Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,966)
- Primeira Turma Ordinária (16,488)
- Primeira Turma Ordinária (16,437)
- Primeira Turma Ordinária (16,296)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,534)
- Primeira Turma Ordinária (13,106)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,532)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,725)
- Terceira Câmara (68,203)
- Segunda Câmara (57,034)
- Primeira Câmara (21,275)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,877)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (127,959)
- Segunda Seção de Julgamen (115,716)
- Primeira Seção de Julgame (77,508)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,120)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,472)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,545)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,896)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- WILDERSON BOTTO (2,674)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,654)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,655)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (19,010)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10283.901048/2008-27
Data da sessão: Fri Jul 02 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3302-000.046
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: WALBER JOSÉ DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201007
numero_processo_s : 10283.901048/2008-27
conteudo_id_s : 6467184
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 09 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 3302-000.046
nome_arquivo_s : 330200046_510111_10283901748200827_003.pdf
nome_relator_s : WALBER JOSÉ DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10283901048200827_6467184.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator
dt_sessao_tdt : Fri Jul 02 00:00:00 UTC 2010
id : 5939618
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:12:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076608411729920
conteudo_txt : Metadados => date: 2015-01-12T16:55:41Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-10-07T15:44:30Z; Last-Modified: 2015-01-12T16:55:41Z; dcterms:modified: 2015-01-12T16:55:41Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:b65a1ac7-f963-4d54-872b-536f0265054a; Last-Save-Date: 2015-01-12T16:55:41Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2015-01-12T16:55:41Z; meta:save-date: 2015-01-12T16:55:41Z; pdf:encrypted: false; modified: 2015-01-12T16:55:41Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-10-07T15:44:30Z; created: 2010-10-07T15:44:30Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2010-10-07T15:44:30Z; pdf:charsPerPage: 1253; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-10-07T15:44:30Z | Conteúdo => S3-C3T2 El 1,17 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10283.901048/2008-27 Recurso n" 51 0,111 Resolução n" 3302-00.,046 — 3" Cântara / 2" Turma Ordinária Data 02 de julho de 2010 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente Ifer da Amazônia Ltda Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator WALBER JOSÉ DA SILVA — Presidente e Relator. EDITADO EM: 22/07/2010 Participaram da sessão de . julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Luis Eduardo G. Barbieri e Alexandre Gomes. Ausente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação transmitida era 0410212004 pela empresa 1FER DA AMAZÔNIA LTDA., na qual indicou crédito de Cofias do período de apuração de abril de 2003, com arrecadação em 15/05/2003, no valor total de R$ 107.469,90. O Delegado da RFB não homologou a compensação sob a alegação de que o referido Darf fora utilizado integralmente para quitação de débitos da recorrente, não restando crédito disponível para compensação, Processo n' 10283.901048/2008-27 1.2 Resoluçiio n 3302-00,046 H 148 Cientificada, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade julgada improcedente pela DRJ em Belém — PA, sob a alegação de que a interessada não logrou provar, por meio de documentação hábil e idônea, o valor devido de Cotins do período de apuração de abril de 2003, nos termos do Acórdão tf 01-13.859, de 05/05/2009. Ciente da decisão de primeiro grau em 03/06/2009, a interessada ingressou com o Recurso Voluntário de -lis 125/139 no dia 30/06/2009, no qual alega, em apertada síntese, que: 1- houve erro na apuração, no pagamento e na declaração do débito de Cotins de abril de 2003, conforme alegado na manifestação de inconformidade e DRI que proferiu a decisão recorrida não poderia indeferir, de plano, o pleito da recorrente sem antes realizar diligência para comprovar as alegações de decisão recorrida, especialmente se considerar que o sistema eletrônico de transmissão da compensação não permite a produção de provas; 2- o crédito pleiteado originou-se de pagamento indevido resultando da inclusão na base de cálculo da Cotins da venda de mercadorias a estabelecimentos situados na Zona Franca de Manaus (art. 5°-A da Lei n° 10,637/2002, com redação da Lei n° 10..684/2003). Sem a inclusão dessas vendas na base de cálculo da exação, o valor devido é de R$ 190,28, conforme documentos que acosta aos autos; Ao final requer a realização de diligência para apurar o crédito alegado e a procedência da compensação realizada e declarada. É o relatório. Conselheiro Walber José da Silva - Relatou O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele se conhece. Como relatado, a lide versa sobre matéria de fato: o valor devido da Cofins clo mês de abril de 2003. A recorrente alega que o valor devido é R$ 190,28 e que o valor declarado e pago originalmente está errado porque nele está incluído a Cotins incidente sobre as vendas para empresas sediadas na UM, todas com projetos aprovados pelo SUFRAMA. A DRJ de Belém — PA indeferiu o pleito da recorrente porque a mesma deixou de apresentar prova de suas alegações, Correto o procedimento da DR.!. Em sede de recurso voluntário, a interessada trouxe os documentos de fls. 140/143. Tais documentos não são provas inequívocas da base de cálculo da Cofins do mês de abril de 2003, mas são indícios (muito fortes) de que a recorrente vendeu mercadorias para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, nas condições que afirma. VotoVo to 2 i Processo n' 10283.90 I 048/2008-27 Resolucrio n " 3302-00,046 S3-C312 H 149 Em homenagem ao principio da verdade material, entende que deve ser deferido o pedido da recorrente para que a repartição competente da RE13 apure o valor devido da Cotins no mês de abril de 200.3 e se manifeste sobre a DCTE retificadora apresentada pela recorrente. Esclareço que sobre a mesma querela, mudando apenas o período de apuração para alguns deles, existem os processos abaixo relacionados, cujas diligências podem ser realizadas conjuntamente, economizando tempo da REB e da recorrente. PROCESSOS 10283.900056/2006-94 10283.900057/2006-39 10283.900058/2006-83 10283.900059/2006-28 10283.900060/2006-52 10283.900061/2006-05 10283.901048/2008-27 10283.901425/2008-28 10283.901773/2008-03 10283.901774/2008-40 10283.901778/2008-28 Em face do exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição da RE13 de origem para apurar o valor da Cofins devida no mês de abril de 200.3 e se manifestar sobre a procedência da DCTE retificadora apresentada pela recorrente e sobre a existência de pagamento a maior realizado através do Darf indicado na DCOMP, Sala das Sessões, em 02 de julho de 2010. Waiber José da Silva 3
score : 1.0
Numero do processo: 13841.000300/2001-28
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
ANO-CALENDARIO: 2002
SIMPLES - EXCLUSÃO - "EXPLORAÇÃO DO RAMO DO COMÉRCIO DE MATERIAIS ELÉTRICOS COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS". -"PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO ELÉTRICA EM CONSTRUÇÃO CIVIL" LC 123, de 14/12/06.
Nos termos da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, artigo 17, §1°, incisos X e XIII, as vedações relativas a exercício de atividades previstas no caput daquele artigo não se aplicam às pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente a ''''serviços de reparo hidráulicos, elétricos (...)" e a "construção de imóveis e obras de engenharia em geral, (...)" ou a exerça em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 303-35.565
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Celso Lopes Pereira Neto e Anelise Daudt Prieto, votaram pela conclusão.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200808
ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples ANO-CALENDARIO: 2002 SIMPLES - EXCLUSÃO - "EXPLORAÇÃO DO RAMO DO COMÉRCIO DE MATERIAIS ELÉTRICOS COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS". -"PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO ELÉTRICA EM CONSTRUÇÃO CIVIL" LC 123, de 14/12/06. Nos termos da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, artigo 17, §1°, incisos X e XIII, as vedações relativas a exercício de atividades previstas no caput daquele artigo não se aplicam às pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente a ''''serviços de reparo hidráulicos, elétricos (...)" e a "construção de imóveis e obras de engenharia em geral, (...)" ou a exerça em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
numero_processo_s : 13841.000300/2001-28
conteudo_id_s : 5531424
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 02 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 303-35.565
nome_arquivo_s : Decisao_13841000300200128.pdf
nome_relator_s : Nilton Luiz Bartoli
nome_arquivo_pdf_s : 13841000300200128_5531424.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Celso Lopes Pereira Neto e Anelise Daudt Prieto, votaram pela conclusão.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2008
id : 6146397
ano_sessao_s : 2008
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:13:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; xmp:CreatorTool: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2013-05-22T16:13:29Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:docinfo:creator_tool: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: false; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2013-05-22T16:13:29Z; created: 2013-05-22T16:13:29Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2013-05-22T16:13:29Z; pdf:charsPerPage: 0; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Xerox WorkCentre 5755; pdf:docinfo:created: 2013-05-22T16:13:29Z | Conteúdo =>
_version_ : 1714076608413827072
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720391/2009-07
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2101-000.053
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário em nº 614.406, nos termos do artigo 62-A do RICARF.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
numero_processo_s : 10580.720391/2009-07
conteudo_id_s : 5310283
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2101-000.053
nome_arquivo_s : Decisao_10580720391200907.pdf
nome_relator_s : JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 10580720391200907_5310283.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário em nº 614.406, nos termos do artigo 62-A do RICARF.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
id : 5194939
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:11:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076608413827073
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1828; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 187 1 186 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.720391/200907 Recurso nº Resolução nº 2101000.053 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 09 de fevereiro de 2012 Assunto Sobrestamento Recorrente MARIA DE LOURDES PINHO MEDAUAR Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário em nº 614.406, nos termos do artigo 62A do RICARF. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1525.104, proferido pela 3ª Turma da DRJ Salvador (fl. 137), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mas manteve parcialmente o crédito lançado, excluindo da exigência tributária o valor de R$11.442,74, tendo em vista o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009 e o demonstrativo à fl. 87. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10580.720391/200907 Resolução n.º 2101000.053 S2C1T1 Fl. 188 2 A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física –IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 152.160,99, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; Fl. 188DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10580.720391/200907 Resolução n.º 2101000.053 S2C1T1 Fl. 189 3 g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluirse que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia. Em 13 de maio de 2009, foi publicado o Despacho do Ministério da Fazenda S/N, de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. Diante do exposto, foi determinada diligência fiscal para que o processo retornasse ao órgão de origem para que este adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal em questão ao disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009. Em resposta, foi elaborado o demonstrativo e relatório, às fls. 87. O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência fiscal e manifestouse contrário ao referido procedimento, alegando, em síntese, que o lançamento fiscal não poderia ser revisto sem que antes fosse declarado nulo. Teria havido uma clara mudança de critério jurídico na apuração da base de cálculo, bem como, a utilização de outras tabelas e alíquotas, violando o 146 do CTN. Ao menos, deveria ser declarada a decadência parcial do lançamento referido ao ano de 2004, nos termo do art. 150, § 4º, do CTN, pois o novo lançamento somente foi realizado em 2010. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10580.720391/200907 Resolução n.º 2101000.053 S2C1T1 Fl. 190 4 As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Em seu apelo ao CARF, às fls. 147/184, a recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o juízo a quo. É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Antes de adentrar às questões suscitadas na peça recursal, há que se enfrentar questão preliminar que diz respeito à possibilidade de apreciação do feito neste momento, tendo em vista o disposto no artigo 62A do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 258, de 2010: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Conforme descrição dos fatos no auto de infração, o lançamento tributário decorre da classificação indevida de rendimentos recebidos acumuladamente. Sobre a matéria, há orientação fazendária firmada no Parecer PGFN n.º 287/2009, posteriormente ratificado também pelo Ato Declaratório n.º 1/2009, editado à época da consolidação da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça sobre o tema. Referida orientação, firmada no sentido de que “no cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser Fl. 190DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10580.720391/200907 Resolução n.º 2101000.053 S2C1T1 Fl. 191 5 mensal e não global”, por derrogar, em última instância, o texto legal do art. 12 da Lei nº 7.713/88. Entretanto, essa forma de tributação foi levada à apreciação, em caráter difuso, do egrégio Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a repercussão geral do tema, nos seguintes termos, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG/RS, Relator(a): Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03032011) Com fulcro no reconhecimento da repercussão geral do tema pelo Supremo Tribunal Federal, verificase que o Parecer PGFN nº 287/09 teve a sua eficácia suspensa pelo Parecer PGFN nº 2.331/10, enquanto perdurar a discussão judicial a respeito da matéria. Por essas razões, em virtude da contradição entre os termos do art. 12 da Lei n.º 7.713/88 e o teor do Parecer n.º 287/09, e, especialmente, em razão do caráter vinculado do lançamento tributário, na forma preconizada pelo art. 142 do CTN, para evitar possível violação aos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, entendo por bem suspender o julgamento do presente recurso voluntário. Diante do exposto, voto no sentido de determinar o sobrestamento do presente recurso, até ulterior decisão definitiva do egrégio Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406/RS. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 191DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000606/2006-68
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003
GANHO DE CAPITAL. APLICAÇÕES FINANCEIRAS NO EXTERIOR COM RENDIMENTOS AUFERIDOS ORIGINARIAMENTE EM REAIS. FUNDOS DE INVESTIMENTOS. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Considera-se ocorrido o fato gerador do ganho de capital nas aplicações financeiras realizadas em moeda estrangeira o momento do crédito dos rendimentos auferidos e se o valor creditado for passível de saque pelo beneficiário. Assim, os valores aplicados em fundos de investimentos, cujos resgates não são automáticos, o fato gerador somente ocorrerá no momento da liquidação ou do resgate.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-001.591
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral, seu advogado, Dr. José Maurício F. Mourão, inscrito na OAB/RJ sob o nº 53.484.
Nome do relator: Nelson Mallmann
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003 GANHO DE CAPITAL. APLICAÇÕES FINANCEIRAS NO EXTERIOR COM RENDIMENTOS AUFERIDOS ORIGINARIAMENTE EM REAIS. FUNDOS DE INVESTIMENTOS. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Considera-se ocorrido o fato gerador do ganho de capital nas aplicações financeiras realizadas em moeda estrangeira o momento do crédito dos rendimentos auferidos e se o valor creditado for passível de saque pelo beneficiário. Assim, os valores aplicados em fundos de investimentos, cujos resgates não são automáticos, o fato gerador somente ocorrerá no momento da liquidação ou do resgate. Recurso provido.
numero_processo_s : 18471.000606/2006-68
conteudo_id_s : 5369024
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2202-001.591
nome_arquivo_s : Decisao_18471000606200668.pdf
nome_relator_s : Nelson Mallmann
nome_arquivo_pdf_s : 18471000606200668_5369024.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral, seu advogado, Dr. José Maurício F. Mourão, inscrito na OAB/RJ sob o nº 53.484.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
id : 5567315
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:12:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076608430604288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1788; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.000606/200668 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 220201.591 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de janeiro de 2012 Matéria IRPF GANHOS DE CAPITAL Recorrente EDUARDO FACÓ LEMGRUBER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 GANHO DE CAPITAL. APLICAÇÕES FINANCEIRAS NO EXTERIOR COM RENDIMENTOS AUFERIDOS ORIGINARIAMENTE EM REAIS. FUNDOS DE INVESTIMENTOS. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Considerase ocorrido o fato gerador do ganho de capital nas aplicações financeiras realizadas em moeda estrangeira o momento do crédito dos rendimentos auferidos e se o valor creditado for passível de saque pelo beneficiário. Assim, os valores aplicados em fundos de investimentos, cujos resgates não são automáticos, o fato gerador somente ocorrerá no momento da liquidação ou do resgate. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral, seu advogado, Dr. José Maurício F. Mourão, inscrito na OAB/RJ sob o nº 53.484. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Fl. 130DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN 2 Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 18471.000606/200668 Acórdão n.º 220201.591 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório EDUARDO FACÓ LEMGRUBER, contribuinte inscrito no CPF/MF 179.777.70768, com domicílio fiscal na cidade do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, à Rua Aperana, nº. 97 – apto 501 – Bairro Leblon, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária no Rio de Janeiro RJ, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 84/89, prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ II, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 93/111. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 21/08/2006, Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 46/51), com ciência pessoal, em 22/08/2006 (fls. 46), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 316.446,57 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Sobre Ganhos de Capital, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda sobre ganhos de capital, relativo ao exercício de 2003, correspondente ao anocalendário de 2002. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização, onde a autoridade lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: 1 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA: Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com vinculo empregatício, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante deste Auto de Infração. Infração capitulada nos artigos 1º ao 3° e §§, da Lei n° 7.713, de 1988 e artigos 1° ao 3°, da Lei n° 8.134, de 1990. 2 – GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE MOEDA ESTRANGEIRA OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL SOBRE APLICAÇÕES FINANCEIRAS REALIZADAS EM MOEDA ESTRANGEIRA: Ganho de capital auferido decorrente de aplicação financeira de moeda estrangeira aplicados no exterior, com rendimentos auferidos no Brasil, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante deste Auto de Infração. Infração capitulada no art. 18, da Lei nº. 7.713, de 1988; artigos 97, §§ 3º ao 5º, 8º, alínea “b”, da Lei nº. 8.383, de 1991; artigo 22, inciso I, da Lei nº. 8.981, de 1995 e artigo 24 da MP nº. 1.858, de 1999. A AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Termo de Verificação Fiscal (fls. 41/42), entre outros, os seguintes aspectos: que, nesta data, encerramos esta ação fiscal, iniciada em 19/01/2006, com ciência do Termo de Inicio da Ação Fiscal, ocorrida em 26/01/2006, com base no Mandado de Procedimento Fiscal 07.1.90.002006000422. Esta ação fiscal foi originada por requisição do Ministério Público Federal; Fl. 132DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN 4 que, por meio do Termo de Inicio da Ação fiscal nº 1, solicitouse que o contribuinte informasse os nomes dos Bancos, números de agências e contas de depósito, aplicação e/ou investimento (inclusive caderneta de poupança), de todas as instituições financeiras (no Brasil e exterior) em que manteve contas, no anocalendário de 2002 e seus respectivos extratos, bem como se recebeu neste mesmo período rendimentos da Fundação Coppetec; que, em 20/02/2006, o contribuinte compareceu a esta Divisão de Fiscalização, para apresentar sua resposta, juntamente com as cópias dos extratos relativos as suas contas correntes por ele relacionadas e a cópia do comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda da fonte emitida pela Fundação Coppetec; que, no anocalendário de 2002, o contribuinte recebeu da Fundação Coppetec, CNPJ no 73.060.999/000175, R$ 12.000,00, com retenção na fonte no valor de R$ 3.130,76; que ocorre que estes valores não foram oferecidos a tributação à época da entrega da Declaração de Ajuste 2003, relativa ao anocalendário de 2002, que será agora tributado, como omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, devendo o imposto retido pela fonte ser compensado; que, em maio de 2002, o contribuinte enviou para o exterior, por intermédio do Banco Itaú, R$ 1.565.000,00, recursos estes originados da sua conta bancária no Banco Itaú, no Brasil, (R$ 951.784,33) e transferência de sua outra conta bancária no Banco do Brasil (R$ 502.000,00). Estes recursos foram originados de resgates de aplicações financeiras. Nesta época o contribuinte também recebeu um depósito proveniente de lucros distribuídos pagos pela sua empresa OPTE, no valor de R$ 135.000,00; que o contribuinte aplicou em cotas os recursos enviados, conforme extratos de fls. 15/20, cuja valorização juntamente com a variação cambial ocorrida entre maio de 2002 e dezembro de 2002, gerou ganho de capital, cuja tributação é prevista no art. 24 da Medida Provisória no 2.158 e reedições posteriores; que no demonstrativo de fls. 43/45, calculamos o ganho de capital e seu imposto correspondente, que será objeto de tributação neste auto de infração. Em sua peça impugnatória (fls. 55/754), apresentada, tempestivamente, em 18/09/2006, o contribuinte se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência parcial do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que conforme comprova o DARF em anexo (doc. 1), o Impugnante procedeu ao pagamento de parte do Auto de Infração, qual seja, do imposto no valor principal de R$ 169,24 (cento e sessenta reais e vinte e quatro centavos) decorrente de omissão de rendimentos de pessoa jurídica (Fundação Coppetec — CNPJ 73.060.999/000175) que, por equivoco, deixou de constar da sua declaração de Imposto de Renda; que o impugnante promoveu, nos termos e para os efeitos da Lei n° 9.073/98, ao depósito extrajudicial, em dinheiro, junto à Caixa Econômica Federal, da quantia de R$ 319.161,10 (trezentos e dezenove mil cento e sessenta e um reais e dez centavos), relativa à parte do lançamento fiscal objeto da presente impugnação (doc. 2); que o lançamento ora impugnado, no valor correspondente a R$ 319.161,10 (trezentos e dezenove mil cento e sessenta e um reais e dez centavos) nesta data, tem como Fl. 133DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 18471.000606/200668 Acórdão n.º 220201.591 S2C2T2 Fl. 3 5 única fundamentação a omissão de receita decorrente de ganho de capital sobre aplicações financeiras em moeda estrangeira; que o impugnante tinha comprovada origem de rendimentos para efetuar as remessas que geraram aplicações no exterior. Os recursos foram aplicados em cotas de fundos administrados pelo Banco Itaú Europa, recursos estes que permaneceram aplicados ate 14 de setembro de 2006. Durante todo este período, não ocorreu, em momento algum, nenhuma liquidação ou resgate da aplicação em beneficio do impugnante, e também não foi procedido ao retomo de qualquer parcela do capital aplicado para o Brasil; que a presente autuação, portanto, não decorre de inexistência de origem para efetuar a aplicação financeira no exterior, ou do resgate dessa aplicação sem que tivesse sido pago o tributo referente ao ganho de capital obtido através da mesma; que de acordo com o exposto acima, o que se pretende através da presente autuação é a tributação de ganho de capital supostamente decorrente de aplicação que não foi resgatada ou liquidada pelo contribuinte. E tal situação, pela própria definição de ganho de capital, não pode ser admitida; que a legislação invocada pela própria fiscal para fundamentar a autuação, somente prevê a tributação do ganho de capital quando liquidada / ou resgatada a aplicação financeira em moeda estrangeira; que, com efeito, a Medida Provisória n° 2.158 e a Instrução Normativa SRF n° 118 não autorizam a cobrança de imposto sobre a variação cambial de aplicação financeira MANTIDA NO EXTERIOR, como é o caso do Impugnante; que consta expressamente da Instrução Normativa SRF n° 118 de 2000, que a mesma "Dispõe sobre a tributação do ganho de capital decorrente da alienação de bens ou direitos e da liquidação ou resgate de aplicações financeiras adquiridos em moeda estrangeira, e da alienação de moeda estrangeira mantida em espécie, de propriedade de pessoa física."; que, dessa forma, se na hipótese de aplicações financeiras realizadas em moeda estrangeira com rendimentos auferidos originariamente em reais, o ganho de capital correspondera à diferença positiva, em reais, entre o valor da liquidação ou resgate e o seu valor original, como pôde a fiscal autuante calcular o ganho de capital se não houve essa liquidação ou resgate da aplicação financeira; que é óbvio que no caso desses autos não há que se falar em ganho de capital, se esse, por definição lógica e legal, só pode ser apurado quando do resgate ou liquidação da aplicação financeira. E o Impugnante, insistase, até dia 14 de setembro de 2006, não efetuou qualquer resgate ou liquidação, ainda que parcial, da sua aplicação financeira mantida no exterior; que a inexistência de liquidação ou resgate da aplicação financeira do Impugnante, em momento nenhum foi questionada ou entendida de forma diversa pela autoridade autuante! Ao contrário a fiscal afirma expressamente que apenas a valorização da aplicação, juntamente com a variação cambial ocorrida entre maio de 2002 e dezembro de 2002, gerou ganho de capital; Fl. 134DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN 6 que a Instrução Normativa 118/2000, como não poderia deixar de ser sob pena de configurarse mais uma ilegalidade, não pretendeu dar a interpretação estampada no presente processo, sendo relevante transcrever o disposto no artigo 8° que trata da apuração e recolhimento do imposto no caso em questão; que enquanto os recursos forem mantidos no exterior e em dólares norte americanos o ganho é potencial e não real. Não se pode pressupor a ocorrência de algum ganho antes da efetiva conversão dólares/reais, pois o mercado de câmbio é tão complexo e variável que, por exemplo, entre a data da liquidação de uma operação no exterior e o efetivo ingresso de recursos no Pais, o que poderia representar um ganho potencial pode tornarse um prejuízo real quando da efetiva conversão da moeda, em razão da variação da sua cotação nesse período; que o Impugnante adquiriu a moeda estrangeira em 21/05/02 a uma cotação do dólar de R$ 2,47. 0 suposto ganho de capital teria decorrido da variação cambial dessa data até 31/12/02, quando o dólar estava cotado a R$ 3,53. Ocorre que quando o Impugnante efetuou o resgate e ingressou com os recursos no Pais — 14 de setembro de 2006 — o valor do dólar foi de R$2.1340, conforme contrato de cambio em anexo (doc.3) Ou seja, 0 Impugnante não obteve qualquer ganho de capital em razão da variação cambial, ao contrário, nesse aspecto, TEVE PREJUÍZO; que em que pese todo o acima exposto, ou seja, a inexistência de qualquer norma a justificar a cobrança de ganho de capital em aplicação financeira mantida no exterior, e estando a Administração Pública adstrita ao principio da legalidade, especialmente em matéria tributária, será demonstrada, por outras razões a improcedência da presente autuação; que isto porque, sendo o ponto nodal da questão a tributação da variação cambial — como ganho de capital — não existe qualquer justificativa para que recursos remetidos para o exterior e depositados em conta corrente ao invés de sempre aplicados, sejam merecedores de tratamento jurídico/tributário distinto e, conseqüentemente, não isonômico; que como cediço, a taxa SELIC é o valor apurado no Sistema Especial de Liquidação e Custódia, mediante cálculo da taxa média ponderada e ajustada das operações de financiamento por um dia; que, dessa forma, ela reflete, basicamente, as condições instantâneas de liquidez no mercado monetário e se decomp6e em taxa de juros reais e taxa de inflação no período considerado; que é justamente em função desse duplo caráter da taxa SELIC, que resta prejudicada a sua aplicação cumulada com outras taxas de juros como vem pretendendo o Fisco Federal em suas autuações. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante a Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ II conclui pela procedência da ação fiscal e pela manutenção do crédito tributário, com base nas seguintes considerações: que não foi objeto de contestação a parte do auto de infração referente à omissão de rendimentos recebidos do trabalho com vinculo empregatício recebidos de pessoa jurídica; Fl. 135DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 18471.000606/200668 Acórdão n.º 220201.591 S2C2T2 Fl. 4 7 que o crédito tributário ora discutido foi apurado a partir da constatação pela autoridade fiscal de falta de recolhimento de imposto relativo a ganho de capital decorrente de aplicação financeira realizada no exterior; que da leitura dos dispositivos legais transcritos, concluise que devem ser tributados como ganho de capital os rendimentos referentes A liquidação ou ao resgate de aplicações financeiras, de propriedade de pessoa física, adquiridos, a qualquer titulo, em moeda estrangeira, independentemente da modalidade da aplicação; que é importante notar que, explicitando o sentido e alcance do art. 24 da Medida Provisória n° 2.15835 de 2001, o ADI SRF n° 08/2003 esclarece que são tributáveis, como ganho de capital, os créditos dos rendimentos de tais aplicações, desde que o valor creditado seja passível de saque pelo beneficiário. Ou seja, segundo o disposto no ato interpretativo acima referido, o rendimento mensal creditado na conta de aplicação financeira, desde que passível para saque, implica na liquidação da aplicação financeira ensejando o cálculo do ganho de capital, nos termos do caput do art. 24 da Medida Provisória n°2.15835 de 2001; que note que os Atos Declaratórios Interpretativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal (atualmente Secretaria da Receita Federal do Brasil) são instrumentos por meio dos quais é veiculada a interpretação adotada pelo órgão a respeito da matéria atinente aos tributos por ele administrados; que, sendo assim, por contrariar o entendimento expresso no ADI SRF n° 08/2003, o qual é de aplicação obrigatória por esta instância julgadora, não pode ser acatada a alegação do interessado no sentido de que o simples crédito de rendimentos não configura a hipótese definida em lei como fato gerador do imposto de renda; que, assim, mesmo que o valor inicialmente aplicado (US$ 621.000,00) tenha permanecido na aplicação financeira durante todo o período auditado, conforme alegado e demonstram os extratos que serviram de base para o lançamento, considerase que no momento em que houve crédito de rendimentos, o interessado auferiu ganho de capital representado pela diferença entre o valor da aplicação após tal evento e o valor originalmente aplicado; que, assim, como se vê, a isenção aplicase tãosomente ao acréscimo patrimonial correspondente à variação cambial dos saldos de depósitos em moeda estrangeira mantidos no exterior, não podendo ser estendida às aplicações financeiras que geram rendimentos ao investidor, como é o caso dos autos; que, nesse ponto, vale salientar que, conforme disposto no art. 111, do Código Tributário Nacional, interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. Interpretar literalmente um determinado dispositivo significa não ampliar nem restringir o texto legal; que em se tratando de aplicação financeira há que se observar o contido no art. 5° da Instrução Normativa SRF n° 15/2001, segundo o qual, a isenção deve ser aplicada apenas à parcela da variação cambial correspondente aos rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira; Fl. 136DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN 8 que assim é que na planilha As fls. 43/44, seguindo as regras contidas nos arts. 2°, 4° e 6° da Instrução Normativa SRF n° 118/2000, o ganho de capital foi apurado de duas formas distintas: (1) sobre a parcela da aplicação financeira oriunda de rendimentos auferidos no Brasil, o imposto foi calculado sobre os rendimentos recebidos e a variação cambial, enquanto que sobre a parcela oriunda de rendimentos auferidos em moeda estrangeira tributaramse apenas os rendimentos; que em relação à alegação de que os depósitos remunerados e aplicações financeiras estão sendo submetidos a tratamentos tributários distintos o que afronta os princípios da igualdade e da isonomia consagrados na Constituição Federal, cumpre esclarecer que às Delegacias da Receita Federal de Julgamento compete tãosomente o controle da legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais em confronto com as normas legais vigentes. Neste contexto, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, o julgador deve limitarse a verificar a sua aplicação ao caso concreto, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. As ementas que consubstanciam a presente decisão são as seguintes: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria não contestada expressamente na impugnação é considerada incontroversa e o crédito tributário a ela correspondente, definitivamente consolidado na esfera administrativa. GANHO DE CAPITAL. APLICAÇÕES FINANCEIRAS NO EXTERIOR. FATO GERADOR. Considerase ocorrido o fato gerador no momento do crédito de rendimentos, se o valor creditado for passível de saque pelo beneficiário. 0 ganho de capital deve ser calculado mensalmente, não sendo permitida a compensação entre ganhos e perdas, por falta de previsão legal. GANHO DE CAPITAL. APLICAÇÕES FINANCEIRAS NO EXTERIOR. VARIAÇÃO CAMBIAL. Está sujeito a apuração do ganho de capital, na forma da IN SRF n° 118, de 2000, o acréscimo patrimonial decorrente da variação cambial do saldo da aplicação financeira mantida em instituições financeiras no exterior oriundo de rendimentos auferidos no Brasil. JUROS DE MORA. A cobrança dos juros de mora por percentual equivalente à taxa Selic encontra amparo na legislação em vigor. Impugnação Improcedente Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 30/11/2010, conforme Termo constante às fls. 90/91, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (27/12/2010), o recurso voluntário de fls. 93/111, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 18471.000606/200668 Acórdão n.º 220201.591 S2C2T2 Fl. 5 9 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não há argüição de qualquer preliminar. Da análise dos autos do processo se verifica, que a motivação inicial para instaurar o procedimento fiscal foi a investigação do Ministério Público Federal abrangendo as transferências de recursos ao exterior. Posteriormente, a autoridade fiscal lançadora, após receber os extratos bancários do próprio contribuinte, restringiu o presente lançamento à omissão de rendimentos referentes a ganhos de capital em aplicação financeira em moeda estrangeira, já que, em maio de 2002, o contribuinte enviou para o exterior, por intermédio do Banco Itaú, R$ 1.565.000,00, recursos estes originados da sua conta bancária no Banco Itaú, no Brasil, (R$ 951.784,33) e transferência de sua outra conta bancária no Banco do Brasil (R$ 502.000,00). Estes recursos foram originados de resgates de aplicações financeiras. Nesta época o contribuinte também recebeu um depósito proveniente de lucros distribuídos pagos pela sua empresa OPTE, no valor de R$ 135.000,00. A decisão de Primeira Instância manteve a tributação na forma lançada pela autoridade fiscal, sob o argumento base de que está sujeito a apuração do ganho de capital, na forma da IN SRF n° 118, de 2000, o acréscimo patrimonial decorrente da variação cambial do saldo da aplicação financeira mantida em instituições financeiras no exterior oriundo de rendimentos auferidos no Brasil. Inconformado, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, o contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho de Contribuintes pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, argúi somente matéria de mérito, atacando a tributação de ganhos de capital em aplicação financeira em moeda estrangeira, amparado na tese de que não ocorreu nenhum resgate no anocalendário em discussão. Quanto a omissão de ganhos de capital de rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira / juros sobre aplicações financeiras em moeda estrangeira, temse que se depreende, da legislação de regência, que haverá incidência de imposto de renda sobre o ganho de capital para cada um dos depósitos de rendimentos em conta corrente no exterior. A princípio a base de cálculo é o rendimento em dólares dos EUA, convertido para reais mediante a utilização da cotação do dólar fixada, para compra, pelo Banco Central do Brasil, para a data do recebimento. O imposto é devido no momento em que tais rendimentos se tornam disponíveis para saque, sendo que a alíquota aplicável é de 15% e o prazo para o recolhimento, o último dia útil do mês subseqüente. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN 10 Da análise dos autos, observase que o recorrente insurgese contra a autuação alegando, entre outras questões, que não teria ocorrido o depósito em conta, resgate ou liquidação da aplicação financeira no período do lançamento, hipóteses necessárias para se considerar ocorrido o fato gerador do imposto sobre ganho de capital. Reputa, ainda, incorreta a interpretação de que a simples possibilidade da presunção de auferir renda pela variação cambial ou o simples crédito de juros equivaleria à liquidação ou resgate da aplicação. Enfim, o recorrente defende a tese de que para as aplicações em fundos de investimentos no exterior o momento da tributação só se daria por ocasião da liquidação ou resgate das aplicações efetuadas nestes fundos de investimentos, de acordo com seu sentido técnico e legal. O assunto foi tratado, de forma clara, no art. 24 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, verbis: Art. 24. O ganho de capital decorrente da alienação de bens ou direitos e da liquidação ou resgate de aplicações financeiras, de propriedade de pessoa física, adquiridos, a qualquer título, em moeda estrangeira, será apurado de conformidade com o disposto neste artigo, mantidas as demais normas da legislação em vigor. § 1º O disposto neste artigo alcança, inclusive, a moeda estrangeira mantida em espécie. §2º Na hipótese de alienação de moeda estrangeira mantida em espécie, o imposto será apurado na declaração de ajuste. § 3º A base de cálculo do imposto será a diferença positiva, em Reais, entre o valor de alienação, liquidação ou resgate e o custo de aquisição do bem ou direito, da moeda estrangeira mantida em espécie ou valor original da aplicação financeira. §4º Para os fins do disposto neste artigo, o valor de alienação, liquidação ou resgate, quando expresso em moeda estrangeira, corresponderá à sua quantidade convertida em dólar dos Estados Unidos e, em seguida, para Reais, mediante a utilização do valor do dólar para compra, divulgado pelo Banco Central do Brasil para a data da alienação, liquidação ou resgate ou, no caso de operação a prazo ou a prestação, na data do recebimento de cada parcela. § 5º Na hipótese de aquisição ou aplicação, por residente no País, com rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira, a base de cálculo do imposto será a diferença positiva, em dólares dos Estados Unidos, entre o valor de alienação, liquidação ou resgate e o custo de aquisição do bem ou do direito, convertida para Reais mediante a utilização do valor do dólar para compra, divulgado pelo Banco Central do Brasil para a data da alienação, liquidação ou resgate, ou, no caso de operação a prazo ou a prestação, na data do recebimento de cada parcela. § 6º Não incide o imposto de renda sobre o ganho auferido na alienação, liquidação ou resgate: Fl. 139DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 18471.000606/200668 Acórdão n.º 220201.591 S2C2T2 Fl. 6 11 I de bens localizados no exterior ou representativos de direitos no exterior, bem assim de aplicações financeiras, adquiridos, a qualquer título, na condição de nãoresidente; II de moeda estrangeira mantida em espécie, cujo total de alienações, no anocalendário, seja igual ou inferior ao equivalente a cinco mil dólares norteamericanos. § 7° Para efeito de apuração do ganho de capital de que trata este artigo, poderão ser utilizadas cotações médias do dólar, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. Da mesma forma, a matéria está disciplinada pela Instrução Normativa SRF n° 118, de 27 de novembro de 2000: Bens e Direitos Adquiridos e Aplicações Financeiras Realizadas com Rendimentos Auferidos Originariamente em Reais Art. 2o Na hipótese de bens e direitos adquiridos e aplicações financeiras realizadas em moeda estrangeira com rendimentos auferidos originariamente em reais, o ganho de capital corresponderá à diferença positiva, em reais, entre o valor de alienação, liquidação ou resgate e o custo de aquisição do bem ou direito ou o valor original da aplicação financeira. § 1° O valor de alienação, liquidação ou resgate, quando expresso em moeda estrangeira, será convertido em dólares dos Estados Unidos da América e, em seguida, em reais, pela cotação do dólar fixada, para compra, pelo Banco Central do Brasil, para a data do recebimento. § 2º O custo de aquisição de bens ou direitos ou o valor original de aplicações financeiras, quando expresso em moeda estrangeira, será convertido em dólares dos Estados Unidos da América e, em seguida, em reais, pela cotação do dólar fixada, para venda, pelo Banco Central do Brasil, para a data do pagamento (...). Bens e Direitos Adquiridos e Aplicações Financeiras Realizadas com Rendimentos Auferidos Originariamente em Moeda Estrangeira Art. 4º Na hipótese de bens e direitos adquiridos e aplicações financeiras realizadas em moeda estrangeira com rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira, o ganho de capital corresponderá à diferença positiva, em dólares dos Estados Unidos da América, entre o valor de alienação, liquidação ou resgate e o custo de aquisição do bem ou direito ou o valor original da aplicação, convertida em reais mediante a utilização da cotação do dólar fixada, para compra, pelo Banco Central do Brasil, para a data do recebimento. Parágrafo único. Os rendimentos produzidos por aplicações financeiras em moeda estrangeira, ainda que decorrentes de Fl. 140DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN 12 rendimentos auferidos originariamente em reais serão considerados rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira. (...). Bens e Direitos Adquiridos e Aplicações Financeiras Realizadas com Rendimentos Auferidos Originariamente Parte em Reais e Parte em Moeda Estrangeira Art. 6º Na hipótese de bens e direitos adquiridos e aplicações financeiras realizadas em moeda estrangeira, com rendimentos auferidos originariamente parte em reais e parte em moeda estrangeira, os valores de alienação, liquidação ou resgate e os custos de aquisição do bem ou direito ou os valores originais da aplicação financeira serão determinados de forma proporcional à origem do rendimento utilizado na aquisição ou realização, para fins de apuração do ganho de capital, observado o disposto nos arts. 2° ao 5ºo. (...). Apuração e Recolhimento do Imposto Art. 8º Nas alienações de bens e direitos e nas liquidações e resgates de aplicações financeiras de que tratam os arts. 2o a 6o, o imposto sobre o ganho de capital será: I apurado em cada operação; II determinado à alíquota de quinze por cento; III recolhido até o último dia útil do mês subseqüente ao do recebimento. Complementam a matéria em discussão os artigos pertinentes da Instrução Normativa SRF n° 15, de 06 de fevereiro de 2001: Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: (...). LV variação cambial decorrente das alienações de bens e direitos adquiridos e aplicações financeiras realizadas com rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira; (...). Art. 8º Estão sujeitos à tributação definitiva: (...) II ganhos de capital decorrentes da alienação de bens ou direitos e da liquidação ou resgate de aplicações financeiras, adquiridos em moeda estrangeira; A Secretaria da Receita Federal do Brasil, interpretando a legislação acima transcrita, editou o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 8, de 23 de abril de 2003, verbis: Fl. 141DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 18471.000606/200668 Acórdão n.º 220201.591 S2C2T2 Fl. 7 13 Art. 1ºo O crédito de rendimentos relativos a aplicação financeira, inclusive depósito remunerado, realizada em moeda estrangeira por pessoa física residente no Brasil, implica a apuração de ganho de capital tributável, desde que o valor creditado seja passível de saque pelo beneficiário. (o grifo não consta do original). Da leitura dos dispositivos legais na restam dúvidas de que os rendimentos referentes à liquidação ou ao resgate de aplicações financeiras, de propriedade de pessoa física, adquiridos, a qualquer título, em moeda estrangeira, devem ser tributados como ganho de capital, independentemente, da modalidade da aplicação. Da análise dos autos, observase que os únicos indicativos de rendimentos auferidos em que a fiscalização se baseou encontramse às fls. 18/24, que nada mais é do que a simples avaliação da carteira de investimentos. Observou a autoridade fiscal de que, em maio de 2002, o contribuinte enviou para o exterior, por intermédio do Banco Itaú, R$ 1.565.000,00, recursos estes originados da sua conta bancária no Banco Itaú no Brasil (R$ 951.784,33) e transferência de sua outra conta bancária no Banco do Brasil (R$ 502.000,00). Estes recursos foram originados de resgates de aplicações financeiras. Nesta época o contribuinte também recebeu um depósito proveniente de lucros distribuídos pagos pela sua empresa OPTE, no valor de R$ 135.000,00. Baseado nestes indícios, entendeu a autoridade fiscal lançadora de que o contribuinte aplicou em cotas os recursos enviados, conforme extratos de fls. 15/20, cuja valorização juntamente com a variação cambial ocorrida entre maio de 2002 e dezembro de 2002, gerou ganho de capital, cuja tributação é prevista no art. 24 da Medida Provisória no 2.158 e reedições posteriores. Ora, com a devida vênia, o que a autoridade fiscal lançadora fez foi calcular os pretensos rendimentos mês a mês, através do Demonstrativo do Ganho de Capital Sobre Rendimentos em Moeda estrangeira (fls. 47) utilizando como parâmetro a simples avaliação da carteira de investimentos. Não há nos autos indicativos materiais, a exemplo dos extratos das contas bancárias, onde conste o crédito destes valores. Ou seja, não há nos autos prova material dos créditos de tais rendimentos, muito menos, que o valor creditado seja passível de saque pelo beneficiário sem que o mesmo solicite liquidação ou resgate. Nesta linha de pensamento, só posso concordar com o recorrente de que os valores investidos em fundos de investimentos não funcionam como uma conta bancária em que os quotistas podem, a qualquer momento, efetuar saques de dinheiro. Sempre se faz necessário que as quotas sejam liquidas ou resgatadas. O Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 8, manifestase da seguinte forma: IRPF INVESTIMENTO NO EXTERIOR BASE DE CÁLCULO A variação cambial decorrente de aplicações financeiras realizadas em moeda estrangeira com rendimentos auferidos originariamente em reais, integra a base de cálculo para fins de apuração do ganho de capital. FATO GERADOR Considerase ocorrido o fato gerador na data da alienação, liquidação ou resgate da aplicação financeira, bem como no momento do Fl. 142DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN 14 crédito de rendimentos, se o valor creditado for passível de saque pelo beneficiário. Ora, a hipótese prevista na norma, diz respeito ao crédito de rendimentos relativos a aplicação financeira de propriedade da pessoa física e passível de saque, entretanto, fica evidenciado nos autos que tais créditos não existiram nos valores e datas considerados pela fiscalização. Diante do conteúdo dos autos, pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 143DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN
score : 1.0
Numero do processo: 11080.003613/97-14
Data da sessão: Mon Feb 12 00:00:00 UTC 2007
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Ano-calendário: 1996
ALADI- CERTIFICADO DE ORIGEM. DATA. No há como considerar nulo o certificado de origem, sem prova convincente de falso conteúdo ideológico e antes que se proceda consulta ao órgão emitente do pais exportador, prevista no art. 16° do Cap. II do anexo V do Acordo de Cooperação Econômica entre Brasil e Argentina. Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: CSRF/03-05.215
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Nome do relator: Antonio Carlos Atulim Redator ad hoc
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200702
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Ano-calendário: 1996 ALADI- CERTIFICADO DE ORIGEM. DATA. No há como considerar nulo o certificado de origem, sem prova convincente de falso conteúdo ideológico e antes que se proceda consulta ao órgão emitente do pais exportador, prevista no art. 16° do Cap. II do anexo V do Acordo de Cooperação Econômica entre Brasil e Argentina. Recurso Especial do Procurador Negado
numero_processo_s : 11080.003613/97-14
conteudo_id_s : 5474640
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 10 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : CSRF/03-05.215
nome_arquivo_s : Decisao_110800036139714.pdf
nome_relator_s : Antonio Carlos Atulim Redator ad hoc
nome_arquivo_pdf_s : 110800036139714_5474640.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 12 00:00:00 UTC 2007
id : 5963748
ano_sessao_s : 2007
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:13:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076608448430080
conteudo_txt : Metadados => date: 2015-04-28T16:59:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2015-04-28T16:59:20Z; Last-Modified: 2015-04-28T16:59:20Z; dcterms:modified: 2015-04-28T16:59:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2015-04-28T16:59:20Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-04-28T16:59:20Z; meta:save-date: 2015-04-28T16:59:20Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-04-28T16:59:20Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2015-04-28T16:59:20Z; created: 2015-04-28T16:59:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2015-04-28T16:59:20Z; pdf:charsPerPage: 1880; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-04-28T16:59:20Z | Conteúdo => CSRF/T03 Fls. 80 _________ 1 nfls txtfls79 CSRF/T03 OOlldd MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA FFAAZZEENNDDAA CCÂÂMMAARRAA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS TTEERRCCEEIIRRAA TTUURRMMAA PPrroocceessssoo nnºº 11080.003613/97-14 RReeccuurrssoo nnºº Especial do Procurador MMaattéérriiaa IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - CERTIFICADO DE ORIGEM AAccóórrddããoo nnºº 03-005.215 SSeessssããoo ddee 12 de fevereiro de 2007 RReeccoorrrreennttee FAZENDA NACIONAL IInntteerreessssaaddoo PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. - PETROBRAS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Ano-calendário: 1996 ALADI- CERTIFICADO DE ORIGEM. DATA. No há como considerar nulo o certificado de origem, sem prova convincente de falso conteúdo ideológico e antes que se proceda consulta ao órgão emitente do pais exportador, prevista no art. 16° do Cap. II do anexo V do Acordo de Cooperação Econômica entre Brasil e Argentina. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Carlos Henrique Klaser Filho, Judith do Amaral Marcondes Armando, Luis Antonio Flora, Anelise Daudt Prieto, Nilton Luiz Bártoli, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antônio Gadelha Dias (Presidente à época do julgamento). Relatório Fl. 80DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.003613/97-14 Acórdão n.º 03-005.215 CSRF/T03 Fls. 81 _________ 2 Por meio do Acórdão nº 303-29.861 a Terceira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso voluntário. O julgado recebeu a seguinte ementa: "ALADI- CERTIFICADO DE ORIGEM. DATA. Não há como considerar nulo o certificado de origem, sem prova convincente de falso conteúdo ideológico e antes que se proceda à consulta ao órgão emitente do pais exportador, prevista no art. 16° do Cap. II do anexo V do Acordo de Cooperação Econômica entre Brasil e Argentina. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO." Regularmente notificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou em tempo hábil recurso especial de divergência, apontando divergência em relação ao Acórdão nº 302-33.416. Alegou a Procuradoria da Fazenda Nacional que o art. 528 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 91.030/85) estabelece que o embarque da mercadoria se considera ocorrido na data da expedição do conhecimento de carga e que o art. 17, do Anexo I, do Oitavo Protocolo Adicional ao AAPCE nº 18, estabelece que "Os Certificados de Origem deverão ser emitidos no mais tardar 10 (dez) dias úteis depois do embarque definitivo das mercadorias amparadas pelos mesmos". O certificado de origem de fls. 17 foi expedido após o prazo de 10 dias e ainda em formulário diverso do que consta do Anexo III do Oitavo Protocolo Adicional ao AAPCE Nº 18. Sendo assim, deve ser reformado o acórdão recorrido para o fim de ser mantida a exigência fiscal. O recurso especial fazendário foi admitido e não houve apresentação de contrarrazões por parte do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc Nos termos do art. 17, III, do RICARF 1 , incumbiu-me o Senhor Presidente do Colegiado de formalizar o Acórdão CSRF/03-05.215, em virtude do relator originário, Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo, ter deixado o colegiado sem ter se desincumbido dessa obrigação. Considerando que não há notícia de que o relator originário tenha entregue à Secretaria da CSRF a minuta do voto e que o recurso da fazenda nacional foi negado, adoto como fundamentos deste voto a tese do Conselheiro João Holanda Costa, que norteou o Acórdão recorrido, in verbis: 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III - designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazê-lo ou não mais componha o colegiado; Fl. 81DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.003613/97-14 Acórdão n.º 03-005.215 CSRF/T03 Fls. 82 _________ 3 "(...) Trata-se da denegação da alíquota negociada pelo fato de o Certificado de Origem haver sido emitido, em data posterior à do embarque da mercadoria, no porto de Buenos Aires, República Argentina. Quer-me parecer que a recorrente tem razão ao dizer que não existe fundamento legal para a denegação da validade ao Certificado de Origem por haver sido emitido em data posterior à do embarque da mercadoria. Esta Câmara, em diversos julgados sobre a matéria, entre os quais aqueles citados no recurso, tem levado em conta o fato de que os prazos de emissão do certificado vem sendo alongados, continuamente, de modo que o tratamento da matéria vem sendo abrandado. 0 8° Protocolo Adicional ao Acordo de Cooperação Econômica entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, recepcionado pelo Decreto 1.568/95, dispõe no art. 17 do seu Anexo I Cap. V, que: "Os certificados de origem deverão ser emitidos o mais tardar 10 (dez) dias úteis depois do embarque definitivo das mercadorias amparadas pelos mesmos". Permito-me transcrever, a propósito, trecho do Voto do ilustre Conselheiro Conselheiro Guinês Alvarez Fernandes, no Acórdão 303-28.768, de 11/02/97: "Adicione-se que o certificado de origem, como é de sua essência, constitui documento destinado a atestar de onde é originária a mercadoria nele expressamente individualizada, inexistindo no feito qualquer impugnação de sua autenticidade. Anote-se, por derradeiro, que em todas as avenças internacionais mencionadas, se estabeleceu que em nenhuma hipótese se coarctaria o fluxo da mercadoria coberta pelo certificado de origem, antes da troca de consultas entre as partes interessadas, inexistindo fixação de qualquer penalidade previamente aplicável, em especial a desproporcional aplicada neste feito que, baseada em presunção, concluiu pela nulidade daquele documento." (...)" Com esses fundamentos, na assentada do dia 12 de fevereiro de 2007, a Câmara Superior de Recursos Fiscais negou provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Antonio Carlos Atulim Fl. 82DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.003613/97-14 Acórdão n.º 03-005.215 CSRF/T03 Fls. 83 _________ 4 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001758/2004-54
Data da sessão: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2000, 2001, 2002
Ementa:
DESPESAS DESNECESSÁRIAS NO IRPJ. DEDUTIBILIDADE NA CSLL. BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE.
A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido é o resultado do período de apuração com observância da legislação comercial e com os ajustes previstos na legislação específica. Descabe a adição de despesas consideradas desnecessárias, com fulcro unicamente em norma da legislação do Imposto de renda, pois a base de cálculo da contribuição não se confunde com o lucro real tributado pelo imposto de renda.
INCORPORAÇÃO. SUCESSÃO UNIVERSAL DE DIREITOS E OBRIGAÇÕES. APROVEITAMENTO PELA INCORPORADORA DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL DA INCORPORADA.
Sendo a incorporação uma sucessão universal de direitos e obrigações, nas incorporações havidas antes da MP n° 1.858-6/1999 as bases de cálculo negativas da sucedida passam a integrar o patrimônio da sucessora no mesmo momento da incorporação. Assim, após o evento sucessório inexistem bases de cálculo negativas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da sucedida às quais se possa aplicar a restrição introduzida pelo art. 20 da referida MP, que dispõe que se aplicam à base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido os arts. 32 e 33, do Decreto-lei n° 2.341, de 1987.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9101-001.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: 1) por maioria de votos, recurso conhecido em parte. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. 2) Por unanimidade de votos, na parte conhecida, negado provimento ao Recurso Especial do Procurador.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Marcos Vinícius Barros Ottoni Redator Ad Hoc Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior.
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201312
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2000, 2001, 2002 Ementa: DESPESAS DESNECESSÁRIAS NO IRPJ. DEDUTIBILIDADE NA CSLL. BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido é o resultado do período de apuração com observância da legislação comercial e com os ajustes previstos na legislação específica. Descabe a adição de despesas consideradas desnecessárias, com fulcro unicamente em norma da legislação do Imposto de renda, pois a base de cálculo da contribuição não se confunde com o lucro real tributado pelo imposto de renda. INCORPORAÇÃO. SUCESSÃO UNIVERSAL DE DIREITOS E OBRIGAÇÕES. APROVEITAMENTO PELA INCORPORADORA DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL DA INCORPORADA. Sendo a incorporação uma sucessão universal de direitos e obrigações, nas incorporações havidas antes da MP n° 1.858-6/1999 as bases de cálculo negativas da sucedida passam a integrar o patrimônio da sucessora no mesmo momento da incorporação. Assim, após o evento sucessório inexistem bases de cálculo negativas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da sucedida às quais se possa aplicar a restrição introduzida pelo art. 20 da referida MP, que dispõe que se aplicam à base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido os arts. 32 e 33, do Decreto-lei n° 2.341, de 1987. Recurso Especial do Procurador Negado.
dt_publicacao_tdt : Thu May 14 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 16327.001758/2004-54
anomes_publicacao_s : 201505
conteudo_id_s : 5473617
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 9101-001.839
nome_arquivo_s : Decisao_16327001758200454.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : JOSE RICARDO DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 16327001758200454_5473617.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) por maioria de votos, recurso conhecido em parte. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. 2) Por unanimidade de votos, na parte conhecida, negado provimento ao Recurso Especial do Procurador. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni Redator Ad Hoc Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2013
id : 5959651
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:13:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076608451575808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2234; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.001758/200454 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.839 – 1ª Turma Sessão de 10 de dezembro de 2013 Matéria CSLL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VEGA ENGENHARIA AMBIENTAL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2000, 2001, 2002 Ementa: DESPESAS DESNECESSÁRIAS NO IRPJ. DEDUTIBILIDADE NA CSLL. BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido é o resultado do período de apuração com observância da legislação comercial e com os ajustes previstos na legislação específica. Descabe a adição de despesas consideradas desnecessárias, com fulcro unicamente em norma da legislação do Imposto de renda, pois a base de cálculo da contribuição não se confunde com o lucro real tributado pelo imposto de renda. INCORPORAÇÃO. SUCESSÃO UNIVERSAL DE DIREITOS E OBRIGAÇÕES. APROVEITAMENTO PELA INCORPORADORA DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL DA INCORPORADA. Sendo a incorporação uma sucessão universal de direitos e obrigações, nas incorporações havidas antes da MP n° 1.8586/1999 as bases de cálculo negativas da sucedida passam a integrar o patrimônio da sucessora no mesmo momento da incorporação. Assim, após o evento sucessório inexistem bases de cálculo negativas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da sucedida às quais se possa aplicar a restrição introduzida pelo art. 20 da referida MP, que dispõe que se aplicam à base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido os arts. 32 e 33, do Decretolei n° 2.341, de 1987. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 58 /2 00 4- 54 Fl. 622DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 2 Acordam os membros do colegiado: 1) por maioria de votos, recurso conhecido em parte. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. 2) Por unanimidade de votos, na parte conhecida, negado provimento ao Recurso Especial do Procurador. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni – Redator Ad Hoc – Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior. Relatório Cientificada da decisão de Segunda Instância, em 04/08/2010 (fl. 534), a Fazenda Nacional interpõe Recurso Especial às fls. 537/544, para a 1ª Turma de Julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Pleiteia a reforma da decisão proferida pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, através do Acórdão nº 1301 00.197, de 27/98/2009 (fls. 525/532) a qual, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso de Ofício e, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário do contribuinte Vega Engenharia Ambiental S/A (fls. 445/469). Fundamenta o presente Recurso Especial no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010. Consta dos autos que contra o contribuinte, Vega Engenharia Ambiental S/A, foi lavrado, em 10/12/2004, Auto de Infração de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL (fls.322/331), com ciência pessoal, em 17/12/2004 (fls.326), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 3.319.612,52, acrescidos da multa de lançamento de ofício de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor dos tributos, referente aos exercícios de 2000 a 2002. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização, onde a autoridade fiscal lançadora constatou as seguintes irregularidades: 1 ADIÇÕES AO LUCRO LÍQUIDO ANTES DA CSLL. FALTA DE ADIÇÃO DO VALOR DA CSLL REGISTRADA COMO CUSTO OU DESPESA. Valor apurado conforme relatório de verificação fiscal em anexo, que doravante faz parte integrante e inseparável deste auto de infração, referente a despesas com gratificação ao conselho, participação dos administradores. Infração capitulada no art. art. 19 da Lei n° 9.249, de 1995; Fl. 623DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 16327.001758/200454 Acórdão n.º 9101001.839 CSRFT1 Fl. 3 3 art. 2° e §§, da Lei n° 7.689, 1988; art. 1º, parágrafo único, da Lei n° 9.316, de 1996; art. 28 da Lei n° 9.430, de 1996; art. 6º da Medida Provisória n° 1.858, de 1999 e suas reedições. 2 BASE DE CALCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES. Valor de base de calculo negativa compensado indevidamente,tendo em vista que tal valor era oriundo de equivalência patrimonial da Vega, quando controlada da Sita Brasil. Como a Sita Brasil foi incorporada pela Vega, (controlada incorpora controladora), não há base legal para efetuar tal operação, conforme relatório de verificação fiscal em anexo que doravante faz parte integrante e inseparável deste auto de infração. Infração capitulada no art.2° e §§, da Lei n° 7.689, de 1988; art. 58 da Lei n° 8.981, de 1995; art. 16 da Lei n° 9.065, de 1995; art. 16 da Lei n° 9.065, de 1995 e art. 19 da Lei n° 9.249, de 1995. 3 REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO. Falta da adição de 1/3 ou 1% do Cofins, utilizado em compensação do valor devido de contribuição social resultando no não pagamento desta contribuição social.conforme relatório de verificação fiscal em anexo, que doravante faz parte integrante e inseparável deste auto de infração. Infração capitulada no art. 2° e §§, da Lei n° 7.689, de 1988; art. 19 da Lei n° 9.249, de 1995; art. 28 da Lei n° 9.430, de 1996; art. 273 do RIR/99. Impugnado, tempestivamente, o lançamento, em 17/01/2005 (fls. 358/371), instruído pelos documentos de (fls. 372/421) e após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SPOI, em 25/09/2007, julgou parcialmente procedente o lançamento, (fls. 424/437), lastreado, em síntese, nos seguintes argumentos básicos: que a COFINS paga e compensada com a CSLL devida é indedutível da base de cálculo da própria CSLL; que para apuração da Contribuição Social, inexiste norma que prescreva que as despesas com gratificações a conselheiros e com participações a administradores devem ser adicionadas ao lucro líquido na apuração da base de cálculo da CSLL. As regras de dedutibilidade de despesas dirigidas expressamente à apuração do lucro real não se aplicam de forma reflexa à CSLL; que a legislação aplicável à compensação de prejuízos e bases negativas da CSLL é aquela vigente por ocasião da efetivação dessa compensação e não a da época de formação da base negativa da contribuição. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 01/11/2007, conforme Termo constante à fl. 439, e com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, tempestivamente, em 29/11/2007, Recurso Voluntário (fls. 445/469), instruído pelos documentos de fls. 470/472, o qual, ao ser apreciado pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, através do Acórdão nº 130100.197, de 27/08/2009 (fls. 525/532), por unanimidade de votos, foi negado provimento ao Recurso de Ofício e quanto ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, foi dado provimento parcial, conforme se verifica de sua ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Fl. 624DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 4 Exercício: 2000, 2001, 2002 DESPESAS INDEDUTÍVEIS PARA EFEITO DE IMPOSTO DE RENDA. IMPOSSIBILIDADE DE ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO PARA A APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Descabida a pretensão do Fisco de estender à CSLL, sem amparo legal, as disposições acerca de dedutibilidade de despesas para fins do IRPJ. São diversas as bases de cálculo de um e outro tributo. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS TRIBUTÁRIAS. Correta a autuação que adicionou ao lucro líquido, para fins de determinação da base de cálculo da CSLL, o valor correspondente a um terço da COFINS efetivamente paga, compensada com a CSLL devida, por autorização do art. 8o da Lei n° 9.718/1999. A recuperação de despesa tributária pela via da compensação, como é o caso, deve ser levada ao resultado de forma a neutralizar, no exato montante recuperado, a redução do lucro líquido correspondente à despesa tributária apropriada por seu valor integral. INCORPORAÇÃO. SUCESSÃO UNIVERSAL DE DIREITOS E OBRIGAÇÕES. APROVEITAMENTO PELA INCORPORADORA DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL DA INCORPORADA. Sendo a incorporação uma sucessão universal de direitos e obrigações, nas incorporações havidas antes da MP n° 1.858 6/1999 as bases de cálculo negativas da sucedida passam a integrar o patrimônio da sucessora no mesmo momento da incorporação. Assim, após o evento sucessório inexistem "bases de cálculo negativas da CSLL da sucedida" às quais se possa aplicar a restrição introduzida pelo art. 20 da referida MP, que dispõe que se aplicam à base de cálculo negativa da CSLL os arts. 32 e 33 do Decretolei n° 2.341/87. Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos dar provimento parcial para afastar a exigência fundada na compensação indevida de bases de cálculo da empresa incorporada, no valor de R$ 5.026.178,46, no anocalendário 1999, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Cientificada, formalmente, da decisão de Segunda Instância, em 04/08/2010, conforme Termo constante à fl. 534, a Fazenda Nacional interpôs, de forma tempestiva (09/08/2010), Recurso Especial de fls. 537/544, com amparo no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: Fl. 625DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 16327.001758/200454 Acórdão n.º 9101001.839 CSRFT1 Fl. 4 5 que no caso, a fiscalização procedeu à glosa da dedução de despesas que não são consideradas operacionais pela legislação do imposto de renda, por faltarlhe os requisitos estipulados na própria lei; que, contudo, o acórdão recorrido afastou a aludida glosa por entender que as despesas indedutíveis para o IRPJ não se estendem para a apuração da CSLL; que ao assim decidir, o colegiado a quo exarou entendimento divergente da decisão proferida pela 7ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes no acórdão n° 107 08870; que no paradigma, consagrouse o entendimento de que as despesas desnecessárias, e, consequentemente, desprovidas do caráter operacional, são também indedutíveis na apuração da CSLL; que quanto à apuração da CSLL pela incorporadora, o colegiado a quo considerou possível a compensação das bases negativas da incorporada, se a incorporação se realizou antes da edição da MP 18586/1999, que expressamente proibiu tal compensação; que este entendimento, no entanto, diverge da tese esposada pela 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes no acórdão n° 10323.404; que no paradigma indicado, assim como no caso dos autos, a incorporação foi realizada antes da Medida Provisória n° 18586/1999, conforme se lê no relatório do aresto apontado. Contudo, em sentido oposto ao acórdão recorrido, a Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes manteve a autuação referente à glosa da compensação indevida das bases negativas da incorporada; que resta, portanto, configurado dissídio jurisprudencial neste ponto, razão pela qual se encontram preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso especial; que as despesas não operacionais, consideradas indedutíveis na apuração do IRPJ, influenciam na base de cálculo da CSLL porque esta corresponde ao resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda (art. 2o da Lei n. 7.689/88), a depender das despesas operacionais; que esse fundamento se soma aos ditames do art. 13 da Lei n. 9.249/95, o qual veda deduções à base de cálculo da CSLL, sem prejuízo do disposto no art. 47 da Lei n. 4.506/64; que o último dispositivo considera como operacionais as despesas que são necessárias à atividade da entidade. As despesas que não forem necessárias não podem ser consideradas como despesas operacionais, logo, não podem ser deduzidas da base de cálculo da CSLL, isto é, não podem interferir no resultado do exercício para fins de apuração da base de cálculo da contribuição; que na hipótese vertente, o contribuinte foi autuado por ter compensado indevidamente bases negativas de CSLL apuradas por sua incorporada, conforme demonstrado no auto de infração que lastreia o presente processo; Fl. 626DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 6 que este tipo de compensação realizada pela empresa sucessora, de fato, está vedada no sistema legal, consoante o disposto no art. 20 da Medida Provisória n. 1858 6/1999, sucedida pela Medida Provisória 2.158/2001; que o acórdão recorrido sustenta que a norma supra transcrita não se aplicaria às incorporações realizadas antes de sua vigência em 1999; que a data máxima vênia, este entendimento não merece prosperar, pois o art. 20 da Medida Provisória n. 18586/1999 disciplina a compensação tributária, fazendo referência à incorporação somente para esclarecer em que hipótese não se pode compensar as bases negativas da CSLL; que logo, a aplicação temporal da referida norma deve se reger pela época da compensação e não da incorporação. Se as bases negativas da incorporada foram compensadas pela incorporadora após a edição da Medida Provisória n. 1858 6, de 26/06/1999, tornase indevida a aludida compensação, pois realizada quando já existia regra impeditiva. Este é o caso dos autos, onde se verifica que autuada realizou a compensação indevida em 31/12/1999, quando já estava em vigor a proibição legal veiculada na aludida Medida Provisória, que fundamentou a autuação em análise. Portanto, está correta a glosa efetuada pela fiscalização, que agiu dentro dos ditames legais. Seguem abaixo os acórdãos paradigmas apresentados (fls. 545/554), dos quais se transcreve as respectivas ementas nas partes que interessam: Acórdão nº 10708.870 DESPESAS FINANCEIRAS DESPESAS DESNECESSÁRIAS. Tendo o sujeito passivo tomado empréstimos no mercado financeiro, e tendo concedido empréstimos a afiliadas, sem cobrança de encargos ou os cobrado com insuficiência, em relação às taxas por ela pagas junto às instituições financeiras, configurase a desnecessidade das despesas financeiras às atividades da empresa, na proporção do capital cedido. CSLL — DESPESAS DESNECESSÁRIAS. Tendo a glosa se dado em razão da constatação de desnecessidade das despesas financeiras, o que as toma indedutíveis também da base de cálculo da CSLL é o próprio conceito de resultado do exercício apurado com observância da legislação comercial. Acórdão nº 10323.404 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 2001 CSLL. COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS. INCORPORAÇÃO. Conforme expressa disposição legal (Medida Provisória n. 18586, de 1999, sucedida pela Medida Provisória n. 2.15825, de 2001), a pessoa jurídica sucessora por incorporação não poderá compensar bases negativas apuradas pela empresa incorporada. Recurso voluntário não provido. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 16327.001758/200454 Acórdão n.º 9101001.839 CSRFT1 Fl. 5 7 Em 17/11/2010 foi proferido o Despacho nº 232/2010 (fls. 557/558), dando seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por satisfazer os pressupostos regimentais. Ciente, nos termos regimentais, do Acórdão recorrido e do Despacho de Exame de Admissibilidade, em 30/03/2011 (fl. 567), o contribuinte apresentou, tempestivamente, em 11/04/2011, as contrarrazões de fls. 582/596, sem instrução de documentos adicionais, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que ocorre, contudo, que o Acórdão nº 107 – 08870, indicado como paradigma pela recorrente, não trata de fatos semelhantes ao deste processo nem, muito menos, deram à lei tributária interpretação divergente; que a simples leitura do Acórdão nº 107 – 08870, invocado pela recorrente para respaldar o seu Recurso Especial, revela que naquele caso os fatos eram completamente diferentes: desnecessidade das despesas financeiras pelo fato de o contribuinte ter tomado empréstimo no mercado financeiro e, ao mesmo tempo, concedido empréstimo a afiliadas sem cobrança de encargos; que, portanto, os casos do acórdão recorrido e do acórdão coligido pela recorrente como paradigma não são idênticos e também não há demonstração analítica de pontos específicos, razão pela qual não preenchem os requisitos do § 6º do art. 67 do RICARF; que nessa conformidade, a jurisprudência da CSRF é pacífica no sentido de que não deve ser conhecido o recurso especial quando o acórdão recorrido tiver decidido questão diversa daquela enfrentada pelos acórdãos paradigmas; que com relação à outra divergência jurisprudencial (impossibilidade da compensação de bases negativas da incorporada na apuração da CSLL devida pela incorporadora), ao analisar o § 10º do art. 67 do atual Regimento Interno do CARF, verificase que o pressuposto para o conhecimento do Recurso Especial é a apresentação de acórdãos cuja tese, na data da interposição do recurso, ainda não tenha sido superada pela CSRF; caso contrário, não servirá de paradigma, independentemente de sua reforma específica; que ocorre, contudo, que desde 27.07.2009, por meio do Acórdão CSRF/9101 – 00197, a 1ª Turma da CSRF já tinha pacificado o entendimento de que até o advento do art. 20 da MP nº 1.858 – 6/1999, não havia vedação para que a incorporada pudesse compensar a base de cálculo negativa da CSLL apurada pela incorporada; que, portanto, a tese do Acórdão nº 103 – 23.404, coligido pela recorrente, já havia sido superada quando da interposição do Recurso Especial em 09.08.2010, razão pela qual não serve de paradigma, independentemente de sua reforma específica; que a recorrente alega em seu Recurso Especial que as despesas que não forem necessárias não poderiam ser consideradas como despesas operacionais, logo não poderiam ser deduzidas da base de cálculo da CSLL; que tal fundamento equivocado vem sendo corretamente afastado desde a 1ª instancia e deve continuar o sendo também na CSRF, pois apesar de a legislação (Lei nº 8.383/91, 8541/92 e 8.981/95) ter estendido à CSL as normas de “apuração” e de “pagamento” aplicáveis ao IRPJ, as bases de cálculos dos referidos tributos continuaram a ser diferentes, Fl. 628DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 8 razão porque as adições extra contábeis previstas para fins de apuração do lucro real não são automaticamente aplicáveis à determinação da base de cálculo da CSL; que as gratificações atribuídas a administradores, as participações nos lucros a eles pagas têm natureza de despesa, e não de provisão, daí serem dedutíveis da base de cálculo da CSL, uma vez que não há lei que imponha a sua adição extracontábil, tal como ocorre para fins de IRPJ; que no que se refere à compensação de bases negativas, a recorrente alega em seu Recurso Especial que a recorrida teria realizado a compensação indevida em 31.12.1999, quando já estaria em vigor a proibição legal veiculada na MP nº 1858 – 6/1999; que em 30.11.1998, data em que realizada a incorporação, não havia impedimento legal a que a base negativa de CSL da incorporada fosse a ela transferida, razão por que tais bases negativas passaram a integrar o patrimônio da recorrida, podendo ser utilizadas para compensar sua base positiva, observado o limite de 30 %. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni, Redator Ad Hoc Designado Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, de competência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, tendo em vista que o Conselheiro José Ricardo da Silva, relator do processo, não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, este Conselheiro foi designado Redator Ad Hoc pelo Presidente da 1ª Turma da CSRF, nos termos do item III, do art. 17, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). Destarte, levandose em consideração a minuta de acórdão inicialmente apresentada pelo relator original quando do julgamento do recurso, bem como o seu resultado, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, expresso na Ata da sessão ocorrida em outubro de 2013, passo a formalizar o voto do relator: Tendo a Fazenda Nacional tomado ciência do decisório recorrido em 04/08/2010 (fls. 534) e protocolizado o presente apelo em 09/08/2010 (fls. 537/544), isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, evidenciase a tempestividade do mesmo nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Da análise dos autos verificase que a Fazenda Nacional cumpriu com os requisitos previstos no RICARF para interpor Recurso Especial da Divergência, já que demonstrou que a decisão recorrida conferiu à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. O mero cotejo da ementa e voto do acórdão recorrido com as ementas e votos dos acórdãos paradigmas já caracteriza a divergência, haja vista que tipifica tratamentos diferenciados. Ou seja, questionase qual seria o tratamento de glosa de despesas não operacionais da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e a possibilidade de compensação de bases negativas da incorporada na apuração da Contribuição Social sobre o Fl. 629DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 16327.001758/200454 Acórdão n.º 9101001.839 CSRFT1 Fl. 6 9 Lucro Líquido devida pela incorporadora. Enquanto os acórdãos paradigmas decidiram pela legalidade da glosa das despesas e pela impossibilidade da compensação das bases negativas pela incorporadora, o acórdão recorrido ao contrário decidiu que as glosas de despesas são indevidas e pela legalidade da compensação das bases negativas pela incorporadora. Assim sendo, o Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, preenche os requisitos legais de admissibilidade merecendo ser conhecido pela turma julgadora. Como visto no relatório o presente trata de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão 130100.197 (fls. 525/532v), de 27/08/2009 (formalizado em 26/04/2010), o qual, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício e deu provimento parcial ao recurso voluntário. Inconformada a Fazenda Nacional interpôs recurso especial em 09/08/2010 (fls. 537/544), alegando divergência jurisprudencial: (i) quanto à glosa de despesas não operacionais da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido; (ii) quanto à possibilidade de compensação de bases negativas da incorporada na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pela incorporadora. 1 QUANTO À GLOSA DE DESPESAS NÃO OPERACIONAIS DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO Da análise dos autos observase que foram exoneradas em primeira instância as glosas efetuadas pela fiscalização, correspondentes a gratificações ao Conselho de Administração (R$ 169.500,00 no anocalendário 1999) e participação nos lucros dos administradores (R$ 1.813.348,03, R$ 3.549.769.98 e R$ 3.197.175,92, respectivamente nos anoscalendário 1999, 2000 e 2001). Baseouse o Fisco, para o referido lançamento, no disposto no art. 49, da Instrução Normativa SRF n° 93/19971, ao fundamento de que todas as despesas consideradas indedutíveis para fins de apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica também o seriam para a determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Ora, foge da razoabilidade crer que com a Instrução Normativa nº 93, de 1997, estabeleceuse a equivalência entre as bases de cálculo da CSLL e do IRPJ, uma vez que, nesse aspecto, nada acrescentou ao que já dispunha a Lei n° 8.981, de 1995, verbis: Art. 28 Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. Resta claro que dentre as disposições relativas ao IRPJ que também alcançam a CSLL, por determinação do art. 28 da Lei 9.430/96 (arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71), nenhuma prescreve sobre despesas indedutíveis da base de cálculo do IRPJ, as quais teoricamente teriam sido estendidas à base de cálculo da CSLL. As normas sobre ajustes na base de cálculo são distintas das normas de apuração a que aludem invocada instrução normativa. Não há na legislação dispositivo que determine a adição à base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido de despesas efetivas, tidas como indedutíveis na apuração do Lucro Real. As bases de cálculo do IR e da Fl. 630DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 10 CSL não são idênticas, daí os ajustes previstos ao lucro líquido para fins de determinação do lucro real não serem automaticamente aplicáveis à referida contribuição. A base de cálculo da CSL é aquela definida pelo art. 2º da Lei n° 7.689, de 1988, com as alterações introduzidas pela Lei n° 8.034, de 1990 Despesas ou encargos contabilmente apropriados, para efeitos de apuração do resultado comercial da pessoa jurídica, ainda que considerados não dedutíveis para efeitos do IRPJ, nem por isso deixariam de ser considerados na apuração da base de cálculo da CSLL. Para esse tributo, ao lucro líquido ou resultado comercial somente se agregam ou excluem valores constantes do artigo 2º dos diplomas legais mencionados, bem como do artigo 13 da Lei n° 9.249, de 1995. Outras exclusões, ainda que pertinentes ao IRPJ, não o são para efeitos da contribuição em questão, por absoluta falência de amparo legal. Ora, somente a lei pode dispor sobre a base de cálculo de tributos. Os dispositivos legais que embasaram o auto de infração não vedam especificamente a dedutibilidade de gratificações ao Conselho de Administração nem a atribuição de participação nos lucros a administradores. A pretensão de estender à CSLL as disposições acerca de dedutibilidade de despesas para fins do IRPJ não encontra amparo legal, nem mesmo infralegal, e não se pode admitir que a expressão "normas de apuração e pagamento'' possa alcançar também a determinação da base de cálculo, distinção que está expressa no texto do art. 57 da Lei n° 8.981, de 1995. 2 QUANTO À POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS DA INCORPORADA NA APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO DEVIDA PELA INCORPORADORA. No que diz respeito a glosa da compensação, efetuada pela autuada em 31/12/1999, com observância da trava de 30%, da base de cálculo negativa da empresa incorporada em 1998. Valeuse o Fisco do art. 20 da Medida Provisória n° 1.8586, de 1999, a seguir transcrito. Art.20. Aplicase à base de cálculo negativa da CSLL o disposto nos arts. 32 e 33 do DecretoLei n° 2.341, de 29 de junho de 1987. Por sua vez, eis a redação dos referidos artigos do DecretoLei n° 2.341, de 29/06/1987: Art. 32. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais, se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle secretário e do ramo de atividade. Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. No caso concreto, a incorporação se deu em outubro/1998 (fl. 263), antes do advento da MP n° 1.8586, de 1999. Na ausência de impedimento legal, as bases negativas de CSLL acumuladas pela incorporada se transferiram à incorporadora, podendo ser utilizadas posteriormente, inclusive no encerramento do anocalendário 1998, observadas as limitações Fl. 631DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 16327.001758/200454 Acórdão n.º 9101001.839 CSRFT1 Fl. 7 11 legais, especialmente a "trava". Não é demais reforçar: tratase de sucessão universal, em que a incorporadora sucede a incorporada em todos os seus direitos e obrigações, a teor do art. 227 da Lei n° 6.404, de 1976 (Lei das S/A). Especificamente, o direito à compensação das bases negativas pertencia à incorporada, integrava o seu patrimônio, ainda que extracontabilmente. Aliás, a boa técnica admite também o registro contábil desse direito. Em assim sendo, a transferência de direitos e obrigações havida por ocasião da extinção da sucedida e sua incorporação pela sucessora deve ser reputada como ato jurídico perfeito, insuscetível de alteração superveniente. Aquilo que, até então, eram bases de cálculo negativas da CSLL da SITA (sucedida) passam a ser bases de cálculo negativas da VEGA (sucessora), visto que a incorporada deixou de existir e esse direito, integrante de seu patrimônio, passou a integrar o patrimônio da incorporadora. Posteriormente a esses eventos, foi publicada a MP n° 1.8586, de1999, com vigência a partir de 01/10/1999. Nessas condições, a vedação estabelecida por essa Medida Provisória, da forma como foi entendida pela fiscalização e no julgamento em primeira instância, corresponde de fato à cassação do direito da sucessora, adquirido anteriormente no momento da incorporação, o que não se há de admitir. Ora, a melhor interpretação que se deve extrair do ato legal sob exame (art. 20 da Medida Provisória n° 1.8586, de 1999) é de que se aplica somente às incorporações havidas posteriormente à vigência da norma legal que impôs a vedação da compensação, pela incorporadora, de bases de cálculo negativas da CSLL da incorporada. Isso porque entendo que, após a incorporação, não mais se há de falar em bases negativas da sucedida, posto que essa pessoa jurídica desapareceu e as bases negativas que antes lhe pertenciam passaram a integrar, de pleno direito e de forma definitiva, o patrimônio da sucessora. Assim, a vedação à compensação almejada pelo legislador deveria produzir seus efeitos no momento da incorporação, evitando que esse direito, especificamente, se transferisse do patrimônio da sucedida para o da sucessora. No caso concreto, não foi o que ocorreu. A transferência desse direito se deu em 1998, antes do advento da MP n° 1.8586/1999, e livre das restrições por ela estabelecidas. Assim, quando a MP veio a ser publicada e produzir efeitos, suas disposições acerca das bases de cálculo negativas da sucedida não se poderiam aplicar a fatos pretéritos, visto que a sucedida já não mais existia e as bases de cálculo negativas já eram próprias da sucessora, definitivamente incorporadas ao seu patrimônio. Inexistiam, no início da vigência da MP, "bases de cálculo negativas de CSLL da sucedida" às quais se pudesse aplicar a vedação legal, pelo que a exigência deve ser exonerada, nessa parte. Nestas condições, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial do Procurador. (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni Redator Ad Hoc Fl. 632DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 12 Fl. 633DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI
score : 1.0
Numero do processo: 10580.017120/99-66
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1990
DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO - PDV - DECADÊNCIA AFASTADA.
O inicio da contagem do prazo de decadência para pleitear a restituição dos valores recolhidos a titulo de imposto de renda sobre os montantes pagos como incentivo pela adesão a Programas de Desligamento Voluntário - PDV, começa a fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecido, pela administração tributária, o direito de pleitear a restituição. No momento em que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n°165, de 31/12/1998, que foi publicada no Diário Oficial da União que circulou no dia 06/01/1999, são tempestivos os pedidos protocolizados até 06/01/2004.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.741
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior, Elias Sampaio Freire e Carlos Alberto Freitas Barreto que davam provimento.
Nome do relator: Moises Giacomelle Nunes da Silva
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201004
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1990 DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO - PDV - DECADÊNCIA AFASTADA. O inicio da contagem do prazo de decadência para pleitear a restituição dos valores recolhidos a titulo de imposto de renda sobre os montantes pagos como incentivo pela adesão a Programas de Desligamento Voluntário - PDV, começa a fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecido, pela administração tributária, o direito de pleitear a restituição. No momento em que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n°165, de 31/12/1998, que foi publicada no Diário Oficial da União que circulou no dia 06/01/1999, são tempestivos os pedidos protocolizados até 06/01/2004. Recurso especial negado.
numero_processo_s : 10580.017120/99-66
conteudo_id_s : 5399938
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 21 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-000.741
nome_arquivo_s : Decisao_105800171209966.pdf
nome_relator_s : Moises Giacomelle Nunes da Silva
nome_arquivo_pdf_s : 105800171209966_5399938.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior, Elias Sampaio Freire e Carlos Alberto Freitas Barreto que davam provimento.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
id : 5731067
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:12:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076608471498752
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-08-17T14:31:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-08-17T14:31:43Z; Last-Modified: 2010-08-17T14:31:44Z; dcterms:modified: 2010-08-17T14:31:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:77ad6f2e-7983-4829-9d45-50449dc96fa2; Last-Save-Date: 2010-08-17T14:31:44Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-08-17T14:31:44Z; meta:save-date: 2010-08-17T14:31:44Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-08-17T14:31:44Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-08-17T14:31:43Z; created: 2010-08-17T14:31:43Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-08-17T14:31:43Z; pdf:charsPerPage: 1328; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-08-17T14:31:43Z | Conteúdo => CSRF-T2 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10580.017120/99-66 Recurso n° 123.913 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-00.741 — 2 Turma Sessão de 13 de abril de 2010 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RAIMUNDO NONATO DE ALMEIDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1990 DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO - PDV - DECADÊNCIA AFASTADA. O inicio da contagem do prazo de decadência para pleitear a restituição dos valores recolhidos a titulo de imposto de renda sobre os montantes pagos como incentivo pela adesão a Programas de Desligamento Voluntário - PDV, começa a fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecido, pela administração tributária, o direito de pleitear a restituição. No momento em que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31/12/1998, que foi publicada no Diário Oficial da União que circulou no dia 06/01/1999, são tempestivos os pedidos protocolizados até 06/01/2004. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior, Elias Sampaio Freire e Carlos Alberto Freitas Barreto que davam provimento. CARLOS ALBER 1 F EITAS B • TO- Presidente MOISES • 1 L I NUNES DA SILVA - Relator EDITADO EM: 14 MG 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de processo que tem por objeto pedido de restituição de valor de Imposto de Renda Retido na Fonte, correspondente ao exercício de 1990, sobre verbas trabalhistas que, em tese, foram pagas em face de implantação de Programa de Demissão Voluntária - PDV. O pedido de restituição foi protocolizado em 05/08/1999 (fl. 02), sendo que a decisão recorrida (fl. 66/70), por maioria de votos, afastou a decadência e determinou o retomo dos autos à origem para exame do mérito. Intimada da decisão, a Fazenda Nacional ingressou com recurso especial de fls. 72 e seguintes, sustentando que a interpretação correta em relação ao inciso I, do artigo 168, do CTN, é no sentido de que o prazo decadencial para requerer a restituição é de cinco anos, contados da data do pagamento indevido. Admitido o recurso às fls. 43/44, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. 2 Processo n° 1 05 8 0.017120/99-66 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.741 Fl. 2 Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147 de 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda. Foi interposto por parte-legítima e está devidamente fundamentado. Assim, conheço do recurso e passo ao exame do mérito. Partindo do conceito legal de tributo, de que trata o artigo 3° do CTN, como sendo "toda a prestação de natureza pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada", tem-se que editada norma pela Administração exigindo tributo cabe ao particular, independentemente de sua vontade ou concordância, satisfazer a exigência tributária. Mesmo nas hipóteses em que a norma que exige o tributo esteja em desconfoimidade com o texto constitucional, cabe ao sujeito passivo a obrigação de satisfazer o pagamento, pois os atos editados pelo poder público, até decisão em contrário, gozam de presunção de legalidade. Nesta linha, mesmo diante das hipóteses de exigência indevida de tributo, cabe ao sujeito passivo efetuar o pagamento até que se verifique uma das seguintes hipóteses: a) Decisão do Supremo Tribunal Federal, em controle concentrado de constitucionalidade, declarando a inconstitucionalidade da norma que instituiu o tributo; b) Resolução do Senado Federal editada nos termos do artigo 52, X, da CF, suspendendo a execução, no todo ou em parte, da norma declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal e; c) A Administração Pública, através de ato competente, reconhece que o tributo cobrado é indevido. No caso do PDV, a SRF editou a Instrução Normativa 165/98, datada de 31 de dezembro de 1998, e publicada no D.O.U. em 06/01/1999, reconhecendo a não incidência de imposto de renda sobre as parcelas pagas por adesão a Programa de Demissão Voluntária. Publicada a instrução normativa, nasceu em favor do contribuinte o direito subjetivo de se dirigir à Administração para requerer a restituição do valor pago indevidamente. Neste sentido destaco o seguinte precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais: IRRF — RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO PAGO (RETIDO) INDEVIDAMENTE — PRAZO — DECADÊNCIA — INOCORRÊNCIA — PARECER COSIT N° 4/99 — O imposto de renda retido na fonte é tributo sujeito ao lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, nos termos do (1; 3 caput do artigo 150 do CTN, por delegação da legislação fiscal, promove aquela atividade da autoridade administrativa de lançamento (art. 142 do CTN). Assim, o contribuinte, por delegação legal, irá verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, identificar o sujeito passivo, calcular o tributo devido e, sendo o caso, aplicar a penalidade cabível. Além do lançamento, para consumação daquela hipótese prevista no artigo 150 do CTN, é necessário o recolhimento do débito pelo contribuinte sem prévio exame das • autoridades administrativas. Havendo o lançamento e pagamento antecipado pelo contribuinte, ato homologató rio este que consuma a extinção do crédito tributário (art. 156, VII, do CTN). Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito se extingue com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4 0, do CTN), a chamada homologação tácita. Ademais, o Parecer COSIT n° 4/99 concede o prazo de 5 anos para restituição do tributo pago indevidamente contado a partir do ato administrativo que reconhece, no âmbito administrativo fiscal, o indébito tributário, in casu, a Instrução Normativa n° 165 de 31.12.98. O contribuinte, portanto, segundo o Parecer, poderá requerer a restituição do indébito do imposto de renda incidente sobre verbas percebidas por adesão à PDV até dezembro de 2003, razão pela qual não há que se falar em decurso do prazo no requerimento do Recorrente feito em 2000. A Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu, em questão semelhante, que 'em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece a inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributário.' (Acórdão CSRF/01-03.239). Ao efetuar retenções na fonte e incluir as parcelas do PDV na base de cálculo anual do tributo, tanto a fonte pagadora quanto o sujeito passivo agiram sob a presunção de ser legítima a exação. Mais, seguiram orientações expressas da administração tributária, sob pena de serem autuados. Entretanto, reconhecido pelo Superior Tribunal de Justiça e, posteriormente, por ato da administração pública, que as parcelas recebidas como incentivo ao desligamento voluntário estão fora do campo de incidência do imposto de renda, surge para o contribuinte o direito ao não recolhimento do tributo, como também a repetição aos valores recolhidos indevidamente. No meu sentir, desta forma, se homenageiam princípios basilares do direito como o da moralidade, isonomia, boa fé, lealdade, vedação do enriquecimento sem causa e o da segurança jurídica. Do contrário, estar-se-ia disseminando a desconfiança na lei e na Administração Tributária que orientou o contribuinte e a fonte pagadora ao cumprimento de exigência tributária desprovida de fundamento legal para tanto. Por outro lado, o lançamento é ato administrativo vinculado à lei. Nesta, encontram-se todos os elementos que compõem a obrigação tributária. O controle da legalidade, a ser efetuado pela própria Administração ou pelo Poder Judiciário, é imperàtivo de ordem pública. Constatada a ilegalidade da cobrança do tributo, a Administração tem (oh poder/dever de anular o lançamento e restituir o pagamento indevido. 4 Processo n° 10580.017120/99-66 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.741 Fl. 3 Em síntese, no momento em que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31/12/1998 (DOU de 06/01/1999) tem-se que os pedidos protocolizados até 06/01/2004 são tempestivos. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. Mo'isés - iacome 1 unes a Silva — Relator 5
score : 1.0
Numero do processo: 10166.721539/2009-11
Data da sessão: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AO INCRA, SESC, SENAI E SEBRAE. LEGALIDADE.
É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural.
O adicional destinado ao SEBRAE (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no Decreto-Lei nº 2.318/86 (SENAI, SENAC, SESI e SESC).
ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO COM REQUISITOS NO INTERESSE DA SAÚDE DO TRABALHADOR.
A alimentação fornecida pelo empregador tem natureza salarial e está no campo da incidência da contribuição previdenciária, mas goza de isenção segundo o requisito legal. O requisito de inscrição no PAT atende à proporcionalidade, pois objetiva proteger a saúde do trabalhador e não representa óbice excessivamente gravoso para a empresa. Sem obediência ao requisito legal não há como reconhecer o direito à isenção.ISENÇÃO PARA PLANO EDUCACIONAL. INAPLICABILIDADE PARA VALORES QUE BENEFICIAM OS DEPENDENTES DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES.
A lei concede isenção para o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo, porém o benefício não se estende aos dependentes dos beneficiários.
ISENÇÃO PARA PLANO EDUCACIONAL.
A lei concede isenção para o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Cursos de graduação e pós-graduação são presumidos como relacionados com a atividade da empresa, salvo prova em contrário da fiscalização.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Redator(a) designado. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes- Relator.
(assinado digitalmente)
MAURO JOSÉ SILVA - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damiao Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201112
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AO INCRA, SESC, SENAI E SEBRAE. LEGALIDADE. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. O adicional destinado ao SEBRAE (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no Decreto-Lei nº 2.318/86 (SENAI, SENAC, SESI e SESC). ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO COM REQUISITOS NO INTERESSE DA SAÚDE DO TRABALHADOR. A alimentação fornecida pelo empregador tem natureza salarial e está no campo da incidência da contribuição previdenciária, mas goza de isenção segundo o requisito legal. O requisito de inscrição no PAT atende à proporcionalidade, pois objetiva proteger a saúde do trabalhador e não representa óbice excessivamente gravoso para a empresa. Sem obediência ao requisito legal não há como reconhecer o direito à isenção.ISENÇÃO PARA PLANO EDUCACIONAL. INAPLICABILIDADE PARA VALORES QUE BENEFICIAM OS DEPENDENTES DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. A lei concede isenção para o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo, porém o benefício não se estende aos dependentes dos beneficiários. ISENÇÃO PARA PLANO EDUCACIONAL. A lei concede isenção para o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Cursos de graduação e pós-graduação são presumidos como relacionados com a atividade da empresa, salvo prova em contrário da fiscalização. Recurso Voluntário Provido em Parte.
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10166.721539/2009-11
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5372350
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2301-002.485
nome_arquivo_s : Decisao_10166721539200911.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 10166721539200911_5372350.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Redator(a) designado. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes- Relator. (assinado digitalmente) MAURO JOSÉ SILVA - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damiao Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva
dt_sessao_tdt : Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
id : 5588121
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:12:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076608473595904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2464; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 557 1 556 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.721539/200911 Recurso nº 871.738 Voluntário Acórdão nº 2301002.485 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 02 de dezembro de 2011 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente CEB Distribuição S/A Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AO INCRA, SESC, SENAI E SEBRAE. LEGALIDADE. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. O adicional destinado ao SEBRAE (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (SENAI, SENAC, SESI e SESC). ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO COM REQUISITOS NO INTERESSE DA SAÚDE DO TRABALHADOR. A alimentação fornecida pelo empregador tem natureza salarial e está no campo da incidência da contribuição previdenciária, mas goza de isenção segundo o requisito legal. O requisito de inscrição no PAT atende à proporcionalidade, pois objetiva proteger a saúde do trabalhador e não representa óbice excessivamente gravoso para a empresa. Sem obediência ao requisito legal não há como reconhecer o direito à isenção.ISENÇÃO PARA PLANO EDUCACIONAL. INAPLICABILIDADE PARA VALORES QUE BENEFICIAM OS DEPENDENTES DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. A lei concede isenção para o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo, porém o benefício não se estende aos dependentes dos beneficiários. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 15 39 /2 00 9- 11 Fl. 557DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 ISENÇÃO PARA PLANO EDUCACIONAL. A lei concede isenção para o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Cursos de graduação e pósgraduação são presumidos como relacionados com a atividade da empresa, salvo prova em contrário da fiscalização. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Redator(a) designado. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. (assinado digitalmente) MAURO JOSÉ SILVA Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damiao Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva Fl. 558DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.721539/200911 Acórdão n.º 2301002.485 S2C3T1 Fl. 558 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte, CEB DISTRIBUIÇÃO S/A, contra decisão que julgou válido o lançamento, mantendo o débito contra a empresa. 2. Conforme o Relatório Fiscal, constituem fatos geradores do lançamento as contribuições sociais devidas pelo contribuinte às outras entidades conveniadas (terceiros) INCRA, SENAI, SESC, SEBRAE, incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados, proveniente do fornecimento das rubricas ticket alimentação, lanche matinal, auxílio escolar, e programa de incentivo educacional, no período de 01/2006 a 12/2006. 3. Cumpre transcrever a ementa do julgamento administrativo de origem nos seguintes termos: “CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO ALIMENTAÇÃO. Integra o saláriodecontribuição o valor concernente à alimentação fornecida se a empresa não fez adesão ao programa de alimentação do trabalhador previamente aprovado pelo Ministério do Trabalho. (Lei nº 6.321, de 14.04.1976 e art. 195, I, “a”, da CF/88). EDUCAÇÃO. ISENÇÃO. Nos termos do art. 111 c/c art. 176, ambos do CTN, a isenção, como forma de exclusão do crédito tributário, é matéria plenamente vinculada à lei, que especifica as condições e requisitos para a concessão, devendo ser interpretada sempre de forma restritiva. Desse modo, para as despesas de auxílio escolar, concernentes à educação superior, graduação e pós graduação; os valores reembolsados por cursos frequentados pelos dependentes dos empregados, e os relativos ao programa de incentivo educacional, que consiste no ressarcimento, por parte da empresa, dos gastos efetuados pelo empregado com matrículas e mensalidades de cursos de graduação e pósgraduação, não existe direito à isenção por falta de previsão legal. Impugnação improcedente Crédito tributário mantido” 4. O contribuinte, por sua vez, interpôs recurso voluntário, alegando em suma: a) nulidade do auto de infração na medida em que não constam, expressamente, quais as obrigações tributárias que teriam motivado o crédito Fl. 559DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 tributário tal como lançado, os erros constatados nas informações prestadas pelo contribuinte e os dispositivos legais que o fundamentaram; b) ao contribuinte não cabe o pagamento da contribuição devida ao INCRA, por sua atividade está enquadrada na categoria econômica da indústria, na medida em que, nos termos do art. 15 da Lei Complementar nº 11/71, são sujeitos passivos dessa contribuição apenas os produtores rurais; c) as contribuições devidas ao SESC e SENAI não eram da competência da Receita Federal do Brasil até 31 de março de 2006, conforme a Instrução Normativa nº 567, de 31 de agosto de 2005; d) os benefícios ticket alimentação e lanche matinal fornecidos pelo contribuinte a seus empregados estavam enquadrados na exceção do art. 28,§ 9º, “c”, da Lei nº 8.212/91, pois o contribuinte encontravase devidamente inscrito no Programa de Alimentação ao Trabalhador do Ministério do Trabalho e Emprego (PAT); e) ainda que o contribuinte não fosse inscrito no PAT desde o ano de 2004, o lanche matinal fornecido e o ticket alimentação não poderiam integrar o salário de contribuição por possuírem finalidade de manter a integridade da saúde dos trabalhadores, possuindo, assim, caráter indenizatório, posto que, somente as verbas que fazem parte da remuneração dos empregados integram a base de cálculo da contribuição social; f) as rubricas programa de incentivo educacional e auxílio escolar, seja em face da legislação previdenciária ou trabalhista, não podem fazer parte do salário de contribuição. 5. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.721539/200911 Acórdão n.º 2301002.485 S2C3T1 Fl. 559 5 Voto Vencido Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA INEXISTÊNCIA DE NULIDADE 2. Preliminarmente, alega o contribuinte a existência de nulidade do auto de infração, em razão de não constarem, expressamente, as obrigações tributárias que teriam motivado o crédito tributário tal como lançado, os erros constatados nas informações prestadas pelo contribuinte e os dispositivos legais que o fundamentaram. 3. Contudo, entendo que razão não lhe assiste, pois foram apontados os fundamentos de fato, conforme se depreende do item 1 do Relatório Fiscal, in verbis: “1. Contribuições sociais devidas pelo contribuinte às outras entidades conveniadas (terceiros) INCRA, SENAI, SESC, SEBRAE, incidentes sobre remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados, provenientes do pagamento das rubricas “ticket alimentação”, “lanche matinal”, “auxílio escolar” e ‘programa de incentivo educacional.” 4. Além disso, verificase que os fundamentos de direito estão presentes nos Fundamentos Legais do Débito FLD, f. 10, no item 42 do Relatório Fiscal: “42. O lançamento fiscal está fundamentado na Constituição Federal e legislação constante do anexo Fundamentos Legais do Débito – FLD, além da já citada textualmente neste relatório” 5. Desse modo, restam evidenciadas, de forma clara, as razões técnicas e jurídicas que determinaram o lançamento fiscal. 6. Por fim, cumpre ressaltar que o lançamento encontrase devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99 e o art. 38, do Decreto 7.574/2011. Desta forma, não há que se falar em anulação do lançamento fiscal. DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O INCRA, SENAI, SESC E SEBRAE 7. Com relação ao INCRA, o contribuinte batalha no sentido de demonstrar a ausência de fundamento jurídico para a cobrança da contribuição, alegando que não cabe o seu pagamento, na medida em que, nos termos do art. 15 da Lei Complementar n.º 11/71, são sujeitos passivos dessa contribuição apenas os produtores rurais, sendo que a atividade desempenhada pelo contribuinte restringese a categoria econômica da indústria. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 8. Todavia, verificase que a contribuição ao INCRA não alcança exclusivamente à produção rural, conforme sua lei de instituição, a qual relaciona atividades industriais que podem ser desenvolvidas tanto no meio rural como nas regiões urbanas, como se depreende do DecretoLei nº 1.110, de 9 de julho de 1970 e do DecretoLei n.º 1.146, de 31 de dezembro de 1970, que estabelecem a competência e as atividades do INCRA, incluindo a atividade em questão. 9. No que se refere às contribuições para o SESC e SENAI, aduz o contribuinte no sentido de que a competência da Refeita Federal do Brasil de arrecadar e fiscalizar as contribuições devidas ao sistema “S” somente se deu a partir de 1º de abril de 2006, posto que até esta data caberia exclusivamente ao SESC e ao SENAI, nas respectivas áreas de atuação, arrecadar, fiscalizar e cobrar as respectivas contribuições. 10. Porém, não prospera a alegação do contribuinte de que as contribuições devidas ao SESC e ao SENAI não são da competência da RFB, pois a Instrução Normativa RFB n.º 567, de 31 de agosto de 2005, citada pela impugnante, diz respeito somente às empresas industriais, de comunicação, de pesca, de transporte ferroviário e metroviário que tenham firmado contrato ou celebrado convênio com o SESC e o SENAI, até 14 de agosto de 2005, situação em que, como se infere dos autos, não se encontra a autuada. 11. Quanto à alegação de inexigibilidade da cobrança de contribuições para o SEBRAE, não dou razão ao contribuinte. 12. Isso porque, sobre a questão, este Conselho vem pacificando seu entendimento no sentido de que a contribuição ao SEBRAE tratase de um adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAI e SEST/SENAT e, ainda, conforme jurisprudência recente do STJ, a contribuição destinada ao SEBRAE constitui contribuição de intervenção no domínio econômico (CF art. 149) sendo, por isso, exigível de todos aqueles que se sujeitam às Contribuições ao SESC, SESI, SENAC e SENAI. 13. Assim, não devem prosperar as alegações do contribuinte, pois há previsão legal da exigência das contribuições para terceiros, como trata: o art. 149 da Constituição Federal; a Lei 8.212/91, em seu art. 33, que dispõe sobre a arrecadação e recolhimento dessas contribuições pela Receita Federal do Brasil; bem como o art. 8º, § 3º, da Lei 8.029, de 12 de abril de 1990. 14. Contudo, entendo que não são devidas as contribuições para terceiros na forma pretendida pelo fisco, pois as rubricas descritas como fato gerador da obrigação principal (ticket alimentação, lanche matinal, auxílio escolar e programa de incentivo educacional) não integram o saláriodecontribuição para os efeitos da legislação previdenciária, como passamos a demonstrar adiante. TICKET ALIMENTAÇÃO E LANCHE MATINAL 15. Como narrado no relatório fiscal, a empresa CEB Distribuição disponibilizou, conforme previsão em Acordo Coletivo de Trabalho, o benefício da alimentação a seus empregados, no ano de 2006, mediante fornecimento de vales refeição/alimentação e de kit lanche matinal. O regulamento interno da empresa previa, ainda, o fornecimento de vales refeição/alimentação também aos diretores da empresa. 16. E a despeito do bom arrazoado trazido pelo fisco, a meu ver, o débito não merece prosperar, conforme passarei a demonstrar a seguir. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.721539/200911 Acórdão n.º 2301002.485 S2C3T1 Fl. 560 7 17. Tenho firmado entendimento no sentido de que o pagamento do auxílio alimentação ‘in natura’ não sofre a incidência da contribuição previdenciária, haja vista a ausência de sua natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no PAT. 18. E a despeito do bom arrazoado trazido pelo fisco, a meu ver, o débito não merece prosperar, conforme passarei a demonstrar a seguir. 19. Corroborando o posicionamento ora exposto, temse a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento ‘in natura’ do auxílioalimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. (Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006). 20. Confirase, a propósito, recente julgado da Primeira Turma deste Colendo Tribunal, in verbis: “TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. VALEALIMENTAÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O valor concedido pelo empregador a título de vale alimentação não se sujeita à contribuição previdenciária, mesmo nas hipóteses em que o referido benefício é pago em dinheiro. 2. A exegese hodierna, consoante a jurisprudência desta Corte e da Excelsa Corte, assenta que o contribuinte é sujeito de direito, e não mais objeto de tributação. 3. O Supremo Tribunal Federal, em situação análoga, concluiu pela inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o valor pago em espécie sobre o vale transporte do trabalhador, mercê de o benefício ostentar nítido caráter indenizatório. (STF RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, julgado em 10.03.2010, DJe 14.05.2010) 4. Mutatis mutandis, a empresa oferece o ticket refeição antecipadamente para que o trabalhador se alimente antes e ir ao trabalho, e não como uma base integrativa do salário, porquanto este é decorrente do vínculo laboral do trabalhador com o seu empregador, e é pago como contraprestação pelo trabalho efetivado. 5. É que: (a) ‘o pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito, ou não, no Programa de Alimentação do Fl. 563DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 Trabalhador PAT, ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho’ (REsp 1.180.562/RJ (grifo nosso) (...) 6. Recurso especial provido.” (STJ REsp 1185685/SP, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/12/2010, DJe 10/05/2011) (g.n.) 21. Salientase, ainda, que para firmar esse entendimento fazse mister a referência de acórdão cuja relatoria é do Ministro José Delgado que tratou da matéria em questão, conforme ementa abaixo transcrita: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. REFEIÇÃO REALIZADA NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA. NÃOINCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DA CERTIDÃO DA DÍVIDA ATIVA. PRECEDENTES. 1. Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região segundo o qual: a) o simples inadimplemento da obrigação tributária não constitui infração à lei capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios; b) o auxílioalimentação fornecido pela empresa não sofre a incidência de contribuição previdenciária, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Em seu apelo, o INSS aponta negativa de vigência dos artigos 135 e 202, do CTN, 2º, § 5º, I e IV, 3º da Lei 6.830/80, 28, § 9º, da Lei n. 8.212/91 e divergência jurisprudencial. Sustenta, em síntese, que: a) a) o ônus da prova acerca da não ocorrência da responsabilidade tributária será do sócio executado, tendo em vista a presunção de legitimidade e certeza da certidão da dívida ativa; b) é pacífico o entendimento no STJ de que o auxílioalimentação, caso seja pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, é salário e sofre a incidência de contribuição previdenciária. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. Precedentes. EREsp Fl. 564DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.721539/200911 Acórdão n.º 2301002.485 S2C3T1 Fl. 561 9 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006. 3. Constando o nome do sóciogerente na certidão de dívida ativa e tendo ele tido pleno conhecimento do procedimento administrativo e da execução fiscal, responde solidariamente pelos débitos fiscais, salvo se provar a inexistência de qualquer vínculo com a obrigação. 4. Presunção de certeza e liquidez da certidão da dívida ativa. Ônus da prova da isenção de responsabilidade que cabe ao sóciogerente. Precedentes: EREsp 702.232/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 26/09/2005; EREsp 635.858/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 02/04/2007. 5. Recurso especial parcialmente provido.” (REsp 977.238/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13.11.2007, DJ 29.11.2007 p. 257) [grifo nosso] 22. Inclusive, a argumentação da Fazenda Nacional nos autos acima (REsp 977.238/RS) era de que o auxilio alimentação, pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), possuía natureza salarial sendo, portanto, passível de recolhimento de tributo. No entanto, sua sustentação não foi provida em razão da orientação jurisprudencial pacífica do STJ em sentido contrário, qual seja não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de auxilio alimentação. 23. Digase, também, pelo que se indica nestes casos, que a concessão da alimentação é desvinculada do salário por força da própria Lei nº 8.212/91 que determina a não integração do saláriodecontribuição às importâncias recebidas a título de ganhos expressamente desvinculados do salário (art. 28, §9º, letra “e”, número 7). 24. É oportuno dizer que as empresas, na verdade, estão desempenhando enorme papel social ao fornecerem alimentação a seus trabalhadores, notadamente para aqueles de menor renda. É dizer, cobrar contribuições sociais sobre o fornecimento próprio de alimentação é penalizar as empresas e desestimular a colaboração da sociedade na saúde do trabalhador. 25. Dessa forma, a mesma orientação do ticket alimentação aplicase à rubrica “lanche matinal” pelos mesmos fundamentos acima transcritos, já que a mesma não tem natureza salarial e não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos. Sendo o caso, portanto, de dar provimento ao recurso nesta parte. 26. Por fim, embora não tenha influência para o meu voto, deixo registrado que o contribuinte alega que estava inscrito no Programa de Alimentação ao Trabalhador do Ministério do Trabalho e Emprego (PAT); em razão de ser integral sucessor da Companhia Energética de BrasíliaCEB, devidamente inscrita no Programa desde 04/03/2004. Não obstante, compulsando os autos, verificase por meio da análise dos comprovantes de inscrição fornecidos pelo Ministério do Trabalho e Emprego – MTE, ff. 409 a 410, que a data de Fl. 565DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 inscrição da sucedida (06/08/2008) é posterior a da sucessora (03/04/2008) e, por consequência, não há que se falar em adesão ao PAT no período de 2006. AUXÍLIO ESCOLAR E PROGRAMA DE INCENTIVO EDUCACIONAL 27. Como consta do Relatório Fiscal, o fornecimento do auxílio escolar se deu mediante crédito em folha de pagamento, código “V 138”, sendo pagos os valores de R$ 212,04 para reembolso de cursos em que o empregado estava matriculado e de R$ 161,04 por dependente que também fizesse jus ao benefício. 28. E quanto à rubrica programa de incentivo educacional trazida no item 3 do Relatório Fiscal consiste no ressarcimento, por parte da empresa, com gastos efetuados pelo empregado com matrículas e mensalidades de cursos de doutorado, mestrado, graduação, pós graduação, língua estrangeira, técnicos profissionalizantes, atualização regular, supletivo de ensino fundamental e médio. 29. No presente caso, conforme a decisão de primeira instância, não foram considerados como alcançados pela exclusão prevista na alínea “t”, § 9º, art. 28 da Lei 8.212/91 os valores de auxílio escolar, concernentes à educação superior, graduação e pós graduação; os valores reembolsados por cursos frequentados pelos dependentes dos empregados, e os relativos ao programa de incentivo educacional, que consiste no ressarcimento, por parte da empresa, dos gastos efetuados pelo empregado com matrículas e mensalidades de cursos de graduação e pósgraduação. 30. Dessa forma, verificase que deve ser feita análise da incidência de contribuições sociais sobre os valores considerados pelo fisco como salário, uma vez que o agente fiscal atribui equivocadamente natureza salarial ao auxílio escolar e ao programa de incentivo educacional concedido pela empresa. 31. Posto que, no meu entender, os planos educacionais disponibilizados pelas empresas a seus empregados, ou a dependentes, não gera a incidência de contribuição previdenciária, eis que desvinculadas do salário do trabalhador. 32. Sobre essa questão, o o meu ponto de vista encontra respaldo no artigo 458, parágrafo 2º, inciso II, da Consolidação das Leis do Trabalho, que retirou a natureza salarial do benefício de educação, facultando que os cursos sejam fornecidos em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo, inclusive, os valores relativos à matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático. 33. Cumpre ressaltar que a legislação trabalhista também não colocou qualquer trava para o benefício, simplesmente o desvinculou do salário, conforme transcrito abaixo: “Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) (...) Fl. 566DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.721539/200911 Acórdão n.º 2301002.485 S2C3T1 Fl. 562 11 § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) (...) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) (...)” 34. A propósito, essa é a orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Superior do Trabalho, que se posicionam no sentido de que o auxílio educação não remunera o trabalho, pois não retribui o trabalho efetivo, assim não pode ser considerado salário in natura, conforme jurisprudência abaixo: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. AUXÍLIOEDUCAÇÃO DE EMPRESA (PLANO DE FORMAÇÃO EDUCACIONAL). VERBAS DE NATUREZA NÃO SALARIAL. 1. Tratam os autos de embargos à execução fiscal opostos por TELECOMUNICAÇÕES DO PARANÁ S/A TELEPAR em face de execução fiscal movida pelo INSS para cobrar valores notificados referentes a auxílioeducação em face da autarquia previdenciária considerar que tal benefício integra o saláriode contribuição. A exordial do presente processado restou fundada no seguinte pedido (fls. 15/16): a) "o acolhimento da preliminar de nulidade do título executivo, ante as razões supra aduzidas, extinguindose a execução sem julgamento de mérito"; b) "caso não seja acolhida a preliminar suscitada, no mérito seja julgado procedentes os presentes embargos, com a declaração de inexigibilidade do título executado, cancelandose o crédito tributário constituído, a respectiva inscrição em dívida ativa e a execução fiscal correspondente, com a condenação do Instituto embargado em custas e honorários advocatícios"; c) "'ad argumentandum tantum', na hipótese de manutenção, total ou parcial, de qualquer das exigências fiscais, seja reconhecido o caráter confiscatório da multa, ou seja considerado o percentual de 40% para as multas impostas, ..". O juízo de primeiro grau julgou procedente o pleito, desconstituindo o título executivo, tornando insubsistente a penhora e declarando extinta a execução fiscal. Inconformado, Fl. 567DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 apelou o INSS e o Tribunal a quo, por unanimidade, negou provimento ao recurso, mantendo incólume a sentença prolatada ao afirmar que os valores pagos a título de auxílioeducação constituem investimento da empresa na qualificação profissional de seus empregados, não integrando o saláriode contribuição, por se tratar de ganho eventual. Na via especial, a autarquia previdenciária alega negativa de vigência aos artigos 28, I, § 9º, "t" da Lei nº 8.212/91 e 457, § 1º, da CLT. Sustenta que os pagamentos efetuados pela recorrida habitualmente a título de "auxílio educação" integram a remuneração, incidindo nas disposições do artigo 28, I, da Lei nº 8.212/91, tornandose, portanto, válido o título executivo. 2. Os valores recebidos como formação profissional incentivada não podem ser considerados como salário in natura, porquanto não retribuem o trabalho efetivo, não integrando, portanto, a remuneração do empregado, afinal, investimento na qualificação de empregados não há que ser considerado salário. É um benefício que, por óbvio, tem valor econômico, mas que não é concedido em caráter complementar ao salário contratual pago em dinheiro. Salário é retribuição por serviços previamente prestados e não se imagina a hipótese de alguém devolver salários recebidos. Precedente: (REsp 365398/RS, DJ de 18/03/2002, desta Relatoria). 3. Recurso especial improvido. Decisão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Luiz Fux, Teori Albino Zavascki e Denise Arruda votaram com o Sr. Ministro Relator.” (Superior Tribunal de Justiça; turma.1: acordão; Resp:20050303;695514602309) U 35. Corroborando tal entendimento, têmse os seguintes julgados: “(...) O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho.” (REsp 324.178PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ de 17/12/2004). Fl. 568DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.721539/200911 Acórdão n.º 2301002.485 S2C3T1 Fl. 563 13 “O entendimento da Primeira Seção já se consolidou no sentido de que os valores despendidos pelo empregador com a educação do empregado não integram saláriode contribuição e, portanto, não compõem a base de cálculo da contribuição previdenciária mesmo antes do advento da Lei n. 9.528/97. Recurso especial improvido.” (REsp 371.088/PR, Rel. Min. Humberto Martins, DJ de 25/08/2006)” 36. Por esse motivo, o correto é que a legislação previdenciária (artigo 28, §9º, ‘t’) não deve considerar para efeitos de incidência de contribuição valores a título de benefício, notadamente quando excluídos do salário do trabalhador pela legislação trabalhista. 37. Salientese que o programa de incentivo educacional possui a mesma natureza jurídica do auxílio escolar, qual seja de promover o desenvolvimento educacional dentro da empresa. 38. Isto posto, as rubricas programa de incentivo educacional e auxílio escolar, seja em face da legislação previdenciária ou trabalhista, não podem fazer parte do saláriode contribuição. 39. Por todo o exposto, não são devidas as contribuições previdenciárias no caso em análise, por não subsistirem os fatos geradores da obrigação, pois foram consideradas inexigíveis as rubricas referentes ao ticket alimentação, ao lanche matinal, ao auxílio escolar e ao programa de incentivo educacional, assim, não há que se falar em contribuição para terceiros. CONCLUSÃO 40. Assim, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, darlhe PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Relator Fl. 569DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Auxílio alimentação. Necessidade de inscrição no PAT. Alinhamento com Parecer PGFN. Princípio da eficiência. Conforme previsto no caput do art. 458 da CLT, a alimentação fornecida ao trabalhador está compreendida no conceito de salário. Apesar do dispositivo legal suscitar poucas dúvidas, temos que acrescentar que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) já editou a Súmula 241 sobre o assunto, in verbis: Súmula Nº 241 do TST SALÁRIOUTILIDADE. ALIMENTAÇÃO O vale para refeição, fornecido por força do contrato de trabalho, tem caráter salarial, integrando a remuneração do empregado, para todos os efeitos legais. Estando compreendida no conceito de salário, é verba que está no campo de incidência da contribuição previdenciária. No entanto, quis o legislador, no art. 28, §9º, alínea “c” instituir uma isenção para a alimentação concedida in natura, ou seja, para a alimentação fornecida pela própria empresa. Como requisito para o gozo da isenção, foi estabelecido que a parcela in natura seja “recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976”. A referida Lei, em seu art. 3º, traz texto similar à Lei 8.212/91, conforme segue: Art 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura , pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. Vêse, pois, que a exigência de que a alimentação fornecida in natura esteja de acordo com programa de alimentação aprovado pelo Ministério do trabalho tem dupla previsão legal. Tal constatação, por si só, já seria suficiente para afastarmos qualquer possibilidade de afastarmos, na aplicação da lei, a exigência de tal requisito para o reconhecimento da isenção. No entanto, a título argumentativo, compulsamos a legislação do Ministério do Trabalho que trata do assunto para verificarmos quais as exigências do referido programa, de modo a concluirmos se seriam exigências que atendem ao princípio da proporcionalidade. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.721539/200911 Acórdão n.º 2301002.485 S2C3T1 Fl. 564 15 No art 1º da Portaria 03/2002 há a previsão de que o Programa de Alimentação do Trabalhador “tem por objetivo a melhoria da situação nutricional dos trabalhadores, visando a promover sua saúde e prevenir as doenças profissionais.”. Notase, portanto, que a regulamentação do PAT traz em si uma preocupação com o bem estar dos trabalhadores. Nesse sentido, o art 5º da mesma Portaria estabelece critérios para garantir que o trabalhador receba uma alimentação saudável, com respeito aos alimentos regionais e ao significado socioeconômico e cultural dos vários alimentos. Prossegue a norma infralegal com preocupações sobre os macronutrientes que devem estar contidos em cada uma das refeições do dia. Quanto às formalidades necessárias para adesão ao PAT, não vislumbramos serem demasiadamente excessivas de modo a, consideradas as finalidades de interesse público do PAT, ferirem a proporcionalidade. A necessidade de obediência ao PAT, portanto, é uma exigência legal para o benefício da isenção que tem objetivo proteger o trabalhador, evitando que o empregador forneça alimentação inadequada para sua saúde e bem estar, e que foi regulada atendendo ao princípio da proporcionalidade. Desconsiderar a adesão ao PAT, além de afrontar o texto legal, é operar em desfavor do trabalhador na medida em que implicaria afastar norma que tenta preservar sua saúde. A par disso, não ignoramos que o STJ tem jurisprudência que afasta a incidência da contribuição previdenciária sobre a alimentação in natura, estando ou não a empresa vinculada ao PAT. No entanto, ao analisarmos os vários Acórdãos nesse sentido, observamos, mais uma vez, um encadeamento de referências a precedentes que acabam por tomar como leading case o RESP 85.306DF de 1996 com a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA POR EMPRESA.PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR (PAT). NATUREZA NÃO SALARIAL. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE PELA VIA ELEITA DO ESPECIAL. I AFIGURASE ESCORREITO O V. ACÓRDÃO VERGASTADO AO DECIDIR QUE A ALIMENTAÇÃO PAGA, ESTEJA O EMPREGADOR INSCRITO OU NÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR (PAT), NÃO E SALÁRIO "IN NATURA", NÃO E SALÁRIO UTILIDADE, POR ISSO QUE NÃO PODE, NUM OU NOUTRO CASO, HAVER INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ADEMAIS, NÃO E O RECURSO ESPECIAL O MEIO HABIL PARA REEXAMINAR PROVAS. II RECURSO NÃO CONHECIDO. Indo além da ementa, o voto condutor do leading case assumiu as conclusões do Parecer do Ministério Público Federal que fez considerações sobre a alimentação fornecida de maneira não gratuita aos funcionários de uma empresa. Ora, é fora de dúvidas que se o trabalhador paga pela alimentação que recebe, não podemos cogitar que isso seja salário. Não sendo salário, não seria mesmo necessário cogitar da inscrição ou não no PAT, pois não faz parte do campo de incidência da contribuição previdenciária. Mas veja que o leading case, tantas vezes repetido no STJ, tratava de uma situação específica de alimentação paga pelo Fl. 571DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 16 trabalhador e não pela empresa em benefício do trabalhador. Apesar disso, a partir de tal Acórdão foram se multiplicando os Acórdãos que tomavam tal decisum como precedente para, em situação diversa, não exigir o registro no PAT em casos de alimentação in natura fornecidas gratuitamente ao trabalhador. Escapando da reiterada confusão, o RESP 476.194 fez uma clara distinção da situação para a qual não se exige o PAT: REsp 476194 / PR TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR NÃO INSCRITO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR. FORNECIMENTO DE REFEIÇÕES DECORRENTE DE CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA. TAXA SELIC. 1. Empresa não cadastrada no Programa de Alimentação ao Trabalhador não faz jus aos benefícios fiscais previstos na Lei 6.321/76, que exclui o custo da alimentação fornecida pelo empregador da parcela incorporada ao salário para fins de contribuição previdenciária. 2. Fornecida a alimentação pelo empregador não inscrito no PAT e havendo desconto do salário do empregado que a usufrui, para cobrir custos dos alimentos auferidos, não se caracteriza como salário in natura, e, por isso, como salário de contribuição para a receita da seguridade. Por outro lado, não sendo integral o pagamento da refeição, fica caracterizada como parcela salarial a diferença do que foi pago, integrando este excedente a base de cálculo da contribuição previdenciária. 3. É pacífico na jurisprudência da Corte o entendimento segundo o qual é legítima a incidência, tanto na cobrança de dívida fiscal,quanto na repetição de indébito tributário, da Taxa SELIC. 4. Recurso especial a que se nega provimento. Lamentavelmente, o Acórdão acima não prevaleceu, tendo sido objeto de Embargos de divergência que acabaram por retomar o conteúdo da jurisprudência reiterada que não exige a inscrição no PAT. De nossa parte, com a devida vênia, assinalamos que a repetida jurisprudência do STJ que dispensa a vinculação ao PAT em qualquer caso está amparada em premissa específica que não permitiria sua aplicação genérica como vem sendo feita. Assim, nossa posição é, seguindo a expressa determinação legal, no sentido de exigir a inscrição no PAT como requisito para desfrutar da isenção em relação à alimentação in natura. A posição acima registrada diz respeito ao mérito da discussão sem considerar os efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002 e o princípio da eficiência. A propósito, não desconhecemos o teor do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011 que concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. No entanto, aquele parecer não vincula as decisões deste Colegiado, pois o §5º do art. 19 da lei 10.522/2002 não trata de decisões do CARF, mas apenas prevê a revisão de ofício para os créditos tributários já Fl. 572DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.721539/200911 Acórdão n.º 2301002.485 S2C3T1 Fl. 565 17 constituídos a ser feita pela autoridade lançadora. Ademais, o parecer não diz respeito ao direito material e sim ao desinteresse da União em insistir com recursos que, mantido o estado atual da jurisprudência, não teriam êxito, o que, fora de dúvida, diz respeito ao direito processual tributário. Pelas razões acima aventadas, continuamos com o resultado da interpretação da legislação, no campo do direito material tributário, que conclui pela necessidade da inscrição no PAT para desfrutar da isenção em relação à alimentação in natura. Assim, votamos por manter na base de cálculo os valores do auxílio alimentação pago em natura sem ia devida inscrição no PAT. Incidência da contribuição previdenciária sobre pagamentos de bolsa de estudo. Requisitos para a isenção. Iniciamos a análise sobre a incidência da contribuição previdenciária instituída pela Lei 8.212/91 sobre fornecimento de bolsas de estudo tomando o dispositivo constitucional que outorgou competência para a União instituir tal contribuição. Os dispositivos que tratam do assunto estão, primordialmente, no art. 195, no entanto, não podemos desconhecer o conteúdo do §art. 201 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Fl. 573DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 18 (...) § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Como se vê, a Constituição conferiu competência à União para instituir contribuição para financiar a seguridade social – incluída nesta a previdência social, conforme o caput do art. 194 – que pode incidir, no caso do empregador, sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho; e, no caso, do trabalhador, sobre base de cálculo com relação à qual não houve expressa previsão de limites. Importante atentar para o fato de o §11º do art. 2001 ter autorizado a instituição de incidência da contribuição previdenciária sobre os ganhos habituais a qualquer título. Portanto, para as contribuições previdenciárias, temos que, desde de pelo menos a edição da emenda 20/98, a incidência destas estava autorizada, entre outros, para os seguintes fatos geradores: · No caso dos empregadores, sobre a folha de salários e demais itens remuneratórios(rendimentos) pagos à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, bem como sobre os ganhos habituais do empregado pagos a qualquer título; · No caso dos trabalhadores, não há expressa delimitação dos fatos geradores. Como é cediço, a constituição apenas autoriza a criação de tributos, deixando para a Lei Ordinária do ente federativo a tarefa de criar a exação autorizada pelo Texto Magno. No caso das contribuições para a seguridade social é a Lei 8.212/91 que cumpre esse papel de forma mais específica, apesar de existirem outras contribuições destinadas a financiar a seguridade social criadas por outras leis(PIS, COFINS e CSLL, por exemplo). A referida lei determinou, em seu art. 11, que os empregadores, a quem denominou de empresas, seriam contribuintes de contribuições sociais “incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço”(parágrafo único, alínea “a”)., sendo segurados aquelas pessoas enumeradas no art. 12. Para os trabalhadores, a lei definiu que a contribuição incidiria o saláriodecontribuição, sendo este definido no art. 28. A definição das hipóteses de incidência da contribuição das empresas é encontrada no art. 22, o qual em seus quatro incisos estabelece a incidência de uma contribuição previdenciária geral sobre a remuneração dos empregados, uma contribuição previdenciária relacionada aos riscos do trabalho, uma contribuição previdenciária sobre contribuintes individuais e uma contribuição previdenciária devida sobre pagamentos a cooperativas de trabalho. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.721539/200911 Acórdão n.º 2301002.485 S2C3T1 Fl. 566 19 Interessanos para o momento a contribuição previdenciária das empresas cuja hipótese está presente no inciso I do art. 22, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) Analisando o referido dispositivo, podemos constatar, portanto, que três são as hipóteses de incidência do inciso I: remunerações, ganhos habituais sobre a forma de utilidades e adiantamentos decorrentes de reajuste salarial. Para tanto, em obediência ao art. 110 do CTN, iremos buscar o alcance das expressões constantes em tais hipóteses de incidência na legislação trabalhista. Assim, remuneração será aquilo que a CLT assim o considera. Sistematizando o conteúdo dos arts. 457 e 458 do código trabalhista, temos que remuneração é gênero do qual o salário lato sensu e as gorjetas são espécies. Ao seu turno, o salário lato sensu compreende o salário stricto sensu, as comissões, as porcentagens, as diárias e ajudas de custo que ultrapassam 50% do salário stricto sensu, as gratificações ajustadas, os abonos e as utilidades não excepcionadas pela lei trabalhista. A essa altura podemos concluir que as utilidades excepcionadas pela CLT não estão abrangidas pelo conceito de remuneração. No entanto, conforme esclarecido anteriormente, a Constituição autorizou a incidência da contribuição previdenciária não só sobre a remuneração como também sobre os ganhos habituais dos empregados a qualquer título, ao passo que a Lei 8.212/91 instituiu a incidência da contribuição das empresas sobre os ganhos habituais dos empregados sob a forma de utilidades. No que tange aos fornecimentos de bolsas de estudo (educação), quis a CLT estabelecer que se trata de utilidade que deve ser excepcionada da noção de salário lato sensu, e, portanto, da noção de remuneração, mas isso não retira sua natureza de utilidade paga aos empregados que, sendo habitual, sofre a incidência da contribuição, conforme autorização constitucional e incidência positivada pela segunda parte do inciso I do art. 22 da Lei 8.212/91. A habitualidade, frisamos, é característica comum nesse tipo de utilidade. Estando no campo de incidência da contribuição, devemos observar quais os requisitos para a isenção e como devemos interpretálos. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 20 Os requisitos da isenção estão insertos no art. 28, §9º, alínea “t”, mas, antes de tomar o conteúdo da norma isencional, cabenos estabelecer nossa metodologia de interpretação. Como sabemos, para a isenção o CTN exige uma interpretação literal, ou seja, veda uma interpretação analógica ou extensiva, preferindo a interpretação restritiva dentro do sentido possível das palavras. Ainda que isso não represente uma exclusividade do método literal ou gramatical na interpretação da isenção – tarefa hermenêutica impossível diante da pluralidade de sentidos do conteúdo de algumas normas isencionais , a interpretação da isenção deve buscar o sentido mais restritivo da norma. Mas restritivo em que? Se adotarmos a corrente doutrinária de Paulo de Barros Carvalho para compreendermos a isenção, teremos que a isenção é a mutilação de um dos aspectos(o autor fala em critérios) do fato gerador – material, espacial, temporal, subjetivo e quantitativo. No caso da isenção da contribuição previdenciária incidente sobre as bolsas de estudo, temos uma situação de mutilação de um aspecto material (ganhos habituais sob a forma da utilidade bolsa de estudo), se obedecidas determinadas condições. O que devemos esclarecer é em que medida devemos ser restritivos. Restritivos quanto ao aspecto do fato gerador mutilado ou quanto ao requisito eventualmente existente para o gozo da isenção? Considerando que a isenção é categoria técnica de tributação que não pode ser interpretada dissociada dos desígnios constitucionais que permeiam todo o ordenamento jurídico, não seria apropriado que o resultado hermenêutico, a título de obedecer ao comando restritivo, negasse a finalidade da norma isencional que aponta para algum valor constitucionalmente protegido. Isso já nos aponta algum caminho. A finalidade da norma isencional é definida pelo aspecto do fato gerador mutilado e este há de ser restritivo. Mas as eventuais condições da isenção não devem se submeter à uma restrição excessivamente rigorosa advinda da literalidade sob pena de negarmos a finalidade do norma isencional. Logo, se a isenção é para bolsas de estudo do ensino básico e outras relacionadas com capacitação do profissional, não seria adequado ao comando do art. 111 do CTN, por exemplo, estendermos seu alcance para bolsas de estudo para cursos não regulares e não relacionados diretamente com capacitação do empregado. Ou mesmo não seria adequado ao referido comando a extensão do benefício aos dependentes dos empregados. Eis a maneira de aplicarmos a interpretação restritiva para a isenção. Portanto, os valores dispendidos a título de auxílio educação aos dependentes dos empregados devem ser mantidos na base de cálculo. Por outro lado, cursos de graduação e pósgraduação podem ser considerados cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa desfrutando da isenção do art. 28, §9º, alínea “t” da Lei 8.212/91. A descaracterização de tal situação deve ser provada pela fiscalização, justificando quais cursos entende não relacionados, o que não foi o caso dos autos. Assim, essa parte do lançamento deve ser afastada. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO de modo a afastar da base de cálculo os valores dispendidos com auxílio escolar aos empregados. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 576DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.721539/200911 Acórdão n.º 2301002.485 S2C3T1 Fl. 567 21 Fl. 577DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.008736/97-95
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO CONFIGURADA. NÃO CONHECIMENTO. Descabe conhecer do recurso, quando verificado que o acórdão tomado por paradigma não se presta para configurar a divergência.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 9900-000.114
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, NÃO CONHECER do recurso extraordinário, por não restar configurada a dwergência jurisprudencial arguida. Vencidos os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Leonardo Andrade Couto, Elias Sampaio Freire, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Jose Adão Vitorino de Moraes, que conheciam e enfrentavam o mérito.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DE FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200912
ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO CONFIGURADA. NÃO CONHECIMENTO. Descabe conhecer do recurso, quando verificado que o acórdão tomado por paradigma não se presta para configurar a divergência. Recurso não conhecido.
numero_processo_s : 10830.008736/97-95
conteudo_id_s : 5411332
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9900-000.114
nome_arquivo_s : Decisao_108300087369795.pdf
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO DE FREITAS BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 108300087369795_5411332.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, NÃO CONHECER do recurso extraordinário, por não restar configurada a dwergência jurisprudencial arguida. Vencidos os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Leonardo Andrade Couto, Elias Sampaio Freire, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Jose Adão Vitorino de Moraes, que conheciam e enfrentavam o mérito.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2009
id : 5770349
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:12:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-03-29T19:23:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-03-29T19:23:02Z; Last-Modified: 2010-03-29T19:23:03Z; dcterms:modified: 2010-03-29T19:23:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-03-29T19:23:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-03-29T19:23:03Z; meta:save-date: 2010-03-29T19:23:03Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-03-29T19:23:03Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-03-29T19:23:02Z; created: 2010-03-29T19:23:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2010-03-29T19:23:02Z; pdf:charsPerPage: 0; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-03-29T19:23:02Z | Conteúdo =>
_version_ : 1714076608481984512
score : 1.0
Numero do processo: 11065.000819/2006-32
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO - CRÉDITO DE TERCEIROS - AÇÃO JUDICIAL - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO
A ausência de comprovação da autorização judicial para que o crédito fosse transferido para terceiros e para que estes pudessem proceder à compensação de débitos tributários, inviabiliza o aproveitamento do crédito. A simples observância da Lei Civil (artigo 229 do Código Civil), não é suficiente para validar a compensação tributária de créditos de terceiros, que obedece legislação específica e, desde o ano de 2002, por força das alterações trazidas ao caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, por intermédio da Lei nº 10.637/02, não permite a compensação de débitos de terceiros, limitando o procedimento apenas aos créditos próprios.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO - CRÉDITO DE TERCEIROS - AÇÃO JUDICIAL - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO A ausência de comprovação da autorização judicial para que o crédito fosse transferido para terceiros e para que estes pudessem proceder à compensação de débitos tributários, inviabiliza o aproveitamento do crédito. A simples observância da Lei Civil (artigo 229 do Código Civil), não é suficiente para validar a compensação tributária de créditos de terceiros, que obedece legislação específica e, desde o ano de 2002, por força das alterações trazidas ao caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, por intermédio da Lei nº 10.637/02, não permite a compensação de débitos de terceiros, limitando o procedimento apenas aos créditos próprios. Recurso Voluntário Negado.
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11065.000819/2006-32
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5289113
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3302-002.172
nome_arquivo_s : Decisao_11065000819200632.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
nome_arquivo_pdf_s : 11065000819200632_5289113.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5051483
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:11:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076608486178816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1915; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 10 1 9 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.000819/200632 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.172 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de junho de 2013 Matéria Compensação Crédito Prêmio Ação Judicial Recorrente Supermercado Muller LTDA Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO CRÉDITO DE TERCEIROS AÇÃO JUDICIAL AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO A ausência de comprovação da autorização judicial para que o crédito fosse transferido para terceiros e para que estes pudessem proceder à compensação de débitos tributários, inviabiliza o aproveitamento do crédito. A simples observância da Lei Civil (artigo 229 do Código Civil), não é suficiente para validar a compensação tributária de créditos de terceiros, que obedece legislação específica e, desde o ano de 2002, por força das alterações trazidas ao caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, por intermédio da Lei nº 10.637/02, não permite a compensação de débitos de terceiros, limitando o procedimento apenas aos “créditos próprios”. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 08 19 /2 00 6- 32 Fl. 335DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita. Relatório Tratase de compensações realizadas por DCOMP`s pela Recorrente, para aproveitar crédito Prêmio de IPI de terceiros, nos termos de autorizações judiciais. Na intenção de sanear o processo e preparálo para julgamento, em 29/09/2010, esta Colenda Turma de Julgamento proferiu a Resolução nº 330200.073 (fls. 312/317), para o fim de converter o julgamento em diligência e averiguar o direito avocado pelo contribuinte. Conforme registrado da Resolução supra mencionada, a matéria atualmente em análise referese única e exclusivamente às decisões – e procedimentos judiciais que possibilitaram a transferência do crédito prêmio de IPI à Recorrente. Frisese que não está em discussão a validade/existência do crédito prêmio ou a multa inicialmente aplicada, uma vez que esta foi cancelada pela decisão de primeira instância administrativa e não foi objeto de recurso de ofício. Para melhor compreensão dos fatos peço vênia a meus pares para transcrever o relatório da decisão de primeira instância administrativa, vez que reflete a realidade dos fatos: “1. O estabelecimento acima qualificado transmitiu as Declarações de Compensação (DCOMP), no total de R$ 543.480,61, conforme extratos nas fls. 02 a 179, no período compreendido entre 12 de junho de 2003 e 27 de dezembro de 2004, objetivando compensar os débitos objeto daquelas declarações de compensação com crédito decorrente da Ação Judicial nº 89.00136224. 2. Foram juntadas aos autos, pelo contribuinte, em atendimento à intimação da fl. 180, cópia da petição inicial, das decisões proferidas no processo judicial, bem como da certidão do trânsito em julgado do acórdão que reconheceu aos impetrantes o direito ao créditoprêmio do IPI, e seu aproveitamento na forma dos artigos 1º e 2º do DecretoLei nº 491, de 05 de março de 1969 (fls. 190 a 222). Nas fls. 186 e 189 constam cópias de escrituras públicas de cessão de direitos creditórios, de D&J Assessoria Empresarial Ltda. (cedente) para Supermercado Muller Ltda. (cessionária). Consta, nessas escrituras, que tais direitos creditórios foram adquiridos, pelo cedente, da Massa Falida de ABC Componentes para Calçados Ltda. fl.186), e da Massa Falida de Indústria de Calçados Cairú Ltda. (fl. 189), que tiveram o direito garantido por decisão judicial, transitada em julgado, na ação ordinária nº 89.00136224. COMPENSAÇÕES Fl. 336DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11065.000819/200632 Acórdão n.º 3302002.172 S3C3T2 Fl. 11 3 3. A Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo, pelo Despacho Decisório DRF/NHO, de 27 de julho de 2006, fl. 231, com suporte no Parecer DRF/NHO/SACAT nº 274/2006, fls. 229/230, com ciência do contribuinte em 22 de agosto de 2006 (aviso de recebimento na fl. 237), não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações declaradas, pelos motivos a seguir. 3.1. O créditoprêmio à exportação é de natureza financeira, não se conformando com as normas tributárias, e seu aproveitamento deve observar normas próprias. 3.2. O interessado não figura como autor da ação ordinária nº 89.00136224, apesar de apresentar Escritura Pública de Cessão de Direitos Creditórios. 3.3. A legislação tributária não permite a compensação de débitos do sujeito passivo com créditos cedidos por terceiros. 4. Inconformado, o interessado apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, fls. 240/252, alegando, resumidamente, o que segue: 4.1. Preliminarmente, diz o interessado que o crédito deferido judicialmente tem natureza de título executivo judicial, transitado em julgado para o fim específico de compensação tributária, e a esse crédito aplicamse os artigos 468, c/c o art. 42, § 3º, ambos do CPC, ou seja, é lei entre as partes e estende seus efeitos à cessionária. 4.2. Após breve relato dos fatos, afirma que não cabe à Fazenda Nacional se opor à cessão de crédito, pois tratase de direito privado da parte, e que a cessão de crédito está prevista e autorizada no Código Civil. 4.3. Diz que não há impedimento legal para a cessão de créditos a terceiros, e que, a partir da assinatura da escritura de cessão de direitos creditórios, o crédito decorrente de decisão judicial passou a ser crédito próprio da cessionária, preenchendo os requisitos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, quais sejam: a recorrente adquiriu, na condição de crédito próprio, decorrente de ação judicial com trânsito em julgado, e utilizouo na compensação de débitos próprios, estando autorizada por esse dispositivo legal a opor seu crédito contra a Fazenda Nacional. 4.4. Transcreve jurisprudência que, diz, corrobora o entendimento de que a cessão de créditos decorrentes de decisão judicial é possível no Direito Tributário. 4.5. Diz ser totalmente descabido o argumento de que o crédito prêmio à exportação seria de natureza financeira. Transcreve os artigos 1º e 2º do DecretoLei nº 491, de 1969. 4.6. Ao final, requer a nulidade do Despacho Decisório atacado, com a conseqüente homologação das compensações pleiteadas. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 MULTA ISOLADA – (Processo nº 11065.002295/200614 – apensado) 5. Em decorrência da não homologação das compensações declaradas pelo contribuinte, a DRF/Novo Hamburgo efetuou o lançamento de ofício da multa isolada, no valor de R$ 407.610,89, tendo como enquadramento legal o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 e o art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Tal lançamento teve como base de cálculo os valores dos tributos objeto das declarações de compensação referidas no item 1. 5.1. O auto de lançamento da multa isolada originou o processo nº 11065.002295/200614, apensado a este processo. O auto de infração, bem como a descrição dos fatos e o Relatório do Trabalho Fiscal constam em suas fls. 01 a 11; a ciência do contribuinte deuse em 22 de agosto de 2006 (aviso de recebimento na fl. 12). 5.2. Consta no Relatório do Trabalho Fiscal que o auto de infração se refere ao lançamento da multa isolada decorrente de compensações indevidas, em razão de que “o artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 prevê o lançamento de multa isolada sobre valores apurados decorrentes de compensações indevidas na hipótese de o crédito ser de natureza não tributária” 6. Inconformado, o interessado apresentou, tempestivamente, impugnação ao lançamento, pelo documento das fls. 14 a 32 do processo referido no item anterior, alegando, resumidamente, o que segue: 6.1. Preliminarmente, diz que, por ter a Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, deixado de definir a hipótese de compensação indevida com crédito de natureza não tributária como espécie sujeita à multa isolada, é cabível a aplicação dos arts. 106, II, “a” e 112, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), requerendo a nulidade do auto de infração. 6.2. Prosseguindo, diz que não podem ser exigidas multas por compensação efetuada de forma pretensamente indevida enquanto pendente de decisão definitiva o mérito administrativo sobre a compensação. 6.3. Afirma ser descabida a afirmativa de que o créditoprêmio à exportação, reconhecido judicialmente, seria de natureza financeira. Transcreve os artigos 1º e 2º do Decreto nº 491, de 05 de março de 1969. 6.4. Prossegue defendendo seu direito à utilização do crédito havido por cessão, entendendo que, a partir da assinatura da Escritura de Cessão de Direitos Creditórios, o referido crédito passou a ser crédito próprio. 6.5. Ao final, requer seja julgado improcedente o auto de infração.” Após analisar as razões trazidas pela Recorrente, a Terceira Turma da Delegacia de Julgamento de Porto Alegre – RS – proferiu o acórdão nº 1013.751 (fls. 266/272 – Vol. II) Fl. 338DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11065.000819/200632 Acórdão n.º 3302002.172 S3C3T2 Fl. 12 5 por meio do qual cancelou a multa de ofício e manteve in totum o valor do principal lançado, a saber: “COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIRO. IMPOSSIBILIDADE. As compensações declaradas a partir de 1º de outubro de 2002, de débitos do sujeito passivo, com crédito de terceiro, recebido por cessão, esbarram em inequívoca disposição legal, impeditiva de compensações da espécie. MULTA ISOLADA, POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CRÉDITOPRÊMIO DE IPI CEDIDO POR TERCEIRO. DESCABIMENTO. A compensação indevida de créditoprêmio de IPI, reconhecido em decisão judicial, transitada em julgado, que o considerou de natureza tributária, recebido por cessão, não se enquadrava nas hipóteses punidas com a multa isolada, na época da compensação, sendo descabida sua aplicação no presente caso. Também não se aplica a multa isolada para as Declarações de Compensação indevidas transmitidas antes de 31 de outubro de 2003, data da vigência da MP nº 135, de 2003, que instituiu a referida multa.” Em resumo, os julgadores administrativos entenderam que a cessão de créditos tributários é defesa por força de lei e que afronta a própria razão de ser do créditoprêmio de IPI, que é incentivar os exportadores, já que passa a ser aproveitado por empresa não exportadora. A multa foi cancelada porque a vedação ao aproveitamento não resulta de expressa previsão legal, mas de interpretação do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 (redação do artigo 49 da Lei nº 10.637/02) e porque in casu o crédito não é financeiro, mas tributário, tendo sido este o teor da sentença proferida nos autos do processo judicial (ação nº 89.00136224). Inconformada, a Recorrente opôs Recurso Voluntário (fls. 279/308) por meio do qual reiterou as razões trazidas em sua inconformidade. Conforme antecipado, a Turma de julgamento optou por converter o julgamento em diligência, posto que se constatou que a única matéria ainda em discussão referiase à questão processual que possibilitou a transferência do crédito prêmio de IPI. De acordo com o esclarecido pela Recorrente em seu recurso voluntário, o crédito se originou na ação ordinária nº 89.00136224 em que eram partes a empresa ABC – Componentes para Calçados Ltda (CNPJ: 87.225.371/000150) e Indústria de Calçados Cairú Ltda (CNPJ: 97.275.655/000457). Estas empresas, após transformaremse em MASSA FALIDA, cederam seu crédito para D&J Assessoria Empresarial Ltda (CNPJ: 94.318.714/000196), sendo que esta, por fim, transferiu estes créditos para a ora Recorrente, Supermercado Muller Ltda (CNPJ: 89.918.338/000130). Constam dos autos cópia simples das escrituras públicas de cessão do direito sobre ação ordinária (fls. 182/190), onde a empresa D&J declara que não utilizou o crédito em benefício próprio ou cedeu a outros, o que garantiria a integralidade da transferência do crédito para a Recorrente. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 Ainda, às fls. 221/222 – Vol. II, consta certidão de objeto e pé da ação ordinária nº 89.00136224. Nesta, resta claro que outras empresas cederam seus créditos e que tal procedimento foi aceito pelo magistrado, uma vez que pelos termos da ação judicial não havia a opção de receber os valores pela via do precatório, sendo possível a utilização do crédito apenas por meio da compensação, nos termos do DecretoLei nº 491/69, verbis: “Certidão de objeto e pé – fls. 222 (...) CERTIFICO, ainda, que foi juntada aos autos cópia da sentença exarada nos autos dos Embargos à Execução nº 97.00274926, a qual julgou procedente os embargos para ‘o fim de declarar que a sentença prolatada às fls. 6434/6440 dos autos da ação ordinária nº 89.00136224 não se presta para instrumentar pedido de restituição, via precatório, do direito ali reconhecido aos embargados, havendo que ser utilizada apenas para o fim de compensação tributária, segundo os moldes instituídos pelos arts. 1 e 2 do DecLei 491/69.’ Todavia, verificouse que não constava dos autos as cópias dos documentos do processo judicial em que foi realizada e permitida, pelo Juízo, a cessão do crédito para a empresa D&J e posteriormente para a Recorrente. Também não se localizou a comprovação da quantificação dos valores, que nos termos da certidão de objeto e pé foi realizada no processo judicial: (final das Fls. 221) “... foi procedida à liquidação de sentença e requerida a citação da ré, pelos valores encontrados pela Contadoria, cujo resumo de cálculo indicando os totais por autor encontrase anexo, fazendo parte integrante desta certidão. Certifico, assim, que o cálculo detalhado de cada autora encontrase nos autos, disponível par cópia às interessadas. Citada, a União Federal opôs Embargos à Execução, que restou suspensa nos termos do art. 739, parág.1º, do CPC...” Foi em razão desta incerteza que a Turma entendeu por bem realizar a diligência consubstanciada na Resolução nº 330200.073 (fls. 312/317), por meio da qual solicitouse que a contribuinte fosse intimada a trazer à colação cópia das páginas do processo judicial originário (nº 89.00136224) ou embargos à execução (nº 97.00274926) que comprovassem: a) a cessão dos créditos para a D&J e Supermercado Muller; b) a aceitação do magistrado para este procedimento, ou seja, o aceite judicial para a cessão do crédito e seu aproveitamento por terceiros / a habilitação deste crédito; c) a quantificação do crédito das Massas Falidas ABC – Componentes para Calçados Ltda (CNPJ: 87.225.371/000150) e Indústria de Calçados Cairú Ltda (CNPJ: 97.275.655/000457); d) a suficiência do crédito cedido; e) a informação ao judiciário do quantum cedido para comprovar a inexistência de duplicidade de cessões do mesmo crédito e Fl. 340DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11065.000819/200632 Acórdão n.º 3302002.172 S3C3T2 Fl. 13 7 f) a existência de outros processos administrativos (D’Comps) pleiteando o mesmo crédito ou a declaração de que aproveitou os citados créditos apenas nestes autos. Após a apresentação dos documentos, os julgadores ainda solicitaram que as autoridades administrativas procedessem à quantificação do crédito das Massas Falidas ABC – Componentes para Calçados Ltda (CNPJ: 87.225.371/000150) e Indústria de Calçados Cairú Ltda (CNPJ: 97.275.655/000457) e informassem se estes créditos ainda existiam e se seriam suficientes para quitar as D`Comps apresentadas no presente processo administrativo, em complementação, a autoridade administrativa foi questionada quanto a existência de outras DCOMP`s ou outros processos administrativos pleiteando os mesmos créditos. Ocorre que a Recorrente não apresentou qualquer documento quando foi intimada para tanto e, após ao responder à conclusão da fiscalização quanto à não apresentar documentos (petição de 17/01/2012 fls. 353) limitouse a informar que “o contribuinte que não mais possui a documentação requerida tendo em vista que já a forneceu a Receita Federal estando em poder da mesma.”. A Recorrente disse ainda “que os processos encontramse arquivados e o desarquivamento dos mesmos não se de pronto”, razão pela qual solicitou que fosse exonerada da obrigação de apresentar os documentos ou que lhe fosse concedido 30 dias para que lhe fosse possível obter as informações necessárias. Às fls. 331, manifestouse a autoridade administrativa: “Sr. Chefe de Equipe,Este processo foi enviado pelo CARF a este serviço para que fosse realizada uma diligência.Considerando que o contribuinte não atendeu ao Termo de Intimação Fiscal N° 991/2011 dentro do prazo de trinta dias e somente solicitou uma prorrogação de prazo 39 dias após a ciência do resultado da diligência, proponho a devolução do processo ao CARF para a adoção das medidas cabíveis.” A seguir os autos foram encaminhados a este tribunal administrativo para seqüência do julgamento. É o relatório. Voto RELATORA CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Assim como relatado, tratase de crédito prêmio de IPI cedido a terceiro com suporte em processo judicial (ação ordinária nº 89.00136224). A existência do crédito para os autores da ação judicial (empresa ABC – Componentes para Calçados Ltda CNPJ: 87.225.371/000150 e Indústria de Calçados Cairú Ltda CNPJ: 97.275.655/000457) não se discute. Houve trânsito em julgado de decisão judicial favorável à tese pleiteada. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 A questão que resultou na diligência está nos procedimentos seguintes. Ocorre que estas empresas, após transformaremse em MASSA FALIDA, pelo que consta dos autos, cederam seu crédito para D&J Assessoria Empresarial Ltda (CNPJ: 94.318.714/000196), sendo que esta, por fim, transferiu parte dos créditos para a ora Recorrente, Supermercado Muller Ltda (CNPJ: 89.918.338/000130). Ainda que constem dos autos as escrituras públicas de cessão do direito sobre ação ordinária (cópias simples fls. 182/190), onde a empresa D&J declara que não utilizou o crédito em benefício próprio ou cedeu a outros, na intenção de garantir a integralidade da transferência do crédito para a Recorrente, fato que este fato não é suficiente para o aproveitamento do crédito por meio da compensação. Da mesma forma, a notificação extrajudicial realizada em 14/04/2004, contra a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (fls. 187/188), não basta para a finalidade pretendida. À época da cessão 06/06/2003 (Escritura Pública nº 4.522/128) e 14/04/2004 (Escritura Pública nº 4.824/145); a legislação tributária específica (Lei nº 9.430/96, Artigo 74, caput1) impedia a cessão de créditos tributários a terceiros para que fossem utilizados em procedimentos de compensação, uma vez que apenas permitia a compensação de créditos com débitos próprios. Notese que os Instrumentos Públicos de Cessão do Crédito, seguidos de Notificação Extrajudicial pretenderam validar a transferência de créditos nos termos pertinentes ao Direito Civil, especificamente com supedâneo no artigo 290 do Código Civil, a saber: CC – Lei 10.406/02 “Art. 290. A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor, senão quando a este notificada; mas por notificado se tem o devedor que, em escrito público ou particular, se declarou ciente da cessão feita.” Todavia, a cessão realizada nos termos da Legislação Civil, com fundamento no Código Civil, não é suficiente para justificar e garantir a transferência e compensação de créditos tributários, em virtude destes seguirem legislação específica. Em razão deste fato é que os julgadores converteram o primeiro julgamento em diligência, para que a Recorrente demonstrasse que o procedimento que adotou, lastreado no direito civil, foi aceito pelo magistrado também para fins tributários. Na hipótese de o magistrado, nos autos do processo judicial, validar o procedimento adotado impondoo para fins tributários, não seria permitido a este tribunal administrativo impedir o aproveitamento do crédito, uma vez que a via judicial prefere à administrativa. Entretanto, não houve qualquer prova neste sentido. Ao contrário das outras empresas que ascenderam ao pólo ativo do processo judicial, conforme se verifica da certidão de objeto e pé de fls. 221/222 – Vol. II, não restou comprovado que a transferência de crédito para a empresa D&J Assessoria Empresarial Ltda foi validada nos autos do processo judicial. Via de conseqüência, não restou demonstrado que a 1 "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão." Fl. 342DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11065.000819/200632 Acórdão n.º 3302002.172 S3C3T2 Fl. 14 9 Recorrente poderia utilizar os créditos que lhe foram cedidos para compensar com débitos tributários. Outra questão que levou à diligência foi a quantificação dos créditos. É certo que os instrumento públicos de cessão registram que o crédito “existe” e não foi utilizado com mais nenhum débito (de terceiros ou próprios). Todavia, esta afirmação não é suficiente para validar a liquidez e certeza do crédito tributário, o qual, em princípio, deveria ter sido quantificado nos autos da execução de sentença. Registrase que os instrumentos de cessão de crédito transferiram parte do crédito (dois valores) detido por D&J, sendo que sem a comprovação da integralidade do crédito não há meios de saber se houve a transferência de créditos em duplicidade ou em valor superior ao realmente existente. Logo, o crédito, sem comprovação, é ilíquido e não pode ser simplesmente considerado suficiente por este tribunal administrativo. No que se refere ao pedido de prazo suplementar de 30 dias para apresentação dos documentos solicitados na diligência, fato é que a petição foi protocolada em janeiro de 2012, e este julgamento está sendo realizado apenas em maio/2013, mais de 1 ano depois. Não consta dos autos qualquer petição com os mencionados documentos, ainda que passados mais de 12 meses da solicitação do prazo adicional. Em vista da ausência dos documentos solicitados, que impedem a esta julgadora firma convicção acerca da liquidez e certeza do crédito, bem como da possibilidade de utilização do mesmo para a compensação de débitos tributários de terceiros, voto por não prover o recurso voluntário apresentado. Ante o exposto, conheço do presente recurso para o fim de NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 343DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
