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Recurso especial não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL _. ...' ./7 1 v v . _ ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recur- sós Fiscais, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente jul- gado. Sala das SessOes(DF), em 26 de outubro de 1990. ír(É .URGEL P " LOPS - PRESIDENTE ner BEN --é •N0F.: ELISTA RELATOR Ju I --ÇrSAR GON. -VES CORREA - PROCURADOR DA FA- ZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN, JOÃO BATISTA GRUGINSKI, WALDEVAN ALVES DE OLIVEIRA, MÁRCIO MACHADO CALDEIRA, AQUILES RODRIGUES DE OLIVEIRA, LOURIERDES FIUZA DOS SANTOS, CARLOS WALBERTO CHAVES ROSAS, MARIAMSEIF, LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA e SEBASTIÃO RODRICUES CABRAL. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n 2 10855/001.094/88-70 2. AcOrdão n9-CSRF/01-1.027 RELATÓRIO Inconformada com a decisão proferida pela Quarta Ca mara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a Ilustre Representan te da Fazenda Nacional interpoe recurso especial a Camara Supe rior de Recursos Fiscais, objetivando a reforma do Acordao n2 104-6.756 de 18/05/89. A decisão recorrida esta assim ementada: "IRPF - CÉDULA "H" - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - Inteligencia do artigo 18 do D.L. n 2 2.303/86 - Cuidando o dispositivo em questão de tratamento favorecido para regularização, no f . exercido financeiro de 1987, de bens e valo res omitidos em declaraçoes apresentadas ante riormente, no podem ser alcançados pelo be , - nefício bens e valores adquiridos no proprio ano-base de 1986. MULTA, JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA - Se, no pre enchimento da declaração de rendimentos e cál culo do imposto a pagar, o contribuinte obser vou orientação expedida pela autoridade admi nistrativa, vigorante na data de sua apresenta çao, cabe a dispensa de multa, juros eccrreçao monetária. Aplicação do parágrafo único do ar tigo 100 do COdigo Tributário Nacional. Prece- dentes do Conselho. Recurso provido em parte." Tratam os presentes autos da inclusão na declaração apresentada no exercício de 1987 de bens adquiridos no ano-base de 1986, para submete-los à tributação com a aliquota reduzida es tabelecida pelo D.L n 2 2.303/86. Na peça recursal o contribuinte alegou que seguiu a /71-) SWAÇONEWCORDERAL Processo n 2 10855/001.094/88-70 3. AcOrdãO n 2 CSRF/01-1.027 orientação contida no Manual editado pela Receita Federal de que os bens adquiridos no ano-base de 1986 poderiam ser declarados com o benefício fiscal instituído naquele diploma legal. Manifestando-se pela exclusão da exigencia da mul- ta, juros de mora e da correção monetária, o Ilustre Conselheiro LOURIERDES FIUZA DOS SANTOS, apOs reconhecer que o Manual de Orien tação não pode alterar o texto da lei, ressaltou que: "Esse aspecto, entretanto, e de ser considera do na decisão a ser proferida por esta Cama - ra. Entendo que, apesar de as disposiçOes cons tantes do decreto-lei levarem a concluir pela correção no julgamento de primeiro grau, no pode ser negado que a orientação contida no manual contribuiu para o procedimento erroneo do contribuinte." Concluindo, adotou como fundamento de seu voto fa- , voravel, em parte, ao recurso, no tocante a este aspecto do litígio, o entendimento do Conselheiro Carlos Augusto Vilhena no julgamento do recurso voluntário que resultou no AcOrdão n 2 103-4.385 de .... 14/04/82, cujo trecho transcreveu: "6. Os Manuais de Orientação, inquestionavel- mente, são expedidos pela autoridade adminis trativa a quem compete interpretar e aplicar^ - a leÉislação fiscal e correlata, relacáonada com a imposição do imposto de renda. São eles atos normativos por excelencia ao estabelece- rem regras, modelos e preceitos queconduzam o contribuinte a determinar o exato montante do imposto de renda devido em cada exercicio fi nanceiro." Do recurso especial de fls. 90/92, que e lido ina íntegra em Sessão, atraves do qual e solicitado que seja mantida a tributação sobre as parcelas excluídas na decisão colegiada, desta co e transcrevo os seguintes trechos: SERVIÇO PÚBLICO ~AL. Processo n 2 10855/001,049/88-70 4. Acórdão n 2 CSRF/01-1.027 "Por no reconhecer a aludida regra o valor de norma compelmentar da legislação fiscal, torna-se inaP-Iicavel á espécie as disposiç6es consubstanciadas no artigo 100 do Código Tri butário Nacional." "A prevalecer o entendimento adotado pela Ca mara, estaria configurada a violação do ele- mentar princípio de direito - "ninguem se es cusa de cumprir a lei, alegando que não a co- nhece." Em suas contra-razOes, o contribuinte reiterou a tese defendida pelo relator no julgamento do recurso voluntário de que foi "induzido em erro pela propria recorrente e, em razão dis so no pode ser de maneira alguma penalizado. 0 documento de fls. 97/98 e lido em Sessão. É o relatório. ; SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n 2 10855/001.094/88-70 5. AcOrdão n9-CSRF/01-1.027 V O T O Conselheiro BENEDICTO ONOFRE EVANGELISTA, Relator Inúmeros são os recursos voluntários encaminhados ao Primeiro Conselho de Contribuintes nos quais são apreciados ques toes identicas as do presente processo. Sistematicamente, tenho negado provimento, por con siderar correta a manutenção da exigencia pela autoridade julgado ra de primeiro grau, sem atentar para a situação gerada pela pro pria administração fiscal que induziu o declarante a adotar proce dimento erroneo, atraves do Manual de Orientaçao. Essa questão foi muito bem examinada no voto vencedor que ensejou a decisão proferi da, por maioria de votos, pela Quarta Camara, levando-me a refor mular aquele posicionamento. Dessa forma, sou levado a discordar da inconfor midade manifestada pela Digna Procuradora da Fazenda Nacional de que "a orientação contida no manual não pode ser considerada com plemento da lei. Anualmente,a administração tributária imprime e dis tribue um Manual, cujo objetivo primordial e o de orientar os de clarantes, a fim de facilitar o preenchimento da declaração.Torna- , -se inadmissivel, agora, negar plena eficácia à orientação contida no manual, ainda que seja erronea, para penalizar o contribuinte que, simplesmente, seguiu aquelas instruçOes. Assim sendo, impOe-se considerar a orientação leva da aos declarantes, atraves dos manuais anualmente distribuidos,co mo prática reiteradamente observada pelas autoridades administrati /2/) I SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n 2 10855/001.094/88-70 6. AcOrdão n9-CSRF/01-1.027 vas, de acordo com disposto no art. 100, III, do COdigo Tributárig Nacional. Portanto, comungo com o entendimento dos Conselhei ros Carlos Augusto Vilhena e Lourierdes Fiuza dos Santos e acolho as contra-razOes do contribuinte de que não pode ser penalizado a quele que foi induzido a erro pela prOpria administração. Por todo o exposto,nego provimento ao recurso es pecial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional,para man ter a decisão recorrida por seus prOprios fundamentos., Brasília-DF, em 26 de outubro de 1990. ---B IC i'l0FRE EyANG5LISTA - RELATOR r Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 00002.200113/01-76
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PO4 . ---,t,„::•-ü _,,,-. MINISTÉRi0 DA FAZENDA CMVG Sessão de 29 de junho del9 83 ACORDÃONP-CSRF/ 03-]O75 Recurso n°-RP/301-0 .081 . Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrido PRIMEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: FEMAÇO LTDA - IMPORTADORA E EXPORTADORA DECADÈNCIA - Credito tributário constituído . através de lançamento regularmente notifica dó ao sujeito passivo, antes que se escoas:: se o prazo quinqüenal de decadência.A fluén cia do prazo finda com o ato do lançamento7 • praticado na forma prescrita pela legisla- ção de regência, e não é afetada pelo poste rior decurso de tempo no julgamento da im- pugnação e recurso na esfera administrativa (STF, ERE n9 94.462-1 SP, sessão de 06.10.82, . quando foi unificado o entendimento do ór- gão sobre prazo de decadência).Devolução do , processo à Douta Primeira Câmara do 39 C.C., para julgamento do mérito do litígio. Recur_ so especial provido unanimemente. • • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re_ curso interposto pela FAZENDA NACIONAL: . ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis- cais, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso especial para , rejeitar a preliminar de decadência, determina o a devolução dos autos í,..., iv à Câmara recorrida para conhecimento do mérit , 4 r).: t, 2• 7Sala das S.éjs õesPIDF), em 2931e junho de 1983., , i k't> ' ' 'AMADOR OU • • FERNÃNDEZ - PRESIDENTE. / • 4_, ,,_ ENILA LEITE FREITAS CHAGAS - RELATORA • L . • v.v • • • [• , \\"7 LUIZ FERN 0 OLIVEIRA DE MORAES - PROCURADOR DA FAZEN DA NACIONAL Participaram, ainda, do preente julgamento os seguintes Conselheiros: WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, JOSÉ FAÇANHA MAMEDE, EDWALDO REIS DA SILVA, PAULO CÉSAR DE ÃVILA E SILVA e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. Ausente por motivo justificado o Conselheiro HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA. • v4,0 ; SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N 0220/011.301/76.2 RECURSO N.° : —RP/ 301-0 . 081 Nx~"O N.°:-CSRF/03-1.075 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: PRIMEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: FEMACO LTDA - IMPORTADORA E EXPORTADORA RELATÓRIO Recorre à Câmara Superior de Recursos Fiscais o Procura dor da Fazenda Nacional junto à Primeira Câmara do 39 Conselho de 1 Contribuintes. Pleiteia a reforma do ac. n9 23.242, de 29/07/82, em 1 • que foi provido recurso interposto por FEMACO LTDA - IMPORTADORA E 1 EXPORTADORA . Reproduzo a ementa do julgado (fls.36/44 "PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. Entre o auto de infração e a decisão final proferida na reclamação administrativa do contribuinte, flui o prazo quinqüenal de decadência (RE-STF n9s 89.765 e 94.462-1/SP)." O ilustre relator, Dr. Francisco Martins Leite Cavalcan te, fundamentou seu voto nas decisões citadas, reproduzidas em par- te no acórdão ora sob exame, que leio de inteiro teor. Em síntese , defende-se a tese de que o lançamento só se constitui definitivamen te r após o término de procedimento administrativo ao qual tenha da- H do origem. O prazo quínqüenal começa a correr "do primeiro dia útil 1 do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido 1 efetuado", segundo prescreve o art. 173 do C.T.N. e não sofre inter K rupção. Na espécie,decorreran cinco anos contados desta data até que o recurso do contribuinte desse entrada no C.C., concluindo-se que expirou o prazo sem que o crédito tributário se const:.tuisse de f r ma definitiva. Assim se expressa o relator da decis:4,fecorridaii DMF R.1/1. C- C Secgraf - 16 0/76 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0220/011.301/76 2. Acórdão n9-CSRF/03-1.075 "O Auto de Infração transcrito no relatório(fls.01),foi lavrado em 08 de setembro de 1976; a decisão recorrida foi prolatada, apenas, em 28 de maio de 1981; chegando ao Egrégio 29 Conselho em 14 de agosto de 1981 - por erro a que foi induzido pela autoridade recorrida(fls. 22 "in fine") -; e, finalmente, registrado neste E. 39 Conselho em 21 de maio de 1982, e incluído: em pauta pa ra esta sessão. Por tais fatos, e aplicando subsidiariamente os princl pios do Direito Processual Civil Brasileiro,levantopre liminar de decadência, com fundamento nos R.E.n9 89.765= • SC de 10.10.78, é R.E. n9 94.461-1/SP de 30.06.81 II (in verbis). O Douto recorrente a esta C.S.R.F. refuta a tese acima exposta, em petição que leio em sessão e está a fls.47/48 do processo. Argumenta que o lançamento, formalizado através de auto de infração ou de notificação fiscal, constitui definitivamente o credito tributá rio, não se podendo mais, a partir daí, falar em decadência, e ense- jando-se ao contribuinte a direito de apresentar reclamação e recu, c)‘) H fp • / É o relatório. • • • 3. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL . PROCESSO n9 0220/011.301/76 Acórdão n9-CSRF/03-1.07.5 VOTO Conselheira ENILA LEITE DE FREITAS CHAGAS - Relatora: Fundamenta-se a decisão .recorrida, nos RR.EE . n9 89.765-SC,de 10.10.78, e 94.462-1/SP, de 30.06.81, em que o STF, através da Primei ra Turma, adotou o entendimento acima referido. Entretanto, essa posição do STF não mais se mantém. Reunindo-se o Tribunal Pleno em 06.10.82, foi apreciado embargo de divergencia da União ao RE. n9 94.462-1/SP, sendo aponta-- das várias decisões da Segunda Turma com outro entendimento. O embargo de divergencia foi conhecido e recebido, uni- ficando-se a posição do órgão em relação aos institutos da decadencia e da prescrição. Segue-se a ementa então lavrada: "EMENTA - Prazos de prescrição e de decadencia em direi to tributário. • - Com a lavratura do auto de infração, consuma-se o lançamento do credito tributário (art. 142 do C.T.N.). Por outro lado, a decadencia só e admissivel no perío- do anterior a essa lavratura; depois, entre a ocorren- cia dela e ate que flua o prazo para a interposição do recurso administrativo, ou enquanto não for decidido o recurso dessa natureza de que se tenha valido o contri buinte, não mais corre prazo para decadencia, e aind-a. não se iniciou a fluencia de prazo para prescrição; de corrido o prazo para interposição do recurso adminis- trativo, sem que ela tenha ocorrido, ou decidido o re- curso administrativo interposto pelo contribuinte,há a constituição definitiva do credito tributário, a que alude o artigo 174, começando a fluir, dai, o prazo de prescrição da pretensão do Fisco. - É esse o entendimento atual de ambas as turmas do S.T.F. Embargos de divergência conhecidos e recebidos." Em seu voto, assim se expressa o ilustre relat 7,2inis'44t It&:( / ! ) -./ seRviço PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0220/011.301/76 4. Acórdão n9-CSRF/03-1.075 tro MOREIRA ALVES: "Essa posição, aliás, é a única sustentável em face da natureza dá decadência e da prescricão, natureza essa que não é alterada pelo C.T.N. Com efeito, na realida-- de, a relação obrigacional tributária nasce, como não poderia deixar de ser por sua própria natureza, com a ocorrência do fato gerador. E, a partir desse momento, surge, também, para o Fisco o direito potestativo de e- fetuar o lançamento, e direito potestativo a ser exerci do dentro de prazo determinado que, por ser prazo d:e- exercício de direito potèstativo, é prazo de decadência." Após analisar e refutar as objeções ã tese que o lança- mento é o exercício de um direito potestativo do estado, continua o relator: - "O exercício deste direito ocorre - como se vê dos termos do art. 145 do C.T.N. - com o lançamento(e o auto de in fração é modalidade de lançamento) regularmente notifil. cado até porque - como acentua Alberto Xavier,Do lança- mento no Direito Tributário Brasileiro,n9 57, pag.150 São Paulo, 1977 - 'A notificação configura-se como re- quisito de perfeição do lançamento, o qual deve, portan to, considerar-se Como um ato receptício.' Até aí flui o prazo de decadência. Segue-se o prazo parao pagamento, ou, se houver impug- nação pelo sujeito passivo, o lapso de tempo de tramita ção do recurso administrativo até decisão final.Num -e- • noutro desses períodos não flui, evidentemente, prazo de decadência, pois não há mais direito potestativo a ser exercido. E.não flui também prazo de prescrição, pois este só começa a correr quando se viola o direito subje tivo de crédito do Fisco, o que só pode ocorrer a par-- tir do momento em que, sendo ele exigível não é satis- feito pelo sujeito passivo. E isso só se dá quando ter- mina o prazo para pagamento, sem que o débito seja sol- vido, ou quando há a inexecução da decisão denégatória da impugnação O ilustre MINISTRO MOREIRA ALVES aborda também um aspecto crucial da questão, embora não de natureza doutrinária :-a preocupação com a procrastinação dos litígios fiscais, quando o sujeito passivo sem lhe dar causa, sofre as consequênciá's dessa demora. Foi o que o- correu no presente processo. Assim se expressa o SR. MINISTRO. • - "A crítica que se tem feito a essa orientação', , - . - . _ - ," • , • - /iC " i , , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0220/011.301/76 5. , Acórdão n9-CSRF/03-1.075 , . , ,,, . ,,, cunstância de que a própria Administração poderia, já , que não sujeita a qualquer espécie de prazo extintivo durante a tramitação do recurso administrativo, pro- crastinar sua decisão final não procede, pois,além de , argumentar com o patológico, e não com o normal, des- conhece a circunstância de que o recurso existe em fa vor do contribuinte, e não da Administração, e é dl:1 • reito daquele e não imposição desta. Ademais, se qui- zesse criar prazo extintivo pra coibir essa procrasti nação, mister seria que a lei (que poderia também es : ,, tabelecer que, após certo IT-1,Ar.1 Ar' fP,mp r), ii.o flui- -, • riam juros e correção monetária em favor da Fazenda) se socorresse de outra modalidade de prazo que não o de decadência ou de prescrição, pois a natureza de am bos não se amolda a esse fim." (ERE 94.462-1 - SP, D.J. de 17.12.82) Entendo de todo pertinente a sugestão do MINISTRO MO- REIRA ALVES de que legislação ordinária poderia estabelecer prazos para a ação fiscal, pois, infelizmente, o "patológico" a que ele se refere corro exceção ocorre com frequência na tramitação administrati- va de primeira instância. . . . Cabe observar que o entendimento acima exposto sobre os institutos da decadência e da prescrição é de todo coincidente com a_ quele tradicionalmente adotado nos Conselhos de Contribuintes do MF e nessa C.S,R.F., conforme se verifica da juris prudência . relativa à matéria. Enquanto numerosas teses se degladiam quanto ã data mi_ cial do prazo de decadência, são elas quase unânimes no sentido de que se trata de prazo paraque a Fazenda Nacional exerça o direito de , constituir o crédito tributário através do lançamento. Uma vez efetu . _ ado o lançamento e notificado o sujeito passivo, não há que se falar em decadência. . Essa posição é'a. mesma adotada por mim em voto de numero_ sos acórdãos de que fui relatora no decurso desses dez anos de traba- lho no Conselho de Contribuintes. ,. n Face o exposto, dou provimento ao recurso espec . I, d : .,X. M t' , _ 1.-1 ) 2• / -v.v (:: - • • ,,,,,, . , ,,,, .n volvendo-se os autos ã Douta Primeira Câmara ,á 39 C.C., a fim de ,, , , que se pronuncie quanto ao mérito do litígio fil`) . L.,1 .,,, ) ,,,, Brasília, DF, em 29 de junho d„,e- 1983. / .. >„-. '''' ,,,,, ENILA LEITE DE FR-El. TAS CHAGAS - RELATORA. ., ,.' „.. 1 ,, ,, ,, , „ , 1 , „ , „ '„ , ,, , , , , ,, ,,, ,, „ , ,,„, ,„ , , .,., ., , 1, ,„ „ , ,, „ , i , , i ,, . „ ', Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1
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São tributã- veis os valores percebidos a trtulos de te- tefone, telex, correspondência e outras do mesmo gênero, que não se confundem com a aju da de custo, e, menos ainda, com a parte va- riável dos subsídios, como os definem o ar- tigo 39 e seus §§ da Carta Magna, de vez que não figuram como rendimentos não tributãveis no artigo 22 do RIR/80 ou em qualquer ou- tra legislação que as especifiquem como tal. Incabivel, neste caso, a utilização da IN 004/80 e do Parecer Normativo CST 002/80, uma vez que a fonte pagadora não assumiu o ônus do imposto. Vistos, relatos e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros dá Câmara Superior de Recursos 1' Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos ter mos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Cons. Wilf rido Augusto Marques (Substituto), que negava provimento ao recurso. ala •zs Se sOes (1F), em 19 de novembro de 1992 J. MA • A , M :E PRESIDNETE i/ V.V Ár danekn-•••nn R - RELATOR dif 4,Z DIVA 441e COSTA CRUZ - PROCURADORA DAFAZENDA NACIO- NAL Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes —ConSelhei- ros: WALDEVAN ALVES DE OLIVEIRA, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, DICLER DE ASSUNÇÃO, EVANDRO PEDRO PINTO, CARLOS WALBERTO CHAVES ROSAS,JUAREZYDE MORAIS, AFONSO CELSO MATTOS LOURENÇO, MARIA DA GLÓRIA DE OLIVEIRA COE LHO LEAL e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. til ,. Ptoce44o N910783/001.214/90-35 ,ERVICO PUBLICO FEDERAL RECURSO NQ 106-0.189 ACÔRDÃO N9 CSRF/01-01.386 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA : SEXTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES RELATõRI O A Fazenda Nacíonal, attavó de 'seu. Ptocutadot jun to it 6a Cãmata do Dtímeíto Con4elho de Conttíbuínte4, tecotte a. Cãmata Supetíot de Recutois Fí4caí, com o íntuíto de te*,tmat o Ac jtdão n g 3.391 de 22 de matço de 1991. Díto Ac jtdão deu, pot maíotía de voto4, ptovímento patcíal ao tecut4o íntexpo4to pot JOÃO ARTEM, pata Aeconhecet o díteíto do conttíbuínte de compen4at na declatação de tendímento como 4e tetído (»44e., o ímpoto de te4pon4abílídade da onte pagadota (Cãmata Munící- pa/ de Víla Velha do E4tado do E4pl_títo Santo), ttíbutando-4e como tendímento btuto o valot teaju4tado de acotdo com a IN/SRF n9 004/80 e no4 tetmo4 do antígo4 nQ4 576 e 577 do RI1/80, a4ím dectíto4: "Att. 576 - A on-te pagadota Ç.Lca obtígada ao tecolhímento do ímpoisto, aínda que não o tenha tetído. Ant. 577 - Quando a gonte pagadota a44umít o 6nu4 do ímpo4to devído pelo beneícíãtío, a ím- pottãncía paga, ctedítada, emptegada, temetídaou enttegue, 4eta con4ídetada liquída, cabendo o teaju4tamento do teApectívo tendímento btuto, obte o qual tecaíta o ttíbuto (Leí n g 4.154/62, att. 59)." Em 'seu necut4o e4pecía/ (g. 90/91, o Dt.Ptocuta- . dot da Fazenda Macíona/, atgumentando que o Ac jtdão tecottído metece t“otma em víntude de tet dado 2-t matEtía em exame 'solu- ção conttãtía a legí3lação de tegêncía, ba4eía-'se. na Declatação de Voto do Uustne ConAelheíto Mãtío kebefutíno Nune4 dada no Acb-tdão n9 106-2.970 (g/4. 88), que nega ptovímento ao tecut_ 40 vo/untatío íntetpo4to pelo conttíbuínte, b a Egíde de que deve 4en aplícado "o .Í.J1gelo dí4po4to no ant. 29 do RIR/80, que manda cla44í4ícat na c jdula "C" o4 tendímento4 do ttabalho a4- 4alatíado, podendo o conttíbuínte compensa/L, com o ímpo4to de- vído, o ímpoto na gonte". f' 'N SERVICO PUBLICO FEDERAL Pxoceo N9 107831001.214190-35 .3. ACORDÃO CSRF/N9 01-01.386 Encamínhado que {) onam o.s pte4ente4 auto ao jtgão de otígem pata que ot óe. cíentígícado o conttíbuínte do tecut4o e4pecía/ íntetpo4to pe/a Fazenda Nacíonal, abtíúdo-/he pil.cco legal pata apte4entação de contta-antazoado, e4te o gpte- 4entou, tegu/aAmente, -c-t4 g14. 971101, mantendo a meAma /ínha de pen4amento e atgumento4 da cc.4e. ímpugnatõtía (g4. 14122), e conte4tando a decíao pitogetída pe/a 6ct Camata, pot achat ínca em a44unçao do nu4 pe/a onte pagadona. o xelatjtío. 2. SERVICO PUBLICO FEDERAL Processo N9 10783/001.214/90-35 .4. Acórdão n9 CSRF/cti- 01.386 VOTO DO CONSELHEIRO IRINEU SIMIANER - RELATOR Preliminarmente, a titulo apenas de ratificação, merece déstaque a correta e inauestionável decisão da egrégia 6a Câmara do 19 Conselho de Contribuintes na manutenção do en- tendimento, já consolidado na jurisprudência desta Câmara su- perior, de que devem ser tributados na cédula "C" os rendimen tos de parlamentares decorrentes de auxilio transporte, auxilio moradia, telefone, telex e material de correspondência mesmo que, como no caso presente, tenha a -C.. 5.mara - Legislativa do Estado do Espirito Santo, de forma errónea, fornecido ao Con- tribuinte Declaração de Rendimentos pagos, como não -.tribÜtâveià.. Constitui, portanto matéria vencida. Farta jurisprudência existe, nesse sentido, no âmbito deste Conselho, parte da qual, que entendo ser suficien te, foi Citada no Acórdão recorrido, e consta nos autos. A controvérsia, contudo, adveio da conclusão dada no referido Acórdão, e que previu a aplicação, no cálculo do imposto da fórmula prevista na IN/SRF 004/80, PN/CST e art. 577 do RIR/80, Verbis: "Art. 577. Quando a fonte pagadora assumir o ónus do imposto devido pelo beneficiado, a "im- portância paga creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada liquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento brutó. sobre o qual recairá o tributo. (grifei). A matéria, objeto do presente recurso, já me- receu éxame'exaustivo desta Câmara em sessão realizada recente- mente, no qual destaca-se o Acórdão n9 CSRF/01-1.217 de 30.10.91, quando, por unanimidade de votos, decidiu-se, em caso como o dos autos, que é incabível o reajustamento da base de cálculo do rendimento e a consequente compensação de imposto de renda que deixou de ser retido na fonte. Serve de suporte, tam- bém, para tal entendimento, a declaração de votos do Conselhei- ro Mário Albertino Nunes (fls. 88). A esse entendimento me alinho, porque não atinou, í. Processo nv 10783/001.214/90-35 J. Acordao n9 CSRFA1-01.386 ilustre conselheiro relator, que o dispositivo acima transcrito aplica-se apenas aos casos em que a fonte assume o ónus doimpos- to devido pelo beneficiãrio (grifo é nau). Esta hipótese não deve ser confundida com a "falta de recolhimento do imposto de renda pela fonte pagadora" por terem tratamento tributário distinto. Por motivos óbvios, tal não será possível quando a retenção de fonte tiver caráter de mera antecipação ou represen- tar um recolhimento provisório do que vier a ser devido na decla ração anual de rendimentos. 2 perfeitamente lógico que, se a lei determinar que o rendimento passa a integrar o montante da renda líquida sujeita ao imposto progressivo, jamais se poderá falaran assunção de ónus pela fonte pagadora, mormente se se concluisse que o beneficiário do rendimento, além de estar obrigado a decla rar o rendimento reajustado, ainda ficasse impossibilitado de compensar o descontado na fonte. Pode-se apontar como exemplo típico de mera ante- cipação o desconto na fonte sobre salários. Este é o caso em ques tão. Nesses termos o beneficiário da renda será necessa riamente identificado e o rendimento será obrigatoriamente incluí- do na sua declaração de rendimentos, aí sofrendo a incidência pio gressiva, sendo que o desconto de fonte será mera antecipação do devido na declaração. Além das hipóteses em que a retenção é feita a tí- tulo de antecipação, também não se poderá cogitar de assunção do ónus pela fonte pagadora: a) nos CaSCIS em que o beneficiário goze de isenção ou imunidade (aqui evidentemente ele deverá ser convenientemente identificado); b) nos casos em que novos diplomas legais expressa mente dispensam o reajuste, como é o caso do art. 21 do Dec. Lei n9 1.089/70 e art. 19 do Dec. Lei n9 1.329/74 onde textualmente se declarou "dispensado o reaju tamento de que trata o art. 59 da Lei n9 4.154, de 28.11.62; 9rk [moremo Nacional sEavico muco FEDERAL Processo n9 10783/001.214/90-35 6. Acórdão n9 CSRF/01- 01.386 c) quando o legislador, utilizando-se da faculdade as segurada no art. 45, segunda parte, do C.T.N., tenha atribuído a condição de contribuinte "ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis", como ocorreu no art. 11, .§ único, do Dec. lei n9 401, de 20.12.68. A incidência exclusiva na fonte, outra modalidade de tributação, cuja justificativa teórica é o anonimato do beneficiá- rio da renda, tem lugar, em princípio, em todos os casos em que a renda seja ao portador, isto é, cujo titular seja desconhecido,não possa ser identificado, ou ainda, seja domiciliado ou residente no exterior. A legislação fiscal faculta ao beneficiário identifi cado optar pelo desconto na fonte em caráter final. Nestas circuns- tâncias, o beneficiário do ' rendimento mesmo que venha apresentar declaração de rendimentos não deverá incluí-lo em qualquer cédula, ficando, em consequência, liberado de qualquer ónus decorrente da mesma legislação. Uma vez apurado o efetivo pagamento de importãnciasem indicar a origem da operação que lhe deu causa ou sem. identificar o beneficiário (o que não é o caso dos autos), a lei autoriza a - que se considere efetivamente assumido o ônus pela fonte pagadora, salvo se, tendo sido contabilizada a despesa, a fonte pagadora fa ça prova da contabilização do ressarcimento por parte do.beneficiá rio do rendimento, da importância correspondente ao tributo que , A* deixara de reter. ílâtt ~ronque Nacinnid r SERVICO PUBLICO FEDERAL Processo N9 10783/001.214/90-35 .7. Acórdão n9 CSRF/ol -01.386 - É de elementar conclusão que o dispositivo transcrito (art. 577 do RIR/800)exige que tenha havido a anuen cia da fonte pagadora, situaçãoque se apresenta em diversos ca sos de prestação de serviços e pagamentos de fretes, em que o acordo contratualmente previsto. In casu, ó sabido que nexistiu qualquer ti É po de acordo nesse sentido entre as partes envolvidas. Pelo contrário, a Assembléia Legislativa do Estado do Espirito San to efetivou a retenção na fonte sobre parte dos rendimentos de seus parlamentares queentendia ser tributável, considerando os de mais como não tributáveis. n incontestável, portanto, que a fonte - so- mente poderá assumir o ónus do imposto quando o beneficiado não se identifique, o que não acontece quando o pagamento õ feito a beneficiário identificados, como no caso de pagamento de sa- lários aos Parlamentares da Câmara Municipal do Estado do Es- pirito Santo (caso dos antos), pelo simples fato de ficarem re feridos beneficiários obrigados a incluir na cédula correspon- dente os valores recebidos a tais titulos, representando assim, a antecipação, um recolhimento provisório do que vier a ser devido na declaração anual de rendimentos: não se háde cogitar de reajustamento da base de cálculo, nem tampouco, na compensa- ção de imposto prevista pela IN/SRF/04/80, por ausência de dis posição expressa de lei. O entendimento não pode ser diferente. A nor ma legal permite que do valor apurado na declaração seja des- cartado o valor do tributo cujo ônus o contribuinte já so- freu, por antecipação, mediante comprovação por documentação há bil e idónea. Ora, se o imposto foi retido ou devia ter si do retido (como foi o caso) pela fonte como mera antecipação do que é devido em razão da necessária inclusão na declaração de rendimentos, não há lugar, em tal hipótese, para a assunção do ónus do imposto e do reajuste da base de cálculo, pois se criará a situação absurda de compensar imposto que não foi retido pela fonte pagadora (Câmara Municipal de Vila Velha do Estado do Espirito Santo) e nem tampouco foi antecipado pelo parlamentar. \,41 ‘fr: 8.sERvico puatico FEDERAL Processo n9 10783/001.214/90-35 Acórdão n9 CSRF/01-01.336 Nesse ponto, a norma legal de regência (art. 89,RIR/ 80) fala expressamente em compensação de "importância que houver sido descontado nas fontes correspondentes a imposto retido, como antecipação, sobre rendimentos incluídos na declaração...". Com es- ses termos, entendo estar o contribuinte desassistido de qualquer amparo legal. Assim, entendo que se aplica ao caso em tela o dis- posto no art. 29 •do RIR/80, conforme a lúcida Declaração de voto do ilustre Conselheiro Mário Albertino Nunes (adotado pelo Procurador da Fazenda Nacional) no julgamento de matéria idêntica, inclusa, por cópia, nos autos. Tal dispositivo manda classificar na cédula "C" os rendimentos do trz*Ialho assalariada, podendo o contribuinte compensar, com o imposto devido, o imposto retido na fonte. Por todo o exposto e tudo mais que dos autos consta, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional. Brasilia - DF., 19 de novembro de 1992 à -11111~.- IRIN2 SIMIANER - RELATOR Imprensa ~mai Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1
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Numero do processo: 10830.005496/99-39
Data da sessão: Wed Nov 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/10/1988 a 30/06/1994
PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
0 dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303.000.346
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso especial. Vencidos o Conselheiros Nanci Gama, Susy Gomes Hoffmann, Rodrigo Cardozo Miranda, Maria Teresa Martinez López e Leonardo Siade Manzan, que davam provimento.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Carlos Alberto Freitas Barreto
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Numero do processo: 10675.906299/2009-75
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 31/10/2001
PIS. COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre este tipo de receita, pois estas receitas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-001.077
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Designado o Conselheiro Flávio de Castro Pontes para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Lanna Murici, OAB/MG 87.168.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre este tipo de receita, pois estas receitas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Designado o Conselheiro Flávio de Castro Pontes para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Lanna Murici, OAB/MG 87.168. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) SIDNEY EDUARDO STAHL Relator. EDITADO EM: 07/07/2012 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906299/200975 Acórdão n.º 380101.077 S3TE01 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906299/200975 Acórdão n.º 380101.077 S3TE01 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face da nãohomologação parcial de compensação realizada com créditos de PIS decorrentes da decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782, de autoria da Recorrente, que objetivou a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 (ampliação da base de cálculo do tributo). O despacho decisório exarado pela Delegacia da Receita Federal em Uberlândia – MG que vedou parcialmente o direito ao crédito de PIS da Recorrente, baseouse em manifestação da Equipe de Ações Judiciais – EQAJ daquela DRF, exarada em processo fiscal de acompanhamento do Mandado de Segurança acima aludido (Informação Fiscal n°. 0098/2010/DRF/UBE/EGAJ PAJ 10675.000306/0097), que ao analisar o alcance da decisão judicial em questão, acabou por entender que o Recorrente se utilizou de base de cálculo menor do que a devida, pois considerou que as receitas que deverão compor a base de cálculo do PIS das instituições financeiras tais como a Recorrente serão todas aquelas relativas às atividades típicas realizadas por este gênero empresarial, quais sejam, as oriundas das “operações bancárias” em geral, o que culminou na apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo Contribuinte. A Manifestação de Inconformidade restou indeferida através do Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora MG, que corroborou o entendimento esposado pela DRF de origem, conforme ementa abaixo transcrita, in verbis: “PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A base de cálculo do PIS/Pasep para as instituições financeiras e assemelhadas é o faturamento, entendido como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” A fundamentação apontada pelo acórdão da DRF que sustentou a decisão pode ser extraída dos seguintes trechos: Ao pretender ser tributada apenas em relação aos serviços prestados no seu sentido estrito, intenta a manifestante excluir da incidência da contribuição as receitas provenientes daquelas que constituem justamente as atividades principais do seu objeto, ou seja, as receitas obtidas no exercício das suas atividades empresariais, que são as mais expressivas em termos de riquezas geradas. (…) Ora, as chamadas operações bancárias (“spreads”, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de Fl. 198DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906299/200975 Acórdão n.º 380101.077 S3TE01 Fl. 4 4 recursos financeiros próprios ou de terceiros, empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc.), se constituem na essência do exercício das atividades empresariais das instituições financeiras. Já os chamados serviços bancários (tarifas de manutenção de conta, de abertura de crédito, de custódia, de administração, etc...), são atividades secundárias e acessórias, executadas unicamente para que a instituição possa desempenhar adequadamente a sua atividade principal. Portanto, correta a autoridade administrativa ao incluir no faturamento da manifestante as receitas relativas a empréstimos, financiamentos, etc…, que são oriundas do exercício das atividades empresariais, como definido na decisão exarada no Recurso Extraordinário 401.3487Minas Gerais. Inconformada, a Contribuinte interpõe o presente Recurso Voluntário, através do qual sustenta possuir direito ao crédito de PIS inicialmente indeferido, porquanto está devidamente amparada por decisão transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança n° 2000.38.03.0007782, o qual, por sua vez, está em consonância com a decisão do Órgão Plenário do Supremo Tribunal Federal que extirpou do ordenamento jurídico o artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, ao consignar que a base de cálculo do PIS está atrelada ao conceito estrito de receita bruta de venda de mercadorias e da prestação de serviços. Em suma, alega a Recorrente em suas razões recursais que a receita de prestação de serviços que configura o “faturamento” das instituições financeiras engloba todos os tipos de taxas, tarifas e comissões cobradas pelas instituições para prestar serviços bancários. Por sua vez, a movimentação financeira decorrente de operações bancárias, e não de serviços bancários, está fora do conceito de “faturamento” determinado pelo Supremo Tribunal Federal. À final, requer seja dado provimento ao recurso. É o Relatório. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906299/200975 Acórdão n.º 380101.077 S3TE01 Fl. 5 5 Voto Vencido Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. A lide consiste em se determinar qual a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep, a partir da decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança n° 2000.38.03.0007782, da lavra do Ministro Cezar Peluso, no Recurso Extraordinário 401.348 7, de autoria da Recorrente, a seguir transcrita: DECISÃO: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2.Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Minº ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Minº MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3.Diante do exposto, e com fundamento no artigo 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas ex lege. Publiquese. Int.. Brasília, 28 de novembro de 2005. Ministro CEZAR PELUSO Relator O ponto fulcral, do presente processo, portanto, é determinar, conforme apontado no relatório e na decisão supra se, sobre os montantes recebidos pelas instituições financeiras a título de remuneração decorrente do pagamento de operações de empréstimos bancários, “spreads”, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos Fl. 200DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906299/200975 Acórdão n.º 380101.077 S3TE01 Fl. 6 6 e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc. – as chamadas intermediações financeiras – incide ou não a contribuição para o PIS/Pasep. Isso decorre do entendimento esposado de que o significado de faturamento ao qual está obrigada a Recorrente é o de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Além desse entendimento, apontou o Ministro Relator, ainda, que seu entendimento se substancia no que foi decidido nos Recursos Extraordinários nº 346.084PR, nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG. Lembremonos que o regime legal aplicável às instituições financeiras com relação ao PIS é o da Lei 9.718/1998 por expressa disposição do inciso I, do artigo 8º da Lei nº 10.637/20021. A norma assim define a base de incidência da contribuição: Artigo 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei.(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Artigo 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) O confronto da norma e da decisão do Min. Cezar Peluso supra citada serviram para a decisão da DRF de Juiz de Fora, ora atacada. Assim expressou a decisão da DRJ: Como se vê na decisão acima, o Ministro Cezar Peluso definiu que a base de cálculo da contribuição é o faturamento, assim entendido como sendo a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação dc serviços de qualquer natureza. Logo à frente, o Exmo. Senhor Ministro esclarece que o faturamento é a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. 1 Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: I – as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 (parágrafos introduzidos pela Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001), e Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983;... Fl. 201DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906299/200975 Acórdão n.º 380101.077 S3TE01 Fl. 7 7 Portanto, é necessário delimitar qual a composição do faturamento das instituições financeiras, ou para melhor se adequar à decisão transitada em julgado, qual é a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais desse tipo de empresa. As instituições financeiras têm tratamento jurídico diferenciado em relação às empresas que exercem outras atividades. Seu objeto social é distinto e, por consequência, o conceito de faturamento em relação a elas deve ser examinado de forma diferenciada. No Recurso Extraordinário n° 346.0846PR, citado na Decisão em questão, o mesmo Ministro Cezar Peluso manifestou, em seu voto que o faturamento deve ser entendido resultado econômico das operações empresariais típicas, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado”. E continuou o julgador “a quo”: Então, quais seriam as receitas operacionais típicas das instituições financeiras e assemelhadas? São elas, evidentemente, as decorrentes da intermediação de operações a da prestação de serviços de natureza financeira: empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc... Configurase, assim, uma situação sui generis devido às especificidades e particularidades desta atividade econômica, totalmente diferente da atuação das pessoas jurídicas eminentemente comerciais ou das demais prestadoras de serviços. (...) Diferentemente do que afirma a manifestante, o faturamento das instituições financeiras vai muito além do que a simples receita proveniente da cobrança de tarifas (de manutenção de conta, de abertura de crédito, de custódia, de administração, etc...), abrangendo um outro universo de receitas típicas e características da atividade financeira. Ao pretender ser tributada apenas em relação aos serviços prestados no seu sentido estrito, intenta a manifestante excluir da incidência da contribuição as receitas provenientes daquelas que constituem justamente as atividades principais do seu objeto, ou seja, as receitas obtidas no exercício das suas atividades empresariais , que são as mais expressivas em termos de riquezas geradas. Apesar do entendimento aparentemente conclusivo apresentado na decisão da DRJ, tenho que o exame da matéria merece maior cuidado especialmente para dar ampla segurança à relação fisco/contribuinte, quanto ao sentido dado pelo Ministro Peluso ao faturamento que abrange “as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906299/200975 Acórdão n.º 380101.077 S3TE01 Fl. 8 8 O PIS (Programa de Integração Social) teve sua concepção na Constituição de 1967, que, em seu artigo 158, V, previa: “Artigo 158. A Constituição assegura aos trabalhadores os seguintes direitos, além de outros que, nos termos da lei, visem à melhoria, de sua condição social: (...) V – integração do trabalhador na vida e no desenvolvimento da empresa, com participação nos lucros e, excepcionalmente, na gestão, nos casos e condições que forem estabelecidos.” A Emenda Constitucional nº 1/69 repetiu a previsão em seu artigo 165, V, com redação quase homônima. Com esse fundamento, foi editada a Lei Complementar nº 7/70, que instituiu o Programa de Integração Social, “destinado a promover a integração do empregado na vida e no desenvolvimento das empresas”. Para alcançar esse objetivo, a Lei Complementar nº 7/70 instituiu um Fundo de Participação, a ser constituído por depósitos efetuados pelas empresas – conceituadas como pessoas jurídicas nos termos da legislação do Imposto de Renda – na Caixa Econômica Federal. Até então, a Constituição Federal não previa uma basedecálculo determinada para o PIS, limitandose a falar de “participação nos lucros” da empresa. A Lei Complementar nº 7/70 determinou que a basedecálculo seria o faturamento, mas não o definiu. Diante disso, o Banco Central editou a Resolução nº 174/71, que considerou faturamento, corretamente e conforme o sentido laico, a receita operacional das empresas. A legislação do PIS sofreu alterações nos anos seguintes, por meio das Leis Complementares nºs 17/73 – que instituiu um adicional de 0,125% à alíquota incidente sobre o faturamento em 1975 e 0,25% para os anos subsequentes – 19/73 – que determinou a aplicação unificada dos recursos do PIS e do Pasep (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público, instituído pela Lei Complementar nº 8/70) – e 26/75 – que criou o Fundo Unificado PIS/Pasep. De acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, o PIS/PASEP tinha, até a edição da Emenda Constitucional nº 8/77, natureza tributária. Com a EC nº 8/77, contudo, perdeu essa natureza, pois a Emenda incluiu um novo inciso no artigo 43 da Carta de 1969 – que tratava das atribuições do Poder Legislativo –, separando a contribuição social ao PIS/PASEP dos tributos. Em 1988, o Decretolei nº 2.445, com algumas mudanças instituídas pelo Decretolei nº 2.449, alterou a alíquota e a base de cálculo do PIS/PASEP, que passaria a ser calculado à base de “sessenta e cinco centésimos por centro da receita operacional bruta”, conceituada, naquele instrumento como “o somatório das receitas que dão origem ao lucro operacional, na forma da legislação do imposto de renda”, admitidas algumas exclusões e deduções estabelecidas no próprio decretolei. Os dois decretoslei geraram grande polêmica e terminaram por ser repelidos pelo Supremo Tribunal Federal, sob o argumento de inconstitucionalidade perante a Carta de 1969, pois, embora esta outorgasse ao Presidente da República competência expressa para Fl. 203DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906299/200975 Acórdão n.º 380101.077 S3TE01 Fl. 9 9 baixar decretoslei referentes às finanças públicas, inclusive matéria tributária, entendiase que o PIS/PASEP não tinha mais natureza tributária, ou mesmo de finanças públicas, não podendo ser objeto de decretolei. A questão da alteração da definição basedecálculo foi meramente tangenciada por alguns ministros, não constituindo a razão da inconstitucionalidade dos dois decretoslei. Analisando essa questão, o MinistroRelator Carlos Velloso apenas lembrou que a Constituição então vigente não havia especificado a basedecálculo do PIS e que, consoante a Resolução Bacen nº 174/71, o “faturamento” da LC 7/70 era, na realidade, a receita operacional, ou seja, quando se usava o termo receita operacional, esse estava sendo usado como sinônimo de faturamento, de modo que “nada teria sido alterado, portanto”. A nova Constituição Federal entrou em vigor logo em seguida, recepcionando o PIS/PASEP expressamente em seu artigo 239. A Constituição de 1988, além disso, arrolou, em seu artigo 195, as bases de cálculo que poderiam ser utilizadas para financiamento da seguridade social, como segue: “Artigo 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; II dos trabalhadores; III sobre a receita de concursos de prognósticos.” Em 30 de outubro de 1998 foi publicada a Medida Provisória nº 1.724, posteriormente convertida na Lei nº 9.718/1998 estando as instituições Financeiras obrigadas a tributar o PIS (e a COFINS) sob a sua égide. A discussão que se travou circundou os conceitos de receita bruta e faturamento. O conceito de faturamento já havia sido examinado pelo Pleno do STF no Recurso Extraordinário nº 150.7551, gerando acirrado debate entre, de um lado, os Ministros Carlos Velloso e Marco Aurélio – que sustentavam a inconstitucionalidade do artigo 28 da Lei 7.738/89, argumentando que “faturamento” e “receita bruta” são termos distintos – e, de outro, o Ministro Sepúlveda Pertence – que alegava que, em uma interpretação conforme a Constituição, os dois termos poderiam ser considerados equivalentes. Segundo o Ministro Sepúlveda Pertence, “a substancial distinção pretendida entre receita bruta e faturamento – cuja procedência teórica não questiono –, não encontra respaldo atual no quadro do direito positivo pertinente à espécie, ao menos, em termos tão inequívocos que induzisse, sem alternativa, à inconstitucionalidade da lei”. Mesmo porque, arguia o Ministro, “antes da Constituição, precisamente para a determinação de base de cálculo do Finsocial, o DecretoLei 2.397, 21.12.87, já restringira, para esse efeito, o conceito de receita bruta a parâmetros mais limitados que o de receita Fl. 204DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906299/200975 Acórdão n.º 380101.077 S3TE01 Fl. 10 10 líquida de vendas e serviços, do Decreto Lei 1.589/77, de modo, na verdade, a fazer artificioso, desde então, distinguilo da noção corrente de faturamento”. Diante disso, o Ministro Carlos Velloso retrucou, afirmando que “a autorização (da CF/88) é para que a incidência seja sobre faturamento e não sobre receita bruta – é o inciso I do artigo 195. Mas S. Exa. Parece que equiparou receita bruta a faturamento, o que também não me parece adequado fazer”. Ao seu auxílio, veio o Ministro Marco Aurélio, afirmando que “não posso atribuir ao legislador a inserção de expressões, a inserção de vocábulos em preceitos de lei sem o sentido vernacular, e, aqui, mais do que o sentido vernacular, temos o sentido técnico. (...) Senhor Presidente, não posso dizer que receita bruta consubstancia sinônimo de faturamento”. O Ministro Sepúlveda Pertence então reconheceu que “há um consenso: faturamento é menos que receita bruta”, mas reiterou que a lei tributária chamou “receita bruta o que é faturamento. E aí, ela se ajusta à Constituição”. Em outras palavras, que faturamento e receita bruta são diferentes, mas a legislação infraconstitucional restringiu tanto o conceito de receita bruta que terminou por equiparálo ao conceito de faturamento, não infringindo, portanto, a Constituição. A divergência persistiu, mas a maioria dos Ministros terminou optando pela posição do Ministro Sepúlveda Pertence. Assim, o acórdão foi tomado por maioria de votos, no sentido de “dar provimento ao recurso para declarar a constitucionalidade do artigo 28 da Lei nº 7.738/89, considerada a expressão “receita bruta” como correspondente a “faturamento”. Mas, o que havia naquele momento era o entendimento que se restringiu de tal forma a receita bruta que, apesar de ser nominada desse modo, tratavase, na verdade, de faturamento. É como se houvesse a determinação de incidir um tributo sobre carros de passeio e se fizesse incidilo sobre automóveis, tendo um, por sinônimo de outro. Assim dispunha o artigo: “Artigo 28. Observado o disposto no artigo 195, § 6º, da Constituição, as empresas públicas ou privadas, que realizam exclusivamente venda de serviços, calcularão a contribuição para o FINSOCIAL à alíquota de meio por cento sobre a receita bruta.” O que entendeu o Supremo é que o termo “receita bruta” constante no artigo significava faturamento, nada mais, nunca disse, portanto, que receita bruta e faturamento são a mesma coisa. Esse é o primeiro cuidado que devemos tomar. Assim, tendo o STF acatado a equiparação entre “faturamento” e “receita bruta” para os fins do artigo 28 da Lei nº 7.738/89, pretendeuse estender esse entendimento errôneo ao PIS/PASEP, por meio da edição da Lei nº 9.718/98, que alterou a base de cálculo do PIS/PASEP no seguinte sentido: “Art 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906299/200975 Acórdão n.º 380101.077 S3TE01 Fl. 11 11 calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Tentando evitar que a polêmica entre os conceitos de “receita bruta” e “faturamento” fosse reavivada – num ato de confissão de incapacidade de planejamento – o Congresso Nacional resolveu dar maior respaldo constitucional à Lei nº 9.718/98 e fêlo por meio da Emenda Constitucional nº 20/98, que alterou o artigo 195 da Carta Maior, incluindo a “receita” expressamente entre as possíveis bases de cálculo para as contribuições sociais, como segue: Artigo 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Assim, a partir da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, a Constituição Federal passou a autorizar a União a tributar a (totalidade da) receita dos contribuintes, ou seja, modificada a Constituição, não mais se discute que, a partir de 16/12/1998, o legislador federal passou a ter competência para editar uma nova lei instituindo contribuições sociais com base de cálculo composta por qualquer receita da pessoa jurídica. Após a EC 20/98, a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS não mais estão limitadas ao faturamento das empresas. Porém, considerando que a Lei nº 9.718/98 foi publicada antes da promulgação da Emenda Constitucional nº 20/98, que modificou a redação do artigo 195 da Constituição Federal para outorgar competência à União Federal para instituição de contribuição social sobre receita, o Plenário do Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional aquele § 1º do artigo 3º da referida Lei nº 9.718/98, valendo transcrever o seguinte excerto da ementa do acórdão proferido no RE nº 390.485: Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906299/200975 Acórdão n.º 380101.077 S3TE01 Fl. 12 12 “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvidas e da classificação contábil adotada.” (grifo nosso). Com base nesta decisão, os diversos processos pendentes de julgamento perante o Supremo Tribunal Federal passaram a ser julgados monocraticamente por seus Ministros, com fundamento no artigo 557, § 1ºA do CPC. Ocorre, porém, que nos processos de sua Relatoria, o ilustre Ministro Cezar Peluso tem proferido decisões do seguinte teor: “2. Consistente, em parte, o recurso. Uma das teses do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Minº ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Minº MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no artigo 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe parcial provimento, para, concedendo, em parte, a ordem, excluir, da base de incidência do PIS e da COFINS, receita estranha ao faturamento das recorrentes, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas em proporção.” (grifos nossos). Do mesmo modo seguiu a decisão que baliza o presente processo, ante citada. A decisão tomou por referência o julgamento do RE nº 390.840MG com idêntico teor dos demais citados e tem por núcleo a noção de faturamento conforme a redação original do artigo 195, I, b, da Constituição Federal. No acórdão, o Supremo Tribunal Federal concluiu pela declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/1998: “Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906299/200975 Acórdão n.º 380101.077 S3TE01 Fl. 13 13 por ela exercida e a classificação contábil adotada pelas receitas”, cujo caput prescreve: “O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica”. Em questão estava a constitucionalidade da correspondência estabelecida pela Lei entre faturamento e receita bruta, nos termos em que essa fora definida.” A análise daquele RE foi baseada exclusivamente na violação do princípio da supremacia da Constituição, conforme o voto do Ministro Cezar Peluso, as duas razões teriam ocorrido para a inconstitucionalidade. A uma: de ordem material, pelo conteúdo do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/98, que ampliava o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”. O sentido dado ao conceito afrontaria a noção de faturamento pressuposta no artigo 195, I, b da Constituição Federal. A duas: de ordem formal, pois, pelo artigo 195, § 4º, sendo o legislador competente para “criar outras fontes” de custeio da seguridade social, não agiu em conformidade com o artigo 154, I da Constituição Federal2. Quanto à inconstitucionalidade formal, diz o Ministro Peluso, em seu voto vista, que, na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º, não houve usurpação de competência (incompetência orgânica), mas violação do disposto no artigo 154, I, c/c o disposto no artigo 195, § 4o (incompetência procedimental). Afinal, se, de um lado, à época, o artigo 195, I, da CF não previa a receita como fonte, o legislador ordinário, se quisesse prevê la, poderia terse valido do § 4º do artigo 195, mas desde que c/c o artigo 154, I, cujo preceito, porém, descumpriu. Quanto à inconstitucionalidade material, teria havido desconformidade entre a definição adotada na Lei para receita bruta, cujo sentido violava a significação adotada pela jurisprudência do STF como equivalente a de faturamento. Porém, ao final, o voto conferiu, mediante interpretação conforme a Constituição, ao termo receita bruta, (constante do caput do artigo 3º e nele equiparado a faturamento), o sentido de receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviços, de acordo com jurisprudência anterior do STF. A questão nuclear da inconstitucionalidade está, pois, localizada no sentido atribuído pelo legislador ao conceito de receita bruta, ao qual a expressão constitucional faturamento fora equiparada. Em seu voto, o Ministro Cezar Peluso examinou o sentido de receita bruta, primeiro, para distinguilo do de faturamento, e, assim, declarar inconstitucional o referido § 1º do artigo 3º e, ao depois, para equiparar um ao outro conforme o sentido atribuído a faturamento na jurisprudência anterior do STF, a fim de manter o caput do artigo 3º mediante interpretação conforme a Constituição. Ao fazêlo, no entanto, o Ministro Peluso estabeleceu a referida equiparação nos seguintes termos: “Quanto ao caput do artigo 3º, julgoo constitucional para lhe dar interpretação conforme a Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de ‘receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços’, adotado pela legislação anterior, e que, a 2 Art. 154. A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição; Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906299/200975 Acórdão n.º 380101.077 S3TE01 Fl. 14 14 meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” (grifei). O posicionamento mencionado parece conduzir ao entendimento de que receita bruta e faturamento não se confundem. Nem receita bruta, em termos de faturamento, se reduz a receita, pois nem toda receita é operacional. Mas, se, sob receita operacional, para efeito de significado estrito de receita bruta, entendese receita bruta de vendas e serviços, que significa: ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas. O problema suscita um prévio exame de questões referentes à determinação de um conceito. Primeiro, é preciso entender a congruência entre o sentido de receita bruta e de faturamento em termos de venda de mercadoria e de prestação de serviços, de modo a permitir a equivalência: “ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício de atividades empresariais típicas”. “Mas o acórdão rechaçou também o argumento que aceitava uma espécie de “constitucionalidade superveniente”, por força da EC nº 20/98, que alterara o artigo 195, I da Constituição Federal. Aqui aparece também um problema de determinação do conceito. Afinal, essa nova formulação constitucional (a receita e o faturamento) conduz à necessária distinção que se há de fazer, para o futuro, entre faturamento e receita. Essa atual distinção constitucional há de ser compatível com o sentido que foi atribuído pelo acórdão para conferir, mediante interpretação conforme, constitucionalidade à expressão receita bruta constante do caput do artigo 3º da Lei nº 9.718/98.” Daí a seguinte questão: se, na formulação vigente (pós EC nº 20/98), a Constituição admite duas fontes distintas, a receita ou o faturamento, qual a diferença entre receita bruta, equiparada a faturamento pelo voto do Ministro Peluso, e a receita, conforme a nova expressão constitucional? Becker3 explica que “não existe um legislador tributário distinto e contraponível a um legislador cível ou comercial. Os vários ramos do direito não constituem compartimentos estanques, mas são partes de um único sistema jurídico, de modo que qualquer regra jurídica exprimirá sempre uma única regra (conceito ou categoria ou instituto jurídico) válida para a totalidade daquele único sistema jurídico. Essa interessante fenomenologia jurídica recebeu a denominação de cânone hermenêutico da totalidade do sistema jurídico. Com toda razão, o Professor da Universidade de Roma, Emilio Betti, especialista em hermenêutica, roga atenção para o deplorável fato de grande parte dos juristas ainda não terem demonstrado o mínimo indício de conhecer e compreender esse fundamental cânone hermenêutico da totalidade do sistema jurídico. Da fenomenologia jurídica acima indicada decorre o seguinte: uma definição, qualquer que seja a lei que a tenha enunciado, deve valer para todo o direito; salvo se o legislador expressamente limitou, estendeu ou alterou aquela definição ou excluiu sua aplicação num determinado setor do direito; mas para que tal alteração ou limitação ou exclusão aconteça é indispensável a existência de regra jurídica que tenha disciplinado tal limitação, extensão, alteração ou exclusão. Portanto, quando o legislador tributário fala de 3 Teoria Geral do Direito Tributário, p. 122/123, com itálicos do original. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906299/200975 Acórdão n.º 380101.077 S3TE01 Fl. 15 15 venda, de mútuo, de empreitada, de locação, de sociedade, de comunhão, e incorporação, de comerciante, de empréstimo, etc., devese aceitar que tais expressões têm dentro do direito tributário o mesmo significado que possuem no outro ramo do direito, onde, originariamente, entraram no mundo jurídico. Lá, por ocasião de sua entrada no mundo jurídico, é que houve uma deformação ou transfiguração de uma realidade préjurídica (exemplo: conceito de Economia Política; instituto da Ciência das Finanças públicas). Recomenda Luigi Vittorio Berliri o abandono, de uma vez para sempre, do arbitrário expediente de atribuir ao legislador tributário (como se fosse um outro legislador e, ainda por cúmulo, ignorante de direito) uma linguagem sua própria que atribuiria a palavra ou expressão que tem um bem preciso e conhecido significado jurídico, um esquisito significado novo de Direito Tributário. O “marido” de direito tributário – com razão adverte Luigi Vittorio Berliri – não pode ser outro que o marido do direito civil e canônico, isto é, aquele que é unido à mulher pelo vínculo do matrimônio. O “grau de oficial” ao qual se refere o artigo 7º da lei do imposto de renda, não pode ser outro que aquele decorrente dos regulamentos militares. Exatamente como a “maltose”, o “tártaro” e o “cróton” aos quais as normas tributárias fazem referência (a propósito do imposto de fabricação sobre glicose e sobre os óleos de sementes), não podem ser senão a maltose, o tártaro e o cróton da merceologia. Tanto não é possível pensar em um marido (“de direito tributário”), em uma enfiteuse, em uma servidão, em uma hipoteca (“de direito tributário”), em um oficial, em um domínio útil, em um débito quirografário (“de direito tributário”), quanto impossível seria pensar em uma maltose, um tártaro e um cróton (“de direito tributário”). As definições provocadas por Becker correspondem, conforme exemplifica, às significações diuturnas e técnicas do termo, dentro do sentido que lhe dá a norma. Entretanto, o genial doutrinador peca por entender que o legislador toma as normas realizando uma deformação ou transfiguração de seu sentido. Certamente não. Têm, na norma jurídica formalizada, o mesmo sentido que têm em cada um dos seus usos normais. Se o legislador viesse a criar um imposto incidente sobre o uso de cadeiras, apenas exemplificando para fins didáticos, “cadeira” seria tomada no sentido comum do termo, peça do mobiliário e nenhum outro sentido senão o comum. Quando a lei fala em comprar, vender, emprestar ou alugar não é necessário fazer qualquer outra definição senão a praticada ordinariamente, salvo se o termo por si só seja técnico. Essa prática, de se entender que todos os termos têm um significado jurídico ao serem empregados na norma, é uma prepotência da ciência, clara e compreensível, oriunda mais de uma necessidade de precisão científica do que da realidade, mas não é uma provável verdade da norma. Decerto o legislador oriundo de diversas formações não se preocupa em entender os termos técnicos empregados na norma antes de propôla. Se, por ex., o legislador tivesse que determinar o uso obrigatório de uma calça por uma categoria profissional em épocas diferentes seguramente se referiria ao termo de época, determinaria o uso de calça jeans ou blue jeans em um momento histórico, calça de brim azul em outro ou, como era conhecida antigamente, calça rancheira. Por isso, fizemos o pressuposto ligado à linguagem e ao tempo. Por outro lado, um termo técnico como enfiteuse, elisão ou evicção seria tomado no seu sentido técnico porque nenhum outro sentido poderia ser usado senão esse, mas atentemos que, em caso de existir um termo de significado corrente e um significado técnico, o termo pode ser tomado em qualquer significado – digamos que seja “transfusão”, referindose à Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906299/200975 Acórdão n.º 380101.077 S3TE01 Fl. 16 16 necessidade de que se usem equipamentos descartáveis para a coleta de sangue e transfusão do mesmo, por ex., mas é importante lembrar que ninguém precisa de um conhecimento técnico para saber o que significa “transfusão”. Assim, a linguagem do legislador é meramente comum, não técnica, não havendo, portanto, qualquer necessidade de se definir o termo “tributo” na lei porque o termo já é conhecido pela linguagem comum, ou seja, todos sabemos a que se refere quando a lei fala em tributo ou, em outro giro, qual é a acepção tomada pelo legislador no uso do termo. Entretanto, no caso do conceito dado ao elemento receita para fins de incidência do PIS (e da COFINS) a questão não é tão simples. Receita é um termo plurívoco mesmo na linguagem comum. Tem diversos significados e alcances. Pode referirse à culinária aonde corresponde a indicação minuciosa sobre a quantidade dos ingredientes e a maneira de preparar um prato salgado ou doce; pode se referir à farmácia aonde compreende uma fórmula para preparação de um medicamento; à medicina, que corresponde à própria prescrição; ou, àquilo que nos interessa, ao conceito contábil. A questão da definição de faturamento em termos de receita bruta gira, pois, em torno do sentido conotativo (qualificação do conceito: atributos que lhe são próprios) e do seu sentido denotativo (delimitação do conceito: extensão de objetos abrangidos). Sob esses dois aspectos é que se deve entender o sentido conferido à significação da expressão receita bruta como equivalente a faturamento. Sobre isso, voltarei ao que foi decidido no Recurso Extraordinário nº 150.7551 aonde ficou claro que receita e faturamento são distintos e que faturamento é menos que receita bruta. Portanto, tomoos como distintos. Pela nova dicção do artigo 195, por força da referida Emenda, passou a Constituição Federal a determinar como fonte das contribuições o faturamento ou a receita. A expressão “incidentes sobre a receita ou o faturamento” aponta, agora, para diferentes hipóteses de incidência ou fatos geradores distintos. Assim, ainda que, ad argumentandum, se admitisse que a intenção do constituinte derivado pudesse ter sido “espletiva”, objetivamente, a nova redação constitucional não equiparou os conceitos. Apenas estendeu a possibilidade da base de cálculo, antes restrita ao faturamento, também para a receita. Nesse sentido, observese, inicialmente, que, no caso em tela, pela nova redação, o “ou” tem função disjuntiva e não conjuntiva, como se observa pelo uso dos demonstrativos (“a receita ou o faturamento”). Destarte, o novo dispositivo, trazido pela Emenda Constitucional, ao contrário do que se possa pensar, reforça a tese de que, na Constituição Federal, mormente para efeitos fiscais, faturamento e receita são conceitos distintos, ainda que ou um ou outro possam configurar base de cálculo de contribuição social. Faturar, conforme diapasão do próprio Supremo é a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços de qualquer natureza. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906299/200975 Acórdão n.º 380101.077 S3TE01 Fl. 17 17 O conceito de faturamento advém além do conceito contábil, da Lei nº 5.474/68, segundo a qual a fatura tem a função de documentar a efetivação de vendas mercantis ou de prestações de serviços. Nesse sentido, o termo “faturamento” referese tanto ao ato de expedição do documento que representa a venda da mercadorias ou a prestação de serviços, como à própria receita proveniente dessas operações. Fora dessas duas atividades, não há que se falar em faturamento. Conforme ante examinado, o uso da expressão faturamento, antes da EC nº 20/98, tem seu sentido conotativo determinado por venda: “vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza”. Nesses termos, alcança o sentido estrito de receita bruta. Ou seja, receita bruta, desde que tomada em sentido estrito, pode ser equiparada à expressão constitucional faturamento. Já com a introdução da expressão “receita”, porém, o seu conceito deve ser devidamente separado do de faturamento. A receita há de se entender esta como as quantidades de valor financeiro, originários de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado, conforme o tipo de atividade por ela exercida. Nesse sentido, a receita, constante da nova redação do art. 195, I, à diferença de o faturamento, passa a constituir um conceito “alargado”, qualquer valor auferido, que abrange a classe genérica da receita como base de cálculo. Como classe genérica, receita passa a referirse às atividades da sociedade que constituem as fontes do resultado, conforme o tipo de atividade por ela exercida. Nessa classe genérica está o conceito lato de receita bruta, que, então sim, incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimento de aplicações financeiras, indenizações etc. Mas não as incorpora no conceito estrito de receita bruta. E nisso se distingue de faturamento, enquanto vendas faturadas e não faturadas, isto é, todas as vendas. Pareceme, diante disso, que o entendimento da questão exige uma consideração mais detalhada do termo receita bruta, mormente quando referida a receita operacional, para adequála ao faturamento no sentido constitucional. Com efeito, o tratamento do termo faturamento como “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza” generalizouse com o advento da LC nº 70/91, que assim o definiu em seu artigo 2º. Porém, como disse o Min. Carlos Britto (em seu voto no RE nº 346.084–6 PR): “Tudo estaria pacificado não fosse o advento da Lei Ordinária nº 9.718, de 1998 (...), que equiparou os termos ‘faturamento’ e ‘receita bruta’, não exclusivamente operacional”. Receita operacional, segundo o Ministro Carlos Britto, remete ao mencionado Decretolei nº 2.297/1987, artigo 22, § 1º, alínea “a”: “a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda”. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906299/200975 Acórdão n.º 380101.077 S3TE01 Fl. 18 18 E completa: “receita operacional é a receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimento de aplicações financeiras, indenizações etc.”. Nesse passo, é inevitável o recurso ao sentido técnico dos temos. A expressão receita está diretamente vinculada ao resultado da empresa. A formação do resultado decorre dos processos de mutação patrimonial das diversas categorias que compõem os elementos do custo e da receita4. Receita definese, segundo o autor, como a “quantidade de valor financeiro, originários de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado” 5. Mais especificadamente esclarece Bulhões Pedreira que receita “é o valor financeiro cuja propriedade é adquirida por efeito do funcionamento da sociedade empresária. As quantidades de valor financeiro que entram no patrimônio da sociedade em razão do seu financiamento e capitalização não são receitas; na transferência de capital de terceiros a sociedade adquire apenas o poder de usar o capital; na de capital próprio adquire a propriedade de capital destinado a aumentar seu capital estabelecido” 6. Nesses termos, receita e resultado não se confundem: o segundo é mais extenso (conceito denotativo) que o primeiro. Ou seja, por força dessa distinção será possível dizer que receita tem a ver com valores cuja propriedade, sendo adquirida por força do funcionamento da empresa (atividade típica, receita operacional), excluiria a receita não operacional. Já a receita bruta designa a contraprestação da venda de bens e serviços, enquanto valor financeiro cuja disponibilidade a empresa adquire com a venda de bens ou a prestação de serviços. Nesse sentido, distinguese da receita líquida, que é aquele valor, “diminuído de deduções e abatimentos e dos tributos cujo fato gerador seja a venda dos bens ou o fornecimento dos serviços” 7. Só a receita bruta nesse sentido estrito é que equivale a faturamento. Já o conceito de receita, como a nova fonte instituída pela EC nº 20/98, é que significaria quantidade de valor financeiro, originário de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado: todas as receitas operacionais. Afinal, da receita operacional se excluem os valores que constituem a receita não operacional, os que entram no patrimônio da sociedade por força de financiamento e capitalização, o capital de terceiros do qual a empresa tem apenas o uso. Desse esclarecimento técnico decorre, então, que receita bruta e receita operacional não se identificam inteiramente. 4 cf. Bulhões Pedreira: Finanças e demonstrações financeiras da companhia – conceitos fundamentais, Rio de Janeiro, Forense, 1989, passim. 5 pág. 455, grifei. 6 pág. 456, grifei. 7 Bulhões Pedreira, p. 457. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906299/200975 Acórdão n.º 380101.077 S3TE01 Fl. 19 19 O próprio Ministro Peluso ao se referir às diversas espécies de receita no seu votovista no RE 390.840MG8 apontou que distinguemse, pelo menos, quatro modalidade de receita: i) Receita bruta das vendas e serviços; ii) receita líquida das vendas e serviços; iii) receitas gerais e administrativas (operacionais); iv) receitas não operacionais. A norma do artigo 187 da Lei nº 6.404/76 (referida pelo Ministro Peluso, no RE 390.840MG), ao disciplinar a “Demonstração do Resultado do Exercício” mostra, em sede legal, a diferença. Mais precisamente, no artigo 22, § 1º, do Decretolei nº 2.397/87, determina se a incidência do FINSOCIAL sobre: alínea “a”: “a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;”. Seguese, alínea “b”, “as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas”; alínea “c”, “as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras e entidades a elas equiparadas”. Assim, se a receita, constante da nova redação do art. 195, I, passa a constituir um conceito “alargado” correspondendo a qualquer valor auferido abrangendo a classe genérica da receita como base de cálculo e referindo às atividades da sociedade que constituem as fontes do resultado que incorporam outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimento de aplicações financeiras, indenizações etc., conforme o tipo de atividade por ela exercida, mas, à diferença de o faturamento, nisso dele se distingue, enquanto vendas faturadas e não faturadas, isto é, todas as vendas, é correta interpretação do Ministro Carlos Britto, quando restringe a expressão receita operacional àquela obtida mediante a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza. Afinal, de outro modo ficaria obscura a distinção entre a receita ou o faturamento conforme a nova dicção constitucional, bem como o reconhecimento de que a nova redação não é expletiva. Como obscuro ficaria também o argumento, segundo o qual a inconstitucionalidade declarada do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/98 também decorreria de uma questão de ordem formal, posto que, pelo artigo 195, § 4º, sendo o legislador competente para “criar outras fontes” de custeio da seguridade social (receita), não teria agido em conformidade com o art. 154, I da Constituição Federal. Por óbvio, não há como se supor que em uma mesma operação a contrapartida do tomador do empréstimo fosse “despesa financeira”, sendo para o concessor “receita operacional” e não “receita financeira”, transmudandose a natureza da relação. Por todo o exposto, há de se concluir, em suma, que receitas oriundas da atividade típica da pessoa jurídica – receitas operacionais – não podem ser consideradas 8 http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=261694 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906299/200975 Acórdão n.º 380101.077 S3TE01 Fl. 20 20 faturamento para efeito de incidência da contribuição para o PIS (e COFINS) sob a égide da Lei nº 9.718/98 (afastado por inconstitucional o § 1º do seu art. 3º). Esta resposta não se altera em função da empresa envolvida ser uma empresa comercial, uma prestadora de serviços, uma “holding” ou uma instituição financeira. Não é o fato de determinada receita resultar da exploração do objeto social da pessoa jurídica que, determina estarmos diante de faturamento. Receita é gênero do qual faturamento é espécie. Restaria examinar em que sentido se toma o conceito de serviço na definição de receita bruta como a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços e serviços de qualquer natureza. Serviço, em sentido vulgar, é qualquer esforço humano que tenha por objetivo propiciar a outrem um proveito, uma utilidade, um benefício, uma vantagem, até um obséquio ou favor. Em termos econômicos, tratase de fornecimento de trabalho, de locação de bens móveis, de cessão de direitos, ou seja, atividades que constituem bens incorpóreos na circulação de mercadorias. Para efeitos constitucionais e tributários (CF, art. 150, I), o termo passa pelo uso jurídico, consistindo em atividade de fazer com vistas a um resultado útil a terceiro9. Não dispensa, assim, a ideia de trabalho e, nesses termos, de um facere destinado a outrem. Por consequência, não há serviço na atividade útil em favor do próprio prestador. Na linguagem jurídica em geral, anota Maria Helena Diniz, serviço quer dizer o “exercício de qualquer atividade intelectual ou material com finalidade lucrativa ou produtiva.” 10 Com sua costumeira precisão, registra De Plácido e Silva11: SERVIÇO. Do latim servitium (condição de escravo), exprime, gramaticalmente, o estado de que é servo, encontrandose no dever de servir; ou de trabalhar para o amo. Extensivamente, porém, e expressão designa hoje o próprio trabalho a ser executado, ou que se executou, definindo a obra, o exercício do ofício, o expediente, o mister, a tarefa, a ocupação ou a função. Por essa forma, constitui serviço não somente o desempenho de atividade ou de trabalho intelectual, como a execução de trabalho ou de obra material. Aires Fernandino Barreto, em excelente monografia sobre o ISS, parte da idéia do trabalho, como um fazer, um conceito mais amplo, e doutrina com inteira propriedade: É lícito afirmar, pois, que serviço é uma espécie de trabalho. É o esforço humano que se volta para outra pessoa; é fazer desenvolvido para outrem. O serviço é, assim, um tipo de trabalho que alguém desempenha para terceiro. Não é esforço desenvolvido em favor do próprio prestador, mas de terceiros. Conceitualmente parece que são rigorosamente procedentes 9 cf. Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado, Rio de Janeiro, 1964, tomo XVIII, p. 9 10 Maria Helena Diniz, Dicionário Jurídico, Saraiva, São Paulo, 1998, pág. 311 11 De Plácido e Silva, Vocabulário Jurídico, Forense, Rio de Janeiro, 1987, vol. IV, pág. 215. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906299/200975 Acórdão n.º 380101.077 S3TE01 Fl. 21 21 essas observações. O conceito de serviço supõem uma relação com outra pessoa, a quem se serve. Efetivamente, se é possível dizerse que se fez um trabalho “para si mesmo”, não o é afirmarse que se prestou serviço “a si próprio”. Em outras palavras, pode haver trabalho, sem que haja relação jurídica, mas só haverá serviço no bojo de uma relação jurídica. (Aires Fernandino Barreto, ISS na Constituição e na Lei, Dialética, São Paulo, 2003, pág. 29) Como se vê, há claramente em todas as definições de serviço a idéia de atividade destinada a atender diretamente necessidades humanas. No serviço há sempre uma atividade que consiste em servir a outrem, em atender necessidades de outrem. É o próprio agir, a própria atividade ou esforço humano, que serve, que atende a necessidade de outrem. É certo que a expressão de qualquer natureza pode ser vista como indicativa de ampliação do alcance da referida norma. Mas é certo também que o ser de qualquer natureza o serviço não nos autoriza a entender como tal uma atividade que serviço não seja. Como se sabe o STF julgou inconstitucional a inclusão de “locação de bens móveis” na lista de serviços anexa ao DL nº 406/68 (RE nº 116.121). A decisão se substanciou na distinção entre præstare ou facere e dare. Nessa mesma linha podese entender que instituições financeiras também prestem serviços, como o serviço de cobrança de duplicatas, o serviço de emissão de talões de cheque e outros do mesmo gênero. Mas isso não faz das atividades financeiras um serviço. Na verdade, independentemente da questão referente à definição constitucional de serviço, o problema relativo às contribuições para o PIS ou para COFINS, seja qual for o sentido atribuído a serviço de qualquer natureza, está antes na definição de faturamento. Ou seja, é o conceito constitucional de faturamento que autoriza a inclusão nele do conceito de receita bruta em sentido estrito, e não o contrário. É no tratamento dado à receita da venda de serviços como receita bruta em sentido estrito e, por força disso, equiparável a faturamento em seu sentido constitucional que está a questão. Ou em outro giro: não se trata de saber se o conceito de serviço financeiro integra a expressão serviços de qualquer natureza, conforme a definição legal de receita bruta, mas se faz parte da definição constitucional de faturamento. Recorro de novo ao Ministro Pertence, ao esclarecer que, quando a lei ordinária chama de receita bruta (em sentido estrito) o que é faturamento, é aí que ela se ajusta à Constituição. Nesses termos, ainda conforme o mesmo Ministro, “a partir da explícita vinculação genética da contribuição social de que cuida o artigo 28 da Lei 7.738/89 ao FINSOCIAL, é na legislação desta, e não alhures, que se há de buscar a definição específica da respectiva base de cálculo, na qual receita bruta e faturamento se identificam”. E nessa legislação (DecretoLei nº 2.397/87, art. 22, § 1º), como já exposto, está disposto que receita bruta é das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços de qualquer natureza (alínea a), dela distinguindose as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas (alínea b), bem como as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras e entidades a elas equiparadas (alínea c). Fl. 216DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906299/200975 Acórdão n.º 380101.077 S3TE01 Fl. 22 22 Vale dizer, ainda que se entenda que o conceito constitucional de serviço possa admitir como tal os serviços efetivamente prestados pelas instituições financeiras, as demais receitas operacionais das instituições financeiras (receitas financeiras e outras) estão excluídas do conceito de receita bruta em sentido estrito para efeito de sua subsunção ao conceito constitucional de faturamento. Não há, pois, como subsumilas à expressão: serviços de qualquer natureza. Muito bem, além de todo exame supra realizado, é preciso examinar, no contexto a nós apresentado a quê corresponde a expressão receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, usada na decisão do Recurso Extraordinário 401.3487, evitandose a superficialidade com a qual o tema foi abordado no acórdão combatido. Tomo, somente para fins didáticos, a liberdade de repetir a decisão do Ministro Peluso no Recurso Extraordinário em foco, grifando alguns pontos para destacar: DECISÃO: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2.Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Minº ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Minº MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3.Diante do exposto, e com fundamento no artigo 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas ex lege. Publiquese. Int.. Brasília, 28 de novembro de 2005. Ministro CEZAR PELUSO Relator Obviamente, não estamos diante de um voto claro suficiente, mas estamos diante elementos suficientes para que se possa esclarecêlo. No voto do Ministro Peluso, falase, pois, de receita bruta de venda de mercadoria e da prestação de serviço, isto é, do sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza; falase, assim, de soma das Fl. 217DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906299/200975 Acórdão n.º 380101.077 S3TE01 Fl. 23 23 receitas; em alusão ao artigo 187 da Lei nº 6.604/197612, de receita como gênero abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial; por fim, dentro do gênero, das receitas operacionais; donde, receita bruta como produto do exercício de atividades empresariais típicas. Não me parece que o Ministro Peluso quis rever o conceito de faturamento, até então consagrado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. Nesse sentido, o conceito de “ faturamento” não mais seria a “receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços de qualquer natureza” mas “qualquer outra receita, desde que oriunda das atividades empresariais”. Primeiramente porque não foi objetivo do STF, ao declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, redefinir o conceito constitucional de faturamento, mas sim o de rechaçar a definição legal de receita bruta estabelecida pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, por ser esta inadequada àquela expressão constitucional. Depois porque, a mais simples interpretação sistemática do voto em foco, nos leva a entender que o que se pretende é tributar o faturamento cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza. Veja que o voto em exame utilizase da fórmula sintática “ou seja”, se utiliza de uma paráfrase que faz o desenvolvimento de um texto sem alteração do seu sentido original, nesse rumo, não pode desempenhar outro papel na frase, senão de conector para convencer o interlocutor acerca de sua validade preliminar13 – o faturamento pressuposto na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais – equivalendo (1) faturamento, (2) receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza e (3) receita das atividades empresariais. A decisão faz equiparação do conceito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, através da locução “ou seja” ao termo soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Não substitui um pelo outro, como se fez fazer crer. 12 Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV – o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) V o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI – as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) VII o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. § 2º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) (Revogado pela Lei nº 11.638,de 2007) 13 FUCHS, C. La paraphrase. Paris: Presses universitaires de France, 1982, pág. 55. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906299/200975 Acórdão n.º 380101.077 S3TE01 Fl. 24 24 Repete, ainda, o voto a expressão faturamento – excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente – e quando fala em receita estranha ao faturamento não se refere a nenhuma outra, senão a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, reforçando a idéia da definição constitucional de faturamento, senão o voto se limitaria a apontar a receita, mas ao se referirse a faturamento informa que toma a “receita” no sentido de faturamento, conforme até aqui expus. Por último, o voto do Ministro Peluso cita expressamente os Recursos Extraordinários nº 346.084PR, nº 357.950RS, nº 358.273RS e nº 390.840MG, informando que a decisão se deu conforme o seu teor, da maneira que se pode ver por meio da abreviatura “cf”. Conforme já visto anteriormente esses Recursos firmaram o entendimento que era inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvidas e da classificação contábil adotada, devendose tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Assim, referendou o Ministro o entendimento do próprio STF de que o faturamento se cinge à receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, independentemente de sua posição pessoal, mesmo porque, julgando nos termos do artigo 557 do Código de Processo Civil não poderia têlo feito, se em sentido distinto da jurisprudência dominante do STF. Considerando isso, quer pela óptica constitucional, quer pela óptica doutrinária ou ainda, pela interpretação primária do próprio voto, tenho que não há como se tomar as intermediações financeiras sujeitas à incidência da contribuição Desse modo, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl – Relator Fl. 219DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906299/200975 Acórdão n.º 380101.077 S3TE01 Fl. 25 25 Voto Vencedor Conselheiro Flávio de Castro Pontes Redator designado Ainda que respeitáveis as razões do ilustre relator, discordase de seu entendimento. Consignese, de imediato, que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é o fórum adequado para se discutir a violação de coisa julgada. Ora, se a recorrente tivesse absoluta certeza dos efeitos da coisa julgada material, deveria pleitear ao órgão jurisdicional, que possui os meios necessários de tornar eficaz uma decisão judicial, o seu cumprimento. Assim sendo, não há contrariedade à coisa julgada, visto que a decisão transitada em julgado não definiu a composição da base de cálculo da contribuição PIS para as instituições financeiras. Incontestavelmente o cerne do litígio consiste em interpretar a coisa julgada na referida atividade jurisdicional. Pertinente é a colocação de Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart sobre a coisa julgada in Manual do processo de conhecimento. 5 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 630: (...) a coisa julgada material corresponde à imutabilidade da declaração judicial sobre o direito da parte que requer alguma prestação jurisdicional. Portanto, para que possa ocorrer coisa julgada material, é necessário que a sentença seja capaz de declarar a existência ou não de um direito.(grifouse) Como bem relatado, o Excelso Supremo Tribunal Federal (STF) em decisão monocrática do Relator, Ministro Cezar Peluso, recurso extraordinário 401.348, processo originário 2000.38.03.0007782/MG, decidiu não incluir na base de cálculo do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, in verbis: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, Fl. 220DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906299/200975 Acórdão n.º 380101.077 S3TE01 Fl. 26 26 excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.(grifouse) Outrossim, sabese que o STF no julgamento do recurso extraordinário 346.084PR declarou inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Neste julgamento, o Ministro César Peluso esclareceu o seu ponto de vista a respeito do conceito de faturamento: “Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado a ideia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. A propósito, o art. 2º e o caput do art. 3º da Lei 9.718/98 mantiveramse incólumes pela decisão do STF: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". (grifouse) Necessário é lembrar que a decisão judicial declarou inconstitucional o parágrafo 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, garantindose o direito da recorrente de apurar a contribuição PIS com base no faturamento, assim entendido a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviço de qualquer natureza, isto é, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Destarte, resta definir o que seja a soma das receitas oriundas das atividades empresariais. Tenhase presente que o conflito de interesses referese a um ramo peculiar da atividade econômica, o do sistema financeiro. O conceito de instituição financeira está definido no art. 17 da Lei 4.595/1964: Art. 17. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros.(grifouse) Fl. 221DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906299/200975 Acórdão n.º 380101.077 S3TE01 Fl. 27 27 Configurase que as atividades de uma instituição financeira estão relacionadas com a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros, a exemplo de operações de créditos e aplicação em títulos e valores mobiliários. Percebese que as instituições financeiras transferem recursos para os diversos agentes econômicos. Como exemplo típico de uma receita de operação financeira, citase o spread, em regra, a diferença que as instituições financeiras pagam na captação de recursos e o que elas cobram dos clientes. É certo que a natureza dessa receita é operacional e está vinculada à atividade econômica da instituição financeira. A partir destes conceitos, podese inferir que as instituições financeiras têm como atividade principal a intermediação de recursos financeiros. Neste contexto, as receitas oriundas das operações bancárias (receitas operacionais) compõem o faturamento porque estão relacionadas ao exercício do objeto social dessas instituições, nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98. Como bem assentado pelo Ministro Cezar Peluso, a inclusão ou não de eventuais receitas financeiras no conceito de receita bruta tem como variável a atividade empresarial. Assim, as receitas operacionais das instituições financeiras amoldamse ao conceito de faturamento estabelecido no art. 2º e no caput do art. 3º da Lei 9.718/98, de sorte que as aludidas operações caracterizam uma peculiar prestação de serviços de qualquer natureza. Nesta esteira, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007, também adotou o entendimento de que as receitas decorrentes das atividades financeiras integram a base de cálculo das contribuições PIS e Cofins como prestação de serviços. Por oportuno, colacionase alguns trechos do citado Parecer, inclusive a conclusão: “(...) 55. Assim, as operações bancárias consistem em prestação de serviços. Efetivamente, é possível considerar o conjunto da atividade exercida por um banco comercial, para fins tributários (definição da base de cálculo da COFINS) como prestação de serviços. (...) 60. (...) O resultado da atividade de intermediação financeira, apesar de não sujeita à ação de faturar, constituindo ato de comércio e decorrendo da própria atividade negocial da empresa, integra o seu faturamento para os efeitos fiscais de concretizar o fato gerador da COFINS/PIS. 61. O relevante para a norma é a identidade entre a receita bruta operacional e a atividade mercantil desenvolvida nos termos do objeto social da pessoa jurídica. A declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do §1º do art. 3º da Lei 9.718, de 1998, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência da COFINS/PIS como o resultado econômico da atividade empresarial vinculada aos seus objetivos sociais. Ao revés, apenas firmou o entendimento de que Fl. 222DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906299/200975 Acórdão n.º 380101.077 S3TE01 Fl. 28 28 não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência da COFINS/PIS (v.g. Receitas de Capital de locadora de veículos), mas apenas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa, como é o caso das operações bancárias das instituições financeiras.(...) 66. Em face dos argumentos acima expendidos, concluise que: (...) d) o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que ampliou o conceito de receita bruta para abarcar as receitas não operacionais foi considerado inconstitucional pelo STF nos RREE n. 346.084, 357.950, 358.273, 390.840;(...) h) serviços para as instituições financeiras abarcam as receitas advindas da cobrança de tarifas (serviços bancários) e das operações bancárias (intermediação financeira); (...) 66. Têmse, então, que a natureza das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros pode ser classificada como serviços para fins tributários, estando sujeita à incidência das contribuições em causa, na forma dos arts. 2º, 3º, caput e nos §§5º e 6º do mesmo artigo, exceto no que diz respeito ao “plus” contido no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, considerado inconstitucional por meio do Recurso Extraordinário 357.9509/RS e dos demais recursos que foram julgados na mesma assentada.” (grifouse) Convém ressaltar que nas demonstrações de resultado dessas instituições, as questionadas receitas são classificadas como receitas operacionais da atividade financeira, por conseguinte de prestação de serviços nos termos da tese acima esposada. E, mais, cabe acrescentar que o Tribunal Regional Federal da 3ª Região também está consolidando esse entendimento, conforme recentes decisões judiciais, a exemplo do acórdão abaixo: MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE FATURAMENTO. LEI N. 9.718/1998, ART. 3º, § 1º. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITA BRUTA DECORRENTE DO EXERCÍCIO DO OBJETO SOCIAL. REFORMATIO IN PEJUS. NÃO OCORRÊNCIA. 1. (...)2. O Plenário do Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998, por ocasião do julgamento dos Recursos Extraordinários n. 357.950/RS, n. 390.840/MG, n. 358.273/RS e n. 346.084/PR. 3. No caso concreto, a questão vai além da simples declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998. Tratase, também, de definir o alcance do termo "faturamento", base sobre a qual incide o tributo. 4. Quando do julgamento dos Recursos Extraordinários mencionados, a Suprema Corte reconheceu a sinonímia existente entre os termos faturamento e receita bruta, para fins de incidência da COFINS . Entretanto, a realidade alcançada pelos termos citados não se limita simplesmente às operações de venda de mercadorias e de Fl. 223DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906299/200975 Acórdão n.º 380101.077 S3TE01 Fl. 29 29 prestação de serviços, notadamente nos dias atuais, em que as atividades empresariais assumem formas as mais diversas, de modo que, mediante uma interpretação teleológica, o termo faturamento, assim como a receita bruta, abrange a totalidade das receitas decorrentes do exercício do objeto social. 5. Os impetrantes são instituições financeiras, que obtém receitas mediante as atividades de "coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros" (art. 17, da Lei n. 4.595/1964). Neste caso, compõem o seu faturamento todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, não se limitando às operações de venda de mercadoria e de prestação de serviços. 6. Deve ser reconhecida a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998, para que a impetrante possa apurar a COFINS tendo por base de cálculo o faturamento, correspondente à receita bruta decorrente do exercício do objeto social ao qual se dedica. (...)(grifouse) (Processo: 001092848.2005.4.03.6100, eDJF3 Judicial 1 DATA:04/05/2012) Com efeito, o voto vencedor do Desembargador Federal Márcio Moraes entendeu de forma explícita que compõe o faturamento das instituições financeiras todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, conforme excerto abaixo: É certo que, quando do julgamento dos Recursos Extraordinários n. 357.950/RS, 390.840/MG, 358.273/RS e 346.084/PR, a Suprema Corte reconheceu a sinonímia existente entre os termos faturamento e receita bruta, para fins de incidência da COFINS. Entretanto, a realidade alcançada pelos termos citados não se limita simplesmente às operações de venda de mercadorias e de prestação de serviços, notadamente nos dias atuais, em que as atividades empresariais assumem formas as mais diversas, de modo que, mediante uma interpretação teleológica, o termo faturamento, assim como a receita bruta, abrange a totalidade das receitas decorrentes do exercício do objeto social. (...) Nesse caso, compõem o seu faturamento todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, não se limitando às operações de venda de mercadoria e de prestação de serviços.(grifouse) Não é outro o entendimento dos Tribunal Regional Federal 2ª Região, segundo se depreende do acórdão assim ementado: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. PIS E COFINS. ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPENSAÇÃO. I O § 1º do art. 3º da lei nº 9718/98, que Fl. 224DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906299/200975 Acórdão n.º 380101.077 S3TE01 Fl. 30 30 alterou a base de cálculo da COFINS e do PIS, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. II As instituições financeiras devem recolher o PIS e a Cofins incidentes sobre seu faturamento, este entendido como a receita bruta oriunda do desenvolvimento de suas atividades empresariais. Apenas a eventual incidência dessas contribuições sobre receitas nãooperacionais é que será indevida, ensejando a compensação dos valores que eventualmente tenham sido recolhidos a esse título. III – Embargos de declaração parcialmente providos. (Processo: 2005.51.01.0117643 , E DJF2R Data:04/04/2011) (grifouse) Assinalese, também, que este entendimento está em consonância com os princípios constitucionais da capacidade contributiva, que se aplica as diversas espécies tributárias, e universalidade do custeio da seguridade social. É indubitável a capacidade econômica das instituições financeiras, portanto devem suportar a incidência da contribuição PIS sobre suas receitas operacionais. De outro giro, o financiamento da seguridade social por toda a sociedade, esteado no princípio da solidariedade, não autoriza a exclusão das aludidas receitas da tributação em referência. De modo que em face das razões acima, as receitas operacionais de instituições financeiras são para fins tributários consideradas como prestação de serviços e estão sujeitas a incidência da contribuição PIS. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, não homologando a compensação. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Redator designado Fl. 225DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por EMBALAGENS LIDER S/A.: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis cais, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos ter- - mos do relatOrio e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das SessOes(DF), em 28 de novembro de 1989. '; EREI (A LOP S - PRESIDENTE MAR , 1 :I - RELATORA v.v ' f : f ;J, 3 G/À C .. . ., . .0 epuc-Co- J C SAR GO ?.Ír54 í S CORREA - PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei- ros: JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN, JACINTO DE MEDEIROS CAIWN, WkL- DEVAN ALVES DE OLIVEIRA, ANTONIO DA SILVA CABRAL, BENEDICTO ONOFRE EVANGELISTA, LOURIERDES_FIUZA-DOS_SANTOS, CARLOS' WALBERTO CHAVES .120 SAS e SEBASTIÃO _RODRIGUES CABRAL. Ausentejustificadamente o Cons. LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA 6 • ( t , /' ' SUIVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N o 13727/000.113/87-78 nEcunS0 N r?: RD/102-0.367 ACÓRDA0 NV: CSRF/01-0. 971 M, c0fMENHE: EMBALAGENS LIDER S/A RECORRIDA: SEGUNDA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES INTERESSADA: FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO EMBALAGENS LIDER S/A recorre a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais da decisão prolatada pela Segunda Câmara doPri meiro Conselho de Contribuintes, consubstanciada no Acórdão n9 102-23.318, de 15.08.88. Trata-se de tributação reflexa de outro pr(xEsso ihs taurado contra a mesma contribuinte, na área do imposto de renda- -pessoa jurídica, onde se discutiu omissão de receitas, caracteri- zada por passivo fictício, cujo recurso, também julgado na C. Se- gunda Câmara, em Sessão realizada na mesma data, através do Acór- dão n9 102-23.317, não obteve êxito, sendo, de igual forma, objeto do recurso para esta Câmara Superior. Nestes autos cogita-se da cobrança da contribuição ao Programa de Integração Social - PIS/DEDUÇÃO, correspondente a 5% do imposto de renda anurado, nos termos preconizados no artigo 39, alínea "a", da Lei Complementar n9 07/70 . n 4 , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13727/000.113/87-78 2. AcOrdão n9-CSRF/01-0.971 Mantida a tributação no processo matriz em primei ra instância, igual sorte coube a este litígio naquele grau de jurisdição. O acOrdão recorrido tem a seguinte ementa: "IRPJ - PIS DEDUÇÃO - DECORRÊNCIA - Mantido o lan çamento no processo principal essa decisão se pr5 jeta no processo decorrente determinando igual tr5.- tamento, em homenagem a intima relação de causa -e- efeito." Como razões do recurso, a contribuinte se reporta aos fundamentos apresentados no processo principal (petição de fls. 37). O recurso foi admitido pelo ilustre Presidente da E. Câmara recorrida, nos termos do despacho de fls. 40. Aberto o prazo para oferta das contra-razOes, o Representante da Fazenda Nacional, em tempo hãbil, apresentou_ a petição de fls. 41, requerendo a juntada a titulo de contra-ra- zOes do arrazoado produzido no processo principal, anexo por c6- pia às fls. 42/45. 111 É o relatOrio. 4.! _ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13727/000.113/87-78 3. Acôrdão n9-CSRF/01-0.971 VOTO Conselheira MARIAM SEIF, Relatora Conforme evidenciado no relatOrio, está em causa a exigência da contribuição ao Programa de Integração Social - PIS/DEDUÇÃO, em decorrência de omissão de receita apurada empro cedimento fiscal instaurado contra a pessoa jurídica. Tratando-se de tributação reflexa, o seu suporte fático ê o mesmo que embasou a cobrança procedida contra a pes- soa jurídica, não comportando, por isso mesmo, uma apreciação desvinculada da levada a efeito no processo matriz. Tal fato jus tifica-se pelos fundamentos explicitados em diversos votos pro- feridos nesta instãncia e que encontram-se sintetizados na emen ta a seguir transcrita, consubstanciada no Acórdão n9 101-72.041 /81, prolatado pela C. Primeira Cãmara do primeiro Conselho de Contribuintes: "O decidido no processo da pessoa jurídica, quan to à matéria que, por sua natureza ou decorrên- cia de lei acarrete reflexo na tributação das pes soas físicas ou na fonte, faz coisa julgada nos processos decorrentes, eis que houvesse possibi- lidade de novo pronunciamento sobre os mesmos fa- tos poder-se-iam estabelecer eventuais contradi- tOrios desaconselháveis sob o Ponto de vista so- cial e legal." Como o processo principal foi objeto de delibera ção deste Colegiado, em sessão realizada em 27/11/89, não cabe nestes autos retormar o exame quanto a existência ou insubsis- tência do suporte fático da presente exigência fiscal, uma vez que a matéria já foi examinada na mencionada ocasião. Assim, considerando-se a decisão prolatadanopro SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13727/000.113187-78 4. Acórdão n9-CSRF/01-0.971 cesso principal, formalizada no Acórdão CSRF/01-0.963, de 27/11/ 89, em que a Câmara admitiu o dissídio jurisprudencial argüido pela recorrente e, no mérito, deu provimento ao Recurso Especial n9 RD/102-0.366, por ela apresentado, igual decisão sed.mpOe nes- ta oportunidade, razão porque voto pelo provimento do recursoscb exame. ?") Brasília-DF, em 28 de novembro de 1989. MA7'' S, F RELATORA 1 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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J.L-;'4, , MINISliRIO DA i',CONGMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO PROCESSO N9 10768/025.992/88-93 Sessão de 06 de dezembro de 19 91 ACORDÃO N 42 ,CSRF/01-1. 257 - Recurso n e: RP/105-0.168 Recorrente: FAZENDA NACIONAL Recorrida : QUINTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: CAFÉS FINOS LOJAS FRANCAS LTDA. PIS/DEDUÇÃO - DECORRÊNCIA Subsistindo a tributação relativa a di- ferenças . de IRPJ apuradas em ação fis- cal, igual sorte colhe o feito referen- te ás correlatas diferenças de PIS/DED_ çÃo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de' recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos FiS cais, pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, venci dos os Cons. José Eduardo Rangel de Alckmin (Relator), Waldevan Al- ves de Oliveira, Luiz Alberto Cava Maceira, Carlos Walberto Chaves Rosas, Aquiles Rodrigues de Oliveira e Sebastião Rodrigues Cabral, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Cons. Mârcio Machado Caldeira. S,.._a d... Sess6es-DF, em 06 de dezembro de 1991. MAR -A ;' 4,- ÁrIV - PRESIDENTE . . ,iir-..-c.:::"---,------ ------- M1Mr10 MACHADO CALDE N. - RELATOR DESIGNADe .-- _.),, .• f, -,7 V LUIZ FERNANDO oly_yE,,JRA DE MORAES - PROCURADOR DA FA- ZENDA NACIONAL . / , v.v , DAMEFP/DF- SECOS N q 064/90 . ,.4 ti - Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: JOÃO DIAS NETO, jUAREZ DE MORAIS, MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS e BENE- DICTO ONOFRE EVANGELISTA. i , 4 (111 /.. ..\n ,ÂPOk ‘-'=kNt . .f.' ZkVIÇO 4--) MICO FEDERAL PROCESSO N° 10768/025.992/88-93 RECURSO N9 : RP/105-0.168 ACORDÃO Ne: CSRF/01-1.257 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: QUINTA CÃMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: CAFÉS FINOS LOJAS FRANCAS LTDA. RELATóRI O Cuida-se de recurso interposto conta o Acórdão n9 105-3.085, de 19.10.89, cuja ementa reza: "PIS/DEDUCÃO -• Decorrência - Declarada no processo matriz a improcedência da exigência de imposto que constituia o suporte fãtico do lançamento do PIS, torna insubsistente a cobrança da contribuição nes_ tes autos de ação fiscal decorrente." --, É o relatório. 1.:A )14 lii) .1.14. DAPAEFP/DF- SECOS P4 2 065/90 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N. 10768/025.992/88-93 2. Acórdão n9-CSRF/01-01.257 VOTO VENCEDOR Conselheiro MÃRCIO MACHADO CALDEIRA Relator: O recurso é" tempestivo e, preenchendo os demais requi sitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Trantando-se o presente procedimento fiscal decorren- te do que foi instaurado contra o sujeito passivo, para cobrança do imposto de renda pessoa jurídica, -bambem objeto de recurso, que jUl gado, logrou provimento, igual sorte colhe o recurso da Fazenda Na- cional neste feito, na medida em qqe não há' fatos ou argumentos no- vos a ensejar conclusão diversa. Assim, voto no sentido de dar provimento ao recurso daFazenda Nacional, para reformar a decisão da 5a. Câmara do Primei. ro Conselho de Contribuintes, restabelecendo-se a decisão de primei ro grau. Sala das Sessões-DF, em 06 de dezembro de 1991. MÂJM4ACHADO CALDEIRA - RELATOR DESIGNADO 41% , SERVIÇOPUBLICOFEDERAL PROCESSO N9 10768/025.992/88-93 3. AcOrdão n9-CSRF/01-1.257 , VOTO VENCIDO Conselheiro JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN, Relator Cuida-se de procedimento decorrente, relativo a lançamento de PIS/DEDUÇÃO. No julgamento do processo matriz expondo as consi deraçOes que ou faço anexar ao presente. Com base em tais considerar:6es, nego provimento ao recurso. BraÁília-DF, em 06 de ezembro de 1991. , (_ ,Q: GT).1110P" - 1,L)--- .( Jolvt ED RDO .P..N L DE ALCKMIN - RELATOR p .------ Â4 , , ,,; , ,; Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL, ACORDAM os Membros da Câmara Su perior de RecursosFis- cais, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, venci- dos os Cons. Jose Eduardo Rangel de Alckmin e Lourierdes Fiuza dos Santos. Sala das Sessões(DF), e de jul' n de 1988. URGEL PEREIR A OPE: / - PRE.IDENTE , / CARLOS A GOSTINHO ALÉSSIO OLIVETO - RELATOR /4(4áli MAR 1 ON I O MENE GHET TI - PROCURADOR DA FAZEN DA NACIONAL v.v Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: JACINTO DE NEDEIROS CALMON, WALDEVAN ALVES DE OLIVEIRA, ANTONIO DA SIL VA CABRAL, CARLOS WALBERTO CHAVES ROSAS, LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, BE NEDICTO ONOFRE EVANGELISTA, GERALDO VIEIRA e SEBASTIÃO RODRIGUESCABMI: -~" SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSON9 10530/000.244/87-55 RECURSO N9: RP/10,6=0.032 ACORDAON9: CSRF/01-0.831 RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL SUJEITO PASSIVO: IRINEU RAMOS DE OLIVEIRA RELATÓRIO A Fazenda Nacional por seu procurador junto ã Sexta Câ- mara do Primeiro Conselho de Contribuintes recorre a esta Câmara Supe- rior de Recursos Fiscais, da decisão daquele colegiado consubstanciada no Acórdão n9 106-1.355, de 22/10/87, que DEU provimento ao recurso pa ra admitir a dedução de 60% na cédula "D", nos termos do relatório e voto. O sujeito passivo foi autuado por omissão de rendimento, classificável na cédula "D". (Frete e Carretos). O julgador singular considerou inadmissível a dedução sobre o rendimento omitido. A decisão da Sexta Câmara está- assim sintetizada na e- menta do acórdão recorrido (fls. 25): "IRPF - DEDUÇÃO DE 60% SOBRE RENDIMENTOS DE FRETES E CAR RETOS TRIBUTADOS EM LANÇAMENTO SUPLEMENTAR - Dedução c.a bível quando pleiteada, no montante considerado necessá- rio pela lei, para obtenção do respectivo rendimento, — independentemente de comprovação (§ 29 do_art. 48, do RIR/80). - Recurso provido."ak /), nnu. _ SERVICO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10530/000.244/87-55 2. Acórdão n9-CSRF/01-0.831 Tendo tomado vista do acórdão em 19/11/87, o ilustre representante da Fazenda Nacional, interpõs, em 23/11/87, o recurso de fls. 29/32. No recurso apresentado, o Procurador da Fazenda Na- cional pleiteia a reforma do "decisum" recorrido, apresentando as seguintes razões: "Data máxima venha, a decisão colegiada não me- rece, prosperar conquanto fundamentada em entendimen to contrário à correta interpretação da Lei tributá- ria de regência e mesmo a reiteradas decisões dessa Egrégia Câmara Superior, merecendo destacar, pela sua adequação ao caso em exame, o Acórdão no CSRF/01-0.760, adotado em Sessão de 28 de agosto de 1987, verbis:_ "LANÇAMENTO DE OFICIO - INCABÍVEL DEDUÇÕES E ABATIMENTOS - As deduções e abatimentos são atos de iniciativa do contribuinte e sua concessão se vincula a espontaneidade em oferecer a tributa- ção os rendimentos a que se vinculam, razão por que não são admissíveis quando pleiteadas após lançamento de ofício. Recurso especial provido." Transcreve, ainda, trechos do Acórdão no CSRF/01-0.744, da lavra do ilustre Conselheiro Dr. Jacinto de Medei_ ros Calmon. Cientificada da interposição do recurso, a contri_ buinte apresentou as contra-razões de fls. 35/37, em defesa da manu_ tenção da decisão recorrida. É o relatório fr b ) \ " __ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10530/000.244/87-55 3. Acórdão n9-CSRF/01-0.831 VOTO_ Conselheiro CARLOS AGOSTINHO ALÉSSIO OLIVETO, relator A controvérsia a ser examinada limita-se a saber se é ou não admissivel a dedução cedular de 60% (sessenta por cento)so bre rendimentos da prestação de serviços de fretes e carretos, ape- sar de sua omissão na Declaração de Rendimentos. A jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fis- cais é pacífica no sentido de que não é cabível a dedução. Peço permissão para transcrever trechos do Acórdão n9 CSRF/01-0.744, de 19/06/87, do ilustre Conselheiro Dr. Jacinto de Medeiros Calmon, que, analisando caso semelhante, assim se mani- festou: "Trata-se de dedução e abatimentos pleiteados na fase de impugnação, após notificação de lançamen- to de ofício contra contribuinte que não apresentou declaração de rendimentos relativa ao exercício fi- nanceiro de 1983. A ementa da decisão recorrida afirma que "a tri butação, no caso de omissão de rendimentos, deve sei: feita com base na renda líquida, conforme determina o artigo 89 do Decreto n9 85.450/80". Na verdade, o artigo 89 do RIR/80 fixa norma ge ral para cálculo do imposto sobre a renda, explici- tando que a apuração será feita mediante a aplicação de aliquotas progressivas sobre a renda líquida. Dai a inferir-se que a tributação no caso de rendimentos omitidos deve ser feita dom deduções e abatimentos vai efetivamente uma grande distância. O artigo 89 é uma norma de cálculo do impostode renda, e não um princípio geral de tributação. Ao contrário, a sistemática tributária, no que concerne ao imposto sobre a renda, estabelece direi- tos e opções que se vinculam *à espontaneidade da de- claração de rendimentos.À. //2-) SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10530/000.244/87-55 4. Acórdão n9-CSRF/01-0.831 Na tributação do imposto de renda inexistem, por tanto, deduções obrigatórias. Por serem presumidamen te despesas necessárias ã percepção dos rendimentos, cabe ao contribuinte pleiteá-las espontaneamente, na medida em que, também, declarar espontaneamente os rendimentos que as justificam. Deduções e abatimentos, como já assinalado nos Acórdãos desta Câmara Superior - CSRF 01.507, de 19 de abril de 1985, e CSRF 01-0707, de 14 de novembro de 1986, "são faculdades pessoais, que só podem ser exercidas, pelo contribuinte em sua declaração de rendimentos, razão por que a legislação fiscal, como ocorre nos artigos 42 e 68 do RIR/80, dá a tais des- contos caráter opcional através das expressões "pode rão ser deduzidas", ou "será permitido efetuaros abati_ mentos." Por outro lado, não é verdadeira a assertiva da decisão recorrida de que "inexiste norma legal impe- dindo a aceitação pelo fisco das deduções e abatimen tos regulares (sic), simplesmente pela falta de es- pontaneidade ao serem pleiteados", especialmente se, como sustenta a decisão," a questão for entendida dentro do contexto tributário como um todo". Basta- ria citar a cristalina e insofismável determinação do Código Tributário Nacional em seu artigo 147, 19, reproduzido no artigo 616, caput, do RIR/80, que proíbe a retificação da declara -ç-ão por iniciativa do próprio declarante, depois de notificado do lançamen to ou do início do processo de lançamento de oficio:- E para que não pairem dúvidas de que nessa proi bição se incluem as deduções não pleiteadas na declã - ração, o parágrafo único do mencionado artigo 616,e5" clui da proibição do "caput" as deduções e abatimen- tos relativos a rendimentos que o contribuinte espon taneamente venha a oferecer a tributação, depois de notificado, o que, "a contrario sensu", significa,ob viamente, a impossibilidade de pleitear deduções e abatimentos sobre rendimentos não declarados esponta neamente. Aliás, este tem sido o entendimento reiterado desta Câmara Superior, não só nos Acórdãos já cita- dos, como também nos Acórdãos 01/0.129, de 14 de ja- neiro de 1981, 01/0.465, de 27 de agosto de 1984, 01/0.638, de 11 de abril de 1986. Da mesma forma, assim tem sido a iterativa ju- risprudência do 19 Conselho de Contribuintes, como se vê, entre outros, nos Acórdãos 102-18.373/81,102- -19.543/82, 102-19.665/82, 104-2.966/82, 104-5.022/85." , 119 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10530/000.244/87-55 5. Acórdão n9-CSRF/01-0.831 No mesmo sentido, os Acórdãos n9s CSRF 01/0.707, do mesmo ilustre presidente da 2Q. Câmara do 19 Conselho,eCSRF 01/0.760, da lavra do douto Conselheiro, Dr. Waldevan Alves de Oliveira. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos cons ta, voto no sentido de DAR provimento 4o recurso .a Fazenda Nacio nal. Brasília (DF) 29 de/ul de 1988. 1 , I CARLOS AG* INHO ALÉSSIO OLIVETO -RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 00008.450622/94-74
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WEF Sessãode29 de setenbrodA1981 ACORDÃON 0-CSRF/03-0.566 Recurso n° RP/303-0.389 Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrido TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo: SANBRA - SOCIEDADE ALGODOEIRA DO NORDESTE BRASILEI- RO S.A. INFRAÇÃO DE NATUREZA CAMBIAL: divergên cia verificada entre a mercadoria licen ciada e submetida a despacho (azeite- de oliva, em bruto, de primeira prensa gem, do item tarifário 15.07.04.01) e -à.- efetivamente importada (azeite de oliva purificado ou refinado, pronto para con sumo,do item 15.07.04.02). Caracterizado e comprovado o desacordo da mercadoria importada com a especifi cada no documento cambial, configura-se- a infração penalizada no art. 60, inci so I, da Lei n9 3.244/57 (na redação d -ã- da pelo art. 169 do Decreto-lei n9 377 66), independentemente da circunstân- cia, atestada pela Cacex, de ser o pre ço ou valor declarado na Guia de Impor tação valido para ambos os produtos, o que apenas afasta a hipótese da infra ção prevista no inciso II do supracitã-_ do art. 60. Procedimento administrativo instaurado antes do advento da Lei n9 6.562, de 18.09.78: fica sujeito ao regime legal anterior, por expressa ressalva de seu art. 69. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos/ Fiscais, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso especial!.(-) 4/ _ ..„. v. verso. Vencidos os Conselheiros Sebastião Rodrigues Cabral, Francisco Mar tins Leite Cavalcante, Hindemburgo Dobal Teixeira e Luiz Carlos No gueira. 14 Sala das S- /.es/ DF), em 29 de setembro de 1981 11, AMADOR O 4 L WO, F •NANDEZ PRESIDENTE ° Eo Alio* DA 4/V r.n RELATOR / PAY 4111( ADHEMI So,, BASTO DE ARVALHO PROCURADOR DA FA ZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do preserve j lgamento, os seguintes Conse- lheiros: PAULO DE ALMEIDA e •Á ND FO HENRIQUE DE SOUZA NETO. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N. 0845/062.294/74 RECURSO w°, RP/303-0.389 AcóRtgo CSRF/03-0.566 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL Recorrido: TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo: SANBRA - SOCIEDADE ALGODOEIRA DO NORDESTE BRASI- LEIRO S.A. RELATÓRIO A Fazenda Nacional, por seu Procurador junto à Terceira Câmara do Egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes, pleiteia a reforma do AcOrdão n9 20.678, de 27.04.81 (fls.46/49), daquele Colegiado, que deu provimento, por maioria de votos, ao recurso interposto por empresa importadora, da decisão de fls. 32/34, do Sr. Superintendente Regional da Receita Federal em São Paulo (8a. Região), que, em grau de recurso "ex-officio", restabe leceu o credito exonerado pela decisão de fls. 28/30, do Sr. Dele gado da Receita Federal em São Paulo. Os fundamentos do AcOrdão recorrido vêm assim re sumidos na respectiva ementa: "INFRAÇÃO CAMBIAL - Penalidade do art. 169 do DL 37/66. Divergencia entre o produto descrito na G.I. e aquele examinado pela fiscalização. Desca be a exigência de multa por falta de Guia de lm portação, jà que a Cacex informa que o documento acoberta a mercadoria em questão. Recurso provido por maioria". Adoto o relatOrio do referido Aceirdão no 20.678/ 81, da lavra da ilustre Con - . heira Enila Leite de Freitas Cha- gas, a seguir transcrito: D M F - RJ/1.° C - C - Secgraf - 1600/75 2. SER VIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0845/062.294/74 Acórdão n9-CSRF/03-0.566 "SANBRA - SOCIEDADE ALGODOEIRA DO NORDESTE BRASILEIRO S/A. submeteu a despacho, através da D.I. n9 139.110/74, sob o regime da ALALC, uma partida de azeite de oliva em bruto, virgem, de primeira prensagem, gráu de acidez 2% no máximo. Em ato de conferência física da mercadoria, foi solicitado laudo técnico (f is. 8) que decla rou tratar-se de óleo puro de oliva, purificado ou refinado, com acidez de 1.35%. Por entender que o produto examinado gia do licenciado, já que a G.I. de fls. 4 consig nava "azeite de oliva, em bruto, virgem, de pri- meira prensagem, grau de acidez 2% no máximo", foi lavrado A.I. impondo ã empresa a penalidaàedo art. 169 do DL n9 37/66. O procedimento fiscal da ta de 1974. A autuada defendeu-se alegando que o art. 60 da Lei n9 3.244/57, com a redação do dispositivo citado, pune as infrações sem licença ou de sub ou superfaturamento, o que não ocorreu na espé- cie, já que não ocorreu a divergência apontada pe la Fiscalização. Nesse sentido trouxe carta do ex portador, esclarecendo que o azeite foi produzid -o- sob pressão, sem a mistura de qualquer produto químico. Aduziu ainda que a CACEX, indagada pela Fiscalização a respeito do assunto, informou, a fls. 10, que a Guia de Importação em questão aco bertava o produto também quando purificado. Esses fundamentos foram acolhidos pela infor mação fiscal de fls. 26/27. A autoridade singu- lar, em decisão que leio de inteiro teor, deferiu a impugnação, recorrendo de oficio ã SRRF- 8a. Re gião Fiscal. A autoridade recorrida, considerando que qual quer divergência entre a descrição do produto na guia de importação e aquele efetivamente chegado ao pais configura uma importação sem licença, res tabeleceu a exigência fiscal. Com guarda de prazo, o importador recorre a este Colegiado. Leio em Sessão a peça recurseiria, que apenas renova os argumentos já expendidos an teriormente. O recurso especial da Fazenda pede o restabeleci mento da decisão do Sr. Superintendente Regional, salientando: a)que a fiscalização constatou, em ato de confe rância física da mercadoria importada e com base em laudo técnico do Laboratório de Análises, que se trata'. de "azeite purificado ou refinado, pronto para o consumo"; ////' , 3. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0845/062.294/74 , AcOrdão n9-CSRF/03-0.566 b) que a decisão da autoridade de primeira instãn cia deu precedência às informaçOes da importadora, relegando o laudo técnico, que não fora invalidado e deverá', pois, permane- cer; c) que ao importador é facultado obter da Cacex aditivo de regularização à G.I. em tempo hábil; d) que a Cacex licenciou a importação de "azeite de oliva em bruto", e foi importado "azeite de oliva purificado ou refinado, pronto para consumo"; e e) que, alem do preço da mercadoria, devem ser observados outros dados consignados na G.I., como elementos im- prescindíveis ao desembaraço aduaneiro. O Suje o passivo, regularmente cientificado, não IL ofereceu contra-raz8e Ah ut É o re,1 Orlo. .51P/7 , 4. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0845/062.294/74 Acórdão n9-CSRF/03-0.566 VOTO Conselheiro EDWALDO REIS DA SILVA, Relator: Ressalte-se, de início, que, tendo em vista o dis posto no art. 69 da Lei n9 6.562, de 18.09.78, deverá o presente processo ser apreciado ã luz das disposições do art. 60 da Lei n9 3.244/57, na redação que lhe deu o art. 169 do Decretó-lei n9 37/ 66. Do exame dos autos se constata que a infração im putada ã importadora e interessada foi a prevista no inciso I do mencionado art. 60, cujo inteiro teor é o seguinte: "Art. 60. As infrações de natureza cambial, apuradas pela repartição aduaneira, serão punidas com: "I - Multa de 100% (cem por cento) do respec tivo valor, no caso de mercadoria importada sem li cença de importação ou sem o cumprimento de outro qualquer requisito de controle cambial em que se exija o pagamento ou depósito de sobretaxas, quan do sua importação estiver sujeita a tais requisi tos; "II - Multa de 100% (cem por cento) do valor da fraude, nos casos de sub ou superfaturamento ou qualquer outra modalidade de fraude cambial na im portação". No caso, apurou a fiscalização aduaneira, em ato de conferencia física e com base em laudo técnico emitido por Or gão competente-não contestado por outra qualquer prova hábil - que a mercadoria licenciada pelo órgão controlador das importações e submetida a despacho era "azeite de oliva, em bruto, de primeira prensagem", do item tarifário 15.07.04.01, sendo,entretanto, efeti vamente importado "azeite de oliva purificado ou refinado, pronto para consumo", do item 15.07.04.02). Ora, caracterizada e comprovada a divergência ou desacordo da mercadoria importada com a especificada no documento' cambial, configura-se, sem dúvida, a infração prevista e penaliza da no inciso 1 ao art. 60 da Lei n9 3.24 n 57, com a redação dada pelo art. 169 do Decreto-lei n9 37/66. 1. , 5. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0845/062.294/74 Acórdão n9-CSRF/03-0.566 A circunstância, atestada aliás pela Cacex, de ser o preço, ou valor declarado na Guia de Importação válido para ambos os produtos, a nosso ver apenas afasta a hipótese de fraude, pre vista no inciso II do supracitado art. 60. Importa salientar,ainda, que a Cacex, consultada pelo orgão preparador, não se manifestou quanto à regularidade ou não do licenciamento cambial do produto importado, que, neste pra cesso, constitui a única matéria a decidir. /1 Isto posto, dou provimento ao recurso especiaÁc, Brasilia - DF., em 29 de setembro de 1981. ALDO REI/S DiA SI. , A RELATOR. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 15578.000207/2007-00
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2006
AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. CONTEÚDO.
O conteúdo da coisa julgada é o provimento jurisdicional contido na parte dispositiva da decisão definitiva. Embora a lei processual civil determine que o provimento jurisdicional deva circunscrever-se àquilo que foi requerido pelo autor da ação em sua petição inicial (limites objetivos da lide), o fato é que, acaso uma decisão judicial seja proferida de forma ultra ou extra petita, e a parte interessada não interpuser o recurso adequado a fim de anulá-la, o conteúdo da coisa julgada será o provimento jurisdicional contido na parte dispositiva dessa decisão definitiva, ainda que tenha transposto os limites objetivos da lide.
Numero da decisão: 1201-000.738
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para homologar a compensação relativa ao beneficio da redução do imposto com base no lucro da exploração, até 13/07/2007, data em que sobreveio a decisão definitiva que afastou o beneficio e, pelo voto de qualidade, em não homologar a compensação do crédito apurado em virtude da correção monetária da depreciação, amortização e baixa do ativo permanente. Vencidos os conselheiros João Carlos de Lima Junior (relator), Rafael Correia Fuso e Plínio Rodrigues Lima. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Cuba Netto.
(documento assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente
(documento assinado digitalmente)
João Carlos de Lima Junior - Relator
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Plínio Rodrigues Lima (suplente convocado), Marcelo Cuba Netto, Manoel Mota Fonseca (suplente convocado) e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2006 AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. CONTEÚDO. O conteúdo da coisa julgada é o provimento jurisdicional contido na parte dispositiva da decisão definitiva. Embora a lei processual civil determine que o provimento jurisdicional deva circunscrever-se àquilo que foi requerido pelo autor da ação em sua petição inicial (limites objetivos da lide), o fato é que, acaso uma decisão judicial seja proferida de forma ultra ou extra petita, e a parte interessada não interpuser o recurso adequado a fim de anulá-la, o conteúdo da coisa julgada será o provimento jurisdicional contido na parte dispositiva dessa decisão definitiva, ainda que tenha transposto os limites objetivos da lide.
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COISA JULGADA. CONTEÚDO. O conteúdo da coisa julgada é o provimento jurisdicional contido na parte dispositiva da decisão definitiva. Embora a lei processual civil determine que o provimento jurisdicional “deva” circunscreverse àquilo que foi requerido pelo autor da ação em sua petição inicial (limites objetivos da lide), o fato é que, acaso uma decisão judicial seja proferida de forma ultra ou extra petita, e a parte interessada não interpuser o recurso adequado a fim de anulála, o conteúdo da coisa julgada será o provimento jurisdicional contido na parte dispositiva dessa decisão definitiva, ainda que tenha transposto os limites objetivos da lide. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para homologar a compensação relativa ao beneficio da redução do imposto com base no lucro da exploração, até 13/07/2007, data em que sobreveio a decisão definitiva que afastou o beneficio e, pelo voto de qualidade, em não homologar a compensação do crédito apurado em virtude da correção monetária da depreciação, amortização e baixa do ativo permanente. Vencidos os conselheiros João Carlos de Lima Junior (relator), Rafael Correia Fuso e Plínio Rodrigues Lima. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Cuba Netto. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz – Presidente (documento assinado digitalmente) João Carlos de Lima Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 02 07 /2 00 7- 00 Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000207/200700 Acórdão n.º 1201000.738 S1‐C2T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Plínio Rodrigues Lima (suplente convocado), Marcelo Cuba Netto, Manoel Mota Fonseca (suplente convocado) e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de pedido de compensação – PER/DCOMP, decorrente de saldo negativo de imposto de renda dos anos calendário de 2001, 2003 e 2006 totalizando um valor de R$ 18.778.593,15 (dezoito milhões, setecentos e setenta e oito mil, quinhentos e noventa e três reais e quinze centavos), com o fim de compensar débitos de IRPJ e CSLL, do terceiro trimestre de 2003 ao 1º trimestre de 2007. Após a análise de toda a documentação, a fiscalização constatou que a empresa impetrou Mandado de Segurança preventivo em 14/02/1995, (fls. 61 a 85), para que lhe fosse assegurado o direito de continuar excluindo os prejuízos fiscais e a base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro, acumulados até 31/12/1994, por ocasião da apuração dos resultados referentes ao períodobase, encerrado em janeiro de 1.995, e demais períodos subsequentes, até que ocorresse a compensação total dos referidos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro. Requereu que lhe fosse concedida a segurança definitiva para o fim de ter assegurado seu direito líquido e certo de proceder à compensação dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa acumulados até 31/12/1994, sem a limitação de 30% do lucro líquido ajustado, alegando flagrante inconstitucionalidade da restrição mantida nos artigos 42, 58 e 95 da Medida Provisória n° 812/94, convertida na Lei n° 8981/95. O pedido de liminar foi deferido em 1º instância, conforme sentença as fls. 86 a 93. Após a apelação da Procuradoria da Fazenda Nacional, o processo foi julgado pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região em 21/03/2001. O acórdão deu provimento à apelação e à remessa, limitando em 30% a compensação do lucro de um exercício fiscal com os prejuízos dos exercícios anteriores, conforme documento às fls. 94 a 97. A Companhia Siderúrgica de Tubarão opôs embargos de declaração e o Tribunal Regional Federal da 2ª Região negou provimento aos embargos em 15/05/2002 (fls. 98 a 100). A empresa interpôs recurso Especial e Extraordinário e ambos os recursos foram admitidos (fl. 101). Em 19/10/2005, o Superior Tribunal de Justiça STJ decidiu no sentido de inexistir ilegalidade nas limitações impostas à compensação dos prejuízos fiscais, no tocante ao imposto de Renda Pessoa jurídica e à Contribuição Social sobre o Lucro, conforme documento as fls. 102 a 110. O recurso extraordinário não foi decidido, conforme documento as fls. 111 e 112. Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000207/200700 Acórdão n.º 1201000.738 S1‐C2T1 Fl. 4 3 Paralelamente ao Mandado de Segurança a contribuinte impetrou Ação Cautelar para atribuir efeito suspensivo aos recursos Especial e Extraordinário interpostos. Após todos os trâmites legais o STJ julgou prejudicada a medida cautelar por perda de objeto, em razão do julgamento definitivo do recurso (fls. 118 a 120), sendo que o STF concedeu efeito suspensivo ao recurso Extraordinário em 25/12/2005 (fls. 121). Após essas constatações, a fiscalização entendeu que o efeito suspensivo ao mandado de segurança, no qual a intimada discute o limite de 30% para a compensação de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro, não autoriza o contribuinte a utilizar créditos oriundos da não aplicação deste limite. Também ficou constatado pela fiscalização que em 13 de março de 1995 a recorrente interpôs a Ação Ordinária nº 950087464 requerendo o direito de deduzir fiscalmente as despesas de depreciação, amortização e baixas, computandose a variação de 70,28%, referente ao IPC de janeiro de 1989, substituindose a OTN de NCrz$ 6,92 pela NCz$ 10,51 na base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social, como ajuste de exercícios anteriores, ou ainda, como pedido sucessivo, compensar o imposto pago indevidamente nos últimos 5 anos, em função do expurgo ocorrido na formação da despesa de depreciação, amortização e baixas, com os efeitos decorrentes de correção de prejuízos fiscais. Após contestação da procuradoria (fls. 205 a 219), o pedido da Companhia foi julgado improcedente em 1º instância (fls. 220 a 234). A Autora apresentou embargos de declaração (fls.235 a 240), os quais foram rejeitados em 18/11/1998 (fls.241 e 242). Em recurso de apelação (fls. 243 a 264), a empresa solicitou que fosse reformada a sentença de 1º grau, determinandose a aplicação dos índices do IPC expurgados pelo plano Verão, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. A União apresentou contrarrazões à apelação (fls. 265 a 277) e, em 06/02/2002, foi proferido acórdão do Tribunal Regional da 1º Região (fls. 278 a 286), no sentido de que as demonstrações financeiras de 1990, anobase 1989, devem ser corrigidas de acordo com o IPC de janeiro de 1989, em 42,72%. Após diversos trâmites processuais – Embargos de Declarações, Apelação, Agravos realizados tanto pela empresa, quanto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, a matéria foi apreciada pelo Superior Tribunal de Justiça (fls. 355 a 359) o qual manteve o IPC de 42,72% para janeiro de 1989 e acrescentou o IPC de 10,14% para o mês de fevereiro de 1989. O processo transitou em julgado dia 01/04/2005 (fls. 383 e 384). De posse dessas informações, a fiscalização concluiu que os cálculos apresentados pelo contribuinte divergem do acórdão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, proferido em 06/02/2002 (fls.278 a 286) e do acórdão do Superior Tribunal de Justiça (fls.355 a 359). Os cálculos demonstram o ajuste que o Ativo Permanente teria com a aplicação do diferencial de correção monetária de balanço (IPC de janeiro e fevereiro de 1989), no percentual de 51,72% e consideram que esta correção monetária gerou despesas com depreciação do ativo a serem utilizados em exercícios posteriores, pois a empresa Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000207/200700 Acórdão n.º 1201000.738 S1‐C2T1 Fl. 5 4 supostamente levantou base de cálculo do IRPJ e da CSLL a maior a partir do anocalendário de 1989. A fiscalização afirma que estes cálculos não estariam de acordo com a petição inicial da empresa, pois levaria em consideração apenas o expurgo ocorrido na formação da despesa de depreciação, amortização e baixas do Ativo Permanente (fls. 169 a 204). A correção monetária do Ativo Permanente gera receita passível de tributação. A correção da formação das despesas de depreciação, amortização e baixas diminui o lucro operacional líquido, conforme as normas básicas de correção monetária. Em consequência disso, entendeu a fiscalização que a empresa não tem o direito de excluir da base de cálculo os valores abaixo descriminados: Ano base/Trimestre Tributo Valor glosado 2006‐1 IRPJ 51.584.080,57 2006‐2 IRPJ 43.308.737,70 2006‐3 IRPJ 19.348.892,40 2006‐4 IRPJ 16.470.647,05 TOTAL 130.712.357,72 Continuando com a fiscalização, também ficou constatado que a empresa pleiteou em 27/05/2003, através do processo administrativo nº 13770.000305/200301 (fls. 525), o reconhecimento do direito à redução do Imposto de Renda e adicionais apurado sobre o lucro de exploração, em razão de possuir projeto aprovado e enquadrado em setor da economia considerado prioritário para desenvolvimento regional, na área de atuação da extinta SUDENE. Em 31/07/2003 foi publicado o despacho decisório fundamentando o parecer SEORT nº 1007/2003, reconhecendo o direito de a empresa usufruir o benefício da redução do IRPJ e adicionais. Ocorre que, a Consultoria Jurídica do Ministério da Integração publicou o Parecer nº 1.756/2003 no dia 08/12/2003 no sentido de que fosse cancelada a concessão do benefício, tendo em vista que os empreendimentos realizados estão localizados fora da área de atuação da extinta SUDENE. O despacho decisório 342/2004, acatando a orientação do parecer 1.756/2003, foi publicado em 05/03/2004, sendo a empresa intimada da decisão no dia 12/03/2004, tomando conhecimento do prazo de 10 dias para manifestarse. A empresa, além de se manifestar administrativamente, apresentou a liminar obtida através mandado de segurança nº 2004.50.01.0044189 que cancela o Parecer SEORT nº 342/2004 que revogava o benefício, obrigando à Administração dar normal prosseguimento ao processo administrativo. Após todos os trâmites administrativos a Delegacia da Receita Federal de julgamento (fls. 663 a 679) publicou em 13/07/2007 sua decisão através do Parecer SEORT 714/2007 determinando o cancelamento do despacho Decisório resultante do Parecer SEORT n° 1.007/2003, o que implica o não reconhecimento do direito da interessada à redução do IRPJ pleiteado, produzindo efeitos extunc. Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000207/200700 Acórdão n.º 1201000.738 S1‐C2T1 Fl. 6 5 Em 10/09/2007 a Interessada interpôs Embargos de Declaração contra o despacho decisório do parecer SEORT 714/2007, os quais são recebidos como impugnação. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade ao Despacho Decisório que aprovou o parecer SEORT 714/2007. Em 04/12/2007 a DRJ proferiu a sua decisão no processo administrativo nº 13770.000305/200301, indeferindo o pleito da empresa, mantendo o decidido no Parecer SEORT 714/2007. Portanto, com relação a este ponto, a fiscalização concluiu que do Parecer SEORT nº 714, de 13/07/2007 (fls. 663 a 679) e da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 743 a 753) extraise que a Interessada não tem o direito à redução do imposto de renda e adicionais apurado sobre o lucro da exploração, sendo que isto implicou o não reconhecimento, retroativo, do direito à redução do imposto de renda e adicionais não restituíveis apurado sobre o lucro da exploração. Ademais, a fiscalização entendeu que o contribuinte não comprovou o pagamento de imposto por estimativa, tendo em vista que somente R$ 68.916,12 foram pagos e confessados em DCTF do ano calendário de 2003. E, dada a glosa da redução de imposto decorrente da localização de estabelecimentos fora da área de atuação da extinta SUDENE, o contribuinte deixou de recolher o IRPJ sobre a base estimada. Por todo o exposto, a fiscalização homologou parcialmente o pedido de compensação, reconhecendo o direito no valor de R$ 8.134.403,11(oito milhões cento e trinta e quatro mil, quatrocentos e três reais e onze centavos), conforme demonstrativo abaixo: Ano Base/Trimestre Tributo Valor Solicitado ‐ Saldo Negativo Valor do Saldo Negativo homologado 2001 IRPJ 1.795.169,27 1.761.301,64 2002 IRPJ 24.197,55 13.541,62 2003 IRPJ 549.143,93 ‐ 2006‐1 IRPJ 1.844.083,12 ‐ 2006‐2 IRPJ 2.655.437,58 ‐ 2006‐3 IRPJ 4.892.818,71 ‐ 2006‐4 IRPJ 7.017.742,99 6.359.559,85 Total 18.778.539,15 8.134.403,11 A empresa Recorrente apresentou sua manifestação de inconformidade (fls.124 a 229) alegando, em suma, que: Inicialmente, requereu a conexão do presente com o processo administrativo de compensação n.° 15578.000206/200757 (CSLL), e ainda com os processos administrativos decorrente dos autos de infração de IRPJ e CSLL (PAs n.°s 15578.000406/200718 e 15578.000407/200754), em virtude da identidade das matérias a serem apreciadas pelo órgão julgador e a necessidade de se evitar sentenças divergentes. Com relação às exclusões das despesas decorrentes de correção monetária das contas de depreciação, amortização e baixas do ativo permanente, informa que as exclusões efetuadas encontramse absolutamente de acordo com os termos da norma individual Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000207/200700 Acórdão n.º 1201000.738 S1‐C2T1 Fl. 7 6 concretizada pelo pedido julgado procedente nos autos da Ação Ordinária 95.0087464 e, portanto, os índices reconhecidos como expurgados por decisão transitada em julgado devem ser aplicados sobre as realizações do ativo permanente (depreciações, amortizações e baixas) e sobre os saldos da parte B do LALUR. Discorre que a Recorrente não poderia ter obtido decisão diferente da relatada acima simplesmente porque o Judiciário não foi provocado de forma distinta. A Recorrente pediu em juízo que a aplicação do índice expurgado do IPC/89 lhe autorizasse a: "deduzir fiscalmente as despesas de depreciação, amortização e baixas, computandose a variação do IPC de janeiro de 1989 de 70,28%, substituindose a OTN de NCz$ 6,92 pela NCz$ 10,51, a qual espelha a inflação real do período, ou outro índice que V.Exa. julgar adequado, na base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social, como se fosse ajuste de exercícios anteriores, com todos os efeitos daí decorrentes, tais como a compensação de prejuízos fiscais," Alega a recorrente que os arts. 128, 460 e 468 do Código de Processo Civil, espelham a regra da congruência (ou correlação) entre pedido e sentença, fixando os limites da lide e da causa de pedir na petição inicial (art. 128) e o juiz decide de acordo com esse limite. É nos limites do pedido, portanto, que se forma a coisa julgada. Por essa razão, não é válida a atribuição de autoridade que vá além dos limites da lide posta e decidida, como pretende a fiscalização. Ademais, a Recorrente afirma que a análise das normas fiscais demonstra que, num contexto inflacionário, a única forma de se preservar o valor real dos elementos patrimoniais era a utilização dos procedimentos de correção monetária de balanço. Para isso, determinavase que os ativos e passivos nãomonetários (ativo permanente e patrimônio líquido) fossem corrigidos por índices que espelhassem a real inflação do período. Segundo a recorrente, a DRJ/RJOI concordou que o saldo líquido da correção monetária do ativo permanente e do patrimônio líquido era, em situações normais, lançado em conta de resultado do exercício e se o resultado líquido destes ajustes fosse positivo (credor), a tributação deste "ganho inflacionário" era diferida na medida da realização dos itens do ativo permanente. Por outro lado, se o resultado líquido fosse negativo (devedor), era autorizada a dedução fiscal integral e automática desta "perda inflacionária". Afirmou que, ainda que fosse admitida a aplicação da norma geral em detrimento da norma individual concreta decorrente da coisa julgada, há outra previsão legal do sistema de correção monetária de balanço que as autoridades fiscais simplesmente ignoraram na aplicação das supostas normas gerais. Conforme se verifica através das normas contábeis e fiscais de correção monetária de balanço, todo o ativo permanente era obrigatoriamente corrigido. Portanto, as futuras realizações deste saldo do ativo permanente devidamente atualizado produziam efeitos no resultado dos exercícios seguintes através das despesas de depreciação, amortização e baixas que são, sem sombra de dúvida, custos ou despesas operacionais plenamente dedutíveis na apuração do lucro real e da contribuição social sobre o lucro. Isso significa dizer que, se por um lado o saldo líquido da correção monetária do ativo permanente (ativo) e do patrimônio líquido (passivo) gerava "ganhos" (saldo líquido credor) ou "perdas" (saldo líquido devedor), sempre, em toda e qualquer hipótese, Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000207/200700 Acórdão n.º 1201000.738 S1‐C2T1 Fl. 8 7 independente deste saldo líquido, era garantida a dedução fiscal do efeito da correção monetária através da depreciação, amortização e baixas do ativo permanente nos exercícios financeiros subsequentes. Assim, mesmo que fosse correta a aplicação das normas gerais de correção monetária de balanço em detrimento da decisão transitada em julgado, o que a Recorrente afirmou admitir apenas para confirmar os equívocos da decisão recorrida, a diferença de correção monetária decorrente da aplicação dos índices expurgados sobre os elementos do ativo permanente existente em 31.12.1988 assegurariam à Recorrente o irrefutável direito à dedução das parcelas de depreciação, amortização e baixas. Demonstra a Recorrente que a Delegacia de Julgamento não pode simplesmente negar exclusões efetuadas pela Recorrente por entender que haveria um suposto crédito tributário decorrente de saldo credor de correção monetária de balanço que sequer poderia ser exigido em função da decadência. Afirma, ainda, que se realmente fossem apurados ganhos tributáveis decorrentes do saldo líquido credor de correção monetária de balanço, jamais deveriam ser negadas ou não reconhecidas as exclusões realizadas, pois, tratamse de reflexos distintos da correção monetária das demonstrações financeiras e o reflexo que importa ao caso concreto é o direito à depreciação, amortização e baixas do ativo permanente integralmente corrigido. As autoridades fiscais poderiam ter apontado os supostos ganhos inflacionários e aplicado a legislação vigente à época dos fatos geradores para apurar eventual crédito tributário decorrente do diferimento do "lucro inflacionário", sem jamais impedir as deduções dos exercícios seguintes que a própria lei de regência autorizava aos contribuintes. Por fim, atesta que, tecnicamente, se a fiscalização tivesse observado as normas contábeis e fiscais de forma correta, deveria ter apurado o alegado lucro inflacionário decorrente do expurgo do Plano Verão, somar este resultado ao saldo lucro inflacionário então apurado pela Recorrente e verificar se a partir desse resultado restariam créditos tributários passíveis de formalização, levando em consideração, é claro, toda a evolução da tributação do lucro inflacionário realizada pela Recorrente, mediante a observância dos cálculos de realização (percentuais de depreciação, amortização e baixa perante o total do ativo permanente), bem como outras disposições legais aplicáveis, além dos evidentes efeitos da decadência. No que tange às receitas relacionadas à SUDENE, a empresa questiona o mérito de sua exclusão alegando que teve, inicialmente, três laudos constitutivos emitidos pela Inventariança Extrajudicial da SUDENE e, posteriormente, foram anulados por mudança de critérios de avaliação feita pela SUDENE e Receita Federal. Segundo a empresa, após a alteração da interpretação da legislação, a Receita Federal e a SUDENE começaram a decidir que seria ilegítima a expedição de laudos constitutivos em favor de projetos localizados no Sul do Estado do Espírito Santo. Afirma que o cancelamento do benefício fiscal, sobretudo com efeitos retroativos, consistiu em ato arbitrário que atentou contra a boafé do contribuinte, tendo em vista a impossibilidade de cobrança retroativa do período em que a empresa esteve no "pleno gozo" do benefício, ou seja, até o recebimento do acórdão da DRJ/RJO (n.° 1217.330). Destacou, que conforme Laudos Constitutivos nº 103/2003, 104/2003, 105/2003 e Despacho Decisório no parecer SEORT nº 1007/2003, publicado em 31/07/2003 o Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000207/200700 Acórdão n.º 1201000.738 S1‐C2T1 Fl. 9 8 benefício foi efetivamente concedido à Requerente e que teve este benefício em pleno gozo até 13/07/2007, quando então foi publicada a sua revogação. Arguiu, também, que caso seja mantida o lançamento do IRPJ sobre a exclusão da SUDENE, a multa sobre esse período não deve prosperar, tendo em vista que o art. 100, parágrafo único, existe para assegurar um mínimo de segurança aos contribuintes que pautaram suas condutas com base em atos emanados pela própria Administração, que definiu a tributação aplicável à determinada situação mediante manifestação expressa, legal ou normativa, geral ou específica para o caso. No caso, ao utilizarse do direito de reduzir o IRPJ, a Recorrente alega que estava seguindo o disposto no Despacho Decisório que acompanhou o Parecer SEORT 1.00712003, que só foi definitivamente cancelado em 2007. No tocante a comprovação dos pagamentos do IRRF e negação de IR pago por estimativa, a Recorrente demonstrou em sua Impugnação que a fiscalização não considerou parte do Imposto de Renda mensal pago por Estimativa no valor de R$ 466.195,81, no ano de 2003. A Recorrente apresentou o "Comprovante de Arrecadação", emitido pelo sistema de controle da Receita Federal, que demonstra cabalmente que o valor de R$ 466.195,81 foi recolhido em 31.03.2004, por meio do código de Receita 2430 (IRPJ PJ Obrigadas ao Lucro Real Entidades não Financeiras Declaração de Ajuste) e informado na linha 17 da DIPJ do anobase de 2003, juntamente com o valor de R$ 68.916,12, totalizando R$ 535.111,93. Aduz, também, que a Fiscalização deixou de considerar que, com a edição da MP 947/95 e da IN 51195, houve a extinção do processo relativo à trava de 30% para compensação de prejuízos em relação ao IRPJ, exatamente pelo fato dos prejuízos fiscais do interessado estarem amparados pelo programa BEFIEX. Por fim, pleiteou a inaplicabilidade da taxa SELIC sobre a parcela da multa. A Delegacia da Regional de Julgamento (fls.1340 a 1373) julgou improcedente a manifestação apresentada com base nos fundamentos que seguem: Reconhecimento da conexão dos processos. Contudo, como a recorrente se manifestou em cada um separadamente, a DRJ resolveu se manifestar, também, separadamente, a fim de evitar o cerceamento de defesa. Não aceitação das reduções de IRPJ realizadas sob o benefício da extinta SUDENE por cassação do benefício no Processo Administrativo n° 13770.000305/200301. Aduz a DRJ, que a interessada teve seu direito à redução do IRPJ, originalmente concedido por engano, cancelado pela Receita Federal pelo fato de sua modernização industrial ser efetuada em empreendimento localizado no município de Serra/ES, não localizado em área de atuação da SUDENE. Sendo o seu cancelamento realizado através de Processo Administrativo devidamente transitado em julgado, não cabe à DRJ, por impedimento legal, reanalisar qualquer dos argumentos apresentados pelo interessado relacionado a este assunto. A DRJ confirmou que a cassação do benefício produz efeito retroativo. Não aceitação das exclusões do Plano Verão por apropriação incorreta dos efeitos da decisão transitada em julgado proferida na AO n° 95.00087464. Segundo a DRJ, a Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000207/200700 Acórdão n.º 1201000.738 S1‐C2T1 Fl. 10 9 recorrente após ter seu pedido negado em primeira instância, alterou sua petição em sede de apelação para adequarse a legislação. Segundo a DRJ o pedido Inicial foi: PEDIDO INICIAL FL.145 ... para que venha a deduzir , na base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro , a despesa de depreciação e amortização dos bens do Ativo Permanente, relativa à diferença do IPCBTNF de 1989,como se fosse ajuste de exercícios anteriores , com a consequente correção dos prejuízos fiscais ..." Sendo que após ter seu pedido negado apresentou apelação discorrendo que: Apelação FL 244 "A Autora propôs a presente ação ordinária visando ao reconhecimento de seu direito constitucional de utilizar, em suas demonstrações financeiras e para efeitos de apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, um índice de correção monetária que..." Fl. 250 "Assim sendo, a presente ação discute o direito da Autora de realizar a correção monetária de balanço..." FL. 164 ..."... determinandose a aplicação, nas demonstrações financeiras para fins fiscais da Autora, ou seja, para fins de apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, dos índices reais do IPC ..." Alega que o interessado jamais obteve a permissão para corrigir, unicamente, suas despesas com depreciação, amortização, baixas e prejuízos fiscais. O que ele conseguiu foi uma decisão que, ao final, lhe foi desfavorável, já que lhe concedeu o direito de corrigir "as demonstrações financeiras" pelo IPC. E daí ele teria, na correção do balanço, saldo credor (RECEITA) a oferecer à tributação, através de adição ao lucro líquido, conforme planilha abaixo: Ativo Permanente (que gera receita a ser adicionada no lucro líquido) Patrimônio Líquido (que gera despesa a ser deduzida do lucro líquido) Resultado Em 31/12/1988 1.831.511.337.133,60 1.581.013.583.114,94 Adição ao PL Em 31/01/1989 2.636.830.126,12 2.283.628.719,28 Adição ao PL Em 28/02/1989 2.632.498.897,81 2.347.754.306,80 Adição ao PL Assim, em função das informações prestadas pelo próprio interessado, ele teria saldos a adicionar ao lucro líquido, e não direito a deduções deste lucro. Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000207/200700 Acórdão n.º 1201000.738 S1‐C2T1 Fl. 11 10 Neste ponto, a DRJ concluiu que o interessado ficou realmente com o direito de corrigir suas despesas de depreciação a partir dos meses de janeiro de 1989, mas não porque obteve este direito único. A correção da despesa se dá porque os saldos das contas do ativo permanente deveriam ser todos corrigidos. O que ocorreu é que o interessado quis se beneficiar tão somente da correção destas despesas e não ofereceu à tributação (Adição ao lucro líquido) o Saldo Credor da correção pelo IPCBTNF (Correção do Ativo Permanente — Correção do Património Líquido), conforme disposto na decisão judicial e na legislação do IRPJ e da CSLL. Inobservância do limite de 30% na compensação de prejuízos fiscais, objeto da medida judicial n° 95.00005557. Entendeu a DRJ que não cabe no caso deste processo qualquer análise mais aprofundada sobre este assunto, visto que não foi glosada qualquer importância relativa à compensação de prejuízos fiscais em função do limite de 30% Com relação aos valores não comprovados de IRRF, a DRJ afirma que o interessado não comprovou o efetivo recolhimento destes valores. A Recorrente apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 378 a 462), em que repisou os argumentos aduzidos em sua impugnação. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, frente ao Recurso Voluntário do Recorrente, apresentou Contrarrazões (fls. 619 a 646) pleiteando pela improcedência do recurso voluntário, alegando que a requerente distorceu as decisões judiciais a seu favor. Alega, ainda, que a decisão da DRJ referente à exclusão da SUDENE é irrecorrível na esfera administrativa nos termos do artigo 3º do Decreto 4.213/2002, Portanto, aduz que a matéria que o contribuinte pretende trazer ao CARF não poderia ser objeto de Recurso Voluntário, por estar definitivamente julgado. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Relator. O recurso preenche as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicialmente cumpre destacar que é indispensável para o deslinde da questão análise da Ação Ordinária Nº 95.87474 interposta pelo contribuinte requerendo o direito de deduzir fiscalmente as despesas de depreciação, amortização e baixas, computandose a variação de 70,28%, referente ao IPC de janeiro de 1989. O pedido inicial encontrase exarado na Medida Cautelar nº 94.156944, a qual é preparatória da Ação Ordinária, e dispõe: Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000207/200700 Acórdão n.º 1201000.738 S1‐C2T1 Fl. 12 11 ... para que venha a deduzir , na base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro , a despesa de depreciação e amortização dos bens do Ativo Permanente, relativa à diferença do IPCBTNF de 1989,como se fosse ajuste de exercícios anteriores , com a consequente correção dos prejuízos fiscais ... ...deduzir fiscalmente as despesas de depreciação, amortização e baixas, computando se a variação do IPC de janeiro de 1989 de 70,28%, substituindose a OTN de NCz$ 6,92 pela NCz$ 10,51, a qual espelha a inflação real do período, segundo o IBGE e arts. 5 e 6 do DL 2.283/86, ou outro índice que V.Exa. julgar adequado, na base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social, como se fosse ajuste de exercícios anteriores (art. 186, par. 1 0 , da Lei n ° 6.404/76 e arts. 193, § 1 ° e 2 e 219 do RIR/94), com todos os efeitos daí decorrentes, tais como a compensação de prejuízos fiscais , condenando a Ré a aceitar os efeitos do ajuste, ou ainda, como pedido sucessivo, declarar o direito de compensar o imposto pago indevidamente nos últimos cinco anos, em função do expurgo ocorrido na formação da despesa de depreciação, amortização e baixas, com os efeitos decorrentes de correção de prejuízos fiscais, igualmente condenando nesta hipótese a Ré a aceitar os efeitos patrimoniais da compensação;" Após o indeferimento em primeira instância, a matéria foi apreciada pelo Tribunal Regional da 1º Região (fls.278 a 286), o qual aduziu que as demonstrações financeiras de 1990, anobase 1989, devem ser corrigidas de acordo com o IPC de janeiro de 1989, em 42,72%. "Em conformidade com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, em tema relativo a expurgos inflacionários, as demonstrações financeiras de 1990, anobase 1989, devem sercorrigidas de acordo com IPC .dejaneiro de 1989 o qual restou definido pelo Superior Tribunal de Justiça em 42,72%." A lide foi encaminhada ao Superior Tribunal de Justiça, o qual manteve o IPC de 42,72% para janeiro de 1989 e acrescentou o IPC de 10,14% para o mês de fevereiro de 1989. TRIBUTÁRIO DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. IMPOSTO DE RENDA. IPC. JANEIRO DE 1989. REDUÇÃO. CONSEQOÊNCIA EM FEVEREIRO. 1. Este Tribunal, através da Corte Especial, ao reduzir o IPC de janeiro de 1989 de 70,28% para 42,72%, acolheu o entendimento de que o IPC do mês de fevereiro seguinte deve ser fixado no percentual de 10,14%. Após a decisão do Superior Tribunal de Justiça a matéria transitou em julgado dia 01/04/2005. Com o trânsito em julgado a recorrente adquiriu o seu direito líquido e certo pleiteado na inicial, qual seja: “a deduzir da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro, a despesa de depreciação e amortização dos bens do Ativo Permanente, relativa à diferença do IPCBTNF de 1989,como se fosse ajuste de exercícios anteriores , com a consequente correção dos prejuízos fiscais” Ocorre que a fiscalização e a Delegacia Regional de Julgamento glosaram tais deduções por entenderem que a recorrente, após ter seu pedido negado em primeira Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000207/200700 Acórdão n.º 1201000.738 S1‐C2T1 Fl. 13 12 instância, alterou sua petição em sede de apelação para adequarse à legislação e que, tais alterações, induziram o Tribunal Regional Federal, bem como Superior Tribunal Federal a dar procedência ao pedido da autora. Ocorre que tal “alteração” de pedido é juridicamente impossível de ser realizado, isso porque o que define a LIDE é o pedido, nos termos do artigo 128 do Código de Processo Civil Art. 128. O juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta, sendolhe defeso conhecer de questões, não suscitadas, a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte. Sendo inclusive defeso ao Juiz proferir sentença a favor do autor de natureza diversa da pedida, conforme reza o Art. 460 do CPC Art. 460. É defeso ao juiz proferir sentença, a favor do autor, de natureza diversa da pedida, bem como condenar o réu em quantidade superior ou em objeto diverso do que Ihe foi demandado. A legislação acima apresentada determina as regras de conexão entre o pedido e a sentença, onde o autor fixa os limites da lide e da causa de pedir na petição inicial e o juiz decide de acordo com esse limite. É nos limites do pedido, portanto, que se forma a coisa julgada. Por essa razão, não é válida a atribuição de autoridade que vá além dos limites da lide posta e decidida, como pretende a fiscalização. De acordo com a fiscalização, a interpretação literal da decisão judicial transitada em julgado é desfavorável à contribuinte; que por "falta de sorte" nenhum valor seria passível de dedução e que, no máximo, os índices expurgados deveriam ser aplicados sobre os saldos de depreciação já incorridos antes de 1989, e em outra parte a decisão afirma que a Recorrente tem realmente direito de deduzir as despesas de depreciação, amortização e baixas realizadas depois de janeiro de 1989 e calculadas, evidentemente, sobre o saldo do ativo permanente atualizado pelos índices reconhecidos nas decisões transitadas em julgado. Se concordássemos com esse raciocínio, estaríamos diante de um fenômeno jurídico inexistente. Isso porque, a decisão de 1ª instância foi desfavorável à empresa que conseguiu reverter o posicionamento jurisdicional a seu favor apenas em 2ª instância. Se adotássemos o entendimento da Fiscalização a decisão de 2ª instância, a qual, em tese, teria sido favorável à requerente, trouxe um prejuízo maior que a própria decisão de 1ª instância que negou o pedido da autora. Ou seja, estaríamos diante de uma procedência que teria como efeito a “reformatio in pejus” de decisão improcedente, o que não existe no mundo jurídico. Dessa forma, é claro o direito da contribuinte de deduzir da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro, a despesa de depreciação e amortização dos bens do Ativo Permanente, relativa à diferença do IPCBTNF de 1989, como se fosse ajuste de exercícios anteriores, com a consequente correção dos prejuízos fiscais. De igual maneira, o argumento da fiscalização de simplesmente negar exclusões efetuadas pela Recorrente por entender que haveria um suposto crédito tributário decorrente de saldo credor de correção monetária de balanço não merece prosperar. Isso porque, de acordo com a decisão obtida, caberia à recorrente reconhecer as despesas de depreciação e amortização dos bens do ativo permanente e se, em decorrência Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000207/200700 Acórdão n.º 1201000.738 S1‐C2T1 Fl. 14 13 da aplicação dos novos índices de correção do balanço surgisse um crédito tributário, caberia à fiscalização à época levantar e autuar o tributo devido. Com relação à exclusão da SUDENE verificase que existem duas questões a serem analisadas. A primeira, diz respeito ao mérito da exclusão. Neste ponto, cumpre destacar que essa matéria escapa da competência deste Conselho, conforme determina o parágrafo 4º o artigo 3º do decreto 4.213/2002 Art. 3o O direito à redução do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas e adicionais nãorestituíveis incidentes sobre o lucro da exploração, na área de atuação da extinta SUDENE será reconhecido pela unidade da Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica, instruído com o laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional. (...) § 4o Tornase irrecorrível, na esfera administrativa, a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que denegar o pedido. A segunda questão diz respeito à retroatividade ou não do despacho que cancelou o benefício da SUDENE. Segundo o entendimento da Receita Federal, o ato jurídico que concedeu o benefício da SUDENE era contrário à lei que o regulamentava. E, por dispor de maneira antagônica, foi corretamente declarado a sua nulidade. Sendo que, uma vez declarado nulo, o ato não pode produzir efeitos no mundo jurídico, desde o momento da sua formação. Dessa forma, os efeitos da nulidade devem retroagir à data da concessão, produzindo efeitos ex tunc. Ocorre que, para o deslinde da questão é indispensável a análise do Decreto 4.213/2002, o qual regulamenta o benefício da redução do imposto de renda para os empreendimentos prioritários nas áreas de atuação da extinta Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste – SUDENE. De acordo com o artigo 3º do decreto supracitado, o direito ao benefício da redução do imposto de renda será reconhecido pela unidade da Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica, sendo que, o chefe da unidade decidirá sobre o pedido no prazo de cento e vinte dias contados da apresentação do requerimento à repartição fiscal competente. Aduz, os parágrafos do artigo 3º que expirado o prazo de cento e vinte dias, sem que a requerente tenha sido notificada de decisão contrária ao seu pedido e enquanto não sobrevier decisão irrecorrível, considerarseá a interessada automaticamente em pleno gozo da redução pretendida. E, em caso de decisão posterior que denegue o pedido, as parcelas correspondentes às reduções feitas durante o período em que a pessoa jurídica interessada esteve em pleno gozo da redução não poderão ser objeto cobrança. Art. 3o O direito à redução do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas e adicionais nãorestituíveis incidentes sobre o lucro da exploração, na área de atuação da extinta SUDENE será reconhecido pela unidade da Secretaria Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000207/200700 Acórdão n.º 1201000.738 S1‐C2T1 Fl. 15 14 da Receita Federal do Ministério da Fazenda a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica, instruído com o laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional. § 1o O chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal decidirá sobre o pedido em cento e vinte dias contados da respectiva apresentação do requerimento à repartição fiscal competente. § 2o Expirado o prazo indicado no § 1o, sem que a requerente tenha sido notificada da decisão contrária ao pedido e enquanto não sobrevier decisão irrecorrível, considerarseá a interessada automaticamente no pleno gozo da redução pretendida. § 3o Do despacho que denegar, parcial ou totalmente, o pedido da requerente, caberá impugnação para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, dentro do prazo de trinta dias, a contar da ciência do despacho denegatório. § 4o Tornase irrecorrível, na esfera administrativa, a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que denegar o pedido. § 5o Na hipótese do § 4o, a repartição competente procederá ao lançamento das importâncias que, até então, tenham sido reduzidas do imposto devido, efetuandose a cobrança do débito. § 6o A cobrança prevista no § 5o não alcançará as parcelas correspondentes às reduções feitas durante o período em que a pessoa jurídica interessada esteja em pleno gozo da redução de que trata o § 2o. Analisando a legislação acima se verifica que a autoridade fiscal tem o prazo de cento e vinte dias para apreciar o pedido e, caso esse prazo seja extrapolado, a requerente estará em pleno gozo do benefício até decisão contrária irrecorrível de seu pedido. Sendo que, as parcelas dos benefícios que foram utilizadas durante o período de gozo não poderão ser cobradas. No caso em tela, o pedido foi protocolado pela empresa em 27/05/2003, sendo que, em 31/07/2003, foi publicado o despacho decisório fundamentando o parecer SEORT nº 1.007/2003, reconhecendo o direito da empresa usufruir o benefício da redução do IRPJ e adicionais. Em 05/03/2004, foi publicado o despacho decisório nº 342/2004 cancelando a concessão do benefício anteriormente reconhecido pela autoridade fiscal. A empresa foi intimada no dia 12/04/2004, tomando conhecimento do prazo de 10 dias para manifestação. Após todos os trâmites administrativos, em 13/07/2007, sobreveio a decisão irrecorrível da Delegacia da Receita Federal através do Parecer SEORT 714/2007 determinando o cancelamento do despacho Decisório que resultou no Parecer SEORT 1.007/2003. Assim, ainda que se utilizássemos o raciocínio exarado pela própria Receita Federal de que o ato nulo deve ser extraído do mundo jurídico sem produzir efeitos, temos que a empresa enquadrase na regra geral do Decreto 4.213/2002. Ou seja, se a empresa protocolou seu pedido em 27/05/2003, a autoridade administrativa teria que manifestarse contrariamente ao pedido até o dia 24/09/2003 e não o Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000207/200700 Acórdão n.º 1201000.738 S1‐C2T1 Fl. 16 15 fez. Dessa forma, a partir de 25/09/2003 a empresa legitimouse a utilizar o benefício fiscal pleiteado até a notificação de decisão contrária e irrecorrível. Decisão esta, que ocorreu apenas em 13/07/2007. Dessa forma, temos que a cobrança não se aplica às parcelas de imposto reduzidas até 13/07/2007, data em que sobreveio a decisão definitiva do benefício, pela regra estampada no artigo 3º, §§ 2º e 6º do Decreto 4.213/2002. Quanto aos juros de mora, a matéria é objeto de súmula deste Conselho, de aplicação obrigatória pela Câmara, conforme artigo 53 do Regimento. Súmula 1º CC nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo exposto, dou provimento ao recurso voluntário interposto a fim de reconhecer o direito da recorrente em deduzir da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro, a despesa de depreciação e amortização dos bens do Ativo Permanente, relativa à diferença do IPCBTNF de 1989,como se fosse ajuste de exercícios anteriores, com a consequente correção dos prejuízos fiscais, bem como cancelar a cobrança das parcelas do imposto reduzidas durante o período de gozo do benefício da SUDENE. É como voto. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – Relator. Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000207/200700 Acórdão n.º 1201000.738 S1‐C2T1 Fl. 17 16 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Redator designado. 1) Introdução ao Voto Como bem exposto pelo Relator, o presente processo cuida de litígio acerca da homologação apenas parcial das declarações de compensação (DCOMPs) nas quais a interessada utilizou como direito creditório saldos negativos de IRPJ apurados em suas DIPJs relativas aos anoscalendários de 2001, 2002, 2003 e 2006. Segundo a autoridade que homologou apenas parcialmente as mencionadas DCOMPs, o montante do direito creditório utilizado pela ora recorrente em suas compensações revelouse inferior àquele apurado no trabalho de auditoria (fl. 858 e ss.). Em apertada síntese, entendeu a autoridade que: a) ao contrário do afirmado pela interessada, as exclusões por ela realizadas no lucro líquido daqueles anoscalendários não se encontravam amparadas pela decisão judicial transitada em julgado proferida no âmbito do processo judicial nº 9500087464, e; b) a interessada não faz jus ao benefício de isenção/redução do IRPJ e adicionais não restituíveis, pois não está estabelecida em área da extinta SUDENE; c) a interessada deixou de comprovar retenções de IRRF e pagamentos de IRPJ por estimativa mensal, utilizados na dedução do imposto devido ao fim do período de apuração. Pois bem, em que pese o ilustre Relator haver votado pelo provimento integral do recurso voluntário, peço licença para dele divergir no tocante à questão indicada no item “a” retro. Passo, a seguir, a expor a razões de minha divergência. 2) Do Conteúdo da Coisa Julgada Material – Processo nº 9500087464 Questão debatida ao longo de todas as fases do presente processo administrativo, inclusive no voto do Relator, diz respeito ao conteúdo da coisa julgada material no âmbito do processo judicial nº 9500087464. Pois bem, segundo os ensinamentos do renomado processualista Enrico Tullio Liebman, coisa julgada “é a imutabilidade do comando emergente de uma sentença”. Em assim sendo, o conteúdo da coisa julgada é o provimento jurisdicional contido na parte dispositiva da decisão judicial definitiva (comando emergente). Esse conceito encontra amparo nos arts. 458, 467 e 469 do Código de Processo Civil (CPC), que assim estabelecem: Art.458. São requisitos essenciais da sentença: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a suma do pedido e da resposta do réu, bem como o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões, que as partes lhe submeterem. (Grifamos) (...) Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000207/200700 Acórdão n.º 1201000.738 S1‐C2T1 Fl. 18 17 Art.467. Denominase coisa julgada material a eficácia, que torna imutável e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário. (...) Art.469. Não fazem coisa julgada: I os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença; (Grifamos) II a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença; III a apreciação da questão prejudicial, decidida incidentemente no processo. Questão que guarda estreita correlação com a identificação do conteúdo da coisa julgada, mas que com esta não se confunde, diz respeito aos limites objetivos da lide. De fato, conforme estabelecido no abaixo transcrito art. 460 do CPC, o provimento jurisdicional deve circunscreverse ao pedido formulado pelo autor em sua inicial: Art.460. É defeso ao juiz proferir sentença, a favor do autor, de natureza diversa da pedida, bem como condenar o réu em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado. (...) Dito de outra forma, o provimento jurisdicional não deve ultrapassar, sob pena de nulidade, o limite daquilo que consta do pedido do autor. Assim, na hipótese de decisão inteiramente favorável ao autor, fará coisa julgada o provimento contido no dispositivo da sentença que, por sua vez, deverá coincidir com o provimento objeto do pedido do autor. No entanto, casos há em que o órgão jurisdicional, inadvertidamente, profere decisão cujo provimento ultrapassa os limites do pedido do autor. Dizse que uma decisão é ultra petita quando o magistrado dá provimento ao pedido do autor, mas em uma quantidade maior que a pedida. Por outro lado, dizse que uma decisão é extra petita quando o magistrado dá provimento diverso ao pedido pelo autor. Em casos como este caberá à parte interessada interpor o recurso cabível a fim de que o juízo competente anule, total ou parcialmente, a decisão que não observou os limites objetivos da lide. Veja, a título exemplificativo, a ementa ao AgRg no RMS 28467 / MS: AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. JULGAMENTO EXTRA PETITA. ANULAÇÃO. RECURSO PROVIDO. RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM. 1. Viola os artigos 128 e 460 do Código de Processo Civil o acórdão do Tribunal de Justiça que, a despeito da oposição de embargos de declaração, julga questão diversa da matéria posta a deslinde na petição inicial. 2. Reconhecida a ocorrência de julgamento extra petita, impõe se anulação dos acórdãos proferidos pelo Tribunal de origem, com a devolução dos autos para que a lide seja apreciada nos limites em que foi proposta. Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000207/200700 Acórdão n.º 1201000.738 S1‐C2T1 Fl. 19 18 Suponhamos, agora, que o órgão jurisdicional tenha proferido uma decisão ultra ou extra petita, e que a parte interessada não haja interposto o recurso cabível a fim de anulála, tendo a referida decisão passado em julgado. Em uma situação como essa, pergunta se, qual o provimento fará coisa julgada entre as partes? Será o provimento contido no dispositivo da decisão (no exemplo, o provimento para além dos limites da lide), ou será o provimento pedido pelo autor (no exemplo, provimento dentro dos limites da lide)? A resposta, sem o menor espaço para dúvida, é que, como dito no início, fará coisa julgada o provimento contido no dispositivo da decisão, conforme expressamente estabelecido nos acima referidos arts. 458, 467 e 469 do CPC. Aliás, não fosse assim, não haveria razão para interposição de recurso visando a anulação, total ou parcial, da decisão proferida ultra ou extra petita. A bem da verdade, sequer existiria razão para a doutrina qualificar uma decisão como ultra ou extra petita, pois, por definição, a coisa julgada estaria sempre dentro dos limites da lide. É exatamente neste ponto que reside a minha divergência perante o Relator, pois este entende que a coisa julgada está circunscrita aos limites da lide, não importando que o órgão jurisdicional tenha proferido decisão ultra ou extra petita, conforme trecho contido em seu voto, e a seguir transcrito: A legislação acima apresentada determina as regras de conexão entre o pedido e a sentença, onde o autor fixa os limites da lide e da causa de pedir na petição inicial e o juiz decide de acordo com esse limite. É nos limites do pedido, portanto, que se forma a coisa julgada. Por essa razão, não é válida a atribuição de autoridade que vá além dos limites da lide posta e decidida, como pretende a fiscalização. (Grifamos) A meu ver, não há que confundirse aquilo que “deve ser” com aquilo que “é”. Por certo que o dispositivo da decisão judicial “deve” circunscreverse àquilo que consta do pedido. No entanto, se em um determinado caso concreto o provimento jurisdicional “é” de fato ultra ou extra petita, duas possibilidades se abrem. A primeira é a anulação total ou parcial dessa decisão mediante a interposição do recurso competente pela parte interessada, caso em que nova decisão deverá ser proferida com observância aos limites da lide. A segunda é a inércia da parte interessada, caso em que a referida decisão passará em julgado e, portanto, valerá como lei entre as partes, ainda que o provimento constante de seu dispositivo haja ultrapassado os limites da lide. É exatamente essa segunda hipótese que ocorreu no âmbito do processo judicial nº 9500087464, como se verá a seguir. A referida ação judicial foi proposta pela ora recorrente com o seguinte pedido (fl. 203): III DO PEDIDO Do exposto, requer a Autora se digne V.Exa. a: I Citar a Ré, na pessoa de seu representante legal, para responder a presente ação; II Julgar totalmente procedente o pedido da Autora, para que declare o direito de deduzir fiscalmente as despesas de depreciação, amortização e baixas computandose a variação do IPC de janeiro de 1989 de 70,28%, substituindose a OTN de Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000207/200700 Acórdão n.º 1201000.738 S1‐C2T1 Fl. 20 19 NCz$ 6,92 pela NCz$ 10,51, a qual espelha a inflação real do período, segundo o IBGE e arts. 5 e 6 do DL 2.283/86, ou outro índice .que V.Exa. julgar adequado, na base de cálculo do Imposto de Renda d a Pessoa Jurídica e da Contribuição Social, como se fosse ajuste de exercícios anteriores (art. 186, § 1°, da Lei n° 6.404/76 e arts. 193 § 1° e 2° e 219 do RIR/94), com todos os efeitos daí decorrentes, tais como a correção de prejuízos fiscais, condenando a Ré a aceitar os efeitos do ajuste, ou ainda, como pedido sucessivo, declarar o direito de compensar o imposto pago indevidamente nos últimos cinco anos, em função do expurgo ocorrido na formação da despesa de depreciação, amortização e baixas, com os efeitos decorrentes de correção de prejuízos fiscais, igualmente condenando nesta hipótese a Ré a aceitar os efeitos patrimoniais da compensação; (Grifamos) (...) Apresentada contestação pela Fazenda Nacional, o órgão jurisdicional de primeira instância julgou improcedente o pedido do autor nos seguintes termos (fls. 233/234): Com base nas razões expendidas no voto transcrito, entendo que nenhuma razão assiste à autora, que, no caso, embora invocasse prejuízo e tributação de seu capital não se empenhou demonstrar o alegado como seria adequado por perícia contábil. Finalmente, no que diz respeito ao pedido de compensação, não só é de reconhecerse, de um lado, que não está adequadamente formulado, vez que não especifica o que se pretenderia compensar como, de outro que, não lhe tendo sido reconhecido o crédito decorrente da alteração do índice, nada haveria a compensar. Isto posto, julgo improcedente o pedido formulado pela COMPANHIA.SIDERÚRGICA DE TUBARÃO contra a União Federal. Contra a decisão acima a contribuinte interpôs apelação com o seguinte pedido (fl. 264): VII CONCLUSÃO Presentemente, e por todo o exposto, a Apelante vem, reiterando os termos da peça inaugural, e por todas as razões aqui expendidas, pedir o conhecimento e total provimento da presente Apelação, para que seja totalmente reformada a sentença de 1º grau determinandose a aplicação, nas demonstrações financeiras para fins fiscais da Autora, ou seja, para fins de apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, dos índices reais do IPC expurgados pelo "Plano Verão", à razão de 70,28% para o mês de janeiro, ou, alternativamente, com a aplicação da reposição de 42,72% correspondente a janeiro de 1989, complementada pelo índice de 10,14% correspondente a fevereiro de 1989, tudo consoante a mais escorreita aplicação da jurisprudência pacificada dos Tribunais Superiores, inclusive desse E Tribunal Regional Federal da 1ª Região. (Grifamos) Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000207/200700 Acórdão n.º 1201000.738 S1‐C2T1 Fl. 21 20 Repare que o pedido apresentado na petição inicial é nitidamente diverso do pedido constante da apelação, pois enquanto lá a contribuinte pede a dedução de despesas decorrentes da diferença de correção monetária de contas específicas (depreciação, amortização etc.), aqui pede a diferença de correção monetária das demonstrações financeiras, ou seja, de todas as contas sujeitas à correção monetária de balanço, o que é algo bastante diferente. Veja ainda que a alteração do pedido na apelação foi considerada “juridicamente impossível” pelo Relator do presente processo administrativo. Mas, novamente, ressalto que não se deve confundir o campo daquilo que “deve ser” com o campo daquilo que “é”. Seja como for, e retornando ao exame do conteúdo da coisa julgada no âmbito do processo nº 9500087464, apresentada contrarrazões à apelação pela Fazenda Nacional, o TRF da 1ª Região decidiu o seguinte (fls. 285/286): Assim sendo, modificando o posicionamento anterior por mim adotado, dou parcial provimento ao apelo para, julgando procedente a ação, assegurar à empresaapelante o direito de atualizar monetariamente seu balanço levando em conta o índice expurgado de inflação para o mês de janeiro de 1989, no percentual de 42,72%, deixando de fazêlo em relação ao mês de fevereiro do ano de 1989 em virtude da inexistência de pedido:expresso na exordial. (Grifamos) Repare que o provimento jurisdicional contido na decisão acima é claramente diverso daquele pedido pelo autor da ação em sua petição inicial. Em outras palavras, em relação àquele pedido, este provimento é extra petita. Pois bem, a contribuinte, inconformada, interpôs recurso especial nos seguintes termos (fls. 323/324): V – DO PEDIDO Ante o exposto, a Recorrente requer a admissão do presente recurso, com fundamento na alínea c do inciso III do art. 105 da CF/88, e também na alínea a do mesmo dispositivo constitucional, inclusive por ofensa ao art. 535, II, do Código de Processo Civil. Admitido o recurso, a Recorrente requer a reforma do r. acórdão recorrido, para que seja reconhecido o seu direito à aplicação, na correção monetária de suas demonstrações financeiras, do índice de 70,28% relativo à janeiro de, 1989, ou dos índices de 42,72% em janeiro de 1989 e de 10,14% .em fevereiro de 1989. (Grifamos) O STJ julgou a controvérsia em acórdão cuja parte dispositiva é a seguinte (fl. 359): A Turma, por unanimidade, conheceu do recurso e lhe deu provimento, nos termos do voto do Sr. MinistroRelator Em seu voto o Relator do referido recurso especial reproduz ementas a acórdãos da Corte sobre o assunto, entre elas a seguinte (fl. 358): Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000207/200700 Acórdão n.º 1201000.738 S1‐C2T1 Fl. 22 21 3. A Primeira Seção deste STJ consagrou o entendimento no sentido de que, no períodobase de 1989, a correção monetária das demonstrações financeiras das pessoas jurídicas deve ser calculada pelo índice do IPC de janeiro de 1989, reduzindose o percentual de 70,28% para 42,72% ((RESP 133:069/SC, 1ª S, Min Franciulli Netto, DJ de .de 04.03.2002). Pacificouse também o posicionamento de que a modificação do citado índice enseja a retificação automática do índice de correção monetária de .fevereiro daquele ano para 10,14%, sem que isso importe julgamento extra petita. Referida decisão transitou em julgado em 01/04/2005 (fl. 383). Logo, por tudo o que foi visto acima, não resta a menor dúvida de que o provimento jurisdicional transitado em julgado (conteúdo da coisa julgada) não assegurou à contribuinte aquilo que foi por ela requerido em sua petição inicial, ou seja, não lhe assegurou “o direito de deduzir fiscalmente as despesas de depreciação, amortização e baixas computandose a variação do IPC de janeiro de 1989 de 70,28% (...) como se fosse ajuste de exercícios anteriores (...)”. Ao contrário, a referida decisão judicial transitada em julgado assegurou à contribuinte o direito à “correção monetária das demonstrações financeiras” pelos índices de 42,72% e 10,14% nos meses de janeiro e fevereiro de 1989, respectivamente, algo que produz efeitos bastante distintos daqueles almejados inicialmente pela autora da ação. Tratase, sem dúvida, de um provimento jurisdicional extra petita quando comparado com o pedido contido na inicial, mas que, em razão da inércia das partes interessadas em propor o recurso cabível a fim de anulálo, transitou em julgado e, portanto, faz lei entre as partes. 3) Dos Efeitos da Coisa Julgada Material – Processo nº 9500087464 Como visto no tópico anterior deste voto, a decisão transitada em julgado assegurou à contribuinte o direito de corrigir suas demonstrações financeiras do ano 1989 mediante a adoção do índice de 42,72% para o mês de janeiro e de 10,14% para o mês de fevereiro. É de se perguntar, todavia, quais são os efeitos da coisa julgada sobre a contabilidade da contribuinte. Em especial, interessanos agora identificar: (i) o efeito temporal, ou seja, determinar em qual período de apuração o provimento jurisdicional deverá ser contabilmente reconhecido; (ii) o efeito qualitativo, ou seja, determinar em qual conta daquele determinado período de apuração deverá ser contabilmente reconhecido o provimento jurisdicional, e; (iii) o efeito quantitativo, ou seja, determinar o quantum deverá ser contabilmente reconhecido naquela determinada conta, naquele determinado período. No que concerne ao efeito temporal não me parece haver espaço para dúvida. Como a contribuinte interpôs a ação com vistas ao reconhecimento de um direito, e tendo em conta o princípio contábil da prudência, esse direito há que ser reconhecido na contabilidade da empresa no período de apuração em que ocorrido o trânsito em julgado da decisão judicial definitiva, no caso, no 2º trimestre do ano de 2005. No entanto a contribuinte adotou procedimento diverso. Reconheceu a coisa julgada parceladamente, nos períodos de apuração que mais lhe convinha, posteriores ao do Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000207/200700 Acórdão n.º 1201000.738 S1‐C2T1 Fl. 23 22 trânsito em julgado, quais sejam, nos 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 2006, computando na rubrica “Outras Exclusões” desses períodos parte do montante que entendeu como de direito. Em assim sendo, mesmo abstraindose da questão do efeito qualitativo, que será abordada a seguir, é possível concluir que o auditor fiscal agiu corretamente ao glosar as exclusões ao lucro líquido promovidas pela contribuinte em períodos de apuração diversos do 2º trimestre do ano de 2005. Poderseia argumentar que houve mera postergação no pagamento do tributo. Isso, todavia, dependeria de prova quanto a esses pagamentos. Mas, no caso, não será necessária essa investigação, haja vista que a contribuinte não possui direito à exclusão alguma, como se verá a seguir. No que concerne ao efeito qualitativo, o provimento jurisdicional transitado em julgado assegurou à contribuinte o direito a promover a correção monetária das demonstrações financeiras do ano de 1989 pelos índices indicados pelo STJ, e não o direito a corrigir apenas as contas de depreciação, amortização e baixa de ativos, como visto no item 2 deste voto. Como é cediço, quando o somatório dos saldos das contas de ativo sujeitas à correção monetária de balanço (via de regra, as contas do ativo permanente) é superior ao somatório dos saldos das contas do patrimônio líquido, o saldo da conta de correção monetária de balanço será credor, ou seja, haverá receita de correção monetária. Caso contrário, o saldo da conta de correção monetária de balanço será devedor, ou seja, haverá despesa de correção monetária. Pois bem, conforme se verifica nas demonstrações financeiras levantadas pela própria contribuinte, o valor do ativo permanente em 31/12/1988 e em 31/12/1989 era de 1.831.511.337 UFIR e 27.997.878.760 UFIR, respectivamente. Já o valor do patrimônio líquido naquelas mesmas datas era 1.581.013.583 e 25.884.914.833. Ora, como se vê, no caso sob exame a contribuinte apurou receita de correção monetária no ano de 1989, mesmo com a adoção apenas dos índices oficiais, já que tanto no início quanto no final do período o saldo do ativo permanente era superior ao saldo do patrimônio líquido. Como a decisão transitado em julgado determinou a correção das demonstrações financeiras do ano de 1989 pelos índices definidos pelo STJ (maiores que os oficiais para os meses de janeiro e fevereiro), o saldo credor (receita) de correção monetária apurado originalmente pela contribuinte apenas aumentou de valor. Assim, a diferença de correção monetária determinada pelo STJ implica o reconhecimento de uma receita na contabilidade da contribuinte, e não de uma despesa. Em outras palavras, o provimento jurisdicional deve ser reconhecido em conta de receita de correção monetária. Tal receita deveria ter sido adicionada pela contribuinte ao lucro líquido do 2º trimestre do ano de 2005 para fins de apuração de tributos, em conta que poderia ser intitulada “Outras Adições”. Ocorre que a contribuinte, desvirtuado o conteúdo da coisa julgada, contabilizou indevidamente o provimento jurisdicional como despesa de correção monetária, utilizando para tanto a conta “Outras Exclusões”. Tais valores foram corretamente glosados pela fiscalização. Por fim, o efeito quantitativo representa o montante da receita de correção monetária que deveria ter sido adicionada pela contribuinte ao lucro líquido do 2º trimestre do Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000207/200700 Acórdão n.º 1201000.738 S1‐C2T1 Fl. 24 23 ano de 2005. Mas como no presente processo administrativo a autoridade fiscal limitouse a glosar a despesa de correção monetária indevidamente contabilizada pela contribuinte nos períodos antes mencionados, não há razão para determinarse, aqui, o montante daquela receita de correção monetária. 4) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para: a) manter a glosa das exclusões ao lucro líquido para fins de determinação do lucro real; b) declarar que a contribuinte faz jus ao benefício de isenção/redução do IRPJ e adicionais não restituíveis apurados no anocalendário de 2003, no 1º trimestre de 2006, no 2º trimestre de 2006 e no 3º trimestre de 2006, devendo, em razão disso, ser retificados os demonstrativos presentes no Parecer Seort/DRF/Vitória nº 1549/2007 (fl. 858 e ss.), e homologadas as DCOMPs até o limite do direito creditório assim apurado. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO
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