interpretação, aliás, além de encontrar respaldo no próprio art. 6º da Lei n.º 9.430/96, também se infere do texto do art. 3º, incisos V e X, do Decreto n.º 3.724/2001, ambos combinados com o texto do próprio art. 42 da Lei n.º 9.430/96. Assim, considerando que os extratos foram fornecidos sponte propria pelo Recorrente, não há que se falar em quebra de sigilo bancário no caso vertente. Ademais, o Termo de Intimação Fiscal de fls. 84/100, muito embora reconhecidamente recebido pelo contribuinte em 13/10/2007, não foi por ele atendido, a despeito da concessão da prorrogação pedida (fls. 102/103), assim como foi elaborado o Termo de Constatação e Intimação Fiscal de fls. 106/107, o qual também não foi atendido. Tampouco merecem prosperar as alegações do Recorrente de que as intimações apresentadas careciam da necessária motivação e base legal. Isso porque a fiscalização deixou claro que constatou movimentações financeiras incompatíveis com as respectivas declarações de rendimento apresentadas, motivo pelo qual faziase mister que o Recorrente justificasse a origem de tais valores. No que tange à segunda alegação, de acordo com a qual não seria legítimo presumirse a renda com base em extratos que demonstram movimentação bancária, entendo que é igualmente desprovida de fundamento. Nesse sentido, cumpre trazer à colação o estatuído pelo artigo 42 da Lei 9.430/96, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º. O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Na realidade, instituiu o referido dispositivo autêntica presunção legal relativa, cujo condão é justamente o de inverter o ônus da prova, atribuindoo ao contribuinte, que passa a ter o dever de refutála. Como é cediço, a presunção, seja ela hominis ou legal, é meio de prova que prescreve o reconhecimento jurídico de um fato provado de forma indireta. Ou seja, provando se diretamente o fato indiciário, temse, por conseguinte, a formação de um juízo de Fl. 6DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14751.000105/200846 Acórdão n.º 210101.482 S2C1T1 Fl. 231 7 probabilidade com relação ao fato presumido que, a partir de então, necessita ser afastado pelo contribuinte. No caso dos autos, provase especificamente a ocorrência de movimentações bancárias injustificadas, decorrendo desta comprovação o reconhecimento da omissão de rendimentos na apuração da base de cálculo do IRPF. Nesse sentido, a presunção relativa referida pelo artigo 42 da Lei n. 9.430/96 é legítima, não ferindo, em nenhum ponto, a legislação tributária em vigor. Notese, ainda, que a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR), segundo a qual seria insuficiente para comprovação da omissão de rendimentos a simples verificação de movimentação bancária, consubstancia jurisprudência firmada anteriormente à edição da Lei n.º 9.430/96, motivo pelo qual não deve ser aplicada. A este respeito, já a anterior 2ª. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por sua vez, consolidou entendimento de acordo com o qual, a partir da edição da Lei n. 9.430/96, é válida a presunção em referência, sendo ônus do Recorrente desconstituí la com a apresentação de provas suficientes para tanto. É o que se depreende das seguintes ementas, destacadas dentre as inúmeras existentes sobre o tema: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 158.817, Relatora Conselheira Núbia Matos Moura, sessão de 24/04/2008) “LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. TRIBUTAÇÃO PRESUMIDA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA O procedimento da autoridade fiscal encontrase em conformidade com o que preceitua o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que se presume como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, em relação aos quais o titular pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações.” Fl. 7DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14751.000105/200846 Acórdão n.º 210101.482 S2C1T1 Fl. 232 8 (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 141.207, Relator Conselheiro Romeu Bueno de Camargo, sessão de 22/02/2006) Em sentido idêntico, este CARF consolidou o entendimento consubstanciado na Súmula n.º 26, segundo a qual “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada”, razão pela qual, também sob este prisma, não merecem prosperar as alegações do Recorrente. No presente caso, como o Recorrente não comprovou a origem dos depósitos bancários, o recurso deve ser negado. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 8DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10830.000012/2005-38
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000
PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B DO CPC.
TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. RENDIMENTO NÃO TRIBUTÁVEL. RESOLUÇÃO STF No 245. DIREITO A PARTIR DA RETENÇÃO INDEVIDA.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005.
Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4º, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em
um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após o pagamento
antecipado.
No caso, o pedido administrativo foi protocolado em 04/01/2005, e assim poderia versar sobre pagamentos efetuados após 04/01/1995. Como o objeto do pedido de restituição é imposto retido na fonte em 07/12/1999, há que se reconhecer que permanecia o direito à repetição do indébito.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9202-001.968
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. RENDIMENTO NÃO TRIBUTÁVEL. RESOLUÇÃO STF No 245. DIREITO A PARTIR DA RETENÇÃO INDEVIDA. O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4º, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após o pagamento antecipado. No caso, o pedido administrativo foi protocolado em 04/01/2005, e assim poderia versar sobre pagamentos efetuados após 04/01/1995. Como o objeto do pedido de restituição é imposto retido na fonte em 07/12/1999, há que se reconhecer que permanecia o direito à repetição do indébito. Recurso Especial do Procurador Negado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10830.000012/2005-38
anomes_publicacao_s : 201202
conteudo_id_s : 4876252
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 15 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-001.968
nome_arquivo_s : 920201968_10830000012200538_201202.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 10830000012200538_4876252.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
id : 4749910
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044360432451584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2182; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 84 1 83 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10830.000012/200538 Recurso nº 154.963 Especial do Procurador Acórdão nº 920201.968 – 2ª Turma Sessão de 15 de fevereiro de 2012 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LUIS CARLOS CÂNDIDO MARTINS SOTERO DA SILVA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. RENDIMENTO NÃO TRIBUTÁVEL. RESOLUÇÃO STF No 245. DIREITO A PARTIR DA RETENÇÃO INDEVIDA. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após o pagamento antecipado. No caso, o pedido administrativo foi protocolado em 04/01/2005, e assim poderia versar sobre pagamentos efetuados após 04/01/1995. Como o objeto do pedido de restituição é imposto retido na fonte em 07/12/1999, há que se reconhecer que permanecia o direito à repetição do indébito. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DA NTAS CARTAXO Processo nº 10830.000012/200538 Acórdão n.º 920201.968 CSRFT2 Fl. 85 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 23/02/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado) Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório O processo trata de pedido de restituição, protocolado em 04/01/2005, dos valores pagos a título de Imposto de Renda sobre rendimentos auferidos a título de 13° salário no anocalendário de 1999, retido a maior, em virtude da edição da Resolução n° 245, de 12 de dezembro de 2002, do Supremo Tribunal Federal que considerou de natureza indenizatória os reajustes concedidos ou incorporados à remuneração dos magistrados (fl. 1). Tanto a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem (fls. 04 a 05), quanto a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (fls. 19 a 23) indeferiram o pedido, por considerarem que já havia terminado o prazo de cinco anos para a repetição do indébito tributário, contado a partir do pagamento em 07/12/1999. De modo contrário, o Acórdão no 19200.055, da 2a Turma Especial do 1o Conselho de Contribuintes, julgado na sessão de 06 de outubro de 2008 (fls. 47 a 52), por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário para afastar a decadência do pedido de restituição e enviou os autos para que a DRJ de origem aprecie o mérito, por entender que a contagem do prazo decadencial para pleitear a restituição de tributo se inicia na publicação do ato administrativo que reconhece ser indevida a exação, no caso a Resolução n° 245, de 12 de dezembro de 2002, do Supremo Tribunal Federal. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF EXERCÍCIO: 2000 RENDIMENTO NÃO TRIBUTÁVEL. RESOLUÇÃO STF No 245. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DA NTAS CARTAXO Processo nº 10830.000012/200538 Acórdão n.º 920201.968 CSRFT2 Fl. 86 3 O sujeito passivo tem direito à restituição do imposto incidente sobre valores tidos como de caráter indenizatório, devendo exercer o seu direito no prazo de cinco anos contados da data do ato normativo que considerouo indevido. Decadência afastada. Cientificada dessa decisão em 06/04/2009 (fl. 53), a Fazenda Nacional manejou, em 07/04/2009, recurso especial de divergência (fls. 55 a 77), com fulcro no art. 7o, inciso II, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria no 147, de 25 de junho de 2007, atualmente previsto no art. 67 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Para a matéria em discussão, o recorrente apresentou o seguinte paradigma, alegando que o prazo para pleitear a restituição de indébito se inicia na data do pagamento indevido: Acórdão n° CSRF/0400.810 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ILL O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido Aduz o recorrente que o fato do tributo ter sido declarado inconstitucional, ou da Administração Tributária ter reconhecido a exação como indevida, não altera os ditames do art. 168, inciso I, do CTN, que define que o direito de pleitear a restituição se extingue após o prazo de 5 anos da data da extinção do crédito tributário, e do art. 156, inciso I, do CTN, que determina que o pagamento extingue o crédito tributário, o que faz com que o direito à repetição do indébito termine após 5 anos do pagamento indevido. Acrescenta que decidir de modo contrário equivale a declarar, de forma transversa, a inconstitucionalidade da lei, o que não é permitido ao CARF. O recurso especial foi admitido pelo despacho de fl. 79 do Presidente da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento. Devidamente cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional, o contribuinte não apresentou contrarrazões (fls. 82 a 83). É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DA NTAS CARTAXO Processo nº 10830.000012/200538 Acórdão n.º 920201.968 CSRFT2 Fl. 87 4 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Inicio transcrevendo os artigos do Código Tributário Nacional que regem o assunto: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: Fl. 94DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DA NTAS CARTAXO Processo nº 10830.000012/200538 Acórdão n.º 920201.968 CSRFT2 Fl. 88 5 I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Apesar da aparente simplicidade dessas normas, sabese que a discussão sobre o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa, que vem dividindo a doutrina e as jurisprudências administrativa e judicial há tempos. As divergências se iniciam na própria natureza desse prazo, sendo comum as decisões administrativas relacionarem sua perda ao instituto da decadência, e as judiciais, ao da prescrição, questão deixada em aberto nesse voto, por não possuir qualquer relevância com a solução adotada. De toda a discussão sobre o tema, três soluções prevaleceram no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. A primeira concede o prazo de cinco anos contado a partir do pagamento indevido e é o entendimento esposado pela Administração tributária. A interpretação decorre da determinação do art. 168, inciso I, do CTN, que ordena o início do prazo na data de extinção do crédito tributário, em conjunto com o art. 150, §1o, do CTN, que determina que o pagamento antecipado extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Como a extinção ocorre sob condição resolutória, ela opera efeitos imediatos, devendose considerar o crédito tributário extinto a partir do recolhimento. A segunda, também conhecida como “teoria dos 5+5”, reconhece o prazo de dez anos a partir do pagamento indevido, e foi o entendimento que terminou por prevalecer após longa discussão no Superior Tribunal de Justiça – STJ. Para se chegar a essa conclusão, considerouse que a extinção do crédito tributário só ocorre após a homologação do lançamento, que se não acontecer de forma expressa, darseá tacitamente após 5 anos do pagamento, quando se iniciaria novo período de 5 anos para o pedido de restituição. A terceira diz respeito apenas aos tributos declarados inconstitucionais com efeitos erga omnes, quando a contagem do prazo para a repetição do indébito se iniciaria após essa declaração, ou então após o reconhecimento pela Administração Tributária da exação como indevida, entendimento que prevalecia na 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e que foi adotado no acórdão recorrido. Tentando resolver esse impasse, a Lei complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, trouxe as seguintes determinações: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DA NTAS CARTAXO Processo nº 10830.000012/200538 Acórdão n.º 920201.968 CSRFT2 Fl. 89 6 Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Isto é, o novo ato legal buscou fazer interpretação autêntica do art. 168 do CTN, pois determinou sua aplicação a fatos pretéritos, por se considerar expressamente interpretativo (art. 106, inciso I do CTN), optando pela primeira solução acima descrita. Diante na inovação legislativa, o STJ concluiu que a nova norma não tinha caráter meramente interpretativo, pois afastava interpretação há muito consolidada, e passou a aplicar a nova regra inicialmente apenas para as ações ajuizadas após a data de vigência da nova lei, em 09 de junho de 2005, mas terminou fixando o entendimento de que o novel regramento se aplica apenas aos pagamentos ocorridos após essa data. Pacificando essa discussão, o Supremo Tribunal Federal – STF, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, em 11 de outubro de 2011, decidiu pela inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4o da Lei complementar nº 118, de 2005, mas definiu que a nova lei passa a ser aplicada para as ações ajuizadas a partir da data de sua vigência, em 09 de junho de 2005, como demonstra a ementa abaixo transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas Fl. 96DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DA NTAS CARTAXO Processo nº 10830.000012/200538 Acórdão n.º 920201.968 CSRFT2 Fl. 90 7 tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Como a decisão acima foi tomada na sistemática do art. 543B, § 3º, do CPC, os julgamentos do CARF devem adotar esse entendimento, por determinação do art. 62A do anexo II do RICARF. Entendo que, como o provimento judicial determina a manutenção da teoria dos 5+5 para as ação ajuizadas antes de 09 de junho de 2005, no âmbito do CARF, devemos utilizála para os pedidos administrativos protocolados antes dessa data, como é o caso do pedido sob análise, protocolado em 04 de janeiro de 2005. Penso que a adoção de uma interpretação extremamente literal, de que o entendimento não se aplicaria aos processos administrativos uma vez que o acórdão fala de ações judiciais, equivaleria a um descumprimento da essência da norma, que é o de garantir o direito à orientação consolidada no STJ para quem buscou exercer seu direito antes da vigência da nova lei. Outra questão relevante diz respeito ao fato do RE nº 566.621/RS ainda não ter transitado em julgado. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DA NTAS CARTAXO Processo nº 10830.000012/200538 Acórdão n.º 920201.968 CSRFT2 Fl. 91 8 De fato, em consulta ao sítio da Internet do STF na data deste julgamento, verificase que algumas pessoas entraram com questão de ordem e embargos infringentes, buscando retomar o entendimento do STJ de que a nova lei somente se aplicaria aos pagamentos ocorridos após sua vigência, o que estenderia seus efeitos para ações ajuizadas após essa época. Independentemente do difícil sucesso desses recursos, há que se observar que a Fazenda Nacional não recorreu contra a decisão, o que significa que ela transitou em julgado para a União. Assim, não é mais possível se alterar o entendimento de que ao presente caso deve se aplicar a teoria dos 5+5, pois a Fazenda Nacional não pode mais defender a retroatividade da Lei complementar nº 118, de 2005, e os recorrentes apenas desejam estender os efeitos da legislação anterior. Desse modo, creio ser fundamental a adoção do entendimento definitivo judicial sobre a matéria. Qualquer tentativa de se utilizar interpretação diversa feriria de morte a intenção do art. 62A do anexo II do RICARF, que busca a uniformização dos julgamentos administrativos e judiciais. Assim, no presente caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 04/01/2005, ele poderia versar sobre pagamentos efetuados após 04/01/1995. Como o objeto do pedido de restituição é imposto retido na fonte em 07/12/1999, há que se reconhecer que permanecia o direito à repetição do indébito. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, negar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Fl. 98DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DA NTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 16366.000296/2009-04
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). RECURSO
INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA.
O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de
primeira instância, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido
pelo colegiado ad quem, convolandose
em definitiva a decisão de primeira
instância quando não interposto o recurso cabível no prazo estabelecido.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3403-001.516
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não se
tomar conhecimento do recurso por intempestivo.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA. O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolandose em definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto o recurso cabível no prazo estabelecido. Recurso voluntário não conhecido.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 16366.000296/2009-04
anomes_publicacao_s : 201203
conteudo_id_s : 4941300
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3403-001.516
nome_arquivo_s : 3403001516_16366000296200904_221203.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : ROBSON JOSE BAYERL
nome_arquivo_pdf_s : 16366000296200904_4941300.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não se tomar conhecimento do recurso por intempestivo.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
id : 4750489
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044360445034496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1651; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 1 1 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16366.000296/200904 Recurso nº 919.333 Voluntário Acórdão nº 340301.516 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 22 de março de 2012 Matéria IPI Recorrente MOVAL MÓVEIS ARAPONGAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA. O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolandose em definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto o recurso cabível no prazo estabelecido. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não se tomar conhecimento do recurso por intempestivo. Antonio Carlos Atulim – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz e Raquel Brandão Motta Minatel. Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/03/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI, requerido nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779 e IN SRF 33/99, referente ao 4º trimestre/2004. A DRF Londrina/PR reconheceu integralmente o crédito pleiteado, porém, negou a incidência de atualização monetária pela taxa selic. Em manifestação de inconformidade o contribuinte sustenta o direito a tal consectário com fulcro no art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95, citando jurisprudência do CARF e do Superior Tribunal de Justiça. A DRJ Ribeirão Preto/SP julgou a manifestação improcedente, entendendo que a atualização monetária de ressarcimentos de créditos de IPI não encontra amparo legal. Em recurso voluntário o contribuinte reprisa os argumentos deduzidos na manifestação de inconformidade É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator A ciência da decisão administrativa guerreada ocorreu em 08/06/2011 (fl. 839), por via postal, com aviso de recebimento, sendo o apelo recursal protocolado apenas em 11/07/2011, quando já transcorrido interregno superior a 30 (trinta) dias desde a data da ciência, contado na forma dos arts. 5º e 23 do Decreto nº 70.235/72, prazo este encerrado em 08/07/2011. Tendo em conta a inobservância do prazo estipulado no art. 33 do mesmo diploma, resta indiscutível a perempção da peça interposta, faltando ao recurso um dos requisitos para sua admissibilidade, a saber, a tempestividade. Uma vez reconhecida a peça recursal como perempta, inviabilizado fica o exame da matéria questionada, motivo pelo qual voto por não conhecer do recurso voluntário. Robson José Bayerl Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/03/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16366.000296/200904 Acórdão n.º 340301.516 S3C4T3 Fl. 2 3 Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/03/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10320.004648/99-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ
Ano-calendário:1995,1996
EXCESSO DE ‘CUSTO ORÇADO’ – TRIBUTAÇÃO – NECESSIDADE O
contribuinte que aproveitar o benefício fiscal do ‘custo orçado’ previsto na IN SRF 84/79 deverá, ao final da obra, verificar se houve ‘excesso de custo orçado’ para que este seja oferecido à tributação.
SALDO DE CUSTO EFETIVO REMANESCENTE – ALOCAÇÃO – TRIBUTAÇÃO IN
SRF 84/79 Verificado saldo de custo efetivo ao término do empreendimento este deverá ser alocado na apuração do lucro
bruto do exercício em que ocorrer efetivamente a venda do imóvel, unidade do empreendimento.
LIMITAÇÃO À COMPENSAÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL EM 30% (trinta por cento) INCONSTITUCIONALIDADE – Súmula nº 2 do CARF
– O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária.
Numero da decisão: 1201-000.665
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso,nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - restituição e compensação
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano-calendário:1995,1996 EXCESSO DE ‘CUSTO ORÇADO’ – TRIBUTAÇÃO – NECESSIDADE O contribuinte que aproveitar o benefício fiscal do ‘custo orçado’ previsto na IN SRF 84/79 deverá, ao final da obra, verificar se houve ‘excesso de custo orçado’ para que este seja oferecido à tributação. SALDO DE CUSTO EFETIVO REMANESCENTE – ALOCAÇÃO – TRIBUTAÇÃO IN SRF 84/79 Verificado saldo de custo efetivo ao término do empreendimento este deverá ser alocado na apuração do lucro bruto do exercício em que ocorrer efetivamente a venda do imóvel, unidade do empreendimento. LIMITAÇÃO À COMPENSAÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL EM 30% (trinta por cento) INCONSTITUCIONALIDADE – Súmula nº 2 do CARF – O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10320.004648/99-91
anomes_publicacao_s : 201203
conteudo_id_s : 5142000
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-000.665
nome_arquivo_s : 1201000665_103200046489991_201203.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 103200046489991_5142000.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso,nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
dt_sessao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
id : 4750295
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044360459714560
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1419; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1‐C2T1 Fl. 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10320.004648/9991 Recurso nº 130234 Voluntário Acórdão nº 1201000.665 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2012 Matéria DILIGÊNCIA Recorrente MONUMENTAL CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1995,1996 EXCESSO DE ‘CUSTO ORÇADO’ – TRIBUTAÇÃO – NECESSIDADE O contribuinte que aproveitar o benefício fiscal do ‘custo orçado’ previsto na IN SRF 84/79 deverá, ao final da obra, verificar se houve ‘excesso de custo orçado’ para que este seja oferecido à tributação. SALDO DE CUSTO EFETIVO REMANESCENTE – ALOCAÇÃO – TRIBUTAÇÃO IN SRF 84/79 Verificado saldo de custo efetivo ao término do empreendimento este deverá ser alocado na apuração do lucro bruto do exercício em que ocorrer efetivamente a venda do imóvel, unidade do empreendimento. LIMITAÇÃO À COMPENSAÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL EM 30 % (trinta por cento) INCONSTITUCIONALIDADE – Súmula nº 2 do CARF – O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso,nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Processo nº 10320.004648/9991 Acórdão n.º 1201000.665 S1‐C2T1 Fl. 2 2 (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente (documento assinado digitalmente) João Carlos de Lima Junior Relator Participaram, do presente julgamento os Conselheiros Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Rafael Correia Fuso, João Carlos de Lima Junior, Marcelo Cuba Netto, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado), André Almeida Blanco (Suplente Convocado) Relatório Cuidase, originariamente, de autos de infração lavrados pelo Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em São Luis — MA, em nome da contribuinte MONUMENTAL CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES LTDA, para exigência de crédito tributário total equivalente a R$ 6.963.336,42 (seis milhões novecentos e sessenta e três mil trezentos e trinta e seis reais e quarenta e dois centavos), relativo a lançamentos de Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica — IRPJ (R$ 5.478.986,35), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL (R$ 1.265.660,50) e Contribuição ao Programa de Integração Social — PIS REPIQUE (RS 148.763,65), devidos nos exercícios de 1995 e 1996. Em sessão realizada aos 15 dias do mês de setembro de 2003, o então relator Celso Alves Feitosa converteu o julgamento do caso em diligência, buscando esclarecimentos pertinentes a boa apreciação da matéria em litígio. Em homenagem ao brilhantismo do trabalho, adotase integralmente o relatório então elaborado, redigido nos seguintes termos: Contra a empresa acima identificada foram lavrados os seguintes Autos de Infração, por meio dos quais são exigidas as importâncias citadas: IRPJ (fls. 01/30): R$ 1.982.277,92, mais acréscimos legais, totalizando um crédito tributário de RS 5.478.986,35; Contribuição Social (fls. 40/48): R$ 460.795,78, mais acréscimos legais, totalizando um crédito tributário de R$ 1.265.660,50; PIS Repique (fls. 49/55): R$ 53.232,39, mais acréscimos totalizando um crédito tributário de R$ 148.763,65. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 02/05, as exigências, relativas aos anoscalendário de 1995 e 1996, decorreram da constatação, pela fiscalização, das seguintes infrações: Processo nº 10320.004648/9991 Acórdão n.º 1201000.665 S1‐C2T1 Fl. 3 3 1) Excesso de 'custo orçado' sobre 'custo efetivo', apurado ao término de empreendimento imobiliário (glosa do excesso); 2) Inclusão de custo orçado após o término de empreendimento, com majoração indevida dos custos e redução do lucro; 3) Glosa de prejuízos compensados indevidamente por inobservância do limite de 30%; 4) Glosa de prejuízos compensados indevidamente, porque inexistentes (em decorrência de os resultados negativos apurados terem sido transformados em positivos, pela apuração das infrações). Impugnando o feito às fls. 655/677, a interessada alegou, em síntese: que a fiscalização tomou como data da conclusão do empreendimento ‘Edifício Monumental’ a data do “habitese” fornecido pela Prefeitura Municipal (03/04/1995) e, com base nesse fato, glosou custos relativos ao empreendimento a partir da data do ‘HABITESE’, com fundamento nas Instruções Normativas SRF 84/79, 23/83 e 67/88; que a conclusão do empreendimento não ocorreu na data do ‘HABITESE’, constatando se a continuidade da obra no anocalendário de 1996. Apresentou como prova: a) laudo técnico de engenharia (fls. 679/705), encomendado pela autuada, que conclui pela impossibilidade de conclusão do empreendimento na data do HABITESE, com base na diferença entre o custo efetivo e o custo teórico para o empreendimento apurado de acordo com dados técnicos de construção para a cidade de São Luis; b) a existência de aplicação de materiais e serviços, após a data do HABITESE até 31 de dezembro de 1996, no montante de RS 1.903.459,01, conforme denotam os registros contábeis referentes à conta 1.1.08.12 – ‘Obras Próprias’, Diário às fls. 310/430 e demonstrativo de fl. 707; c) laudo para o ‘HABITESE’ fornecido pelo Corpo de Bombeiros Militar, datado de 25/04/1997, referente ao empreendimento (fl. 708); d) informação do Corpo de Bombeiros Militar de que o ‘HABITESE’, fornecido pela Prefeitura Municipal, foi emitido irregularmente (doc. de fl.710); e) laudo técnico contábil, encomendado pela autuada (fls. 711/715), que, com base na análise das contas patrimoniais relacionadas à construção, ao custo e a venda do empreendimento, concluiu que não houve transgressão às disposições das Instruções Normativas SRF nºs 084/79, 023/83 e 067/88 e que, pela contabilidade, a conclusão do empreendimento não poderia ter ocorrido na data do ‘HABITESE’. que são inconstitucionais os dispositivos de lei que limitaram em 30% do lucro real a compensação de prejuízos fiscais, em face dos conceitos de renda, lucro e acréscimo patrimonial. Citou jurisprudência. Processo nº 10320.004648/9991 Acórdão n.º 1201000.665 S1‐C2T1 Fl. 4 4 Finalizando a impugnação, o autuado solicitou perícia para esclarecer a data do término do empreendimento em questão, identificando o perito e formulado os quesitos. A Delegacia de Julgamento baixou o processo em diligência. Às fls. 736/758 encontrase o Relatório de Diligência, o qual, à fl.. 757 (último parágrafo), afirma que: 'verificase, portanto, que todos os eventos acima relacionados e comprovados com a documentação ora juntada se entrelaçam de forma lógica e seqiienciada, e apontam de forma induvidosa no sentido de ratificar a data demarcatória do término da construção do Edifício Monumental para o dia 03 de abril de 1995 (HABITESE) ' (grifo do original). Na decisão recorrida (fls. 1.110/1.133), a 3ª Turma de Julgamento da D.R.J/Fortaleza — CE, por unanimidade de votos, declarou o lançamento procedente, assim concluindo: 'EXCESSO DE CUSTO ORÇADO SOBRE CUSTO EFETIVO. DATA DA CONCLUSÃO DO EMPREENDIMENTO. Para efeito de tributação por insuficiência de custo realizado, nos termos das Instruções Normativas da SRF nºs 84/79, 23/83 e 67/88, considerarseá como data de conclusão do empreendimento a data do ‘HABITESE’ fornecido pelo órgão público competente, sendo irrelevante a existência na contabilidade de custos incorridos após essa data'. Concluiu quanto à limitação à compensação de prejuízos fiscais em 30% do lucro real, que cabe à autoridade administrativa apenas promover a aplicação das normas nos estritos limites de seu conteúdo, uma vez que as leis ou atos normativos presumemse constitucionais ou legais. Estendeu o decidido às exigências reflexas. Às fls. 1.145/1.195 se vê o recurso voluntário, por meio do qual a autuada argumenta, em síntese: que, de modo geral, podese afirmar que toda a controvérsia gira em torno da data do término do empreendimento imobiliário ‘Edifício Monumental’, que, dogmaticamente, a fiscalização pretende ter como configurado em 03.04.95, quando foi expedido o ‘HABITE SE’ pela prefeitura municipal; que em sua defesa a Recorrente demonstrou a improcedência da exigência, argumentando que a conclusão da fiscalização tem por base a simples presunção de que a construção do empreendimento foi terminada em 03.04.95, contrariando a verdade material; que é irrecusável que a exigência fiscal assentase unicamente em indícios e presunções; que a fiscalização colacionou publicações e outros documentos referentes à inauguração do ‘Edifício Monumental ‘antes da conclusão de sua construção, observando que a Recorrente não foi intimada a se manifestar sobre tais documentos; que a 'inauguração' na qual se baseia o Fisco, que não se traduz necessariamente em conclusão da construção, teve por objetivos: a)entregar aos promitentes compradores as unidades já prontas, transferindo para eles as despesas condominiais, além de evitar Processo nº 10320.004648/9991 Acórdão n.º 1201000.665 S1‐C2T1 Fl. 5 5 multas por mora na satisfação da respectiva obrigação; b) favorecer a venda das unidades ainda não comercializadas; que a decisão recorrida afirmou que 'após a data do habitese se verificam lançamentos referentes à ampliação das obras do empreendimento', afirmação que a Recorrente refuta veementemente, aduzindo que tal fato não foi objeto do libelo, constituindo assim inovação da lide e dando causa à nulidade da decisão; que não se tratou de ampliação, porque ao custo de R$ 5.570.544,49, como quer a fiscalização, o empreendimento não poderia estar concluído em 03.04.95, pois isto representaria o custo de RS 229,44 por metro quadrado de área construída, enquanto naquele período o valor do custo de construção comercial para São Luis era de RS 348,98, segundo as pesquisas da ‘ Revista Construção Norte/Nordeste’'; que, de acordo com o DecretoLei n" 486/69, há .força probatória na escrituração dos livros comerciais, se mantidos com observância das formalidades legais. Cita doutrina Neste ponto, passa a discorrer, em longo arrazoado, sobre o principio da verdade material, com citação de doutrina. Retoma a contestação direta da exigência, afirmando: que, acerca especificamente do suposto 'excesso de custo orçado' e da sua indevida apropriação ao custo do empreendimento, após 03.04.95, consultou respeitados tributaristas, que emitiram parecer; comprovando que a obra efetivamente terminou; que não tem consistência jurídica à exigência fiscal a titulo de glosa de compensação de prejuízos fiscais inexistentes e de compensação acima de 30% do lucro real, e que não é verdade que a Recorrente, em sua impugnação, não infirmou o lançamento na parte da inexistência de prejuízos fiscais; que, na realidade, a Recorrente impugnou a tese fiscal de que não houve continuidade da obra após 03.04.95 e, como durante a obra o prejuízo aferido é todo originário da apuração do custo orçado, então durante a obra é óbvio que houve sim prejuízo, só que foi abatido dos custos; que, portanto, não há como invocar a regra do art. 17 do Decreto n° 70.235/72 para entender preclusa a matéria; que não concorda com a conclusão de que a decisão de primeira instância não poderia deixar de aplicar norma que viola preceito constitucional; cita jurisprudência. que é inconstitucional a limitação á compensação de prejuízos fiscais. Requer, ao final, que: a) seja anulado o v. acórdão que julgou procedente o Auto, em face dos vícios de cerceamento de defesa tais como indeferimento da perícia, falta de audiência da Processo nº 10320.004648/9991 Acórdão n.º 1201000.665 S1‐C2T1 Fl. 6 6 autuada para se manifestar sobre documentos juntados ao processo pela fiscalização após a defesa e inovação do feito; b) ou, caso tal pedido preliminar não seja atendido, seja reformada a douta decisão recorrida para julgar improcedente o lançamento. Às fls. 1.204/1.206, relação de bens e direitos para arrolamento, em substituição ao depósito recursal. É o relatório. Em seu voto, com muita propriedade, o nobre Conselheiro recomendou a realização de nova diligência visando "evitar dupla incidência de Impostos e Contribuições sobre a mesma base de cálculo e em face de possível ocorrência de postergação quanto ao período de competência. Para tanto, formulou os seguintes quesitos que entendeu essenciais para elucidação da lide: a) saber qual foi o tratamento contábil e fiscal dado nos anoscalendário de 1996 e 1997, para a diferença entre o custo orçado e custo efetivo que foi excluído do lucro liquido para a determinação do lucro real, no ano calendário de 1995; b) confrontar os valores escriturados no LALUR, da diferença apontada, como os valores constantes da declaração de rendimentos do exercício de 1996, anocalendário de 1995; c) saber se houve inexatidão quanto ao período de competência ou postergação de pagamento de imposto; Em resposta à diligência recomendada, foi elaborado pelo Setor de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em São Luis, em atendimento Resolução nº 10102.387, relatório que responde às questões formuladas, nos termos a seguir resumidos: Questão A (...) a diferença entre o Custo Orçado e Custo Efetivo, apurado em 1995, consta de duas parcelas distintas: uma, acumulado até abril/95, que redundou num valor de Excesso de Custo Orçado sobre Custo Efetivo no valor de R$ 1.978.225,98; e a outra, entre maio/95 a dezembro/95, que atingiu o valor de R$ 2.084.899,08 (...). Vêse, portanto, que as duas parcelas de EXCESSO de Custos Orçados sobre os Custos Efetivos, apurados pelo Fisco no AnoCalendário de 19995, totalizaram o valor de R$ 4.063.125,06 (...). 0 tratamento contábil e fiscal dado a esse EXCESSO nos AnosCalendário de 1996 e 1997 foi o de distribuílos indevidamente na apuração dos resultados nesses dois Anos Calendário, ou seja, foi o motivo determinante dos sucessivos prejuízos apurados a partir da então, como mais adiante se comenta de forma mais especifica e se demonstra mais Processo nº 10320.004648/9991 Acórdão n.º 1201000.665 S1‐C2T1 Fl. 7 7 uma vez, através de reprodução histórica dos resultados negativos em tão apurados (prejuízos reiterados). (...) não poderia a empresa continuar a usufruir de tal beneficio, vez que a legislação não permite, após a conclusão do empreendimento onde foi utilizado tal modalidade e custeamento, a continuidade de alocação de Custos Orçados. A partir do término do respectivo empreendimento, a empresa deverá voltar ao sistema tradicional de alocação dos Custos Efetivos, a não ser que venha a iniciar novo empreendimento em que deseje e possa utilizarse da faculdade prevista na INSRF nº 84/79 e normas correlatas. (...) E, ainda, a fiscalização argumentou no sentido de que a empresa passou a utilizar indevidamente a fórmula de agregar valores de Custos Orçados e logo em seguida corrigir tais Custos, fazendo erigir uma ‘montanha de custos incorridos’ estimados, inexistentes, que teve como conseqüência a geração de prejuízos sistemáticos, como reiteradamente comentado e demonstrado. (...)Questão B A empresa não efetuou nenhum ajuste, nem na sua escrituração comercial, nem na fiscal, mormente no LALUR, que ensejasse a retificação dos erros apurados na Auditoria Fiscal, e que tivesse como conseqiiência o oferecimento à tributação do IRPJ e da CSLL, no que tange as diferenças então detectadas. É de ser enfatizado, por oportuno, que qualquer alteração que a empresa tente fazer — seja na escrituração comercial/fiscal, ou no informe à SRF — tais elementos devem ser apreciados à luz dos fatos discutidos no âmbito da Auditoria Fiscal encetada a época, pois ao ser iniciado o procedimento fiscal, a empresa perde a espontaneidade para prática de atos que visem alterar aquela situação posta naquele momento, perfeitamente delimitada no tempo e circunscritas as espécies tributárias sub exame. (...)Arrematando, pois, a resposta a Questão b, vêse de forma cristalina que a empresa não procedeu a qualquer alteração a sua escrituração contábil/fiscal, para retificação das irregularidades detectadas, como tantas vezes já se comentou nesta peça relatorial. (...)Questão C No caso presente, com a devida vênia, não há que se falar em inobservância quanto ao regime de escrituração, pois que se trata de um caso especial de escrituração de custos e de receitas, para fins de apuração de resultado — utilização do Custo Orçado — que torna desinteressante para a empresa utilizar de procedimentos quanto à inexatidão dos fatos quanto a período de competência ou de postergação de imposto. (...)Não há que se falar, portanto, no caso vertente, em Diferimento de Lucro e/ou Postergação do Imposto, pois, para que isto se revele, é necessário que o tributo diminuído em um período seja evidenciado em momento seguinte, para ser adicionado ao devido, ocorrendo, portanto, apenas mudança no momento da apuração. No caso em tela isso não poderia ocorrer materialmente, pois a empresa não só evitava a ocorrência de base positiva no primeiro momento, ao tempo em que também evitava o surgimento de base positiva em um segundo momento, num carrossel de resultados negativos que se Processo nº 10320.004648/9991 Acórdão n.º 1201000.665 S1‐C2T1 Fl. 8 8 sucediam sistematicamente. Isso, principalmente, porque utilizava indevidamente Custos Orçados, após o término da obra em comento, quando não poderia mais fazêlo, como ficou repetidamente demonstrado em linhas anteriores (...). Instada a se manifestar, a Recorrente preliminarmente alega que a diligência ultimada foge de suas finalidades por supostamente apresentar conteúdo de libelo acusatório e, no mérito, repisa suas razões de recorrer, pleiteando sua desconsideração e a improcedência do lançamento combatido. Após diligência retornaram os Autos a este Conselho, oportunidade em que os membros da primeira câmara do primeiro conselho de contribuintes, resolveram, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em nova diligência, nos termos do voto que segue: Não há dúvidas quanto à tempestividade e o preenchimento das condições de admissibilidade, já tendo sido admitido e conhecido o Recurso Voluntário. Conforme se depreende de todo trâmite processual, a princípio, a matéria discutida tem como ponto central o real momento de conclusão das obras relativas ao empreendimento imobiliário "Edifício Monumental" e as conseqüências advindas para a apuração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e outros tributos. Todavia, vale repetir, visando "evitar dupla incidência de Impostos e Contribuições sobre a mesma base de cálculo e em face de possível ocorrência de postergação quanto ao período de competência", o nobre Conselheiro Celso Alves Feitosa em sessão realizada em 29 de janeiro de 2003, requereu a realização de nova diligência solicitando fossem esclarecidos os questionamentos então formulados, acima transcritos. Com relação ao tratamento contábil e fiscal dado nos anoscalendário de 1995, 1996 e 1997 referentes às diferenças entre os custos orçados e efetivos do empreendimento, objeto do primeiro quesito o qual pode ter gerado a postergação do pagamento de imposto, o relatório de diligência não foi claro, dificultando à análise deste colegiado! Na verdade, o diligente foge ao objetivo central do quesito, certamente de extrema importância para a boa apreciação do caso concreto, de modo a ser pontualmente esclarecido se houve inexatidão quanto ao período de competência ou postergação de pagamento do imposto. a) Quais foram os valores dos custos orçados e efetivos do empreendimento nos anos calendários de 1995, 1996, 1997 e se houve a ocorrência de custos efetivos nos anos calendários subseqüentes (1998, 1999 e 2000)? b) Quais foram os efeitos dos custos orçados e efetivos do empreendimento na apuração do Lucro Real dos referidos anos calendários e se houve inexatidão quanto ao reconhecimento dos custos pelo período de competência, havendo assim a postergação da apuração e pagamento dos impostos? Processo nº 10320.004648/9991 Acórdão n.º 1201000.665 S1‐C2T1 Fl. 9 9 Ao final, deverá ser lavrado termo consubstanciado dos trabalhos de diligência, cientificandose o contribuinte para se desejar manifestarse no prazo de 30 dias. É como voto. A diligência solicitada foi realizada e, em resposta ao item 1 do questionamento formulado por este Conselho, temos as conclusões que seguem: a) Em 04/1995, data esta considerada pelo fiscal como sendo a data da conclusão do empreendimento, verificouse os seguintes custos: “CUSTO ACUMULADO ORÇADO, valor R$ 7.548.770,47; CUSTO ACUMULADO EFETIVO, valor R$ 5.570.544,49; CUSTO REALIZADO ACUMULADO (unidades vendidas), valor R$ 4.228.562,92. b) Observouse, ainda, que: “nos anos de 1998, 1999 e 2000 não ocorreram lançamentos a custos efetivos”. c) Portanto, neste ponto, a fiscalização concluiu que: (...) ao término do empreendimento o "Custo Realizado (Und.Vendidas) Acumulado" é inferior ao "Custo Acumulado efetivo" em R$ 1.341.981,57, este é o saldo que falta para o custo efetivo do empreendimento ser atingido. De modo que até este valor, considerar seá ser possível apropriar novos custos aos imóveis vendidos. Quando o valor for superado, será considerado excesso de custo (...) Ademais, em resposta ao item 2 do mesmo questionamento, temos que: (...) no cotejo entre os valores apresentados pela fiscalização originária e os valores apresentados nesta diligência que há uma divergência nos meses 05/1995, 06/1995, 07/1995, 08/1995 e 09/1995. 0 motivo para a divergência esta relacionado à glosa dos custos orçados. Na fiscalização a glosa começou no mês seguinte ao término da obra, conforme campo ´excesso de custo – Fiscalização´, enquanto que esta diligência considerou, antes de iniciar a glosa, o saldo de custos a ser apropriado de R$ 1.341.981,57(...), este saldo equivale a diferença entre custo total do empreendimento e custo das unidades vendidas, de modo que este saldo de custo será amortizado pelo "excesso de custo orçado" até ser zerado, esta amortização deuse nos meses de maio a setembro de 1995. (...) Deste modo, independentemente de a empresa continuar a utilizarse dos custos orçados com o intuito de diminuir o lucro bruto e conseqüentemente os tributos a pagar, em detrimento da legislação tributaria, não procedemos à glosa com intuito de evitar a dupla incidência de tributo nos meses de maio a setembro de 1995, visto que ainda existe custo a ser absorvidos pelas unidades vendidas. Processo nº 10320.004648/9991 Acórdão n.º 1201000.665 S1‐C2T1 Fl. 10 10 Ao considerar apenas os custos orçados sem levar em conta os valores apropriados aos custos das unidades após o término do empreendimento os valores apurados na constituição do lançamento tributário apresentaram algumas distorções. (...) Foi apurado, portanto, que houve “divergência nos valores tributáveis de maio a setembro de 1995, (...)”, restando evidente que “houve redução indevida do lucro real no período em que a empresa utilizou indevidamente valores de “custo orçado”, quando não mais poderia fazêlo. Nesse passo, a empresa Recorrente, diante do novo relatório de diligência e inconformada com as conclusões alcançadas, apresentou contra razões, com as seguintes argumentações preliminares: que o relatório é nulo em razão de desvio de finalidade, caracterizado pelo servidor (diligente) ao emitir juízo pessoal de valor em relação aos argumentos e à matéria da defesa; que, no caso em tela, foram verificadas “informações fiscais”, previstas no artigo 19 do Decreto 70.235/72, as quais foram revogadas pela Lei nº. 8745/93. Afirmou, ainda, que as mencionadas “informações ficais” foram mascaradas pelos dois relatórios de diligência acostados aos autos, de forma a trazer ao processo o juízo tendencioso de auditores fiscais; que, considerado válido o reexame dos elementos utilizados no lançamento à vista das provas produzidas pela empresa Recorrente e de outras pesquisas realizadas, não seja permitida admissão de envolvimento com o mérito da causa com apresentação de juízo pessoal de valor do agente da Receita Federal, que quase nada de útil acrescentou ao deslinde do caso. No mérito, argumenta que o ponto central da discussão está na determinação da data de conclusão da obra, já que se esta não ocorreu em 04/1995, não há que se falar em infração, tornandose indevida a cobrança do crédito tributário lançado. Reafirmou, ainda, todos os pontos abordados ao longo da contestação do lançamento. Por fim, requereu a declaração da nulidade de ambos os relatórios de diligência em face do desvio de finalidade e dos demais vícios que violam o princípio do devido processo legal, bem como o reconhecimento da verdade material do caso que denota não ter ocorrido infração à legislação tributária, já que os custos apropriados correspondem ao período real de duração das obras até o término do empreendimento. É o relatório. Processo nº 10320.004648/9991 Acórdão n.º 1201000.665 S1‐C2T1 Fl. 11 11 Voto Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Relator Por ser tempestivo admito o Recurso Voluntário e dele tomo conhecimento nos seguintes termos. Tratase de procedimento fiscal instaurado com a finalidade de apurar possíveis débitos de IRPJ, CSLL e PIS Repique decorrentes da não tributação de valores incorridos em razão do aproveitamento do benefício fiscal (custo orçado) previsto na Instrução Normativa SRF de nº. 84/79. Do procedimento fiscal instaurado, constatouse que o valor referente ao excesso de custo orçado apurado ao término do empreendimento, que para a fiscalização ocorreu em 03/04/1995, não foi oferecido à tributação, bem como que houve inclusão indevida de custo orçado após o término do empreendimento. A empresa Contribuinte, por meio de Recurso Voluntário, argumentou no sentido de que os valores apurados pela fiscalização são improcedentes, pois foram baseados em simples presunções, contrariando a verdade material e, afirma que a conclusão da obra não se deu na data da expedição do ‘habitese’, mas sim em momento posterior. Temse do narrado que o cerne da questão está na determinação da data em que se deu a conclusão do empreendimento. Da análise dos autos, verificase que o ‘habitese’ do empreendimento em questão foi expedido em 03 de abril de 1995. Não há dúvida de que o ‘habitese’ é documento que pode determinar a data de conclusão da obra para efeito das disposições da Instrução Normativa SRF n° 084/79, constituindose em prova material, pois é um documento oficial, expedido pelas Prefeituras Municipais, autorizando o uso do empreendimento à finalidade para a qual foi planejado. Ocorre que, este representa forte indício de conclusão do empreendimento, porém não suficiente para, por si só, atestar a conclusão de um empreendimento e isto porque há possibilidade de expedição do ‘habitese’ para empreendimento que ainda necessitem de continuidade de obras específicas. Assim, para concluirmos o momento do encerramento da obra, além do ‘habitese’ é necessário analisar o conjunto probatório acostado nos presentes autos. Processo nº 10320.004648/9991 Acórdão n.º 1201000.665 S1‐C2T1 Fl. 12 12 Da análise dos autos, encontramos o seguinte conjunto probatório: (1) Em 03 de abril de 1995 foi expedido o HABITESE, que tomou o n° 0063, como consta do próprio documento e das correspondências encaminhadas Receita Federal (fls.70 e 812 a 814); (2) em 11 de maio de 1995, foi comunicado pela empresa ao Cartório de Registro de Imóveis a conclusão do prédio ao mesmo tempo em que solicitava a averbação da construção das unidades autônomas, na forma da Lei n° 4591/64 ( Lei dos Condomínios e Incorporações ). Todas as averbações possuem a data de 11 de maio de 1995, conforme documentos encaminhados pelo Cartório ( fls. 978 a1. 033); (3) em 13 de junho de 1995, foi realizada a 1ª (primeira) Assembléia Geral de condôminos para instituição da Administração do " Condomínio do Edifício Monumental" como já estava previsto na Cláusula 22a da Convenção (fls.1.033); (4) em 04.04.95 o Condomínio, procedeu ao seu cadastramento junto ao CNPJ, antigo CGC, junto ao Ministério da Fazenda, conforme extrato eletrônico desse sistema ora juntado (fls. 859); (5) em 02 de maio de 1995, procedeu então o Condomínio aos primeiros registros de empregados, que foram em número de 6(seis); e, no mês de julho seguinte, registrou mais 4(quatro), conforme fotocópias de Fichas de Registro de Empregados ora anexadas ( 862 a 871); (6) em 17 de janeiro de 1995, foi feita a primeira Ligação de energia elétrica, junto A. Companhia de Energia Elétrica do Maranhão CEMAR, para o próprio Condomínio do Edifício Monumental, que recebeu o n° de Matricula 9901309 5, no sistema de Cadastro, cuja folha de extrato de "Cadastro de Consumidores" ora juntamos, anexandoa ao correspondente Pedido de Ligação de n° 77401. Em seguida, principalmente no mês de abril/95 e meses imediatamente seguintes, foram feitas as primeiras ligações para as unidades autônomas, conforme documentos ora anexados e já referidos em tópico anterior ( fls. 821 e 822); (7) em 11 de maio de 1995, foi concedido o CND do INSS, e encaminhado ao Registro de Imóveis pela empresa, como prérequisito para fins de averbação(fls.1.014). Portanto, todos os eventos trazidos aos autos pela fiscalização e acima relacionados se entrelaçam de forma lógica e seqüenciada, apontando de forma induvidosa, a data de 03 de abril de 1995 como sendo demarcatória do término da construção do Edifício Monumental, Processo nº 10320.004648/9991 Acórdão n.º 1201000.665 S1‐C2T1 Fl. 13 13 ratificando, ainda, que a conclusão do empreendimento se deu na data da expedição do ‘habite se’. Entretanto, a empresa Recorrente defende a posição de que o empreendimento foi concluído em dezembro de 1997, razão pela qual a expedição do ‘habitese’, no presente caso, não coincide com a data efetiva do término de obra. Afirma, ainda, que a conclusão da fiscalização está baseada em meras presunções, contrariando a verdade material e ressalta que a contabilidade registra, no período de maio de 1995 a dezembro de 1996, a aplicação de R$1.903.459,01 (hum milhão, novecentos e três mil e quatrocentos e cinqüenta e nove reais e um centavo) em materiais e serviços para a execução de obras de construção do Edifício Monumental e que estes gastos caracterizam a continuidade da obra e, portanto, a ocorrência de custos orçados após a data de 03 de abril de 1995. No entanto, a Recorrente não comprova o que argüi na tentativa de demonstrar que o término da obra se deu apenas em dezembro de 1997. Em verdade, temse da fiscalização realizada que não houve sequer despesas com mão de obra em data posterior a abril de 1995. Da contabilidade verificada, constatouse que após abril de 1995, houve lançamentos a débito apenas na conta— MATERIAL APLICADO, com lançamentos até dezembro de 2006, ou seja, se a obra não acabou em abril de 1995, como quer fazer crer a autuada, na contabilidade deveriam existir lançamentos relativos à mãode obra, seja ela própria (conta SALÁRIOS E ORDENADOS) ou terceirizada (conta SERVIÇO DE TERCEIROS), o que não ocorre. Ora, se a obra foi conclusa apenas em dezembro de 1997, seria imprescindível a existência de despesas com contratação mão de obra para execução da obra, pois é item fundamental em qualquer construção civil. Diante de todo o exposto e do conjunto probatório acostado aos autos, temos que a conclusão alcançada a partir do procedimento fiscal é acertada e corresponde à verdade dos fatos ao afirmar que a conclusão do empreendimento se deu em 03 de abril de 1995. Portanto, a conclusão alcançada na fiscalização inicial foi acertada, pois atende ao disposto na Instrução Normativa SRF 84/79, que exige que na data da conclusão da obra deve ser apurada a diferença entre o valor do custo orçado acumulado e o valor do custo efetivo acumulado e, em sendo o valor do custo orçado superior ao do custo efetivo, a diferença deverá ser oferecida à tributação. Nesse sentido dispõe os itens 18.1 e 18.3 da IN 74/89: Processo nº 10320.004648/9991 Acórdão n.º 1201000.665 S1‐C2T1 Fl. 14 14 18.1 – Para fins tributários, o contribuinte deverá determinar a relação percentual existente entre a insuficiência de custo (subitem 15.3) e o total do orçamento, incluídos neste os respectivos acréscimos. 18.3 – A insuficiência de custo realizado, superior a 15% do total do orçamento será objeto de um dos tratamentos constantes das divisões do presente subitem, prescritos em função da época ou épocas do reconhecimento do lucro bruto e da data da conclusão do empreendimento. Outrossim, apesar de induvidosa a data do término do empreendimento, no decorrer do presente processo administrativo, especificamente, a partir da última diligência fiscal realizada, surgiu nova questão acerca do tratamento contábil a ser dado ao custo efetivo acumulado ao final da obra, ou seja, em relação à apropriação do custo efetivo após o término da obra, em razão da existência de unidades ainda não vendidas, pois a conclusão no relatório de diligência se deu nos seguintes termos: (...) em abril de 1995, ao término do empreendimento, extraemse os seguintes custos: ‘Custo Acumulado Orçado’ o valor de R$ 7.548.770,47; ‘Custo Acumulado efetivo’ de R$ 5.570.544,49; ‘Custo Realizado (Und.Vendidas) Acumulado’ o valor de R$ 4.228.562,92. A tabela vai até 12/1997, nos anoscalendário 1998, 1999 e 2000 não existem lançamentos relativos a custos efetivos. (...) E, ainda: Se ao término do empreendimento o ‘Custo Realizado (Und.Vendidas) Acumulado’ é inferior ao ‘Custo Acumulado efetivo’ em R$ 1.341.981,57, este é o saldo que falta para o custo efetivo do empreendimento ser atingido. De modo que até este valor, considerarseá ser possível apropriar novos custos aos imóveis vendidos. Quando o valor for superado, será considerado excesso de custo (...) Ademais, consignou: (...) pode ser verificado no cotejo entre os valores apresentados pela fiscalização originária e os valores apresentados pela nesta diligência que há uma divergência nos meses 05/1995, 06/1995, 07/1995, 08/1995 e 09/1995. 0 motivo para divergência esta relacionado à glosa dos custos orçados. Na fiscalização a glosa começou no mês seguinte ao término da obra, enquanto que esta diligência considerou, antes de iniciar a glosa, o saldo de custos a ser apropriado de R$ 1.341.981,57 (...), este saldo equivale a diferença entre custo total do empreendimento e custo das unidades vendidas, de modo que este saldo de custo será amortizado pelo "excesso de custo orçado" até ser zerado, (...). Por todo o exposto e da análise do presente processo administrativo, extraise que o resultado da última diligência foi acertado ao verificar a existência de diferença do custo efetivamente aproveitado até a data do término do empreendimento em relação ao custo efetivo Processo nº 10320.004648/9991 Acórdão n.º 1201000.665 S1‐C2T1 Fl. 15 15 total da obra, constatando, portanto, a existência de saldo remanescente de custo efetivo a ser aproveitado após a conclusão da obra. A fiscalização considerou que o valor do custo acumulado realizado (unidade vendida), na data da conclusão da obra (04/1995), era inferior ao custo total do empreendimento, razão pela qual remanescia suposto valor a ser amortizado do montante do excesso de custo orçado referente aos meses de maio a dezembro de 1995, em razão das unidades a serem vendidas após a conclusão do empreendimento. No entanto, ao recalcular o excesso de custo orçado, a fiscalização equivocase ao determinar a alocação do saldo remanescente de custo efetivo a ser aproveitado nos meses subseqüentes ao término da obra até ser zerado. Portanto, a conclusão da última diligência não merece prosperar em relação à alocação do saldo remanescente de custo efetivo, devendo permanecer o valor do débito lançado em razão do auto de infração fundamentado pela fiscalização inicial, pois se resta saldo de custo a ser considerado no reconhecimento e apuração do lucro bruto, este deveria ocorrer de maneira proporcional, ou seja, conforme efetivação da venda dos imóveis e não nos meses subseqüentes à conclusão até seu esgotamento, sem qualquer fundamentação. E para ratificar o entendimento defendido cumpre mencionar o item 11.1 da Instrução Normativa 84/79 que dispõe: Na venda a vista de unidade concluída, o lucro bruto será apurado e reconhecido, no resultado do exercício social, na data em que se efetivar a transação E, ainda, o item 10.1: Considerase efetivada ou realizada a venda de uma unidade imobiliária quando contratada a operação de compra e venda, ainda, que mediante instrumento de promessa, carta de reserva com principio de pagamento ou qualquer outro documento representativo de compromisso, ou quando implementada a condição suspensiva que estiver sujeita a venda Portanto, não merece prosperar o resultado trazido pela mencionada fiscalização, pois amortizou suposto saldo de custo efetivo sem obediência a determinação legal. Em verdade, assim como na fiscalização inicial, a última diligência fiscalizatória equivocouse ao alocar o custo acumulado efetivo remanescente em razão das unidades ainda não vendidas na data do término da obra. Processo nº 10320.004648/9991 Acórdão n.º 1201000.665 S1‐C2T1 Fl. 16 16 No entanto, mesmo que se pretendesse fazêlo conforme orienta a Instrução Normativa, não há elementos nos autos que permitam a verificação do momento em que foi efetivada a venda dos imóveis remanescente após a conclusão do empreendimento. E, tornase fundamental esclarecer que a contribuinte, ora Recorrente, não impugnou a questão trazida pela fiscalização em Impugnação, nem em Recurso Voluntário ou sequer nas manifestações acerca das três diligências realizadas no decurso do processo administrativo. Tanto em sede de Impugnação, como no Recurso Voluntário, esta argumenta apenas questões relacionadas à data do término do empreendimento. Por fim, em relação ao argumento trazido pela Recorrente acerca da inconstitucionalidade da limitação da compensação do prejuízo fiscal em 30% (trinta por cento), esclareço que este Conselho não é competente para manifestarse sobre matéria de inconstitucionalidade de lei, conforme súmula nº 2 do CARF que dispõe: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária”. Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10665.000810/2006-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA
APRECIAÇÃO.
As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de
inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder
Judiciário.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE DE 30% DO LUCRO.
Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas
Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário
de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta
por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da
compensação da base de cálculo negativa. (Súmula CARF nº 3)
MASSA FALIDA. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA.
A multa de ofício e os juros de mora exigidos em lançamento fiscal decorrem
de disposição legal, não havendo norma tributária que os dispense, no caso de
empresas em estado falimentar, na fase de constituição do crédito tributário.
Numero da decisão: 1102-000.710
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE DE 30% DO LUCRO. Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. (Súmula CARF nº 3) MASSA FALIDA. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. A multa de ofício e os juros de mora exigidos em lançamento fiscal decorrem de disposição legal, não havendo norma tributária que os dispense, no caso de empresas em estado falimentar, na fase de constituição do crédito tributário.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10665.000810/2006-08
anomes_publicacao_s : 201204
conteudo_id_s : 4993628
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1102-000.710
nome_arquivo_s : 110200710_10665000810200608_201204.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : João Otávio Oppermann Thomé
nome_arquivo_pdf_s : 10665000810200608_4993628.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
id : 4750802
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044360491171840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1933; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 355 1 354 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.000810/200608 Recurso nº 158.868 Voluntário Acórdão nº 110200.710 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de abril de 2012 Matéria IRPJ. Recorrente COMPANHIA INDUSTRIAL ITAUNENSE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE DE 30% DO LUCRO. Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. (Súmula CARF nº 3) MASSA FALIDA. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. A multa de ofício e os juros de mora exigidos em lançamento fiscal decorrem de disposição legal, não havendo norma tributária que os dispense, no caso de empresas em estado falimentar, na fase de constituição do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10665.000810/200608 Acórdão n.º 110200.710 S1C1T2 Fl. 356 2 Documento assinado digitalmente. Albertina Silva Santos de Lima Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Plínio Rodrigues Lima, e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Contra a empresa acima qualificada foram lavrados Autos de Infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 2 a 10) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls 13 a 18), perfazendo um crédito tributário no montante de R$ 3.943.511,60, aí já incluídos os juros de mora e a multa de ofício de 75%. Consoante a descrição dos fatos integrante dos respectivos lançamentos, a autuação decorre da inobservância do limite de compensação de 30% para a compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e bases de cálculo negativas (CSLL). Cientificada dos lançamentos, a empresa apresentou impugnações aos lançamentos do IRPJ (fls. 167 a 184) e da CSLL (fls. 207 a 232), alegando, em síntese, o seguinte: a) nulidade da autuação por incorreta qualificação do autuado; b) possibilidade de compensação integral dos prejuízos fiscais acumulados, bem como das bases de cálculo negativas da CSLL; c) inconstitucionalidade da Medida Provisória nº 812, de 1994 (Lei nº 8.981, de 1995) que impôs limites à compensação mesmo havendo lucro no período, e da Lei nº 9.249, de 1995, que segregou a economia da pessoa jurídica para só permitir a compensação de prejuízos não operacionais com lucros não operacionais; d) violação aos princípios da irretroatividade, da anterioridade nonagesimal, e do direito adquirido; e) impossibilidade da aplicação da multa na massa falida, com base nas Súmulas 192 e 565 do Supremo Tribunal Federal; f) afronta ao princípio do não confisco, pela multa aplicada; Fl. 448DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10665.000810/200608 Acórdão n.º 110200.710 S1C1T2 Fl. 357 3 g) impossibilidade de cobrança de juros moratórios no caso, posto que, em processo falimentar, apenas se autoriza a incidência dos juros de mora se o ativo for suficiente para o pagamento do principal; h) ilegalidade e inconstitucionalidade da taxa Selic como juros de mora; i) ao final, requer a nulidade dos autos de infração, a extinção dos créditos tributários exigidos, a garantia ao direito de apresentação de outros documentos e produção de outras provas, e, no caso da CSLL, que seja sobrestada a cobrança até a decisão pelo Pleno do STF no recurso extraordinário nº 344.944, que discute a matéria em questão. A 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG rejeitou as alegações de nulidade do auto de infração e de inconstitucionalidade de lei, o pedido de extemporânea apresentação de documentos e produção de provas, e, no mérito, considerou integralmente procedentes os lançamentos efetuados e seus acréscimos legais, conforme Acórdão 0213.676, fls. 271 a 279. Cientificada desta decisão em 17.04.2007, conforme AR de fls. 282, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 17.05.2007, fls. 284 a 353, no qual, em síntese, reprisa os mesmos argumentos já expostos por ocasião da inicial, à exceção da alegação de nulidade por incorreta qualificação do autuado, não renovada. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Alega a recorrente o seu direito à compensação integral dos prejuízos fiscais e das das bases de cálculo negativas da CSLL acumuladas, ao fundamento de inconstitucionalidade das leis que criaram a limitação do seu uso até o montante correspondente a 30% dos resultados positivos tributáveis, vulgarmente conhecido como “trava de 30%”, por suposta violação a diversos princípios constitucionais. Tal alegação, contudo, não pode ser acolhida na esfera administrativa, haja vista não ter este órgão julgador competência para deixar de aplicar lei regularmente editada pelo Poder Legislativo, sob fundamento de inconstitucionalidade, tarefa esta privativa do Poder Judiciário. Exceção se faria caso se tratasse de dispositivo declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 – PAF, o que não é o caso, antes pelo contrário, vez que o STF se pronunciou, nos autos do RE 344.994, justamente pela constitucionalidade da referida “trava”. Assim, opõese à pretensão recursal as seguintes Súmulas, de observação obrigatória no âmbito deste Colegiado: Fl. 449DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10665.000810/200608 Acórdão n.º 110200.710 S1C1T2 Fl. 358 4 “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” “Súmula CARF nº 3: Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa.” Alega a recorrente que não procede a aplicação de multa nem de juros contra a massa falida, nos termos dos dispositivos legais que reproduz. Argúi ainda que o STF já sumulou o entendimento de que não se inclui no crédito habilitado em falência a multa fiscal e que também a jurisprudência consolidada rechaça a inclusão de multa fiscal moratória em desfavor da massa falida, argumento também aplicável à multa de ofício. Os dispositivos invocados pela recorrente são abaixo reproduzidos: DecretoLei n° 7.661, de 21 de junho de 1945 (Lei de Falências): “Art. 23. Ao juízo da falência devem concorrer todos os credores do devedor comum, comerciais ou civis, alegando e provando os seus direitos. Parágrafo único. Não podem ser reclamadas na falência: (...) III – as penas pecuniárias por infração das leis penais e administrativas. Art. 26. Contra a massa não correm juros, ainda que estipulados forem, se o ativo apurado não bastar para o pagamento do principal.” Súmula STF nº 192 – “Não se inclui no crédito habilitado em falência a multa fiscal com efeito de pena administrativa.” Súmula STF nº 565 – “A multa fiscal moratória constitui pena administrativa, não se incluindo no crédito habilitado na falência.” Tal questão não é nova, já tendo sido enfrentada inclusive pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em ano tão remoto quanto o de 1981, consoante trecho abaixo reproduzido, aqui extraído do voto da i. Cons. Márcia Maria Loria Meira no acórdão 108 06.213, proferido na sessão de 18 de agosto de 2000: “Neste sentido, o Acórdão N° CSRF/0101.187, de 26/11/81, da lavra do Eminente ex Conselheiro Luiz Miranda, abaixo transcrito: ‘Data Venia, tal entendimento não poderá prosperar, tendo em vista que a multa não poderá ser excluída na fase administrativa. O disposto legal retro citado apenas dispõe que a multa fiscal não concorrerá com os demais créditos ao monte na falência...” Fl. 450DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10665.000810/200608 Acórdão n.º 110200.710 S1C1T2 Fl. 359 5 No caso de excluir a multa, corretamente aplicada, o Conselheiro Harry Conrado Schuller, ao prolatar o seu voto no Acórdão n°103 02.126, declara que tal exclusão desfiguraria a infração contida, de que é conseqüência, pois a sua eventual dispensa tornaria inviável sua exigibilidade dos administradores, nos casos de responsabilidade solidária ou responsabilidade pessoal, inclusive obstada eventual ação criminal contra os mesmos. Além do mais, deve ser salientado que a exclusão da multa somente poderá ocorrer em Juízo, no processo falimentar, e não antes, caso contrário, na hipótese da reversão do estado falimentar, a Administração Fiscal jamais poderia vir a exigir o seu montante.’ (...)” De fato, a inexigência da multa de ofício, nestes casos, somente pode vir a se dar em momento posterior à discussão administrativa. Se por um lado as súmulas e acórdãos trazidos pela recorrente confirmam a não exigência desta na fase de cobrança, por outro a Lei nº 6.830/1980 (Lei de Execuções Fiscais), estabelece que, verbis: “Art. 5°. A competência para processar e julgar a execução da Dívida Ativa da Fazenda Pública exclui a de qualquer outro Juízo, inclusive o da falência, da concordata, da liquidação, da insolvência ou do inventário. Art. 29. A cobrança judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública não é sujeita a concurso de credores ou habilitação em falência, concordata, liquidação, inventário ou arrolamento. (...)” Analisando a questão deste aparente conflito entre o disposto no artigo 23 da Lei de Falências, e o artigo 29 da Lei de Execuções Fiscais, assim se pronunciou a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no Parecer PGFN nº 1.400/99: “Em assim sendo, tornouse pacífico nos tribunais pátrios que o dispositivo da Lei de Falências, analogamente aplicado ao da Lei n° 6.024/74 (art. 18, alínea `f ), não atinge os créditos, cuja cobrança é regida pela Lei das Execuções Fiscais, em cumprimento ao comando emergente do seu art. 29.” Mais recentemente, toda esta questão envolvendo o lançamento do crédito tributário acompanhado da multa de ofício e dos juros de mora, no caso de entidades submetidas a regime de falência, foi minuciosamente analisada pelo i. Cons. Antonio Bezerra Neto, em voto proferido em sessão de 29 de junho de 2006 (Acórdão nº 20311.076), a quem peço vênia para transcrever os seguintes trechos: “A análise mais acurada dos preceptivos legais até aqui colacionados revela que, a rigor, não são eles de maior relevância para a hipótese do autos, pois seus comandos regulam uma fase posterior à da constituição do crédito tributário, qual seja, a sua cobrança. A constituição do crédito tributário, cuja legitimidade se está a examinar na presente demanda, incluiu a aplicação da multa de ofício e dos juros de mora com amparo nos artigos 44, I, e 61, § 3, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 c/c artigos 5° e 29° da Lei n° 6.830, de 22 de setembro de 1980, não havendo nenhuma disposição legal que exima tais gravames do contribuinte com falência decretada. Em conseqüência, não poderia a autoridade fiscal autuante furtarse a Fl. 451DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10665.000810/200608 Acórdão n.º 110200.710 S1C1T2 Fl. 360 6 aplicálos, ante o caráter obrigatório e vinculado de que se reveste o lançamento (art. 142, parágrafo único, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN). Clara está, portanto, a imposição legal para a inclusão da multa de ofício e dos juros de mora na constituição do crédito tributário, independentemente da decretação da falência do contribuinte. Como já visto, o diploma legal de que se socorreu a impugnante não infirma este entendimento, vez que não se reporta à fase da constituição do crédito, e sim da sua cobrança, ocasião em que – aí sim – será discutida a exigência perante o juízo competente. Nem poderia ser diferente, pois, a priori, nada impede que se reverta o estado falimentar, antes do trânsito em julgado da falência, hipótese em que a Fazenda Pública não poderia exigir os acréscimos legais se já os houvesse excluído quando do lançamento. Por outras palavras, à autoridade fiscal cabe, por dever de ofício, nos termos do art. 142 do CTN, constituir, pelo lançamento, o crédito tributário em sua totalidade, não lhe sendo atribuída qualquer faculdade discricionária que lhe permitisse se abster de aplicar as penalidades aos dispositivos infringidos. Ao juiz, nos casos de falência, compete, por sua vez, habilitar os créditos reclamados contra a massa falida e, aí sim, nessa oportunidade, obstruir aquelas parcelas cujo seguimento fosse legalmente vedado. Apenas como argumento subsidiário, pois a recorrente não se subsume ao regramento da nova Lei de Falências, essa polêmica não mais subsiste, pois, com a edição da Lei n° 11.101, de 2005, que, revogou o Decretolei n° 7.661, de 1945, vindo a regular a ‘recuperação judicial’, deixou isso bem assente, conforme se verifica da redação de seus arts. 83 e 84, litteris: ‘Art. 83. A classificação dos créditos na falência obedece à seguinte ordem: (...) III – créditos tributários, independentemente da sua natureza e tempo de constituição, excetuadas as multas tributárias; (...) VII – as multas contratuais e as penas pecuniárias por infração das leis penais ou administrativas, inclusive as multas tributárias; (...)’ Deixou, portanto, bastante assente a falta de qualquer impedimento legal a que sejam reclamadas, na falência, as multas tributárias, sejam as de oficio ou as de mora, devendo elas, apenas, obedecer à primazia de créditos de outras naturezas (créditos extraconcursais, créditos trabalhistas, com garantia real, tributários, com privilégios especiais, com privilégios gerais, e quirografários). Relativamente aos juros de mora, a dicção do art. 124 da mesma Lei n° 11.101, de 2005, é a seguinte, litteratim: ‘Art. 124. Contra a massa falida não são exigíveis juros vencidos após a decretação da falência, previstos em lei ou em contrato, se o ativo apurado não bastar para o pagamento dos credores subordinados.’ Como se observa, tanto pela Lei 11.101/200 quanto pela antiga Lei de Falências, a decretação de falência não impede que se cobrem juros de mora da Fl. 452DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10665.000810/200608 Acórdão n.º 110200.710 S1C1T2 Fl. 361 7 massa falida, por isso que a sua exigibilidade ficará condicionada ao fato de a futura realização do ativo superar, ou não, o passivo da entidade (suficiência do ativo).” Portanto, revelase de todo inapropriado excluir, na fase administrativa, a exigência de multa e de juros, fundamentada em dispositivos de lei tributária (art. 44 e 61 da Lei nº 9.430/96) que preveem a sua aplicação a todos os casos de lançamento de ofício, não fazendo qualquer ressalva quanto à uma eventual não aplicação aos casos de entidades submetidas a regime de falência. Aliás, antes pelo contrário, o artigo 60 da mesma Lei nº 9.430/96 expressamente dispõe que, verbis: “Art.60. As entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e de falência sujeitamse às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às pessoas jurídicas, em relação às operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo.” Ante o exposto, deve ser mantida a exigência dos consectários legais (multa e juros de mora) aplicados. Os demais argumentos recursais contra tais acréscimos, conforme ao norte já exposto, tampouco podem ser acolhidos na esfera administrativa, pois dizem respeito à alegada afronta ao princípio do não confisco, no que toca à multa aplicada, e à ilegalidade e inconstitucionalidade da taxa Selic, no que toca aos juros de mora, sendo que, quanto a estes, opõese ainda à pretensão recursal a seguinte Súmula, de observação obrigatória no âmbito deste Colegiado: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 453DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10665.000810/200608 Acórdão n.º 110200.710 S1C1T2 Fl. 362 8 Fl. 454DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA
score : 1.0
