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Numero do processo: 37166.001193/2007-18
Data da sessão: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 24/10/2006
RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA.
Os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e se destinam a esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, a fim de e subsidiarem futuras ações executórias de cobrança. Esses relatórios não são suficientes para se atribuir
responsabilidade pessoal.
AUTO-DE-INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTOS. OBRIGAÇÃO.
Constitui infração punível na forma da lei deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme disposto no art. 225, I e §9°, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99.
É obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias.
RELEVAÇÃO. REQUISITOS.
A multa somente será relevada se o infrator primário não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção da falta durante o prazo para impugnação, nos termos do artigo 291, § 1° do Regulamento da Previdência Social. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-000.163
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/10/2006 RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. Os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e se destinam a esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, a fim de e subsidiarem futuras ações executórias de cobrança. Esses relatórios não são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal. AUTO-DE-INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTOS. OBRIGAÇÃO. Constitui infração punível na forma da lei deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme disposto no art. 225, I e §9°, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. É obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias. RELEVAÇÃO. REQUISITOS. A multa somente será relevada se o infrator primário não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção da falta durante o prazo para impugnação, nos termos do artigo 291, § 1° do Regulamento da Previdência Social. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida DRP/BRASÍLIA/DF . ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/10/2006 RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. Os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e se destinam a esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, a fim de e subsidiarem futuras ações executórias de cobrança. Esses relatórios não são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal. AUTO-DE-INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTOS. OBRIGAÇÃO. Constitui infração punível na forma da lei deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme disposto no art. 225, I e §9°, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. É obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias. RELEVAÇÃO. REQUISITOS. A multa somente será relevada se o infrator primário não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção da falta durante o prazo para impugnação, nos termos do artigo 291, § 1° do Regulamento da Previdência Social. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. J1 — . Processo n°37166.001193/2007-18 S2-C3T2 •Acórdão n.° 2302-00.163 Fl. 115 ACORDAM os membros da 3 2 Câmara / 22 Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. LIÉGE ACROIX THOMASI Presidente e Relatora Participaram do julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior e Liége Lacroix Thomasi (Presidente). 2 _ Processo n°37166.001193/2007-18 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.163 Fl. 116 • Relatório Trata o presente de auto de infração lavrado pelo descumprimento de obrigação acessória, qual seja a confecção de folha de pagamento de todas as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados que prestaram serviço à empresa, nos moldes e padrões estabelecidos pela Secretaria da Receita Previdenciária, nas competências 09/2001 a 11/2005. De acordo com o relatório fiscal de fls. 16/17, a empresa deixou de incluir nas folhas de pagamento as remunerações pagas aos segurados empregados através de cartões de premiações por intermédio da empresa prestadora de serviços Incentive House. Em razão da caracterização de tais pagamentos como salário de contribuição foi lavrada a NFLD n.° DEBCAD 37.041.725-9, cujo relatório descreve de forma pormenorizada as circunstancias que ensejaram o lançamento. • Após a apresentação de defesa, Decisão-Notificação de fls. 71/78, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo onde alega em síntese: que devem ser excluídos os sócios como co-responsáveis; que apresentou todos os documentos solicitados no TIAD, mas mesmo assim o levantamento foi feito por arbitramento; que a NFLD foi fruto de um trabalho fiscal realizado apressada e superficialmente, baseado em presunções e não vingando o principal sucumbem os acessórios; que não há um documento ou lançamento contábil que autorize o auditor a concluir e afirmar que os valores constantes das notas fiscais emitidas pela Incentive House destinam-se a pessoas físicas empregadas da recorrente; que não apresentou o contrato com a empresa Incentive House porque não é documento obrigatório e pelo volume de operações e papéis a empresa só guarda os documentos obrigatórios; que contratou a Incentive House para alavancar seus negócios investindo no relacionamento com seus parceiros, fornecedores, clientes e representantes comerciais para estimular o aumento e resultado nas vendas; que é impossível apresentar relação discriminada dos valores pagos por segurado e por competência porque os beneficiários não são pessoas físicas e não se caracterizam como segurados obrigatórios da previdência social; /3 Processo n° 37166.001193/2007-18 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.163 Fl. 117 que ainda que houvesse alguma ação interna visando motivação da equipe e o aumento da prodtitividade, eventual prêmio ajustado entre a recorrente e seus empregados na o integraria a remuneração; a instituição esporádica de prêmios constitui liberalidade do empregador; que a multa deve ser relevada porque não coirzeteu nenhuma infração que justificasse a aplicação de penalidade, que agiu de boa-fé e tratou cordialmente e contribuiu com o treabctlho fiscal; que a multa deve ser aplicada em seu valor mínimo porque a Portaria não pode alterar Decreto e a Por-tarja 342, de 16/08/2006, alterou valores do caput e do inciso _II do artigo 283, nada dispondo sobre o inciso 1, devendo então prevalecer o calor da Portaria MPS 727, de 30/05/2003. Requer o provimento do recurso para reformar a. decisão recorrida e declarar a improcedência do auto de infração, com o seu arquivamento _ Alternativamente, que seja relevada a penalidade ou se mantida, que seja aplicada em sua forma mais branda.. É o relatório. 1 4 Processo n°37166.001193/2007-18 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.163 Fl. 118 Voto Conselheira LIÉGE LACROIX THOMASI, Relatora Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar Quanto à solicitada exclusão dos sócios gerentes, cabe esclarecer que a relação de co-responsáveis, anexada aos autos pela Fiscalização, não tem como escopo incluir os sócios da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com o parágrafo 3' do artigo 4' da Lei n' 6.830/80, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. A responsabilização dos sócios somente ocorrerá por ordem judicial, nas hipóteses previstas na lei e após o devido processo legal. A autuação foi efetuada somente contra a pessoa jurídica e, neste momento, os sócios não sofreram restrições em seus direitos. Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial, na hipótese dos responsáveis serem convocados, por decisão judicial, para satisfação do crédito. Ademais, os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativo-fiscais e esclarece: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativo-fiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: X - Relação de Co-Responsáveis - CORESP, que lista todas as pessoas fisicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualcação e período de atuação; XI - Relação de Vínculos - ViNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; 1 5 Processo n°37166.001193/2007-18 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.163 Fl. 119 Do Mérito À época da autuação, em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte ou o responsável (sujeito passivo) e o fisco (sujeito ativo), tem aquele duas obrigações para com este. Uma obrigação denominada principal, que é a de verter contribuições para a Seguridade Social; outra denominada acessória que tem por objeto a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O descumprimento da obrigação principal, acarreta a constituição do crédito da Seguridade Social, através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, como no presente caso. E, o descumprimento da obrigação acessória, que decorre da legislação tributária e tem por objeto prestações positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2°, do CTN), acarreta a lavratura do Auto de Infração. A obrigação se diz acessória, quando se tem por objeto o fazer ou não fazer algo no interesse da fiscalização ou da arrecadação. Portanto, o não recolhimento do tributo acarreta a aplicação dos juros legais e da multa moratória, enquanto o descumprimento de obrigação acessória, que vem definida em lei, acarreta a multa punitiva. No presente caso, a recorrente foi notificada pela falta de recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados a título de premiação de incentivo, através da NFLD n.° DEBCAD 37.041.725-9, já julgada pelo Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, que entendeu ter a verba paga natureza salarial. Transcrevo a Ementa: PREVIDENCIÁ RIO — CO-RESPONSÁVEIS - DECADÊNCIA SALÁRIO INDIRETO — PRÊMIO INCENTIVO — INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO —AFERIÇÃO INDIRETA— SELIC — MULTA —VINCULAÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE. O direito de a Seguridade Social apurar e constituir os seus créditos extingue-se em dez anos,conforme art. 45, da Lei n° 8.212/91. A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no art. 34 da Lei n° 8.212/91.A multa está regulada no artigo 35 da Lei n° 8.212/91.Esfera administrativa, atividade vinculada, impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei.Aferição indireta está respaldada no artigo 33, parágrafos 3 0 e 60 da Lei 8.212/91. Verbas pagas através de cartões de premiações "Incentive House"integram o salário de contribuição. Art.28 da Lei n.° 8.212/91.0s relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, para esclarecer a composição societária da empresa no período do débito e subsidiar futuras ações executórias de cobrança. Recurso Voluntário Negado Assim a recorrente estava obrigada a confeccionar folha de pagamento com todas as remunerações pagas aos segurados a seu serviço. A obrigação de preparar folhas para )1 6 Processo n°37166.001193/2007-18 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.163 Fl. 120 todos os pagamentos a segurados, vem expressa na legislação vigente, artigo 32, I, da Lei n. 8.212/9, e independe da obrigação principal de recolhimento das contribuições previdenciárias: Art. 32. A empresa é também obrigada I - preparar folhas-de-pagarnento das rernuneraç ões pagas ou creditadas a todos os segurados- a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão compe tente da Seguridade Social; O Decreto n.° 3.48/99, que aprovou o Regulam ento da Previdência Social traz no seu artigo 225, parágrafo 9°, os elementos que devem conter a folha de pagamento: Art.225. A empresa é também obrigada - _preparar folha de pagamento da remuneração paga. devidcz ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva _folha e recibos de pagamentos; (.) ,¢ 92 A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de constr-uça o civil e por- tomador de serviços, com a correspondente totalizaçJi o, deverá :1 - discriminar o nome dos segurados, indicando cargo. função ou serviço prestado; II-agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhadôr- avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decrete:, n"3-265, do 29/11/99) III - destacar o nome das seguradas em gozo de salário- maternidade; IV - destacar as parcelas integrantes e nao integrantes da remuneração e os descontos legais; e V -indicar o número de quotas de salário—família atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador- avulso. Pelo exposto, é obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições prewidenciárias. A recorrente, em suas razões, não refutou que não confeccionou as folhas de pagamento nos padrões estabelecidos pela Seguridade Social, limitando-se a dizer da nulidade da autuação, porque valores pagos a titulo premiação não são base de incidência contributiva previdenciária, dentre outras alegações estranhas à autuação.. A multa punitiva foi aplicada nos estritos termos da legislação em obediência ao disposto pelos artigos 283, inciso 1, e 373, ambos do Regulamento da Previdência Social, czpro-vado pelo Decreto n. 3.048/99. O artigo 283, inciso r„ especifica a multa a ser aplicada frente à conduta da autuada e o artigo 373, determina que os valores expressos en-z moeda corrente referidos 7 Processo n°37166.001193/2007-18 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.163 Fl. 121 no Regulamento serão reajustados nas mesmas épocas e nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Frente à disposição legal, a multa foi aplicada de acordo com os valores constantes da Portaria Ministerial n°. 342, de 16/08/2006, vigente à época da autuação e que reajustou o valor da multa prevista no artigo 283, do Regulamento da Previdência Social: Art. 7°A partir de 1° agosto de 2006 . (.) V - o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do Regulamento da Previdência Social - RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada (caput do art. 283), varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.156,95 (um mil cento e cinqüenta e seis reais e noventa e cinco centavos) a R$ 115.694,42 (cento e quinze mil seiscentos e noventa e quatro reais e quarenta dois centavos); É inócua a assertiva da recorrente de que a citada Portaria não reajustou o inciso I do artigo 283, eis que justamente o inciso I, contém o valor mínimo a ser aplicado para as infrações ali capituladas e foi plenamente alcançado pelo reajuste trazido pela Portaria. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 20 de agosto de 2009 4~ LIÉGE LA OI / X THOMASI - Relatora 8
score : 1.0
Numero do processo: 10183.002008/2006-67
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA.
Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR)
Numero da decisão: 2202-002.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado por Por unanimidade de votos, acolher os Embargos Declaratórios apresentados para, rerratificar o Acórdão n.º 2202-01.260, de 25/07/2011, sanando a contradição apontada, manter a decisão original
(Assinado Digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Pedro Anan Junior - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR)
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ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado por Por unanimidade de votos, acolher os Embargos Declaratórios apresentados para, rerratificar o Acórdão n.º 220201.260, de 25/07/2011, sanando a contradição apontada, manter a decisão original (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 20 08 /2 00 6- 67 Fl. 303DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/11/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 Nelson Mallmann Presidente. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/11/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10183.002008/200667 Acórdão n.º 2202002.060 S2C2T2 Fl. 257 3 Relatório Contra o contribuinte Agropecuária Santa Rosa, foi lavrado auto de infração de ITR relativo ao exercício de 2002, onde foi glosada a área de preservação permanente declarada pelo contribuinte tendo em vista a não apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA, bem como foi arbitrado o valor da terra nua, com base no valor do SIPT. Não se conformando o contribuinte ingresso com impugnação de fls. 137/141. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS concluiu, por unanimidade de votos, pela procedência do lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/CGE n° 04.11.719, de 2810312007,às fls. 135/154. Não se conformando com a decisão o contribuinte, apresento recurso voluntário, de fls. 161/169. Em 26 de março de 2009, o processo foi convertido em diligência através da Resolução, 310200.017. Tendo em vista do retorno da diligência, e da unificação do antigo Conselhos de Contribuintes no CARF onde foi transferida a competência para julgamento de causas relativas ao ITR, para a Segunda Seção, o processo foi a mim distribuído. Em sessão de julgamento ocorrida em 25 de julho de 2011, a turma de julgamento deu provimento parcial ao recurso, Acórdão nº 220201.260, consubstanciado na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/11/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) A Procuradoria da Fazenda Nacional, apresentou embargos de declaração, . A Embargante se opõe contra a contradição no voto condutor em relação ao valor do VTN a ser reestabelecido. Fui designado para analisar os embargos interpostos e verifiquei que assiste razão a Embargante, uma vez que houve contradição no voto condutor. Por força dessa omissão, o presente processo retorna para julgamento É o relatório Fl. 306DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/11/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10183.002008/200667 Acórdão n.º 2202002.060 S2C2T2 Fl. 258 5 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior, Relator Tratase de Embargo de Declaração apresentado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Cuiabá/MT, relativo ao Acórdão nº 220201.260, de 25 de julho de 2011. A Embargante se opõe contra a contradição no voto condutor em relação ao reestabelecimento do Valor da Terra Nua – VTN declarado pelo Recorrente, tendo em vista que o valor declarado na DITR pelo Recorrente foi de R$ 10.500,00 (0,54/ha) e o valor apontado pelo voto condutor foi de R$ 143,00/ha. São esses os fatos, passo a examinálos. Entendo que assiste razão à Embargante, uma vez que há contradição no valor do VTN a ser reestabelecido. Desta forma, há contradição a ser saneada uma vez que o voto condutor considerou o valor do VTN equivocado. Entendo, portanto, devam ser acolhidos os embargos interpostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Cuiabá/MT, para considerar como valor R$ 10.500,00 (0,54/ha) e não o valor apontado pelo voto condutor foi de R$ 143,00/ha. Portanto, voto no sentido de acolher os Embargos apresentados para, reratificando o Acórdão n.º 220201.260, de 25/07/2011, sanando a contradição apontada, mantendo a decisão original proferida. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Fl. 307DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/11/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000148/2008-38
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003
AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL.
Uma vez que já foram julgadas as autuações cujos objetos são as contribuições correspondentes aos fatos geradores omitidos em GFIP, a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória só subsistirá relativamente àqueles fatos geradores em que as autuações correlatas foram julgadas procedentes.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 2402-003.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a autuação por vício material.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Ana Maria Bandeira- Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já foram julgadas as autuações cujos objetos são as contribuições correspondentes aos fatos geradores omitidos em GFIP, a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória só subsistirá relativamente àqueles fatos geradores em que as autuações correlatas foram julgadas procedentes. Processo Anulado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a autuação por vício material. Júlio César Vieira Gomes Presidente Ana Maria Bandeira- Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já foram julgadas as autuações cujos objetos são as contribuições correspondentes aos fatos geradores omitidos em GFIP, a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória só subsistirá relativamente àqueles fatos geradores em que as autuações correlatas foram julgadas procedentes. Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 48 /2 00 8- 38 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a autuação por vício material. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000148/200838 Acórdão n.º 2402003.421 S2C4T2 Fl. 154 3 Relatório Tratase de infração ao disposto no art. 32, inciso I da Lei nº 8.212/1991 c/c art. 225, inciso I e § 9º do Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fl.13/14), a autuada no período em questão não elaborou folhas de pagamento para os contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. Os valores foram apurados na contabilidade na conta 4.1.1.1.002 REPASSE MÉDICO PF 2002 e 2003, os quais foram considerados fatos geradores de contribuições previdenciárias e também objeto de lançamento. A autuada teve ciência do lançamento em 20/12/2007 e apresentou defesa (fls. 38/57), onde alega que a presente autuação é vinculada à NFLD DEBCAD n°. 37.119.670 1 e que como o acessório normalmente segue a sorte do principal, este AI deverá ser, a exemplo da NFLD, considerado nulo de pleno direito. Argumenta a obrigatoriedade da observância do princípio da verdade material e que no lançamento da obrigação principal não foram obedecidas as disposições do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN. Aduz que não é empregadora e nem tomadora dos serviços dos seus associados (médicos), conforme se observa em seu estatuto social especificamente alínea “c” do art. 3º que dispõe que a AMAI poderá administrar, na qualidade de mandatária, os interesses de seus Associados no que se refere à contratação de convênio para prestação de serviços, inclusive com a cobrança, recebimento e repasse aos seus Associados dos valores recebidos. Menciona dispositivos da Instrução Normativa SRP nº 03/2005 para demonstrar que não é obrigada ao recolhimento da contribuição incidente sobre os valore repassados aos médicos, bem como ao desconto da contribuição destes conforme previsto na Lei nº 10.666/2003. Alega que a auditoria fiscal não observou pareceres da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social e que seria impossível a figuração dos diretores como co responsáveis. Considera arbitrário o valor do lançamento que se afigura como ilegal e impraticável, imprimindo caráter confiscatório. De igual forma, entende inaplicável a taxa de juros SELIC e considera necessária a realização de diligências e perícias. Pelo Acórdão nº 0326.432 (fls. 93/99) a 5ª Turma da DRJ/Brasília considerou a autuação procedente. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 109/139) repetindo as alegações de defesa e aduzindo que o julgamento de primeira instância tratou a autuada como se cooperativa fosse, atribuindolhe tratamento tributário mais severo. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. Por meio da Resolução nº 2402000.206 (fls. 153/154), o julgamento foi convertido em diligência para que fosse informado o destino da autuação cujo objeto seria a obrigação principal correlata. Em resposta, foi informado que a autuação correlata corresponderia ao processo nº 14041.000145/200802 também objeto de recurso ao CARF. É o relatório. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000148/200838 Acórdão n.º 2402003.421 S2C4T2 Fl. 155 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. O presente processo tem origem em autuação pelo descumprimento da obrigação acessória que consiste em deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. Os créditos correspondentes aos fatos geradores não incluídos em folha de pagamento foram constituídos em autuação à parte, processo nº 14041.000145/200802, o qual já foi julgado por este colegiado que anulou o lançamento por vício material pelo Acórdão nº 2402003.420, do qual transcrevo trecho: Ainda em sede de preliminar, a recorrente argumenta a nulidade do lançamento em razão de não observância dos artigos 142 do CTN e 37 da Lei nº 8.212/1991, especificamente no que se refere à discriminação clara e precisa da ocorrência do fato gerador. O lançamento em questão foi efetuado após análise das informações dos segurados e suas remunerações constantes dos bancos de dados do CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais, informadas pelo contribuinte por meio de GFIP Guias do FGTS e Informações à Previdência Social em confronto com os pagamentos a pessoas sem vinculo empregatício declaradas por meio da DIRF Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte. Na existência de divergências resultante do confronto acima, a auditoria fiscal concluiu que foram sonegados pagamentos. Assim, com base na conta do livro razão denominada REPASSES MÉDICOS PESSOA FÍSICA, a auditoria fiscal considerou tais valores como sendo remuneração paga a contribuintes individuais, efetuando o lançamento da contribuição patronal de 20% e a contribuição do segurado contribuinte individual no valor de 11% que a empresa passou a ser responsável pela arrecadação e recolhimento após a Lei nº 10.666/2003. Os fatos mencionados compreendem toda a motivação do lançamento por parte da auditoria. A contribuição da empresa incidente sobre as remunerações pagas a contribuintes individuais está prevista no art. 22, inciso III, da Lei nº 8.212/1991, cujas disposições transcrevese: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) Fl. 177DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços Já a contribuição dos segurados encontra fundamento no art. 4º da Lei nº 10.666/2008, que assim dispõe: "Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 10 (dez) do mês seguinte ao da competência. Percebese da leitura dos dispositivos que as contribuições em questão tem como pressuposto para sua existência a efetiva prestação dos serviços à empresa pelos contribuintes individuais. Havendo a prestação dos serviços pelos contribuintes individuais, ocorre o fato gerador e surge para a empresa contratante a obrigação de declarálo em GFIP. Ao confrontar os valores pagos a contribuintes individuais declarados em GFIP com aqueles declarados na DIRF, a auditoria fiscal verificou divergências que levaram a inferir a existência de sonegação. Estas diferenças podem ser um indício de sonegação, mas a sua existência, sem uma maior investigação das razões de sua origem, por si só, não são capazes de levar à conclusão de que haveria fatos geradores não declarados em GFIP, ou seja, sonegação fiscal. Tal conclusão se deve ao fato de que enquanto a GFIP traz os fatos geradores de contribuições previdenciárias, que no presente caso, seria a prestação de serviços por parte de contribuintes individuais, os valores apurados em DIRF não representam necessariamente que houve a prestação dos serviços por parte destes contribuintes à empresa declarante. Cumpre lembrar que a obrigação de reter e recolher o imposto de renda de pessoas físicas abrange outras situações, além da efetiva prestação de serviços. Vale citar o artigo 29 da vigente Instrução Normativa RFB nº 1.234, de 11 de janeiro de 2012, que dispõe sobre a retenção de tributos: Art. 29. No caso de pagamentos a associações de médicos, de veterinários ou de odontólogos que atuem na intermediação da prestação de serviços médicos, veterinários ou de odontologia, prestados por pessoas físicas ou por pessoas jurídicas, os quais realizam os procedimentos médicos, veterinários ou odontológicos, em nome próprio, em suas respectivas instalações, deverá ser observado o seguinte: I se o associado for pessoa jurídica, a retenção será efetuada sobre o total pago a cada pessoa jurídica prestadora dos serviços, observado os seguintes percentuais: (...) Fl. 178DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000148/200838 Acórdão n.º 2402003.421 S2C4T2 Fl. 156 7 II se o associado for pessoa física, caberá a retenção do imposto sobre a renda na fonte calculado com base na tabela progressiva mensal, sobre o total pago a cada pessoa física; De acordo com o dispositivo encimado, verificase que a obrigação de reter o imposto de renda existe ainda que os serviços não tenham sido prestados à associação, ou seja, quando esta atua como mera intermediária. No entanto, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária demanda a prestação dos serviços e, a meu ver, este quesito não restou plenamente demonstrado no Relatório Fiscal. Asseverese é perfeitamente possível que a recorrente, como uma associação, atuasse como mera repassadora dos valores aos seus associados, como é possível inferir pela própria conta utilizada pela auditoria fiscal, qual seja, REPASSES MÉDICOS PESSOA FÍSICA. É certo que a situação fática poderia ser diversa da apresentada, no entanto, o Relatório Fiscal não traz qualquer elemento nesse sentido, sequer informando a que grupo de contas pertencia a conta citada. A decisão recorrida, por sua vez, apresenta a tese de que a recorrente, embora constituída como associação, atuaria como verdadeira cooperativa, situação que ensejaria a manutenção do lançamento, com amparo no art. 118 do CTN. Entendo que a decisão recorrida levanta questões que não foram, nem de longe, suscitadas pela auditoria fiscal, para fundamentar o lançamento. Tanto a associação como a cooperativa são formas de associação previstas em lei, cada uma com suas características próprias. Caso a auditoria fiscal tivesse observado a existência de uma simulação de tal sorte que a recorrente, embora apresentasse todas as características de cooperativa, tivesse se constituído sob a forma de associação com a finalidade de absterse do recolhimento de tributos, poderia ter demonstrado o fato e efetuado o lançamento, como se cooperativa fosse, com respaldo no art. 118 do CTN, mencionado na decisão recorrida. No entanto, nada disso foi feito, ou seja, a auditoria fiscal não utilizou uma suposta simulação como razão para motivar o lançamento. Portanto, não resta claro nos autos se os valores lançados na conta REPASSES MÉDICOS PESSOAS FÍSICAS seriam ou não fatos geradores de contribuições previdenciárias em desfavor da recorrente. Dessa forma, o lançamento não pode prevalecer por estar viciado em sua própria constituição. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Quanto à natureza do vício existente no lançamento, permitome transcrever trecho do voto apresentado no acórdão nº 2402 001.543, de lavra do Dr. Nereu Miguel Ribeiro Domingues que explica com propriedade a diferenciação entre vício formal e material. Cumpre inicialmente esclarecer que a discussão do tema é bastante relevante, pois, dependendo da natureza imputada ao defeito encontrado no lançamento, as autoridades fiscalizadoras terão o prazo decadencial “reiniciado” para constituir o crédito tributário, nos termos do art. 173, inc. II, do CTN. Para que a controvérsia seja devidamente dirimida, devese delimitar os conceitos de vício formal e material, assim como os motivos que dão ensejo ao reconhecimento dessas duas espécies de vícios, que igualmente ensejam a nulidade do lançamento, porém com diferentes efeitos. No que tange ao vício formal, assim conceitua De Plácido e Silva1: “É o defeito, ou a falta, que se anota em um ato jurídico, ou no instrumento, em que se materializou, pela omissão de requisitos, ou desatenção à solenidade, que se prescreve como necessário à sua validade ou eficácia jurídica.” Assim, vislumbrase que o erro de forma deve estar relacionado com o descumprimento dos requisitos e solenidades necessários à criação do ato jurídico, bem como que importe na sua invalidade ou ineficácia jurídica, presentes na medida em que há preterição do direito de defesa do sujeito passivo, situação que leva ao insucesso de se atingir a finalidade do ato administrativo. Vale dizer, num primeiro momento, que o vício de forma está intimamente ligado com o alcance da finalidade do ato administrativo. Nesse mesmo sentido expõe Marcos Vinicius Neder2: “O vício processual de forma só deve conduzir ao reconhecimento da invalidade do ato quando a própria finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida.” Cabe ressaltar também o entendimento de Manoel Antonio Gadelha Dias3: “O ato administrativo é ilegal, por vício de forma, quando a lei expressamente a exige ou quando determinada finalidade só pode ser alcançada por determinada forma.” No campo prático, as “solenidades” formais do lançamento se referem a todos os requisitos complementares necessários para se compor a linguagem para a comunicação jurídica4, ou seja, para que o ato administrativo possua todos os elementos necessários à efetiva interação com o sujeito passivo, permitindo 1 Silva, De Plácido e. Vocabulário Jurídico / atualizadores: Nagib Slaibi Filho e Gláucia Carvalho. 25ª edição. Ed. Forense. Rio de Janeiro, 2004. p. 1482. 2 Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, São Paulo, Dialética, 2002, p. 416. 3 Tôrres, Heleno Taveira et al (coordenação). Direito Tributário e Processo Administrativo Aplicados São Paulo: Quartier Latin, 2005. p. 340. 4 Tôrres, op. cit. p. 346. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000148/200838 Acórdão n.º 2402003.421 S2C4T2 Fl. 157 9 que este compreenda todas as motivações que o levaram a ser autuado, tais como a descrição dos fatos, a exposição da capitulação legal infringida, a menção ao local, data e hora da lavratura, etc. Esses requisitos compõem os elementos extrínsecos/formais do lançamento, os quais, para que importem na invalidade jurídica do ato administrativo, devem estar maculados a ponto de preterir o direito de ampla defesa e contraditório do sujeito passivo. Desta forma, ao se identificar que houve falha na exposição de um requisito complementar no auto de infração, e que, em virtude disso, houve deficiência na comunicação jurídica do ato administrativo, preterindo o direito de defesa do sujeito passivo, estarseá diante de um vício formal, que pode ser regularizado pela autoridade fiscal através de um novo lançamento, dentro do prazo decadencial previsto pelo art. 173, inc. II, do CTN. Cabe ainda ressaltar que, como é cediço, nesses casos, a permitida regularização do vício formal realizada por lançamento superveniente não poderá alterar os elementos materiais do ato administrativo previstos no art. 142 do CTN (fato gerador, obrigação tributária, matéria tributável, cálculo do montante devido e identificação do sujeito passivo), tendo em vista que apenas aperfeiçoará a forma de sua constituição para possibilitar que haja comunicação jurídica, permitindo que o contribuinte conheça as efetivas razões de autuação, bem como que realize a devida defesa, caso entenda ser necessário. Expostas minhas considerações acerca do conceito de vício formal, passo a analisar as características do vício material. Analisando o procedimento adotado pelo Código Tributário Nacional para se constituir o ato administrativo – lançamento – (art. 142 do CTN), verificase que a fiscalização deve “verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Tais procedimentos, embora façam parte do lançamento, resultam na formação dos seus elementos materiais/intrínsecos, sem os quais não haverá a constituição do crédito tributário. Destarte, caso a aferição desses elementos seja feita de forma equivocada, o lançamento resultante não estará revestido com os requisitos básicos inerentes à “construção”5 do ato, resultando na sua nulidade. 5 “VÍCIO MATERIAL – ERRO NA CONSTRUÇÃO DO LANÇAMENTO – Padece de vício material o lançamento que altera as características do crédito tributário, modificando seus elementos. (...)” (CARF, 1° Conselho, 2ª Câmara, Relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Acórdão n° 10248700, Sessão de 08/08/2007) Fl. 181DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Não obstante, quando a fiscalização não aplica os elementos intrínsecos como deveria, ela certamente estará infringindo a disposição legal pertinente (seja aquela aplicável ao cálculo do montante devido, ou à determinação do fato gerador, etc.), importando na existência de um vício material. Nesse sentido, leciona Leandro Paulsen6: “Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei.” Vejase, assim, que a ocorrência do vício material está diretamente ligada com a deformidade do conteúdo do lançamento, que acaba por exigir indevidamente tributos do sujeito passivo, em ofensa, inclusive, ao princípio da legalidade, situação inaceitável nas relações do fisco com o contribuinte. Outra questão que bem delimita os casos de vício formal e material é o efeito que seria presenciado caso fosse permitido um novo lançamento, realizado para sanar os vícios existentes no lançamento anterior. Caso o vício seja formal, o novo lançamento exigirá: (i) a mesma matéria tributável, (ii) o mesmo montante apurado no lançamento anterior, (iii) que o lançamento abranja os mesmos fatos geradores, (iv) que o sujeito passivo seja o mesmo, e (v) que seja a mesma multa aplicada, tendo em vista que, com o novo lançamento, apenas se ajustará os elementos extrínsecos do ato administrativo. Em se tratando de vício material, o novo lançamento acabará alterando os elementos substanciais do lançamento, o que resultará na cobrança de um tributo diferente, ou em valor diferente, ou apurado por critérios diferentes, ou de outro sujeito passivo, assim por diante, situação que não pode se valer do prazo decadencial previsto no art. 173, inc. II, do CTN. Versando sobre os efeitos resultantes das alterações promovidas pelo lançamento superveniente, este CARF assim se posicionou: “VÍCIO MATERIAL Havendo alteração de qualquer elemento inerente ao fato gerador, à obrigação tributária, à matéria tributável, ao montante devido do imposto e ao sujeito passivo, se estará diante de um lançamento autônomo que não se confunde com o lançamento refeito para corrigir vício formal, nos termos previstos no artigo 173, II, do CTN. (...)”. (CARF, 1° Conselho, 2ª Câmara, Relator José Raimundo Tosta Santos, Acórdão n° 10247829, Sessão de 16/08/2006) Nessa mesma linda de entendimento, peço vênia para destacar também trecho do voto proferido pelo i. Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, que verificou a indevida aplicação do vício formal e externou seu entendimento para que fosse reconhecido o vício material do lançamento. Vejase: “Em suma, entendo que o vício formal pressupõe que novo lançamento, se viabilizado, não poderá ultrapassar os limites estabelecidos no lançamento primitivo, relativamente aos seus 6 Paulsen, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Editora: ESMAFE, 2010. p. 1194. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000148/200838 Acórdão n.º 2402003.421 S2C4T2 Fl. 158 11 elementos estruturais, substanciais. No presente caso, um novo lançamento forçosamente modificará a base imponível, com óbvios reflexos no cálculo do montante do tributo devido, (...)" (CARF, 1ª Conselho, 7ª Câmara, Relator Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Acórdão nº 10706.757, Sessão de 22/08/2002) – destacouse Da análise do caso concreto, podese inferir que se trata de vício material, ou seja, sequer se tem a certeza da existência do fato gerador, um dos elementos intrínsecos do lançamento descritos no art. 142 do CTN, quais sejam, fato gerador, obrigação tributária, matéria tributável, cálculo do montante devido e identificação do sujeito passivo. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e ANULAR o lançamento por vício material. No caso vertente, haja vista a correlação existente entre os dois processos, não prevalecendo o principal, também o acessória não pode ser mantido. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e ANULAR a presente autuação, por vício material. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 183DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 36980.003113/2004-50
Data da sessão: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2002 a 30/08/2002, 01/03/2003 a 30/09/2003
ATIVIDADE ABRANGIDA PELO RGPS, A inscrição do segurado como
contribuinte autônomo pressupõe o exercício de atividade abrangida pelo Regime Geral de Previdência Social, conforme artigo 12, V, h da Lei nº 8.212/91. Portanto, não há indébito de contribuições previdenciárias recolhidas.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 2302-000.124
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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')"":.:-I4r. MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS .041474 -- SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 36980.003113/2004-50 Recurso e 141_974 Voluntário Acórdão n° 2302-00.124 — 3" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 19 de agosto de 2009 Matéria RESTITUIÇÃO:SEGURADOS Recorrente PEDRELINA NUNES Recorrida SRP-SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2002 a 30/08/2002, 01/03/2003 a 30/09/2003 ATIVIDADE ABRANGIDA PELO RGPS, A inscrição do segurado como contribuinte autônomo pressupõe o exercício de atividade abrangida pelo Regime Geral de Previdência Social, conforme artigo 12, V, h da Lei n 8.212/91. Portanto, não há indébito de contribuições previdenciárias recolhidas. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Câmara / 2" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), LIEGE LAROLX THOMASI — Presidenta tílt IsQl SATO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira, Adriana Sato, Edgar da Silva Vidal (suplente), Bemadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior e Liege Lacroix Thomasi (presidenta). 1 Relatório Trata-se de pedido de restituição das competências 05/2002 a 30/08/2002, e, 03/2003 a 09/2003 por estar passando por dificuldades financeiras. Alega a Recorrente que teve o beneficio de aposentadoria por idade indeferido, e, que efetuou os pagamentos das mencionadas competências em atraso. Ocorre que a Recorrente pleiteia a restituição das competências em que os recolhimentos foram efetuados como contribuinte individual (faxineira). É o Relatório. Voto Conselheira ADRIANA SATO, Relatora Antes da análise do pedido de restituição em si, faz-se necessárias as considerações de alguns pontos para maior esclarecimento sobre o caso. De acordo com os documentos juntados aos autos, a Recorrente possuiu as seguintes condições junto a Previdência Social: o Facultativa de 10/94 a 12/94 o Beneficiária de Auxílio-Doença de 07/02/95 a 30/06/97 o Facultativa em 02/96 o Autônoma de 05/2002 a 08/20002 • Beneficiária de Auxilio - Doença de 23/12/2002 a 31/01/2003 • Autônoma de 03/2003 a 09/2003 A Recorrente efetuou recolhimentos até 12/94 que viabilizaram a concessão do Auxílio Doença em 07/02/95. Esse beneficio cessou em 30/06/97 e a Recorrente só voltou a contribuir para Previdência Social somente em 09/2002. A conduta da Recorrente em efetuar o pagamento das contribuições das competências 05/2002 a 06/2002 em 17/09/2002; 07/2002 em 15/10/2002; 08/2002 em 18/11/2002 possibilitou a concessão de outro Auxilio Doença em 23/12/2002 que perdurou até 31/01/2003. Após a cessação do último Auxilio Doença a Recorrente voltou a contribuir à Previdência Social em 03/10/2003 referente as competências de 03/2003 a 09/2003, e, em 05/12/2003 a Recorrente pleiteou a Aposentadoria por Idade junto ao Posto do Recorrido. A Aposentadoria por Idade foi indeferida à época, porque as competências recolhidas a destempo não foram utilizadas para fins de cumprimento de carência, no entanto, 1 2 Processo n° 36980.003113/2004-50 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.124 Fl 44 as mesmas serão utilizadas como tempo de contribuição na contagem para pleitear futuramente nova aposentadoria por idade. Não há que se falar em devolução dos valores recolhidos pela Recorrente em virtude do indeferimento da Aposentadoria por Idade e das dificuldades financeiras que a mesma vem enfrentando. Os recolhimentos efetuados pela Recorrente no código de contribuinte individual (faxineira) pressupõe que a mesma exerce esse tipo de atividade, e, a enquadra como segurada obrigatória, nos termos do art.12, inciso V, alínea "h" da Lei 8,212/91. Conforme mencionado artigo 12, inciso V, alínea "h" da Lei n, 8.212/91, a Recorrente é segurada obrigatória da Previdência Social, senão vejamos: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas.fisicas: .,. V — como contribuinte individual: ,., h) pessoa .fisica que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; Assim, o fato das contribuições recolhidas em atraso não terem sido consideradas na contagem do tempo de contribuição da Recorrente não viabiliza o direito de restituição das mesmas, mas serão utilizadas quando a segurada pleitear nova Aposentadoria por Idade servindo no computo para concessão. Por todo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 19 de agosto de 2009 i P}2 C't CͰ P SATO - Relatora /3
score : 1.0
Numero do processo: 35043.000072/2005-58
Data da sessão: Mon Nov 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Nov 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias.
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2003.
REMUNERAÇÃO DE DIRETORIA. RESULTADO OPERACIONAL. OBJETIVOS INSTITUCIONAIS. ISENÇÃO. DESCUMPRIMENTOS DE REQUISITOS. EMISSÃO DE ATO CANCELATÓRIO.
A remuneração, a qualquer título, da diretoria, bem como a não aplicação integral de eventual resultado operacional nos objetivos institucionais constituem descumprimento de requisitos necessários à manutenção do beneficio da isenção de contribuições sociais.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2301-000.772
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Damião Cordeiro de Moraes
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Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2003. REMUNERAÇÃO DE DIRETORIA. RESULTADO OPERACIONAL. OBJETIVOS INSTITUCIONAIS. ISENÇÃO. DESCUMPRIMENTOS DE REQUISITOS. EMISSÃO DE ATO CANCELATÓRIO. A remuneração, a qualquer título, da diretoria, bem como a não aplicação integral de eventual resultado operacional nos objetivos institucionais constituem descumprimento de requisitos necessários à manutenção do beneficio da isenção de contribuições sociais. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Procceso rr 35043.00007212005-58 82-C3T1 Acórdão o.° 2301-00.772 Fl. 2 ACORDAM os membros da 3' Câmara / P Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. JULIOk SAR VIEIRA GOMES — Presidente DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES — Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Bemadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (suplente), Maria Helena Lima dos Santos (suplente), Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). Relatório 1. Trata-se de recurso voluntário interposto pela ASSOCIAÇÃO BENEFICENTE CEARENSE DE REABILITAÇÃO contra decisão de primeira instância que declarou cancelada, a partir de 01/01/1998, a isenção de contribuições sociais concedida à ABCR. 2. A ementa do julgado restou firmada nos seguintes termos: CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. CARÁTER ACIDENTAL. MINIMA REPRESENTATIVIDADE. DIRETORIA REMUNERADA. RESULTADO OPERACIONAL. OBJETIVOS INSTITUCIONAIS. ISENÇÃO. DESCUMPRIMENTOS DE REQUISITOS. EMISSÃO DE ATO CANCELA TORTO. A cessão de Mão-de-obra sem observação de sua natureza de caráter acidental e com representatividade mínima do percentual cedido, a remuneração, a qualquer título, da diretoria, bem como a não aplicação integral de eventual resultado operacional nos objetivos institucionais constituem descumprimento de requisitos necessários à manutenção do beneficio da isenção de contribuições sociais, devendo . ser emitido o ato cancelatório." 3. A entidade, por sua vez, rebate a decisão aduzindo, em síntese, os seguintes pontos: a) as receitas operacionais com a prestação de serviços mediante cessão de mão- de-obra, para órgãos e entidades da administração pnblica, não desvirtuam a atividade fim da entidade; b) não possuiu respaldo legal o procedimento adotado pelo auditor fiscal de levantar os percentuais da folha de pagamento dos setores de locação de mão- Processo n° 35043.000072/2005-58 52-C3T1 Acórdão n.°2301-t172 Fl. 3 de-obra, comparando com os valores das folhas de pagamento do pessoal que atua nas atividades filantrópicas ; c) a Diretoria da Entidade em momento algum determinou que o contador omitisse o lançamento de qualquer receita em sua contabilidade; não poderá ser prejudicada por erros e omissões cometidas de má-fé pelo contador; os valores apurados levaram em conta presunções subjetivas, pois nenhuma prova material teria sido colhida com o fim de provar a responsabilidade objetiva dos dirigentes da Associação; d) com o indeferimento do requerimento de perícia contábil, restou efetivo prejuízo para o exercício do seu direito à ampla defesa, pois não seria possível anexar à defesa todos os livros contábeis (Diário e Razão), com os documentos correspondentes aos lançamentos; e) a entidade deixou de contabilizar os recibos porque não são documentos contábeis, pois faltam-lhes requisitos formais para serem lançados; eventuais equívocos foram corrigidos; O no que se refere às cópias de cheques, esclarece que não são documentos contábeis, mas apenas documentos de controle interno da entidade; exigir que a entidade registre cópias de cheques em sua contabilidade constitui ato arbitrário; g) os pagamentos de gratificações, salários, ajuda de custo, integraram as folhas de pagamento e os termos de rescisão contratual; eventualmente era feito um recibo, a titulo de adiantamento, mas que posteriormente eram incluídos na folha de pagamento; h) quanto aos pagamentos de férias, tais valores não foram incluídos nas folhas de pagamento, mas sim emitidos sob a forma de recibos e avisos de férias, em obediência ao art. 145 da CLT; i) improcede a acusação de retirada de pró-labore pelos diretores da ABCR; na verdade se trata de "autorização para pagamento do Valor do serviço, dada eventualmente pela presidente"; j) os documentos que acompanharam a informação fiscal foram obtidos de forma irregular, pois o auditor fiscal não lavrou o "AGD — Auto de Apreensão e Guarda de Documentos, conforme reza o art. 624 da IN 100; o fato de terem sido apreendidos mediante cópias não valida a atuação fiscal; k) o indeferimento da prova pericial pela autoridade julgadora fere o disposto no art. 50, incisos LIV, LV e LVI, da Constituição Federal; 1) o auditor fiscal não produziu provas que demonstrem o descumprimento dos requisitos estabelecidos no art. 55, incisos 1,1V e V, da Lei 8.212/91; 1 m) após a emissão dos atos cancelatórios, o fisco deveria ter instaurado uma nova ação fiscal na entidade para ajustar o procedimento administrativo fiscal aos princípios de legalidade e da atividade administrativa plenamente vinculada; n) requer, por fim, a improcedència do ato cancelatono de isenção de contribuições sociais. 4. Em suas contra-razões, o fisco defende a manutenção da decisão recorrida. É o relatório. 3 Processo n°35043.000072/2005-58 S2.C371 Acórdão n.° 230140.772 Fl. 4 Voto Conselheiro DAMIÂO CORDEIRO DE MORAES (RELATOR): DOS -PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que é tempestivo e atende aos pressupostos de admissibilidade. DAS PRELIMINARES 2. Preliminarmente, argumenta a recorrente que o indeferimento da prova pericial pela autoridade julgadora fere o disposto no art. 5°, incisos LIV, LV e LVI, da Constituição Federal. 3. Não vejo razão para acolher as razões de inconformismo da Associação em relação à negativa de produção de prova pericial. O fisco carreou aos autos provas suficientes para o entendimento e convencimento dos julgadores acerca da demanda trazida à esta instância administrativa. 4. A prova pericial é dispensável no presente caso e não acrescentaria informação suficiente para mudar o resultado do julgamento. 5. Razões pelas quais, não acolho a preliminar. DO MÉRITO RECURSAL 6. Compulsando os autos, verifica-se que a entidade teve sua isenção cancelada devido a irregularidades apontadas pela fiscalização relativas aos requisitos necessários à manutenção da isenção das contribuições sociais, conforme determinado nos incisos IV e V do art. 55, da Lei n.° 8.212/91. 7. Em sintese, sobre a remuneração indireta, os auditores fiscais apontaram os seguintes fatos que determinaram o cancelamento da isenção: "II A ABCR explicou a existência das receitas do SUS ndo registradas mediante apresentação de mapas financeiros dos valores aprovados pelo SUS e pagos nos exercícios de 2000, 2001 e 2002, especificados mensalmente em oito filiais, sendo, então, confeccionado um mapa resumo das "RECEITAS DECORRENTES DE ATENDIMENTO AMBULA TORIAL DE CONVENIO COM O SUS, POR FILIAL — CONFORME SÍNTESE DA PRODUÇÃO ", no período de 2000/2002 e os mapas "SÍNTESE DA PRODUÇÃO" apresentados e fornecidos pela ABCR, não informado esta, para o exercício de 1999, os valores pagos; 4 • Processo n°35043.000072/2005-58 52-C311 Acórdão n.° 2301-00372 Fl. 5 3.6. o contador da Entidade, Francisco das Chagas Cerdeira de Oliveira, CRC 2558-CE, responsável pela contabilidade no período da omissão dos lançamentos dessas Receitas, alegou não ter conhecimento dessa documentação do SUS; 3.7. constatou-se a omissão de Receitas do SUS, nos montantes de R$ 1.465.315,04 em 2000, R$ 1.448.949,82 em 2001 e R$ 1.525.680,92 em 2002; (-) 3.11. foi constatado que a sigla "SPA" se tratava de prestação de serviços a uma empresa para a qual não fora emitida nota fiscal de prestação de serviços, portanto, referia-se ó disponibilidade de mão- de-obra a titulo gratuito para o "SPA"; 3.12. constatou-se que a sigla "SPA" representava a empresa SPARANA EMPREENDIMENTOS LTDA, CNPJ N.° 01.873.545/0001- 75, que tem como sócia a Sra. Maria Gorete Pereira, presidente da ABCR, de cujo capital social possui 40% (quarenta por cento), conforme contrato social do "SPÁ" e últimos aditivos contratuais anexos; 3.13. foram considerados todos os valores pagos a titulo de pro labore da presidente da ABC& confio-me mapa em anexo "LEVANTAMENTO DOCUMENTAL E CONTA' BIL NA ABCR DAS CONTAS ABAIXO ESPECIFICADAS INEREàlES A PAGAM OU CRÉDITOS DO SPA", inclusive, sendo anexado os documentos físicos que deram origem ao citado pro labore; 3.14. identificou-se diversos recibos e cópias de cheques que não foram lançados como despesas nos livros Diário e Razão (vide demonstrações através das fis. 171, 156 e 307 do livro Razão/2001 e da cópia de cheque 844.022 do BEC), além de se verificar, também, que na capa de alguns dos TOMOS de CAIXA apresentados à fiscalização continham a expressão "NÃO CONTABILIZADOS"; 3.15. Através de investigação minuciosa e entrevista com o contador verificou-se que a ABCR sacava os valores constantes dos recibos e cópias de cheques com a denominação "NÃO CONTABILIZADOS" das principais contas de Bancos que operava, a saber, '11202— BEC — 400245-2", "11213 — BEC — 3025214 'e "11208— BB S/A — 5678", cuja finalidade era suprir a conta "11101-CAIXA —ABCR ADM/SERVIÇO", sendo que essa conta não possuía saldos devedores exorbitantes, portanto, saídas de CAIXA aconteceram para dar vazão ao seu saldo, o que permitiu concluir que a ABCR não contabilizava como DESPESAS os recibos e cópias de cheques; 3.16 identificou-se diversas saldas de CAIXA tendo como contrapartida - a conta: "42206 — GRÁTUIDADES E BENEFÍCIOS A ENTIDADES FILIADAS", conforme página 18 e 345 do razão n` 16/2001, anexo, Processo n°35043.000072/2005-58 52-C371 Acórdão n.° 2301-00.772 Fl. 6 sendo que tais despesas não foram comprovadas pela ABCR e não serviam de prova como aplicação de GRATUIDADE, recebendo essas contas, em 2001 e 2002, o montante de R$ 2.077.450,00 e R$ 1.714.000,00 respectivamente, fazendo parte da DRE, como DESPESAS FILANTRÓPICAS (vide demonstrativo "LEVANTAMENTO DAS DESPESAS FILANTRÓPICAS CF. DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO — (3RATUIDADES E BENEFÍCIOS); . 3.17. o contador da ABCR confirmou a existência dos documentos com a denominação "NÃO CONTABILIZADOS", e que efetivamente não os contabilizava em contas específicas de despesa; 3.18. os recibos e cópias de cheques mencionados, anexados por amostragem, relacionavam-se com os seguintes pagamentos: a) a empregados, a título de gratificações, salários, ajuda de custo, ajuda de custo de alimentação, 13° salário e férias que não figuravam em folhas de pagamentos e não sofreram o devido desconto de segurados; b) serviços prestados por pessoas fisicas; c) retiradas dos diretores da ABCR para pagamentos de suas despesas particulares com: I — IR Pessoa Física da presidente Maria Gorete Pereira, através da conta 400369-6, BEC, autenticação de 29.11.2002, incluindo multa e juros, totalizando R$ 3.875,13, e outro no valor de R$ 2.027,19, através da conta 302522— BEC, autenticação de 30.08.2002, referente a 4° Parcela/IRPF/2001 ; li—pagamento do "AP" (designação que não foi possível identificar o seu conteúdo); Vis. 539/556) III — valores pagos a título de honorários ou de ajuda de custo mensal, no valor de R$ 2.340,00 (dois mil trezentos e quarenta reais), normalmente pagas a "Ma, Gorete Pereira", "Antonio da Silveira Machado Neto" e "Maria Nogueira Machado Arcanjo", sendo somente contabilizados em seis competências do ano de 2000, representando em cada mês, o montante de R$ 7.020,00, que era o resultado de R$ 2.340,00 x 3 (diretores), lançado na conta 40212 — COMA DIREÇÃO 41405 — HONORÁRIOS conforme fis. do Razão n° 15]!.,. 242/3; e V — outros valores pagos a título de honorários ou de ajuda de custo que figuraram em diversos exercícios e não lançados, tendo apenas o documento (recibo ou cópia de cheque), sem a devida contabilização em conta de despesa, como se observa nos lançamentos constantes do livro Razão/2001 fls. 171 e 156 (numeração de carimbo) inerente a 6 Processo n°35043.000072/2005-58 52-C3T1 Acórdão n.° 230/-00.772 Fl. 7 cópia de cheque 844.022 BEC , de 24.07.01, no valor R$ 4.680,00, utilizado para pagamento de "honorários do Dr. Machado e Gorete". 3.19. foram identificados também diversos valores entregues aos diretores, para os quais consta o registro da saída na conta BANCOS e respectiva e respectiva entrada na conta CAIXA sem, entretanto, haver o lançamento correspondente a que se destinava o objeto da despesa, conforme recibo anexo no valor de R$ .50.00,00, que contem os dizeres "entregue a Dra. Gorete as 17.15 lis p/D Célia" aos 26 de outubro de 2000, havendo apenas o registro contábil a crédito de bancos conta código 11202 BEC S/A, conta 400245/2, a débito de Caixa (vide fls. 140 do Diário 18/2000)." 8. Diante do relatado acima, resta demonstrado que os diretores da entidade usufruíram vantagens e beneficios da recorrente, chegando até mesmo em alguns casos, a receberem remuneração, apesar de tais pagamentos terem sido realizados pela via indireta. 9. Apenas como embasamento do meu voto, chama a atenção que a presidente da ABCR seja sócia de uma das empresas que prestavam serviços à entidade, bem como o fato de ter recebido diretamente da Associação volumosas importâncias a título de honorários e ajuda de custo mensal. 10. Outros diretores também receberam importâncias e levam a crer que o procedimento era adotado como forma de remunerá-los. 11. E a conduta da entidade, como bem relatada nos autos, encontra vedação no art. 55, inciso IV, verbis: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (-) IV - não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou beneficios a qualquer titulo; (-) 12. A seu turno, por força do art. 55, inciso V, da Lei 8.212/91, a entidade deve aplicar integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos estatutários. Contudo, o que se viu no presente caso é que a recorrente utilizou- se de parte considerável de seus recursos para arcar com pagamentos à presidente da ABCR. - 13. O citado inciso V reza de maneira solar que a entidade deve aplicar "integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais". De maneira que não há espaço para que a entidade possa adotar ÇS— 7 Processo n'' 35043.00007218105-52 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.772 Fl. 8 procedimento de remuneração indireta dos seus diretores, nem mesmo manter qualquer vinculo com empresas que possuam em sua relação de sécios pessoas do corpo diretivo da entidade, i sob pena de quebrar o comando legal estabelecido na no mia previdenciária. 14.Com essas considerações, entendo que a decisão recorrida deve ser mantida, eis que acertadamente negou o pedido de isenção da recorrente. 1 CONCLUSÃO 1 1 1 15.Assim, nego PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Sala das Sessões em 30 de novembro de 2009. i 0.------\ k ) ...ir DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, Relator 3
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Numero do processo: 10925.000008/2005-11
Data da sessão: Fri May 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 2002 ATOS COOPERATIVOS. RESULTADOS INFORMADOS EM DIPJ. SOBRAS. INCONFUNDIBILIDADE DESTAS CIFRAS COM O CONCEITO DE “LUCRO”. NÃO-INCIDÊNCIA DA CSLL. Os “atos cooperativos” – assim compreendidos aqueles praticados, pela sociedade, em prol dos associados, para fins de geração de condições materiais ou imateriais favoráveis à consecução das atividades destes – não configuram, por definição, operações de mercado ou contratos de compra e venda de produtos ou mercadorias, a teor do artigo 79, caput e parágrafo único, da Lei nº 5.764/71. Os resultados financeiros desses préstimos, depois dos devidos repasses aos associados, performam as “sobras” da sociedade, sujeitas a tratamento específico. Pela natureza não-mercantil dos “atos cooperativos”, não se pode afirmar, sob nenhuma óptica, que correspondam a lucro os rendimentos auferidos a partir daqueles. Não se aperfeiçoou, portanto, o fato gerador da CSLL, nos moldes da regra-matriz de incidência tributária pertinente. Os artigos 39 e 48 da Lei nº 10.865/04, nessa toada, ao preconizarem “isenção” da contribuição, a partir do ano-calendário de 2005, somente elucidaram, pedagogicamente, a situação de não-incidência precedente.
Numero da decisão: 1803-000.444
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sérgio Rodrigues Mendes, Relator, e Walter Adolfo Maresch, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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RESULTADOS INFORMADOS EM DIPJ. SOBRAS. INCONFUNDIBILIDADE DESTAS CIFRAS COM O CONCEITO DE “LUCRO”. NÃOINCIDÊNCIA DA CSLL. Os “atos cooperativos” – assim compreendidos aqueles praticados, pela sociedade, em prol dos associados, para fins de geração de condições materiais ou imateriais favoráveis à consecução das atividades destes – não configuram, por definição, operações de mercado ou contratos de compra e venda de produtos ou mercadorias, a teor do artigo 79, caput e parágrafo único, da Lei nº 5.764/71. Os resultados financeiros desses préstimos, depois dos devidos repasses aos associados, performam as “sobras” da sociedade, sujeitas a tratamento específico. Pela natureza nãomercantil dos “atos cooperativos”, não se pode afirmar, sob nenhuma óptica, que correspondam a lucro os rendimentos auferidos a partir daqueles. Não se aperfeiçoou, portanto, o fato gerador da CSLL, nos moldes da regramatriz de incidência tributária pertinente. Os artigos 39 e 48 da Lei nº 10.865/04, nessa toada, ao preconizarem “isenção” da contribuição, a partir do anocalendário de 2005, somente elucidaram, pedagogicamente, a situação de nãoincidência precedente. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10925.000008/200511 Acórdão n.º 180300.444 S1TE03 Fl. 169 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sérgio Rodrigues Mendes, Relator, e Walter Adolfo Maresch, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator. (assinado digitalmente) Benedicto Celso Benício Júnior Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Walter Adolfo Maresch, Luciano Inocêncio dos Santos, Sérgio Rodrigues Mendes e Diniz Raposo e Silva. Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 137verso e 138): Em procedimento fiscal de revisão interna da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ da cooperativa acima identificada, constatouse falta de pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, relativa ao ano calendário de 2001, conforme descrito no Auto de Infração (f. 3): 001 — Falta de Recolhimento da CSLL [...]. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10925.000008/200511 Acórdão n.º 180300.444 S1TE03 Fl. 170 3 Em resposta à intimação de 20.12.2004, a autuada respondeu que entende como não tributáveis os resultados classificáveis como Atos Cooperativos. A pretendida isenção não é amparada pela legislação em vigor à época do fato gerador. (destaque acrescido) 002 — Falta de Recolhimento do Adicional da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) [...]. Em decorrência das infrações acima referidas, foi expedido o Auto de Infração de f. 2 a 4, por meio do qual se constitui o crédito tributário da Fazenda Pública Federal, com multa proporcional de 75 % (passível de redução) e juros de mora (calculados até 30/12/2004), nos seguintes valores: [...]. Inconformada, a cooperativa interpôs a impugnação de f. 55 a 73, em que sustenta serem isentos da CSLL os resultados dos atos cooperativos, em vista de a cooperativa que é uma sociedade de pessoas e não de capitais , não visar ao "lucro" mas à cooperação entre os associados, de que podem resultar apenas "sobras". Disserta sobre a legislação própria, de 1971, e sobre o magistério da Constituição Federal de 1988, que assegurou ao ato cooperativo praticado pelas cooperativas adequado tratamento tributário, além do apoio e estimulação ao cooperativismo e a outras formas de associativismo. Ainda em recurso à análise constitucional, a impugnante invoca a aplicação diferenciada do princípio da isonomia, segundo o qual esta consistiria em tratar distintamente os diferentes, sempre dentro das normas legais: se as sobras não constituem lucros, não podem ser tributadas como se o fossem. Em argumento final, referese a cooperativa à necessidade de revisão do lançamento, em vista de ter "[...] a fiscalização atuado sem a observação da distinção existente entre as origens de Receitas do Contribuinte, com base de cálculo divergente, bem como a utilização de alíquota apropriada para cada caso de receita [...]", e invoca a disciplina do art. 149, VIII, do Código Tributário Nacional ("VIII — quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior;"). E conclui: Isso posto, requerse: a) o recebimento da presente impugnação, com o seu direcionamento ao julgador competente (Receita Federal de Joaçaba), para que possa avaliar a defesa e proceder, nos moldes do art. 149 e incisos do CTN, ao cancelamento da Autuação em lide; b) reconheça, essa Unidade de Julgamento, a imperfeição da Autuação, no tocante à legalidade da cobrança pretendida, por Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10925.000008/200511 Acórdão n.º 180300.444 S1TE03 Fl. 171 4 força da natureza jurídica da impugnante, declarando o imediato cancelamento do Auto de Infração em anexo; [...]. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 137): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 COOPERATIVA. ATOS COOPERATIVOS E NÃO COOPERATIVOS. TRIBUTAÇÃO. Até 31 de dezembro de 2004, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL é devida por todas as sociedades cooperativas e incide sobre todos os seus resultados, sejam eles relativos às operações com associados ou não (Lei nº 8.212, de 1991, art. 10; Lei nº 7.689, de 1988, art. 4º, e IN SRF nº 198, de 1988; Lei n° 10.865, de 30/4/2004). Lançamento Procedente Cientificada da referida decisão em 19/03/2008 (A.R. de fls. 144, que deveria ser 145, em face de erro de numeração), a tempo, em 28/03/2008, apresenta a interessada recurso de fls. 146 a 164, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Voto Vencido Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do recurso. O ponto central da presente lide se funda na incidência, ou não, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre os resultados positivos dos atos cooperativos auferidos no anocalendário de 2001. Traz a recorrente, à colação, diversos julgados administrativos do extinto Conselho de Contribuintes, todos no sentido da nãoincidência da CSLL sobre aqueles resultados (fls. 149 a 152). Dispõem os arts. 39 e 48 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004 (grifouse): Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10925.000008/200511 Acórdão n.º 180300.444 S1TE03 Fl. 172 5 Art. 39. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica, relativamente aos atos cooperativos, ficam isentas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Parágrafo único. O disposto no caput deste artigo não se aplica às sociedades cooperativas de consumo de que trata o art. 69 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997. [...]. Art. 48. Produz efeitos a partir de 1o de janeiro de 2005 o disposto no art. 39 desta Lei. Conforme se observa, essa Lei isentou da CSLL, a partir de 1º de janeiro de 2005, as cooperativas que atendessem ao disposto na legislação própria. Por óbvio, não iria o legislador isentar da CSLL entidades que não estivessem sujeitas à mencionada contribuição, o que permite considerar referido dispositivo legal como um verdadeiro preceito interpretativo. Dessa forma, não remanescem dúvidas de que as cooperativas estão sujeitas à referida contribuição, já que somente se pode isentar o que se contém dentro do campo da incidência. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10925.000008/200511 Acórdão n.º 180300.444 S1TE03 Fl. 173 6 Voto Vencedor Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, Redator Designado: Sem prejuízo do brilhantismo e do rigor técnico que sempre informaram os votos manifestados pelo i. conselheiro relator, guardo comigo, em relação à controvérsia suscitada pelos presentes autos, entendimento um pouco distinto. A autuação ora desafiada toca, basicamente, a exigências de CSLL, supostamente apuradas no anocalendário de 2001, computadas sobre valores de “receitas” declarados, em DIPJ, como resultantes de “atos cooperativos”. A Fiscalização, interpretando em conjunto os enunciados dos artigos 39 e 48 da Lei nº 10.865/04, asseverou que os resultados econômicos daqueles atos foram isentados, em relação à CSLL, somente a partir de 1º de janeiro de 2004. Até esse átimo, na equivocada exegese fiscal, a contribuição incidiria, sem restrições, a todas as receitas da sociedade cooperativa, independentemente da origem ou da causa econômica destas cifras. É verdade que os supramencionados dispositivos estatuíram, expressamente, que a isenção da CSLL ali instaurada teria efeitos a contar do anocalendário de 2005. A melhor interpretação destes ditames, entretanto, leva a crer que o tratamento isentivo telado veio apenas corroborar, ainda que de forma atécnica, preexistente situação de nãoincidência da contribuição. Expliquese. As sociedades cooperativas são, a teor do artigo 3º da Lei nº 5.764/71, materialmente complementar, constituídas com o fim único de contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica de proveito comum, sem escopo de lucratividade: “Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro.” (g.n.) Noutras palavras, as cooperativas consubstanciam sociedades de pessoas sujeitas a regulamentação especial, fundadas com o fito de prestação de serviços em prol dos cooperados, tendente a assegurar condições materiais e imateriais propícias ao desenvolvimento das atividades econômicas realizadas pelos últimos. Na prática econômica, pode acontecer de as cooperativas desenvolverem atividades que nada tocam ao objeto social acima resenhado. Em relação a estas práticas (“atos Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10925.000008/200511 Acórdão n.º 180300.444 S1TE03 Fl. 174 7 nãocooperativos”), sujeitas ficam aquelas sociedades ao regime fiscal prescrito para as pessoas jurídicas em geral, sem qualquer diferenciação. Quando, no entanto, agem estas sociedades mediante negócios e atos jurídicos próprios de seu objeto social (“atos cooperativos”, “principais” ou “auxiliares”), com vistas à consecução do fim cooperativo definido em lei, colocamse elas sob a égide de normas tributárias particulares, instrumentalizadoras do “adequado tratamento tributário” preconizado pelo artigo 146, inciso III, alínea “a”, da Constituição Federal de 1988. O “ato cooperativo” em tais termos, é definido, pela própria Lei nº 5.764/71, consoante a feição redacional de seu artigo 79, caput, in verbis: “Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. (...)” Em nosso entender, o “ato cooperativo” se define somente por sua destinação específica (“para a consecução dos objetivos sociais”), sendo irrelevante a caracterização das partes envolvidas. De toda maneira, a qualificação dos negócios dessa natureza, informados pela recorrente, não foi infirmada, pela Fazenda, em nenhum momento, no decorrer da presente controvérsia. Por essa razão, focaremos, apenas, na definição dos efeitos jurídicos aplicáveis a tais práticas, arvorados no parágrafo único do estresido artigo 79: “Art. 79. (...) Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria.” (g.n.) Vêse, deste comando normativo, que o “ato cooperativo” não configura, por conceituação, operação de mercado, haja vista carecer de fundo econômico. Parece claro, então, em tais termos, que os resultados dele derivados não configuram, sob nenhum aspecto, lucros da sociedade cooperativa – que só podem advir, como explicado, do exercício de “atos nãocooperativos”, estranhos ao objetivo das pessoas jurídicas desta índole. Os rendimentos atrelados a práticas cooperativistas, expurgados os importes repassados aos associados, recebem o nome de “sobras” e se adstringem, com isso, a tratamento específico, esculpido pela própria Lei nº 5.764/71. Jamais podem, por sua natureza nãolucrativa, ser tratados como componentes das bases imponíveis dos tributos incidentes sobre a renda ou sobre o lucro – IRPJ e CSLL, respectivamente. O que ocorre, então, é que a aferição de resultados oriundos de “atos cooperativos”, por parte das sociedades daquela natureza, não chega a dar vazão à ocorrência do fato gerador da contribuição incidente ao lucro líquido ajustado. O caso concreto não se amolda, de forma alguma, à abstrata hipótese de incidência da exação. Os ditames dos artigos Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10925.000008/200511 Acórdão n.º 180300.444 S1TE03 Fl. 175 8 39 e 48 da Lei nº 10.865/04, ao postularem isenção, buscaram atingir situação que nunca comportou cobrança do tributo. Repisese o que já explicamos acima: ainda que enuncie tratamento isentivo, nada mais fizeram os dispositivos indigitados do que, na prática, ratificar, didaticamente, a seara de nãoincidência predecessora. Isto posto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, determinando o cancelamento do auto de infração exordial. (assinado digitalmente) Benedicto Celso Benício Júnior Fl. 8DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES
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Numero do processo: 10166.004701/2002-59
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 25/05/1997 a 31/05/1997
ERRO DE FATO. CANCELAMENTO AUTO DE INFRAÇÃO.
O erro de fato, que autoriza a revisão de oficio, deve ser fundado na constatação de um erro evidente, haja vista ser imprescindível, para se caracterizar o erro de fato, a inexistência de controvérsia sobre o fato. No caso em questão, resta constatado o erro de fato demonstrado pelo recorrente que deve ser acertado com o cancelamento do auto de infração.
Numero da decisão: 3402-001.917
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Carlos Shimoyama (Suplente).
Matéria: IOF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 25/05/1997 a 31/05/1997 ERRO DE FATO. CANCELAMENTO AUTO DE INFRAÇÃO. O erro de fato, que autoriza a revisão de oficio, deve ser fundado na constatação de um erro evidente, haja vista ser imprescindível, para se caracterizar o erro de fato, a inexistência de controvérsia sobre o fato. No caso em questão, resta constatado o erro de fato demonstrado pelo recorrente que deve ser acertado com o cancelamento do auto de infração.
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CANCELAMENTO AUTO DE INFRAÇÃO. O erro de fato, que autoriza a revisão de oficio, deve ser fundado na constatação de um erro evidente, haja vista ser imprescindível, para se caracterizar o erro de fato, a inexistência de controvérsia sobre o fato. No caso em questão, resta constatado o erro de fato demonstrado pelo recorrente que deve ser acertado com o cancelamento do auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Carlos Shimoyama (Suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 47 01 /2 00 2- 59 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 2/11/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos, colaciono o relatório da Resolução nº 24000577, de 03/06/2008, verbis: BRB Banco de Brasília S/A. identificada nos autos, foi intimada a recolher ou impugnar o crédito consubstanciado no Auto de Infração do IOF, fls.26/37, no valor total de R$ 320.872,02. Em auditoria interna de Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF), foi constatada falta de recolhimento ou pagamento do principal (declaração inexata), relativamente ao primeiro e segundo trimestrescalendário de 1997, consoante capitulação legal consignada fls. 29, então, foi lavrado o auto de infração n" 0000998, de fls. 26/37, em 22/02/2002, para exigir R$ 320.872,02 de imposto, multa de oficio e juros de mora calculados até 28/02/2002, e multa paga a menor. O auto de infração foi emitido por meio eletrônico e enviado ao sujeito passivo por via postal, recebido em 18/03/2002, conforme AR (fls. 38). Em 17/04/2002, a empresa apresentou a impugnação de fls. ½ instruída com a documentação de .fls. 03/37, aduzindo em sua defesa, em síntese, que: a) em 04/05/1998, a contribuinte entregou DCTF Retificadora do 2° trimestre de 1997, na qual consta o reconhecimento de débito relativo a I0F, do código 1150; b) a referida DCTF retificadora apresentou informação equivocada em relação a quinta semana de maio/97 do IOF, equivoco que ocorreu em razão de divergência entre a planilha de controle dos valores a recolher" e o saldo da contabilidade; c) no momento de recolhimento do DARF, prevaleceu o saldo contábil da faixa IOF a recolher, entretanto, não foi providenciado a tempo, a correção da "planilha dos valores a recolher" que é a base do preenchimento das DCTF; d) em razão dessa incompatibilidade é que a pendência em relação ao débito n°4136094 necessita de retificação, o valor devido constante da quinta semana de maio/1997 deverá ser retificado para R$ 753.117,88, objetivando a regularização do débito em tela; e) entende por indevida a cobrança da diferença do valor do IOF,relativa ao débito n° 4136094, bem como a multa de oficio de 75% e juros de mora incidentes sobre ele. Por fim, requer que seja acolhida a defesa, para o fim de assim ser decidido, cancelandose os débitos objeto do presente auto de infração. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 2/11/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10166.004701/200259 Acórdão n.º 3402001.917 S3C4T2 Fl. 175 3 A DRF de Brasília revisou de oficio o auto de infração cancelando o débito de R$ 437,10 (fl. 30), conforme Despacho Decisório (fls. 72/74). Foi transferida a competência para julgamento do presente processo para esta DRJ pela Portaria SRF nº 1.161/2005.. A DRJ em Campo Grande/MS deferiu parcialmente o pleito da contribuinte, em decisão assim ementada: “Ementa: IOF. OPERAÇÕES DE CRÉDITO. PRAZO DE RECOLHIMENTO. Cancelase a exigência em litígio em face de o IOF incidente sobre operações de crédito ter sido recolhido ao Tesouro Nacional até o terceiro dia útil da semana subseqüente à de cobrança ou registro contábil do imposto. PREENCHIMENTO DO DCTF. INFORMAÇÃO DO PERÍODO DE APURAÇÃO SEMANAL. Para fins de preenchimento do DCTF, no período de apuração semanal a semana inicia no domingo e finda no sábado, e quando uma semana abrange o final de um mês e o inicio do seguinte, os valores dos tributos e contribuições deverão ser integralmente informados na primeira semana do segundo mês, ou seja, no mês correspondente ao encerramento do período de apuração semanal. Lançamento Procedente em Parte” Irresignada com a decisão de Primeira Instância, a contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário reiterando os termos de sua peça impugnatória em relação inconsistência do débito n° 4136094, no valor de R$ 118.000,00, relativo ao IOF, ressaltando que o referido imposto realmente devido na quinta semana de maio de 1997 totaliza a importância de R$ 13.171,48, não de R$ 131.171,48, como declarado equivocadamente em DCTF. A 4ª Câmara do extinto 2ª Conselho de Contribuintes converteu o julgamento em diligência para que o órgão de origem verificasse, por meio da análise de documentação hábil contábil e idônea, se existia a alegada insubsistência originada por simples erro material de digitação, conforme fundamentado pela contribuinte e para aquela Autoridade formulasse relatório circunstanciado da diligência realizada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília realizou a diligência e os autos retornaram para análise deste Colegiado. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator Fl. 176DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 2/11/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. Conforme relatado, tratase de retorno de diligência proposta pelo Segundo Conselho de Contribuintes para análise de documentos que poderiam sustentar o pleito do recorrente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília realizou o trabalho de campo, ao final produziu um relatório fiscal conforme requisitado pela Resolução nº 240 00577, de 03/06/2008. Como a matéria a ser apreciada é de conteúdo unicamente fático, sintome obrigado a utilizar das conclusões do relatório fiscal como sustentáculo de minha decisão, de sorte que peço vênia para reproduzilas, verbis:. 1. Tratase de Requisição de Diligência da Quarta Câmara do Segundo Conselho do Contribuinte, conforme Resolução n° 204 00.577 (fls. 104 a 107), para que sejam analisados os registros contábeis e fiscais da empresa para que se verifique se houve a alegada insubsistência originada por simples erro de fato quanto ao lançamento do valor de R$ 118.000,00, relativo a recolhimento a menor de I0F, devido na quinta semana de maio de 1997, mais acréscimos de multa de oficio de 75% e juros de mora. 2. Da análise dos fatos constatase que o contribuinte recebeu o auto de infração no 000998 que trata de pendência de credito tributário, especificamente o 10F/1997 — código 1150 do período de apuração 1° e 2° trimestre de 1997 (5º semana de maio de 1997). Alega então que o saldo a pagar em questão foi fruto de erro de preenchimento da DCTF retificadora que apresentou informação equivocada em relação a 5a semana de maio/97 do IOF. No ato do recolhimento do IOF — código 1150, referente à semana de 25/05/97 a 31/05/97 com vencimento em 04/06/97, houve uma falha no preenchimento da planilha de controle, causando uma insubsistência quanto ao valor do IOF retido na agência Brazlândia — 025 (núcleo contábil 002502). 0 valor digitado na citada planilha deveria ser R$ 13.171,48 ao invés de R$ 131.171,48. Ou seja, o total a ser recolhido, naquele grupamento de agencias, era R$ 115.564,27 e não 233.564,27. 3. Em 27/01/2010 foi lavrado o Termo de Intimação n° 017/2010 (fls. 110/111), com a ciência da fonte pagadora em 28/01/2010, conforme AR (fl. 112), solicitando as informações relacionadas no referido Termo. 4. Os documentos solicitados foram entregues pelo contribuinte e incluídos neste processo, (fls. 113 a 140). Ao analisálos constatase que os lançamentos contábeis demonstram que realmente houve erro de fato no preenchimento da DCTF retificadora que apresentou informação equivocada em relação à 5a semana de maio/97 do IOF, conforme justificativas apresentadas pelo contribuinte na documentação anexada. 5. Segundo o Decreto Lei n° 2.124 de 13 de junho de 1984, a DCTF, ao formalizar o cumprimento de obrigação acessória, Fl. 177DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 2/11/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10166.004701/200259 Acórdão n.º 3402001.917 S3C4T2 Fl. 176 5 trará informações hábeis e suficientes para exigir e constituir o credito tributário declarado, que passa a gozar de certeza e liquidez nos termos do art. 204 da lei n° 5.172/72, CTN. 6. Apesar do parágrafo único do artigo supracitado permitir revisão, também amparada no inciso I, § 2° do art. 9° da IN n° 255 de 11/12/2002, essa e limitada à ocorrência de erro de fato. Os fatos relatados e demonstrados através de documentos contábeis e fiscais confirmam que houve erro de fato. 7. Informase que a extinção do debito através de pagamento, dedução ou compensação deve ser procedida perfeitamente no momento correto, de acordo com as exigências legais e normativas. Dessa forma, caberá neste momento corrigir o lançamento do valor de R$ 118.000,00, a fim de excluir a exigibilidade do crédito tributário regularmente constituído e inscrito, conforme constatado o erro de fato. 8. Esclarecese que o erro de fato, que autoriza a revisão de oficio, deve ser fundado na constatação de um erro evidente, haja vista ser imprescindível, para se caracterizar o erro de fato, a inexistência de controvérsia sobre o fato. Segue o disposto no CTN acerca do tema, que corrobora esse entendimento: “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis sua efetivação. § 2° Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de oficio pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. (negritouse”) 9. Portanto, diante do exposto, concluise que é cabível a aceitação das justificativas do contribuinte, pois foi constatado erro de fato. 10. Não tendo nada mais a acrescentar, proponho o retorno dos autos a Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário — DICAT — para que em cumprimento ao determinado pela Quarta Câmara do Segundo Conselho do Contribuinte (fl. 107) cientifique o contribuinte do resultado deste trabalho.. Agora digo eu. É de meridiana obviedade que o relatório fiscal nos indica que ocorreu o erro de fato alegado pelo recorrente. Nos termos da informação prestada pela Autoridade Fiscal, fls. 141/142, dou provimento ao recurso voluntário para cancelar o débito de IOF referente à quinta semana de maio de 1997. É como voto. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 2/11/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 Sala das Sessões, em 23/10/2012. Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 179DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 2/11/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10680.006775/2001-20
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 30/09/1995 a 31/12/2000
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. Restando configurado o lançamento por homologação, o prazo de decadência do direito do Fisco lançar a contribuição rege-se pela regra do art. 150, § 42 do CTN, operando-se em cinco anos contados da data do fato gerador.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: CSRF/02-03.593
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso especial, para excluir do lançamento os fatos geradores até junho de 1996. Os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior (Substituto convocado), Antonio Lisboa Cardoso (Substituto convocado) e Antonio Carlos Guidoni Filho acompanharam o Conselheiro-Relator pelas suas conclusões.
Nome do relator: Antonio Carlos Atulim
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Data da sessão: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
SERVIÇOS HOSPITALARES. QUIMIOTERAPIA E HEMATOLOGIA.
Inserem-se no conceito de serviço hospitalar preconizado no art. 15, § 1º, III, "a" da Lei n° 9.249/95, os serviços prestados de quimioterapia e hematologia, com utilização de equipamentos específicos e fornecimento de produtos terapêuticos, ministrados por equipe especializada em estabelecimento caracterizado corno "hospital-dia" próprio ou de terceiro.
CONSULTAS MÉDICAS.
As receitas advindas de simples consultas médicas, submetem-se ao
percentual de 32% para apuração do lucro presumido para determinação do Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas - IRPJ.
Numero da decisão: 1803-000.142
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, mantendo-se o percentual de 32% (trinta e dois por cento) exlusivamente sobre as receitas decorrentes de consultas médicas. Vencida a Conselheira Selene Ferreira de Moraes, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 SERVIÇOS HOSPITALARES. QUIMIOTERAPIA E HEMATOLOGIA. Inserem-se no conceito de serviço hospitalar preconizado no art. 15, § 1º, III, "a" da Lei n° 9.249/95, os serviços prestados de quimioterapia e hematologia, com utilização de equipamentos específicos e fornecimento de produtos terapêuticos, ministrados por equipe especializada em estabelecimento caracterizado corno "hospital-dia" próprio ou de terceiro. CONSULTAS MÉDICAS. As receitas advindas de simples consultas médicas, submetem-se ao percentual de 32% para apuração do lucro presumido para determinação do Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas - IRPJ.
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QUIMIOTERAPIA E HEMATOLOGIA. Inserem-se no conceito de serviço hospitalar preconizado no art. 15, § 1 0, III, "a" da Lei n° 9.249/95, os serviços prestados de quimioterapia e hematologia, com utilização de equipamentos específicos e fornecimento de produtos terapêuticos, ministrados por equipe especializada em estabelecimento caracterizado corno "hospital-dia" próprio ou de terceiro. CONSULTAS MÉDICAS. As receitas advindas de simples consultas médicas, submetem-se ao percentual de 32% para apuração do lucro presumido para determinação do Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas - IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, mantendo-se o percentual de 32% (trinta e dois por cento) exlusivamente sobre as receitas decorrentes de consultas médicas. Vencida a Conselheira Selene Ferreira de Moraes, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.. r- • FERREIRA DE MORAES - Presidente („Xl , q. /-2,31. 7\4-, z„,à_e.e) WALTER ADOLFO MA n ESCH - Relator EDITADO EM: íni r rs LI 1- 2009 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Walter Adolfo Maresch, Benedicto Celso Benício Júnior, Luciano Inocêncio dos Santos e José Sérgio Gomes (Suplente Convocado), e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (Vice Presidente). Relatório CENTRO DE ONCOLOGIA E HEMATOLOGIA DE MOSSOR6 LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ Recife (PE), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ. DO AUTO DE INFRAÇÃO Contra a empresa em epígrafe, foi lavrado, em 03/07/2002, os Autos de Infração a seguir relacionados, para exigência de crédito tributário de R$ 123.069,21, referente aos fatos geradores ocorridos no ano-calendário de 1999. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM REAIS TRIBUTO Fls. Imposto/ Juros de Multa TOTAL Contrib. Mora Proporcional Imposto de Renda - liRPJ 114/116 45.115,64 19.876,75 33.836,71 98.829,10 Contribuição Social - CSLL 119/121 11.080,81 4.848,73 8.310,57 24.240,11 2. De acordo com o Quadro da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 115 e 116), apurou-se: 2.1 receita da atividade — a partir do ac 93 — receita bruta mensal sobre prestação de serviços (receita de prestação de serviço escriturada e não declarada em dipj/dctf) - a partir do confronto do livro Caixa, notas fiscais emitidas, bem como comprovante de rendimento fornecido pela Fundação Nacional de Saúde, com as receitas informadas na DIPJ/2000. Fato Gerador Valor Tributável em Reais 31/03/1999 8.802,79 30/09/1999 17.523,04 2.2 receita bruta mensal sobre a prestação de serviços (receita declarada em dipj — não informada em dctf — percentual de presunção incorreto sobre as receitas da atividade, para a determinação do lucro presumido). O contribuinte teria aplicado, de forma incorreta, o percentual de 8% sobre as suas receitas da atividade declarada em DIPJ, para a determinação do lucro presumido, base de cálculo do imposto nos anos objeto da autuação, vez que não reunia condições para ser considerada como prestadora de serviços hospitalares, por não possuir estrutura fisica mínima para que em 1999 fosse considerado como tal. A autoridade fiscal fundamentou seu argumento nos seguintes fatos: 2 Processo n° 13,J 33.000517/2002-21 S1-TE03 Acórdão n 1803-00.142 ,t.. Fl. 330 a) No objeto social da empresa: Diagnóstico das doenças onco-hematológicas e tratamento com utilização de agentes quimioterápicos e biológicos; b) No conceito de hospital do Manual de Acreditação Hospitalar (Ministério da Saúde), proposto pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e retirado do Dicionário de Aurélio Buarque de Holanda, entre outros, e de clínica, estabelecendo para o contribuinte, em 1999, a conceituação de "clínica"; c) No esclarecimento do próprio contribuinte à intimação realizada em 08/02/2002 (fi.105), de que, para alguns serviços, utiliza a estrutura fisica do hospital Wilson Rosado, até que a estrutura hospitalar própria esteja pronta, constando com 50 leitos, consultórios, UTI, salas de cirurgias (...). Fato Gerador Valor Tributável em Reais 31/03/1999 130.045,88 30/06/1999 164.751,38 30/09/1999 211.518,41 31/12/1999 302.744,57 3. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, a impugnação de fls. 129/143, por meio da qual alega: Preliminarmente: 3.1 Interpretação da Lei. Argumentando sobre a controvérsia que pode haver sobre a definição de serviços hospitalares, infere que o legislador ao se referir a serviços hospitalares pretendeu abranger os serviços prestados por hospitais e entidades com características análogas, a exemplo de casas de saúde e maternidades, serviços esses, aí incluído o atendimento 24 horas. 3.2 Da Multa Confiscatória. Por meio de laborado texto, com enxertos da Doutrina e da Jurisprudência, informa que incide multa confiscatória de 75% sobre o auto de infração em lide, o que confronta com o que dispõe o art 150, inciso IV, da Constituição da República de 1988 — CF/88. 3.3 Da ilegalidade da taxa Selic. Alega que devido a sua característica, se revestindo de juros remuneratório e não moratório, a aplicação da Selic como encargo tributário malfere o disposto no art. 161, §1° do CTN e o limite determinado pelo art. 192,§3° da CF/88. 3.4 Da ofensa ao princípio do Devido Processo Legal. Alega que "a partir de quando a autoridade administrativa desconsiderou o dever de trilhar a legalidade observando as formações jurídico-processuais que, auscultadas teriam impedido uma autuação arrimada num ilícito sem materialidade." Mérito ( • 3.5 Atividade e atendimento hospitalar. a) Que consta no seu cartão do CNPJ a atividade de atendimento hospitalar. b) Que dá respaldo à atividade hospitalar a cláusula 3' do Contrato Particular de Constituição de Sociedade por Cotas de Responsabilidade "O objeto da sociedade será a prestação de serviços médico-hospitalares". c) Que o alvará para instalação e funcionamento, expedido pela Prefeitura Municipal de Mossoró, Diretoria de Vigilância à Saúde, indica no item atividade comercial: "Serviços médico hospitalar em geral". d) Ressalta que, de acordo com informações dirigidas à Delegacia da Receita federal (fls. 106 a 108) do presente processo a recorrente demonstra claramente que se utiliza, para execução de alguns serviços da estrutura fisica do Hospital Wilson Rosado, através de acordo firmado com a direção do referido hospital. e) Que a estrutura física do Centro de Oncologia e Hematologia de Mossoró Ltda já se encontra e fase de construção, cuja estrutura contará com 50 leitos, consultórios, UTI, salas de cirurgias, de administração de medicamentos, entre outros. f) Que há diversos atendimentos no período fiscalizado, conforme cópias de documentos anexos, por amostragem, que indicam internação, não havendo como se aceitar cirurgia do tipo ambulatorial. g) Que o documento de folha 41 do presente processo "Comprovante Anual de Retenção de IRPJ CSLL" emitido pelo Sistema SIASUS (órgão oficial do governo federal) faz retenção na fonte considerando o percentual de IRPJ a alíquota de 8%. h) Que o fato de haver ou não emissão de nota fiscal para determinados tipos de prestação de serviços hospitalares, não invalida os controles probatórios, pois a própria fiscalização aceitou, ipso facto, as receitas escrituradas e comprovadas pelo documentário de que se vale a empresa. i) Que o agente do fisco esqueceu-se de tecer comentários a respeito do documento anexado às folhas 18 do presente processo, que entende não fazer parte da presente lide. j) Se o cerne da tributação é a diferença entre a alíquota de 8% e 32%, não se deveria falar em tributações reflexas (IRPJ e CSLL), visto que os percentuais de base de cálculo afetam tão somente o Imposto de Renda Pessoa Jurídica. k) Que na doutrina citada no relatório conclusivo, como também na Portaria n° 30 BSB do Ministério da Saúde (11.02.97) a definição de serviços hospitalares a socorre, pois "a prestação de serviço hospitalar não implica, necessariamente, as fases anteriores (diagnóstico, assistência e tratamento), desde que para usufruto da aliquota de 8% obrigatoriamente haja internação. Com ou sem internação, se enquadrando a entidade como empresa hospitalar, estas fases, isoladas ou conjuntamente, dão direito a utilização da aliquota de 8%.- 1) Que o Parecer Normativo CST n° 36/97 dá respaldo legal ao raciocínio da impugnante. A condição para dedução é que conste na conta hospitalar, mesmo que o tratamento possa ter sido ambulatorial. ,4 • Processo n' 13433.000517/2002-21 S1 -TE03 Acórdão n. 1803-00.142 Fl. 331 Requerimentos 3.6 Diligência.Requer a realização de uma diligência fiscal, com fulcro no art. 16, IV, da Lei n° 8.748/93, para que seja provado o alegado, documental e tecnicamente. "A prova documental se relaciona com o documento fisco-contábil que deixou de ser verificado; a diligência técnica se destina a constatar, in loco a estrutura tecnológica de que se caracteriza a entidade hospitalar da impugnante." 3.7 Compensação: Caso, ainda, haja saldo devedor, que seja compensado com os valores retidos na fonte, independentemente ou não de restituição, conforme fl. 41 do processo. A DRJ RECIFE (PE), através do acórdão 11-19.492 de 29 de junho de 2007 (fls. 203/225), julgou procedente em parte o lançamento de oficio, ementando assim a decisão: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 FALTA DE RECOLHIMENTO. DIFERENÇA APURADA. Procede o lançamento da diferença de imposto apurada com base em valores da escrituração fisco-contábil da contribuinte em cotejo com os valores dos DARFs recolhidos e/ou valores declarados em DCTF. ATIVIDADE HOSPITALAR NÃO COMPROVADA. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO DE 32%. Não caracterizado serviço hospitalar nos termos da legislação tributária a alíquota aplicável é de 32%. APURAÇÃO DO IMPOSTO. RETENÇÃO NA FONTE. VALORES INFORMADOS EM D1PJ. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Em consonância com o procedimento adotado, devem ser considerados, na apuração do imposto, os valores informados pelo contribuinte na Declaração de Informações Econômico- Fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1999 FALTA DE RECOLHIMENTO. DIFERENÇA APURADA. Procede o lançamento da diferença de contribuição apurada com base em valores da escrituração fisco-contábil da contribuinte em cotejo com os valores dos DARFs recolhidos e/ou valores declarados em DCTF. APURAÇÃO DA CSLL. RETENÇÃO NA FONTE, VALORES INFORMADOS EM DIPJ. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Em consonância com o procedimento adotado, devem ser considerados, na apuração da CSLL, os valores informados pelo \fi 5 1 :- contribuinte na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999 JULGAMENTO . ADMINISTRATIVO. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. Ciente da decisão em 05/09/2007, conforme AR constante às fls. 229, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 05/10/2007, onde repisa os argumentos da inicial de que a atividade exercida em seu estabelecimento se enquadra perfeitamente no conceito de serviço hospitalar, fazendo jus ao percentual reduzido de 8% para fins de presunção do IRPJ. É o relatório. 6 ,--\ 7 Processo n° 13433.000517/2002-21 S1-TE03 Acórdão n.° 1803-00.142 Fl. 332 Voto Conselheiro WALTER ADOLFO MARESCH - Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de lançamento de oficio para exigência de IRPJ e CSLL, relativo ao ano calendário 1999, pela constatação de diferenças entre os valores escriturados e os declarados/confessados na DCTF, tendo a fiscalização utilizado para presunção do lucro tributável sujeito ao IRPJ a alíquota de 32%, considerando não estar a atividade da recorrente enquadrada no conceito de serviço hospitalar. A recorrente se insurge desde a impugnação, somente em relação ao percentual de presunção do lucro, sendo definitiva a decisão de primeira instância em relação as diferenças apontadas pela fiscalização entre os valores escriturados e os declarados/confessados para o IRPJ e da exigência integral da CSLL. Alega a recorrente em síntese: a) Que em relação ao ano calendário objeto da autuação, preenche todos os requisitos para que sua atividade seja enquadrada no conceito de serviço hospitalar (junta documentos); b) Que conforme decisões administrativas e soluções de consulta, sua atividade está perfeitamente enquadrada no conceito de serviço hospitalar, fazendo jus ao percentual reduzido de 8% para apurar o lucro presumido da atividade. Assiste parcial razão à recorrente. Com efeito, a matéria é tormentosa e objeto de intensas discussões seja no âmbito dos litígios administrativos como dos judiciais, decorrentes da correta exegese das disposições contidas no art. 15, § 1°, III, "a" da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, aqui reproduzida em sua redação, anterior à produzida pela Lei n° 11.727/2008: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Lei n°11.119, de 205) § 1° Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I - um inteiro e seis décimos por cento, para a atividade de .\ revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; 7èy II - dezesseis por cento: a) para a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo; b) para as pessoas jurídicas a que se refere o inciso III do art. 36 da Lei n" 8.981, de 20 de janeiro de 1995, observado o disposto nos ,sçSÇ 1° e 20 do art. 29 da referida Lei; III - trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória n°232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; ( grifamos - redação anterior) sç 2' No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. Constata-se que tanto a Administração Tributária como os tribunais administrativos e judiciais, tentam extrair da pobre redação do dispositivo legal em comento a correta vontade do legislador ordinário, para a diferença na aplicação dos coeficientes de presunção do lucro presumido, que oscilam entre 8% para os serviços hospitalares e 32% para os serviços em geral. Não temos dúvida de que entre as posições antagônicas emergem duas situações bem distintas ou seja, o hospital, aqui considerado o estabelecimento de saúde tradicional, cujo senso comum dispensa maiores comentários e as clínicas médicas onde há apenas a realização de simples consultas, onde o profissional de saúde munido de pouco ou nenhum equipamento e sem ministrar quaisquer medicamentos, realiza a práxis encaminhando os pacientes para exames e eventuais intervenções em outros estabelecimentos. A dificuldade se impõe na nebulosa e cinzenta faixa existente entre as duas situações bem definidas, onde serviços hospitalares são executados em estabelecimentos que não reúnem na quantidade ou na qualidade todos os ingredientes de infraestrutura material e humana de um hospital tradicional, mas nem por isso deixam de estar enquadrados na tipificação legal de serviço hospitalar. Tenho que a correta interpretação do dispositivo legal em comento, além é óbvio de analisar a realidade fática do contribuinte, deve levar em conta as regras prescritas no Código Tributário Nacional contidas no Capítulo IV em seus artigos 107 a 112. As regras de interpretação contidas no Código Tributário Nacional, enfatizam a necessidade observância dos princípios gerais de direito tributário e direito público, não descartando a utilização do emprego da analogia e da equidade, não podendo haver no entanto exigência de tributo não previsto em lei ou dispensa de pagamento de tributo devido. No caso em tela, além de entender perfeitamente possível a interpretação extensiva ou analógica (que não se confunde com o emprego da analogia), reputo de fundamental importância a invocação do princípio da segurança jurídica, para dirimir o litígio. Acerca do principio invocado, leciona o magistrado Leandro Paulsen: • Processo n° 13433.000517/2002-21 S1-TE03 Acórdão n.° 1803-00.142 Fl. 333 O preámbulo da Constituição da República Federativa do Brasil anuncia a instituição de um Estado Democrático que tem como valor supremo, dentro outros, a segurança. Segurança é a qualidade daquilo que está livre de perigo, livre de risco, protegido, acautelado, garantido, do que se pode ter certeza ou, ainda, daquilo em que se pode ter confiança, convicção. O Estado de direito constitui, por si só, uma referência de segurança. Esta se revela com detalhamento, ademais, em inúmeros dispositivos constitucionais, especialmente em garantias que visam a protegem-, acautelam', garantir, livrar de risco e assegurar, prover certeza e confiança, resguardando as pessoas do arbítrio. A garantia e a determinação de promoção da segurança revelam-se no plano deôntico, implicitamente, como principio de segurança jurídica. São cinco os conteúdos do princípio da segurança jurídica: I — certeza do direito (e.g: legalidade, irretroatividade); 2 — intangibilidade das posições jurídicas (e.g: proteção ao direito adquirido e ao ato jurídico perfeito); 3 — estabilidade das situações jurídicas (e.g.: decadência, prescrição extintiva e aquisitiva); 4 — confiança no tráfego jurídico (e.g.: cláusula geral de boa fé, teoria da aparência, princípio da confiança); 5 — tutela jurisdicional (e.g.: direito de acesso ao Judiciário e garantias específicas como o mandado de segurança e o hábeas com-pus). O conteúdo de certeza do direito diz respeito ao conhecimento do direito vigente e aplicável aos casos, de modo que as pessoas possam orientar suas condutas conforme os efeitos jurídicos estabelecidos, buscando determinado resultado jurídico ou evitando conseqüência indesejada. Todo o conteúdo normativo do principio de segurança jurídica se projeta na matéria tributária. PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10 ed. Livraria do Advogado Editora: Porto Alegre; ESMAFE, 2008. p.860. As sucessivas interpretações emanadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, consubstanciadas principalmente nos Atos Declaratórios Interpretativos n° 18/2003 e 19/2007, bem como na dicção das Instruções Normativas n° 306/2003 (art. 23) e Instrução Normativa SRF 480/2004 (art. 27) com as alterações constantes das IN SRF 539/2005 e IN RFB n° 791/2007, procurando traduzir o conceito de serviço hospitalar, contido no art. 15, § 1°, III, "a" da Lei n° 9.249/95, ofendem de certa maneira o princípio da segurança jurídica. As interpretações embora tomem por base conceitos existentes na área médica e saúde pública, amealham condições ora mais ora menos restritivas, para o enquadramento no conceito de serviço hospitalar, restrições inexistentes na letra fria da lei tributária. Incensurável sob o ponto de vista do interesse público do Erário, as sucessivas interpretações colidem com o princípio da segurança jurídica e os demais princípios de interpretação han-nônica do ordenamento jurídico tributário, inserindo condições inexistentes mediante atos normativos infra-legais que não podem extrapolar o conteúdo normativo do ato legal regulamentado ou interpretado. 9(pir Outrossim, a eleição de sucessivas condições para o enquadramento no conceito de serviço hospitalar, ora mais amplo, ora mais restrito, com aplicação retroativa, enseja que determinado contribuinte, em determinado período esteja ao abrigo do percentual menor de 8% e logo a seguir descubra não mais preencher as condições, de acordo com o novo ato emanado pela Administração Tributária, não se coaduna com os princípios que regem a relação jurídico-tributária frente aos princípios da segurança jurídica, isonomia, moralidade, razoabilidade e postulado da proporcionalidade. Por outro lado, constata-se que ao contrário do que se ventila inclusive em inúmeros julgados judiciais, não há no dispositivo legal urna intenção de criar qualquer beneficio ou redução de tributo, mas tão somente, adequar o percentual de presunção de imposto, de acordo com a situação fática da atividade exercida. A prestação pura e simples de serviços (consultas médicas no caso em tela) tem uma margem de lucratividade totalmente diferente daquela prestação de serviços que envolve entre outros, aplicação ou fornecimento de produtos terapêuticos ou remédios; equipamentos para exames, intervenções e administração de substâncias terapêuticas; acomodações específicas para pacientes mesmo no conceito "hospital-dia", e, pessoal especializado para desempenho da atividade. Outrossim, o percentual de presunção de 8% (oito por cento) é o percentual normal para apuração do lucro tributável de todas as atividades econômicas, ressalvadas as expressamente definidas no art. 15 da Lei n° 9.250/95, não havendo beneficio fiscal propriamente dito em sua aplicação por parte das empresas que executam atividades de serviços hospitalares. Destarte, conclui-se que havendo uma estrutura do estabelecimento de saúde próprio ou de terceiros exigida pelas autoridades sanitárias e de saúde, a natureza dos serviços prestados revelar não se tratar de simples prestação de serviços de consulta médica, ou seja, deve haver a administração de substâncias terapêuticas ou algum tipo de intervenção corporal, ressalvados ainda os casos de fraude, é inafastável sob pena de ofensa ao ordenamento jurídico tributário, a possibilidade de apuração do lucro presumido, pelo percentual normal de 8%, sobre as receitas decorrentes e inseridas no conceito de serviço hospitalar. A jurisprudência judicial embora contraditória, tem novamente se alinhado no sentido de que por serviços hospitalares compreendem-se aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Exclui-se da tributação reduzida (favorecida conforme os julgados) simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos. É transcrita a seguir a ementa do julgado do Superior Tribunal de Justiça, cujas conclusões foram reproduzidas também nos Recursos Especiais 1.026.411, 1.081.441 e 1.082.101: RECURSO ESPECIAL N°951.251 - PR (2007/0110236-0) RELATOR : MINISTRO CASTRO MEIRA io _ 7 Processo n° 13433.000517/2002-21 81-TE03 Acórdão n.° 1803-00.142 Fl. 334 EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, § I', IIL %4", E 20 DA LEI N° 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR. INTERNAÇÃO. NÃO-OBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFIS CAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO-PROVIMENTO. 1. O art. 15, § 1 0, III, "a", da Lei n° 9.249/95 explicitamente concede o beneficio fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. Observação de que o Acórdão recorrido é anterior ao advento da Lei n°11.727/2008. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6" da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se cá racterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Deve-se entender como "serviços hospitalares" aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do beneficio: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. 11 Do julgado se deflui que deve ter o estabelecimento estrutura material e humana adequada, própria ou de terceiros, e que a atividade de saúde executada, tenha custos diferenciados do simples atendimento médico (consultas). Analisando a situação fática da recorrente, constata-se que ao contrário do que concluiu a decisão de primeira instância, há robusta prova do exercício de atividade enquadrada como serviço hospitalar, mesmo se considerando os próprios limites preconizados pelos atos emanados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A recorrente tem como objeto social a atividade de serviços médico- hospitalares precisamente o diagnóstico das doenças onco-hematológicas e tratamento com a utilização de agentes quimioterápicos e biológicos (fls. 19/22). Possui autorização para o ano de 1999, para exercício da atividade de oncologia e hematologia, expedido pela vigilância sanitária (fls. 303) e termo de inspeção sanitária de 23/11/1998, atestando que o estabelecimento encontra-se de acordo com as normas do Ministério da Saúde (fl. 305). Efetuou o cadastramento de centro de alta complexidade em oncologia com data de autenticação de 08/09/1999, confirmando que parte dos procedimentos eram executados em estabelecimentos de terceiros (a empresa utilizava um andar inteiro do Hospital Wilson Rosado e também equipamentos da Associação de Assistência e Proteção à Maternidade e Infância de Mossoró — APPIM - fls. 263/278). Apresentou ainda diversos outros elementos que comprovam a sua inscrição e manutenção de serviços oncológicos, citando-se como exemplo o contrato de prestação de serviços firmados com a Secretaria Estadual de Saúde Pública em 03/06/1996 (fls. 280/287) e documento emitido pela Secretaria Estadual de Saúde Pública do Rio Grande do Norte, datado de outubro/99, contendo a relação de serviços prestados na área de oncologia e hematologia (fls. 291/295). Alguns elementos contém dados atualizados, não se referindo à situação fática existente no ano calendário de 1999, não se prestando portanto à corroborar as alegações da recorrente. Dentre os elementos destacados, alguns foram juntados somente no recurso voluntário, mas como reforçam a busca da verdade real e poderiam ser objeto de diligência fiscal por parte deste relator, bem como, contrapõe razões espendidas na decisão de primeira instância, serão acolhidos sem os óbices do § 4° do art. 16, do Decreto 70.235/72. Verifica-se que a recorrente no ano calendário 1999, exerceu efetivamente atividade inserida no conceito de serviço hospitalar, fazendo jus a tributação com base no percentual normal de 8% (oito por cento), como bem demonstram as notas fiscais carreadas pela autoridade fiscal (fls. 34, 35, 37, 38, 40 e 41), onde se constata a prestação de serviços de quimioterapia com fornecimento de materiais e medicamentos. No entanto, constata-se nos elementos coligidos pela autoridade fiscal, que há também registro de simples consultas, que não se inserem no conceito de serviço hospitalar, conforme atestam as notas fiscais (fls. 32, 33, 36 e 39), e consoante o disposto no § 2° do art. 15 da Lei n° 9.249/95, devem ser tributados a alíquota específica de 32%. Com relação as receitas decorrentes exclusivamente de consultas médicas, deverá a autoridade encarregada do cumprimento do acórdão, determinar a segregação destas 5 Processo n° 13433.000517/2002-21 51 -TE03 Acórdão n.° 1803-00.142 Fl. 335 das demais receitas tributáveis no ano calendário 1999, mantendo sobre estas o percentual de presunção de 32% (trinta e dois por cento). Diante do exposto, voto para dar parcial provimento ao recurso, para reduzir o percentual de presunção do lucro para as atividades de serviço hospitalar (quimioterapia e hemotologia) ao patamar de 8%, exceto para as receitas advindas de simples consultas médicas, que devem permanecer tributadas pelo percentual de 32%. j WALTER ADOLFO' MARESCH 137
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Numero do processo: 10245.003783/2008-20
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Sat Mar 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2006, 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO-FISCAL. INTIMAÇÃO POR EDITAL. VALIDADE. NECESSIDADE DE EXAURIMENTO DAS DEMAIS FORMAS DE INTIMAÇÃO PREVISTAS NO ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72.
É nula a intimação por edital quando há prova nos autos de que a intimação postal sequer foi entregue no endereço de correspondência do contribuinte. Para legitimar a intimação editalícia é necessário que sejam esgotadas as demais formas de intimação previstas em lei.
PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. CARACTERIZAÇÃO.
A pessoa jurídica que efetuar a entrega de recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995.
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. APLICAÇÃO AO CASO CONCRETO. UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS INIDÔNEOS.
É justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964, e conforme minuciosamente apurado pela autoridade fiscal.
Numero da decisão: 2102-002.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares suscitadas para, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Antonio Correa Junior, OAB-DF nº 16.286, patrono do recorrente.
Assinado Digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 26/06/2012
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima .
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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INTIMAÇÃO POR EDITAL. VALIDADE. NECESSIDADE DE EXAURIMENTO DAS DEMAIS FORMAS DE INTIMAÇÃO PREVISTAS NO ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72. É nula a intimação por edital quando há prova nos autos de que a intimação postal sequer foi entregue no endereço de correspondência do contribuinte. Para legitimar a intimação editalícia é necessário que sejam esgotadas as demais formas de intimação previstas em lei. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. CARACTERIZAÇÃO. A pessoa jurídica que efetuar a entrega de recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. APLICAÇÃO AO CASO CONCRETO. UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS INIDÔNEOS. É justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964, e conforme minuciosamente apurado pela autoridade fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 00 37 83 /2 00 8- 20 Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 21/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares suscitadas para, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Antonio Correa Junior, OABDF nº 16.286, patrono do recorrente. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 26/06/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima . Relatório Em face da contribuinte acima especificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 254/288 para exigência de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), sobre pagamento sem causa ou operação não comprovada nos anoscalendário de 2006 e 2007. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou a Impugnação de fls. 300/339), por meio da qual alegou, em resumo: a) requerse pela nulidade da decisão que negou dilação do prazo para apresentação da defesa da impugnante; b) com relação à ausência de operacionalidade, não é possível entender as alegações dos fiscais que elas inexistem. Ora, as págs. 8 e seguintes do relatório, atestam operações de compra e venda de imóveis realizadas pela impugnante. Todas escrituradas em livros contábeis e declaradas nas DIPJ's das empresas, apresentadas espontaneamente ao Fisco; c) se o objetivo da empresa é de florestamento, atividade com retorno programado para longo prazo, por que a afirmativa de que não iniciaram atividades? d) não há registros de despesas operacionais na empresa porque em sua grande maioria são negócios envolvendo atividades rurais, que não geram comprovantes de água, luz, telefone. As despesas com funcionários e com manutenção de escritório são custeadas pela empresa Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda., contratada para manutenção destes gastos; e) por movimento de dinheiro em caixa entendese também, atualmente, dentro da técnica contábil: cheques, ordens de pagamento, vales e todos os demais títulos que representem imediatamente o dinheiro; Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 21/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10245.003783/200820 Acórdão n.º 2102002.078 S2C1T2 Fl. 627 3 f) a prática de utilização do sistema financeiro nacional pode até facilitar o controle, mas, não garante facilidades operacionais quando se investe em locais de dificil acesso, principalmente num Estado subdesenvolvido, como o Estado de Roraima, que nem mesmo oferece agências bancárias em locais diversos de sua Capital; g) para fiscais da Receita Federal, que recebem salários através do sistema financeiro, que possuem atividades em pontos em que se utiliza cartão de crédito permanentemente, acesso fácil A internet ou a máquinas eletrônicas, realmente é estranho encontrar empresas que mantenham dinheiro em caixa; h) essas operações, apesar de atípicas, são permitidas em nosso cotidiano contábil. O ilícito, o inaceitável, é o fisco querer que lhes franqueiem a contagem de numerários, como se permitido lhes fossem, ou ainda, como se a ciência contábil não apresentasse verdades (leis) em torno de um mesmo objeto (o patrimônio aziendal) e sob um aspecto determinado; i) procedendo a devida conferência dos bens e documentos restituidos (tendo em vista que as restituições ocorreram por etapas), chegouse a conclusão que, nem todos os documentos apreendidos foram devolvidos, posto que, grande parte da documentação contábil das referidas empresas, quando da realização das apreensões, muitas pastas, gavetas e, principalmente sacos plásticos, que estavam abarrotados, voltaram com seus volumes bem inferiores; j) diante disso, várias notas fiscais e recibos, deixaram de compor a contabilidade da empresa de 01/03/2006 até 18/08/2006 e, por conseguinte, diminuir e até zerar, seu saldo de caixa; k) para afastar a possibilidade de cerceamento de direito de defesa provocado pela Administração Pública, solicitamos formalmente em 09/11/2007 ao Departamento de Policia Federal, explicações quanto a retenção ou extravio de documentos, porém, até a data de conclusão desta impugnação não recebemos quaisquer informações que nos ajudasse a restabelecer os controles internos e, por conseguinte, identificar o(s) beneficiário(s) dos pagamentos; 1) como comprovar que os pagamentos existiram e para quem ou a operação destes valores pagos, de forma convincente, se claramente identificado que o próprio Poder Público suprimiu a possibilidade de comprovação em contrário, dando sumiço em documentos da impugnante? m) pelo procedimento adotado ou não adotado, os Autuantes queimaram etapas do procedimento de uma diligência fiscal, cujo ápice é a lavratura dos autos de infração; n) houve, portanto, flagrante ofensa ao principio constitucional da legalidade, no que resulta na nulidade desta cobrança; Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 21/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 o) desse modo, a impugnante propugna seja acolhida As razões supra expendidas, para anular o lançamento de pagamentos beneficiários sem causa ou não identificados, pois analisando o conjunto de ações realizadas pelo fisco, demonstram um verdadeiro atentado a ordem constitucional e ao Estado Democrático de Direito adotado pelo ordenamento jurídico pátrio; o) é de fundamental importância para a comprovação das alegações expendidas, a disponibilização dos documentos retidos da empresa Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda, empresa que se encontra sob procedimento de fiscalização ainda não encerrado, cujos documentos achamse em poder da Receita Federal, tais quais: livros INVENTARIO, diário, razão e demais documentos pertinentes; p) foi requerido a DRF em Boa Vista em 01/09/2008 a devolução de todos os documentos para que se exercesse um direito constitucional previsto; r) tal direito foi cerceado, vez que até a data de apresentação desta impugnação não obtivemos qualquer resposta; s) a compra e venda de gado entre as empresas, foi formalizada através da Nota Fiscal e recibo, devidamente declarada no imposto de renda da Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda, documento hábil e idôneo, não podendo, desta forma, sem qualquer base, tanto factual (porque não aponta o beneficio obtido) quanto legal, fazerse juizo de valor sob ótica unilateral de seu representante, a mingua de fundamentação sob base legal, considerando tratarse de uma operação não comprovada, como se fora um ato simulado, para o fim de aplicar penalidades; t) ora, as partes, admitiram no recibo, o pagamento em espécie, tudo lastrado na contabilidade, porém, quer nos parecer que o fisco simplesmente ignora essa comprovação, como se outro(s) documento(s) com semelhante idoneidade pudesse ser produzido; u) falase no auto de infração da inadmissibilidade de aceitação, mas a autoridade fazendaria não explica qual teria sido a motivação e/ou o interesse da Autuada em praticar uma simulação de compra e venda de gado em relação ao fisco, sem o que não tem qualquer procedência; v) a Secretaria de Agricultura do Estado de Roraima, atesta (fls. 24 do relatório da fiscalização) a existência de gado no quadro da Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda; w) estando comprovada a existência de gado bovino, realizada a na contabilidade (doc. constantes nos autos), ainda que operação entre as duas empresas, com os valores registrados realizada em moeda corrente do Pais, não autoriza a edificação da presunção de receita omitida pela empresa. Na análise de tais alegações, os integrantes da DRJ em Belém decidiram por manter integralmente o lançamento, em julgado do qual se extrai a seguinte ementa: Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 21/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10245.003783/200820 Acórdão n.º 2102002.078 S2C1T2 Fl. 628 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2006, 2007 PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. PREVISÃO LEGAL EXPRESSA. A impugnação deve ser apresentada no prazo de trinta dias da ciência do lançamento, por expressa previsão legal, que não autoriza a concessão administrativa de prazo diverso. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU POR OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA É legitimo o lançamento decorrente da constatação de diminuição do saldo de caixa, sem a devida comprovação da operação ou causa dos pagamentos, e o decorrente da não apresentação de documentação consistente relacionada a negócio jurídico inexistente. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Correta a aplicação da multa de oficio qualificada de 150% quando restar evidenciado nos autos o intuito de fraude. Lançamento Procedente A correspondência por meio da qual foi enviada a intimação acerca deste acórdão foi devolvida “ao remetente”, o que justificou a afixação do Edital de Intimação de fls. 592. Às fls. 597 dos autos foi lavrado Termo de Perempção, em razão da falta de interposição de Recurso Voluntário. Em seguida, às fls. 606 e seguintes, a Interessada apresenta Recurso Voluntário, por meio do qual suscitou, em preliminar, que fosse reconhecida a tempestividade de seu Recurso, por considerar nula a intimação acerca da decisão recorrida (que foi enviada à fazenda quando deveria ter sido pessoal). Em resumo, seu pedido em tal Recurso foi: 3. Dos pedidos Ante ao exposto, requer, muirespeitosamente, às Vossas Senhorias que, com fundamento no art. 61 do Decreto n.° 70.235/72, declarem (1) a nulidade da intimação editalicia da recorrente e (2) a tempestividade do recurso. Admitido o recurso, requer seja provido para: a. decretar a nulidade dos lançamentos identificados no item IV, porque violam o art. 116, par. único c/c art. 142, CTN; e, b. decretar a nulidade do lançamento identificado no subitem IV.1.2 do TVF, porque viola o art. 142 do CTN c/c art. 48 da IN RFB n.° 748, de 28.jun.2007; ou, Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 21/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 c. seja julgado improcedente o lançamento identificado no subitem IV.1.1 do TVF, porque a redução do saldo de caixa se deu por motivo de força maior; e, d. seja rejeitado o agravamento da multa, pois não há prova do dolo especifico do recorrente. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora Conforme relatado, tratase de lançamento para exigência de IRRF sobre pagamentos cuja causa não foi comprovada. Em preliminar, a Recorrente pugna pelo reconhecimento da tempestividade do recurso interposto, esclarecendo que a intimação acerca do acórdão recorrido teria sido nula, já que até então todas as intimações vinham sendo encaminhadas ao endereço do seu representante legal, sendo que a intimação do acórdão foi dirigida à sede da empresa (fazenda). Tal intimação, porém, restou infrutífera, o que teria justificado a intimação por edital. Segundo a Recorrente: Esse procedimento não foi obedecido pela autoridade administrativa, uma vez que não foi providenciada, primeiramente, a intimação pessoal da recorrente. E o que se evidencia às fls. 586, na qual está juntada a correspondência postada à recorrente. E, frustrada a única tentativa de intimação postal, a autoridade administrativa procedeu, de imediato, a intimação editalicia da recorrente, conforme edital de fls. 592. Ao suprimir a intimação pessoal do acórdão, a autoridade administrativa violou o procedimento do art. 23 do Decreto n.° 70.235/72, preterindo seu direito ao devido processo legal (art. 5.°, LIV, CF188) e, como última conseqüência, seu direito de defesa (art. 5º, LV, CF188). E, ao preterir seu direito de defesa, de acordo com o art. 59, II, do Decreto n.° 70.235/72, a intimação é nula de pleno direito: (...) Pasmem, senhores julgadores, a sua intimação postal sequer ocorreu! 0 que há nos autos é apenas um simulacro de intimação postal. Isso porque o endereço da correspondência enviada pela autoridade administrativa não foi procurado pelo serviço postal, conforme carimbo de fls. 588. E, a autoridade administrativa sabia, de antemão, que a correspondência não seria entregue. Embora o endereço seja o Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 21/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10245.003783/200820 Acórdão n.º 2102002.078 S2C1T2 Fl. 629 7 domicilio fiscal da recorrente, ela sabia que as suas atividades empresariais eram desenvolvidas na rua Botão de Ouro, n.° 178, bairro Pricumd, na zona urbana de Boa Vista, RR. Afinal, está provado que a ação fiscal se deu, integralmente, com as informações obtidas neste endereço. De fato, a intimação de fls. 586 foi dirigida à Rod. RR207, Estrada Serra da Lua, Km 31 — FAZENDA UMIRIZAL (cf. AR de fls. 589). Esta correspondência foi devolvida “ao remetente”, o que teria justificado a afixação do edital (fls. 592). Por outro lado, ao longo do procedimento fiscal, todas as intimações haviam sido pessoais, inclusive a ciência do Auto de Infração. A própria Carta de Cobrança expedida após o reconhecimento da perempção do direito de interposição de Recurso Voluntário foi encaminhada também à Rua Botão de Ouro, n° 178 – Pricuma, que era o endereço do escritório do representante legal da Recorrente. Entretanto, o endereço da Fazenda para a qual foi enviado o envelope com a ciência da decisão proferida pela DRJ era o endereço da pessoa jurídica que constava do cadastro da Receita Federal (CNPJ), tanto é que ela mesma o apontou na Impugnação. Assim, em princípio, não haveria qualquer vício no envio da intimação da decisão para o endereço da empresa na área rural. Por isso, em uma primeira análise, a intimação editalícia teria sido válida. Entretanto, durante a sessão de julgamento de maio de 2012, quando teve início o julgamento deste Recurso Voluntário, o patrono da Recorrente chamou a atenção para o fato de que o envelope com a correspondência de fls. 586 (intimação da decisão recorrida) sequer fora entregue no referido endereço. Da análise dos autos digitalizados, porém, tal informação não constava, razão pela qual foi solicitada por esta Turma Julgadora a análise do processo “em papel”. Feita esta análise, verificouse que consta dos autos o envelope através do qual a correspondência foi enviada (fls.588). No verso dele consta o carimbo dos Correios com o esclarecimento acerca da motivação para a devolução do envelope ao remetente (fls. 588v.), onde se lê: “não procurado”. Isto significa que os Correios sequer tentaram entregar a correspondência que continha a ciência da decisão da DRJ, corroborando a tese suscitada pela defesa. Assim, e considerando que não foi obedecido o disposto no art. 23 do Decreto nº 70.235/72, deve, de fato, ser considerada nula a intimação editalícia, devendo ser reputado como tempestivo o Recurso Voluntário interposto. Por isso, dele tomo conhecimento, e passo à análise das alegações da Recorrente. PRELIMINARES A Recorrente suscita duas preliminares de nulidade do lançamento. A primeira delas diz respeito à uma suposta violação do art. 116 do CTN, pelos seguintes motivos: Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 21/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 8 Ora, se o valor do saldo de caixa, em 31.jul.2007, foi simulado; e, se a aquisição do gado, 06.jun.2005, foi simulada, a única forma retirarlhe a veste de legalidade desconsiderandoos, o que, conforme explicado, é defeso. Não havendo, portanto, procedimento que confira à autoridade administrativa poderes para desconsiderar os negócios jurídicos praticados pelo referido contribuinte, o auto de infração é nulo de pleno direito! Tal preliminar, porém, não merece acolhida. Antes de mais nada, há que se esclarecer que não foi aplicada aqui a regra do art. 116 do CTN. O que as autoridades lançadoras fizeram não foi desconsiderar os negócios jurídicos praticados pela Recorrente, mas, diversamente, elas apenas aplicaram uma outra presunção legal, aquela que consta do art. 61 da Lei nº 8.981/95, segundo o qual: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à aliquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1° A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa bem como .6 hipótese de que trata o q 2°, do art. 74 da Lei n° 8.383, de 1991. (grifamos) § 2° Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado liquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. De acordo com a referida norma, toda vez que um determinado pagamento deixa de ser comprovado através da documentação pertinente, cabe a tributação do IRRF à alíquota de 35%. Este foi o caso dos autos. Diante da falta de comprovação da destinação do saldo diminuído do caixa, bem como da falta de comprovação da efetividade da compra do gado que justificaria o referido pagamento, seria aplicável a regra acima transcrita. A aplicação do referido art. 61 não inquina o lançamento de qualquer nulidade, por isso a preliminar suscitada pela Recorrente não merece acolhida. Da mesma forma, a segunda preliminar suscitada diz respeito a uma possível nulidade do lançamento em razão da violação ao art. 142 do CTN c/c art. 48 da IN RFB n.° 748, de 28 de junho de 2007. Aqui, a Recorrente afirma que por ser considerado necessariamente inidôneo o documento fiscal emitido por pessoa jurídica inapta, deve ser considerado idôneo o documento fiscal emitido por empresa cuja inaptidão não tenha sido reconhecida pela Receita Federal. E complementa: E mais, se a Secretaria da Receita Federal do Brasil não cumpre seu dever de investigação; se não investiga a regularidade das atividades das pessoas jurídicas cadastradas no CNPJ; e, se não declara a inaptidão da pessoa jurídica, conforme o art. 34 Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 21/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10245.003783/200820 Acórdão n.º 2102002.078 S2C1T2 Fl. 630 9 da IN RFB n.° 748/2007; ela não pode inverter o Onus probatório em desfavor do contribuinte, adquirente de produtos. Isso porque o contribuinte só é obrigado a provar a efetividade do fornecimento dos produtos, quando, previamente, declarada a inaptidão da pessoa jurídica. E o que se depreende do art. 48, § 5º da Instrução Normativa. A Recorrente conclui então que se a empresa Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda. (que emitiu a Nota Fiscal de venda de gado) não havia sido considerada inapta, então a nota fiscal por ela emitida deveria ser considerada idônea e não poderia ter sido “desconsiderada” pelas autoridades fiscais. No entanto, a conclusão acerca da interpretação da IN referida não é verdadeira. A simples falta de reconhecimento da inaptidão de uma determinada pessoa jurídica não implica em que todas as notas fiscais por ela emitidas sejam idôneas; assim como também não implica em que sejam inidôneas. A idoneidade de uma determinada nota pode e deve ser verificada caso a caso. Como já demonstrado acima, o art. 61 da Lei nº 8.981/95 permite à autoridade fiscal que investigue a efetividade de pagamentos efetuados por pessoas jurídicas, apurandolhe as causas e os beneficiários. Nesta investigação, pode a autoridade fiscal solicitar os elementos que entender necessários à efetiva demonstração da operação. Neste sentido, a Nota Fiscal emitida pelo vendedor do gado não é uma prova absoluta da operação, podendo a autoridade fiscal requerer outras provas que a complementem, sob pena de realmente não ficar configurada a operação escriturada pela Recorrente, ou mesmo de restar configurada eventual inidoneidade de uma nota fiscal. Por isso, também esta preliminar não merece acolhida, pois nenhuma nulidade há no lançamento. MÉRITO Conforme relatado, o mérito deste lançamento versa sobre exigência de IRRF em razão de pagamentos cuja causa deixou de ser comprovada pela Recorrente. Os pagamentos que o geraram foram os seguintes: em 30/10/2006, R$ 1.514.250,00; e em 31/07/2007, R$ 621.106,36. O primeiro pagamento estaria relacionado a uma compra de gado da empresa Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda. (coligada da Recorrente), enquanto que o segundo estaria relacionado a uma diminuição do seu saldo de caixa. Passase à análise individual de cada um deles. Compra de gado Neste item, os seguintes trechos do Relatório de Fiscalização demonstram a justificativa da autoridade fiscal para efetuar o lançamento: (...) Devido a forte interligação entre as pessoas que assinam os documentos apresentados como únicos comprovantes da transação relatada, não merece crédito a causa do pagamento Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 21/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 10 como decorrente de compra e venda do gado. Para demonstrar tal fato apresentamos abaixo análise do estoque de gado escriturado nos livros contábeis da Ouro Verde Agrosilvopastoril, que nesta data também se encontra sob procedimento fiscal, pela qual chegase a conclusão da impossibilidade de existência física do gado nos valores transacionados. (...) Em relação às informações obtidas por meio da escrita contábil da Ouro Verde Agrosilvopastoril, concluímos que a movimentação de gado é realizada, apenas de forma contábil, não refletindo a realidade dos fatos, não sendo possível a Ouro Verde ter efetuado a venda do gado à Oba Ouro Branco Agropecuária, na forma escriturada; para demonstrar tal fato, passamos às seguintes considerações: (...) Em razão do pagamento realizado por esta fiscalizada à Ouro Verde Agrosilvopastoril em 30 de outubro de 2006, utilizando como causa a referida venda do gado, conforme recibo as folhas 94, o mesmo será considerado neste procedimento fiscal como pagamento para o qual não se comprovou a operação e sua causa, restando portanto a apuração do IRRF nos termos do artigo 61, §10 da Lei no 8.981/1995. No referido relatório foram apontados diversos fatos constatados pela autoridade fiscal em diligências realizadas, os quais implicariam na conclusão de que a referida compra não ocorrera de fato. A Recorrente, em sede de Recurso Voluntário, não trouxe qualquer alegação que comprovasse a causa dos referidos pagamentos, limitandose, neste ponto, a pugnar pelo reconhecimento da nulidade do lançamento (como analisado anteriormente). Por isso, a decisão recorrida é de ser mantida. Diminuição do saldo de caixa O que ensejou esta parcela do lançamento foi a seguinte motivação, conforme extraído do Termo de Verificação Fiscal (fls. 282): A fiscalizada informa que o saldo em espécie do seu caixa em 31/07/2007 é de R$ 21.338,00 (fls. 41), o qual, quando comparado aos R$ 642.444,36 escriturados no último Balanço Patrimonial apresentado pela empresa (transcrito no Livro Diário do AC 2005), indica saída de caixa neste período, no total de R$ 621.106,36 sendo necessário que o contribuinte apresentasse toda documentação hábil e idônea que comprovasse o beneficiário e a causa do pagamento, não sendo a alegação de que fez o uso do seu direito de buscar o arbitramento do lucro, que por sinal é inexistente, justificativa válida para a não apresentação dos documentos requeridos, neste sentido foi emitido o Termo de intimação 0007. (...) Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 21/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10245.003783/200820 Acórdão n.º 2102002.078 S2C1T2 Fl. 631 11 Pelo conjunto indissociável dos fatos relatados, a saída do caixa no valor de R$ 621.106,36, diferença entre o valor R$ 21.338,00, montante constante no caixa em 31/07/2007 conforme informação do contribuinte (fls. 41), R$ 642.444,36 escriturado no último Balanço Patrimonial apresentado pela empresa (transcrito no Livro Diário do AC 2005, Anexo II, fls. 187/188) teve destinação diversa, uma vez que não houve a comprovação da saída destes valores, resultando em pagamento sem causa, ou por operação não comprovada, com apuração de oficio do IRRF em 31/07/2007. Contra tal acusação, a Recorrente se limita a afirmar que não teria como comprovar a causa dos pagamentos em questão – ou a destinação destes valores – tendo em vista que seus documentos contábeis e fiscais teriam sido apreendidos e ainda não devolvidos até a conclusão da Impugnação. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente manteve esta linha de defesa, acrescentando que, a despeito dos documentos apreendidos já terem sido devolvidos: Procedendo a devida conferência dos bens e documentos restituidos (tendo em vista que as restituições ocorreram por etapas), chegouse a conclusão que, nem todos os documentos apreendidos foram devolvidos, posto que, grande parte da documentação contábil das referidas empresas, quando da realização das apreensões, muitas pastas, gavetas e, principalmente sacos plásticos, que estavam abarrotados, voltaram com seus volumes bens inferiores. Tais argumentos, porém, não são suficientes a desconstituir o lançamento aqui examinado. De fato, ainda que toda a documentação contábil e fiscal da Recorrente tivesse sido apreendida e não devolvida, ainda assim teria ela como – mesmo que de forma indiciária – demonstrar a efetividade dos pagamentos em questão. Há que se ressaltar que nenhuma prova foi produzida pela Recorrente, que também não trouxe nenhum argumento novo em sede de Recurso Voluntário que pudesse implicar na reforma da decisão recorrida. Tal postura impede a revisão do lançamento, devendo ser mantida a decisão recorrida. Da Qualificação da Multa A multa de ofício aplicada a este lançamento foi qualificada somente em relação ao IRRF incidente sobre a compra do gado, e justificada pelos seguintes motivos, expostos pela autoridade fiscal: Portanto, devido à constatação na escritura contábil de que a conduta do contribuinte está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio como descrito nos artigos 71,72 e 73 da Lei no 4.502/64 comprovada pela utilização de documentos inidôneos que caracterizam o evidente intuito de fraude por parte da empresa, a multa de oficio será QUALIFICADA conforme prevista no artigo 44 inciso II, da Lei no 9.430/96. Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 21/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 12 Melhor esclarecendo – e complementando a motivação para a qualificação da multa em exame, cumpre transcrever aqui os diversos elementos que – em conjunto – indicam que a operação não tenha se realizado, e que justificaram a referida qualificação. Foram eles: (...) Devido a forte interligação entre as pessoas que assinam os documentos apresentados como únicos comprovantes da transação relatada, não merece crédito a causa do pagamento como decorrente de compra e venda do gado. Para demonstrar tal fato apresentamos abaixo análise do estoque de gado escriturado nos livros contábeis da Ouro Verde Agrosilvopastoril, que nesta data também se encontra sob procedimento fiscal, pela qual chegase a conclusão da impossibilidade de existência física do gado nos valores transacionados. (...) Analisamos a conta Gado Bovinos para recria/revenda, registrada no livro Razão da empresa Ouro Verde Agrosilvopastoril (fls. 127/128), com a finalidade de conferir se o rebanho existente daria suporte a venda de 2.019 cabeças de gado para Ouro Branco agropecuária em 06/06/2005. Iniciamos a análise levando em consideração que, conforme registros contábeis, o saldo inicial da conta em 2000 era zero; em 11/05/2000 registra aquisição de 350 cabeças de gado, NF 000151 , pelo valor de R$ 245.000,00 e que em 03/08/2000 registra nova aquisição 180 cabeças de gado, NF 000152 , pelo valor de R$ 126.000,00. Com os dados colhidos do Livro Razão da Ouro Verde Agrosilvopastoril, elaboramos a tabela abaixo (fls. 127 a 143): (...) 1. A Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda inicia a contabilização do estoque de seu gado através de operação de compra efetuada com a pessoa jurídica Boiagu Comércio Ltda, da qual tornase sócia, visto o seu ingresso no quadro societário daquela empresa em 21/06/2002, retirandose em 15/04/2004, conforme informação sistema CNPJ (fls. 126). 2. Conforme demonstrado no quadro acima, dois dos três registros de compra de gado pela Ouro Verde, referemse a comercialização com a Boiagu, sua sócia, sendo que os registros dos pagamentos se dão pelo registro de liquidação de contrato de mútuo com a transação em gado. Desta transação há que se destacar que a numeração da nota fiscal NF no 000138 emitida 05/03/2004 (fls. 140 ) como comprovante da operação no valor de R$ 550.000,00, é inferior a numeração das notas fiscais no 000151 e 000152 emitidas em 2000 (fls. 128). Sendo este fato mais um forte indicio da emissão de documentos pelas empresas do empreendimento Walter Volgel apenas para justificar lançamentos contábeis, uma vez que há um lapso temporal de 04 anos entre as datas de emissão da NF 000151/000152 e a NF 000138. Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 21/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10245.003783/200820 Acórdão n.º 2102002.078 S2C1T2 Fl. 632 13 3. Em 05/03/2003 há o registro no livro Razão da Ouro Verde de pagamento pelo caixa da empresa de empréstimo a sócia Boiagu Comércio Ltda no valor de R$ 300.000,00 ( fls. 135/136), o saldo anterior da conta Empréstimos a Sociedade Coligada /Boiagu Comércio Ltda encontravase com valor de R$ 250.000,00, totalizando os R$ 550.000,00 (Mútuo) como um direito da Ouro contra sua sócia Boiagu, o qual não se comprova (fls. 136). 4. A compra em 05/03/2004, esta registrada em animais vivos / Gado Bovino para Recria como recebido em consignação pelo pagamento da divida acima. 0 registro deuse pelo mesmo valor de R$ 550.000,00, não existindo nenhum encargo financeiro. 5. Como de praxe, as operações não são comprovadas pelo sistema financeiro. Para atestar a quantidade do gado de propriedade da Ouro Verde Agrosilvopastoril foi solicitado à Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento SEAPA e ao Departamento de Defesa Agropecuária, respectivamente por meio dos ofícios 918/2006/Safis/Gab/DRF/BVT e 10/2006/SSAFIS/DRF/BVT, o estoque de semoventes bovinos do Estado de Roraima, por proprietário. Em resposta nos foi encaminhado o oficio 1864/06/SEAPA/DEDAGGAB com a listagem dos estoques de semoventes bovinos no Estado de Roraima, nos anoscalendário 2003 a 2006. Da relação recebida, anexamos cópias as folhas 147 a 152, suprimindo informações das demais pessoas físicas e jurídicas, permanecendo apenas os dados referentes à Ouro Verde Agrosilvopastoril, pelo qual corroboramos a conclusão da inexistência das 2.019 (duas mil e dezenove) cabeças de gado em 06/06/2005 de propriedade da Ouro Verde Agrosilvopastoril, escrituradas como vendidas a Oba Ouro Branco Agropecuário Ltda, no total de R$ 1.514.250,00. Em razão do pagamento realizado por esta fiscalizada à Ouro Verde Agrosilvopastoril em 30 de outubro de 2006, utilizando como causa a referida venda do gado, conforme recibo as folhas 94, o mesmo será considerado neste procedimento fiscal como pagamento para o qual não se comprovou a operação e sua causa, restando portanto a apuração do IRRF nos termos do artigo 61, §10 da Lei no 8.981/1995. (...) Contra todos estes argumentos, a Recorrente se limita a afirmar que a Nota Fiscal é um documento suficiente (e idôneo) a justificar o mencionado pagamento. Não traz quaisquer outros elementos que ajudassem no convencimento do julgador acerca da efetividade da operação a que se refere a referida Nota. Afirma ela que : O CARF tem aplicado com ressalvas o agravamento da multa de oficio. Partindo do pressuposto que a lei exige o dolo especifico do agente, isto é, de que ele, deliberadamente, agiu com o objetivo de suprimir ou reduzir tributo, o CARF tem, Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 21/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 14 reiteradamente, decidido que a multa agravada só é aplicável, quando provado o dolo. Na falta de argumentos e documentos que corroborassem sua pretensão, a decisão recorrida manteve o entendimento de que deveria ser considerada como inidônea a nota fiscal apresentada, a justificar a qualificação da multa, como se depreende do seguinte trecho: É evidente que os fatos apurados nos autos se subsumem as hipóteses acima descritas, já que a empresa simulou o negócio jurídico, não podendo ser acolhida a alegação da empresa de que não foi apontado o beneficio obtido ou interesse da autuada, posto que o próprio beneficio/interesse é o não pagamento de tributos. De fato, a jurisprudência deste Conselho Administrativo vem se desenvolvendo no sentido de que a tributação do IRRF sobre pagamentos considerados sem causa ou a beneficiário não identificado já é, por si só, uma penalidade pela falta de justificativa para tais pagamentos. Assim, tem sido unânime o entendimento de que somente se justifica a qualificação da multa de ofício em lançamentos desta natureza quando há a utilização por parte do contribuinte de documentos inidôneos. Eis alguns julgados que demonstram tal entendimento: (...) PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA Somente é cabível a exigência da multa qualificada prevista no artigo 44, II, da Lei n°. 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A não comprovação da operação ou da causa do pagamento efetuado, sem a utilização de documentos inidôneos, caracteriza falta simples de pagamentos sem causa, porém não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos da legislação tributária. Recurso provido. (AC 10422523, julgado em 14.06.2007) (...) PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE INOCORRÊNCIA Somente é cabível a exigência da multa qualificada prevista no artigo 44, II, da Lei n°. 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A não comprovação da operação ou da causa do pagamento efetuado, sem a utilização de documentos inidôneos ou subterfúgios para ocultar a ocorrência do fato gerador, caracteriza falta simples de pagamentos sem causa, porém não Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 21/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10245.003783/200820 Acórdão n.º 2102002.078 S2C1T2 Fl. 633 15 caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos da legislação tributária. Recurso voluntário provido. (AC 10616978, julgado em 26.06.2008) No caso vertente, como se viu, restou demonstrado que o documento apresentado pela Recorrente reputado como inidôneo pelas autoridades lançadoras foi a Nota Fiscal de fls. 63, que lastreou a compra do gado que deixou de ser comprovada. A inidoneidade da nota em questão foi demonstrada no Termo de Verificação Fiscal e devidamente transcrita neste voto. Considerando este conjunto de fatores, e sem que a Recorrente trouxesse aos autos quaisquer provas de que a operação de compra de gado efetivamente ocorrera, não há como acolher a mencionada nota fiscal como idônea, de forma que é aplicável aqui o entendimento acima mencionado a respeito da necessária qualificação da multa de ofício nos casos em que é apresentado documento inidôneo para justificar pagamentos cuja causa não é comprovada. Por outro lado, sobre a parcela do lançamento relativa ao IRRF incidente sobre a diminuição do saldo de caixa já não se poderia falar em qualificação da multa, já que neste caso a Recorrente simplesmente deixou de apresentar quaisquer documentos que demonstrassem a causa dos pagamentos efetuados, o que justificou o lançamento que ora se examina. Porém, como não houve qualificação quanto a esta parte, o lançamento é de ser mantido da forma como foi efetuado. Diante do exposto, VOTO no sentido de REJEITAR as preliminares suscitadas para, no mérito, NEGAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 21/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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