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Numero do processo: 10480.002027/2003-96
Data da sessão: Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1993, 1994
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A repetição de tributos requisita comprovação de que houve o pagamento ao Erário, de sorte a aferir a presença de eventual indébito fiscal. Inexistindo no banco de dados. da arrecadação federal qualquer registro de ingresso do tributo que se almeja restituir não há prosperar o intento.
Numero da decisão: 1103-000.149
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: José Sergio Gomes
1.0 = *:*
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materia_s : IRPJ - restituição e compensação
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1993, 1994 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A repetição de tributos requisita comprovação de que houve o pagamento ao Erário, de sorte a aferir a presença de eventual indébito fiscal. Inexistindo no banco de dados. da arrecadação federal qualquer registro de ingresso do tributo que se almeja restituir não há prosperar o intento.
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Numero do processo: 13907.000216/2004-45
Data da sessão: Mon Aug 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E
CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2002
OPÇÃO PELO SIMPLES - AUSÊNCIA DE ELEMENTOS PARA A
VEDAÇÃO DO ART. 90, XIII, DA LEI 9.317/1996,
No contexto da Lei 5.194/1966, o exercício da profissão de engenheiro
configura-se como atividade intelectual, de natureza científica, A "execução
de serviço técnico" típico de engenheiro deve ser compreendida a partir desse
referencial, porque "serviços técnicos", em uma acepção ampla, podem ser
prestados tanto por profissionais com nível superior ou com nível médio,
quanto por aqueles com cursos profissiorializantes de curta duração, não
regulamentados, e até mesmo por profissionais que aprenderam com a
vivência prática do trabalho. As expressões "instalação", "reparo",
"montagem" e "manutenção" também abarcam urna enorme variedade de
práticas que podem ou não ser qualificadas como típicas de engenheiro. Além
disso, no caso concreto, os objetos submetidos às operações de instalação,
reparo, etc., qual seja, "equipamentos industriais", não evidenciam, por si só,
a execução de atividade que demande a qualificação técnica de engenheiro.
Não havendo nos autos elementos que justifiquem a vedação ao Simples,
prevista no art. 90, XIII, da Lei 9,317/1996, há que se admitir a opção pelo
regime de tributação simplificada.
Numero da decisão: 1802-000.563
Decisão: Acordam os membros do colegiada, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatar. Vencidos os Conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Nelso Kichel, que votaram pela realização de diligência
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORRÊA
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 OPÇÃO PELO SIMPLES - AUSÊNCIA DE ELEMENTOS PARA A VEDAÇÃO DO ART. 90, XIII, DA LEI 9.317/1996, No contexto da Lei 5.194/1966, o exercício da profissão de engenheiro configura-se como atividade intelectual, de natureza científica, A "execução de serviço técnico" típico de engenheiro deve ser compreendida a partir desse referencial, porque "serviços técnicos", em uma acepção ampla, podem ser prestados tanto por profissionais com nível superior ou com nível médio, quanto por aqueles com cursos profissiorializantes de curta duração, não regulamentados, e até mesmo por profissionais que aprenderam com a vivência prática do trabalho. As expressões "instalação", "reparo", "montagem" e "manutenção" também abarcam urna enorme variedade de práticas que podem ou não ser qualificadas como típicas de engenheiro. Além disso, no caso concreto, os objetos submetidos às operações de instalação, reparo, etc., qual seja, "equipamentos industriais", não evidenciam, por si só, a execução de atividade que demande a qualificação técnica de engenheiro. Não havendo nos autos elementos que justifiquem a vedação ao Simples, prevista no art. 90, XIII, da Lei 9,317/1996, há que se admitir a opção pelo regime de tributação simplificada.
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Acórdão n° 1802-00.563 — 2" Turma Especial Sessão de 2 de agosto de 2010 Matéria SIMPLES Recorrente MARTINES - INSTALAÇÃO, MONTAGEM E MANUTENÇÃO EM EQUIPAMENTOS LTDA. Recorrida 2" TURMA/DRJ-CURITIBA/PR ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 OPÇÃO PELO SIMPLES - AUSÊNCIA DE ELEMENTOS PARA A VEDAÇÃO DO ART. 9 0, XIII, DA LEI 9.317/1996, No contexto da Lei 5.194/1966, o exercício da profissão de engenheiro configura-se como atividade intelectual, de natureza científica, A "execução de serviço técnico" típico de engenheiro deve ser compreendida a partir desse referencial, porque "serviços técnicos", em uma acepção ampla, podem ser prestados tanto por profissionais com nível superior ou com nível médio, quanto por aqueles com cursos profissiorializantes de curta duração, não regulamentados, e até mesmo por profissionais que aprenderam com a vivência prática do trabalho. As expressões "instalação", "reparo", "montagem" e "manutenção" também abarcam urna enorme variedade de práticas que podem ou não ser qualificadas como típicas de engenheiro. Além disso, no caso concreto, os objetos submetidos às operações de instalação, reparo, etc., qual seja, "equipamentos industriais", não evidenciam, por si só, a execução de atividade que demande a qualificação técnica de engenheiro. Não havendo nos autos elementos que justifiquem a vedação ao Simples, prevista no art. 90, XIII, da Lei 9,317/1996, há que se admitir a opção pelo regime de tributação simplificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatar. Vencidos os Conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Nelso Kichel, que votaram pela realização de diligência. 1 Ester Marques Lins De Sou'a - Preside. , /José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relatar. EDITADO n 2 SET 2010 Participaram da sessão de julgamento os • onselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, João Francisco Bianco, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Nelso Kichel e Alfredo Henrique Rebello Brandão, 2 Processo n° 13907,000216/2004-45 SI-TE02 Acórdão n 1802-00.563 Fl 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, que indeferiu a solicitação da Contribuinte para que fosse mantida no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições de Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES). A exclusão do regime simplificado operou-se pelo Ato Declaratório Executivo n° 53015.2, de 02 de Agosto de 2004, proferido pela DRF Londrina/PR (fl. 8), com efeitos a partir de 01/01/2002 e assim fundamentado: Situação excludente (evento 306): - Descrição: atividade econômica vedada. 2929-7/02 instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso geral - Data da ocorrência.22/12/2000 Instaurada a fase litigiosa, com a manifestação de fls. 1 a 7, a Contribuinte apresentou os seguintes argumentos, conforme descritos na decisão de primeira instância, Acórdão tf 06-15.8.32, de fls. 24 a 27: a reclamante manifestou-se contrariamente ao procedimento, alegando às fls. 01/07, que sua atividade principal é serviços de instalação, reparação, montagem e manutenção em equipamentos industriais e que, para tanto, não utiliza mão-de- obra qualificada. Afirma que tais atividades não podem ser caracterizadas como prestação de serviços de engenheiros ou assemelhados. Lembra que a atividade que desenvolve não se encontra na lista de prestação de serviços caracterizadamente de natureza profissional, constante do artigo 647 do RIR, de 1999. Alega que sua exclusão ao Simples fere dispositivo constitucional da legalidade e da boa-fé, posto que a Receita Federal acatou sua opção, não podendo a exclusão gerar efeito retroativo; que o Conselho de Contribuintes tem reconhecido haver distorções de interpretação por parte da Receita Federal, conforme ementas que transcreve na seqüência e; ao final, pede seja deferida sua permanência no Simples. Como já mencionado, a DRJ Curitiba/PR indeferiu a solicitação da Contribuinte, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário 2002 MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS INDUSTRIAIS PERMANÊNCIA NO SIMPLES, VEDAÇÃO. 3 !1 Por expressa previsão legal, é vedada a permanência no Simples das pessoas jurídicas que prestem serviços de instalação, reparação e manutenção em máquinas industriais. Solicitação Indeferida A Delegacia de Julgamento registrou que a Contribuinte reconhece que presta serviços de montagem e manutenção de equipamentos de uso industrial, atividade que estaria expressamente vedada ao Simples, por se tratar de serviços que devem ser executados por engenheiros ou técnicos, profissões cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida. Para corroborar tal entendimento, a DRJ destacou o Ato Declaratório (Normativo) COSIT n o 04, de 22 de fevereiro de 2000. Inconformada com a decisão de primeira instância, da qual tomou ciência em 13/11/2007, a Contribuinte apresentou em 13/12/2007 o recurso voluntário de fis 31 a 37, onde reitera os mesmos argumentos de sua primeira peça de defesa, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Para comprovar suas alegações, juntou ao recurso a cópia do contrato social e alterações; cópias de registros de empregados, destacando que nestes não consta qualquer vinculo com profissional da engenharia; e cópias de notas fiscais de prestação de serviços referentes à montagem de silos. Este é o Relatório l'"r 4 Processo n° 13907000216/200445 S1-TE02 Acórdão n ° 1802-00363 Fl, 3 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relatar. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimentoL Conforme relatado, a matéria em litígio diz respeito à possibilidade ou não de a Contribuinte poder optar pelo regime de tributação simplificada - Simples. As negativas ao enquadramento no Simples tiveram corno motivação o objeto social da empresa: CLÁUSULA SEGUNDA: A sociedade terá por objeto mercantil as atividades de instalação, reparação, montagem e manutenção em equipamentos industriais. O principal fundamento para a exclusão está contido no Ato Declaratório (Normativo) COSIT n° 04, de 22 de fevereiro de 2000: O COORDENADOR-GERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 199, inciso IV, do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF n" 227, de 3 de setembro de 1998, e tendo em vista as disposições do inciso do art.. 9" da Lei n°9317, de 05 de dezembro de 1996 e da alínea ir do art. 27 da Lei n" 5,194, de 24 de dezembro de 1966 e a Resolução n°218, de 29 de junho de 1973, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que não podem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas que prestem serviços de montagem e manutenção de equipamentos industriais, por caracterizar prestações de serviço profissional de engenharia. A Lei n° 5.194/1966, que deu base para a edição deste ADN, ao regular o exercício das profissões de Engenheiro, Arquiteto e Engenheiro-Agrônomo, estabelece o seguinte: Au. 7" As atividades e atribuições profissionais do engenheiro, do arquiteto e do engenheiro-agrônomo consistem em: a) desempenho de cargos, funções e comissões em entidades estatais, paraestatals, autárquicas, de economia mista e privada; b) planejamento ou projeto, em geral, de regiões, zonas, cidades, obras, estruturas, transportes, explorações de recursos (iLl naturais e desenvolvimento da produção industrial e agropecuária; c) estudos, projetos, análises, avaliações, vistorias, perícias, pareceres e divulgação técnica; d) ensino, pesquisas, experimentação e ensaios; e) fiscalização de obras e serviços técnicos; .f) direção de obras e serviços técnicos; ,g) execução de obras e serviços técnicos; h) produção técnica especializada, industrial ou agro-pecuária. Vê-se que predomina, no contexto da norma acima, a característica da atividade intelectual, de natureza científica, também passível de enquadramento no art.. 966, parágrafo único, do atual Código Civil Brasileiro. Mas a alínea "g" incluiu entre as diversas atividades, a "execução de serviços técnicos", onde se encontra o cerne do entendimento para qualificar atividades como as desenvolvidas pela Recorrente como típicas de engenheiro, A Resolução CONFEA n° 218, de 29/06/1973, também citada no referido ADN, por sua vez, elenca uma grande variedade de situações que configuram as hipóteses descritas na Lei 5,194/1966, como por exemplo: Art, 1' - Para efeito de ,fiscalização do exercício profissional correspondente às diferentes modalidades da Engenharia, Arquitetura e Agronomia em nível superior e em nível médio, .ficam designadas as seguintes atividades: Atividade 01 - Supervisão, coordenação e orientação técnica; Atividade 02 - Estudo, planejamento, projeto e especificação; Atividade 03 - Estudo de viabilidade técnico-econômica; Atividade 04 - Assistência, assessoria e consultoria; Atividade 05 - Direção de obra e serviço técnico; Atividade 06 - Vistoria, perícia, avaliação, arbitramento, laudo e parecer técnico; Atividade 07- Desempenho de cargo e limção técnica; Atividade 08 - Ensino, pesquisa, análise, experimentação, ensaio e divulgação técnica; extensão; Atividade 09 - Elaboração de orçamento; Atividade 10 - Padronização, mensuração e controle de qualidade; Atividade 11 - Execução de obra e serviço técnico; Atividade 12 - Fiscalização de obra e serviço técnico; Atividade 13 - Produção técnica e especializada, Processo ff 13907.000216/2004-45 Sl-TE02 Acórdão n.° 1802-00.563 F1 4 Atividade 14 - Condução de trabalho técnico; Atividade 15 - Condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção; Atividade 16- Execução de instalação, montagem e reparo; Atividade 17 - Operação e manutenção de equipamento e instalação, Atividade 18 - Execução de desenho técnico. Art 12 — Compete ao ENGENHEIRO MECÂNICO ou ao ENGENHEIRO MECÂNICO E DE AUTOMÓVEIS ou ao ENGENHEIRO MECÂNICO E DE ARMAMENTO ou ao ENGENHEIRO DE AUTOMÓVEIS ou ao ENGENHEIRO INDUSTRIAL MODALIDADE MECÂNICA: I - o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 10 desta Resolução, referentes a processos mecânicos, máquinas em geral; instalações industriais e mecânicas; equipamentos mecânicos e eletro-mecânicos; veículos automotores; sistemas de produção de transmissão e de utilização do calor; sistemas de refrigeração e de ar condicionado; (-) Art 24- Compete ao TÉCNICO DE GRAU MÉDIO; I - o desempenho das atividades 14 a 18 do artigo 1 0 desta Resolução, circunscritas ao âmbito das respectivas modalidades profissionais; Apesar do detalhamento contido na Resolução, ela pouco acrescenta à Lei 5.194/1966, no sentido de fornecer referenciais para a apreciação da matéria em questão. O problema é que algumas das hipóteses acima descritas trazem expressões muito abrangentes, e, por isso, geram muitas dúvidas no momento de sua aplicação aos casos concretos. É o caso, por exemplo, da "execução de serviço técnico", porque a prestação de serviço técnico pode abranger tanto os profissionais com nivel superior ou com nível médio, quanto aqueles com cursos profissionalizantes de curta duração, não regulamentados, e até mesmo os profissionais que aprendem com a vivência prática do trabalho. Com efeito, o emprego desta expressão - "técnica" - não traz precisão terminológica suficiente para individualizar cada uma das situações acima mencionadas. Por outro lado, utilizar as expressões "instalação", "montagem", "reparo" ou "manutenção"para especificar o que seria "serviço técnico" também não soluciona o problema, porque estas atividades abarcam ainda uma enorme variedade de práticas que podem ou não ser qualificadas como típicos de engenheiro. Além disso, a exigência de qualificação técnica, no caso da Recorrente, também não se impõe pelo objeto (equipamentos industriais) que é submetido à "instalação, reparação, montagem e manutenção", como se dá por exemplo com os veículos de transporte coletivo, conforme DECISÃO NORMATIVA CONFEA n° 041, de 08/07/1992: - Toda pessoa jurídica que execute serviços de manutenção de veículos de transporte rodoviário coletivos fica obrigada ao registro no Conselho Regional De fato, diante da ausência de norma como a acima transcrita, os serviços de instalação, reparação, montagem e manutenção de equipamentos (mesmo os industriais) mais se assemelham à manutenção de veículos de uso individual, ou seja, às conhecidas oficinas de automóveis. A própria Resolução CONFEA n° 218/1973, quando admite a prática de algumas atividades pelos técnicos de nível médio, já evidencia que elas não são assim tão típicas de engenheiro, tanto é que também podem ser realizadas por profissionais que não possuem aquela qualificação técnica. A Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou sobre matéria semelhante à que está sendo aqui examinada, nos seguintes termos: Acórdão, CSRF/03-05,350 Decisão: NPU - NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Ementa,ESTABELECIMENTO PRESTADOR DE SERVIÇOS DE MONTAGENS ELÉTRICAS INDUSTRIAIS - OPÇÃO PELO SIMPLES - A proibição para o SIMPLES de sociedades profissionais liberais ou assemelhados é relativa às sociedades cuja constituição, no que tange aos sócios, não prescinda da existência de um profissional habilitado, A pessoa jurídica prevista no artigo 9", X111, da Lei n" 9,317/96 deve necessariamente ser integrada por sócios em condiçães legais de exercer a profissão regulamentada, ter por objeto a prestação de serviço especializado e legalmente descrito, com responsabilidade pessoal e sem caráter empresarial, O estabelecimento prestado,' . de serviços de montagens elétricas industriais' não pode ser equiparado a uma sociedade civil de prestação de serviços relativos ao exercício da profissão legalmente regulamentada (engenheiro), porquanto realiza seus fins sociais sem qualquer característica pessoal do trabalho profissional Recurso especial negado Acórdão n° CSRF/03-05,164 SIMPLES — Exclusão - exercício de atividade assemelhada à de engenheiro deve ser comprovada à luz de documentos que mostrem, inequivocamente, tratar-se de ocupação com o mesmo grau de complexidade e exigência curricular, 8 Processo e 13907.000216/2004-45 Sl-TE02 Acórdão n.° 1802-00,563 Fl 5 Recurso especial negado. Para complementar essa linha de raciocínio, transcrevo também o acórdão n° 303-33,300, que tratou de caso semelhante ao presente, e foi proferido pela Terceira Câmara do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, que era especializada na matéria, antes da instituição do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF: SIMPLES ATIVIDADE NÃO IMPEDIDA. INTENÇÃO MANIFESTA.. INCLUSÃO FORMAL RETROATIVA.. É perfeitamente plausível que serviços de reparo e manutenção de máquinas e equipamentos industriais em geral, usados, englobem atividades que nada têm de assemelhadas com engenharia, ou qualquer outra profissão com habilitação legalmente exigida. Ademais a .fiscalização não trouxe aos autos nenhuma evidência de que a empresa praticasse efetivamente atividade impedida pelo SIMPLES. Desde a sua abertura a empresa comprovou que apresentou suas declarações e fez os recolhimentos de tributos naquela sistemática, o que caracteriza que sempre, desde o início de suas atividades, em 2.5/02/1999, teve a intenção de se enquadrar no SIMPLES. Recurso Voluntário Provido.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. É oportuno transcrever trechos do voto que orientou o acórdão acima mencionado: VOTO Conselheiro Zenaldo Loibman, relatar. (,) COM todo respeito, a mim parece pouco .fundamentar uma decisão com a gravidade de excluir uma empresa do Programa SIMPLES, por simples e cega obediência a textos abstratos, seja declaratório, como no caso do ADN COSIT mencionado, seja de .fiscalização profissional de uma atividade, como no caso da Resolução do CONFEA. É imprescindível confrontar o caso concreto, sempre que possível com suporte em observação direta da atividade por parte de equipe de fiscalização, de rnodo a aferir a natureza do serviço prestado. Recomenda o bom senso que apesar dos textos normativos evocados pela decisão recorrida, não há de se pretender equiparar o serviço prestado, por exemplo, por uma oficina mecânica de automóveis, dessas encontradas em qualquer esquina da cidade, a serviço assemelhado com engenharia.. Creio que nenhuma seccional do CREA desperdice o seu tempo L 9 em fiscalizar esse tipo de empresa, ou em outro exemplo, as assistências técnicas em equipamentos tais como equipamentos eletrônicos, tv, som, liquidificadores, etc. Há serviços de montagem, de reparo ou conserto em equipamentos industriais que até podem requerer a supervisão de engenheiro, principalmente quando se tratem de peças ou partes de equipamento pesado, integrantes de uma estrutura complexa de produção industrial produzidas pelo prestador de serviço fora do local da prestação dos serviços, cuja montagem por sua complexidade, ou por se tratar de um sistema de produção exclusivo, ou qualquer outra peculiaridade, que de .fato exija a supervisão de um engenheiro. Porém, pelos elementos que compõem estes autos, não parece ser o caso.. Seria de se esperar, por prudência, que a repartição de origem no seu trabalho corriqueiro, antes de pretender um fato grave como é a exclusão, ou o impedimento de uma inicroempresa empresa de pequeno porte do Programa SIMPLES que, pelo menos, verificasse principalmente no Livro de Prestação de Serviços, nas Notas Fiscais de Serviços, com diligência ao local da prestação do serviço, qual de fato é a natureza dos serviços realizados para, se for o caso, poder caracterizar a prática serviços de assessoria, consultoria, projetos de equipamentos, algo que pudesse caracterizá-la como empresa que pratique serviço de engenharia, arquitetura ou assemelhado, e não como neste caso no qual parece apenas supor a administração tributária, Éfora de dúvida que um engenheiro está habilitado a atividades de supervisionar certos serviços de instalação e manutenção de equipamentos específicos, bem como faz parte do seu universo preparar projetos de peças,. Mas é fora de dúvida igualmente que as cidades estão cheias de pequenas empresas que consertam e reparam máquinas e equipamentos usados, sendo serviços que absolutamente dispensam a participação de engenheiro ou arquiteto, requerendo a mão de obra não especializada de um prático, que na realidade do nosso país, em geral, não chegou nem a completar o segundo grau escolar Esse tipo de atividade evidentemente não está vedado ao SIMPLES, e qualquer inteipretaçâo que pretenda equiparar o serviço prestado por um simples consertador de máquinas e equipamentos usados, ou a mera substituição de peças, ao serviço de engenheiro, tem de ser vista com desconfiança. É claro que se houvesse no processo evidências de que a atividade desenvolvida pela empresa representasse atuação na área de assessoria, de projetos de peças ou máquinas, que requeressem a participação de engenheiro ou algo que efetivamente relacionasse seus serviços a uma profissão com habilitação legalmente exigida, então estaria caracterizada razão impeditiva ao sistema SIMPLES. No entanto o que se verifica, é que a motivação apresentada na decisão recorrida para estabelecer impedimento ao SIMPLES se restringiu à descrição abstrata de atividade no ADN COSIT e na (7 Processo n° 13907 000216/2004-45 81-TE02 Acórdão n,' 1802-00363 El. 6 Resolução CONFEA, sem nem ao menos confrontar com os detalhes da atividade efetivamente exercida no local de prestação de serviços, na oficina.. O que não se pode é concluir automaticamente que sendo a atividade da empresa, de reparo e manutenção de máquinas e equipamentos, que preste necessariamente serviço assemelhado a engenharia.. Mas, poderia ser o caso, Notas .fiscais de serviços, outros documentos, provas testemunhais-, poderiam eventualmente explicitar o exercício de atividade efetivamente impedida ao SIMPLES. Entretanto, nestes autos não se encontram tais evidências, não há nenhuma prova, somente mera suposição a partir de descrições abstratas insuficientes a caracterizar no caso concreto qualquer impedimento da atividade exercida ao SIMPLES. É perfeitamente plausível que serviços de reparo e manutenção de máquinas e equipamentos industriais em geral, usados, englobem atividades que nada têm de assemelhadas com engenharia, ou qualquer outra profissão com habilitação legalmente exigida. Ademais a fiscalização não trouxe aos autos nenhuma evidência de que a empresa praticasse efetivamente atividade impedida pelo SIMPLES. (,) Pelo exposto, por entender que não .ficou nos autos caracterizado a evidência de nenhum impedimento legal à opção do SIMPLES em face da atividade descrita pela recorrente, voto por dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito de inclusão no SIMPLES retroativa a 25.02.1999. A meu ver, a Administração Tributária, em casos como o presente, além de verificar a realidade dos fatos, deveria também buscar subsídios, ou mesmo atuar em conjunto com os órgãos de classe, até porque, fosse o caso de prevalecer o entendimento da decisão aqui recorrida, poderíamos estar diante do exercício ilegal de profissão regulamentada, fato que deveria sujeitar o infrator a processo criminal, porque essa conduta está tipificada como contravenção penal (art. 47 da Lei das Contravenções Penais, Decreto- Lei 3.688/1941). Em alguns casos, inclusive, a atuação dos órgãos de classe poderia, sem exageros, ser entendida corno urna condição objetiva de procedibilidade para o que pretendeu a Receita Federal, porque, diante de situações que suscitam dúvidas, não compete à RFB definir quem está ou não exercendo atividades de engenheiro (ou de qualquer outra profissão regulamentada), seja no plano normativo, como fez o ADN COSIT n° 04/2000, seja no plano concreto, caso a casa Vale lembrar que os órgãos de classe não tem apenas a competência para normatizar o exercício da profissão, mas também para fiscalizar, diante dos casos concretos, o seu exercício ilegal. 11 Nesse sentido, considero que o referido ADN COSIT, a partir de uma interpretação sistemática, acoplando elementos dispersos no texto da Resolução CONFEA ri° 218/1973, acabou construindo uma norma não prevista nos atos normativos daquele Conselho. Pode-se perceber que idêntico processo de interpretação e construção normativa poderia ser feito para a "manutenção de veículos de uso individual" (as conhecidas oficinas mecânicas). Contudo, não há norma do CONFEA estabelecendo que a atividade de manutenção sobre estes bens deva ser registrada e fiscalizada pelos CREAS, como ocorre com os veículos de transporte rodoviário coletivos, nos termos da já mencionada DECISÃO NORMATIVA CONFEA n° 041, de 08/07/1992. Foi exatamente por isso que cheguei à conclusão de que os objetos submetidos às operações de instalação, reparação, montagem e manutenção, no caso, "equipamentos industriais", não evidenciam, por si só, a execução de atividade que demande a qualificação técnica de engenheiro. Finalmente, é importante consignar que a Contribuinte apresentou juntamente com seu recurso uma série de documentos para comprovar a prestação de serviços em máquinas e equipamentos que foram comercializados e instalados/montados por outras empresas, estas sim realizando atividades típicas de engenheiro, conforme indicam as ART — Anotação de Responsabilidade Técnica registradas por seus profissionais. Deste modo, concluo que não estão presentes os pressupostos para a aplicação do art. 90, XIII, da Lei 9.317/1996, Inexistem, no caso da Recorrente, fundamentos para a exclusão do Simples. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 2 de agosto de 2010 ' / ,,/.José -' 'Çêa—R-1-ator.1 o s é de Oliveira Ferraz Co - e ,, / ,./ 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO PROCESSO: 13907..000216/2004-45 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada nos despachos supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CA.RF, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 03 de setembro de 2010, Maria Cone is de Sousa Rodrigues Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [J apenas com ciência; [ com Recurso Especial; []com Embargos de Declaração,
score : 1.0
Numero do processo: 10380.006307/2006-44
Data da sessão: Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004
DEPÓSITO BANCÁRIO DECADÊNCIA.
Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF, tratando-se de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art.
150, § 4° do CTN).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, de 1996.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF n° 26).
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n° 2).
Preliminar de decadência acolhida.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-000.436
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a argüição de decadência suscitada pelo Recorrente, para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao ano-calendário de 2000 e, no mérito, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF, tratando-se de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4° do CTN). OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, de 1996. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF n° 26). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n° 2). Preliminar de decadência acolhida. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a argüição de decadência suscitada pelo Recorrente, para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao ano-calendário de 2000 e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. N s m, .fin — Presidente - / ntonio Lobo M rtinez elator EDITADO EM: 2 1 JU N 2(1113 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Helenilson Cunha Pontes, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente). 2 Processo n° 10380.006307/2006-44 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.436 Fl. 2 Relatório Em desfavor do contribuinte, GENILSON ALVES DE ANDRADE, foi lavrado Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), fls.53/62, para cobrança do Imposto de Renda Pessoa Física, no valor de R$ 1.992.742,28, acrescido de Multa de Oficio, aplicada no percentual de 75%, e de Juros de Mora, apurados com base na Taxa Selic. O crédito tributário totalizou em 30/06/2006, o valor de R$ 4.732.679,63. De acordo com a descrição dos fatos, o enquadramento legal, fls. 54, e o Teimo de Verificação Fiscal, fls. 04/06, o crédito tributário é relativo às Declarações de Ajuste Anual dos exercícios financeiros de 2001, 2002, 2003 e 2004, anos-calendários 2000, 2001, 2002 e 2003, respectivamente, e decorreu de infração de omissão de reridimentos, caracterizada por depósitos bancários, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não logrou comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações (artigo 42 da Lei n 9.430/96 e alterações posteriores). O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal em 11/07/2006 e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: • Decadência - sustentou, com fundamento no parágrafo quarto do artigo 150 da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CT1V)), que estariam alcançados pelo instituto da decadência os créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos no ano-calendário de 2000; • Livre Concorrência - procedimento de fiscalização desigual (outro contribuinte com a mesma atividade e na mesma situação sofreu fiscalização com procedimento de fiscalização que concluiu pela atividade de corretor de compra de gado); • Lançamento Inconcluso - o autor do procedimento fiscal encerrou a fiscalização sem diligenciar as informações fornecidas quanto à atividade desenvolvida e quanto à comprovação da origem dos recursos depositados na conta corrente. Em 10 de setembro de 2007, os membros da 1' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza proferiram Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento. • Cientificado em 27/09/07 do supracitado Acórdão, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou, em 29/10/2007, o Recurso Voluntário, de fls. 217/249, reiterando as razões da sua impugnação, às quais já foram devidamente explicitadas anteriormente no presente relatório. \( 3 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Decadência - Nessa senda, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para os rendimentos omitidos, deduções indevidas e infrações tributárias que ocorreram ao longo do ano de 2000, previsto no art. 150, parágrafo 4°, do CTN é de 1° de janeiro de 2001, posto que é o 1° dia após a ocorrência do fato gerador. Desta forma, o lançamento poderia ser realizado até a data de 31/12/2005, para que pudesse alcançar os valores percebidos no ano-calendário de 2000. Como o auto de infração foi encaminhado ao contribuinte teve ciência do auto de infração apenas em 17/07/2006, entendo que nessa data já havia decaído o direito da fazenda constituir o referido crédito tributário. Como é sabido, o lançamento é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, identificar o seu sujeito passivo, deteiiiiinar a matéria tributável e calcular ou por outra forma definir o montante do crédito tributário, aplicando, se for o caso, a penalidade cabível. Com o lançamento constitui-se o crédito tributário, de modo que antes do lançamento, tendo ocorrido o fato imponível, ou seja, aquela circunstância descrita na lei como hipótese em que há incidência de tributo, verifica-se, tão somente, obrigação tributária, que não deixa de caracterizar relação jurídica tributária. É sabido, que são utilizados, na cobrança de impostos e/ou contribuições, tanto o lançamento por declaração quanto o lançamento por homologação. Aplica-se o lançamento por declaração (artigo 147 do Código Tributário Nacional) quando há participação da administração tributária com base em informações prestadas pelo sujeito passivo, ou quando, tendo havido recolhimentos antecipados, é apresentada a declaração respectiva, para o juste final do tributo efetivamente devido, cobrando-se as insuficiências ou apurando-se os excessos, com posterior restituição. Por outro lado, nos precisos termos do artigo 150 do CTN, ocorre o lançamento por homologação quando a legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, a qual, tomando conhecimento da atividade assim exercida, expressamente a homologa. Inexistindo essa homologação expressa, ocorrerá ela no prazo de 05 (cinco) anos, a contar do fato gerador do tributo. Com outras palavras, no lançamento por homologação, o contribuinte apura o montante e efetua o recolhimento do tributo de forma definitiva, independentemente de ajustes posteriores. Neste ponto está a distinção fundamental entre uma sistemática e outra, ou seja, para se saber o regime de lançamento de um tributo, basta compulsar a sua legislação e verificar quando nasce o dever de cumprimento da obrigação tributária pelo sujeito passivo: se dependente de atividade da administração tributária, com base em informações prestadas pelos sujeitos passivos (lançamento por declaração), hipótese em que, antes de notificado do 4 Processo n° 10380.006307/2006-44 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.436 Fl. 3 lançamento, nada deve o sujeito passivo; se, independente do pronunciamento da administração tributária, deve o sujeito passivo ir calculando e pagando o tributo, na forma estipulada pela legislação, sem exame do sujeito ativo - lançamento por homologação, que, a rigor técnico, não é lançamento, porquanto quando se homologa nada se constitui, pelo contrário, declara-se à existência de um crédito que já está extinto pelo pagamento. Importante frisar que independente do recorrente ter apresentado ou não declaração de ajuste anual, no meu entendimento esse fato não altera a conclusão, uma vez que se homologaria o procedimento. No caso o procedimento de nada fazer, não declarar e não pagar. Em suma, no meu entendimento cabe considerar o lançamento do ano de 2000 como decadente. Caso o auto de infração tivesse sido cientificado ao recorrente ainda no ano de 2005, estaria afastada essa hipótese. Da Presunção baseada em Depósitos Bancários O lançamento fundamenta-se em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, tem-se a autorização para considerar ocorrido o "fato gerador" quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de "fato gerador", a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do "fato gerador" (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tão-somente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de "Imposto sobre a Renda - Pessoas Jurídicas" (Justec-RJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocando-a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume - cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei n° 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza não-tributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte 5 poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.° 8.112/1990), moimente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.° 9.430/1996). Não se sustenta a argumentação de tratamento desigual, pois na realidade dos fatos, o recorrente não apresentou provas que evidenciem a efetiva origem dos depósitos bancários. Diante da ausência de elementos de prova nos autos, é oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: "Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa." Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente. prova 'é aquela que se forma no espirito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato ". Já no campo objetivo, as provas "são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo. Assim, consoante o referido autor, a prova teria a) um objeto - são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade - a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário - o juiz. As afi_inlações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigem-se ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Pode-se então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. Da Inconstitucionalidade do Procedimento Fiscal No referente a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, que deteuninariam a aplicação de procedimentos, multas e juros de natureza confiscatória, acompanho a posição sumulada pelo CARF de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. 6 Processo n° 10380.006307/2006-44 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.436 Fl. 4 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n°2). Ante ao exposto, voto por ACOLHER a preliminar de decadência para o ano calendário de 2000 e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. ))7( 7;Ly,( ii th' , o (h- r'f\ toni 1bpo Maz 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ~7:1À,24 2' CAMARA/2 SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n°: 10380.006307/2006-44 Recurso n°: 164.557 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 30 do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2202-00.436. 40, 201CBrasília/DF, EVELINE COÊLHO DE MELO HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10580.003872/2003-51
Data da sessão: Thu May 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 1997
EXCLUSÃO. PENDÊNCIAS DA EMPRESA E/OU SÓCIO JUNTO À PGFN. Mantem-se a exclusão do Simples quando a pessoa jurídica não apresenta prova de regularidade fiscal junto à Procuradoria Geral da Fazenda
Nacional no prazo de .30 (trinta) dias contado a partir da ciência do ato de exclusão.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1301-000.323
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 1997 EXCLUSÃO. PENDÊNCIAS DA EMPRESA E/OU SÓCIO JUNTO À PGFN. Mantem-se a exclusão do Simples quando a pessoa jurídica não apresenta prova de regularidade fiscal junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional no prazo de .30 (trinta) dias contado a partir da ciência do ato de exclusão. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida 3a TURMA/DRJ-SALVADOR-BA ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 1997 EXCLUSÃO. PENDÊNCIAS DA EMPRESA E/OU SÓCIO JUNTO À PGFN. Mantem-se a exclusão do Simples quando a pessoa jurídica não apresenta prova de regularidade fiscal junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional no prazo de .30 (trinta) dias contado a partir da ciência do ato de exclusão. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado» LEONARDO DEDE ANDRADE COUTO - Presidente EDITADO ÉM: 12 NOV 2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Thiago D' Ávila Melo Fernandes, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto. -~1, £14 É o Relatório, Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, transcrevo o relatório exarado no julgamento de primeira instancia, a saber: "A empresa acima qualificada apresentou a petição de folha inicial, requerendo enquadramento retroativo no Simples, desde o ano-calendário de 1997, Inicialmente, a solicitação foi indeferida pelo órgão de origem, mediante o Parecer SECAT/DRF/SDR 424/2005 (fis, 44/46), sob argumento de que a Pessoa Jurídica (PJ) comprova intenção de aderir ao sistema, mediante apresentação de Declaração Anual Simplificada e pagamentos em DARF-Simples. Mas que não há erro de fato a corrigir, pois a contribuinte tinha débitos inscritos em Divida Ativa da União (DAU/PGFN) desde 27/06/1997, conforme processos fiscais n° 10580.227421/97-61, 10580,227422/97-24 e 10580227423/97- 9'7, que só foram regularizados no ano-calendário de 2003, em razão de Parcelamento Especial PAES, instituído pela Lei 11 0 I 0.684/2003,conforme extratos PGFN (fis. 24/27), Cientificada em 0710712005 (fl, 47), a requerente ingressou com manifestação de inconformidade em 27/07/2005 (fis, 50/53), alegando, em suma, que desde o ano-calendário de 1997 sempre entregou Declaração Anual Simplificada, denotando interesse de aderir ao Simples. Por conta disso, entende que a negação do pedido elide dispositivos legais e constitucionais, haja vista que a situação da divida junto à PGFN foi solucionada por meio do PAES, cujas parcelas vem sendo quitadas normalmente,. Alude ainda que foi lançado recentemente um pacote de vinte Medidas Provisórias, existindo, dentre elas, a que permite às microempresas permanecerem no Simples, mesmo que tenham inscrições na DAU por irregularidades no pagamento de tributos. Pelo exposto, solicita a revisão do mencionado Parecer, no sentido de sua incluisão no Simples desde o ano-calendário de 1991" 2 Processo n° 10580.003872/2003-51 S1-C311 Acórdão n " 1301-00323 Fl. 2 Voto Conselheiro PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS O recurso ora apreciado é tempestivo (fls. 81/82), e merece ser acolhido. Na peça recursal o contribuinte se insurge contra o indeferimento exarado no Acórdão 15-10,619 da DM de Salvador negando sua inclusão no Simples com data retroativa a 01/01/1997. Alega em suas 'fundamentações que: "O PRESIDENTE DA REPÚBLICA EM 14 DE AGOSTO DE 2007 SANCIONA A LEI COMPLEMENTAR No. 127 DO SIMPLES NACIONAL (SUPER-SIMPLES), ONDE NO SEU ART. I°, PARÁGRAFO 40 DIZ. "SERÃO CONSIDERADAS INSCRITAS NO SIMPLES NACIONAL, EM I°. DE JULHO DE .2007, AS 1141CROEMPRESAS E EMPRESAS DE PEQUENO PORTE REGULARMENTE OPTANTES PELO REGIME TRIBUTÁRIO DE QUE TRATA A LEI Nu, 9,317 DE 05 DE DEZEMBRO DE 1.996, SA,LVO AS QUE ESTIVEREM IMPEDIDAS DE OPTAR POR ALGUMA VEDAÇÃO IMPOSTA POR ESTA LEI COMPLEMENTAR., A MICROEMPRESA ALPER VIDRO COMERCIO DE VIDROS, MOLDURAS E ALUMÍNIO LTDA, INSERIU-SE AUTOMATICAMENTE AO SIMPLES NACIONAL PELO MINISTÉRIO DA FAZENDA E, JÁ VEM CONTRIBUINDO COMO SIMPLES NACIONAL CONFORME COMPROVANTES EM ANEXO. EM .2005 O PRESIDENTE DA REPÚBLICA ENVIOU UMA MEDIDA PROVISORIA AO CONGRESSO NACIONAL PARA AMPARAR AS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS COM DEBITOS NA DIVIDA ATIVA DA UNIÃO, PERMITINDO PERMANECEREM NO SIMPLES, MESMO SE FOREM INSCRITAS EM DÍVIDA ATIVA POR IRREGULARIDADES NO PAGAMENTO DE TRIBUTOS DENTRO DO SISTEMA PELA NORMA ANTIGA, AS EMPRESAS INADIMPLENTES ERAM EXCLUIDAS DO SIMPLES COM EFEITO RETROATIVO E TINHAM QUE PAGAR AS DÍVIDAS DENTRO DE OUTRO SISTEMA, O QUE ONERAVA MUITO O CONTRIBUINTE. COM ESSA MEDIDA O GOVERNO FEDERAL FAVORECEU O RETORNO DO MICROEMPRESÁRIO AO REGIME DO SIMPLES, ATUALMENTE IMPA RADO PELA LEI COMPLEMENTAR No 127 DE 14 DE AGOSTO DE 2007, Diante do aqui exposto, a RECORRENTE confia na serenidade e independencia dos ínclitos julgadores do Conselho de Contribuintes da Receita Federal, bem como apresenta documentação necessária que sustentam as razões de RECORRENTE. Para que seja .feita justiça, pede a PROCEDENCIA DO RECURSO para cassar o indeferimento do PAULO JA KSON ILVA LUCAS - Relator Relator SIPE No 26 273 DR. GILBERTO SANTOS GRAMA CHO, em face da RECORRENTE encontrar-se hoje, regular, cumprindo suas obrigações como integrante do SIMPLES NACIONAL, Por ser ato de ,Iustiça" De se observar que a Lei Complementar n. 123/2006, em seu artigo 17, inciso V, (da mesma forma que a Lei 9,317/1996), veda o ingresso e permanência no Simples a pessoa jurídica que possua débito com o INSS ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa, Permitindo neste caso, a permanência das empresas optantes que lograrem comprovar a regularização dos débitos no prazo de até 30 (trinta) dias contado a partir da ciencia da exclusão. Logo, não há mácula no Parecer/Secat n. 424/2005 da DRF/Salvador o qual concluiu pelo indeferimento do pedido de inclusão ao Simples com data retroativa a 01/01/1997, pois os débitos inscritos em DAU no ano de 1997, só foram regularizados em 30/11/2003 através do PAES. Por fim, resta lembrar que após a regularização dos débitos a pessoa jurídica poderá optar pela sistemática do Simples nos termos da IN/SRF 608, de 2006.. Diante das razões acima expostas nego provimento ao recurso voluntário. 4
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002479/2007-25
Data da sessão: Thu Jun 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2007
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DITR,
Provada a entrega a destempo da Declaração do Imposto Territorial Rural, há que ser mantido o lançamento da multa correspondente.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-000.720
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatou. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Moisés Giacomelli Nnes da Silva e Rayana Alves de Oliveira França
Matéria: ITR - Multa por atraso na entrega da Declaração
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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Recurso negado.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatou. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Moisés Giacomelli Nnes da Silva e Rayana Alves de Oliveira França. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo 7adeu Farah, Janaina Mesquita Lourenço de Souza, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Franci co Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Contra a interessada acima identificada foi lavrado o Auto de Infração relativa à multa por atraso na entrega da DUM, referente ao imóvel rural localizado no município de Água Doce/SC, Em sua impugnação alega a autuada, em síntese, que: i não se pode admitir que o município de Água Doce/SC sofra mais baixa na sua arrecadação; ii - já regularizou a situação do imóvel; iii - requer a relevação da multa, A I" Turma da DRJ de Campo Grande/MS manteve integralmente a exigência, consubstanciada na ementa abaixo transcrita: MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA DA DE - CLARA çÃo. A entrega cia declaração de ITR Ibra do prazo .fixado legislação tributária enseja a cobrança da multa por atraso, prevista no art. 9 0, da Lei n° 9.393/96, não havendo previsão de seu afastamento em razão da situação financeira do contribuinte. Intimada da decisão de primeira instância, a autuada apresenta Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua impugnação, sobretudo o cancelamento do lançamento face à denúncia espontânea configurada na forma do art. 1.38 do CTN. É o relatório. 2 Processo n" 10925.002479/2007-25 S2-C2T1 Acórdão n " 2201-00.720 Fl. 2 Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos, houve a entrega a destempo da DITR, razão pela qual foi lavrada a infração. Os arts. 7", 8° e 9° da Lei n" 9,393, de 1996, determinam a condição para a cobrança de multa pelo atraso na entrega da Declaração cio Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (D1TR): Art. 7" No caso de apresentação espontânea do DIAC (Documento de Infbrmação e Atualização Cadastral do ITR) fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, será cobrada limita de I% (um por cento) ao mês ou fração sobre o imposto devido não inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais), sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela Mia ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. Art 8" O contribuinte do 1TR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR - DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal ) Art. 9"A entrega do DIAT fora do prazo estabelecido sujeitará o contribuinte à multa de que trata o art 7", sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela !alta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. ) Em que pese alegue a recorrente que o município de Água Doce possua baixa arrecadação, não há nenhuma lei tributária que preveja a hipótese de isenção ou beneficio fiscal em razão da condição financeira do contribuinte nos casos de entrega a destempo da DITR, sob pena de contrariar frontalmente o princípio da reserva legal. Outrossim, não se pode perder de vista as prescrições constantes no art. 115 do CTN: Art 115 Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na .1brina da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. (grifei) 3 Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso, Eduatgo Tadeu Farah Pelo que se observa do excerto legal reproduzido a obrigação acessória decorre da legislação, não se configurando, no presente caso, em obrigação principal Neste sentido, cumprida a ordem legal poderá o sujeito ativo exigir a multa pelo não cumprimento da obrigação acessória, em que pese à condição de imunidade tributária (cai relação ao imposto) da recorrente. Ademais, a exigência visa, entre outros, a regularidade e controle das informações nos cadastros oficiais. Assim, a entrega da declaração fora do prazo previsto na lei constitui infração formal (obrigação acessória autônoma), não podendo ser tida como pura infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art, 138 do Código Tributário Nacional, (Precedentes - 811: AGREsp n° 262.295/GO, Rei, Min. Francisco Falcão, j, 07.12,2000, v.u., DM 16.04.2001; REsp n° 396.698/PR, Rel. Min, Luiz Fux, j. 12,03.2002, v.u.., DJU 08..04..2002) Restando provada a apresentação a destempo da D1TR, há que ser mantido o lançamento da multa por atraso na entrega, 4
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003949/2003-41
Data da sessão: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSILL
Exercício: 1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL DE MESMO OBJETO, SÚMULA 1 DO CARF. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTARIO, FORMALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO. ADMISS1BILIDADE. NECESSIDADE DE PREVINIR A DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR.
INTELIGÊNCIA DO ART. 63 DA LEI N. 9,430/96,
É sumulado por esse Egrégio Conselho o entendimento no sentido de que a existência de ação judicial pela qual discute o contribuinte o `mérito' do lançamento importa em renúncia à instância administrativa, posto que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser
alterada no processo administrativo, o que torna inócua a discussão administrativa.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por decisão judicial não impede a formalização do lançamento que, nesse caso, destina-se a prevenir a decadência do direito de lançar, nos termos do que dispi5e o art, 6.3 da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 1103-000.335
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer da matéria submetida ao judiciário e negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CSL- auto eletrônico (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: HUGO ORREIA SOTERO
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CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL DE MESMO OBJETO, SÚMULA 1 DO CARF. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTARIO, FORMALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO. ADMISS1BILIDADE. NECESSIDADE DE PREVINIR A DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. INTELIGÊNCIA DO ART. 63 DA LEI N. 9,430/96, É sumulado por esse Egrégio Conselho o entendimento no sentido de que a existência de ação judicial pela qual discute o contribuinte o `mérito' do lançamento importa em renúncia à instância administrativa, posto que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, o que torna inócua a discussão administrativa. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por decisão judicial não impede a formalização do lançamento que, nesse caso, destina-se a prevenir a decadência do direito de lançar, nos termos do que dispi5e o art, 6.3 da Lei n'. 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer da matéria submetida ao judiei r-io e negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente ju , ado, ALGtYSIO . 0 - TO DA SILVA - Presidente HUG TERO - Relator EDITADO EM: 2 8J A N 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percinio da Silva (Presidente da 'Turma), Marcos Shigueo Takata, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Coma Sotero, Mario Sergio Fernandes Barroso e Gervásio Nieolau Recktenvald 2 Processo n' 19515 003949/2003-41 S1-CIT3 Ad:n- (110 n '1103-00335 Fl 2 Relatório A Recorrente foi autuada por inobservância do limite de 30% (trinta por cento) para a compensação de base negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) no ano de 1998, tendo justificado o descumprimento da legislação tributária ante a existência de ação judicial (Mandado de Segurança n°. 97.0044604-2 — 5. Vara Federal da Seção Judiciária de são Paulo) na qual obteve provimento liminar e, após, sentença de mérito parcialmente confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 3", Região, que lhe conferia o direito ao integral abatimento das bases negativas da contribuição. Formalizado o lançamento, que tem por objeto a exigência das diferenças decorrentes da compensação superior ao limite legal, apresentou a Recorrente impugnação (fls. 146-153), argüindo: a) obrigatoriedade de suspensão do processo administrativo até o definitivo desenlace da ação judicial; b) impossibilidade de subsistência do lançamento, face a suspensão da exigibilidade do crédito por decisão judicial anterior; c) ilegalidade e inconstitucionalidade da limitação a compensação. O lançamento foi julgado procedente pela Delegacia de Julgamento de São Paulo (SPO 1), assim: "AÇÁO JUDICIAL CONCOMITANTE COM PROCESSO ADMINISTRATIVO, LIMITAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. LIMITE DE 30%. Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matem -ia objeto da ação judicial. Contudo, conforme o Ato Declaratório Normativo (ADN) n'' 3/19.96, somente quando diferentes os objetos do processo judicial e do process-o administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona a matéria diferenciada SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE, Não há previsão legal para o sobre,stamento do .feito, dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal, devendo a Administração Pública impulsioná-lo até sua conclusão. Lançamento Procedente." Em face da decisão interpôs o contribuinte o recurso voluntário de fls. 182- 201, reproduzindo as razões de impugnação, o relatório. 3 Voto Conselheiro HUGO CORREIA SOTERO O recurso é tempestivo e preenche os requisitos intrínsecos e extrinsecos essenciais à admissibilidade . Como dito, foi a decisão objurgada construida sob o fundamento de impossibilidade de deslindar-se na esfera administrativa questão submetida A apreciação do Poder Judiciário por ação aforada pelo próprio contribuinte, demonstrada a identidade do objeto. E firme o entendimento desta Corte no sentido de que a existência de ação judicial pela qual discute o contribuinte o `mérito' do lançamento importa em renúncia h instancia administrativa, posto que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, o que torna inócua a discussão administrativa. Tal matéria, inclusive, já é objeto da Súmula l desse Egrégio Conselho, Vejamos o texto desse enunciado: Importa renúncia as instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. No caso, sendo o objeto deste processo administrativo idêntico ao do processo judicial manejado pela Recorrente, caracterizada está a inviabilidade da discussão da questão em sede administrativa. Nesse sentido não conheço da matéria ora discutida. Consigno, para além, que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário determinada por decisão judicial não impede a formalização do lançamento, de acordo com o que dispõe o art. 63 da Lei n°. 9.430/96, que tem a seguinte expressão: "Art,63.Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n2 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de nuilta de oficio." Suspensa a exigibilidade do crédito, obrigatória a confecção do lançamento para fins de prevenção da decadência do direito de lançar, não se cogitando de nulidade do ato por esse motivo. Com estas considerações, não conheço da matéria sujeita a apreciação do poder judiciário e no tocante a matéria diferenciada, conheço do recurso para negar-lhe provimento, REIA SOTERO 4
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001580/2003-22
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA 1I2
ANO-CALENDÁRIO: 1999
DEDUÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLI, DO PERÍODO, REFIS.
A apuração de valores de receitas não declaradas implica recomposição da base de cálculo do MN e da CSLL apurada no período. Devem ser deduzidos os prejuízos e as bases de cálculo negativas não utilizadas no REFIS.
Numero da decisão: 1803-000.313
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para reconhecer a compensação de prejuízos fiscais no montante de R$ 501,051,41 em 1999, reduzindo o prejuízo fiscal apurado e cancelando a exigência, e ajustar a base de cálculo negativa da C.SLI„ relativa ao mesmo ano, para o valor de R$ 1.017.949,45, nos termos do relatório e voto que integram o presente ,julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA 1I2 ANO-CALENDÁRIO: 1999 DEDUÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLI, DO PERÍODO, REFIS. A apuração de valores de receitas não declaradas implica recomposição da base de cálculo do MN e da CSLL apurada no período. Devem ser deduzidos os prejuízos e as bases de cálculo negativas não utilizadas no REFIS.
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A apuração de valores de receitas não declaradas implica recomposição da base de cálculo do MN e da CSLL apurada no período. Devem ser deduzidos os prejuízos e as bases de cálculo negativas não utilizadas no REF IS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a compensação de prejuízos fiscais no montante de R$ 501,051,41 em 1999, reduzindo o prejuízo fiscal apurado e cancelando a exigência, e ajustar a base de cálculo negativa da C.SLI„ relativa ao mesmo ano, para o valor de R$ I .0 I 7.949,45, nos termos do relatório e voto que integram o presente ,julgado. -,,Nlf„-É-ER-R-ETI:t A 1)E MORAES — Presidente e Relatora. EDITADO EM: Lj , , Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benicio Júnior, Luciano Inocêncio dos Santos, Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodi igues Mendes e Silvana Rescigno Guerra Barretto. Relatório Irata-se de autos de infração de WPJ e de ajuste de base de calculo de CSLL lavrados em virtude da constatação de que a contribuinte não incluiu na sua declaração de rendimentos o valor das receitas financeiras contabilizadas na rubrica '`.1.r.s. s/ empréstimo a Marcos Dias e Filhos"- conta n° 1 I .01 05.0] 4.002, no Montante de R$ 501.051,41 Irresignada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, onde alegou, eiii síntese, que na° utilizou integralmente os prejuízos fiscais de IR.P.J . e as bases de cálculo negativas da CSLI.,rio R LEIS A 3" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RI, em sessão de 2.7/04/2006, não acolheu a. impugnação, proferindo o Acórdão MJ/RJ-01 n" 10 620/2006 (tis, 185/187), assim ementado: 7?».,CP.,1115" NÃO DEC_LARADAS MAlERIA 1.11;10 IMPUGNADA O lançamento consolichl-SV, administrativamente, no que Se refere à matéria não impugnada, considerando-se como tal a matéria que não lenha sido exues. vimenic contes.tada COMPENSA DE RiLS'E DE (.:ÁL('ULO NEGA TI VA Em face de ter havido a compensação da base de cálculo ncgaliva da CSTL não produz eféi lo a alegação do interessado Não se conformando coro os termos do v. acórdão, em recurso de tis. 198/21.0, a contribuinte contra ele se insurgiu, alegando, em síntese, o seguinte: a) A autoridade autuante entendeu que a reconente, .por ter aderido ao REFLS no ano de 2000, teria se utilizado da integralidade do saldo de prejuízo fiscal para liquidação dos valores correspondentes a multa, de mora ou de oficio, e a juros moratorios de débitos incluídos no referido programa de recupei ação fiscal. b) A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por manter a autuaç.ão em sua integralidade, desconsiderando, de forniu expressa, as alegações de que a utilização do saldo de prejuízo fiscal para compensação de débitos incluídos no RENS havia sido parcial. c) A Delegacia de Julgamento simplesmente optou por ignorar o argumento de defesa, declinando que não teria competência para apreciação do assunto. d) Se foi i.tribuida à Delegacia de julgamento a competência para processar e julgt.ir impugnações aos autos de infração lavrados em ações fiscais realizadas em sua de jurisdição, não há como a autoridade julgadora se negar a exercer tais atividades, sob pena de prejuízo ao direito de ampla defesa do contribuinte, que é um dos princípios fundamentais do processo administrativo. 2 i'rocesso n'' 18-171 .001580/2003-22 S-1.- 1E03 Acórdão n." 1803-00.313 Fl. 2 e) Caberia à autoridade autuante, antes de lavrar o auto de infração, proceder à recomposição do resultado fiscal auferido pela recorrente no ano calendário de 1999 para., somente então, proceder à eventual constituição do crédito tributário. 0 Toda a compensação efetuada no âmbito do RENS, nos termos do art. 2" da Lei n" 9„964/00 foi realizada. exclusivamente com os saldos de prejuízos fiscais apurados até o ano calendário de 1998, conforme constante da Declaração REFIS, não contemplando, portanto, o prejuízo fiscal apurado no exercício de 1999.. g) Requer o provimento do recurso para o g im de declarar nula a decisão de primeira. instância, determinando-se o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que, profira decisão apreciando as razões de defesa apresentadas na. impugnação, ou , caso ultrapassada a questão preliminar, ou ainda, caso o Conselho d.e Contribuintes entenda por bem utilizar a faculdade prevista no § .3", do art.. 59, do Decreto n° 70.2.35/72, de acolher as razões de mérito para julgar improcedente o auto de infração, tendo em vista a inexistência de crédito tributário de, fRP.T., Às fls. 215 consta "Relação de Bens e Direitos para Arrolamento", para efeito de seguimento do recurso.. Em sessão de 16 de setembro de 2008, a 7" Turma Especial do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes anulou a decisão de primeira instância, proferindo decisão assim ementada: "CERCUMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE. _A falta de apreciação pela autoridade julga.dora de primeira instância de rauãe.s de cldesa apresentadas na impugnação constitui preterição do direito de dd esa da parte, ensejando a nulidade da decisão as. sim projerida, "ex vi" do disposto no art. 59, item II, do Decreto n" 70..235/72." A Delegacia. da Receita Federal de Julgamento proferiu novo acórdão, tendo considerado o lançamento procedente com base nos seguintes argumentos: a) O lançamento foi efetuado em virtude de terem sido apuradas receitas financeiras escrituradas mas não declaradas.. Na impugnação a contribuinte não contestou a infração propriamente dita, consolidando-se a exigência quanto à matéria não impugnada. b) Para a compensação de débitos próprios, conforme fls. 681, foram transferidos prejuízos no montante de R$ 9,293.408,38. Este valor coincide com o do Demonstrativo REFIS (fls. 339)„ e) Para a compensação de débitos de terceiros, conforme fls. 681, foram transferidos prejuízos no montante de R$ 2,863,719,04, Este valor coincide com o do Demonstrativo REEIS (fls. 283) e com a informação do próprio interessado (fls.. 291). d) Não cabe a pleiteada. compensação de prejuízos fiscais, posto que estes foram integralmente transferidos para o REFIS, por opção do interessado. 3 e) Quanto à alegação de que possui saldo de base de cálculo negativa suficiente para compensar o valor correspondente às receitas financeiras escrituradas mas não declaradas, Observa-se que, conforme Demonstrativo de Apuração da CSLL (fls.. 67), a autoridade liscal efetuou a compensação integral do valor da infração. No recurso inteposto contra a nova decisão da Delegacia de July,arnento, a contribuinte alega em síntese que: a) A autoridade fiscal deve se manifestar acerca da questão dos lançamentos de IRPI e CSli observando toda a defesa apresentada. b) É possível a compensação da base de cálculo negativa do IR.P.1 e da CS1A- c) No R.1.MS a contribuinte utilizou-se dos saldos de !prejuízo fiscal apurados até o ano calendário de 1998, e, portanto, o prejuízo fiscal apurado no ano calendário de 1999 não foi incluído .na opção de compensação autorizada pelo RUIS. d) A jurisprudência do Conselho vai no sentido de que devem ser deduzidos os prejuízos não utilizados no REFIS, e) R.equer o cancelamento da multa isolada, ou quando não, sua redução para patamares não contiseatorios.. É o relatório. Voto Conselheira Shl.,EN E FERREIRA DE MORAES, Relatora O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Preliminarmente., deve ser analisada a alegação da recorrente de que não há possibilidade de preclusão administrativa.. No processo administrativo fiscal existe expressa previsão legal relativa à preclusào. O art.. 17 do Decreto IV 70235/1972 determina que "considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." .A decisão recorrida aplicou corietamente este dispositivo legal, ao entender que não foi contestada a infração propriamente dita, qual seja, a de falta de declaração de receitas financeiras escrituradas.. A própria recorrente admite tal lato, restringindo sua argumentação à alegação de existência de saldo de prejuízo fiscal relativo ao próprio ano calenãirio, que não foi efetivamente utilizado na compensação permitida no âmbito do Refis„ Apresenta a recorrente os seguintes cálculos para demonstrar que apenas utilizou no Refis os saldos de prejuízo liscal apurados até o ano calendário de 1998: Com base no Livro de Apuração do lucro Real: a) Prejuízos E iscais até 1998 — R$ 9.293.408,38 b) Base de cálculo Negativa de CS1,1, até 1998— R$ 10.809.736,53 4 occsu 1 8471. 001580/2003-22 51-1-E03 Acórfflo 1803-00.313 H 3 Créditos apurados: Sobre o prejuízo fiscal R$ 1.394.011,25 Sobre a base de cálculo negativa de CSLIL R$ 864..778,92 ..R$ 2,258. 790,17 Créditos de prejuízos fiscais utilizados na amortiza.ção de multas e juros; a) Próprios: 681.540,70 — 15% de R$ 4.543.604,72 b) Terceiros: 429,557,85 — 15% de R$ 2.863,719,04 Prejuízo fiscal até 1998 não utilizado = R$ 9193..408,38 - R$ 4.543..604,72 - R$ 2.863..719,04 = 1.886..084,67, A fiscalização considerou que a contribuinte Optou pela utilização integral dos prejuízos fiscais na compensação do Refis (declaração às fis, 3.39), independentemente de sua utilização efetiva, in verbis (fis, 58): 'Não fOram considerados os saldos dos prejuízos .fiseais apurados pelo contribuinte em períodos anteriores nem o prejuízo apurado no ano fiscalizado, tendo em vista que a fiscalizada optou pela utilização integral dos mesmas na compensação do .RENS, confom' . me consta do demonstrativo de compensação de pre.quízos fiscais (SAHA, em tmexo. _NO referido demonstrativo o contribuinte utilizou o prejuízo declarado no ano de .1999, no montante de R$ 2.100.118,28 que superior 00 valor apurado pela fiscalização (R$ 1 615.913,21). Não • bi considerado o saldo da base de cálculo negativa da CS1,L apurado pelo contribuinte em períodos anterior(, sendo que da base de cálculo negativa apurada pela fiscalização somente fin considerado o valor de R$ .1 518.960.53 tendo em mira que o saldo _supramencionado e parte da base de cálculo negativa declarada no ano de 1999 no valor de R$ 40,3.3 serviram de opção da fiscalizada para utilização integral na compensação do REM, conforme consta do demonstrativo base de cálculo negativa da C.:SLL (SAPLI), - em anexo. A base de cálculo negativa da CSEL declarada pelo contribuinte no ano de 1999 no moentante de R$ .2 003.205,93 é superior ao valor apurado pela fiscalização no valor de R$ 1.519.000,86. A contribuinte alega que somente utilizou .parte dos saldos dos prejuízos fiscais, unia vez que a base de cálculo utilizada na amortização das multas e dos juros é inferior aos saldos de prejuízos fiscais apurados até .31/12/1998. Para comprovar tal afirmativa, anexa. aos autos Os extratos de fis.. 116/691 e 117/692, e cópias da parte "B" do Lalun A Delegacia de Julgamento, ao proferir o novo acórdão, manteve o entendimento da fiscalização, afirmando que houve transferência integral dos prejuízos para o Rei is, por opção do interessado. A questão que deve ser respondida no presente caso é se a indicação do montante integral do saldo de prejuízos acumulados na declaração Refis impede a utilização de eventuais valores remanescentes, após a compensação efetuada no âmbito daquele programa. O inciso -II, do § 7', do art. 2" da Lei n° 9.964/2000, assim dispõe: "Art. 22 O ingresso no Relis dar-se-á por opção da pes_soa jurídica, que fará jus a regimc especial da consolidação e parcelamento dos débitos fiscais a que se rejere o ar( .1". §7" Os Villores correspondentes a multa, da iii0fa ou de ofício, e a juros moratórias, inclusive as relativas ! a débitos inscritos em dívida ativa, poderão ser liquidados, observadas as TIOM1(1..s. con.stitucionais referentes à vinculação e à partilha de receitas, mediante. I compensação de créditos, pre'prios ou de terceiros, relativos a tributo ou contribuição incluído Ho iribito do ROS; • a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da contribuição social .sobre o lucro liquido, próprios ou de terceiros, esteç declarados à Secretaria da Receita Federal até 31 de outubro de 1999 Na hipótese do inciso 11 do § 7', o valor a ser utilizado .será determinado mediante a aplicação, sobre o montante do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa, das alíquotas de .1.5% (gilálZe por cento) e de 8% (oito por cento), respectivamente ". A norma .prevê expressamente a possibilidade de utilização de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa como crédito para compensar multa e juros, impondo como (mica condição que tais saldos tivessem sido declarados à Secretaria da Receita Federal até 31/10/1.999.. .A mera declaração do crédito a ser utilizado no programa de recuperação não implica a caducidade do direito de utilizar os saldos remanescentes após a compensação. A caducidade de um direito ocorre pela. inércia ou renúncia do seu titular pelo seu não exercício - durante certo prazo previsto em lei, ou pela perda de sua validade em decorrência da falta de preenchimento de formalidades essenciais. .A documentação constante dos autos indica que, apesar da recorrente ter declarado como crédito o 'minaz-mie integral dos prejuízos . acumulados, apenas parte daquele saldo foi utilizada para compensar multas e juros no Relis. Logo, não há como negar a possibilidade de sua utilização na recomposição da base de cálculo dos tributos devidos, em virtude da apuração de valores não declarados.. A partir destas considerações devem ser. recalculadas as bases de cálculo do 1R..1.1 e da CSLL: Demonstração do Lucre Real Ano calendário de 1999 Lucro Liquido do Exercício (conforme Diário — fls. 90) -1.618.576,51 Adições 2.663,30 1 Lucro Real antes da compensação de prejuízos -1.615.913,21 -Infrações apuradas no período 501.05.1,41 Processo n' 18 ,171.00158012003-22 Si-1E03 Acórdão n " 1803-01).313 H 4 Base de cálculo ajustada. -1.114.861,80 Demonstração da base de cálculo da CSLL -- Ano calendário de 1999 Lucro Liquido do 'Exercício (conforme Diário —fls. 90) -1.618.576,51 Adições 99.575,65 Base de cálculo antes da compensação de base de BC negativa -1.519.000,86 Infrações apuradas no período 501.051,41 Base de cálculo ajustada -1.017.949,45 Por conseguinte, a exigência de IRP1 deve ser integralmente cancelada, vez que o prejuízo do próprio ano calendário foi suficiente para absorver o montante das receitas adicionadas ao lucro real.. O auto de infração de ajuste da. base de cálculo da (..',SLL efetuada pela fiscalização, que reduziu o montante da base de cálculo declarada para R$ 1..017,909,12, deve ser parcialmente mantido, adicionando-se à base o valor de R$ 40,3.3, que não foi utilizado na compensação do Refis. Ante todo o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para reconhecer a compensação de prejuízos fiscais no montante de R$ 501.051,41 em 1999, reduzindo o prejuízo fiscal apurado e cancelando a exigência; e ajustar a base de cálculo negativa da CSLL„ relativa ao mesmo ano, para o valor de R$ 1.017..949,45. . LEKEIT: IRA D"Li, "MORAES 7 0:::¡'''?•::;:',..i.: MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISLRA l'IVO DE RECI1RSOS PISCAIS .,.,..:,i:,-jr;.':::':','•• /. -- . Q .I.JARTA CÂMARA - PRIMEIRA SEC:ÃO Processo n : 18471 001580/2003-22 Ado &o n" : 1803-00 313 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, ciedenciado _junto a este Conselho, da decisão consubstanciado no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3", do anexo II, do Regimento Interno do CAR1H, aprovado pela Portaria Ministerial n 0 256, de 22 de . Umho de 2009. Brasília, 09 cle julho de 2010 . (,„, • ,31,._, 1 , (jul,..1 , ç -- Seetelávia da COm atar Ciência Data: / / Nome: PI ocuí ador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ 1 apenas com ciência; 1 !com Recurso Especial; I I com Embai gos de Declai ação.
score : 1.0
Numero do processo: 13808.001712/99-51
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995
Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE CAIXA. Valores
depositados em conta corrente bancária da pessoa jurídica, sem a
identificação do depositante e escriturados na contabilidade a titulo de adiantamento para aumento de Capital Social e, quando intimados a autuada e nem seus sócios comprovam a origem e a efetiva entrega do numerário, caracteriza suprimento de numerário sem origem e cabe presunção de omissão de receita.
DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. São necessárias as despesas pagas ou
incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa DESPESAS OPERACIONAIS ADMITIDAS Computam-se na apuração do resultado do exercício as despesas que, além de comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, preencham os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade. Os documentos hábeis, segundo sua natureza, que são exigidos neste dispositivo, são aqueles que já contêm uma prova direta
acerca do fato alegado, cuja existência ali se materializa. Refere-se o dispositivo a qualquer documento que tenha autenticidade, legitimidade e o seu conteúdo, juntamente com outros indícios, conduza à convicção dos fatos alegados.
PROVAS INDICIARIAS. UTILIZAÇÃO. Se a prova é o instrumento por
meio do qual se forma a convicção do julgador a respeito da ocorrência ou inocorrência de fato controvertido no processo, deve se admitir que meio para atingi-la passe pelo raciocínio, pela percepção das regras da experiência ou da dedução. Diante disso, é licito asseverar que uma série de indícios pode
fortalecer a conclusão sobre o fato probando, conforme a aprovação da razão, na formação do livre convencimento.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula.
DESPESAS. GLOSA. Afasta-se a glosa de despesas com brindes quando
comprovado pelo contribuinte que citados gastos são usuais e necessários sua atividade e representam valor comercial diminuto, a teor do disposto no art. 311, § 3° do RIR/94.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 1201-000.013
Decisão: Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) por maioria de votos, cancelar a exigência relativa à. glosa de despesas com brindes, vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Adriana Gomes Rêgo, que mantinham o lançamento nesta parte; b) por unanimidade de votos, manter as exigências relativas às glosas de despesas com viagens e hospedagens e as de omissão de
receita por suprimento de numerário; e, c) por unanimidade de votos, cancelar as exigências relativas às glosas de despesas com conservação de bens e despesas judiciais e legais,nos
termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor relativo à glosa de despesas com brindes o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho
Ad hoc.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Antonio Carlos Guigeni Filho
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materia_s : IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1995 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE CAIXA. Valores depositados em conta corrente bancária da pessoa jurídica, sem a identificação do depositante e escriturados na contabilidade a titulo de adiantamento para aumento de Capital Social e, quando intimados a autuada e nem seus sócios comprovam a origem e a efetiva entrega do numerário, caracteriza suprimento de numerário sem origem e cabe presunção de omissão de receita. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa DESPESAS OPERACIONAIS ADMITIDAS Computam-se na apuração do resultado do exercício as despesas que, além de comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, preencham os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade. Os documentos hábeis, segundo sua natureza, que são exigidos neste dispositivo, são aqueles que já contêm uma prova direta acerca do fato alegado, cuja existência ali se materializa. Refere-se o dispositivo a qualquer documento que tenha autenticidade, legitimidade e o seu conteúdo, juntamente com outros indícios, conduza à convicção dos fatos alegados. PROVAS INDICIARIAS. UTILIZAÇÃO. Se a prova é o instrumento por meio do qual se forma a convicção do julgador a respeito da ocorrência ou inocorrência de fato controvertido no processo, deve se admitir que meio para atingi-la passe pelo raciocínio, pela percepção das regras da experiência ou da dedução. Diante disso, é licito asseverar que uma série de indícios pode fortalecer a conclusão sobre o fato probando, conforme a aprovação da razão, na formação do livre convencimento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. DESPESAS. GLOSA. Afasta-se a glosa de despesas com brindes quando comprovado pelo contribuinte que citados gastos são usuais e necessários sua atividade e representam valor comercial diminuto, a teor do disposto no art. 311, § 3° do RIR/94. Recurso voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) por maioria de votos, cancelar a exigência relativa à. glosa de despesas com brindes, vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Adriana Gomes Rêgo, que mantinham o lançamento nesta parte; b) por unanimidade de votos, manter as exigências relativas às glosas de despesas com viagens e hospedagens e as de omissão de receita por suprimento de numerário; e, c) por unanimidade de votos, cancelar as exigências relativas às glosas de despesas com conservação de bens e despesas judiciais e legais,nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor relativo à glosa de despesas com brindes o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho Ad hoc.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2013-11-05T13:06:45Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2013-11-05T13:06:45Z; Last-Modified: 2013-11-05T13:06:45Z; dcterms:modified: 2013-11-05T13:06:45Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:3dab27ad-a8d9-4384-b8fe-cb6f2801a40a; Last-Save-Date: 2013-11-05T13:06:45Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-11-05T13:06:45Z; meta:save-date: 2013-11-05T13:06:45Z; pdf:encrypted: true; modified: 2013-11-05T13:06:45Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-11-05T13:06:45Z; created: 2013-11-05T13:06:45Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; Creation-Date: 2013-11-05T13:06:45Z; pdf:charsPerPage: 2321; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2013-11-05T13:06:45Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13808.001712/99-51 Recurso n° 160.325 Voluntário Acórdão n° 1201-00.013 — 2 Câmara / la Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2009 Matéria IRPJ Recorrente PROMORAR ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA. Recorrida 5' Turma/DRJ- São Paulo I-SP Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1995 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE CAIXA. Valores depositados em conta corrente bancária da pessoa jurídica, sem a identificação do depositante e escriturados na contabilidade a titulo de adiantamento para aumento de Capital Social e, quando intimados a autuada e nem seus sócios comprovam a origem e a efetiva entrega do numerário, caracteriza suprimento de numerário sem origem e cabe presunção de omissão de receita. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa DESPESAS OPERACIONAIS ADMITIDAS Computam-se na apuração do resultado do exercício as despesas que, além de comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, preencham os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade. Os documentos hábeis, segundo sua natureza, que são exigidos neste dispositivo, são aqueles que já contêm uma prova direta acerca do fato alegado, cuja existência ali se materializa. Refere-se o dispositivo a qualquer documento que tenha autenticidade, legitimidade e o seu conteúdo, juntamente com outros indícios, conduza à convicção dos fatos alegados. PROVAS INDICIARIAS. UTILIZAÇÃO. Se a prova é o instrumento por meio do qual se forma a convicção do julgador a respeito da ocorrência ou inocorrência de fato controvertido no processo, deve se admitir que meio para atingi-la passe pelo raciocínio, pela percepção das regras da experiência ou da dedução. Diante disso, é licito asseverar que uma série de indícios pode fortalecer a conclusão sobre o fato prob do, conforme a aprovação da razão, na formação do livre convencimento. Fl. 962DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS Antonio Relator 0.401)Vovvv7,-. Adriana Gomes Rt go ■■•■ - 're •dente. , - Antoni. ar e Guid ni Filho - Redator designado Ad hoc. Processo n° 13808.001712/99-51 Acárdfto n.° 1201-00.013 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. DESPESAS. GLOSA. Afasta-se a glosa de despesas com brindes quando comprovado pelo contribuinte que citados gastos são usuais e necessários sua atividade e representam valor comercial diminuto, a teor do disposto no art. 311, § 3° do RIR/94. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) por maioria de votos, cancelar a exigência relativa à. glosa de despesas com brindes, vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Adriana Gomes Rêgo, que mantinham o lançamento nesta parte; b) por unanimidade de votos, manter as exigências relativas às glosas de despesas com viagens e hospedagens e as de omissão de receita por suprimento de numerário; e, c) por unanimidade de votos, cancelar as exigências relativas às glosas de despesas com conservação de bens e despesas judiciais e legais,nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor relativo à glosa de despesas com brindes o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho Ad hoc. EDITADO EM: Oiiii/02013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Bezerra Neto, Alexandre Barbosa Jaguaribe, Carlos Peld, Regis Magalhães Soares Queiroz, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Antonio Carlos Guidoni Filho e Adriana Gomes Rego. 2 Fl. 963DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS Processo n° 13808.001712/99-51 Acárddo n.° 1201-00.013 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o Acórdão n° 16-10.832, da 5 a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I-SP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: "Ent decorrência de procedimento fiscal iniciado em 06/05/1999, em seu domicilio fiscal, a empresa acima identificada foi autuada e notificada a recolher o crédito tributário total no valor de R$ 713.232,04, relativo ao Imposto de Renda de Pessoa - IRPJ, Imposto de Renda na Fonte- IRF, Programa de Integração Social — PIS , Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS e Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido — CSLL, alem de multa de oficio e juros de mora calculados até 29/10/1999. 2Confortne o Termo de Constatação de Irregularidades (fts.10 a 12), a contribuinte deixou de comprovar algumas despesas relativas aos seguintes itens: 2.1 Conservação de Bens e Instalações (código 4570), no valor total de R$ 48.608,60. 2.2Brindes/Pre.sentes/Donativos (código 4645), no valor total de R$ 19.742,56. 2.3Despesas de Viagens (código 4660) no valor total de RS 10.500,55 2.4Despesas Legais e Judiciais (código 4661) por terem sido pagas pelos compradores dos imóveis e não pela contribuinte, no valor total R$ 185.234,86. 2.5Aumento de capital e empréstimo feito por sócio, não lastreados por documentação ou esclarecimentos, no valor total de RS 195.261,97. 3Alént disso, a contribuinte compensou prejuízo a maior na apuração de lucro real, no exercício de 1996, ano-calendário de 1995, no valor de R$ 27.795,14. 4Desse modo, em 22/11/1999, foi lavrado o competente Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ e seus reflexos, a seguir discriminados: — Imposto de Renda Pessoa Jurídica- IRPJ (f/s. 104 a 106): Total do crédito tributário, R$ 410.380,36, incluídos o tributo, multa e juros de mora. Fundamento legal: arts.I95, inciso II, 197 e parágrafo único, 225, 226, 229 e 230 todos do Regulamento do ,f Imposto de Renda (RIR) aprovado pelo Decreto n° 1.041/94, ar _ Fl. 964DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS Processo n° 13808.001712/99-51 Acórdão n.° 1201-00.013 43, ,¢ 2 0 e 4° da Lei n° 8.541/1992, com a redação dada pelo art. 3° da Lei n°9.064/1995. — Programa de Integração Social — PIS (lls. 109 a 111): Total do crédito tributário, R$ 15.960,73, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal: artigo 3o, sç' 2°, da Lei Complementar n° 07/70, Título 5, capítulo I, seção6, itens I e II, do Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Portaria MF n° 142/1982„ art. 43, ,sS' 2° e 4° da Lei n° 8.541/1992, com a redação dada pelo art. 3° da Lei n° 9.064/1995. — Contribuição para a Seguridade Social- COFINS «is. 114 a 116): Total do crédito tributário, R$ 10.342,99, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal: arts. lo, 2° e 3°, da Lei Complementar n° 70/91, art. 43, ,¢ 2° e 4° da Lei n° 8.541/1992, com a redação dada pelo art. 3° da Lei n° 9.064/1995. 411I■ "MI — Contribuição Social sobre o Lucro Liquido- CSLL (fls. 118 a 119): Total do crédito tributário, R$ 95.545,03, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal: art. 2o e ,sçlsç da Lei n° 7.689/1988; art. 57 da Lei n° 8.981/1995, com as alterações do art. 1° da Lei n°9.065/1995. — Imposto de Renda Retido na Fonte — IRF (f/s. 122 a 123). Total do crédito tributário, R$ 181.002,93, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento Legal: art. 739 do RIR/94, art 62 da Lei n° 8.981/1995, art. 44 da Lei n ° 8.541/1992, com a redação dada pelo art. 3° da Lei n°9.064/1995. 5Inconformada com a autuação ,da qual foi notificada em 23/I1/1999,a empresa apresentou em 21/12/1999, competente impugnação Ns. 126 a 150), a seguir, em síntese: 5./Informa que a sede da empresa na Av. Faria Lima n°2.927, 7° andar é alugada, conforme consta no contrato anexo «is, 166 a 172), bem corno o estabelecimento auxiliar, situado a rua dos Andradas, n° 362, salas 11, 12, 13, cujo contrato também está anexo (lis. 174 a 186). 5.2A lega que as notas fiscais glosadas pela Fiscalização referem-se ao ano calendário de 1995, antes da entrada em vigor da Lei n° 9.249/95 que vedou as despesas de manutenção, reparo e conservação de bens imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção e a comercialização dos bens e serviços, bem com as despesas com brindes. 5.3Argumenta que as despesas glosadas , em sua maioria não foram computadas como custos, e são despesas usuais normais e necessárias para que a autuada cumprisse o seu objetivo. 5.4Esclarece que as despesas que a impugnante reconheceu como não necessárias foram incluidas em parcelamento, confo k ri e o demonstrativo elaborado pela empresa (f/s. 196 a 197). Fl. 965DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS Processo n° 13808.001712/99-51 Acórdão n.° 1201-00.013 5.5Reclanta que, no auto de infração, somente consta a afirmação subjetiva dos autuantes, sem qualquer prova que essas despesas glosadas são desnecessárias. 5.6Ent seguida, enumera as notas fiscais glosadas no item conservação de bens e instalações, apresentando razões que entende pertinentes para cada caso Ns. 129 a 130), além da cópia do livro razão e dos respectivos comprovantes (fls. 200 a 227). Dessas notas fiscais, aceita as despesas glosadas, de valor total de RS 13.450,00, relativas as notas fiscaisn° 2.217, 2.262 e 098. 5.7Efetua o mesmo procedimento para as notas fiscais relativas aos brindes distribuídos Ns. 131 a 133), cuja documentação que entende comprobatória se encontra anexa Ns. 229 a 243). Nesse item não reconheceu nenhuma glosa como devida. 5.8Para o item viagens Ns. 133 a 135), reconhece apenas a glosa de despesa no valor de R$ 7.882,60, relativa as faturas n° 20.367 e 20.395, apresentando a documentação que acredita fazer prova do que alega as fls.245 a 286. 5.9Alega que nem todas as despesas operacionais legais e judiciais consideradas pela Fiscalização como ocorridas por conta dos compradores de imóveis, foram efetivamente pagas pelos compradores e sim pela impugnante. Para comprovar o que alega, enumera as despesas que afirma terem sido pagas pela empresa, divididas por mês de ocorrência Ns. 135 a 145) e cuja documentação se encontra as fls. 288 a 293, 302 a 599 e 602 a 774, admitindo porém que R$ 95.22,45 do total apurado pelo Auditor Fiscal, foram efetivamente pagas pelos compradores. 5.10 Informa que todas as despesas cujas glosas foram reconhecidas pela empresa foram incluídas no parcelamento já citado acima. 5.11Relata que o aumento de capital da empresa foi devido a venda de imóvel de propriedade de um dos sócios , Sr. Antonio Lafayette Sal/es, a impugnante, no valor de R$ 62.000,00. 0 valor residual de R$ 73.626,26 foi integralizado em cheque e dinheiro na conta da impugnante pelos três sócios, conforme a participação acionaria de cada um, cuja documentação encontra-se as fls. 776 a 824. 5.12 Alega também que o empréstimo de R$ 53.400,00 empresa, feita pelo sócio sr. Antonio Lafayette Sal/es, está comprovado pelas entradas na conta corrente da empresa, em cheque e está lançado no livro razão, além do fato que o sócio em questão deter, a época, capacidade econômica suficiente para fazer o empréstimo, fatos esses documentados as fls. 826 a 834. 5 5.13Por fim, requer que seja reconhecida a improcedência da ação fiscal relativamente à parte não reconhecda e não parcelada, cancelando-se o débito fiscal reclamado. Fl. 966DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS Processo n° 13808.001712/99-51 Acórdão n.° 1201-00.013 6Em 29/12/1999, foram transferidos ao Processo Administrativo n° 10880.035.191/99-66 os débitos relativos ao parcelamento citado pela impugnante, conforme Termo de Transferência de Crédito Tributário «is. 836). 7É o relatório." A DRJ, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/1995 DESPESAS - COMPROVAÇÃO - DEDUTIBILIDADE. As despesas não comprovadas documentalmente sujeitam-se et glosa correspondente, visto que a pessoa jurídica é obrigada, por lei, a conservar em ordem, documentos e papéis que se refiram a atos e operações que modifiquem ou possam vir a modificar a sua situação patrimonial. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. A caracterização de uma despesa exige a comprovação da necessidade do dispêndio correspondente. Sem esta identificação, é impossível precisar se o mesmo foi ou não incorrido para a realização das atividades inerentes a atividade da pessoa jurídica. OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO NÃO COMPROVADO. Os suprimentos de caixa efetuados pelo sócio, desde que restem incomprovados a origem e o efetivo ingresso dos recursos no patrimônio da pessoa jurídica, geram a presunção de omissão de receitas que cabe à interessada afastar. PAGAMENTOS SEM CAUSA Caracterizam-se como pagamentos sent causa, quaisquer viagens efetuadas pelos sócios quando não forem comprovadas por documentação hábil e idônea, que foram necessárias a consecução dos objetivos da empresa. LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS/REPIQUE. COFINS. CSLL. Por decorrerem dos mesmos motivos de fato e de direito que levaram ã exigência do IRPJ, igual destino deverão ter os reflexos." Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Primeiro Conselho de Contribuinte, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e, de mais relevante, aduziu em complemento que: - em relação às despesas legais e judiciais pagas pela própria recorrente, aduz que é de notório conhecimento que as transações com bem imóvel são submissas ao princípio da publicidade, de modo que todos os atos e fatos a ele inerentes devem ser objeto de registro Fl. 967DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS fichas em anexo — doe 03) que os contratos não foram rescindidos. o relatório. 7 4.0 ep), Processo n° 13808.001712/99-51 Acórdao n.° 1201-00.013 público ou averbação junto aos Cartórios de Registro de Imóveis, sendo que para cada ato praticado de registro público, são cobradas Taxas e Emolumentos, cujos valores podem alcançar cifras consideráveis . Destes atos, pode-se exemplificar alguns como: - aquisição dos terrenos para incorporação imobiliária; tal procedimento deve ser documentado através de uma Escritura, que deverá ser registrada junto ao Cartório; - empreendimento imobiliário: suas características devem estar consignadas num documento denominado Memorial de Incorporação, passível de registro junto ao Cartório; - venda das unidades imobiliárias prontas: deve ser documentada através de Escritura, com registro no cartório; - custas judiciais. Os prazos longos que são comercializados imóveis de valor elevado expõe necessariamente o vendedor frente a situações de inadimplência do comprador buscar tutela judicial, com ajuizamento de ações que demandam gastos com custas, tais como, • distribuição de ação; diligências de oficiais de justiça, custas de apelação; depósitos judiciais; publicações de editais, honorários advocaticio; autenticações e reconhecimento de firmas de documentos; - existem ainda outras despesas pagas pela recorrente no seu exercício da sua administração, decorrentes de exigências dos agentes financeiros para a concessão de financiamentos, tais como certidões, taxas de avaliação de imóveis, autenticações e reconhecimento de firmas, e do poder público, tais como Licenças para Publicidade e Anotações de Responsabilidade Técnica (ART's); - ressalta que todas essas despesas (R$ 185.234,86), que representam apenas 2,56% da sua Receita Bruta estão registradas adequadamente na contabilidade em livros revestidos das formalidades legais. Sendo certo que um exame mais acurado da escrituração disponibilizada pela recorrente evidenciaria que as contra-partidas dos lançamentos efetuados encontram-se nas contas bancárias da empresa, tendo sido emitido cheques que foram devidamente liquidados. - em relação as despesas que deveriam ser pagas pelos compradores, mas que diante da dificuldade das vendas naquela época, foram pagas pela própria recorrente, aduz que foi detectado no mercado, à época, a existência de um grande contingente de clientes em potencial com capacidade de assunção de prestações e situação cadastral regular (do ponto de vista do Agente Financeiro), mas sem condições financeiras imediatas de arcar com as despesas de transmissão dos imóveis, quais sejam: - ITBI, devido à prefeitura de Sao Paulo; - Taxas de financiamento (FUNDHAB e Seguro), cobradas pelo Agente Financeiro; - emolumentos para registro do Contrato de Financiamento, devidos ao Cartório de Registro de Imóveis. Equivocado o argumento da DRJ no sentido de que no contrato de compra e venda (fls. 567 a 576) ao lado da cláusula que comanda que determinadas despesas correrão por conta da vendedora existe a cláusula indicando que se o contrato for rescindido aquelas despesas serão descontadas do valor a ser devolvido ao comprador. A despeito da atecnia da decisão que leva às últimas conseqüências a produção de prova negativa, pode-se verificar pelas matriculas dos imóveis junto ao 11° Cartório de Registro de Imóveis de Sao Paulo (algumas cópias de Fl. 968DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS A recorrente por sua vez defende-se basicamente tentando demonstrar o cumprimento da segunda condição — valor diminuto: 8 Processo n° 13808.001712/99-51 Acórdão n.° 1201-00.013 Voto Vencido Conselheiro Relator, Antonio Bezerra Neto 0 recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Delimitação da Lide 0 contribuinte desde a fase impugnatória passando pelo recurso, não contesta a compensação a maior de prejuízos fiscais. Despesas com brindes -bloco de documentos n° 7 (fls. 229 a 243) As seguintes despesas abaixo foram contabilizadas como se brinde fossem: - compra de caixa de bebidas — Whisky Chivas e JB — Kit Vinho Francês ( NF n° 2346, 2374 e 2987) — Valor : R$ 8.173,08; - cestas de natal — Valor: R$ 9.205,00; - compra de vinhos e champanhes (NF no 000744) — Valor: R$ 521,00; - material esportivo (NF n°1662) - Valor R$ 145,50; - compras de sortidos de Natal (recibos n° 1137 e 1158) — Valor R 1.697,82 Vejamos o que dispõe a legislação correlacionada: "Art. 311 Somente serão admitidos, como despesas de propaganda, desde que diretamente relacionados com a atividade explorada pela empresa e observado o regime de competência (Lei n 2 4.506, de 1964, art. 54, e Lei n 2 7.450, de 1985, art. 54) (omissis) §3 0 São admissíveis como despesas de propaganda os gastos efetivamente realizados com aquisição e distribuição de brindes, desde que correspondam a objetos de diminuto ou nenhum valor comercial." (grifou-se,) Os brindes para serem considerados despesas de propaganda dedutiveis devem obedecer no mínimo a 2 (duas) condições cumulativas: 1) sejam diretamente relacionadas com a atividade explorada pela empresa; b) desde que correspondam a objetos de diminuto ou nenhum valor comercial. Fl. 969DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS Processo n° 13808.001712/99-51 Acórdao n.° 1201-00.013 "As despesas com brindes foram necessárias para a atividade comercial da autuada por serem de costume e tradição, sendo que os brindes distribuídos a clientes e fornecedores o foram em proporção ao porte econômico da autuada e com relação promoção de sua atividade operacional comercial e de construção. E nem se poderia entender em contrário, já que, a receita bruta da Recorrente no ano base de 1995 foi de R$ 7.222.934,34 e as despesas totais com brindes foram apenas de R$ 26.990,45." Em primeiro lugar discordo da recorrente em relação A. sua interpretação do que sejam "objetos de diminuto ou nenhum valor comercial". 0 que é "diminuto" não pode ser flexibilizado em função do faturamento da empresa. Embora admitamos que existe um certo grau de "indeterminação de grau" nesse conceito, a lei não estipulou um valor relativo, mas, sim um valor absoluto. Logo, não considero que os gastos com brindes, em 1995, de R$ 26.990,45, sejam de "diminuto ou nenhum valor comercial" • Mas, de somenos importância tem essa primeira condição quando o desatendimento da segunda, por si só, já é suficiente para justificar a glosa. E que pela lista de materiais acima arrolados entregues a titulo de brinde, se torna evidente que eles não guardam qualquer vinculo com a atividade da empresa, constituindo-se, assim, em mera liberalidade para agradar seus clientes e fornecedores . Não basta justificar de qualquer forma a necessidade dessa despesa, a lei já atrelou essa justificativa ao fato de os brindes serem "relacionados com a atividade explorada pela empresa", o que não é o caso. Portanto, mantenho a glosa deste item. Despesas com Viagens (duplicatas FT 00001421, FT 000016647, FT 00001714, FT 0001746, FT 00001786, 000001819, 00001855, FT00002038, da empresa G2000 Turismo) Trata-se de viagens efetuadas pelos sócios Sr. Jaime Abreu, Sr' Maria Abreu • e do funcionário Sr. Olavo Domingues. Conforme consta do processo, a recorrente foi intimada a apresentar a justificação comprobat6ria das despesas, não logrou comprovar os motivos das viagens e a sua vineulação com a atividade da empresa, tendo apresentado apenas notas de prestação de serviço e notas de débitos da operadora de turismo que vendeu as passagens. Ora, a dedutibilidade das despesas depende da comprovação de que as viagens foram efetivamente realizadas a serviço da empresa. A empresa nem se deu ao trabalho de apresentar provas mais robustas, tais como relatórios de viagens, atas ou notas de reuniões, contratos assinados ou outros comprovantes de negócios, etc. Quer me parecer que a recorrente desconhece sua obrigação de manter os documentos pertinentes que serviram de base aos lançamentos contábeis e que, a ausência desses documentos comprobatórios autoriza o Fisco a glosar despesas e custos não comprovados. A obrigatoriedade leg 1 de conservar toda a documentação encontra-se no art. A 1( 4_ 210 do RIR194 (art. 264 do RIR/99): 7 9 Fl. 970DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS Processo n° 13808.001712/99-51 Acórdão n.° 1201-00.013 "Art.210.A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto nao prescritas eventuais ações que lhes sejam perlinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto-Lei n2 486, de 1969, art. 42)." Portanto, mantenho a glosa por falta de provas. Despesas de Hospedagem (NF n°11835, 11957,12052, 12240, 12475, 12554, da empresa Heclotel Comercial e Serviços Ltda) Não merece melhor sorte as despesas de hospedagem relativas ao Sr. Francisco Francisco Chimenti Neto, pelo simples fato de o mesmo não ser funcionário da empresa ou vinculado 6. Pessoa Jurídica. t mera liberalidade da recorrente a sua justificativa de que teria pago sua hospedagem, pois atrasara a entrega de imóvel vendido ao seu cliente, Sr. Francisco. De forma alguma há previsão legal para acobertar despesas de pessoas não pertencentes aos quadros da empresa autuada. Portanto, cabe a glosa dessas despesas. Conservação de Bens e Instalações (código 4570) Preliminarmente cabe salientar que se a prova é o instrumento por meio do qual se forma a convicção do julgador a respeito da ocorrência ou inocorrência de fato controvertido no processo, deve se admitir que meio para atingi-la passe pelo raciocínio, pela percepção das regras da experiência ou da dedução. Diante disso, é licito asseverar que uma série de indícios pode fortalecer a conclusão sobre o fato probando, conforme a aprovação da razão, na formação do livre convencimento. A recorrente, nesse item se trouxe elementos que por si só não provariam a efetividade das despesas, porém trouxe um conjunto probatório bastante compatível e coerente com o objeto social da recorrente, que é a construção civil e a realização de empreendimentos imobiliários que convenceu este Relator. Como muito bem colocou a recorrente é bastante provável que, na realização desta missão, tenha celebrado diversos contratos com prestadoras de serviços visando a confecções de móveis para compor a decoração de apartamentos em exposição, bem como a realização de reformas em suas instalações. Os orçamentos, as notas fiscais apesar de genéricas e sobretudo o fato de apresentar um anuncio de prédio onde consta a existência de um apartamento decorado, militam a favor da recorrente. Portanto, dou provimento a esse item, ficando fora, é claro, as NF n° 2217 e 2262 da empresa Marcas Irrigação e Implementos Agrícolas Ltda, que se referem a equipamento de irrigação e tubulações e que a contribuinte já reconheceu como despesas deduzidas indevidamente e incluídas no parcelamento, conforme consta em sua impugnação. Despesas operacionais legais e judiciais consideradas pela fiscalização como ocorridas por conta dos compradores de imóveis Delimitação da Lide 9 1 0 Fl. 971DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS Processo n° 13808.001712/99-51 Acórddo n.° 1201-00.013 Todo o saldo existente em 28/12/95, no valor de R$ 185.234,86 lançado na conta contábil 4.15.41.00 — Despesas legais e judiciais, foi glosado por ser considerado pelo autuante como despesas de terceiros (do comprador do imóvel) e não da autuada. De todo esse montante, a recorrente reconheceu já na fase impugnatória o valor de R$ 95.222,45, como efetivamente pagas pelos compradores dos imóveis. Contestação Em relação ao valor remanescente, apresentou seguinte de prova como contestação: a) o bloco de documentos n09 (fls. fls. 288 a 293, 302 a 599 e 602 a 774) relativo As despesas que alega ter pago; e b) bloco de documentos n° 10 (fls. 548 a 599 e 602 a 774) de despesas que reclama ter assumido pelos clientes. a) Bloco de documentos n° 9 (fls. 288 a 293, 302 a 599 e 602 a 774) — despesas que a empresa alega ter pago A cópia do protocolo no 0259156 do 14° Oficio de Registro de Imóveis (fl. 312) faz prova que a despesa foi paga pela recorrente, afinal a apresentante foi a Promorar. Valor da despesa R$ 4,88. 0 cancelamento da hipoteca (fls.313) prova que a despesa foi assumida pela impugnante, em função do cheque assinado. Equivocada a justificativa utilizada pela DRJ para não acatar a prova:. "não há qualquer documento comprovando que o valor do cancelamento da hipoteca a favor da Radio e TV Bandeirantes e Constituição Aricanduva S/A, não foi posteriormente exigido dessas últimas.". E que nesse caso estaria se exigindo uma prova negativa da recorrente, o que vedado em nosso ordenamento jurídico. Pelos mesmos motivos é de se acatar os documentos de fls. 347 a 360 e 430. Em todo o bloco de documentos n° 9, o modus operandis para rejeição da prova é o mesmo, sempre exigindo no fim uma prova negativa: "Explica-se, não basta constar o nome da empresa para que se possa assumir a despesa como válida, e necessário circunstanciá-la, para que se torne claro o contexto em que foi feita, e se esses dispêndios não foram repassados aos adquirentes dos imóveis." Para resumir a questão, é incontroverso que a empresa foi autuada nesse item por ter contabilizado despesas que supostamente foram pagas por terceiros (comprador dos imóveis) e não pela Promorar. Ela acata uma parte dessa infração e contesta o remanescente. Desse remanescente estamos a tratar nesse primeiro momento daquelas despesas que ela reputa. ter pago. E incontroverso que ela traz documentos que provam o pagamento de despesas legais e judiciais que são normais e usuais na atividade da recorrente (incorporação imobiliária e construção civil) e que foram, por fim, contabilizadas adequadamente. Dessa forma, sendo certo o que foi colocado no parágrafo anterior, milita a favor dela, a falta de prova em contrário, a presunção de que são despesas dela própria. Negar provimento ao recurso por questões outras como, por exemplo, suspeita de ter sido repassada ao comprador a posteriori ou que a perfeita contextualização da despesa não foi efetuada é ir 1 1 Fl. 972DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS Processo n° 13808.001712/99-51 Acórdão n.° 1201-00.013 além do escopo da atuação e ir, inclusive contra regras comezinhas de nosso ordenamento jurídico, como a exigência de provas negativas. Outrossim, o bloco de notas n° 10, tratado no próximo tópico dá o tom da usualidade com que as despesas legais e judiciais eram suportados pela recorrente, robustecendo a prova já trazida no bloco de notas n° 9. Dessa forma, se D;61 PROVIMENTO neste voto a todo o bloco de documentos n°9 (fls. 288 a 293, 302 a 599 e 602 a 774) relativo às despesas que a recorrente alega ter pago. Competência Valor da despesa considerado neste voto Folha do processo indicando o agregado do mês j an/95 2.160,49 311 fev/95 4.866,46 332 mar/95 1.201,38 360 abr/95 631,95 376 mai/95 663,01 378 jun/95 593,19 383 jul/95 6.006,97 391 ago/95 2.098,00 418 set/95 18.027,37 435 out/95 4.309,39 465 nov/95 18.133,55 485 dez/95 2.822,26 521 Total Geral 61.514,02 Portanto, para esse item (bloco de documentos n° 9), dou provimento para excluir a glosa no valor total de R$ .61.514,02 b) bloco de documentos n° 10, relativo às despesas que a impugnante alega ter assumido (fls. 548 a 599 e 602 a 774) Diferentemente do item anterior, tratar-se-iam de despesas de terceiros, mas ditas assumidas pela autuada. Preliminarmente cabe salientar que se a prova é o instrumento por meio do qual se forma a convicção do julgador a respeito da ocorrência ou inocorrência de fato controvertido no processo, deve se admitir que meio para atingi-la passe pelo raciocínio, pela percepção das regras da experiência ou da dedução. Diante disso, é licito asseverar que uma série de indícios pode fortalecer a conclusão sobre o fato probando, conforme a aprovação da razão, na formação do livre convencimento. Na mesma linha do bloco de documentos n° 9, a recorrente traz uma maciça quantidade de provas que ressalta ainda mais um modus operandi próprio da recorrente, ficando mais claro as características de usualidade e normalidade dessas despesas suportadas pela mesma. É, incontroverso que ela traz documentos que provam o pagamento de despesas legais e judiciais que são normais e usuais na atividade e que foram, por fim, contabilizadas adequadamente. 12 Fl. 973DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS Processo n° 13808.001712/99-51 Acórdão n.° 1201-00.013 Dessa forma, sendo certo o que foi colocado no parágrafo anterior, milita a favor dela, a. falta de prova em contrário, a presunção de que são despesas assumidas por ela própria. Negar provimento ao recurso por questões outras como, por exemplo, suspeita de ter sido repassada ao comprador a posteriori ou que a perfeita contextualização da despesa não foi efetuada é ir além do escopo da atuação e ir, inclusive contra regras comezinhas de nosso ordenamento jurídico, como a exigência de provas negativas. Desse modo, também dou provimento a todo bloco de documentos n° 10. Aumento de Capital - bloco n° 11 (fls. 776 a 824) Trata-se de infração relacionada à falta de comprovação de suprimento de caixa. Foi intimado a comprovar a origem e a efetividade de suposto aumento de capital, não tendo apresentado quaisquer documentos ou esclarecimentos. A recorrente alega que o aumento de capital no valor de R$ 141.861,97 teve sua origem a partir de venda de imóvel, de propriedade do sócio, Sr. Antonio Lafayette Salles, à empresa, no valor de R$ 62.000,00 e mais o valor de R$ 20.945,40, e de depósitos em cheques e dinheiro dos outros sócios, nos valores de R$ 30.638,03 e R$ 22.042,93 Traz em sede de impugnação escritura de venda e compra do imóvel (fls.815), lavrada em 14/12/1994, bem como a cópia da certidão do imóvel, além das declarações de ajuste anual de Imposto de Renda Pessoa Física — DIPF, dos sócios onde consta o aumento de capital. Assim dispõe o art. 181 do RIR/1980 que trata da matéria : Art. 181. Provada, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a omissão de receita, a autoridade tributária poderá arbitra-la com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadam ente demonstradas. 0 dispositivo traz uma presunção legal, exatamente na figura dessa ilação mental entre o fato indicidrio (registro no caixa/banco) e o fato que se pretende provar (omissão de receitas, caso não se prove a origem e a efetividade da entrega pelo supridor). A jurisprudência administrativa atual é pacifica no sentido de que o suprimento não comprovado, é uma presunção legal e constitui prova indicidria bastante de omissão de receitas ou regularização de valores não tributados anteriormente, caso o contribuinte não logre êxito na comprovação da origem e da efetiva entrega daquele suprimento. Embora a recorrente tenha logrado êxito em trazer em sede recursal alteração do contrato social em que conste esse aumento de capital na empresa, não conseguiu provar o que mais importa em situações que envolvam a prova de suprimento de caixa, qual seja, não conseguiu produzir prova que esse dinheiro foi realmente entregue, pois os depósitos, cujos valores a empresa aponta em extratos bancários (fls.778, 779 e 782), não têm identificação Fl. 974DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS Processo n° 13808.001712/99-51 Acórcido n.° 1201-00.013 11 'Pis. (r;r S T1 depositante e não são de valores iguais aos declarados pelos sócios nas DIPF do exercício de 1996, ano-base 1995. Na verdade a recorrente faz uma verdadeira ginástica matemática para fechar os valor residual de R$ 73.626,36 (141.861,97 — R$ 62.000,00). Supostos Adiantamentos de Capital Depósitos correspondentes R$ 20.945,40 22/02/1995 —R$ 38.000,00 R$ 30.638,03 24/03/1995 — R$ 10.000,00 R$ 22.042,93 28/04/1995 —R$ 26.626,36 08/05/1995 Estorno — R$ 1.000,00 TOTAIS => R$ 73.626,36 R$ 73.626,36 Os adiantamentos fecham em seu total, mas não de forma individualizada. Como pode isso? Quem afinal depositou o que? Outrossim, outra inconsistência levantada pela decisão de piso ficou sem resposta: "Quanto et venda do imóvel à empresa, a operação não pode ser considerada como aumento de capital da empresa, pois houve um dispêndio da empresa para adquiri-lo. Melhor explicando, aumento de capital caracteriza-se pela entrada de ativos monetários ou não por parte dos sócios, sem nenhuma outra contrapartida por parte da empresa que não seja o aumento do número ou valor das cotas pertencentes a cada sócio, de acordo com o valor que integralizou.Por outro lado, não consta nos autos que o sócio deixou de receber pela venda. Ao contrário, consta no passivo circulante como obrigação relativa a compra de imóvel." Quanto à última inconsistência, é infrutífera na fase recursal a recorrente tentar combater a afirmativa de que "consta no passivo circulante como obrigação relativa compra de imóvel" com a assertiva de que "sempre constou na contabilidade como 'Adiantamento para aumento de capital. ". É que tal assertiva não desfaz o fato de que consta em seu razão (fl. 780) o lançamento a crédito da conta 2.01.99.01 — Outros passivos circulantes Referente a aquisição Ed. Residencial sito a R. Coronel Joaquim Ferreira, 131 — Jardim Paulista (valor de R$ 62.000,00). Ora, em se tratando de adiantamento para futuro aumento de capital, como justificar a manutenção do lançamento contábil também a crédito do passivo circulante como obrigação da empresa, a não ser se o propósito fosse mesmo remunerar o sócio pela venda do imóvel. Em momento algum, a recorrente traz algum registro contábil cuja contrapartida seja no Patrimônio Liquido, o que seria mais importante. Portanto, não resta comprovado o suposto aumento de capital. Fl. 975DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS Processo no 13808.001712/99-51 Acórdão n.° 1201-00.013 Empréstimo de sócio (bloco de documentos n° 12 - fls. 825 a 834) Trata-se de infração relacionada à. falta de comprovação de suprimento de caixa. Foi intimado a comprovar a origem e a efetividade de suposto recebimento de empréstimo de sócios, não tendo apresentado quaisquer documentos ou esclarecimentos. A recorrente alega ter contraído empréstimo com o sócio, Sr. Antonio Lafayette Salles, no valor de R$ 53.400,00 , em 19/04/1995, tendo sido contabilizado no livro Razão (fls.826). Assim dispõe o art. 181 do RIR/1980 que trata da matéria : Art. 181. Provada, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a omissão de receita, a autoridade tributária poderá arbitrá-la com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas. 0 dispositivo traz uma presunção legal, exatamente na figura dessa ilação mental entre o fato indicidrio (registro no caixa/banco) e o fato que se pretende provar (omissão de receitas, caso não se prove a origem e a efetividade da entrega pelo supridor). A jurisprudência administrativa atual é pacifica no sentido de que o suprimento não comprovado, 6. uma presunção legal e constitui prova indicidria bastante de omissão de receitas ou regularização de valores não tributados anteriormente, caso o contribuinte não logre êxito na comprovação da origem e da efetiva entrega daquele suprimento.. Para fazer face à origem e efetividade da entrega dos recursos, a recorrente apresentou em sede de impugnação extrato bancário da conta da empresa, onde destaca vários depósitos que seriam o empréstimo feito (fls. 828 e 829). Apresenta também um demonstrativo de amortização do empréstimo (fls. 834) e copias ilegíveis do que seriam as cópias dos cheques pagos ao sócio, para quitação do empréstimo. 0 que se percebe analisando as provas trazidas para infirmar a autuação é que não ficou comprovada a identificação da origem desses cheques nem seu depositante, não restando, portanto, comprovado que esses cheques seriam mesmo do sócio em questão. Essa era a prova mais importante a ser carreada aos autos. A quitação do empréstimo, que se deu por copias ilegíveis, não era o mais importante. Outrossim, conforme muito bem consignado pela decisão de piso, o contrato de empréstimo padece de alguns problemas, que foram olvidados pela recorrente em seu recurso: "0 contrato de empréstimo, (fls. 830 e 831) também apresenta alguns aspectos estranhos, pois o sócio Sr. Antonio que empresta o dinheiro é também o representante da empresa que toma o dinheiro, como se pode observar as fls. 830, mas quem assina pela empresa ao final é o outro sócio, sr. Jaime José Baila/ai Fl. 976DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS Fix 14441'1 FIN t 1V0 42■, SA, Processo n° 13808.001712/99-51 Acórdão n.° 1201-00.013 Abreu, com assinaturas de testemunhas não identificadas. Outro ponto a ser destacado é que apesar do contrato declarar que o mutuante empresta o dinheiro no ato da assinatura e a mutuária confere e acha exata a quantia, a própria empresa alega que o empréstimo foi feito através de vários cheques, de valores picados. constantes no extrato bancário, um inclusive depositado somente no dia seguinte, através de caixa eletrônico, conforme fls. 829." Dessa forma, mantenho essa omissão de receitas, pois nem o contrato, nem o razão, por si sós, fazem prova suficiente do empréstimo pois nada garante que os cheques depositados tiveram origem no patrimônio do Sr. Antonio Lafayette Salles. Lançamentos Reflexos Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. Por todo o exposto, DOU provimento PARCIAL para CANCELAR as exigências relativas às glosas de de ,.es as com conservação de bens e despesas judiciais e legais questionadas na presente lide. , Antonio a Neto 16 Fl. 977DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS Processo n° 13808.001712/99-51 Acórdão n.° 1201-00.013 Voto Vencedor Conselheiro Redator designado Ad Hoc, Antonio Carlos Guidoni Filho Glosa de Despesas com Brindes Pede-se vênia ao ilustre Relator para divergir de seu entendimento sobre a dedutibilidade de despesas com "brindes". Entendeu a instancia "a quo" que a distribuição, como brindes, de bebidas importadas e cestas de natal a seus clientes não poderia ser considerada como despesa dedutivel na medida em que não estaria diretamente relacionada com a atividade da empresa, nos termos do art. 311, I, § 3° do RIR194 (art. 366 do RIR/99). 0 ilustre Relator ratifica o entendimento em referência em seu voto condutor. A Contribuinte, por sua vez, argumenta que as despesas com brindes são costume e tradição no desempenho de atividades de incorporação imobiliária, demonstrando ainda que o valor do brindes, quando comparado com o valor das receitas, é irrisório. Razão assiste à Contribuinte nesse particular. Determinava o art. 311, I, § 3° do RIR194 (atual art. 366 do RIR/99) que seriam dedutiveis as despesas com propaganda desde que diretamente relacionadas com a atividade explorada pela empresa. 0 § 3° do mesmo dispositivo autorizava a dedutibilidade de brindes desde que correspondessem a objetos de diminuto ou nenhum valor comercial, verbis: "Art. 311 Somente serão admitidos, como despesas de propaganda, desde que diretamente relacionados com a atividade explorada pela empresa e observado o regime de competência (Lei e 4.506, de 1964, art. 54, e Lei n2 7.450, de 1985, art. 54) (.) §3 0 São admissíveis como despesas de propaganda os gastos efetivamente realizados com aquisição e distribuição de brindes, desde que correspondam a objetos de diminuto ou nenhum valor comercial." ( grifou-se) É de conhecimento meridiano que a distribuição de brindes está estritamente ligada ao processo de vendas de imóveis, pois faz parte da estratégia de vendas e de captação de clientes. Por sua vez, restou demonstrado pela Contribuinte que o valor dos brindes ora em discussão representa percentual médio de 0,36% de sua receita bruta (fls. 875), o que indica que o valor comercial dos gastos com brindes, quando comparados com os valores de venda de imóveis, é irrisório, amoldando-se, portanto, à hipótese prescrita no § 3° do art. 311 do RIR/94, vigente A época, que autoriza a dedutibilidade da despesa em referência. Fl. 978DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS Antonio Processo n° 13808.001712/99-51 Acórdão n.° 1201-00.013 Por tais fundamentos, oriento o e voto-no sentido de cancelar o lançamento referente a glosa com a despesa de brindes. uid i Filho • • 18 Fl. 979DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10600.720016/2014-31
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
ÁGIO. FUNDAMENTO ECONÔMICO. RENTABILIDADE FUTURA DA INVESTIDA. COMPROVAÇÃO.
Tendo em vista que a legislação vigente à época dos fatos geradores objeto dos Autos de Infração não regulamentava a forma, conteúdo e apresentação do demonstrativo do fundamento econômico do ágio pago na aquisição de participação societária, o contribuinte pode se valer de todos os meios de prova hábeis.
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. LEGITIMIDADE DO BENEFÍCIO FISCAL.
Os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 permitem o aproveitamento fiscal da amortização do ágio, desde que este seja legítimo e desde que haja confusão patrimonial entre empresa investida e investidora, o que ocorre em razão de fusão, incorporação ou cisão. A utilização de empresa veículo, sem aparecimento de novo ágio, não viola nenhum requisito para usufruir o benefício legal em questão.
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃO REVERSA. PROPÓSITO NEGOCIAL. MOTIVO TRIBUTÁRIO. SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA
O uso de empresa veículo e de incorporação reversa, ainda mais considerando a existência de caminho alternativo (incorporação direta) disponível ao contribuinte, não caracteriza a simulação. Também a economia tributária gerada a partir de reorganização societária, por si só, não implica na ilicitude das operações.
ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA.
Do ano-calendário 2007 em diante, se não efetuado o pagamento da estimativa mensal, cabe a imputação de multa isolada, sobre a totalidade ou diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do ano-calendário, mesmo que lançada a multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual.
CSLL. DECORRÊNCIA.
O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
Numero da decisão: 1201-001.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, mantendo apenas as multas isoladas decorrentes da infração relativa à CSLL - instituições financeiras. Vencida a Conselheira Eva Maria Los, que negava provimento ao recurso e os Conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Luis Fabiano Alves Penteado e Rafael Gasparello Lima, que lhe davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli- Relator
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011 ÁGIO. FUNDAMENTO ECONÔMICO. RENTABILIDADE FUTURA DA INVESTIDA. COMPROVAÇÃO. Tendo em vista que a legislação vigente à época dos fatos geradores objeto dos Autos de Infração não regulamentava a forma, conteúdo e apresentação do demonstrativo do fundamento econômico do ágio pago na aquisição de participação societária, o contribuinte pode se valer de todos os meios de prova hábeis. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. LEGITIMIDADE DO BENEFÍCIO FISCAL. Os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 permitem o aproveitamento fiscal da amortização do ágio, desde que este seja legítimo e desde que haja confusão patrimonial entre empresa investida e investidora, o que ocorre em razão de fusão, incorporação ou cisão. A utilização de empresa veículo, sem aparecimento de novo ágio, não viola nenhum requisito para usufruir o benefício legal em questão. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃO REVERSA. PROPÓSITO NEGOCIAL. MOTIVO TRIBUTÁRIO. SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA O uso de empresa veículo e de incorporação reversa, ainda mais considerando a existência de caminho alternativo (incorporação direta) disponível ao contribuinte, não caracteriza a simulação. Também a economia tributária gerada a partir de reorganização societária, por si só, não implica na ilicitude das operações. ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. Do ano-calendário 2007 em diante, se não efetuado o pagamento da estimativa mensal, cabe a imputação de multa isolada, sobre a totalidade ou diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do ano-calendário, mesmo que lançada a multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, mantendo apenas as multas isoladas decorrentes da infração relativa à CSLL - instituições financeiras. Vencida a Conselheira Eva Maria Los, que negava provimento ao recurso e os Conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Luis Fabiano Alves Penteado e Rafael Gasparello Lima, que lhe davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli- Relator (assinado digitalmente) Paulo Cezar - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
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FUNDAMENTO ECONÔMICO. RENTABILIDADE FUTURA DA INVESTIDA. COMPROVAÇÃO. Tendo em vista que a legislação vigente à época dos fatos geradores objeto dos Autos de Infração não regulamentava a forma, conteúdo e apresentação do demonstrativo do fundamento econômico do ágio pago na aquisição de participação societária, o contribuinte pode se valer de todos os meios de prova hábeis. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INCORPORAÇÃO DE “EMPRESA VEÍCULO”. LEGITIMIDADE DO “BENEFÍCIO FISCAL”. Os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 permitem o aproveitamento fiscal da amortização do ágio, desde que este seja legítimo e desde que haja confusão patrimonial entre empresa investida e investidora, o que ocorre em razão de fusão, incorporação ou cisão. A utilização de empresa veículo, sem aparecimento de novo ágio, não viola nenhum requisito para usufruir o “benefício legal” em questão. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INCORPORAÇÃO DE “EMPRESA VEÍCULO”. INCORPORAÇÃO REVERSA. PROPÓSITO NEGOCIAL. MOTIVO TRIBUTÁRIO. SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA O uso de empresa veículo e de incorporação reversa, ainda mais considerando a existência de caminho alternativo (incorporação direta) disponível ao contribuinte, não caracteriza a simulação. Também a economia tributária gerada a partir de reorganização societária, por si só, não implica na ilicitude das operações. ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. Do anocalendário 2007 em diante, se não efetuado o pagamento da estimativa mensal, cabe a imputação de multa isolada, sobre a totalidade ou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 60 0. 72 00 16 /2 01 4- 31 Fl. 2154DF CARF MF 2 diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do anocalendário, mesmo que lançada a multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, mantendo apenas as multas isoladas decorrentes da infração relativa à CSLL instituições financeiras. Vencida a Conselheira Eva Maria Los, que negava provimento ao recurso e os Conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Luis Fabiano Alves Penteado e Rafael Gasparello Lima, que lhe davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator (assinado digitalmente) Paulo Cezar Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração de IRPJ (fls. 1.235/1.247) e de CSLL (fls. 1.289/1.383), referentes aos anos calendário de 2010 e 2011, emitidos em face da constatação das seguintes infrações: (i) exclusão indevida, na apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL, de parcelas referentes à amortização de ágio; Fl. 2155DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 1201001.811 S1C2T1 Fl. 3 3 (ii) compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL em montantes superiores aos saldos disponíveis; (iii) insuficiência de pagamento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, o que levou a cobrança de multa isolada de 50% com base no art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430/96; e (iv) diferença de CSLL em virtude da aplicação da alíquota de 15% (ao invés do percentual aplicado de 9%). A infração relativa ao item (i) acima ensejou a exigência de multa qualificada de 150%. Já as infrações relativas aos itens (ii) e (iv) foram acrescidas da multa de ofício ordinária de 75%. Mais precisamente, a motivação dos lançamentos foi objeto de detalhado Termo de Verificação Fiscal (“TVF” fls. 1.171/1.216), do qual reproduzo os trechos abaixo: 1a INFRAÇÃO: EXCLUSÕES INDEVIDAS DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL Amortização de ágio (...) contabilizado pela TEMPO SERVIÇOS por ocasião da incorporação de sua investidora, ESMERALDA HOLDINGS LTDA CNPJ: 07.813.429000147, ocorrida em 29/09/2006. Ressaltase que a glosa da referida exclusão amortização de ágio na incorporação da empresa Esmeralda Holdings Ltda, já fora objeto de lançamento de ofício anterior abrangendo o período de apuração de Outubro/2006 a Dezembro/2009 (Mandado de Procedimento Fiscal n° 0610900.2011.000021), formalizado no processo administrativo fiscal n° 10970.720351/201188, infração esta julgada favoravelmente à Fazenda Nacional pelo CARF, mantida inclusive a multa de ofício qualificada, conforme Decisão 1103000.960, cuja ementa, extraída da ata do dia 06/11/2013 transcrevemos a seguir: Relator(a): ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Processo: 10970.720351/201188 Ex Offício e Voluntário Recorrentes: FAZENDA NACIONAL e TEMPO SERVIÇOS LTDA. Matéria: IRPJ e CSLL. Decisão: Dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a qualificação da multa de ofício (150%), pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Fábio Nieves Barreira e Hugo Correia Sotero, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a exigência de multa de ofício isolada por falta de pagamentos mensais de IRPJ e CSLL, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura. A parcela da exigência relativa à dedução do ágio foi mantida por maioria, vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata e Fábio Nieves Barreira, a parte correspondente à apuração da CSLL pela alíquota de 15% foi mantida por unanimidade e a Fl. 2156DF CARF MF 4 incidência de juros de mora sobre a multa de ofício foi mantida pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Fábio Nieves Barreira e Hugo Correia Sotero. [...] Apresentados os elementos solicitados, verificouse no ano calendário de 2006, uma seqüência de atos de reorganização societária entre o Banco Bradesco S/A e suas controladas Esmeralda Holdings Ltda e Tempo Serviços Ltda a seguir detalhadas, que culminaram na utilização de empresa veículo (Esmeralda Holdings) e incorporação reversa, com amortização de ágio gerado internamente. 2. COMPOSIÇÃO SOCIETÁRIA DAS EMPRESAS ENVOLVIDAS Inicialmente, fazse necessário tecer o histórico de composição societária das empresas Tempo Serviços Ltda (incorporadora) e Esmeralda Holdings Ltda (incorporada), no período que envolveu a reorganização societária. 2.1. TEMPO SERVIÇOS LTDA (incorporadora): 2.1.1. Alteração contratual datada de 30/06/2006 dispõe sobre: A) a retirada dos sócios Amex LATIN American Holdings CNPJ: 05.721.666/000152, sediada na Espanha, e American Express Internacional INC CNPJ: 05.721.666/000152, sediada nos Estados Unidos da América, únicas sócias da empresa fiscalizada, e a admissão na sociedade das seguintes pessoas jurídica e física, respectivamente: Cotista Quantidade de cotas Valor R$ Banco Bradesco S/A CNPJ: 60.746.948/000112 414.767.057 R$ 414.767.057,00 Marcio Artur L. Cypriano CPF: 063.906.92820 1 R$ 1,00 TOTAL 414.767.058 R$ 414.767.058,00 B) a alteração da denominação social da sociedade, de AMERICAN EXPRESS DO BRASIL TEMPO LTDA para BANKPAR TEMPO LTDA; 2.1.2 Alteração contratual datada de 17/07/2006: altera a razão social de BANKPAR TEMPO LTDA para TEMPO SERVIÇOS LTDA; 2.1.3 Alteração contratual de 29/09/2006: aprova a incorporação da empresa ESMERALDA HOLDINGS LTDA CNPJ: 07.813.429/000147, mediante aprovação do Instrumento de Protocolo e Justificação de incorporação, firmado pelas sociedades em 28.09.2006, bem como os Laudos de Avaliação, anexos do referido Instrumento, sendo o acervo líquido da Esmeralda (R$ 792,28) vertido em aumento do capital social da incorporadora (Tempo Serviços Ltda) mediante a criação de 792 novas cotas, no valor nominal de R$ 1,00 cada, que em conjunto com as demais cotas de titularidade da Esmeralda serão Fl. 2157DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 1201001.811 S1C2T1 Fl. 4 5 atribuídas ao sóciocotista Banco Bradesco S/A, ficando o capital social assim distribuído entre os sócios: Cotista Quantidade de cotas Valor R$ Banco Bradesco S/A CNPJ: 60.746.948/000112 414.767.849 R$ 414.767.849,00 Mareio Artur L. Cypriano CPF: 063.906.92820 1 R$ 1,00 TOTAL 414.767.850 RS 414.767.850,00 2.2. ESMERALDA HOLDINGS LTDA (empresa incorporada): 2.2.1. Contrato social datado de 18/03/2005 e protocolado na Jucesp sob o n° 521178/058 dispõe sobre a constituição da empresa Esmeralda Holdings Ltda, tendo por objeto a administração, locação, compra e venda de bens próprios e participação em outras sociedades como cotista ou acionista, com capital social de R$ 1.000,00 assim distribuído entre os sócios: Cotista Quantidade de cotas Valor R$ União Participações Ltda CNPJ: 05.892.410/000108 999 RS 999,99 Marcio Artur L. Cypriano CPF: 063.906.92820 1 R$ 1,00 2.2.2. Sua primeira alteração contratual, datada de 14/09/2006 e registrada na Jucesp sob o n° 129.590/060, dispõe sobre: a) a retirada do sócio União Participações Ltda, que cedeu e transferiu suas 999 cotas ao Banco Bradesco S/A CNPJ: 60.746.948/000112 pelo preço de RS 791,49; b) o aumento do capital social de R$ 1.000,00 para R$ 889.334.243,00, totalmente integralizado pelo sócio Banco Bradesco S/A mediante a conferência de bens representados pelo seguinte investimento: 414.767.057 cotas representativas do capital social da Tempo Serviços ltda CNPJ: 58.503.129/0001 00, avaliadas em RS 889.333.243,00 pelo critério do valor contábil, conforme laudo de Avaliação elaborado pela Probus Assessoria Contábil e Fiscal Ltda CNPJ: 00.637.288/000100, ficando o capital social assim distribuído entre os sócios: Cotista Quantidade de cotas Valor R$ Banco Bradesco S/A CNPJ: 60.746.948/000112 889.334.242 R$ 889.334.242,00 Fl. 2158DF CARF MF 6 Mareio Artur L. Cypriano CPF: 063.906.92820 1 R$ 1,00 TOTAL 889.334.243 R$ 889.334.243,00 2.2.3. Sua segunda alteração contratual, datada de 29/09/2006 e registrada na Jucesp sob o n° 39.649/076, dispõe sobre: A) a retirada do sócio Márcio Artur Laurelli Cypriano, que cede e transfere sua única cota ao Banco Bradesco S/A, que passa a deter 100% do capital social da empresa Esmeralda Holdings; B) a aprovação da incorporação da empresa Esmeralda Holdings pela Tempo Serviços Ltda, esclarecendo que as 889.334.243 cotas representativas da totalidade do capital social da empresa incorporada ficam extintas. 2.1.2. DETALHAMENTO SOBRE OS ATOS DE REORGANIZAÇÃO SOCIETARIA PRATICADOS 2.1.2.1.OPERAÇÃO DE AQUISIÇÃO DA EMPRESA TEMPO SERVIÇOS LTDA PELO BANCO BRADESCO S/A: [...] o BANCO BRADESCO apresentou contrato de compra e venda de ações datado de 19/03/2006, onde o mesmo figura como comprador, tendo como vendedores AMERICAN EXPRESS BANK LTD, AMEX HOLDINGS INC, AMERICAN EXPRESS INTERNATIONAL INC E AMEXLATIN AMERICAN HOLDINGS SL; e como objeto (cláusula 2.1) todas as ações das empresas brasileiras da AMERICAN EXPRESS (sociedades relacionadas no Anexo C do referido contrato), ações estas descritas no Anexo 2.1, pelo preço de compra especificado na cláusula 2.2 (abaixo demonstrado), representando, direta ou indiretamente, todo o capital social das empresas brasileiras da American Express. Preço de compra = o preçobase de (i) US$ 490.000.000,00 (quatrocentos e noventa milhões de dólares), mais ou menos a diferença entre o Valor Estimado do Patrimônio Líquido e o Valor do Patrimônio líqiddo Pretendido e (ii) mais ou menos os Ajustes Especiais do preço de compra, conforme detalhado na cláusula 2.1.1) [...] Em atendimento ao item 3 do Termo de Diligência Fiscal (comprovação dos efetivos pagamentos), o Banco Bradesco apresentou cópia de duas transferências eletrônicas internacionais efetuadas em 30/06/2006, a saber: uma no valor de US$ 414.965.335,59, correspondente na moeda nacional a R$ 898.109.475,81, ao destinatário: AMEX LATIN AMERICAM HOLDINGS, referente a aquisição de 414.656.044 cotas da empresa AMERICAN EXPRESS DO BRASIL TEMPO LTDACNPJ: 58.503.129/000100; Fl. 2159DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 1201001.811 S1C2T1 Fl. 5 7 outra no valor de USS 32.999.999,73, correspondente na moeda nacional a R$ 32.999.999,73, ao destinatário AMERICAN EXPRESS BANK, referente a aquisição de 120.076.804 cotas da empresa BANKPAR PARTS LTDA CNPJ: 59.291.245/000168. Em atendimento ao item 2 do Termo de Diligência Fiscal n° 002, o Banco demonstrou a escrituração dos lançamentos de aquisição e ágio das ações da Tempo Serviços Ltda (antiga razão social Bankpar Tempo Ltda): [...] Ressaltase que em 20 de março de 2006 o Banco Bradesco divulgou em seu site de Relações com Investidores (www. bradesco. com.br/ri) sobre a operação de compra das subsidiárias do Grupo Amex no Brasil: " O Banco Bradesco S/A comunica aos seus acionistas, clientes e ao mercado em geral que firmou parceria com a American Express Company, para assumir suas operações de cartões de crédito e atividades correlatas no Brasil. Entre outros documentos, foram assinados Contrato de Compra e Venda de Ações e Acordo de Operador Independente, que regerão o relacionamento entre as partes. A parceria compreende: 1. A transferência para o Bradesco das subsidiárias da American Express no Brasil que atuam no ramo de cartões de crédito, corretagem de seguros, serviços de viagens, de câmbio no varejo e operações de Crédito Direto ao ConsumidorCDC; 2. o direito de exclusividade do Bradesco para a emissão e cartões de crédito da Unha Centurion no Brasil. O Bradesco pagará pelas subsidiárias da American Express, por ocasião do fechamento da Operação, o valor de US$ 490 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 1,04 bilhão, em 17.3.2006." Intimado a justificar e demonstrar o fundamento econômico do ágio na aquisição das ações da Bankpar Tempo LtdaCNPJ: 58.503.129/000100 contabilizado em 30/06/2006, (item 1 do Termo de Diligência Fiscal N° 003), o Banco Bradesco assim respondeu: " Segue em anexo a Avaliação econômicofinanceira do Grupo Amex do Brasil, adquirido pelo Grupo Bradesco, elaborado pela KPMG Corporate Finance Ltda, emitido em 29 de setembro de 2006. O ágio na aquisição do investimento na Bankpar Tempo Ltda, foi baseado no valor de rentabilidade futura, conforme descrito na folha 03 da avaliação acima citada. O ágio de rentabilidade futura apurado na aquisição do investimento foi de R$ 872.881.282,63, sendo R$ 819.801.193,48, contabilizado em Fl. 2160DF CARF MF 8 30/06/2006, e complementado no valor de R$ 53.080.089,15 no mês de Setembro de 2006." [...] 2.2. OPERAÇÃO DE AQUISIÇÃO DA EMPRESA ESMERALDA HOLDINGS PELO BANCO BRADESCO S/A: [...] Assim, na escrituração do Banco Bradesco houve apenas uma troca de Ativos: o investimento na Tempo Serviços acompanhado de seu Ágio foram substituídos pelo investimento na Esmeralda Holdings. Já a Esmeralda Holdings recebeu do Bradesco o investimento na Tempo Serviços, acompanhado de seu ágio como integralização do aumento de seu capital Em outras palavras, o Banco Bradesco "transferiu" seu investimento na Tempo Serviços acompanhado de seu respectivo ágio para a empresa Esmeralda Holdings, como integralização do aumento do capital desta. 2.3. OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DA EMPRESA ESMERALDA HOLDINGS PELA EMPRESA TEMPO SERVIÇOS LTDA (INCORPORAÇÃO REVERSA): Em 29/09/2006 a Tempo Serviços Ltda incorpora sua investidora (Esmeralda Holdings Ltda), operação conhecida como incorporação reversa. [...] 3.4. CONTABILIZAÇÃO E AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO NA TEMPO SERVIÇOS POR OCASIÃO DA INCORPORAÇÃO DA ESMERALDA HOLDINGS Em razão da incorporação acima descrita, a empresa fiscalizada recebeu o ágio e a provisão para amortização do ágio vertidos do acervo líquido da Esmeralda Holdings, no valor de R$ 845.554.577,00, contabilizandoos nas contas 2411100000010 Ágio na Incorporação e 241100000029 — Provisão para amortização do Ágio, ambas componentes do Ativo Diferido. A partir de Outubro/2006, iniciou a amortização mensal do referido ágio, no valor de R$ 14.092.576,28 (R$ 845.554.577,00/60), contabilizado a débito da conta 24110000029 Provisão para amortização do Ágio e a crédito da conta 241110000001 Ágio na Incorporação. [...] A amortização do ágio não afetou o resultado contábil, pois tratouse de um lançamento contábil entre contas do mesmo grupo (Ativo Diferido). Entretanto, conforme Lalur e Demonstrativo da Base de Cálculo da CSLL, a empresa fiscalizada excluiu mensalmente das bases de cálculo do IRPJ e CSLL a amortização do referido ágio, utilizandose da previsão legal contida nos artigos 385, § 2o, II e Fl. 2161DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 1201001.811 S1C2T1 Fl. 6 9 386 do Decreto 3.000/99 (art. 7o e 8o da lei 9.532/97 e art. 10 da lei 9.718/98). 3. LEGISLAÇÃO SOBRE ÁGIO, SUA APURAÇÃO, CONTABILIZAÇÃO E REGRAS DE DEDUTIBILIDADE [...] Sendo o comando legal acima transcrito um beneficio fiscal, como tal deve ser interpretado literalmente, conforme disposto no artigo 111 do Código Tributário Nacional. O mesmo dispõe que para fazer juz à dedução da amortização do ágio cujo fundamento seja a perspectiva de rentabilidade futura, a investidora deve incorporar a investida ou viceversa, não contemplando, portanto, a participação de uma terceira empresa no processo (operação triangulada). Assim, no presente caso, para fazer juz à dedução da amortização do ágio efetivamente pago pelo Banco Bradesco na aquisição da Tempo Serviços ltda, três condições legais devem ser satisfeitas: O lançamento do ágio deve indicar seu fundamento econômico (DecretoLei n° 1.598/77, art. 20, § 2o); O lançamento do ágio deve ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei n° 1.598/77, art. 20, §3°); O Banco Bradesco deve incorporar a Tempo Serviços Ltda ou a Tempo Serviços Ltda deve incorporar o Banco Bradesco (Lei n° 9.532/97, art. 7oe art. 8o, b). 4. CONSIDERAÇÕES SOBRE O RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO ELABORADO PELA KPMG COM BASE EM RENTABILIDADE FUTURA Tanto a Tempo Serviços Ltda quanto o Banco Bradesco apresentaram o mesmo relatório, elaborado pela KPMG e datado de 29 de setembro de 2006, em atendimento ao item 3.2 do Termo de Início do Procedimento Fiscal e item 1 do Termo de Diligência Fiscal n° 003, respectivamente. [...] Segundo consta na página 3, conteúdo da Introdução do referido relatório, o objetivo da KPMG foi efetuar uma avaliação econômicofinanceira da Amex, com o propósito de fundamentar que parcela do ágio gerado na compra do Grupo Amex no Brasil pelo Banco Bradesco, conforme contrato celebrado entre as partes em 20 de março de 2006, tem justificativa em rentabilidade futura. Ora, se de acordo com o artigo 385 do Decreto 3.000/99 o lançamento contábil do ágio com base em rentabilidade futura deve basearse em demonstrativo e comprovantes que o Fl. 2162DF CARF MF 10 contribuinte deverá arquivar como comprovante da escrituração, é de meridiana clareza que a elaboração do demonstrativo antecede a efetiva operação de aquisição do investimento bem como antecede o lançamento efetuado pelo contribuinte em sua escrituração, sendo prérequisito indispensável para a contabilização do ágio. Assim, o relatório de avaliação econômicofinanceira encomendado em 12 de julho de 2006 e concluído em 29 de setembro/2006, por impossibilidade lógica não serve de subsídio e fundamentação econômica do ágio pago em 30/06/2006 pelo Banco Bradesco, oriundo da celebração do contrato para aquisição das subsidiárias do Grupo Amex no Brasil em 19/03/2006. [...] Por fim, a projeção dos resultados futuros foi feita de forma consolidada (todo o grupo), e não individualmente para cada empresa do Grupo Amex negociada, conforme se verifica no trecho abaixo transcrito da página 6 do relatório: [...] Ressaltase ainda que, conforme contrato de compra e venda de ações firmado em 19/03/2006 entre o Bradesco e o Grupo Amex, a metodologia de valoração do preço das ações do Grupo Amex nada menciona a respeito de que tal valor seria devido a título de expectativa de rentabilidade de exercícios futuros. 5.OPERAÇÕES PREOCUPANTES DE PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO É oportuno destacar o "Capítulo XVII — Operações Preocupantes" do livro Planejamento Tributário, 2ª Edição, 2008, Editora Dialética, do jurista Marco Aurélio Greco, [...] Vejamos, a seguir, a adequação dos tópicos acima ressaltados ao presente caso. 6.1. Operações estruturadas em seqüência ("step transactions ") Analisando os momentos anterior e posterior ao conjunto de operações estruturadas em seqüência, uma vez que devemos analisar o filme (conjunto) ao invés de cada fotografia (etapa), verificamos que não houve efeito patrimonial da incorporação realizada: a empresa fiscalizada (incorporadora) continua submetida ao mesmo controle acionário, conforme abaixo demonstrado: Controle acionário da Tempo Serviços Ltda Antes da incorporação Apôs a incorporação Banco Bradesco 414.767.057 cotas (99,9999%) 414.767.849 cotas (99,9999%) Marcio Artur L. Cypriano 1 cota 1 cota Quanto ao elemento tempo, as operações de reorganização societária ocorreram num curto lapso de tempo: Fl. 2163DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 1201001.811 S1C2T1 Fl. 7 11 em 19/03/2006 o Banco Bradesco assina contrato de compra e venda de ações, onde o mesmo figura como comprador, tendo como vendedores AMERICAN EXPRESS BANK LTD, AMEX HOLDINGS INC, AMERICAN EXPRESS INTERNATIONAL INC E AMEX LATIN AMERICAN HOLDINGS SL; e como objeto todas as ações das empresas brasileiras da AMERICAN EXPRESS (sociedades relacionadas no Anexo C do referido contrato), incluída aí as ações da empresa fiscalizada; em 30/06/2006 ocorre o fechamento da operação com a efetividade do pagamento, momento em que o Banco Bradesco escritura em sua contabilidade o ágio pago na aquisição da Tempo Serviços Ltda; em 14/09/2006 o Banco Bradesco adquire de sua controlada União Participações Ltda suas cotas de capital na empresa Esmeralda Holdings e, ato contínuo, integraliza aumento de capital na empresa recémadquirida com sua participação na Tempo Serviços avaliada em R$ 889.333.243,00. [...]; em 29/09/2006 a Tempo Serviços incorpora sua controladora Esmeralda Holdings, que fica extinta, absorvendo o ágio de suas próprias ações, vertido do acervo líquido da incorporada, passando a amortizar o referido ágio com base no inciso IIIdo artigo 7o da Lei 9.532/97. 6.2. Operações invertidas Em 29/09/2006 a empresa Esmeralda Holdings, detentora de 99,99% de participação no capital social da empresa fiscalizada (Tempo Serviços Ltda.) é incorporada por esta, ou seja, a controlada incorpora a controladora. 6.3. Operações entre partes relacionadas À época da incorporação, o Banco Bradesco detinha 100% do capital social da empresa incorporada (Esmeralda Holdings Ltda) e 99,99% do capital social da incorporadora (Tempo Serviços Ltda). Portanto, a reorganização societária objeto de verificação fiscal ocorreu dentro de um mesmo grupo econômico, entre partes relacionadas, empresas sob controle comum. 6.4. Empresa veículo e de duração efêmera A utilização de empresa veículo, de duração efêmera, é também de fácil constatação no presente caso: a empresa Esmeralda Holdings foi constituída em 18/03/2005, com capital social de R$ 1.000,00, tendo por objeto social a administração, locação, compra e venda de bens próprios e participação em outras sociedades como cotista ou acionista. Apresentou DIPJ do anocálendário de 2005 como inativa. Na DIPJ do anocalendário de 2006, período 01/01/2006 a 29/09/2006 (data de sua incorporação pela Tempo Serviços Fl. 2164DF CARF MF 12 Ltda), a Receita Bruta informada foi de R$0,00 e a única despesa declarada referese à provisão de RS 845.554.577,00 (ágio do investimento na Tempo Serviços, recebido como integralização do aumento de seu capital pelo Banco Bradesco). Ou seja, no seu curto período de existência, a empresa em questão não possuiu funcionários, não possuiu nenhum ativo imobilizado e não incorreu em despesas administrativas (aluguéis, telefone, energia, água, etc), servindo, única e exclusivamente, de canal de passagem de um ágio, sendo extinta imediatamente após tal passagem. Ora, a criação de sociedade para posterior extinção por incorporação revela evidente falta de propósito negocial, ou seja, inexistência de fundamento econômico do evento societário. Não se concebe, nas operações normais dos agentes econômicos, que se crie uma empresa com o fim de extinguila logo em seguida. As empresas são entidades criadas para a exploração de determinada atividade econômica e, como regra geral, têm como premissa a continuidade de suas operações. 6.5. Ágio interno No presente caso, houve a formação de dois ágios distintos: O primeiro foi contabilizado em 30/06/2006 pelo Banco Bradesco, quando da aquisição das empresas do Grupo Amex no Brasil, sendo o referido ágio efetivamente pago e a negociação ocorrida entre partes independentes e não relacionadas; Já em 14/09/2006 ocorreu a criação de um ágio interno na Esmeralda Holdings, quando o Banco Bradesco conferiu no capital de sua controlada, sua participação na Tempo Serviços Ltda, avaliada economicamente por laudo de avaliação com base em perspectiva de rentabilidade futura, datado de 29/09/2006. Notese que a operação societária da qual resultou o referido ágio foi realizada intragrupo, entre partes relacionadas, ou seja, avaliadora e avaliada são o mesmo grupo econômico. A conta que recebeu a contrapartida do lançamento do ágio contabilizado na Esmeralda Holdings foi a conta de capital social, ou seja, não houve o efetivo pagamento do ágio na referida operação. Em 29/09/2006 ocorre a incorporação reversa, onde a Tempo Serviços (controlada) incorpora sua controladora Esmeralda Holdings, absorvendo o ágio de suas próprias ações, vertido do acervo líquido da incorporada, que se extingue, passando a incorporadora a amortizar o referido ágio com base no inciso IIIdo artigo 7o da Lei 9.532/97. 7. CONSIDERAÇÕES SOBRE O ÁGIO INTERNO O ágio admitido pela Contabilidade é aquele resultante de uma transação de compra e venda entre partes independentes e não relacionadas. Quando a operação societária da qual resulta o ágio é realizada intragrupo, a contabilidade não admite o seu reconhecimento; nunca admitiu, nem mesmo após as profundas alterações introduzideas pela Lei n° 11.638/2007, que visou à Fl. 2165DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 1201001.811 S1C2T1 Fl. 8 13 harmonização das normas contábeis brasileiras com as normas internacionais. [...] 8. CONCLUSÃO [...] E óbvio que, sendo a empresa incorporada uma empresa inativa desde sua constituição, não havia, portanto, o que se otimizar ou racionalizar com a referida incorporação societária. Sendo assim, não se vislumbra qualquer propósito negocial na referida reorganização societária que não seja criar artificialmente condição para amortizar o ágio efetivamente pago pelo Banco Bradesco em 30/06/2006, pela aquisição das empresas do Grupo Amex. No presente caso, não há dúvida de que a operação de incorporação da Esmeralda Holdings pela Tempo Serviços foi resultado de uma "montagem" jurídica efetuada mediante a prática de operações estruturadas em seqüência e com a utilização de empresa veículo, [...] Portanto, não é cabível a dedutibilidade da amortização do ágio na incorporadora TEMPO SERVIÇOS LTDA, uma vez que: a) requisitos formais não foram cumpridos, tais como: os lançamentos dos ágios contabilizados pelo Banco Bradesco e pela Esmeralda Holdings não indicam seu fundamento econômico; o laudo de avaliação elaborado pela KPMG e datado de 29 de Setembro de 2006, apresentado para demonstrar o fundamento econômico dos ágios não presta para tal fim, conforme já explanado no item 5 retro; b) não houve qualquer propósito negocial na incorporação da Esmeralda Holdings pela Tempo Serviços, que não fosse a redução da carga tributária do grupo econômico, mediante a utilização do beneficio fiscal disposto no artigo 7o, inciso III da Lei 9.532/97; c) não houve alteração no controle acionário da Tempo Serviços após a incorporação societária: a empresa fiscalizada (incorporadora), que era controlada pelo Banco Bradesco antes da incorporação, continuou submetida ao mesmo controle acionário imediatamente após o evento; d) para usufruir do beneficio fiscal concedido pelos artigos 7o e 8o da lei 9.532/97, fezse uso de empresa veículo, cuja única finalidade foi reconhecer um ágio interno, para, em seguida, ser incorporada. Assim, verificouse o uso distorcido dos referidos comandos legais; que não contemplam uma terceira empresa no processo de reorganização societária, não admitindo, portanto, operações trianguladas com o uso de empresa veículo. [...] Fl. 2166DF CARF MF 14 Diante de todo o exposto, temos que, além da inaplicabilidade do Laudo de Avaliação de expectativa de rentabilidade futura apresentado, os atos de reorganização societária que culminaram na incorporação da empresa Esmeralda Holdings pela Tempo Serviços foram atos simulados, sem substância econômica, onde a empresa fiscalizada incorpora uma empresa do grupo, recém constituída, sem qualquer atividade econômica e cujo único patrimônio era um ágio recebido como integralização de capital (empresa veículo), em nada alterando seu quadro societário. [...] Logo, diante de atos simulados de reorganização societária, que culminaram em uma incorporação sem qualquer substância econômica, inaplicável o artigo 386 do Decreto 3.000/99 (artigos 7o e 8o da Lei 9.532/97) e, portanto, indedutível o ágio contabilizado, nos termos do artigo 391 do Decreto 3.000/99. Sendo assim, efetuamos o lançamento de ofício dos valores corrrespondentes à amortização de ágio, excluídos indevidamente do lucro real e da base de cálculo da CSLL nos anoscalendário de 2010 e 2011, nos valores de R$ 169.110.915,36 e R$ 126.833.186,60, respectivamente. 1.1. Multa de ofício aplicada: [...] verificouse no presente caso, o intuito doloso do contribuinte, ao formalizar seus registros contábeis e societários de forma a dar uma aparência de correção a uma amortização em que estejam presentes o ágio interno e reestruturação societária sem a efetiva mudança de controle societário, pretendendo induzir a fiscalização a avalizar uma operação que, nessas circunstâncias, é oponível ao Fisco. [...] Desse modo, o dolo encontrase presente ao buscar meios artificiosos para enganar, para ludibriar o Fisco, realizando operações societárias que, analisadas individualmente, estão perfeitamente legais na forma, mas, no conjunto, na essência, não trazem substância econômica, pois ao final da reorganização societária, o controle acionário retorna à situação inicial, anulando os atos praticados, sendo seu único propósito a economia de tributos. [...] 2a INFRAÇÃO: COMPENSAÇÕES INDEVIDAS DE PREJUÍZO FISCAL E DA BC NEGATIVA DA CSLL Foi detectado no Sistema de Acompanhamento de Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo negativa da CSLL/SAPLI inconsistências do contribuinte nos anoscalendário de 20Í0 e 2011, acusando compensações excedendo o saldo disponível: [...] A inexistência de saldo deuse pela compensação de ofício efetuada pelo Fisco quando da autuação do contribuinte em 25/11/2011, formalizada no processo administrativo fiscal n° 10970.720351/201188, conforme abaixo demonstrado: Fl. 2167DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 1201001.811 S1C2T1 Fl. 9 15 [...] 3a INFRAÇÃO: INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENO DO IRPJ E CSLL SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Glosa de exclusões indevidas do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL na apuração das estimativas mensais dos referidos tributos, ocasionando insuficiência de recolhimento mensal dos mesmos, conforme demonstrativo em anexo, titulado "Falta de Recolhimento de Estimativas Mensais", gerando multa isolada de 50% sobre os valores não recolhidos, conforme disposto no artigo 44, inciso II. [...] 4a INFRAÇÃO: INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO DA CSLL, DECORRENTE DE ALTERAÇÃO DE ALÍQUOTA Conforme disposto no artigo 17 da Lei n° 11.727 de 2008, a partir de 1o de Maio de 2008, a alíquota da CSLL passou de 9% para 15%, no caso de pessoas jurídicas de seguros privados, das de capitalização e das referidas nos incisos I a VII, IX e X do §1o do art. 1° da LC n° 105/2001 (bancos de qualquer espécie, distribuidoras de valores mobiliários, corretoras de câmbio e de valores mobiliários, sociedades de crédito, financiamento e investimentos, sociedades de crédito imobiliário, administradoras de cartões de crédito, sociedades de arrendamento mercantil, administradoras de mercado de balcão organizado, cooperativas de crédito, associações de poupança e empréstimo, bolsas de valores c de mercadorias e futuros, entidades de liquidação e compensação). [...] Logo, não restam dúvidas de que a empresa fiscalizada exerce não só atividades de administração de cartões de crédito, como também aufere receitas operacionais próprias de instituições financeiras, devendo, pois, aplicar a alíquota de 15% sobre a base de cálculo da CSLL, conforme disposto no inciso I, Artigo 3o da Lei 7.689/88, alterado peio artigo 17 da Lei n° 11.727 de 2008. Cientificada dos Autos de Infração, a autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 1.289/1.383), a qual, conforme resumido pela DRJ: pede, como preliminar, a nulidade da autuação em face da incorreta recomposição das bases de cálculo do IRPJ nos anoscalendário de 2010 e 2011; discorre sobre a “Efetiva Operação Realizada Aquisição das Empresas do Grupo AMEX no Brasil para Expansão das Atividades de Cartão de Crédito pelo Grupo Bradesco”; discorre sobre a “Legitimidade da Aquisição do Investimento com Ágio pela Esmeralda Holdings e Posterior Aproveitamento da sua Dedutibilidade Fiscal pela Fl. 2168DF CARF MF 16 Impugnante” por meio dos itens 1) Natureza Jurídico/Contábil do Ágio na Aquisição de Participações Societárias; 2) Da Licitude da Aquisição de Participação Societária com Ágio Conferida em Integralização de Ações; 3) Tratamento Tributário do Ágio Dedução Fiscal da Amortização; 4) Da validade dos “Estudos internos” e do Sigilo das negociações; e 4.1) Da ratificação dos estudos internos pelo laudo da empresa especializada; defende a necessidade da Esmeralda Holdings Suposta "Empresa Veículo"; discorre sobre a Teoria do Propósito Negocial Aplicabilidade às Operações Praticadas; defende a Inexistência de Ágio Interno Preço de Aquisição Definido entre Partes Independentes e Não Relacionadas; defende a inexistência de Sonegação, Fraude ou Conluio e, portanto a impossibilidade de Aplicação da Multa Agravada; impugna a glosa do prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL demonstrada a legalidade das operações realizadas; defende a impossibilidade da Cobrança da Multa Isolada em Razão da Falta de Recolhimento do IRPJ e da CSLL por Estimativa; sustenta a inaplicabilidade da Multa Isolada em Razão do Encerramento do anobase quando da lavratura dos Autos de Infração; sustenta a ilegalidade da cobrança de alíquota majorada da CSLL defendendo que a atividade exercida não se subsume à hipótese legal; defende a ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. Em Sessão de 26 de Agosto de 2014, a 2ª Turma da DRJ/BHE julgou a impugnação improcedente por meio do Acórdão nº 0259.700 (fls. 1.848/1.870), que recebeu a seguinte ementa: AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. A sucessão de eventos modificativos de controle societário em um mesmo grupo empresarial sem qualquer finalidade negocial que resulte em incorporação de pessoa jurídica em cuja contabilidade constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, com utilização de empresa veículo, unicamente para criar de modo artificial as condições para aproveitamento da amortização do ágio como dedução na apuração do lucro real, caracteriza simulação montada para o fim exclusivo de economia tributária, o que autoriza o lançamento de ofício com imposição de multa qualificada em razão do intuito de fraude demonstrado. MULTA PROPORCIONAL E EXIGIDA ISOLADAMENTE. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento abrangerá a multa Fl. 2169DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 1201001.811 S1C2T1 Fl. 10 17 de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; e o imposto apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício. A lei estabelece que, nos lançamentos de ofício, será aplicada multa exigida isoladamente, no percentual de 50%, sobre os valores devidos, e não recolhidos, a título das estimativas mensais, estando o contribuinte sujeito à apuração do lucro real anual, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, no anocalendário correspondente. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de lançamento de ofício sofre a incidência de juros de mora com base na taxa Selic a partir do seu vencimento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração conexo, decorrente ou reflexo, no que couber, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2010, 2011 ADMINISTRADORA DE CARTÃO DE CRÉDITO. ALÍQUOTA DA CSLL. As administradoras de cartões de crédito devem apurar a CSLL mediante a aplicação da alíquota majorada de 15% por disposição legal expressa. A divisão de tarefas típicas da atividade entre duas pessoas jurídicas do mesmo grupo societário que venham a atuar de forma reciprocamente complementar não as exclui da condição de administradoras de cartões de crédito, submetendose ambas à alíquota majorada na apuração da CSLL devida. Antes da ciência da decisão de primeiro grau, a contribuinte apresentou petição de fls. 1.877/1.879, por meio da qual informa que efetuou o pagamento à vista de parte da exigência (correspondente à infração nº 04 – CSLL à alíquota de 15%), nos termos do artigo 2º da Lei nº 12.996/2014. Em razão disso, pediu desistência deste item da discussão. Cientificada da referida decisão em 02/09/2014 (cf. fl. 1.913), a autuada interpôs recurso voluntário (fls. 1.917/1.989), o qual, após praticamente reiterar seus argumentos de defesa, requer o cancelamento integral das exigências formalizadas. A Fazenda Nacional, por sua vez, também expôs suas razões e requer o não provimento do recurso voluntário (cf. fls. 2.071/2.150). É o relatório. Fl. 2170DF CARF MF 18 Voto Vencido Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli O recurso voluntário é tempestivo e atende os pressupostos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. I) Preliminar Alega a Recorrente que a fiscalização não abateu de ofício os saldos negativos existentes nos anos calendário autuados, o que tornaria os lançamentos nulos. Ocorre, porém, que a DRJ se certificou de que a contribuinte transmitiu, em 2012, pedidos de restituição e compensação para os mesmos períodos, relativos aos Saldos Negativos de IRPJ, conforme dados das declarações indicados na decisão. Ou seja, o suposto crédito passível de compensação de ofício, no momento da emissão da autuação, já estava "comprometido", afinal o próprio contribuinte deu a eles outra destinação, qual seja, a de compensar outros débitos próprios. Segundo, aliás, dispõe o artigo 74, § 2º, da Lei n. 9.430/96, a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Dessa forma, rejeito a preliminar, uma vez que a compensação pleiteada não possui fundamento legal. II) Mérito No mérito, o cerne do presente litígio diz respeito à glosa da exclusão de despesas com amortização de ágio pago na aquisição das ações da American Express. Em linhas gerais, referida participação societária foi adquirida com ágio pago pelo Bradesco aos antigos sócios da Recorrente. Após finalizada a operação de aquisição, o ágio foi "transferido" mediante integralização do investimento na sociedade Esmeralda Holdings Ltda., a qual, logo em seguida, foi incorporada pela Recorrente. A glosa da exclusão da parcela desse ágio, repitase, já foi objeto de lançamento de ofício nos autos do processo administrativo fiscal n° 10970.720351/201188. Após leitura do TVF que embasa a presente autuação, verificase que a autoridade fiscal responsável registra que o presente lançamento é continuidade do lançamento anterior, razão pela qual se valeu dos mesmos fundamentos e alegações daquela outra demanda. E conforme relatado, identificamse ao menos três critérios jurídicos adotados a fim de legitimar a cobrança. São eles: (i) que o aproveitamento fiscal do ágio é inválido, uma vez que o laudo apresentado para comprovar seu fundamento econômico contém vícios que o tornaria imprestável; Fl. 2171DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 1201001.811 S1C2T1 Fl. 11 19 (ii) que os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 (art. 386 do RIR/99) – dispositivos que prevêem a dedutibilidade fiscal da amortização do ágio – constitui um benefício fiscal que deve ser interpretado de forma restrita, nos termos do artigo 111 do CTN. Assim, o direito à dedução, nessa situação particular, estaria limitado apenas às hipóteses de incorporação da Recorrente pelo Banco Bradesco ou viceversa, e nada mais; e (iii) que a operação, tal como estruturada, não possui propósito negocial, caracterizando espécie de negócio simulado celebrado exclusivamente para gerar economia indevida de tributo. Nesse contexto, convém frisar que o processo administrativo originário já foi julgado em segunda instância pelo CARF. Por maioria de votos, o lançamento foi considerado procedente apenas em função do quanto alegado no item (iii). Os argumentos relativos aos itens (i) e (ii) foram afastados. Ambas as partes (Recorrente e Fazenda Nacional), todavia, interpuseram recursos que aguardam julgamento. Não obstante, os três distintos raciocínios que nortearam a autuação devem ser enfrentados. Por questões de objetividade e clareza, passarei a me manifestar sobre cada um deles em tópicos distintos. II.I) Fundamento econômico de ágio À época dos fatos narrados, encontravase em vigor, sem alterações, o artigo 20 do DecretoLei nº 1.598/77, base legal do artigo 385 do RIR/99, in verbis: “Artigo 385 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Fl. 2172DF CARF MF 20 § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Como se percebe, tal dispositivo estabelece que o contribuinte que avaliar um investimento pelo método da equivalência patrimonial deve, no momento da aquisição, desdobrar o respectivo custo entre valor patrimonial das ações adquiridas e ágio. O ágio é calculado pela diferença entre o valor pago pela participação societária e o correspondente valor patrimonial, podendo ter os seguintes fundamentos econômicos: (a) valor de mercado dos bens do ativo superior ao registrado na contabilidade; (b) rentabilidade futura esperada da investida; e (c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. O ágio decorrente dos itens (a) e (b) deve estar fundamentado, nos termos da lei, em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. De plano, cumpre notar que a legislação até então vigente nunca exigiu laudo técnico específico emitido por terceiro. Não há, aliás, nenhum critério legal que estabelece a forma, muito menos a metodologia de avaliação acerca da previsão de rentabilidade futura. O ágio de que ora se trata foi apurado pelo Banco Bradesco – empresa controladora da Recorrente – na aquisição das empresas do grupo Amex. Nesta operação entre partes não relacionadas, foi efetivamente pago ágio da ordem de R$850MM. Tais fatos, aliás, foram apurados e confirmados pela fiscalização, conforme exposto no TVF. Alega a Recorrente que a aquisição em questão foi realizada, diferentemente do quanto afirmado pela fiscalização, com base em estudo interno elaborado por profissionais técnicos integrantes do próprio Bradesco, tendo sido a KPMG, empresa de auditoria que emitiu o laudo questionado, chamada posteriormente apenas para validar o conteúdo desse documento interno que norteou a fixação do preço. De fato, a Recorrente, por ocasião da defesa, apresentou Carta datada de 18/08/2005 (fls. 1.525/1.547), enviada ao Banco Bradesco por entidade representante da Amex, confirmando a existência de negociações no ano anterior ao do fechamento da operação de aquisição. Anexou, também, demonstrativos e detalhado estudo interno, denominado “Projeto Amazonas – Aquisição Empresas do Grupo Amex” (fls. 1.548/1.619), datado de dezembro/2005, por meio do qual avalia os aspectos gerais do negócio, simula os impactos financeiros da operação e mensura o ágio a ser desembolsado. Posteriormente, em 12 de julho de 2006, o Banco Bradesco também requereu a emissão de laudo da KPMG (fls. 1.621/1.649), laudo este datado de setembro/2006 que, além de validar referido estudo, logo na segunda página atesta expressamente que o ágio pago diz respeito à previsão de rentabilidade futura das empresas investidas. Essa documentação, digase de passagem, foi considerada suficiente para comprovar o fundamento econômico do ágio quando do julgamento do recurso voluntário interposto pela Recorrente no processo originário. Reproduzo, a seguir, algumas passagens do voto condutor: Contudo, a liberdade probatória não pode ser atendida como dispensa da necessidade de demonstração da formação do ágio e da sua fundamentação. Fl. 2173DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 1201001.811 S1C2T1 Fl. 12 21 Conforme já comentado, a contribuinte apresentou laudo de avaliação econômica financeira do Grupo Amex Brasil para a database 31/08/2005, elaborado por KPMG Corporate Finance Ltda (fl. 423) A Turma recorrida rejeitou a prova tendo em vista ser de 29/09/2006 enquanto a aquisição dos negócios da Amex no Brasil acontecera anteriormente, em 30/06/2006. O documento serviria apenas para “convalidar” a transação previamente concluída, imprestável para atendimento do “requisito legal para a amortização do ágio já pago”. Não é bem assim. Uma transação dessa magnitude é costumeiramente um empreendimento prolongado, especialmente quando envolve grupos empresariais de grande porte com atuação internacional negociando a aquisição de controle societário e, muitas vezes, transferências de direitos de exploração de atividades econômicas. As discussões levam meses, até anos, para fechamento do negócio, geralmente exigindose das partes sigilo acerca das negociações, por razões óbvias de zelo quanto às repercussões no mercado em geral e nas bolsas de valores em especial. Carta de 18/08/2005, em língua inglesa, sobre o interesse na aquisição de “100% of Amex,s Brazilian Business” enviada ao Bradesco por Goldman Sachs em nome da Amex, confirma a existência de negociações no ano anterior ao da conclusão do negócio (fl. 1.532). O contrato de compra e venda de ações estabeleceu 31/08/2005 como data base para os “balanços patrimoniais combinados” das empresas brasileiras do Grupo Amex (fl. 681). A contribuinte também trouxe aos autos detalhada apresentação do “Projeto Amazonas – Aquisição de Empresas do Grupo Amex”, de dezembro de 2005, elaborado pelo Departamento de Orçamento e Controle do Bradesco (fls. 1.545), contendo demonstração de informações econômicofinanceiras atuais e projetadas para o futuro. Também apresentou demonstrativo do valor do ágio pago (fls. 671). Acrescentese a necessidade de acompanhamento por órgãos estatais de controle, o que efetivamente ocorreu na aquisição ora avaliada, comprovado pelo contribuinte com a carta de autorização expedida pelo Departamento de Organização do Banco Central do Brasil (fls. 1.617), de 29/06/2006, e com o acórdão de aprovação da operação pelo Cade, adotado na sessão de 07/03/2007 (fls. 1.621). Vêse, portanto, que a negociação se iniciou bem antes da conclusão da transação, no ano anterior, o que pressupõe a existência de dados econômicofinanceiros disponíveis para a realização das avaliações necessárias. Não seria estranho Fl. 2174DF CARF MF 22 cogitarse da possibilidade de conversas entre dirigentes das instituições envolvidas antes mesmo da carta datada de 18/08/2005, consultando o Bradesco sobre o interesse no negócio. A carta seria apenas o meio para formalizar a intenção já revelada em contatos prévios. A possibilidade de laudo para “convalidar” o acordo celebrado entre as partes não deveria causar espanto, é bem possível que assim o seja. O laudo viria consolidar todos os dados dispersos que lastrearam as discussões, permanecendo arquivado à disposição do Fisco, do Banco Central, dos sócios e dos demais interessados. Na hipótese aventada não há razão para rejeição como comprovação do laudo feito posteriormente, desde que apresentados elementos complementares, como de fato aconteceu no caso sob exame, tendose em mente a inexistência de prazo fixado na legislação. [...] Essa transcrição, apesar de longa, é bastante elucidativa e, segundo penso, reflete a melhor solução ao caso concreto. Com base, então, nesses mesmos argumentos, afasto as alegações acerca da imprestabilidade do laudo, bem como da pretensa ausência de fundamento econômico do ágio. II.II) Amortização fiscal do ágio Antes da edição da Lei nº 9.532/1997, o ágio na aquisição de investimento somente possuía efeitos fiscais na tributação do ganho ou perda de capital quando de sua alienação, conforme artigo 33 do DecretoLei nº 1.598/77. Ocorre, porém, que essa situação foi alterada pela Lei nº 9.532/97, a qual dispõem, nos seus artigos 7º e 8º, que: Artigo 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, Fl. 2175DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 1201001.811 S1C2T1 Fl. 13 23 à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Artigo 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Fl. 2176DF CARF MF 24 Ricardo Mariz de Oliveira1, ao comentar tais dispositivos, leciona que: O objetivo da norma legal é permitir que o ágio fundado em expectativa de rentabilidade, pago na aquisição de um negócio através da aquisição de participação societária na pessoa jurídica que explore esse negócio, seja lançado contra os lucros desse negócio, de modo a que os tributos devidos sobre tais lucros sejam calculados após a dedução da amortização do ágio. O espírito dessa norma é inequívoco, pois a lei permite a amortização do ágio quando ele tenha por fundamento econômico a expectativa de lucros futuros daquele negócio, o que bem justifica a consideração do ágio como dedutível na proporção da realização desses lucros, estabelecida na demonstração desse fundamento, e observado o limite máximo anual previsto na lei, embora, como dito, não haja absoluta e mandatória correlação entre as quotas de amortização de cada períodobase e o lucro nele apurado efetivamente. Por isso mesmo, para que esse objetivo seja atingido, é necessário trazer o lucro para dentro da pessoa jurídica que tenha adquirido a participação societária com expectativa de rentabilidade do mesmo (situação descrita no art. 7º) ou levar o ágio para dentro da pessoa jurídica produtora do lucro esperado (situação descrita no art. 8º), o que faz por incorporação ou cisão de uma delas e absorção pela outra. Ou, ainda, o mesmo objetivo pode ser alcançado levandose o ágio e o lucro para dentro de uma nova pessoa jurídica, o que se faz por fusão das duas pessoas jurídicas. Com efeito, a permissão para a dedutibilidade do ágio com fundamento econômico na expectativa de rentabilidade futura, prevista no artigo 7º, inciso III, acima, fundase, em um primeiro plano, no princípio da neutralidade tributária do imposto de renda, e, num segundo, no princípio do emparelhamento de receitas e despesas. O princípio da neutralidade preconiza que, em regra, o tratamento tributário de um resultado da transação (tributação do rendimento recebido) define o tratamento tributário correspondente (dedutibilidade do rendimento pago). Na hipótese de ágio, o sobrepreço incorrido na aquisição de um investimento, assim considerado o valor que excede aquele registrado pelo método da equivalência patrimonial, implica, para o vendedor, o recebimento de um valor que repercutirá na apuração do IRPJ e da CSLL, ao passo que, para o comprador, o sobrepreço pago na aquisição do investimento será um componente dedutível. Isso, aliás, decorre da própria lógica da sistemática de apuração do lucro real. O preço pago a título de ágio é gasto do adquirente e, como tal, deve ser confrontado com as suas respectivas receitas, que com ela guardem relação intrínseca, para que possa ser levado ao resultado. É o que decorre do princípio contábil do “emparelhamento das receitas e despesas”, de observância obrigatória por todas as empresas. 1 Fundamentos do Imposto de Renda. São Paulo: Quartier Latin. P. 767. Fl. 2177DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 1201001.811 S1C2T1 Fl. 14 25 Resta, assim, indagar qual é o momento em que esta dedutibilidade deve ser realizada. E para responder tal indagação, basta consultar o próprio artigo 7º, que condiciona a amortização fiscal do ágio quando há a confusão patrimonial entre as empresas investidora e investida, mais precisamente em razão de fusão, cisão ou incorporação, ainda que reversa (art. 8º). Na prática, tudo leva a crer que a amortização do ágio para fins tributários foi introduzida no contexto das privatizações como um incentivo aos investidores e um meio de atrair propostas mais rentáveis para aquisição das empresas públicas. Sobre o assunto, oportuno o comentário do Conselheiro Valmir Sandri quando do voto proferido no Acórdão nº 1301000.999: A motivação que levou o legislador a editar esta norma (...) foi aumentar as ofertas dos participantes do leilão das empresas desestatizadas, mediante a garantia aos investidores da dedutibilidade do ágio pago na aquisição das empresas. Porém, especialmente na privatização das concessionárias de serviços públicos, a norma não alcançaria seu objetivo se não houvesse permissão para a utilização de incorporação invertida e de empresa veículo. A possibilidade de dedução da amortização é condicionada à junção dos patrimônios. Como os licitantes, na quase totalidade dos casos, são grupos de empresas dos mais variados setores da economia (grandes construtoras, seguradoras, fundos de previdência, bancos de investimentos, etc.), a junção patrimonial direta, para utilização do benefício, seria impossível. É curial que não era objetivo do PND extinguir as empresas concessionárias de serviços públicos. Por isso, a previsão expressa da possibilidade de operação invertida (a investida absorvendo a investidora). Por seu turno, as investidoras também não têm interesse em serem extintas, e mais, podem ter limitações reguladoras específicas, que impeçam a junção patrimonial. Assim, a única forma de viabilizar a utilização do benefício é concentrar a participação societária adquirida (com ágio) no leilão numa empresa veículo (sociedade com propósito específico), a qual seria incorporada pela investida. [...] Portanto, operações como as ora submetidas a julgamento nada têm de planejamento ilícito ou inoponível ao fisco, sendo, ao contrário, atuações induzidas pelo Poder Público. Além de a possibilidade de dedução do ágio permitido pelo artigo 7º da Lei nº 9.532/97 ter sido uma forma encontrada pelo Governo de incrementar os preços das ofertas nos leilões de privatização (conduta induzida), o normativo deixou ao inteiro talante dos contribuintes o momento de obter o aproveitamento fiscal do sobrepreço pago (opção fiscal), ao vincular a Fl. 2178DF CARF MF 26 dedutibilidade do ágio a partir do evento incorporação, fusão ou cisão. Desde então, a figura do "ágio" tem sido amplamente utilizada também no contexto de fusões e aquisições entre particulares e, até mesmo, entre partes relacionadas em operações que não raramente se valem de negócios jurídicos duvidosos. A crescente utilização de ágio e seu abuso, pois, chamaram a atenção das autoridades fiscais, que reagiram com um verdadeiro “caça às bruxas” a tais operações, passando a autuar os contribuintes praticamente de forma generalizada, mas sem perceber que, em muitos casos, acabaram confundindo operações lícitas com operações ilícitas. Nesse contexto, o que precisa ficar claro é que a dedução fiscal do ágio tem sentido lógico e, mais ainda, possui previsão legal. E, conforme visto, a regra legal permite o aproveitamento fiscal das despesas de amortização do “sobrepreço” fundado em rentabilidade futura desde que (i) o ágio seja legítimo; e (ii) que haja confusão patrimonial entre investidora e investida, o que ocorre através de fusão, incorporação ou cisão. Nessa situação concreta, houve o pagamento efetivo de ágio fundado em rentabilidade futura e gerado por meio de negócio celebrado entre partes independentes. Legítimo, portanto, o ágio! Também a confusão patrimonial se fez presente dentro do grupo econômico. A partir do momento em que ocorreu a incorporação, ainda que reversa, o acervo patrimonial da investidora – que registrou os sacrifícios do investimento acabou sendo emparelhado com o patrimônio da investida – onde as receitas são esperadas, caracterizando a confusão patrimonial2. A propósito, como ressaltou a própria fiscalização (fls. 1.188), caso a incorporação tivesse sido feita de forma direta pelas partes (Banco Bradesco e Recorrente), o direito ao aproveitamento fiscal seria legítimo. Notase, ao assim relatar, que a fiscalização parece ter, na verdade, um preconceito com o uso das chamadas “empresas veículos”, afirmando peremptoriamente que a utilização desse tipo de estrutura não estaria contemplada pelos referidos artigos 7º e 8º. Esse raciocínio, porém, resta equivocado por pelo menos três motivos. Primeiro porque, ao assim proceder, a autoridade fiscal acabou se colocando indevidamente na posição de Legislador, criando restrição legal que não existe nas normas apontadas. Ora, a ocorrência da incorporação em si, ainda que envolva a chamada empresa veículo, é meramente instrumental. A participação da empresa veículo na operação, desde que o ágio seja real (como é no presente caso), não desvirtua o benefício fiscal, nem agride o espírito da lei, que trata, como demonstrado, a absorção de patrimônio como mero expediente formal para a dedução. 2 Na época dos fatos, não custa lembrar que o Banco Bradesco detinha 100% do capital da Esmeralda, incorporada, e 99,99% da Tempo Serviços (Recorrente), incorporadora. A Esmeralda, por sua vez, detinha 99,99% da incorporadora. Fl. 2179DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 1201001.811 S1C2T1 Fl. 15 27 Segundo porque a jurisprudência do CARF caminha no sentido de que, uma vez demonstrado que seria possível a dedução do ágio por incorporação direta, não há óbices para que o grupo econômico transfira o ágio efetivamente pago para outra de suas empresas, ainda que veículo ou mero canal de passagem, aproveitandose do benefício fiscal em outra parte da estrutura societária. E, finalmente, o uso de empresas veículos nesse tipo de estrutura configura conduta induzida pelo próprio Direito, afinal foi positivamente autorizado em face dos mencionados dispositivos legais. Vale dizer, a adoção de incorporação por intermédio de empresa veículo, em detrimento de incorporação direta entre investidora e investida, corresponde a uma política de tributação consentida no ordenamento jurídico. Nesse sentido, volto a invocar o posicionamento do Conselheiro Valmir Sandri, quando analisou situação semelhante ao presente caso (Acórdão nº 1301000.999): O problema da reorganização societária “ilícita” do ponto de vista tributário está quando a causa, isto é, a função econômica social que o direito objetivo atribui a determinado negócio jurídico, é distorcida para criar, instituir ou estabelecer uma vantagem fiscal. Seria o caso (não presente neste processo) de “ágio fabricado internamente”, quando a operação societária cria um ágio artificialmente, para assim obter a vantagem fiscal. O vício está na formação do ágio e não no seu aproveitamento posterior, quando da incorporação. Entretanto, é óbvio que o vício do ágio macula o seu próprio aproveitamento. [...] Neste caso, a lei concede o benefício fiscal, e condiciona o seu aproveitamento, isto é, a vantagem fiscal estipulada em lei, à pessoa jurídica que absorver o patrimônio de outra. Tratase de indução de norma fiscal à realização de absorção de patrimônio de empresa por intermédio de incorporação, cisão ou fusão, o que não passou despercebido do Poder Legiferante, que corroborou isso ao vetar o projeto de lei que pretendia revogar a norma isencional em tela. Assim, por tudo que foi dito acima, entendo, sem nenhuma dúvida, não ter ocorrido, quer simulação, quer abuso de direito e/ou planejamento tributário em desacordo com a lei, mas tão somente a prática de conduta abarcada e induzida pelo ordenamento jurídico, por intermédio das regras estipuladas nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, sem qualquer prejuízo para a Fazenda Pública que pudesse caracterizar economia ilícita de imposto, pois a escolha de outras soluções legais e diretas produziria idêntica consequência tributária com relação à amortização de ágio feita por intermédio da empresa veículo. (Acórdão nº 1301000.999. Sessão de 07 de Agosto de 2012)” Com base, então, no que foi descrito acima, afasto a alegação de que a Recorrente teria infringido os requisitos de dedutibilidade do ágio. Fl. 2180DF CARF MF 28 II.III) Da análise da ocorrência de “simulação” O terceiro e último argumento invocado pela fiscalização para caracterizar a infração relativa à amortização do ágio é o de que teria havido atos simulados de reorganização societária, que culminaram em uma incorporação sem qualquer substância econômica. De fato, a simulação permite ao fisco afastar os atos considerados inexistentes e descortinar aqueles efetivamente praticados. A simulação, pois, constitui hipótese de revisão de ofício prevista no artigo 149, VII, do CTN, in verbis: “Artigo 149 – O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] VII – quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. As teses tradicionais sobre o conceito de simulação desenvolveram seus estudos dentro do âmbito do negócio jurídico, partindo da premissa de que a simulação corresponde a um defeito, um vício do negócio jurídico. Simular é tornar semelhante, dar aparência ao que não é verdadeiro; a simulação pode compararse a um fantasma, a dissimulação a uma máscara. É este o ponto de partida adotado na clássica obra de Francisco Ferrara3, civilista italiano que muito influenciou a doutrina brasileira. Adepto da teoria voluntarista, leciona que o negócio simulado implica a ocorrência de uma aparência diferente da realidade. Assim, a característica marcante do negócio simulado seria a divergência intencional entre a vontade e a declaração, visando iludir terceiros. A crítica que se costuma fazer dessa teoria diz respeito à ausência da aludida divergência. Precisamente porque os simuladores declaram espontaneamente o que querem, não seria pertinente falar na existência de conflito entre a vontade e a declaração. É certo que não lhe querem os efeitos, mas querem a forma do negócio; a aparência desse negócio élhes indispensável por razões que as levam a simular4. Diante dessa crítica, a teoria declarativista – que possuiu menor influência que a teoria voluntarista , ainda conferindo enfoque subjetivista à simulação, passa a sustentar que a vontade interna não possui significado enquanto não seja declarada, razão pela qual a simulação deve ser vista como um conflito entre declarações. Desse modo, as partes emitiriam uma declaração dirigida ao público e uma contradeclaração para conhecimento restrito das partes (um “contrato de gaveta”, por exemplo), de modo que o efeito do negócio seria neutralizado. O negócio simulado, então, não seria um negócio inexistente, mas sim um negócio sem resultado jurídico. O principal argumento oposto à teoria declarativista consiste no fato de que o negócio simulado não seria neutralizado por um ato posterior, já que desde sua origem 3 A simulação dos negócios jurídicos. Trad. Dr. A. Bossa. São Paulo: Saraiva. 1939. P. 50 4 Cf. Custódio da Piedade Ubaldino Miranda. A simulação no direito civil brasileiro. São Paulo: Saraiva, 1980, P. 37. Fl. 2181DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 1201001.811 S1C2T1 Fl. 16 29 corresponde a um ato aparente. Desta forma, a contradeclaração não teria como revelar caráter modificativo, mas meramente declaratório. Ademais, a prerrogativa da nulidade advém do ordenamento jurídico, e não da autonomia da vontade5. As críticas às duas teorias subjetivas apontadas (voluntarista e declarativista) e o momento histórico ensejaram o exame do instituto da “simulação” por um viés alternativo, o que deu azo às manifestações integradas na dita teoria objetivista (ou teoria causalista), a qual já dá sinais de prevalência na doutrina pátria acerca do tema. Francesco Carnelutti6 foi um dos que inaugurou a vertente teórica objetivista no campo de estudo da simulação, a qual para o autor é um incidente relacionado à inadequação da causa, decorrente da circunstância de um ato ser querido para o atendimento de interesse diverso ou incompatível com os seus respectivos efeitos jurídicos. Com efeito, todo ato ou negócio jurídico tem uma causa, chamada de “causa jurídica” ou “função típica”, que nada mais é do que os efeitos jurídicos que se espera do negócio celebrado. Atentese que a causa corresponde às conseqüências jurídicas inerentes a cada tipo negocial. Como bem resume Orlando Gomes7, não é a causa antecedente, mas causa final, isto é, o fim que atua sobre a vontade para lhe determinar a atuação no sentido de celebrar certo contrato. Por isso mesmo, Heleno Tavares Torres8 expõe que: “Causa é a finalidade, a função, o fim que as partes pretendem alcançar com o ato que põem em execução, sob a forma de contrato, para adquirir relevância jurídica. Por isso, a causa é elemento essencial do negócio, como fim de realizar uma operação apreciável economicamente, devendo ser sempre lícita e passível de tutela pelo direito positivo. E para cada contrato ou ato jurídico, somente uma causa. No contrato de venda e compra, a causa é o intuito de entregar um bem recebendo um preço correspondente. Caso seja um bem por outro, a causa já individualiza um outro contrato, o de permuta; e se não há intuito de obter o pagamento de preço, mas apenas atribui um bem a outrem, aumentando o patrimônio deste, a causa já impõe outra qualificação, o de um contrato de doação. Para Emílio Betti9, expoente da tese objetivista e muito citado pela doutrina brasileira, a simulação é o resultado de um conflito insanável entre o escopo típico e a causa. Ela expressa um abuso da função instrumental do negócio jurídico. Assim, o elemento fático, notadamente o comportamento negocial, deve participar diretamente da valoração dos vícios da causa. Haverá simulação se houver incompatibilidade entre a causa típica do negócio (causa abstrata) e a intenção prática concretamente procurada pelas partes (causa concreta). 5 Cf. Fábio Piovesan Bozza. Planejamento tributário e autonomia privada. São Paulo: Quartier Latin. P. 158 6 Sistema del Diritto Processuale Civile, vol II. Pádua: CEDAM. 1938. 7 Contratos. Rio de Janeiro: Forense. 1987. P. 57. 8 Direito tributário e direito privado. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 2003. P. 141/142. 9 Teoria Geral do Negócio Jurídico. Campinas: Servanda. 2008. P. 562 e 578. Fl. 2182DF CARF MF 30 Com base, então, na teoria causalista (ou objetivista), a causa concreta atribui individualidade ao negócio jurídico. É a “porta de entrada” para interpretar o efetivo conteúdo negocial, definir a sua qualificação jurídica (se típico ou atípico) e, após isso, verificar sua compatibilidade ou não com o respectivo tipo (causa abstrata), a fim de aferir se o ato ou negócio é legítimo quando há esta compatibilidade; ou simulado quando não há tal compatibilidade. Dentre as classificações feitas no âmbito da simulação, a mais importante é aquela que se faz em função ao fim a que se presta. Assim, se é a própria simulação a relação jurídica estabelecida entre as partes, falase em simulação absoluta. Caso, porém, se tem por finalidade a celebração de um negócio para esconder outro, o dissimulado, estaremos diante da simulação relativa. Na simulação absoluta as partes criam um ato ou negócio que é meramente aparente, produzindo uma ilusão aos olhos de quem vê. Declaram algo que não ocorreu. Assim, por exemplo, determinada pessoa simula alienar imóvel com o objetivo de fraudar a partilha diante de uma dissolução de união estável. Já na simulação relativa as partes celebram um negócio para encobrir outro. Declaram que ocorreu uma coisa (doação, por exemplo) para encobrir coisa diferente, dissimulada (como uma compra e venda). Na fértil imaginação de alguns autores a simulação absoluta já foi chamada de simulação nua, corpo sem alma, ilusão externa, fantasma, negócio vazio e véu enganador; a simulação relativa, por sua vez, não raramente costuma ser referida como simulação vestida, máscara, roupagem, invólucro e túnica. E o intuito enganatório das partes, o acordo simulatório, costuma ser descrito como malícia, artimanha, artifício, astúcia, manha, dentre outros signos10. O Código Civil de 1916 disciplinava a simulação como causa de anulabilidade do negócio jurídico (art. 147, II). A simulação inocente, ou seja, aquela praticada sem o objetivo de prejudicar terceiros ou disposição legal, não era considerada defeituosa (cf. art. 103), razão provável da prevalência, até então, da teoria voluntarista. Com o Código Civil de 2002, a simulação foi inserida no capítulo “Da Invalidade do Negócio Jurídico”, passando a ser causa de nulidade do negócio, nos termos do caput do artigo 167: “Artigo 167 É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. Ricardo Mariz de Oliveira, em texto publicado sobre a simulação no Código Tributário Nacional e na prática11, embora admita que a visão objetivista ou causalista de simulação passou a ganhar dimensão mais visível, buscou conciliar as correntes voluntarista e objetivista. Enquanto a teoria voluntarista enxerga a simulação pela desconformidade entre a vontade interna e o ato ostensivo, a teoria causalista a vê pela confrontação entre o ato externo e a respectiva causa, exatamente porque elas o utilizam tão somente para esconder outra realidade. Seriam diferentes enfoques compatíveis. 10 Exemplos extraídos da obra de Alberto Xavier. Tipicidade da tributação, simulação e norma antielisiva. São Paulo: Dialética. 2002. P. 55. 11 Revista de Direito Atual, v. 27. São Paulo: Dialética. P. 565. Fl. 2183DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 1201001.811 S1C2T1 Fl. 17 31 Já Tércio Sampaio Ferraz Jr12 se manifestou como simpatizante da teoria causalista. Vejase: [...] a estrutura da mentira tem, no CC/2002 uma configuração diferente. [...] O novo Código altera o enquadramento da simulação. Não se trata, necessariamente, de um defeito (da vontade, maliciosa ou inocente), mas da presença de um requisito de validade aparentemente consistente com as regras de validade, mas, na verdade, inconsistente. [...] Como, então, as partes muitas vezes simulam (o negócio, portanto, é nulo), mas um fato (econômico), de algum modo acontece, o novo Código Civil (art. 167, par. 2º) ressalva os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. Por exemplo, o Fisco. [...] Na comprovação da simulação, não caberia ao Fisco examinar a “real” intenção, mas visar ao uso inconsistente do meio (negócio típico) para atingir os resultados típicos, e, assim, mediante esses resultados, alcançar outros fins. [...] é indispensável examinar a ocorrência de “ações simuladoras”, isto é, ações que apenas simulam uma determinada consequência de fato. Ou seja, que as partes, ao eleger um negócio jurídico típico frustram suas consequências e, com isso, mostram que verdadeiramente não queriam o negócio que escolheram, mas outro. Com isso, o negócio jurídico e a sua execução econômica se mostram apartados. Finalmente, ainda convém informar que já existem manifestações que pretendem dar autonomia (tipicidade) ao negócio simulado. É o caso da obra de Luiz Carlos de Andrade Júnior, autor este que, após criticar a idéia tradicional de que a simulação consiste em um defeito no negócio jurídico, busca demonstrar, no negócio simulado, uma manifestação de autonomia privada típica pela qual as partes conjugam esforços para, através do engano, perseguirem um determinado resultado, e que é nula porque a lei assim estipula. Ao definir o conceito de simulação, leciona que “simulação é um programa de autonomia privada pelo qual as partes articulam ações e omissões com o objetivo de criar a ilusão negocial, assim entendido o erro coletivo, objetivamente aferível, relativo à interpretação e/ou à qualificação do negócio jurídico” 13. Delineadas as principais correntes doutrinárias acerca da matéria, passase a verificar as hipóteses de simulação positivadas no artigo 167, § 1º, do Código Civil: §1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; 12 Simulação e negócio jurídico indireto no direito tributário à Luz do novo código civil. Revista Fórum de Direito Tributário, v. 48. Belo Horizonte: Fórum, P. 10. 13 A simulação no Direito Civil. São Paulo: Malheiros. 2016. P. 19. Fl. 2184DF CARF MF 32 II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados.” O primeiro inciso, quando se refere aos negócios jurídicos que aparentam conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se transmitem, compreende a simulação subjetiva,. Tratase de hipótese de simulação relativa, afinal haverá dois negócios: o negócio simulado, nulo, e o dissimulado, pelo qual realmente se transmitem os direitos. Nesses casos de interposição de pessoas, cumpre observar que considerase simulada apenas a interposição fictícia, que é diferente da interposição real. Na interposição fictícia, o sujeito não quer aparecer no negócio, razão pela qual interpõe uma pessoa que concorda em substituílo para satisfazer a aparência. Não raramente a ação do interposto fictício limitase a “emprestar” seu nome nos documentos formais da operação negocial, sendo comumente chamado de testa de ferro, laranja, prestanome, dentre outros rótulos. O segundo inciso – simulação objetiva versa sobre declarações falsas (ou, com maior precisão semântica, declarações mentirosas). Nesta hipótese se enquadrariam mais facilmente os casos de simulação em face da divergência entre vontade e declaração, caso adotada a teoria voluntarista; os casos de negócio com vício de causa, para a teoria objetivista da simulação; e os casos de prática de negócio simulado enquanto contrato típico. A última hipótese (inciso III) – simulação de data – ocorre diante da presença de uma data não verdadeira. O negócio, assim, é simulado porque o aspecto temporal (isto é, o momento no qual foi de fato realizado) é aparente, ou melhor, simulado para o passado (antedatado) ou para o futuro (pós datado). Feitas essas considerações, e diante das teorias mais relevantes sobre a matéria, forçoso concluir que, em se tratando de reorganizações societárias ou qualquer outro negócio celebrado no âmbito do Direito Privado, haverá simulação apenas se (i) existir divergência entre a vontade e a declaração ou entre declarações; (ii) as consequências jurídicas verificadas na prática (causa concreta) não se prestarem ao seu tipo ou fins jurídicos (causa abstrata) ou (iii) quando as partes se valerem de um negócio simulado típico para criarem uma ilusão negocial aos olhos de quem vê. Uma vez afastada a simulação (ou existência de fraude) o que se faz mediante comprovação da validade jurídica do negócio e sua efetiva ocorrência no mundo dos fatos , incabível a tentativa de requalificação ou desconsideração dos atos ou negócios praticados pelos contribuintes. Voltando ao caso concreto, a fiscalização concluiu que, para usufruírem do aproveitamento fiscal do ágio pago pelo Bradesco na compra da rede de cartões da Amex, as partes se valeram da Esmeralda Holding Ltda, uma "empresa veículo sem substância", que foi considerada simulada por falta de propósito negocial. Também o Acórdão proferido no processo administrativo originário se manifestou nessa mesma linha. Vejase: No caso concreto, a fiscalização indicou a Esmeralda Holding Ltda como empresaveículo, constituída em 18/03/2005 com Fl. 2185DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 1201001.811 S1C2T1 Fl. 18 33 capital social de R$ 1.000,00 e objeto social “administração, locação, compra e venda de bens próprios e participação em outras sociedades como cotista ou acionista”, permanecendo inativa até o evento de incorporação, sem registro de receita bruta e despesas administrativas na DIPJ e de empregados e ativo imobilizado, afirmações da autoridade fiscal não contestada pela contribuinte. As únicas operações realizadas durante a existência da Esmeralda foram a sua aquisição pelo Bradesco, o aumento de capital e a incorporação pela Tempo (autuada), todas, podese afirmar, a um só momento e voltadas para criar as condições para transferência e dedução do ágio da base de cálculo tributável. Examinandose o contexto de fato, bem se vê que nada mudou na distribuição de atividades do Grupo Bradesco antes e depois da incorporação da Esmeralda pela contribuinte autuada. A Esmeralda serviu tãosomente de “canal de passagem do ágio” na sucessão de eventos societários ocorridos, como bem dito pela autoridade fiscal, tratandose de clássico caso de empresa veículo. Constatase, portanto, que o alegado “planejamento estratégico” foi montado apenas à economia tributária. Notase que, no leading case, prevaleceu o entendimento, por maioria de votos, de que a simulação se deu pela ausência de propósito negocial da Esmeralda Holding Ltda., afinal aquela empresa veículo foi utilizada exclusivamente para gerar economia tributária. Ora, tratase a Esmeralda, na verdade, de holding, que como tal, tem por objeto social a participação em outras empresas, em conformidade com o comando previsto no art. 2º, § 3º, da Lei nº 6.404/76 a seguir transcrito: Art. 2º Pode ser objeto da companhia qualquer empresa de fim lucrativo, não contrário à lei, à ordem pública e aos bons costumes. [...] § 3º A companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades; ainda que não prevista no estatuto, a participação é facultada como meio de realizar o objeto social, ou para beneficiarse de incentivos fiscais. A duração de uma sociedade varia conforme o interesse das partes. Segundo o parágrafo único do artigo 981 do Código Civil, que trata da Sociedade de Propósito Específico – SPE, a atividade pode restringirse à realização de um ou mais negócios determinados. Fl. 2186DF CARF MF 34 É perfeitamente normal, ou melhor, válido sob o prisma jurídico a existência de sociedades efêmeras e outras de longa duração, o que vai depender dos fins sociais e econômicos estabelecidos pelos sócios. A curta duração da empresa não constitui, por si só, nada. Nesse contexto, entendo que a Esmeralda Holding foi constituída em conformidade com os preceitos em questão. Não há, ao contrário do que quer fazer crer a autoridade autuante, ilusão negocial sobre a existência e finalidade desta holding. E qual foi a sua finalidade? Ora, foi a de participar da aquisição da atividade de cartões de crédito do Grupo Amex no Brasil pelo Grupo Bradesco, permitindo a alocação do investimento em uma única "ponta", bem como a individualização da nova operação em uma única empresa do grupo, mas sem perder de vista o aproveitamento fiscal do ágio. O Banco Bradesco, investidor, ao invés de promover uma incorporação direta, optou por se valer de uma holding específica para este fim, pois não era do seu interesse incorporar as atividades inerentes ao novo negócio (administração de cartões de crédito da bandeira Amex) às operações já existentes. O ágio gerado na operação de aquisição de cartões de crédito precisou, então, ser transferido para uma empresa “não contaminada”, “pura”, ou seja, uma holding constituída justamente para esta finalidade. Ressaltese, por oportuno, que a Esmeralda Holding foi constituída em março/2005 e, findas as tratativas e concluída a operação de aquisição (junho/2006), as partes alocaram o ágio e implementaram uma incorporação reversa, concretizando a referida pretensão inicial. Não custa lembrar que a incorporação reversa foi positivada por meio do artigo 8º, da Lei nº 9.532/97, dispositivo legal este que, conforme visto, permite expressamente a aplicação da dedução fiscal do ágio mesmo quando a empresa incorporada for aquela que detinha a participação societária. Nesse estado de coisas, não vejo nenhuma divergência ou contradição entre a vontade das partes e os negócios por ela firmados. Não há declaração enganosa. Não há negócio vazio de conteúdo. Não há negócio aparente ou dissimulado. Pelo contrário, aquilo que foi declarado pelas partes foi de fato realizado. Não há, portanto, simulação sob o enfoque subjetivista. Também não houve incompatibilidade entre os instrumentos jurídicos utilizados e seus respectivos tipos. A Esmeralda Holding cumpriu sua finalidade jurídica de participar em outras sociedades, ainda que exclusivamente em relação à uma única aquisição societária. O tipo holding permite tal empreitada, afinal participar de companhias é a sua causa abstrata. Logo em seguida, a Esmeralda Holding celebrou contrato por meio da qual é incorporada às avessas pela Recorrente (causa concreta do negócio). Esta “passagem”, por mais preconceito que possa se ter, está em total pertinência com o tipo deste evento societário e com o mencionado artigo 8º, da Lei 9.532/97. Não restam dúvida, contudo, de que a reorganização societária utilizada não só serviu à sua causa, como também denota a materialização de um direito conferido pelo Legislador, razão pela qual também não restou caracterizada a simulação sob o viés objetivista. Fl. 2187DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 1201001.811 S1C2T1 Fl. 19 35 A meu ver, a economia tributária gerada em face da criação e posterior incorporação da Esmeralda Holding foi uma conseqüência econômica dos negócios jurídicos legítimos praticados pela parte. Olhando as operações tanto de forma isolada (as fotos) quanto como um todo (o filme), não há nenhum negócio simulado. Estamos, pois, diante de um exemplo clássico de elisão fiscal, isto é, um planejamento tributário lícito. II.IV. Precedentes jurisprudenciais Ressaltese, ainda, que a jurisprudência desta E. 2ª Câmara vem afastando autuações fundadas na glosa de amortização de ágios dessa natureza. Transcrevo abaixo ementas de alguns julgados recentes sobre o tema: DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Se o ágio na aquisição do investimento efetivamente ocorreu, não sendo fruto de operações entre empresas do mesmo grupo econômico (ágio interno), incabível a glosa da despesa com sua amortização fundada no emprego da assim chamada "empresa veículo". (Acórdão nº 1201001.242. Sessão de 15 de dezembro de 2015). AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. USO DE EMPRESA VEÍCULO. APROVEITAMENTO POR OUTRA EMPRESA DO GRUPO. PROPÓSITO NEGOCIAL. POSSIBILIDADE. Em regra, é legítima a dedutibilidade de despesas decorrentes de amortização de ágio efetivamente pago, devidamente fundamentado em rentabilidade futura, e decorrente de transação entre partes independentes. Caso exista um propósito negocial válido e se demonstre ser possível a dedução do ágio por incorporação direta, não há óbices para que o grupo econômico transfira o ágio efetivamente pago para outra de suas empresas, aproveitandose do benefício fiscal em outra parte da estrutura societária, mesmo se para isso se utilizar de empresa veículo. (Acórdão nº 1201001.364. Sessão de 01 de março de 2016). ÁGIO FUNDAMENTADO EM EXPECTATIVA DE RESULTADOS FUTUROS. DEDUTIBILIDADE DA AMORTIZAÇÃO. A legislação que permite a dedução da amortização do ágio em determinadas circunstâncias e desde que preenchidos determinados requisitos é norma indutora de comportamento do contribuinte. Não havendo ocorrência de fraude ou simulação e tendo sido verdadeiras e legitimas as operações perpetradas, inclusive, com a ocorrência do efetivo pagamento do preço, a dedução do ágio é possível, ainda que o benefício fiscal seja o principal ou mesmo o único elemento motivador. Uma vez demonstrado o devido propósito negocial e substância econômica na realização de reorganizações societárias, a dedução da amortização do ágio tornase ainda mais justificada. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. A utilização da chamada "empresa veículo" não guarda qualquer ilegalidade ou abuso em si, sendo necessária a identificação de Fl. 2188DF CARF MF 36 outros elementos como a fraude ou simulação para que a glosa da dedução do ágio se justifique. Na hipótese em que presentes para o contribuinte, outras opções de movimentação societária que resultariam no mesmo efeito tributário que é a dedução do ágio, a eventual utilização de empresa veículo configura simples decisão de negócios que não prejudica o benefício fiscal. LAUDO DE AVALIAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Indevida a glosa do aproveitamento do ágio sob fundamento de intempestividade do laudo de avaliação vez que sequer existia previsão legal acerca da obrigatoriedade do laudo à época dos fatos. (Acórdão nº 1201001.438. Sessão de 07 de junho de 2016). ÁGIO FUNDAMENTADO EM EXPECTATIVA DE RESULTADOS FUTUROS. DEDUTIBILIDADE DA AMORTIZAÇÃO. A legislação que permite a dedução da amortização do ágio em determinadas circunstâncias e desde que preenchidos determinados requisitos é norma indutora de comportamento do contribuinte. Uma vez norteado o permissivo legal para a amortização do ágio contido no art. 7° da Lei 9532/97 e, de fato concretizada a confusão patrimonial que reúne as despesas de amortização fiscal do ágio e os lucros que motivaram o pagamento do ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura, possibilitando o emparelhamento de receitas e despesas, tornase legal a amortização do ágio. PROPÓSITO NEGOCIAL. VALIDADE DA OPERAÇÃO. Não havendo ocorrência de fraude ou simulação e tendo sido verdadeiras e legitimas as operações perpetradas, inclusive, com a ocorrência do efetivo pagamento do preço, a dedução do ágio é possível, ainda que o benefício fiscal seja o principal ou mesmo o único elemento motivador. Uma vez demonstrado o devido propósito negocial e substância econômica na realização de reorganizações societárias, a dedução da amortização do ágio tornase ainda mais justificada. ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃO REVERSA. VALIDADE. O uso de empresa veículo e de incorporação reversa, por si só, não invalidam as operações societárias que transferiram o ágio da investidora original para a empresa investida, estando diretamente vinculadas ideologicamente a um propósito negocial. [...] VALIDADE DO LAUDO DE AVALIAÇÃO. DESNECESSIDADE DE CONCRETIZAÇÃO DOS RESULTADOS ESPERADOS. FLUXO DE CAIXA DESCONTADO. Sob o respaldo do Princípio da Legalidade, constatase que não há nenhuma necessidade de comprovação específica, através de laudo de avaliação, da rentabilidade futura que fundamente o ágio. A metodologia do fluxo de caixa descontado, desde que aplicada corretamente, utilizando premissas compatíveis com os negócios da empresa adquirida, deve ser considerada apropriada para se avaliar a expectativa de rentabilidade futura. Quanto a não concretização da expectativa projetada por ocasião do pagamento do ágio, ressaltese a total desnecessidade da efetiva produção dos resultados esperados, dos lucros de fato. O fundamento econômico positivado na lei tributária é a expectativa de rentabilidade futura e não sua efetiva verificação. (Acórdão nº 1201001.534. Sessão de 05 de outubro de 2016). Fl. 2189DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 1201001.811 S1C2T1 Fl. 20 37 ÁGIO FUNDAMENTADO EM EXPECTATIVA DE RESULTADOS FUTUROS. DEDUTIBILIDADE DA AMORTIZAÇÃO. A legislação que permite a dedução da amortização do ágio em determinadas circunstâncias e desde que preenchidos determinados requisitos é norma indutora de comportamento do contribuinte. Uma vez norteado o permissivo legal para a amortização do ágio contido no art. 7° da Lei 9532/97 ou art. 386 do RIR/99 e, de fato concretizada a confusão patrimonial que reúne as despesas de amortização fiscal do ágio e os lucros que motivaram o pagamento do ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura, possibilitando o emparelhamento de receitas e despesas, tornase legal a amortização do ágio. Não havendo ocorrência de fraude ou simulação e tendo sido verdadeiras e legitimas as operações perpetradas, inclusive, com a ocorrência do efetivo pagamento do preço, a dedução do ágio é possível, ainda que o benefício fiscal seja o principal ou mesmo o único elemento motivador. Uma vez demonstrado o devido propósito negocial e substância econômica na realização de reorganizações societárias, a dedução da amortização do ágio tornase ainda mais justificada. ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃO REVERSA. VALIDADE. O uso de empresa veículo e de incorporação reversa, por si só, não invalida as operações societárias que transferiram o ágio da investidora original para a empresa investida, estando diretamente vinculadas ideologicamente a um propósito negocial. Verificadas as condições legais, especialmente a confusão patrimonial entre investidora e investida, deve ser admitida a amortização fiscal do ágio. (Acórdão nº 1201001.554. Sessão de 14 de fevereiro de 2017). INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INOCORRÊNCIA DE SIMULAÇÃO, ABUSO DE DIREITO OU ABUSO DE FORMA. No contexto do programa de privatização, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mediante a utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. (Acórdão nº 1201 001.559. Sessão de 15/02/2017). Diante do exposto, e em face desses precedentes jurisprudenciais, entendo legítima a exclusão fiscal da parcela do ágio, razão pela qual afasto a sua glosa. III) Compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL em excesso Fl. 2190DF CARF MF 38 As compensações decorreram justamente das "infrações" relativas à amortização do ágio, excluídas neste voto. Por questões lógicas, então, as exigências decorrentes deste item, enquanto meros reflexos da referida glosa, devem ser exoneradas. IV) Multa Isolada Caso sejam apuradas estimativas a pagar após a exclusão dos valores ora cancelados, necessário enfrentar a procedência ou não da cobrança de multa isolada eventualmente exigida em relação à infração que foi paga no Refis pela contribuinte (diferença de alíquota (9% para 15%) financeiras). Pois bem. A discussão sobre a legitimidade ou não da cobrança cumulativa de multa isolada e multa de ofício não é recente, mas é tema que ainda demanda atenção. Com a aprovação da Súmula CARF nº 105, restou sedimentado que: “a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.” Na prática, a Súmula aplicase indubitavelmente para os fatos compreendidos até 31/12/2006. Dizemos indubitavelmente porque há corrente doutrinária e jurisprudencial que sustenta que, após a nova redação dada pela Lei nº 11.488/2007 ao art. 44 da Lei nº 9.430/96 (que passou a produzir efeitos a partir de 2007), não haveria mais espaço para interpretação diversa daquela que afirma a possibilidade da exigência de multa isolada, mesmo nos casos em que houver sido imposta a multa de ofício pela falta de pagamento anual do IRPJ e da CSLL. Vejamos, então, o que dispõe o art. 44 da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007: Artigo 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo Fl. 2191DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 1201001.811 S1C2T1 Fl. 21 39 negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Notase que a multa do inciso I é aplicável nos casos de totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Já a multa prevista no inciso II, porém, é passível de exigência sobre o valor do pagamento mensal de estimativa que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física e ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Adotando uma interpretação sistemática, me parece que o mais razoável é não admitir a cumulação das multas, devendo a infração prevista no inciso II ser absorvida quando o caso concreto também se enquadrar na hipótese de multa mais onerosa (inciso I). Com efeito, aplicar a multa de ofício de 75% sobre o valor apurado de IRPJ, juntamente com o principal, e, ao mesmo tempo, pretender exigir a multa de 50% sobre o IRPJ não antecipado no mesmo período de apuração, representa uma violação à razoabilidade e proporcionalidade. Vale dizer, a cobrança de multa de ofício de 75% sobre o tributo não pago supre a exigência da multa isolada de 50% sobre eventual estimativa (antecipação do tributo devido) não recolhida. Admitir o contrário permite que duas penalidades incidam sobre uma mesma base de cálculo (bis in idem), o que é vedado no sistema jurídico. Ao analisar essa matéria, destacase a seguinte passagem do voto condutor proferido pelo Sr. Ministro Humberto Martins, da 2ª Turma do STJ (Resp 1.496.354PR. Dje 24/03/2015): “Sistematicamente, notase que a multa do inciso II do referido artigo somente poderá ser aplicada quando não possível a multa do inciso I. Destacase que o inadimplemento das antecipações mensais do imposto de renda não implicam, por si só, a ilação de que haverá tributo devido. Os recolhimentos mensais , ainda que configurem obrigações a pagar, não representam, no sentido técnico, o tributo em si. Este apenas será apurado ao final do ano calendário, quando ocorrer o fato gerador. As hipóteses do inciso II, “a” e “b”, em regra, não trazem novas hipóteses de cabimento de multa. A melhor exegese revela que não são multas distintas, mas apenas formas distintas de aplicação da multa do art. 44, em consequência de, nos casos ali descritos, não haver nada a ser cobrado a título de obrigação tributária principal. Fl. 2192DF CARF MF 40 As chamadas “multas isoladas”, portanto, apenas servem aos casos em que não possam ser exigidas juntamente com o tributo devido (inciso I), na medida em que são elas apenas formas de exigência das multas descritas no caput. Esse entendimento é corolário da lógica do sistema normativo tributário que pretende prevenir e sancionar o descumprimento de obrigações tributárias. De fato, a infração que se pretende repreender com a exigência isolada da multa (ausência de recolhimento mensal do IRPJ e CSLL por estimativa) é completamente abrangida por eventual infração que acarrete, ao final do ano calendário, o recolhimento a menor dos tributos, e que dê azo, assim, à cobrança da multa de forma conjunta.” Em decisão mais recente, a C. 2ª Turma do STJ ratificou seu posicionamento, conforme atesta a ementa do seguinte julgado: “TRIBUTÁRIO. [...]. CUMULAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO E ISOLADA. IMPOSSIBILIDADE. [...] 2. Nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos casos de declaração inexata, seria cabível a multa de ofício ou no percentual de 75% (inciso I), ou aumentada de metade (parágrafo 2º), não se cogitando da sua cumulação.” (Resp 1.567.289RS. Dje 27/05/2016). Sobre o tema, precisas as colocações do Conselheiro Marcos Takata em voto proferido no Acórdão nº 1103001097 (DOU 28/11/2014): “É de cartesiana nitidez, para mim, que a aplicação da multa de ofício de 75% sobre o valor não pago do IRPJ e da CSL efetivamente devidos, cobráveis juntamente com esses, exclui a aplicação da multa de ofício de 50% (multa isolada) sobre o valor não pago do IRPJ e da CSL mensal por estimativa, do mesmo anocalendário. Isso, seja por interpretação lógica dos preceitos citados (aliás, para além disso, podese dizer que é corolário lógico), seja por interpretação finalística do aet. 44, I e II, da Lei n167 9.430/96. Apenando o continente, desnecessário e incabível apenar o conteúdo. Se já se penaliza o todo, não há sentido em se penalizar também a parte do todo. Noutros termos, é a aplicação do princípio da consunção em matéria penal. Como penalizar pelo todo e ao mesmo tempo pela parte do todo? Isso seria uma contradição de termos lógicos e axiológicos – e mesmo finalísticos (teleológicos).” (fls. 1.369). Adotando essa linha de raciocínio, afasto a aplicação da multa isolada. Fl. 2193DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 1201001.811 S1C2T1 Fl. 22 41 VII) Conclusão Por todo o exposto, conheço do RECURSO VOLUNTÁRIO para DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 2194DF CARF MF 42 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Redator designado. Peço vênia para discordar do nobre relator com relação aos termos do seu voto, no que tange às multas isoladas decorrentes da infração relativa à CSLL instituições financeiras. No caso de insuficiência de pagamento mensal do tributo por estimativa, do anocalendário 2007 em diante é aplicável o disposto no artigo 44, inciso I, alínea "b" da Lei nº 9.430/96 (redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Grifo acrescido). Conforme se vê da legislação acima transcrita, caso não efetuado o pagamento do tributo devido mensalmente por estimativa, cabe a imputação de multa isolada, sobre a totalidade (caso em que não se pagou nenhum valor a título de estimativa mensal) ou a diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do respectivo anocalendário. A legislação dispõe que é cabível a aplicação da referida multa, ainda que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL ao final do período de apuração. E a nova redação dada ao dispositivo legal, aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir de 22 de janeiro de 2007, afastou qualquer dúvida sobre a possibilidade de aplicação concomitante das multas de ofício e das multas isoladas por insuficiência de estimativa mensal. As hipóteses de incidência que ensejam a imposição das penalidades da multa de ofício e da multa isolada em razão da falta de pagamento da estimativa são distintas, cada qual tratada em inciso próprio no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. Observase que os incisos I e II do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, tratam de suportes fáticos distintos e autônomos, com diferenças claras na temporalidade da apuração que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A Fl. 2195DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 1201001.811 S1C2T1 Fl. 23 43 multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoase ao final do anocalendário. Por sua vez, a multa isolada é apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou, ainda, mediante receita bruta acumulada mensalmente. Ou seja, são materialidades independentes, não havendo que se falar em concomitância. Assim, voto no sentido de manter a multa isolada de CSLL, caso sejam apurados valores de estimativas a pagar dessa contribuição após a exclusão dos valores cancelados, relativamente à infração que foi paga no Refis pela contribuinte (diferença de alíquota, 9% para 15% financeiras). (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 2196DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.900807/2009-81
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2005
DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO.
Só se pode cogitar de declaração de nulidade de despacho decisório quando for, esse despacho, proferido por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2005
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS.
O valor recolhido a título de estimativas de IRPJ ou CSLL integra o saldo negativo do período de apuração e, como tal, é passível de restituição e compensação com outros tributos.
Numero da decisão: 1803-000.852
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para que o direito creditório pleiteado seja apreciado como saldo negativo, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o
Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, relator, que dava provimento parcial para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a
compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e
disponibilidade do crédito pretendido em compensação.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Só se pode cogitar de declaração de nulidade de despacho decisório quando for, esse despacho, proferido por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS. O valor recolhido a título de estimativas de IRPJ ou CSLL integra o saldo negativo do período de apuração e, como tal, é passível de restituição e compensação com outros tributos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/04/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES, 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13502.900807/200981 Acórdão n.º 180300.852 S1TE03 Fl. 92 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que o direito creditório pleiteado seja apreciado como saldo negativo, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, relator, que dava provimento parcial para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/04/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES, 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13502.900807/200981 Acórdão n.º 180300.852 S1TE03 Fl. 93 3 Relatório Adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 59verso e 60): Trata o presente de Manifestação de Inconformidade apresentada contra decisão proferida pela DRF de Camaçari, que através de Despacho Decisório Eletrônico nº 8249588779 emitido pelo seu titular, indeferiu o pedido de compensação declarado através do PER/DCOMP nº 11198.07601.121206.1.3.04 0472, transmitido em 12/12/2006. O citado pedido de compensação objetivava quitar os débitos relacionados nas fls. 33 do PAF, com o saldo da restituição decorrente do pagamento a maior da estimativa mensal do IRPJ, do período de apuração 12/2004, código 2362, recolhida em 31/01/2005. A impugnante teria recolhido indevidamente o valor de R$ 435.024,84, quando teria apurado saldo negativo de R$ 132.332,12 referente à estimativa do IRPJ, período de apuração 12/2004. Na PER/DCOMP ora em análise, o contribuinte informa que, do já citado pagamento indevido, ainda dispõe, para utilização, de saldo remanescente no valor histórico de R$ 296.667,92, com o qual pretende quitar o débito do PIS/PASEP do período de apuração 11/2006, no valor histórico de R$ 46.089,88, e da COFINS do período de apuração 11/2006, no valor histórico de R$ 65.448,08. O pedido foi negado pela DRF Camaçari sob a seguinte fundamentação: Limite de crédito analisado correspondente ao valor original na data de transmissão informado no PER/DCOMP (R$ 296.687,92). Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. O Despacho Decisório indica, como enquadramento legal, os arts. 165 a 170 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 10 da Instrução Normativa nº 600, de 2005, art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Tempestivamente, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, apresentando os seguintes argumentos: 01 Nulidade do Despacho Decisório Alega a impugnante, “que o Despacho Decisório deve ser motivado de modo articulado, para que haja convencimento em relação aos motivos de fato e de direito que levaram, nesse caso, à não homologação das compensações, sob pena de se inviabilizar a ampla defesa do Contribuinte, assegurada constitucionalmente no inciso LV do artigo 5º da Constituição Federal vigente”. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/04/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES, 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13502.900807/200981 Acórdão n.º 180300.852 S1TE03 Fl. 94 4 Com base em posicionamentos doutrinários, aduz que “conforme disposto na Lei 9.784/99, art. 2º, parágrafo único VII, prevalece a exigência de indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinaram a decisão. Além disso, o art. 50, I, do mesmo diploma legal estabelece obrigatoriedade de motivação, com indicação dos fatos e fundamentos jurídicos quando neguem, limitem ou afetem interesses, isto é, em que os atos, de alguma forma, afetem interesses individuais”. “No caso em tela, a descrição dos fatos é genérica e deficiente, não havendo sequer menção ao saldo negativo ou estimativa mensal apurada pela impugnante, ou seja, não há informação básica em relação ao caso concreto. Portanto, o vício apresentado deve ensejar o reconhecimento da nulidade do despacho decisório recorrido, determinandose que a autoridade administrativa proceda a nova análise do PER/DCOMP transmitido pela Impugnante”. [...]. 2. Consta, ainda, da impugnação apresentada, o seguinte (fls. 4 e 5): Tratase de despacho decisório que não homologou as compensações vinculadas ao PER/DCOMP nº 11198.07601.121206.1.3.040472, sob o fundamento de que o crédito informado somente poderia ser utilizado para compor o saldo negativo de IRPJ. Nesse caso, a Impugnante indicou no PER/DCOMP o crédito decorrente do pagamento indevido ou maior de IRPJ (código: 2362), relativo ao período de apuração de 31/12/2004, no valor total de R$ 435.024,84 (quatrocentos e trinta e cinco mil, vinte e quatro reais e oitenta e quatro centavos), conforme DARF em anexo (Doc. 04). Entretanto, conforme se verifica da DIPJ 2005, anocalendário 2004, a estimativa não era devida no período em questão (R$ 132.332,12), caracterizando o pagamento indevido do tributo indicado no PER/DCOMP transmitido (Doc. 05). 3. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 59): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Tendo o despacho decisório preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de impugnar a matéria indeferida, descabe a alegação de nulidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. O recolhimento das estimativas não configura pagamento extintivo de crédito tributário, mas mera antecipação do tributo devido a ser apurado definitivamente ao término do período definido na legislação. Em consequência, passível de restituição e compensação é o saldo negativo de IRPJ apurado na Declaração de Ajuste Anual. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/04/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES, 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13502.900807/200981 Acórdão n.º 180300.852 S1TE03 Fl. 95 5 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. LIQUIDEZ E CERTEZA. Incabível a restituição de crédito tributário por pagamento a maior se ausentes a liquidez e a certeza do valor pleiteado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 4. Cientificada da referida decisão em 27/08/2009 (fls. 66), a tempo, em 24/09/2009, apresenta a interessada Recurso de fls. 67 a 79, instruído com os documentos de fls. 80 a 89, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/04/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES, 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13502.900807/200981 Acórdão n.º 180300.852 S1TE03 Fl. 96 6 Voto Vencido Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório Argui a Recorrente, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório por falta de motivação. Sucede que referido Despacho Decisório encontrase devidamente motivado, conforme se observa a seguir (fls. 24): Limite de crédito analisado correspondente ao valor original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 85.587,75. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Rejeito a preliminar arguida, de nulidade do Despacho Decisório por falta de motivação. Mérito 5. Conforme se observa do presente processo, para um débito de estimativa, no mês de dezembro de 2004, inexistente (DIPJ de fls. 47), recolheu a Recorrente um montante de R$ 435.024,84 (Darf de fls. 28), dos quais pretendeu compensar R$ 85.587,75 (Dcomp de fls. 29 a 33). 6. A própria decisão recorrida não se opõe a essa conclusão (fls. 61verso): Portanto, não se nega que a impugnante possa ter crédito em relação ao anocalendário de 2004, decorrente do recolhimento por estimativa em valor superior ao imposto apurado como devido ao final do exercício, [...]. 7. Entendeu, porém, aquela decisão que “o crédito passível de ser restituído é aquele apurado no ajuste anual e demonstrado na declaração de rendimentos, na qual são considerados os valores devidos por estimativa, assim como o imposto devido em relação ao ano todo” (fls. 61). Fl. 6DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/04/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES, 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13502.900807/200981 Acórdão n.º 180300.852 S1TE03 Fl. 97 7 8. Não posso menos do que discordar desse entendimento. 9. Ora, se na DIPJ são considerados os valores devidos por estimativa, este, no mês de dezembro de 2004, corresponde a R$ 0,00 (DIPJ de fls. 47), e não a R$ 435.024,84. 10. Se “tributo”, na forma do art. 3º do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), corresponde a uma “prestação pecuniária compulsória”, e mais, “instituída por lei”, tudo o que é recolhido pelo sujeito passivo e que venha a extrapolar o “devido em face da legislação tributária aplicável” (art. 165, I, do CTN), tributo não é, configurandose meramente como um pagamento indevido. 11. Igual raciocínio é válido para a sistemática de recolhimento por estimativas: estas apenas podem ser consideradas a esse título se limitadas ao legalmente previsto na norma específica (art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996). 12. Dito de outro modo: não é porque o sujeito passivo optou pela sistemática de apuração anual com antecipações mensais calculadas de forma estimada que qualquer valor que este venha a recolher passará, inexoravelmente, a ser considerado como se fora estimativa. 13. É bem de se ver que, somente as estimativas devidas na forma do art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL. 14. A esse mesmo entendimento, aliás, chegou a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), ao suprimir em boa hora do art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, restrição que existia nesse sentido, oriunda do art. 10 das Instruções Normativas SRF nºs 460, de 18 de outubro de 2004, e 600, de 28 de dezembro de 2005. 15. Sendo esse ato meramente interpretativo (interpretação das normas materiais que definem a formação e a constituição do indébito na apuração anual do IRPJ ou da CSLL), retroage ele para atingir as situações anteriores à sua edição. 16. De se recordar, por oportuno, que a própria RFB reconhece a possibilidade de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal antes da vigência da IN SRF nº 460, de 2004, conforme se verifica pela leitura de observação presente no Ajuda do programa gerador do Per/Dcomp 4.3: OBS.: Anteriormente à IN SRF nº 460/2004, não era obrigatória a utilização de pagamento indevido ou a maior de CSLL a título de estimativa mensal na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de CSLL do período. Assim, o valor pago a maior a título de estimativa de CSLL de janeiro/2004 (R$ 400,00) poderá ser objeto de Pedido de Restituição ou de Declaração de Compensação, pois não foi lançado na DIPJ. 17. Mencionase, a respeito, o seguinte precedente administrativo: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a Fl. 7DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/04/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES, 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13502.900807/200981 Acórdão n.º 180300.852 S1TE03 Fl. 98 8 maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. (Acórdão nº 110100.330, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção Sessão de 9 de julho de 2010) 18. Cumpre ressaltar, porém, que a interpretação aqui exposta tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa, não abrangendo a mera mudança de opção (com base na receita bruta e acréscimos ou em balanços ou balancetes de suspensão ou redução). 19. Claro está, também, que o sujeito passivo, quando do encerramento do ano calendário, deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. 20. Dessa forma, a homologação expressa exige que o sujeito passivo comprove, perante a autoridade administrativa que o jurisdiciona: (a) o erro cometido no cálculo ou no recolhimento da estimativa; (b) a sua adequação para a formação do indébito; e (c) a correspondente disponibilidade, mediante prova de que já não se valeu desse indébito para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual ou para formação do correspondente saldo negativo. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 8DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/04/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES, 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13502.900807/200981 Acórdão n.º 180300.852 S1TE03 Fl. 99 9 Voto Vencedor Conselheiro Walter Adolfo Maresch, Redator Designado Conselheiro Walter Adolfo Maresch, Redator Designado Não obstante o tradicional brilhantismo do ilustre conselheiro relator, seu voto não foi acompanhado pelos demais conselheiros desta Terceira Turma Especial. Com efeito, embora a matéria comporte interpretações variadas no âmbito deste colegiado julgador administrativo, resta evidente que afastadas as possíveis utilizações indevidas de valores recolhidos à título de estimativa, considerando a fungibilidade do direito de repetição de valores recolhidos indevidamente ao longo do ano calendário, é de se acolher o pedido da requerente desde que comprovado efetivo saldo negativo ao final do período de apuração do imposto ou contribuição social. Ou seja, havendo efetivo recolhimento a maior no período evidenciado por saldo negativo de IRPJ ou CSLL (já computado o suposto recolhimento a maior) deve ser reconhecido o direito creditório correspondente e homologadas as compensações realizadas. No caso em tela, tratase de estimativa de IRPJ referente ao período de apuração 12/2004 cujo recolhimento ocorreu somente em Janeiro de 2005. Neste sentido, não há dúvidas que conforme a DIPJ do Ano Calendário 2004 (fl. 48) a recorrente apurou saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 656.757,95 e que conforme a própria contribuinte reconhece, neste saldo negativo se encontra computado o valor do DARF recolhido à título de estimativa no valor de R$ 435.084,24 (fl. 28) e decorrente da estimativa apurada no mês de dezembro de 2004 (fl. 47) cujo valor devido é inferior ao efetivamente recolhido. Destarte, impende reconhecer que a recorrente efetivamente dispõe de saldo negativo de IRPJ no ano calendário 2004, em princípio bem superior aos débitos, que poderá ser utilizado para as compensações requeridas neste processo, computandose no entanto quaisquer outras compensações realizadas à este ou outro título (saldo negativo ou recolhimento indevido de IRPJ). Diante do exposto, voto para dar parcial provimento ao recurso para que o direito creditório seja analisado pela unidade de origem à título de saldo negativo de IRPJ. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Redator Designado Fl. 9DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/04/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES, 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH
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