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8353847 #
Numero do processo: 10680.010403/2007-93
Data da sessão: Wed Mar 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/09/1997 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. . Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-001.321
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. . Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Câmara / ia Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressalta-se que no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a competência de ocorrência fo fatperador mais recente do lançamento. A data de 20/12 i corresponde ao décimo terceir jailári . \ j \ • E ` ,s ,r---- JULIO C AR VIEIRA GOMES — Presidente e Relator \ Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Edgar Silva Vidal (suplente), Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). 1 • Relatório Adotou-se no julgamento do presente recurso o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Dessa forma, a solução que foi adotada no julgamento do recurso-padrão, abaixo discriminado, foi aplicada a este recurso e a todos os demais repetitivos, conforme divulgado através da pauta de julgamento: Relator(a): Julio Cesar Vieira Gomes No julgamento dos itens 58 (recurso-padrão) e 59 a 107 (demais recursos repetitivos) será adotado o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 DOU de 29/09/2009, tendo como idêntica questão de direito a aplicação da Súmula Vinculante n° 08 do STF, de 12/06/2008. 58 - Recurso: 241679 Tipo: RV Processo: 35564.001890/2006- 70 Recorrente: DROGARIA SÃO PAULO S/A Recorrida: SRP- SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Matéria: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCL4.RIA por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). O julgamento do recurso-padrão acima resultou o Acórdão n° 2301-01.309. É o relatório. Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso. Confrontando-se a data da ciência do lançamento, 08/06/2005, com os relatórios preparados pela fiscalização, contata-se que todo o período objeto do lançamento está integralmente alcançado pela decadência, independentemente da regra aplicável, artigo 173, 1 ou artigo 150, §4° do CTN; motivo pelo qual adoto a decisão proferida no recurso- padrão, conforme relatório acima. Assim, voto pelo provimento do recurso. É como voto. f\, 1?sSala das ssT em 24 de março de 2010. \\ JULIO ESAR\- IEIRA GOMES - Relator \i 2

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8674850 #
Numero do processo: 10768.004340/2001-81
Data da sessão: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1995 DECADÊNCIA. ITR - Exercício 1995. Tributo sujeito à sistemática do lançamento de oficio, nos termos do art. 6° da Lei n° 8.847/1994. Prazo decadencial contado na forma do art. 173, I, do CTN. Notificação de lançamento retificativa emitida extemporaneamente. Lançamento decaído. Recurso Voluntário Acolhido.
Numero da decisão: 3802-000.008
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de decadência, nos temos do voto do relator
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: LUIS ALBERTO PINHEIRO GOMES E ALCOFORADO

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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1995 DECADÊNCIA. ITR - Exercício 1995. Tributo sujeito à sistemática do lançamento de oficio, nos termos do art. 6° da Lei n° 8.847/1994. Prazo decadencial contado na forma do art. 173, I, do CTN. Notificação de lançamento retificativa emitida extemporaneamente. Lançamento decaído. Recurso Voluntário Acolhido.

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ITR - Exercício 1995. Tributo sujeito à sistemática do lançamento de oficio, nos termos do art. 6° da Lei n° 8.847/1994. Prazo decadencial contado na forma do art. 173, I, do CTN. Notificação de lançamento retificativa emitida extemporaneamente. Lançamento decaído. Recurso Voluntário Acolhido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de decadência, nos temos do voto do relator. t, IA HELENA T JANO DAMORIM - Presidente LUIS ALBERTO PINUETRO GOMES E ALCOFORADO- Relator EDITADO EM: 24/09/2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Traj ano Damorim, Maria de Fátima Oliveira Silva e Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado. Relatório Cuida o presente feito administrativo de SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO (SRL), apresentada pela parte contribuinte em 26 de setembro de 1996 (fl. 05), na qual são postuladas correções cadastrais quanto ao nome do sujeito passivo e ao respectivo número de inscrito no CPF, bem como veicula impugnação ao lançamento do ITR relativo ao exercício fiscal de 1995. 0 crédito tributário apurado foi formalizado por meio de notificação que, ademais do imposto sobre a propriedade, concernente ao imóvel rural NIRF n° 4286428-3, situado na municipalidade de Casimiro de Abreu/RJ, também exigia importes a titulo da Contribuição Sindical Rural e da Contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). Na divisão de tributos da DRF — Rio de Janeiro/RJ, a solicitação retificativa é acolhida pelo órgão fazendário, tendo sido mantida, todavia, o lançamento da exação em comento. Ao prosseguir com a cobrança, uma vez retificados os dados do contribuinte, foi exarada nova notificação (fl.10), emitida em 05 de abril de 2001. Cientificada do expediente, a parte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 12/13), argüindo a decadência do lançamento, a prescrição da cobrança e a ilegalidade da incidência das contribuições sindicais rurais na espécie, bem como suscitou a questão de o imóvel estar ocupado por posseiros, fato que, segundo seu entendimento, atrairia a responsabilidade dos invasores pelo pagamento dos tributos exigidos. Levada a questão para julgamento pela T. Turma da DRJ — Recife/PE, na data de 22 de março de 2002, os pleitos formulados pela parte foram indeferidos em acórdão ementado nos seguintes termos: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR Exercício: 1995 Ementa: DECADÊNCIA. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário só se extingue após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PRESCRIÇÃO. As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo suspendem a exigibilidade do crédito tributário, de acordo com o inciso III, art. 151, da Lei n° 5.172/1966 (CTN). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CONTRIBUINTE DO ITR. 2 Processo n° 10768.004340/2001-81 S3-TE02 Acórdão n.° 3802-00.008 Fl. 35 0 Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer titulo, de acordo com o art. 31, da Lei n° 5.172/1966 (CTN). CONTRIBUIÇÃO SIND. EMPREGADOR. É empregador rural, quem, proprietário ou não e mesmo sem empregado, em regime de economia familiar, explore imóvel rural que lhe absorva toda a força de trabalho e lhe garanta a subsistência social e econômico em área igual ou superior dimensão do módulo rural da respectiva região. Sendo esta lançada e cobrada dos empregadores rurais sobre o valor adotado para o lançamento do imposto territorial rural, quando o empregador não é organizado em empresa ou firma, de acordo com o Decreto-lei n° 1.166/1971. Lançamento Procedente." Cientificado do julgado, o ente contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 23/25) tempestivo, tendo sido levantada a preliminar de nulidade da decisão, por violação dos princípios constitucionais, de matiz processual, do contraditório e da ampla defesa, encartados no art. 5°, inciso LV, da Carta Magna, além de reiterar os termos manifestados na peça defensiva. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro, na data de 23 de setembro de 2008, constando numeração ate a fl. 33, última. É o relatório. Voto Conselheiro LUIS ALBERTO PINHEIRO GOMES E ALCOFORADO, Relator De inicio, registro ao colegiado que conheço plenamente do presente recurso voluntário por reunir, na integra, os requisitos processuais de admissibilidade, nos termos do Decreto n° 70.235/1972. Antes da análise meritória, cumpre ao órgão julgador analisar as questões preliminares suscitadas pela parte: (i) decadência, (ii) prescrição e (iii) nulidade do julgado a quo, por violação dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Preliminar de Decadência Quanto A. argüição de decadência do lançamento, algumas considerações, pela oportunidade, devem ser feitas. O ITR, antes da vigência da lei n° 9.393/1996, estava inserido na sistemática de tributo submetido As balizas normativas do lançamento de oficio l , sujeito, por conseguinte, ao prazo extintivo previsto no art. 173, I, do CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). 1 Vide Lei n° 8.847/1994, art. 6°. 3 In casu, o ato tributário refere-se ao exercício de 1995, cujo fato gerador, regido pela então Lei n° 8.847/1994, restou aperfeiçoado em 10 de janeiro daquele ano fiscal. É certo afirmar que a primeira notificação de lançamento, acostada à fl. 06, expedida em 19 de julho de 1996, não continha a identificação da autoridade fazendária que a expediu, fato esse que revela inequívoco vicio de nulidade, nos termos da legislação e da inteligência da Súmula n° 01, do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, verbis: "t nula, por vicio formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu". Uma vez eivada pelo apontado defeito jurídico, a nova notificação de lançamento (fl. 10), para ser considerada válida, teria de ter sido emitida dentro do lapso decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. Como o prazo fatal, nos termos legais, findou em 10 de janeiro de 2001, percebe-se, sem sombra de dúvida, que o expediente notificatório foi emitido em desacordo com as regras legais, restando o lançamento, portanto, decaído. Inaplicável, portanto, as regras do art. 151 do CTN, visto se tratar de vicio sanável apenas se o novo lançamento tivesse sido veiculado em notificação expedida antes do prazo fatal extintivo. É o que se infere a partir do art. 149, parágrafo único, do CTN: "A revisão do lançamento s6 pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública". Nesse sentido, voto no sentido de acolher a preliminar de Decadência, DANDO PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, prejudicada a análise das demais preliminares e do mérito da contenda. 1f LUIS ALBERT P t EIRO GOMES E ALCOFORADO 4

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8286267 #
Numero do processo: 12045.000401/2007-15
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/07/2006 RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N° 8.212, de 24/07/91. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n° 8.212/91; entretanto, tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n ° 449/2008, convertida na Lei n.° 11.941/2009, do que deixou de definir o ato como infração. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). A exclusão por lei de algum desses elementos implica retroatividade benigna do artigo 106 do CTN. Recurso Voluntário Provido Credito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-000.905
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/07/2006 RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N° 8.212, de 24/07/91. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n° 8.212/91; entretanto, tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n ° 449/2008, convertida na Lei n.° 11.941/2009, do que deixou de definir o ato como infração. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). A exclusão por lei de algum desses elementos implica retroatividade benigna do artigo 106 do CTN. Recurso Voluntário Provido Credito Tributário Exonerado.

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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-06-16T12:01:11Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-06-16T12:01:11Z; Last-Modified: 2010-06-16T12:01:11Z; dcterms:modified: 2010-06-16T12:01:11Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-06-16T12:01:11Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-06-16T12:01:11Z; meta:save-date: 2010-06-16T12:01:11Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-06-16T12:01:11Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-06-16T12:01:11Z; created: 2010-06-16T12:01:11Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2010-06-16T12:01:11Z; pdf:charsPerPage: 1383; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-06-16T12:01:11Z | Conteúdo => 52-C3TI Fl. 1 vsr; MINISTÉRIO DA FAZENDA 7:17 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS dift;:12--t‘ . - [ • SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n0 12045.000401/2007-15 Recurso n° 147.938 Voluntário - Acórdão ns 2301-00.905 — 3' Câmara / l a Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2010 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: DIRIGENTE PÚBLICO Recorrente VALTER DOS SANTOS CANUTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/07/2006 RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N° 8.212, de 24/07/91. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n° 8.212/91; entretanto, tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n ° 449/2008, convertida na Lei n.° 11.941/2009, do que deixou de definir o ato como infração. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). A exclusão por lei de algum desses elementos implica retroatividade benigna do artigo 106 do CTN. Recurso Voluntário Provido ( Credito Tributário Exonerado. n Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. \/ ACORDAM os membros da 3° Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. • No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 4/09/2039 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. ICàHlw JULIO FE AR VIEIRA GOMES Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (suplente), Francisco de Assis de Oliveira Júnior, Julio César Vieira Gomes (presidente). Relatório Trata-se de auto-de-infração lavrado em desfavor de sujeito passivo na condição de responsável pessoal atribuida pelo art. 41 da Lei n "8.212/91, em virtude de infração à legislação previdenciária. Após impugnação e decisão desfavorável, interpôs recurso voluntário para que seja afastada a sua responsabilidade pessoal pela infração. Cabe ressaltar que se adotará no julgamento o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Dessa forma, a solução que vier a ser adotada no julgamento do recurso- padrão, abaixo discriminado, será aplicada a todos os demais recursos repetitivos incluídos na mesma pauta de julgamento: 84 - Recurso n° 147.250 Processo n° 13558.000689/2007-01 Recorrente: WAGNER RAMOS DE MENDONÇA Recorrida: SRP-SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Matéria: CONTRIBUIÇÃO PREWIDENCIÁRLA. É o relatório. Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Preliminarmente, há que ser observada a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso lido CTN. 2 Processo n°12045.000401/2007-15 52-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.905 Fl. 2 A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n ° 8.212/91; entretanto, tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n ° 449/2008, convertida na Lei n.° 11.941/2009. Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. (Revogado pela Medida Provisória n° 449, de 2008) Conforme previsto no art. 106, inciso II do Código Tributário Nacional - CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, no caso presente, aplica-se o art. 106, inciso II, alíneas "a" e "b" do CTN. A Medida Provisória n ° 449/2008, ao revogar o art. 41 da Lei n° 8.212/91, afastou a responsabilização do dirigente nas omissões e ações que geram o descumprimento de obrigações acessórias. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a Medida Provisória deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Caso a fiscalização fosse autuar o prefeito municipal na data de hoje, por fatos pretéritos não poderia fazê-lo, em função da Mil' n ° 44912008. Assim, em relação ao dirigente, a MP é, sem dúvida, mais benéfica; se antes da MP a autuação era em nome do dirigente, com sua responsabilização pessoal, após, não cabe tal autuação. Pelo exposto, Voto pelo provimento do recurso. í . r Sala das Sessões, ;em 25 de janeiro de 2010. ' '*t JULIO CESAR VIEIRA GOMES - Relator 3 LA(40 de Re ....krza,S-fr zsoÍrVit.:, ff Fottta n° tÍ S. MINISTÉRIO DA FAZENDA '9'o CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 43;k7 SEGUNDA SEÇÃOSEÇÃO DE JULGAMENTO— TERCEIRA CÂMARA SCS — QD. 01 — BL. "J" — ED. ALVORADA — 12° ANDAR — CEP 70396-900 — BRASÍLIA — DF Home Page hups . //carf fazenda gov.br Recurso: 147.938 Processo: 12045.000401/2007-15 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3' do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, a tomar ciência do Acórdão n.° 2301-00.905. n Brasília, 15 (5L e\ram co de 2010 iç JULIO CESARNIEIRA GOMES Presidente da terceira Câmara 4 Ciente, com a observação abaixo: [ ] Sem Recurso [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional

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Numero do processo: 10108.000086/2001-15
Data da sessão: Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1997 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.617
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para restabelecer a tributação referente à área de Reserva Legal. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Gonçalo Bonet Allage, Rogério de Lellis Pinto (suplente convocado) e Moisés Giacomelli Nunes da Silva. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões, que apresentará declaração de voto. Designado o Conselheiro Elias Sampaio Freire para redigir o voto vencedor.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira

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MINISTÉRIO DA FAZENDA • CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10108.000086/2001-15 Recurso n° 331.396 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-00.617 - 2a Turma Sessão de 10 de março de 2010 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ANTÔNIO ALBUQUERQUE DOS SANTOS ASSUNTO IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1997 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para restabelecer a tributação referente à área de Reserva Legal. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Gonçalo Bonet Allage, Rogério de Lellis Pinto (suplente convocado) e Moisés Giacomelli Nunes da Silva. A Conselheira Susy Gomes Hoffinann votou pelas conclusões, que apresentará declaração de voto. Designado o Conselheiro Elias Sampaio Freire para redigir o voto vencedor. _ t CARLOS • : lk 11_ •• . :ARkETO - Presidente ../ 431" so.,/.4% .,, ,i . _1/ • 1..g1 RYC •I DO J i 1.- G .P.t.IL-MAGALHÂLES DE OLIVEIRA - Relatoriii ELIAS , '10 ; el.: FREIRE - Relator-Designado EDITADO EM: 23 ABR 2110 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Rogério de Lellis Pinto (suplente convocado), Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. 2 Processo n° 10108.00008612001-15 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.617 Fl. 2 Relatório ANTÔNIO ALBUQUERQUE DOS SANTOS, contribuinte, pessoa fisica, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 21/03/2001, exigindo-lhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, em relação ao exercício de 1997, incidente sobre o imóvel rural denorniiado "Fazenda Capim Gordura", localizado no município de Corumbá-MS, cadastrado ria -RRS-sob'n° 2657594-9, conforme peça inaugural do feito, às fls. 22/29, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Terceiro Conselho de- Contribuintes contra Decisão da 1' Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão n° 03.075/2003, às fls. 52/57, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 3' Câmara, em 21/06/2006, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão n°303-33.279, sintetizados na seguinte ementa: "ITI1I997. Auto de Infração lavrado por glosa da área de reserva legal. Tendo sido trazido aos Autos documentos hábeis, revestidos das formalidades legais, como o ADA, mesmo entregue a destempo, e as devidas averbaçães em cartório efetivadas à margem do registro, que comprovam a isenção informada pelo recorrenstandO as terras totalmente inseridas no pantanal matogrossense, é de se reformar o lançamento como efetivado pela fiscalização, para que seja dado provimento ao Recurso. Recurso voluntário provido." Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 86/95, com arrimo no artigo 5 0, inciso I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurge-se contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado os preceitos da legislação de regência, especialmente o artigo 10, § 4°, inciso I, da IN SRF 43/1997, que disciplinou a Lei n° 9.393/1996, com redação do artigo 1°, inciso II, da Instrução Normativa SRF n° 67/1997, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente uma vez comprovada a contrariedade à lei argüida. Sustenta que a Lei n° 4.771/1965 (Código Florestal), na redação dada pela Lei n°7.803/1989, impõe que a comprovação da existência de área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, depende de prévia averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. 3 Em defesa de sua pretensão, assevera que a exigência encimada foi expressamente inserida no art. 10, § 4 0, inciso I, da IN/SRF/n° 43/1997, (que disciplinou a Lei 9.363/96), com redação do art. 1°, inciso II, da IN/SRF n°67/1997. Infere que a Medida Provisória n° 2.166/2001, a qual dispôs sobre a declaração das áreas na Lei n° 9.393/1996, utilizada como esteio ao Acórdão atacado, em nada alterou a necessidade da averbação tempestiva da reserva legal junto à matricula do imóvel, eis que, igualmente, contemplou essa exigência, remetendo às disposições do Código Florestal, instituído pela Lei n°4.771/1965. Tece comentários a propósito do conceito e finalidade da "Reserva Legal", traçando histórico da legislação que regulamenta a matéria, notadamente Código Florestal, aprovado pela Lei n° 4.771/1965, bem como Lei n° 7.803/1989, a qual estabeleceu a necessidade da averbação ou registro da reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel concluindo que aludida exigência visa justamente atender o fim precipuo da reserva legal, a partir da publicidade dessa situação de fato e de direito. Contrapõe-se ao entendimento da Câmara recorrida, aduzindo para tanto que Áreas de reserva legal são aquelas definidas pelo citado Código Florestal em seu artigo 16 e que, para serem consideradas como tal não bastam apenas "existir" no mundo fático, mas devem "existir" também no mundo jurídico quando averbadas na matrícula do imóvel, mormente quando referida exigência decorre da legislação de regência, mais precisamente a Lei n°4.771/65. Elucida, ainda, para fins de não incidência do ITR, que a averbação da reserva legal junto à matrícula do imóvel, deve ser procedida antes do fato gerador do tributo, somente passando a produzir efeitos a partir de tal providência, não retroagindo, portanto, à fatos geradores ocorridos anteriormente à esse ato, em observância ao disposto no artigo 144 do Código Tributário Nacional, com vistas à assegurar os interesses coletivos relativamente à proteção do meio ambiente. Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que a contribuinte procedeu tempestivamente a averbação em comento, impõe-se à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da 3' Câmara do 3° Conselho, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de terem sido observados os pressupostos para conhecimento do recurso uma vez tempestivo e por tratar-se de decisão não unânime, além da existência do pré-questionamento da matéria, conforme Despacho n° 345/2006, às fls. 97/99. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 104/105, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. 4 Processo n° 10108.000086/2001-15 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.617 Fl. 3 Voto Vencido Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, Relator Com a devida vênia a ilustre então Presidente da 3° Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, ouso divergir do despacho que deu seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por não vislumbrar na hipótese vertente requisito regimental amparando a pretensão da recorrente, não merecendo ser conhecida sua peça recursal, como passaremos a demonstrar. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a Procuradoria a reforma do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram os preceitos contidos no artigo 10, § 4°, inciso I, da IN SRF n° 43/1997, que disciplinou a Lei n° 9.393/1996, com redação do artigo 1°, inciso II, da Instrução Normativa SRF n°67/1997. Por sua vez, em análise preliminar de admissibilidade, a Presidente da Câmara recorrida acolheu o pleito da recorrente, sob o argumento de terem sido observados os pressupostos para conhecimento do recurso uma vez tempestivo e por tratar-se de decisão não unânime, além da existência do pré-questionamento da matéria. Observe-se, que não houve um aprofundamento no exame da contrariedade à lei propriamente dita, constando do Despacho que deu seguimento ao Recurso Especial da Procuradoria simplesmente que: "2. quanto à contrariedade à lei tributária, o recurso merece acolhimento, haja vista que a decisão foi prolatada por maioria de votos." Ora, nos termos dos artigos 5°, inciso I, e 7°, § 1 0, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 55/1998, vigente à época, a decisão tomada por maioria de votos é um dos pressupostos de admissibilidade do Recurso Especial em comento, não se confundido com a contrariedade à lei e/ou evidência de prova, que deverá (ão) ser comprovada (s) cabalmente, senão vejamos: "Art. 5 Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais julgar recurso especial interposto contra: I — decisão não unânime de Câmara de Conselho de Contribuintes, quando for contrária it lei ou à evidência da prova; e 11— decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara de Conselho de Contribuintes ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. ri Art. 7 ° O recurso especial deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida e deverá ser apresentado por Procurador da 5 Fazenda Nacional, no prazo de quinze dias, contando da vista oficial do acórdão, ou pelo sujeito passivo, em igual prazo, contado da data da ciência da decisão. § I° Na hipótese de que trata o inciso 1 do art 5 ° deste Regimento o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a contrariedade à lei ou à evidência da prova e, havendo matérias autônomas o recurso especial alcançará apenas a pane da decisão não unânime contrária à Fazenda Nacional." (grifamos) A jurisprudência desta Colenda Corte Administrativa não discrepa desse entendimento, impondo a comprovação cabal da contrariedade à lei e/ou evidência de prova para efeito de conhecimento do Recurso Especial do Procurador, como se extrai dos julgados com as seguintes ementas: CONHECIMENTO DO RECURSO - ACÓRDÃO PROFERIDO POR MAIORIA DE VOTOS. Para que seja conhecido o recurso especial interposto Fazenda Nacional contra acórdão não-unânime, deve restar demonstrada a contrariedade à lei ou à evidência de prova. Providência adotada no caso em tela. [..J' (4' Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais - Recurso n° 102-146640 - Acórdão n° CSRF/04-00.958, Sessão de 04/08/2008) (grifamos) "RECURSOS. ADMISSIBILIDADE. - A falta de demonstrarão fundamentada da contrariedade à lei ou à evidência da prova rende ensejo ao não conhecimento do recurso. Recurso especial não conhecido." (r Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais - Recurso n° 203-124521 - Acórdão n° CSRF/02-02.291, Sessão de 25/04/2006) (grifamos) "RECURSO ESPECIAL — CONHECIMENTO — Não pode ser conhecido. por falta de objeto, o recurso que não demonstra contrariedade a Lei e, portanto, desatende os pressupostos regimentais de admissibilidade. Recurso Especial Não Conhecido." (l a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais - Recurso rt° 102-128213 - Acórdão n° CSRF/01-04.489, Sessão de 14/04/2003) (grifamos) Na hipótese dos autos, constata-se que, muito embora a recorrente procure demonstrar a Subsistência do Acórdão recorrido utilizando-se dos mais variados argumentos, a bem da verdade discute-se, novamente, o mérito da questão (necessidade de averbação tempestiva da reserva legal junto à matricula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural), o qual já foi objeto da análise desta Câmara recorrida, suscitando a "contrariedade à lei com base em preceitos de Instruções Normativas. Assim, em que pesem as razões lançadas em seu Recurso Especial, argüindo a existência de contrariedade à lei, em momento algum a contribuinte logrou comprovar seu argumento, eis que as Instruções Normativas não se revestem das características e/ou natureza de lei propriamente dita. Como se verifica, a Fazenda Nacional ao formular seu Recurso Especial utilizou como fundamento à sua empreitada o artigo 5°, inciso I, do Regimento Interno da 6 Processo n° 10108.000086/2001-15 CSRF-T2 Acórdão o.° 9202-00.617 Fl. 4 Câmara Superior de Recursos Fiscais, sem conquanto demonstrar que a tese sustentada no Acórdão atacado foi contrária à lei ou à evidência da prova capaz de ensejar a reforma do r. decisório da Câmara recorrida. Destarte no que tange às determinações insertas nas Instruções Normativas n's 43 e 67, de 1997, esteios do entendimento da Fazenda Nacional, não são capazes de oferecer proteção ao seu pleito, porquanto são normas complementares/secundárias, não podendo ser equiparadas/confundidas como "leis" para efeito de conhecimento do presente recurso, sendo defeso, por essa própria natureza, inovar, suplantar e/ou cingir os ditames contidos nas leis regulamentadas. Perfunctória leitura do artigo 100, inciso I, do Códex Tributário, fulmina de uma vez por todas a pretensão fiscal, senão vejamos: "Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: 1 — os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas J...] Na esteira desse entendimento, cabe invocar os ensinamentos do renomado doutrinador Antonio Carlos Rodrigues do Amaral, na obra "Comentários ao Código Tributário Nacional", volume 2, coord. Ives Gandra da Silva Martins, Editora Saraiva, 1998, págs. 40/41, que ao tratar do artigo 100 do Código Tributário Nacional, assim preleciona: " Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. São as instruções ministeriais, as portarias ministeriais e atos expedidos pelos chefes de órgãos ou repartições; as instruções normativas expedidas pelo Secretário da Receita Federal; as circulares e demais atos normativos internos da Administração Pública, que são vinculantes para os agentes públicos, mas não podem criar obrigações para os contribuintes que já não estejam previstas na lei ou no decreto dela decorrente. Também não vinculam o Poder Judiciário, que não está obrigado a acatar a interpretação dada pelas autoridades públicas através de tais atos normativos." Outro não é o entendimento do eminente jurista Leandro Paulsen, ao comentar o Código Tributário Nacional, adotando posicionamento do Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: "Vinculactio absoluta dos atos normativos à lei. "... As instruções normativas editadas por órgão competente da administração tributária, constituem espówies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis, tratados, convenções internacionais, ou decretos presidenciais, de que devem constituir normas complementares. Essas instruções nada mais são, em sua configuração jurídico- formal, do que provimentos executivos cuja normatividade está diretamente subordinada aos atos de natureza primária, como as leis e as medidas provisórias a que se vinculam por um claro nexo de acessoriedade e de dependência. Se a instrução normativa, editada com fundamento no art. 100, 1, do Código Tributário Nacional, vem a _positivar em seu texto, em decorrência de má interpretação de lei ou medida provisória, 7 uma exegese que possa romper a hierarquia normativa que deve manter com estes atos primários, viciar-se-á de ilegalidade.." (STF, Plenário, AGRADI 365/DF, rel. Min. Celso de Mello, nov/I990)" (DIREITO TRIBUTÁRIO — Constituição e Código Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência" — 5' edição, Porto Alegre: Livraria do Advogado:ESMAFE, 2003, pág. 740) Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela 3' Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Recurso Especial da Procuradoria em dissonância com as normas r- entais vigentes à época de sua protocolização, VOTO NO SENTIDO DE Nek0 CONHEC -LO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. dg ak Rycardo 'V!' que Magalhães de O weira — Relator Processo n° unos.0000sanool . is CSRF-T2 Acórdão n.° 920240.617 Fl. 5 Voto Vencedor Conselheiro ELIAS SAMPAIO FREIRE, Designado Ouso divergir do ilustre relator no que diz respeito à exigência da averbação da área de reserva legal para fins de isenção do 1TR. A decisão recorrida partiu da premissa de que o Código Florestal ao tratar da averbação da área de reserva legal o fez com finalidade diversa da tributária, ao concluir que a exigência de averbação como pré-condição para o gozo de isenção do ITR. não encontra amparo na lei ambiental. Para o deslinde da questão vale repassar as normas legais regedoras da isenção de 1TR incidente sobre a área de reserva legal e, conseqüentemente, do próprio conceito de área de reserva legal. O art. 10, § 1°, inciso II, que trata da área tributável do imóvel para fins de ITR, exclui da incidência do imposto a áreas de preservação permanente e de reserva legal previstas no Código Florestal Brasileiro, in verbis: Art. 10 § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n°7.803, de 18 de julho de 1989; Por seu turno, a Lei n° Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n°7.803, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro), portanto, à época dos fatos geradores, previa a obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, seio suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: § 2°A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989). (1)( 9 No meu entender a averbação da área de reserva legal à margem da inscrição de matricula do imóvel no registro de imóveis competente é condição para que a referida área seja, efetivamente, considerada como área de reserva legal. Precedente do Supremo Tribunal Federal (Mandado de Segurança n° 22.688/PB) é explicito no sentido de que determinada área somente pode ser considerada como área de reserva legal após a averbação desta situação no registro de imóveis assim ementado: EMENTA Mandado de segurança. Desapropriação de imóvel rural para fins de reforma agrária. Preliminar de perda de objeto da segurança que se rejeita. - No mérito, não fizerem os impetrantes prova da averbação da área de reserva legal anteriormente à vistoria do imóvel, cujo laudo (fls. 71) é de 09.05.96, ao passo que a averbação existente nos autos data de 26.11.96 ars• 73-verso), posterior inclusive ao Decreto em causa, que é de 06.09.96.('GRIFEH Mandado de segurança indeferido. Por relevante, transcrevo excerto voto vista do Ministro Sepúlveda Pertence proferido no julgado do Mandado de Segurança acima ementado, em que afirma peremptoriamente que sem a averbação determinada pelo §2° do art. 16 da lei n° 4.771/1965 não existe reserva legal: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade (..) A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma pane determinada do imóvel. Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer titulo ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sêm a averbação determinada pelo §2° do art 16 da lei n°4.771/1965 não existe reserva legal. (GRIFEI) Portanto, a averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte, pelo contrário, trata-se de ato constitutivo da própria área de reserva legal. io Processo ? 10108.000086/200145 CSR1?-T2 Acórdão n.°9202-00.617 Fl. 6 Destarte, a área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registo de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da 014 Fazenda Nacional, para mant, i:butação da área declarada como de reserva legal. Elias Sampaio F li ire - Relator-Designado ' II Declaração de Voto Conselheira SUSY GOMES HOFFMANN O objetivo desta Declaração de Voto é tão somente de externar o meu entendimento sobre a interpretação do parágrafo 7°. do artigo 10 da Lei 9393/96. O referido dispositivo legal possui o seguinte texto: "Art. 10. A apuração e o pagamento do IIR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a - homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do 1TR, considerar-se-á: 1- VIN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c)pastagens cultivadas e melhoradas; dElorestas plantadas; II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n°4771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; § 7° A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "e e "d" do inciso II, § 1°, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória n° 2.166-67, de 2001)" Entendo que a inteligência do referido parágrafo 7°, introduzido pela Medida Provisória 2.166-67 de 2001 teve por fim trazer ao Contribuinte do ITR a condição de excluir as áreas referidas (reserva legal e preservação permanente) do calculo da área tributável para fins de ITR, sem que tenha que fazer qualquer prova pré-constituída. Todavia, entendo, diversamente do Conselheiro Relator, que uma vez instado a trazer tal prova, isto é, a prova da 12 Processo n° lows.0000ssnoot-ls CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.617 Fl. 7 existência da área de reserva legal e da área de preservação permanente, cabe ao contribuinte, efetivamente, trazê-la. Portanto, não basta apenas a declaração do contribuinte, posto que no caso de fiscalização, quando o contribuinte é chamado a provar a existência e caracterização ou qualificação da área o ônus desta prova é dele. Pois bem. Diante destas considerações, passemos a analisar a questão do ônus da prova no processo administrativo. Segundo Hugo de Brito Machado', pode-se dizer que o ônus da prova é dividido entre as partes, veja-se: "O desconhecimento da teoria da prova, ou a ideologia autoritária, tem levado alguns a afirmarem que no processo administrativo fiscal o ônus da prova é do contribuinte. Isto não é, nem poderia ser correto em um Estado de Direito democrático. O ônus da prova no processo administrativo fiscal é regulado pelos princípios fundamentais da teoria da prova, expressos, aliás, pelo Código de Processo Civil, cujos normas são aplicáveis ao processo administrativo fiscal. No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333 I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo ateia ser imune ou isento ou haver sido no todo ou em corte desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituicão, parcial ou total, do fato erador do tributo é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado _portanto pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigênc ia lo tributo POsiCãO equivalente a do réu no processo civil". (grifo nosso) Depreende-se da leitura do texto acima transcrito que a alegação de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do crédito tributário deve ser comprovada pelo contribuinte. Dessa forma, caberia ao contribuinte comprovar as suas alegações, o que no presente caso poderia ter ocorrido por meio de laudo para comprovação da existência da área de reserva legal. A palavra ônus, do latim onus, significa carga, peso, encargo, obrigação. Quando se indaga — a quem cabe o ônus da prova? —, quer se saber, a quem cabe a necessidade de prover os elementos probatórios suficientes para a formação do convencimento do julgador. No processo administrativo fiscal federal tem-se como regra que aquele que alega algum fato é quem deve provar. Nesse sentido, o ônus da prova recai a quem dela se aproveita. 1 Machado, Hugo de Brito; Mandado de Segurança em Matéria Tributaria, 5. ed., São Paulo: Dialética, 2003, p273 13 • Por outro lado, o meu entendimento ê que a prova da existência da área de reserva legal não exige a averbação da existência desta área junto ao Cartório de Registro de Imóveis. Basta um laudo técnico que se refira a época do fato jurídico tributário e que ateste a existência e a extensão da área de reserva legal. Realmente, e sem maiores delongas jurídicos, pode-se considerar de plano, que a legislação concedeu isenção para a área localizada em Reserva Legal, não podendo recair tributação de ITR. E não poderia ser outro o entendimento, visto que o interesse defendido é o ecológico, pertinente a toda coletividade, que impede a incidência tributária sobre patrimônio de utilidade pública, cujo destino é dado no interesse exclusivo da Administração Pública, não mais do particular. Desta feita, da questão supracitada para o caso em apreço, tem-se que a área de Reserva Legal limita era muito o direito de propriedade do contribuinte, vez que fora destinado para finalidade específica de proteção integral do Meio Ambiente ecologicamente equilibrado. Assim, ainda que o contribuinte não tenha averbado a existência de tal área a— - margem da matrícula do imóvel, ele pode e deve provar a existência de tal área por meio de laudo técnico, pois o que importa para o Direito, sob o meu ponto de vista, é a efetiva proteção ao Meio-Ambiente por meio da preservação da área de reserva legal, e se ha prova de que a área está preservada, este fato ê o relevante, sendo a averbação da existência da área, ato declaratório da existência e preservação da referida área. Portanto, a minha declaração de voto é para externar o meu posicionamento de que: a) para provar a existência da área de reserva legal para fins de exclusão desta área para fins de ITR não é condição a averbação da área junto â matrícula do imóvel, podendo tal prova ocorrer por meio de laudo; b) cabe ao contribuinte a realização da prova da existência da área de reserva legal pelos meios de prova admitidos em direito. Susy Gomes ann 14

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Numero do processo: 13896.000846/2007-39
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2003, 2004, 2005  NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO  DE DEFESA.  CAPITULAÇÃO  LEGAL.  DESCRIÇÃO  DOS  FATOS.  LOCAL DA LAVRATURA.  O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total  dessas  formalidades  é  que implicará  na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer  plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo­as, uma a uma,  de  forma  meticulosa,  mediante  extensa  e  substanciosa  impugnação,  abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de  mérito, descabem a proposição de cerceamento do direito de defesa.  NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO  DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.  Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio  entre o fisco e o contribuinte, podendo­se, então, falar em ampla defesa ou  cerceamento  dela,  sendo  improcedente  a  preliminar  de  cerceamento  do  direito  de  defesa  quando  concedida,  na  fase  de  impugnação,  ampla  oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA.  ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE  RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO.  Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em  conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem  dos recursos utilizados nessas operações.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  PERÍODO­BASE  DE  INCIDÊNCIA.  APURAÇÃO MENSAL. TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL.   Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1º de janeiro  de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em  conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva  anual (ajuste anual).   PRESUNÇÕES  LEGAIS  RELATIVAS.  ÔNUS  DA  PROVA.  COMPROVAÇÃO.  As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas  presunções,  atribuindo  ao  contribuinte  o  ônus  de  provar  que  os  fatos  concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.  RENDIMENTOS TRIBUTADOS NA DECLARAÇÃO AJUSTE ANUAL.  JUSTIFICATIVA DE ORIGEM. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.  É de se aceitar como origem de recursos, justificando a existência de valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento,  os  valores  dos  rendimentos tributados na Declaração de Ajuste Anual não considerados no  levantamento  de  ofício  realizado  pela  autoridade  fiscal  responsável  pela  constituição do crédito tributário.  LIVRO  CAIXA.  DESPESAS.  CONDIÇÃO  DE  DEDUTIBILIDADE.  NECESSIDADE E COMPROVAÇÃO.  Somente são admissíveis, em tese, como dedutíveis, despesas que, além de  preencherem  os  requisitos  de  necessidade,  normalidade  e  usualidade,  apresentarem­se com a devida comprovação, por meio de documentos hábeis  e idôneos, devidamente escriturados no respectivo Livro Caixa e que sejam  necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. O  simples lançamento na escrituração e/ou Declaração de Ajuste Anual pode  ser contestado pela autoridade lançadora.  DESPESAS  LANÇADAS  EM  LIVRO  CAIXA.  COMPROVAÇÃO  ATRAVÉS  DE  NOTA  FISCAL  SIMPLIFICADA,  CUPOM  FISCAL,  TICKETS. DOCUMENTAÇÃO FISCAL INÁBIL  A nota fiscal simplificada, assim como o cupom fiscal não são documentos  hábeis para comprovação de despesas dedutíveis lançadas em Livro Caixa,  pelo fato de não reunirem elementos capazes de identificar o comprador, os  bens  adquiridos,  o  valor  da  operação,  bem  como  a  sua  efetividade  e  necessidade à fonte produtora dos rendimentos.  INFORMAÇÃO E COMPROVAÇÃO DOS DADOS CONSTANTES DA  DECLARAÇÃO  DE  AJUSTE  ANUAL.  DEVER  DO  CONTRIBUINTE.  CONFERÊNCIA  DOS  DADOS  INFORMADOS.  DEVER  DA  AUTORIDADE FISCAL.  É dever do contribuinte informar e, se for o caso, comprovar os dados nos  campos  próprios  das  correspondentes  declarações  de  rendimentos  e,  conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado, por  outro lado, cabe a autoridade fiscal o dever da conferência destes dados.  Assim, na ausência de comprovação, por meio de documentação hábil e  idônea, das deduções realizadas na base de cálculo do imposto de renda, é  dever da autoridade fiscal efetuar a sua glosa.  MULTA  EXIGIDA  ISOLADAMENTE.  PESSOA  FÍSICA  SUJEITA  AO  PAGAMENTO  MENSAL  DE  IMPOSTO.  IMPOSTO  DECLARADO.  FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊ­LEÃO.  É cabível, a partir de 1º de janeiro de 1997, a multa de ofício prevista no  artigo 44, § 1º, III, da Lei nº 9.430, de 1996, exigida isoladamente, sob o  argumento do não­recolhimento do imposto mensal (carnê­leão), previsto no  artigo 8º da Lei nº 7.713, de 1988, informado na Declaração de Ajuste Anual.  MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO  E  MULTA  ISOLADA.  CONCOMITÂNCIA.  É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa  de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de  lançamento de ofício exigida isoladamente.  MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFICIO.  RESPONSABILIDADE  OBJETIVA.  A  responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributária  independe  da  intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má­fé do contribuinte  não descaracteriza o poder­dever da Administração de lançar com multa de  oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste.  MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO.  INOCORRÊNCIA.   A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento  de ofício, para exigi­lo com acréscimos e penalidades legais. A multa de  lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo  Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista  em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150  da Constituição Federal.   INCONSTITUCIONALIDADE.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária (Súmula CARF nº 2).  ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.  A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).  Preliminares rejeitadas.  Recurso parcialmente provido. 
Numero da decisão: 2202-001.649
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência os valores de R$ 94.125,04 (totalidade do item depósitos bancários remanescente) e R$ 96.570,00 (do total do item dos Fl. 965 DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓPIA Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 4 depósitos bancários remanescentes), correspondentes aos anos-calendário de 2002 e 2003, respectivamente, bem como excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão aplicada de forma concomitante com a multa de ofício, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino, que negava provimento ao recurso e Antonio Lopo Martinez, que provia parcialmente o recurso para excluir da exigência fiscal, tão somente, a multa isolada aplicada de forma concomitante com a multa de ofício.
Nome do relator: Nelson Mallmann

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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência os valores de R$ 94.125,04 (totalidade do item depósitos bancários remanescente) e R$ 96.570,00 (do total do item dos Fl. 965 DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓPIA Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 4 depósitos bancários remanescentes), correspondentes aos anos-calendário de 2002 e 2003, respectivamente, bem como excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão aplicada de forma concomitante com a multa de ofício, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino, que negava provimento ao recurso e Antonio Lopo Martinez, que provia parcialmente o recurso para excluir da exigência fiscal, tão somente, a multa isolada aplicada de forma concomitante com a multa de ofício.

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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2003, 2004, 2005  NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO  DE DEFESA.  CAPITULAÇÃO  LEGAL.  DESCRIÇÃO  DOS  FATOS.  LOCAL DA LAVRATURA.  O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total  dessas  formalidades  é  que implicará  na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer  plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo­as, uma a uma,  de  forma  meticulosa,  mediante  extensa  e  substanciosa  impugnação,  abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de  mérito, descabem a proposição de cerceamento do direito de defesa.  NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO  DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.  Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio  entre o fisco e o contribuinte, podendo­se, então, falar em ampla defesa ou  cerceamento  dela,  sendo  improcedente  a  preliminar  de  cerceamento  do  direito  de  defesa  quando  concedida,  na  fase  de  impugnação,  ampla  oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA.  ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE  RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO.  Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em  conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem  dos recursos utilizados nessas operações.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  PERÍODO­BASE  DE  INCIDÊNCIA.  APURAÇÃO MENSAL. TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL.   Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1º de janeiro  de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em  conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva  anual (ajuste anual).   PRESUNÇÕES  LEGAIS  RELATIVAS.  ÔNUS  DA  PROVA.  COMPROVAÇÃO.  As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas  presunções,  atribuindo  ao  contribuinte  o  ônus  de  provar  que  os  fatos  concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.  RENDIMENTOS TRIBUTADOS NA DECLARAÇÃO AJUSTE ANUAL.  JUSTIFICATIVA DE ORIGEM. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.  É de se aceitar como origem de recursos, justificando a existência de valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento,  os  valores  dos  rendimentos tributados na Declaração de Ajuste Anual não considerados no  levantamento  de  ofício  realizado  pela  autoridade  fiscal  responsável  pela  constituição do crédito tributário.  LIVRO  CAIXA.  DESPESAS.  CONDIÇÃO  DE  DEDUTIBILIDADE.  NECESSIDADE E COMPROVAÇÃO.  Somente são admissíveis, em tese, como dedutíveis, despesas que, além de  preencherem  os  requisitos  de  necessidade,  normalidade  e  usualidade,  apresentarem­se com a devida comprovação, por meio de documentos hábeis  e idôneos, devidamente escriturados no respectivo Livro Caixa e que sejam  necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. O  simples lançamento na escrituração e/ou Declaração de Ajuste Anual pode  ser contestado pela autoridade lançadora.  DESPESAS  LANÇADAS  EM  LIVRO  CAIXA.  COMPROVAÇÃO  ATRAVÉS  DE  NOTA  FISCAL  SIMPLIFICADA,  CUPOM  FISCAL,  TICKETS. DOCUMENTAÇÃO FISCAL INÁBIL  A nota fiscal simplificada, assim como o cupom fiscal não são documentos  hábeis para comprovação de despesas dedutíveis lançadas em Livro Caixa,  pelo fato de não reunirem elementos capazes de identificar o comprador, os  bens  adquiridos,  o  valor  da  operação,  bem  como  a  sua  efetividade  e  necessidade à fonte produtora dos rendimentos.  INFORMAÇÃO E COMPROVAÇÃO DOS DADOS CONSTANTES DA  DECLARAÇÃO  DE  AJUSTE  ANUAL.  DEVER  DO  CONTRIBUINTE.  CONFERÊNCIA  DOS  DADOS  INFORMADOS.  DEVER  DA  AUTORIDADE FISCAL.  É dever do contribuinte informar e, se for o caso, comprovar os dados nos  campos  próprios  das  correspondentes  declarações  de  rendimentos  e,  conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado, por  outro lado, cabe a autoridade fiscal o dever da conferência destes dados.  Assim, na ausência de comprovação, por meio de documentação hábil e  idônea, das deduções realizadas na base de cálculo do imposto de renda, é  dever da autoridade fiscal efetuar a sua glosa.  MULTA  EXIGIDA  ISOLADAMENTE.  PESSOA  FÍSICA  SUJEITA  AO  PAGAMENTO  MENSAL  DE  IMPOSTO.  IMPOSTO  DECLARADO.  FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊ­LEÃO.  É cabível, a partir de 1º de janeiro de 1997, a multa de ofício prevista no  artigo 44, § 1º, III, da Lei nº 9.430, de 1996, exigida isoladamente, sob o  argumento do não­recolhimento do imposto mensal (carnê­leão), previsto no  artigo 8º da Lei nº 7.713, de 1988, informado na Declaração de Ajuste Anual.  MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO  E  MULTA  ISOLADA.  CONCOMITÂNCIA.  É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa  de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de  lançamento de ofício exigida isoladamente.  MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFICIO.  RESPONSABILIDADE  OBJETIVA.  A  responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributária  independe  da  intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má­fé do contribuinte  não descaracteriza o poder­dever da Administração de lançar com multa de  oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste.  MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO.  INOCORRÊNCIA.   A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento  de ofício, para exigi­lo com acréscimos e penalidades legais. A multa de  lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo  Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista  em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150  da Constituição Federal.   INCONSTITUCIONALIDADE.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária (Súmula CARF nº 2).  ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.  A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).  Preliminares rejeitadas.  Recurso parcialmente provido. 

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VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN     2 DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  PERÍODO­BASE  DE  INCIDÊNCIA.  APURAÇÃO MENSAL. TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL.   Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1º de janeiro  de  1997,  serão  apurados, mensalmente,  à medida  que  forem  creditados  em  conta  bancária  e  tributados  como  rendimentos  sujeitos  à  tabela  progressiva  anual (ajuste anual).   PRESUNÇÕES  LEGAIS  RELATIVAS.  ÔNUS  DA  PROVA.  COMPROVAÇÃO.  As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão­ somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas  presunções,  atribuindo  ao  contribuinte  o  ônus  de  provar  que  os  fatos  concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.  RENDIMENTOS  TRIBUTADOS NA DECLARAÇÃO AJUSTE ANUAL.  JUSTIFICATIVA DE ORIGEM. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.  É de se aceitar como origem de recursos, justificando a existência de valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento,  os  valores  dos  rendimentos  tributados na Declaração de Ajuste Anual não considerados no  levantamento  de  ofício  realizado  pela  autoridade  fiscal  responsável  pela  constituição do crédito tributário.  LIVRO  CAIXA.  DESPESAS.  CONDIÇÃO  DE  DEDUTIBILIDADE.  NECESSIDADE E COMPROVAÇÃO.  Somente  são  admissíveis,  em  tese,  como dedutíveis,  despesas  que,  além de  preencherem  os  requisitos  de  necessidade,  normalidade  e  usualidade,  apresentarem­se com a devida comprovação, por meio de documentos hábeis  e  idôneos, devidamente escriturados no  respectivo Livro Caixa e que sejam  necessárias  à  percepção  da  receita  e  à  manutenção  da  fonte  produtora.  O  simples  lançamento  na  escrituração  e/ou Declaração  de  Ajuste Anual  pode  ser contestado pela autoridade lançadora.  DESPESAS  LANÇADAS  EM  LIVRO  CAIXA.  COMPROVAÇÃO  ATRAVÉS  DE  NOTA  FISCAL  SIMPLIFICADA,  CUPOM  FISCAL,  TICKETS. DOCUMENTAÇÃO FISCAL INÁBIL  A nota  fiscal simplificada, assim como o cupom fiscal não são documentos  hábeis  para  comprovação  de  despesas  dedutíveis  lançadas  em Livro Caixa,  pelo fato de não reunirem elementos capazes de identificar o comprador, os  bens  adquiridos,  o  valor  da  operação,  bem  como  a  sua  efetividade  e  necessidade à fonte produtora dos rendimentos.  INFORMAÇÃO  E  COMPROVAÇÃO  DOS  DADOS  CONSTANTES  DA  DECLARAÇÃO  DE  AJUSTE  ANUAL.  DEVER  DO  CONTRIBUINTE.  CONFERÊNCIA  DOS  DADOS  INFORMADOS.  DEVER  DA  AUTORIDADE FISCAL.  É dever do  contribuinte  informar  e,  se  for o  caso,  comprovar os dados  nos  campos  próprios  das  correspondentes  declarações  de  rendimentos  e,  conseqüentemente,  calcular  e  pagar  o  montante  do  imposto  apurado,  por  outro  lado,  cabe  a  autoridade  fiscal  o  dever  da  conferência  destes  dados.  Assim,  na  ausência  de  comprovação,  por  meio  de  documentação  hábil  e  idônea,  das  deduções  realizadas  na  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda,  é  dever da autoridade fiscal efetuar a sua glosa.  Fl. 964DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/2007­39  Acórdão n.º 2202­01.649  S2­C2T2  Fl. 2          3 MULTA  EXIGIDA  ISOLADAMENTE.  PESSOA  FÍSICA  SUJEITA  AO  PAGAMENTO  MENSAL  DE  IMPOSTO.  IMPOSTO  DECLARADO.  FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊ­LEÃO.  É  cabível,  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  a multa  de  ofício  prevista  no  artigo  44,  §  1º,  III,  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  exigida  isoladamente,  sob  o  argumento do não­recolhimento do imposto mensal (carnê­leão), previsto no  artigo 8º da Lei nº 7.713, de 1988, informado na Declaração de Ajuste Anual.  MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO  E  MULTA  ISOLADA.  CONCOMITÂNCIA.  É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa  de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de  lançamento de ofício exigida isoladamente.  MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFICIO.  RESPONSABILIDADE  OBJETIVA.  A  responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributária  independe  da  intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má­fé do contribuinte  não descaracteriza o poder­dever da Administração de  lançar com multa de  oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste.  MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  CARÁTER  DE  CONFISCO.  INOCORRÊNCIA.   A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento  de  ofício,  para  exigi­lo  com  acréscimos  e  penalidades  legais.  A  multa  de  lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo  Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista  em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150  da Constituição Federal.   INCONSTITUCIONALIDADE.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária (Súmula CARF nº 2).  ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.  A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).  Preliminares rejeitadas.  Recurso parcialmente provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as  preliminares  suscitadas  pela  Recorrente  e,  no  mérito,  por maioria  de  votos,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  excluir  da  base  de  cálculo  da  exigência  os  valores  de R$  94.125,04  (totalidade do  item depósitos  bancários  remanescente)  e R$ 96.570,00  (do  total  do  item dos  Fl. 965DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN     4 depósitos  bancários  remanescentes),  correspondentes  aos  anos­calendário  de  2002  e  2003,  respectivamente,  bem  como  excluir  da  exigência  a  multa  isolada  do  carnê­leão  aplicada  de  forma  concomitante  com  a  multa  de  ofício,  nos  termos  do  voto  do  Relator.  Vencidos  os  Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino, que negava provimento  ao  recurso  e  Antonio Lopo Martinez, que provia parcialmente o recurso para excluir da exigência fiscal, tão  somente, a multa isolada aplicada de forma concomitante com a multa de ofício.     (Assinado digitalmente)  Nelson Mallmann ­ Presidente e Relator    Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de  Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro  Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente  justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha  Pontes.  Fl. 966DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/2007­39  Acórdão n.º 2202­01.649  S2­C2T2  Fl. 3          5 Relatório  ADRIANA DE OLIVEIRA GOMES, contribuinte inscrita no CPF/MF sob o  nº  128.234.588­59,  com  domicílio  fiscal  na  cidade  de  São  Paulo,  Estado  de  São  Paulo,  à  Avenida Nossa Senhora de Assunção, 647, apartamento 166C, Bairro Butantã, jurisdicionada a  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Administração  Tributária  em  São  Paulo  ­  SP,  inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 732/752, prolatada pela 3ª Turma da  Delegacia da Receita Federal do Brasil de  Julgamento em São Paulo – SP  II,  recorre,  a este  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição  de fls. 765/790.  Contra a contribuinte acima mencionada foi lavrado, em 17/07/2007, o Auto  de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 332/350), com ciência através de AR, em  30/07/2007  (fls.  353),  exigindo­se  o  recolhimento  do  crédito  tributário  no  valor  total  de R$  354.813,34  (padrão  monetário  da  época  do  lançamento  do  crédito  tributário),  a  título  de  Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75%,  da multa  isolada por falta de recolhimento do carnê­leão de 50% e dos  juros de mora de, no  mínimo, de 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo aos exercícios de  2003 a 2005, correspondente aos anos­calendário de 2002 a 2004, respectivamente.  Da ação fiscal resultou a constatação das seguintes irregularidades:  1  ­  DEDUÇÃO  DA  BASE  DE  CALCULO  PLEITEADA  INDEVIDAMENTE  (AJUSTE  ANUAL).  DEDUÇÃO  INDEVIDA  DE  DESPESAS  DE  LIVRO CAIXA: Redução indevida da Base de Cálculo com despesas escrituradas em Livro  Caixa,  pleiteadas  indevidamente,  conforme  descrito  no  Termo  de Verificação  e  Constatação  Fiscal  anexo,  que  faz  parte  integrante  e  inseparável  do  presente  Auto  de  Infração.  Infração  capitulada nos artigos 8º, inciso II, alínea “g”, da Lei nº 9.250, de 1995.  2  ­  DEDUÇÃO  DA  BASE  DE  CALCULO  PLEITEADA  INDEVIDAMENTE  (CARNÊ­LEÃO).  DEDUÇÃO  INDEVIDA  DE  DESPESAS  DE  LIVRO CAIXA: Glosa de despesas escrituradas em Livro Caixa, conforme descrito no Termo  de  Verificação  e  Constatação  Fiscal  em  anexo,  que  faz  parte  integrante  e  inseparável  do  presente Auto de Infração. Infração capitulada nos artigo 4º, inciso I e 34, da Lei nº 9.250, de  1995.  3  ­ DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ­  OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS  COM ORIGEM NÃO COMPROVADA: Omissão de rendimentos caracterizada rendimentos  caracterizada por valores creditados em contas bancárias mantidas em instituições financeiras,  em relação aos quais a contribuinte, apesar de regularmente intimada e reintimada, não logrou  comprovar, mediante documentação hábil  e  idônea, coincidente em datas e valores, a origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações,  conforme  descrito  no  Termo  de  Verificação  e  Constatação Fiscal anexo, que faz parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração.  Infração capitulada no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996; art. 4º da Lei nº 9.481, de 1997 e  artigo 21 da Lei n° 9.532, de 1997.  Fl. 967DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN     6 4  ­ MULTAS  ISOLADAS  ­  FALTA DE RECOLHIMENTO DO  IRPF  DEVIDO A TÍTULO DE CARN2­LEÃO:  Falta de  recolhimento do  Imposto de Renda da  Pessoa  Física  devido  a  titulo  de  carnê­  leão,  apurada  conforme  descrito  no  Termo  de  Verificação e Constatação Fiscal anexo, que faz parte integrante e inseparável do presente Auto  de Infração.  Infração capitulada no artigo 8º da Lei nº 7.713, de 1988 c/c os artigos 43 e 44,  inciso III, da Lei nº 9.430, de 1996.  O Auditor­Fiscal da Receita Federal do Brasil  responsável pela constituição  do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Termo de Verificação e Constatação  Fiscal (fls. 325/331), entre outros, os seguintes aspectos:  ­  que  os  documentos  e  extratos  de  movimentação  financeira  apresentados  pela contribuinte,  relativos aos anos­calendário 2002, 2003 e 2004 encontram­se  juntados As  fls. 91/261;  ­ que analisados os extratos de movimentação  financeira da contribuinte no  anos­calendário  2002  e  2003,  referentes  às  contas  mantidas  junto  ao  Banco  Itaú  S/A  e  Bradesco  S/A,  foram  apurados  os  valores  creditados  e/ou  depositados  nos  anos­calendário  2002 e 2003 em suas contas bancárias, nos montantes de, respectivamente, R$ 168.925,44 e R$  310.282,16;  ­  que  é  oportuno  ressaltar  que  nos  demonstrativos  acima  mencionados  já  foram  excluídos  os  créditos/depósitos  decorrentes  de  resgates  de  aplicações  financeiras,  estornos de lançamentos e cheques devolvidos, que foi possível identificar;  ­  que,  portanto,  a  contribuinte  foi  intimada  (Termo  de  Intimação  Fiscal  de  08/11/2006,  fls.  262/263)  a  comprovar  a  origem  ­  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  coincidente em datas e valores  ­, dos créditos/depósitos  realizados em suas contas bancárias,  conforme os Demonstrativos Extratos de Créditos a Comprovar de fls. 264/271;  ­  que A  contribuinte  foi  ainda  intimada  a  apresentar  os Livros  ­ Caixa  dos  anos ­ calendário 2003 e 2004, juntamente com todos os comprovantes de despesas registradas,  bem  como  a  esclarecer  se  efetuou  o  recolhimento  do  carnê­leão  referente  aos  rendimentos  recebidos  de  pessoas  físicas,  nos  anos  ­  calendário  2002  a  2004,  apresentando,  em  caso  positivo, cópia das guias de recolhimento;  ­ que a contribuinte informa que vários créditos são devidos a recebimentos  de  pró­labore  ou  de  honorários  de  pessoa  física,  os  quais  já  teriam  sido  informados  na  declaração de ajuste, mas não apresenta a devida documentação comprobatória, coincidente em  datas e valores, que justifique tais alegações;  ­ que a contribuinte alega ainda que vários valores recebidos seriam doações  ou valores recebidos para repasse A terceiros, mas não junta a documentação que demonstrasse  a  ocorrência  de  tais  operações,  mas  tão­somente  alguns  recibos  e/ou  declarações  extemporâneas;  ­  que,  portanto,  os  valores  cuja  origem  foi  comprovada,  relativos  às  transferência  da  conta  de  seu  esposo,  Alex  Sandro  Oliveira  Todão,  conforme  os  esclarecimentos  apresentados  em  14/12/2006  serão  desconsiderados.  Em  relação  aos  demais  créditos,  para os quais não  foi  apresentada documentação hábil  e  idônea que  comprovasse  a  origem dos recursos envolvidos nestas operações, foi dado prosseguimento à ação fiscal com as  informações disponíveis;  Fl. 968DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/2007­39  Acórdão n.º 2202­01.649  S2­C2T2  Fl. 4          7 ­ que no Termo de Comparecimento de 14/12/2006, a contribuinte declarou  ainda ter alterado seu domicilio para: RUA ALVORADA, 298, APTO. 14, VILA OLÍMPIA,  SÃO PAULO ­ SP, CEP 04550­001. Na oportunidade, a contribuinte foi, portanto, cientificada  que seu domicilio fiscal no Cadastro de Pessoas Físicas ­ CPF da SRF seria alterado de oficio  para o seu novo endereço;  ­ que, em 29/12/2006, a contribuinte foi cientificada da lavratura de auto de  infração do IRPF relativo ao ano ­ calendário 2001, formalizado no processo administrativo n°  13899.001357/2006­93. Na ocasião, a contribuinte foi ainda cientificada do prosseguimento da  ação fiscal em relação aos anos – calendário 2002, 2003 e 2004;  ­  que  a  contribuinte  pleiteou,  em  suas  Declarações  de  Ajuste  Anual  dos  exercícios  2004  e  2005,  anos  ­  calendário  2003  e  2004,  a  dedução  de  R$  38.695,28  e  R$  15.126,85,  respectivamente. Contudo, apesar de  intimada e  reintimada diversas vezes a  faze­ 1o,  não  foi  capaz  de  apresentar  os  Livros  ­  Caixa  e  nem  os  comprovantes  das  despesas  registradas;  ­ que, portanto, serão glosadas as deduções relativas As despesas de Livro –  Caixa pleiteadas em suas DIRPFs dos anos ­ calendário 2003 e 2004, constituindo­se de oficio  o crédito tributário o IRPF correspondente às deduções indevidas, com os acréscimos legais de  multa de oficio e juros de mora;  ­ que, além disso, tendo em vista que a contribuinte reduziu indevidamente a  base  de  cálculo  mensal  do  carnê  ­  leão  nos  anos  ­  calendário  2003  e  2004,  no  valor  das  deduções lançadas mês a mês a titulo do Livro ­ Caixa, será lançada de oficio a multa isolada  de  50%  sobre  os  valores  devidos  a  titulo  de  carne­  leão,  apurada  como  apresentado  nos  Demonstrativos de Apuração da Multa Exigida Isoladamente (Carne­Leão) constantes do Auto  de Infração;  ­  que  como  já  apontado  acima,  somente  em  relação  às  transferências  de  valores de  conta de  titularidade do  esposo da  contribuinte, Alex Sandro Oliveira Todão  (em  que  consta  no  extrato  o  n°  da  conta  de  origem  dos  recursos),  os  documentos  apresentados  conseguem demonstrar a origem dos valores creditados. Tais transferências seriam as efetuadas  em  25/02/2002,  08/04/2002  e  08/05/2002,  nos  valores  de  R$  500,00,  R$  1.000,00  e  R$  1.000,00, respectivamente, todas efetuadas para a conta ­ corrente n° 32717­1;  ­ que em relação aos demais esclarecimentos, verifica­se que estes não passam  de meras alegações, tendo em vista que a documentação apresentada não atende os requisitos  exigidos, isto é, sem hábil e idônea, bem como coincidente em datas e valores, para comprovar  a origem dos recursos depositados;  ­  que,  assim,  a  contribuinte  informa  que  vários  créditos  são  devidos  a  recebimentos  de  pró­labore  ou  de  honorários  de  pessoa  física,  os  quais  já  teriam  sido  informados na declaração de ajuste, mas não apresenta a devida documentação comprobatória,  coincidente em datas e valores, que justifique tais alegações;  ­ que a contribuinte alega ainda que vários valores recebidos seriam doações  ou valores recebidos para repasse á terceiros, mas não junta a documentação que demonstrasse  a  ocorrência  de  tais  operações,  mas  tão­somente  alguns  recibos  e/ou  declarações  extemporâneas;  Fl. 969DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN     8 ­  que  a  contribuinte  informou  em  suas  Declarações  de  Ajuste  Anual  dos  exercícios 2003, 2004 e 2005, anos­calendário 2002, 2003 e 2004 (cópias de fls. 09/18), haver  recebido  rendimentos  de  pessoa  física,  nos  totais  de,  respectivamente,  R$  100.800,00,  R$  96.570,00 e R$ 37.273,00. Entretanto, deixou de efetuar o recolhimento do carnê­leão devido  mensalmente sobre tais rendimentos;  ­  que,  portanto,  será  lançada  de  oficio  a  multa  isolada  de  50%  sobre  os  valores  devidos  a  titulo  de  carnê­leão,  apurada  como  apresentado  nos  Demonstrativos  de  Apuração da Multa Exigida Isoladamente (Carnê­Leão) constantes do Auto de Infração.  Irresignada  com  o  lançamento  a  autuada  apresenta,  tempestivamente,  em  29/08/2007,  a  sua  peça  impugnatória  de  fls.  732/752,  instruído  pelos  documentos  de  fls.  758/760, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito  tributário amparado, em síntese, nos seguintes argumentos:  ­  que  o  referido Auto  de  Infração  é  inteiramente nulo,  por  cerceamento  do  direito de defesa, visto que durante os trabalhos de fiscalização a contribuinte jamais se negou  a prestar os esclarecimentos solicitados, tendo entregue espontaneamente os extratos bancários.  Os pedidos de prorrogação de prazo para cumprir as intimações se deveu à demora dos bancos  para  entregarem  as  cópias  de  diversos  cheques  que  comprovariam  as  origem  de  vários  depósitos.  Houve  precipitação  do  auditor  fiscal,  tributando  a  totalidade  dos  depósitos  bancários,  impedindo  que  a  autuada  apresentasse  a  documentação  necessária,  numa  atitude  clara e insofismável de cerceamento do direito de defesa;  ­ que inicialmente a alegada falta de comprovação das despesas lançadas no  Livro­Caixa,  nos  anos­calendários  de  2003  e  2004,  nos  valores  de  R$  38.695,28  e  R$  15.126,85 não se sustenta, pois anexamos a presente, toda a documentação comprobatória dos  assentamentos efetuados, o que ilide de pronto a autuação referente a este  tópico,  inclusive a  multa pela falta de recolhimento do Carnê­Leão;  ­  que  quanto  à  multa  pela  falta  de  recolhimento  do  Carnê­Leão,  dos  rendimentos  declarados  nos  anos­calendário  de  2002,  2003  e  2004  é  totalmente  incabível,  conforme diversos acórdãos do Conselho de Contribuintes;  ­  que  quanto  à  falta  de  comprovação  das  origens  dos  depósitos  bancários,  jamais poderemos concordar com o critério adotado pela  fiscalização,  tributando a totalidade  de todos os depósitos,  inclusive os de pequena monta, desprezando inclusive, os rendimentos  declarados e a disponibilidade constante nas declarações de rendimentos apresentadas;  ­ que conclui­se, portanto, que a presunção legal estabelecida pelo art. 42 da  Lei  9.430/96  colide  com  as  diretrizes  do  processo  de  criação  das  presunções  legais,  pois  a  experiência haurida  com os  casos  anteriores  evidenciou que  entre  esses dois  fatos não havia  nexo causal,  vale dizer,  constatou­se não haver  liame absoluto  entre o depósito bancário  e o  rendimento omitido;  ­  que  ainda  na  apuração  não  foram  considerados  os  rendimentos  líquidos  declarados  nos  anos­calendário  de  2002  e  2003,  respectivamente,  de  R$  99.735,84  e  R$  56.554,82, conforme declarações de IRPF apresentadas e anexadas ao processo, como se tais  valores não pudessem transitar nas contas­correntes, entretanto, foram tributados e o imposto  devidamente pago, o que significa que considerados em duplicidade pela fiscalização;  ­ que, finalmente, apresentei nas declarações de bens, dos anos­calendário de  2002 e 2003, disponibilidade em espécie, nos valores de R$ 100.000,00 e R$ 75.000,00, que  Fl. 970DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/2007­39  Acórdão n.º 2202­01.649  S2­C2T2  Fl. 5          9 poderia movimentar, como desejasse nas contas­bancárias, pois, foram devidamente tributados  e  a  fiscalização  não  apurou  nenhum  acréscimo  patrimonial  a  descoberto,  tendo  optado  pelo  caminho menos trabalhoso, ou seja, somou todos os depósitos e os tributou, o que por justiça  fiscal não pode prosperar.  Após  resumir  os  fatos  constantes  da  autuação  e  as  principais  razões  apresentadas  pela  impugnante,  os  membros  da  Terceira  Turma  da  Delegacia  da  Receita  do  Brasil de Julgamento em São Paulo – SP II concluíram pela procedência parcial da ação fiscal  e  pela  manutenção  em  parte  do  crédito  tributário,  com  base,  em  síntese,  nas  seguintes  considerações:  ­  que  é  uma  falácia  da  fiscalizada  em  pretender  tornar  nula  a  exigência  tributária, por cerceamento do direito de defesa. Deve­se destacar que, de acordo com o artigo  14 do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei n° 8.748, de 9 de dezembro de  1993, a fase litigiosa do procedimento somente se instaura com a impugnação do contribuinte  ao ato administrativo do lançamento;  ­ que atende­se, assim, ao que dispõe o artigo 5°, inciso LV, da Contribuição  Federal  de  1988,  que  assegura  aos  litigantes,  em  processo  judicial  ou  administrativo,  e  aos  acusados em geral, o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. E  nesse  sentido  que  o  artigo  50  do  citado  Decreto  somente  admite  a  caracterização  de  cerceamento  do  direito  de  defesa  como  causa  de  nulidade  quando  se  tratar  de  decisões  e  despachos e não contra atos administrativos, como a lavratura do auto de infração;  ­  que  apresentada  a  impugnação  na  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  —  primeira  instância  administrativa  —  ela  será  apreciada  pela  autoridade  julgadora, que verificará os fatos, as provas produzidas e o direito aplicável, proferindo decisão  e  solucionando  a  lide  instaurada.  A  autuada,  no  presente  caso,  consciente  do  seu  direito,  utilizou­se desse expediente, apresentando sua impugnação ao feito fiscal, não se verificando,  pois, qualquer ofensa ao principio da ampla defesa;  ­ que sobre a glosa das despesas do Livro Caixa, diga­se que são dedutíveis a  titulo  de  livro  caixa  as  despesas  incorridas  pelo  sujeito  passivo,  desde  que  indispensáveis  à  percepção da renda e à manutenção da fonte produtora são dedutíveis, desde que comprovadas  por intermédio de documentação idônea e que sejam devidamente escrituradas mês a mês;  ­  que  o  mandamento  veiculado  pela  norma  citada  determina  a  imprescindibilidade do aludido Livro Caixa, inclusive para informação da data do pagamento  das  despesas,  verificação  do  excesso  de  deduções  em  relação  aos  rendimentos  auferidos  e  informação de dados/históricos das despesas realizadas em face da necessidade à percepção e  manutenção da fonte produtora;  ­  que  a  apresentação  do  Livro  Caixa,  portanto,  é  requisito  indispensável  à  dedução de suas despesas da base de cálculo do Imposto de Renda;  ­  que  a  contribuinte  apresentou  o Livro Caixa  escriturado  as  fls.  444/461  e  602/618,  juntando  farta  documentação  as  fls.  462/599  e  619/656  e,  que  após  análise  das  despesas efetuadas, devem ser consideradas as seguintes, afastando­se a glosa no mesmo valor;  Fl. 971DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN     10 ­  que cumpre  informar  que não  foram  aceitas  as despesas que não estavam  comprovadas  por meio  de  documentos  fiscais  ou  por  cupons  fiscais  com  a  identificação  do  CPF da contribuinte, nos termos do art. 61 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997;   ­  que  quanto  à  omissão  de  rendimentos  caracterizados  por  depósitos  bancários,  há  de  aduzir  que  é  notório  que,  no  passado  os  lançamentos  de  crédito  tributário  baseado exclusivamente em cheques emitidos, depósitos bancários e/ou de extratos bancários,  sempre tiveram sérias restrições, seja na esfera administrativa, seja no judiciário. Para por um  fim  nestas  discussões  o  legislador  introduziu  o  artigo  42  da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  caracterizando como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de  investimento mantido junto A. instituição financeira, em relação as quais o titular, pessoa física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil  e  idônea, a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações,  estipulando  limites  de  valores  para  a  sua  aplicação, ou seja, estipulou que não devem ser considerados créditos de valor individual igual  ou  inferior  a  doze  mil  reais,  desde  que  o  seu  somatório,  dentro  do  ano  calendário,  não  ultrapasse o valor de oitenta mil reais;  ­  que  na  seqüência  da  peça  impugnatória,  a  contribuinte  tenta  afastar  a  tributação  e  sustenta  sua  ilegitimidade  em  face  da  Súmula  n°  182  do  Tribunal  Federal  de  Recursos e acórdãos administrativos por ela transcritos;  ­ que ocorre que tanto a Súmula n° 182, editada anteriormente A Constituição  Federal de 1988, como as decisões por ele coligidas, referem­se a lançamentos relativos a fatos  ocorridos  quando  vigentes  legislações  pretéritas.  Nesse  particular,  cumpre  recordar  que,  segundo o art. 144 do CTN, o lançamento reporta­se A data da ocorrência do fato gerador da  obrigação e rege­se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada;  ­  que,  assim  sendo,  aqueles  julgados  somente  podem  ser  tomados  como  parâmetro  de  decisões  relativas  a  lançamentos  regidos  pelas  mesmas  legislações  que  os  nortearam;  ­  que  se  o  lançamento  está  fundamentado  em  uma  presunção  legal  que  somente veio a ser instituída por meio do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, não existe o menor  propósito  em  pretender  que  sejam  aplicadas  ao  caso  concreto  decisões  judiciais  ou  administrativas  proferidas  em  julgamentos  de  lançamentos  relativos  a  fatos  geradores  anteriores Aquela lei e formulados com fundamento em outros diplomas legais;  ­  que  cabe  aqui  acatar  as  alegações  da  contribuinte,  no  que  se  refere  ao  recebimento  de  valores  relativos  à  venda  de  imóvel  e  o  estorno  de  cheques  depositados  e  devolvidos, devendo ser desconsiderados os seguintes depósitos bancários;  ­ que cabe aduzir que, com relação aos depósitos bancários relacionados à fl.  370, cujos comprovantes dos depósitos a litigante junta cópia As fls. 429/431, não basta apenas  a apresentação do comprovante do depósito; é mister que a litigante comprove a sua origem, o  que não ocorreu;  ­  que  com  relação  à devolução  de  valores  emprestados  pela  contribuinte  à  empresa  RGM  Locadora  de  Veículos,  há  de  se  informar  que  a  impugnante  comprovou  tão  somente a concessão do empréstimo, mediante os cheques de fls. 425/428; mas não comprovou  que  os  dois  valores  depositados  em  sua  conta  bancária  em  28/02/2003,  no  valor  de  R$  30.000,00 cada, tiveram origem da aludida pessoa jurídica;  Fl. 972DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/2007­39  Acórdão n.º 2202­01.649  S2­C2T2  Fl. 6          11 ­  que  é  inócua  também a  alegação de que  a  fiscalização não considerou  os  rendimentos  informados  em  sua  Declaração  de  Ajuste  Anual,  bem  como  a  venda  de  sua  participação  societária  em  26/11/2003  da  empresa  Dalystone  do  Brasil  Investimentos  Ltda.,  posto  que  não  ficou  demonstrado/comprovado  nos  autos  a  efetiva  interligação  do  depósito  individualizado com tais montantes, com coincidência de datas e valores;  ­ que, por  fim,  a  tentativa de  justificar depósitos bancários com valores em  espécie supostamente existentes em seu poder ao final dos anos­calendário de 2002 e 2003 é  improfícua, posto que deveria  a contribuinte comprovar  também a origem desses valores em  dinheiro que foram informados nas Declarações de Ajuste Anual correspondentes. Não se pode  deixar de mencionar aqui que há uma discrepância dos valores em espécie declarados com o  montante dos rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis e sujeitos à tributação exclusiva  informados nas aludidas Declarações.  A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­  IRPF  Exercício: 2003, 2004, 2005  LIVRO CAIXA. Dedução.  Restabelece­se a dedução de despesas do Livro Caixa, na parte  em que o sujeito passivo apresenta o referido Livro devidamente  escriturado  e  a  comprovação  das  despesas  que  preencham  os  requisitos  de  necessidade,  normalidade  e  usualidade  e  que  correspondam a bens ou serviços efetivamente recebidos e pagos  ao fornecedor/prestador.  LANÇAMENTO  COM  BASE  EM  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997  A  Lei  n°  9430/96,  vigente  a  partir  de  01/01/1997,  estabeleceu,  em  seu  artigo  42,  uma  presunção  legal  de  omissão  de  rendimentos  que  autoriza  o  lançamento  do  imposto  correspondente  quando  o  titular  da  conta  bancária  não  comprovar,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  valores  depositados  em  sua  conta  de  depósito  ou  investimento.  Impugnação Procedente em Parte.  Crédito Tributário Mantido em Parte.  Cientificado  da  decisão  de  Primeira  Instância,  em  05/03/2010,  conforme  Termo  constante  às  fls.  758/760,  e,  com  ela  não  se  conformando,  a  recorrente  interpôs,  em  tempo hábil  (05/04/2010), o  recurso voluntário de  fls. 765/790,  instruído dos documentos de  fls.  791/805,  no  qual  demonstra  irresignação  contra  a  decisão  supra  ementada,  baseado,  em  síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória.  É o Relatório.  Fl. 973DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN     12 Voto             Conselheiro Nelson Mallmann, Relator  O  presente  recurso  voluntário  reúne  os  pressupostos  de  admissibilidade  previstos  na  legislação  que  rege  o  processo  administrativo  fiscal  e  deve,  portanto,  ser  conhecido por esta Turma de Julgamento.  Da análise dos autos do processo se verifica que a ação fiscal em discussão  teve início em razão da movimentação financeira da recorrente e que pela análise dos extratos  bancários apurou­se a omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta  de  depósito,  mantida  em  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  a  contribuinte,  regularmente  intimada, não  comprovou mediante documentação hábil  e  idônea  a origem dos  recursos  utilizados  nessas  operações  já  na  vigência  do  artigo  42,  da  Lei  9.430,  de  1996.  Discute­se, ainda, glosa de despesas de Livro Caixa e multa isolada por falta de recolhimento  de carnê­leão (lançado de forma isolada e concomitante com a multa de ofício).   Nota­se,  ainda,  que  foi  a  própria  contribuinte  quem  forneceu  os  extratos  bancários que envolvem a constituição do crédito tributário reclamado.  Inconformada, em virtude de não ter logrando êxito total na instância inicial,  a  contribuinte  apresenta  a  sua  peça  recursal  a  este  E.  Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais pleiteando a  reforma da decisão prolatada na Primeira  Instância onde, em sua defesa,  suscita preliminares de nulidade do  lançamento, bem como apresenta  razões de mérito  sobre  lançamentos  efetuados  sobre  depósitos  bancários,  glosa  de  despesas  do Livro­Caixa  e multa  isolada.  Desta forma, a discussão neste colegiado se prende, tão­somente, a argüição  de preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, a discussão se prende sobre o artigo  42 da Lei nº 9.430, de 1996, que prevê a possibilidade de se efetuar lançamentos tributários por  presunção de omissão de  rendimentos,  tendo por base os depósitos bancários de origem não  comprovada, glosa de despesas de Livro­Caixa e multa isolada.   Quanto às preliminares de nulidade do lançamento argüidas pela suplicante,  sob  o  entendimento  de  que  tenha  ocorrido  ofensa  aos  princípios  constitucionais  do  devido  processo legal, entendendo que a autoridade lançadora feriu diversos princípios fundamentais,  não devem ser acolhidas pelos motivos abaixo.   Entendo,  que  o  procedimento  fiscal  realizado  pelos  agentes  do  fisco  foi  efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que  regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer  ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal.  O princípio da verdade material  tem por  escopo,  como a própria  expressão  indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no  sentido  de  que  a Administração  possa  valer­se  de  qualquer meio  de  prova  que  a  autoridade  processante ou julgadora tome conhecimento, levando­as aos autos, naturalmente, e desde que,  obviamente  dela  dê  conhecimento  às  partes;  ao  mesmo  tempo  em  que  deva  reconhecer  ao  contribuinte  o  direito  de  juntar  provas  ao  processo  até  a  fase  de  interposição  do  recurso  voluntário.  Fl. 974DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/2007­39  Acórdão n.º 2202­01.649  S2­C2T2  Fl. 7          13 O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a  notificação  de  lançamento  como  instrumentos  de  formalização  da  exigência  do  crédito  tributário, quando afirma:  A  exigência  do  crédito  tributário  será  formalizado  em  auto  de  infração  ou  notificação  de  lançamento  distinto  para  cada  tributo.  Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993:   A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal  e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos  de  infração ou notificações  de  lançamento,  distintos para  cada  imposto,  contribuição  ou  penalidade,  os  quais  deverão  estar  instruídos  com  todos  os  termos,  depoimentos,  laudos  e  demais  elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.  O  auto  de  infração  e  a  notificação  de  lançamento  por  constituírem  peças  básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua  lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de  uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal,  seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos  a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna  inexistente  o  ato,  sejam  os  atos  formais  ou  solenes.  Se  houver  vício  na  forma,  o  ato  pode  invalidar­se.  Ademais,  a  jurisprudência  é mansa  e  pacífica  no  sentido  de  que  quando  o  contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendo­as, uma a uma, de  forma meticulosa, mediante extensa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares  como também as razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.  Da  mesma  forma,  não  procede  à  nulidade  do  lançamento  argüida  sob  os  argumentos de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art.  10  do Decreto  nº  70.235,  de  1972,  ou  seja,  erro  de  capitulação  legal,  descrição  confusa dos  fatos, falta de autenticidade, bem como não houve a devida descrição e capitulação da infração  cometida pelo recorrente.  Inicialmente, verifica­se que para o contribuinte foi concedido o prazo legal  de  30(trinta)  dias,  a  contar  da  ciência  do  auto  de  infração,  para  apresentar  a  impugnação,  sendo­lhe assegurado vistas ao processo, bem como a extração de cópias das peças necessárias  a sua defesa, caso quisesse, garantindo­se desta forma o contraditório e a ampla defesa.   Quanto ao procedimento fiscal realizado pela agente do fisco, verifica­se que  foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972,  que  regula  o  Processo  Administrativo  Fiscal,  não  se  vislumbrando,  no  caso  sob  análise,  qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo  legal.  Verifica­se,  ainda,  que  o  Auto  de  Infração  às  fls.  332/350  e  o  Termo  de  Verificação  e  Constatação  Fiscal  de  fls.  325/331,  identifica  por  nome  e  CPF  a  autuada,  esclarece  que  foi  lavrado  na  Delegacia  da Receita  Federal  do  Brasil  em Barueri  ­  SP,  cuja  ciência  foi  através  de  AR  e  descreve  as  irregularidades  praticadas,  bem  como  o  seu  Fl. 975DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN     14 enquadramento legal assinado pelo Auditor­Fiscal da Receita Federal, cumprindo o disposto no  art.  142  do  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN,  ou  seja,  o  ato  é  próprio  do  agente  administrativo investido no cargo de Auditor­Fiscal.   Não restam dúvidas de que o lançamento se deu em razão da constatação de  depósitos  bancários  sem  que  o  recorrente  comprovasse  a  respectiva  origem  destes  recursos.  Constam  dos  autos  diversos  chamados  ao  sujeito  passivo  para  que  esse  apresentasse  as  justificativas acerca das movimentações financeiras pesquisadas.   O enquadramento legal e a narrativa dos fatos envolvidos permitem a perfeita  compreensão  do  procedimento  adotado,  da  base  tributável  apurada  e  do  cálculo  do  imposto  resultante, permitindo ao interessado o pleno exercício do seu direito de defesa.  Ora, o lançamento, como ato administrativo vinculado, celebra­se com estrita  observância  dos  pressupostos  estabelecidos  pelo  art.  142  do  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização  de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve  estar  consubstanciado  por  instrumentos  capazes  de  demonstrar,  com  segurança  e  certeza,  os  legítimos  fundamentos  reveladores  da  ocorrência  do  fato  jurídico  tributário.  Isso  tudo  foi  observado  quando  da  determinação  do  tributo  devido,  através  do Auto  de  Infração  lavrado.  Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas  pelo  recorrente,  neste  processo,  já  que  o  mesmo  preenche  todos  os  requisitos  legais  necessários.   Da análise dos autos, constata­se que a autuação é plenamente válida.  Faz­se necessário esclarecer, que a Secretaria da Receita Federal é um órgão  apolítico,  destinada  a  prestar  serviços  ao  Estado,  na  condição  de  Instituição  e  não  a  um  Governo específico dando conta de seus trabalhos à população em geral na forma prescrita na  legislação. Neste diapasão, deve agir com imparcialidade e justiça, mas, também, com absoluto  rigor, buscando e exigindo o cumprimento das normas por parte daqueles que faltam com seu  dever de participação.  Ademais,  o  Processo  Administrativo  Fiscal  ­  Decreto  n.º  70.235,  de  1972  manifesta­se da seguinte forma:  Art. 59 ­ São nulos:  I ­ Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  Os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  Como  se  verifica  do  dispositivo  legal,  não  ocorreu,  no  caso  do  presente  processo, a nulidade. O auto de infração foi lavrado e a decisão foi proferida por funcionários  ocupantes de cargo no Ministério da Fazenda, que são as pessoas, legalmente, instituídas para  lavrar e para decidir sobre o lançamento. Igualmente, todos os atos e termos foram lavrados por  funcionários com competência para tal.  Ora,  a  autoridade  lançadora  cumpriu  todos  os  preceitos  estabelecidos  na  legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante,  conforme  se  constata  nos  autos,  com  perfeito  embasamento  legal  e  tipificação  da  infração  cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pelo recorrente, ou seja, não  se  verificam,  por  isso,  os  pressupostos  exigidos  que  permitam  a  declaração  de  nulidade  do  Auto de Infração.  Fl. 976DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/2007­39  Acórdão n.º 2202­01.649  S2­C2T2  Fl. 8          15 Haveria  possibilidade  de  se  admitir  a  nulidade  por  falta  de  conteúdo  ou  objeto, quando o  lançamento que, embora  tenha sido efetuado com atenção aos requisitos de  forma e às formalidades requeridas para a sua feitura, ainda assim, quer pela insuficiência na  descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, efetivamente não permitir ao  sujeito  passivo  conhecer  com  nitidez  a  acusação  que  lhe  é  imputada,  ou  seja,  não  restou  provada a materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Entretanto, não é o  caso em questão, pois a discussão se prende a interpretação de normas legais de regência sobre  o assunto.  É de se esclarecer, que os vícios formais são aqueles que não interferem no  litígio  propriamente  dito,  ou  seja,  correspondem  a  elementos  cuja  ausência  não  impede  a  compreensão  dos  fatos  que  baseiam  as  infrações  imputadas.  Circunscrevem­se  a  exigências  legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao  seu  conteúdo  material.  Por  outro  lado,  quando  a  descrição  defeituosa  dos  fatos  impede  a  compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, tem­se o vício  material. No presente caso, houve o perfeito conhecimento dos fatos descritos e das infrações  imputadas.  Além  disso,  o  Art.  60  do  Decreto  n.º  70.235,  de  1972,  prevê  que  as  irregularidades,  incorreções e omissões diferentes das  referidas no art. 59 do mesmo Decreto  não  importarão  em  nulidade  e  serão  sanadas  quando  resultarem  em  prejuízo  para  o  sujeito  passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.   No mérito, através de sua peça recursal, a suplicante solicita o provimento ao  seu  recurso, alegando, em síntese, que  todos os depósitos bancários que  transitaram em suas  contas correntes tem origem justificada. Entende, ainda, que o lançamento não tem sustentação  legal por ter sido realizado exclusivamente sobre depósitos bancários e não restou comprovado  os sinais exteriores de riqueza.   Ao contrário do pretendido pela defesa, o legislador federal pela redação do  inciso XXI, do artigo 88, da Lei nº 9.430, de 1996, excluiu expressamente da ordem jurídica o  § 5º do artigo 6º, da Lei nº 8.021, de 1990, até porque o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não  deu nova redação ao referido parágrafo, bem como soterrou de vez o malfadado artigo 9° do  Decreto­lei n° 2.471, de 1988. Desta forma, a partir dos fatos geradores de 01/01/97, quando se  tratar de lançamentos tendo por base valores constantes em extratos bancários, não há como se  falar  em  Lei  nº  8.021,  de  1990,  ou  Decreto­lei  n°  2.471,  de  1988,  já  que  os  mesmos  não  produzem mais seus efeitos legais.  É  notório,  que  no  passado  os  lançamentos  de  crédito  tributário  baseado  exclusivamente em cheques emitidos, depósitos bancários e/ou de extratos bancários, sempre  tiveram  sérias  restrições,  seja  na  esfera  administrativa,  seja  no  judiciário.  Para  por  um  fim  nestas discussões o legislador introduziu o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizando  como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento  mantido junto à instituição financeira, em relação às quais o titular, pessoa física ou jurídica,  regularmente  intimado, não  comprove, mediante documentação hábil  e  idônea,  a origem dos  recursos  utilizados  nessas  operações,  estipulando  limites  de  valores  para  a  sua  aplicação,  ou  seja, estipulou que não devem ser considerados créditos de valor individual igual ou inferior a  doze mil reais, desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de  oitenta mil reais.   Fl. 977DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN     16 Apesar  das  restrições,  no  passado,  com  relação  aos  lançamentos  de  crédito  tributário  baseado  exclusivamente  em  depósitos  bancários  (extratos  bancários),  como  já  exposto no item inicial deste voto, não posso deixar de concordar com a decisão singular, que a  partir do ano de 1997, com o advento da Lei n. 9.430, de 1996, existe o permissivo legal para  tributação de depósitos bancários não justificados como se “omissão de rendimentos” fossem.  Como se vê, a lei instituiu uma presunção legal de omissão de rendimentos.   É conclusivo, que a razão está com a decisão de Primeira Instância, já que no  nosso  sistema  tributário  tem o  princípio  da  legalidade  como  elemento  fundamental  para  que  flore o  fato  gerador de  uma obrigação  tributária. Ou  seja,  ninguém  será obrigado  a  fazer ou  deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.  Seria por demais mencionar, que a Lei Complementar não pode ser conflitada  ou contraditada por legislação ordinária. E que, ante o princípio da reserva legal (CTN, art. 97),  e o pressuposto da estrita legalidade, ínsito em qualquer processo de determinação e exigência  de  crédito  tributário  em  favor  da  Fazenda  Nacional,  insustentável  o  procedimento  administrativo que, ao arrepio do objetivo, finalidade e alcance de dispositivo legal,  imponha  ou venha impor exação.  Assim,  o  fornecimento  e manutenção  da  segurança  jurídica  pelo Estado  de  Direito  no  campo  dos  tributos  assume  posição  fundamental,  razão  pela  qual  o  princípio  da  Legalidade se configura como uma reserva absoluta de lei, de modo que para efeitos de criação  ou majoração de tributo é indispensável que a lei tributária exista e encerre todos os elementos  da obrigação tributária.  À Administração Tributária está  reservado pela  lei o direito de questionar a  matéria, mediante processo regular, mas sem sobra de dúvida deve se atrelar à lei existente.   Com  efeito,  a  convergência  do  fato  imponível  à  hipótese  de  incidência  descrita em lei deve ser analisada à luz dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, que  demandam  interpretação estrita. Da combinação de ambos os princípios,  resulta que os  fatos  erigidos,  em  tese,  como  suporte  de  obrigações  tributárias,  somente,  se  irradiam  sobre  as  situações  concretas  ocorridas  no  universo  dos  fenômenos,  quando  vierem  descritos  em  lei  e  corresponderem estritamente a esta descrição.  Como a obrigação  tributária é uma obrigação ex  lege, e como não há  lugar  para  atividade  discricionária  ou  arbitrária  da  administração  que  está  vinculada  à  lei,  deve­se  sempre procurar a verdade real à cerca da  imputação, desde que a obrigação  tributária esteja  prevista em lei. Não basta a probabilidade da existência de um fato para dizer­se haver ou não  haver obrigação tributária.  Neste  aspecto,  apesar  das  intermináveis  discussões,  não  pode  prosperaros  argumentos do recorrente, já que, a princípio, o ônus da prova em contrário é da defesa, sendo  a legislação de regência cristalina, conforme o transcrito abaixo:  Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996:  Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimentos  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto à  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  Fl. 978DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/2007­39  Acórdão n.º 2202­01.649  S2­C2T2  Fl. 9          17 §  1º  O  valor  das  receitas  ou  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido  no  mês  do  crédito  efetuado  pela instituição financeira.  § 2º Os  valores cuja origem houver  sido  comprovada, que não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente  à época em que auferidos ou recebidos.  § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos  serão analisados individualizadamente, observado que não serão  considerados:  I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria  pessoa física ou jurídica;  II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso  anterior, os de valor  individual  igual ou  inferior a R$ 1.000,00  (mil  reais),  desde  que  o  seu  somatório,  dentro  do  ano­ calendário,  não  ultrapasse  o  valor  de  R$  12.000,00  (doze  mil  reais).  § 4º Tratando­se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão  tributados no mês em que considerados recebidos, com base na  tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o  crédito pela instituição financeira.  Lei n.º 9.481, de 13 de agosto de 1997:  Art. 4° Os valores a que se refere o inciso II do § 3° do art. 42 da  Lei  n°  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  passam  a  ser  R$  12.000,00  (doze  mil  reais)  e  R$  80.000,00  (oitenta  mil  reais),  respectivamente.  Lei n.º 10.637, de 30 de dezembro de 2002:  Art. 58. O art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996,  passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 5° e 6°:  Art. 42.  (...)  §  5°  Quando  provado  que  os  valores  creditados  na  conta  de  depósito ou de investimento pertencem à  terceiro, evidenciando  interposição  de  pessoa,  a  determinação  dos  rendimentos  ou  receitas  será  efetuada  em  relação  ao  terceiro,  na  condição  de  efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.  §  6°  Na  hipótese  de  contas  de  depósito  ou  de  investimento  mantidas  em  conjunto,  cuja  declaração  de  rendimentos  ou  de  informações  dos  titulares  tenham  sido  apresentadas  em  separado, e não havendo comprovação da origem dos  recursos  nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será  Fl. 979DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN     18 imputado  a  cada  titular  mediante  divisão  entre  o  total  dos  rendimentos ou receitas pela quantidade de titular.  Instrução Normativa SRF nº 246, 20 de novembro de 2002:  Dispõe  sobre  a  tributação  dos  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  em  instituição  financeira  em relação aos quais o contribuinte pessoa física, regularmente  intimado, não comprove a origem dos recursos.  Art.  1º  Considera­se  omissão  de  rendimentos  os  valores  creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em  instituição  financeira,  cuja  origem  dos  recursos  o  contribuinte,  regularmente  intimado,  não  comprove  mediante  documentação  hábil e idônea.  § 1º Quando comprovado que os valores creditados em conta de  depósito ou de investimento pertencem à  terceiro, evidenciando  interposição  de  pessoa,  a  determinação  dos  rendimentos  é  efetuada em  relação ao  terceiro,  na  condição  de  efetivo  titular  da conta de depósito ou de investimento.   §  2º  Caracterizada  a  omissão  de  rendimentos  decorrente  de  créditos  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantidas  em  conjunto,  cuja  declaração  de  rendimentos  dos  titulares  tenha  sido  apresentada  em  separado,  o  valor  dos  rendimentos  é  imputado  a  cada  titular  mediante  divisão  do  total  dos  rendimentos pela quantidade de titulares.  Art. 2º Os rendimentos omitidos serão considerados recebidos no  mês em que for efetuado o crédito pela instituição financeira.  Art. 3º Para efeito de determinação dos rendimentos omitidos, os  créditos serão analisados individualizadamente.  §  1º  Para  efeito  de  determinação  do  valor  dos  rendimentos  omitidos,  não  será  considerado  o  crédito  de  valor  individual  igual  ou  inferior  a R$  12.000,00  (doze mil  reais),  desde  que  o  somatório  desses  créditos  não  ultrapasse  o  valor  de  R$  80.000,00 (oitenta mil reais), dentro do ano­calendário.  §  2º  Os  créditos  decorrentes  de  transferência  entre  contas  de  mesmo  titular  não  serão  considerados  para  efeito  de  determinação dos rendimentos omitidos.  Da  interpretação dos dispositivos  legais  acima  transcritos podemos afirmar,  que  para  a  determinação  da  omissão  de  rendimentos  na  pessoa  física,  a  fiscalização  deverá  proceder  a  uma  análise  preliminar  dos  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto  à  instituição  financeira,  onde devem ser observados os  seguintes  critérios/formalidades:  I – não serão considerados os créditos em conta de depósito ou investimento  decorrentes  de  transferências  de  outras  contas  de  titularidade  da  própria  pessoa  física  sob  fiscalização;  II – os créditos serão analisados individualizadamente, ou seja, a análise dos  créditos deverá ser procedida de forma individual (um por um);  Fl. 980DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/2007­39  Acórdão n.º 2202­01.649  S2­C2T2  Fl. 10          19 III  –  nesta  análise  não  serão  considerados  os  créditos  de  valor  igual  ou  inferior a doze mil reais, desde que o seu somatório, dentro do ano­calendário, não ultrapasse o  valor de oitenta mil reais (com a exclusão das transferências entre contas do mesmo titular);  IV – todos os créditos de valor superior a doze mil reais integrarão a análise  individual,  exceto  os  decorrentes  de  transferências  de  outras  contas  da  própria  pessoa  física  fiscalizada;  V – no caso de contas em conjunto cuja declaração de rendimentos  tenham  sido apresentadas em separado, os lançamentos de constituição de créditos tributários efetuados  a  partir  da  entrada  em  vigor  da Lei  n°  10.637,  de  2002,  ou  seja,  a  partir  31/12/02,  deverão  obedecer ao critério de divisão do total da omissão de rendimentos apurada pela quantidade de  titulares, sendo que todos os titulares deverão ser intimados para prestarem esclarecimentos;  VI – quando comprovado que os valores creditados em conta de depósito ou  de investimento pertencem à terceiro evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos  rendimentos  é  efetuada  em  relação  ao  terceiro,  na  condição  de  efetivo  titular  da  conta  de  depósito ou de investimento;  VII – os  rendimentos omitidos, de origem não comprovada,  serão apurados  no mês em que forem recebidos e estarão sujeitos, com multa de ofício, na declaração de ajuste  anual, conforme tabela progressiva vigente à época.  Pode­se concluir, ainda, que:  I  ­ na pessoa  jurídica os créditos serão analisados de forma individual, com  exclusão apenas dos valores relativos a transferências entre as suas próprias contas bancárias,  não sendo aplicável o  limite  individual de crédito  igual ou  inferior a doze mil  reais e oitenta  mil reais no ano­calendário;  II – caracteriza omissão de receita ou rendimento, desde que obedecidos os  critérios  acima  relacionados,  todos  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento,  em  relação  aos  quais  a  pessoa  física  ou  jurídica,  não  comprove  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações,  desde  que  regularmente  intimada  a  prestar  esclarecimentos e comprovações;  III – na pessoa física a única hipótese de anistia de valores é a existência de  créditos não comprovados que individualmente não sejam superiores a doze mil reais, limitado  ao somatório, dentro do ano­calendário, a oitenta mil reais;  IV – na hipótese de créditos que  individualmente superem o  limite de doze  mil  reais,  sem  a  devida  comprovação  da  origem,  ou  seja,  sem  a  comprovação,  mediante  apresentação  de  documentação  hábil  e  idônea  que  estes  créditos  (recursos)  tem  origem  em  rendimentos  já  tributados,  não  tributáveis  ou  que  estão  sujeitos  a  normas  específicas  de  tributação, cabe a constituição de crédito  tributário como se omissão de rendimentos  fossem,  desde que regularmente intimado a prestar esclarecimentos e comprovações;  V  –  na  hipótese  de  créditos  não  comprovados  que  individualmente  não  superem  o  limite  de  doze  mil  reais,  entretanto,  estes  créditos  superam,  dentro  do  ano­ calendário,  o  limite  de  oitenta  mil  reais,  todos  os  créditos  sem  a  devida  comprovação  da  origem, ou seja, sem a comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e  idônea  Fl. 981DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN     20 que estes créditos (recursos) tem origem em rendimentos já tributados, não tributáveis ou que  estão sujeitos a normas específicas de tributação, cabe a constituição de crédito tributário como  se omissão de rendimentos fossem, desde que regularmente intimado a prestar esclarecimentos  e comprovações;  VI ­ os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão às normas de tributação específica previstas na legislação vigente à época em  que auferidos ou recebidos;  VII  ­  para  efeito  de  determinação  do  valor  dos  rendimentos  omitidos,  não  será  considerado o crédito de valor  individual  igual ou  inferior a R$ 12.000,00, desde que o  somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do  ano­calendário.  Como  se  vê,  nos  dispositivos  legais  retromencionados,  o  legislador  estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar  a  origem  dos  créditos  efetuados  em  sua  conta  bancária,  tem­se  a  autorização  legal  para  considerar  ocorrido  o  fato  gerador,  ou  seja,  para  presumir  que  os  recursos  depositados  traduzem rendimentos do contribuinte. É evidente que nestes casos existe a inversão do ônus  da  prova,  característica  das  presunções  legais  o  contribuinte  é  quem  deve  demonstrar  que  o  numerário creditado não é renda tributável.  É incontroverso, que é função do fisco, entre outras, comprovar o crédito dos  valores  em contas de depósito ou de  investimento,  examinar  a  correspondente declaração de  rendimentos  e  intimar  o  titular  da  conta  bancária  a  apresentar  os  documentos/informações/esclarecimentos,  com vistas  à verificação  da ocorrência  de omissão  de rendimentos de que trata o artigo 42 da lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da  origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte.  Não  comprovada  a  origem  dos  recursos,  tem  a  autoridade  fiscal  o  poder/dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na  declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia  ser de outro modo, ante a vinculação  legal decorrente do Princípio da Legalidade que  rege a  Administração  Pública,  cabendo  ao  agente  tão­somente  a  inquestionável  observância  da  legislação.  Por  outro  lado,  também  é  verdadeiro,  como  visto  anteriormente,  que  dos  valores constantes dos extratos bancários do contribuinte, devem ser excluídos os valores dos  depósitos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física, os referentes a  proventos,  resgates  de  aplicações  financeiras,  estornos,  cheques  devolvidos,  empréstimos  bancários etc., e ainda os depósitos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde  que o somatório dentro do ano­calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00.  Por  fim, após efetuar a conciliação bancária e constatada a possibilidade de  tributação com base nos depósitos/créditos, em virtude de se verificar que o somatório anual  dos depósitos realizados em todas as contas bancárias mantidas pelo contribuinte é superior a  R$ 80.000,00, ou que o contribuinte teve depósitos em valor superior a R$ 12.000,00, deve o  contribuinte ser intimado para comprovar a origem dos recursos utilizados nas operações.  Esta  comprovação  deverá  ser  feita  com  documentação  hábil  e  idônea,  devendo  ser  indicada  à  origem  de  cada  depósito  individualmente,  não  servindo,  a  princípio,  como  comprovação  de  origem  de  depósito  os  rendimentos  anteriormente  auferidos  ou  já  Fl. 982DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/2007­39  Acórdão n.º 2202­01.649  S2­C2T2  Fl. 11          21 tributados,  se  não  for  comprovada  a  vinculação  da  percepção  dos  rendimentos  com  os  depósitos  realizados.  Assim,  os  valores  cuja  origem  não  houver  sido  comprovada  serão  oferecidos à tributação, submetendo­se aos limites individual e anual para os depósitos, como  omissão de rendimentos, utilizando­se a tabela progressiva vigente à época em que tenha sido  efetuado o crédito pela Instituição Financeira.  Não há dúvidas, que na presunção de omissão de rendimentos de que trata o  art.  42  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  o  sujeito  passivo  é  o  titular  da  conta  bancária  que,  regularmente  intimado,  não  comprove  a  origem dos  depósitos  bancários. Assim  sendo,  resta  claro  de  que  o  legislador  atribuiu  ao  titular  da  disponibilidade  financeira,  e  não  à  Administração Tributária,  o ônus de  identificar os negócios  jurídicos que proporcionaram os  depósitos.  Não  poderia  ser  mais  ponderado.  Afinal,  é  ele,  contribuinte,  que  participa  diretamente do negócio, o qual, na quase totalidade dos casos, se exterioriza pela produção de  um  instrumento  formal  que  se  constitui  em  prova  documental  da  sua  realização  (recibo,  contrato,  escritura,  nota  fiscal,  etc.).  Em  suma,  a  norma  estabeleceu  a  obrigatoriedade  de  o  contribuinte manter documentação probatória da origem dos valores que deposita em sua conta  bancária.  Faz­se  necessário  reforçar,  que  a  presunção  criada  pelo  art.  42  da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  é  uma  presunção  relativa  passível  de  prova  em  contrário.  Ou  seja,  está  condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome  do  contribuinte,  em  instituições  bancárias. A  simples  prova  em  contrário,  ônus  que  cabe  ao  contribuinte, faz desaparecer a presunção de omissão de rendimentos.   Por outro lado, a falta de justificação faz nascer à obrigação do contribuinte  para  com  a  Fazenda  Nacional  de  pagar  o  tributo  com  os  devidos  acréscimos  previstos  na  legislação de regência, já que a principal obrigação em matéria tributária é o recolhimento do  valor  correspondente  ao  tributo  na  data  aprazada.  A  falta  de  recolhimento  no  vencimento  acarreta  em  novas  obrigações  de  juros  e  multa  que  se  convertem  também  em  obrigação  principal.  Assim,  desde  que  o  procedimento  fiscal  esteja  lastreado  nas  condições  imposta pelo permissivo legal, entendo que seja do recorrente o ônus de provar a origem dos  recursos depositados em sua conta corrente. Ou seja, de provar que há depósitos, devidamente  especificados,  que  representam  ou  não  aquisição  de  disponibilidade  financeira  tributável  ou  não tributável, ou que já foi tributado. Desta forma, para que se proceda à exclusão da base de  cálculo de algum valor considerado, indevidamente, pela fiscalização, se faz necessário que o  contribuinte apresente elemento probatório que seja hábil e idôneo para comprovar a origem do  valor  depositado  (créditos),  independentemente,  se  tratar  rendimentos  tributáveis  ou  não. Os  valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  normas  de  tributações específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.  É evidente, que depósitos bancários de origem não comprovada se traduzem  em renda presumida, por presunção legal “júris tantum”. Isto é, ante o fato material constatado,  qual  seja  depósitos/créditos  em  conta  bancária,  sobre  os  quais  o  contribuinte,  devidamente  intimado, não apresentou comprovação de origem, a legislação ordinária autoriza a presunção  de renda relativamente a tais valores (Lei n° 9.430, de 1996, art. 42).   Fl. 983DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN     22 Indiscutivelmente, esta presunção em favor do fisco transfere ao contribuinte  o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos questionados.   Pelo  exame  dos  autos  verifica­se  que  o  recorrente,  embora  intimado  a  comprovar, mediante  a  apresentação  de  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  valores  depositados  em  suas  contas  bancárias,  não  conseguiu  equacionar,  de  forma  razoável,  os  depósitos  questionados  com os  pretensos  valores  recebidos  e  é  isso  que  importa,  justificar  a  origem dos depósitos de forma individualizada, coincidentes em datas e valores.  Não  há  dúvidas,  que  a  Lei  nº  9.430,  de  1996,  definiu,  portanto,  que  os  depósitos bancários, de origem não comprovada, efetuados a partir do ano­calendário de 1997,  caracteriza omissão de rendimentos e não meros indícios de omissão, estando, por conseguinte,  sujeito à tributação pelo Imposto de Renda nos termos do art. 3º, § 4º, da Lei nº 7.713, de 1988.   Ora,  no  presente  processo,  a  constituição  do  crédito  tributário  decorreu  em  face do contribuinte não ter provado com documentação hábil ou idônea a origem dos recursos  que  dariam  respaldo  aos  referidos  depósitos/créditos,  dando  ensejo  à  omissão  de  receita  ou  rendimento  (Lei  nº  9.430/1996,  art.  42)  e,  refletindo,  conseqüentemente,  na  lavratura  do  instrumento de autuação em causa.   Ademais,  à  luz da Lei nº 9.430, de 1996,  cabe  ao  suplicante,  demonstrar o  nexo  causal  entre  os  depósitos  existentes  e o  benefício  que  tais  créditos  tenham  lhe  trazido,  pois  somente  ele  pode  discriminar  que  recursos  já  foram  tributados  e  quais  se  derivam  de  meras transferências entre contas. Em outras palavras, como destacado nas citadas leis, cabe a  ele  comprovar  a  origem  de  tais  depósitos  bancários  de  forma  tão  substancial  quanto  o  é  a  presunção legal autorizadora do lançamento.  Além do mais, é cristalino na legislação de regência (§ 3º do art. 42 da Lei nº  9.430, de 1996), a necessidade de identificação individualizada dos depósitos, sendo necessário  coincidir valor, data e até mesmo depositante, com os respectivos documentos probantes, não  podendo ser tratadas de forma genérica e nem por médias.  A  legislação  é  bastante  clara,  quando  determina  que  a  pessoa  física  está  obrigada a guardar os documentos das operações ocorridas ao logo do ano­calendário, até que  se expire o direito de a Fazenda Nacional realizar ações fiscais relativas ao período, ou seja, até  que ocorra a decadência do direito de lançar, significando com isto dizer que o contribuinte tem  que  ter  um  mínimo  de  controle  de  suas  transações,  para  possíveis  futuras  solicitações  de  comprovação, ainda mais em se tratando de depósitos de quantias vultosas.   Nos  autos  ficou evidenciado,  através de  indícios  e provas,  que o  suplicante  recebeu  os  valores  questionados  neste  auto  de  infração.  Sendo,  que,  neste  caso,  está  clara  a  existência de indícios de omissão de rendimentos, situação que se inverte o ônus da prova do  fisco para o sujeito passivo. Isto é, ao invés de a Fazenda Pública ter de provar que a recorrente  possuía fontes de recursos para receber estes valores ou que os valores são outros, já que a base  arbitrada não corresponderia ao valor real recebido, competirá a suplicante produzir a prova da  improcedência da presunção, ou seja, que os valores recebidos estão lastreados em documentos  hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores.  A  presunção  legal  júris  tantum  inverte  o  ônus  da  prova.  Neste  caso,  a  autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato  indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimento (fato jurídico tributário),  nos  termos do art. 334,  IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o  fato presumido não existiu na situação concreta.   Fl. 984DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/2007­39  Acórdão n.º 2202­01.649  S2­C2T2  Fl. 12          23 Não tenho dúvidas, que o efeito da presunção “júris tantum” é de inversão do  ônus da prova. Portanto, cabia ao sujeito passivo, se o quisesse, apresentar provas de origem de  tais  rendimentos  presumidos.  Oportunidade  que  lhe  foi  proporcionado  tanto  durante  o  procedimento  administrativo,  através  de  intimação,  como  na  impugnação,  quer  na  fase  ora  recursal. Nada foi acostado que afastasse a totalidade da presunção legal autorizada.   É  transparente  que  o  artigo  42  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  definiu  que  os  depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de rendimentos e não  meros indícios de omissão, razão pela qual não há que se estabelecer o nexo causal entre cada  depósito  e  o  fato  que  represente  omissão  de  receita,  ou mesmo  restringir  a  hipótese  fática  à  ocorrência de variação patrimonial ou a indícios de sinais exteriores de riqueza, como previa a  Lei nº 8.021, de 1990.  Por  outro  lado,  quero  ressaltar  que  independentemente  do  teor  da  peça  impugnatória  e  da  peça  recursal  incumbe  a  este  colegiado  verificar  o  controle  interno  da  legalidade  do  lançamento,  bem  como,  observar  a  jurisprudência  dominante  na Câmara,  para  que as decisões tomadas sejam as mais justas possíveis, dando o direito de igualdade para todos  os contribuintes.  Não tenho dúvidas, que quando se trata de questões preliminares, tais como:  nulidade do lançamento, decadência, erro na identificação do sujeito passivo, intempestividade  da petição, erro na base de cálculo, aplicação de multa, etc., são passíveis de serem levantadas  e  apreciadas  pela  autoridade  julgadora  independentemente  de  argumentação  das  partes  litigantes.  Faz  se  necessário  esclarecer,  que  o  julgador  independe  de  provocação  da  parte para examinar a regularidade processual e questões de ordem pública aí compreendido o  princípio da estrita legalidade que deve nortear a constituição do crédito tributário.  Assim, em especial, neste processo, entendo que por uma questão de justiça  fiscal  existe  necessidade  de  se  estabelecer  uma  relação  harmoniosa  entre  o  fisco  e  o  contribuinte.  Ou  seja,  parece  ser  possível  concluir  por  uma  questão  de  coerência,  que  o  tratamento  a  ser dado nestas  circunstâncias deva ser mesmo a  exclusão do valor oferecido  à  tributação  através  da  Declaração  de  Ajuste  Anual  apresentada,  sob  pena  de  se  lhe  dar  tratamento  tributário  mais  gravoso  do  que  se  o  contribuinte  estivesse  ficado  inerte  (não  apresentar  a  respectiva  declaração).  Por  outro  lado,  tal  aspecto  não  chega  a  se  constituir  em  prova  absoluta  de  que  o  valor  declarado  de  fato  tem  origem  nestes  depósitos  bancários  não  justificados.   Embora não abandone a idéia de que a comprovação de origem, nos termos  do disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, deva ser interpretada como a apresentação  pelo contribuinte de documentação hábil  e  idônea que possa  identificar a  fonte do crédito, o  valor,  a  data  e,  principalmente,  que  demonstre  de  forma  inequívoca  a  que  título  os  créditos  foram  efetuados  na  conta  corrente,  sou  forçado  a  reconhecer  que  a  jurisprudência  neste  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  tem  avançado  no  sentido  de  reconhecer  a  necessidade  de  se  excluir  da  base  de  cálculo  da  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  não  comprovados,  os  rendimentos  declarados  /  lançados  /  receitas  da  atividade  rural  ou  utilizou  critérios  que  não  considerem  a  totalidade,  nos  casos  em  que  a  autoridade fiscal lançadora deixou de considerá­los.      Fl. 985DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN     24 Ora,  se  a  recorrente  apresentou  as  Declarações  de  Ajuste  Anual,  tempestivamente, não vejo como deixar de reconhecer o direito de reduzir em igual montante o  valor  dos  rendimentos  tributados  do  item  de  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos bancários, para efeito de cálculo do imposto devido.   É de se registrar, que em situações análogas esse conselho  já se manifestou  no  sentido  de  excluir  da  tributação  dos  rendimentos  omitidos  por  decorrência  de  depósito  bancário,  uma vez que  tais valores ou  já  foram  objeto de  lançamento por  receita omitida na  atividade  rural  ou  porque  constam  nas  Declarações  de  Ajuste  Anual,  conforme  podemos  observar nos julgados abaixo, cujas ementas se transcreve na parte que interessa:  Acórdão 104­19.984  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  ­  ATIVIDADE  RURAL  ­  A  interpretação harmônica da Lei n.º 9.430, de 1996 com a Lei n.º  8.023,  de  1990  que  regula  a  atividade  rural,  induz  ao  entendimento  de  que  os  rendimentos  totais  da  atividade  se  prestam  como  origem  para  justificar  os  depósitos  bancários,  independentemente de coincidência de data e valores.   Acórdão 104­19.845  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  –  LEI  Nº.  9.430,  DE  1996  –  COMPROVAÇÃO  Estando  as  pessoas  físicas  desobrigadas  de  escrituração,  os  recursos  com  origem  comprovada  bem  como  outros  rendimentos  já  tributados,  inclusive  aqueles  objetos  da  mesma acusação, servem para  justificar os valores depositados  posteriormente  em  contas  bancárias,  independentemente  de  coincidência de datas e valores.  No mesmo  sentido  se manifesta  a  jurisprudência  nos  casos  de  rendimentos  tributáveis declarados da Declaração de Ajuste Anual:  Acórdão nº 2202­00.415  RENDIMENTOS  TRIBUTADOS  NA  DECLARAÇÃO  AJUSTE  ANUAL  ­  JUSTIFICATIVA  DE  ORIGEM  ­  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  É  de  se  aceitar  como  origem  de  recursos,  justificando  a  existência  de  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento,  os  valores  dos  rendimentos  tributados  na  Declaração de Ajuste Anual.   Acórdão nº 2202­00.422  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  ­  IDENTIFICAÇÃO  DOS  DEPOSITANTES/JUSTIFICATIVA  DO  DEPÓSITO  ­  COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS ­ Incabível o  lançamento  tributário  tendo  por  base  de  cálculo  depósitos  bancários, na pessoa física do titular de conta bancária, quando  restar  identificado  e  justificado,  por  meio  de  documentação  anexada  aos  autos,  o  conjunto  de  pessoas  físicas  e  jurídicas  depositantes  dos  valores  questionados,  bem  como  a  sua  motivação.  Os  valores  assim  apurados,  quando  for  o  caso,  submeter­se­ão  às  normas  de  tributação  específica  prevista  na  Fl. 986DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/2007­39  Acórdão n.º 2202­01.649  S2­C2T2  Fl. 13          25 legislação vigente à  época em que auferidos ou  recebidos  (art.  42, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996).  RENDIMENTOS  TRIBUTADOS  NA  DECLARAÇÃO  AJUSTE  ANUAL  ­  JUSTIFICATIVA  DE  ORIGEM  ­  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  ­  É  de  se  aceitar  como  origem  de  recursos,  justificando  a  existência  de  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento,  os  valores  dos  rendimentos  tributados na Declaração de Ajuste Anual.   Acórdão nº 2202­00.170  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  ­  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  ­  Com  o  advento  da  Lei  n°  9.430/96,  caracteriza­se  também  omissão  de  rendimentos  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimentos  mantida  junto  a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular  não  comprove  a  origem  dos  recursos  utilizados,  observadas  as  exclusões  previstas  no  §  3°,  do  citado  diploma  legal.  Devendo  ser  excluídos os valores dos rendimentos declarados na DIRPF.  Assim sendo, entendo que deva ser excluído da base de cálculo da exigência  relativo  a  depósitos  bancários  de  origem  não  identificada  os  rendimentos  tributados  na  Declaração de Ajuste Anual, referente aos anos­calendário de 2002 e 2003.  Observa­se  às  fls.  09/12  e  13/15),  que  a  recorrente  declarou  como  rendimentos tributados na Declaração de Ajuste Anual relativo aos anos­calendário de 2002 e  2003  os  valores  de  R$  110.800,00  e  R$  96.570,00,  respectivamente.  Assim  sendo,  é  de  se  excluir  estes valores do  item omissão de  rendimentos  caracterizados por depósitos bancários  não justificados.  Como se vê do  relatório, cinge­se, ainda, a discussão em  torno de glosa de  despesas lançadas em Livro Caixa, em relação aos quais insiste a contribuinte em afirmar que  se  tratam  de  dispêndios  efetuados  passíveis  de  serem  deduzidos  na  apuração  do  imposto  de  renda. No intuito de corroborar tal alegação, anexou a defesa diversos documentos e relações.  Tais elementos, na maioria,  foram reconsiderados, pela decisão de Primeira  Instância.  Entretanto  restou,  ainda,  documentos  inábeis  para  comprovar  o  alegado,  vez  que  houve glosas por questões legais. Ou seja, não há previsão legal para o procedimento adotada  pela  contribuinte  ou  os  documentos  fiscais  apresentados  não  são  aptos  para  realizar  a  comprovação das despesas lançadas no Livro Caixa.  A  jurisprudência  é  mansa  e  pacifica  neste  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  acerca  da  questão,  fundamentada  nos  dispositivos  legais  de  regência,  se  entende, que somente são admissíveis, como dedutíveis, despesas que, além de preencherem os  requisitos  de  necessidade,  normalidade  e  usualidade,  apresentarem­se  com  a  devida  comprovação,  com  documentos  hábeis  e  idôneos  e  que  sejam  necessárias  à  percepção  da  receita e à manutenção da fonte produtora.   É de se observar, que a escrituração mensal do livro caixa deverá conter toda  a movimentação financeira, inclusive a bancária, de forma a demonstrar as receitas e despesas  relativas à prestação de serviços sem vínculo empregatício. Está dispensado o seu registro na  Receita  Federal  ou  em  cartórios,  e  os  documentos  e  demais  papéis  que  embasaram  a  Fl. 987DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN     26 escrituração deverão ser  idôneos, mantidos em ordem e guardados pelo prazo de cinco anos.  Na dedução da base de cálculo do imposto de renda, é condição indispensável que as despesas  incorridas  sejam  necessárias  à  atividade  exercida  pelo  profissional  autônomo  e  à  sua  especialização, observando­se, entre outras, as seguintes particularidades:  1  ­  A  pessoa  física  que  receber  rendimentos  do  trabalho  não  assalariado,  incluindo  os  titulares  dos  serviços  notariais  e  de  registro,  a  que  se  refere  o  artigo  236  da  Constituição  Federal,  não  poderão  deduzir,  da  receita  decorrente  do  exercício  da  respectiva  atividade,  as  quotas  de  depreciação  de  instalações, máquinas  e  equipamentos,  bem  como  as  despesas de arrendamento;  2  ­  Despesa  de  custeio  é  aquela  indispensável  à  percepção  da  receita  e  à  manutenção da fonte produtora, como aluguel, água, luz, telefone, material de expediente ou de  consumo. Por outro lado, os gastos com reforma de prédio, aquisição de móveis e utensílios e  equipamentos eletrônicos, se referem a aplicação de capital e, portanto, não são dedutíveis da  receita por expressa disposição legal;  3  ­  As  despesas  com  transporte,  locomoção,  combustível,  estacionamento,  manutenção  de  veículo,  seguro  e  pagamento  do  IPVA,  assim  como  as  despesas  de  IPTU  e  demais  taxas  imobiliárias,  cuja  responsabilidade  pelo  seu  pagamento  independe  da  sua  utilização  ou  de  que  tal  utilização  se  preste  ao  auferimento  de  algum  tipo  determinado  de  receitas, não são dedutíveis no livro caixa;  4 ­ Não servem como comprovação de despesas relacionadas no livro caixa  os  tíquetes  de  caixa,  recibos  não  identificados  e  documentos  semelhantes.  Sendo  que  os  documentos  emitidos  pelo  Emissor  de  Cupom  Fiscal  (ECF)  devem  conter,  no  mínimo,  a  identificação  da  pessoa  física  compradora  no  CPF­MF,  a  descrição  dos  bens  ou  serviços  adquiridos, a data e o valor da operação.  A inscrição da despesa utilizada no Livro Caixa é condição primordial para a  admissibilidade de sua dedução dos rendimentos tributáveis, na declaração de ajuste anual, sem  contar  que  não  basta  a  sua  comprovação  por meio  de  documentação  idônea,  devendo  ainda  ficar comprovado, que as despesas de custeio pagas são necessárias à percepção da receita e à  manutenção  da  fonte  pagadora.  Tais  despesas  devem  estar  devidamente  discriminadas  e  identificadas  em  documentos  hábeis  e  idôneos  e  em  nome  do  contribuinte  que  efetuar  os  pagamentos.   O artigo 75 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999, vigente na época  do lançamento enumera, de forma cristalina, as deduções permitidas quando da percepção pelo  contribuinte de rendimentos de trabalho não assalariado, da receita decorrente do exercício de  sua  atividade:  a  remuneração  paga  a  terceiros,  desde  que  com  vínculo  empregatício,  e  os  encargos  trabalhistas  e  previdenciários;  os  emolumentos  pagos  a  terceiros  e  as  despesas  do  custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora.  Por  outro  lado,  o  artigo  76  do  mesmo  Regulamento  disciplina  que  as  deduções  permitidas  pela  legislação  e  devidamente  escrituradas  em  livro  caixa,  não  poderão  exceder  à  receita mensal  da  respectiva  atividade,  sendo  permitido  o  cômputo  do  excesso  de  deduções  nos  meses  seguintes,  até,  dezembro,  mas  o  excedente  de  deduções  porventura  existente no final do ano­base, não será transposto para o ano seguinte.   Assim  sendo,  estou  de  pleno  acordo  com  o  posicionamento  da  decisão  recorrida, tendo em vista que a reclamação da suplicante não tem guarida.  Fl. 988DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/2007­39  Acórdão n.º 2202­01.649  S2­C2T2  Fl. 14          27 É de se observar, que no campo da legislação tributária qualquer redução da  base de cálculo de um tributo precisa ser devidamente comprovada por documentação idônea  que permita à autoridade lançadora e/ou julgadora o mínimo de segurança quanto a autoria e  veracidade do documento apresentado pela parte beneficiada. Os documentos apresentados não  trazem  esse  mínimo  e  a  contribuinte  não  acrescentou  mais  nenhuma  prova  a  respeito  do  assunto.   Deve se ter em mente a previsão de que ao fisco interessa o que se passa nas  pessoas  jurídicas  e  nas  pessoas  físicas,  na medida  em  que  é  interessado  direto  na  apuração  correta dos resultados, sobre o qual vai buscar sua cota, a título de imposto.  Assim como, se faz necessário de se reiterar, mais uma vez, que não se trata  de  interpretação  equivocada  dos  fatos  como  assevera  a  suplicante,  mas  de  cumprimento  ao  determinado  na  lei,  de  que  somente  as  despesas  com  previsão  legal  é  que  podem  ser  consideradas para efeito de dedução na apuração da base tributável do imposto de renda.   Deve sempre ser  lembrado, que a norma  legal  tributária carece de qualquer  dependência  em  relação  à  lei  comercial,  sendo  interpretada  considerando  sua  autonomia,  em  relação aos outros ramos do direito e, bem assim, o caráter teleológico de sua interpretação, a  qual deve sempre visar a realização das finalidades ou objetivos da lei; desta forma, os efeitos  tributários dos atos, contratos ou negócios são os que decorrem da lei  tributária e não podem  ser modificados ou alterados pela vontade das partes.  Convém, ainda, ressaltar que os tíquetes de caixa, recibos não identificados e  documentos  semelhantes,  não  podem  comprovar  despesas  relacionadas  no  livro  Caixa.  As  despesas devem estar discriminadas e identificadas para serem comprovadas como necessárias  e indispensáveis à atividade profissional.   Quando o assunto for tratar de cupom fiscal se faz necessário verificar o que  diz a Lei nº 9.532, de 1997:  Art.61  ­  As  empresas  que  exercem  a  atividade  de  venda  ou  revenda de bens a varejo e as empresas prestadoras de serviços  estão  obrigadas  ao  uso  de  equipamento  Emissor  de  Cupom  Fiscal (ECF).  §  1º)  Para  efeito  de  comprovação  de  custos  e  despesas  operacionais, no âmbito da legislação do Imposto de Renda e da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido,  os  documentos  emitidos pelo ECF devem conter, em relação à pessoa física ou  jurídica compradora, no mínimo:  a)  a  sua  identificação  mediante  a  indicação  do  número  de  inscrição  no  Cadastro  de  Pessoas  Físicas  ­  CPF  ,  se  pessoa  física, ou no Cadastro Geral de Contribuintes ­ CGC, se pessoa  jurídica, ambos do Ministério da Fazenda;  b) a  descrição  dos  bens ou  serviços  objeto  da  operação,  ainda  que resumida ou por códigos;  c) a data e o valor da operação.  Fl. 989DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN     28 Não  basta  que  o  documento  comprove  a  efetivação  do  pagamento,  é  indispensável  que  a  comprovação  alcance  a  natureza  do  dispêndio.  Por  essa  razão  os  documentos  emitidos  por  máquinas  registradoras  ou  simplificados  não  se  prestam  à  comprovação de despesas lançadas em livro Caixa.   Quando  não  se  aceita  um  documento  fiscal  do  tipo  “cupom  fiscal”  e  nota  simplificada como lastro hábil de gastos dedutíveis, não se deve atribuir a recusa à habilidade  ou inabilidade documental. Não se admite pela singela razão de que os mesmos não permitem,  na maioria das vezes, aferir o bem ou o  serviço prestado para que se possa consultar da  sua  necessidade ou de sua usualidade para a pessoa física ou jurídica adquirente.   Como visto acima, são passíveis de serem aceitos como documentos fiscais  hábeis  os  comprovantes  emitidos  por  Equipamento  Emissor  de  Cupom  Fiscal  ­  ECF  que  contenham, em relação à pessoa física compradora, no mínimo (Lei nº 9.532, de 1997, art. 61):  a)  a  sua  identificação,  mediante  a  indicação  do  número  de  inscrição  no  Cadastro de Pessoas Físicas ­ CPF, se pessoa física, ou no Cadastro Geral de Contribuintes ­  CNPJ, se pessoa jurídica, ambos do Ministério da Fazenda;  b) a descrição dos bens ou serviços objeto da operação, ainda que resumida  ou por códigos;  c) a data e o valor da operação.   Entretanto, não é o caso dos autos onde não existe nenhuma identificação do  usuário dos serviços adquiridos, sabe­se, tão somente, se tratar de valores relativos a despesas  com alimentação, escritório, limpeza etc.  Como visto, a nota  fiscal  simplificada, assim como o cupom fiscal não  são  documentos hábeis para  comprovação de despesas dedutíveis  lançadas  em Livro Caixa,  pelo  fato de não reunirem elementos capazes de identificar o comprador, os bens adquiridos, o valor  da operação, bem como a sua efetividade e necessidade à fonte produtora dos rendimentos.   Por fim devo lembrar, que é regra geral no direito tributário que o ônus da  prova cabe a quem alega. A  lei pode, entretanto, determinar a quem caiba a  incumbência de  provar determinado fato. É o que ocorre no caso das deduções. O art. 11, § 3º do Decreto­Lei  nº 5.844, de 1943, estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comprová­ las ou justificá­las, deslocando para ele o ônus probatório. Mesmo que a norma possa parecer,  em  tese,  um  tanto  quanto  discricionária,  deixando  ao  talante  da  autoridade  lançadora  a  iniciativa, esta agiu albergada no dispositivo acima mencionado.  A inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para  a suplicante a obrigação de comprovação e justificação das deduções, e, não o fazendo, implica  nas conseqüências legais, ou seja, o não cabimento das deduções, por falta de comprovação e  justificação.  Também  importa  dizer  que  o  ônus  de  provar  implica  trazer  elementos  que  não  deixem qualquer dúvida quanto ao fato questionado.  Quanto  à  aplicação  das  multas  de  lançamento  de  ofício  (multa  de  ofício  mantida e multa isolada do carnê­leão), se faz necessário ressaltar que a convergência do fato  imponível à hipótese de  incidência descrita em lei deve ser analisada à  luz dos princípios da  legalidade  e  da  tipicidade  cerrada,  que  demandam  interpretação  estrita.  Da  combinação  de  ambos  os  princípios,  resulta  que  os  fatos  erigidos,  em  tese,  como  suporte  de  obrigações  tributárias,  somente,  se  irradiam  sobre  as  situações  concretas  ocorridas  no  universo  dos  fenômenos, quando vierem descritos em lei e corresponderem estritamente a esta descrição.  Fl. 990DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/2007­39  Acórdão n.º 2202­01.649  S2­C2T2  Fl. 15          29 Entendo,  que  toda  matéria  útil  pode  ser  acostada  ou  levantada  na  defesa,  como  também  é  direito  do  contribuinte  ver  apreciada  essa matéria,  sob  pena  de  restringir  o  alcance do julgamento. Como a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, e como não há  lugar para atividade discricionária ou arbitrária da administração que está vinculada à lei, deve­ se  sempre  procurar  a  verdade  real  à  cerca  da  imputação.  Não  basta  a  probabilidade  da  existência de um fato para dizer­se haver ou não haver obrigação tributária.  Seguindo nesta linha de pensamento, é de se observar que independentemente  do teor da peça impugnatória e da peça recursal, incumbe a este colegiado verificar o controle  interno  da  legalidade  do  lançamento,  bem  como,  observar  a  jurisprudência  dominante  na  Câmara,  para  que  as  decisões  tomadas  sejam  as  mais  justas  possíveis,  dando  o  direito  de  igualdade para todos os contribuintes.   Neste  contexto,  é  de  se  ressaltar,  que  a  autoridade  lançadora  constituiu,  através do  auto de  infração, dois  tipos de multas de  lançamento de ofício:  a multa de ofício  isolada, que foi  lançada parte em concomitância com a multa de ofício e parte lançada sem a  cobrança do imposto, ou seja, foi lançada com base nos valores informados nas Declarações de  Ajuste Anual e houve o lançamento com multa de ofício sobre a matéria levantada de ofício.   Assim, a matéria em discussão está restrita a: (1) – multa de lançamento de  ofício  exigida  de  forma  isolada,  cobrada  em  concomitância  com  a multa  de  lançamento  de  ofício  normal  de  75%  e  (2)  ­ multa  de  lançamento  de  ofício  exigida  de  forma  isolada  pelo  recolhimento em atraso do carnê­leão, sobre valores recebidos de pessoas físicas (carnê­leão),  mensalmente,  apurados  e  informados  nas Declarações  de Ajuste Anual,  porém,  os  impostos  não foram recolhidos na época oportuna.  É  de  se  observar,  que  a  pessoa  física  ou  jurídica  que  apura  resultados  positivos (rendimentos ou receitas tributáveis), sofre a incidência da alíquota normal. Se omitiu  rendimentos,  receitas ou apresentou declaração de  rendimentos  inexata,  sujeita­se à multa de  lançamento de oficio. Parece tranqüilo o raciocínio de que o imposto cobrado em virtude desse  lançamento  continua  sendo  tributo  e  que  a  multa  constitui  sanção  pelas  irregularidades  levantadas pelo fisco.  Ora, o tributo cobrado através de procedimento de ofício do fisco segue tendo  por origem fato gerador concretizado pela atividade do contribuinte, ainda que este, por ação  ou omissão, tenha contribuído para o ocultamento, total ou parcial, do fato tributado. Não é o  comportamento incorreto do contribuinte, eventualmente descoberto pelo fisco, que determina  o  fato  gerador.  O  fato  gerador  preexistiu.  O  fisco  apenas  sancionou,  com multa  legal,  esse  comportamento.   A Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ao  tratar do Auto de Infração  com tributo e sem tributo dispôs:  Art. 43 – Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário  correspondente  exclusivamente  à  multa  ou  juros  de  mora,  isolada ou conjuntamente.  Parágrafo  único  –  Sobre  o  crédito  constituído  na  forma  deste  artigo,  não  pago  no  respectivo  vencimento,  incidirão  juros  de  mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir  do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até  Fl. 991DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN     30 o  mês  anterior  ao  pagamento  e  de  um  por  cento  no  mês  de  pagamento.  Art. 44 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas, calculadas sobre a  totalidade ou diferença de  tributo ou contribuição:  I  –  de  setenta  e  cinco  por  cento,  nos  casos  de  pagamento  ou  recolhimento  após  o  vencimento  do  prazo,  sem  acréscimo  de  multa  moratória,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração  inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;  II – (omissis).  § 1º ­ As multas de que trata este artigo serão exigidas:  I  –  juntamente  com  o  tributo  ou  contribuição,  quando  não  houverem sido anteriormente pagos;  II – isoladamente quando o tributo ou contribuição houver sido  pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo  de multa de mora;  III  –  isoladamente,  no  caso  de  pessoa  física  sujeita  ao  pagamento mensal do imposto  (carnê­leão) na  forma do art. 8º  da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê­ lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração  de ajuste.   (...).  Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso.  § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do  primeiro  dia  subseqüente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que  ocorrer o seu pagamento.  § 2º O percentual de multa a ser aplicado  fica  limitado a vinte  por cento.  § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros  de mora  calculados  à  taxa  a  que  se  refere o  §  3º do  art.  5º,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento  do  prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no  mês de pagamento.  Da  análise  dos  dispositivos  legais  anteriormente  transcritos  é  possível  se  concluir, que para aquele contribuinte, submetido à ação fiscal, após o encerramento do ano­ calendário, que deixou de recolher o “carnê­leão” que estava obrigado, existe a aplicabilidade  da multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada.   É  cristalino  o  texto  legal  quando  se  refere  às  normas  de  constituição  de  crédito  tributário,  através  de  auto  de  infração  sem  a  exigência  de  tributo.  Do  texto  legal  Fl. 992DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/2007­39  Acórdão n.º 2202­01.649  S2­C2T2  Fl. 16          31 conclui­se que não existe a possibilidade de cobrança concomitante de multa de lançamento de  ofício juntamente com o tributo (normal) e multa de lançamento de ofício isolada sem tributo,  ou  seja,  se  o  lançamento  do  tributo  é  de  ofício  deve  ser  cobrada  a multa  de  lançamento  de  ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo neste caso espaço legal  para se incluir a cobrança da multa de lançamento de ofício isolada.  Por outro lado, quando o lançamento de exigência tributária for aplicação de  multa isolada, só há espaço legal para aquelas infrações que não foram levantadas de ofício, a  exemplo da apresentação espontânea da declaração de ajuste anual com previsão de pagamento  de imposto mensal (carnê­leão) sem o devido recolhimento, caso típico da aplicação de multa  de  lançamento  de  ofício  isolada  sem  a  cobrança  de  tributo,  cabendo  neste  além  da  multa  isolada a cobrança de juros de mora de forma isolada, entre o vencimento do imposto até a data  prevista  para  a  entrega  da  declaração  de  ajuste  anual,  já  que  após  esta  data  o  imposto  não  recolhido está condensado na declaração de ajuste anual.  No caso dos  autos, parte da multa  incidiu  sobre  as parcelas  informadas nas  Declarações  de Ajuste Anual  como  sendo  carnê­leão  sem  o  recolhimento  do  imposto,  razão  pela qual cabe a exigência da multa de ofício lançada de forma isolada sobre estes valores, já  que cabível, a partir de 1º de janeiro de 1997, a multa de ofício prevista no art. 44, § 1º, inciso  III, da Lei nº 9.430, de 1996, exigidos isoladamente, sob o argumento do não recolhimento do  imposto mensal  (carnê­leão),  previsto  no  artigo  8º,  da  Lei  nº  7.713,  de  1988,  informado  na  Declaração de Ajuste Anual, ou seja, é cabível a exigência da multa isolada sobre o carnê­leão  apurado nas declarações do suplicante relativo aos anos­calendário de 2000 a 2003.  Por  outro  lado,  parte  da  multa  isolada  incidiu  sobre  infrações  que  foram  levantadas de ofício, com aplicação da multa de ofício normal, nesta parte é incabível a multa  isolada  aplicada,  por  expressa  disposição  legal,  a  aplicação  concomitante  de  multa  de  lançamento  de  ofício  exigida  com  o  tributo,  com  multa  de  lançamento  de  ofício  exigida  isoladamente.  Desta  forma,  entendo cabível,  a partir de 1º de  janeiro de 1997, a multa de  ofício prevista no art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430, de 1996, exigidos isoladamente, sob  o argumento do não recolhimento do imposto mensal (carnê­leão), previsto no artigo 8º, da Lei  nº 7.713, de 1988, informado na Declaração de Ajuste Anual, ou seja, é cabível a exigência da  multa  isolada  sobre  o  carnê­leão  apurado  na  declaração  da  suplicante  relativo  aos  anos­ calendário de 2000 a 2003 (não objeto de lançamento de ofício do imposto).   No  que  tange  às  alegações  de  ilegalidade  /  ofensas  a  princípios  constitucionais  (razoabilidade,  capacidade  contributiva,  não  confisco  e  juros  abusivos),  o  exame das mesmas escapa à competência da autoridade administrativa julgadora, pelas razões  alinhavadas na seqüência.   Há que se destacar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento  da  legislação  em vigor,  independentemente  de  questões  de  discordância,  pelos  contribuintes,  acerca  de  alegadas  ilegalidades/inconstitucionalidades,  sendo  a  atividade  de  lançamento  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional,  como  previsto  no  art.  142,  parágrafo único, do Código Tributário Nacional.  Não  há  dúvidas  de  que  se  entende  como  procedimento  fiscal  à  ação  fiscal  para  apuração  de  infrações  e  que  se  concretize  com  a  lavratura  do  ato  cabível,  assim  considerado  o  termo  de  início  de  fiscalização,  termo  de  apreensão,  auto  de  infração,  Fl. 993DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN     32 notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de  suas  funções  inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles  tomar conhecimento pela intimação.  Os  atos  que  formalizam  o  início  do  procedimento  fiscal  encontram­se  elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo  138,  parágrafo  único  do  Código  Tributário  Nacional,  esses  atos  têm  o  condão  de  excluir  a  espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a  ser verificadas.  Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito  passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não  exclui  suas  responsabilidades,  sujeitando­os  às  penalidades  próprias  dos  procedimentos  de  ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e  torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização.  Ressalte­se, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada  pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida  de  fiscalização  tem o condão de constituir­se  em marco  inicial da ação  fiscal, mas,  também,  consoante  reza  o  mencionado  dispositivo  legal,  “qualquer  procedimento  administrativo”  relacionado  com  a  infração  é  fato  deflagrador  do  processo  administrativo  tributário  e  da  conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável  sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na  forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972.  O  entendimento,  aqui  esposado,  é  doutrina  consagrada,  conforme  ensina  o  mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220:  O processo  contencioso administrativo  terá  início  por  uma das  seguintes formas:  1.  pedido  de  esclarecimentos  sobre  situação  jurídico­tributária  do sujeito passivo, através de intimação a esse;  2.  representação  ou  denúncia  de  agente  fiscal  ou  terceiro,  a  respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo  à assunção de responsabilidades tributárias;  3 ­ autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular  perante a legislação tributária;  4.  inconformismo  expressamente  manifestado  pelo  sujeito  passivo, insurgindo­se ele contra lançamento efetuado.  (...).  A  representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da  intimação  para  esclarecimentos,  sendo  peças  iniciais  do  processo que irá se estender até a solução final, através de uma  decisão  que  as  julguem  procedentes  ou  improcedentes,  com os  efeitos naturais que possam produzir tais conclusões.  No  mesmo  sentido,  transcrevo  comentário  de  A.A.  CONTREIRAS  DE  CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando  de Atos e Termos Processuais:  Fl. 994DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/2007­39  Acórdão n.º 2202­01.649  S2­C2T2  Fl. 17          33 Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários.  São atos processuais os que se realizam conforme as regras do  processo,  visando  dar  existência  à  relação  jurídico­processual.  Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas  em  razão  de  outro  processo,  do  qual  depende.  No  processo  administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros:  a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a  notificação  (...).  Mas,  retornando  a  nossa  referência  aos  atos  processuais,  é  de  assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada,  privativamente,  por  agentes  fiscais,  em  fiscalização  externa,  já  no  que  concerne  às  faltas  apuradas  em  serviço  interno  da  Repartição  fiscal,  a  peça que  as  documenta  é a  representação.  Note­se que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal  (...).  Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a  penalidade  aplicável,  a  sua  ausência  implicará  na  invalidade  do  lançamento.  A  falta  ou  insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigi­lo com  acréscimos e penalidades legais.   É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte,  entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levando­se em conta a ausência de má­fé,  de  dolo,  e  antecedentes  do  contribuinte. A multa  que  excede  o montante  do  próprio  crédito  tributário,  somente  pode  ser  admitida  se,  em  processo  regular,  nos  casos  de  minuciosa  comprovação,  em  contraditório  pleno  e  amplo,  nos  termos  do  artigo  5º,  inciso  LV,  da  Constituição  Federal,  restar  provado  um  prejuízo  para  fazenda  Pública,  decorrente  de  ato  praticado pelo contribuinte.  Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de  1988,  é  dirigida  ao  legislador.  Tal  princípio  orienta  a  feitura  da  lei,  que  deve  observar  a  capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse  princípio,  a  lei  deixa  de  integrar o mundo  jurídico  por  inconstitucional. Além disso,  é  de  se  ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas  pelo Direito Fiscal e, por não constituir  tributo, mas penalidade pecuniária prevista em  lei,  é  inaplicável o conceito de confisco previsto no  inciso V, do art. 150 da Constituição Federal,  não cabendo às autoridades administrativas estendê­lo.  Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração  às  regras  instituídas  pela  legislação  fiscal  não  declarada  inconstitucional  pelo  Supremo  Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em  lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150,  IV da CF., não conflitando  com o estatuído no  art.  5°, XXII  da CF.,  que  se  refere  à  garantia do direito de propriedade.  Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência.   Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados  pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém,  com  exclusividade,  tal  prerrogativa.  É  inócuo,  portanto,  suscitar  tais  alegações  na  esfera  administrativa.  Fl. 995DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN     34 De  qualquer  forma,  há  que  se  esclarecer  que  o  Imposto  Renda  da  Pessoa  Física é um tributo calculado sobre a renda tributável auferida. Ou seja, é calculado levando­se  em  consideração  aos  rendimentos  tributáveis  auferidos  e  em  razão  do  valor  é  enquadrada  dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito  passivo da obrigação tributária.   Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na  elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que  orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo  a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis.  Da  mesma  forma,  não  vejo  como  se  poderia  acolher  o  argumento  de  inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício e da taxa SELIC aplicada como  juros  de  mora  sobre  o  débito  exigido  no  presente  processo  com  base  na  Lei  n.º  9.065,  de  20/06/95,  que  instituiu  no  seu  bojo  a  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia de Títulos Federais (SELIC).  É meu entendimento, acompanhado pelos pares desta Turma de Julgamento,  que  quanto  à  discussão  sobre  a  inconstitucionalidade  de  normas  legais,  os  órgãos  administrativos  judicantes  estão  impedidos  de  declarar  a  inconstitucionalidade  de  lei  ou  regulamento, face à inexistência de previsão constitucional.  No  sistema  jurídico  brasileiro,  somente  o  Poder  Judiciário  pode  declarar  a  inconstitucionalidade de  lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle  incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade.  No caso de  lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle  seria  mesmo  incabível,  por  ilógico,  pois  se  o  Chefe  Supremo  da  Administração  Federal  já  fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a  lei,  não  seria  razoável  que  subordinados,  na  escala  hierárquica  administrativa,  considerasse  inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional.  Exercendo  a  jurisdição  no  limite  de  sua  competência,  o  julgador  administrativo  não  pode  nunca  ferir  o  princípio  de  ampla  defesa,  já  que  esta  só  pode  ser  apreciada no foro próprio.  Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda  inconstitucional, maior  insegurança  teriam  os  cidadãos,  por  ficarem  à mercê  do  alvedrio  do  Executivo.  O  poder  Executivo  haverá  de  cumprir  o  que  emana  da  lei,  ainda  que  materialmente possa ela ser  inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo  afasta ­ sob o ponto de vista formal ­ a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no  seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetá­la­ia, nos termos do artigo  66,  §  1º  da Constituição. Rejeitado  o  veto,  ao  teor  do  §  4º  do mesmo  artigo  constitucional,  promulgue­a ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza,  não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Faculta­se­lhe,  tão­somente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a  decisão,  continuará  o  Poder  Executivo  a  lhe  dar  execução.  Imagine­se  se  assim  não  fosse,  facultando­se  ao  Poder  Executivo,  através  de  seus  diversos  departamentos,  desconhecer  a  norma  legislativa  ou  simplesmente negar­lhe  executoriedade por  entendê­la,  unilateralmente,  inconstitucional.  Fl. 996DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/2007­39  Acórdão n.º 2202­01.649  S2­C2T2  Fl. 18          35 A evolução do direito,  como quer o  suplicante, não deve pôr em risco  toda  uma construção  sistêmica baseada na  independência  e na harmonia dos Poderes,  e  em cujos  princípios repousa o estado democrático.   Não  se  deve  a  pretexto  de  negar  validade  a  uma  lei  pretensamente  inconstitucional, praticar­se inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de  competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder.   Ademais, matéria  já pacificada no  âmbito  administrativo,  razão pela qual o  Presidente  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes,  objetivando  a  condensação  da  jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento  Interno dos Conselhos de Contribuintes  (RICC),  aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de  março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas  no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas  a partir de 28 de julho de 2006.  Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais  – CARF,  pela Portaria CARF  nº  106,  de  2009  (publicadas  no DOU de  22/12/2009),  assim  redigidas:  “O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).”  Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas  as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça voto no sentido de rejeitar  as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para  excluir  da  base  de  cálculo  da  exigência  os  valores  de  R$  94.125,04  (totalidade  do  item  depósitos bancários  remanescente)  e R$ 96.570,00  (do  total  do  item dos depósitos bancários  remanescentes),  correspondentes  aos  anos­calendário  de  2002  e  2003,  respectivamente,  bem  como excluir da exigência a multa isolada do carnê­leão aplicada de forma concomitante com a  multa de ofício.     (Assinado digitalmente)  Nelson Mallmann                                Fl. 997DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN

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8497239 #
Numero do processo: 13808.005233/2001-44
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA - PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.595
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: Maria Helena Cotta Cardozo

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Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1020.09386.RG6Y. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   2   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Henrique  Pinheiro  Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (Vice­Presidente em exercício), Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos,  Alexandre  Naoki  Nishioka  (suplente  convocado),  Marcelo  Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e  Rycardo  Henrique  Magalhães  de  Oliveira.  Ausente,  justificadamente,  o  Conselheiro  Elias  Sampaio Freire.  Relatório  Trata­se  de  exigência  de  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física  sobre  ganho  de  capital,  tendo em vista a  integralização de capital na empresa Potenza Participações S/A, por  meio da transferência de ações do BCN.   Em sessão plenária de 16/12/2008, foi julgado o Recurso Voluntário 159.028,  prolatando­se o Acórdão 104­23.641, assim ementado:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA.  IRPF  Exercício: 1997  GANHO  DE  CAPITAL  ­  INTEGRALIZAÇÃO  ­  A  transferência  de  ações  da  pessoa  física  para  a  pessoa  jurídica, para  integralização de  seu  capital  em  sociedade,  implica  em  alienação,  caracterizando­se  em  uma  das  modalidades  de  alienação  a  qualquer  titulo.  Constitui  ganho  de  capital  a  diferença  positiva  entre  o  valor  da  transmissão  da  ação  e  o  respectivo  custo  de  aquisição  corrigido monetariamente.  RESPONSABILIDADE  TRIBUTARIA  ­  ESPÓLIO  ­  Os  créditos tributários, notificados ao de cujus antes da abertura  da  sucessão,  ainda  que  neles  incluídos  encargos  e  penalidades,  serão exigidos do espólio ou dos sucessores.  JUROS ­ TAXA SELIC ­ A partir de 1° de abril de 1995, os  juros  morat6rios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do  Sistema Especial  de  Liquidação  e Custódia  ­  SELIC  para  títulos federais (Súmula 1° CC n° 4).  Recurso negado.”  O voto condutor do julgado assim registra:  “A  transferência  de  ações  da  pessoa  física  para  a  pessoa  jurídica,  para  integralização  de  seu  capital  na  sociedade,  implica  em  alienação,  caracterizando­se  em  uma  das  modalidades de alienação a qualquer titulo. Constitui ganho de  capital a diferença positiva entre o valor da transmissão da ação  e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente.  Fl. 510DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1020.09386.RG6Y. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13808.005233/2001­44  Acórdão n.º 9202­002.595  CSRF­T2  Fl. 10          3 Na realidade caso a transferência de bens ou direitos a pessoas  jurídicas a titulo de integralização de capital, ocorra pelo valor  constante na Declaração de Bens e Direitos, não está  sujeita à  apuração do ganho de capital. Nesse caso, a pessoa física deve  lançar  na  declaração  correspondente  ao  exercício  em  que  se  efetuou  a  transferência,  as  ações  ou  quotas  subscritas  pelo  mesmo valor dos bens ou direitos transferidos.  Entretanto não  foi  isso que aconteceu no caso  concreto,  pois a  transferência  se  fez  por  valor  superior  ao  constante  na  Declaração de Bens e Direitos, a diferença será tributável como  ganho  de  capital.  0  argumento  que  ocorreu  erro  no  preenchimento da declaração também não é plausível, tendo em  vista  a  existência  de  um  laudo  de  avaliação  comprovando  o  valor declarado.  No  que  concerne  à  dissolução,  liquidação  e  extinção  ocorrida  posteriormente,  este  evento  futuro  não  altera  a  ocorrência  do  fato  gerador  do  imposto  no  momento  da  integralização  do  capital da empresa Potenza Participações. A leitura do §Único,  do artigo 23,da Instrução Normativa SRF no 31, de 22 de maio  de 1996, nos auxilia nesta compreensão:  Art. 23. Na hipótese de transferência ei pessoa jurídica de bens  ou  direitos  para  efeito  de  integralização  de  capital  a  partir  de  1996, (..).  Parágrafo  único.  Se  a  transferência  não  se  fizer  pelo  valor  constante  da  declaração  de  bens,  a  diferença  a  maior  será  tributável como ganho de capital.  (...)  No que  toca as multas aplicadas,  cabe registrar primeiramente  que  a  ‘de  cujus’  faleceu  em  25/07/2005,  tal  como  define  o  documento  de  fls.  112.  Portanto  o  lançamento  foi  efetuado  e  cientificado a’de cujus’ quando esta ainda estava em vida.  Nesse  caso  cabe  observar  que  o  espólio  é  responsável  pelo  tributo  devido  pelo  DE  CUJUS  até  a  data  da  abertura  da  sucessão.  Sendo  que  os  créditos  tributários,  notificados  ao DE  CUJUS antes da abertura da sucessão, ainda que neles incluídos  encargos  e  penalidades,  serão  exigidos  do  espólio  ou  dos  sucessores, tal como prescreve o art. 23 §3 ° do RIR/99.”  Cientificado do acórdão, o Contribuinte opôs os Embargos Declaratórios de  fls. 304 a 317, rejeitados pelo Despacho de fls. 329 a 332.  Uma vez ciente da rejeição dos Embargos Declaratórios em 25/11/2010 (AR  de fls. 335), o Contribuinte interpôs, em 09/12/2010, o Recurso Especial de fls. 328 a 391, com  fundamento no art. 67, §§ 4º e 7º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF  nº 256, de 2009, visando a  revisão do  julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. O  apelo aborda os seguintes aspectos:  Fl. 511DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1020.09386.RG6Y. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   4 ­  a  operação  em  tela  deve  caracterizar­se  como  permuta  de  participações  societárias, portanto sem incidência de Imposto de Renda;  ­ ocorreu erro no preenchimento da Declaração de Imposto de Renda do de  cujus, relativamente ao valor das ações do BCN;  ­ posteriormente ocorreu a devolução das  ações do Banco BCN, quando da  extinção da Potenza Participações S/A;  ­ mais tarde ocorreu a venda das ações do BCN ao Bradesco, quando houve o  recolhimento  do  Imposto  de  Renda  sobre  ganho  de  capital,  indicando  como  paradigma  o  Acórdão 108­06.302;  ­ inaplicabilidade da multa de ofício sobre Espólio;  ­ ilegalidade da incidência dos Juros Selic sobre débitos tributários.  Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho 2202­00.118,  de 28/03/2011 (fls. 478 a 481), assim identificando­se as matérias objeto do apelo:  “I ­ Matérias objeto do recurso especial  0  recurso  está  manejado  quanto  à  discussão  das  seguintes  matérias:  1­  discussão  sobre  a  legalidade  da  tributação  como  ganho  de  capital a transferência de ações da pessoa  física para a pessoa  jurídica  para  integralização de  capital  social. Possibilidade  de  caracterização de simples permuta de ações;  2­  discussão  sobre  a  legalidade  da  manutenção  da  multa  de  lançamento  de  oficio  nos  casos  em  que  o  auto  de  infração  foi  constituído  na  pessoa  física  que  posteriormente  veio  a  falecer  durante  o  curso  do  processo  e  antes  da  decisão  de  segunda  instância (cobrança do crédito tributário do espólio).”  A conclusão foi assim registrada no despacho de admissibilidade do recurso:  “Da  mera  leitura  das  ementas  e  dos  acórdãos  recorrido  e  paradigmas permite concluir que são acórdãos divergentes, pois  tratam  de  matérias  tributárias  iguais,  de  fato  e  de  direito,  de  forma  diferente.  Ou  seja,  tipificam  tratamentos  diferenciados,  vez que, no acórdão recorrido entendeu­se, que ocorre ganho de  capital  no  caso  de permuta  de  ações  por  ações  (integralização  de  capital  social  pela  pessoa  física  do  sócio  mediante  transferência de ações), também concluiu­se pela manutenção da  multa de  oficio  nos  casos de  cobrança  de  crédito  tributário  do  espólio  (contribuinte  falecido  antes  da  decisão  de  segunda  instancia). Por sua vez, nos paradigmas, ao contrário do que se  concluiu  no  recorrido,  considerou­se  que  nas  operações  de  permuta  de  participação  não  ocorre  fato  gerador  de  ganho  de  capital,  bem  como  concluiu  pela  inaplicabilidade  da  multa  de  oficio  nos  casos  cobrança  de  crédito  tributário  na  pessoa  do  espólio, sob o entendimento de que por constituir sanção por ato  ilícito,  não  transferível  ao  espólio,  em  virtude  do  principio  constitucional  de  que  nenhuma  pena  passará  da  pessoa  do  infrator.  Fl. 512DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1020.09386.RG6Y. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13808.005233/2001­44  Acórdão n.º 9202­002.595  CSRF­T2  Fl. 11          5 IV ­ Conclusão  Assim sendo, com fundamento nos artigos 68 e 69, do Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF),  aprovado  pela  Portaria  MF  no  256,  de  22/06/2009,  DOU  SEGUIMENTO  ao  recurso  especial,  interposto  pelo  contribuinte, para que seja reapreciada a questão da tributação  do  ganho  de  capital  pela  integralização  de  capital  social  mediante  transferência de ações da pessoa  física do sócio e da  aplicação da multa de oficio nos  casos de  cobrança do crédito  tributário na pessoa do espólio.”  Cientificada do Recurso Especial do contribuinte e do despacho que lhe deu  seguimento em 10/05/2011, a Fazenda Nacional ofereceu, em 10/05/2011, as Contra­Razões de  fls. 484 a 487, argumentando, em síntese:  ­ o recorrente carreou para os autos o acórdão de n° 102­47.681, que trata de  permuta  de  participação  societária,  questão  que  não  guarda  similitude  fática  a  demonstrar  a  necessária divergência jurisprudencial acerca de um dispositivo legal;  ­  aliás,  o  acórdão  paradigma  encontra­se  fundamentado  na  interpretação  da  Lei n° 7.713, de 1988, dispositivo  legal que sequer é mencionado no v.  voto condutor do v.  acórdão  recorrido,  que,  ao  contrário,  interpreta  a  IN  SRF  n°  31,  de  1996,  o  que  não  foi  infirmado nas razões de Recurso Especial apresentadas pela recorrente – preclusão;  ­  portanto,  não  há que  ser  admitido  o  presente  recurso,  por  não  ter  restado  demonstrado  o  necessário  conflito  de  teses  a  respeito  da  interpretação  de  um  determinado  dispositivo legal;  ­ no mérito, não há como não admitir que a transferência de ações da pessoa  física para a pessoa jurídica, para integralização do capital social, não constitua alienação;  ­  sem dúvida que  se  trata de uma das modalidades de alienação a qualquer  titulo;  ­  como  bem  salientou  o  Relator,  "constitui  ganho  de  capital  a  diferença  positiva  entre  o  valor  da  transmissão  da  ação  e  o  respectivo  custo  de  aquisição  corrigido  monetariamente”;  ­  note­se,  outrossim,  que  na  hipótese  em  comento,  bem  apontado  pelo  julgador "a quo": "a transferência se fez por valor superior ao constante na Declaração de Bens  e Direitos" (fl. 324 – verso);  ­  este  fato,  por  si,  já  é  suficiente  para  demonstrar  a  ausência  de  similitude  fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas, posto que nenhum dos paradigmas  trata desta importante particularidade;  ­ ninguém discorda que na apuração do ganho de capital devemos considerar  as  operações  que  importem  em  alienações,  a  qualquer  titulo,  de  bens  e  direitos,  e  foi  exatamente isto que a autoridade realizou ao proceder ao lançamento;  Fl. 513DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1020.09386.RG6Y. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   6 ­ em suma, os acórdãos paradigmas não servem para demonstrar conflito de  teses em relação ao acórdão recorrido, Sequer guardam similitude fática com o que apreciado  no v. acórdão recorrido.    Voto             Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora  O  Recurso  Especial,  interposto  pelo  Contribuinte,  é  tempestivo,  restando  perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade.  Antes  de proceder  a  essa  análise,  importa  salientar  que  se  trata  de Recurso  Especial de Divergência, que somente se caracteriza quando, presente a similitude fática entre  o acórdão recorrido e os paradigmas, são adotadas soluções diversas.  No acórdão recorrido, o entendimento é no sentido de que a transferência de  ações, da pessoa física para a pessoa jurídica, para integralização de seu capital em sociedade,  implica em alienação, e nesse contexto constitui ganho de capital a diferença positiva entre o  valor da transmissão da ação e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente.  O contribuinte, por  sua vez, concentra suas alegações no argumento de que  teria ocorrido simples permuta de participações societárias, sem apuração de ganho de capital.  Para  sustentar  sua  tese,  alega  diversas  ocorrências,  tais  como  erro  na  Declaração  de  Ajuste  Anual, posterior devolução das ações integralizadas, e finalmente a sua venda, com pagamento  de imposto.  Assim,  a  alegada  divergência  jurisprudencial  somente  restaria  demonstrada  com a colação de paradigma que guardasse similitude fática com o recorrido, em todos os seus  aspectos, descartando­se desde logo a tentativa de demonstração de dissídio jurisprudencial via  indicação de diversos paradigmas, de  forma pulverizada,  cada qual  tratando  isoladamente de  um tema periférico argüido, em contextos que nada têm em comum com o acórdão recorrido.  Nesse  passo,  verifica­se  que  o  Despacho  2202­00.118,  de  28/03/2011  (fls.  478  a  481),  que  deu  seguimento  ao  Recurso  Especial,  colheu  o  cerne  da  argumentação  –  ocorrência  de  simples  permuta,  sem  apuração  de  ganho  de  capital  –  e  efetuou  a  respectiva  análise  do  paradigma  – Acórdão  102­47.681  –  assim  resumindo  e  identificando  as matérias  objeto do apelo:  “I ­ Matérias objeto do recurso especial  0  recurso  está  manejado  quanto  à  discussão  das  seguintes  matérias:  1 — discussão sobre a legalidade da tributação como ganho de  capital a transferência de ações da pessoa  física para a pessoa  jurídica  para  integralização de  capital  social. Possibilidade  de  caracterização de simples permuta de ações;  2 —  discussão  sobre  a  legalidade  da manutenção  da multa  de  lançamento  de  oficio  nos  casos  em  que  o  auto  de  infração  foi  constituído  na  pessoa  física  que  posteriormente  veio  a  falecer  Fl. 514DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1020.09386.RG6Y. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13808.005233/2001­44  Acórdão n.º 9202­002.595  CSRF­T2  Fl. 12          7 durante  o  curso  do  processo  e  antes  da  decisão  de  segunda  instância (cobrança do crédito tributário do espólio).”  A  conclusão,  no  sentido  de  que  teria  ocorrido  a  demonstração  da  alegada  divergência, foi assim registrada:  “Da  mera  leitura  das  ementas  e  dos  acórdãos  recorrido  e  paradigmas permite concluir que são acórdãos divergentes, pois  tratam  de  matérias  tributárias  iguais,  de  fato  e  de  direito,  de  forma  diferente.  Ou  seja,  tipificam  tratamentos  diferenciados,  vez que, no acórdão recorrido entendeu­se, que ocorre ganho de  capital  no  caso  de permuta  de  ações  por  ações  (integralização  de  capital  social  pela  pessoa  fisica  do  sócio  mediante  transferência de ações), também concluiu­se pela manutenção da  multa de  oficio  nos  casos de  cobrança  de  crédito  tributário  do  espólio  (contribuinte  falecido  antes  da  decisão  de  segunda  instancia). Por sua vez, nos paradigmas, ao contrário do que se  concluiu  no  recorrido,  considerou­se  que  nas  operações  de  permuta  de  participação  não  ocorre  fato  gerador  de  ganho  de  capital,  bem  como  concluiu  pela  inaplicabilidade  da  multa  de  oficio  nos  casos  cobrança  de  crédito  tributário  na  pessoa  do  espólio, sob o entendimento de que por constituir sanção por ato  ilícito,  não  transferível  ao  espólio,  em  virtude  do  principio  constitucional  de  que  nenhuma  pena  passará  da  pessoa  do  infrator.  IV ­ Conclusão  Assim sendo, com fundamento nos artigos 68 e 69, do Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF),  aprovado  pela  Portaria  MF  no  256,  de  22/06/2009,  DOU  SEGUIMENTO  ao  recurso  especial,  interposto  pelo  contribuinte, para que seja reapreciada a questão da tributação  do  ganho  de  capital  pela  integralização  de  capital  social  mediante  transferência de ações da pessoa  física do sócio e da  aplicação da multa de oficio nos  casos de  cobrança do crédito  tributário na pessoa do espólio.”  Entretanto,  conforme  a  Fazenda  Nacional  remarca  em  sede  de  Contra­ Razões, os paradigmas não guardam similitude fática com o acórdão recorrido.   Quanto  à  alegação  de  que  teria  havido  simples  permuta,  sem  apuração  de  ganho de  capital,  o  paradigma analisado  trata  de  situação em que  efetivamente ocorreu uma  permuta de participações societárias entre dois  irmãos, considerando­se que o recebimento de  crédito pela empresa controlada pelo contribuinte não descaracterizaria tal operação. Confira­ se a ementa do paradigma, na parte em que trata da permuta:  “RPF  ­  PERMUTA  DE  PARTICIPAÇÂO  SOCIETARIA  ­  PRINCÍPIO DA ENTIDADE  ­ NÃO OCORRÊNCIA DO FATO  GERADOR  DO  IRPF  –  A  Lei  n.  7713/88,  em  seu  art.  2,  determina que o  IRPF é devido por  regime de  caixa, à medida  que o ganho de capital for percebido. Se o crédito de terceiro foi  pago  a  pessoa  jurídica  controlada  pelo  Contribuinte,  este  não  pode  ser  considerado  como  percebido  pelo  Contribuinte,  em  respeito  ao  Principio  da  Entidade,  pois  não  ingressou  em  sua  Fl. 515DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1020.09386.RG6Y. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   8 disponibilidade  jurídica ou  econômica, não  implicando em  fato  gerador do  imposto de Renda. A  tributação desses  rendimentos  depende  da  efetiva  entrega  dos  valores  ao  Contribuinte.  0  recebimento  do  crédito  pela  pessoa  jurídica  controlada  pelo  Contribuinte não descaracteriza o negócio  juridic° de permuta,  inexistindo a compra e venda alegada pela fiscalização.”  Já  o  acórdão  recorrido  aborda  situação  totalmente  diversa,  ou  seja,  trata  de  situação em que houve a  transferência de ações, da pessoa física para a pessoa  jurídica, para  integralização de seu capital em sociedade, por valor superior ao registrado na Declaração de  Ajuste Anual. Assim, não há que se falar em divergência jurisprudencial, ausente a necessária  similitude fática entre o paradigma e o acórdão recorrido.  No que tange à multa de ofício, o acórdão recorrido ressalta a aplicação do  art. 23, §3º, do RIR/1999, uma vez que o falecimento da contribuinte ocorreu após a autuação e  apresentação da impugnação:  ”No que toca as multas aplicadas, cabe registrar primeiramente  que  a  ‘de  cujus’  faleceu  em  25/07/2005,  tal  como  define  o  documento  de  fls.  112.  Portanto  o  lançamento  foi  efetuado  e  cientificado a’de cujus’ quando esta ainda estava em vida.  Nesse  caso  cabe  observar  que  o  espólio  é  responsável  pelo  tributo  devido  pelo  DE  CUJUS  até  a  data  da  abertura  da  sucessão.  Sendo  que  os  créditos  tributários,  notificados  ao DE  CUJUS antes da abertura da sucessão, ainda que neles incluídos  encargos  e  penalidades,  serão  exigidos  do  espólio  ou  dos  sucessores, tal como prescreve o art. 23 §3 ° do RIR/99.”  Quanto  aos  paradigmas,  o  Contribuinte  limitou­se  a  transcrever  diversas  ementas,  não  obedecendo  ao  limite  regimental  de  duas  por matéria  (art.  67,  §§  4º  e  5º,  do  RICARF), e sem efetuar a demonstração analítica, no sentido de que haveria similitude fática  com  o  acórdão  recorrido,  ou  seja,  sem  comprovar  que  os  paradigmas  diriam  respeito  a  contribuinte notificado da autuação antes da abertura da sucessão, conforme ocorreu no caso do  julgado  guerreado.  Ressalte­se  que  tal  ônus  é  do  recorrente,  conforme  art.  67,  §  6º,  do  RICARF.  Diante  do  exposto,  não  conheço  do  Recurso  Especial,  interposto  pelo  Contribuinte, por falta de demonstração de divergência jurisprudencial.     (Assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo                              Fl. 516DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1020.09386.RG6Y. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13808.005233/2001­44  Acórdão n.º 9202­002.595  CSRF­T2  Fl. 13          9   Fl. 517DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1020.09386.RG6Y. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por AFONSO ANTONIO DA SILVA em 18/03/2013 09:04:50. Documento autenticado digitalmente por AFONSO ANTONIO DA SILVA em 18/03/2013. Documento assinado digitalmente por: HENRIQUE PINHEIRO TORRES em 26/03/2013 e MARIA HELENA COTTA CARDOZO em 18/03/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 09/10/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.1020.09386.RG6Y Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 2525502915F878F4AD7D775CB0574D800E8EDD12 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13808.005233/2001-44. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.

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Numero do processo: 00783.009365/81-41
Data da sessão: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 1987
Ementa: AVARIA EM MERCADORIA IMPORTADA - Retirada a mercadoria para o pátio do importador, ali não foi encontrada em sua totalidade, para exame pelo técnico designado. O percentual de avaria deverá ser o fixado (máximo) pelos assistentes do transportador (f. 16).
Numero da decisão: 302-30.941
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Sálvio Medeiros Costa e Enrique Manuel Garbayo Guarido, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: LEVY VALERIO DE OLIVEIRA

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ementa_s : AVARIA EM MERCADORIA IMPORTADA - Retirada a mercadoria para o pátio do importador, ali não foi encontrada em sua totalidade, para exame pelo técnico designado. O percentual de avaria deverá ser o fixado (máximo) pelos assistentes do transportador (f. 16).

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ACORDÃO N,o...3.0.2.",.}Q •. g,41 • Recurso n.O Recorrente Recorrid 104.073 - Processo nº 0783/009365/81-41 WILSON SONS S/A COMÉRCIO, INDÚSTRIA E AGtNCIA DE NAVEGAÇÃO DRF - VITÓRIA AVARIA EM MERCADORIA IMPORTADA - Retirada a mercadoria pa- ra o pátio do importador, ali não foi encontrada em sua to talidade, para exame pelo técnico designado. O percentual de avaria deverá ser o fixado (máximo) pelos assistentes do transportador (f. 16). • Visto, relatado e discutido o presente processo, ACORDAM os membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, :v:encido.sos (:ons,elheiros,'S'álvio',MedeirosCosta e EnriCJ.ueManuel Gar bayo Guarido,0na forma do relatório e voto CJ.uepassam a integrar o presente julgado. 23 de fevereiro de 1987 . Presidente Procurador da Faz. Nacional ~~~~~O~E: ,2 7 MAR 3987., PJ;:CUR$,0'Dq PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL: HOUVE RP/302-0. 345 Participaram ainda do presente julgamento os seguintes con se1heiros: Ubaldo Campello Neto, Newton Paranhos, Paulo César de Á- vila e Silva e Luis Carlos Viana de Vasconcelos. -2- Rec.104.073 Ac.302-30.941 SERViÇO PÚBLICO FEDERAL MF-TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, SEGUNDA CÂMARA .RECORRENTE: WILSON SONS S/A - COMÉRCIO, INDÚSTRIA E AG~CIA DE NA- VEGAÇÃO. RECORRIDA DRF - VITÓRIA RELATOR LEVY VALÉRIO DE OLIVEIRA R E L A T Ó R I O Reporto-me à Resolução nQ 302-0.204/86,: de f. 94, cujos re latório e voto leio em sessão, para ~ue integrem o presente. Em atendimento ao solicitado, foram anexados os documentos • de f. 98 a 110 e apensados os processos 0783.009359/81-490783,; 009364/81"'89. e • Não houve juntada da DI referente aos 4 conjuntos avaria- dos, objeto deste processo, nem Termo de Destruição dos mesmos. É o relatório • • I -3- Rec.104.073 Ac. 302-30.941 SERViÇO PÚBLICO FEDERAL v O T O • A recorrente apenas discorda do percentual do dano sofrido pela mercadoria desembarcada. Faz referência aos processos apensados, onde, em situações semelhantes (não idênticas), o dano não ultrapassou 5%. Juntou, a f. 16, a opinião de GERMAR Inspeções Navais Ltda, que a assistiu nos trabalhos de vistoria, .de que "as avarias .foram avaliadas numa base de 3 a 5 por cento por cada peça." A douta Comissão de Vistoria não teve o cuidado de, em .• 25/03/82, solicitar a presença de um técnico certificante para de- terminar a extensão do dano. Por conta própria, o estimou em 100%. Havendo impugnação, informou a douta comissão (f. 42) que, concluiu .del"recupera- CST, informação do com engenhei- após a vistoria, a mercadoria avariada foi "transferida para depen- dênCia alfandegada, situada no pátio do importador (DAC) e ali per- manecendo até hoje, intactas, para eventuais comprovaçoes. (grifos meus). Isto, em 23/08/83. A 13/11/83, doc. de f. 47, encontra-se uma engenheiro Sidney Almeida que, baseado em entrevista ros da importadora, por ocasião de visitas que fez à que as peças "em termos práticos, não são passíveis ção; "• Em seu recurso (f. 57) diz a interessada que, quando da vi sita do engenheiro Sidney À CST, dos 4 tubos objeto do processo, a- penas 1 e parte de outro encontravam-se à disposição para exame. Embora considerada 100% avariada a mercadoria, não há Ter- mo de Destruição. Embora liberada a mercadoria, nao há DI para acobertar o desembaraço, não sendo certo, portanto, o que diz a r. decisão a f. 52 "que a retirada do produto foi efetuada dentro dos preceitos le gais, encontrando-se em dependência alfandegada, no pátio do impor- tador, para eventuais averiguações;" (isto em 25/01/85). Tudo exposto, considerando-se a série de equívocos, o úni- co documento abalizado para determinar a extensão do dano, a • -4- Rec.104.073 Ac.302-30.94l SERViÇO PÚBLICO FEOERAl ver, é a informação dos assistentes da recorrente nos trabalhos de vistoria, constante do documento de f. l6. Assim, dou provimento ao recurso, para Que o percentual do dano ,seja de 5% (cinco por cento), máximo indicado no documento de f. 16. Sala das Sessões, 23 der;ve_reiro E~~RA de 1987. • • Relator 00000001 00000002 00000003 00000004

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8203926 #
Numero do processo: 10280.012179/99-51
Data da sessão: Tue Apr 21 00:00:00 UTC 2020
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, I 992, 1993, 1994, 1995 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO O direito de pedir restituição/compensação de, contribuição para o PIS/Pasep extingue-se em cinco anos, contados do pagamento. A edição da Lei Complementar n" li 8/2005 esclareceu a controvérsia do interpretação quanto ao direito de pleitear a restituição do indébito, sendo de cinco anos contados da extinção do crédito que, no lançamento por homologação, ocorre no momento do pagamento antecipado previsto no § 1" do art..150 do CTN. GRÁFICA ATIVIDADE DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO OU VENDA DE MERCADORIAS COMPROVAÇÃO. A inércia da contribuinte em apresentai os elementos necessários ao cálculo de eventual indébito faz, por perecer o direito que eventualmente possua, afinal, o direito não socorre aos que dormem. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-000.488
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Maurício Taveira e Silva

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F 1 1 M MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADIVIINIS`MATIVO DE .RECURSOS FISCAIS '1" L.,, R( TIRA F( AO DE :1111.,GAMENTO ('&'''içr.P7 Processo n" 10280 012179/99-5] Recurso n" 259 518 \foi ri ntári o Acórdão n' 3301-00.488 — 3" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 28 de ah i I de 2010 Matéria Restituição/Comp PIS Recorrente ARTES GRÁFICAS PERPÉTUO SOCORRO 1, ;i .DA Recorrida DR.1 em BELÉM - PA ASstiN -m: CONE RIBUIÇÃO PARA O PISA) ASEr Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, I 992, 1993, 1994, 1995 R I t.STITIIICÃO. PRESCRIÇÃO O direito de pedir restituição/compensação de, contribuição para o PIS/Pasep extingue-se em cinco anos, contados do pagamento. A edição da Lei Complementar n" li 8/2005 esclareceu a controvérsia do interpretação quanto ao direito de pleitear a restituição do indébito, sendo de cinco anos contados da extinção do crédito que, no lançamento por homologação, ocon e no momento do pagamento antecipado previsto no § 1" do art..150 do CTN. GRÁFICA ATIVIDADE DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO OU VENDA DE MERCADORIAS COMPROVAÇÃO. A inércia da contribuinte em apresentai os elementos necessários ao cálculo de eventual indébito faz, por perecer o direito que eventualmente possua, afinal, o direito não socorre aos que dormem. Recluso Vol untar io Negado. Vistos, relatados e discutidos Os pi escutes autos. Acot dam os membros do Colegiada por unanimidade de votos, negar provimento ao lecurso. q /7) ( 1 I/.,, .i..,-,,---t,„,.., 1,--‘,-;_____. - , R0( ligo dar osta Possas - I residente -7.- 1 Mauricio Tavena e Si I i - Relator , Participaram, ainda, do presente julgamento, os Córiselheii os Maria Teresa Martinei López, José Adão Vitorio° de Morais, Gustavo Kelly Alencar e Antônio Lisboa Cardoso. Re a tório ARTES (11RÁF1CAS PERPÉRJO SOCORRO LTDA , devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado através do reernso de lis 114/116 contra o Acórdão a" 01-9.923, de 04/12/2007, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém - PA, fls. 96/104, que indeferiu a solicitação de r cstituição/co.mpensação de PIS, relativos aos períodos de apur ação de abi 1 de; .1989 a outubro de 1995, cujo pedido protocolizado em I 5/10/1999 (ti 01) A DRE, coniferme Despacho Decisório de lis 72, indeferiu o pedido de restituição, pois, considerou extinto o direito de pleitear restituição pelo decurso do prazo de cinco anos, contados da extinção do crédito tributário, com base DOS artigos 165, 1 e 168, 1, do CTN„ no Ato Dechn otário SRF o" 96/99, lrresignada, em 17/08/2000, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de tis 75/77, com as seguintes alegações: 1 o direito de se pleitear a restituição ou a compensação se extingue cinco anos após a homologação tácita, ou seja, dez anos após a ocorrência do fato gerador. Nesse sentido continua decidindo o SEI; 2. possui pagamentos posteriores a 15/10/1994 que não forani contemplados pela decisão da Delegacia de origem.; Consoante Despacho de tis 81./83, a DR) converteu o julgamento em diligência para confirmai o recolhimento e obter esclarecimentos acerca da modalidade de PIS a ser considerada e cálculo de eventual indébito, Visando aclarar o que tbra demandado, a DR..1 elaborou novo Despacho de tis 85/87, mencionando que para se esclarecei a modalidade de PIS a ser considerada, resta seguir o ADN Cosi" n" 18/00, dispondo em seu item 1 que "A atividade gráfica pode conligurar-se corno industrial, comercial ou de prestação de serviços. Consideram-se como prestação de serviços as operações realizadas por encomenda, nos termos do art.. 5 0 . V. cie 7°,11, do Decreto o' 2,637, de 1998". Como essa informação não se encontra nos autos, deverá ser definida em novo procedimento de diligência, para as seguintes providências: a) Confirmar os recolhimentos do.s DARF efetuados no período de 16/10/1994 a 10/10/1995, enja,s cópias ellC011in.1112-se MIS As 06/38 b) Do valor confirmado no item "a" supra, deduzir a quantia devida, 1105 pei lodos cowespondentes, pela sistemática cio Lei Complementar n" 07/1970 (com alterações po.sterlores), e outros dé.bitos (consoante noi ma s de restitukâo/compen ya 0'7 O), fiClerMillande- expre samente o E.ILOR .RESTITUIÇÃO izo período de 16/10/1994 a 10/10/1995, 2 Processo nn 0280 012179/99-51 S3-C31! Acu'w(lão " 33(H -00,488 11 185 cOnSiderand0 o pi azo deemlencial de cinco (MOS contado da data do pagamento indevido ou maior cjtie o devido e) Intimai O com, ibuinic paia apresentar livros fiscais e Outros elementos, de Nina a determinar os valoi as acn7ia i e/el idos (1) Elaborai relatório .sucinto sobre esta diligência e s'eus resultados, eu.:é escemlando quaisquer 01,111'M tuformações que julga, convenientes para a elucidação do presente feito e) Dai ciência ao sujeito passivo deste despacho, bem con20 relatório de conclusões da diligència, concedendo-se ao mesmo o I? I al.0 de .311 (omina) dias para inanikstar-se sobre os resultados da diligèneia Em resposta, a unidade de origem anexou os documentos de Os 89/95. A DRI indeferiu a solicitação pois considerou parcialmente decaído o direito de pleiteai restituição e, quanto ao período não decaído, pela ausência de definição da atividade da contribuinte, se prestadora de serviços ou se voltada à venda de mercadorias, sujeitando-se, respectivamente, ao PIS-Repique Ou ao PIS-Faturamento, além do PIS-Dedução O acórdão restou assim e,mentado; 4 sm.tino Piocessii Administi ativo Fiscal Ano-cvlemdái i0 „1989, 1990, 1991, 1992, 199$, .1994, 1995, D.Le1S(5E,S' JUDICI,445 EPE.ITO8' É vedada a eslensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quente:10 compiovado que o contribuinte não ligurmi conzo parte Ha et ida ação judie tal ENTENDIMENTO DOMINANTE 1)08 TRIBUNAIS ,SVPERIORES V7NCUTAG.-10 DA ADMINISTR,471F/4 .4 autoridade julgadora administi ativa não se enconn-a vinculada ao entendimento dos 'Tribunais ,,S'uperiores pois não faz parte da legislação trilmfeitia de que fala o aflige) 96 do Código jj andá; co Nacional, de5de que não tenha gerado uma súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional n c' 45, DOU de .31/12/2004 A5511.1110 Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário 1980, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994 CONTRIBUI( ....'À O SOCIAL PAGAMENTO A A/1410R OU INDEUDO PRAZO PARA PLEITEAR RESUIVICA-0 DECA.DÈNCLA O prazo decadencial para pleitear a restituição de valores pagos. • a maior ou indevidanuzine a titulo de tributos e contribuições, inelu„sive aqueles subinelidos à sistemática do lançamento pot homologação, é de cinco anos' contados da data do efetivo pagamento, i7iesino quando se ti atarde paga/nauta obrigado por norma posteriormente , declarada inconstitucional pelo ,..S"upreino 3 Ti i banal Federal ou cuja cjicácia tenho sido suspensa pelo Senado Federal ou cuja cvnstilitiçào de créditos 11 /1)1(10/ io fiquem dispensados por meio de Medida Provívói ia As.swilo Contribuição para o PLS7Poscp Ano-calendário 19.94,1995 (7RziE1C4 CONTRIBUINTE VENIM DE MIsR(...41)0RI4S PREPONDERAN7V.sAlEN'IL 1'RES151.1)OR DE SERVIÇOS .PIS'- REPIQUE PIS-1'14.TUR4IVIENTO PL5'-D ED LIÇÃO No ca yo de s_,Tt'l ficas, torna-Ne essencial &fina se sua atividade coractei izo pies/ação de serviço ou veitdo de mercadoila, para aferir ye os volvi es devidos silo PIS-Faluiameino e PIS- DedNão (na hipótese de contribuinte com venda de mei cculorias). Ou 1 '1S-Repique e PIS-Dedução (para contribuinte preponderantemente /ri estado) de sei viças) Consideram-se C01770 pre S 11140 de ..5 e f- vi<; :o 5 as operações realLado ti put encomenda, nos lermos do ai ii...c) 5", inciso fr, ("C . artigo 7'. inciso H. do Decreto 11° .2 637/1998 No caso do indefinição de SUO atividade, deve-se indeferir o pleito ave restituição Solicitação Indefei ida 'rempestivainede, em 01/02/2008, a contribuinte protocoliz,ou recurso voluntário de ns. 114/116, acrescido dos documentos de lis, 117/173, repisando os argumentos anteriormente aduzidos, nos seguintes termos: a) não ocorreu a prescrição/decadência do direito ao ciédito, a qual se verifica cinco anos após a homologação tácita (teoria dos 5 -I- 5). Apresenta decisões judiciais corroborando sua tese. As inovações ti azidas pela LC n" 118/05 Dão são aplicáveis às demandas anteriores a sua vigência, visto que a lei retroage somente para beneficiar o contribuinte.. b) Regisfia ser grálica de prestação de serviços, conforme luzem 'prova os documentos em anexo. Allim,mequer seja reconhecido o dii eito creditório. Conforme despachos de fls... 175 e 182, os débitos da compensação pleiteada, por se tratar de Pedido de Compensação não convertido ern Declaração de Compensação, passaram a ser tiritados no processo n" 18490..000004/2008-44 É o Relatório.. Voto Conselheiro Mauricio faveira e Silva, Relatei ()iecurso é tempestivo, atende aos lequisitos de admissibilidade previstos eni. lei, razão pela qual, dele se conhece. A contribuinte reivindica a restituição de crédito do 0 .18, recolhido entre ( 10/04/1989 a 10/10/1995 (Os 04/38), cujo pedido foi protocolizado em 15/10/1999 (C. 01.) I) 4 ' .---- Processo n" 10280 01217Q/99-51 53-C3 ii Acórdào n " 3361-00 488 1 186 Assim, analisa-se a ocorrência de eventual perda do direito à restituição em decorrência do transcurso do prazo prescrieional O art 168, 1, do CIN, fixa o prazo de cinco anos para pleitear restituição, da data da extinção do crédito tributário, caracterizado pelo pagamento indevido Nem a declaração de inconstitucional idade no controle concentrado, nem a Resolução do Senado Federal no controle difuso, e tampouco um ato de caráter geral do Executivo que reconheça a inconstitucionalidade, têm o condão de ressuscitai direitos patrimoniais prescritos segundo as regras do (....1'NJ Apesar de controversa, esta questão ficou sanada com a edição da Lei Complementar nú 118 de 09/02/200.5, visto que, o seu art. 3 esclarece a interpretação que deve ser dispensada ao caso: .4r1 $' Para eti,jto dc inteiltretação do Mc:iço 1. do ai I l6!! da Lei no 5 172, de 2.5 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a. extinção do ci. édito tributai io ocorre, no ca() tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que traía o I° do arl 150 da ref(u ida Lei Com a edição da lei Complementar á" 118/2005, o seu artigo 3' foi debatido no âmbito do 8'11 no EResp 327043/DF, que entendeu tratar-se de usurpação de competência a edição desta norma inter-Relativa, cujo real objetivo era desfazei entendimento consolidado: Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do ST.1 decidiram que as ações impetradas até a data de 09/06/200.5, não se submeteriam ao consignado na nova lei: Todavia, no âmbito administrativo, a LC n" 118/05 somente ratificou o entendimento anteriormente consolidado de prescrição quinquenal Ademais, não compete à autoridade administrativa declarar ou reconhecer a inconstitucional idade ou ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário As normas emanadas do órgão competente passam a pertencer ao sistema, cabendo à autoridade administrativa tão-somente velar pelo seu fiel cumprimento.. Assim sendo, o inicio da contagem de prazo presericional se verifica no momento do pagamento. Deste modo, tendo o pedido sido protocolizado em 15/10/1999, encontram-se com o direito de restituição extinto os recolhimentos efetuados anteriormente a 15/10/1994, vez que alcançados pelo instituto da prescaição, .No tocante às decisões trazidos à colação pela interessada, cumpre observar que, consoante o art. 472, do Código de .Processo Civil, produzem efeitos apenas em relação às partes que integram o processo, somente alcançando terceiros nos hipóteses previstas no Decieto rt"- 2346/97, o que não se configurou na espécie: Passa-se à análise dos valores recolhidos entre 16/10/1994 a 10/10/1995 'Necessár io se faz um breve histoi ico acerca das modalidades de contribuição para o PIS aplicáveis ao caso. Confinme os apontamentos do ilustre AFRIS, Mateus Vinícius Dadalti Barroso, em seu material didático Legislação Tributária Federal — PIS/Pasep, a publicar, a LC n0 7/70, que instituiu a contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), estabeleceu, alem do MS Folha de Pagamento, os seguintes tipos dessa contribuição: PIS-Repique, devido pelas empresas que prestavam serviços (receita de pi estação de serviços superior a 90% da receita bruta total), sendo calculado aplicando-se ar aliquota de 5% sobre o IR. devido, Ou como se devido tosse; Pis-Dedução (do Imposto de Renda), calculava-se aplicando 5% sobre o IR devido ou como se devido fosse, sendo dedmido tal valor do IR a pagar; PIS-Iraturamento, devido peias empresas que realizavam operações de venda de mercadorias e niel cadoria.s e serviços, caso a receita da venda de mercadorias fbsse igual ou super ior a 10% da receita bruta total. A aliquota era de 0,75%, aplicada sobre o laturamento Com a edição dos D.L 2,445/88 e 2.449/88 buscou-se urna uniformiAação de tratamento em relação às einpiesa.s 'vendedoras de mem cadorias e as prestadoras de serviços.. Desta -forma, o VIS passou a ser devido por todas as pessoas jurídicas de direito privado com base na receita operacional lir ufa à alíquota de 0,65%. Assim, para que eventual direito ci edi todo possa ser calculado, é necessário que dos valores pagos constantes dos DARl'. sejam abatidos os valores devidos a titulo de PIS- Faturarimento ou PIS-Repique, na (Orara da LC n" 7/70, consoante a atividade da empresa à época fosse induStr al/e0Mel eia' ou piestadoi a de serviços Ocorre que no caso de gráfica sua atividade pode se earmeterinr tanto como prestação de ser viço ou como venda de mercadoria. Nessa toada o ADN Cosit n" 18/00, em seu item I dispõe que "A atividade gráfica pode conliguran-se como industrial, comercial ou de prestação de serviços. Consideram-se como prestação de sei viços as operações realizadas por encomenda, nos termos do art.. 5", V, e/c art, 7", 11, do Decreto n' 2.637, de 1998". Destarte, visando apurar, dentre outras questões, o valor passível de restituição, consoante a atividade da contribuinte se enquadrar como prestação de sei viço ou de venda de mercadoria, o ,. julgamento do processo fora convertido em diligência (tis 85/88) Contudo, regularmente intimada (ti 92-verso), a contribuinte não se mani !estou (fls 91/93) Registre-se que, consoante art. 16 do Decreto 70.215/72, a petição inicial já deveria ter sido apresentada com os elementos necessários e suficientes à análise do pleito. 'Visando suprir a inércia da inter ossada a administração tributária diligenciou juntc) à contribuinte dando-lhe nova oportunidade de apresentar tais documentos. Assim, sua resistência em prestar as intOrmações necessárias ao calculo de eventual indébito acabam por tirei perecer algum direito que eventuahnente possua, afinal, conforme a velha parêmia, o direito não socorre aos que dormem. Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, É como voto, .Mta Inicio Ta vein Silva 6

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Numero do processo: 10209.000209/2003-41
Data da sessão: Thu Sep 30 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3102-000.138
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO

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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, Luciano Pontes de Maya Gomes, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. RELATÓRIO Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação, acrescido da multa de ofício, no percentual de 75%, e dos juros de mora, perfazendo, na data da autuação, o crédito tributário no valor R$ 104.930,98, objeto do Auto de Infração de fls. 03-09. 2. De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa interessada, por meio do processo nº 10209.000302/2001-94, protocolizou pedido de restituição de parcela do Imposto de Importação, em razão de apuração errônea da sua base de cálculo. Por ocasião do exame do pedido, foi efetuada a revisão da Declaração de Importação (DI), da qual resultou a conclusão de gozo Fl. 112DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/11/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000209/2003-41 Resolução n.º 3102-000.138 S3-C1T2 Fl. 2 2 indevido, na importação, da preferência tarifária, prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), no âmbito da Associação Latino-americana de Integração (ALADI). 3. Em decorrência, foi lavrado auto de infração para exigência de diferença do Imposto de Importação, aplicando-se a alíquota integral, sem a preferência tarifária. A autuação se baseia nos seguintes fundamentos: 3.1 O código NALADI-SH, indicado no certificado de origem diverge daquele informado na DI e na fatura comercial, o que está em desconformidade com o art. 1º do Acordo 91 da ALADI, apenso ao Decreto nº 98.836/1990; 3.2 O certificado de origem apresentado no despacho aduaneiro indica, como país exportador, a Venezuela, fazendo referência à fatura comercial emitida pela Petroleo y Gas (PDVSA), não havendo correspondência com a fatura comercial que instruiu o despacho de importação, emitida pela Petrobrás International Finance Company (PIFCO), localizada nas Ilhas Cayman; 3.3 Com a Resolução nº 232 da ALADI, apensa ao Decreto nº 2.865/1998, que alterou o Acordo 91, veio permitir a participação de um operador de terceiro país, membro o não da ALADI, porém a operação praticada pelo contribuinte não atende aos requisitos exigidos pelo art. 2 da citada Resolução; 4. Cientificado do lançamento em 04/04/2003, conforme fl. 03, o contribuinte insurgiu-se contra a exigência, apresentando a impugnação de fls. 24-29, 06/05/2003, por meio da qual expõe as seguintes razões de defesa: 4.1 O certificado de origem traz dois códigos diferentes para o produto: no campo “código arancelario”, o número 2710.00.50 e, no campo “observações”, o número 2710.00.41; 4.2 A DI indica o código NALADI 2710.0030 e o código 2710.00.41; 4.3 A fatura comercial não indica o código da mercadoria, mas a identifica como sendo “gasoil” e ainda faz referência à fatura 119.892- 0, a qual indica o código NCM 2710.00.41; 4.4 Os demais documentos que instruíram o despacho aduaneiro, trazem o código NCM 2710.00.41 (manifesto de carga e conhecimento de embarque); 4.5 O produto importado é gasoil e o seu código NALADI-SH corresponde ao número 2710.00.30, até porque o código 2710.00.50 não existe, e o código NCM é 2710.00.41; 4.6 A indicação errônea do código NALADI-SH no certificado de origem não passou de um mero equívoco, o que não configura violação ao art. 1º do Acordo 91, conforme já decidiu o TRF da 1ª Região; 4.7 A impugnante adquiriu o produto junto à PDVSA, através de sua intermediária, a PFICO; Fl. 113DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/11/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000209/2003-41 Resolução n.º 3102-000.138 S3-C1T2 Fl. 3 3 4.8 Houve participação de terceiro país na importação, razão pela qual foram emitidas duas faturas comerciais, uma pela PDVSA e outra pela PFICO; 4.9 A fatura PIFSB-1039-0 faz referência ao certificado de origem e também à fatura da PDVSA, deixando claro o liame entre esses documentos; 4.10 No campo “observações” do certificado de origem foi indicado o “operador”, conforme Resolução 232 da ALADI, a qual permitiu a participação de um país não membro da ALADI; 4.11 Os dispositivos citados pela fiscalização, relativos à fatura comercial em desacordo com exigências regulamentares, sequer estavam em vigor quando da emissão da fatura, datada de 14/11/2000, portanto não poderiam ser violados; 4.12 deve ser excluída a utilização da taxa Selic, em razão de sua ilegalidade e inconstitucionalidade, com base no art. 146 da Constituição Federal e art. 161, § 1º do CTN. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção parcial da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 27/10/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL. É incabível a aplicação de preferência tarifária em caso de divergência entre Certificado de Origem e fatura comercial bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro país, não signatário do Acordo Internacional, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Incabível a aplicação da multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em caso de solicitação indevida, feita no despacho de importação, de reconhecimento de preferência percentual negociada em acordo internacional, quando o produto estiver corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e não ficar caracterizado intuito doloso ou má fé por parte do declarante. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/10/2000 FATURA COMERCIAL. Fl. 114DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/11/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000209/2003-41 Resolução n.º 3102-000.138 S3-C1T2 Fl. 4 4 A apresentação da fatura comercial em desacordo com as exigências regulamentares sujeita o importador à multa prevista na legislação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 27/10/2000 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência à autoridade administrativa para apreciar argüição de ilegalidade e inconstitucionalidade de normas legais. Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Dado que o montante exonerado é inferior ao limite fixado na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008, não pende recurso de ofício da fração da decisão de primeira instância que afastou parcialmente a exigência. É o Relatório. VOTO Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator A matéria é por demais conhecida deste colegiado e sobre a mesma tive oportunidade de me manifestar recentemente, quando do julgamento dos recursos que tramitam nos autos dos processos 10209.000398/2005-14 e 10209.000731/2005-95, para os quais propus, respectivamente, a manutenção e o afastamento do benefício inerente ao regime de origem da Aladi, em razão da completude da instrução processual. Naquela oportunidade registrei meu entendimento no sentido de que, se apresentadas as vias originais (ou cópia autenticada pela autoridade preparadora) das faturas comerciais relativas a toda a operação triangular, permitindo que se promova seu cotejamento com certificado de origem apresentado por ocasião do despacho de importação e, consequentemente, se afira o cumprimento das exigências atreladas ao regime, caberia manter o benefício; caso não se demonstrasse essa completude, caberia afastá-lo de plano. Na oportunidade, fui vencido em razão de que, no sentir dos meus pares, caberia intimar o contribuinte a apresentar a fatura comercial expedida pela pessoa jurídica PDVSA, eis que, a par da relevância desse documento para a rastreabilidade da operação, sua apresentação não teria sido solicitada pelo Fisco. Nesta nova oportunidade, ante a tal precedente, tendo em vista que, no presente recurso, igualmente não se verifica intimação para apresentação da fatura indicada no Certificado de Origem e, o que é mais importante, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, vem endossando a imprescindibilidade da apresentação da fatura expedida pela PDVSA, me rendi à opinião da maioria e, com espeque no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972 1 , decidi que a 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 115DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/11/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000209/2003-41 Resolução n.º 3102-000.138 S3-C1T2 Fl. 5 5 prudência exige a complementação da instrução processual, por meio da conversão do julgamento e diligência. Assim sendo, converto o julgamento do presente recurso em diligência, a ser executada por meio da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) preparadora, a fim de que seja a recorrente intimada a apresentar, no prazo de 30 dias, a via original da fatura comercial indicada no certificado de origem que instruiu o despacho de importação. Do referido documento deverá ser extraída cópia a ser autenticada por servidor da RFB e juntada tal cópia ao processo ou, se a contribuinte preferir, providenciada cópia autenticada em cartório, a ser igualmente juntada aos autos. Concluída tal providência ou o prazo outorgado para a apresentação do documento objeto da presente diligência, devem os autos retornar a este Colegiado para prosseguimento do julgamento. Sala das Sessões, em 30 de setembro de 2010 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 116DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/11/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO

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8378311 #
Numero do processo: 19515.000279/2002-20
Data da sessão: Fri Sep 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1998, 1999 VERBA DE GABINETE - IMPOSTO DE RENDA - VALORES UTILIZADOS NO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR. Esta 2ª Turma da CSRF, tem proclamado, ressalvado meu entendimento pessoal, que as ajudas de custo e as verbas de gabinete recebidas pelos membros do Poder Legislativo, destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares, não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda especificado no artigo 43 do CTN. Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.957
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso do Contribuinte. Vencido o Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Junior, que negava provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Elias Sampaio Freire

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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-10-07T14:15:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-10-07T14:15:27Z; Last-Modified: 2010-10-07T14:15:27Z; dcterms:modified: 2010-10-07T14:15:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:a6c35b8f-4ad8-47d9-b25b-8e39636141f9; Last-Save-Date: 2010-10-07T14:15:27Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-10-07T14:15:27Z; meta:save-date: 2010-10-07T14:15:27Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-10-07T14:15:27Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-10-07T14:15:27Z; created: 2010-10-07T14:15:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2010-10-07T14:15:27Z; pdf:charsPerPage: 1172; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-10-07T14:15:27Z | Conteúdo => Ís Barreto 1- PresidenteCarlos Acordam os membros do colegi ao recurso do Contribuinte. Vencido o Conselh negava provimento ao recurso. 0o, por maioria de votos, em dar provimento iro Francisco Assis de Oliveira Junior, que Elias SainiJ̀WYFreirl — Relator CSRF-T2 Fl I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n" 19515,000279/2002-20 Recurso n° 158.749 Especial do Contribuinte Acórdão n o 9202-00,957 — 2" Turma Sessão de 17 de agosto de 2010 Matéria IRPF Recorrente RUI GOETHE COSTA FALCÃO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1998, 1999 VERBA DE GABINETE - IMPOSTO DE RENDA - VALORES UTILIZADOS NO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR, Esta 2. Turma da CSRF, tem proclamado, ressalvado meu entendimento pessoal, que as ajudas de custo e as verbas de gabinete recebidas pelos membros do Poder Legislativo, destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares, não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda especificado no artigo 43 do CTN. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Ci rl EDITADO EM: Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial interposto pelo contribuinte por discordar de decisão que deu provimento parcial ao recurso e manteve o IRFON reclamado pelo auto de infração, assim ementado: IRPF - LANÇAMENTO DE OFÍCIO - COMPETÊNCL4 DA UNIÃO FEDERAL - Somente entes políticos dotados de poder legislativo têm competência para instituir tributos, sendo tal poder indelegável A competência constitucional para instituir o imposto de renda é da União Federal, cujo lançamento é atribuído por lei aos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil Assim, mesmo no caso de tributos sujeitos à repartição constitucional das receitas tributárias da União Federal para Estados e Municípios, a União é a entidade que detém competência sobre o imposto de renda. RENDIMENTOS TRIBLITA PEIS AUXÍLIO-ENCARGOS GERAIS DE GABINETE E HOSPEDAGEM Compete à União instituir imposto sobre a renda e proventos de qualquer. natureza, bem como estabelecer a definição do fato gerador da respectiva obrigação As verbas recebidas por- parlamentar como auxílio de gabinete e hospedagem estão contidas no ámbito da incidência tributária e devem ser consideradas corno rendimento tributável na Declaração de Ajuste Anual RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA A responsabilidade da .fonte pagadora pela retenção na fonte do recolhimento do tributo não exclui a responsabilidade do beneficiáriodo respectivo rendimento de s MULIA DE OFÍCIO - EXCLUSÁk) - Deve ser excluída do lançamento a multa de oficia quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagador-a, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos JUROS SELIC segundo a Súmula 1° CC n° 4 . "A partir de 1' de abril de 1995, os .juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no penado de inadimplência,à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais" Recurso voluntário parcialmente provido O contribuinte alega em síntese que a) os valores recebidos pelo recorrente da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo eram para o trabalho e pelo trabalho realizado, Processo n" 19515 000279/2002-20 Acôrd5o n " 9202-00.957 CSRF-T2 El 2 não havendo que se falar, então, em subsunção do fato à hipótese identificada pelos arts. 43 e 112 do CTN; b) transformou o Fisco Federal simples ilação em presunção relativa quando o recorrente não lowou localizar a totalidade dos comprovantes das despesas recorrentes do exercício do mandato; e c) a própria recorrida admite que não se trata de fato gerador do IRFON. A Fazenda Nacional, cientificada do recurso especial do contribuinte e do despacho que lhe deu seguimento, apresentou contra-razões. Argumentando em síntese que o fato dos rendimentos terem sido classificados pela fonte pagadora como indenização, não os exclui da incidência de imposto, uma vez que não estão contemplados nas hipóteses de isenções vigentes do art.. 39 do RIR/99. É o relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O Recurso é tempestivo, estando também demonstrado o dissídio jurisprudencial, pressupostos regimentais indispensáveis à admissibilidade do Recurso Especial. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pelo contribuinte Esta 2 Turma da CSRF, tem proclamado, ressalvado meu entendimento pessoal, que as ajudas de custo e as verbas de gabinete recebidas pelos membros do Poder Legislativo, destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares, não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda especificado no artigo 43 do CTN. A propósito: "VERBA DE GABINETE - IMPOSTO DE RENDA - VALORES UTILIZADOS NO EXERCíCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR - NÃO INCIDÊNCIA Os valores recebidos pelos parlamentares, a título de verba de gabinete, necessários ao exercício da atividade parlamentar, não se incluem no conceito de renda por se constituírem em recursos paia o trabalho e não pelo trabalho, A premissa exposta no item anterior não se aplica nos casos em que a fiscalização apurar que o parlamentar utilizou ditos recursos em beneficio próprio não relacionado à atividade parlamentar Recurso Especial do Contribuinte provido e da Fazenda Nacional prejudicado" (Acórdão 9202-00 690, da 2' Turma da CRU, relator: conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva, em 13/04/2010) Ressalvo, contudo, ponto de vista em sentido contrário, entendendo que não logrando o contribuinte comprovar que verbas recebidas foram utilizadas para custear despesas incorridas no exercício da do Poder Legislativo Estadual, constituem eles acréscimo patrimonial incluído no âmbito de incidência do imposto de renda. 3 É c voto. Pelo exposto, atento ao entendimento dominante nesta 2' Turma da CSRF, consoante explicitado, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte Elias Sanipaio Freii e 4

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