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Numero do processo: 10240.720013/2004-61
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003
PIS. APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO MENSAL. ESTORNO DE RECEITA POR ERRO DE LANÇAMENTO.
O estorno de receita pode acontecer (a) ou em virtude de erro de apuração, para corrigir o cômputo indevido de uma receita que não existiu, (b) ou em virtude de cancelamento ou desfazimento do negócio que havia dado causa à receita, gerando sua devolução, o que é tipicamente tratado pela figura da venda cancelada.
Apenas existe regulamentação estabelecendo o procedimento a se tomar no caso da venda cancelada, previsto na IN SRF nº 247/2002.
Em relação ao estorno por erro, o mais adequado é que fosse promovido em relação ao período de apuração no qual fora indevidamente computado. Mas não existe regulamentação tributária exigindo tal procedimento.
No entanto, nem a normatização o exige, nem implica em qualquer violação aos instrumentos de controle, nem prejuízo aos cofres públicos, o procedimento adotado pelo contribuinte, ao fazer o ajuste por meio de um único estorno em novembro de 2003, promovendo a dedução, em relação ao faturamento de novembro de 2003, do valor do somatório da receita de juros computados em valor maior que o devido no período de março a outubro de 2003.
Na medida em que a declaração tributária foi fiel aos fatos registrados na contabilidade, não há obstáculo legal ou prejuízo aos cofres públicos em razão do procedimento adotado pelo contribuinte que, ao invés de fazer o estorno mês-a-mês, de março a novembro de 2003, registrou o estorno do total na sua contabilidade no mês de novembro/2003.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3403-001.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Ivan Allegretti - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO MENSAL. ESTORNO DE RECEITA POR ERRO DE LANÇAMENTO. O estorno de receita pode acontecer (a) ou em virtude de erro de apuração, para corrigir o cômputo indevido de uma receita que não existiu, (b) ou em virtude de cancelamento ou desfazimento do negócio que havia dado causa à receita, gerando sua devolução, o que é tipicamente tratado pela figura da venda cancelada. Apenas existe regulamentação estabelecendo o procedimento a se tomar no caso da venda cancelada, previsto na IN SRF nº 247/2002. Em relação ao estorno por erro, o mais adequado é que fosse promovido em relação ao período de apuração no qual fora indevidamente computado. Mas não existe regulamentação tributária exigindo tal procedimento. No entanto, nem a normatização o exige, nem implica em qualquer violação aos instrumentos de controle, nem prejuízo aos cofres públicos, o procedimento adotado pelo contribuinte, ao fazer o ajuste por meio de um único estorno em novembro de 2003, promovendo a dedução, em relação ao faturamento de novembro de 2003, do valor do somatório da receita de juros computados em valor maior que o devido no período de março a outubro de 2003. Na medida em que a declaração tributária foi fiel aos fatos registrados na contabilidade, não há obstáculo legal ou prejuízo aos cofres públicos em razão do procedimento adotado pelo contribuinte que, ao invés de fazer o estorno mêsamês, de março a novembro de 2003, registrou o estorno do total na sua contabilidade no mês de novembro/2003. Recurso provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 00 13 /2 00 4- 61 Fl. 2028DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Ivan Allegretti Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) transmitida em 09.02.2004 (fls. 01/05), por meio da qual se utiliza créditos de pagamento a maior de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) relativo ao período de apuração de novembro de 2003, recolhido em 15.12.2003 (fl. 02), para o pagamento de débitos de tributo da mesma espécie. A Delegacia da Receita Federal de Porto Velho – RO (DRF) negou homologação ao pedido com base no Parecer DRF/PVO/SAORT nº 205/2005 (fls. 119/124). Dentre outros fatos, o Parecer descreveu o seguinte (fl. 120): Os anexos I e II contém os documentos solicitados através da Comunicação Saort nº 169/2005 (fl. 113), quais sejam: Cópias das páginas do Livro Razão de maio/2003 a outubro/2003 que contiveram os lançamentos dos juros apropriados no período e que foram estornados em novembro /2003, no valor total de (...), conforme lançamento de estorno na conta nº 631.05.1.3, sub conta 0015, do Livro Razão de novembro/2003, página 850; Demonstrativo de que os valores constantes acima compuseram as Bases de Cálculo do tributo Pis/Pasep no período de maio/2003 a outubro/2003; Planilha e cópias do Livro de Apuração do ICMS demonstrando o valor de (...), lançado em novembro/2003 como crédito da conta 112.41.2, subconta 0007, do Livro Razão de novembro/2003, página 165; e Cópias das Notas Fiscais de compra correspondentes aos valores dos lançamentos no Livro Razão de novembro/2003, conforme tabela específica. (grifos editados) Em seguida, em sua fundamentação, o Parecer conclui em síntese o seguinte (fl. 121): Nesse sentido, constam às folhas 110/112, esclarecimentos do interessado informando que os valores negativos da conta 611.05.1.1.0.1 referemse ao conceito de Renda Não Faturada, cuja demonstração de seu funcionamento encontrase à folha 111. Com relação às contas 631.05.1.3 e 6331.05.1.9, consta à folha 112, informação do interessado esclarecendo que se trata Fl. 2029DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10240.720013/200461 Acórdão n.º 3403001.759 S3C4T3 Fl. 169 3 de estorno de juros/valores apropriados indevidamente no período de maio/2003 a outubro/2003, sendo então estornados no mês de novembro. Registrese que o valor dos estornos das referidas contas 631.05.1.3 e 6331.05.1.9 é de R$ (...). (...) Dessa forma, evidencia que independente da existência do direito creditório decorrente de juros, apropriados indevidamente, a redução da base de cálculo referente a novembro de 2003, no montante dos juros estornados, não se constitui na forma correta do contribuinte reaver os valores pagos a maior da contribuição, mesmo porque, não há dispositivo legal que autorize tal redução. Anexa a este Parecer, consta a Tabela Pis NãoCumulativo – Novembro/2003 – DIPJ/2004, demonstrando, s.m.j., a inexistência do pagamento indevido ou a maior pleiteado pelo interessado à folha 2. Tal Tabela reflete também os valores das planilhas apresentadas pelo interessado às folhas 29 e 80. Conforme se pode observar, com as glosas das reduções na Base de Cálculo das Receitas das contas 631.05.1.3 e 631.05.1.9 do Livro Razão (fl. 90), o valor do Pagamento Indevido ou a Maior passa de R$ 20.277,83 para R$ 11.353,19 negativos, ou seja, os pagamentos efetuados em 15/12/03 e 31/03/04 (fl. 21) não são suficientes para cobrir o total do Pis/Pasep devido no mês de novembro de 2003. (grifos editados) O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 130/132), alegando em síntese o seguinte: Como o próprio Auditor menciona sobre a legislação, sendo ela taxativa e exaustiva, não deixando margem para a devida exclusão, da mesma forma fica evidente que só podemos tributar as receitas auferidas, e no caso em tela não houve receita auferida. O estorno dos juros decorreu de um contrato de parcelamento do débito TERMO/CERON/UNN/001/2003, assinado em 31 de março de 2003, com pagamento da 1ª parcela a partir de 1º de agosto de 2004. Os procedimentos contábeis aplicados estão de acordo com o disposto no art. 187 § 1º da Lei nº 6.404/76, in verbis: § 1º Na determinação do resultado de exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essa receitas e rendimentos. Desta forma estamos atendendo ao regime de competência no referido contrato, porém no mês de novembro/2003, data de apuração o qual gerou o Per/Dcomp, detectamos erros nos Fl. 2030DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 cálculos de juros apurados a maior nos meses de maio/2003 a outubro/2003, e procedemos os lançamentos contábeis de correção estornando os juros lançados a maior no mês de novembro /2003. A perda financeira ocorrida foi do contribuinte, uma vez que se tivesse incluído os estornos de juros nos meses de competência, teria crédito nos meses de maio a outubro/2003 no valor de R$ 33.519,41, vejamos o seguinte demonstrativo: (...). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de BelémPA (DRJ), por meio do Acórdão nº 016.662, de 11 de setembro de 2006 (fls. 172/174), negou provimento à manifestação de inconformidade, mantendo a decisão que negou homologação à compensação, pelas seguintes razões resumidas em sua ementa: Assunto: Contribuição para o Programa de Integração Social PIS Anocalendário: 2002 Ementa: VALORES INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. A redução da base de cálculo referente a novembro de 2003, no montante de juros estornados, não se constitui na forma correta do contribuinte reaver os valores que julga ter pago a maior da contribuição. Solicitação Indeferida. O contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 177/180) reiterando os mesmos fundamento de defesa apresentados em sua manifestação de inconformidade. Por meio da Resolução nº 340300.068, de 25 de agosto de 2010, o julgamento foi convertido em diligência, requisitandose à Delegacia de origem que “intime o contribuinte a apresentar os documentos e prestar as informações necessárias para demonstrar o teor e os efeitos do referido contrato, detalhando o procedimento utilizado e demonstrando em que medida afetam os valores exigidos no lançamento em discussão”, ao final lavrandose um relatório conclusivo. Na Delegacia de origem, depois de apresentados documentos pelo contribuinte, foi lavrado Relatório (fls. 205/206) constatando, em síntese, o seguinte: O interessado apresentou os documentos solicitados (fls. 191/204), em especial: "Nota Explicativa" (fls. 196/197) e "Termo de Consolidação, Confissão e Parcelamento de Dívida" (fls. 198/200). O Termo de Consolidação, Confissão e Parcelamento de Dívida (fls. 198/200) prevê na cláusula terceira que, durante o período de carência (sobre o qual versa o presente processo) a dívida consolidada seria corrigida mensalmente pela variação da TJLP (taxa de juros de longo prazo) e acrescida de juros nominal de 6% ao ano. Conforme explicações do contribuinte (fls. 196/197) os juros foram estornados em novembro de 2003 por haver sido contabilizados equivocadamente no período de maio a outubro. O estorno dos juros, em novembro de 2003, foi o resultado do Fl. 2031DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10240.720013/200461 Acórdão n.º 3403001.759 S3C4T3 Fl. 170 5 recálculo feito com base no dispositivo correto (caput da cláusula terceira do Termo de Consolidação, Confissão e Parcelamento de Dívida), que diz (fls. 198/200): "A dívida consolidada e confessada pelo DEVEDOR, especificada na cláusula segunda, será quitada no prazo de 20 anos, com 15 meses de carência, em 225 parcelas da seguinte forma: Os pagamentos serão mensais, sendo que a primeira parcela vencerá em 1º de agosto de 2004 e a última em 1º de março de 2023. Durante o período de carência, a dívida consolidada e confessada pelo DEVEDOR descrita na Cláusula Segunda, será corrigida mensalmente pela variação da TJLP (taxa de juros de longo prazo) fixada pelo Banco Central do Brasil ou outra que venha a substituíla calculado sobre o saldo devedor atualizado, acrescido de juros nominal (sic) de 6% a.a." O lançamento dos juros na contabilidade no período de maio a outubro de 2003 foi o seguinte: Assim o valor total dos juros lançados na contabilidade foi R$ 3.115.846,69. Destaquese que, a despeito da explicação do contribuinte, esses juros (mais correção monetária) foram lançados em um índice muito superior ao previsto em qualquer cláusula do contrato, que previa juros de 6% ao ano, mais a correção monetária. Conforme a planilha de fl. 201, o valor acumulado dos juros recalculados dos meses de maio a outubro de 2003 seria de R$ 357.047,60. A diferença, portanto, entre o valor lançado e o recalculado seria de R$ 2.758.799,09. Em novembro de 2003 o contribuinte promoveu o estorno de juros no valor de R$ 2.028.695,89 (valor menor que o recalculado) fl. 90. CONCLUSÃO Com base nos dados e documentos apresentados pelo contribuinte concluise: Fl. 2032DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 a) O contrato prevê a fluência de juros durante o período de carência, porém com um índice bem menor do que o utilizado pelo contribuinte ao fazer os registros contábeis; b) O recalculo apresentado pelo contribuinte à fl. 201 está próximo o previsto em contrato. c) O erro no lançamento inicial dos juros nos meses de maio a outubro de 2003 foi significativo. O estorno desse valor no mês de novembro produziu demonstrações contábeis que não refletiram os fatos corretamente para cada mês, gerando uma distorção temporal na apuração dos valores. d) Compete ao CARF decidir sobre a correção do método utilizado pelo contribuinte a homologação da compensação em pauta. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti O recurso é tempestivo (intimação em 06.11.2006 e protocolo em 05.12.2006; fls. 176 e 177), motivo pelo qual dele conheço. A apuração realizada pela Autoridade Fiscal, em atendimento à solicitação de diligência deste Conselho, confirmou o suporte documental da situação narrada pelo contribuinte e também pela DRF e pela DRJ. Tratase de pedido de compensação em que o contribuinte alega a existência de recolhimento a maior de Cofins em novembro de 2003, sendo que tal indébito decorreu do estorno parcial, pelo contribuinte em sua contabilidade, de valor correspondente a juros que havia acumulado entre maio e outubro de 2003. Conforme contrato firmado em março de 2003, estes juros deveriam ser de em 6% ao ano mas foram contabilizados em patamar muito superior. Por isso o contribuinte entendeu por bem promover o estorno do que havia computado a maior no período de março a outubro, fazendoo por meio de um único estorno em novembro de 2003. Concordo com a DRF e a DRJ quando dizem que não foi adotado o procedimento mais adequado. O estorno de uma receita pode ser motivado ou por um erro ou por cancelamento (ou desfazimento) do negócio, sendo que para este último caso a legislação tributária contempla um tratamento específico, denominado de “venda cancelada”. Com efeito, a legislação regulamenta apenas a hipótese da venda cancelada, dispondo que o registro contábil do estorno seja feito apenas na ocasião da devolução ou cancelamento no negócio, e que o valor da receita estornada seja utilizada como dedução na base de cálculo – tudo isto, repisese, em relação ao momento em que ocorre o cancelamento. Fl. 2033DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10240.720013/200461 Acórdão n.º 3403001.759 S3C4T3 Fl. 171 7 Na hipótese de estorno por erro da contabilidade, parece mesmo que o mais adequado seja realizálo por meio da retificação da contabilidade em relação ao período de apuração no qual fora indevidamente computada a receita, com a conseqüente revisão e retificação das declarações fiscais. Neste caso concreto, portanto, se o contrato de parcelamento apenas permitia o cômputo de juros de 6% ao ano, do que resulta equivocada a apropriação de juros em patamar maior, o mais adequado é que tal erro fosse corrigido pela retificação dos lançamentos realizados no passado, fazendose o ajuste em relação aos tributos apurado naquelas competências. O contribuinte, no entanto, preferiu fazer o ajuste por meio de um único estorno em novembro de 2003, promovendo a dedução, em relação ao faturamento de novembro de 2003, do valor do somatório dos juros estornados, que foram acumulados ao longo dos meses anteriores, dentro do mesmo exercício. Na medida em que a declaração tributária, e os efeitos tributários permaneceram fiéis aos fatos registrados na contabilidade, não vejo qualquer obstáculo legal ou prejuízo aos cofres públicos em razão do procedimento adotado pelo contribuinte. Como visto, ao invés de fazer o estorno mêsamês, o contribuinte registrou o estorno na sua contabilidade no mês de novembro. Conforme reconhece o contribuinte em seu recurso voluntário “a perda financeira foi do contribuinte uma vez que se tivesse incluído os estornos de juros nos meses de competência teria crédito nos meses de maio a outubro/2003” (fl. 180). De fato, se tivesse promovido o estorno nos respectivos meses dos lançamento indevidos, teria se beneficiado da atualização do indébito, aplicável desde o momento do recolhimento a maior. Mas o procedimento utilizado contribuinte implicou em ceifarlhe tal possibilidade, eis que o fato constitutivo do seu direito apenas foi concretizado na contabilidade por meio do estorno promovido em novembro de 2003. Enfim: tendo sido demonstrado que o valor de receita estornado em novembro de 2003 corresponde efetivamente a valores de juros computados de maneira incorreta, ou seja, por erro de lançamento, entendo que não deve ser submetido à incidência da Contribuição para o PIS. E embora o mais apropriado fosse a retificação dos períodos de competência em que houve o lançamento dos juros em valor maior que o correto, devese reconhecer que a legislação não exigem um procedimento específico para a hipótese de erro, e que o procedimento adotado pelo contribuinte está devidamente registrado em sua contabilidade, além de não acarretar nenhum prejuízo aos cofres públicos. Voto pelo provimento do recurso. Ivan Allegretti Relator Fl. 2034DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Fl. 2035DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10950.006796/2007-11
Data da sessão: Thu Sep 24 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Sep 24 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - A presunção legal de omissão de rendimento, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA - Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. As afirmações apresentadas pelo sujeito passivo para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostram-se como meras alegações, processualmente inacatáveis.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA - Não é nulo o lançamento que inverte o ônus da prova.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - A apreciação de ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário.
DECISÕES JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS - As decisões judiciais invocadas, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Assim, seus efeitos não podem ser estendidos genericamente a outros casos, somente se aplicam à questão em análise e vinculam as partes envolvidas naqueles litígios, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade de lei, que não é o caso dos julgados transcritos. A doutrina reproduzida não pode ser oposta ao texto explicito do direito positivo, sobretudo em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade.
Numero da decisão: 2201-000.433
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e no mérito julgar PARCIALMENTE procedente o recurso para excluir da base de cálculo o valor de RS 1.570,35, relativo ao ano-calendário 2002.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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MINISTÉRIO DA FAZENDA t ;,,t;itêyin? CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS .1417, .5'1 • SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTOxót—tx,". Processo n° 10950.006796/2007-11 Recurso n° 167.547 Voluntário Acórdão n° 2201-00.433 — r Câmara / r Turma Ordinária Sessão de 24 de setembro de 2009 Matéria IRPF - Ex(s).: 2003, 2004 e 2006 Recorrente CLODONALDO SÉRGIO FAVARO Recorrida T TURMA/DRJ-CURITIBA/PR ASSUNTO: INIPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA- 1RPF Ano-calendário: 2002, 2003, 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - A presunção legal de omissão de rendimento, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÓNUS DA PROVA - Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. As afirmações apresentadas pelo sujeito passivo para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostram-se como meras alegações, processualmente inacatáveis. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA - Não é nulo o lançamento que inverte o ônus da prova. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - A apreciação de ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. DECISÕES JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS - As decisões judiciais invocadas, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Assim, seus efeitos não podem ser estendidos genericamente a outros casos, somente se aplicam à questão em análise e vinculam as partes envolvidas naqueles litígios, à exceção das decisões do STF sobre inconstilucionalidade de lei, que não é o caso dos julgados transcritos. A doutrina reproduzida não pode ser oposta ao texto explicito do direito ç I positivo, sobretudo em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Recurso provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiada por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e no mérito julgar PARCIALMENTE procedente o recurso para excluir da base de cálculo o valor de RS 1.570,35, relativo ao ano-calendário 2002. 1,(Lolf \JQ0 A/iL) ? CIAA PEDRO PAULO PEREI t I BARB SA — Presidente em exercício MV' • EDUARD ADEU FARAH - lator EDITADO EM: 12 MAR 2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), Janaina Mesquita Lourenço de Souza e Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em exercício). Relatório Clodonaldo Sérgio Favaro recorre a este conselho contra a decisão de primeira instância proferida pela 2'. Turma da DRJ de Curitiba/PR, pleiteando sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário de fls. 227 a 250. Trata-se de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física - IRPF (fls. 148- 156), que exige R$ 230.127,44 a título de imposto e R$ 172.595,57 a título de multa de oficio de 75%, além dos acréscimos legais. O lançamento decorreu da omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas na Caixa Econômica Federal S/A, Cooperativa de Crédito de Livre Admissão Maringá-Sicredi Maringá, Unibanco - União de Bancos Brasileiros S/A, Banco Bradesco S/A e Banco do Brasil S/A, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 140 a 147) e discriminado nas planilhas de fls. 119 a 139. Cientificado, em 22/12/2007 (fl. 161), o recorrente interpôs, em 22/01/2008, Impugnação (fls. 162 a 176), instruída com os documentos de fls. 178 a 204, sustentando, em síntese: a) o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do direito é de quem alega. No presente caso tem-se a impossibilidade de demonstrar todas as notas fiscais relativas aos fretes 2 • Processo n° 10950.006796/2007-11 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.433 FL2 que realizou em face de tratar-se de documentos antigos, muitos dos quais já destruídos. Além do que os documentos apreendidos pela Polícia Federal se repassados à Receita Federal, poderia demonstrar a sua atividade, bem como a movimentação financeira e tributação da parcela de 40% dos fretes realizados. Assim, o auto de infração deve ser considerado nulo de pleno direito, porquanto ausentes as provas que deveriam ser produzidas pela autoridade fiscal; b) alega que o valor da exigência ê totalmente indevido em face de serem devidamente justificados, seja pela comprovação da situação de redução da base de cálculo para 40% do valor da receita, seja pela demonstração da inexistência de auferimento de renda, posto que a movimentação financeira considerada como renda, era de responsabilidade de Clodovaldo Carlos Favaro, conforme declaração prestada à fl. 182; c) aduz que a movimentação bancária na conta n° 11545-2, agência n° 0718, da Cooperativa de Crédito de Livre Admissão Maringá era realizada exclusivamente por Clodovaldo Carlos Favaro (fl. 182) e que a disponibilidade do numerário era exclusiva da empresa Transbalan; e) assegura que movimentação financeira realizada na conta corrente n°40982-8, agência n° 0395, da Caixa Econômica Federal foi totalmente justificada nas suas declarações de IRPF dos anos-calendário de 2002, 2003 e 2005, nas quais o valor dos fretes e carretos declarados ultrapassa o montante dessa movimentação. Que responde tão somente pela movimentação financeira desta conta e salienta que no ano-calendário de 2003 constou um crédito de R$ 110.787,55, referente à indenização de sinistro paga pela Liberty Paulista S/A; O afirma que no ano-calendário de 2005 possuía outras três contas bancárias — C/C n° 17449-1, agência n° 3512-2, do Banco do Brasil S/A, C/C n° 13.715-4, agência n°1303-O, do Banco Bradesco S/A e C/C n°730.948-4, agência n° 1379, do Unibanco União de Bancos Brasileiros S/A, as quais passaram a serem movimentadas pela empresa Transbalan após esta ter ficado com suas contas bancárias indisponíveis, em meados de abril e maio, em decorrência da operação Hidra da Polícia Federal; g) da impossibilidade de cobrança de multa em face da inexistência de irregularidade tributária; h) a multa de 75% é inexigível em face de o numerário movimentado em sua conta bancária jamais ter sido renda auferida; i) improcede a autuação levada a efeito, mas, não obstante tal fato é certo que a origem dos recursos, seja considerados omitidos ou não é relativa a fretes recebidos por transporte de cargas, de forma que, alternativamente, deverá ser dado procedência a presente impugnação, determinando-se a desconsideração de 60% dos recursos para tributar tão- somente da parcela correspondente a 40%. Ressalta, ainda, que é necessária compensação do montante já declarado, bem como do valor de R$ 110.787,55 recebidos em indenização por sinistro de um de seus caminhões no ano-calendário de 2003. A 2°. Turma da DRJ de Curitiba/PR julgou integralmente procedente o - lançamento, consubstanciado nas ementas transcritas: , ^ z' --- / 2_ 3 PRELIMINAR DE NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, é incabível falar em nulidade de lançamento fundamentado em presunção legal relativa cuja materialização se encontra perfeitamente comprovada nos autos. PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO. A apresentação de prova documental deve ser feita durante a fase de impugnação, precluindo o direito de o interessado fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. PEDIDO DE PERÍCIA. Considera-se não formulado o pedido de perícia quando o interessado protesta por ela, mas deixa de formular os quesitos referentes aos exames desejados, assim como o nome, endereço e a qualificação profissional do seu perito. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEMNÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, o interessado, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idónea, coincidente em data e valor, a origem dos recursos utilizados. MULTA DE OFICIO DE 75%. Legítima a aplicação da multa de oficio de 75% sobre a diferença de imposto apurada em procedimento de oficio, porquanto em conformidade com a legislação de regência. Regularmente intimado da decisão de primeira instância, Clodonaldo Sérgio Favaro interpôs Recurso Voluntário argumentando, em síntese: a) nulidade do lançamento, pois ao imputar ônus de prova superior ao que se possa alcançar, gera, via de conseqüência, afronta a ampla defesa e o contraditório. Neste caso o ônus probandi cabe ao Fisco; b) inexiste omissão de receita, conforme planilha contábil colacionada. Alem do que a declaração do Sr. Clodovaldo Carlos Favaro exonera a responsabilidade do recorrente, na movimentação do Banco SISCREDI, agência n°0718, C/C n° 11.545-2; c) a fiscalização equivocou-se em relação ao rendimento do ano calendário de 2002. A renda declarada foi de R$ 31.407,00, deferindo um crédito de RS 10.667,33 e não, R$ 9.096,98; 4 Processo c 10950.006796/2007-11 S2-C2T1 Acórdão ri.0 2201-00433 d) Em relação ao ano-calendário de 2003, se excluísse o valor relativo à conta SISCREDI e considerar a venda do veiculo Santana 1987, no valor de R$ 6.244,00, o montante omitido alcançaria R$ 7.999,38, e, após o cálculo do imposto, o crédito tributário seria de R$ 921,51, ou seja, não incidiria imposto de renda. E, caso não seja esse o entendimento, a base de cálculo do tributo é de 40%, correspondente a R$ 1.627,39 de imposto a ser exigido; e) no ano-calendário de 2005 o numerário movimentado, a partir do mês de abril, era única e exclusivamente da empresa Tranbalan Transporte Rodoviário Ltda, visto que após a operação da Polícia Federal e Ministério Público Federal, a movimentação financeira das contas bancária da empresa ficou indisponível, motivo pelo qual foi utilizada a c/c do recorrente junto ao Unihanco para honrar os débitos da empresa, conforme faz prova a declaração do Sr. Clodovaldo Carlos Favaro, sócio administrador da empresa (fi.251). Assim, em relação as omissões do ano-calendário de 2005, se desconsiderar a C/C da SISCREDI, no valor de R$ 127.639,03, o salário de R$ 7.728,43, e o valor de R$ 13400,00, relativo a devolução de um cheque, o numerário movimentado pelo recorrente não ultrapassou R$ 214.955,75, com uma tributação de R$ 33.713,03; f) quanto à base de cálculo a ser utilizada nos anos-calendário de 2002 e 2005 deve ser de 40% da renda do contribuinte, haja vista sua função laborativa. Entretanto, no ano- calendário de 2003, o contribuinte também prestou serviço de transporte, mas não em veículo próprio, assim, a omissão relativa ao ano em referência, deverá também ser considerada como prestação de serviço de transporte e tributada a 40%; g) cobrança de tributo sobre o mesmo fato gerador. Bis in idem em relação às ações fiscais contra a empresa Tranbalan nos processos 10950.00632512007-03 e 10950.001759/2008-90; h) a multa de 75% ofende aos princípios constitucionais do não-confisco e da proporcionalidade, gerando enriquecimento ilícito do fisco em detrimento dos bens do contribuinte. Colaciona jurisprudências administrativas e judiciais. É o relatório. , 03/44i 5 t. ¡- Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Preliminar Preliminarmente, alega o recorrente que o lançamento deve ser considerado nulo de pleno direito, porquanto ausentes de provas (ânus probandi) que deveriam ser produzidas pelo Fisco. Relativamente a esse ponto, impende registrar que os depósitos bancários de origem não comprovada gozam de presunção de certeza que somente pode ser ilidida por prova inequívoca em sentido contrário, cujo ônus incumbe ao recorrente, a teor do disposto no art. 42 da Lei n° 9430/1996, demonstrado materialmente que não há omissão, afastando, portanto, a presunção legal que embasou o presente auto de infração. Apego-me essencialmente ao fato de que, a inversão do ônus da prova, característica principal da presunção legal relativa, constitui um instrumento direcionado à facilitação do trabalho de investigação fiscal, justamente em razão das dificuldades impostas à identificação dos fatos econômicos dos quais participou o recorrente. Existe normalmente uma grande quantidade de ações e negócios não formais efetuados pelo contribuinte, na maioria das vezes mareada pela inexistência de prova documental, razão pela qual a lei desincumbiu a autoridade fiscal de provar sua ocorrência. Não tem sentido a autoridade fiscal constituir prova de um fato presumido. Destarte, o ônus incumbe ao contribuinte. Na seqüência, afirma o recorrente que houve cerceamento de seu direito de defesa, pois não lhe foi deferido o acesso aos documentos da empresa Transbalan apreendidos na operação Hidra, realizada pela Polícia Federal. No que tange a supracitada preliminar, entendo, pois que não há como acata- la, já que a busca de prova é obrigação do recorrente. Nessa senda, deveria o interessado diligenciar junto aos órgãos públicos no sentido de reaver, ainda que cópia, a documentação apreendida. Não se pode perder de vista que a operação Hidra ocorreu em 2005 e, passados cerca de 4 anos, não foram carreadas aos autos qualquer documento que corroborasse com a defesa do recorrente. Portanto, não vislumbro o vício apontado pelo recorrente. Mérito 4 Ano-calendário 2002 Processo n° 10950.006796/2007-11 52-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.433 Em relação ao mérito, alega o recorrente que inexiste omissão de receita no ano-calendário de 2002, pois a declaração prestada pelo Sr. Clodonaldo Sérgio Favaro (fl. 182), roborada pela declaração de Clodovaldo Carlos Favaro (fl. 251) exonerou de sua responsabilidade a movimentação na conta n° 11.545-2, agência n°0718 da Cooperativa de Crédito de Livre Admissão — SISCREDI. De pronto, deve ser esclarecido que a simples declaração de que a movimentação bancária pertence à empresa Transbalan Transporte Rodoviário Ltda, de propriedade do Sr. Clodovaldo Carlos Favaro, sem uma prova inequívoca de sua materialidade, não pode ser considerada. Deveria, pois o recorrente ter carreado aos autos outros documentos, como, por exemplo, os cheques emitidos, para que este julgador pudesse firmar sua convicção. Ademais, pelo que se verifica da análise da Declaração de Ajuste dos anos-calendário 2002 e 2003, o recorrente efetivamente declarou a titularidade da referida conta na Declaração de Bens e Direitos. Destarte, pela completa ausência de prova em contrário, entendo que os numerários que ingressaram na referida conta pertence ao recorrente. Prosseguindo, insurge o suplicante contra um equivoco cometido pela autoridade fiscal, quando do preenchimento do demonstrativo constante a fl. 135. Compulsando-se o "Demonstrativo de Apuração dos Valores Depositados e Creditados em Conta Corrente e de Poupança" verifico, pois que o mesmo apresenta um erro em seu somatório, ou seja, o "Total dos Créditos Comprovados" apontado pela fiscalização foi de R$ 29.836,65, quando, na verdade, deveria ser de R$ 31.407,00. Desta feita, face ao erro cometido, deverá ser deduzido da base de cálculo do imposto, relativa ao ano-calendário 2002, o valor de R$ 1.570,35. Ano-calendário 2003 No que diz respeito ao ano-calendário de 2003, alega o recorrente que se houvesse a exclusão da conta n° 11.545-2, agência n° 0718 da Cooperativa de Crédito de Livre Admissão — SISCREDI pertencente à Transbalan Transporte Rodoviário Ltda, bem como a quantia de R$ 6.244,00, relativo à venda de um veiculo Volkswagen Santana — ano 1987 — placa CAC 1023, o valor considerado como omissão de receita seria de R$ 7.999,38 e não o montante apurado pela fiscalização. Relativamente a titularidade da conta n° 11.545-2, agência n° 0718 da Cooperativa de Crédito de Livre Admissão — SISCREDI, a questão já foi objeto de análise por este julgador. No que se refere à venda do um veículo Volkswagen Santana — ano 1987— placa CAC 1023, verifico que em sua Impugnação, o recorrente não faz qualquer menção ao referido fato, implicando, com isto, na não apreciação da matéria. Assim, não se pode conhecer do recurso quando este pretende inovar os limites do litígio já consolidado, sendo, portanto, defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na Impugnação. Ressalte-se, ainda, que não foi apresentada uma única prova da entrada do referido recurso na conta corrente do recorrente, razão pela qual não há como considerá-la. Assim, não há qualquer reparo a ser feito ao lançamento relativamente ao/ ano-calendário de 2003. /111 7 Ano-calendário 2005 Prossegue o recorrente com seu inconfomúsmo, alegando que não só a conta n° 11.545-2, agência n° 0718 da Cooperativa de Crédito de Livre Admissão — SISCREDI pertence à Transbalan, mas também a conta n° 730948-4, agência n° 1379, do Unibanco, conforme declaração firmada as f1.252, por Clodovaldo Carlos Favaro, razão pela qual o montante de R$ 127.639,03 deve ser excluído do lançamento. Novamente, entendo que ao recorrente não lhe assiste razão. Conforme anteriormente abordado, não há como deslocar a responsabilidade pela movimentação bancária da conta n° 730948-4, agência n° 1379, do Unibanco, para a pessoa jurídica, Transbalan Transporte Rodoviário Ltda , quando se tem como prova uma simples declaração do sócio da empresa, o Sr. Clodovaldo Carlos Favaro. Para que houvesse a supressão da referida conta, deveria o suplicante ter carreado aos autos outros documentos de prova, para que este julgador pudesse firmar sua convicção. Saliente-se, ainda, que o próprio recorrente firmou declaração (fl. 107), em 05/11/2007, que os recursos provenientes da referida conta era de sua inteira responsabilidade. Destarte, não há como afastar a responsabilidade do recorrente pelos recursos ingressados na referida conta. Em outra passagem alega o insurgente que os fiscais consideraram o valor de R$ 13.400,00, depositado em setembro de 2005, como receita, contudo, o referido valor refere- se a uma devolução de cheque destituído de fundos. De inicio, cumpre ressaltar que em sua Impugnação o recorrente não faz qualquer menção ao referido fato, implicando, com isto, na não apreciação da matéria. Assim, não se pode conhecer do recurso quando este pretende inovar os limites do litígio já consolidado, sendo, portanto, defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. Acresça-se, ainda, que não foi carreado aos autos qualquer prova relativa h referida alegação. Ainda, em relação ao mérito, solicita supletivamente o recorrente que, caso se entenda pela tributação a base de cálculo, esta deverá ser reduzida a 40%, pois o contribuinte efetivamente prestou serviço de transporte de carga. Compulsando-se os autos verifico, pois que não foram carreadas aos autos prova de que os recursos que ingressaram em suas contas advém do transporte de carga. Pelo que se vê, em verdade é que a ausência de provas encaminha para o entendimento de que os depósitos tiveram outra origem, que não o transporte rodoviário de carga, portanto, sem qualquer redução de base de cálculo. Ressalte-se, por oportuno, que não basta simplesmente alegar determinada circunstância, mas deve o contribuinte provar a natureza da operação efetuada. Individualmente, pode haver dificuldade na obtenção da prova, todavia, através de um conjunto probatório mais amplo é possível demonstrar a procedência de seu pedido. Destarte, o Ônus da prova recai sobre aquele cujo beneficio se aproveita. Prossegue o recorrente afirmando que a multa imposta de 75% possui caráter confiscatório, pois estaria gerando enriquecimento ilícito do Fisco em detrimento dos bens do contribuinte. \ e ,17 Processo tf 10950.006796/2007-11 S2-C211 Acirra n.° 2201-00.433 EL 5 Não obstante o pensamento do recorrente, a penalidade imposta pela autoridade fiscal encontra-se amparada pelo art. 44, § P, I da Lei n° 9430 de 1996. Ademais, em relação à argüição de inconstitucionalidade, relativamente ao confisco e a proporcionalidade que a multa aplicada representa, a autoridade administrativa não dispõe de competência legal para examinar a constitucionalidade/legalidade de Leis inseridas no ordenamento jurídico nacional (competência privativa do Poder Judiciário — artigo 102, da Constituição Federal). Frise-se, também, que as jurisprudências trazidas à colação não se constituem em normas gerais de direito, razão pela quais seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Por fim, a doutrina reproduzida não pode ser oposta ao texto explicito do direito positivo, sobretudo em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Ante o exposto voto no sentido de REJEITAR as preliminares e no mérito julgar PARCIALMENTE procedente o lançamento para excluir da base de cálculo o valor de R$ 1.570,35, relativo ao ano-calendário 2002. _f- ED ," DO TADEU FA„ 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS:;41isEts,p Processo n°: 10950.006796/2007-11 Recurso n°: 167.547 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 30 do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n°256, de 22 de junho de 2009, intime.se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n°2201-00.433. Brasília/ 0F, 11)41. Mil F • CISC ASSIS DE OLIVEIRA JÚNIOR esidente d egunda Câmara da Segunda Seção ,/ Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência • ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000469/00-32
Data da sessão: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1996,1997,1998
LANÇAMENTO - AUTO DE INFRAÇÃO - REQUISITOS
A simples menção a uma determinada infração no Termo de Constatação Fiscal que acompanha o Auto de Infração não pode ser considerada como lançamento, por violação ao disposto no art. 142 do CTN.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OFICIAL - GLOSA
Deve prevalecer a glosa do valor declarado pelo contribuinte como pago a título de contribuição previdenciária oficial quando este não faz a prova de que o montante declarado está correto, mormente se este é discrepante daquele informado pela fonte pagadora.
IRPF - DEDUÇÃO - DESPESAS MÉDICAS
Nos termos do art. 8o, § 2o, inc. III da Lei n° 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei. Quando o documento apresentado pelo contribuinte não preenche tais requisitos e também não é feita a comprovação do pagamento por qualquer outro meio de prova, deve prevalecer a glosa da referida despesa.
IRPF - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO -LEVANTAMENTO EM BASES ANUAIS - NULIDADE
A apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, para fins de exigência de imposto de renda da pessoa física, deve ser feita a partir do fluxo mensal das receitas e despesas. É nulo o lançamento que considera - para fins de apurar a variação patrimonial, as receitas e despesas do contribuinte de forma anual. Tal procedimento impede a verificação dos meses em que o acréscimo a descoberto tenha ocorrido.
Preliminar acatada.
Numero da decisão: 2102-000.251
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em ACATAR a preliminar de nulidade suscitada de ofício pela Conselheira Relatora, para que seja desconsiderada a glosa do IRRF, vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. No mérito, ptor maioria de votos, em DAR provimento parcial ao recurso, para cancelar o acréscimo patrimonial a descoberto, vencido o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos.
Nome do relator: Roberta de Azeredo F. Pagetti
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1996,1997,1998 LANÇAMENTO - AUTO DE INFRAÇÃO - REQUISITOS A simples menção a uma determinada infração no Termo de Constatação Fiscal que acompanha o Auto de Infração não pode ser considerada como lançamento, por violação ao disposto no art. 142 do CTN. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OFICIAL - GLOSA Deve prevalecer a glosa do valor declarado pelo contribuinte como pago a título de contribuição previdenciária oficial quando este não faz a prova de que o montante declarado está correto, mormente se este é discrepante daquele informado pela fonte pagadora. IRPF - DEDUÇÃO - DESPESAS MÉDICAS Nos termos do art. 8o, § 2o, inc. III da Lei n° 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei. Quando o documento apresentado pelo contribuinte não preenche tais requisitos e também não é feita a comprovação do pagamento por qualquer outro meio de prova, deve prevalecer a glosa da referida despesa. IRPF - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO -LEVANTAMENTO EM BASES ANUAIS - NULIDADE A apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, para fins de exigência de imposto de renda da pessoa física, deve ser feita a partir do fluxo mensal das receitas e despesas. É nulo o lançamento que considera - para fins de apurar a variação patrimonial, as receitas e despesas do contribuinte de forma anual. Tal procedimento impede a verificação dos meses em que o acréscimo a descoberto tenha ocorrido. Preliminar acatada.
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Data da sessão: Sat Dec 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA
PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DA VERDADE MATERIAL. PRECLUSÃO
PROVA MATERIAL DE JULGAMENTO -PROCESSUAL E A BUSCA
No processo administrativo predomina o princípio da verdade material. Entretanto, se a contribuinte foi intimada e reintimada à apresentação dos documentos necessários à comprovação do suposto crédito pleiteado, só vindo a apresentá-los por ocasião do recurso, sem as justificavas devidas, não há como afastar a preclusão do direito da recorrente, nos termos do art. 16, § 4o do Decreto n° 70.235, de 1972 (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-000.327
Decisão: ACORDAM os membros da 3° Câmara / 1° Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Antônio Lisboa Cardoso
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PRECLUSÃO. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maurício Taveira e Silva, Gustavo Kelly Alencar, Carlos Alberto Donassolo (Suplente) e Maria Teresa Martinez López. \ Oocumcnlo do 439 pág,lna(s) confirmado diglt"tmente Pode ser consullado ttO ender~ço https.i/ca\f.receltaAar:enüa.gov,br/eCACipublico!Jogii1.aspx I,elo c.ódlgo de localização EPOB.0817 17[)54 VEKD Consulte a pagina (je A.ulentlcaçao no final deste documento. . • DF CM{l: :V1F Relatório Trata-se de recurso em face do acórdão nO14-16.481, da 2" Turma da DRJ- RIBEIRÃO PRETO/SP, sintetizado através da ementa de fl. 1.326, nos seguintes termos: "AsSunto: Imposto sobre Produtos Industrializados -IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO BisICO DE IPI. RESSARCIMENTO. o direito 110 ressarcime~to de crédito básico de IPI decorre da apuração de saldo credor do imposto, por trimestre-calendário, devidamente comprovado por meio de documentação e escrituração hábeis. A aquisição 'de insumos pelo encomendante para remessa ao exterior da encomenda. ainda que não transite pelo estabelecimento encomedante, dá direito ao crédito do imposto. Solicitação Deferida em Parte.•• A solicitação da recorrente foi atendida, em quase sua totalidade, com exceção das aquisições não comprovadas' através de notas fiscais, vez que somente foram' comprovadas, através de notas fiscais, as aquisições' de matéria-prima, de produtos intermediários e de material de embalagem, provenientes da Companhia Siderúrgica Nacional - CSN, omitindo-se quanto as notas fiscais dos demais insumos. Cientificada em 24/0112008 (AR - fl. 1337), foi intelJJOsto o recurso voluntário de fls. 1340/1345, e do'cumentos de fls. 1346/1456, sendo alegado, em síntese, que a falta de atendimento à Intimação n° 15/2004-SAORTIDRF/ITJ (fls. 79/81) decorreu de dificuldades enfrentadas pela recorrente na transição do controle do Departamento de sua Contabilidade. r---. Alega, no entanto, que a planilhã anexada ao recurso, com a indicação do número do documento de entrada, a data da emissão, a descrição do insumo glosado e seu respectivo valor (no total de R$26.995,15), instruída com os respectivos documentos fiscais, autenticados pelo Órgão da Receita Federal em Itajaí/SC, mediante apresentação dos originais, e, apresenta ainda, documento com a estrutura de composição do produto, acompanhado da respectiva ficha técnica do Ministério da Agricultura, pelo que reafirma a existência nos autos que demonstram a liquidez e certeza dos créditos de IPI indevidamente glosados. É o telatÓrio/ DOCllnlenfo d!: 439 pâgma(si confirmado d:gltal!nçPle. pade ~E:rconsult3r.io no e~der~ço htlús /ícav.recelt,';l.f3Zen(ia,gov.brh::~CACiJ.liJr;,lt::.1flogin.aspx peto código de !ocellzaçáo EP08.0817.17054 VEKD Consulte a p8gir~a de autentiC'.,3çf'iO no final desre documenlO ,.' DF.Ci\RF ivlF .' Processo n' 10909,00083212002-26Acórdão n,' 3301-00.327 Voto Conselheiro ANTÔNIO LISBOA CARDOSO, Relator FI. 2929 S3-C3T1 FI. 1.461 J O Recurso Voluntário da recorrente atende aos pressupostos para a sua admissibilidade, razão pela qual dele conheço. ,A decisão recorrida pautou-se nos termos da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, que assim dispõe sobre as conseqüências da não apresentação 'de documentos solicitados: Art, 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações pora essejim, mencionando-se data, prazo, forma e condições de atendimento, Parágrafo ünico. Não sendo atendida a intimação, poderá o , órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ojicio a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Art. 40. Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fIXado pela Administração pora a respectiva' apresentação implicará arquivamento do processo, , Em relação à preclusão, assim dispõe o parágrafo 4° do art. 16, do Decreto n° 70.235, de 1972, quanto à apresentação de documentos depois de expirado o prazo assinalado: Art. 16.A impugnação mencionará: 1-a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e ,de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam ifetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação projissional do seu perito, (Redação dada pela Lei nO8. 748, de , 1993) , V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (lnc!úído pela Lei nO 11.196, de 2005) , .••.~. fIO Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos pre~'sto no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei n° 8,748, de 1993) . , , / ,.'~D?,:urnen.to de 439 pagina(s) COnfji~ado di9ltaln1cnte. Pode ser cOi~sultadDilOel}dereco ht1ps:!Jcav,recclta,fazol')oa.gov.br/c 'i\f:/f)\JbllOOIi, codlgc ele locaTi23ç~o EP080B 17.1 (05.1VEKD. ConSlilte" éJ pagHl<1oc 3ulenticaçao 110final destE: documento. DF CARF 1\11' 9 20 É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal. empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo. cabendo ao julgador. de oficio ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-Ias. (Incluído pela Lei na8.748, de 1993), 9 30Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro. provar-Ihe-á o teor e a vigência, se assim o determinar ojulgador. (Incluidopela Lei na8.748. de 1993) ti 40A prova documental será apresentada na imPugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em- outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei na 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a ímpossíbilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maíor;(1ncluído pela Lei na 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei na9.532, del997) - c) destine-se a contrapor latos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluido pela Leí na 9.532, de 1997) 9 50A juntada de documentos após a impugnação deverá ser -requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre. com fundamentos. a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei na9.532. de 1997) 9 60 Caso já, tenha sido -proferida a decisão. os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso. serem apreciadospela autoridadejulgadora de segunda instância. (Incluídopela Lei na9.532. de 1997) (grifas acrescidos). FI. 2930 - .. A decisão recorrida é fundamenlada, ainda, pelo art. 443, ~ 3° do RIP1/2002, que trata especificamente do eiame e exibição de Livros Fiscais, a seguir transcrito: CAPÍTULO11 DO EXAME DE ESCRITA Exame e Exibição dos Livros Art. 443. No interesse da Fazenda. Nacional. os AFRF procederão ao exame das escritas fiscal e geral das pessoas sujeitas àfiscalízação (Lei na4.502, de 1964. art. 107). 91" São também passíveis de exame os documentos. os arquivos e os dados do sujeito passivo. mantidos em arquivos magnéticos ou assemelhados. encontrados no local da verificação. que tenham relação direta ou indireta com a atividade por ele exercida (Lei na9.430, de 1996, art. 34). 9 2°_No caso de recusa de apresentação dos lívros. dos documentos. dos arquivos e dos "dados,inclusive os mantidos em arquivos magnéticos ou assemelhados. o AFRF, diretamente ou por intermédio da repartição competente. promoverá junto ao D'OCLJrnentode 439paqllwis) confirmado dlglHllmente, Pode ser consultado no erdelF::-ç,O httjJslicav,:!7CeitJ.b C()(JlgoGe locélhzaçêio EPOB,0317 17054 VEKD CünslJlte;) pâgma de 8lJtellllcaç.ào no tlll81 deste ,j(jCUll1ento .,. '. DF. ('AR!' i\IF Processo nO 10909.00083212002-26 Acórdão n.o 3301-00.327 representante do Ministério Público a sua exibição judicial, sem prejuízo da lavratura do auto de embaraço àfiscalização (Lei n° 4.502. de 1964. art. 107. SI"). ~ 3° Tratando-se de recusa à exibição de livros comerCIaIS registrados, as providências previstas no g 2° serão precedidas de intimação, com prazo não inferior a setenta e duas horas, para a sua apresentação, salvo se, estando os livros no . estabelecimento fiscalizado, não alegar o responsável motivo que'justifique o seu procedimento (Leí n° 4.502. de 1964. art. 107. S 2"). (grifas acrescidos). 1"1. 2'J.j I S3-C3T1F\I)/ Desta forma, tendo a recorrido sido devidamente intimada e reintimada a apresentar a documentação necessária à comprovação do crédito do imposto sobre produtos industrializados, precluiu-se o direito da impugnante para a apresentação da documentação solicitada, sobretudo porque no recurso não ficou demonstradas os motivos excludentes previstos no art. 16,94°, do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997. Documento de 439 paginais) confirmado dIClitallT1~nte. Podeser_CQl'rsultauo no 2ndl;;;few https 11ç.;:HI,recelta.fttZend-a.gov.br:feCAC!publ;co/1ogln:aspx PSlo .córiigo çte localizac;:ão EPOS.OB17 17054 vE"ko, COI1Sliltt! a pagina rle autenticação no fmill dest8 docwn~nt(). 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
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Numero do processo: 10380.100371/2003-78
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 08/05/1998
DECADÊNCIA PARA LANÇAR.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente ao Imposto de Importação e ao IPI Vinculado, em operação não sujeita a Regime Aduaneiro Especial, é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-002.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 08/05/1998 DECADÊNCIA PARA LANÇAR. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente ao Imposto de Importação e ao IPI Vinculado, em operação não sujeita a Regime Aduaneiro Especial, é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 10 03 71 /2 00 3- 78 Fl. 322DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório A decisão a quo assim descreveu os fatos: Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Contra o sujeito passivo acima identificado foram lavrados Autos de Infração relativos ao Imposto de Importação II (fls. 01/06) e ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI vinculado (fls. 07/12), para formalização e cobrança do crédito tributário neles estipulados, tendo sido incluídos na exigência a multa de ofício de 75% e os juros de mora. 2.Segundo a fiscalização, a autuação se baseia no fato do importador ter declarado em adições da DI nº 98/04392186 diversos produtos de informática com valores inferiores aos encontrados em pesquisas no banco de dados da Secretaria da Receita Federal, tendo como referência outras importações para o Brasil, no mesmo período, de mercadorias similares. Além disso, apesar de intimado a apresentar documentos e informações que demonstrasse que o valor declarado na citada DI representava o real valor de transação das mercadorias, o contribuinte não apresentou resposta. 3.Estão a seguir transcritos alguns trechos do Termo de Desclassificação de Método de Valor Aduaneiro de fls. 59/68, onde são apresentados os motivos de fato e de direito que levaram os autores do procedimento à conclusão de que não seria possível a aplicação do 1º método de valoração aduaneira para determinadas mercadorias importadas pelo contribuinte: Das intimações feitas ao contribuinte “Foram solicitadas ao importador no próprio Termo de Início de Fiscalização diversas informações/documentos referentes às mercadorias importadas através da DI em análise e ao negócio realizado, para comprovação do valor de transação utilizado, todavia, nenhuma informação/documento nos foi apresentado, a não ser uma cópia de um contrato social da empresa em questão, de 03.02.1993, que em sua cláusula 3ª declara não possuir filiais, embora estejamos analisando justamente a importação de sua filial de nº 5 e uma cópia não solicitada da DI em questão, limitandose o importadora (sic) às seguintes explicações, a seguir transcritas: (grifos originais) Em 14/04/2003 Que os preços declarados nas DI's e adições são os mesmos que seriam informados nas respectivas DVA. Não localizei nenhum documento ou registro que me possibilite dar resposta, as perguntas solicitadas, embora tenha pedido informações ao Fl. 323DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.100371/200378 Acórdão n.º 9303002.027 CSRFT3 Fl. 307 3 fornecedor, que iria pedir ao fabricante. em virtude da saída da fabricação daqueles produtos. Daremos novos esclarecimentos caso nos chegue alguma informação adicional. Em 15/04/2003 Em virtude de fortes chuvas ocorridas em nossa cidade, o nosso galpão veio a pique, nos causando um enorme prejuízo, como a destruição de toda a nossa mercadoria e a maioria de nossa documentação foi integralmente danificada. Seguindo, assim, 08 fotos que comprovam o que foi dito acima e a impossibilidade de mandarmos a referida documentação, solicitada, por V.Sª. Essa documentação faz parte integrante daqui (sic) se encontra em posse de V. Sª., para a devida avaliação. Da análise conclusiva do valor aduaneiro “Em análise conclusiva do valor aduaneiro, concluímos pela descaracterização da invoice/fatura que instruiu o despacho de DI nº 98/04392186, já que a mesma só apresenta informações genéricas sobre as mercadorias importadas e nem mesmo nos foram apresentadas as respectivas DVA (DECLARAÇÃO DE VALOR ADUANEIRO), bem como nenhum dos outros documentos por esta fiscalização solicitados, (...). Observamos que essa referida invoice/fatura não dispõe da informação referente ao peso líquido unitário de cada mercadoria declarada na DI/Adição, informação esta que nos possibilitaria efetuar o exato rateio do frete da DI, além do que também foi solicitado ao importador informações complementares a respeito da mercadoria, como marcas/modelos, manuais/folder, para que a partir de pesquisas externas pudéssemos descobrir os pesos corretos, para cálculo do rateio do frete, mesmo sabendo da dificuldade de tal procedimento, haja vista que o mercado de informática é um mercado de tecnologia de ponta de substituição muito rápida. Clara se apresenta a tática desinteressada e postergatória do importador, pois é inadmissível que uma empresa desconheça as características técnicas e físicas das mercadorias que negocia e não mantenha um cadastro nem mesmo do comportamento dos preços de seu mercado de atuação. (grifo do original) Com esses fortes indícios de que o importador estaria sonegando informações ao Fisco para dificultar a confirmação da apuração do valor aduaneiro declarado na DI (PREÇO/FOB + FRETE + SEGURO), através do 1º método de valoração, fizemos a devida pesquisa comparativa de preços FOB DÓLAR, por unidade comercializada das mercadorias de informática da DI, nos arquivos do banco de dados OnLine da SRF, onde foi claramente constatado que efetivamente os preços declarados pelo contribuinte/importador em questão são para as referidas adições sempre inferiores aos praticados no mercado internacional, no tempo da referida importação, oriundos do mesmo país de aquisição, ...” Da análise comparativa dos preços das mercadorias Fl. 324DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 “As planilhas de “A” a “M” constantes deste Termo contém as extrações do banco de dados SRF referentes às importações realizadas, para cada NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) – códigos de mercadorias de informática, constante das adições analisadas da DI em questão, referentes tanto às mercadorias adquiridas pelo importador em questão, bem como por outros importadores, oriundas do mesmo país de aquisição, E.U.A, em datas próximas às importações sob análise. (...) As referidas planilhas são autoexplicativas e demonstram claramente como os preços de transação declarados pelo contribuinte/importador (1º método) estão, no tempo da efetiva importação, realmente inferiores aos praticados nas importações para o Brasil (1º método), do mercado de informática americano. Como se observa, pelo comportamento da empresa, a forma de declarar suas importações, sem especificar rotineiramente os modelos e características das mercadorias, bem como a sonegação de informações sobre a tabela de preços/cotação/negociação em si, sempre com o mesmo fornecedor Micro Informática Corp, que para o Brasil exporta para a empresa em questão, e principalmente pela comprovada inferioridade dos preços declarados por esta mesma empresa em relação às importações de outros importadores brasileiros, não deixam dúvidas de que o primeiro método de valoração aduaneira declarado como utilizado valor da transação para as adições não pode ser aceito devendo ser aplicado um método substitutivo conforme prevê o Acordo de Valoração Aduaneira AVA/GATT, DECRETO 1.355/94.” Da aplicação de método substitutivo “No caso sob exame, tendo em vista os fundamentos e razões acima expostos, que inviabilizaram a valoração aduaneira pelo método do valor de transação (1º método), e em consonância com as disposições do AVA, passouse sucessivamente ao método seguinte, o 2º método (...), mas como não encontramos no sistema extrator Lince online SRF, nenhuma DI/Adição paradigma que se enquadrasse totalmente contendo mercadoria idêntica à descrita nas adições da DI acima referida (...), passouse sucessivamente ao método seguinte 3º método – Valor de transação de mercadorias similares (artigo 3 do AVA).” (grifo do original) 4.Considerando o conjunto de indícios encontrados durante a ação fiscal, “que inviabilizaram a valoração aduaneira pelo método do valor de transação” (fl. 66) concluíram os agentes autuantes pela desclassificação do 1º método de valoração aduaneira, passando “sucessivamente aos métodos seguintes, o 2º método” (fl. 66). Como não foi localizada nos sistemas da Secretaria da Receita Federal “nenhuma DI/Adição paradigma que se enquadrasse totalmente contendo mercadoria idêntica à descrita nas adições da DI” (fl. 66), decidiram pela aplicação do 3º método para estabelecer o valor das mercadorias declaradas, em consonância com as próprias disposições do AVAGATT. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.100371/200378 Acórdão n.º 9303002.027 CSRFT3 Fl. 308 5 5.Foram ainda anexados aos autos, dentre outros documentos, os seguintes: planilha de cálculo das diferenças de tributos devidos pelo contribuinte – Planilha nº 2 (fls. 98); planilhas com o valor aduaneiro – DI’s paradigmas (fls. 69/96); Termo de Desclassificação de Método de Valoração Aduaneiro e Planilha nº 1 (fls. 59/68 e 97); e Relatório do Exame Conclusivo do Valor Aduaneiro (fls. 99). 6.Cientificado dos lançamentos do II e do IPI em 26/05/2003, conforme “AR” de fls. 101, o sujeito passivo insurgiuse contra a exigência, apresentando suas impugnações em 12/06/2003, conforme documentação acostada aos autos às fls. 102/123, com idêntico teor, expondo suas alegações de defesa conforme a seguir se resume: 6.1.inicialmente, alega que os valores declarados nas DI’s foram desconsiderados pela fiscalização sob o único fundamento de que eram inferiores aos verificados em pesquisa no banco de dados online da Secretaria da Receita Federal; 6.2.a importação realizada pela autuada não preenche nenhuma das hipóteses de vedação à aplicação da regra geral (utilização do primeiro método de valoração), que estabelece o valor de transação como o valor a ser adotado para fins aduaneiros; 6.3.os fiscais autuantes sequer alegaram quaisquer das exceções previstas no Acordo de Valoração Aduaneira para desconsiderar os valores informados nas DI’s, o que já é suficiente para demonstrar a nulidade do feito; 6.4.sob a argumentação de que o valor de transação era inferior ao detectado em pesquisas feita em bancos de dados internos, que tratam de outras importações de mercadorias similares, o que a fiscalização fez foi “inverter os métodos de valoração aduaneira previstos na legislação”, ignorando o valor da transação das mercadorias; 6.5.ao confrontar o valor da transação declarado nas DI’s com o valor de operações similares, sem que esteja presente qualquer hipótese legal para o seu afastamento, a fiscalização infringiu as regras do AVA; 6.6.através de exame contábil, pode provar que o preço declarado é compatível com as vendas efetuadas no mercado interno; 6.7.o princípio da legalidade exige que o lançamento eventualmente efetuado reflita a verdade real/material dos fatos, e desta forma, incumbe ao agente do Fisco realizar as verificações necessárias, sendolhe defeso aproveitarse da inércia do contribuinte para lançar tributos com base apenas em presunções não demonstradas; 6.8.como ressaltado em manifestações anteriores, não conseguiu localizar a documentação solicitada pela equipe fiscal, situação que se tornou mais difícil “após o desabamento de parte de seu Fl. 326DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 estabelecimento, em virtude das fortes chuvas ocorridas no período”, no entanto, em momento posterior, conseguiu encontrar algumas notas fiscais de venda, que demonstram a compatibilidade entre os preços declarados na importação e os preços pelos quais estas mesmas mercadorias foram revendidas no mercado interno; 7.Ao final de sua defesa, reitera seu pedido pela produção de todas as provas admitidas em Direito, especialmente a produção de prova contábil, solicitando que seja declarada a nulidade dos autos de infração, com a extinção do respectivo crédito tributário e o conseqüente arquivamento do processo. 8.Após adoção das providências ao seu encargo, a autoridade administrativa efetuou a remessa dos autos para esta DRJ/FOR, órgão competente para julgamento, em primeira instância, do presente litígio. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza/CE indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/FOR nº 6.650, de 12/08/05, (fls. 129/144), assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 08/05/1998 Ementa: PERÍCIAS. DILIGÊNCIAS. PRESCINDILIDADE. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos na legislação. Tornase prescindível o pedido de perícia contábil quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador. Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 08/05/1998 Ementa: VALORAÇÃO ADUANEIRA. DESCLASSIFICAÇÃO DO VALOR DE TRANSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE MÉTODO SUBSTITUTIVO DO AVA. Na falta de resposta ou sendo insuficientes as informações prestadas pelo importador para justificar o valor declarado como o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas, poderá a autoridade aduaneira decidir, com base em parecer fundamentado, pela impossibilidade da aplicação do método do valor de transação. Ficando demonstrada através do conjunto probatório dos autos a inexatidão dos elementos utilizados para determinação do valor aduaneiro declarado com base no 1º método (valor de transação), deverá ser procedida nova valoração com base em método substitutivo, obedecidas as normas previstas no Acordo de Valoração Aduaneira. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 13/05/1998 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.100371/200378 Acórdão n.º 9303002.027 CSRFT3 Fl. 309 7 Ementa: O lançamento do Imposto de Importação implica na exigência reflexa do IPI, uma vez que o valor daquele tributo compõe a base de cálculo deste. Lançamento Procedente. Às fls. 28/11/2005 o contribuinte foi intimado da decisão supra, motivo pelo qual apresenta Recurso Voluntário de fls. 156/172, aduzindo violação da ampla defesa e do contraditório, caso fortuito, equívoco na escolha do método de valoração aduaneira e decadência do direito de lançar os valores. Realizado o arrolamento de bens de fls. 173/222, foi dado seguimento ao recurso interposto. Julgando o feito, a câmara recorrida negou provimento ao recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo, em acórdão assim ementado. Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 08/05/1998 Ementa: VALORAÇÃO ADUANEIRA. DESCLASSIFICAÇÃO DO VALOR DE TRANSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE MÉTODO SUBSTITUTIVO DO AVA. Os métodos do AVA somente podem ser aplicados substitutivamente diante da impossibilidade da utilização do método anterior. Dessa maneira, na falta de resposta ou sendo insuficientes as informações prestadas pelo importador para justificar o valor declarado como o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas, resta autorizado o lançamento ex offício da diferença entre o tributo devido e o recolhido em cada importação, calculado mediante o uso da alíquota ad valorem e do valor aduaneiro apurado em conformidade com os métodos definidos no Acordo de Valoração Aduaneira (AVA). Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 13/05/1998 Ementa: O lançamento do Imposto de Importação implica na exigência reflexa do IPI, uma vez que o valor daquele tributo compõe a base de cálculo deste. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Irresignada, a autuada apresentou recurso especial, onde reitera o pedido relativo à decadência do direito de a Fazenda constituir o crédito tributário, e, caso ultrapassada essa questão, insurgese contra a aplicação do terceiro método do AVA. O Especial do sujeito passivo foi admitido pela então presidente da Câmara recorrida, que, após esclarecer que, quanto à decadência, o recorrente apresenta paradigmas, no entanto esta não é o mérito da questão, além do que este fato sobre a decadência, já foi discutido entre Fl. 328DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 as preliminares invocadas pelo recorrente, deu segmento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Vide despacho de fls. 289 a 292. Contrarrazões vieram às fls. 295 a 303. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A teor do relatado, Duas foram as questões trazidas no recurso especial apresentado pelo sujeito passivo: a da decadência e a do método de valoração aduaneira adotado pela Fiscalização. A então presidente da Câmara recorrida, após afirmar que o recorrente apresentou paradigmas relativos à questão da decadência, entendeu que essa não seria o mérito a ser discutido, além do que esse fato já havia sido discutido em preliminar, contudo, em seguida, deu segmento ao recurso especial do sujeito passivo. Nesse confuso despacho, podese entender que só a questão da valoração aduaneira fora admitida, já que a Digna Presidente da Câmara recorrida deixou de cotejar a decisão recorrida com os paradigmas apontados pelo sujeito passivo, além de haver despendidos os argumentos suso mencionado sobre não ser a decadência o mérito da questão a ser enfrentada, e desta ter sido examinada em preliminar. De outro lado, contraditoriamente, na parte dispositiva, ao dar segmento ao recurso especial do sujeito passivo, deixa entender que o apelo, em sua inteireza, fora admitido. Na realidade, predito despacho padece de nulidade por suas contradições inconciliáveis, todavia, para dar cumprimento ao disposto no § 3º do art. 59 do Decreto 70.235/1972, devese deixar de se pronunciar tal nulidade, visto que, no mérito, o auto de infração deve ser cancelado, justamente, em virtude da decadência, conforme demonstrarseá linhas abaixo. A Câmara recorrida entendeu que a alegação de decadência não mereceria prosperar posto que a data de início daquele prazo qüinqüenal se deu com o registro da DI, em 08/05/1998, tendo como prazo final a data de 08/05/2003, e que a recorrente teria sido intimada do termo de início de fiscalização em 17/03/2003, dentro do prazo decadencial de cinco anos, fls. 38, o que descaberia falar em perda do direito da Fazenda em lançar os valores que entende devidos. Esse entendimento seria corroborado pelo parágrafo único do art. 173 do CTN. Com as desculpas de praxe, penso que é totalmente equivocada a interpretação dada pela decisão recorrida ao dispositivo acima aludido, pois, o parágrafo único do art. 173, não interrompe o prazo de decadência, que aliás, como é de todos sabido, não se interrompe jamais. Na realidade, predito dispositivo só encontra aplicação nos casos em que o termo de inicio seria o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, e a autoridade fazendária, antes de iniciado a contagem, intima o sujeito passivo de medidas preparatórias do lançamento. Nessa hipótese, antecipase o dies a Fl. 329DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.100371/200378 Acórdão n.º 9303002.027 CSRFT3 Fl. 310 9 quo do primeiro dia do exercício seguinte para a data da intimação dos atos preparatórios do lançamento. Todavia, se essa intimação é posterior ao primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento já poderia haver sido efetuado, não gera qualquer alteração no termo inicial da decadência. Isso porque, uma vez iniciado o prazo decadencial, esse não se interrompe. Assim, ao contrário do afirmado na decisão recorrida, a intimação dada ao sujeito passivo acerca do termo de início de fiscalização, no caso sob exame, não afastou a decadência, cujo prazo continuou a correr. Afastada, pois, a incidência do parágrafo único do art. 173 do CTN, resta examinar a decadência à luz dos demais dispositivos que a regem. Com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do Carf, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser adotada aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Essa é, justamente, a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para restituição de indébito é de 5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento. No caso dos autos, houve antecipação do pagamento dos tributos em questão, haja vista o lançamento ter sido efetuado pelas diferenças entre o valor da operação e o apurado no terceiro método do Acordo de Valoração Aduaneira. Desta feita, em operação não sujeita a Regime Aduaneiro Especial, o termo inicial da decadência para constituir o crédito relativo à diferença do imposto pago e o efetivamente devido, é a data de ocorrência do fato gerador. Assim, considerando que a ciência do lançamento deuse em 26 de maio de 2003, e que o fato gerador ocorreu em 08 de maio de 1998, na data da ciência do lançamento, o crédito tributário encontravase decaído. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso do sujeito passivo para reconhecer a decadência do crédito tributário lançado de ofício. Henrique Pinheiro Torres Fl. 330DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13984.000272/00-81
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1990, 1991, 1992, 1993
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF. PEDIDO EFETUADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/05. PRAZO DE 10 ANOS, CONTADOS DO PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Segundo o entendimento do STF, no caso de pedido de restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118, de 2005, deve-se aplicar o prazo de 10 (dez) anos, contados a partir do pagamento indevido. Aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF.
No caso, o pedido de restituição foi protocolado em 23 de junho de 2000, o que significa que ocorreu a decadência do direito à restituição apenas dos pagamentos efetuados antes de 23 de junho de 1990.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a decadência do direito de pleitear restituição dos pagamentos efetuados a partir de 23 de junho de 1990, e determinar o retorno à Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem para enfrentamento do mérito.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1990, 1991, 1992, 1993 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF. PEDIDO EFETUADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/05. PRAZO DE 10 ANOS, CONTADOS DO PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Segundo o entendimento do STF, no caso de pedido de restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118, de 2005, deve-se aplicar o prazo de 10 (dez) anos, contados a partir do pagamento indevido. Aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF. No caso, o pedido de restituição foi protocolado em 23 de junho de 2000, o que significa que ocorreu a decadência do direito à restituição apenas dos pagamentos efetuados antes de 23 de junho de 1990. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1990, 1991, 1992, 1993 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF. PEDIDO EFETUADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/05. PRAZO DE 10 ANOS, CONTADOS DO PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Segundo o entendimento do STF, no caso de pedido de restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118, de 2005, devese aplicar o prazo de 10 (dez) anos, contados a partir do pagamento indevido. Aplicação do artigo 62A do Regimento Interno do CARF. No caso, o pedido de restituição foi protocolado em 23 de junho de 2000, o que significa que ocorreu a decadência do direito à restituição apenas dos pagamentos efetuados antes de 23 de junho de 1990. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a decadência do direito de pleitear restituição dos pagamentos efetuados a partir de 23 de junho de 1990, e determinar o retorno à Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem para enfrentamento do mérito. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 02 72 /0 0- 81 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13984.000272/0081 Acórdão n.º 2801002.832 S2TE01 Fl. 108 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA/PR. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Originouse o presente processo de pedido de restituição relativo ao Imposto de Renda sobre o Lucro Liquido (ILL), no valor total de R$ 8.796,05, conforme se vê de fls. 1 a 6. Esse pedido se fundamenta na declaração de inconstitucionalidade, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), do art. 35 da Lei n 2 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que instituiu referido tributo. Instruem o pedido, no essencial, procuração e cópias de Darfs e de atos societários (fls. 7 a 19). 0 pleito da interessada foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal de LajesSC, que exarou o despacho decisório de fls. 30 e 31, datado de 27/02/2003. Esse indeferimento teve como fundamento a decadência do direito de restituição. Inconformada com o indeferimento de seu pedido, do qual tomou ciência em 06/03/2003 (Aviso de Recebimento A.R. de fls. 32), apresenta a interessada, em 31/03/2003, manifestação de inconformidade de fls. 34 a 46, nela argumentando, em síntese: a) que os entendimentos expressos no Ato Declaratório SRF nº 96, de 1999, e no Parecer PGFN/CTN nº 1.538, de 1999, não se coadunam com a legislação pertinente à matéria, sendo inválidos; e b) que o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) é de que o prazo para restituição é de 10 (dez) anos.” A solicitação foi indeferida, conforme Acórdão de fls. 62/68, que restou assim ementado: RESTITUIÇÃO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO. DECADÊNCIA. 0 prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada Fl. 108DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13984.000272/0081 Acórdão n.º 2801002.832 S2TE01 Fl. 109 3 inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. RESTITUIÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Para efeito de interpretação do inciso I do art.168 da Lei n2 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (Cm), a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 12 do art. 150 da referida Lei. Regularmente cientificada daquele acórdão em 19/07/2006 (fl. 70), a interessada, representada por seu advogado (fl. 22) , interpôs recurso voluntário de fls. 71/99, em 03/08/2006. Em sua defesa, aduz que o Ato Declaratório SRF nº 96/99 traduz uma mudança do entendimento oficial sobre a definição do termo inicial de decadência na repetição de indébito tributário, quando exteriorizado por uma situação jurídica vinculada às decisões do Poder Judiciário. Alega que, no caso, o indébito materializouse com a edição da IN/SRF nº 63/97 que, estendendo os efeitos da Resolução do Senado Federal no 82/96, reconheceu o caráter indevido da exigência prevista no art. 35 da Lei 7.713/88 também em relação às sociedades por cotas de responsabilidade limitada, na hipótese de o contrato social não prever a distribuição imediata do lucro para os respectivos sócios. Sustenta que, segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiças, a extinção do crédito tributário operase com a homologação do lançamento, o que na prática resulta num prazo de 10 (dez) anos (5 anos para a homologação tácita e mais 5 anos para o exercício do direito). Entende que o art. 3° da Lei Complementar n° 118/2005 não tem nenhuma relação com os indébitos originários da declaração de inconstitucionalidade da norma tributária, pois guarda conformidade com os indébitos resultantes de situação de fato, principalmente por pagamento a maior. Pretende, assim, seja reformada a decisão de 1ª instância para reconhecer o seu direito à restituição dos pagamentos indevidos efetuados a título de ILL. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A questão em discussão referese aos efeitos da decadência no direito do interessado em obter restituição de tributo pago. O Supremo Tribunal Federal, enfrentando o tema, decidiu, em recente decisão, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), no seguinte sentido: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº Fl. 109DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13984.000272/0081 Acórdão n.º 2801002.832 S2TE01 Fl. 110 4 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Observese que, em relação ao termo e ao critério para incidência da referida legislação, o STF entendeu "válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9.6.2005", ou seja, indevida a retroatividade do prazo de prescrição qüinqüenal para o pedido de repetição do indébito relativo a tributo lançado por homologação. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13984.000272/0081 Acórdão n.º 2801002.832 S2TE01 Fl. 111 5 A referida decisão do STF deve ser aplicada por este colegiado, em obediência ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes No presente caso, o pedido de restituição do Imposto na Fonte sobre o Lucro Líquido foi protocolizado em 23/06/2000. Regese, portanto, pelo prazo decenal. Como os recolhimentos indevidos a que se refere ocorreram no período entre 30/04/1990 a 31/03/1993, é de se reconhecer que ocorreu a decadência do direito à restituição apenas dos pagamentos efetuados antes de 23 de junho de 1990 Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para afastar a decadência do direito de pleitear restituição dos pagamentos efetuado a partir de 23 de junho de 1990, e determinar o retorno à Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem para enfrentamento do mérito. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 111DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13766.000511/2005-34
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2001 DCTF. MULTA MÍNIMA.
A multa mínima, aplicada ao contribuinte que não se desincumbe a contento de entregar a DCTF tempestivamente, não tem o caráter confiscatório que se lhe pretendia imprimir, não só por estar devidamente prevista no direito positivo, mas também por ser, hodiernamente, em valor razoável e compatível com a sanção por descumprimento de obrigação tributária acessória, sob pena de não ter qualquer efeito sua aplicação, seja punitiva ou preventivamente.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 302-39.296
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, relator. Designado para redigir o acórdão o Conselheiro Corintho Oliveira Machado.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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Numero do processo: 19515.000477/2003-74
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
SUSPENSÃO DE PROCESSO ADMINISTRATIVO.
O processo administrativo deve seguir seu curso normal, pois a sua análise, naquilo que não for concomitante com o feito judicial, independe do resultado da ação. Não há qualquer relação de prejudicialidade entre um e outro processo, pois o eventual resultado final da ação judicial a favor do sujeito passivo não condiciona os julgados administrativos, mas sim sobre eles prevalece.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALIDADE.
A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2201-002.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de concomitância com processo judicial, vencido o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ricardo Anderle (Suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 SUSPENSÃO DE PROCESSO ADMINISTRATIVO. O processo administrativo deve seguir seu curso normal, pois a sua análise, naquilo que não for concomitante com o feito judicial, independe do resultado da ação. Não há qualquer relação de prejudicialidade entre um e outro processo, pois o eventual resultado final da ação judicial a favor do sujeito passivo não condiciona os julgados administrativos, mas sim sobre eles prevalece. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALIDADE. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
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O processo administrativo deve seguir seu curso normal, pois a sua análise, naquilo que não for concomitante com o feito judicial, independe do resultado da ação. Não há qualquer relação de prejudicialidade entre um e outro processo, pois o eventual resultado final da ação judicial a favor do sujeito passivo não condiciona os julgados administrativos, mas sim sobre eles prevalece. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALIDADE. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de concomitância com processo judicial, vencido o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 04 77 /2 00 3- 74 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ricardo Anderle (Suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 1999, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 73/86, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 271.684,47. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: Preliminarmente, em razão do mandado de segurança impetrado junto ao D. Juízo da 7ª Vara da Justiça Federal, processo nº 2002.61.000253489, onde se questiona a legalidade do procedimento adotado pela fiscalização, mandado de segurança em fase de julgamento, requer seja suspenso o prosseguimento do presente procedimento administrativo até que há a decisão judicial, em definitivo. É advogada e todos os créditos recebidos e movimentados em sua conta bancária são feitos na qualidade de mandatária de seus clientes. Não são créditos da impugnante. Praticamente sua receita decorre do patrocínio de ações judiciais e cobranças extra judiciais intentadas para a sua clientela. Pode se afirmar que os valores recebidos em conta corrente de valores inferiores a R$ 500,00 referemse a adiantamento de custos e despesas processuais ou ressarcimento de custas de despesas processuais. Em alguns casos, quando são efetivadas perícias, editais, imissões na posse, etc. valores maiores são depositados em sua conta corrente.. Toda vez que a impugnante efetiva um levantamento judicial ou cobrança extra judicial, efetua o depósito em sua conta corrente bancária e depois repassa o valor para o cliente. Nesse exercício recebeu de empréstimo e doação cerca de R$ 50.000,00 de seu irmão Eiti Sato. Também seu outro irmão Rues Sussumi Sato colaborou com empréstimo e doação. Em razão do tempo decorrido, tanto a impugnante como seus irmãos, ainda não conseguiram localizar a documentação que indique o valor doado e emprestado. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.000477/200374 Acórdão n.º 2201002.042 S2C2T1 Fl. 3 3 Apurou, também, que neste exercício vendeu um imóvel de sua propriedade no valor de R$ 40.000,00, conforme escritura anexa. A legislação que permitiu o exame da documentação financeira e bancária teve vigência a partir do ano 2001, de forma que para o anocalendário 1998 como não era permitido tal acesso, não estava preparada para confrontar dados, receitas, não tendo, por óbvio, arquivado documentação comprobatória da exigência fiscal. Observese a ilegalidade na consideração do valor de R$ 10.828,50, onde conta o histórico como liberação de veículo, no banco 237, agência. 131 em 09/06/1998, como sendo receita tributável. A alienação de um veículo não pode ser considerada renda, mas mero ganho de capital, se efetivamente desse lucro na alienação. Está evidenciada a total ilegalidade do auto de infração. Não foram excluídos os valores de R$ 10.828,50 (liberação de veículo) e R$ 40.000,00 (venda de imóvel). Também, o valor que deveria ser desprezado para não considerar como receita ou renda, não seria valores inferiores a R$ 500,00, mas sim os valores inferiores a R$ 12.000,00 limitado ao valor anual de R$ 80.000,00, conforme §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. E, mais, foi considerado o extrato bancário do banco Banespa, lançando todos os créditos como receita, quando este mesmo Banco declarou expressamente que não consta movimento em c/c no período de janeiro a dezembro de 1998, na conformidade do documento em anexo. É tradicional a jurisprudência que decreta a ilegalidade do procedimento fiscal em que se baseia exclusivamente em depósitos e extratos bancários. Os Tribunais não aceitam a presunção, baseada exclusivamente em depósitos e extratos, de omissão de receita. O arbitramento da receita, efetivado com base apenas em depósitos bancários é inválido, ilegal. Apresenta vasta jurisprudência judicial sobre o assunto. Requer, assim, o cancelamento do auto de infração. A 2ª Turma da DRJ em Santa Maria/RS julgou procedente em parte o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: CONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre a constitucionalidade ou legalidade de leis. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 01/01/1997, os valores depositados em instituições financeiras, de origem não comprovada pelo contribuinte, passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Em relação ao julgamento singular, destacase: Com a impugnação, foi apresentado os comprovantes de depósitos de fls. 105 a 113. O documento apresentado à fl. 108, comprova que o depósito no valor de R$ 800,00, em 08/05/1998, referese a ressarcimento de despesas processuais, devendo ser excluído do lançamento. Quanto aos demais comprovantes de depósitos apresentados, todos são de valores inferiores a R$ 500,00 e portanto não incluídos no lançamento. Em relação à venda de um imóvel da contribuinte, verificase pela escritura – fls. 117 e 118 – que referido imóvel foi alienado pelo valor de R$ 40.000,00, tendo o valor sido recebido em 09/09/1998. Observase que não pode ser aceita a alegação da contribuinte, pois em setembro de 1998 não houve nenhum depósito no valor de R$ 40.000,00. Deveria haver a comprovação de que determinado depósito corresponderia à venda efetuada naquela data ou em data próxima. Isso, no entanto, não foi feito, pois o contribuinte alega o fato, genericamente. No que tange a alegação de empréstimos efetuados a contribuinte pelos seus irmãos, salientese que não obstante as doações e empréstimos entre irmãos sejam quase sempre informais, para efeitos fiscais devem ser comprovadas, por comprovante de depósito ou emissão de cheque nominativo, dando conta da transferência do numerário.. No caso em questão, a interessada quer fazer prova do recebimento dos empréstimos, simplesmente trazendo aos autos uma declaração firmada pelos pretensos doadores em janeiro de 2003, há mais de quatro anos da data em que teria sido efetivada. Não podem ser aceitos documentos particulares, sem registro em cartório e sem autenticação de assinaturas, formalidades essas relevantes, porque, quando existentes, constituem um reforço para a credibilidade das operações, além de conferir certeza, no mínimo, à data em que o documento foi efetivamente firmado. É um equívoco o raciocínio de que a informalidade dos negócios celebrado entre as partes pode eximir o contribuinte de apresentar prova da efetividade das transações. Tal informalidade diz respeito, apenas, a garantias mútuas que deixam de ser exigidas em razão da confiança entre as partes, mas não se pode querer aplicar a mesma informalidade ou vínculo de confiança na relação do contribuinte com a Fazenda Pública. Entretanto, quanto ao crédito sob o histórico Lib. Veículo outros bens, no valor de R$ 10.828,50, em 09/06/1998, assiste razão à impugnante, pois não há como considerar como depósito de origem não comprovada um valor referente à alienação de veículo. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.000477/200374 Acórdão n.º 2201002.042 S2C2T1 Fl. 4 5 Finalmente, não procede o argumento da impugnante quanto aos créditos no Banco Banespa, conta corrente 0248/01/025364/7, pois conforme Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do auto de infração, os depósitos nesta conta corrente não foram objetos de lançamento. Destarte, após a análise das justificativas bem como dos documentos apontados pela impugnante, são aceitos como de origem efetivamente comprovada os depósitos nos valores de R$ 800,00, em ,08/05/1998, e de R$ 10.828,50, em 09/06/1998. Desta forma, deve ser cancelado o imposto no valor de R$ 3.197,84 (R$ 11.628,50*27,5%). Intimada da decisão de primeira instância em 15/05/2008 (fl. 141), Tereza Hideko Sato Hayashi apresenta Recurso Voluntário em 16/06/2008 (fls. 144 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, relativamente a fatos ocorridos no anocalendário de 1998. Antes de adentrarmos no mérito da questão cumpre examinar, de antemão, a preliminar de concomitância arguida pela defesa. Alega a recorrente, em linhas gerais, que por meio do mandado de segurança o Juiz Federal, Dr. Djalma Moreira Gomes, afastou a exigência feita pela Receita Federal, não só quanto o Procedimento Fiscal (08.1.902001034874), como também de outros porventura instaurados, relativamente ao imposto de renda de pessoa física do exercício de 1999, ano base 1998, determinando, inclusive, a exclusão dos dados sobre a movimentação financeira da recorrente. Assevera, ainda, que “há impedimento judicial para o prosseguimento do processo administrativo em razão do mandado de segurança. O mandado de segurança objetivou a suspensão da cobrança e que, por isso, o julgamento não poderia ter ocorrido em razão da concessão da segurança”. Em que pese a irresignação da contribuinte, a preliminar suscitada não merece acolhimento. No caso dos autos, penso que o processo administrativo deve seguir seu curso normal, pois a sua análise, naquilo que não for concomitante com o feito judicial, independe do resultado da ação. No caso em apreço, não há qualquer relação de prejudicialidade entre um e outro processo, pois o eventual resultado final da ação judicial a favor do sujeito passivo não condiciona os julgados administrativos, mas sim sobre eles prevalece. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Nessas condições, entendo que o pedido de suspensão do julgamento administrativo até o trânsito da ação judicial não merece acolhida. No mérito, a presente omissão de rendimentos está sendo exigida do contribuinte em vista a existência de depósitos bancários de origem não comprovada, com base na presunção legal estabelecida no art. 42, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo supra, basta ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origens não comprovadas para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao Fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Existe normalmente uma grande quantidade de ações e negócios não formais efetuados pelo contribuinte, na maioria das vezes marcada pela inexistência de prova documental, razão pela qual a lei desincumbiu a autoridade fiscal de provar sua ocorrência. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, tem se a autorização para considerar ocorrido o fato gerador na forma do artigo 43 do Código Tributário Nacional1. Passando as questões pontuais de mérito, alega a suplicante que é advogada e que recebia, em sua conta bancária, valores relativos a despesas processuais (custas, honorários periciais, imposto "causa mortis", etc.), para posterior recolhimento. Assim, todos os créditos aportados e movimentados em sua conta bancária são efetuados na qualidade de mandatária de seus clientes, não sendo, consequentemente, seus os créditos. Além do mais, afirma que vendeu um imóvel no valor de R$ 40.000,00, conforme escritura de fls. 117/118, razão pela qual o referido valor deve ser excluído da exigência. Por fim, aduz que “os Membros Julgadores da 2ª Turma, não analisou individualmente cada crédito, considerando apenas os valores inferiores a R$ 500,00 como sendo não tributável, quando deveria considerar os valores inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), limitado ao valor anual de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), em afronta a Lei 9.481, de 13 de agosto de 1997, e § 3°, inciso II do art. 42 da Lei do Ajuste Fiscal – Lei 9.430/96”. Pois bem, compulsandose os autos, constato, pois, da mesma forma que a autoridade recorrida, que o valor de R$ 40.000,00, relativo à venda de um imóvel, não transitou pela conta bancária da suplicante, razão pela qual não há como excluílo. Com efeito, conforme se observa da Escritura de Compra e Venda lavrada à fl. 62, o valor foi recebido em “moeda corrente nacional”. Neste caso, para a exclusão do referido valor, deveria a contribuinte estabelecer uma vinculação entre o crédito em conta e o montante recebido pela venda do imóvel. Na presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 1 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.000477/200374 Acórdão n.º 2201002.042 S2C2T1 Fl. 5 7 9.430/1996, não há como considerar como comprovada a origem apenas com a indicação genérica da fonte do crédito. No que tange a suposta infringência ao art. 42, § 3º, II da Lei nº 9.430/1996, verificase às fls. 78/80 que, no anocalendário 1998, os depósitos sem comprovação de origem totalizaram R$ 425.801,85, valor este superior ao limite de R$ 80.000,00 do art. 42, § 3º, II da Lei nº 9.430/1996. Ressaltese que a determinação contida no referido dispositivo legal é de que, para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados, no caso de pessoa física, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). Frisese que as decisões judiciais trazidas à colação, relativamente a Súmula nº 182 do antigo TRF, ocorreram sob vigência da Lei nº 8021/1990, não sendo mais aplicáveis aos dias atuais. A mudança do estado de direito da matéria se fez através da Lei n° 9.430/1996, que concedeu aos depósitos bancários força jurídica para suportar o lançamento. Afastar esta assertiva dependeria da recorrente que é quem detém, com propriedade, a verdade e as provas dos fatos. Destarte, pelos fundamentos expostos, entendo que a exigência tributária em exame deve ser mantida. Ante ao exposto, voto por rejeitar a preliminar de concomitância e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 197DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 19515.000886/2006-13
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ART. 42 LEI 9.430. PRESUNÇÃO VÁLIDA. FATO GERADOR. PESSOA FÍSICA. A comprovação da existência de depósitos bancários na conta do contribuinte sem que haja comprovação de origem que os configure como já tributados ou não-tributáveis autoriza o lançamento de Imposto de Renda com base em omissão de rendimentos configurada por depósitos bancários sem origem justificada. Tal presunção não possui limitação em relação ao critério pessoal, podendo ser inclusive imputada a pessoas físicas. No entanto, uma vez comprovadas as origens através de suporte probatório suficiente, os depósitos devem ser desconsiderados como omissão. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS VIOLADOS. PROCESSO ADMINISTRATIVO. A análise de constitucionalidade de ato que ocorreu de acordo com as normas de direito tributário demanda a análise de constitucionalidade destas normas, o que é vetado neste Conselho. (Súmula CARF nº 2) Recurso voluntário parcialmente provido
Numero da decisão: 2202-001.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência, relativo ao ano-calendário de 2001, o valor de R$ 345.170,09. Vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga e Antonio Lopo Martinez, que negavam provimento ao recurso (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann - Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Julianna Bandeira Toscano, Rafael Pandolfo e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Junior, Odmir Fernandes e Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ART. 42 LEI 9.430. PRESUNÇÃO VÁLIDA. FATO GERADOR. PESSOA FÍSICA. A comprovação da existência de depósitos bancários na conta do contribuinte sem que haja comprovação de origem que os configure como já tributados ou não-tributáveis autoriza o lançamento de Imposto de Renda com base em omissão de rendimentos configurada por depósitos bancários sem origem justificada. Tal presunção não possui limitação em relação ao critério pessoal, podendo ser inclusive imputada a pessoas físicas. No entanto, uma vez comprovadas as origens através de suporte probatório suficiente, os depósitos devem ser desconsiderados como omissão. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS VIOLADOS. PROCESSO ADMINISTRATIVO. A análise de constitucionalidade de ato que ocorreu de acordo com as normas de direito tributário demanda a análise de constitucionalidade destas normas, o que é vetado neste Conselho. (Súmula CARF nº 2) Recurso voluntário parcialmente provido
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Recorrente ALFREDO GOMES FERRAZ FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ART. 42 LEI 9.430. PRESUNÇÃO VÁLIDA. FATO GERADOR. PESSOA FÍSICA. A comprovação da existência de depósitos bancários na conta do contribuinte sem que haja comprovação de origem que os configure como já tributados ou nãotributáveis autoriza o lançamento de Imposto de Renda com base em omissão de rendimentos configurada por depósitos bancários sem origem justificada. Tal presunção não possui limitação em relação ao critério pessoal, podendo ser inclusive imputada a pessoas físicas. No entanto, uma vez comprovadas as origens através de suporte probatório suficiente, os depósitos devem ser desconsiderados como omissão. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS VIOLADOS. PROCESSO ADMINISTRATIVO. A análise de constitucionalidade de ato que ocorreu de acordo com as normas de direito tributário demanda a análise de constitucionalidade destas normas, o que é vetado neste Conselho. (Súmula CARF nº 2) Recurso voluntário parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência, relativo ao anocalendário de 2001, o valor de R$ 345.170,09. Vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga e Antonio Lopo Martinez, que negavam provimento ao recurso (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 08 86 /2 00 6- 13 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 2 Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Julianna Bandeira Toscano, Rafael Pandolfo e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Junior, Odmir Fernandes e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000886/200613 Acórdão n.º 2202001.914 S2C2T2 Fl. 224 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização O recorrente foi intimado em 11/01/06 a apresentar os seguintes documentos: a) extratos bancários relativos à conta no Banco Bradesco S/A que movimentou R$ 806.524,86 no anocalendário de 2001 e R$ 485.659,04 no anocalendário de 2002; b) provas da origem dos recursos depositados nas contas bancárias; c) provas de que os valores especificados foram tributados. Em 31/01/06, o recorrente apresentou os extratos bancários e requereu prorrogação do prazo em 20 dias para a apresentação dos demais documentos. Em 02/03/06, o recorrente foi intimado novamente. Esta intimação trazia a lista detalhada de depósitos sem origem identificada que o recorrente deveria justificar. Em 21/03/06, o recorrente respondeu à intimação apresentando e expondo o que segue: a) uma série de depósitos corresponde a cheques devolvidos ou estornados (tabela à fl. 48); b) o depósito de R$ 0,85 em 14/09/01 foi realizado pela Receita Federal, oriundo de devolução de tributos pagos a maior; c) vendeu em 10/12/00 direitos de parceria sobre 446 cabeças de gado Nelose macho a Affonso Cáfaro, excunhado do recorrente, pelo valor de R$ 105.000,00. Em 15/12/00, foi efetuado novo negócio entre as mesmas partes, onde o recorrente vendeu direitos de parceria sobre 1.000 cabeças de gado Nelore macho, pelo valor de R$ 255.000,00. Ou seja, ao fim do ano de 2000, o recorrente possuía um crédito de R$ 360.000,00 em relação ao Sr. Affonso Cáfaro, crédito este registrado nas declarações de ambos; d) não obstante o negócio tenha ocorrido em 2000, os pagamentos só foram efetuados ao longo do ano de 2001, tendo sofrido ajuste pelo IGPM (de aproximadamente 9,2% de janeiro a outubro de 2001) equivalente a R$ 30.000,00 que foi pago em novembro/2001, conforme depósitos identificados em tabela às fls. 50 e 51; e) além do dinheiro recebido das vendas de gado, o recorrente ainda auferiu renda no anocalendário equivalente a R$ 17.144,00 pelo desempenho de sua função principal: vendedor autônomo. Sobre tal rendimento, o recorrente recolheu carnêleão; Fl. 225DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 4 f) durante o anocalendário de 2002, o recorrente percebeu parte do pagamento efetuado por Othelo Participações Ltda. decorrente da venda de quotas da sociedade Panfilm Embalagens Ltda., conforme consta na DIRPF; g) adicionalmente, o recorrente auferiu renda de R$ 17.593,83 a partir de sua atividade principal, vendedor autônomo. Sobre tal rendimento, o recorrente recolheu carnê leão. 2 Auto de Infração A partir dos extratos do recorrente e da análise das justificativas dadas, o Fisco lavrou auto de infração (fls. 8591) por omissão de rendimentos apurados com base em rendimentos bancários sem origem definida nos anoscalendário de 2001 e 2002. O crédito tributário constituído foi de R$ 429.060,08, incluídos imposto, multa de 75% e juros. De acordo com o termo de verificação fiscal (fls. 7984), alguns dos depósitos relativos a cheques devolvidos já haviam sido excluídos do cálculo, e um dos depósitos seria em dinheiro, não sendo passível de estorno. Quanto à venda de participação sobre cabeças de gado Nelore macho, a justificativa foi afastada por falta de comprovação da celebração do negócio, como contrato de compra e venda, embora haja compatibilidade entre as declarações apresentadas. Não puderam ser identificados os depósitos que correspondiam à atividade de vendedor do recorrente. Por fim, foi excluída a quantia de R$ 0,85 referente à devolução de tributo pago a maior da lista de depósitos. O recorrente foi notificado do auto de infração em 11/05/06. 3 Impugnação O recorrente, discordando do resultado da fiscalização, apresentou impugnação (fls. 94108) em 12/06/06, esgrimindo os seguintes argumentos: a) o auto de infração é nulo, pois foi lavrado em 04/05/06, referindose a termo de verificação fiscal da mesma data, enquanto que o termo de verificação fiscal que o recorrente recebeu foi lavrado em 04/05/05, antes até da primeira intimação. Esta disparidade na descrição do fato impossibilita a defesa do contribuinte, que não teve acesso ao AIIM que baseou o auto de infração; b) ainda, em relação à nulidade, o auto de infração, ao rejeitar os pagamentos recebidos do Sr. Cáfaro como origem, referese a um tal de Sr. Amaury, pessoa que o recorrente desconhece. Estes erros na descrição fatos confundem o recorrente, e impedem uma defesa razoável; c) o histórico das negociações relativas a direitos sobre gado é a seguinte: c.1.) o recorrente firmou contrato em 15/06/97 com o Sr. Alcery Abrahão Dutra, construindo parceria agropecuária, vinculando 1.000 cabeças de gado de diversos tipos e qualidade, como declarado no ano exercício de 1998, anobase de 1997; Fl. 226DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000886/200613 Acórdão n.º 2202001.914 S2C2T2 Fl. 225 5 c.2) em 10/02/98, nova parceria foi firmada com o Sr. Alcery, desta vez em relação a 980 cabeças de gado, conforme declarado no exercício de 1999, ano base 1998; c.3) no ano seguinte, o último acordo foi reduzido para 466 cabeças de gado; c.4) em 10/12/00, ocorreu a cessão onerosa das 466 cabeças de gado Nelore macho do último contrato firmado com o Sr. Alcery, para o Affonso Cáfaro, por R$ 105.000,00, pagos durante o ano de 2001; c.5) em 15/12/00, o impugnante vendeu seus direitos na parceria sobre 1.000 cabeças de gado a Affonso Cáfaro por R$ 255.000,00, pagos durante o ano de 2001; d) por serem do círculo familiar à época – Affonso Cáfaro é excunhado do recorrente –, os únicos instrumentos formais que atestam a cessão de direitos são instrumentos particulares assinados pelos dois negociantes (fls. 132 e 133). No entanto, os instrumentos particulares, junto aos depósitos bancários e a simetria das declarações de imposto de renda demonstra a existência do negócio; e) os R$ 360.000,00 do negócio foram pagos, com correção monetária, conforme as tabelas de fls. 103 a 105; f) devem ser excluídos R$ 17.144,00 em relação ao anocalendário de 2001 e R$ 17.593,83 em relação ao anocalendário de 2002, referentes aos rendimentos já tributados via carnêleão e decorrentes da atividade de vendedor autônomo; g) o recorrente vendeu suas participações societárias na Panfilm Embalagens Ltda. para a Othelo Participações Ltda em 04/07/97, tendo parte do crédito sido recebido em 2002, mas não pode ser tributado, pois o valor é inferior à venda, logo não houve ganho de capital. Em anexo à impugnação, foram juntados os seguintes documentos: a) Declaração de bens e direitos (fl. 129) em 19961997; b) Declaração de bens em direitos (fl. 130) em 19971998; c) Declaração de bens e direitos (fls. 131) em 19981999; d) Instrumento de Cessão de Direitos de Contrato de Parceria a Affonso Cáfaro, mediante pagamento de R$ 105.000,00 (fl. 132); e) Instrumento de Cessão de Direitos de Contrato de Parceria a Affonso Cáfaro, mediante pagamento de R$ 255.000,00 (fl. 133); f) DARF’s de recolhimento de carnêleão (fls. 138145); g) Alteração de Contrato Social da Panfilm Embalagens Ltda. (fls. 146 147). Fl. 227DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 6 4 Acórdão da DRJ A 2ª Turma da DRJ de Belém julgou (fls. 156169), por unanimidade, improcedente a impugnação do recorrente, com base nos seguintes fundamentos: a) os vícios apontados pelo recorrente em sua impugnação não importam nulidade do auto de infração, pois não são causas listadas no Decreto 70.235/72; b) o lançamento foi efetuado com base em presunção legal introduzida no sistema pelo art. 42 da Lei 9.430/96, que permite ao Fisco lançar imposto de renda sobre depósitos bancários sem origem comprovada; c) desconsidera a alegação da negociação de participação em cabeças de gado, uma vez que pífias as alegações apresentadas pelo impugnante no sentido de que realizou operações de consideráveis valores, sem a emissão de documentos, além de que, se fossem realmente existentes, deveriam ser tributados como rendimentos de exploração de atividade rural, ao invés de ganho de capital; d) desconsidera as origens da venda de quotas e de rendimentos do trabalho, uma vez que não foram identificados os depósitos relacionados ao negócio. Ainda, acerca das quotas, foram desconsideradas pois a alteração no contrato social consta que “o sócio retirante retirase da sociedade dandose por satisfeito, recebendo ao mesmo tempo quitação da sociedade e dos sócios remanescentes”, ou seja, a quitação teria se dado à época da saída da empresa, em 1997. 5 Recurso Voluntário Notificado do resultado do julgamento na DRJ em 30/06/09, o recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 178) em 29/07/09, reiterando os argumentos alinhados em sua impugnação, adicionando os seguintes fatos: a) inocorreu omissão, pois todos os valores presentes nas contas bancárias estão declarados na DAA do recorrente. Deste modo, a autuação deveria, se existente, ser relativa ao não recolhimento de IRPF sobre o ganho de capital nos contratos entre o recorrente e o Sr. Affonso Cáfaro; b) a decisão em nenhum momento afastou a legalidade ou a possibilidade jurídica dos contratos, apenas os considerou insuficientes à comprovação da ocorrência dos negócios jurídicos de venda de parceria sobre cabeças de gado; c) se a autuação se baseou em presunções, não podem elas subsistir quando são comprovados os fatos alegados; d) ademais, se o Fisco queria provas específicas, deveria ter referido exatamente quais, ao invés de se restringir a desqualificar as provas apresentadas; e) pelo lançamento ter sido realizado somente em maio de 2006, decaiu o direito da Fazenda de lançar tributo relativo aos períodos de 01/01/01 e maio de 2001; f) a presunção de omissão com base em depósitos bancários, embora permitida, não pode ocorrer desacompanhada da comprovação de sinais exteriores de riqueza; Fl. 228DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000886/200613 Acórdão n.º 2202001.914 S2C2T2 Fl. 226 7 g) a cessão foi relativa a direitos sobre cabeças, não venda das próprias cabeças de gado, ou seja, não existem notas fiscais que amparem tal venda, pois não houve venda de mercadoria. Assim, a comprovação mediante notas fiscais seria impossível; h) quando o contrato social refere que os sócios remanescentes dão quitação ao sócio retirante, isto significa que o recorrente não possui mais obrigações para com a sociedade, mas a recíproca não é verdadeira, tanto que o recorrente somente veio a receber os valores posteriormente; i) é irrazoável pedir ao recorrente que, passados cinco anos, proceda com a identificação de todos os depósitos provenientes de sua atividade de vendedor autônomo, os valores declarados como renda deveriam simplesmente ser excluídos da autuação; j) o recorrente não sonegou imposto, e merece ter sua multa revista; k) é inadequada a utilização da taxa SELIC como indexador dos juros. É o relatório. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 8 Voto Conselheiro Relator Rafael Pandolfo O recurso atende aos requisitos legais do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. O recurso traz cinco questões a serem analisadas: decadência parcial, alegadas vendas de participação em cabeças de gado, alegada venda de quotas da empresa Panfilm Embalagens Ltda, alegada renda auferida como vendedor autônomo, plausibilidade da multa e aplicação da taxa SELIC. Deste modo, passo à análise tópica. 1 Da Decadência Alega a recorrente que o direito de constituição do crédito tributário em análise teria precluído em relação ao período de 1º de janeiro a maio do ano de 2001, em razão da aplicação do §4º, do art. 150, do CTN, vez que o fato gerador do imposto seria mensal. O Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) é tributo sujeito ao lançamento por homologação, modalidade de lançamento em que o contribuinte antecipa o pagamento do tributo e declara o montante devido ao Fisco, ficando esse procedimento sujeito à posterior homologação por parte da Fazenda Pública. Não havendo qualquer ato que expressamente homologue a declaração efetuada pelo contribuinte e o respectivo pagamento, ainda que parcial, o procedimento considerase tacitamente homologado após o transcurso do prazo de 5 anos contados da data do fato gerador, nos termos do que dispõe o §4º, do art. 150, do CTN. Passado esse prazo, salvo em caso de comprovação de dolo, de fraude ou de simulação, o direito de efetuar eventual lançamento de ofício encontrase atingido pela decadência. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça, analisando o assunto no rito previsto no art. 543C, do Código de Processo Civil, cuja decisão é de observância obrigatória por esta Colenda Corte, nos termos do art. 62 A do Regime Interno, entendeu que, no caso de tributo sujeito ao lançamento por homologação em que não ocorre o pagamento antecipado, é aplicado o prazo previsto no art. 173, inciso I, do CTN, para contagem da decadência, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento Fl. 230DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000886/200613 Acórdão n.º 2202001.914 S2C2T2 Fl. 227 9 antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). Grifamos. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 10 Conforme se verifica na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário de 2001 (fl. 5), houve recolhimento antecipado, fato que, conforme o entendimento jurisprudencial consolidado, atrai a incidência do art. 150, §4º, do CTN. Não obstante, tendo ocorrido em 11/05/06 a notificação do lançamento, não há que se falar em decadência. Quanto ao argumento de que o fato gerador na apuração de acréscimo patrimonial a descoberto se daria mensalmente, não assiste razão ao recorrente. É que, como bem salientou a decisão recorrida, apesar de a Lei nº 7.713/88 determinar que os acréscimos patrimoniais não declarados devam ser apurados mensalmente, tais valores caracterizamse meras antecipações, já que o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física somente se verifica no último dia do exercício, em 31 de dezembro. Nesse sentido é o entendimento pacífico dessa E. Corte: Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 10616064 do Processo 10845004198200292 Data: 24/01/2007 IRPF DECADÊNCIA ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. A omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurada em base mensal e tributados anualmente, razão pela qual o fato gerador se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN). FORMA DE APURAÇÃO TRIBUTAÇÃO MENSAL A partir do anocalendário 1989, o acréscimo patrimonial não justificado deve ser apurado mensalmente, confrontandose os rendimentos do respectivo mês, com transporte para os períodos seguintes dos saldos positivos de recurso, conforme determina o artigo 2º da Lei nº 7.713, 1988. PROVAS Não tendo o contribuinte logrado comprovar integralmente a origem dos recursos capazes de justificar o acréscimo patrimonial, através de rendimentos tributáveis, isentos ou tributáveis exclusivamente na fonte, é de se manter o lançamento de ofício. Recurso negado. (Grifamos) Portanto, não merece ser acolhida a preliminar de decadência com relação aos depósitos anteriores a maio de 2001. 2 Da Impossibilidade de Configurar Depósitos Bancários como Fato Gerador do Tributo Não possui razão o Recorrente ao asseverar pela impossibilidade de caracterização do depósito bancário como fato gerador do Imposto de Renda. Vejase que, anteriormente à Lei n° 8.021/90, assentouse que os depósitos bancários, por si só, não representavam rendimentos a sofrer a incidência do imposto de renda. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000886/200613 Acórdão n.º 2202001.914 S2C2T2 Fl. 228 11 Nesta senda, o Tribunal Federal de Recursos sumulou entendimento com esta exata interpretação (Súmula 182 do TFR), bem como o art. 90, VII, do DecretoLei n° 2.471/88 determinou o arquivamento de processos administrativos que controlassem débitos de imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou comprovantes de depósitos bancários. Entretanto, com o advento do art. 6°, § 5°, da Lei n° 8.021/90, autorizouse o arbitramento de rendimentos com base em depósitos ou aplicações em instituições financeiras, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza, quando o contribuinte não pudesse comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Porém, para incidência do imposto de renda sobre a hipótese em debate, a jurisprudência administrativa passou a obrigar que a fiscalização comprovasse o consumo da renda pelo contribuinte, representada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados. Este cenário foi profundamente alterado pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96, com incidência sobre os fatos geradores ocorridos a partir de 1°/01/97. O art. 42 da Lei 9.430/96 estipula, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. “ Tratase de presunção legal, que permite à Fazenda tributar depósitos bancários sem origem e/ou tributação justificados, cabendo prova em contrário, por parte da contribuinte. Como bem ensina Alfredo Augusto Becker, presunção é o resultado de processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável (Teoria Geral do Direito Tributário, 3. ed. São Paulo : Lejus. 1998. pg. 508). No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. Tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo, a existência de depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação; logo, omitido o fato desconhecido de existência provável. Por ser presunção relativa, é necessário que o contribuinte seja intimado regularmente, principalmente do resultado da apuração dos depósitos discriminados individualmente, de modo a possibilitar a defesa, o que ocorreu no presente procedimento. Com a novel legislação acima, a jurisprudência administrativa chancelou as autuações que imputavam aos contribuintes o imposto de renda sobre a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Esse entendimento encontrase pacificado no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 12 Como exemplo, por todos, vejase o Acórdão n° CSRF/0400.164 (Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais), sessão de 13 de dezembro de 2005, relatora a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, unânime, que restou assim ementado: IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei e. 9.430, de 1996). De tal sorte, não assiste razão ao Recorrente neste ponto, tendo em vista a plena aptidão de depósitos bancários sem origem comprovada para configurar omissão de rendimentos e, portanto, omissão do fato gerador do Imposto de Renda. 3 Da Venda de Participação em Cabeças de Gado O recorrente afirma que grande parte dos depósitos destacados pela Fiscalização, referentes ao anocalendário de 2001, tem como origem a venda de participações em cabeças de gado a Affonso Cáfaro, no total de R$ 360.000,00, acrescidos de correção monetária, já que o negócio teria ocorrido ao final do ano de 2000, e o pagamento realizado em parcelas ao longo de 2001. O recorrente recontou o histórico destas participações adquiridas entre 1997 e 1998, que foram negociadas junto ao Sr. Alcery. Posteriormente, tais participações em cabeças de gado Nelore foram cedidas mediante pagamento para seu excunhado Affonso Cáfaro. Como evidências, o recorrente traz suas declarações que retratam a aquisição (fls. 129131) e a venda (fls. 134 135) das participações. Adiante, demonstra que apurou no anocalendário de 2000 ganho de capital na operação no valor de R$ 10.000,00 (fls. 136137). Além disso, apresentou os instrumentos particulares de cessão (fls. 132133). Deste modo, podese dizer que as operações foram claramente declaradas à Fazenda, tendo sua efetividade no campo financeiro sido comprovada pelos depósitos identificados pelo recorrente como sendo relativos à negociação (fls. 103105). Sendo assim, fica claro que o negócio está suficientemente comprovado e configurado, devendo ser excluídos os valores relativos aos R$ 345.170,09 listados na impugnação (principal e atualização). A tributação como ganho de capital fazse necessária, pois a operação não é atividade rural, vez que o recorrente não possuía animais em si, mas sim direitos de participação sobre eles. Tais participações são análogas a participações societárias por meio de ações em uma empresa agrícola. A venda destas ações é tributada como ganho de capital, não como rendimentos de atividade rural. 4 Da Alienação de Cotas da Panfilm Embalagens Ltda. O recorrente alega que parte dos depósitos sem origem encontrados em sua conta no anocalendário de 2002 são referentes ao recebimento do pagamento da venda de cotas na empresa Panfilm Embalagens Ltda. à Othelo Participações Ltda. Tal negócio teria ocorrido em 1997, mas o pagamento só teria ocorrido em 2002. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000886/200613 Acórdão n.º 2202001.914 S2C2T2 Fl. 229 13 Antes de entrar no mérito quanto à existência do negócio, ou quanto ao momento do recebimento do pagamento, devese ressaltar que é impossível a exclusão do montante lançado no auto de infração, pois, uma vez constituído auto de infração com base em depósitos bancários sem origem identificada, fazse mister ao autuado não apenas justificar as entradas financeiras, bem como identificar quais depósitos correspondem ao negócio jurídico alegado. Desse modo, mesmo que a alegação de que foram recebidos no anocalendário de 2002 as quantias referentes à alienação de participações societárias em 1997, seria impossível excluir estes valores da autuação, vez que no caso de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários devem ser identificados os depósitos bem como suas origens para que sejam excluídos da autuação, e esta identificação não foi realizada pelo recorrente. Ademais, não existe nos autos qualquer documento que demonstre que a Othelo Participações Ltda. realizou efetivamente o pagamento, nem sequer declaração da própria empresa. Os únicos indícios presentes no processo – declaração de ajuste anual do recorrente e seus esclarecimentos – são insuficientes para configurar os depósitos como recebidos a título de pagamento das quotas da Panfilm Embalagens Ltda., alienadas em 1997. Sendo assim, incabível a exclusão destes valores do auto de infração. 5 Da Renda Auferida como Vendedor Autônomo O recorrente defende, ainda, que, dentre os depósitos, encontramse quantias decorrentes de sua atividade principal – vendedor autônomo – equivalentes a R$ 17.144,00 em relação ao anocalendário de 2001 e R$ 17.593,83 em relação ao anocalendário de 2002, que já foram tributadas por meio de carnêleão. Não obstante, o recorrente novamente não identifica quais os depósitos são referentes a esta atividade. Em que pese a reclamação do recorrente de que seria impossível identificar dentre os depósitos os referentes a vendas ocorridas cinco anos atrás, verificase que, ainda que complicado, tal expediente não é impossível. Ora, se o recorrente realmente exerce a atividade de vendedor autônomo, deve manter algum tipo de contabilidade que demonstre as vendas efetuadas. Com base nesta contabilidade, o recorrente poderia comparar os valores escriturados como vendas e identificar os depósitos de valor igual ou semelhantes. Tal formalidade nem seria necessária, desde que ele pudesse simplesmente indicar os depósitos que, somados, totalizassem valor igual ou semelhante ao declarado. No entanto, nada disso foi feito. Ainda, o recorrente nem se dignou a prestar mais esclarecimentos sobre a profissão que permitissem elucidar os fatos e identificar os depósitos provenientes de sua atividade. Sendo assim, é impossível a exclusão destes valores da autuação, por não terem sido identificados os depósitos correspondentes às vendas. 6 Da Multa Quanto à multa, o contribuinte alega que esta deve ser revista, já que ele não sonegou imposto. Tal argumento, entretanto, não é suficiente para afastála. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 14 A multa aplicada no auto de infração foi de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, conhecida como multa de ofício formal. O dispositivo que a institui tem a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; A redação do dispositivo não deixa dúvidas de que a multa se relaciona à declaração inexata, e não coloca o elemento doloso como requisito de sua aplicação. Sendo assim, a única defesa em relação a esta multa seria no sentido de que a declaração foi correta e o pagamento efetuado, o que excluiria a multa; ou que, apesar da declaração correta, não foi efetuado pagamento, o que a converteria em multa de mora. Sendo assim, uma vez constatada omissão, independentemente do dolo, é cabível a multa de mora sobre o imposto apurado. 7 Da Aplicação da Taxa SELIC O recorrente defende que o emprego da taxa SELIC a título de juros de mora é ilegal e inconstitucional. Quanto à ilegalidade, a questão já foi decidida por este Conselho, estando inclusive consolidada em Súmula a possibilidade da aplicação da Taxa SELIC como o índice dos juros de mora. Versa a súmula: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Quanto à inconstitucionalidade da aplicação da Taxa SELIC, a própria jurisprudência do STF vai ao sentido de considerar legítima sua aplicação: 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. (RE 582461, Relator: Min. Gilmar Mendes, Julg 18/05/2011, Divulg 17/08/2011, Public 18/08/2011) 4. A isonomia é resguardada, visto que a Lei estadual prevê a aplicação da taxa SELIC, que traduz rigorosa igualdade de tratamento entre o contribuinte e o Fisco. (ADI 2214, Relator: Min. Maurício Corrêa, Julg 06/02/2002, Publ 19/04/2002) Fl. 236DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000886/200613 Acórdão n.º 2202001.914 S2C2T2 Fl. 230 15 Ademais, a este Conselho não cabe a análise da constitucionalidade de lei tributária, conforme entendimento consolidado em Súmula Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sendo assim, a inconstitucionalidade da aplicação da SELIC, por se tratar de tema constitucional, não pode ser analisado neste julgamento. Com base no acima exposto, voto no sentido de, REJEITAR a preliminar de decadência e, no mérito, dar PARCIAL PROVIMENTO para excluir da base de cálculo do anocalendário 2001 o valor referente a R$ 345.170,09, referentes a cessão de cotas participação sobre cabeças de gado a Affonso Cáfaro. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 237DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 10680.004497/2003-38
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
BOLSAS DE ESTUDO E DE PESQUISA. NATUREZA DE DOAÇÃO. ENCARGO NÃO TRIBUTÁVEL.
Não entrarão no cômputo do rendimento bruto, para fins tributáveis, os valores percebidos a título de bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagens para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Assim, a bolsa de estudos percebida por professores e pesquisadores para realização de estudos e pesquisas, constitui doação com encargo não tributável pelo imposto de renda.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-002.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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NATUREZA DE DOAÇÃO. ENCARGO NÃO TRIBUTÁVEL. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto, para fins tributáveis, os valores percebidos a título de bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagens para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Assim, a bolsa de estudos percebida por professores e pesquisadores para realização de estudos e pesquisas, constitui doação com encargo não tributável pelo imposto de renda. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 44 97 /2 00 3- 38 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN 2 JOSÉ ALBERTO MAGNO DE CARVALHO, contribuinte inscrito no CPF/MF 011.285.58653, com domicílio fiscal na cidade de Belo Horizonte Estado de Minas Gerais, na Rua Professor Pimenta da Veiga, nº 916 – Bairro Cidade Nova, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte MG, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 43/46, prolatada pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte – MG, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 54/56. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 30/01/2003, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 02/04), com ciência, em 08/03/2003, através de AR (fls. 10), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 11.838,77 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de imposto, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo ao exercício de 2001, correspondente ao ano calendário de 2000. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização, onde a autoridade lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: 1 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA, DECORRENTES DE TRABALHO SEM VINCULO EMPREGATÍCIO: Omissão de rendimentos no valor de R$ 25.200,00, conforme informações prestadas à SRF, através da Declaração de Imposto Retido na Fonte DIRF, pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa, CNPJ nº 18.720.938/000141. Infração capitulada nos artigos 1º a 3º, da Lei nº 7.713, de 1988; artigos 1º ao 3º, da Lei nº 8.134, de 1990; artigos. 3º, 11 e 32, da Lei nº 9.250, de 1995 e artigo 21 da Lei nº 8.532, de 1997. 2 DEDUÇÃO INDEVIDA DO IMPOSTO: Dedução indevida no valor de R$ 60,00 da beneficiária indicada na DIRPF União Protetora dos Carentes não se encontra autorizada pela legislação em vigor a receber doações dedutíveis do imposto de renda a titulo de doação Estatuto da Criança e do Adolescente podem ser dedutíveis, ate o limite de 6% do imposto de renda apurado na declaração, as contribuições aos fundos controlados pelos conselhos municipais, estaduais e nacionais dos direitos da criança e do adolescente. Infração capitulada no artigo 12, incisos I a III, e parágrafo 1º da Lei nº 9.250, de 1995 e artigo 22 da Lei nº 9.532, de 1997. Em sua peça impugnatória de fls. 01, instruída pelos documentos de fls. 05/07, apresentada, tempestivamente, em 07/04/2003, o contribuinte se indispõe, de forma parcial, contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência parcial do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que no auto de infração foi lançado o valor de R$ 25.200,00, pagos pela FUNDEP como receita tributável, quando na verdade tratase de rendimento isento ou não tributável, conforme a própria declaração da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa FUNDEP, CNPJ 181720.938/000141 (anexa) e do art. 39, inciso VII, do Decreto 1000, de 26/3/1999; que no mesmo auto de Infração, há indicação de que fiz "dedução indevida do imposto no valor de R$ 60,00. Beneficiária indicada na DIRF União Protetora dos Carentes — não se encontra autorizada pela legislação em vigor...". Neste caso, reconheço o equivoco, já tendo feito o recolhimento, conforme DARF em anexo, beneficiandome da redução da multa em 50%. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.004497/200338 Acórdão n.º 2202002.243 S2C2T2 Fl. 3 3 que demonstrada a insubsistência e improcedência parcial do lançamento, requer que seja acolhida a presente Impugnação. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF decide julgar procedente, em parte, o lançamento mantendo parcialmente o crédito tributário lançado, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que se esclareça que na relação jurídicotributária o ônus da prova incumbe a quem alega o direito. Assim, à autoridade fiscal compete investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência ou não do fato tributário, observando os princípios do devido processo legal, da verdade material, do contraditório e da ampla defesa. Ao sujeito passivo, por sua vez, cabe apresentar prova em contrário, por meio dos elementos que demonstrem a efetividade do direito alegado, bem como hábeis para afastar a imputação da irregularidade apontada. Ao julgador administrativo tributário, somente cabe complementar e ir em busca de provas para formar o seu livre convencimento, não lhe competindo suprir elementos que deveriam ser trazidos aos autos pelas partes do processo; que, no caso, não obstante as informações prestadas pela fonte pagadora Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa, mediante Dirf (fl. 30), o interessado argumenta que os rendimentos lançados, R$ 25.200,00, seriam isentos e nãotributáveis, consoante documento de fl. 07; que se examinando o Comprovante de Rendimentos de fl. 07, constatase inconsistência nas informações prestadas, pois, embora os rendimentos tenham sido informados como isentos e nãotributáveis (Outros — Aviso Prévio, Bolsas de Estudo), o código da natureza do rendimento seria 0588 (rendimentos do trabalho sem vinculo empregando); que esta julgadora solicitou que a fonte pagadora fosse intimada a elucidar a natureza dos pagamentos efetuados ao interessado, tendo em vista as inconsistências verificadas na Dirf e no Comprovante de Rendimentos (fl. 31). Além disso, solicitou que, na hipótese de os pagamentos terem sido efetuados a titulo de bolsa de estudo e pesquisa isenta do imposto de renda, a fonte pagadora declarasse, sob as penas da lei, que as disposições contidas no art. 26 da Lei n°9250, de 1995, teriam sido observadas; que apesar de intimada e reintimada, fls. 33 a 36, a fonte pagadora permaneceu silente. O silêncio, contudo, não obsta a apreciação do lançamento, eis que não representa, necessariamente, ausência de resposta, conforme se demonstrará a seguir; que no caso em apreço, conforme se vê dos documentos de fls. 38 a 42, a fonte pagadora, em 28/02/2001, promoveu a entrega da Dirf original para o anocalendário 2000; que naquela Dirf, no tocante ao interessado, os rendimentos pagos foram informados como tributáveis (código de retenção 0588). A partir daí, a fonte pagadora promoveu dez retificações na Dirf original. Em todas elas, inclusive na última retificação, a que permanece válida (aceita) para o contribuinte, datada de 06/06/2005, informou que os R$ 25.200,00 pagos ao contribuinte eram rendimentos tributáveis de trabalho sem vínculo empregatício (código de retenção 0588). Fl. 232DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN 4 que ao receber a intimação motivada por pedido formulado por esta julgadora se tivesse constatado erro nas informações constantes da última Dirf retificadora apresentada, teria excluído as informações equivocadamente prestadas entregando nova Dirf retificadora. Entretanto, ao confirmar o acerto das informações constantes da Dirf, instrumento hábil para ai fontes pagadoras informarem à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) o montante dos rendimentos tributáveis pagos a pessoas físicas e outras pessoas jurídicas, permaneceu silente. Igualmente, não declarou, sob as penas da lei, que as disposições contidas no art. 26 da Lei n° 9250, de 1995, teriam sido observadas em relação aos pagamentos efetuados ao interessado, pois sempre informara à RFB que a natureza dos valores pagos ao interessado era rendimento tributável de trabalho sem vinculo empregatício (código de retenção 0588); que feitas essas considerações, bem como que na apreciação da prova a autoridade julgadora formará livremente sua convicção (art. 29 do Decreto n° 70.235; de 1972), cabe manter o lançamento corretamente embasado nas informações prestadas pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa, CNPJ 18.720.938/000141, à RFB, mediante Dirf. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. TRABALHO SEM VINCULO EMPREGATÍCIO. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como salários, vantagens, subsídios e bolsas de estudo e de pesquisa. Lançamento Procedente. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 21/08/2007, conforme Termo constante às fls. 50/52, o recorrente interpôs, tempestivamente (19/09/2007), o recurso voluntário de fls. 54/56, instruído pelo documento de fls. 57, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nos mesmos argumentos apresentados na fase impugnatória. Na Sessão de Julgamento de 22 de setembro de 2010, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Repartição Origem tome as seguintes providências: 1 – Intime a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (FUNDEP), CNPJ/MF nº 18.720.938/000141, estabelecida na Av. Presidente Antônio Carlos, 6627 – Um. Adm. II – Campus UFMG – Fone (31) 34994200, Caixa Postal 856 – CEP 30123970 – Belo Horizonte – MG, dando um prazo de 10 (dez) dias, para que esclareça, comprove e apresente de forma detalhada e objetiva toda a documentação que possa esclarecer a natureza dos valores pagos, no anocalendário de 2000, ao Sr. Jose Alberto Magno de Carvalho, a exemplo de: são rendimentos decorrentes de trabalho com vinculo empregatício (código do tributo 0561)? São rendimentos decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício (código do tributo 0588)? É bolsa de estudo e/ou pesquisa (isentas do imposto de renda)? No caso de retificação das DIRF, apresentar cópias, etc. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.004497/200338 Acórdão n.º 2202002.243 S2C2T2 Fl. 4 5 2 Na hipótese de se tratar de pagamento de bolsa de estudo e/ou pesquisa isenta do imposto de renda, a fonte pagadora (FUNDEP) deverá confirmar, sob as penas da lei, que todas as disposições contidas no art. 26 da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a seguir transcrito, foram observadas: Art. 26. Ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços; 3 – Examine a documentação apresentada, na fase de diligência, manifestandose quanto à comprovação da isenção (bolsa de pesquisa); 4 – Realização de intimações e diligências julgadas necessárias para formação de convencimento; 5 Que a autoridade fiscal se manifeste, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre os documentos e esclarecimentos prestados, dandose vista ao recorrente, com prazo de 05 (cinco) dias para se pronunciar, querendo. Observando o recorrente deverá ser comunicado, com igual prazo para as devidas providências, na hipótese da diligenciada não atender a intimação (precedentes). Após vencido os prazos, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. Em 09 de novembro de 2012 a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte – MG, através da Divisão de Fiscalização, emite o Termo de Encerramento de Diligência onde, entre outras, apresenta as seguintes considerações: que analisando os documentos constantes dos Autos e os declarados pela Fundação em época própria (DIRF e Declaração de Rendimentos), tendo como beneficiário o Sr. José Alberto Magno de Carvalho – CPF 011.285.58653, temos que tanto na “Declaração de Rendimentos 2000”. Campo 4 – Rendimentos Isentos e Não Tributáveis – Outros (Aviso Prévio, Bolsa), como na “DIRF” não foram declarados valores a titulo de Imposto Retido; que recorrendo a tela “DIRF – Consulta Declarações – Beneficiário – Declarações” emitida pelo Sistema Informatizado da Receita Federal do Brasil, onde constam as tentativas da FUNDEP em sanar o erro cometido, também não constatamos valores impressos a título de Imposto Retido, em nome do beneficiário José Alberto Magno de Carvalho; que de posse dos documentos apresentados pela Fundação – “Comprovantes do pagamento Bolsa de Pesquisa”, que ora integram os autos, temos recibos mensais, relativo ao período de 26/01/00 a 20/12/00, onde, apesar de existir o campo “IRPF retido”, este não foi preenchido, sendo preenchido no campo “Identificação do Pagamento”, tão somente, o valor bruto, data de pagamento e o valor líquido que representa o mesmo valor constante do campo Valor Bruto, portanto sem destaque de retenção; que dos documentos “Pagamento de Bolsistas” em nome do beneficiário em pauta, observamos que os valores constantes das duas últimas colunas são iguais, ou seja, o Valor Bruto = Valor Líquido, ou seja, não houve nenhuma dedução; que juntamos aos Autos cópia reprográfica do documento supracitado, em idioma Inglês, e fornecido pela Fundação, onde consta a proposta que disciplinou a doação de recursos de uma Instituição estrangeira “The William and flora Hewlett Foundations”, para Fl. 234DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN 6 fomentar o trabalho cientifico desenvolvido pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais, que abriga os programas de pósgraduação (mestrado e doutorado) em Demografia e Economia e desenvolve programa de pesquisas nestas áreas, e que ensejou a concessão de bolsa pela FUNDEP ao professor José Alberto Magno de Carvalho; que diante do exposto, concluímos que os valores pagos ao Sr. José Alberto Magno de Carvalho, pela FUNDEP, no período de janeiro a dezembro de 2000, referemse a pagamento de bolsa de estudo, para fins de desenvolvimento de pesquisas. É o relatório. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.004497/200338 Acórdão n.º 2202002.243 S2C2T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não há argüição de qualquer preliminar. O litígio, nesta fase recursal, se restringe, tão somente, a omissão de rendimentos no valor de R$ 25.200,00, conforme informações prestadas à SRF, através da Declaração de Imposto Retido na Fonte DIRF, pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa, CNPJ nº 18.720.938/000141. Observase, da análise dos autos, que as informações constantes do Comprovante de Rendimentos de fls. 07 e da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf) — ano de retenção 2000, apresentada pela Fundação Desenvolvimento da Pesquisa, CNPJ 18.720.938/000141 (fls. 30) apresentam inconsistências, uma vez que os valores pagos ao contribuinte seriam decorrentes de trabalho sem vinculo empregando (código do tributo 0588), contudo, não houve retenção na fonte (Dirf) ou o total pago foi informado como sendo pagamento de bolsa de estudo isenta do imposto de renda (Comprovante de Rendimentos). Por outro lado, o suplicante continua insistindo que os valores recebidos foram a título de bolsa de pesquisa e que ao tomar conhecimento do julgamento de primeira instância e sentindose prejudicado, dirigiuse a sede da FUNDEP no sentido de compreender o que de fato ocorrera. A referida entidade verificou o equívoco, se reportou a este Contribuinte acerca do erro (documento anexo), e, ato contínuo, expediu a Dirf Retificadora e que diante desses desdobramentos, aliados aos esclarecimentos pertinentes, a reforma do Acórdão se impõe, no sentido de descaracterizar o lançamento, eis que as Bolsas percebidas pelo Contribuinte, da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa — FUNDEP, no ano de 2000, tem a natureza legal de isenção, nos termos do art. 26, da Lei no. 9.2 não cabendo por conseguinte a incidência da tributação do Imposto de Renda. Sem dúvidas, de que na linha do pensamento lógico, concluise da leitura do art. 26 da Lei n° 9250, de 26 de dezembro de 1995, que ficam isentas do imposto de renda a bolsa de pesquisa caracterizada como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a pesquisas e desde que os resultados dessas pesquisas não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Diante das dúvidas surgidas no julgamento do presente processo, em 22 de setembro de 2010, resolveram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Repartição Origem tome as seguintes providências: 1 – Intime a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (FUNDEP), CNPJ/MF nº 18.720.938/000141, estabelecida na Av. Presidente Antônio Carlos, 6627 – Um. Adm. II – Campus UFMG – Fone (31) 34994200, Caixa Postal 856 – CEP 30123 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN 8 970 – Belo Horizonte – MG, dando um prazo de 10 (dez) dias, para que esclareça, comprove e apresente de forma detalhada e objetiva toda a documentação que possa esclarecer a natureza dos valores pagos, no anocalendário de 2000, ao Sr. Jose Alberto Magno de Carvalho, a exemplo de: são rendimentos decorrentes de trabalho com vinculo empregatício (código do tributo 0561)? São rendimentos decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício (código do tributo 0588)? É bolsa de estudo e/ou pesquisa (isentas do imposto de renda)? No caso de retificação das DIRF, apresentar cópias, etc. 2 Na hipótese de se tratar de pagamento de bolsa de estudo e/ou pesquisa isenta do imposto de renda, a fonte pagadora (FUNDEP) deverá confirmar, sob as penas da lei, que todas as disposições contidas no art. 26 da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a seguir transcrito, foram observadas: Art. 26. Ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços; 3 – Examine a documentação apresentada, na fase de diligência, manifestandose quanto à comprovação da isenção (bolsa de pesquisa); 4 – Realização de intimações e diligências julgadas necessárias para formação de convencimento; 5 Que a autoridade fiscal se manifeste, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre os documentos e esclarecimentos prestados, dandose vista ao recorrente, com prazo de 05 (cinco) dias para se pronunciar, querendo. Observando o recorrente deverá ser comunicado, com igual prazo para as devidas providências, na hipótese da diligenciada não atender a intimação (precedentes). Após vencido os prazos, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. Em 09 de novembro de 2012 a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte – MG, através da Divisão de Fiscalização, emite o Termo de Encerramento de Diligência onde, entre outras, apresenta as seguintes considerações: que analisando os documentos constantes dos Autos e os declarados pela Fundação em época própria (DIRF e Declaração de Rendimentos), tendo como beneficiário o Sr. José Alberto Magno de Carvalho – CPF 011.285.58653, temos que tanto na “Declaração de Rendimentos 2000”. Campo 4 – Rendimentos Isentos e Não Tributáveis – Outros (Aviso Prévio, Bolsa), como na “DIRF” não foram declarados valores a titulo de Imposto Retido; que recorrendo a tela “DIRF – Consulta Declarações – Beneficiário – Declarações” emitida pelo Sistema Informatizado da Receita Federal do Brasil, onde constam as tentativas da FUNDEP em sanar o erro cometido, também não constatamos valores impressos a título de Imposto Retido, em nome do beneficiário José Alberto Magno de Carvalho; Fl. 237DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.004497/200338 Acórdão n.º 2202002.243 S2C2T2 Fl. 6 9 que de posse dos documentos apresentados pela Fundação – “Comprovantes do pagamento Bolsa de Pesquisa”, que ora integram os autos, temos recibos mensais, relativo ao período de 26/01/00 a 20/12/00, onde, apesar de existir o campo “IRPF retido”, este não foi preenchido, sendo preenchido no campo “Identificação do Pagamento”, tão somente, o valor bruto, data de pagamento e o valor líquido que representa o mesmo valor constante do campo Valor Bruto, portanto sem destaque de retenção; que dos documentos “Pagamento de Bolsistas” em nome do beneficiário em pauta, observamos que os valores constantes das duas últimas colunas são iguais, ou seja, o Valor Bruto = Valor Líquido, ou seja, não houve nenhuma dedução; que juntamos aos Autos cópia reprográfica do documento supracitado, em idioma Inglês, e fornecido pela Fundação, onde consta a proposta que disciplinou a doação de recursos de uma Instituição estrangeira “The William and flora Hewlett Foundations”, para fomentar o trabalho cientifico desenvolvido pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais, que abriga os programas de pósgraduação (mestrado e doutorado) em Demografia e Economia e desenvolve programa de pesquisas nestas áreas, e que ensejou a concessão de bolsa pela FUNDEP ao professor José Alberto Magno de Carvalho; que diante do exposto, concluímos que os valores pagos ao Sr. José Alberto Magno de Carvalho, pela FUNDEP, no período de janeiro a dezembro de 2000, referemse a pagamento de bolsa de estudo, para fins de desenvolvimento de pesquisas. Como visto a diligência realizada é abrangente e elucida todos os pontos duvidosos que existiam no processo. Esclarecido o aspecto da prova material, entendo, que a controvérsia dos autos deve ser dirimida em face do disposto no artigo 39, inciso VII do RIR/99, que preceitua, verbis: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: [...] VII as bolsas de estudo e pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços (Lei nº 9.250, de 1995, art. 26). Dispõe a Lei nº 9.250, de 1995: Art. 26. Ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde Fl. 238DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN 10 que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Não tenho dúvidas, que a bolsa de estudo ou da pesquisa será doação civil, negócio de liberdade, desde que o pagamento feito pelo doador atribuindo o encargo da realização de estudo ou de pesquisa não reverta esse resultado economicamente para ele doador ou para pessoa interposta. Será doação, pois, o pagamento de valor, em pecúnia ou in natura, à pessoa, sob condição de que realize um curso acadêmico ou uma pesquisa para o domínio, sem que o resultado do estudo ou da pesquisa seja diretamente aproveitado economicamente pelo doador. Ao contrário, se o resultado do estudo ou da pesquisa reverter ao doador, estarseá diante de relação de emprego contra salário. A isenção de imposto de renda alcança somente as doações sem encargo e as doações com encargo ou remuneração, desde que a prestação devida pelo donatário não reverta economicamente ao doador. Se a prestação devida pelo donatário reverter, de algum modo, economicamente, para o doador, não será doador, mas emprego com salário, sujeito às normas do imposto de renda devido pela pessoa física. Segundo o artigo 1.165 do Código Civil: “considerase doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra, que os aceita”. Desta forma, somente as bolsas de estudo caracterizadas como doação, ou seja, oferecida por liberalidade do doador a uma pessoa, não são tributadas pelo imposto de renda, excluídas aquelas cujo resultado da pesquisa ou do estudo represente vantagem para o doador ou que importe em contraprestação de serviço. Assim, se o resultado da atividade desenvolvida pelo bolsista importar em vantagem, assim entendido como “o ganho, a utilidade, o proveito, o lucro, que se possa auferir, ou tirar, de um ato jurídico, de um negócio” (cf Vocabulário Jurídico De Plácido e Silva), para o doador, ou que a bolsa de estudo represente uma contraprestação de serviços, não se estará diante de uma doação, pois se perde o caráter de liberalidade, no primeiro caso, podendo configurarse como pagamento de royalties, direitos autorais ou consultoria, e no segundo, pagamento por trabalho prestado. Pelo visto na diligência realizada, o suplicante recebe daquela instituição com objetivo de fomentar o trabalho cientifico desenvolvido pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais, que abriga os programas de pósgraduação (mestrado e doutorado) em Demografia e Economia e desenvolve programa de pesquisas nestas áreas, e que ensejou a concessão de bolsa pela FUNDEP (FAEPA FMRPUSP). A autoridade fiscal, que realizou a diligência observou que analisando os documentos constantes dos Autos e os declarados pela Fundação em época própria (DIRF e Declaração de Rendimentos), tendo como beneficiário o Sr. José Alberto Magno de Carvalho – CPF 011.285.58653, temos que tanto na “Declaração de Rendimentos 2000”. Campo 4 – Rendimentos Isentos e Não Tributáveis – Outros (Aviso Prévio, Bolsa), como na “DIRF” não foram declarados valores a titulo de Imposto Retido. Observou, ainda, que recorrendo a tela “DIRF – Consulta Declarações – Beneficiário – Declarações” emitida pelo Sistema Informatizado da Receita Federal do Brasil, onde constam as tentativas da FUNDEP em sanar o erro cometido, também não constatamos valores impressos a título de Imposto Retido, em nome do beneficiário José Alberto Magno de Carvalho. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.004497/200338 Acórdão n.º 2202002.243 S2C2T2 Fl. 7 11 Assim, de posse dos documentos apresentados pela Fundação – “Comprovantes do pagamento Bolsa de Pesquisa”, que ora integram os autos, temos recibos mensais, relativo ao período de 26/01/00 a 20/12/00, onde, apesar de existir o campo “IRPF retido”, este não foi preenchido, sendo preenchido no campo “Identificação do Pagamento”, tão somente, o valor bruto, data de pagamento e o valor líquido que representa o mesmo valor constante do campo Valor Bruto, portanto sem destaque de retenção. Assim, verificase que o valor da bolsa de estudo, concedida para desenvolvimento de Projetos de Pesquisa para desenvolvimento de atividades de natureza didática, não constituiu contraprestação de serviços, na medida em que o suplicante permaneceu percebendo os seus salários da Universidade Federal de Belo Horizonte. Sendo assim, ele não prestou serviços sem vínculo empregatício para a FUNDEP, e sim recebeu uma ajuda financeira, por meio de uma bolsa de estudos, equivalente a uma doação para desenvolver pesquisas. Ou seja, para o recebimento dos valores pagos pela FUNDEP, não fez qualquer contraprestação de serviços para aquela entidade, a qual não usufruiu qualquer vantagem financeira com as pesquisas desenvolvidas por seus bolsistas. A doação, no caso, a bolsa de estudo, também não representou, no meu entender, qualquer vantagem para o doador, pois esta Universidade não irá auferir lucro, ganho, proveito ou utilidade com o desenvolvimento intelectual do seu funcionário. O Projeto de Pesquisa para FUNDEP realizado pelo suplicante é decorrente de sua própria função, não representando qualquer vantagem específica para aquela instituição, mas tão somente para o professor se e quando for promovido. Não há duvidas, que a doação poderá ser onerosa, também denominada de modal, quando se impõe ao donatário determinada obrigação, encargo, condição ao donatário. Da mesma forma, o vínculo do donatário com o doador não descaracteriza a doação, como alega aquela autoridade. Cabe ressaltar, que ao intérprete da legislação tributária é defeso desprezar os institutos consagrado no direito, como é o caso do instituto da doação previsto no Código Civil, ex vi da expressa disposição do artigo 110, do Código Tributário Nacional, verbis: Art.110 A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Desta forma, não podem as autoridades administrativas mudar a natureza das coisas, no caso, alterar o instituto doação, para exigir sobre a bolsa de estudo percebida pelo suplicante, que tem nítida natureza de doação, tributo que a lei expressamente afasta. Desta, forma é de se afastar a incidência do imposto de renda sobre a parcela recebida a título de bolsa de estudo pelo suplicante. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN 12 Diante do conteúdo do pedido e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 241DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN
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