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4615399 #
Numero do processo: 19647.006126/2007-03
Data da sessão: Wed Dec 02 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Dec 02 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 25/06/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO. PERDA DO PRAZO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ALEGAÇÕES. INTEMPESTIVIDADE. I - Apresentada à impugnação fora do prazo concedido na legislação que regula o contencioso administrativo fiscal, correto o seu não conheço em decorrência da sua intempestividade; II - A justificativa para apresentação extemporânea da peça de defesa deve estar assentada em elementos probatórios que confirmam os fatos alegados. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 2402-000.365
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos unanimidade de votos, não conhecer do recurso. nos nos termos do voto do relator.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: ROGERIO DE LELLIS PINTO

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IMPUGNAÇÃO. PERDA DO PRAZO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ALEGAÇÕES. INTEMPESTIVIDADE. I - Apresentada à impugnação fora do prazo concedido na legislação que regula o contencioso administrativo fiscal, correto o seu não conheço em decorrência da sua intempestividade; II - A justificativa para apresentação extemporânea da peça de defesa deve estar assentada em elementos probatórios que confirmam os fatos alegados. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Câmara / r Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamentorpor unanimidade de votos i em•não conhecer do recursornos termos do voto do relator. fe IN OU 'r IRA - Presidente _ - ROÓ rfo, LELLIS PINTO — Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado, Marcelo Freitas de Souza Costa (Convocado) e Ishibia Moreira Barros Mazza (Suplente). (‘ 2 Processo IP 19647.006126/2007-03 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.365 Fl. 95 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto pela empresa SENO — SERVIÇO DE ENGENHARIA DO NORDESTE LTDA contra decisão exarada pela douta 7' Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Recife-PE, a qual julgou procedente o presente Auto-de- Infração, lavrado em decorrência da empresa ter deixado de apresentar a fiscalização documentos não relacionados com as contribuições previdenciárias, e solicitados em TIAD. A empresa recorre questionando a Decisão recorrida que teria equivocadamente considerado intempestiva a impugnação apresentada. Argumenta que na data fatal do prazo para impugnação, teria se dirigido a uma das unidades do Orgão arrecadador, sendo que um funcionário teria se negado a recebê-la sob alegação de que deveria apresentada em outro endereço. Aduz que dirigindo-se ao local informado, não conseguiu dar entrada em sua defesa uma vez que por determinação interna da unidade, as impugnações somente poderiam ser apresentadas até às 17:00, o que a levou a dar entrada na sua defesa apenas no dia seguinte. Coloca que a repartição pública pode alterar o horário de atendimento ao público, mas tal prerrogativa não pode significar esteio para a não prorrogação de defesas fora do horário especificado, especialmente oportunizando a apresentação no dia útil seguinte, sob pena de configurar-se cerceamento do seu direito de defesa. Sem contra-razões me vieram os autos. Eis o essencial para o julgamento. É o relatório. gy 3 Voto Conselheiro Rogério de Lellis Pinto, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Em que pese o enorme esforço argumentativo demonstrado pelo ilustre subscritor da peça inconformista, não há como conferir-lhe razão na sua insurreição contra a reconhecida intempestividade da peça impugnatória. Segundo as normas que regulam o contencioso administrativo fiscal, ao contribuinte autuado é concedido o prazo de 30 (trinta) dias, contados da notificação do lançamento, para a apresentação de impugnação (art. 15, do Dec. 70.235172). Está assim escrito no Decreto: Anis - A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. A contagem de tal prazo, segundo o art. 5° e o seu parágrafo único do mesmo Decreto, será continua, excluindo-se o dia do começo e incluindo-se o dia final, observando-se ainda que tanto o inicio quanto o fim do prazo, devem se dar em dia de expediente normal no Órgão em que o ato tenha que ser realizado. No caso dos presentes autos, a empresa foi notificada do lançamento, segundo as fls. 104, no dia 28/06/07, uma quinta-feira, findando-se os 30 dias em 28/07/07 (um sábado), prorrogando-se o final do prazo para o primeiro dia útil seguinte, ou seja, dia 30/07/07 (segunda-feira). A impugnação, por sua vez, somente foi apresentada ao Órgão competente, no dia imediatamente subseqüente (dia 31/07, fls. 107), o que toma nítida a extemporaneidade da defesa apresentada. A Recorrente sustenta que teria se dirigido a uma das unidades do Órgão autuante no dia 30/07 apara apresentar sua impugnação, mas que o servidor público que a • atendeu teria se negado a receber a defesa, em razão de não ser a unidade competente, tendo então se dirigido a outra repartição, onde chegou após as 17:00 horas, horário em que já não havia mais expediente. Todavia, ainda que consideremos razoáveis as alegações do contribuinte, não se dignou este a carrear aos autos elementos comprobatórios sequer quanto a suposta ida a repartição pública no dia mencionado, quanto mais a negativa do dito servidor em receber sua impugnação, sendo seus argumentos, nesse sentido, meras hipóteses, insuficientes para desconstituir a intempestividade reconhecida na decisão recorrida. Com efeito, é uníssono que em terreno processual, a argumentação, para ter força desconstitutiva de um fato ou de reconhecimento, deve estar calcada em um suporte probatório suficiente para lhe conferir a certeza da sua existência, já que não se basta alegar, é necessário também provar, o que não foi observado pelo Contribuinte. bi 4 Processo n° 19647.006126/2007-03 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.365 Fl. 96 Não se trata, é obvio, de simplesmente duvidar daquilo que sustenta a recorrente, mas sim da exigência processual de se trazer ao julgador por intermédio dos autos, a comprovação de que aquilo que se está alegando efetivamente ocorreu, até porque não há como conferir presunção de veracidade nesses casos. Desta feita, como não há comprovação quanto aos supostos acontecimentos do dia 30/07/07, não há porque considerarmos a possibilidade de prorrogação do prazo de defesa para o dia Mil imediatamente subseqüente, como requer a empresa, de forma que agiu acertadamente a douta DRS ao considerar intempestiva a impugnação apresentada. Diante do exposto, voto no sentido não conhecer do recurso. Sala das Sessilleo- 2 de dezembro de 2009 ir ROGÉ" ó 1 LELLIS PINTO - Relator • 5

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4614106 #
Numero do processo: 11610.018634/2002-27
Data da sessão: Fri Nov 06 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Nov 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Exercício: 2001 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. Não se conhece do recurso interposto contra trechos do despacho decisório que mencionam irregularidades fiscais que não foram objeto de lançamento de Inexiste litígio quando o despacho decisório reconheceu integralmente o direito creditório pleiteado e a manifestação de inconformidade não questiona a compensação efetuada pela autoridade fiscal
Numero da decisão: 1803-000.226
Decisão: Acordam os membros do Colegiada por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por ausência de litígio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificada e momentaneamente a Conselheira Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes

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Processo n° 11610.018634/2002-27 Recurso n° 171.763 Voluntário Acórdão n° 1803-00.226 — 3° Turma Especial Sessão de 06 de novembro de 2009 Matéria CSLL - Ano-Calendário: 2002 Recorrente FAZENDA VERA CRUZ LTDA. Recorrida 4' TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP I Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Exercício: 2001 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. INEXISTÊNCIA DE LITIGIO. Não se conhece do recurso interposto contra trechos do despacho decisório que mencionam irregularidades fiscais que não foram objeto de lançamento de lnexiste litígio quando o despacho decisório reconheceu integralmente o direito creditório pleiteado e a manifestação de inconformidade não questiona a compensação efetuada pela autoridade fiscal Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiada por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por ausência de litígio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificada e momentaneamente a Conselheira Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira. .trr- FERREIRA DE MORAES - Presidente e Relatora EDITADO EM: .11 DEZ 2009 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Walter Adolfo Maresch, Luciano Inocência dos Santos, Benedicto Celso Benicio Júnior, Marcos Antonio Pires (Suplente Convocado) e Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (Vice-Presidente). V • Relatório Trata-se de pedidos de compensação/restituição de saldo credor de CSLL, relativo ao ano de 2000, no montante original de R$ 6.228,51. A autoridade administrativa exarou despacho decisório em que: (i) reconheceu integralmente o direito creditório, homologando as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido; (ii) entendeu não haver possibilidade de compensação das estimativas mensais de CSLL com a base de cálculo negativa do ano calendário de 1995, conforme MAJUR/2001, tendo-se apurado valores a recolher nos meses de janeiro, fevereiro, março e abril/2000; (iH) constatou a existência de inconsistência relativa à compensação da base de cálculo negativa da CSLL do exercício de 2003, ano calendário de 2002, que excedeu o limite legal estabelecido (30%), conforme instruções do MAJUR/2003. Irresignada com o despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando em síntese que: a) Não procede o argumento utilizado para o lançamento da multa isolada dos meses de janeiro a abril de 2000, pois as compensações efetuadas, além de estarem em conformidade com a legislação do imposto de renda, estão de acordo com o manual para preenchimento da DIEL b) Em relação à inconsistência na compensação da base de cálculo negativa da CSLL do exercício 2003, ano calendário 2002, suas receitas e despesas são provenientes, em sua totalidade, da exploração da atividade rural, não se aplicando a limitação de 30% para a compensação de prejuízo, conforme previsto no art. 512 do RIR/99. A Delegacia de Julgamento considerou a manifestação de inconformidade improcedente, em decisão assim ementada: "AC 2000. COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES COM CSLL MENSAL APURADA. POSSIBILIDADE. NÃO COMPROVAÇÃO. A legislação prevê a possibilidade de compensação de base de cálculo negativa de periodos anteriores com a CSLL determinada com base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução. No entanto, não havendo campo na DIPJ/200I para informar esta compensação, não tendo sido ela informada na DCTF, nem tendo sido trazida comprovação de sua efetividade, mantém-se a decisão recorrida. AC 2002. COMPENSAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA EM LIMITE ACIMA DO PERMITIDO NA LEGISLAÇÃO. Embora a legislação permita a compensação integral da base de cálculo negativa proveniente da "atividade rural", o contribuinte efetuou, neste ano-calendário, compensação com base de cálculo negativa decorrente de "atividades em geral", razão pela qual deve ser obedecido o limite legal de 30%." Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que tece as seguintes considerações: Processo n" 11610.018634/2002-27 SI-TE03 Acórdão 0.° 1803-00.226 Fl. 2 a) A recorrente anexa cópias da parte A do LALUR dos anos de 1995 e 2000. b) A recorrente seguiu todas as normas previstas na legislação em vigor na data da ocorrência dos fatos geradores e não poderá ter suas DIREs (2001 e 2003) recalculadas. c) Requer que seja dado provimento ao recurso, com o consequente cancelamento da multa isolada, da carta de cobrança n° 21/2007, bem como a regularização da inconsistência indicada no extrato do aplicativo "SAPLI", realocanco o valor de base negativa da CSLL de períodos anteriores da linha 32 para a linha 33 da ficha 17 da DIPJ/2003. É o relatório. Voto Conselheira SELENE FERREIRA DE MORAES, Relatora Examino os requisitos de admissibilidade do recurso apresentado. Como relatado o contribuinte apresentou recurso voluntário pleiteando o cancelamento da multa isolada, da carta de cobrança n° 21/2007, bem como a regularização da inconsistência indicada no extrato do aplicativo "SAPLI", realocanco o valor de base negativa da CSLL de períodos anteriores da linha 32 para a linha 33 da ficha 17 da DIPJ/2003. Primeiramente cumpre observar, que o presente processo tem por objeto o pedido de restituição/compensação de fls. 1 e 15. No campo motivo do pedido consta a seguinte descrição: "pedido de restituição do valor oriundo do darf de Contribuição Social pago indevidamente em 29/02/00". A autoridade administrativa apreciou conjuntamente os processos n° 11610.018634/2002-27 e 11610.018635/2002-71, pelo fato de ambos referirem-se a saldo credor relativo ao ano de 2000. Os pedidos de restituição foram deferidos integralmente, conforme trecho final do despacho decisório (fls.130): "No uso da competência delegada pela Portaria DERAT/SP n 54 de 10.10.2001, DEFIRO os pedidos de restituições de fis. 01, dos processos 11610018634/2002-27 e 11610.018635/2002-71, no total de R$ 6.228,51(seis mil, duzentos e vinte e oito reais e cinquenta e um centavos), referente ao saldo credor de CSLL, exercício de 2001, ano-calendário de 2000, sobre o qual incide o acréscimo de juros da taxa referencial SEL1C, nos termos do artigo 52 da IN/SRF n° 600/2005, e HOMOLOGO as compensações vinculadas a estes processos até o limite do valor do direito creditó rio reconhecido." O direito creditório pleiteado pela contribuinte foi integralmente reconhecido, tendo sido compensado com os débitos apontados pela contribuinte em petição datada de 21/12/2006 (fã. 45): Tributo Valor (RS) Apuração Vencimento Referência ITR (1070) 841,93 01/01/2002 30/09/2002 39764540 ITR (1070) 145,43 01/01/2002 30/09/2002 49709810 ITR (1070) 7.758,87 01/01/2002 30/09/2002 39764540 O demonstrativo das compensações efetuadas encontra-se às fls. 138/139, restando um saldo devedor de R$ 746,94. O valor dos débitos foram deflacionados pela taxa Selic, no percentual de 28,43% (taxa Selic acumulada entre janeiro de 2001 a agosto de 2002, mais 1% no mês de setembro/2002 — data de vencimento dos débitos). A recorrente não se insurgiu contra as compensações efetuadas, nem contestou o saldo devedor remanescente. Não poderia ter se insurgido quanto ao montante do direito creditório reconhecido, uma vez, que a decisão da autoridade administrativa lhe foi inteiramente favorável. No despacho decisório foi consignado que seria cabível informação fiscal à Defic/SPO a respeito da falta de recolhimento de estimativas (fls. 129). Ora, as multas isoladas não foram lançadas no presente processo, sendo impertinente a discussão de sua validade no âmbito do presente recurso. A impugnação contra a imposição de multa isolada sobre estimativas não recolhidas só poderia ser interposta contra eventual lançamento de ofício daqueles valores. O mesmo pode ser dito quanto às questões relativas à DIPJ/2003. A menção à situação fiscal do interessado efetuada no despacho decisório (fls. 130) extrapolou os limites do pedido de restituição/compensação protocolado pela contribuinte. Eventual irregularidade na compensação de base de cálculo negativa de CSLL do exercício de 2003 deve ser objeto de lançamento de oficio, a ser impugnado em procedimento próprio. Por conseguinte, os pedidos de cancelamento da multa isolada, bem corno a regularização da inconsistência indicada no extrato do aplicativo "SAPLI", não podem ser conhecidos ante a falta do lançamento de oficio. Por fim, quanto à carta de cobrança, deve ser consignado que a contribuinte não contestou a compensação efetuada pela autoridade administrativa às fls. 138/139. Ante todo o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso ante à inexistência de litígio. t—agealYalelffl% ta" -••:"--tffir"t$ --e " EIRA DE MORAES 4 ___

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4615667 #
Numero do processo: 10166.017975/00-11
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONHECIMENTO. CSLL e PIS. DECADÊNCIA. APLICABILIDADE DO PRAZO PREVISTO NO ARTIGO 45 DA LEI N° 8 212/91. Não merece conhecimento o Recurso , que requer a aplicação do prazo previsto no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, o qual foi declarado inconstitucional, conforme Súmula Vinculante n° 08 editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12.06.08. IRPJ. DECADÊNCIA. A ausência ou insuficiência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, da qual pode resultar ou não crédito tributário devido. Em razão da natureza e modalidade originária de apuração, para o IRPJ aplica-se a regra decadencial prevista no § 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Nos casos dos tributos sujeitos à forma de apuração por homologação, apenas na ocorrência de dolo fraude ou simulação é que o dies a quo do prazo desloca-se do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser realizado (artigo 173, inciso I do CTN).
Numero da decisão: 9101-000.485
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso, no mérito, e na parte conhecida, também por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Carlos Alberto Freitas Barreto, acompanham pelas conclusões.
Nome do relator: Karem Jureidini Dias

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CONHECIMENTO. CSLL e PIS. DECADÊNCIA. APLICABILIDADE DO PRAZO PREVISTO NO ARTIGO 45 DA LEI N° 8 212/91. Não merece conhecimento o Recurso , que requer a aplicação do prazo previsto no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, o qual foi declarado inconstitucional, conforme Súmula Vinculante n° 08 editada pelo Supremo Tribunal Federal em 1/06.08. IRPJ. DECADÊNCIA. A ausência ou insuficiência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, da qual pode resultar ou não crédito tributário devido. Em razão da natureza e modalidade originária de apuração, para o IRPI aplica-se a regra decadencial prevista no § 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Nos casos dos tributos sujeitos à forma de apuração por homologação, apenas na ocorrência de dolo fraude ou simulação é que o dies a quo do prazo desloca-se do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser realizado (artigo 173, inciso I do CIN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso, no mérito, e na parte conhecida, também por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Carlos berto Freitas Barreto, acompanham pelas conclusões. CARLOS ALBER AFITAS XaRETO - Presidente. ; / IÇAREM JI3EIDINI DIAS - Relatora. EDITADO EM: 12 MAR 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Praga, Karem Jureidini Dias, Ivete Malaquias Pessoa, Antonio Carlos Guidoni Filho, Leonardo de Andrade Couto, Valmir Sandri, Claudemir Rodrigues Malaquias, João Carlos Lima huilor, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Trata-se de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional (fls. 924/949), com base no artigo 5°, incisos I. eH do antigo Regimento Interno da Câmara Superior - de Recursos Fiscais, em face do Acórdão n°107-08.079, da então Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O processo trata de Auto de Infração para a exigência de IRPJ, ERRE, Contribuição ao PIS e CSLL dos períodos de 1995 e 1996(fls. 08/78), cuja ciência foi dada ao contribuinte em 29/11/00 (fls. 05). Impugnado o lançamento (fls. 799/800), sobreveio o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 812/819), que julgou o lançamento procedente. Sobreveio, então, Recurso Voluntário (fls. 828/843), no qual o contribuinte alegou, dentre outras razões, a decadência dos tributos exigidos em 1995 e de janeiro a abril de 1996. Ato continuo, o julgamento foi convertido em diligência e, após retomarem à Sétima Câmara, foi proferido o Acórdão n° 107-08.079 (fls. 912/922), o qual, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência até outubro de 1995 e, no mérito, deu provimento ao recurso para excluir quantia de R$ 531.250,00 e reduzir a multa de oficio para 75%. Entendeu o acórdão recorrido que deve ser aplicado o artigo 150, § 40 do Código Tributário Nacional A Fazenda Nacional apresentou, então, Recurso Especial (fls. 924/949), no qual alega, em suma, que para a CSLL e a COFINS (sic, trata-se de lançamento de PIS e nito COFINS) deve ser aplicado o prazo previsto no artigo 45 da Lei n° 8.212/91 e, para o IFtPJ, deve ser aplicado o prazo previsto no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional por se tratar de lançamento de oficio de tributo não recolhido pelo contribuinte. O Despacho de fls. 949/950 deu seguimento ao Recurso da Fazenda Nacional. O Contribuinte foi intimado às fls. 953, porém, não apresentou suas Contra-razões. É o relatório. 2 Processo ri° 10166.017975/00-11 CSRF-Tl • • Acórdão n.° 9101-00.485 E. 2 Voto Conselheira Karetn Jureidini Dias A matéria versa sobre decadência do IRPJ, Contribuições ao PIS e CSLL, mais especificamente sobre o prazo previsto no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, no caso das contribuições, e o prazo previsto no Código Tributário Nacional, no caso do IRPJ. Para tanto, verifica-se que: (i) o acórdão recorrido aplicou o prazo decadencial previsto no artigo 150, § 40 do (Migo Tributário Nacional para todos os tributos; (ii) o acórdão recorrido, neste passo, cancelou a exigência fiscal até outubro de 1995, tendo em vista que a ciência do auto de infração lavrado para a constituição do crédito tributário se verificou em 29/11/00; e (iii) o Recurso Especial pugna pela aplicação do artigo 45, da Lei n.°. 8.212/91 para as contribuições — CSLL e PIS, e do artigo 173 do Código Tributário Nacional para o 1RPJ. Quanto à aplicabilidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, o primeiro ponto que deve ser analisado, imprescindível para a solução do presente caso, é a natureza jurídica das contribuições sociais, o que determina o prazo decadencial a ser aplicado. Dispõe o artigo 149, caput, da Constituição Federal: "Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais e econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observando o disposto nos ara. 146, 111, e 150, 1 e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, §6°, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo." Ainda, assevera o artigo 195 da mesma Lei Maior: "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: 1— do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; 3 • Tem-se, pois, que a Contribuição ao PIS e a CSLL são contribuições destinada a financiar a seguridade social, sujeitando-se, portanto, às normas veiculadas pelos artigos 146 e 195 da Lei Maior. A referência ao artigo 146, inciso IQ, no corpo do texto veiculado pelo artigo 149 da Constituição Federal, deixa evidente a natureza das contribuições sociais como espécie de tributo incidente sobre atividade do particular, mas com destinação especifica, o que a diferencia dos impostos. Visando sedimentar tal orientação constitucional, o Supremo Tribunal Federal se manifestou no sentido de que as contribuições sociais são espécies de tributo e, por assim ser, devem obediência ao artigo 146, inciso III, da Constituição Federal, em especial no que tange à determinação do prazo decadencial pari a constituição do crédito tributário. Nesse sentido, dispôs o Exmo. Ministro Carlos Velloso, verbis: "A questão da prescrição e da decadência, entretanto, parece- me pacificada... É que tais institutos são próprios da lei complementar de normas gerais (art. 146, III, "b"). Quer dizer, os prazos de decadência e de prescrição inscritos na lei complementar de normas gerais (CIE) são aplicáveis, agora por apressa previsão constitucional, às contribuições parafiscais (CS., art. 146, M; b, art. 149). (Recurso Extraordinário n° 148.754-2/Ri excerto do voto do Ministro Carlos Velloso, junho/1993, grifos nossos). No mesmo sentido, o plenário do Supremo Tribunal Federal, no RE 146.733- 9 — SP, também afirmou o caráter tributário das contribuições sociais, no caso, a Contribuição ao PIS e a COFINS, como se percebe na seguinte ementa: "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURÍDICAS. LEI 7689/88. - NÃO E INCONSTITUCIONAL Á INSTITUICÃO DA CONTRIBUICÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURÍDICAS. CUJA NATUREZA E TRIBUTARIA. CONSTITUCIONALIDADE DOS ARTIGOS I., 2. E 3. DA LEI 7689/88. REFUTAÇÃO DOS DIFERENTES ARGUMENTOS COM QUE SE PRETENDE SUSTENTAR A INCONSITTUCIONALIDADE DESSES DISPOSITIVOS LEGAIS)." Dessa maneira, tendo em vista o caráter tributário das Contribuições Sociais, no que tange ao prazo para constituição e cobrança do crédito tributário, deve-se observar os dispositivos do Código Tributário Nacional, o qual foi recepcionado pela Constituição Federal com status de Lei Complementar. Sobre a decadência, foi aprovada a Súmula n° 08 do Supremo Tribunal Federal que determina que "são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" (D.O.U. de 20/06/2008). Sobre este aspecto, lembro que respectiva sumula tem efeito vinculante para a administração e julgadores, nos termos do artigo 103, "a" da Constituição federal de 1988, inserido pela Emenda Constitucional n° 45/2004, e também do disposto nos artigo 64-A e 64-B da Lei n°9.784/99. • 4 Processo n°10166.017975/00-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.485 Fl. 3 Portanto, respaldada nas decisões e sumula do Supremo Tribunal Federal, bem como decisões do Superior Tribunal de Justiça e dessa C. Câmara Superior de Recursos Fiscais (acórdãos n° CSRF/01-05.473, sessão de 19106/2006 e CSRF/01-05.533, sessão de 19/07/2003, entre outros), entendo que não merece ser conhecido o Recurso Especial da Fazenda Nacional, uma vez que alega contrariedade a legislação que já foi declarada inconstitucional. Desta forma, não conheço do Recurso quanto à aplicabilidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, uma vez que a referida norma já foi declarada inconstitucional. Quanto à aplicabilidade do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, conheço do Recurso da Fazenda Nacional, uma vez demonstrada a divergência jurisprudencial acerca do tema. Primeiramente, importante aspecto a ser analisado é o método de apuração -- aplicado ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica. O Código Tributário Nacional adotou três modalidades distintas de apuração de tributos, sendo elas: modalidade por declaração (artigo 147), modalidade de oficio (artigo 149) e modalidade por homologação (artigo 150). Atualmente, a modalidade mais comum é a do "autolançamento", ou modalidade por homologação, na qual é outorgada ao contribuinte a tarefa de providenciar a constituição do crédito tributário, mediante a introdução no ordenamento jurídico de norma individual e concreta que, em seu conseqüente, apura a base de cálculo do tributo, aplica a alíquota prevista em lei e identifica os sujeitos passivo e ativo. O lançamento dos tributos sujeitos à sistemática de apuração por homologação é regido pelo artigo 150 do Código Tributário Nacional, o qual, em seu parágrafo 40, impõe à Autoridade Administrativa o prazo de 5 (cinco) anos para homologação dos procedimentos adotados pelo particular. Decorrido tal prazo, são tacitamente homologados os procedimentos de apuração do tributo. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, assim como a grande maioria dos tributos hoje previstos no sistema tributário brasileiro, é tributo sujeito à apuração por homologação, sendo aplicáveis, pois, as disposições do artigo 150, §4° do Código Tributário Nacional. Portanto, o M.PJ, deve obediência às disposições do Código Tributário Nacional, Lei Complementar que determina as normas gerais de aplicação tributária no país, inclusive o prazo decadencial de 5 (cinco) anos para a autoridade administrativa analisar os procedimentos adotados pelo contribuinte, na constituição do crédito tributário, cabendo a ela homologá-los ou não Ademais, não compartilho da tese de que sempre que se tratar de lançamento de oficio, portanto, efetuado pela Administração Pública, a regra aplicável é aquela prevista no artigo 173 do Código Tributário Nacional. Isto porque, o lançamento propriamente dito é sempre de oficio, sob pena de se negar vigência ao artigo 142 do Código Tributário Nacional, o qual dispõe que "compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento (...)". Ainda, em interpretação sistemática das normas existentes no Código Tributário Nacional em relação de coordenação, extrai-se que as modalidades previstas na Seção II do Código referem-se a modalidades de apuração do tributo. Ou seja, o tributo pode ser constituído e apurado pelo contribuinte, por meio de expedição de norma individual e • s concreta com força de lançamento, ou o tributo pode ser constituído e apurado pela autoridade administrativa, por meio do lançamento propriamente dito. Para efeito de escolha entre a aplicação da norma decadencial prevista no artigo 150 ou no artigo 173, ambos do Código Tributário Nacional, deve-se verificar a forma de apuração originariamente prevista para o tributo em análise. O lançamento, portanto efetuado pela autoridade administrativa, é resultado de uma das duas operações: ou da não homologação da apuração efetuada pelo contribuinte, ou da apuração a que está originariamente obrigada, em atividade vinculada, a Administração Pública. Para esta última hipótese, existe previsão no inciso I do artigo 149 do Código Tributário Nacional, enquanto que para a modalidade de apuração por homologação, aplicam-se outras previsões para o lançamento, como aquelas dos incisos II e III, ambos do mesmo dispositivo legal. Os incisos se prestam justamente a demonstrar as diferentes situações: uma coisa é o lançamento de oficio como modalidade originária, outra coisa é o lançamento de oficio efetuado em revisão de apuração que ficou originariamente a cargo do contribuinte. A meu ver, admitir que o fato de haver lançamento por parte da autoridade administrativa, em razão da não homologação da apuração efetuada pelo contribuinte, substitui a modalidade de apuração prevista para um tipo de "tributo implica em negar vigência ao disposto no artigo 149 e também ao disposto no artigo 150, § 4°, ambos do Código Tributário Nacional Ainda, importa essa interpretação em tornar sem efeito a disposição última do citado artigo Isto porque, o referido dispositivo legal expressamente determina que é apenas no caso de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação que, na modalidade de apuração por homologação, este prazo se desloca para aquele disposto no artigo 173, inciso I, do mesmo Código. Ora, nos casos de apuração por homologação apenas haverá constatação de dolo, fraude ou simulação se houver lançamento de oficio, mas nem sempre que há o lançamento de oficio existe a constatação de dolo, fraude ou simulação. Assim, se a norma legal especifica as hipóteses em que o prazo previsto no artigo 150 do Código Tributário Nacional se desloca para aquele previsto no artigo '173 do mesmo código, então tal prazo não pode ser aplicado para qualquer lançamento de oficio, senão apenas nos casos em que ocorrer lançamento de ofício que implique em não homologação do procedimento adotado pelo contribuinte e com constatação de dolo, fraude ou simulação. O prazo previsto no artigo 173 do Código Tributário Nacional é também aplicável aos tributos cuja modalidade de apuração é originariamente de oficio, conforme dispõe o inciso I do artigo 149 do Código Tributário Nacional. Do exposto, entendo que o artigo 173 do Código Tributário Nacional se refere apenas a prazo decadencial para os tributos sujeitos à apuração pela modalidade originária de lançamento de ofício ou para os lançamentos efetuados em procedimento de revisão e que impliquem em constatação de dolo, fraude ou simulação, ou no máximo, quando inexistir qualquer apuração a ser homologada. Já o artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional assevera norma decadencial para os tributos cuja forma de apuração é a de homologação, como é o caso do fftP.I. Portanto, a regra prevista no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional se aplica ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, quando lançado de oficio e não verificado dolo, fraude ou a simulação não procedendo o entendimento exarado no voto vencido do acórdão recorrido de que não haveria lançamento por homologação e, portanto, seria aplicável o artigo 173, inciso Ido Código Tributário Nacional. Processo n° 10166.017975/00-11 CSRF-T1 ' • Acórdão n.° 9101-00.485 Fl. 4 Desta forma, não há que se falar na aplicação, in casu, da regra prevista no o artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional, uma vez ser aplicável o artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional para ambos os tributos, conforme demonstrado, mormente porque definitivamente desqualificada a penalidade. De mais a mais, para aqueles que aplicam a decisão do Superior Tribunal de Justiça (EREsp n° 276.142/SP), entendo que, neste caso, também sob esta orientação, deve ser aplicado o prazo decadencial previsto no artigo 15, §4° do Código Tributário Nacional. Isto porque, conforme se verifica às fis. 59 a 104, quando a fiscalização elaborar o demonstrativo de apuração de receitas omitidas, para todos os tributos verifica-se a consideração do valore recolhido face ao devido, demonstrando inexoravelmente a existência de recolhimento parcial. Ainda, foi computado o IRRF, o que também não pode deixar de ser considerado como recolhimento parcial. - Neste passo, em se tratando de fatos geradores ocorrido em todos Os meses dos anos-calendário de 1995 e 1996 (tributação pelo lucro arbitrado) e, considerando a ciência ao contribuinte do auto de infração ocorreu em 29/11/00, constata-se a decadência até outubro de 1995, nos termos do artigo 150, § 4° do Código Tributo Nacicinal, tal como decidido pelo acórdão recorrido. Por todo o exposto, voto por CONHECER EM PARTE do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas no tocante à aplicação do artigo 173 do Código Tributário Nacional e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso, mantendo-se o decidido no acórdão recorrido. -or 411111.1r Karem Jurei. sa as - Relatora 7

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Numero do processo: 10283.000093/2005-10
Data da sessão: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1999 APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N° 10.174/2001 - LEGISLAÇÃO QUE AUMENTA OS PODERES DE INVESTIGAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA FISCAL - PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA VERSUS PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO - PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO QUE AMPLIA O PODER PERSECUTÓRIO DO ESTADO - Hígida a ação fiscal que tomou como elemento indiciário de infração tributária a informação da CPMF, mesmo para período anterior a 2001, já que à luz do art. 144, § 1º, do CTN, pode-se utilizar a legislação superveniente à ocorrência do fato gerador, quando esta amplia os poderes de investigação da autoridade administrativa fiscal. Não se pode invocar o princípio da segurança jurídica como um meio para se proteger da descoberta do cometimento de infrações tributárias. GARANTIA CONSTITUCIONAL AO SIGILO BANCÁRIO - INEXISTÊNCIA - PROTEÇÃO A COMUNICAÇÃO DE DADOS E NÃO AOS DADOS EM SI MESMO - PRECEDENTES DO PRETÓRIO EXCELSO FAVORÁVEL A TRANSFERÊNCIA DO SIGILO BANCÁRIO PARA O FISCO - IMPOSSIBILIDADE DO JULGAMENTO DA CONSTITUCIONALIDADE DA LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001 NA VIA ADMINISTRATIVA - Os precedentes do Supremo Tribunal Federal são favoráveis à constitucionalidade da transferência do sigilo bancário dos contribuintes para o fisco, pois o art. 5º, XII, da Constituição Federal protege a comunicação de dados e não os dados em si mesmo. Há, inclusive, precedente da Corte Constitucional que indica que o sigilo bancário sequer se amolda ao inciso constitucional antes citado. Ademais, no âmbito do processo administrativo fiscal, encontra-se a autoridade julgadora impedida de apreciar o vetor constitucional de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, nos estritos limites do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto,norma regimental que tem sede no art. 26-A do Decreto n° 70.235/72, na redação dada pela Lei n° 11.941/2009. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - RENDIMENTOS OMITIDOS - FATO GERADOR COM PERIODICIDADE MENSAL - IMPOSSIBILIDADE - APRECIAÇÃO EQUIVOCADA DO ART. 42, § 4°, DA LEI N° 9.430/96 - FATO GERADOR COMPLEXIVO, COM PERIODICIDADE ANUAL - HIGIDEZ DO LANÇAMENTO - É equivocado o entendimento de que o fato gerador do imposto de renda que incide sobre rendimentos omitidos oriundos de depósitos bancários de origem não comprovada tem periodicidade mensal. A uma, porque o art. 42, §4°, da Lei n° 9.430/96 sequer definiu o vencimento da exação dita mensal; a duas, porque os rendimentos sujeitos à tabela progressiva obrigatoriamente são colacionados no ajuste anual, quando, então, apura-se o imposto devido, indicando que o fato gerador, no caso vertente, aperfeiçoou-se em 31/12 do ano-calendário; a três, porque a ausência de antecipação dentro do ano-calendário somente poderia ser apenada com uma multa isolada de oficio, como ocorre na ausência do recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão); a quatro, porque a regra geral da periodicidade do fato gerador do imposto de renda da pessoa fisica é anual, na forma do art. 2° da Lei nº 7.713/88 c/c os arts. 2° e 9° da Lei n° 8.134/90. IMPOSTO DE RENDA - TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - REGIME DA LEI N° 9.430/96 - POSSIBILIDADE - A partir da vigência do art. 42 da Lei ri° 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei n° 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. Entretanto, comprovada a origem do depósito bancário, forçoso exclui-lo da presunção de omissão de rendimentos do art.42 da Lei n° 9.430/96. AUTUAÇÃO EM ANO PRECEDENTE - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - IMPOSSIBILIDADE DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO ANO ANTECEDENTE JUSTIFICAR A ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS EM ANO SUBSEQÜENTE - Não há antinomia insolúvel entre a apuração do acréscimo patrimonial a descoberto - APD, com supedâneo no art. 3º, § 1º (parte final), da Lei nº 7.713/88 c/c o art. 6° da Lei n° 8.021/90, e a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, com fulcro no art. 42 da Lei n° 9.430/96, para anos-calendário posteriores a 1997, tendo a autoridade fiscal a discricionariedade para escolher a via investigativa que entender pertinente para o caso concreto. Ademais, jamais uma omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto apurada em procedimento de oficio em um ano antecedente pode justificar a origem de depósitos no ano subseqüente, em decorrência de não se ter qualquer liame entre a referida omissão e a origem dos depósitos bancários, sendo que estes devem ter suas origens comprovadas com documentação hábil e idônea contemporânea aos fatos que se quer provar. JUROS DE MORA -ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PELA TAXA SELIC - POSSIBILIDADE - No âmbito dos Conselhos de Contribuintes e agora do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, pacifica a utilização da taixaa Selic, quer como juros de mora a incidir sobre crédito tributário em atraso, quer para atualizar os indébitos do contribuinte em face da Fazenda Federal. Entendimento em linha com o enunciado da Súmula 1° CC n° 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais". Ainda, com espeque no art. 72, caput e § 4º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), deve-se ressaltar que os enunciados sumulares dos Conselhos de Contribuintes e do CARF são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2° grau. CARÁTER CONFISCATÓRIO - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS - PRINCÍPIOS QUE OBJETIVAM A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA - IMPOSSIBILIDADE - Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária, pois essa se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando o princípio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de oficio). Ora, é cediço que somente os órgãos judiciais têm esse poder. E, no caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto, norma regimental que tem sede no art. 26-A do Decreto n° 70.235/72, na redação dada pela Lei n° 11.941/2009. Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2102-000.273
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, REJEITAR as preliminares vindicadas, vencida a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti que acolhia a preliminar de irretroatividade da Lei n° 10.174/2001, e, no mérito, por unanimidade, DAR provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração o montante de R$ 104.900,00, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Giovanni Christian Nunes Campos

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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1999 APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N° 10.174/2001 - LEGISLAÇÃO QUE AUMENTA OS PODERES DE INVESTIGAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA FISCAL - PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA VERSUS PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO - PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO QUE AMPLIA O PODER PERSECUTÓRIO DO ESTADO - Hígida a ação fiscal que tomou como elemento indiciário de infração tributária a informação da CPMF, mesmo para período anterior a 2001, já que à luz do art. 144, § 1º, do CTN, pode-se utilizar a legislação superveniente à ocorrência do fato gerador, quando esta amplia os poderes de investigação da autoridade administrativa fiscal. Não se pode invocar o princípio da segurança jurídica como um meio para se proteger da descoberta do cometimento de infrações tributárias. GARANTIA CONSTITUCIONAL AO SIGILO BANCÁRIO - INEXISTÊNCIA - PROTEÇÃO A COMUNICAÇÃO DE DADOS E NÃO AOS DADOS EM SI MESMO - PRECEDENTES DO PRETÓRIO EXCELSO FAVORÁVEL A TRANSFERÊNCIA DO SIGILO BANCÁRIO PARA O FISCO - IMPOSSIBILIDADE DO JULGAMENTO DA CONSTITUCIONALIDADE DA LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001 NA VIA ADMINISTRATIVA - Os precedentes do Supremo Tribunal Federal são favoráveis à constitucionalidade da transferência do sigilo bancário dos contribuintes para o fisco, pois o art. 5º, XII, da Constituição Federal protege a comunicação de dados e não os dados em si mesmo. Há, inclusive, precedente da Corte Constitucional que indica que o sigilo bancário sequer se amolda ao inciso constitucional antes citado. Ademais, no âmbito do processo administrativo fiscal, encontra-se a autoridade julgadora impedida de apreciar o vetor constitucional de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, nos estritos limites do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto,norma regimental que tem sede no art. 26-A do Decreto n° 70.235/72, na redação dada pela Lei n° 11.941/2009. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - RENDIMENTOS OMITIDOS - FATO GERADOR COM PERIODICIDADE MENSAL - IMPOSSIBILIDADE - APRECIAÇÃO EQUIVOCADA DO ART. 42, § 4°, DA LEI N° 9.430/96 - FATO GERADOR COMPLEXIVO, COM PERIODICIDADE ANUAL - HIGIDEZ DO LANÇAMENTO - É equivocado o entendimento de que o fato gerador do imposto de renda que incide sobre rendimentos omitidos oriundos de depósitos bancários de origem não comprovada tem periodicidade mensal. A uma, porque o art. 42, §4°, da Lei n° 9.430/96 sequer definiu o vencimento da exação dita mensal; a duas, porque os rendimentos sujeitos à tabela progressiva obrigatoriamente são colacionados no ajuste anual, quando, então, apura-se o imposto devido, indicando que o fato gerador, no caso vertente, aperfeiçoou-se em 31/12 do ano-calendário; a três, porque a ausência de antecipação dentro do ano-calendário somente poderia ser apenada com uma multa isolada de oficio, como ocorre na ausência do recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão); a quatro, porque a regra geral da periodicidade do fato gerador do imposto de renda da pessoa fisica é anual, na forma do art. 2° da Lei nº 7.713/88 c/c os arts. 2° e 9° da Lei n° 8.134/90. IMPOSTO DE RENDA - TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - REGIME DA LEI N° 9.430/96 - POSSIBILIDADE - A partir da vigência do art. 42 da Lei ri° 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei n° 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. Entretanto, comprovada a origem do depósito bancário, forçoso exclui-lo da presunção de omissão de rendimentos do art.42 da Lei n° 9.430/96. AUTUAÇÃO EM ANO PRECEDENTE - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - IMPOSSIBILIDADE DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO ANO ANTECEDENTE JUSTIFICAR A ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS EM ANO SUBSEQÜENTE - Não há antinomia insolúvel entre a apuração do acréscimo patrimonial a descoberto - APD, com supedâneo no art. 3º, § 1º (parte final), da Lei nº 7.713/88 c/c o art. 6° da Lei n° 8.021/90, e a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, com fulcro no art. 42 da Lei n° 9.430/96, para anos-calendário posteriores a 1997, tendo a autoridade fiscal a discricionariedade para escolher a via investigativa que entender pertinente para o caso concreto. Ademais, jamais uma omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto apurada em procedimento de oficio em um ano antecedente pode justificar a origem de depósitos no ano subseqüente, em decorrência de não se ter qualquer liame entre a referida omissão e a origem dos depósitos bancários, sendo que estes devem ter suas origens comprovadas com documentação hábil e idônea contemporânea aos fatos que se quer provar. JUROS DE MORA -ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PELA TAXA SELIC - POSSIBILIDADE - No âmbito dos Conselhos de Contribuintes e agora do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, pacifica a utilização da taixaa Selic, quer como juros de mora a incidir sobre crédito tributário em atraso, quer para atualizar os indébitos do contribuinte em face da Fazenda Federal. Entendimento em linha com o enunciado da Súmula 1° CC n° 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais". Ainda, com espeque no art. 72, caput e § 4º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), deve-se ressaltar que os enunciados sumulares dos Conselhos de Contribuintes e do CARF são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2° grau. CARÁTER CONFISCATÓRIO - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS - PRINCÍPIOS QUE OBJETIVAM A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA - IMPOSSIBILIDADE - Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária, pois essa se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando o princípio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de oficio). Ora, é cediço que somente os órgãos judiciais têm esse poder. E, no caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto, norma regimental que tem sede no art. 26-A do Decreto n° 70.235/72, na redação dada pela Lei n° 11.941/2009. Recurso provido em parte.

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Não se pode invocar o princípio da segurança jurídica como um meio para se proteger da descoberta do cometimento de infrações tributárias. GARANTIA CONSTITUCIONAL AO SIGILO BANCÁRIO - INEXISTÊNCIA - PROTEÇÃO A COMUNICAÇÃO DE DADOS E NÃO AOS DADOS EM SI MESMO - PRECEDENTES DO PRETÓRIO EXCELSO FAVORÁVEL A TRANSFERÊNCIA DO SIGILO BANCÁRIO PARA O FISCO - IMPOSSIBILIDADE DO JULGAMENTO DA CONSTITUCIONALIDADE DA LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001 NA VIA ADMINISTRATIVA - Os precedentes do Supremo Tribunal Federal são favoráveis à constitucionalidade da transferência do sigilo bancário dos contribuintes para o fisco, pois o art. 5 0, XII, da Constituição Federal protege a comunicação de dados e não os dados em si mesmo. Há, inclusive, precedente da Corte Constitucional que indica que o sigilo bancário sequer se amolda ao inciso constitucional antes citado. Ademais, no âmbito do processo administrativo fiscal, encontra-se a autoridade julgadora impedida de apreciar o vetor constitucional de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, nos estritos limites do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto, norma regimental que tem sede no art. 26-A do Decreto n° 70.235/72, na redação dada pela Lei n° 11.941/2009. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - RENDIMENTOS OMITIDOS - FATO GERADOR COM PERIODICIDADE MENSAL - IMPOSSIBILIDADE - APRECIAÇÃO EQUIVOCADA DO ART. 42, § 4°, DA LEI N° 9.430/96 - FATO GERADOR COMPLEXIVO, COM PERIODICIDADE ANUAL - HIGIDEZ DO LANÇAMENTO - É equivocado o entendimento de que o fato gerador do imposto de renda que incide sobre rendimentos omitidos oriundos de depósitos bancários de origem não comprovada tem periodicidade mensal. A uma, porque o art. 42, §4°, da Lei n° 9.430/96 sequer definiu o vencimento da exação dita mensal; a duas, porque os rendimentos sujeitos à tabela progressiva obrigatoriamente são colacionados no ajuste anual, quando, então, apura-se o imposto devido, indicando que o fato gerador, no caso vertente, aperfeiçoou-se em 31/12 do ano-calendário; a três, porque a ausência de antecipação dentro do ano-calendário somente poderia ser apenada com uma multa isolada de oficio, como ocorre na ausência do recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão); a quatro, porque a regra geral da periodicidade do fato gerador do imposto de renda da pessoa fisica é anual, na forma do art. 2° da Lei n" 7.713/88 c/c os arts. 2° e 9° da Lei n° 8.134/90. IMPOSTO DE RENDA - TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - REGIME DA LEI N° 9.430/96 - POSSIBILIDADE - A partir da vigência do art. 42 da Lei ri° 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5" do art. 6' da Lei n° 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. Entretanto, comprovada a origem do depósito bancário, forçoso exclui-lo da presunção de omissão de rendimentos do art.42 da Lei n° 9.430/96. AUTUAÇÃO EM ANO PRECEDENTE - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - IMPOSSIBILIDADE DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO ANO ANTECEDENTE JUSTIFICAR A ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS EM ANO SUBSEQÜENTE - Não há antinomia insolúvel entre a apuração do acréscimo patrimonial a descoberto - APD, com supedâneo no art. 3", § 1' (parte final), da Lei n" 7.713/88 c/c o art. 6° da Lei n° 8.021/90, e a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, com fulcro no art. 42 da Lei n° 9.430/96, para anos-calendário posteriores a 1997, tendo a autoridade fiscal a discricionariedade para escolher a via investigativa que entender pertinente para o caso concreto. Ademais, jamais uma omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto apurada em procedimento de oficio em um ano antecedente pode justificar a origem de depósitos no ano subseqüente, em decorrência de não se ter qualquer liame entre a referida omissão e a origem dos depósitos bancários, sendo que estes devem ter suas origens comprovadas com documentação hábil e idônea contemporânea aos fatos que se quer provar. Processo n° 10283.000093/2005-10 S2-C1 T2 Acórdão n.° 2102-00.273 Fl. 175 JUROS DE MORA -ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PELA TAXA SELIC - POSSIBILIDADE - No âmbito dos Conselhos de Contribuintes e agora do Cone,lho ,A_dministrativo de Recursos Fiscais - CARF, pacifica a utilização da taica SeIi, quer como juros de mora a incidir sobre crédito tributário em atraso, quer para atualizar os indébitos do contribuinte em face da Fazenda Federal. Entendimento em linha com o enunciado da Súmula 1° CC n° 4: "A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais". Ainda, com espeque no art. 72, caput e § 40, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), deve-se ressaltar que os enunciados sumulares dos Conselhos de Contribuintes e do CARF são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2° grau. CARÁTER CONFISCATÓRIO - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS - PRINCÍPIOS QUE OBJETIVAM A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA - IMPOSSIBILIDADE - Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária, pois essa se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando o princípio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de oficio). Ora, é cediço que somente os órgãos judiciais têm esse poder. E, no caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto, norma regimental que tem sede no art. 26-A do Decreto n° 70.235/72, na redação dada pela Lei n° 11.941/2009. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, REJEITAR as preliminares vindicadas, vencida a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti que acolhia a preliminar de irretroatividade da Lei n° 10.174/2001, e, no mérito, por unanimidade, DAR provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração o montante de R$ 104.900,00, nos termos do voto do Relator. 3 (IGIOV A 'NI CH 'ity , , iinIyNES CAMPOS Rel, ore Preside fi , . / , , i , /, , Editado: 2 5. 1 E 1 / 1 1 7 n Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Núbia Matos Moura, Vanessa Pereira Rodrigues Domene e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte Lucas Marques Pinheiro, CPF/MF n" 000.867.972- 04, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 30/12/2004, auto de infração (fls. 54 a 61), com ciência pessoal em 31/12/2004 (fl. 54). Abaixo, discrimina-se o crédito tributário constituído pelo auto de infração antes informado, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 345.524,73 MULTA DE OFÍCIO R$ 259.143,54 Uma omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no ano-calendário 1999, foi imputada ao contribuinte. Essa omissão 1 de rendimentos montou R$ 1.256.453,56, sendo a conduta apenada com multa de oficio de 75% (fl. 59). O contribuinte, oficial de Cartório de Imóveis e Protestos de Títulos do 1° Oficio da Comarca de Manaus, asseverou que os depósitos bancários eram oriundos da atividade cartorária, sendo que a conta corrente auditada (banco Bradesco, n° 427620, agência 0320) recebia meras transferências da conta n° 427.619-1, agência 0320, banco Bradesco (fl. 37). Ao revés, a fiscalização afirmou que apenas parte das entradas auditadas tinha origem na atividade cartorária, perpetrando a exclusão dos valores declarados a título de carnê-leão. Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 2' Turma de Julgamento da DRJ-Belém (PA), por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento, em decisão de fls. 127 a 147. A decisão foi consubstanciada no Acórdão n° 01-8.198, de 07 de maio de 2007. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 04/07/2007 (fl. 148v). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 30/07/2007 (fl.150). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. A fiscalização não poderia utilizar os dados obtidos a partir da informação da CPMF para o ano-calendário 1999, conforme estrita 4 ..... Processo n° 10283.000093/2005-10 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.273 Fl. 176 dicção da antiga redação do art. 11, § 3°, da Lei n° 9.311/96. Ademais, a autorização dada pela Lei n° 10.174/2001 está eivada de inconstitucionalidade, ',pis franqueou o sigilo bancário do recorrente em procedimento administrativd,, vulnerando a garantia insculpida no art. 5°, X, da CF88, além de não se admitir a aplicação retroativa desta última Lei, por violação ao princípio da irretroatividade das leis; a decadência fulminou o lançamento, já que a periodicidade do fato gerador do imposto de renda é mensal, como estampado na Lei n° 7.713/88, e, especificamente, no tocante à omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, vige o art. 42, § 4°, da Lei n° 9.430/96, ambas determinando que os rendimentos devem ser tributados mensalmente, e, no caso vertente, considerando a ciência do lançamento em 31/12/2004, forçoso reconhecer que o instituto em destaque incidiu sobre todos os fatos geradores do ano-calendário 1999; III. os depósitos bancários não podem ser utilizados como base para o lançamento fiscal do imposto de renda, como esposado em longa jurisprudência administrativa e judicial, inclusive tal entendimento foi plasmado na Súmula 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos; IV. deve ser excluído o depósito de R$ 104.900,00, em abril de 1999, já que se trata de mera transferência da conta corrente n° 19.099, agência 482, do banco Bradesco, para a conta corrente auditada; V. foi autuado no ano-calendário 1998, por acréscimo patrimonial a descoberto, estando esse crédito tributário já inscrito na dívida ativa da União. Assim, o acréscimo patrimonial do ano antecedente deve ser utilizado para comprovar a origem dos depósitos bancários do ano subseqüente; VI. a taxa Selic não se presta para atualizar os encargos constantes no auto de infração, devendo ser utilizado a taxa de 1% prevista no art. 161, § 1°, do CTN. Este recurso voluntário compôs o lote n° 08, sorteado para este relator na sessão pública da 1' Turma Ordinária da 4' Quarta Câmara da 3' Seção do CARF de 1V06/2009. É o relatório. Voto 5 Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Primeiramente, declara-se a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 04/07/2007 (fl. 148v), quarta-feira, e interpôs o recurso voluntário em 30/07/2007 (fl. 150), dentro do trintidio legal, este que teve seu termo final em 03/08/2007, sexta-feira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passa-se a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Passa-se à defesa do item 1 (garantia da Lei n° 9.311/96; irretroatividade da Lei n° 10.174/2001; violação do sigilo bancário). Argumenta o recorrente que a Receita Federal deveria resguardar o sigilo das informações prestadas pelas instituições financeiras, no tocante a CPMF, sendo vedada sua utilização para constituição de crédito tributário relativo a outros tributos, na forma do art. 11, § 3°, da Lei n°9.311/96. Ainda que a alteração desse parágrafo pela Lei n° 10.174/2001, não poderia atingir fatos geradores anteriores a 2001. Essa questão foi acaloradamente debatida no âmbito dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ao final, consolidou-se o entendimento de que a Lei n° 10.174/2001, no ponto em discussão, quando permitiu a utilização dos dados da CPMF para períodos pretéritos a sua vigência, tem fundamento de validade no art. 144, § 1°, do Código Tributário Nacional, que manda aplicar ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Nessa linha, veja-se a ementa do Acórdão n° CSRF/04-00.135, sessão de 13 de dezembro de 2005, relator o conselheiro Romeu Bueno de Camargo: LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO - INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE - A Lei n°10.174, de 2001, que deu nova redação ao ,sç 3" do art. 11 da Lei n" 9.311, de 1996, permitindo o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, é norma procedimental e por essa razão não se submetem ao princípio da irretroativiclade das leis, ou seja, incidem de imediato, ainda que relativas a fato gerador ocorrido antes de sua entrada em vigor. Recurso especial provido. Ainda, como exemplo dessa orientação jurisprudencial, no âmbito desta Sexta Câmara, vejam-se os Acórdãos n os 106-16.083, sessão de 25 de janeiro de 2007, relatora a Conselheira Sueli Efigênia Mendes de Britto; 106-16.142, sessão de 28 de fevereiro de 2007, relator o Conselheiro José Ribamar Barros Penha. No poder judiciário, a higidez da alteração trazida pela Lei n° 10.174/2001, permitindo a utilização dos dados da CPMF para lançar tributos em períodos anteriores a 2001, foi ratificada em múltiplos arestos do Superior Tribunal de Justiça — STJ. Por todos, veja-se a ementa do REsp 792.812, julgado em 13/03/2007, publicado no DJ de 02/04/2007, relator o Ministro Luiz Fux: TRIBUTA' RIO. IMPOSTO DE RENDA. AUTUAÇÃO COM BASE APENAS EM DEMONSTRATIVOS DE MOVIMENTAÇÃO 6 Processo n° 10283.000093/2005-10 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.273 Fl. 177 BANCÁRIA. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA LC 105/01. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 182/TFR. 1. A LC 105/01 expressamente prevê que o repasse de informações relativas à CPMF pelas instituições financeiras à Delegacia da Receita Federal, na forma do art. 11 e parágrafos da Lei 9.311/96, não constitui quebra de sigilo bancário. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça está assentada no sentido de que: "a exegese do art. 144, § 1" do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6" da Lei Complementar 105/2001 e I' da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência" e que "inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal" (REsp 685.708/ES, 1" Turma, Min. Luiz Fux, DJ de 20/06/2005). 3. A teor do que dispõe o art. 144, § 1 0, do CTN, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, pelo que a LC n" 105/2001, art. 0, por envergar essa natureza, atinge fatos pretéritos. Assim, por força dessa disposição, é possível que a administração, sem autorização judicial, quebre o sigilo bancário de contribuinte durante período anterior a sua vigência. 4. Tese inversa levaria a criar situações em que a administração tributária, mesmo tendo ciência de possível sonegação fiscal, ficaria impedida de apurá-la. 5. Deveras, ressoa inadmissível que o ordenamento jurídico crie proteção de tal nível a quem, possivelmente, cometeu infração. 6. Isto porque o sigilo bancário não tem conteúdo absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade pública e privada, este sim, com força de natureza absoluta. Ele deve ceder todas as vezes que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. O sigilo bancário é garantido pela Constituição Federal como direito fundamental para guardar a intimidade das pessoas desde que não sirva para encobrir ilícitos. 7. Outrossim, é cediço que "É possível a aplicação imediata do art. 6" da LC n" 105/2001, porquanto trata de disposição meramente procedimental, sendo certo que, a teor do que dispõe o art. 144, § 1", do CTN, revela-se possível o cruzamento dos dados obtidos com a arrecadação da CPMF para fins de k constituição de crédito relativo a outros tributos em face do que dispãe o art. I" da Lei n° 10.174/2001, que alterou a redação original do art. 11, § 3 0 , da Lei n" 9.311/96" (AgRgREsp 700.789/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ 19.12.2005). 8. Precedentes: REsp 701.996/RJ, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ 06/03/06; REsp 691.601/SC, 2" Turma, Min. Diana Calmon, DJ de 21/11/2005; AgRgREsp 558.633/PR, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ 07/11/05; REsp 628.527/PR, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ 03/10/05. 9. Consectariamente, consoante assentado no Parecer do Ministério Público (fls. 272/274): "unia vez verificada a incompatibilidade entre os rendimentos informados na declaração de ajuste anual do ano calendário de 1992 (fls. 67/73) e os valores dos depósitos bancários em questão (fls. 15/30), por inferência lógica se cria uma presunção relativa de omissão de rendimentos, a qual pode ser afastada pela interessada mediante prova em contrário." 10. A súmula 182 do extinto TFR, diante do novel quadro legislativo, tornou-se inoperante, sendo certo que, in casu: "houve processo administrativo, no qual a Autora apresentou a sua defesa, a impugnar o lançamento do IR lastreado na sua • movimentação bancária, em valores aproximados a 1 milhão e meio de dólares «Is. 43/4). Segundo informe do relatório fiscal (fls. 40), a Autora recebeu numerário do Exterior, em conta CC5 , em cheques nominativos e administrativos, supostamente oriundos de "um amigo estrangeiro residente no Líbano" (fls. 40). Na justificativa do Fisco (fls. 51), que manteve o lançamento, a tributação teve a sua causa eficiente assim descrita, verbis: "Inicialmente, deve-se chamar a atenção para o fato de que os depósitos bancários em questão estão perfeitamente identificados, conforme cópias dos cheques de fls., 15/30, não havendo qualquer controvérsia a respeito da autenticidade dos mesmos. Além disso, deve-se observar que o objeto da tributação não são os depósitos bancários em si, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada por eles." 3. Recurso especial provido. Ainda, buscou o contribuinte se acobertar no manto da segurança jurídica, invocando os princípios da irretroatividade das leis e o do tempus regit actum, o que afastaria a utilização retrospectiva dos dados da CPMF. Tais princípios devem ser sopesados em face da necessidade do combate aos ilícitos fiscais, obrigação do estado e direito do cidadão cumpridor de suas obrigações, o que é, em última análise, uma vertente do princípio da supremacia do interesse público. Não pode uma norma procedimental, que vede a ação do fisco, anistiar infrações cometidas no curso de sua vigência, garantindo ao infrator um direito adquirido. Ora, o direito a ser adquirido é aquele lícito, em conformidade com o ordenamento jurídico. Ninguém tem direito a invocar uma legislação que o proteja, de forma peremptória, do descortinamento de ilícitos que foram desnudados por legislação superveniente, que, no caso vertente, aumentou os poderes da fiscalização tributária federal. Assim, o princípio da segurança jurídica deve ser afastado em prol do interesse público e da necessidade da descoberta das infrações tributárias. 8 Processo n° 10283.000093/2005-10 S2-C1 T2 Acórdão n.° 2102-00.273 Fl. 178 Por tudo, escorreita á utilização das informações da CPMF como elemento indiciário à constituição do crédito tributário, como no caso vertente, não havendo qualquer pecha de inconstitucionalidade na utilização retroativa dos poderes trazidos pela Lei n° 10.174/2001 à fiscalização tributária. Ainda, carece de plausibilidade a tese de que a transferência do sigilo bancário do recorrente para o fisco afronta direitos individuais. No se pode esquecer que o sigilo permanece preservado, já que a autoridade administrativa tributária somente utiliza as informações em seu mister constitucional. É difícil compreender como o sigilo bancário pode se inserir no art. 5 0 , X ou XII, da CF88, mormente porque a ação da autoridade fiscal, no caso em debate, busca combater ilícitos fiscais, e, como é cediço, as garantias individuais não podem ser utilizadas como manto para acobertar condutas ilícitas. Ademais, muito mais substancioso, em termos de informações do cidadão, são os dados protegidos pelo sigilo fiscal. Nas informações prestadas na declaração de ajuste anual da pessoa física, além de todas as fontes de rendimentos, há todo o rol de bens do contribuinte, saldos em fins de período de todas as aplicações financeiras, terceiros beneficiários de seus pagamentos, dependentes. No extrato bancário, por seu turno, há apenas um maçante rol de débitos e créditos. E, como é de todos conhecido, o fisco obtém e analisa a enorme gama de informações protegidas pelo sigilo fiscal, e ninguém, nunca, lembrou-se de aventar que o acesso aos dados protegidos pelo sigilo fiscal pudesse violar qualquer direito ou garantia individual. Em todo caso, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal vem dando indícios de que nada há de excepcional na transferência do sigilo bancário para o fisco. Nesta linha, vejam-se alguns posicionamentos do Pretório Excelso: "Da minha leitura, no inciso XII da Lei Fundamental, o que se protege, e de modo absoluto, até em relação ao Poder Judiciário, é a comunicação `de dados' e não os 'dados', o que tornaria impossível qualquer investigação administrativa, fosse qual fosse." (MS 21.729, voto do Min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 5-10-95, EU de 19-10-01). "A quebra do sigilo bancário não afronta o artigo 5 0, X e XII da Constituição Federal (Precedente:PET.577)." (Inq 897-AgR, Rel. Min. Francisco Rezek, julgamento em 23-11-94, DJ de 24-3-95) "Mandado de Segurança. Sigilo bancário. Instituição financeira executora de política creditícia e financeira do Governo Federal. Legitimidade do Ministério Público para requisitar informações e documentos destinados a instruir procedimentos administrativos de sua competência. Solicitação de informações, pelo Ministério Público Federal ao Banco do Brasil S/A, sobre concessão de empréstimos, subsidiados pelo Tesouro Nacional, com base em plano de governo, a empresas do setor sucroalcooleiro. Alegação do Banco impetrante de não poder informar os beneficiários dos aludidos empréstimos, por estarem protegidos pelo sigilo bancário, previsto no art. 38 da Lei n. 4.595/1964, e, ainda, ao entendimento de que dirigente do Banco do Brasil S/A não é autoridade, para efeito do art. 8", da LC n. 75/1993. O poder de investigação do Estado é dirigido a coibir 9 atividades afrontosas à ordem jurídica e a garantia do sigilo bancário não se estende às atividades ilícitas. A ordem jurídica confere explicitamente poderes amplos de investigação ao Ministério Público — art. 129, incisos VI, VIII, da Constituição Federal, e art. 8", incisos II e IV, e ,sç 2", da Lei Complementar n. 75/1993. Não cabe ao Banco do Brasil negar, ao Ministério Público, informações sobre nomes de beneficiários de empréstimos concedidos pela instituição, com recursos subsidiados pelo erário federal, sob invocação do sigilo bancário, em se tratando de requisição de informações e documentos para instruir procedimento administrativo instaurado em defesa do patrimônio público. Princípio da publicidade, ut art. 37 da Constituição. No caso concreto, os empréstimos concedidos eram verdadeiros financiamentos públicos, porquanto o Banco cio Brasil os realizou na condição de executor da política crediticia e financeira do Governo Federal, que deliberou sobre sua concessão e ainda se comprometeu a proceder à equalização da taxa de juros, sob a forma de subvenção econômica ao setor produtivo, de acordo com a Lei n. 8.427/1992. Mandado de segurança indeferido." (MS 21.729, Rel. p/ o ac Min. Néri da Silveira, julgamento em 5- 10-95, al de 19-10-01) Ainda, e por último, caso fosse acatada a tese do recorrente, ter-se-ia que declarar, incidenter tanturn, a inconstitucionalidade dos arts. 5° e 6° da Lei Complementar n° 105/2001, que permitem a transferência compulsória do sigilo bancário do sujeito passivo para o fisco. Ocorre que o julgador administrativo não detém essa competência. Nessa linha, veja-se o art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2007 (DOU de 23 de junho de 2009), verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no capta não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II - que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n°10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n" 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n" 73, de 1993. O entendimento acima, que já existia no antigo Regimento Interno dos Conselhos de Contribuinte, foi objeto da Súmula 1°CC n° 2: "O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei lo )(7._ Processo n° 10283.000093/2005-10 S2-C I T2 Acórdüo n.° 2102-00.273 Fl. 179 tributária", e, com espeque no art. 72, caput e §4", do Regimento Interno do CARF I , deve-se ressaltar que o enunciado sumular é de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2° grau. Agora, passa-se à defesa do item II (tese da decadência mensal — periodicidade mensal do fato gerador do imposto de renda da pessoa fisica). Inicialmente, observe-se que o recorrente pugna pelo reconhecimento da decadência mensal do imposto lançado, com prazo contado na forma do art. 150, § 4°, do CTN, ou seja, advoga que o lançamento do imposto de renda para o caso vertente é por homologação, tendo o fato gerador uma periodicidade mensal, pois pugna pelo reconhecimento da decadência de qüinqüênio anterior a 31/12/2004. A lei é que define a modalidade do lançamento ao que o tributo se amolda. O fato de não haver o pagamento não transmuda a natureza do lançamento. O lançamento por homologação, independentemente de haver ou não pagamento, amolda-se ao prazo decadencial do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional - CTN, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando incidirá a regra decadencial do art. 173, I, do CTN. O entendimento esposado por este relator, no tocante à decadência dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, com qüinqüênio contado na forma do art. 150, § 40 ou 173, I, ambos do CTN, atualmente é uníssono no âmbito do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como exemplos, citam-se os acórdãos n os : 101-95.026, relatora a Conselheira Sandra Maria Faroni, sessão de 16/06/2005; 103-23.170, relator o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, sessão de 10/08/2007; 108-09.230, relator do voto vencedor o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, sessão de 28/02/2007; CSRF/04-00.213, relator o Conselheiro Wilfrido Augusto Marques, sessão de 14/03/2006. Nessa linha, entende-se pacificamente que, desde o Decreto-Lei ri° 1.968/1982, o lançamento do imposto de renda da pessoa física passou a ser por homologação, porque a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento do imposto, sem prévio exame da autoridade administrativa. Assim, considerando que o lançamento do imposto de renda da pessoa física é por homologação, adota-se prazo decadencial na forma do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional - CTN, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando incidirá a regra decadencial do art. 173, I, do CTN. Superado o ponto precedente, deve-se discutir qual a periodicidade do fato gerador do imposto de renda referente aos rendimentos sujeitos à colação na declaração de ajuste anual, ou seja, se tal fato gerador tem periodicidade mensal ou anual. Antes de prosseguir, um pequeno apanhado doutrinário sobre a classificação dos fatos geradores quanto a sua forma de exteriorização, ressaltando que não se desconhece as críticas de parte da doutrina em relação a tal classificação. Por essa classificação, o fato gerador pode ser instantâneo, que se exterioriza por um fato único (como a saída do produto do estabelecimento para o IPI), complexivo ou periódico, que se exterioriza por uma série de fatos econômicos e se aperfeiçoa em um único momento (como exemplo, o imposto de renda), e Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. § 1° a § 30 Omissis; § 40 As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. continuado, que se exterioriza por uma situação de fato, de caráter contínuo, que se renova em determinado período de tempo (como o IPTU). Nessa linha, não há dúvida que o fato gerador do imposto de renda da pessoa fisica referente a rendimentos passíveis de ajuste anual é complexivo, ou seja, aperfeiçoa-se ao final de determinado período de tempo. Aqui, vale ressaltar que, sob a égide da Lei n° 7.713/88, o fato gerador do imposto de renda da pessoa física foi mensal apenas para o. ano-calendário 1989. O imposto era apurado mensalmente, e as pessoas fisicas pagavam, mensalmente, com base nessa apuração. Entretanto, a partir do ano-calendário de 1990, mister conciliar a interpretação do art. 2° da Lei n° 7.713/88 ("O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos") com o art. 2° da Lei n° 8.134/90 ("O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 11"). O art. 11 da Lei n° 8.134/90, aliado ao art. 9° desta Lei, versa sobre a apuração do saldo do imposto a pagar ou a restituir na declaração de ajuste anual. A partir da Lei n° 8.134/90, que introduziu a declaração de ajuste anual nos moldes que se conhece hoje, o fato gerador passou a ser anual, porém se manteve a tributação dos rendimentos à medida de sua percepção. Essa a única interpretação que pode conciliar os dispositivos da Lei n° 7.713/88 com os dá Lei n° 8.134/90, não havendo que se falar em fato gerador do imposto de renda com periodicidade mensal. Na linha acima, a Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, competente para uniformizar a interpretação da legislação tributária da pessoa fisica no âmbito dos Conselhos de Contribuintes, em sessão de 19/06/2007, relatora a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, prolatou o Acórdão n° CSRF/04-00.586, unânime, que restou assim ementado: DECADÊNCIA — LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO — TERMO INICIAL — PRAZO — No caso de lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário extingue-se no prazo de cinco anos, contados da data de ocorrência do fato gerador que, em se tratando de Imposto de Renda Pessoa Física apurado no ajuste anual, considera-se ocorrido em 31 de dezembro do ano-calendário. O entendimento acima é aplicado, como regra geral, a todos os rendimentos percebidos pela pessoa fisica e submetidos ao ajuste na declaração anual. Porém, especificamente no tocante à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, a tese da decadência mensal não se encontra alicerçada nas leis gerais do imposto de renda da pessoa fisica (Leis n os 7.713/88 e 8.134/90), mas no art. 42, § 1° e § 4°, da Lei n° 9.430/96, com âncoras na dicção legal de que "os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos". Assim, é precisar apreciar a periodicidade do fato gerador da omissão em discussão sob a influência do art. 42 da Lei n" 9.430/96, verbis: Art.42.Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1" O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado airferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2" Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e 12 Processo n° 10283.000093/2005-10 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.273 Fl. 180 contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3" Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1- os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa fisica ou jurídica; II -no caso de pessoa fisica, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei n°9.481, de 1997) Tratando-se de pessoa fisica, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Incluído pela Lei n°10.637, de 2002) § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei n°10.637, de 2002) (grifou-se) A tese da decadência mensal da tributação da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada chegou a ser albergada em julgados da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Como exemplo, veja-se o Acórdão 106-15.633, sessão de 21/06/2006, relator o Conselheiro José Ribamar Barros Penha, redator do voto vencedor a Conselheira Sueli Efigênia Mendes de Britto, que restou assim ementado (excerto): MOMENTO DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO - Excetuadas as hipóteses expressamente definidas em lei como de fato gerador anual, a regra de tributação dos rendimentos percebidos pelas pessoas fisicas é no momento da percepção do rendimento. De acordo com o § 4" do art.42 da Lei n" 9.430, na hipótese de presunção de omissão de rendimentos, caracterizada pela existência de depósitos em instituições .financeiras sem comprovação da origem, o imposto incide no mês e tem por base a tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. 1 13 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA - Após o advento do Decreto — lei n" 1.968/1982 (art. 79, que estabelece o pagamento do tributo sem o prévio exame da autoridade administrativa, o lançamento do imposto sobre a renda das pessoas físicas passou a ser do tipo estatuído no artigo 150 do CTN. Nos termos do art. 43 do CTN o fato gerador do imposto sobre a renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica. Fixada pela norma legal a tributação mensal, o termo de início para contagem do prazo de cinco anos para o lançamento é a ocorrência do fato gerador, ou seja, o mês em que o imposto incide. Porém, o entendimento acima, posteriormente, passou a ser rechaçado pela própria Sexta Câmara. A seguir, demonstram-se os motivos pelos os quais não pode prosperar a tese da decadência mensal. Primeiramente, deve-se observar que os parágrafos acima citados e grifados do art. 42 da Lei n° 9.430/96 não dizem tudo o que seria necessário para se ter um fato gerador com periodicidade mensal, pois sequer há a definição do vencimento dessa "obrigação mensal". Quando venceria tal obrigação? No último dia do mês seguinte à percepção dos rendimentos caracterizados pelos depósitos bancários de origem não comprovada, de forma similar aos rendimentos submetidos ao carnê-leão? No último dia útil do mês seguinte ao trimestre civil, como no caso do imposto devido pelas pessoas jurídicas do lucro presumido ou do lucro real trimestral? Na data do depósito bancário, com fato gerador diário, como no caso do IRRF que incide sobre rendimentos pagos a residentes ou domiciliados no exterior ou a pagamento a beneficiário não identificado? Atente-se ainda que a omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada deveria ser tributada no mês em que os rendimentos fossem considerados recebidos, com base na tabela progressiva, como expressamente determinado pelo art. 42, § 4°, da Lei n° 9.430/96, porém, corno acima se viu, não há definição do vencimento dessa obrigação, o que impediria a cobrança de qualquer imposto dentro do ano-calendário por parte da autoridade autuante. Dessa forma, caso não se descubra a origem dos depósitos bancários, somente restará para a autoridade autuante colacionar tais rendimentos aos declarados no ajuste anual, apurando o imposto devido, com vencimento do imposto na data da entrega da declaração anual. De outra banda, o contribuinte que objetivasse regularizar sua situação perante o fisco, de forma espontânea, deveria desnudar a origem dos depósitos bancários, submetendo-os à tributação anual, como recebidos de pessoas jurídicas, fisicas ou de fontes no exterior, ou tributando-os de forma definitiva, corno no ganho de capital, este dentro do ano-calendário. Aqui, registre-se, no caso do desnudamento dos depósitos bancários, elidindo a imposição da presunção legal, a regra, certamente, será a colação dos depósitos corno rendimentos no ajuste anual e não submetê-los a alguma tributação específica definitiva, já que as possibilidades de percepção de rendimentos sujeitos ao ajuste são muito mais amplas que as de tributação definitiva, aqui considerando o crédito bancário de origem não comprovada (as múltiplas hipóteses de tributação definitiva ou exclusiva decorrentes de aplicações financeiras ou sorteios são sempre facilmente identificáveis nos extratos bancários, pelo próprio histórico do crédito, não se subsumindo à omissão de rendimentos em discussão), o que fortalece a idéia de que os rendimentos omitidos decorrentes da presunção em foco devem ser submetidos ao ajuste anual, amplificando a tese da periodicidade anual do fato gerador em discussão. Ainda, deve-se observar que, exceto pelos rendimentos do 13° salário, submetidos à tabela progressiva mensal e tributados exclusivamente na fonte, os demais rendimentos sujeitos à tabela progressiva mensal têm o imposto calculado sobre os valores 14 Processo n° 10283.000093/2005-10 S2-C1 T2 Acórdão n.° 2102-00.273 Fl. 181 efetivamente recebidos em cada mês (art. 3°, parágrafo único, da Lei n° 9.250/95) e, independentemente do recolhimento do IRPF ou IRRF dentro do ano-calendário, devem ser 1 levados à colação na declaração de ajuste anual, ou seja, a tributação dentro do ano-calendário pela tabela progressiva mensal (corno no caso do carnê-leão e dos rendimentos percebidos de pessoa jurídica sujeitos à retenção na fonte e ao ajuste anual) não é definitiva, mas uma mera antecipação do devido no ajuste anual, havendo aplicação de penalidades específicas para o caso da ausência de antecipação dentro do ano-calendário pelo contribuinte (multa isolada prevista no art. 44, II, da Lei n° 9.430/96) ou pela fonte pagadora (art. 9° da Lei n° 10.426/2002). Assim, mais uma vez, inegavelmente, a idéia de submeter rendimentos à tabela progressiva mensal invoca a periodicidade anual do fato gerador do imposto incidente em tais rendimentos, independentemente dos rendimentos serem tributados dentro do ano-calendário ou não, pois tudo irá para o ajuste anual. Observe-se que há similaridade jurídica entre os rendimentos sujeitos ao recolhimento mensal obrigatório — cara leão -, com vencimento mensal especificado no art. 6°, II, da Lei n° 8.383/91 e que não tiveram o imposto antecipado dentro do ano-calendário, e a omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos de origem não comprovada. Ambos são rendimentos omitidos que deveriam ser submetidos à tabela progressiva mensal. Para o primeiro, ressalte-se, a Lei definiu o vencimento da obrigação mensal, porém, mesmo assim, o fato gerador é complexivo anual, sendo que há uma cominação específica pelo não recolhimento da obrigação mensal. Para segundo, com muito mais razão, onde sequer há qualquer definição do vencimento mensal da obrigação, o fato gerador somente pode ser complexivo anual. Por último, especificamente no caso da pessoa fisica, o art. 42, § 3°, II, da Lei n° 9.430/96 determina que não devem ser considerados, na apuração da omissão de rendimentos, os depósitos de valor inferior a R$ 12.000,00, desde que seu somatório, dentro do ano-calendário, não exceda R$ 80.000,00. Mais uma vez se observa que a Lei excluiu da tributação uma série de fatos econômicos, em base anual, a indicar que o fato gerador de tal omissão tem periodicidade anual, dentro da concepção de renda auferida em anos-calendário. Vê-se, por tudo, que deve ser afastada a tese da periodicidade mensal do imposto de renda que incide sobre os rendimentos omitidos oriundos dos depósitos bancários de origem não comprovada, pelos motivos que seguem: 1) o fato gerador do imposto de renda da pessoa fisica, como regra geral, tem periodicidade anual, na forma do art. 2° da Lei n° 7.713/88 c/c os arts. 2° e 9° da Lei n° 8.134/90; 2) como a omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada está sujeita à aplicação da tabela progressiva, necessariamente os rendimentos omitidos devem ser levados à colação no ajuste anual, quando, então, aperfeiçoa-se o fato gerador em 31/12, permitindo-se a apuração do imposto devido. Não se deve perder de vista que a aplicação da tabela progressiva mensal invoca, diretamente, a concepção de rendimentos sujeitos a ajuste no fim do ano-calendário, que tem como consectário inafastável a periodicidade anual do fato gerador do imposto assim apurado; 3) Se os rendimentos sujeitos ao recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão), com vencimento mensal definido em lei, com imposto antecipado, ou não, em cada mês do ano-calendário, são submetidos ao ajuste anual, sendo o fato 15 gerador do imposto complexivo anual, com muito mais razão deve-se estender essa interpretação para os rendimentos oriundos da presunção dos depósitos bancários de origem não comprovada, que sequer tem o vencimento mensal definido em lei; 4) a própria Lei afasta da tributação os depósitos bancários abaixo de R$ 12.000,00, desde que o somatório destes não exceda R$ 80.000,00, dentro do ano-calendário, indicando que o fato gerador de tal omissão deve ser apreendido dentro de um período anual. Dessa forma, percebe-se que a tese da periodicidade mensal do fato gerador da omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada não pode ser aceita. O entendimento aqui esposado vem sendo atualmente acatado pacificamente pela jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes. Como exemplos, vejam-se os Acórdãos nos : 102-48.799 (Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes), sessão de 07/11/2007, relatora a Conselheira Silvana Mancini Karam, por maioria; 104-23.147 (Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes), sessão de 24/04/2008, relator o Conselheiro Nelson Mallmann, unânime; 106-17.254 (Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes), sessão de 05/02/2009, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, unânime. Assim, considerando que o fato gerador dos rendimentos omitidos oriundos de depósitos bancários de origem não comprovada é anual, mister perquirir se a decadência alcançou o fato gerador do ano-calendário 1999, aqui em debate, que se aperfeiçoou em 31/12/1999. O sujeito passivo foi cientificado do auto de infração em 31/12/2004. Como detalhado acima, aqui, acolhe-se a tese de que o fato gerador do imposto de renda oriundo da infração em debate é complexivo, com periodicidade anual, sendo tal tributo sujeito ao lançamento por homologação. Dessa forma, o fato gerador aqui vergastado aperfeiçoou-se em 31/12/1999, e, em 31/12/2004, ainda não tinha fluido o qüinqüênio decadencial, quer contado na forma do art. 150, § 40, do Código Tributário Nacional - CTN, quer contado na forma do art. 173, I, do CTN, o primeiro que somente teve seu termo final em 31/12/2004 (caso houvesse sido comprovada uma conduta dolosa, a justificar a aplicação da regra do art.173, I, do CTN, o prazo decadencial somente findar-se-ia em 31/12/2005, o que, diga-se, não ocorreu no caso vertente), ou seja, a autoridade fiscal concretizou o lançamento no último dia do prazo outorgado pelo art. 150, § 4°, do CTN. Assim, neste ponto, descabida a pretensão do recorrente. Agora, passa -se à defesa do item III (os depósitos bancários não podem ser utilizados como base para o lançamento fiscal do imposto de renda, como esposado em longa jurisprudência administrativa e judicial, inclusive tal entendimento foi plasmado na Súmula 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos). Anteriormente à Lei n° 8.021/90, assentou-se que os depósitos bancários, unicamente, não representavam rendimentos a sofrer a incidência do imposto de renda. Inclusive, o Tribunal Federal de Recursos tinha sumulado um entendimento com tal interpretação (Súmula 182 do TFR), bem como o art. 9 0, VII, do Decreto-Lei n" 2.471/88 determinou o arquivamento de processos administrativos que controlassem débitos de imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou comprovantes de depósitos bancários. 16 Processo n° 10283.000093/2005-10 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.273 Fl. 182 Veio o art. 6°, § 5°, da Lei n° 8.021/90 e, expressamente, permitiu o arbitramento de rendimentos com base em depósitos ou aplicações em instituições financeiras, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza, quando o contribuinte não pudesse comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Porém, para incidência do imposto de renda sobre a hipótese em debate, a jurisprudência administrativa passou a obrigar que a fiscalização comprovasse o consumo da renda pelo contribuinte, representada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados. Essa era a dicção do art. 6° da Lei n° 8.021/90, verbis: Art. 60 O lançamento de oficio, além dos casos já especificados em lei, far-se-á arbitrando-se os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. § I° Considera-se sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. áç 2° Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte. § 3° Ocorrendo a hipótese prevista neste artigo, o contribuinte será notificado para o devido procedimento fiscal de arbitramento. § 4° No arbitramento tomar-se-ão como base os preços de mercado vigentes à época da ocorrência dos fatos ou eventos, podendo, para tanto, ser adotados índices ou indicadores econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas. § 5° O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em . . . ;1 • : • ; • : •• •- • : •: '; • -I: •: ; :.• - .:• ::• recursos utilizados nessas operações. (Revogado pela lei n" 9.430, dt. 1996) § 6° Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte. Esse estado de coisas foi profundamente alterado pelo art. 42, caput, da Lei n" 9.430/96, verbis: Art.42.Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição .financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A partir dessa inovação legislativa, os valores mantidos em conta de depósito sem comprovação de sua origem passaram a ser rendimentos presumidos. Trata-se de presunção iuris tantwn, passível de prova em contrário por parte do contribuinte. Entretanto, caso o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a origem dos valores mantidos em 17 conta de depósito ou investimento, é de se presumir que tais valores foram omitidos da tributação. Observe que o art. 6', § 5', da Lei n° 8.021/90 (tachado acima) tratava do arbitramento dos rendimentos com base em depósitos bancários e foi expressamente revogado pelo art. 88, XVIII, da Lei n° 9.430/96. Dessa forma, para fatos geradores a partir de 1°/01/1997, no tocante à omissão de rendimentos com base em depósitos bancários com origem não comprovada, tem vigência única e plena o art. 42 da Lei n° 9.430/96. Com esse novo estatuto, como já assinalado, o depósito bancário com origem não comprovada é presumido rendimento omitido, com incidência da tabela progressiva do imposto de renda. Nesse novo cenário normativo, não há que se falar em sinais exteriores de riqueza ou prova do consumo da renda para tributar depósitos bancários com origem não comprovada pelo contribuinte. Esta é a hipótese dos autos. Por uma presunção legal relativa, o depósito com origem não comprovada é rendimento tributável pelo imposto de renda. Esse entendimento encontra-se pacificado no âmbito do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como exemplo, por todos, veja-se o Acórdão n° CSRF/04-00.164, sessão de 13 de dezembro de 2005, relatora a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, que restou assim ementado: IRPF - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Presume-se a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei n". 9.430, de 1996). Ainda, apenas para argumentar, eventual conflito normativo entre o art. 42 da Lei n° 9.430/96 e o CTN/Constituição Federal somente poderia ser resolvido no âmbito da declaração de inconstitucionalidade das normas, falecendo competência ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para o mister. Reconhecer que o art. 42 da Lei n° 9.430/96 está em antinomia com o art. 43 do CTN, este que define a base de cálculo do imposto de renda (renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, e proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda), com a supremacia deste último, significaria afirmar que aquele estaria eivado de vicio de inconstitucionalidade, já que conflito de leis em terrenos normativos definidos pela Constituição (campo de atuação da lei ordinária e da lei complementar), como no caso vertente, soluciona-se pela apreciação do vetor constitucional do dissenso. Nessa linha, veja-se o REsp n° 650.949-PR, relator o min. Humberto Martins, unânime na 2" Turma, DJ de 15/02/2007, que restou assim ementado: TRIBUTÁRIO — PROCESSUAL CIVIL — VIOLAÇÃO DO ART. 130 DO CPC — AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO — DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL — INEXISTÊNCIA DE JUNTADA DOS ACÓRDÃOS PARADIGMAS — CONTRARIEDADE AOS ARTS. 46 E 47 DO CTN — MATÉRIA DE íNDOLE CONSTITUCIONAL. 1. A Corte a quo não analisou a matéria recursal à luz cio art. 130 do CPC. Assim, incidem os enunciados 282 e 356 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 18 Processo n° 10283.000093/2005-10 S2-CIT2 Acórdão n.° 2102-00.273 Fl. 183 2. A inclusão do frete na base de cálculo do IPI deriva de imposição do art. 15 da Lei n. 7.789/89, que no entendimento deste Tribunal, teria revogado o art. 47 do CIN. 3. Em casos de revogação de lei complementar (CT1V) por lei ordinária, reveste-se o conflito de índole constitucional, o que enseja a incompetência do Superior Tribunal de Justiça. Precedente: REsp 209320/DF, Rel. Min. Castro Meira, Relator p/ Acórdão o Min. Francisco Peçanha Martins, DJ 20.3.2006, p. 224. Recurso especial não-conhecido. Não por outra razão, após a Emenda Constitucional n° 45, a decisão judicial que julgar válida lei local contestada em face de lei federal passou a ser objeto de Recurso Extraordinário (art. 102, III, "d", da CF88), ou seja, conflitos de leis cujos âmbitos normativos estão definidos na Constituição Federal resolvem-se pela apreciação do vetor constitucional do dissenso. Dessa forma, reconhecer a supremacia do art. 43 do CTN em face do art. 42 da Lei n° 9.430/96, significaria declarar a inconstitucionalidade desse último dispositivo. E, no caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto, norma regimental que tem sede no art. 26-A do Decreto n°70.235/72, na redação dada pela Lei n° 11.941/2009. Assim, na hipótese em debate, escorreito o lançamento que utilizou a presunção estatuída no art. 42 da Lei n° 9.430/96. Passa-se à defesa do item IV (deve ser excluído o depósito de R$ 104.900,00, em abril de 1999, já que se trata de mera transferência da conta corrente n° 19.099, agência 482, do banco Bradesco, para a conta corrente auditada). O então impugnante havia solicitado a exclusão dos depósitos nos montantes de R$ 104.900,00, R$ 2.307,60, R$ 2.535,00, feitos em 12/04/1999, 17/06/1999, 29/07/1999, respectivamente, asseverando que se tratava de mera transferência entre contas de depósitos de mesma titularidade, e juntou documentação comprobatória do alegado (fls. 111 a 113). A decisão recorrida rechaçou a pretensão do contribuinte nos seguintes termos (fl. 144): Ora, ocorre que os valores referentes a Junho e Julho de 1999 ( R$2.307,60 e R$2.535,00) não foram computados no lançamento guerreado, como se observa à fl. 57, Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. Quanto ao valor de R$104.900,00 ( centro e quatro mil e novecentos reais), o contribuinte não conseguiu acostar aos autos a comprovação de que tal valor se referia a transferência entre contas de mesma titularidade. Compulsando a documentação trazida na impugnação e os próprios extratos bancários (fls. 16 e 18), percebe-se que não havia qualquer dúvida quanto à mera transferência entre contas em relação aos valores menores acima, já que os históricos dos créditos na conta corrente auditada e dos débitos indicam claramente o aqui alegado (TRANSF. MM.TITUL.DBTP), o que já levara a fiscalização a efetuar a exclusão desses valores menores. 19 De outra banda, o depósito de R$ 104.900,00 tem um histórico de "DEPÓSITO EM DINHEIRO" na conta auditada (fl. 14) e um histórico "Pagto. Mediante Aut.dbtp" na mesma conta debitada dos valores menores (fl. 113v). Apesar de não haver o histórico de transferência entre contas, não remanesce qualquer dúvida que assiste razão ao contribuinte, inclusive por que, reconheça-se, não há contradição entre os históricos das contas creditada e debitada, havendo um débito com indicação de pagamento de partida de caixa na conta debitada (Pagto. Mediante Aut.dbtp), com o correspondente crédito em dinheiro na conta creditada (DEPÓSITO EM DINHEIRO). Ademais, há identidade entre a data e o valor da operação, na conta debitada e na conta creditada. Não parece crível que expressivo saque no montante de R$ 104.900,00, em conta do contribuinte, em 12/04/1999 (fl. 113v), não se refira ao mesmo crédito na outra conta do fiscalizado. Aqui se deve evidenciar que a documentação referente ao saque de R$ 104.900,00 foi juntada na impugnação e não andou bem a decisão recorrida quando asseverou que não houve comprovação de transferência entre as contas de mesma titularidade. Ora, como já dito, há clara comprovação do saque e do crédito em conta de mesma titularidade, inclusive sendo a conta debitada a mesma que suportou os débitos de menor valor, outrora já excluídos pela fiscalização. Ademais, caso a Turma de Julgamento duvidasse da higidez da documentação que comprovou o saque em conta do fiscalizado (1'1.113), deveria ter convertido o julgamento em diligência, solicitando esclarecimentos no tocante à documentação nova juntada, e não, simplesmente, negar uma realidade que emerge cristalina dos autos, ou seja, que o valor de R$ 104.900,00 tem origem em mera transferência entre contas do fiscalizado. Assim, deve-se excluir o montante de R$ 104.900,00 da base de cálculo da infração. Passa-se à defesa do item V (foi autuado no ano-calendário 1998, por acréscimo patrimonial a descoberto, estando esse crédito tributário já inscrito na dívida ativa da União. Assim, o acréscimo patrimonial do ano antecedente deve ser utilizado para comprovar a origem dos depósitos bancários do ano subseqüente). Aqui, deve-se lembrar que não há antinomia insolúvel entre a apuração do acréscimo patrimonial a descoberto - APD, com supedâneo no art. 3", § 1° (parte final), da Lei n° 7.713/88 c/c o art. 6° da Lei n° 8.021/90, e a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, com fulcro no art. 42 da Lei n° 9.430/96, para anos-calendário posteriores a 1997, tendo a autoridade autuante a discricionariedade para escolher a via investigativa que entender pertinente para o caso concreto. Porém, no mesmo ano-calendário, havendo as duas infrações, deve considerar os rendimentos omitidos provenientes dos depósitos bancários como fonte de recursos no fluxo de caixa que apurar o acréscimo patrimonial a descoberto, sob pena de agravar duplamente o contribuinte, pela omissão de rendimentos oriundos dos depósitos bancários, e por não considerá-los como fonte de recursos no fluxo de caixa do APD. Porém, dentro de um mesmo ano-calendário, jamais a omissão de rendimentos apurada no fluxo de caixa pode justificar os depósitos bancários, já que, para estes, o art. 42 da Lei n° 9.430/96 exige a comprovação individualizada de suas origens, não se podendo excluí-los em bloco a partir da presunção do APD. Porém, como já dito, a omissão de rendimentos oriunda dos depósitos pode diminuir o acréscimo patrimonial a descoberto, pois aquela funciona como fonte de recursos. Entretanto, o debate acima é completamente dissociado da realidade aqui em debate. Não houve uma dupla infração no ano-calendário 1999. Apenas uma omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada foi imputada ao contribuinte no AC1999. Por óbvio, se um APD do AC 1999 não poderia justificar a origem 20 Processo n° 10283.000093/2005-10 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.273 Fl. 184 dos depósitos bancários do AC1999 um APD do AC1998 não poderia justificar os depósitos bancários do AC1999. Por último, compulsando os autos, quer parecer que o contribuinte sofreu a imputação de urna omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada no AC 1998 (fls. 115 a 118), ou seja, não seria uma infração de acréscimo patrimonial a descoberto com indicou em seu recurso voluntário. Assim, estaria pugnando que a omissão de rendimentos do AC1998 justificasse os depósitos bancários do AC1999. A pretensão acima também é descabida. Conforme explicitado no art. 42, § 3°, da Lei n° 9.430/96, os créditos devem ser analisados individualizadamente, ou seja, a origem deve ser apontada caso a caso. Ademais, não há qualquer plausibilidade em defender que os créditos bancários de um ano antecedente sirvam para comprovar a origem de créditos bancários no ano subseqüente, até porque os mesmos recursos não ficam sendo sacados e depositados na seqüência, notadamente na época da vigência da CPMF, quando cada saque agravava a situação do depositante, como ocorreu no caso vertente. Assim, sem razão o recorrente. Por fim, a defesa do item VI (ilegalidade da taxa Selic). A aplicação dos juros de mora, à taxa Selic, é matéria pacificada no âmbito do Primeiro Conselho de Contribuintes, objeto, inclusive, do enunciado Sumular 1° CC n° 4: "A partir de 1 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais". Assim, com espeque no art. 72, caput e § 4°, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda 2, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), deve-se ressaltar que os enunciados sumulares, dos Conselhos de Contribuintes e do CARF, são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2° grau. Dessa forma, não pode prosperar, neste ponto, a irresignação do recorrente. 2 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. § 1" a §3° Omissis. § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. 21 Ante o exposto, voto no - tido de REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR parcial provimento ao recurso .ra excl ir da base de cálculo da infração o montante de R$ 104.900,00. Giovann . hristian N ampo / 22

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Numero do processo: 10880.040865/95-93
Data da sessão: Fri Oct 22 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Fri Oct 22 00:00:00 UTC 1999
Ementa: IRPF - FÉRIAS E LICENÇA INDENIZADAS - De conformidade com a jurisprudência já Sumulada pelo Superior Tribunal de Justiça, tem caráter indenizatório, portanto, não sujeitas à incidência do imposto de renda. Recurso provido.
Numero da decisão: 102-43.957
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros José Clóvis Alves e Ursula Hansen.
Nome do relator: Mário Rodrigues Moreno

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Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MÁRCIO CÉSAR BELTRAMINI. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros José Clóvis Alves e Ursula Hansen. Ai! -4 ANTONIO DE FREITAS DUTRA P R E SiDENT ) MÁRIO O' IGUES MORENO RELATOR FORMALIZADO EM: 12 NOV 1999 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros VALMIR SANDRI e LEONARDO MUSSI DA SILVA. Ausente, justificadamente, os Conselheiros MARIA GORETTI AZEVEDO ALVES DOS SANTOS e FRANCISCO DE PAULA CORRÊA CARNEIRO GIFFON1. MINISTÉRIO DA FAZENDA k."44 • p• • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10880.040865/95-93 Acórdão n°. : 102-43.957 Recurso n°. : 119.316 Recorrente : MÁRCIO CÉSAR BELTRAMINI RELATÓRIO O contribuinte foi notificado a recolher o Imposto de Renda Pessoa Física referente ao exercício de 1995 em virtude da inclusão como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, originados do pagamento de férias e licença prêmio não gozadas. Inconformado, apresentou a tempestiva impugnação de fls. 1/5 juntando documentos (fls. 6/10) onde, em resumo, alega a improcedência da exigência, eis que tais valores foram recebidos a título de indenização, citando legislação, doutrina e jurisprudência que amparam sua pretensão. A Decisão da autoridade de primeira instância (fls. 21123) rejeitou a argumentação da ora recorrente, mantendo integralmente a exigência, sob o fundamento de que tais valores constituem rendimentos tributáveis, nos termos do Art. 30 parágrafo 4° da Lei 7.713/88, bem como, não constam da legislação que rege a matéria dentro das hipóteses de exclusão. lrresignado, recorre a este Conselho ( fls. 26/36 ) juntando documentos ( fls. 37/70 ), reiterando a argumentação expendida na impugnação, citando numerosas decisões judiciais que abrigam seu entendimento, em especial as Sumulas nros 125 e 136 do Superior Tribunal de Justiça. A Douta Procuradoria da Fazenda Nacional manifestou-se pela manutenção integral da exigência pelos fundamentos da Decisão recorrida (fls. 72). Não houve depósito em virtude do Recurso ter sido interposto antes da vigência da Lei que o instituiu. É o Relatório. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA s2=', PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10880.040865/95-93 Acórdão n°. :102-43.957 VOTO Conselheiro MÁRIO RODRIGUF_S MORENO, Relator A Decisão atacada fundamentou-se adequadamente na legislação que rege a matéria dentro do entendimento que vinha sendo dado pela Fazenda. Entretanto, consoante reiterados Acórdãos de diversas Câmaras e mesmo da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o entendimento sobre a matéria, por pragmatismo e economia processual, tem sido no sentido de curvar-se à jurisprudência judicial predominante, tanto que já sumulada pelo Superior Tribunal de Justiça (Sumulas nros 125 e 136), no sentido de que tais pagamentos têm caráter indenizatório, e portanto, excluídos da tributação. Nesse sentido também, recente despacho do Sr. Dr. Procurador Geral da Fazenda Nacional, publicado no Diário Oficial da União de 06 de Agosto de 1999 ( DOU-nro 150-R, seção 1 — pág. 35 ), Parecer PGFN nro 921/99, aprovado pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda. Isto posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso, cancelando-se integralmente a exigência. Sala das Sessões - DF, em 22 de outubro de 1999. •_1111 MÁRIO 'O a RIGUES MORENO 3 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1

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Numero do processo: 10925.001279/2006-74
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 ITR. ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. REQUISITOS. Para efeitos de apuração do ITR, será considerada área de exploração extrativa a área total de Plano de Manejo Sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO ITR. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. PRAZO. Para fins de redução no cálculo do ITR, a área de reserva legal deve estar averbada no Registro de Imóveis competente até a data de ocorrência do fato gerador. AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA. ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. VERIFICAÇÃO. O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil possui competência para verificar se o contribuinte preencheu os requisitos exigidos pela legislação para exclusão da área de exploração extrativa da tributação do ITR. INTIMAÇÃO. PRAZO. PEDIDO DE PRORROGAÇÃO. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa a ausência de manifestação da autoridade fiscal sobre pedido de prorrogação de prazo para atendimento de intimação. A fase litigiosa do procedimento fiscal se instaura com a impugnação da exigência, momento em que o contribuinte pode apresentar todos os documentos e argumentos que entender necessários para a constituição de sua defesa. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Dessa forma não lhe cabe apreciar alegações de violação a princípios constitucionais que tenham por objetivo afastar a aplicação da lei tributária. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE 75%. EXIGÊNCIA. Comprovada a falta ou insuficiência de recolhimento do imposto, correta a lavratura de auto de infração para a exigência do tributo, aplicando-se a multa de ofício de 75%. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, no caso apreciado, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para alterar a área de reserva legal de 55,5 ha para 69,86 ha, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre que dava provimento parcial ao recurso para acatar a área de reserva legal pleiteada pelo contribuinte. Ausência momentânea: Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente em exercício Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre e Walter Reinaldo Falcão Lima. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Claudio Farina Ventrilho.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCAO LIMA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 ITR. ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. REQUISITOS. Para efeitos de apuração do ITR, será considerada área de exploração extrativa a área total de Plano de Manejo Sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO ITR. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. PRAZO. Para fins de redução no cálculo do ITR, a área de reserva legal deve estar averbada no Registro de Imóveis competente até a data de ocorrência do fato gerador. AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA. ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. VERIFICAÇÃO. O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil possui competência para verificar se o contribuinte preencheu os requisitos exigidos pela legislação para exclusão da área de exploração extrativa da tributação do ITR. INTIMAÇÃO. PRAZO. PEDIDO DE PRORROGAÇÃO. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa a ausência de manifestação da autoridade fiscal sobre pedido de prorrogação de prazo para atendimento de intimação. A fase litigiosa do procedimento fiscal se instaura com a impugnação da exigência, momento em que o contribuinte pode apresentar todos os documentos e argumentos que entender necessários para a constituição de sua defesa. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Dessa forma não lhe cabe apreciar alegações de violação a princípios constitucionais que tenham por objetivo afastar a aplicação da lei tributária. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE 75%. EXIGÊNCIA. Comprovada a falta ou insuficiência de recolhimento do imposto, correta a lavratura de auto de infração para a exigência do tributo, aplicando-se a multa de ofício de 75%. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, no caso apreciado, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2230; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE01  Fl. 349          1 348  S2­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10925.001279/2006­74  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2801­002.835  –  1ª Turma Especial   Sessão de  20 de novembro de 2012  Matéria  ITR  Recorrente  INDÚSTRIAS NOVACKI S.A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ­ ITR  Exercício: 2002  ITR. ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. REQUISITOS.  Para  efeitos  de  apuração  do  ITR,  será  considerada  área  de  exploração  extrativa  a  área  total  de  Plano  de Manejo  Sustentado,  desde  que  aprovado  pelo  órgão  competente,  e  cujo  cronograma  esteja  sendo  cumprido  pelo  contribuinte.  ÁREA  DE  RESERVA  LEGAL.  EXCLUSÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO  DO ITR. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. PRAZO.  Para  fins  de  redução  no  cálculo  do  ITR,  a  área  de  reserva  legal  deve  estar  averbada no Registro de Imóveis competente até a data de ocorrência do fato  gerador.  AUDITOR­FISCAL  DA  RECEITA  FEDERAL  DO  BRASIL.  COMPETÊNCIA.  ÁREA  DE  EXPLORAÇÃO  EXTRATIVA.  VERIFICAÇÃO.  O  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil  possui  competência  para  verificar  se  o  contribuinte  preencheu  os  requisitos  exigidos  pela  legislação  para exclusão da área de exploração extrativa da tributação do ITR.  INTIMAÇÃO.  PRAZO.  PEDIDO DE  PRORROGAÇÃO.  AUSÊNCIA DE  MANIFESTAÇÃO.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  INOCORRÊNCIA.  Não caracteriza cerceamento do direito de defesa a ausência de manifestação  da autoridade fiscal sobre pedido de prorrogação de prazo para atendimento  de  intimação.  A  fase  litigiosa  do  procedimento  fiscal  se  instaura  com  a  impugnação  da  exigência, momento  em que  o  contribuinte  pode  apresentar  todos  os  documentos  e  argumentos  que  entender  necessários  para  a  constituição de sua defesa.  PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 12 79 /2 00 6- 74 Fl. 412DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10925.001279/2006­74  Acórdão n.º 2801­002.835  S2­TE01  Fl. 350          2 O Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a  inconstitucionalidade de lei  tributária. (Súmula CARF nº  2).  Dessa  forma  não  lhe  cabe  apreciar  alegações  de  violação  a  princípios  constitucionais que tenham por objetivo afastar a aplicação da lei tributária.  LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE 75%. EXIGÊNCIA.  Comprovada  a  falta  ou  insuficiência  de  recolhimento  do  imposto,  correta  a  lavratura de auto de infração para a exigência do tributo, aplicando­se a multa  de ofício de 75%.  JUROS DE MORA. TAXA SELIC.  A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)  DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.  As  decisões  administrativas  não  vinculam  os  julgamentos  deste  Conselho,  posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só  produzem  efeitos  entre  as  partes  envolvidas,  no  caso  apreciado,  não  beneficiando nem prejudicando terceiros.  Preliminares Rejeitadas.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros  do  colegiado,    por  unanimidade de  votos,  rejeitar  as  preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso  para alterar a área de reserva legal de 55,5 ha para 69,86 ha, nos  termos do voto do Relator.  Vencido o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre que dava provimento parcial  ao  recurso  para  acatar  a  área  de  reserva  legal  pleiteada  pelo  contribuinte.  Ausência  momentânea:  Conselheiro Sandro Machado dos Reis.   Assinado digitalmente  Tânia Mara Paschoalin – Presidente em exercício  Assinado digitalmente  Walter Reinaldo Falcão Lima ­ Relator.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Tânia  Mara  Paschoalin, Sandro Machado dos Reis,  José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros  Pierre e Walter Reinaldo Falcão Lima. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Claudio  Farina Ventrilho.  Relatório  Fl. 413DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10925.001279/2006­74  Acórdão n.º 2801­002.835  S2­TE01  Fl. 351          3 Por descrever bem os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância  (fls. 302), que reproduzo a seguir:  “Contra a  interessada supra­identificada  foi  lavrado o Auto de  Infração  e  respectivos  demonstrativos  de  f.  01/38, por meio  do  qual se exigiu o pagamento de diferença do Imposto Territorial  Rural – ITR do Exercício 2002, acrescido de juros moratórios e  multa  de  ofício,  totalizando  o  crédito  tributário  de  R$  113.538,44,  relativo  ao  imóvel  rural  cadastrado  na  Receita  Federal  sob  nº  1.979.824­5,  localizado  no município  de Matos  Costa ­ SC.  Na descrição dos fatos (f. 22/44), o fiscal autuante relata que no  Quadro  “Distribuição  da  Área  Utilizada”,  foi  glosada  totalmente  a  área  declarada  como  de  Exploração  Extrativa  (1.017,3 ha), por não haver sido comprovado o cumprimento dos  requisitos  legais  para  sua  aceitação.  Em  conseqüência,  houve  aumento da alíquota e do valor devido do tributo.  A  interessada  apresentou  a  impugnação  de  f.  248/272.  Em  síntese,  alega  que  proibições  de  ordem ambiental  impediram  o  prosseguimento do plano de manejo. Argumenta que os imóveis  localizados na região da Mata Atlântica devem ser preservados  e  que  a  revogação  do  plano  de manejo  existente  não  significa  dizer  que  a  área  é  improdutiva.  Aduz  que  o  procedimento  caracteriza ato ilegal, haja vista que não há fundamentos fáticos  e  jurídicos  para  que  a  autoridade  lançadora  considere  que  o  PMFS  esteja  em  desacordo  com  as  diretrizes  da  Portaria  Interinstitucional nº 91/1996. Defende que o IBAMA é o Órgão  competente  para  aferir  o  cumprimento  ou  não  do  plano  de  manejo. Sustenta que o ITR 2001  foi devidamente calculado na  DITR do  respectivo Exercício. Alega que a  intimação  fiscal  foi  integralmente  atendida,  tendo  sido  apresentadas  todas  as  informações  requeridas.  Solicita  que  sejam aceitas  como  áreas  de  reserva  legal  os  termos  de  manejo  averbados.  Insurge­se  contra a  cobrança dos  juros SELIC, que afirma estarem acima  dos  limites  constitucionais  e  legais,  e  da  multa,  que  alega  ser  confiscatória.”  A 1a Turma da DRJ/Campo Grande­MS julgou o lançamento procedente (fls.  300/309) em parte, para acatar a área de reserva legal de 55,5 ha, por cumprir todos requisitos  formais exigidos pela legislação. Oportuno reproduzir a ementa daquele aresto:  “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ­ ITR  Exercício: 2002  ÁREA  DE  RESERVA  LEGAL.  ÁREA  DE  PRESERVAÇÃO  PERMANENTE. ADA.  Por  exigência  de  Lei,  para  ser  considerada  isenta,  a  área  de  reserva legal deve estar averbada na Matrícula do imóvel junto  ao Cartório de Registro de Imóveis e ser reconhecida mediante  Ato Declaratório Ambiental  ­ ADA, cujo  requerimento deve ser  protocolado  dentro  do  prazo  estipulado.  O  ADA  é  igualmente  Fl. 414DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10925.001279/2006­74  Acórdão n.º 2801­002.835  S2­TE01  Fl. 352          4 exigido  para  a  comprovação  das  áreas  de  preservação  permanente.  EXPLORAÇÃO EXTRATIVA.  Não  comprovada  a  efetiva  exploração  extrativa,  com  observância  dos  índices  de  rendimento  e  da  legislação  ambiental,  nem  a  aprovação  do  plano  e  cumprimento  do  cronograma  de  exploração  por  manejo  sustentado  de  floresta,  deve ser tida como procedente a glosa da área declarada a esse  título.  Lançamento Procedente em Parte.”  Cientificada  do  acórdão  de  primeira  instância  em  15/12/2008  (fls.  312),  a  interessada interpôs, em 14/1/2009, o Recurso de fls. 313/346, alegando, preliminarmente:  a)  incompetência  do  agente  fiscal  para  emitir  juízo  de  valor  em  matéria  ambiental,  acerca  da  glosa  da  área  de  Plano  de  Manejo  Florestal  Sustentado (PMFS), o que acarreta a nulidade do lançamento;  b)  cerceamento  do  direito  de  defesa,  caracterizado  pela  ausência  de  manifestação  da  autoridade  fiscal  sobre  pedido  de  prorrogação  de  prazo  para  apresentação da documentação solicitada, o que acarreta a nulidade  do lançamento;  c)  observância  do  princípio  da  autotutela  pela  Administração  Pública  para  fins  de  declarar  a  nulidade  do  lançamento,  pelas  razões  expostas  nas  alíneas anteriores.  Quanto ao mérito, sustenta, em síntese, que:  a)  o  PMFS  foi  perfeitamente  executado  e  ainda  é  válido,  produzindo  integralmente  seus  efeitos  jurídicos.  Foi  reconhecido  por  meio  de  Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR), emitido pelo INCRA em  dezembro de 2005, que o aceitou como plenamente cumprido e vigente;  b) a exigência de apresentação de Relatório Anual de Execução do PFMS é  abusiva e não encontra  respaldo  legal, neste caso, devido seu PFMS não  estar em fase de execução, por não serem emitidas autorizações para corte  desde 1993. Nesse sentido, o art. 19 da Portaria Interinstitucional n° 01/96  prevê que não há necessidade da apresentação daquele Relatório. Somente  após  a  emissão de novas  autorizações para  corte,  surgirá  a obrigação de  apresentá­lo;   c) apesar de  impassível de exploração, o PMFS é efetivamente válido, uma  vez  que  continua  a  produzir  integralmente  efeitos  jurídicos,  inexistindo  qualquer óbice ao reconhecimento da isenção garantida expressamente na  legislação em vigor.  d) foi elaborado Laudo para comprovar que a área em questão encontra­se em  fase  de  recomposição,  sendo  que  tal  documento  não  poderia  ser  desconsiderado pelo Fisco;  Fl. 415DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10925.001279/2006­74  Acórdão n.º 2801­002.835  S2­TE01  Fl. 353          5 e) a glosa da área de exploração extrativa fere o princípio do não­confisco;  f) mesmo que não se acate o PFMS apresentado, a área glosada é composta  em sua totalidade por floresta considerada Mata Atlântica,  impossível de  ser  explorada,  sendo  equiparada  à  área  de  preservação  permanente,  nos  termos do Decreto nº 750/93 e da Lei nº 11.428/2007;  g)  após  a  edição  do  Decreto  nº  750/93,  a  área  em  questão  restou  gravada  como de utilização limitada, nos termos do Termo de Responsabilidade de  Manutenção de Florestas em Manejo;  h) toda área de reserva legal averbada discriminada no demonstrativo contido  no recurso deve ser considerada (275,6 ha), haja vista a comprovação de  sua existência e pelo fato de que isenção dessa área não está condicionada  à sua averbação;   i)  a não incidência da multa de ofício e dos juros de mora, em virtude de a  DITR apresentar absoluta correspondência com a realidade dos fatos;  j)  cita decisões administrativas para corroborar suas alegações.  Diante do exposto acima requer, preliminarmente, a nulidade do lançamento,  e o provimento de seu recurso.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima, Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  as  demais  condições  de  admissibilidade,  portanto merece ser conhecido.  DAS PRELIMINARES  O recorrente alega incompetência do agente fiscal para emitir juízo de valor  em matéria ambiental, que considerou não cumprido o cronograma do PFMS, que diz respeito  à  comprovação  da  área  de  exploração  extrativa  informada  na  DITR.  Entretanto  essa  argumentação não prospera. A autoridade lançadora, no exercício de sua atividade vinculada,  verificou se o contribuinte atendeu às exigências previstas na legislação do ITR, art. 10, § 5°,  da Lei nº 9.393/96, que assim dispõe:  “Art. 10 (...)  § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar­se­á:  (...)  V – área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano  anterior tenha:  (...)  Fl. 416DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10925.001279/2006­74  Acórdão n.º 2801­002.835  S2­TE01  Fl. 354          6 c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de  rendimento por produto e a legislação ambiental.  (...)  § 5º. Na hipótese de que trata a alínea c do inciso V do § 1º, será  considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado,  desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma  esteja sendo cumprido pelo contribuinte.”   (grifo meu)  Constatado  que  o  contribuinte  não  atendeu  ao  disposto  na  norma  acima,  efetuou  corretamente  a  glosa  da  aludida  área.  Trata­se,  portanto,  de  atividade  prevista  legalmente, no âmbito da legislação tributária.   A ausência de manifestação da autoridade fiscal sobre pedido de prorrogação  de prazo para atendimento de  intimação não constitui cerceamento do direito de defesa, haja  vista  que  a  interessada  poderia  ter  apresentado  todos  documentos  e  argumentações  que  entendesse  convenientes  para  a  sua  defesa  na  impugnação,  que  é  quando  se  instaura  a  fase  litigiosa do procedimento fiscal, conforme disposto no art. 14 do Decreto nº 70.235/72.  Diante do exposto acima REJEITO as preliminares suscitadas.  DO MÉRITO  ­ DA GLOSA DA ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA  De  acordo  com  a Descrição  dos  Fatos  do  respectivo Auto  de  Infração,  fls.  03/17,  a  glosa  da  área  de  exploração  extrativa  ocorreu  porque  não  restou  comprovado  o  cumprimento  do  cronograma  do  PMFS,  na  forma  prevista  na  Portaria  Interinstitucional  n°  01/96,  que  determina  que  o  Relatório  de  Execução  deve  ser  apresentado  anualmente  ao  IBAMA. Também não foi juntado, em substituição ao Relatório de Execução, o Relatório Final  protocolado  no  IBAMA,  demonstrando  os  resultados  até  o  momento  e  projetando  o  dito  período de recuperação de incremento da floresta por prazo determinado, com a sua respectiva  aprovação pelo IBAMA. Dessa forma a autoridade lançadora reconheceu a existência do plano  de manejo para o  imóvel objeto do  lançamento, mas considerou que não  foram apresentadas  provas  da  execução  do  citado  plano  no  ano  de  2001  e  que  o  seu  cronograma  tenha  sido  cumprido, entendimento que a recorrente não concorda.  A exigência de plano de manejo aprovado pelo órgão competente e da prova  do  cumprimento  de  seu  cronograma,  para  fins  de  reconhecimento  da  área  de  exploração  extrativa com efeitos na apuração do ITR, objeto de plano de manejo, está prevista no art. 10, §  1º, inciso V, “c”, e § 5°, da Lei nº 9.393/96.  A Portaria  Interinstitucional n° 1, de 04/06/96, assinada conjuntamente pelo  Instituto  Brasileiro  de Meio Ambiente  e  dos  Recursos  Naturais  Renováveis  (IBAMA),  pela  Secretaria  de Estado  e Desenvolvimento Urbano  e Meio Ambiente de  Santa Catarina  e  pela  Fundação do Meio Ambiente (FATMA), trata da regulamentação acerca dos Planos de Manejo  Florestal Sustentado ao IBAMA para o Estado de Santa Catarina, sendo que seu art. 17 assim  dispõe:  Fl. 417DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10925.001279/2006­74  Acórdão n.º 2801­002.835  S2­TE01  Fl. 355          7 “Art.  17. O  detentor  do PMFS  deve  apresentar  anualmente  ao  IBAMA o Relatório Técnico de Execução, devidamente assinado  pelo  responsável  técnico,  incluindo  a  avaliação  da  área  manejada contendo no mínimo as seguintes informações:  I  ­  caracterização  da  área  após  a  exploração,  informando  volume ou quantidades exploradas e remanescentes por espécie  e as operações silviculturais;  II  ­  operações de  exploração  florestal  realizadas,  referentes ao  corte, arraste e transporte, incluindo a estrutura da rede viária,  pátio  de  estocagem,  dimensionamento  do  pessoal  envolvido  e  equipamento utilizado;  III  —  anexar,  ao  relatório,  a  ART  emitida  a  cada  visita  do  responsável  técnico  à  área,  contendo  as  orientações  e  observações prestadas ao detentor do PMFS;  IV — justificativa técnica referente às operações não realizadas  no prazo previsto no cronograma físico de execução do PMFS,  quando for o caso.  Parágrafo único. O Relatório Técnico de Execução mencionado  no  caput  deste  artigo  deve  incluir  a  cada  2  (dois)  anos  o  resultado  das  remedições  das  parcelas  e  das  subparcelas  de  regeneração natural.”  Constam, às fls. 51 e 52, autorizações para manejo concedidas pelo Instituto  Brasileiro de Desenvolvimento Florestal em fevereiro de 1991, com validade até fevereiro de  1992, para a  recorrente explorar a área de 737,0 ha, nos  termos ali expostos. Às fls. 78 e 79  constam  Atos  Declaratórios  Ambientais  (ADA),  relativos  aos  exercícios  1997  e  2003,  informando a existência daquela área como sendo referente a plano de manejo florestal. Ás fls.  85  foi  anexada  outra  autorização  para  manejo  florestal  da  mencionada  área,  concedida  em  dezembro de 1992, com validade até dezembro de 1993. Às fls. 131/216 foi juntada cópia do  PFMS relativo à área em questão.  Compulsando  os  autos,  verifica­se  que  a  contribuinte  não  comprovou  que  cumpriu  o  cronograma de  seu PFMS,  nos  termos  estabelecidos  no  §  5º  do  art.  10  da Lei  nº  9.393/96, e no art. 17 da Portaria Interinstitucional n° 1, de 04/06/96, acima mencionada, posto  que  não  apresentou  o Relatório Técnico  de Execução  do Plano  referente  ao  ano  de  2001. O  único  Relatório  de  Execução  apresentado  (fls.  275/282)  foi  elaborado  em  20/7/2006  com  o  objetivo de demonstrar as condições em que se encontrava o PFMS naquela data. Ademais não  há provas de que esse Relatório foi protocolado no IBAMA , como exige a legislação.  Não obstante o acima exposto, no Relatório de Execução apresentado consta  a  informação  de  que,  a  partir  da  edição  da  Portaria  Interinstitucional  nº  01/96,  os  PFMS  deveriam  passar  por  uma  adequação,  sendo  que  a  contribuinte  decidiu  por  não  renovar  a  autorização  de  exploração  do  seu  Plano.  Assim  resta  claro  a  inexistência  de  PFMS  em  execução no ano de 2001. Confira­se abaixo trecho daquele Relatório que aborda o assunto:  “[...]  V.  Com  a  edição  da  Portaria  Interinstitucional  n°  1  de  04/06/1996,  o  IBAMA/SC  retomou  a  aprovação  dos  Planos  de  Fl. 418DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10925.001279/2006­74  Acórdão n.º 2801­002.835  S2­TE01  Fl. 356          8 Manejo Florestal,  sendo que  para  isso  os Planos  já aprovados  deveriam passar por uma adequação, no caso de haver interesse  do proprietário em continuar com a exploração;  VI. A empresa proprietária do imóvel iniciou o processo, mas em  função de  algumas  exigências,  houve  a  decisão  de  não  efetuar  nova renovação da Autorização de Exploração do Plano, pois o  mesmo encontrava­se em fase de recuperação de incremento da  floresta;   [...]” (grifo meu)  A alegação de que o art. 19 da citada Portaria, abaixo reproduzido, dispensa a  elaboração de Relatório de Execução anual, no presente caso, não prospera. Isso porque aquele  dispositivo trata de situação em que o PFMS teve sua execução concluída, logo, não havendo  mais Plano de Manejo em execução, não há que se exigir aquele Relatório, tampouco há que se  falar em área de exploração extrativa neste caso, por força do disposto no § 5º do art. 10 da Lei  nº 9.393/96.   “Art.  19  ­  Finda  a  execução  do  PMFS  ou  do  RCS  de  uma  determinada área, nova exploração nesta área somente pode ser  admitida  após  a  comprovação  técnica  da  plena  recomposição  dos estoques iniciais, em volume, vedada esta possibilidade para  aquelas  espécies  cujos  estoques  ainda  estiverem  em  fase  de  recomposição.  Parágrafo único. A comprovação técnica da plena recomposição  dos  estoques  de  que  trata  o  ‘caput’  deste  artigo  deve  ser  feita  mediante  a  apresentação,  ao  IBAMA,  do  resultado  das  remedições  das  parcelas  e  das  sub­parcelas  de  regeneração  natural, a cada dois anos.”  A interessada juntou, às fls. 82, CCIR relativo aos anos de 2003 a 2005, com  data  de  vencimento  em  23/1/2006,  e  alega  que  este  documento,  emitido  pelo  INCRA,  reconheceu o PFMS como plenamente cumprido e vigente. Analisando o documento, constata­ se que não há qualquer referência ao PMFS, cabendo destacar que as informações ali contidas  são  exclusivamente  cadastrais,  conforme  observação  constante  do  item  3  do  campo  “Esclarecimentos Gerais”.  Assim não havendo provas de que o PFMS em questão continuava válido e  que  seu  cronograma  estava  sendo  cumprido  no  ano  de  2001,  correta  a  glosa  da  área  de  exploração extrativa efetuada pela autoridade lançadora.   A  recorrente  sustenta que, mesmo que não se acate o PFMS apresentado, a  área glosada é composta em sua totalidade por floresta considerada Mata Atlântica, impossível  de ser explorada, sendo equiparada à área de preservação permanente, nos termos do Decreto  nº 750/93 e da Lei nº 11.428/2007.   Em que pese as argumentações da recorrente, cumpre observar que a Lei n°  11.428, que incluiu a alínea “e” no inciso II do § 1° do art. 10 da Lei n° 9.393/96, para excluir  da  base  de  cálculo  do  ITR  as  áreas  cobertas  por  florestas  nativas  da  tributação  do  ITR,  tais  como as áreas da Floresta Atlântica, foi editada em 22/12/2006 e publicada no Diário Oficial  da  União  em  26/12/2006.  Logo  não  alcança  os  fatos  geradores  ocorridos  em  1/1/2002  Fl. 419DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10925.001279/2006­74  Acórdão n.º 2801­002.835  S2­TE01  Fl. 357          9 (ITR/2002), posto que não há qualquer dispositivo naquela norma que determine que os efeitos  dessa exclusão da tributação são retroativos àquela data.   Cumpre  assinalar  que  o  Decreto  nº  750/93  não  estabeleceu  que  as  áreas  abrangidas pela Floresta Atlântica  estavam excluídas da  tributação do  ITR, ou que deveriam  ser consideradas como área de preservação permanente para fins de ITR.  Por  tais  razões  não  há  como  aceitar  a  área  glosada  como  sendo  área  de  preservação permanente.  Quanto  à  alegação  de  que  a  glosa  da  área  de  exploração  extrativa  fere  o  princípio  do  não­confisco,  cumpre  informar  que  se  trata  de  arguição  de  ofensa  a  princípio  constitucional, sendo que, nos termos da Súmula CARF nº 2, abaixo transcrita, este Conselho  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária.  O  acatamento da alegação da recorrente acarretaria o reconhecimento da inconstitucionalidade da  Lei nº 9.393/96, que trata da exclusão daquela área da base de cálculo do ITR.  “Súmula CARF nº 2   O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.”  ­ DA ÁREA DE RESERVA LEGAL  A exigência da averbação da área de reserva legal até a data da ocorrência do  fato  gerador,  para  fins  de  redução  da  base  de  cálculo  do  ITR,  constitui  matéria  bastante  controversa no âmbito deste Conselho, sendo objeto de distintos entendimentos, sendo que me  alinho àquele que considera tal exigência imprescindível para exclusão da aludida área da base  de cálculo daquele tributo, por se tratar de ato constitutivo e não mera formalidade, haja vista o  disposto no art. 16, § 8º, da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela  MP nº 2.166­67, de 24 de agosto de 2001, e também ao disposto no art. 1.227, do Código Civil,  abaixo transcritos:  Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965  Art.16.  As  florestas  e  outras  formas  de  vegetação  nativa,  ressalvadas  as  situadas  em  área  de  preservação  permanente,  assim  como  aquelas  não  sujeitas  ao  regime  de  utilização  limitada  ou  objeto  de  legislação  específica,  são  suscetíveis  de  supressão, desde que sejam mantidas, a  título de  reserva  legal,  no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.166­67,  de 2001)  (...)  §8o  A  área  de  reserva  legal  deve  ser  averbada  à  margem  da  inscrição  de  matrícula  do  imóvel,  no  registro  de  imóveis  competente,  sendo  vedada  a  alteração  de  sua  destinação,  nos  casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou  de retificação da área, com as exceções previstas neste Código.  (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166­67, de 2001)”   (destaque meu)  Fl. 420DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10925.001279/2006­74  Acórdão n.º 2801­002.835  S2­TE01  Fl. 358          10 Código Civil   Art.  1.227.  Os  direitos  reais  sobre  imóveis  constituídos,  ou  transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro  no  Cartório  de  Registro  de  Imóveis  dos  referidos  títulos  (arts.  1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código”.   Diante  do  exposto  acima  entendo  que,  para  fins  de  exclusão  da  base  de  cálculo  do  ITR,  a  área  de  reserva  legal  deve  ter  sido  averbada  à  margem  da  matrícula  do  imóvel  até  a  data  de  ocorrência  do  fato  gerador.  A  partir  do  exercício  de  2001  constitui,  também,  requisito  indispensável  à  fruição  do  benefício ADA  tempestivamente  protocolizado  no IBAMA, declarando a existência da respectiva área, art. 17­O, § 1º, da Lei 10.165, de 27 de  dezembro de 2000, que assim dispõe:  "Art.  17­0.  Os  proprietários  rurais  que  se  beneficiarem  com  redução  do  valor  do  Imposto  sobre  a  Propriedade  Territorial  Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental  ­ ADA,  deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11  do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título  de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000)  § 1º­A. A Taxa de Vistoria a que se  refere o caput deste artigo  não  poderá  exceder  a  dez  por  cento  do  valor  da  redução  do  imposto proporcionada pelo ADA  (incluído nela Lei n° 10.165.  de 2000)  §1º. A  utilização  do  ADA  para  efeito  de  redução  do  valor  a  pagar do ITR é obrigatória.  (Redação dada pela Lei n°10.165,  de 2000)" (grifos acrescidos)  Como  a  protocolização  tempestiva  do  ADA  não  foi  questionada  pela  fiscalização  e  pelo  órgão  julgador  de  primeira  instância,  deve  ser  considerada  atendida  essa  exigência.  Utilizando  o  mesmo  critério  adotado  no  lançamento  para  o  imóvel  aqui  analisado, a área de reserva legal de 55,5 ha, que foi considerada no acórdão recorrido como  averbada à margem da matrícula do imóvel até a data de ocorrência do fato gerador, 1/1/2002,  deve  ser  acrescida  de  14,36  ha,  relativa  à  averbação AV.  1­15.332  (fls.  69),  por  haver  sido  efetivada  em 25/3/99,  e que não havia  sido  considerada. Assim a  área de  reserva  legal  a  ser  excluída da base de cálculo do ITR/2002 corresponde a 69,86 ha.  Acerca  das  decisões  administrativas  citadas,  cumpre  assinalar  que  elas  não  vinculam  os  julgamentos  deste  Conselho,  posto  que  inexiste  lei  que  lhes  atribua  eficácia  normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, no caso apreciado,  não beneficiando nem prejudicando terceiros.  ­ DA MULTA DE OFÍCIO E DOS JUROS DE MORA  Em relação à multa de ofício, sua aplicação é de caráter obrigatório, no caso  de  lançamento de ofício, nos  termos do art. 44,  I, da Lei nº 9.430/96, c/c o art. 14 da Lei nº  9.393/1.996, abaixo transcrito:  “Lei nº 9.393/1.996  Fl. 421DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10925.001279/2006­74  Acórdão n.º 2801­002.835  S2­TE01  Fl. 359          11 Art.  14.  No  caso  de  falta  de  entrega  do  DIAC  ou  do  DIAT,  bem  como  de  subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a  Secretaria  da  Receita  Federal  procederá  à  determinação  e  ao  lançamento  de  ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de  sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de  utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização.  § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no  art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão  levantamentos  realizados  pelas  Secretarias  de  Agricultura  das  Unidades  Federadas ou dos Municípios.  §  2º.  As  multas  cobradas  em  virtude  do  disposto  neste  artigo  serão  aquelas  aplicáveis aos demais tributos federais."   No que diz  respeito à exigência de  juros de mora, convém ressaltar que se  trata de matéria pacificada no âmbito deste Conselho, por meio da Súmula CARF nº 4:  “Súmula CARF nº 4   A partir de 1º de abril  de 1995, os  juros moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­  SELIC para títulos federais.”  Por tais razões, voto por REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito,  por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para alterar a área de reserva legal de 55,5 ha  para 69,86 ha.    Assinado digitalmente  Walter Reinaldo Falcão Lima                                 Fl. 422DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por TANIA MARA PASCHOAL IN

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Numero do processo: 16327.000817/2007-10
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2005 EXCLUSÃO INDEVIDA. RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ANTERIOR ADIÇÃO. Deve ser mantida glosa por exclusão indevida do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real, quando o contribuinte recupera créditos, efetua o registro da receita correspondente, e não comprova que anteriormente, no momento em que constituiu a provisão para perdas, adicionou o valor correspondente à base de cálculo do imposto. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL Exercício. 2005 EXCLUSÃO INDEVIDA. RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ANTERIOR ADIÇÃO. Deve ser mantida glosa por exclusão indevida do lucro líquido, para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, quando o contribuinte recupera créditos, efetua o registro da receita correspondente, e não comprova que anteriormente, no momento em que constituiu a provisão para perdas, adicionou o valor correspondente â base de cálculo da contribuição. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício. 2005 EXCLUSÃO INDEVIDA. RECEITA DE RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO DO VALOR CONTÁBIL ANTES DA BAIXA COMO PERDA. Deve ser afastada a exigência de PIS incidente sobre receitas de créditos recuperados quando o contribuinte comprova que a recuperação se deu pelo exato valor pelo qual os créditos se encontravam registrados em seu ativo, antes de sua baixa como perda, inexistindo novas riquezas a serem alcançadas por essa contribuição. A contrário senso, deve ser mantida a exigência sobre a diferença positiva entre o valor recuperado e o valor contábil dos créditos, antes de sua baixa como perda, se o contribuinte não consegue comprovar sua alegação de que o valor recuperado já constaria anteriormente de sua contabilidade pelo montante integral. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COMAS Exercício: 2005 EXCLUSÃO INDEVIDA. RECEITA DE RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO DO VALOR CONTÁBIL ANTES DA BAIXA COMO PERDA. Deve ser afastada a exigência de COFINS incidente sobre receitas de créditos recuperados quando o contribuinte comprova que a recuperação se deu pelo exato valor pelo qual os créditos se encontravam registrados em seu ativo, antes de sua baixa como perda, inexistindo novas riquezas a serem alcançadas por essa contribuição. A contrário senso, deve ser mantida a exigência sobre a diferença positiva entre o valor recuperado e o valor contábil dos créditos, antes de sua baixa como perda, se o contribuinte não consegue comprovar sua alegação de que o valor recuperado já constaria anteriormente de sua contabilidade pelo montante integral. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1301-000.238
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a exigência do PIS e da Cofins incidente sobre o montante da R$ 4.055.229,55 referente ao contrato firmado com a empresa CEMAR, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha

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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2005 EXCLUSÃO INDEVIDA. RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ANTERIOR ADIÇÃO. Deve ser mantida glosa por exclusão indevida do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real, quando o contribuinte recupera créditos, efetua o registro da receita correspondente, e não comprova que anteriormente, no momento em que constituiu a provisão para perdas, adicionou o valor correspondente à base de cálculo do imposto. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL Exercício. 2005 EXCLUSÃO INDEVIDA. RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ANTERIOR ADIÇÃO. Deve ser mantida glosa por exclusão indevida do lucro líquido, para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, quando o contribuinte recupera créditos, efetua o registro da receita correspondente, e não comprova que anteriormente, no momento em que constituiu a provisão para perdas, adicionou o valor correspondente â base de cálculo da contribuição. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício. 2005 EXCLUSÃO INDEVIDA. RECEITA DE RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO DO VALOR CONTÁBIL ANTES DA BAIXA COMO PERDA. Deve ser afastada a exigência de PIS incidente sobre receitas de créditos recuperados quando o contribuinte comprova que a recuperação se deu pelo exato valor pelo qual os créditos se encontravam registrados em seu ativo, antes de sua baixa como perda, inexistindo novas riquezas a serem alcançadas por essa contribuição. A contrário senso, deve ser mantida a exigência sobre a diferença positiva entre o valor recuperado e o valor contábil dos créditos, antes de sua baixa como perda, se o contribuinte não consegue comprovar sua alegação de que o valor recuperado já constaria anteriormente de sua contabilidade pelo montante integral. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COMAS Exercício: 2005 EXCLUSÃO INDEVIDA. RECEITA DE RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO DO VALOR CONTÁBIL ANTES DA BAIXA COMO PERDA. Deve ser afastada a exigência de COFINS incidente sobre receitas de créditos recuperados quando o contribuinte comprova que a recuperação se deu pelo exato valor pelo qual os créditos se encontravam registrados em seu ativo, antes de sua baixa como perda, inexistindo novas riquezas a serem alcançadas por essa contribuição. A contrário senso, deve ser mantida a exigência sobre a diferença positiva entre o valor recuperado e o valor contábil dos créditos, antes de sua baixa como perda, se o contribuinte não consegue comprovar sua alegação de que o valor recuperado já constaria anteriormente de sua contabilidade pelo montante integral. Recurso Voluntário Provido em Parte.

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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS'41.;:ystf erêg:',.e; PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 16327.000817/2007-10 Recurso n° 166.487 Voluntário Acórdão n° 1301-00.238 — 3' Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 10 de dezembro de 2009 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente UNIBANCO - UNIÃO DE BANCOS BRASILEIROS S.A. Recorrida 10' TURMA / DRI SÃO PAULO-I / SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2005 EXCLUSÃO INDEVIDA. RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ANTERIOR ADIÇÃO. Deve ser mantida glosa por exclusão indevida do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real, quando o contribuinte recupera créditos, efetua o registro da receita correspondente, e não comprova que anteriormente, no momento em que constituiu a provisão para perdas, adicionou o valor correspondente à base de cálculo do imposto. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL Exercício. 2005 EXCLUSÃO INDEVIDA. RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ANTERIOR ADIÇÃO. Deve ser mantida glosa por exclusão indevida do lucro líquido, para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, quando o contribuinte recupera créditos, efetua o registro da receita correspondente, e não comprova que anteriormente, no momento em que constituiu a provisão para perdas, adicionou o valor correspondente â base de cálculo da contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício. 2005 EXCLUSÃO INDEVIDA. RECEITA DE RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO DO VALOR CONTÁBIL ANTES DA BAIXA COMO PERDA. Deve ser afastada a exigência de PIS incidente sobre receitas de créditos recuperados quando o contribuinte comprova que a recuperação se deu pelo exato valor pelo qual os créditos se encontravam registrados em seu ativo, antes de sua baixa como perda, inexistindo novas riquezas a serem - alcançadas por essa contribuição. A contrário senso, deve ser mantida a exigência sobre a diferença positiva entre o valor recuperado e o valor contábil dos créditos, antes de sua baixa como perda, se o contribuinte não consegue comprovar sua alegação de que o valor recuperado já constaria anteriormente de sua contabilidade pelo montante integral. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COMAS Exercício: 2005 EXCLUSÃO INDEVIDA. RECEITA DE RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO DO VALOR CONTÁBIL ANTES DA BAIXA COMO PERDA. Deve ser afastada a exigência de COFINS incidente sobre receitas de créditos recuperados quando o contribuinte comprova que a recuperação se deu pelo exato valor pelo qual os créditos se encontravam registrados em seu ativo, antes de sua baixa como perda, inexistindo novas riquezas a serem alcançadas por essa contribuição. A contrário senso, deve ser mantida a exigência sobre a diferença positiva entre o valor recuperado e o valor contábil dos créditos, antes de sua baixa como perda, se o contribuinte não consegue comprovar sua alegação de que o valor recuperado já constaria anteriormente de sua contabilidade pelo montante integral. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a exigência do PIS e da Cotins incidente sobre o montante da R$ 4.055.229,55 referente ao contrato firmado com a empresa CEMAR, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. • eurne.41,- LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente -- WALDIR VEIG CHA - Relator VtAi 5 R 2010 EDITADO EM: - Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Décio Lima Jardim, Rogério Garcia Peres, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto. 2 Processo n° 16327.00081712007T10 S1-C311 Acórdão //.° 1301-00.238 FL 2 Relatório UNIBANCO - UNIÃO DE BANCOS BRASILEIROS S.A., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 16-14.493, de 20/08/2007, da 10' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo - I / SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Trata o presente processo de autos de infração, lavrados em 29/05/2007 (ciência do sujeito passivo em 30/05/2007), para constituição de crédito tributário de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — Mn (fl. 45) e reflexos da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS (fl. 50), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS (fl. 54) e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL (fl. 59), por fatos geradores ocorridos no ano-calendário 2004. O total da exação alcançou R$ 10.361.608,78, aí incluídos multa de ofício de 75% e acréscimos moratórios, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo (fl. 01). De acordo com a descrição dos fatos (fls. 46/47) e com os Termos de Verificação de Infração n°01 (fls. 03/13) e n°02 (fls. 14/24), foi apurada a seguinte infração: EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL EXCLUSÕES INDEVIDAS — RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS DE INST. FINANCEIRAS FG 31/12/2004-Valor Tributável RS 1.393.207,92 FG 31/12/2004-Valor Tributável R$ 4.055229,55 Quanto à primeira ocorrência o Fisco constatou o que segue, em apertada síntese: O sujeito passivo concedeu créditos à empresa FML Empreendimentos Imobiliários e Participações Ltda., CNPJ 52.629.045/0001-23, em 1996 e 1997. Após consolidações e vários aditivos contratuais, ao final do ano-calendário 2002 o crédito concedido se encontrava registrado pela interessada com o valor contábil de R$ 1.803.207,98. Em cumprimento das normas do Banco Central, a instituição financeira teria provisionado integralmente perdas referentes a esse crédito. Em cumprimento das normas tributárias, a provisão assim constituída teria sido adicionada para fins de determinação do Lucro Real e da base de Cálculo da CSLL. Ao final do ano-calendário 2004, o sujeito passivo registrou novação da dívida da FML, com a recuperação de créditos anteriormente levados a perdas, e efetuou a exclusão, para fins de determinação do Lucro Real e da base de Cálculo da CSLL, do valor de R$ 3.196.415,90. 3 1 O Fisco entendeu que somente poderia ser excluída a parcela que, comprovadamente, houvesse sido anteriormente adicionada, e intimou o sujeito passivo a comprovar a tributação da diferença (R$ 3.196.415,90— R$ 1.803.207,98 = R$ 1.393.207,92). Diante da insuficiência, pela ótica do Fisco, da comprovação requerida, o sujeito passivo foi autuado por exclusão indevida no montante de R$ 1.393.207,92. Quanto à segunda ocorrência, o Fisco constatou o que segue, em apertada síntese: O sujeito passivo concedeu créditos à CEMAR — Companhia Energética do Maranhão S/A, CNPJ 06.272.793/0001-84, mediante quatro distintos instrumentos contratuais. Segundo informou a então fiscalizada, todos firmados no ano-calendário 2003. Em cumprimento das normas do Banco Central, a instituição financeira teria provisionado integralmente perdas referentes a esses créditos. Em cumprimento das normas tributárias, a provisão assim constituída teria sido adicionada para fins de determinação do Lucro Real e da base de Cálculo da CSLL. Ao final do ano-calendário 2004, o sujeito passivo registrou a recuperação dos créditos anteriormente levados a perdas e efetuou a exclusão, para fins de determinação do Lucro Real e da base de Cálculo da CSLL, do valor recuperado de R$ 19.015.598,59. Mediante diligência na CEMAR, o Fisco obteve a informação de que as datas dos contratos remontavam a 2001, e não a 2003, como informado pela fiscalizada. Também o valor do principal era diferente, totalizando R$ 14.960.369,04. O Fisco entendeu que somente poderia ser excluída a parcela que, comprovadamente, houvesse sido anteriormente adicionada, e intimou o sujeito passivo a comprovar a tributação da diferença (R$19.015.598,59 — R$14.960.369,04 = R$4.055.229,55). Diante da insuficiência, pela ótica do Fisco, da comprovação requerida, o sujeito passivo foi autuado por exclusão indevida no montante de R$ 4.055.229,55. Houve, ainda, outras infrações e ocorrências, descritas nos Termos de Verificação de Infração nc's 03, 04, 05 e 06 (fls. 25/41), as quais não mais integram a lide, pelo que me eximo de relatá-las. Cientificado das exigências, e com elas inconformado, o sujeito passivo apresentou a impugnação de fls. 69/85, acompanhada dos documentos de fls. 86/462, com as alegações assim resumidas pelo diligente relator do processo em primeira instância: - restará provada a improcedência do lançamento fiscal descrito nos Termos de Verificação de Infração n's I e 2 mediante a demonstração de equívocos da fiscalização na apuração das supostas diferenças, além de provas contábeis do registro dos valores que comprovam que todos os valores renegociados, inclusive de encargos financeiros, foram contabilizados e oferecidos à tributação, na forma da legislação vigente (item 5- fls.71); - as despesas operacionais apontadas no TVI n° 03 foram incomklas em operação financeira usual e normal à atividade do Impugnante, e efetuou o pagamento parcial (sic), para impugnar fr.? 4 Processo n° 16327.000817/2007-10 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.238 M. 3 a questão dos juros e os reflexos de PIS e COFINS atem 2.b- fls.70); - quanto aos TV) n` 4,5 e 6, que esses três termos não serão objeto de impugnação, pois efetuou os pagamentos com o beneficio da redução da multa, conforme guias DARF em anexo (item 2. c- fls.70). - quanto ao PIS e COFINS, não há como subsistir tais lançamentos uma vez que por reflexos seriam exigidos sobre as diferenças que inexistem e seria um contrasenso exigir o PIS e o COFINS daquilo que não é receita nova atem 20-fls. 78); Pelas razões expostas, o Requerente solicita que a Autoridade Fiscal reconheça o direito do contribuinte, como conseqüência, requer seja provida esta Impugnação para cancelar o lançamento fiscal impugnado, com o conseqüente arquivamento do respectivo processo administrativo. Protesta o contribuinte pelo acolhimento de iodos os meios de prova neste processo. A 10' Turma da DRJ em São Paulo - I / SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 16-14.493, de 20/08/2007 (fls. 471/494), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2004 EXCLUSÃO INDEVIDA. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRED1TOS. RENEGOCIAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO. Efetuada exclusão na apuração do lucro real, relativo à recuperação de crédito baixado em prejuízo, e não comprovada a tributação na forma da legislação, correta é a exigência de oficio. PAGAMENTO. EXTINÇÃO DO CREDITO TRIBUTÁRIO. O pagamento da exação implica extinção do crédito tributário correspondente, ficando superadas eventuais alegações da defesa. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL Data do fato gerador: 31/12/2004 EXCLUSÃO INDEVIDA. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CREDITOS. RENEGOCIAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO. Efetuada exclusão na apuração da base de ákulo da CSLL, relativo à recuperação de crédito baixado em prejuízo, e não comprovada a tributação na forma da legislação, correta é a exigência de oficio. 5 PAGAMENTO. EXTINÇÃO DO CREDITO TRIBUTÁRIO. O pagamento da exação implica extinção do crédito tributário correspondente, ficando superadas eventuais alegações da defesa. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins • Data do fato gerador: 31/12/2004 RECEITA DE RECUPERA ÇAO DE CONTRATOS BAIXADOS COMO PREJUÍZO. Não comprovada a regular tributação dos valores contratuais, deve ser mantida a exigência apurada. MÁ TERIA NÃO IMPUGNADA. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/12/2004 RECEITA DE RECUPERAÇÃO DE CONTRATOS BAIXADOS COMO PREJUÍZO. Não comprovada a regular tributação dos valores contratuais, deve ser mantida a exigência apurada. MÁ TERIA NÃO IMPUGNADA. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Ciente da decisão de primeira instância em 13/10/2007, conforme Aviso de Recebimento à fl. 499, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 22/11/2007 conforme carimbo de recepção à folha 507. No recurso interposto (fls. 508/524), traz os argumentos abaixo sintetizados: Sobre a acusação de exclusão indevida no valor de R$ 1.393.207,92— FML: Afirma que, em janeiro de 2004, teria registrado uma receita de recuperação de crédito no valor de R$ 4.360.000,00 e excluído das bases do IRPJ e da CSLL o valor de R$ 3.196.415,90. Sustenta que teria seguido as normas do Banco Central para a contabilização dos créditos concedidos a seus clientes, o que teria sido reconhecido pelo Auditor-Fiscal autuante. Aduz que "na prática, o Banco Central do Brasil determina que a instituição financeira não deve reconhecer em seu resultado contábil, imediatamente, a diferença entre o valor histórico contábil do crédito e o valor da renegociação de divida. Deve, outrossim, aumentar o valor histórico na medida do que foi renegociado, mas considerar a diferença em uma conta redutora de ativo de receitas a apropriar no futuro. Essas receitas devem ser apropriadas para resultado do exercício no momento em que o valor da renegociação é efetivamente recuperado (regime de caixa). É precisamente nesse momento que devem incidir IRPJ e CSLL...". Com base nesse raciocínio, conclui que "o valor de RS 3.196.415,90, reconhecido como receita pelo Contribuinte e excluído da base do IREI e da CSLL, de fato, não era mesmo tributável, porque a efetiva recuperação de crédito pelo regime de caixa ocorreu apenas no valor parcial de R$ 677.000,00, valor bastante inferior ao custo registrado no ativo Processo n°16327.000817/2007-10 Sl-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.238 Fl. 4 para esse mesmo crédito em 2002 (RS 1.803.207,98)". Assim, por não ter ocorrido a efetiva realização do valor recuperado, seria improcedente a autuação. Outro motivo para a improcedência do lançamento seria o alegado fato de que o valor de R$ 3.196.415,90 poderia ser excluído das bases, de IRPJ e CSLL porque já teria sido objeto de tributação e adição anterior. Nesse sentido, discorre sobre os mecanismos contábeis e extracontábeis de registro dos créditos e respectivas perdas sustenta que, na Provisão para Devedores Duvidosos (PDD) de anos anteriores, integralmente adicionada e controlada na parte B do LALUR, estariam incluídos os R$ 3.196.514,90 referentes ao crédito da FML; e conclui que, desta forma, a glosa efetuada pelo Fisco implicaria negar a exclusão de algo que já foi anteriormente tributado. Acrescenta, também, que o procedimento adotado pelo Auditor-Fiscal para encontrar a suposta diferença entre o valor excluído pelo contribuinte e o valor contábil da divida não seria adequado. O Fisco teria se baseado em diligência na FML, e não teria considerado os registros fiscais na parte B do LALUR e demais informações prestadas pelo Contribuinte. Colaciona jurisprudência administrativa que considera aplicável. Sobre a acusação de exclusão indevida no valor de R$ 4.055.229,55 — CEMAR: A recorrente sustenta que tinha registrado como valor contábil do crédito junto à CEMAR o valor principal de R$ 19.015.598,59. Em diligência realizada pelo Fisco, a CEMAR informou que o valor principal seria de R$ 14.960.369,04. A diferença entre os dois valores terminou por ser tributada pelo Fisco, que entendeu que a interessada deveria provar como procedeu o registro contábil do valor de ativo de R$ 19 milhões e como procedeu à tributação da diferença de R$ 4.055.229,55. A interessada ressalta que, segundo o Termo de Constatação n° 5 do próprio Auditor-Fiscal, a diferença restaria explicada porque o valor da CEMAR seria o valor original dos créditos de repasse de captação externa concedidos, enquanto que o valor do contribuinte já contemplaria parle do acréscimo e atualização desse valor original no tempo. Da mesma forma que na ocorrência anterior, a recorrente entende que no se pode preferir um valor ao outro e que, na dúvida, deveria ser adotado o valor do ativo reconhecido pelo contribuinte em sua escrita contábil, o que já seria suficiente para afastar a exigência fiscal. Acrescenta que, por sua ótica, restar-lhe-ia comprovar o seguinte; Que o valor contábil do crédito excluído da base de cálculo do 1RPJ, CSLL PIS, COFINS — R$ 19.015.598,59 — refletia efetivamente o que constava outrora na conta de ativo do Contribuinte, antes de sua baixa à perda pelas regras do Banco Central, por meio de razão contábil, ou, nos termos dos itens 14 a 18 do Termo de Verificação Fiscal n° 2, por meio de documentos auxiliares de abertura dos valores contábeis demonstrando que, dentro dos valores contábeis globalizados, está contido o valor contábil do ativo ora em questão. Demonstração do tratamento que foi dado a esse valor contábil do crédito na Parte B do LALUR. 7 Passa, a seguir, a apresentar uma série de demonstrativos e documentos, mediante os quais entende restar comprovado que, em 31/01/2004, antes portanto de sua baixa à perda segundo as regras do Banco Central, o valor contábil do crédito da CEMAR era de R$ 19.015.598,59. Na sequência, sustenta que, ao baixar o crédito da CEMAR à perda contábil, registrou a contrapartida como redução do valor da PDD, sem trânsito por resultado e adicionou o valor integralmente no cálculo do 1RPJ e da CSLL Assim, faria jus à exclusão que foi glosada pelo Fisco. Conclui que a manutenção da glosa representaria dupla tributação uma • vez quando adicionou a PDD e a segunda quando da glosa da exclusão, o que seria inadmissível. Sobre os lançamentos de PIS e COF1NS: A recorrente argumenta que, ao baixar tun crédito a perda, isso não faz com que sejam reduzidas as bases de cálculo do PIS e da COFINS. Da mesma forma, ao recuperar um crédito, a respectiva recuperação é registrada como receita, até o limite do valor contábil do crédito que um dia compôs suas contas patrimoniais. Mas não se há de falar em tributação de PIS e COFINS, posto que não há nova riqueza. Afirma que, pelo próprio mecanismo da autuação, o Auditor-Fiscal teria reconhecido o registro das receitas nos valores de R$ 3.196.415,90 (FML) e R$ 19.015.598,59 (CEMAR). Conclui que, se esses valores estiveram um dia em seu ativo e se um dia foram objeto de constituição de PDD indedutivel, sua recuperação claramente não representa ingresso de novas receitas, e podem ser excluídos, como o foram, das bases de cálculo do PIS e da COFINS. É o Relatório. Voto • Conselheiro WALDIR VEIGA ROCHA O recurso é tempestivo e dele conheço. Passo a analisar os argumentos acerca da primeira infração apontada pelo Fisco, qual seja, a exclusão indevida no valor de R$ 1.393.207,92 — recuperação de créditos concedidos à FML. • O Fisco afirma, e se trata de ponto incontroverso, que a interessada promoveu exclusão do lucro líquido para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, em dezembro/2004, no valor de R$ 96.237.902,86, referente a recuperação de créditos. Incluído nesse total, também incontroverso, estava a parcela de RS 3.196415,90, correspondente a recuperação de créditos concedidos à FML. Desses créditos recuperados, o Fisco aceita que R$ 1.803.207,98 foram anteriormente objeto de provisionamento (PDD) e adicionados. Logo, sua exclusão no momento da recuperação dos créditos não é discutida. Processo n° 16327.000817/2007-10 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.238 ri. 5 A diferença entre os dois valores acima, no montante de R$ 1.393.207,92 é o objeto do litígio. Afirma o Fisco que somente caberia a exclusão se restasse comprovado que esse valor foi anteriormente adicionado. A defesa apresenta, em síntese, dois argumentos. O primeiro deles é de que, segundo as normas do Banco Central, na renegociação de uma divida, o montante que exceder o valor contábil histórico do crédito (receita, portanto), somente deve ser apropriado ao resultado do exercício no momento em que o valor renegociado for efetivamente recuperado (regime de caixa). No seu caso, como o valor efetivamente recuperado foi de apenas R$ 677.000,00, valor esse bastante inferior àquele para o qual o Fisco admite a exclusão (R$ 1.803.207,98), a diferença questionada pelo Fisco seria, mesmo, passível de exclusão. Não se há de acolher esse argumento. As normas invocadas pela recorrente são a Carta-Circular 2.899/2000, do Banco Central do Brasil, e a Resolução CMN n° 2.682/99 (mencionados à fl. 510. Vide, também, fls. 06/07). Ali, de fato, constam determinações às instituições financeiras sobre a forma como devem contabilizar seus créditos, perdas e eventuais recuperações. Essas normas, no entanto, não podem se sobrepor às leis tributárias, especialmente as que impõem às pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, situação da recorrente, o regime de competência na apuração de seus resultados. Nesse caso, caberia à recorrente atender à determinação dos órgãos reguladores das instituições financeiras, no que toca ao registro contábil, e promover os ajustes necessários (no caso, mediante adições às bases de cálculo do IR_PJ e da CSLL) para que os aspectos fiscais não fossem desrespeitados e a . diferença positiva entre a renegociação e o valor histórico do crédito fosse reconhecida como receita no momento mesmo da renegociação, pelo regime de competência, e não no momento de sua efetiva recuperação, pelo regime de caixa. O segundo argumento trazido pela recorrente é de que a exclusão seria possível porque teria havido adição anterior no montante integral da exclusão (R$ 3.196.415,90). Aqui, a interessada discorre sobre os mecanismos contábeis de controle dos créditos concedidos, provisionados (PDD), adicionados no LALUR, transferidos para controle em contas de compensação (conforme determinação do Bacen) e, afinal recuperados, quando caberia a exclusão no LALUR do valor anteriormente adicionado. Esses procedimentos foram também objeto de detalhada descrição pelo Auditor-Fiscal autuante, às fls. 05/06, inclusive em seus aspectos fiscais (fl. 09), e não há, em essência, divergência. A divergência surge quanto à comprovação da anterior adição no valor de R$ 3.196.415,90, conforme alegado pela recorrente. Em primeira instância, a Autoridade Julgadora decidiu pela manutenção da exigência, por considerar que os documentos trazidos com a impugnação eram insuficientes para comprovar o valor pelo qual o crédito estaria contabilizado anteriormente à sua baixa, bem assim a alegada adição, nos seguintes termos: A requerente alega que o valor de R$ 3.196.000,00, que era o valor do saldo da provisão de 2003, foi adicionada em 2004 (item 16.I.b — fls.75). Contudo, não aponta a prova de tal adição nos documentos que acompanham a peça impugnatória. Compulsando as peças de fls. 167 a 262, trazidas na peça impugnatória como sendo relacionadas ao contrato com a FML, não se constata a existência de elementos contábeis e fiscais relativos ao registros de toda evolução de valores do contrato que permitam verificar a sua escrituração comercial e respectiVa tributação (Livro Diário, Razão Contábil e LALUR). Dessa forma, não pode ser considerado o demonstrativo de fis. 168 (conforme abaixo) que trata da mutação da provisão x receita de recuperação, pois não vem acompanhado de elementos contábeis/fiscais, sintéticos e analíticos, que confirmem os valores apontados. Logo uma vez que a defesa não traz provas de que referido valor de R$ 1.393.207,92 foi oferecido à tributação, é válida a exigência, pois referido valor complementaria a provisão relativa ao valor contábil de 2002/2004, que por ocasião de sua constituição, foi deduzida do resultado contábil e adicionada no Lalur para fins tributários. Novamente, no recurso voluntário essa alegação se encontra despida de provas. Os documentos trazidos em fase recursal dizem respeito tão somente ao segundo item da autuação (créditos concedidos à CEMAR), e, de fato, os documentos que acompanharam a impugnação não conseguem comprovar nem o valor pelo qual o crédito se encontrava contabilizado anteriormente à baixa, nem a alegada anterior adição da parcela da exclusão glosada pelo Fisco. Assim, não faço reparos à decisão de primeira instância. Observo, finalmente, que também não procedem as reclamações da recorrente de que o Fisco teria tomado por correto o valor apontado pela FML, em detrimento daquele que constava de seus próprios (da recorrente) registros contábeis e fiscais. Embora tenha sido feita diligência na FML, empresa que recebeu o crédito concedido pela interessada, o valor da autuação foi apurado exclusivamente com base na diferença entre a exclusão do lucro liquido, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, feito pela interessada (R$ 3.196415,90) e o valor contábil do crédito (R$ 1.803.207,98). A divergência entre o valor do crédito apontado pela FML (R$ 3.570.372,62) e aquele tido por recuperado e excluído pela interessada (R$ 3.196.415,90), embora registrada pelo Fisco no TVI à fl. 06, não influiu de forma alguma no montante da autuação. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário, quanto a esta infração. Passo a analisar os argumentos acerca da segunda infração apontada pelo Fisco, qual seja, a exclusão indevida no valor de R$ 4 055 229 55 — recuperação de créditos concedidos à CEMAR. A questão, aqui, guarda algumas semelhanças com aquela apreciada anteriormente. O Fisco afirma, e se trata de ponto incontroverso, que a interessada promoveu exclusão do lucro liquido para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, em dezembro/2004, no valor de R$ 96.237.902,86, referente a recuperação de créditos. Incluído nesse total, também incontroverso, estava a parcela de R$ 19.015.598,59, correspondente a recuperação de créditos concedidos à CEMAR. Desses créditos recuperados, o Fisco aceita que R$ 14.960.369,04 foram anteriormente objeto de provisionarnento (PDD) e adicionados. Logo, sua exclusão no momento da recuperação dos créditos não é discutida. Cabe registrar que esse valor foi apurado pelo Fisco, mediante diligência na CEMAR, como sendo o valor original dos créditos concedidos. A diferença entre os dois valores acima, no montante de R$ 4.055.229,55 é o objeto do litígio. Essa diferença é explicada pela interessada como sendo encargos financeiros e cômputo de juros, que teriam sido agregados ao principal antes da baixa dos créditos como perda. Afirma .o Fisco que não caberia a exclusão sem que restasse comprovado que esse valor o Processo n°16327.000817/2007-10 51-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.238 Fl. 6 foi anteriormente adicionado, ou, nos dizeres do TVI n° 02 (fi. 24) "sem provar o tratamento tributário dispensado a mais valia atribuída em cada caso individuado". Em primeira instância, a Autoridade Julgadora manteve a exigência, nos seguinteã termos: Assim uma vez que a defesa não traz provas da escrituração contábil/fiscal de que referido valor de R$ 4.055.229,55 foi oferecido à tributação, é valida a exigência, pois referido valor complementaria a provisão relativa ao valor original, que, por ocasião de sua constituição, foi deduzida do resultado contábil e adicionada no Lalur para fins tributários. Diante dessa decisão, no recurso voluntário, a interessada entende que, para afastar a autuação, deveria comprovar, em suas palavras: a) Que o valor contábil do crédito excluído da base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS, COFINS — R$ 19.015.598,59 — refletia efetivamente o que constava outrora na conta de ativo do Contribuinte, antes de sua baixa perda pelas regras do Banco Central, por meio de razão contábil, ou, nos termos dos itens 14 a 18 do Teimo de Verificação Fiscal n° 2, por meio de documentos auxiliares de abertura dos valores contábeis demonstrando que, dentro dos valores contábeis globalizados, está contido o valor contábil do ativo ora em questão. b) Demonstração do tratamento que foi dado a esse valor contábil do crédito na Parte B do LALUR. Para comprovar o item (a), acima, apresenta os documentos 02, 03 e 04 (fis. 536/708), os quais consistem em balancetes e demonstrativos analíticos de sua contabilidade. De seu exame, é possível constatar que, de fato, em 31/01/2004, os quatro créditos da CEMAR se encontravam registrados na contabilidade pelos valores de R$ 6.220.061,81, R$ 4.960.539,94, R$ 3.636.956,03 e R$ 4.198.040,81, totalizando R$ 19.015.598,59. Tenho, assim, que a interessada deu conta adequadamente de provar a primeira parte do que afirma, ou seja, que o valor contábil dos créditos, anteriormente à sua baixa à perda pelas regras do Banco Central, era de R$ 19.015.598,59. Entretanto, não tem a mesma sorte ao tentar comprovar a assertiva (b), acima. A meu ver, a comprovação do "tratamento tributário" a que se refere o Fisco deveria ser: (i) a comprovação da constituição da provisão (crédito em conta redutora de ativo) no valor acima, em contrapartida a conta de despesa com provisão (débito em conta de resultado); e 00 a comprovação da adição, às bases de cálculo do U(J.PJ e da CSLL, da despesa com provisão, no mesmo valor. E não consigo identificar essa adição (nem analiticamente, pelo valor individual de R$ 19.015.598,59, nem de forma global) nos documentos 05 e 06 (fls. 709/717). Na ausência de comprovação de que a parcela excluída havia sido anteriormente adicionada, a alegação da recorrente de que a diferença já teria sido tributada anteriormente, quando da adição, fica também aqui sem sustentação, levando a conclusão idêntica à anterior, pela manutenção da decisão recorrida e negativa ao recurso voluntário. Resta apreciar os argumentos específicos dirigidos contra as exigências de PIS e COF1NS. I Conforme visto no relatório que antecede a este voto, a autuação se deu porque o Fisco entendeu que a recuperação foi em valor superior ao do crédito que outrora esteve registrado no ativo, baixado como perda. A constituição de provisão (PDD) para os créditos do ativo não provoca qualquer efeito nas bases de cálculo de PIS e COFINS, nem a baixa no ativo dos créditos tidos como irrecuperáveis para controle em separado, em contas de compensação, de acordo com as normas do Banco Central. Assim, quando ocorre a recuperação dos créditos anteriormente baixados como perda, esses créditos devem ser novamente contabilizados no ativo, tendo como contrapartida crédito em conta de receita Essa receita não representa ingresso de novas riquezas, e não deve integrar as bases de cálculo de PIS e COFINS. O questionamento do Fisco, que resultou na autuação das contribuições ora sob exame, é de que a recuperação não teria sido feita pelo exato valor dos créditos anteriormente baixados à perda, mas por valor superior. A diferença, então, seria, sim, receita nova, ainda não oferecida à tributação do PIS e da COFINS, pelo que a redução das respectivas bases de cálculo feita pela então fiscalizada seria indevida. A questão se resume, então, à necessidade de comprovação do valor pelo qual estavam registrados na contabilidade os créditos antes de sua baixa corno perda. No que toca aos créditos concedidos e recuperados junto a CEMAR, a interessada juntou aos autos os documentos 02, 03 e 04 (fls. 536/708), os quais consistem em balancetes e demonstrativos analíticos de sua contabilidade. De seu exame, é possível constatar que, de fato, em 31/01/2004, os quatro créditos da CEMAR se encontravam registrados na contabilidade pelos valores de R$ 6.220.061,81, R$ 4.960.539,94, R$ 3.636.956,03 e R$ 4.198.040,81, totalizando R$ 19.015.598,59. Tenho, assim, que a interessada deu conta adequadamente de provar que o valor contábil dos créditos, anteriormente à sua baixa à perda pelas regras do Banco Central, era de RS 19.015.598,59. Desta forma, ao sobrevir a recuperação dos créditos, o registro da receita correspondente não representa ingresso de novas riquezas, e tenho o procedimento da interessada por correto, ao reduzir, nesse montante, as bases de cálculo de PIS e COFINS. Improcede, portanto, a exigência dessas contribuições sobre a parcela de R$ 4.055.229,55. O mesmo não ocorre com os créditos concedidos e recuperados junto à FML. Nesse caso, além de não comprovar a anterior adição (o que somente é relevante para fins de IRPJ e CSLL), o contribuinte não conseguiu comprovar o valor pelo qual os créditos se encontravam registrados em sua contabilidade anteriormente à baixa como perda, tal como fez com relação à CEMAR. Em decorrência, não conseguiu também demonstrar que a receita registrada no momento da recuperação de créditos não advinha de novas riquezas, o que justificaria a redução das bases de cálculo das contribuições em tela. Tenho, portanto, que deve ser mantida a exigência de PIS e COFINS sobre a parcela de R$ 1.393.207,92. Em conclusão, por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário, para afastar a exigência de PIS e COFINS incidente sobre a parcela de R84.055.229,55. • WALDIR VEI A ROCHA - Relator 12

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Numero do processo: 19515.001373/2003-87
Data da sessão: Thu Aug 27 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Aug 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - Exercício. 1998 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1301-000.199
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários de R2PJ e de CSLL para o ano-calendário 1997, vencida a Conselheira Ana de Banos Femandes, que negava provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela Recorrente Dr. Daniel Vitor Bellan, OAB/SP n° 174745.
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha

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Recorrida P TURMA / DRJ SÃO PAULO-I / SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - Exercício. 1998 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários de R2PJ e de CSLL para o ano-calendário 1997, vencida a Conselheira Ana de Banos Femandes, que negava provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela Recorrente Dr. Daniel Vitor Bellan, OAB/SP n° 174745. ( WALDIR VEIGA ROC - Presidente e Relator EDITADO EM: 26 ABR 2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros- Ana de Barros Fernandes, Marcos Vinícius Barros Ottom, Décio Lima Jardim, João Francisco Bianco, Valmir Sandri e Waldir Veiga Rocha. Relatório SOBLOCO CONSTRUTORA S.A., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 16-13.536, de 21/05/2007, da P Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento cru São Paulo - I / SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever os fatos, transcrevo abaixo o relatório elaborado pelo diligente Relator do processo em primeira instância. Trata-se da lavratura do auto de infração relativamente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ (fls. 82 a 84) no valor de RS 1.208.470,79, incluídos os juros de mora, lançados até 31/03/2003, em razão da inobservância do limite de 30% para a compensação de prejuízo fiscal apurado no ano de 1997. Lavrou-se, ainda, o auto de infração relativamente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL (fls. 356 a 358) no valor de R$ 351.077,10, incluídos os • juros de mora, lançados até 31/03/2003, em razão da inobservância do limite de 30% para a compensação da base de cálculo negativa da CSLL de períodos-base anteriores, apurado no mesmo ano. Os Termos de Verificação Fiscal (fls. 78/79 e 352/353) relatam que o contribuinte apresentou, para o ano-calendário de 1997, a sua Declaração do Imposto de Renda em desacordo com a previsão legal de limite de compensação de 30%, conforme demonstrado: Prejuízo fiscal compensado acima do limite - compensação efetuada (ficha 07— item 32) RS 3.565.234,35 - limitação de 30% R$ 1.069.570,02 - compensação acima do limite R$ 2.495.664,04 Contribuição Social sobre o Lucro compensada acima do limite - compensação efetuada na DIRPJ (ficha 11, item 19) R$ 3.112.209,27 - limitação de 30% R$ 933.662,70 - compensação acima do limite R$ 2.178.546,48 Informa o auditor-fiscal que o contribuinte impetrou junto à 14' Vara da Justiça Federal, o mandado de segurança n° 97.0043902-0 e obteve liminar para proceder a apuração da base de cálculo do ULPI e da CSLL sem as limitações impostas pelos artigos 42 e 58 da Lei n°8.981/95 e artigo 15 da Lei n°9.065/95. Cientificado em 15/04/2003 das autuações lavradas, o contribuinte representado por seus procuradores (fls. 167/168) se insurgiu contra as exigências fiscais, apresentando em 15/05/2003, a impugnação de fls. 88 a 155 e 362 a 389, cujos teores a seguir se resumem: - o impumiante possui outra decisão judicial que nos autos do mandado de segurança n° 94.0034300-0, o autorizou a realizar a compensação de valores originados em função da correção de índices de atualização monetária aplicados às ed>" 2 Processo n*19515.001373/2003-87 SI-C3TI Acórdão n.° 1301-00.199 H. 2 demonstrações financeiras do ano-base de 1989.0 resultado de tal compensação não foi observado pela fiscalização, que não buscou a origem dos valores compensados; - não há semelhança das causas pedidas ou identidade entre o conteúdo material das ações judiciais 94.0034300-0 e 97.0043902-0 e da presente demanda, não havendo impedimento legal para analisar e julgar toda a matéria de fato e de direito expostas; - o crédito apontado pela fiscalização estaria definitivamente extinto, nos termos do § 4° do artigo 150 do CTN, transcrevendo julgados neste sentido do Conselho de Contribuintes, do Tribunal de Impostos e Taxas de São Paulo e do STJ; - ao compensar integralmente os prejuízos no ano-calendário de 1997, o requerente não realizou qualquer ato que tenha prejudicado os cofres públicos, a não ser quanto aos efeitos da postergação do recolhimento. Deve-se considerar o montante do imposto já recolhido nos anos seguintes, nos termos do Parecer COSIT n° 02/96, cancelando-se integralmente a presente exigência; - não subsiste renúncia à via administrativa se o lançamento é posterior propositura da ação judicial. Reservando, o impugnante, para si o direito de questionar o presente lançamento também em relação ao mérito; - quanto ao mérito alega o direito adquirido do contribuinte uma vez que este corresponde a prerrogativa contemplada pela lei vigente ao tempo da ocorrência de seu fato determinante, assegurando a compensação de prejuízo fiscal nos períodos subseqüentes, sem restrição; - a limitação de 30% à compensação configuraria empréstimo compulsório, porém não se amolda ao permissivo constitucional que justificaria a criação de um empréstimo compulsório, revelando a inconstitucionalidade da lei em tela; - nos termos do art. 153, III da CF/88 a União tem competência para tributar a renda e não o patrimônio. A restrição à compensação imposta é inconstitucional, configurando verdadeiro confisco; - cita jurisprudência do ST.J sobre o julgamento da ilegalidade da taxa Selic e solicita afastar a aplicação desta taxa como juros de mora no presente Auto de Infração; - requer seja cancelado o Auto de Infração em todos os seus efeitos e o encaminhamento de intimações e notificações para o endereço de seus procuradores. Por fim, cabe observar que o presente foi juntado por anexação ao Processo n° 19515.001372/2003-32 (referente a CSLL) do mesmo interessado, em atendimento a determinação contida na Portaria SRF n°6.129/2005. A l Turma da DRJ em São Paulo - I / SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 16-13.536, de 21/05/2007 (fls. 548/560), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1997 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. 7 O direito de a Fazenda Pública lançar de oficio o crédito Tributário referente ao imposto de renda decai após o prazo de cinco anos contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1997 CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não pode ser cancelado o lançamento quando não se verificam as situações que ensejam o cancelamento. AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. LIMITAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL EM 30% DO LUCRO REAL. Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. Contudo, conforme o Ato Declaratório Normativo (ADN) n° 3/1996, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1997 EFEITOS DA POSTERGAÇÃO. A glosa de compensação de prejuízos fiscais e bases negativas superiores ao limite de 30% na apuração do IRPJ e CSLL não configura hipótese de postergação de tributo. JUROS SELIC. APLICAÇÃO. Os juros Selic são legalmente devidos mesmo nos casos em que a exigibilidade do crédito encontra-se suspensa. Ciente da decisão de primeira instância em 01/10/2007, conforme Aviso de Recebimento à fl. 567, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 31/10/2007 conforme carimbo de recepção à folha 569. No recurso interposto (fls. 571/579), centra seus argumentos sobre a ocorrência, por sua ótica, da decadência, por ocasião da lavratura dos autos de infração. Com isso, pede o cancelamento dos lançamentos. É o Relatório. 4 Processo n° 19515.001373/2003-87 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.199 Fl. 3 Voto Conselheiro WALDIR VEIGA ROCHA O recurso é tempestivo e dele conheço. Inicialmente, devem ser examinados os argumentos da recorrente acerca da decadência do direito da Fazenda Nacional efetuar o lançamento de crédito tributário referente ao ano-calendário 1997. Entendo que a regra geral para a decadência é a estabelecida pelo artigo 173, inciso I, do CTN: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Por outro lado, ao tratar das modalidades de lançamento, o mesmo Código estabelece regras especificas para o lançamento por homologação, em seu artigo 150, § 40: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 40 Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, exigidos no presente processo, entendo submeter-se ao lançamento por homologação, como, de resto, é o caso da grande maioria dos tributos em nosso sistema tributário. O critério aplicável para se distinguir se um lançamento é por homologação ou de oficio deve ser a própria sistemática de apuração do tributo. A rega do inciso I do art. 173 é aplicável aos tributos para os quais o lançamento deve preceder o pagamento. O exemplo clássico é o do IPTU, em que a Autoridade Tributária apura o valor devido, lança o tributo e notifica o sujeito passivo. Apenas então ocorre o pagamento. Se, por hipótese, o contribuinte se /r<H1 5 antecipa ao lançamento, calcula por sua conta o montante devido e faz o recolhimento antes mesmo de ser notificado, isto ocorre não por obrigação, mas por mera liberalidade, e o mecanismo previsto para apuração do tributo não se altera. O lançamento não deixa de ser de oficio, e não há também mudança no termo inicial para contagem do prazo decadencial. O mesmo raciocínio se aplica aos tributos para os quais a lei estabelece para o sujeito passivo que apure o valor devido e antecipe o pagamento, sem prévio exame da Autoridade Administrativa. É essa sistemática, com a presença de atividade exercida pelo contribuinte, que faz com que o lançamento seja por homologação, e não a simples presença ou ausência de pagamento. Entendem alguns que, na ausência de pagamento, o dispositivo aplicável seria o inciso I do art. 173. Da mesma forma, se o pagamento fosse insuficiente. A única hipótese restante, na qual se aplicariam as disposições do art. 150, § 4°, seria a de pagamento integral, mas ai não se cogitaria de contagem de prazo decadencial para o lançamento, visto que a obrigação tributária estaria extinta. Pelo anteriormente exposto, não sigo essa linha de pensamento. Em primeira instância, a Autoridade Julgadora não reconheceu a ocorrência da decadência, estribando-se nas disposições do art. 173, inciso I, do CTN. Coerentemente com o raciocínio anteriormente desenvolvido, considero a necessidade de rever a decisão a quo, a fim de aplicar o § 4° do art. 150 do referido Código. No ano-calendário 1997, o contribuinte apurou o IRPJ e a CSLL em período anual (fl. 15). Consumando-se o fato gerador tributário em 31/12/1997 (fls. 83 e 357), e tendo o lançamento ocorrido em 15/04/2003 (fis. 82 e 356), constato que a decadência atingiu a totalidade dos créditos tributários do presente processo. Voto, pois, pelo provimento do recurso voluntário interposto, para reconhecer a decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários de IRPJ e de CSLL para o ano-calendário 1997. WALDIR VÊIQL ROCHA - Relator 6

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4612704 #
Numero do processo: 10380.004529/2006-22
Data da sessão: Thu May 14 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu May 14 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 Ementa: COMPETÊNCIA. DECLÍNIO — Compete à Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), quando sua exigência não esteja lastreada, no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviu para determinar a prática de infração à legislação do imposto sobre a renda.
Numero da decisão: 1301-000.081
Decisão: ACORDAM os membros da 3° câmara / 1° turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, DECLINAR Competência para a 2° Seção do CARF, nos termos do relatório e o voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães

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DECLÍNIO — Compete à Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), quando sua exigência não esteja lastreada, no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviu para determinar a prática de infração à legislação do imposto sobre a renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' câmara / 1' turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, DECLINAR competência para a r Seção do CARF, nos termos do re, tório e • oto que .assam a integrar o presente julgado.. ÓVIS ALVES residente ilson Feita R la>0010rer ormaliza • o em: 19 JUN 2009 Processo n° 10380.00452912006-22 SI-C3T1 • Acórdão n.° 1301-00.081 Fl. 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros. Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jacinto do Nascimento, Marcos Rodrigues de Mello, Leonardo Henrique M. de Oliveira, Waldir Veiga Rocha, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, José Carlos Passuello e José Clóvis Alves. 21 /-5)2 2 • Processo n° 10380.00452912006-22 SI-C3T1 • Acórdão n.° 1301-00.081 Fl. 3 Relatório UNIMED DE FORTALEZA - COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 3* Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, Ceará, que manteve, em parte, o lançamento tributário efetivado, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Outrossim, a V Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, consubstanciada no art. 34, inciso I, do Decreto n.° 70.235/72, com a alteração introduzida pela Lei n.° 9.532/97, recorre a este Colegiado de sua decisão, em face da exoneração que prolatou concernente à parcela do crédito tributário constituído contra a empresa em referência. Trata o processo de exigência de COFINS, relativa aos anos-calendário de 2003 a 2006, formalizada a partir da constatação de diferença entre os valores escriturados na contabilidade e os declarados. Transcrevo, a seguir, relato consignado no voto condutor da decisão de primeira instância acerca das razões de defesa apresentadas pela contribuinte. Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 18/05/2006, fls. 05, apresentou o contribuinte impugnação em 19/06/2006, fls. 69/76, contrapondo-se ao lançamento com base nos argumentos a seguir sintetizados. 3.1.Dos Fatos. 3.1.1. De acordo com a defesa, a autuada somente pratica atos cooperativos estando infensa à tributação, ou ao mínimo, sendo operadora de planos de saúde como tal, segundo a legislação vigente, tem uma redução legal da base imponivel, que o autuante não levou em consideração, tornando nula a atividade 3.1.2. Nula, em contrariedade com o art. 5°, II, 37, 150, I, todos da Carta Magna, a atividade fiscal deve ser corrigida, para dar o devido tratamento tributário as cooperativas, conforme ditame constitucional Espera, assim, a reforma da autuação, para reconhecer a total insubsistência da autuação. 3.2.Do Direito 3.2.1. Sobre a tributação do ato cooperativo. 3.2.1.1 Alega a defesa: 3 Processo n° 10380.004529/2006-22 SI-C3TI • Acórdão n.• 1301-00.081 Fl. 4 - "É conhecida a discussão sobre a tributação do ato cooperativo, tendo a doutrina e a jurisprudência se voltado para negar validade na pretendida tributação". - "Uma cooperativa de médicos, nada mais é do que a recepção de médico que se aperfeiçoou e cresceu para melhor trabalhar para seus "patrões". -"Cumprindo rigorosamente, a Lei 5.764/71, praticando somente atos cooperativos próprios, conforme a remansosa doutrina do STJ, possui, desde a Constituição de 1988, há o direito à reserva de lei complementar para a criação e modcação dos tributos que deverá pagar (..)" -"Apanhou a Carta de 1988, à Lei das Cooperativas (Lei 5.764/71), no que delimitava a base imponivel das ações da cooperativa somente para os atos não cooperativos (art. 79 e I I I), de sorte que, para as cooperativas, como já ocorrera para os tributos em geral quando da referida Carta, em relação a Lei 5172 o CTN, apesar de lei ordinária, o regramento tributário da lei especifica passou a ser considerado norma de natureza substancialmente de lei complementar, e assim, somente por lei complementar, para as cooperativas, poderseia alterar o dito adequado tratamento tributário". - "Nenhuma dúvida sobre o tema, quando se vê, conforme decisões anexadas, que o C. STJ, vem, reiterada e pacificamente, decidindo que para as cooperativas, somente lei complementar poderia alterar seus tributos (.)": - "Mas, como se não bastasse, no seio do TRF5°, pela Relatoria do DD. Des. Federal Ridalvo Costa, preclaro decano do tribunal, integrante da Eg. Turma, no AMS n° 82I74PE, (Publicação de Acórdão expediente AC0/2005.000004 em 04/03/2005 11:00 DJU n° 43, Seção 2, páginas 750/769 EM 04/03/2005), de forma expressa, e unânime, decidiu no sentido de prestigiar o atual entendimento do C. STJ, e, entendeu a Eg. Terceira Turma do Colendo TRF da Quinta Região, por considerar que não se trata de ser ou não constitucional a modificação da LC 70/891 (sic), mas sim, se tal reforma, retirando a isenção das cooperativas surtiria efeito". - "D'outra hora, no julgado do AMS n° 8I178CE (Publicação de Acórdão expediente ACO/2005.000031 em 22/07/2005 16:00 DJU n° 140, Seção 2, páginas 582/618, EM 22/07/2005), ainda Relator S.Exa. o W. Des. Fed. Ridalvo Costa, prestigiouse, e novamente, o entendimento anterior mantendo a doutrina da Eg. Turma. - "Como julgou o C. STJ, a questão constitucional é meramente indireta, pois não se pretende, agora, que se dê pela inconstitucionalidade das leis modificadoras, mas sim, que se declare não incidir a alteração para as cooperativas, que, por ditame constitucional, aguardará uma lei complementar que cumpra o art. 146, IH, c, da carta, para alterar o me tributário das cooperativas". )21t 4 _ . " Processo e 10380.004529/2006-22 SI-C3T1 • Acórdão n.• 1301-00.081 Fl. 5 - "Sendo o PIS, que tem a mesma base imponível, o faturamento, e ao qual, se poderá ver, tem o mesmo tratamento pelo C. STF. 3.2.1.2. Reforçando seus argumentos, a defesa transcreve às jls. 72/73 a ementa e parte do julgado da Egrégia Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da Quinta Região, no AMS n° 93456PE, Relator S.Exa. o Des. Fed, Wildo Lacerda, publicado em 30/05/2006. 3.2.1.3. Desta forma, entende que os julgados mencionados dão certeza de que estes atos, únicos atos praticados pela cooperativa, não podem ser tributados, como foram nos autos de que ora se defende a sociedade cooperativa, o qual, de forma indevida, procurou tributar todo e qualquer valor ingresso na sociedade, ainda que precária e eventualmente. 3.2.2. Sobre a base imponível, se devida a tributação. 3.2.2.1. Afora as razões acima postas, para se considerar indevida a tributação sobre os atos cooperativos, únicos praticados pela sociedade, considera a impugnante que é importante que se verque a total ilegalidade dos auto, mesmo que devidas fossem as exações reclamadas. 3.2.2.2. Após transcrever parte da Lei n° 9.718/98, conclui afirmando que se dúvidas houvessem sobre a extensão e o alcance desta norma de interpretação da tributação sobre as operadoras de planos de saúde, o Governo federal, através da Secretaria da Receita Federal, em ato administrativo denominado de Instrução Normativa SRF de n° 635, de 24/03/2006, de forriza expressa, especifica e indubitável, considera as formas com que as exclusões da base imponível, definidas pela lei, seriam reclamadas pelo Estado. 3.2.2.3. Continua: - "Como se poderá ver da planilha juntada, e de perícia que se pede seja instaurada para definir a correção destes valores, a base da tributação é bem inferior aquela exigida pela autoridade fiscal, não sendo possível, por inconstitucional e ilegal, ver validade na autuação que pretende sejam cobradas o IR, a CSL, o PIS e a COF1NS, sobre todos os ingressos financeiros da cooperativa". - "E não há dúvida que ela operam planos de saúde para seus sócios, afinal, este fato, é valorado pelo AFRF, que de forma expressa, critica (e indevidamente) o fato de que a cooperativa recebe valores dos usuários/clientes dos planos que administra para viabilizar o mercado de trabalho de seus médicos". - "Não é o caso, porque sabemos que a Receita não considera estes argumentos de forma legal, mas devese destacar que, como as demais prestadoras de serviço (lembremse que, pela Lei 5764/71 é a cooperativa criada para prestar serviços a seus cooperados e não ao inverso), acaso fossem cobrar os trib sem exigidos no AI, estes deveriam recair apenas nos valore ir a. 5 Processo n° 10380.004529/2006-22 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.081 Fl. 6 ficam na cooperativa, posto que os demais, apenas transitam em sua contabilidade, sem representar património, e assim sem gerar capacidade tributária, para a entidade". 3.3. Da Necessidade de Perícia. 3.3.1. Com fundamento no art. 16, 18 e 28 do Decreto 70.235 de 06/03/1972, requer a instauração de perícia para conferir a planilha apresentada, definindose, com fundamento na IN 6351065RF, os valores que seriam devidos com fundamento na lei, e, em relação aos valores que foram efetivamente pagos, qual seria o valor resultante. 3.4. Conclusão. 3.4.1. Seja porque a atividade da cooperativa foi reconhecida pelo Poder Judiciário como pratica de ato cooperativo e assim não poderia haver tributação, seja porque, ainda que devida fosse a tributação ela deveria ser feita com base no art. 3 0 da Lei 9 71 8/98 c/c IN 635/2006 da SRF, e, por assim não ter agido o Sr. Fiscal, considera que é írrito e nulo o ato de lançamento, por inconstitucionalidade e ilegalidade, devendo assim ser declarado, neste processo, sob pena de que se ajuíze ação judicial para ver cumprida a lei e a cobrança de perdas e danos por expor e de forma cruel posto que totalmente irreal, a sociedade, como inadimplente de tributos que não deve. 3.4.2. Protestando provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente pela prova pericial requerida, espera seja julgada procedente a presente impugnação, dandose por insubsistente o Auto de Infração. 4.Em 03/07/2006 a defesa fez anexar aos autos o documento às fls. 130/132, onde esclarece que, por lapso, deixou de informar na peça impugnatória que, no processo n° 2001.81.00.00.003863-5, promovido através da MM. 4" Vara Federal da Seção Judiciária do Ceará, em face de acórdão unânime da Egrégia Terceira Turma do Colendo Tribunal Regional Federal da Quinta Região, foi deferida a segurança, para que a Fazenda Nacional deixasse de cobrar o PIS/Cofins da requerente. 4.1.Assim, considera que, provado que em 22/07/2005 ocorreu decisão que em sede mandamental impedia a Fazenda de cobrar tais tributos, os autos de infração lavrados estão afrontando essa decisão, razão pela qual devem ser considerados insubsistentes. No entanto, caso esta autoridade assim não entenda, requer que seja dada a suspensão aos processos administrativos até julgamento final do mandado de segurança, sob pena de desobediência da decisão deferida. O julgamento em primeiro grau foi convertido em diligência (Resolução DRJ/FOR no 674/2006, fls. 142/146), para que fosse verificada a autenticidade dos valores indicados pela contribuinte nas planilhas de fls. 125/129, relativos ao Fundo de Assistência • 6 , . Processo n° 10380.004529/2006-22 SI-C3T1 • Acórdão ti.° 1301-00.081 Fl. 7 Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Em atendimemnto, foi trazido aos autos o Relatório de Diligência, fls. 149/150, e seus anexos, fls. 151/180. A? Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, analisando os elementos carreados aos autos, decidiu, por meio do Acórdão n° 08-10.388, de 23 de março de 2007, pela procedência parcial do lançamento, conforme ementa que ora transcrevemos. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Toma-se como não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos do inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, principalmente quando este se revela prescindíveL RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura pelo contribuinte, contra,a Fazenda, de ação judicial - por qualquer modalidade processual - antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. LANÇAMENTO DE OFICIO. ATIVIDADE VINCULADA. A interposição de ação judicial, seja qual for a modalidade, ainda que preencha as condições do artigo 151 do CTN para suspender a exigibilidade do crédito, não elide o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito Tributário. CRÉDITO COM EXIBILIDADE SUSPENSA. 1NAPLICABILIDADE DA MULTA DE OFÍCIO. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de oficio. COOPERATIVAS. COF1NS. DEDUÇÃO DAS SOBRAS. FATES. As sociedades cooperativas poderão excluir da base de cálculo da COFINS, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e SociaL Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 199/205, por meio do qual sustenta (em apertada síntese): - nulidade do processo administrativo em virtude de a autoridade julgadora de primeira instância não ter apreciado razões trazidas em sede de impugna • etkP 7 • • Processo n° 10380.004529/2006-22 S1-C371 • Acórdão 1301-00.081 Fl. 8 - impossibilidade de manutenção da exigência, pois, em processo de seu interesse (ação tf 2001.81.00.003865-5, oriunda da 4' Vara da Seção Judiciária do Ceará) restou decidida, em sede recursal, a não incidência do PIS e da COFINS sobre atos cooperativos. É o Relatório 8 r Processo n° 10380.004529/2006-22 SI-C3T I Acórdão o! 1301-00.081 A. 9 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Trata o presente de exigência de COFINS, relativa aos anos-calendário de 2003 a 2006, formalizada a partir da constatação de diferença entre os valores escriturados na contabilidade e os declarados. Como se vê, os lançamentos foram efetuados com suporte na verificação de diferença entre valores escriturados e declarados. Diante disto, entendo que a matéria aqui tratada está afeta à competência da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do disposto no art. 2° da Portaria MF n° 41, de 17 de fevereiro de 2009, abaixo reproduzido. Art. 2° Até a vigência de seu regimento interno, a ser expedido no prazo estabelecido no art. 44, §2o da Medida Provisória n°. 449/2008, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais adotará, no que couber, os regimentos internos dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial n°. 147, de 28 de junho de 2007, e suas alterações posteriores, observadas as seguintes disposições: Diante do exposto, conduzo meu voto no sentido de que seja DECLINADA A COMPETÊNCIA em favor da Segunda Seção do CARF. Sala das Sessões, em 14 de maio de 2009 WILS e, • is% • • S 9 Page 1 _0060200.PDF Page 1 _0060300.PDF Page 1 _0060400.PDF Page 1 _0060500.PDF Page 1 _0060600.PDF Page 1 _0060700.PDF Page 1 _0060800.PDF Page 1 _0060900.PDF Page 1

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Numero do processo: 10920.000469/00-85
Data da sessão: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2002
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS RECURSO ESPECIAL PRESSUPOSTO DE CABIMENTO Não é de se conhecer do Recurso Especial estribado em existência de decisão divergente quando esta divergência não está demonstrada pela inexistência.do competente paradigma.
Numero da decisão: CSRF/01-04.020
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, tão CONHECER do recurso, por ausência dos pressupostos de assimilabilidade, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. vencidos os Conselheiros Celso Alves Feitosa, Maria Goretli e Bulhões Carvalho, Remis Almeida Estol, José Carlos Passuello e Edison Pereira Rodrigues.
Nome do relator: Victor Luís de Salles Freire

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 101125566_109200004690085_200208; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2019-07-22T18:26:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 101125566_109200004690085_200208; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 101125566_109200004690085_200208; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2019-07-22T18:26:49Z; created: 2019-07-22T18:26:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-07-22T18:26:49Z; pdf:charsPerPage: 1196; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2019-07-22T18:26:49Z | Conteúdo => I I M~NISTÉRIO DA FAZENDA I CAMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA ;~ . Processo n°. Recurso n° Matéria: Recorrente Interessado Recorrida Sessão de Acórdão n°. : 10920.000469/00-85 : 101-125566 (RD/101-1.655) : CSSL : FAZENDA NACIONAL : TIGRE S/A TUBOS E CONEX!.ÕES. , : 1" CAMARA DO 1° CONSELHO DE CONTRIBUINTES : 19 DE AGOSTO DE 2002 : CSRfj01-04.020 NORMAS PROCESSUAIS RECURSO ESPECIAL PRESSUPOSTO DE CABIMENTO Não é de se conhecer do Recurso Especial estribado em existência de decisão divergente quando esta divergência não está demonstrada pela inexistência.do competente paradigma. Vistos, relatados e discutidos _()s .presel'ltes interposto pela.FAZENDA NACIONAL. autos de recurso I I I I ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, tÃO CONHECER do recurso, por ausência dos p~ressupostosde admissibilidadlil, nos termos do relatório e voto que passam a intebrar o presente julgado. ventidos os Conselheiros Celso Alves I Feitosa, Maria iGoretli e Bulhões Carvalho, Remis Almeida Estol, José Carlos Passuello e Edi'son Per ira Rodrigues. ES I FORMALlZADCDEM: 22 QUT2002 Participaram, tnda, do presente julgamento, os Conselheiros ANTONIO DE FREITAS DUT~A, CÂNDIDO RODRIGUES ~EUBER, LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO, VER+ALDO HENR~QUE DA SAILVA, ZUELTON FURTADO, WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, JOSE CLOVIS ALVES, CARLOS ALBERTO GONÇALVES .. Processo n°. : 10920.000469/00-85 Acórdão n°. : CSRF/01-04.020 NUNES, MANOEL ANTONIO GADELHA DIJliS e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. Processo n°. Acórdão nO. Recurso n° Recorrente : 10920.000469/00-85 : CSRF/01-04.020 : 101-125566 (RD/101-1.655) : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Irresignada com o V. Acórdão prolatado pela Egrégia 1" Câmara do Primeiro conseilho de Contribuintes em sessã~ de 26 de junho de 2001 declarando que "estando (i) sujeito passivo amparado por sentença parcialmente favorável, confirmada pel6 Tribunal em não contestada +Ia Fazenda, a multa só incide sobre a parcela não Jlcançada pela sentença judicial" (fls. 280/289), interpõe a Fazenda Nacional seu ~ecurso Especial sustentado nb art. 5°, 11do Regimento Interno da Câmara Superi10rde Recursos Fiscais aproJado pela Portaria n° 55, de 12 de março de 19d8, para assim ver restabelJcida na integridade a r. decisão monocrática d11" Instância, principalmente Iem base da exigência versando a multa decorre N n(i)l,edpa°rtlal'cnUÇlaarmeentdoedeseOfiCsaiOII:entarlA . d- d' que o cor ao guerrea o assim decidiu: "Ocorre que a empresa juntou aos autos prova de que é detentora de d~cisão favorável ao seu pleito, decisão essa que foi confirmada pelo T~F cujo acórdão, segundo afirmou a empresa, não foi objeto de contestação por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional o~a, se medida liminar em landado de segurança afasta a pdssibilidade de lançar a multa ~e oficio, com muito mais razão fica afkstada essa possibilidade se', quando da lavratura do auto de infração, a empresa é detentora de sentença favorável, confirmada p~lo Tribunal Regional FederaL! Assim, a multa por lançamento de oficio, só poderia alcançar a parcela da exigência não assegurada p~la sentença (o que excedeu a 42,72% concedidos pelo Poder JJdiciário)." pLa fundamentar seu apelo e a alegada divergência em critério de julgamento se brrima a Fazenda Nacional nol Acórdão 202-11.303 da Colenda 2" Câmara do SeigUndOConselho de Contribui~tes, insistindo em que o v.acórdão recorrido não poderia exonerar a penalidade em face da regra do art. 63 da Lei Processo n°. Acórdão n°. : 10920.000469/00-85 : CSRF/01-04.020 9.430/96 e, a s'eguir, por decorrência da interpretação combinada dos arts. 111 e ! 151 do Código iTributário Nacional. o r. despacho da Presidência da Primeira Câmara admitiu o recurso e o sujeito passiy formulou suas contra-razões Ipara sustentar que o art. 111 do CTN se reporta apenas a interpretação em matéfia de isenção, não tendo força, na espécie dos aultos, versando a exoneração d~ multa. E reitera que a decisão, seja liminar ou definitiva, deve ser obedecida de imediato, citando doutrina e jurisprudência. É o relatório. Processo n°. Acórdão n°. I I: 10920.000469/00-85 : CSRF/01-04.020 I VOTO Conselheiro vJtor Luis de Salles Freire, Relator; [ I O recurso foi oferecido no prazo legal. O,recurso de rigor não pode ser lonhecido, e, nesse sentido, justifico meu Posiciona~ento. Com efeito, embora o IAcórdão sujeito a contraste tivesse deixado claro que a suspensão da eXigibilida1desomente oco'rre quando o sujeito, I passivo goza ~e medida liminar, a verdade é que não deixou ele expresso que, quando o SUjei~Opassivo, como na hipótese 1dos autos, goza, além de sentença favorável, de apórdão confirmatório a nivel de superior instância, a suspensão da exigibilidade não ocorre. Somente por inferênbia se poderia extrair esta assertiva, até porque no tacórdão paradigma a hiPótesd de sentença confirmada a nivel do Regional não f~i examinado. Daí a prejUdicial1que impede o ,exame do mérito na medida em qJe o pressuposto invocado, ~ual seja a existência de decisão I paradigmática, [não existe .., , [ : D~ qualquer modo deixo assente que no mérito o' recurso não teria de qualquer mane1irapossibilidade de êxito. ve1ifico que, quando do lançamento, o sujeito passivoljá tinha obtido no Tribunal Regional Federal da 1" Região acórdão confirmatório d'a sentença favorável a si vJrsando certa diferença de correção monetária em 'ace do chamado Plano prima~era. Se assim é, o fato extrapola o exame, ora da [Lei 9.430/96 - art. 63, ora do Ipróprio Código Tributário Nacional - art. 151 na medida em que, então, o desate da perlenga no sentido de se saber se a exigibilidade ~stava ou não suspensa decor~e da interpretação da lei processual. Nesse sentido,' sabe-se, qualquer recurso e~pecial que pudesse ser perpetrado contra decisã~ confirmatória do Regional -I e a Fiscalização sequer cuidou de verificar se ao !menos foi interposto recurso especial quando da lavratura do auto de infração - ~ão teria qualquer efeito susJensivo, mas méramente devolutivo. Logo, não pOdik a Fiscalização, em face de u~a decisão de 1" instância, favorável I I'ao sujeito pass.ivo, confirmada a seguir pelo Regional, imposto sobre o lançamento I Processo n°. Acórdão n°. : 10920.000469/00-85 : CSRF/01-04.020 destinado a precaver os efeitos da decadência, dos limites da decisão, a multa de lançamento de FfíciO. Bem assim andou, portanto, o v. acórdão quando, dentro de tais limites, exonerou a multa por que busca a Procuradoria seja revigorada. Assim, não vejo comJ possa ser admitido o Recu~so Especial na medida em que se fundamenta en1 norma não aplicável à espébe dos autos: apenas para repetir, ainda que o art.1151 do CTN se reporte a liminkr como fundamento para suspensão da eXigibilidadJ, fala mais alto na espécie a n6rma processual que não reconhece, após a prolaçã~ de acórdão favorável ao cont~ibuinte, efeito suspensivo a eventual recurso especill, cuja interposição sequer foi ~omprovada. Não co heço do recurso. VICTOR ~~F, em 19 de agosto de 2002 SALLES FREIRE I 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006

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