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Numero do processo: 10580.001825/2002-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 16 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Dec 20 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2000
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CRÉDITOS DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE IRPJ E CSLL QUE NÃO COMPÕEM O OBJETO DE PEDIDO DE PER/DCOMP REGULARMENTE TRANSMITIDO. ALCANCE DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL E FORMALISMO MODERADO.
A verdade material não é um fim em si mesmo e representa um vetor principiológico útil à consecução do processo administrativo tributário, seja para que os julgamentos cheguem a resultados que atendam à proporcionalidade e permitam a realização da justiça fiscal, seja para que o formalismo moderado subjacente admita investigar a realidade, aprofundar certezas, viabilizar direitos, fortalecer o mérito de quem os possuir e abrir os olhos a todos os detalhes inseridos no processo, contudo, não se admite utilizá-la para conferir direito creditório a quem não demonstra eficientemente sua liquidez e certeza, devendo-se ser negado o reconhecimento de direito creditório relacionado a período diverso daquele reclamado em PER/DCOMP.
Não é possível admitir que o erro de fato transubstancie o objeto ou o alcance do direito creditório objeto dos autos, porquanto em pedidos de PER/DCOMP o ônus pela adequada demonstração da sua efetiva liquidez e certeza pertence ao próprio contribuinte, não sendo possível a pretensão do interessado que pretenda validar, pela via recursal, os erros insanáveis por ele praticados, sem qualquer tipo de retificação.
Numero da decisão: 1201-005.423
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fredy José Gomes de Albuquerque - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigenio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy Jose Gomes de Albuquerque, Sergio Magalhaes Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Barbara Santos Guedes (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: Fredy José Gomes de Albuquerque
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CRÉDITOS DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE IRPJ E CSLL QUE NÃO COMPÕEM O OBJETO DE PEDIDO DE PER/DCOMP REGULARMENTE TRANSMITIDO. ALCANCE DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL E FORMALISMO MODERADO. A verdade material não é um fim em si mesmo e representa um vetor principiológico útil à consecução do processo administrativo tributário, seja para que os julgamentos cheguem a resultados que atendam à proporcionalidade e permitam a realização da justiça fiscal, seja para que o formalismo moderado subjacente admita investigar a realidade, aprofundar certezas, viabilizar direitos, fortalecer o mérito de quem os possuir e abrir os olhos a todos os detalhes inseridos no processo, contudo, não se admite utilizá-la para conferir direito creditório a quem não demonstra eficientemente sua liquidez e certeza, devendo-se ser negado o reconhecimento de direito creditório relacionado a período diverso daquele reclamado em PER/DCOMP. Não é possível admitir que o erro de fato transubstancie o objeto ou o alcance do direito creditório objeto dos autos, porquanto em pedidos de PER/DCOMP o ônus pela adequada demonstração da sua efetiva liquidez e certeza pertence ao próprio contribuinte, não sendo possível a pretensão do interessado que pretenda validar, pela via recursal, os erros insanáveis por ele praticados, sem qualquer tipo de retificação.
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ALCANCE DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL E FORMALISMO MODERADO. A verdade material não é um fim em si mesmo e representa um vetor principiológico útil à consecução do processo administrativo tributário, seja para que os julgamentos cheguem a resultados que atendam à proporcionalidade e permitam a realização da justiça fiscal, seja para que o formalismo moderado subjacente admita investigar a realidade, aprofundar certezas, viabilizar direitos, fortalecer o mérito de quem os possuir e abrir os olhos a todos os detalhes inseridos no processo, contudo, não se admite utilizá- la para conferir direito creditório a quem não demonstra eficientemente sua liquidez e certeza, devendo-se ser negado o reconhecimento de direito creditório relacionado a período diverso daquele reclamado em PER/DCOMP. Não é possível admitir que o erro de fato transubstancie o objeto ou o alcance do direito creditório objeto dos autos, porquanto em pedidos de PER/DCOMP o ônus pela adequada demonstração da sua efetiva liquidez e certeza pertence ao próprio contribuinte, não sendo possível a pretensão do interessado que pretenda validar, pela via recursal, os erros insanáveis por ele praticados, sem qualquer tipo de retificação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 18 25 /2 00 2- 91 Fl. 399DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.423 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.001825/2002-91 (documento assinado digitalmente) Fredy José Gomes de Albuquerque - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigenio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy Jose Gomes de Albuquerque, Sergio Magalhaes Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Barbara Santos Guedes (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário manejado em face do acórdão da DRJ, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade pela qual o contribuinte requereu compensação de crédito oriundo de recolhimento indevido ou a maior de IRPJ e CSLL, no ano de 2000, reconhecido parcialmente em despacho decisório não eletrônico da administração tributária. Após a formulação inaugural do pedido do contribuinte, como forma de liquidá-lo adequadamente, o mesmo fora intimado “a apresentar novo formulário de Pedido de Restituição, identificando com exatidão a que ano-calendário refere-se o saldo negativo de IRPJ pleiteado no processo acima especificado”, havendo apresentado tempestivamente a retificação do Pedido de Restituição, onde se vê que o mesmo ratifica que o valor pago a maior dizia respeito ao ano-calendário de 2000. Apenas parte dos créditos foram deferidos, inexistindo saldo complementar que autorizasse a homologação das DCOMPs apresentadas em seguida, havendo a DRJ confirmado a insuficiência do direito creditório reivindicado. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, em que contesta as razões da decisão de piso, notadamente porque justifica que houve um erro na apresentação do pedido de restituição, uma vez que os créditos referir-se-iam não apenas ao ano de 2000, conforme requestara, mas englobariam, também, o ano-calendário de 1999, onde existiria indébito recuperável. Aduziu ter havido “erro de fato na elaboração do pedido de restituição”, mas entende que tal equívoco não impede o reconhecimento do direito creditório reclamado, sob o color de que “houve o ‘animus’ do contribuinte, ora Recorrente, no sentido de reaver a compensação do saldo negativo do ano de 1999 quanto o de 2000, devido ao fato de nas rubricas requeridas estarem incluídas a somatória dos valores correspondente ao ano de 1999 e 2000”, concluindo que, “deste modo, compreende-se que o equívoco cometido quando do preenchimento do supracitado formulário de pedido de restituição não pode reduzir o crédito inicialmente pleiteado”. Aponta o recorrente o princípio da verdade material e da eficiência como catalizadores de sua insurgência recursal, apresentando complementar demonstração da origem do direito creditório relacionado ao ano-calendário de 1999, concluindo inexistir “prescrição” do direito creditório requestado. Fl. 400DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.423 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.001825/2002-91 O processo fora distribuído a Turma Extraordinária do CARF, que declinou de seu julgamento, ante à alçada incompatível, havendo o mesmo sido redistribuído a esta Turma. É o relatório. Voto Conselheiro Fredy José Gomes de Albuquerque, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade para conhecê-lo. A matéria em análise consiste na pretensão do contribuinte compensar créditos de pagamento a maior de CSLL e IRPJ relativos ao ano-calendário de 2000, devidamente formalizados em requerimento apresentado à administração tributária através de pedido de restituição, acrescidos de outros créditos de ano-calendário diverso (1999), que não compõem o pedido formulado inaugural, porém, no entender do contribuinte, deveriam ser aproveitados em razão do princípio da verdade material. Importa registra que a verdade material não é um fim em si mesmo - em Direito, nada o é! –, mas representa um vetor principiológico útil à consecução do processo administrativo tributário, seja para que os julgamentos cheguem a resultados que atendam à proporcionalidade e permitam a realização da justiça fiscal, seja para que o formalismo moderado subjacente admita investigar a realidade, aprofundar certezas, viabilizar direitos, fortalecer o mérito de quem os possuir e abrir os olhos a todos os detalhes inseridos no processo. É disso que se cuida a verdade material, mas não se admite utilizá-la para conferir direito creditório a quem não demonstra eficientemente sua liquidez e certeza, como sói acontecer no caso dos autos. O objeto do direito reclamado consiste, desde o início, no aproveitamento de indébito tributário relacionado ao ano-calendário de 2000, fato esse confirmado pelo próprio contribuinte quando instado pela administração tributária a se manifestar na liquidação do direito creditório, conforme demonstra o documento de fls. 49, a seguir reproduzido: Fl. 401DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-005.423 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.001825/2002-91 Penso que as razões apresentadas pela DRJ devem ser confirmadas, ao infirmarem que “a alegação do contribuinte de que a autoridade fiscal deveria ter considerado os saldos credores relativos ao ano-calendário de 1999 não pode ser acolhida, haja vista que o alegado saldo credor não fez parte dos pedidos objeto do presente Despacho Decisório”. Com efeito, todo o direito creditório reclamado no PER/DCOMP diz respeito ao ano-calendário de 2000 e foi integralmente confirmado, inexistindo motivo para admitir que período alheio possa complementá-lo. Não é possível admitir que o alegado erro de fato transubstancie o objeto ou o alcance do direito creditório objeto dos autos, porquanto em pedidos de PER/DCOMP o ônus pela adequada demonstração da sua efetiva liquidez e certeza pertence ao próprio contribuinte, não sendo possível a pretensão do interessado que pretenda validar, pela via recursal, os erros insanáveis por ele praticados, sem qualquer tipo de retificação. Não se está aqui defendendo o formalismo exagerado ou imotivado. Entendo que investigar a realidade é o pressuposto de todas as certezas e que é possível admitir que a verossimilhança de alegações e a evidência de provas derradeiras permitam ao julgador aprofundar a análise de direitos creditórios, a fim de evitar conclusões apriorísticas que levem ao enriquecimento indevido, seja do fisco, seja do contribuinte. Mas o caso dos autos não revelam circunstâncias quejandas, pelo contrário, apontam para erro insanável e inequívoca ausência de liquidez e certeza do objeto complementar que o recorrente objetiva validar. Registre-se, por fim, que não houve reconhecimento de decadência de direito creditório, mas apenas argumento passageiro, nítido obter dictum, em que a DRJ consignou que os créditos relacionados ao ano-calendário do ano de 1999 deveriam ter sido requestados em procedimento apartado, para análise da administração tributária em processo específico, já que o referido período não é objeto deste processo. Assim, inexiste declaração de decadência na decisão de piso, não havendo controvérsia sobre tal matéria. DISPOSITIVO Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Fredy José Gomes de Albuquerque Fl. 402DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000835/2007-63
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1102-000.006
Decisão: Por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência ao órgão de origem para aguardar as decisões da DRJ nos processos de compensação, devendo ser observado o seguinte: a) Em caso de decisão(ões) da DRJ definitiva(s), juntar cópia da(s) mesma(s) ao presente processo; b) Em caso de decisão (ões) da DRJ não definitivas, juntar a este, por apensação o(s) processo(s)de compensação já com o respectivo recurso voluntário; (c) Restituir a este Conselho, para julgamento, o conjunto de processos (se for o caso da letra b ) ou o presente processo instruído com a(s) cópia(s) referidas no item (a) supra. O Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso acompanhou a relatora pelas conclusões.
Nome do relator: SANDRA MARIA FARONI
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S1C1T2 \too Fl. 1 . .:;/-ánt• MINISTÉRIO DA FAZENDA fielSç CONSELLIO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS .04W26; PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO ctitente Processo n° 18471.000835/2007-63 Recurso n° 173.983 Resolução n° 110240.006 - P Câmara / 2' Turma Ordinária Data 09 de dezembro de 2009 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente Companhia Vale do Rio Doce Recorrida 7' Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro Relatório O litígio posto a julgamento gira irin tomo de auto de infração laVrado para exigência da CSLL dos anos-calendário de 2002 e 2003. A infração apontada pela fiscalização for insuficiência de recolhimento no valor de R$ 571 293,21 (ano-calendário de 2002) e RS 1.610.602,95 (ano-calendário: de 2003), apurada através da verificação da escrituração contábil em confronto com os valores informados nas Fichas 16 e 17 das DIP7s, sendo estas diferenças não recolhidas e não declaradas em DCTF. Ao impugnar o auto de infração, a interessada informou não ter ocorrido a insuficiência de recolhimento, pois os débitos exigidos foram objeto de compensações (R$ 571.293,21, processo de compensação n° 10768.100591/2003-57; R$ 1610.602,95, processo de compensação n° 10768.003571/2003-39) que, contudo, não foram informadas Cal DCTF. Alegou a necessidade de cancelar o auto de infração, pois sua Manutenção implicaria exigência de tributos em duplicidade, já que os valores lançados já estão sendo discutidos nos processos de compensação n's 10768.10059112003-57 e 10768.003571/2003- 39, e caso se decida pela não homologação das compensações, será intimada a ecolher tributos devidos (art. 74, § 8', da Lei n° 9.430/1996 com redação dada pela Lei n° 10.83312003). A Turma de Julgamento julgou procedente o lançamento. Os principais argumentos para embasar a decisão foram: i) O interessado reconhece a existência dos débitos, tanto é que os informou nas DCOMIr s.; • Processo n° 18472000835/2007-63 SI-C1•2 Resolução n.° 1102-00.006 Fl. 2 • Os débitos não estão confessados, já que nas datas em que as DCOIVE.131s foram protocolizadas (31/03/2003 e 30/04/2003) as mesmas não eram consideradas corno confissão de dívida, status que só passaram a ter a partir de 30/10/2003, quando foi publicada a Medida Provisória n° 135, convertida na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, a qual inseriu o § 6° no art. 74 da Lei n° 9.430/1996. O voto condutor da decisão recorrida registrou que a apresentação de Manifestação de inconformidade nos processos de compensação n's 10768.100591/2003-57 e 120768.003571/2003-39 só tem o condão de suspender os débitos, nos termos do art. 74, § 11, da Lei n° 9.430/1996 (incluído pela Lei n° 10.833/2003) no âmbito destes processos de ébmpensação. Sobre a alegação de duplicidade, anotou que os débitos só foram efetivamente 60nstituídos quando a fiscalização efetuou o lançamento de oficio no presente processo, com itnposição da multa de oficio, e o controle do crédito tributário constituído deve ser efetuado no 6tesente processo (n° 18471.00083512007-63) e não nos processos de compensação (n's 10768.100591/2003-57 e 10768.003571/2003-39), não havendo, portanto, exigência de recolhimento de CSLL em duplicidade. Ciente da decisão a interessada ingressou com recurso declinando as razoes que leio em sessão. Voto „- Conselheira Sandra Faroni, Relatora Recurso tempestivo. Dele conheço. A apreciação do recurso envolve os institutos da compensação e da confissão da • Pessoalmente, discordo do posicionamento da administração tributária (expresso na Solução de Consulta Interna ri° 3, de 08 de janeiro de 2004), encampado pela decisão recorrida, de que os débitos informados em Decomp apresentada antes de 31/10/2003 não são considerados como confissão de dívida, porque a previsão expressa de que a declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil c suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados só surgiu com a Medida Provisória n° 135, convertida na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, a qual inseriu o § 6° no art. 74 da Lei n° 9,430/1996. Entendo que essa condição de confissão de dívida para a declaração de compensação independia de previsão expressa específica em lei, uma vez que a Decomp ébmunica a existência de debito e sua extinção por compensação, e o § 1° do art. 5° do Decreto- lei n° 2.124, de 1984, dispõe que o documento que fomtalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Aliás, a própria natureza da Decomp, de instrumento extintivo do credito (sob condição resolutória) é incompatível com a negativa do atributo de confissão de divida ao documento. O fato de alguém oferecer um crédito para extinguir um debito pressupõe que esse alguém reconhece a dívida. 3-22-1; 2- ,4200 dek Processo n°18471.000835/2007-63 e 1-C1T2 Resolução n.° 1102-00.006 EL 3 :64 O que poderia acontecer com o presente auto de infração se o doitribuinte Dão o houvesse impugnado? Como poderia a PFN executá-lo, se o crédito se encontrava extinto desde a data da protocolização da Decomp (sob condição resolutória da ulterior homologação da compensação)? Parece-me que a interpretação mais consistente com o sistema é:entender a introdução do § 6° ao art. 74 da Lei n° 9.430/96 pela MP 135 veio apenas explicitar i; esclarecer a natureza do documento como confissão de divida que possuía desde sua instituição, mercê do disposto no § I° do art. 5° do Decreto-lei n°2.124/84. Assim, os débitos infamados em Decomp, independentemente da data de sua protocolização, constituem confissão de divida e, indeferida a compensação desnécessário o lançamento para formalizar o crédito. A desnecessidade de lançamento para formalizar o crédito 'confessado prevaleceu até a entrada em vigor da Medida Provisória n° 2.158-35/2001, cuja artigo 90 determinou que Art.90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, if em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento,parcelamento, compensação ou suspensão de 1- exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos e, tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita h Federal. De acordo com esse dispositivo, não obstante o débito informado 0mMocumento encaminhado pelo sujeito passivo à SRF constitua confissão de divida, podendo s ier remetido para inscrição na divida ativa, tomou-se necessário, para dar cumprimento ao artigo 90, o lançamento de oficio do crédito tributário confessado pelo sujeito passivo. É óbvio Mie o artigo 90 teve por único objetivo a constituição da multa por lançamento de oficio, que Má integrava a divida confessada. O art. 18 da Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003givigência a partir de 31/10/2003, convertida na Lei n° 10.833, dc 2003, a seguir transcrito, e erija redação atual é a destacada com sombra cinza, assim dispôs quanto ao lançamento de oficiohratado art. 90 da MP 2.158, de 2001: Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida --3 Provisória na 2.158-35, de 24 de agosto de 2001; limitar-se-á à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar-se-á unicamente nas hipóteses de o 7 crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que -3 ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964. Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida -. Provisória ?-17 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada em razão da não-homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar .1 caracterizada a prática das befrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004) (Vide Medida Provisória n°351, de 2007) ?ff 3 Processo n° 8471 000835/2007-63 si-C/ T2 Resoluçdo n." 1102-00.006 Fl. 4 war Apri; ;ir/ if`e*-éalj'ejn7WtWliirlarcrá rdidlbrialt srd214agsid ni a , a .,„24„,‘ c17,„2, compensa ao quand.s 114o1 W fir zdaq 22;80 fjpffifC. P.; '19 edaat a wl _L; ,1! _4L çp- ,,,.---;:tiir•st; • rgrnii 2°,,feelie".",a(2 dás!- 1 422 ofiinkta \j'hn 42) •,Ç2 1 i§40..§•7:42.1„,ber 9bit '-'13 9§.7t9 §4.77 Wein..•w* § 22 A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos 1 e II ou no § 2° do art. 44 da Lei ri° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 2° A multa isolada a que se refere o capzit deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso lido caput ou no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá corno base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei n° 1105], de 2004) (Vide Medida Provisória n° 351, de 2007) liifiddi irtaTá q-rinar. àle-fiu7;ksi:e..;r. ko' slita; ,-; n t tltt9a ISta, .0 siri; parlai!, se tis -L sin#assir, ;.*:* ?ted: mb salsts/ s O su eis-nuns as . e 'ri141 li 0 pior' “loylebt ev_zdu „Ck, 0A(Rsjui tr;ei; .2'; .-42$iiVe,722,02_ k° 12 . 7:2; a a ..-;Pat, f' p e' af't : 2PEa22.. 222222 7..d9S.9.Is77,R7. 7 3§‘ 7° .9dibreid° -° ,7 Y, § 42 A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso Tido §. 12 do art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei n'11.051, de 2004) § 44 Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso li do § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando-se os percentuais previstos: (Redação dada pela Lei n°11.196, de 2005) (Vide Medida Provisória n°351, de 2007)1 no inciso I do caput do art. 44 da Lei n4 9.430, de 27 de dezembro de 1996; (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005) li - no inciso lido caput do art. 44 da Lei re 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 c 73 da Lei is4 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Incluído pela Lei ri° 11.196, de 2005) § 5' Aplica-se o disposto no § 22 do art. 44 da Lei nc 9.430, de 27 de dezembro de 1996, as hipóteses previstas no § 4 7 deste artigo. (Incluído pela Lei n°11196, de 2005) (Vicie Medida Provisória n°351 ) de 2007) :§k i,Sdricikrillhántrel códSith lt;s4n7órat épégitá altÉkariárk:rá "±t.id»54WW5a< gagn I! a .t 21, 11 4 :i 14.0, Processo n° 18471.00083512007-63 • ,' S1-C1T2 Resolução n ° 1102-00.006 Fl 5 e fle“(frTã ' * 5t5.5:57.0:.‘dy y 4...7e4° (11M: 1)f f 1. ;1! apkignk 'e. e ; ;;OfOri4li°4;: ift-44.4;o:ati43Õ7timtde dOemo.A4le P96; ftiera,;:,:naaHns-ul :15,:n.cored tjáadaateda 'a ''.;,t7s,if et -.„ 2 9 --""esTYZ ”41a-a-tt 2,7IP79. M7 e ál 4).:1.51;; f; 99 , • Aly.. 4 :4R.9a3114414 4o 0941439.4444-;t4V4SW`i Tendo em conta as alterações legislativas a partir do art. 18 da Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, para as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida, deve ser formalizado lançamento exclusivamente para aplicação da multa de oficio, restrita aos casos falsidade da declaração, e nas hipóteses em que o crédito seja de terceiros, refira-se a "crédito-prêmio" insütuido pelo art. 1° do Decreto-Lei n° 491/69, refira- se a titulo público, seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado, nãO se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal — SRF ou tiver corno fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei que não tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade, nem tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal Portanto, para apreciar a procedência da multa lançada, é necessário conhecer a decisão quanto às compensações nos processos n's 10768.100591/2003-57 e 10768.003571/2003-39 (para analisar se ocorreu uma das hipóteses em que a lei prevê o lançamento da multa. ) Voto pela conversão do julgamento em diligência ao órgão de origem paia aguardar as decisões da DRJ nos processo de compensação, devendo ser observado o seguinte: ls. a) Em caso de demsão(ões) da DRJ definitiva(s), juntar cópia da(s) mesma(s) ao presente processo; b) Em caso de decisão (5 es) da DR.' não definitivas, juntar a este, por apensação o(s) processo(s)de compensação já com o respectivo recurso voluntário; c) Restituir a este Conselho, para julgamento, o conjunto de processos (se for o caso da letra ou o presente processo instruido com a(s) cópia(s) referidas no item (a) supra. 4.7 SANDRA PAROISI 5
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Numero do processo: 10665.000250/2006-83
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1102-000.021
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOÃO OTAVIO OPPERMANN THOME
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JOÃO OTAVI PPERMANN THOME - Relator. SI -C I TI Fl 136 Processo n° ecurso Resoluciio o" ata ssunto ecorrente ecorrida MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 10665.000250/2006-83 161.930 1102-0021 — I" Câmara / r Turma Ordinária 10/11/2010 Solicitação de Diligência MINERAÇÃO SERRA DA FORTALEZA S/A FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. EDITADO EM: 2 P JAN 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivetó Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente), João Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente), João Otávio Opperman Thomé (Relator), José Sérgio Comes (Suplente Convocado), Silvana Rescigno Guerra Barreto, el Manoel Mota Fonseca (Suplente Convocado). Relatório Trata-se de processo formalizado para analisar a Declaração Eletrônica de Compensação - Dcomp de n° 08775.75278.210306.1.3,03-2846, sucessivamente retificada elas de nips 33394.09186.110506.1,7.03-2877 e 01779.22107.090606.1.7.03-5360. O credito informado nessa Dcomp é saldo negativo de CSLL apurado na DIPJ/2004, relativa ao ano calendário 2003, no valor de R$ 1.702.173,46. De acordo com as informações contidas na Declaração de Compensação apresentada, em confronto com a DIPJ/2004, a DCTF do primeiro trimestre de 2003 e os demais sistemas de controle da SRF, verifica-se que, no ano calendário 2003 o contribuinte optou pela apuração anual do lucro real, com apuração do IRPJ e da CSLL por estimativas Mensais e levantamento de balanços/balancetes de suspensão/redução em todas os meses do , período de apuração. Nessa sistemática apurou contribuição a pagar nos meses de janeiro e fevereiro, efetuou a suspensão do pagamento nos meses de março, abril, maio e setembro e 4purou base de cálculo negativa nos demais meses. No final do exercício apurou base de cálculo negativa para a CSLL (Ficha 17 DIPJ/2004, (fls 17), de modo que a contribuição ápurada por estimativa nos meses de janeiro e fevereiro, no montante de R$ 1.702.173,46, representa o saldo negativo informado na linha 48 da Ficha 17 da DIPJ/2004 (fls. 17), que é Objeto do presente processo. A Seção de Orientação e Análise Tributária Saort, da Delegacia da Receita •ederal em Divinópolis/MG, analisando a forma de extinção das estimativas mensais apuradas ern janeiro e fevereiro de 2003, constatou que as mesmas haviam sido objeto de compensações declaradas era diversos outros processos administrativos, os quais já haviam sido analisados pela autoridade administrativa, tendo havido homologação total, homologação parcial e não homologação, conforme discriminado em quadro elaborado As fls. 43. Assim, considerou que somente poderiam integrar o saldo negativo de CSLL as ompensações homologadas pela autoridade competente da SRF, totalizando R$ 1.005.251,21. Com relação As compensações não homologadas, totalizando R$ 696.922,16, observou que as rianifestações de inconformidade apresentadas, ainda pendentes de decisão definitiva na esfera administrativa, tinham o condão de apenas suspender a exigibilidade do credito tributário mdevidarnente compensado. Concluindo o despacho, a autoridade administrativa não admitiu a Dcomp retificadora n° 01779.22107.09606.1„7,03-5360, tendo em vista que veiculava aumento de Obit° anteriormente declarado; homologou parcialmente as compensações declaradas na Dcomp retificadora n° 33394.09186.110506.1.7.03-2877; e intimou o contribuinte a recolher o alor dos débitos indevidamente compensados, corn os devidos acréscimos legais, no prazo de 0 (trinta) dias, sendo-lhe facultado a, no mesmo prazo, apresentar manifestação de inconformidade junto a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG. A interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, na qua' argumenta o seguinte: • que, como forma de extinguir o débito apurado por estimativa em balanço de suspensão dos meses de janeiro e fevereiro de 2003, a Manifestante valeu- se de créditos dos quais era detentora junto A Fazenda Nacional, formalizados 2 SI-C11 1 FL 137 1! rocess° n" 10665.000250/2006-83 Reso1u9ilo ° 1102-0021 Processo n" 10665 000250/2006-83 SI-C11 1 Itesolnçilo n" 1102-0021 Fl 35 por meio de Pedidos de Restituição, conforme lhe permitia a legislação vigente; • que, ainda que os referidos Pedidos de Restituição não tivessem sick) deferidos, a Manifestante optou por já protocolar as Dcomp's mencionadas no Despacho Decisório sob análise, quais sejam: es. 13678.000081/2003-88, 13678.000079/2003-17, 13678.000115/2003-34, 13678.000121/2003-91 e 13678.000120/2003-47, cujos valores cram suficientes para o fim pretendido, ou seja, a extinção do debito tributário da Manifestante relativo às estimativas de janeiro e fevereiro de 2003; • que, contrariando as expectativas da Manifestante, as Dcomp's acima referidas não foram totalmente homologadas e, muito embora já tenham sido objeto de respectivas Manifestações de Inconformidade, ainda pendentes de decisão definitiva na esfera administrativa, não permitem, no entender da autoridade julgadora (Delegacia da Receita Federal em Divinópolis/MG), na parte não homologada, a sua utilização como crédito de saldo negativo apurado ao final do período; • que, antes de tomar ciência da decisão daquela DRF/Divinópolis, a manifestante apresentou a Declaração Eletrônica de Compensação, ora sob análise, de n° 08775.75278.210306.1.3.03-2846, sucessivamente retificada pelas de n's 33394.09186.110506.1.7.03-2877 e 01779.22107.090606.1.7.03- 5360, justamente objetivando utilizar o saldo negativo de CSLL, apurado na DIPJ/2004 (ano-base 2003), a qual foi deferida parcialmente; • que, uma vez não tendo recebido ate então qualquer manifestação ou comunicação da autoridade julgadora desautorizando-a a lançar mão do montante que julga lhe ser de direito como credito, nada há que a impeça de fazer uso deste crédito; • que os débitos considerados indevidamente compensados pela DRF/Divinópolis so poderiam ter os seus respectivos recolhimentos exigidos quando não mais coubesse qualquer medida contra as decisões exaradas nos autos dos processos citados nos dois primeiros itens desta manifestação; • que em momenta algum houve qualquer manifestação por parte da autoridade julgadora, no que diz respeito ao direito da manifestante quanto ao montante do saldo negativo daquela contribuição, fato que permite concluir, s.m.j., como sendo-o inquestionável. Concluindo, requereu a suspensão dos efeitos da intimação a ela encaminhada por meio do Despacho Decisório Saort/DRF/DIV, de 12 de julho de 2006, até que sejam efetivamente analisadas as Manifestações de Inconformidade que, conforme o exposto, buspendem a exigibilidade do crédito tributário supostamente compensado indevidamente. A 4" Turma de Julgamento da DRJ/Belo Horizonte indeferiu a solicitação da nteressada, conforme ementa a seguir:. • "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO — CSLL 3 rocesso n" I 0665.000250/2006-83 si-cm esehrçao Ir.' 1102-0021 Fl 139 EXERCICIO: 2004 COMPENSAÇÃO. Não poderão ser objeto de compensação o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal - SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa." Observou aquela autoridade julgadora que não houve manifestação quanto à não dmissão da Dcomp retificadora n° 0177922107.09606.1.7.03-5360, motivado pelo aumento de débito anteriormente declarado. Com relação aos processos ainda pendentes de decisão administrativa definitiva de reconhecimento de crédito tributário a que a impugnante se refere, esclarece a DRJ que: • o processo de no 13678.000081/2003-88, juntado, em 20/01/2005, ao processo matriz de n° 13678.000141/00-76, já foi decidido em primeira instância e encaminhado ao Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 59/65). • o processo n° 13678.000079/2003-17 (juntado ao processo 13678.00005712003-49, e posteriormente desjuntado em 16/03/06), já foi julgado em primeira instância que confirmou o indeferimento do pleito da impugnante encontrando:-se o processo no Primeiro Conselho de Contribuintes, (fls. 63/77) • o processo n° 13678.000115/2003-34 (processo matriz de no 13678.000150/2001-91) foi julgado em primeira instância, que confirmou o indeferimento do pleito da impugnante tendo sido movimentado para o Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 78/98).. • o processo n° 13678.000120/2003-47 (processo matriz de n° 136'78.000107/2001-26), julgado pela DRI/IFA, confirmando o indeferimento do pleito da impugnante tendo sido movimentado para o Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 99/120). Assim, considerando que o valor objeto do pedido de restituição já havia sido ndeferido pela autoridade corripetente da Secretaria da Receita Federal, concluiu a DRI que o mesmo não poderia servir para a compensação ora pretendida, em razão do disposto no art. 74, § 3°, inciso VI, da Lei no 9.430, de 1996 e suas alterações, que assim dispõe: "Art 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuiçáo administrado pela Secretaria da Receita Federal, passivel de restituição ou de ressarcimento, poderá compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão (Redação dada pela Lei n" 10,637, de 2002) §' I" A compensa cão de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações. relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (Incluido pela Lei n" 10 637, de 2002) Processo n" 10665 000250/2006-83 Resolucao no 1102-0021 sl-CIT1 Fl 140 § 2" A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluido pela Lei n"10637, de 2002) § .3" Além das hipóteses previstas nas leis especificas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sqjeito passivo, da declaração referida no § I": (Redação dada pela Lei n" 10.833, de 2003) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal - SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, ('Incluído pela Lei nU 11.051, de 2004)" Inconformada com a decisão acima, a interessada interpôs recurso perante este Conselho, no qual repisa os seus argumentos, no sentido de que, até que se prove em contrário, o crédito requerido no presente processo goza de legitimidade, e, portanto, pode ser utilizado, e que o presente processo, que está vinculado a decisões em processos anteriores, deve ser analisado somente após a decisão definitiva daqueles, motivo pelo qual deve ter a sua exigibilidade suspensa. Conclui pedindo a reforma da decisão proferida pela Delegacia de Julgamento, a fim de que seja deferido o Pedido de Restituição e Compensações, tal como requerido. o relatório. 5 Processo n" 10665.000250/2006-83 Si -Cl Ti solu95o " 1102-0021 Fl 141 Voto Conselheiro João Otavio Oppennann Thorne, Relator. A reconente foi cientificada em 19/07/2007, conforme AR de fls. 127, e presentou o recurso em 20/08/2007, 'M. 128. Considerando-se o que dispõe o art. 50 do Decreto IV 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal, tem-se que a contagem do prazo de 30 dias iniciou-se no dia 20/07/2007, sexta-feira, e se encerraria no dia 18/08/2007, contudo, por ser este um sábado, o ieu vencimento ocorreu somente no dia 20/08/2007, segunda-feira, data na qual foi apresentado o presente recurso voluntário. Assim, o recurso é tempestivo, e, por preencher os demais requisitos de dmissibilidade, deve ser conhecido. Por oportuno, observo que a interposição do recurso voluntário automaticamente suspende a exigibilidade dos créditos tributários constantes do presente processo, nos termos já citado Decreto n° 70,235/72, não sendo necessário que a recorrente expressamente solicite-o, 0 entendimento conferido pela decisão reconida não pode prosperar. in nenhum momento restou comprovada infração ao disposto no art. 74, § 3°, nciso VI, da Lei n° 5.430, de 1996, antes reproduzido. Isto porque os créditos que foram indeferidos pela autoridade administrativa competente da Secretaria da Receita Federal, naqueles processos citados, relativos as compensações das estimativas de CSLL de janeiro e fevereiro de 2003, são créditos outros (IN, or exemplo), e não há qualquer informação no presente processo de que a recorrente tenha tentado utilizar-se destes créditos para compensação após o seu indeferimento pela autoridade ?ompetente da Secretaria da Receita Federal. Antes ate pelo contrario, porque inclusive algumas das compensações pretendidas com aqueles créditos foram homologadas, ainda que arcialmente. Tampouco há noticia de que o alegado saldo negativo de CSLL de 2003 esteja endo utilizado uma segunda vez, após seu indeferimento. Ou seja, existem créditos outros, os quais ainda estão sendo discutidos dministrativarnente, e que foram utilizados para compensar estimativas de CSLL de 2003, os quais, por sua vez, compõe o saldo negativo de CSLL de 2003 que é o crédito objeto do presente processo, e que esta sendo utilizado para compensar débitos, por exemplo, de -stimativas de CSLL de 2005. Portanto, e conforme restou demonstrado do relato efetuado, o montante do efetivo saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2003 esta a depender da decisão dministrativa que venha a ser proferida em outros processos, nenhum dos quais esta ainda definitivamente encerrado na esfera administrativa, conforme tabela abaixo: Processo n" 10665 00025012006-83 Resoluc5o n 1102-0021 SI-CIT I Fl 142 N° Processo DCOMP N° Processo do Crédito Valor em litígio 13678.000081/2003-88 13678.000141/00-76 196.279,11 13678.000079/2003-17 13678.000079/2003-17 10.605,75 13678.000115/2003-34 13678.000150/2001-91 296.253,49 13678.000120/2003-47 13678.000107/2001-26 193.783,81 Total 696.922,16 Ora, não é possível, no âmbito do CARF, prolatar decisão condicional. No caso presente, resta claro que a confirmação, por parte deste Colegiado, do efetivo saldo negativo de CSLL, de 2003 de que dispõe a recorrente para compensar os débitos constantes do presente processo somente poderá ser feita quando houver a confirmação definitiva de quais estimativas de CSLL de 2003 foram, afinal, consideradas extintas por compensação. Trata-se, no caso, de autêntica questão prejudicial de mérito. Nestes termos, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade administrativa informe, após a prolação de decisão administrativa irreformável nos processos de n° 13678.000081/2003-88 (juntado, em 20/01/2005, ao processo matriz de n° 13678.000141/00-76), n° 13678.000079/2003-17, n° 13678.000115/2003-34 (processo matriz de n° 13678.000150/2001-91), e n° 13678.000120/200.3-47 (processo matriz de n° 13678.000107/2001-26), se destas decisões decorreu ou não a homologação, e em que medida, de parcelas de estimativa de CSLL, de 200.3 que haviam sido inicialmente consideradas não homologadas, conforme exposto no quadro acima, É como voto. Joawordvio Oppermann Thomé — Relator 7
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Numero do processo: 10940.001890/2005-23
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1102-000.008
Decisão: RESOLVEM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que o processo aguarde no órgão de origem a decisão final no processo administrativo n° 10940.001890/2005-23, juntando-se cópia ao presente, que deverá, então, retornar ao CARF para julgamento.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 50, PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10940.001890/2005-23 Recurso n° 153.626 Voluntário Acórdão n° 1102-00.008 (Resolução) — i a Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2010 Matéria IRPJ E OUTRO Recorrente IBEMA COMPANHIA BRASILEIRA DE PAPEL Recorrida 1' Turma da DRJ — Curitiba/PR • - RESOLUÇÃO NR. 1102-00.008 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 1' Câmara / 2' Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que o processo aguarde no órgão de origem a decisão final no processo administrativo n° 10940.001890/2005-23, juntando-se cópia ao presente, que deverá, então, retornar ao CARF para julgamento. ti\ - SANDRA MARIA FARONI - 'residente JOÃO CARLOS LI - JUNIOR - Relator Editado em: n 7 JUN 202 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sandra Maria Faroni (Presidente), Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcelo Cuba Netto (Conselheiro substituto), João Carlos de Lima Junior (Vice-Presidente), José Carlos Passuello e Valmir Sandri (Conselheiro substituto). Processo n° 10940.001890/2005-23 SI-C1T2 Acórdão n,° 1102-00.008 (Resolução) Fl. 2 Relatório Tratam-se de autos de infração relacionados ao IRPJ (fls. 506-512), no valor total de R$ 17.707.878,05 (Dezessete milhões, setecentos e sete mil, oitocentos e setenta e oito reais e cinco centavos) (fls 506); e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 1.231- 1.237), no valor total de R$ 6.059.048,77 (Seis milhões cinqüenta e nove mil e quarenta e oito reais e setenta e sete centavos) (fls. 1.231), referentes ao período de setembro do ano 2000, acrescidos de multa e juros. Referidos débitos são originários de valores recolhidos a menor do IRPJ e CSLL por estimativa, incluídos na DCTF como compensados com créditos oriundos de DARF, sem que a empresa tenha formulado pedido de compensação dos débitos conforme discriminado no Teimo de Verificação Fiscal de fls 494-505. Tendo em vista a falta do pedido de compensação nos termos da IN SRF n° 21, de 10/03/1997, foram realizados os lançamentos e constituídos os referidos débitos. Sendo o débito proveniente de IRPJ e CSLL de recolhimentos por estimativa foi aplicada multa de oficio e multa isolada pela insuficiência de recolhimento referente ao mês de setembro de 2000, e apenas multa isolada referente aos períodos de fevereiro, março, abril, parcial de maio e parcial de junho de 2001, tendo em vista o ajuste realizado em 2000 em conseqüência da glosa da compensação. Por ocasião de sua lavratura, cada auto de infração deu origem a um processo distinto. O PAF do auto de infração de IRPJ recebeu o número 10940.001890/2005-23, enquanto o PAF da CSLL recebeu o número 10940.001891/2005-78. Posterioimente foram juntados no mesmo processo, qual seja, o de número 10940.001890/2005-23, conforme consta às fls. 719. Intimada do lançamento em 29/08/2005 (fls. 506 e 1.238), a contribuinte apresentou, em 28/09/2005, impugnação referente ao IRPJ de fls. 518 a 556 com documentos Processo n° 10940.001890/2005-23 S1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.008 (Resolução) Fl. 3 anexos às fls 557 a 685 e, referente à CSLL às fls 1.243-1.281 e documentos às fls 1283 a 1411, com idênticas redações, nas quais apresentou as seguintes alegações em preliminar: Que obteve decisão judicial, já transitada em julgado, que lhe reconheceu o direito ao crédito de IPI e, amparada pela Lei n° 8.383/91, realizou a compensação deste crédito com débitos referentes ao ano-calendário de 2000, informando tal procedimento via DCTF. Que após quase cinco anos a Secretaria da Receita Federal teria desconsiderado por completo a declaração de compensação e determinado a inscrição do referido débito em dívida ativa. Assim, foi obrigada a impetrar Mandado de Segurança obtendo liminar para suspender a inscrição em dívida ativa do referido débito. Por este motivo entende que qualquer ato administrativo que venha a exigir referido tributo estaria desobedecendo decisão judicial, requerendo a imediata suspensão deste PAF até o trânsito em julgado da ação judicial n° 2005.70.00.009012-8, em trâmite perante a 7a Vara Federal de Curitiba. Quanto ao mérito, inicialmente alega a viabilidade de compensação de crédito judicialmente reconhecido com débitos próprios através de DCTF, haja vista que a Lei 9.430/96 nada dispõe acerca da exigência de pedido de compensação, apenas disciplina sobre a possibilidade da Secretaria da Receita Federal autorizar o contribuinte a utilizar créditos que seriam a ele restituídos. A exigência de pedido de compensação encontrava-se tão somente disciplinada na IN SRF n° 21, de 10/03/1997, alterada pela IN SRF n° 73, de 15/09/1997 e, portanto, seriam ilegais, posto que regulamentariam o que a lei não estabeleceu. Argumenta ainda que a nova redação da Lei 9.430/96 dada pela Lei n° 10.637/02, estabelece que a compensação de créditos, inclusive com créditos judiciais com trânsito em julgado, será efetuada mediante a entrega da declaração, na qual constarão informações sobre os créditos e débitos que se pretende compensar. Nesse sentido, feita a declaração de compensação por meio de DCTF, de forma indireta, a empresa teria cumprido tal assertiva. /UI/. 3 Processo n° 10940.00189072005-23 SI-C1T2 Acórdão n.° 1102-00,008 (Resolução) Fl. 4 Ressalta que eventuais vícios de forma poderiam ter sido sanados caso alertado pela administração da necessidade de utilização do PERDCOMP ou realização de requerimento específico para a compensação. Afirma ser contribuinte de boa-fé e que o descumprimento de uma obrigação acessória não pode gerar prejuízos irreparáveis ao contribuinte. Acrescenta que, a teor do art. 112 do Código Tributário Nacional, a lei tributária que define infrações ou lhe comina penalidades deve ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado. Sustenta ainda que em face do Comunicado COMP. N° 090/2004, através do qual a empresa teria sido intimada que os débitos ora em tela seriam compensados de ofício, protocolou manifestação alegando que os débitos já estavam compensados, porém não recebeu qualquer resposta do Fisco. Alega que a empresa protocolou alguns pedidos de compensação, porém estes foram extraviados dentro da própria Receita Federal e reconstituídos posteriormente, e que, apesar de não constar nos processos reconstituídos, o período aqui em tela poderia estar incluído nos mesmos. Questiona a aplicabilidade da multa isolada, tanto naquela referente à competência de setembro de 2000 quanto aos meses de fevereiro, março, abril, maio e junho de 2001, trazendo à colação diversos julgados do Conselho de Contribuintes. Após a impugnação do contribuinte, foram proferidos os despachos de fls 687 e 1.413, e os autos foram remetidos em diligência à DRF/Ponta Grossa, a fim de que esta prestasse esclarecimentos sobre se as compensações informadas nas DCTF's, do período de julho a setembro do ano 2000, estavam sub judice e anexasse cópia da petição inicial do Mandado de Segurança impetrado pela contribuinte; e também prestasse esclarecimentos acerca do Comunicado COMP n° 090/2004. As informações prestadas, em cumprimento à diligência mencionada, foram juntadas às fls. 717, 718, 1.442 e 1.443, nos seguintes termos: 4 Processo n° 10940.001890/2005-23 s1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.008 (Resolução) FL 5 1) Quanto ao Mandado de Segurança n° 2005.70.00.009012-8, em trâmite perante a 7a Vara Federal de Curitiba, esclareceu-se que este fora impetrado em face do procurador Chefe da Fazenda Nacional visando o cancelamento de 4 ( quatro) inscrições em dívida ativa. Entretanto, antes mesmo da decisão judicial que determinou a necessidade de lançamento de ofício dos débitos contidos nas CDA's, duas delas foram canceladas, sendo os débitos lá contidos lançados nos processos em epígrafe. 2) No que tange ao Comunicado COMP n° 090/2004, esclareceu-se que este referia-se a compensações efetuadas regularmente pela empresa, e que ainda que os questionamentos efetuados por ela não tenham sido respondidos, não foi esta a causa da lavratura do auto de infração em tela e tão pouco obstou a mesma de proceder as compensações a que tinha direito. Prestados os esclarecimentos acima mencionados, os autos foram remetidos à DRJ de Curitiba para apreciação e julgamento da defesa. A 1' Turma da DRJ de Curitiba deu procedência ao lançamento relativo ao IRPJ, bem como à CSLL nos seguintes termos: Quanto a preliminar argüida pela contribuinte, entendeu aquela DRJ ser improcedente a alegação, tendo em vista que a decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2005.70.00.009012-8, em trâmite perante a 7' Vara Federal de Curitiba, não abrangeu as inscrições em divida ativa alusivas ao IRPJ e CSLL aqui discutidos, posto que reconhece de forma expressa sua anterior extinção, e, portanto, seria ilógico admitir a suspensão da exigibilidade de inscrição em dívida ativa já extinta. Ademais, ainda que as inscrições do IRPJ e da CSLL estivessem sob apreciação judicial, a decisão foi no sentido de impedir a inscrição em dívida ativa justamente porque entendeu o Ilustre Magistrado que os débitos lá inscritos deveriam ter sido objeto de lançamento de ofício e não inscritos diretamente em dívida ativa, portanto, não vedou o lançamento tributário. Processo n° 10940.00189012005-23 SI-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.008 (Resolução) Fl. 6 E, quanto ao mérito, a DRJ fez explanações sobre a founa de preenchimento da DCTF e entendeu que a contribuinte ao preencher a DCTF informou compensação com DARF (pagamento indevido ou a maior), ao invés de preencher compensação sem DARF. Com isso a DRJ concluiu que ainda que se aceitasse a compensação com a simples declaração em DCTF, o fato é que a empresa o fez de forma equivocada informando créditos que nada tem haver com aqueles reconhecidos judicialmente. Assim, considerando que a defesa da empresa fora baseada na possibilidade de compensação por meio de declaração em DCTF dos créditos por ela reconhecidos judicialmente, prejudicados ficaram seus argumentos, pois os créditos mencionados na citada DCTF foram os resultantes de DARF. (Compensação com DARF). Sobre o argumento de que os pedidos de compensação que foram extraviados e reconstituídos poderiam conter o período aqui em tela, alega a DRJ que a própria reconstituição demonstrou não ser verdadeira tal afirmação. Quanto às alegações do contribuinte acerca da possibilidade de se efetuar as compensações, alega a DRJ que não se está negando o seu direito, pois nos casos em que a empresa fez o devido pedido de compensação o mesmo foi atendido, conforme se vê no Comunicado N° 090/2004 (Fls. 642) e que no caso em tela a empresa sequer teria feito o requerimento de compensação com os créditos reconhecidos judicialmente. Com relação à aplicação da multa isolada, decidiu a DRJ pela peinianência desta tendo em vista que o art. 44, I, § 1°, IV, da Lei 9.430, de 1996, prevê expressamente a hipótese de incidência da multa isolada quando a empresa, sujeita ao recolhimento por estimativa, deixa de fazê-lo, ainda que tenha no final do período base anual apurado prejuízo ou base de cálculo negativa. Por fim, quanto à última alegação da empresa sobre ausência de resposta do Fisco sobre Comunicado COMP 90/04, entenderam os julgadores que tal argumento não merece prosperar tendo em vista que este motivo não deu ensejo ao auto de infração em comento. Desta forma, foi mantido o lançamento de forma integral. Intimado desta 6 Processo n° 10940.00189012005-23 SI-C1T2 Acórdão n. 0 1102-00.008 (Resoíução) Fl. 7 decisão em 14/06/2006, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no dia 13/06/2006, acompanhado do respectivo termo de arrolamento, reiterando as razões expostas na impugnação. Em julgamento realizado em 24 de maio de 2007 os membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes entenderam que para o deslinde do julgamento seria imprescindível converte-lo em diligência para que, após a análise dos Livros fiscais de Entrada, Saída e de Apuração de IPI, bem como de todas as declarações informadas pelo contribuinte (DCTFs, DIPJs), fossem esclarecidas as seguintes questões: 1) qual o valor do crédito de IPI do contribuinte reconhecido judicialmente? 2) qual o montante utilizado deste crédito em outras compensações e qual é o eventual saldo remanescente? 3) existia saldo credor suficiente para que fosse efetuada a compensação do crédito tributário constituído através do presente auto de infração, conforme declarado em DCTF pelo contribuinte? As informações fornecidas pela SAFIS, em cumprimento à diligência, foram apresentadas à fls. 1.688 e 1.689 nos seguintes termos: 1) qual o valor do crédito de IPI do contribuinte reconhecido judicialmente? Resposta: O saldo apurado na verificação fiscal, observada a decisão judicial, foi de R$ 26.385.222,65 (vinte e seis milhões trezentos e oitenta e cinco mil duzentos e vinte e dois reais e sessenta e cinco centavos) fls. 1650-1652. 2) qual o montante utilizado deste crédito em outras compensações e qual é o eventual saldo remanescente? Resposta: O montante do crédito apurado foi utilizado integralmente na compensação de outros débitos (não compreendidos os débitos do presente processo), restando ao final, saldo a pagar de compensação não homologada, fls 1650-1652. 7 Processo n° 10940.001890/2005-23 81-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.008 (Resolução) Fl. 8 3) existia saldo credor suficiente para que fosse efetuada a compensação do crédito tributário constituído através do presente auto de infração, conforme declarado em DCTF pelo contribuinte? Resposta: Conforme os itens anteriores, não há saldo suficiente para a compensação do crédito tributário constituído através dos presentes Autos de IRPJ e CSLL do presente processo. Após a conversão do julgamento em diligência a Delegacia da Receita Federal de Ponta Grossa/PR publicou, em 22 de janeiro de 2008, o despacho decisório n° 28/2008 (fls. 1661/1669) o qual conclui que o montante de crédito referente à aquisição de insumos isentos, não tributados e com tributação reduzida à alíquota zero, no período de 31/07/1988 a 03/08/1998, que o contribuinte utilizou para as compensações, não equivale aquele homologado em diligência fiscal. Glosou a totalidade de crédito referente ao período de 31/07/1988 a 03/08/1998, devido à falta de apresentação de notas fiscais. Glosou, também, a correção monetária de valores referente ao período de 04/08/1998 a 30/09/2000, haja vista que os créditos deveriam ser aproveitados a partir da concessão da Liminar em Mandado de Segurança. Concluiu, ainda, que a correção monetária sobre os créditos referidos deveria ser considerada somente até o transito em julgado da ação judicial, que ocorreu na data 21/08/2000. Inconformada com o despacho decisório, a contribuinte apresentou (fls. 1670 a 1687) Manifestação de Inconformidade alegando decadência do direito de glosa referente ao período de 31/07/1988 a 30/09/2000. Isso porque, a contribuinte foi notificada do despacho decisório em 24/01/2008 decorridos, portanto, mais de seis anos da ocorrência dos lançamentos contábeis dos créditos pelo contribuinte e da constituição de créditos tributários pelo fisco, através dos autos de infração. No mérito, alegou que não foi apresentada a relação das notas fiscais glosadas e das notas fiscais que geraram os valores dos créditos, para serem utilizadas na compensação. Aduziu que a empresa é obrigada a manutenção das notas fiscais até que aconteça a decadência do direito do fisco de lançar o crédito tributário. Dessa forma, decorrido o prazo de cinco anos para a homologação expressa pelo fisco, conforme o artigo 150,§4°, _.., / Processo n° 10940.001890/2005-23 S1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.008 (Resolução) Fl. 9 CTN, ocorre a homologação tácita, que é a legitimação dos lançamentos realizados pelo contribuinte. Com relação ao direito à aplicação da correção monetária após o transito em julgado da ação judicial, até a data da satisfação total dos valores dos saldos mensais de créditos contabilizados, arguiu o contribuinte que o fisco não apresentou fundamentação legal para essa conclusão, apenas limitou-se a dizer que não era correto. Após a apresentação da manifestação de inconformidade, o processo administrativo está aguardando a decisão de primeira instância da Delegacia da Receita Federal de Curitiba/PR. É o relatório. Voto Conselheiro JOÃO CARLOS LIMA JUNIOR, Relator Por preencher as condições de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. Realizada a diligência foi constatado que o saldo apurado pela verificação fiscal foi de R$ 26.385.222,65 (vinte e seis milhões trezentos e oitenta e cinco mil duzentos e vinte e dois reais e sessenta e cinco centavos), sendo esse montante utilizado integralmente na compensação de outros débitos não havendo, portanto, saldo suficiente para a compensação do crédito tributário constituído através dos presentes autos de IRPJ e CSLL. Na mesma diligência foi constado pela SAFIS que a decisão que apurou o valor do crédito de R$ 26.385.222,65 (vinte e seis milhões trezentos e oitenta e cinco mil , duzentos e vinte e dois reais e sessenta e cinco centavos) foi objeto de recurso administrativo interposto pela contribuinte, a qual apresenta um crédito de R$ 37.350.629,39 (Trinta e sete milhões quinhentos e trinta mil seiscentos e vinte e nove reais e trinta e nove centavos) relativo ao mesmo período. 9 Processo n° 10940.00189012005-23 Sl-C1T2. . Acórdão n.° 1102-00.008 (Resolução) Fl. 10 Verifica-se que após a conversão do julgamento em diligência, a Delegacia da Receita Federal de Ponta Grossa/PR publicou novo despacho decisório n° 28/2008 (fls. 1661/1669) o qual conclui que o montante de crédito referente à aquisição de insumos isentos, não tributados e com tributação reduzida à alíquota zero, no período de 31/07/1988 a 03/08/1998, que o contribuinte utilizou para as compensações, não equivale àquele homologado em diligência fiscal. Este novo despacho está aguardando o julgamento em 1° instância administrativa. O deslinde desse processo é fundamental para conclusão deste julgamento. Haja vista que o fisco aduz que o contribuinte possui um crédito no valor de R$ 26.385.222,65 (vinte e seis milhões trezentos e oitenta e cinco mil duzentos e vinte e dois reais e sessenta e cinco centavos) enquanto que o contribuinte apresenta um crédito de R$ 37.350.629,39 (Trinta e sete milhões quinhentos e trinta mil seiscentos e vinte e nove reais e trinta e nove centavos). Face ao exposto, converto o julgamento em diligência para que o processo aguarde no órgão de origem a decisão final proferida no processo administrativo n.° 10940.001890/2005-23, juntando-se cópia do presente, que deverá, então, retornar ao CARF para julgamento. É COMO voto. i Sala das Sessões, em 25 de ' evereiro de 2010 n JOÃO CARL é S . A JUNIOR y...) ' o
score : 1.0
Numero do processo: 13702.000430/2001-55
Data da sessão: Tue Sep 29 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Sep 29 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1102-000.002
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o
julgamento em diligencia para que o contribuinte seja intimado a demonstrar e comprovar o lucro da exploração, bem como as despesas com o Programa de alimentação ao Trabalhador. Vencido o conselheiro Mario Sérgio Fernandes Barroso (Relator), e José Sergio Gomes.
Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Joao Carlos de Lima Júnior, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13702.000430/2001-55 Recurso n° 156.731 Resolução n° 1102-00.002 — la Camara / 2 Turma ordinaria Data 29/09/2009 Assunto Solicitação de diligencia Recorrente LATASA NORDESTE S.A. Recorrida 3a TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJI Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligencia para que o contribuinte seja intimado a demonstrar e comprovar o lucro da exploração, bem corno as despesas corn o Programa de alimentação ao Trabalhador. Vencido o conselheiro Mario Sérgio Fernandes Barroso (Relator), e José Sergio Gomes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Joao Carlos de Lima Júnior, nos termos do voto do relator. SANDRA MARIA FARONI - Presidente JOÃO CARLOS DE IOR — Redator Designado EDITADO EM: Participaram do presente julgamento os conselheiros: Joao Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente), José Carlos Passuello, Natanael Vieira dos Santos (Suplente Convocado), Sandra Maria Faroni (Presidente da Turma), José Sergio Gomes e Mario Sérgio Fernandes Barroso. Processo n° 13702.000430/2001-55 S I-C2TO Resoluçdo n.° 1102-00.002 Fl. 2 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário interposto pela contribuinte acima qualificada a respeito da decisão da DRJ que indeferiu o pedido de restituição/declaração de compensação da recorrente. 0 crédito pleiteado pela recorrente advém de três fontes: concessão de isenção da SUDENE de 100% do Imposto de Renda (IRPJ) incidente sobre o lucro da exploração da atividade de fabricação de artefatos de alumínio; Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre receitas de operações financeiras; Incentivo fiscal decorrente do programa de alimentação do trabalhador (PAT). Tendo em vista que o beneficio foi alterado de 75% para 100% do IRPJ, o interessado teria direito a utilizarem exercícios posteriores o referido beneficio não gozado. A DRJ decidiu: Quanto a questão da SUDENE entendeu não ter comprovação nos autos(livros demonstrativos, balancetes etc) de que permita verificar a proporção da receita da atividade isenta e das demais atividades. Quanto ao IRRF sobre as aplicações financeiras entendeu não haver comprovação do oferecimento h tributação dos rendimentos. Ademais, há divergências entre o pedido original, na manifestação de inconformidade, no demonstrativo de rendimentos, e na DIPJ. Quanto ao PAT, entendeu que a contribuinte não conseguira explicar a origem do montante de R$ 48.914,52 referente ao PAT, ademais não foram juntados documentos capazes de comprovar esses despesas. A recorrente nas fl. 252/265 alega: Que a recorrente recebeu da Sudene o beneficio de isenção do Imposto de Renda incidente sobre o lucro de exploração da atividade de fabricação de artefatos de alumínio de 1998 a 2007. Em razão da isenção o IRPJ/2000 devido foi de R$ 943.785,85. As estimativas foram de R$ 3.046.767,94, assim, a recorrente seria credora de R$ 2.102.982,09. Toda a atividade da empresa seria referente a fabricação de artefatos de alumínio. Traz DIPJ (DOG 3), e o Balanço Patrimonial. Traz cópia autenticada do ato que lhe concede o beneficio fiscal; Quanto aos créditos das aplicações financeiras decorrente de IRRF. conforme informes bancários no valor de R$ 829.880,14, foram declarados na DIPJ (ficha 43) DOC. 3 o que demonstra ter composto a base de cálculo do IRPJ. Traz, também, (DOC.8 e 9) balancete analítico por conta, no qual são abertos todos os lançamentos contábeis efetuados em sua conta de resultado, demonstrando-se o resultado de juros de aplicação financeira auferidos pela recorrente e o total de receita oferecida á. tributação. 2 Processo n° 13702.000430/2001-55 SI-C2TO Resolução n.° 1102-00.002 Fl. 3 Quanto ao valor de crédito de PAT apurado no ano de 2000 quando a recorrente deixou de deduzir de sua apuração de IRPJ devido o valor do beneficio do PAT, passando a ajustar o crédito de seu lucro de exploração e a recalcular o imposto devido, deduzindo, agora, tal incentivo. DOC. 5 memórias de cálculo do IRPJ e do lucro de exploração e DOC 3 , pagina 13 da ficha 12A da DIPJ. Alem do DOC. 8. o relatório. 3 Processo n° 13702.000430/2001-55 S I-C2TO Reso Inca° n.° 1102-00.002 Fl. 4 VOTO VENCIDO Conselheiro Mario Sérgio Fernandes Barroso, Relator 0 recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dela torno conhecimento para exame das razões trazidas pelo sujeito passivo. Quanto a questão da Sudene, a Portaria DAI/ITE 032/2001 concede isenção sobre o IRP.1 incidente sobre o lucro de exploração sobre atividade de fabricação de artefatos de alumínio. A DRJ já negara este item, pois, a interessada não trouxera documentos que comprovassem a veracidade das informações prestadas pela interessada. Agora, em sede de recurso entendo que a recorrente, ainda não trouxe documentação que comprova as informações de fl. 277. Se não vejamos, o estatuto social de fl. 04, informa que a recorrente, ao contrario de que afirmou no recurso, exerce ou pode exercer várias atividades, como Por exemplo importar e exportar bens, produtos ou equipamentos, compra, venda, beneficial -I-lento e transformação ern semimanufaturados de metais ferrosos ou não ferroso etc. Assim, se a recorrente só pudesse exercer uma atividade não estaríamos a discutir a questão. Na DIPJ f1.177, os valores estão discriminados, contudo, entendo que a DIPJ faz prova em favor da contribuinte, desde que recheada de documentação comprobatória. Assim, por absoluta falta de comprovação esta solicitação deve ser indeferida. Observo, ainda, que o indeferimento dessa parcela já torna o pedido total indeferido, em vista, que o saldo do IRPJ já. se torna positivo (fl. 03), no tendo nada a restituir. Quanto ao IRRF incidente sobre as aplicações financeiras a recorrente comprova/junta fl. 220/239 informes de rendimentos no valor de R$ 642.005,80. Na sua DIPJ, ela registra R$ 739.635,08 (fl. 284). Assim, temos um forte indicio de que além de retido foi oferecido a tributação os rendimentos financeiros no valor de R$ 642.005,80. Por fim, o DOC 8 e 9, fl. 319, 329 e 330, a contribuinte registrou em seus balancete analítico valores suficientes para comprovar os valores dos informes de rendimentos. Assim, nesta parte a recorrente tern razão. Quanto ao PAT não vislumbrei documentação que comprovasse tal despesa. Pelo exposto, nego provimento ao recurso. MARIO ÉRGIO F RNANDES BARROSO 4 Processo n° 13702.000430/2001-55 SI-C2TO Resolucdo n.° 1102-00.002 Fl. 5 VOTO VENCEDOR JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR — Redator Designado Trata-se de pedido de restituição/compensação realizado pelo contribuinte que requer a declaração de crédito decorrente de isenção do Imposto de Renda (IRPJ) sobre o lucro advindo da exploração de atividade de fabricação de artefatos de alumínio concedida pela SUDENE; crédito de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRPF) decorrente de receitas de operações financeiras e crédito decorrente de incentivo fiscal, concedido pelo programa de alimentação ao trabalhador (PAT), não gozado pelo contribuinte. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) indeferiu o pedido alegando que os documentos fiscais do contribuinte não discriminaram as atividades isentas pela SUDENE das demais atividades. Da mesma forma, entendeu que os documentos juntados pelo contribuinte não foram capazes de comprovar as despesas com o PAT. Ocorre que diante dos documentos apresentados percebe-se que há indícios de que o contribuinte realmente possui o direito pleiteado. Assim, corn base no principio da verdade real que norteia o processo administrativo tributário, há a necessidade de converter o julgamento em diligência para que o contribuinte seja intimado a demonstrar e comprovar o lucro da exploração de atividade de fabricação de artefatos de alumínio, bem corno comprovar as despesas com o Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT). Após retornem os autos conclusos para novo julgamento. É corno voto. JOÃO CARLOS LIMA JÚ OR v 5
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Numero do processo: 10670.001770/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/2004
RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO
ART. 41 DA LEI N º 8.212, de 24/07/91. EFEITOS RETROATIVIDADE
BENIGNA. RECONHECIMENTO
A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n º 8.212/91; entretanto, tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, do que deixou de definir o ato como infração.
A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). A exclusão por lei de algum desses elementos implica retroatividade benigna do artigo 106 do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-002.270
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/2004 RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N º 8.212, de 24/07/91. EFEITOS RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n º 8.212/91; entretanto, tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, do que deixou de definir o ato como infração. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). A exclusão por lei de algum desses elementos implica retroatividade benigna do artigo 106 do CTN. Recurso Voluntário Provido.
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REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N º 8.212, de 24/07/91. EFEITOS RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n º 8.212/91; entretanto, tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, do que deixou de definir o ato como infração. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). A exclusão por lei de algum desses elementos implica retroatividade benigna do artigo 106 do CTN. Recurso Voluntário Provido Fl. 453DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 454DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10670.001770/200715 Acórdão n.º 2402002.270 S2C4T2 Fl. 454 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação lavrada em 04/09/2007. A procedência parcial da impugnação se deu por erro da fiscalização na fixação da multa e por ter sido reconhecido que os fatos anteriores a 5 anos da lavratura foram alcançados pela decadência. Segue transcrição da ementa que compõe o acórdão recorrido: AUTO DE INFRAÇÃO CONTRA O DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. GFIP. RESPONSABILIDADE DO PREFEITO. DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO. RETIFICAÇÃO DO VALOR DA MULTA. Constitui infração à legislação previdenciária, a apresentação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuição social. Considerase dirigente aquele que, a época da infração praticada, tinha a competência prevista em ato administrativo emitido por autoridade competente, para decidir a prática ou não do ato que constitua infração à legislação previdenciária. O dirigente de órgão/ente público responde pessoalmente pelas penalidades aplicadas por infração à legislação previdenciária, com relação ao período de sua gestão. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A disposição contida em enunciado de Súmula Vinculante do STF obriga a todos os órgãos do Poder Constituído Judiciário, bem como todos os órgãos e entes da Administração Pública direta e indireta. A multa aplicada a maior em Auto de Infração será corrigida na própria decisão, com abertura de prazo para recurso ou pagamento com redução de vinte e cinco por cento. Lançamento Procedente em Parte Contra a decisão o recorrente reiterou suas alegações iniciais: Não teve qualquer responsabilidade no cometimento da infração; O fato de ser o ordenador de despesa, por si só, não lhe chama a responsabilidade para o descumprimento de obrigações acessórias, pois que se trata de atribuição que fugia de sua alçada e rotina executar; Fl. 455DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 O Tribunal de Contas do Estado não lhe responsabilizou por nenhum dos fatos descritos no relatório fiscal; A responsabilidade deveria recair nos setores próprios de atividade "meio" da Prefeitura Municipal, como assessorias, diretorias e secretarias; O impugnante por não ser responsável técnico contábil da Prefeitura, e não tendo prestado as informações, não pode ser colocado no pólo passivo do lançamento fiscal; Somente surgirá a responsabilização pessoal do administrador público, quando ocorrer infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, de acordo com o artigo 137, inciso I, do CTN; O artigo 41 da Lei 8212/91 que determina a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público, apenas refere à multa aplicada por infração de dispositivos daquela Lei, nada dispondo acerca de contribuições previdenciárias; Não é cabível a responsabilização do Prefeito Municipal, com fundamento no artigo 135, inciso III, do CTN, pois este determina a responsabilidade pessoal dos representantes de pessoas jurídicas de direito privado; Não tendo cunho tributário, não se aplica a rigidez legislativa referentemente responsabilidade da obrigação, no sentido de que, sendo pessoal, a multa exige a apuração da atuação do agente, com a constatação da relação de causa e efeito; Cita a anistia da Lei 9.476/97, e requer seja reconhecida a ilegitimidade passiva do impugnante, frente à autuação. É o Relatório. Fl. 456DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10670.001770/200715 Acórdão n.º 2402002.270 S2C4T2 Fl. 455 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Preliminarmente, há que ser observada a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n º 8.212/91; entretanto, tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009. Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Conforme previsto no art. 106, inciso II do Código Tributário Nacional CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, no caso presente, aplicase o art. 106, inciso II, alíneas “a” e “b” do CTN. A Medida Provisória n º 449/2008, ao revogar o art. 41 da Lei n º 8.212/91, afastou a responsabilização do dirigente nas omissões e ações que geram o descumprimento de obrigações acessórias. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum benefício para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a Medida Provisória deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Caso a fiscalização fosse autuar o prefeito municipal na data de hoje, por fatos pretéritos, não poderia fazêlo, em função da MP nº 449/2008. Assim, em relação ao dirigente, a MP é, sem dúvida, mais benéfica; se antes da MP a autuação era em nome do dirigente, com sua responsabilização pessoal, após, não cabe tal autuação. Ressaltase que atualmente a MP nº 449/2008 teve suas regras convalidadas com a sua conversão na Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Fl. 457DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Pelo exposto, voto pelo provimento do recurso. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 458DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005050/2009-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006, 2007
PROCESSO PREJUDICIAL. ÊXITO DO CONTRIBUINTE. AUMENTO DO PREJUÍZO FISCAL. COMPENSAÇÃO PROCEDENTE.
Como a autuação que reduzia o saldo de prejuízo fiscal da Recorrente foi cancelada por esta mesma Turma no Processo nº 19515.002902/2004-41, então, como consequência lógica, a compensação neste presente processo é procedente no tocante ao primeiro semestre e parte do segundo semestre de 2006.
RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. FORA DO PERÍODO FISCALIZADO. AUTOLANÇAMENTO. PARCELAMENTO. MULTA DE OFICÍO. DESCABIDA.
Quanto ao parcelamento da Recorrente que diz respeito a parte do segundo semestre de 2006 e a 2007, as retificações de DCTF´s e DIPJ´s foram realizadas antes que se incluísse os respectivos períodos na fiscalização. Realizado o autolançamento, não há lançamento de ofício e, portanto, não há multa de ofício, restando apenas a multa de mora, que cabe à autoridade competente para executar o Acórdão verificar se foi incluída no parcelamento.
Numero da decisão: 1401-001.566
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: I) por unanimidade de votos, apenas para reduzir na conformidade da decisão proferida no processo nº 19515.002902/2004-41 os créditos tributários do presente processo referentes ao 1º semestre e parte do 2º semestre de 2006; e II) por maioria de votos, relativamente à parte que não decorre do processo nº 19515.002902/2004-41, dar provimento para cancelar o principal e acréscimos legais até o limite que foi confessado no parcelamento, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório (Relator). Designado o Conselheiro Marcos de Aguiar Villas Boas para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006, 2007 PROCESSO PREJUDICIAL. ÊXITO DO CONTRIBUINTE. AUMENTO DO PREJUÍZO FISCAL. COMPENSAÇÃO PROCEDENTE. Como a autuação que reduzia o saldo de prejuízo fiscal da Recorrente foi cancelada por esta mesma Turma no Processo nº 19515.002902/2004-41, então, como consequência lógica, a compensação neste presente processo é procedente no tocante ao primeiro semestre e parte do segundo semestre de 2006. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. FORA DO PERÍODO FISCALIZADO. AUTOLANÇAMENTO. PARCELAMENTO. MULTA DE OFICÍO. DESCABIDA. Quanto ao parcelamento da Recorrente que diz respeito a parte do segundo semestre de 2006 e a 2007, as retificações de DCTF´s e DIPJ´s foram realizadas antes que se incluísse os respectivos períodos na fiscalização. Realizado o autolançamento, não há lançamento de ofício e, portanto, não há multa de ofício, restando apenas a multa de mora, que cabe à autoridade competente para executar o Acórdão verificar se foi incluída no parcelamento.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: I) por unanimidade de votos, apenas para reduzir na conformidade da decisão proferida no processo nº 19515.002902/2004-41 os créditos tributários do presente processo referentes ao 1º semestre e parte do 2º semestre de 2006; e II) por maioria de votos, relativamente à parte que não decorre do processo nº 19515.002902/2004-41, dar provimento para cancelar o principal e acréscimos legais até o limite que foi confessado no parcelamento, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório (Relator). Designado o Conselheiro Marcos de Aguiar Villas Boas para redigir o voto vencedor.
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Glosa de compensação de prejuízo fiscal por insuficiência de saldo acumulado. Recorrente CBPO ENGENHARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006, 2007 PROCESSO PREJUDICIAL. ÊXITO DO CONTRIBUINTE. AUMENTO DO PREJUÍZO FISCAL. COMPENSAÇÃO PROCEDENTE. Como a autuação que reduzia o saldo de prejuízo fiscal da Recorrente foi cancelada por esta mesma Turma no Processo nº 19515.002902/2004-41, então, como consequência lógica, a compensação neste presente processo é procedente no tocante ao primeiro semestre e parte do segundo semestre de 2006. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. FORA DO PERÍODO FISCALIZADO. AUTOLANÇAMENTO. PARCELAMENTO. MULTA DE OFICÍO. DESCABIDA. Quanto ao parcelamento da Recorrente que diz respeito a parte do segundo semestre de 2006 e a 2007, as retificações de DCTF´s e DIPJ´s foram realizadas antes que se incluísse os respectivos períodos na fiscalização. Realizado o autolançamento, não há lançamento de ofício e, portanto, não há multa de ofício, restando apenas a multa de mora, que cabe à autoridade competente para executar o Acórdão verificar se foi incluída no parcelamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: I) por unanimidade de votos, apenas para reduzir na conformidade da decisão proferida no processo nº 19515.002902/2004-41 os créditos tributários do presente processo referentes ao 1º semestre e parte do 2º semestre de 2006; e II) por maioria de votos, relativamente à parte que não decorre do processo nº 19515.002902/2004-41, dar provimento para cancelar o principal e acréscimos legais até o Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 24 /03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS Processo nº 19515.005050/2009-58 Acórdão n.º 1401-001.566 S1-C4T1 Fl. 1.024 2 limite que foi confessado no parcelamento, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório (Relator). Designado o Conselheiro Marcos de Aguiar Villas Boas para redigir o voto vencedor. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Documento assinado digitalmente. Marcos de Aguiar Villas Boas - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração do processo em papel que foi digitalizado para o sistema e-Processo. Trata-se de recurso voluntário interposto por CBPO ENGENHARIA LTDA, contra acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/São Paulo I que concluiu pela procedência dos lançamentos efetivados. Os créditos tributários lançados, no âmbito da Defic/SP, referentes ao IRPJ, correspondentes aos períodos de apuração dos anos-calendário de 2006 e 2007, totalizaram R$ 46.787.152,06. A autuação é fundamentada na glosa de compensação de prejuízos fiscais por insuficiência de saldo acumulado. Essa glosa foi efetuada nos seguintes períodos de apuração: 1º semestre de 2006 (uma vez que ocorreu um evento de cisão parcial em 30/06/2006), 2º semestre de 2006 e todo o ano-calendário de 2007. A discordância entre a fiscalização e a empresa sobre o saldo de prejuízos fiscais acumulado nos períodos autuados foi motivada pelo aproveitamento de ofício, no auto de infração consubstanciado no processo nº 19515.002902/2004-41, de parte do saldo existente no ano-calendário de 1999. O voto condutor da decisão prolatada na instância a quo assim relatou o caso: Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 24 /03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS Processo nº 19515.005050/2009-58 Acórdão n.º 1401-001.566 S1-C4T1 Fl. 1.025 3 Em procedimento de Ação Direta de Fiscalização efetuou-se a Revisão das Declarações de Ajuste Anual, anos-calendário de 2005 a 2007, exercícios 2006 a 2008, da empresa acima qualificada, sendo autuada e notificada em 23/11/2009, a recolher ou impugnar o credito tributário de R$ 46.787.152,06, a título de Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica (IRPJ, incluídos nesses totais multa e juros de mora calculados até 30/10/2009). O enquadramento legal para o IRPJ está discriminado na f1.346. Conforme descrição no Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls.315/320, a fiscalização constatou em procedimento de revisão da declaração de rendimentos, relativamente ao período entre 31/12/2005 e 31/12/2007, a compensação de prejuízo fiscal superior a 30% do Lucro Real antes das compensações. Ano-Calendário N° DIPJ Valor compensado a maior 2006 (cisão) 1363384 7.486.920,53 2006 1289782 80.636.796,82 2007 1888246 3.500.000,00 No ano-calendário de 2005, a interessada compensou 88,87% do Lucro Real com prejuízo fiscal, desrespeitando o disposto no art.250, III, do RIR/99 e art.15 da Lei n° 9.065/95, §único, os quais limitam a compensação de prejuízos a 30% do lucro real. No entanto, em virtude de decisão judicial favorável à impugnante, no sentido de se permitir a compensação de 100 % do lucro real, a Fiscalização concedeu-lhe a prerrogativa de utilização total do referido crédito o que resultou em prejuízo fiscal insuficiente para a compensação em períodos posteriores. Em razão da insuficiência de prejuízos fiscais, a autoridade fiscal glosou as compensações efetuadas pela contribuinte nos anos-calendário de 2006 e 2007 e lavrou o correspondente crédito tributário. Cientificada do feito em 23/11/2009 (f1.344)), apresenta em 23/12/2009 e 01/03/2010, impugnação de fls. 351/363 e 639/640, respectivamente, para todos os feitos, argüindo, em síntese, o seguinte: • Saldo de prejuízo fiscal do 1º semestre de 2006 -processo n° 19515.002902/2004-41: A origem da alegada compensação indevida no ano- calendário de 2006 é o processo, já citado, em que a autoridade fiscal utilizou o prejuízo fiscal da requerente, acumulados até o ano-calendário de 1999, no montante de R$ 53.262.718,53, cujo valor a contribuinte faz jus (doc.05); • Saldo de prejuízo fiscal de parte do 1° semestre de 2006 -processo n° 19515.002902/2004-41: A origem da alegada compensação indevida de parte do 2° semestre do ano-calendário de 2006 é o processo, já citado, em que a autoridade fiscal utilizou o prejuízo fiscal da requerente, acumulados até o ano-calendário de 1999, no montante de R$ 53.262.718,53, cujo valor a contribuinte faz jus (doc.05) e que, devido ao ajuste mencionado, refletiu no resultado deste PA; • Os ajustes no LALUR não foram efetuados devido a improcedência, segundo a impugnante, do lançamento do processo já mencionado, cujo pleito está em fase de discussão no Conselho de Contribuintes (hoje CARF - doc.07); Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 24 /03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS Processo nº 19515.005050/2009-58 Acórdão n.º 1401-001.566 S1-C4T1 Fl. 1.026 4 • Como o referido PAF está em situação de litígio sem decisão final, não poderia a autoridade fiscal glosar as compensações do 1° e 2° semestres de 2006; • É necessário, portanto, o desfecho do PAF, já citado, para se proceder aos ajustes nos prejuízos fiscais da contribuinte; • Prejuízos fiscais de parte do 2° semestre de 2006 e ano-calendário de 2007: Com relação aos períodos, ora citados, a interessada efetuou as retificações da DIPJ e da DCTF, de forma a espelhar a verdade dos fatos, pois, a mesma aderiu ao parcelamento da Lei n° 11.941/2009, já tendo pago a lª parcela (docs.08 e 09); • A pleiteante tem direito às retificações das referidas declarações tendo em vista que as entregou em 18/09/2009 e 10/10/2009, sendo o inicio da fiscalização datado de 07/12/2007; • O Termo de inicio de fiscalização iniciado em 07/12/2007, apenas fez exigências de fatos ocorridos no ano-calendário de 2004, não retirando, portanto, a espontaneidade em relação aos anos-calendário de 2006 e 2007; • Apenas em 14/10/2009 (referente aos fatos geradores do anos-calendário de 2005 e 2006) e 05/11/2009 (referente aos fatos geradores do anos-calendário de 2006 e 2007), a Fiscalização intimou a requerente a prestar esclarecimentos a respeito da compensação de prejuízos fiscais efetuados nos anos-calendário de 2005 a 2007; • Os débitos declarados em DCTF não devem ser lançados e, sim, inscritos em DAU sem a cobrança de multa de oficio cabendo apenas a exigência de multa de mora; • Pelo exposto, a autoridade fiscal não deveria ter lançados os débitos confessados em DCTF (apresentada ern 10/10/2009); • Requer a suspensão do presente feito até o julgamento final do PAF n° 19515.002902/2004-41, o cancelamento da multa de oficio e a produção de todos os meios e prova bem como a juntada de documentos e produção de diligências; • Desiste, em virtude do parcelamento, dos valores de R$ 6.143.719,74, declarado em DCTF e referente ao 2° semestre de 2006 e de R$ 851.000,00 de débito de IRPJ do ano-calendário de 2007; • Portanto, o litígio abrange, após as exclusões, os valores do 1° semestre de 2006 de IRPJ, parte do débito do 2° semestre de 2006 e correspondentes acréscimos legais como a multa de oficio e dos juros de mora. Ao apreciar a impugnação apresentada, a 2ª Turma da já mencionada DRJ/São Paulo I proferiu o Acórdão nº 16-26.038, de 15 de julho de 2010, por meio do qual decidiu pela procedência total do feito fiscal. Quanto ao pedido de suspensão do feito até o julgamento final do processo nº 19515.002902/2004-41, o voto condutor da decisão proferida no citado acórdão assim se manifestou: Com relação ao processo de n° 19515.002902/2004-41, a DRJ/STM (Acórdão n° 18-9.017, de 20/05/2008 - cópia às fls.227/240) manteve integralmente o crédito Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 24 /03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS Processo nº 19515.005050/2009-58 Acórdão n.º 1401-001.566 S1-C4T1 Fl. 1.027 5 tributário lançado por meio de Auto de Infração (cópia às fls.197/207). Observa-se pelo extrato de fl.678, que, ainda, o referido PAF encontra-se em fase de análise por parte do CARF (antigo Conselho de contribuintes). Assim, em não tendo sido proferida decisão em favor da contribuinte, fica mantida a situação nela contida. Por sua vez, quanto aos débitos declarados em DCTF, o mesmo voto condutor assim se pronunciou: Corno se observa nas fls.02/03, a atividade fiscal teve prosseguimento por todo o período compreendido entre 01/2004 a 12/2007. Posteriormente, no Termo de Inicio de Fiscalização de fls.04/05, o procedimento fiscal teve continuidade, quando a autoridade fiscal solicitou documentação referente aos anos-calendário de 2004 a 2007. Em seguida, o procedimento de fiscalização teve sucessivas renovações por meio da lavratura dos Termos de Prosseguimento Fiscal de fls.140/155, 161 e Termos de Intimação Fiscal de fls.157, 165/166, 169/170, 173, 175/176 e 181 em que foram solicitados à interessada a documentação referente aos fatos geradores abrangendo todo o período de 2004 a 2007. A atividade fiscalizatória somente teve término em 23/11/2009, assim, não procede as argumentações da contribuinte de que dispunha de espontaneidade no período em que entregou as declarações retificadoras (DIPJ e DCTF entregues em 18/09/2009 e 10/10/2009), pois em todo o período compreendido entre 07/12/2007 e a data citada, a contribuinte estava em procedimento fiscal. (...) A unidade de jurisdição da contribuinte deve se atentar para o fato de que a contribuinte desistiu, em virtude do parcelamento, dos valores de R$ 6.143.719,74, declarado em DCTF e referente ao 2º semestre de 2006 e de R$ 851.000,00 de débito de IRPJ do ano-calendário de 2007 (f1.342), conforme demonstrativo de f1.655. Os demais valores do crédito tributário bem como os acréscimos legais ficam mantidos no presente processo. Inconformada, a empresa autuada apresentou recurso voluntário no qual, em essência, ofereceu os mesmos argumentos aduzidos na impugnação. Esclarece, no entanto, que a DRJ se equivocou ao afirmar que “o litígio abrange, após as exclusões, os valores do 1º semestre de 2006 de IRPJ, parte do débito do 2º semestre de 2006 e correspondentes acréscimos legais como a multa de ofício e dos juros de mora”. Olvidou-se, portanto, que as multas de ofício atreladas aos débitos de IRPJ (referentes à outra parte do 2º semestre de 2006 e à 2007), nos valores de R$ 6.143.719,74 e R$ 851.000,00, continuam em discussão nesses autos. Destarte, a insurgência quanto à questão da espontaneidade permanece mantida para efeito de afastamento das referidas multas. É o relatório. Voto Vencido Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 24 /03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS Processo nº 19515.005050/2009-58 Acórdão n.º 1401-001.566 S1-C4T1 Fl. 1.028 6 Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O julgamento do presente processo foi convertido em diligência pela Resolução nº 1102-000.203, de 09 de outubro de 2013, para que ele fosse juntado ao processo nº 19515.002902/2004-41, a fim de que fossem julgados em conjunto. Na ocasião, foi apontada uma relação de prejudicialidade na medida em que, se fosse decidido pela improcedência da autuação naquele processo, os prejuízos aproveitados de ofício deveriam ser restabelecidos e parte do crédito tributário aqui lançado ficaria maculada. Por conseguinte, ambos retornaram para minha relatoria, de modo que, o voto aqui manifestado, no que diz respeito aos créditos tributários referentes ao 1º semestre e parte do 2º semestre de 2006, tem como base a decisão proferida nesta mesma sessão de julgamento nos autos daquele outro processo. Nesse sentido, considerando que a referida decisão cancelou a autuação que reduzia o valor de IRPJ a compensar ou a ser restituído, relativamente ao fato gerador ocorrido em 30/11/99, exclusivamente no que concerne à distribuição disfarçada de lucros, há que se reduzir na mesma conformidade os créditos tributários do presente processo referentes ao 1º semestre e parte do 2º semestre de 2006. Ou seja, o prejuízo fiscal que deixar de ser utilizado como compensação naquele processo, em razão do cancelamento da mencionada infração, deve ser aproveitado para reduzir os créditos tributários do presente processo. Quanto à questão da espontaneidade, não se pode dar razão à recorrente. É que para a configuração da denúncia espontânea há que ocorrer a totalidade do pagamento devido antes de iniciado o procedimento fiscal. Esse é o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ, em sede de recurso repetitivo (artigo 543-C do Código de Processo Civil), no REsp nº 1.149.022/SP, verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 24 /03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS Processo nº 19515.005050/2009-58 Acórdão n.º 1401-001.566 S1-C4T1 Fl. 1.029 7 (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornando-se exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, ano-base 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 24 /03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS Processo nº 19515.005050/2009-58 Acórdão n.º 1401-001.566 S1-C4T1 Fl. 1.030 8 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, restou sedimentado que: (i) quando o contribuinte declara o tributo e não efetua o pagamento no vencimento, mas o faz (acompanhado dos juros de mora) antes de iniciado o procedimento fiscal, não se trata de denúncia espontânea, sendo exigível, portanto, a multa de mora (cf. Súmula nº 360 do STJ); (ii) quando o contribuinte declara o tributo de forma parcial e subsequentemente (antes de iniciado o procedimento fiscal) retifica a declaração, efetuando o pagamento integral da diferença informada (acompanhada dos juros de mora), configura-se a denúncia espontânea em relação à correspondente infração, sendo, portanto, descabível a exigência de qualquer multa (de mora ou de ofício). Como se sabe, o § 2º do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, determina que os julgados preferidos pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, são de observância obrigatória por este Colegiado. Confira-se: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973 - Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Portanto, não se pode concordar com a singela afirmativa da recorrente no sentido de que os débitos declarados em DCTF não devem ser lançados e, sim, inscritos em DAU, sem a cobrança de multa de ofício, mas apenas com a exigência de multa de mora. Isso só é verdade no caso de o débito declarado corresponder à totalidade do tributo devido no respectivo período de apuração (cf. Súmula nº 360 do STJ). Quando a totalidade do tributo devido não é originalmente declarada, surge a possibilidade de a fiscalização iniciar um procedimento tendente à constituição, via lançamento de ofício, da diferença não declarada. Essa é a hipótese de incidência do instituto da denúncia espontânea. Nada obstante, para que ela se configure, nos termos do artigo 138 do CTN, não basta a retificadora, há que se efetuar o pagamento integral da diferença informada (acompanhada dos juros de mora). Afinal, se não fosse assim, não faria sentido exigir a quitação da diferença para fazer jus ao instituto da Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 24 /03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS Processo nº 19515.005050/2009-58 Acórdão n.º 1401-001.566 S1-C4T1 Fl. 1.031 9 denúncia espontânea (prevista no item 1 da ementa do REsp nº 1.149.022/SP) porque o contribuinte sempre alegaria que a retificação da declaração é suficiente. No presente caso, a empresa, conforme atestado por seus próprios representantes no recurso apresentado, “constatando o caráter indevido da compensação de prejuízos por ela levada a efeito em parte do 2º semestre de 2006 e em 2007, procedeu à retificação das DIPJ’s e DCTF’s correspondentes, até porque era de seu intento, como de fato é, liquidar os respectivos débitos, mediante parcelamento, instituído pela Lei n. 11.941/09, ao qual aderiu”. Em sua impugnação, quando fez a mesma consideração, a empresa acrescentou: “já tendo inclusive aderido a este programa e efetuado o pagamento da 1ª parcela (docs. 8 e 9)”. De fato, os “docs. 8 e 9” (fls. 484 a 490) indicam o pagamento das primeiras quotas das dívidas não parceladas anteriormente no âmbito, respectivamente, da RFB e da PGFN, nos valores de R$ 100,00 (cem reais). Nada obstante, o entendimento do STJ é no sentido de que, nos casos de parcelamento de débito tributário, não se configura o instituto da denúncia espontânea. Outrossim, na sistemática dos recursos repetitivos, veja-se o REsp nº 1.102.577/DF: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. RECURSO REPETITIVO. ART. 543-C DO CPC. 1. O instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não se aplica nos casos de parcelamento de débito tributário. 2. Recurso Especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/2008 do STJ. Assim, independentemente de toda a discussão produzida nos autos sobre a amplitude do termo de início no que diz respeito aos períodos de apuração alcançados pela ação fiscal, importa perceber que ela é inócua diante do fato de não ter havido o pagamento integral dos tributos declarados na retificadora, condição necessária, segundo a jurisprudência vinculante do STJ, para a configuração da denúncia espontânea. Destarte, apesar de terem sido apresentadas as declarações retificadoras, seu processamento deve se dar na conformidade do que foi determinado na representação consubstanciada pela autoridade fiscal no volume anexo do presente processo, qual seja, não devem alimentar os sistemas de cobrança da RFB, conforme disposto no subitem 3.1.7 da Nota Conjunta COFIS/COSAR n° 03, de 30 de Julho de 2001. Assim, mesmo com o aparte em processo distinto, para cobrança separada, dos débitos que foram objeto da desistência formulada pela empresa autuada, procede a cobrança das multas de ofício aplicadas sobre os referidos débitos. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apenas para reduzir na conformidade da decisão proferida no processo nº 19515.002902/2004-41 os créditos tributários do presente processo referentes ao 1º semestre e Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 24 /03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS Processo nº 19515.005050/2009-58 Acórdão n.º 1401-001.566 S1-C4T1 Fl. 1.032 10 parte do 2º semestre de 2006. Ou seja, o prejuízo fiscal que deixar de ser utilizado como compensação naquele processo, em razão do cancelamento da autuação referente a distribuição disfarçada de lucros, deve ser aproveitado para reduzir os créditos tributários do presente processo. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator Voto Vencedor Conselheiro Marcos de Aguiar Villas-Bôas, Redator Designado Fui designado para relatar a parte do Acórdão que trata do parcelamento realizado pela Recorrente relativo aos débitos gerados por compensação indevida de prejuízos fiscais em parte do segundo semestre de 2006 e em 2007. A Recorrente realizou as retificações de declarações antes que houvesse fiscalização dos períodos em questão, como restou comprovado nos autos. A fiscalização que ocorria quando das retificações tinha como objeto apenas o ano calendário de 2004, tendo sido os demais anos calendários acrescentados em momento posterior. Antes que isso acontecesse, a Recorrente retificou as suas DCTFs e DIPJs. Conforme jurisprudência consolidada do STJ e do CARF, uma vez autolançados pelo contribuinte os créditos tributários, não há mais que ocorrer o lançamento de ofício e, portanto, a aplicação da multa de ofício fica afastada. Caberá apenas homologar ou não o autolançamento, que, se feito a menor, poderá ainda ser complementado por um lançamento de ofício com aplicação da respectiva multa de ofício. No entanto, esse não foi o caso. Por outro lado, como não houve denúncia espontânea, mas apenas autolançamento por meio das retificações de declarações e, em seguida, o pagamento em atraso, deveria ser incluída no parcelamento a multa de mora pela Recorrente, que sequer é questionada por ela ao longo do processo administrativo. A partir dos documentos dos autos, não é possível verificar se houve ou não efetivamente a inclusão da multa de mora no parcelamento, o que deverá ser feito pela autoridade que executar este Acórdão. Pelo exposto, concluo que, uma vez parcelado o débito, não há que ser cobrado e, uma vez que autolançado, não há que se aplicar multa de ofício, devendo, relativamente à parte que não decorre do processo nº 19515.002902/2004-41, ser dado provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o principal e acréscimos legais até o limite que foi confessado no parcelamento. Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 24 /03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS Processo nº 19515.005050/2009-58 Acórdão n.º 1401-001.566 S1-C4T1 Fl. 1.033 11 Documento assinado digitalmente. Marcos de Aguiar Villas-Bôas - Redator Designado Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 24 /03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS Relatório Voto
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Numero do processo: 11095.003086/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1995 a 30/06/2004
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRAZO DE VALIDADE.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O mandado de procedimento fiscal na
seara da fiscalização previdenciária possui prazo de validade de 120 (cento e vinte) dias a teor do art. 12 do Decreto 3.969/01.
DECADÊNCIA.SÚMULA VINCULANTE N. 08. ART. 150, § 4º, DO CTN.
É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias, de acordo com as normas do Código Tributário Nacional.
MULTA MORATÓRIA. CONFISCO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.
SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Nos termos da Súmula n°. 04 do
CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.228
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado pelo artigo 150, §4° do CTN.
Nome do relator: LOURENÇO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 30/06/2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRAZO DE VALIDADE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O mandado de procedimento fiscal na seara da fiscalização previdenciária possui prazo de validade de 120 (cento e vinte) dias a teor do art. 12 do Decreto 3.969/01. DECADÊNCIA.SÚMULA VINCULANTE N. 08. ART. 150, § 4º, DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias, de acordo com as normas do Código Tributário Nacional. MULTA MORATÓRIA. CONFISCO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Nos termos da Súmula n°. 04 do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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PRAZO DE VALIDADE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O mandado de procedimento fiscal na seara da fiscalização previdenciária possui prazo de validade de 120 (cento e vinte) dias a teor do art. 12 do Decreto 3.969/01. DECADÊNCIA.SÚMULA VINCULANTE N. 08. ART. 150, § 4º, DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias, de acordo com as normas do Código Tributário Nacional. MULTA MORATÓRIA. CONFISCO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Nos termos da Súmula n°. 04 do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 215DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0819.14332.T8GV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado pelo artigo 150, §4° do CTN. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Lourenço Ferreira do Prado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira Prado, Walter Murilo Mello Andrade e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 216DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0819.14332.T8GV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11095.003086/200801 Acórdão n.º 2402002.228 S2C4T2 Fl. 104 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por ALIANÇA TRANSPORTES LTDA, em face de acórdão que manteve a integralidade da NFLD 35.600.7340 para a cobrança de contribuições previdenciárias parte da empresa, destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão dos riscos do ambiente de trabalho e a terceiros, incidentes sobre prólabore pagos a administradores. Consta do relatório fiscal que os valores lançados foram informados em folha de pagamentos e GFIP´s enviadas pelo contribuinte à Previdência em comparação com as GPS apresentadas e que o contribuinte aderiu ao Parcelamento Especial, confessando somente as competências de 02/2002 a 05/2002, 09/2002 a 12/2002, inclusive décimo terceiro salário/2002 e 01/2003. O lançamento compreende o período de 01/1995 a 06/2004, tendo sido o contribuinte cientificado em 28/07/2004. Intimado do julgamento em primeira instância (fls. 117/119) o contribuinte interpôs o competente recurso voluntário de fls. 124/135, através do qual sustenta: 1. a necessidade de descaracterização de eventual ilícito, pois em razão de carência de recursos, por vezes teve de utilizar o numerário para pagamento dos salários dos empregados, não podendo arcar com sua obrigação perante o Poder Publico, o que demonstra a inexigibilidade de conduta diversa; 2. a ilegalidade e inconstitucionalidade da SELIC; 3. que a multa foi aplicada em montando excessivo, em clara ofensa ao princípio da capacidade contributiva; 4. a decadência do direito de o fisco efetuar o lançamento; 5. que o MPF que fundamentou a ação fiscal, consignou, de uma única vez, o prazo de 120 dias, contrariando o dispositivo legal que determina que o documento somente pode ser lavrado com prazo de validade máximo de 60 (sessenta dias), prorrogável por igual período; 6. que a lavratura da NFLD violou a legislação de regência, na medida em que não foi precedida de Auto de Infração e somente então pode ser emitida a posterior notificação de débito, já que o lançamento deve ser realizado em duas fases; Fl. 217DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0819.14332.T8GV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 218DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0819.14332.T8GV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11095.003086/200801 Acórdão n.º 2402002.228 S2C4T2 Fl. 105 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Passo a análise das preliminares suscitadas. PRELIMINARES Inicialmente, no que se refere a alegada nulidade da ação fiscal em razão do MPF – Mandado de Procedimento Fiscal consignar prazo de validade de 120 (cento e vinte dias), ao invés de 60 (sessenta), conforme determina a legislação, a tenho por descabida. Cumpre apontar que o Decreto 3.969/01, o qual regula os procedimentos de expedição e formalização dos Mandados de Procedimento Fiscal na seara Previdenciária possuem prazo máximo de validade de 120 (cento e vinte) dias, o qual pode ser renovado por tantas vezes quantas forem necessárias. Art. 12 – Os MPF´s terão os seguintes prazos máximos de validade: I – Cento e vinte dias, nos casos de MPFF e MPFE; II – Sessenta dias, no caso de MPFD; Melhor sorte não aufere o contribuinte quando alega que o lançamento, à época, deveria ser precedido do Auto de Infração, para que então viesse a ser lavrada a NFLD. O lançamento foi realizado em conformidade com a legislação de regência, de modo que a fiscalização se valeu do instrumento correto para constituir o crédito tributário referente as contribuições previdenciárias devidas, qual seja, a NFLD. Quanto a decadência, há de se levar em consideração, que o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, em observância aquilo que disposto no artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal, à unanimidade de votos, negou provimento aos Recursos Extraordinários nº 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, os quais concediam à Previdência Social o prazo de 10 (dez) anos para a constituição de seus créditos. Na mesma assentada, inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, o STF editou a Súmula Vinculante de n º 8, cujo teor é o seguinte: Fl. 219DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0819.14332.T8GV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Dessa forma, em observância ao que disposto no artigo 103A e parágrafos da Constituição Federal, inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, as súmulas vinculantes, por serem de observância e aplicação obrigatória pelos entes da administração pública direta e indireta, devem ser aplicadas por este Eg. Conselho de Contribuintes, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Logo, inaplicável o prazo de 10 (dez) anos para a aferição da decadência no âmbito das contribuições previdenciárias, resta necessário, para a solução da demanda, a aplicação das normas legais relativas à decadência e constantes no Código Tributário Nacional, a saber, dentre os artigos 150, § 4º ou 173, I, diante da verificação, caso a caso, se tenha ou não havido dolo, fraude, simulação ou o recolhimento de parte dos valores das contribuições sociais objeto da NFLD, conforme mansa e pacífica orientação desta Eg. Câmara. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, motivo pelo qual, em regra, devem observar o previsto no art. 150, § 4º do CTN. Dessa forma, verificado o pagamento antecipado, mesmo que parcial, observarseá a regra de extinção inscrita no art. 156, inciso VII do CTN, que condiciona o acerto do lançamento efetuado pelo contribuinte a ulterior homologação por parte de Fisco. Ao revés, caso não exista pagamento, não há o que ser homologado, motivo que enseja a incidência do disposto no art. 173, inciso I do CTN, hipótese na qual o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. No caso dos autos, se trata do não recolhimento de contribuições parte da empresa e incidentes sobre o prólabore pago a administradores, sendo que no relatório fiscal restou consignado haver o pagamento de parte dos valores, na medida em que foram consideradas as GPS apresentadas e devidamente quitadas. Por este motivo, o entendimento a ser aplicado no presente caso é o de que o termo inicial do prazo decadencial deve ser considerado de acordo com a regra disposta no art. 150, § 4º do CTN Assim, em razão do lançamento da multa compreender o período de 01/1995 a 05/2004, tendo sido o contribuinte cientificado do lançamento em 27/08/2004, outra conclusão não há, senão a de que está fulminado o lançamento das competências até 07/1999. Portanto, quanto as preliminares suscitadas, tenho que somente deva ser acatada a decadência. Fl. 220DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0819.14332.T8GV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11095.003086/200801 Acórdão n.º 2402002.228 S2C4T2 Fl. 106 7 MÉRITO Inicialmente verificase não haver nos autos qualquer controvérsia sobre serem devidos ou não os valores objeto de lançamento na NFLD, uma vez que a própria recorrente confessou que não efetuou o seu pagamento e sequer alegou qualquer ilegalidade quanto a sua exigência. A recorrente apenas sustentou que não pode efetuar o pagamento dos valores de contribuições descontados de seus empregados, pois teve que utilizálos para manter a condução de seus trabalhos e, no mínimo, garantir o pagamento dos salários de seus empregados, alegação a meu ver, que além de não ter sido apoiada em prova idônea, é descabida para fins de elisão do pagamento das contribuições previdenciárias lançadas, mas apenas em procedimento criminal que porventura possa vir a ser impetrado em seu desfavor. Ademais, tenho que a irresignação para o afastamento da multa moratória sob a argumentação de caracterizarse como confiscatória não pode ser analisada por este Eg. Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Ademais, a insurgência acerca da aplicação da taxa SELIC também não merece amparo. A sua aplicação, enquanto juros moratórios e multa aplicadas sobre as contribuições objeto do lançamento, foi efetivada com supedâneo em previsão legal consubstanciada no art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo reestabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Tal discussão, inclusive, já tendo sido objeto de várias deliberações neste Conselho, resultou no enunciado da Súmula n°. 04 do CARF, confirase: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 221DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0819.14332.T8GV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para acolher a decadência e declarar extintas as competências lançadas até 07/1999. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 222DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0819.14332.T8GV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MARIA MADALENA SILVA em 10/01/2012 14:04:02. Documento autenticado digitalmente por MARIA MADALENA SILVA em 10/01/2012. Documento assinado digitalmente por: JULIO CESAR VIEIRA GOMES em 16/01/2012 e LOURENCO FERREIRA DO PRADO em 11/01/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 12/08/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP12.0819.14332.T8GV Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 4C9DED124107202D5B8B5BF6805443083981F958 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11095.003086/2008-01. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10980.006692/2003-18
Data da sessão: Mon Sep 14 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 3801-000.021
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora
Nome do relator: MAGDA COTTA CARDOZO
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RELATÓRIO E VOTO , , Conselheira MAGDA COTTA CARDOZO, Rçlatora 1 Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado (fls. 67 a 71), relativo ao PIS, períodos fevereiro, março, outubro e novembro de 2001. No Termo de Verificação Fiscal de fl. 66, a autoridade lançadora informa que a autuada teve indeferido pedido de restituição de PIS, formulado nos autos do processo administrativo n° 10980.001760/2001-91, em fase de apreciação pela DRJ/Curitiba. Também, foram indeferidos pedidos de compensação incluídos no processo n° 10980.003733/2003-14, conforme cópia do despacho decisório à fl. 13. 1 Desta forma, aquela autoridade apurou os débitos declarados em DCTF e os pagamentos efetuados, desconsiderando as compensações pretendidas, constatando as diferenças lançadas no presente auto. A empresa impugnou o lançamento, alegando, em resumo, que: • O presente lançamento fere os princípios normativos contidos na IN/SRF n° 210/2002 e no art. 151-111 do CTN, padecendo de nulidade, vez que não há que se falar em cobrança/lançamento, pois tramita administrativamente, em grau de recurso, o processo n° 10980.003733/2003-14; • Os tributos exigidos já foram declarados em DCTF e DIRPJ. A DRJ — Curitiba/PR considerou procedente o lançamento (fls. 80 a 85), não havendo ementas por se tratar de acórdão simplificado. O contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário (fls. 89 a 101), reiterando as alegações trazidas na impugnação, e acrescentando, em síntese, que: 1. O objeto/teor do auto é discutível, pois os débitos foram compensados com créditos pleiteados em procedimento administrativo, os quais encontram-se ainda em andamento e sob discussão, não sendo plausível sua exigência (processo no 10980.003733/2003-14); 2, Embora não possa ser argüida a nulidade do auto por falta de pressuposto, a desconstituição do conteúdo pode ser discutida e revista e, caso o pedido de restituição seja deferido, as declarações de compensação serão homologadas, o que trará a desconstituição do auto por perda de objeto; 3. A DCTF constitui confissão de débitos e valores utilizados para sua quitação, e, embora a recorrente possa ter cometido falha de não constar a informação quanto a declaração de compensação e não tenha retificado a DCTF em tempo hábil, não pode ter seu débito considerado como não confessado; 4. Conforme arts. 35 e 36 da IN/SRF n°210/2002, é facultado ao sujeito passivo a manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento de seu direito creditório, o que também consta da Lei n°10.833/2003; 5. Não há como considerar os processos independentes, pois a homologação da declaração de compensação só será possível após a apreciação do pedido de restituição, e a apreciação do presente está intimamente ligada à apreciação do mérito do pedido de restituição. O lançamento em análise, como visto, tem origem no indeferimento de compensações informadas pela recorrente em suas DCTF (fls. 14 a 17) e requeridas por meio de pedidos específicos (fls. 10 a 12). Indeferidas as compensações pretendidas, foram constituídos de oficio os créditos tributários correspondentes, relativos aos meses de fevereiro, março, outubro e novembro de 2001, com os respectivos acréscimos legais. 2 Processo n° 10980.006692/2003-18 S3-TE01 Resolução n.° 3801-00.021 Fl. 107 O auto de infração, portanto, decorre diretamente do não reconhecimento, pela autoridade administrativa, do direito creditório pretendido pelo contribuinte, o qual seria utilizado para fins de compensação com os valores objeto do lançamento. Assim, não há como proferir manifestação definitiva nos presentes autos, enquanto não encerrado o processo administrativo relativo ao reconhecimento de tal direito. Em consulta ao sistema Decisões-W constatou-se que o processo citado pelo contribuinte como origem do direito creditório - 10980.001760/2001-91 - já foi objeto de julgamento pela DRJ/Curitiba, por meio do acórdão simplificado n° 06-5464/2004, não havendo, em decorrência ementas registradas no referido sistema. Além disso, também não consta o arquivo do voto e respectivo acórdão. Diante do exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência à DRF/Curitiba para: 1. Juntar ao presente cópia do acórdão proferido pela DRJ/Curitiba relativo ao processo n° 10980.001760/2001-91, caso seja a decisão final, ou aguardar até que esta seja prolatada, na hipótese de apresentação de recurso voluntário, juntando cópia de ambas as decisões; 2. Retornar o presente a este CARF para julgamento. - C,C,Ï) 4 k CC C SI e) MA D • COITA CARDOZO 3
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Numero do processo: 10830.003499/2003-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1102-000.064
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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Assinado digitalmente. IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO – Presidente e Relatora EDITADO EM:/11/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Otavio Opperman Thomé, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Leonardo de Andrade Couto, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado) e João Carlos Lima Junior(VicePresidente) Fl. 142DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10830.003499/200349 Resolução n.º 110200.064 S1C1T2 Fl. 144 2 Relatório: Tratase de pedido de ingresso no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, retroativamente a 17/09/1997. O indeferimento se deu em virtude da atividade exercida, fabricação, instalação e manutenção de estufas para a agricultura que nos termos do artigo 9º, inciso XIII, da Lei nº. 9.317, de 1996, impede o ingresso no sistema,conforme despacho decisório de fls. 69/71. Às fls.73/76 há manifestação de inconformidade onde a Contribuinte se contrapõe à exclusão e pede seu reingresso retroativo ao ano de 1997. O enquadramento legal utilizado para manutenção do ADE, art. 9º, XIII , da Lei nº. 9.317, de 1996, não traria nos incisos I a XVIII e XIX, parágrafos 1º a 4º, qualquer menção que permitisse enquadrar sua atividade de fabricação instalação e manutenção de estufas para agricultura como uma atividade vedada. Além do mais, durante 11 anos não fora notificada pela Secretaria da Receita federal quanto ao indeferimento de sua inclusão. Durante todo este tempo exerceu suas atividades tomando as medidas necessárias quanto à entrega da declaração DIPJ e pagamento dos tributos de acordo com o regime no qual se julgava incluída. Elenca suas atividades na seguinte ordem: CNAE 33.14711 : “manutenção e reparação de máquinas e equipamentos para agricultura e pecuária e; CNAE 46.61300: “comércio atacadista de máquinas, aparelhos e equipamentos para uso pecuário, partes e peças”. Consta do contrato social na Cláusula 3ª da 5ª alteração contratual o seguinte: A sociedade tem por objeto o Comércio varejista de máquinas aparelhos e equipamentos para uso agropecuário, partes e peças, manutenção e reparação de máquinas e equipamentos para agricultura e agropecuária em geral.” Acrescenta que desde o início de sua atividade econômica (até a presente data) atendeu às disposições da Lei nº. 9.317, de 1996, revogada pela LC 123, de 2006. Para confirmar as alegações junta os documentos de fls. 77/96. Sobrevém o acórdão de primeiro grau, fls.101/106, assim ementado: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Ano calendário: 1997 ATIVIDADE VEDADA. As empresas que desenvolvem atividades assemelhadas à de engenheiro, manutenção e reparo de máquinas e equipamentos para a agricultura estão impedidas de optar pelo Simples. VIGÊNCIA DA LEI. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10830.003499/200349 Resolução n.º 110200.064 S1C1T2 Fl. 145 3 O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, assim, o regime de tributação deve também obedecer às normas vigentes à data da ocorrência do fato gerador. Manifestação improcedente. Ciente da decisão em 19/02/2010 (AR de fls.112), às fls.113/132 oferece suas razões de recurso. Discorre sobre o indeferimento do seu pedido. Informa que protocolou Ficha Cadastral de Pessoa Jurídica (FCPJ) em 20.11.1997, solicitando a inscrição no CNPJ , na opção “SIMPLES FEDERAL”.No entanto, por um erro de fato, reconhecido pela própria Delegacia da Receita Federal do Brasil em Limeira/SP, no Despacho Decisório de fls. 69 a 72, a administração lhe concedeu a inscrição no CNPJ, mas não processou a opção pelo regime do SIMPLES.Desconhecendo o erro da DRF, iniciou suas atividades e desde então recolhe os tributos por meio do DARF – SIMPLES – código de 6106. Apenas recebeu, em 07.08.2008, o Despacho Decisório onde a administração reconhece o erro cometido (falta de processamento) e negou o seu pedido de inclusão retroativa no sistema, sob argumento de que a atividade exercida requer serviço profissional de engenheiro ou assemelhado. Continua para dizer que, conforme restou reconhecido pelo próprio Fisco, as atividades desempenhadas, são: "Comércio Varejista de materiais para estufas agrícolas e a prestação de serviços de manutenção de estufas agrícolas em geral",sem impedimento à opção pelo SIMPLES, pois essas atividades prescindiam do domínio de conhecimento técnicocientífico, próprio de profissional de engenharia e/ou assemelhado. Ao mesmo tempo pediu sua inclusão retroativa no sistema, desde 01.02.1997. Aponta que a negativa tomou por base apenas seu objeto social, a partir do CNAEFiscal, em desacordo com a verdade material das suas atividades comerciais, que não impedem sua permanência no Simples. Completa que a própria Receita Federal do Brasil explicitou formalmente seu entendimento ao prescrever, no manual de Perguntas e Respostas da Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ 2004), que a mera inclusão no contrato social de atividade proibitiva de adesão ao SIMPLES não constitui, por si só, motivo suficiente o bastante para justificar a exclusão do Regime Simplificado, (transcreve da página http://www.receitafazenda.gov.br/PessoaJuridica/DIPJ/2004/PergResp2004/pr110a202.htm). Ainda, a própria Administração Tributária Federal condiciona a vedação ao SIMPLES à comprovação da prática efetiva de atividade impeditiva, não se contentando com a mera indicação de suposta hipótese de impedimento no contrato social ou no CNAE Fiscal. No seu caso, considerando que o objeto social descrito no seu ato constitutivo prevê a atividade de "comércio varejista" juntamente com a "prestação de serviços de manutenção de estufas agrícolas em geral", deveria a autoridade administrativa ter comprovado a prática da alegada atividade impeditiva de adesão ao SIMPLES, pois ainda que o exercício deste último ramo de atividade constituísse causa impeditiva — o que novamente admite apenas para encaminhar o raciocínio —, o comércio varejista de materiais para estufas agrícolas descrito no seu contrato social não caracteriza impedimento de opção ao Regime Fl. 144DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10830.003499/200349 Resolução n.º 110200.064 S1C1T2 Fl. 146 4 Simplificado, realidade esta que corrobora a possibilidade de coexistência das duas atividades no objeto social, e por via reflexa, demanda maior critério de investigação por parte do fisco para justificar o indeferimento do pedido de inclusão, o que não ocorreu no presente caso. E continua: (...) A situação em exame demonstra que o argumento esposado pelo órgão julgador de primeira instância para fundamentar o indeferimento do pedido inclusão retroativa no SIMPLES é totalmente inconsistente. Nem se alegue, ainda, que a fundamentação constante do acórdão recorrido não encontra consonância alguma com o princípio da motivação, vez que toda a argumentação exposta pelo i. relator está pautada no artigo 1°, número 16, da Resolução do CONFEA n°218/73 que dispõe: "Art. 1° Para efeito de fiscalização do exercício profissional correspondente às diferentes modalidades da Engenharia, Arquitetura e Agronomia em nível superior e em nível médio, ficam designadas as seguintes atividades: (...) 16— execução de instalação, montagem e reparo; (...)"Da simples leitura do dispositivo invocado pelo i. relator, notase que esta Resolução não se aplica ao caso em análise, tendo em vista que a Recorrente não está sob fiscalização do exercício profissional correspondente às atividades referidas no dispositivo em destaque, e ainda que estivesse, a manutenção de estufas agrícolas não constitui atividade exclusiva dos profissionais acima mencionados. Isto evidenciaria o exercício de atividade que prescinde de conhecimentos técnicocientíficos de engenheiro ou assemelhado, razão pela qual reiterou seu pedido de inclusão no Regime Simplificado, com efeitos retroativos, desde primeiro de janeiro de 1997. Em outro tópico invoca ofensa ao princípio da verdade material, citando James Marins para dizer que:"A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal;aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalização através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. Deve fiscalizar em busca da verdade material; deve apurar e lancar com base na verdade material." Apesar de todos esses pontos convergentes ao seu direito, o acórdão combatido menciona a Resolução do COFEA n° 218/73, que regulamenta a Lei n° 5.194/66, a qual dispõe sobre o exercício das profissões de engenheiro, arquiteto e engenheiro agrônomo, buscando abrigo em dispositivo totalmente inaplicável ao seu caso. Aponta a incoerência do relator quando afirma que "não importa se o serviço vem a ser efetivamente prestado por engenheiro (...), o que interessa para caracterizar o impedimento é o fato de que as atividades de manutenção de equipamentos, exercidas pela interessada são serviços Fl. 145DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10830.003499/200349 Resolução n.º 110200.064 S1C1T2 Fl. 147 5 profissionais de engenheiro ou assemelhado". Isso porque, o serviço de manutenção de estufas, conforme já mencionado, não é exclusivamente prestado por engenheiro ou assemelhado.” Afirma que não restara comprovada a prática efetiva de atividade capaz de impedila de ingressar no SIMPLES. A ausência desta prova caracteriza ofensa ao princípio da verdade material e obrigava à Administração Tributária a rever seu ato. Caso houvesse a investigação restaria provado que sua atividade não impedia sua adesão ao SIMPLES. Igualmente houvera ofensa ao princípio da legalidade, porque o indeferimento se fundamentara em hipótese não prevista em lei. Comenta que os argumentos aduzidos, pela DRF em Limeira/SP e pelo órgão julgador de primeira instância, que determinaram a negativa de inclusão no SIMPLES ferem de morte o princípio constitucional da legalidade. Invoca a taxatividade do inciso XIII do art. 9° da Lei 9317/1996, o qual transcreve para comentar que à sua leitura bastaria para entender que a proibição é pelo exercício da atividade pelos profissionais descritos no inciso e não a mera utilização de CNAE que, no entender da DRF, caracterize atividade impeditiva. Discorre sobre o caráter incidental do CNAE atribuído às atividades realizadas pelas empresas, porque nem sempre reflete a realidade dos serviços efetivamente prestados, na linha reconhecida pelo antigo Conselho de Contribuintes, conforme ementas que transcreve, oriundas de vários julgamentos, tal seja o AC. 30334019 de 24/01/2007, do qual reproduz a ementa. Afirma, também, ausência de óbice na legislação do SIMPLES à sua permanência neste sistema, na linha de várias decisões do Conselho Administrativo, conforme apontou ementas dos acórdãos 39300037; 30239930 de 12/11/2008; 30333300 de 21/06/2006; 30238047 de 21/09/2006. A alegação de que para os serviços de montagem , manutenção e reparação de estufas exige profissional regularmente habilitado mostrase absurda.Além do mais, a Resolução n° 218/1973 do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, que regulamenta o exercício profissional das respectivas profissões — mencionada no Acórdão recorrido —, revelase imprópria para fundamentar exclusão da atividade exercida, tendo em vista que os serviços de reparação e manutenção de equipamentos nem sempre exigem o aprofundamento de conhecimentos e perícia técnica atrelados à capacitação de um engenheiro. Como desdobramento da impossibilidade de interpretação e aplicação literal desta Resolução às atividades discriminadas na legislação tributária, fazse necessário o apontamento da Lei 10.964/2004, que em seu art. 4°, exemplifica algumas exceções ao disposto no art. 9°, XIII da Lei 9317/1996, demonstrando que a referida Resolução não pode fugir à interpretação sistemática do ordenamento jurídico, a saber: Art. 4° Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 90 da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: 1 serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus e outros veículos pesados; II serviços de instalação, manutenção e reparação de acessórios para veículos automotores; Fl. 146DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10830.003499/200349 Resolução n.º 110200.064 S1C1T2 Fl. 148 6 III serviços de manutenção e reparação de motocicletas, motonetas e bicicletas; IV serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática; V serviços de manutenção e reparação de aparelhos eletrodomésticos." No mesmo sentido decisões do Conselho de Contribuintes que interpretam e aplicam sistematicamente as normas editadas pelos órgãos de representação de classes, em consonância com o ordenamento jurídico, como exemplo cita o acórdão 20212.909 de 18/04/2001. Continua para dizer que a situação fática é suficiente para determinar a reforma do Acórdão combatido, posto que o indeferimento se pauta em restrição não contida na Lei do Simples (Lei n° 9.317/96), tendo em vista que as tarefas realizadas para concretização dos serviços prestados (Comércio Varejista e a Prestação de Serviços de Manutenção de Estufas agrícolas em Geral) podem, à evidência, serem executadas por trabalhadores não habilitados pelo CREA, face à ausência de complexidade técnica destes trabalhos. Portanto, também por esse ângulo, revelase infundado o indeferimento do seu pedido de inclusão no SIMPLES. Pede a aplicação retroativa da Lei Complementar 123/06, se entendessem os julgadores que os serviços prestados teriam necessidade de profissionais regulamentados, a exemplo do decidido nos acórdãos 30334.733 e 303. 35628, cuja ementa reproduz, na seguinte ordem: (...) 2)Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2002 Ementa: Simples. Exclusão. Atividade econômica não vedada. Retroatividade da lei superveniente. Instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso geral não está citada dentre as atividades econômicas da seção que trata das vedações ao ingresso no Simples nacional, fato com repercussão pretérita por força do princípio da retroatividade benigna previsto no Código Tributário Nacional. (...) 2)DPU DADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão:Por unanimidade de votos, deuse provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Celso Lopes Pereira Neto e Anelise Daudt Prieto votaram pela conclusão. Ementa:Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples ANOCALENDÁRIO: 2002 Simples. Exclusão. Atividade excetuada da suposta restrição. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10830.003499/200349 Resolução n.º 110200.064 S1C1T2 Fl. 149 7 Retroatividade da lei superveniente.Serviços de produção cinematográfica e de artes cênicas são citados na Lei Complementar 123, de 2006, como atividades econômicas beneficiadas pelo recolhimento de impostos e contribuições na forma simplificada, fato com repercussão pretérita por força do princípio da retroatividade benigna previsto no Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Diante desses julgados forçoso reconhecer que o acórdão recorrido caminha em sentido contrário à jurisprudência acima destacada, principalmente quando o i. relator afasta os efeitos retroativos amplamente aplicados, indicando como fundamento o artigo 144 do CTN, que trata do lançamento tributário. Alude que o órgão julgador de primeira instância se pauta em dispositivo não aplicável ao caso, tendo em vista que nestes autos não há que se falar em lançamento tributário, posto que não há crédito algum em discussão, conforme a própria ementa do acórdão evidencia: "Sem Crédito em Litígio". Portanto, diante da não constituição de crédito tributário, não se pode recusar a retroatividade benigna da Lei Complementar n° 123/06, com fundamento no artigo 144, do CTN, pois este dispositivo trata expressamente do lançamento tributário. Pede a reforma da decisão proferida pela 6a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, com vistas a reintegrarse no Sistema de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES de forma retroativa, desde 01.02.1997. Despacho de fls.134 remete o processo para o CARF.Por sorteio o recebo para relato. Este o Relatório. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10830.003499/200349 Resolução n.º 110200.064 S1C1T2 Fl. 150 8 Voto: O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Pede a Recorrente sua inclusão na sistemática do Simples, com data retroativa à 01/02/1997, bem como informa o cumprimento de suas obrigações acessórias e principais, além de apontar a falha da administração tributária que somente após 11 anos do seu pedido se manifestou contra sua permanência naquele sistema. A decisão de primeiro grau, invocando o inciso XIII do art. 9° da Lei 9317/1996, negou o pedido. Utiliza como suporte à sua conclusão o contrato social e o CNAE fiscal da Contribuinte. Esta, por seu turno, aduz que a própria Administração Tributária Federal condiciona a vedação ao SIMPLES à comprovação da prática efetiva de atividade impeditiva, não se contentando com a mera indicação de suposta hipótese de impedimento no contrato social ou no CNAEFiscal. Como afirma a Recorrente que “o objeto social descrito no seu ato constitutivo prevê a atividade de comércio varejista juntamente com a ’prestação de serviços de manutenção de estufas agrícolas em gera’, deveria a autoridade administrativa ter comprovado a prática da alegada atividade impeditiva de adesão ao SIMPLES, pois ainda que o exercício deste último ramo de atividade constituísse causa impeditiva , o comércio varejista de materiais para estufas agrícolas descrito no seu contrato social não caracteriza impedimento de opção ao Regime Simplificado, realidade esta que corrobora a possibilidade de coexistência das duas atividades no objeto social, e por via reflexa, demanda maior critério de investigação por parte do fisco para justificar o indeferimento do pedido de inclusão.” Por isto, para bem decidir, sugiro aos meus pares a conversão do julgamento em diligência para que seja apurada a natureza da atividade realizada pela Recorrente, através das notas fiscais emitidas, contratos de prestação de serviços e demais informações que o diligenciante entenda esclarecedora do presente litígio. E do termo de diligência seja cientificado a Contribuinte para que se pronuncie nos autos, se entender necessário. Após seja o processo devolvido para conclusão. É como voto. Assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Fl. 149DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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