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Numero do processo: 10845.001572/2009-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. RENDIMENTO DO FISCALIZADO COMPATÍVEL COM O MONTANTE DA DESPESA GLOSADA.
RESTABELECIMENTO DAS DESPESAS. A dedutibilidade de despesas
médicas é uma questão tormentosa no âmbito da tributação federal, porém não se pode simplesmente renegar a despesa médica do declarante, apenas se fiando na ausência de comprovação do efetivo pagamento, que sequer consta especificamente como exigência na legislação do imposto de renda, mormente quando o contribuinte tomador do serviço apresenta os recibos
pertinentes e tem renda compatível com a despesa assumida, tudo isso aliado à ausência de investigação por parte da fiscalização da situação pessoal de cada prestador.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-001.489
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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RENDIMENTO DO FISCALIZADO COMPATÍVEL COM O MONTANTE DA DESPESA GLOSADA. RESTABELECIMENTO DAS DESPESAS. A dedutibilidade de despesas médicas é uma questão tormentosa no âmbito da tributação federal, porém não se pode simplesmente renegar a despesa médica do declarante, apenas se fiando na ausência de comprovação do efetivo pagamento, que sequer consta especificamente como exigência na legislação do imposto de renda, mormente quando o contribuinte tomador do serviço apresenta os recibos pertinentes e tem renda compatível com a despesa assumida, tudo isso aliado à ausência de investigação por parte da fiscalização da situação pessoal de cada prestador. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 09/09/2011 Fl. 119DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte LUIS DE JESUS FERNANDES, CPF/MF nº 215.590.078 34, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 1º/06/2009, auto de infração (fls. 17 e seguintes), com ciência postal em 08/06/2009 (fl. 20). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 8.662,50 MULTA DE OFÍCIO R$ 6.496,87 Ao contribuinte foi imputada uma glosa de despesas médicas, com a seguinte fundamentação (fl. 18): Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$ ********31.500,00, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. (...) COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Intimado contribuinte não comprovou desembolso, nos termos da intimação, de pagamentos a Renata Ferrão Brience (13 recibos apresentados no valor total de R$ 31.500,00 em 2004; 11 recibos R$31.240,00 em 2005 e 17 recibos R$34.800 em 2006) Estes autos somente controlam o crédito tributário do anocalendário 2004. Compulsando os autos, vêse que os recibos médicos em debate se encontram às fls. 31 a 43, em valores individuais mensais de R$ 2.600,00, referentes a serviços de psicologia, emitidos pela profissional acima informada (há, ainda, um recibo individual de R$ 300,00). Na DIRPF auditada o contribuinte ofereceu à tributação R$ 140.338,80, como rendimentos tributáveis, tendo pugnado deduções apenas de despesas médicas, no importe de R$ 34.149,60. Ainda, houve a declaração de rendimentos isentos e sujeitos à tributação definitiva/exclusiva na fonte nos montantes de R$ 21.248,45 e R$ 45.589,871, respectivamente (fl. 28). Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, com as seguintes razões (fls. 69 e 70): 1) Invalidade da exigência tributária posto que a lei, jurisprudência e atos administrativos não exigem que o Fl. 120DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10845.001572/200974 Acórdão n.º 210201.489 S2C1T2 Fl. 2 3 contribuinte comprove o desembolso e efetividade da prestação de serviços; 2) Ignorar os esclarecimentos prestados corroborados por recibos válidos afronta a lei vigente que estabeleceu presunção de veracidade em seu favor, o que transfere o ônus da prova à Administração Tributária; 3) A única exigência que a legislação impõe para dedutibilidade da despesa realizada é a apresentação do comprovante de pagamento especificando o nome, número de inscrição no CPF do seu beneficiário, não havendo determinação de pagamento por meio de cheque e somente se o beneficiário se recusar a fornecer o recibo é que a lei exige o cheque nominal. Cita Acórdãos; 4) O funcionário público não pode criar óbices à efetiva dedução da despesa realizada exceto na hipótese de falsos comprovantes de pagamento ou que o profissional negue a emissão dos mesmos, o que não ocorreu no presente caso. Os profissionais não foram indagados pela Fiscalização quanto a emissão dos recibos e a prestação dos serviços ou se os valores foram incluídos entre as receitas declaradas no ano 2005; 5) A comprovação da efetividade do serviço prestado e de desembolso financeiro só é admitida na hipótese de fundadas suspeitas de que o serviço não foi prestado. Cita Acórdãos; 6) A autoridade administrativa não colocou em dúvida a autenticidade dos recibos apresentados limitandose a presunções simples com fundamento em conceitos pessoais sendo nula a autuação realizada. Cita Acórdãos; 7) Presunção da veracidade dos esclarecimentos prestados pelo contribuinte, não podendo a autoridade administrativa recusar o documento previsto legalmente. Resta evidente que o ônus da prova da inveracidade, seja quanto à contabilidade da pessoa jurídica quanto a declaração de imposto de renda da pessoa física, incumbe autoridade administrativa exceto nos casos em que a lei tenha instaurado presunção a favor do Fisco. Cita Acórdão, Doutrina, RIR/99 arts. 223 e 894; 8) Quanto as despesas médicas, inexistindo presunção legal em favor do Fisco mas sim a presunção de veracidade em favor do contribuinte no sentido de que os esclarecimentos prestados somente poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indicio veemente de falsidade ou inexatidão, verificase a impossibilidade de negar a validade aos recibos apresentados; 9) Invocando o principio da legalidade quanto a exigência de comprovação do desembolso e o principio do direito A intimidade quanto a exigência de prova da efetividade da prestação de serviços, bem como a prática de do crime de excesso de exação, requer cancelamento do auto de infração lavrado referente ao anocalendário 2004.A Fl. 121DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 10ª Turma da DRJ/SP2, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1744.989, de 06 de outubro de 2010 (fls. 68 e seguintes). O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 25/10/2010 (fl. 110). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 18/11/2010 (fl. 81). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que a decisão recorrida inovou nos fundamentos do lançamento, ao exigir a comprovação da efetiva prestação do serviço, hipótese não aventada pela autoridade autuante, bem como não apreciou todos os argumentos do impugnante, notadamente aquele que asseverava sobre a necessidade de os esclarecimentos prestados pelo contribuinte somente poderiam ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indicio veemente de falsidade ou inexatidão, tudo a implicar na nulidade da decisão que se recorre. No mais, repisou os argumentos da impugnação; É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 25/10/2010 (fl. 110), segundafeira, e interpôs o recurso voluntário em 18/11/2010 (fl. 81), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 24/11/2010, quartafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Trazse aqui a fundamentação registrada no julgamento do recurso voluntário tombado no processo 10845.001573/200919, deste mesmo contribuinte, em tudo idêntico ao presente caso, somente mudando o anocalendário de 2004 para 2005, que se toma como razão de decidir, verbis: Antes de tudo, aqui não se apreciará as preliminares de nulidade, pois se entende que assiste razão ao recorrente no mérito. Como tenho tido oportunidade de asseverar em julgados anteriores (Acórdãos nºs 2102001.351, 2102001.356 e 2102 001.366, sessão de 09 de junho de 2011; Acórdão nº 2102 01.055, sessão de 09 de fevereiro de 2011; Acórdão nº 2102 00.824, sessão de 20 de agosto de 2010; acórdão nº 2102 00.697, sessão de 18 de junho de 2010), entendo que os recibos médicos, em si mesmos, não são uma prova absoluta para dedutibilidade das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, mormente quando: as despesas forem excessivas em face dos rendimentos declarados; § houver o repetitivo argumento de que todas as despesas médicas de diferentes profissionais, vultosas, tenham sido pagas em espécie; § o contribuinte fizer uso de recibos comprovadamente inidôneos, aqui no caso da edição de súmula Fl. 122DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10845.001572/200974 Acórdão n.º 210201.489 S2C1T2 Fl. 3 5 administrativa de documentação tributariamente ineficaz em desfavor de prestador de serviço informado na declaração de renda do autuado, o que é suficiente para lançar sombra de suspeição sobre as demais despesas médicas de outros prestadores; § houver a negativa de prestação de serviço por parte de profissional que consta como prestador na declaração do fiscalizado; § houver recibos médicos emitidos em dias não úteis, por profissionais ligados por vínculo de parentesco, tudo pagos em espécie. Nas hipóteses acima, a autoridade fiscal pode e deve intimar o contribuinte a comprovar o pagamento da despesa, com documentação bancária, ou mesmo a efetiva prestação do serviço com documentário médico (receitas, cópias de exames etc.). Especificamente, no caso de profissionais para os quais tenha sido emitida a súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, a jurisprudência administrativa, inclusive, autoriza a glosa e a exasperação da multa de ofício para o percentual de 150% sobre o imposto lançado (Súmula CARF nº 40: A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício). Entretanto, não me parece que quaisquer das hipóteses acima estejam presentes nestes autos. Primeiramente, apesar da despesa controvertida ser expressiva individualmente, quando comparada com os rendimentos do contribuinte, como se viu no relatório, há compatibilidade entre eles, ou seja, o autuado tinha condições de fazer frente ao dispêndio. Ainda, vêse que o contribuinte somente pugnou como deduções no imposto de renda as despesas médicas (fl. 28), em sua expressiva parte glosada, ou seja, não havia um rol de prestadores, para os quais o contribuinte asseverava que os pagamentos tinham sido em espécie. Na verdade, havia apenas uma única prestadora e caberia à fiscalização ter aprofundado a investigação na psicóloga prestadora Renata Ferrão Brience, para então descaracterizar as despesas deduzidas pelos tomadores do serviço, demonstrando, por exemplo, que ela não ofertara rendimentos à tributação, que não tivera movimentação bancária compatível com os valores recebidos ou mesmo que não teria consultório para atender os seus clientes. Ordinariamente, os recibos médicos fazem a prova bastante das despesas que podem ser deduzidas na declaração do contribuinte, podendo tal presunção ser desconstituída nas hipóteses antes citadas. Caso não haja quaisquer das hipóteses acima, inviável não acatar a dedutibilidade a partir dos meros Fl. 123DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 recibos, sob pena de imputarse, em abstrato, exigências não previstas em lei, quais sejam, que o contribuinte comprove o efetivo pagamento ou demonstre com outras provas a prestação do serviço. A legislação, como se pode ver pelo art. 8º, § 2º, I a V, da Lei nº 9.250/96 c/c o art. 46 da IN SRF nº 15/2001, somente exige, como regra, a apresentação dos recibos médicos. As exigências de comprovação de pagamento ou de prestação do efetivo serviço a partir de documentário médico, como já dito, somente podem ocorrer na análise do caso concreto, quando emergir indícios cabais que demonstrem que as despesas estão destituídas de razoabilidade, porque aí os recibos médicos não fariam os efeitos que lhes são próprios e regulares, pois, do contrário, transformarseia um requisito formal (apresentação dos recibos médicos) em uma presunção absoluta de veracidade da execução da despesa, sem base legal para tanto. Voltando ao caso destes autos, para fortalecer a tese do pagamento em espécie das despesas, o contribuinte argumentou que era idoso, vivia sozinho e que não fazia uso de cartões de débito ou crédito, ou seja, não é destituído de razoabilidade essa argumentação. Insistese que a autoridade autuante não poderia simplesmente arrostar os recibos apresentado, sem qualquer das situações antes descritas, ou sem aprofundar a investigação em desfavor da psicóloga Renata Ferrão Brience, simplesmente se fiando na ausência de comprovação bancária da despesa, sob pena de criar, em abstrato, uma exigência não prevista em lei. Ainda, a hipótese concreta, como já explanado, poderia dar substrato ao procedimento da autoridade fiscal, porém nada há de inaudito ou desarrazoado no caso em comento, pois se viu um dispêndio global com despesas médicas de R$ 34.080,00, em absoluta harmonia com os rendimentos ofertados à tributação (na declaração de ajuste anual auditada do fiscalizado constam os valores de R$ 149.504,74, R$ 78.242,53 e R$ 96.013,79, como rendimentos tributáveis, isentos/nãotributáveis e sujeitos à tributação definitiva/exclusiva, respectivamente – fl. 28). Ante tudo o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Na mesma forma do caso paradigma acima, nestes autos se deve também anotar a compatibilidade entre as despesas médicas perseguidas pelo recorrente declarante (fls. 31 e seguintes) e os rendimentos ofertados à tributação (fl. 28). Ante tudo o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 124DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10845.001572/200974 Acórdão n.º 210201.489 S2C1T2 Fl. 4 7 Fl. 125DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.009942/2007-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
SERVIÇOS HOSPITALARES. ESPÉCIE DE SOCIEDADE. HIPÓTESE NÃO PREVISTA EM LEI. PERCENTUAL DE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO.
A expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço
prestado (assistência à saúde). Para a empresa que presta “serviços hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade, para os anos de 2002 a 2005, é de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL, consoante arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249/95.
Numero da decisão: 1202-000.584
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 SERVIÇOS HOSPITALARES. ESPÉCIE DE SOCIEDADE. HIPÓTESE NÃO PREVISTA EM LEI. PERCENTUAL DE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. A expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para a empresa que presta “serviços hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade, para os anos de 2002 a 2005, é de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL, consoante arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249/95. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Relator. Fl. 314DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10980.009942/200703 Acórdão n.º 120200.584 S1C2T2 Fl. 304 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Geraldo Valentim Neto, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Gilberto Baptista. Relatório Trata o presente processo da lavratura de Autos de Infração para a exigência do IRPJ e da CSLL relativos aos anoscalendário de 2002 a 2005, no valor de R$ 1.734.333,65, já incluídos a multa de ofício, no percentual de 75%, e os juros de mora, com base na taxa Selic. Segundo a fiscalização, fls. 200 a 202, nos anoscalendário de 2002 a 2005, a empresa, por entender que desenvolvia atividades consideradas como "serviços hospitalares", teria aplicado incorretamente os percentuais de 8% e 12% sobre as receitas da atividade para fins de determinar o lucro presumido, base de cálculo do IRPJ e da CSLL, respectivamente, ao invés de aplicar o percentual de 32% estipulado para as empresas prestadoras de serviços. As alterações do Contrato Social dão conta de que o contribuinte foi constituído como “sociedade civil” registrada no Registro Civil das Pessoas Jurídicas (Terceira Alteração — fls. 142/144), tendo, em abril de 2004, alterado a natureza jurídica de sociedade civil por quotas de responsabilidade limitada para “sociedade simples limitada”, ajustandose às definições dadas pelo novo Código Civil (7ª alteração). De acordo com 7ª. alteração do Contrato Social celebrado em 19/04/2004, (fls. 145 a 150), a contribuinte tinha como seu objeto social o exercício da seguinte atividade: "prestação de serviços médicocirúrgico hospitalares nas especialidades oftalmológicas e neuropediátricas.". Nessa época, a empresa encontravase inscrita como “Sociedade simples” no" Registro Civil das Pessoas Jurídicas". No entender do agente fiscal, para fins de adoção do percentual de presunção relativo aos serviços hospitalares, o art. 27, caput, da IN SRF 480, de 2004, com a redação da IN SRF 539, de 2005, que regulamentou a Lei n°. 9.249, de 1995, art. 15, parágrafo 1°.,inciso III, alínea "a", modificado pelo art. 22 da Lei n° 10.684, de 2003, estabeleceu que para ser considerado “serviço hospitalar”, esse deveria ser prestado por “Empresário ou por Sociedade Empresária", hipótese não verificada ao caso, por se tratar de empresa constituída como “Sociedade simples”. Irresignada com a autuação, a empresa apresentou sua impugnação, de fls. 206 a 236, cujos principais pontos abordados estão assim resumidos no Acórdão da DRJ/Belo Horizonte, de fls. 251 a 265, o qual adoto, na parte que a seguir transcrevo: “A exigência do fisco não pode prosperar porque a suposta irregularidade diz respeito apenas à questão do registro, como sociedade empresária, no Registro Público de Empresas Mercantis e não à atividade efetivamente exercida pela empresa. A exigência fiscal é insubsistente, visto que exige do impugnante a prática de atos de registro de "sociedade empresária" em Fl. 315DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10980.009942/200703 Acórdão n.º 120200.584 S1C2T2 Fl. 305 3 relação a período — anocalendário de 2002 — em que não existia esta figura jurídica. Salientou que somente a partir de janeiro de 2007 é que se pode exigir do impugnante a adaptação dos seus estatutos às disposições do novo Código Civil, lembrando que os períodos autuados estão compreendidos entre os anos de 2002 e 2005. Sustentou ainda o impugnante que as normas que tratam da sociedade empresária e seu respectivo registro somente tiveram eficácia e validade a partir de 11/01/2003, em relação às sociedades constituídas desde então. Às sociedades já existentes foi concedido o prazo de adaptação até 11/01/2007. Dessa forma, concluiu que os atos normativos da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) que fundamentaram o auto de infração impugnado não podem ter eficácia sobre as sociedades constituídas antes de janeiro de 2003, dado que um ato administrativo não pode contrariar a lei. O impugnante arguiu a decadência do lançamento do IRPJ e da CSLL com base nas disposições do art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional (CTN), sustentando, em princípio, que se encontravam fulminados pela decadência os fatos geradores constituídos pelas receitas auferidas nos meses de janeiro a julho de 2002.” Na sequência foi emitido o Acórdão nº 0226.908 da DRJ/Belo Horizonte, de fls. 261 a 265, com o seguinte ementário: “NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos legais pertinentes à formalização do lançamento, e o contribuinte, no exercício pleno de sua defesa, manifestou contestação de forma ampla e irrestrita, em consonância com o rito do processo administrativo fiscal. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. DECADÊNCIA HOMOLOGAÇÃO Estando satisfeitas as condições para o lançamento por homologação, constatado que o contribuinte efetuou pagamento antecipado do imposto e da contribuição social, o prazo de decadência será de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador. LUCRO PRESUMIDO COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO Atendidos os demais requisitos estabelecidos em lei e nos atos normativos pertinentes, para fins de definição do coeficiente de determinação do lucro presumido, consideramse serviços Fl. 316DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10980.009942/200703 Acórdão n.º 120200.584 S1C2T2 Fl. 306 4 hospitalares os prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias. Não podem ser caracterizados como serviços hospitalares aqueles prestados por sociedade civil ou sociedade simples. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O lançamento reflexo deve observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Os principais fundamentos utilizados no Acórdão recorrido, podem ser assim sintetizados: “Tendo havido pagamento em relação aos períodos especificados, a contagem do prazo decadencial deve seguir as regas do art. 150, § 4° do CTN, ou seja, cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. No caso dos tributos mencionados, o fato gerador ocorreu trimestralmente, consoante consta da DIPJ/2003 (Fichas 14A e 18A — fls. 07/10) e dos autos de infração lavrados. Nessas circunstâncias, considerando que a ciência dos autos de infração se deu em 20/08/2007, ficou configurada a decadência do lançamento do IRPJ e da CSLL em relação aos fatos geradores ocorridos em 31/03/2002 (1° trimestre/2002) e 30/06/2002 (2° trimestre/2002). (...) Para aferir se a receita da atividade desenvolvida pelo contribuinte estava sujeita ao percentual geral das prestadoras de serviço ou ao excepcional aplicável às prestadoras de "serviços hospitalares", foram editados atos normativos a fim de orientar o contribuinte e instruir a autoridade fiscal nos procedimentos de fiscalização. Nesse sentido, conforme consta do Termo de Verificação, foi editada a Instrução Normativa SRF n° 480, de 15 de dezembro de 2004 (com as alterações da IN SRF n° 539, de 25 de abril de 2005), que trouxe em seu art. 27, para fins de retenção na fonte, por entes da administração pública, do IRPJ, da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/PASEP, a definição de "serviços hospitalares", conceito esse estendido para a determinação dos percentuais de apuração da base de cálculo do Lucro Presumido nos casos especificados, consoante disposições do art. 32, II, in verbis: (...) Da leitura dos dispositivos transcritos, verificase que, dentre as várias condições estipuladas para enquadramento como serviços hospitalares, está a exigência de que a prestação seja feita por empresário ou sociedade empresária, institutos definidos no Fl. 317DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10980.009942/200703 Acórdão n.º 120200.584 S1C2T2 Fl. 307 5 Código Civil, Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002, nos seguintes termos: (...) Dessa forma, diante do conceito fixado pelo art. 27 da IN SRF n° 480, de 2004 (com as alterações da IN SRF n° 539, de 2005), e dos esclarecimentos do ADI SRF n° 18, de 2003, constatase que os serviços prestados pelo autuado poderiam ser enquadrados como serviços hospitalares. Entretanto, deveriam ser prestados por estabelecimento assistencial de saúde constituído por empresários ou sociedades empresárias, excetuados aqueles que, mesmo com o concurso de auxiliares ou colaboradores, fossem: prestados exclusivamente pelos sócios da empresa; ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica, dos profissionais envolvidos. Disso decorre que empresários e sociedades empresárias estão sujeitas ao regime jurídico mercantil, sujeitandose à inscrição na Junta Comercial e à falência. Embora esses sejam conceitos introduzidos pelo novo Código Civil no ordenamento jurídico, concluise que o que vale para sociedade comercial, vale para sociedade empresária; o que vale para sociedade civil, vale para sociedade simples. Consequentemente, não se considera serviço hospitalar, para fins tributários, o prestado pelas anteriormente denominadas sociedades civis, atuais sociedades simples.” Não satisfeito com a decisão proferida, a empresa ingressou com recurso voluntário perante este colegiado, mediante arrazoado de fls. 272 a 301, repisando praticamente os mesmos argumentos trazidos na peça impugnatória. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso é tempestivo e nos termos da lei. Dele tomo conhecimento. A controvérsia do presente processo diz respeito em definir se a autuada pode se enquadrar na hipótese de prestação de “serviços hospitalares” para fins de definição dos percentuais de apuração do lucro presumido, base de cálculo do IRPJ e da CSLL. O acórdão recorrido defende a tese de que a IN SRF 480, de 2004, com a redação da IN SRF 539, de 2005, ao regulamentar o dispositivo contido na Lei n°. 9.249, de 1995, estipulou que somente as “sociedades empresárias” que prestassem serviços hospitalares poderiam usufruir do percentuais do lucro presumido inferior às demais prestadoras de serviço. Já a recorrente defende a tese de que não importa o tipo de sociedade na qual a empresa é constituída, mas sim qual o serviço efetivamente prestado. Alega, que possui toda Fl. 318DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10980.009942/200703 Acórdão n.º 120200.584 S1C2T2 Fl. 308 6 uma estrutura de prestação de serviços hospitalares, fazendo jus à aplicação do percentual reduzido, não podendo atos regulamentares restringirem os dispositivos da lei. Creio que assiste razão à recorrente. A sistemática de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL pelo Lucro Presumido, está definida na Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, que, no art. 15 e seu § 1°, e art. 20, estabelecem percentuais a serem aplicados sobre a receita bruta: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1° Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; (...) Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei n 2 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1 2 do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (destaquei) Já a IN SRF nº 480, de 2004, em seu art. 27, trouxe o conceito de “serviços hospitalares” para fins de retenção na fonte de tributos e contribuições, conceito esse estendido para a determinação dos percentuais de apuração da base de cálculo do lucro presumido nos casos especificados, consoante disposições do art. 32, II, da mesma Instrução Normativa, estipulando que somente as “sociedades empresariais” poderiam ser consideradas como prestadoras de serviços hospitalares para fins de gozo da alíquota reduzida do IRPJ e da CSLL: Art. 27. Para fins do disposto nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles diretamente ligados à atenção e assistência à saúde, de que trata o subitem 2.1 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n° 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC n°307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC n° 189, de 18 de julho de 2003, prestados por empresário ou sociedade empresária. que exerça uma ou mais das: Fl. 319DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10980.009942/200703 Acórdão n.º 120200.584 S1C2T2 Fl. 309 7 (...) Art. 32. As disposições constantes nesta Instrução Normativa: I alcançam somente a retenção na fonte do IRPJ, da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, realizada para fins de atendimento ao estabelecido nos arts. 64 da Lei n 2 9.430, de 1996, e 34 da Lei n2 10.833, de 2003; II não alteram a aplicação dos percentuais de presunção para efeito de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que estão sujeitas as pessoas jurídicas beneficiárias dos respectivos pagamentos, estabelecidos no art. 15 da Lei n° 9.249, de 1995, exceto quanto aos serviços de construção por empreitada com emprego de materiais, de que trata o inciso II do art 1°, e aos serviços hospitalares, de que trata o art. 27. (grifos acrescentados) Como se percebe da leitura dos dispositivos acima transcritos, a lei estabeleceu um percentual de 32% para apuração do lucro presumido às prestadoras de serviços em geral, exceto no caso de prestação de “serviços hospitalares”. Já a Instrução Normativa restringiu a utilização da alíquota estipuladas aos prestadores de serviços hospitalares, impondo a seguinte condição: de que a empresa deveria ser organizada sob a forma de “Sociedade Empresária”. Entretanto, como se percebe da redação da Lei n° 9.249, de 1995, tal condição não constava do texto da lei. Como é amplamente aceito, não pode um ato infralegal restringir a aplicação da lei, impondo condições que o dispositivo legal não previu. No dizer de Hely Lopes Meirelles, em sua clássica obra “Direito Administrativo Brasileiro, 28ª Ed., Malheiros Editores, 2003, p.174, os atos administrativos devem explicitar a norma legal visando a correta aplicação da lei: “Atos administrativos normativos são aqueles que contêm um comando geral do Executivo, visando a correta aplicação da lei. O objetivo imediato de tais atos é explicitar a norma legal a ser obsevada pela Administração e pelos administrados”. A Lei nº 9.249, de 1996, exigia apenas o cumprimento de uma condição objetiva para usufruir da alíquota reduzida, qual seja, a prestação de “serviços hospitalares”. Não estipulava nenhuma condição de caráter subjetivo, ou seja, não estipulava a forma como a sociedade deveria estar constituída. Registrese que o caráter subjetivo das sociedades somente veio a ser exigido com a publicação da Lei nº 11.727, de 2008, que alterou a redação da letra “a”, inciso III, do art. 15 da Lei nº 9.249, de 1996, a seguir transcrita: III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Fl. 320DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10980.009942/200703 Acórdão n.º 120200.584 S1C2T2 Fl. 310 8 Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Como se vê, somente a partir de 2008, com a publicação da Lei nº 11.727 é que ficou estabelecida uma condição de caráter subjetivo, qual seja, a de que o sujeito passivo seja organizado sob a forma de sociedade empresária. Mas não é a hipótese aqui tratada, visto que o período lançado nas autuações referemse aos anos de 2002 a 2005. Com efeito, verifico dos autos que parece ser incontroverso que a autuada desempenhava atividades típicas de “serviços hospitalares”, uma vez que nada em contrário foi apurado pela fiscalização. Prova disso é a cópia de recibo constante na fl. 170 (e outros), referente a pagamento efetuado pela autuada pelos serviços prestados por médico anestesista, o que denota que no estabelecimento da empresa eram executados procedimentos médicos típicos de uma unidade hospitalar. Esse também é o entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça, em procedimento de Recursos Repetitivos (CPC, art. 543C, e Resolução STJ n. 08/2008), de reprodução obrigatória no âmbito do CARF, consoante art. 62A do RICARF, conforme decisão proferida pelo Eminente Ministro Benedito Gonçalves no Recurso Especial (REsp) 1116399/BA, DJe 24/02/2010, com trânsito em julgado em 08/11/2010, assim ementado: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir Fl. 321DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10980.009942/200703 Acórdão n.º 120200.584 S1C2T2 Fl. 311 9 que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido.(destaquei) Em face do exposto, voto para que seja dado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 322DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10980.009942/200703 Acórdão n.º 120200.584 S1C2T2 Fl. 312 10 Fl. 323DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 11075.002559/2003-78
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 1998
FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. NÃO INCIDÊNCIA. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO
A multa isolada por falta de recolhimento de CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996.
No curso do período de apuração, descumprido o dever de antecipar, incide a penalidade sobre as estimativas não recolhidas. Porém, após o encerramento do período, quando já não existe mais o dever de antecipar, mas sim e unicamente o de promover o ajuste pelo confronto entre o valor devido
efetivamente e os valores recolhidos na forma estimada, incide tão somente a multa de oficio proporcional ao imposto que está sendo exigido.
Numero da decisão: 9101-000.844
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto (Relator) e Viviane Vidal Wagner que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro
Claudemir Rodrigues Malaquias.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 11075.02559/2003-78 Recurso n° Especial do Procurador Acórdão n° 9101- 000.844 — la Turma Sessão de 22 de fevereiro de 2011 Matéria CSLL - MULTA ISOLADA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMERCIAL DE COMBUSTÍVEIS SCHWANK LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1998 FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. NÃO INCIDÊNCIA. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO A multa isolada por falta de recolhimento de CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, inciso I, da Lei n2 9.430/1996. No curso do período de apuração, descumprido o dever de antecipar, incide a penalidade sobre as estimativas não recolhidas. Porem, apes o encerramento do período, quando já não existe mais o dever de antecipar, mas sim e unicamente o de promover o ajuste pelo confronto entre o valor devido efetivamente e os valores recolhidos na forma estimada, incide tão somente a multa de oficio proporcional ao imposto que está sendo exigido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto (Relator) e Viviane Vidal Wagner que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias. Caio Marcos Cândido -.Presidente. / _.—L---- / Us ol.k. :-L—LAIA-/ Leonardo de Andrade Couto - Relator. Editado em: 2 OUT 2011 Claudemir Rodrigues Mala ias - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Trata o presente de recurso especial (fls. 246/256) interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão 105-17.292 (fls. 234/241) que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo e cancelou a exigência da multa isolada aplicada no ano-calendário de 1991, em função de ter sido aplicada em concomitância com a multa de oficio exigida em conjunto com o tributo. Sustenta a recorrente, em síntese, que o entendimento da decisão recorrida nega aplicação a dispositivo legal e representa flagrante violação da lei. Admitido o recurso nos termos do despacho PRESI n° 132/2009 (fls. 257/258), o sujeito passivo, em contrarrazões, ratifica os argumentos elencados no acórdão recorrido e salienta o posicionamento da jurisprudência administrativa pela impossibilidade de exigência das multa em conjunto. É o Relatório. 2 Processo n° 11075.02559/2003-78 Acórdão n.° 9101- 000.844 CSRF-T1 Fl. 2 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator 0 pagamento do imposto por estimativa foi instituído pela Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Essa Lei estabeleceu período de apuração trimestral para o IRPJ, com a opção anual sendo que, nesse último caso, existe a obrigatoriedade de recolher o tributo mensalmente, determinado sobre uma base de cálculo estimada mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei no 9.249/95. Entendeu o legislador que, feita a opção pelo recolhimento por estimativa, a ausência ou insuficiência desses pagamentos constituiria em sanção passível de punição via multa de oficio calculada sobre o montante não recolhido e aplicada isoladamente, nos termos do inciso IV, do § 10 , do art. 44 da Lei n° 9.430/96, em sua redação original. A questão de fato é polêmica. Neste Colegiado, alguns entendem que não se justificaria a aplicação da multa após o encerramento do período de apuração, quando já teriam sido realizados os devidos ajustes. Nesse caso bastaria a cobrança de eventual imposto apurado no ajuste acompanhado, ai sim, da respectiva multa. Esse posicionamento praticamente nega eficácia ao dispositivo legal supra mencionado, pois limitaria sua aplicabilidade a procedimentos de fiscalização efetuados durante o período sob exame. Além do mais, ignora a literalidade do texto legal que determina a aplicação da multa ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal no ajuste, ou seja, a Lei determina claramente que a multa pode ser imputada após o encerramento do período e mesmo sem tributo apurado no ajuste A principal e respeitável linha argumentativa daqueles que defendem essa tese parte do próprio texto legal. Na redação original tem-se: i Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) § I '' As multas de que trata este artigo sera() exigidas: (..) IV - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o 4 3 lucro liquido, na forma do art. 2°, que deixar de faze-1o, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano- calendário correspondente; ( ) (grifo acrescido) Com base na redação do caput essa corrente defende que, mesmo na forma isolada, a multa incidiria sobre a totalidade ou diferença de tributo. Com a ressalva de que o valor pago a titulo de estimativa não tem a natureza de tributo, a lógica do pagamento de estimativas seria antecipar para os meses do ano-calendário o recolhimento do tributo que, de outra forma, seria devido apenas ao final do exercício. Sob essa ótica, a tese defende que o tributo apurado no ajuste e a estimativa paga ao longo do período devem estar intrinsecamente relacionados de forma a que a provisão para pagamento do tributo deve coincidir com o montante pago de estimativa ao final do exercício. Assim, concluem que só há que se falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido. A principio, alinhei-me nessa posição e com ela votei em alguns julgados. Hoje, após cuidadosa reflexão penso que essa tese está equivocada porque, apesar de sua construção lógica ser irrefutável, mistura situaç6es distintas. 0 texto original da lei estabelece que a multa isolada seria calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. Entendeu-se assim que o legislador estabeleceu uma norma de imposição tributária quando na verdade o não recolhimento das estimativas impõe a aplicação de uma regra sancionatória. Aquela avaliação não mais se justifica a partir da nova redação do dispositivo em comento, estabelecida pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, onde fica clara a distinção: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: ( ) II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: I ( ) b) na forma do art. 22 desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. ( ) (grifo acrescido) Inexiste assim a estreita correlação entre o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano. Registre-se que essa nova redação não impõe nova penalidade ou faz qualquer ampliação da base de cálculo da multa, Simplesmente torna mais clara a intenção do legislador. Processo n° 11075.02559/2003-78 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101- 000.844 Fl. 3 Em recente pronunciamento nesta Camara o ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES foi preciso na análise do tema (Acórdão 103-23.370, Sessão de 24/01/2008): ( ) Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijuridica, ao passo que das segundas se trata de conduta licita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida A. sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibe-se o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. Sao Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna As leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3°: Art. 3° - A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstancias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência. 0 legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação As temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. t o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado 6 provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. ao 5 A inexistência de correlação entre o tributo e a estimativa fez-me refletir também sobre a questão da concomitância, ou seja, a aplicação da multa de oficio exigida junto com o tributo e a multa sobre as estimativas. Manifestei-me em outra ocasiões pela aplicação ao caso do principio da consunção, pelo qual prevalece a penalidade mais grave quando uma pluralidade de normas é violada no desenrolar de uma ação. De forma geral, o principio da consunção determina que em face a um ou mais ilícitos penais denominados consuntos, que funcionam apenas como fases de preparação ou de execução de um outro, mais grave que o(s) primeiro(s), chamado consuntivo, ou tão- somente como condutas, anteriores ou posteriores, mas sempre intimamente interligado ou inerente, dependentemente, deste Último, o sujeito ativo só deverá ser responsabilizado pelo ilícito mais grave.'. Veja-se que a condição básica para aplicação do principio é a intima interligação entre os ilícitos. Pelo até aqui exposto, pode-se dizer que a intenção do legislador tributário foi justamente deixar clara a independência entre as irregularidades, inclusive alterando o texto da norma para ressaltar tal circunstância. No voto paradigma que decidiu casos como o presente sob a ótica do principio da consunção, o relator cita Miguel Reale Junior que discorre sobre o crime progressivo, situação típica de aplicação do principio em comento. Pois bem. Doutrinariamente, existe crime progressivo quando o sujeito, para alcançar um resultado normativo (ofensa ou perigo de dano a um bem jurídico), necessariamente deverá passar por uma conduta inicial que produz outro evento normativo, menos grave que o primeiro. Noutros termos: para ofender um bem jurídico qualquer, o agente, indispensavelmente, terá de inicialmente ofender outro, de menor gravidade — passagem por um minus em direção a um plus. 2 (destaques acrescidos). Estaríamos diante de uma situação de conflito aparente de normas. Aparente porque o principio da especialidade definiria a questão, com vistas a evitar a subsunção a dispositivos penais diversos e, por conseguinte, a confusão de efeitos penais e processuais. Aplicando-se essa teoria às situações que envolvem a imputação da multa de oficio, a irregularidade que gera a multa aplicada em conjunto com o tributo não necessariamente é antecedida de ausência ou insuficiência de recolhimento do tributo devido a titulo de estimativas, suscetível de aplicação da multa isolada. Assim, não há como enquadrar o conceito da progressividade ao presente caso, motivo pelo qual tal linha de raciocínio seria injustificável para aplicação do principio da consunção. Ainda seguindo a analogia com o direito penal, a grosso modo poder-se-ia dizer que a situação sob exame representaria um concurso real de normas ou, mais RAMOS, Guilherme da Rocha. Principio da consunção: o problema conceitual do crime progressivo e da progressão criminosa. Jus Navigandi, Teresina, ano 5, n. 44, 1 ago. 2000. Disponível em: <http://jus.uol.com.brirevistaftexto/996 >. Acesso em: 6 dez. 2010. 2 Idem, Idem 6 Processo n° 11075.02559/2003-78 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101- 000.844 Fl. 4 especificamente, um concurso material: duas condutas delituosas causam dois resultados delituosos. Abstraindo-se das questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, a Lei n° 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento do tributo devido a titulo de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto A. imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo. Sob essa ótica, a Fiscalização simplesmente aplicou a norma ao caso concreto, no exercício do poder-dever legal. Pelo exposto, a imposição da multa isolada não merece reparo, motivo pelo qual voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Lyvrica Leonardo de Andrade Couto - Relator 7 Voto Vencedor Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias - Redator Designado Com a devida vênia, ouso divergir do entendimento manifestado pelo nobre Conselheiro Relator quanto A. incidência da multa isolada aplicada em concomitância com a multa de oficio exigida em conjunto com o tributo. 0 cerne da questão submetida a este Colegiado consiste em perquirir se é legitima, ou não a aplicação concomitante da multa de oficio prevista no art. 44, inciso II, da Lei n2 9.430/1996, atual art. 44, § 1 2, da mesma Lei, com a multa isolada de que trata o art. 44, § 1 2, inciso IV, atual art. 44, inciso II, alínea "b", ambos da mesma Lei. A decisão recorrida afastou a incidência da multa aplicada isoladamente sobre a falta de recolhimento por estimativa do IRPJ, sobre as diferenças apuradas pela fiscalização. Em suas razões, a Fazenda Nacional argumenta, em síntese, que "não há óbice a que sejam aplicadas ao contribuinte faltante, diante de duas infrações tributárias, duas penalidades que possuam a mesma base de cálculo; ora, como se sabe, a base de calculo elemento que apenas quantifica o imposto ou a penalidade tributária, possuindo, necessariamente, estreita relação com os fatos/atos que dão origem aos mesmos, mas não se confundindo com esses fatos/atos. Assim, a penalidade tributária decorre sempre de um ato ilícito e a base de cálculo mensura o montante dessa penalidade". Não obstante a argumentação trazida pela Fazenda Nacional, entendo que não assiste razão â. recorrente pelas razões que seguem. 0 disposto no inciso IV, § 1 2 do art. 44 da Lei n2 9.430/963 , na redação vigente à época dos fatos, estabelecia sanção a ser aplicada na hipótese do sujeito passivo não promover o recolhimento mensal das antecipações de um provável imposto de renda e contribuição social. Para que incida, a sanção é condição que ocorram dois pressupostos: (a) falta de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado sobre uma base estimada em função da receita bruta; e (b) o sujeito passivo não comprove, através de balanços 3 "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratoria, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1 0 As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) III - isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carne-leão) na forma do art. 8° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de faze-1o, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano-calendário correspondente; (...)" 8 Processo n° 11075.02559/2003-78 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101- 000.844 Fl. 5 ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Em torno desse dispositivo legal, inúmeros debates instalaram-se no âmbito desse Conselho, sobretudo acerca da aplicação cumulativa das sanções nele prevista. Em alguns julgados, tem sido sustentada a aplicação da multa isolada em todos os casos em que não houver recolhimento da estimativa. Tais decisões se fundamentam no fato de que a sanção foi estabelecida para assegurar efetividade do regime da estimativa e preservar o interesse público. Como bem destacou o i. Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima'', cuja argumentação acerca do assunto, adoto como razão deste voto, "a divergência não se situa na necessidade de dar efetividade ao regime de estimativa, porquanto o intérprete deve atribuir a lei o sentido que lhe permita a realização de suas finalidades. Mas, a pretexto de concretizá-lo, não se pode menosprezar o sentido mínimo do texto legal. Por força da segurança jurídica, a interpretação de normas que imponham penalidades deve ser atenta ao que dispõe os textos normativos e esses oferecem limites à construção de sentidos." Pois bem, examinando-se o conteúdo prescritivo dos textos legais acima transcritos, resta evidente que o caput do art. 44 da Lei n2 9.430/96 determina que a multa seja calculada "sobre a totalidade ou diferença de tributo". Ou seja, as penalidades previstas nos incisos I e II, e no § 1 2, IV, referem-se todas à falta de pagamento de tributo. Assim, ambas as penalidades discutidas nesse processo, por força da previsão legal, incidem sobre o mesmo ato infracional, qual seja o não pagamento ou o pagamento a menor do tributo devido. Com efeito, em que pesem as argumentações da recorrente, no âmbito do nosso ordenamento jurídico, não há como sustentar a incidência concomitante de duas sanções, quando os fatos que ensejam a penalidade estejam materialmente relacionados, ao ponto de redundarem no mesmo ato infracional. Seguindo o mesmo entendimento do voto condutor do Acórdão CSRF n 2 01- 05.838, relativo ao processo n 2 13629.000292/2003-04, da lavra do i. conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, peço licença para transcrição de parte dos fundamentos daquela decisão: "(...) O aplicador, diante dessas proposições extraídas do texto legal, deve buscar a interpretação que alcance a coerência interna do conjunto, por isso a construção lógica da regra jurídica não pode levar ao cumprimento de um enunciado prescritivo e ao necessário descumprimento de outro do mesmo dispositivo legal. 0 intérprete deve buscar o sentido do conjunto que afaste contradições, afinal, dentre a moldura de significações possíveis de um texto de direito positivo a escolha do intérprete de ser feita em consonância com todo ordenamento jurídico. Nesse sentido, vale lembrar que o rigor é maior em se tratando de normas sancionat6rias, não se devendo estender a punição além das hipóteses figuradas no 4 Acórdão n° CSRF 01-05.838, de 15 de abril de 2.008. 9 texto. Além da obediência genérica ao principio da legalidade, devem também atender a exigência de objetividade, identificando com clareza e precisão, os elementos definidores da conduta delituosa. Para que seja tida como infração, a ocorrência da vida real, descrita no suposto da norma individual e concreta expedida pelo órgão competente, tem de satisfazer a todos os critérios identificadores tipificados na hipótese da norma geral e abstrata. A insegurança, sobretudo no campo de aplicação de penalidades, é absolutamente incompatível com a essência dos princípios que estruturam os sistemas jurídicos no contexto dos regimes democráticos. (...) Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, deve-se investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão, menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta 6, portanto, meio de execução da segunda. (...)" (grifou-se) Deste modo, a multa isolada e a multa de oficio não podem ser exigidas concomitantemente na hipótese de falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também pela falta de antecipação sob a forma estimada, porquanto estar-se-ia aplicando duas penalidades para ilícitos materialmente ligados, de forma de que um (falta de recolhimento do imposto anual devido no ajuste) é consequência natural do outro (falta de recolhimento dos valores estimados devidos mensalmente), mas que não são verificáveis de forma concomitante em sua realidade Mica. Ou seja, ate o término do período de apuração existe somente a obrigação de antecipar (o dever de ajustar ainda não existe) e, após o seu encerramento, apenas o dever de pagar o correspondente ajuste (não há que se falar mais em antecipação). Logo, da mesma forma que ambas obrigações Ili() coexistem ao longo do período de apuração e, concomitantemente, após o seu encerramento, não é admissivel que o não cumprimento de uma (ajuste efetuado a menor) multiplique seus efeitos para o momento anterior (da antecipação), caracterizando também nova falta (antecipação a menor). t aplicável, portanto, apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo devido no ajuste, porquanto este é o único ilícito verificfivel após o encerramento do período de apuração. Entendo, por outro lado, que se trata de condutas e penalidades distintas. No entanto, ambas estão materialmente ligadas (o cálculo do valor estimado repercute na apuração no final do período — ajuste), de forma que não sio verificáveis concomitantemente. A primeira conduta, o dever de antecipar, só existe antes do encerramento do período de apuração e, desta forma, o seu descumprimento inexoravelmente sell alcançado pela penalização se esta ocorrer até o seu término. Encerrado o período de apuração, não há que se falar mais em antecipação, porquanto se torna impossível antecipar o pagamento do imposto após sua exigência definitiva (no ajuste). Já a segunda conduta, considerada o dever de apurar o imposto devido no ajuste após o término do período, não existe antes do encerramento do ano-calendário, 0 que é devido no ajuste só é exigível após o término do período de apuração e, desta forma, todas as 10 como voto. Claud es Malaquias - Re ator Designado Processo n° 11075.02559/2003-78 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101- 000.844 Fl. 6 diferenças apuradas pela Fiscalização verificadas após o encerramento do período são obrigatoriamente classificáveis como não observância da conduta exigida após o encerramento do período de apuração, qual seja, o dever de ajustar. Isto ocorre porque, as condutas são ligadas, mas não concomitantes, de tal modo que a) no curso do período de apuração, descumprido o dever de antecipar, incide a penalidade sobre as estimativas não recolhidas, porém, b) após o encerramento do período, quando já não existe mais o dever de antecipar, mas sim e unicamente o de promover o ajuste pelo confronto entre o valor devido efetivamente e os valores recolhidos na forma estimada, incide tão somente a multa de oficio proporcional ao imposto que está sendo exigido. Portanto, concluo ser incabível a exigência conjunta das duas penalidades aplicadas sobre as diferenças verificadas após o término do período de apuração, quando não mais existia o dever de antecipar. Assim, pela falta de recolhimento de tributo devido no ajuste, é aplicável apenas a multa de oficio proporcional ao imposto, devendo ser afastada a penalidade exigida na forma isolada. No caso presente, em relação ao ano-calendário 1998, a contribuinte foi autuada para exigir principal e multa de oficio em relação a diferenças não recolhidas ao final do exercício e, concomitantemente, foi aplicada multa isolada sobre a mesma base estimada não recolhida. Como exposto, essa dupla penalização sobre ilícitos materialmente relacionados e não coexistentes, verificados após o encerramento do período de apuração, não pode subsistir. Por todo exposto, e renovando o pedido vênia ao ilustre Conselheiro Relator, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional, mantendo afastada a aplicação da multa isolada. 11
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000481/00-19
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 1995
COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DA CSLL. LIMITAÇÃO
Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano calendário de 1995, o lucro liquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa (Súmula CARF n° 3).
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:1995
ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI
O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n º 2).
Numero da decisão: 1801-000.758
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Matéria: CSL- glosa compens. bases negativas de períodos anteriores
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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E PARTICIPAÇÃO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1995 COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DA CSLL. LIMITAÇÃO Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário de 1995, o lucro liquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa (Súmula CARF n° 3). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1995 ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n º 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Carmen Ferreira Saraiva – Presidente Substituta (assinado digitalmente) ______________________________________ 2 Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Trata o presente processo de auto de infração à legislação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, CSLL, cientificado em 04/04/2000 (fl. 13), que exige da empresa acima qualificada o crédito tributário no montante total de R$ 106.256,95, aí incluídos o principal, a multa de ofício e os juros de mora calculados até a data lavratura, tendo em conta a constatação de irregularidades no anocalendário 1995. Por bem descrever os fatos adoto, integralmente, o relatório da DRJ em São Paulo/SP (fls. 114/120): Trata o presente processo do Auto de Infração, referente ao ano calendário de 1995, lavrado no âmbito da Delegacia da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo, em decorrência do trabalho de revisão da DIRPJ/96, mediante o qual a interessada, acima qualificada, tomou ciência em 04/04/2000, através do AR de fls. 13, da exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (fls. 06 a 11), no valor total de R$ 106.256,94, incluído nesse montante, multa e juros de mora calculados até 31/03/2000. 2. De acordo com a descrição dos fatos, na folha de continuação do Auto de Infração (fls. 7) e no Termo de Constatação Fiscal de fls. 11, a fiscalização, em trabalho de revisão da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica do ano calendário de 1995, constatou que na apuração da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido, efetuou compensação de base de calculo negativa de períodos anteriores em limite superior a 30% do lucro liquido ajustado. A capitulação legal dos fatos está embasada no art. 42 da Lei n° 8.981/95 e art. 12 da Lei n° 9.065/95. 3. Inconformada com a autuação, apresentou, em 28/04/2000, a impugnação de fls. 14 a 47 aduzindo o seguinte: 3.1 Inicialmente, diz que a Medida Provisória no 812/94, posteriormente convertida na Lei n° 8.981/95, introduziu significativas alterações na legislação do imposto de renda das pessoas jurídicas a partir de 01.01.1995, alterando substancialmente o critério para a compensação dos prejuízos fiscais e da base negativa, para apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, limitando essa compensação a apenas a 30% do lucro liquido, quando anteriormente essa compensação era integral. Destarte, fica configurado, o desrespeito às normas constitucionais relativas à irretroatividade e ao direito adquirido; Processo nº 13808.000481/0019 Acórdão n.º 180100.758 S1TE01 Fl. 172 3 3.2 que é, inequivocamente, a pretendida limitação à compensação de seus prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas, inconstitucional, por ofensa às normas constitucionais relativas à irretroatividade e ao direito adquirido; 3.3 que é flagrante e indiscutível a ilegalidade das disposições contidas no art. 58 da Lei n° 8.981/95, aplicável à declaração de rendimentos do exercício de 1996, período base de 1995, vez que, a par de infringir as normas do Código Tributário Nacional, relativas ao fato gerador, vigência da lei no tempo e no espaço, etc., pretendeu tornar letra morta os direitos e garantias individuais insertos no art. 5°, inciso XXXVI, da vigente Carta Magna; 3.4 que é de se concluir, assim, que a regra contida no referido dispositivo legal, é de todo inconstitucional, vez que não pode, por força dos preceitos constitucionais já citados e das normas referidas do Código Tributário Nacional, assim como da legislação ordinária mencionada, produzir efeitos em relação a direito adquirido liquido e certo do contribuinte constituído anteriormente ao inicio da sua vigência. Vale consignar que o direito à compensação da base de cálculo negativa (CSL) surge no exato instante em que se apura o prejuízo, e se tal prejuízo se verificou anteriormente à Lei n° 8.981/95, então o direito à compensação da base de cálculo negativa apurada até 31.12.94 já se encontra inserido no patrimônio jurídico da Impugnante, razão pela qual não pode prosperar a presente autuação fiscal; 3.5 Transcrevendo os artigos 1° e 2° da Lei n° 7.689, de 1988, com as alterações introduzidas pela Lei n° 8.034/90, disse que do simples exame das normas transcritas podese, desde logo, afirmar que incidência da Contribuição em tela, mantém total vinculação com a existência efetiva de lucro; que a legislação instituidora da contribuição, no que tange apuração do lucro é expressa ao determinar obediência à legislação comercial e não há qualquer limitação à compensação de prejuízos anteriores (prejuízos acumulados), até porque a existência de eventual limitação à compensação, e que de fato a legislação sob comento não limita, conflitaria flagrantemente com a necessidade da observância da legislação comercial, a qual, como já se viu, exige a compensação integral de prejuízos acumulados. 3.6 Arremata o item precedente, afirmando que, além do expressamente previsto na legislação até agora citada, e na intima vinculação da incidência da contribuição à existência efetiva de lucro, há que se ter em conta que, estando o conceito de lucro definido, com clareza, na legislação comercial, portanto no direito privado, não poderia, tal conceito, ser alterado pela legislação tributária como expresso, aliás, no art. 110 do CTN. 3.7 Disse mais, que como já se viu, a legislação comercial define como lucro apenas aquilo que, após a compensação integral de prejuízos precedentes (acumulados), restar na contabilidade da pessoa jurídica. 3.8 que, do exposto, a legislação instituidora da Contribuição Social sobre o Lucro não limita a compensação dos prejuízos anteriores apurados pela pessoa jurídica, na apuração da base de cálculo da Contribuição aqui tratada, estando de conformidade com o determinado pela legislação comercial; 3.9 que à toda evidência, o art. 58 da Lei n° 8.981/95, fere o art. 195, I da CF, o art. 110 do CTN, e o art. 189 da Lei n° 6.404/76, posto que ao limitar, descabidamente, a própria legislação que instituiu a Contribuição Social sobre o Lucro, impedindo ilegalmente a compensação integral de prejuízos acumulados, altera a definição, o alcance e conteúdo do conceito de lucro; 4 3.10 que com a limitação imposta pelo legislador ordinário com relação compensação da base de cálculo negativa apurada pelas pessoas jurídicas, acabou por gerar um aumento significativo da carga tributária, já que a empresa não pode abater integralmente do lucro auferido no período base, o montante da base de cálculo negativa e, por conseqüência, estaria recolhendo aos cofres públicos CSL maior que, o que configuraria, conforme a doutrina, como verdadeiro empréstimo compulsório (reproduz ementas da jurisprudência judiciária e administrativa); 3.11 Finaliza a impugnação, requerendo seja julgado Auto de Infração de todo improcedente. Apreciando o litígio a 2a. Turma da DRJ em São Paulo/SPOI proferiu o Acórdão no. 7.041 e julgou procedente a exigência. Observou aquela autoridade que questões acerca de ilegalidade e inconstitucionalidade de lei não poderiam ser apreciadas na esfera administrativa e que o STF já teria se pronunciado a respeito do não cabimento de alegações de violação de princípios de anterioridade e irretroatividade relativamente a tributos incidentes sobre o lucro, quando da conversão da MP 812/94 na Lei 8.981/95. Salientou, ainda, que os prejuízos fiscais e as bases negativas de CSLL geram uma mera expectativa de direito e não um direito adquirido, pois a base negativa da CSLL teria por conseqüência a inexistência do fato gerador da obrigação de pagar a CSLL. Notificada da decisão, em 07/12/2007, como atesta a cópia do AR à fl. 122, verso, apresentou a interessada, em 27/12/2007 o recurso voluntário de fls. 125/167. Em sua defesa alega, inicialmente, que a decisão de 1a. instância, ao não apreciar as questões relacionadas à ilegalidade e inconstitucionalidade de comandos legais que embasaram o lançamento, teria prejudicado o seu legítimo direito de defesa. No mérito reproduz as razões de defesa deduzidas na impugnação, de ilegalidade e inconstitucionalidade da Lei n º 8.981/95, infringência dos princípios de irretroatividade e direito adquirido, violação do conceito de lucro e configuração de empréstimo compulsório, É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora O Recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Cumpre consignar, inicialmente que não se verifica, in casu, preterição do direito de defesa. As questões relativas à irretroatividade e direito adquirido invocadas pela defesa foram apreciadas pela autoridade julgadora de 1a. instância que as afastou, ao argumento de que prejuízos fiscais e as bases negativas de CSLL geram uma mera expectativa de direito e não um direito adquirido, pois a base negativa da CSLL teria por mera conseqüência a inexistência do fato gerador da obrigação de pagar a CSLL. Por tal razão a alegação deve ser afastada. Processo nº 13808.000481/0019 Acórdão n.º 180100.758 S1TE01 Fl. 173 5 No mérito verificase que a matéria em debate diz respeito à limitação da compensação da base de cálculo negativa da CSLL. A interessada pretende discutir a limitação da chamada “trava dos 30%”, invocando questões de ilegalidade e inconstitucionalidade da referida norma por restringir, supostamente de forma indevida, o direito de compensação da base negativa da CSLL ao limite de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões. Entretanto, esta corte administrativa já possui entendimento pacífico no sentido de que, a partir do anocalendário 1995, a compensação da base negativa de CSLL deve ser limitada a redução de 30% do lucro líquido do período, como se verifica da seguinte Súmula: Súmula CARF n º 3.: Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. Da mesma forma este tribunal administrativo já se posicionou no sentido de que questões acerca de ilegalidade e inconstitucionalidade de lei não devem ser apreciadas na esfera administrativa, entendimento esse objeto da seguinte súmula: Súmula CARF n º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora
score : 1.0
Numero do processo: 10715.004872/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 10/09/2004, 30/09/2004
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA
EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (INs SRF
28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE.
A expressão “imediatamente após”, constante da vigência original do art. 37
da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação.
Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, “e” do Decreto- lei nº 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3202-000.360
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres.
O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se
impedido.
Nome do relator: JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
1.0 = *:*
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 10/09/2004, 30/09/2004 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. A expressão “imediatamente após”, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, “e” do Decreto- lei nº 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 10/09/2004, 30/09/2004 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. A expressão “imediatamente após”, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. José Luiz Novo Rossari – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Rodrigo Cardozo Miranda, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Antonio Spolador Junior e Paulo Sérgio Celani. Fl. 152DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 09/09/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10715.004872/200991 Acórdão n.º 320200.360 S3C2T2 Fl. 130 2 Relatório Tratase de recurso interposto contra o Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC, que decidiu pela procedência da exigência fiscal de multas em razão de a autuada ter registrado intempestivamente os dados de embarque de mercadorias em despachos de exportação realizados via aérea. Para historiar os fatos transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: “Trata o presente processo do auto de infração de fls. 02 a 04, por meio do qual encontrase formalizada a exigência do crédito tributário no valor de R$ 25.000,00 em decorrência do fato de a interessada, segunda a autuação, ter registrado intempestivamente os dados de embarque de mercadorias, relativos aos despachos de exportação indicados na planilha juntada à fl. 10, descumprindo dessa forma a obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF no 28, de 27 de abril de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF no 510, de 14 de fevereiro de 2005, sujeitandose por essa infração à multa prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei no 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833, de 2003. Cientificada da exigência que lhe é imposta, a interessada apresenta a impugnação de fls. 24 a 44, argumentando, em síntese, que: a) a autuação utilizou a norma do art. 37 da Instrução Normativa SRF no 28, de 1994 com a redação dada pela Instrução Normativa SRF no 510, de 2005 para embarques ocorridos anteriormente à vigência da nova redação o que é impossível; b) ocorreu violação ao princípio da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia; c) não é aplicada ao caso a norma prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei no 37, de 1966; d) para fins de realizar os registros em questão, no Siscomex, fica na dependência de informações por parte do exportador e de outras pessoas intervenientes no processo; e) ao tempo em que deveria ter efetuado os registros em questão, no Siscomex, ocorreu falha no sistema impedindo a realização dos mesmos; e f) a aplicação de penalidade deve ser afastada em razão da Solução de Consulta no 215, de 16 de agosto de 2004 (esta solução de consulta foi proferida pela SRRF na 9ª Região Fiscal).” O julgamento de primeira instância foi realizado pela 1ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC que, por unanimidade de votos, decidiu pela improcedência da impugnação e por manter o crédito tributário exigido, nos termos do Acórdão DRJ/FNS no 0721.567, de 15/10/2010 (fls. 59/76), cuja ementa dispôs, verbis: “Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2004 Registro dos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação. Realização. Intempestiva. Infração. Penalidade. O registro dos dados de embarque, no Siscomex, relativo à mercadoria destinada à exportação realizado fora do prazo fixado constitui infração pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF no 28, de 1994 sujeitando o transportador à multa prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei no 37, de 18 de novembro de 1966. Impugnação Improcedente” Fl. 153DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 09/09/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10715.004872/200991 Acórdão n.º 320200.360 S3C2T2 Fl. 131 3 O órgão julgador decidiu a lide com base no entendimento de que, com o advento da Medida Provisória no 135/2003, convertida na Lei no 10.833/2003, que alterou o art. 107 do Decretolei no 37/1966 e instituiu a multa prevista no inciso IV, “e” desse artigo por falta de prestação de informações, deixou de viger o art. 44 da IN SRF no 28/1994, que caracterizava como embaraço o descumprimento do art. 37 dessa mesma IN, que estabeleceu a obrigação de registro dos dados no Siscomex imediatamente após realizado o embarque de mercadorias exportadas. Aduziu que a Notícia Siscomex no 105, de 27/7/1994, interpretou a expressão “imediatamente após” no sentido de que deve ser entendida como “em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria”. Em acréscimo, concluiu que em razão da nova redação dada ao art. 37 da IN SRF no 28/1994 pelo art. 1o da IN SRF no 510/2005, de forma a aumentar o prazo de registro para 2 dias, é cabível a aplicação retroativa desse ato posterior, com base no art. 106, II do CTN, de modo a beneficiar o transportador, resultando em interpretar como não infracionais os casos de inobservâncias de registro de dados de até 2 dias. A decisão recorrida aduziu ainda: quanto à consulta, que nos autos não se encontra qualquer documento que faça prova da associação ou filiação da interessada ao sindicato que a formulou, o que constitui razão para não prosperar o pretendido aproveitamento da solução de consulta; quanto à denúncia espontânea, que a infração cometida é daquelas que não comporta a denúncia espontânea, em vista de ter sido fixado prazo para o cumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, e, não sendo essa obrigação satisfeita dentro do prazo fixado, não há mais como ser satisfeita; e quanto ao pedido de perícia, deve ser indeferido, considerando que tal pedido fazse relevante para convencimento do julgador no caso de existência de dúvidas diante dos autos, o que não ocorre neste processo. A empresa transportadora recorre às fls. 81/112, alegando que: ● deve ser aplicada ao caso a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, “a”, do CTN, tendo em vista a entrada em vigor da IN RFB no 1.096/2010, que alargou o prazo para o registro dos dados de embarque no Siscomex; ● a aplicação retroativa mais benigna no que respeita ao prazo foi entendida cabível pelo próprio julgador, ao se referir à alteração do prazo feita pela IN SRF no 510/2005; ● os fatos ocorreram no mês de setembro de 2004 e a IN que estabeleceu o prazo de 2 dias para o cumprimento da obrigação data de 14/2/2005, ou seja, a norma que embasou o Auto de Infração é posterior ao fato gerador da obrigação tributária, o que afronta aos incisos II e XL do art. 5o da CRFB, eivando o Auto de Infração de nulidade; ● o ato que determinou o registro de informações imediatamente após realizado o embarque da mercadoria não disciplinou o alcance da expressão “imediatamente”; ● grande parte dos atrasos no registro de informações de embarques se deram por dificuldades de averbação de informações no Siscomex, devido à inconsistência do sistema, mas os Termos de Constatação deste Auto não fazem prova suficiente do atraso das averbações porque não informam as datas em que o Siscomex estava indisponibilizado; ● os Termos de Constatação do Auto de Infração não fazem prova suficiente do atraso das averbações, pois não informam quais as averbações são apenas correções e quais são efetivamente averbações novas; ● simples alteração de informações referentes ao embarque de mercadorias no Siscomex não constitui hipótese de aplicação de multa por embaraço à fiscalização, conforme entendimento expresso na Solução de Consulta no 218, de 17/8/2004, da 9ª Região Fiscal; ● a recorrente procedeu ao registro dos embarques antes do procedimento fiscal, devendo ser afastada a multa em vista da denúncia espontânea de infração, nos termos dos arts. 102 do Decretolei no 37/1966 e 138 do CTN; ● a aplicação da multa viola o princípio da finalidade do ato administrativo, porque a autoridade fiscal e o erário público não sofreram qualquer prejuízo com a intempestividade dos registros; ● a multa de R$ 5.000,00 por voo em que houve atraso viola o principio da proporcionalidade, Fl. 154DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 09/09/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10715.004872/200991 Acórdão n.º 320200.360 S3C2T2 Fl. 132 4 visto que a obrigação de prestar informações referese a um conjunto de embarques e não apenas a uma única mercadoria; ● houve erro de cálculo na aplicação da multa, visto que pela leitura da norma devese inferir que a multa deveria se restringir ao montante único e exclusivo de R$ 5.000,00; ● como relatados no Auto de Infração, os fatos dariam ensejo à aplicação da multa por embaraço, prevista no art. 107, IV, “c”, do Decretolei no 37/1966, que também não deveria passar de R$ 5.000,00; ● caso não seja reconhecida a improcedência da multa, o recurso deve ser provido para que seja apreciado o pedido de relevação de pena pelo Secretário da Receita Federal do Brasil, em vista da delegação de competência que lhe foi atribuída pela Portaria MF no 214/1979, com base os termos do que está previsto no art. 736 do Regulamento Aduaneiro de 2009, visto que no caso presente não houve qualquer dano ao Erário nem dolo por parte do contribuinte. Em vista do exposto, requer seja provido o recurso para que seja aplicada a retroatividade benigna no caso presente ou acolhida a preliminar, ou seja acolhida a impugnação para rechaçar as multas e cancelar o débito fiscal; se não for esse o entendimento, solicita o encaminhamento ao Secretário da Receita Federal do Brasil para apreciar o pedido de relevação das multas. É o relatório. Voto Conselheiro José Luiz Novo Rossari, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razões por que dele tomo conhecimento. A lide respeita à exigência feita pelo Fisco da multa prevista no art. 107, IV, “e”, do Decretolei no 37/1966, na redação que lhe deu o art. 77 da Lei no 10.833/2003, em razão de a recorrente ter registrado no Siscomex após o prazo de 2 (dois) dias fixado no art. 37 da IN SRF no 28/1994, com a redação dada pelo art. 1o da IN SRF no 510/2005, os dados de embarque de mercadorias em despachos de exportação. Para melhor compreensão a respeito da matéria, cumpre sejam transcritas as normas legais e administrativas pertinentes aos fatos. A Instrução Normativa SRF no 28, de 27/4/1994, estabeleceu em seus arts. 37, caput, e 44 que, verbis: “Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (destaquei) Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3o do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decreto lei no 37/66 com a redação do art. 5o do Decretolei no 751, de Fl. 155DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 09/09/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10715.004872/200991 Acórdão n.º 320200.360 S3C2T2 Fl. 133 5 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis.” O art. 107 do Decretolei no 37/1966, na redação do art. 5o do Decretolei no 751/1969, citado na transcrição acima, assim dispunha originalmente, tendo sido alterado apenas no tocante à atualização do valor da multa (última atualização constante do art. 646, I, do Decreto no 4.543/2002 – Regulamento Aduaneiro), verbis: “Art. 107 Aplicamse, ainda, as seguintes multas: I de 103,56 (cento e três reais e cinquenta e seis centavos) a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do Fisco, embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora; (...)” (destaquei) O caput do art. 37 antes transcrito foi alterado pelo art. 1o da IN SRF no 510, de 14/2/2005, que lhe deu a seguinte redação, verbis: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque.” (destaquei) No caso ora sob exame, o Fisco aplicou à empresa transportadora a multa específica prevista no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei no 37, de 1966, com a nova redação que lhe foi dada pelo art. 61 da Medida Provisória no 135, de 30/10/2003 (DOU de 31/10/2003), que veio a ser convertido no art. 77 da Lei no 10.833, de 29/12/2003, que estabeleceu, verbis: “Art. 77. Os arts. 1o, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do Decreto Lei no 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (...) "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e (...)” Fl. 156DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 09/09/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10715.004872/200991 Acórdão n.º 320200.360 S3C2T2 Fl. 134 6 Feitas essas transcrições, impõese ressaltar que na vigência da IN SRF no 28/1994 a inobservância da obrigação estabelecida no seu art. 37 era entendida pela SRF como caracterizadora de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, conforme disposto em seu art. 44. No entanto, a partir da superveniência da Medida Provisória no 135/2003, convertida na Lei no 10.833/2003, foi estabelecida para o transportador a obrigação de “prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas”, como se verifica da redação retrotranscrita, emprestada ao art. 37 do Decretolei no 37/1966 pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003. Destarte, com a entrada em vigor dessa nova norma legal, o descumprimento da obrigação de prestar à SRF, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, passou a ser cominada com a multa de R$ 5.000,00 prevista no inciso IV, “e”, do art. 107 do Decretolei no 37/1966, e não mais aquela prevista por embaraço, que veio a ser tipificada no inciso IV, “c”. Para a caracterização de ilícito sujeito à aplicação da referida multa, há que ser apurado o descumprimento da obrigação, o que implica, no caso, a inobservância de prazo fixado pela SRF para a apresentação dos dados relativos ao embarque. Verificase que, por ocasião dos fatos que geraram a aplicação das multas, vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, que estabelecia que a obrigação devia ser satisfeita “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria”. Ora, temse por evidente que, por não conter regramento certo e inequívoco que permita seu cumprimento sem a permanência de dúvidas, a imposição normativa constante desse ato administrativo é destituída de força cogente para a finalidade a que se propõe, de imposição de penalidade. Com efeito, não é próprio dos diplomas pátrios norma semelhante que tenha fixado prazo não revestido de certeza e não expresso em quantidade certa. A respeito, vêse que o Código Civil (Lei no 10.406, de 2002) refere a prazos em horas, dias, meses e anos (arts. 132 et alia), o que traduz quantificação em números certos e induvidosos. Também a Lei no 9.784, de 1999, que dispõe sobre o processo administrativo, expressa prazos em dias, meses e anos (art. 66), revelando quantificação certa. O Decreto no 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, estabelece todos os seus prazos em dias, também com quantificação certa. A matéria deve ser tratada com rigor ainda mais acentuado em se tratando de norma tributáriapenal, que deve obedecer ao princípio insculpido no art. 97, inciso V do CTN, devendo o elaborador usar, em sua redação legislativa, dos cuidados básicos pertinentes à matéria, de forma a evitar o surgimento de dúvidas e questionamentos elementares que venham a permitir a aplicação das regras mais benéficas ao autuado, previstas no art. 112 desse mesmo Código. O caso em exame é exemplo da falta desse cuidado, ao apontar prazo incerto para o cumprimento de norma, visto que “imediatamente após” não pode ser considerado como um prazo regulamentar. Daí que, na vigência original da IN SRF no 28/1994, não havia norma que impusesse prazo para que as empresas aéreas procedessem ao registro no Siscomex, visto que a expressão “imediatamente após” não se traduz em prazo certo para o cumprimento de obrigação. Resta acrescentar, por oportuno, que a interpretação dada a essa expressão pela Notícia Siscomex no 105/1994, no sentido de que deve ser entendida como “em até 24 Fl. 157DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 09/09/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10715.004872/200991 Acórdão n.º 320200.360 S3C2T2 Fl. 135 7 horas da data do efetivo embarque da mercadoria” não tem base legal para os efeitos da lide, visto não estar compreendida entre os atos normativos de que trata o art. 100 do CTN. Tratase, no caso, de veiculação destinada à orientação do Fisco e dos usuários do Siscomex, mas sem que possua as características essenciais de ato normativo, razão pela qual sequer foi referida na autuação. De outra parte, também cumpre acrescentar que o art. 37 da IN SRF no 28/1994 foi objeto de nova alteração pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010, que aumentou o prazo para a apresentação de dados pertinentes ao embarque para 7 (sete) dias. Ressaltese que esse ato normativo continua fazendo em seu art. 44 remissão ao art. 37, de forma a tratar a infração como de embaraço, o que bem demonstra a falta de atenção à legislação vigente, que desde a Medida Provisória no 135/2003 tem tipificação legal distinta. Retornando à lide, resta que, em não havendo regra fixadora de prazo para que se implementasse a eficácia do art. 37 do Decretolei no 37/1966, na redação que lhe deu a Lei no 10.833/2003, por ocasião de sua publicação, há que se concluir que o primeiro ato administrativo que veio a disciplinar esse artigo foi a IN SRF no 510, de 14/2/2005, antes transcrita, que em seu art. 1o alterou a redação do art. 37 da IN SRF no 28/1994, de forma a fixar o prazo de 2 (dois) dias para o registro dos dados pertinentes ao embarque. Desse modo, há que se concluir que a multa objeto de lide somente tem aplicação nos casos em que a inobservância da prestação de informações refirase a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e produziu efeitos. Como os fatos que originaram este processo ocorreram entre 10/9 e 30/9/2004, quando ainda não existia essa Instrução Normativa, são descabidas a sua arguição e a sua trazida ao mundo jurídico, de forma a alicerçar a caracterização de infrações e a legitimar a cominação de penalidades que lhe correspondam. Nesse sentido as regras estabelecidas pelo art. 150, III, “a”, da Constituição Federal e pelo art. 2o, parágrafo único, XIII, da Lei no 9.784, de 1999, que rege o processo administrativo. Em face dos elementos constantes dos autos e da legislação aplicável à espécie, entendo que não se vislumbram os elementos básicos tendentes à caracterização de infração, resultando desnecessária a apreciação das demais alegações da recorrente. Diante do exposto, voto por que se dê provimento ao recurso voluntário. Fl. 158DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 09/09/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10715.004872/200991 Acórdão n.º 320200.360 S3C2T2 Fl. 136 8 Fl. 159DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 09/09/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001480/2006-87
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2004
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS
FISCAIS (PERC). REGULARIDADE FISCAL.
Com vistas ao gozo do benefício fiscal, a condição de comprovação da quitação de tributos considera-se implementada com a apresentação das respectivas certidões negativas ou positivas com efeito de negativas durante o andamento do processo administrativo fiscal correspondente.
Numero da decisão: 1801-000.753
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004 PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS (PERC). REGULARIDADE FISCAL. Com vistas ao gozo do benefício fiscal, a condição de comprovação da quitação de tributos considera-se implementada com a apresentação das respectivas certidões negativas ou positivas com efeito de negativas durante o andamento do processo administrativo fiscal correspondente.
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REGULARIDADE FISCAL. Com vistas ao gozo do benefício fiscal, a condição de comprovação da quitação de tributos considerase implementada com a apresentação das respectivas certidões negativas ou positivas com efeito de negativas durante o andamento do processo administrativo fiscal correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Substituta Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente acima identificada formalizou em 26.09.2006, fls. 0103, o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC) no valor de Processo nº 16327.001480/200687 Acórdão n.º 180100.753 S1TE01 Fl. 508 2 R$89.495,87 destinado ao Fundo de Investimento da Amazônia (FINAM) correspondente à aplicação do percentual de 18% (dezoito por cento) do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado com base no lucro real constante na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativamente ao anocalendário de 2003, fls. 43 94. No Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais está registrado que a ela tem débitos de tributos e contribuições federais, fl. 03 (art. 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995). Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 331334, as informações em referência foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido ao argumento de que a Recorrente não apresentou a comprovação da quitação de tributos federais e ainda que A aludida consulta indica que a interessada está em situação irregular junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil/PGFN, como se verifica a fls. 310 a 317 deste processo, relatório SINCOR, indicando que constam débitos da interessada em cobrança final no SIEF, e débitos inscritos em Dívida Ativa da União, ali especificados, fatos estes que a impedem de comprovar quitação de tributos e contribuições federais, [...]. Cientificada em 05.09.2008 (sextafeira), fl. 336, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 06.10.2008, fls. 337345, argumentando em síntese que comprova sua regularidade fiscal. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante de todo o exposto, e por tudo mais que nos autos consta, a Recorrente requer seja dado provimento ao presente recurso, deferindose integralmente a opção pelo incentivo fiscal manifestado quando da entrega da DIPJ 2004 anocalendário 2003, ratificada por intermédio do PERC datado de 26/09/2006, tendo em vista que, conforme restou demonstrado, à época da opção a Recorrente encontravase em situação plenamente regular. Está registrado como resultado do Acórdão da 10ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 1621.849, de 22.06.2009, fls. 442449: “Solicitação Indeferida”, uma vez que “na data de expedição do Despacho Decisório de fls. 331 a 334, o contribuinte se encontrava em situação de irregularidade perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil e a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional”. Notificada, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 10.08.2009, fls. 464477, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Processo nº 16327.001480/200687 Acórdão n.º 180100.753 S1TE01 Fl. 509 3 Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Sobre a intimação, cabe ressaltar que pode ser efetivada por via postal, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Considerase feita a intimação na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação. Da decisão de primeira instância cabe recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Neste sentido, o órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão. Ademais tem cabimento a interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige1. Os presentes autos não estão instruídos com o comprovante de recebimento pela Recorrente da intimação feita por via postal do Acórdão da 10ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 1621.849, de 22.06.2009, fls. 442449. Os autos foram instruídos com o Comunicado Deinf/SPO/Diort nº 384, de 02.07.2009, fl. 450 e o Termo de Vista Processual de 06.08.2009, fl. 451. A Recorrente afirma que recebeu a notificação da decisão de primeira instância em 10.07.2009 (sextafeira). Tendo em vista o princípio da razoabilidade que informa o processo administrativo, o recurso voluntário apresentado em 10.08.2009, fls. 464477, deve ser considerado tempestivo. Por esta razão, o recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente afirma que se encontra em situação fiscal regular. O litígio versa sobre o PERC formalizado pela Recorrente com o escopo de usufruir do benefício fiscal relativo ao FINAM. Seu pleito foi indeferido sob o fundamento primordial de que a Recorrente estava em situação irregular. O pressuposto é de que a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo2. A falta de definição legal acerca do momento em que a regularidade fiscal deve ser comprovada, torna possível à Recorrente fazêlo em qualquer fase do processo. Assim, com vistas ao gozo do benefício fiscal, a condição de comprovação da quitação de tributos considerase implementada com a apresentação das respectivas certidões negativas ou positivas com efeitos de negativas durante o andamento do processo administrativo fiscal correspondente. Tem cabimento a análise da situação fática. 1 Fundamentação legal: art. 23 e 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 2º e art. 26 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 2 Fundamentação Legal: art. 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995 e Súmula CARF nº 37. Processo nº 16327.001480/200687 Acórdão n.º 180100.753 S1TE01 Fl. 510 4 Verificase que constam nos autos as seguintes cópias: Certidão Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais emitida pela Secretaria da Receita Federal emitida em 29.09.2004, fl. 427; Certidão Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos à Dívida Ativa da União emitida pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional emitida em 15.09.2004, fls. 428429; Certidão Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos às Contribuições Previdenciárias e as de Terceiros nº 06777201121100010 emitida em 19.09.20113. Por conseguinte, cabe razão à Recorrente, uma vez que comprovou sua a regularidade fiscal no curso do processo, apresentado um conjunto probatório robusto. Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 3 Disponível em: <http://www010.dataprev.gov.br/CWS/CONTEXTO/PCND1/PCND1.HTML>. Acesso em 30 out. 2011.
score : 1.0
Numero do processo: 10850.000125/2005-03
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2002
RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA SUMULADA.
Nos termos do art. 67, parágrafo 2° do RUCARF, não se conhece de recurso especial que pleiteia revisão de julgado que esteja em consonância com a jurisprudência sumulada pela Corte Administrativa.
Recurso Especial do Procurador não conhecido.
Numero da decisão: 9101-000.975
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
1.0 = *:*
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2002 RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA SUMULADA. Nos termos do art. 67, parágrafo 2° do RUCARF, não se conhece de recurso especial que pleiteia revisão de julgado que esteja em consonância com a jurisprudência sumulada pela Corte Administrativa. Recurso Especial do Procurador não conhecido.
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10850.000125/2005-03 Recurso n° 335.951 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-000.975 — la Turma Sessão de 23 de maio de 2011 Matéria SIMPLES - EXCLUSÃO - ATIVIDADE VEDADA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PRISMATEC SÃO JOSÉ DO RIO PRETO ME Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2002 Ementa: RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA SUMULADA. Nos termos do art. 67, parágrafo 2° do RUCARF, não se conhece de recurso especial que pleiteia revisão de julgado que esteja em consonância com a jurisprudência sumulada pela Corte Administrativa. Recurso Especial do Procurador não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Otacilio D residente. ;' Antonio Carlokp i oni Filho - Relator. Editado em: Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, Alberto Pinto Souza Junior, João Carlos de Lima Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Com base no permissivo do Regimento Interno desta Corte Administrativa, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial em face de acórdão proferido pela extinta Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário do cont ribuinte, conforme ementa abaixo transcrita: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Ano-calendário: 2001 Ementa: Simples. Exclusão desmotivada. Prestação de serviços técnicos e manutenção de máquinas e equipamentos industriais. Atividade permitida. Carece de legitimidade a exclusão de pessoa jurídica do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples) quando exclusivamente motivada no exercício da prestação de serviços técnicos e manutenção de máquinas e equipamentos industriais por sociedade empresaria. A vedação imposta pelo inciso XIII do artigo 9° da Lei 9.317, de 1996, não alcança as microempresas nem as empresas de pequeno porte constituídas por empreendedores que agregam meios de produção para explorar atividades econômicas de forma organizada com o desiderato de gerar ou circular bens ou prestar quaisquer serviços. Ela é restrita aos casos de inexistência de atividade economicamente organizada caracterizada pela prestação de serviços profissionais como atividade exclusiva e levada a efeito diretamente pelos sócios da pessoa jurídica qualificados dentre as atividades indicadas no dispositivo legal citado." 0 caso foi assim relatado pela Camara recorrida, verbis: Cuida-se de recurso voluntário contra acórdão unânime da Primeira Turma da DRI Ribeirao Preto (SP) que julgou irreparável o ato administrativo de folha 5, expedido no dia 2 de agosto de 2004 pela unidade da SRF competente para declarar a ora recorrente excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples) a partir de 9 de agosto de 2001 [ I] sob a denúncia de exercício de atividade econômica vedada: instalagiio, reparação e manutenção outras máquinas e equipamentos de uso especifico2. Regularmente intimada da improcedência da Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (SRS)3 , a interessada instaurou o contraditório ás folhas I a 3. Nas suas razões iniciais, formalizada em papel com timbre da DRJ Ribeirao Preto (SP), assevera que: (1) não presta serviço profissional de engenharia ou assemelhado, nem serviço profissional de outras atividades cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente 2 Na ultima delas consta o registro da distribuição mediante sorteio. É o relatório." Processo n° 10850.000125/2005-03 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-000.975 Fl. 2 exigida; (2) fiscais do Crea nunca compareceram ao estabelecimento da impugnante para exigir o cadastro da pessoa jurídica no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia nem para exigir a contratação de responsável técnico pela atividade exercida; (3) explora, desde a sua constituição, a prestação de serviços de corte, dobra, perfuração, solda, lixa e confecção de partes em tomo mecânico; e (4) não exerce a atividade mercantil prevista no contrato social. Admite ter errado quando considerou sua atividade uma mera prestação de serviços, com incidência do tributo municipal ISSQN, ao revés do correto enquadramento como industrialização para terceiros, tributada pelo ICMS, e assegura que a irregularidade já foi sanada conforme orientação da fiscalização estadual. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão consubstanciados na ementa que transcrevo: SIMPLES EXCLUSii0. As empresas que desenvolvem atividades de montagem industrial, manutenção, instalação de equipamentos, presta serviços de usinagem e assistência técnica no seguimento, por ser [sic] atividades especificas de engenheiro, estão impedidas de optar pelo Simples. Solicitação Indeferida Ciente do inteiro teor do acórdão originário da DRI Ribeirao Preto (SP), recurso voluntário foi interposto às folhas 76 a 78, redigido empapei com timbre da DPI Brasilia (DF). Nessa petição, contradiz parte de suas próprias razões iniciais: primeiro, quando admite que optou pela inscrição municipal porque exercia suas atividades em um barracão nos fundos de outra empresa, no tal endereço já constava a inscrição estadual da outra empresa e o fisco estadual não forneceria uma segunda inscrição estadual para referido endereço; depois, quando aduz que sua real atividade é a confecção de produtos metalúrgicos em ago inoxidável e em outros metais (portas, janelas, escadas, carrinhos, mesas, prateleiras, cadeiras e lixeiras). A autoridade competente deu por encenado o preparo do processo e encaminhou para a segunda instância administrativa° os autos posteriormente distribuídos a este conselheiro e submetidos a julgamento em único volume, ora processado com 117 folhas. 3 O acórdão acima ementado deu provimento ao recurso voluntário do Contribuinte para cancelar o Ato Declaratório de exclusão do Simples. Segundo o voto do Relator, o qual foi acompanhado pelos demais membros do Colegiado a quo apenas pelas suas conclusões, a vedação imposta pelo inciso XIII do artigo 9° da Lei 9.317, de 1996, não alcançaria as microempresas nem as empresas de pequeno porte constituidas por empreendedores que agregam meios de produção: para explorar atividades econômicas de forma organizada com o desiderato de gerar ou circular bens ou prestar quaisquer serviços, tal como ocorre no caso dos autos. Em sede de recurso especial, argüi a Fazenda Nacional contrariedade do acórdão recorrido a aresto proferido pela extinta 2a Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes (Ac. 302-37.259), o qual assenta o entendimento de que: "não pode optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que presta serviços de montagem ou manutenção de equipamentos, por serem equiparados a serviços profissionais de engenharia (art. 9°, inciso .iiall, da Lei n. 9.317/96)". 0 recurso especial foi admitido pelo Sr. Presidente do Colegiado a quo (Despacho n. 029/2008 (fls.147/149)), ante a configuração do alegado dissenso jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contra-razões. É o relatório. 4 Processo n° 10850.000125/2005-03 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-000.975 Fl. 3 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho,Relator Peço vênia para não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Cinge-se a controvérsia em saber se é legitima a manutenção de pessoa jurídica no SIMPLES cujo objeto social seja o "Comércio de Materiais em Geral para Manutenção de Maquinas e Equipamentos Mecânicos Industrial, Hidráulicos, Pneumáticos e Elétricos, Prestação de Serviços Técnicos e Manutenção de Maquinas e Equipamentos Industriais em Geral." (fls. 25, 34 e 39) em vista do disposto no art. 9 °, XIII da Lei n. 9.317/1996 que impediria a opção pelo SIMPLES de empresas que desenvolvessem atividades equiparadas à de engenharia. Citada controvérsia encontra-se superada nesta Corte Administrativa por força da edição da Sumula CARF n. 57, verbis: "Súmula CARF no 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal." A superação da controvérsia pela reiterada (e sumulada) jurisprudência deste Colegiado, por si s6, 6 suficiente para afastar o conhecimento de recurso especial fundamentado exclusivamente em alegado (e já a priori solucionado) dissenso jurisprudencial. De fato, a edição de súmula (ainda que superveniente) esvazia por completo o objeto da insurgência da Fazenda Nacional, em vista da absoluta impossibilidade de este Colegiado examinar novamente o dissenso ou a alegada violação do acórdão recorrido à lei federal suscitada no recurso. Reforça este fundamento o atual RI/CARF, o qual impõe atualmente o não conhecimento de recursos que se insurjam contra julgados que estejam em perfeita consonância com a jurisprudência sumulada pela Corte. Veja-se, neste sentido, o disposto no art. 67, parágrafo 2 °, do RI/CARF aprovado pela Portaria MF n. 256/2009, verbis: "Art. 67. Compete a CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der 6 lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Camara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância." 5 Antonio Car ilho - Relator Por tais fundamentos, oriento meu voto no sentido de não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. I li 6
score : 1.0
Numero do processo: 10166.907496/2009-51
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 31/01/2003
COEFICIENTE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS
HOSPITALARES. SERVIÇOS À SAÚDE.
A prestação de serviços na área da saúde não se confunde com prestação de
serviços hospitalares, devendo restar comprovado nos autos que a pessoa
jurídica exerce efetivamente funções inerentes à internação de pacientes,
antes da edição da Lei nº 11.727, de 2008, que introduziu novas atividades
ligadas à área de saúde no favor fiscal de redução de coeficiente para
apuração do lucro presumido de
32% para 8%.
Numero da decisão: 1801-000.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS À SAÚDE. A prestação de serviços na área da saúde não se confunde com prestação de serviços hospitalares, devendo restar comprovado nos autos que a pessoa jurídica exerce efetivamente funções inerentes à internação de pacientes, antes da edição da Lei nº 11.727, de 2008, que introduziu novas atividades ligadas à área de saúde no favor fiscal de redução de coeficiente para apuração do lucro presumido de 32% para 8%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Fl. 52DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A empresa em epígrafe emitiu diversas Declarações de Compensação eletrônicas – Dcomp pleiteando a restituição/compensação de parte dos valores recolhidos por DARF, a título de IRPJ, durante os anoscalendários de 1999, 2000, 2001 e 2002 por entender que fez pagamentos maiores que os devidos. Explica que se enquadra no conceito de empresa que exerce atividades hospitalares e, portanto, fez jus ao coeficiente de 8% para apuração do lucro presumido naqueles anos e não 32%, como equivocadamente procedeu nos cálculos de IRPJ. As Dcomp foram emitidas para solicitar a restituição/compensação das diferenças entre os valores que entende devidos e aqueles efetivamente recolhidos. A empresa apresenta manifestação de inconformidade à fl. 01 e o despacho eletrônico de não homologação da compensação veiculada na Dcomp de fls. 12 a 16 encontra se às fls. 02 dos autos. Neste despacho está consignado que o valor pleiteado na Dcomp – referente ao recolhimento de IRPJ efetuado em 31/01/2003 – está devidamente alocado como pagamento do tributo devido, não havendo qualquer saldo a ser restituído. A fiscalização intimou a empresa a apresentar cópia do Contrato Social e alterações, entre outros documentos, às fls. 03 (Intimação nº 127/2010), ao que juntouse ao processo as referidas cópias às fls. 05 a 10. A Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Brasília/DF exarou o Acórdão nº 0339.706/10 não reconhecendo o direito creditório em litígio. Assim restou ementado o aresto: “LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS NÃO HOSPITALARES. Auferindo a empresa receita de atividade médica ambulatorial restrita a consultas, que não se enquadra no conceito de serviços hospitalares estabelecido pela legislação tributária, a base de cálculo do lucro presumido deve ser apurada com a aplicação do percentual de 32%.” Aquela turma de julgamento fundamentou o votocondutor no fato de a clínica em apreço ter sua atividade econômica enquadrada expressamente como “ambulatorial restrita a consultas (CNPJ) e constar na cláusula 3ª do Contrato Social, como objetivo social: Prestação de serviços de segurança e medicina do trabalho, clínica médicaambulatorial, ginecologia, cardiologia, oftamologia, otorrinolaringologia, psiquiatria, psicologia, fonoaudiologia (exclusivamente para audiometria ocupacional) e pequenas cirurgias; sem internação e sem raio X no local. Invocou o Ato Declaratório Interpretativo – ADI/RFB nº 19/07 que cuida dos aspectos conceituais de “serviços hospitalares”. Tempestivamente, a clínica médica interpôs o Recurso de fls. 29 e ss, instruído com a consolidação do Contrato Social. Reprisa os termos da exordial e enfatiza: “Extraise dos autos que o Relator do Acórdão, com base no art. 106 do CTN, aplicou retroativamente o Ato Declaratório Interpretativo RFB n° 19, de 2007 para julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório que não homologou a compensação efetuada pela Recorrente através do PER/DCOMP. Fl. 53DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.907496/200951 Acórdão n.º 180100.789 S1TE01 Fl. 45 3 A Recorrente é empresa que atua na área de "atendimento médico ambulatória!, atendimento médico ocupacional, programa de prevenção de riscos ambientais, elaboração do Itcat (laudo técnico de condições ambientais do trabalho), assessoria na elaboração do PPP (perfil prossiográfico previdenciário) e PCMAT (programa de condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção. Consta do Contrato social que a empresa "tem por objetivos a prestação de serviços de Segurança e Medicina do Trabalho,, Clínica Médica Ambulatoriál, Ginecologia, Cardiologia, Oftamologia, Otorrinolaringologia, Psiquiatria, Psicologia, Fonoaudiologia (exclusivamente para Audiometria Ocupacional) e pequenas cirurgias, sem internação e sem Raio X no local"e apresentou pedido de compensação oriundo de CSLL, no regime de tributação do lucro presumido, pelo percentual de 32% sobre a receita bruta trimestral. Respalda seu entendimento na Instrução Normativa – IN SRF nº 306/03 que classificou como serviços hospitalares o que segue, conforme cita: "Art. 23 . Para os fins previstos no art. 15, § 1º inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249, de 1995, poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de UMA DAS ATIVIDADES ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II. Capitulo 2. da Portaria GM 1.884. de 11 de novembro de 1994. do Ministério da Saúde, relacionadas nos incisos seguintes: (...) II prestação de atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial. compreendendo as seguintes atividades: a) recepcionar, registrar e fazer marcação de consultas; c) proceder a consulta médica, odontológica, psicológica, de assistência social, de nutrição, de fisioterapia, de terapia ocupacional, de fonoaudiologia e de enfermagem: Observese que esses conceitos relativos ao que se enquadra como serviços hospitalares e extraídos da Portaria GM/1.884, do Ministério da Saúde, mencionada na INSRF n.° 306/2003 já haviam sido mantidos e reproduzidos, em termos idênticos, na Resolução RDC n.° 50, de 21.02.2002, da Diretoria Colegiada da ANVISA Agência Nacional de Vigilância Sanitária.” Cita, ainda, a Solução de Divergência em Consulta CST nº 11/2003 editada no sentido de admitir a natureza hospitalar das clínicas médicas (para os serviços médicos prestados por clínicas de ortopedia, traumatologia e radiológicas) e decisões judiciais que entende corroborar seu entendimento sobre a abrangência da expressão “serviços hospitalares”: 1999.01.1.0149015 TJDFT e Resp STJ nº 380.584/02 – este último sobre sociedades civis prestadoras de serviços médicos de hemodiálise. É o relatório. Passo à análise das razões recursais. Fl. 54DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A recorrente pleiteia a restituição de valores de IRPJ que entende haverem sido pagos a maior indevidamente, por enquadrarse nas pessoas jurídicas que prestam serviços hospitalares, estando sujeita ao coeficiente para apuração do lucro presumido no percentual de 8% e não 32%, conforme houvera procedido aos efetivos recolhimentos via DARF. Respalda seu entendimento no artigo 23 da IN SRF nº 306/03, cujo texto parcial transcreveu no recurso interposto e foi acima reproduzido. Divirjo da interpretação dada pela recorrente ao texto do caput do referido artigo 23. A administração tributária ao redigir o referido preceito infralegal deixou claro que a pessoa jurídica para ser considerada como prestadora de serviços hospitalares deve necessariamente possuir estrutura física condizente com a execução de uma das atividades elencadas nos incisos I, II, III, IV e V que esmiuça. Cada inciso traz as atividades que devem ser desenvolvidas pela pessoa jurídica conjuntamente, não uma de cada, como interpretou equivocadamente a recorrente. O inciso I, por exemplo, exige: I realização de ações básicas de saúde, compreendendo as seguintes atividades: a) ações individuais ou coletivas de prevenção à saúde tais como: imunizações, primeiro atendimento, controle de doenças transmissíveis, visita domiciliar, coleta de material para exames, etc.; b) vigilância epidemiológica por meio de coleta e análise sistemática de dados, investigação epidemiológica, informação sobre doenças, etc.; c) ações de educação para a saúde, mediante palestras, demonstrações e treinamento in loco, campanhas, etc.; d) orientar as ações em saneamento básico por meio de instalação e manutenção de melhorias sanitárias domiciliares relacionadas com água, dejetos e lixo; e) vigilância nutricional por meio das atividades continuadas e rotineiras de observação, coleta e análise de dados e disseminação da informação referente ao estado nutricional, desde a ingestão de alimentos à sua utilização biológica; f) vigilância sanitária, por meio de fiscalização e controle que garantam a qualidade aos produtos, serviços e do meio ambiente. O inciso II, ad exemplum: II prestação de atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial, compreendendo as seguintes atividades: Fl. 55DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.907496/200951 Acórdão n.º 180100.789 S1TE01 Fl. 46 5 a) recepcionar, registrar e fazer marcação de consultas; b) realizar procedimentos de enfermagem; c) proceder a consulta médica, odontológica, psicológica, de assistência social, de nutrição, de fisioterapia, de terapia ocupacional, de fonoaudiologia e de enfermagem; d) recepcionar, transferir e preparar pacientes; e) assegurar a execução de procedimentos préanestésicos e realizar procedimentos anestésicos nos pacientes; f) executar cirurgias e exames endoscópios em regime de rotina; g) emitir relatórios médico e de enfermagem e registro das cirurgias e endoscopias realizadas; h) proporcionar cuidados pósanestésicos; i) garantir o apoio diagnóstico necessário. E assim por diante. Todas as atividades que encabeçam os incisos exigem a prestação de serviços que em algum momento diferenciam as clínicas de atendimento meramente ambulatorial, consultas etc daqueles estabelecimentos médicos que possuem leitos, internações, disponibilidade para atendimento de urgência (24h), realização de exames de raio X, endoscopias, realização de hemodiálises. É suficiente a leitura acurada de cada atividade descrita nos incisos. Por isto, correta era a interpretação do caput do referido artigo 23 determinando que para a pessoa jurídica se enquadrar como prestadora de “serviços hospitalares” deve exerce pelo menos uma das atividades (descrita no inciso e não nas alíneas somente), podendo ainda combinar outras atividades das alíneas dos demais incisos. Assim a norma interpretativa faz o sentido lógico, considerandose a interpretação sistemática das normas, sem a qual qualquer consultório médico, desde que com mais de um profissional, se enquadraria no conceito super relativizado que a recorrente pretendeu atribuir à IN SRF. Ademais, o mais importante é que esta IN SRF nº 306 foi expressamente revogada pela nº 480/2004, e essa, por sua vez, foi posteriormente alterada pela IN SRF nº 500/2005, que em seu artigo 27 incluiu mais algumas exigências para o conceito de “serviços hospitalares”, grifei. Mas as instruções normativas não servem para legislar. Somente elucidam a norma tributária e constituem fonte secundária do Direito Tributário, pois, por serem normativas, são as denominadas normas complementares previstas no artigo 100, mais especificamente inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN. Todavia, frisese, são atos interpretativos não podendo ir além das normas tributárias. Fl. 56DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Para o mesmo fim, no entanto sem a referida força normativa, servem os atos expedidos interna corporis pela Administração Tributária, cuja principal meta é homogeneizar o entendimento da própria administração sobre determinado assunto, sempre à luz da norma tributária. Dito isto, prossigamos para a norma insculpida no artigo 15, da Lei nº 9.249/95, que dispõe: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981 de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; [...] Há uma questão de pura semântica aqui envolvida. A norma tributária, vigente à época, não disse que os demais serviços ligados à área da saúde, desvinculados dos hospitais, fossem tratados como serviços hospitalares. E quando a norma não diz, não cabe aos intérpretes o fazer, quando mais se trata de normas tributárias, cuja tipicidade é cerrada. Ao revés do que pretende a recorrente, como visto, inúmeros atos administrativos, Soluções de Consulta e inclusive decisões judiciais versaram sobre esta matéria. E nem hoje a norma tributária igualou os serviços hospitalares aos demais serviços prestados na área da saúde. Pelo contrário, esse assunto foi amplamente debatido pelo Superior Tribunal de Justiça. A jurisprudência da Corte Superior foi pacificada no mesmo sentido ora sustentado. A exemplo, citese o acórdão extraído do REsp nº 925.175/SC, da lavra do ministro Castro Meira: Ementa : PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. LABORATÓRIOS DE ANÁLISES CLÍNICAS. ATIVIDADES HOSPITALARES. ART. 15, § 1º, III, "A", DA LEI Nº 9.249/95. 1. O art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.249/95, que diminui a base de cálculo, resultando em menor valor a recolher de pessoas jurídicas que desenvolvem atividades hospitalares, deve ser interpretado restritivamente, para abranger, além Fl. 57DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.907496/200951 Acórdão n.º 180100.789 S1TE01 Fl. 47 7 dos próprios hospitais, apenas os estabelecimentos que dispõem de "estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes" (REsp 786.569/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJU de 30.10.06). 2. No caso concreto, não podem ser enquadrados no conceito de serviços hospitalares os exames realizados em laboratórios de análises clínicas, porquanto os favores fiscais não comportam interpretação analógica. Precedentes da Primeira Seção. 3. Recurso especial provido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, dar provimento ao recurso nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin, Eliana Calmon e João Otávio de Noronha votaram com o Sr. Ministro Relator. Sustentou oralmente Dr. Marcos Cardoso Resende, pela parte: RECORRIDO: LABORATÓRIO FLEMING S/S LTDA. (grifos não pertencem ao original) Trago à luz da discussão, por oportuno, para demonstrar que não possuo entendimento isolado sobre a questão proposta, o Projeto de Lei nº 1.716/071, no qual o deputado Júlio Delgado e o relator, deputado Luiz Carlos Hauly, teceram questões a respeito da inclusão das empresas que desenvolvem as atividades laboratoriais no texto das empresas favorecidas pelo coeficiente do lucro presumido a 8%: PROJETO DE LEI Nº 1.716, de 2007 (Apensado: PL 1.777, de 2007) Altera a Lei nº 9.249, de 1995, no que respeita ao coeficiente de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido pelo regime do Lucro Presumido, para os laboratórios de Análises Clínicas. AUTOR: Deputado JÚLIO DELGADO RELATOR: Deputado LUIZ CARLOS HAULY I RELATÓRIO O Projeto de Lei nº 1.716, de 2007 pretende equiparar os laboratórios de análise clínica aos hospitais, para efeito do cálculo do lucro presumido sujeito à tributação pelo Imposto de Renda e pela Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL. 1 http://www.camara.gov.br/sileg/integras/553012.pdf Fl. 58DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Segundo o Autor da proposição, atualmente a Lei nº 9.249, de 1995 institui o coeficiente de 8% do faturamento para calcular o lucro presumido das prestadoras de serviços hospitalares, com exceção das empresas do setor de serviço, cujo coeficiente é de 32%. A presente Medida visa, deste modo, equiparar os laboratórios de análise clínica com os serviços hospitalares. [...] É o relatório. II VOTO Cabe a esta Comissão, além do exame de mérito, inicialmente apreciar as proposições quanto à sua compatibilidade ou adequação com o plano plurianual, a lei de diretrizes orçamentárias e o orçamento anual, nos termos do Regimento Interno da Câmara dos Deputados (RI, arts. 32, IX, "h", e 53, II) e de Norma Interna da Comissão de Finanças e Tributação, que "estabelece procedimentos para o exame de compatibilidade ou adequação orçamentária e financeira". A Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2008, no seu artigo 98, condiciona a aprovação de lei ao cumprimento do art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, nos seguintes termos: O art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101, de 04.05.2000) determina: "Art. 14. A concessão ou ampliação de incentivo ou benefício de natureza tributária da qual decorra renúncia de receita deverá estar acompanhada de estimativa do impacto orçamentário financeiro no exercício em que deva iniciar sua vigência e nos dois seguintes, atender ao disposto na lei de diretrizes orçamentárias e a pelo menos uma das seguintes condições: [...] § 1º A renúncia compreende anistia, remissão, subsídio, crédito presumido, concessão de isenção em caráter não geral, alteração de alíquota ou modificação de base de cálculo que implique redução discriminada de tributos ou contribuições, e outros benefícios que correspondam a tratamento diferenciado. § 2º Se o ato de concessão ou ampliação do incentivo ou benefício de que trata o caput deste artigo decorrer da condição contida no inciso II, o benefício só entrará em vigor quando implementadas as medidas referidas no mencionado inciso. .............................................................................................." Contudo, entendemos que a aplicação de tais dispositivos deve aterse a uma interpretação finalística da própria Lei de Responsabilidade Fiscal LRF. Em seu artigo 1º, ela estabelece que seu escopo é a determinação de normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal, entendida esta Fl. 59DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.907496/200951 Acórdão n.º 180100.789 S1TE01 Fl. 48 9 responsabilidade como a “ação planejada e transparente, em que se previnem riscos e corrigem desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas”. De tal conceito depreendemos que somente aquelas ações que possam afetar o equilíbrio das contas públicas devem estar sujeitas às exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal. Assim, entendemos que as proposições que tenham impacto orçamentário e financeiro de pequena monta não ficam sujeitas ao disposto no art 14 da LRF, já que não representam qualquer risco para a obtenção dos resultados fiscais definidos nas peças orçamentárias. É precisamente essa a característica do PL nº 1.716, de 2007, que possibilita aos laboratórios de análises clínicas se enquadrarem no regime do lucro presumido. Além disso, devese esclarecer que até novembro de 2007, os laboratórios de análise clínicas e os serviços de auxílio diagnóstico estavam enquadrados no regime de lucro presumido. Assim, está receita não estava prevista para o ano 2008 e seguintes, não podendo se falar em renúncia fiscal efetiva. Quanto ao mérito, tratase de matéria que preserva a isonomia de tratamento entre os prestadores de serviço de saúde à população A redução da carga tributária poderá beneficiar a toda sociedade prestandose um serviço de melhor qualidade a menor custo. Além disso, a similitude e o caráter de complementação dos serviços laboratoriais aos de natureza médicohospitalar exigem um tratamento isonômico na parte tributária. De modo a aprimorar o presente projeto, alteramos a redação inicialmente proposta pelo AUTOR, acrescentando os serviços de auxilio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e de análises e patologia clínicas, que se constituem em serviços subsidiários e complementares das atividades hospitalares, assim como aqueles de análises clínicas. (grifos não pertencem ao original) É importante ressaltar que o presente projeto de lei, retrato da mens legis da norma tributária, não precisou ser votado, pois em 2008 a Lei nº 11.727, cuja proposição original foi a Medida Provisória nº 413/08 (que recebeu diversos aditivos no deputado HAULY), assim dispôs em seu artigo 29: Art. 29. A alínea a do inciso III do § 1º do art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 15. Fl. 60DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 [...] a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; (grifos não pertencem ao original) Eis que somente a partir da edição da Lei nº 11.727, de 2008, a prestação de serviços de auxílio diagnóstico, terapia e outras foram alçadas pela exceção referida na alínea “a” do inciso III do § 1º da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sujeitandose, portanto, ao coeficiente de 8% (oito por cento) incidente sobre a receita bruta para apuração do lucro presumido. Por conseguinte, considerando que a lei tributária não retroage (exceto nas hipóteses elencadas no artigo 106, o que não é o caso), antes da vigência do artigo 29 da Lei nº 11.727, as pessoas jurídicas que prestam serviços à saúde, mas sem prestarem serviços hospitalares sujeitamse ao coeficiente de 32% para determinar o seu lucro. Colaciono, por derradeiro, ao presente voto para corroborar o entendimento ora esposado, a ementa do Acórdão nº 10323.236, de 18/10/07, cuja lavra do votocondutor é do conselheiro Antonio Carlos Guidoni Fº: “SERVIÇOS HOSPITALARES. CARACTERIZAÇÃO. A presunção de lucratividade reduzida prevista na Lei n. 9.249/95 está intimamente ligada à existência de custos relevantes com instalações, equipamentos e mãodeobra qualificada inerente a um hospital, compreendendo tanto a parte médica especializada quanto os serviços de hotelaria e fornecimento de produtos. A prestação pessoal de serviços médicos, por si só, não corresponde ao conjunto de serviços e custos inerentes a um centro hospitalar, traduzindose meramente em um exercício de profissão regulamentada.” Transcrevo, por oportuno, trecho do voto: “A presunção de lucratividade reduzida prevista na Lei n. 9.249/95 (artigo 15, § 1°, III), está intimamente ligada à existência de custos relevantes com equipamentos e mãodeobra qualificada inerente a um hospital, compreendendo tanto a parte médica especializada quanto os serviços de hotelaria e fornecimento de produtos. A aplicação do percentual de 8% apenas se justifica quando presentes fatores de custos relevantes, como os que ocorrem em um hospital. A prestação pessoal de serviços médicos, por si só, não corresponde ao conjunto de serviços e custos inerentes a um centro hospitalar, traduzindose meramente em um exercício de profissão regulamentada.” (grifos não pertencem ao original) Comungo com as colocações do r. conselheiro em todos os aspectos, precipuamente quando faz a distinção entre os demais serviços prestados pelas pessoas jurídicas ligadas à área da saúde (mera receita de prestação de serviços em geral – 32%) e aqueles prestados pela entidade hospitalar (receita de serviços hospitalares – 8%). De todo o exposto, verifico dos autos que é fato incontroverso no presente caso que a recorrente tem como objetivo social: Fl. 61DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.907496/200951 Acórdão n.º 180100.789 S1TE01 Fl. 49 11 “Cláusula Terceira Alteram também neste ato os objetivos da Sociedade, que passam a ser: Prestação de serviços de Segurança e Medicina do Trabalho, Clinica Médica Ambulatorial, Ginecologia, Cardiologia, Oftalmologia, Otorrino laringologia, Psiquiatria, Psicologia, Fonoaudiologia (exclusivamente para Audiometria Ocupacional) e pequenas cirurgias; sem internação e sem Raio X no local.” (grifos não pertencem ao original) Entendo que estes serviços não podem ser considerados como serviços hospitalares da recorrida. São serviços que consistem em outra atividade que não a de oferecer ou disponibilizar internação em seu estabelecimento, pelo que justa a aplicação do coeficiente de 32% para a apuração do lucro presumido. Tratase de mera prestação de serviços, em geral, na área de saúde, no entanto, sem natureza hospitalar. No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso, por não reconhecer o direito creditório e não homologar a compensação pleiteada. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 62DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 13858.000493/2004-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
IPI.CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS MEDIANTE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES.
O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção “juris et de jure”, não exige nem admite prova ou contraprova de
incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer
distinção nos casos em que a lei não o fez. Precedentes do STJ.
Recurso Especial do Contribuinte Provido
Numero da decisão: 9303-001.405
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso especial.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS MEDIANTE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI . BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção “juris et de jure”, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Precedentes do STJ. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto Maria Teresa Martínez López Relatora Fl. 396DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Gileno Gurjão Barreto, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Tratase de análise de recurso especial interposto pela contribuinte. Por meio o Acórdão nº 20312.944, de 03 de junho de 2008, pelo voto de qualidade, os Membros da então Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, negaram provimento ao recurso. A ementa dessa decisão possui a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. O ressarcimento de contribuições para o PIS e Cofins, a título de créditopresumido de IPI, está condicionado a efetiva incidência dessas contribuições no custo das matériasprimas e insumos adquiridos e utilizados pelo produtor exportador. Assim, não se incluem na base de cálculo do incentivo as matériasprimas e os insumos adquiridos de pessoas físicas e de nãocontribuintes dessas contribuições. DÉBITOS FISCAIS. PAGAMENTO/COMPENSAÇÃO A liquidação de débitos fiscais, mediante pagamento e/ ou compensação com créditos financeiros, efetuada após as datas dos respectivos vencimentos está sujeita a acréscimos legais, multa de mora e juros moratórios. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de crédito fiscal efetuada pelo próprio sujeito passivo depende da certeza e liquidez dos créditos financeiros utilizados por ele. Recurso negado. A contribuinte, com fundamento no então Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, contra decisão majoritária consubstanciada em acórdão da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes interpõe recurso especial a esta Eg.Câmara Superior de Recursos Fiscais. O apelo especial, uma vez verificados os requisitos de admissibilidade, foi recebido pelo despacho n˚ 118 (fl. 296/297) em relação à glosa de insumos que não tiveram incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS (pessoas físicas). Acolhido e autuado o recurso especial, foram presentes os autos á douta Procuradoria da Fazenda Nacional, conforme prescreve o inciso II, do art. 16, do então Fl. 397DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13858.000493/200481 Acórdão n.º 930301.405 CSRFT3 Fl. 327 3 Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria nº 147/2007, que optou por apresentar suas contrarazões. Em síntese, requer a União “ seja negado seguimento ao recurso especial interposto pela contribuinte. Caso assim não se decida, rogase para que, no mérito, lhe seja negado provimento, mantendose o acórdão proferido pela e. Câmara a quo”. É o relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora O recurso especial atende aos requisitos legais e dele tomo conhecimento. Tratase de análise de recurso especial de divergência, interposto pela contribuinte, no qual foi dado seguimento para análise da glosa de insumos que supostamente não tiveram incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS (pessoas físicas) A controvérsia limitase à incidência do art. 1º da Lei n° 9.363, de 16/12/96, imposta pela Instrução Normativa SRF n° 23, de 13/03/1997, que reconhece o direito apenas para aquisições de pessoas jurídicas, e pela Instrução Normativa SRF n° 103, de 30/12/1997, que excluem as cooperativas de produção. Em ambos os casos, o fundamento é o mesmo: o benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente será cabível quando nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem pelo produtorexportador houver incidência dessas contribuições sociais. Seguem transcrições: IN SRF n° 23/97: Art. 2º (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS. IN SRF n° 103/97: Art. 2° as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas de produtores não geram direito ao crédito presumido. Muito embora o assunto já se encontre pacificado no âmbito desta Eg. Câmara Superior, conforme jurisprudência trazida pela interessada, pertinentes são as conclusões do respeitável doutrinador Ricardo Mariz de Oliveira em trabalho divulgado em Fl. 398DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 2000, quando o assunto era ainda polêmico.1 Para melhor clareza, peço vênia para reproduzir as suas conclusões como se minhas fossem: VII CONCLUSÃO: AS AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS INTEGRAM O CÁLCULO DO INCENTIVO, SENDO ILEGAIS AS INSTRUÇÕES NORMATIVAS FAZENDÁRIAS EM CONTRÁRIO De tudo se conclui que as aquisições de insumos que não tenham sofrido a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS também integram a determinação da base de cálculo do crédito presumido a que alude a Lei n. 9363. Isto porque, e em síntese: a expressão legal “contribuições incidentes” não pode ser vinculada a cada operação de aquisição de insumos, pois tal vinculação não faz qualquer sentido lógico, além de impor condição a incidência sobre cada aquisição, isoladamente considerada de realização impossível, porque as contribuições não incidem na base de 5,37%, que é a porcentagem para cálculo do crédito presumido segundo a respectiva fórmula legal; seja pela literalidade da norma do art. 1o da Lei n. 9363, seja por sua consideração em conjunto com os demais dispositivos dessa mesma lei, especialmente com os que estatuem a fórmula de cálculo do crédito presumido, verificase que a alusão ao ressarcimento das contribuições incidentes somente pode ser referida a todas as incidências que possivelmente tenham ocorrido em qualquer anterior etapa do ciclo econômico do produto exportado e dos seus insumos; o incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção “juris et de jure”, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte; a fórmula legal de cálculo do incentivo manda considerar o valor total das aquisições de insumos, sem distinção entre as tributadas e as não tributadas; o crédito presumido é uma subvenção que visa incrementar as exportações brasileiras, e não se confunde com restituição de contribuições, não havendo, assim, razão para exigir a incidência de contribuições para que uma aquisição de insumos seja integrada ao respectivo cálculo; o ressarcimento do crédito presumido, em moeda corrente, é uma forma alternativa de pagamento da subvenção, sendo que ressarcimento significa provimento do incentivo, em cobertura de parte das despesas de custeio, e não restituição de contribuições, também por isto sendo irrelevante ter ou não ter 1 Em 20/06/200, sob o título: Crédito presumido de ipi para ressarcimento de PIS e COFINS direito ao cálculo sobre aquisições de insumos não tributadas. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13858.000493/200481 Acórdão n.º 930301.405 CSRFT3 Fl. 328 5 havido incidência sobre cada aquisição de insumos, isoladamente considerada; a prova da incidência e dos recolhimentos sobre cada aquisição de insumos era exigida pela legislação anterior, mas foi tacitamente revogada, não, podendo, pois, ser feita na vigência da nova lei, revogadora da anterior; o ressarcimento, por ser presumido e estimado na forma da lei, é referente às possíveis incidências das contribuições em todas as etapas anteriores à aquisição dos insumos e à exportação, as quais integram o custo do produto exportado; tudo isto é confirmado pelas regras de hermenêutica, que excluem a interpretação pela literalidade da norma legal e a consideração de apenas um dispositivo isolado das demais normas da mesma lei e do ordenamento jurídico, que exigem resultado derivado da interpretação que seja coerente com os objetivos da lei, que excluem resultado ilógico e de realização impossível, e que requerem o emprego de todos os métodos de exegese, notadamente o sistemático, o teleológico e o histórico; não obstante, mesmo a letra da lei comporta perfeitamente a interpretação no sentido de que não é necessária a incidência sobre a aquisição de insumos, propriamente dita, referindose, antes, às possíveis incidências em quaisquer outras operações que tenham onerado as aquisições dos insumos e o custo do produto exportado. Em vista disso tudo, concluise de modo inarredável que carecem de base legal o parágrafo 2o do art. 2o da Instrução Normativa SRF nº. 23/97 (que limita o crédito às aquisições feitas à pessoas jurídicas e que tenham sido tributadas) e o art. 2o da Instrução Normativa SRF nº. 103/97 (que exclui as aquisições feitas à cooperativas). Na verdade, o crédito presumido de IPI, por ser presumido, independe do valor que efetivamente tenha sido recolhido a título daquelas contribuições sobre as diversas fases de elaboração do produto vendido. Mesmo o inexpressivo pagamento de PIS/PASEP e COFINS em etapas anteriores não obstaria o direito ao crédito. Isto porque a lei, ao estabelecer a base de cálculo e o percentual, criou uma presunção absoluta, juris et de jure. A dimensão real da cadeia produtiva é irrelevante para o cálculo do benefício. Por fim, noticiase que a matéria, conforme jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, já se encontra pacificada 2. O Tribunal vem, repetidamente, entendido que o crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima 2 Matérias Julgadas pelo STJ no Regime do art. 543C e Resolução STJ nº 08/08 Fl. 400DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (RESP 993164, Min. Luiz Fux). CONCLUSÃO: Atendidos a todos os requisitos previstos em lei, não vejo como se negar o direito do produtorexportador ao crédito presumido de IPI, ainda que na última etapa não tenha incidido PIS/PASEP e COFINS. Em face ao acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da contribuinte. Maria Teresa Martínez López Fl. 401DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10845.000146/2008-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO E DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONSIGNADOS NOS RECIBOS.
Justifica-se a glosa de despesas médicas quando existem nos autos indícios de que os serviços consignados nos recibos apresentados não foram de fato executados e o contribuinte deixa de carrear aos autos a prova do pagamento e da efetividade dos serviços.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.667
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1474; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 106 1 105 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10845.000146/200832 Recurso nº 896.524 Voluntário Acórdão nº 210201.667 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de novembro de 2011 Matéria IRPF DEspesas médicas Recorrente LEONE RAPOPORT Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO E DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONSIGNADOS NOS RECIBOS. Justificase a glosa de despesas médicas quando existem nos autos indícios de que os serviços consignados nos recibos apresentados não foram de fato executados e o contribuinte deixa de carrear aos autos a prova do pagamento e da efetividade dos serviços. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 12/12/2011 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10845.000146/200832 Acórdão n.º 210201.667 S2C1T2 Fl. 107 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra LEONE RAPOPORT foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 31/37, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2004, exercício 2005, no valor total de R$ 18.783,62, incluindo multa de ofício, multa de mora e juros de mora, estes últimos calculados até 28/12/2007. As infrações apuradas pela autoridade fiscal estão assim descritas na Notificação de Lançamento: Dedução Indevida com Dependentes. Glosa do valor de R$ 1.272,00, correspondente à dedução indevida com dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência, conforme abaixo discriminado. Filha Tatiane consta como dependente na declaração apresentada pela mãe Deborah Cristina, conforme ND 08/19.405.780. Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$ 30.540,00, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Intimado contribuinte comprovou parcialmente pagamentos declarados. Excluído despesas dependente excluída da declaração, valores ref. fisioterapeuta Prescilla Scandiussi por não comprovação do desembolso dos pagamentos declarados e pagamentos sem previsão legal (nutricionista/bota). Compensação Indevida de Imposto de renda retido na Fonte. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse a compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ 119,48 referente as fontes pagadoras abaixo relacionadas. Intimado contribuinte apresentou informe de rendimentos. Retenção efetuada pela Prefeitura Mun. Bertioga declarado a Fl. 114DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10845.000146/200832 Acórdão n.º 210201.667 S2C1T2 Fl. 108 3 maior conforme informação prestada por esta prefeitura. Valor efetivamente retido R$ 1.740,91. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 01, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/SP2 nº 1743.264, de 10/08/2010, fls. 90/94. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 22/09/2010, Aviso de Recebimento (AR), fls. 98, o contribuinte apresentou, em 01/10/2010, recurso voluntário, fls. 99/100, no qual traz as alegações a seguir resumidamente transcritas: 1 Os recibos anexados estavam no valor declarado como abatimento pelo contribuinte e não foram considerados como falsos,indevidos ou inválidos pela fiscalização. 2 Apresentou Laudo Médico comprovando a efetiva necessidade do tratamento médico. 3 No item 7.7 a própria Receita Federal admite que o valor dos recibos é inferior ao valor do rendimento declarado pela profissional. Não cabe a Receita Federal analisar se o declarante foi seu maior paciente. 4 Apresenta declaração formal do profissional indicando a efetiva prestação do Serviço e o recebimento dos valores. 5 Informa também que na sua declaração do IR não existiam os recursos disponíveis, como os Sr. julgadores informaram, obviamente porque foram utilizadas no pagamento a referida profissional. Existiam sim recursos,declaração de rendimentos durante o ano para fazer face a estas despesas. Em razão do presente, solicita o cancelamento da glosa dos 12(doze) recibos médicos do ano base 2004, no valor de R$ 30.000,00. É o Relatório. Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Inicialmente, devese destacar que a decisão recorrida somente apreciou a infração de despesas médicas, no importe de R$ 30.000,00, relativas à profissional fisioterapeuta Prescila Scandiussi, considerando as demais infrações matérias não impugnadas. Assim, este voto também restringirseá à matéria apreciada na impugnação, sendo válido observar que somente esta matéria foi objeto do recurso. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10845.000146/200832 Acórdão n.º 210201.667 S2C1T2 Fl. 109 4 Pois muito bem. O recorrente afirma no recurso que os recibos não foram considerados falsos, que apresentou laudo médico, comprovando a necessidade do tratamento de fisioterapia e que em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA) possui recursos suficientes para fazer frente aos pagamentos referidos nos recibos. De pronto, devese afirmar que o contribuinte, durante o procedimento fiscal, foi instado a apresentar comprovação de desembolso (tais como cópia de cheque, boleto bancário, extrato bancário demonstrando saques efetuados etc) referente pagamentos em 2004 a Prescila Scandiussi relativos a despesas médicas declaradas na DIRPF 2004, conforme Termo de Intimação, fls. 05. Em atendimento ao mencionado Termo, resposta, fls. 50/51, o contribuinte esclareceu que: Gostaria de esclarecer aos Srs. Auditores da Receita Federal que o pagamento efetuado à Prescila era feito em espécie (dinheiro) sendo que o mesmo era feito semanalmente e que o recibo emitido pela Dra. era dado na somatória mensal (conforme anexo). Tal dinheiro provinha de vários saques feitos durante a semana e em vários bancos conforme apresentado em minha declaração, sendo que devido ao meu tratamento de saúde este era feito sempre pela minha cônjuge. Vêse, portanto, que o contribuinte não se desincumbiu da comprovação do efetivo pagamento dos valores consignados nos recibos emitidos pela fisioterapeuta Prescila Scandiussi. Notese que não basta que o contribuinte afirme que efetuava saques em suas contas bancárias para então fazer frente aos pagamentos. Tal alegação carece de comprovação. Para prevalecer tal afirmação, caberia ao contribuinte apresentar seus extratos bancários, discriminando os saques utilizados nos pagamentos da despesa médica, com datas e valores compatíveis. Já no que se refere à alegação do recorrente de que havia em sua DAA recursos suficientes para fazer frente aos pagamentos efetuados pelo recorrente, devese observar que na DAA, fls. 39/42, verificase que o contribuinte informou que seus rendimentos anuais foi da ordem de R$ 103.863,66, dos quais descontouse R$ 11.799,48 de contribuição à previdência oficial e R$ 4.181,99 de imposto retido na fonte. Logo, seu rendimento líquido foi de R$ 87.882,19, o que implica dizer que o contribuinte comprometia 43% de sua renda com despesas médicas, que foram da ordem de R$ 37.864,18, sendo que 34% de sua renda líquida era destinada ao pagamento de tratamento de fisioterapia. Tais percentuais são bastante significativos, não havendo razoabilidade em despender 34% de sua renda líquida em tratamento de fisioterapia, sem que restasse cabalmente demonstrado que o contribuinte sofria de grave problema de saúde a justificar a contratação de tal profissional, com esse nível de dispêndio. Nesse ponto, vale dizer que a declaração, fls. 12, firmada por médico ortopedista, no sentido de que teria sido indicado ao contribuinte reabilitação fisioterápica pré e pós operatória nos anos de 2004 a 2006, não é suficiente para comprovar que o recorrente tenha efetivamente tomado os serviços no período assinalado e que tenha efetuado os pagamentos consignados nos recibos emitidos pela fisioterapeuta Prescila Scandiussi. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10845.000146/200832 Acórdão n.º 210201.667 S2C1T2 Fl. 110 5 Importa observar, ainda, que o contribuinte teve despesas com a mesma fisioterapeuta, no mesmo valor de R$ 30.000,00, nos anoscalendário 2006 e 2007, conforme se depreende de Declaração firmada pela fisioterapeuta, fls. 103. E mais, sabese que os tratamentos de fisioterapia são cobrados por sessão, sendo certo que causa bastante estranheza que o contribuinte tenha feito durante três anos o mesmo número de sessões de fisioterapia em todos os meses dos três anos, dado que pagou mensalmente a mesma quantia, R$ 2.500,00. Nesses termos, na falta da comprovação do efetivo pagamento e da efetiva prestação dos serviços, não há como se acatar a dedução de despesas médicas, pleiteada pelo contribuinte, devendose manter o lançamento, na forma como consubstanciado na Notificação de Lançamento. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 117DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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