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Numero do processo: 10245.000237/2005-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
IRPF. CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS. DIÁRIAS E
AJUDA DE CUSTO. CARÁTER EVENTUAL NÃO CONFIGURADO.
ISENÇÃO NÃO APLICÁVEL.
Ajudas de custo e diárias recebidas reiteradamente pelo contribuinte, sem comprovação documental, não permitem que se faça jus à isenção prevista no art. 6º, II, da Lei n.º 7.713/88, porquanto possuem caráter remuneratório.
IRRF. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PERSISTE ATÉ A DATA FINAL PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE, MOMENTO EM QUE O TRIBUTO PASSA A SER EXIGÍVEL DO CONTRIBUINTE.
Parecer Normativo COSIT n.º 01/2002: "Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extingue-se, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual.”
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.194
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS. DIÁRIAS E AJUDA DE CUSTO. CARÁTER EVENTUAL NÃO CONFIGURADO. ISENÇÃO NÃO APLICÁVEL. Ajudas de custo e diárias recebidas reiteradamente pelo contribuinte, sem comprovação documental, não permitem que se faça jus à isenção prevista no art. 6º, II, da Lei n.º 7.713/88, porquanto possuem caráter remuneratório. IRRF. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PERSISTE ATÉ A DATA FINAL PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE, MOMENTO EM QUE O TRIBUTO PASSA A SER EXIGÍVEL DO CONTRIBUINTE. Parecer Normativo COSIT n.º 01/2002: "Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual.” Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto Fl. 138DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10245.000237/200594 Acórdão n.º 210101.194 S2C1T1 Fl. 112 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, José Evande Carvalho Araujo (convocado), Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 128/130) interposto em 19 de setembro de 2007 (fl. 128) contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 101/105), do qual o Recorrente teve ciência em 27 de julho de 2007 (fl. 110), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o auto de infração de fls. 74/79, em decorrência de classificação indevida de rendimentos na declaração de imposto de renda pessoa física, verificada no anocalendário de 2002. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2002 CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS NA DECLARAÇÃO. São tributáveis os valores recebidos por parlamentares com caráter permanente a título de ajuda de custo e diárias. Lançamento Procedente em Parte” (fl. 101). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 128/130, por meio do qual aduz, preliminarmente, sua tempestividade, ante a impossibilidade de acesso aos autos e, no mérito, pugna pela correta classificação das diárias e ajuda de custo recebidos como rendimentos isentos e não tributáveis, posto que não haveria que se falar em acréscimo patrimonial, com prevê o art. 43 do CTN, sendo vedada a cobrança do imposto de renda. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator Preliminarmente, cumpre analisar a tempestividade do recurso que ora se examina. O AR de fl. 110 indica que o Recorrente foi intimado do acórdão em 27/07/2007, ao Fl. 139DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10245.000237/200594 Acórdão n.º 210101.194 S2C1T1 Fl. 113 3 passo que seu recurso voluntário de fls. 128/130 data de 19/09/2007, o que o tornaria, à primeira vista, intempestivo. Ocorre que o contribuinte pleiteou vista ao processo administrativo em epígrafe em 09/08/2007 (fl. 114), com o prazo recursal já em curso, mas consoante atestam as fls. 111/113, complementada pela fl. 116, o processo se encontrava fora de seu domicílio em Boa Vista, e não Cuiabá, sendo que o acesso efetivo a ele se deu apenas em 27/08/2007 (fl. 118), no último dia do prazo. De tal maneira a não caracterizar cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, bem como considerando que não houve manifestação quanto ao pedido formulado à fl. 115, de prorrogação do prazo para apresentação de recurso, defiroo para considerar como dies a quo do prazo de 30 dias a data de 27/08/2007, como consta da fl. 105 do acórdão recorrido, sendo o recurso, destarte, tempestivo. Desta feita, considerandose que o recurso preenche os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Com relação ao mérito recursal, a análise se cinge à incidência de IRPF sobre verbas percebidas por deputado estadual, mais especificamente a título de ajuda de custo e diárias. O recurso vergastado alega, em apertada síntese, que as verbas percebidas a título de diárias e ajuda de custo não corresponderiam a acréscimo patrimonial, como exigido pelo art. 43 do CTN para a ocorrência do fato gerador do imposto de renda, bem como as diárias recebidas seriam isentas, com supedâneo no art. 6º, II, da Lei n.º 7.713/88, motivos pelos quais a glosa deve ser afastada, sendo correta sua classificação como rendimentos isentos ou não tributáveis. Tal alegação deve, entretanto, ser analisada com maior cautela. Com efeito, o artigo 43 do CTN, exercendo o múnus constitucional que foi atribuído pela combinação dos artigos 153, III, e 146, III, “a”, delineou, de forma minudente, o critério material da hipótese de incidência do imposto de renda da seguinte maneira: “Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção.” É bem de ver, com base no estatuído pelo Código Tributário Nacional, que auferir renda, nos termos postos constitucionalmente e descritos pelo estatuto adrede colacionado, pressupõe acréscimo patrimonial, ou, como querem alguns autores, “riqueza nova”, de modo que eventuais ingressos de capital que não se amoldem, perfeitamente, ao Fl. 140DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10245.000237/200594 Acórdão n.º 210101.194 S2C1T1 Fl. 114 4 conceito de “riqueza nova” não poderiam ser tributados pela União Federal, eis que lhe falece competência para tanto. A partir desta premissa, temos que meras indenizações, por apenas recomporem o patrimônio do contribuinte, permitindo o retorno ao seu status quo ante, não configuram acréscimo patrimonial, jamais podendo ser alcançadas pelo imposto. Exatamente por isso é que o pagamento, a título de reembolso de gastos, não configura rendimento tributável, uma vez que, se o fosse, feriria de morte o princípio da vedação ao confisco, transposto aos lindes do direito tributário por força do art. 150, IV, da Carta Magna. Há que se analisar, nesta senda, se as ajudas de custo e as diárias recebidas configuram, efetivamente, reembolso de gastos, e acaso positiva a resposta, se foram comprovadas pelo Recorrente. Não é o que se depreende tanto da legislação alegada como dos documentos carreados aos autos. Cumpre, por oportuno, trazer à colação o dispositivo aludido pelo contribuinte em sua peça recursal, qual seja, o art. 6º, II, da Lei n.º 7.713/88, o qual, frisese, é repetido no art. 43, XIII, do RIR/99, nos seguintes termos: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) II as diárias destinadas, exclusivamente, ao pagamento de despesas de alimentação e pousada, por serviço eventual realizado em município diferente do da sede de trabalho”. Ora, em se tratando de norma que veicula isenção, ela há de ser interpretada literalmente, a teor do que dispõe o art. 111, II, do CTN. Assim, os requisitos estabelecidos para o gozo da isenção devem ser atendidos e comprovados pelo contribuinte. São tidas por isentas as diárias recebidas (i) exclusivamente em virtude do reembolso de despesas com alimentação e pousada e (ii) por serviço eventual realizado em município diferente do da sede de trabalho, restando estreme de dúvidas que o Recorrente não logrou comprovar nenhum deles. A mesma situação se aplica ao inciso XX do mesmo art. 6º da Lei n.º 7.713/88, porquanto também sujeita a posterior comprovação pelo contribuinte: “XX ajuda de custo destinada a atender às despesas com transporte, frete e locomoção do beneficiado e seus familiares, em caso de remoção de um município para outro, sujeita à comprovação posterior pelo contribuinte.” Conforme facilmente se extrai dos parcos documentos acostados aos autos, no anocalendário de 2002 o contribuinte recebeu R$ 80.400,00 a título de salário, e R$ 172.000,00 de diárias, o que já demonstra a elevada monta do valor, mais de duas vezes superior à sua própria remuneração. Outrossim, o dispositivo legal acima invocado, que autoriza a isenção das verbas de diárias recebidas, fala que tais verbas, além de atinentes a despesas alimentícias e com hospedagem, são de caráter eventual e decorrentes de serviço realizado em município distinto do local de trabalho do contribuinte, o que tampouco restou cabalmente por ele Fl. 141DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10245.000237/200594 Acórdão n.º 210101.194 S2C1T1 Fl. 115 5 comprovado, até porque um recebimento contínuo de doze parcelas, sendo oito delas no valor idêntico de R$ 16.000,00, evidentemente se distancia da eventualidade apregoada pela lei. A necessidade de comprovação pelo contribuinte é reiterada no próprio Regulamento do Imposto de Renda, em especial em seu art. 39, I; portanto, descabe a alegação do Recorrente no sentido de que o ônus da prova não lhe competiria. Assim sendo, diferentemente do sufragado em idênticos votos anteriores de minha lavra (Primeiro Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário n.º 154.075, relator Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, sessão de 08/10/2008), cumpria ao Recorrente trazer a legislação estadual pertinente que identificasse quais despesas estariam incluídas nas ajudas de custo e diárias por ele percebidas, bem como que eventualmente demonstrassem seu caráter indenizatório. Não obstante, como se depreende da fl. 49 dos autos, em que pese ao fato de a fonte pagadora – Assembleia Legislativa de Roraima – não ter procedido à retenção na fonte dos valores, é cediço que sua responsabilidade perdura até o prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, posto que a retenção se dá a título de antecipação, devendo o contribuinte oferecer à tributação tais verbas quando da apresentação da declaração de ajuste ao final do anocalendário, sendo dele exigível, quando assim não procede, tanto o imposto como a multa de ofício e os juros de mora, consoante se extrai do Parecer Normativo COSIT n.º 01/2002: “IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. PENALIDADE. Constatada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, e, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora. Verificada a falta de retenção após as datas referidas acima serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, até a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica; exigindose do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, caso este não tenha submetido os rendimentos à tributação.” À luz do que restou sobejamente demonstrado, as verbas recebidas pelo Recorrente não mostraram possuir caráter meramente indenizatório, e sim remuneratório, e ainda que assim não fosse, a modalidade de isenção in casu é condicionada à comprovação dos Fl. 142DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10245.000237/200594 Acórdão n.º 210101.194 S2C1T1 Fl. 116 6 requisitos por aquele que deseja dela usufruir, o que também não ocorreu, sendo escorreita a interpretação fiscal no sentido da incidência do IRPF sobre as verbas de diárias e ajuda de custo percebidas pelo Recorrente, que não carreou aos autos qualquer recibo indicando o recebimento de tais verbas, nem tampouco trouxe eventual legislação estadual que previsse o reembolso de tais gastos, a despeito da ampla oportunidade de produção probatória ínsita ao processo administrativo, no qual predomina o princípio da verdade material. Válido repisar, nesse sentido, a iterativa jurisprudência deste CARF, que perfilha do mesmo entendimento acima verberado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1997, 1998 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. A responsabilidade da fonte pagadora pela retenção na fonte do recolhimento do tributo não exclui a responsabilidade do beneficiário do respectivo rendimento de sujeitálo a tributação na declaração de ajuste anual, conforme Súmula do CARF n 12, em vigor desde 22/12/2009. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS, AUXÍLIOENCARGOS GERAIS DE GABINETE E HOSPEDAGEM. As verbas recebidas mensalmente em valor fixo por parlamentar como auxílio de gabinete e hospedagem, sem que exista qualquer controle sobre os gastos efetuados, estão contidas no âmbito da incidência tributária e devem ser consideradas como rendimento tributável na Declaração de Ajuste Anual.” (CARF, 2ª Seção, 2ª. Turma da 2ª. Câmara. RV n.º 161.030, Acórdão n.º 220200.538, Relatora Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, sessão de 13/05/2010) *** “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 IR FONTE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula 1°CC n° 12). NATUREZA INDENIZATÓRIA. Não logrando o contribuinte comprovar a natureza indenizatória/reparatória dos rendimentos recebidos a título de ajuda de custo paga com habitualidade a membros do Poder Legislativo Estadual, constitui eles acréscimo patrimonial incluído no âmbito de incidência do imposto de renda. AJUDA DE CUSTO ISENÇÃO. Se não for comprovado que a ajuda de custo se destina a atender a despesas com transporte, frete e locomoção do contribuinte e sua família, no caso de mudança permanente de um para outro município, não se aplica a isenção prevista na legislação tributária (Lei n° 7.713, de 1988, art. 6°, XX). Fl. 143DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10245.000237/200594 Acórdão n.º 210101.194 S2C1T1 Fl. 117 7 IR COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos.” (1º. Conselho de Contribuintes, 4ª Câmara, RV n.º 158.299, Acórdão n.º 104 23.704, Relatora Conselheira Rayana Alves de Oliveira França, sessão de 04/02/2009) *** “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2002, 2003 Ementa: RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS AJUDA DE CUSTO Compete à União instituir imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, bem como estabelecer a definição do fato gerador da respectiva obrigação. As verbas recebidas por parlamentar como ajuda de custo estão contidas no âmbito da incidência do imposto de renda e devem ser consideradas como rendimento tributável na Declaração de Ajuste Anual. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL A falta de retenção pela fonte pagadora do imposto de renda sobre rendimentos do trabalho com vinculo empregatício, no regime de antecipação, não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária. Deve contribuinte, como titular da disponibilidade econômica destes rendimentos, oferecêlos à tributação do imposto de renda na Declaração de Ajuste Anual, ainda que não tenha havido a tributação destes rendimentos na fonte.” (CARF, 2ª Seção, 1ª Turma da 2ª Câmara, RV n.º 158.568, Relator Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Acórdão n° 220100.415, sessão de 23/09/2009) Assim sendo, ante a total ausência de elementos probatórios aptos e idôneos a comprovar o atendimento aos requisitos legais para o gozo da isenção e, bem assim, diante do caráter remuneratório dos valores recebidos, deveria o Recorrente ter oferecido à tributação os valores recebidos como diárias e ajudas de custo. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 144DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10245.000237/200594 Acórdão n.º 210101.194 S2C1T1 Fl. 118 8 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 10240.901520/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO RETIFICADORA
APRESENTADA APÓS A DECISÃO QUE INDEFERIU A
COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega pelo contribuinte
de Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF
e do Demonstrativo de
Apuração de Contribuições Sociais DACON,
após a decisão que indeferiu a
compensação, visto que demandaria a análise de documentação e escrita
contábil do contribuinte, o que não seria possível na fase recursal, sem a
prévia apreciação pela Fiscalização. Inteligência do art. 74, §§1º e 3º, inciso
VI, da Lei nº 9.430, de 1996.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-000.885
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos
do voto do relator.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO RETIFICADORA APRESENTADA APÓS A DECISÃO QUE INDEFERIU A COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega pelo contribuinte de Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF e do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, após a decisão que indeferiu a compensação, visto que demandaria a análise de documentação e escrita contábil do contribuinte, o que não seria possível na fase recursal, sem a prévia apreciação pela Fiscalização. Inteligência do art. 74, §§1º e 3º, inciso VI, da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso Improvido.
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IMPOSSIBILIDADE. Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega pelo contribuinte de Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF e do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, após a decisão que indeferiu a compensação, visto que demandaria a análise de documentação e escrita contábil do contribuinte, o que não seria possível na fase recursal, sem a prévia apreciação pela Fiscalização. Inteligência do art. 74, §§1º e 3º, inciso VI, da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente Antônio Lisboa Cardoso Fl. 99DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSS AS 2 Relator Participaram do julgamento os Conselheiros:José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Rodrigo Pereira de Mello, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Cuidase de recurso em face de acórdão da DRJ/BELÉM, que não homologou as compensações de débitos constantes da PER/DCOMP transmitida em 20.12.2006, com crédito de PIS/Pasep, decorrente de pagamento indevido ou a maior efetuado através do DARF, no valor original de R$313,99, conforme ementa de fl. 65, in verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificada em 02.08/2010 (AR – fl. 69), a recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 70/73 (e documentos de fls. 74/92) em 25/08/2010, alegando, em síntese, que sua atividade econômica preponderante é o comércio atacadista de defensivos agrícolas e produtos agropecuários, tendo incluído na base de cálculo do PIS faturamento, do período de apuração de novembro de 2005, o valor das vendas de produtos isentos deste imposto, conforme dispõe o art. 10 da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004. “Art. 1° Ficam reduzidas a O (zero) as aliquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: I adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002, e suas matériasprimas; II defensivos agropecuários classificados na posição 38.08 da TIPI e suas matériasprimas; III sementes e mudas destinadas à semeadura e plantio, em conformidade com o disposto na Lei no 10.711, de 5 de agosto Fl. 100DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSS AS Processo nº 10240.901520/200917 Acórdão n.º 330100.885 S3C3T1 Fl. 100 3 de 2003, e produtos de natureza biológica utilizados em sua produção; IV corretivo de solo de origem mineral classificado Capitulo 25 da TIPI;” Assim sendo, o fato gerador do PIS FATURAMENTO foi majorado indevidamente, em virtude da desconsideração do benefício fiscal imputado para tais produtos, sendo pago a maior o valor de R$ 1.104,40, pois houve um pagamento no valor de R$ 1.725,75 sendo que o valor devido é de R$ 623,35. Constatado o erro, argumenta que efetuou as retificações das informações da Declaração de Débitos e Créditos Tributários federais — DCTF e Do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais — DACON, onde foi corrigida a base de cálculo do imposto e, consequentemente o valor devido do PIS FATURAMENTO do período de Novembro de 2005, para R$ 623,35 (seiscentos e vinte e três reais e trinta e cinco centavos), demonstrando e comprovando, desta forma, o surgimento de um crédito tributário e, portanto, legitimidade para compensar com qualquer tributo, caso que foi efetivado através da PER/DCOMP n° 14400.08944.201206.1.3.047780, requerendo seja a mesma homologada, uma vez comprovada a legitimidade e total existência dos créditos. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e revestido dos demais requisitos indispensáveis à sua admissibilidade, devendo o mesmo ser conhecido. De acordo com o despacho decisório de fls. 6/7, de 25/05/2009, o indébito foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação ou restituição: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos ( ) integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do credito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". Entretanto, após o referido despacho decisório, a recorrente procedeu à retificação das DACON/DCTF, em 23/06/2009, conforme se observa à fl. 28. Existe óbice de ordem legal ao pleito da recorrente, conforme consta do art. 74, §3, VI, da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou Fl. 101DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSS AS 4 contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (...) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)” É neste sentido que perfilha a jurisprudência deste E. CARF, conforme depreendese pelas seguintes ementas parcialmente transcritas: “PROVA DECLARAÇÃO RETIFICAÇÃO A apresentação de um formulário, apenas no momento do recurso voluntário com valores alterados em relação à declaração original, não tem o valor de uma declaração retificadora. Pode servir como uma planilha demonstrativa de cálculos, mas a modificação dos valores deveria ter sido comprovada por documentos efetivos”. (Ac. 120100.033, 2ª Câmara da 1ª TO da 1ª Seção/CARF, DOU01 14/02/2011, pág. 68) No mesmo sentido: “Assunto: normas de administração tributária anocalendário: 2001 Dcomp, retificação do débito após decisão que negou homologação à compensação, a manifestação de inconformidade contra a decisão da autoridade fiscal que não homologa a compensação declarada pelo sujeito passivo, ou mesmo o recurso voluntário que fustiga decisão de primeiro grau que manteve o entendimento nãohomologatório, não constituem meios adequados para veicular a retificação do débito indicado na declaração de compensação.” (Ac. nº 110200.174 (DOU01, 20/09/2010 pág. 33) Desta forma, nova declaração de compensação somente pode ser apresentada, após a apreciação ao pedido de retificação apresentado pelo contribuinte, pois, demandaria a Fl. 102DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSS AS Processo nº 10240.901520/200917 Acórdão n.º 330100.885 S3C3T1 Fl. 101 5 análise de documentação e escrita contábil do contribuinte, o que não seria possível neste momento recursal, sem a prévia apreciação pela Fiscalização. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 7 de abril de 2011 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 103DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSS AS
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Numero do processo: 10410.008667/2007-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2004
RECEITA ESCRITURADA E NÃO DECLARADA/TRIBUTADA. A constatação de que o imposto declarado em DCTF é menor do que o apurado
com base na Receita escriturada no livro de Apuração do ICMS dá ensejo a lançamento de ofício para a formalização do crédito relativo à diferença, o que deve ser feito observandose
a forma de apuração do lucro manifestada pelo contribuinte.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são obrigadas a observar a
legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário.
APURAÇÃO DE LUCRO PRESUMIDO. MANIFESTAÇÃO DA OPÇÃO.
Além do pagamento da 1ª ou única cota do imposto, nos termos do § 1º do art. 26 da Lei nº 9.430, de 1996, a opção pela tributação com base no lucro presumido pode ser manifestada em DCTF ou DIPJ.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. ARTIGO 44, INCISO II, E 61 DA LEI 9.430/1996. Comprovada a falta de declaração e recolhimento dos tributos,
correto a exigência mediante auto de infração, aplicando-se
a multa de ofício de 75%, incidindo, ainda, juros de mora à taxa Selic.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.440
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2004 RECEITA ESCRITURADA E NÃO DECLARADA/TRIBUTADA. A constatação de que o imposto declarado em DCTF é menor do que o apurado com base na Receita escriturada no livro de Apuração do ICMS dá ensejo a lançamento de ofício para a formalização do crédito relativo à diferença, o que deve ser feito observandose a forma de apuração do lucro manifestada pelo contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são obrigadas a observar a legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. APURAÇÃO DE LUCRO PRESUMIDO. MANIFESTAÇÃO DA OPÇÃO. Além do pagamento da 1ª ou única cota do imposto, nos termos do § 1º do art. 26 da Lei nº 9.430, de 1996, a opção pela tributação com base no lucro presumido pode ser manifestada em DCTF ou DIPJ. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. ARTIGO 44, INCISO II, E 61 DA LEI 9.430/1996. Comprovada a falta de declaração e recolhimento dos tributos, correto a exigência mediante auto de infração, aplicando-se a multa de ofício de 75%, incidindo, ainda, juros de mora à taxa Selic. Recurso Voluntário Negado.
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LUCRO PRESUMIDO Recorrente APS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS (nova denominação de DISLAM DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 RECEITA ESCRITURADA E NÃO DECLARADA/TRIBUTADA. A constatação de que o imposto declarado em DCTF é menor do que o apurado com base na Receita escriturada no livro de Apuração do ICMS dá ensejo a lançamento de ofício para a formalização do crédito relativo à diferença, o que deve ser feito observandose a forma de apuração do lucro manifestada pelo contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são obrigadas a observar a legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. APURAÇÃO DE LUCRO PRESUMIDO. MANIFESTAÇÃO DA OPÇÃO. Além do pagamento da 1ª ou única cota do imposto, nos termos do § 1º do art. 26 da Lei nº 9.430, de 1996, a opção pela tributação com base no lucro presumido pode ser manifestada em DCTF ou DIPJ. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. ARTIGO 44, INCISO II, E 61 DA LEI 9.430/1996. Comprovada a falta de declaração e recolhimento dos tributos, correto a exigência mediante auto de infração, aplicandose a multa de ofício de 75%, incidindo, ainda, juros de mora à taxa Selic. Recurso Voluntário Negado. Fl. 200DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10410.008667/200767 Acórdão n.º 140200.440 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório APS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS (nova denominação de DISLAM DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA.), recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Tratase de autos de infração do IRPJ e da CSLL (fls. 06/07 e 11/12), para formalização e exigência de crédito tributário no montante de R$ 190.782,01 (valores principais e acessórios). De acordo com o Termo de Encerramento de Ação Fiscal, às fls. 16 a 18, o lançamento se deu ante a constatação de divergência entre os tributos apurados com base nas receitas escrituradas no Livro de Apuração do ICMS (fls. 28 a 71), os informados na DIPJ (fls. 104 a 138) e os declarados em DCTFs (fls. 72 a 103). A contribuinte apresentouse impugnação, às fls. 142 a 149, contrapondose, substancialmente, que: a) não houvera opção pela sistemática do Lucro presumido, porquanto não teria havido pagamento nos termos do § 1º do art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, de modo que a formalização do crédito por meio de tal sistemática teria sido incorreta, e b) não se poderia aplicar a taxa Selic para atualização dos juros. Fl. 201DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10410.008667/200767 Acórdão n.º 140200.440 S1C4T2 Fl. 0 3 A decisão recorrida está assim ementada: IMPOSTO DECLARADO EM DCTF. IMPOSTO APURADO COM BASE NA RECEITA DO LIVRO DE APURAÇÃO DO ICMS. DIVERGÊNCIA.A constatação de que o imposto declarado em DCTF é menor do que o apurado com base na Receita escriturada no livro de Apuração do ICMS dá ensejo a lançamento de ofício para a formalização do crédito relativo à diferença, o que deve ser feito observandose a forma de apuração do lucro manifestada pelo contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são obrigadas a observar a legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. APURAÇÃO DE LUCRO PRESUMIDO. MANIFESTAÇÃO DA OPÇÃO. Além do pagamento da 1ª ou única cota do imposto, nos termos do § 1º do art. 26 da Lei nº 9.430, de 1996, a opção pela tributação com base no lucro presumido pode ser manifestada em DCTF ou DIPJ. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. Estendese ao lançamento decorrente a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Lançamento Procedente. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória, discorrendo sobre os seguintes tópicos: inexistência de opção pelo lucro presumido e da irregularidade da forma eleita para apuração da base de cálculo; indevida exigência da CSLL pelo lucro presumido. indevida exigência da taxa Selic Ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 202DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10410.008667/200767 Acórdão n.º 140200.440 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, a fiscalização apurou que a contribuinte embora tenha auferido receitas, devidamente escrituradas,apresentou declaração de IRPJ pelo lucro presumido com valores bem menores do que o efetivamente auferido. Tal divergência não foi questionada pela contribuinte que tanto na peça impugnatória quanta no recurso voluntário, questiona a forma de tributação e a exigência de juros a taxa Selic. A exigência do IRPJ e CSLL pela sistemática do lucro presumido está absolutamente correta: seja pelo pagamento da primeira cota do imposto a título do lucro presumido, consoante extrato do Sinal, à fl. 166, seja pela opção da própria contribuinte com a entrega da DIPJ (fl.104) e também das DCTF. Em verdade, as alegações do contribuinte nesse aspecto são absolutamente protelatórias, fato já asseverado na decisão de 1a. instância. A exigência da multa de oficio 75% e juros de mora a taxa Selic estão de acordo com a legislação. A apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a multa de ofício de 75% ou 150% nos termos do artigo 44, inciso I ou II, da Lei nº 9.430/1996. Essa multa é devida quando houver lançamento de ofício, como é o caso. De qualquer forma, convém esclarecer, que o princípio do não confisco insculpido na Constituição, em seu art. 150, IV, dirigese ao legislador infraconstitucional e não à Administração Tributária, que não pode furtarse à aplicação da norma, baseada em juízo subjetivo sobre a natureza confiscatória da exigência prevista em lei. Ademais, tal princípio não se aplica às multas, conforme entendimento já consagrado na jurisprudência administrativa, como exemplificam as ementas transcritas na decisão recorrida e que ora reproduzo: "CONFISCO – A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal (Ac. 102 42741, sessão de 20/02/1998). MULTA DE OFÍCIO – A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, restringese ao valor do tributo, não extravasando para o percentual aplicável às multas por infrações à legislação tributária. A multa deve, no entanto, ser reduzida Fl. 203DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10410.008667/200767 Acórdão n.º 140200.440 S1C4T2 Fl. 0 5 aos limites impostos pela Lei nº 9.430/96, conforme preconiza o art. 112 do CTN (Ac. 20171102, sessão de 15/10/1997)." Por sua vez, A aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora também está prevista em normas legais em pleno vigor, regularmente citada no auto de infração (artigo 61, § 3º da Lei 9.430 de 1996), portanto, deve ser mantida. Nesse sentido dispõe a Súmula nº 4 do CARF: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Diante do exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 204DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 13710.000242/2004-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003
Ementa: DEDUÇÃO. DESPESA COM INSTRUÇÃO. Na apuração da base
de cálculo do imposto podem ser deduzidos os gastos com instrução própria ou dos seus dependentes até o valor fixado em lei. Comprovada a relação de dependência e a efetividade da despesa, o contribuinte faz jus à dedução.
Recurso provido
Numero da decisão: 2201-001.129
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao
recurso nos termos do relatório e voto.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 Ementa: DEDUÇÃO. DESPESA COM INSTRUÇÃO. Na apuração da base de cálculo do imposto podem ser deduzidos os gastos com instrução própria ou dos seus dependentes até o valor fixado em lei. Comprovada a relação de dependência e a efetividade da despesa, o contribuinte faz jus à dedução. Recurso provido
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DESPESA COM INSTRUÇÃO. Na apuração da base de cálculo do imposto podem ser deduzidos os gastos com instrução própria ou dos seus dependentes até o valor fixado em lei. Comprovada a relação de dependência e a efetividade da despesa, o contribuinte faz jus à dedução. Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 13/05/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Rayana Alves de Oliveira França. Relatório Fl. 53DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 27/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 RENATO ROSEMBERG interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJ RIO DE JANEIRO/RJ II (fls. ) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio da notificação de lançamento de fls. 22, que alterou o resultado da Declaração de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício de 2003, de imposto a pagar de R$ 309,04, para imposto a pagar de R$ 4.255,84. O lançamento decorreu das glosas totais dos valores declarados como dependentes (R$ 6.360,00) e despesa com instrução (R$ 7.992,00). O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01 na qual alegou que tem 05 (cinco) dependentes, a esposa e quatro filhos, e que, além da dedução com os dependentes, poderia deduzir os valores pagos com a despesa de instrução destes. A DRJRIO DE JANEIRO/RJ II julgou procedente em parte o lançamento apenas para restabelecer a dedução com os dependentes, vez que considerou comprovadas as relações de dependência. Quanto à despesa com instrução, a DRJ considerou que os documentos apresentados não serviam como prova, pois os mesmos não identificavam os beneficiários dos serviços educacionais. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 10/03/2008 (fls. 27) e, em 27/03/2008, interpôs o recurso voluntário de fls. 29/30, que ora se examina, e no qual reitera, em síntese, suas alegações quanto à despesa com instrução e apresenta declaração do Centro Educacional Talmud Tora R. M. Stivelman Ltda., confirmando o recebimento de anuidades escolares de seus filhos e notas fiscais de prestação de serviços educacionais, além das certidões de nascimento dos filhos. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Pomo se colhe do relatório, resta em discussão em sede recursal apenas a glosa da despesa com instrução. A DRJ acolheu a dedução dos dependentes, mas rejeitou a dedução da despesa com instrução por entender que os documentos apresentados, por não identificarem os beneficiários dos serviços educacionais, não poderia comprovar os gastos com a educação dos filhos do dependente. Pois bem, juntamente com o recurso o Contribuinte apresenta a declaração de fls. 35 pela qual o Centro Educacional Talmud Tora R. M. Stivelman Ltda. confirma ter recebido do Contribuinte, no ano de 2002, 9 parcelas de R$ 1.500,00 cada referentes mensalidades escolares dos filhos do recorrente. Este documento supre a deficiência dos outros documentos anteriormente apresentados que, de fato, não identificavam os beneficiários dos serviços educacionais, como Fl. 54DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 27/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 13710.000242/200471 Acórdão n.º 220101.129 S2C2T1 Fl. 2 3 ressaltou a decisão de primeira instância. Assim, examinando conjuntamente os elementos carreados aos autos, entendo que esta comprovada a despesa com instrução dos filhos do dependente. Vale ressaltar também, que não está mais em discussão, posto que já acolhido pela decisão de primeira instância a relação de dependência dos filhos do Recorrente. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 55DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 27/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
score : 1.0
Numero do processo: 14751.002059/2009-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FALTA DE DESTAQUE EM NOTA FISCAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO EXECUTADO MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DE OBRA OU EMPREITADA DA RETENÇÃO NO VALOR
CORRESPONDENTE A 11% DO VALOR BRUTO DA OPERAÇÃO.
INFRAÇÃO.
Ao deixar de efetuar a retenção no percentual de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal, o prestador de serviço mediante cessão de mão de obra ou empreitada incorre em infração, por descumprimento de obrigação acessória.
ALEGAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS DEVERES PARA COM A FAZENDA PÚBLICA E A COLETIVIDADE EM PERÍODOS ANTERIORES À OCORRÊNCIA DO ILÍCITO TRIBUTÁRIO.
INTERFERÊNCIA NO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA.
Quando o Fisco demonstra a existência de tributos não recolhidos, o fato de, em períodos pretéritos à ocorrência dos fatos geradores, a empresa haver adimplido com todos os seus encargos fiscais e ter cumprido com o seu papel social, não interfere na aplicação de multa por inobservância de obrigações acessórias.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.859
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FALTA DE DESTAQUE EM NOTA FISCAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO EXECUTADO MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DE OBRA OU EMPREITADA DA RETENÇÃO NO VALOR CORRESPONDENTE A 11% DO VALOR BRUTO DA OPERAÇÃO. INFRAÇÃO. Ao deixar de efetuar a retenção no percentual de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal, o prestador de serviço mediante cessão de mão de obra ou empreitada incorre em infração, por descumprimento de obrigação acessória. ALEGAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS DEVERES PARA COM A FAZENDA PÚBLICA E A COLETIVIDADE EM PERÍODOS ANTERIORES À OCORRÊNCIA DO ILÍCITO TRIBUTÁRIO. INTERFERÊNCIA NO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA. Quando o Fisco demonstra a existência de tributos não recolhidos, o fato de, em períodos pretéritos à ocorrência dos fatos geradores, a empresa haver adimplido com todos os seus encargos fiscais e ter cumprido com o seu papel social, não interfere na aplicação de multa por inobservância de obrigações acessórias. Recurso Voluntário Negado.
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FALTA DE DESTAQUE EM NOTA FISCAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO EXECUTADO MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA OU EMPREITADA DA RETENÇÃO NO VALOR CORRESPONDENTE A 11% DO VALOR BRUTO DA OPERAÇÃO. INFRAÇÃO. Ao deixar de efetuar a retenção no percentual de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal, o prestador de serviço mediante cessão de mãodeobra ou empreitada incorre em infração, por descumprimento de obrigação acessória. ALEGAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS DEVERES PARA COM A FAZENDA PÚBLICA E A COLETIVIDADE EM PERÍODOS ANTERIORES À OCORRÊNCIA DO ILÍCITO TRIBUTÁRIO. INTERFERÊNCIA NO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA. Quando o Fisco demonstra a existência de tributos não recolhidos, o fato de, em períodos pretéritos à ocorrência dos fatos geradores, a empresa haver adimplido com todos os seus encargos fiscais e ter cumprido com o seu papel social, não interfere na aplicação de multa por inobservância de obrigações acessórias. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Fl. 67DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 68DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 14751.002059/200909 Acórdão n.º 240101.859 S2C4T1 Fl. 65 3 Relatório Tratase de recurso voluntário, fls. 59/62, interposto pela empresa acima identificada contra acórdão da Delegacia de Julgamento em Recife, fls. 53/56, que decidiu pela procedência do lançamento consignado no Auto de Infração n. 37.231.0486. Da autuação De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fl. 22, a empresa descumpriu com a obrigação acessória de destacar na nota fiscal de prestação de serviços o valor correspondente a 11% do valor bruto da operação. Acrescenta o Fisco que tal conduta contraria a legislação previdenciária, na medida em que a redução da base de cálculo efetuada pelo contribuinte foi irregular, posto não ter havido a comprovação da utilização de materiais e equipamentos que justificasse a redução da quantia retida. Foram acostados documentos que, no entender da Auditoria, serviriam para comprovar a ocorrência do ilícito. A ciência da lavratura deuse em 28/08/2009 e a multa foi aplicada no valor de R$ 1.329,18 (um mil trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos). Da impugnação A empresa apresentou impugnação, fls. 37/40, na qual alega, em síntese, que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias, que os valores retidos pelos seus tomadores de serviço, no percentual de 11% do valor das notas fiscais, quitariam as contribuições lançadas e, ainda, que toda a documentação apresentada ao Fisco é suficiente para comprovar a inexistência da infração. Da decisão recorrida A DRJ em Recife decidiu por manter o crédito tributário na integralidade, exarando o acórdão assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/04/2005, 15/10/2004 TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE DESTAQUE DA RETENÇÃO INCIDENTE SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. O autuado não efetuou o destaque da retenção sobre parte do valor dos serviços constantes de determinadas notas fiscais, infringindo o comando do art. 31, da Lei 8.212/1991 c/c o art. 219, do RPS. Impugnação Improcedente Fl. 69DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 Crédito Tributário Mantido Do recurso No seu recurso a empresa, após breve sinopse dos fatos constantes no processo, alega, em apertada síntese, que: a) a vasta documentação apresentada é suficiente para desconstituir o lançamento sob cuidado; b) a recorrente é cumpridora de seus deveres legais, uma vez que atua no ramo da construção civil desde o ano de 1973, sem que nunca tenha sido autuada por irregularidades fiscais; c) exerce um importante papel no desenvolvimento econômico e social do Estado da Paraíba; d) nos anos de 2004 e 2005 foi contratada pelas empresas Siemens e WFI para execução de serviços na modalidade contratual de empreitada global; e) em algumas ocasiões as notas fiscais eram emitidas somente após o término da obra, posto que o pagamento dos serviços dependia da vistoria das contratantes; f) sofria a tributação prevista no art. 31 da Lei n. 8.212/1991, portanto, a quitação das suas obrigações previdenciárias era efetuada mediante a retenção pela contratante de 11% sobre o valor das notas fiscais emitidas; g) os trabalhadores que laboraram na execução dos serviços estão corretamente informados nas folhas de pagamento e Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP; h) nas notas fiscais apresentadas pela recorrente às suas contratantes foram discriminados os valores correspondentes a mãodeobra e materiais, por isso a retenção .destacada está em consonância com as normas de regência, inexistindo, portanto, a infração apontada. Ao final, pede a declaração de improcedência da autuação. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 14751.002059/200909 Acórdão n.º 240101.859 S2C4T1 Fl. 66 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Do histórico da empresa Na sua peça recursal a empresa alega que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias e que cumpre relevante papel social no desenvolvimento do Estado da Paraíba. Não posso desprezar tais argumentos, uma vez que é de fundamental importância, não só para a Paraíba, mas para todo o País, que as empresas contribuam, quer pelo correto adimplemento de suas obrigações fiscais, quer pela assunção da responsabilidade pelo bem estar das pessoas que residem na sua área de atuação. Todavia, por mais relevantes que sejam essas alegações, as mesmas não se prestam para afastar o lançamento de que se cuida. O Fisco, ao constatar a existência de descumprimento de obrigação tributária acessória, vêse obrigado a aplicar a penalidade legalmente prevista, procedimento que é plenamente vinculado e independe do fato da empresa demonstrar que até então vinha cumprindo integralmente com suas obrigações para com a Fazenda Pública. Inexiste no ordenamento pátrio comando legal que impeça o Fisco de efetuar o lançamento tributário em razão da ausência de antecedentes do sujeito passivo quanto ao cometimento de ilícitos fiscais ou quanto ao abandono de sua responsabilidade social. Nesse sentido, o que temos que analisar é se o procedimento administrativo de aplicação da multa está em consonância com a legislação que rege a matéria, não sendo necessário nos aprofundarmos sobre o histórico da empresa no que diz respeito ao cumprimento dos seus deveres fiscais e sociais. Da impertinência de teses recursais Uma leitura superficial da peça recursal já revela que há argumentos ali lançados que não guardam correlação com a infração imputada no presente AI. Em algumas passagens, a empresa se reporta a lançamento decorrente de descumprimento de obrigação principal, nas quais alega que as contribuições foram quitadas. Verificase que há uma confusão conceitual, quando a recorrente defendese contra autuação decorrente de falta de pagamento do tributo ao invés de se contrapor a acusação de cometimento de infração por descumprimento de dever instrumental. Essa distinção – obrigação principal X obrigação acessória vem estampada no Código Tributário Nacional – CTN que estabelece no seu art. 113 a clara distinção entre os institutos1 1 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 71DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 Da infração Alega o sujeito passivo que inexistiu a infração, uma vez que constando nas notas fiscais a discriminação de material e mãodeobra, estaria correto o cálculo da retenção. Verificase, porém, que nenhum documento foi trazido para dar substância a essa alegação. É que a Auditoria apontou as notas fiscais onde ocorreu a retenção insuficiente, anexouas aos autos e ainda fez menção a contabilização das mesmas. Em resumo, o Fisco conclui que, tendo a empresa efetuado redução na base de cálculo, sem a devida comprovação da utilização de materiais e equipamentos, incorreu em conduta contrária a legislação, pelo que deve ser punida com aplicação de multa. Repitase, nenhum documento foi colacionado pela recorrente para infirmar as afirmações da Auditoria. A época da ocorrência dos fatos geradores vigia a Instrução Normativa — INSS/DC n° 100/2003, que acerca da base de cálculo da retenção, assim dispunha: Art. 158. Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, para a execução dos serviços, esses valores serão deduzidos da base de cálculo desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, conforme previsto no § 7° do art. 219 do RPS. I° O valor do material fornecido ao contratante ou o de locação de equipamento de terceiros, utilizado na execução do serviço, não poderá ser superior ao valor de aquisição ou de locação para fins de apuração da base de cálculo da retenção. § 2° Revogado. § 3° Compete à contratada a comprovação dos valores de que trata o § 1. deste artigo, mediante apresentação de documentos fiscais de aquisição do material ou contrato de locação de equipamento.(grifos nossos) Art. 159. Quando o fornecimento de material ou a utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual,estiver previsto em contrato, mas sem discriminação dos valores de material ou equipamento, a base de cálculo da retenção corresponderá, no mínimo, a: 1 cinqüenta por cento do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de • prestação de serviços; Notese que, pelos artigos transcritos acima, o percentual mínimo de 50% constituí apenas um limite abaixo do qual não poderá ser inferior o valor dos serviços contidos numa nota fiscal de serviço. Contudo, para que se chegue à utilização do limite mínimo, pelo sentido da norma, fazse § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 72DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 14751.002059/200909 Acórdão n.º 240101.859 S2C4T1 Fl. 67 7 necessária a comprovação dos valores dos materiais utilizados na prestação de serviço. (...) Na situação sob julgamento, conforme didaticamente demonstrado no Relatório Fiscal da Infração, fl. 22, o autuado utilizouse do limite mínimo de 50%, ainda que os valores dos materiais discriminados não chegassem a tanto, fazendo incidir a retenção sobre base de cálculo inferior àquela legalmente estabelecida. Esse procedimento ocasionou insuficiência na retenção, fato que contraria o comando inserto no art. 31, “caput” e § 1. , da Lei n. 8.212/1991, in verbis: Art.31.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33. §1oO valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. Conclusão Diante do exposto, por concluir que a empresa infringiu o dever legal acima transcrito, voto por conhecer do recurso, negandolhe provimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 73DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
score : 1.0
Numero do processo: 11020.003365/2007-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 17/09/2007
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, III DA LEI N.º 8.212/91
C/C ARTIGO 283, II, “b” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º
3.048/99 APLICÁVEL O PRAZO DECADENCIAL QÜINQÜENAL ÚNICA
INFRAÇÃO É SUFICIENTE PARA PROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO A
inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do artigo 32, IIIº da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
CESTAS BÁSICAS FORNECIMENTO NA CONDIÇÃO DE PREMIAÇÃO PELA AUSÊNCIA DE ABSENTEISMO.
O fato de considerar que determinada verba não faria parte do conceito de salário de contribuição não desobriga a empresa de apresentar todos os documentos e informações necessárias a verificação do cumprimento da legislação previdenciária.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 17/09/2007
AUTO DE INFRAÇÃO DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF MANUTENÇÃO DE COMPETÊNCIA NÃO ALCANÇADAS PELA DECADÊNCIA MANUTENÇÃO D AUTUAÇÃO.
Mesmo considerando que parte das exigências que ensejaram o Auto de Infração encontram-se alcançadas pela decadência qüinqüenal, a existência de uma única falta fora do prazo decadencial é capaz de dar sustentáculo a manutenção da autuação.
PREVISÃO DA INFRAÇÃO EM DECRETO AFRONTA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-001.705
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 17/09/2007 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, III DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, “b” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 APLICÁVEL O PRAZO DECADENCIAL QÜINQÜENAL ÚNICA INFRAÇÃO É SUFICIENTE PARA PROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 32, IIIº da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. CESTAS BÁSICAS FORNECIMENTO NA CONDIÇÃO DE PREMIAÇÃO PELA AUSÊNCIA DE ABSENTEISMO. O fato de considerar que determinada verba não faria parte do conceito de salário de contribuição não desobriga a empresa de apresentar todos os documentos e informações necessárias a verificação do cumprimento da legislação previdenciária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/09/2007 AUTO DE INFRAÇÃO DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF MANUTENÇÃO DE COMPETÊNCIA NÃO ALCANÇADAS PELA DECADÊNCIA MANUTENÇÃO D AUTUAÇÃO. Mesmo considerando que parte das exigências que ensejaram o Auto de Infração encontram-se alcançadas pela decadência qüinqüenal, a existência de uma única falta fora do prazo decadencial é capaz de dar sustentáculo a manutenção da autuação. PREVISÃO DA INFRAÇÃO EM DECRETO AFRONTA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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Inobservância do artigo 32, IIIº da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. CESTAS BÁSICAS FORNECIMENTO NA CONDIÇÃO DE PREMIAÇÃO PELA AUSÊNCIA DE ABSENTEISMO. O fato de considerar que determinada verba não faria parte do conceito de salário de contribuição não desobriga a empresa de apresentar todos os documentos e informações necessárias a verificação do cumprimento da legislação previdenciária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/09/2007 AUTO DE INFRAÇÃO DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF MANUTENÇÃO DE COMPETÊNCIA NÃO ALCANÇADAS PELA DECADÊNCIA MANUTENÇÃO D AUTUAÇÃO. Mesmo considerando que parte das exigências que ensejaram o Auto de Infração encontramse alcançadas pela decadência qüinqüenal, a existência Fl. 96DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 de uma única falta fora do prazo decadencial é capaz de dar sustentáculo a manutenção da autuação. PREVISÃO DA INFRAÇÃO EM DECRETO AFRONTA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 97DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.003365/200759 Acórdão n.º 240101.705 S2C4T1 Fl. 94 3 Relatório Trata o presente autodeinfração, lavrado sob o n° 37.115.7331, lavrado em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, III da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 225, III e § 22 e art. 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de prestar todas as informações contábeis, econômicas e financeiras de interesse da fiscalização, em especial deixou de prestar os esclarecimentos abaixo descritos, o que constitui infração: I. A empresa deixou de apresentar os arquivos digitais contendo as informações das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP (Arquivos SEFIPCR.RE e SEFIPCR.SFP) dos estabelecimentos descritos no relatório fiscal da infração, mais precisamente no período de 03/2000 a 09/2004; II. Deixou também de relacionar os valores e os empregados beneficiados com as cestas de alimentos adquiridas das empresas relacionadas no relatório fiscal da infração e fornecidas a seus empregados conforme parâmetros definidos no programa "somos parceiros" que define os critérios de percepção das cestas de alimentos, no período de 03/2005 a 12/2006. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 17/09/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 18/09/2007. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 24 a 38. A DecisãoNotificação confirmou a procedência total do lançamento, fls. 52 a 59. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 63 a 79. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega: 1. Preliminarmente, considerando que o Auto de Infração foi lavrado em 17/09/2007 e dele a Recorrente teve ciência pessoalmente em 18/09/2007, é evidente que para parte do período em que foi observado o aludido descumprimento de obrigação acessória, a multa está decaída. 2. O STF ainda aprovou a Súmula Vinculante n° 8, que dispõe: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do DecretoLei n° 1.569/1997 e os artigos 45 e 46 da Lei n.8.212/91,que tratam da prescrição e decadência de crédito tributário". 3. Não existe incidência de contribuição previdenciária sobre os valores correspondentes às cestas de alimento concedidas aos empregados, por meio do programa “Somos Parceiros”, considerando que se trata de prêmio esporádico, gratificação não habitual. 4. É evidente que a pena decorrente da suposta infração é ilegal, pois se baseou unicamente em disposições constantes em Decreto, tendo em vista que não existe nenhuma lei que Fl. 98DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 atribua ilicitude ao suposto fato cometido pela Recorrente, nem mesmo que determine a aplicação de pena. 5. Decorre do princípio da tipicidade que a lei tributária que atribui • penalidade ao contribuinte deva conter todos os elementos indispensáveis para a verificação da infração. Além disto, o fato tido por ilícito deve guardar perfeita adequação à norma legal punitiva. 6. Não restam dúvidas quanto à ilegalidade da multa aplicada. É preciso destacar que a multa é abusiva, uma vez que o valor aplicado é muito superior ao que prevê a legislação. Além disso, o critério adotado para sua fixação, no valor de R$ 11.951,21, não foi explicitado. 7. Nesse sentido, sendo evidente a decadência da multa; a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei 8.212/91 e a inobservância aos princípios da legalidade, razoabilidade, tipicidade e proporcionalidade, a decisão recorrida merece reforma para relevar a multa e cancelar o Auto de Infração lavrado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 99DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.003365/200759 Acórdão n.º 240101.705 S2C4T1 Fl. 95 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 147. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa ou falta de definição clara da fundamentação da multa aplicada, nem tampouco afronta a princípios constitucionais. Destacase como passos necessários a realização do procedimento fiscal: Ø autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; Ø intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária, bem como os documentos pertinentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Ø autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não conter todos os elementos indispensáveis para a verificação da infração. realizado a devida fundamentação da multa aplicada , não lhe confiro razão. Não só o relatório fiscal da infração e da multa aplicada, como também a própria capa do AI, indicam o dispositivo legal infringido, e o embasamento legal da multa aplicável. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a omissão na prestação de informações necessárias a comprovar a regularidade fiscal, cumprilhe lavrar de imediato a autuação de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 293 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação Fl. 100DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. Pelos documentos constantes dos autos, não foram encontradas quaisquer irregularidade quanto ao procedimento adotado pela autoridade fiscal durante a fiscalização ou quando da lavratura do AI não havendo qualquer irregularidade no lançamento em questão. DECADÊNCIA Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto deste Auto de Infração, entendo cabível a sua apreciação. Em primeiro lugar, devemos considerar que se trata de auto de infração, que ao contrário das NFLD, constitui obrigação acessória de “fazer” ou “deixar de fazer”, sendo irrelevante a existência ou não de recolhimentos antecipados. Porém, antes de identificar o período abrangido pela decadência, exponha a tese que adoto sobre o assunto. Dessa forma, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: Fl. 101DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.003365/200759 Acórdão n.º 240101.705 S2C4T1 Fl. 96 7 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de Fl. 102DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos Fl. 103DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.003365/200759 Acórdão n.º 240101.705 S2C4T1 Fl. 97 9 sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou Fl. 104DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado Fl. 105DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.003365/200759 Acórdão n.º 240101.705 S2C4T1 Fl. 98 11 da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, conforme descrito anteriormente, tratase de lavratura de Auto de Infração por não ter a empresa apresentado os arquivos digitais contendo as informações das GFIP (Arquivos SEFIPCR.RE e SEFIPCR.SFP) no período de 03/2000 a 09/2004, bem como ter deixado também de relacionar os valores e os empregados beneficiados com as cestas de alimentos adquiridas das empresas relacionadas no relatório fiscal no período de 03/2005 a 12/2006. Dessa forma, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. Assim, no lançamento em questão a lavratura do AI deuse em 17/09/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 18/09/2007. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 03/2000 a 12/2006, dessa forma, em aplicandose o art. 173, I encontramse decadentes os fatos geradores da autuação até 11/2001. Fl. 106DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Contudo a multa aplicada no presente auto de infração não é determinada de acordo com os número de infrações, mas tratase de multa única, sendo que a existência de uma única falta, enseja a manutenção da autuação. Assim, mesmo existindo fatos geradores decaídos o presente auto deve ser mantido por existirem obrigações não alcançadas pela decadência qüinqüenal. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito. DO MÉRITO Pelos documentos presentes nos autos a autoridade previdenciária requereu informações acerca dos arquivos magnéticos de GFIP, bem como sobre a relação de empregados beneficiados pelas cestas básicas, contudo não conseguiu o recorrente demonstrar a apresentação das solicitações da autoridade fiscal. O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autode infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. No presente caso, a obrigação acessória está prevista na Lei n ° 8.212/1991 em seu artigo 32, III, nestas palavras: Art.32. A empresa é também obrigada a: (...) III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. O presente auto foi lavrado tendo como fundamento a não apresentação dentre outros dos documentos no relatório deste voto. Quanto a essas interpretações não logrou o recorrente êxito em demonstrar a entrega das mesmas. Nem mesmo ter prestado os esclarecimentos pertinentes. Dessa maneira, não tem porque o presente autodeinfração ser anulado em virtude da ausência de vício formal na elaboração. Foi identificada a infração, havendo subsunção desta ao dispositivo legal infringido. Os fundamentos legais da multa aplicada foram discriminados e aplicados de maneira adequada. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 107DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.003365/200759 Acórdão n.º 240101.705 S2C4T1 Fl. 99 13 § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. NATUREZA INDENIZATÓRIA DA VERBA CESTA BÁSICA Conforme descrito pelo próprio recorrente, as cestas básicas possuem natureza de premiação para os empregados que não faltam, dessa forma, não há que se falar em exclusão da base de cálculo prevista no art. 28, § 9° da Lei 8212/91. O fornecimento de alimentação de acordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, é que afasta a natureza salarial, contudo deve ser fornecido a todos os empregados , não como forma de premiação, mas como melhoria da qualidade de vida. Portanto ao fornecer por liberalidade cestas básicas, deveria a empresa manter todos os registros individualizados, bem como prestar as informações solicitadas pela empresa, até para poder provar se cumpria os requisitos para exclusão da referida verba da base de cálculo de contribuições. Portanto, entendo que razão não assiste ao recorrente. VALOR DA MULTA Quanto à argumentação da recorrente de que a multa aplicada possui valor exacerbado, tendo a autoridade fiscal aplicado penalidade de forma mais gravosa, também não lhe confiro razão. O Auto de Infração ao ser aplicado no presente caso, não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa. Nesta última hipótese, o infrator não pagará nenhum valor, desde que cumpridas as disposições legais Nesse sentido, dispõe o art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. § 2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. Fl. 108DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 § 3º A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de ofício para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. Os valores aplicados em auto de infração pela omissão justificamse pelo fato da importância dos esclarecimentos para administração previdenciária. As informações prestadas auxiliarão na fiscalização das contribuições arrecadadas em prol da Previdência Social. Com relação a quais os fundamentos para o fiscal aplicar uma multa de R$ 11.951,21 se a lei explicita que a multa a ser aplicada deve ser a partir de R$ 6.361,73, ressaltese o que dispõe o art. 373 do RPS, quanto ao reajuste das multas: Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Destacase que o Decreto 5.443/2005 dispõe acerca dos percentuais de reajuste de benefícios e que consubstanciado nos índices estabelecidos no referido decreto foi editada a portaria 822/2005, que assim dispõe: PORTARIA MPS Nº 822, DE 11 DE MAIO DE 2005 – DOU DE 12/05/2005 O MINISTRO DE ESTADO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, no uso da atribuição que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal, CONSIDERANDO as Emendas Constitucionais nº 20, de 15 de dezembro de 1998, e nº 41, de 19 de dezembro de 2003, que modificaram o sistema de previdência social; CONSIDERANDO as Leis nºs 8.212 e 8.213, ambas de 24 de julho de 1991, que dispõem, respectivamente, sobre a organização da Seguridade Social e institui o Plano de Custeio e os Planos de Benefícios da Previdência Social; CONSIDERANDO as Medidas Provisórias nº 2.18713, de 24 de agosto de 2001, que dispõe sobre o reajuste dos benefícios da Previdência Social, e nº 248, de 20 de abril de 2005, que dispõe sobre o salário mínimo a partir de 1º de maio de 2005; CONSIDERANDO o Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999; CONSIDERANDO o Decreto nº 5.443, de 9 de maio de 2005, que dispõe sobre o reajuste dos benefícios mantidos pela Previdência Social a partir de 1º de maio de 2005, resolve: (...) Art. 8º A partir de 1º de maio de 2005: V o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do Regulamento da Previdência Social RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada (art. 283), varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.101,75 (um mil cento e um reais e setenta e cinco centavos) a R$ 110.174,67 (cento e dez Fl. 109DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.003365/200759 Acórdão n.º 240101.705 S2C4T1 Fl. 100 15 mil cento e setenta e quatro reais e sessenta e sete centavos);(grifo nosso) QUANTO A INCONSTITUCIONALIDADE Quanto ao argumento de que autuação não merece prosperar, tendo em vista a infração encontrase prevista apenas em Decreto, ferindo princípios constitucionais, também não lhe assiste razão. NO que tange a argüição de inconstitucionalidade/ilegalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis a aplicação da presente autuação. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo. Fl. 110DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. Desse modo, a autuação deve persistir. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, rejeitar as preliminares suscitadas e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, julgando procedente o lançamento efetuado. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 111DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 16327.003407/2003-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 06/01/1999 a 22/01/1999
Ementa: CPMF. AÇÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO.
APLICAÇÃO PELA AUTORIDADE JULGADORA. POSSIBILIDADE.
A decisão judicial transitada em julgado favoravelmente ao sujeito passivo, a
respeito de matéria objeto de auto de infração, deve ser aplicada ao caso
concreto pela autoridade julgadora.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-001.094
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da redatora designada. Vencidos os
conselheiros José Antonio Francisco, relator, e Alan Fialho Gandra. Designada a conselheira
Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor.
Matéria: CPMF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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AÇÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. APLICAÇÃO PELA AUTORIDADE JULGADORA. POSSIBILIDADE. A decisão judicial transitada em julgado favoravelmente ao sujeito passivo, a respeito de matéria objeto de auto de infração, deve ser aplicada ao caso concreto pela autoridade julgadora. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da redatora designada. Vencidos os conselheiros José Antonio Francisco, relator, e Alan Fialho Gandra. Designada a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator (Assinado digitalmente) Fl. 9DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.003407/200305 Acórdão n.º 330201.094 S3C3T2 Fl. 2 2 Fabiola Cassiano Keramidas Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de retorno de diligência, aprovada pela Resolução no 20100.648, de 07 de novembro de 2006, da antiga Primeira Câmara do 2o Conselho de Contribuintes (fls. 365 a 368), cujo relatório foi o seguinte: Tratase recurso voluntário (fls. 224 a 270), apresentado em 16 de maio de 2006 contra o acórdão 12.383, de 6 de março de 2006, da DRJ em Campinas / SP (fls. 212 a 220), que considerou procedente o lançamento, relativamente a auto de infração de CPMF dos períodos de 6 a 22 de janeiro de 1999, nos seguintes termos: “Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF “Anocalendário: 1999 “Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. PROCESSO ADMINISTRATIVO. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. “A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente, reputandose o crédito tributário definitivamente constituído na esfera administrativa. “LANÇAMENTO DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. “Ainda que suspensa a exigibilidade do crédito tributário, devem incidir os juros de mora, ex vi do disposto no artigo 161 do Código Tributário Nacional, salvo nos casos de depósito integral. “JUROS DE MORA. TAXA SELIC. “É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora em percentual superior a 1%. A partir de 01/01/1995 os juros de mora serão equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC. “LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS. LIMITAÇÃO CONSTITUCIONAL. “A limitação constitucional à cobrança de juros reais superiores a 12% ao ano não é autoaplicável, carecendo de Fl. 10DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.003407/200305 Acórdão n.º 330201.094 S3C3T2 Fl. 3 3 regulamentação para se efetivar, regulamentação que não aconteceu até que o dispositivo constitucional fosse revogado. “Lançamento Procedente” A interessada tomou ciência do acórdão em 13 de abril de 2006 (fl. 223). O auto de infração foi lavrado em 30 de setembro de 2003 e, segundo o termo de verificação fiscal (fls. 74 a 77), relativamente ao mês de janeiro de 1999, os valores foram apurados a partir de demonstrativo apresentado pela interessada. Ademais, esclareceu que os fatos geradores estariam abringidos pelas ações judiciais 97.01036271 e 99.02.288189 (ação cautelar), que discutiam a incidência da CPMF nas operações relacionadas na Portaria MF n. 6, de 1997. Como a interessada obteve liminar, em agravo regimental, no âmbito da ação cautelar, a exigibilidade do crédito estaria suspensa. No recurso, após referirse à sua tempestividade à garantia de instância, defendeu a possibilidade de discussão da matéria nas vias administrativas, uma vez que nunca teria renunciado a tal direito. Ademais, se reconhecido o direito substancial administrativamente, a ação judicial haveria de ser extinta por falta de interesse de agir das partes. Citou ementas e decisões administrativas que trataram do assunto. A seguir, alegou que o lançamento seria ilegal e inconstitucional, em face de as operações tributadas serem de natureza financeira, “tais como as operações realizadas pelas instituições financeiras”. Citou opinião da doutrina e ementas de acórdãos do Superior Tribunal de Justiça. As disposições legais envolvidas, segundo a recorrente, ofenderiam o princípio da isonomia e as portarias ministeriais contrariariam a legislação. Mencionou, ainda, legislação recente da Cofins, que trataria as sociedades de arrendamento mercantil como instituições financeiras. Ademais, teriam sido indevidamente incluídos os juros moratórios na exigência, uma vez que a exigibilidade do crédito tributário estaria suspensa, inexistindo “dívida exigível”. O arrolamento foi apresentado na fls. 288 e 289. A diligência foi requerida nos seguintes termos: Constatouse nos autos que a interessada teria efetuado depósitos de montante integral dos valores discutidos na ação judicial, sem, no entanto, ter havido confirmação. Dessa forma, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, a fim de que a seção competente da Delegacia da Fl. 11DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.003407/200305 Acórdão n.º 330201.094 S3C3T2 Fl. 4 4 Receita Federal de origem verifique a existência de depósitos judiciais, seu montante, integralidade ou não e se situação atual, apresentando demonstrativo, se necessário. Após a ciência da interessada, deverseá abrir prazo de trinta dias para manifestação, com retorno dos autos para julgamento. Em atendimento à diligência, a Fiscalização lavrou o termo de fl. 378, com o seguinte teor: No que pertine ao requerimento acostado às fls. 359/360, acompanhado de cópia de recolhimento (fl. 361) e planilha com a relação de créditos da CPMF (fl.362/363), algumas observações devem ser consignadas: 1 o débito cujo vencimento se deu em 13/01/1999 está com o valor de R$ 35.499,78 na planilha (fl. 362), enquanto o valor principal da CPMF lançada para o mesmo fato gerador no Auto de Infração é de R$ 21.451,76; o contribuinte deve esclarecer esta divergência, comprovando que o crédito tributário aqui evidenciado também foi abarcado pelo depósito; para os demais créditos da CPMF controlados nestes autos, cujos vencimentos ocorreram em 20/01/99, 27/01/99 e 03/02/99, também se verificam diferenças de alguns centavos entre os valores lançados e aqueles constantes na planilha (fl. 362), recomendandose que o interessado também apresente informações quanto a este tópico; 2 além do recolhimento informado pelo interessado e comprovado pela DEINF/SPO/SEPAC (fl.370), o sistema SINAL indica a existência de dois outros depósitos efetuados nos autos da Apelação n°. 1999.02.01.0535461, conforme pesquisas acostadas às fls. 373/374; deve o interessado apresentar cópias autenticadas de todos os depósitos que efetuou nos precitados autos judiciais, esclarecendo se, eventualmente, os depósitos complementares visaram a alcançar especificamente os créditos da CPMF lançados neste PAF, apresentando planilha com os cálculos que entender necessários; 3 por fim, cumpre assinalar que todos os depósitos foram realizados sem a inclusão das multas de mora; uma vez que a sentença denegatória de segurança (fls. 181/189) foi publicada em 29/06/1999 (fl. 377), as multas de mora não eram exigíveis para depósitos efetuados até o final do mês de julho de 1999, conforme determina a Lei 9430/96, em seu artigo 63 § 2°; os recolhimentos até aqui identificados ocorreram em agosto de 2000; portanto, o sujeito passivo deve esclarecer o não recolhimento das multas moratórias ou providenciar depósito complementar de quantia equivalente ao montante de multas de mora incidente sobre os créditos tributários exigidos nestes autos. Em face ao exposto, para viabilizar o atendimento da diligência presentemente considerada, proponho a elaboração de Termo de Fl. 12DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.003407/200305 Acórdão n.º 330201.094 S3C3T2 Fl. 5 5 Intimação para que o interessado apresente os esclarecimentos e os documentos acima consignados. Intimada, a Interessada apresentou a resposta de fls. 404 a 407, alegando, em relação ao primeiro item, que o valor referirseia à diferença entre o valor apurado pela Fiscalização e o depositado. As demais diferenças contidas nos autos seriam indevidas, por estarem depositadas judicialmente, conforme tabela de fl. 405. No tocante ao segundo item, esclareceu que “os valores depositados, em 09.08.2000, e, em 16.08.2000, refletidos nos demonstrativos acostados às folhas 373/374, nos valores, respectivamente, de R$ 154.888,89 (cento e cinquenta e quatro mil, oitocentos c oitenta e oito reais e oitenta e nove centavos), e de R$ 249,70 (duzentos e quarenta e nove Reais e setenta centavos) (doc. n° 04), perfazendo, em conjunto, a_quantia de R$ 15 .138,59 (cento e cinquenta e cinco mil, cento e trinta e oito reais e cinqüenta e nove centavos), foram efetuados objetivando a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários de CPMF, posteriormente lançados nos presentes autos.” Relativamente ao terceiro item, a Interessada esclareceu “que, em que pese a prolação de sentença desfavorável nos autos do Mandado de Segurança n° 9701036271, os créditos tributários objeto da presente autuação sempre estiveram com sua exigibilidade suspensa, não apenas em razão do depósito de seu montante integral, mas também por força de decisão (doc. no 05) proferida nos autos da Medida Cautelar n° 99.02.288189, ajuizada em 23.07.1999, decisão esta posteriormente confirmada por acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (doc. 06).” A Fiscalização, então, lavrou o termo de fls. 433 a 435, concluindo que, relativamente aos dois primeiros itens, não houve depósitos; relativamente ao terceiro, concluiu que “não se verifica direito ao recolhimento em agosto de 2000 do principal sem a multa moratória”, uma vez que só a impetração da ação judicial não geraria a suspensão da exigibilidade, complementando: Da análise da movimentação do processo (fls. 421 a 432) não se verifica até o final de agosto de 99 qualquer decisão que restabelecesse o direito ao impetrante das condições da liminar concedida nos autos 97.01036271, assim os efeitos da sentença proferidos nesta última permaneceram em vigor até a decisão anexada pelo interessado em fls. 414 a 420. O processo retornou ao Carf e foi devolvido para resposta da Interessada, apresentada nas fls. 441 a 444, destacandose o seguinte: Entretanto, a discussão acerca da suficiência do depósito judicial realizado é totalmente inócua, haja vista que o Superior Tribunal de Justiça proferiu decisão, nos autos do Recurso Especial n° 1.099.320 (Processo Originário n° 97.01.036271) (doc. n° 02), reconhecendo o direito liquido e certo do Requerente à aplicação da alíquota zero da CPMF em relação às operações por ele realizadas para a consecução do seu objeto social (arrendamento mercantil), nos seguintes termos: "Processual Civil e tributário. CPMF. Alíquota zero. Empresas que realizam arrendamento mercantil. Equiparação às instituições financeiras. Precedentes desta Corte Superior. Recurso especial provido." (grifamos) Fl. 13DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.003407/200305 Acórdão n.º 330201.094 S3C3T2 Fl. 6 6 Essa decisão, inclusive, já TRANSITOU EM JULGADO (doc. n° 03), tornandose, portanto, inquestionavelmente definitiva, razão pela qual dúvidas não restam quanto a inequívoca extinção dos créditos tributários discutidos por meio do presente processo administrativo, na forma do artigo 156, inciso X, do Código Tributário Nacional, que dispõe: "Art. 156. Extinguem o crédito tributário: X a decisão judicial passada em julgado.” (grifamos) Por conseguinte, tendo em vista que a decisão judicial transitada em julgado, proferida nos autos Mandado de Segurança n° 97.01.036271, reconheceu expressamente que o Requerente tem direito incidência da alíquota zero da CPMF nas operações de arrendamento mercantil por ele praticadas, prevista no artigo 8°, inciso III, da Lei n° 9.311/1996, concluise que os créditos tributários de CPMF constituídos através do presente processo administrativo, supostamente incidentes sobre as movimentações financeiras decorrentes de operações de arrendamento mercantil praticadas pelo Requerente, no mês de janeiro de 1999, já foram extintos, na forma prevista pelo artigo 156, inciso X, do Código Tributário Nacional. Com base nessas considerações, entende o Requerente que a discussão envolvendo a suficiência ou não do depósito judicial realizado completamente desnecessária e infrutífera, tendo em vista que os créditos tributários de CPMF aqui discutidos, bem como todas as exigências fiscais deles decorrentes (ai incluídos juros e ate mesmo a multa moratória supostamente incidente) devem ser integralmente cancelados, na forma do artigo 156, inciso X, do Código Tributário Nacional. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, razões pelas quais se deve dele tomar conhecimento. Após a realização da diligência, verificouse a insuficiência de depósitos e o trânsito em julgado da ação. Em julgamento monocrático de 13 de junho de 2009 (https://ww2.stj.jus.br/websecstj/decisoesmonocraticas/frame.asp?url=/websecstj/cgi/revista/R EJ.cgi/MON?seq=5508809&formato=PDF), o Superior Tribunal de Justiça decidiu o seguinte no REsp no 1.099.320 (números de origem: 1999.02010535461 e 97.01036271): Processual civil e tributário. CPMF. Alíquota zero. Empresas que realizam arrendamento mercantil. Equiparação às Fl. 14DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.003407/200305 Acórdão n.º 330201.094 S3C3T2 Fl. 7 7 instituições financeiras. Precedentes desta Corte Superior. Recurso especial provido. O fato de haver trânsito em julgado não afasta a renúncia às instâncias administrativas e a competência para aplicar a decisão judicial. Conforme esclarecido no relatório, a presente autuação referiu aos períodos de apuração abrangidos por ação judicial apresentada pela interessada e, nesse contexto, conforme jurisprudência pacífica do 2º Conselho de Contribuintes (destaquemse os acórdãos 20308918, 20308920, 20307883, 20307694, 20307695, 20307675 e 20213285, deste 2º Conselho de Contribuintes), a apresentação de ação judicial pelo sujeito passivo implica a renúncia às instâncias administrativas, nos termos do Ato Declaratório Normativo Cosit n. 3, de 14 de fevereiro de 1996. A conclusão decorre do fato de que a decisão judicial prevalece necessariamente sobre a administrativa e faz lei entre as partes, sendo irrelevante ao caso que a ação tenha sido apresentada antes ou depois do lançamento ou se o processo judicial foi arquivado com ou sem julgamento do mérito. Não há, ademais, ofensa ao direito de defesa, que deve ser exercido, a partir da propositura da ação judicial, no âmbito do Poder Judiciário. Vejase, ademais, que podem ser objeto de processo administrativo as discussões a respeito de inconstitucionalidade de lei. A questão passa por definir a natureza do processo administrativo, havendo opiniões de que se trata de mero procedimento; ou de processo, sem jurisdição; ou, ainda, de processo com função jurisdicional. Nesse último entendimento, que engloba os demais, argumentase, ainda, que o princípio da separação dos poderes não implicaria a exclusividade do Judiciário para decidir questões de constitucionalidade de leis, de forma que seria possível ao Executivo exercer verdadeira função jurisdicional. Entretanto, é elementar que a separação de poderes implica privilégio no exercício das funções. Tanto que, em princípio, cabe ao Legislativo a função precípua de criar as leis; ao Judiciário, a função jurisdicional; e ao Executivo, a função administrativa. Embora cada Poder possa exercer alguma das outras funções, esse exercício é limitado e, na maioria das vezes, visa garantir a sua autonomia. Portanto, sendo óbvio que cabe ao Poder Judiciário a função jurisdicional, é também óbvio que essa função, quando realizada pelo Judiciário, não pode comportar limites quanto à ampla defesa e ao contraditório. No entanto, tal raciocínio não pode ser aplicado aos tribunais administrativos. O termo “ampla defesa” deve ser interpretado de forma relativa, levandose em conta as diferenças entre o processo judicial e o administrativo. Reforçase, assim, o argumento de que não faz sentido tratar, em processo administrativo, de matéria levada ao clivo judicial. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.003407/200305 Acórdão n.º 330201.094 S3C3T2 Fl. 8 8 Portanto, a decisão judicial deve ser aplicada pela autoridade fiscal (Delegado ou Inspetor da Receita Federal do Brasil) com jurisdição sobre o estabelecimento da Interessada, nos termos do Ato Declaratório Normativo Cosit no 3, de 1996: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso da atribuição que lhe confere o art. l47, item III, do regimento interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de l992, e tendo em vista o Parecer COSIT nº 27/96. DECLARA, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; b) consequentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p. ex., aspectos formais do lançamento, base de cálculo etc.); c) no caso da letra "a", a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. l49 do CTN; d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá a inscrição em dívida ativa, deixando se de fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança), do art. 151 do CNT; e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento do mérito (art. 267 do CPC). Como a exigibilidade do crédito tributário ficou suspensa em função da impugnação de lançamento, após o fim da discussão administrativa, caberá à autoridade fiscal competente a aplicação da decisão judicial ao caso dos autos. Dessa forma, restou à análise de mérito do recurso apenas as alegações relativas aos juros de mora, que, segundo a recorrente, não poderiam ser exigidos, em função da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Ocorre que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário implica tão somente a impossibilidade temporária da cobrança do crédito. Não se trata de suspensão do crédito tributário, nem de suspensão da obrigação tributária, ou de suspensão do vencimento. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.003407/200305 Acórdão n.º 330201.094 S3C3T2 Fl. 9 9 O vencimento da obrigação ocorre na data estabelecida em lei e não sofre alteração em face de o crédito tributário haver sido suspenso. O conceito de mora, da forma como alegada pela interessada, não tem aplicação no Direito Tributário, uma vez que o art. 161 do CTN dispõe que, não efetuado o pagamento na data prevista em lei, incidem os juros de mora, “qualquer que seja o motivo determinante da falta”. Ademais, a suspensão da exigibilidade tem apenas a função de impedir a cobrança enquanto se discute a procedência do crédito tributário ou enquanto sua exigência fique submetida à condição suspensiva, como o caso de moratória ou parcelamento, em casos em que o sujeito passivo resolva questionar a exigência ou aderir à condição prevista em lei. No momento em que apresenta impugnação de lançamento ou em que requeira ao Judiciário a concessão de medida liminar, o sujeito passivo assume o risco de sua iniciativa, e não o fisco. Assim, se não tiver razão o contribuinte, enfrentará as consequências legais do não pagamento do tributo no prazo. À vista do exposto, voto por não tomar conhecimento da matéria submetida ao exame do Judiciário e, no restante, por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Voto Vencedor Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, RedatoraDesignada Conforme relatado, a diligência comprovou a insuficiência de depósitos, mas confirmou o trânsito em julgado da ação em favor da recorrente. Considerando que a apresentação da ação judicial implicaria renúncia às instâncias administrativas, concluiu o relator que não existiria litígio em relação à exigência principal, analisando apenas as questões secundárias propostas no recurso, e que caberia à autoridade fiscal aplicar a decisão judicial transitada em julgado ao caso dos autos. Seria o caso de aplicaremse ao caso a Súmula Carf no 1 e o art. 78, § 2º, do Regimento Interno do Carf. Não se trata, no caso, da aplicação do dispositivo acima citado do regimento, uma vez que não houve apresentação do recurso anteriormente à propositura da ação judicial. Ademais, ainda que tenha apresentado a ação, o recurso da Interessada seria conhecido em parte e julgado, implicando manifestação deste Conselho a seu respeito. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.003407/200305 Acórdão n.º 330201.094 S3C3T2 Fl. 10 10 Nesse diapasão, não faz sentido conhecer do recurso e julgar matéria que sequer tem utilidade para o processo. Vale dizer, a que se presta o julgamento de parte da matéria, se o cancelamento do auto de infração é pressuposto para sua apreciação? Portanto, ou se aprecia a totalidade do recurso, à vista de existir decisão judicial transitada em julgado, ou dele não se conhece, também na totalidade, por se pressupor seu cancelamento pela autoridade fiscal de origem. Entretanto, não faz sentido deixarse de apreciar uma matéria tendo como pressuposto o fato de que a autoridade fiscal deverá apreciála de forma favorável ao contribuinte, pela aplicação da decisão judicial transitada em julgado. Isso porque o conhecimento da matéria é inevitável, ainda que assim não admita o relator. Se se deve conhecer da matéria, então nada obsta que assim se proceda de forma conclusiva, julgando o recurso com a aplicação da decisão judicial. Portanto, havendo decisão judicial transitada em julgado favorável ao contribuinte, segundo a qual se aplica ao caso a alíquota zero, voto por conhecer do recurso para lhe dar provimento, concluindo pela improcedência da autuação fiscal. (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas Fl. 18DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.001289/2007-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2006
INCLUSÃO RETROATIVA.
O provimento do pedido para inclusão retroativa no Simples possui natureza declaratória, daí porque se na data em que a opção deveria ter sido regularmente formalizada a pessoa jurídica não possuía as condições legais para ingressar nessa forma simplificada de pagamento de tributos federais, não há como acolher o pleito de inclusão retroativa..
Numero da decisão: 1201-000.470
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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O provimento do pedido para inclusão retroativa no Simples possui natureza declaratória, daí porque se na data em que a opção deveria ter sido regularmente formalizada a pessoa jurídica não possuía as condições legais para ingressar nessa forma simplificada de pagamento de tributos federais, não há como acolher o pleito de inclusão retroativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Antonio Carlos Guidoni Filho e Regis Magalhães Soares de Queiroz. Relatório Fl. 44DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10980.001289/200726 Acórdão n.º 120100.470 S1C2T1 Fl. 41 2 Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Conforme relatado no despacho decisório de fl. 6, a autoridade tributária indeferiu o pedido da contribuinte para sua inclusão retroativa no Simples Federal (fl. 2), sob o argumento de existência de débitos da pessoa jurídica inscritos em dívida ativa da União com exigibilidade não suspensa (fl. 5), situação essa que impediria sua inclusão no sistema simplificado, a teor do disposto no art. 9º, XV, da Lei nº 9.317/96. Apresentada manifestação de inconformidade (fl. 9), a DRJ de origem decidiu pelo indeferimento do pleito da interessada (fls. 27/28). Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fl. 33) pedindo seja reformada a decisão de primeiro grau, alegando, em síntese, que não existem débitos em aberto junto à RFB e à PGFN, pois os débitos encontramse todos parcelados. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Opção pelo Simples Federal Embora não tenha sido expressamente mencionado pela interessada, é possível concluir que sua solicitação de inclusão retroativa referese ao anocalendário de 2006. Isso porque em seu pedido, protocolizado em 31/01/2007, a contribuinte demonstra preocupação sobre a eventual impossibilidade de apresentar sua declaração pelo modelo simplificado, já que no CNPJ não constava sua opção pelo Simples. De ver, ainda, que relativamente aos anoscalendários de 2004 e 2005 a contribuinte apresentou DIPJ com opção pelo lucro presumido. Por outro lado, o pedido de inclusão retroativa não poderia referirse ao ano de 2007, pois na data em que foi protocolizado ainda encontravase aberto o prazo regular de adesão ao Simples para aquele período. Pois bem, o assim chamado “pedido de inclusão retroativa” tem a natureza jurídica de um pedido para que a Administração Tributária “declare” que, apesar de a contribuinte não haver regularmente formalizado sua opção pelo Simples, tal opção foi realizada, pois restou comprovada a intenção inequívoca da pessoa jurídica em optar por esta forma simplificada de pagamento de tributos federais. É o que dispõe o ADI nº 16/2002, verbis: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o disposto no art. 8° da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, no art. 16 da Fl. 45DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10980.001289/200726 Acórdão n.º 120100.470 S1C2T1 Fl. 42 3 Instrução Normativa SRF n° 34, de 30 de março de 2001, e no processo 10168.004370/200237, declara: Artigo único. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. Parágrafo único. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada. Uma vez que o provimento possui natureza declaratória, é necessário investigar se na data em que a opção pelo Simples deveria ter sido regularmente formalizada a contribuinte efetivamente atendia aos requisitos exigidos na legislação para exercêla. Sobre o assunto a Instrução Normativa SRF nº 608/2006 assim estabelece: Art. 16. A opção pelo Simples darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou de empresa de pequeno porte no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto: (...) § 1º A pessoa jurídica, inscrita no CNPJ, formalizará sua opção para adesão ao Simples, mediante alteração cadastral. (...) Art. 17. A opção exercida de conformidade com o art. 16 será definitiva para todo o período a que corresponder e submeterá a pessoa jurídica à sistemática do Simples a partir: I do primeiro dia do anocalendário da opção, na hipótese do § 1º do art. 16, se aquela for exercida no mês de janeiro; (...) No caso, a interessada possuía débitos cuja inscrição em dívida ativa da União remonta a 22/09/2005 (fl. 5), e cuja exigibilidade somente veio a ser suspensa em 30/08/2006, com a adesão da contribuinte ao parcelamento de que cuida a Medida Provisória nº 303/2006 (fls. 13/18). Em outras palavras, em janeiro de 2006, mês em que deveria ter regularmente exercido a opção pelo Simples, a contribuinte estava juridicamente impedida de fazêlo por força do disposto no art. 9º, XV, da Lei nº 9.317/96. 3) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 46DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10980.001289/200726 Acórdão n.º 120100.470 S1C2T1 Fl. 43 4 (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 47DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO
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Numero do processo: 10855.004132/2002-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2002
NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL.
DESISTÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 1,
DE 2009.
No termos da Súmula CARF nº 1, de 2009, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 2.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, de 2009, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2002
LANÇAMENTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDA JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE DEPÓSITO INTEGRAL. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA.
É cabível o lançamento de juros de mora na constituição de crédito tributário destinado a prevenir a decadência, quando a exigibilidade houver sido suspensa por força de medida judicial, sem o depósito do montante integral.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2002
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4,
DE 2009.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, de 2009, a partir de 1º de abril de 1995 os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário não conhecido em parte, face à opção pela via
judicial, e negado provimento no restante.
Numero da decisão: 3401-001.475
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por maioria de votos de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, que conhecia do recurso para aplicar a decisão judicial, por ter transitado em julgado antes deste julgamento administrativo.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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Recorrente ARJO WIGGINS LTDA Recorrida DRJ RIBEIRÃO PRETOSP ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2002 NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. DESISTÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 1, DE 2009. No termos da Súmula CARF nº 1, de 2009, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF nº 2, de 2009, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2002 LANÇAMENTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDA JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE DEPÓSITO INTEGRAL. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. É cabível o lançamento de juros de mora na constituição de crédito tributário destinado a prevenir a decadência, quando a exigibilidade houver sido suspensa por força de medida judicial, sem o depósito do montante integral. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2002 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10855.004132/200283 Acórdão n.º 3401001.475 S3C4T1 Fl. 686 2 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4, DE 2009. Nos termos da Súmula CARF nº 4, de 2009, a partir de 1º de abril de 1995 os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário não conhecido em parte, face à opção pela via judicial, e negado provimento no restante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, que conhecia do recurso para aplicar a decisão judicial, por ter transitado em julgado antes deste julgamento administrativo. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Presidente (assinado digitalmente) Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ewan Teles Aguiar, Odassi Gerzoni Filho, Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça e Júlio César Alves Ramos. Relatório O processo trata do Auto de Infração de fls. 120/130, relativo à Contribuição para o PIS Faturamento, períodos de apuração 02/1999 a 06/2002, lançado com juros de mora, mas sem multa de ofício. O crédito tributário foi lançado para prevenir a decadência, com a exigibilidade suspensa. Conforme Termo de Constatação Fiscal de fl. 119, foi impetrado o Mandado de Segurança de nº 1999.61.10.0010024, no qual houve a concessão de liminar, confirmada por sentença, garantindo ao contribuinte o direito de recolher o PIS sem a ampliação da base de cálculo promovida pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Ainda segundo o referido Termo, a empresa “deixou de incluir, a partir de fevereiro de 1999, na base de cálculo da contribuição devida a título de PIS, o valor das receitas financeiras e das outras receitas operacionais” e “adota o procedimento irregular de excluir as despesas financeiras e as outras despesas operacionais.” (fl. 119, itens 1 e 3). Após a Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes anular o lançamento em virtude de vício formal no lançamento (Acórdão nº 20310262, de fls. 407/433), a CSRF deu provimento a recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, determinando o retorno dos autos para reanálise do Recurso Voluntário de fls. 274/332. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10855.004132/200283 Acórdão n.º 3401001.475 S3C4T1 Fl. 687 3 Afora a argüição de nulidade do lançamento em virtude de irregularidade no MPF – questão já superada à vista do Acórdão da CSRF , o Recurso Voluntário insiste na improcedência do Auto de Infração, tecendo considerações sobre o conceito de receita e o caráter precário e temporal das variações cambiais, arguindo que para fins da base de cálculo da Contribuição só podem ser consideradas as entradas a título definitivo e que nos contratos de hedge/swap só haver incidência por ocasião de cada liquidação. Com relação às exportações, expõe o procedimento contábil adotado, de debitar ou creditar mensalmente conta do ativo, em contrapartida unicamente à conta Variação Monetária Ativa, conforme a moeda se desvalorize ou se valorize em relação à moeda estrangeira, e defende que as receitas de variação cambial decorrentes de exportação submetemse à isenção de que trata o art. 14, II e § 1º, da MP nº 2.13535/2001/2001, ou então à imunidade estatuída no § 2º, I do art. 149 da Constituição, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 33, de 11/12/2001. Insurgese contra a aplicabilidade de juros de mora, em virtude da matéria encontrarse sub judice, e, reportandose ao art. 38 da Lei nº 6.830/80, aduz que no caso em tela não houve renúncia à esfera administrativa, posto que a ação judicial é anterior ao lançamento. Para reforçar seu entendimento, menciona doutrina, bem como a exposição de motivos da referida Lei e o art. 51 da Lei nº 9.784/99. Este último teria revogado o parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80, por incompatibilidade. Também afirma que os objetos das ações judicial e administrativa são distintos. Tratando da competência deste órgão administrativo, afirma que não pretende seja declarada inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma, mas que sejam aplicados os princípios constitucionais. Por último, insurgese novamente contra a taxa Selic. Após o julgamento da CSRF a Recorrente informou que o Mandado de Segurança nº 1999.61.10.0010024 já chegou ao fim, anexando cópias da referida ação mandamental (fls. 533/676). Ao Recurso Extraordinário interposto pela contribuinte, que tramitou sob o nº 469130, o STF deu provimento levando em conta a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (ver cópia da decisão do Min. Cezar Peluso à fl. 675, prolatada com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC). Pronunciandose sobre essa nova documentação acostada pela Recorrente, a Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 680/683), primeiramente, observa que o lançamento contempla, na base de cálculo do PIS, receitas financeiras e outras receitas operacionais. Em seguida observa que a decisão proferida pelo STF não impõe a exclusão de todas as receitas financeiras constantes do presente lançamento. Chamando atenção para a jurisprudência do Colendo Tribunal adotada pelo Min. Cezar Peluso ao decidir o Extraordinário da Recorrente, afirma: “... para a Corte Suprema, não há vedação constitucional absoluta para que uma determinada receita, ainda que financeira, seja enquadrada como faturamento, o que depende do objeto social da empresa e da identificação daquele como receita operacional.” Requer a PFN, ao final, seja negado provimento ao Recurso Voluntário, por entender não haver completa incompatibilidade entre o lançamento e a decisão transitada em julgado já que a Fiscalização incluiu receitas financeiras e outras receitas operacionais decorrentes da atividadefim da Recorrente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10855.004132/200283 Acórdão n.º 3401001.475 S3C4T1 Fl. 688 4 É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator Retorna o processo da CSRF para reanálise, haja vista o provimento do Especial interposto pala Procuradoria da Fazenda Nacional. Cabe, então, revisitar as matérias constantes do Recurso Voluntário, exceto a atinente à preliminar de nulidade por vício no MPF, já decidida de forma definitiva por aquela Egrégia Câmara. PARTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO SUBMETIDA AO JUDICIÁRIO: RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA Como o Auto de Infração objeto deste processo se refere tãosomente às receitas tributadas com base no § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98 – tanto assim que o crédito tributário foi constituído com a exigilidade suspensa em face do Mandado de Segurança de nº 1999.61.10.0010024, onde se discute exatamente a ampliação da base de cálculo promovida pelo mencionaco parágrafo , em função da concomitância com a via judicial descabe conhecer do Recurso Voluntário, em relação à tributação (ou não) dessas receitas. Cabe ao órgão de origem cumprir os exatos termos do provimento judicial transitado em julgado no referido mandamus, que conforme o sítio do TRF da 3ª Região Fiscal na internet, Fórum Sorocaba, em 24/08/2007 foi baixado em definitivo ao arquivo (acesso em 03/08/2011, endereço eletrônico http://www.jfsp.jus.br/forunsfederais, numeração atual 000100223.1999.4.03.6110). A Certidão de Objeto e Pé com cópia às fls. 384/385, emitida em 04/02/2004, dá conta do seguinte, acerca da ação mandamental em comento, impetrada pela antecessora da contribuinte, Indústria de Papel de Salto LTDA: foi prolatada sentença concedendo o direito ao recolhimento do PIS com a base de cálculo prevista na LC nº 7/70 e Lei nº 9.715/98, sem a incidência do art. 3º da Lei nº 9.718/98, bem como o direito à compensação dos créditos recolhidos indevidamente, pago em 15 de março de 1999; apelação e remessa oficial foram providas, conforme acórdão publicado em 15/10/2003; embargos de declaração opostos pela impetrante foram rejeitados em 12/11/2003; autorização para realização de depósito judicial foi indeferida; recurso extraordinário foi interposto. No Recurso Recurso Extraordinário, que tramitou sob o nº 469130, o Min. Cezar Peluso prolatou em 19/09/2006 decisão monocrática com fundamento no art. 557, § 1º A, do CPC, concedendo a ordem para “excluir, da base de cálculo de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento da recorrente”, entendido no seu significado estrito, de “receita buta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” (cf. RE nºs 346.084PR, 357.950 RS, 358.273RS e 390.840MG, todos julgados em 09/11/2005). Embora a PFN tenha argüido que não haveria completa incompatibilidade entre o lançamento e a decisão transitada em julgado, já que a Fiscalização teria incluído receitas financeiras e outras receitas operacionais decorrentes da atividadefim da Recorrente, não verifico quais as receitas comporiam o faturamento, nos termos estritos delimitados pelo STF (sem o alargamento introduzido pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98, que foi julgado inconstitucional). É que, como já dito, todo o crédito tributário do presente auto de infração foi Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10855.004132/200283 Acórdão n.º 3401001.475 S3C4T1 Fl. 689 5 lançado com a exigibilidade suspensa tendo em conta o Mandado de Segurança de nº 1999.61.10.0010024. Se tivessem sido computadas neste lançamento receitas tributadas com base na LC nº 7/70 e na Lei nº 9.715/98 (sem considerar o alargamento), não haveria qualquer razão para suspensão da exigibibilidade. De todo modo, destaco que nem cabe negar provimento ao Recurso Voluntário, como quer a PFN, nem aplicar nesta oportunidade a decisão do STF que transitou em julgado de modo a cancelar o lançamento, como requer a Recorrente. Na linha do que este Colegiado tem decidido de modo reiterado e uniforme, a parte da peça recursal que questiona a incidência em tela não deve ser conhecida. Por oportuno, observo que as variações monetárias decorrentes de alterações na taxa do câmbio foram tributadas com base no art. 9º da Lei nº 9.718/98, que determina incluir na base de cálculo do PIS e da COFINS, a partir de fevereiro de 1999, as chamadas variações cambiais ativas (ou positivas). O referido art. 9º há de ser interpretado, necessarimente, em conjunto com o § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98, este combatido por meio do Mandado de Segurança mencionado. Como a tributação específica das variações cambiais ativas resulta de norma extraída desses dois textos legais (o § 1º do art. 3º, combinado com o art. 9º, da Lei nº 9.718/98), a concomitância não pode ser afastada e descabe a este tribunal administrativo qualquer pronunciamento sobre, tendo em vista o parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80. Afinal, a propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto da lide administrativa, importa em renúncia a esta. Neste sentido a Súmula CARF nº 1, de 2009 (negrito acrescentado): Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. A despeito de parte da doutrina entender que ação judicial anterior ao lançamento não importa em renúncia à esfera administrativa, o caput do art. 38 da Lei nº 6.830/80 referese expressamente à possibilidade de mandado de segurança, como uma das ações judiciais adequadas para discussão do crédito tributário. Tal discussão pode ser travada não somente após inscrição em Dívida Ativa (como uma leitura literal e açodada do texto de lei em comento poderia levar a crer), mas de antemão, sendo mesmo comum o mandado de segurança preventivo em matéria tributária, impetrado com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário caso sobrevenha o lançamento. O parágrafo único do citado art. 38, por sua vez, é claro ao estipular que "A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto." A ação (no singular) referida no parágrafo único é, na verdade, qualquer uma das ações judiciais passíveis de serem manobradas contra o crédito tributário. Ressaltese que o mandamento do art. 38 da Lei nº 6.830/80 vem de encontro à prevalência do processo judicial sobre o administrativo e ao princípio da eficiência que norteia este último no geral (Lei nº 9.784/99, art. 2º) e, em particular, também o processo administrativo fiscal. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10855.004132/200283 Acórdão n.º 3401001.475 S3C4T1 Fl. 690 6 Quanto ao argumento de que o 51 da Lei nº 9.784/99 teria revogado o parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80, por suposta incompatibilidade, é assaz desarrazoado. Aquele apenas informa que qualquer interessado poderá, mediante manifestação escrita, desistir de pedido formulado administrativamente, sem, no entanto, determinar que essa é a única de forma de renúncia ao processo administrativo. Por outro lado, ainda que a exposição de motivos da Lei nº 9.784/99 sinalizasse no sentido de que o art. 51 da Lei nº 9.784/99 seria incompatível com o parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80, convém observar que a interpretação de toda e qualquer norma jurídica não se vincula à sua origem. O método histórico, tampouco o teleológico, não devem ser empregados com prevalência sobre outros métodos de interpretação. O que o intérprete objetiva, sempre, é identificar o espírito da lei (mens legis). Para tanto é necessário separar a voluntas legis (vontade da lei) da voluntas legislatoris (vontade do legislador), de modo a prevalecer a primeira. O que deve ser buscado é o sentido objetivo da norma, desvinculada dos motivos que a originaram. Neste sentido a lição de Karl Engisch:1 Com o acto legislativo, dizem os objectivistas, a lei desprendese do seu autor e adquire uma existência objectiva. O autor desempenhou o seu papel, agora desaparece e apagase por detrás da sua obra. A obra é o texto, a ‘vontade da lei tornada palavra’, o ‘possível e efectivo conteúdo de pensamento das palavras da lei’. Para não deixar qualquer dúvida quanto à plena eficácia do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80, ressalto que o STF já decidiu pela sua constitucionalidade. Ao finalizar, em 16/08/2007, os julgamentos dos Recursos Extraordinários nº 233.582, 234.277, 234.798, 267.140 e 389.893, a respeitável posição do Min. Marco Aurélio, pela inconstitucionalidade do dispositivo mencionado, restou vencida (ele foi acompanhado pelo Min. Carlos Britto, apenas). Nesses julgamentos, votaram pela constitucionalidade da norma em questão os Ministros Cezar Peluso, Gilmar Mendes, Ellen Gracie, Carlos Velloso, Celso de Mello e Sepúlveda Pertence e Joaquim Barbosa, este último designado para redigir o Acórdão. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDE: MATÉRIA RESERVADA AO JUDICIÁRIO Tal como exposto no voto vencido por ocasião do primeiro julgamento na Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (Acórdão nº 20310262, de fls. 407/433), reafirmo o entendimento da primeira instância, de que argüição de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal é matéria que não pode ser apreciada no âmbito deste processo administrativo. Somente o Judiciário é competente para julgála, nos termos da Constituição Federal, arts. 97 e 102, I, “a”, III e §§ 1º e 2º deste último. Neste sentido, inclusive, a Súmula CARF nº 2, constante da consolidação realizada conforme a Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Destarte, as alegações de inconstitucionalidade contra a taxa Selic não podem ser apreciadas. Do mesmo os argumentos contra a Lei nº 9.718/98, sendo que estes também não são conhecidos em virtude da ação judicial concomitante, como tratado no tópico anterior. 1 ENGISCH, Karl. Introdução ao pensamento jurídico, trad. J. Baptista Machado, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1996, p. 172. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10855.004132/200283 Acórdão n.º 3401001.475 S3C4T1 Fl. 691 7 AÇÃO JUDICIAL SEM DEPÓSITO: APLICAÇÃO DE JUROS DE MORA. Como já dito, o Auto de Infração em questão foi lavrado com a exigibilidade suspensa, em virtude de medida judicial. No lançamento, efetuado para prevenir a decadência, foram aplicados juros de mora porque inexite depósito judicial integral. Referidos juros, que devem ser mantidos, devemse à exigência legal estipulada no art. 161 do CTN, cuja interpretação mais abalizada leva à conclusão de que além do depósito integral, a outra exceção a inibilo é o processo de consulta à legislação tributária. Observese o referido artigo: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Segundo o caput do art. 161 os juros de mora são exigidos “seja qual for o motivo determinante da falta”. A exceção admitida referese a pendência de resposta a consulta sobre a legislação tributária, formulada pelo contribuinte. Enquanto não respondida a consulta, o Fisco se constitui em mora com relação ao consulente. Por dar causa a uma eventual demora no recolhimento do tributo objeto da consulta – se acaso a resposta for para pagar mais do que o contribuinte entende dever, nos termos da consulta formulada – é que não cabe ao Fisco exigir juros de mora. Nas outras hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, em que ao Fisco não cabe a responsabilidade pela mora, como sói acontecer no caso das ações judiciais quando deferida liminar em mandado de segurança ou tutela antecipada, ou ainda quando for o caso de sentença favorável ao contribuinte , cabe o pagamento dos juros de mora, que possuem natureza indenizatória. A propósito, o pronunciamento de Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, São Paulo, Saraiva, 1996, p. 351/352: Sobre os mesmos fundamentos, os juros de mora, cobrados na base de 1% ao mês, quando a lei não dispuser outra taxa , são tidos por acréscimos de cunho civil, à semelhança daqueles usuais nas avenças de direito privado. Igualmente aqui não se lhes pode negar feição administrativa. Instituídos em lei e cobrados mediante atividade administrativa plenamente vinculada, distam de ser equiparados aos juros de mora convencionados pelas partes, debaixo do regime da autonomia da vontade. Sua cobrança pela Administração não tem fins lucrativos, que atemorizem o retardatário ou o desestimule na prática da dilação do pagamento. Para isso atuam as multas Fl. 7DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10855.004132/200283 Acórdão n.º 3401001.475 S3C4T1 Fl. 692 8 moratórias. Os juros adquirem um traço remuneratório do capital que permanece em mãos do administrado por tempo excedente ao permitido. Essa particularidade ganha realce, na medida em que o valor monetário da dívida se vai corrigindo, o que presume manterse constante com o passar do tempo. Ainda que cobrados em taxas diminutas (1% do montante devido, quando a lei não dispuser sobre outro valor percentual), os juros de mora são adicionados à quantia do débito, e exibem, então, sua essência remuneratória, motivada pela circunstância de o contribuinte reter consigo importância que não lhe pertence” A outra exceção a excluir a incidência dos juros de mora, afora a pendência de consulta, é a do inciso II do art. 151 do CTN: depósito integral, seja judicial ou administrativo. Em havendo depósito integral, após o trânsito em julgado o montante depositado será convertido em renda da União, caso o Fisco saia vitorioso na causa, ou então será levantado pelo contribuinte, se este lograr êxito na contenda. Porque a futura conversão do depósito em renda, se for o caso, equivale a um pagamento à vista, descabe o lançamento de juros de mora. Esta não é a situação em tela, em que o lançamento teve a sua exigibilidade suspensa sem ter sido efetuado o depósito do montante equivalente aos créditos tributários questionados judicialmente. No sentido de que cabem juros de mora em lançamento para prevenir a decadência, quando inexistente o depósito do montante integral, cabe transcrever a jurisprudência administrativa abaixo, desta Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. Observese: NORMAS PROCESSUAIS OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL Ação judicial proposta pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional antes ou após o lançamento do crédito tributário com idêntico objeto, impõe renúncia às instâncias administrativas, determinando o encerramento do processo fiscal nessa via, sem apreciação do mérito. PIS LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA Nenhum dispositivo legal ou princípio de direito material ou processual impede o lançamento do crédito tributário, cuja única fronteira legal intransponível é a decadência, e o auto de infração é o meio legal disponível para o fisco efetuálo. JUROS DE MORA São devidos desde a data de vencimento do tributo, nos percentuais da legislação que os regula. Recurso não conhecido, em parte, por opção pela via judicial, e negado na parte conhecida. (Recurso 123275, Ac. 20309239, sessão de 02/12/2003, Recorrente Witco do Brasil LTDA, Relator Conselheiro Otacílio Cartaxo, unanimidade). JUROS SELIC: LEGALIDADE Por último a questão dos juros de mora aplicados com base taxa Selic, que não contém qualquer ilegalidade e não conflitam com qualquer dispositivo do CTN. O tema, de tão pacífico, já contava com súmulas editadas pelos três Conselhos de Contribuintes, conforme o Anexo II da Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009. A Súmula CARF nº 4, de 2009, por sua vez, estabelece: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de Fl. 8DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10855.004132/200283 Acórdão n.º 3401001.475 S3C4T1 Fl. 693 9 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. CONCLUSÃO Pelo exposto, não conheço em parte do Recurso, no que possui o mesmo objeto de ação judicial impetrada contra o § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98 e no que argúi inconstitucionalidade da taxa Selic aplicada como juros moratórios, e na parte conhecida nego provimento. (assina digitalmente) Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 9DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000109/2010-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Exercício: 2006, 2007
INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se
pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.
PROVA. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova cabe a quem alega. Os recolhimentos e parcelamentos que a
recorrente alega ter feito devem ser provados por ela recorrente e não pela
autoridade julgadora.
CIÊNCIA DA NOTIFICAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal
eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da
correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Estando o auto de infração revestido de todas as formalidades legais,
inclusive quanto à descrição dos fatos e enquadramento legal, não há que se
falar em nulidade do mesmo.
INSUMOS. BENS DO ATIVO PERMANENTE. DIREITO AO CRÉDITO.
Existe vedação legal ao crédito do imposto pela entrada no estabelecimento
de bens para o ativo permanente.
CRÉDITO. INSUMOS ISENTAS, SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU
NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE.
A aquisição de matériaprima,
produtos intermediários e material de
embalagem isentas, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na
industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao
creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial.
MULTA DE OFÍCIO.
A multa a ser aplicada em procedimento exofficio,
inclusive sua majoração,
é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do
respectivo crédito tributário. Inexiste legislação superveniente mais benéfica,
há que se manter a multa aplicada.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE.
É legítima a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União
decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da
Receita Federal do Brasil com base na taxa Selic.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.085
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros
Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. PROVA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova cabe a quem alega. Os recolhimentos e parcelamentos que a recorrente alega ter feito devem ser provados por ela recorrente e não pela autoridade julgadora. CIÊNCIA DA NOTIFICAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Estando o auto de infração revestido de todas as formalidades legais, inclusive quanto à descrição dos fatos e enquadramento legal, não há que se falar em nulidade do mesmo. INSUMOS. BENS DO ATIVO PERMANENTE. DIREITO AO CRÉDITO. Existe vedação legal ao crédito do imposto pela entrada no estabelecimento de bens para o ativo permanente. CRÉDITO. INSUMOS ISENTAS, SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem isentas, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 MULTA DE OFÍCIO. A multa a ser aplicada em procedimento exofficio, inclusive sua majoração, é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário. Inexiste legislação superveniente mais benéfica, há que se manter a multa aplicada. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. É legítima a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa Selic. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 11/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a empresa recorrente foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de IPI, relativo a fatos geradores ocorridos nos anos de 2006 e 2007, tendo em vista que a Fiscalização constatou a falta de pagamento de IPI e o lançamento indevido de créditos extemporâneos, posto que sem comprovação de sua existência. Foi lavrado representação fiscal para fins penais e agravado a multa de ofício lançada. Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 8a Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão no 1429.881, de 22/06/2010, cuja ementa abaixo se transcreve. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12571.000109/201031 Acórdão n.º 330201.085 S3C3T2 Fl. 429 3 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE Não se prestam para exame em sede administrativa alegações acerca de inconstitucionalidade ou ilegalidade de normas plenamente vigentes. VÍCIO DE INTIMAÇÃO. INOCORRÊNCIA Não existe vício na intimação ao sujeito passivo quando a notificação, regularmente entregue no domicílio eleito por este, não é assinada por seu diretor ou representante legal. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. OPORTUNIDADE Com a impugnação ocorre a oportunidade da apresentação de provas, precluindo o direito de o impugnante apresentálas em outro momento processual. PEDIDO DE PERÍCIA NEGADO. Desnecessária a perícia quanto a elucidação da questão dependa apenas de apresentação de documentos, da verificação de exigências legais ou de detalhes que não sejam necessários conhecimentos especializados. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. CRÉDITOS DE IPI. INSUMOS NÃO TRIBUTADOS OU TRIBUTADOS A ALÍQUOTA ZERO. Somente os créditos relativos a insumos onerados pelo imposto são suscetíveis de escrituração, apuração e aproveitamento. INSUMOS. BENS DO ATIVO PERMANENTE. DIREITO AO CRÉDITO. Existe vedação legal ao crédito do imposto pela entrada no estabelecimento de bens para o ativo permanente. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei n°4.502/64. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Ciente desta decisão em 26/07/2010 (fl. 334), a interessada ingressou, no dia 25/08/2010, com recurso voluntário no qual alega, em síntese, que: 1 suas alegações de inconstitucionalidade devem ser apreciadas pelas administração e este não deve aplicar leis inconstitucionais; 2 o auto de infração está viciado porque a intimação não foi pessoal, como estipula o art. 234 do CPC, sendo que a mesma foi realizada por via postal, com aviso de recebimento, e não foi recebida por procuradores ou por representantes legais da impugnante; 3 o acórdão recorrido inverte o ônus da prova quando afirma que a recorrente deveria carrear aos autos prova dos recolhimentos efetuados e do parcelamento realizado; 4 é nulo o auto de infração em face da ausência: (i) do fundamento legal específico da exigência; (ii) da descrição clara e precisa dos fatos geradores que deram ensejo à exigência tributária e qual a exata disposição legal que teria sido infringida pela empresa 5 a atuação do Fisco foi arbitrária e contrária à lei e à Constituição quando negou a produção de prova pericial e juntada posterior de documentos. A lei de regência do processo administrativo fiscal prevê o informalismo e ao administrado é permitida a juntada de documentos a qualquer tempo; 6 a recorrente, devidamente resguardada, utilizouse de créditos a que faz jus, que deve ser garantido, e, também, deve ser garantido o seu direito de restituição/compensação dos valores que não se creditou e recolheu indevidamente nos últimos anos, devidamente atualizados; 7 tem o direito de aproveitar créditos tributários de IPI decorrentes da aquisição de matériasprimas não tributadas, tributadas com alíquota zero ou isentas da incidência do imposto, independentemente de qualquer prova da não transferência do encargo financeiro do imposto aos consumidores (artigo 166 do CTN). Cita doutrina e jurisprudência; 8 tem o direito de aproveitar créditos tributários de IPI decorrentes da aquisição de bens do ativo fixo, que não foram considerados, e independentemente de qualquer prova da não transferência do encargo financeiro do imposto aos consumidores (artigo 166 do CTN); 9 na ausência de provas da ocorrência fato gerador dos tributos, descabe exigir também a multa, especialmente em percentual tão elevado. Também não existe qualquer prova de sonegação fiscal ou qualquer outro ilícito que justifique a aplicação de multa majorada, e mesmo que existisse, a Constituição veda expressamente tal exigência, pois a multa como parte da exigência se subsume sim ao princípio constitucional do não confisco e a outros princípios jurídicos e legais que devem reger tais procedimentos (legalidade, autoridade da lei, isonomia, gradação da pena conforme a intensidade da lesão, retroatividade da lei mais benigna, in dubio pro reo, capacidade contributiva); 10 é ilegal a exigência da taxa SELIC como juros moratórios sobre os valores exigidos pelo Fisco; Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12571.000109/201031 Acórdão n.º 330201.085 S3C3T2 Fl. 430 5 Voto Conselheiro Walber José da Silva, relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais dispositivos legais e, portanto, dele conheço. Como relatado, contra a recorrente foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de IPI porque a recorrente não comprovou a origem dos créditos extemporâneos lançados mensalmente no exato valor do IPI a recolher apurado sem estes créditos, tudo descrito no Relatório de Ação Fiscal de fls. 188/192. Em seu recurso, a recorrente levanta a preliminar de nulidade da decisão recorrida por falta de apreciação dos seus argumentos de inconstitucionalidade e, pelo seu entendimento, a administração não deve aplicar lei inconstitucional. Sem razão a recorrente. No mesmo sentido da decisão recorrida, o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF), em sessão realizada no dia 08/12/2009, decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2o; Emenda Constitucional no 3/1993). Tal decisão resultou na edição da Súmula no 2, abaixo reproduzida, cuja adoção é obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do § 4º do art. 72 do seu Regimento Interno1: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Também alega a recorrente que o acórdão recorrido inverte o ônus da prova ao afirmar que ela recorrente deveria carrear aos autos prova dos recolhimentos e do parcelamento que alega ter feito. Data máxima vênia, quem alega é quem deve provar: e é a recorrente quem estar alegando que fez recolhimentos e parcelamento dos débitos objeto da autuação e, portanto, é ela quem tem o dever de provar e não a autoridade lançadora ou julgadora de primeira instância. Claro que se o Fisco tivesse conhecimento do pagamento dos débitos lançados ou de seu parcelamento, ambos realizados antes do início do procedimento fiscal, teria consideradoos na sua apuração. Se não o fez é porque não os conhecia. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. [...] § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 No entanto, se a recorrente alega que pagou ou parcelou os débitos lançados, bastava indicar o número do processo de parcelamento (ou do pedido de parcelamento especial) e juntar cópia dos Darfs para que a administração, embora em sede de impugnação, considerasse tais eventos. A recorrente alega e não prova, que é o mesmo que não alegar. Também pugna a recorrente pelo anulação da decisão recorrida por ter indeferido o pedido de realização de perícia e juntada posterior de documentos. A autoridade julgadora, para formar sua convicção, entendeu prescindível a realização da perícia solicitada pela recorrente, fundamentando sua decisão, em perfeita harmonia com o que dispõe o art. 28 do Decreto nº 70.235/72. Pelas mesmas razões, e com os mesmos fundamentos, também entendo prescindível, para o deslinde da questão, a realização da perícia solicitada pela recorrente, até porque ela foi intimada e reintimada, no curso da ação fiscal, a demonstrar a origem dos créditos extemporâneos escriturados, apresentando a respectiva documentação, e não se dispõe a atender essas intimações e, na sua contestação, também não trouxe nenhuma prova da legalidade dos créditos pleiteados e escriturados no livro de Registro de Apuração de IPI. Quanto à juntada posterior de documentos, a decisão seguiu o regramento do art. 16, inciso III e § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Isto posto, rejeito as preliminares de nulidade da decisão recorrida. Passemos, agora, à análise das preliminares de nulidade do lançamento suscitadas pela recorrente. Alega a recorrente que o auto de infração está viciado porque a intimação não foi pessoal, como estipula o art. 234 do CPC, sendo que a mesma foi realizada por via postal, com aviso de recebimento, e não foi recebida por procuradores ou por representantes legais da empresa. As intimações fiscais será feita por uma das vias eleitas pelos incisos I, II e III do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, sem preferência de nenhum deles. Dentre esses meios legais de intimação, está a via postal utilizada pela autoridade lançadora e, como prova o aviso de recebimento de fls. 194, a intimação da autuação foi remetida para o domicílio fiscal eleito pela recorrente e nele foi entregue. Sobre a legalidade da ciência da notificação por via postal este CARF já pacificou seu entendimento através da Súmula CARF nº 9, abaixo reproduzida. Súmula CARF no 9 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Também alega a recorrente que é nulo o auto de infração em face da ausência do fundamento legal específico da exigência e da descrição clara e precisa dos fatos geradores que deram ensejo à exigência tributária e qual a exata disposição legal que teria sido infringida pela empresa Enganase a recorrente mais uma vez. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12571.000109/201031 Acórdão n.º 330201.085 S3C3T2 Fl. 431 7 A fundamentação legal consignada no auto de infração está perfeita. A alegação da recorrente de deficiência da fundamentação legal é vazia, ainda mais porque só há uma única e exclusiva infração litigiosa (falta de comprovação da existência dos créditos extemporâneos lançados pela recorrente em seu livro de RAIPI). Mais descabida é a argumentação da recorrente de que a infração fiscal a ela atribuída não está descrita de forma clara e precisa. No Relatório da Ação Fiscal, integrante do lançamento, a infração atribuída à recorrente estar precisa e perfeitamente descrita, até porque a infração é muito simples, singela, até: falta de comprovação da existência dos créditos extemporâneos lançados mensalmente pela recorrente em seu livro de Registro de Apuração de IPI. Qualquer pessoa com o mínimo de conhecimento de direito tributário e de português consegue entender o que se está atribuindo à recorrente para a lavratura do auto de infração. Rejeito, portanto, as preliminares de nulidade do auto de infração. Quanto ao mérito, registrese desde já, todas as alegações da recorrente relativas aos créditos extemporâneos escriturados estão desacompanhadas de provas da existência dos referidos créditos, como já disse a decisão recorrida. Portanto, são palavras vazias de conteúdo, posto que completamente descoladas da realidade e, portanto, não se prestam a reconhecer o direito pleiteado. A recorrente alega que utilizouse de créditos que faz jus e, digase, sobre estes não houve glosa. Quanto aos supostos direitos a restituição/compensação a recorrente apenas alega mas sequer indica que restituição/compensação fez ou solicitou para alegar direitos. Sem a indicação sequer de indícios da existência dos créditos alegados, não pode os mesmos serem reconhecidos pela administração tributária. Sobre o suposto direito de aproveitar créditos tributários de IPI decorrentes da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem não tributadas ou tributadas com alíquota zero, o Superior Tribunal de Justiça, no regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ nº 08/2008, pacificou o entendimento no sentido da impossibilidade de creditamento de IPI nas aquisições de insumos ou matériasprimas sujeitas à alíquota zero ou não tributadas, conforme se pode constatar no enunciado da ementa do Recurso Especial nº 1.134.903, Relator Ministro Luiz Fux, que abaixo se transcreve. PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA FIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não cumulatividade (Precedentes oriundos do Pleno do Supremo Tribunal Federal: (RE 370.682, Rel. Ministro Ilmar Galvão, julgado em 25.06.2007, DJe165 DIVULG 18.12.2007 PUBLIC 19.12.2007 DJ 19.12.2007; e RE 353.657, Rel. Ministro Marco Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Aurélio, julgado em 25.06.2007, DJe041 DIVULG 06.03.2008 PUBLIC 07.03.2008). 2. É que a compensação, à luz do princípio constitucional da nãocumulatividade (erigido pelo artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988), dar seá somente com o que foi anteriormente cobrado, sendo certo que nada há a compensar se nada foi cobrado na operação anterior. 3. Deveras, a análise da violação do artigo 49, do CTN, revela se insindicável ao Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista sua umbilical conexão com o disposto no artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição (princípio da nãocumulatividade), matéria de índole eminentemente constitucional, cuja apreciação incumbe, exclusivamente, ao Supremo Tribunal Federal. 4. Entrementes, no que concerne às operações de aquisição de matériaprima ou insumo não tributado ou sujeito à alíquota zero, é mister a submissão do STJ à exegese consolidada pela Excelsa Corte, como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal. 5. Outrossim, o artigo 481, do Codex Processual, no seu parágrafo único, por influxo do princípio da economia processual, determina que "os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a argüição de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes ou do plenário, do Supremo Tribunal Federal sobre a questão" . 6. Ao revés, não se revela cognoscível a insurgência especial atinente às operações de aquisição de matériaprima ou insumo isento, uma vez pendente, no Supremo Tribunal Federal, a discussão acerca da aplicabilidade, à espécie, da orientação firmada nos Recursos Extraordinários 353.657 e 370.682 (que versaram sobre operações não tributadas e/ou sujeitas à alíquota zero) ou da manutenção da tese firmada no Recurso Extraordinário 212.484 (Tribunal Pleno, julgado em 05.03.1998, DJ 27.11.1998), problemática que poderá vir a ser solucionada quando do julgamento do Recurso Extraordinário 590.809, submetido ao rito do artigo 543B, do CPC (repercussão geral). 7. In casu, o acórdão regional consignou que: "Autorizase a apropriação dos créditos decorrentes de insumos, matériaprima e material de embalagem adquiridos sob o regime de isenção, tão somente quando o forem junto à Zona Franca de Manaus, certo que inviável o aproveitamento dos créditos para a hipótese de insumos que não foram tributados ou suportaram a incidência à alíquota zero, na medida em que a providência substancia, em verdade, agravo ao quanto estabelecido no art. 153, § 3°, inciso II da Lei Fundamental, já que havida opção pelo método de subtração variante imposto sobre imposto, o qual não se compadece com tais creditamentos inerentes que são à variável base sobre base, que não foi o prestigiado pelo nosso ordenamento constitucional." Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12571.000109/201031 Acórdão n.º 330201.085 S3C3T2 Fl. 432 9 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (RECURSO ESPECIAL Nº 1.134.903 SP (2009/00675369). RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX). Nos termos do disposto no art. 62A2, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, as decisões preferidas pelo STJ na forma do art. 543C, do CPC (recursos repetitivos), são de aplicação obrigatória por parte deste Colegiado. Com relação aos insumos isentos do IPI, o texto constitucional é taxativo em garantir a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado na anterior. Ora, se no caso em análise não houve a cobrança, a que se refere a Carta Magna (nem lançamento na nota fiscal houve), do tributo na operação de entrada de insumo, não há que falarse em direito a crédito, como bem disse a decisão recorrida. Mais ainda, não há nos autos nenhuma prova da natureza dos créditos extemporâneos escriturados mensalmente pela recorrente. É um exercício meramente intelectual a discussão, nestes autos, sobre o direito creditório nas aquisições de insumos que não sofreram a incidência do IPI quando da aquisição dos mesmos por parte da recorrente. Sobre o suposto e alegado direito de aproveitar créditos tributários de IPI decorrentes da aquisição de bens do ativo fixo, como bem disse a decisão recorrida, o inciso I, do art. 164, do RIPI/2002, veda expressamente a utilização de créditos de IPI nas aquisições destinadas ao ativo permanente do contribuinte. Portanto, ilegais as alegações da recorrente. Relativamente à aplicação da multa de ofício, a recorrente alega que na ausência de provas da ocorrência do fato gerador dos tributos, descabe exigir também a multa. Contrariu sensu, provada a ocorrência do fato gerador , é devido a multa de ofício. No caso dos autos, não há dúvidas sobre a ocorrência do fato gerador do IPI (saída de produtos industrializados promovidas pela recorrente) e estar perfeitamente comprovado a legalidade do lançamento do imposto e, portanto, da multa de ofício. Com relação ao percentual da multa de ofício lançada, não cabe à autoridade administrativa, por absoluta falta de competência, conhecer as alegações relativas ao seu caráter confiscatório, a teor dos arts. 97 e 102 da CF/88. Os juízos quanto ao princípio do não confisco tributário e da proporcionalidade da reprimenda em relação à falta têm como destinatário imediato o legislador ordinário e não autoridade administrativa. Estando o percentual da multa fixado em lei, cabe à Administração apenas velar pelo seu fiel cumprimento. No caso em tela, a multa de ofício aplicada foi a prevista no art. 80 da Lei nº 4.502/64, com as alterações posteriores. Sobre o agravamento da multa de ofício, ratifico os fundamentos da decisão recorrida, abaixo reproduzidos: De acordo com os autos, verificase que o estabelecimento se utilizou de créditos ditos "extemporâneos" não comprovados e 2 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Acrescido pela Portaria MF nº 586/2010) Fl. 9DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 10 não especificados, sem amparo legal e judicial, na contagráfica de IPI (livro de apuração do IPI) no exato valor do imposto devido de forma a reduzir seu montante e, deliberadamente, informou valores zerados do imposto em suas declarações apresentadas à Receita Federal. Sobram nos autos provas de que a empresa sistematicamente descumpriu as pertinentes obrigações acessórias, com o claro objetivo de manter a RFB alheia aos valores devidos a título de IPI. Esses procedimentos evidenciam consciente intuito de não pagar ou pagar menos tributos e enquadramse perfeitamente à hipótese prevista na Lei n.° 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 71, como sonegação fiscal. A característica da ação dolosa é o desejo consciente do agente pelo resultado e a assunção do risco de produzilo, sendo o dolo específico elemento subjetivo do tipo penal, isto é, a vontade do agente direcionada, com uma finalidade clara, à conduta anti social. E esta fato, restou devidamente comprovado. Com relação à utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, o CARF firmou entendimento de que a mesma é cabível, a teor da Súmula CARF no 4 (DOU de 22/12/2009) abaixo reproduzida: Súmula CARF no 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ainda sobre a utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, na sessão do dia 18/05/2011, o Pleno do STF julgou o RE 582.461, cujas matérias questionadas foram reconhecidas como de repercussão geral. Nesse julgamento o STF reconheceu legítima a incidência da taxa Selic como índice de atualização dos débitos tributários pagos em atraso. Tal decisão é de aplicação obrigatório por parte deste CARF, nos termos do art. 62A do seu Regimento Interno. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19993, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 3 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12571.000109/201031 Acórdão n.º 330201.085 S3C3T2 Fl. 433 11 Fl. 11DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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