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Numero do processo: 13688.000013/2002-19
Data da sessão: Wed Jul 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IPI
Ano-calendário: 2002
IPI - PRODUTO NT - SAÍDA DESONERADA - IMPOSSIBILIDADE DE
CREDITAMENTO
A Lei n° 9.779/99 deve ser analisada restritivamente, razão pela qual a hipótese de o produto ser classificado como "NT" não é suficiente para a concessão de crédito tributário de IPI, por ausência de subsunção do fato à norma.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302.00.047
Decisão: ACORDAM os membros da 3° câmara / 2° turma ordinária do terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Declarou-se impedido o Conselheiro Alexandre Gomes.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
1.0 = *:*
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ementa_s : IPI Ano-calendário: 2002 IPI - PRODUTO NT - SAÍDA DESONERADA - IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO A Lei n° 9.779/99 deve ser analisada restritivamente, razão pela qual a hipótese de o produto ser classificado como "NT" não é suficiente para a concessão de crédito tributário de IPI, por ausência de subsunção do fato à norma. Recurso Voluntário Negado.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13688.000013/2002-19 Recurso n° 151.313 Voluntário Acórdão n° 3302.00.047 — 3' Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 08 de julho de 2009 Matéria Ressarcimento IPI Recorrente Votorantim Metais Zinco S/A Recorrida DRJ de Juiz de Fora/MG ASSUNTO: IPI Ano-calendário: 2002 IPI - PRODUTO NT - SAÍDA DESONERADA - IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO A Lei n° 9.779/99 deve ser analisada restritivamente, razão pela qual a hipótese de o produto ser classificado como "NT" não é suficiente para a concessão de crédito tributário de IPI, por ausência de subsunção do fato à norma. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' câmara / 2' turma ordinária do terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Declarou-se impedido o Conselheiro Alexandre Gomes.. Lt SEFLItA '"COELI-I0 MARQUES 1)(L'e-i4r.a Presidente ÂU_ FA OLA CAS O KERAMIDAS Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva e José Antonio Francisco. Ausente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto Processo n° 13688.000013/2002-19 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.047 Fl. 163 Relatório : Trata-se de pedido de ressarcimento de IPI (fls. 01), protocolado em 11.01.02, relativo ao 40 Trimestre do ano calendário de 2001, com fulcro no artigo 11 da Lei n° 9.779 de 19.01.99, cumulado com compensação (fls. 02). Registra-se que o pedido originalmente foi realizado em nome da empresa Companhia Mineira de Metais, a qual foi sucedida pela atual Recorrente, Votorantim Metais Zinco S/A. Após Informação Fiscal (fls. 99/101), a autoridade administrativa competente da Delegacia da Receita Federal de Uberlândia/MG, proferiu o despacho decisório de fls. 103/105, por meio do qual indeferiu o pleito da Recorrente. Ressalta-se que, nos termos da informação, o agente fiscal manifestou-se contrariamente ao reconhecimento dos saldos credores pleiteados pela Recorrente em razão dos produtos (Concentrado Filtrado de Zinco, Código: 2608.00.90) produzidos pela Recorrente constarem da Tabela de Imposto sobre i Produtos Industrializados como Não Tributados — NT. Inconformada, a Recorrente interpôs manifestação de inconformidade às fls. 111/119, por meio do qual defendeu a possibilidade de restituição/ressarcimento/compensação de créditos decorrentes da aquisição de insumos aplicados na produção de produtos NT, autorização esta, em seu entendimento, prevista na Lei n° 9.779/99. Entende a Recorrente que a lei previu expressamente a possibilidade de créditos no caso dos produtos fabricados serem isentos ou tributados à aliquota zero, e que implicitamente contemplou os prOdutos imunes e não tributados. Isso porque caso não pretendesse incluir estes produtos, não utilizaria a terminologia: "inclusive" mas "exclusive", ao dispor que "o saldo credor do i IPI, acumulado em cada trimestre-calendário,decorrente de aquisição de matéria Prima, produto intermediário e material e de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produtos isentos ou tributados à aliquota zero, que o contribuinte não puder compensar com IPI devido na saída de outros produtos." Após analisar as razões apresentadas, a Terceira Turma da Delegacia de Julgamento de Juiz de Fora proferiu o acórdão 09-16.784 (fls. 140/144), por meio do qual manteve o indeferimento do pleito da Recorrente, em virtude da conclusão de inexistência de créditos aplicado em produtos NT por aplicação do principio da não cumulatividade. Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 150/156, oportunidade em que reiterou os termos de sua inconformidade. 20.1L É o relatório. t 2 , Processo n° 13688.000013/2002-19 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.047 Fl. 164 Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora O recurso atende os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Assim como se verifica do relatado, a matéria em questão cinge-se à possibilidade (ou não) de creditamento de IPI no caso de insumos utilizados em produtos classificados na Tabela TIPI como Não Tributados — NT. Em sua defesa, a Recorrente discorre sobre os produtos que fabrica (Zinco) e seu processo produtivo. Diz que os produtos finais que produz estão classificados como "NT", e que a glosa dos créditos teve fundamento na inadequação ao artigo 11 da Lei n° 9.779/99. Defende a Recorrente que a legislação não trata expressamente do crédito no caos da saída dos produtos ser "NT" porque não precisa, sendo implícito, pela análise semântica dos termos da lei, que o crédito deve se estender aos produtos imunes e não tributados. Em relação a este assunto, registro que em vista dos recentes julgados realizados pelo Supremo Tribunal Federal, e dos argumentos e fundamentos trazidos pelos ilustres julgadores daquele tribunal, alterei meu posicionamento em relação a esta matéria, conforme esclareço a seguir. Inicialmente registro que parto da premissa de inexistência de discordância em relação ao fato de que foi apenas com o advento do artigo 11, da Lei n° 9.779/99, que o aproveitamento de créditos decorrentes de insumos aplicados na industrialização de produtos desonerados, no caso tributados à aliquota zero e isentos, foi permitido. Registro que neste sentido já se posicionou o Supremo Tribunal Federal — STF'. Para melhor compreender a questão, parece-me válido analisar os conceitos utilizados quando do julgamento dos Recursos 466.785/RS; 562.980/SC e 475.551/PR, que representaram os leading cases da matéria. Ao analisar o tema relativo ao aproveitamento de créditos de IPI quando a salda dos produtos é desonerada, o Ministro Relator Marco Aurélio discorreu sobre o sistema da não cumulatividade, "explicitou que a razão de ser do creditamento é evitar a sobreposição de cobrança de tributo consideradas sucessivas operações. Continuou o relator: 'Então, ante o I "TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI ANTERIORES À LEI 9.799/99. ENTRADA DE INSUMOS. PRODUTO FINAL ISENTO OU SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. MATÉRIA PACIFICADA NO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. Somente depois da entrada em vigor I,da Lei 9.779/99 se tomou possível a compensação de créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) pagos na entrada de insumos, quando o produto final for isento do tributo ou sujeito a alíquota zero, conforme decidido pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, em 06.5.2009, nos Recursos Extraordinários 460.7851RS, 562.980/SC e 475.551/PR, rel. Min. Marco Aurélio. 2. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos para dar provimento ao agravo regimental da União e reconsiderar a decisão agravada. 3. Provimento ao recurso extraordinário da União." (RE 371898/PR, julg. 26/05/09, Rel Min. Ellen Grace) 3 Processo n° 13688.000013/2002-19 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.047 Fl. 165 princípio da não-cumulatividade, o valor do tributo apurado em certa operação sofre a diminuição do que satisfeito anteriormente'2. Continuando a análise do voto do eminente Ministro Marcos' Aurélio 3, citado por abalizada doutrina, tem-se que, em seu entender, a aplicação da sistemática não cumulativa do IPI, não justifica a ocorrência de crédito quando a saída do produto é desonerada: "A conclusão decorre da circunstância de o inciso II do § 3 0 do artigo 153 da Constituição da República, não bastasse o alcance vernacular da expressão — não-cumulatividade -, subir pedagógico ao revelar que a compensação a ser feita levará em conta o que devido e recolhido nas operações anteriores com o montante cobrado na subseqüente. Considerado apenas o princípio da não-cumulatividade, se o ingresso da matéria-prima ocorreu com incidência do tributo, logicamente houve a • obrigatoriedade de recolhimento. Mas, se na operação final verificou-se a isenção, não existirá compensação do recolhido anteriormente, ante a ausência de objeto. Compensar com o quê? Supremo está sendo convocado a definir a existência, em data que antecede à citada lei, do direito ao creditamento e não pode criá-lo do nada, não pode caminhar no sentido de entender que a previsão normativa se mostrou, no particular, inócua porque o direito já estava contemplado pela ordem jurídica. (.) Em síntese, presente o princípio da não-cumulatividade — e deste somente é possível falar quando há dupla incidência, sobreposição -, o direito do contribuinte ao crédito considerado o que recolhido em operação anterior, tendo-se a isenção ou alíquota zero na operação final, somente surgiu — e mesmo assim implicitamente, se é que isso é possível — com a edição da Lei n. 9.779/99. Não implicou ela mera explicitação de um direito." De acordo com a interpretação trazida à colação, o Eminente Ministro Marco Aurélio entendeu que a Lei n° 9.779/99 instituiu beneficio fiscal ao conceder crédito tributário inexistente aos contribuintes. E é justamente esta conclusão que interessa a esta julgadora para o caso em apreço. Isso porque, sendo beneficio fiscal a possibilidade de aproveitamento do crédito tributário de IPI na saída de produtos desonerados, deve-se observar o art. 150, § 6° da Constituição Federal/88, bem como o artigo 111 do Código Tributário Nacional — CTN — que determinam a interpretação restritiva das normas que trazem isenções e beneficios tributários. 2 ALVES JR., Luís Carlos Martins. "O creditamento do IPI na saída de produtos desonerados antes da Lei n° 9.779/99." Jus Navigandi, Teresina, ano 12, ri. 1868, 12 ago. 2008. Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=11592>. Acesso em: 05 jul. 2009. 3 ALVES JR., Luís Carlos Martins. "O creditamento do IPI na saída de produtos desonerados antes da Lei n" 9.779/99." Jus Navigandi, Teresina, ano 12, n. 1868, 12 ago. 2008. Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=11592>. Acesso em: 05 jul. 2009 4 Processo n° 13688.000013/2002-19 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.047 Fl. 166 Neste sentido, o pleito da Recorrente toma-se ausente de fundamento, vez que resulta impossível estender a interpretação do artigo 11, da Lei n° 9.779/99, para tomar também permitido o crédito de IPI no caso de produtos não tributados. Ao analisar restritivamente a Lei n° 9.779/99, a única interpretação possível é aquela trazida expressamente pelo texto legal, de que apenas é possível creditar-se no caso de o produto fabricado pela Recorrente estar sujeito à alíquota zero ou ser isento. De acordo com esta interpretação restritiva, a hipótese de o produto ser classificado como "NT" não é suficiente para se conceder o crédito tributário de IPI, por ausência de subsunção do fato à norma. Outra opção não me resta, a não ser hegar o pleito da Recorrente, posto que todos os produtos por ela produzidos (ZINCO) são não tributados. Ante o exposto, conheço do recurso apresentado para o fim de NEGAR-LHE PROVIMENTO, mantendo incólume a decisão de primeira instância administrativa. É como voto. Sala das Sessões, em 08 de julho de 2009C8-"2009---, FA : OLA CASS O KERAMIDAS (ÉP L do,
score : 1.0
Numero do processo: 10283.006099/2003-39
Data da sessão: Wed Jun 30 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do lato gerador: 11/09/2003
Aditivo para óleo combustível, comercialmente denominado "Cataphore", que, segundo laudo técnico acostado, não se earacteiiza como dispersante sem cinza, classifica-se no item 3811 90 90 da Nomenclatura Comum do Mercosul.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-00.686
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do lato gerador: 11/09/2003 Aditivo para óleo combustível, comercialmente denominado "Cataphore", que, segundo laudo técnico acostado, não se earacteiiza como dispersante sem cinza, classifica-se no item 3811 90 90 da Nomenclatura Comum do Mercosul. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-01T22:37:56Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-01T22:37:55Z; Last-Modified: 2010-09-01T22:37:56Z; dcterms:modified: 2010-09-01T22:37:56Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:7c9f70df-a445-4c10-8bb6-1efaba1e07ee; Last-Save-Date: 2010-09-01T22:37:56Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-01T22:37:56Z; meta:save-date: 2010-09-01T22:37:56Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-01T22:37:56Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-01T22:37:55Z; created: 2010-09-01T22:37:55Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2010-09-01T22:37:55Z; pdf:charsPerPage: 1282; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-01T22:37:55Z | Conteúdo => 1, 1 269 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSE.1110 ADMINISTRA rrIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE RI ,CiAM EN1 O Processo n 0 10283.006099/2003-39 Recurso IV' 344.609 Voluntário Acórdão n" 3102-00.686 — 1" Câmara / r Turma Ordinária Sessão de 30 de junho de 2010 Matéria Classificação Fiscal Recorrente ETERNAL FMPRESA DE REPAROS TER RI - s,TRE E N AVA , Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do lato gerador: 11/09/2003 Aditivo para óleo combustível, comercialmente denominado "Cataphore", que, segundo laudo técnico acostado, não se earacteiiza como dispersante sem cinza, classifica-se no item 3811 90 90 da Nomenclatura Comum do Mercosul. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. LiAs_Niktwelo-- rra de Castro - Presidente e Relator ED 11 A DO EM: 26/07/2010 Participaram do presente .julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Femandes do Nascimento, Paulo Sérgio Celani (Suplente), Nanei Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Elias Fel nandes Eufrásio (Suplente). Relatório Ttata-se de exigência fiscal relativa ao Imposto de Importação (II) e ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), acrescidos de multa de ofício de 75%, bem assim da multa regulamentar capitulada no art. 84, 1. da Medida Provisória n" 2..158-35, de Segundo consta do auto de intira.ção que consubstancia tal exigência, a recorre.nte incorreta em erro na indicação da classificação -fiscal do produto comercialmente denominado Cataphore, Como é possível extrair da leitura de tal peça, aduz a autoridade fiscal que o produto litigioso reuniria as características de "dispersante sem cinzas", nominalmente indicada no item 3811.90.10 e, como tal, em homenagem à RUI 3a, afastada estaria o código 3811.90.90, indicado na declaração de importação que instruiu o despacho do bem litigioso, Pata chegar a tal conclusão, apóia-se nas conclusões consignadas no Laudo Técnico 108/2003, de lavra da F . undação Centro de Análise, Pesquisa el.novação Tecnológica, onde concluem os experts que o -produto em litígio é um aditivo para óleo combustível que produziria os seguintes benefícios, entre outros: limpar o sistema de distribuição de Óleo combustível., dispersar sólidos em. suspensão e prevenir a formação de lama no fundo de reservatórios; dispersar a quantidade de água que está presente no óleo combustível e prevenir a formação de grandes gotas, minimizando os efeitos negativos de água na. combustão. Dentre as referidas substâncias sólidas, estariam, por exemplo, as cinzas e os negros de carbono. • • • ••• ••• Inconformada, comparece a recorrente -ao processo em 10/12/2003, para, em• sede de impugnação, contestar as conclusões do Pisco, em síntese, pelos seguintes fundamentos: - que o laudo técnico não apoiaria as conclusões da autoridade fiscal, eis que não informara que o produto litigioso teria a função de dispersante sem cinzas, pergunta expressam.ente formulada e considerada inaplicável; - que as RUI. confirmariam a exatidão da classificação indicada na DL. Expôs seus argumentos acerca da maior especificidade do código 3811.90.90 sobre o 3811.90..10, eis que este faria indicação de característica não presente no produto impor lado; - que tbrani violados os princípios da legalidade, ampla defesa, contraditório, razoabilidade e proporcionalidade; - que caberia aplicar os art.. 100 e '112 do C-I-N. Após a apresentação da impugnação, foi .juntado ao processo o laudo 140/2003, da mesma Fucapi, exarado em 18/12/20031. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção integral, da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fino gcfray1or .11/09/2003 DESCLASSIFIC.A(ÂO 1 l,5rI IÃL ADITIVOS PARA COMI-151i VELS' ''CATAPHORL um de fls. 191 e ss 2 Processo n" 10283 006099/2003-39 S3-C172 Acim dão n " 3102-00.686 FL 270 O critério inercealógico pail distinguir 05 produtos dos códigos 3811.90 10 e 3811 90 90, atétn-se única e eulusivanzente à presença do r `.1.ispersante sem CiTIEVS " no produto analisado. Se este contém dispersante sem cinzas, classifica-se no código 3811.90 10, caso contrário, enquadra-se no 3811 90 90, uma voz que a posição mais específica prevalece sobre as maisenericas (aplicação da R01 3a). ASSUNTO NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador. 11/09/2003 NORMAS COMPLEMENTA RES. As práticas reiteradas. das autoridades administrativas somente podem elYentualmente, sereia consider ad as mor mas complementares das leis, dos tratados, das convençaL's inter MICiOnalS e dos decretos quando forem práticas discricionárias e reiwradamerne observadas, isto á, minuciosa, evaustiva e canscientemcnic.! tomadas Práticas, ainda que reiteradas fora do campo da discricionariedade, frutos enganos, ações negligentes MI pendenleS de revisão, jamais podem ser tomadas COMO HOrillaS COMpleMeiltílts" DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. A teor do ar t 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as decisões judiciais e administrativas, mesmo prakridas pelos órgãos colegiadas, lei que lhes atribua eficácia, Julio constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estenãdas genericanumie a outros casos, somente aplicando-se sobre a questão em análise e vinculando as partes envolvidas naqueles litígios. APLICAÇÃO DO PRINCIPIO DA RAIDABILIDADE. Devido à sua estrita vineulação à legislação, quando ela (legislação) não dá margem à discricionariedade, autoridade administrativa não pode aplicar o princípio da razoabilidade, nem analisar a possibilidade de afastá-la (legislação) por eventual iufração desse princípio. Lançamento Procedente Após tomar ciência da decisão recorrida, comparece a recorrente mais uma vez aos autos, para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa e questionar o não-conhecimento da.s informações cari °atlas pelo Laudo Técnico 140/03, que, no seu sentir, afastaria as conclusões do Fisco acerca. d.a verdadeira natureza do produto Cataphat e. É o Relatório Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro - Relator '1 (mio conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta a esta Terceira Seção. Antes de adentrar na análise do mérito do recurso, entendo saltitar que se proceda à sua limitação. Conforme é possível extrair dos elementos carreados aos autos, não há dissenso acerca do tato de cataphore é um aditivo para combustíveis que se classifica na subposição 8 I 1.90, que traz a seguinte descrição: .3811 PREPARA ('ÓES ANIIDE"TOATANIES, INIBIDORLS DE OXIDA('"io, ADITIVOS PEPTIZANTES, BENLPICL4DORES Dl PISC'OSIlf4DE, A1)IT1 VOS "INT/CORROSIVOS T OUTROS ADITIVOS PREPARADOS, PARA ÓLEOS AlINERAIS (INCLUÍDA A GASOLINA) OU PARA OUTROS LIOU/DOS UTILIZADOS PARA OS MESMOS HNS 01-1E OS ÓLEOS MINERAIS 3811 90 O/ trOS -- Cabe a este colegiado decidir, portanto, se o subitem onde dito aditivo seria conetamente classificado seria o 3811.90.10 ou o 3811.90 90. Confira-se a redação de tais subi tens: 3811 90 10 DiNper,santes s'em cinzas, para (VCOS l/C petróleo comblistíve1s 3811 90 90 Outros Por outro lado, tal decisão está atrelada essencialmente à avaliação das provas trazidas ao processo Com efeito, a leitura do voto condutor e da ementa do acórdão recorrido, conduz à conclusão de que a 1iigidez da classificação fiscal apontada pelo Fisco decorreria do lato de que o produto comercialmente denominado cata fluiu, segundo consignado no 1 audo Técnico n" 108/200.3 exerceria a função de "dispersante sem cinza", expressamente prevista no código 38 1 9() 10 Nessa esteira, em razão da aplicação da regra 3a 2 , o código tarifará) em que tal função é descrita prevaleceria sobre o que genericamente classifica os aditivos para combustíveis da posição 38 11 Em sentido diverso, argúi a Recorrente que o Laudo 'lécnico cnn que se baseou o fisco não traz as conclusões consignadas no acórdão recorrido e que o Laudo Técnico —3 QUANDO PAREÇA QUE A MERCADORIA PODE Cf ASSIUICAR-SE FM DUAS OU MAIS POSIÇÕFS POR API ICAÇÃO DA REGRA 2 b) OU POR ()UAI QUER 01_11RA RAZÃO, A CLASSIFICAÇÃO DEVE FPIII UAR-SP DA FORMA SK-JUINTE: a) A POSIÇÃO MAIS FSPECII , ICA PRIVAI ..FCE SOBRE AS MAIS GliNÉ RICAS y Pmcc..~ n' 10281006099/2003 -.39 S3-( 11 T2 Acórdão n 3102-00,686 F 1 271 n" 140/03, realizado pelo mesmo instituto e era produto idêntico ao debatido no presente litígio, atestaria expressamente que não se identificaria dita função de "dispersante sem cinza". Com o máximo respeito à autoridade autuante e aos julgadores de primeira instância, penso que as conclusões consignadas no Laudo Técnico n" 140/03 não podem deixar de ser consideradas, máxime em razão da aplicação da regra instituída pelo § 3' do art. 30 do Decreto n" 70.,235, de 1972, acrescido pela Lei n" 9,532, de 19973 , juntamente com a presunção lixada no art.. 53 da Medida Provisória n" 135, de 30/10/2003 que, quando da sua. conversão na Lei n" 10..8.33, de 29/12/2003, foi renrunerada para artigo 68 deste último diploma'. Não custa reafirmar que, conforme tenho me manifestado reiteradas vezes, a. presunção mencionada é perfeitamente aplicável ao presente litígio, ainda que trate de fato gerador anterior à edição do ato normativo que a instituiu.. Explico Sabidamente, as presunções, especialmente as que se convencionou denominar "relativas", têm natureza exclusivamente procedimental, eis que se limitarn a viabilizar a instrução processual: não cria, altera ou revoga, direitos, apenas auxilia no enquadramento do fato à norma Veia-se as conclusões de Maria Rita Ferragut s , em obra dedicada ao tema: Entendemos que as presunções ., em todas as- acepçães poF adotadas ., tèrn natureza processual probatória, a elas sendo se int ./Te aplicá reis OS pT lpios constitucionais da afrizpla defesa e contraditório, dentre outros. Consistem ern meias de /2/O Va indiciária, subsidiária, indin.!ta, divergindo das hipóteses em que, na definição do fato jurídico ou da base de cálculo, intervêm ficções legais ou "presunções absohnas'"„ ermneiado jurídicas- de direito substantivo. Nessa mesma linha, esclarece ainda a autora6: "As presunções suprem deficiências probatórias, disciplinam o procedimento de construção de fatos jurídicos ., almgani o campo cognaseitivo do homem, e aumentam a possibilidade de maior realização da ordem jurídica, ao permitir que alguns .fatos sejam conhecidos por meio da relação jurídica de implicação existente entre indícios e o . falo indiciado. "(destaquei) Tratando-se de mais um meio de apuração do fato, há que se aplicar a regra. de direito intertemporal gizada no § 1" do art. 144 do Código Tributário Nacional, que reza: § 3" Atribuir-se-á eficácia aos laudos e pareceres técnicos sobre produtos, exarados em outros processos administrativos Ciscais e transladados mediante certidão de inteiro teor ou cópia fiel, nos seguintes casos: (Incluído pela lei n" 9.532, de 1997) a) quando tratarem de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e c,specificação; (Incluído pela I .ei n" 9.532, de 1997) 4 Art 68. As mercadorias descritas de rotina semelhante em diferentes declarações aduaneiras do mesmo contribuinte, salvo prova cin contrário, são presumidas idênticas para fins de determinação do tratamento tributário ou aduaneiro. Presunções no Dit eito 1 ributário São Paulo. Dialética. 2001 , p. 73 ( p. eit, p 81. 5 l" Aplica-se ao lançamento a legi.slação JUL, po qcí iot mente à ocoiréncia do fino ,geraclor da obrigação, tenha insiduido novos iitl iU% de apta (.1.Çíi0 OU procesSOS de /1 - w:uh:ação, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito 11/0/0/ 05 garantias Ou pri VI icoios, CXLVtO, neste Ultimo caso, para O eleito th,_, atribuir responsabilidade tributaria a terceiros Quanto ao alcance e à validade do dispositivo codificado, pondera Leandro Paulsen, apoiado na doutrina de Misabel Derzi7: O l" ere-se ao procedimento O £15 pl"Ci ro olivas lo S amem-ais Por i% 50, a aplicação da legi ,d ação vigente quando do lançamento Não há que se falai, no caso, cio violação ao principio da ii t011001/ vi/de, pois tal não 0001 r 0. De tato, como se chamou atenção na peça recursal, o I _atido Técnico n" 108/2003, efetivamente, não enfrenta a indagação acerca da caracter istica de dispersante sem cinzas do produto alvo de identificação, afirmando categoricamente que tal questionamento restou prejudicado, enquanto que o de ri" 140/2003, enfrentando-a, afirma categoricamente que o produto não possui a alegada característica Nessa condição, pode-se concluir, acerca desse aspecto técnico, a opinião da instituição designada pelo l'isco é a de que o produto denominado Cataphore não exerce a função de dispersantesem cinzas- Se não bá prova de que exerça a função alegada pelo fisco e, em sentido oposto, a recorrente trouxe ao piocesso elementos capazes de afastar aquelas alegações, forçoso é concluir que o produto denominado eataphore, até prova em contrário, não exerce a função de d.ispersante sem cinza Em assim sendo, descabida é a classificação no subitem 3811.90.10, destinado especificamente pala os produtos que apresentem aquela condição Com essas considerações, dou provimento ao recurso voluntária .1 JJJY1tIet -, 3i:terra de Castro I Direito liibutário Constilitio e Código Tribittatio à I is/. da Doulriiiii e da luiisprudência Podo Alegre, ivraria do Advticlo, 2007, p 951 Processo n° 10283 (106099/2003-19 S3-C112 AcClleãç) n.' 3102-00.686 II 272
score : 1.0
Numero do processo: 36308.000452/2005-05
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/07/2005
ABONO DE FÉRIAS.
O abono de férias de que trata o artigo 143 da CLT, bem como o concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de vinte dias do salário, não integrarão a remuneração do empregado para os efeitos da
Legislação do Trabalho.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.485
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Julio Cesar Vieira Gomes
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O abono de férias de que trata o artigo 143 da CLT, bem como o concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de vinte dias do salário, não integrarão a remuneração do empregado para os efeitos da Legislação do Trabalho. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes utos. Acordam os membros do Colegiado, e' r unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. f il‘ 1 01 1,,. CARLOS f B - • ot • ITAS 13AI&ETO - Presidente A \ „ JULIO CE AR -MIE II' . GOMES -,'Relator EDITADO EM: 14 MAM 2010 1 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Rogério de Lellis Pinto (suplente convocado), Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório A Fazenda Nacional interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fulcro no art. 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 1998. Insurge-se a Fazenda Nacional contra o acórdão que, por maioria dos votos, decidiu que o abono de férias nos moldes do art. 144 da CLT não integra o salário de contribuição. Em síntese que: - não obstante a louvável argumentação do voto vencedor, o aresto merece reforma, visto que a legislação tributária de regência da matéria foi flagrantemente violada, precisamente, os artigos 22, inciso I, e 28, §9°, "e", item 6, ambos da lei n° 8.212/91, sem falar na ofensa aos artigos 195, inciso I e 201, §11 da Constituição Federal; - o art. 201, §11 do Texto Maior, definindo os contornos da base de cálculo da contribuição previdenciária, deterniina que "Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei."; - a interpretação conjunta dos dispositivos constitucionais citados, leva, irrefutavelmente, à conclusão de que o termo "folha de salários", para efeito do cálculo da contribuição para a Seguridade Social, abrange não somente salário, no sentido estrito do teimo, mas o quantum total efetivamente pago, devido ou creditado ao empregado em razão do contrato de trabalho, independentemente da titulação atribuída à parcela salarial ou remuneratória; - o "abono" pago pela empresa não é concedido à totalidade dos seus empregados, mas somente àqueles que preencherem a condição estabelecida no instrumento normativo (assiduidade), configurando, portanto, verdadeira vantagem pessoal. Como destacado pelo voto relator da Conselheira Ana Maria Bandeira que negava provimento ao recurso voluntário, "a não incidência de contribuição é exceção", não se observando nas hipóteses legais do art. 28, §9°, da Lei n° 8.212/91, "qualquer dispositivo que afaste a incidência da contribuição de verba que favoreça apenas a parte dos empregados e dirigentes" (fls. 292); - analisando o conteúdo das cláusulas do Acordo e Convenção Coletivo de Trabalho que institui o chamado "Abono de Férias", constata-se, ineludivelmente, que a verba •, ali descrita amolda-se perfeitamente à figura do prêmio. Diz a doutrina justrabalhista que prêmio constitui parcela contraprestativa paga pelo empregador a empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro; 2 Processo n° 36308.000452/2005-05 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.485 Fl. 2 - cumpre considerar que o nome conferido aos valores pagos não é relevante para definir a incidência ou não da contribuição previdenciária, pois nos termos previstos na Constituição Federal e legislação infraconstitucional, a contribuição previdenciária tem como base de cálculo a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo ao empregado, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho. Regulannente intimado do Acórdão, do recurso especial interposto e do despacho que lhe deu seguimento, o contribuinte apresentou contra-razões reiterando as razões em recurso especial. É o breve relato. Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Embora em tese pudesse ter contrariado as regras de incidência das contribuições previdenciárias, vejo que não as contrariou. Isto porque não só a Consolidação das Leis do Trabalho - CLT desvinculou da remuneração os abonos de férias de que tratam os artigos 143 e 144 mas também a própria lei de custeio da Seguridade Social, artigo 28 da Lei n° 8.212, de 24/07/91: Art 143. É facultado ao empregado converter 1/3 (um terço) do período de férias a que tiver direito em abono pecuniário, no valor da remuneração que lhe seria devida nos dias r\ correspondentes. Art 144. O abono de férias de que trata o artigo anterior bem n como o concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de vinte dias do salário, não integrarão a remuneração do empregado para os efeitos da Legislação do Trabalho. Art 28. Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa... § 9* Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação alterada pela .11/IP n° 1.596-14, de 10/11/97, convertida na Lei n'9.528, de 10/12/97). 3 e) as importâncias: 6. recebidas a titulo de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CL T; (Acrescentado pela Lei n" 9.711, de 20/U/98)Grifo nosso. Portanto, as partes têm liberdade para disporem através de cláusulas as condições para percepção do abono de férias de que trata o artigo 144 da CLT sem que, com isso, fique caracterizada a parcela como um prêmio ou gratificação. Acrescenta-se, ainda, que a lei de custeio especificou para quais parcelas previstas em seu §9° do artigo 28 a não incidência ou isenção, conforme o caso, deveria atender ao requisito: "extensivo à totalidade dos segurados"; o que não é o caso dos abonos de férias, seja aquele decorrente diretamente da lei ou o convencionado entre as partes: § 9° Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) •-• e) as importâncias: (Incluído pela Lei n°9.528, de 10.12.97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxílio-doença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Incluído pela Lei n°9.528, de 10.12.97) ••• p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 90• e 468 da CLT; (Incluído pela Lei n°9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico-hospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Incluído pela Lei n°9.528, de 10.12.97) \el •.- t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n 2 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei n°9.711, de 20.11.98). Por tudo, concluo que os valores pagos à título de abono de férias, dentro dos limites fixados nos artigos 143 e 144 e devidamente foluializados pelos instrumentos contratuais não sofrem incidência das contribuições previdenciárias. 4 Processo n° 36308.000452/2005-05 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.485 Fl. 3 Portanto, voto por negar provimento ao recurso especial. É como vvto. - Julio ef ar ieira Gomes- Relator
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Numero do processo: 10950.000949/2009-71
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. JUSTIÇA DO TRABALHO. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ.
No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitando-se, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Interpretação da lei conforme jurisprudência do STJ.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar as exigências fiscais consubstanciadas na Notificação de Lançamento, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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JUSTIÇA DO TRABALHO. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitandose, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Interpretação da lei conforme jurisprudência do STJ. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar as exigências fiscais consubstanciadas na Notificação de Lançamento, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 09 49 /2 00 9- 71 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.000949/200971 Acórdão n.º 2801003.771 S2TE01 Fl. 117 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Este processo já foi objeto de análise anteriormente, por esta Turma Especial, em Sessão de 18 de março de 2014. Na ocasião, como Relator, elaborei o seguinte relatório: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade do contribuinte recorrente com a Notificação de Lançamento constante da fl. 16 e ss., que resultou da revisão as informações prestadas em sua declaração de Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas do exercício de 2006, ano calendário de 2005, onde se verifica, na “descrição dos fatos”, que a Fiscalização constatou a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, em decorrência de processo judicial trabalhista. Narra a Autoridade Fiscal que constatou a omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente no valor de R$ 83.767,96, não tendo sido, na apuração exofficio, compensado valor de IRRF.(fl. 17) Ademais, constatando a compensação de IRRF na DIRPF/2006 em valor superior ao informado pelas fontes pagadoras, efetuou a glosa de imposto retido na fonte no montante de R$ 2.172,22, lançando uma segunda infração.(fl. 19) O Lançamento exigiu do contribuinte, assim, o crédito tributário importando em R$ 23.036,18 a título de imposto suplementar, acrescido de R$ 17.277,13 a título de multa proporcional (75%) e mais juros de mora com base na taxa Selic, e também R$ 2.176,00 acrescido de multa de mora (20%) e juros de mora. Inconformado, o contribuinte apresentou Impugnação, onde concentra suas razões no cálculo efetuado pela Autoridade Fiscal, em função da existência de parcelas isentas/não tributáveis e tributadas exclusivamente na fonte e, principalmente, no caráter indenizatório das verbas, que entende enquadraremse no art. 6º, inciso XX da Lei nº 7.713/1988. A manifestação foi conhecida e tratada pela DRJ em Curitiba/PR, tendo aquela instância de julgamento concluído pela procedência da ação fiscal e manutenção do crédito tributário exigido, em suma, com os seguintes argumentos: “... para que a ajuda de custo seja considerada isenta, nos termos do inciso XX do artigo 6o da Lei n° 7.713/1988, deve restar caracterizada a remoção do empregado, em caráter permanente, para município diverso daquele em que residia, bem como deve ficar demonstrado que a verba destinouse a ressarcir os gastos do beneficiado e seus familiares com transporte, frete e locomoção para a nova localidade. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.000949/200971 Acórdão n.º 2801003.771 S2TE01 Fl. 118 3 Observese que no presente caso não há nos autos qualquer comprovação de que a referida verba se amolde ao citado dispositivo legal pois não existe nenhuma comprovação de que o valor recebido ressarciu o contribuinte de gastos com a locomoção ou transporte para o outro município. Ademais, com o que consta nos autos, não há como saber se o valor recebido a título de “adicional de transferência” se refere à parcela paga mensalmente como acréscimo no salário decorrente da transferência (verba tributável) ou se é a ajuda de custo paga em parcela única a cada remoção e destinada a atender às despesas com transporte, frete e locomoção do beneficiado e seus familiares (verba isenta nos termos do citado inciso XX do art.6° da Lei 7.713/1988)”. Cientificado da decisão de 1ª instância em 31/01/2012 (AR fl. 49), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 24/02/2012 (fl. 51). Em sede de recurso, repisa as razões apresentadas anteriormente, nos autos, do que destaco: não contestou, na Impugnação, apenas a infração referente à tributação das verbas da ação trabalhista, tendo contestado expressamente as duas infrações apontadas: referente á omissão de rendimentos e referente á glosa de IRRF; o grande equívoco da fiscalização teria sido a aplicação de valores percentuais sobre quantias tributadas, não tributadas e tributadas exclusivamente na fonte. Por exemplo, cita os honorários advocatícios; o adicional de transferência lhe fora pago como “indenização” pelas diversas transferências a que fora submetido, sendo paga em decorrência de ressarcimento pelas despesas decorrentes de sua mudança de domicílio; discorre então sobre os valores que “transparecem” no ajuizamento da ação; alega que não procede a alegação contida no Voto condutor do Acórdão de que não é possível saber a que título se deu o valor do adicional pago (conforme transcrito no Relatório), pois está “tudo definido na sentença judicial”, sentença essa que “vem acostada aos autos desde a impugnação” Requer que seja declarada a improcedência total da ação fiscal. No voto condutor, constam as seguintes considerações: O lançamento versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo Contribuinte, decorrentes de ação judicial trabalhista, como se depreende da “descrição dos fatos” constante da Notificação de Lançamento de fl. 17. Discutese, eminentemente, a natureza das verbas e, conseqüentemente, os cálculos de apuração do imposto de renda. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.000949/200971 Acórdão n.º 2801003.771 S2TE01 Fl. 119 4 Entretanto, a despeito do que afirma o Recorrente, não localizo nos autos a Sentença judicial, nem qualquer outra peça da Ação, que ensejou o pagamento. Não é possível, portanto, constatar que o montante tem origem em diferenças referentes a diversas competências, tendo o valor sido disponibilizado apenas em 2005. Da mesma forma, não se pode verificar a natureza das verbas e se houve acordo, homologado judicialmente, para recebimento ainda que parcial. (...) Entendo ser imprescindível, portanto, que constem as peças processuais da ação judicial que determinou o pagamento das verbas em comento, sobretudo a Sentença, onde o contribuinte alega estarem discriminas as naturezas de cada uma delas, e também para que se identifique com clareza que se referem a diversos períodos, não pagas em tempo, sendo recebidas posteriormente e de forma acumulada. Isso influenciará, dentre outras coisas, na razão de decidir e nos argumentos do Voto. Diante do exposto acima, VOTO por converter o julgamento em DILIGÊNCIA a fim de que o Recorrente seja cientificado desta Resolução e intimado a apresentar a Sentença e demais atos judiciais, como por exemplo a liquidação, execução e acordo, se houver, que determinaram o pagamento das verbas que aqui se discute, especificando sua natureza e a que períodos se referem. Assim, conforme Resolução unânime, decidiuse pela conversão do julgamento em diligência que, cumprida pela DRFB, fez o contribuinte trazer ao processo os documentos de folhas 67 a 113, que serão analisados no voto a seguir. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). O contribuinte expressamente contesta as duas infrações apontadas, quais sejam, a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação trabalhista e a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. DO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA FONTE. AJUSTE ANUAL. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.000949/200971 Acórdão n.º 2801003.771 S2TE01 Fl. 120 5 O recebimento de rendimentos decorrentes de verbas trabalhistas, em ação judicial, reconhecido pela Justiça do Trabalho, não é de tributação exclusiva na fonte, mas de antecipação do imposto devido, sujeito ao ajuste anual. Imposto retido como antecipação. Diferentemente do regime de tributação exclusiva, no qual a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é exclusiva da fonte pagadora, no regime de retenção do imposto por antecipação, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual. Nesse sentido, o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, dispõe que tal responsabilidade da fonte pagadora extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última sujeitaa à exigência do imposto correspondente, em geral acrescido de multa de ofício e juros de mora, conforme abaixo transcrito: “... IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual.” DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Entretanto, o lançamento versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo Contribuinte, decorrentes de ação trabalhista, como descreve a Autuação, na folha 17/18. Tais rendimentos, que se referem a verbas de várias naturezas, compreendidas no período entre 05/1994 e 04/1998, como se verifica nos documentos de folhas 69 a 86 e na Sentença Judicial na folha 87 e ss., foram tributados integralmente no mês em que foram recebidos, em janeiro de 2005, como se depreende da Notificação de Lançamento. Observase que a tributação deuse, então, na forma do artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, defendido pela decisão recorrida, que determina que, nesses casos, o imposto incide sobre o total dos rendimentos, no mês do recebimento do valor, diminuído das despesas com a ação judicial necessárias ao recebimento. Ocorre, entretanto, que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente no mês do recebimento do crédito, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do Código de Processo Civil (CPC), em decisão assim ementada: Fl. 120DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.000949/200971 Acórdão n.º 2801003.771 S2TE01 Fl. 121 6 “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema pela Corte Suprema, com a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, vinhase sobrestando os julgamentos dos recursos atinentes, neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), até que ocorresse o julgamento final do Recurso Extraordinário, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, que assim dispõe: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.000949/200971 Acórdão n.º 2801003.771 S2TE01 Fl. 122 7 Por sua vez, o art. 2º da Portaria CARF n° 1, de 03 de janeiro de 2012, estabelece que: Art. 2º Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. Contudo, os §§1º e 2º do art. 62A do Regimento do CARF foram revogados em decisão do Sr. Ministro da Fazenda, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013: PORTARIA No 545, DE 18 DE NOVEMBRO DE 2013 Altera o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministro de Estado da Fazenda. O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e o art. 4º do Decreto nº 4.395, de 27 de setembro de 2002, resolve: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. A (in)constitucionalidade ainda não foi declarada pelo Pretório Excelso e o dispositivo de lei permanece em vigor. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), contudo, já se manifestou, inclusive atribuindo aos recursos a sistemática dos “repetitivos”, sobre a interpretação a ser dada ao dispositivo da Lei nº 7.713/1988, em comento. Vejamos: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. (grifei) 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008.(grifei) (REsp 1118429 / SP RECURSO ESPECIAL 2009/00557226. Ministro HERMAN BENJAMIN (1132). DJe 14/05/2010) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. (...). ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A Fl. 122DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.000949/200971 Acórdão n.º 2801003.771 S2TE01 Fl. 123 8 JURISPRUDÊNCIA DO STJ QUANTO AO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DE PARCELAS PAGAS ACUMULADAMENTE EM CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. TEMAS JÁ JULGADOS PELA SISTEMÁTICA INSTITUÍDA PELO ART. 543C DO CPC. 1.... 2. Em relação ao ponto do recurso especial em que a Procuradoria da Fazenda Nacional alega contrariedade ao art. 12 da Lei n. 7.713/88 e impugna o capítulo do acórdão do Tribunal de origem sob a rubrica "Da incidência mês a mês do imposto de renda", consta da decisão ora agravada que o mencionado recurso não procede porque a decisão proferida pelo Tribunal de origem está em consonância com a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), cuja ementa assim enuncia: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." 3. Ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 12 da Lei 7.713/88 disciplina o momento da incidência do imposto de renda, porém nada diz a respeito das alíquotas aplicáveis a tais rendimentos. Assim, no julgamento do recurso especial, não ocorreu violação do art. 97 da Constituição da República, tampouco contrariedade à Súmula Vinculante n. 10/STF. Como já proclamou a Quinta Turma, ao julgar os EDcl no REsp 622.724/SC (Rel. Min. Felix Fischer, REVJMG, vol. 174, p. 385), "não há que se falar em violação ao princípio constitucional da reserva de plenário (art. 97 da Lex Fundamentalis) se, nem ao menos implicitamente, foi declarada a inconstitucionalidade de qualquer lei".(sublinhei) 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no REsp 1332443 / PR AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES 2012/0138520 DJe 08/02/2013) Houve inclusive a edição do Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009 que sedimentou o entendimento de que não pode prevalecer a tributação integral de verbas recebidas acumuladamente segundo a tabela progressiva vigente no mês do recebimento. É fato também que esse Parecer da PGFN foi posteriormente revogado, mas de tal sobreveio o AD PGFN nº 1/2009, com o seguinte teor, que transcrevemos, registrando que se encontra suspenso: “ATO DECLARATÓRIO Nº 1, DE 27 DE MARÇO DE 2009 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.000949/200971 Acórdão n.º 2801003.771 S2TE01 Fl. 124 9 O PROCURADOR GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, desta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 13/05/2009, DECLARA que fica autorizada a dispensa de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global.". JURISPRUDÊNCIA: Resp 424225/SC (DJ 19/12/2003); Resp 505081/RS (DJ 31/05/2004); Resp 1075700/RS (DJ 17/12/2008); AgRg no REsp 641.531/SC (DJ 21/11/2008); Resp 901.945/PR (DJ 16/08/2007). “SUSPENSÃO DE ATO DECLARATÓRIO. (Suspende o Ato Declaratório nº 1, de 27 de março de 2009 (DOU de 14.05.2009, Seção I, p. 15), que dispõe sobre a dispensa de recursos nos casos de imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, em face do acolhimento de Repercussão Geral pelo STF dos RREE 614.406 e 614.232). Rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente. O imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos. Ato Declaratório nº 1, de 27 de março de 2009 (DOU de 14.05.2009, Seção I, p. 15), editado pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional com fundamento no PARECER PGFN/CRJ 287/2009, aprovado pelo Ministro da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 13.05.2009, Seção I, p. 9. Reconhecimento de Repercussão Geral nos RREE 614.406 e 614.232. Suspensão (Parecer PGFN nº 2.331, de 27.03.2010). Assim o Parecer PGFN/CRJ nº 287, de 12 de fevereiro de 2009, aprovado por Despacho do Ministro da Fazenda publicado no Diário Oficial da União em 13 de maio de 2009, teve os seus efeitos suspensos em 27/10/2010, por intermédio do Parecer PGFN/CRJ nº 2.331/2010, o que significa dizer que a sua aplicação se restringe aos lançamentos efetuados no período de produção de seus efeitos (13/05/2009 a 27/03/2010). Outrossim, diz ALEXANDRE DE MORAES que “assim como podemos afirmar que o STF é o guardião da Constituição, também podemos fazêlo no sentido de ser o STJ o guardião do ordenamento jurídico federal” . Continuando, o autor diz que em relação ao recurso especial, ensinanos o Ministro do STJ Sálvio de Figueiredo Teixeira, tratarse: “de modalidade de recurso extraordinário latu sensu, destinado, por previsão constitucional, a preservar a unidade e autoridade Fl. 124DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.000949/200971 Acórdão n.º 2801003.771 S2TE01 Fl. 125 10 do direito federal, sob inspiração de que nele o interesse público, refletido na correta interpretação da lei, deve prevalecer sobre os interesses das partes...”(MORAES. Alexandre, Direito Constitucional, 15ª ed., São Paulo : Atlas, 2004, p. 496 e 498)(sublinhei) Para REGINA HELENA COSTA, “a aplicação reiterada das normas jurídicas por órgãos do Poder Judiciário constrói pensamento hábil a orientar a conduta dos jurisdicionados, bem como influenciar a atuação dos legisladores e administradores na busca de aperfeiçoamentos e modificações que o ordenamento jurídico requer.”(sublinhei) Assim, conclui a Ministra do STJ e livredocente em Direito Tributário, que: “Nos dias atuais, inegável o papel da jurisprudência como fonte do direito. Conquanto não ostente a mesma importância que apresenta nos países que adotam o sistema da common law, a jurisprudência tem ganho cada vez mais visibilidade, especialmente no campo tributário, à vista do elevado grau de litigiosidade existente nessa seara.” (COSTA. Regina Helena, Curso de Direito Tributário, 2ª ed. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 47)(destaquei) No Recurso Especial (REsp 1118429 / SP) ao qual foi atribuída a sistemática dos “repetitivos”, acima transcrito, tratase de revisão de benefício previdenciário, uma vez que era esse o caso que estava em julgamento. Contudo, observo que o Tribunal Superior vem aplicando a mesma tese também aos rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de sentença judicial trabalhista. Vejamos: Resp 383.309/SC. Recurso Especial 2001/01569679 Relator Ministro João Otávio de Noronha.Data do julgamento 07/03/2006 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. 2. O Superior Tribunal de Justiça vem entendendo que cabe à fonte pagadora o recolhimento do tributo devido. Porém, a omissão da fonte pagadora não exclui a responsabilidade do contribuinte pelo pagamento do imposto, o qual fica obrigado a declarar o valor recebido em sua declaração de ajuste anual. 3. No cálculo do imposto incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente em decorrência de decisão judicial, devem ser Fl. 125DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.000949/200971 Acórdão n.º 2801003.771 S2TE01 Fl. 126 11 aplicadas às alíquotas vigentes à época em que eram devidos referidos rendimentos. 4. .... 5. Recurso especial parcialmente provido. (sublinhei/destaquei) No mesmo sentido: Resp 704.845/PR Recurso ESPECIAL 2004/01654173, Relator Ministro Mauro Campbell Marques, julgado em 19/08/2008. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA E CONTRIBUINTE. INCLUSÃO DE MULTA. RENDIMENTOS ACUMULADOS. ALÍQUOTA APLICÁVEL 2. No cálculo do imposto incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente em decorrência de decisão judicial, devem ser aplicadas as alíquotas vigentes à época em que eram devidos os referidos rendimentos. (destaquei). Destaco também a data dessas decisões, sendo uma de 2006 e outra de 2008, portanto, há muito que o Tribunal vem aplicando tal entendimento. No caso em comento, para encorpar a fundamentação, transcrevo ainda o que disse o TRT da 9ª região, ao apreciar recursos interpostos pelas partes (fl. 101/102): "Assim sendo, entende a Turma que devem ser observadas as determinações do art. 46, da Lei nº 8.541/92, a fim de que as reclamadas procedam á devida retenção do imposto de renda na fonte, mês a mês a retenção de forma única pela totalidade dos créditos acarretaria um excessivo ônus ao reclamante, o qual não foi responsável pela ausência do pagamento das verbas salariais devidas na época oportuna, de acordo com a capacidade contributiva do reclamante (art. 145 da CF/88) e segundo as tabelas mensais editadas pela Receita Federal." Ainda, no REsp 783.724/RS Recurso Especial 2005/01589590, Rel. Ministro Castro Meira, data do julgamento em 15/08/2006, o Relator bem demonstra que a aplicação da interpretação que deve ser dada ao artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, em relação à forma de apurar o valor do tributo incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, não se distingue em relação ao motivo da demora no recebimento, sejam benefícios previdenciários, onde a fonte pagadora seria o INSS, ou verbas trabalhistas, com fonte pagadora privada, citando, indiscriminadamente, como fundamento para decidir, uma e outra situação. Transcrevo do Voto: (...) O artigo 12 da Lei 7.713/88 dispõe que o imposto de renda é devido na competência em que ocorre o acréscimo patrimonial (art. 43 do CTN), ou seja, quando o respectivo valor se tornar disponível para o contribuinte. Prevê o citado dispositivo: Fl. 126DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.000949/200971 Acórdão n.º 2801003.771 S2TE01 Fl. 127 12 "Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização." O dispositivo citado não fixa a forma de cálculo, mas apenas o elemento temporal da incidência. Assim, no caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, como dispõe o art. 12 da Lei 7.713/88, mas o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referirem os rendimentos. Nesse sentido, há inúmeros precedentes de ambas as Turmas de Direito Público, como se observa das seguintes ementas(...) (sublinhei) O que o STJ entende, na minha modesta leitura, seguindo aliás a melhor doutrina, é que existem, dentre outros, dois aspectos distintos do fato gerador, e que o artigo 12 da Lei nº 7.713/1998 rege o aspecto temporal, mas não o aspecto quantitativo: Aspecto quantitativo do Fato Gerador: neste aspecto, destacam se a base de cálculo e a alíquota. Na operação de lançamento tributário, após a verificação da ocorrência do fato gerador, da identificação do sujeito passivo e da determinação da matéria tributável, há que se calcular o montante do tributo devido aplicandose a alíquota sobre a base de cálculo. Esta é, pois, uma ordem de grandeza própria do aspecto quantitativo do fato gerador. Aspecto temporal do Fato Gerador: é de fundamental importância esse aspecto para definição da lei aplicável, segundo o princípio tempus regit actum. Esse aspecto diz respeito ao momento da consumação ou da ocorrência do fato gerador, ....(HARADA. Kiyoshi. Direito Financeiro e Tributário, 23ª ed, Atlas : São Paulo, 2014, p. 544/545) Considerando que a jurisprudência do Tribunal Superior, a quem compete promover a interpretação última da lei federal, já se posicionou pela forma como deve ser interpretado o art. 12 da Lei nº 7.713/1988, esclarecendo que não se trata de negarlhe aplicação ou muito menos de conferirlhe inconstitucionalidade, verifico então que existe erro de cunho material na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da legislação, destoante de interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial, usando essa interpretação como fonte de aplicação do direito e fundamento para decidir. Assim sendo, desnecessário discutir sobre a natureza das verbas envolvidas. DA GLOSA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE Houve, ainda, a constatação da infração identificada como “compensação indevida de imposto de renda retido na fonte” (IRRF), relativa à fonte CNPJ 76.483.817/0001 20, Companhia Paranaense de Energia Copel, no importe de R$ 2.176,22, correspondente ao Fl. 127DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.000949/200971 Acórdão n.º 2801003.771 S2TE01 Fl. 128 13 processo trabalhista e, segundo empreendeu a fiscalização, referente a retenção do imposto pertinente ao 13º salário. Ora, se entendemos acima que a parte do lançamento que versa sobre forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, no curso de Ação Trabalhista, estava incorreto, o mesmo raciocínio devese aplicar ao cálculo do imposto de renda retido sobre essa verba (13º salário) e verifico impropriedade no montante apurado pela Fiscalização (fl. 17/18). Assim, se o valor da retenção na fonte declarado está equivocado, é de se observar que o valor dos rendimentos declarados também. Portanto, o raciocínio empreendido pela Autoridade Fiscal, nesse ponto, apesar de materialmente correto em relação à tributação do 13º salário, fica quantitativamente prejudicado. Pelo exposto e pelos mesmos fundamentos discorridos no item anterior, entendo pelo cancelamento da infração sobre imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 2.176,22. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO por dar provimento ao recurso para cancelar as exigências fiscais consubstanciadas na Notificação de Lançamento de fls. 16 a 20. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 128DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 13820.000384/2005-71
Data da sessão: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Dec 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2001
SIMPLES EXCLUSÃO ENSINO MÉDIO - VEDAÇÃO - PERDA DE OBJETO . MATÉRIA QUESTIONADA EM PROCESSO PRÓPRIO.
O assunto relativo a exclusão do SIMPLES efetuada pela Receita Federal não é objeto deste processo, uma vez que tal matéria foi questionada em processo próprio e já devidamente apreciado e julgado.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3803-000.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso voluntário por perda de objeto, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF)
Participaram do presente julgamento os conselheiros Anelise Daudt Prieto (Presidente), André Luiz Bonat Cordeiro, Regis Xavier Holanda e Jorge Higashino (Relator).
Nome do relator: Francisco José Barroso Rios
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2001 SIMPLES EXCLUSÃO ENSINO MÉDIO - VEDAÇÃO - PERDA DE OBJETO . MATÉRIA QUESTIONADA EM PROCESSO PRÓPRIO. O assunto relativo a exclusão do SIMPLES efetuada pela Receita Federal não é objeto deste processo, uma vez que tal matéria foi questionada em processo próprio e já devidamente apreciado e julgado. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso voluntário por perda de objeto, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF) Participaram do presente julgamento os conselheiros Anelise Daudt Prieto (Presidente), André Luiz Bonat Cordeiro, Regis Xavier Holanda e Jorge Higashino (Relator).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1903; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 107 1 106 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13820.000384/200571 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803000.100 – 3ª Turma Especial Sessão de 20 de novembro de 2008 Matéria SIMPLES NACIONAL Recorrente UNIDRISS ENSINO GLOBALIZADO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2001 SIMPLES EXCLUSÃO ENSINO MÉDIO VEDAÇÃO PERDA DE OBJETO . MATÉRIA QUESTIONADA EM PROCESSO PRÓPRIO. O assunto relativo a exclusão do SIMPLES efetuada pela Receita Federal não é objeto deste processo, uma vez que tal matéria foi questionada em processo próprio e já devidamente apreciado e julgado. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso voluntário por perda de objeto, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF) Participaram do presente julgamento os conselheiros Anelise Daudt Prieto (Presidente), André Luiz Bonat Cordeiro, Regis Xavier Holanda e Jorge Higashino (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 0. 00 03 84 /2 00 5- 71 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Preliminarmente, ressalto que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, fui designado como redator ad hoc (fls. 105/106), para formalização do respectivo Acórdão, considerando a inexistência de relatório ou de qualquer outra memória concernente ao julgamento em tela. Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 1ª Turma da DRJ de Campinas – SP (fls. 69/71 e 96, do processo eletrônico), que por unanimidade de votos, decidiu por indeferir a solicitação da Recorrente, da inclusão retroativa, a partir de 01/01/2001, na opção pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: (...) Trata o processo de inclusão retroativa a 01/01/2001, sob a argumentação, em síntese, que cumpre todos os requisitos para gozar do referido regime. A DRF de Santo André indeferiu o pedido do requerente (fl.33) sob a alegação de que o contrato social da pessoa jurídica indicava em seu objetivo social a “prestação de serviços no ramo de estabelecimento de ensino préescolar, 1º e 2º graus”, sendo que o ensino de 2º grau impede sua opção pelo Simples. Cientificado do indeferimento de seu pedido de inclusão retroativa em 29/03/2006 (fl.34verso), apresentou manifestação de inconformidade em 21/04/2006 (fls. 35/51), aduzindo em síntese e fundamentalmente, que: Esclarece que apesar de não ter condições financeiras de oferecer ensino médio no momento de sua constituição, fez constar essa menção em seu contrato social, porque tinha intenção de um dia exercer essa atividade, fato que não se concretizou; Alega que estava incluído no Simples e permaneceu recolhendo seus tributos dessa forma até o recebimento em 02/10/2000, do Ato Declaratório nº 137.267, sob alegação de que se tratava de atividade econômica não permitida; Diz que a Lei nº 10.034, de outubro de 2000 foi resultado de muita pressão social e discussão política, um avanço enorme, mas que, no entanto, resolveu apenas em parte o problema, pois ainda manteve a restrição para as escolas de ensino médio; Afirma que não obstante conste em seu contrato social a atividade de prestação de serviço de ensino médio, o requerente sempre exerceu a prestação de serviços de ensino infantil e fundamental, sendo que após tomar ciência da decisão recorrida providenciou alteração contratual para excluir a atividade de segundo grau, em 2004; Cita ementa do Conselho de Contribuintes referente ao ônus da prova, ressaltando que tanto no indeferimento do seu pedido de Fl. 110DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13820.000384/200571 Acórdão n.º 3803000.100 S3TE03 Fl. 108 3 inclusão bem como no ato declaratório exclusão não ficou comprovado com fatos e documentos, salvo com o texto do contrato social, que o interessado realmente exerceu a atividade vedada ao Simples. Afirma que essa conduta é totalmente reprovada, uma vez que o referido Conselho firmou entendimento de que é absolutamente necessário ficar provado que a empresa exerça alguma atividade impeditiva para que a autoridade administrativa possa efetuar a exclusão; Adverte que sofreu fiscalização por parte da Receita Federal no ano de 2004 e o agente fiscal ao verificar que o interessado não exercia atividade de ensino médio lavrou um termo de intimação fiscal solicitando a seguinte providência; “Solicitar inclusão no Simples, com data retroativa a 01/01/2001, código 256218”. Indaga porque motivo a fiscalização teria feito uma intimação com esse teor se não tivesse constatado que a empresa não exercia atividade de ensino médio; Diz que mesmo que o requerente exercesse atividade de ensino médio, o que admite apenas para argumentar, ainda assim a vedação trazida pelo inciso XIII, do artigo 9º, da Lei nº 9.317/96 não deve atingilo, haja vista que a sociedade é constituída como empresa de pequeno porte, e, não por profissionais liberais que prestam serviços de professores; A Constituição Federal garante ao cidadão o direito de livre exercício de profissão bem como a constituição de empresas sejam elas de qualquer porte. Garante, também, às microempresas e empresas de pequeno porte, tratamento diferenciado conforme expresso no art. 179. Por seu turno, a Lei nº 9.317/1996 veio regular tal situação dando as hipóteses e a forma para o exercício de tal prerrogativa constitucional; Em nenhum momento a Lei nº 9.317/96 na inteligência do art. 9º, inciso XIII, rotula o termo escola exatamente. Discorre sobre o direito dos estabelecimentos de ensino médio optarem pelo Simples, citando o artigo 209 da Constituição Federal e Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional; Assevera que a LDB (Lei das Diretrizes Básicas) estabelece em seu art.21 que a educação escolar é composta de I educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio e II ensino superior e que é evidente a função social da escola particular num Estado que não consegue desenvolver o ensino em sua plenitude; Afirma que a educação é um direito social assegurado no art. 6º da Lei Maior e que se eleva ao nível dos direitos fundamentais do homem; Traz à colação a decisão proferida pelo Egrégio Tribunal Regional da 2ª Região Fiscal, no processo nº 2002.02.01.0292991, no intuito de referendar a explanação de que “as atividades de uma entidade de ensino não se exaure na estreita expressão atividade de professor, compondose, antes, Fl. 111DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 de atividade (serviços) em tudo e por tudo semelhantes às escolas das microempresas e empresas de pequeno porte, como tal definidas no art.2º, I e II da Lei nº 9.317/96”; Repisa o mesmo texto, discorrendo em outras palavras os argumentos já mencionados e no final, solicita o deferimento de seu pedido de inclusão retroativa a partir de 01/01/2001, dizendo que face ao disposto na Carta Magna a escola da rede privada é uma opção de ensino, com relevante função social, sobretudo no momento em que a classe média enfrenta seu mais duro desafio: não desaparecer. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram conhecidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2001 CONSTITUCIONALIDADE. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade, ilegalidade e injustiças. DECISÕES ADMINISTRATIVAS/ JUDICIAIS A eficácia de decisões administrativas ou judiciais alcança apenas aqueles que originalmente figuraram na contenda. ENSINO MÉDIO. VEDAÇÃO. Não podem optar pelo SIMPLES as empresas que exercem atividade de ensino médio. Solicitação Indeferida Cientificada da referida decisão em 26/06/2007 (fl. 78), a Recorrente em 26/07/2007, tempestivamente, conforme despacho da unidade de origem de fl. 104, apresentou o recurso voluntário de fls. 79/90, com as alegações abaixo transcritas: discorre sobre a tempestividade do recurso e da inexigibilidade do arrolamento de bens e direitos como condição para seguimento do recurso voluntário; Dos fatos, alega que a Recorrente é uma empresa regularmente constituída que no ato de sua criação, em 21/01/1997, possuía como objeto de seu contrato social a prestação de serviços de ensino na área de educação infantil, fundamental e médio, estando sujeita assim, ao recolhimento de parte dos tributos que compõem a nossa carga tributária; com o objetivo de reduzir a sua carga tributaria, após a sua abertura, em 27/01/1997, a recorrente fez sua opção ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e das Microempresas e das empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), haja vista preencher todos os requisitos previstos na Lei nº 9.137/96; Fl. 112DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13820.000384/200571 Acórdão n.º 3803000.100 S3TE03 Fl. 109 5 Iniciou os recolhimentos na forma prevista nos artigos 5º e 6º, da Lei no 9.317/96 e assim permaneceu, até a data de 02 de outubro de 2.000, quando foi comunicada de sua exclusão, através do Comunicado de Exclusão nº 137.267, sob a alegação de que se tratava de "atividade econômica não permitida para o SIMPLES", nos termos do disposto no artigo 90 , inciso XIII da Lei nº 9.137/96; Que ingressou com vários recursos para modificar o ato que a excluiu do SIMPLES, mas todos restaram infrutíferos, haja vista conter em seu contrato social como objeto social, à época da expedição do Ato Declaratório a atividade de "ensino do préescolar, lº e 2º graus; No ano de 2004, quando a recorrente sofreu fiscalização, o Fisco verificando que a mesma não exercia a atividade de ensino médio, lavrou um Termo de Intimação Fiscal com a seguinte providência "SOLICITAR INCLUSÃO NO SIMPLES, COM DATA RETROATIVA A 01.01.2001, CÓDIGO 256218". Mesmo após apresentação dos documentos e alterações contratuais, a solicitação foi indeferida pela RFB; Menciona que tanto na expedição do Ato Declaratório de Exclusão como na decisão sobre a Solicitação de Inclusão, a Receita Federal, não comprovou, com fatos nem documentos, salvo com o texto do Contrato Social, que a recorrente tenha realmente praticado atividade vedada à opção pelo SIMPLES. Pelo contrário, entendendo que a mesma exerce apenas as prestações de serviços relacionadas à préescola e ensino fundamental, intimou a Recorrente a juntar uma solicitação de inclusão no SIMPLES, com data retroativa a 01/01/2001; Em razão disso, a ora recorrente entrou com manifestação de inconformidade para que o Fisco revisse a sua posição de manter a sua exclusão do SIMPLES, a qual foi julgada improcedente DRJ de Campinas nos termos da decisão recorrida; Que não obstante contivesse em seu contrato social a atividade de prestação de serviços de ensino médio, desde a sua fundação, a recorrente desde o inicio exerce APENAS prestação de serviço de ensino infantil e fundamental e que após a sua exclusão providenciou alteração no seu contrato social para excluir de seu objeto social a atividade de ensino médio. Do Direito, alega que a Recorrente, preenche totalmente as condições impostas pela legislação, pois além de exercer atividade de préescola e ensino fundamental, a sua opção pelo SIMPLES se deu no fim do ano de 1.998. A partir de então pagou todos os tributos e contribuições federais; Portanto, amparada no fato de que a Lei no 10.034/2000 e a IN SRF nº 115/2000, terem assegurado à RECORRENTE o direito de permanecer como optante do SIMPLES, concluise que a decisão recorrida deve ser reformada, citando, para tanto, várias decisões administrativas do CARF; Alega ainda que não houve nos autos, a comprovação de que a empresa exerce atividade proibitiva, portanto, não há que permanecer a sua exclusão. Cita vários julgados administrativos nesse sentido. Por fim, requer a procedência do recurso voluntário, reformando a decisão recorrida e determinado a inclusão da recorrente no Simples com data retroativa a 01/01/2001. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fls. 105/106), uma vez que a conselheira relatora, Maria de Fátima Oliveira Silva, não mais compõe este colegiado, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. 1) Admissibilidade do recurso O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Razão pela qual, dele conheço. 2) Do mérito A Lei nº 10.034, de 24 de outubro de 2000 e Instrução Normativa SRF nº 115, de 27 de dezembro de 2000, permitiram a opção pelo Simples a partir de 01/01/2001, às pessoas jurídicas que se dedicassem às atividades de creches, préescolas e estabelecimentos de ensino fundamental, que é a atividade que o interessado diz exercer em seu recurso. Impõese analisar a inclusão retroativa a partir de 01/01/2001, com a documentação trazida nos autos, qual seja, o contrato social e suas respectivas alterações. Para melhor esclarecer, observese trecho abaixo transcrito da decisão DRJ: (...) A DRF de Santo André indeferiu o pedido do requerente (fl.33) sob a alegação de que o contrato social da pessoa jurídica indicava em seu objetivo social a “prestação de serviços no ramo de estabelecimento de ensino préescolar, 1º e 2º graus”, sendo que o ensino de 2º grau impede sua opção pelo Simples. Neste contexto, verificase quanto ao mérito que a Recorrente teve o indeferimento de seu pedido de inclusão, com fulcro na Lei nº 9.317, de 1996, art. 9º, XIII, que veda a opção pelo Simples à pessoa jurídica que preste serviços: (i) relativos às profissões expressamente listadas, dentre elas, a de professor; (ii) profissionais assemelhados àqueles listados no mesmo inciso, e (iii) profissionais de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Assim, no presente processo, a questão apresentada limitase a verificar se a recorrente, em razão das atividade que desenvolve, pode permanecer incluído no regime simplificado de tributação (SIMPLES). Objetivando melhor esclarecer a lide em questão, reproduzimos abaixo, mais trechos da decisão recorrida: (...) Caracterizadas pela atividade exercida, por citação literal ou semelhança, as duas primeiras hipóteses são distintas e independentes da terceira, bastando que a pessoa jurídica incorra em uma só delas para que sua inscrição no Simples seja Fl. 114DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13820.000384/200571 Acórdão n.º 3803000.100 S3TE03 Fl. 110 7 vedada. Cabe esclarecer que a vedação não atinge somente o profissional, mas a empresa (pessoa jurídica) que preste os serviços discriminados no inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317 de 1996. O indeferimento se apóia na primeira hipótese de vedação, isto é, a prestação de serviços de professor, uma vez que essa atividade indica o ensinamento de uma técnica ou uma disciplina, conduzindo o aprendizado de outros, seja pela transmissão de orientações técnicas, seja por desenvolver e aplicar exercícios que contribuam para aprimorar o desempenho dos alunos, ou qualquer meio que vise a transmissão de conhecimento. Criar outras denominações não muda a natureza da atividade. Na verdade, não há como superar a vedação contida na legislação, levandose em conta o objeto social da empresa, registrado em 02/01/1997 que diz “a sociedade tem por objetivo social a prestação de serviços no ramo de estabelecimento de ensino préescolar, 1º e 2º graus, podendo ser ampliada suas atividades sociais, para o bom desenvolvimento moral, social e cívico da infância e juventude brasileira, voltadas para o crescimento do ensino no país” . Ressaltese que em 02/01/2001 houve uma alteração contratual na qual mantevese inalterada a cláusula referente ao objeto social. Posteriormente, ou seja, somente na 4ª alteração contratual de 19/11/2003, registrada em 17/03/2004 (fl. 57 verso) foi modificado o objeto social para “prestação de serviços na área de educação préescolar e ensino fundamental.” Diante desses fatos, impende enfatizar que o alvo da sistemática do Simples, é a empresa e não o exercício das profissões; e como o contribuinte tem em seu 1º objeto social a prestação de ensino de segundo grau, está impossibilitada de exercer a opção pela sistemática simplificada de tributação, a não ser que ficasse comprovado (e não simplesmente alegado) por meio hábil e idôneo que a atividade descrita em seu objeto social não foi efetivamente exercida. Como se vê, o cerne da questão destes autos consiste, portanto, em saber se tais atividades econômicas impedem ou não a adesão ao sistema simplificado de tributação (SIMPLES). Vejase mais um trecho da decisão a quo: (...) Ademais disso, cumpre salientar que o contribuinte se contradiz nas suas justificativas, uma vez que por um lado, nega a prestação de serviços de ensino de 2º grau, expressamente consignada no seu objeto social, e, por outra, procura fazer conjeturas sobre a possibilidade das escolas de ensino médio optarem pelo Simples. Entretanto, devese frisar que não foi trazido aos autos nenhum documento que corroborasse sua afirmação inicial de que desde o início sua atividade se restringiu a prestação de serviços de ensino infantil e Fl. 115DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 fundamental. Observese que, tratandose de um pedido do contribuinte para inclusão no Simples com efeitos retroativos, e tendo em conta que o interessado sustenta uma pretensão contrária ao que está estabelecido em seu contrato social, caberia a ele o ônus de provar que as atividades efetivamente exercidas são aquelas permitidas pela sistemática, demonstrando que não incorre em nenhum tipo de vedação à opção por esse sistema. Essa prova poderia também ser feita, por exemplo, com as notas fiscais de serviços que abrangessem a totalidade de seu faturamento para alguns períodos de apuração, fato que não se verifica. Nesse sentido, ainda, digase que o fato de o auditor fiscal ter orientado o contribuinte a efetuar a inclusão no Simples com data retroativa não suprimi o dever do interessado de comprovar o preenchimento das condições para a opção, como acima dito. Conforme se verifica dos autos, o contribuinte foi excluído sob o pressuposto de que exerce atividades educacionais para o ensino de segundo grau. Pois bem. Quanto ao fato da exclusão referenciada, constatase pela pesquisa efetuada no sistema SIVEX – Sistemas de Vedações e Exclusões do SIMPLES da Receita Federal, juntada aos autos às fls. 66, em pesquisas no site do CARF e conforme consta da decisão recorrida, que a Recorrente teve uma exclusão com efeitos a partir de 01/02/1999, cujo Ato Declaratório foi o de nº 137.267 de 09/01/99 – expedido pela DRF de Santo André (SP), o qual teve a apresentação de recurso (gerado o PAF nº 13820.000441/9911); a SRS Solicitação de Revisão da Vedação/Exclusão do SIMPLES nº 08114376348, este julgado e também indeferido pela DRJ/Campinas, ratificando o Ato Declaratório. Irresignado, a Recorrente apresentou recurso voluntário ao CARF, onde foi proferido Acórdão nº 202.12.522, de 18/10/2000, que por unanimidade de votos negou provimento ao recurso. Posteriormente recebeu outro Ato Declaratório – ADE nº 376.348, que surtiu seus efeitos a partir de 01/11/2000, o qual também foi objeto de SRS. Verificase, ainda, que a referida SRS foi indeferida, originando o PAF nº 13820.000829/200190, que também teve a manifestação de inconformidade indeferida pelo Acórdão nº 7.600, de 29 de setembro de 2004, proferida pela DRJ de Campinas (SP), que por sua vez, após a protocolização do recurso voluntário, em 22/03/2006 teve a Resolução nº 30101562, da Primeira Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, que converteu o julgamento em diligência para apurar se a atividade do contribuinte contemplava o ensino de 2º grau ou não. Contudo, podemos verificar no sitio deste CARF, que o processo nº 13820.000829/200190, foi analisado e julgado em 08/11/2007, resultando no Acórdão nº 301.34163, que por unanimidade de votos, a 1ª Câmara do 3º Conselho, decidiu pela anulação do processo, o que significa dizer que a decisão deste processo, ora sob análise, perdeu o seu objeto. Posto isto, o assunto relativo a exclusão do SIMPLES efetuada pela Receita Federal não é objeto deste processo, uma vez que tal matéria foi questionada no PAF nº 13820.000829/200190 (processo próprio) e já devidamente apreciado e julgado por este CARF. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13820.000384/200571 Acórdão n.º 3803000.100 S3TE03 Fl. 111 9 Concluindo, ante o acima exposto, repisamos que o assunto relativo a exclusão do SIMPLES efetuada não é objeto deste processo, uma vez que foi questionada em processo próprio acima referenciado. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário por perda de objeto. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc Fl. 117DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 11686.000405/2008-68
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS DIFERENÇA A EXIGIR NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
A sistemática de ressarcimento da COFINS e do PIS não-cumulativos não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores como o de créditos presumidos de ICMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam, subtraídas do montante a ressarcir.
Em tal hipótese, para a exigência de tais Contribuições necessário seja efetuado lançamento de oficio..
PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART 8º DA LEI N.10.925/2004. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE.
O crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/04, só pode ser utilizados para a dedução de Pis e Cofins no mês de sua apuração, não podendo ser utilizado em pedido de ressarcimento ou de compensação de períodos diversos de apuração. Precedentes do STJ.
DESPESAS PÓS PRODUÇÃO. MANIPULAÇÃO E PRESERVAÇÃO DE MERCADORIAS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se equipara a despesa de armazenagem as despesas incorridas com manipulação de mercadorias destinadas a exportação, necessárias à manutenção de sua integridade física ou a seu embarque, incorridas na zona primária ou na zona secundária. Por falta de previsão legal, tais despesas não geram direito a crédito do PIS e da Cofins.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-001.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a preliminar de necessidade de lançamento quando a autoridade inclui valores na base de cálculo da exação, suscitada pelo conselheiro relator. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Walber José da Silva e Amauri Amora Câmara Júnior. O conselheiro Walber José da Silva fará declaração de voto. No mérito, negado provimento ao recurso voluntário nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, quando ao ressarcimento do crédito presumido; (ii) pelo voto de qualidade, quanto ao pleito do crédito das despesas objeto da glosa. Vencidos, nesta parte, os Conselheiros Alexandre Gomes (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor, nesta parte.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 17/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Amauri Amora Câmara Júnior, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS DIFERENÇA A EXIGIR NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A sistemática de ressarcimento da COFINS e do PIS não-cumulativos não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores como o de créditos presumidos de ICMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam, subtraídas do montante a ressarcir. Em tal hipótese, para a exigência de tais Contribuições necessário seja efetuado lançamento de oficio.. PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART 8º DA LEI N.10.925/2004. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE. O crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/04, só pode ser utilizados para a dedução de Pis e Cofins no mês de sua apuração, não podendo ser utilizado em pedido de ressarcimento ou de compensação de períodos diversos de apuração. Precedentes do STJ. DESPESAS PÓS PRODUÇÃO. MANIPULAÇÃO E PRESERVAÇÃO DE MERCADORIAS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Não se equipara a despesa de armazenagem as despesas incorridas com manipulação de mercadorias destinadas a exportação, necessárias à manutenção de sua integridade física ou a seu embarque, incorridas na zona primária ou na zona secundária. Por falta de previsão legal, tais despesas não geram direito a crédito do PIS e da Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS DIFERENÇA A EXIGIR NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A sistemática de ressarcimento da COFINS e do PIS nãocumulativos não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores como o de créditos presumidos de ICMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam, subtraídas do montante a ressarcir. Em tal hipótese, para a exigência de tais Contribuições necessário seja efetuado lançamento de oficio.. PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART 8º DA LEI N.10.925/2004. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE. O crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/04, só pode ser utilizados para a dedução de Pis e Cofins no mês de sua apuração, não podendo ser utilizado em pedido de ressarcimento ou de compensação de períodos diversos de apuração. Precedentes do STJ. DESPESAS PÓS PRODUÇÃO. MANIPULAÇÃO E PRESERVAÇÃO DE MERCADORIAS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Não se equipara a despesa de armazenagem as despesas incorridas com manipulação de mercadorias destinadas a exportação, necessárias à manutenção de sua integridade física ou a seu embarque, incorridas na zona primária ou na zona secundária. Por falta de previsão legal, tais despesas não geram direito a crédito do PIS e da Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 04 05 /2 00 8- 68 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000405/200868 Acórdão n.º 3302001.744 S3C3T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a preliminar de necessidade de lançamento quando a autoridade inclui valores na base de cálculo da exação, suscitada pelo conselheiro relator. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Walber José da Silva e Amauri Amora Câmara Júnior. O conselheiro Walber José da Silva fará declaração de voto. No mérito, negado provimento ao recurso voluntário nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, quando ao ressarcimento do crédito presumido; (ii) pelo voto de qualidade, quanto ao pleito do crédito das despesas objeto da glosa. Vencidos, nesta parte, os Conselheiros Alexandre Gomes (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor, nesta parte. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 17/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Amauri Amora Câmara Júnior, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Porto Alegre: Trata o presente processo de Pedidos Eletrônicos de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (Perdcomp) referentes a PIS não cumulativo de exportação correspondente ao quarto trimestre de 2006. Em 30/01/2007, foi transmitido pedido de ressarcimento (PER — n° 16164.43248.300107.1.1.087020) informando crédito no valor de R$ 1.477.668,16 para o período, sendo o valor passível de ressarcimento e objeto da solicitação R$ 1.077.960,29. Transmitida também declaração de compensação (Dcomp n° 10760.93401.300107.1.3.083416) na qual utiliza parte do valor, R$ 950.000,00, para a compensação de débito. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000405/200868 Acórdão n.º 3302001.744 S3C3T2 Fl. 4 3 Para examinar os valores dos créditos em cumprimento a Mandado de Procedimento Fiscal, foi realizada ação fiscal junto à interessada pela DRF em Porto Alegre, originando o Despacho Decisório n° 220/2009 (fl. 40) que reconheceu parcialmente o direito creditório no valor de R$ 439.658,61, homologando a compensação até este valor. O Despacho Decisório foi emitido com base na Informação Fiscal das fls. 29 a 33. A diferença entre o crédito pleiteado e o reconhecido deveuse aos seguintes fatores. Em primeiro lugar, a interessada não incluiu na base de cálculo da contribuição os valores dos créditos presumidos de ICMS e cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros. Em segundo, por ter incluído no valor passível de ressarcimento o crédito presumido das atividades de agroindústria. Cita ainda, a Informação Fiscal, que a empresa aplicou alíquota indevida para o crédito de atividades agroindustriais, sendo, na compra de suínos vivos e de milho, aplicável a alíquota de 35%, e não 60%. Por fim, por ter calculado crédito indevidamente sobre despesas de capatazia, movimentação de carga e descarga e outras relacionadas, no item correspondente às "despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda". A empresa foi cientificada do Despacho Decisório, Informação Fiscal e cobrança dos valores indevidamente compensados em 06/07/2009 (fl. 45). A empresa apresentou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade em 22/07/2009 (fls. 46 a 109), contestando todas as glosas efetuadas. Relativamente ao crédito presumido de ICMS, afirma que somente constitui receita, e portanto base de cálculo das contribuições para o PIS/Cofins, o ingresso de novos valores ao patrimônio da empresa. Como os créditos de ICMS não configuram esta situação, e sendo a empresa beneficiária de crédito presumido de ICMS sobre a comercialização de produtos alimentícios em operações interestaduais, considera incorreto o procedimento da sua inclusão como receita para o cálculo das contribuições. Argumenta que a RFB amplia o conceito legal e transcreve decisão do Conselho de Contribuintes favorável a sua tese. Com o mesmo raciocínio, analisa a transferência de créditos do ICMS para terceiros, alegando que as quantias recebidas seriam na verdade redução de despesa, e no balanço passam da conta "tributos recuperáveis" para "caixa", ambas do ativo da empresa. Já quanto à compensação indevida de crédito presumido de atividades agroindustriais, pretende fazer jus à utilização do benefício para as agroindústrias, conforme previsto na Lei n° 10.925/2004, já que tem por objetivo, dentre outros, a industrialização de produtos alimentares derivados de aves, suínos, bovinos e outros animais. A possibilidade de ressarcimento em dinheiro ou de compensar os saldos dos créditos veio através do artigo 16 da Lei n° 11.116/2005. A restrição tanto ao ressarcimento quanto à compensação teria sido ordenada pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005, reforçada pela Instrução Normativa SRF n° 636/2006, revogada pela IN SRF n° 660/2006. As restrições de disposições Fl. 242DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000405/200868 Acórdão n.º 3302001.744 S3C3T2 Fl. 5 4 de Lei, assim implementadas via Ato Declaratório Normativo ou Instrução Normativa, afrontariam os princípios da legalidade, da não cumulatividade, da isonomia e da neutralidade da tributação. No que se refere à alíquota a ser aplicada sobre os insumos comprados para a agroindústria, entende que a Instrução Normativa SRF n° 660/06 modificou o estabelecido pela Lei n° 10.925/2004. Argumenta que uma Instrução Normativa não poderia alterar a alíquota estabelecida por Lei, direcionada às empresas produtoras dos produtos especificados (de origem animal classificados nos capítulos 2 a 4 e 16 e códigos 15.01 a 15.06 e 1516.10 da NCM), e não às que adquirem os produtos em questão como insumos. Contesta também a glosa de créditos referentes ao item correspondente às despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Descreve todas as atividades referentes aos valores glosados, em particular a capatazia, movimentação de carga e descarga, serviços de monitoramento e a taxa de risco, correspondentes as mercadorias destinadas à exportação. Argumenta que são custos indispensáveis, sem os quais não há venda ou exportação. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. O crédito presumido do ICMS integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não existe previsão legal para a exclusão do crédito presumido de ICMS da base de cálculo do tributo. PIS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS. Os valores recebidos em decorrência de transferência onerosa de créditos de ICMS devem ser incluídos na base de cálculo da contribuição, exceto nas hipóteses de créditos oriundos de operações de exportação a partir de 1° de janeiro de 2009. PIS. CRÉDITOS PRESUMIDOS. AGROINDÚSTRIA. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. A partir de 1° de agosto de 2004, os créditos presumidos da agroindústria somente podem ser aproveitados como dedução da própria contribuição devida em cada período de apuração, não existindo previsão legal para que se efetue a sua compensação com os demais tributos ou o seu ressarcimento. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000405/200868 Acórdão n.º 3302001.744 S3C3T2 Fl. 6 5 PIS/COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. A pessoa jurídica somente poderá descontar os créditos listados na legislação de regência, sendo considerados como insumos: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada É o relatório. Voto Vencido Quanto aos créditos das despesas pós produção. Voto Vencedor Quanto às demais matérias. Conselheiro ALEXANDRE GOMES, Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório acima são três os tópicos a serem analisados no presente processo: (i) a reconstituição da base de calculo do PIS para fazêlo incidir sobre os créditos presumidos de ICMS que Recorrente faz jus bem como sobre as transferências para terceiros de seus saldos credores de ICMS; (ii) a glosa dos créditos relacionados as despesas de frete na operação de venda, capatazia, movimentação de carga e descarga, serviços de monitoramento e a taxa de risco; e, (iii) a limitação ao ressarcimento e a compensação do credito presumido estabelecido pelo art. 8º da Lei 10.925/05; Fl. 244DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000405/200868 Acórdão n.º 3302001.744 S3C3T2 Fl. 7 6 Para melhor entendimento trato pontualmente cada um dos itens acima listados. (i) a reconstituição da base de calculo do PIS para fazêlo incidir sobre os créditos presumidos de ICMS que Recorrente faz jus bem como sobre as transferências para terceiros de seus saldos credores de ICMS A Fiscalização ao analisar o pedido de ressarcimentos de créditos decorrentes da não cumulatividade do PIS, entendeu por bem glosar parte dos créditos pleiteados sob o argumentos que a Recorrente deixou de incluir na base de cálculo da contribuição declarada e recolhida valores relativos aos créditos presumidos de ICMS que Recorrente faz jus bem como sobre as transferências para terceiros de seus saldos credores de ICMS. Independente da questão de se tratarem ou não de novas receitas nos termos da Lei 10.637/02, há tema de fundo que merece análise preliminar, qual seja, a modificação da base de cálculo do tributo em sede de declaração de compensação. A matéria tratada é de ordem publica, podendo ser conhecida de ofício pelo julgador administrativo, pois claramente ofende o principio da legalidade, afrontando o disposto nos 13, § I; 114, 115, 116, incisos te II, 142, 144 e 149, todos do Crédito Tributário Nacional. O Conselho Administrativo de Recurso Fiscais tem reiteradamente se manifestado a respeito do tema, como na ementa abaixo transcrita: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO AO PIS NO REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS GERADOS. PEDIDO DE, COMPENSAÇÃO DOS CRÉDITOS COM OUTROS TRIBUTOS. FISCALIZAÇÃO PARA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO NO MESMO PERÍODO. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO. A sistemática de creditamento da COFINS e do PIS não cumulativos não permite que, em pedido de compensação, seja sumariamente subtraída, do montante a ressarcir, a diferença de valores que a fiscalização considerar como recolhidos a menor, decorrentes da revisão da apuração da base de cálculo da contribuição. Se a fiscalização entende que valores como o de transferências de créditos de ICMS devem sofrer a incidência da Contribuição, tem de promover a sua exigência necessariamente por meio de lançamento de oficio, não podendo fazer a subtração sumária do crédito que o contribuinte utilizou para o pagamento de outros tributos, que ficariam a descoberto. Recurso Voluntário Provido. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000405/200868 Acórdão n.º 3302001.744 S3C3T2 Fl. 8 7 Do voto do eminente Conselheiro Ivan Alegretti, cito e adoto como razão de decidir o seguinte trecho: “Assim, por entender que o contribuinte teria deixado de fazer incidir a Contribuição ao PIS em relação aos valores correspondentes à venda de créditos de 1CMS, a Fiscalização utilizou parte do saldo de créditos para o pagamento do valor que corresponderia ao débito de PIS relativo à venda de créditos de ICMS. Na linha de manifestações anteriores deste Conselho, entendo que o procedimento é equivocado. A sistemática não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS não funciona tal como a sistemática de apuração do IPI, como parece pretender a Fiscalização. No caso do IPI se promove a escrituração de créditos e débitos para, no final do período de apuração, mediante o balanço entre tais valores, obterse (a) ou um saldo credor que é transferido para aproveitamento no período subseqüente (b) ou um saldo devedor —que implica em recolhimento do tributo. No caso do PIS e da COFINS a incidência e a apuração não dependem do confronto entre créditos e débitos. Sua incidência se dá sobre a receita ou o faturamento, determinando o valor devido, independente da existência de créditos que possam ser usados para redução deste valor. Com efeito, a única diferença da sistemática não cumulativa reside em permitir que "Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação (...)" (art. 3º da Lei n" 10,637/2002 e da Lei nº 10833/2003). É nítido, portanto, que os créditos gerados no sistema não cumulativo da COFINS e do PIS não compõem nem interferem na apuração da base de cálculo destas mesmas Contribuições. No âmbito do pedido de compensação que utiliza créditos de PIS não cumulativo não é cabível que a Fiscalização utilize parte do crédito a titulo de "irregularidade", reduzindo o saldo de créditos — como meio indireto para promover a revisão e ampliação da base de cálculo da Contribuição, para o efeito de cobrança dos valores que entende devidos Se a Fiscalização entende que determinado valor recebido pelo contribuinte configura receita sujeita às referidas Contribuições, de modo que o contribuinte teria declarado e recolhido tributo menor que o devido, é imprescindível que promova a constituição do crédito pelo meio próprio: o lançamento. Confirase, ademais, que o presente entendimento reitera a jurisprudência deste Conselho em julgamentos anteriores: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COF1NS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS DIFERENÇA A EXIGIR NECESSIDADE DE LANÇAMENTO Fl. 246DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000405/200868 Acórdão n.º 3302001.744 S3C3T2 Fl. 9 8 DE OFÍCIO A sistemática de ressarcimento da COFINS e do PIS nãocumulativos não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores como o de transferências de créditos de 1CMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam ,subtraídas do montante a ressarcir. Em tal hipótese, para a exigência tias Contribuições carece seja efetuado lançamento de oficio.. RESSARCIMENTO. COFINS NÃOCUMULATIVA. JUROS SELIC INAPLICABILIDADE. Ao ressarcimento não .se aplicam os juros Sebe, inconfundível que é com a restituição ou compensação, sendo que no caso do PIS e COFINS não cumulativos os arts. 13 e 15, VI, da Lei n" 10833/2003, vedam expressamente tal aplicação. Recurso provido em parte. (Acórdão 2031.1852, Recurso Voluntário nº 130.611, Conselheiro EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS D.O.U de 06/06/2007, Seção I, pág. 49) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL LANÇAMENTO. Constatado que, na apuração do tributo devido, no âmbito do lançamento por homologação, o sujeito passivo não oferecera à tributação, matéria que a fiscalização julga tributável, impõese o lançamento para formalização da exigência tributária. pois a mera glosa de créditos legítimos do .sujeito passivo configura irregular compensação de oficio com crédito tributário ainda não constituído e, portanto, destituído da certeza e da liquidez imprescindíveis a sua cobrança. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PIS NÃO CUMULATIVO . ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA . .1NCABÍVEL. É incabível a atualização monetária do .saldo credor do PIS não cumulativo objeto de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Recurvo Voluntário nº 140.760, PA nº 11065.002884/200511, Conselheira SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, j. 22/07/2008) No mesmo sentido cito ainda: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PIS/Pasep NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. ERRO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/Pasep . LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A sistemática de ressarcimento do PIS/Pasep Não Cumulativo não exime a autoridade fiscal de proceder ao lançamento de ofício para exigir eventual diferença da contribuição deduzida Fl. 247DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000405/200868 Acórdão n.º 3302001.744 S3C3T2 Fl. 10 9 do valor do crédito para fins de ressarcimento. No caso, a autoridade fiscal limitouse a reduzir o valor do saldo a ressarcir mediante mero ajuste escriturai, aumentando o valor da contribuição ao PIS/Pasep diminuída do ressarcimento, em detrimento de lançamento de ofício para a constituição do crédito tributário correspondente. RESSARCIMENTO PIS/PASEP REGIME NÃO • CUMULATIVO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. O artigo 15, combinado com o Artigo 13, ambos da Lei n° 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento Recurso provido em parte (Processo n° 11065.005339/200315. Recurso n° 134.005 Relator ODASSI GUERZONI FILHO. J 27/01/2007) Como se vê, é fato inconteste que, havendo discordância da base de cálculo utilizada para a apuração da contribuição devido no mês é dever da autoridade fiscal promover o respectivo lançamento, não sendolhe permitido, em substituição a este, promover a glosa de créditos em pedidos de ressarcimento ou de compensação. Diante dos precedentes citados, entendo que as glosas decorrentes da não inclusão na base de calculo do PIS dos valores relativos ao credito presumido de ICMS bem como as transferências para terceiros de saldos credores do ICMS devem ser canceladas, e eventual discussão a cerca da incidência sobre as operações efetuadas pela Recorrente deverá ser tratada mediante lavratura de auto de infração. (ii) a glosa dos créditos relacionados as despesas de frete na operação de venda, capatazia, movimentação de carga e descarga, serviços de monitoramento e a taxa de risco A fiscalização negou o direito ao crédito decorrente dos fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa ou para estabelecimentos de terceiros não clientes, nos seguintes termos: Examinandose os referidos dispositivos legais, concluise que as despesas glosadas (referentes a: estivas e capatazia, movimentação de carga e descarga e taxas vinculadas, de risco, braçagem e despesas relacionadas) não podem ser caracterizadas como gastos com insumos aplicados ou consumidos diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, razão pela qual não há como se admitir a apuração de créditos sobre esses dispêndios. Também não podem ser caracterizados como despesas com armazenagem, que é, no sentido dicionarizado da palavra, a ação de armazenar ou recolher mercadoria em um armazém. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000405/200868 Acórdão n.º 3302001.744 S3C3T2 Fl. 11 10 A lei 10.637/02 que dispõe sobre a nãocumulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), assim prescreve: Art. 3º Do valor apurado na firma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (..) § 3 O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliado no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. A Lei 10.833/03, que tratou da nãocumulatividade da COFINS, possui o mesmo dispositivo legal acima transcrito, tratando a matéria de forma igual. Do exame atento do art. 3° caput e parágrafo 1º das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, verifico que estas leis adotaram uma sistemática em que as contribuições incidem sobre a totalidade da receita auferida pela pessoa jurídica, com o desconto de créditos através da aplicação da alíquota sobre a base de cálculo, relativamente aos custos, encargos e despesas suportados pela empresa no decorrer de suas atividades. Vale destacar que a chamada “não cumulatividade” do PIS e da COFINS não guarda qualquer simetria com aquele delineado pelas legislações do IPI e do ICMS. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000405/200868 Acórdão n.º 3302001.744 S3C3T2 Fl. 12 11 Assim, a primeira diferença que destaco é de ordem jurídica: a sistemática “não cumulativa” do PIS e COFINS, diferentemente da existente para o IPI e o ICMS, não vem prevista na Constituição Federal e sim em lei ordinária. Outra diferença tem relação com o método da “não cumulatividade” formalmente erigido pelo legislador ordinário para o PIS e COFINS. Para essas contribuições, o Poder Executivo, ao editar as MPs 66/02 e 135/03, optou, conforme exposição de motivos da lei, pelo chamado “Método Indireto Substantivo” como forma de garantir apenas neutralidade parcial do impacto tributário sobre os agentes da cadeia de valor. Ou seja, na sistemática do PIS e da COFINS não cumulativa o direito ao crédito não leva em consideração o valor das contribuições pagas nas etapas anteriores, mas sim certas bases de créditos e débitos (valor dos bens e serviços) desde que sujeitos a tributação nesta etapa anterior. De outro lado, no caso do IPI, temos o método de crédito do imposto que determina que o calculo do crédito a ser utilizado leva em consideração o valor destacado de IPI na nota fiscal de aquisição dos insumos. Porém, a falta de melhor definição dos termos utilizados na Lei 10.637/02 e 10.833/03 acabou por permitir uma grande discussão a respeito do alcance da possibilidade de utilização dos créditos para abatimento das contribuições devidas. De um lado, a Receita Federal que procura restringir o direito ao crédito igualando a sistemática de apuração a do IPI, ou seja, somente dariam direito ao creditamento as aquisições de insumos que se consumirem ou se desgastarem no processo produtivo, e de outro, os contribuintes, buscando um alargamento deste conceito de insumo. A respeito do tema destaco recente decisão do Conselho Administrativo de Recurso Fiscal – CARF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO. RESSARCIMENTO. A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Recurso negado. (CSRF. Resp 248.457. Relator Henrique Pinheiro Torres Data Julgamento: 23/08/2010) Do voto do eminente Relator Henrique Pinheiro Torres, transcrevo, pela relevância para o aqui discutido, o seguinte trecho: Fl. 250DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000405/200868 Acórdão n.º 3302001.744 S3C3T2 Fl. 13 12 A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo nº 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do IPI ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de “insumos” aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão “insumos”, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que aí incluiu “serviços”, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Após analisar o tema e os dispositivos legais relacionados, assim concluiu o nobre relator: Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Como se vê, a jurisprudência administrativa do CARF caminha a passos largos para um distanciamento cada vez maior da aplicação dos conceitos do IPI na apuração dos créditos de PIS e COFINS não cumulativo. No mesmo norte, decidiu a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção do CARF, de forma unânime, nos autos do processo 11020.001952/200622, de cuja ementa destacase: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de Apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 (...) Fl. 251DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000405/200868 Acórdão n.º 3302001.744 S3C3T2 Fl. 14 13 REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e COFINS deve ser entendido como toda e qualquer despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI. Uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. (...) Recurso Voluntário provido em Parte. No judiciário a matéria também vem sendo amplamente discutida, merecendo destaque a posição firmada pela 1ª Turma do TRF 4ª Região, que por meio do acórdão de lavra do eminente Relator Leandro Paulsen, assim passou a decidir: TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. DISTINÇÃO. CONTEÚDO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003, ART. 3º, INCISO II. LISTA EXEMPLIFICATIVA. 1. A técnica empregada para concretizar a não cumulatividade de PIS e COFINS se dá por meio da apuração de uma série de créditos pelo próprio contribuinte, para dedução do valor a ser recolhido a título de PIS e de COFINS. 2. A coerência de um sistema de não cumulatividade de tributo direto sobre a receita exige que se considere o universo de receitas e o universo de despesas necessárias para obtêlas, considerados à luz da finalidade de evitar sobreposição das contribuições e, portanto, de eventuais ônus que a tal título já tenham sido suportados pelas empresas com quem se contratou. 3. Tratandose de tributo direto que incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela empresa, digam ou não respeito à atividade que constitui seu objeto social, os créditos devem ser apurados relativamente a todas as despesas realizadas junto a pessoas jurídicas sujeitas à contribuição, necessárias à obtenção da receita. 4. O crédito, em matéria de PIS e COFINS, não é um crédito meramente físico, que pressuponha, como no IPI, a integração do insumo ao produto final ou seu uso ou exaurimento no processo produtivo. 5. O rol de despesas que enseja creditamento, nos termos do art. 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, possui caráter meramente exemplicativo. Restritivas são as vedações expressamente estabelecidas por lei. 6. O art. 111 do CTN não se aplica no caso, porquanto não se trata de suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa do cumprimento de obrigações tributárias Fl. 252DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000405/200868 Acórdão n.º 3302001.744 S3C3T2 Fl. 15 14 acessórias. (TRF4, AC 000000725.2010.404.7200, Primeira Turma, Relator Leandro Paulsen, D.E. 04/07/2012) Do corpo do acórdão, vale destacar os seguintes trechos: As contribuições PIS e COFINS não incidem sobre operações; incidem sobre a receita, que é apurada mês a mês. Não há destaque a transferência jurídica a cada operação. A solução legislativa adotada para consagrar a não cumulatividade, conforme mencionado anteriormente, é o estabelecimento da apuração de uma série de créditos pelo próprio contribuinte para dedução do valor a ser recolhido a título de PIS e de COFINS. Mas o legislador não é livre para definir o conteúdo da não cumulatividade. Seja com suporte direto na lei ordinária (não havia vedação a isso) ou no texto constitucional (passou a haver autorização expressa), certo é que a instituição de um sistema de nãocumulatividade deve guardar atenção a parâmetros mínimos de caráter conceitual. A nãocumulatividade pressupõe uma realidade de cumulação sobre a qual se aplica sistemática voltada a afastar os seus efeitos. Lembrese que, forte na não cumulatividade, as alíquotas das contribuições foram mais do que dobradas (de 0,65% para 1,65%, de 3% para 7,6%), de modo que os mecanismos compensatórios tem de ser efetivos. (...) Pois bem, para que se possa falar em nãocumulatividade, temos de pressupor mais de uma incidência. Apenas quando tivermos múltiplas incidências é que se justifica a técnica destinada a evitar que elas se sobreponham pura e simplesmente, onerando em cascata as atividades econômicas. Efetivamente, só se pode assegurar a apuração de créditos relativamente a despesas que, configurando receitas de outras empresas, tenham implicado pagamento de PIS e de COFINS anteriormente. E só podem apurar créditos aqueles que estão sujeitos ao pagamento das contribuições PIS e COFINS não cumulativas. De outro lado, contudo, tratandose de tributo direto que incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela empresa, configurem ou não faturamento, ou seja, digam ou não respeito à atividade que constitui seu objeto social, impõese que se permita a apuração de créditos relativamente a todas as despesas realizadas junto a pessoas jurídicas sujeitas à contribuição, necessárias à obtenção da receita. É que, em matéria de PIS e de COFINS sobre a receita, com suporte na ampliação da base econômica ditada pela EC 20/98, não se pode trabalhar limitado à idéia de crédito físico. (...) Fl. 253DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000405/200868 Acórdão n.º 3302001.744 S3C3T2 Fl. 16 15 A coerência de um sistema de nãocumulatividade de tributo direto sobre a receita exige que se considere o universo de receitas e o universo de despesas necessárias para obtêlas, considerados à luz da finalidade de evitar sobreposição das contribuições e, portanto, de eventuais ônus que a tal título já tenham sido suportados pelas empresas com quem se contratou. (…) Tenho que a solução está em atribuir ao rol de dispêndios ensejadores de créditos constante dos arts. 3º da Lei 10.637/02 e 3º da Lei 8.833/03 e da respectiva regulamentação (e.g., IN 404/04) caráter meramente exemplicativo. Restritivas são as vedações expressamente estabelecidas por lei. Como se vê do bem estruturado e fundamentado voto acima transcrito, a primeira turma do TRF da 4ª Região passou a entender que o direito ao crédito tem intima relação com a base de calculo adotada (Receita Bruta), e que para garantia da não cumulatividade preconizada na Constituição Federal, estes deveriam ser calculados sobre todas as despesas necessárias para a obtenção da Receita Bruta. Esta interpretação contudo, ainda não pode prevalecer no âmbito administrativo pois envolve a declaração de inconstitucionalidade de diversos dispositivos das leis e decretos que passaram a reger o PIS e COFINS não cumulativos, sendo tal prerrogativa vedada ao julgador administrativo nos termos do art. 26 A do Decreto 70.235/72. Seguindo o raciocínio ditado pelas decisões já citadas, o direito ao crédito de PIS e COFINS relacionados aos custos e despesas incorridos pelas empresas, deverá sempre respeitar sua indispensabilidade ao processo produtivo em seu conceito mais amplo, devendo tal característica ser verificada caso a caso. Neste contexto, aplicando a interpretação que entendo mais adequada, verifico que assiste razão em parte a recorrente. Passo então a analisar cada um dos itens glosados para melhor enquadrálos dentro da atividade desenvolvida e de sua essencialidade para a produção dos bens da Recorrente. Os serviços de capatazia e de movimentação de carga e descarga estão assim definidos pela Recorrente: A Recorrente utilizase dos serviços de capatazia nas suas operações portuárias de vendas para o exterior. Tais serviços são prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País e dão direito a crédito calculado sobre as respectivas aquisições uma vez que são utilizados como "insumos", nos termos da IN SRF no 404/2004. Além disso, caracterizam custos que são arcados pela empresa para o envio de suas mercadorias para o exterior e para organização logística. (...) Na mesma linha que o serviço de capatazia, a Recorrente utiliza o serviço de carga e descarga nas suas operações portuárias de Fl. 254DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000405/200868 Acórdão n.º 3302001.744 S3C3T2 Fl. 17 16 vendas das suas mercadorias para o exterior. Tais serviços são prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País e dão direito a crédito calculado sobre as respectivas aquisições, já que são utilizados como "insumos", nos termos da IN SRF n o 404/2004. Além disso, caracterizam custos que são arcados pela empresa para o envio de suas mercadorias para o exterior e para organização logística. Já no tocante as despesas de monitoramento e taxas de risco, a Recorrente assim as conceituou: Imperioso neste momento, tratar do serviço de monitoramento que ocorre no armazém localizado dentro do porto. Ao chegar na área portuária, a mercadoria é depositada nas câmaras frigoríficas localizadas no interior dos armazéns. Antes de proceder o transporte da mercadoria para dentro do navio, o produto é transferido para containeres refrigerados. (...) Quanto à taxa de risco, tratase de serviço que se encontra também vinculado à armazenagem, pois, o pagamento efetuado pela Recorrente se refere a um "seguro" que é exigido para o caso extremo de perda ou roubo da mercadoria ou ainda o seu perecimento enquanto esta estiver armazenada dentro do armazém. Como se depreende da leitura dos conceitos acima transcritos, as glosas de despesas analisadas e expressamente impugnadas dizem respeito a despesas incorridas na fase de armazenamento e transporte para a exportação das mercadorias produzidas pela Recorrente. O art. 3 das Lei 10.637/02 e 10.833/03 expressamente permitiu o creditamento das despesas relacionadas ao armazenamento de mercadorias e do frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Em relação ao ônus não há lide, uma vez que induvidoso que este recaiu sobre a Recorrente. A celeuma instaurada exige que se é decida sobre qual a amplitude que se pode conferir a determinação que autoriza o creditamento das despesas de armazenagens de mercadorias nas operações de venda. Temse defendido exaustivamente que somente seria possível o creditamento de despesas relacionadas ao processo produtivo. E os argumentos são os mais diversos. Contudo, a própria legislação tratou de conferir algumas exceções como no caso do armazenamento de mercadorias para a venda, que inquestionavelmente não esta relacionado diretamente a produção da mercadoria. Diante deste impasse, deve o interprete procurar identificar na norma qual o seu melhor enquadramento, e no caso sob análise a intenção do legislador ordinário era, sem sombra de dúvida, garantir a maior desoneração possível da cadeia produtiva permitindo maior incidência tributária. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000405/200868 Acórdão n.º 3302001.744 S3C3T2 Fl. 18 17 Diante deste contexto, é correto afirmar que todas as despesas relacionadas a armazenagem dos produtos destinados a venda podem gerar direito a crédito, motivo pelo qual reconheço tal possibilidade em relação aos serviços de capatazia, movimentação de carga e descarga e os serviços de monitoramente das mercadorias.. Já em relação as despesas de taxa de risco, que segundo a Recorrente se enquadra na categoria de seguro, entendo que não há direito ao credito posto que sua essencialidade, no ponto de vista deste relator, bem como sua relação com a armazenagem dos produtos é bastante relativa. (iii) a limitação ao ressarcimento e a compensação do credito presumido estabelecido pelo art. 8º da Lei 10.925/05 Entre os valores a serem utilizados nas compensações realizadas a recorrente incluiu a parcela excedente dos créditos presumidos de que trata o art. 8º da Lei 10.925/05. Assim prescreve citado dispositivo: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Neste ponto também não assiste razão a Recorrente. A legislação é clara ao afirmar que o crédito presumido poderá ser deduzido da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração. Assim, é correto afirmar que os valores do crédito presumido não podem ser utilizados em pedidos de ressarcimento ou de compensação de períodos diversos de apuração. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000405/200868 Acórdão n.º 3302001.744 S3C3T2 Fl. 19 18 A propósito, esta também é a interpretação uníssona da Primeira Seção do STJ, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART 8º DA LEI N.10.925/2004. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE. 1. Ambas as Turmas integrantes da Primeira Seção desta Corte Superior firmaram entendimento no sentido de que o ato declaratório interpretativo SRF 15/05 não inovou no plano normativo, mas apenas explicitou vedação que já estava contida na legislação tributária vigente. 2. Precedentes: REsp 1233876/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 1.4.2011; e REsp 1118011/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2010. 3. Recurso especial não provido. (REsp 1240954 / RS. Relator. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES. Dje 21/06/2011) TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DECORRENTES DA LEI 10.925/04 COM QUAISQUER TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. CRÉDITOS NÃO PREVISTOS NA NORMA LEGAL AUTORIZADORA. ART. 11 DA LEI 11.116/05. DIREITO LÍQUIDO E CERTO NÃO EVIDENCIADO. 1. Recurso especial interposto nos autos de mandado de segurança, impetrado pela contribuinte com objetivo de ver reconhecido o direito de compensar seus créditos presumidos de PIS e de COFINS, oriundos da Lei 10.925/04, com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, nos termos do art. 16 da Lei 11.116/05. Aduz que são ilegais os atos regulamentares do Poder Executivo (Ato Interpretativo Declaratório 15/2005 e a Instrução Normativa SRF 660/2006) que se contrapõem a essa pretensão. 2. O direito à compensação tributária deve ser analisado à luz do princípio da legalidade estrita, em conformidade com o que dispõe o art. 170 do CTN: "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública". Precedentes: AgRg no Ag 1.207.543/PR, de minha relatoria, PRIMEIRA TURMA, DJe 17/06/2010; AgRg no AgRg no REsp 1012172/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 11/5/2010; AgRg no REsp 965.419/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 5/3/2008. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000405/200868 Acórdão n.º 3302001.744 S3C3T2 Fl. 20 19 3. Dispõe o art. 16, inciso I, da Lei 11.116/05: "O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria". 4. A compensação autorizada pelo art. 16 da Lei 11.116/05 não contempla a utilização dos créditos presumidos disciplinados na Lei 10.925/04, o que, por si só, à luz do art. 170 do CTN, afasta o direito líquido e certo vindicado nesta impetração. 5. Além disso, a concessão de créditos presumidos pela Lei 10.925/04 tem por escopo a redução da carga tributária incidente na cadeia produtiva dos alimentos, na medida em que a venda de bens por pessoa física ou por cooperado pessoa física para a impetrante (cerealista) não sofre a tributação do PIS e da COFINS, ou seja, dessa operação, pela sistemática da não cumulatividade, não há, Documento: 15843758 RELATÓRIO, EMENTA E VOTO Site certificado Página 7 de 8 Superior Tribunal de Justiça efetivamente, tributo devido para a adquirente se creditar. 6. Essa finalidade é suficiente para diferenciar esses créditos presumidos daqueles expressamente admitidos pela Lei 11.116/05, os quais são efetivamente existentes, por decorrerem da sistemática da não cumulatividade prevista nas Leis 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04. Aliás, a Lei 10.637/02 (com redação incluída pela Lei 10.865/04), em seu art. 3º, § 2º, inciso II, exclui de sua sistemática o crédito derivado "da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição". 7. Ademais, a própria Lei 10.925/04, em seus arts. 8º e 15, só prevê a utilização desses créditos presumidos para o desconto daquilo que for devido de PIS e de COFINS. 8. Portanto, os atos regulamentares expedidos pelo Poder Executivo ora impugnados pela recorrente, ao impedirem a compensação ora postulada, não inovaram no plano normativo nem contrariaram o disposto no art. 16 da Lei 11.116/05, mas, apenas explicitaram vedação que, como visto, já estava contida na legislação tributária vigente. 9. Recurso especial não provido. (REsp 1118011/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2010). Fl. 258DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000405/200868 Acórdão n.º 3302001.744 S3C3T2 Fl. 21 20 Assim, em que pese os argumentos e fundamentos lançados no Recurso Voluntário, está correta a decisão exarada pela DRJ de Porto Alegre neste particular. Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Voto Vencedor Quanto aos créditos das despesas pós produção. Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator Designado. Fui designado para redigir o voto vencedor relativo às glosas de créditos das despesas pós produção que não se enquadram no conceito de custo de produção e não são despesas de armazenagem de mercadoria e de frete na operação de venda, para as quais existe autorização legal para a utilização de crédito. No presente processos tratase das despesas com serviços de capatazia, monitoramente de mercadorias e movimentação de carga e descarga, que o Ilustre Conselheiro Relator considera “despesas relacionadas a armazenagem dos produtos destinados a venda”, com direito a crédito. As despesas com “taxa de risco” o Ilustre Conselheiro Relator entendeu que não geram direito ao crédito do PIS e da Cofins. Neste particular não há reparos a fazer no seu voto. Aqui acompanho o Ilustre Conselheiro Relator. No entanto, e com toda a vênia, sou obrigado a discordar do Ilustre Conselheiro Relator quando equipara à despesa de armazenagem de mercadorias, a que se refere a legislação citada no acórdão recorrido, as despesas com capatazia, movimentação de cargas e descarga e monitoramento de mercadorias, para fins de reconhecer o direito ao crédito de PIS e de Cofins. Como bem disse a decisão recorrida, o direito ao crédito relativo à despesa com armazenagem de mercadorias está previsto no artigo 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03, abaixo reproduzido: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, Fl. 259DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000405/200868 Acórdão n.º 3302001.744 S3C3T2 Fl. 22 21 de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi. [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. No caso sob exame, tratase de despesas portuárias incorridas pela Recorrente. Como bem disse a decisão recorrida, tais despesas não se confundem com despesas de armazenagem de mercadorias. Pelas informações prestadas pela Recorrente, não é possível sequer afirmarse que as mercadorias manipuladas (serviços de capatazia e de movimentação de cargas e descarga) ou monitoradas estavam (ou foram) armazenadas ou não em depósitos dentro do porto de embarque. Mesmo que estivessem armazenadas, o serviço de armazenagem é distinto dos demais serviços prestados dentro do recinto alfandegado do porto de embarque das mercadorias. Diz o Ilustre Conselheiro Relator, no que concordo, que “deve o interprete procurar identificar norma sob análise qual o seu melhor enquadramento” para concluir, no que não concordo, que “no caso sob análise a intenção do legislador ordinário era, sem sombra de dúvida, garantir a maior desoneração possível da cadeia produtiva permitindo maior incidência tributária”. Não concordo com essa conclusão por vários motivos. Primeiro, ao instituir a exceção à regra geral, criando o direito ao crédito de despesa pós produção de “armazenagem de mercadorias”, o legislador não se referiu unicamente à armazenagem de mercadorias destinadas à exportação. Segundo, além do serviço de armazenagem de mercadorias, existem vários outros serviços (e conseqüente despesas) vinculados à operação de exportação de mercadorias, que são genericamente conhecidos como serviços portuários, e são, obrigatoriamente, utilizados pelos exportadores, acarretando várias despesas para o exportador. São despesas incorridas dentro da zona primária. Quisesse o legislador conceder crédito para esses outros serviços portuários, teria feito alguma referência a eles; Terceiro, o legislador não fez nenhuma referência ao crédito de outros serviços empregados em mercadorias prontas e armazenadas. O fato das mercadorias estarem armazenadas não implica que os serviços necessários, por exemplo, à manutenção de sua integridade ou de suas qualidades intrínsecas, gerem direito a crédito. Tais serviços existem também quando as mercadorias prontas estão estocadas dentro do estabelecimento produtor e, nem por isto, gera direito a crédito. Não vejo como equiparar as despesas acima referidas à despesa de armazenagem de mercadorias, a que se refere a legislação do PIS e da Cofins. Por fim, acompanho o Ilustre Conselheiro Relator quanto às demais matérias de mérito, cujos fundamentos do voto ratifico e adoto integralmente como se aqui estivessem escrito. Lembro que fui vencido quanto à preliminar levantada pelo Relator. Sobre este ponto, fiz declaração de voto. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000405/200868 Acórdão n.º 3302001.744 S3C3T2 Fl. 23 22 No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Declaração de Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA. Quanto à preliminar de modificação da base de cálculo do tributo em sede de declaração de compensação, suscitada pelo Ilustre Conselheiro Relator, não o acompanho pelas razões que passo a discorrer. Os valores de natureza tributária a restituir ou a ressarcir pela Fazenda Nacional são espécies de despesa pública. E o pagamento de despesa pública somente pode ser realizado após a sua regular liquidação, por expressa determinação do art. 62 da Lei nº 4.320/64. E o disposto nos art. 165 e 170 do CTN é compatível com essa regra. E a liquidação da despesa pública está definida no art. 63 da Lei nº 4.320/64, ou seja, é o procedimento tendente a verificar a existência do direito do credor e a apuração da origem e objeto do que se deve pagar e da importância exata a pagar, bem como a identificação da pessoa a quem se deve pagar. A primeira conclusão que se tira desses dispositivos legais é que a atividade de liquidação da despesa é uma atividade privativa da administração pública. A segunda conclusão que se tira é que somente despesas líquidas podem ser pagas. Uma terceira constatação óbvia é que a legislação tributária que trata da restituição, do ressarcimento e da compensação não se contrapõe e nem altera os arts. 62 e 63 da Lei nº 4.320/64. Ao contrário, a eles se integra na medida em que estabelece regras para o credor contestar tanto a existência do direito pleiteado como “o exato valor” da despesa de restituição e de ressarcimento apurado pela autoridade administrativa competente. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000405/200868 Acórdão n.º 3302001.744 S3C3T2 Fl. 24 23 Dito isto, passemos à apreciação das razões da preliminar levantada pelo Ilustre Conselheiro Relator. O Ilustre Conselheiro Relator entende que a autoridade administrativa incumbida de apurar a liquidez e certeza do crédito pleiteado não pode proceder “modificação da base de cálculo do tributo em sede de declaração de compensação”. Para ele, constatando erro de apuração da base de cálculo, deve a autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, não lhes sendo permitido, em substituição ao lançamento, “promover a glosa de créditos em pedidos de ressarcimento ou de compensação”. Com as devidas vênias, ouso discordar desse entendimento porque, em primeiro lugar, há sim permissão legal (arts. 62 e 63 da Lei nº 4.320/64) para a autoridade administrativa incumbida de efetuar o pagamento da despesa publica, de restituição ou de ressarcimento, apurar, reconhecer e pagar valor diferente do pleiteado pelo credor, sem nenhuma restrição legal à forma de proceder a apuração do exato valor a restituir. Antes de avançar na discussão, é necessário deixar claro, mesmo sendo repetitivo, que a lei permite o pagamento e a compensação exclusivamente de créditos líquidos e certos de terceiros contra a Fazenda Nacional. Os crédito incertos ou ilíquidos contra a Fazenda Nacional não podem ser objeto de extinção por pagamento ou por compensação com débito do credor. Em conseqüência das disposições legais acima, qualquer que seja o motivo que levou a autoridade administrativa a reconhecer o crédito do contribuinte em valor inferior ao pleiteado, ela não pode efetuar o seu pagamento, ou a sua compensação, no valor pleiteado pelo contribuinte, sob pena de violenta agressão ao art. 62 da Lei nº 4.320/64, devendo responder administrativamente pelo delito cometido. No caso de despesa relativa a ressarcimento ou restituição de créditos de natureza tributária, ou relativo a incentivos fiscais de natureza financeira, todo o procedimento administrativo é passível de contestação, como acima se disse. Aqui chegamos em uma “encruzilhada” jurídica: o que fazer quando no procedimento de liquidação do crédito pleiteado a autoridade administrativa fazendária entende que o contribuinte apurou a menor a base de cálculo do tributo envolvido no seu pedido, com reflexos no valor a restituir, a ressarcir ou a compensar? Deve ou não a autoridade administrativa constituir o crédito tributário, pelo lançamento, resultante da apuração de diferença na base de cálculo ou na alíquota da exação? Quais são os efeitos no valor total objeto de pedido de restituição, de ressarcimento ou de compensação, havendo ou não lançamento? Quais são os efeitos no valor a restituir, a ressarcir ou a compensar não afetado pela diferença de base de cálculo, se a autoridade efetuar ou deixar de efetuar o lançamento? Começando a responder pela última questão acima, entendo que o fato de existir parcela controversa no valor ou no direito objeto do pedido do contribuinte em nada afeta o direito ao crédito e o valor reconhecidamente líquido pela administração, podendo este ser pago regularmente. É que aconteceu no caso dos autos, onde a parcela incontroversa já foi paga via compensação. Quanto aos efeitos no valor total objeto de PER/DCOMP, havendo ou não lançamento de diferença apurada e decorrente de majoração da base de cálculo ou da alíquota aplicada, entendo que também em nada afeta o direito ao crédito e o valor pleiteado. E não tem Fl. 262DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000405/200868 Acórdão n.º 3302001.744 S3C3T2 Fl. 25 24 nenhum efeito porque, imediatamente, a autoridade administrativa só está autorizado a pagar o valor líquido da dívida da Fazenda Nacional. A parte litigiosa a lei não permite o seu pagamento, como acima se viu. Se não houver o lançamento, a parcela controversa do pedido do contribuinte será decidida pelo rito do PAF no próprio processo do PER/DCOMP. Havendo o lançamento, a parcela controversa será discutido ou no processo do PER/DCOMP ou no processo do auto de infração ou notificação de lançamento ou, ainda, em ambos, simultaneamente (o que não é, tecnicamente, correto). Em qualquer caso, reconhecendo a administração a improcedência do lançamento ou da glosa (no PER/DCOMP) a parcela reconhecida será paga ao contribuinte. A segunda questão (deve ou não a autoridade administrativa constituir o crédito tributário, pelo lançamento, resultante da apuração de diferença na base de cálculo ou na alíquota da exação) é deveras controversa. Pela Nota Técnica nº 9 Cosit, de 15/02/2012, a RFB analisou a matéria para concluir, de forma dúbia, pela necessidade do lançamento, dentro do prazo decadencial, e pela dispensa do lançamento, após o prazo decadencial. É verdade que não existe norma legal tratando, objetivamente, desta matéria. No entanto, pelas razões acima exposta e tendo em mira a objetividade e a efetividade do processo administrativo, especialmente o fiscal, devese trilhar pelo caminho mais célere e mais vantajoso para o contribuinte. Na situação sob exame, a lavratura do auto de infração, ou da notificação de lançamento, me parece um procedimento estéril, servindo, no máximo, para criar constrangimentos e despesas para contribuinte. Para ilustrar nosso entendimento, partimos de um caso bem simples: um pedido de restituição de PIS pago a maior que, no curso da diligência fiscal, foi constatado que a empresa não incluiu na base de cálculo o valor de uma receita de venda de serviços e que, após a inclusão dessa receita na base de cálculo do PIS, ainda resultou em pagamento indevido a ser restituído ao contribuinte. Para uma maior clareza, vamos supor que o valor da restituição pedida pelo contribuinte foi de R$ 1.000,00 e, após a inclusão da receita de venda de serviços na base de cálculo do PIS, a RFB apurou um valor a restituir de R$ 700,00. Lavrando ou não auto de infração ou notificação de lançamento, e independente de manifestação de inconformidade do contribuinte, inicialmente a RFB só pode efetuar o pagamento da restituição de R$ 700,00 e, de fato, efetua o pagamento desse valor. O contribuinte entende, por qualquer razão, que sua receita de prestação de serviço não integra a base de cálculo do PIS e contesta a decisão do Delegado da RFB. Supondo que a RFB efetuou o lançamento do crédito tributário, no valor original de R$ 300,00 e com multa de ofício e juros de mora, e o contribuinte contestou o lançamento e o despacho decisório que deferiu, em parte, o seu pedido de restituição. As duas contestações têm o mesmo objeto. As contestações do contribuinte (impugnação e manifestação de inconformidade) podem ser consideradas procedentes ou não (para simplificar o raciocínio). Fl. 263DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000405/200868 Acórdão n.º 3302001.744 S3C3T2 Fl. 26 25 Sendo procedentes as contestações, o lançamento será cancelado e a restituição do valor original de R$ 300,00 será efetuada. Sendo improcedentes as contestações, não há crédito adicional a restituir e, também, não há como exigir da recorrente o pagamento do crédito tributário lançado, inclusive a multa de ofício, em face da existência de pagamento anterior à efetivação do lançamento. O crédito lançado está extinto por pagamento anterior ao lançamento. Num caso e no outro, o lançamento efetuado não se presta para exigir o pagamento de crédito tributário, que é a sua finalidade precípua. Para que serve o ato administrativo que não se presta a cumprir a sua finalidade? Respondo: não serve para nada! É inútil! Portanto, absolutamente desnecessário. O mesmo raciocínio acima aplicase no caso de ressarcimento de créditos do IPI, do PIS não cumulativo e da Cofins não cumulativa, onde os valores glosados são abatidos dos créditos legítimos do contribuinte. Com estes fundamentos, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada pelo Ilustre Conselheiro Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 264DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 11080.906512/2008-11
Data da sessão: Fri Jul 30 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO ORIGINÁRIO DA TRANSFERÊNCIA DE RECEITA A OUTRA PESSOA JURÍDICA. LIQUIDEZ E CERTEZA. FALTA DE COMPROVAÇÃO IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), é condição necessária para a realização da compensação tributária que o sujeito passivo seja simultaneamente titular de débito exigível e de crédito líquido e certo, recíprocos e de valor equivalente. No âmbito desse procedimento, o ônus de provar a existência do crédito a restituir é do sujeito passivo. Para tanto, devem ser apresentados, além do comprovante de pagamento indevido (Darf), os documentos fiscais comprobatórios da origem do indébito tributário (no caso, os comprovantes hábeis e idôneos da transferência dos valores das receitas para terceiras pessoas jurídicas), sem os quais não é possível a Administração tributária verificar a existência do direito creditório informado. Em consequência, a não comprovação da liquidez e certeza do crédito compensado implica não-homologação do procedimento compensatório declarado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.726
Decisão: Acordam os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
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CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO ORIGINÁRIO DA TRANSFERÊNCIA DE RECEITA A OUTRA PESSOA JURÍDICA. LIQUIDEZ E CERTEZA. FALTA DE COMPROVAÇÃO_ IMPOSSIBILIDADE. No âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), é condição necessária para a realização da compensação tributária que o sujeito passivo seja simultaneamente titular de débito exigível e de crédito líquido e certo, recíprocos e de valor equivalente. No âmbito desse procedimento, o ônus de provar a existência do crédito a restituir é do sujeito passivo. Para tanto, devem ser apresentados, além do comprovante de pagamento indevido (Darf), os documentos fiscais comprobatórios da origem do indébito tributário (no caso, os comprovantes hábeis e idôneos da transferência dos valores das receitas para terceiras pessoas jurídicas), sem os quais não é possível a Administração tributária verificar a existência do direito creditório informado. Em consequência, a não comprovação da liquidez e certeza do crédito compensado implica não- homologação do procedimento compensatório declarado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. • ,e K3uerTa de Castro - Presidente À José Fernandes do -Nascimento Relator EDITADO EM: 20/08/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Luciano Pontes de Maya Gomes, José Fernandes do Nascimento, Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Ricardo Paulo Rosa, Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela Interessada, visando a reforma do Acórdão IV 10-18.495, de 27 de fevereiro de 2009 (fls. 35/36), proferido pelos membros da 2 n Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS (DRJ/POA), cuja ementa ficou a assim redigida, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração. 01/01/2001 a 31/01/2001 Ementa.. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÀO - Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação - Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Compensação não Homologada Por meio da Declaração de Compensação (DComp) de n° 10524.93116A 60804.1.3,04-6021 (fis, 02/06), a Interessada informou a compensação do crédito, proveniente do pagamento maior do que devido da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de janeiro de 2001 (fl. 04), com o débito da dita contribuição do mês de julho/2004 (ff 05). Por meio do Despacho Decisório de fi,. 01, diante da confirmação da inexistência do valor do crédito informado, a compensação declarada não foi homologada, com base no argumento de que não fora localizado nos sistemas de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFS) o Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf), cujos dados foram reproduzidos na referida DCornp (fi. 04). Inconformada com o teor do referido Despacho Decisório, em 01/09/2008, a Interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 07/25, aduzindo as razões de defesa que foram resumidas no Relatório integrante do Acórdão recorrido, com os seguintes termos: A interessada por sua vez, contesta o Parecer alegando que ao fazer levantamento de importâncias pagas a título de Pis e Cotins, conforme disposição da Lei 9.718/98, constatou valores pagos a maior, conforme seu entendimento e documentos que teriam sido apresentados no presente processo. Contesta o Processo n" 11080.906512/2008-11 Acórdão n " 3102-00.726 S3-C1T2 Fi 2 conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, instituído pela lei acima referida. Afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável com base no disposto no art 3", inciso III, da Lei 9.718/1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Também é alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração indevida do tributo. Sobreveio o citado Acórdão, em que os membros da Turma julgadora a qua, por unanimidade de votos, não reconheceram o direito creditório informado e, por conseguinte, não homologaram a compensação declarada, com base nos seguintes argumentos: a) não caberia àquele Colegiado se manifestar acerca da inconstitucionalidade/ilegalidade de normas que têm presunção de validade e devem ser observadas pela Administração; b) o preceito da Lei n° 9.718, de 1998 (o inciso III do § 2° do art, 3°), que previa a exclusão da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep dos valores transferidos para outras pessoas jurídicas, como não tinha o atributo da autoexecutoriedade, não produziu efeitos no curso de sua vigência, pois não foi regulamentado pelo Poder Executivo até sua revogação pela Medida Provisória n° 1.991-18, de 2000; e c) não havia nos autos qualquer documentação comprobatória da liquidez e certeza dos direitos creditórios alegados, o que, de plano, já bastaria para frustrar o encontro de contas pretendido, por violação do artigo 170 do CTN. Em 25/0.3/2009, a Recorrente foi cientificada, por via postal (fl. 39), do referido Acórdão. Inconformada, em 17/04/2009 (fl. 40), interpôs o Recurso Voluntário de fis, 40/60, reafirmando as razões de defesa aduzidas na peça impugnatória e requerendo o integral provimento do presente Recurso, para que fosse determinada a homologação das compensações apresentadas, Em cumprimento ao despacho de fl. 61, os presentes autos foram enviados a este e, Conselho. Em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, na Sessão de maio do corrente ano, mediante sorteio, os presente autos foram distribuídos para este Conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiada portanto, dele tomo conhecimento. O presente processo trata de litígio concernente ao direito da Recorrente de compensar crédito proveniente do pagamento indevido ou maior que o devido da contribuição para o PIS/Pasep, referente ao mês de janeiro de 2001 (fl. 04), com débito da mesma contribuição do mês de julho de 2004 (fl. 05). De acordo com o Despacho de Decisório de fl, 01, os dados do pagamento indevido, informados pela Recorrente na citada DComp (fl. 04), não foram localizados nos sistemas de dados da RFB, o que motivou a não homologação da compensação em apreço, por inexistência de crédito_ Assim, fica evidente que a causa da não-homologação do procedimento compensatório em apreço foi a ausência da comprovação do valor do crédito informado, o que demandaria, para fins de reversão da decisão prolatada, a apresentação das provas confirmatórias da existência do suposto indébito tributário. Entretanto, ao invés de apresentar os elementos probatórios do direito creditório alegado, a defesa da Interessada limitou-se a questões de direito, acompanhada de farta citação doutrinária e jurisprudencial. Nem sequer o comprovante (o Darf) do pagamento indevido não localizado nos sistemas da RFB fbi apresentado. Além disso, a Recorrente não se dignou trazer aos autos qualquer informação ou elemento de prova acerca dos valores que, computados como receita, alegou ter transferidos a terceiras pessoas jurídicas, no período de fevereiro de 1999 a agosto de 2000, e supostamente excluídos da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, com respaldo no inciso III do parágrafb 2' do mtigo 3' da Lei 9,718, de 1998. Diante da ausência de tais provas e informações, não há como saber o valor da receita transferida nem as pessoas jurídicas beneficiárias, Em decorrência, como aquilatar o procedimento compensatório em apreço? Impossível! Dessa forma, ao meu juízo, o presente Recurso não passa de uma peça meramente teórica, sem qualquer resultado prático para o deslinde da presente controvérsia, que exigiria a comprovação cabal do valor do crédito utilizado na compensação em comento, Não é demais ressaltar que, em matéria processual, seja administrativa ou judicial, o ônus da prova cabe a quem alega possuir o direito pleiteado. Neste sentido, dispõe o inciso I do art. 333 do Código de Processo Civil, No âmbito do processo administrativo de exigência do crédito tributário, face a natureza vinculada do lançamento e do ato de aplicação de penalidade, é dever da autoridade fiscal apresentar os elementos de prova do fato jurídico tributário (fato gerador) ou do ilícito tributário desencadeador do liame obrigaeional, conforme expressamente determina o caput do art. 9° do Decreto n°70235, de 1972 (PM), Por sua vez, na esfera do contencioso administrativo atinente ao procedimento compensatório (compensação espontânea ou autocompensação) quem afirma possuir direito ao encontro de contas entre o crédito e o débito compensados é o próprio sujeito passivo, consequentemente, é dele o ônus de trazer ao processo os elementos probatórios da existência desse direito, cabendo a Administração tributária apenas a função de verificar a regularidade do procedimento em comento, somente homologando-o se devidamente comprovado os requisitos e às condições estabelecidos em lei, dentre os quais, por força do disposto no art. 170 do CTN, destaca-se a imprescindibilidade da comprovação da liquidez e certeza do crédito informado, o que não ocorreu no procedimento em análise. No que tange ao aspecto probatório, fazendo um paralelo entre o procedimento de exigência do crédito tributário e o procedimento compensatório, vefifi9-se Processo o° 11080 906512/2008-1 1 S3-C112 Acórdào n ° 3102-00.726 El 3 que no primeiro quem deve provar o fato jurídico tributário (ou fato gerador em concreto) é a autoridade fiscal, ao passo que no segundo quem tem o ônus de provar o fato jurídico do pagamento indevido é o sujeito passivo que o alega. Não é demais lembrar que, no âmbito do contencioso administrativo, a prova objetiva convencer o julgado acerca da verdade ou falsidade de um fato. É ela o instrumento adequado a construir a verdade no processo, fixando os fatos no mundo jurídico. Sem ela o processo se transforma numa peça de natureza meramente teórica ou abstrata, desvirtuando o escopo do processo, seja administrativo ou judicial, que consiste na solução jurídica de um conflito mediante aplicação da norma supostamente violada a um caso concreto. A importância da prova jurídica como instrumento de introdução dos fatos no mundo jurídico é ressaltada no excerto extraído da doutrina de Eurico Marcos Diniz de Santil, a seguir transcrito: "O direito não incide sobre fatos, incide sobre a prova dos fatos, ou dizendo de outra forma: o fato jurídico é fato juridicamente provado". Também não se deve olvidar que, em matéria processual, alegar e não provar, é o mesmo que não alegar, daí a origem do brocardo jurídico: allegatio et non probatio, quasi 11011 allegatio. Na esfera do processo administrativo fiscal, que se aplica ao contencioso em apreço, por expressa previsão legal (§ 11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996), corrobora o asseverado o disposto nos arts. 15 e 16 do PAF, com as alterações posteriores. Por tais razões, entendo que a completa ausência de provas, seja da origem dos valores que, computados como receita, foram transferidos a terceiras pessoas jurídicas, seja do valor do pagamento indevido declarado, é suficiente para a rejeição das alegações aduzidas pela Recorrente. Porém, ad arguinentandum, não me furtarei de analisar à questão jurídica de fundo suscitada pela Recorrente no presente Recurso, consistente no direito de dedução da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins dos valores das receitas repassados a terceiras pessoas jurídicas, nos termos do inciso III do parágrafo 2° do artigo 3' da Lei 9.718, de 1998, a seguir trasncrito: Art, .32 O .faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. ) § 22 Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 22 excluem-se da receita bruta: os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (grifos não originais) O referido inciso, que entrou em vigor em 1' de fevereiro de 1999, foi derrogado pela alínea "b" do inciso IV do artigo 47 da Medida Provisória n° 1991-18, de 09 de I SANT', Eurico Marcos Diniz de Decadência e prescrição no direito tributário 2 ed. Max Limonad: São Paulo, 2001, p 45,Ar` junho de 2000, em 9 de junho de 2000, data da publicação da referida MP. Porém, embora vigente no período de 1° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, cabe consignar que durante esse período, o citado preceito legal não produziu o efeito jurídico nele previsto, por falta da edição da norma regulamentadora da incumbência do Poder Executivo, condição resolutória para desencadear eficácia da citado comando normativo. Da leitura do preceito legal em apreço, transparece de forma clara que ele veicula norma de eficácia e aplicabilidade limitada que, para produzir os efeitos jurídicos previstos, prescindia de uma regulamentação ulterior integrativa. Como a referida norma não foi editada, o citado preceito legal surgiu e desapareceu do mundo jurídico sem produzir os efeitos jurídicos almejados. Dessa forma, com devida vênia ao entendimento contrário, entendo que o preceito legal em comento, no curso da sua vigência, não produziu o efeito jurídico programado, por falta de edição da norma regulamentar integrativa da alçada do Poder Executivo. Ademais, ainda que assim não fosse, melhor sorte não teria a Recorrente, haja vista que o crédito de pagamento indevido, informado na referida DComp (fl. 04) e utilizado na compensação em comento, refere-se à contribuição para o PIS/Pasep do mês de janeiro de 2001, ou seja, diz respeito à base cálculo determinada após 7 (sete) meses do término da vigência da norma que amparava o suposto direito de exclusão do valor da receita repassada a outra pessoa jurídica, origem do alegado indébito tributário. Diante de todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso, para manter integOnente Aceclão recorrid9_ José Fernandès do Nascimento
score : 1.0
Numero do processo: 11128.004163/2002-11
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
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Numero da decisão: 3201-001.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relator.
NOME DO REDATOR - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência momentânea do Conselheiro Daniel Mariz Gudiño.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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NÃO REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA SOLICITADA. Configurase obstrução do direito de ampla defesa a decisão proferida sem que seja assegurado ao sujeito passivo o indispensável contraditório processual sobre provas obtidas por diligência e utilizadas como elemento de convicção no decisório, com clara inobservância do conteúdo do art. 59. inciso II, do Decreto n° 70.235/72. No caso, a amostra em questão não foi localizada no Museu de Amostras da Alfândega prejudicando assim, a realização da diligência solicitada., ante a falta de amostra para fazer a contraprova da amostra do produto "DEQUEST 2047”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. JOEL MIYAZAKI Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. NOME DO REDATOR Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 41 63 /2 00 2- 11 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOEL MIYAZAKI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência momentânea do Conselheiro Daniel Mariz Gudiño. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Trata o presente processo de autos de infração, lavrados em 15/08/2002, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, multas de ofício, multa do controle administrativo das importações e juros de mora, devido à apuração dos fatos a seguir descritos. A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro mercadoria descrita como – “NOME COMERCIAL: DEQUEST 2047. NOME QUÍMICO: SAL CALCIO SODICO DE ACIDO ETILENO DIAMINO TETRA (METIL FOSFONICO). ESTADO FISICO: PO. USO: INDUSTRIAL”, por meio das declarações de importação nº 98/07996236 (cópia de fls. 41 a 43), nº 98/07996996 (cópia de fls. 20 a 22) e nº 98/07997542 (cópia de fls. 52 a 54), todas registradas em 14/08/1998, classificandoa no código TEC/NCM 2931.00.39, sujeita à alíquota de 15% de II e 0% de IPI. Por ocasião do desembaraço, amostras das mercadorias foram coletadas para análise laboratorial. Da análise do Laudo Labana nº 2534 (fls. 39/40), nº 2535 (fls. 50/51) e nº 2536 (fls. 60/61), a autoridade fiscal classificou o produto no código NCM 3824.90.90, sujeita à alíquota de imposto de importação de 17% e IPI de 10%. Os Laudos Labana acima referidos esclarecem que: 1) a mercadoria tratase de “Mistura de Reação constituída de Sal de Cálcio e Sódio do Ácido Etilenodiaminotetra (metilenofosfônico) e Cloreto de Sódio”; 2) de acordo com literatura técnica específica, o Cloreto de Sódio é um subproduto resultante da neutralização do Ácido Etilenodiaminotetra (metilenofosfônico), que não foi submetido à etapa de purificação; e, 3) de acordo com literatura técnica específica, Dequest 2047 é utilizado em formulações de detergentes em pó para roupas que utilizam algum sistema de alvejamento, que não seja um sistema a base de cloro. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11128.004163/200211 Acórdão n.º 3201001.435 S3C2T1 Fl. 250 3 Em face da discordância do contribuinte quanto à classificação fiscal adotada pela fiscalização, foram lavrados os presentes autos de infração exigindo do contribuinte o recolhimento das diferenças apuradas relativamente ao imposto de importação e IPI vinculado, acrescidas da multa de ofício sobre o II, preceituada no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, da multa de ofício sobre o IPI, prevista no artigo 80, inciso I, da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo artigo 45 da Lei nº 9.430/96, e da multa do controle administrativo das importações, prevista no artigo 169, inciso I, alínea “b” do DecretoLei nº 37/66 alterado pelo artigo 2º da Lei nº 6.562/78, regulamentado pelo artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, totalizando, com juros de mora calculados até 31/07/2002, o valor de R$ 22.027,75. Cientificado do auto de infração em 03/09/2002 (fls. 63 verso), o contribuinte, por intermédio de seu advogado e procurador (Instrumento de Mandato às fls. 84), protocolizou impugnação, tempestivamente, em 03/10/2002, de fls. 64 a 83, alegando que: 1) a mercadoria sob análise é produzida pelas seguintes reações químicas: inicialmente, tricloreto de fósforo (PCl3) reage com água resultando ácido fosforoso (H3PO3) e ácido clorídrico (HCl); numa segunda etapa, o ácido fosforoso produzido reage com etilenodiamina (H2NCH2CH2NH2) e formaldeido (CH2O) resultando Ácido Etilenodiamino Tetra(Metilenofosfônico) Ácido EDTMF – e, finalmente, há a neutralização dos ácidos com hidróxido de sódio (NaOH): a) da reação com HCl formase cloreto de sódio (NaCl) e água; e b) o Ácido EDTMF reagindo com NaOH e sais de Cálcio produz uma solução de sal sódico/cálcico do Ácido EDTMF, da qual não é possível nem desejável retirar os subprodutos contidos na solução; 2) o produto final resultante da retirada da água é um sólido, um sal sódico/cálcico do Ácido EDTMF, com o nome comercial DEQUESTâ 2047, que contém, aproximadamente, 50% do sal duplo Ca/Na do Ácido EDTMF; 31% de NaCl, 17% de água residual e 2% de subprodutos; 3) desta forma, o produto em discussão contém apenas o Sal Sódico/Cálcico do Ácido EDTMF e as impurezas e subprodutos normalmente decorrentes desse tipo de processo, confirmados pelas análises do Labana; 4) de acordo com as regras de classificação o enquadramento darseá preferencialmente na posição mais específica do que nas posições genéricas; nesse caso o código 2931.00.39 é mais específico do que o 3824.90.90, que é mais genérico; 5) incabível a exigência do recolhimento das multas de ofício, face a não ocorrência de qualquer fato que possa ser tipificado como declaração inexata, questão que se encontra solucionada no âmbito da SRF, pelo teor do Parecer CST nº 477/88 e do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10/97; 6) não há como prevalecer a exigência de recolhimento da penalidade de multa do artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Fl. 251DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOEL MIYAZAKI 4 Decreto nº 91.030/85, a pretexto de que as mercadorias submetidas a despacho aduaneiro ao amparo das declarações de importação citadas no auto de infração em tela foram importadas do exterior ao desamparo de licença de importação; 7) a incidência de juros de mora revestese de flagrante ilegalidade, na medida que computados pela Taxa SELIC, cuja inconstitucionalidade já foi reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça; indevida a incidência dos juros de mora, que somente podem ser computados após decisão final proferida no processo administrativo; 8) requer a conversão do julgamento em diligência ao INT/RJ para a produção de perícia técnica e para que sejam respondidos os quesitos que elaborou às fls. 82. É o Relatório.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SPO II no 1717.703, de 22/03/2007, proferida pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, às fls. 132/140 cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 14/08/1998 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. Mercadoria identificada como Mistura de Reação constituída de Sal de Cálcio e Sódio do Ácido Etilenodiamino Tetra(metilenofosfônico) e Cloreto de Sódio classificase no código NCM 3824.90.90, como entendeu a fiscalização. Correta a aplicação da multa de ofício, por declaração inexata, prevista no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96, e disposições do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10/97. Cabível a multa do controle administrativo das importações, prevista no art. 526, II do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, com fulcro na alínea “b” do inciso I do art. 169 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pela Lei nº 6.562/78, por falta de Licença de Importação, quando a mercadoria não é corretamente descrita na declaração de importação, conforme Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12/97. LANÇAMENTO PROCEDENTE.” O julgamento foi no sentido de manter o crédito tributário exigido, e em preliminar, indeferir o pleito de diligência. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, conforme AR, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória; ratificando o pedido de diligência. Diante do exposto, foi convertido o processo em diligência, através da Resolução de n° 3201.00090, de 17/09/2009, à repartição de origem, para providências, nos seguintes termos: Fl. 252DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11128.004163/200211 Acórdão n.º 3201001.435 S3C2T1 Fl. 251 5 O litígio referese à classificação fiscal dos produtos importados, cuja perfeita identificação quanto à sua própria natureza, se faz necessária; não se podendo decidir por esta ou aquela classificação e que nos termos do Decreto n° 70.235/72 e para minha livre convicção, sugiro que baixe em diligência junto ao Instituto Nacional de TecnologiaINT, para emissão de novo laudo, com os devidos esclarecimentos, pelos motivos abaixo: 1) Por que a mercadoria não se enquadra como um composto organo fosforado (2931.00.39), se o composto predominante é o sal de cálcio e sódio do ácido etilenodiaminotetra (metilenofsfônico) e o cloreto de sódio presente, sendo decorrente do processo de fabricação? 2) Entre as impurezas e subprodutos identificados existe algum que não seja decorrente do processo de fabricação? 3) Existem impurezas e/ou subprodutos, que tornam a mercadoria apropriada como sendo “UMA PREPARAÇÃO DIVERSA DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS”? 4) Quais as principais razões, em função da composição química, bem como, da literatura técnica anexada sos autos, o produto comercial “DEQUEST 2047”, não pode ser incluída entre os compostos orgânicos, especialmente entre os compostos organofosforados de constituição química definida, contendo impurezas decorrentes do processo de síntese? 5) Esclarecer se o “CLORETO DE SÓDIO” presente na composição química do “DEQUEST 2047”, foi adicionado deliberadamente, para promover alguma função, ou propriedade auxiliar/complementar, para tornar o referido produto apto para um uso específico, em detrimento de sua aplicação geral? 6) E por derradeiro, manifestação sobre as conclusões nos Laudos Técnicos de n°s 2.534/2002, 2535/2002 e 2.536/2002. O julgamento foi no sentido, também, de que como o contribuinte declarou de forma errônea a descrição da mercadoria importada, gerando uma nova classificação na NCM/TEC, e em conseqüência uma nova exigência de licenciamento pela Secex, do que resultou a tipificação da infração prevista no art.169 do Dl nº 37/66, alterado pela redação do art. 2º da Lei n° 6.562/78, e regulamentado pelo art. 526,inciso II, do Decreto n 91.030/85, do Regulamento Aduaneiro, logo, exigência da Multa ao Controle Administrativo das Importações; sugiro que baixe em diligência, para a fiscalização esclareça: se, à época, com a nova reclassificação fiscal, de fato, a mportação estava sujeita a licenciamento nãoautomático, sob a égide da Portaria Secex n° 21/96 de forma automática ou não automática. Em resposta da diligência, consta: Para atender ao determinado na Resolução n° 320100090 da Segunda Câmara da Primeira Turma Ordinária da Terceira Fl. 253DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOEL MIYAZAKI 6 Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, solicitei ao Laboratório L.A Falcão Bauer a localização das amostras contraprova referentes às mercadorias denominadas "DEQUEST 2047", objeto dos Laudos de Análise n° 2534/2002 LAB 174/111, 2535/2002 LAB 175/111 e 2536/2002, LAB 173/111, referentes, respectivamente, às D.Is 98/07996996, 98/07996236 e 98/07997542, para posterior envio ao Instituto Nacional de Tecnologia. Conforme Carta Técnica n° 052/10, anexa às fls. 212, as amostras em questão não foram localizadas no Museu de amostras desta Alfândega prejudicando assim, a realização da diligência solicitada. Nada mais tendo a providenciar neste GRALT, proponho o retorno do presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento. A recorrente foi cientificada da resolução acima. Manifestandose, inclusive, dessa forma: Entende a ora Requerente, s.m.j., que na questão posta nos autos, na medida em que restou impossibilitada a realização da diligência determinada pelo "CARF", nos termos da Resolução 32010090, de 17.09.2.009, proferida pela 2° Câmara/1° Turma Ordinária, pelo extravio das amostras (contraprovas) do produto importado, restou caracterizado o cerceamento ao seu direito de defesa, que lhe é assegurado nos termos do "Devido Processo Legal", razão pela qual, o Provimento do Recurso Voluntário interposto, visando a reforma do R.Acórdão recorrido proferido pela DRFJ/SP., com a conseqüente decretação do cancelamento do crédito tributário exigido Auto de Infração de que trata o Processo administrativo em tela, é medida que se impõe, a teor da orientação contida no artigo 59, do Decreto n° 70.235/72, com as posteriores alterações das Leis n°s. 8.748/93 e 9.532/97. Quanto ao Licenciamento de Importação ocorria de forma automática, mediante o registro da respectiva Declaração de Importação junto ao SISCOMEX. Portanto, em ambos os Códigos Tarifários, não era exigida a emissão de Licença de Importação não automática, razão pela qual, s.m.i., carece de total respaldo legal a exigência do recolhimento da penalidade de multa a pretexto de em face da reclassificação tarifária, restou caracterizada a importação ao desamparo de L.I., sujeitandose a penalidade de multa prevista no artigo 526, II, do Decreto n° 91.030/85 (antigo R.A.), o que comprovadamente não é o caso. O processo digitalizado, foi redistribuído a esta Conselheira, para prosseguimento. É o relatório. Voto Fl. 254DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11128.004163/200211 Acórdão n.º 3201001.435 S3C2T1 Fl. 252 7 Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de exigência de imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, multas de ofício, multa do controle administrativo das importações e juros de mora; tendo em vista desclassificação fiscal. Como relatado, não houve cumprimento da resolução, por falta de amostras, no entanto, ressalto de pronto, que desde a impugnação, a recorrente já solicitava novo laudo, com levantamentos de quesitos inerentes ao produto sob litígio e lhe foi negado. Essa relatora achou por bem, baixar em diligência; não obstante os Laudos LABANA 2534/2002, 2535/2002 e 2536/2002; tendo em vista que para minha convicção, inclusive, esses laudos, por si só, não são capazes de oferecer solução para que se possa alcançar a mais correta classificação tarifária da mercadoria. Entretanto, consoante Carta Técnica n° 052/10, informando que a amostra em questão não foi localizada no Museu de Amostras daquela Alfândega prejudicando assim, a realização da diligência solicitada., ante a falta de amostra para fazer a contraprova da amostra do produto "DEQUEST 2047”. Pois bem, a perda ou inexistência da amostra do produto importado conduz ao ganho de causa da Recorrente, pela impossibilidade de se produzir a prova capaz de dirimir a dúvida pertinente ao litígio, pois a dúvida persiste. Dessa forma, configurase obstrução do direito de ampla defesa a decisão proferida sem que seja assegurado ao sujeito passivo o indispensável contraditório processual sobre provas obtidas por diligência e utilizadas como elemento de convicção no decisório, com clara inobservância do conteúdo do art. 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72. E, em derradeiro, não foi atendida a parte final da Resolução (por parte da fiscalização), quanto à necessidade de licenciamento de importação, à época do fato gerador. Em sua defesa, a recorrente esclarece que: Destaca, também, a ora Requerente, em atendimento a parte final da Resolução n° 32010090, de 17.09.2.009, proferida pela 2 a Câmara/1 a Turma Ordinária Terceira Seção de Julgamentos do CARF, que na questão posta nos autos, à época dos respectivos fatos geradores das Declarações de Importação objeto do ato revisional de que trata o Auto de Infração em tela (registro das D.I.'s no SISCOMEX em 14.08.1.998), em ambas as classificações tarifárias, ou seja TECNCM 2931.00.39 adotada pelo Importador nas Declarações de Importação, bem como TECNCM 3824.90.90 (exigida pelos ilustres Agentes Fazendários no Auto de Infração), o Licenciamento de Importação ocorria de forma automática, mediante o registro da respectiva Declaração de Importação junto ao SISCOMEX. Portanto, em ambos os Códigos Tarifários, não era exigida a emissão de Licença de Importação não automática, razão pela Fl. 255DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOEL MIYAZAKI 8 qual, s.m.j., carece de total respaldo legal a exigência do recolhimento da penalidade de multa a pretexto de em face da reclassificação tarifária, restou caracterizada a importação ao desamparo de L.I., sujeitandose a penalidade de multa prevista no artigo 526, II, do Decreto n° 91.030/85 (antigo R.A.), o que comprovadamente não é o caso. Destarte, pela impossibilidade de fazer a devida contraprova, aplicase o beneficio da dúvida nos termos do artigo 112 do CTN, em favor da recorrente, conforme: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Por todo o acima exposto, dou provimento ao recurso voluntário. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 256DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 13629.001164/2007-01
Data da sessão: Fri Oct 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Anos-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
DECADÊNCIA.
Uma vez que o STF, por meio da Súmula Vinculante n0 8, considerou
inconstitucional o art. 45 da Lei n" 8,212/91, há que se reconhecer a
decadência em conformidade com o disposto no Código Tributário Nacional.
Assim, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário
referente ao PIS decai no prazo de cinco anos fixado pelo CTN, sendo, com fulcro no art. 150, § 4 0, caso tenha havido antecipação de pagamento, inerente aos lançamentos por homologação, ou artigo 173, I, em caso contrário, como no presente caso.
COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO, ATOS NÃO COOPERATIVOS. CONTABILIZAÇÃO EM SEPARADO
Nas cooperativas de trabalho médico, a prestação de serviços hospitalares, laboratoriais e congêneres correspondem a custos decorrentes de receitas derivadas de atos não cooperativos, devendo ser contabilizados separadamente.
LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA,
A propositura de ação judicial, não impede a formalização do lançamento pela autoridade administrativa, que pode e deve ser realizada, inclusive como meio de prevenir a decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento.
PROVAS DAS ALEGAÇÕES.
São incabíveis alegações genéricas.
Os argumentos aduzidos deverão ser acompanhados de demonstrativos e provas suficientes qu os confirmem, de modo a elidir o lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-000.701
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatar.
Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martinez López que davam parcial provimento pela aplicação da decadência nos termos do art. 150, parágrafo 4º, 4 CTN.
Nome do relator: Mauricio Taveira e Silva
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anos-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. Uma vez que o STF, por meio da Súmula Vinculante n0 8, considerou inconstitucional o art. 45 da Lei n" 8,212/91, há que se reconhecer a decadência em conformidade com o disposto no Código Tributário Nacional. Assim, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao PIS decai no prazo de cinco anos fixado pelo CTN, sendo, com fulcro no art. 150, § 4 0, caso tenha havido antecipação de pagamento, inerente aos lançamentos por homologação, ou artigo 173, I, em caso contrário, como no presente caso. COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO, ATOS NÃO COOPERATIVOS. CONTABILIZAÇÃO EM SEPARADO Nas cooperativas de trabalho médico, a prestação de serviços hospitalares, laboratoriais e congêneres correspondem a custos decorrentes de receitas derivadas de atos não cooperativos, devendo ser contabilizados separadamente. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA, A propositura de ação judicial, não impede a formalização do lançamento pela autoridade administrativa, que pode e deve ser realizada, inclusive como meio de prevenir a decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento. PROVAS DAS ALEGAÇÕES. São incabíveis alegações genéricas. Os argumentos aduzidos deverão ser acompanhados de demonstrativos e provas suficientes qu os confirmem, de modo a elidir o lançamento. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-21T10:48:40Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-21T10:48:39Z; Last-Modified: 2010-12-21T10:48:40Z; dcterms:modified: 2010-12-21T10:48:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:6dd5dd26-9626-42d5-82fc-5239e9d393fb; Last-Save-Date: 2010-12-21T10:48:40Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-21T10:48:40Z; meta:save-date: 2010-12-21T10:48:40Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-21T10:48:40Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-21T10:48:39Z; created: 2010-12-21T10:48:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2010-12-21T10:48:39Z; pdf:charsPerPage: 1750; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-21T10:48:39Z | Conteúdo => S3-C3T I Fl 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 13629.001164/2007-01 Recurso n" 178..855 Voluntário Acórdão n" .3301-00.701 — 3" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 01 de outubro de 2010 Matéria PIS Recorrente UNIMED VALE DO AÇO COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anos-calendário: 2002, 200.3, 2004, 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA, Uma vez que o STF, por meio da Súmula Vinculante n0 8, considerou inconstitucional o art. 45 da Lei n" 8,212/91, há que se reconhecer a decadência em conformidade com o disposto no Código Tributário Nacional. Assim, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao PIS decai no prazo de cinco anos fixado pelo CTN, sendo, com fulcro no art. 150, § 40, caso tenha havido antecipação de pagamento, inerente aos lançamentos por homologação, ou artigo 173, I, em caso contrário, como no presente caso. COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO, ATOS NÃO COOPERATIVOS. CONTABILIZAÇÃO EM SEPARADO, Nas cooperativas de trabalho médico, a prestação de serviços hospitalares, laboratoriais e congêneres correspondem a custos decorrentes de receitas derivadas de atos não cooperativos, devendo ser contabilizados separadamente. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA, A propositura de ação judicial, não impede a formalização do lançamento pela autoridade administrativa, que pode e deve ser realizada, inclusive corno meio de prevenir a decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento PROVAS DAS ALEGAÇÕES. São incabíveis alegações genéricas. Os argumen es a zidos deverão ser acompanhados de demonstrativos e provas suficieni qu os confirmem, de modo a elidir o lançamento, Recurso Voluntário Negado. IP/ ta PôssasRdai Maurício Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatar. Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martinez López que davam parcial provimento pela aplicação da decadência nos termos do art.. 150, parágrafo 4", 4 CTN. EDITADO EM: 28/10/2010 Participaram do presênte julgamento: os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva (Relator), Maria Teresa Martinez López e Rodrigo da Costa Possas (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Pereira de Mello. Relatório UN1MED VALE DO AÇO COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO, devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado através da recurso de fls, 614/670 contra o Acórdão n" 09-21,537, de 13/11/2008, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora - MG, fls. 597612, que julgou procedente o auto de infração de PIS de fis„ 12/16, lavrado com exigibilidade suspensa por força de medida judicial, relativo à "diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago PIS sobre faturamento de atos cooperativos", referente a períodos de apuração compreendidos entre janeiro/2002 a abril/2007, cuja ciência ocorreu em 09/07/2007 (fl. 12), conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: Segundo o Termo de Verfficação Fiscal - TVF, às ,fis 30/44, contra a contribuintefbram lavrados autos de inflação de IRAI de CSLL, de Co fins e de PIS/Pasep, principalmente, em virtude da descaracterização de atos- cooperativos, que, no entender da fiscalização, tratavam-se na verdade de atos não-cooperativos.. Tendo em vista essa descaracterização e que a receito de prestação de serviços não era segregado pelo tipo de ato, cooperativo ou não, a receita dos atos considerados pela fiscalização como não-cooperativos foi apurada pela aplicação, sobre as receitas de prestação de serviço, do percentual obtido da relação entre os custos incorridos com terceiros e o total dos custos incorridos. Os lançamentos referentes . ao IRP„I à CSLL, à Cotins e ao PIS/Pasep (atos não-cooperativos) constam dos proces.s.o.s 2 PIS/Paseo Juros de Mora TOTAL 225.961,52 303.432,43 77.470,91 3 Processo o" 13629.001164/2007-01 S3-C3T1 Acórfflo o" 3301-00,701 Fl 2 13629.001162/2007-12 e 136.29.001888/2008-28, sendo este último referente a lançamento complementar. No presente processo encontra-se apenas o auto de infração de P1S/Pasep sobre as receitas decorrentes de atos cooperativos, o qual foi lavrado para prevenir a decadência, com a exigibilidade suspensa nos ternos do art. 151, IV, CTN, em razão de medida liminar concedida no processo judicial mm" .200.2.38.00.01876.5-0, da 1" Vara Federal O crédito tributário constante deste processo pode ser assim discriminado, com juros de mora calculados até 29/6/2007: No item 4 do TV17 anexo ao auto de inflação a autoridade lançadora assim descreveu o ocorrido (fls. 43/44) 'Importante aqui diferenciar os valores lançados a cada ano. O contribuinte vem contestando judicialmente a incidência de PIS sobre atos cooperativos Além disso, eram recolhidos mensalmente valores de PIS sobre . faturamento, no caso, finuramento sobre o considerado pela thiiined como atos não cooperativos Isto posto, fica claro que a Unimed não discorda da tributação do PIS sobre a Receita de Atos não cooperativos. Portanto, nos anos sob fiscalização (2003 a .2006), os valores calculados pela Unimed de PIS a pagar foram tateados de acordo com a nova proporção da receita, apurada pela .fiscalização. Assim, o valor de PIS proporcional aos atos não cooperativos .foi reduzido pelo valor que já havia sido pago/declarado em DCTF, sendo a diferença lançada como PIS' sobre Atos não cooperativos, no processo já citado anteriormente, unia vez que esses valores não estão com exigibilidade suspensa por incidirem sobre atos não cooperativos. Os valores proporcionais aos atos cooperai os estão sendo lançados agora como verificação obrigatória, 1 aja vista que não existe na legislação do tributo em questão nen rum dispositivo que acarrete isenção ou não incidência de PIS ssbre- a receita de atos cooperados. Ao contrário, a Lei n" 9,71)9 clara ao colocar que o PIS incidirá sobre toda a receita da pessoa jurídica, Para os anos de 2002 e 2007, como não houve procedimento de fiscalização, não ocorreu a redistribuição de valores de PIS entre atos cooperados e não cooperados Sendo assim, exceto o valor pago/declarado pela Unimed, todo o restante é considerado relativo a atos cooperados e está sendo lançado neste Auto de Infração para constituição do Crédito Tributário devido.' A autuada apresentou impugnação às fls. 381/448, na qual aduziu apimentas a serem analisados no voto a seguir. Ao final, pediu o seguinte (fl. 1337/1.338 — vol. VII) - ros aja 111111 4 'Diante do exposto, requer seja Migaria procedente a presente impugnação anulando-se ia totum o lançamento em epierafe, posto que a Unimed Vale do Aço — cooperativa de Trabalho Médico .sempre (teju e recolheu os tributos eventualmente devidos, nos estritos termos legais. Caso assim não se entenda, o que admite apenas por amor ao debate, e em atenção ao princípio da eventualidade, ESPERA ao /11enos. a) a revisão de oficio do Auto de Infração hostilizado, tendo em vista que - finam devidamente segregadas as contas mencionadas no Termo de Verificação Fiscal, o que reflete diretamente nos percentuais obtidos pelo fisco para fins de rateio das receitas de atos cooperados e não cooperados e, por conseguinte, no próprio crédito tributário lançado (imposto a pagar e multa aplicada), - os créditos tributários lançados, foram apurados a partir de base de cálculo diversa da prevista em lei — mormente porque partiu de desclassificação indevida de atos cooperativos (intercámblo, hospitais, laboratórios, etc ) além de Ressarcimento ao SUS -, o que constitui erro de fino. - grande parte das atividades realizadas pela autuada _foram caracterizadas como seguro-saúde, razão pela qual o tributo em tela deve incidir tão somente sobre a comissão b) a exclusão ria multa isolada — artigo 44, II, "b" da Lei 9,430/96 (com redação dada pela Lei 11.488/2007) Protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos no Decreto 70.235/72, em especial, prova pericial e juntada de novos documentos Finalmeine, requer sejam consideradas/ emprestadas para o presente caso os documentos anexados à defesa relativa ao Auto de Infração relativa ao IRPJ. Tal pedido se justifica em razão dos srinchios da razoabilidade e da economia processual, mormente diante do erande whune de documentação (aproximadamente 40 mil documentos idênticos. para cada auto de infração, totalizando 240.000 documentos). Caso assim não se entenda, requer a concessão de prazo de 10 (dez) dias para a apresentação dos documentos relativos à comprovação de atos requisitados por médicos cooperad Confirme Despacho ir " 097/2007 (fls. .5031504), desta eNina1______,ti 4 Julgamento, ,foi determinada, de oficio, a realização, , diligência a .fim de se apurar novo rateio entre os custos de cooperativos e os custos de atos não-cooperativos, em vir ide dos 110VOS documentos juntados à impugnação O Termo de Informações Fiscais que resume o apurado na diligência, com o respectivo AR de ciência, encontram-se às lis 506/511 Com o novo rateio foi reduzido o percentual de receitas advindas de atos não-cooperativos, tendo a autoridade fiscal lavrado auto 5 Processo n" 13029 001164/2007-0 1 S3-C3T1 Acói dão n " 330 1-00J0 1 FI 3 de infração complementar referente à parte do PIS que era proporcional aos atos não-cooperativos e que migrou para o PIS proporcional aos atos cooperativos. Essa nova exigência .fbi formalizada no processo n." 13629.001889/2008-72, o qual .foi apensado a este processo pela Unidade de preparo. Para instrução do presente processo, anexei, às fis. .593/594, extratos de sistemas da Receita Federal do Brasil relativos a pagamentos realizados pela contribuinte. A DM julgou procedente o lançamento cujo acórdão restou assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário 2002, 2003_2004, 200.5, 2006, 2007 BASE DE CÁLCULO, COOPERATIVA. A base cálculo da Cofias e do PIS/Pasep é a receita bruta, seja ela proveniente de atos cooperativos ou não-cooperativos, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS ATOS NÃO- COOPERATIVOS. O encaminhamento de usuários a terceiros não associados, como hospitais, clinicas ou laboratórios, ainda que complementar ou indispensável à boa prestação do serviço profissional médico, caracteriza a prática de atos não cooperativos INCIDÊNCIA SOBRE RECEITAS DE ATOS COOPERATIVOS. AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS A submissão de matéria à tutela autônoma e superior do Poder. Judiciário implica renúncia à via administrativa quanto ao mesmo objeto. LANÇAMENTO DECADÊNCIA Com a edição da Súmula Vinculante n."8, do STF, a constituição dos créditos da seguridade social passa a observar as regras contidas no CTN, observando no caso de lançament Do homologação àquela contida no § 4" do art. 1.50. Na ausê teia de pagamento, não há que se falar em lançamen .o por homologação, aplicando-se a regra geral do art. 173, in-' CTN. Assunto. Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, .2006, .2007 INCONSTITUCIONALIDADE Falece competência à autoridade julgadora de 1.17StânCiO administrativa para a apreciação de aspectos relacionados com 6 a constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias, tarefa privativa do Poder Judiciária PEDIDO DE PELÚCIA REQUISITOS Deve ser considerado não . 1brmulado o pedido de perícia que não menciona o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito Lançamento Procedente Tempestivamente, em 08/01/2009, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 614/670, apresentando os seguintes argumentos: a) decadência dos períodos de apuração de janeiro a junho de 2002, com fulcro no art. 150, § 4" do CTN; b) não incidência de PIS e Cofins em relação aos atos cooperados pela inexistência de faturamento, Assim, o autuante prejudicou a contribuinte ao restringir o conceito de ato cooperado, desconsiderando as peculiaridades inerentes às cooperativas de trabalho médico, devendo ser considerado como ato cooperativo todo aquele que viabiliza o funcionamento da cooperativa. Nessa toada, além dos laboratórios, internações, etc, deve ser considerado, também, o intercâmbio, a uma porque é praticado entre cooperativas e a duas porque é destinado exclusivamente à consecução dos objetivos sociais. Ainda que se considere passível de tributação esta deve ocorrer em desfavor da cooperativa prestadora; c) em razão de casos de homônimos, clientes excluídos por falta de pagamento, ou em razão do plano não cobrir as despesas hospitalares realizadas, os valores relativos ao ressarcimento ao SUS estão sendo questionados. Assim cumpre a Agência Nacional de Saúde Suplementar e o Poder Judiciário a definição do crédito a ser ressarcido, o qual ainda não se encontra devidamente constituído, não podendo ser considerado como custo da Recorrente; d) em relação à tributação como seguro-saúde, o faturamento a ser considerado é tão somente urna comissão, vale dizer, a receita obtida deduzida das importâncias repassadas a terceiros. Por fim, registra seu pedido nos seguintes termos: III - DO PEDIDO Diante do exposto, requer . seja PROVIDO o presente recurso, cmulando-se in totum o lançamento em epígrafe, posto que a Uninzed Vale do Aço - Cooperativa de Trabalho Médico sempre agiu e recolheu os tributos eventualmente devidos, nos estritos termos legais. Caso assim não se entenda, o que admite apenas n po)\ amo ad„, r debate, e em atenção j o ao princípio da eventua ',dad,-",, ESPERA ao menos o seu PROVIMENTO, para fiik , le determinar.. -- a) a revisão de oficio do Auto de Infração hostilizado, tendo em vista que.. —> os créditos tributários lançados, foram apurados a partir de base de cálculo diversa da prevista em lei - mormente porque partiu de desclassificação indevida de atos cooperativos (intercâmbio, hospitais, laboratórios, ressarcimento ao SUS) -, o que constitui erro de .fato, (deverão ser considerados como aios cooperativos as receitas referentes a intercâmbio e a atividades- meio e, ainda, deverão ser excluídos dos custos os valores referentes a ressarcimento ao SUS) lação § Llento Assim, a indigitada contribuição está sujeita às normas gerais tributária. Desse modo, o prazo para constituição do crédito tributário rege-se pe 40, ou pelo artigo 173, I, ambos do CTN, consoante, respectivamente, ter hav,j,d antecipado ou não,. ro art. 1 rkágan Portanto, tendo em vista que a ciência do auto de infração obqi3eu em 09/07/2007 (11. 12), caso tenha havido pagamento, o lançamento de períodos anteriores a 09/07/2002 estaria fulminado pela decadência (art. 150, § 4" do CTN). Processo n" 13629 001164/2007-01 S3-C3TI AcOldão n." 3301-0W701 Fl 4 —> grande parte das atividades realiwdas pela autuada fbrain caracterizadas como seguro-saúde, razão pela qual o tributo em tela deve incidir tão somente sobre a comissão, b) a exclusão dos créditos relativos ao período anterior a julho/2002, haja vista a cristalina decadência ocorrida; É o Relatório. Voto Conselheiro Mauricio Taveira e Silva, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Conforme relatado e consoante TVF de lis. 30/44, principalmente em virtude da descaracterização de atos cooperativos, a fiscalização efetuou lançamentos referentes ao IRP.I, à CRI, à Cofins e ao PIS relativos aos atos não cooperativos (processos 13629.001162/2007-12 e 1.3629.001888/2008-28). O presente processo refere-se, apenas, ao auto de infração de PIS sobre as receitas decorrentes de atos cooperativos, o qual foi lavrado para prevenir a decadência, com a exigibilidade suspensa nos termos do art. 151, IV, do CTN, em razão de medida liminar concedida no processo judicial n." 200238,00,018765-0 (fi.12). Inicialmente, a interessada alega a ocorrência de decadência em relação aos periodos de apuração de janeiro a junho de 2002, com fulcro no art. 150, § 4" do urN e, ainda, considerando que houve depósito judicial do PIS em razão do processo precitado. Tendo em vista a edição da Súmula Vinculante n° 8, pelo STF, publicada em 20/06/2008, considerando inconstitucional o art 45 da Lei n" 8212/91, há que se reconhecer a decadência da contribuição em conformidade com o disposto no Código Tributário Nacional. Conforme se verifica nos documentos de fls. 45 e 595/596, não houve pagamento da contribuição em relação aos fatos geradores ocorridos de janeiro a .junho de 2002. De se registrar que, ainda que a interessada tivesse comprovado a ocorrência de depósito judicial do PIS em relação aos períodos em questão, tal ato não enseja a aplicação do referido A 4.'1 8 art. 150, o qual consigna a antecipação de "pagamento" o que não se confunde com "depósito judicial" Portanto, no presente caso, a decadência se verifica com base no art. 173, 1 do CTN, não alcançando qualquer dos períodos lançados. A contribuinte aduz que não há incidência de PIS e Cofins em relação aos atos cooperados pela inexistência de faturamento. Assim, o autuante prejudicou a contribuinte ao restringir o conceito de ato cooperado, desconsiderando as peculiaridades inerentes às cooperativas de trabalho médico, devendo ser considerado corno ato cooperativo todo aquele que viabiliza o funcionamento da cooperativa. Nessa toada, além dos laboratórios, internações, etc, deve ser considerado, também, o intercâmbio, a urna porque é praticado entre cooperativas e a duas porque é destinado exclusivamente à consecução dos objetivos sociais. Ainda que se considere passível de tributação esta deve ocorrer em desfavor da cooperativa prestadora Não assiste razão à recorrente, conforme se demonstrará. Sobre o tema em questão, oportunas são as considerações que se seguem, Quanto à Lei n" 5,764/71, que regula as sociedades cooperativas, o seu art. 79 conceitua como atos cooperativos exclusivamente aqueles praticados "entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais," O seu parágrafo único registra que "o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria." Visando atingir seus objetivos sociais, as cooperativas estão legalmente autorizadas a praticar outras atividades além dos atos cooperativos, conforme arIs, 85, 86 e 88 da Lei n" 5.764/71, Por outro lado, na prática de tais atos caracterizados cosendo não cooperativos os arts. 87 e 111 da precitada lei estabelece que os resultados d ssas operações çxe devam ser contabilizados em separado e serão considerados tributáveis, nos segu'ntesi4errrios: Ars 87 Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. (grifei) - Art. 111, Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei. Por outro lado, numa cooperativa, os custos se subdividem em custos com os associados, com os terceiros contratados e com atividades administrativas, Destarte, quando a cooperativa contrata serviços de terceiros para atender os clientes retira de suas receitas recursos para custeio do serviço, de modo a cumprir o contrato de plano de saúde, realizado com cliente da cooperativa,. Esta operação se caracteriza como ato de mercancia.. Neste sentido já se posicionou a administração tributária por meio do Parecer Normativo da Coordenação do Sistema de Tributação - CST n" 38/80, o qual assim dispõ,g: Processo ri" 13629 001164/2007-01 S3-C311 Acórdão ri "3301-()O.701 Fl 5 "3. DAS COOPERATIVAS DE MÉDICOS 3.1 — Atos Cooperativos As cooperativas singulares de médicos, ao executarei?, as operações descritas em 2.3.1, estão plenamente abrigadas da incidência tributária em relação aos serviços que prestem diretamente aos associados na organização e administração dos interesses comuns ligados à atividade profissional, tais como os que buscam a captação de clientela; a oferta pública ou particular dos serviços dos associados; a cobrança e o recebimento de honorários; o registro, controle e distribuição periódica dos honorários recebidos, a apuração e cobrança das despesas da sociedade, mediante rateio na proporção direta da . •uição dos serviços pelos associados, cobertura de eventuais prejuízos com recursos provenientes do Fundo de Reserva (art. 28, I) e, supletivamente, mediante rateio, entre os associados, na razão direta dos serviços usufruídos (art. 89). 3.2 — Atos Não-Cooperativos, Diversos dos Legalmente Permitidos. Se, conjuntamente com os serviços dos sócios a cooperativa contrata com a clientela, a preço global não discriminativo, ainda o fornecimento, a esta, de bens ou serviços de terceiros e/ou cobertura de despesas com (a) diárias e serviços hospitalares, (b) serviços de laboratórios, (c) serviços odotztológicos, (d) medicamentos e (e) outros serviços, especializados ou não, por não associados, pessoas físicas ou Jurídicas, é evidente que estas operações não se compreendem nem entre os atos cooperativos nem entre os excepcionahnente facultados pela lei, resultando, portanto, em modalidade contratual com traços de seguro-saúde. 3 3 — hiter mediação Como estas obrigações contratuais não poderão ser cumpridas diretamente pela cooperativa porque seu objeto social é voltado internamente aos associados, nem pelos associados na conc de prestadores de serviços médicos, torna-se Logic( Men n imprescindível a aquisição daqueles bens/serviços de outra sociedades ou de outros profissionais, o que, evidente], característica da mercancia, ou seja a intermediação. 3.4 — Organização Mercantil. Estas atividades, francamente irregulares para esse tipo societário, estão initudivehnente contidas em contexto de modelo comercial, uma vez que seu perfil operacional, neste particular, envolve (I) atividade econômica, (2) fins lucrativos, (3) habituandade, (4) organização voltada à circulação de bens e serviços e (5) assunção de risco. Esta afirmação melhor estará corroborada se abstrairmos, dentre as obrigações assumidas com a clientela, a de prestação de serviços médicos pelos próprios associados, percebe-se, então, que seria lógica e juridicamente insustentável considerar-se como cooperativa a 9 entidade que tivesse como único objetivo a revenda de bens e serviços " (grifei) Portanto, a cooperativa, para competir no mercado, comporta-se como empresa que oferece plano de saúde. O cliente, ao celebrar o contrato com a cooperativa, busca a contratação de um plano de saúde.. Nessa toada, os valores pagos pelos clientes referem-se, indistintamente, aos serviços a eles prestados por associados ou por terceiros, contratados pela cooperativa, tais como intemações hospitalares, exames laboratoriais, etc. Há, portanto, mercancia de serviço, pela contratação de serviço de terceiro para cumprimento do contrato com cliente. Quanto ao intercâmbio entre as diversas cooperativas do grupo Unimed, também caracterizam-se como atos não cooperativos, na medida que visam disponibilizar serviços de terceiros, associados à outra cooperativa aos usuários. O art. 79 da Lei 5..764/71, ao incluir no conceito de atos cooperativos aqueles praticados pelas cooperativas entre si quando associadas para a consecução dos objetivos sociais, não se refere aos praticados por prestadores de serviços não associados, ainda que tais atos sejam propiciados por meio de intercâmbio entre cooperativas singulares Neste sentido já decidiu o então primeiro Conselho de Contribuintes, conforme se verifica do acórdão abaixo, cuja ementa se transcreve, parcialmente: COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS - RECEITAS DE INTERCÂMBIO — TRIBUTAÇÃO - As- receitas de intercâmbio, classificadas como "Outras Receitas Operacionais", integram a receita bruta para fins de determinação do lucro presumido e, conseqüentemente, do IRPJ. Recurso improvido. Publicado no D.O.0 n" 215 de 09/11/2006 (Acórdão 103-22.649; Recurso 143379; Relator Paulo Jacinto do Nascimento; Data da Sessão 22/09/2006). Ainda em relação ao intercâmbio, a contribuinte argumenta que, mesmo que se considere passível de tributação esta deve ocorrer em desfavor da cooperativa prestadora. Em relação a este tópico, o 'INF' às fls. 41/42, registra que a interessada fera orientada a refazer sua DRE segregando as operações com atos não cooperativos. Contudo, negou-se a fazê-lo. Assim, de modo a evitar a tributação sobre a totalidade das receitas, a própria fiscalização refez tais demonstrativos. Na sequência, assim relata o autuante, Foram elaborados demonstrativos mensais, de 200.3 a 2006 (período objeto da fiscalização), com a repartição dos eu \ .v tos e ."posterior segregação das receitas Os custo.s . .fOrain separa1r ... em custos de atos cooperativos e não cooperativos, de acor 1 com a explicação do item anterior A proporção entre es_es custos foi utilizada para dividir a receita considerada pela Ununed como de atos cooperados. A receita que já era considerada por ela como não cooperativa continuou sendo classificada dessa . fbrina, somando-se ao valor rateado pela fiscalização Assim, chegamos a novos valores de receita relacionados a atos cooperados e não cooperados. [ O cálculo está demonstrado em planilhas anexas Uh 4.5/11 7). 10 11 Processo n" 13629 001164/2007-01 53-C3T MOI n " 3301-00,701 F1 6 Portanto, pelo que se depreende, foram corretamente consideradas as receitas decorrentes das operações de intercâmbio. Por outro lado, a interessada somente apresenta seu argumento, sem, contudo, explicitar com precisão, os períodos e valores que entende devidos, bem assim, trazer aos autos planilhas e documentos de modo a respaldar suas alegações. De se ressaltar que não há autorização na norma para que o autuado faça alegações imprecisas e genéricas.. Na mesma toada, também não prospera a alegação da recorrente no sentido de que, em relação à tributação como seguro-saúde, o faturamento a ser considerado é tão somente uma comissão, vale dizer, a receita obtida deduzida das importâncias repassadas a terceiros. O fato de a cooperativa efetuar o repasse de valores e, portanto, essa receita não se incorporar ao patrimônio da recorrente apenas transitando por seu caixa, não altera a condição de receita tributável. Registre-se que o ICMS, embora seja repassado ao agente público, ainda assim compõe a base de cálculo da contribuição que o legislador houve por bem eleger, vez que integra o faturamento. Portanto, em relação a estas questões, não há reparos a fazer em relação à decisão recorrida A contribuinte aduz, ainda, que em razão de casos de homônimos, clientes excluídos por falta de pagamento, ou em razão do plano não cobrir as despesas hospitalares realizadas, os valores relativos ao ressarcimento ao SUS estão sendo questionados. Assim cumpre a Agência Nacional de Saúde Suplementar e o Poder Judiciário a definição do crédito a ser ressarcido, o qual ainda não se encontra devidamente constituído, não podendo ser considerado como custo da Recorrente. De se registrar que, conforme mencionado anteriormente, a contribuinte não segregou seus respectivos valores segundo os critérios estabelecidos pela fiscalização. Assim, de modo a evitar a tributação sobre a totalidade das receitas, a própria fiscalização refez tais demonstrativos. Na impugnação a contribuinte argumentou ter segregado os lançamentos contábeis das contas supracitadas, de forma a permitir o rateio entre custos de atos cooperativos e não cooperativos, segundo o entendimento adotado pela fiscalização, apresentando uma vultosa documentação, a qual ensejou a conversão do julgamento em diligência (fis, 503/504), Como resultado da diligência, a fiscalização elaborou o Termo de Informações Fiscais de fls.. 506/511, do qual a interessada foi cientificada em 26/04/2008 (fl. 511) e, após novo rateio foram reduzidos os percentuais da receita advinda de a cooperativos, aumentando, em consequência, a receita advinda de atos cooperati os. ai procedimento ensejou a lavratura de auto de infração complementar de PIS sobre as r ceit de atos cooperativos, processo n" 13629,0018889/2008-72, o qual fora apensado a este, roi • despacho de fl. 591. Portanto, em busca da verdade real, a despeito de a contribuinte não ter efetuado a contabilização em separado dos seus atos não cooperativos, oportunamente, a administração tributária envidou esforços promovendo a diligência, de modo a apurar corretamente os valores devidos. Por outro lado, novamente, a contribuinte apresenta alegações genéricas sem, contudo, explicitar com precisão, quais os valores entende deveriam ser considerados, bem assim, trazer aos autos planilhas e documentos de modo a respaldar suas alegações. De se repisar não haver autorização na norma para que o autuado faça alegações imprecisas e genéricas. Por fim, conforme mencionado anteriormente, o lançamento fora lavrado com a exigibilidade suspensa, em razão de medida judicial no processo n." 2002,38,00.018765- 0. Assim, a autoridade responsável pela execução do acórdão deverá proceder ao acompanhamento da referida ação, verificando se há algum impedimento para cobrança do crédito tributário mantido, ,.\y(Sendo essas as consi4ra - e que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de negar provbúçn recurso voluntário. MaüHcio Taveirde Silva 12
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Numero do processo: 10830.721070/2009-22
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
PIS. INSUMO. FRETE. TRANSPORTE ENTRE MINA E COMPLEXO INDUSTRIAL. DESCONTO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Insere-se no conceito de insumo a aquisição de matéria prima, materiais e embalagens, e, prestação de serviço quando esses se revela necessário e essencial atividade fabril, por ser específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece, no caso concreto, o frete pago pelo transporte de minérios, insumo básico a fabricação do produto, extraídos de minas de propriedade do mesmo proprietário do complexo industrial, por viabilizar a produção e guardar pertinência ao processo produtivo, insere no conceito de insumo, e, sendo assim, autoriza a tomada do crédito.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Sustentou pela Recorrente a advogada Priscila Cursi - OAB 334956 - SP.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PIS. INSUMO. FRETE. TRANSPORTE ENTRE MINA E COMPLEXO INDUSTRIAL. DESCONTO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Insere-se no conceito de insumo a aquisição de matéria prima, materiais e embalagens, e, prestação de serviço quando esses se revela necessário e essencial atividade fabril, por ser específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece, no caso concreto, o frete pago pelo transporte de minérios, insumo básico a fabricação do produto, extraídos de minas de propriedade do mesmo proprietário do complexo industrial, por viabilizar a produção e guardar pertinência ao processo produtivo, insere no conceito de insumo, e, sendo assim, autoriza a tomada do crédito. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PIS. INSUMO. FRETE. TRANSPORTE ENTRE MINA E COMPLEXO INDUSTRIAL. DESCONTO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Inserese no conceito de insumo a aquisição de matéria prima, materiais e embalagens, e, prestação de serviço quando esses se revela necessário e essencial atividade fabril, por ser específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece, no caso concreto, o frete pago pelo transporte de minérios, insumo básico a fabricação do produto, extraídos de minas de propriedade do mesmo proprietário do complexo industrial, por viabilizar a produção e guardar pertinência ao processo produtivo, insere no conceito de “insumo, e, sendo assim, autoriza a tomada do crédito. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Sustentou pela Recorrente a advogada Priscila Cursi OAB 334956 SP. Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 10 70 /2 00 9- 22 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 88/135, visando modificar a decisão de piso que manteve a deliberação do Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito do contribuinte em tomar crédito de COFINS do período de 01/01/2006 a 31/03/2006, proveniente de despesas de fretes decorrentes de transferência entre estabelecimentos, de insumos e de produtos em elaboração, bem como, da tomada de crédito proveniente das despesas de fretes de aquisição de insumos, Consta do Despacho Decisório de fls. 28/29 que o exame do crédito foi formalizado de ofício para tratamento manual de Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER – registrado sob nº 40933.35971.310807.1.1.11 9810 e homologando as compensações declaradas na Dcomp nº 32582.76594.310807.1.3.11.8350, do crédito de COFINS no montante de R$ 37.398,48, dos R$ 234.495,96, decorrente de operações no mercado interno, referentes ao 1º Trimestre/2006. Sendo que os débitos assim compensados foram cadastrados no SIEF. A divergência se refere apropriação de créditos relativos ás despesas de fretes tomados decorrentes de transferência entre estabelecimentos, de insumos e de produtos em elaboração, bem como, da tomada de crédito proveniente das despesas de fretes de aquisição de insumos, cujo entendimento é de que essas despesas não integram o conceito de insumo utilizado na produção e por não se tratar de custo de fretes na operação de venda, mesmo pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliados no país. Extraíse, também, da “Informação Fiscal”, o raciocínio de que as despesas descritas no tópico acima não geram direito a créditos a serem descontados das contribuições do PIS e da COFINS. Irresignada com o conteúdo do Despacho Decisório, a Manifestante discorre sobre suas operações, alega que atua em toda a cadeia de produção de fertilizantes, sendo responsável não apenas pela fabricação do mesmo, mas também pela extração de minerais e o beneficiamento de uma parte dos insumos utilizados no processo produtivo (fertilizantes). Destaca que possui diversos estabelecimentos no território nacional, dentre as unidades mineradoras encontram aquelas localizadas em Minas Gerais e na Bahia, bem como os complexos industriais, assim como, possui uma unidade portuária no Estado do Ceará. Assevera que as despesas efetuadas com frete contratados quando da aquisição de insumos, bem como para a realização de transferências de matérias primas dos estabelecimentos mineradores para as unidades industriais são essenciais a confecção do produto, por essas razões o indeferimento parcial do pleito desrespeita disposição legal que assegura o direito a tomada do crédito dos insumos utilizados na produção de bens e serviços, violando, via de conseqüência, o princípio da não cumulatividade insculpido no § 12º do art. 195 da Constituição Federal, por essa razão entende que deve ser reformada a decisão. Quanto aos insumos extraídos pela Manifestante em suas unidades mineradoras, bem como, os adquiridos de terceiros, disse que são indispensáveis ao processo produtivo. Concluiu afirmando o direito assegurado pela norma do art. 3º da Lei nº 10.833/03, que elenca os custos e despesas sobre os quais o crédito poderá ser calculado, aplicandose o Fl. 144DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.721070/200922 Acórdão n.º 3302002.974 S3C3T2 Fl. 7 3 inciso I, para as empresas comerciais que compram e revendem as mercadorias e o inciso II para as empresas industriais e prestadores de serviços. Os argumentos restaram rechaçados ao fundamento de que os gastos efetuados com fretes na transferência de bens e insumos entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a crédito do PIS e da COFINS na sistemática da não cumulatividade, por falta de previsão legal, decisão essa que encontra assim resumida: “Cumpre destacar, novamente, que o crédito das contribuições no sistema da não cumulatividade decorre de determinações legais explícitas. E no caso não há base legal para creditamento sobre aquisições isoladas de serviços de fretes nas operações de transferências entre estabelecimentos diferentes da pessoa jurídica, pois não se confundem com fretes na operação de venda, quando o ônus é suportado pelo vendedor (inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003), como já salientado no Relatório Fiscal. Ainda sobre as possibilidades aventadas para justificar o creditamento, temse o fato de que os gastos com fretes sobre a transferência de produtos e insumos entre estabelecimentos de uma mesma pessoa jurídica geraria direito ao crédito, por se tratarem de aquisição de serviços utilizados como insumo. Entretanto, tal argumentação não pode prosperar. Isso porque os serviços adquiridos para utilização como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação da Lei nº 10.864, de 2004, implica necessariamente que tais serviços sejam consumidos ou aplicados no processo produtivo, conforme está estabelecido no art. 8º, § 4º, inciso I, letra ‘a’ da IN SRF nº 404, de 2004, já transcrita. Por certo, os serviços de fretes decorrentes dessas transferências não são serviços aplicados especificamente no processo produtivo. Poderseia aceitar que seriam serviços aplicados em fase anterior, preliminar ao processo produtivo, qual seja a aquisição de bens que, geralmente, vão a estoque antes da produção e, dessa forma, os dispêndios com fretes sobre a transferência de produtos entre os estabelecimentos da pessoa jurídica, não são passíveis de creditamento.” A conclusão do voto se refere ausência de comprovação da vinculação do frete com os insumos transportados: “Isso posto, voto no sentido de manter os termos do Despacho Decisório SEORT DRF/CPS/1095/2011 emitido pela DRF em Campinas, que deferiu parcialmente o direito creditório pleiteado.” Ciente da decisão em 16 de novembro de 2014, interpôs o Voluntário em 28.11.2014. Sobreveio o Voluntário, em razões recursais mantém os mesmos fundamentos e irresignação com as glosas, reprisa os termos da defesa e os pleitos formulados em Manifestação de Inconformidade. É relatório. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de Recurso tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A conteda trazida no bojo desse caderno se resume a tomada de crédito de COFINS sobre frete de insumos decorrentes de transferência entre estabelecimentos do mesmo contribuinte. A glosa encontra justificada por ausência previsão legal e de que só cabe tomada de crédito de frete nas vendas das mercadorias quando o ônus é suportado pelo vendedor. A discussão se restringe a frete. A Interessada argumenta que os insumos dispensam altercação por serem básicos na produção de fertilizante, declina o nome de alguns dos itens. Em relação ao frete sustenta que esses decorrem do transporte contratado com pessoa jurídicas cujo objeto é a transferência da matéria prima extraídas de minas de sua propriedade para os complexos industriais que encontram implantados longe do local de exploração. De outra banda a Informação Fiscal pouco ou quase nada menciona, afirma que investigou o processo industrial da contribuinte, e, por razões tais entendeu glosar parte dos créditos provenientes de alguns insumos adquiridos e produtos em elaboração, bem como, frete relacionado com a transferência da matéria prima explorada pela Contribuinte para o pátio do complexo industrial por ausência de previsão legal. O inconformismo trazido a exame se refere a frete. Lendo a conclusão do voto do Acórdão recorrido, a conclusão encontra fundamentada na inexistência de comprovação: “Isso posto, voto no sentido de manter os termos do Despacho Decisório SEORT DRF/CPS/1095/2011 emitido pela DRF em Campinas, que deferiu parcialmente o direito creditório pleiteado.” Embora a fundamentação do Despacho Decisório é de que restaram comprovado os desembolsos das aquisições de insumos e da prestação de serviços de transportes. Em sede de ressarcimento e ou restituição, não há dúvida de que ônus probante é do Interessado, mas, a fiscalização não glosou por ausência de comprovação. A motivação para glosa não decorre de ausência de documento capaz de não justificar a tomada do crédito, segundo se extraí do relatório fiscal, houve notificação para que a Recorrente prestasse informação e planilhas, bem como, apresentasse os livros fiscais, e especificação dos serviços considerados como Despesas de Frete. Portanto, quanto a essa questão não há de se enxergar, pois em momento algum houve registro da ausência de comprovação, sendo assim, tratase de decisão equivocada. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.721070/200922 Acórdão n.º 3302002.974 S3C3T2 Fl. 8 5 Em síntese, o tema se refere a frete de transferência entre e estabelecimentos, é o que se vê do Despacho Decisório. Em sendo assim, o ponto nodal da discussão se refere ao frete pago a terceiros no transporte de insumos básicos, necessários e essenciais atividade produtiva da Recorrente, capaz de obstar a atividade da empresa. A meu sentir, os minerais extraídos pela Interessada em minas longe do complexo industrial é pelo que se deduz dos autos o principal insumo na fabricação de fertilizantes, portanto, necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, fato constatado pela fiscalização. A questão é dirimir se o frete pago a terceiros pessoa jurídica na movimentação dessa matéria prima até o local de produção, fertilizante, integra o conceito de insumo por não se tratar de custo na operação de venda. Cada caso deve ser examinado com observância das particularidades próprias de cada contribuinte. No caso concreto a extração dos minerais dáse em minas de propriedade da empresa que produz o fertilizante, caso não possuísse, a aquisição darseia por meio de compra de fornecedores, cujo frete estaria diretamente interligado ao insumo, o que autoriza a tomada do crédito. De outra banda, a transferência desse material se revela fundamental ao processo de fabricação, o que é cogente reconhecer nesse caso específico tratarse, não de uma simples estocagem para venda, mas, sim, meio necessário e essencial a fabricação do produto final. A meu sentir, impedir a tomada de crédito quando se trata de processo produtivo verticalizado configura, no meu entendimento, uma punição ao contribuinte, por buscar, em decorrência da característica do produto produzido, cercarse de segurança da fonte dos insumos para que o processo produtivo não sofra interrupção. Algumas empresas como a Recorrente necessitam de produzir o próprio insumo, entre tantas, destacase as àquelas voltadas à produção de celulose, que precisam plantar eucalipto e posteriormente transportar até unidade fabril. O serviço de transporte nesse caso, quando tomado de pessoa jurídica interna, configura custo de fabricação do produto final, não há como dissociar esse fato, sem o qual obsta todo o processo produtivo. Assim, penso diversamente do signatário do despacho decisório, bem como, do julgador de piso, pois a meu ver tratase de custo necessário e essencial atividade fabril, e, se revela específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece. No caso concreto, o frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local que é produzido o fertilizante se insere no conceito de “insumos” para efeitos de creditamento, nesse sentido pronunciou o Min. Campbell Marques, de onde se extrai o que há de nuclear da definição de “insumos” para efeito de creditamento: “... o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos pertinência ao processo produtivo; a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição essencialidade ao processo produtivo; e não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto Fl. 147DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 6 com o produto possibilidade de emprego indireto no processo produtivo.” Explica ainda que, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante. Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Com essas considerações, conheço do recurso e dou provimento para autorizar a tomada de crédito decorrente de frete de insumos entre a extração dos minerais até o complexo fabril da Recorrente. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 148DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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