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Numero do processo: 15889.000366/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 13 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon May 29 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES)
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracteriza-se omissão de receitas ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA DECLARAR INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVO DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2005
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO RECONHECIMENTO.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11)
Numero da decisão: 1401-006.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
André Luis Ulrich Pinto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos Andre Soares Nogueira, Andre Severo Chaves, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, Andre Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah, Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente).
Nome do relator: ANDRE LUIS ULRICH PINTO
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ementa_s : ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES) Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza-se omissão de receitas ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA DECLARAR INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVO DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO RECONHECIMENTO. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11)
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES) Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza-se omissão de receitas ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA DECLARAR INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVO DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO RECONHECIMENTO. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) André Luis Ulrich Pinto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos Andre Soares Nogueira, Andre Severo Chaves, Itamar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 03 66 /2 00 9- 54 Fl. 361DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-006.496 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15889.000366/2009-54 Artur Magalhaes Alves Ruga, Andre Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah, Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente). Relatório Por retratar bem os fatos que permeiam o presente processo, reproduzo o relatório integrante do v. Acórdão proferido pela DRJ ao julgar a impugnação da ora Recorrente, para, a seguir, complementá-lo com a descrição dos atos processuais praticados a partir do julgamento de primeira instância. Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados pela sistemática do Simples Federal, relativos a fatos geradores ocorridos de janeiro a dezembro de 2005. No Termo de Verificação e Constatação Fiscal o autuante detalha os atos e procedimentos fiscais que culminaram na lavratura dos Autos de Infração, informando ter constatado no ano de 2005 movimentação financeira no valor de R$5.117.025,57, incompatível com a receita bruta declarada à Receita Federal, no valor de R$318.100,00. A despeito de intimada e reintimada, a contribuinte não esclareceu e tampouco comprovou a origem de todos os valores creditados ou depositados em suas contas correntes, mediante documentação hábil e idônea. Assim, autuação decorreu de omissão de receitas, com base em depósitos bancários de origem não comprovada, conforme demonstrativo à folha 76, e insuficiência de recolhimento, devido à alteração de alíquotas incidentes sobre os valores declarados. Cientificada do lançamento de ofício em 24/11/2009, a contribuinte apresentou impugnação em 22/12/2009, sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: 1. A autuação se baseou única e exclusivamente nos depósitos bancários, sem qualquer comprovação de sinais exteriores de riqueza, partindo do falso pressuposto de que a empresa obteve essa altíssima receita bruta a partir da prestação de serviços de transporte; 2. A legislação não permite, assim como a doutrina e a jurisprudência, que os depósitos bancários, de per si, justifiquem a presunção de omissão de receita, exigindo, também, a comprovação de sinais exteriores de riqueza, ou seja, que esses depósitos foram utilizados e consumidos pelo titular da conta bancária; 3. Muito embora o agente fiscal tenha afirmado, no item 24 do Termo de Verificação e Constatação Fiscal, que expurgou dos movimentos bancários analisados os créditos provenientes de transferências de mesma titularidade, empréstimos, estornos e "afins", ainda se detectam vários créditos que não foram expurgados, tais como cheques reapresentados (após devolução), empréstimos, duplicidade de creditamento (cheque liberado x desbloqueio do mesmo cheque), encargos bancários (juros e tarifas), operação de capital de giro (empréstimo) etc.; Fl. 362DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-006.496 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15889.000366/2009-54 4. A origem desses créditos tão destoantes com a receita "declarada" encontra justificativa no fato de a impugnante ter atuado como "representante comercial" e/ou como "vendedor direto" em grande parte das transações, recebendo em suas contas bancárias o produto da venda direta ou intermediada e, depois, repassando aos vendedores (com retenção de suas comissões, no caso das vendas intermediadas); 5. Logo, a maioria (90%) das movimentações bancárias representa exatamente o produto dessas vendas diretas e/ou intermediadas de frangos para os clientes, sendo que, no caso da intermediação de negócios (representação comercial), os recebimentos se davam por conta (em nome) de terceiros (representados), que apenas transitaram financeiramente pelas contas da autuada 6. A impugnante recebia o produto da venda e ficava com um percentual do montante comercializado, a título de comissão; 7. Aliás, como a impugnante desempenhou essa atividade de representação comercial, deve ser excluída do regime do Simples Federal (artigo 9°, inciso XIII, c/c artigo 13, II, "a", ambos da Lei n° 9.317/96), por ser atividade vedada, cancelando totalmente o Auto de Infração impugnado; 8. Ainda que não seja admitida a alegação de que as movimentações bancárias representam valor de vendas diretas ou intermediadas — contrato verbal de representação comercial, o regime do Simples deve ser afastado porque ele é mais oneroso para a contribuinte (ME/EPP) do que o lucro presumido e, até mesmo, do que o próprio lucro arbitrado; 9. Outrossim, o regime do Simples Federal não poderia ter sido adotado pelo agente fiscal, de acordo com o artigo 14, inciso II, da Lei 9.317/96, que impõe a exclusão do Simples quando o contribuinte não fornecer informações sobre movimentação financeira, negócio ou atividade, ou, ainda, conforme inciso V do mesmo dispositivo legal, que impõe a exclusão do Simples na hipótese de prática reiterada de infração à legislação tributária; 10. Ora, se as constatações fiscais forem acatadas ("omissão de receita demonstrada pelos depósitos bancários)", não há justificativa legal para manter a contribuinte no Simples, situação que configura uma incoerência insanável do agente fiscal; 11. O valor cobrado a título de INSS (contribuições previdenciárias) é extremamente desproporcional à folha de salário da autuada, reforçando a tese de que o Simples deve ser afastado no presente caso, inclusive para se evitar um enriquecimento ilícito por parte da Previdência Social; 12. A multa de 75% tem consequências confiscatórias, e, por certo, desproporcional e irrazoável; Fl. 363DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-006.496 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15889.000366/2009-54 13. Enfim, os Autos de Infração devem ser cancelados. Ao analisar a impugnação da Recorrente, a DRJ entendeu por bem julgá-la improcedente para manter a autuação, sob os seguintes fundamentos: (i) os lançamentos ora em litígio decorrem de omissão de receitas fundamentada em depósitos bancários de origem não comprovada, mediante regular intimação da contribuinte; (ii) absoluta ausência de provas quanto à alegação de que cerca de 90% das suas movimentações bancárias decorreram de vendas diretas e/ou intermediadas de frangos para os clientes, tratando-se de intermediação de negócios (representação comercial), cujos recebimentos se davam por conta de terceiros, e apenas transitaram financeiramente pelas contas da autuada. (iii) absoluta ausência de provas quanto à alegação de que deveriam ser excluídos valores referentes a cheques reapresentados, empréstimos, duplicidade de creditamento, encargos bancários e operação de capital de giro; (iv) presunção de constitucionalidade da multa de ofício; (v) impossibilidade da Recorrente pleitear a sua exclusão do SIMPLES NACIONAL em sede de impugnação ao auto de infração, sob a alegação de que cometeu infrações à legislação tributária e por considerar mais favorável a tributação pelos regime do lucro presumido ou real. Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário repisando os mesmos argumentos já trazidos em sede de impugnação, com a adição de uma alegada nulidade pelo esgotamento do prazo de 360 dias previsto no art. 24, da Lei nº 11.457/2007. Voto Conselheiro André Luis Ulrich Pinto, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. Como se vê, cinge-se a controvérsia sobre: (i) a aplicação do prazo de 360 dias para julgamento do processo em primeira instância; (ii) possibilidade de autuação com base em presunção, sem a efetiva comprovação da omissão de receitas; (iii) alegada inconstitucionalidade da multa de ofício de 75%; Fl. 364DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-006.496 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15889.000366/2009-54 (iv) exclusão de valores tidos como omissão de receita por presunção Sobre a preliminar de nulidade do acórdão a quo por ofensa ao prazo de 360 dias a que se refere o art. 24, da Lei nº 11.457/2007, razão não assiste à Recorrente. Embora seja o ideal, até mesmo para fins arrecadatórios visando o interesse público, o prazo referido no art. 24, da Lei nº 11.457/2007 é sabidamente impraticável, dado o elevado volume de processos administrativos pendentes de julgamento e das limitações impostas pelo reduzido corpo funcional da Receita Federal. Seja como for, a inobservância ao prazo legal não configura cerceamento do direito de defesa. Em verdade, a impugnação da Recorrente foi conhecida e todos os seus argumentos foram devidamente enfrentados por autoridade competente, não havendo que se falar qualquer vício de nulidade daqueles previstos no art. 59, do Decreto nº 70.235/1972. No caso em questão a Recorrente invoca o prazo de 360 dias com o claro propósito de utilizá-lo em uma argumentação que, se acolhida, conduziria ao reconhecimento de prescrição intercorrente, o que não se pode admitir, diante da Súmula CARF nº 11. Súmula CARF nº 11 Aprovada pelo Pleno em 2006 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, entendo que a preliminar de nulidade deve ser rejeitada. Quanto aos demais argumentos, verifica-se que a Recorrente limita-se a trazer mais uma vez os mesmos argumentos já expostos na inicial. Entretanto, diante da fragilidade das alegações e da insuficiência de documentação comprobatória, entendo que o v. Acórdão a quo deve ser mantido. Assim, considerando que essas questões já foram suficientemente enfrentadas pelo v. Acórdão a quo, adoto como minhas as razões de decidir ali expostas, nos termos do que autoriza o art. 57, §3º, do RICARF. Os lançamentos ora em litígio decorrem de omissão de receitas fundamentada em depósitos bancários de origem não comprovada, mediante regular intimação da contribuinte. Informa o autuante que a empresa, no ano-calendário de 2005, teve depósitos bancários no montante de R$4.925.434,18, já excluídos os valores que não representam receitas, enquanto que em sua DSPJ declarou uma receita bruta anual de R$318.100,00. A impugnante alega que não restaram comprovados sinais exteriores de riqueza, ou seja, de que os depósitos bancários foram utilizados e consumidos pelo titular da conta bancária, tendo a autuação se baseado única e exclusivamente nos depósitos bancários. Porém, prescindível a comprovação pretendida pela impugnante, pois no presente caso se trata de lançamento por presunção legal, fundamentado no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, mencionado no item 24.4 do Termo de Verificação e Constatação Fiscal, que assim dispõe: Fl. 365DF CARF MF Original http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-006.496 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15889.000366/2009-54 Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (grifei) Logo, compete à impugnante apresentar os elementos de prova que possam contradizer os lançamentos litigados, o que, no presente caso, não o fez. A impugnante alega que cerca de 90% das suas movimentações bancárias decorreram de vendas diretas e/ou intermediadas de frangos para os clientes, tratando-se de intermediação de negócios (representação comercial), cujos recebimentos se davam por conta de terceiros, e apenas transitaram financeiramente pelas contas da autuada. Entretanto, conforme consta do Contrato Social e alterações às folhas 173/182, a empresa atua no “ramo de transporte rodoviário de cargas em geral, intermunicipal e interestadual, por conta própria”. Toda a receita declarada se refere à prestação de serviços, conforme Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – DSPJ (fls. 129/146), e está registrada no Livro Caixa apresentado pela empresa (fls. 147/172), coincidentes com os totais dos valores dos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas — CTRC registrados no Livro de Registro de Saída do ICMS, sendo que, para o ano calendário de 2005, a empresa não apresentou nenhum CTRC. Portanto, não há nos documentos apresentados ao Fisco qualquer menção à comercialização de frangos ou mesmo à atividade de representante comercial. Ainda que tais atividades constassem do seu contrato social, para elidir os lançamento em tela, caberia à impugnante apontar os débitos que teriam vinculação direta com os créditos bancários apontados pela Fiscalização, de sorte que ficasse totalmente demonstrado o fluxo de recursos repassados a terceiros, por meio de documentação hábil e idônea. Mas isso a autuada também não logrou fazer. Não demonstrou, para os ingressos em sua conta corrente, a existência de uma ou mais saídas, de contas da mesma titularidade, na mesma data e de mesmo valor em que ocorrido o ingresso; não há nos autos nota fiscal de prestação de serviços, em que a comissão recebida pela impugnante estivesse destacada, ou nota fiscal que espelhasse o real valor da operação; e não há saída a débito correspondente a cada crédito indicado pela Fiscalização, com a identificação do beneficiário a crédito, comprovando o fluxo completo de numerário envolvido em cada operação. Por conseguinte, inexistem nos autos provas de que a contribuinte exercesse a atividade de representante comercial, hipótese em que estaria impedida de optar pelo Simples Federal em face do exercício de atividade econômica vedada, e que, assim, motivaria a sua exclusão imediata do referido sistema, como alegou. Cabe ao agente do Fisco determinar se houve ou não embaraço à fiscalização, caracterizado, nos termos do inciso II do artigo 14 da Lei 9.317/96, “pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Sistema Tributário Nacional)”. Se assim não entendeu o autuante, não há como a impugnante pretender sua exclusão do Simples Federal no ano calendário de 2005 por considerar que reiteradamente infringiu a legislação tributária. E tendo sido essa a sistemática de recolhimento dos tributos federais adotada pela empresa, outro não poderia ser o regime considerado pelo autuante no cálculo dos tributos a lançar de ofício. Fl. 366DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-006.496 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15889.000366/2009-54 Igualmente, a despeito de alegar que das bases de cálculo dos Autos de Infração deveriam ser excluídos valores referentes a cheques reapresentados, empréstimos, duplicidade de creditamento, encargos bancários e operação de capital de giro, veja-se que a impugnante não anexou um único documento comprobatório do quanto alegado, sequer indicando quais os valores que teriam sido indevidamente considerados pelo autuante. Vale relembrar que a instituição de uma presunção pela lei tributária remete ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido não aconteceu em seu caso particular. Destarte, nenhum reparo a se fazer no procedimento do agente do Fisco. Quanto à multa de ofício, ressalte-se que em nosso sistema jurídico as leis gozam da presunção de constitucionalidade, sendo impróprio acusar de confiscatória a sanção em exame, quando é sabido que, nas limitações ao poder de tributar, o que a Constituição veda é a utilização de tributo com efeito de confisco. Esta limitação não se aplica às sanções, que atingem tão-somente os autores de infrações tributárias plenamente caracterizadas, e não a totalidade dos contribuintes. O Código Tributário Nacional autoriza o lançamento de ofício no inciso V do art. 149, litteris: Art. 149. O lançamento é efetivado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte. O artigo seguinte – 150 – citado ao término do inciso V acima transcrito trata do lançamento por homologação. A não antecipação do pagamento, prevista no caput deste artigo, caracteriza a omissão prevista no inciso citado, o que autoriza o lançamento de ofício, com aplicação da multa de ofício. Assim sendo, estando a situação fática apresentada perfeitamente tipificada e enquadrada no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que a insere no campo das infrações tributárias, outro não poderia ser o procedimento da fiscalização, senão o de aplicar a penalidade a ela correspondente, definida e especificada na lei. Isto posto, voto por julgar improcedente a impugnação, mantendo-se o crédito tributário lançado de ofício. Concordo com a posição adotada pela DRJ, uma vez que a autuação recaiu sobre a presunção de omissão de receitas. A Recorrente foi devidamente intimada a esclarecer e comprovar a origem dos depósitos identificados pela Fiscalização e se limitou a alegar, sem apresentar provas para demonstração dos fatos alegados, que parte dos valores não representariam acréscimo patrimonial. Contudo, a aplicação da presunção legal relativa não depende da efetiva comprovação da omissão de receita ou de que os valores omitidos não representam acréscimo patrimonial. Para que a segurança jurídica seja realizada basta que a presunção seja relativa, admitindo-se prova em contrário que deve ser produzida pelo Contribuinte. No caso em tela, como já se viu, a Recorrente não apresentou provas para comprovar as suas alegações, devendo ser mantida a autuação por presunção de omissão de receitas. Por fim, quanto à alegada inconstitucionalidade da multa, é sabido que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de dispositivo legal, conforme dispõe a Súmula CARF nº2. Fl. 367DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-006.496 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15889.000366/2009-54 Dessa forma, tendo em vista que a multa de ofício tem previsão legal no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 e estando presentes a hipótese que autoriza a sua aplicação, não há como acolher o pleito da Recorrente. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) André Luis Ulrich Pinto Fl. 368DF CARF MF Original
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Numero do processo: 36624.011548/2005-16
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1998
PEDIDO DE REVISÃO. OBSERVÂNCIA PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Tratando-se de Pedido de Revisão devidamente enquadrado em uma das hipóteses/pressupostos legais contidos na legislação de regência, especialmente no artigo 60 da Portaria MPS nº 88 - RICRPS, deve ser conhecido para anular o Acórdão Recorrido, mormente quando restar comprovada a existência de documentos/informações não conhecidas pelos Conselheiros por ocasião do primeiro julgamento e determinantes ao seu resultado, em observância ao princípio da verdade material.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 206-01.867
Decisão: ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em acolher o pedido de revisão para anular o Acórdão no 225/2007 proferido pela 4ª Câmara de Julgamento do CRPS; e em substituição: por unanimidade de votos em declarar a decadência das contribuições apuradas.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA
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OBSERVÂNCIA PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Tratando-se de Pedido de Revisão devidamente enquadrado em uma das hipóteses/pressupostos legais contidos na legislação de regência, especialmente no artigo 60 da Portaria MPS n° 88 - RICRPS, deve ser conhecido para anular o Acórdão Recorrido, mormente quando restar comprovada a existência de documentos/informações não conhecidas pelos Conselheiros por ocasião do primeiro julgamento e determinantes ao seu resultado, em observância ao princípio da verdade material. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's Ws 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Recurso Voluntário Provido. q*/ - _ firt :èEOUNDO CONSELHO DE CO-MNa- , • Pra. CONFERE com o ow.nrNAL ' kiViti, C. Processo n°36624.011548/2005-16 :91 -72- , 1(77 CCO2/C06 Aceram n.° 206-01.867 Fls. 202 Mika az . ..., s . . e dl( c- L-, '4 ref elfillit4c Carvalho Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em acolher o pedido de revisão para anular o Acórdão no 225/2007 proferido pela Lia Câmara de Julgamento do CRPS; e em substituição: por un. r ; ' idade de votos em declarar a decadência das contribuições apuradas.ii Ás .„„, ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente \\ \ ét , l' et t i .4 „ RYCARDO H PI • IQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA 1 (Relator . I Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Rogério de Lellis Pinto, Bernadete de Oliveira Barros, deusa Vieira de Souza, Ana Maria Bandeira e Lourenço Ferreira do Prado. 2 _ — - — - • Processo n° 36624.011548/2005-16CCM/COO Acórdão n.° 206-01.867 Fls. 203 BmúbLS MF -SE0cojt UKDI=N5g:::'115 (.27iWZ-co ,aa e larwebe Marie de Fâ cri151610mat. Slape Relatório HSBC CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS SA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorreu a este Conselho da decisão da então Delegacia da Receita Previdenciária em São Paulo/SP - Oeste, DN n° 21.003.0/0140/2006, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas pela empresa ao INSS, com fundamento na Responsabilidade Solidária do artigo 31 da Lei n°8.212/91 (redação original), correspondentes à parte dos empregados, da empresa e do financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados da empresa PIRES SERVIÇOS DE SEGURANÇA E TRANSPORTES DE VALORES LTD N., contratada para prestação de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, em relação ao período de 01/1995 a 12/1998, conforme Relatório Fiscal, às fls. 36/40. Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, lavrada em 09/12/2005, contra a contribuinte acima identificada, constituindo-se crédito no valor de R$ 180.057,95 (Cento e oitenta mil, cinqüenta e sete reais e noventa e cinco centavos). De acordo com Relatório Fiscal, o crédito foi constituído por responsabilidade solidária, em razão da recorrente não ter apresentado à fiscalização as cópias autenticadas das guias de recolhimento quitadas e respectivas Folhas de Pagamento vinculadas aos serviços prestados pela empresa contratada, que seriam capazes de comprovar o recolhimento da contribuição previdenciária relativa aos empregados da prestadora colocados a seu serviço. Tendo em vista a não apresentação da documentação solicitada pela fiscalização, em sua plenitude, o presente crédito previdenciário fora constituído por aferição indireta, com arrimo no artigo 33, § 3 0, da Lei n° 8.212/91, utilizando-se o percentual de 40% sobre o valor total do serviço prestado, nos termos da OS INSSDAF 83/1993, item 7.2, e OS INSSDAF 176/1997. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 136/155, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pretende seja decretada a nulidade da NFLD, por entender conter erro material insanável no Relatório Fiscal, uma vez que fez constar como período do débito 01/1995 a 12/1998, enquanto os demais anexos da notificação, quais sejam, DAD, DSD, FLD e o RL, apontam as competências de 09/1995 a 12/1998, como período autuado, cerceando, assim, o direito de defesa da contribuinte, que não teve a devida segurança para se defender. Ainda em sede de preliminar, requer seja reconhecida a decadência pleiteada em sua impugnação, sob o argumento que a Lei 8.212/91 não poderia definir prazo decadencial diverso do estipulado no Código Tributário Nacional, de cinco anos, sob pena de incorrer em vício insanável de ilegalidade e inconstitucionalidade, ao conflitar com normatização de hierarquia superior, violando o artigo 146, III, "b" da Constituição Federal, restando decaído o kif 3 IAF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIEk. "ES CONFERE COM O 0"MINAL C Processo n° 36624.011548/2005-16 Raedia, / CCO2JC06 Acórdão n.° 206-01.867Fls. 204 .C(--Cs—tp Maria de ratam Feueira de Ct./alho Mut Siepe 731683 crédito previdenciário lançado fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, de conformidade com o artigos 150, § 4°, do CTN, hipótese que se amolda ao caso vertente. Insurge-se contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do procedimento, aduzindo para tanto inexistir motivação à imputação da responsabilidade solidária à recorrente. Aduz que o crédito previdenciário deveria ter sido lançado contra a empresa prestadora de serviços, contribuinte originário e responsável pelo cumprimento da obrigação tributária, respondendo a recorrente tão somente pela dívida tributária já constituída. Nesse sentido, alega que a fiscalização deixou de verificar, junto à prestadora dos serviços, a existência dos créditos previdenciários ora lançados, sendo, dessa forma, irregular sua constituição. • Após tecer uma série de comentários a respeito do responsável solidário e do devedor, entendendo por distintos os dois, conclui, com base na legislação de regência, que a responsabilidade da recorrente é subsidiária. Assim, somente poderia respcnsabilizar o contratante dos serviços se e quando o pagamento da contribuição previdenciária não houver sido efetuado pelo prestador, sujeito passivo direto do tributo em comento, impondo seja declarada a nulidade do feito. Infere não ter obrigação legal de arquivar documentos contábeis da prestadora de serviços, especialmente relacionados às contribuições previdenciárias, mesmo porque a fiscalização não diligenciou junto àquela empresa para comprovar o não recolhimento das contribuições previdenciárias e a efetiva existência dos débitos, somente notificando a recorrente para tanto, devendo ser anulado o presente lançamento. Contrapõe-se ao lançamento levado a efeito com fundamento na responsabilidade solidária, argumentando que o procedimento utilizado pelo fisco previdenciário, além de se apoiar em simples presunção, malferiu da forma flagrante os princípios constitucionais da legalidade, eficiência, da verdade material, da finalidade, da impessoalidade, da moralidade e da motivação, mormente quando a fiscalização não buscou a verdade material, deixando de verificar e comprovar na prestadora de serviços a efetiva existência do débito ora exigido, não gozando, assim, de liquidez e certeza. Disserta a respeito da responsabilidade tributária e sujeição passiva, concluindo pela impossibilidade e ilegalidade da inclusão dos sócios no pólo passivo da obrigação em comento, e a conseqüente responsabilização em relação ao crédito previdenciário ora lançado, eis que não foram atendidos os requisitos necessários para tanto, inscritos nos artigos 134 e 135, do Código Tributário Nacional. Suscita que o patrimônio da pessoa jurídica de direito privado é quem responde por eventuais débitos com o fisco e não o patrimônio pessoal dos sócios, os quais têm responsabilidade subsidiária, conforme se depreende da doutrina e jurisprudência de nossos Tribunais. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos, tomando-a sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. A Secretaria da Receita Previdenciária apresentou contra-razões, às fls. 160/168, em defesa da decisão recorrida, propondo a sua manutenção. £311 4 ME - SEGUNDO CONSELHO DE CON'TIUS NTES CONFERE COM O OP IINAL • Processo n°36624.011548/2005-16 Brama 2 7 3 CCO2/C06 Acórdão n.• 206-01.867 Fls. 205dr , Maria de Ferreira de Carvalho Met Siape 751683 Após regular processamento, incluído na pauta de julgamento do dia 26/02/2007, a egrégia 4 5 Câmara do CRPS, por unanimidade de votos, ao apreciar o recurso da contribuinte, achou por bem ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão n° 225/2007, com sua ementa abaixo transcrita: "NORMAS PROCEDIMENTAIS. PRINCiPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E AMPLA DEFESA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. FALTA DE NOTIFICAÇÃO DE RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. NULIDADE DECISÃO-NOTIFICAÇÃO. Nos termos do artigo 296, parágrafo 4°, da IN 70/2002, c/c Parecer MPAS/CJ n° 2.376/2000, cópia do documento de constituição do crédito previdenciário e anexos deverá ser remetida a todos os responsáveis solidários identificados no procedimento fiscal para pagamento ou manifestação do crédito previdenciário constituído. De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, é nula a decisão de primeira instância exarada em flagrante afronta aos princípios do devido processo legal e ampla defesa. RECURSO CONHECIDO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ANULADA." Irresignado, o INSS apresentou Pedido de Revisão de Acórdão, às fls. 176/178, com fulcro no artigo 60, inciso III, da Portaria MPS n° 88 — Regimento Interno do CRPS, procurando demonstrar a sua insubsistência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Pugna pela reforma do Acórdão recorrido, alegando que a empresa prestadora de serviços fora devidamente cientificada da lavratura da presente NFLD, oportunizando-lhe a interposição de impugnação e/ou recursos que entendesse cabíveis. A fazer prevalecer seu entendimento, traz à colação Aviso de Recebimento-AR, às fls. 180, comprovando que a prestadora de serviços, de fato, tomou ciência do lançamento fiscal sob análise, inferindo ter havido simplesmente falha na montagem do processo ao deixar de juntar referido documento, não se cogitando, assim, em cerceamento do direito de defesa daquele contribuinte, ao contrário do que restou decidido no Acórdão recorrido. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu pedido de Revisão de Acórdão, impondo a reforma do julgado ora guerreado, no sentido de negar provimento ao recurso da contribuinte. Instada a se manifestar a respeito do Pedido de Revisão do INSS, a contribuinte apresentou suas contra-razões, às fls. 187/194, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, propugnando pela sua manutenção, sobretudo quando não se fizeram presentes os pressupostos de admissibilidade do pleito do INSS, especialmente a tempestividade. Com arrimo no artigo 29 da Lei n° 11.457/2007, que criou a Receita Federal do Brasil, transferindo do CRPS para o Segundo Conselho de Contribuintes a competência para julgamentos de recursos administrativos pertinentes às contribuições previdenciárias, em 5 - SBOUNDO CONSELHO LtE CONTR1131.1 c.:5 CONFERE COM O "71OINAL Processo n° 36624.011548/2005-16 BaSL CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.867 t.A.0 P Fls. 206 Maria de F Ferreira de Carvalho Mat. Siape 751683 10/07/2007, o presente Pedido de Revisão fora encaminhado a este Colegiado, em observância ao disposto no artigo 5°, § 1°, da Portaria GM/MF n° 147/2007. Submetido a exame preliminar de admissibilidade, o ilustre Presidente da 6a Câmara do 2° Conselho de Contribuintes, entendeu por bem acolher o Pedido de Revisão, com fundamento no artigo 53, § 1°, do RICRPS, inobstante não ter sido este o supedâneo de recurso do INSS, em observância ao principio da verdade material, razão pela qual determinou a remessa do processo a este Conselheiro, para inclusão em pauta, com proposta de saneamento do decisum atacado, consoante se infere do Despacho n°206-319/OS, às fls. 197/200. É o relatório. Voto Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, Relator DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE DO PEDIDO DE REVISÃO Preliminarmente, mister se faz examinar os pressupostos legais para o conhecimento e seguimento do Pedido de Revisão do Acórdão, formulado pelo INSS. Consoante se positiva do ti eciswn recorrido, a Colenda 4 3 Caj do CRPS, ao apreciar recurso voluntário da contribuinte, entendeu por bem anular a decisão de primeira instância, por preterição do direito de defesa da empresa prestadora de serviços, uma vez comprovada nos autos a efetiva ciência da lavratura da NFLD, de maneira a oportunizar-lhe o direito a ampla defesa e contraditório. Inconformado com o Acórdão atacado, o INSS apresentou Pedido de Revisão, suscitando ter ocorrido simples equivoco na instrução do processo, deixando a autoridade lançadora de colacionar aos autos Aviso de Recebimento — AR, demonstrando a cientificação da prestadora de serviços da lavratura da notificação fiscal. Em defesa de sua pretensão, fez acostar aos autos nesta assentada, às fls. 180, aludido AR, pugnando pela reforma do Acórdão recorrido, com esteio no artigo 60, inciso III, do RICRPS, por considerá-lo como documento novo. Passando à análise dos pressupostos de admissibilidade propriamente ditos, entendemos que o Pedido de Revisão do INSS merece acolhimento. De fato, como muito bem asseverado pelo ilustre Presidente desta Câmara, não se pode considerar referido AR como documento novo, cuja existência era ignorada pela parte — INSS. Entrementes, podemos admiti-lo como documento novo, desconhecido dos Conselheiros da 4a Caj quando do primeiro julgamento. Aliás, foi justamente a falta de comprovação da ciência da prestadora de serviços que ensejou a decretação da nulidade da decisão de primeira instância. Assim, uma vez sanada referida irregularidade processual, inexiste razão para manutenção do Acórdão atacado, determinando a nulidade da DN, justamente para cientificar a prestadora de serviços da NFLD. 6+ 14F - SEGUNDO Cr''' • 1100€ CONTRIBL CCONFER E et • "'MAL )? Processo n°36624.011548/2005-16 Badha, E)S-- c - CCO2/036 Acórdão n.° 206-01.867 /e • Fls. 207 Mana de FiLni- eu ora de Carvalho Mat. S . 751683 Em outras palavras, com a comprovação da ciência daquela empresa do lançamento fiscal em comento, resta totalmente improficua a providencia imposta pela Câmara recorrida, eis que o processo fiscal encontra-se perfeitamente conduzido. Mais a mais, ainda que o fundamento legal utilizado como esteio à pretensão do INSS não seja o mais adequado, não podemos fechar os olhos para a comprovação da regularidade no procedimento adotado pelo fiscal autuante, mesmo que após o primeiro julgamento, sob pena de ferir os princípios da verdade material e da economia processual, tendo em vista que a manutenção do Acórdão guerreado em nada contribui para o rápido desfecho do deslinde da controvérsia. Não bastasse isso, mister destacar outro "fato novo", qual seja, a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, declarada pelo Supremo Tribunal Federal posteriormente ao julgamento recorrido, passível de conhecimento de oficio, por tratar- se de questão de ordem, especialmente quando referida decisão influenciará diretamente na análise da demanda. Diante das razões de fato e de direito acima ofertadas, conheço do Pedido de Revisão do INSS e passo a análise das alegações constantes do recurso voluntário da contribuinte, o qual, igualmente, atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e efetuado o depósito recursal DA DECADÊNCIA Preliminarmente, vindica a contribuinte seja acolhida a decadência de 05 (cinco) anos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, em detrimento do prazo decenal insculpido no art. 45, da Lei n° 8.212/91, por considerá-lo inconstitucional, restando maculada a exigência cujo fato gerador tenha ocorrido fora do prazo encimado, hipótese que se amolda ao presente caso. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações. O artigo 45, inciso I, da Lei n° 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, senão vejamos: "Art. 45 — O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; " Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, in verbis: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1.1" 7 41 ME - SEGUNDO CONSEU10 DE COisnatanimnis CONFERE COMO omorriAL Processo n°36624.011548/2005-16 Baglia19— t jT 091 CCO21C06 Acórdão o.° 206-01.867 istfrif 01, Fls. 208 Maria de 4rerr C-dant:alho' Mat. Siapc 751683 Com mais especificidade, o artigo 150, § 4°, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: "Art. 150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. C-7 § 4°- Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destaca-se o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149, do C'TN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150, do crN, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades tributárias. Dessa forma, sendo as contribuições previdenciárias tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 40, do C'IN, conforme se extrai de recentes decisões de nossos Tribunais Superiores, uma das quais com sua ementa abaixo transcrita: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AÇÃO DECLARATÓRIA. IMPRESCRITIBILIDADE. INOCORRÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. PRAZO DECADENCL4L PARA O LANÇAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 45 DA LEI 8.212, DE 1991. OFENSA AO ART. 146, Ig B, DA CONSTITUIÇÃO 2. As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no artigo 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a 8 - SEGUNDO CONSELHO 1./è CONTRAS', nrn3s CONFERE COM O r"iniNAL Processo n° 36624.011548/2005-16 bres111*...2- 7..n9 CCOVC06 Acórdão n.° 206-01.867 e ,cue Fls. 209 Maria deLtiS Feui,,int de Cerva& Siape 751683 fixação dos respectivos p- r- azos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social." (AgRg no Recurso Especial n° 616.348 — MG - 1° Turma do STJ, Acórdão publicado em 14/02/2005 - Unânime) Mais a mais, a Constituição Federal, em seu artigo 146, é por demais enfática, clara e objetiva ao disciplinar a matéria, estabelecendo que obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários são matérias reservadas à Lei Complementar: "Art. 146. Cabe à Lei complementar: L.1 III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: 11-1 b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários;" Nesse diapasão, não faz o menor sentido prevalecer o prazo decadencial inscrito no artigo 45, da Lei n° 8.212/91, por tratar-se de lei ordinária e a matéria necessitar de lei complementar para sua regulamentação, sob pena de se ferir flagrantemente a Constituição Federal. Em verdade, o instituto da decadência, bem como da prescrição, devem ser aplicados obedecendo ao prazo qüinqüenal do Código Tributário Nacional, por se tratar de lei complementar, estando em perfeita consonância com nossa Carta Magna. Dito isso, aplicando-se o prazo decadencial do artigo 45, da Lei n° 8.212/91, qual seja, 10 (dez) anos, nos quedamos aos ditames de uma norma hierarquicamente inferior (lei ordinária) sobre o que define outra superior (lei complementar), o que é absolutamente repudiado por nosso ordenamento jurídico, sobretudo quando a Constituição Federal estabelece que referida matéria deve ser disciplinada por lei complementar, in casu, o Código Tributário Nacional, a qual para aprovação necessita de quorum qualificado, diferente da lei ordinária. Deve-se frisar, ainda, que o entendimento de que a Lei n° 8.212/91, por ser lei especial, deve sobrepor ao CTN (norma geral) também não tem o condão de prosperar. A norma geral serve justamente como base, para nortear, todas as outras normas especiais, não podendo estas se contraporem ao que delimita àquela, especialmente quando a matéria está reservada a lei complementar por força da Constituição Federal, tendo em vista a hierarquia material, hipótese que se amolda ao presente caso. Se assim não fosse, de que serviriam as normas gerais, se a qualquer momento pudessem ser revogadas por leis especiais hierarquicamente inferiores. Observe-se que o principio da especialidade poderá ser aplicado quando duas leis hierarquicamente iguais se contraporem, por exemplo, duas leis ordinárias, ou quando a matéria não for reservada constitucionalmente a lei complementar, e estiver prevista concomitantemente nesta última e em lei ordinária, o que não se vislumbra na hipótese vertente. 9 ME - SEGUNDnentiSii: CONTRib.• CONVIRE COM O n'191INAL Processo e 36624.011548/2005-16 , g CCO21C06 Acórdão n.° 206-01.867 Fls. 210 Maria de P ateira de Carvalho Md. Siape 751683 A sujeição das contribuiçoes previ d encianas às normas gerais de direito tributário já foi chancelada em diversas oportunidades por nossos Tribunais Superiores e corroborada pela doutrina, conforme se extrai do excerto da obra DIREITO DA SEGURIDADE SOCIAL, de autoria de Leandro Paulsen e Simone Barbisan Fortes, nos seguintes termos: "As Contribuições especiais, dentre as quais as contribuições de seguridade social, por configurarem tributo, sujeitam-se, ainda, às normas gerais de direito tributário que estão sob a reserva de lei complementar (art. 146, HL do CF). O STF, em novembro de 2003, mais uma vez reafirmou este entendimento, conforme se vê da explicação de voto do Min. Carlos Velloso: [..] as contribuições estão sujeitas, hoje, à lei complementar de normas gerais (C.P., art. 143, III). Antes da Constituição de 1988, a discussão era extensa...Então, o que fez o constituinte de 1988? Acabou com as discussões, estabelecendo que às contribuições aplica-se a lei complementar de normas gerais. vale dizer, aplica-se o Código Tributário nacional, especialmente, no que diz respeito à obrigacão lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários (C F. art. 146. inciso HL b) . e quanto aos impostos, a lei complementar definiria os respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes (CF, art. 146, III, a). (STF, RE 396.266-3/SC, nov/2003) 1 As contribuições sujeitam-se às normas gerais de direito tributários estabelecidos pelo Livro II do C7?1 (art. 96 em diante), do que são exemplo o modo de constituição do crédito tributário, as hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, os prazos decadencial e prescricional e as normas atinentes à certcação da situação do contribuinte perante o Fisco. [..] " (Direito da Seguridade Social: prestações e custeio da previdência, assistência e saúde — Simone Barbisan Fortes, Leandro Paulsen — Porto Alegre: Livraria do Advogado Ed., 2005, págs. 356/358) (grifamos) Ademais, ao admitirmos o prazo decadencial inscrito na Lei n° 8.212/91, estamos fazendo letra morta da nossa Constituição Federal e bem assim do Código Tributário Nacional. Nesse sentido, foi entendimento da Egrégia Primeira Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça que, ao analisar o Recurso Especial n° 616.348, em 15/08/2007, decidiu por unanimidade de votos declarar a inconstitucionalidade do artigo 45, da Lei n° 8.212/91, senão vejamos: "CONSTITUCIONAL, PROCESSL'Al CIVIL E TRIBUTÁRIO. INCIDENTE DE INCONS77TUCIONALIDADE. DO ARTIGO 45 DA LEI 8212, DE 1991. OFENSA AO AR?'. 146, HL B, DA CONSTITUIÇÃO. 141 - SEOUNDn olms E LHO DE CONTR1B. 'NE CONFERE 011‘1 O nrintrOIL • Processo n° 36624.011548/2005-16 9 9 - n (99 CCO21C06 Ac6rdão n.° 206-01.867 as (Cie—e e) fls. 211 Maria de kali= Fez ima de Carvalho Mai. Siape 751683 1. As contribuições sociais, - inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social. 2. Argüição de inconstitucionalidade julgada procedente." Como se observa, a decisão encimada espelha a farta e mansa jurisprudência judicial a propósito da matéria, impondo seja aplicado o prazo decadencial inscrito no CTN, igualmente, para as contribuições previdenciárias. Aliás, esse sempre foi o posicionamento deste Conselheiro que, somente não admitia o prazo qüinqüenal para as contribuições previdenciárias em virtude do disposto na Súmula n° 02, do 2° Conselho de Contribuintes, a qual determina ser defeso ao julgador administrativo afastar a aplicação de legislação vigente a pretexto de inconstitucionalidade. Entrementes, após melhor estudo a respeito do tema, levando-se em consideração os recentes julgados da P Turma da CSRF, concluímos que o fato de afastar os ditames do artigo 45, da Lei n° 8.212/91, aplicando-se os artigos 150, § 4°, ou 173 (no caso de fraude comprovada) do CTN, não implica dizer que estar-se-ia declarando a inconstitucionalidade do dispositivo legal daquela lei ordinária. Com efeito, se assim o fosse, ao admitir o prazo estipulado no artigo 45, da Lei n° 8.212/91, em detrimento ao disposto nos artigos 150, § 4°, e 173, do CTN, igualmente, estaríamos declarando a inconstitucionalidade dessas últimas normas legais. No entanto, após muitas discussões a propósito da matéria, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE's nt's 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante n° 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco. "Súmula n° 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." Registre-se, ainda, que na mesma sessão plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tune para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. 11 (k' MF SEGUNnn CONSELHO DE CONTROL rrES CONFERE COM C "^IONAL Processo n° 36624.011548/2005-16 O 5-- CE/ CCO2/C06 Acórdão n.• 206-01.867 Fls. 212 Maria de reCtegalá" sireir7esiria683de C--ear72—Caito Assim, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de acolher o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, na forma do Código Tributário Nacional, em observância aos preceitos consignados na Constituição Federal, CTN, jurisprudência pacífica e doutrina majoritária. Na hipótese dos autos, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 09/12/2005, com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto do processo, a exigência fiscal resta totalmente fulminada pela decadência, uma vez que os fatos geradores ocorreram durante o período de 01/1995 a 12/1998, fora, portanto, do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (150, § 4 °, ou 173, do CTN), impondo seja decretada a improcedência do feito. Por todo o exposto, estando a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD sub examine em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE ACOLHER O PEDIDO DE REVISÃO DO INSS, ANULAR O ACÓRDÃO N° 225/2007, CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DAR-LHE PROVIMENTO, acolhendo a preliminar de decadência, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Sala das Sessões, em 05 de fevereiro de 2009 Í, th I "glit II° RYCARD6" .RIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 1 12 Page 1 _0064600.PDF Page 1 _0064700.PDF Page 1 _0064800.PDF Page 1 _0064900.PDF Page 1 _0065000.PDF Page 1 _0065100.PDF Page 1 _0065200.PDF Page 1 _0065300.PDF Page 1 _0065400.PDF Page 1 _0065500.PDF Page 1 _0065600.PDF Page 1
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Numero do processo: 13675.000186/2002-86
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo administrativo Fiscal
Ementa: PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO. INTIMAÇÃO DO
SUJEITO PASSIVO. DESNECESSIDADE EM CASO DE CLAREZA NA
INFRAÇÃO.
Havendo certeza da existência da infração pela autoridade administrativa, desnecessária a intimação do sujeito passivo para prestar esclarecimentos como requisito formal para o lançamento.
Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. NOVOS ARGUMENTOS
TRAZIDOS AO PROCESSO SEM APRECIAÇÃO DA INSTÂNCIA
ORIGINÁRIA. NÃO CONHECIMENTO.
De acordo com os arts. 16, III, e 17, do Decreto nº 70.235/72, não são passíveis de conhecimento em sede recursal argumentos novos, que não tenham sido apreciados pela instância a quo.
Recurso Voluntário conhecido em parte e negado.
Numero da decisão: 3802-000.597
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário..
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo administrativo Fiscal Ementa: PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO. INTIMAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. DESNECESSIDADE EM CASO DE CLAREZA NA INFRAÇÃO. Havendo certeza da existência da infração pela autoridade administrativa, desnecessária a intimação do sujeito passivo para prestar esclarecimentos como requisito formal para o lançamento. Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. NOVOS ARGUMENTOS TRAZIDOS AO PROCESSO SEM APRECIAÇÃO DA INSTÂNCIA ORIGINÁRIA. NÃO CONHECIMENTO. De acordo com os arts. 16, III, e 17, do Decreto nº 70.235/72, não são passíveis de conhecimento em sede recursal argumentos novos, que não tenham sido apreciados pela instância a quo. Recurso Voluntário conhecido em parte e negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 30/1 2/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. EDITADO EM: 06 –072011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Tatiana Midori Migiyama, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte epigrafado contra o Acórdão 02 11446 de 21 de agosto de 2006, de lavra da 1ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte/MG. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem resumir a controvérsia até a respectiva fase processual, tomo emprestado a descrição fática lançada no acórdão da instância a quo acima referido (fl. 44 dos autos): Lavrouse contra a contribuinte aqui identificada o presente Auto de Infração (fls. 06/12), relativo à Contribuição para o PIS, totalizando um crédito tributário de R$3.793,40, incluindo multa de oficio e juros moratórios, correspondente aos meses de outubro a dezembro/1997. Em consulta à "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal — PIS/1997" (Il. 07), verificase que a autuação é resultado de procedimento de auditoria interna da DCTF, na qual foi apurada "falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata. O Anexo Ia (fl. 08) indica a ocorrência de "Pgto não Localizado" para os meses de outubro, novembro e dezembro/1997, nos valores de R$893,16, R$299,65 e R3244,68, respectivamente. Os dispositivos legais infringidas constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do referido Auto de Infração. Irresignada, tendo sido cientificada em 12/06/2002 (E 28), a empresa apresentou, em 24/06/2002, a impugnação de fls. 01/03, alegando, em síntese, que: Preliminarmente, observa que a falta de intimação à contribuinte para explicação das supostas diferenças havidas entre os controles da SRF e os pagamentos/compensações efetuados tem o poder de macular de nulidade todo o feito fiscal, uma vez que normas administrativas que o vinculam estão sendo descumpridas. Acrescenta que a IN SRF n° 94/97, que dispõe acerca das normas relativas ao lançamento suplementar de tributos e contribuições federais, estabelece uru procedimento de fiscalização que, definitivamente, não foi observado pelo autor do Auto de Infração. Cita o art. 30 da precitada IN para afirmar que a intimação para prestar esclarecimentos sobre as divergências ê obrigatória, Fl. 2DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 30/1 2/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13675.000186/200286 Acórdão n.º 380200.597 S3TE02 Fl. 75 3 somente sendo dispensada no caso em que a infração esteja claramente demonstrada, o que não é, nem de longe, a hipótese dos autos. Por estes motivos, requer seja declarada a nulidade do Auto de infração. No mérito, alega que é indevida a cobrança, fazendo anexar os Darf de fls. 21/22. Pronunciouse a DRF Divinópolis, às fls. 31/32, concluindo não ser possível rever de oficio o lançamento, cai face de terem sido os Darf recolhidos em Cnpj de estabelecimentos filiais, e ainda com vencimentos e recolhimentos diferentes do estabelecido pelas normas em vigor. Ao analisar a impugnação oposta à ação fiscal, a 1ª. Turma da DRJ de Belo Horizonte/MG entendeu pela procedência parcial do lançamento tributário, refutando na sua maioria os argumentos expendidos na peça defensiva do sujeito passivo. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 Ementa: EXTINÇÃO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A extinção do crédito tributário somente ocorre nas hipóteses expressamente previstas na legislação vigente. Lançamento Procedente em Parte Vale frisar, desde já, que a DRJ reconheceu o erro no preenchimento do DARF pelo sujeito passivo, efetuando as deduções correspondentes. Porém, ainda assim, remanesceu diferença de PIS a recolher, após efetuada a imputação do pagamento pelo próprio sistema Sicalc. Em seu Recurso Voluntário (fls. 4448), que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, pelo qual reitera o argumento de nulidade do lançamento pela necessidade de intimação do procedimento fiscal (nos termos da IN 94/97), além de trazer (i) um novo argumento de nulidade do auto de infração ante a sua duplicidade de cobrança com o débito confessado em DCTF, bem como (ii) um novo argumento de mérito, referente ao recolhimento pela semestralidade do PIS, o que, supostamente, seria motivo para o cancelamento da autuação. Os autos então seguiram ao CARF para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi, Relator O recurso se mostra admissível quanto à sua tempestividade. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 30/1 2/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 No que toca as preliminares argüidas, algumas observações se fazem necessárias. Em primeiro lugar, relativamente ao pleito de nulidade do auto de infração por não ter ocorrido intimação do Recorrente quanto às medidas preparatórias de fiscalização, nos termos do art. 3o da IN 94/97, esta não merece acolhida. Isso porque, sucintamente, o parágrafo único do art. 3o da própria IN ressalva os casos em que for clara a ocorrência de infração. No caso em tela, tendose identificado falta de recolhimento de tributos sob certo código de receita e estabelecimento indicados na DCTF, desnecessário intimarse o sujeito passivo para maiores explicações. É farta a jurisprudência do Conselho nesse sentido. A conseqüência básica disso foi a lavratura de auto de infração, o qual, como qualquer modalidade de lançamento, está sujeita a revisão de ofício ou por iniciativa do sujeito passivo – exatamente o que ocorreu no caso em tela, já que, por impugnação, iniciouse o procedimento administrativo revisional. Não há, portanto, qualquer prejuízo ao sujeito passivo que justifique a anulação do lançamento, valendo o brocardo pas de nullité sans grief. Rejeitada, portanto, essa preliminar. O Recorrente traz ainda um segundo argumento em sede preliminar, referente à nulidade do lançamento por duplicidade de cobrança entre DCTF e auto de infração. Ocorre que esse argumento não foi aduzido na instância originária, motivo pelo qual não pode o CARF apreciarlhe sob pena de supressão de instância, além de restar malferido os arts. 16, III, e 17, do RPAF, que exigem sejam explicitadas na impugnação todos os argumentos de defesa do sujeito passivo. Passo então ao exame do mérito. Compulsando os autos, verificase que remanescem no lançamento diferenças de PIS relativas aos períodos de outubro, novembro e dezembro de 1997. O Recorrente pretende anular o auto de infração com um único argumento de mérito, qual seja o fato de ter obtido decisão favorável quanto à semestralidade do PIS até o advento da lei 9.715/98. Ocorre que esse argumento não pode prosperar, isso porque sequer pode ser conhecido, pois, assim como a nova argüição de nulidade, não foi aduzido na impugnação. E ainda que pudesse ser conhecido, o caso em tela não discute o período de recolhimento da contribuição para o PIS, mas apenas e tão somente exige valores que não foram recolhidos. Em virtude do supracitado, conheço parcialmente do presente recurso para NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Fl. 4DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 30/1 2/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13675.000186/200286 Acórdão n.º 380200.597 S3TE02 Fl. 76 5 Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 5DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 30/1 2/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 13161.721118/2016-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 3401-002.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem promova a juntada ao processo de todos os documentos recebidos em respostas às intimações. Após, os autos devem retornar para este colegiado para prosseguimento do julgamento.
(documento assinado digitalmente)
Arnaldo Diefenthaeler Dornelles - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Carolina Machado Freire Martins Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo Garcia Dias dos Santos, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Winderley Morais Pereira, Fernanda Vieira Kotzias, Renan Gomes Rego, Carolina Machado Freire Martins, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: CAROLINA MACHADO FREIRE MARTINS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem promova a juntada ao processo de todos os documentos recebidos em respostas às intimações. Após, os autos devem retornar para este colegiado para prosseguimento do julgamento. (documento assinado digitalmente) Arnaldo Diefenthaeler Dornelles - Presidente (documento assinado digitalmente) Carolina Machado Freire Martins – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo Garcia Dias dos Santos, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Winderley Morais Pereira, Fernanda Vieira Kotzias, Renan Gomes Rego, Carolina Machado Freire Martins, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório Na origem, trata-se o presente processo de Pedido de Ressarcimento de crédito relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Não Cumulativa – Mercado Interno, apurada no 3º trimestre de 2006. O pedido de ressarcimento abrangia créditos básicos (calculados sobre “despesas de aluguéis de prédios pagos a pessoas jurídicas”, “despesas de energia elétrica” e “despesas de armazenagem e fretes nas operações de venda”) e crédito presumido relativo a atividades agroindustriais. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 31 61 .7 21 11 8/ 20 16 -4 0 Fl. 520DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 3401-002.710 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13161.721118/2016-40 De acordo com o Despacho Decisório, o Pedido de Ressarcimento foi indeferido porque a partir de agosto de 2004 passou a ser vedado às pessoas jurídicas cerealistas o aproveitamento do crédito presumido relativo às vendas à agroindústria; e vedado, também, o crédito em relação às vendas efetuadas por cerealistas, com suspensão, para agroindústrias. Irresignada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada parcialmente procedente pela 4ª Turma da DRJ em Salvador/BA, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CEREALISTA. CRÉDITO PRESUMIDO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos relacionados no inciso I do artigo 8º da Lei nº 10.925, de 2004, é considerada cerealista, sendo-lhe vedado apurar o crédito presumido de que trata o referido artigo. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. VENDAS COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DOS CRÉDITOS VINCULADOS A ESSAS OPERAÇÕES. O artigo da Lei nº 11.033, de 2004, estabelece que as vendas efetuadas com suspensão não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações, excetuados quando decorrentes da aquisição dos insumos utilizados nos produtos agropecuários previstos no art. 8º da Lei n° 10.925, de 2004. RESSARCIMENTO. SELIC. VEDAÇÃO LEGAL Por expressa previsão legal, incabível atualização monetária ou incidência de juros sobre o crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Cofins, passível de ressarcimento. Em face da decisão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, por meio do qual alegou, em suma, que: - o processo de beneficiamento se amolda ao conceito de industrialização por beneficiamento prevista nos artigos 3º e 4º do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI; - a prova do suporte do ônus da despesa com fretes pode ser feita através de um conjunto probatório, mesmo na ausência do CTRC, sobretudo diante dos comprovantes de pagamentos apresentados, devendo ser buscada a verdade real dos fatos, não se limitando o julgador a analisar isoladamente um ou outro documento; - a atualização monetária pela taxa acumulada Selic prevista no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/1995 deve incidir sobre os créditos, desde a apuração até o seu efetivo ressarcimento em espécie e/ou compensação com débitos próprios, pois o Fisco demorou mais de 7 anos para analisar o pedido de ressarcimento, o que caracteriza afronta ao art. 24 da Lei nº 11.457/2007, em flagrante óbice indevido ao recebimento do ressarcimento legalmente Fl. 521DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 3401-002.710 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13161.721118/2016-40 instituído, causando perda do poder aquisitivo do crédito e enriquecimento sem causa da União Federal. Ao recurso, foram juntados documentos já entregues durante a etapa de fiscalização dos créditos, bem como nova documentação contábil. É o relatório. Voto Conselheira Carolina Machado Freire Martins, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, de modo que o conheço e passo a apreciá-lo. A DRJ desconstituiu em parte a glosa, considerando fretes decorrentes de vendas com suspensão ou isenção. Em relação à parte das despesas com frete cujas glosas foram mantidas, a questão controversa se resume, desde o Despacho Decisório, à não apresentação do Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas – CTRC: Conforme destacado pela instância de piso, é de se observar que a Recorrente nada disse acerca de outros itens glosados pela Fiscalização, como “Destinatário e remetente é Geneall” e “Não é operação de venda – destinatário Geneall”, refutando apenas a não apresentação/localização do respectivo CTRC, razão pela qual a presente análise se restringirá a essa única matéria que compôs a lide, declarando-se preclusos os demais fundamentos dos procedimentos realizados pela Fiscalização em decorrência da ausência de contestação expressa. A manutenção da glosa sobre fretes que não teriam sido comprovados foi justificada pela DRJ à luz do ônus da comprovação do direito creditório, atribuído a quem Fl. 522DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 3401-002.710 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13161.721118/2016-40 pleiteia, por se tratar de um pedido de ressarcimento. Além disso, segundo aquela instância, o CTRC é documento obrigatório e imprescindível para a comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, sendo necessário para se que se verifique, inclusive, a natureza do serviço prestado: Glosas de créditos. Documentos comprobatórios não apresentados. As bases de cálculo elencadas nas planilhas fornecidas pela contribuinte foram parcialmente consideradas pela autoridade fiscal. As despesas glosadas estão discriminadas no Anexo VIII, IX e X. ... A interessada reconhece que não apresentou tais CTRC durante a fiscalização, creditando esse fato ao longo período transcorrido entre a data de formalização do pedido de ressarcimento e a data da intimação da DRF para análise dos valores. Mas também não o fez com a Manifestação de Inconformidade. Deve-se ter em mente que o ônus da comprovação do direito creditório é de quem pleiteia, pois se trata de um pedido de ressarcimento, de seu exclusivo interesse. O CTRC é documento obrigatório e imprescindível para a comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, sendo necessário para se que se verifique, inclusive, a natureza do serviço prestado. A não entrega dos CTRC à Fiscalização não pode ser suprida simplesmente pela apresentação de comprovantes de pagamento, tal como alega a interessada – embora com a Manifestação de Inconformidade nem mesmo tenha buscado dessa forma comprovar o direito ao crédito, pois nenhum documento adicional foi anexado aos autos. Quem deve provar que tem o direito aos créditos, no caso, é a contribuinte que pede o ressarcimento. De acordo com o art. 36 da Lei n° 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da administração pública federal, o ônus da prova incumbe a quem alega, sendo essa disposição também encontrada no art. 373, I, do Código de Processo Civil, Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015, que se aplica subsidiariamente ao Decreto n° 7.574, de 2011: ... Reitere-se, particularmente acerca da restituição/compensação, o ônus da formação da prova do direito creditório foi atribuído legalmente à contribuinte, a fim de demonstrar a certeza e liquidez do pleito, nos termos do art. 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN. Não pode a interessada valer-se do pedido de realização de diligência para suprir a apresentação de documentação comprobatória por ela não anexada ao processo. Aliás, como bem alegou a manifestante, “remanescendo dúvidas por parte dos julgadores”, realiza-se a diligência, mas no presente caso a interessada requer a devolução do processo à Unidade de origem para que a autoridade a quo faça o confronto dos CTRC com os pagamentos apresentados em resposta aos itens 17, 18 e 19 da Intimação Fiscal. Por outro lado, a Recorrente defende que a prova do suporte do ônus da despesa com fretes pode ser feita através de um conjunto probatório, razão pela qual a autoridade a quo solicitou um conjunto de dados para tal confirmação durante a etapa de fiscalização. Em resposta, teriam sido entregues não apenas os documentos comprobatórios dos pagamentos dos fretes, como também contratos firmados com as Transportadoras, controles financeiros internos Fl. 523DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 3401-002.710 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13161.721118/2016-40 gerados para realização do pagamento, o respectivo comprovante da operação bancária de transferência para a Transportadora, assim como as respectivas notas fiscais de vendas. A contribuinte também pontua que os documentos dos fretes sobre vendas constam registrados nos arquivos do SINTEGRA entregues oportunamente ao Fisco Estadual, em substituição aos Livros Fiscais, na forma da legislação de regência. Sobre o rol de documentos apresentados e que, portanto, poderiam ser analisados pela Autoridade Fiscal em relação ao frete, durante a etapa de fiscalização restou solicitado o seguinte: Em resposta, a Recorrente entregou o seguinte: Fl. 524DF CARF MF Original Fl. 6 da Resolução n.º 3401-002.710 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13161.721118/2016-40 Posteriormente, apresentou a título de complementação: Na oportunidade, a contribuinte também esclareceu: a) O contribuinte, quando do pagamento dos Fretes (CTRC), o fazia de maneira agrupada, ou seja, um único pagamento para vários CTRC emitidos em dias e até meses diferentes. Assim, periodicamente, conforme data de vencimento, o contribuinte reunia os CTRC de um determinado período (dia/semana/decêndio) e o financeiro emitia um único pagamento global para determinada transportadora. Fl. 525DF CARF MF Original Fl. 7 da Resolução n.º 3401-002.710 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13161.721118/2016-40 b) Haja vista a forma como foram feitos os pagamentos, neste momento, por ocasião da juntada dos documentos dos CTRC para cumprimento da presente intimação, o contribuinte entende que a forma mais organizada de proceder à juntada dos documentos para que fiquem relacionados entre si, é agrupar os vários CTRC's (emitidos a cada operação de frete) ao comprovante de pagamento global, de modo que os correspondentes documentos fiscais e financeiros fiquem agrupados. c) Deste modo, visando facilitar a verificação por parte da RFB, as planilhas em Excel e as digitalizações solicitadas nos itens 18 e 19, não se apresentam segregadas por mês, mas sim agrupadas por data de pagamento, de modo que os CTRC podem não se apresentar em rígida ordem cronológica, pois isso não permitiria a relação entre CTRC e comprovante de pagamento. A Recorrente afirma ainda ter relacionado a despesa lançada na contabilidade com os lançamentos do extrato bancário para comprovar o pagamento das despesas em relação aos CTRC’s não localizados: Oportuno apresentar um breve descritivo de como estão dispostos os documentos ora acostados para suprir a ausência/deficiência de juntada pela fiscalização que os analisou. Como dito, os anexos visam demonstrar o alegado, no que tange às comprovações de pagamentos efetuados a empresas transportadoras, referente aos quais foram glosados créditos de contribuições com a justificativa da não apresentação dos conhecimentos de transportes. No ANEXO III, consta arquivo em Excel onde foram realizados confrontos entre os fretes glosados em despacho decisório com relação de pagamentos aos transportadores. Dentro desse arquivo, nas abas nomeadas como “Anexo VIII”, “Anexo IX” e “Anexo X”, constam os referidos anexos mencionados em acórdão da DRJ, referente aos “fretes glosados” pelo julgador a quo, onde o PDF anexado pela auditora foi transformado em Excel para facilitar o confronto de informações. Na coluna “I” das abas dos Anexos VIII, IX e X, constam quando foram realizados o pagamento de determinado CTRC. Na aba “Relação de Pagamentos”, Constam as somatórias de CTRC´s que compõem determinado pagamento. Na Coluna “P”, constam a qual anexo determinado pagamento de CTRC está Vinculado. As linhas pintadas em “amarelo”, constam as somatórias de pagamentos, os quais estão vinculados aos comprovantes de pagamentos anexados no arquivo ANEXO IV. No ANEXO IV, estão os borderôs e os comprovantes de transferências para as transportadoras, referente às prestações de serviços do transporte, vinculados ao Excel do ANEXO III. Estão na mesma ordem em que constam na aba “Relação de Pagamentos”, por data de pagamento. Ao final, conclui que os documentos apresentados devem ser considerados suficientes para suprir a ausência dos CTRCs, tendo em vista que para fins de apuração do crédito, faz-se imperiosa a comprovação de que as despesas com frete nas operações de venda efetivamente ocorreram, foram comprovadas e devidamente contabilizadas, ressaltando não ter verificado nos autos a juntada na íntegra destes documentos. Fl. 526DF CARF MF Original Fl. 8 da Resolução n.º 3401-002.710 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13161.721118/2016-40 Realmente, ao que parece, nem todos os documentos apresentados foram acostados aos autos. Constam os comprovantes de entrega de arquivos, mas não se verifica o seu conteúdo: Nesse contexto, primeiramente, é indiscutível a necessidade de que todos os documentos estivessem constando dos autos, já que o destinatário direto das provas, conforme art. 371 do CPC, é o julgador, ou ainda, o processo em sentido amplo. Além disso, a exigência da juntada mostra-se ainda mais relevante considerando- se a linha de defesa adotada pela contribuinte, já na manifestação de inconformidade, pugnando justamente ao pela análise do conjunto probatório apresentado. Dessarte, de acordo com a alegação principal utilizada pela instância de piso para manutenção das glosas, no sentido de que o CTRC é documento obrigatório e imprescindível para a comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, de modo que a análise dos demais documentos, ainda que estivessem nos autos, poderia ser considerada secundária e até desnecessária, há de se atentar que a Autoridade Julgadora não apenas ignora a ausência de juntada dos documentos em apreço, como também afirma que não houve esmero por parte da Recorrente em alternativamente a não apresentação dos CTRCs, juntar documentos adicionais: A não entrega dos CTRC à Fiscalização não pode ser suprida simplesmente pela apresentação de comprovantes de pagamento, tal como alega a interessada – embora com a Manifestação de Inconformidade nem mesmo tenha buscado dessa forma Fl. 527DF CARF MF Original Fl. 9 da Resolução n.º 3401-002.710 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13161.721118/2016-40 comprovar o direito ao crédito, pois nenhum documento adicional foi anexado aos autos. Por tudo isso, entendi pela falta de apreciação por parte da autoridade julgadora de documentos apresentados na etapa de fiscalização, sequer constante dos autos, o que importaria em cerceamento direito de defesa, ensejando a nulidade da decisão nos moldes previstos no art. 59, item II, do Decreto nº 70.235/72. Contudo, tendo saído vencida, aderi à posição da maioria da Turma no sentido da conversão do julgamento em diligência. Conclusão Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem promova a juntada ao processo de todos os documentos recebidos em respostas às intimações. Após, os autos devem retornar para este colegiado para prosseguimento do julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Carolina Machado Freire Martins Fl. 528DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13629.001096/2007-72
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/05/1995 a 31/12/1996
DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 -
INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE.
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45
e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo
prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas
Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de
sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em
relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração
pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 206-01.722
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas. Ausente ocasionalmente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/1995 a 31/12/1996 DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Recurso Voluntário Provido.
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De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Recurso Voluntário Provido. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. •- CtfrxilCráiraarasAl. Processo n° 13629.00109612007-72 Brasília,- CCO2/C06 Acórdão n.°206-01.722 Ma girt; ra ,TP,W Fls. 279Maria ae Fatima --,^ . • orvalho 61atr Seape 751683 • ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas. Ausente ocasionalmente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente AttfilágtiftDEIRA Relatora • • Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Deusa Vieira de Souza e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo e 13629.001096/2007-72CCO2/C06ty-----5-kfouta ctImana Acórdão n.' 206-01.722 rramE COM O ORiGINAL Fls. 280 Brasaia,•24/1~ IkAwea ae &Mima F - : .7,3"rvilefflo MOO Siaae 751693 Relatório Trata-se de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados, da empresa e as destinada ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. O Relatório Fiscal (fls. 27/31) informa que as contribuições foram lançadas com base no instituto da responsabilidade solidária em razão da notificada haver contratado serviço realizado mediante cessão de mão de obra, uma vez que a recorrente não apresentou a documentação necessária e suficiente à elisão da solidariedade. A notificada apresentou defesa (fls. 60/98), onde alega ocorrência de vício formal em razão da ausência de autuação da contratada. Entende que seria necessário realizar diligência para evitar a exigência dúplice e afirma que a contratada teria sido fiscalizada. Afirma que ocorreu a decadência do direito de lançar e alega a necessidade de aplicação da legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador. Considera que não existe responsabilidade do tomador de serviços perante as contribuições do fornecedor de material com colocaçãO, bem como do prestador de serviços. Entende não ser possível o arbitramento das contribuições face à regularidade da escrituração contábil da contratada e afirma que houve o efetivo recolhimento das contribuições por parte do prestador de serviços. Finaliza alegando o caráter confiscatório da multa aplicada e inaplicabilidade da taxa de juros SELIC. O lançamento foi considerado procedente pela Decisão-Notificação n° 218/2007 (fls. 160/175). A notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 183/223) onde não inova em nada. Não houve apresentação de contra-razões. É o relatório Voto - Conselheira ANA MARIA BANDEIRA, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. 3 2° CC/MF - Sexta Camara CONFERE COMO ORIGINAL Processo n° 13629.001096/2007-72 Brasilia. 11'/ 55/A / CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.72! RI' 'tf/ Pin"Mana de Fátima Fe de Carvalho Fls. 281 Matr. Siso° 751683 Dentre as preliminares apresentadas, a recorrente alega que teria ocorrido a decadência do direito de constituição do crédito objeto da presente notificação. O lançamento em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei n° 8.212/1991, que trata da decadência das contribuições previdenciárias da seguinte forma: . "Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada." A constitucionalidade do dispositivo encimado sempre foi objeto de questionamento, seja no âmbito administrativo, como no caso em tela, seja no âmbito judicial. Em sede do contencioso administrativo fiscal, em obediência ao principio da legalidade e, considerando que o art. 45 da Lei n° 8.212/1991 encontra-se vigente no ordenamento jurídico pátrio, as alegações a respeito da constitucionalidade do citado artigo não eram acolhidas. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários n° 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n°8212/91. . Em decisão unânime, o entendimento dos ministros foi no sentido de que o artigo 146, III, 'h' da Constituição Federal, afirma que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante n° 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." Vale lembrar que o art. 49 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, em caráter excepcional, autoriza no inciso I do § único, a não aplicação de dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal, que é o caso. O dispositivo citado encontra-se transcrito abaixo: "Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento • de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: 4 2° CCi/VIF - Sexta Cânta•-a CONFERE COM O ORieltjAL Processo n° 13629.001096/2007-72 Brasaia: 242 O," / CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.722 Mana Ge Fatirtla Fer çzfl 1,971r ' lis.. 282 a Mau Slape 7516/3C :h- o 1 - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (g. n.)" Apenas o contido no Regimento Interno do Conselho de Contribuintes já autorizaria, nos julgados ocorridos a partir das decisões da Egrégia Corte, declarar a extinção dos créditos, cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo de cinco anos previsto no art. 173 e incisos ou § 4° do art. 150, ambos do Código Tributário Nacional, o qual passa a ser aplicado no caso da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei n°8.212/1991. Não obstante, ainda é necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103-A e parágrafos, da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional n° 45/2004. in verbis: "Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1 0 A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processas sobre questão idêntica. § 2" Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3" Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n)." Da leitura do dispositivo constitucional, pode-se concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. E mais, no termos do artigo 64-B da Lei n° 9.784/99, com a redação dada pela Lei n° 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. "Art. 64-B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, dar-se-á ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal." 2- C C/NIF - Sexta Cã n.•. CONE tEREQC rin O ORITGVAL tProcesso n° 13629.00109612007-72 Brasiha. / Pg , e CCO2/C06 Acórdão n.°206-01.722 Mana cie ta ..ZriTIZ RO"; ar, lurir Fls. 283M tit , aor . 7bit383 Da análise do caso concreto, verifica-se que o período do lançamento correspondente à 01/05/1995 a 31/12/1996. O Mandado de Procedimento Fiscal — MPF foi entregue ao contribuinte em 17/05/2004 e o lançamento foi efetuado em 18/08/2004, data da intimação do sujeito passivo. Portanto, conclui-se nos termos do Código Tributário Nacional, seja pela aplicação do art. 150, § 40, seja pela aplicação do art. 173, inciso I, ocorreu a decadência do direito de constituição dos créditos objeto da presente NFLD. Pelo exposto e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto por CONHECER do recurso, ACOLHER A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA para DAR-LHE PROVIMENTO. Sala das Sessões, em 04 de dezembro de 2008 • BA19(RA 6 _ _ Page 1 _0017400.PDF Page 1 _0017500.PDF Page 1 _0017600.PDF Page 1 _0017700.PDF Page 1 _0017800.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 35346.000026/2004-63
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/08/2000 -
PEDIDO DE REVISÃO. OBSERVÂNCIA PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Tratando-se de Pedido de Revisão devidamente enquadrado em uma das hipóteses/pressupostos legais contidos na legislação de regência, especialmente no artigo 60, da Portaria MPS n° 88 - RICRPS, deve ser conhecido para anular o Acórdão Recorrido.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ÓRGÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 30, VI DA LEI N° 8212/91.
1-De acordo com o artigo 34 da Lei n° 8212/91, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas elo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal e lançamento, pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia -SELIC incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.
2-Nos termos do art. 49 do Regimento Interno deste Conselho é vedado ao Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, sem que tenham sido assim declaradas pelos órgãos competentes. A matéria encontra-se sumulada, de acordo com a Súmula n° 2 do 2° Conselho de Contribuintes.
3-Nos termos do Parecer da Advocacia-Geral da União n° AC - 055, de 08.11.2006, a responsabilidade solidária nas obras de construção civil não se aplica aos entes da Administração Pública.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 206-01.637
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em acolher o pedido de revisão para anular o Acórdão n° 00805/2004 proferido pela 2ª Câmara de Julgamento do CRPS; e em substituição: II) no mérito em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1999 a 31/08/2000 - PEDIDO DE REVISÃO. OBSERVÂNCIA PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Tratando-se de Pedido de Revisão devidamente enquadrado em uma das hipóteses/pressupostos legais contidos na legislação de regência, especialmente no artigo 60, da Portaria MPS n° 88 - RICRPS, deve ser conhecido para anular o Acórdão Recorrido. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ÓRGÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 30, VI DA LEI N° 8212/91. 1-De acordo com o artigo 34 da Lei n° 8212/91, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas elo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal e lançamento, pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia -SELIC incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. 2-Nos termos do art. 49 do Regimento Interno deste Conselho é vedado ao Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, sem que tenham sido assim declaradas pelos órgãos competentes. A matéria encontra-se sumulada, de acordo com a Súmula n° 2 do 2° Conselho de Contribuintes. 3-Nos termos do Parecer da Advocacia-Geral da União n° AC - 055, de 08.11.2006, a responsabilidade solidária nas obras de construção civil não se aplica aos entes da Administração Pública. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-06T20:46:28Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-06T20:46:27Z; Last-Modified: 2009-08-06T20:46:28Z; dcterms:modified: 2009-08-06T20:46:28Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-06T20:46:28Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-06T20:46:28Z; meta:save-date: 2009-08-06T20:46:28Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-06T20:46:28Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-06T20:46:27Z; created: 2009-08-06T20:46:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2009-08-06T20:46:27Z; pdf:charsPerPage: 2063; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-06T20:46:27Z | Conteúdo => MF • SEG, ".‘:00 C M4 %; zu-I0 ijt t. UNIRA-Ws:. I •• CiilaFtiti. et. f ) ORIGINAL Beaailia.— O C5---- adia liCt) CCO2/036 Fls. 117 Maria de Faiaria de Carvalho Mal. Siape 751683 ui/4 :44 MINISTÉRIO DA FAZENDA it SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ../5TIN45, ii- SEXTA CÂMARA Processo n° 35346.000026/2004-63 Recurso n° 143.063 Voluntário Matéria RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CONSTRUÇÃO CIVIL Acórdão e 206-01.637 Sessão de 02 de dezembro de 2008 • Recorrente MUNICÍPIO DE IMBITUBA - PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida SRP - SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1999 a 31/08/2000 - PEDIDO DE REVISÃO. OBSERVÂNCIA PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Tratando-se de Pedido de Revisão devidamente enquadrado em uma das hipóteses/pressupostos legais contidos na legislação de regência, especialmente no artigo 60, da Portaria MPS n° 88 - RICRPS, deve ser conhecido para anular o Acórdão Recorrido. • CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ÓRGÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 30, VI DA LEI N° 8212/91. 1-De acordo com o artigo 34 da Lei n° 8212/91, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas elo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal e lançamento, pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia -SELIC incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. 2-Nos termos do art. 49 do Regimento Interno deste Conselho é vedado ao Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, sem que tenham sido assim declaradas pelos órgãos competentes. A matéria encontra-se sumulada, de acordo com a Súmula n° 2 do 2° Conselho de Contribuintes. 3-Nos termos do Parecer da Advocacia-Geral da União n° AC - 055, de 08.11.2006, a responsabilidade solidária nas obras de construção civil não se aplica aos entes da Administração Pública. Recurso Voluntário Provido. • (43) i MF - SEGUNDO CONSELHO DE coNTRIBunnts 4.comER . , ( '1111NAL Processo e 35346.000026/2004-63 • CCO2C06 Acórdão n.°206-01.637 IL 1 Braaltht zq._ os , dim F.,. . si Maria de Fui= F 4ira d.- Carvalho Mat iiape 751683 Vistos, relatados e disc * OS. ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em acolher o pedido de revisão para anular o Acórdão n° 00805/2004 proferido pela r Câmara de Julgamento do CRPS; e em substituição: II) no mérito em dar provimento ao recurso. ELIAS SAM AIO FREIRE Presidente . CLEUSA4I IR~JZA Relatora 1 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 35346.000026/2004-63 CCOVC06 Acórdão n.°206-01.637 SEGUr."----"Cri7rer:411111T, W amer ;; grInIAL S /gr i Fls. 119 • linia,1 • 2 11 0 lie I / 1.u.ns de F-álna , cf.cita de Carimbo Mat Sinke 151683 Relatório Retornam os autos por força do pedido de revisão de Acórdão, formulado pela Secretaria da Receita Previdenciária, com fulcro no artigo 60, contra o Acórdão n° 2*CaJ/CRPS/805/2004, que conheceu do recurso e anulou a Decisão Notificação. Trata-se de Crédito Previdenciário lançado contra a empresa em epígrafe, relativo às contribuições destinadas à Seguridade Social que, de acordo com o relatório fiscal, fls. 18/21, são correspondentes à parte da empresa, parte dos segurados e ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente dos riscos ambientais do trabalho, oriundo de responsabilidade solidária, sobre execução de obra de construção civil, pela empresa contratada, ENGESERVI —ENGENHARIA E SERVIÇOS LTDA, no período de 03/1999 e 06/2000 a 08/2000. Informa o relatório fiscal que embora intimada, a Prefeitura não apresentou os documentos solicitados, tais como: cópias das Guias de Recolhimento vinculadas aos serviços prestados; cópias das GFIP, concernentes à mão-de-obra utilizada para execução dos serviços; Declaração de existência de contabilidade formalizada da empresa prestadora dos serviços.Que sendo assim, ficou caracterizado que a Prefeitura deixou de exigir do executor dos serviços os documentos necessários à elisão da responsabilidade solidária, conforme disposto nos §§ 1° e 2° do artigo 43 do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social —ROCSS, aprovado pelo Decreto n° 2.173/97, e nos §§ 2° e 3° do artigo 220 do Regulamento da Previdência Social-RPS, aprovado pelo Decreto n° 3048/99, configurando, assim, a falta de recolhimento das contribuições previdenciárias relativas às obras executadas. Informa, ainda, que o salário de contribuição, face a anão apresentação dos documentos citados anteriormente, foi apurado por aferição indireta, alicerçado no § 3° do artigo 33 da Lei n°8212/91. Tempestivamente o contribuinte apresentou sua impugnação, fls. 38/46, em que alegou que a informação constante do relatório fiscal não atende aos requisitos da ampla defesa, consignados no artigo 5° inciso LV da Constituição Federal; que do Discriminativo Analítico do Débito não consta as alíquotas que foram utilizadas para alcançar o valor imputado , de forma que sua defesa ficou prejudicada. Que a o sistema de aferição indireta, só é admitido em casos excepcionais, não verificáveis na situação, pois as informações poderiam ser colhidas junto à empresa contratada. Que não ficou comprovada a co-responsabilidade do Prefeito eis que, no Direito Pátrio, inexiste a figura da responsabilidade objetiva, devendo-se exclui-lo da NFLD. A Secretaria da Receita Previdenciária em Florianópolis/SC, por meio da Decisão Notificação n° 21.401.4/0178/2003, julgou procedente o lançamento, trazendo a referida decisão a seguinte ementa: "CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.CERCEAMENTO DE DEFESA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O procedimento fiscal realizado com observância das normas de regência e contendo as informações necessárias para a compreensão h 3 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES' CONTER- COM O retwrINAL Processo n°35346.000026/2004-63 Brasília, s ° CCO2/C06 Acórdão n.°206-01.637 ‘g-e/0 Fh. 120 -• - Maria de Fátima crena de Carvalho Mat. Stape 751683 das contribuições lançada-s—na notificação, afasta a hipótese de cerceamento de defesa. O contratante é solidário com a empresa contratada pelo recolhimento das contribuições previdenciá rias incidentes sobre a mão-de-obra assalariada utilizada em obra de construção civil. LANÇAMENTO PROCEDENTE." Inconformada com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, razões expendidas às fls. 62/75, em que alegou que a devedora principal ENGESERVI - ENGENHARIA E SERVIÇOS LTDA, possui contabilidade própria e todos os recolhimentos previdenciários foram feitos de forma corretos. De outro norte, é de se dizer que a jurisprudência pátria tem visto com reservas a atribuição da responsabilidade solidária, transcreveu Acórdão do TRF da 4' Região. Que, uma vez comprovada a ilegalidade da exação, a NFLD deve ser anulada. Alegou que em que pese a informação prestada pelo Sr. Auditor Fiscal e pelo Chefe da Seção de Análise de Defesas e Recursos, elas não atendem aos requisitos da ampla defesa, consignados no artigo 5° inciso LV da Constituição Federal; já que é claro ao prever: "aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes", é que do Discriminativo Analítico do Débito não consta as alíquotas que foram utilizadas para alcançar o valor imputado, de forma que sua defesa ficou prejudicada. Que a o sistema de aferição indireta, só é admitido em casos excepcionais, não verificáveis na situação, onde a autarquia tributária teria plena oportunidade de colher as informações até mesmo junto à empresa, dita contratada, ao lado de quem se pretende alinhavar a responsabilidade solidária da requerente; Dito isso, é de se anular a NFLD lastreada em verificação indireta. Insurgiu contra a utilização da SELIC para apuração dos juros, alegando sua ilegalidade. Transcreveu a jurisprudência do STJ sobre o tema, exigindo seja expurgados os valores a ela correspondentes. Alega que não ficou comprovada a co-responsabilidade do Prefeito eis que, no Direito Pátrio, inexiste a figura da responsabilidade objetiva, devendo-se exclui-lo da NFLD. Concluiu requerendo a procedência do recurso para reformar a decisão Notificação guerreada e anular a NFLD. A SRP apresentou contra-razões Estes autos foram objeto de Julgamento pela 2 Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS que, pelo Acórdão n° 0805/2004 (voto divergente vencedor, fls. 92/94), anulou a Decisão-Notificação. No pedido de Revisão de Acórdão de fls.95/96, a Secretaria da Receita Previdenciária alega, em síntese, que diverge-se do respeitável Acórdão proferido pela 2' CaJ/CRPS, pois a FISCALIZAÇÃO PREVIDENCIÁRIA ATENDEU O DISPOSTO NO & 40 DO ART. 294 DA IN INSS/DC N° 70/2002, NA REDAÇÃO DADA PELA IN INSS/DC N° 80/2002. Tanto o contribuinte (Engeservi Engenharia e Serviços Ltda) como responsável srçi 4 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O nR RTINAL Processo n° 35346.000026/2004-63 BrasItia._2:¥ /CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.637 e Fls. 121 Maria de Fátima rreira de Carvalho Mat. Siape 751683 solidário (município de Imbituba —Prefeitura Municipal), foram cientificados da NFLD emitida, tendo sido oportunizado a ambos a apresentação de defesa, na forma do § 1° do artigo 37 da Lei n°8212/91. Ficando claro, portanto, que o procedimento fiscal atendeu às normas processuais que regem o lançamento por responsabilidade solidária, à luz do contido no Parecer CJ/MPAS n° 2.376/2000 e ato normativo aplicado, já que tanto o tomador quanto o prestador dos serviços foram devidamente cientificados da notificação. O pedido foi apreciado pela r CaIICRPS que, pelo Decisório n° 094/2005, converteu o julgamento em diligência , a fim de que fosse oportunizado às partes o oferecimento de contra-razões ao pedido de revisão de Acórdão. A diligência foi cumprida, fls. 101/108. É o relatório. Voto Conselheira CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Relatora Inicialmente, é de se reconhecer que diante do disposto no § 2° do art. 5° do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, atualmente disposto na Portaria 1VIF n° 147/2007, o presente pedido de revisão será analisado de acordo com o Regimento Interno do CRPS (Portaria MPS n° 88/2004). O Regimento Interno do CRPS, traz em seu art. 60, a previsão de que os julgados tomados por seus órgãos Julgadores são passiveis de revisão. Entretanto, a revisão proposto para ser analisado deve acompanhar uma das hipóteses previstas no dispositivo regimental, o qual nos dá as seguintes situações: "A ri. 60. As Câmaras de Julgamento e Juntas de Recursos do CRPS poderão rever, enquanto não ocorrida a prescrição administrativa, de oficio ou a pedido, suas decisões quando: - violarem literal disposição de lei ou decreto; II - divergirem de pareceres da Consultoria Jurídica do MPS ' aprovados pelo Ministro, bem como do Advogado-Geral da União, na forma da Lei Complementar ti° 73, de 10 de fevereiro de 1993; III - depois da decisão, a parte obtiver documento novo, cuja existência ignorava, ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de assegurar pronunciamento favorável; IV - for constatado vício insanável." Convém dizer que o § 1° do art. 60 antes mencionado, determina que, além de outras situações, são considerados vícios insanáveis, para fins de aplicação do inciso IV do caput, as seguintes hipóteses: "§ 1° Considera-se vício insanável, entre outros: W . 5E44/. NCIO CONSELHO DE CONIMBIZYUES • CONFERE COM °ORIGINAL ff& Processo n°35346.000026/2004-63 DaloiEu. 2g e iP CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.637 RiaM Fls. 122 Mmia de Fátima Feri eira de Carvalho Mat. Siape 731683 I - o voto de conselheiro impedido ou incompetente, bem como condenado, por sentença judicial transitada em julgado, por crime de prevaricação, concussão ou corrupção passiva, diretamente relacionado à matéria submetida ao julgamento do colegiada; II - a fundamentação baseada em prova obtida por meios ilícitos ou cuja falsidade tenha sido apurada em processo judicial; III - o julgamento de matéria diversa da contida nos autos; IV - a fundamentação de voto decisivo ou de acórdão incompatível com sua conclusão." No presente caso, a revisão do Acórdão no processo em questão é oportuna e encontra amparo no inciso IV, §1 0, III, face o julgamento de matéria diversa da contida nos autos, no caso, o relator do acórdão objeto de revisão anulou a Decisão — Notificação sob o argumento de que o contribuinte principal não foi intimado a participar do procedimento administrativo, o que não passou de um equívoco, pois conforme restou demonstrado no pedido de revisão de acórdão tanto o devedor principal foi também intimado a participar do processo administrativo. Conforme relatado, trata-se de Crédito Previdenciário lançado contra a empresa em epígrafe, relativo às contribuições destinadas à Seguridade Social que, de acordo com o relatório fiscal, fls. 18/21, são correspondentes à parte da empresa, parte dos segurados e ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente dos riscos ambientais do trabalho, oriundo de responsabilidade solidária, sobre execução de obra de construção civil, pela empresa contratada, ENGESERVI — ENGENHARIA E SERVIÇOS LTDA, no período de 03/1999 e 06/2000 a 08/2000. Em sede de preliminar a recorrente requer a nulidade da Notificação, em razão de que a informação prestada pelo Sr. Auditor Fiscal e pelo Chefe da Seção de Análise de Defesas e Recursos, elas não atendem aos requisitos da ampla defesa, consignados no artigo 5° inciso LV da Constituição Federal; já que é claro ao prever: "aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes", é que do Discriminativo Analítico do Débito não consta as alíquotas que foram utilizadas para alcançar o valor imputado, de forma que sua defesa ficou prejudicada. Nesse sentido vale esclarecer que nenhuma razão lhe assiste, porquanto do Discriminativo do Analítico do Débito —DAD, fls. 4/5, encontra-se discriminadas as alíquotas relativas à contribuição dos segurados, empresa e SAT. Com relação à alegação de que o sistema de aferição indireta, só é admitido em casos excepcionais, não verificáveis na situação, onde a autarquia tributária teria plena oportunidades de colher as informações até mesmo junto à empresa, dita contratada, ao lado de quem se pretende alinhavar a responsabilidade solidária da requerente; Dito isso, é de se anular a NFLD lastreada em verificação indireta. Impõe ressaltar, em primeiro lugar, que a responsabilidade solidária tem por fundamento legal o art. 124 do Código Tributário Nacional —CTN e no âmbito previdenciário o artigo 30 inciso VI da Lei n° 8212/91 e não comporta beneficio de ordem. d0 6 MT SE9UNDO MN cELHO DE CONTRIBUYTES CONF Et: COM O ""tilNAL Processo ri° 35346.000026/2004-63 Brunas, 21/ C...? erk. 0032/C06 • Acórdão n.°206-01.637 Fls. 123 Maria de Fátima eceira de Carvalho Mat. Siape 751683 Em segundo lugar, cumpre salientar que como se verifica dos autos, pelo fato de a fiscalização ter acontecido na tomadora, o presente lançamento se deu por meios indiretos, em face da não apresentação dos documentos solicitados pela fiscalização, procedimento este, que embora excepcional, tem amparo no § 30 do art. 33 da Lei n°8212/91. Em suas razões de recurso a Recorrente insurge contra aplicação da Taxa SELIC para apuração dos juros alegando sua ilegalidade, vale salientar que os juros de mora exigidos no presente lançamento, de fato, decorrem de legislação especifica, em plena vigência, conforme fundamentada no artigo 34 da Lei n° 8212/91, que assim estabelece: "Art. 34 - As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SEL1C, a que se refere o art. 13 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos em caráter irrelevável." Cumpre destacar, outrossim, que nos termos do artigo 49 do Regimento Interno dos Conselhos dos Contribuintes, no julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionalidade. Além disso, a matéria encontra-se sumulada, conforme Súmula n° 02 deste 2° Conselho de Contribuintes, nos seguintes termos. "O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária". Com isso, rejeito a preliminar de inconstitucionalidade de aplicação da taxa SEL1C, no cálculo dos juros de mora." Superada as preliminares argüidas, passo à análise das razões de mérito do presente recurso. Conforme já dito, a responsabilidade solidária, aqui tratada, tem por fundamento legal o art.124 do Código Tributário Nacional —CTN e no âmbito previdenciário o artigo 30 inciso VI da Lei n° 8212/91 (in verbis): "Art. 30 (..) (.) VI-0 proprietário, o incorporador definido na Lei n°4.591/64, o dono da obra ou o condômino de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contração da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção da importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o beneficio de ordem. (Redação alterada pela MP n°1.523-9, reeditada até a conversão na Lei n°9.528/97)" Entretanto, o disposto no artigo acima transcrito não se aplica aos entes da Administração Pública, conforme entendimento manifestado pela Advocacia-Geral da União no Parecer n° AC —055, de 08.11.2006. Transcreve-se sua ementa: isj) 7 abts1 /0400 C ONSELHO DE CONTRidt.:Nrcl • CONFER t Cry../ Ey _(€11/ diProcesso n°35346.000026/2004-63 - _ — . CCO2/C06 Acórdão n.°206-01.637I Fls. 124 Mans -r4; f iliam. .. Fel s.ura de Cari/ui:1d Mid atoe 751683 - - "PROCESSOS: 00552.001601/2004-25 00405.001152/99- 90 00404.004214/2006-14 INTERESSADOS • MINISTÉRIO DA PREWDÊNCIA SOCIAL — MPS CEIVTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DE SANTA CATARINA - CEFET/SC MINISTÉRIO DA DEFESA - COMANDO DO EXÉRCITO MINISTÉRIO DA FAZENDA - MF ASSUNTO: Contribuições previdenciárias. Contrato administrativo. Definição da responsabilidade tributária da contratante (Administração Pública) e do contratado (empregador) pelas contribuições previdenciárias relativas aos empregados deste. Lei n° 8.666/93, art. 71. Obras públicas. Contratação da construção, reforma ou acréscimo (Lei n° 8.212/91, art. 30, VI) ou serviço executado mediante cessão de mão-de-obra (Lei n° 8.212/91, art. 31). Distinção. Lei n°9.711/98. Retenção. EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. ADMLVISTRATIVO. CONTRATOS. OBRAS PÚBLICAS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E RETENÇÃO. DEFINIÇÃO. I - Desde a Lei n°5.890/73, até a edição do Decreto-Lei n°2.300/86, a Administração Pública respondia pelas contribuições previdenciá rias • solidariamente com o construtor contratado para a execução de obras de construção, reforma ou acréscimo de imóvel, qualquer que fosse a forma da contratação. II - Da edição do Decreto-Lei n°2.300/86, até a vigência da Lei n° 9.032/95, a Administração Pública não respondia, nem solidariamente, pelos encargos previdenciá rios devidos pelo contratado, em qualquer hipótese. Precedentes do STJ. III - A partir da Lei n° 9.032/95, até 31.01.1999 (Lei n° 9.711/98, art. 29), a Administração Pública passou a responder pelas contribuições previdenciárias solidariamente com o cedente de mão-de-obra contratado para a execução de serviços de construção civil executados mediante cessão de mão-de-obra, nos termos do artigo 31 da Lei n° 8.212/91 (Lei n° 8.666/93, art. 71, 5. 2°), não sendo responsável, porém, nos casos dos contratos referidos no artigo 30, VI da Lei n° 8.212/91 (contratação de construção, reforma ou acréscimo). V - Atualmente, a Administração Pública não responde, nem solidariamente, pelas obrigações para com a Seguridade Social devidas pelo construtor ou subempreiteira contratado para a realização de obras de construção, reforma ou acréscimo, qualquer que seja a forma de contratação, desde que não envolvam a cessão de mão-de-obra, ou seja, desde que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente (Lei n°8.212/91, art. 30, VI e Decreto n°3.048/99, art. 220, 1° cie Lei n° 8.666/93, art. 71). V - Desde I °.02.1999 (Lei n° 9.711/98, art. 29), a Administração Pública contratante de serviços de construção civil executados mediante cessão de mão-de-obra deve reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até MrSEJUN" DO CONSELHO DE CONtRIRUINIt • CONFERE COM O ^"tGINAL Processo n°35346.000026/2004-63 Brasília, ida; t°3 CCO2/C06 Acórdão n.• 206-01.637 Fls. 125 Maria de Fátima Fek eira de Carvalho Mat. Siape 751683 o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa contratada, cedente da mão-de-obra (Lei n° 8.21 2/91, art. 31)." Assim, não obstante, o entendimento no sentido de que, se em alguns períodos a solidariedade não era exigida, com o advento das Leis n° 9032 e 9129 ambas de 1995, é exigível a solidariedade de toda a Administração Pública, entendo que o recente posicionamento da AGU, exarado no Parecer acima mencionado, deve ser aplicado ao presente caso, até porque, o referido Parecer ressalta que o dispositivo acrescentado pela Lei n° 9.032/95 (§2° do artigo 71 da Lei n°8.666/93) não faz alusão ao artigo 30, inciso VI, da Lei n°8.212/91, razão pela qual concluiu que a Administração Pública responde solidariamente com o contratado somente nos casos de serviços de construção civil realizados mediante cessão de mão-de-obra (artigo 31 da Lei de Custeio). Pelo exposto e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de, preliminarmente, ACOLHER do pedido de revisão, ANULAR o Acórdão 2aCaJ/CRPS n° 0805/2004, rejeitar as preliminares suscitadas, CONHECER do recurso voluntário para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO, de acordo com a fim:lamentação acima. Sala das Sessões, em 02 de dezembro de 2008 CLEUSA VIEIR°Af(1%.1.11A 9 Page 1 _0036100.PDF Page 1 _0036200.PDF Page 1 _0036300.PDF Page 1 _0036400.PDF Page 1 _0036500.PDF Page 1 _0036600.PDF Page 1 _0036700.PDF Page 1 _0036800.PDF Page 1
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Numero do processo: 16024.000354/2007-09
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/10/2006
DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE - DOLO - REGRA GERAL - INCISO I ART. 173.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculante aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/10/2006
LEGALIDADE - ARGUIÇÃO - ÂMBITO ADMINISTRATIVO - IMPOSSIBILIDADE.
Pelo Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito administrativo manifestar-se sobre a legalidade de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob a alegação de que afrontariam legislação hierarquicamente superior.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 206-01.600
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, I) por unanimidade de votos acolheu-se a preliminar de decadência: II) por maioria de votos em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2001. Vencido o Conselheiro Rogério de Lellis Pinto, que votou por declarar a decadência até 08/2002; e III) por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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Smc 751683 SfShil.- '1.":.•';;---..s.-e.,;̀ MINISTÉRIO DA FAZENDA t's)----41- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo e 16024.000354/2007-09 Recurso n° 156.245 Voluntário Matéria APROPRIAÇÃO INDÉBITA Acórdão n° 206-01.600 Sessão de 06 de novembro de 2008 Recorrente SH1NODA ALIMENTOS LTDA Recorrida DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO - RIBEIRÃO PRETO-SP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1997 a 31/10/2006 DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI N° 8.21211991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE - DOLO - REGRA GERAL - INCISO I ART. 173. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculante aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o § 4° do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/10/2006 LEGALIDADE - ARGUIÇÃO - ÂMBITO ADMINISTRATIVO - IMPOSSIBILIDADE. Pelo Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito administrativo manifestar-se sobre a legalidade de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob a alegação de que afrontariam legislação hierarquicamente superior. Recurso Voluntário Provido em Parte. MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIEWINTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 16024.000354/2007-09 anda. S / AO+ 09 C°32/C°6Acórdão n.• 206-01.600 Fls 229 Maria de FiaeCarvalho Siape 751683 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, I) por unanimidade de votos acolheu-se a preliminar de decadência: II) por maioria de votos em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2001. Vencido o Conselheiro Rogério de Lellis Pinto, que votou por declarar a decadência até 08/2002; e III) por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso. • ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente PISARIA BA EIRA Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Rogério de Lellis Pinto, Bernadete de Oliveira Barros, Cleusa Vieira de Souza, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 . . . PTOCCSSO '5400709 CCO2/006 Ifir - SEGUNDO CONSELHO DE CONTIUBIrTESAcórdão e? W6-01.600 CONFERE COM O (W ;GIM Fls. 230 ~lá. )9 Irskr fár Miriade " erremCa‘ailiv Relatório Mat. Siape 751683 Trata-se de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos produtores rurais, pessoas fisicas, descontadas dos mesmos, quando da aquisição de produto rural pela notificada, a qual não efetuou o recolhimento dos valores retidos. O Relatório Fiscal (fls. 119/121) informa que tal conduta se caracterizou, em tese, crime previsto no art. 95, alínea "d" da Lei n° 8.212/1991 e, posteriormente, art. 168-A do Código Penal. A notificada apresentou defesa (fls. 138/60) onde alega, em síntese, que teria ocorrido a decadência do direito de constituição de parte do crédito ora lançado. Considera ilegal a retenção de que trata o art. 30, inciso III, da Lei n° 8.212/1991, pois ofenderia o art. 128 do Código Tributário Nacional, posto que ausente a vinculação da impugnante ao fato gerador das contribuições previdenciárias devidas pelos produtores rurais. Pelo Acórdão n° 14-17.915 a 7* Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento — Ribeirão Preto (SP) julgou o lançamento procedente. A notificada recorreu tempestivamente (fls. 199/221) apresentando as mesmas alegações de defesa Não houve apresentação de contra-razões. É o relatório. Voto Conselheira ANA MARIA BANDEIRA, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente apresenta preliminar no sentido de que teria havia a decadência do direito de constituição de parte do crédito lançado. Tal preliminar deve ser acatada. O lançamento em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei n° 8.212/1991, que trata da decadência das contribuições previdenciárias da seguinte forma: "Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído: II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada." 3 ME- St...RINDO CONSELHO 1.k. CON1111b...1.ITES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 16024.00035412007-09 Bruma, \9 05- , (3 ccovcas Acórdão n.° 206-01.600Fls. 231 Maria de F areara de carvalho Mat. Siape 751683 d dispositivoA constitucionalidade o encimado sempre foi objeto de questionamento, seja no âmbito administrativo, como no caso em tela, seja no âmbito judicial. Em sede do contencioso administrativo fiscal, em obediência ao princípio da legalidade e, considerando que o art. 45 da Lei n° 8.212/1991 encontra-se vigente no ordenamento jurídico pátrio, as alegações a respeito da constitucionalidade do citado artigo não eram acolhidas. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários n° 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91. Em decisão unânime, o entendimento dos ministros foi no sentido de que o artigo 146, III, 'IV da Constituição Federal, afirma que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante n° 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." Vale lembrar que o art. 49 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, em caráter excepcional, autoriza no inciso I do § único, a não aplicação de dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal, que é o caso. O dispositivo citado encontra-se transcrito abaixo: "Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado - aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: 1 - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (g.n.)." Apenas o contido no Regimento Interno do Conselho de Contribuintes já autorizaria, nos julgados ocorridos a partir das decisões da Egrégia Corte, declarar a extinção dos créditos, cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo de cinco anos previsto no art. 173 e incisos ou do § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional, conforme o caso, os quais passam a ser aplicados em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei n°8.212/1991. Não obstante, ainda é necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103-A e parágrafos, da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional n° 45/2004. in verbis: N, 4 MF Stia/NO0 CONSELHO 1.rt CONTIUbin3TES CONFERE COMOORICHNAL • Pronnso n°16024.000354/2007-09 Bragais, 0 ST 09 CCO2/C06 Acórdão ri.° 206-01.600 Lia-4/C Fls. 232 Maria de erreira de Carvalho Mat. Silpe 751683 "A ri. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § I° A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2 0 Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3° Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso Da leitura do dispositivo constitucional, pode-se concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. E mais, no termos do artigo 64-B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. "A ri. 64-8. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, dar-se-á ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal." Da análise do caso concreto, verifica-se que o lançamento em tela refere-se a período compreendido entre 01/01/1997 a 31/10/2006 e foi efetuado em 21/09/2007, data da intimação do sujeito passivo. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: "Art 173 - O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: s MF - SEGUNDO C'ONSELHO DE CONT Klbv.NTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 16024.000354/2007-09 1 O os- CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.600 Bras. Fls. 233 mas Ferreira deadvalb° Mat. Siape 731683 I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único - O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4° o seguinte: "Art. 150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4°- Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplica-se o prazo previsto no § 4° do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplica-se o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCL9L DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E150, § 4°, DO CIN. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do C7N, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. N, 6 - MF SLoUNDO ONSELHO DE COM Mo.....CES _ CONFERE COM O ORIGINAL Processo n°16024.000354/2007-09 sisa / CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.600 Fls. 234 Maria de F • freira de alho Mat.S1açe 7516$3 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —,há regra especifica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por pane do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o ,f 4° do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por, homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.7581SP, 1' Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006). "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. I. Nas exaçães cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, I 4°, do CTIV), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do C77V. Omissis. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.6031PR, 1° Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005). No caso em tela, trata-se de contribuições retidas dos produtores rurais pessoas fisicas na aquisição de produtos dos mesmos, sem que tenha havido qualquer recolhimento de tais contribuições. Assim, ainda que existissem recolhimentos, trata-se de situação em que se caracteriza a conduta dolosa da notificada que, embora legalmente responsável, arrecadou e deixou de recolher contribuição de terceiros. Assevere-se que o Egrégio Supremo Tribunal Federal tem decidido que, ao contrário do crime de apropriação indébita comum, o delito de apropriação indébita previdenciária não exige, para sua configuração o animus rem sibi habendi. IÇN 7 • MF - SEUUNDO CONSELHO ui CONT6lis....:TES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 16024.000354/2007-09 CCO2/C06 _aAcórdão n°206-01.600 Braallik_/ Fls. 235 Maria de ' erreira Carvalho Mat. Siape 751683 Nesse sentido, trata-se de dolo genérico que se caracteriza pela mera vontade livre e consciente da prática da conduta de não recolher aos cofres públicos das contribuições previdenciárias descontadas dos segurados, independentemente de qualquer outra intenção do agente. A fim de corroborar o entendimento acima, transcrevo a seguinte ementa: "HC86478 /AC —ACRE HABEAS CORPUS Relator(a): Min. CaMEN LUCL4 Julgamento: 21/11/2006 órgão Julgador Primeira Turma EMENTA: HABEAS CORPUS. PENAL. TRANCAME'NTO DA AÇÃO PENAL. CRIME DE APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIARIA. ART. I68-A DO CÓDIGO PENAL. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE DOLO ESPECIFICO (ANIMUS REM SIBI HABENDI). IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES. AÇÃO PENAL COM TRÂNSITO EM JULGADO. PREJUIZO. 1. Á discussão sobre ausência de dolo não pode ser revista na via acanhada do habeas empas, eis que envolve reexame de matéria fática controvertida. Precedentes. 2. Relativamente à tipijicação, o Supremo Tribunal Federal decidiu que "o artigo 30 da Lei n. 9.983/2000 apenas transmudou a base legal da imputação do crime da alínea 'd' do artigo 95 da Lei n. 8.212/1991 para o artigo I68-A do Código Penal, sem alterar o elemento subjetivo do tipo, que é o dolo genérico. Dai a improcedência da alegaç'ão de abolitio criminis ao argumento de que a lei mencionada teria alterado o elemento subjetivo, passando a exigir o animus rem sibi habendi". Precedentes. 3. O objeto da ação era o trancamento da ação penal, cuja decisão transitou em julgado. 4. Habeas corpus prejudicado." (g n.). No mesmo sentido são as decisões exaradas nos processos RHC88144/SP, RHC 86072/PR e HC 76978/RS. Julgados do Conselho de Contribuintes também se apresentam no mesmo sentido, ou seja, restando caracterizada nos autos a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o § 40 do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I ambos do CTN. Abaixo transcrevo, a título de exemplificação, as ementas de alguns acórdãos: "1° Conselho —8' Câmara Recurso 146870 —Acórdão 108-09631 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ano-calendário: 1998. 8 ME - SC:WM.)0 CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONE EME COM O ORIGINAL Processo n°16024.000354/2007-09 Firmam _19 e CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.600 :Iatia Fls. 236 Maria de Fá errein de Carvalho Mat. Stape 751683 DECADÊNCIA. Para os tributos lançados por homologação, o início da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do f 4° do artigo 150 do CTN. Configurados o dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial é realizada nos termos do art. 173, inciso I, do CTN." 9. Conselho — 7' Câmara Recurso 152994 — Acórdão 107-09311 Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999, 2000 IRPJ. DECADÊNCIA.. DOLO, FRAUDE ou SIMULAçÃo. Nos lançamentos por homologação, a contagem do prazo decadencial, de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, não se aplica aos casos de dolo, fraude ou simulação; nesses casos, a contagem do prazo decadencial segue a regra geral prevista no art. 173. I, do CIN. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA. FRAUDE. ART. 173, I, DO CT1V. INAPLICABIL IDADE DA LEI N° 8212/91. Em matéria de decadência, inclusive nos casos das contribuições sociais, a norma aplicável é o Código Tributário Nacional. Não pode a lei 8212/91, lei ordinária, veicular norma de decadência, afastando a regra expressa do CTN, formalmente lei complementar. MULTA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA. A falta de escrituração de parte expressiva das receitas, reiteradamente, em todos os meses de dois anos-calendário consecutivos, demonstra ter a autuada agido com dolo, caracterizando o evidente intuito defraude, que dá ensejo à aplicação da multa por infração qualificada, no percentual de 150%" Dessa forma, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN considera-se que a decadência alcançou as contribuições relativas às competências de 01/1997 a 11/2001, inclusive, lembrando que para a competência 12/2001, cujo vencimento se dá em 01/2002, o prazo decadencial começa a fluir a partir de 01/01/2003. No mais, a recorrente ataca a legalidade do dispositivo legal que determina a realização da retenção quando da aquisição de produto rural de produtor pessoa fisica. Tal argumento não merece ser considerado. Primeiramente, em razão de existir previsão em dispositivo vigente no ordenamento jurídico, com expressa determinação de que cabe ao adquirente da produção de produtor rural pessoa fisica reter e recolher a contribuição prevista no art. 25 da Lei n° 8.212/I 991. Em segundo lugar, representa um contra-senso o fato de a recorrente vir alegar a ilegalidade do contido no art. 30, inciso III, da Lei n° 8.212/1991 e, no entanto, ter efetuado o desconto da contribuição dos produtores rurais pessoas fisicas quando da aquisição de produtos dos mesmos. 9 ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTE:13h ;NTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n°16024.000354/2007-09 Brasília \ 9 / / CCO2/C06 Acórdão n.° 20641.600 ird. Fls. 237 Maria de F 1,. circus Carvalho Mat. Siape 751683 Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que estão abrangidas pela decadência as contribuições lançadas referentes ao período de 01/1997 a 11/2001, inclusive. É como voto. Sala das Sessões, em 06 de novembro de 2008 —1114, e A k i • • IA B • ',EIRA io Page 1 _0080000.PDF Page 1 _0080100.PDF Page 1 _0080200.PDF Page 1 _0080300.PDF Page 1 _0080400.PDF Page 1 _0080500.PDF Page 1 _0080600.PDF Page 1 _0080700.PDF Page 1 _0080800.PDF Page 1
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Numero do processo: 37169.001510/2006-95
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/2005
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, HOMOLOGAÇÃO E DECADÊNCIA. OBSERVÂNCIA DAS REGRAS FIXADAS NO CTN. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO DE EMPREGO.ARBITRAMENTO. NULIDADE. PRESENÇA DOS ELEMENTOS.
I - Segundo a súmula nº 8 do Supremo Tribunal Federal, as regras relativas a homologação e decadência das contribuições sociais, diante da sua reconhecida natureza tributária, seguem aquelas fixadas pelo Código Tributário Nacional.
II - Em se tratando de tributo sujeito à homologação, conta-se o prazo para constituir o crédito tributário da ocorrência do fato gerador, no entanto, constatado a presença de dolo, fraude ou simulação, incide a regra do art 173, I do CTN, ou seja, do exercício seguinte em que poderia haver a constituição do débito.
III – As bases de cálculo não foram apuradas por arbitramento, basearam-se nas GFIP e nas folhas de pagamento das empresas contratadas.
IV - A fiscalização da SRP tem poderes para declarar a existência de pacto laboral onde o contribuinte entendia ou simulava não haver, devendo apenas ter a cautela de demonstrar de forma inequívoca a existência dos seus elementos peculiares.
V - Exposta à situação fática, e verificado que há a presença de vinculo empregatício em suposta prestação por pessoa jurídica, correto é o lançamento de oficio.
VI - A legalidade formal na constituição das empresas contratadas pela Notificada, não se sobrepõe à ilegalidade na prestação dos serviços propriamente ditos, que como visto mascaravam a presença dos elementos da relação de labor.
VII - A liberdade constitucional de contratar, não permite a adoção de meios evasivos, objetivando a fuga da tributação imposta a todos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 206-01.787
Decisão: ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, I) por unanimidade de votos em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/1999, inclusive as incidentes sobre o 13° salário de 1999; II) por voto de qualidade em rejeitar a preliminar de nulidade. Vencidos os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto (relator), Cleusa Vieira de Souza, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; e III) no mérito, em negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor, na parte referente à nulidade argüida, o(a) Conselheiro(a) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fez sustentação oral o(a) advogado(a) da recorrente Dr(a). Antonio Bonifácio Schimitt Filho, OAB/SC n° 11493.
Nome do relator: Rogério de Lellis Pinto
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Cretina, ,12.tr o ra a-Y—in CCOVC06 M1111111 Erra Fls. 1.003 Mat. Slaps 162743 to 41,4.1fS MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ''c"961."‘•$ r SEXTA CÂMARA Processo n't 37169.001510/2006-95 Recurso n° 150.346 Voluntário Matéria DESCARACTERIZAÇÃO DE VINCULO PACTUADO Acórdão e 206-01.787 Sessão de 04 de fevereiro de 2009 Recorrente CATIVA TÊXTIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida SRP - SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/2005 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, HOMOLOGAÇÃO E DECADÊNCIA. OBSERVÂNCIA DAS REGRAS FIXADAS NO CTN. CARACTERIZAÇÃO DE VINCULO DE EMPREGO.ARBITRAMENTO. NULIDADE. PRESENÇA DOS ELEMENTOS. I - Segundo a súmula n° 8 do Supremo Tribunal Federal, as regras relativas a homologação e decadência das contribuições sociais, diante da sua reconhecida natureza tributária, seguem aquelas fixadas pelo Código Tributário Nacional. II - Em se tratando de tributo sujeito à homologação, conta-se o prazo para constituir o crédito tributário da ocorrência do fato _- gerador, no entanto, constatado a presença de dolo, fraude ou simulação, incide a regra do art 173, I do CTN, ou seja, do exercício seguinte em que poderia haver a constituição do débito. 111 — As bases de cálculo não foram apuradas por arbitramento, basearam-se nas GF1P e nas folhas de pagamento das empresas contratadas. IV - A fiscalização da SRP tem poderes para declarar a existência de pacto laborai onde o contribuinte entendia ou simulava não haver, devendo apenas ter a cautela de demonstrar de forma inequívoca a existência dos seus elementos peculiares. V - Exposta à situação fática, e verificado que há a presença de vinculo empregatício em suposta prestação por pessoa jurídica, correto é o lançamento de oficio. ICk r CCOAF Seda Camara CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 37169.001510/200645 Brattill a t,, fl7cJÔg CCO21C06 Acórdão n.• 206-01.787 Maria Edna 4f,Wqirtp Eis. 1.004 Mat. Skop* 762748 VI - A legalidade formal na constituição das empresas contratadas pela Notificada, não se sobrepõe à ilegalidade na prestação dos serviços propriamente ditos, que como visto mascaravam a presença dos elementos da relação de labor. VII - A liberdade constitucional de contratar, não permite a adoção de meios evasivos, objetivando a fuga da tributação imposta a todos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, I) por unanimidade de votos em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/1999, inclusive as incidentes sobre o 13° salário de 1999; II) por voto de qualidade em rejeitar a preliminar de nulidade. Vencidos os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto (relator), Cleusa Vieira de Souza, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; e III) no mérito, em negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor, na parte referente à nulidade argüida, o(a) Conselheiro(a) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fez sustentação oral o(a) advogado(a) da recorrente Dr(a). Antonio Bonifácio Schimitt Filho, OAB/SC n° 11493. (1'1 ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente /- (-1,641NE-CRIST=UNTEIRO E SILVA VIEIRA Relatora-Designada Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bemadete de Oliveira Barros, Cleusa Vieira de Souza, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 2 •1 ajnF 3'1'12 4t{wãEC Cer Processo n° 37169.001510/2006-95 _e CCO2C06 Acórdão n.° 206-01.787 Fls. 1.005 Mn. F • • ' 4 M Sia2W 7FC: Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto pela empresa CATIVA TÊXTIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, contra decisão-notificação de fis retro, a qual julgou procedente a presente Notificação de Lançamento de Débito-NFLD, no valor originário de R$ 7.473.397,83 (sete milhões quatrocentos e setenta e três mil trezentos e noventa e sete reais e oitenta e três centavos) lavrada em decorrência da caracterização de vínculo de emprego de segurados supostamente contratados por intermédio de outras pessoas jurídicas. Alega a peça recursal em preliminar, que a NFLD em questão não reuniria os elementos essenciais para sua validação, uma vez que fora omitido o dispositivo legal que autoriza o procedimento arbitrado utilizado pela autoridade lançadora. Afirma que não poderia ser responsabilizada por débitos de empresas por ela contratadas, já que a responsabilidade tributária não se presume, mas decorre de Lei, e que no caso sequer teria ocorrido à hipótese de incidência da contribuição previdenciári a. Aduz que os empregados das empresas aqui englobadas não seriam jamais seus empregados, primeiro por não se tratar de pessoas fisicas, mas sim jurídicas, segundo por que o vinculo de emprego existentes relaciona-se a empresa por ela contratada e não diretamente com a Recorrente. Diz que seu processo de terceirização seria regular e legal, amparado no principio da livre iniciativa e da autonomia das partes, firmado ainda com empresas regulares, não existindo qualquer elemento que sustente a posição da fiscalização. Coloca que jamais remunerou os empregados englobados na ora vergastada NFLD, não havendo qualquer artificio ou simulação na contratação das empresas citadas no Relatório Fiscal. Sustenta que a regularidade formal, tanto da contabilidade quanto dos atos constitutivos das empresas desconsideradas, demonstram a ausência de atos simulados e comprovam a regularidade do seu processo de terceirização. Questiona alguns pontos do REF1SC, citando inclusive o dever da autoridade lançadora de se buscar a verdade material, e encerra requerendo o provimento do seu recurso. A extinta SRP apresentou suas contra-razões, onde pugna-se pela manutenção do débito. É o relatório.,t 3 - _ r COIME %Ma Camara CONFERE COMO ORIGINAL Processo rt• 37169.001510/2006-95 Entorna 47 2.j4_1'7 CCO2./C06 Acórdão n.° 206-01.787 Marta Edna eira Pinto Fls. 1.006 MM. Slim* 752748 VE180 Vencido Conselheiro ROGÉRIO DE LELLIS PINTO, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Em preliminar sustenta a empresa recorrente que o lançamento em debate seria nulo, posto não constar o fundamento legal que autoriza do procedimento arbitrado, o que acredito aduz com razão. Sem embargos, tenho comigo, conforme já me manifestei em outras NELD's da mesma natureza, que a douta autoridade fiscal valeu-se de tal expediente para efetuar o presente lançamento, sem, no entanto, ter o cuidado de indicar o fundamento de direito que o ampara, tomando deficiente a motivação do ato ora debatido, e conseqüentemente atingindo sua própria validade. O lançamento arbitrado previsto nos parágrafos do art. 33 da Lei n° 8.212191, tem como urna de suas variantes a aferição indireta do tributo, procedimento este, definido pelo art. 596 da IN 03/2005, como sendo o que dispõe a SRP para apuração indireta da base de cálculo das contribuições sociais. Aferir indiretamente significa que os subsídios comuns de que deve se valer à fiscalização para a busca do tributo de obrigação do contribuinte sob ação fiscal, seja por não merecerem fé, seja por não espelharem a realidade material ou mesmo formal, não encontram- se aptos a revelá-la, de forma que a sua apuração somente poderá se dar por elementos indiretos que indiquem aquilo que deve ser tributado. A adoção da aferição indireta, muito embora seja essencial para muitos atos de fiscalização, é, em verdade, procedimento excepcional, que visa à demonstração daquilo que não se conseguiu apurar de forma normal, ainda que seja desconsiderando contabilidade, documentos ou requalificando determinadas situações jurídicas, presumindo realidade diversa da formalmente encontrada. Nos caso dos autos, a ilustre autoridade lançadora entendeu que os pagamentos direcionados as pessoas jurídicas que enumera, na verdade representam remuneração por serviços prestados mediante vinculo empregaticio, apurando o tributo lançado a partir das Notas Fiscais de prestação de serviços emitidas por estas empresas. Sem dúvida que esse procedimento se traduz em aferição indireta, já que significa valer-se de valores pagos a Pessoas Jurídicas, que, em tese, visava não remunerar, mas pagar por serviços prestados, portanto, há uma desqualificação da natureza desse pagamento e da própria relação jurídica encontrada. Sem embargos, quando se admite que certo pagamento representa na verdade remuneração e não simplesmente contraprestação decorrente de mera prestação de serviços por meio de Pessoa Jurídica, o que ocorre é uma requalificação de uma situação que formalmente se apresenta diversa, esta desprezando-se sua natureza formal, e igualmente, o caráter com que foi lançado contabilmente. Essa requatt ticação da relação jurídica encontrada, ainda que"..- 4 _ 2t- Cc. r:F Saxta Camara cot:ruu CCM O ORInIt•IAL Processo n°37169.001510/2006-95 FIresilne, õC /051 CCO2./C06 Acórdão n.° 206-01.787 Marta tdntrvbtrTwn Pinto F15.1.0°7 Mat. Slapo 752748 lastreada em uma situação circunstanciadamente narrada, representa presumir que os valores das NF's emitidas pelas supostas prestadoras de serviços e pagas pela Notificada representam remuneração, é sim um procedimento arbitrado. Por outro lado, quando a fiscalização procede à caracterização de vínculo de emprego, sua atuação ampara-se em uma valoração intelectual e subjetiva da situação encontrada junto ao contribuinte, construindo seu raciocínio a partir de indícios que o levam a desconsiderar os atos sob investigação, para então firmar a realidade que entende ser diversa da neles estampadas, presumindo um vinculo de emprego que aparentemente tentava-se esconder. Indiscutível que sua atuação, sob essa perspectiva, encontra-se pautada em presunções, já que lastreada em indícios verificados junto ao contribuinte, presunção essa que como nos lembra o festejado professor e hoje colega Marcus Vinicius Neder tem como conseqüência maior à imposição ao contribuinte da inversão do ônus em se comprovar o contrário, ou seja, a partir da presunção assumida, cabe ao contribuinte construir elementos probatórios que afastem o entendimento adotado pelo Fisco. Vale dizer que arbitrar, nesse aspecto, nada mais significa do que presumir um fato, ou seja, quando a situação formal é contrária às evidências apuradas no caso em concreto, levantam-se os indícios que permitam presumir a realidade diversa, num procedimento idêntico ao arbitramento da própria base-de-cálculo, posto que neste caso, não sendo possível saber-se a sua exata extensão, presume-se que seja aquela arbitrada. De qualquer forma, o que se pretende destacar é que o resultado prático tanto do arbitramento da base-de-cálculo, quando da caracterização de vínculo de emprego, seguirá sempre o mesmo raciocínio baseado em presunção, cuja conseqüência maior, como vimos em linhas passadas, é transferir ao contribuir o ônus da prova em contrário. Assim é que me parece um equivoco afirmar que arbitramento seria apenas a aquela hipótese em que a base-de-cálculo é presumida pela autoridade fiscal, mas igualmente se revela presente quando o lançamento ampara-se em elementos indiciários diversos, tal qual nos casos de caracterização de vinculo de emprego. Essa inversão do ônus prova corrobora tratar-se de procedimento arbitrado, haja vista que o único dispositivo legal que autoriza tal expediente, no âmbito da fiscalização de natureza tributária-previdenciária são os incisos do art 33 da Lei n° 8.212/91, cuja omissão representa vicio de motivação do ato constitutivo do crédito tributário, na esteira de remansosa jurisprudência. Desta forma, acato a preliminar do contribuinte, e reconheço a nulidade que paira sobre a presente NFLD. Embora o contribuinte não trate da matéria em sua defesa, creio que presente lançamento encontra-se parcialmente alcançado pela decadência, tendo em vista o transcurso do qüinqüídio legal previsto no CTN, matéria a qual o julgador deve conhecer de oficio. Sem embargos, é sabido que a questão do prazo decadencial das contribuições sociais, foi objeto de constantes e ácidas discussões tanto no âmbito doutrinário, quanto jurisprudencial. Analisando a matéria, o E. STJ, por meio de seu plenário, fixou seu entendimento e em decisão unânime, reconhecendo a inconstitueionalidade do art. 45 da Lei tc, . _ ': • : t_ Processo n" 37169.001510/2006-95 Acórdão n. • 206-01.787 Qra, Pli'l r- FIS. 1.008riest i'Arit. etapa 75:743 8.212/91, que fixa o prazo de 10 anos para a decadência das contribuições sociais, reconhecendo a prevalência do prazo quinquenal previsto no CTN. Na esteira do entendimento exarado pelo STJ, o Egrégio Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária, e também de forma unânime, reconheceu o mesmo vício de constitucionalidade que pairava sobre as diretrizes insertas no art 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, entendendo que os prazos decadências das contribuições sociais, onde se incluem as previdenciárias, devem respeitar os limites temporais do CTN, norma geral a quem a Constituição atribui a prerrogativa de tratar o tema. Eliminando as divergências interpretativas que impediam a aplicação prática dos prazos decadenciais fixados na norma Codificada em relação às contribuições previdenciárias, o STF acabou por editar a súmula vinculante n° 8, impondo a sua observância pelas demais instâncias judiciárias e administrativas. A referida súmula restou vazada nos seguintes termos: "SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5° DO DECRETO-LEI N° 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI 11° 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCL4 DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO". Assim é que, hoje resta inequívoca que a decadência das contribuições previdenciárias, encontram-se reguladas pelas normas e prazos fixados pelo Código Tributário Nacional, não devendo, portanto, qualquer observância às inconstitucionais previsões do art 45 e46 da Lei n°8.212/91. Se encontra-se resolvida a aplicação do CTN no que tange a decadência das contribuições previdenciárias, o mesmo não se pode dizer em relação a qual regra deve ser aplicada, ou seja, em todas as situações a do § 4° do art 150, cuja contagem (para fins de homologação) se dá a partir da ocorrência do fato gerador, ou se o art. 173, 1, que diz que o referido cálculo se inicia a partir do 1° dia do exercício seguinte aquele em que o débito poderia ser constituído. Em verdade, as contribuições previdenciárias são inegavelmente tributos sujeitos a homologação por parte do Fisco, na medida em que a legislação previdenciária confere ao próprio contribuinte o dever de antecipar o recolhimento dos valores que lhe são reputados, justamente a situação definida no capuz do art 150 do CTN. Como efeito, mesmo em se tratando de tributos ditos homologáveis, parte da doutrina vem reconhecendo, na esteira da jurisprudência do próprio STJ (Resp 757922/SC), que a regra prevista no § 4° do art 150 do CTN, somente se aplicaria naquelas situações onde o contribuinte efetivamente tenha efetuado algum recolhimento, sobre o qual caberia então ao Fisco pronunciar-se em 05 anos, sob pena de, transcorrido esse prazo, não mais poder constituir o débito remanescente. • Para os defensores dessa tese, portanto, a contagem do prazo para que a Fazenda Pública efetue a referida homologação a partir da ocorrência do fato gerador, somente ocorre naquelas hipóteses em que o contribuinte tenha efetuado algum recolhimento. Do contrário, não havendo antecipação al guma por parte do contribuinte, não haveriam valores a serem homologados, e por conseqüência, incidindo a partir de então regra geral de decadência fixada no art. 173 do Códex. Á, 6 2° CCALIF Soda Camara Processo n• 37169 CONFERE COMO ORIGINAL .001510/2006-95 CCO2/C06 Acórdão n.• 206-01.787 8MreasrliallakAtrarC{ Fls. 1.009 Mat. Slaps 762748 Não obstante esse raciocínio, filio-me aqueles que acreditam que o fator preponderante para a aplicação da regra contida no mensurado § 4° do art. 150, diz respeito ao próprio regime jurídico do tributo, de forma que o fato da legislação conferir o dever de antecipação do recolhimento do tributo ao contribuinte, sem qualquer prévia verificação do Fisco, nos é suficiente para a incidência do mencionado dispositivo legal, sendo, em verdade, regra a regular a situação telada. Desta feita, temos que a nosso ver, e na linha do que diz o abalizado professor Alberto Xavier, in Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro, 3' Ed. Pág. 100, "o que é relevante, pois, é saber se, em face da legislação, o contribuinte tem ou não o dever de antecipar o pagamento," (...) "a linha divisória que separa o art. 150 § 4° do 173 do CTN está, pois, no regime jurídico do tributo (...)". Em que pese o raciocínio acima desenvolvido, deve-se reconhecer que o próprio art 150, § 4°, na sua parte final, estipula que quando se constatar a presença de dolo, fraude e simulação, não se deve considerar o prazo especifico nele previsto, de forma que a decadência regular-se-á de acordo com a regra geral do art. 173. Como no caso em comento trata-se de caracterização de segurados empregados, onde supostamente a realidade formal era diversa da materialmente existente, considera-se ocorrida à simulação ou fraude aludida na parte final do § 4° do 150, afastando-se a sua aplicação ao caso em comento, em detrimento da regra fixada no art 173 do CTN. Sendo assim, entendo que as contribuições até as competências de 11/99, inclusive o 13° salário de 1999, encontram-se decadentes, devendo ser excluídas do presente levantamento. No mérito, insiste o contribuinte que não estariam presentes os elementos que sustentam a caracterização promovida pela auditoria fiscal, onde, em que pese suas razões, não lhe confiro razão. Inicialmente vale mencionar que quando a fiscalização caracteriza segurados como empregados de outra empresa, em verdade ela está afirmando que a relação encontrada não era de simples prestação de serviços entre pessoas jurídicas, mas sim que existia um vinculo de emprego disfarçado naquela suposta relação comercial. Vale aqui dizer que o fenômeno da incidência do tributo efetivamente não nasce da vontade da fiscalização ou do contribuinte, ou ainda da nomenclatura que se dê à relação supostamente firmada. Somente a ocorrência do fato descrito na norma tributária material é justificador do nascimento da obrigação de pagar o tributo, e a sua existência ou não, deve ser apurada através dos elementos próprios descritos na legislação tributária, independente da realidade formal que se apresenta. Desta forma que, traduzido em evento concreto, o fato descrito na norma tributária, a obrigação de pagar o tributo se apresenta de forma irremediável ao contribuinte, já que aí a parcela económica correspondente ao valor do tributo já não mais lhe pertence, mas sim ao Estado, como nos lembra o sempre festejado e saudoso Geraldo Ataliba em sua Grande Obra Hipótese de Incidência Tributária.E 7 2' OC TMF Sexta Cirnam CO.EryE COM O Crte;INAL Processo n• 37169.001510/2006-95 Drasiiln, Ja? CCO2/C06 Acórdão a.• 206-01.787 Fls. 1.010Maria Edna rnt, Mat. Slape 75..7.. 3 Apurar se um fato corresponde à hipótese de incidência (descrição legal) é uma das tarefas da fiscalização, que no desenrolar de sua atividade não está necessariamente vinculada aos elementos formais apurados no contribuinte, sendo-lhe mais do que faculdade, mas um dever aquilatar a verdade material, levantando e descortinando vícios e fraudes, procedendo com o enquadramento de situações fáticas à moldura legal, sempre que assim lhe restar convicto, ainda que abstraindo-se do eventual tratamento conferido pelo contribuinte aquela relação, e independente de provocação Judicial. Nada há que se discutir que essa atuação não representa violação à competência jurisdicional, na medida em que a legislação tributária expressamente confere atribuição à autoridade fiscal para impor "sanções" sobre os atos ilícitos e viciados verificados no contribuinte, permitindo a aplicação da norma tributária material (arts. 142 e 149, IV do CTN), ainda que alheia à formalidade da situação encontrada. Portanto, é certo que a autoridade do Fisco-Previdenciário, no intuito de aplicar a norma previdenciária ao caso em concreto, detém autonomia ou poderes para caracterizar um pacto laborai onde o contribuinte entendia ou simulava não haver, e para tanto, está perfeitamente autorizada a desconsiderar atos, negócios e personalidade jurídica onde se apresentam manobras e condutas demonstradamente ilegais, com intuitos inequivocamente evasivos. Como dito em linhas anteriores quando se caracterizam segurados como empregados de empresa diversa, reconhece a autoridade fiscal que o vinculo de emprego encontrado se formou não em relação à empresa que se apresenta como empregadora, mas sim a que a contratou para prestação desses serviços. Por isso, os pagamentos que a Empresa contratante supostamente direciona para a pessoa jurídica pela execução de seus serviços, são, na verdade, remuneração indireta e disfarçada a empregados seus alocados simuladamente em empresa diversa. Por isso também não se pode falar que se estaria transferindo a responsabilidade pela obrigação de recolhimento da contribuição previdenciária a empresa que não teria realizado o fato imponivel, quando na verdade é justamente o contrário que ocorre, ou seja, trazendo a realidade dos fatos para fins de justificar a exigência do tributo em face do real contribuinte. Insta mencionar ainda que ao considerar um pacto laborai onde o contribuinte entendia ou simulava não haver, a fiscalização da Secretária da Receita Previdenciária — SR P, não está a invadir a competência outorgada à Justiça do Trabalho, na medida em que sua ação não está voltada para fins relacionados ao direito trabalhista, ma sim ao cumprimento fiel e irrestrito da legislação previdenciária, e encontra respaldo legal no § 2° do artigo 229 do Dec. N° 3.048/99, que assim giza: "Art. 229: (omi.ssis). § 12 OS Auditores Fiscais da Previdência Social terão livre acesso a todas as dependências ou estabelecimentos da empresa, com vistas à verificação física dos segurados em serviço, para confronto com os registros e documentos da empresa, podendo requisitar e apreender livros, notas técnicas e demais documentos necessários ao petfeito desempenho de suas funções, caracterizando-se conto embaraço a fiscalização qualquer dificuldade opasta à consecução do objetivo.", ."' •CC07,4F Sixta Càtv „ra COrirEriCi COMO GnICIPIAL Oras; a, grtr.0_06 , Processo n°37169.001510/2006-95 CCO2JC06 Adira° n.• 206-01.787 Marta Edn eira Pinto Mat Sia ps 762748 Fls. 1.011 Em verdade, como bem narra o relatório fiscal, constatou-se durante os procedimentos de fiscalização que a empresa não reconhecia vínculo empregatício de pessoas que trabalham como seus empregados. Contudo, demonstrado está nos autos pela douta autoridade lançadora que os segurados considerados no lançamento, de fato, preenchiam os requisitos da relação laborai. Destaca-se que a caracterização dos empregados acha-se muito bem explicitada nos autos do procedimento fiscal, demonstrando de forma límpida que os segurados envolvidos desenvolviam suas atividades para a Recorrente com a presença de todos os elementos da relação de labor. Veja que autoridade fiscal teve a cautela de minudamente expor a situação fática encontrada no Contribuinte, expondo a partir da própria análise da realidade fática vislumbrada, a presença da subordinação dos empregados aqui envolvidos para com a Recorrente, elemento esse marcante para determinação do vinculo de emprego. Nesse passo, me parece que o entendimento adotado pelo AFPS se mostra coerente, correto e irretocável, na medida em que a situação fática apurada acenava para uma realidade oposta a que alega o contribuinte. É oportuno enfaticamente lembrar que o Recorrente podendo, não trouxe ao caderno processual qualquer elemento que comprovasse suas alegações, ou que demonstrasse o alegado entendimento equivocado da douta autoridade lançadora, o que, somado ao cuidadoso lançamento, corrobora o acerto da fiscalização ao considerar a existência de vínculo empregatício neste caso em concreto. Sua insurreição situa-se apenas em questionar as afirmações e achados da fiscalização, sem qualquer respaldo factual contrário. Convém ainda lembrarmos, que a legalidade formal na constituição das empresas contratadas pela Notificada, não se sobrepõe à ilegalidade na prestação dos serviços propriamente ditos, que como visto mascaravam a presença dos elementos da relação de labor. Vale por assim dizer, que não é a observância da formalidade na constituição de uma empresa, que vai qualificar a situação jurídica nos serviços que esta coloca no mercado, mormente quando se verifica que a sua realidade é totalmente diversa da que sustenta, ou seja, de nada adianta uma existência formal regular, se a empresa apenas encobre um vinculo de emprego numa suposta prestação de serviços. O contribuinte tem efetivamente, a teor do texto Constitucional que entre nós vigora, a liberdade em contratar pessoas jurídicas para prestar os serviços que lhe forem necessários, ainda que isso represente uma minoração no seu custo fiscal. Mas não tem, a pretexto de fazer uso do seu direito, a mesma liberdade quando o objetivo ou o resultado prático da sua contratação, resultar em atos viciados na sua essência, mascarando uma realidade diversa da formalmente narrada, portanto, a liberdade constitucional de contratar, não permite a adoção de meios evasivos, objetivando a fuga da tributação imposta a todos. Assim, os argumentos trazidos à baila pelo Contribuinte são insuficientes para demonstrar que a fiscalização teria se equivocado ao desconsiderar o pacto encontrado, não obtendo êxito em demonstrar que os segurados abrangidos nesta NFLD não seriam, de faio, seus empregados. Portanto correto o lançamento em seu mérito./ 9 — — • 2* CCJMF Sexta Câmara CONFERE COMO ORIGINAL Processo rr 37169001510/2006-95 Bramante. 22..../ CCO2/C06 Acórdão n.• 206-01.717 Marta Edna ~int* Fls. 1.012 Mat. Step* 752743 Diante do exposto, voto por conhecer do recurso, acatar a preliminar de nulidade, e reconhecer a decadência das contribuições até à competência de 11/1999 inclusive 13° salário, e no mérito negar-lhe provimento, nos termos da fundamentação supra. É o meu voto. Sala das Sessões, em 04 de fevereiro de 2009 ecg ,„ti,., „R e II LLIS PINTO ia 2°Cctasp slot ,„ CONFERE 02) — %-árnsra M O oRtGINAL Proonso n° 37169.001510/2006-95 68114 CCO21C06 Acórdão n.• 206-01.787 Marta &là. I.C2t Fls. 1.013 Mat. siape ;5°2''.74;aito Voto Vencedor Conselheira ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Relatora- Designada Divido do entendimento do ilustre conselheiro relator, quanto ao reconhecimento da nulidade da NFLD. No caso foi apontada nulidade por entender o relator que a fiscalização utilizou- se do procedimento do arbitramento para apurar as bases de cálculo de contribuições previdenciárias, sem contudo indicar o dispositivo legal que autoriza o procedimento. É nesse sentido o ponto em que divido. As bases de cálculo foram apuradas, não por arbitramento, mas basearam-se nas GFIP e folhas de pagamento das empresas contratadas, pois segundo constatado durante o procedimento os empregados na verdade sempre foram empregados da notificada Em estando devidamente caracterizada a simulação nas contratações por meio de outras pessoas jurídicas, o que se constata é que os empregados eram sim, empregados da notificada, e portanto, as GFIP são plenamente válidas para indicar a remuneração dos segurados que prestaram os serviços, servindo estes valores como base de cálculo de salário de contribuição. Ou seja, trata-se de notificação fiscal que tomou por base documentos de conhecimento do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito — DAD, o que, sem dúvida, possibilitou o pleno conhecimento do recorrente acerca do levantamento efetuado. Os valores objeto da presente notificação foram lançados com base na GFIP, declaração realizada pela própria empresa. Conforme dispõe o art. 225, § 1° do RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999, abaixo transcrito, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados. Art.225. A empresa é também obrigada a: (.) - IV - informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo th Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecido, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; ( ) É1, I 2' COIME Sextl C:Arnars CONFER I-- COM O ORISINAl Processo e 37169.001510/2006-95 Ortsaills,a2_,....•1::6 0:302JC06 Acórdão n.• 206-01.787 ~ria Ecinii~P int.> Fls. 1.014 What S tape 752 730 §. I° As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir-se-ão em termo de confissão de divida, na hipótese do não- recolhimento." Por todo o exposto afasto a preliminar argüida pelo recorrente, e no mérito acompanho o entendimento do ilustre relator. É como voto. Sala das Sessões, em 04 de fevereiro de 2009 ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 Page 1 _0087100.PDF Page 1 _0087200.PDF Page 1 _0087300.PDF Page 1 _0087400.PDF Page 1 _0087500.PDF Page 1 _0087600.PDF Page 1 _0087700.PDF Page 1 _0087800.PDF Page 1 _0087900.PDF Page 1 _0088000.PDF Page 1 _0088100.PDF Page 1
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Numero do processo: 35464.002009/2007-67
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/0712003 a 31/12/2006
SALÁRIO INDIRETO. UTILIDADE. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCRA.
1-Nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei n° 8.212/91, c/c artigo
22 da mesma lei, integra o salário de contribuição, a totalidade
dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título
aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho,
inclusive àqueles recebidos a titulo de utilidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 206-01.793
Decisão: ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Declarou-se impedido o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
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UTILIDADE. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCRA. 1-Nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei n° 8.212/91, c/c artigo 22 da mesma lei, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho, inclusive àqueles recebidos a titulo de utilidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. pgit 2.• CC/MF Sexta Câmara • CONFERE COM O ORIGINAL Processo n• 35464.002009/2007-67CCO2/C06 Acórdão ri?206-01.793 P_L-1129._ Fls. 221 Maria Edernsj* na PI Mat. Siarem 762748 Pinto ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Declarou-se impedido o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Q5V\ ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente 424.4 CLEUSA VIEIRX DE SOUZA Relatora _- Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa (Suplente convocado), Bemadete de Oliveira Barros, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 CC/MF CONFERE COM O ORIGINAL Sexta Cámara Processo n° 35464.002009/2007-67 CCO2/006 Acórdão n.° 206-01.793 Broilla,lág_4cratQL. Fls. 222 Maria E ~Ira Imo • t Minn 752148 Relatório Trata-se de Crédito Previdenciário lançado contra a empresa em epígrafe, constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito —NFLD n° 37.043.600-8 que, de acordo com o relatório fiscal, fls. 48/57, refere-se a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, parte dos empregados , ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e aquelas devidas a terceiros (INCRA) e incidente sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês aos segurados empregados, no período de 07/2003 a 12/2005. Segundo o referido relatório fiscal, verificou-se por meio dos saldos das contas de despesas COSIF 8.1.7.60.00.8 — DESPESAS DE SERVIÇOS DE VIGILÂNCIA — Contas Padrão: 95850.7 — DESP. SERV. PROT. DIR. EXEC. — CONTR E 95850.8 — DESP. SERV. PROT. DIR. EXEC. — EVENT lançadas nos Balancetes Contábeis Semestrais, que a empresa remunerou os segurados empregados (diretores executivos) a seu serviço, sob a forma de utilidade, salário indireto referente aos serviços de proteção e segurança particular. Segundo informações do Sr. Marco Antônio de Almeida, Gerente Geral de Assuntos Fiscais, o beneficio é concedido aos empregados que ocupam cargos de diretor executivo da empresa. A empresa não identificou quais empregados que receberam o beneficio. Informa o referido relatório fiscal que, em relação a tais verbas, a empresa não as declarou em GFIP, relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir da competência 01/1999 e não comprovou o recolhimento ou a provisão das contribuições previdenciárias correspondentes na escrita contábil; não apresentou documentos hábeis a comprovar a não- incidência das contribuições previdenciárias sobre o pagamento das referidas verbas remuneratórias. Informa, outrossim, que pelo fato de não conseguir identificar os valores mensais dos lançamentos efetuados, em conformidade com as disposições contidas nos §§ 1° e 3° do artigo 33 da Lei n° 8212/91, a base de cálculo das contribuições previdenciárias relativa ao salário indireto concedido pela empresa, referente à segurança particular dos diretores empregados foi arbitrado, pelo valor constante nos Balancetes Contábeis Semestrais,os quais registram a contabilização das despesas dos serviços. Por não conhecer os segurados que auferiram as remunerações e nem os salários de contribuição respectivos, embora a empresa tenha sido intimada por meio do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, datado de 20/09/2006,a apresentá-los para o desenvolvimento da Auditoria, as contribuições dos segurados foram aferidas pela aplicação da alíquota mínima sobre a mesma base de cálculo considerada no cálculo das contribuições patronais. Os valores das contribuições foram apurados, observados os limites máximos mensais do salário de contribuição e o total das remunerações, sem limite, para o cálculo da contribuição devida pelo empregador. 3 CC/MF Suta Camara CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 35464.002009/2007-67Caa/C06 Acórdão n.° 206-01.793 Bretanha, _fig., Fls. 223 Marta arre ra pinto Mat. Slape 762748 Tempestivamente o contribuinte apresentou sua impugnação, fls. 86/94, em que alega que o pagamento do Segurança Particular para funcionários de alto escalão, decorre da relação de emprego, tal verba seria imprescindível para a execução do trabalho e não pela execução do trabalho. Sustenta que o seguro de vida em grupo é estipulado pelo empregador, ou seja este arca com um prêmio de um seguro feita pela própria empresa e não pelo empregado. Que é certo que a parcela paga a título de seguro de vida em grupo pelo empregador não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Colaciona excertos da legislação que trata da matéria (seguro de vida em grupo), bem assim jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, sobre as contribuições previdenciárias incidentes sobre seguro de vida em grupo. Insurge contra a cobrança da contribuição para o INCRA, alegando que o Superior Tribunal de Justiça vem rechaçando sua exigência após o advento das Leis n° 7787/89 e 8212/91. Transcreve julgados sobre o assunto. A Secretaria da Receita Previdenciária em São Paulo -Sul/SP, por meio da Decisão Notificação n° 21.404.4/0126/2007, julgou procedente o lançamento, trazendo a referida decisão a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁ RIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PROTEÇÃO E SEGURANÇA PARTICULAR. INCRA. CONST1TUCIONALIDADE/LEGALIDADE Entende-se por salário de contribuição para o empregado a totalidade dos rendimentos pagas, devidos ou creditados a qualquer titulo, inclusive sob a forma de utilidades (proteção e segurança pessoal), artigo 28, inciso I e parágrafos da Lei n°8212/91 e alterações. Em relação às contribuições previdenciárias, somente as exclusões arroladas exaustivamente no parágrafo 9° do artigo 28 da Lei n° 8212/91 O STJ decidiu rever a jurisprudência sobre o INCRA, concluindo que a exação não teria sido extinta, subsistindo até os dias atuais. Compete exclusivamente ao Poder Judiciário decidir sobre matéria relativa a constitucionalidaddlegalidade. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Inconformada com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, razões expendidas às fls. 172/181, reproduzindo as razões aduzidas em sua impugnação, em que, o pagamento do Segurança Particular para funcionários de alto escalão, decorre da relação de emprego, tal verba seria imprescindível para a execução do trabalho e não pela execução do trabalho. Sustenta que o seguro de vida em grupo é estipulado pelo empregador, ou seja este arca com um prêmio de um seguro feita pela própria empresa e não pelo empregado. Que é certo que a parcela paga a título de segure de vida em grupo pelo empregador não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Colaciona excertos da legislação que trata da matéria (seguro de vida em grupo), bem assim jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, sobre as contribuições previdenciárias incidentes sobre seguro de vida em grupo. r CCIMF Sexta Câmara CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 35464.002009/2007-67 Braellle• 21 n S_ CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.793 ns. 224 Maria Edna Ira Pinto haat Step* 75274Il Insurge contra a cobrança da contribuição para o INCRA, alegando que o Superior Tribunal de Justiça vem rechaçando sua exigência após o advento das Leis n° 7787/89 e 8212/91. Transcreve julgados sobre o assunto. Conclui requerendo seja reconhecida a não incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de "Auxílio Segurança"; que sejam consideradas indevidos os montantes apurados relativamente à contribuição ao INCRA. Não houve depósito prévio de 30 % em face da decisão Liminar deferida em Mandado de Segurança n°2007.61.00.008314-4. É o relatório. Voto Conselheira CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Relatara Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e dispensada da exigência do depósito recursal, por força de decisão judicial. Crédito Previdenciário lançado contra a empresa em epígrafe, constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito —NFLD n° 37.043.600-8 que, de acordo com o relatório fiscal, fls. 48/57, refere-se a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, parte dos empregados , ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e aquelas devidas a terceiros (INCRA) e incidente sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer titulo, no decorrer do mês aos segurados empregados, no período de 07/2003 a 12/2005. Segundo o referido relatório fiscal, verificou-se por meio dos saldos das contas de despesas COSIF 8.1.7.60.00.8 — DESPESAS DE SERVIÇOS DE VIGILÂNCIA — Contas Padrão: 95850.7 — DESP. SERV. PROT. DIR. EXEC. — CONTR E 95850.8 — DESP. SERV. PROT. DIR. EXEC. — EVENT lançadas nos Balancetes Contábeis Semestrais, que a empresa remunerou os segurados empregados (diretores executivos) a seu serviço, sob a forma de utilidade, salário indireto referente aos serviços de proteção e segurança particular. Segundo informações do Sr. Marco António de Almeida, Gerente Geral de Assuntos Fiscais, o beneficio é concedido aos empregados que ocupam cargos de diretor executivo da empresa. A empresa não identificou quais empregados que receberam o beneficio. Em suas razões de recurso, bem como em sua impugnação, a recorrente aduz que o pagamento do Segurança Particular para funcionários de alto escalão, decorre da relação de emprego, tal verba seria imprescindível para a execução do trabalho e não pela execução do trabalho. Sustenta que o seguro de vida em grupo é estipulado pelo empregador, ou seja este arca com um prémio de um seguro feita pela própria empresa e não pelo empregado. Que é certo que a parcela paga a titulo de seguro de vida em grupo pelo empregador não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Colaciona excertos da legislação que trata da _ r CF 3Inan Cintara Processo n°35464.002009/200747 CONFERE COM O ORIGINAL CCO2/C06 Acórdão n.°206-01.793 amorna, O g Fls. 225 Maria Edna Ira Pinto mat. Mapa Mia matéria (seguro de vida em grupo), bem assim jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, sobre as contribuições previdenciárias incidentes sobre seguro de vida em grupo. Nesse sentido vale recordar que o conceito de salário de contribuição para o empregado e sobre o qual vai haver incidência de contribuição previdenciária, está contido no inciso I, do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. Vejamos o que diz: "Art 28 - Entende-se por salário-de-contribuição: 1 - para o empregado (...): a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos devidos ou creditados a qualquer título, durante o més, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;' Assim, não é incorreto afirmar que tudo aquilo que é pago em caráter retributivo e de forma habitual, ao empregado pelo empregador, constitui a base cálculo sobre a qual vai incidir a contribuição previdenciária. Tal dispositivo foi mais além, prevendo que não somente os valores diretamente recebidos ou creditados compõem o salário-de-contribuição, mas igualmente os ganhos decorrentes de utilidades, desde que também habituais e em caráter oneroso. Não obstante a amplitude do conceito de salário-de-contribuição, o próprio artigo 28, mais adiante, prevê inúmeras situações especiais, onde, mesmo havendo pagamento direto ao empregado, não haverá a incidência da contribuição previdenciária. Tais hipóteses, vale dizer, que são várias e exclusivas, na realidade e por óbvio, se consubstanciam em isenções concedidas àqueles que têm o dever de contribuir com a Previdência Social, desonerando-os da exação. Consoante se infere do dispositivo legal acima exposto, não resta dúvida que os valores recebidos pelos empregados a titulo de "Segurança Particular" devem integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, uma vez que considerados remuneração, na forma de utilidade, se enquadrando perfeitamente no conceito de salário de contribuição, inscrito no artigo 28 inciso I acima transcrito, bem como no artigo 22, inciso I, da Lei n° 8.212/91, que assim prescreve: "Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 1 - vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer titulo, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho. qualquer que seja a sua forma inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. cri 6 (fr • r CC/MF Sexto Câmara CONFERE COM O ORIGINAL Processo e 35464.002009/2007 -67 ransigi CCO2/C06a&t Acórdão n.° 206-01.793 Fls 226 Marte D, aa men Pinto Met !Mapa 762748 Nesse sentido, é importante ressaltar que, pelo fato de ser concedido aos fimcionários da empresa, tem origem no contrato de trabalho e surgem em decorrência da prestação de serviços e além disso, é evidente que representa um acréscimo no patrimônio do trabalhador. Ocorre que, as importâncias que não integram o salário de contribuição estão expressamente listadas no artigo 28, § 9°, da Lei n° 8.212/91, não constando do referido dispositivo legal as verbas em epígrafe, não se cogitando, assim, na improcedência do lançamento na forma requerida pela recorrente. O cuidado do legislador se fez necessário, pois seria temerário submeter à análise discricionária da autoridade administrativa de afastar ou não a incidência da contribuição previdenciária, bem como, largar ao arbítrio, interesses ou conveniência das empresas a ocorrência dessa incidência. Por sua vez, a interpretação da norma isentiva não permite incluir nela situações ou pessoas que não estejam expressamente previstas no texto legal instituidor, em face da literalidade em que deve ser interpretada (nos termos do art. 111, II da Lei n° 5,172/66-CTN), do contrário estaria imprimindo-lhe um alcance que a norma não tem nem poderia ter, eis que as regas de isenção não comportam interpretações ampliativas. A recorrente também manifesta inconformismo com a cobrança de contribuições destinadas ao INCRA, também nesse sentido razão não lhe atribuiu, eis que essa contribuição encontra amparo no Decreto-Lei n° 1146/70 que previa um adicional às contribuições previdenciárias devidas pelas empresas, cuja receita seria dividida, igualmente entre o INCRA e o FUNRURAL. Lei Complementar n° 11/71, que instituiu o Pró-rural, dispôs que caberia ao FUNRURAL a execução do referido programa e elevou para 2,6 a contribuição prevista no art. 3° do citado Dec.-Lei n° 1146/70, aumentando os recursos do FUNRURAL para 2,4%. Infere- se daí que a Lei Complementar n° 11/71 manteve-se a parcela destinada ao INCRA em 0,2% e em momento algum a tomou integrante do Pro-Rural. Vale esclarecer, outrossim, que a contribuição em questão possui natureza jurídica de contribuição social, com finalidade assistencial, podendo, por isso, ser exigida de empresa todas as empresas, independentemente da natureza de suas atividades. Cumpre ainda, _- salientar que, tanto o Decreto-Lei n° 1.146/70 quanto a Lei Complementar n° 11/71 foram recepcionados pela Constituição Federal de 1988. Além disso, consoante se depreende do art. 62 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, a contribuição para o INCRA não se confunde com a contribuição para o SENAR, tampouco pode se admitir que aquela tenha sido substituída por esta. Assim subsistindo as duas entidades, é natural que haja uma fonte custeio para cada uma delas. Dessa maneira, como a lei que instituiu a contribuição para o SENAR (Lei n° 8315/91) não revogou o Decreto-Lei n°1.146/70, segue legal a cobrança da contribuição destinada ao INCRA. Por fim o lançamento obedeceu aos critérios estabelecidos pela legislação previdenciária, especialmente aqueles do art. 37, da Lei n. ° 8.212/91, e a despeito da argumentação apresentada pelo recorrente, não vejo nela qualquer fundamento que possa levar à desconstituição do crédito previdenciário ora atacado, uma vez que se encontra revestido das formalidades legais exigidas para a sua constituição. _ recitar Sexta Câmara Processo o° 35464.002009/2007-67 CONFERE COM O ORIGINAL CCO2/C06 Acórdão ri. • 206-01.793 Brutal* o cr ns. 227 Me da Ed'WjpInto Mat. Slape 75274S Isto posto; e CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta, CONCLUSÃO: pelo exposto VOTO no sentido CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. Sala das Sessões, em 04 de fevereiro de 2009 CLEUSA VIEIRA E SOUZA 8 Page 1 _0092700.PDF Page 1 _0092800.PDF Page 1 _0092900.PDF Page 1 _0093000.PDF Page 1 _0093100.PDF Page 1 _0093200.PDF Page 1 _0093300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10830.000359/2005-81
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2001
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA EXCLUSIVA DO DIRIGENTE. CONTEXTOS FÁTICOS DIFERENTES. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. Não se conhece de recurso especial cujo acórdão apresentado para demonstrar a divergência evidencia decisão em contexto fático distinto, concernente à afirmação da responsabilidade pessoal do dirigente juntamente com a contribuinte autuada, e não para substituí-la no polo passivo do lançamento.
SOCIEDADE COOPERATIVA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS. COMERCIALIZAÇÃO DE PLANOS DE SAÚDE. Não se conhece de recurso especial cujo acórdão apresentado para demonstrar a divergência afirma imprópria glosa de exclusão sem a discriminação das receitas provenientes de contratação de serviços médicos das receitas provenientes de atos-meio, em contexto fático distinto do recorrido que analisou tributação de receitas de sociedade cooperativa na sistemática do lucro arbitrado, por opção do sujeito passivo, que reconheceu imprestável sua escrituração ao ser intimado a apresentar a segregação dos atos cooperativos e não cooperativos.
Numero da decisão: 9101-006.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Presidente em exercício.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Lívia De Carli Germano, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Luis Henrique Marotti Toselli, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Alexandre Evaristo Pinto, Gustavo Guimarães Fonseca, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente em exercício).
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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CONHECIMENTO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA EXCLUSIVA DO DIRIGENTE. CONTEXTOS FÁTICOS DIFERENTES. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. Não se conhece de recurso especial cujo acórdão apresentado para demonstrar a divergência evidencia decisão em contexto fático distinto, concernente à afirmação da responsabilidade pessoal do dirigente juntamente com a contribuinte autuada, e não para substituí-la no polo passivo do lançamento. SOCIEDADE COOPERATIVA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS. COMERCIALIZAÇÃO DE PLANOS DE SAÚDE. Não se conhece de recurso especial cujo acórdão apresentado para demonstrar a divergência afirma imprópria glosa de exclusão sem a discriminação das receitas provenientes de contratação de serviços médicos das receitas provenientes de atos-meio, em contexto fático distinto do recorrido que analisou tributação de receitas de sociedade cooperativa na sistemática do lucro arbitrado, por opção do sujeito passivo, que reconheceu imprestável sua escrituração ao ser intimado a apresentar a segregação dos atos cooperativos e não cooperativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 03 59 /2 00 5- 81 Fl. 3037DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-006.575 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10830.000359/2005-81 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Lívia De Carli Germano, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Luis Henrique Marotti Toselli, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Alexandre Evaristo Pinto, Gustavo Guimarães Fonseca, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente em exercício). Relatório Trata-se de recurso especial interposto por COOPERATIVA MEDICA CAMPINAS - COOPERMECA ("Contribuinte") em face da decisão proferida no Acórdão nº 1402-00.439, na sessão de 24 de fevereiro de 2011, no qual se decidiu: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. A decisão recorrida está assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2001 NULIDADE. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS DIRETORES GERENTES OU REPRESENTANTES DAS PESSOAS JURÍDICAS - ART. 135 DO CTN.- NÃO- CAB1MENTO. A responsabilidade pessoal instituída pelo art. 135 do CTN não configura hipótese de sujeição passiva tributária, mas de responsabilidade patrimonial pelo crédito tributário,. decorrente de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Tendo em conta a natureza não-tributária da discussão acerca da atuação de diretores, gerentes e representantes da pessoa jurídica com excesso de poderes, a questão não deve ser definitivamente dirimida na esfera administrativa, com a exclusão do contribuinte do pólo passivo, sendo apenas possível, na execução fiscal, em sede de embargos do devedor. Admitir a exclusão de responsabilidade da pessoa jurídica pelos atos praticados por seus dirigentes, em seu nome, mas com excesso de poderes, implicaria afronta às disposições do art. 123 do CTN, na medida em que a violação de um contrato particular entre as partes - in casu, o estatuto da sociedade a regular a competência de atuação dos dirigentes - poderia vir a alterar a definição de sujeito passivo da obrigação tributária. LUCRO ARBITRADO. OPÇÃO ADOTADA PELO SUJEITO PASSIVO. Constatado, em procedimento de auditoria fiscal, que a contribuinte, diante da falta de manutenção de escrituração nos moldes das leis comerciais e fiscais optou, por ocasião da entrega da DIPJ do respectivo exercício, pelo arbitramento dos lucros, mantém-se, no lançamento de ofício, a opção originalmente adotada, quando presentes os requisitos estabelecidos em lei para tributação com base no lucro arbitrado., uma vez que a retificação para troca de sistemática de tributação, não é admitida pela legislação. ESCRITURAÇÃO APRESENTADA NA IMPUGNAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE ARBITRAMENTO CONDICIONAL. Como não existe arbitramento condicional, a opção da empresa pela sistemática do lucro arbitrado não pode ser modificada ainda que, sob procedimento fiscal, venha a ser apresentada escrituração hábil a amparar o lucro real, fato que não se verificou no caso concreto. Fl. 3038DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-006.575 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10830.000359/2005-81 ARBITRAMENTO. RECEITA BRUTA CONHECIDA. Considera-se receita bruta conhecida aquela informada pela própria contribuinte, em atendimento à intimação da auditoria fiscal, confirmada na escrituração e consignada em DIPJ retificadora, apresentada sob procedimento fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. SALDO CREDOR DE CAIXA. A imputação de presunção de omissão de receitas, apurada em registros contábeis, não é compatível com o arbitramento dos lucros fundamentado na manutenção, pela contribuinte, de escrita contendo vícios, erros e omissões e, por essa mesma razão, repudiada. SOCIEDADES COOPERATIVAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS. As cooperativas de médicos não se sujeitam à incidência tributária em relação aos serviços que prestem diretamente aos associados na organização e administração dos interesses comuns ligados à atividade profissional. Todavia, se conjuntamente com os serviços dos sócios, a cooperativa contrata com a clientela, a preço global não discriminativo, o fornecimento de bens ou serviços de terceiros e/ou cobertura de despesas com (a) diárias e serviços hospitalares, (b) serviços de laboratórios, (c) serviços odontológicos, (d) medicamentos e (e) outros serviços, especializados ou não, por não associados, pessoas físicas ou jurídicas, tais operações não se compreendem entre os atos cooperativos, resultando, portanto, em modalidade contratual com traços de seguro- saúde a ser tributada, nos termos da legislação em vigor. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. A penalidade instituída pelo art. 44, I, da Lei n° 9.430, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, o seu pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata. In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento de tributo devido, por parte da contribuinte, a exigência da multa de ofício encontra-se em perfeita consonância com a legislação em vigor. JUROS DE MORA. TAXA SELIC — A partir de l°de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. O litígio decorreu de lançamentos dos tributos incidentes sobre o lucro e o faturamento da Contribuinte, apurados no ano-calendário 2001 a partir da constatação de que a maior parte de suas receitas provêm da administração de planos de saúde, com contratação de terceiros, não cooperados, e assunção de riscos inerentes à atividade. As verificações fiscais alcançaram os anos-calendário 1999 a 2002, e nestes autos foram formalizadas as exigências pertinentes ao ano-calendário 2001. Houve arbitramento do lucro, em razão da falta de apresentação de escrituração que suportasse a apuração do lucro real – opção feita mediante declaração retificadora apresentada no curso do procedimento fiscal -, além da constatação de receitas omitidas por saldo credor de caixa. A autoridade julgadora de 1ª instância julgou parcialmente procedentes as exigências de IRPJ e CSLL e improcedentes as exigências de Contribuição ao PIS e COFINS, afastando a imputação de omissão de receita presumida a partir da constatação de saldo credor de caixa, sendo que esta exoneração não se sujeitou a reexame necessário (e-fls. 2708/2754). O Colegiado a quo, por sua vez, negou provimento ao recurso voluntário (e-fls. 2805/2846). Cientificada em 09/05/2011 (e-fls. 2851), a Contribuinte interpôs recurso especial em 24/05/2011 (e-fls. 2853/2890) no qual arguiu divergências parcialmente admitidas no despacho de exame de admissibilidade de e-fls. 2996/3001, do qual se extrai: Fl. 3039DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-006.575 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10830.000359/2005-81 II.a) Responsabilidade pessoal de dirigentes Em relação à primeira matéria, a Recorrente apresenta como paradigma passível de caracterizar a divergência jurisprudencial o Acórdão nº 1202-00.071, da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, cuja cópia do inteiro teor instruiu o Recurso, em cumprimento ao disposto no art. 67, § 5º a 9º, do Anexo II do RICARF/2009. No corpo do Recurso Especial, a Recorrente destaca o seguinte trecho da ementa do paradigma: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2004 e 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DA UNIÃO — ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES — "Súmula 1°CC n° 2: O primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." SOLIDARIEDADE - RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO — As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado (art. 124, inciso I, CTN). São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado (art. 135, incisos II e III, CTN). (...)” Assim, temos que na decisão recorrida entendeu-se que não poderia ser decretado nulo o lançamento efetuado contra o contribuinte por erro de identificação do sujeito passivo ou erro na atribuição da responsabilidade tributária, tendo em vista que o art. 135, III, do CTN, não configura hipótese de sujeição passiva, mas de responsabilidade patrimonial pessoal pelo crédito tributário, que pode vir a ser configurada juridicamente apenas na fase de execução. No entanto, no paradigma, consignou-se que, quando evidenciada a prática de atos com excesso de poderes ou contrários à lei ou ao estatuto da pessoa jurídica, tornam-se os dirigentes, já na fase administrativa, pessoalmente responsáveis pelo crédito tributário lançado. Ante o exposto, diante da necessária similitude fática, conclui-se estar demonstrada a divergência jurisprudencial, devendo ser dado seguimento ao Recurso Especial quanto a este primeiro ponto. II.b) Erro material na apuração da base de cálculo Em relação à segunda matéria, a Recorrente apresenta como paradigma passível de caracterizar a divergência jurisprudencial o Acórdão nº 3302-00.277, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, cuja cópia do inteiro teor instruiu o Recurso. No corpo do Recurso Especial, a Recorrente destaca o seguinte trecho da ementa do paradigma: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS Período de apuração: 01/11/1997 a 31/07/2001 ERRO MATERIAL. CONSTATAÇÃO. Devidamente comprovada a ocorrência de erro material na apuração da Cofins devida, consoante prova acostada aos autos com o Recurso Voluntário, devem ser excluídos do lançamento os valores indevidos, em respeito do princípio da verdade material. (...)” Fl. 3040DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-006.575 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10830.000359/2005-81 Alega que a decisão paradigma determinou a exclusão do lançamento de valores apurados sobre bases de cálculo equivocadas, em atenção do Princípio da Verdade Material, destacando os seguintes termos: “(...) Quanto à alegação de erro de fato na apuração da base de cálculo da COFINS, a DRF-Guarulhos - SP refez o demonstrativo de apuração da base de cálculo. Na apuração da base de cálculo a DRF excluiu, indevidamente, da receita de vendas de mercadorias e serviços o valor da receita de vendas do ato permanente, cujo valor não integra a receita de venda, resultando em uma base de cálculo menor que a devida, como bem disse a recorrente em sua manifestação sobre o resultado da diligência. Também tem razão a recorrente quando afirma que naõ foi excluído da receita de venda lançada em sua escrita contábil o valor das vendas canceladas e os valores relativos a ajustes (lançados a débitos e a crédito de contas de receita). (...) ” Reclama que, no recorrido, manteve-se a decisão de 1ª instância, a despeito do erro na base de cálculo utilizada pela Fiscalização para fins de apuração do crédito tributário ora exigido, destacando o seguinte excerto de seu voto condutor: "Nas planilhas apresentadas à fiscalização e na DIPJ retificadora, foram estas as receitas de prestação de serviços declaradas pela contribuinte: (...) Os valores constantes do demonstrativo acima foram checados, por amostragem, e mostram-se compatíveis com os valores constantes das contas de receitas escrituradas pela pessoa jurídica, nos livros apresentados à auditoria fiscal. Tomou-se, assim, como receita conhecida, para fins de manutenção do arbitramento dos lucros, os valores constantes na tabela acima." De fato, a decisão paradigma manifestou-se pela possibilidade de exclusão do lançamento de valores apurados sobre bases equivocadas, que dariam ensejo à configuração de erros de fato. Entretanto, analisando-se mais detidamente o recorrido, especialmente o trecho aduzido pela Recorrente, verifica-se que não se pode constatar nele divergência de entendimento frente ao paradigma apresentado. Isto só seria possível se, constatado lançamento sobre base equivocada, o recorrido houvesse se escusado a retificá-lo. Ocorre que, no recorrido, não foram constatados erros de fato, pois os valores foram checados, por amostragem, e mostraram-se compatíveis com os valores constantes das contas de receitas escrituradas pela pessoa jurídica nos livros apresentados à auditoria fiscal. Portanto, não há divergência de entendimentos sobre a possibilidade de se excluir valores apurados sobre bases equivocadas, mas sim fatos díspares, que levaram a conclusões igualmente dissonantes. Portanto, não há similitude fática que dê suporte à divergência jurisprudencial necessária ao prosseguimento do Recurso Especial quanto a este segundo ponto. II.c) Ato cooperativo Em relação ao terceiro ponto, a Recorrente apresenta como paradigma o Acórdão nº 1102-00.103, da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, cuja cópia do inteiro teor foi anexada ao Recurso. Sua ementa assim dispôs: “INCONSTITUCIONALIDADE. Nos termos da Súmula 1º CC nº 2 este Conselho não tem competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ATO COOPERATIVO. PLANO DE SAÚDE. A simples venda de plano de saúde por sociedades cooperativas não caracteriza ato não cooperado, sujeito a pagamento de tributo. ” Verifica-se que a decisão paradigma entendeu que a venda de planos de saúde constitui ato cooperativo, não devendo, portanto, sofrer tributação. Isso porque o plano de saúde Fl. 3041DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-006.575 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10830.000359/2005-81 é a forma de cobrança dos serviços prestados pela cooperativa a seus clientes, os quais podem ser cooperados ou não cooperados. Entretanto, a decisão recorrida entendeu que a venda de planos de saúde ou de convênios médicos não se constitui em ato cooperativo, mas sim mera intermediação de serviços de terceiros a terceiros não cooperados, motivo pelo qual houve o lançamento tributário com base no valor total dos ingressos percebidos pela Recorrente. Ante o exposto, restou caracterizada a divergência jurisprudencial quanto a este terceiro tema. Sendo assim, tendo sido atendidos os pressupostos de admissibilidade (arts. 67 e 68 do Anexo II do RICARF/2015), e uma vez demonstradas a divergência de entendimentos para a primeira e terceira matérias expostas, conclui-se que deve-se DAR SEGUIMENTO PARCIAL ao Recurso Especial da Contribuinte. A Contribuinte não foi cientificada desta decisão, razão pela qual esta Conselheira requereu o saneamento dos autos nos seguintes termos: Conforme exposto no exame de admissibilidade às e-fls. 2996/3001, o recurso especial não teve seguimento quanto à matéria “erro material na apuração da base de cálculo” e, por esta razão, os autos retornaram à Unidade de Origem para que cientificasse a Contribuinte, dado ser cabível agravo nos termos do art. 71, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015. A autoridade local, porém, constatando que as matérias admitidas impediam a cobrança do crédito tributário em litígio, entendeu desnecessária a ciência da Contribuinte e restituiu os autos a este CARF, na forma do despacho de e-fl. 3003. Ocorre que, se a Contribuinte não alcançar êxito nas pretensões deduzidas em razão das matérias que tiveram seguimento, esta 1ª Turma somente estará dispensada de analisar o dissídio jurisprudencial acerca da matéria “erro material na apuração da base de cálculo” se a negativa de seguimento for definitiva, o que apenas se verificará caso a Contribuinte, ciente da admissibilidade parcial, não apresentar agravo, ou se este, apresentado, for rejeitado. Assim, proponho o retorno dos autos à Unidade de Origem para que cientifique a Contribuinte na forma requerida no Despacho de Admissibilidade de Recurso Especial do Contribuinte às e-fls. 2996/3001, e demais providências de praxe. Cientificada em 24/08/2022 por edital, em razão da declaração de sua inaptidão (e-fls. 3029/3033), a Contribuinte não se manifestou. Na parte admitida de seu recurso especial, a Contribuinte aduz que, muito embora a Recorrente revele-se uma sociedade constituída sob a forma de Cooperativa, voltada para o ramo da saúde, tal enquadramento foi descaracterizado pelo Sr. Fiscal Autuante que, quando da confecção do lançamento tributário ora recorrido, entendeu por bem desconsiderar a prática de atos cooperados por parte da Recorrente, para (i) proceder ao arbitramento do lucro, com base nas receitas conhecidas, para fins de cálculo do IRPJ por ela supostamente devido; e (ii) efetuar o lançamento do IRPJ, calculado pela forma do lucro arbitrado, sobre as receitas supostamente omitidas pela Recorrente, decorrentes de saldos credores apurados nas contas de seus Livros Fiscais. Ou seja, não houve qualquer segregação entre receitas oriundas de atos cooperativos e não-cooperativos. Neste contexto, impugnara a exigência, a uma porque lhe foi imputada a responsabilidade por atos cuja prática deve ser atribuída, exclusivamente, às pessoas físicas responsáveis pela sua administração a época que culminou com a presente autuação; a duas porque pautado em procedimento inaplicável à espécie - arbitramento de lucros - uma vez que empregado quando ainda não esgotados outros meios de fiscalização, o que macula os resultados da Recorrente para fins de tributação; a três porque a análise da situação vivenciada Fl. 3042DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-006.575 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10830.000359/2005-81 pela Recorrente em conjunto com os procedimentos contábeis efetivamente adotados, denota, cristalinamente, que os dados tomados por base pelo Sr. Fiscal Autuante estão muito distante da realidade fática da Recorrente, seja no tocante à receita bruta "conhecida", seja no tocante ao montante das receitas "omitidas"; e, finalmente, a quatro, porque foi incorporada à base de cálculo considerada pelo Sr. Fiscal valores que decorrem da prática de atos eminentemente cooperativos e que, portanto, não consubstanciam 'renda', para fins de tributação pelo IRPJ. Em recurso voluntário, reprisara (i) pedido de suspensão do processo administrativo fiscal até decisão final no processo judicial que versa sobre a responsabilidade dos ex-administradores, (ii) improbidade do arbitramento de lucros por falta de aprofundamento na auditoria fiscal, (iii) efetiva caracterização da empresa como sociedade cooperativa, (iv) ilegalidade das multas e taxas de juros aplicadas. Em recurso especial, pretende o afastamento das exigências sob pena de que, não sendo efetivada tal providência, sejam acarretados graves e irremediáveis prejuízos, mormente de ordem financeira, à ora Recorrente - que consoante se terá a oportunidade de evidenciar, já suportou consideráveis prejuízos por força de atos aos quais não lhe cabe qualquer responsabilidade - à qual não restará outra alternativa senão arcar com o excessivo e indevido ônus decorrente da exigência ora combatida. Principia afirmando a existência de divergência jurisprudencial que fundamenta a interposição do presente recurso especial do entendimento manifestado na r. decisão recorrida frente àquele esposado por ocasião do julgamento do Recurso Voluntário n° 13603.720078/2006-09 (PARADIGMA 1) – Acórdão nº 1202-00.071 - eis que enquanto na primeira (decisão recorrida), não se admitiu a responsabilização dos administradores pelo crédito tributário, a despeito da configuração da prática de atos fraudulentos, no referido paradigma tal foi admitido, de forma acertada. No mérito desta questão, argumenta que o acórdão recorrido está orientado pelo entendimento de que (i) a responsabilidade pessoal instituída pelo art. 135 do CTN não configura hipótese de sujeição passiva, motivo pelo qual não haveria que se falar em responsabilidade exclusiva dos dirigentes da pessoa jurídica; (ii) que considera-se receita bruta aquela informada pela Recorrente em sua escrituração, especificamente, aquela constante em sua DIPJ, ainda que alegado pela Recorrente erro de fato cometido na escrituração; (ii) no ano de 2001, a base de cálculo do IRPJ devido pelas cooperativas leva em conta a totalidade dos receitas por elas auferidas, independentemente se advinda de cooperados ou não-cooperados. E disso discorda a uma porque o auto de infração é nulo, pois lavrado em face de pessoa jurídica (Recorrente) quando, na verdade, foram os membros componentes da sua Diretoria anterior que, mediante a efetivação de atos flagrantemente ilícitos, deram causa à constituição do crédito ora exigido, porquanto a responsabilidade pelo seu adimplemento lhes deve ser atribuída de forma total e irrestrita e; a duas, porque ao apurar a base de cálculo para a incidência do IRPJ e CSLL, o Sr. Fiscal Autuante considerou, de forma absoluta, dados contábeis oriundos do tumultuado período em que estava vigente a ex-Diretoria da Recorrente, composta pelos Drs. Silvio Brocchi Neto, José Roberto Franchi Amade e Alexandre Contadore Bíerrembach de Castro, no qual a contabilidade da Recorrente, sabidamente, estava irregular e; a três porque no presente lançamento faz-se necessário discriminar quais valores referem-se a ingressos decorrentes da prática de atos cooperativos - que não ensejam a obtenção de renda (base de cálculo do IRPJ) - e quais referem-se a atos não cooperativos, para o fim de que sejam excluídos os primeiros (ingressos decorrentes de atos cooperativos), não havendo outra alternativa senão o imediato cancelamento dos débitos ora exigidos pelo Fisco. Fl. 3043DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-006.575 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10830.000359/2005-81 Assim relata as ocorrências desse conturbado período, antes de adentrar às suas consequências: Primeiramente consigna-se que no período compreendido entre 1996 e 2001, a empresa Recorrente era administrada por uma Diretoria composta pelos Dr. Sílvio Brocchi, Dr. José Roberto Franchi Amade e Dr. Alexandre Contadores Bierrembach de Castro. Cumpre elucidar que tais membros, valendo-se de seus cargos de Diretoria na empresa Recorrente, desrespeitaram cânones legais e estatutários pelo uso de práticas que, contrariando a confiança e o poder de administração e gerência que lhes foi delegado pelos demais acionistas, tiveram como conseqüência o não pagamento de tributos, bem assim o surgimento de inúmeros débitos junto a fornecedores, além de irregularidades na administração dos planos de saúde; efetivação de pagamentos na sua maioria sem qualquer amparo documental; aquisição de produtos superfaturados, tudo isso mitigado pela apresentação de balancetes anuais supostamente corretos, mas que, na verdade, escondiam uma escrituração fiscal e contábil inidônea baseada em imprestáveis amontoados de documentos, livros mal escriturados, registros falhos e dados confusos, com o único escopo de impossibilitar a plena compreensão dos acionistas acerca da temerária, para não dizer enganosa, gestão que promoveram. Foi apenas com a assunção da nova Diretoria, ocorrida em Agosto/2001 que tais fatos começaram a ser investigados, sendo que, após exaustivo trabalho de auditoria contábil interna, constatou-se, de forma irrefutável, as inúmeras irregularidades praticadas na gestão dos Drs. Sílvio, José Roberto e Alexandre, restando caracterizado total descaso por parte 'dos ex-administradores da Recorrente que, em proveito pessoal, não zelaram pela manutenção da ordem e do cumprimento das obrigações fiscais por ele contraídas, o que lhe acarreta transtornos e inconvenientes até os dias atuais. Ressalta que as Diretorias subsequentes vêm trabalhando, arduamente, desde suas posses, no sentido de tentar promover a reestruturação da Recorrente, inobstante tenham que, por vezes, deparar-se com exigências que, data vénia, não devam prevalecer, tal como a que ora se pretende afastar. E assim defende a aplicação do art. 135 do CTN, segundo qual, em seu entendimento, a responsabilidade dos débitos existentes em face da pessoa jurídica recairá sobre a pessoa física de seus diretores, gerentes ou representantes. Isto porque contempla hipótese de "responsabilidade pessoal", de maneira que sendo caracterizada conduta dolosa - é dizer, revestida em má-fé - por parte do sócio ou administrador da sociedade, a esta pessoa física deve ser atribuída à responsabilidade pela constituição, bem assim pelo adimplemento da obrigação tributária. Cita doutrina neste sentido, e conclui: Ora, deve ser considerado que in casu houve, efetivamente, uma gestão fraudulenta, operacionalízada pelos membros componentes da Diretoria Executiva da Recorrente, responsáveis pela sua gestão no período de 1996 até 2001, especificamente os Srs. Sílvio Brocchi Neto, José Roberto Franchi Amade e Alexandre Contadore Bierrembach de Castro. E, tanto é assim, que a Recorrente, inclusive, ingressou com ação judicial - Indenização por Danos Materiais e Morais, processo n° 3131/2003, em trâmite perante a 6ª Vara Cível da Comarca de Campinas – já acostado aos presentes autos, 1ª Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, visando a obtenção de provimento jurisdicional que lhe reconheça o direito de ressarcimento em face dos inúmeros prejuízos que teve de suportar em função da atuação lesiva e maléfica promovida por aqueles indivíduos. Assim, pela análise dos termos constantes da exordial do processo retro referido, aliada à ampla documentação já acostada, resta certa e indubitável a conclusão de que houve, efetivamente «a prática de condutas infratoras dolosas por parte dos ex-administradores da Recorrente (Dr. Silvio Brocchi Neto, Dr. José Roberto Franchi Amade e Dr. Alexandre Contadore Bierrembach), porquanto é de rigor a decretação da NULIDADE do presente Auto de Infração e Imposição de Multa, uma vez que à Recorrente - que, renove-se, permanece mesmo que a duras penas, em funcionamento - não cabe a Fl. 3044DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-006.575 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10830.000359/2005-81 imputação de qualquer responsabilidade, posto que legitimamente comprovada a atuação dolosa de seus ex-gestores, os quais, por conta disso, devem responder exclusiva e irrestritamente por TODAS as obrigações decorrentes de seus atos, inclusive pelo débito a título de COFINS ora exigido. (destaques do original) Reitera a divergência em face do paradigma nº 1202-00.071, que entendeu pela possibilidade do deslocamento da responsabilidade pelo crédito tributário aos administradores que tenham agido com excesso de poderes ou contrariamente à lei ou ao estatuto social. Depois de destacar as premissas que justificam a diversidade de posições, afirma cabível a responsabilização pessoal dos ex-diretores, vez que restou cabalmente evidenciada sua participação nos fatos que ensejaram a constituição do crédito tributário ora exigido. Alternativamente pede que, ao menos, os ex-administradores da Recorrente sejam incluídos no pólo passivo do presente processo administrativo, a fim de que respondam, desde logo, pelos débitos tributários aos quais deram causa. Para tanto, que seja determinada a SUSPENSÃO do presente processo administrativo até que sobrevenha decisão nos autos do processo judicial - AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS n° 3.131/03 em trâmite na 6ª Vara Civil da comarca de Campinas, que tem por objeto, justamente a apreciação da responsabilidade desses ex-dirigentes pelos débitos tributários ora guerreados, conforme cópias já anexadas aos autos. Em observância ao principio da eventualidade, passa às demais matérias, apontando erro das bases de cálculo tomadas pela fiscalização, matéria que não teve seguimento. Na sequência, registra que houve o desenquadramento da Recorrente como sociedade cooperativa, tendo sido procedido ao lançamento tributário do IRPJ e CSLL com base no valor total dos ingressos percebidos pela Recorrente, sob a premissa de que a venda de planos de saúde não estaria caracterizada como 'ato cooperativo'. Apesar de a Contribuinte ser constituída sob a forma de cooperativa, não foi reconhecida a prática de atos cooperativos, mas, ao revés, considerada a totalidade dos atos por ela levados a efeito como atos não cooperativos e, bem por isso, sujeitos à regular tributação, entendimento que divergiria do que decidido no processo 13411.000431/2001-75 (PARADIGMA 3) – Acórdão nº 1102-00.103. Defende que se revela eficazmente, uma sociedade cooperativa, praticante, portanto, de atos cooperativos, o que enseja a inexorável conclusão de que deve se sujeitar à tributação prevista para este tipo tributário. Discorre sobre conceito e efeitos do ato cooperativo, referindo o disposto no art. 3º da Lei n° 5.764/71, observando que o critério diferencial das sociedades cooperativas está centrado no fato de que se consubstanciam em sociedades de pessoas - cuja atuação, via de regra, é mercadológica e objetiva lucro - porém, despidas de finalidade lucrativa, o que as torna um tipo societário único. Destaca também o art. 5º da mesma Lei, e prossegue nos seguintes termos: Diante disso, tem-se, como primeiro aspecto a ser destacado das Sociedades Cooperativas, que inexistem limitações objetivas quanto ao objeto social deste tipo societário. Isto significa que quaisquer serviços ou atividades, desde que lícitos, poderão consistir no objeto social de uma sociedade cooperativa, sem ensejar o afastamento de sua roupagem específica. Tal característica permite a pronta conclusão de que, sendo os serviços médicos uma atividade lícita, inexiste óbice para que sua execução seja fomentada, incentivada por intermédio de uma Sociedade Cooperativa, fato este que valida o próprio objetivo social da Recorrente, que, bem por isso, enquadra-se com primor ao arquétipo do cooperativismo. Outrossim, nota-se que a legislação vigente lhes atribuiu um caráter exclusivo é dizer, a atuação das Cooperativas é direcionada aos seus cooperados. Por óbvio, tal Fl. 3045DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 9101-006.575 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10830.000359/2005-81 característica relaciona-se apenas aos 'benefícios' gerados pela atuação da cooperativa e não à própria consecução de seus objetivos sociais, que, inexoravelmente, acabam por envolver terceiros, sem, entretanto, desnaturar esta sociedade. Passa ao art. 79 da Lei n° 5.764/71 e assevera que a legislação de regência é clara e precisa ao prescrever que o ato cooperativo, levado a efeito pelas Sociedades Cooperativas, não constitui operação de mercado, porquanto não permite sua aproximação à institutos específicos de outros ramos do direito, tais como 'faturamento', 'receita' e 'custos'. Quanto ao entendimento de que apenas seriam atos cooperativos aqueles praticados entre cooperativas e cooperados e pelas cooperativas entre si, aduz que a melhor interpretação foi consagrada pela doutrina e aceita pela jurisprudência, segundo a qual se configuram atos cooperativos todos aqueles praticados pela sociedade cooperativa, ainda que junto à terceiras pessoas, porém cujo escopo seja a consecução de seu objetivo social, é dizer, a viabilização de melhores condições para a execução das atividades por parte dos cooperados, mediante a satisfação de suas necessidades comuns. E consigna: Portanto, desde logo se percebe que a atividade-fim das cooperativas é buscar o maior número de usuários aos serviços dos profissionais que formam esse tipo de sociedade, enquanto que a atividade dos cooperados é a prestação de serviços aos usuários, de modo que a atividade da cooperativa - a de promover, organizar e elaborar o trabalho dos cooperados – ao qual se denomina "ato cooperativo" é diferente da atividade dos cooperados – a efetiva prestação de serviços. Cita doutrina, e afirma evidente que, verificando-se atos praticados por cooperativas entre si ou entre a cooperativa e o cooperado inexistem maiores questionamentos, posto que uníssono o entendimento que os caracteriza como 'atos cooperativos'. De outra feita, tratando-se de atos praticados entre a cooperativa e terceiros, porém no intuito de propiciar a consecução do objetivo social da primeira, já sinaliza a melhor doutrina por, outrossim, enquadrá-los como atos tipicamente cooperativos. E continua: Nesse contexto, saliente-se que a Recorrente, pratica atos tipicamente cooperativos, como se pode constatar, por exemplo, pela análise dos documentos que demonstram a manutenção de relacionamento com outras cooperativas médicas, UNIMED, a teor, exatamente, da literalidade do preceito constante do artigo 79 da Lei n° 5.764/71. Reforça-se: os atos levados a efeito entre sociedades cooperativas caracterizam, efetivamente, atos cooperativos. Dessa constatação decorrem duas conseqüências lógicas inexoráveis, a saber: > Ao revés do que aduz o Sr. Agente Fiscal, a Recorrente revela-se, efetivamente, uma sociedade cooperativa, posto que efetua a prática de atos cooperativos, devendo, portanto, ser submetida às normas previstas na Lei n° 5.764/71, bem assim à tributação legalmente especificada para esse tipo societário; > Em relação aos atos cooperativos, não se pode dizer que a Recorrente aufere 'renda', posto que, nos termos do parágrafo único do artigo 79 da Lei n° 5.764/71, 'o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria'. Assim, depreende-se, desde logo, que justamente por se enquadrar no tipo societário de Cooperativa - posto que pratica atos cooperativos - a Recorrente não obtém renda (ao menos no que toca às entradas decorrentes da prática de atos junto a outras cooperativas), cuja definição, extraída do direito privado, corresponde, basicamente, ao "saldo positivo resultante do confronto entre certas entradas e certas saídas, ocorridas ao longo de um dado período", que resulte num acréscimo patrimonial - "aqui entendido como incremento (material ou imaterial, representado por qualquer espécie de direitos ou bens, de qualquer natureza - o que importa é o calor em moeda do objeto Fl. 3046DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 9101-006.575 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10830.000359/2005-81 desses direitos) – ao conjunto líquido de direitos de um dado sujeito". (destaques do original) Diz que a Fiscalização não levou em conta que a totalidade dos ingressos percebidos pela Recorrente em função da prática de atos cooperativos é empregado na consecução de seus objetivos sociais, ou seja, no aprimoramento da estrutura para o exercício da medicina - ou seja, são empregados em favor dos cooperados e não da própria cooperativa, sendo evidente que os valores daí decorrentes não representam "riqueza nova", para fins de tributação pelo IRPJ. Resta afastada, assim, a hipótese de configuração de renda, vez que custos e receitas são elementos que compõe a renda, é dizer, a partir deles é que se faz possível a determinação da riqueza nova auferida pela pessoa jurídica, relevante para fins de tributação pelo IRPJ. Impróprio, assim, dizer que as denominadas "sobras líquidas" se revestiriam da natureza de receita ou compor eventual renda auferida pela Recorrente, até porque sua apuração se dá mediante o desconto das 'despesas' necessárias para a manutenção da Cooperativa do valor das 'entradas' por ela percebidas, de sorte que o produto - "sobras líquidas" - é rateado entre os cooperados, da mesma forma que o 'prejuízo', se eventualmente apurado, é compartilhado entre as pessoas dos cooperados, confirmando, assim, que a destinação desses recursos está estritamente ligado ao incremento dos objetivos sociais da própria Cooperativa. Conclui que, como atuante na esfera do cooperativismo, não obtém renda, e a não incidência do IRPJ está expressa no art. 111 da Lei n° 5.764/71, o que impõe a exclusão dos atos praticados junto à outras cooperativas, os quais são passíveis de comprovação documental. Aduz, ainda, que os artigos referidos no artigo 111 não contemplam a presente hipótese e que eventual manutenção da exigência desta contribuição impõe afronta, dentre outros, ao Princípio da Capacidade Contributiva, na medida em que estar-se-á tributando não a receita da pessoa jurídica, mas seu próprio patrimônio, o que é inadmissível frente à ordem jurídica vigente, pois o que pode ser tributado - e efetivamente é - é a renda do cooperado, não os ingressos da cooperativa. Cita julgado do Superior Tribunal de Justiça, e tem por certo que a não incidência do IRPJ, in casu, decorre de determinação legal, qual seja, o próprio artigo 79 da Lei do Cooperativismo - Lei n° 5.764/71 - que estabelece o conceito de ato cooperativo, excluindo de sua abrangência semântica as operações de mercado, estas sim que ensejam a obtenção de renda por parte da pessoa jurídica. Invoca Decisão n° 223, de 29 de setembro de 2000, expedida pela Secretaria da Receita Federal, e conclui que evidenciado vício na autuação lavrada deve ser decretada a insubsistência do lançamento, adicionando, ainda, que: Finalmente, registre-se que, muito embora tenha se falado, no presente tópico, apenas dos atos praticados entre cooperativas (in casu COOPERMECA e UNIMED), importa registrar que, conquanto remanesça discussão quanto à natureza cooperativa dos atos praticados entre as cooperativas e terceiros, a Recorrente está convicta que quaisquer atos por ela praticados, mesmo que junto a terceiros, cujo escopo seja o de promover a consecução de seus objetivos estatutários revelam-se atos cooperativos, que, portanto, não dão azo à obtenção de renda e, por conseguinte, não se sujeitam à incidência do IRPJ. Em razão disso, ainda que, porventura, forem identificados atos praticados pela Recorrente junto a outros convênios médicos que não estejam constituídos sob a forma de cooperativa, haverá que ser procedida sua exclusão da base de cálculo do IRPJ, posto que, também nesta hipótese, restará configurada a prática de ato cooperativo. Fl. 3047DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 9101-006.575 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10830.000359/2005-81 Neste sentido é o entendimento do paradigma nº 1102-00.103, segundo a qual inexistem motivos para se excluir a comercialização da planos de saúde do conceito de ato cooperativo. Isso porque, como já amplamente elucidado, a comercialização dos planos de saúde é, efetivamente, a forma por meio da qual a cooperativa aufere suas receitas e tem, assim, viabilizada sua atuação em prol de todos os cooperados. Cumpre, assim, excluir dessas receitas da base de cálculo do IRPJ, posto que apenas estão sujeitos à tributação, por esse imposto, os resultados da prática de atos não cooperativos, que refogem à finalidade precípua do cooperativismo, o que não é o caso. Arremata concluindo que: a) O auto de infração é nulo porque lavrado em face de pessoa jurídica (Recorrente) quando, na verdade, foram os membros componentes da sua Diretoria anterior que, mediante a efetivação de atos flagrantemente ilícitos, deram causa à constituição do crédito ora exigido, porquanto a responsabilidade pelo seu adimplemento lhes deve ser atribuída de forma total e irrestrita. A possibilidade de deslocamento da responsabilidade tributária para as pessoas jurídicas de dirigentes e administradores que tenham agido com excesso de poderes ou contrariamente à lei ou ao estatuto social da pessoa jurídica, fundamentada no artigo 135 do CTN foi reconhecida nos autos do processo administrativo n° 13603.720078/2006-06 (PARADIGMA 1). b) Alternativamente, não sendo acolhido o argumento anterior, deve ser determinada a SUSPENSÃO do presente processo administrativo até a determinação da responsabilidade dos ex-administradores da Recorrente, que ocorrerá com a decisão definitiva do processo judicial em trâmite na 6a Vara Civil da Comarca de Campinas, sob o n° 3.131/03; [...] d) Considerando-se que o lançamento foi levado a cabo com base no valor da receita bruta indicada pela Recorrente, faz-se necessário discriminar quais valores referem-se a ingressos decorrentes da prática de atos cooperativos – que não ensejam a obtenção de renda (base de cálculo do IRPJ e CSLL) - e quais referem-se a atos não cooperativos, para o fim de que sejam excluídos os primeiros (ingressos decorrentes de atos cooperativos), o que, entanto, não foi observado pelo Sr. Fiscal. Foi reconhecido, nos autos do processo administrativo n° 13411.000431/2001-75 (PARADIGMA 3) que as receitas decorrentes da venda de planos de saúde por sociedades cooperativas não caracteriza ato não cooperado. Pede, assim, o conhecimento e provimento total do recurso especial com o cancelamento integral do lançamento prestigiando-se o entendimento acatado nas decisões paradigmáticas ora colacionadas. Os autos foram remetidos à PGFN em 31/05/2016 (e-fls. 3004), e retornaram em 09/06/2016 com contrarrazões (e-fls. 3005/2024) nas quais a PGFN contesta a admissibilidade do recurso especial quanto à alegada preliminar de erro na identificação do sujeito passivo, porque o paradigma nº 1202-00.071, com fundamento no art. 135 do CTN, manteve a imputação da responsabilidade solidária pelo crédito tributário constituído em face da pessoa jurídica, que permaneceu no polo passivo da exigência fiscal. Assim, em linha com o recorrido, considerou correta a constituição do crédito tributário em face do contribuinte, que não pode ser excluído do polo passivo em razão da aplicação do art. 135, III, do CTN, cuja incidência não exclui a responsabilidade da pessoa jurídica, porquanto não se trata substituição tributária. Ambos concebem que a imputação de responsabilidade aos sócios, uma vez caracterizada a incidência do art. 135 do CTN, por representar garantia patrimonial do crédito tributário, não exclui a pessoa jurídica, contribuinte, do polo passivo da obrigação tributária exigida no lançamento. Fl. 3048DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 9101-006.575 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10830.000359/2005-81 Também quanto à discussão sobre a caracterização de ato cooperativo, a PGFN destaca que o acórdão recorrido teve em conta que a Contribuinte não apresentou escrituração com segregação de receitas e por esta razão, e não apenas pelo enquadramento da venda de plano de saúde em ato não cooperativo, o lançamento foi validado. Já no paradigma nº 1102-00.103, embora tratando de operações de mesma natureza, não há qualquer discussão sobre a falta de segregação de receitas, fundamento do presente lançamento. Compreende, assim, que não resta caracterizado o dissídio jurisprudencial neste ponto. No mérito, refere doutrina mais abalizada quanto ao vínculo de solidariedade contido no art. 135 do CTN, tal como se observa das lições do Dr. Emanuel Carlos Dantas Cordeiro de Assis, membro do Segundo Conselho de Contribuintes, em brilhante artigo de sua autoria 1 : “Por outro lado, os arts. 134 e 135 não contêm hipóteses de substituição tributária porque a lei não designa, de logo, quaisquer dos responsáveis pela obrigação tributária. Elas só substituem os contribuintes originários se derem causa. Para tanto há necessidade de vínculo entre os comportamentos dos responsáveis – agindo com culpa ou dolo – e o descumprimento da obrigação tributária. É o atuar de modo culposo ou doloso a causa da transferência da responsabilidade, da pessoa jurídica (sujeito passivo originário) para os responsáveis (sujeitos passivos derivados ou por transferência). Como a pessoa jurídica continua sendo responsável pelo crédito tributário, na condição de contribuinte, há solidariedade entre ela e os administradores, sem benefício de ordem. (...) Carece, agora, ressaltar a solidariedade que coexiste na responsabilidade tributária em tela, lembrando que a primeira se aplica tanto ao contribuinte quanto ao responsável por transferência, ou ainda ao substituto tributário, quando for o caso. Tanto no art. 134 quando no art. 135 ocorre a solidariedade de direito, nos termos do art. 124, II, do CTN. A expressão ‘pessoalmente responsáveis’, constante do caput do art. 135, não pode ser lida como ‘somente responsáveis’, não limita a responsabilidade, exclusivamente, às pessoas ali arroladas, com exclusão do contribuinte originário (no caso, a sociedade). A responsabilidade do contribuinte pessoa jurídica continua, posto que só se deve admitir a exclusão do sujeito passivo originário se por lei expressa.” (destaques do original) Observa que tanto o contribuinte como seu representante respondem pelo pagamento pelo tributo em regime de solidariedade, se verificada a hipótese de incidência do art. 135, III, do CTN, que não trata de substituição tributária. Defende, assim, que caracterizada a responsabilidade dos sócios diretores, correta sua imputação como garantia patrimonial do crédito tributário, sem contudo, que se proceda a exclusão da pessoa jurídica, responsável pelo pagamento do tributo na qualidade de contribuinte. E cita que, nesse sentido, ensina o renomado doutrinador Leandro Paulsen, que assim discorre sobre o assunto: “Assim, embora ainda não seja a praxe da administração tributária, deveria nos autos do processo administrativo instaurado contra a empresa, verificada a responsabilidade dos diretores, ser lavrado termo de Verificação Fiscal e de Responsabilidade Tributária, apontando que foi constatada a prática de ilícitos que tem por conseqüência a responsabilização pessoal dos diretores pelos tributos devidos pela empresa, dando-se ciência da constituição do crédito tributário originário das infrações descritas no termo não apenas à pessoa jurídica, mas de cada um dos responsáveis. Já tivemos oportunidade, quando do julgamento da AMS 2004.70.00.000006-8/PR, de compulsar processo administrativo que o instruía, em que constava Termo de Verificação Fiscal e 1 ASSIS. Emanoel Carlos Dantas. Arts. 134 e 135 do CTN: Responsabilidade Dolosa e Culposa dos sócios e administradores de empresas por dívidas tributárias da pessoa jurídica, in FERRAGUT, Rita e NEDER, Marcus Vinícius (coord.). Responsabilidade tributária – São Paulo: Dialética, 2007, p. 145 e 155/156 Fl. 3049DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 9101-006.575 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10830.000359/2005-81 de Responsabilidade Tributária, assegurando regularidade formal para cobrança dos débitos dos terceiros responsáveis, lavrado em outubro de 2000 pelos Auditores Fiscais Milton Vidotti Martinez e Aquira Azuma, da Delegacia da Receita Federal em Curitiba.” (PAULSEN, Leandro, Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à luz da Doutrina e da Jurisprudência, ed. Livraria do Advogado, Porto Alegre, 2008, pg. 949) E invoca o acórdão recorrido no ponto em que se manifesta sobre a correção do lançamento em face do contribuinte, ainda que se apure a responsabilidade dos sócios diretores da pessoa jurídica, e conclui ser plenamente válido o lançamento efetuado em face do contribuinte, independentemente de eventual apuração da responsabilidade dos diretores, nos termos do art. 135, do CTN, em sede de futura execução fiscal. Com respeito à tributação de atos considerados não cooperativos, argumenta que: A Constituição da República estabelece que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais de legislação tributária dando adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. Ainda que não haja garantia de imunidade, entende-se a expressão “adequado tratamento tributário” como ações estimuladoras do cooperativismo. O adequado tratamento tributário significou, para a Lei nº 5.764/1971, que o ato cooperativo não seria tributado e, com correspondência lógica à regra do artigo 3º, existindo lucro por atos não cooperativos, este deveria ser levado à conta do FATES. Com natureza de verdadeira contrapartida, exigiu a lei que se a associação de cooperados obtivesse resultado positivo, advindo de atos não cooperativos, porque sustentado, estimulado e decorrido reflexamente dos atos cooperados, além de ser tributado, deveria servir para atuação complementar do particular onde o Estado normalmente atua. Todavia, ao agir como sociedade comercial, como no caso em apreço, a cooperativa aufere resultado positivo que possui estreita vinculação com atos cooperativos por decorrência reflexa, provocando desigualdade inicial na concorrência, erigida esta a princípio constitucional geral da atividade econômica. Ensina Eros Roberto Grau: "[...] A livre concorrência, no sentido que lhe é atribuído – “livre jogo das forças de mercado, na disputa da clientela” supõe desigualdade ao final da competição, a partir, porém, de um quadro de igualdade jurídico formal. [...] De um ponto de vista político, a livre concorrência é garantia de oportunidades iguais a todos os agentes, ou seja, é uma forma de desconcentração de poder." (GRAU, Eros Roberto. A ORDEM ECONÔMICA NA CONSTITUIÇÃO DE 1988. 8ª ED, Malheiros Editores, pp. 189/190.) A caracterização de associação como cooperativa se encontra na conjuntura legal que lhe determina o regime jurídico. Assim, se a empresa não objetiva lucro, segrega os atos cooperativos dos atos não cooperativos, obediente à norma de procedimento (sem ajuntá-los ao final, o que demonstraria o intuito único de escapar da tributação evitando a “confusão contábil”), e havendo resultado positivo, destina-o ao FATES, além do cumprimento das demais normas da lei de regência, se está diante de uma sociedade cooperativa. Caso contrário, não. Vem à baila a lição de Bellini Júnior: "A pergunta que se faz, dada esta situação de relativa permissividade concedida às cooperativas, é o que as caracteriza como tal, já que não mais existe entidade que as autorize, fiscalize, controle e tenha, conseqüentemente, a prerrogativa de desenquadra-las do regime cooperativo. A resposta é mais que óbvia: o que Fl. 3050DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 9101-006.575 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10830.000359/2005-81 caracteriza estas sociedades, como sempre foi, é o seu enquadramento no sistema jurídico que lhes é peculiar, ou seja, o definido na Lei nº 5.764/1971 e alterações posteriores. [...] Em razão disto, ao desviar-se do regime jurídico cooperativo, a sociedade descaracteriza-se, por seus próprios atos, do mesmo. Porque não se subsume aos preceitos que lhe caracterizam como cooperativa, aplica-se aos seus atos a legislação (comercial, civil ou trabalhista) que lhe for pertinente." (BELLINI JÚNIOR, João, SOCIEDADES COOPERATIVAS. REGIME JURÍDICO E ASPECTOS TRIBUTÁRIOS. Revista de Estudos Tributários nº 4, p.5) Mais, ainda. Apoiar-se na Lei nº 5.764/1971 como alavanca para obtenção do “adequado tratamento tributário”, eliminação de intermediários e procura de otimização de recursos para ter a melhor resposta econômica é perfeitamente justo e merecedor de normas protetoras. Por outro lado, colocar-se sob o manto da lei para realizar o que ela não permite, alegando que não se pode dar a desconsideração da “sociedade cooperativa” por “falta de previsão legal”, é desconhecer que o ordenamento jurídico não tolera o comportamento abusivo, descendo-o já à categoria de ato ilícito no Código Civil Vigente. Explica Marco Aurélio Greco, citando Salvatore Romano: "Como expõe Salvatore Romano, a reação do ordenamento ao abuso do direito pode se dar como “uma recusa da tutela”. Vale dizer, na perda da sua proteção jurídica, que pode corresponder à inoponibilidade a terceiros. “Em substância, o regime dos atos em questão, na fórmula da falta de tutela, implica impedimento de conseguir ou conservar as vantagens obtidas e os direitos conexos – mediante atos em si mesmos estruturalmente idôneos; estes atos, porém aparecem negados por um concurso de circunstâncias subjetivas que alteram a sua função ou violam numa ou noutra direção aquela diretriz de retidão que é regra privada da qual, porém, o ordenamento estatal se socorre expressamente na sua disciplina das relações da autonomia privada”. (ROMANO, Salvatore. Abuso Del Diritto. Enciclopedia del Diritto. Vol I, Milano, Giuffrè, apud GRECO, Marco Auréli. Planejamento Tributário. Dialética, 2004, p. 183.) Desnecessária a demonstração que os atos não cooperativos que resultaram em resultado positivo ao final estejam intimamente ligados aos atos cooperativos. Constitui verdadeiro axioma. De tal fato, como premissa, o consectário lógico é que atos cooperativos se estruturaram como base necessária para atuação ilícita do recorrente. Voltou-se para vantagens tributárias que, oriundas inicialmente de meios idôneos, objetivaram e concretizaram vantagens vedadas. Assim, ainda que sendo a entidade uma sociedade cooperativa por força de seu ato constitutivo, não pode opor ao Fisco tal qualidade, porque: Não cumpre a lei que lhe determinou o regime jurídico: a) Objetiva lucro; b) Não realiza segregação contábil, de modo a escapar da tributação; c) Não cumpre a contrapartida em relação ao FATES. Apóia-se numa vantagem inicial indevida, desigualando-se dos demais agentes do mercado em prejuízo da livre concorrência (princípio geral constitucional relativo à atividade econômica) Utiliza atos idôneos com finalidade ilícita, constituindo abuso de direito (CC art. 187). Fl. 3051DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 9101-006.575 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10830.000359/2005-81 Quanto à natureza da venda de plano de saúde a terceiros, conclui-se que constitui ato mercantil na captação de clientes, não configurando ato cooperativo, por não atender aos ditames normativos. Resta evidente que conforme a sua conceituação legal, os atos cooperativos típicos são aqueles realizados pela cooperativa com seus associados ou então com outras cooperativas, conforme dispõe o art. 79 da Lei nº 5.764/1971, in verbis: “Art. 79. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria.” Logo, as operações realizadas com não associados, por via de conseqüência, são atos não cooperados, cuja renda se sujeita à tributação na forma do art. 87 da Lei 5.764/1971: “Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos.” Em complemento à referida norma, a mesma Lei, em seu art. 111, determina que são tributáveis os resultados obtidos pela cooperativa com a prática de atos não cooperativos, nos seguintes termos: “Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei.” Logo, não há como afastar a incidência tributária na espécie, onde se verifica a prestação de serviços a terceiros, não associados, mediante a venda de planos de saúde a terceiros, independentemente da destinação de sua receita, restando evidente o caráter comercial da operação, da qual, obviamente se obtém ganhos, que pela sua natureza de lucro, se sujeitam à tributação. Entendimento em contrário, significaria desonerar as cooperativas quando praticam atos de mercado, em detrimento das empresas, que são tributadas pela prática dos mesmos atos. (destaques do original) Conclui, assim, que também se mostra correto o lançamento neste ponto. Por tais razões, pugna a União (Fazenda Nacional) seja negado seguimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. Caso não seja este o entendimento sufragado, requer que, no mérito, seja negado provimento ao citado recurso, mantendo-se o acórdão recorrido. Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA, Relatora. Recurso especial da Contribuinte - Admissibilidade A PGFN contesta a admissibilidade do recurso especial nas duas matérias que tiveram seguimento. Fl. 3052DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 9101-006.575 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10830.000359/2005-81 Com respeito à “Responsabilidade pessoal de dirigentes”, a PGFN observa que o paradigma não excluiu a responsabilidade da contribuinte lá autuada, como aqui pretende a recorrente. De fato, a interpretação que a Contribuinte defende a partir do art. 135, inciso III do CTN, desde a impugnação refere que lhe foi imputada a responsabilidade por atos cuja prática deve ser atribuída, exclusivamente, às pessoas físicas responsáveis pela sua administração a época que culminou com a presente autuação. Daí, inclusive, o pedido de suspensão do processo administrativo fiscal até decisão final no processo judicial que versa sobre a responsabilidade dos ex-administradores e o alerta de que já suportou consideráveis prejuízos por força de atos aos quais não lhe cabe qualquer responsabilidade. É sob esta ótica a argumentação da Contribuinte de que, enquanto no recorrido não se admitiu a responsabilização dos administradores pelo crédito tributário, a despeito da configuração da prática de atos fraudulentos, no paradigma nº 1202-00.071 tal foi admitido, de forma acertada. Como bem observado pela Contribuinte, o acórdão recorrido está pautado pelo entendimento de que a responsabilidade pessoal instituída pelo art. 135 do CTN não configura hipótese de sujeição passiva, motivo pelo qual não haveria que se falar em responsabilidade exclusiva dos dirigentes da pessoa jurídica. Contudo, descabe aqui qualquer consideração acerca das referidas ocorrências desse conturbado período, porque o paradigma indicado não corrobora a pretensão de que se fixe uma interpretação do art. 135 do CTN no sentido de que a responsabilidade dos débitos existentes em face da pessoa jurídica recairá sobre a pessoa física de seus diretores, gerentes ou representantes, como “responsabilidade pessoal” que seria, prevista para hipótese de conduta dolosa - é dizer, revestida em má-fé - por parte do sócio ou administrador da sociedade. No exame de admissibilidade compreendeu-se que a decisão no sentido de que quando evidenciada a prática de atos com excesso de poderes ou contrários à lei ou ao estatuto da pessoa jurídica, tornam-se os dirigentes, já na fase administrativa, pessoalmente responsáveis pelo crédito tributário lançado, caracterizaria o dissídio jurisprudencial. Contudo, o paradigma nº 1202-00.071 analisou exigência formalizada em face de pessoa jurídica constituída por interpostas pessoas, sendo arbitrado seu lucro e qualificada penalidade com imputação de responsabilidade aos sócios de fato, com fundamento no art. 135, incisos II e III do CTN, e também no art. 124, I do CTN. Por sua vez, a pessoa jurídica autuada em momento algum requereu sua exclusão do polo passivo da exigência. Apenas justificou os atos dos imputados como sócios de fato em razão das relações comerciais com eles mantidas, e afirmou a administração da sociedade por aqueles considerados interpostas pessoas. Em verdade, a divergência aqui sob exame teve por base a decisão do paradigma em face de pretensão de exclusão dos responsáveis tributários e não da contribuinte autuada. Esta alegou que as pessoas físicas apontadas como responsáveis solidárias não se enquadram em nenhuma das hipóteses de responsabilidade tributária prevista no CTN, diante da capacidade financeira dos sócios de direito e da inexistência de prova de qualquer vínculo societário ou de atuação como administradores daquelas pessoas implicadas. Ainda, houve também defesa apresentada pelos responsáveis tributários, negando a gerência e o vínculo com o grupo econômico fiscalizado, e requerendo sua exclusão dos processos tributários. O julgamento dos recursos voluntários no paradigma, por sua vez, foi improvido em relação ao pleito de todos sujeitos passivos, com exceção apenas do agravamento da Fl. 3053DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 9101-006.575 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10830.000359/2005-81 penalidade. Com respeito à responsabilidade tributária, o voto condutor do paradigma refere o conjunto de evidências que suportam a conclusão fiscal de que há prática regular de todos os atos típicos da sociedade comercial, inclusive com vínculo econômico, a confirmar o interesse comum nas atividades das empresas autuadas, extrapolando o que se chamou de meras relações comerciais. Afirmou inequívoco a participação dessas pessoas com as irregularidades descritas, ficando configurada a utilização de uma situação aparentemente regular, empresa regularmente constituída, porém em nome de terceiros, para a realização de operações comerciais, com a finalidade de lucro, sem o recolhimento dos tributos devidos. Destacou, ainda, a atuação de alguns como procuradores e adicionou ao reconhecimento da responsabilidade tributária com fundamento no art. 124, I do CTN a confirmação da ação com infração de lei, ao consentirem com a utilização de seus nomes nos instrumentos societários, atuando em conluio com outros para burlar a legislação tributária federal. Por fim, ressaltou ser desnecessário procedimento prévio, administrativo ou judicial para responsabilização, bastando a lavratura dos lançamentos para comprovação das infrações praticadas e da imputação da responsabilidade solidária. Evidente, assim, que a dessemelhança fática entre os contextos nos quais os acórdãos comparados interpretaram o art. 135 do CTN impede a caracterização do alegado dissídio jurisprudencial. De fato, nos termos do art. 67 do Anexo II do RICARF, o recurso especial somente tem cabimento se a decisão der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outro Colegiado deste Conselho. Por sua vez, para comparação de interpretações e constatação de divergência é indispensável que situações fáticas semelhantes tenham sido decididas nos acórdãos confrontados. Se inexiste tal semelhança, a pretendida decisão se prestaria, apenas, a definir, no caso concreto, o alcance das normas tributárias, extrapolando a competência da CSRF, que não representa terceira instância administrativa, mas apenas órgão destinado a solucionar divergências jurisprudenciais. Neste sentido, aliás, é o entendimento firmado por todas as Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como são exemplos os recentes Acórdãos nº 9101-002.239, 9202-003.903 e 9303-004.148, reproduzindo entendimento há muito consolidado administrativamente, consoante Acórdão CSRF nº 01-0.956, de 27/11/1989: Caracteriza-se a divergência de julgados, e justifica-se o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterá-lo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1º vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado. Acrescente-se que não há, no referido paradigma, nem mesmo digressões acerca da interpretação da pessoalidade referida no caput do art. 135 do CTN. Portanto, nenhuma interpretação do referido dispositivo legal permite reverter a conclusão do acórdão recorrido no sentido de que: Admitir a exclusão de responsabilidade da pessoa jurídica pelos atos praticados por seus dirigentes, em seu nome, mas com excesso de poderes, implicaria afronta às disposições do art. 123 do CTN, na medida em que um contrato particular entre as partes — in casu, o estatuto da cooperativa a regular a competência de atuação dos dirigentes - poderia vir a alterar a definição de sujeito passivo da obrigação tributária. Repita-se: o art. 135 do Fl. 3054DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 9101-006.575 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10830.000359/2005-81 CTN estabelece hipótese de responsabilidade patrimonial e não de sujeição passiva tributária. Anote-se, por fim, que o acórdão recorrido está em linha com o entendimento consolidado por este Conselho na Súmula CARF nº 130: A atribuição de responsabilidade a terceiros com fundamento no art. 135, inciso III, do CTN não exclui a pessoa jurídica do pólo passivo da obrigação tributária. Embora os precedentes que suportam este enunciado refiram casos nos quais houve imputação de responsabilidade a terceiros juntamente com a manutenção da pessoa jurídica na condição de contribuinte – distintamente do presente caso no qual o lançamento foi formalizado, apenas, em face da Contribuinte - , prosseguir na discussão aqui pretendida acabaria por questionar, indiretamente, o entendimento expresso na Súmula em referência. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da Contribuinte na matéria “Responsabilidade pessoal de dirigentes”. Com respeito à matéria “Ato cooperativo”, a PGFN observa que a presente exigência se distingue do paradigma indicado porque aqui não foi apresentada escrituração comercial pela Contribuinte, que optou por arbitrar seu lucro no período autuado. De fato, assim consta na decisão de 1ª instância, cujos fundamentos são reproduzidos e adotados no voto condutor do acórdão recorrido: Somente após 6 (seis) meses do início da ação fiscal, em 20/09/2004, pela petição de fls. 79 a 83, afirma, a impugnante, no item "B - 2.1 - Segregação de contas de operações com não cooperados" que "A Requerente não reúne condições, nessa oportunidade, de fornecer os dados solicitados, uma vez que os mesmos referem-se à época na qual a sua administração estava a cargo de outros cooperados, os quais, em razão de tumultuada transição havida em junho de 2001, não disponibilizaram dados e documentos sobre o tema". No mesmo instrumento, informou a contribuinte, no item "C" que "... não detém os documentos contábeis solicitados, todos eles referentes a período anterior a junho de 2001..." Verifica-se, assim, que, desde o início da ação fiscal e, no decorrer dos 6 (seis) meses seguintes, além dos parcos dados obtidos, a auditoria não teve acesso aos necessários e imprescindíveis elementos da escrituração contábil e fiscal, relativa ao ano-calendário 2001. [...] Com isso quer-se demonstrar que, contrariamente à sua afirmação, a contribuinte não contribuiu, da maneira que lhe era possível, com o bom andamento dos trabalhos fiscais. Constata-se, pois, que de forma flagrante, a autuada sonegou informações à auditoria fiscal, a uma, porque deixou de dar a conhecer que estava de posse de nova escrituração, relativa ao ano-calendário 2001, providenciada pela empresa de auditoria "TALENTUS"; a duas porque os documentos que embasaram a nova escrituração deixaram de ser apresentados, e a três, por simplesmente ter se abstido, deliberadamente, de responder a indagações sobre assuntos dos quais tinha pleno conhecimento. [...] Isto porque, uma vez formalizada a opção do contribuinte pelo arbitramento dos lucros em face da inexistência de escrituração nos termos das leis comerciais e fiscais, não há previsão legal para seu desfazimento por suposta possibilidade de apuração do lucro real, com base nas informações contidas na escrituração refeita, supostamente colocada à disposição da fiscalização, após a ciência dos autos de infração. [...] Fl. 3055DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 9101-006.575 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10830.000359/2005-81 Não há dúvida de que a receita foi conhecida, ao menos na parte em que a contribuinte permitiu fosse conhecida. Tanto é verdade que a própria pessoa jurídica, para se eximir das penalidades aplicáveis aos casos de lançamentos de oficio, tentou retificar a DIPJ do exercício 2002, nela consignando os valores das receitas auferidas que haviam sido omitidas e que, note-se, representam um acréscimo de aproximadamente 100.000% sobre as receitas trimestrais declaradas na DIPJ original. [...] (destaques do original) Note-se que a impossibilidade de apresentar documentos, da qual resulta o auto- arbitramento no período fiscalizado, tem origem nas exigências feitas, pela autoridade lançadora, acerca da segregação de contas de operações com não cooperados. É certo que estes argumentos se prestam a refutar a pretensão da Contribuinte de que fosse revisada a apuração do lucro tributado com base nas regras de apuração do lucro arbitrado e afirmar procrastinatória a alegação de que não seria conhecida a receita bruta, sem conectar este debate com a pretensão de não tributação de ato cooperativo, enfrentada em tópico subsequente, mas que assim principia, também por reprodução do que decidido em 1ª instância: Como se verifica, o lançamento foi efetuado tendo por base a descaracterização dos atos praticados pela contribuinte como atos eminentemente cooperativos. Além de não apresentar escrituração com segregação de receitas, a sociedade teria por finalidade a administração de planos de saúde, atividade considerada de natureza mercantil, contratando, com terceiros não associados, serviços médicos, hospitalares, laboratoriais, dentre outros, não estando, por essa razão, inserida no âmbito das cooperativas. Essa constatação teria sido confirmada pela própria contribuinte quando, na tentativa de retificação da DIPJ do exercício 2002, consignou exclusivamente receitas de prestação de serviços submetidas à tributação, além de declará-las, como tributáveis, à auditoria fiscal mediante a entrega do formulário "questionário de informações gerais". Por outro lado a impugnante afirma a sua condição de sociedade cooperativa por praticar atos exclusivamente cooperativos. A questão a ser enfrentada, portanto, relaciona-se a identificar, dentre os atos praticados pela empresa interessada, quais seriam os atos cooperativos e quais não seriam. (destacou-se) Como se vê na sequência, por compreender que a atividade da Contribuinte não poderia estar associada a atos cooperativos, a decisão do recorrido deixa de cogitar da imprestabilidade desta discussão se a escrituração não se presta a segregar as receitas correspondentes. Assim é que se refere que a cooperativa de serviços médicos tem como objetivo único a prestação de serviços médicos pelos seus associados, e que a venda de planos de saúde ou de convênios médicos não se constituem em atos cooperativos, mas sim configuram mera intermediação de serviços de terceiros a terceiros não-cooperados, concluindo-se que: Correto, portanto, o procedimento fiscal quando considerou como atos não cooperativos, e por isso sujeitos à tributação pelo IRPJ e CSLL, os atos praticados pela Impugnante, mencionados no presente processo. De toda a sorte, basta ver que o paradigma nº 1102-00.103 teve em conta auto de infração relacionado à exclusão indevida de resultados positivos provenientes de atividades praticadas pela cooperativa. Ou seja, revisando apuração na sistemática do lucro real, a autoridade lançadora glosara exclusão que se prestaria a subtrair do resultado tributável aqueles decorrentes de atos cooperados. Assim, diante da acusação fiscal de que a comercialização de plano de saúde não poderia ser considerada ato cooperativo, de modo que a receita oriunda desta comercialização deveria ser levada à tributação, na decisão do paradigma observou-se que Fl. 3056DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 9101-006.575 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10830.000359/2005-81 caberia à fiscalização distinguir as receitas provenientes de contratação de serviços médicos das receitas provenientes de atos-meio, tais como contratação de hospitais, farmácias, leitos, etc, ao invés de tributar toda a receita auferida pela empresa. Compreendeu-se que este proceder maculou o auto de infração como um todo, não restando outra alternativa, senão, o expurgo dos valores lançados. Como se vê, para além de a discussão do paradigma ter em conta objeção fiscal à escrituração do sujeito passivo que distinguia seus atos como cooperativos e excluía o resultado correspondente do lucro real, distintamente do presente caso no qual a apuração original da Contribuinte foi feita sob as regras do arbitramento justamente porque, como afirmado em resposta apresentada no procedimento fiscal, a Requerente não reúne condições, nessa oportunidade, de fornecer os dados solicitados acerca da segregação dos atos cooperados praticados, no paradigma indicado o lançamento sequer foi cancelado sob o entendimento de que a atividade do sujeito passivo era constituída, apenas, por atos cooperativos, mas sim porque não distinguidas as receitas que poderiam ser, assim, caracterizadas. O exame de admissibilidade vislumbrou o dissídio jurisprudencial sob a seguinte ótica: Verifica-se que a decisão paradigma entendeu que a venda de planos de saúde constitui ato cooperativo, não devendo, portanto, sofrer tributação. Isso porque o plano de saúde é a forma de cobrança dos serviços prestados pela cooperativa a seus clientes, os quais podem ser cooperados ou não cooperados. Entretanto, a decisão recorrida entendeu que a venda de planos de saúde ou de convênios médicos não se constitui em ato cooperativo, mas sim mera intermediação de serviços de terceiros a terceiros não cooperados, motivo pelo qual houve o lançamento tributário com base no valor total dos ingressos percebidos pela Recorrente. Como inicialmente relatado, desde a acusação fiscal a compreensão é de que a maior parte de suas receitas provêm da administração de planos de saúde, com contratação de terceiros, não cooperados, e assunção de riscos inerentes à atividade. Já a decisão do paradigma foi no sentido de que caberia à fiscalização distinguir as receitas provenientes de contratação de serviços médicos das receitas provenientes de atos-meio, tais como contratação de hospitais, farmácias, leitos, etc, ao invés de tributar toda a receita auferida pela empresa. E, no presente caso, a busca pela autoridade fiscal da segregação dos resultados dos atos cooperativos foi infrutífera, vez que a própria Contribuinte reconheceu a imprestabilidade de sua escrituração e optou pelo arbitramento do lucro do período. Neste contexto, a divergência jurisprudencial suscitada a partir do paradigma indicado é inútil para se alcançar a pretensão da Contribuinte, assim consolidada em seu pedido: d) Considerando-se que o lançamento foi levado a cabo com base no valor da receita bruta indicada pela Recorrente, faz-se necessário discriminar quais valores referem-se a ingressos decorrentes da prática de atos cooperativos – que não ensejam a obtenção de renda (base de cálculo do IRPJ e CSLL) - e quais referem-se a atos não cooperativos, para o fim de que sejam excluídos os primeiros (ingressos decorrentes de atos cooperativos), o que, entanto, não foi observado pelo Sr. Fiscal. Foi reconhecido, nos autos do processo administrativo n° 13411.000431/2001-75 (PARADIGMA 3) que as receitas decorrentes da venda de planos de saúde por sociedades cooperativas não caracteriza ato não cooperado. Nada, no paradigma indicado, permite cogitar se o outro Colegiado do CARF admitiria a pretendida exclusão das receitas de atos cooperados da base que se prestou à aplicação do coeficiente de arbitramento dos lucros. É possível, inclusive, vislumbrar a ausência Fl. 3057DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 9101-006.575 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10830.000359/2005-81 de prequestionamento acerca da possibilidade de assim se proceder na hipótese de arbitramento de lucros de uma sociedade cooperativa. Evidente, portanto, que eventual decisão em linha com a pretensão da Contribuinte não seria suportada pela interpretação firmada no paradigma, para além de aquele direcionamento não se prestar a desconstituir o lançamento que, aqui, não resultou em glosa de exclusão na sistemática do lucro real, mas sim em arbitramento com base nas receitas conhecidas informadas pela própria fiscalizada. Estas as razões para, também nesta segunda matéria, NEGAR CONHECIMENTO ao recurso especial da Contribuinte. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Fl. 3058DF CARF MF Original
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