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Numero do processo: 10768.010399/2001-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA - CPMF
Período de apuração: 22/08/1997 a 11/01/2000
APLICAÇÃO FINANCEIRA DE RENDA FIXA. REAPLICAÇÃO AUTOMÁTICA. TRÂNSITO PELA CONTA CORRENTE. CPMF. NÃO INCIDÊNCIA.
Nas aplicações financeiras de renda fixa, inclusive reaplicação automática, os valores aplicados, os resgates, o pagamento de rendimentos e a reaplicação, ainda que transitem por conta corrente que não seja de investimento, não sofrerão a incidência de CPMF.
NORMAS COMPLEMENTARES – IMPOSSIBILIDADE DE RESTRIÇÃO DE LEI OU INOVAÇÃO.
A Instrução Normativa, bem como as Notas de esclarecimento realizadas pelos órgãos técnicos da Receita Federal, são espécies jurídicas de caráter secundário cuja normatividade está diretamente subordinada à lei. Inteligência dos artigos 96 e 100 do Código Tributário Nacional – CTN. A NOTA COSIT/COTIR/DINIEF 632, de 03/12/99, bem como a Instrução Normativa 678 IN SRF de
19/09/2006, que trataram da não incidência de CPMF nos valores decorrentes de reaplicação automática, são normas interpretativas, não inovadoras, pela própria impossibilidade do meio.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-001.423
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da redatora designada. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva, Relator, e José Antonio Francisco. Designado a Conselheira
Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor.
Matéria: CPMF - proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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REAPLICAÇÃO AUTOMÁTICA. TRÂNSITO PELA CONTA CORRENTE. CPMF. NÃO INCIDÊNCIA. Nas aplicações financeiras de renda fixa, inclusive reaplicação automática, os valores aplicados, os resgates, o pagamento de rendimentos e a reaplicação, ainda que transitem por conta corrente que não seja de investimento, não sofrerão a incidência de CPMF. NORMAS COMPLEMENTARES – IMPOSSIBILIDADE DE RESTRIÇÃO DE LEI OU INOVAÇÃO. A Instrução Normativa, bem como as Notas de esclarecimento realizadas pelos órgãos técnicos da Receita Federal, são espécies jurídicas de caráter secundário cuja normatividade está diretamente subordinada à lei. Inteligência dos artigos 96 e 100 do Código Tributário Nacional – CTN. A NOTA COSIT/COTIR/DINIEF 632, de 03/12/99, bem como a Instrução Normativa 678 IN SRF de 19/09/2006, que trataram da não incidência de CPMF nos valores decorrentes de reaplicação automática, são normas interpretativas, não inovadoras, pela própria impossibilidade do meio. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da redatora designada. Vencidos os Fl. 120DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 conselheiros Walber José da Silva, Relator, e José Antonio Francisco. Designado a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS – Redatora designada. EDITADO EM: 14/04/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório O Contribuinte WILSON CORRÊA, e sua esposa ALBERTINA PEREIRA CORRÊA, ingressaram com o pedido de restituição de CPMF incidente sobre Depósitos a Prazo de Reaplicação Automática (de fls. 01), mantido na CEF. Como prova de que a retenção e o recolhimento da CPMF foram indevidos, junta cópia da NOTA COSIT/COTIR/DIMEF/Nº 632, de 03/12/1999, e dos extratos D.A.R. da conta nº 00000102, em nome de Albertina Pereira Corrêa e/ou, CPF nº 081.319.30793, relativa ao período de 08/97 a 03/00 (fls. 06/24 e 36 a 41). A DRF no Rio de Janeiro RJ indeferiu o pedido do recorrente, alegando que ocorreu o fato gerador da CPMF, conforme Despacho Decisório e Relatório de fls. 26/30. Ciente da decisão, o contribuinte interessado ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 34/35, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 3a Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro RJ indeferiu a solicitação do recorrente, nos termos do Acórdão DRJ/RJOI no 9.476, de 31/01/2006 – fls. 71/73. O recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 05/05/2006 e, discordando da mesma, ingressou, no dia 04/03/2006, com o recurso voluntário de fl. 79, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade. Na sessão do dia 02/02/2010, a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, baixou o processo em diligência à repartição de origem, nos termos da Resolução nº 330200.033, para intimar o recorrente a apresentar o seguinte: Fl. 121DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10768.010399/200116 Acórdão n.º 3302001.423 S3C3T2 Fl. 2 3 1 procuração ou autorização, com firma reconhecida, da Sra. Albertina Pereira Corrêa, CPF nº 081.319.30793, dando poderes ao recorrente para pleitear a restituição em tela. O reconhecimento da autenticidade da assinatura pode ser feita por servidor da Receita Federal do Brasil, desde que assinado em sua presença. 2 cópia integral dos extratos da conta corrente nº 00000102, da CEF, relativo ao período objeto do pedido de restituição. Intimado pela RFB, o recorrente atendeu integralmente o solicitado no item 1 e, quando ao item 2, juntou correspondência da Caixa Econômica Federal na qual informa que “a conta 0000102 não é uma conta corrente, mas sim uma conta vinculada a uma conta corrente de mesma titularidade” (fl. 96) sem, contudo, informar o número da conta corrente e nem juntar cópia dos extratos. Na sessão do dia 05/05/2011 a Turma de Julgamento resolveu converter novamente o julgamento em diligência para que fosse juntado aos autos cópia dos extratos da conta corrente do recorrente vinculada às aplicações D.A.R, conforme Resolução nº 3302 00.117. Em resposta ao quesito da diligência, o Recorrente informa que a conta corrente vinculada às aplicações em tela é a de nº 0210.001.009463267, cujos extratos encontramse nos autos. É o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O julgamento do presente recurso voluntário teve início na sessão do dia 02/02/2010, com a expedição da Resolução nº 330200.033, retornando para julgamento nas sessão do dia 05/05/2011, quando foi expedido a Resolução nº 330200.117, retornando os autos da origem no dia 12/08/2011. Como relatado, tratase de pedido de restituição de CPMF debitada ao Recorrente em sua conta de DAR (ou DPRA Depósito a Prazo de Reaplicação Automática) mantida junto à Caixa Econômica Federal, conforme extratos da mesma. Antes de adentrar no mérito da questão, entendo conveniente transcrever os dispositivos legais envolvidos na lide. Lei nº 9.311/96: Art. 16. As aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável e a liquidação das operações de mútuo serão efetivadas Fl. 122DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 somente por meio de lançamento a débito em conta corrente de depósito do titular da aplicação ou do mutuário, ou por cheque de sua emissão. § 1° Os valores de resgate, liquidação, cessão ou repactuação das aplicações financeiras, de que trata o caput deste artigo, bem como os valores referentes a concessão de créditos, deverão ser pagos exclusivamente ao beneficiário mediante cheque cruzado, intransferível, ou creditados em sua conta corrente de depósito. § 2° O disposto neste artigo não se aplica às contas de depósito de poupança, cujos titulares sejam pessoas físicas, bem como às contas de depósitos judiciais e de depósitos em consignação em pagamento de que tratam os parágrafos do art. 890 da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, introduzidos pelo art. 1° da Lei n° 8.951, de 13 de dezembro de 1994. § 3° O Ministro de Estado da Fazenda poderá dispensar da obrigatoriedade prevista neste artigo a concessão ou a liquidação de determinadas espécies de operações de mútuo, tendo em vista os respectivos efeitos sociais. Instrução Normativa SRF n° 003/1997 Art. 14. Considerase repactuação, para efeito de atendimento ao disposto no § 1° do art. 16, da Lei n° 9.311, de 1996, qualquer modificação nas condições estipuladas por ocasião da contratação inicial de operações de renda fixa, tais como alteração de taxas ou de prazos de vencimento. Parágrafo único. Para efeito do disposto neste artigo, no caso de aplicações financeiras contratadas a taxas flutuantes, o prazo de vencimento, os critérios para a formação da respectiva taxa e outras condições intrínsecas à realização da operação, deverão ser fixados no momento inicial da referida contratação, caracterizandose como repactuação qualquer alteração posterior. Art. 15. Aplicase o disposto no § 1o do art. 16 da Lei no 9.311, de 1996, aos valores dos rendimentos periódicos produzidos por títulos ou valores mobiliários, tais como juros e dividendos, bem assim aos de amortizações ou resgates parciais, pagos ou creditados ao contribuinte. Instrução Normativa SRF n° 66/1999 Art. 14. Considerase repactuação, para efeito de atendimento ao disposto no § 1° do art. 16 da Lei n° 9.311, de 1996, qualquer modificação nas condições estipuladas por ocasião da contratação inicial de operações de renda fixa, tais como alteração de taxas ou de prazos de vencimento. Parágrafo único. Para efeito do disposto neste artigo, no caso de aplicações financeiras contratadas a taxas flutuantes, o prazo de vencimento, os critérios para a formação da respectiva taxa e outras condições intrínsecas à realização da operação, deverão ser fixados no momento inicial da referida contratação, Fl. 123DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10768.010399/200116 Acórdão n.º 3302001.423 S3C3T2 Fl. 3 5 caracterizandose como repactuação qualquer alteração posterior. Art. 15. O disposto no art. 16 da Lei n° 9.311, de 1996, aplica se a qualquer operação financeira de renda fixa ou de renda variável, inclusive em relação: I – às operações de transferência de dívidas de que trata o art. 65, § 4º, alínea "b" da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, cujos valores deverão, obrigatoriamente, transitar pela conta corrente de depósito do cedente; II – aos valores dos rendimentos periódicos produzidos por títulos ou valores mobiliários, tais como juros e dividendos, bem assim aos de amortizações ou resgates parciais, pagos ou creditados ao contribuinte. Nota COSIT/COTIR/DINIEF/N° 632, de 03 de dezembro de 1999 9. Cotejando as normas de natureza financeira que caracterizam o DPRA com as disposições tributárias aplicáveis, é conclusivo que: a) o DPRA cujas condições fixadas inicialmente não foram alteradas a cada reaplicação automática, não está obrigado a transitar em conta corrente, na data de vencimento de cada período, se não houve, efetivamente, resgate de qualquer valor; b) o valor de cada resgate, com ou sem rendimento, e o valor da aplicação financeira devem transitar obrigatoriamente em conta corrente, sujeitandose à CPMF a cada saque; c) o DPRA que, não obstante tenha mantido inalteradas as condições iniciais da operação no que se refere à remuneração pela TBF, mas que venha renegociar valor de prêmio eventualmente contratado ou que, por qualquer meio, venha incluílo como remuneração adicional, deverá ter a CPMF retida, obrigatoriamente, pelo valor total da operação. Assim, a base de cálculo é o valor integral da aplicação (principal acrescido de quaisquer taxas remuneratórias) As disposições do art. 16 da Lei nº 9.311/96 são claras ao determinar que todas as aplicações financeiras de renda fixa serão efetivada somente por meio de lançamento a débito em conta corrente de depósito do titular da aplicação. Da mesma forma, os valores de resgate, liquidação ou repactuação das aplicações financeiras de renda fixa deverão ser pagas por meio de crédito em conta corrente de depósito. A primeira conclusão que se tira das disposições legais acima é que as aplicações financeiras estão vinculadas a uma conta corrente do mesmo titular; a segunda conclusão é que o valor das aplicações financeiras e de seu resgate, incluindo principal e remuneração, devem transitar pela referida conta corrente. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 No caso dos autos, a Recorrente e a instituição financeira (Caixa Econômica Federal) informam que a conta corrente vinculada às aplicações financeiras da recorrente, objeto deste processo, é a de nº 0210.001.009463267, cujos extratos estão às fls. 42/65 dos autos. Pelos extratos da conta corrente nº 0210.001.009463267 vêse claramente que, ao contrário do afirmado pela Recorrente e pela CEF, nenhum dos valores das aplicações financeiras em renda fixa da recorrente transitaram por esta conta corrente, exceto a aplicação de R$ 3.000,00 ocorrida no dia 22.12.1999, salvo engano. Sequer o valor dos rendimentos pagos pela CEF transitaram pela conta corrente do Recorrente para em seguida ser aplicado. Os rendimentos pagos pela CEF não fazem parte da aplicação original feita pela Recorrente e, portanto, não há que se falar em reaplicação automática desses valores. Além dos rendimentos pagos pela CEF, os valores resgatados pela Recorrente também não transitaram pela conta corrente supostamente vinculada ao DAR em tela. Pelo que se extrai dos documentos juntados aos autos, mesmo não transitando pela conta corrente, aparentemente, a CEF efetuou a retenção da CPMF nas reaplicações (do principal e da remuneração). Não há evidencia de que tenha sido efetuado a retenção da CPMF nas novas aplicações e nos resgates, posto que, como já se disse, não transitaram pela conta corrente da Recorrente como determina a Lei nº 9.311/96, onde deveriam sofrer a retenção. Esclareçase que não há questionamento quanto a obrigatoriedade dos pagamentos feitos pela CEF, a título de remuneração do DAR, passarem pela conta corrente do aplicador. Também não há questionamento quanto a obrigatoriedade das novas aplicações transitarem pela conta corrente do aplicador. Portanto, a controvérsia restringese aos valores já aplicados no DAR que são automaticamente reaplicados na data de seus vencimentos. Esses valores estão obrigados a transitar pela conta corrente e, consequentemente, sobre eles deve incidir a CPMF? Este é o cerne da questão. O Recorrente está pleiteando a restituição da integralidade da CPMF retida pela CEF nas suas aplicações de DAR, independente de se referir a novas aplicações ou a resgates. Vêse, portanto, que o pleito do Recorrente é improcedente, pelo menos em parte. Quanto a obrigatoriedade do valor aplicado em renda fixa (o principal), e reaplicado automaticamente da data aprazada para o seu resgate, transitar pela conta corrente entende a COSIT, nos termos da alínea “a” do item 9, da Nota COSIT/COTIR/DINIEF/N° 632, de 03/12/99, que “o DPRA cujas condições fixadas inicialmente não foram alteradas a cada reaplicação automática, não está obrigado a transitar em conta corrente, na data de vencimento de cada período, se não houve, efetivamente, resgate de qualquer valor”; Ou seja, se as condições pactuadas não se alterarem e não houver resgate de qualquer valor, a reaplicação automática na data de vencimento de cada período não está obrigada a transitar em conta corrente. Não vejo respaldo legal para esta interpretação da COSIT. O caput do art. 16 da Lei nº 9.311/96 determina que as aplicações financeiras devem transitar pela conta corrente do aplicador e seu § 1º trata da obrigatoriedade dos “valores de .... repactuação das aplicações financeiras” transitarem pela conta corrente. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10768.010399/200116 Acórdão n.º 3302001.423 S3C3T2 Fl. 4 7 No caso dos DPRA, embora sob as mesmas condições, há aplicação financeira nova, posto que a anterior foi encerrada e o principal e os rendimentos entregues ao aplicador. O § 1º do artigo 16 da Lei nº 9.311/96 não trata de aplicação financeira encerrada que deve começar de novo, mas de aplicação financeira em curso e que sofre alteração em suas condições, por acordo entre as parte. Não é o caso de aplicação automática, onde um mesmo capital (ou o capital mais os rendimentos) são aplicados sucessivamente e sob as mesmas condições da aplicação anterior. O fato das aplicações sucessivas resultarem de uma ordem dada no passado, não caracteriza a operação como repactuação e nem desfaz a sua natureza de aplicação nova: concluiu uma operação financeira e iniciou outra, como bem disse a Nota COSIT nº 118/97, objeto de interpretação pela Nota COSIT/COTIR/DINIEF/Nº 632/99, ainda que sob as mesmas condições. 5. A alegação da interessada, de que não é feita nova negociação a cada três meses é improcedente, uma vez que a cláusula contratual de reaplicação trimestral implica renegociação automática do ativo, ainda que sob as mesmas condições. Tanto é que somente com a edição da IN SRF nº 678, de 19/09/2006, e somente para as aplicações realizadas a partir de 01/10/2004, foi permitido que os lançamentos de aplicações financeiras fossem realizados diretamente na conta de investimento, sem transitar pela conta corrente, desde que a aplicação tenha sido realizada por intermédio de lançamento a débito desta mesma conta. Para as aplicações realizadas antes de 01/10/2004, como é o caso dos autos, não havia previsão legal para as aplicações automáticas, e seus rendimentos, não transitarem pela conta corrente do aplicador. Portanto, não ocorreu retenção indevida de CPMF por parte da CEF, relativamente às aplicações financeiras da Recorrente em operações de DAR, sendo indevido o seu pedido de restituição. Por último, na hipótese de ser vencido e prevalecer o voto no mesmo sentido da orientação dada pela Nota COSIT/COTIR/DINIEF/N° 632, de 03/12/1999, de que os valores reaplicados pelo Recorrente não deveriam transitar pela conta corrente e, portanto, sofrer a tributação da CPMF, há que se determinar a partir de quando tal orientação deve ser aplicada pela CEF em relação às aplicações do recorrente. Referida nota nasceu da interpretação de outra Nota COSIT que tinha sido expedida em razão de uma indagação da FEBRABAN. Como houve mudança de entendimento da Administração, este novo entendimento aplicase a partir da ciência à FEBRABAN dos termos da Nota COSIT/COTIR/DINIEF/N° 632, de 03/12/1999, conforme determina o art. 100 do Regulamento do PAF, aprovado pelo Decreto nº 7.574/2011. Portanto, somente seriam indevidas, sujeitandose à repetição do indébito, as retenções de CPMF feitas pela CEF na conta DAR do recorrente a partir da data em que a FEBRABAN tomou ciência da Nota COSIT/COTIR/DINIEF/N° 632/99. Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 (assinado digitalmente) Walber José da Silva Voto Vencedor Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Redatora Designada. Conforme relatado, tratase de pedido de restituição de valores recolhidos a título de CPMF incidente sobre Depósitos a Prazo de Reaplicação Automática (de fls. 01), mantido pelo recorrente na Caixa Econômica Federal CEF. Registrase que o d. Conselheiro Relator informa que ao compulsar os autos constatou que, na prática, além de valores decorrentes da reaplicação automática, também havia receitas novas e simples resgates. Em resumo, o Recorrente pleiteia a restituição da CPMF que lhe foi retida em virtude da reaplicação automática de valores no período de 08/97 a 03/00 (fls. 06/24 e 36 a 41), ou seja, antes de 01/10/2004, sendo que alguns dos valores dos autos não decorrem destas reaplicações. Inicialmente tratemos dos valores divergentes do objeto do pedido, por não se tratarem de reaplicações. Sem maiores digressões sobre o tema, a turma entendeu pelo indeferimento do pedido neste particular, nos termos do Voto do Conselheiro Relator. O julgamento continuou, portanto, acerca do real pedido do processo, a restituição da CPMF incidente sobre valores que transitaram na conta corrente em virtude do procedimento da reaplicação automática de investimentos. No que se refere ao ponto fulcral destes autos, o d. Conselheiro Relator entende que a Lei nº 9.311/96 determina, como um dos fatos geradores da CPMF, os valores que transitaram na conta corrente em razão do procedimento de reaplicação de operação financeira. Neste sentido, o simples fato de transitar em conta corrente, em seu entender, já seria suficiente para a incidência da tributação. O ilustre Relator argumenta ainda que, apenas com o advento da Instrução Normativa 678 IN SRF de 19/09/2006, e somente para as aplicações realizadas a partir de 01/10/2004, e que “foi permitido que os lançamentos de aplicações financeiras fossem realizados diretamente na conta de investimento, sem transitar pela conta corrente, desde que a aplicação tenha sido realizada por intermédio de lançamento a débito desta mesma conta.” É exatamente neste ponto que discordo do entendimento apresentado. Parece me que a questão está na interpretação da legislação que instituiu a CPMF e, consequentemente, determinou sua hipótese de incidência e base de cálculo deste tributo. A reaplicação de valores (que, reiterase atinge valores já existentes, não novos) está na hipótese de incidência da CPMF? Deve compor a base de cálculo do tributo? Ao expor suas razões, o relator esclareceu que entende a hipótese legal da CPMF de forma ampla, ampla o suficiente para alcançar toda e qualquer movimentação Fl. 127DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10768.010399/200116 Acórdão n.º 3302001.423 S3C3T2 Fl. 5 9 bancária, ainda que se trate de reaplicação automática de valores. Logo, concluiu o Relator pela interpretação literal dos termos legais, entendendo que o contribuinte não tem direito à restituição do valor que lhe foi retido. Divirjo, justamente, em relação à esta interpretação literal realizada. Entendo que a interpretação da norma deve ser realizada de forma sistemática e lógica, com análise de todas as demais regras do ordenamento, sob pena, inclusive de perder se o contexto. Para interpretação da norma, devese analisar o sistema em que a norma está inserida, relacionandoa às demais regras existentes, inclusive às complementares pertinentes ao mesmo objeto, bem como aos princípios orientadores da matéria e outros elementos que venham a fortalecer a interpretação de modo integrado, e não isolado. Neste aspecto, não compartilho com o entendimento apresentado pelo Relator, de que a CPMF, pelos termos legais, alcança valores referentes à reaplicação automática. Ao contrário, meu entendimento é de que esta incidência representaria a bi tributação dos valores aplicados, uma vez que não se trata de receita nova, apenas aplicação automática. E o reforço deste entendimento está, justamente, na IN SRF 678/06. De acordo com a interpretação do d. Relator, mesmo sendo a lei ampla, é possível à IN SRF 678/06 determinar a não incidência da CPMF na reaplicação de valores que transitarem pela então criada “conta de investimento”. Ocorre que, a meu sentir, tal entendimento significaria conceber a possibilidade de Instrução Normativa restringir a aplicação dos termos da Lei. Isto porque, neste raciocínio, a IN SRF 678/06 teria retirado da base de cálculo da CPMF valores que transitaram em conta corrente, ainda que em “conta de investimento”. Pareceme que esta seria a única possibilidade de interpretação da IN, uma vez que a premissa adotada é de que a Lei prescreveu uma hipótese ampla, que alcança toda e qualquer movimentação bancária . A questão é que este tipo de restrição não pode ser realizada por intermédio de Instrução Normativa, espécie jurídica de caráter secundário cuja normatividade está diretamente subordinada à lei. A função das instruções normativas no sistema tributário é complementar as demais normas, para fim de adequação aos fatos concretos. Este caráter de complementaridade está previsto no próprio Código Tributário Nacional CTN o artigo 96, combinado com o inciso I, do artigo 100, a saber: “Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. ... Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; Fl. 128DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 10 II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.” (destaquei) É indiscutível que a Lei determina, expressamente, a função das Instruções Normativas como normas complementares do ordenamento jurídico, devendo ser desta forma consideradas. E, se a Instrução Normativa é norma complementar, significa que não pode inovar o ordenamento jurídico, menos ainda alterar qualquer aspecto da regra matriz de incidência tributária. Consectário lógico, portanto, que se a Instrução Normativa trata da não tributação pela CPMF de valores relacionados às reaplicações automáticas, não está tratando de hipótese nova de tributação ou de restrição à base de cálculo, mas de complementação de hipótese préexistente. Mesmo entendimento se aplica à Nota COSIT/COTIR/DINIEF/N° 632, de 03/12/99, que certamente não tem o condão de alterar a regra matriz da CPMF. Qualquer interpretação divergente desta seria conferir força de lei à mencionada Nota COSIT e IN, o que não se pode cogitar por impossível. A interpretação lógica e de acordo com a finalidade dos dispositivos utilizados não pode ser outra. Ainda por esta razão, discordo da interpretação do Relator1, no final de seu voto, que pretendeu, se vencido, restituir apenas parte dos valores retidos indevidamente, por concluir que a não incidência da CPMF apenas poderia ocorrer após a ciência da FEBRABAN da nota COSIT nº 632/992. 1 Trecho final do Voto do Relator: "Por último, na hipótese de ser vencido e prevalecer o voto no mesmo sentido da orientação dada pela Nota COSIT/COTIR/DINIEF/N° 632, de 03/12/1999, de que os valores reaplicados pelo Recorrente não deveriam transitar pela conta corrente e, portanto, sofrer a tributação da CPMF, há que se determinar a partir de quando tal orientação deve ser aplicada pela CEF em relação às aplicações do recorrente. Referida nota nasceu da interpretação de outra Nota COSIT que tinha sido expedida em razão de uma indagação da FEBRABAN. Como houve mudança de entendimento da Administração, este novo entendimento aplicase a partir da ciência à FEBRABAN dos termos da Nota COSIT/COTIR/DINIEF/N° 632, de 03/12/1999, conforme determina o art. 100 do Regulamento do PAF, aprovado pelo Decreto nº 7.574/2011. Portanto, somente seriam indevidas, sujeitandose à repetição do indébito, as retenções de CPMF feitas pela CEF na conta DAR do recorrente a partir da data em que a FEBRABAN tomou ciência da Nota COSIT/COTIR/DINIEF/N° 632/99." 2 Trecho do Voto do Relator: "Quanto a obrigatoriedade do valor aplicado em renda fixa (o principal), e reaplicado automaticamente da data aprazada para o seu resgate, transitar pela conta corrente entende a COSIT, nos termos da alínea “a” do item 9, da Nota COSIT/COTIR/DINIEF/N° 632, de 03/12/99, que “o DPRA cujas condições fixadas inicialmente não foram alteradas a cada reaplicação automática, não está obrigado a transitar em conta corrente, na data de vencimento de cada período, se não houve, efetivamente, resgate de qualquer valor”;" Fl. 129DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10768.010399/200116 Acórdão n.º 3302001.423 S3C3T2 Fl. 6 11 Mais uma vez esclarecese que a Nota Cosit não tem força para criar ou restringir a regra matriz de incidência tributária. E, por não se tratar de regra nova – até porque impossível pelo meio normativo escolhido – mas de esclarecimento de norma préexistente, não há que se cogitar acerca da modulação de efeitos. Simplesmente a operação estava fora do campo de incidência da CPMF, razão pela qual o valor deve ser restituído ao contribuinte. Ante o exposto, com as vênias costumeiras, ouso divergir do posicionamento apresentado pelo ilustre conselheiro relator, para o fim de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao pleito do Recorrente, negando, apenas, a restituição do valor retido em razão de outras receitas, diversas das aplicações automáticas. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 130DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 11080.002377/2009-13
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/07/2007 a 30/09/2007
RESSARCIMENTO DEFERIDO SOMENTE EM PARTE. ACRÉSCIMO À BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO DE VALORES NÃO ESPONTANEAMENTE OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO. CONTEÚDO MATERIAL DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MOTIVOS DETERMINANTES E ÔNUS DA PROVA.
Situação em que, ao ensejo do pedido de ressarcimento, a auditoria tributária defere somente em parte o pleito por considerar que o sujeito passivo não expusera à tributação a totalidade dos valores integrantes da base de cálculo tributo. Caso em que, a glosa do crédito se origina de ato que reveste materialmente a função de lançamento ex officio, razão pela qual cabe à administração o ônus probatório acerca da afirmação. Pelo mesmo motivo, não pode a auditoria, constatando que o fundamento original da glosa não procede, pretender recusar o direito ao ressarcimento com fundamento diverso. Aplicação da teoria dos motivos determinantes.
INCENTIVO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DA COFINS.
O ICMS restituído ao contribuinte pela Unidade Federativa a título de incentivo fiscal não configura receita, razão pela qual não integra a base de cálculo da COFINS, mesmo sob a disciplina das Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03.
COFINS. NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE.
A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na sistemática de apuração não-cumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá de custo de produção e, pois, funcionará como insumo da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3o das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-001.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na não-sujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. O Conselheiro Robson José Bayerl, em relação ao ICMS, acompanhou o voto do relator apenas na parte relativa à teoria dos motivos determinantes.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/07/2007 a 30/09/2007 RESSARCIMENTO DEFERIDO SOMENTE EM PARTE. ACRÉSCIMO À BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO DE VALORES NÃO ESPONTANEAMENTE OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO. CONTEÚDO MATERIAL DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MOTIVOS DETERMINANTES E ÔNUS DA PROVA. Situação em que, ao ensejo do pedido de ressarcimento, a auditoria tributária defere somente em parte o pleito por considerar que o sujeito passivo não expusera à tributação a totalidade dos valores integrantes da base de cálculo tributo. Caso em que, a glosa do crédito se origina de ato que reveste materialmente a função de lançamento ex officio, razão pela qual cabe à administração o ônus probatório acerca da afirmação. Pelo mesmo motivo, não pode a auditoria, constatando que o fundamento original da glosa não procede, pretender recusar o direito ao ressarcimento com fundamento diverso. Aplicação da teoria dos motivos determinantes. INCENTIVO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. O ICMS restituído ao contribuinte pela Unidade Federativa a título de incentivo fiscal não configura receita, razão pela qual não integra a base de cálculo da COFINS, mesmo sob a disciplina das Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03. COFINS. NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na sistemática de apuração nãocumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá de custo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 23 77 /2 00 9- 13 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 produção e, pois, funcionará como “insumo” da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3o das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na nãosujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. O Conselheiro Robson José Bayerl, em relação ao ICMS, acompanhou o voto do relator apenas na parte relativa à teoria dos motivos determinantes. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Os autos abrigam pedido de ressarcimento, por meio do qual o recorrente intenta receber o saldo credor acumulado da COFINS calculada pelo regime da não cumulatividade, relativamente ao terceiro trimestre de 2007, em virtude da atividade exportadora. Ao término do procedimento fiscal instaurado para a confirmação da existência e das dimensões do direito vindicado, a autoridade encarregada preparou relatório no qual conclui pela procedência apenas parcial da pretensão, em razão das seguintes irregularidades: (a) no trimestre considerado, o recorrente teria transferido onerosamente a terceiros créditos de ICMS acumulados em sua escrita fiscal sem, em contrapartida, expor à tributação os ingressos recebidos sob os respectivos negócios; (b) o recorrente apropriara créditos sobre os dispêndios incorridos com a contratação de frete entre estabelecimentos da própria empresa, em desacordo com o artigo 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03, segundo o qual apenas o frete pago na operação de venda proporciona semelhante direito ao contribuinte. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11080.002377/200913 Acórdão n.º 3403001.996 S3C4T3 Fl. 11 3 Do despacho decisório, a interessada opôs tempestiva manifestação de inconformidade, negando, em primeiro lugar, ter praticado as transferências de direitos creditórios do ICMS de que lhe acusa a auditoria fiscal. Colacionando aos autos cópia de contrato celebrado com a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, afirmou, sim, ser beneficiária de incentivo fiscal estadual consistente em crédito presumido equivalente a 75% do montante do imposto incidente sobre as operações interestaduais envolvendo fertilizantes de fabricação própria. Sustentou, também, que o subsídio em questão não tem natureza de receita e, por conseguinte, que sobre ele inexiste obrigação de calcular e de recolher a contribuição em causa. Alegou ainda a recorrente – trazendo aos autos planilha demonstrativa – que as remessas que realiza entre seus diversos estabelecimentos País afora, envolvem uma pequena monta de produtos acabados (cerca de 5%) e uma grande parcela de itens semielaborados, cujo processo industrial é concluído na unidade de destino. Daí que, prossegue, o frete contratado no primeiro caso seria equiparável ao frete na operação de venda, enquanto que, na segunda hipótese, o preço do frete integraria o próprio custo de produção do bem em fabricação, a ponto de qualificálo como insumo da atividade. No aresto recorrido, a DRJ/Porto Alegre desproveu por inteiro a manifestação de inconformidade, o que impeliu a contribuinte a interpor recurso voluntário, no qual reitera a fundamentação de sua manifestação de inconformidade. O julgamento do recurso voluntário foi convertido por este Colegiado em diligência, a fim de que o órgão de origem efetivasse duas providências, quais sejam: (a) trouxesse aos autos elementos documentais capazes de comprovar a existência e os montantes das supostas operações de cessão de crédito de ICMS a terceiros; e (b) informasse sobre a possibilidade de segregar, dentre os fretes contratados pelo recorrente para transporte de itens entre suas próprias unidades, aqueles que tinham por objeto a remessa de produtos acabados e aqueles que envolveram itens em fabricação. Em resposta à diligência, o órgão de origem elaborou “Termo de Comunicação e Ciência”, por meio do qual (i) diz não ser possível segregar os fretes contratados pela recorrente conforme solicitado pelo CARF e (ii) afirma que, em verdade, não houve cessão de créditos de ICMS a terceiros, mas sim – como reclamara a recorrente – apropriação de crédito presumido deste imposto. Intimado deste despacho, o recorrente manifestase, trazendo aos autos planilhas demonstrativas dos fretes de matériasprimas e de produtos acabados. Por sua vez, o órgão de origem elabora o “Termo de Comunicação e Ciência 2”, através do qual, em síntese, reitera que as planilhas inicialmente fornecidas pelo recorrente não eram capazes de segregar os fretes, porém aquelas trazidas aos autos apenas após a diligência o fazem. Conclui, por fim, que a contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio sujeito passivo (seja de matériasprimas, embalagens ou produtos acabados) não gera direito ao crédito do tributo, por ausência de previsão legal. Intimado deste segundo Termo de Comunicação, a recorrente novamente manifestase para argumentar que a eventual manutenção do despacho decisório com fundamento em suposta sujeição da subvenção recebida à tributação importaria inadmissível Fl. 8DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 modificação da acusação fiscal – construída sob a premissa de que a recorrente cedera créditos de ICMS – com prejuízo ao direito de defesa e ao contraditório. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso é tempestivo e, observadas as demais formalidades aplicáveis, dele conheço. O resultado da diligência é esclarecedor e, portanto, bastante relevante para as conclusões ora obtidas. Inferese, em primeiro lugar, que já não existe controvérsia quanto à natureza do ingresso percebido pela recorrente: tratase de crédito presumido de ICMS, concedido a título de incentivo fiscal pelo Estado do Rio Grande do Sul, e não de cessão de saldo credor do imposto, como propugnava a fiscalização. A DRJ de origem ratifica esta conclusão, embora insista que, mesmo em se tratando de subvenção governamental, o ingresso tem natureza de receita e, como tal, deveria ter sido exposto à tributação. A pretensão fazendária, com relação a este tópico, esbarra em dois impedimentos: de um lado, os motivos determinantes da acusação fiscal e, de outro, a insujeição ao PIS e à COFINS da subvenção governamental de cuja natureza se reveste o aludido crédito presumido. Explico. Com efeito, infiro do relatório elaborado ao cabo do procedimento instaurado pela fiscalização que o ressarcimento pretendido resultou deferido somente em parte como decorrência não apenas da glosa de direitos creditórios, mas também da alegada sujeição à exação de determinados ingressos não espontaneamente expostos à incidência pela pessoa jurídica. Apesar de não observar qualquer nulidade neste procedimento – que, em suma, consiste em negar total ou parcialmente o ressarcimento requerido como resultado da apuração de insuficiência no cálculo do débito tributário por parte do particular obrigado – ressalto que o despacho decisório, neste particular, obedece a pressupostos formais equivalentes ao do lançamento de ofício e reveste o conteúdo material próprio deste ato, eis que consistirá da verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável, cálculo do montante devido e, enfim, identificação do sujeito passivo. Isso quer dizer que, se ao ensejo da análise de pedido de ressarcimento, a fiscalização desacolhe parte da pretensão por impor ao contribuinte incidências que este voluntariamente não reconhecera devidas, é seu o ônus quanto à fundamentação da exigência e, sobretudo, quanto à prova do fato, tanto quanto o seria acaso se tratasse do próprio lançamento de ofício. Na hipótese dos autos, portanto, a recorrente teve sua pretensão desacolhida por, supostamente, não expor à tributação valores que teria auferido como decorrência da Fl. 9DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11080.002377/200913 Acórdão n.º 3403001.996 S3C4T3 Fl. 12 5 cessão de saldo credor de ICMS a terceiros. Esta a acusação fiscal, cuja consistência probatória competia à administração produzir. O órgão preparador, no entanto, não se desincumbiu do encargo e, pior, manifestandose ao ensejo da diligência, emendouse para reconhecer que, em realidade, não se tratava da alienação do aludido saldo credor do imposto e, sim, da obtenção de subvenção outorgada pela Unidade Federativa onde estabelecida a recorrente. Isso é o quanto basta para a reforma do despacho decisório nesta parte, a meu ver. Não se pode admitir, com efeito, que a pretexto de preserválo, possa a autoridade substituirlhe a fundamentação originária, como agora pretende fazer ao argumentar que a fruição do crédito presumido do ICMS estaria igualmente sujeita à incidência da obrigação. São os motivos determinantes do ato administrativo que o impedem. Fato é que, não fosse isso suficiente, o recurso comportaria provimento nesta parte também porque o incentivo fiscal em questão não constitui receita da pessoa jurídica e, desta forma, não chega a integrar a base imponível das exações. Penso estarmos diante de típica espécie de “subvenção governamental”. Subvenção, com efeito, é conceito jurídicopositivo encontrável na Lei nº 4.320/64, instituída para disciplinar “normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal”. De acordo com o §3º, do artigo 12 do diploma: “Art. 12. (...) §3º. Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: I – subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II – subvenções econômicas, as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril.” Debruçandose sobre o texto, a doutrina enaltece os elementos caracterizadores da figura, de modo a definir subvenções como transferências pecuniárias pela via da despesa pública, em favor de entidades públicas ou privadas, destinadas à cobertura total ou parcial de despesas associadas à promoção de interesses de caráter coletivo. Leiase em Souto Maior Borges: “O conceito de subvenção está sempre associado à idéia de auxílio, ajuda – como indica a sua origem etimológica (subventio) – expressa normalmente em termos pecuniários. Entretanto, se bem que a subvenção, em Direito Civil, constitua uma forma de doação, caracterizandose, portanto, pelo seu caráter não compensatório, no Direito Público, particularmente no Direito Financeiro, embora também se revista de caráter não remuneratório e não compensatório, deve submeterse ao regime jurídico público, que impõe alteração nesse caráter não Fl. 10DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 contraprestacional. A sua gratuidade não exclui, então, como requisito de legitimidade, a ocorrência do interesse público relevante”. (Subvenção financeira, isenção e deduções tributárias. Revista de direito público, no. 4142, p. 43 e ss). A restituição do ICMS concedida pelo Estado do Rio Grande do Sul constitui justamente uma transferência pecuniária à pessoa jurídica beneficiária, cujo propósito, no seu particular, está em incentivar a fabricação de fertilizantes e a destinação da produção a outras unidades federativas. E a condição de subvenção governamental não depende do instrumento por meio do qual a lei viabiliza a transferência. Explica Mariz de Oliveira que “o fato de eles [créditos fiscais] serem realizados (isto é, pagos, liquidados, cumpridos) por qualquer das múltiplas formas que as respectivas leis prevêem, isto é, por crédito na escrita fiscal para compensação com débitos tributários, ou por recebimento ou ressarcimento em dinheiro, feito pelo Poder Público” não lhes modifica a natureza jurídica, assim como também em nada interfere no conceito que seja legalmente autorizada “a sua transferência a outros estabelecimentos da mesma pessoa jurídica ou a sua cessão a outras pessoas jurídicas que os utilizarão por uma das formas permitidas”. Tais alternativas legais, conclui, “não passam de meios para o pagamento dessas subvenções, isto é, modos de extinção das obrigações criadas pela lei em favor dos beneficiários dos subsídios governamentais.” (PIS/COFINS: incidência ou não sobre créditos fiscais (créditosprêmio e outros) e respectivas cessões. 10º Simpósio nacional IOB de direito tributário: grandes temas tributários da atualidade. São Paulo: IOB, 2001, p. 39.) Sucede que as subvenções governamentais, sejam as concedidas para investimentos, sejam as destinadas ao custeio de despesas determinadas, caso do ICMS em questão, não constituem receita da pessoa jurídica. E não constituem receita porque não satisfazem uma das notas fundamentais do conceito. Receitas, diz a doutrina, são por definição novos direitos que acrescem ao patrimônio de um sujeito por via – eis o relevante – da aplicação de recursos já integrantes desse patrimônio ou da atividade de quem o possua. É este o conceito talhado por José Antonio Minatel: “[receita é] ingresso de recursos financeiros no patrimônio da pessoa jurídica, em caráter definitivo, proveniente dos negócios jurídicos que envolvam o exercício da atividade empresarial, que corresponda à contraprestação pela venda de mercadorias, pela prestação de serviços, assim como pela remuneração de investimentos ou pela cessão onerosa e temporária de bens e direitos a terceiros, aferido instantaneamente pela contrapartida que remunera cada um desses eventos” (Conteúdo do Conceito de Receita. São Paulo: MP, 2005. p. 124) Receita, portanto, é grandeza menos abrangente que “ingressos”, pois estes consubstanciam quaisquer valores que transitam pelo patrimônio da empresa, independentemente de sua origem e de sua definitividade (razão pela qual toda receita é ingresso, mas nem todo ingresso é receita). Por outro lado, o conceito de receita varre um espaço amostral maior que o de faturamento, uma vez que este se restringe aos valores decorrentes da venda de mercadorias ou prestação de serviços (razão pela qual todo faturamento é receita, mas nem toda receita é faturamento). Inegável, portanto, que o conceito de faturamento é mais causalista que o de receita, pois vinculado a uma gama mais específica de fontes geradoras, causadoras do acréscimo patrimonial da empresa. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11080.002377/200913 Acórdão n.º 3403001.996 S3C4T3 Fl. 13 7 Entretanto, também o conceito de receita mantémse impregnado – com menor intensidade que o de faturamento, é verdade – de causalidade. Afinal, como visto acima, para que se catalogue como receita, o acréscimo patrimonial definitivo há de ser um produto da atividade empreendedora. Receitas estão comprometidas com esta origem, necessariamente. Aí a chave para o desate dogmático reclamado nos autos. É que, a meu ver, a restituição de impostos, como decorrência de incentivo fiscal legalmente concedido, provém de um benefício governamental e não – ao menos não diretamente – do exercício da atividade empresarial. Mariz de Oliveira, sempre ele, dirá: “(...) há alguns ingressos ou entradas que representam novos direitos no patrimônio em que entram e que, inclusive, (sempre) acarretam aumento neste, mas que não se confundem com receita exatamente porque lhes faltam as características que compõem os elementos afirmativos desta, ou porque adentram em um dos seus elementos negativos, e principalmente por não terem o caráter remuneratório ou contraprestacional do emprego de recursos já componentes desse patrimônio ou da atividade do seu titular. Isso ocorre com os ingressos de capital social, ou com outros ingressos que vêm de fora da pessoa jurídica e que não derivam de dentro, por não derivarem de atos, operações ou atividades do patrimônio (da empresa no qual o patrimônio da pessoa jurídica está aplicado), ou do emprego de recursos que compõem esse patrimônio, como é o caso de doações, subvenções, ágios de subscrição de capital e outras entradas que mais apropriadamente se chamam ‘transferências patrimoniais’.” (Fundamentos do imposto de renda. São Paulo: Quartier Latin, p. 144.) Neste particular, as subvenções governamentais se equiparam às doações, ao capital social e ao ágio na subscrição de valores mobiliários, visto que todas as figuras têm em comum o fato de redundarem em aporte de recursos não contraprestacionais à aplicação do patrimônio ou das atividades sociais. É o que justifica e impede, portanto, que por meio da contribuição ao PIS ou da COFINS, pretenda o Fisco onerar o próprio capital social. Digase de passagem que a própria Lei nº 6.404/76, na redação vigente à época dos fatos aqui considerados, continha no seu artigo 182 disposição segundo a qual as subvenções governamentais para investimentos teriam contrapartida direta no patrimônio líquido, em conta de reserva de capital, e, portanto, sem trânsito pelo resultado. Entre as subvenções para investimento e as subvenções para custeio a diferença fundamental reside no destino possível dos recursos transferidos, no primeiro caso para o implemento do ativo permanente da pessoa jurídica e, no segundo, para a cobertura de despesas determinadas. Todavia, tanto uma como a outra representam recebimentos gratuitos, não contraprestacionais, embora, é claro, pressuponham o cumprimento de prérequisitos associados à promoção do interesse público. O fundamento por trás da qualificação das subvenções para investimento como meras transferências patrimoniais deve, pois, presidir a catalogação das subvenções para custeio sob idêntico gênero de ingressos. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 De mais a mais, não seria lógico que o Estado, depois de reconhecer o interesse público na transferência de recursos para o custeio da atividade empresarial, ato contínuo viesse a tomar de volta parcela expressiva do montante por meio da imposição tributária. “O que se dá com uma mão não é plausível que seja retirado com a outra” (Conteúdo do conceito de receita e regime jurídico para sua tributação. São Paulo: MP Editora, p. 240.) Ademais, a restituição do ICMS não se pode qualificar como riqueza nova – atributo necessário à receita –, pois que configura apenas recuperação econômica de dispêndio anteriormente suportado. Nesse sentido, novamente José Antonio Minatel: “Dessa forma, tem nítida natureza de recuperação de custos com os efeitos já explicitados, pelo que o valor do ressarcimento do tributo embutido no preço, ou do correspondente direito escriturado como crédito, melhor evidencia sua índole se contabilizado em conta redutora dos próprios custos, jamais em conta de receita, por faltarlhe os predicados para tal configuração” (op. cit. p. 224) Não era outra a tese prevalecente no antigo Segundo Conselho de Contribuintes: “A parcela agregada pela fiscalização à base de cálculo da COFINS – correspondente à parcela do ICMS isentado pelo Estado do Amazonas – indubitavelmente não tem natureza jurídica de receita bruta, faturamento ou resultado, constituindo se em mera redução de custo ou despesa” (2º CC. 2ª Câmara. Proc. Adm. 10283.001595/200668. Rel. Cons. Maria Cristina Roza da Costa. J. 19.9.2007) A grandeza sobre a qual se realizou o lançamento in casu situase, portanto, além dos limites gizados pelas próprias Leis nº 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03, o que torna despicienda a análise de sua constitucionalidade: seja sob a disciplina de tais Leis (caso constitucionais), seja sob a disciplina das Leis Complementares nºs 7/70 e 70/91 (caso inconstitucionais), o ICMS restituído não integrará a base de cálculo do PIS e da COFINS. Dito isso, remanesce pendente a análise do direito à apropriação de créditos da COFINS, na hipótese de fretes realizados entre estabelecimentos da própria pessoa jurídica recorrente para transporte seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados. Quando da conversão do julgamento em diligência, esta Turma expressamente consignou que a medida não se prestaria “a corrigir a incompetência da parte a quem a lei atribui o ônus da prova”, determinando que o órgão de origem se limitasse a juntar aos autos “via impressa dos elementos documentais, dentre aqueles já obtidos junto à recorrente no curso da fiscalização”, capazes de segregar do total de fretes em questão, aqueles que tivessem por objeto o transporte de itens ainda em fabricação. Pois em resposta à diligência, o órgão de origem foi assertivo em afirmar que as provas até então coligidas aos autos não lhe permitiam proceder ao desmembramento. E a separação, a meu ver, seria fundamental à melhor aplicação ao caso do disposto nas Leis no. 10.637/02 e 10.833/03. E por que? Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes Fl. 13DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11080.002377/200913 Acórdão n.º 3403001.996 S3C4T3 Fl. 14 9 posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3o, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3o, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3o. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido. Afirma a origem que, dos documentos constantes dos autos até a interposição do voluntário não lhe é possível fazer a segregação em comento. E mesmo que admitíssemos aqui o exame do material extemporaneamente trazido pela recorrente, já na oportunidade em que se manifestou sobre o relatório da diligência, a ele não se pode atribuir valor probatório. Tratase, com efeito, de uma planilha gerencial, unilateralmente confeccionada e sem comprovação de respaldarse em documentos ou na escrita contábil da pessoa jurídica. Portanto, dois fundamentos alicerçam a conclusão de que deve ser mantida a glosa sobre os créditos da COFINS referentes aos fretes contratados entre os estabelecimentos do recorrente: (i) havia expressa vedação à formalização de novas provas, cabendo o contribuinte têlas trazido desde a manifestação de inconformidade, o que – frisese – não foi feito e (ii) planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na nãosujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 14DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 10976.000159/2008-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO DE INSUMOS
A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes, denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
INFORMAÇÕES E PROVAS
Na falta de informações e/ou documentos que permitam identificar o papel de cada insumo no processo produtivo, e não sendo as respectivas despesas diretamente associadas ao objeto social do interessado, é de se presumir que não são capazes de gerar crédito para fins de apuração do PIS/Pasep não cumulativo.
DILIGÊNCIA
Os quesitos formulados pelo interessado visam claramente a reforçar a alegação de que os créditos glosados são oriundos de despesas necessárias à manutenção da sua fonte produtora. Entretanto, o conceito de insumos não se confunde com o de despesas necessárias para fins de imposto de renda. Logo,
se a premissa que se pretende provar é distinta daquela adotada pelo colegiado julgador, de nada valerá a diligência.
Numero da decisão: 3201-000.959
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso no tocante aos créditos oriundos de serviços de terceiros e alimentação, bem como ao pedido de diligência. Vencidos os Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, que dá provimento a tudo, e o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, que dá provimento ao pedido de diligência. No tocante aos créditos oriundos de serviços de despacho aduaneiro, os membros do colegiado acordam, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valação (Presidente). Ainda acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento no tocante aos créditos oriundos de telefonia, e negar provimento no tocante aos créditos oriundos de água, combustíveis e viagens/deslocamento.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO DE INSUMOS A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes, denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. INFORMAÇÕES E PROVAS Na falta de informações e/ou documentos que permitam identificar o papel de cada insumo no processo produtivo, e não sendo as respectivas despesas diretamente associadas ao objeto social do interessado, é de se presumir que não são capazes de gerar crédito para fins de apuração do PIS/Pasep não cumulativo. DILIGÊNCIA Os quesitos formulados pelo interessado visam claramente a reforçar a alegação de que os créditos glosados são oriundos de despesas necessárias à manutenção da sua fonte produtora. Entretanto, o conceito de insumos não se confunde com o de despesas necessárias para fins de imposto de renda. Logo, se a premissa que se pretende provar é distinta daquela adotada pelo colegiado julgador, de nada valerá a diligência.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso no tocante aos créditos oriundos de serviços de terceiros e alimentação, bem como ao pedido de diligência. Vencidos os Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, que dá provimento a tudo, e o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, que dá provimento ao pedido de diligência. No tocante aos créditos oriundos de serviços de despacho aduaneiro, os membros do colegiado acordam, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valação (Presidente). Ainda acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento no tocante aos créditos oriundos de telefonia, e negar provimento no tocante aos créditos oriundos de água, combustíveis e viagens/deslocamento.
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Precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. INFORMAÇÕES E PROVAS Na falta de informações e/ou documentos que permitam identificar o papel de cada insumo no processo produtivo, e não sendo as respectivas despesas diretamente associadas ao objeto social do interessado, é de se presumir que não são capazes de gerar crédito para fins de apuração do PIS/Pasep não cumulativo. DILIGÊNCIA Os quesitos formulados pelo interessado visam claramente a reforçar a alegação de que os créditos glosados são oriundos de despesas necessárias à manutenção da sua fonte produtora. Entretanto, o conceito de insumos não se confunde com o de despesas necessárias para fins de imposto de renda. Logo, se a premissa que se pretende provar é distinta daquela adotada pelo colegiado julgador, de nada valerá a diligência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso no tocante aos créditos oriundos de serviços de terceiros e alimentação, bem como ao pedido de diligência. Vencidos os Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, que dá provimento a tudo, e o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, que dá provimento ao pedido de diligência. No tocante aos créditos oriundos de serviços de despacho aduaneiro, os membros do colegiado acordam, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Marcos Aurelio Pereira Valação (Presidente). Ainda acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento no tocante aos créditos oriundos de telefonia, e negar provimento no tocante aos créditos oriundos de água, combustíveis e viagens/deslocamento. Marcos Aurelio Pereira Valadão Presidente. Daniel Mariz Gudiño Relator. EDITADO EM: 14/05/2012 Participaram também da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mara Cristina Sifuentes. Ausente justificadamente a conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões de recurso voluntário apresentado pela Recorrente: Lavrouse contra o contribuinte acima identificado o presente Auto de Infração (fls. 02/09), relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), totalizando um crédito tributário de R$ 73.888,39, incluindo multa de oficio e juros de mora, correspondente aos períodos de janeiro a dezembro de 2004 (fls. 06/07). A autuação ocorreu em virtude de falta/insuficiência de recolhimento do PIS nãocumulativo, conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF), de fls. 12/20, cuja apuração encontra se discriminada nos demonstrativos de fls. 21/36. No TVF, a fiscalização destaca que o contribuinte aproveitou como créditos na apuração do PIS todos os valores contabilizados nas contas Fornecedores, Unimed, Telecomunicações, EBCT e Serviços Jurídicos, não levando em conta somente os créditos enumerados de forma exaustiva na legislação. A empresa estendeu o seu direito a qualquer despesa, e não somente àquelas efetivamente relacionadas com a sua atividadefim, aplicadas diretamente na produção e listadas em lei. O fisco destaca ainda alguns produtos cujos créditos foram glosados, uma vez que não podem ser considerados como insumos, conforme a análise de sua participação no processo produtivo e em quais produtos finais são aplicados: goma, RC95 e solvente de limpeza (produtos de limpeza), fita de limpeza, cabeça de impressão, sensor de fibra ótica, disco de micro Fl. 639DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10976.000159/200816 Acórdão n.º 3201000.959 S3C2T1 Fl. 2 3 serrilha, lâmina de micro serrilha, lâmina de corte central e partes e peças de máquinas, principalmente importadas. Tais produtos não se encaixam no conceito de insumo previsto na legislação, que é caracterizado como aquele consumido no processo produtivo, e não as peças e partes desgastadas pelo uso diário. Foram glosados o custo desses produtos assim como outras despesas encontradas na conta Fornecedores (alimentação, material de consumo, material de expediente, material de escritório, pessoal, serviço de segurança e vigilância, material de limpeza, serviços de consultoria, advocacia, uniformes, material de segurança, despesas de viagem, medicamentos, assistência médica de empregados, seguro contra terceiros, telefone, higiene, treinamento de funcionários, comissões sobre vendas e partes e peças de reposição) e outras fora dela (plano de saúde, telecomunicações, correspondência postal e advogados), por não terem amparo legal para serem utilizados como desconto de crédito da contribuição. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) do referido Auto de Infração (fl. 05). Irresignado, tendo sido cientificado em 24/06/2008 (fl. 03), o autuado apresentou, em 24/07/2008, acompanhadas dos documentos de fls. 173/185, as suas razões de defesa (fls. 156/172), a seguir resumidas: Narrando os fatos considerados na formalização do presente Auto de Infração, salienta que a autuação fiscal fundase em simples procedimento de amostragem, sem o devido exame das especificidades que envolvem a atividade de prestação dos serviços desenvolvidos. Descreve a sua atividade (prestação de serviços de composição gráfica) e ramos de atuação, destacando que o seu ciclo de serviços inclui a fase de busca de atividades, que é anterior à fase de desenvolvimento e formalização dos serviços. Assim, as possibilidades de sua atuação são trazidas por terceiros prestadores de serviços e outras vezes os serviços a serem prestados dependem de assessoria e consultoria específicos. Em síntese, a prestação de serviços compreende um primeira fase de fixação dos serviços gráficos especializados e uma segunda fase de efetivação de tais serviços, que depende dos conceitos e definições decorrentes da primeira fase. E muitas das atividades de cada uma das fases estão de tal forma entrelaçadas que se mostra impossível dizer, com precisão, quando uma termina e a outra se inicia. Outro fator a ser analisado é o relativo à logística que a empresa emprega na obtenção de dados e no despacho dos serviços prestados. O acesso a informações sigilosas e relevantes dos contratantes dos serviços é feito por meio de link eletrônico online, pelo qual estes informam as necessidades diárias dos serviços a serem prestados. Dessa forma, a logística desse recebimento faz parte inerente das atividades no curso dos Fl. 640DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 serviços prestados. Ainda no aspecto logística, ressalta que os serviços desenvolvidos compreendem o envio direto de cartões variados e talonários de cheque, frutos dos serviços desenvolvidos, a filiais dos clientes, e, até mesmo, a eventuais clientes dos clientes da primeira. Tal atividade faz parte indelével dos serviços prestados pela empresa. Porém, o fisco apenas reconheceu parte das atividades do segundo momento da prestação dos serviços, esquecendose das atividades inerentes à formalização dos serviços e seus escopos, em atendimento aos pedidos específicos dos clientes, bem como a logística na captação de dados e no encaminhamento dos produtos dos serviços. Transcreve a legislação que instituiu a forma nãocumulativa de apuração da contribuição (Lei n° 10.637, de 2002) e a IN n°247, de 2002, com a redação da IN n° 358, de 2003, destacando que a própria Receita Federal entende e reconhece que ao se aplicar o conceito de crédito à prestação de serviços, deve este contemplar como insumos todos os bens e serviços prestados que sejam aplicados ou consumidos na prestação dos serviços em objeto. Com isso, todas as prestações de serviços que foram decotadas no trabalho fiscal, sem qualquer justificativa, devem ser revistas e seu créditos admitidos. Nesse sentido, relaciona itens glosados que são efetivamente serviços prestados por terceiros, indispensáveis e que se consumiram ao longo dos serviços ou foram a estes aplicados, pelo que são inequivocamente insumos. Tais serviços, principalmente aqueles relacionados a consultoria, comissão sobre vendas e serviços jurídicos, fazem parte integrante e indissolúvel dos serviços prestados, uma vez que interagem com a prestação de serviços contratados, sendo inerentes aos mesmos. Também os gastos com telecomunicações e telefonia, designados como "Serviços Embratel" e "Telecomunicações", são indispensáveis aos serviços prestados, pelo que não se justificam as respectivas glosas. Os serviços de telecomunicação de dados, link direto com clientes a permitir fluxo de informações diário inerente à absoluta personalização dos serviços, e, ainda, os de telefonia do estabelecimento prestador de serviços, são utilizados na consecução das atividades desenvolvidas, constituindo em efetivos insumos. Da mesma forma, o consumo de água do estabelecimento de prestação de serviços gráficos, ainda que especializados, se constitui em insumo da prestação de serviços. Não subsiste também a glosa dos itens referentes aos combustíveis utilizados na prestação de serviços, por disposição expressa do art. 3º, II, da Lei n° 10.833, de 2003. As despesas incorridas por funcionários da empresa, relacionadas com viagens e deslocamentos devem ser excluídas da glosa, uma vez que se trata de fonte produtora das respectivas receitas e atividade inerente aos serviços prestados, necessárias e consumidas no âmbitos de tais serviços, devendo ser Fl. 641DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10976.000159/200816 Acórdão n.º 3201000.959 S3C2T1 Fl. 3 5 consideradas como insumos. Sobre o assunto, transcreve ementa de Acórdão proferido pela DRJ de São Paulo. Embora tal decisão trate de prestação de serviços de natureza diversa da ora em exame (prestação de serviços de propaganda e publicidade), permite a aplicação do mesmo princípio ao caso em comento, uma vez que tais despesas têm natureza similar nas duas atividades, ou seja, permitir contatos com os diversos clientes da prestadora de serviços. No mesmo sentido, as despesas incorridas com alimentação, seja em viagens de negócios de seus funcionários, seja em contatos comerciais mantidos por representantes com clientes, são insumos utilizados diretamente na prestação de serviços, pelo que não devem ser mantidas as suas glosas. O fisco também se equivocou na classificação de vários produtos, alguns apontados como meros produtos de limpeza (Goma, RC 95 e Solvente de Limpeza), que não corresponde à função destes na prestação de serviço, outros tidos como peças de máquinas, as quais não se confundiriam com insumos. O produto Goma se destina a permitir maior durabilidade e conservação das chapas de fotolito, estas específicas de cada serviço, sendo necessário e consumido ao longo dos serviços prestados, constituindose em inequívoco insumo. O produto RC 95 é específico para a limpeza das chapas de Ozasol, estas preparadas em caráter exclusivo para cada serviço, destinando se a impedir que eventuais sujeiras acumuladas ao longo do processo de impressão das chapas de Ozasol manchem ou estraguem as repetidas operações de impressão de formulários personalizados. Tratase de insumo necessário ao processo de prestação de serviços de impressão de formulários, o qual se consome ao longo do processo, e que tem por função conferir longevidade às chapas de Ozazol, evitando a reposição prematura destas. Já o produto Solvente de Limpeza tem função específica de manter íntegras as telas serigráficas, mantendo estas livres de sujeiras, resíduos e assemelhados que poderiam interferir na qualidade de impressão ou na longevidade de utilização das mesmas. Tal produto é fundamental e consumido integralmente ao longo do processo de impressão gráfica, pelo que se caracteriza, efetivamente, como insumo. Os demais itens apontados como partes e peças de máquinas, por sua vez, também devem ser reconhecidos como insumos. Os itens designados Rolete de Limpeza e Fita de Limpeza têm função de adequar os cartões magnéticos produzidos a níveis de limpeza exigidos por equipamentos eletrônicos de alta sensibilidade, os quais promovem a gravação eletrônica de dados no corpo dos cartões magnéticos. A prestabilidade de tais itens aos seus inerentes fins chega a ser inferior a conclusão de um único serviço, resultando no consumo de mais de um jogo desses itens para a conclusão de um só serviço, sendo que a máquina que os utiliza dura anos. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Os itens Cabeça de Impressão e Sensor de Fibra Ótica também se desgastam com grande rapidez uma vez que entre estes e os cartões magnéticos existe um atrito , o que, comparado com a longevidade dos equipamentos gráficos que se utilizam de tais itens, faz destes, insumos. No que tange aos itens Disco de Micro Serrilha, Lâmina de Micro Serrilha e Lâmina de Corte Central, em que pese existir para todos a característica do rápido consumo destes em relação aos equipamentos que os utilizam e, ainda, o aspecto do consumo dentro do escopo de um único serviço gráfico, o que, por si só, serviria para caracterizar a natureza de insumo, existe também a propriedade de adequação específica de cada um dos itens aos serviços gráficos desenvolvidos, pois cada serviço contrata e demanda um padrão específico de corte e serrilhamento, com dimensões e medidas próprias. A natureza de uso específico, combinada com o rápido desgaste, faz destes itens verdadeiros insumos, afastandoos da condição de meras peças ou partes de equipamento, uma vez que se destinam a serviços específicos, muitas vezes nestes se consumindo integralmente. Aduz que a fiscalização limitouse a analisar que alguns itens listados em contas do Livro Razão não se enquadrariam como insumos, sendo inaplicável a regra do inciso II, do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, esquecendose de verificar a adequação destes à hipótese dos demais incisos daquele dispositivo legal, notadamente os incisos VI e VII, os quais transcreve. E a simples conferência dos nomes de várias contas listadas no quadro "Glosa de Créditos Descontados" levam à conclusão de que muitos dos itens ali listados se enquadram naquelas hipóteses, permitindose o crédito de tais valores. Protesta pela produção de prova pericial, indicando perito e relacionando quesitos. Por fim, requer seja provida sua impugnação, desconstituídose a autuação procedida. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 29/03/2010, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a impugnação da ora Recorrente, conforme Acórdão n° 0226.223 (fls. 187/200): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Somente geram direito a créditos a serem descontados do PIS os valores dos gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na prestação de serviços. Os créditos calculados sobre a aquisição de peças de reposição, utilizadas nas máquinas e equipamentos, que efetivamente respondam pela fabricação dos bens ou produtos destinados à Fl. 643DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10976.000159/200816 Acórdão n.º 3201000.959 S3C2T1 Fl. 4 7 venda, desde que não façam parte do ativo imobilizado, podem ser utilizados para desconto do PIS. Indeferese o pedido de diligência e/ou perícia quando não demonstrada sua real necessidade ao deslinde do litígio. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A Recorrente foi cientificada do teor do citado acórdão em 17/04/2010 (f1. 203), tendo protocolado seu recurso voluntário em 13/05/2010 (fl. 204/214), que, em síntese, reitera os argumentos da sua impugnação (fls. 156/172). Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 01/03/2011. É o relatório. Voto Daniel Mariz Gudiño – Conselheiro Relator O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual dele tomo conhecimento. O cerne da discussão travada em sede recursal diz respeito ao conceito de insumos para fins de apuração de créditos de PIS/Pasep na forma do art. 3º, II, da Lei nº 10.637 de 2002, que assim dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) A Recorrente se insurgiu contra a manutenção da glosa de créditos de PIS/Pasep oriundos de gastos com consultoria, comissões sobre vendas, serviços jurídicos, assessoria em segurança do trabalho, despachante aduaneiro, telecomunicações, telefonia, Fl. 644DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 hospedagem de internet, serviços prestados pelo correio (EBCT), consumo de água, passagem aérea de funcionários, alimentação, higiene e combustível. Tais gastos estão contabilizados nas seguintes contas do livro razão da Recorrente: 30.1.01.0043.6, 30.1.01.0163.7, 30.1.01.0331.1, 30.1.01.0513.6, 30.1.01.0535.7, 30.1.01.0649.3, 30.1.01.0759.7, 30.1.01.0808.9, 30.1.07.0014.0, 30.1.01.0359.1, 30.1.01.0655.8, 30.1.01.0380.0, 30.1.01.0232.3, 30.1.01.0757.1, 30.1.01.0102.5, 30.1.07.0020.4, 30.1.07.0023.9, 30.1.01.0792.9, 30.1.01.0911.5, 30.1.01.0251.0, 30.1.01.0752.0, 30.1.01.0814.3, 30.1.01.0841.1, 30.1.01.0866.6, 30.1.01.0869.1, 30.1.01.0669.8, 30.1.01.0881.0, 30.1.01.0890.9, 30.1.01.0891.7, 30.1.01.0892.5, 30.1.01.0899.2, 30.1.01.0900.0, 30.1.01.0909.3, 30.1.01.0921.2, 30.1.01.0922.1, 30.1.01.0923.9, 30.1.01.0928.0, 30.1.01.0938.7, 30.1.01.0942.5, 30.1.01.0948.4, 30.1.01.0949.2, 30.1.01.0955.7, 30.1.01.0958.1, 30.1.01.0965.4, 30.1.01.0659.1, 30.1.01.0206.4, 30.1.01.0261.7, 30.1.01.0384.2, 30.1.01.0423.7, 30.1.01.0563.2, 30.1.01.0786.4, 30.1.01.0787.2, 30.1.01.0788.1, 30.1.01.0796.1, 30.1.01.0803.8, 30.1.01.0882.8, 30.1.01.0914.0, 30.1.01.0931.0 A manutenção dos referidos créditos foi justificada pela instância a quo em razão de não serem gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na prestação de serviços. Para decidir sobre o enquadramento dos gastos da Recorrente no conceito de insumos, pareceme necessário entender o que significa esse termo para fins de apuração do PIS/Pasep não cumulativo, bem como conhecer o processo produtivo vinculado à prestação de serviços da Recorrente. PREMISSAS DA ANÁLISE Sobre o primeiro aspecto, quer me parecer que o conceito de insumos não é tão abrangente quanto o conceito de despesas operacionais de que trata a legislação do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, nem tão restritivo como aquele empregado pela legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados. Neste sentido, confirase o entendimento da Câmara Superior deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRED1TO. RESSARCIMENTO. A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes, denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) Fl. 645DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10976.000159/200816 Acórdão n.º 3201000.959 S3C2T1 Fl. 5 9 utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Recurso negado. (Acórdão nº 930301.035, Rel. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Sessão de 23/08/2010) O julgado ora transcrito adota o conceito mais amplo de insumo, admitindo como tal os fatores de produção indiretos, os quais, embora sejam dificilmente controlados de forma individualizada, podem ser alocados ao custo do produto pelo método do rateio. Na mesma linha do julgado, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis, ao dispor sobre a Demonstração de Valor Agregado, emitiu o Pronunciamento Técnico CPC nº 9 com uma definição abrangente de insumo. Confirase: Insumos adquiridos de terceiros Custo dos produtos, das mercadorias e dos serviços vendidos – inclui os valores das matériasprimas adquiridas junto a terceiros e contidas no custo do produto vendido, das mercadorias e dos serviços vendidos adquiridos de terceiros; não inclui gastos com pessoal próprio. Materiais, energia, serviços de terceiros e outros – inclui valores relativos às despesas originadas da utilização desses bens, utilidades e serviços adquiridos junto a terceiros. Com efeito, o insumo não precisa ser necessariamente aplicado ou consumido no processo produtivo, podendo abranger os custos indiretos da produção. Importante ressaltar que tais custos não se confundem com despesas gerais, ainda que necessárias à manutenção da fonte produtora. Isso porque o custo indireto está inexoravelmente associado a um produto ou serviço, ao passo que isso não ocorre com a despesa geral. Daí que a energia elétrica pode ser simultaneamente custo indireto e despesa geral dependendo da sua aplicação: se servir para ligar as máquinas de uma fábrica, tratarseá de custo indireto; se servir para ligar o computador do departamento contábil da empresa fabril, tratarseá de despesa geral. A análise deve ocorrer no plano concreto, e não abstrato. A conclusão acima me leva ao segundo aspecto que reputo relevante para a presente análise. Com efeito, algumas das glosas mantidas pela instância a quo referemse a gastos que não são intuitivamente classificáveis como custo de produção. Nesses casos, é fundamental conhecer amiúde em que consiste a prestação de serviços da Recorrente. Para tanto, convém trazer a lume a descrição dela própria quanto ao processo produtivo dos Cartões de PVC com tarja magnética e dos impressos em geral (fls. 61/69): Processo produtivo básico dos Cartões de PVC com tarja magnética Primeiro Passo Fl. 646DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 A ENCOMENDA A Editora Alterosa trabalha exclusivamente sob encomenda e a elaboração dos cartões é feita com as características requeridas pelo destinatário, tais como o seu nome, a logomarca, as cores e eventuais símbolos de seu interesse. A arte final contendo todos esses dados é fornecida, pelo cliente em meio digital (arquivos vetoriais em Corel Draw ou para macintosch) ou físico (papel) cabendo a Editora Alterosa realizar os processos de composição, préimpressão, impressão, pósimpressão, gravação e personalização. Segundo Passo MATERIAIS UTILIZADOS NA CONFECÇÃO DE CARTÕES DE PVC COM TARJA MAGNÉTICA, PERSONALIZADOS. Os principais materiais são: Papéis e tintas especiais para provas digitais, filmes fotossensível, tintas gráficas pastosas para impressão offset e serigráfica, folhas de PVC (cloreto polivinilico), tarjas magnéticas, filmes termo plásticos, papel de assinatura, cabeças de impressão, fitas azul, prateada preta e dourada, e outras. Os materiais são adquiridos no mercado interno e externo, conforme documentos fiscais devidamente registrados nos livros próprios. Terceiro Passo COMPOSIÇÃO/FOTOLITO TRATAMENTO E FORMATAÇÃO DA IMAGEM. Tratase de uma das operações do processo de préimpressão onde se transforma a arte final digital ou física em original de préimpressão, podendo ser realizados, se solicitado e contratado pelo cliente, retoques e montagens eletrônicas, acertos de fonte e escaneamento de imagens em alta resolução. As principais máquinas gráficas utilizadas neste passo são: Estação de trabalho Macintosh, Fotocompositora e Processadora Dot Mate 6500. Quarto Passo PROVA Tratase de uma outra operação do processo de préimpressão, onde antes de se gravar a fôrma de impressão (matriz) é realizada uma prova do trabalho que deverá ser impresso, para que o cliente dê sua aprovação final. Uma vez aprovada a prova, esta servirá de referência para todas as demais fases da produção. As principais máquinas gráficas utilizadas neste passo são: Impressora Serigráfica, Impressora Offset e Impressora jacto de tinta HP PSC Multifuncional e HP Color Laser Jet. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10976.000159/200816 Acórdão n.º 3201000.959 S3C2T1 Fl. 6 11 Quinto Passo CONFECÇÃO DA FÔRMA DE IMPRESSÃO Tratase da última operação do processo de préimpressão, na qual as matrizes de impressão são confeccionadas, considerandose a tecnologia, os equipamentos e as características técnicas específicas dos processos de impressão offset e serigráfico. As principais máquinas gráficas utilizadas neste passo são: Processadora Dot Mate 6500 para revelação e fixação dos fotolitos, Prensa de contato para gravação de chapas offset, Prensa de contato para gravação de telas serigráficas. Sexto Passo IMPRESSÃO impressão do PVC é realizada somente em uma face da folha, sendo utilizados os sistemas de impressão offset e serigráfico, e em seguida juntadas cada frente com seu respectivo verso. As principais máquinas gráficas utilizadas neste passo são: Impressoras Serigráfica Larese e Impressoras Offset Roland 200. Sétimo Passo LAMINAÇÃO A junção das folhas de PVC (frente e verso) e da fita magnética é feita através de termocolagem dos materiais, ou seja, por meio de calor e pressão. Após a laminação, poderá ser aplicada uma fita de papel autocolante (para assinatura) sobre o verso dos cartões. No entanto, esta última operação é opcional, e só é realizada mediante solicitação do cliente. As principais máquinas gráficas utilizadas neste passo são: Máquinas de Acabamento Melzer, Montagem SSC 2502 Muhlbauer, Laminadora Luxor e Aplicadora de Fita Magnética GrotiTech. Oitavo Passo CORTE Finalizando o processo de pósimpressão é feito o corte dos cartões, separandoos umaum, no formato recomendado pelo cliente. Os cartões só são encaminhados aos encomendantes depois da gravação da tarja magnética e da personalização. As principais máquinas gráficas utilizadas neste passo são: Fl. 648DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 12 Máquina de Acabamento Melzer, Maquina de Corte Muhlbauer CP, Máquina Muhlbauer CHS (Hot Stamping). Nono Passo GRAVAÇÃO DA TARJA MAGNÉTICA E PERSONALIZAÇÃO Para a gravação da tarja magnética e a personalização dos cartões, são enviados pelos encomendantes arquivos em fita magnética, e ou via teleprocessamento através de link dedicado com conexão direta na Embratel e via FTP (File Transfer Protocol) por intermédio da rede. As principais máquinas gráficas utilizadas neste passo são: Modem, Computadores, Personalizadoras Ultra Grafix UG800 e Datacard 9000. Décimo Passo ENTREGA DOS CARTÕES EXPEDIÇÃO Os cartões devidamente gravados e personalizados são entregues aos encomendantes, em seus Centros de Distribuição para os encaminhamentos devidos. ......................................................................................................... Processo produtivo básico dos Impressos em Geral Primeiro Passo A ENCOMENDA A Editora Alterosa Ltda., trabalha exclusivamente sob encomenda e a elaboração dos Formulários e Cheques, é feita com as características requeridas pelo destinatário, tais como o seu nome, a logomarca, as cores e eventuais símbolos de seu interesse. A arte final contendo todos esses dados é fornecida, pelo cliente em meio digital (arquivos vetoriais em Corei Draw ou para macintosch) ou físico (papel) cabendo a Editora Alterosa realizar os processos de composição, préimpressão, impressão, pós impressão, gravação e personalização. Segundo Passo MATERIAIS UTILIZADOS NA CONFECÇÃO DE FORMULÁRIOS E CHEQUES. Os principais materiais são: Papéis e tintas especiais para provas digitais, filmes fotossensível, tintas gráficas pastosas para impressão offset e laser, filmes termo plásticos, toner e outras. Os materiais são adquiridos no mercado interno e externo, conforme documentos fiscais devidamente registrados nos livros próprios. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10976.000159/200816 Acórdão n.º 3201000.959 S3C2T1 Fl. 7 13 Terceiro Passo COMPOSIÇÃO/FOTOLITO TRATAMENTO E FORMATAÇÃO DA IMAGEM. Tratase de uma das operações da processo de préimpressão onde se transforma a arte final digital ou física em original de préimpressão, podendo ser realizados, se solicitado e contratado pelo cliente, retoques e montagens eletrônicas, acertos de fonte e escaneamento de imagens em alta resolução. As principais máquinas gráficas utilizadas neste passo são: Estação de trabalho Macintosh, Fotocompositora e Processadora Dot Mate 6500. Quarto Passo PROVA Tratase de uma outra operação do processo de préimpressão, onde antes de se gravar a chapa de impressão (matriz) é realizada uma prova do trabalho que deverá ser impresso, para que o cliente dê sua aprovação final. Uma vez aprovada a prova, esta servirá de referência para todas as demais fases da produção. As principais máquinas gráficas utilizadas neste passo são: Impressora Offset Planas e Rotativas, Impressora jacto de tinta HP PSC Multifuncional e H P Color Laser Jet, Impressoras a Laser Xerox. Quinto Passo CONFECÇÃO DE CHAPAS DE IMPRESSÃO Tratase da última operação do processo de préimpressão, na qual as chapas de impressão são confeccionadas, considerando se a tecnologia, os equipamentos e as características técnicas específicas dos processos de impressão offset. As principais máquinas gráficas utilizadas neste passo são: Impressora Offset Planas e Rotativas, Impressora jacto de tinta HP PSC Multifuncional e HP Color Laser Jet, Processadora Dot Mate 6500 para revelação e fixação dos fotolitos, Prensa de contato para gravação de chapas offset, Sexto Passo IMPRESSÃO A impressão do Papel é realizada no anverso e verso das folhas utilizando os sistemas de impressão offset e laser. As principais máquinas gráficas utilizadas neste passo são: Fl. 650DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 14 Impressora Offset Planas e Rotativas, Impressora jacto de tinta HP PSC Multifuncional e H P Color Laser Jet Sétimo Passo CORTE Finalizando o processo de pós impressão é feito o corte onde será feita uma revisão no controle de qualidade. As principais máquinas gráficas utilizadas neste passo são: Máquina de Corte Polar. PERSONALIZAÇÃO E ACABAMENTO 1)Talão de cheques As folhas serão personalizadas e após esta tarefa, serão encaminhadas para o processo final do talão acabado. As principais máquinas gráficas utilizadas neste passo são: Impressoras a Laser Xerox. Impressoras JDR 2)Impressos em geral As folhas impressas são encaminhadas para o Setor de Acabamento onde são feita as devidas revisões, embaladas e expedidas p/os clientes. As principais máquinas gráficas utilizadas neste passo são: Máquinas de Acabamento: Polar, JDR. Oitavo Passo ENTREGA DOS FORMULÁRIOS E TALÕES Os talões e formulários devidamente personalizados são entregues aos encomendantes, em seus Centros de Distribuição para os encaminhamentos devidos. Diante das premissas teóricas já fixadas e das informações acima prestadas quanto aos processos produtivos peculiares à atividade da Recorrente, passo a analisar cada item glosado especificamente. ANÁLISE DAS DESPESAS GLOSADAS SERVIÇOS PRESTADOS POR TERCEIROS Fl. 651DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10976.000159/200816 Acórdão n.º 3201000.959 S3C2T1 Fl. 8 15 No tocante aos itens consultoria, comissão sobre vendas, serviços jurídicos e assessoria em segurança do trabalho, prestados por terceiros contratados pela Recorrente, extraio os seguintes trechos do recurso voluntário: Em suma, não há como a RECORRENTE acompanhar todos os mercados nos quais os seus serviços se encaixam, pelo que suas atividades iniciamse muito antes da fase de desenvolvimento e formalização dos serviços, passando, obrigatoriamente, pela fase de busca de atividades, com esforços específicos para o fim, os quais compõem, de forma indissociável o ciclo de serviços a serem prestados pela RECORRENTE. Nesta ordem, as muitas possibilidades de atuação da RECORRENTE, ante as diversas necessidades e ampla área de atuação de seus clientes, são trazidas a esta por intermédio de terceiros prestadores de serviços, os quais analisam e acompanham os mais variados mercados em que os serviços da RECORRENTE possam ser utilizados, a demandar serviços exclusivos. Outras vezes, os serviços a serem prestados dependem de assessoria e consultoria, sempre específicos para atender as necessidades daquela objetiva prestação de serviços em desenvolvimento, seja em virtude das especificidades dos serviços contratados, seja em virtude dos procedimentos necessários para a efetivação dos mesmos (concorrências e procedimentos afins), sempre sendo da essência dos serviços contratados a participação de terceiros assessores e consultores na definição e no desenvolvimento dos serviços prestados. A par das alegações da Recorrente, o seu processo produtivo não indica como tais gastos possam estar associados aos serviços que presta. As alegações aduzidas pela Recorrente apenas demonstram que a sua atividade demanda um investimento na captação de clientes, o que é comum a qualquer atividade econômica. Por outro lado, nenhum contrato com seus prestadores de serviço foi acostado aos autos deste processo como forma de demonstrar o contrário. Na rubrica “Serviços Jurídicos”, por exemplo, há uma gama de prestações que podem ser levadas a efeito, não apenas serviços diretamente relacionados com a prestação de serviços da Recorrente. Essa é exatamente uma situação que um mesmo gasto pode assumir a classificação de custo indireto e de despesa geral. Como saber se tais serviços não se referem ao patrocínio de demandas trabalhistas ou previdenciárias? Se for esse o caso, é evidente que não se trata de um custo indireto, e sim de uma despesa geral. Haja vista a falta de informações que permitam identificar o papel dos itens ora tratados no processo produtivo descrito pela Recorrente, mantenho a decisão recorrida quanto à glosa de créditos de PIS/Pasep oriundos de gastos com consultoria, comissões sobre vendas, serviços jurídicos e assessoria em segurança do trabalho. Especificamente sobre os gastos incorridos com despachantes aduaneiros, durante a ação fiscal, a Recorrente apresentou documentos sobre a importação de jogos de Fl. 652DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 16 cinta de prensagem brilhante para máquina de produção de cartões de plástico laminado marca Melzer (fls. 142/146). No arrazoado sobre o seu processo produtivo, a Recorrente esclareceu à fiscalização que adquire materiais no mercado externo para a confecção de cartões de pvc com tarja magnética, bem como de formulários e cheques. Ora, considerando que a atividadefim da Recorrente não está diretamente relacionada a comércio exterior, é natural que haja a contratação de terceiros para acompanhar esse tipo de operação, sendo desnecessária a contratação de empregados para tanto. Considerando ainda que o despachante aduaneiro contratado é pessoa jurídica, nomeadamente a Internacional Comissaria de Desapachos Aduaneiros Ltda. (fls.97, 99, 101, 103, 105 e 107), não se aplica a restrição legal ao crédito decorrente da contratação de pessoas físicas. Com base em todas essas crcunstâncias, entendo que a decisão recorrida merece ser reformada no tocante à glosa de créditos de PIS/Pasep oriundos de gastos com serviços de despachante aduaneiro. TELECOMUNICAÇÕES E TELEFONIA Os gastos incorridos com telecomunicações e telefonia representam um caso clássico em que a classificação de custo indireto de produção e despesa geral são aplicáveis simultaneamente. No arrazoado sobre o seu processo produtivo, a Recorrente esclareceu à fiscalização que a gravação da tarja magnética e a personalização dos cartões PVC depende do envio, por parte dos clientes, de arquivos de uma das três formas: (i) fisicamente, em fita magnética, (ii) via teleprocessamento, através de link dedicado com conexão direta na Embratel; e (iii) via internet, através de FTP (File Transfer Protocol). Por essa razão, dentre todas as glosas de créditos oriundos de gastos com telecomunicações e telefonia, a Recorrente destaca a importância apenas dos gastos contabilizados em duas contas contábeis específicas, a saber: 30.1.01.0232.3 e 30.1.07.0020.4. Isso revela que os gastos contabilizados nessas contas referemse a custo indireto de produção; a contrário senso, os gastos contabilizados nas outras contas dizem respeito a despesas gerais. Compulsando o descritivo dessas contas no livro razão da Recorrente, especificamente na competência de maio de 2004, temos o seguinte: conta 30.1.01.0232.3 – “VR. SERV. PREST. TRANSMISSAO DADOS VIA EMBRATEL (FASTNET), REL. MES DE MAIO/2004, CFE FAT. CPS. 04/05/0160225760 EMBRATEL” (fl. 271) e conta 30.1.07.0020.4 – “VR. REF. DESPESAS LIGACOES ACESSO INTERNET LOCACAO PORTAL, TELEFONE 501318, REL. MES MAIO/2004, CF. NF. 1700034546043TELEMAR” (fl. 322). Os descritivos acima transcritos endossam as alegações da Recorrente. Por essa razão, entendo que a decisão recorrida merece ser reformada no tocante à glosa de créditos de PIS/Pasep oriundos de gastos com serviços de telecomunicações e telefonia, porém, apenas aqueles que foram contabilizados no livro razão nas contas 30.1.01.0232.3 e 30.1.07.0020.4. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10976.000159/200816 Acórdão n.º 3201000.959 S3C2T1 Fl. 9 17 ÁGUA Alega a Recorrente que a água é também insumo indispensável ao seu processo produtivo. Embora não tenha aprofundado a explicação do papel da água nesse processo, a Recorrente informa que utiliza impressora serigráfica. Desse modo, analisando mais detidamente como se desenvolve o processo de serigrafia, percebese que, de fato, há consumo de água. Confirase: Definição do processo Serigrafia é um processo de impressão permeográfico que consiste em reproduzir a imagem utilizando uma forma composta por malhas finas de fios sintéticos ou metálicos, esticadas sobre molduras, por meio das quais a tinta é forçada a passar pelas áreas de grafismos sobre o suporte. Uma das características do processo é a diversidade de aplicações, por permitir a impressão em diferentes materiais e superfícies, incluindo vidro, plásticos, madeira e metais. Os principais aspectos ambientais da impressão serigráfica são os resíduos resultantes da preparação da forma, como restos de madeira, alumínio e da própria tela. Há também os resíduos do processo, como toalhas industriais e aparas; os efluentes compostos por produtos químicos diluídos, provenientes da etapa de limpeza das formas; as emissões de Compostos Orgânicos Voláteis (VOCs), resultantes da evaporação dos solventes, tintas, vernizes ou adesivos, além do consumo de água e energia elétrica. (Disponível em <http://www.revistatecnologiagrafica.com.br/index.php?option=c om_content&view=article&id=314:producaomaislimpana serigrafia&catid=93:gestaoambiental&Itemid=208> Acesso em 21 Abr. 2012) Se por um lado é certo que a água é um insumo para a impressora serigráfica, também não se pode afirmar que a água é uma despesa geral apenas para algumas atividades específicas. Isso porque há instalações hidráulicas na sede administrativa de qualquer empresa. Sendo assim, é importante verificar o descritivo dos lançamentos realizados na 30.1.01.0251.0. Aleatoriamente optei por extrair as informações do razão analítico referentes aos meses de maio e junho de 2004, a saber: Fl. 654DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 18 A partir da reprodução parcial do razão analítico da Recorrente, percebese que o descritivo da conta 30.1.01.0251.0 não é suficiente para segregar a água que é utilizada como insumo no processo serigráfico daquela que é utilizada, por exemplo, nos banheiros da sede administrativa, que nada mais é do que uma despesa geral. Cabe ao interessado provar as suas alegações, logo, entendo que a Recorrente deveria ter elaborado ao menos uma planilha para proporcionalizar a utilização da água como insumo e como despesa geral; melhor ainda seria criar uma nova conta contábil para informar os gastos com água especificamente para o processo serigráfico. No caso concreto, a mera juntada do razão analítico não foi capaz de fornecer a informação necessária para o reconhecimento do direito ao crédito de PIS/Pasep em relação ao insumo água, de modo que, em minha opinião, a decisão recorrida deve ser mantida. COMBUSTÍVEL Tal como telecomunicações e telefonia, combustível pode ser classificado como custo indireto de produção e despesa geral. Em uma empresa de transporte de carga ou mesmo de passageiros, é inegável que o combustível é um insumo fundamental. Por outro lado, se o objeto social da empresa não guarda relação direta com o consumo de combustível, não se pode argumentar que os respectivos gastos são classificáveis como insumo. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10976.000159/200816 Acórdão n.º 3201000.959 S3C2T1 Fl. 10 19 Penso que a segunda hipótese é a que melhor se aplica à Recorrente. Isso porque, conforme já mencionado, o objeto social da Recorrente consiste na exploração editorial e gráfica em geral. Assim, salvo se restasse comprovado nos autos que o combustível é consumido por máquinas utilizadas no processo de exploração editorial e gráfica, entendo que o combustível não constitui insumo da atividade da Recorrente. A Recorrente lista uma série de contas contábeis que dizem respeito aos gastos com combustível, porém, todas revelam que o combustível é utilizado em veículos a seu serviço. Ora, essa despesa não está diretamente associada a sua atividade, logo, entendo que a decisão recorrida deve ser mantida nesse particular. VIAGENS E DESLOCAMENTOS A Recorrente alega que despesas com a aquisição de passagens para seus funcionários é essencial para o seu negócio, razão pela qual calculou créditos de PIS/Pasep sobre os lançamentos realizados na conta 30.1.01.0659.1. No razão analítico do mês de Novembro de 2004, por exemplo, há um lançamento nessa conta com a seguinte descrição: VR. REF. AQUISIÇÃO DE PASSAGENS AÉREAS,P/ FUNC. A SERV. CFE. REQ. 27541FAT. NR. 026755 PORTAL VIAGENS E TURISMO LTDA. Ora, se a passagem aérea é para um engenheiro vistoriar in loco a construção de um prédio, justificase a classificação da respectiva despesa no custo indireto do serviço de construção. Contudo, se a passagem aérea é utilizada por um executivo dessa mesma empresa de construção para fins comerciais, entendo que não passa de mera despesa de prospecção comum a qualquer atividade. Apenas na primeira hipótese, o gasto poderia gerar crédito de PIS/Pasep no regime não cumulativo. Como o descritivo acima transcrito não permite identificar a finalidade para a qual a passagem aérea foi utilizada, e não havendo qualquer outra forma de aferir tal informação nos autos, devese partir da premissa de que não se trata de insumo para fins de creditamento no regime não cumulativo do PIS/Pasep, pois não é uma despesa diretamente vinculada ao objeto social do interessado. Tendo isso em vista, no caso concreto, entendo que a glosa desse tipo de despesa deve ser mantida, não havendo provas suficientes para reformar o entendimento da instância a quo. ALIMENTAÇÃO Seguindo a linha argumentativa até aqui exposta, despesas com alimentação não representam custo operacional para a atividade da Recorrente, salvo se a sua atividadefim fosse o fornecimento de alimentos e bebidas, tais como hotéis, bares e restaurantes. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 20 Não sendo esse o caso, descabe tecer maiores comentários para se chegar à conclusão de que a Recorrente não faz jus ao crédito de PIS/Pasep calculado sobre tais despesas. Por essa razão, mantenho a decisão recorrida. DILIGÊNCIA Finalmente, no tocante ao pedido reiterado de diligência, os quesitos formulados pela Recorrente visam claramente a reforçar a alegação de que os créditos glosados são oriundos de despesas necessárias à manutenção da sua fonte produtora. Entretanto, o conceito de insumos para fins de apuração de PIS/Pasep não cumulativo é diferente do conceito de despesas necessárias para fins de apuração do imposto de renda. Logo, se a premissa que se pretende provar como verdadeira é distinta daquela adotada no presente julgado, de nada valerá a diligência, razão pela qual, neste particular, nego provimento ao recurso voluntário. DECISÃO Considerando, pois, todo o arrazoado acima apresentado, dou provimento parcial ao recurso voluntário, reformando a decisão recorrida especificamente no tocante à glosa das despesas com a contratação de despachante aduaneiro e telefonia, e a mantendo no tocante aos gastos com a contratação de outros serviços de terceiros, água, combustível, viagens/deslocamentos, bem como alimentação. É como voto. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13856.000248/2004-93
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 07/2004 Ementa: PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. ART. 3º, II DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMO. PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. USINA DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. SERVIÇO DE TRANSPORTE DE PESSOAS ENTRE A SEDE DA EMPRESA E O LOCAL DO CORTE DA CANA-DE- AÇÚCAR. POSSIBILIDADE. A análise do direito ao crédito deve atentar para as características específicas da atividade produtiva do contribuinte. Na atividade de usinagem de cana-de-açúcar, o transporte dos funcionários até o local do corte da cana-de-açúcar é uma atividade integrante, porquanto necessária, do processo produtivo. Situação em que o transporte do funcionário não configura pagamento de um benefício ao empregado, mas a contratação de um serviço que viabiliza a produção, integrando o processo produtivo. Também devem ser computados como insumos os adesivos, corretivos, cupinicidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas, pois devem ser consideradas como processo produtivo todas as etapas desenvolvidas pelo contribuinte para a obtenção do produto final. Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 3403-001.283
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa do “transporte de funcionários” e, em relação ao estoque, para que sejam computados os bens correspondentes aos Adesivos, Corretivos, Cupinicida, Fertilizantes, Herbicidas e Inseticidas - Produtos, não devendo computar no estoque o valor de serviço de transporte de pessoas. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão quanto aos estoques de insumos aplicados na produção agrícola e quanto ao transporte de mãodeobra. Sustentou pela recorrente o Dr. Luiz Fernando Ruck Cassiano. OAB/SP nº 228.126.
Nome do relator: Ivan Allegretti
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CRÉDITO. ART. 3º, II DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMO. PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. USINA DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. SERVIÇO DE TRANSPORTE DE PESSOAS ENTRE A SEDE DA EMPRESA E O LOCAL DO CORTE DA CANADE AÇÚCAR. POSSIBILIDADE. A análise do direito ao crédito deve atentar para as características específicas da atividade produtiva do contribuinte. Na atividade de usinagem de canadeaçúcar, o transporte dos funcionários até o local do corte da canadeaçúcar é uma atividade integrante, porquanto necessária, do processo produtivo. Situação em que o transporte do funcionário não configura pagamento de um benefício ao empregado, mas a contratação de um serviço que viabiliza a produção, integrando o processo produtivo. Também devem ser computados como insumos os adesivos, corretivos, cupinicidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas, pois devem ser consideradas como processo produtivo todas as etapas desenvolvidas pelo contribuinte para a obtenção do produto final. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa do “transporte de funcionários” e, em relação ao estoque, para que sejam computados os bens correspondentes aos Adesivos, Corretivos, Cupinicida, Fertilizantes, Herbicidas e Inseticidas Produtos, não devendo computar no estoque o valor de serviço de transporte de pessoas. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 quanto aos estoques de insumos aplicados na produção agrícola e quanto ao transporte de mão deobra. Sustentou pela recorrente o Dr. Luiz Fernando Ruck Cassiano. OAB/SP nº 228.126. Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Raquel Motta Brandão Minatel e Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausentes justificadamente os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de Declarações de Compensação protocoladas pelo contribuinte por meio das quais busca o aproveitamento de crédito de Contribuição ao PIS que teria sido gerado no período de apuração correspondente ao mês 07/2004, correspondente a receitas de exportação, na forma do art. 5º, § 1º da Lei nº 10.637/2002. A Fiscalização, depois da coleta de informações e documentos, apresentou Relatório da Ação Fiscal (fls. 43/56) sugerindo a glosa dos seguintes créditos que entende que não deveriam ser considerados como insumos: A) relativos às “aquisições de produtos relacionados com o "custo agrícola", ou seja, produtos utilizados nas plantações de cana de açúcar (Adesivos, Corretivos, Cupincida, Fertilizantes, Herbicidas e Inseticidas) em propriedades de terceiros com os quais a fiscalizada possui contratos de parceria agrícola nas plantações de canadeaçúcar. Como a contribuinte é produtora e vendedora de AÇÚCAR e ÁLCOOL, nenhum dos produtos relacionados com o "custo agrícola" poderão ser considerados, de acordo com a citada legislação, como INSUMOS na fabricação ou produção de açúcar e álcool” (fl. 53); B) relativos à aquisição de serviços os quais se referem aos valores pagos para o transporte de trabalhadores rurais envolvidos na atividade de plantação das mudas e corte de canadeaçúcar esmagada na unidade industrial da contribuinte (fls. 53/54); A Fiscalização também identificou, em benefício do contribuinte, que na determinação do percentual de repartição entre Mercado Interno e Mercado Externo havia sido adicionado ao Mercado Interno, de maneira equivocada, o valor da venda de álcool (que não deveria ser computado pelo fato de se submeter ao regime cumulativo), o que surtia o efeito de elevar indevidamente o percentual do Mercado Interno e, via de conseqüência, reduzir indevidamente o percentual do Mercado Externo (fl. 55). Ao final, contudo, a Fiscalização concluiu que o contribuinte tinha direito a um valor menor que o pleiteado. O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto/SP (fl. 57) apoiouse na conclusão da fiscalização, assim homologando apenas em parte as compensações, na medida dos créditos reconhecidos ao contribuinte. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 3403001.283 S3C4T3 Fl. 2 3 O entendimento do Despacho Decisório é resumido na seguinte ementa: PIS Programa de Integração Social Tributação nãocumulativa art 3°, inciso II da Lei nº 10.637/2002 § 5º, inciso I, alínea a e inciso II, alínea a do art. 66 da IN nº 247/2002 – IN nº 404/2004 Conceito de Insumos para fins de crédito de PIS Não Cumulativa A pessoa jurídica pode descontar créditos determinados mediante a aplicação da alíquota de 1,65 % sobre os valores das aquisições efetuadas no mês de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. Entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, bem como, os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Entendese como insumos utilizados na prestação de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado, assim como, os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Somente podem ser considerados insumos, para fins de creditamento de PIS, os bens e serviços intrinsecamente vinculados à fabricação ou produção de bens destinados à venda ou à prestação de serviços, ou seja, quando aplicados ou consumidos diretamente no processo, não podendo ser interpretados como todo e qualquer serviço que gere despesas, mas tãosomente os que efetivamente se relacionem com a atividadefim da empresa. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 75/86) alegando o seguinte: 1) que devem ser admitidos os créditos correspondentes às aquisições de Adesivos, Corretivos, Cupincida, Fertilizantes, Herbicidas e Inseticidas, explicando que “a utilização de elementos químicos se faz necessária para controle de pragas (como é o caso da Manifestante), ou ainda, para melhoria da produtividade verificase que inevitavelmente esses produtos se inserem na composição do produto final. Isto porque, há ação de referidos componentes no produto vendido ao final, uma vez que é inegável sua absorção pela canade açúcar destes produtos químicos que também farão parte de forma controlada produto vendido ao final.” (fls. 78/79) Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 2) que devem ser admitidos os créditos correspondentes aos pagamentos para o transporte de pessoas na lavoura de canadeaçúcar, argumentando que “o transporte dos cortadores de cana e os custos com a aplicação de agrotóxicos e adubos, caracterizamse como uma despesa incorrida numa etapa da produção da Manifestante, haja vista que, obviamente, a atividade da empresa tem o corte da cana como um dos primeiros pressupostos, sendo certo também que sem transporte não há como os trabalhadores chegarem à lavoura onde se encontra a cana de açúcar” (fl. 84). Frisa, pois, que os referidos defensivos agrícolas e o transporte dos trabalhadores são essenciais ao desenvolvimento do seu processo produtivo, que detalha da seguinte forma (fls. 80/82): O processo de industrialização da Manifestante passa pelas seguintes etapas: Após a colheita, a canadeaçúcar passa pela pesagem e pela análise no laboratório "PCTS", onde se verifica a qualidade do produto recebido; Na seqüência a cana é lavada com água e cal e, após ser picada, passa por um eletroímâ para a retirada de metais eventualmente existentes; Depois de moída, a cana passa por seis ternos de moenda, onde é extraído o caldo ao qual é adicionado o biocidapara inibição de bactérias; O caldo passa por peneiras rotativas para retirada de excesso de bagaço; Para produção do álcool: O caldo é bombeado para um tanque de recepção e, em seguida, passa por um regenerador de calor, que altera sua temperatura para 35 ou 40 °C; Após é aquecido até 115º C para eliminação de bactéria; Na seqüência é levado para decantação, onde e adicionado retenção do lodo, melhorando assim a qualidade do caldo; Após a decantação, o caldo passa por peneiras rotativas, onde se elimina possíveis resíduos de bagaço, e é enviado para um tanque pulmão (que gerencia a troca de calor); Finalmente é preparado o Mosto (caldo), que passa por um processo de resfriamento para fermentação, dando origem ao produto final álcool. Para produção do açúcar: O caldo é bombeado para um tanque de recepção e, em seguida, é adicionado ácido fosfórico (que ajuda a decantação desse caldo, melhorando a sua transparência); Na seqüência o caldo para o regenerador, onde ocorre uma troca de calor; Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 3403001.283 S3C4T3 Fl. 3 5 Após o caldo passar por um tratamento de sulfitação e caleação, recebendo o enxofre, cal e clarificante; Aquecimento do caldo, aquecimento do caldo até 110° C para concentração do caldo (retirada de água). No decantador é adicionado polímero para retenção do iodo, melhorando assim a qualidade do caldo; Após a decantação o caldo passa por peneiras rotativas, onde se elimina possíveis resíduos de bagaço; Préevaporação e Evaporação é um processo de concentração do caldo até obtenção de xarope com alta concentração, neste processo utilizase antiencustrante e amônia; Após a obtenção do xarope este é aquecido e passa por um processo de flotação, que è a retirada de impurezas (utiliza se ácido fosfórico e polímero), dando origem ao produto final açúcar. OBS: o vapor utilizado como energia é obtido através do processo de geração de vapor, nesta etapa a água é tratada com os seguintes produtos:hipoclorito de sódio (cloro), sal grosso e optisperse (fosfato). Conforme demonstrado, o açúcar e o álcool nada mais são que a canadeaçúcar após o processo de transformação industrial e se, também conforme comprovado, os insumos utilizados na lavoura de canadeaçúcar incorporamse ao produto da lavoura, qual seja, à própria canadeaçúcar, não há como afastar a afirmação que tais insumos foram consumidos no processo de industrialização. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ), por meio do Acórdão nº 1432.432, de 7 de fevereiro de 2011 (fls. 98/101) manteve integralmente a decisão da DRF, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2005 DEDUÇÃO. INSUMOS. PRODUTOS NÃO UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DO PRODUTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Entendese como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da contribuição, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O combustível e demais produtos utilizados em fases que não a fabricação do produto não podem ser considerados insumos, para efeito de Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 dedução do valor da contribuição apurada, por falta de previsão legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 105/119) reiterando os mesmos fundamentos da sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator. O recurso voluntário é tempestivo (fls. 104 e 105), motivo pelo qual dele conheço. Entendo que assiste razão ao contribuinte quando alega que os defensivos agrícolas, bem como o transporte dos funcionários para o local da extração da canadeaçúcar, devem ser tratados como insumo, enquanto necessários e integrantes do processo produtivo. O art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003 prevê a possibilidade de que do valor devido de contribuição se desconte créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, (…)”. O processo produtivo detalhado pelo contribuinte deixa claro que o transporte dos funcionários até o local do corte da canadeaçúcar é uma medida necessária e indispensável do processo produtivo, configurando a contratação de um serviço que traduz um dos insumos necessários para a produção da cana de açúcar. E também quanto aos Adesivos, Corretivos, Cupincida, Fertilizantes, Herbicidas e Inseticidas – que se generaliza pela denominação de defensivos – parecem igualmente integrantes, porquanto necessários e indispensáveis, ao processo produtivo. A DRF e a DRJ recusam o direito de crédito por pretender confinar o conceito de produção ao conceito de industrialização aplicado à legislação do IPI. O conceito de produção, no entanto, é mais amplo que o de industrialização, alcançando todas as etapas necessárias à atividade desenvolvida pelo contribuinte, seja ele industrial, comerciante ou prestador de serviço, devendo ser considerados como insumos tanto bens como serviços, desde que necessários, o que deve ser considerado no contexto do processo produtivo do contribuinte. O entendimento do CARF, com efeito, reconhece como insumos tanto os bens utilizados como os serviços prestados no contexto do processo produtivo do contribuinte, conforme se ilustra nos seguintes julgados: (…) NÃOCUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO E ABRANGÊNCIA. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 3403001.283 S3C4T3 Fl. 4 7 Os insumos utilizados na fabricação de produtos e prestação de serviços que geram direito de crédito da contribuição não cumulativa são somente aqueles que representem bens e serviços. (…) (Acórdão 210200.050, Recurso 150.521, Processo 10675.004362/200422, Rel. Cons. José Antônio Francisco, j. 05/03/2009) Neste caso acima o Conselheiro Relator esclareceu o seguinte: Insumo, como se sabe, é um elemento empregado na fabricação de um bem ou serviço. Entretanto, não são todos os elementos empregados na fabricação de produtos ou na prestação de serviço que originam crédito de Cofins, mas somente os insumos que sejam "bens", no sentido jurídico, e "serviços". Dessa forma, os "benefícios a empregados", a mãodeobra e os benefícios ou salários indiretos, embora possam caracterizarse como insumos utilizados na prestação de serviços, não representam "bens" e "serviços", de forma que não geram direito de crédito. Neste caso, como se percebe, o transporte do funcionário não se caracteriza como o pagamento de benefício aos empregados, mas como contratação de um serviço que viabiliza a produção, ou seja, como providência necessária e integrante do processo produtivo, remunerada como contratação da prestação de um serviço propriamente dito (transporte de pessoas). E ainda que se tratasse de combustível, estaria configurado então o fornecimento de bens. A propósito do transporte realizado no contexto do processo produtivo, confirase ainda o seguinte julgado: (...)CRÉDITO. RESSARCIMENTO. São passíveis de ressarcimento os créditos de PIS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação. Recurso voluntário provido em parte.” (Acórdão 20181.139, Recurso 148.457, Processo 11065.101271/200647, Rel. Cons. Walber José da Silva, j. 02.06.2008) Neste julgado o Relator manifesta o seguinte entendimento: Portanto, basta que os custos ou despesas gerem créditos para a empresa exportadora ter direito ao seu ressarcimento. No caso de empresa industrial, o crédito de PIS não se restringe aos insumos empregados diretamente na produção como defende a decisão recorrida. Todos os créditos decorrentes de custos ou despesas incorridas na produção e venda do produto exportado, apurados na forma prevista no art. 3º da Lei nº 10.637/2002, são passíveis de ressarcimento. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 (…) Mais ainda, a vinculação da despesa com a receita de exportação não guarda relação exclusivamente com o processo produtivo. A despesa pode ser incorrida antes ou depois de realizada a produção do bem exportado. No caso sob exame, foram glosados os créditos relativos aos combustíveis e lubrificantes usados na frota de veículos da recorrente e aos dispêndios com a remoção de resíduos industriais, por não estarem vinculados ao processo produtivo. A recorrente alega que tem direito ao crédito dos combustíveis e lubrificantes porque os mesmos são usados em sua frota de veículos, que transporta produtos e insumos entre seus estabelecimentos. Para haver ressarcimento é necessário haver o direito ao crédito. No caso dos combustíveis e lubrificantes usados na frota de veículo ligados à atividade industrial geram, no meu entender, direito ao crédito, a teor do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. E geram direito ao crédito porque o conceito de insumo (bens e serviços) utilizado pela lei não é igual à soma de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, a que se refere a legislação do IPI. Insumos são todos os "custos, despesas ou encargos" vinculados ao produto ou serviço vendido, como diz o art. 2º da IN SRF nº 460/2004. Quanto aos dispêndios realizados com o serviço de remoção de resíduos industriais, não há nenhuma dúvida de que este serviço é parte do processo de industrialização dos bens exportados e está vinculado à receita de exportação. Pela natureza da atividade da recorrente, sem este serviço não há produção. Sendo um serviço diretamente vinculado ao processo produtivo, entendo que a recorrente tem direito ao crédito da Cofins incidente sobre a compra desse serviço e, como tal, tem direito ao ressarcimento desse crédito em face da exportação dos produtos (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002). Ora, se se admite o crédito em relação ao transporte dos resíduos e de entulho industrial, reconhecendo tal providência como parte do processo de produção, tanto mais será o deslocamento dos funcionários para que se execute uma das fases do processo produtivo. Vale a pena conferir também o seguinte precedente no qual se reconhece a despesa de seguros de carga como insumo que integra a atividade produtiva do contribuinte: (…) REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. DESCONTOS COM SEGUROS. Na apuração do PIS nãocumulativo podem ser descontados créditos calculados sobre as despesas decorrentes da contratação de seguros, essenciais para a atividade fim desenvolvida pela recorrente, pois estes se caracterizam sim como `insumos' previstos na legislação do IRPJ. (…) Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 3403001.283 S3C4T3 Fl. 5 9 (Acórdão 20312.741, Recurso 137.910, Processo 10932.000016/200578, Redator Designado Cons. Emanuel Dantas de Assis, j. 11/03/2008) Embora não se refira à mesma hipótese concreta de crédito, o precede acima ilustra muito bem que a análise do direito ao crédito deve guardar pertinência com as características da atividade produtiva desempenhada concretamente pelo contribuinte. No presente caso fica claro que o transporte dos funcionários não é apenas uma despesa de uma empresa qualquer que deseja fornecer transporte aos seus empregados, mas da viabilização da atividade de plantação e colheita da cana de açúcar, devidamente contextualizada no processo produtivo. Voto, pois, no sentido de dar parcial provimento ao recurso, para afastar a glosa dos custos agrícolas e do transporte de funcionários. Ivan Allegretti Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 14751.000125/2010-31
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI Nº 11.033, DE 2004.
A manutenção de créditos prevista na Lei no 11.033, de 2004, refere-se às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior.
REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE CERVEJAS, ÁGUAS E REFRIGERANTES . INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO.
As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de cervejas, águas e refrigerantes são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.360
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso. O Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luiz Bordignon - Relator.
EDITADO EM: 25/09/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sergio Celani, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI Nº 11.033, DE 2004. A manutenção de créditos prevista na Lei no 11.033, de 2004, refere-se às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior. REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE CERVEJAS, ÁGUAS E REFRIGERANTES . INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de cervejas, águas e refrigerantes são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso. O Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon - Relator. EDITADO EM: 25/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sergio Celani, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
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MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI Nº 11.033, DE 2004. A manutenção de créditos prevista na Lei no 11.033, de 2004, referese às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior. REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE CERVEJAS, ÁGUAS E REFRIGERANTES . INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de cervejas, águas e refrigerantes são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso. O Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso apresentará declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 01 25 /2 01 0- 31 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. EDITADO EM: 25/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sergio Celani, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 14751.000125/201031 Acórdão n.º 3801001.360 S3TE01 Fl. 81 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento (PER) apresentado por meio de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 16941.91613.090408.1.1.116832, no qual é declarado crédito no valor original de R$ 592.579,16, referente à Cofins (Mercado Interno) do 4º trimestre de 2005. 2. O Despacho Decisório DRF/JPA nº 618/2010, aprovou o Relatório de Informação Fiscal, indeferindo o pedido de ressarcimento pretendido. 3. Do Relatório de Informação Fiscal citado consta que: 3.1. a empresa foi intimada a apresentar a relação de insumos ou bens adquiridos que deram origem ao crédito objeto do PER, tendo sido apresentado o documento intitulado "Relação dos Bens para revenda que deram origem aos créditos utilizados no PER/DCOMP"; 3.2. a empresa tem como atividade principal o comércio atacadista e varejista de bebidas alcoólicas, refrigerantes e água mineral; 3.3. concluiu a autoridade fiscal que a pretensão do contribuinte em descontar créditos do PIS e da Cofins sobre os produtos em tela, os quais são submetidos à incidência monofásica das contribuições (arts. 49 e 50 da Lei nº 10.833, de 2003), adquiridos para revenda por atacadistas e varejistas, é vedado pela legislação em vigor (art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, com idêntica redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). 4. Devidamente cientificado da decisão acima em 07/01/2011, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 07/02/2011, por meio do seu representante legal, com os seguintes argumentos: 4.1. aponta que as receitas oriundas dos produtos sujeitos à incidência monofásica foram excluídos da base de cálculo do PIS e da Cofins não cumulativos, conforme previsão do art. 1º, § 3º, inc. I e IV, da Lei nº 10.833, de 2003, contendo a Lei nº 10.637, de 2002, idênticos dispositivos (art. 1º, §3º, inc. IV, art. 8º, inc. VII, "a"); 4.2. assevera que, na redação originária, a legislação não autorizava o desconto/utilização de crédito dos produtos sujeitos à tributação monofásica, indicando que em 2004, com a edição Fl. 82DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 4 da Lei nº 10.865, foram introduzidas modificações nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, de maneira que o §3º do art. 1º, que trata da composição da base de cálculo da Cofins, deixou de fazer menção às receitas oriundas das vendas de produtos sujeitos à incidência monofásica, em seu inc. IV; 4.3. relativamente aos créditos, justificou que as alterações promovidas pela Lei nº 10.865, de 2004, ficou impossibilitada a tomada de crédito sobre bens e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição; 4.4. alega que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 21/12/2004, estabeleceu que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e da Cofins, não impediriam a manutenção pelo vendedor dos créditos vinculados a esses operações; 4.5. acrescenta que o advento da Lei nº 11.116, de 18/05/2005, restou autorizada a compensação do crédito do PIS e da Cofins com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; 4.6. aduz que a Medida Provisória nº 413, de 03/01/2008, alterou mais uma vez a Lei nº 10.833, de 2003, ao introduzir o §22 no art. 3º, para impedir a apuração de créditos do PIS e da Cofins pelos contribuintes atacadistas/distribuidores em relação aos produtos sujeitos à tributação monofásica do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004; 4.7. conclui que "se a MP em questão excluiu os produtos monofásicos do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, é porque eles anteriormente se encontravam abarcados por tal dispositivo"; 4.8. afirma que a lei de conversão da MP nº 413 (Lei nº 11.727, de 23/06/2008) não trouxe o citado §22; 4.9. sustenta que a MP nº 451, de 15/12/2008, mais uma vez trouxe vedação à tomada de créditos de PIS e Cofins por parte do distribuidor ou comerciante de bens submetidos ao regime monofásico, apontando que a lei de conversão (Lei nº 11.945, de 04/06/2009) o texto foi novamente excluído; 4.10. afirma que é possível o aproveitamento do crédito conforme pretendido pelo recorrente, uma vez que as vedações contidas nas MP nº 413 e 451 não foram mantidas por suas leis de conversão; 4.11. requer, ao final, o acolhimento de seu recurso e reforma da decisão recorrida para reconhecer o seu direito creditório. A Delegacia de Julgamento em Recife proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE CERVEJAS, ÁGUAS E REFRIGERANTES. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. As receitas Fl. 83DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 14751.000125/201031 Acórdão n.º 3801001.360 S3TE01 Fl. 82 5 auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de cervejas, águas e refrigerantes são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 60 a 70, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade. DO PEDIDO: Requer se digne esse D. Conselho em acolher o Recurso ora interposto, reformando o acórdão recorrido, reconhecendo, de conseguinte, o direito ao crédito pretendido. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 6 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de Pedido de Ressarcimento de COFINS NãoCumulativa, fls. 02/04, referente ao 4º Trimestre de 2005, no valor de R$ 592.579,16. . Em seu recurso voluntário a recorrente embasa sua defesa, da mesma forma que procedeu quando da apresentação de sua manifestação de inconformidade, nas questões relacionadas com a interpretação e aplicação da legislação à situação em concreto. Assim, a questão central para a solução da controvérsia reside na análise da possibilidade da interessada, uma vez que se ocupa do comércio atacadista e varejista de bebidas alcoólicas, refrigerantes e água mineral, utilizar como crédito os dispêndios realizados com a compra desses produtos. Desse modo, necessário se faz trazer a lume a legislação de regência. Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) VIII–no art. 58I desta Lei, no caso de venda das bebidas mencionadas no art. 58A desta Lei; IX–no inciso II do art. 58M desta Lei, no caso de venda das bebidas mencionadas no art. 58A desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica optante pelo regime especial instituído pelo art. 58J desta Lei; Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 14751.000125/201031 Acórdão n.º 3801001.360 S3TE01 Fl. 83 7 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) Art. 49. A contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS devidas pelos importadores e pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização dos produtos classificados nas posições 22.01, 22.02, 22.03 (cerveja de malte) e no código 2106.90.10 Ex 02 (preparações compostas, não alcoólicas, para elaboração de bebida refrigerante), todos da TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002, serão calculadas sobre a receita bruta decorrente da venda desses produtos, respectivamente, com a aplicação das alíquotas de 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por cento) e 11,9% (onze inteiros e nove décimos por cento). (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Vigência) Art. 50. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS em relação às receitas auferidas na venda: (Vide Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Vigência) I dos produtos relacionados no art. 49, por comerciantes atacadistas e varejistas, exceto as pessoas jurídicas a que se refere o art. 2o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996; Como é de conhecimento, o regime de nãocumulatividade das contribuições PIS e COFINS foi instituído pelas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, sendo que a Lei nº 10.865/04 introduziu alteração no citado regime (nos artigos 3º, inciso I, alínea "b", das referidas leis), vedando a possibilidade de creditamento nas operações de venda de água, cerveja e refrigerante. Posteriormente foi editada a Lei nº 11.033/04, cujo artigo 17 estabeleceu que “as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”, originando a contenda aqui presente. Argui a recorrente que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04). Em razão disso, entende ser de direito o crédito sobre as aquisições de bebidas (água, cerveja e refrigerante), sujeitos a tributação concentrada/monofásica. Quanto à controvérsia especificamente estabelecida nesse processo, fazse necessário tecer algumas considerações. Em linhas gerais, ressaltase, a seguir, os regimes de incidência das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins. 1. Regime de Incidência Cumulativa. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 8 Nesse regime de apuração, a base de cálculo do Pis/Pasep e Cofins é a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, conforme Lei nº 9.715, de 1998 e LC nº 70/91, cujas alíquotas são 0,65% e 3%, respectivamente. 2. Regime de Incidência NãoCumulativa. O regime da nãocumulatividade das Contribuições para o Pis/Pasep e Cofins, introduzido pela EC (Emenda Constitucional) nº 42, de 2003, foi instituído pela Medida Provisória nº 66/2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002) e Medida Provisória nº 135/2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003), respectivamente, permitindo, nos exatos termos definidos em lei, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica. Seu fundamento constitucional está gravado no art. 195, §12 da CF/1988: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Nesse regime, as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins são, respectivamente, de 1,65% e de 7,6%. 3. Regime Diferenciado. Caracterizase pela incidência especial sobre algum tipo de receita e não sobre pessoas jurídicas, devendo as mesmas calcular as contribuições sobre as demais receitas, em existindo, na sistemática cumulativa ou nãocumulativa. Tem seu fundamento constitucional no art. 149, §4º, abaixo colacionado: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) O regime diferenciado de apuração das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins pode ser assim especificado, resumidamente em: (i) base de cálculo e alíquota diferenciada; (ii) base de cálculo diferenciada; (iii) alíquota reduzida; (iv) substituição tributária e (v) monofásico ou concentrado. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 14751.000125/201031 Acórdão n.º 3801001.360 S3TE01 Fl. 84 9 Fazse referência, a seguir, por se tratar do caso em análise, do sistema de apuração das contribuições intitulado de regime monofásico ou de alíquota concentrada. De acordo com esse regime, o importador ou produtor/fabricante tem suas alíquotas majoradas, incidindo uma única vez na cadeia de distribuição dos produtos, ficando os demais elos da referida cadeia desonerados das contribuições. Quanto ao regime de apuração das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins a legislação não previa, de início, a inclusão das receitas sujeitas ao modelo monofásico. Somente a partir da edição da Lei nº 10.865, de 2004, permitiuse para o produtor e importador que o regime nãocumulativo do PIS e da Cofins abrangesse as receitas referente às vendas de produtos tributados com base em alíquotas diferenciadas (modelo concentrado/monofásico) e, com isso, abriuse a possibilidade destes contribuintes descontar créditos em relação a certos custos e despesas previstos nos arts. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Podese dizer, em remate, que o regime de apuração das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins na sistemática da nãocumulatividade é geral, enquanto que o regime de tributação diferenciado na sistemática de apuração concentrada/monofásica é específico e apurado paralelamente àquele. Feitas as considerações acima, convém retornar à análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, abaixo colacionado, bem como o entendimento da recorrente no sentido de que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04), verdadeira razão da controvérsia submetida a esse colegiado. Art. 17 As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Relativamente a revogação tácita invocada pela recorrente, de acordo com o artigo 2º , §§ 1° e 2º, do DecretoLei nº 4.657, de 04 de setembro de 1942 Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro – “a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior” e “a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. Assim, como é incontroverso que não houve revogação expressa, nem tão pouco é possível se admitir que o referido artigo regulou inteiramente a matéria, resta tão somente a possibilidade do novo texto ser incompatível com o anterior. Quanto a esse aspecto, como visto na abordagem dos regimes de incidência das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins, a sistemática de apuração nas modalidades não cumulativa e concentrada/monofásica tem fundamentos constitucionais diferentes, o que leva a concluir que são sistemas distintos, que não se misturam mesmo quando apurados paralelamente. Assim, da análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, é manifesto que sua aplicação se limita a apuração das contribuições sob a sistemática da nãocumulativa. Portanto, Fl. 88DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 10 no caso de receita sujeita a tributação concentrada, caso dos autos, referido comando legal é inaplicável. Desse modo, em razão do comando normativo expresso nos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, respectivamente, com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 (arts. 21 e 37), e pela Lei nº 10.925, de 2004 (arts. 4º e 5º), é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação as aquisições de bebidas (água, cerveja e refrigerante), adquiridas para revenda, submetidas ao regime de tributação estabelecido nos artigo 49 e 52 da Lei nº 10.833, de 2003. Por fim, uma vez que as regras da nãocumulatividade das contribuições sociais definidas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 tem natureza específica e o art. 17 da Lei nº 11.033/04 é um dispositivo de caráter genérico, cujo comando não previu expressamente a revogação dos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b” das referidas leis, predomina o princípio da especialidade na resolução do aparente conflito das leis no tempo. Significa dizer que as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 não foram atingidas pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/04, inexistindo o direito da recorrente ao ressarcimento buscado através do PER/DCOMP de fls. 02/04. Diante do acima exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 89DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 14751.000125/201031 Acórdão n.º 3801001.360 S3TE01 Fl. 85 11 Declaração de Voto Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso. A questão posta é sobre a possibilidade ou não dos contribuintes que operam com produtos sujeitos ao regime monofásico de contribuição do PIS e COFINS. Para entender o pleito, vejo como necessária uma análise da evolução legislativa sobre o tema e busca daí a melhor forma de sua aplicação, vejamos. As contribuições citadas (Pis e Cofins) foram inseridas no regime não cumulativo de apuração após a publicação das leis 10.627/02 e 10.833/03 respectivamente. Pelos referidos normativos, estava criado o regime nãocumulativo de apuração das contribuições, obrigatório para os contribuintes optantes pelo lucro real, porém fora do referido regime operações realizadas com os produtos sujeitos ao regime monofásico de apuração. Ou seja, com a edição das normas citadas, passamos a ter concomitantemente o regime cumulativo de apuração, o regime nãocumulativo e o regime monofásico. Acontece que com a edição da lei 10.865/04 houve uma significativa alteração no sistema posto, pois pela referida legislação os produtos revendidos pela Recorrente passaram a integrar também o regime nãocumulativo, ou seja, o que antes era tratado pelo legislador como dois regimes distintos, passou a ser uma operação mista, onde o contribuinte sujeito ao recolhimento concentrado (monofásico) também teria o direito de creditamento através regime nãocumulativo. Ou seja, a partir de agosto de 2004, quando entrou em vigência a lei 10.865/04, houve uma mudança no regime monofásico que passou a beneficiar os contribuintes que operam com mercadorias sujeitas a sua sistemática. Tal benefício foi corroborado posteriormente pela lei 11.033/04 que em artigo 17 reconhece o referido crédito, cito: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Não bastasse, o artigo 16 da lei 11.116/05 novamente confirma o crédito e disciplina a sua utilização, inclusive possibilitando o seu uso para compensação com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, cito: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao Fl. 90DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 12 final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Vale citar que o artigo supracitado não só reconhece a existência do crédito, como a sua data de início, 09/08/2004, ou seja, início da vigência da lei 10.865/04. O referido crédito e seu aproveitamento chegou inclusive a ser regulamentado no âmbito da Receita Federal, através da IN 600/05, que em seu artigo 42 assim dispunha: Art. 42. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: I custos, despesas e encargos vinculados às receitas resultantes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou nãoincidência; ou II aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3º e 4º do art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1º de abril de 2005. III aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3º e 4º do art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1º de abril de 2005. (Retificada no DOU de 27/01/2009, pág. 11) § 1º A compensação a que se refere este artigo será efetuada pela pessoa jurídica vendedora na forma prevista no § 1º do art. 34. (...) Fl. 91DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 14751.000125/201031 Acórdão n.º 3801001.360 S3TE01 Fl. 86 13 § 5º O saldo credor acumulado, na forma do inciso II do caput e do § 4º, no período de 9 de agosto de 2004 até o final do 1º (primeiro) trimestrecalendário de 2005, somente poderá ser utilizado para compensação a partir de 19 de maio de 2005. § 6º A compensação dos créditos de que tratam os incisos II e III do caput e o § 4º somente poderá ser efetuada após o encerramento do trimestrecalendário. § 7º Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que se refere o inciso I do caput, remanescentes do desconto de débitos dessas contribuições em um mês de apuração, embora não sejam passíveis de ressarcimento antes de encerrado o trimestre do anocalendário a que se refere o crédito, podem ser utilizados na compensação de que trata o caput do art. 34. Importante ressaltar que a IN 600/05 permaneceu inalterada e reconhecendo o direito ao crédito, como posto, até a edição da IN 900/08, ou seja, durante 3 (três) anos a própria administração reconheceu e admitiu a cumulação das sistemáticas de apuração – monofásico e nãocumulatividade. Finalmente, a meu sentir para por uma pá de cal sobre o assunto, foi publicada a MP 413/08 que em seus artigos 14 e 15 alterava as leis 10.637/02 e 10.833/03 para impedir a utilização do crédito de PIS e COFINS nos produtos sujeitos ao regime monofásico de apuração, a partir da regulamentação pela Secretaria da Receita Federal, no que se refere à vedação instituída, ou seja, reconhecendo a validade dos créditos em períodos anteriores. O referido dispositivo foi derrubado no Congresso Nacional sendo convertida a MP 413 na Lei 11.727/08 sem tais disposições, ou seja, mantendo na íntegra o direito ao creditamento. A tentativa de revogação ao direito de crédito foi novamente levada a efeito pelo Poder Executivo na edição da MP 451/08 e novamente os dispositivos que vedavam a utilização do crédito não foram aprovados no processo de conversão da MP na Lei 11.945/09. Ou seja, no meu entendimento, é fato que o Congresso Nacional, Poder responsável pela edição das leis em nosso país, reiterou por diversas vezes seu entendimento de que há o direito ao crédito no caso em análise. Portanto como aplicadores das normas, entendo que não é possível o afastamento deste direito, senão mediante alteração legislativa, o que, como dito, foi buscado por duas vezes e não foi admitido pelo Poder Legislativo. Portanto, voto pelo provimento do recurso. É como voto. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO
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Numero do processo: 10830.017119/2010-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. PORTADORES DE MOLÉSTIA GRAVE. ALCANCE.
A isenção concedida aos portadores de moléstia grave especificadas no inciso XIV do artigo 6o da Lei no7.713/1988, cuja doença foi reconhecida por laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, alcança apenas os rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, assim como as complementações de complementação de aposentadoria ou pensão pagas por Entidades de Previdência Privada.
RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS.
Os resgates de contribuições feitas à previdência privada não se confundem com as complementações de aposentadoria e pensão pagas pelas entidades de previdência privada e portanto, ainda que o contribuinte seja reconhecidamente portador de moléstia grave, estão sujeitos às mesmas regras de tributação aplicáveis aos contribuintes em geral.
Numero da decisão: 2202-002.264
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Presidente Substituta e Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Fábio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga.
Matéria: MOLÉSTIA
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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PORTADORES DE MOLÉSTIA GRAVE. ALCANCE. A isenção concedida aos portadores de moléstia grave especificadas no inciso XIV do artigo 6o da Lei no7.713/1988, cuja doença foi reconhecida por laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, alcança apenas os rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, assim como as complementações de complementação de aposentadoria ou pensão pagas por Entidades de Previdência Privada. RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Os resgates de contribuições feitas à previdência privada não se confundem com as complementações de aposentadoria e pensão pagas pelas entidades de previdência privada e portanto, ainda que o contribuinte seja reconhecidamente portador de moléstia grave, estão sujeitos às mesmas regras de tributação aplicáveis aos contribuintes em geral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Presidente Substituta e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 71 19 /2 01 0- 82 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10830.017119/201082 Acórdão n.º 2202002.264 S2C2T2 Fl. 125 2 Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Fábio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10830.017119/201082 Acórdão n.º 2202002.264 S2C2T2 Fl. 126 3 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 5 a 8, pela qual se exige a importância de R$205.280,99, a título de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, anocalendário 2007, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora. Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal à fl. 6, verificase que o lançamento decorre de omissão de rendimentos, no valor de R$2.351.011,40, relativo à Resgate de Previdência Privada, conforme DIRF apresentada pela fonte pagadora, uma vez que a isenção prevista no art. 6o, inciso XIV, da Lei 7.713, de 1988, alcança apenas os rendimentos de aposentadoria. Conforme consignado no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido (fl. 7), foi excluído da base de cálculo o valor de R$22.676,80, porque “o contribuinte comprovou ser portador de moléstia relacionado no inc. XIV do art. 6o Lei No 7.713/1988”, assim como “as deduções relativas às contribuições para entidade de previdência privada e FAPI, à dedução de incentivo e à contribuição previdenciária do empregado doméstico foram readequadas ao limite legal”. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1 a 3, instruída com os documentos de fls. 4 a 12, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 78): Na impugnação apresentada às fls. 02 e seguintes se requer, em síntese, sem prejuízo da leitura de seu texto integral, o cancelamento do débito lançado entre outros pedidos. Requer a extensão da isenção tributária relacionada a moléstia grave aos rendimentos relativos as previdências complementares lançadas Alega que não foram consideradas as guias de fls.13 e seguintes no valor total de R$210.768,78 pagas quando da apresentação da DIRF original (14/04/2008) e primeira retificadora (08/10/2009), cabendo, ao se verificar tais valores, a restituição do valor (R$5.487,79). Pelo exposto, caberia afastar o juros e a multa de mora. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 21ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I (SP) julgou procedente em parte o lançamento, proferindo o Acórdão no 1640.370 (fls. 77 a 82), de 18/07/2012, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Estão isentos de tributação os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão auferidos por contribuinte portador de moléstia grave prevista em lei, e devidamente reconhecida Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10830.017119/201082 Acórdão n.º 2202002.264 S2C2T2 Fl. 127 4 mediante laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. IRPF. RESGATE DE VALORES PAGOS A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. INAPLICABILIDADE. Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte, e devem ser incluídos na Declaração de Ajuste Anual, os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. A isenção legalmente prevista alcança apenas os proventos de aposentadoria e suas respectivas complementações, tributando se os demais rendimentos recebidos. A decisão a quo, examinando a documentação acostada aos autos, reconheceu, para fins de cálculo, as guias de fls. 11 e 12, recolhidas pelo contribuinte em razão das DIRPF original e primeira retificadora apresentadas e pagas antes da notificação de lançamento (fls. 70 e 73 a 76), apurando ao final, saldo de imposto a restituir no valor de R$5.487,78 (vide fl. 81), mantendo, entretanto, a base de cálculo apurada pela fiscalização. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 03/08/2012 (vide Termo de Ciência, Vista e Entrega de Cópia de Processo Digital à fl. 117), o contribuinte apresentou, em 03/09/2012, tempestivamente, o recurso de fls. 104 a 114, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 116), no qual, pós breve relato dos fatos, expõe as razões de sua irresignação a seguir sintetizadas. 1. O recorrente reportase ao art. 43 do Código Tributário Nacional – CTN para sustentar que os valores acumulados sob o enfoque de renda complementar e posteriormente resgatados são frutos de benefício oferecido pela patrocinadora aos seus empregados, em um sistema Fechado de Previdência Privada que, com a incorporação de uma empresa sucessora, resultou na extinção do fundo. 2. Aduz que, de acordo com o art. 6o, inciso VIII, da Lei no 7.713, de 1988, estão isentas as contribuições pagas pelos empregadores relativas a Programas de Previdência Privada em favor de seus empregados e dirigentes. 3. Afirma que em 2000 aposentouse e, ainda que não fosse portador de moléstia grave passível de isenção, não deveria incidir a tributação sobre a quantia acumulada recebida de Fundo de Previdência Privada, pois “a incidência de imposto de renda, do modo como aconteceu, caracteriza bitributação, considerando que a obrigação do contribuinte com a Estadofiscalizador já foi devidamente recolhido no âmbito do salário.” (fl. 109). 4. Aduz que as contribuições denominadas FAPI, ainda que tais custos tenham sido patrocinados pela empregadora, destinamse a custear benefícios complementares assemelhadas ao da Previdência Oficial ao trabalhador com vínculo de emprego. 5. Por outro lado, mesmo que não se reconheça a isenção, alega que os valores em discussão sobrevieram de Fundo de Aposentadoria Programa Individual FAPI, os quais, conforme dispõem a Lei no 11.053, de 2004, sujeitamse a tabela regressiva de tributação Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10830.017119/201082 Acórdão n.º 2202002.264 S2C2T2 Fl. 128 5 e não progressiva. Conclui, assim, que “é evidente que a base de cálculo usado pela autoridade fiscal na incidência IPRF é superior a aquela prevista no artigo lo da lei 11.053/04, ou seja, efetivou o lançamento dos valores recebidos a título de FAPI na base dos 27,5%, sendo que a lei permite a tributação máxima nesses casos em 12%.” (fl. 110). Reproduz precedente sobre o assunto. 6. Argumenta, ainda, que começou a contribuir para uma previdência complementar compelido por seu empregador e também por vontade deste convênio foi rescindido. 7. Por fim, para reforçar sua defesa, transcreve do voto do Conselheiro Carlos Nogueira Nicacio, no Acórdão no 280200.543, de 19/10/2010, no qual o relator defende a não incidência do imposto de renda sobre o resgate de previdência complementar efetuado por contribuinte reconhecidamente portador de moléstia grave. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 15, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 21/11/2012, veio digitalizado até à fl. 1231. 1 Processo digital. Numeração do eprocesso. O processo físico foi numerado até a fl. 14 (fl. 16 da digitalização). Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10830.017119/201082 Acórdão n.º 2202002.264 S2C2T2 Fl. 129 6 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Em análise do argüido, verificase que a defesa segue três linhas distintas de argumentação: (a) os rendimentos seriam isentos, por se tratar de portador de moléstia grave, nos termos do art. 6o, inciso XIV, da Lei no 7.713, de 1988; (b) reportase ao art. 6o, inciso VIII, da Lei no 7.713, de 1988, segundo o qual estão isentas as contribuições pagas pelos empregadores relativas a Programas de Previdência Privada em favor de seus empregados e dirigentes e, portanto, ainda que não fosse portador de moléstia grave passível de isenção, “a incidência de imposto de renda, do modo como aconteceu, caracteriza bitributação, considerando que a obrigação do contribuinte com a Estadofiscalizador já foi devidamente recolhido no âmbito do salário.” (fl. 109); e (c) os valores em discussão sobrevieram de Fundo de Aposentadoria Programa Individual FAPI, os quais, conforme dispõem a Lei no 11.053, de 2004, sujeitamse a tabela regressiva de tributação e não progressiva, cuja alíquota máxima de tributação é de 12%. De se analisar a questão. No que diz respeito aos rendimentos recebidos pelos portadores de moléstia grave, importa transcrever o art. 6o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988 (item “a”): Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente sem serviços, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerosemúltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei no 8.541, de 1992) [...] XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10830.017119/201082 Acórdão n.º 2202002.264 S2C2T2 Fl. 130 7 especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) [...] O art. 30, §2o, da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995, incluiu na relação das moléstias graves fibrose cística (mucoviscidose) 2. Posteriormente, o art. 5o, da Instrução Normativa no 15, de 6 de fevereiro de 2001, atualmente em vigor, consolidou toda a legislação sobre proventos de aposentadoria recebidos por portadores de moléstia grave (art. 5o, incisos XII e XXXV, §§1o a 5o), esclarecendo que isenção abrange também a complementação de aposentadoria, reforma ou pensão pagos por entidades de previdência privada. Como se vê, para o contribuinte portador de moléstia considerada grave ter direito à isenção são necessárias duas condições concomitantes. Uma é que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão e outra é que seja portador de uma das doenças previstas no texto legal. No caso em questão, não está em discussão o fato de o contribuinte ser portador de moléstia grave passível de isenção, tanto é assim que conforme consignado no Auto de Infração parte dos rendimentos declarados pelo contribuinte, no valor de R$22.676,80, foi excluída do montante tributável, visto que “o contribuinte comprovou ser portador de moléstia relacionado no inc. XIV do art. 6o Lei No 7.713/1988” (fl. 7). Conforme comprovante de rendimentos anexados à fl. 54, tratase de proventos de aposentadoria recebidos do INSS. Resta agora investigar, a natureza dos rendimentos tributáveis. Importa ressaltar que, de acordo com a legislação anteriormente transcrita, a isenção concedida aos portadores de moléstia grave alcança apenas os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão. Tais rendimentos caracterizamse por uma renda mensal vitalícia recebida, em geral, em decorrência de contribuições anteriormente efetuadas a um plano de aposentadoria e/ou pensão. Compulsandose os elementos que compõem os autos, verificase que foi apurada omissão de rendimentos no importe de R$2.351.011,40 (fl. 7), que correspondem a resgates de previdência privada pagos pelo ICI – Coral Fundo Múltiplo de Previdência Privada S/C e pelo Bradesco Vida e Previdência S/A, nos montantes de R$ 2.308.699,85 e R$42.311,55, respectivamente (vide comprovante de rendimentos às fls. 55 e 56). Observase, ainda, que de acordo com o documento de fl. 33, o contribuinte foi comunicado pelo ICI Coral Fundo Múltiplo de Previdência Privada S/C da extinção do Plano de Benefício denominado “Quest Prev” a optar pelo recebimento do saldo individual da reserva matemática por meio de depósito em conta corrente de titularidade do participante ou por meio de transferência para outra entidade de previdência aberta ou fechada. Conforme “Termo de Opção Para Destinação de Reserva”, anexado à fl. 35, o recorrente optou pelo crédito na sua conta corrente. 2 Atualmente, a hepatopatia grave foi incluída no rol das moléstias graves passíveis de isenção, com a edição da Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10830.017119/201082 Acórdão n.º 2202002.264 S2C2T2 Fl. 131 8 Ora, os resgates planos de previdência privada não se confundem com as complementações de aposentadoria e/ou pensão pagas por estas entidades e, por tanto, não caracterizam a hipótese de isenção previstas no art. 6o, incisos XIV e XXI, da Lei no 7.713, de 1988, e, portanto, submetemse a regra geral prevista para os benefícios pagos por entidades de previdência privada. Com relação aos benefícios recebidos de entidades de previdência privada, assim dizia a Lei no 7.713/1988, em seu art. 6o, inciso VII, textualmente: Art.6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: VII os benefícios recebidos de entidades de previdência privada: a) quando em decorrência de morte ou invalidez permanente do participante; b) relativamente ao valor correspondente às contribuições cujo ônus tenha sido do participante, desde que os rendimentos e ganhos de capital produzidos pelo patrimônio da entidade tenham sido tributados na fonte; Entretanto, com o advento da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995, o dispositivo acima sofreu alteração, restringindose a isenção relativa a valores recebidos de entidade de previdência privada aos seguros decorrentes de morte ou invalidez permanente do participante: Art. 32. O inciso VII do art. 6o da Lei 7.713, de 22 de dezembro de 1988, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art.6o [...] VII – os seguros recebidos de entidade de previdência privada decorrentes de morte ou invalidez permanente do participante.” Além disso, o art. 33 da Lei no 9.250, de 1995, abaixo transcrito, deixou claro que tanto o resgate quanto os demais benefícios recebidos das entidades de previdência privada, dentre eles a complementação de aposentadoria, passaram a ser tributados: Art. 33. Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. Ressaltese que única exceção a regra anterior referese ao “valor do resgate de contribuições de previdência privada, cujo ônus tenha sido da pessoa física, recebido por ocasião de seu desligamento do plano de benefícios da entidade, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1o de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995.”, atualmente prevista no art. 7o da 2.15970, de 24 de agosto de 2001. Quanto à alegação de bitributação (item “b”), não obstante sejam isentas “as contribuições pagas pelos empregadores relativas a programas de previdência privada em favor de seus empregados e dirigentes” (art. 6o, inciso VIII, da Lei no 7.713, de 1988), tal fato Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10830.017119/201082 Acórdão n.º 2202002.264 S2C2T2 Fl. 132 9 não implica, necessariamente, a isenção do valor posteriormente resgatado. Da mesma forma, a tributação do salário do contribuinte à época das contribuições efetuadas por sua empregadora não o exime da tributação no momento do resgate dessas contribuições. Ao contrário, conforme já esclarecido acima, é isenta apenas a parcela correspondente ao resgate das contribuições cujo ônus tenha sido do beneficiário, por ocasião de seu desligamento do plano de benefícios da entidade, as quais tenham sido efetuadas no período de 01/01/1989 a 31/12/1995. Ressaltese que nos autos não há nada que indique a existência de resgate de contribuições, efetuadas no período de isenção (01/01/1989 a 31/12/1995) cujo ônus tenha sido do recorrente. Por fim, quanto a alegação de que os valores seriam advindos de Fundo de Aposentadoria Programa Individual FAPI, os quais se sujeitariam a tabela regressiva de tributação (item “c”), verdade é que a Lei no 11.053, de 29 de dezembro, prevê a tributação exclusivamente na fonte para os quotista que ingressarem no FAPI a partir de 01/01/2005, ou para aqueles que assim optarem tiverem optado nos prazos e condições previstos na referida lei. Nesse caso, caberia ao contribuinte comprovar a opção feita, o que não ocorreu, preferindo ficar no campo das meras alegações. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Numero do processo: 10670.001357/2007-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 04/06/2007
Ementa: ALIMENTAÇÃO. PARCELA IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. Uma vez que tal Parecer foi objeto de Ato Declaratório, há que se observar o disposto no art. 26-A, parágrafo 6º, inciso II, alínea “a” do Decreto n 70.235 de 1972.
Numero da decisão: 2302-001.889
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi rescindido o acórdão anterior. Em substituição foi concedido provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Não há incidência de contribuição sobre a verba relativa a alimentação.
Nome do relator: Marco Andre Ramos Vieira
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Recorrente COMPANHIA DE NAVEGAÇÃO DO SÃO FRANCISCO Recorrida DRJ BELO HORIZONTE MG Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 04/06/2007 Ementa: ALIMENTAÇÃO. PARCELA IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. Uma vez que tal Parecer foi objeto de Ato Declaratório, há que se observar o disposto no art. 26A, parágrafo 6º, inciso II, alínea “a” do Decreto n 70.235 de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi rescindido o acórdão anterior. Em substituição foi concedido provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Não há incidência de contribuição sobre a verba relativa a alimentação. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Jhonatas Ribeiro da Silva e Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório O presente auto de infração foi lavrado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a sociedade empresária teria apresentado as GFIPs das competências janeiro de 1999 a janeiro de 2007, com a omissão de fatos geradores, conforme relatório fiscal às fls. 14 a 16. Não conformada com a autuação, a recorrente apresentou impugnação, fls. 38 a 41. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte converteu o julgamento em diligência, fls. 48, a fim de explicitar se os valores foram apurados exclusivamente em folhas de pagamento. A fiscalização prestou informações à fl. 55. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento apreciou os argumentos de defesa e emitiu a Decisão de fls. 69 a 73, mantendo a autuação parcialmente. Houve reconhecimento da fluência do prazo decadencial em parte. Não concordando com a decisão emitida pelo órgão previdenciário, foi interposto recurso pela autuada, fls. 89 a 91. A recorrente apresentou parecer às fls. 100 a 101. Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. Decisão proferida por este Colegiado não conheceu do recurso pela intempestividade, fls. 131 e 132. Desse ato decisório, a Receita Federal apresentou embargos, fls. 136 e 137, informando que houvera um erro na informação apresentada pelo próprio órgão fazendário, de modo que o recurso interposto foi tempestivo. É o relato suficiente. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10670.001357/200751 Acórdão n.º 230201.889 S2C3T2 Fl. 139 3 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator Em função dos embargos apresentados pela Receita Federal, deve ser reconhecida a tempestividade do recurso voluntário. Assim, deve ser rescindido o acórdão de fls. 131 e 132. Pressuposto de admissibilidade superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Não deve persistir o lançamento em relação às contribuições sobre os valores equivalentes à alimentação sem inscrição no PAT. De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. Uma vez que tal Parecer foi objeto de Ato Declaratório, há que se observar o disposto no art. 26A, parágrafo 6º, inciso II, alínea “a” do Decreto n 70.235 de 1972, nestas palavras: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Fl. 12DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por rescindir o acórdão anterior. Em substituição a ele, voto pelo conhecimento do recurso voluntário e pela concessão de provimento quanto ao mérito. Devem ser excluídas as parcelas referentes à alimentação sem inscrição no PAT. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 13DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.723066/2009-91
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
ITR. IMÓVEL LOCALIZADO NA ZONA URBANA.NÃO INCIDÊNCIA.
O imóvel situado na zona urbana não está sujeito à incidência do Imposto Territorial Rural.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2802-002.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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IMÓVEL LOCALIZADO NA ZONA URBANA.NÃO INCIDÊNCIA. O imóvel situado na zona urbana não está sujeito à incidência do Imposto Territorial Rural. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 30 66 /2 00 9- 91 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 03 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Tratase de lançamento de Imposto Territorial Rural do exercício 2006, referente ao imóvel cadastrado com o NIRF 1.041.3782, de área total de 85,7ha, em razão de ter sido arbitrado o VTN com base no Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal – SIPT, uma vez que o contribuinte não apresentou Laudo Técnico de Avaliação com atendimento das Normas Técnicas da ABNT, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, ou avaliação efetuada pelas Fazenda Públicas Estaduais ou Municipais, tal como lhe foi exigido por meio de intimação fiscal. Na impugnação, o contribuinte alegou que desde meados de 1998, o imóvel não é mais objeto de ITR e sim do IPTU conforme dispõe Lei do Município de Porto Alegre. A impugnação foi indeferia porque o contribuinte não comprovou que o imóvel está situado na zona urbana, pois não trouxe documento expedido pela Prefeitura Municipal que comprove o cadastramento como imóvel urbano e vem declarando espontaneamente a Declaração de ITR (até o exercício 2009). Ciente do acórdão em 14/06/2011, o contribuinte recorreu em 14/07/2011 reiterando sua defesa e anexando certidão da Prefeitura Municipal de Porto Alegre dando conta de que desde 1985 o imóvel é cadastrado na zona urbana, com as inscrições municipais 1320076 e 1320068. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O acórdão recorrido reconheceu que o imóvel sitiado na zona urbana não está sujeito ao ITR, porém o contribuinte não comprovou sua alegação de que o imóvel está situado na zona urbana. Na fase recursal, para contrapor a objeção feita no acórdão recorrido, o recorrente apresentou a certidão de fls. 35 na qual é atestado que o imóvel de matrícula 7.442 da 3ª Zona do Cartório de Registro de Imóveis de Porto Alegre está cadastrado na Prefeitura Municipal e que , desde 1985, localizase na zona urbana do Município de Porto Alegre, conforme art. 30 da Lei Complementar nº 43/1979. Na certidão é informado que o imóvel localizase na Av. Edgar Pires de Castro, dentro do maior do número 8.675, que coincide com o endereço cadastral do imóvel objeto da autuação. Foi suficientemente comprovado que o imóvel objeto desta autuação está localizado na zona urbana, razão pela qual não está sujeito ao ITR (art. 29 do Código Tributário Nacional e art. 153, inciso III da Constituição). Descabe aferir a finalidade do imóvel, pois o único óbice indicado pela DRJ foi superado. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 03 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.723066/200991 Acórdão n.º 2802002.285 S2TE02 Fl. 46 3 Portanto, devese DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 47DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 03 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10469.901984/2008-60
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
DIREITO CREDITÓRIO.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto à Fazenda Pública.
Numero da decisão: 1103-000.652
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE SERGIO GOMES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 DIREITO CREDITÓRIO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto à Fazenda Pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. documento assinado digitalmente ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. documento assinado digitalmente JOSÉ SÉRGIO GOMES Relator. Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Cristiane Silva Costa e Hugo Correia Sotero. Relatório Fl. 48DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10469.901984/200860 Acórdão n.º 110300.652 S1C1T3 Fl. 2 2 Em foco recurso voluntário contra decisão da 3ª Turma de Julgamento da DRJ em RecifePE que não acolheu a solicitação de reforma do despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em NatalRN, o qual não reconheceu o direito creditório contra a Fazenda Nacional por conta de apontado indébito no recolhimento efetuado em 28/04/2000 a título de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado sob o regime do lucro presumido no primeiro trimestre civil do ano de 2000 e, consequentemente, deixou de homologar a compensação inserta na declaração de compensação (Dcomp) transmitida pela internet à central de dados da Receita Federal do Brasil em data de 15 de dezembro de 2004 visando extinguir débito de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) apurada em novembro de 2004. Analisando a declaração de compensação concluiu a Delegacia da Receita Federal do Brasil em NatalRN que seria improcedente o apontado indébito fiscal em razão do pagamento, presumidamente realizado de forma indevida ou a maior que o devido, ter sido integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte, nada restando para a compensação pretendida. Inconformada, a contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade prevista no artigo 74, § 7º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, argumentando que vinha aplicando sobre o faturamento mensal o percentual de presunção do lucro de 32% (trinta e dois por cento) quando deveria ter utilizado o percentual de 8% (oito por cento), posto que desenvolve atividade de serviços hospitalares, e assim retificou a DIPJ mas não o fez quanto a DCTF, o que levou os sistemas da Receita Federal concluir pela compensação em duplicidade e também que o descumprimento de obrigação acessória não afasta o pagamento a maior e o direito à compensação. Aquela 3ª Turma de Julgamento admitiu o inconformismo e concluiu pelo acerto do decisório da autoridade fiscal em vista do recolhimento indicado como fonte de crédito ter sido integralmente utilizado na compensação de débito confessado DCTF, eis que ela constitui instrumento de confissão de dívida. Ciente do decisório em 08 de abril de 2011, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 08 do mês seguinte no qual aduz que ao fazer a declaração de compensação não oferecera retificação da DCTF com o que restaria patente o pagamento a maior, e isso porque não mais havia tempo hábil, sendo que o sistema da Receita Federal não opera retificações após cinco anos da data prevista, porém, seu crédito subsiste, ainda que descumprida a obrigação tributária acessória. Ao final, requer o provimento do recurso e a homologação da compensação, bem assim, que a Receita Federal retifique de ofício as DCTFs em conformidade com o artigo 149, II, do Código Tributário Nacional, como também, a concessão de prazo para juntada de procuração. Por força da Resolução nº 110300.034, de 23 de novembro de 2001, esta Terceira Turma houve por baixar os autos em diligência a fim de que se a Recorrente procedesse à regularização processual, o que foi regulamente atendido com a juntada de instrumento particular de mandato. É o relatório, em apertada síntese. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10469.901984/200860 Acórdão n.º 110300.652 S1C1T3 Fl. 3 3 Voto Conselheiro José Sérgio Gomes, Relator Observo a legitimidade processual, que se deu na fase de diligência, e também o aviamento do recurso no trintídio legal. Assim sendo, dele tomo conhecimento. Cediço que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Em resumo: a verificação da liquidez e certeza do crédito é operação que exige provas e contas, mesmo porque o pagamento foi efetuado na sistemática do lançamento conhecido por homologação, definido no artigo 150 do Código Tributário Nacional como sendo aquele em que o próprio contribuinte exerce a atividade de apuração do montante realmente devido, de sorte tal que, até prova em contrário, goza da presunção de acerto. Nesse diapasão, a certeza e liquidez de direito creditório a favor do sujeito passivo, por conta de recolhimento a maior que o devido de IRPJ pago sob o regime de apuração do lucro presumido, não se apura em razão do quantum do lucro ou do tributo declarado no ano calendário pelo instrumento da Declaração de Informações Econômico Fiscais (DIPJ), ou do tributo confessado em DCTF, ou mesmo aquele constante em declarações retificadoras transmitidas pela internet ao sítio da Receita Federal, mas sim em relação ao quantum mostrado pela contabilidade e outros documentos fiscais, conjuntamente, sendo a declaração de rendimentos e a DCTF meros elementos da composição. Noutras palavras: por si só não exprimem a figura do indébito fiscal, pois, atos unilaterais, não têm o condão de formatar crédito contra a Fazenda Nacional. A declaração encontrase provada, sem dúvida, não assim os fatos nela consignados. Daí porque é necessário que aos autos viessem provas contábeis, é dizer, os lançamentos constantes nos livros exigidos pela legislação do tributo. Como exemplo, a contabilização das receitas que ensejaram a aplicação do percentual de presunção do lucro e/ou os documentos (notas fiscais ou recibos) que lastrearam ditos registros, de sorte a se apurar a natureza jurídica desses ingressos, é dizer, se derivam, total ou parcialmente, de efetivo atendimento hospitalar, ponto de partida para a discussão quanto ao direito de utilização de percentual reduzido de presunção de lucro. No caso dos autos a contribuinte busca reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional calcada em mera alegação de erro no dimensionamento da quantia devida, nada ofertando quando do inconformismo à autoridade julgadora de primeira instância, oportunidade em que se instaurou o litígio e na qual, por aplicação dos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 c/c artigo 74, § 11, da Lei nº 9.430 de 27 de dezembro de 1996, lhe foi aberta a apresentação do arcabouço probatório. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10469.901984/200860 Acórdão n.º 110300.652 S1C1T3 Fl. 4 4 Com o recurso voluntário endereçado a esta Corte continuou invocando seu direito alicerçado na premissa de que a simples comparação entre o valor recolhido (DARF) e aquele indicado na DCTF, originária ou retificadora, seria suficiente para exteriorizar pagamento a maior que o devido. Rogando venia e levandose em conta a regra basilar extraída do artigo 333, inciso I, do estatuto processual civil pátrio, tenho que a certeza e liquidez de um crédito não se realizam num universo dessa simplicidade. É certo que a Administração deve se pautar pelos princípios do não enriquecimento sem causa, razoabilidade e verdade material, implicando no dever de reconhecer erros praticados pelos Administrados, porém, o erro há de ser demonstrado e o indébito deve se materializar verdadeiro. Com tais razões, VOTO pelo improvimento do recurso. documento assinado digitalmente José Sérgio Gomes Fl. 51DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 19515.000937/2004-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ
Ano-calendário: 1999
OMISSÃO DE RECEITAS. OMISSÃO DE COMPRAS
Caracteriza omissão de receitas a falta de registro de pagamento de compras, por presumir a existência prévia de omissão de vendas, gerando recursos para a aquisição de mercadorias sem seu registro contábil.
OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO.
A falta de comprovação de valores mantidos no passivo enseja à presunção de que houve omissão das receitas correspondentes.COFINS 1/3. COMPENSAÇÃO COM A CSLL.A compensação de 1/3 da COFINS com a CSLL somente era admitida quando houvesse o efetivo pagamento daquela contribuição social.
ENQUADRAMENTO LEGAL INCORRETO
O erro na capitulação legal ou mesmo a sua ausência não acarreta a nulidade do auto de infração quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defender se de forma ampla das imputações que lhe foram feitas.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 1401-000.329
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, afastar a preliminar de nulidade e negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Mauricio Pereira Faro
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 1999 OMISSÃO DE RECEITAS. OMISSÃO DE COMPRAS Caracteriza omissão de receitas a falta de registro de pagamento de compras, por presumir a existência prévia de omissão de vendas, gerando recursos para a aquisição de mercadorias sem seu registro contábil. OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. A falta de comprovação de valores mantidos no passivo enseja à presunção de que houve omissão das receitas correspondentes. COFINS 1/3. COMPENSAÇÃO COM A CSLL A compensação de 1/3 da COFINS com a CSLL somente era admitida quando houvesse o efetivo pagamento daquela contribuição social. ENQUADRAMENTO LEGAL INCORRETO O erro na capitulação legal ou mesmo a sua ausência não acarreta a nulidade do auto de infração quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma ampla das imputações que lhe foram feitas. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, afastar a preliminar de nulidade e negar provimento ao recurso. Fl. 275DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 30/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO, 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19515.000937/200445 Acórdão n.º 140100.329 S1C4T1 Fl. 2 2 (Assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente (Assinado digitalmente) Maurício Pereira Faro Relator Participaram do julgamento os conselheiros Viviane Vidal Wagner (Presidente), Antonio Bezerra Neto, Alexei Macorin Vivan, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias (VicePresidente). Relatório Contra o contribuinte foram lavrados autos de infração de fls, no valor de R$ 98.451,43; de PIS — fls. 86/87, no valor de R$ 3.338,87; de COFINS —fls. 90/91, no valor de R$ 15.410,19; e de CSL — fls. 95/97, no valor de R$ 48.914,53, acrescidos de multa de lançamento de oficio e de juros calculados pela taxa Selic. De acordo com o 'Termo de Constatação Fiscal" de fls. 75/76, a autuação devesse à constatação de omissão de receitas, caracterizadas por passivo fictício e falta de contabilização de compras. Em 31/12/1999, o contribuinte apresentou um saldo na conta n° 221015, Fornecedores de Mercadorias, de R$ 656.580,11, regularmente intimado, apresentou relação analítica da compensação da conta, constando o total de R$ 256.019,52, cujos 'comprovantes foram apresentados e auditados. A diferença de R$ 400.560,59 caracterizou a existência de passivo fictício, ou seja, manutenção de obrigações passivas já pagas. Relata que foi constatado que o contribuinte procedeu a aquisição de mercadorias para revenda, no total de R$ 113.112,75, pagandoas e sem registrálas no Livro 'Registro de Entradas de Mercadorias e em sua contabilidade, conforme demonstrativo de li. 77. O contribuinte impugnou os lançamentos alegando, em síntese, que: As infrações partiram da premissa de omissão de receitas e, como a empresa apurou seu lucro real na forma trimestral, evidentemente no montante apurado como omissão no item 1 (passivo fictício) estaria incluída a omissão de receitas apuradas no item 2 (mercadorias não contabilizadas), pois as mesmas infrações foram apuradas para o fato gerador do quarto trimestre de 1999, uma compensando a outra, sob a pena de bitributação, conforme decide o Conselho de Contribuintes. Por dificuldade de localizar os documentos, acabou não conseguindo entregálos em tempo hábil para a fiscalização, Fl. 276DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 30/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO, 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19515.000937/200445 Acórdão n.º 140100.329 S1C4T1 Fl. 3 3 entretanto, junta os novos documentos em complemento à primeira relação entregue ao fiscal, Anexo 2, fls. 140/177. Quanto as notas fiscais que caracterizaram a infração do item 2, como não foi intimado a apresentálas, não teve oportunidade de justificálas, por isso apresenta a NF n° 132.277, de 22/10/99, no valor de R$ 70.103,96, que, embora relacionada pela fiscalização como compra da empresa Aventis Pharma Ltda., foi registrada no livro com o nome de Hoechst Marion Roussel SA, que era a razão social naquela época, conforme atestam as cópias em anexo (fls. 178/182), a qual é contabilizada de forma mensal do Livro Diário. Assim, parte dos documentos que geraram as possíveis infrações apontadas pela fiscalização foi agora trazida aos autos, fazendo prova dos lançamentos efetuados nos livros contábeis/fiscais da empresa, 14. Anexo 4 — fls. 183/203. Na caracterização do passivo fictício, não houve uma apuração técnica que justificasse, mesmo por presunção, qualquer omissão de receitas, pois as obrigações constantes no passivo da empresa em 31/12/1999 não haviam sido pagas no referido ano calendário e, em nenhum momento, a ação fiscal provou que a diferença apurada foi realmente paga no aludido ano calendário, sequer foi intimada a justificar a diferença apurada e não houve outro procedimento de auditoria que pudesse justificar o entendimento fiscal. O Conselho de Contribuinte ratifica esse entendimento, conforme acórdãos que transcreve. No que concerne às mercadorias não contabilizadas, não conseguiu os documentos relativos ao valor de R$ 43.008,79, mesmo assim a autuação não procede porque esse montante já está incluído na omissão apurada pela fiscalização no mesmo período, não restando qualquer valor a tributar, além disso, o enquadramento legal argüido pela autoridade fiscal (artigo 41 da Lei n° 9.430, de 1996) não coaduna com a infração apontada no Termo de Constatação Fiscal, pois não foi efetuado nenhum levantamento quantitativo de mercadorias como determina a norma citada, e como a atividade de lançamento se submete ao princípio da reserva legal, tal fato lhe acarretou o cerceamento de defesa. O lançamento também não pode prosperar pelo simples fato de que se o próprio fiscal declara que tais mercadorias foram pagas, as mesmas representam custos para a empresa, fato que faz com que uma situação anula a outra. O Conselho de Contribuinte já decidiu sobre o assunto, conforme acórdãos que transcreve. Finalmente, caso seja entendido que há algum valor a tributar, há de se considerar que 1/3 do valor da COFINS deveria ser compensado com a CSLL, conforme previa o artigo 8° da lei n°9.718, de 27 de novembro de 1998. Fl. 277DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 30/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO, 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19515.000937/200445 Acórdão n.º 140100.329 S1C4T1 Fl. 4 4 A competência para julgamento do presente processo foi transferida para a DRJ pela Portaria RFB n° 10.795, de 03 de agosto de 2007. Analisando a questão, entendeu o órgão julgador a quo por julgar procedente em parte o lançamento, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 1999 OMISSÃO DE RECEITAS. OMISSÃO DE COMPRAS Caracteriza omissão de receitas a falta de registro de pagamento de compras, por presumir a existência prévia de omissão de vendas, gerando recursos para a aquisição de mercadorias sem seu registro contábil. OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. A falta de comprovação de valores mantidos no passivo enseja à presunção de que houve omissão das receitas correspondentes. COFINS 1/3. COMPENSAÇÃO COM A CSLL A compensação de 1/3 da COFINS com a CSLL somente era admitida quando houvesse o efetivo pagamento daquela contribuição social. ENQUADRAMENTO LEGAL INCORRETO O erro na capitulação legal ou mesmo a sua ausência não acarreta a nulidade do auto de infração quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma ampla das imputações que lhe foram feitas. Lançamento Procedente em Parte Irresignado ante o precitado julgamento, interpôs o contribuinte recurso voluntário limitandose a reiterar os argumentos expostos na impugnação. É o relatório. Voto Decido. Aviado por parte legítima e protocolado dentro do prazo legal merece conhecimento o Recurso Voluntário. Fl. 278DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 30/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO, 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19515.000937/200445 Acórdão n.º 140100.329 S1C4T1 Fl. 5 5 Do Cerceamento de Defesa O Recorrente alega que o enquadramento legal argüido pela autoridade fiscal (artigo 41 da Lei n° 9.430, de 1996) não coaduna com a infração apontada no Termo de Constatação Fiscal, relativo à contabilização das compras, pois não foi efetuado nenhum levantamento quantitativo de mercadorias como determina a norma citada, e como a atividade de lançamento se submete ao principio da reserva legal, tal fato lhe acarretou o cerceamento de defesa. De fato, entre vários dispositivos legais referidos como enquadramento legal da infração, constou um dispositivo de lei que não se refere à infração praticada pelo contribuinte. Todavia, entendo que tal fato não trouxe prejuízo para o contribuinte e não prejudicou a eficácia do lançamento. A possibilidade de superar o vício existente é limitada pelo fato de o mesmo haver ou não prejudicado, de alguma forma, algum dos direitos do administrado, em especial o da ampla defesa. No presente caso, apesar de constar indevidamente um enquadramento legal que não se aplica aos fatos, o enquadramento legal aplicável também foi citado e a descrição dos fatos realizada no Termo de Constatação Fiscal foi detalhada e completa, não deixando dúvidas acerca das infrações imputadas ao Recorrente. Além disso, tanto pela peça impugnatória quanto pelo Recurso o contribuinte revelou pleno conhecimento das acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas em alentada defesa. Dessa forma, afasto a preliminar de cerceamento ampla defesa do contribuinte, Do Mérito A falta de escrituração de pagamentos efetuados e a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada, por já terem sido pagas ou por serem inexistes, caracterizamse como presunção legal de omissão de receita, a teor do artigo 281 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n" 3.000, de 26 de março de 1999, abaixo transcrito: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei n°1.598, de 1977, art. 12, § 20, e Lei n°9.430, de 1996, art. 40): 1 a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada Assim, se o sujeito passivo efetuou pagamentos a terceiros, pagamento de compras sem têlos escriturado contabilmente, ou se mantiver registrada em seu passivo obrigações cuja exigibilidade não comprove, a lei autoriza considerar ocorrido o fato gerador. Fl. 279DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 30/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO, 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19515.000937/200445 Acórdão n.º 140100.329 S1C4T1 Fl. 6 6 Nesse caso, há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais, ou seja, o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário utilizado para os pagamentos não é receita tributável ou que a contrapartida da obrigação registrada não representou um custo/despesa utilizado para a redução do lucro tributável, ou outro artifício para encobrir uma anterior omissão de receita. Tratase de presunções legais, também chamadas presunções jurídicas, e dividese em absolutas (juris et jure) e relativas (/uris tantum). Denominase presunção juris et jure aquela que, por expressa determinação de lei, não admite prova em contrário nem impugnação; dizse que a presunção é juris tantum quando a norma legal é formulada de tal maneira que a verdade enunciada pode ser elidida pela prova de sua irrealidade. Concluise, por conseguinte, que a presunção legal de omissão de receita, caracterizada pelos pagamentos não contabilizados, é do tipo fieis tanturn (relativa). O mesmo ocorre com as obrigações já pagas, mas mantidas no passivo, e com obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. Nesses casos, cabe, portanto, ao contribuinte apresentar comprovantes válidos para justificar os pagamentos não contabilizados e o registro das obrigações sem comprovação da exigibilidade. Corroborando com tal entendimento, nos ensina José Luiz Bulhões Pedreira in "Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas", JUSTEC RJ 1979 pág. 806: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume, cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. É a própria lei definindo que os pagamentos não contabilizados caracterizam omissão de receita ou de rendimentos, pois se os valores pagos a terceiros não saíram da contabilidade regular da empresa, são frutos de uma anterior omissão de receitas e, portanto, não oferecidos à tributação. Da mesma forma, é a lei que define que a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada caracterizam omissão de receita, pois se as obrigações foram pagas sem o registro do pagamento e sem a baixa do passivo, se presume que o pagamento foi efetuado com recursos de uma anterior omissão de receitas, ou que as , obrigações representaram custos ou despesas que reduziram o lucro tributável, ou outro artifício para encobrir uma anterior omissão de receita. O fisco comprovou a existência de passivo fictício — caracterizado pela manutenção de obrigações pagas na conta Fornecedores de Mercadorias — e a aquisição de mercadorias, também já pagas, sem o respectivo registro contábil, situação que transfere ao contribuinte o ônus da prova de que os recursos utilizados para pagamento foram oferecidos à tributação. A presunção legal é de que os recursos utilizados para os pagamentos são frutos de uma anterior omissão de receitas. E verdade que a omissão de compras representa também uma omissão de custos, mas cabe ao contribuinte provar que as mercadorias, compradas e pagas com os recursos agora tributados, foram efetivamente revendidos e que a receita correspondente tenha sido regularmente contabilizada e computada na apuração do imposto de renda e da contribuição social. Fl. 280DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 30/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO, 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19515.000937/200445 Acórdão n.º 140100.329 S1C4T1 Fl. 7 7 Considerar esse custo em favor do contribuinte, sem que seja comprovado que os produtos comprados tenham sido vendidos e que a receita correspondente tenha sido contabilizada, é macular o princípio contábil de que custos e receitas devem caminhar juntos. O argumento de que no montante apurado, relativo ao passivo fictício, estaria • incluída a omissão relativa às compras não contabilizadas, o que implicaria na tributação em duplicidade do mesmo fato, não procede, pois a presunção legal de omissão de receita não comporta tal raciocínio, mas de que cada pagamento corresponde a uma omissão. É até possível que ocorra a situação alegada, basta se admitir que os recursos não escriturados utilizados para os pagamentos tenham origem em uma omissão inicial acrescidos dos ganhos das compras não registradas. Mas isso, ao contrário da presunção legal, não se presume, deve ser provado pela Recorrente. Sobre o assunto, a jurisprudência recente do Conselho de Contribuinte é pacifica, conforme se exemplifica pelos seguintes acórdãos: OMISSÃO DE RECEITAS — OMISSÃO DE COMPRAS — A omissão do registro de pagamento de compras apuradas pela fiscalização demonstra, caso não comprovada a sua inocorrência por parte do contribuinte, a existência prévia de omissão de vendas, gerando recursos para a aquisição de mercadorias sem seu registro contábil, no regime de tributação do lucro real. (Acórdão 10708.519, de 23/03/2006) IRPJ OMISSÃO DE COMPRAS Provada pelo Fisco, configurase presunção legal de omissão de receitas. Para que sejam dedutíveis como custos as compras omitidas, é necessário provar que estas geraram receitas, devidamente escrituradas e reconhecidas no resultado do período, "ónus probandi" que, nesse caso, incumbe ao contribuinte. (Acórdão 10323046, de 25/05/2007) PASSIVO FICTÍCIO A manutenção no passivo de obrigações já pagas autoriza a presunção de omissão de receitas. (Acórdão 103 22875, de 26/01/2007) • OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. A manutenção no passivo de obrigações pagas autoriza a presunção de omissão de receitas. (Acórdão 10323015, de 23/05/2007) OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. A falta de comprovação de valores mantidos no passivo, enseja à presunção de que houve omissão das receitas correspondentes. (Acórdão 103 22443, de 14/05/2006) Em relação a compensação de 1/3 do valor da COFINS com a CSLL, devese observar o que previa o parágrafo 1° do artigo 8° da Lei n° 9.718, de 1998 (essa norma foi revogada pela MP 2.15835, de 2001). Fl. 281DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 30/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO, 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19515.000937/200445 Acórdão n.º 140100.329 S1C4T1 Fl. 8 8 Art. 8°. Fica elevada para três por cento a alíquota da COFINS. §I° A pessoa jurídica poderá compensar, com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL devida em cada período de apuração trimestral ou anual, até um terço da COFINS efetivamente paga, calculada de conformidade com este artigo. (grifamos) Como se extrai da norma acima transcrita, a condição para a compensação de 1/3 da COFINS com a CSLL era que houvesse o efetivo pagamento da referida contribuição, sendo certo que no presente caso parte da receita foi omitida e não foi para a COFINS correspondente. Logo, não há direito à compensação no caso de lançamento de oficio da COFINS decorrente da omissão de receitas. Ante todo o exposto, afasto a preliminar de cerceamento de defesa e nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maurício Pereira Faro Fl. 282DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 30/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO, 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER
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