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Numero do processo: 10783.915543/2009-63
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1801-000.119
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1647; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 69 1 68 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.915543/200963 Recurso nº Resolução nº 180100.119 – 3ª Câmara / 1ª Turma Especial Data 12 de junho de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente CINTYA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Cristiane Silva Costa, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 30.05.2008, fls. 2630, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior no valor total de R$10.106,86 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) determinada sobre a base de cálculo estimada, código nº 2484, efetuado em 28.12.2007, fl. 04. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 23/06/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10783.915543/200963 Resolução n.º 180100.119 S1C1T1 Fl. 70 2 Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 03, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. A Recorrente foi cientificada em 19.10.2009, fls. 25, e apresentou a manifestação de inconformidade em 10.11.2009, fls. 0102, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que houve erro na indicação dos valores dos débitos em DCTF e para correção do engano apresentou o documento retificador em 23.10.2009 com os valores corretos, os quais são coincidentes com aqueles constantes na Per/DComp e na DIPJ originalmente apresentadas. Conclui Diante desses fatos [...] entendendo justificado o equivoco ocorrido, o qual, culminou com a ausência de dados no sistema da Receita Federal, acarretando a impossibilidade de comprovação do crédito pelos competentes serventuários federais, requer, a Peticionária, seja declarada nula e sem efeito a cobrança, objeto da presente, em face da insubsistência da mesma diante dos documentos apresentados. Segue ainda, como documento comprobat6rio do quanto alegado e pleiteado, via compensação, planilha de créditos por pagamento indevido ou a maior e utilização em PER/DCOMP, mês a mês desde janeiro de 2006 a 31 de dezembro de 2008. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 12 39.352, de 11.08.2011, fls. 3333:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Conta no Voto condutor Por sua vez, a DCTF — Declaração de Contribuições e Tributos Federais, instituída pela Instrução Normativa SRF n° 129/1986, sempre foi destinada a tal fim. A DCTF, sendo confissão de divida, tem o condão de constituir, formalmente, o crédito tributário, materializandoo. O Darf foi alocado conforme DCTF. A retificação da DCTF, após o Despacho Decisório, não produz efeito. Restou ementado ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2007 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Notificada em 31.08.2011, fl. 39, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 28.09.2011, fls. 4155, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que os atos administrativos são nulos, uma vez que houve preterição do seu direito de defesa, haja vista que a DCTF Fl. 76DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 23/06/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10783.915543/200963 Resolução n.º 180100.119 S1C1T1 Fl. 71 3 retificadora deve ser considerada para fins de compensação, porque ela tem a mesma natureza daquela originalmente apresentada e a substitui integralmente. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante do exposto, vem a ora Recorrente requerer: I. Preliminarmente, diante da evidente nulidade do Despacho Decisório, que desconsiderou as informações prestadas (na DIPJ, na retificação da DCTF), o que inverteram integralmente o ônus de provar o que está devidamente declarado e o único argumento utilizado para tanto reside no fato de que a retificação da DCTF apresentada não surtiu efeito algum já que perpetrada posteriormente ao Despacho Decisório, a decretação de nulidade total do Despacho Decisório e a homologação das compensações efetuadas, diante do flagrante cerceamento da defesa e ofensa ao princípio da verdade material é medida que se impõe. II. No mérito, o acolhimento de todas as argumentações e provas apresentadas desde a manifestação de inconformidade, assim como a consideração de todas as informações já constantes nos sistemas da própria SRF que comprovam a existência do crédito em favor da Recorrente, capaz de amparar as compensações pleiteadas e a reconsideração do Despacho Decisório [...] com a homologação das compensações efetuadas. III. Requer ainda a exclusão definitiva dos débitos lançados no [conta corrente] da empresa pela não homologação das compensações. Por fim a Recorrente informa que tem interesse em realizar sustentação oral perante este [CARF]. Termos em que, Pede deferimento. É o Relatório. VOTO Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente é tempestivo atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. Compulsando os presentes autos, constato que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 23/06/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10783.915543/200963 Resolução n.º 180100.119 S1C1T1 Fl. 72 4 A Recorrente suscita que houve erro na indicação dos valores dos débitos em DCTF e para correção do engano apresentou o documento retificador em 23.10.2009 com os valores corretos, os quais são coincidentes com aqueles constantes na Per/DComp e na DIPJ originalmente apresentadas. No Voto condutor do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1239.352, de 11.08.2011, fls. 3333, consta Por sua vez, a DCTF — Declaração de Contribuições e Tributos Federais, instituída pela Instrução Normativa SRF n° 129/1986, sempre foi destinada a tal fim. A DCTF, sendo confissão de divida, tem o condão de constituir, formalmente, o crédito tributário, materializandoo. O Darf foi alocado conforme DCTF. A retificação da DCTF, após o Despacho Decisório, não produz efeito. No caso de ação fiscal, a espontaneidade do sujeito passivo fica excluída a partir do primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária. Por esta razão, a declaração retificadora entregue após o início do procedimento de ofício não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício1. Diferentemente, em se tratando de Per/DComp, a legislação tributária foi bem específica e expressamente proíbe tãosomente a sua retificação, caso a sua análise não mais se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador2. Não se pode adotar nesta matéria a interpretação extensiva, de modo que a Recorrente a instauração da fase litigiosa no procedimento de Per/DComp, por si só, não afasta a espontaneidade da Recorrente em relação ao recolhimento de tributos, tampouco para fins de apresentação de Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificadoras. Ademais, o Per/DComp delimita os termos da análise da matéria e assim deve ser observado os limites legais, já que é a Recorrente é quem elege o quantum que vai utilizar de seu crédito tributário para fins de compensação dos débitos eleitos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido3. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática, qual seja, a efetiva existência do suscitado pagamento a maior. 1 Fundamentação legal: art. 142 e art. 147 do Código Tributário Nacional, art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF n° 33. 2 Fundamentação legal: inciso III do art. 151, art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 3 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 23/06/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10783.915543/200963 Resolução n.º 180100.119 S1C1T1 Fl. 73 5 Em face desta questão e com a observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto pela conversão do julgamento na realização de diligência para que sejam tomadas as seguintes providências em relação alegado pagamento a maior no valor total de R$ R$10.106,86 de CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada, código nº 2484, efetuado em 28.12.2007, referente ao fato gerador ocorrido em 30.11.2007, fl. 04: 1) A autoridade preparadora deve instruir os autos com: 1.a) as cópia das DCTF, original e retificadoras, se houver; 1.b) as cópias das DIPJ, original e retificadoras, se houver. 2) A Recorrente deve ser intimada a juntar a escrituração completa mantida com observância das disposições legais para fazer prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, com vista a comprovar o suscitado pagamento a maior. A autoridade fiscal designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal sobre os fatos apurados. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito, com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes4 . (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 4 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 23/06/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13707.000462/2003-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1402.000.118
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13707.000462/200372 Resolução n.º 1402.000.118 S1C4T2 Fl. 2 2 Vistos. O presente processo de declaração de compensação foi apresentado em 2602 2003, por meio da qual a interessada acima identificado alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de saldos negativos de IRPJ e CSLL, referentes aos anoscalendário de 2000, 2001 e 1°, 2º e 3° trimestres de 2002 (fl. 02). Objetiva compensálos com débitos de IRPJ e CSLL do 4° trimestre de 2002. Do exame das DIPJs correspondentes aos anoscalendários de 2000, 2001 e 2002 cujas cópias constam a partir da fl. 15 dos autos, verificase que a recorrente não possuía os saldos negativos informado à fl. 02. Tal fato tornase mais evidente a partir do momento em que a recorrente, ao tomar conhecimento do despacho de fls. 99 a 101, apresenta manifestação de inconformidade de fl. 115 e seguintes, afirmando que o pedido de compensação fora prejudicado por erro material, uma vez que confundiu base de calculo negativa com saldo negativo de IRPJ. Sustenta a recorrente que ao perceber o erro retificou a DCTF do 4° trimestre de 2002 e desistiu do pedido de compensação, só que naquela época não existiam procedimentos iguais aos que existem hoje cuja desistência dáse por programa disponibilizado na INTERNET. Diz que em 26 de março de 2004, ou seja, antes do despacho decisório em relação ao qual for cientificado em 26 de fevereiro de 2008, retificou a DCTF do período. Na impugnação asseverou que além de não usar o crédito informado para compensação, quitou o valor do imposto devido. Assim não cabe a notificação para efetuar pagamento em relação aos débitos informado no pedido de compensação. O acórdão da DRJ, de forma unânime, reconheceu que não havia pedido de desistência das compensações e nem saldo negativo e, por maioria de votos, entendeu o acórdão que o valor informado nas DCTF, deveria ser cobrado. O voto vencido está alicerçado na tese de que tendo decorrido cinco anos entre o pedido de compensação e a intimação do despacho decisório operouse a homologação tácita. Do acórdão de fls.156 a 168 a recorrente foi intimada em 25 de marco de 2010 e apresentou recurso de fls. 172 e seguintes defendendo a tese de voto vencido e, também, que não compensou absolutamente nada. Em seu recurso faz referência à DCTF retificadora. Argumenta, ainda, que o erro material cometido não constitui em nenhuma hipótese fato gerador da obrigação tributaria. Ao final destaca textualmente que: a) A declaração de compensação 13707.000.462/200372 é anterior à MP 135 e à Lei nº 10.833, de 2003, que deram a DCOMP status de Confissão de Divida; b) A DCOMP protocolada sob o n° 13707.000.462/200372 foi formalizada erroneamente, não tendo sido utilizada em compensação alguma como se pode verificar nas DCTF's do período; c) Não houve compensação de fato, a Vênus Turística não utilizou os créditos apontados na DCOMP, tanto é que retificou a DCTF do período, pagou os impostos devidos em parcelas conforme a DCTF do trimestre subseqüente e informou todos os valores na DIPJ do exercício. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13707.000462/200372 Resolução n.º 1402.000.118 S1C4T2 Fl. 3 3 d) A DCOMP por si só não é meio hábil para declarar débitos, a declaração de débitos é feita através das DCTF's conforme IN's 073/1996, 045/1998 combinadas com a IN 021/1997 todas vigentes à época; É o relatório. Passo ao exame da matéria. O recurso é tempestivo, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Assim, conheçoo e passo a examinálo. O voto vencido da DRJ tem razão quando afirma que nos termos do artigo 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003, o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega do pedido. Contudo, tratandose de contagem de prazo em dias, mês e ano, entendo que se aplica o artigo 210 do CTN que dispõe que “os prazos fixados nesta Lei ou na legislação tributária serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindo se o de vencimento.” Desta forma, apresentado o pedido de declaração em 23022003, o lapso temporal de 5 anos começou a fluir em 27922003 e, em assim sendo, a notificação que se deu em 260208 deuse dentro do prazo de cinco anos, não havendo o que se falar em homologação tácita. Quanto ao argumento de que na época em que foi apresentado o pedido de compensação ele não se constituía em confissão de dívida, na sessão de 24 de fevereiro de 2011, quando do julgamento do processo nº 11543.000671/200491, relatado pelo ilustre conselheiro Antônio Praga, acórdão nº 140200.027, este colegiado assim tratou da matéria: “2. Da eficácia da DCTF enquanto instrumento de confissão de dívida”. A legislação tributária que versa sobre a necessidade de lançamento relativamente a débito informado em DCTF evoluiu da seguinte forma: O art. 5º, § 1º, do Decretolei (DL) nº 2.124, de 13 de junho de 1984, estabeleceu que o documento que formalizasse o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário (declaração de débitos), constituirseia confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à cobrança. A redação da referida norma tinha a seguinte forma: “Art 5º. O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º. O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º. Não pago no prazo estabelecido pela legislação, corrigido monetariamente e acrescido da multa de 20% e dos juros demora devidos, poderá ser inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do art 7ºdo DL 2.065, de 26/10/1983.” Com base no aludido dispositivo legal, a Secretaria da Receita Federal (SRF) poderia cobrar o débito confessado, inclusive encaminhálo à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sem a necessidade de lançamento de ofício do crédito tributário. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13707.000462/200372 Resolução n.º 1402.000.118 S1C4T2 Fl. 4 4 Contudo, o art. 90 da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, determinou que se procedesse ao lançamento de todas as diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados. A exegese do referido dispositivo era a de que apenas os “saldos a pagar” informados em DCTF constituiriam confissão de dívida. A cobrança dos demais valores, apurados como devidos e vinculados indevidamente a formas de extinção ou suspensão do crédito tributário, passaram a depender de procedimento de ofício. Dispunha o art. 90 da referida MP nº 2.15835: “Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.” Assim, após agosto de 2001, caso o débito constasse em DCTF como vinculado a qualquer das modalidades de suspensão ou extinção do crédito tributário (dentre elas a compensação), faziase necessário, para dar cumprimento ao art. 90 da MP nº 2.15835, de 2001, o lançamento de ofício das parcelas declaradas como suspensas/extintas. Tal sistemática perdurou até a edição da MP nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, cujo art. 18 derrogou o art. 90 da MP 2.15835 para dispensar o lançamento de ofício de débitos de tributos informados em DCTF. O art. 18 da referida MP assim dispôs: “Art 18. O lançamento de ofício de que trata o art 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º. Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. §2º. A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 3º. Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. Conforme o ditame normativo supra, o lançamento de ofício que versasse sobre débito de tributo informado em DCTF passou a restringirse à multa isolada, aplicável nas hipóteses relacionadas no caput do citado art. 18. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13707.000462/200372 Resolução n.º 1402.000.118 S1C4T2 Fl. 5 5 Restabeleceuse assim, com base no ainda vigente art. 5º, § 1º, do DL nº 2.124, de 1984, e pela nova redação do art. 18 na Lei nº 10.833, de 2003, a sistemática de exigência dos débitos confessados exclusivamente em documento que formalizasse o cumprimento de obrigação acessória, agora válida ainda que o referido débito do tributo estivesse informado como extinto (por compensação) ou com exigibilidade suspensa. Em tais casos, a verificação da informação indevida relativamente à vinculação do débito (compensação indevida, por exemplo), darseia mediante procedimento interno de auditoria, conforme previsão do art. 9º da Instrução Normativa (IN) SRF nº 482, de 21 de dezembro de 2004, abaixo reproduzido: “Art. 9º. Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 1º Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, bem assim os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas, prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, com os acréscimos moratórios devidos.” Em 29 de dezembro de 2004, a Lei nº 11.051 deu nova redação ao art. 18 da Lei 10.833, de 2003, restringindo ainda mais as hipóteses de aplicação da multa isolada. O caput do aludido art. 18 da Lei nº 10.833/2003, com a nova redação que lhe foi dada pela Lei nº 11.051, de 2004, passou a dispor: “Art 18. O lançamento de ofício de que trata o art 90 da MP 215835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts 71 a 72 da Lei 4.502 de 30 de novembro de 2004.” De toda a evolução legislativa acima referida, extraise a conclusão de que o lançamento do ofício de fls. 205/208 – que versa sobre débitos de IPI informados em DCTFs com vinculação à compensação tida como indevida –, lavrado em 27/02/2004 e aperfeiçoado em 02/03/2004 com a ciência da autuada, logo, em data posterior à da edição da MP nº 135, de 30 de outubro de 2003, não ocorreu conforme a legislação vigente na ocasião de sua concretização, já que incluiu tributo (IPI) e a multa de ofício prevista no art. 80, inciso I, da Lei nº 4.502, de 1964, com a redação dada pelo art. 45 da Lei nº 9.430, de 1996, enquanto que a previsão legal vigente na época determinava a aplicação somente da multa isolada de que tratava o caput do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, “sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida”, cabível, dentre outras hipóteses, quando o crédito pleiteado fosse de natureza não tributária, exatamente como no caso em pauta. Ou seja, em 02/03/2004 (época da ciência do auto de infração em tela pela impugnante), não havia mais razão, a teor da legislação de regência, para realizar lançamento de ofício de tributo (o IPI, no caso) nem da multa de ofício Fl. 234DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13707.000462/200372 Resolução n.º 1402.000.118 S1C4T2 Fl. 6 6 proporcional prevista no art. 80, inciso I, da Lei nº 4.502, de 1964, com a redação dada pelo art. 45 da Lei nº 9.430, de 1996. A propósito, vale ressaltar que a multa de ofício prevista no art. 80, inciso I, da Lei nº 4.502, de 1964, com a redação dada pelo art. 45 da Lei nº 9.430, de 1996, não se confunde com a multa isolada prevista no caput do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, pois cada uma das penalidades tem pressuposto normativo (a razão de ser jurídica) próprio e distinto, restando impossível cogitar a manutenção da presente exigência no que tange à multa de ofício cobrada isoladamente, pois consistiria numa descabida inovação ao lançamento prosseguir na cobrança relativa à multa com base em dispositivo legal diverso daquele originalmente capitulado na formalização do crédito tributário. Então, no caso em tela, conforme a legislação vigente na data da ciência do auto de infração, o procedimento de ofício correto deveria ter sido o de lançar exclusivamente a multa isolada prevista no caput do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, já que os débitos do tributo (IPI) indevidamente compensados nas DCTFs apresentadas encontravamse, nos termos desse art. 18 e do art. 5º, § 1º, do DL nº 2.124, de 1984, de 2003, devidamente confessados em instrumento hábil para a sua cobrança, constituindose, pois, em crédito tributário da União dotado de plena legitimidade. Porém, mesmo que tivesse sido realizado esse lançamento de ofício específico para cobrança da aludida multa isolada, também ele não poderia subsistir, haja vista o disposto no art. 106, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN), que faz retroagir a nova redação mais benéfica do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, dada pela Lei nº 11.051, de 2004. Voltandose à exação do crédito tributário relativo ao IPI, sua constituição e cobrança ocorrem, conforme já exposto, não pelo auto de infração de fls. 205/208, mas sim – repitase, nos termos do art. 5º, § 1º, do DL nº 2.124, de 1984, e do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003 – pelas DCTFs de fls. 113/120. Nesse ponto, importa assinalar que este julgador entende encontrarse suspensa, nos termos do art. 151, inciso III, do CTN, a exigibilidade do crédito tributário do IPI constituído nas DCTFs de fls. 113/120, uma vez que esse mesmo crédito tributário também está constituído por meio do lançamento de ofício objeto do presente processo, estando, neste, sob impugnação do contribuinte. Ou seja, se o crédito tributário constituído pelas DCTFs e pelo lançamento de ofício é o mesmo, a exigibilidade deste crédito encontrase suspensa em vista da apresentação de reclamação ou recurso, a teor do art. 151, inciso III, do CTN, o que ocorre exatamente pela apresentação da impugnação do sujeito passivo às fls. 214/220. Com efeito, mostrase IMPROCEDENTE o lançamento de ofício formalizado no auto de infração de fls. 205/208, pois o crédito tributário já estava constituído em instrumento hábil e suficiente para a sua cobrança – as DCTFs de fls. 113/120. Ressalvado meu entendimento pessoal de que não há prejuízo na manutenção do lançamento, sem a multa de oficio, desde que não haja cobrança Fl. 235DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13707.000462/200372 Resolução n.º 1402.000.118 S1C4T2 Fl. 7 7 em duplicidade, tendo em vista que o Regimento Interno do CARF, sofreu algumas alterações pela Portaria nº 586, de 22/12/2010, dentre as quais se destaca o acréscimo do artigo 62A, dispõe que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Logo, à luz do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, considerando que é pacifico no STJ a desnecessidade do lançamento de oficio de débitos declarados em DCTF, a exemplo do acórdão proferido no RESP 826780/RS de 19/08/2008. Entendo, pois, que o acórdão recorrido não merece reparos. Para os que entendem que era necessário lançamento de ofício para o período anterior à edição da MP nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, cujo art. 18 derrogou o art. 90 da MP 2.15835 para dispensar o lançamento de ofício de débitos de tributos informados em DCTF, temse que a Declaração de Compensação de fl. 02 não se constitui em instrumento hábil para exigência dos débitos nela contidos. A posição que defendo é que uma vez informado os débitos por meio de DCTF não se faz necessário o lançamento de ofício para sua exigência, inclusive no período anterior à vigência da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003. Se o sujeito passivo declara tal declaração se constitui em meio hábil para inscrição do débito em dívida ativa. Superado este ponto, caso o colegiado siga o entendimento de que mesmo para período anterior à vigência da MP 135, de outubro de 2003, não se faz necessário o lançamento para exigência do crédito tributário, passo a análise dos demais aspectos transcrevendo a seguinte passagem do acórdão recorrido: Fl. 236DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13707.000462/200372 Resolução n.º 1402.000.118 S1C4T2 Fl. 8 8 A recorrente apresentou a declaração compensação de fl. 02 informando os débitos especificados no quadro acima. Na DIPJ de fl. 141, entregue em 14072003, conforme destacado pela autoridade fiscal, o valor do débito tributário, do quarto trimestre de 2002, importava em impostava em R$ 41.172,63 de IRPJ (fl. 143) e R$ 19.047,35 DE CSLL (fl. 144). Do que consta dos autos pode se elaborar o seguinte quadro: Valor do débito apurado na DIPJ, quarto trimestre de 2002 – fl. 143 e 144 Valor débito informado no pedido de compensação no, quarto trimestre de 2002 – fl. 02 valor informado na DCTF retificadora (fl. 131e 132) IRPJ 41.172,64 IRPJ 1.663,69* IRPJ 37.948,74* CSLL 19.047,35 CSLL 27.210,48** CSLL 19.047,36** * 17.221,23 x 3 = 51.663,69 * 12.649,58 x 3 = 37.948,74 ** 9.070,16 x 3 = 27.210,48 ** 6.349,12 x 3 = 19.047,36 O acórdão recorrido tem razão quando destaca o desencontro de números. O quadro acima bem reflete a situação. O pedido de compensação de fl. 02 foi instruído desde o início com a DIPJ retificadora de fl. 45 e seguintes onde se verifica, às fls. 55 e 59, que o valor do IRPJ e da CSLL apurados foi de R$ 41.172,64 e R$ 19.047,35. O que deve prevalecer como Fl. 237DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13707.000462/200372 Resolução n.º 1402.000.118 S1C4T2 Fl. 9 9 tributo devido são os valores efetivamente apurados por meio da DIPJ. Os valores informados como devidos em pedido de compensação, se divorciados do que foi apurado na DIPJ, não constitui crédito e nem débito tributário. Quando a norma afirma que a declaração de compensação importa em reconhecimento do débito nela declarado, dispensando o lançamento, há que se compreender que assim é por inexistir lógica entre o contribuinte se declarar devedor e, mesmo tempo, se exigir lançamento para cobrar débito já reconhecido. Quanto à CSLL, no importe de R$ 19.047,36, há coincidência de valores entre a DIPJ e a DCTF de fl. 131. A primeira vista temse um problema em relação ao IRPJ. O valor informado na DIPJ é de R$ 41.172,64 e o informado, à fl. 132, na DCTF retificadora seria de R$ 37.948,75. No entanto, tal diferença advém do fato de que consta da DCTF o pagamento de dois valores, conforme imagem que segue: O que necessita ser esclarecido neste processo é se as três cotas da CSLL no valor de R$ 6.349,12 cada uma, especificadas às fls. 136 e 137 e as três quotas do IRPJ, no valor de R$ 12.649,58 especificadas às fls. 138 e 139, assim como os R$ 94,84 e os R$ 3.129,05 referidos no quadro acima e contidos à 132, foram quitados. Há nos autos os demonstrativos de fls. 71, 74, e 77 correspondentes, respectivamente, ao primeiro, segundo e terceiro trimestre de 2002. Não há demonstrativo em relação ao quarto trimestre, objeto da controvérsia. Em que pese meu convencimento de que os valores devidos a título de IRPJ e CSLL são os informados na DIPJ, há que se verificar se os valores apontados às fls. 136 a 138, bem como à fl. 132, efetivamente foram quitados. Não identifiquei tal informação nos autos. Assim, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a autoridade de origem presta tal informação. ISSO POSTO, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a autoridade de origem informe se as três cotas da CSLL no valor de R$ 6.349,12 cada uma, especificadas às fls. 136 e 137 e as três quotas do IRPJ, no valor de R$ 12.649,58 especificadas às fls. 138 e 139, assim como os R$ 94,84 e os R$ 3.129,05 referidos à fl. 132, foram quitados, com posterior intimação da interessada para se manifestar no prazo de 30 (vinte), retornando os autos a este colegiado. É o voto. (assinado digitalmente) Relator Moises Giacomelli Nunes da Silva – Relator. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 36192.001388/2006-05
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Sat Apr 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2003
ARGÜIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE.
A defesa apresentada fora do prazo legal, se suscitada a preliminar de tempestividade, esta será observada. Restando intempestiva a impugnação, não se instaura a fase litigiosa do procedimento e não se examina as demais questões argüidas.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2403-000.523
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso por intempestividade.
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2003 ARGÜIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. A defesa apresentada fora do prazo legal, se suscitada a preliminar de tempestividade, esta será observada. Restando intempestiva a impugnação, não se instaura a fase litigiosa do procedimento e não se examina as demais questões argüidas. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Renato Coelho Borelli (suplente). Ausentes os conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 2 Relatório Trata a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, de crédito lançado pela fiscalização no valor de R$ R$ 34.052,07 (trinta e quatro mil, cinqüenta e dois reais e sete centavos), contra a empresa acima identificada, referente às contribuições sociais devidas à Previdência Social parte descontada das remunerações dos segurados empregados constantes nas GFIP's, cujos dados foram apurados a partir dos sistemas informatizados da Previdência Social (CNISA ÁGUIA); Com base no art. 20 da Lei 8.2312/91, o crédito se refere às diferenças apuradas entre o efetivamente devido valores declarados em GFIP e valores efetivamente pagos no período de 01/2000 a 08/2003, e foi consubstanciado no levantamento "GNS". O lançamento, oriundo de ação fiscal específica verificação e cobrança de divergências entre GFIP e guias de recolhimento decorre da ocorrência de divergências entre os valores de salário de contribuição /contribuições informados na GFIP e nas guias de recolhimento do INSS em cada uma das competências do período referido. Apesar de apresentadas as GFIP's, os valores informados como de recolhimento devido não constavam no contacorrente e sistemas informatizados do INSS/Dataprev; O procedimento fiscal encontrase demonstrado no Relatório Fiscal, fls. 46 a 48, bem como nos discriminativos e anexos da NFLD, fls. 04 a 39. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento em 28.12.05 (AR fl. 66), interessada apresentou impugnação fora do prazo regulamentar (em 22.03.06, fls. 76 a 86), alegando em síntese: Preliminarmente alega a tempestividade da defesa apresentada, garantindo que a ciência da notificação através de seu representante legal somente se deu em 10.03.06, data em que a impugnante igualmente tomou conhecimento do Termo de Revelia emitido pelo órgão previdenciário através do Ofício n° 084/2006 da UARPItapuã (f1.71); Diante da surpresa com a situação de não ter sido devidamente cientificado, solicita averiguações para apurar o ocorrido, lembrando que, com a omissão do tema (falta de intimação doa atos processos) no Decreto n° 72.235/72, se aplica o Código de Processo Civil em seus arts. 238, 244 e 245, bem como preceito constitucional em seu art. 5°, LV (transcritos às fls. 77 e 78). Preliminar de nulidade por não observância do princípio constitucional DA EQUIDADE. Alega que a fiscalização agiu tão somente movida pelo rigor e frieza da lei, sem considerar o princípio constitucional da eqüidade, uma vez que a notificada goza de bons antecedentes pela seriedade com que atua nos negócios. Neste sentido, transcreveu às fls.80 e 81 trechos de entendimentos dos Conselhos de Contribuintes (Ministério da Fazenda) acerca do tema. VEDAÇÃO AO CONFISCO. Observa a vedação constitucional (CF/88, art. 150, IV) a qualquer tentativa de confisco, entendido como a violação abrupta e arbitrária ao Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 36192.001388/200605 Acórdão n.º 240300.523 S2C4T3 Fl. 213 3 direito de propriedade levada adiante pelo ente estatal, sobretudo no exercício do poder do fisco; Ressalta a convergência do princípio do nãoconfisco com o da capacidade contributiva, sempre apoiada na proporcionalidade e razoabilidade no ato de tributar. Neste sentido, lembra lições de Sacha Calmon acerca do tema, garantindo que houve exorbitância no valor cobrado. Que a notificada foi constituída em abril (2001) e que só assumiu as atividades do negócio somente em 09/2001; Que até 08/2001, quem atuava no espaço era a Empresa MG4 Comércio de Entretenimento Ltda, que transferiu a responsabilidade da administração e dos negócios, bem como os empregados, para a notificada (Aeroclube Entretenimento Ltda) a partir de 09/2001. Complementa, informando que a transferência dos empregados encontrase regularmente documentada, inclusive com as devidas anotações nas Carteiras de Trabalho dos funcionários transferidos; Que entende, pois, que os valores lançados para o período de anterior a 09/2001 não são de responsabilidade da notificada, devendo, ao invés, serem cobrados da Empresa MG4 Comércio de Entretenimento; Que assim, para o período que reconhece como de sua responsabilidade (09/2001 a 08/2003) a notificada anexa cópias de GFIP's devidamente pagas, o que demonstra a observância, por parte da impugnante, das disposições da Lei 8.212/91 e do Decreto 612/92 (art. 107) e a necessidade de nova auditoria com fiscal estranho ao feito; Conclui, requerendo que seja declarada preliminarmente a nulidade da NFLD. Caso assim não seja entendido pela autoridade, requer a improcedência do lançamento e a revisão do procedimento fiscal a cargo de agente fiscal estranho ao feito. Por fim, na hipótese de manutenção da cobrança imposta, solicita a exclusão dos valores relativos ao período de 01/2000 a 08/02001, pelos motivos acima expostos, ao tempo que também solicita a juntada de documentos, a realização de perícia e de diligências fiscais. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da Recorrente, o AuditorAnalista do Serviço do Contencioso Administrativo Previdenciário, julgou intempestiva a impugnação mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário onde reiterou preliminar de tempestividade das alegações que fizera em instancia “ad quod ” e demais argumentos. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 4 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE Em preliminar, a recorrente suscitou em primeira instância, e reiterou em sede de recurso, a tempestividade da impugnação afirmando que procedera a entrega da defesa dentro do prazo legal. É cediço que sempre que o recurso for interposto em prazo maior do que o legalmente previsto, a jurisprudência entende que não se deve recebêlo, tendo em vista o fenômeno da preclusão. Ocorre que sendo suscitada preliminar de tempestividade é cabível tal verificação.Entretanto, restando intempestiva a impugnação/recurso, não se instaura a fase litigiosa do procedimento e não se examina as demais questões argüidas. DAS DATAS DAS NOTIFICAÇÕES No processo em comento, o contribuinte afirmou em sua defesa, fls.77, e reiterou em sede de recurso, que fora notificado do lançamento objeto desta NFLD em 10/03/2006. Relevante notar que a recorrente desconsiderou a data da notificação entregue em 28/12/2005 com Aviso de Recebimento AR, conforme fls.66, recebido e assinado pela mesma pessoa Simone Passos que mais tarde receberia, também por AR, conforme fls. 72, comunicado do Termo de Revelia da NFLD 35.780.3841 em análise, em 13/03/2006, momento este sobre o qual se louva a recorrente para caracterizar o efetivo conhecimento do lançamento. Desse modo, sem êxito, em primeira instância, se conheceu da impugnação no que se referiu à preliminar suscitada, instaurandose o litígio somente em relação à argüição de tempestividade. Cumpre destacar que a recorrente ao ser notificada recebe instruções conforme abaixo : “ Nos termos dos arts. 2° e 30 da Lei 11.457 de 16/03/2007, fica o contribuinte notificado do levantamento objeto da presente NFLD.” (..) Para pagamento, parcelamento ou impugnação deverão ser observadas as instruções constantes do relatório IPC Instruções para o Contribuinte, que segue anexo, devendo o contribuinte dirigirse à unidade de atendimento da Receita Federal do Brasil. ” No referido Relatório IPC, contêm nos itens 2 a 2.6 instruções específicas à respeito de IMPUGNAÇÃO orientando , inclusive, sobre os prazos. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 36192.001388/200605 Acórdão n.º 240300.523 S2C4T3 Fl. 214 5 Aduz que na forma do preceituado no artigo 293, § 1o do Decreto 3.048/99, o autuado terá prazo de trinta dias, a contar da ciência para impugnar a autuação: "Art. 293. (...) Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. ( Redação dada pelo Decreto n° 6.103, de 2007) § 1o Recebido o autodeinfração, o autuado terá o prazo de trinta dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de cinqüenta por cento ou impugnar a autuação. ( Redação dada pelo Decreto n° 6.103, de 2007). ” ( grifei) Sendo pacífico que a data da notificação ocorreu em 28/12/2005, o prazo de 30 (trinta) dias para apresentação de impugnação terminou em 29/01/2006. Assim, considerando que e o contribuinte protocolizou sua defesa em 22/03/2006, configurouse, portanto, a INTEMPESTIVIDADE. Afastada a hipótese de tempestividade em sede impugnação, na verdade, restou impedida a apreciação das demais matérias tratadas. Isto posto, tendo sido intempestiva a impugnação em primeira instância não se instaurou a fase litigiosa do procedimento, status este que deve ser mantido em instância “ad quem”. Se o indivíduo não exercita seu direito no prazo ou termo legal, perde a faculdade processual de ação, ocorre então o que se denomina preclusão temporal. Segundo Maria Helena Diniz ( Dicionário Jurídico. São Paulo: Saraiva, 1998, p. 678.) , genericamente, podese definir a preclusão como a "perda de um direito subjetivo processual pelo seu nãouso no tempo e no prazo devidos" Um dos princípios jurídicos mais conhecidos de todos os tempos encontrase no brocardo latino: "dormientibus non sucurrit jus". De fato, o direito não socorre aos que dormem no processo. E é nesse sentido também que disciplina a Lei n° 9.784/99 na dicção do artigo 63, I: “ Artigo 63. O recurso não será conhecido quando interposto: I fora do prazo; ” Desse modo, por INTEMPESTIVA as alegações em sede de impugnação e não tendo por isso se instaurado a fase litigiosa do procedimento, NÃO CONHEÇO DO RECURSO. Ivacir Júlio de Souza Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI
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Numero do processo: 10735.002183/2003-18
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1801-000.130
Decisão: Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 8a. Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJI, que, por maioria de votos, manteve integralmente a exigência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, relativo ao anocalendário 1998, consubstanciada no auto de infração de fls. 17 a 25, no valor total de R$ 74.643,38, aí incluídos principal, multa de ofício e juros de mora calculados até a data da lavratura. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10735.002183/200318 Resolução n.º 1801000.130 S1TE01 Fl. 350 2 O auto de infração é decorrente de auditoria interna de DCTF na qual verificou se inconsistência nas vinculações efetuadas pelo contribuinte aos débitos de estimativa de IRPJ dos meses de outubro, novembro e dezembro de 1998, conforme fora declarado na respectiva DCTF. Na impugnação tempestivamente apresentada a interessada alegou que os débitos de estimativa de IRPJ exigidos no auto de infração foram compensados com saldo de IRPJ pago a maior no anocalendário de 1997, conforme demonstrado na planilha anexada. A 8a. Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJI manteve a exigência ao fundamento de que a interessada teria informado na respectiva DCTF a compensação vinculada a processo e que à época, a compensação entre tributos de mesma espécie poderiam ser efetuadas na própria contabilidade do sujeito passivo, mas que, no presente caso, a interessada não havia apresentado escrituração comprovando a compensação (fls. 30/35). Notificada da decisão, em 21/07/2011, como demonstra a cópia do AR à fl. , apresentou a interessada, em 22/08/2011, recurso voluntário. Em preliminares argúi a tempestividade da peça de defesa e, no mérito, em apertada síntese, defende: 1) a nulidade do auto de infração, por ausência de diligência fiscal e por ter cometido erro no preenchimento da DCTF com a informação equivocada do período do saldo negativo; 2) a legitimidade do saldo negativo compensado e a extinção do suposto crédito tributário sub judice pela compensação; 3) os débitos exigidos no auto de infração se encontram extintos por compensação reconhecida pela Receita Federal. Ao final pugna pelo acolhimento das razões de defesa e pela intimação pessoal a fim de exercer o direito à sustentação oral, pela produção de todos os meios de prova, inclusive conversão do julgamento em diligência. É o relatório. VOTO Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como se depreende dos fatos narrados nos autos contra a empresa interessada foi lavrado auto de infração decorrente de auditoria interna de DCTF, pois não teriam sido confirmadas as informações prestadas pela recorrente no sentido de que os débitos de estimativa de IRPJ dos meses de outubro, novembro e dezembro de 1998 teriam sido compensados com saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1997. A turma julgadora de 1a. instância, por maioria de votos, considerou que, apesar de a legislação de regência à época dos fatos permitir a compensação entre tributos de mesma Fl. 350DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10735.002183/200318 Resolução n.º 1801000.130 S1TE01 Fl. 351 3 espécie pudesse ser efetuada apenas na contabilidade, a empresa não teria apresentado provas dessa compensação e da correção de seus procedimentos. No recurso voluntário a interessada pugna pela nulidade da autuação, pois não teriam sido respeitados os requisitos de validade do auto de infração e, no mérito, apresenta vários elementos pelos quais pretende comprovar que as compensações das estimativas de outubro, novembro e dezembro de 1998 foram efetuadas contabilmente. Entretanto, no mérito, verificase que o processo não está em condições de ser julgado. Isto porque a recorrente apresenta inúmeros elementos, dentre os quais cópias de livros de sua escrita contábil e fiscal, que demonstram que diversos débitos de estimativas de IRPJ, dentre os quais os de outubro, novembro e dezembro, foram compensados contabilmente, como permitia a legislação de regência à época dos fatos. Contudo, também consta dos autos que em outro processo administrativo – PAF n º 10735.002382/9924 – o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1997 fora utilizado em outras compensações, não sendo possível concluir se naqueles autos as compensações de estimativas de IRPJ de outubro, novembro e dezembro de 1998 já foram contempladas ou se, caso não tenham sido contempladas, se houve sobra desse direito creditório (saldo negativo de IRPJ do a/c 1997) para amparar as compensações informadas na DCTF analisada, da qual resultou a presente autuação. Vejase, por exemplo, que na página 11 do recurso voluntário a recorrente apresenta um demonstrativo denominado “Imposto de Renda a Compensar – Declar. 98 – AC – 97”, no qual consta na coluna “1” o mês da estimativa de IRPJ, no quadro “2” o valor da estimativa compensada e no quadro “3” o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1997 consumido nessas estimativas. Nesse demonstrativo consta que na compensação da estimativa de IRPJ do mês de dezembro/97, no valor de R$ 10.087,69, haveria, ainda, um crédito remanescente de saldo negativo de IRPJ de 1997 de R$ 34.265,39, valor essa que foi mencionado como consumido, em homologação tácita, no referido PAF n º 10735.002382/99 24. Por todo o exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento na realização de diligência, pela qual a autoridade competente do órgão de origem – DRF em Nova Iguaçu/RJ, deverá: 1) intimar a empresa interessada a apresentar a escrituração contábil original na qual reste demonstrada a compensação das estimativas de IRPJ dos meses de outubro, novembro e dezembro de 1998, com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1997; 2) verificar se havia disponibilidade de direito de crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1997 para ser utilizado nessas compensações, tendo em conta as informações constantes do PAF n º 10735.002382/9924 3) elaborar demonstrativo com o detalhamento do direito creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1997 e suas utilizações, inclusive na compensação, ou não, das estimativas de IRPJ dos meses de outubro, novembro e dezembro de 1998. Ao final deverá a autoridade fiscal elaborar relatório circunstanciado e conclusivo dos trabalhos executados com o fim de atender à presente solicitação, do qual deverá ser cientificada a recorrente para, no prazo de 30 dias a contar da ciência, apresentar Fl. 351DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10735.002183/200318 Resolução n.º 1801000.130 S1TE01 Fl. 352 4 suas considerações, se assim o desejar, retornandose, posteriormente os autos a esta Conselheira Relatora para prosseguimento do julgamento do litígio. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 352DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10907.001876/2004-55
Data da sessão: Thu Sep 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Sep 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS - Os produtos químicos orgânicos
do Capitulo 29 do Sistema Harmonizado contempla principalmente os
compostos orgânicos de constituição química definida apresentados
isoladamente, e quando misturados somente permanecem nesse Capitulo se "as soluções constituam um modo de acondicionamento usual e indispensável, determinado exclusivamente por razões de segurança ou por necessidades de transporte", e, principalmente, "se o solvente não torne o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral". No caso das vitaminas, cujas adições, soluções e misturas, as tornem particularmente aptas ao uso especifico de ração animal, em
detrimento de sua aplicação geral, a classificação é deslocada para posição mais especifica determinada pela preferência de sua destinação dada pelos excipientes, qual seja, na posição 2309.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3101-000.230
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS - Os produtos químicos orgânicos do Capitulo 29 do Sistema Harmonizado contempla principalmente os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, e quando misturados somente permanecem nesse Capitulo se "as soluções constituam um modo de acondicionamento usual e indispensável, determinado exclusivamente por razões de segurança ou por necessidades de transporte", e, principalmente, "se o solvente não torne o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral". No caso das vitaminas, cujas adições, soluções e misturas, as tornem particularmente aptas ao uso especifico de ração animal, em detrimento de sua aplicação geral, a classificação é deslocada para posição mais especifica determinada pela preferência de sua destinação dada pelos excipientes, qual seja, na posição 2309. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade em negar provimento ao recurso. - Henrique Pinheiro es residente EDITADO EM: 27/07/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tardsio Campelo Borges, Corinth° Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente e Valdete Aparecida Marinheiro. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ — Florianopolis/SC que manteve em parte o lançamento do Imposto de Importação, sob o argumento que o Recorrente classificou erroneamente os produtos importados. 0 fundamento do lançamento limita-se pela conclusão da Fiscalização que a Recorrente classificou erroneamente os seguintes produtos importados: (i) Vitamina H (Biotina 2%), utilizada na produção de ração animal, constante na ADIÇÃO 005 da DI n° 99/09000884-0, no NCM 2936.29.31 sendo constatado pela Fiscalização que o produto deveria ser classificado no NCM 2309.90.90; e (ii) Vitamina E (Acetato de Tocoferol) concentração 50%, utilizada na produção de ração animal, constante na ADIÇÃO 009 da DI n° 99/09000884-0, no MCM 2936.28.12, sendo constatado pela Fiscalização que o produto deveria ser classificado no NCM 2309.90.90, ambos por força do Laudo Técnico LAB 0376 emitido pelo Laboratório Nacional de Análises Luis Angerami. Cientificado do lançamento em 31/08/2004, o Recorrente apresentou impugnação em 17/09/2004 (fls. 118/124), decidindo a DRJ-Florianopolis/SC pela procedência em parte do lançamento, sob o argumento que assiste razão ao Contribuinte somente a classificação da Vitamina E, tendo em vista que a presença da silica no produto tem função estabilizante, e de acordo com a Nota "f' do Capitulo 29 admiti-se a adição de um estabilizante, para conservação ou transporte do produto. Já no caso da Vitamina H, a DRJ entendeu pela procedência do lançamento, haja vista que a Vitamina H importada contém polissacarideos, e que de acordo com o Laudo Técnico foram adicionados para um fim especifico, qual seja, o de tornar a mercadoria uma preparação para fazer parte de composição de ração animal, situação prevista na posição 2309 como uma preparação destinada na fabricação de alimentos completos. Inconformado com a decisão do órgão julgador de primeira instância, da qual tomou conhecimento em 27/11/2007, interpôs a Recorrente Recurso Voluntário, em 20/12/2007 (fls. 154/166), alegando em síntese que: a) o auto de infração foi baseado em laudo incorreto, haja vista este ter partido de premissa equivocada, pois o produto importado não se trata de preparação, mas, sim, de Biotina (Vitamina H), conforme consta da fatura juntada aos autos, enquadrando-se desta forma a mercadoria no código 2936.29.31 da TEC; b) deve ser aplicado ao feito as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado de nos 2 e 3; c) o fato da Vitamina H estar misturada com polissacarideos não afasta a classificação realizada pela Contribuinte, pois de acordo com Regra Geral n° 2 não exclui a aplicabilidade do código especifico em virtude de estar o produto misturado a outro mormente quando em quantidade infima no percentual de 1%; 2 Processo 10907.001876/2004-55 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.230 Fl. 2 d) "sendo a classificação feita pela Recorrente mais especifica que a classificação imposta pelo FISCO, necessário se faz o provimento do presente recurso voluntário, por força da Regra de Interpretação n° (NESH), para seja reformado o v. acórdão recorrida e determinada a classificação no código TEC n° 2936.29.31, cancelando-se o Auto de Infração aqui rechaçado"; e) "nas hipóteses de produtos, e não sendo possível a classificação pelo item da Regra 3-a, a classificação deve ser feita atentando-se à matéria ou artigo que lhes confira a características essencial, quando for possível realizar esta determinação, sendo determinante para caracterizar a essencialidade "a natureza da matéria constitutiva ou dos componentes, pelo volume, quantidade, peso ou valor, pela importância de uma das matérias constitutivas tendo ern vista a utilização das mercadorias"; f) "o produto em questão — VITAMINA H (Biotina 2%) — foi enquadrado na categoria de "Vitamina H (biotina)" 2936.29.31, sendo "...utilizada pelas industrias formuladoras de ração...", como a própria autoridade fiscal manifestou-se na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do AI. Logo, não se enquadra no objetivo do código 2309 (alimentos compostos completos, preparações ET coetera), devendo ser utilizado isoladamente na alimentação de animais"; g) requer a realização de perícia para dirimir qualquer dúvida sobre a classificação fiscal realizada, trazendo aos autos nos termos do artigo 16, IV, do Decreto n° 70.235/72 seus quesitos; h) da inaplicabilidade da multa no caso concreto, haja vista se encontrar o produto importado corretamente descrito na DI, citando diversos julgados e o Ato Declaratório Normativo COSIT n° 10/97. i) cita diversas decisões sobre o tema; j) requer ao final, o provimento do Recurso. E o Relatório. Voto Conselheiro LUIZ ROBERTO DOMINGO, Relator Conheço do recurso por ser tempestivo e atender os demais requisitos de admissibilidade. Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ-Florianopolis/SC que manteve somente o lançamento do II, do produto importado Vitamina H (Biotina 2%), utilizada na produção de ração animal, constante na ADIÇÃO 005 da DI ri° 99/09000884-0, sendo classificado pelo Contribuinte no NCM 2936.29.31, e reclassificado pela Fiscalização no NCM 2309.90.90. Em que pese os argumentos tecidos pela Recorrente na sua peça recursal, entendo que o lançamento fiscal, no que se refere à Vitamina H é procedente. Veja. O Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias — SH foi criado através de trabalho conjunto, desenvolvido pela Organização das Nações Unidas, Comunidade Econômica Européia e Conselho de Cooperação Aduaneira, corn os objetivos de criar uma codificação internacional e uniforme (linguagem aduaneira comum) para facilitar a identificação de mercadorias na comercialização aduaneira. O SH contempla não só a tabela de mercadorias designadas, decodificadas e classificadas, mas, também, Regras Gerais de Interpretação, que traçam as diretrizes básicas para a determinação da posição fiscal do produto e as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado - NESH que explicam quais produtos são açambarcados pelas seções e capítulos do Sistema, ou como uma dada informação deve ser interpretada. As Notas Explicativas constituem elemento subsidiário de interpretação do conteúdo dos textos das posições e subposições, bem corno das Notas de Seção, Capitulo, posições e subposições da Nomenclatura do SH. A classificação adotada pelo SH divide as mercadorias por categorias, reunindo-as segundo suas origens animais, vegetais, produtos derivados, produtos da indústria química, minerais, metais trabalhados, máquinas, equipamentos e mercadorias diversas. Cada categoria é reunida em uma Seção, e as espécies de cada categoria, em Capítulos. Nos Capítulos encontramos as posições e subposições de cada mercadoria, devidamente classificadas e correlacionadas com uma numeração que a identifique (codificação). Diante da diversidade de mercadorias o SH tem a pretensão de contemplá-las todas em seus 96 capitulas reunidos ern 21 seções. Essa divisão apesar de seguir indicadores lógicos de reunião das mercadorias segundo sua natureza, material constitutivo, tipo ou função e destinar-se a facilitar a visualização do intérprete dos conjuntos que formam o sistema, tem caráter apenas indicativo, não proporcionando em si, a classificação. Isso porque, a natureza fisica ou funcional da coisa, por si só, não é determinante para a classificação, uma vez que o SH é uma convenção e segue os critérios artificialmente "convencionados" para determinar se uma mercadoria sera incluída em uma classe e não em outra. Importante esclarecer que, para quem se empenha na tarefa de classificar mercadorias do SH, pouco importa os efeitos fiscais decorrentes da fixação da classificação em determinada posição. Ocorre que não é incomum encontrarmos situações em que o contribuinte ou Fisco tentam a partir da aliquota justificar a classificação adotada. A Convenção Internacional do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, celebrado em Bruxelas, em 14/06/1983, constitui-se norma internacional da qual o Brasil é signatário, desde 31/10/1986, tendo ratificado sua adesão em 08/11/1988. Internamente, o Brasil promulgou a convenção em 27/12/1988, por meio do Decreto n° 97.409/1988. Desta forma, trata-se de norma jurídica que passou a integral o sistema de direito positivo interno, circunstância que o caracteriza como veiculo introdutor de normas jurídicas. Tal constatação repercute de maneira relevante na solução de questões relativas classificação de mercadorias, pois, em sendo norma jurídica as regras e disposições contidas no Sistema Harmonizado vinculam a administração pública (que se submete ao principio constitucional da legalidade). Ademias, a aplicação e interpretação de tais normas submetem-se perspectiva da lógica jurídica. E de dizer-se que a classificação de mercadorias é um procedimento afeto ao operador do Direito, por mais que elementos técnicos de outras ciências sejam requisitados. he 4 Processo n° 10907.001876/2004-55 53-Cl Ti Acórdao rh° 3101-00.230 Fl. 3 Antes de enfrentarmos a classificação fiscal do produto pelas Regras Gerais de Interpretação é imprescindível atendermos a "Regra Zero" de Classificação de mercadorias, ou seja, saber o que é a mercadoria: qual a sua de finição e qual a significação que contempla a palavra na representação da mercadoria? No caso em tela, para evidenciar as características extrínsecas e intrínsecas do produto, foi realizado Laudo de Análise n° 1214.01 pelo Laboratório Nacional de Análises Luis Angerami, que concluiu que não se trata apenas de Vitamina H (Biotina), mas sim de preparação constituída de Biontina e Polissacarideo, na forma de pó. Além disso, observa-se que o referido laudo é claro em esclarecer que o polissacarideo constante no produto importado é caracterizado corno aglutinante para facilitar o manuseio e a dosagem da Vitamina H no preparo das rações animais. Como ficou demonstrado pelos Laudos Técnicos apresentados, trata-se de "Vitamina H (Biotina 2%), utilizada pelas indústrias formuladoras de ração...", como a própria autoridade fiscal manifestou-se na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração, com o que a Recorrente concorda. A lide, portanto, está centrada na forma de classificação desse produto, se a mistura com polissacarideos descaracteriza a vitamina H ou a torna para fim mais especifico, confrontando duas posições: a adotada pelo contribuinte 2936.21.12, assim previsto na NCM: [2936] - PRO VITAMINAS E V1TAMINAS, NATURAIS OU REPRODUZIDAS POR SÍNTESE (INCLUÍDOS OS CONCENTRADOS NATURAIS), BEM COMO OS SEUS DERIVADOS UTILIZADOS PRINCIPALMENTE COMO VITAMINAS, MISTURADOS OU NÃO ENTRE SI, MESMO EM QUAISQUER SOLUÇÕES e [2936.1] - Provitaminas, não misturadas [2936.2] - Vitaminas e seus derivados, não misturados [2936.21] -- Vitaminas A e seus derivados [2936.21.1] Vitamina A (retinol) e seus derivados [2936.21.11] Vitamina A l álcool (retinol) [2936.21.12] Acetato E a adotada pelo Fisco 2309.90.90, assim prevista na NCM: [23.09] - PREPARAÇÕES DOS TIPOS UTILIZADOS NA ALIMENTAÇÃO DE ANIMAIS [2309.10] - Alimentos para ceies e gatos, acondicionados para venda a retalho [2309.90] — Outras [2309.90.10] Preparações destinadas a fornecer ao animal a totalidade dos elementos nutritivos necessários para uma alimentação diária racional e equilibrada (alimentos compostos completos) [2309.90.2Q] Preparações a base de sal iodado, farinha de ossos, farinha de concha, cobre e cobalto [2309.90.30] Bolachas e biscoitos [2309.90.40] Preparações contendo Diclazuril [2309.90.90] Outras. Como definido pela Convenção a classificação de mercadoria se dá pela aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado - RGI, cuja Regra 1 dispõe: "Regra I Os títulos das seções, capítulos e subcapitulos tem apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas de seção e de capitulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas regras seguintes." Note-se que as disposições da Convenção, que fornecem elementos e requisitos para a classificação das mercadorias, estão contidas nos textos das posições, nos textos das notas de seção e nos textos das notas de capitulo. E importante ressaltar, também, que, segundo a Regra 1, as demais regras de interpretação somente podem ser aplicadas se e quando não contrariarem tais dispositivos (os textos das posições, das notas de capitulo e das notas de seção). Assim, tendo sido atendido o pressuposto de caracterização do produto, sem maiores indagações ou deduções, o interprete deve seguir as indicações das regras gerais interpretação do sistema harmonizado, buscando, inicialmente, localizar o produto dentre aqueles de mesma categoria, assim considerados aqueles que têm a mesma matéria constitutiva, que se encontram reunidos nas seções e respectivos capítulos. Desta forma, no caso do produto em apreço, o interprete é naturalmente levado para o Capitulo 29, que trata dos Produtos Químicos Orgânicos, cujas notas dispõem acerca dos itens que nela são acolhidos e os que não são ali classificados, do que destacamos: Notas I. Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capitulo apenas compreendem: a) os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; b) as misturas de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo contendo impurezas), com exclusão das misturas de isômeros (exceto estereoisômeros) dos hidrocarbonetos aciclicos, saturados ou não (Capitulo 27); 6 Processo n° 10907.001876/2004-55 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.230 I. I c) os produtos das posições 29.36 a 29.39, os éteres, acetais e ésteres de açúcares, e seus sais, da posição 29.40, e os produtos da posição 29.41, de constituição química definida ou não; d) as soluções aquosas dos produtos das alíneas a), b) ou c) acima,. e) as outras soluções dos produtos das alíneas a), b) ou c) acima, desde que essas soluções constituam um modo de acondicionamento usual e indispensável, determinado exclusivamente por razões de segurança ou por necessidades de transporte, e que o solvente não torne o produto particularmente apto para usos específicos de preferencia 11 sua aplicação geral; os produtos das alíneas a), b,), c), d) ou e) acima, adicionados de um estabilizante (incluído um agente antiaglomerante) indispensável et sua conservação ou transporte; g) os produtos das alíneas a), b), c), d,), e) ou acima, adicionados de uma substância antipoeira, de um corante ou de uma substância aromática, com finalidade de facilitar a sua identificação ou por razões de segurança, desde que essas adições não tornem o produto particularmente apto para usos especificas de preferência a sua aplicação geral; h) os produtos seguintes, de concentração-tipo, destinados produção de corantes azóicos: sais de diazânio, copulantes utilizados para estes sais e aminas diazokiveis e respectivos sais. (Grifos acrescidos) inegável que a Vitamina H, diante do texto da posição 2936 estariam ai classificadas, em seu estado puro. Ocorre que, comprovou-se pelos laudos que a vitamina estava misturada por polissacarideos que a tornam especialmente destinada à indústria de ração e, que serve de excipientes utilizados coin a finalidade de facilitar o manuseio e a dosagem da Vitamina nas rações animais. No dizer da nota de Capitulo, as vitaminas são compostos de constituição química definida, na forma da alínea "a", misturados a outros compostos. Se assim a solução somente pode permanecer na posição 29 se atender ao requisito da alínea "e" da Nota, cujo enunciado prescritivo é dividido em duas partes, como segue. A primeira parte ratifica a condição de compostos de constituição química, mas saliente a condição: desde que essas soluções constituam um modo de acondicionamento usual e indispensável, determinado exclusivamente por razões de segurança ou por necessidades de transporte. Por conta dessa prescrição, a mercadoria importada manter-se-ia classificada no Capitulo 29, mas o texto da alínea "e" da Nota do Capitulo continua. A segunda parte do texto da nota dispõe que adicionalmente a mercadoria deverá cumprir o seguinte requisito. Digo adicionalmente, porque a segunda parte se liga à primeira pela conjunção e, cuja função sintática cumpre é includente, determinando "que o solvente não torne o produto particularmente apto para usos específicos de preferência A sua aplicação geral. 7 No que se refere a posição adotada pela Fiscalização, qual seja 2309, a NESH prevê que classifica-se nesta posição não só as preparações forrageiras adicionadas de melaço ou de açúcares, como também os alimentos completos (fornecer ao animal uma alimentação diária racional e balanceada) e complementar (completar os alimentos produzidos na propriedade agrícola, por adição de algumas substâncias orgânicas ou inorgânicas) empregados na alimentação de animais, bem como as preparações destinadas a entrar na fabricação dos alimentos completos ou complementares para a nutrição animal. Estas últimas preparações, conhecidas comercialmente de pré-misturas são geralmente compostos de caráter complexo que compreendem um conjunto de elementos (também denominado de aditivos), cuja natureza e proporções variam consoante a produção zootécnica a que se destinam. Sobre os aditivos a NESH assim os classifica: 1) os que favorecem a digestão e, de uma forma mais geral, utilização dos alimentos pelo defendendo o seu estado de saúde: vitaminas ou Drovitaminas, aminoácidos, antibióticos, coccidiostáticos, oligoelementos, emulsificantes, aromatizantes ou aperitivos, etc.; 2) os destinados a assegurar a conservação dos alimentos, especialmente as gorduras que contém, até serem consumidos pelo animal: estabilizantes, antioxidantes, etc.; 3) os que desempenham a função de suporte e que podem consistir quer em uma ou mais substâncias orgânicas nutritivas (especialmente farinhas de mandioca ou de soja, farelos, leveduras e diversos resíduos da indústria alimentar), quer ern substâncias inorgânicas (por exempla: inagnesita, cré, caulim, sal, fosfatos).(g,n) Assim, conclui-se que qualquer vitamina ou provitamina é capaz de enquadrar-se nesta posição quando destinada à fabricação de alimentos destinados para nutrição animal, na forma de pré-mistura. Se a mistura desloca a destinação do produto para um fim preferencial em detrimento à sua aplicação geral, a posição mais especifica prevalecerá em relação à mais genérica. Isso porque os produtos do Capitulo 29 são, no mais das vezes, insumos das indústrias químicas, o que implica reconhecer sua função intermediária na cadeia de produção e, portanto, o caráter genérico da aplicação. Prova disso é que a mercadoria importada, na composição em que se encontra, não tem aplicação genérica própria dos produtos do Capitulo 29, conforme se depreende dos textos das Notas de Capitulo, mas uma função especifica de serem incluidos na ração animal. Não servirá, portanto, para ser aplicado na fabricação de alimentos humanos, apenas animal. Frisa-se que a Instrução Normativa RFB n° 873 de 26 de agosto de 2008, aprovou a tradução para a lingua portuguesa dos pareceres de classificação do Comitê do Sistema Harmonizado, da Organização Mundial das Alfândegas (OMA), que assim decidiu sobre a matéria dos autos: 2309.90 6. Preparações para alimentação de animais contendo vitamina 1312 (cerca de I% em peso) ou vitamina H (cerca de 2% em peso), em um carreador ou diluente. Luiz ob rto Dom Processo n° 10907.001876/2004-55 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.230 Fl. 5 Desta forma, a interpretação que deve prevalecer, a meu modo de pensar, é aquela que desloca a mercadoria da posição mais genérica e a desloca para a mais especifica, justamente na posição em que se encontra a destinação preferencial dada pelos demais componentes que lhe servem de excipiente. Note-se que esses componentes (ainda que tenham a função de preservar as qualidades fisico-quimicas da vitamina) não são neutros o suficiente para manter a aplicação geral requisitada pela Nota de Capitulo supra mencionada. Ademias, em relação as penalidades de oficio, entendo que os elementos de fatos trazidos aos autos se subsumem com exatidão ao tipo de excludente de punibilidade conferido pelos Ato Declaratório Normativo COSIT no 10/1997 e Ato Declaratório Normativo COSIT n° 12/97 em relação à multa administrativa ao controle das importações, como aplicado regularmente pelo eminente Conselheiro-Relator, entendo aplicar-se o Ato Declaratório Normativo COSIT no 10/97, em relação as multas previstas no art. 40 da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Diante do exposto,IZEPP I IMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para excluir as penalidades. etc'
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Numero do processo: 13608.000204/2007-38
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2005
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO
FUNDAMENTAL À VALIDADE DO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, §§ 1º 3º, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 225, IV, DECRETO Nº 3.048/99 APRESENTAR
A GFIP EM DESCONFORMIDADE COM O RESPECTIVO MANUAL DE ORIENTAÇÃO
Apresentar a empresa o documento a que se refere o art. 32, inc. IV, da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, em desconformidade com o respectivo Manual de Orientação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-000.607
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, §§ 1º 3º, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 225, IV, DECRETO Nº 3.048/99 APRESENTAR A GFIP EM DESCONFORMIDADE COM O RESPECTIVO MANUAL DE ORIENTAÇÃO Apresentar a empresa o documento a que se refere o art. 32, inc. IV, da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, em desconformidade com o respectivo Manual de Orientação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 278DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Jhonatas Ribeiro da Silva (suplente). Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 279DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 13608.000204/200738 Acórdão n.º 240300.607 S2C4T3 Fl. 269 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 165 a 167, com Anexos às fls. 168 a 265, apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora MG, Acórdão nº 0921.389 – 5ª Turma, fls. 150 a 155, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, com ciência da recorrente em 08.06.2009. Segundo a fiscalização, o autodeinfração n° 37.076.2630, código de fundamentação legal – CFL nº 91, foi lavrado devido a Recorrente ter apresentado,, conforme o disposto no Relatório Fiscal da Infração, às fls. 02, a Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP em desconformidade com o respectivo Manual de Orientação. O Relatório Fiscal da Infração, às fls. 02, mostra que: (i) A empresa apresentou Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com remunerações a maior em relação ao que consta nas Folhas de Pagamento dos Segurados. (ii) As remunerações a maior ocorridas no período de 01/1999 a 06/2005 estão descritas em relatório especifico denominado "Demonstrativo das Remunerações a maior lançadas em GFIP. (iii) A empresa, também, entregou GFIP em desacordo com as orientações contidas no respectivo Manual de Orientação, para as seguintes filiais e competências: 15.872.673/000333, compet.: 03/2001; 16.872.673/000848, compet.: 09/2000; 16.872.673/000929, compet.: 04/2005 e 16.872.673/001062, compet.: 07/2005. (iv) A empresa quando da entrega da GFIP, deixou de informar GFIP Sem Movimento, para as filiais e competências acima discriminadas. A recorrente descumpriu assim obrigação legal acessória, caracterizandose a infração ao art. 32, IV, e §§1º e 3º da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com o art. 225, IV do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999. Com a inexistência de agravantes e atenuantes, discriminadas no art. 290 e art. 291 do RPS, foi aplicada multa no valor total de R$ 1.195,13 (hum mil, cento e noventa e cinco reais e treze centavos, em obediência ao previsto no art. 92 e art. 102 da Lei n° 8.212, de Fl. 280DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 4 24 de julho de 1991, combinado com o art. 283, caput e §3º, RPS, art. 292, I, RPS e art. 373, RPS, com valores atualizados pela Portaria MPS/GM nº 142, de 11 de abril de 2007. Contra a autuação, a Recorrente apresentou impugnação, fls. 20 a 21, com Anexos às fls. 22 a 126. A Delegacia de Julgamento fez uma requisição de diligência fiscal para que a autoridade fiscal examinasse os elementos acostados aos autos pela Recorrente, às fls. 132: (...) Considerando a sustentação da defesa, deve os autos voltar em diligência fiscal no sentido de verificar se a autuada corrigiu totalmente todas as faltas nas referidas competências e se a referida correção ocorreu dentro do prazo de defesa fixado de 11/06/2007 a 10/07/2007. Havendo a correção parcial ou outro erro que interfira no atendimento aos 4 requisitos do artigo 291, § 1 0, do decreto 3048/1999, igualmente deverá ser acrescentada essa informação para os fins devidos, inclusive de informação a SAFIS para fins de nova autuação, se cabível. A autoridade fiscal fez Informação Fiscal, às fls. 134, respondeu nesses termos: 1 — Em atendimento ao solicitado à fl. 132, foi analisado o pedido de relevação da multa do citado Auto de Infração e constatado, através dos elementos juntados ao processo e da consulta aos bancos de dados da Receita Federal do Brasil, que a empresa não procedeu as correções das faltas de forma precisa para as todas as competências, conforme abaixo discriminadas: Competência CNPJ NOME 01/1999 16.872.673/000171 Todos os relacionados 01/2000 16.872.673/000414 Marcos Antonio Domingos 03/2005 e 04/2005 16.872.673/000333 Janaina Aparecida da Cunha Devidamente intimada, a Recorrente se manifestou às fls. 140 a 141 acerca da Informação Fiscal. A decisão de primeira instância, Acórdão nº 0921.389 – 5ª Turma, fls. 150 a 155, julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, conforme Ementa e Decisão a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/1999, 01/01/2000 a 31/01/2000, 01/06/2000 a 30/06/2000, 01/12/2004 a 31/12/2004, Fl. 281DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 13608.000204/200738 Acórdão n.º 240300.607 S2C4T3 Fl. 270 5 01/01/2005 a 31/01/2005, 01/03/2005 a 31/03/2005, 01/04/2005 a 30/04/2005, 01/06/2005 a 30/06/2005 AUTODEINFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE GFIPs EM DESCONFORMIDADE COM RESPECTIVO MANUAL DE ORIENTAÇÃO. DEFESA TEMPESTIVA. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. DECADÊNCIA PARCIAL. MANUTENÇÃO DA PENALIDADE. Ê devida a autuação da empresa por apresentar GFIP em desconformidade com o respectivo Manual de Orientação (artigo 32, IV e §§ 1 0 e 3°, da lei 8212/1991 c/c com o art. 225, IV, do decreto 3048/1999). Somente comporta a relevação da multa se atendidos todos os quatros requisitos (se o pedido for no prazo da defesa, a infratora primária, não houver ocorrência de circunstância agravante e a autuada houver corrigido a falta) previstos no artigo 291, § 1° do Regulamento Previdenciário aprovado pelo Decreto n°3.048/99. A tipificação infracionária em comento não admite a fixação da multa por ocorrência. A exclusão dos fatos geradores de parte das ocorrências integralmente atingidas pela decadência não altera a multa de valor único. Lançamento Procedente Acordam os membros da 5' Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente o lançamento fiscal e manter a penalidade aplicada. Intimese. E facultado ao contribuinte o pagamento da divida com a redução de 25% do seu valor, salvo a interposição de recurso voluntário ao Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, no prazo de 30 (trinta) dias (arts. 293, § 2°, e 305 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 6 de maio de 1999, alterado pelos Decretos 6.032/2007 e 6.103/2007). Encaminhese a ARF/Ponte Nova para o prosseguimento de estilo. Sala de Sessões, em 05/1 /2008 Ainda assim, a decisão de primeira instância destaca que a Recorrente, apesar de a mesma alegar a imediata retificação das GFIPs e anexação dos documentos, não restou Fl. 282DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 6 comprovado que a referida retificação teria ocorrido para as competências 03 e 04/2005 (CNPJ..../000333): Face as alegações da defesa no que se refere a retificação das GFIPs, os autos foram baixados em diligência na forma de fls. 132. Em resposta, a Auditoria Fiscal relatou As fls. 51 que a autuada não procedeu a correção da falta no prazo da defesa, de forma precisa, nas competências 01/1999, 01/2000, 03/2005 e 04/2005, na forma anteriormente relatada. Portanto, a referida correção somente se deu nas demais competências. Na réplica da autuada de fls. 140/141, apesar de a mesma alegar a imediata retificação das GFIPs e anexação dos documentos, estes não foram juntados ao processo nesse ato, também não estando comprovado que a referida retificação teria ocorrido no prazo de defesa para as competências 03 e 04/2005 (CNPJ ..../000333), vez que as relativas a 01/1999 e 01/2000 foram atingidas pela decadência. As referidas duas competências 03 e 04/2005 se referem a referido CNPJ da filial 000333 na conformidade do discriminativo de fls. 17/18 e os documentos de fls. 146/149 examinados pela fiscalização e extraídos agora do sistema GFIPWEB (fls. 146/149), não tiveram modificação por ocasião da réplica, nem guardam igualdade de valor com os elementos de fls. 17/18 não rebatidos com especificação, demonstração ou comprovação pela defendente, portanto, não havendo guarida para o alegado pela impugnante. Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 165 a 167, com Anexos às fls. 168 a 265, onde alega em síntese: A empresa imediatamente procedeu o recolhimento das diferenças apuradas e retificou as GFIPS. Anexou ao Processo, naquela data, cópias dos documentos retificados e dos recolhimentos efetuados. Anexo, estamos enviando cópias das retificações, efetuadas no prazo de impugnação, ou seja, 04.07.2.007, para serem analisadas por este CONSELHO. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 267. É o relatório. Fl. 283DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 13608.000204/200738 Acórdão n.º 240300.607 S2C4T3 Fl. 271 7 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 267. Avaliados os pressupostos, passo para o exame das questões preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. Da validade da autuação. De plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. Folha de Rosto do Auto de Infração; b. Instruções para o Contribuinte – IPC; c. REPLEG – Relatório de representantes Legais; Fl. 284DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 8 d. VÍNCULOS – Relação de Vínculos; e. Mandado de Procedimento Fiscal MPF; f. Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD; g. Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEAF; h. Relatório Fiscal da Infração. Cumprenos esclarecer ainda, que a autuação fiscal foi elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999, especialmente com a discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura. Art.293.Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §1oRecebido o autodeinfração, o autuado terá o prazo de trinta dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de cinqüenta por cento ou impugnar a autuação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §2oImpugnada a autuação, o autuado, após a ciência da decisão de primeira instância, poderá efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de vinte e cinco por cento, até a data limite para interposição de recurso. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §3ºO recolhimento do valor da multa, com redução, implica renúncia ao direito de impugnar ou de recorrer.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) §4oApresentada impugnação, o processo será submetido à autoridade competente, que decidirá sobre a autuação, cabendo recurso na forma da Subseção II da Seção II do Capítulo Único do Título I do Livro V deste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) Analisandose o auto de infração e seus anexos, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. artigo 293, Decreto 3.048/1999. Fl. 285DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 13608.000204/200738 Acórdão n.º 240300.607 S2C4T3 Fl. 272 9 Da decadência Cumpre resgatar que a Recorrente foi cientificada do Auto de Infração no dia 08.06.2009, às fls. 01, e que o Auto de Infração se refere ao período de 01/1999 a 07/2005, conforme o Relatório Fiscal da Infração, fls. 02. Para este tipo de infração, Código de Fundamentação Legal – CFL nº. 91, o valor da multa é único, sendo que não há mitigação da multa por ocorrências. Ou seja, basta apenas uma única ocorrência da infração em uma competência para que seja efetivado o descumprimento da obrigação acessória, desde que aquela competência ainda não esteja decadente, nos termos da Súmula Vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, e do Código Tributário Nacional. Ora, se a recorrente foi cientificada do Auto de Infração no dia 08.06.2009, e o Auto de Infração se refere ao período de 01/1999 a 06/2005, desta forma restou evidente que em função de apenas uma única competência, por exemplo, 06/2005, não decadente por quaisquer dos critérios adotados no Código Tributário Nacional, ter sido efetivado o descumprimento da obrigação acessória. Desta forma, não houve decadência parcial da obrigação acessória em questão. DO MÉRITO DA RELEVAÇÃO DA MULTA A Recorrente alega que no prazo assinado pelo art. 291, § 1°do RPS, conforme o texto à época em vigor, comprovou ter diligenciado para a retificação da GFIP em todas as competências apontadas, 01/1999 a 06/2005. Anotese que as multas por descumprimento de obrigação acessória podiam ser relevadas desde que o infrator formulasse pedido e corrigisse a falta dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante, conforme o art. 291, § 1º, RPS na redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 02.02.2007 e posteriormente revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009. Fl. 286DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 10 Observase que tanto a relevação quanto a atenuação das multas por descumprimento de obrigação acessória não mais existem no ordenamento pois o Decreto nº 6.727, de 12.01.2009, revogou o art. 291, RPS bem como o art. 292, V, RPS, que delimitava a atenuação em 50%. Ademais, o art. 93, parágrafo único, Lei 8.212/1991 foi revogado pela Lei 11.941/2009, na qual se previa que a autoridade que reduzisse ou relevasse multa recorreria de ofício para autoridade hierarquicamente superior, na forma estabelecida em regulamento: Art. 93 O recurso contra a decisão do INSS que aplicar multa por infração a dispositivo da legislação previdenciária só terá seguimento se o interessado o instruir com a prova do depósito da multa atualizada monetariamente, a partir da data da lavratura. (Redação dada pela Lei nº 8.870, de 1994). (Revogado o caput pela Lei nº 9.639, de 25.5.98.) Parágrafo único. A autoridade que reduzir ou relevar multa recorrerá de ofício para autoridade hierarquicamente superior, na forma estabelecida em regulamento. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Ainda assim, seguem as redações do art. 291, RPS, com a alteração dada pelo Decreto nº 6.032, de 02.02.2007 e posteriormente revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009: Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. §1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) §1o A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) §2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) §3º A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de ofício para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. §3o Da decisão que atenuar ou relevar multa cabe recurso de ofício, de acordo com o disposto no art. 366. (Redação dada Fl. 287DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 13608.000204/200738 Acórdão n.º 240300.607 S2C4T3 Fl. 273 11 pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) Desta forma, à época dos fatos geradores, o dispositivo do art. 291, § 1º, RPS, com a redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 02.02.2007, dispunha que: ”A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante”. Desta forma, a Recorrente deveria comprovar que formulou pedido e que corrigiu a falta dentro do prazo de impugnação. A correção da falta ocorre com a comprovação de que foi efetivada a correspondente retificação e transmissão da GFIPs. Neste item, a decisão de primeira instância verificou que a Recorrente não havia realizado a retificação da GFIP, em relação à filial 000333, para as competências 03/2005 e 04/2005, nos termos do indicado no Anexo do Relatório Fiscal da Infração às fls. 17/18 e na Informação Fiscal às fls. 146/149: Competência CNPJ NOME valor informado valor correto 03/2005 16.872.673/000333 Janaina Aparecida da Cunha 452,84 429,00 e 04/2005 16.872.673/000333 Janaina Aparecida da Cunha 562,47 538,63 Portanto, verificamos que a Recorrente também, em sede de recurso Voluntário também não comprovou a retificação da GFIP com a indicação de valores corretos pois, em relação à filial 000333 e à segurada Janaina Aparecida da Cunha: às fls. 194, na competência 04/2005 a GFIP apresentada tem o valor de remuneração de R$ 429,00; às fls. 242, na competência 03/2005 a GFIP apresentada tem o valor de remuneração de R$ 538,63 Desta forma, a recorrente não atendeu os requisitos para a relevação da multa nos termos à época dos fatos geradores, conforme dispunha o dispositivo do art. 291, § 1º, RPS, com a redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 02.02.2007. Fl. 288DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 12 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso e, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 289DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 36624.002918/2002-73
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
PREVIDENCIÁRIO. VERDADE MATERIAL. SUPRESSÃO DE JURISDIÇÃO/ CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
é um princípio específico do processo administrativo.
O impedimento de ampla defesa e do contraditório por não ter sido o contribuinte notificado da autuação em primeira instância implica supressão de jurisdição e conseqüente cerceamento de defesa.
A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.
Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-000.606
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em anular
o lançamento por vício material “ab initio”. Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos
Alberto Mees Stringari.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
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VERDADE MATERIAL. SUPRESSÃO DE JURISDIÇÃO/CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. é um princípio específico do processo administrativo. O impedimento de ampla defesa e do contraditório por não ter sido o contribuinte notificado da autuação em primeira instância implica supressão de jurisdição e conseqüente cerceamento de defesa. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 298DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em anular o lançamento por vício material “ab initio”. Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto , Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Jhonatas Ribeiro da Silva ( Suplente). Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 299DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 36624.002918/200273 Acórdão n.º 240300.606 S2C4T3 Fl. 264 3 Relatório Tratase de crédito lançado pela Fiscalização do INSS, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o relatório fiscal de fls. 23/25, referese às contribuições devidas à Previdência Social, correspondentes às rubricas: empregados, empresa, financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho e Terceiros. Segundo o Relatório Fiscal, as referidas contribuições têm como fatos geradores os valores contidos em notas fiscais de serviço/faturas emitidas por prestadora de serviço na construção civil. Ainda conforme o Relatório Fiscal, a contratante dos serviços ora no pólo passivo não comprovou o regular recolhimento das contribuições por parte da prestadora, empresa Maxin Empreendimentos e Construções Ltda, solidária nos termos do art. 31 da lei n. 8212/91, e não apresentou as cópias das guias de recolhimento vinculadas às faturas em questão. O Relatório Fiscal reporta também, que foram verificados os livros diários n. 20 a 22 ( 1998 a 2000 ) e que, para apuração da base de cálculo para o INSS considerouse 40% do valor bruto da nota fiscal de serviço/fatura quando esta contém somente mãodeobra e, 20%, no caso de conter material e mão de obra (nota fiscal mista). DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com a autuação sofrida, a Notificada impugnou o lançamento por meio do instrumento de As. 35/73, alegando que: existe falha no relatório fiscal capaz de ensejar a nulidade . do lançamento, haja vista não trazer o dispositivo legal infringido, nos termos do art.11, III, do Dec. . 70235/72; não foi citado o artigo de lei que autoriza o INSS a arbitrar valores; não há citação de como a empresa pode elidirse da responsabilidade solidária; o prazo de 15 dias para a defesa fere o principio de ampla defesa em matéria tributária, já que representa 50% do prazo legal para a mesma, ou seja, o prazo legal é de 30 dias. Requer prorrogação de prazo para mais 15 dias, aceitandose qualquer aditamento efou juntada de documento neste período; no caso de responsabilidade solidária, não há cobrança , de terceiros conforme Parecer n. 1710/94; é inconstitucional a cobrança do Seguro Acidente do Trabalho SAT; a aplicação da taxa Selic é indevida como fator de correção ao suposto débito; Fl. 300DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 4 é inconstitucional a cobrança de contribuição ao INCRA, SESC, SENAC E SEBRAE, por empresas prestadoras de serviços; (tocante às alegações de inconsfitucionalidade da cobrança aos Terceiros INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE, não será objeto de apreciação haja vista Parecer CJMPAS n. 1710, de 07,04.99, o qual exclui a cobrança do débito com origem no instituto da solidariedade.); o fiscal informa de forma genérica que extraiu tais dados dos Livros Diários n.°s 20 a 22 e não cita a conta, as datas em que tais pagamentos ocorreram, o tipo de obra realizada, que tipo de serviço foi prestado, se o serviço enquadrasse como possibilidade de cessão de mãodeobra, pois como sabese há serviços que não enquadramse como cessão de mão de obra. para que a empresa possa comprovar que não cometeu a irregularidade apontada, deve o relatório citar que documentos são necessários para que isso aconteça podendo acontecer que a empresa tenha, inclusive, todos os documentos que comprovam o recolhimento por parte da prestadora. Consoante o registro de fls. 259, foi emitido o Despacho n° 21.003.0/0028/2005 (fls. 179/181) em 14/10/2005, o qual, com base no art. 296, § 4° da IN INSS/DC n° 070/2002, intimouse a empresa solidária Maxim Empreendimentos e Construções Ltda., dandolhe ciência do processo, e reabrindolhe prazo para apresentação de recurso. No seu recurso a empresa Maxim Empreendimentos e Construções Ltda, após requerer a remessa dos autos ao então Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, pediu a improcedência da Decisão de primeira instância e que se lhe abrisse prazo para poder efetuar sua defesa em primeiro grau administrativo, argumentando que houve cerceamento de defesa e supressão de um grau de jurisdição. O Serviço de Contencioso Administrativo emitiu novo Despacho, n° 21.003.0/0150/2006 (fls. 198/200) em 28/08/2006, e com base no Parecer CJ n° 2.37612000, itens 12 e 14, reabriuse o prazo de impugnação para a empresa prestadora de serviço, bem como para a notificada. A empresa solidária Maxim Empreendimentos e Construções Ltda apresentou impugnação, anexada às fls. 223/239. Não consta no processo nova defesa da empresa notificada. DA COMUNICAÇÃO À EMPRESA SOLIDÁRIA A notificação à recorrente foi em 28/03/2002. Conforme fls 183, a notificação da autuação e da decisão à empresa solidária ocorreu em 21/12/2005, 3 anos e nove meses depois, posterior a decisão de primeira instância e sem ter sido determinado por aquela jurisdição. Por seu turno, instada a fazêlo, em recurso de fls 189, a prestadora solidária alegou : a nulidade da decisão por ter ficado cristalino o cerceamento de defesa em face da supressão do primeiro grau de jurisdição administrativa. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Fl. 301DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 36624.002918/200273 Acórdão n.º 240300.606 S2C4T3 Fl. 265 5 Analisadas as alegações de impugnação da Recorrente tempestivamente interposta, a GerênciaExecutiva São Paulo – Oeste sem obviamente observar as razões da empresa solidária emitiu em 25/09/2002, conforme fls. 81/90, a Decisão/Notificação DN n° 21.003/524/2002 de Lançamento Parcialmente Procedente, com homologação da Chefe do Serviço de Arrecadação em 27/09/2002. DO RECURSO Muito embora o parcial êxito no que concerne às contribuições de terceiros, não conformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 96 a 120, onde reiterou as demais alegações que fizera em sede de impugnação. É o Relatório. Fl. 302DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo e reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINAR DE NULIDADE DA VERDADE MATERIAL A verdade material é um princípio específico do processo administrativo, contrapondose ao princípio do dispositivo, próprio do processo civil. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fator gerador e a constituição do crédito tributário. Deve, portanto, o julgador, exaustivamente, pesquisar se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação/recurso do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado. SOBRE O ARBITRAMENTO E A FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO DO PERCENTUAL DE 40 % UTILIZADOS COMO BASE DE CÁLCULO. Conforme item 5 do Relatório Fiscal às fls. 23, o débito foi arbitrado e utilizouse o percentual de 40% sobre o valor bruto das notas fiscais que autoridade fiscal informou que vira no curso da ação fiscal: “ 5Foram lançados, pelo instituto de solidariedade, débitos relativos às parcelas devidas pelos empregados, empresa e SAT incidentes sobre 40% do valor bruto das notas fiscais de serviços, relativos a mãodeobra na construção civil, elencadas no Relatório de Fato Gerador. Em se tratando de Nota Fiscal de Serviço que contivesse mãodeobra e material, o salário de contribuição correspondeu a 20% do valor da nota fiscal de serviço, considerando Sim 50% como mãodeobra e 50% como material.” Aduz que no Relatório Fiscal não consta a fundamentação legal de onde surgira o percentual utilizado e tampouco planilha com as bases de cálculos vinculadas com os números das contas e os respectivos lançamentos nos Diários s , à luz da legislação. Para a caracterização do arbitramento, tivesse a Recorrente sido intimada a apresentar, a recusa da entrega da documentação exigida tais como os contratos da prestação do serviço, as notas fiscais vinculadas no período confrontadas com os lançamentos na contabilidade, deveria ter ficado explicitada via reiterados Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD’s. Tal procedimento não ocorreu. Sobre a ocorrência da cessãodemãodeobra, motivo do auto em comento, em consonância com os pressupostos para configuração da solidariedade, deveria ter sido Fl. 303DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 36624.002918/200273 Acórdão n.º 240300.606 S2C4T3 Fl. 266 7 solicitado na ação fiscal os contratos da prestação do serviço, as notas fiscais vinculadas no período confrontadas com os lançamentos na contabilidade, e fazer constar no Relatório fiscal planilha com os números das contas dos respectivos lançamentos nos Diários e planilhas de cálculo registrando os números da NF os valores , as bases de cálculo à luz da legislação, além de evidenciar o eventual pacto nos contratos , e ainda a forma como os serviços foram prestados, com cessão de mão de obra. Após isso, toda a documentação aludida deveria ter sido colacionada. Importa registrar que às fls. 24 consta informado, a existência de um denominado relatório dos fatos geradores com a relação das notas fiscais em apreço : “ ELEMENTOS EXAMINADO: 10Os elementos examinados para apuração do presente débito foram: 41, LD. N.20 referente ao período de 1998; Reg. Jucesp n. 39806; LD. N.21 referente ao período de 1999; Reg. Jucesp n. 39807; LD. N.22 referente ao período de 2000; Reg. Jucesp n. 39809; Notas Fiscais de serviço relacionadas no relatório dos fatos geradores o qual faz parte integrante desta. ” ( grifei) De fato às fls 10, consta o relatório supra informando mês a mês o valor e a numeração das notas fiscais, sobre os quais se aplicou o percentual de 40% para definir as bases de cálculo. Entretanto, entendo que tal relatório carece de comprovação da existência das notas fiscais de modo que se possa comprovar o tipo de prestação de serviço ou mercadoria ali registrada. Para que não se alegue ter havido parcial análise dos documentos trazidos aos autos, foram, também, compulsadas as fls 26 a 29 onde constam cópias do Livro Razão , período 01/98 a 12/98, conta de ativo 1.3.2.03.001. – titulada Imóveis Próprios – com registro de pagamentos a empresa Maxim, e o respectivo n° da fatura sem detalhar qual o tipo de serviço ou mercadoria adquirido. Aduz que no Relatório Fiscal às fls.23, a autoridade fiscal registrou que houvera pautado seu procedimento extraindo dos Livros Diários e não do Livro Razão as informações das notas fiscais de prestação de serviços e não das faturas: “3. Período do lançamento do débito: 01/1998 a 12/1998. IJ — FATO GERADOR 4. A fiscalização constatou da análise dos Livros Diárrio n°: 20 a 22 que a emnresa utilizouse de mãodeobra fornecida pela empresa MAXIM EEENDIMENTOS E COSNTRUÇÕES LTDA. CNPJ: 66.904.9881000121.” Fl. 304DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 8 “ 2. O débito foi apurado a partir de notas fiscais de prestação de serviço emitidas por prestadora de serviço na construção civil. A contratante dos serviços não pode comprovar o regular recolhimento das contribuições acima referidas, por parte da prestadora, com relação as notas fiscais em questão, na forma da legislação aplicável. Assim sendo, foi levantado o débito na contratante de serviços com base no instituto da solidariedade, previsto no art. 139 parágrafo 2° da CLPS — Decreto n°89.31284, no artigo 31 da Lei 8.21291, e o artigo 46 e parágrafos do Decreto 612/92.” DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO Mesmo ciente do pleno domínio da matéria por este Egrégio Conselho, apenas para fins de estruturação racional do voto em apreço, convém lembrar que o Livro Razão é auxiliar e empregado na escrituração contábil analítica, para acompanhar as posições de cada uma das contas que formam o sistema escritural de um patrimônio. É utilizado para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário, mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação. A escrituração deverá ser individualizada, obedecendose a ordem cronológica das operações (RIR/99, art. 259, que incorporou as Leis nº 8.218/91, art. 14, e nº 8.383/91, art. 62). O Livro Diário é um livro de escrituração principal e obrigatório, onde são feitos os registros dos atos e fatos que ocorrem dentro de uma empresa ou de sua relação com outras. Assim, elementos extraídos de Livros Diários devidamente registrados fazem prova inequívoca ao passo que oriundos do Livro Razão precisão ter sua autenticidade corroborada pelo registro no Diário em razão da efetiva probabilidade de eventual alteração ou mesmo erros admitidos no Razão. DAS FATURAS E DAS NOTAS FISCAIS Também é necessário conhecer o que efetivamente constava registrado no corpo da faturas registradas no Livro Razão ano 1998, traduzidas como notas fiscais de prestação de serviço. As notas fiscais, entre outras informações, devem conter a natureza da operação de que decorrer a saída ou a entrada, tais como: venda, compra, transferência, devolução, importação, consignação, remessa ( para fins de demonstração, de industrialização ou outra); a denominação ¨NOTA FISCAL e a indicação da operação, se de entrada ou de saída e a data de emissão. As faturas que são documentos comerciais que também representam operações de venda, em geral, são emitidas para pagamentos ainda não efetuados (vendas a prazo ou contraapresentação). Nela são discriminados todos os itens comprados na operação, e por isso, a fatura também é usada como controle. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA É perfeitamente admissível a autuação por responsabilidade solidária na forma operada pelo lançamento fiscal. Resta, no entanto, analisar se os fatos e elementos, que a motivaram e serviram de fundamento, podem ser considerados como válidos e são suficientes para legitimar as conclusões extraídas pela fiscalização. Fl. 305DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 36624.002918/200273 Acórdão n.º 240300.606 S2C4T3 Fl. 267 9 O relatório Fiscal informa que a autuação se processou sob os preceituado nos artigos 30, VI e VII e 31, da Lei .212/91. De fato a responsabilidade solidária ocorre nos casos em que há o envolvimento da cessão de mãodeobra, conforme redação do art. 31 da Lei n ° 8.212/1991:Lei 8.212/91: “Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei.( Redação dada pela Lei n° 11.933, de 2009)” Entretanto, a responsabilidade solidária não se presume, há que restar provada. O Relatório Fiscal, bem como o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador na ação fiscal e todo o conjunto de documentos colacionados nos autos que compõem a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD não tiveram o condão de promover a certeza exigida na forma do preceituado no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN : “ Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. ” Enfim, na forma do preceituado no artigo 142 do CTN haveria que ter sido provado que houve serviços de construção civil com empreitada na fundamentação legal no art. 30, inciso VI da Lei n º 8.212. DAS PROVAS É relevante lembrar que prova é o meio pelo qual, submetida ao contraditório, a alegação de fato é confirmada ou negada e, ainda o Princípio da motivação das decisões onde se preceitua que os atos administrativos deverão ser motivados de modo explícito, claro e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos anteriores e com a indicação dos fundamentos e fatos jurídicos que o embasaram. Contundente teria sido se a Autoridade Fiscal exibisse o pacto nos contratos dando ênfase em destaque à cláusula caracterizadora da forma como os serviços foram Fl. 306DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 10 prestados, com cessão ou não de mão de obra. Após isso, toda a documentação aludida deveria ter sido colacionada. Relevante notar que no único Termo de Intimação Para Apresentação de Documentos TIAD de fls. 19, a intimação é econômica e sequer solicita livros diários e Razão, contratos, notas fiscais, documentos estes que não tendo sido requeridos e tampouco colacionados não fazem provas materiais da genérica afirmação do relatório fiscal de fls 23 do tipo : “II FATO GERADOR 4. A fiscalização constatou da análise dos Livros Diários n°: 20 a 22 que a empresa utilizouse de mãodeobra fornecida pela empresa MAXIM EMPREENDIMENTOS E COSNTRUÇÕES LTDA. CNPJ: 66.904.9881000121. ” TIAD “ REGISTRO DE EMPREGADOS FOLHAS DE PAGAMENTO DE EMPREGADOS/ADMINISTRADORES/AUTÔNOMOS COMPROVANTES DE RECOLHIMENTO:GR/DARP/GRPS/GPS RECIBOS DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO RECIBO DE AVISO PRÉVIO E FÉRIAS RAIS RELAÇÃO ANUAL DE /INFORMAÇÕES SOCIAIS CONTRATO SOCIAL/DECLARAÇÃO/ALTERAÇÕES CONTRATUAIS ” Cumpre observar que , também, no Termo de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF de fls. 22, na descrição dos documentos examinados, à exceção do Livro Diário, não se registram anotações de que foram analisados outros documentos: “DOCUMENTOS EXAMINADOS: [ ] Livro Caixa: até / / [X] Livro Diário: no. N.22REG/JUC, até 31/12/2000 [ ] Livro Reg Empregados: no. , até Fls. [X] Folha de Pagamento [X) GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Inform. Previdência Social [X] Comprovantes de Recolhimento [ ] Outros Elementos ”( grifei) DA SUPRESSÃO DE JURISDIÇÃO Por relevante, cumpre registrar que muito embora a então vigente IN INSS/DC n° 070, de 10/05/2002, DOU 15/05/2002, determinasse em seu art. 296, § 4°, que Fl. 307DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 36624.002918/200273 Acórdão n.º 240300.606 S2C4T3 Fl. 268 11 "Para os fins previstos no § 1° do art.37 da Lei n° 8.212, de 1991, cópia do documento de constituição do crédito previdenciário e anexos deverá ser remetida a todos os responsáveis solidários pelo pagamento desse crédito”, sem observar tal preceituado, foi emitida em 25/09/2002 a Decisão/Notificação DN n° 21.003/524/2002 de Lançamento Parcialmente Procedente, com homologação da Chefe do Serviço de Arrecadação em 27/09/2002. A inteligência do artigo 59, II do decreto 70.235/72 permite constatar que em havendo preterição do direito de defesa , nulo é o ato: “ O Decreto 70.235/72 : Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.( Incluído pela Lei n 8.748, de 1993) se a nulidade argüida não comprometer a decisão que será a seu a favor) ” É crucial trazer à lume que a Autoridade Fiscal ao término da ação fiscal não intimou a prestadora do serviço na condição de contribuinte solidário imputando somente à recorrentetomadora o ônus da autuação impedindo seu eventual direito de regresso previsto no artigo 30, VI da Lei 8212 de 24 de julho de 1991, parte final : “ VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) ” Fl. 308DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 12 Não tendo a Autoridade Fiscal intimado o contribuintesolidário, causou à Recorrente o impedimento acima, e à prestadorasolidária cerceamento de defesa com supressão de um grau de jurisdição na medida em que na instância “ad quod” não foi possível interpor impugnação. Desse modo, a Decisão/ Notificação – DN exarada em primeira instância mantendo, ainda que parcialmente, o lançamento, não levou em consideração o direito do devido processo legal com ampla defesa e o contraditório das possíveis alegações do contribuinte solidário causando prejuízo a ambos sujeitos passivos posto que o hipotético êxito de um alcançaria a todos. Aduz que suprimida jurisdição primeira, a decisão “ad quod” ficou maculada de modo insanável uma vez que inapelavelmente eivada de nulidade por cerceamento de defesa. Do exposto se observa terem ocorrido vícios sobre a materialização do ocorrência do fato gerador e ainda ter havido supressão de jurisdição resultando como conseqüência cerceamento de defesa que decretam a inexorável nulidade da autuação e da decisão. DOS VÍCIOS FORMAL E MATERIAL Conforme o Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, restará configurado o vício material quando como no processo em comento há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: “ O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) ”( grifos de minha autoria) Ambos os vícios, formal e material, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é o fato de ter havido ou não a caracterização do fato gerador nos termos do artigo 142 do CTN que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo a partir da decisão apenas quando o vício é formal. Em observação ao princípio da verdade material que rege o processo administrativo, por tudo que foi exposto, a autoridade fiscal não foi capaz de materializar e bem assim motivar o lançamento não permitindo vislumbrar com clareza os registros contábeis, as notas fiscais e o tipo de prestação de serviço sob os quais assentara sua autuação ficando suas afirmações da caracterização do fato gerador no plano meramente indiciário. Fl. 309DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 36624.002918/200273 Acórdão n.º 240300.606 S2C4T3 Fl. 269 13 Ademais o a supressão de jurisdição ocorrida pela falta de intimação do contribuinte solidário formalidade essencial poderia ter sido suprida com eficácia antes da decisão de primeira instância. Até ali se observaria vício formal. Superada esta instância sem efetivo saneamento como no caso em comento, é impossível reparar tal prejuízo traduzindose tal feito em cerceamento de defesa , vício tipicamente material. CONCLUSÃO Desse modo, por tudo que foi exposto, EM PRELIMINAR, determino a NULIDADE do lançamento em virtude de ter ocorrido VÍCIO MATERIAL AB INITIO. Ivacir Júlio de Souza Fl. 310DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10882.901663/2006-12
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1801-000.171
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 23.05.2003, fls.1317, em 27.05.2003, fls. 2833 e 27.03.2007, fls.3446, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$511.088,35 referente ao anocalendário de 2002. Cabe esclarecer que a Recorrente foi incorporada pela pessoa jurídica Talent Propaganda S/A, CNPJ 45.068.061/000129, em 30.04.2003, fls. 4750. Fl. 926DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10882.901663/200612 Resolução n.º 1801000.171 S1TE01 Fl. 910 2 Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 571586, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido. Restou esclarecido que Considerandose as declarações de compensação do contribuinte e o aqui exposto e especialmente: • A glosa da exclusão do Lucro Real relativa aos juros sobre capital próprio, indicada no item 5, no valor de R$ 514.000,00; • A glosa do IRRF decorrente da não homologação das compensações, de acordo com decisão do Parecer DRF/BRE/SEORT de número 130/2008 do processo administrativo 13896.000536/200391, conforme análise apresentada no item 7.1, no valor de R$ 57.373,68; • A constatação do saldo negativo de IRPJ ano calendário 2002 no valor de R$349.854,49, conforme apontado no item 8. Cientificada em 13.04.2009, fl. 689, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 12.05.2009, fls. 601612, com as alegações abaixo sintetizadas. Tendo em vista a data da ciência do Despacho Decisório, suscita ocorreu a homologação tácita das compensações em 23.05.2008 e em 19.01.2009, considerando as apresentações das Per/DComp em 23.05.2003 e em 19.01.2004, (art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002). Esclarece que foi indeferido o reconhecimento do crédito no valor de R$699.966,38 atinente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 pleiteado no processo n° 13896.004606/200207. Diz que para comprovar seu direito junta cópias de documentos que pretende sejam aqui analisados. Argui que os débitos ali não compensados estão com a com sua exigibilidade suspensa (inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional). Procura demonstrar que devem ser considerados o IRRF no valor de R$1.601,64 pertinente ao Banco Real S/A e os recolhimentos de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada no montante de R$471.491,96. Discorda da glosa das despesas de juros sobre capital para fins de apuração do lucro real nos presentes autos (art. 347 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 RIR, de 1999, art. 9° da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 29 da Instrução Normativa n° 93, de 24 de dezembro de 1997). Aduz que Não seria demais mencionar que em 2001, em razão da não deliberação dos acionistas pelo pagamento desses juros sobre capital próprio, os titulares do capital sequer tinham uma expectativa de direito, a exemplo do que ocorre com os lucros e dividendos. [...] Portanto, o período da competência do encargo relativo aos juros sobre capital próprio é aquele em que ocorre a deliberação de seu pagamento ou crédito de forma incondicional. E isso ocorreu em 2002, conforme faz prova o Balanço Patrimonial com saldos encerrados em 31 de dezembro de 2002 [...]. A despeito da não existência de ata de acionistas deliberando expressamente a não distribuição desses juros sobre capital próprio em 2001, mas somente em 2002, Fl. 927DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10882.901663/200612 Resolução n.º 1801000.171 S1TE01 Fl. 911 3 inferese o exercício dessa prerrogativa ao considerarmos que os acionistas aprovaram as demonstrações financeiras sem o pagamento e/ou crédito dos juros sobre capital próprio. [...] Assim, é possível afirmar que em 2001 os acionistas deliberaram por seu não pagamento, renunciando à faculdade prevista em lei. Não há nada de errado nisso. [...] Por outro lado, se o fizeram em 2002, é porque houve a deliberação para tanto. Não há dúvida que o pagamento dos juros sobre capital próprio foi realizada nesse ano (2002), tanto que está devidamente registrada nas demonstrações financeiras, tendo também sido recolhido o imposto de renda incidente na operação [...]. Assevera que a glosa efetivada não pode se fundamentar no fato de ter debitado os juros sobre capital próprio em conta de Patrimônio Líquido, a título de Ajustes de Exercícios Anteriores, haja vista esta despesa é dedutível independentemente do registro contábil ter sido procedido em contas de Resultado de Exercício ou na conta de Lucros Acumulados. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante de todo exposto, protesta a Requerente pela produção de todos os meios de provas em direito admitidas, requerendo, por fim, seja dado provimento à presente Manifestação de Inconformidade, para que seja afastada a glosa parcial e conseqüentemente reconhecidos integralmente os valores objeto do pedido de compensação que deu origem ao processo administrativo n° 10882.9016631200612. Termos em que, Pede Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/CPS/SP nº 05 26.761, de 14.09.2009, fls. 881887:“ Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte”, para reconhecer o valor complementar de R$54.315,89 a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, referente ao IRRF. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Prolatado acórdão em outro processo administrativo fiscal, reconhecendo direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ, do anocalendário de 2001, em montante superior ao deferido pela autoridade administrativa jurisdicionante do domicílio da contribuinte, tornase viável a homologação da compensação de novos débitos, até o novo limite autorizado. Dentre os novos valores compensados, o montante relativo ao imposto de renda retido na fonte, no anocalendário de 2002, irá influenciar o saldo negativo desse período de apuração, impondose reconhecer direito creditório adicional, correspondente a essas compensações homologadas. Fl. 928DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10882.901663/200612 Resolução n.º 1801000.171 S1TE01 Fl. 912 4 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE VINCULADA À OBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Sob pena de infringir o regime de competência, é vedado imputar em determinado exercício o montante de juros sobre o capital próprio de períodos anteriores. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO RETIFICADORA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contados da data da entrega da declaração de compensação até a data da ciência à interessada da primeira apreciação efetuada peia Administração Tributária em relação ao pleito da contribuinte. No caso de Declaração de Compensação retificadora, a contagem do prazo qüinqüenal é feita a partir da protocolização de tal documento e não da Dcomp original. Notificada em 09.12.2009, fl. 888, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 22.12.2009, fls. 896904, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Esclarece Não obstante as razões apresentadas pelos membros da 4a Turma, não há como proceder essa interpretação, posto que a dedutibilidade da despesa com juros sobre capital próprio foi apropriada no mesmo exercício em `que foi deliberada sua distribuição, inclusive tendo sido recolhido o correspondente imposto de renda retido na fonte. [...] Diz a r. decisão que com base em declaração da companhia o contador por um equívoco calculou e pagou o juros sobre capital próprio errado, assim, ao invés de pagar o valor de R$ 44.262,21 deveria ter sido quitado o montante integral de R$ 558.262,21. Com todo respeito aos I. Julgadores, não há como sustentar a autuação com base em uma declaração de que o cálculo estava errado e presumir que a intenção da empresa era de distribuir o valor total. [...] No caso em análise, os documentos evidenciam justamente o contrário. No ano de 2001, os' acionistas aprovaram o pagamento de juros sobre capital próprio no valor de R$ 44.262,21, conforme faz prova a ficha 42A da DIPJ 2002, mesmo documento utilizado pela r. decisão recorrida (verso das fls. 885, pág. 10 da decisão). Por outro lado, no ano de 2002, os acionistas aprovaram o pagamento do valor restante no montante de R$ 514.000,00, tal como faz prova indubitável a aprovação das demonstrações financeiras. Esses são os documentos que representam os fatos. A Recorrente reitera seu pedido para que a análise desse item da autuação seja fundada nos documentos fiscais e contábeis apresentados, pois são eles que foram aprovados pelos acionistas. E, a partir de sua análise, não resta qualquer dúvida de que a deliberação para pagamento dos juros sobre capital próprio no montante de R$514.000,00 foi no ano" de 2002 e, portanto, conforme a legislação pertinente e orientação jurisprudencial a sua dedutibilidade deve ser feita nesse ano. Conclui Fl. 929DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10882.901663/200612 Resolução n.º 1801000.171 S1TE01 Fl. 913 5 Ante o exposto, a Recorrente, pede e espera desse E Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: • A reforma da r. decisão recorrida em relação à parte que manteve a glosa da compensação, ante os argumentos aqui expostos quanto à legitimidade e correção da dedutibilidade dos juros sobre capital próprio no anocalendário de 2002; • E que seja a Recorrente intimada por A.R. do julgamento do presente recurso na pessoa de sua procuradora, Adriana Marubayashi Angelozzi,, com escritório na Rua Paes Leme; n° 524, 91 andar, Edifício Passareli, São Paulo — SP, CEP 05424904, telefone (11) 38114606, para o fim de realizar sustentação oral. Termos em que, Pede Deferimento. É o Relatório. VOTO Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos legais de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A Requerente solicita que seja intimada por meio do seu representante legal. Tendo como fundamento os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes há previsão de julgamento em segunda instância no CARF dos recursos que versem sobre aplicação da legislação referentes a tributos administrados pela RFB1. O pressuposto é de que a intimação por via postal válida é feita, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Por esta razão é que a Recorrente deve ser notificada dos atos no seu domicílio fiscal. A pretensão aduzida pela defendente não tem possibilidade jurídica por não estar contemplada nas formalidades legais. A parcela litigiosa devolvida para reexame nesta segunda instância de julgamento se refere ao valor de R$106.917,97 e à matéria atinente à glosa de despesa de juros sobre capital próprio para fins de apuração do lucro real, em conformidade com a Tabela 1. Tabela 1 – Demonstrativo dos valores pleiteados e reconhecidos a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002 1 Fundamento legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de maço de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 930DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10882.901663/200612 Resolução n.º 1801000.171 S1TE01 Fl. 914 6 Descrição (A) DIPJ R$ (B) Despacho Decisório R$ (C) Decisão de 1ª Instância R$ (D) IRPJ Apurado 0,00 103.860,19 103.860,19 IRRF 279.699,23 222.325,56 276.641,45 IRPJ Estimativa 231.389,12 231.389,12 231.389,12 IRPJ Devido 511.088,35 349.854,49 404.170,38 Compulsando os presentes autos, constato que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. O Código Tributário Nacional determina que compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e aplicar da penalidade cabível. Esta atividade administrativa é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional2. Assim, a verificação do ilícito tributário referente à glosa de despesa de juros sobre capital próprio para fins de apuração do lucro real do anocalendário de 2002 e a correspondente verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável e o cálculo do montante do tributo devido não prescindem da constituição formal do crédito tributário pelo lançamento. Nos presentes autos, contudo, não consta a informação de que o Auto de Infração respectivo foi lavrado, nos termos do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Em face desta questão e com a observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona a Recorrente junte ao presente processo a cópia da constituição do crédito tributário referente à glosa de despesa de juros sobre capital próprio para fins de apuração do lucro real do anocalendário de 2002 e as principais peças processuais em que o Auto de Infração correspondente foi formalizado. A autoridade fiscal designada ao cumprimento das diligências solicitadas deverá elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados, em especial sobre a constituição do respectivo crédito tributário pelo lançamento de ofício no valor de R$103.860,19 a título de IRPJ referente ao anocalendário de 2002. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito, com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes3 . (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 2 Fundamentação legal: art. 142 do Código tributário Nacional. 3 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 931DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10920.003713/2003-58
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1801-000.066
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em realização de diligência nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: ANA DE BARROS FERANNDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em realização de diligência nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa em epígrafe foi autuada a recolher IRPJ e tributos reflexos – CSLL, PIS e Cofins, no valor total de R$ 542.390,88 – relativos a infrações tributárias a seguir discriminadas constatadas nos anoscalendários de 1998, 1999, 2000, 2001 e 2002. O procedimento fiscal teve início por causa de uma representação oriunda da Procuradoria da República em face a supostos ilícitos tributários previdenciários. Constatou a fiscalização, consoante Termo de Verificação Fiscal de fls. 430 a 439 e Autos de Infração de fls. 440 a 491: 01 – Omissão de receitas, relativas aos anoscalendários de 1998, 1999, 2000, – lucro real anual – e aos quatro trimestres de 2001 e 2002, por pagamentos efetuados por serviços prestados à Prefeitura Municipal de Joinville (FNS/SUS), cujos extratos de empenho foram acostados aos autos e os valores foram consolidados na tabela de fls. 410 (fls. do Razão às fls. 43 a 374); Fl. 1461DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.003713/200358 Resolução n.º 180100.066 S1TE01 Fl. 1.049 2 02 – Adições ao lucro real do anocalendário de 2000 e quatro trimestres de 2001 dos valores dos tributos PIS e Cofins, os quais a empresa está depositando judicialmente e, por força do parágrafo 1º do artigo 41 da Lei nº 8.981/95, não podem ser deduzidos; 03 – Glosas de prejuízo fiscal de IRPJ e base de cálculo negativa de CSLL relativas aos 2º e 3º trimestres de 2001 e 3º trimestre de 2002 em razão dos reajustes das bases de cálculos e limites legais permitidos de compensação, consoante planilhas juntadas aos Autos de Infração de fls. 411 a 429; 04 – Multas isoladas pelos não recolhimentos das estimativas de IRPJ relativas aos meses de março, abril, maio, julho, agosto e setembro de 1988 e setembro, outubro, novembro e dezembro de 2000. O auditorfiscal assinalou que a empresa entregou diversas DCTF e DIPJ retificadoras após iniciado o procedimento fiscal, em 15/09/03, as quais foram desconsideradas, por excluída a espontaneidade da fiscalizada. A empresa apresentou a impugnação de fls. 493 e seguintes argumentando, em suma: a empresa aderiu ao PAES (Lei nº 10.684/03), em 31/07/03; todos os débitos foram devidamente informados em DCTF ou DIPJ e automaticamente incluídos no PAES, conforme instruções da administração tributária; assim desnecessária a autuação pois os débitos já estão confessados e parcelados, constituindo os lançamentos ficais em bis in idem; a autoridade fiscal deveria ter observado as DCTF/DIPJ entregues após iniciado o procedimento fiscal e consideradoas, pois a orientação está na Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 03/03, em seu artigo 1º, inciso IV; os valores de tributos retidos pelas fontes pagadoras, incidentes sobre as receitas tributadas ex officio não foram computadas pela fiscalização; os valores de R$ 819,75 e R$ 90,00, recebidos em 30/09/02 e 31/12/02, respectivamente, incluídos pela fiscalização como omissão de receitas por não contabilizados foram devidamente escriturados no Livro Razão; os valores de PIS e Cofins levados à tributação nestes autos foram objeto de autuação nos processos administrativos nºs 3707, 3711, 3708 e 3712; se foram lançados de ofício, a despeito da ação judicial, não podem ser adicionados ao lucro real dos períodos, por constituírem efetiva despesa; considerar nas duas autuações é bis in idem; reconhecidas as despesas, ilegítimas as glosas de prejuízos fiscais bases de cálculo negativas e exigências das multas isoladas de IRPJ; ademais todos os débitos já foram informados em DCTF e DIPJ retificadoras, e consequentemente confessadas no PAES, conforme estabelecido pelo inciso IV do art. 1º da Portaria Conjunta nº 03/03, não sendo procedente a cobrança de multas de ofício. Fl. 1462DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.003713/200358 Resolução n.º 180100.066 S1TE01 Fl. 1.050 3 Às fls. 986 a 999 a Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba/PR exarou o Acórdão nº 0617.014/08, mantendo parcialmente os lançamentos tributários, reduzindo o percentual cominado para a exigência das multas isoladas IRPJ pelos não recolhimentos de estimativas,de 75% para 50% em razão de edição de lei posterior mais benéfica. Assim restou ementado o aresto: “INGRESSO NO PAES NO CURSO DE AÇÃO FISCAL. O contribuinte poderia optar pelo PAES, incluindo débitos ainda não lançados e não constituídos, mas não se exime nem da constituição de créditos tributários nem da multa de ofício, ou seja, não encerra, com este ato de adesão ao parcelamento especial, a ação fiscal em curso. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. Não prospera a alegação de que a apresentação das DCTF observou o contido nas normas complementares à Lei n° 10.684, de 2003, posto que além de terem sido apresentadas no curso da ação fiscal, não constitua o instrumento adequado à sua pretensão, uma vez que o art. 1o da Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 3, de 2003, instituiu como requisito obrigatório o preenchimento da Declaração PAES. ESPONTANEIDADE. A espontaneidade é afastada por qualquer procedimento ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. IRRF. COMPROVAÇÃO. Somente pode ser deduzido na declaração de rendimentos o IRRF comprovado. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Mantida quanto ao mérito a exigência de omissão de receitas, deve ser procedida de ofício a reversão de prejuízo fiscal indevidamente compensado MULTA ISOLADA PAGAMENTO POR ESTIMATIVA RETROATIVIDADE BENIGNA. É legítima a exigência de multa isolada, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda determinado sob base de cálculo estimada, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo no anocalendário correspondente, cujo percentual deve ser reduzido em face do advento de lei nova que impôs penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. DECORRÊNCIAS. O decidido para o lançamento de IRPJ se estende aos demais lançamentos com os quais compartilhe o mesmo fundamento de fato, ressalvados os casos em que outras razões de ordem jurídica lhes determinem tratamento diverso.” Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso. Todavia, nesta data, enviou à Secretaria desta 3ª Câmara, por email, para juntada em memorial, uma petição argüindo a adesão ao REFIS IV – Parcelamento regrado pela Lei nº 11.941/2009, acompanhada de dois recibos eletrônicos de declaração de inclusão de débitos respectivos. Fl. 1463DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.003713/200358 Resolução n.º 180100.066 S1TE01 Fl. 1.051 4 Os documentos foram ora juntados eletronicamente (eprocesso) e foram numerados de 1045 a 1047, no processo físico. É o suficiente para o relato. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Em vista da precariedade do memorial apresentado, e em face à ausência de demonstrativo anexo aos recibos apresentados que inequivocamente comprovem estarem os débitos tributários objetos deste processo incluídos no retro mencionado parcelamento, converto o julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição da recorrente verifique a efetiva desistência do recurso interposto. Havendo a inclusão dos débitos objetos deste processo no parcelamento, este processo restará extinto por ausência de matéria litigiosa, devendo ser encaminhado ao arquivo, conforme providências de praxe. Não se constatando a efetiva desistência integral do recurso interposto deverá ser informado neste qual a matéria ainda litigiosa sobre a qual este órgão deverá se manifestar em julgamento e então devolvido a esta relatora.. Em qualquer caso, a recorrente deverá ser cientificada do resultado desta diligência, sendolhe facultada a sua manifestação no prazo regulamentar. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 1464DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10240.720336/2010-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1402-000.136
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar que o julgamento do processo seja sobrestado até pronunciamento definitivo do STF sobre o tema, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1052; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 0 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10240.720336/201001 Recurso nº Resolução nº 1402000.136 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 7 de agosto de 2012 Assunto SOBRESTAMENTO Recorrente MADEIREIRA MATOSUL LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar que o julgamento do processo seja sobrestado até pronunciamento definitivo do STF sobre o tema, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1482DF CARF MF Processo nº 10240.720336/201001 Resolução n.º 1402000.136 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório MADEIREIRA MATOSUL LTDA EPP recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): 1.Trata o processo de lançamentos (fls. 01/99), com ciência em 06/09/2010 (fls. 100/101), decorrentes do: 2.SIMPLES: (Io Semestre do anocalendário 2007) de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, PIS, CSLL, Cofíns e Contribuição para a Seguridade Social, no montante de R$ 2.162.286,71, fls.03/46, já acrescidos de multa de ofício e juros de mora calculados até 30/07/2010. 3.LUCRO ARBITRADO: (2o Semestre do anocalendário 2007) de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, PIS, CSLL, Cofíns e Contribuição para a Seguridade Social, no montante de R$1.317.163,80, fls.60/87, já acrescidos de multa de ofício e juros de mora calculados até 30/07/2010. 4.De acordo com o Termo de Verificação de Infração Fiscal, fls.48/57, o contribuinte optou pelo SIMPLES no l°Semestre de 2007, e por este motivo teve o cálculo do tributo a pagar obedecendo a sistemática deste modelo de tributação. 5.Quanto ao 2o Semestre, continua relatando o Termo de Verificação de Infração Fiscal, fls.48/57, como o contribuinte não optou pelo SIMPLES, assim como sua escrituração revelou evidentes indícios de fraude, ou conteve vícios, erros ou deficiências que a tornaram imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, o imposto devido trimestralmente foi determinado com base nos critérios do lucro arbitrado. Amparouse a fiscalização no que diz o art.530, II, a) do Decreto n° 3.000 de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto] de* Renda, [...] 6.Segundo Termo de Verificação de Infração Fiscal, fls.48/57, a imputação fundamentouse na Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários de Origem não Comprovada. 7.Inconformado com a autuação o contribuinte apresentou sua impugnação em 22/10/2010, fls.525/564, alegando o seguinte: 7.1 Pede a juntada de todos os autos de infração em um só processo; 7.2 houve quebra de sigilo bancário sem autorização judicial; 7.3 O fisco não solicitou preliminarmente esclarecimentos específicos a propósito da matéria lançada. Não foi oportunizada a prestar esclarecimentos específicos sobre a matéria; O auditor deveria ter solicitado explicações melhores sobre a matéria a ser lançada'. 7.4 Promoveu o lançamento fora do local da falta, contrariando o art. 10 do Decreto 70.235 de 6 de Março de 1972; 7.5 Deveria ter sido desenquadrada por via Diário Oficial da União, abrindose prazo para interposição de recurso e logo após iniciase todos os procedimentos para homologação e constituição do crédito tributário; Fl. 1483DF CARF MF Processo nº 10240.720336/201001 Resolução n.º 1402000.136 S1C4T2 Fl. 3 3 7.6 Deveria ser aplicada uma tributação com base no lucro presumido; 7.7Não foram considerados os impostos efetuados, os memorandos de exportações e os pagamentos/depósitos que são utilizados para pagamento dos planos de manejos sustentáveis para extração das madeiras para depois ocorrer venda da madeira. 7.8Não levou em consideração as Notas Fiscais de Entradas de Mercadoria e os Livros Fiscais existentes, pois os depósitos bancários se substanciam não somente na compra e venda de madeiras e sim de suas matériasprimas antecipada que são os projetos de manejos florestais, que tudo devem ser preparados 1 ano antecipadamente e no período do verão, sob pena de não se consolidarem as vendas ao mercado exterior. 7.9Não houve incorporação de nenhum valor ao patrimônio da empresa recorrente, somente quando houver a liberação/das licenças ambientais e que poderão expor a venda e a partir daí efetuar o pagamento dos impostos e demais encargos. 7.10Todos os depósitos creditados na conta corrente da recorrente, havia uma destinação própria para cada projeto de manejo, que não objeto de questionamento por parte do fisco federal, (doe. em anexo), não ocorrendo qualquer lucro ou acréscimo patrimonial na empresa, ao contrário, somente decréscimos (dívidas); 7.11Encontrou dificuldade de conseguir todos os extratos bancários solicitados; 7.12As multas tem efeito de confisco e expropriação; 7.13Os auditores não sabem informar com mais clareza o quanto o sujeito passivo deve, pois o seu arbitramento é confuso, os valores expressos nas planilhas estão incorretos. 7.14Todos os depósitos não foram considerados como válidos e estão devidamente comprovados e admitidos pelo próprio auditor. 7.15 Deve ser obedecida a súmula vinculante n°29 do STF; 7.16 Protesta por todos os meios de provas que se fizerem necessários e a juntada posterior de outros documentos que possam trazer a verdade dos fatos com mais clareza em favor da recorrente. 7.17 Requer a improcedência total do Auto de Infração e seu arquivamento. A decisão recorrida está assim ementada: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n° 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. NULIDADE DO LANÇAMENTO. LOCAL DE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO O auto de infração deve ser lavrado no local de apuração da irregularidade, não se configurando hipótese de nulidade o fato de o mesmo ter sido lançado na repartição fiscal. Fl. 1484DF CARF MF Processo nº 10240.720336/201001 Resolução n.º 1402000.136 S1C4T2 Fl. 4 4 MULTA QUALIFICADA Evidente Intuito de Fraude Declarando significativamente a menor suas receitas, a contribuinte tentou impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do Anocalendário, será determinado com base nos critérios do LUCRO ARBITRADO, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa. É inócua a posterior apresentação de livros e documentos, com o intuito de mostrar base de cálculo menor que a apurada pelo fisco, utilizandose de forma de tributação que, apesar de reiteradamente intimado, não mostrou têla adotado no tempo devido. Io Conselho de Contribuintes / la. Câmara / ACÓRDÃO 10195.056 em 17.06.2005. Publicado no DOU em: 08.09.2005. Impugnação Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reforça as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 1485DF CARF MF Processo nº 10240.720336/201001 Resolução n.º 1402000.136 S1C4T2 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Ao elaborar o voto constatei que a contribuinte alega nulidade do lançamento em face de a Receita Federal ter acessado os dados de sua movimentação bancária sem autorização do Poder Judiciário. Vejamos a transcrição das alegações do recorrente contra a utilização dos extratos bancários (fl. 1184 e seguintes): (...) A decisão de primeira instância enfrentou a matéria com os seguintes fundamentos: “16. Quanto a utilização de dados bancários pela fiscalização sem a necessidade de autorização judicial, temos o seguinte a observar: Cumpre trazer as regras presentes no Decreto 3.724/2001, verbis: (...) 17. Da leitura das regras acima, constatase que não houve ferimento às mesmas, pois a Secretaria da Receita Federal utilizou servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal, que examinou as informações relativas a contas de depósitos bancários em instituições financeiras, com a regular instituição de procedimento de fiscalização em curso e com a emissão de mandado de Procedimento Fiscal, na forma do art. 2o do Decreto n° 3.724/2001. Fl. 1486DF CARF MF Processo nº 10240.720336/201001 Resolução n.º 1402000.136 S1C4T2 Fl. 6 6 18. Outrossim, os exames efetuados pela Fiscalização foram considerados indispensáveis, pois o caso concreto se adequava, em vista de se tratar de uma fiscalização sobre depósitos bancários de origem não comprovada pelo contribuinte.” Por sua vez, no Relatório de Auditoria Fiscal, fls. 92 e seguintes, colhese os seguintes fatos: (...) (...) Fl. 1487DF CARF MF Processo nº 10240.720336/201001 Resolução n.º 1402000.136 S1C4T2 Fl. 7 7 Restando cabalmente caracterizada no presente caso a quebra de sigilo bancário, tendo em vista repercussão geral atribuída ao Recurso Extraordinário nº 601314, pelo Supremo Tribunal Federal, e do artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF, resta efetuar o sobrestamento do julgamento do presente processo, para aguardar a decisão do Supremo Tribunal Federal no recurso acima referido. Conclusão: Diante do exposto, proponho o sobrestamento do julgamento do presente processo até que a matéria “quebra de sigilo bancário” seja decida pelo STF. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 1488DF CARF MF
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