Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,521)
- Primeira Turma Ordinária (16,450)
- Primeira Turma Ordinária (16,356)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,557)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,953)
- Terceira Câmara (68,506)
- Segunda Câmara (57,351)
- Primeira Câmara (21,646)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,647)
- Segunda Seção de Julgamen (116,088)
- Primeira Seção de Julgame (77,943)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,140)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,432)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,201)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,769)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,673)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,299)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,523)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 17546.000550/2007-49
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2002 a 31/12/2002, 01/10/2003 a 31/10/2003, 01/07/2004 a 31/08/2006
RECURSO,. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.. IMPOSSIBILIDADE DE
PRONUNCIAMENTO DO JULGADOR. PRECLUSÃO PROCESSUAL
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela parte, acarretando na impossibilidade de conhecimento pelo julgador das razões de lançamento correlatas, em virtude da ocorrência da preclusão
processual.
JUROS DE MORA, TAXA SELIC.. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS, Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a
cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia -
SELIC para títulos federais.
MULTA MORATÓRIA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8112/91,
a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso,
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2301-001.459
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201004
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2002 a 31/12/2002, 01/10/2003 a 31/10/2003, 01/07/2004 a 31/08/2006 RECURSO,. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.. IMPOSSIBILIDADE DE PRONUNCIAMENTO DO JULGADOR. PRECLUSÃO PROCESSUAL Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela parte, acarretando na impossibilidade de conhecimento pelo julgador das razões de lançamento correlatas, em virtude da ocorrência da preclusão processual. JUROS DE MORA, TAXA SELIC.. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS, Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA MORATÓRIA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8112/91, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso, Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
numero_processo_s : 17546.000550/2007-49
conteudo_id_s : 6237025
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 21 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2301-001.459
nome_arquivo_s : Decisao_17546000550200749.pdf
nome_relator_s : LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
nome_arquivo_pdf_s : 17546000550200749_6237025.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
dt_sessao_tdt : Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
id : 8365935
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:17:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076936970436608
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-15T10:41:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-15T10:41:31Z; Last-Modified: 2010-12-15T10:41:31Z; dcterms:modified: 2010-12-15T10:41:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:5898a76c-99e8-45ca-8a7e-51878d4e136a; Last-Save-Date: 2010-12-15T10:41:31Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-15T10:41:31Z; meta:save-date: 2010-12-15T10:41:31Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-15T10:41:31Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-15T10:41:31Z; created: 2010-12-15T10:41:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2010-12-15T10:41:31Z; pdf:charsPerPage: 1793; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-15T10:41:31Z | Conteúdo => S2-C3T I' I I • 4-1'4 MINISTÉRIO DA FAZENDA no;- -smi.:.....tr CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS W f74. SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 17546,000550/2007-49 Recurso n" 258.695 Voluntário Acórdão n" 2301-01.459 — .3 / I" Turma Ordinária Sessão de 29 de abril de 2010 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO Recorrente LUCTAL COMPONENTES LIDA Recorrida DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO DE CAMPINAS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/11/2002 a 31/12/2002, 01/10/2003 a 31/10/2003, 01/07/2004 a 31/08/2006 RECURSO,. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.. IMPOSSIBILIDADE DE PRONUNCIAMENTO DO JULGADOR. PRECLUSÃO PROCESSUAL Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela parte, acarretando na impossibilidade de conhecimento pelo julgador' das razões de lançamento correlatas, em virtude da ocorrência da preclusão processual. JUROS DE MORA, TAXA SELIC.. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS, Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA MORATÓRIA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8112/91, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso, Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Câmara / I" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), •. , JULIO CESARVIEIRA T " Presidente •• LEONAR r QUEyE LOPES - Relator • o prose-rife julgamento os conselheiros: Bemadete de Oliveira Barros, Leonardo enri e e Pires Lopes, Mauro José Silva, Edgar Silva Vidal (suplente), Damião Cordeiro e-Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). Relatório Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, emitida em 12/12/06, em desfavor da Luctal Componentes Ltda, referente às contribuições devidas à Previdência Social, não recolhidas em época própria, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados da empresa notificada, bem como a devida a terceiros, constante de suas folhas de pagamento, no período de 07/2004 a 08/2006; sobre a remuneração paga ou creditada aos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços no período de 11 e 12/20002; 10/2003, 07/2004 a 08/2006 ambas relativas a parte ernpresa; e sobre o valor dos serviços prestados por cooperativa de trabalho, no período de 09/2003 a 12/2004; 03/2005 a 05/2005; 12/20005 a 02/2006. De acordo com o Relatório Fiscal de tis, 50/55, o crédito previdenciário refere-se a contribuição a cargo da empresa, destinada a Seguridade Social, correspondente a 20% sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados que lhe prestem serviço, a contribuição para complementação das prestações por acidente de trabalho e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, a contribuição de 20% sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços, além da contribuição de 15% sobre o valor dos serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho, no caso, a Unimed Jundiaí Cooperativa de Trabalho Médico. Inconformada, a ora Recorrente apresentou Defesa tempestiva de fls. 61/70, tendo o Acórdão de 11s, 82/86, julgado procedente o lançamento. Irresignada interpôs Recurso Voluntário tempestivo (fis. 90/102), alegando, em síntese: a) a NFLD em questão não foi devidamente formalizada, posto que lavrada fora do estabelecimento da empresa autuada, conforme preconiza o art. 10 do Decreto Federal n" 70.235/72, que obriga a lavratura do auto no local da verificação da falta, portanto, deve ser declarada nula; b) o princípio da motivação inerente a todos os atos administrativos não foi observado, pois a tipificação legal descrita não condiz com os fatos, o que acarreta a nulidade da NFLD; 2 Processo n°17546 000550/2007-49 S2-C3T1 Acórdão n." 2301-01.459 Fl 2 c) houve cerceamento ao direito de defesa e ao contraditório, pois tornou-se impossível realizar defesa daquilo que não se sabe de fato o que é, importando em nulidade do ato praticado; d) a multa aplicada não se valeu dos critérios da razoabilidade e também da proporcionalidade, ocasionando uma multa excessiva, que vai de encontro ao Princípio do não confisco; e) sempre cumpriu com suas obrigações previdenciárias, no entanto, com intuito de fazer seus empreendimentos se desenvolverem, gerando postos de trabalho e novos empregos, não foi possível, à época, a realização do recolhimentos de todos os tributos; f) o débito deverá ser recalculado e corrigido de maneira que atenda a estrita legalidade, pois é a vedada a utilização da Taxa SELIC; g) os juros devem incidir à razão de 1% ao mês; h) a multa imposta possui caráter confiscatório, pois é necessário levar-se em conta as atenuantes e agravantes que levaram a imposição da multa no máximo legal Por fim, consta às fls. 104/105, Informação Fiscal do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário da SRF, em que aduz a desnecessidade do depósito recursal de 30% do valor da exigência fiscal para interposição de Recurso Voluntário. Sem Contra-Razões, É o relatório. Voto Conselheiro LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo tempestivo, conheço do Recurso e passo ao seu exame, Preliminarmente Objetivando a desconstituição do crédito previdenciário, a Recorrente aduz a necessidade da anulação da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, pela suposta insuficiência da descrição da infração cometida, bem como pelo fino de a NEM ter sido lavrada fora do estabelecimento da empresa notificada, contrariando o disposto no cama do art. 10, do Decreto n°70235, de 06,03,72. Pois bem. Quanto a citação do art. 10 do Decreto 70..235/72, para requerer a nulidade da NFLD, parece-me equivocada, uma vez que os casos de nulidade estão tratados no art. 59 do mesmo Decreto e no art. 32 da Portaria MPS 520/2004, hz verbis: /7/ 3 Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1" A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2" Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo § 3" Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir- lhe a falta. (Incluído pela Lei n" 8.748, de 9/12/93) Nota-se, desta feita, que tanto na Portaria n" 520/2004, que regula o contencioso administrativo no âmbito de matéria previdenciária, como no Decreto 70235/72, que rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União, não existe dispositivo legal que determine que a autuação deva ser efetuada no estabelecimento da empresa. Tal hipótese argüida pela Recorrente não causa qualquer prejuízo que justifique o saneamento do lançamento, ao teor do art. 32 da referida portaria. Corroborando o acima exposto, importante trazer a baila o entendimento pacificado de nossos Tribunais, in verbis: TRIBUTÁRIO - EXECUÇÃO FISCAL - EMBARGOS - LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO FORA DA EMPRESA - MULTA MORATÓRIA - DENÚNCIA ESPONTÁNEA JUROS DE MORA - Não é anulável auto de infração lavrado fora da sede ou do domicilio da autuada, podendo o mesmo ser emitido por órgão da Fazenda Pública se lá o agente fiscal dispunha de elementos necessários e suficientes para a caracterização da infração e formalização do lançamento tributário, nos termos do art. 10 do Decreto n" 70.235/72. Não cabe ao judiciário reduzir multa fiscal moratória se ela é imposta com base em graduação objetivamente estabelecida pela Lei, porquanto não pode o juiz atuar como legislador positivo. Não há denúncia espontam(' se o lançamento se deu por iniciativa do fisco, sem que tenha havido qualquer ato anterior do contribuinte com relação ao débito O índice de juros de 12% ao ano é norma C011.Stitucional dependente de regulamentação, sendo inviável a observância do limite estabelecido no art. 192, 3" da CF/88 sem que haja a devida regulamentação legi_slativa Apelação desprovida (TRF-4" R - AC 2002 04 01.040359-8 T Esp, - Rel. Des. Fed João Surreaux Chagas - DJU 09.09 2004 - p, 491) ADMINISTRATIVO - RECURSO ADMINISTRATIVO - INTIMAÇA".0 POSTAL - DOMICILIO FISCAL - ELEIÇÃO PELO CONTRIBUINTE - CONDOMÍNIO - PORTEIRO - ART. 4 Processo n" I 7546.000550/2007-49 S2-C311 Acórdão n " 2301-01,459 Fl 3 23, DO DECRETO N" 70.235/72 - I- O art. 23, II, do Decreto n" 70,23.5/72 dispõe que se considera realizada a intimação por via postal na data do recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Conforme prevê o citado dispositivo, não existe a obrigatoriedade de que a intimação postal seja frita com a assinatura do sujeito passivo (exigência feita tão somente às intimações pessoais- art. 23, I) Para a intimação postal basta, apenas, a prova do recebimento da correspondência no domicilio fiscal, podendo ser recebida por porteiro do prédio de condomínio, data a partir da qual passa a coiTer o prazo processual administrativo. Precedentes de ambas as Turmas de direito público do STJ (REsp 754.210/RS RE„sp 10.2915.3/DF). 2- Apelação e remessa oficial providas.. segurança denegada 3- Peças liberadas pelo Relator, em 07/12/2009, para publicação do acórdão. (TRF-1" R. - Ap-RN 14/05/2009 - Rel. Juiz Fed Rafael Paulo Soares Pinto - ale 29.01.2010 - p 522) EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL - MULTA FISCAL - TAXA SELIC - LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO FORA DA SEDE DA EMPRESA - DECRETO 70.235/72 - POSSIBILIDADE - Descabe . falar em excessividade da multa fiscal quando o percentual aplicado decorre de lei e não evidencia descompasso com a infração cometida. É legítima a aplicação da Taxa SELIC Precedentes do STJ Higido é o auto de infração que, embora não lavrado no local de inspeção - Sede da empresa - o é no local da infração. (TRF-4" R - A C 2009.70.99.002193-7/PR - 2" T - Rei. Juiz Fed Artur César de Souza - DJe 30 09.2009 - p 11.2) Com isso, inarredável a conclusão de que o Auto de Infração/ NFLD pode ser lavrado fora do estabelecimento da empresa autuada. Pleiteia, ainda, a Recorrente, a nulidade da presente notificação, ao argumento de que o procedimento fiscal fora fundamentado em Meros indícios, presunções, conclusões arbitrárias e injustificadas, ofendendo, assim, o Princípio da Motivação, Finalidade e Legalidade que regem a Administração Pública. Pois bem.. Os princípios são normas, e, corno tal, dotados de positividade, que determinam condutas obrigatórias e impedem a adoção de comportamentos com eles incompatíveis. No âmbito administrativo, incidem diversos princípios, alguns expressamente previstos no texto Constitucional de 1988 (arts. 5" e .37), especificamente direcionados para a atuação da Administração Pública, outros implícitos e com eles compatíveis. Assim, a Administração Pública só pode agir de acordo e de conformidade com aquilo expressamente ou tacitamente previsto em Lei (Principio da Legalidade).. Já o princípio da Finalidade, consiste na obrigação que tem a autoridade administrativa de sempre praticar' o ato administrativo com vistas à realização da finalidade perseguida pela lei. 5 Logo, um ato administrativo praticado desvirtuado do interesse público a que sempre deve perseguir, será um ato nulo por desvio de finalidade ou excesso de poder. 'Tal principio decorre da idéia de que a atividade administrativa tem que estar vinculada a um fim alheio à pessoa e aos interesses particulares da autoridade administrativa, sempre de maneira impessoal. A motivação, por sua vez, consiste na explanação dos motivos e razões que levaram o agente administrativo a prática cio ato, propiciando ao administrado a possibilidade de conhecer das razões, para, querendo, impugná-las. Nesse aspecto, na presente autuação, basta uma análise perfunctória do Relatório Fiscal de tis, 50/55, para que se verifique a clareza com que fora emitido, constando a descrição dos fatos geradores que originou o presente lançamento, não havendo qualquer dificuldade para a Recorrente em apresentar sua defesa, tampouco houve qualquer ofensa aos princípios norteadores da Administração Pública. Do Mérito Os lançamentos da presente NFLD referem-se a cobrança de contribuições devidas à Previdência Social não recolhidas em época própria incidentes sobre a remuneração paga aos segui ados empregados da empresa constantes em suas folhas de pagamento, sobre a remuneração paga ou creditada aos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços e sobre o valor dos serviços prestados por cooperativa de trabalho. Ocorre que, nas razões recursais ora em apreço, a Recorrente sequer se defendeu quanto ao mérito da questão acima exposto, ou seja, apresentou uma defesa genérica, não se desincumbindo cio ônus da prova em contrário. Pois bem, A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9", §6" da Portaria n" 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9"A impugnação mencionará 6" Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha .sido expressamente contestada. Desta feita, conclui-se, do acima exposto, que reputa-se impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Nota-se, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto a pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: "Entende-se que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como se sabe, é situaçãojuddica consistente em um encargo do direito A parte detentora de ônus deverá praticar 6 PrOCCSSO n" 17546 000550/2007-49 S2-C3"11 • Acórdão n " 2301-01.459 Ei 4 ato processual em seu próprio beneficio, no prazo legal, e de forma correta: se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqiiéncias danosas para ela ( ..) a prechtsão decorre do não-atendimento de um ônus, com a prática de ato-fito caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos, conformes com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente.. Dos Juros e Multa Quanto à solicitada exclusão dos juros e multa, salientamos que os mesmos vêm determinados pela legislação previdenciária: Nesse sentido, o art. 35 da Lei n 8,212/1991 dispõe que a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso, verbis: "Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ver relevada, nos seguintes termos. Não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei n° 8212/1991, Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. Os juros estão disciplinados no artigo 34, da Lei n°8212/91: "Art. 34.. As contribuições sociais e outras imporiáncias arrecadadas pelo INSS, incluhlas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à lava referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SEL1C, a que se refere o ar!_ 13 da Lei n" 9 06.5, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP n°1571/97, reeditado até a COI7VerSãO na Lei n" 9528/97. A atualização monetária foi &vima, para os ,finos geradores ocorridos a partir de 01/95, conlbrme a Lei n°8 981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 3.5 desta Lei)" A propósito, convém mencionar que o Segundo Conselho de Contribuintes aprovou a SÚMULA N° 3, em 18 de setembro de 2007, nos seguintes termos: "SÚMULA N" .3 É cabível a cobrança de juras de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributas e 7 contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais." Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com fulcro no artigo 34, da Lei n" 8.212/91, e bem assim da multa moratória, nos termos do artigo 35, do mesmo Diploma Legal. Quanto à atualização monetária, ressalto que foi extinta para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/1995, conforme a Lei n," 8..981/95.. Assim, é devida a contribuição levantada pelo fisco e, não sendo recolhida até a data do vencimento, fica sujeita aos acréscimos legais na forma da legislação de regência. Da Conclusão Ante o exposto, conheço do recurso, para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, e de abril de 9 e 10 LEO RDO HE d E PIRES LOPES elator S2-C3 T 1 F 1 1 ...ágAtáSi E .. O MINISTÉRIO DA FAZENDA . •:M= Má . /Aí tt • l'''' 12::". CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS i, • r. , ''' .,• SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO ''':'''' Processo n" 3532L001222/2005-14 Recurso n" 144.9.30 Voluntário Acórdão n" 2301-00.459 – 3" Câmara / I" Turma Ordinária Sessão de 1 de junho de 2009 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: DIRIGENTE PÚBLICO Recorrente PAULO ROBERTO PAES DE. OLIVEIRA Recorrida SRP - SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIARIA Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a .30/04/2004 RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N " 8.212. EFEITOS – RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n " 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n " 449 de 2008. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, °missiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cagente o caput do art. 106 do CTN. . Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato intiacionaL •, Recurso Voluntário Provido. —• ''' .' Crédito Tributário Exonerado. U-' nI'-'' '. . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.. ACORDAM os membros da 3" câmara / I" turma ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira. . , I‘ ' 1i • • JçJIj .JULIO LESARNIEIRA GOMES - Presidente ANOE OELHO A RU P A JÚNIO/R - o Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco André Ramos Vieira, Dam'a o Cordeiro de Moraes, Marcelo Oliveira, Edgar Silva Vidal (Suplente), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). Relatório Adoto o relatório de fl. 202/203: Em Ação Fiscal desenvolvida na Câmara Municipal de Macaé, 10i lavrado em 22/08/2003, auto-de-infração por infração ao mi .32, inciso IV e §'§ 3" e 9" da Lei n" 8.212, de 24/07/91, combinado com o art. 225, inciso IV e 02", 3"e 4" do (mina do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto o " 3 048, de 06/05/99 A penalidade aplicada importou no valor de R$ 13.378,90 (treze mil, trezentos e setenta e oito reais e noventa centavos) 2 De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (f13.02), o ex- clic* do Poder Legislativo Municipal não comprovou a entrega, na rede bancária, da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, para a competência 12/2002, infringindo assim, o disposto na legislação supra cilada Em 13/04/2006, foi proferida DAT n 15 401.4/0149/2006 [f1s 28/33] que julgou improcedente o auto de infração 3 De acordo com o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (11s, 03), aplicou-se a multa confio-me o previsto no art. 32, inciso 11/, 4" da Lei n" 8212/91 c/c com o art. 284, I, §I" do Decreto o° 3.048/99, atualizado com a Portaria MPS 727 de 30105/2003, esclarecendo que a valor da multa fbi calculado por competência co; que não houve a entrega da GHP, acrescida de .5% para cada mês ou fração de atraso, apurado conforme planilha anexada em fis.05. 4 O autuado, através de procurador legalmente constituído (lis 88), apresentou impugnação de fls. 68/87, anexando os documentos de fis. 89/175, alegando co; sintese que: 2 Processo n" 35321 001222/2005-14 S2-C3T I Acórdão n " 2301-00.459 Fl 2 Da Preliminar 4 1 O recurso é tempestivo devido a não ter sido o autuado pessoa/mente intimado Alega o autuado não lei validade a remessa via postal, mesmo tendo sido utilizado o . método da carta registrada, devido a ser obrigatória a intimação pessoal, de acordo com o art. 31 , , inc. I, da Portaria MP45 n357/02 , ar 1..23, inc I, e ar] 10, inc V, do Decreto n70.235/72. Desta fOrma é nulo de pleno direito o presente auto-de-infiação 4.2. De acordo com os artigos que foram utilizados para a presente lawatura (art 32, inc 1V, da Lei 8 212/91 e ai I. 284, inc ti do Decreto 3.048/99), os mesmos fazem menção a "obrigatoriedade" das empresas e liãO de pessoas físicas ou agentes políticos. Alega assim "ilegitimidade passiva do autuado para figurar no pólo passivo do presente autode- infração" 4.3 Por ser, a atividade política, normalmente transitória, se dando sua investidura através de eleição, não se sujeitam os agentes políticos às regras COMIMS aplicáveis aos servidores públicos em geral. Não há que se falar em lei ordinária atribuindo ao agente político responsabilidade pessoal por dívidas pertencentes ao poder público, devendo tal imputação .ser prevista no corpo da Carta Magna 4,4. Na legislação citada pelo AFP ‘S não se encontra nenhum fundamento que dê a esta autuação suporte jurídico. É nulo o presente, tendo eia vista que os atos públicos, referindo-se ao auto-de-infração, têm que ser finulamentados e providos de legalidade, citando assim o art. 10, inc IV do Decreto n70...235/72 e alegando cerceamento de defesa de acordo com o art..5", inc.LX da Constituição Fedei ai de 1988. Da Mérito 4.5. A responsabilidade atribuída ao autuado não .se enquadra em nenhuma vertente das modalidades de capacidade tributária passiva, devidamente descritas na impugnação, .ficando ausentes os requisitos pertencentes à responsabilidade solidária, bem como, a responsabilidade direta pelo débito O autuado no comando da Câmara Municipal de Aluemé apenas a representava, tendo . yido conferido ao mesmo Em 12/07/2005, foi proferida DN [fls. 201/209] que julgou procedente o auto de infração: TRIBUTÁRIO, PREVIDENCIÁRIO AUTO DE INFRAçÁo. ÓRGÃO PÚBLICO. AUTUA ciro EM NOME DO GESTOR Deirar de informar mensalmente ao INSS, por intermédio da GF1P, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras infarmações de interesse do mesmo, constitui infração ao ai t 32, inciso IV, da Lei n" 8212/91, COM redação dada pela Lei n° 9 .528/97 Não havendo designação firmai' de servidor responsável pelo cumprimento das obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária, a responsabilização pelas infrações apuradas „. contra órgão publico recai sobre o dirigente máximo deste, observadet a época da ittfração. AUTUAÇÁO PROCEDENTE Inconformado com o decisum, o Autuado interpôs recurso voluntário que alegou, em síntese, os mesmos argumentos constantes da peça de defesa.. É o relatório, Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões preliminares suscitadas pelo recorrente. DO MÉRITO Peço vênia para colacionar voto proferido pelo i. Conselheiro Marco André Vieira que analisa com propriedade a responsabilidade pessoal do dirigente após a publicação da MP n, 449. Entendo que deva ser observada a retroatividade benigna prevista no art, 106, inciso II do CTN. A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n " 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n " 449 de 2008.. Art 41 O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos. desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em )(Olha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagatnento que se seguir à requisição. (Revogado pela Medida Provisória o° 449, de 2008) Conforme previsto no art.. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo corno contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; e) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que há cabimento do art. 106, inciso II, alíneas "a" e "b" do CTN, A Medida Provisória n " 449, ao revogar o art. 41 da Lei n " 8,212, implica a não responsabilização do dirigente nas omissões e ações que geram o descumprimento de obrigações acessórias. 4 Pi °cesso Ir 35321.001222/2005-14 S2-C3T1 Acórdão n." 2301-00.459 Fl 3 A aplicação de uma penalidade terá como componentes: a conduta, omissiva ou comissiva; o responsável pela conduta; e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. O próprio caput do art. 106 informa que o que será julgado é o ato, e nesse momento estamos julgando o ato do dirigente, portanto caracterizada a aplicação do art. 106 do erN. Mesmo porque, nenhum ato que implica em uma conduta humana existe de per se, sempre estará atrelado a um agente. Em relação ao dirigente do órgão público, especificamente esse agente, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional Basta uma análise singela, caso a fiscalização fosse autuar o prefeito municipal na data de hoje, por fatos pretéritos, não poderia fazê-lo em função justamente da MP n " 449. Assim, em relação ao dirigente, a MP é, sem dúvida, mais benéfica; se antes da MP a autuação era em nome do dirigente, após a referida MP não cabe tal autuação. Além do mais, a MP o " 449 deixou de tratar o ato do dirigente como contrário à exigência de ação ou omissão. In casu, não houve configuração de fraude pelo dirigente no relatório fiscal. Não bastasse, a própria Procuradoria da Fazenda, em virtude de consulta formulada pela Receita Federal do Brasil, emitiu o Parecer PGFN/CDA/CAT o" 190 de 2009, por meio do qual reconhece a retroatividade benigna surgida com a MP n " 449 de 2008.. Assim, a própria Receita deixará de efetuar tais lançamentos e ainda em decisões de primeira instância aplicará a retroatividade benévola.. A repercussão da retroatividade em relação às obrigações acessórias, como na hipótese de haver uma obrigação sem responsável, não cabe a este Colegiado apreciar; quem fez a escolha por não autuar o dirigente do órgão público foi o Chefe do Executivo por meio de Medida Provisória, se é justo ou injusto não interessa, como esse órgão é componente do Poder. Executivo cabe apenas a aplicação objetiva dos atos normativos sem realizar juizo de valor. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto pelo PROVIMENTO do recurso. É como voto.. Sala das Sessões, em 1 de junho de 2009 ANO , COELHO ARRUDA JÚNIOR, Relat/or 5
score : 1.0
Numero do processo: 13808.006267/2001-56
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 11 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, mormente quando o recurso não identifica corretamente a matéria apreciada no acórdão recorrido, e ainda suscita divergência em relação à dispositivo legal sequer em vigência à época dos fatos geradores.
Numero da decisão: 9101-005.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
Andréa Duek Simantob Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andréa Duek Simantob (Presidente em exercício). Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pela conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: Fernando Brasil de Oliveira Pinto
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202108
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, mormente quando o recurso não identifica corretamente a matéria apreciada no acórdão recorrido, e ainda suscita divergência em relação à dispositivo legal sequer em vigência à época dos fatos geradores.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2021
numero_processo_s : 13808.006267/2001-56
anomes_publicacao_s : 202109
conteudo_id_s : 6473247
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 9101-005.700
nome_arquivo_s : Decisao_13808006267200156.PDF
ano_publicacao_s : 2021
nome_relator_s : Fernando Brasil de Oliveira Pinto
nome_arquivo_pdf_s : 13808006267200156_6473247.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Andréa Duek Simantob Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andréa Duek Simantob (Presidente em exercício). Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pela conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 11 00:00:00 UTC 2021
id : 8974183
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:18:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076936992456704
conteudo_txt : Metadados => date: 2021-09-09T22:19:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-09-09T22:19:31Z; Last-Modified: 2021-09-09T22:19:31Z; dcterms:modified: 2021-09-09T22:19:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-09-09T22:19:31Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-09-09T22:19:31Z; meta:save-date: 2021-09-09T22:19:31Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-09-09T22:19:31Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-09-09T22:19:31Z; created: 2021-09-09T22:19:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2021-09-09T22:19:31Z; pdf:charsPerPage: 1619; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-09-09T22:19:31Z | Conteúdo => CSRF-T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13808.006267/2001-56 Recurso Especial do Procurador Acórdão nº 9101-005.700 – CSRF / 1ª Turma Sessão de 11 de agosto de 2021 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AMWAY DO BRASIL LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, mormente quando o recurso não identifica corretamente a matéria apreciada no acórdão recorrido, e ainda suscita divergência em relação à dispositivo legal sequer em vigência à época dos fatos geradores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Andréa Duek Simantob – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andréa Duek Simantob (Presidente em exercício). Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pela conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 62 67 /2 00 1- 56 Fl. 629DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-005.700 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13808.006267/2001-56 Relatório Trata-se de Recurso Especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do acórdão nº 1803-001.157, de 17/01/2012, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. Transcreve-se a ementa e a parte dispositiva do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2004, 2005, 2006 PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto n° 70.235/72, sem preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Identificada a ausência de registro de depósitos na escrita contábil da empresa cabe ao contribuinte apontar a sua origem e justificar a sua não escrituração. O efeito de sua desídia consiste na atribuição aos valores não justificados a condição de receitas omitidas, a teor do art. 42 da Lei nº. 9.430/96. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDA CONSUMIDA. DISPENSA DE COMPROVAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. DECORRÊNCIA. A tributação reflexa é matéria consagrada na jurisprudência administrativa e amparada pela legislação de regência, devendo o entendimento adotado em relação aos respectivos Autos de Infração acompanharem o do principal em virtude da íntima relação de causa e efeito. Recurso Parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação toda e qualquer omissão decorrente dos rendimentos auferidos no Banco Bradesco, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Recurso Parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 630DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-005.700 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13808.006267/2001-56 Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação toda e qualquer omissão decorrente dos rendimentos auferidos no Banco Bradesco, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda opôs embargos declaratórios. Os embargos foram rejeitados pelo acórdão nº 1803-001.496, de 13/09/2012, que registrou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2004, 2005, 2006 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. Devem ser rejeitados, os embargos declaratórios quando inexistente no Acórdão omissão apontada pela Embargante no acórdão alvejado (Art. 65 do RICARF), que deve permanecer tal como foi lavrado, e o inconformismo da parte embargante deve ser manifestado pela via recursal própria conforme determina o Processo Administrativo Fiscal. Inconformada, a PGFN interpôs Recurso Especial, suscitando divergência quanto à “necessidade de o contribuinte apresentar prova inequívoca da origem dos depósitos bancários, para elidir a presunção de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei n o 9.430/1996”. Indicados como paradigmas de divergência os acórdãos n° 104-22.954 e n° 104- 22.510. Transcrevem-se as ementas dos paradigmas colacionados, no que interessa à divergência proposta: Acórdão nº 104-22.954 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício. 2001, 2002, 2003, 2004 (...) OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N° 9.430, DE 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA - APURAÇÃO MENSAL - TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL - Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1° de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÓNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Fl. 631DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-005.700 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13808.006267/2001-56 DEPÓSITOS BANCÁRIOS ORIUNDOS DE EMPRÉSTIMOS - COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS - Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocados pela autoridade lançadora. As operações declaradas, que importem em origem de recursos, devem ser comprovadas por documentos hábeis e idôneos que indiquem a natureza, o valor e a data de sua ocorrência. Assim, tendo sido juntados aos autos documentos que, analisados em conjunto, comprovam que depósitos bancários lançados como se fossem rendimentos recebidos têm, na verdade, origem em empréstimos, exclui-se da exigência estes valores. Acórdão nº 104-22.510 DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1°/01/97, a Lei n°. 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idónea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A alegação de que os depósitos sem origem comprovada têm relação com as rendas declaradas, sem esforço de vinculação, não merece prosperar. O Despacho de Admissibilidade considerou demonstrado o dissídio frente a ambos paradigmas. No mérito, em apertada síntese, o Apelo Fazendário aponta as seguintes razões: - “a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 somente pode ser suprimida por prova inequívoca que comprove a origem dos depósitos bancários; no caso dos presentes autos, por prova que demonstre, ao menos, a coincidência de valores e datas entre os rendimentos indicados no extrato consolidado do Banco Bradesco e os depósitos identificados pela Fiscalização”; - “o contribuinte não logrou comprovar que os rendimentos indicados no informe de fls. 221/224 eram a origem dos depósitos identificados pelo Fisco”; - “o acórdão resolveu por bem supor que os valores declarados haviam transitado pelas contas do contribuinte, e, assim, comprovariam os depósitos. (...) Houve uma inversão da presunção legal contida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 em face de uma outra presunção não‑legal”; - “os rendimentos tributados declarados pelo contribuinte não podem ser excluídos da base de cálculo do lançamento em tela, haja vista que, nesse ponto, o contribuinte não afastou a presunção legal do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996”. Conclui pugnando pelo “provimento do presente Recurso Especial, a fim de que os rendimentos indicados não sejam excluídos da base de cálculo do lançamento em tela”. Cientificado, o Contribuinte apresentou Contrarrazões. Primeiramente, argui pelo não conhecimento do Recurso Especial Fazendário, aduzindo: - “o v. acórdão recorrido analisou detalhadamente os fatos e provas dos autos, para concluir que não houve omissão de rendimentos frente a inequívoca prova trazida pela Recorrida, com especial destaque para os extratos bancários e o Informe de rendimento presente às fls. 221 a 224. [...] entendeu [o acórdão recorrido] que o lançamento é parcialmente Fl. 632DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-005.700 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13808.006267/2001-56 improcedente, por ausência de subsunção dos fatos à norma (art. 42 da Lei n o 9.430/ 96), uma vez que houve o reconhecimento, à luz dos demais elementos contábeis submetidos à análise, da prova de que o rendimento efetivamente recebido pela Recorrida no ano-calendário de 1996 foi R$ 2.295.412,50, e não R$ 2.376.850,44, como equivocadamente considerado no lançamento tributário com base em informações imprecisas obtidas por meio do procedimento fiscalizatório falho.”; - “o Recurso Especial da Fazenda Nacional busca, nitidamente, rediscutir os fatos e provas contidos nos autos na tentativa de desqualificá-la quanto a sua efetiva comprovação acerca dos rendimentos recebidos do Banco Bradesco. [...] considerando que a pretensão recursal implica o reexame dos fatos, expediente vedado nesta instância, requer-se o não conhecimento do Recurso Especial e a manutenção do v. acórdão recorrido”; - “a Recorrida apresentou os extratos, planilhas contábeis e comprovantes de rendimentos das contas em que se concentravam os rendimentos no Banco Bradesco S/a, que, saliente-se, é o documento hábil por excelência para comprovar os rendimentos por ela recebidos, e que prova que o rendimento efetivamente recebido pela Recorrente no ano- calendário de 1996 havia sido inferior ao inicialmente suposto pela fiscalização. (...) o v. Acórdão reconhece a procedência da informação, inclusive com base em trechos do julgamento proferido pela 5 a Turma da DRJ em São Paulo, em que textualmente afirma que o ‘comprovante de rendimento emitido pela instituição financeira é o documento hábil q provar os rendimentos recebidos pelo contribuinte, e as informações nele consignadas deverão ser aceitas pela fiscalização’. (...) as razões recursais fazendárias não impugnam a especificidade do v. Acórdão recorrido, pois não reúne elementos aptos a descaracterizar a prova utilizada (...) são restritas em querer afirmar, erroneamente, que o v. acórdão não justificou a procedência da prova, muito embora isso tenha sido amplamente realizado pelos I. Conselheiros. (...) a Recorrida requer não seja conhecido o recurso especial da Fazenda Nacional na medida em que o entendimento manifestado no v. acórdão recorrido encontra-se respaldado e não houve impugnação fazendária que o invalidasse”; - “nenhum dos acórdãos paradigmas indicados no Recurso Especial trata dos mesmos fatos havidos no processo administrativo em questão (...) embora tratem do tema relativo a presunção de omissão de rendimentos, não fazem nenhuma referência a tese defendida pela Fazenda Nacional, a de que os Informes de Rendimentos oficiais, emitidos por instituição financeira, tal e qual como o utilizado pela Requerida, não são aptos a demonstrar de maneira inequívoca a origem do rendimento até então presumido omisso pela autoridade tributária (...) ambos os precedentes utilizados são enfáticos em afirmar que a presunção de omissão é elidida quando o contribuinte produz comprova, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados. Nesse sentido, o primeiro e o segundo paradigma, em realidade, corroboram com a Recorrida e não representam dissidência jurisprudencial”; - “é completamente diversa a situação fática tratada nas decisões paradigmas e no acórdão que julgou o recurso voluntário da Recorrida (...) em virtude da clara divergência entre as situações fáticas analisadas, demonstrado está que os acórdãos indicados como paradigmas no Recurso Especial da Fazenda Nacional são inservíveis”. Passando ao mérito, aduzem as contrarrazões, em síntese: Fl. 633DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-005.700 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13808.006267/2001-56 - “o demonstrativo de rendimentos apresentado pelo banco constitui documento hábil e idôneo para comprovação de rendimentos [...] as informações consignadas nos comprovantes de rendimentos deverão ser aceitas pela fiscalização, a não ser que haja provas consistentes em sentido contrário” [grifo original]; - “a Recorrente desconsidera totalmente o informe de rendimentos juntado aos autos, baseando-se exclusivamente (e inexplicavelmente) em planilha elaborada pela Recorrente (*) 1 , a qual, contudo, continha diversos erros materiais [...]A demonstração de inexatidão da planilha apresentada pela Recorrida foi confirmada pela decisão o quo”; - “ o valor efetivamente declarado pela Recorrida relativamente aos rendimentos das aplicações financeiras mantidas no Banco Bradesco S/A no ano-calendário de 1996 corresponde a R$ 2.480.198.36 (dois milhões, quatrocentos e oitenta mil, cento e noventa e oito reais e trinta e seis centavos). conforme planilha já juntada aos autos (doc. 07 da Impugnação) (...) a referida planilha foi elaborada em estrita consonância com os lançamentos registrados nos Livros Razão (doc. 08 da Impugnação) e Diário da Recorrente (doc. 09 da Impugnação)” (grifo e destaque original). As contrarrazões prosseguem com reprodução de demonstrativos e referências a elementos de prova dos autos, no intuito de demonstrar que as receitas financeiras auferidas no Bradesco integraram as receitas financeiras declaradas na DIPJ. Os autos foram submetidos a sorteio, cabendo, inicialmente, o relato à Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto. O processo foi indicado para pauta e retirado a pedido das partes. Com o pedido de dispensa da Conselheira Relatora, os autos foram novamente sorteados, cabendo-me o seu relato. É o relatório. 1 (*) erro de digitação; onde lê-se "elaborada pela Recorrente", leia-se "elaborada pela Recorrida". Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 Conhecimento Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou a própria CSRF, nos termos do art. 67 do Anexo II do RICARF. Intimado, o Contribuinte manejou competente Contrarrazões requerendo, preliminarmente, o não conhecimento do Apelo Fazendário. Fl. 634DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-005.700 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13808.006267/2001-56 Entendo assistir-lhe razão. O Recurso Especial Fazendário invoca dissídio interpretativo quanto à matéria “necessidade de o contribuinte apresentar prova inequívoca da origem dos depósitos bancários, para elidir a presunção de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei n o 9.430/1996”. O despacho de admissibilidade deu seguimento ao recurso, considerando demonstrada a divergência frente aos paradigmas colacionados. Contudo, o recurso fazendário baseia-se em premissa equivocada, visto que não descreve corretamente a matéria apreciada no julgamento do recurso voluntário nem o real sentido do acórdão recorrido. Ocorre que no presente processo a discussão não gira – e nunca girou - em torno da prova da origem de depósitos bancários. E nem poderia, uma vez que a infração descrita no lançamento fiscal não foi de omissão de receitas por presunção legal, e não decorreu de depósitos bancários de origem não comprovada. A imputação fiscal, na origem, foi de omissão de receitas (sem utilização de presunção legal), consistindo na diferença entre os rendimentos financeiros apurados (com base em extratos de investimentos do contribuinte fornecidos pelas instituições financeiras à Receita Federal) e os declarados na DIPJ. Do Termo de Verificação Fiscal, a e-fls. 117- 119, se extrai: 2. OMISSÃO DE RECEITA FINANCEIRA 2.1. Através de informações fornecidas pelas entidades financeiras à Secretaria da Receita Federal, constatamos também, nas análises contábil e documental, que o contribuinte, no ano-calendário em questão deixou de declarar os Rendimentos Financeiros auferidos nas aplicações efetuadas nos seguintes Bancos: c) BANCO BRADESCO S/A: Conforme Planilhas elaboradas pelo contribuinte, os valores dos Rendimentos Financeiros na Competência (Campo 06 do extrato) constantes nos Extratos Bancários do Banco BRADESCO S/A foram de R$2.376.850,44 (dois milhões, trezentos e setenta e seis mil, oitocentos e cinqüenta reais e quarenta e quatro centavos). O contribuinte declarou de Rendimentos das Aplicações do Banco BRADESCO S/A, no ano em questão, o valor de R$2.087.725,54 (dois milhões, oitenta e sete mil, setecentos e vinte e cinco reais e cinqüenta e quatro centavos). Portanto há uma diferença não declarada, Fl. 635DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-005.700 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13808.006267/2001-56 que comporá também a base de cálculo, no valor de R$289.124,90 (duzentos e oitenta e nove mil, cento e vinte e quatro reaIs e noventa centavos) (...) 3. DO ENQUADRAMENTO LEGAL Em virtude de todo o exposto o contribuinte infringiu os artigos 515; 666 e 979, § 2°, c/c os arts. 230; 739 e 892, todos do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°1.041, de 11/01/1994; art. 76, inciso I e § 2° da Lei 8.981/95 e art.11, § 3º , da Lei 9.249/95. 4. DO VALOR TRIBUTÁVEL 0 valor tributável corresponde à (...)o total da Omissão de Receita Financeira no valor de R$291.099,57 (duzentos e noventa e um mil, noventa e nove reais e cinqüenta e sete centavos). Vê-se que o Termo de Verificação Fiscal não fala em depósitos bancários de origem não comprovada, nem em lançamento por presunção legal, e o enquadramento legal não incluiu o art. 42 da Lei n o 9.430/1996. Portanto, a infração descrita na autuação fiscal foi de simples omissão de rendimentos de aplicação financeira, e não de omissão presumida com base em depósitos bancários de origem não comprovada. O julgamento de primeira instância pronunciou-se quanto a omissão de receita baseada em provas diretas, como evidenciam os seguintes excertos do relatório e do voto condutor: RELATÓRIO DA AUTUAÇÃO Conforme Termo de Constatação de Fiscal (...) foi verificado o seguinte: (...) Omissão de receita financeira 4. Através de informações fornecidas pela entidades financeiras à Secretaria da Receita Federal, a fiscalização constatou também, nas análises contábeis e fiscais, que a contribuinte, no ano-calendário de 1996, deixou de declarar os rendimentos financeiros auferidos no Banco Nossa Caixa (...) e no Banco Banespa (...) 5. Com relação ao Banco Bradesco, conforme planilhas elaboradas pela contribuinte (fls. 46, e 52 a 54), os valores dos Rendimentos Financeiros na Competência (Campo 06) constantes nos extratos bancários do citado banco (fls. 87 a 114) foram de R$ 2.376.850,44. Como a contribuinte declarou rendimentos das aplicações no Bradesco, no ano em questão, no valor de R$ 2.087.725,54 (fl. 48), há uma diferença não declarada de R$ 289.124,90, a ser tributada. (...) VOTO (...) Fl. 636DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-005.700 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13808.006267/2001-56 Das receitas financeiras recebidas pela impugnante em 1996— Banco Bradesco 66. Alega a impugnante que houve equivoco na elaboração da planilha de fls. 46, e 52 a 54, obtida a partir dos extratos bancários (...) 67. Como prova dos valores corretos a serem considerados, traz aos autos o informe de rendimentos do Bradesco, Agência n° 0461, conta corrente n° 107.000-2 (fls. 221 a 224) (...) 68. Analisando-se os extratos bancários e o supracitado informe de rendimentos, constata-se que assiste razão à contribuinte. Os valores considerados no informe de rendimentos são os relativos ao item 3 dos extratos bancários, que são os rendimentos tributáveis, tendo havido, inclusive, a respectiva retenção do imposto de renda na fonte (IRRF). 69. Dessa forma, há que se segregar, da planilha de fls. 52 a 54, os valores relativos ao supracitado informe de rendimentos, documento hábil a comprovar os rendimentos relativos à conta corrente n° 107.000-2, da Agência n° 0461 do Bradesco. Quanto aos demais valores, não havendo a contribuinte juntado aos autos documentos hábeis a contestá-los, há que se considerar os constantes da citada planilha. (...) (...) Das receitas financeiras declaradas pela impugnante em 1996— Banco Bradesco 70. Alega a impugnante que o valor efetivamente declarado, relativo aos rendimentos das aplicações financeiras mantidas no Bradesco no ano-calendário de 1996, corresponde a R$ 2.480.198,36, e não a R$ 2.087.725,54 (valor por ela informado à fl. 48). (...) 72. Para subsidiar suas afirmações, a contribuinte traz aos autos planilhas (doc. 7, fls. 229 a 232, e doc. 10, 278 a 277), e os Livros Razão (doc. 8, 233 a 247) e Diário (doc. 9, fls. 248 a 277). 73. Tais documentos comprovam a contabilização do montante de R$ 2.480.198,36; no entanto, não são hábeis a comprovar as informações contidas nas planilhas de fls. 306 a 310 (doc. 12) e 311 a 315 (doc. 13), segundo as quais esse valor estaria compreendido na conta contábil Receita sobre Aplicações (que teria o total de R$ 4.572.441,77), e integraria o valor de R$ 5.075.500,64, declarado pela impugnante na página 5, linhas 05 (R$ 4.982.741,19) e 23 (R$ 92.759,45) da DIRPJ (doc. 11, fl. 285). 74. Dessa forma, há que se considerar válida a informação prestada pela contribuinte A fiscalização, de que o valor do rendimento declarado, relativo ao Bradesco, é de R$ 2.087.725,54 (fl. 48). (...)” Na etapa de julgamento do recurso voluntário a discussão cingia-se aos rendimentos financeiros auferidos no Bradesco (limite da contestação). Também o acórdão de recurso voluntário, ora recorrido, apreciou omissão de receita baseada em provas diretas – não há, no respectivo voto condutor, qualquer menção a presunção legal de omissão, nem a depósitos de origem não comprovada, nem tampouco alusão ao art. 42 da Lei n o 9.430/1996. Essencialmente, o Colegiado a quo baseou-se no informe de rendimentos do Bradesco, trazido juntamente com a impugnação (fls. 221 a 224 na numeração do processo físico), para afastar a imputação de receitas omitidas. Fl. 637DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 9101-005.700 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13808.006267/2001-56 Enquanto a decisão de piso considerou o referido informe de rendimentos apenas como prova do montante de rendimentos tributáveis efetivamente auferidos (no Bradesco), o acórdão recorrido tomou-os também como prova de rendimentos declarados. Confira-se o teor do voto condutor do acórdão recorrido, no que interessa à presente análise: “(...) em relação aos rendimentos do Bradesco, Agência n° 0461, conta corrente n° 107.0002 (fls. 221 a 224), que totaliza o montante de R$ 2.295.412,50, reconheço a validade de tal documento para desonerar a imputação de receita não declarada. (...) Diante do exposto, observando tudo que consta nos autos, voto no sentindo de não conhecer a preliminar de nulidade e no mérito dar provimento parcial ao Recurso para excluir da imposição tributária toda e qualquer omissão decorrente tão somente dos rendimentos auferidos no Banco Bradesco (...).” (destacou-se) Observa-se, contudo, lapso na redação da ementa do acórdão recorrido, onde constam referências a “OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA; DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDA CONSUMIDA. DISPENSA DE COMPROVAÇÃO” (vide transcrição da ementa do acórdão recorrido, no relatório que precede o presente voto). O lapso é evidente, na medida em que nesta parte a ementa não reflete a lide efetivamente posta e julgada, nem os fundamentos do voto condutor. Chega-se assim ao ponto que compromete irremediavelmente a admissibilidade do recurso especial fazendário, posto que este, aparentemente fixando-se apenas no texto da ementa do recorrido, propõe divergência relacionada à prova necessária para elidir presunção legal de omissão de receitas. Curiosamente, até mesmo as contrarrazões do contribuinte referem-se a omissão de receitas pela presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/1996, em total subversão da realidade processual. É importante ressaltar, inclusive, que os fatos geradores objeto de lançamento ocorreram no ano-calendário de 1996, e a Lei nº 9.430/96, nos termos de seu art. 87 2 , somente passou a surtir efeitos financeiros a partir de 01/01/1997, ou seja, o dispositivo legal aventado pela PGFN em seu Recurso Especial como objeto de divergência, sequer irradiava efeitos à época dos fatos geradores. Além disso, conforme já salientado, o auto de infração objeto do presente processo não se fundamentou em presunção legal de omissão, não se baseou em depósitos de origem não comprovada, e as decisões de mérito, de primeira e segunda instância, também nada afirmam nesse sentido. Pelos motivos expostos, não procede a divergência jurisprudencial admitida por meio do Despacho de Admissibilidade recursal, de e-fls. 513 a 519, quando registra que “ante a 2 Art. 87. Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação, produzindo efeitos financeiros a partir de 1º de janeiro de 1997. Fl. 638DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 9101-005.700 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13808.006267/2001-56 diferença de rigor exigida para a comprovação da origem de depósitos bancários constante nos paradigmas e no acórdão combatido, considero comprovada a divergência arguida”. [destaques ora inseridos] Vale insistir, o Apelo Fazendário suscita divergência quanto à necessidade de a prova produzida pela defesa identificar as operações de origem de cada depósito. A matéria não foi sequer cogitada pelo Colegiado a quo até porque inaplicável no contexto fático-jurídico do presente processo, uma vez que o lançamento fiscal descreve omissão de receitas mediante provas diretas (diferença entre as receitas financeiras apuradas e as declaradas). 2 CONCLUSÃO Isso posto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 639DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000549/2007-14
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/1112002 a .31/12/2002, 01/10/2003 a 31/10/2003, 01/07/2004 a 01/08/2006
RECURSO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA IMPOSSIBILIDADE DE PRONUNCIAMENTO DO JULGADOR, PRECLUSÃO PROCESSUAL Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela parte, acarretando na impossibilidade de conhecimento pelo julgador
das razões de lançamento correlatas, em virtude da ocorrência da preclusão processual,
JUROS DE MORA, TAXA SELIC, APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a
cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação c Custódia -
SELIC para títulos federais.
MULTA MORATÓRIA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de inova, na hipótese de recolhimento em atraso.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2301-001.457
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201004
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/1112002 a .31/12/2002, 01/10/2003 a 31/10/2003, 01/07/2004 a 01/08/2006 RECURSO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA IMPOSSIBILIDADE DE PRONUNCIAMENTO DO JULGADOR, PRECLUSÃO PROCESSUAL Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela parte, acarretando na impossibilidade de conhecimento pelo julgador das razões de lançamento correlatas, em virtude da ocorrência da preclusão processual, JUROS DE MORA, TAXA SELIC, APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação c Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA MORATÓRIA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de inova, na hipótese de recolhimento em atraso. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
numero_processo_s : 17546.000549/2007-14
conteudo_id_s : 6237052
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 21 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2301-001.457
nome_arquivo_s : Decisao_17546000549200714.pdf
nome_relator_s : LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
nome_arquivo_pdf_s : 17546000549200714_6237052.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
dt_sessao_tdt : Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
id : 8365933
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:17:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076937007136768
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-15T10:41:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-15T10:41:29Z; Last-Modified: 2010-12-15T10:41:30Z; dcterms:modified: 2010-12-15T10:41:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:4b5999a3-6afd-4d52-bc37-02f849193293; Last-Save-Date: 2010-12-15T10:41:30Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-15T10:41:30Z; meta:save-date: 2010-12-15T10:41:30Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-15T10:41:30Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-15T10:41:29Z; created: 2010-12-15T10:41:29Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2010-12-15T10:41:29Z; pdf:charsPerPage: 1889; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-15T10:41:29Z | Conteúdo => S2-C3T1 H I .,, .0".... MINISTÉRIO DA FAZENDA ' ,W ,:-. à Np,res.;= CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS,?:.;:.103....n... • ,.-f,,,, (4 ••,,,b •,..4..,0,..'t-,,,, SEGUNDA SEÇÃO DE. JULGAMENTO .À, Processo n" 17546.000549/2007-14 Recurso n" 258.690 Voluntário Acórdão n° 2301-01.457 — 3" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 29 de abril de 2010 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS DESCONTADAS DOS SEGURADOS Recorrente LUCTAL COMPONENTES LTDA Recorrida DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM CAMPINAS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/1112002 a .31/12/2002, 01/10/2003 a 31/10/2003, 01/07/2004 a 01/08/2006 RECURSO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA_ IMPOSSIBILIDADE DE PRONUNCIAMENTO DO JULGADOR, PRECLUSÃO PROCESSUAL Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela parte, acarretando na impossibilidade de conhecimento pelo julgador das razões de lançamento correlatas, em virtude da ocorrência da preclusão processual, JUROS DE MORA, TAXA SELIC, APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação c Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA MORATÓRIA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de inova, na hipótese de recolhimento em atraso. .,, •, Recurso Voluntário Negado /`• Crédito Tributário Mantido r.,•Iy-LQ ,:, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Câmara / V' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). 1 /7/ " • • JULIO CESAR VI P • MES — Presidente LEON RDO HEI NI ít E PRP LOPES - Relator Partic ., „ arr9.1 o pres Itelulgamento os conselheiros: Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique es Lopes, Mamo José Silva, Edgar Silva Vida! (suplente), Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente), Relatório Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, emitida em 12/12/06, em desfavor da Luctal Componentes Ltda, referente às contribuições devidas à Previdência Social, não recolhidas em época própria, relativamente a parte do segurado, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados da empresa notificada, constante de suas folhas de pagamento, no período de 07/2004 a 08/2006; bem como sobre a remuneração paga ou creditada aos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços no período de 11 e 12/20002; 10/2003; 07/2004 a 08/2006. Ressalte-se, que as contribuições previdenciárias ora cobradas, foram descontadas pela empresa dos segurados e não repassadas a Seguridade Social. Inconformada, a ora Recorrente apresentou Defesa tempestiva de fis. 45/54, tendo o Acórdão de fls. 66/69, julgado procedente o lançamento. Irresignada interpôs Recurso Voluntário tempestivo (fls. 73/85), alegando, em síntese: a) a NEW em questão não foi devidamente formalizada, posto que lavrada fora do estabelecimento da empresa autuada, conforme preconiza o art, 10 do Decreto Federal n° 70.235/72, que obriga a lavratura do auto no local da verificação da falta, portanto, deve ser declarada nula; b) o princípio da motivação inerente a todos os atos administrativos não foi observado, pois a tipificação legal descrita não condiz com os fatos, o que acarreta a nulidade da NFLD; c) houve cerceamento ao direito de defesa e ao -Contraditório, pois tornou-se impossível realizar defesa daquilo que não se sabe de fato o que é, importando em nulidade do ato praticado; d) a multa aplicada não se valeu dos critérios da razoabilidade e também da proporcionalidade, ocasionando uma multa excessiva, que vai de encontro ao Princípio do não confisco; e) sempre cumpriu com suas obrigações previdenciárias, no entanto, com intuito de fazer seus empreendimentos se desenvolverem, gerando postos de trabalho e novos empregos, não foi possível, à época, a realização do recolhimentos de todos os tributos; 2 Processo o" 17546.000549/2007-14 S2-C311 Acórdão o "2301-01.457 Fl 2 f) o débito deverá ser recalculado e corrigido de maneira que atenda a estrita legalidade, pois é a vedada a utilização da Taxa SELIC; g) os juros devem incidir à razão de 1% ao mês; h) a multa imposta possui caráter confiscatório, pois é necessário levar-se em conta as atenuantes e agravantes que levaram a imposição da multa no máximo legal. Por fim, consta às fls. 87/88, Informação Fiscal do Serviço de Controla e Acompanhamento Tributário da SRF, em que aduz a desnecessidade do depósito recursal de 30% do valor da exigência fiscal para interposição de Recurso Voluntário.. Sem Contra-Razões, É o relatório,. Voto Conselheiro LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo tempestivo, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Preliminarmente Objetivando a desconstituição do crédito previdenciário, a Recorrente aduz a necessidade da anulação da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, pela suposta insuficiência da descrição da infração cometida, bem como pelo fato de a NFLD ter sido lavrada fora do estabelecimento da empresa notificada, contrariando o disposto no capa! do art. 10, do Decreto n° 70..235, de 06.03.72. Pois bem. Quanto a citação do art. 10 do Decreto 70235/72, para requerer a nulidade da NELI), parece-me equivocada, uma vez que os casos de nulidade estão tratados no art., 59 do mesmo Decreto e no art. 32 da Portaria MPS 520/2004, in verbis: Art. 59 São nulos' 1- os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1" A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüéncia. § .2" Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3" Quando puder decidi .i do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Incluído pela Lei n" 8.748, de 9/12/93) 3 Nota-se, desta feita, que tanto na Portaria n" 520/2004, que regula o contencioso administrativo no âmbito de matéria previdenciária, como no Decreto 70..23.5/72, que rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União, não existe dispositivo legal que determine que a autuação deva ser efetuada no estabelecimento da empresa. Tal hipótese argüida pela Recorrente não causa qualquer prejuízo que justifique o saneamento do lançamento, ao teor do art. 32 da referida portaria. COrt oborancla o acima exposto, importante trazer a baila o entendimento pacificado de nossos Tribunais, ia verbis: TRIBUTÁRIO - EXECUÇÃO FISCAL - EMBARGOS - LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO FORA DA EMPRESA - MULTA MORATÓRIA - DENÚNCIA ESPONTÂNEA - JUROS DE MORA - Não é anulável auto de infração lavrado fora da sede ou do domicilio da autuada, podendo o mesmo ser emitido por órgão da Fazenda Pública se lá o agente fiscal dispunha de elementos necessários e suficientes para a caracterização da infração e formalização do lançamento ti ibutário, nos termos do art. 10 do Decreto n" 70,235/71 Não cabe ao judiciário reduzir multa fiscal moratória se ela é imposta com base em graduação objetivamente e.stabelecida pela Lei, porquanto não pode o juiz atuar como legislador positivo Não há denúncia espontânea se o lançamento se deu por iniciativa do fisco, sem que tenha havido qualquer ato anterior do contribuinte com relação ao débito O índice de juros de 12% ao ano é norma constitucional dependente de regulamentação, sendo inviável a observância do limite estabelecido HO art. 192, 3" da CF/88 sem que haja a devida regulamentação legislativa Apelação desprovida (ME-4" R. - AC 2002.04.01 040359-8 T .Esp - Rel. Das Feel João Surreaux Chagas - DJU 09.09.2004 - p, 491) ADMINISTRATIVO - RECURSO ADMINISTRATIVO - INTIMAÇÃO POSTAL - DOMICILIO FISCAL - ELEIÇÃO PELO CONTRIBUINTE - CONDOMINIO - PORTEIRO - ART. 23, DO DECRETO N" 70,235/72 - 1- O art. 23, II, do Decreto n" 70 235/72 dispõe que se considera realizada a intimação por via postal na data do recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo Confirme prevê o citado dispositivo, não existe a obrigatoriedade de que a intimação postal seja feita com a assinatura do sujeito passivo (exigência feita tão somente às intimações pessoais- art 2.3, I) Para a intimação postal basta, apenas, a prova do recebimento da correspondência no domicilio fiscal, podendo ser recebida por porteiro do prédio de condominio, data a partir da qual passa a correr o prazo processual administrativo Precedentes de ambas as Turmas de direito público do STI (REsp 754 210/RS,. REsp 1029153/DF). 2- Apelação e remessa oficial providas.. segurança denegada 3- Peças liberadas pelo Relator, em 07/12/2009, para publicação do acórdão (IRF-1" R - Ap-RN 14/05/2009 - Rei Juiz Fed. Rafael Paulo Soares Pinto - DJa 29.01 2010 - )) 522) EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL - MULTA FISCAL - TAXA SELIC - LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO FORA DA SEDE DA EMPRESA - DECRE TO 70 235/72 - POSSIBILIDADE - Descabe falar em excessividade da multa fiscal quando o percentual aplicado decorre de lei e não evidencia descompasso com a inflação cometida. É legitima a aplicação da Taxa SELIC. Precedentes do SI] /*gni° é o auto de inflação que, embora não lavrado no local de inspeção - Sede da empresa - o é no local da inflação, (TRE-4" R. - AC 2009.70,99 002193- 7/PR - 2" T - Rel. Juiz Fed Artur César de Souza - Dia 30.09.2009 - p. 112) Com isso, inarredável a conclusão de que o Auto de Infração/ NFLD pode ser lavrado fora do estabelecimento da empresa autuada, 4 Processo n" 17546 000549/2007-14 S2-C3T1 Acórdão n." 2301-01.457 Fl 3 Pleiteia, ainda, a Recorrente, a nulidade da presente notificação, ao argumento de que o procedimento fiscal fora fundamentado emn meros indícios, presunções, conclusões arbitrárias e injustificadas, ofendendo, assim, o Princípio da Motivação. Finalidade e Legalidade que regem a Administração Pública, Pois bem, Os princípios são normas, e, como tal, dotados de positividade, que determinam condutas obrigatórias e impedem a adoção de comportamentos com eles incompatíveis. No âmbito administrativo, incidem diversos princípios, alguns expressamente previstos no texto Constitucional de 1988 (arts, 5" e 37), especificamente direcionados para a atuação da Administração Pública, outros implícitos e com eles compatíveis. Assim, a Administração Pública só pode agir de acordo e de conformidade com aquilo expressamente ou tacitamente previsto em Lei (Principio da Legalidade). Já o princípio da Finalidade, consiste na obrigação que tem a autoridade administrativa de sempre praticar o ato administrativo com vistas à realização da finalidade perseguida pela lei.. Logo, um ato administrativo praticado desvirtuado do interesse público a que sempre deve perseguir, será um ato nulo por desvio de finalidade ou excesso de poder. Tal princípio decorre da idéia de que a atividade administrativa tem que estar vinculada a um fim alheio à pessoa e aos interesses particulares da autoridade administrativa, sempre de maneira impessoal. A motivação, por sua vez, consiste na explanação dos motivos e razões que levaram o agente administrativo a prática do ato, propiciando ao administrado a possibilidade de conhecer das razões, para, querendo, impugná-las. Nesse aspecto, na presente autuação, basta uma análise perfunctória do Relatório Fiscal de fis, .36/38, para que se verifique a clareza com que fora emitido, constando a descrição dos fatos geradores que originou o presente lançamento, não havendo qualquer. dificuldade para a Recorrente em apresentar sua defesa, tampouco houve qualquer ofensa aos princípios norteadores da Administração Pública. Do Mérito Os lançamentos da presente NFLD referem-se a cobrança de contribuições devidas à Previdência Social não recolhidas em época própria incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados da empresa constantes em suas folhas de pagamento, sobre a remuneração paga ou creditada aos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, relativas a parte segurado. Ocorre que, nas razões recursais ora em apreço, a Recorrente sequer se defendeu quanto ao mérito da questão acima exposto, ou seja, apresentou uma defesa genérica, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário. Pois bem. A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9", §6 0 da Portaria n°520, de 19 de maio de 2004, verbis: 5 Art 9"A impugnação mencionará. 6" Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada Desta -feita, conclui-se, do acima exposto, que reputa-se impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado.. Nota-se, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto a pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: "Entende-se que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito A parte detentora de ônus deverá praticar ato processual em seu próprio benefício, no prazo legal, e de foi na correta- se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqüências danosas para ela („.) a prechisão decorre do não- atenehrnento de um ónus, com a prática de ato-jato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos, confbrmes com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar uni determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente, Dos Juros e Multa Quanto à solicitada exclusão dos juros e multa, salientamos que os mesmos vêm determinados pela legislação previdenciária: Nesse sentido, o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe que a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso, verbis: "Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo ENSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: Não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei n ° 8,212/1991. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento.. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira cru dia com suas obrigações fiscais. Os juros estão disciplinados no artigo 34, da Lei n." 8.212/91: "Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, a que se 6 Processo e 17546.000549/2007-14 S2-C311 Acórdão n " 2301-01457 Fl 4 refere o art. 13 da Lei n" 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todo.', de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP n" 1..571/97, reeditada até a conversão na Lei n" 9 5.28/97. A atualização monetária foi extinta, para os ,flitas geradores ocorridos a partir de 01/9.5, conforme a Lei n" 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei)" A propósito, convém mencionar que o Segundo Conselho de Contribuintes aprovou a SÚMULA IN' 3, em 18 de setembro de 2007, nos seguintes termos: "SÚMULA N" 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na tara referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — &lie para títulos federais Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SE.LIC como juros de mora, com fulcro no artigo 34, da Lei n" 8.212/91, e bem assim da multa moratória, nos termos do artigo 35, do mesmo Diploma Legal. Quanto à atualização monetária, ressalto que foi extinta para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/1995, conforme a Lei n," 8.981/95. Assim, é devida a contribuição levantada pelo fisco e, não sendo recolhida até a data do vencimento, fica sujeita aos acréscimos legais na forma da legislação de regência. Da Conclusão Ante o exposto, conheço do recurso, para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 29 o - Irr 2010 LEONA 1 PO HE r E. PIRE LOPES - Relator409009,, . 7
score : 1.0
Numero do processo: 19392.000235/2008-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 13 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Oct 07 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2001
DIREITO PREVIDENCIÁRIO. AÇÃO JUDICIAL.
De acordo como entendimento pacífico deste Conselho, expresso no enunciado de súmula 01 de sua jurisprudência, de teor vinculante e aplicação obrigatória pelos integrantes dos colegiados que o compõem, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO INTEGRALMENTE PAGO NO VENCIMENTO. TAXA SELIC.
O entendimento pacífico deste Tribunal Administrativo, consolidado no enunciado de nº 04 da súmula de sua jurisprudência, de teor vinculante e de aplicação obrigatória pelos colegiados que o compõem, no termos do art. 72 do RICARF, é no sentido de que "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
PAF. RECURSO VOLUNTÁRIO. NOVAS RAZÕES DE DEFESA. AUSÊNCIA. FUNDAMENTO DO VOTO. DECISÃO DE ORIGEM. FACULDADE DO RELATOR.
Quando as partes não inovam em suas razões de defesa, o relator tem a faculdade de adotar as razões de decidir do voto condutor do julgamento de origem como fundamento de sua decisão.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. FATO GERADOR. INTERESSE COMUM. SÓCIO PESSOA FÍSICA. SOLIDARIEDADE DE FATO.
Mantém-se a responsabilidade tributária solidária do sócio pessoa física da pessoa jurídica integrante de grupo econômico quando, pela sucessão de fatos verificados, ficar provado o seu interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária que deu origem ao crédito constituído.
Numero da decisão: 2402-010.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário da empresa Frigorífico Pedra Bonita Ltda., não se conhecendo das alegações quanto à receita bruta do produtor rural, em razão de concomitância com ação judicial, e, na parte conhecida do recurso, negar-lhe provimento; e, por voto de qualidade, conhecer e negar provimento ao recurso das recorrentes Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda. e Sueli De La Noce Fernandes e ao recurso voluntário de José Antônio Fernandes e Cristiano De La Noce Fernandes. Vencidos os conselheiros Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini (relatora), Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Ana Claudia Borges de Oliveira, que conheceram e deram provimento parcial ao recurso voluntário das recorrentes Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda. e Sueli De La Noce Fernandes, apenas para afastar a responsabilidade solidária dessa última pelo crédito tributário lançado, e que conheceram e deram provimento ao recurso voluntário de José Antônio Fernandes e Cristiano De La Noce Fernandes, para excluí-los do rol de corresponsáveis pelo crédito tributário lançado. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco Ibiapino Luz.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini Relator
(documento assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcio Augusto Sekeff Sallem, Gregorio Rechmann Junior, Francisco Ibiapino Luz, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Marcelo Rocha Paura (suplente convocado), Ana Claudia Borges de Oliveira e Denny Medeiros da Silveira (Presidente).
Nome do relator: Renata Toratti Cassini
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 08:47:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202108
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2001 DIREITO PREVIDENCIÁRIO. AÇÃO JUDICIAL. De acordo como entendimento pacífico deste Conselho, expresso no enunciado de súmula 01 de sua jurisprudência, de teor vinculante e aplicação obrigatória pelos integrantes dos colegiados que o compõem, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO INTEGRALMENTE PAGO NO VENCIMENTO. TAXA SELIC. O entendimento pacífico deste Tribunal Administrativo, consolidado no enunciado de nº 04 da súmula de sua jurisprudência, de teor vinculante e de aplicação obrigatória pelos colegiados que o compõem, no termos do art. 72 do RICARF, é no sentido de que "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. PAF. RECURSO VOLUNTÁRIO. NOVAS RAZÕES DE DEFESA. AUSÊNCIA. FUNDAMENTO DO VOTO. DECISÃO DE ORIGEM. FACULDADE DO RELATOR. Quando as partes não inovam em suas razões de defesa, o relator tem a faculdade de adotar as razões de decidir do voto condutor do julgamento de origem como fundamento de sua decisão. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. FATO GERADOR. INTERESSE COMUM. SÓCIO PESSOA FÍSICA. SOLIDARIEDADE DE FATO. Mantém-se a responsabilidade tributária solidária do sócio pessoa física da pessoa jurídica integrante de grupo econômico quando, pela sucessão de fatos verificados, ficar provado o seu interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária que deu origem ao crédito constituído.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 07 00:00:00 UTC 2021
numero_processo_s : 19392.000235/2008-29
anomes_publicacao_s : 202110
conteudo_id_s : 6494544
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 07 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2402-010.331
nome_arquivo_s : Decisao_19392000235200829.PDF
ano_publicacao_s : 2021
nome_relator_s : Renata Toratti Cassini
nome_arquivo_pdf_s : 19392000235200829_6494544.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário da empresa Frigorífico Pedra Bonita Ltda., não se conhecendo das alegações quanto à receita bruta do produtor rural, em razão de concomitância com ação judicial, e, na parte conhecida do recurso, negar-lhe provimento; e, por voto de qualidade, conhecer e negar provimento ao recurso das recorrentes Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda. e Sueli De La Noce Fernandes e ao recurso voluntário de José Antônio Fernandes e Cristiano De La Noce Fernandes. Vencidos os conselheiros Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini (relatora), Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Ana Claudia Borges de Oliveira, que conheceram e deram provimento parcial ao recurso voluntário das recorrentes Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda. e Sueli De La Noce Fernandes, apenas para afastar a responsabilidade solidária dessa última pelo crédito tributário lançado, e que conheceram e deram provimento ao recurso voluntário de José Antônio Fernandes e Cristiano De La Noce Fernandes, para excluí-los do rol de corresponsáveis pelo crédito tributário lançado. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco Ibiapino Luz. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relator (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcio Augusto Sekeff Sallem, Gregorio Rechmann Junior, Francisco Ibiapino Luz, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Marcelo Rocha Paura (suplente convocado), Ana Claudia Borges de Oliveira e Denny Medeiros da Silveira (Presidente).
dt_sessao_tdt : Fri Aug 13 00:00:00 UTC 2021
id : 9008276
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:18:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076937044885504
conteudo_txt : Metadados => date: 2021-10-01T16:39:46Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-10-01T16:39:46Z; Last-Modified: 2021-10-01T16:39:46Z; dcterms:modified: 2021-10-01T16:39:46Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-10-01T16:39:46Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-10-01T16:39:46Z; meta:save-date: 2021-10-01T16:39:46Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-10-01T16:39:46Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-10-01T16:39:46Z; created: 2021-10-01T16:39:46Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; Creation-Date: 2021-10-01T16:39:46Z; pdf:charsPerPage: 2609; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-10-01T16:39:46Z | Conteúdo => SS22--CC 44TT22 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA EECCOONNOOMMIIAA CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 19392.000235/2008-29 RReeccuurrssoo Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 2402-010.331 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 13 de agosto de 2021 RReeccoorrrreennttee FRIGORIFICO PEDRA BONITA LTDA. IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2001 DIREITO PREVIDENCIÁRIO. AÇÃO JUDICIAL. De acordo como entendimento pacífico deste Conselho, expresso no enunciado de súmula 01 de sua jurisprudência, de teor vinculante e aplicação obrigatória pelos integrantes dos colegiados que o compõem, “importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO INTEGRALMENTE PAGO NO VENCIMENTO. TAXA SELIC. O entendimento pacífico deste Tribunal Administrativo, consolidado no enunciado de nº 04 da súmula de sua jurisprudência, de teor vinculante e de aplicação obrigatória pelos colegiados que o compõem, no termos do art. 72 do RICARF, é no sentido de que "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais”. PAF. RECURSO VOLUNTÁRIO. NOVAS RAZÕES DE DEFESA. AUSÊNCIA. FUNDAMENTO DO VOTO. DECISÃO DE ORIGEM. FACULDADE DO RELATOR. Quando as partes não inovam em suas razões de defesa, o relator tem a faculdade de adotar as razões de decidir do voto condutor do julgamento de origem como fundamento de sua decisão. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. FATO GERADOR. INTERESSE COMUM. SÓCIO PESSOA FÍSICA. SOLIDARIEDADE DE FATO. Mantém-se a responsabilidade tributária solidária do sócio pessoa física da pessoa jurídica integrante de grupo econômico quando, pela sucessão de fatos verificados, ficar provado o seu interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária que deu origem ao crédito constituído. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 2. 00 02 35 /2 00 8- 29 Fl. 596DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-010.331 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19392.000235/2008-29 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário da empresa Frigorífico Pedra Bonita Ltda., não se conhecendo das alegações quanto à receita bruta do produtor rural, em razão de concomitância com ação judicial, e, na parte conhecida do recurso, negar-lhe provimento; e, por voto de qualidade, conhecer e negar provimento ao recurso das recorrentes Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda. e Sueli De La Noce Fernandes e ao recurso voluntário de José Antônio Fernandes e Cristiano De La Noce Fernandes. Vencidos os conselheiros Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini (relatora), Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Ana Claudia Borges de Oliveira, que conheceram e deram provimento parcial ao recurso voluntário das recorrentes Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda. e Sueli De La Noce Fernandes, apenas para afastar a responsabilidade solidária dessa última pelo crédito tributário lançado, e que conheceram e deram provimento ao recurso voluntário de José Antônio Fernandes e Cristiano De La Noce Fernandes, para excluí-los do rol de corresponsáveis pelo crédito tributário lançado. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco Ibiapino Luz. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini – Relator (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcio Augusto Sekeff Sallem, Gregorio Rechmann Junior, Francisco Ibiapino Luz, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Marcelo Rocha Paura (suplente convocado), Ana Claudia Borges de Oliveira e Denny Medeiros da Silveira (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos até o julgamento em primeira instância, adoto o relatório da decisão recorrida, que reproduzo abaixo: Trata-se de crédito lançado pela fiscalização contra a Empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 35/38, refere-se a contribuições devidas a Seguridade Social e ao SENAR, incidentes sobre a receita proveniente da comercialização da produção rural, consistentes nas operações de compras de bovinos realizadas pela mesma, no período de 01/1999 a 04/01, tendo como fato gerador a comercialização da produção rural realizado pelo produtor rural pessoa física com a empresa adquirente, no período em questão, na forma do artigo no 25, incisos I e II, da Lei n° 8.212/91, perfazendo o montante de R$ 5.928.154,86 (cinco milhões, novecentos e vinte e oito mil, cento e cinqüenta e quatro reais e oitenta e seis centavos), consolidado em 04/10/2002. DA IMPUGNAÇÃO 2. A interessada apresentou impugnação dentro do prazo regulamentar, às fls. 345/357, complementando-a às fls. 367/384 e 393/402, onde alega em síntese: Fl. 597DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-010.331 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19392.000235/2008-29 2.1. Impugnação às fls. 345/357 [Impugnação Frigorifico Pedra Bonita Ltda.] 2.1.1. Da contribuição sobre a produção rural 2.1.1.1. tece considerações acerca da evolução legislativa da contribuição sobre a produção rural e discorre sobre a inconstitucionalidade da referida exação, citando legislação, doutrina e jurisprudência. 2.1.2. Impossibilidade de exigência de valores sub judice: violação de ordem judicial. 2.1.2.1. a Defendente impetrou Mandado de Segurança cujo escopo era o de afastar sua cobrança nas operações em que adquire produção rural de pessoa física empregadora, obtendo perante o TRF da 3a. Região, mediante interposição de Agravo de Instrumento, provimento liminar para afastar a exigência daquela exação em suas operações. 2.1.2.2. uma vez proferida decisão judicial que suspende a exigibilidade do crédito tributário, não há que se cogitar a sua cobrança, devendo ser cancelada a presente ação fiscal. 2.1.3. Incorreções na atualização dos débitos previdenciários com base na taxa Selic. 2.1.3.1. argúi que os cálculos referentes a correção monetária e juros deverão ser refeitos, pois a época própria para inicio da incidência da correção monetária e juros de mora sobre eventuais contribuições em atraso, nos termos do artigo 30, I, "b", da Lei n° 8.212/91 é o dia 02 do mês subsequente à ocorrência do fato gerador, sendo que este se reputa ocorrido apenas na data do efetivo pagamento, nos termos do artigo 22,1, II, III, da Lei n° 8.212/91. 2.1.3.2. discorre acerca da origem da taxa Selic, concluindo que esta não pode ser admitida nas relações jurídico-tributárias, especialmente nas hipóteses de não pagamento de tributos, pois sua aplicação implica aumento de tributo sem que lei o estabeleça, em afronta ao artigo 150, I, da Constituição Federal e ao artigo 9°, I, do CTN. 2.1.3.3. salienta que a fixação dos juros de mora deveria obedecer ao disposto no artigo 161, § 1º , do CTN, que determina juros de mora à taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No presente caso tais juros têm sido superiores a 1%, em afronta ao dispositivo citado; 2.1.3.4. entende que não pode ser invocado o argumento de que lei poderia dispor de modo diverso, pois a Selic não foi criada por meio de lei e, ainda que tivesse sido, deveria respeitar o limite de 1%. 2.1.3.5. cita jurisprudência, concluindo que a utilização da taxa Selic compromete os princípios da segurança jurídica e da anterioridade (artigo 150, III, b, da Constituição Federal) e requer a extinção da-NFLD e o consequente arquivamento do presente procedimento administrativo. 2.2. Impugnação complementar às fls. 367/384 [Impugnação Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda. e Sueli De La Noce Fernandes – responsáveis solidários] 2.2.1. Objeto da defesa 2.2.1.2. Consoante Relatório do Grupo Econômico, fls. 86/117, elaborado pela Fiscalização, as requerentes Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda., e Sueli De La Noce Fernandes seriam corresponsáveis pelos débitos das empresas Frigorifico Pedra Bonita Ltda., e Frigodema Frigorifico Diadema Ltda., porque pertenceriam a um mesmo "grupo econômico". 2.2.1.3. a Luso Brasileira nunca se envolveu nas atividades de compra ou abate de gado bovino, sempre atuando como uma sociedade patrimonial cujo objeto social se limita à administração de seus bens. 2.2.1.4. a Luso Brasileira sempre foi proprietária do imóvel no município de Itaporã onde se realiza o abate de bovinos, o qual já foi locado para diversas sociedades que desenvolviam atividades ligadas ao ramo frigorifico, como a Frigorifico Itaporã Ltda., Fl. 598DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-010.331 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19392.000235/2008-29 as Indústrias Alimentícias Itaporã Ltda., a Abatedouro de Bovinos Itaporã e, por fim, a Frigorifico Pedra Bonita. Frisa que em momento algum a propriedade do imóvel foi transferida ou deixou de pertencer à Luso Brasileira. 2.2.1.5. na presente NFLD e no relatório do Grupo Econômico Itaporã ocorreu uma verdadeira distorção do conceito de Grupo Econômico, que foi claramente confundido com a noção de núcleo familiar, não prevista na legislação previdenciária atualmente em vigor. 2.2.1.6. as sociedades produtivas que operam o imóvel localizado em Itaporã estão desvinculadas da requerente Luso Brasileira, a qual agrega todo o patrimônio familiar da requerente Sueli, e não do patrimônio do grupo, não existindo qualquer atitude ou ato societário elaborado com o escopo de desvincular o patrimônio das empresas produtivas. 2.2.1.7. as requerentes não fazem parte o grupo econômico ora objeto de autuação, e por essa razão devem ser de imediato excluídas do rol de corresponsáveis. 2.2.2. Irregularidades formais 2.2.2.1. as requerentes alegam a existência de irregularidades formais, por descumprimento do art. 175, §§ 2° e 3°, da IN 70/02, tendo em vista o não envio de cópias da autuação para elas, e da não inclusão de seus nomes no anexo CORESP. Alega, também, que não receberem sequer cópias do relatório do econômico Itaporã tendo tomado conhecimento da autuação diretamente pela sociedade autuada e, por esses motivos, requerem sua exclusão do polo passivo da presente autuação fiscal. 2.2.2.2. caso assim não se entenda, requer-se subsidiariamente a reabertura de prazo para a apresentação de defesa pelas requerentes. 2.2.3. Da Inexistência de grupo econômico entre a Luso Brasileira e a sociedade autuada pelo Sr. Auditor Fiscal 2.2.3.1. discorre a Defendente sobre a confusão entre o conceito de grupo econômico e a noção de núcleo familiar que não foi regulamentada pela legislação previdenciária, concluindo pelo que longamente expõe, que a requerente Luso Brasileira não pode fazer parte do grupo econômico Itaporã porque, pelo demonstrado, não foram atendidos os requisitos da Instrução Normativa n° 70/02. 2.2.4. Da impossibilidade da cobrança da divida diretamente da requerente Sueli 2.2.4.1. visto não ser possível a responsabilização da Requerente Sueli por débitos de seu esposo, de acordo com a Lei n° 4.121/62, e, considerando que a requerente Luso Brasileira também não possui qualquer vinculo com a sociedade devedora, também não responde pelo débito que ora lhe é exigido na condição de corresponsável solidário. 2.2.5. Considerações finais 2.2.5.1.conclui requerendo a exclusão das Requerentes do polo passivo da autuação previdenciária, prosseguindo-se o presente procedimento administrativo apenas com relação aos demais corresponsáveis. 2.3. Impugnação complementar às fls. 393/402 [Impugnação José Antônio Fernandes e Cristiano De La Noce Fernandes – responsáveis solidários] 2.3.1. Objeto da autuação. 2.3.1.1. consoante Relatório do Grupo Econômico, fls. 47/78, elaborado pela Fiscalização, os Defendentes, pessoas físicas, integrariam grupo econômico e, por essa razão, seriam corresponsáveis pelos débitos exigidos no presente procedimento administrativo porque, com fundamento no 124, do Código Tributário Nacional, c/c art. 30, IX, da Lei n° 8.212/91, todas as pessoas jurídicas e físicas que integrarem um grupo são responsáveis solidários pelos débitos perante a Previdência Social. 2.3.1.2. o fato de os Defendentes serem quotistas da Nova Fronteira Participações e Empreendimentos S/C Ltda., controladora das empresas Frigorifico Pedra Bonita Ltda., e Frigodema Frigorifico Diadema Ltda., por si só, não pode conduzi-los à condição de Fl. 599DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-010.331 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19392.000235/2008-29 corresponsáveis pelos débitos, porque o conceito de grupo econômico abrange apenas e tão somente as empresas que o compõe, com exclusão das pessoas físicas e porque não foi analisada, no caso, a presença dos requisitos prescritos no art. 135, do Código Tributário Nacional. 2.3.2. Irregularidades formais 2.3.2.1. existem irregularidades formais pois, de acordo com o disposto no art. 175, §§ 2° e 3°, da Instrução Normativa n° 70/02, no caso de lançamento de créditos previdenciários, todas as pessoas físicas ou jurídicas que assumirem a condição de corresponsáveis devem ser incluídas no anexo de corresponsáveis ("CORESP") e receber cópia dos documentos constitutivos do suposto crédito, acompanhado de todos os seus anexos. 2.3.2.2. nenhum desses 2 (dois procedimentos), contudo, foi adotado no presente caso, requerendo-se a exclusão dos Defendentes do polo passivo da presente autuação fiscal. 2.3.3. Impossibilidade da inclusão das pessoas físicas no "grupo econômico" 2.3.3.1. a inclusão dos Defendentes, pessoas físicas, na relação de corresponsáveis pelos débitos apurados no presente procedimento administrativo, nesse contexto, não encontra amparo no conceito de grupo econômico extraído da lei trabalhista e utilizado pelas autoridades previdenciárias com respaldo em Instrução Normativa, entendimento existente também no âmbito do direito comercial e societário. No presente caso, os Defendentes foram incluídos dentre os corresponsáveis pelos débitos previdenciários porque são quotistas de sociedade que pertence ao mesmo grupo econômico da autuada, o que, por si só, não acarreta a responsabilização de pessoas físicas por débitos fiscais de pessoas jurídicas. 2.3.4. Conclusão 2.3.4.1. conclui requerendo a exclusão dos Requerentes do rol de corresponsáveis pelo crédito ora analisado porque as pessoas físicas não podem pertencer aos grupos econômicos formados exclusivamente por empresas e porque a responsabilização de pessoas físicas por débitos previdenciários de pessoas jurídicas depende do atendimento de todos os requisitos previsto no art. 135, de Código Tributário Nacional, os quais não foram sequer analisados no presente caso. O lançamento foi julgado procedente em decisão assim mentada: DIREITO PREVIDENCIÁRIO. AÇÃO JUDICIAL. TAXA SELIC. GRUPO ECONÔMICO. Importa em renúncia ao contencioso administrativo fiscal quando interposta pelo contribuinte ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o referido contencioso. Se o contribuinte apresentar manifestação arguindo matéria diversa da discutida em juizo, a parte não afeta ao Poder Judiciário deve ser apreciada pela esfera administrativa. A sujeição das contribuições previdenciárias incluidas em notificação fiscal de lançamento aos juros equivalentes à taxa Selic encontra-se prevista em legislação própria, cuja eficácia não foi contestada pelo Poder Judiciário encontrando-se, portanto, em plena vigência, cabendo à autoridade administrativa fazer cumprir o que nela está determinado face ao caráter obrigatório e vinculante da atividade de lançamento. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei n°8.212/91. Lançamento Procedente Notificados dessa decisão aos 05/04/04 (fls. 487/488), interpuseram recursos voluntários aos 05/05/04 a empresa autuada Frigorifico Pedra Bonita Ltda. (fls. 496 ss.) e os Fl. 600DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-010.331 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19392.000235/2008-29 responsáveis solidários Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda. e Sueli De La Noce Fernandes (fls. 512 ss.) e José Antônio Fernandes e Cristiano De La Noce Fernandes (fls. 531 ss.), reproduzindo as mesmas razões de defesa de suas impugnações. Não houve contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Renata Toratti Cassini, Relatora. Os recursos são tempestivos, mas o recurso interposto pela empresa autuada Frigorifico Pedra Bonita Ltda. somente deve ser conhecido em parte. Isso porque o recorrente esclarece em seu recurso que está amparado por medida liminar proferida pelo E. TRF-3 que suspende a exigibilidade do crédito tributário aqui discutido, proferida em agravo de instrumento interposto no Mandado de Segurança de nº 2002.61.14.001477-7, ajuizado para obter o reconhecimento judicial da inconstitucionalidade do art. 25 da Lei nº 8212/91, com as alterações introduzidas pelas Leis nºs. 8870/94, 9528/97 e 8.540/92, que dispõe sobre a contribuição destinada ao Funrural. Assim, as suas alegações constantes do recurso voluntário concernentes à inconstitucionalidade da contribuição sobre a produção rural, cobrada nos termos do dispositivo legal em questão, estão abarcadas pela aludida ação judicial, razão pela qual não podem ser conhecidas, conforme dispõe o enunciado de súmula de nº 01 deste Conselho, de teor vinculante e aplicação obrigatória pelos colegiados que o compõem, segundo o qual importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Desse modo, à exceção da alegação concernente às incorreções na atualização dos débitos cobrados com base na taxa Selic, os demais argumentos tecidos pela empresa autuada Frigorífico Pedra Bonita Ltda. não podem ser conhecidas. Da taxa Selic e da correção monetária A esse respeito, a empresa autuada Frigorífico Pedra Bonita Ltda. alega em seu recurso que os cálculos referentes à correção monetária e aos juros de mora devem ser refeitos, porque a época própria para inicio da incidência de correção monetária e dos juros de mora sobre eventuais contribuições em atraso, nos termos do artigo 30, I, "b", da Lei n 8.212/91, é o dia 02 do mês subsequente à ocorrência do fato gerador, que reputa ocorrido apenas na data do efetivo pagamento, conforme prevê o art. 22, I, II e III, também da Lei n° 8.212/91. Sobre os juros incidentes sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, o entendimento pacífico deste Tribunal Administrativo, consolidado no enunciado de nº 04 da súmula de sua jurisprudência, de teor vinculante e aplicação obrigatória pelos colegiados que o compõem, nos termos do art. 72 do RICARF, é no sentido de que: Enunciado CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC Fl. 601DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-010.331 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19392.000235/2008-29 para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Com relação à correção monetária, como bem observado pelo julgador de primeira instância na decisão recorrida, os valores constantes do presente lançamento não foram objeto de correção monetária, que foi extinta para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei n° 8.981/95. Desse modo, não tem razão o recorrente em sua irresignação quanto a esses pontos. Dos recursos dos responsáveis solidários (Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda. e Sueli De La Noce Fernandes; José Antônio Fernandes e Cristiano De La Noce Fernandes). A empresa Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda. e as pessoas físicas Sueli De La Noce Fernandes, José Antônio Fernandes e Cristiano De La Noce Fernandes, arrolados pela autoridade fiscal autuante como corresponsáveis pelo crédito tributário lançado, por entender ter sido demonstrada a existência de um grupo econômico do qual fariam parte juntamente com a empresa autuada (Frigorífico Pedra Bonita Ltda.) e com a empresa Frigodema - Frigorifico Diadema Ltda., apresentaram recursos voluntários, do qual constam alegações comuns, acerca da existência de irregularidades formais, por descumprimento do art. 175, §§ 2º e 3º da IN nº 70/02, e da impossibilidade de pessoas físicas integrarem grupo econômico, e argumentos constantes apenas do recurso interposto conjuntamente por Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda. e Sueli De La Noce Fernandes, no sentido de que (i) na presente NFLD e no relatório do Grupo Econômico Itaporã, teria havido uma distorção do conceito de Grupo Econômico, que foi confundido com a noção de núcleo familiar, e (ii) de que essa empresa nunca se envolveu nas atividades de compra ou abate de gado bovino, atuando como uma sociedade patrimonial cujo objeto social se limitaria à administração de seus bens, sendo proprietária do imóvel no município de Itaporã onde se realiza o abate de bovinos, que foi locado para diversas sociedades que desenvolviam atividades ligadas ao ramo frigorifico, quais sejam Frigorifico Itaporã Ltda., Indústrias Alimentícias Itaporã Ltda., Abatedouro de Bovinos Itaporã e, por fim, Frigorifico Pedra Bonita, que dela são desvinculadas. Pois bem. Inicialmente, cumpre analisar as alegações acerca da caracterização de grupo econômico. Da caracterização de grupo econômico Após apresentar pormenorizada e detidamente, em longas laudas, todos os elementos e circunstâncias de fato, corroborados por documentos anexados aos autos e por diligências efetivadas “in loco”, que o levaram à constatação da existência, no presente caso, de um grupo econômico, qual seja o Grupo Econômico Itaporã, do qual fariam parte, dentre outras empresas, também os recorrentes, a autoridade autuante conclui a sua exposição com uma síntese dos fatos apurados, nos seguintes temos: VI - CONCLUSÃO 19. A partir de ação fiscal determinada para a unidade frigorífica localizada Rodovia MS 270, km. 01, em Itaporã-MS, a fiscalização constatou que a empresa Frigorifico Pedra Bonita Ltda. é sucessora das empresas industriais Frigorifico Itaporã Ltda., Industrias Alimentícias Itaporã Ltda. e Abatedouro de Bovinos Itaporã Ltda., que anteriormente desenvolveram a mesma atividade naquela unidade frigorifica. 20. As empresas industriais antecessoras do Frigorifico Pedra Bonita, ou tiveram o Sr. José Antônio Fernandes como sócio, ou pessoas ligadas a ele, como foi o caso do Sr. Fl. 602DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-010.331 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19392.000235/2008-29 Irio Fernandes, que figurou como sócio da empresa Frigorifico Itaporã Ltda. juntamente com Wanderlei Barbosa Alce, e foi sócio do sr. José Antônio Fernandes na empresa Indústrias Alimentícias Itaporã Ltda., além de procurador de Adonias de Carvalho e de José Carlos Nascimento na empresa Abatedouro de Bovinos Itaporã Ltda. As empresas foram se sucedendo de fato, mas os negócios sempre estiveram sob o controle do Sr. José Antônio Fernandes, visto que várias pessoas que figuraram como sócios das mesmas não tinham capacidade financeira para tal, costumeiramente trabalhando como empregados. Na verdade, eram empregados ou ex-empregados de empresas do grupo, ou conhecidos, que apenas emprestaram o nome como sócio das empresas industriais citadas. Isto ficou demonstrado pelas consultas à base de dados do CNIS — Cadastro Nacional de Informações Sociais e também pelas diligências nos endereços dessas pessoas. 21. Foi confirmada a existência do grupo econômico Itaporã, constituído atualmente pelas empresas Frigorifico Pedra Bonita Ltda., Frigodema - Frigorifico Diadema Ltda., Nova Fronteira Participações e Empreendimentos S/C Ltda. e Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda., do qual fizeram parte também as empresas industriais Frigorifico Itaporã Ltda., Indústrias Alimentícias Itaporã Ltda. e Abatedouro de Bovinos Itaporã Ltda. Trata-se de um grupo familiar, liderado pelo Sr. José Antônio Fernandes, que, embora não esteja baseado na figura da empresa-líder (conforme dispõe a Lei nº 6.404/76), comprova-se, em resumo, pelos seguintes fatos: a) pelo relacionamento dos sócios das divers empresas com o sr. José Antônio Fernandes; b) pela sociedade em comum; c) pelo grau parentesco entre os sócios das empresas atualmente em atividade; d) localização das empresas no mesmo endereço; e) pela incapacidade financeira de alguns sócios; f) pela existência das empresas Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda. e Nova Fronteira Participações e Empreendimentos S/C Ltda. 22. Esta situação de controle dos negócios permanece atualmente em relação às empresas Frigorifico Pedra Bonita Ltda. e Frigodema - Frigorifico Diadema Ltda. Ambas, têm como sócia majoritária a empresa Nova Fronteira Participações e Empreendimentos S/C Ltda. - com 99% do capital social, da qual são sócios o Sr. José Antônio Fernandes e seu filho Cristiano de La Noce Fernandes (que se desligaram das empresas, para a entrada da Nova Fronteira). O srs. Hercilio Messias Junior e Celso Gonçalves de Carvalho figuram, respectivamente, nas empresa Frigorifico Pedra Bonita Ltda. e Frigodema — Frigorifico Diadema Ltda., como detentores de 1% do capital social. Porém, os verdadeiros donos são os srs. José Antônio Fernandes e Cristiano de La Noce Fernandes. A criação da empresa Nova Fronteira Participação e Empreendimentos S/C Ltda. foi um artificio no sentido de desvincular a responsabilidade patrimonial do sr. José Antônio Fernandes e do Sr. Cristiano de La Noce Fernandes das empresas Frigorifico Pedra Bonita Ltda. e Frigodema — Frigorifico Diadema Ltda., respectivamente. 23. A existência da empresa Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda. tem por finalidade desvincular o patrimônio produtivo das empresas que o utilizam (por exemplo, a unidade frigorifica, em relação à empresa Frigorifico Pedra Bonita Ltda.), tentando desvencilhá-lo da responsabilidade por eventuais débitos das empresas. Para tanto, abriga-o em uma empresa especialmente constituída para essa finalidade, sem atividade produtiva, a qual não ficou sequer comprovada a existência de fato. Da mesma forma, a existência de imóveis residenciais em nome dela, tem por finalidade afasta-los de eventual responsabilidade patrimonial do sr. José Antônio Fernandes e de seus familiares, em razão da condição de sócios das empresas devedoras. Assim, as empresas Frigorifico Pedra Bonita Ltda. e Frigodema — Frigorifico Diadema Ltda., que empregam, não possuem nenhum patrimônio, obviamente para frustrar qualquer medida administrativa ou judicial de cobrança das contribuições devidas à Seguridade Social. Confirma-se, ainda, a existência do grupo econômico, pelo fato de que o proprietário do imóvel da Avenida Dom Pedro I, no 1.250, em Diadema (sede do Frigodema) é o sr. José Antônio Fernandes, mas, quem recebe o aluguel é Fl. 603DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-010.331 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19392.000235/2008-29 a empresa Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda., conforme já foi dito. 24. Em síntese, observou-se que todas as atividades desenvolvidas no período objeto da auditoria fiscal foram realizadas por um grupo econômico, e não por ações isoladas de cada uma delas. Empresas foram sendo criadas e paralisadas, segundo os interesses, porém, sem configurar descontinuidade dos negócios. Por todo o exposto, visualiza-se atualmente o referido grupo na figura das empresas citadas, cujas peculiaridades confirmam a sua existência, senão vejamos: a) Frigorifico Pedra Bonita Ltda.: com a sede localizada à Avenida Dom Pedro I, n° 1.248, Vila Conceição, em Diadema e a filial (unidade de abate) na Rodovia MS 270, Km. 1, em Itaporã-MS. É a empresa que adquire os animais e promove os abates, através da filial, onde concentra-se todo o movimento: empregados, estrutura física, etc. Ressalte-se, que a matriz está localizada no mesmo prédio da empresa Frigodema - Frigorifico Diadema Ltda. A matriz da empresa Frigorifico Pedra Bonita Ltda. não possui empregados, nem existe uma estrutura no prédio do Frigodema que indique a existência de um estabelecimento do Frigorifico Pedra Bonita naquele local. Outro fato é que a empresa possui um capital de apenas R$200.000,00, porém, verifica-se um grande volume de aquisições de animais, além dos outros gastos inerentes à atividade, sem, entretanto, possuir patrimônio em seu nome. Até 25/08/2001, o Sr. José Antônio Fernandes era sócio-gerente da empresa. A partir daquela data, foi admitida como sócia a empresa Nova Fronteira Participações e Empreendimentos S/C Ltda. no lugar de Jose Antônio Fernandes, sendo que o mesmo, que é sócio da Nova Fronteira (juntamente com seu filho, Cristiano de La Noce Fernandes), continua como gerente da empresa Frigorifico Pedra Bonita, designado pela empresa sócia. Observou-se que figuraram como sócios pessoas ligadas ao Sr. José Antônio Fernandes, sem, contudo, ficar comprovada a capacidade financeira e a efetiva participação na sociedade. A empresa Nova Fronteira possui 99% do Capital Social, e o Sr. Hercílio Messias Junior apenas 1%. b) Frigodema — Frigorifico Diadema Ltda.: é a empresa comercial e de distribuição, sem abate. Grande parte das aquisições são efetuadas junto ao Frigorifico Pedra Bonita Ltda. A empresa está localizada no mesmo prédio da matriz do Frigorifico Pedra Bonita. 0 endereço da empresa Frigorifico Pedra Bonita é Avenida Dom Pedro I, n° 1.248, em Diadema, e a empresa Frigodema é no n° 1.250. Porém, verificou-se que é um único prédio comercial. Possui um capital de apenas R$250.000,00, e um grande volume de aquisições e outros gastos; não possui patrimônio em seu nome. Até 14/11/2001, o Sr. Cristiano de La Noce Fernandes (filho do Sr. José Antônio Fernandes) era sócio-gerente da empresa. A partir daquela data foi admitida como sócia a empresa Nova Fronteira Participações e Empreendimentos S/C Ltda., em lugar de Cristiano de La Noce Fernandes, sendo que o mesmo, que é sócio da Nova Fronteira (juntamente com seu pai), continua como gerente da empresa Frigodema - Frigorifico Diadema, designado pela empresa sócia. Observou-se que figuraram como sócios pessoas ligadas ao Sr. José Antonio Fernandes e Cristiano, sem, contudo, ficar comprovada a capacidade financeira e a efetiva participação na sociedade. A empresa Nova Fronteira possui 99% do Capital Social, e o Sr. Celso Gonçalves de Carvalho apenas 1%. c) Nova Fronteira Participações e Empreendimentos S/C Ltda.: empresa criada em 24/01/2001, tem como sócios o sr. José Antônio Fernandes e seu filho, Cristiano de La Noce Fernandes. Possui um Capital Social de R$320.000,00, que está assim distribuído: José Antônio Fernandes com 58,5% e Cristiano de La Noce Fernandes com 41,5%. O sr. José Antônio Fernandes integralizou R$180.000,00 de seu capital com quotas sociais do Frigorifico Pedra Bonita. Cristiano de La Noce Fernandes integralizou R$125.000,00 com quotas sociais do Frigodema. O endereço da empresa é o mesmo da Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda., ou seja, rua Gabriel D'Anunzio, no 245, Rudge Ramos — São Bernardo do Campo (trata-se de prédio residencial que pertence à Luso Brasileira, mas encontra-se desocupado). A partir de 25/08/2001, é sócia do Frigorifico Pedra Bonita em lugar do Sr. José Antônio Fernandes (que continua como gerente do Frigorifico, designado por ela). A partir de 14/11/2002, é sócia do Frigodema Fl. 604DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2402-010.331 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19392.000235/2008-29 Frigorifico Diadema, em lugar do Sr. Cristiano de La Noce Fernandes (que continua como gerente do Frigorifico, designado por ela). Não possui patrimônio em seu nome; não ficou demonstrada a existência de estrutura física de funcionamento da empresa e nem o local. d) Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda.: trata-se de empresa que é proprietária de grande parte dos imóveis do grupo, dentre eles, o da unidade frigorifica localizada na Rodovia MS 270, Km. 1, em Itaporã-MS; cujo endereço constava como filial da mesma. Iniciou atividade como Itaporã S/A Industria e Comércio; posteriormente, alterou o objeto e a razão social para Itaporã Administração de Imóveis Ltda. Em 04/10/1999, passou a ser Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda. O endereço da empresa é o mesmo da Nova Fronteira, ou seja, rua Gabriel D'Anunzio, n° 245, Rudge Ramos — São Bernardo do Campo (trata-se de prédio residencial que pertence à própria Luso Brasileira, mas encontra-se desocupado). Até 19/06/2002, tinha como sócios o Sr. Cristiano de La Noce Fernandes e sua mãe, Sueli de La Noce Fernandes. A partir daquela data, retira-se da sociedade o sócio Cristiano, permanecendo uma sociedade unipessoal, somente figurando como sócia a Sra. Sueli de La Noce Fernandes (esposa do Sr. José Antônio Fernandes). O prédio da Avenida Dom Pedro I, nº 1.248/1250, em Diadema-SP (sede da empresa Frigodema e Frigorifico Pedra Bonita) pertence ao Sr. José Antônio Fernandes e sua esposa. Entretanto, quem recebe o aluguel é a empresa Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda. A única receita identificada na declaração do Imposto de Renda ano-base/2001 da Luso Brasileira é o valor mensal de R$12.000,00, proveniente do aluguel recebido do Frigodema e do Frigorifico Pedra Bonita. Do Frigorifico Pedra Bonita, recebe aluguel referente à unidade frigorifica em Itaporã-MS, e relativo à matriz (com sede no mesmo prédio do Frigodema). Não ficou demonstrada a existência de estrutura física de funcionamento da empresa e nem o local. 25. Tendo em vista a ocorrência de sucessão, os créditos da Seguridade Social relativos às empresas Industrias Alimentícias Itaporã Ltda. e Abatedouro de Bovinos Itaporã Ltda. foram notificados em nome da empresa Frigorifico Pedra Bonita Ltda., juntamente com os créditos relativos ao período desta. Relativamente à empresa Frigorifico Itaporã Ltda., não foi efetuado lançamento fiscal, tendo em vista que foram confirmados recolhimentos (via sistema informatizado da Previdência Social) compatíveis com a massa salarial informada na RAIS - Relação Anual de informações Sociais, obtida através do CNIS — Cadastro Nacional de Informações Sociais. Os corresponsáveis foram arrolados de conformidade com a caracterização do grupo econômico. 26. Os créditos da Seguridade Social relativos à empresa Frigodema - Frigorifico Diadema Ltda. foram lançados em nome da própria empresa, visto que se encontra em atividade regular, cujos corresponsáveis também foram arrolados de conformidade com a caracterização do grupo econômico. 27. Em face da constatação do grupo econômico, são corresponsáveis pelos créditos da Seguridade Social notificados na presente ação fiscal, as seguintes empresas e pessoas: a) Frigorifico Pedra Bonita Ltda.; b) Frigodema - Frigorifico Diadema Ltda.; c) Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda.; d) Nova Fronteira Participações e Empreendimentos S/C Ltda.; c) José Antônio Fernandes; e) Cristiano de La Noce Fernandes; f) Sueli de La Noce Fernandes. (...). Diante dos fatos constatados pela autoridade fiscal autuante, acima narrados, constantes do Relatório do Grupo Econômico que integra o Auto de Infração, e que, como dito, são corroborados pelos documentos anexados aos autos, tais como os atos societários das empresas em que questão, certidões de Registro de Imóveis etc., fica claro que, realmente, houve sucessão de fato entre as empresas industriais Frigorifico Itaporã Ltda., Industrias Alimentícias Itaporã Ltda. e, finalmente, Frigorifico Pedra Bonita Ltda., que foram sendo constituídas em sequência uma da outra, sem que houvesse o encerramento formal da anterior, tendo como sócios sempre os mesmos atores, pessoas relacionadas entre si seja por laços de parentesco ou Fl. 605DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2402-010.331 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19392.000235/2008-29 por relações societárias anteriores, e permanecendo na exploração da mesma atividade econômica. Nesse sentido, como bem observado pelo julgador “a quo” no trecho da decisão recorrida abaixo transcrito, que adoto como razões de decidir, nos termos art. art. 57, §3º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4 de junho de 2017 1 , (...) 5.2.3.10. quanto à alegação de que só existe sucessão se houver a aquisição do fundo de comércio ou do estabelecimento comercial, nos termos do art. 133 do CTN, temos a considerar, com base na doutrina e na jurisprudência, que: 5.2.3.11. durante muitos anos o Direito Tributário Brasileiro concentrou-se nos aspectos da legalidade dos dispositivos e da sua dicção, porém de uns anos para cá, em parte por obra da jurisprudência e em parte por obra da doutrina, passou a assumir relevância o aspecto substancial da realidade sobre a qual a tributação incide, com o surgimento de manifestações no sentido de que não basta conhecer o texto 110 da lei, é preciso temperá-lo com as circunstâncias fáticas que cercam cada caso concreto, pois só da reunião de ambas considerações resultará a disciplina adequada; 5.2.3.12. assim, percebe-se que não pode ser outro o entendimento, pois caso contrário este sistema de sucessão inegavelmente favoreceria a fraude; 5.2.3.13. na sucessão, uma situação jurídica subjetiva que alcançava determinada pessoa passa a alcançar outra pessoa que, originalmente, dela não fazia parte ou por ela não era atingida, assim, a sucessão se opera em função de um determinado elemento de conexão que aproxime a pessoa não vinculada ao fato gerador, a alguma dimensão, a ele relativa, que se torna a razão determinante da transferência da responsabilidade. Ou seja, a linha sucessória não é definida de forma aleatória ( igual a qualquer um), mas depende da materialização de um dos elementos de conexão contemplados no Código Tributário Nacional; (...) 5.2.3.15. o elemento de conexão no caso do art. 133 do CTN é a atividade econômica, elemento necessário, indispensável, mas não suficiente para caracterizar a sucessão; 5.2.3.16. o vínculo necessário para a hipótese de sucessão em função da atividade econômica, prevista no art. 133 do CTN, tem a natureza de uma aquisição, que no caso deste artigo, não se refere a bens (entidade estática), mas sim a estabelecimento/fundo (entidade dinâmica), portanto, não está propriamente alcançando operações que têm por perfil jurídico a titularidade dos bens, mas está contemplando o efeito da passagem da titularidade da condução da atividade econômica para uma terceira pessoa; 5.2.3.17. a continuidade do empreendimento, assim, é que está sendo contemplada no artigo 133 do CTN para fins de configurar o vinculo que desemboca na responsabilidade por sucessão; 5.2.3.18. dessa forma, com a descaracterização da possibilidade da locação do imóvel, à medida que as empresa foram se instalando, sucessivamente, no mesmo endereço, utilizando-se das mesmas instalações, ao transferirem a responsabilidade 1 Art. 57. ... (...) § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. (...) § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. Fl. 606DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 2402-010.331 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19392.000235/2008-29 pelo registro do estabelecimento SIF n.° 3359, transferiram também a titularidade da condução da atividade econômica, caracterizando, assim, o vinculo disposto no art. 133 do CTN; 5.2.3.19. ressalte-se, ainda, que a condução da titularidade da atividade econômica, conforme demonstrado no Relatório de Grupo Econômico e já informado anteriormente, esteve sempre, direta ou indiretamente, nas mãos das mesmas pessoas; 5.2.3.20. corroborando neste sentido transcrevemos as seguintes jurisprudências: "PREVIDENCIÁRIO CONTRIBUIÇÕES RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO DE EMPRESAS. 1.- Embora não formalizada a sucessão, levam os elementos fáticos a conclusão de que empresa, que explora a mesma atividade, em estabelecimento antes utilizado por outra afim, com o emprego dos mesmos servidores, faticamente é sucessora da que se apresenta como devedora. 2.- Aplicação subsidiária do art. 133 do CTN. 3.- Apelos improvidos sentenças confirmadas." TRF 4 Região, Ap. Cv. 01143259-BA, 4a Turma, Rel. Eliana Calmon, DJ-25.06.90. "EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÕES PARA 0 FGTS. RESPONSABILIDADE, CTN ART. 133.CLT, ART. 448. 1.- A responsabilidade, por sucessão, em obrigações de natureza fiscal ou trabalhista independe de fusão ou incorporação das sociedades. O direito positivo pôs em relevo, para fixação da responsabilidade em tais casos, não os aspectos formais da constituição da sociedade, e sim os aspectos concretos da exploração da empresa, assim considerada a atividade economicamente organizada. 2.- Recurso desprovido." TRF 4ª Região, Ap.Cv. 91.04.18996-5-RS, 2' Turma, Juiz Teori Albino Zavascki, DJ- 15.06.94. EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. SUCESSÃO COMERCIAL. Caracteriza a sucessão de empresas para efeito de responsabilidade pelo tributo em cobrança, uma vez que há identidade de sócios, de endereço, e de objeto social, sendo afastada alegação de atuação simultânea, pois o contrato de locação das salas demonstra o contrário. TRF 4ª Região, Ap. Cv. 1999.04.01016009-3 — PR, 2° Turma, Juiz Jardim de Camargo, DJ — 04/08/99. (Destaquei) Assim, parece-me clara a sucessão de empresas e a caracterização de um grupo econômico no presente caso concreto, do qual fazem parte, além das empresas acima citadas, que se sucederam ao longo do tempo, culminando, ao final, na empresa autuada, Frigorífico Pedra Bonita Ltda., na prática da mesma atividade econômica, e as empresas Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda., ora recorrente, que atualmente tem como sócia unipessoal a sra. Sueli de La Noce Fernandes, esposa do sr. José Antônio Fernandes, e a empresa Nova Fronteira Participações e Empreendimentos S/C Ltda., que tem como sócios o sr. José Antônio Fernandes e seu filho, Cristiano de La Noce Fernandes, criadas para “blindar” o patrimônio produtivo das demais. Convém ressaltar, nesse passo, que o entendimento predominante do Superior Tribunal da Justiça é no sentido de que a existência de grupo econômico, por si só, não é suficiente para ensejar responsabilidade solidária, na forma prevista no art. 124 do CTN, sendo Fl. 607DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 2402-010.331 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19392.000235/2008-29 necessário, para justificar a responsabilização solidária de seus integrantes, que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação. Nesse sentido, entendo que no presente caso, a instituição das empresas Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda., ora recorrente, e Nova Fronteira Participações e Empreendimentos S/C Ltda., com finalidade específica de afastar o patrimônio das demais da responsabilidade por eventuais débitos, bem como a sucessão de fato de empresas demonstrada nos autos, configura o “interesse comum” na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária a justificar a responsabilização solidária pelo crédito tributário constituído por meio do auto de infração objeto destes autos, nos termos do art. 124, I do CTN. Da responsabilidade solidária das pessoas físicas Sueli de La Noce Fernandes, do sr. José Antônio Fernandes e de Cristiano de La Noce Fernandes A esse respeito, alegam os recorrentes Sueli de La Noce Fernandes, José Antônio Fernandes e Cristiano de La Noce Fernandes que não podem ser incluídos como responsáveis solidários pelo crédito tributário porque o conceito de grupo econômico abrange apenas as empresas que o compõe, com exclusão das pessoas físicas. Ademais, acrescentam que não foi analisada, no caso, a presença dos requisitos prescritos no art. 135 do CTN, dispositivo que prevê a possibilidade de responsabilização solidária de pessoas físicas por débitos de natureza fiscal a cargo da empresa de que sejam sócios. Nesse ponto, entendo que têm razão os recorrentes. Com efeito, dispõe o próprio art. 30, IX da Lei nº 8212/91, fundamento da autuação, conforme se verifica do item 14 do Relatório Fiscal da Infração, a fls. 38, que Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas:(Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93): (...) IX - as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...). É dizer, a própria Lei nº 8212/91, no dispositivo legal em tela, é expressa ao dispor que as “empresas” que integram um grupo econômico respondem solidariamente pelas obrigações tributárias decorrentes daquela lei, o que, por si só, afasta pessoas físicas do âmbito de tal responsabilização. Por outro lado, a responsabilização das pessoas físicas pelos tributos devidos pela empresa de que fazem parte na qualidade de sócios é regulada pelos arts. 134 e 135 do CTN, que dispõem: Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: I - os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II - os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; III - os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; IV - o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; V - o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário; Fl. 608DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 2402-010.331 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19392.000235/2008-29 VI - os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; VII - os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I - as pessoas referidas no artigo anterior; II - os mandatários, prepostos e empregados; III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Dos dispositivos legais em questão, extrai-se que os sócios somente respondem pelos créditos tributários da sociedade em caso de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou dos estatutos. E disso não discorda nem a autoridade julgadora de primeira instância quando afirma, expressamente, que 5.1.2. Com relação à alegada ilegitimidade passiva, equivoca-se o contribuinte, porquanto sustenta que o débito fora lançado sob a responsabilidade de pessoas físicas. Ora, despe-se de razão o argumento invocado quando, na verdade, somente as pessoas jurídicas é que tiveram contra si o débito lançado. Os nomes dos sócios, inclusive dos pertencentes ao grupo econômico, apenas figuram como corresponsáveis, os quais somente serão responsabilizados caso venha a ser apurada infração à lei previdenciária, nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN, que dispõe, in verbis: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado." No entanto, embora o crédito tributário não tenha sido lançado contra todos os recorrentes, mas apenas contra a empresa Frigorífico Pedra Bonita Ltda., fato é que os recorrentes Sueli de La Noce Fernandes, José Antônio Fernandes e Cristiano de La Noce Fernandes foram arrolados como responsáveis solidários pelo crédito tributário lançado, conforme consta do Relatório Fiscal da Infração, a fls. 38: (...) 13. Em razão da constatação da existência de um grupo econômico respondem solidariamente pelos créditos da Seguridade Social, na forma do disposto no artigo 30, inciso IX, da Lei n° 8.212/91, além dos sócios-gerentes identificados no anexo denominado "CORESP - Relatório de Co-Responsáveis do Débito", também as seguintes pessoas físicas e jurídicas, de conformidade com o grupo econômico (vide relatório "Grupo Econômico Itaporã"). a) Frigodema - Frigorifico Diadema Ltda- CNPJ. 01.419.644/0001-81- com endereço à Avenida Dom Pedro I, n° 1.250, Vila Conceição - Diadema-SP - CEP. n° 09.991- 000; b) Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda, CNPJ. 66.003.310/0001-78 - com endereço A Avenida Dom Pedro I, n° 1.250, Vila Conceição - Diadema-SP - CEP. n° 09.991-000; Fl. 609DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 2402-010.331 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19392.000235/2008-29 c) José Antonio Femandes, CPF. 513.749.278-72, RG. W-445.784-E — com endereço à Avenida Dom Pedro I, no 1.250, Vila Conceição - Diadema-SP - CEP. no 09.991- 000; d) Cristiano de La Noce Fernandes, CPF. 155.984.958-48, RG. 19.160.767-8/SP— com endereço à Avenida Dom Pedro I, .n° 1.250, Vila Conceição - Diadema-SP - CEP. n° 09.991-000; e) Sueli de La Noce Femandes, CPF. 111.515.788-43, RG. 4.629.528/SP - com endereço à Avenida Dom Pedro I, n° 1.250, Vila Conceição - Diadema-SP - CEP. n° 09.991- 000; (Destaquei). Ou seja, os recorrentes Sueli de La Noce Fernandes, José Antônio Fernandes e Cristiano de La Noce Fernandes foram, de fato, arrolados como responsáveis solidários pelo tributo lançado, nos termos do art. 30, IX da Lei nº 8212/91, dispositivo que, como já demonstrado, é expresso no sentido de que as “empresas” que integram um grupo econômico respondem solidariamente pelas obrigações tributárias decorrentes daquela lei, com exclusão de pessoas físicas, portanto. Nessa linha, somente esse fato já impõe a exclusão dos recorrentes como responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído. Some-se a isso que caso se pretendesse responsabilizá-los enquanto sócios das pessoas jurídicas que integram o grupo econômico, conforme acima demonstrado, nos temos dos arts. 134 e 135 do CTN, a responsabilidade dos sócios pelos créditos tributários da sociedade somente é possível em caso de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou dos estatutos, circunstâncias essas que sequer foram objeto de investigação nestes autos. Desse modo, seja por uma ou por outra razão, a responsabilidade solidária dos recorrentes Sueli de La Noce Fernandes, José Antônio Fernandes e Cristiano de La Noce Fernandes deve ser afastada. Das irregularidades formais - descumprimento do art. 175, §§ 2° e 3°, da IN 70/02 Os recorrentes alegam, por fim, que teria havido irregularidades formais, por descumprimento do art. 175, §§ 2° e 3° da IN 70/02, tendo em vista (i) o não envio a eles de cópias da autuação e do relatório do grupo econômico Itaporã, do qual somente teriam tido ciência por meio das empresas, e (ii) da não inclusão de seus nomes no anexo CORESP. Dispõe o dispositivo normativo em questão o seguinte: Art. 175.... (...) § 2º Quando o lançamento de crédito previdenciário, em qualquer das empresas que integrem o grupo econômico, todas as pessoas físicas e jurídicas vinculadas ao grupo econômico constarão do anexo “CORESP” e do relatório fiscal. § 3º A cópia do documento constitutivo do crédito tributário e anexos será remetida a todas as empresas componentes do grupo econômico para os fins previstos no art. 37 e § 1º da Lei nº 8212, de 1991. O art. 37 e §1º da Lei nº 8212/91, vigente à época do ato gerador, por sua vez, dispunha o seguinte: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Fl. 610DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 2402-010.331 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19392.000235/2008-29 §1º Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento.(Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998).(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008)(Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) (...). Da leitura dos dispositivos normativos em questão, constata-se que as providências determinadas pelos §§ 2º e 3º da Instrução Normativa DC/INSS nº 70, de 10/05/2002, têm por objetivo assegurar a notificação dos sujeitos passivos do crédito tributário lançado de modo a permitir o exercício de seu direito de defesa. Embora não conste dos autos que os recorrentes pessoas físicas tenham sido notificados da lavratura do auto de infração, mas tão somente as empresas de que são sócios, fato é que isso não prejudicou o exercício de seu direito de defesa, que todos exerceram amplamente, conforme se constata das impugnações e dos recursos voluntários por eles apresentados. É dizer, o objetivo da norma, de assegurar o exercício do direito de defesa por parte dos sujeitos passivos do crédito tributário lançado, foi atendido. Nessa linha, entendo que a exclusão dos recorrentes do polo passivo da presente autuação por esse motivo não se justifica, uma vez que é princípio consagrado em direito processual o da instrumentalidade das formas, segundo o qual "entre a forma do ato e o objetivo a ser alcançado, o direito processual prefere o segundo" 2 , e do qual se extrai que não se decreta nulidade se não houver prejuízo a defesa. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer em parte do recurso voluntário da empresa autuada Frigorífico Pedra Bonita Ltda. e, na parte conhecida, negar-lhe provimento; dar provimento parcial ao recurso voluntário das recorrentes Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda. e Sueli De La Noce Fernandes, apenas para afastar a responsabilidade solidária dessa última pelo crédito tributário lançado; e por dar provimento ao recurso voluntário de José Antônio Fernandes e Cristiano De La Noce Fernandes, para excluí-los do rol de corresponsáveis pelo crédito tributário lançado. (documento assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini 2 NERY JUNIOR, Nelson; NERY, Rosa Maria de Andrade. COMENTÁRIOS AO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL - NOVO CPC - Lei nº 13.105/2015. São Paulo: RT, 2015, p. 822. Fl. 611DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 2402-010.331 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19392.000235/2008-29 Voto Vencedor Conselheiro Francisco Ibiapino Luz - Redator designado. Pessoas físicas arroladas como responsáveis pelo crédito constituído Contrariamente ao bem articulado entendimento da i. Relatora - Conselheira de notória cultura tributária, por quem tenho estima - com todas as vênias que possam me conceder os nobres julgadores que votaram por prover, na forma do dispositivo votado, a pretensão dos Recorrentes Sueli De La Noce Fernandes, Cristiano De La Noce Fernandes e José Antônio Fernandes, na hipótese vertente, vislumbro conclusão diversa. Nessa perspectiva, mantém-se a responsabilidade tributária solidária dos sócios pessoas físicas das pessoas jurídicas integrantes de grupo econômico quando, pela sucessão dos fatos verificados, ficar provado o respectivo interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária que deu origem ao crédito constituído, exatamente como prevê o art. 124, inciso I, do CTN, verbis: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Fundamentos da decisão de origem Por oportuno, vale registrar que os §§ 1º e 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4 de junho de 2017, facultam o relator fundamentar seu voto mediante transcrição da decisão recorrida, quando o recorrente não inovar em suas razões recursais, verbis: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: [...] § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. [...] § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Nessa perspectiva, quanto aos fatos ensejadores do reportado interesse comum, o Recorrente basicamente reiterou os termos da impugnação, nada acrescentando que pudesse alterar o julgamento a quo. Logo, tendo em vista minha concordância com os fundamentos do Colegiado de origem e amparado no reportado preceito regimental, adoto as razões de decidir constantes no voto condutor do respectivo acórdão, consoante excertos que dele transcrevo: [...] 5.2.1. quanto ao imóvel, localizado na Rod. MS 270, KM 01 no município de Itaporã/MS, objeto de locação para as empresas Frigorífico Pedra Bonita e antecessoras pela empresa Luso Brasileira temos a considerar que: [...] Fl. 612DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 2402-010.331 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19392.000235/2008-29 5.2.2. quanto ao imóvel, localizado na Rod. MS 270, KM 01 no município de Itaporã/MS, objeto de locação para as empresas Frigorífico Pedra Bonita e antecessoras pela empresa Luso Brasileira temos a considerar que: [...] 5.2.2.16. diante de todo exposto, constata-se que nas margens da Rodovia MS 270, KM 01, existe apenas a edificação de uma unidade frigorífica que é aquela pertencente ao Frigorífico Itaporã Ltda., uma vez que ficou comprovado acima que esta edificação já existia antes mesmo da empresa Luso Brasileira adquirir os terrenos a sua volta, e, ainda, podemos concluir que esta empresa (Luso) averbou esta única edificação em dois de seus imóveis, o que nos leva a inferir que tudo isto só foi possível porque as empresas estavam de comum acordo, porque não teria sentido uma empresa deixar outra empresa estranha apropriar-se de seu patrimônio; 5.2.2.17. fica, também, demonstrado através do contrato de Locação de fls. 335/336 que o imóvel que a empresa Luso locou à empresa Frigorífico Pedra Bonita, é aquele que pertencia ao Frigorífico Itaporã, pois o frigorífico locatário, para exercer suas atividades, alterou a responsabilidade do registro do estabelecimento SIF n.° 3359 para si; 5.2.2.18. portanto, descabida a alegação da empresa Luso Brasileira de que o imóvel sempre foi de sua propriedade e que o alugou para as empresas Frigorífico Itaporã Ltda., Indústria Alimentícia Itaporã Ltda., Abatedouro de Bovinos Itaporã Ltda. e finalmente a empresa Frigorífico Pedra Bonita Ltda., pois, só para reafirmar o que já foi dito acima, citamos como exemplo que o Frigorífico Itaporã Ltda. em 1988 era proprietário do imóvel localizado a Rodovia MS 270 KM 01 para o qual se mudou e começou a exercer suas atividades de frigorífico, após obter o n.° SIF 3359, antes mesmo da Luso adquirir terras naquele local; 5.2.3. Quanto a relação existente entre as empresas que ocuparam o imóvel localizado na Rodovia MS 270, KM 01, utilizando-se da construção e instalações ali existente, temos que: [...] 5.2.3.2. como constata-se no Relatório de Grupo Econômico que a empresa Indústria Alimentícia Itaporã Ltda. começou a funcionar neste estabelecimento (1 a Alt. Contratual de fls. 114/115), transferindo, em 28/04/93 (conforme documento de fls. 288/289), para si a responsabilidade pelo SIF n.° 3359, sem que a outra empresa encerrasse suas atividades, ressaltando-se que os mesmos sócios da empresa Frigorífico Itaporã Ltda., continuaram a exercer a mesma atividade e utilizando-se das mesmas instalações como se nada tivesse sido alterado a não ser a razão social; 5.2.3.3. assim, verifica-se que houve sucessão de fato, uma vez que havia a identidade de sócios-gerentes, num primeiro momento, e que as empresas encontravam-se no mesmo ramo de atividade e no mesmo local utilizando-se das mesmas instalações; 5.2.3.4. observa-se, ainda, que o Sr. José Antonio Fernandes entrou na sociedade da empresa Indústria Alimentícia Itaporã Ltda. em 28/01/1993 (2 o alt. Contratual fls. 117/118), e que posteriormente, também, passou a integrar, em 14/11/97 (conforme 3 a Alt. Contratual de fls. 146/147), o quadro societário da empresa Frigorífico Pedra Bonita Ltda.; 5.2.3.5. procedimento semelhante verificamos com a empresa Abatedouro de Bovinos Itaporã Ltda. que constituída em 24/06/94, mudou-se para a Rodovia MS 270, Km 01 ( 1 a Alt. Contratual fls. 134/135), onde funcionava a filial da empresa Industria Alimentícia Itaporã Ltda. sem que esta tivesse encerrados suas atividades no local, transferindo para si a responsabilidade pelo SIF n.° 3359; Fl. 613DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 2402-010.331 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19392.000235/2008-29 5.2.3.6. no entanto, apesar dos sócios não serem os mesmos da empresa anterior, eles constituíram, em seus nomes e em nome da empresa, como procurador, com amplos e irrestritos poderes para gerir e administrar os negócios desta empresa, o Sr. Irio Fernandes (fls. 305/308), sócio das empresas Industria Alimentícia Itaporã Ltda. e Frigorífico Itaporã Ltda., sendo este último, proprietário do imóvel onde a atividade empresarial é exercida; 5.2.3.7. assim, verifica-se diante da situação fática que novamente ocorreu a sucessão de fato, pois identificamos que a empresa encontra-se no mesmo ramo de atividade, no mesmo local e ocupando as mesmas instalações, tendo como administrador o sócio da empresa antecessora. Corroborando neste sentido temos a jurisprudência a seguir transcrita: [...] 5.2.3.8. novamente, verifica-se o mesmo procedimento quanto a empresa Frigorífico Pedra Bonita Ltda., que mudou-se para o mesmo endereço (1 a Alt. Contratual fls. 142/143) onde ainda funcionava a empresa Abatedouro de Bovinos Itaporã Ltda., sem que esta houvesse encerrado suas atividades, transferindo o SIF n.° 3359 para sua responsabilidade em 01/97 (documento de fls. 290); 5.2.3.9. como já dito acima, um dos sócios desta empresa é o Sr. José Antonio Fernandes, sócio da empresa Indústria Alimentícia Itaporã Ltda. uma das empresas antecessoras do Frigorífico Pedra Bonita Ltda., caracterizando a sucessão de fato, uma vez que temos a relação entre os sócios das empresas, as quais desempenharam a mesma atividade no mesmo local; [...] 5.2.3.13. na sucessão, uma situação jurídica subjetiva que alcançava determinada pessoa passa a alcançar outra pessoa que, originalmente, dela não fazia parte ou por ela não era atingida, assim, a sucessão se opera em função de um determinado elemento de conexão que aproxime a pessoa não vinculada ao fato gerador, a alguma dimensão, a ele relativa, que se torna a razão determinante da transferência da responsabilidade. Ou seja, a linha sucessória não é definida de forma aleatória ( igual a qualquer um), mas depende da materialização de um dos elementos de conexão contemplados no Código Tributário Nacional; 5.2.3.14. a sistemática adotada pelo CTN, em tema de sucessão na responsabilidade tributária, aponta serem relevantes três conceitos distintos: a existência de um elemento de conexão, a existência de um certo tipo de vínculo que une o sucessor a esse elemento de conexão e a definição da dimensão da responsabilidade do sucessor; 5.2.3.15. o elemento de conexão no caso do art. 133 do CTN é a atividade econômica, elemento necessário, indispensável, mas não' suficiente para caracterizar a sucessão; 5.2.3.16. o vínculo necessário para a hipótese de sucessão em função da atividade econômica, prevista no art. 133 do CTN tem a natureza de uma aquisição, que no caso deste artigo não se refere a bens (entidade estática), mas sim a estabelecimento/fundo (entidade dinâmica), portanto, não está propriamente alcançando operações que tem por perfil jurídico a titularidade dos bens , mas está contemplando o efeito da passagem da titularidade da condução da atividade econômica para uma terceira pessoa; 5.2.3.17. a continuidade do empreendimento, assim, é que está sendo contemplada no artigo 133 do CTN para fins de configurar o vínculo que desemboca na responsabilidade por sucessão; 5.2.3.18. dessa forma, com a descaracterização da possibilidade da locação do imóvel, a medida que as empresa foram se instalando, sucessivamente, no mesmo endereço, utilizando-se das mesmas Fl. 614DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 2402-010.331 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19392.000235/2008-29 instalações, ao transferirem a responsabilidade pelo registro do estabelecimento SIF n.° 3359, transferiram também a titularidade da condução da atividade econômica, caracterizando, assim, o vinculo disposto no art. 133 do CTN; 5.2.3.19. ressalte-se, ainda, que a condução da titularidade da atividade econômica, conforme demonstrado no Relatório de Grupo Econômico e já informado anteriormente, esteve sempre, direta ou indiretamente, nas mãos das mesmas pessoas; [...] 5.2.3.21. quando a responsabilidade por sucessão resultar da atividade econômica como elemento de conexão, serão alcançados todos os tributos relativos àquela atividade econômica, que é o caso das contribuições previdenciárias; [...] 5.2.4. quanto as alegações de que as empresas Frigorífico Pedra Bonita Ltda., Frigodema Frigorífico Diadema Ltda. e Nova Fronteira Participações e Empreendimentos S/C Ltda., que constituem grupo econômico, não apresentam nenhuma ligação com a empresa Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda., exceto nos casos pôr ela expostos, temos a considerar que: 5.2.4.1. conforme Relatório de Grupo Econômico, a fiscalização procedendo diligências ao endereço R. Gabriel D'Anunzio, 245 - São Bernardo do Campo, sede das empresas Nova Fronteira Participações e Empreendimentos S/C Ltda. e Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda., constatou que o local está fechado, não existindo, de fato, nenhuma empresa em atividade, sendo o Imposto territorial Urbano referente a 2001, inclusive, encaminhado para a Av. Dom Pedro I, 1248 - Diadema, sede da empresa Frigorífico Pedra Bonita Ltda.; 5.2.4.2. razão porque todos os documentos obtidos da empresa tanto Nova Fronteira como da Luso Brasileira foram obtidos na sede da empresa Frigorífico Pedra Bonita, o que é no mínimo estranho já que segundo a alegação da empresa Luso Brasileira ela não tem qualquer ligação com o Frigorífico Pedra Bonita; 5.2.4.3. verifica-se que Cristiano De La Noce Fernandes, filho de José Antonio Fernandes e Sueli De La Noce Fernandes, constou como sócio nas seguintes empresa: Frigodema Frigorífico Diadema Ltda. no período de 07/97 a 11/01; Nova Fronteira Participações e Empreendimentos Ltda. a partir de 12/00 e na Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda. até 06/02; (Destaquei) 5.2.4.4. conforme informação da fiscalização, com base na declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, ano base 2001, a empresa Luso Brasileira só possui receita proveniente dos aluguéis que recebe dos imóveis locados às empresas do grupo; 5.2.4.5. pela análise dos registros de imóveis anexados ao Relatório de Grupo Econômico verifica-se que o Sr. José Antonio transfere para a empresa Luso Brasileira sua parte em quatro imóveis particulares, matriculados, no 1 o Cartório de Registro de Imóveis de São Bernardo do Campo, sob números 87.921, 63.117, 43.203 e 16.523, em 14/08/00 e 29/09/00, a título de Conferência de Bens, negócio jurídico utilizado para integralizsr ou aumentar capital social de empresa; (Destaquei) 5.2.4.6. no entanto, observamos no breve relato fornecido pela Junta Comercial não constar o registro, nesta época, de alteração contratual de aumento de capital social, o que nos levar a indagar qual seria o objetivo desta transferência, se não aquela citada pela fiscalização no Relatório de Grupo Econômico de afastar eventual responsabilidade patrimonial do Sr. José Antonio Fernandes e de seus familiares, em razão da condição de sócios das empresas devedoras; (Destaquei) Fl. 615DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 2402-010.331 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19392.000235/2008-29 5.2.4.7. ainda, conforme Relatório de Grupo Econômico o imóvel sede da empresa Frigodema Frigorífico de Diadema Ltda., pertence ao patrimônio particular do Sr. José Antonio Fernandes e de sua esposa, porém o aluguel é pago a empresa Luso Brasileira que o declara em seu imposto de renda; 5.2.4.8. por fim, verificamos através do Contrato Social Consolidado da Empresa Luso Brasileira, anexado pela mesma aos autos, que possui uma única filial com sede exatamente no imóvel MS 270, KM 01, Itaporã MS, do qual não teria posse por estar (segundo a empresa) locado para o Frigorífico Pedra Bonita, com quem enfatiza não possuir nenhuma relação; 5.2.4.9. como já demonstrado, a empresa Luso Brasileira não era a proprietária do imóvel locado para o Frigorífico Pedra Bonita no Mato Grosso do Sul, o que era de conhecimento do Sr. José Antonio Fernandes, sócio deste Frigorífico e também da empresa Industria Alimentícia Itaporã, sucedida por aquela; assim, concluímos que o Sr. José Antonio estava conivente com a situação para ocultar o liame que liga as empresas Luso Brasileira e Frigorífico Pedra Bonita, consistente no controle exercido por esta pessoa física, com interesses predominantes no conjunto dessas empresas, como bem demonstrado no Relatório do Grupo Econômico; (Destaquei) [...] 5.3.- desta forma, face a todo o exposto no item 5.2. acima, conclui-se que atuou corretamente a fiscalização ao caracterizar a sucessão da empresa Frigorífico Pedra Bonita Ltda. com a empresa Abatedouro de Bovinos Itaporã Ltda., que por sua vez sucedeu a empresa Indústria Alimentícia Itaporã Ltda., que sucedeu a empresa Frigorífico Itaporã Ltda., dona do imóvel cujas instalações foram utilizadas por todas estas empresas e correta, também, a caracterização do Grupo Econômico entre as empresa Frigorífico Pedra Bonita Ltda., Frigodema Frigorífico Diadema Ltda., Nova Fronteira,Participações e Empreendimentos S/C Ltda. e Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda. Acrescente-se, ainda, os seguintes excertos do relatório fiscal, muito bem esclarecendo dito interesse comum, nestes termos (processo digital, fls. 48 a 79): 19. A partir de ação fiscal determinada para a unidade frigorífica localizada Rodovia MS 270, km. 01, em Itaporã-MS, a fiscalização constatou que a empresa Frigorifico Pedra Bonita Ltda. é sucessora das empresas industriais Frigorifico Itaporã Ltda., Industrias Alimentícias Itaporã Ltda. e Abatedouro de Bovinos Itaporã Ltda., que anteriormente desenvolveram a mesma atividade naquela unidade frigorifica. 21. Foi confirmada a existência do grupo econômico Itaporã, constituído atualmente pelas empresas Frigorifico Pedra Bonita Ltda., Frigodema - Frigorifico Diadema Ltda., Nova Fronteira Participações e Empreendimentos S/C Ltda. e Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda., do qual fizeram parte também as empresas industriais Frigorifico Itaporã Ltda., Indústrias Alimentícias Itaporã Ltda. e Abatedouro de Bovinos Itaporã Ltda. Trata-se de um grupo familiar, liderado pelo Sr. José Antônio Fernandes, que, embora não esteja baseado na figura da empresa-líder (conforme dispõe a Lei nº 6.404/76), comprova-se, em resumo, pelos seguintes fatos: a) pelo relacionamento dos sócios das divers empresas com o sr. José Antônio Fernandes; b) pela sociedade em comum; c) pelo grau parentesco entre os sócios das empresas atualmente em atividade; d) localização das empresas no mesmo endereço; e) pela incapacidade financeira de alguns sócios; f) pela existência das empresas Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda. e Nova Fronteira Participações e Empreendimentos S/C Ltda. 22. Esta situação de controle dos negócios permanece atualmente em relação às empresas Frigorifico Pedra Bonita Ltda. e Frigodema - Frigorifico Diadema Ltda. Ambas, têm como sócia majoritária a empresa Nova Fronteira Participações e Empreendimentos S/C Ltda. - com 99% do capital social, da qual são sócios o Sr. José Fl. 616DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 2402-010.331 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19392.000235/2008-29 Antônio Fernandes e seu filho Cristiano de La Noce Fernandes (que se desligaram das empresas, para a entrada da Nova Fronteira). O srs. Hercilio Messias Junior e Celso Gonçalves de Carvalho figuram, respectivamente, nas empresa Frigorifico Pedra Bonita Ltda. e Frigodema — Frigorifico Diadema Ltda., como detentores de 1% do capital social. Porém, os verdadeiros donos são os srs. José Antônio Fernandes e Cristiano de La Noce Fernandes. A criação da empresa Nova Fronteira Participação e Empreendimentos S/C Ltda. foi um artificio no sentido de desvincular a responsabilidade patrimonial do sr. José Antônio Fernandes e do Sr. Cristiano de La Noce Fernandes das empresas Frigorifico Pedra Bonita Ltda. e Frigodema — Frigorifico Diadema Ltda., respectivamente. (Destaquei) 23. A existência da empresa Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda. tem por finalidade desvincular o patrimônio produtivo das empresas que o utilizam (por exemplo, a unidade frigorifica, em relação à empresa Frigorifico Pedra Bonita Ltda.), tentando desvencilhá-lo da responsabilidade por eventuais débitos das empresas. Para tanto, abriga-o em uma empresa especialmente constituída para essa finalidade, sem atividade produtiva, a qual não ficou sequer comprovada a existência de fato. Da mesma forma, a existência de imóveis residenciais em nome dela, tem por finalidade afasta-los de eventual responsabilidade patrimonial do sr. José Antônio Fernandes e de seus familiares, em razão da condição de sócios das empresas devedoras. Assim, as empresas Frigorifico Pedra Bonita Ltda. e Frigodema — Frigorifico Diadema Ltda., que empregam, não possuem nenhum patrimônio, obviamente para frustrar qualquer medida administrativa ou judicial de cobrança das contribuições devidas à Seguridade Social. Confirma-se, ainda, a existência do grupo econômico, pelo fato de que o proprietário do imóvel da Avenida Dom Pedro I, no 1.250, em Diadema (sede do Frigodema) é o sr. José Antônio Fernandes, mas, quem recebe o aluguel é a empresa Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda., conforme já foi dito. (Destaquei) 24. Em síntese, observou-se que todas as atividades desenvolvidas no período objeto da auditoria fiscal foram realizadas por um grupo econômico, e não por ações isoladas de cada uma delas. Empresas foram sendo criadas e paralisadas, segundo os interesses, porém, sem configurar descontinuidade dos negócios. Por todo o exposto, visualiza-se atualmente o referido grupo na figura das empresas citadas, cujas peculiaridades confirmam a sua existência, senão vejamos: (Destaquei) [...] Conclusão Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso interposto pela Recorrente, não se apreciando a matéria objeto de ação judicial - receita bruta do produtor rural – para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Ademais, conheço dos recursos interpostos pelos Responsáveis Solidários Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda., Sueli De La Noce Fernandes, José Antônio Fernandes e Cristiano De La Noce Fernandes e nego-lhes provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz Fl. 617DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 15374.920010/2008-58
Data da sessão: Tue May 11 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Jun 16 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
COMPENSAÇÃO. RECURSOS. LIMITES OBJETIVOS DA LIDE.
Se a exigibilidade do débito compensado é afirmada no ato de não homologação, e o sujeito passivo tem a possibilidade de questionar administrativamente este ato segundo o rito do Decreto nº 70.235, de 1972, as autoridades julgadoras integrantes do contencioso administrativo especializado são competentes para apreciar todos os argumentos do sujeito passivo contra a exigência do débito compensado, tanto no que diz respeito à existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório utilizado em Declaração de Compensação - DCOMP, como em relação à inexistência ou excesso do débito compensado.
Numero da decisão: 9101-005.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Andréa Duek Simantob, que votaram pelo não conhecimento. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Andréa Duek Simantob. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(documento assinado digitalmente)
Andréa Duek Simantob Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Lívia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Caio Cesar Nader Quintella e Andréa Duek Simantob (Presidente em exercício).
Nome do relator: Fernando Brasil de Oliveira Pinto
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202105
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. RECURSOS. LIMITES OBJETIVOS DA LIDE. Se a exigibilidade do débito compensado é afirmada no ato de não homologação, e o sujeito passivo tem a possibilidade de questionar administrativamente este ato segundo o rito do Decreto nº 70.235, de 1972, as autoridades julgadoras integrantes do contencioso administrativo especializado são competentes para apreciar todos os argumentos do sujeito passivo contra a exigência do débito compensado, tanto no que diz respeito à existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório utilizado em Declaração de Compensação - DCOMP, como em relação à inexistência ou excesso do débito compensado.
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 16 00:00:00 UTC 2021
numero_processo_s : 15374.920010/2008-58
anomes_publicacao_s : 202106
conteudo_id_s : 6403156
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 16 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 9101-005.447
nome_arquivo_s : Decisao_15374920010200858.PDF
ano_publicacao_s : 2021
nome_relator_s : Fernando Brasil de Oliveira Pinto
nome_arquivo_pdf_s : 15374920010200858_6403156.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Andréa Duek Simantob, que votaram pelo não conhecimento. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Andréa Duek Simantob. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) Andréa Duek Simantob Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Lívia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Caio Cesar Nader Quintella e Andréa Duek Simantob (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Tue May 11 00:00:00 UTC 2021
id : 8844977
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:18:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076937073197056
conteudo_txt : Metadados => date: 2021-06-15T01:14:16Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-06-15T01:14:16Z; Last-Modified: 2021-06-15T01:14:16Z; dcterms:modified: 2021-06-15T01:14:16Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-06-15T01:14:16Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-06-15T01:14:16Z; meta:save-date: 2021-06-15T01:14:16Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-06-15T01:14:16Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-06-15T01:14:16Z; created: 2021-06-15T01:14:16Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; Creation-Date: 2021-06-15T01:14:16Z; pdf:charsPerPage: 2144; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-06-15T01:14:16Z | Conteúdo => CSRF-T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 15374.920010/2008-58 Recurso Especial do Procurador Acórdão nº 9101-005.447 – CSRF / 1ª Turma Sessão de 11 de maio de 2021 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TSN TRANSMISSORA SUDESTE NORDESTE S.A. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. RECURSOS. LIMITES OBJETIVOS DA LIDE. Se a exigibilidade do débito compensado é afirmada no ato de não homologação, e o sujeito passivo tem a possibilidade de questionar administrativamente este ato segundo o rito do Decreto nº 70.235, de 1972, as autoridades julgadoras integrantes do contencioso administrativo especializado são competentes para apreciar todos os argumentos do sujeito passivo contra a exigência do débito compensado, tanto no que diz respeito à existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório utilizado em Declaração de Compensação - DCOMP, como em relação à inexistência ou excesso do débito compensado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Andréa Duek Simantob, que votaram pelo não conhecimento. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Andréa Duek Simantob. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) Andréa Duek Simantob – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Lívia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Caio Cesar Nader Quintella e Andréa Duek Simantob (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 92 00 10 /2 00 8- 58 Fl. 252DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-005.447 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15374.920010/2008-58 Relatório Trata-se de PER/DComp em que o contribuinte pleiteava, inicialmente, o reconhecimento de direito creditório referente a saldo negativo de IRPJ supostamente apurado no 2º trimestre do ano-calendário de 2003, no valor original de R$ 258.223,36, cumulado com declaração de compensação que objetivava extinguir débito de IRPJ do mesmo período de apuração. Por meio do Despacho de decisório de fl. 08, a autoridade fiscal da unidade de origem não reconheceu o crédito pleiteado, e, consequentemente, não homologou as compensações declaradas em razão da inexistência do direito requerido, uma vez que o contribuinte não teria apurado saldo negativo de naquele período (IRPJ devido seria nulo). Inconformado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 10-21 alegando, em apertada síntese, erro no preenchimento do PER/DComp tanto em relação ao crédito pleiteado quanto ao débito que se pretendeu compensar (cota do IRPJ do mesmo período de apuração no valor idêntico ao relativo IRFonte informado em DIPJ), requerendo o cancelamento do DComp transmitido. Em relação ao crédito, aduz que se equivocou ao requerer saldo negativo, contudo, tendo recolhido DARFs nos valores de R$ 1.407.841,77 e R$ 556.073,85, restar-lhe-ia um direito creditório de R$ 1.963.915,62 referente a pretensos pagamentos indevidos de IRPJ. Analisando a irresignação do contribuinte, a 1ª Turma da DRJ/RJ1 julgou-a improcedente, conforme ementa do julgado a seguir reproduzido: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NOVO. Crédito que não consta do PER/DCOMP não integra a lide. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O seguinte excerto do voto condutor de primeira instância bem resume os fundamentos do referido acórdão: Na manifestação de inconformidade, o interessado não elide os fatos apontados no Despacho Decisório. Alega que o PER/DCOMP contém erros materiais. Pretende, então, retificar o valor, o período e o tipo de crédito, indicando possuir crédito originado de pagamento indevido ou a maior. Solicita retificação/cancelamento dos PER/DCOMP. As alterações pretendidas não podem ser entendidas como mero erro de preenchimento. O interessado introduz matéria nova e que, assim, não pode ser conhecida neste momento processual. A retificação da Declaração de Compensação somente pode ser admitida antes do Despacho Decisório que não homologou a compensação (art. 57 da IN n° 600/2005). Eventual pedido de retificação ou cancelamento do PER/DCOMP não pode ser apreciado neste momento processual, no qual já foi denegada a compensação. Tal análise não se insere no rol de competências das Delegacias de Julgamento. [grifos nossos] Fl. 253DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-005.447 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15374.920010/2008-58 O Despacho Decisório deve ser mantido, por não terem sido elididos os fatos nele apontados. Intimado da decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, aduzindo, em resumo: a) tanto o direito creditório quanto o débito declarado no PER/DCOMP se referem à mesma espécie de tributo (IRPJ) e ao mesmo período de apuração (2° trimestre de 2003), porém, equívocos teriam sido cometidos quando do preenchimento do mencionado PER/DCOMP; b) de fato, não haveria “Saldo Negativo de lRPJ" no período de apuração do crédito informado no PER/DCOMP (2° trimestre de 2003), mas, sim, IRPJ devido igual a “zero”, conforme demonstrado na ficha 12A da DIPJ/2004. Aduz, contudo que teria recolhido DARFs nos valores de R$ 1.407.841,77 e R$ 556.073,85, restar-lhe-ia um direito creditório de R$ 1.963.915,62 referente pagamentos indevidos de IRPJ requerendo a retificação do PER nesse sentido; c) por fim, requer o cancelamento do DCOMP n° 21961.10307.260304.1.3.02-7431 por não haver débito de IRPJ relativo ao 2° trimestre de 2003. Por meio do Acórdão nº 1402-004.118, o colegiado a quo proveu parcialmente o Recurso Voluntário para apartar dos autos o pedido de cancelamento da DComp n° 21961.103007.260304.1.3.02-7431 e encaminhar os novos autos à unidade de origem para apreciação do pedido, e negar provimento quanto ao crédito pleiteado no PER n° 23597.66254.260304.1.3.02-7806. No que diz respeito ao crédito pleiteado, o referido acórdão concluiu que a retificação do crédito tributário inexistente, informado nos Per/DComp originais, por outro crédito por ventura existente, não configuraria erro ou inexatidão no preenchimento dos documentos originais, nos termos dos artigos 58 e 59 da IN SRF nº 600/2005. Em relação ao cancelamento da DComp, entendeu o colegiado a quo que a competência para análise desse pleito seria da DRF de origem, e sobre esse ponto a PGFN, conforme descrito a seguir, apresentou Recurso Especial. Os autos foram encaminhados à PGFN em 28/11/2019 (fl. 200). Nos termos do art. 79 do Anexo II do RICARF, a PGFN será considerada intimada pessoalmente “das decisões do CARF, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN, salvo se antes dessa data o Procurador se der por intimado mediante ciência nos autos”. Desse modo, a ciência ficta da PGFN se deu em 28/12/2019. Em 23/12/2019 (fl. 209) foi interposto o Recurso Especial de fls. 201-208. Considerando que o art. 68 do Anexo II do RICARF define que o prazo para apresentação de Recurso Especial é de 15 dias, o Apelo da PGFN interposto mostra-se tempestivo. Por meio do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial de fls. 224-226, o Apelo fazendário foi admitido, cujo trecho de interesse reproduz-se a seguir: Fl. 254DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-005.447 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15374.920010/2008-58 5. Da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, evidencia-se que a Recorrente logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, como a seguir demonstrado (destaques do original transcrito): “Pedido de cancelamento de Per/Dcomp” Decisão recorrida: COMPETÊNCIA. CANCELAMENTO. PERDCOMP. A apreciação de pedido de cancelamento de declaração é atribuição do Delegado da DRF da jurisdição da contribuinte. [...]. Da não homologação do PER/DCOMP n° 21961.103007.260304.1.3.02-7431 Observa-se que não há discussão quanto ao crédito, pois conforme salientou a Recorrente trata-se de solicitação de cancelamento de ofício do PER/DCOMP n° 21961.10307.260304.1.3.02-7431, com o objetivo de regularizar, nos sistemas da RFB, o procedimento inadequado adotado por ela e, consequentemente que seja cancelada a cobrança do débito que tem origem na informação equivocada apontada nesta declaração. [...]. Analisando a legislação supracitada, entende-se que o requerimento constante na Manifestação de Inconformidade deveria ter sido feito pelo contribuinte à Delegacia de origem, pois se trata de pedido de cancelamento de declaração. Portanto, frente à ausência de atribuição para decidir sobre o pedido de cancelamento do PER/DCOMP, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para apartar dos presentes autos o pedido de cancelamento do PER/DCOMP n° 21961.103007.260304.1.3.02-7431 encaminhando-o à unidade de jurisdição da RFB para apreciação. Acórdão paradigma nº 3401-002.133, de 2013: PEDIDO DE CANCELAMENTO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. Não se verifica como instrumento hábil a utilização do Recurso Voluntário como forma de apreciação de pedido de cancelamento de PER/DCOMP. Não há de ser conhecido o Recurso Voluntário que se restrinja a este pedido. [...]. Em suma, a contribuinte protocolou pedido de compensação de créditos referentes à PIS. Entretanto, esclareceu que pleiteou a compensação em duplicidade motivo pelo qual solicitou o cancelamento deste pedido. [...]. Frente a todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário apresentado pela Contribuinte, por entender que o Recurso Voluntário não é a melhor forma para a realização deste pedido de cancelamento, mantendo assim integralmente a decisão da DRJ. Acórdão paradigma nº 1302-001.613, de 2015: PER/DCOMP. RECURSOS. LIMITES OBJETIVOS DA LIDE. A admissibilidade do recurso voluntário em face de decisão não homologatória de compensação limita-se a verificar a existência do direito creditório alegado e, caso exista, o quanto do débito tributário Fl. 255DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-005.447 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15374.920010/2008-58 confessado pela recorrente foi, por ele, compensado. Qualquer decisão além disso, desbordaria dos limites da competência regimental desta Turma e configuraria uma afronta ao requisito da adequação recursal. [...]. Como se verifica, da simples leitura do relatório, trata-se de uma situação inusitada, para falar o mínimo, em que o recorrente apresentou manifestação de inconformidade, para requerer o cancelamento do PER/DCOMP e a desconstituição do débito tributário por ele mesmo confessado, sendo que, ao não ser atendido no seu pleito, agora apresenta recurso voluntário para devolver a matéria a este Colegiado. [...]. Em face do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. 6. Com relação a essa matéria, ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes e à luz das mesmas normas jurídicas, chegou-se a conclusões distintas. 7. Enquanto a decisão recorrida entendeu por dar provimento parcial ao recurso voluntário para apartar dos presentes autos o pedido de cancelamento do PER/DCOMP n° 21961.103007.260304.1.3.02-7431 encaminhando-o à unidade de jurisdição da RFB para apreciação, os acórdãos paradigmas apontados (Acórdãos nºs 3401-002.133, de 2013, e 1302-001.613, de 2015) decidiram, de modo diametralmente oposto, por não conhecer do Recurso Voluntário apresentado pela Contribuinte (primeiro acórdão paradigma) e por não conhecer do recurso voluntário (segundo acórdão paradigma). 8. Por tais razões, neste juízo de cognição sumária, conclui-se pela caracterização da divergência de interpretação suscitada. Quanto ao mérito do Recurso Especial, a PGFN utilizou-se, em suma, dos fundamentos do acórdão paradigma nº 3401-002.133, entre os quais destaco os a seguir transcritos: Este recurso não deve ser conhecido, por não cumprir os pressupostos de admissibilidade. Em suma, a contribuinte protocolou pedido de compensação de créditos referentes à PIS. Entretanto, esclareceu que pleiteou a compensação em duplicidade motivo pelo qual solicitou o cancelamento deste pedido. A DRJ Rio de Janeiro II declarou não conhecer a Manifestação de Inconformidade apresentada pela recorrente sob as alegações de que: 1) A apreciação de pedido de cancelamento de declaração é atribuição do Delegado da DRF da jurisdição da contribuinte, conforme disposto no inciso VI do art. 285 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Assim, não tendo esta Turma de Julgamento competência para decidir sobre o pedido efetuado e, inexistindo na Manifestação de Inconformidade apresentada, qualquer outra matéria apreciada, não deve ser conhecida. O pedido de cancelamento do PER/DCOMP não se inclui dentre as atribuições do Recurso Voluntário, pois este é o instrumento através do qual o contribuinte interpõe recurso ao Conselho de Contribuintes caso não concorde com a decisão proferida em 1ª instância pelo Delegado da Receita Federal de Julgamento de sua jurisdição. Um dos princípios reguladores do Processo Administrativo Fiscal é o Contraditório e Ampla Defesa [sic], conforme disposto nos art. 1º e 4º, Anexo II do Regulamento Interno do CARF, abaixo transcrito: Fl. 256DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-005.447 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15374.920010/2008-58 [...] Portanto, verifica-se que este instrumento administrativo não é a forma hábil para o pedido de cancelamento de uma DCTF. Assim sendo, não conheço de Recurso Voluntário que apresente apenas este pedido. Frente a todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário apresentado pela Contribuinte, por entender que o Recurso Voluntário não é a melhor forma para a realização deste pedido de cancelamento, mantendo assim integralmente a decisão da DRJ. [destaques do Recurso Especial] Em 11/03/2020 (fl. 233), o contribuinte foi cientificado do acórdão recorrido, do Recurso Especial interposto pela PGFN e do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial e, em 26/03/2020 (fl. 236), a interessada apresentou Contrarrazões de fls. 321-329, aduzindo, em apertada síntese: - que o Recurso Especial da PGFN não deveria ser conhecido em razão da ausência de indicação da legislação tributária interpretada de forma divergente e ausência de realização de cotejo analítico entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma (respectivamente, §§ 1º e 8º do art. 67 do Anexo II do RICARF); - no mérito, requer a confirmação da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 CONHECIMENTO O Recurso Especial é tempestivo. Intimado sobre a interposição do Apelo fazendário, o contribuinte apresentou Contrarrazões requerendo o não conhecimento do Recurso Especial da PGFN por suposta ausência de indicação da legislação tributária interpretada de forma divergente e ausência de realização de cotejo analítico entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma. O RICARF estabeleceu em seu art. 67 os pressupostos para conhecimento do Recurso Especial de divergência, entre os quais, destaco: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) [...] Fl. 257DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-005.447 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15374.920010/2008-58 § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. [...] Passo ao exame dos argumentos do contribuinte quanto ao possível não conhecimento do Apelo da PGFN. Em relação à suposta ausência de indicação da legislação tributária que seria interpretada de forma divergente, não lhe assiste razão, pois assim consta à fl. 202, no corpo do Recurso Especial da PGFN: “Inicialmente, convém demonstrar a legislação que foi interpretada de modo divergente: art. 14 do Decreto nº 70.235/72; art. 170 do CTN e art. 74 da Lei nº 9.430/96.”. De toda forma, o próprio Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, em sua fl. 31 esclarece que, ainda que não haja demonstração expressa dessa legislação, se essa informação possa ser extraída na demonstração dos pontos de divergência, esse pressuposto recursal restaria atendido 1 . No que diz respeito à pretensa falta de cotejo analítico, de antemão se esclarece que, ao contrário do afirmado pelo contribuinte, para demonstração da divergência suscitada o RICARF não exige cotejo analítico, tampouco elaboração de quadro comparativo, sendo exigido, por outro lado, que o recurso manejado seja claro o suficiente a indicar os pontos que estão sendo suscitados como divergentes. No caso concreto, a divergência é patente, pois os acórdãos recorrido e os paradigmas referem-se absolutamente a fatos idênticos, sobre a mesma legislação e em processos do mesmo contribuinte, cuja interpretação de distintos colegiados se deu de forma absolutamente antagônica, raciocínio que se extrai de maneira cristalina do Recurso Especial interposto, que, após transcrever excerto do voto condutor do aresto recorrido, da ementa e de trecho de votos de paradigmas tratando do mesmo contribuinte e da mesma matéria. É importante frisar que, quanto aos debates no colegiado quando à possível convergência do recorrido e do paradigma indicado pela PGFN quanto à incompetência do CARF para se pronunciar quanto ao cancelamento de DComp, discordo de tal entendimento, pois, enquanto nos paradigmas o colegiado sequer conheceu dos recursos voluntários, no recorrido, o recurso foi conhecido e, embora não tenha adentrado ao mérito do cancelamento requerido pelo contribuinte, determinou à unidade de origem que procedesse à análise do pedido de cancelamento. 1 “[...] fica claro que a legislação que está sendo interpretada de forma divergente não tem de estar necessariamente expressa no apelo, desde que nele se demonstre, sem sombra de dúvida, qual o arcabouço jurídico que está sendo tratado, evitando-se a indicação de decisões divergentes em face de arcabouços normativos estranhos à lide objeto do recurso. Destarte, se no Recurso Especial, a despeito de não estar demonstrada de forma expressa a legislação objeto da divergência jurisprudencial, essa informação é facilmente deduzida da própria demonstração dos pontos de divergência indicados nos paradigmas, considera-se atendido o comando regimental acima”. Fl. 258DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-005.447 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15374.920010/2008-58 Desse modo, rejeito a preliminar de não conhecimento suscitada pelo contribuinte, e encaminho meu voto para confirmar o Despacho de Admissibilidade no sentido de CONHECER DO RECURSO ESPECIAL. 2 MÉRITO O tema não é novo neste colegiado: esta 1ª Turma da CSRF firmou o entendimento no Acórdão nº 9101-004.767 2 de que é possível ao contribuinte discutir a existência do débito confessado em DComp, sendo que, após intimação do sujeito passivo para se manifestar sobre as informações prestadas nessa declaração, competirá às instâncias julgadoras apreciarem o seu pleito, desde que haja essa provocação nos recursos administrativos eventualmente interpostos. Por concordar integralmente com o excelente voto da Conselheira Edeli Pereira Bessa, adoto-o como razão de decidir, exceto quanto ao retorno dos autos à DRJ no caso concreto, conforme esclarecerei ao final: Diversamente do que consignado na decisão de 1ª instância, desde a manifestação de inconformidade a Contribuinte esclarece o motivo da não localização do DARF indicado em DCOMP como origem do pagamento a maior: ao preencher o PER/DCOMP, informou incorretamente a data de arrecadação do DARF no valor de R$ 1.407.841,77 como sendo 28/02/2004, quando o correto seria 07/08/2003 (doc. nº 03). Não obstante, a Contribuinte também constatou que não seria devedora de IRPJ no 1º trimestre de 2004, razão pela qual a DCOMP em litígio, apresentada para quitação deste débito, seria desnecessária. Como consignado em sua manifestação de inconformidade: 10. Assim, embora a Requerente tenha apurado crédito tributário de IRPJ no 2º trimestre de 2003 no montante de R$ 1.963.915,62 (docs. nºs 03 e 06), conforme quadro demonstrativo abaixo, não apurou saldo de IRPJ a pagar no mês de janeiro de 2004 que pudesse ensejar qualquer espécie de compensação a ser pleiteada via PER/DCOMP, donde se conclui que, não havia necessidade de ter requerido a compensação do valor de R$ 63.296,24, conforme demonstrado na PER/DCOMP nº 36293.74924.100605.1.7.04-5848: [...] Em recurso voluntário, a Contribuinte reiterou essas razões, inclusive no que se refere às justificativas acerca da não localização do DARF de origem do indébito compensado, observando que tal desconhecimento acerca do referido DARF não poderia dar azo à argumentação constante do relatório do acórdão de 1ª instância para manutenção do crédito tributário, uma vez que a data correta foi informada na Manifestação de Inconformidade e, no caso, tal dado é absolutamente irrelevante, haja vista não haver débito a ser compensado e, por reflexo, o crédito informado não se presta à compensação de débito inexistente. 2 Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, julgado na sessão de 06/02/2020. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Livia De Carli Germano, Edeli Pereira Bessa, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Viviane Vidal Wagner, Junia Roberta Gouveia Sampaio, José Eduardo Dornelas Souza e Andréa Duek Simantob Fl. 259DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-005.447 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15374.920010/2008-58 Contudo, possivelmente em razão da ênfase da defesa em torno da demonstração de inexistência do débito compensado, o Colegiado a quo, negou conhecimento ao recurso voluntário sob os seguintes fundamentos: Como se verifica, da simples leitura do relatório, trata-se de uma situação inusitada, para falar o mínimo, em que o recorrente apresentou manifestação de inconformidade, para requerer o cancelamento do PER/DCOMP e a desconstituição do débito tributário por ele mesmo confessado, sendo que, ao não ser atendido no seu pleito, agora apresenta recurso voluntário para devolver a matéria a este Colegiado. O objeto dos presentes autos é o pedido de compensação apresentado pela recorrente, por meio da PerDcomp a fls. 2 e segs.. Dessa forma, a admissibilidade do recurso voluntário na espécie limita-se a verificar a existência do direito creditório alegado e, caso exista, o quanto do débito tributário confessado pela recorrente foi, por ele, compensado. Qualquer decisão além disso, desbordaria dos limites da competência regimental desta Turma, para julgar recurso em face de decisão não- homologatória de compensação e configuraria uma afronta ao requisito da adequação recursal. Não obstante o processo administrativo seja informado por certo informalismo, este não pode ser tão excessivo a ponto de afrontar o devido processo legal, nem, no presente caso, pode-se aplicar a fungibilidade recursal por se tratar de erro grosseiro de adequação. Por esse motivo, entendo que não pode agora a recorrente transmudar a natureza do contencioso inaugurado pela manifestação de inconformidade, para que essa Turma a conheça como impugnação ao débito confessado pela própria recorrente, matéria que estaria sendo devolvida, pelo recurso voluntário, a este Colegiado. Por último, se revisão de ofício couber acerca do débito tributário confessado pela recorrente, esta será de competência da Autoridade Tributária, competente para expedir o aviso de cobrança. Em face do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. No exame da legislação de regência, porém, não se identificam os limites ao contencioso administrativo acima fixados. Dispõe a Lei nº 9.430, de 1996, na redação à época da instauração do presente litígio: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pela sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 260DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 9101-005.447 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15374.920010/2008-58 I - o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II - os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III - os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IV - o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal - SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V - o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI - o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal - SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pela sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não-homologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 261DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 9101-005.447 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15374.920010/2008-58 [...] § 13. O disposto nos §§ 2o e 5o a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] (negrejou-se) As alterações promovidas a partir da edição da Medida Provisória nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002, prestaram-se a conferir caráter extintivo à DCOMP, impedindo a exigência de débitos nela informados antes de desconstituída a compensação mediante a edição de ato de não-homologação ou de não-declaração da DCOMP. De outro lado, também atribuíram a esta declaração o caráter de confissão de dívida relativamente aos débitos compensados. Ou seja, por meio da DCOMP o sujeito passivo não só afirma a existência de um direito creditório passível de compensação, como também confessa crédito tributário que, concomitantemente, extingue com a compensação declarada. O ato de não-homologação, por sua vez, também é complexo, declarando a inexistência total ou parcial do direito creditório, ou mesmo a existência do direito creditório, mas sempre restabelecendo a exigibilidade total ou parcial do débito compensado, tendo como decorrência a cobrança do valor a descoberto e a sua eventual inscrição em Dívida Ativa da União, na forma do art. 74, §7º da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003. Do ponto de vista acusatório, o questionamento administrativo, em regra, se prenderá a aspectos do direito creditório informado na DCOMP, ou a critérios para sua atualização e imputação, muito embora seja também possível negar homologação à compensação se indicado débito vedado pela legislação 3 . Contudo, fato é que o ato de não-homologação não só nega a existência, suficiência ou disponibilidade do crédito informado para 3 Lei nº 9.430, de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pela sujeito passivo, da declaração referida no § 1º:(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) [...] II - os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III - os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IV - o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal - SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V - o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; (Redação dada pela Lei nº 13.670, de 2018) [...] VIII - os valores de quotas de salário-família e salário-maternidade; e (Redação dada pela Lei nº 13.670, de 2018) IX - os débitos relativos ao recolhimento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurados na forma do art. 2º desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 13.670, de 2018) Fl. 262DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 9101-005.447 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15374.920010/2008-58 liquidação dos débitos compensados, mas também afirma a exigibilidade dos débitos remanescentes, confessados pelo sujeito passivo. E, diante deste ato multifacetado, o art. 74, §9º da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, permite, genericamente, que o sujeito passivo apresente manifestação de inconformidade para contestar a “não-homologação da compensação”, sem restringir este litígio à definição do direito creditório, ou excluir a discussão quanto à exigibilidade do débito compensado. Na sequência, o §11 do mesmo dispositivo confere suspensão de exigibilidade ao débito objeto da compensação, sem demandar, para tanto, contornos específicos dos recursos administrativos. Regulamentando o processo administrativo sobre matérias de competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, o Decreto nº 7.574, de 2011, nada inovou: Art. 119. É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no art. 110, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação (Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 9º , incluído pela Lei nº 10.833, de 2003, art. 17). § 1º Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 10, incluído pela Lei nº 10.833, de 2003, art. 17; Decreto nº 70.235, de 1972, art. 25, inciso II, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, art. 25). § 2º A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 1º obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972 (Título II deste Regulamento), e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação (Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 11, incluído pela Lei nº 10.833, de 2003, art. 17). A autoridade julgadora de 1ª instância argumenta que: As alterações pretendidas não podem ser entendidas como mero erro de preenchimento. O interessado introduz matéria nova e que, assim, não pode ser conhecida neste momento processual. A retificação da Declaração de Compensação somente pode ser admitida antes do Despacho Decisório que não homologou a compensação (art. 57 da IN n° 600/2005). Eventual pedido de retificação ou cancelamento do PER/DCOMP não pode ser apreciado neste momento processual, no qual já foi denegada a compensação. Tal análise não se insere no rol de competências das Delegacias de Julgamento. De fato, a Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, assim dispunha à época da edição do ato de não-homologação em debate: Retificação de Pedido de Restituição, de Pedido de Ressarcimento e de Declaração de Compensação Art. 56. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de documento retificador gerado a partir do referido Programa. Parágrafo único. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação apresentados em formulário Fl. 263DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 9101-005.447 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15374.920010/2008-58 (papel), nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da SRF. Art. 57. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 58 e 59. Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 59. Art. 59. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação. Art. 60. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 29 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. Art. 61. A retificação da Declaração de Compensação não altera a data de valoração prevista no art. 28, que permanecerá sendo a data da apresentação da Declaração de Compensação original. Desistência de Pedido de Restituição, de Pedido de Ressarcimento e de Compensação Art. 62. A desistência do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF do Pedido de Cancelamento gerado a partir do Programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário (papel), mediante a apresentação de requerimento à SRF, o qual somente será deferido caso o Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do Pedido de Cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. (negrejou- se) Contudo, referido ato normativo apenas estabelece limites para a retificação ou cancelamento da DCOMP por ação exclusiva do sujeito passivo, inclusive no que se refere ao cômputo tardio de débitos originalmente não compensados. Em momento algum afirma irretratável a confissão veiculada na declaração depois de expedido o despacho decisório ou intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação, caso a pretensão seja de cancelamento da DCOMP. Significa dizer que a retificação espontânea da DCOMP somente é possível enquanto a declaração se encontra pendente de decisão administrativa, e se não destinada à inclusão de débito antes não compensado, e que o pedido de cancelamento somente pode ser Fl. 264DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 9101-005.447 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15374.920010/2008-58 deferido se ainda não intimado o sujeito passivo acerca da compensação. Ultrapassados estes marcos temporais, e concluindo-se pela não-homologação ou não-declaração da DCOMP, as alterações da compensação declarada deverão ser veiculadas por meio dos recursos administrativos previstos contra aqueles atos administrativos e avaliadas pelas autoridades competentes para seu julgamento. No mesmo sentido, embora com alguns aperfeiçoamentos, são as orientações atualmente vigentes acerca de retificação ou cancelamento de DCOMP, nos termos da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 2017: DA RETIFICAÇÃO E DO CANCELAMENTO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, DO PEDIDO DE RESSARCIMENTO, DO PEDIDO DE REEMBOLSO E DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Art. 106. A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da declaração de compensação gerados por meio do programa PER/DCOMP deverá ser requerida, pelo sujeito passivo, mediante documento retificador gerado por meio do referido programa. Parágrafo único. A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da declaração de compensação apresentados em formulário, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida, pelo sujeito passivo, mediante formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento, de reembolso ou de compensação para posterior exame pelo Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil. Art. 107. O pedido de restituição, o pedido de ressarcimento ou o pedido de reembolso e a declaração de compensação poderão ser retificados pelo sujeito passivo somente na hipótese de se encontrarem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Parágrafo único. A retificação não será admitida quando formalizada depois da intimação para apresentação de documentos comprobatórios. Art. 108. A retificação da declaração de compensação gerada por meio do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário será admitida somente na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento. Art. 109. A retificação da declaração de compensação gerada por meio do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário não será admitida quando tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da declaração de compensação à RFB. § 1º Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à RFB nova declaração de compensação. § 2º Para verificação de inclusão de novo débito ou aumento do valor do débito compensado, as informações da declaração de compensação retificadora serão comparadas com as informações prestadas na declaração de compensação original. § 3º As restrições previstas no caput não se aplicam nas hipóteses em que a declaração de compensação retificadora for apresentada à RFB: I - no mesmo dia da apresentação da declaração de compensação original; ou II - até a data de vencimento do débito informado na declaração retificadora, desde que o período de apuração do débito esteja encerrado na data de apresentação da declaração original. Fl. 265DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 9101-005.447 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15374.920010/2008-58 Art. 110. Admitida a retificação da declaração de compensação, o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 73 será a data da apresentação da declaração de compensação retificadora. Art. 111. A retificação da declaração de compensação não altera a data de valoração prevista no art. 70, que permanecerá sendo a data da apresentação da declaração de compensação original. Art. 112. O cancelamento do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da declaração de compensação poderá ser requerido, pelo sujeito passivo, mediante pedido de cancelamento gerado por meio do programa PER/DCOMP. Parágrafo único. O cancelamento do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da declaração de compensação apresentados em formulário, nas hipóteses em que admitido, deverá ser solicitado, pelo sujeito passivo, mediante requerimento, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento, de reembolso ou de compensação para posterior exame pelo Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil. Art. 113. O pedido de restituição, o pedido de ressarcimento ou o pedido de reembolso e a declaração de compensação poderão ser cancelados pelo sujeito passivo somente na hipótese de se encontrarem pendentes de decisão administrativa à data do envio do pedido de cancelamento. Parágrafo único. O cancelamento não será admitido quando formalizado depois da intimação para apresentação de documentos comprobatórios. Art. 114. A retificação ou o cancelamento da declaração de compensação também não serão admitidos quando formalizados depois do prazo de homologação tácita da compensação. Art. 115. Considera-se pendente de decisão administrativa, para fins do disposto neste Capítulo, a declaração de compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento ou o pedido de reembolso, em relação ao qual o sujeito passivo ainda não tenha sido intimado do despacho decisório proferido pelo Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil competente para decidir sobre a compensação, a restituição, o ressarcimento ou o reembolso. (negrejou-se) Isto porque, como a legislação prevê punições na hipótese de abuso de forma ou fraude na apresentação de DCOMP 4 , os parâmetros de espontaneidade presentes no Decreto nº 4 Lei nº 9.430, de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) (Revogado pela Medida Provisória nº 656, de 2014) § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pela sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) (Revogado pela Medida Provisória nº 656, de 2014) § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pela sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) [...] Lei nº 10.833, de 2003: Fl. 266DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 9101-005.447 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15374.920010/2008-58 70.235/72 5 e no CTN 6 foram incorporados ao ato normativo para excluir a possibilidade de o sujeito passivo desconstituir a infração depois de iniciado o procedimento fiscal para sua verificação. Assim, são ineficazes, para fins de exclusão da responsabilidade por infrações, as condutas de retificar ou cancelar a DCOMP depois de o sujeito passivo ter sido intimado para apresentação de documentos comprobatórios da restituição, ressarcimento ou reembolso pleiteados, bem como da compensação declarada. Isso não significa, porém, que um débito compensado, mesmo se inexistente, será cobrado apenas porque o sujeito passivo não pleiteou o cancelamento da DCOMP antes de ser intimado para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. A legislação somente impede a exclusão da penalidade prevista para a inobservância das vedações à apresentação de DCOMP, mas o tributo permanece sendo obrigação decorrente de lei, e dependente da ocorrência do fato gerador e da sua regular constituição, para ser exigível 7 . E esta exigibilidade pode e deve ser avaliada no Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada em razão de não-homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplica-se ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando-se o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 5º Aplica-se o disposto no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 6º O disposto neste artigo aplica-se, inclusive, à compensação de que trata o inciso I do caput do art. 26-A da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007. (Incluído pela Lei nº 13.670, de 2018) 5 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I - o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; [...] § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. 6 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 7 CTN (Lei nº 5.172, de 1966): Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. [...] Fl. 267DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 9101-005.447 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15374.920010/2008-58 contencioso administrativo especializado quando há recurso administrativo previsto em lei contra o ato do qual resulta sua exigibilidade, e o recurso foi regularmente aviado pelo sujeito passivo. Entender de forma diversa, no sentido de não ser possível a discussão quanto à existência do débito compensado no âmbito do litígio em torno do ato de não-homologação da compensação, conduziria não só à conclusão de que deveriam ser analisados os argumentos do sujeito passivo acerca da existência do direito creditório, como também resultaria na situação de, caso revertida a não-homologação, surgir, potencialmente, um indébito pela liquidação, por compensação, de um débito inexistente, remetendo o sujeito passivo à inauguração de um novo procedimento para recuperação deste crédito, em clara afronta aos princípios da razoabilidade e da eficiência administrativa. É certo que os instrumentos processuais podem ser manejados pelo sujeito passivo para alcançar vantagens indevidas. A alegação de inexistência ou excesso de débito compensado, poderia ser veiculada, por exemplo, em momento no qual a desconstituição do valor confessado não mais pudesse ser revertida, ou mesmo verificada a sua apuração, em razão do decurso do prazo decadencial, dado este ter o fato gerador do tributo como referencial para definição do seu termo inicial, enquanto o prazo para não-homologação da compensação é definido a partir da data de apresentação ou retificação da DCOMP, e a compensação pode ser declarada anos depois da ocorrência do fato gerador do débito compensado. Todavia, estas circunstâncias devem ser aferidas e enfrentadas em cada caso concreto 8 , e não podem ser invocadas para excluir pleitos que podem ser legítimos, negando-se qualquer possibilidade de discussão administrativa acerca do débito compensado. Em suma, se a exigibilidade do débito compensado é afirmada no ato de não- homologação, e o sujeito passivo tem a possibilidade de questionar administrativamente este ato segundo o rito do Decreto nº 70.235, de 1972, as autoridades julgadoras integrantes do contencioso administrativo especializado são competentes para apreciar todos os argumentos do sujeito passivo contra a exigência do débito compensado, quer eles se refiram à existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório utilizado em DCOMP, quer eles se refiram à inexistência ou excesso do débito compensado. Observe-se, porém, que a Contribuinte pleiteia o conhecimento e declaração de procedência de seu recurso especial, mediante reforma do v. acórdão recorrido, para reconhecer a inexistência do débito referente ao IRPJ, relativo ao período de Janeiro/2004, determinando o seu cancelamento, ou, subsidiariamente, para que seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido e determinada a remessa dos autos à apreciação do mérito da defesa e se manifeste, conclusivamente, após a conversão do feito em diligência, se necessário for, sobre a liquidez e certeza do suposto débito. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 8 A título de exemplo, a Instrução Normativa RFB nº 1.599, de 2015, díspõe que o direito de o sujeito passivo pleitear a retificação da DCTF extingue-se em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração. Fl. 268DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 9101-005.447 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15374.920010/2008-58 Ausente manifestação das instâncias administrativas precedentes acerca das alegações da Contribuinte de inexistência do débito compensado, não é possível, nesta instância especial, decidir esta questão. De outro lado, a declaração de nulidade do acórdão recorrido ensejaria o retorno dos autos do Colegiado a quo para nova apreciação do recurso voluntário, com a possibilidade de renovação da mesma decisão ora questionada. Assim, solucionando o dissídio jurisprudencial suscitado, o acórdão recorrido deve ser reformado em suas premissas de decisão, com o consequente retorno dos autos para manifestação acerca do mérito da defesa, não só em relação à inexistência do débito compensado, como também, caso esta alegação não se confirme, quanto às justificativas apresentadas pela Contribuinte acerca da não localização do DARF que originara o indébito compensado. Contudo, considerando que o Colegiado a quo endossou a negativa de competência antes deduzida pela autoridade julgadora de 1ª instância, a esta devem ser remetidos os autos para a apreciação das alegações da Contribuinte. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso especial, com retorno dos autos à DRJ de origem. Conforme se observa, no precedente citado, este colegiado determinou o retorno dos autos à DRJ para exame das alegações do contribuinte, já manejadas em sede Manifestação de Inconformidade, quanto ao cancelamento da DComp. No caso concreto, contudo, embora a turma julgadora de primeira instância também não tenha analisado o pedido do contribuinte em face de suposta incompetência para tanto, o colegiado a quo conheceu do recurso e deu-lhe provimento parcial com retorno dos autos à unidade de origem para análise do pedido de cancelamento da DComp. No caso concreto, contudo, a PGFN somente se limitou, tanto em sede de conhecimento quanto do mérito do seu Recurso Especial, a questionar a competência da turma ordinária para conhecer do Recurso Voluntário no que diz respeito à análise do débito declarado em DComp (com pedido de restabelecimento da decisão de primeira instância). Desse modo, além de a matéria não ter sido devolvida a este colegiado, não havendo questionamento quanto à extensão dessa análise de mérito, tampouco quanto ao alcance do retorno dos autos (à DRJ ou à unidade de origem), concluo que cumpre a esse colegiado tão somente negar provimento ao Apelo fazendário. 3 CONCLUSÃO Isso posto, voto por CONHECER do Recurso Especial e, no mérito, por NEGAR- LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 269DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 9101-005.447 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15374.920010/2008-58 Declaração de Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Divergi do I. Relator, para negar conhecimento ao recurso especial da PGFN, sob a premissa de que os acórdãos comparados são convergentes. A PGFN contesta o acórdão recorrido (1402-004.118) na parte que deu provimento parcial ao recurso voluntário para apartar dos presentes autos o pedido de cancelamento do PER/DCOMP n° 21961.103007.260304.1.3.02-7431 encaminhando-o à unidade de jurisdição da RFB para apreciação. Apresenta, para tanto, os paradigmas nº 3401- 002.133 e 1302-001.613, que negaram conhecimento ao recurso voluntário em circunstâncias semelhantes. No exame de admissibilidade concluiu-se pela existência do dissídio jurisprudencial porque, enquanto a decisão recorrida entendeu por dar provimento parcial ao recurso voluntário para apartar dos presentes autos o pedido de cancelamento do PER/DCOMP n° 21961.103007.260304.1.3.02-7431 encaminhando-o à unidade de jurisdição da RFB para apreciação, os acórdãos paradigmas apontados (Acórdãos nºs 3401-002.133, de 2013, 1302- 001.613, de 2015) decidiram, de modo diametralmente oposto, por não conhecer do Recurso Voluntário apresentado pela Contribuinte (primeiro acórdão paradigma) e por não conhecer do recurso voluntário (segundo acórdão paradigma). Ocorre que o provimento parcial do recurso voluntário se pautou na mesma premissa dos paradigmas: ausência de atribuição para decidir sobre o pedido de cancelamento do PER/DCOMP. Nos três casos referidos, o sujeito passivo pretendia o cancelamento da DCOMP não homologada, para obstar a cobrança do débito indevidamente compensado. No recorrido, invocando os art. 212 e 285, inciso IV, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 125/2009, e também o art. 7º do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, o Colegiado a quo negou sua competência para apreciar o pedido e determinou a sua apartação dos autos para encaminhamento à unidade de jurisdição da RFB para apreciação. Já o paradigma nº 3401- 002.133, também afirmando a incompetência dos Colegiados do CARF para apreciarem tal pedido, e reportando o mesmo art. 285, VI do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, expressa a conclusão de que o recurso voluntário não é a melhor forma para a realização deste pedido de cancelamento, deixando de conhecê-lo. Por sua vez, o paradigma nº 1302-001.613 limitou a competência do Colegiado do CARF à análise do direito creditório alegado, sem adentrar ao débito que fora confessado, também negando conhecimento ao recurso voluntário. Diante deste cenário, a PGFN afirma a incompetência referida nos três julgados, porque o reconhecimento do indébito tributário deve ser o fundamento fático e jurídico de Fl. 270DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 9101-005.447 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15374.920010/2008-58 qualquer declaração de compensação, e pede que seja conhecido e provido o recurso especial para que seja negado conhecimento para esta parte do recurso voluntário. Veja-se que a PGFN não desenvolve argumentos recursais para desconstituir a fórmula adotada no acórdão recorrido para implementar, nestes autos, o que ela defende: a incompetência dos Colegiado do CARF para apreciar questionamentos acerca do débito confessado em compensação. Em sua petição, para além das referências dos paradigmas que afirmam esta incompetência, a PGFN somente adiciona argumentos no sentido de não haver lide, dado que o reconhecimento do indébito tributário deve ser o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. Nada diz acerca da eventual impropriedade ao se reconhecer esta limitação à lide mediante provimento parcial ao recurso voluntário com apartação do pedido de cancelamento de débito para apreciação da unidade de jurisdição da RFB. Disto se conclui que no ponto questionado pela PGFN os acórdãos comparados são convergentes e o provimento do recurso especial não lhe teria qualquer utilidade. De outro lado, admitir que a matéria devolvida seria a possibilidade de os Colegiados do CARF apreciarem pedidos de cancelamento de débito confessado em DCOMP poderia ensejar a adoção de premissas diferentes do acórdão recorrido e resultar, inclusive, em reformatio in pejus. Assim, está correto o I. Relator quando observa que esta matéria não foi devolvida a este Colegiado. Mas disto não resulta a negativa de provimento ao recurso fazendário, e sim o seu não conhecimento, já que o único ponto de divergência entre os acórdãos comparados, que é a fórmula adotada para negar competência de apreciação dos pedidos de cancelamento, não foi debatida no recurso fazendário. Estas as razões, portanto, para NEGAR CONHECIMENTO ao recurso especial da PGFN. Vencida neste ponto, e compreendendo o litígio apenas quanto à competência do Colegiado do CARF para apreciação de recurso voluntário que tenha por objeto a retificação ou cancelamento de débito incorretamente informado em DCOMP, afirmo esta competência nos termos do citado voto que proferi, condutor do Acórdão nº 9101-004.767, mas excluindo as referências ali feitas ao alcance desta competência, que não foi questionado pela PGFN nestes autos. De fato, apenas a Contribuinte teria interesse processual em pretender que o Colegiado a quo apreciasse o mérito da retificação apontada em seu recurso voluntário mas, diversamente do verificado nos autos do processo administrativo em que proferido o mencionado precedente, nestes autos ela não interpôs recurso especial. Daí porque deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN. (documento assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Fl. 271DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10840.001011/2007-53
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003 DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. GANHOS DE CAPITAL. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO
PRAZO. A tributação das pessoas físicas fica sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do ano-calendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação, o mesmo se aplica aos ganhos de capital e imposto de renda retido na fonte. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados do fato gerador, que no caso do imposto de renda pessoa física ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário questionadoe que, nos casos de ganhos de capital e imposto de renda retido na fonte, ocorre no mês da alienação do bem e/ou direito ou pagamento do rendimento. Entretanto, na inexistência de pagamento antecipado ou nos casos em que for caracterizado o evidente intuito de fraude, a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em conformidade com o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Somente ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. REQUISITOS PARA DEDUÇÃO.
As despesas médicas, assim como todas as demais deduções, dizem respeito à base de cálculo do imposto que, à luz do disposto no art. 97, IV, do Código Tributário Nacional, está sob reserva de lei em sentido formal. Assim, a intenção do legislador foi permitir a dedução de despesas com a manutenção da saúde humana, podendo a autoridade fiscal perquirir se os serviços efetivamente foram prestados ao declarante ou a seus dependentes, rejeitando de pronto àqueles que não identificam o pagador, os serviços prestados ou não identificam na forma da lei os prestadores de serviços ou quando esses não sejam habilitados. Desta forma, a apresentação de recibos, emitidos de acordo com a legislação de regência faz prova efetiva a favor do contribuinte, e para desqualificálos é necessário que a autoridade fiscal indique a existência de algum vicio. Por outro lado, a simples indicação na Declaração de Ajuste Anual de despesas médicas, por si só, não autoriza a sua dedução, mormente quando o contribuinte, sob procedimento fiscal, apresenta recibos médicos, cujos serviços foram prestados para os filhos que não são mais dependentes da declarante para fins de imposto de renda. DEPENDENTES. FILHOS COM RENDIMENTOS PRÓPRIOS. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL EM NOME PRÓPRIO. Os filhos que possuem os requisitos para serem considerados dependentes e que recebam rendimentos próprios somente poderão ser incluídos nessa condição se forem somados seus rendimentos aos dos pais na Declaração de Ajuste Anual destes. A apresentação de Declaração de Ajuste Anual em separado pelos filhos exclui, automaticamente, a possibilidade de figurar como dependentes na Declaração de Ajuste Anual dos pais. INFORMAÇÃO E COMPROVAÇÃO DOS DADOS CONSTANTES DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEVER DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA DOS DADOS INFORMADOS. DEVER DA AUTORIDADE FISCAL. É dever do contribuinte informar e, se for o caso, comprovar os dados nos campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado, por outro lado, cabe a autoridade fiscal o dever da conferência destes dados. Assim, na ausência de comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, das deduções realizadas na base de cálculo do imposto de renda, é dever da autoridade fiscal efetuar a sua glosa. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Argüição de decadência não acolhida. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-001.704
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitara arguição de decadência suscitada pela Recorrente e, no mérito,
dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a título de dedução de despesas médicas o valor de R$ 18.300,00, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Nelson Mallmann
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
numero_processo_s : 10840.001011/2007-53
conteudo_id_s : 6167808
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2202-001.704
nome_arquivo_s : Decisao_10840001011200753.pdf
nome_relator_s : Nelson Mallmann
nome_arquivo_pdf_s : 10840001011200753_6167808.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitara arguição de decadência suscitada pela Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a título de dedução de despesas médicas o valor de R$ 18.300,00, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
id : 8175014
ano_sessao_s : 2012
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. GANHOS DE CAPITAL. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO. A tributação das pessoas físicas fica sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do ano-calendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação, o mesmo se aplica aos ganhos de capital e imposto de renda retido na fonte. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados do fato gerador, que no caso do imposto de renda pessoa física ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário questionadoe que, nos casos de ganhos de capital e imposto de renda retido na fonte, ocorre no mês da alienação do bem e/ou direito ou pagamento do rendimento. Entretanto, na inexistência de pagamento antecipado ou nos casos em que for caracterizado o evidente intuito de fraude, a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em conformidade com o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Somente ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. REQUISITOS PARA DEDUÇÃO. As despesas médicas, assim como todas as demais deduções, dizem respeito à base de cálculo do imposto que, à luz do disposto no art. 97, IV, do Código Tributário Nacional, está sob reserva de lei em sentido formal. Assim, a intenção do legislador foi permitir a dedução de despesas com a manutenção da saúde humana, podendo a autoridade fiscal perquirir se os serviços efetivamente foram prestados ao declarante ou a seus dependentes, rejeitando de pronto àqueles que não identificam o pagador, os serviços prestados ou não identificam na forma da lei os prestadores de serviços ou quando esses não sejam habilitados. Desta forma, a apresentação de recibos, emitidos de acordo com a legislação de regência faz prova efetiva a favor do contribuinte, e para desqualificálos é necessário que a autoridade fiscal indique a existência de algum vicio. Por outro lado, a simples indicação na Declaração de Ajuste Anual de despesas médicas, por si só, não autoriza a sua dedução, mormente quando o contribuinte, sob procedimento fiscal, apresenta recibos médicos, cujos serviços foram prestados para os filhos que não são mais dependentes da declarante para fins de imposto de renda. DEPENDENTES. FILHOS COM RENDIMENTOS PRÓPRIOS. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL EM NOME PRÓPRIO. Os filhos que possuem os requisitos para serem considerados dependentes e que recebam rendimentos próprios somente poderão ser incluídos nessa condição se forem somados seus rendimentos aos dos pais na Declaração de Ajuste Anual destes. A apresentação de Declaração de Ajuste Anual em separado pelos filhos exclui, automaticamente, a possibilidade de figurar como dependentes na Declaração de Ajuste Anual dos pais. INFORMAÇÃO E COMPROVAÇÃO DOS DADOS CONSTANTES DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEVER DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA DOS DADOS INFORMADOS. DEVER DA AUTORIDADE FISCAL. É dever do contribuinte informar e, se for o caso, comprovar os dados nos campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado, por outro lado, cabe a autoridade fiscal o dever da conferência destes dados. Assim, na ausência de comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, das deduções realizadas na base de cálculo do imposto de renda, é dever da autoridade fiscal efetuar a sua glosa. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Argüição de decadência não acolhida. Recurso parcialmente provido.
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:16:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076937081585664
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2376; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.001011/200753 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 220201.704 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2012 Matéria IRPF Recorrente MARIA TEREZA DE ANDRADE SICHIERI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. GANHOS DE CAPITAL. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO. A tributação das pessoas físicas fica sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do anocalendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação, o mesmo se aplica aos ganhos de capital e imposto de renda retido na fonte. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados do fato gerador, que no caso do imposto de renda pessoa física ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário questionado e que, nos casos de ganhos de capital e imposto de renda retido na fonte, ocorre no mês da alienação do bem e/ou direito ou pagamento do rendimento. Entretanto, na inexistência de pagamento antecipado ou nos casos em que for caracterizado o evidente intuito de fraude, a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em conformidade com o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Somente ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. REQUISITOS PARA DEDUÇÃO. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN 2 As despesas médicas, assim como todas as demais deduções, dizem respeito à base de cálculo do imposto que, à luz do disposto no art. 97, IV, do Código Tributário Nacional, está sob reserva de lei em sentido formal. Assim, a intenção do legislador foi permitir a dedução de despesas com a manutenção da saúde humana, podendo a autoridade fiscal perquirir se os serviços efetivamente foram prestados ao declarante ou a seus dependentes, rejeitando de pronto àqueles que não identificam o pagador, os serviços prestados ou não identificam na forma da lei os prestadores de serviços ou quando esses não sejam habilitados. Desta forma, a apresentação de recibos, emitidos de acordo com a legislação de regência faz prova efetiva a favor do contribuinte, e para desqualificálos é necessário que a autoridade fiscal indique a existência de algum vicio. Por outro lado, a simples indicação na Declaração de Ajuste Anual de despesas médicas, por si só, não autoriza a sua dedução, mormente quando o contribuinte, sob procedimento fiscal, apresenta recibos médicos, cujos serviços foram prestados para os filhos que não são mais dependentes da declarante para fins de imposto de renda. DEPENDENTES. FILHOS COM RENDIMENTOS PRÓPRIOS. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL EM NOME PRÓPRIO. Os filhos que possuem os requisitos para serem considerados dependentes e que recebam rendimentos próprios somente poderão ser incluídos nessa condição se forem somados seus rendimentos aos dos pais na Declaração de Ajuste Anual destes. A apresentação de Declaração de Ajuste Anual em separado pelos filhos exclui, automaticamente, a possibilidade de figurar como dependentes na Declaração de Ajuste Anual dos pais. INFORMAÇÃO E COMPROVAÇÃO DOS DADOS CONSTANTES DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEVER DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA DOS DADOS INFORMADOS. DEVER DA AUTORIDADE FISCAL. É dever do contribuinte informar e, se for o caso, comprovar os dados nos campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado, por outro lado, cabe a autoridade fiscal o dever da conferência destes dados. Assim, na ausência de comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, das deduções realizadas na base de cálculo do imposto de renda, é dever da autoridade fiscal efetuar a sua glosa. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Fl. 380DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10840.001011/200753 Acórdão n.º 220201.704 S2C2T2 Fl. 2 3 Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Argüição de decadência não acolhida. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência suscitada pela Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a título de dedução de despesas médicas o valor de R$ 18.300,00, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN 4 Relatório MARIA TEREZA DE ANDRADE SICHIERI, contribuinte inscrita no CPF/MF 159.930.68833, com domicílio fiscal na cidade de Ribeirão Preto, Estado de São Paulo, à Rua Adolfo Serra, nº 1725, casa 3, Bairro Jardim Irajá, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto SP, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 43/50, prolatada pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP II, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 54/82. Contra a contribuinte acima mencionada foi lavrado, em 25/01/2007, Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 31/36), com ciência através de AR, em 09/05/2007 (fls. 41), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 21.933,80 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda, relativo ao exercício de 2003, correspondente ao anocalendário de 2002 A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2003 onde a autoridade lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: 1 CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL: Dedução indevida a titulo de contribuição à Previdência Oficial. Valor alterado conforme extrato de pagamento da DATAPREV. Observamos que a tributação do imposto de renda é pelo regime de caixa, portanto, foram considerados os pagamentos efetuados no ano calendário de 2.002. Infração capitulada no artigo 8º, inciso II, alínea 'a', da Lei nº 9.250, de 1995. 2 CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI: Dedução indevida a titulo de contribuição à Previdência Privada e Fapi. Valor alterado conforme abaixo: (1) ITAÚ PREV. SEG. SA. glosado despesas em nome de não dependente (Ana Carolina). Infração capitulada no artigo 8º, inciso II, alínea 'e', da Lei nº 9.250, de 1995. 3 – DEPENDENTES: Dedução Indevida com dependente(s). Valor glosado conforme abaixo: (1) Luiz Fernando de Andrade Sichieri glosado da dependência porque mesmo apresentou, em 28/04/2003, Declaração de Ajuste do Exercício de 2003; (2) Ana Carolina de Andrade Sichieri glosada da dependência porque a mesmo apresentou, em 28/04/2003, Declaração de Ajuste do Exercício de 2003. Infração capitulada no artigo 8º, inciso II, alínea 'c', da Lei nº 9.250, de 1995. 4 DESPESAS COM INSTRUÇÃO: Dedução indevida a titulo de despesa com instrução. Valor glosado despesas com não dependentes (Luiz Fernando e Ana Carolina). Infração capitulada no artigo 8º, inciso II, alínea 'b', e § 3 da Lei nº 9.250, 1995. 5 DESPESAS MÉDICAS: Dedução indevida a titulo de despesas médicas. Valor alterado conforme abaixo: (1) Regis Vianna, no valor de R$ 1.800,00 glosado despesas com não dependente (Luiz Fernando) e também porque não comprovou o efetivo pagamento; (2) Heloisa Helena Ferreira da Rosa, no valor de R$ 1.440,00 glosada despesas com não dependente (Ana Carolina) e também porque não comprovou o efetivo pagamento; (3) Márcia Fagundes, no valor de R$ 4.000,00 glosada despesas com não dependente (Ana Fl. 382DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10840.001011/200753 Acórdão n.º 220201.704 S2C2T2 Fl. 3 5 Carolina) e também porque não comprovou o efetivo pagamento; (4) Norival Zoppi, no valor de R$ 150,00 glosado despesas com não dependente (Ana Carolina); (5) José Bi Volpon, no valor de R$ 150,00 glosado despesas com não dependente (Ana Carolina); (6) Juçara Montandi, no valor de R$ 661,12 alterado para R$ 368,24, conforme demonstrativo de reembolso da Sul América. Foi glosado o valor de R$ 292,88 por ser despesas com não dependente (Ana Carolina); (7) Marcos Virgilio de Lazari, no valor de R$ 22.800,00 glosado por não comprovar o efetivo pagamento; observamos, também, que parte da despesa, no valor de R$ 4.500.00, não poderia ser aceita porque era despesa com não dependente (Luiz Fernando); (8) Regina Satuile Ogura, no valor de R$ 2.700,00 glosada despesas com não dependente (Ana Carolina) e também porque não comprovou o efetivo pagamento; (9) Flavia Campos Macedo, no valor de R$ 6.000,00 glosada despesas com não dependente (Ana Carolina) e também porque não comprovou o efetivo pagamento. Conforme reiterados acórdãos do primeiro Conselho de Contribuintes, para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do efetivo pagamento, ainda que os emitentes tenham confirmado o atendimento do contribuinte e de seus dependentes. A prova irrefutável da efetividade dos pagamentos seria possível mediante a apresentação de copias de cheques ou extratos bancários, nos quais constatasse os saques efetuados, coincidentes em datas e valores com os recibos apresentados. Se a comprovação é possível e o contribuinte não a faz, porque não pode ou porque não quer, é lícito concluir que tais operações não ocorreram de fato. Assim, como o contribuinte não apresentou comprovação inequívoca dos pagamentos correspondentes aos serviços prestados, é de se glosar o montante de R$ 38.740,00. Consignado como dedução a título de despesas médicas. Infração capitulada no artigo 8º, inciso II, alínea 'a', e §§ 2º e 3º, da Lei nº 9.250, de 1990. Em sua peça impugnatória de fls. 01/29, instruída pelo documento de fls. 30, apresentada, tempestivamente, em 06/06/2007, a contribuinte, se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que os tributos exigidos pela Fiscalização são daquelas exações cuja legislação determina ao contribuinte o dever de apurar o montante devido e efetivar o conseqüente recolhimento, sem prévio exame da autoridade administrativa. Vindo esta a tomar conhecimento do ato praticado pelo contribuinte, expressamente o homologa, consoante o que estabelece o artigo 150, do Código Tributário Nacional; que o § 4°, do mesmo artigo 150, do CTN, fixa em cinco anos o prazo de que dispõe a Fazenda Nacional para homologar o ato praticado pelo sujeito passivo da obrigação de natureza tributária, a contar da ocorrência do fato gerador, se outro termo não for fixado em lei; que, nesta linha de raciocínio, então, o prazo de cinco anos com que conta a Fazenda Nacional para efetuar o lançamento dos tributos ora exigidos, sob pena de, não o fazendo, decair o seu direito, é contado a partir da ocorrência de cada fato gerador; que, assim sendo, tendo sido efetuado, 31.12.2002, o lançamento por intermédio do Auto de Infração de fls., encontrase atingido pela decadência e todos os fatos geradores ocorridos anteriormente a dezembro de 2002, protestando o Impugnante pela extinção do alegado crédito fiscal; Fl. 383DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN 6 que, portanto, considerando a data da lavratura do Auto de Infração objeto do presente auto, não podem ser considerados devidos os valores referentes aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 31.12.2002, a teor do que dispõe o § 4°, do artigo 150, do CTN, o qual prevê que, expirado o prazo de 05 (cinco) anos contados a partir do fato gerador, considerase homologado o lançamento e extinto o crédito tributário; que o inciso III, do § 1°, do art. 80, do Regulamento do Imposto de Renda, o tratar da dedução na declaração de rendimentos, das despesas médicas, é de clareza meridiana ao assentar a possibilidade de tal procedimento; que, no presente caso, a Impugnante apresentou os comprovantes que demonstram, claramente, as despesas médicas e odontológicas efetuadas. Tudo foi realizado em total conformidade com os requisitos exigidos pelo Regulamento do Imposto de Renda, em seu art. 80. Todos os recibos cumprem os requisitos estampados no RIR. Tratase de fato inegável; que, deste modo, somente caberia a exigência de cheques ou extratos bancários para a comprovação das despesas médicas, no caso de não ser possível a prova, por documento, que preencha os requisitos estabelecidos no art. 80. O inciso III, § 1°, do art. 80, do RIR é claro: "... na falta de documentação"; que a legislação vigente, de plano, permite que sejam acrescentados na declaração de ajuste anual os dependentes. É o caso da Impugnante. Salta aos olhos o lançamento de oficio do crédito tributário efetuado pela autoridade administrativa, pois a declaração de ajuste anual está pautada pela legalidade, e, em nenhum momento, a Impugnante usou de atos ilícitos para garantir eventual abatimento no imposto sobre a renda; que como se verifica nos autos, os filhos são dependentes e, neste sentido, dá o direito da Impugnante de abater os valores correspondentes à despesas com instrução e despesas médicas; que na rara e improvável hipótese de serem superados os argumentos acima, a incidência da TAXA SELIC sobre o suposto débito apontado no auto também não encontra respaldo jurídico; que, por outra banda, a multa aplicada, no auto de infração, ofende aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade (art. 5°, inciso LIV) e da proibição do confisco (art. 150, inciso IV), previstos na Constituição Federal. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante a Oitava Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo – SP II conclui pela procedência da ação fiscal e pela manutenção do crédito tributário, com base nas seguintes considerações: que, de acordo com o que consta nos autos, a presente autuação foi lavrada em 26/01/2007. Por outro fado, o fato gerador data de 31/12/2002. Não poderia o fisco imputar mora ao contribuinte antes de vencido prazo para entrega de sua declaração de ajuste anual, no exercício 2003. Desta forma, ao processar a declaração, conforme descrito no campo próprio do Auto de Infração, fls. 31, verso, constatouse irregularidades discriminadas às fls. 32/33, que redundaram no lançamento de oficio de imposto suplementar; que no caso de lançamento de oficio a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é a estatuída pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciandose o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia Fl. 384DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10840.001011/200753 Acórdão n.º 220201.704 S2C2T2 Fl. 4 7 ter sido efetuado, portanto a contagem do prazo tem seu termo inicial em 01/01/2004. No entanto, a titulo de esclarecimento, ainda que se adotasse o prazo do artigo 150, § 4' do CTN, o marco inicial da contagem seria em 01/01/2003 concluindo em 31/12/2007. Afasto, portanto, a preliminar suscitada; que conforme se depreende dos dispositivos supracitados, todas as deduções estão sujeitas à comprovação, assim, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução no período assinalado, ao contribuinte cabe o ônus da demonstração inequívoca de que realmente efetuou o pagamento no valor pleiteado; que a contribuição previdenciária somente pode ser abatida em relação ao dispêndio efetuado no respectivo ano calendário. Nenhum documento foi apresentado pelo impugnante que demonstrasse o contrário; que em relação às despesas efetuadas com não dependentes nenhum documento também foi apresentado que demonstrasse o contrário. Acertadamente, desconsiderouse os dependentes assim declarados pelo contribuinte, embora alegue relação de parentesco de primeiro grau, pois foi verificado que houve declaração de ajuste em separado, desfazendo assim o direito à dedução, inclusive das despesas relacionadas a eles; que também apontou o fiscal que não foi comprovado o efetivo desembolso e ainda que o contribuinte pleiteou deduções de valores que lhe foram reembolsados. Por seu turno o impugnante traz extenso arrazoado de matéria de direito, sem, contudo, apresentar qualquer documento hábil a desfazer a convicção Fiscal para o lançamento; que, de nenhuma forma, há vedação legal para que se exija juros moratorios em percentual maior que 1%, devendo ser aplicado no presente caso o disposto no artigo 13 da Lei n° 9.065/1995 e §3° do artigo 61 da Lei n° 9.430/1996; que a cobrança de juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) para títulos federais, acumuladas mensalmente, foi fixada pela Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, artigo 13, portanto sua cobrança não é ilegal; que não há, como pretende o impugnante, utilização de tributo com efeito de confisco pela fiscalização, pois se trata de conduta vedada pela Constituição Federal. No caso em tela, se valeu o fisco de norma inibidora da desídia tributária, Art. 44, I, da Lei 9.430/91, em plena vigência no ordenamento jurídico brasileiro, que comina sanção multa de oficio à conduta que ofende a legislação do imposto de renda indicada nos autos; que uma vez positivada a norma, é dever da autoridade administrativa aplicála, não lhe competindo o exame da constitucionalidade das Leis, nem deixar de aplicá las, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal neste sentido; que a multa de 20%, do artigo 61, § 2° da Lei nº 9.430, de 1996, reivindicada pelo impugnante, referese à multa de mora para pagamentos em atraso, pagamentos espontâneos, não se confundindo com a multa decorrente do lançamento de oficio, sendo inaplicável ao caso presente. As ementas que consubstanciam a presente decisão são as seguintes: Fl. 385DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN 8 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento exi officio, a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é a estatuída pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciandose o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. GLOSA DE DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS. O direito às deduções de despesas médicas mediante recibos, quando exageradas, condicionase comprovação da efetividade dos serviços prestados, bem como dos correspondentes pagamentos a juízo da autoridade lançadora. Art. 73 do RIR/99. JUROS SELIC. Os juros calculados pela Taxa Selic são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento consoante previsão do § / 0 do artigo 161 do CTN, artigo 13 da Lei n.° 9.065/95 e artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 e Súmula n° 4 do 1° Conselho de Contribuintes. MULTA DE OFICIO E VEDAÇÃO AO CONFISCO. No lançamento de oficio a multa a ser aplicada é de 75% conforme estabelece a legislação. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade administrativa aplica1a, não lhe competindo o exame da constitucionalidade das Leis, nem deixar de aplicálas, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal neste sentido. Art. 44, I da Lei 9.430/96. Lançamento Procedente Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 01/06/2009, conforme Termo constante às fls. 51/52, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (30/06/2009), o recurso voluntário de fls. 54/82, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória. Na Sessão de Julgamento de 30 de novembro de 2010 a 2º TO da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF resolveu, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Repartição Origem tome as seguintes providências: 1 – Que a autoridade fiscal anexe aos autos toda e qualquer documentação referente ao procedimento fiscal realizado (ação fiscal realizada) e que, evidentemente, não conste dos autos, tais como: as intimações realizadas, respostas as intimações, recibos, Declaração de Ajuste Anual das partes envolvidas (contribuinte e dependentes com declaração em separado), documentos apresentados pela contribuinte, etc; 2 – Realização de intimações e diligências julgadas necessárias para formação de convencimento; Fl. 386DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10840.001011/200753 Acórdão n.º 220201.704 S2C2T2 Fl. 5 9 3 Que a autoridade fiscal se manifeste, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre os documentos e esclarecimentos prestados, dandose vista a recorrente, com prazo de 10 (vinte) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. Em 07 de novembro de 2011, em atendimento ao pedido da Resolução, foram juntados ao processos os documentos de fls. 91 a 184 É o Relatório. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN 10 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Da análise dos autos do processo se verifica que a ação fiscal em discussão teve início em razão da revisão da Declaração de Ajuste Anual relativa ao exercício de 2003, correspondente ao anocalendário de 2002, onde a autoridade fiscal revisora entendeu haver irregularidades nas deduções da base de cálculo do imposto de renda (despesas médicas, despesas com instrução, dedução de dependentes, dedução de previdência privada). Inconformada, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, a contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, apresenta a argüição de decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário relativo ao anocalendário de 2002, bem como apresenta razões de mérito sobre as deduções glosadas. Desta forma, a discussão neste colegiado se prende, tãosomente, na argüição de decadência e, no mérito, a discussão se restringe sobre o artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995, que prevê as possibilidades das deduções da base de cálculo do imposto de renda na pessoa física. De início, cumpre apreciar a questão da preliminar de decadência, relativo ao anocalendário de 2002 (período de janeiro a maio de 2002), levantada pela suplicante, sob o argumento de que o lançamento de imposto de renda das pessoas físicas é por homologação (§ 4º do art. 150 do CTN) e que nos casos de deduções da base de cálculo do imposto de renda pessoa física o fato gerador é mensal. Não posso acompanhar o entendimento da suplicante quanto à data ocorrência do fato gerador, pois entendo que o mesmo é anual e a data do fato gerador será sempre o último dia do exercício questionado, qual seja, 31 de dezembro do anocalendário em questão. Assim sendo, entendo que imposto lançado (IRPF), considerando a contagem do prazo decadencial na forma mais favorável a recorrente (sem a constatação da ocorrência do evidente intuito de fraude (multa qualificada) e considerando que houve pagamento antecipado de Imposto de Renda de Pessoa Física), não se encontrava alcançado pelo prazo decadencial na data da ciência do auto de infração (09/05/2007 – fls. 41), de acordo com as regras contidas nos artigos 150, § 4° e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. A decadência em matéria tributária consiste na inércia das autoridades fiscais, pelo prazo de cinco anos, para efetivar a constituição do crédito tributário, tendo por início da contagem do tempo o instante em que o direito nasce. Durante o qüinqüênio, qualquer atividade por parte do fisco em relação ao tributo faz com que o prazo volte ao estado original, ou seja, no caso de um tributo cujo prazo para sua decadência esteja para ocorrer faltando um dia, e ocorrendo o lançamento por parte do fisco, não há mais que se falar em decadência. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10840.001011/200753 Acórdão n.º 220201.704 S2C2T2 Fl. 6 11 Inércia em matéria tributária é a falta de iniciativa das autoridades fiscais em tomar uma atitude para reparar a lesão sofrida. Tal inércia, dia a dia, corrói o direito de agir, até que ele se perca – é a fluência do prazo decadencial. É de se esclarecer, que os fatos geradores das obrigações tributárias são classificados como instantâneos ou complexivos. O fato gerador instantâneo, como o próprio nome revela, dá nascimento à obrigação tributária pela ocorrência de um acontecimento, sendo este suficiente por si só (imposto de renda na fonte). Em contraposição, os fatos geradores complexivos são aqueles que se completam após o transcurso de um determinado período de tempo e abrangem um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Este conjunto de fatos se corporifica, depois de determinado lapso temporal, em um fato imponível. Exemplo clássico de tributo que se enquadra nesta classificação de fato gerador complexivo é o imposto de renda da pessoa física, apurado no ajuste anual. Aliás, a despeito da inovação introduzida pelo artigo 2° da Lei n° 7.713, de 1988, pelo qual se estipulou que “o imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem recebidos”, há que se ressaltar a relevância dos arts. 24 e 29 deste mesmo diploma legal e dos arts. 12 e 13 da Lei n° 8.383, de 1991 mantiveram o regime de tributação anual (fato gerador complexivo) para as pessoas físicas. Não há dúvidas, de que a base de cálculo da declaração de rendimentos abrange todos os rendimentos tributáveis recebidos durante o anocalendário diminuído das deduções pleiteadas. Não é sem razão que o § 2º do art. 2º do Decreto nº. 3.000, de 1999 – RIR/99, cuja base legal é o art. 2º da lei nº. 8.134, de 1990, dispõe que: “O imposto será devido mensalmente na medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 85”. O ajuste de que trata o artigo 85 do RIR/99 refere se à apuração anual do imposto de renda, da declaração de ajuste anual, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário. Em relação ao cômputo mensal do prazo decadencial, como dito, anteriormente, é de se observar que a Lei nº. 7.713, de 1988, instituiu, com relação ao imposto de renda das pessoas físicas, a tributação mensal à medida que os rendimentos forem auferidos. Contudo, embora devido mensalmente, quando o sujeito passivo deve apurar e recolher o imposto de renda, o seu fato gerador continuou sendo anual. Durante o decorrer do ano calendário o contribuinte antecipa, mediante a retenção na fonte ou por meio de pagamentos espontâneos e obrigatórios, o imposto que será apurado em definitivo quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual, nos termos, especialmente, dos artigos 9º e 11 da Lei nº. 8.134, de 1990. É nessa oportunidade que o fato gerador do imposto de renda estará concluído. Por ser do tipo complexivo, segundo a classificação doutrinária, o fato gerador do imposto de renda surge completo no último dia do exercício social. Só então o contribuinte pode realizar os devidos ajustes de sua situação de sujeito passivo, considerando os rendimentos auferidos, as despesas realizadas, as deduções legais por dependentes e outras, as antecipações feitas e, assim, realizar a Declaração de Imposto de Renda a ser submetida à homologação do Fisco. Ora, a base de cálculo da declaração de rendimentos abrange todos os rendimentos tributáveis recebidos durante o anocalendário. Desta forma, o fato gerador do Fl. 389DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN 12 imposto apurado relativamente aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual se perfaz em 31 de dezembro de cada ano. No caso em discussão, vale a pena traçar alguns comentários acerca do denominado lançamento por homologação, previsto no art. 150, caput, do Código Tributário Nacional, no qual o contribuinte auxilia ostensivamente a Fazenda Pública na atividade do lançamento, cabendo ao fisco realizálo de modo privativo, homologandoo, conferindo a sua exatidão. Verificase, que o grau de participação do particular nesta espécie de lançamento atinge nível de suficiência capaz de compor a pretensão tributária limitandose a autoridade administrativa competente tãosomente a uma atividade de controle a posteriori do procedimento de apuração exercido. No lançamento por homologação, o direito subjetivo da Fazenda Nacional em constituir créditos tributários decai em cinco anos a contar da ocorrência do fato imponível, nos termos do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. A jurisprudência pacificouse no sentido de que o prazo decadencial para Fazenda Pública constituir crédito tributário no lançamento por homologação é de 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Por outro lado, nos precisos termos do artigo 150 do Código Tributário Nacional, ocorre o lançamento por homologação quando a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, a qual, tomando conhecimento da atividade assim exercida, expressamente a homologa. Inexistindo essa homologação expressa, ocorrerá ela no prazo de 05(cinco) anos, a contar do fato gerador do tributo. Com outras palavras, no lançamento por homologação, o contribuinte apura o montante e efetua o recolhimento do tributo de forma definitiva, independentemente de ajustes posteriores. Ora, o próprio Código Tributário Nacional fixou períodos de tempo diferenciados para atividade da administração tributária. Se a regra era o lançamento por declaração, que pressupunha atividade prévia do sujeito ativo determinou o art. 173 do Código, que o prazo qüinqüenal teria início a partir “do dia primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, imaginando um tempo hábil para que as informações pudessem ser compulsadas e, com base nelas, a administração tributária preparasse o lançamento. Essa é a regra básica da decadência. De outra parte, sendo exceção o recolhimento antecipado, fixou o Código, também, regra excepcional de tempo para a prática dos atos da administração tributária, onde os mesmos cinco anos já não mais dependem de uma carência para o início da contagem, uma vez que não se exige a prática de atos administrativos prévios. Ocorrido o fato gerador, já nasce para o sujeito passivo à obrigação de apurar e liquidar o crédito tributário, sem qualquer participação do sujeito ativo que, de outra parte, já tem o direito de investigar a regularidade dos procedimentos adotados pelo sujeito passivo a cada fato gerador, independente de qualquer informação serlhe prestada. É o que está expresso no § 4º, do artigo 150, do Código Tributário Nacional. Nesta ordem, sempre refutei nos meus votos o argumento daqueles que entendem que só pode haver homologação se houver pagamento e, por conseqüência, como o lançamento efetuado pelo fisco decorre da falta de recolhimento de imposto de renda, o procedimento fiscal não mais estaria no campo da homologação, deslocandose para a Fl. 390DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10840.001011/200753 Acórdão n.º 220201.704 S2C2T2 Fl. 7 13 modalidade de lançamento de ofício, sempre sujeito à regra geral de decadência do art. 173 do Código Tributário Nacional. É fantasioso. Em primeiro lugar, porque não é isto que está escrito no caput do art. 150 do Código Tributário Nacional, cujo comando não pode ser sepultado na vala da conveniência interpretativa, porque, queiram ou não, o citado artigo define com todas as letras que “o lançamento por homologação (...) operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. O que é passível de ser ou não homologada é a atividade exercida pelo sujeito passivo, em todos os seus contornos legais, dos quais sobressaem os efeitos tributários. Limitar a atividade de homologação exclusivamente à quantia paga significa reduzir a atividade da administração tributária a um nada, ou a um procedimento de obviedade absoluta, visto que toda quantia ingressada deveria ser homologada e, a contrário sensu, não homologando o que não está pago. Em segundo lugar, mesmo que assim não fosse, é certo que a avaliação da suficiência de uma quantia recolhida implica, inexoravelmente, no exame de todos os fatos sujeitos à tributação, ou seja, o procedimento da autoridade administrativa tendente à homologação fica condicionado ao “conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, na linguagem do próprio Código Tributário Nacional”. Nos dias atuais esta discussão se tornou irrelevante já que em 21/12/2010, houve a edição da Portaria MF nº. 586, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Diante disso, a redação do art.62 do RICARF dispôs: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça Fl. 391DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN 14 em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Diante disso, resta claro que os julgados proferidos pelas turmas integrantes do CARF devem se adaptar, nos casos de decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, a estes julgados. Assim sendo, a contagem do prazo decadencial é um destes temas. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº. 973.733 – SC (2007/01769940), que a contagem do prazo decadencial dos tributos ou contribuições, cujo lançamento é por homologação, deveria seguir o rito do julgamento do recurso especial representativo de controvérsia, cuja ementa é a seguinte: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao Fl. 392DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10840.001011/200753 Acórdão n.º 220201.704 S2C2T2 Fl. 8 15 lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Documento: 6162167 EMENTA / ACÓRDÃO Site certificado DJe: 18/09/2009 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nos julgados posteriores, sobre o mesmo assunto (contagem do prazo decadencial), o Superior Tribunal de Justiça aplicou a mesma decisão acima transcrita, conforme se constata no julgado do AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº. 1.203.986 MG (2010/01395597), verbis: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO Fl. 393DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN 16 QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados:I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado,por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). Documento: 12878841 EMENTA / ACÓRDÃO Site certificado DJe: 24/11/2010 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 394DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10840.001011/200753 Acórdão n.º 220201.704 S2C2T2 Fl. 9 17 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido. É de se esclarecer, que na solução dos Embargos de Declaração impetrado pela Fazenda Nacional no Recurso Especial nº. 674.497 PR (2004/01099782), houve o acolhimento em parte do embargo pelo STJ para modificar o entendimento sobre os fatos geradores ocorridos em dezembro cuja exação só poderia ser exigida a partir de janeiro do ano seguinte, verbis: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN 18 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. O ministro Mauro Campbell Marques, relator do processo, em síntese, assim se manifestou em seu voto: Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN) (...) Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. Desta forma, para lançamentos em que não houve pagamento antecipado, é de se observar que os julgados do Superior Tribunal de Justiça firmaram posição no sentido de que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde, de fato, ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Código Tributário Nacional. Por outro lado, para os lançamentos em que houve pagamento antecipado a contagem do prazo decadencial tem início na data do fato gerador da obrigação tributária discutida. O caso em questão trata de imposto de renda pessoa física, cujo lançamento é de imposto de renda pessoa física caracterizada por redução indevida da base de cálculo do imposto, por via de conseqüência o fato gerador do imposto é 31/12/2002 (ajuste anual). Sob o meu ponto de vista o maior obstáculo neste tipo de interpretação dada pelo Superior Tribunal de justiça está em definir o que seria considerado “pagamento antecipado” nos futuros julgados por este tribunal Administrativo. Ora, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o escoamento do prazo do art. 150, § 4º, sem manifestação do Fisco, significa a aquiescência implícita aos valores declarados pelo contribuinte, porque o silêncio, neste caso, é qualificado pela lei, trazendo efeitos. A única diferença de regime está consubstanciada na hipótese em que não há pagamento antecipado, que de acordo com Superior Tribunal de Justiça, se aplicaria, para Fl. 396DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10840.001011/200753 Acórdão n.º 220201.704 S2C2T2 Fl. 10 19 efeitos de marco inicial do prazo decadencial, o art. 173, I, do Código Tributário Nacional (regra geral, que deverá ser seguido conforme a interpretação dada pelo STJ), por força do que dispõe o parágrafo único deste mesmo preceptivo. Exaurido o prazo, o Fisco não poderá manifestar qualquer intenção de cobrar os valores. Há, pois, falarse em decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. No presente caso se torna irrelevante continuar a discussão sobre qual seria o significado de “pagamento antecipado”, já que houve recolhimento de imposto de renda pela recorrente, como restou consignado em sua Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2003 (fls. 170/175) e Auto de Infração (fls. 35/36). Assim sendo, no ponto de vista dos julgados do Superior Tribunal de Justiça, o termo inicial da contagem do prazo decadencial é 31/12/2002, já que o fato gerador ocorreu em 31/12/2002. Ou seja, de acordo com a linguagem do Superior Tribunal de Justiça “o termo inicial para contagem do prazo decadencial, nos casos em que houve pagamento antecipado, é a data do fato gerador (31/12/2002), nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. O prazo fatal para a constituição do lançamento ocorreria em 31/12/2007, tendo ocorrido a ciência do lançamento em 09/05/2007, não está decadente o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário questionado. Somente para fins de argumentação, não aplicável ao presente caso, é de se dizer, que nos casos de argüição de decadência quanto restar caracterizado o evidente intuito de fraude, que não se aplica ao presente caso, já que a multa aplicada é a de ofício normal de 75%, merece transcrição à lição de SÍLVIO RODRIGUES (Direito Civil. São Paulo: Saraiva, 1995, p. 226): Age em fraude à lei a pessoa que, para burlar princípio cogente, usa de procedimento aparentemente lícito. Ela altera deliberadamente a situação de fato em que se encontra, para fugir à incidência da norma. O sujeito se coloca simuladamente em uma situação em que a lei não o atinge, procurando livrarse de seus efeitos. A simulação consiste na "prática de ato ou negócio que esconde a real intenção" (SILVIO DE SALVO VENOSA. Direito Civil. São Paulo: Atlas, 2003, p. 467), sem necessidade de prejuízo a terceiros (2003, p. 470). A verificação do fato de determinada vontade tendente a ocultar a ocorrência do fato gerador ou encobrir suas reais dimensões, manifestada de forma efetiva na consecução distorcida das obrigações formais do contribuinte, serve como base material para a verificação da existência de dolo, fraude ou simulação. Assim, a configuração desse ilícito interessa ao direito tributário na medida em que colabora na determinação da regra da decadência aplicável ao caso concreto. O fato jurídico da existência ou não de dolo, fraude ou simulação (parte final do art. 150, § 4º., do CTN) deve, para consecução dos objetivos estabelecidos nestes dispositivos, ser constituída na via administrativa, determinando, desse modo, a obrigatoriedade do lançamento de ofício (art. 149, VII, do CTN) ou a impossibilidade da extinção do crédito pela homologação tácita. Devese observar que a ocorrência de dolo, fraude ou simulação só é relevante nos casos de efetivo pagamento antecipado. Se não houver Fl. 397DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN 20 pagamento antecipado, seja porque o contribuinte não o efetuou, ou porque o tributo por sua natureza se sujeita ao lançamento de ofício, o dolo, a fraude e a simulação hão de ser apurados no procedimento administrativo de fiscalização realizado de ofício, não servindo como hipóteses determinantes no prazo diferenciado de decadência. Nestes casos o Código Tributário Nacional não fixa um prazo específico para operar a decadência, exigindo um esforço enorme do hermeneuta para a solução dessa questão sem deixar, no entanto, de atender, também, o princípio da segurança nas relações jurídicas, de modo que os prazos não fiquem ad eternum em aberto. Os prazos do Direito Civil são inaplicáveis por serem específicos às relações de natureza particular. A solução mais adequada e pacífica nos tribunais superiores é no sentido de se aplicar à regra do art. 173, I (exercício seguinte) para os casos do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional (lançamento por homologação); e a regra do art. 173, parágrafo único do Código Tributário Nacional nos demais casos – lançamento não efetuado em época própria ou a partir da data da notificação de medida preparatória do lançamento pela Fazenda Pública . Embora o prejuízo a terceiro, que, no caso, é a Administração Pública, não seja requisito desses vícios, o fato é que, conforme já dito acima, não se concebe que alguém deles se utilize sem interesse econômico. Por isso, ainda que tenha havido pagamento, a existência de dolo, fraude ou simulação causa suspeita, razão pela qual o Código Tributário Nacional impede a extinção do crédito tributário no caso da ocorrência desses ilícitos. É nessa linha que autores como JOSÉ SOUTO MAIOR BORGES, mencionado por EURICO MARCOS DINIZ DI SANTI (Decadência e Prescrição no Direito Tributário. São Paulo: Max Lomonad, 2001, p. 165), assinala que ao direito tributário o que importa não é o dolo, a fraude ou a simulação, mas seu resultado. Quanto a isso, vale lembrar o que dispõe o art. 136 do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Isso, obviamente, não afasta a aplicação de eventuais sanções especificamente pelas condutas dolosas, fraudulentas ou simuladas, conforme se infere, por exemplo, da Lei Federal n.º 8.137, de 1990, e do art. 137 do próprio Código Tributário Nacional. Sem embargo da exposição feita nesse tópico, costumase apontar nessa parte final do § 4.º do art. 150 do Código Tributário Nacional uma lacuna, uma vez que não haveria tratamento legal quanto ao prazo para lançar quando presente dolo, fraude ou simulação (LUCIANO AMARO. Direito Tributário Brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2002, p. 356; p. 394). Seguindo esse entendimento, alguns doutrinadores defendem que se deveria aplicar, por analogia, a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Assim, por exemplo, PAULO DE BARROS CARVALHO (Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva,1996, p. 291): Fl. 398DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10840.001011/200753 Acórdão n.º 220201.704 S2C2T2 Fl. 11 21 b) falta de recolhimento, integral ou parcial, de tributo, cometida com dolo, fraude ou simulação – o trato de tempo para a formalização da exigência e para a aplicação de penalidades é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. Assim sendo e tendo em vista, que o Código Tributário Nacional, como norma complementar à Constituição, é o diploma legal que detém legitimidade para fixar o prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários pelo Fisco e inexistindo regra específica, no tocante ao prazo decadencial aplicável aos casos de evidente intuito de fraude (fraude, dolo, simulação ou conluio) deverá ser adotada a regra geral contida no artigo 173 do Código Tributário Nacional, tendo em vista que nenhuma relação jurídicotributária poderá protelarse indefinidamente no tempo, sob pena de insegurança jurídica. Na questão de mérito, de acordo com a autoridade fiscal lançadora e endossada pela decisão de Primeira Instância a irregularidade praticada pela contribuinte a título de dedução de despesas médicas e mantida no decisório do julgado se restringe à dedução indevida de despesas médicas. Ou seja, decidiu a turma de julgamento que as despesas médicas lançadas na Declaração de Ajuste Anual deveriam ser mantidas diante da falta de comprovação da efetividade do pagamento e/ou da prestação de serviços pelo prestador de serviços. Nesta fase recursal, a suplicante entende que com relação as despesas médicas e odontológicas decorrentes dos recibos, emitidos pelos profissionais abaixo relacionados, a mesma tem direito a dedução das despesas declaradas e comprovadas, sendo indevida a glosa existente. Os valores questionados são: REGIS VIANA R$ 1.800,00; HELOÍSA HELENA FERREIRA DA ROSA R$ 1.440,00; MARCIA FAGUNDES R$ 4.000,00; NORIVAL ZOPPI R$ 150,00; JOSÉ B VOLPON R$ 150,00; JUÇARA MONTANDI R$ 661,12; MARCOS VIRGÍLIO DE LAZARI R$ 22.800,00; REGINA SATUILE OGURA R$ 2.700,00 e FLAVIA CAMPOS MACEDO R$ 6.000,00. Para o deslinde da questão sobre a glosa de despesas médicas se faz necessário invocar a Lei nº 9.250, de 1995, verbis: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; b) a pagamentos efetuados a estabelecimento de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º e 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e Fl. 399DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN 22 de seus dependentes, até o limite individual de R$ 1.700,00 (um mil e setecentos reais); c) à quantia de R$ 1.080,00 (um mil e oitenta reais) por dependente; (...). f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...). Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea “c” poderão ser considerados como dependentes: I – o cônjuge, II – o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III – a filha, o filho, a enteada ou enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV – o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V – o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI – os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII – o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10840.001011/200753 Acórdão n.º 220201.704 S2C2T2 Fl. 12 23 § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. § 2º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges. § 3º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. § 4º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte. Conforme se depreende dos dispositivos supracitados, todas as deduções estão sujeitas à comprovação, assim, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução no período assinalado, ao contribuinte cabe o ônus da demonstração inequívoca de que realmente efetuou o pagamento no valor pleiteado. Inicialmente se faz necessário esclarecer de que os filhos que possuem os requisitos para serem considerados dependentes e que recebam rendimentos próprios somente poderão ser incluídos nessa condição se forem somados seus rendimentos aos dos pais na Declaração de Ajuste Anual destes. A apresentação de Declaração de Ajuste Anual em separado pelos filhos exclui, automaticamente, a possibilidade de figurar como dependentes na Declaração de Ajuste Anual dos pais. É de se ressaltar, que a contribuição previdenciária somente pode ser deduzida em relação ao dispêndio efetuado no respectivo ano calendário. Nenhum documento foi apresentado pela recorrente que demonstrasse o contrário. Em relação às despesas efetuadas com não dependentes, nenhum documento também foi apresentado que demonstrasse o contrário. Acertadamente, desconsiderouse os dependentes assim declarados pelo contribuinte, embora alegue relação de parentesco de primeiro grau, pois foi verificado que houve declaração de ajuste em separado, desfazendo assim o direito à dedução, inclusive das despesas relacionadas a eles. No que diz respeito a dedução de despesas médicas, não tenho dúvidas, que legislação de regência, acima transcrita, estabelece que na declaração de ajuste anual poderão ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos feitos, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas provenientes de exames laboratoriais e serviços radiológicos, restringindose aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativo ao seu tratamento e ao de seus dependentes. Sendo que esta dedução fica condicionada ainda a que os pagamentos sejam especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e CPF ou CGC de quem os recebeu, podendo na falta de documentação, ser feita indicação de cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN 24 Como, também, não tenho dúvidas que a autoridade fiscal, em caso de dúvidas ou suspeição quanto à idoneidade da documentação apresentada, pode e deve perquirir se os serviços efetivamente foram prestados ao declarante ou a seus dependentes, rejeitando de pronto àqueles que não identificam o pagador, os serviços prestados ou não identificam na forma da lei os prestadores de serviços ou quando esses não são considerados como dedução pela legislação. É evidente, que a princípio, a prova definitiva e incontestável da prestação de serviços de saúde é feita com a apresentação de documentos que comprovem a sua realização, como radiografias, receitas médicas, exames laboratoriais, notas fiscais de aquisição de remédios e outras, fichas clínicas. Só posso concordar, que somente são admissíveis, em tese, como dedutíveis, as despesas médicas que se apresentarem com a devida comprovação, com documentos hábeis e idôneos. Como, também, se faz necessário, quando intimado, comprovar que estas despesas correspondem a serviços efetivamente recebidos e pagos ao prestador. O simples lançamento na declaração de rendimentos pode ser contestado pela autoridade lançadora. Tendo em vista o precitado art. 73, cuja matriz legal é o § 3º do art. 11 do Decretolei nº 5.844, de 1943, estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comproválas ou justificálas, deslocando para ele o ônus probatório. Mesmo que a norma possa parecer, em tese, discricionária, deixando a juízo da autoridade lançadora a iniciativa. A inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para o suplicante o ônus de comprovação e justificação das deduções, e, não o fazendo, deve assumir as conseqüências legais, ou seja, o não cabimento das deduções, por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. Entretanto, uma vez apresentados os recibos em conformidade com a legislação de regência cabe ao fisco, neste caso, obter provas da inidoneidade do recibo. As despesas médicas, assim como todas as demais deduções, dizem respeito à base de cálculo do imposto que, à luz do disposto no art. 97, IV, do Código Tributário Nacional, estão sob reserva de lei em sentido formal. Assim, a intenção do legislador foi permitir a dedução de despesas com a manutenção da saúde humana, podendo a autoridade fiscal perquirir se os serviços efetivamente foram prestados ao declarante ou a seus dependentes, rejeitando de pronto àqueles que não identificam o pagador, os serviços prestados ou não identificam na forma da lei os prestadores de serviços ou quando esses não sejam habilitados. Da análise da peça acusatória extraise que a negativa para aceitação da dedução de despesas médicas, a seguir relacionadas, diz respeito a não dependência, para fins fiscais, dos filhos Luiz Fernando de Andrade Sichieri e Ana Carolina de Andrade Sichieri, diante do fato de apresentação de Declaração de Ajuste Anual em separado (fls. 176/189): REGIS VIANA R$ 1.800,00; HELOÍSA HELENA FERREIRA DA ROSA R$ 1.440,00; MARCIA FAGUNDES R$ 4.000,00; NORIVAL ZOPPI R$ 150,00; JOSÉ B VOLPON R$ 150,00; JUÇARA MONTANDI R$ 661,12; MARCOS VIRGÍLIO DE LAZARI R$ 4.500,000; REGINA SATUILE OGURA R$ 2.700,00 e FLAVIA CAMPOS MACEDO R$ 6.000,00. Ora, os filhos que possuem os requisitos para serem considerados dependentes e que recebam rendimentos próprios somente poderão ser incluídos nessa condição se forem somados seus rendimentos aos dos pais na Declaração de Ajuste Anual destes. A apresentação de Declaração de Ajuste Anual em separado pelos filhos exclui, Fl. 402DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10840.001011/200753 Acórdão n.º 220201.704 S2C2T2 Fl. 13 25 automaticamente, a possibilidade de figurar como dependentes na Declaração de Ajuste Anual dos pais. Assim sendo é de se manter as glosas acima relacionadas. Ademais, é dever do contribuinte informar e, se for o caso, comprovar os dados nos campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado, por outro lado, cabe a autoridade fiscal o dever da conferência destes dados. Assim, na ausência de comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, das deduções realizadas na base de cálculo do imposto de renda, é dever de a autoridade fiscal efetuar a sua glosa. Por outro lado, de acordo com a legislação de regência a dedução é condicionada a que os pagamentos sejam especificados e comprovados com documentos que indiquem nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu. É cristalino, nos autos do processo, que a contribuinte relacionou as despesas médicas pagas ao Dr. Marcos Virgílio de Lazari no valor de R$ 18.300,00 (Fls. 159/161 relativos a despesas com a recorrente) em sua Declaração de Ajuste Anual, bem como apresentou os recibos de pagamentos, confirmando a realização dos serviços, ou seja, todos os itens exigidos pela legislação foram cumpridos, nada mais pode ser exigido do contribuinte, sendo que neste caso o ônus da prova em contrário é do fisco. A única justificativa encontrada pela autoridade fiscal lançadora e mantida pela decisão recorrida foi que a contribuinte não comprovou o efetivo pagamento, exigência não respaldada pela legislação de regência, já que os recibos emitidos pelo prestador de serviço atestam o recebimento dos valores questionados, sendo que nestes casos cabe a autoridade fiscal o ônus ao contrário, ou seja, que não houve o recebimentos dos valores questionados. Se o contribuinte comprova, mesmo que seja na fase recursal, que cumpriu os requisitos da legislação de regência, com a indicação do nome, endereço, CPF, valor e especificação do tipo de serviço prestado, bem como a confirmação do serviço prestado, nada mais pode ser exigido do contribuinte, por afronta aos princípios legais que regem o assunto. Assim, se o contribuinte apresentou os recibos de prestação de serviços, atendendo os requisitos estabelecidos no art. 80 do RIR/99, sendo o profissional habilitado e qualificado e estando em atividade na época da emissão dos documentos, bem como houve a confirmação da prestação destes serviços invertese o ônus da prova, cabendo a fiscalização comprovar que os serviços não foram prestados ou que os documentos são falsos (recibos fornecidos a título gracioso) ou que não houve o pagamento, para que se possam glosar os documentos apresentados. Como nada disso consta dos autos, cujo ônus é do fisco, sendo que a justificativa apresentada para não se aceitar o valor lançado na Declaração de Ajuste Anual como dedução, foi a falta de comprovação documental (recibos), que nesta fase recursal foram apresentados, é de se aceitar estas despesas médicas como normais e, portanto, dedutível do rendimento tributável. Por fim, se faz necessários tecer algumas considerações sobre as penalidades aplicadas. Há que se destacar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN 26 Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10840.001011/200753 Acórdão n.º 220201.704 S2C2T2 Fl. 14 27 No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal (...). Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN 28 Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. De qualquer forma, há que se esclarecer que o Imposto Renda da Pessoa Física é um tributo calculado sobre a renda tributável auferida. Ou seja, é calculado levandose em consideração aos rendimentos tributáveis auferidos e em razão do valor é enquadrada dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação tributária. Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. Da mesma forma, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício e da taxa SELIC aplicada como juros de mora sobre o débito exigido no presente processo com base na Lei n.º 9.065, de 20/06/95, que instituiu no seu bojo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia de Títulos Federais (SELIC). É meu entendimento, acompanhado pelos pares desta Turma de Julgamento, que quanto à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais, os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a lei, não seria razoável que subordinados, na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta sob o ponto de vista formal a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetálaia, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, promulguea ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Facultaselhe, tãosomente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a Fl. 406DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10840.001011/200753 Acórdão n.º 220201.704 S2C2T2 Fl. 15 29 decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imaginese se assim não fosse, facultandose ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negarlhe executoriedade por entendêla, unilateralmente, inconstitucional. A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticarse inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Ademais, matéria já pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pela Portaria CARF nº 106, de 2009 (publicadas no DOU de 22/12/2009), assim redigidas: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).” Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de rejeitar a argüição de decadência suscitada pela recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a título de dedução de despesas médicas o valor de R$ 18.300,00. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 407DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN
score : 1.0
Numero do processo: 37310.003148/2006-14
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2001 a 31/10/2002
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Incabível a argüição de nulidade do lançamento de o ficio quando este atender
as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando
presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo
que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art, 10 do
Decreto n° 70.2.35/72, não há que se falar em cerceamento do direito de
defesa. 0 prazo para apresentar a impugnação 6 definido pela legislação
tributária, não havendo fundamento para sua prorrogação.
IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO
EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO
INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO,
Por força do art. 26-A do Decreto 70.235/72, no Limbito do processo
administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a
aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto,
sob fundamento de inconstitucional idade.
RETENÇÃO DE 11%, CONTRATANTE QUE NÃO EXIBE OS
CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CARACTERIZAÇÃO
DA NATUREZA DE CESSÃO DE MAO OBRA.
Quando a fiscalização tenta obter os contratos de prestação de serviços e não
conta com a colaboração da fiscalizada, fica caracterizada a natureza de
cessão de mão de obra dos serviços, ensejando a exigência de retenção e
recolhimento de 11% da contribuição previdenciária sobre as notas fiscais.
DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE.
PECUNIÁRIA
O Principio de Vedação ao Confisco esta previsto no art. 150, IV, e é dirigido
ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a
capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco.
Portanto, urna vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplica-la.
Além disso, é de se ressaltar que a multa de oficio é devida em face da
inflação à legislação tributaria e por não constituir tributo, mas penalidade
pecuniária estabelecida em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto
no inciso IV do art.. 150 da Constituição Federal.
TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO ANTIGO .3° CC E ART.
34 DA LEI 8.212/91..
Em conformidade corn a Súmula 3 do antigo 2 0 Conselho de Contribuintes, é
cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União
decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da
Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial
de Liqüidação e Custodia - Selic para títulos federais, Acrescente-se que, para
os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art 34 do referido diploma legal
prevê a aplicação da Taxa Selic.
Recurso Voluntário Negado
Credito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2301-001.719
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do (a) Relator (a).
Nome do relator: MAURO JOSÉ SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201010
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2001 a 31/10/2002 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Incabível a argüição de nulidade do lançamento de o ficio quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art, 10 do Decreto n° 70.2.35/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. 0 prazo para apresentar a impugnação 6 definido pela legislação tributária, não havendo fundamento para sua prorrogação. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO, Por força do art. 26-A do Decreto 70.235/72, no Limbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucional idade. RETENÇÃO DE 11%, CONTRATANTE QUE NÃO EXIBE OS CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA DE CESSÃO DE MAO OBRA. Quando a fiscalização tenta obter os contratos de prestação de serviços e não conta com a colaboração da fiscalizada, fica caracterizada a natureza de cessão de mão de obra dos serviços, ensejando a exigência de retenção e recolhimento de 11% da contribuição previdenciária sobre as notas fiscais. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE. PECUNIÁRIA O Principio de Vedação ao Confisco esta previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, urna vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplica-la. Além disso, é de se ressaltar que a multa de oficio é devida em face da inflação à legislação tributaria e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art.. 150 da Constituição Federal. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO ANTIGO .3° CC E ART. 34 DA LEI 8.212/91.. Em conformidade corn a Súmula 3 do antigo 2 0 Conselho de Contribuintes, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custodia - Selic para títulos federais, Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Recurso Voluntário Negado Credito Tributário Mantido
numero_processo_s : 37310.003148/2006-14
conteudo_id_s : 6250856
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 07 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2301-001.719
nome_arquivo_s : Decisao_37310003148200614.pdf
nome_relator_s : MAURO JOSÉ SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 37310003148200614_6250856.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do (a) Relator (a).
dt_sessao_tdt : Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
id : 8396189
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:17:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076937094168576
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-03-10T12:59:07Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-03-10T12:59:06Z; Last-Modified: 2011-03-10T12:59:07Z; dcterms:modified: 2011-03-10T12:59:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:ab666548-db5d-4794-882a-0c47d0df18ca; Last-Save-Date: 2011-03-10T12:59:07Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-03-10T12:59:07Z; meta:save-date: 2011-03-10T12:59:07Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-03-10T12:59:07Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-03-10T12:59:06Z; created: 2011-03-10T12:59:06Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2011-03-10T12:59:06Z; pdf:charsPerPage: 2000; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-03-10T12:59:06Z | Conteúdo => fV\ K S2-C3T I Fl 1 5 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" .37310. 00.3148/2006-14 Recurso n" 247.783 Voluntário Acórdão n" 2301-01.719 — 3" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 21 de outubro de 2010 Matéria CESSÃO DE MAO DE OBRA: RETENÇÃO. EMPRESAS EM GERAL Recorrente MAINHOUSE CONSTRUÇÕES CIVIS LIDA Recorrida SRP-SECRETAR1A DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2001 a 31/10/2002 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Incabível a argüição de nulidade do lançamento de o ficio quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art, 10 do Decreto n° 70.2.35/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. 0 prazo para apresentar a impugnação 6 definido pela legislação tributária, não havendo fundamento para sua prorrogação. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO, Por força do art. 26-A do Decreto 70.235/72, no Limbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucional idade. RETENÇÃO DE 11%, CONTRATANTE QUE NÃO EXIBE OS CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA DE CESSÃO DE MAO OBRA. Quando a fiscalização tenta obter os contratos de prestação de serviços e não conta com a colaboração da fiscalizada, fica caracterizada a natureza de cessão de mão de obra dos serviços, ensejando a exigência de retenção e recolhimento de 11% da contribuição previdenciária sobre as notas fiscais. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE. PECUNIÁRIA O Principio de Vedação ao Confisco esta previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, urna vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplica-la. Além disso, é de se ressaltar que a multa de oficio é devida em face da inflação à legislação tributaria e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art.. 150 da Constituição Federal. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO ANTIGO .3° CC E ART. 34 DA LEI 8.212/91.. Em conformidade corn a Súmula 3 do antigo 2 0 Conselho de Contribuintes, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custodia - Selic para títulos federais, Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Recurso Voluntário Negado Credito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Câmara / 1 0 Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por ui nim iade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do (a) Relator (a). JULIO C EIRA GOMES — Presidente do presente julgamento os conselheiros: Bemadete de Oliveira Barros, Leonardo H t ires Lopes, Mauro José Silva, Adriano Gonzales Silvério, Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Games (presidente). Relatório Trata-se da Notificação Fiscal de Lançamento de Debito (NELD) 35,274.480-4, lavrada em 20/10/2005, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciiirias que deveriam ter sido sobre notas fiscais de prestadores de serviços corn cessão de mão de obra de 11/2001 a 10/2002, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 90,317,07, fls. 01. Em suma, a autoridade fiscal constatou que a recorrente reteve, mas deixou de recolher 11% sobre as notas fiscais de prestadores de serviços de construção civil, limpeza, vigilância e execução de trabalho temporário na forma da Lei 6.019/74. A empresa, apesar de 2 Processo 37310.003148/2006-14 s2-C3T Acórd5o n." 2301-01,719 H. 253 intimada, não apresentou os contratos de prestação de serviços que amparavam os pagamentos aos prestadores. Após tornar ciência pessoal da autuação em 28/10/2005, fis. 01, a recorrente apresentou impugnação, fis, 120/147, na qual apresentou argumentos similares aos que veremos a seguir no recurso voluntário. Diante da alegação de que não foram analisados os documentos que demonstrariam não ter havido contratação de serviços que ensejariam a retenção de 11%, a DR.P-Curitiba determinou a realização de diligências, lis, 172, No Relatório da Diligência, fls. 177, a fiscalização informou que continuou com dificuldades na obtenção de documentos que melhor explicassem os lançamentos contábeis, mas que considerou os documentos apresentados juntos corn a impugnação e propôs a retificação do lançamento para excluir algumas notas fiscais. A recorrente foi intimada para aditar sua defesa, fis. 180, mas não o fez. Na Decisão-Notificação de fis. 191/203, a .DRP-Curitiba/PR afastou parcialmente os argumentos da recorrente excluindo do lançamento as notas fiscais apontadas pela recorrente em sua impugnação como não ensejadoras de retenção, tendo esta sido cientificada do decisório em 19/07/2006, fls. 205. O recurso voluntário, apresentado em 18/08/2006, lis. 212/245, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. De inicio, defende a possibilidade de OS Tribunais Administrativos analisarem matérias constitucionais. Alega que o prazo de 15 dias para defesa foi insuficiente, pois recebeu 68 NFLDs e 07 autos de infração, o que configurou cerceamento de defesa e nulidade. Aponta que houve ofensa ao principio da verdade material, pois o lançamento foi baseado somente em lançamentos contábeis. Sustenta que é vedado à autoridade fiscal basear-se somente em indícios ou presunções, devendo provar a ocorrência do fato gerador. Argumenta que as notas fiscais tomadas pela fiscalização referem-se a consertos de equipamentos e não aos serviços previstos no art. 145, inciso III da IN 03/2005. Insiste que deveria a Sra, Auditora Fiscal ter, primeiramente, diligenciado junto As prestadoras de serviços se houve o recolhimento das contribuições, sendo que, somente depois de constatada eventual ausência de recolhimento e, depois de esgotados todos OS meios para a cobrança da contribuição do principal devedor prestador de serviços -, 6 que poderia haver alguma medida tendente a cobrar as contribuições previdenciárias da tomadora dos serviços. Colaciona jurisprudência que trata da solidariedade prevista no art, 31 da Lei 8,212/91, Afirma que a multa aplicada tern efeito confiscatório, não podendo prevalecer, pois contraria o art. 150, inciso IV da Constituição Federal. Entende que a Taxa Selie não pode ser aplicada, pois utiliza componente e cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN o relatório. Voto Conselheiro MAURO JOSE SILVA, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conheeimento, Nulidade por inconsistências no lançamento e cerceamento de defesa. Ao contrario do que afirma a recorrente, a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas, cumprindo adequadamente os preceitos do art, 142 do CTN, O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito FLD encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa notificada. Quanto ao prazo para impugnação, este estava previsto, à época dos fatos, na Portaria 520/2002, sendo que, como bem esclarecido na decisão de primeira instância, há vedação para sua prorrogação no art. 34. No entanto, caso desejasse apresentar novos documentos, a recorrente poderia tê-los anexados aos autos, pois este Colegiado, em alguns casos, admite a apresentação de documentos após o prazo para impugnação . Portanto, não vemos qualquer cabimento no protesto pela nulidade por cerceamento de defesa Inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Não podem ser apreciados os argumentos -baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuida especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capitulo HI do Titulo IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercê-la, especialmente ao Supremo Tribunal Federal, Por seu turno, a Lei 11,941/2009 incluiu o art. 26-A no Decreto 70,235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatar argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26-A No ambito do process() administrative' .fiscal, fica vedado aos- &Dios de julgamento afastar a aj)licaçâo ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, so fundamento de inconstitucionalidade." 4 Processo e 373 I 0.003148/2006-14 S2-C3 1 Acórdilo n 2301-01.719 Fl 254 Acatando tais imposições constitucionais e legais, o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais insiste na referida vedação, bem como já foi editada Súmula do Colegiado sabre o assunto, conforme podemos coriferir a seguir: "Portaria M. n" 2.56, de 23 de junho de 2009 (que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARE); Art.. 62. Fica vedado aos membros das turmas de »ligament° do (ARE alistar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fitndamento de inconstitucionalidade. "Sitinula C4RF N" 2 O CARF não é competente para se pronunciar solve a inconstitucionahdade de lei tributória" Portanto, deixamos de apreciar todos os argumentos da recorrente flindados em discussão sobre constitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, Retenção de 11% sobre notas Fiscais de prestação de serviços corn cessão de mão de obra. Fatos geradores após fevereiro de 1999. Considerando o aspecto temporal dos fatos geradores objetos do lançamento, devemos observar que a Lei n° 9.711/98 em seu artigo 23 alterou a redação do artigo 31 da Lei n° 8,212/91, estabelecendo uma nova modalidade de substituição tributária, ao determinar que os tomadores de serviço efetuem retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto do pagamento referente à prestação de serviço efetuado com cessão de mão-de-obra. Assim, a partir de 1° de fevereiro de 1999, com a nova redação do art, 31 da Lei n°8,212/91, alterou-se a natureza jurídica da relação entre fisco e a empresa tomadora de serviços Coln cessão de ink- de-obra, deixando de existir a solidariedade e criando-se a substituição tributária estribada no art, 128 do CTN. Dessa forma, por oportuno, esclarecemos que, no presente caso, não se aplicam as conclusões do Parecer 1.376/2000, pois aquele documento administrativo foi elaborado, conforme consta do seu item 04, para ser aplicado para a "sistemática de responsabilização tributária constante do artigo 31 da Lei 8.212/91, com redação anterior ao advento da citada medida provisória [MP 1.663/98, convertida na Lei 9.718/991 " Feita tal ressalva, retomamos a análise jurídica do assunto . Com relação A obrigação de reter e recolher a contribuição previdenciária, o §50 do art, 33 da Lei 8.212/91 criou uma presunção de que a retenção, nos casos legalmente previstos, foi realizada, in verbis: Art. 33, A' Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas tributação, à .fiscalizagão, à arrecadação, à cobiança e ao recolhimento das contribuições social's previstas no partigrofb tinico do art 11 desta Lei, das contribuições incidentes a titulo de substituição e das devidas a outras entidades e finidos. 5" 0 desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume leito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo licito alegar omissão para se exhnir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo coin o disposto nesta Lei. Sabendo tratar-se de presunção legal de retenção, resta-nos esclarecer se tratamos de presunção legal relativa ou absoluta.. Como se sabe, as presunções legais podem ser absolutas ou juris et de jure e relativas ou juris tannin', sendo as absolutas são insuscetiveis de serem ilididas por prova em contrário, ao passo que as relativas podem ser ilididas por provas de que o fato ocorrido diverge do fato presumido, (TOMÉ, Fabiana Del Padre, A prova no direito tributário. São Paulo: Noeses, 2005, p. 1.36). 0 referido dispositivo da Lei 8.212/91 dispôs que, para a empresa obrigada à retenção, é vedado "alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto" na mesma Lei., Tendo o §5° do art. 33 da Lei 8,212/91 criado uma presunção com relação a qual é vedado fazer prova em contrario, concluímos tratar-se de presunção absoluta, Resulta dizer que, constatando a ocorrência de urna situação na qual a empresa estava obrigada a fazer a retenção, o fisco irá presumir que esta foi feita pelo responsável e dele irá exigir o correspondente crédito tributário, pois a lei prescreveu que o responsável por substituição fica "diretamente responsável". No caso da retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, a Lei 8.212/91 deixou para o regulamento a especificação dos serviços que se considera ocorrida à cessão de mão de obra. Encontramos no §2" do art.. 219 do Decreto .3.048/99 os serviços que caracterizam a cessão de mão de obra: Art. 219 A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá refer onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no §` 52 do art, 216 §- 22 Enquadram-se na situação prevista no caput os seguintes. serviços realizadas mediante cessão de mão-de-obra.' - limpeza, conservação e zeladoria,. II - vigilância e segurança, III - CO11511110° civil,' IV - serviços rurais, V - digitação e preparação de dados para processamento, VI - acabamento, embalagem e acondicionamento de produtos; V ; VII - cobrança,. 6 Processo rt" 37310 003148/2006-14 S2-C3'FI AcOrdiio n " 2301-01,719 El 255 VIII - coleta e reciclagem de lixo e resíduos, - copa e hotelaria; corte e ligação de serviços públicas; XI - distribuição; XII - treinamento e ensino, XIII - entrega de comas e documentos, XIV- ligação e leitura de medidores, XV - manutenção de instalações, de maquinas e de equipamentos; XVI - montagem, XVII - operação de maquinas, equipamentos e veículos; XVIII - operação de pedágio e de terminals de transporte; 7. -as e passageiros; XIX- operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou sub-concessão, (Redação dada pelo Decreto no 4.729, de 2003) portaria, recepção e ascensorista; XXI - recepção, triagem e movimentação de materials,. XXII - promoção de vendas e eventos, XXIII - secretaria e expediente, XXIV- saúde; e XXV - telefbnia, inclusive telemarketing Dante disso cabe à autoridade fiscal demonstrar que o fiscalizado contratou serviços nos quais se caracterizou a cessão de mão de obra nos moldes definidos no §3" do art. .31 da Lei 8.212/91, relacionados entre aqueles constantes do art. 219 do Decreto 3.048/99, para que fique caracterizado o fato base da presunção legal absoluta de que a retenção foi feita, o que obriga o lançamento caso constatada a inexistência de recolhimento dos respectivos valores. Diante da presunção absoluta de que a retenção foi feita, não podemos aceitar eventual argumentação de possível recolhimento em duplicidade por ter a prestadora dos serviços recolhido a contribuição sobre a folha de salários, incluindo os trabalhadores que viabilizaram a prestação de serviços. A duplicidade de recolhimento so teria ocorrido por erro da contratada, pois esta poderia compensar o valor presumidamente retido, conforme §1" do art. .31 da Lei 8.212/91. Vale dizer que a responsabilidade por substituição da contribuição previdenciária correspondente a 11% dos serviços prestados mediante cessão de mão de obra é exclusiva do contratante, cabendo ao contratado apenas compensar tais créditos na apuração d contribuição devida sobre a folha de saldrios . Apurada a contribuição, a contratada irá recolhei a eventual complementaeão ou, se o crédito exceder ao apurado naquela competência, poderá usar o montante retido para compensar o valor a ser pago em competências faturas (§9° do art 219 do Decreto 3.048/99), Nesse sentido temos Acórdão do STJ: EMENTA. TRIBUTA RIO RECURSO .ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PRE - VIDE -NCl/MIA EMPRESA PRESTADORAS DE SERVIÇO RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS ART 31, DA LEI .N° 8.212/91, COM A REDAÇÃO DA LEI N° 9.711/98. NOVA sIsTEMATICA DE ARRECADAÇÃO MATS COMPLEXA, SEM AFETAÇÃO DAS BASES LEGAIS DA ENTIDADE TRIBUTÁRIA MATERIAL DA EX, ,IÇÃO 1 A Lei n° 9 711, de 20/11/1999, que alterou o art, 31, da Lei n° 8.212/1991, não criou qualquer nova contribuição sobre o /aturamento, nem (literati a al/quota, nem a base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a Jblha de pagamento. 2 A determinação do mencionado artigo 31 configura, apenas, uma técnica de arrecadação da contribuição pre videnciária, colocando as empresas tontadotas de serviço como responsáveis tributérios pela forma de substituição tributária, 3 0 procedimento a ser adotado não viola qualquer disposição legal, ha)a vista que, apenas, obriga a empresa contratante de serviços a telex da empresa contratada, em beneficio da previdência social, o percentual de 11% sobre o valor dos serviços constantes da nota fIscal ou .fatura, a titula de contribuição previdenciária, em face dos encargos de lei decorrentes tia contratação de pessoal. 4. A prestadora dos serviços, isto é, a empresa contratada, que snfieu a retenção, procede no mds de competência, a uma simples operação aritmética. de posse do valor devido ci titulo de contribuição previdenciária incidente sobre a folha de pagamento, diminuirá deste valor o que fbi retido pela tomadora de serviços; se o valor devido a titulo de contribuição previdenciáriafor menor, recolhe, ao GRPS, o montante devedor respectivo, se o valor retido .for major do que o devido, no mds de competência, requeterá a restituição do seu saldo credor, 5 0 que a lei criou foi, apenas, uma nova sistemática de arrecadação, embora mais compleva para o contribuinte, porém, sem *tar as bases legais da entidade tributária material da contribuição previdenciária 6 Recurso não provido. Em nosso colegiado, anotamos que o posicionamento similar ao por nós adotados já fbi externado pelo ilustre Conselheiro Marco André Ramos Vieira no Acórdão 205-00.346, de 14/02/2008, julgado por unanimidade na Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, naquela ocasião presidida pelo Conselheiro Júlio César Vieira Gomes, in verbis: "Não entendo cabível a demonstração, nos presentes autos, de que a prestadora *Mara todos as recolhimentos para fins de elisão da responsabilidade pela retenção Não há como afastar a Processo n" 37310.003148/2006-14 S2-C31" I Acórcliio n° 2301-01.719 Fl 256 responsabilidade pela retenção e posterior recolhimento haja vista ser unia presunção absoluta, no meu entender. Perante a Fazenda Pública a obrigada pela retenção seró sempre a tomadora de serviços, nada impedindo que entre a recori ente e a prestadora de serviços se instaure ação regressiva de nalureza Caso a recorrente efetue o recolhimento da retenção de 11% e a prestadora comprove que houve recolhimentos a maior do que o devido caberá a compensação ou a restituição, mas esta questão não deve ser resolvida nos presentes autos, devendo ser instaurado, se for o caso, o procedimento próprio de restituição " Registramos que se trata de modalidade de responsabilidade que está totalmente em consonância corn o art, 128 do CTN, na medida em que a lei atribui responsabilidade ao crédito tributário a terceira pessoa — o contratante — que é vinculado ao fato gerador, pois se beneficia dos serviços, sendo atribuido ao contribuinte, o contratado, a responsabilidade supletiva somente em relação ao montante do tributo que faltar para atingir o total da contribuição previdenciária sobre a folha de salários, mas afastando deste a responsabilidade sobre o montante de 11% das notas fiscais de prestação de serviços. Em outras palavras, a empresa contratada, se não compensou o valor presumidamente retido, agiu em desacordo corn a lei e em seu próprio prejuízo, o que em nada afeta o lançamento realizado em relação à contratante . Passemos as considerações sobre o caso dos autos. A fiscalização, apesar de, segundo entendemos, não precisar investigar como se deu a prestação de serviços, tentou obter documentação a respeito destes, mas não contou com a colaboração da recorrente, tanto durante a fiscalização como na diligência posterior, Podemos observar no TIAD de Ils 95 que a recorrente foi intimada a apresentar o contrato de prestação de serviços, documento que seria essencial para avaliar, para que aqueles que admitem tal necessidade, a configuração da cessão de mão de obra. Apesar de intimada, não apresentou os contratos. Nem mesmo acompanhando a impugnação ou o recurso voluntário tais documentos foram juntados aos autos. Assim, fica evidenciado que a recorrente, por um lado, evitou apresentar documentos sobre a prestação de serviços e, por outro lado, não se desincumbiu do ônus de provar que a prestação dos serviços não se deu com cessão de mão de obra . Assim, entendemos que, seja para aqueles que exigem a comprovação da cessão de mão de obra ou para aqueles, como nos, que entendemos existir presunção relativa de existência de cessão de mão de obra nos serviços relacionados pela legislação, não ha elementos para modificarmos o lançamento. Por oportuno, é de ser observado que as notas fiscais a respeito das quais a recorrente apresentou elementos de prova para afastar a ocorrência de cessão de mão de obra foram excluidas do lançamento, como resultado do julgamento de primeira instancia, sendo estas as mesmas notas fiscais que no recurso voluntário a interessada relaciona, Multa de mora - confisco O impugnante suscita em sua defesa o Principio de Vedação ao Confisco esta previsto no art 150, IV, da Constituição Federal, que veda a União utilizar tributo com efeito de confisco„ E descabida a alegação de confisco quanto à exigência da multa, pois a vedação estabelecida na Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal principio orienta a feitura da 9 lei, que -deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, Não observado o principio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la. Além disso, é de se ressaltar que a multa .6 devida em face da infração A legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art, 150 da Constituição Federal.. Legalidade da Taxa SELIC corno juros de mora A insurgéncia da recorrente contra a aplicação da Taxa Selie como juros moratórios não pode prosperar, uma vez que se trata de matéria sumulada neste Tribunal Administrativo no sentido de sua legalidade, conforme podemos conferir a seguir: Stnitila CARP A 1,4 partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sabre débitos tributários adininistrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil siio devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquida 0o e Custódia SELIC para títulos federais.. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art, 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Sebe, Par todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. Sala das Sessões, em 21 de outubro de 2010 10
score : 1.0
Numero do processo: 15374.913822/2008-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3401-000.372
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente, temporariamente, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 08:47:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 15374.913822/2008-47
conteudo_id_s : 6493281
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 07 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 3401-000.372
nome_arquivo_s : Decisao_15374913822200847.pdf
nome_relator_s : FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
nome_arquivo_pdf_s : 15374913822200847_6493281.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente, temporariamente, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
id : 9008059
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:18:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076937098362880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1923; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 119 1 118 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.913822/200847 Recurso nº 879.527Voluntário Resolução nº 3401000.372 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de janeiro de 2012 Assunto COFINS Recorrente POWERPACK REPRESENTAÇÕES E COMÉRCIO LTDA Recorrida Fazenda Nacional Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente, temporariamente, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. RELATOR FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Adriana Oliveira e Ribeiro (suplente), Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação emitida em 30.8.2004, referente a pagamento a maior de Cofins, em 12.4.2001, relativo ao período de apuração mar/2001, no valor original de R$ 4.010,56. Tal crédito seria utilizado na quitação de parte do débito de CSLL, referente ao período de apuração jul/2004, no valor original de R$ 6.409,68. Em 12.8.2008, através de Despacho Decisório (fl.09), a Derat/ Rio de Janeiro decidiu por reconhecer parcialmente o crédito informado no PER/DCOMP e homologar parcialmente a compensação declarada, dado que o crédito já teria sido utilizado em parte para quitar outros débitos da contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 13 82 2/ 20 08 -4 7 Fl. 119DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0121.14429.6NA1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15374.913822/200847 Resolução nº 3401000.372 S3C4T1 Fl. 120 2 A contribuinte foi cientificada da decisão em 22.8.2008 e, em 18.9.2008, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls.11/19) na qual, segundo o relatório do acórdão da 4ª Turma da DRJ/RJ2 de 26.8.2009, alega, em síntese, que: 1. A Interessada representa no Brasil empresas estrangeiras que comercializam simuladores de vôo, motores aeronáuticos, helicópteros, turbinas, entre outros equipamentos, recebendo comissões por essa representação comercial; .2 As comissões são percebidas em moeda estrangeira (dólares norte americanos), sendo o contrato de câmbio fechado regularmente; 3 Conforme dispõe a MP n° 1.8586, de 29/06/1999 (atual MP n° 2.15835, de 24/08/2001), em seu art. 14, III, § 1°, com efeitos retroativos a 01/02/1999, e a Lei n° 10.637, de 30/12/2002, em seu art. 5°, II (com a redação dada pelo art. 37 da Lei no 10.865, de 30/04/2004), tais receitas são isentas da Cofins e da Contribuição para o PIS, já que decorrem de prestação de serviços para pessoa jurídica domiciliada no exterior (no caso, serviço de representação comercial) e há ingresso de divisas no Pais; 4 Não obstante tal isenção, por equivoco, a Interessada continuou a realizar os pagamentos da Cofins (código 2172) e da Contribuição para o PIS (código 8109 e 6912), até o período de apuração de 31/12/2003; 5 Verificados tais pagamentos indevidos, a Interessada protocolizou "Declarações de Compensação" nas quais utilizou os referidos créditos da Cofins e da Contribuição para o PIS para quitar, por compensação, seus débitos junto A RFB; 6 O Delegado da Derat/Rio de Janeiro, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte; 7 Os valores da Cofins e da Contribuição para o PIS informados nas DCTF estão incorretos; 8 Ainda que a entrega da DCTF assuma caráter de confissão de divida, a obrigação tributária decorre exclusivamente da lei, conforme dispõem os artigos 113 e 114 do CTN; 9 Havendo erro quanto ao fato confessado, e comprovado inequivocamente que o fato confessado não corresponde ao efetivamente ocorrido, temse de admitir a prevalência do verdadeiro sobre o confessado; 10 Desde que comprovado a nãoocorrência do fato gerador, o contribuinte tem direito à restituição do tributo que pagou indevidamente; e 11. Pelas razões acima expostas, deve ser dado provimento à manifestação de inconformidade apresentada e reformado o despacho decisório recorrido. Em 26.8.2009, a Manifestação de Inconformidade da recorrente foi julgada improcedente, sob o argumento de que: Fl. 120DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0121.14429.6NA1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15374.913822/200847 Resolução nº 3401000.372 S3C4T1 Fl. 121 3 a) Através de pesquisa efetuada nos sistemas de informação da Receita Federal do Brasil concluise que a contribuinte informou na DCTF ativa à época em que foi proferido o Despacho Decisório, que o valor apurado da Cofins relativa ao mês mar/2001 seria R$ 4.352,61 e que esse teria sido quitado integralmente por pagamento efetuado no valor de R$ 4.352,61; b) Com base nessa mesma pesquisa nos sistemas da RFB, percebeu também que a contribuinte não informou sobre a existência de receitas isentas, ratificando o valor da Contribuição informado na DCTF mencionada anteriormente; c)Após ter tomado ciência do Despacho Decisório, a interessada apresentou DCTF retificadora. d) Observase então, com base nas informações fornecidas pela contribuinte, que na data em que o despacho decisório foi concluído, não havia saldo credor referente ao pagamento efetuado por meio de DARF, informado no PER/DCOMP, no valor de R$ 4.352,61, dado que este já teria sido integralmente utilizado para quitar o débito informado na DCTF ativa a época em que foi proferido o Despacho Decisório impugnado. e) De fato, a legislação citada pela autuada (MP n° 1.8586, de 29.6.1999, atual MP n° 2.15835, de 24.8.2001, em seu art. 14, III, § 1º, com efeitos retroativos a 1º.2.1999, e a Lei n° 10.637, de 30.12.2002, em seu art. 5°, lI, com a redação dada pelo art. 37 da Lei n° 10.865) efetivamente previa a isenção da tributação, pela Cofins e pela Contribuição para o PIS, das receitas decorrentes da prestação de serviços à pessoa jurídica domiciliada no exterior. Entretanto, a recorrente não apresenta documentos que comprovem suas alegações efetuadas na peça impugnatória. Sendo assim, não há mecanismos para apuração do valor da contribuição efetivamente devida, nem para afirmar ser o valor recolhido maior que o efetivamente devido. Em 21.10.2009, a contribuinte foi cientificada da decisão, e em 18.11.2009, protocolou, tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 43/52), alegando, em síntese, que: a) As comissões recebidas das empresas estrangeiras estão isentas de PIS e Cofins, já que são oriundas de prestação de serviços para pessoa jurídica domiciliada no exterior (no caso, serviço de representação comercial) e há ingresso de divisas no País. b) O art. 7º, I, da Lei Complementar nº 70 de 30.12.1991 (com redação dada pela LC nº 85, de 15.2.1996), dispunha que estavam isentas as receitas decorrentes de “exportação de serviços”, sem deixar claro o alcance dessa expressão. Por isso, a RFB, de forma equivocada, restringia o alcance da referida isenção aos casos em que o serviço fosse prestado no exterior. Entretanto, desde 1º.2.1999, as autoridades fiscais reconhecem o direito da contribuinte à isenção da Cofins nas hipóteses em que o serviço é executado no Brasil. c) Em 12.4.2001, por equívoco, a recorrente realizou pagamento da Cofins, referente ao período de apuração 03/2001, no valor de R$ 4.240,23. Verificado o erro, a contribuinte, em 30.8.2004 protocolizou Declaração de Compensação em que utilizou o referido crédito da Cofins para quitar, por compensação, débitos da CSLL referente ao período de apuração jul/2004, no montante de R$ 6.409,68. d) O art. 150, I, da CF/88 determina que é vedado “exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça”. Sendo assim, a manifestação da contribuinte não tem poder de tornar Fl. 121DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0121.14429.6NA1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15374.913822/200847 Resolução nº 3401000.372 S3C4T1 Fl. 122 4 devido tributo não previsto em lei. Por este motivo, no que tange à legislação tributária, toda confissão de dívida é retratável, desde que comprovada a não existência do fato gerador. e) Quanto à comprovação do crédito existente, a contribuinte lista em seu Recurso Voluntário os instrumentos de prova apresentados, sendo eles: 1)demonstrativo da base de cálculo do PIS e da COFINS, referente ao período de apuração de 05.2001, contendo a discriminação das receitas auferidas (receitas isentas e receitas tributáveis) e as diferenças apuradas (DOC. 01 – Relatório Mensal de Apuração: PIS e COFINS), bem como respectivas folhas do Livro Razão (DOC. 02 – Razão Anual e Balancete Analítico do Período); 2) relatório de receita mensal mercado externo (DOC. 03 Relatório de Receita Mensal – Mercado Externo e Relatório de Cotação das Taxas de Câmbio); 3) Contratos de Câmbio de Compra Tipo 3 – Transferências Financeiras do Exterior, que demonstram a pessoa jurídica pagadora domiciliada no exterior, o ingresso de divisas no Pais e o tipo de serviço prestado pela RECORRENTE natureza da operação ("Serv. Div. Out. Comiss.") (DOC. 04 Avisos de Credito e respectivos Contrato de Câmbio de Compra – Tipo 03); 4) Controle de Compensações por DARF Pagamento Indevidoou Maior (DOC. 05 – Controle de Compensações por DARF Pagamento Indevido ou a Maior). f) A recorrente pleiteia pela eventual juntada de documentos que comprovem ainda mais o pagamento indevido da Cofins. Por fim, a contribuinte requer provimento do Recurso Voluntário apresentado e, consequentemente, a homologação da declaração de compensação. É o Relatório. Fl. 122DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0121.14429.6NA1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15374.913822/200847 Resolução nº 3401000.372 S3C4T1 Fl. 123 5 Voto Conheço do recurso por ser tempestivo e cumprir os pressupostos de admissibilidade. Em suma, a contribuinte emitiu Declaração de Compensação com o objetivo de compensar os débitos declarados com créditos referentes ao pagamento indevido da COFINS.Não logrando êxito em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário onde alega que houve pagamento a maior, uma vez que as comissões recebidas das empresas estrangeiras estão isentas da COFINS, e que apresentou DCTF retificadora. Como os créditos serão valorados até a data da entrega da Declaração de Compensação, conforme o art. 28 da IN nº 210, estes devem estar devidamente constituídos até este mesmo dia. No caso em análise, não houve a entrega da DCTF retificadora que constituiria os créditos pleiteados, por este motivo o resultado de seu pedido de compensação não seria outro que não o indeferimento. Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. (Redação dada pela IN SRF nº 323, de 24/04/2003) Com isso, para a utilização destes créditos a contribuinte deveria emitir outra Declaração de Compensação, não sendo possível compensálos com os débitos presentes neste processo, que corretamente foram exigidos na decisão recorrida, tendo em vista que a DCTF constitui confissão de vista, conforme o parágrafo 5º do art. 21 da Instrução Normativa 210 de 30 de setembro de 2002, vigente à época, reproduzido abaixo: Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRF da "Declaração de Compensação". § 2º A compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. § 3º Não poderão ser objeto de compensação efetuada pelo sujeito passivo: I o saldo a restituir apurado na DIRPF; II os tributos e contribuições devidos no registro da DI; III os débitos relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF inscritos em Dívida Ativa da União; e IV os créditos relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal (Refis) ou do parcelamento a ele alternativo. Fl. 123DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0121.14429.6NA1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15374.913822/200847 Resolução nº 3401000.372 S3C4T1 Fl. 124 6 § 4º O sujeito passivo poderá utilizar, na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF, créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento encaminhado à SRF, desde que referido pedido se encontre pendente de decisão administrativa à data do encaminhamento da "Declaração de Compensação" § 5º A compensação de tributo ou contribuição lançado de ofício importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Porém, tendo em vista o princípio da verdade material que deve reger o processo administrativo fiscal, não obstante à falta de DCTF retificadora, é obrigação da autoridade fiscal é verificar se os montantes pagos correspondem aos efetivamente devidos quando existe pedido de restituição, ressarcimento ou compensação, evitando assim enriquecimento indevido por parte da Fazenda, independente do cumprimento ou não do aspecto formal. Sendo assim, é necessária diligência para verificar os montantes efetivamente pagos e aqueles que seriam devidos pela contribuinte, existindo pagamento a maior deve ser deferida a pretensão da contribuinte. Frente a todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que seja apurado, o valor que é devido, o valor que fora efetivamente pago e, sendo assim, se a contribuinte possui direito creditório em caso de pagamento a maior, tendo em vista o princípio da verdade material. Cientificandose a contribuinte, do resultado para, caso queira manifestarse no prazo de 30 dias. É como voto! Fl. 124DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0121.14429.6NA1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE em 19/12/2012 19:16:39. Documento autenticado digitalmente por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE em 19/12/2012. Documento assinado digitalmente por: JULIO CESAR ALVES RAMOS em 16/01/2013 e FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE em 19/12/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 12/01/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP12.0121.14429.6NA1 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 4FCC990F801642F0A4429C8726903C641B83A222 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 15374.913822/2008-47. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000042/2007-18
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 25/01/2010 Ementa: DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante ri° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-000.875
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara 1ªTurma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator
No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos.
Ressalta-se que a data da ciência do lançamento e o período de ocorrência dos fatos geradores sào aqueles constantes dos autos, sendo de nenhum efeito a indicação na ementa: "Data do fato gerador: 25/01/2011 .
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201001
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 25/01/2010 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante ri° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
numero_processo_s : 11330.000042/2007-18
conteudo_id_s : 6208604
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2301-000.875
nome_arquivo_s : Decisao_11330000042200718.pdf
nome_relator_s : JULIO CESAR VIEIRA GOMES
nome_arquivo_pdf_s : 11330000042200718_6208604.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara 1ªTurma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressalta-se que a data da ciência do lançamento e o período de ocorrência dos fatos geradores sào aqueles constantes dos autos, sendo de nenhum efeito a indicação na ementa: "Data do fato gerador: 25/01/2011 .
dt_sessao_tdt : Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2010
id : 8282234
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:17:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076937101508608
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-05-03T12:27:29Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-05-03T12:27:29Z; Last-Modified: 2010-05-03T12:27:29Z; dcterms:modified: 2010-05-03T12:27:29Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-05-03T12:27:29Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-05-03T12:27:29Z; meta:save-date: 2010-05-03T12:27:29Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-05-03T12:27:29Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-05-03T12:27:29Z; created: 2010-05-03T12:27:29Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2010-05-03T12:27:29Z; pdf:charsPerPage: 872; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-05-03T12:27:29Z | Conteúdo => S2-C3TI Fl. I ilhl‘ MINISTÉRIO DA FAZENDA -; CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS . SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n0 11330.000042/2007-18 Recurso a° 163.845 Voluntário Acórdão n° 2301-00.875 — 3* Câmara / r Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2010 Matéria DECADÊNCIA Recorrente PETROQUÍMICA DO RIO DE JANEIRO S/A Recorrida DRJ-RIO DE JANEIRO 1/10 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 25/01/2010 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante ri° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Cámara I 1.• Turma Ordinária da Segunda ,Se2o de Julgamento por ;unanimidade de votes eat dar MoVimento - ao -recuo nos terraoa do voto do relatd2 No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF no 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressalta-se que a data da ciência do lançamento e o período de ocorrência dos fatos geradores são aqueles constantes dos autos, sendo de nenhum efeito a indicação na ementa: "Data do fato gerador: 25/01/2010". if •EDU • e dl I - Relator r JULIO C It GOMES - Presidente Participaram do julgamento os conselheiros: Bemadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal, Francisco de Assis de Oliveira Júnior, Julio César :Vieira Gomes (presidente). Relatório Adotar-se-á no julgamento do presente recurso o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Dessa forma, a solução que vier a ser adotada no julgamento do recurso- padrão, abaixo discriminado, será aplicada a este recurso e a todos os demais repetitivos, conforme divulgado através da pauta de julgamento: No julgamento dos itens 16 (recurso-padrão) e 17 a 83 (demais recursos repetitivos) será adotado o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 DOU de 29/09/2009, tendo como idêntica questão de direito a aplicação da Súmula Vinculante n°08 do SIE de 12/06/2008. 16- Recurso: 160125 Tipo: RVC Processo: 17546.000682/2007- 7J Recorrente: CEBRACE - CRISTAL PLANO LTDA Recorrida: DRI-CAMPINAS/SP Matéria: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA É o relatório. Voto Conselheiro EDGAR SILVA VIDAL, Relator, Sendo tempestivo, conheço do recurso. 2 Processo n°11330.000042/2007-18 S2-C3T1 Acórdão n.° 230100475 Fl. 2 Confrontando-se a data da ciência do lançamento com os relatórios preparados pela fiscalização, contata-se que todo o período objeto do lançamento está alcançado pela decadência, independentemente da regra aplicável, artigo 173, I ou artigo 150, §4° do CTN; motivo pelo qual adoto a decisão proferida no recurso-padrão, conforme relatório acima. Assim, voto pelo provimento do recurso. É como voto. Sala das Sessões, em 25 de jan o de 2010. EDG • • SILVA VIDAL/ Relator 3
score : 1.0
Numero do processo: 37071.006693/2006-14
Data da sessão: Wed Mar 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/0.3/1999 a 30/06/2003
RETENÇÃO DE, 11% SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL/FATURA. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA, ÓRGÃOS PÚBLICOS.
O órgão público também se subsume no conceito de empresa para fins de retenção de contribuições previdenciárias. É responsabilidade do órgão público contratante de serviços prestados mediante cessão de mão-de-obra, nas condições fixadas pelo art. 31 da Lei n° 8.212/91, promover a retenção de 11% incidente sobre o valor bruto das respectivas notas fiscais/faturas e a recolher o montante retido, no prazo legal, em nome da empresa prestadora.
PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008,
reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 17.3, I do CTN.
Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2302-000.443
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Marco André Ramos Vieira, Adriana Sato e Leôncio Nobre de
Medeiros acompanharam o relatar pelas conclusões Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Fábio Soares de Melo, sue entenderam se aplicar o art 150, parágrafo 4º do CIN.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201003
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/0.3/1999 a 30/06/2003 RETENÇÃO DE, 11% SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL/FATURA. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA, ÓRGÃOS PÚBLICOS. O órgão público também se subsume no conceito de empresa para fins de retenção de contribuições previdenciárias. É responsabilidade do órgão público contratante de serviços prestados mediante cessão de mão-de-obra, nas condições fixadas pelo art. 31 da Lei n° 8.212/91, promover a retenção de 11% incidente sobre o valor bruto das respectivas notas fiscais/faturas e a recolher o montante retido, no prazo legal, em nome da empresa prestadora. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 17.3, I do CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
numero_processo_s : 37071.006693/2006-14
conteudo_id_s : 6296916
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 18 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2302-000.443
nome_arquivo_s : Decisao_37071006693200614.pdf
nome_relator_s : ARLINDO DA COSTA E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 37071006693200614_6296916.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Marco André Ramos Vieira, Adriana Sato e Leôncio Nobre de Medeiros acompanharam o relatar pelas conclusões Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Fábio Soares de Melo, sue entenderam se aplicar o art 150, parágrafo 4º do CIN.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 24 00:00:00 UTC 2010
id : 8550681
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:17:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076937138208768
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-15T10:29:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-15T10:29:12Z; Last-Modified: 2010-12-15T10:29:13Z; dcterms:modified: 2010-12-15T10:29:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:d28a6bb3-20a0-4392-9684-013005d68498; Last-Save-Date: 2010-12-15T10:29:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-15T10:29:13Z; meta:save-date: 2010-12-15T10:29:13Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-15T10:29:13Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-15T10:29:12Z; created: 2010-12-15T10:29:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2010-12-15T10:29:12Z; pdf:charsPerPage: 1754; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-15T10:29:12Z | Conteúdo => S2-C3T2 FIGO IFIA1/41Ê- MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ,,, - SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 37071.006693/2006-14 Recurso n" 247.719 Voluntário Acórdão n" 2302410.443 — 3" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 24 de março de 2010 Matéria CESSÃO DE MÃO DE OBRA: RETENÇÃO, ÓRGÃOS PÚBLICOS Recorrente MUNICÍPIO DE ANTONIO PRADO - PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida DELEGACIA DA RECEITA PREVIDENCIARIA DE CAXIAS DO SUL / RS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/0.3/1999 a 30/06/200.3 RETENÇÃO DE, 11% SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL/FATURA. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA, ÓRGÃOS PÚBLICOS. O órgão público também se subsume no conceito de empresa para fins de retenção de contribuições previdenciárias. É responsabilidade do órgão público contratante de serviços prestados mediante cessão de mão-de-obra, nas condições fixadas pelo art. 31 da Lei n° 8.212/91, promover a retenção de 11% incidente sobre o valor bruto das respectivas notas fiscais/faturas e a recolher o montante retido, no prazo legal, em nome da empresa prestadora. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 17.3, I do CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros da 3" Câmara / r Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Marco André Ramos Vieira, Adriana Sato e Leôncio Nobre de Medeiros acompanharam o relatar pelas conclusões Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Fábio Soares de Melo, sue entendefam se aplicar • art 150, parágrafo 4 0 do CIN. - ANDRE RAMO IEIR4 — Presidente ARLINDO DA / • TArS'ILVA - Relator Participaram, ainda, ido presente julgamento, os Conselheiros: Eduardo de Oliveira (Suplente), Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva, Fábio Soares de Melo, Manoel Coelho Arruda Junior e Marco André Ramos Vieira (Presidente). Relatório Trata-se de Processo Administrativo Fiscal inaugurado pelo lançamento de contribuições previdenciárias através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD lavrada em face do Município de Antonio Prado — Prefeitura Municipal em 12,05.2006. A presente NFLD tem por objeto o lançamento tributário de contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, decorrentes da substituição tributária de que trata o art. 31 da Lei o' 8.212/91, apuradas mediante a aplicação da alíquota de 11% incidente sobre o valor bruto das notas fiscais ou faturas referentes à prestação de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, emitidas no período compreendido entre as competências 03/1999 e 06/2003, inclusive, as quais foram retidas mas não recolhidas pela recorrente aos cofres da Seguridade Social, conforme relatório fiscal à fls. 28/31. hresignado com o supracitado lançamento tributário, o notificado apresentou impugnação a fls. 33/38, A Delegacia da Receita Previdenciária em Caxias do Sul lavrou Decisão- Notificação (DN), a fls. 41/45, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Inconformada com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador, o ora recorrente interpôs recurso voluntário, a flá, 51/55, reSpaldando sua contrariedade erri argumentação assim desenvolvida: o Inexistência de responsabilidade solidária do Município. o Prescrição qüinqüenal do direito de cobrança. Ao fim, requer o recorrente a admissão do recurso voluntário, o cancelamento da NFLD respectiva, bem como o reconhecimento por parte da Fazenda Pública da inexistência de responsabilidade solidária do Município em relação ao recolhimento das contribuições previdenciárias constantes na NFLD correspondente, Relatados sumariamente os fatos relevantes. 2 Processo n°37071 006693/2006-14 S2-C3 T2 Acórdão n " 2302-00.443 Fl 61 Voto Conselheiro ARLINDO DA COSTA E SILVA, Relator 1.DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 13.10.2006, sexta-feira, conforme documento a fl. 47, iniciando-se, pois o decurso do prazo recursal na segunda-feira seguinte, diga-se, 16.10.2006, Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 14 de novembro de 2006, há que se reconhecer à tempestividade do recurso interposto. Superado o pressuposto temporal de admissibilidade do recurso, ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente à análise do mérito. 2.DO MÉRITO 2.1. DA SOLIDARIEDADE O Município recorrente fundamenta sua contrariedade na inexistência de solidariedade entre o município e as empresas prestadoras de serviços mediante cessão de mão- de-obra pelo recolhimento das contribuições previdenciárias objeto do presente processo administrativo. Com efeito, a Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, instituiu a responsabilidade solidária do contratante de serviços prestados mediante cessão de mão-de- obra com o executor desses serviços pelo recolhimento das contribuições previdenciárias, afastando, em qualquer caso, o instituto do beneficio de ordem. LEI 17° 8.212 jj24 de julho de 1991. Ar! 31 O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o beneficio de ordem Ocorre, no entanto, que, em 21.11.1998, foi publicada no D.O.U. a Lei n° 9.711/98, cujo artigo 23 alterou substancialmente a redação originária do art. 31 da Lei n° 8.212/91, instituindo no ordenamento jurídico pátrio o instituto da retenção de contribuições previdenciárias, assim dispondo que a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deveriam reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação desses serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão-de-obra, a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura. LEI n a 8.212, de 24 de infixo de 1991. Ar! 31 A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho 3 e temporário, deverá reter onze ,por cento do valor br uto da nota fiscal ou fatura de In estação de _serviços e recolher a impor tância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da inao-de-obr a, observado o disposto no 5" do art 33, (Redação dada pela Lei n°9 711, de 20/11/98) Cumpre ressaltar que o texto legislativo pautado no citado art. 31 da Lei n0 8212/91 emprega o vocábulo "EMPRESA" não em seu conceito econômico, mas, sim, para designar de forma genérica o sujeito passivo da obrigação tributária, na conformação definida expressamente no capítulo dedicado à caracterização dos contribuintes pelo art., 15 da própria Lei n° 8„212/91, o qual, pela relevância para o deslinde da questão, transcrevemos ad litteris et verbis,- LEI n" 8„212, de 24 de julho de 1991. Ari 1.5 Considera-se 1 - empresa - a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fimdacional, (grifos nossos). 11 - empregador doméstico - a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico Parágrafo único Equipara-se a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras (Redação dada pela Lei n°9.876, de 1999). Nessa perspectiva, não carece de elevada mestria a interpretação do texto legislativo segundo a qual a norma insculpida no precitado art. 31 tem o seu alcance estendido a todas as entidades, públicas ou privadas, compreendidas no conceito legal de empresa, para fins de custeio da seguridade social, conforme fixado no supratranscrito art. 15 do Diploma Legal ora em destaque. Diante desse quadro, exsurge com clareza solar que, mesmos os órgãos públicos da administração direta, ao contratarem serviços a serem prestados nas condições de contorno fixadas pelo aludido art. 31 da Lei n° 8.212/91, são obrigados a promover a retenção de 11% incidente sobre do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e a recolher a importância retida, no prazo legal, em nome da empresa cedente da mão-de-obra, Cumpre destacar, por relevante, que o instituto da retenção de contribuições previdenciár ias instituído pela Lei n° 9,711/98 não se consubstancia em nova contribuição social distinta daquela disciplinada originariamente pelo art. 22 da Lei n° 8212/91, mas, sim, numa sistemática diferenciada da forma de arrecadação da referida contribuição previdenciária, na qual as empresas nos termos do art. 15 da citada lei de custeio, por substituição tributária, passam a figurar como responsáveis tributários pela arrecadação e recolhimento antecipados do tributo em tela, conforme permissivo legal estampado nos artigos 121, II c,c„ 128, ambos do Código Tributário Nacional - CIN. 4# 4 Processo n" 37071 006693/2006-1/1 S2-C3T2 Acórdão n ° 2302-00.443 Fl. 62 Código Tributário Nacional - CTN CAPITULO IV Sujeito Passivo SEÇÃO I Disposições Gerais Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrofb único O sujeito passivo da obrigação principal diz- se. - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de (grifos nossos) CAPITULO Responsabilidade Tributária SEÇÃO Disposição Geral Art. 128 Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação Nesse sentido consolidou-se o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, como se depreende do julgado a seguir referenciado, cuja ementa tomamos a liberdade de transcrever: Ementa: TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS. ART .31 DA LEI N" 8 .212/91, COM A REDA çiro DADA PELA LEI N" 9 711/98. 1 A alteração que a Lei 17" 8 212/91 sofreu co;:: a edição da Lei n" 9,711/98 não criou qualquer nova contribuição sobre o .faturamento, não alterou a aliquota, menos ainda a base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento, sendo, por conseguinte, devida a retenção do percentual de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. .2 A Lei n" 9.711/98 criou unia nova sistemática na forma de arrecadação da contribuição em debate, em que, por -substituição tributária, as empresas passam a figurar como • -- responsáveis tributárias. 3 Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida (Súmula 83/STI) )1 5 4. Agravo Regimental improvido (Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n° 629 957; STJ 2". turma; Rei Min Castro Meira, DJ 21 032005) A toda prova, a obrigação imposta ao recorrente não tem como fundamento ,jurídico, de forma alguma, a responsabilidade solidária entre tomadores e prestadores de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, mas, sim, o instituto da retenção de contribuições previdenciárias instituído pela Lei n° 9.711/98. Nesse cenário, a recorrente figura como responsável tributário legal pelo recolhimento das contribuições previdenciárias ora constituídas. 2.2. DA PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA (sic) No que per tine à alegação de prescrição do direito de cobrança alegada pelo recorrente, tal rogativa, tecnicamente, também se mostra improcedente. Por evidente, só há que se falar em prescrição do direito de cobrança (sie) quando existe um crédito já constituído e exigível. A hipótese versada nos autos, a bem da verdade, trata do direito de constituição do crédito tributário, a toda vista, hipótese sujeita ao instituto da decadência de direito potestativo. Considerando tratar-se de matéria de ordem pública, embora não aventada pelo recorrente em seu apelo voluntário, a questão da decadência será apreciada ex O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante tf 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante n° 8 - "São inconstitucionais o pai ág1 único do ar ligo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8 212/91, que tratam de prescr ição e decadência de crédito tributário". Conforme estatuído no art. 103-A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante n° 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la de imediato. Art. 103-A, O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois' terços dos .seus membros, depois de leiter ada.s decisões sobre matéria constitucional, aprovai súmula que, a pai ti,' de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indir eia, nas esferas fedei ai, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na finvia estabelecida em lei Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n `) 8,212/91, urgem serem seguidas às disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional — CTN e nas demais leis de regência. 2,3 DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO O §1 0 do art, 113 do CTN dispõe que a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e extingue-use juntamente com o crédito dela decorrente. Tal assertiva legal traz como corolário inafastável que, para cada ocorrência de fato gerador típico, „-----717, \-6 Processo n°37071 006693/2006-14 S2-C312 Acórdão ri "2302-00,443 Fl 63 haverá o surgimento de urna obrigação tributária correspondente, a qual se manterá imaculada até que seja extinto o crédito tributário dela decorrente. Código Tributário Nacional - CTN Ari 113 A obrigação tributária é principal ou acessória § 1" A obrigação principal nage com a ocorrência do fato gerador; tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente § 2" A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, iela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos § 3" A obrigação acessória, pelo simples fizto da sua inobsemincia, converte-se em oln igação principal relativamente à penalidade pecuniária Nos termos do art. 142 do CTN, o crédito tributário de titularidade da Fazenda Pública é constituído pelo lançamento tributário, assim entendido o procedimento administrativo que tem por objetivo a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária correspondente, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido, a identificação do sujeito passivo da obrigação tributária em questão e, se for o caso, a proposição da aplicação da penalidade cabível. Código Tributário Nacional - CTN 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Notabilizam-se obrigação e crédito tributário como vestes distintas de urna mesma nudez, nascida da mera ocorrência do fato gerador no mundo real dos fatos. O lançamento tributário, então, se nos apresenta como um divisor de águas entre a obrigação tributária e o crédito tributário: aquela, surgida imediatamente com a ocorrência do fato gerador, sujeita ao instituto da decadência, porém, inexigível juridicamente; este, nascido com os procedimentos administrativos do lançamento, exigível juridicamente mediante a ação de execução fiscal, e cuja pretensão se sujeita ao prazo prescricional fixado no art, 174 do CTN. O lançamento tributário configura-se dessarte como o justo título do crédito tributário, assentando os contornos de formalidade e materialidade da pretensão da Fazenda Pública. Nesse contexto, só há que se falar em crédito tributário quando já ultrapassado o procedimento administrativo do lançamento, Antes deste, verifica-se a existência, tão somente, das obrigações tributárias, inexigíveis por natureza. O parágrafo 7' do art. 33 da Lei n° 8,212/91, com a redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores ora discutidos, estabelecia que o crédito da seguridade social 7 "() era constituído por meio de notificação de débito, auto-de-infração, confissão ou documento declaratório de valores devidos e não recolhidos apresentados pelo contribuinte., Lei n°8.212, de 24 de julho de 1991. Ar! 33 Ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais pr.evistas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do ar! 11, e ao Departamento da Receita Federal - DRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente )- §7" O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de débito, auto-de-infração, confissão ou documento declaratório de valores devidos e não recolhidos apresentados pelo contribuinte (Parágrafo acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10 1.2 97). Ora, sendo o crédito tributário constituído exclusivamente pelo lançamento, fácil é concluir que o lançamento de contribuições previdenciárias se dava, à época, por meio de notificação de débito, auto-de-infração, confissão ou documento declaratório de valores devidos e não recolhidos apresentados pelo contribuinte. Como é cediço, as contribuições previdenciárias são espécies de tributos lançados por homologação, nos termos do art. 150 do CTN. Registre-se que na redação desse dispositivo legal, o legislador foi bastante técnico, diferenciando perfeitamente o crédito tributário (§§ 1° e 4°) da obrigação tributária (§§ 2° e 3°).. Código Tributário Nacional CTN Art, 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa,. • •§1 0 O pagamento antecipado pelo obrigado nos trinos &Sie • artigo extingue o crédito, sob condição resohitória da ulterior homologação ao lançamento. §2" Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito §3" Os atos a que se refere o parágrafo ante, ior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação §4" Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto /8. Processo n°3707! 006693/2006-14 S2-C3T2 Acórdão n ° 2302-00.443 Fl 64 o ci édito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação Constitui-se regra de hermenêutica jurídica a vinculação visceral existente entre os parágrafos e o caput de um mesmo artigo de lei. Tal regra conduz à noção de que inexiste independência entre esses elementos integrantes de um mesmo dispositivo legal, ou seja, as disposições contidas nos parágrafos têm que ser interpretadas em consonância com as determinações enclausuradas no respectivo caput. O lançamento tributário, à luz do art. 142 do CTN, é uma competência privativa (não exclusiva) da autoridade administrativa. Para que ele ocorra, portanto, é necessário que a autoridade administrativa competente o execute diretamente ou, que pelo menos, nas hipóteses previstas em lei, o homologue, isto é, o ratifique, o reconheça juridicamente como legitimo. Nos exatos termos do capta do art, 150 do CTN, o lançamento por homologação "opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa". A qual atividade exercida pelo obrigado se refere o caput do citado art. 150? Não resta dúvida que a atividade a que se refere o caput do indigitado dispositivo legal consiste na antecipacão do pagamento do tributo correspondente, haja vista tratar-se da única ação a cargo do obrigado previsto no texto legal ora em estudo. Na escultura jurídica talhada no art. 150 do CTN, erguem-se como elementos essenciais a figurarem obrigatoriamente nos lançamentos por homologação: a) O pagamento antecipado do tributo devido; e b) A homologação desse lançamento, por parte da autoridade administrativa competente. A ausência de qualquer um desses elementos, dada a sua essencialidade, afasta por completo a ocorrência do lançamento por homologação e, via de conseqüência, os seus efeitos jurídicos. O pagamento antecipado do tributo devido pode ser efetuado em conformidade com as disposições inscritas nos artigos 157 a 164 do CTN. Já a homologação do lançamento pode se dar de duas formas, a saber: a) De forma expressa, mediante ato administrativo exarado para tais fins pela autoridade competente, conforme disposto no mim, in , fine do art. 150 do CTN, b) De forma tácita, em razão do decurso do prazo de cinco anos, se a lei não fixar prazo distinto, a contar da ocorrência do fato gerador lançado, a teor do §4° do art. 150 do CTN, ressalvadas as hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Há que se notar que, o único efeito jurídico que se pode extrair do §4° do art, 150 do CTN é o estabelecimento de um prazo para que a Fazenda Pública promova a homologação expressa. Vencido esse prazo, tal homologação expressa perde seu objeto, urna vez que o lançamento já se encontrará homologado pelo mero decurso do prazo. O entendimento acima exarado encontra amparo também nas disposições presentes no parágrafo primeiro do mesmo artigo, o qual reza que "o pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condiçcio resolutó ria da ulterior _ ' homologação ao lançamento" Ou seja, se não houver homologação do lançamento, a extinção do crédito se resolve, isto é, o crédito tributário não poderá ser considerado legalmente extinto. Por outro lado, havendo o decurso do prazo legal, dar-se-á a homologação do lançamento e, por conseqüência direta, a extinção do crédito tributário No entanto, se for comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, tal homologação igualmente não ocorrerá e, da mesma forma, não se verificará a extinção do crédito em relevo. A homologação, como visto acima, pode ser expressa ou tácita. Mas o pagamento antecipado do tributo devido será sempre necessário, Na hipótese de os fatos geradores terem sido declarados ao fisco, v,g. através da entrega de GF IP, porém o valor relativo ao tributo devido não ser pago no prazo previsto na legislação, não incorrerá hipótese de lançamento por homologação, eis que inobservado o requisito essencial do pagamento antecipado Nesse caso específico, se dará a constituição do crédito tributário correspondente aos fatos geradores declarados na GFIP, na forma descrita no §70 do art. 33 cc. art. 32, §2° ambos da Lei n°8.212/91, in verbis: Lei 1108.212, de 24 de fullzo de 1991. Art 32 A empresa é também obrigada a IV - declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Cm ador do Fundo de Ga) anua do Tempo de Serviço - FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos pot esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS, (Redação dada pela Lei n°11941/2009) § 2" A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas infbrmações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos beneficios previdenciários, Art 33 ) § O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de lançamento, de auto de infração e de confissão de valores devidos e não recolhidos pelo contribuinte (Redação dada pela Lei n°11 941/2009) Nessa situação, estando o crédito tributário constituído tão só pela entrega eficaz da WH"), não havendo o pagamento do tributo devido, passa a correr contra a Fazenda Pública o prazo prescricional de que trata o art. 174 do CTN para que seja ajuizada a competente ação de execução fiscal, consoante o trâmite fixado na Lei n° 6.830/80. código Tributário Nacional - A t 174 A ação pala a cobrança do ci édito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva Processo n°37071 006693/2006-14 S2-C3T2 Acórdão n 2302-00.443 Fl 65 Conforme já salientado alhures, para cada ocorrência de fato gerador típico há o surgimento de uma obrigação tributária correspondente, a qual se mantém inalterada até que seja extinto o crédito tributário dela decorrente. Nessa esteira, se acaso algum fato gerador praticado pelo sujeito passivo não estiver compreendido em um lançamento tributário, a obrigação tributária a ele correspondente não se converterá em crédito tributário, ou seja, não haverá lançamento, não havendo que se falar, pois em lançamento por homologação para os fatos geradores omissos. Não se deve olvidar que o §2° do ora estudado art. 150 também dispõe que não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. De outro eito, informa o §3° do mesmo dispositivo legal que qualquer ato praticado pelo sujeito passivo ou por terceiro anterior à homologação, visando à extinção total ou parcial do crédito, serão considerados na apuração do saldo porventura devido. Nesse diapasão, revela-se que, nos casos de lançamento por homologação, o crédito tributário (ou seja, o produto do lançamento tributário) pode ser extinto de duas maneiras: a) Pelo pagamento antecipado do montante de tributo devido conjugado com a homologação expressa por parte da autoridade competente, (art. 150, §1° do CTN); b) Pelo pagamento antecipado do montante de tributo devido e, conjuntamente, pelo decurso do prazo de 5 anos contados da data de ocorrência do fato gerador, nos casos em que não houver homologação expressa por parte da fazenda pública, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação (art. 150, §1° do CTN). 23.1 DA DECADÊNCIA O inciso I do art. 173 do CTN estabelece que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, Esta é a regra geral da decadência do direito que dispõe a Fazendo Pública de promover o lançamento tributário relativo às obrigações tributárias ainda não extintas. Código Tributário Nacional - CTN Art. 173. O di, eito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos-, contados - I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado Parágrafo único O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento Conforme já destacado anteriormente, as contribuições previdenciárias são espécies de tributos sujeitas a lançamento por homologação. No caso específico das contribuições sociais previdenciárias a cargo dos segurados empregados e da empresa a que se referem respectivamente os artigos 20 e 22 da Lei n° 8212/91, a empresa, nos moldes entalhados no art. 15 deste mesmo Diploma Legal, é obrigada a prestar ao fisco declaração formal contendo todos os dados relacionados a fatos geradores, bases de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS, conforme estatuído no art. 32, IV da citada Lei de Custeio da Seguridade Social. Tal declaração, nos efeitos apontados no §2° desse mesmo dispositivo legal, constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário correspondente. Lei n°8.212, de 24 de lidho de 1991. Ari 32 A empresa é também obrigada a. ( ) IV - declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS, (Redação dada pela Lei n" 11 941, de .27 de maio de .2009) ( ) § 2°A declaração de que ti ata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas infor mações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários (Redação dada pela Lei n°11 941, de 27 de maio de 2009) Deflui da conjugação das normas inscritas no art, 142 do CTN e nos artigos 32, IV e §2° e 33, §7° ambos da Lei n° 8.212/91, que a entrega à Fazenda Pública da declaração de que trata o inciso IV do art. 32 da Lei n° 8.212/91, in casu, a Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, por constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores nela declarados, consubstancia-se no próprio lançamento tributário relativo a esses mesmos fatos geradores, na modalidade por homologação. Nessa situação ora descrita, o pagamento integral do tributo calculado pelo Sistema Empresa de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - SEFIP extingue o crédito e as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores declarados (Ait. 150, §1 0 do CTN).. Da mesma forma, o decurso do prazo de cinco anos contados da ocorrência dos fatos geradores também se constitui causa extinfiva do crédito e das obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores constantes na GFIP (art. 150, §4° do CTN).. No quadro desenhado acima, os fatos geradores não declarados na GFIP, malgrado tenham dado origem às obrigações tributárias correspondentes, estas não se convolaram em crédito tributário, em razão da inocorrência do necessário e indispensável lançamento tributário. Logo, em relação aos fatos geradores não declarados na GFIP, não há qualquer lançamento a se sujeitar à homologação, nem tampouco crédito tributário constituído. Contudo, conforme já demonstrado, a obrigação tributária permanece viva, podendo a qualquer momento convolar-se no crédito tributário correspondente, enquanto não caducar o direito da fazenda Pública de promover o lançamento (art. 173, I do CTN). 12 Processo n°37071 006693/2006-14 S2-C3T2 Acórdão n '2302-00,443 Fl 66 Note-se que a obrigação tributária só se extingue com a extinção do crédito tributário correspondente. Registre-se que o art. 156 do CTN apenas elenca causas de extinção do crédito tributário, nunca da obrigação tributária. Códieo Tributário Nacional - CTN Art. 156 Evinguem o crédito tributário. I - o pagamento, II - a compensação, 111- a transação, Iv - remissão, V - a prescrição e a decadência; VI - a conversão de depósito em renda; - o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos- termos do disposto no artigo 150 e seus .§§ .1" e 4", VIII - a consignação em pagamento, nos termos do disposto no 2" do artigo 164, IX - a decisão administrativa irrefor, móvel, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória,' X - a decisão judicial passada em julgado XI — a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidos em lei (Incluído pela Lcp 17 104, de 10 I .2001) Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149. Nesse contexto, enquanto conjuntamente não for extinta a obrigação tributária (art. 113, §1° do CTN) e não transcorrer integralmente o curso do prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública constituir o respectivo crédito tributário (art. 173 do CTN), a autoridade administrativa disporá ainda do poder/dever de efetuar o lançamento tributário correspondente. Da análise da legislação mencionada, sob cuja égide ocorreram os fatos ora em julgamento, exclusivamente em relação ao lançamento por homologação, deriva que: a) O pagamento integral do tributo referente ao crédito tributário devidamente constituído pelo lançamento extingue o crédito e as obrigações tributárias correspondentes, sob condição resolutória de ulterior homologação (Art. 150, §1 0 cc. art. 156, VII, ia parte, ambos do CTN). b) O decurso do prazo de cinco anos contados da ocorrência dos fatos geradores extingue o crédito tributário correspondente às obrigações tributárias convoladas pelo lançamento (Art. 150, §40 c.c. art„ 156, VII, in fine, ambos do CTN). - 13 c) Em relação aos fatos geradores que não foram objeto de lançamento tributário, a fazenda pública dispõe do prazo decadencial previsto no art, 173 do CTN para a constituição do crédito tributário correspondente, eis que a obrigação tributária permanece viva. d) No que se refere aos fatos geradores declarados, sem o correspondente pagamento antecipado do tributo devido, passa a correr contra a fazenda Pública o prazo de prescrição prevista no art.. 174 do CTN para que seja ajuizada a respectiva ação de execução fiscal. Na hipótese vertida nos autos, o lançamento tributário foi efetuado em 12 de maio de 2006, mediante a lavratura de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. Em virtude da inocorrência de pagamento antecipado referente aos valores objeto da discutida NFLD, conforme informado no relatório fiscal, não se sujeita o caso em julgamento às hipóteses previstas no art. 150 do CTN. Dessarte, restando viva a obrigação tributária principal sub exanzine, mantém-se operante o direito da Fazenda Pública de promover a constituição do crédito tributário cuja obrigação tributária correspondente ainda não tenha sido alcançada pela decadência, nos termos estampados no art. 173, I do CTN. Pelo exposto, encontram-se atingidas pela fluência do prazo decadencial todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos na competência novembro de 2000 e nas competências anteriores a esta, caducando, por conseguinte, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário a elas correspondente 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, CONCEDER-LHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluídos todos os lançamentos relativos aos valores de retenção destacadas nas notas fiscais/faturas emitidas na competência novembro de 2000 e nas competências anteriores a esta, É como voto. Sala das Sessões, em 24 de março de2010 ARLINDO DA cOSTA _Ì ILVA Relatar 14
score : 1.0
